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Numero do processo: 18471.002198/2007-60
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
AUTO DE INFRAÇÃO. CARÊNCIA PROBATÓRIA. IMPROCEDÊNCIA.
Não havendo no processo elementos probatórios que sustentem as afirmações efetuadas na autuação, esta deve ser declarada improcedente. Ainda mais quando as afirmações externadas na autuação sequer são objeto de efetiva investigação durante o procedimento fiscal.
Numero da decisão: 3403-003.526
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Fenelon Moscoso de Almeida, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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CARÊNCIA PROBATÓRIA. IMPROCEDÊNCIA. Não havendo no processo elementos probatórios que sustentem as afirmações efetuadas na autuação, esta deve ser declarada improcedente. Ainda mais quando as afirmações externadas na autuação sequer são objeto de efetiva investigação durante o procedimento fiscal. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Fenelon Moscoso de Almeida, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 21 98 /2 00 7- 60 Fl. 1836DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN 2 Versa o presente sobre auto de infração lavrado em 04/01/2008 (fls. 72 a 78, com ciência à empresa na mesma data, cf. fl. 721), para exigência de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), referente ao período de janeiro a dezembro de 2003, acrescido de juros de mora e de multa de ofício de 75%, perfazendo total de R$ 1.734.716,11, por saída de produto do estabelecimento com emissão de nota fiscal sem o lançamento do imposto. Na autuação, narra o fisco que se promoveu a saída de produtos do estabelecimento da empresa (equiparado a industrial), e que tais produtos haviam sido importados pela própria empresa ou pela empresa “YIN'S Brasil Comércio Internacional LTDA” (de propriedade dos mesmos sócios), havendo transferências entre ambas por valores iguais ou até menores que os constantes nos documentos de importação “com o objetivo de tentar descaracterizar os fatos geradores do IPI nas operações de venda seguintes dos produtos, a preços de mercado”. Havendo impedimento para apurar os reais valores das mercadorias (em função de estarem ilegíveis as notas fiscais apresentadas e não haver registro magnético), foram utilizados os valores dos faturamentos mensais da contribuinte constantes da sua DIRPJ, como “Receita de Revenda de Mercadorias”, adotandose a alíquota de 10% (a maior que se apurou como aplicável). Em sua impugnação (fls. 95 a 108), apresentada em 31/01/2008, alega a empresa que: (a) sua escrituração não é imprestável; (b) lavrou todas as notas fiscais (de entrada e saída) com destaque de IPI; (c) não há uma só nota fiscal ilegível (juntandoas por amostragem às fls. 468 a 744); (d) as Declarações de Importação (DI) fls. 129 a 443 permitem a individualização das mercadorias, não se justificando a imposição generalizada da alíquota de 10%; (e) a empresa apurou e recolheu o IPI devido pelas saídas, conforme Livro de Registro de Apuração do IPI (fls. 1133 a 1242), sendo certo que os recolhimentos se encontram registrados nas contascorrentes bancárias, devidamente identificadas nos Livros Diário e Razão (fls. 745 a 1010); (f) a empresa não se utilizou de interposta pessoa (como aventado e não demonstrado no relatório fiscal), tendo importado diretamente os produtos; (g) durante a fiscalização, passaramse meses sem que fosse lavrado qualquer termo de intimação pela fiscalização (resumo das intimações e procedimentos à fl. 99); (h) é dever da fiscalização reconhecer os créditos da empresa (cf. tabela de fl. 104), levantando o imposto recolhido (cf. tabela de fl. 106), atinente aos produtos saídos do estabelecimento importador, o que foi desconsiderado na autuação; (i) o período de apuração do IPI é decendial, e não mensal, devendo reportarse o lançamento à data do fato gerador; (j) a apuração do imposto, com os respectivos batimentos entre créditos e débitos, apontou saldos devedores apenas em alguns períodos, com regular recolhimento (comprovantes às fls. 444 a 467); e (k) é incabível o arbitramento do valor tributável, pois os fatos geradores e as bases de cálculo são perfeitamente identificáveis. Em 17/06/2011 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 1812 a 1824), no qual se acorda unanimemente pela total improcedência do lançamento (recorrendose de ofício a este CARF), tendo em vista que no procedimento fiscal foram observadas inconsistências que maculam fatalmente o lançamento: (a) não são apontados quais os documentos que permitiram ao autuante afirmar que aqueles exatos produtos foram transferidos para a pessoa jurídica relacionada, que as comercializou a preços de mercado, descaracterizando fatos geradores do IPI; (b) a autoridade lançadora mescla operações tributadas com operações de transferência/revenda posteriores; (c) as bases de cálculo tomadas pela autoridade não foram correspondentes às operações de saída em transferência (à empresa relacionada), mas de saída efetuadas a título de revenda , ao preço de mercado, de produtos recebidos em transferência da empresa relacionada (o que pressupões que tenha havido uma 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 1837DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 18471.002198/200760 Acórdão n.º 3403003.526 S3C4T3 Fl. 1.837 3 simulação, mas sequer se busca caracterizar a ocorrência de simulação no procedimento fiscal); e (d) as bases de cálculo, assim, não se revelam consentâneas com o fato gerador do IPI decorrente das saídas de mercadorias importadas pela empresa, nem com o art. 136, I do Regulamento do IPI (RIPI). A empresa foi cientificada da decisão de piso em 09/04/2012 (AR à fl. 1829). É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Cremos que é possível verificar se assiste razão à DRJ em declarar a total improcedência da autuação a partir de dados internos ao próprio procedimento fiscal. Conforme termo de fl. 53, a ação fiscal foi iniciada em 15/03/2007, intimandose a empresa a apresentar diversos livros e documentos referentes ao ano de 2003 no prazo de cinco dias. Em 11/04/2007 a fiscalização atesta o recebimento dos livros e documentos relacionados à fl. 54. Em 31/07/2007 é lavrado termo simplesmente para comunicar que os trabalhos de fiscalização continuam (fl. 56), com ciência à empresa atestada pelo AR de fls. 57/58 (com data de recebimento sem preenchimento e data de postagem de 31/07/2007). Em 05/10/2007 a empresa é intimada a apresentar arquivos magnéticos (“tendo em vista que grande parte das notas fiscais entregues pelo contribuinte estão ilegíveis”) e a reescriturar os Livros Diário e Razão conforme as normas estabelecidas nos arts. 258 e 259 do Regulamento do Imposto de Renda (fl. 59). Em 23/10/2007 a empresa é intimada a apresentar cópias dos documentos de importação e das notas fiscais relacionados à fl. 61, sendo efetuada na mesma data a devolução dos Livros Diário e Razão (fl. 62). Em resposta, a empresa afirma que as notas e documentos já haviam sido entregues ao fisco (fl. 63), endossando, no entanto, que poderia atender a intimação se julgado necessário. No dia 31/07/2007 a empresa é novamente intimada, destacando o fisco que algumas notas e documentos não foram entregues e que a maioria das notas fiscais estava totalmente ilegível, e que se não apresentados os arquivos digitais, todas as notas fiscais ilegíveis seriam consideradas inidôneas (fls. 65/66). Em 07/11/2007 são enviados arquivos magnéticos, com recebimento atestado pela fiscalização (fl. 67). Ao analisar os arquivos entregues em CD, o fisco verifica que havia na mídia somente sete arquivos compactados (“impossíveis de serem descompactados”), e com tamanhos (de 6 e 5 Kbytes) que demonstram impossibilidade material de ali estarem as Fl. 1838DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN 4 informações solicitadas, reintimando a empresa a apresentar os arquivos magnéticos em 29/11/2007 (fl.68). Em resposta (recebida em 03/12/2007 fl. 69), a empresa informa que “em virtude da impossibilidade de recuperar os arquivos magnéticos solicitados”, solicita a compreensão do fisco e a concessão de prazo maior, dentro do qual tentaria resolver o problema solicitando à Secretaria Estadual de Fazenda os respectivos arquivos. Em 10/12/2007, o fisco comunica que não acata a prorrogação de prazo, e constata que “a contribuinte, em razão de seus próprios atos omissivos, impediu o desenvolvimento regular da fiscalização” (fl. 71). Na sequência, lavrase a autuação aqui analisada, com descrição dos fatos tão sintética que merece ser integralmente transcrita: “Em procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte supracitado, foram apuradas infrações abaixo descritas, aos dispositivos legais mencionados. 001 PRODUTO SAÍDO DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL OU EQUIPARADO A INDUSTRIAL COM EMISSÃO DE NOTA FISCAL IPI NÃO LANÇADO EQUIPARADO A INDUSTRIAL Arbitramento do Imposto sobre Produtos Industrializados devido pelas saldas de produtos tributados do estabelecimento da contribuinte, caracterizado como equiparado a industrial, por promover a saída de produtos por ele mesmo importados, ou através (sic) da interposta pessoa jurídica YIN'S Brasil Comércio Internacional Ltda., inscrita no CNPJ sob o no 02.462.686/000168, de propriedade dos mesmos sócios, já que, as duas, logo após a importação, transferiram entre si as mercadorias por elas importadas por valores iguais ou, até mesmo, inferiores aos constantes das respectivas DI, com o objetivo de tentar descaracterizar os fatos geradores do IPI nas operações de venda seguintes dos produtos, a preços de mercado. Foi utilizada no cálculo do tributo devido a alíquota de 10% (dez por cento), a maior que se apurou como aplicável, e, como base de cálculo do IPI, os valores dos faturamentos mensais da contribuinte constantes da sua DIRPJ, como "Receita de Revenda de Mercadorias", das fichas de cálculo da Contribuição para o PIS, tendo em vista que as vias das Notas Fiscais por ela apresentadas estão ilegíveis e não possui arquivos magnéticos com os registros das suas Notas Fiscais, e as cópias das Notas Fiscais apresentadas pela YIN'S Brasil Comércio Internacional Ltda. também encontramse ilegíveis, o que nos impediu, por culpa única e exclusiva das próprias contribuintes, a apuração dos valores reais das mercadorias transferidas de uma para a outra, e suas respectivas alíquotas. Anotese, também, a impossibilidade de se efetuar qualquer apuração através (sic) dos Livros Contábeis das duas contribuintes, porque escriturados em partidas mensais, e não reescriturados, embora Fl. 1839DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 18471.002198/200760 Acórdão n.º 3403003.526 S3C4T3 Fl. 1.838 5 para tanto tenham sido intimadas, razão que também nos obrigou o arbitramento dos seus lucros.” (grifo nosso) Por certo que a empresa não apresentou toda a documentação solicitada, nem os arquivos magnéticos. Havia ainda impossibilidade de adoção da escrita, na forma pela empresa efetuada. Isso, por si, já configuraria a situação que motivou o termo de constatação de fl. 71, sendo razoável crer que a empresa impediu o desenvolvimento regular da fiscalização (o que ocasionaria autuação diversa da aqui apreciada). Fosse a autuação por obstaculizar a fiscalização haveria efetivamente um nexo causal entre as constatações e o lançamento. É preciso destacar, contudo, que a partir da configuração da falta de colaboração da empresa gerase um salto lógico, no qual o autuante conclui (não se justifica como) que havia situação de interposição (sequer desenvolvida ao longo dos trabalhos fiscais) na qual se buscava descaracterizar os fatos geradores do IPI. Tal afirmação, se comprovada, ensejaria inclusive a qualificação da multa de ofício (e não sua manutenção no patamar de 75% como lavrou o autuante). Mas, no presente processo, restou totalmente ao desamparo de prova a alegação do fisco. Não há sequer uma venda na qual o fisco se dedique a comprovar o que alega. Mesmo com a dificuldade documental, parecenos que as declarações de importação (todas totalmente disponíveis no SISCOMEX, sistema interno da própria RFB) aliadas a algumas das notas fiscais de venda (as centenas de notas fiscais acostadas aos autos parecem dificultar a tese do fisco de que todas ou a maioria estavam ilegíveis) poderiam render ao menos um caso em que o fisco demonstrasse o que alega. Da mesma forma em que o contribuinte não impugna a contento uma autuação apenas apresentando caixas de documentos desconexos, o autuante não lança a contento crédito tributário se não demonstra materialmente a circunstância que faz nascer a obrigação tributária, quantificandoa corretamente, a partir dos elementos disponíveis. Ao que parece, a fiscalização, no momento em que lavrou o auto de infração, tinha o procedimento fiscal ainda cru, a demandar aprofundamento para caracterizar a situação de interposição e quantificar corretamente a quantia devida. Mas, ao invés de continuar os trabalhos de apuração, o fisco contentouse em lavrar a autuação apresentando como elementos de prova os dois parágrafos aqui integralmente reproduzidos. Entendese, assim, que assiste razão ao julgador de piso ao afastar totalmente o lançamento, por carência de base de sustentação perante o ordenamento jurídico do imposto, razão à qual acrescentase ainda a carência de nexo causal entre o conteúdo transcrito do procedimento fiscal e as conclusões externadas na autuação. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. Rosaldo Trevisan Fl. 1840DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN 6 Fl. 1841DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN
score : 1.0
Numero do processo: 10469.731616/2012-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007, 2008
DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. 173, I, DO CTN.
Comprovada a hipótese de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial do direito de constituir o crédito tributário, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, deve observar o disposto no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional.
DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO.
Ocorrendo o pagamento antecipado, a contagem do prazo decadencial do direito de constituir o crédito tributário, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, deve observar o disposto no artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
OMISSÃO DE RECEITAS. VENDAS COM CARTÕES DE DÉBITO E CRÉDITO QUE NÃO TRANSITARAM POR CONTAS DE RESULTADO (RECEITAS). HIGIDEZ DA OMISSÃO.
O autuado em nenhum momento demonstrou a contabilização da venda com cartões de débito e crédito via conta de resultados (receita), pois não demonstrou os débitos na conta Caixa (e crédito na conta de resultados receitas), referentes às vendas individualizadas com os cartões de crédito e débito, com identidade de data e valor, com valores transacionados com as diversas bandeiras de cartões.
PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE PAGAMENTOS EFETUADOS PELA PESSOA JURÍDICA. IMPUTAÇÃO NÃO INFIRMADA PELO AUTUADO. MANUTENÇÃO DA TRIBUTAÇÃO.
A fiscalização identificou cada pagamento que não teria sido contabilizado, com a documentação de suporte da circularização dos fornecedores, e caberia ao contribuinte ter infirmado a presunção de que houve o pagamento à margem da contabilidade, o que implicou na imputação de omissão de receitas, prevista no art. 40 da Lei nº 9.430/96.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE.
Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos e não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para o percentual de 150% depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência da fraude ou do evidente intuito desta, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim, o que não restou demonstrado no presente caso.
LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS.
O decidido quanto ao IRPJ aplica-se à tributação dele decorrente.
Recurso voluntário provido parcialmente.
Numero da decisão: 1402-001.897
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos acolher a decadência para o 1º, 2º e 3º trimestres do ano-calendário de 2007, em relação ao IRPJ e CSLL; e para os fatos geradores ocorridos até novembro/2007, inclusive, para o PIS e a Cofins; e, no mérito; dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencida a Conselheira Fernanda Carvalho Alvares que votou por negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Pelá - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernanda Carvalho Alvares, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Cristiane Silva Costa, Paulo Roberto Cortez e Carlos Pelá.
Nome do relator: CARLOS PELA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007, 2008 DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. 173, I, DO CTN. Comprovada a hipótese de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial do direito de constituir o crédito tributário, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, deve observar o disposto no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. Ocorrendo o pagamento antecipado, a contagem do prazo decadencial do direito de constituir o crédito tributário, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, deve observar o disposto no artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS. VENDAS COM CARTÕES DE DÉBITO E CRÉDITO QUE NÃO TRANSITARAM POR CONTAS DE RESULTADO (RECEITAS). HIGIDEZ DA OMISSÃO. O autuado em nenhum momento demonstrou a contabilização da venda com cartões de débito e crédito via conta de resultados (receita), pois não demonstrou os débitos na conta Caixa (e crédito na conta de resultados receitas), referentes às vendas individualizadas com os cartões de crédito e débito, com identidade de data e valor, com valores transacionados com as diversas bandeiras de cartões. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE PAGAMENTOS EFETUADOS PELA PESSOA JURÍDICA. IMPUTAÇÃO NÃO INFIRMADA PELO AUTUADO. MANUTENÇÃO DA TRIBUTAÇÃO. A fiscalização identificou cada pagamento que não teria sido contabilizado, com a documentação de suporte da circularização dos fornecedores, e caberia ao contribuinte ter infirmado a presunção de que houve o pagamento à margem da contabilidade, o que implicou na imputação de omissão de receitas, prevista no art. 40 da Lei nº 9.430/96. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos e não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para o percentual de 150% depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência da fraude ou do evidente intuito desta, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim, o que não restou demonstrado no presente caso. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS. O decidido quanto ao IRPJ aplica-se à tributação dele decorrente. Recurso voluntário provido parcialmente.
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Recorrida 4ª Turma da DRJ/REC ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008 DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. 173, I, DO CTN. Comprovada a hipótese de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial do direito de constituir o crédito tributário, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, deve observar o disposto no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. Ocorrendo o pagamento antecipado, a contagem do prazo decadencial do direito de constituir o crédito tributário, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, deve observar o disposto no artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS. VENDAS COM CARTÕES DE DÉBITO E CRÉDITO QUE NÃO TRANSITARAM POR CONTAS DE RESULTADO (RECEITAS). HIGIDEZ DA OMISSÃO. O autuado em nenhum momento demonstrou a contabilização da venda com cartões de débito e crédito via conta de resultados (receita), pois não demonstrou os débitos na conta Caixa (e crédito na conta de resultados receitas), referentes às vendas individualizadas com os cartões de crédito e débito, com identidade de data e valor, com valores transacionados com as diversas bandeiras de cartões. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE PAGAMENTOS EFETUADOS PELA PESSOA JURÍDICA. IMPUTAÇÃO NÃO INFIRMADA PELO AUTUADO. MANUTENÇÃO DA TRIBUTAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 73 16 16 /2 01 2- 24 Fl. 7926DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA Processo nº 10469.731616/201224 Acórdão n.º 1402001.897 S1C4T2 Fl. 3 2 A fiscalização identificou cada pagamento que não teria sido contabilizado, com a documentação de suporte da circularização dos fornecedores, e caberia ao contribuinte ter infirmado a presunção de que houve o pagamento à margem da contabilidade, o que implicou na imputação de omissão de receitas, prevista no art. 40 da Lei nº 9.430/96. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos e não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para o percentual de 150% depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência da fraude ou do evidente intuito desta, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim, o que não restou demonstrado no presente caso. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS. O decidido quanto ao IRPJ aplicase à tributação dele decorrente. Recurso voluntário provido parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos acolher a decadência para o 1º, 2º e 3º trimestres do anocalendário de 2007, em relação ao IRPJ e CSLL; e para os fatos geradores ocorridos até novembro/2007, inclusive, para o PIS e a Cofins; e, no mérito; dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencida a Conselheira Fernanda Carvalho Alvares que votou por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernanda Carvalho Alvares, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Cristiane Silva Costa, Paulo Roberto Cortez e Carlos Pelá. Relatório Trata o presente processo de autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS (fls. 2/148), cumulados com juros e multa de ofício qualificada, referentes aos anos calendário de 2007 e 2008, lavrados em razão da suposta (i) omissão de receitas oriundas das Fl. 7927DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA Processo nº 10469.731616/201224 Acórdão n.º 1402001.897 S1C4T2 Fl. 4 3 vendas por cartão de crédito e débito; e (ii) omissão de receitas caracterizada pela não contabilização de pagamentos de despesas operacionais, na forma do art. 40 da Lei nº 9.430/96. Em relação à primeira infração, a Contribuinte alegou que devido ao grande volume de venda em cartões de crédito e de débito e à grande quantidade de registros individualizados que esta operação gerava, optou por registrar as receitas de vendas dos anos calendário 2007 e 2008 em contrapartida da conta Caixa, para somente na seqüência efetuar as provisões, de forma sintética, dos montantes a receber de cada operadora de cartão de crédito, através de lançamentos de transferências a crédito da conta Caixa e a débito das respectivas contas dos cartões. A autoridade fiscal intimou a Contribuinte a especificar tais lançamentos na conta Caixa (débito) e na conta de receitas respectiva (crédito), sendo que a fiscalizada apenas apresentou relatórios das administradoras de cartão de crédito MasterCard e Visa, títulos de direito quitados, acerca das vendas realizadas por cartões de crédito e débito, a partir de 05/03/2007, em linha com os dados fornecidos pela Secretaria de Estado de Tributação do Rio Grande do Norte (SET – RN), estes desde 02/01/2007. A Contribuinte foi notificada da infração descrita acima no curso da fiscalização e nada contraditou. Ademais, a autoridade fiscalizadora asseverou que confrontou os lançamentos da conta Caixa com os valores referentes às vendas realizadas através de cartões de crédito e de débito, conforme relatório das administradoras de cartões, constatando que tais valores não transitaram pela conta Caixa, nem tampouco por conta de resultado, caracterizando omissão de receita. Em relação à segunda infração, contanos o Termo de Verificação Fiscal (fls. 149/158) que, a partir de informações obtidas junto a SET RN – dados SINTEGRA – verificouse grande quantidade de notas fiscais de fornecedores/prestadores de serviços que não foram escrituradas no Livro de Registro de Entradas e tampouco na contabilidade, conforme Anexo I do Termo de Constatação e de Intimação Fiscal de 19/11/2012. Foram realizadas diversas diligências fiscais a partir das quais se verificou que as notas eram referentes a aquisições de mercadorias/serviços pela Contribuinte, matriz e filiais, tendo ocorrido o pagamento de tais aquisições. Através do Termo de Constatação e de Intimação Fiscal de 19/11/2012, do qual a Contribuinte tomou ciência em 20/11/2012, notificouse a Contribuinte de tal constatação. Em resposta, a Contribuinte apresentou uma relação contendo notas fiscais relacionadas pela fiscalização que teriam sido contabilizadas, porém apresentavam divergências no número da NF, escrituradas erroneamente em conta contábil de outro fornecedor, ou escrituradas no anocalendário 2009 (emitidas nos últimos dias do ano calendário 2008), tendo sido tais notas fiscais retiradas do rol de notas fiscais identificadas pela fiscalização como não escrituradas na contabilidade, bem como os seus respectivos pagamentos, conforme “Demonstrativo de Notas Fiscais Referentes à Aquisição de Mercadorias/Serviços não Contabilizadas”. Verificada a falta de escrituração de pagamentos efetuados pela Contribuinte, os mesmos foram caracterizados como receita omitida, conforme o art. 40 da Lei nº 9.430/96, já que a Contribuinte não logrou demonstrar a origem dos recursos utilizados para quitação das mercadorias/serviços adquiridas através das notas fiscais discriminadas no demonstrativo Fl. 7928DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA Processo nº 10469.731616/201224 Acórdão n.º 1402001.897 S1C4T2 Fl. 5 4 “Notas Fiscais Não Contabilizadas” e não estando os pagamentos destas notas fiscais devidamente escriturados. A autoridade fiscalizadora entendeu que a Contribuinte agiu de modo intencional no sentido de eximirse do pagamento de tributos, quando não escriturou suas receitas com venda de cartões, bem como quando deixou de escriturar grande quantidade de pagamentos. Ademais, entendeu que a Contribuinte teria demonstrado sua intenção dolosa, quando informou à fiscalização que havia contabilizado as vendas dos cartões a débito da conta Caixa, quando isso não ocorreu, como verificado no curso da ação fiscal. Por isso, aplicou multa de ofício qualificada para as duas infrações. Cientificada dos lançamentos, a Contribuinte apresentou impugnação, aduzindo, em síntese, o que segue: 1) Decaíram os créditos tributários referentes a fatos geradores anteriores a 11/12/2007, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. 2) A autoridade fiscal simplesmente alegou, sem provar, que as vendas com cartões de crédito e de débito não transitaram pelas contas caixa e de resultado. Ocorre que, por um mero cotejo analítico entre os valores percebidos da Redecard, nos meses de novembro e dezembro de 2008 (documento nº 03), em face da escrituração do livro diário (documento nº 2), demonstrase que os valores provisionados pela Contribuinte para a conta Caixa, debitados da referida conta Redecard, corresponde exatamente aos valores faturados informados por essa operadora referentes àqueles meses, o que enfraquece a argumentação da autoridade lançadora. Claramente, a fiscalização não carreou aos autos elementos probatórios mínimos a comprovar a omissão de receitas, sendo que, com o exemplo ora informado, se demonstra que houve a provisão na conta Caixa dos recebíveis de tal operadora, a implicar no cancelamento dessa infração ou conversão do julgamento em diligência, para que possa ser feito o cotejo entre os valores recebidos das administradoras e a escrituração da Contribuinte; 3) Para fazer uso da presunção legal de omissão de receitas prevista no art. 40 da Lei nº 9.430/96, a autoridade fiscal deveria ter motivado o lançamento com lastro probatório mínimo, a demonstrar a falta de escrituração dos pagamentos ou a manutenção de obrigações de exigibilidade não comprovada no passivo, o que não ocorreu. A Contribuinte elaborou um relatório acerca das notas fiscais que foram utilizadas na presunção legal da omissão de receitas em foco, com a situação do lançamento em sua contabilidade, onde se vê que não reconhece a grande maioria das notas fiscais (144 em um universo de 177), que não foi paga, nem gerou qualquer movimentação financeira (documento nº 4), sendo que está mantendo contato com os fornecedores para esclarecer o porquê da emissão dessas notas fiscais, tarefa ainda não concluída, por falta de tempo hábil; 4) Afastada a omissão de receitas oriunda da venda com cartões de crédito e débito, inviável a aplicação da multa de ofício, inclusive a qualificada, já que a autoridade fiscal sequer comprou que houve a efetiva omissão dolosa de registro de entrada no tocante às notas fiscais consideradas também como omissão de receitas, devendo ser aplicado, no ponto, a Súmula CARF nº 14. Ademais, entendendose nessa instância julgadora de forma diversa, deve a multa ser reduzida para um patamar razoável e não confiscatório. Analisando o caso, os membros da 4ª Turma da DRJ/REC, por maioria de votos, julgaram procedente em parte a impugnação apresentada, para afastar da omissão de receitas caracterizada por pagamentos não contabilizados nos montantes que constaram no voto Fl. 7929DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA Processo nº 10469.731616/201224 Acórdão n.º 1402001.897 S1C4T2 Fl. 6 5 do relator. Vencido o relator que acolhia a impugnação em maior extensão para desqualificar a multa de ofício vinculada aos tributos incidentes sobre a omissão de receitas caracterizada por pagamentos não contabilizados, com reconhecimento de decadência sobre parte do lançamento. Designado para redigir o voto vencedor o Julgador Saulo Loureiro Dubourcq Santana (fls.7811/7843). O aresto restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL ORDINÁRIO REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN, DESDE QUE HAJA PAGAMENTO ANTECIPADO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO OU NO CASO DE APLICAÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA, APLICASE A REGRA DECADENCIAL DO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62A, DO ANEXO II, DO RICARF. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Reprodução da ementa do leading case Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos). Fl. 7930DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA Processo nº 10469.731616/201224 Acórdão n.º 1402001.897 S1C4T2 Fl. 7 6 OMISSÃO DE RECEITAS. VENDAS COM CARTÕES DE DÉBITO E CRÉDITO QUE NÃO TRANSITARAM POR CONTAS DE RESULTADO (RECEITAS). HIGIDEZ DA OMISSÃO. O fiscalizado em nenhum momento demonstrou a contabilização da venda com cartões de débito e crédito via conta de resultados (receita), pois não demonstrou os débitos na conta Caixa (e crédito na conta de resultados receitas), referentes às vendas individualizadas com os cartões de crédito e débito, com identidade de data e valor, como constou na planilha trazida pelo próprio autuado, com valores transacionados com as diversas bandeiras de cartões. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE PAGAMENTOS EFETUADOS PELA PESSOA JURÍDICA. IMPUTAÇÃO NÃO INFIRMADA PELO AUTUADO. MANUTENÇÃO DA TRIBUTAÇÃO. A fiscalização identificou cada pagamento que não teria sido contabilizado, com a documentação de suporte da circularização dos fornecedores, e caberia ao impugnante ter infirmado a presunção de que houve o pagamento à margem da contabilidade, o que implicou na imputação de omissão de receitas, prevista no art. 40 da Lei nº 9.430/96, contactando os seus fornecedores e não argumentar que não o fez por falta de tempo. MULTA DE OFÍCIO. OMISSÃO DE RECEITAS. REITERAÇÃO DA CONDUTA. CORREÇÃO DA QUALIFICAÇÃO. No tocante à omissão de receitas de forma reiterada, efetivamente não é razoável imaginar que o contribuinte não tenha ofertado à tributação tais valores, de forma insciente, como se um erro ou equívoco tivesse acontecido. No caso, não se pode visualizar tal conduta como uma mera omissão de receita, a justificar a aplicação da Súmula CARF nº 14 (A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo). Não há dúvida de que se tratou de uma conduta qualificada, na qual transparece claramente o firme propósito de não submeter à tributação as receitas auferidas, com dolo evidente. Correta, assim, a qualificação da multa que incidiu sobre os tributos decorrentes dessa omissão. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformada, a Contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 7878/7901), alegando, em resumo, que: 1) Em nenhum momento a fiscalização logrou demonstrar que os valores dos pagamentos de tais compras se deram com recursos à margem da escrituração. Sendo a Contribuinte tributada pelo Lucro Real, a escrituração dos pagamentos (custos/despesas) teria reduzido a base de cálculo dos tributos, o que demonstra que não houve prejuízo ao fisco e que a falta de escrituração decorre de mero erro da escrituração contábil e fiscal. Fl. 7931DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA Processo nº 10469.731616/201224 Acórdão n.º 1402001.897 S1C4T2 Fl. 8 7 2) Não houve emissão de notas fiscais frias, inidôneas ou calçadas, movimentação de conta bancária em nome fictício ou de pessoa já falecida, falsidade documental ou ideológica, dentro outros atos que demonstrassem o efetivo intuito doloso. 3) A fiscalização não comprovou a omissão de receitas, mas apenas presumiu, com base no art. 40 da Lei nº 9.430/96. Contudo, essa presunção não se presta ao agravamento da multa. Da mesma forma, eventual falta de escrituração não permite a presunção de existência de dolo nessa conduta. Mesmo porque, a falta de escrituração de alguns poucos documentos ante o elevado número de operações de compras escrituradas, torna os 55 lançamentos apontados como diminuto. 4) Afastada a multa qualificada, em 12/12/2012 a fiscalização não poderia efetuar o lançamento tributário com relação aos fatos geradores de janeiro a novembro de 2007 (PIS e COFINS) e 1º, 2º e 3º trimestre (IRPJ e CSLL), nos termos do art. art. 150, § 4º, do CTN. 5) A hipótese aventada era de omissão de receitas, sendo o caso de aplicação do art. 281, II do RIR/99. E, a depender da circunstância, poderia configurar presunção legal de omissão de receitas, se restasse demonstrado pela fiscalização saldo credor de caixa. Contudo, isso não foi feito. A fiscalização não recompôs a escrituração comercial e nem mesmo das contas caixa e custos/despesas de modo a contemplar a movimentação não incluída e apurar se houve insuficiência no recolhimento dos tributos. Da mesma forma como pode ter ocorrido falta de registro em contas de receitas, pode ter ocorrido falta de registro em contas de despesas/custos. Portanto, apenas se inserindo os valores apurados pela fiscalização nas referidas contas é que seria possível chegar ao verdadeiro resultado tributável. Assim, o valor referente a compras omitidas deve ser considerado custo/despesa, já que não foi apropriado ao resultado do exercício e concorre para o resultado das apurações tributárias do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS. 6) Em obediência ao princípio da verdade material, deve ser realizada diligência no sentido de refazer a apuração dos tributos, com base nos lançamentos contábeis corretos de cada operação apontada como infração. 7) Não incidem juros de mora sobre multa de ofício. É o Relatório. Voto Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator O recurso atende a todos os pressupostos de admissibilidade. Deve, pois, ser conhecido. Inicio o julgamento a partir do mérito, deixando para o final a análise da manutenção da qualificação da multa de ofício e da decadência. Fl. 7932DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA Processo nº 10469.731616/201224 Acórdão n.º 1402001.897 S1C4T2 Fl. 9 8 Infração 1) Omissão de receitas decorrente da não contabilização como receita das vendas com cartão de crédito e débito. Sobre esse ponto, oportuno transcrever o que resumiu e concluiu o acórdão a quo: Em intimação recebida pelo contribuinte em 15/05/2012, a fiscalização intimouo a justificar por que as receitas de cartão de crédito e de débito não tinham transitado por contas de receitas (contas de resultado), juntando a tal intimação um espelho da conta contábil Clientes a receber, onde se vê que os montantes mensais das vendas de cada administradora eram contabilizados a débito da conta Clientes e a crédito da conta Caixa (fls. 185 a 196). Em resposta, o contribuinte asseverou que contabilizava as vendas com contrapartida a débito da conta Caixa, para, na seqüência, lançar de forma sintética os montantes a receber de cada operadora de cartão de crédito, através de lançamentos de transferência a crédito da conta Caixa e a débito das respectivas contas dos cartões – conta contábil Clientes a receber (fl. 198). A fiscalização, insatisfeita com a resposta acima, pois queria a comprovação do trânsito das vendas com cartão de débito e crédito nas contas de resultado (receitas) e não as contabilizações em contas patrimoniais (Caixa e Clientes a Receber), novamente intimou o contribuinte a especificar os lançamentos na conta Caixa que se referiam às vendas com cartões (fl. 202), com notificação ao contribuinte em 02/07/2012. Em resposta, o contribuinte simplesmente relacionou os valores sintéticos mensais das vendas com cartões que transitaram pela conta Caixa (fls. 204 a 209). Com o quadro acima, em 1º/08/2012, a autoridade fiscal intimou o contribuinte a “especificar os lançamentos contábeis na conta Caixa nos anos calendário 2007 e 2008, no momento da venda realizada através de cartão de crédito, ou seja, os lançamentos que foram feitos na conta caixa (debitada) e na conta de Receitas (creditada) que eram referentes a vendas feitas através de cartão de crédito. A resposta deve trazer os lançamentos individualizados, com data, valor e identificar a administradora do cartão de crédito”. Atendendo a intimação acima, o contribuinte juntou aos autos um relatório dos cartões MasterCard e Visa, denominado Títulos de Direito Quitados, com todas as vendas com essas bandeiras (fls. 213, 4.751 a 5008). A fiscalização, apreciando tal documentação, asseverou que o contribuinte fazia registro individualizado de suas vendas a crédito da conta Caixa, porém não havia os lançamentos a débito da conta Caixa e a crédito das contas de resultados (receitas) das vendas com os cartões, como se vê no Termo de Constatação e Intimação Fiscal de fls. 355/356, de 19/11/2012. Ora, o percurso acima mostra nitidamente que a fiscalização, em quatro oportunidades, intimou o contribuinte a comprovar a contabilização das vendas com cartões com trânsito por conta de resultado (receita), sem lograr êxito. De posse da contabilidade do contribuinte, via Livro Razão do AC2007 e da Escrituração Digital do AC2008, a fiscalização já tinha percebido a ausência do lançamento das receitas com cartões a débito da conta Caixa e a crédito da conta de resultado (receitas), pois logo no início intimou o contribuinte a esclarecer tal situação, pois somente viu os lançamentos a crédito da conta Caixa e a débito da conta Clientes a receber (fl 186 e seguintes). Fl. 7933DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA Processo nº 10469.731616/201224 Acórdão n.º 1402001.897 S1C4T2 Fl. 10 9 O fiscalizado em nenhum momento demonstrou a contabilização da venda com cartões de débito e crédito via conta de resultados (receita), pois não demonstrou os débitos na conta Caixa (e crédito na conta de resultados – receitas), referentes às vendas individualizadas com os cartões de crédito e débito, com identidade de data e valor, como constou na planilha trazida pelo próprio autuado (fls. 213, 4.751 a 5008). Na verdade, demonstrou unicamente que havia um lançamento mensal, para cada bandeira, a crédito do Caixa e a débito da conta Clientes a receber (com subconta em nome de cada bandeira), havendo, quando do efetivo recebimento dos valores das bandeiras, os créditos da conta Clientes e os débitos da conta Bancosconta movimento (para o AC2008, vide fls. 4.490 a 4.682). Porém, o fechamento a débito da conta Caixa das vendas com cartão (e a crédito da conta de resultado) não se comprovou. Na impugnação, o contribuinte se louvou dos valores recebidos da administradora de cartão Redecard, nos meses de novembro e dezembro de 2008, secundado pelo livro Diário, para tentar infirmar a imputação da omissão de receitas. Ora, a documentação trazida pelo impugnante simplesmente demonstra o lançamento mensal, para bandeira Redecard, a crédito do Caixa e a débito da conta Clientes a receber (com subconta em nome da Redecard), havendo, quando do efetivo recebimento dos valores da bandeira, os créditos da conta Clientes a receber e os débitos da conta Bancos conta movimento, como já estava demonstrado nos autos pela fiscalização (para o AC2008, vide fls. 4.490 a 4.682). Como exemplo da insuficiência da prova acima, vejase a contabilização de fl. 7.776, para o mês de novembro de 2008, a partir de valores recebidos da Redecard. No Diário Simplificado, há os diversos débitos na conta Banco Conta Movimento (bancos Bradesco e Brasil), com crédito na conta da Redecard (Clientes a receber), à medida que a bandeira ia depositando os valores nas contas bancárias do contribuinte, havendo, no final do mês, os créditos na conta Caixa e Débitos na conta Redecard (Clientes a receber), estes nos importes de R$ 179.957,17 e R$ 86.805,36. Não há, repisese, qualquer comprovação no Diário de que, no curso do mês de novembro, houve os débitos na conta Caixa, à medida que as vendas iam se sucedendo, com a contrapartida na conta de resultado (receitas). Era isso que o impugnante deveria provar e não ficar repisando os mesmos fatos já rechaçados pela fiscalização. Para o mês de dezembro de 2008, ocorreu a mesma coisa (fl. 7.777). Por tudo, claramente está demonstrada a infração de omissão de receitas oriunda das vendas por cartões de débito e crédito, pois repousa nos autos a escrituração fiscal do contribuinte, e este não logrou em nenhum momento, mesmo na impugnação, a comprovar que tais vendas transitaram pelas contas de resultado (receitas), sendo absolutamente descabido converter este julgamento em diligência, pois, em cinco oportunidades (quatro durante a fiscalização e agora na impugnação), o fiscalizado não demonstrou como contabilizou as vendas referidas nas contas de resultado (receitas). Como se vê, a fiscalização diversas vezes intimou a Recorrente a comprovar a contabilização das vendas com cartões com trânsito por conta de resultado (receita). No entanto, durante a ação fiscal, na impugnação ou mesmo agora no recurso voluntário a Recorrente não logrou demonstrar tal trânsito. Fl. 7934DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA Processo nº 10469.731616/201224 Acórdão n.º 1402001.897 S1C4T2 Fl. 11 10 Assim, deve ser mantida a autuação nesse ponto. Infração 2) Omissão de receitas decorrente da não contabilização de pagamentos A partir de informações da Secretaria de Tributação do Rio Grande do Norte (dados do Sintegra), a fiscalização detectou diversas notas fiscais de compras da Recorrente que não foram lançadas no Livro de Registro de Entrada e tampouco na contabilidade, intimando a Recorrente a esclarecer o ocorrido (tais notas fiscais estão estampadas no Demonstrativo de fls. 7614/7618). Em atendimento, a Recorrente discriminou um rol de notas fiscais (fls. 397/398), asseverando que algumas teriam sido contabilizadas, porém apresentavam divergências no número da NF, tinham sido escrituradas em conta contábil de outro fornecedor ou tinham sido escrituradas no anocalendário 2009 (emitidas nos últimos dias do ano calendário 2008), o que foi acatado pela fiscalização (fls. 155 e 156). Por fim, remanesceu sem comprovação a origem dos recursos das notas fiscais de fls. 7614/7618, cujos pagamentos foram considerados como receitas omitidas, na forma do art. 40 da Lei nº 9.430/96. Para afastar tal presunção, a Recorrente produziu o relatório (fls. 7778/7780), no qual justifica que algumas notas teriam sido contabilizadas, nos anos fiscalizados (15 notas fiscais) ou em 2009 (14 notas fiscais). Em relação às notas fiscais pretensamente contabilizadas em 2009, o argumento da Recorrente não se sustenta, já que ela não logrou comprovar o alegado anexando aos autos os livros contábeis pertinentes. Em relação às notas fiscais supostamente contabilizadas nos anoscalendário fiscalizados, parte dos argumentos merece acolhida, nos exatos termos da decisão recorrida. Transcrevase: 1. Nota Fiscal NF nº 170.608, valor R$ 82.863,00, datada de 17/06/08, fornecedor Avebom Indústria de Alimentos Ltda., para a qual o contribuinte assevera que foi lançada em 27/06/2008, com o nº 1437 (fl. 7.778), considerada como receita presumida, por pagamento não contabilizado (fl. 7.617) – De fato, vêse a contabilização de tal valor em 27/06/2008, na conta do Razão em nome do referido fornecedor (fl. 6.526). O número da NF indicado pela fiscalização parece provir da data da Nota Fiscal, sem barras. Vejase, ademais, que a numeração das NFs de tal fornecedor, no período, não tem similitude com o número trazido pela fiscalização (fl. 6.526). Dessa forma, devese excluir tal montante da omissão de receitas; 2. NF nº 249950, valor R$ 13.600,00, datada de 07/01/08, fornecedor AVIVAR ALIMENTOS LTDA, para a qual o contribuinte assevera que foi lançada em 11/01/2008, com o nº 242.950 (fl. 7.778), considerada como receita presumida, por pagamento não contabilizado (fl. 7.616) – De fato, vêse a contabilização de tal valor em 11/01/2008, na conta do Razão em nome do referido fornecedor (fl. 6.532). O número da NF indicado pelo impugnante está em linha com as demais NFs emitidas por esse fornecedor, de forma diversa do indicado pela fiscalização. A Fl. 7935DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA Processo nº 10469.731616/201224 Acórdão n.º 1402001.897 S1C4T2 Fl. 12 11 identidade dos valores, aliada a verossimilhança da numeração da NF indicada pelo impugnante, leva este julgador a entender que a NF em foco foi efetivamente contabilizada em 11/01/2008, devendo ser excluída do montante tributável; 3. NF nº 67.308, valor R$ 3.540,00, datada de 05/06/2007, fornecedor BUNGE ALIMENTOS S/A, para a qual o contribuinte assevera que foi lançada em 08/06/2007, com o nº 67.608 (fl. 7.778), considerada como receita presumida, por pagamento não contabilizado (fl. 7.615) – Vêse que a fiscalização intimou o fornecedor a acostar aos autos a nota fiscal e a comprovação de recebimento (fl. 5.390), não obtendo resposta no tocante a tal nota fiscal (fl. 5.392). Ademais, vêse a contabilização na forma indicada pelo impugnante (fl. 6.567). Quer porque o fornecedor não comprovou a venda na forma indicada pela fiscalização, quer porque o impugnante demonstrou que há NF que se amolda ao título indicado pela fiscalização, contabilizada, devese excluir tal montante da receita omitida; 4. NF nº 437753, valor R$ 4.897,35, datada de 02/09/2008, fornecedor CIRNE DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA, para a qual o contribuinte assevera que foi contabilizada (fl. 7.778), considerada como receita presumida, por pagamento não contabilizado (fl. 7.617) – Vêse que a fiscalização intimou o fornecedor a acostar aos autos a nota fiscal e a comprovação de recebimento, logrando obter cópia da nota fiscal e da comprovação do pagamento (fl. 5.479 e 5.480). Compulsando o Razão, em conta em nome do fornecedor, não se vê a contabilização do pagamento (fl. 6.649). Ausente a contabilização do pagamento, devese manter a omissão de receitas; 5. NF nº 136265, valor R$ 7.115,49, datada de 26/04/07, fornecedor DOUX FRANGOSUL S/A AGRO AVICOLA INDUSTRIAL, para a qual o contribuinte assevera que foi contabilizada em 07/05/2007 (fl. 7.778), considerada como receita presumida, por pagamento não contabilizado (fl. 7.614) – Vêse que a fiscalização intimou o fornecedor a acostar aos autos a nota fiscal e a comprovação de recebimento, logrando obter cópia da nota fiscal e da comprovação do pagamento (fl. 5.645 e 5.653). Compulsando o Razão, em conta em nome do fornecedor, vêse a contabilização da nota fiscal, em 07/05/2007 (fl. 6.800). Dessa forma, tal valor deve ser excluído da omissão de receitas; 6. NF nº 6764, valor R$ 6.290,04, datada de 13/02/07, fornecedor FLORA PRODUTOS DE HIGIENE E LIMPEZA S.A, para a qual o contribuinte assevera que foi contabilizada em 04/04/2007 (fl. 7.778), considerada como receita presumida, por pagamento não contabilizado (fl. 7.614) – Vêse que a fiscalização intimou o fornecedor a acostar aos autos a nota fiscal e a comprovação de recebimento, logrando obter cópia da nota fiscal e da comprovação do pagamento (fls. 5.691 e 5.692). Compulsando o Razão, em conta em nome do fornecedor, não se vê a contabilização do pagamento (fl. 6.859). Ausente a contabilização do pagamento, devese manter a omissão de receitas; 7. NF nº 24324, valor R$ 1.600,00, datada de 03/01/08, fornecedor GOLD WORK COMERCIAL LTDA, para a qual o contribuinte assevera que foi contabilizada em 12/12/2007 (fl. 7.779), considerada como receita presumida, por pagamento não contabilizado (fl. 7.616) – Vêse que a fiscalização intimou o fornecedor a acostar aos autos a nota fiscal e a comprovação de recebimento, logrando obter cópia da nota fiscal (fl. 5.695). Compulsando o Razão, em conta em Fl. 7936DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA Processo nº 10469.731616/201224 Acórdão n.º 1402001.897 S1C4T2 Fl. 13 12 nome do fornecedor, vêse a contabilização do pagamento, na forma descrita pelo contribuinte (fl. 6.861). Dessa forma, tal valor deve ser excluído da omissão de receitas; 8. NF nº 4138, valor R$ 1.835,90, datada de 24/11/08, fornecedor I A V COMERCIO E SERVICOS LTDA EPP, para a qual o contribuinte assevera que foi contabilizada em 17/12/2008 (fl. 7.779), considerada como receita presumida, por pagamento não contabilizado (fl. 7.617) – Vêse que a fiscalização intimou o fornecedor a acostar aos autos a nota fiscal e a comprovação de recebimento, logrando obter cópia da nota fiscal, com registro de recebimento da mercadoria na nota (fl. 5.723). Compulsando o Razão, não se encontra a conta em nome de tal fornecedor, situação já anotada pela fiscalização (fl. 6.499). Ausente a contabilização do pagamento, devese manter a omissão de receitas; 9. NFs nºs 419.180 e 419.181, ambas no valor R$ 3.325,05, datadas de 23/06/07, fornecedor INDUSTRIA DE LATICINIOS PALMEIRA DOS INDIOS S/A ILPISA, para a qual o contribuinte assevera que foram contabilizadas em 26/06/2007 (fl. 7.779), considerada como receita presumida, por pagamento não contabilizado (fl. 7.615) – Vêse que a fiscalização intimou o fornecedor a acostar aos autos a nota fiscal e a comprovação de recebimento, logrando obter cópias das notas fiscais (fls. 5.775 e 5.776). Compulsando o Razão, em nome de tal fornecedor, vêse somente a contabilização da NF nº 419.181 (fl. 7.003), devendo apenas o montante de R$ 3.325,05 ser excluído da omissão de receitas; 10. NF nº 254207, valor R$ 3.798,00, datada de 19/11/07, fornecedor MECANO PACK EMBALAGENS, para a qual o contribuinte assevera que foram contabilizadas em 29/11/2007 (fl. 7.779), considerada como receita presumida, por pagamento não contabilizado (fl. 7.616) – Vêse que a fiscalização intimou o fornecedor a acostar aos autos a nota fiscal e a comprovação de recebimento, não logrando obter qualquer resposta (fls. 5.921 e 5.922). Alega a fiscalização que não há conta no razão para tal fornecedor (fl. 6.499). De fato, compulsando o razão, não se vê tal conta. Entretanto, como a fiscalização não logrou obter a efetiva comprovação da compra da mercadoria, com o respectivo pagamento (ou recebimento daquela), não se pode considerar o montante da Nota Fiscal em tela como uma receita presumidamente omitida, pois a única prova da venda é um registro na Secretaria de Fazenda, sem confirmação por parte do fornecedor. Assim, devese excluir tal montante da omissão de receitas; 11. NF nº 273655, valor R$ 20.796,48, datada de 12/07/08, fornecedor NORSA REFRIGERANTES LTDA, para a qual o contribuinte assevera que foi contabilizada (fl. 7.779), considerada como receita presumida, por pagamento não contabilizado (fl. 7.617) – Vêse que a fiscalização intimou o fornecedor a acostar aos autos a nota fiscal e a comprovação de recebimento, logrando obter cópia da nota fiscal, e confirmação do pagamento (fls. 5.948 e 5.963). Compulsando o Razão, não há contabilização de tal pagamento (fl. 7.174). Ausente a contabilização do pagamento, devese manter a omissão de receitas; 12. NF nº 2008103, valor R$ 4.074,04, datada de 06/01/07, fornecedor NUTRIZA AGROINDUSTRIAL DE ALIMENTOS S/A, para a qual o contribuinte assevera que foi contabilizada em 11/01/2007, sob nº 146.319 (fl. 7.779), considerada Fl. 7937DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA Processo nº 10469.731616/201224 Acórdão n.º 1402001.897 S1C4T2 Fl. 14 13 como receita presumida, por pagamento não contabilizado (fl. 7.614) – Vêse que a fiscalização intimou o fornecedor a acostar aos autos a nota fiscal e a comprovação de recebimento, quando obteve uma cópia da nota fiscal no importe de R$ 4.074,00, nº 146.319 (fl. 5.978), com registro contábil de pagamento no fornecedor (fl. 6.058), devidamente contabilizada na autuada (fl. 7.223). Dessa forma, considerando que a nota fiscal confirmada nos autos pelo fornecedor foi contabilizada na autuada, deve se excluir o montante dela da omissão de receitas; 13. NF nº 653964, valor R$ 2.464,00, datada de 27/02/07, fornecedor PERDIGAO AGROINDUSTRIAL S/A, para a qual o contribuinte assevera que foi contabilizada em 04/07/2007 (fl. 7.780), considerada como receita presumida, por pagamento não contabilizado (fl. 7.614) – Vêse que a fiscalização tentou intimar o fornecedor a acostar aos autos a nota fiscal e a comprovação de recebimento, sem comprovação do recebimento da intimação, e, em decorrência, não obteve qualquer resposta (fl. 6.149). Dessa forma, como a fiscalização não logrou obter a efetiva comprovação da compra da mercadoria, com o respectivo pagamento (ou recebimento daquela), não se pode considerar o montante da Nota Fiscal em tela como uma receita presumidamente omitida, pois a única prova da venda é um registro na Secretaria de Fazenda, sem confirmação por parte do fornecedor. Assim, devese excluir tal montante da omissão de receitas; 14. NF nº 17896, valor R$ 3.000,00, datada de 09/01/08, fornecedor RAIMUNDO NONATO BANDEIRA E SILVA, para a qual o contribuinte assevera que foi contabilizada em 10/01/2008, sob número 178.896 (fl. 7.780), considerada como receita presumida, por pagamento não contabilizado (fl. 7.616) – Vêse que a fiscalização intimou o fornecedor a acostar aos autos a nota fiscal e a comprovação de recebimento, obtendo a confirmação do pagamento (fls. 6.302 a 6.304). Compulsando o Razão, em conta em nome do fornecedor, vêse a contabilização do pagamento, na forma descrita pelo contribuinte (fl. 7.451), parecendo claro que houve apenas um erro no Razão no tocante ao número da Nota Fiscal, pois, vejase, toda a numeração do período está na faixa de 17.000. Dessa forma, tal valor deve ser excluído da omissão de receitas. Com as considerações acima, devese excluir os seguintes montantes da omissão de receita consubstanciada na não contabilização de pagamentos de despesas operacionais: • Janeiro/2007 – R$ 4.074,04; • Fevereiro/2007 – R$ 2.464,00; • Abril/2007 – R$ 7.115,49; • Junho/2007 – R$ 6.865,05 (R$ 3.540,00 + R$ 3.325,05); • Novembro/2007 – R$ 3.798,00; • Janeiro/2008 – R$ 18.200,00 (R$ 13.600,00 + R$ 1.600,00 + R$ 3.000,00); • Junho/2008 – R$ 82.863,00. Fl. 7938DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA Processo nº 10469.731616/201224 Acórdão n.º 1402001.897 S1C4T2 Fl. 15 14 Para os demais pagamentos, não logrou a Recorrente apresentar qualquer prova ou argumento. De se notar que, a fiscalização circularizou diversos fornecedores, buscando comprovar a efetividade das compras por parte da Recorrente (fls. 5244/6498), pela juntada das notas fiscais e dos comprovantes de recebimentos das mesmas. Nesse passo, os fornecedores contumazes da Recorrente afirmaram ter efetuado a venda, a entrega e ter recebido o preço das mercadorias, para os pagamentos considerados como omissão de receitas. Assim, a fiscalização identificou cada pagamento que não teria sido contabilizado (fls. 7614/7618), com a documentação de suporte da circularização dos fornecedores (fls. 5244/6498) e presumiu que houve omissão de receitas em relação a tais pagamentos. A interpretação da lei é a de que se não contabilizados os pagamentos, fica presumido que essas despesas foram pagas com receitas recebidas e não faturadas (receitas omitidas ou sonegadas). A vista disso, para afastar o lançamento, caberia à Recorrente ter infirmado a presunção de que houve o pagamento à margem da contabilidade, contactando os seus fornecedores e não argumentando que não o fez por falta de tempo. Portanto, à exceção dos valores indicados pela decisão da DRJ (trecho transcrito acima), os montantes referentes às demais notas fiscais listadas pela fiscalização no Demonstrativo de fls. 7614/7618 devem ser mantidos como receita omitida. Multa qualificada A Lei nº. 9.430/96 determina a qualificação da multa proporcional de ofício, majorandoa de 75% para 150%, nas hipóteses em que a conduta evasiva do contribuinte tenha sido imbuída de sonegação e/ou fraude, remetendo às configurações hipotéticas de ambas as figuras definidas na Lei nº 4.502/64. Os respectivos textos são os seguintes: Lei nº 9.430/96 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 7939DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA Processo nº 10469.731616/201224 Acórdão n.º 1402001.897 S1C4T2 Fl. 16 15 Lei nº 4.502/64 Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Como se percebe, o conluio não chega a ser uma terceira hipótese qualificadora autônoma. Para sua configuração como qualificadora, é necessário, portanto, que haja sonegação e/ou fraude orquestradas por meio de ajuste doloso entre duas ou mais pessoas (físicas ou jurídicas). Destarte, a qualificação da multa proporcional de ofício deve ser feita apenas quando a autoridade fiscal identificar e comprovar a ocorrência de sonegação e/ou fraude. E apenas pode ser considerado sonegação ou fraude, para essa finalidade, aquilo que esteja conforme o preceito estabelecido pelos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/64. Assim, para fins de qualificação da multa proporcional de ofício, analisando se as características textuais das definições empreendidas pelos artigos 71 e 72, temos que a sonegação e a fraude são condutas (ação ou omissão) dolosas. Com isso, para qualificar a multa proporcional de ofício, a autoridade fiscal deve identificar e comprovar a ocorrência da conduta dolosa do sujeito passivo, ou seja, o ânimo do agente de prejudicar ou fraudar, a conduta (ação ou omissão) intencional perniciosa. Noutra palavras, exigese convicção, por meio de um conjunto probatório suficiente, de que o sujeito passivo agiu de máfé e cometeu a conduta dolosa de sonegação e/ou fraude. Vale notar, que a necessidade de prova cabal do cometimento do ilícito fiscal que envolva sonegação e/ou fraude, como condição para a qualificação da multa de ofício, tem sido reconhecida pela jurisprudência mais atual deste Conselho. Por essa razão, a qualificação da multa de ofício, só tem sido permitida quando efetivamente se verificam procedimentos fraudulentos que envolvam adulteração de Fl. 7940DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA Processo nº 10469.731616/201224 Acórdão n.º 1402001.897 S1C4T2 Fl. 17 16 documentos comprobatórios (notas fiscais, contratos, escrituras públicas, dentre outros), notas fiscais calçadas, notas fiscais frias, notas fiscais paralelas, notas fiscais fornecidas a título gracioso, contabilidade paralela (Caixa 2), conta bancária fictícia, falsidade ideológica, declarações falsas ou errôneas (quando apresentadas reiteradamente), interposição de pessoas (laranjas), etc. No caso presente, a primeira infração praticada pela Recorrente foi escriturar parcialmente suas vendas, apenas no âmbito de contas contábeis ativas patrimoniais, sem passagem por conta de resultado. Contudo, a falta de escrituração de receitas, por si só, não enseja a aplicação de multa qualificada, que só se justifica quando presente o dolo especifico, que não restou demonstrado aqui. No tocante à segunda infração, entendo que também não restou comprovada a intenção dolosa de sonegar os valores de receitas utilizados para realizar os pagamentos não contabilizados. Como pontuou o julgador a quo, no que foi vencido pelos seus pares na DRJ, no âmbito de uma presunção legal de omissão de receitas, a lei presume que, ocorrido determinado evento, sucedeu igualmente o fato tributável. Ordinariamente, pagamentos efetuados não estão na incidência do imposto de renda. Porém, a falta de escrituração de pagamentos efetuados por pessoa jurídica faz presumir que foram feitos com recursos à margem da contabilidade, omitidos da tributação, justificando a presunção legal. Entretanto, se no caso vertente o fato gerador é presumido, não se pode, simplesmente, imputar a ele uma multa qualificada, pois se estaria também indo além da presunção legal de omissão de receitas, com uma outra presunção, a de que a existência de múltiplos pagamentos não contabilizados justifica a qualificação da multa de ofício. E, esta última presunção não existe na Lei. Não que seja impossível aplicar uma multa qualificada na hipótese de tributação por presunção legal, mas se exige do contribuinte a prática de uma conduta adicional qualificada, além daquela que justificou a presunção legal, um plus doloso. Aqui, esse plus doloso não restou evidenciado. Em face disso, estou convencido de que a qualificação da multa de ofício para ambas as infrações foi exacerbada, devendo ser excluída. Decadência Afastados os pressupostos da aplicação da multa de ofício qualificada, aplica se ao caso, para contagem do prazo decadencial, o disposto no art. 150 parágrafo 4º. do CTN, haja vista que no presente caso houve antecipação de pagamento do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS no anocalendário 2007, conforme telas às fls. 7828/7830. Com efeito, estão decaídos e extintos os créditos tributários de IRPJ e CSLL referentes a fatos geradores do primeiro, segundo e terceiro trimestres de 2007. Para o quarto trimestre de 2007 (fato gerador ocorrido em 31/12/2007), atentese, o termo final decadencial Fl. 7941DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA Processo nº 10469.731616/201224 Acórdão n.º 1402001.897 S1C4T2 Fl. 18 17 para o IRPJ e CSLL ocorreu em 31/12/2012, após a ciência do lançamento, não havendo falar em extinção. Nessa mesma linha, para o PIS/Pasep e Cofins, com periodicidade mensal, devese reconhecer que a decadência extinguiu tais contribuições até o período de apuração de novembro de 2007 (fato gerador ocorrido em 30/11/2007). Conclusão A partir do exposto, devem ser excluídos da presunção de omissão de receitas por pagamentos não contabilizados os valores afastados pela DRJ referentes aos meses de janeiro/2008 (R$ 18.200,00) e junho/2008 (R$ 82.863,00). (A tributação que incidiu sobre os valores comprovados de jan/2007, fev/2007, abr/2007, jun/2007 e nov/2007 foi alcançada pela decadência). Destarte, devem ser excluídos da base de cálculo da tributação os pagamentos não escriturados dos meses de jan/2007 (R$ 68.505,20), fev/2007 (R$ 87.979,04), mar/2007 (R$ 16.718,47), abr/2007 (R$ 18.471,40), mai/2007 (R$ 25.116,52), jun/2007 (R$ 12.224,52), jul/2007 (R$ 25.114,97), ago/2007 (R$ 106.791,25) e set/2007 (R$ 55.783,01), no tocante a todos os tributos lançados, incluindo ainda a competência out/2007 (R$ 14.207,71) e nov/2007 (R$ 90.135,83) para o PIS/Pasep e Cofins, pois os tributos vinculados a tais omissões foram alcançados pela decadência. Por fim, deve ser reduzido para o percentual de 75% toda a multa que incidiu sobre os tributos remanescentes, decorrentes da omissão de receitas caracterizada pela não contabilização de pagamentos de despesas operacionais. Posto isso, encaminho meu voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, para (i) reconhecer que a decadência extinguiu o IRPJ e CSLL do 1º, 2º e 3º trimestres de 2007, a COFINS e o PIS de jan/2007 a nov/2007; (ii) reduzir a multa de ofício de 150% para 75%. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 7942DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA
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Numero do processo: 13971.722490/2011-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 28/12/2005
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO. PENALIDADE.
A importação de mercadorias destinadas a terceiro oculto, o real responsável pela operação, dá ensejo à pena de perdimento, ou sua conversão em multa, pela caracterização de interposição fraudulenta na importação.
PROVAS. COLHIMENTO.
Para instruir procedimento fiscal, o Auditor-Fiscal da RFB está autorizado legalmente a colher provas na Repartição da RFB, no domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo e outras autorizadas pelo Poder Judiciário.
SOLIDARIEDADE. LEGITIMIDADE PASSIVA.
Comprovado que terceiro tenha concorrido para a prática da infração ou dela tenha se beneficiado, fica caracterizado a solidariedade passiva tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.871
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Jonathan Barros Vita, Fabiola Cassiano Keramidas e Cláudio Monroe Massetti, que davam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 20/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Jonathan Barros Vita, Cláudio Monroe Massetti e Fabiola Cassiano Keramidas.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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DANO AO ERÁRIO. PENALIDADE. A importação de mercadorias destinadas a terceiro oculto, o real responsável pela operação, dá ensejo à pena de perdimento, ou sua conversão em multa, pela caracterização de interposição fraudulenta na importação. PROVAS. COLHIMENTO. Para instruir procedimento fiscal, o AuditorFiscal da RFB está autorizado legalmente a colher provas na Repartição da RFB, no domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo e outras autorizadas pelo Poder Judiciário. SOLIDARIEDADE. LEGITIMIDADE PASSIVA. Comprovado que terceiro tenha concorrido para a prática da infração ou dela tenha se beneficiado, fica caracterizado a solidariedade passiva tributária. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Jonathan Barros Vita, Fabiola Cassiano Keramidas e Cláudio Monroe Massetti, que davam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 24 90 /2 01 1- 24 Fl. 857DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722490/201124 Acórdão n.º 3302002.871 S3C3T2 Fl. 3 2 WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 20/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Jonathan Barros Vita, Cláudio Monroe Massetti e Fabiola Cassiano Keramidas. Relatório Por bem representar os fatos, transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida, como segue: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 18/11/2011, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de multa proporcional ao valor aduaneiro, no valor de R$ 59.771,35, em virtude dos fatos a seguir descritos. A fiscalização apurou que a empresa em epígrafe não é a real adquirente das mercadorias importadas através da Declaração de Importação nº 06/14742476, registrada em 05/12/2006, em nome da empresa D&A COMERCIO E SERVIÇOS IMP E EXP LTDA. A empresa operava como interposta pessoa em comércio exterior para a empresa ARD INDUSTRIA E COMERCIO LTDA. EPP, praticando assim infração de ocultação do sujeito passivo, com previsão de pena de perdimento às mercadorias transacionadas. Face ao que determina o art. 23, c/c o §3º, do DecretoLei n° 1.455, de 07 de abril de 1976, foi lavrado o presente Auto de Infração para a aplicação de multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas pela impossibilidade de apreensão de tais mercadorias. Como responsável solidário: • ARD INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. EPP. Como Responsáveis Solidários Pessoais (Sócios de Fato/Administradores da D&A): • CAIO MARCELO DEBOSSAN, CPF 936.292.65987; e • ÉRICA DEBOSSAN REINERT, CPF 919.869.82904. Cientificado do auto de infração, via Aviso de Recebimento, em 28/11/2011 (fls. 400 do processo digital), o contribuinte ARD INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. EPP não apresentou impugnação, consoante despacho de folhas 592. Cientificado do auto de infração, pessoalmente, em 24/11/2011 (fls. 398 do processo digital), os contribuintes D&A COMERCIO E SERVIÇOS IMP E EXP LTDA., CAIO MARCELO DEBOSSAN e ÉRICA DEBOSSAN REINERT protocolizaram impugnação conjunta, tempestivamente em 21/12/2011, na forma do Fl. 858DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722490/201124 Acórdão n.º 3302002.871 S3C3T2 Fl. 4 3 artigo 56 do Decreto n° 7.574, de 29/09/2011, de fls. 402 à 460, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Alegouse que: · ILICITUDE E IMPRESTABILIDADE DAS PROVAS EMPRESTADAS AUSÊNCIA DE PROVAS NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Os documentos e HDs apreendidos no Mandado de Busca e Apreensão jamais poderiam ter sido utilizados como provas para o presente procedimento fiscal, eis que: > o compartilhamento dos documentos apreendidos (que jamais foram submetidos ao contraditório e ampla defesa), somente poderia ter sido realizado ao término do Inquérito Policial, o que até hoje não ocorreu; > a grande maioria dos documentos apreendidos eram da empresa Debossan Despachos Aduaneiros e não da D&A Comércio Exterior, e; > as infrações apuradas no presente auto de infração não guardam qualquer relação com os crimes apurados no inquérito policial, razão pela qual se tornam imprestáveis para tanto. · COMPARTILHAMENTO DE PROVAS EMPRESTADAS AUSÊNCIA DE PROVAS NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Para fins de aplicação da pena de perdimento e das supostas infrações apontadas no Auto de Infração, a Autoridade Fiscal se valeu EXCLUSIVAMENTE de provas (invasão domiciliar para apreensão de documentos e quebra de sigilo bancário e telemático) que não merecem respaldo jurídico, vez que ilícitas. Qualquer prova obtida com violação a essas ou outras garantias as quais, constitucionalmente asseguradas, não podem ser admitidas. Junta textos da Jurisprudência Judicial a respeito do assunto: STF, Voto do Rel. Min. Ilmar Galvão na AP 3073DF, DJU 13/10/95. No caso concreto, as provas utilizadas foram "emprestadas" dos autos do INQUÉRITO POLICIAL N° 2006.72.00.081320 (2005.72.00.0134793) que tramita na Justiça Federal da Comarca de Florianópolis/SC. A D&A não faz parte daquele processo! Nunca teve acesso àqueles autos! Sequer lhe foi dado o direito ao contraditório e à ampla defesa sobre as provas colhidas naquele inquérito. Não merece qualquer respaldo jurídico a prova que não é submetida ao contraditório e à ampla defesa, devendo ser rechaçada, pois ilícita! Junta textos da Jurisprudência Administrativa a respeito da validade da "Prova Emprestada". Tais provas, ainda que pudessem ser admitidas para o presente processo fiscal, somente poderiam ter sido utilizadas "após o sucesso das investigações policiais", ou seja, após o trânsito em julgado daquele processo, pois, sem isso, não se pode verificar o "sucesso" das investigações. Outra irregularidade nas provas emprestadas. Conquanto o sigilo tenha sido quebrado "pelos últimos 5 anos" daquele despacho (digase, de 08/Ago/2000 a 08/Ago/2005). verificase que as TODAS as provas juntadas ao presente processo Fl. 859DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722490/201124 Acórdão n.º 3302002.871 S3C3T2 Fl. 5 4 fiscalizatório possuem datas POSTERIORES ao ano de 2005! Aliás, o próprio MPF F menciona que o período das apurações é de 2006 a 2008. Logo, resta cristalino que a autoridade fiscal excedeu os poderes que lhe foram conferidos para a quebra dos sigilos daquelas empresas relacionadas no despacho judicial, evidenciando ainda mais a ilicitude da prova, imprestável, portanto, ao fim que se destina. Por essas razões, IMPUGNAMSE, desde já, TODAS as provas juntadas no presente procedimento que tiveram origem do Mandado de Busca e Apreensão em questão. · APREENSÃO DE DOCUMENTOS EMPRESA DIVERSA DA INVESTIGADA AUSÊNCIA DE MANDADO JUDICIAL ESPECÍFICO ILICITUDE DAS PROVAS NULIDADE. Não obstante as ilegalidades apontadas no item anterior, outro ponto ainda mais abjeto quanto às provas utilizadas no presente procedimento fiscal é que muitas delas foram colhidas na empresa Debossan Despachos Aduaneiros Ltda., empresa para a qual as autoridades fiscais e policiais não detinham Mandado Judicial para realizar as apreensões. Todos os documentos referentes à etapa 'préimportação', tais como planilhas de custo de importação, licenciamentos de importação, certificados de conformidade de produtos, laudos, bem como aqueles referentes ao despacho aduaneiro além de CPU's (dentre os itens 1 a 12 do Auto de Apreensão) estavam na posse e propriedade da empresa Debossan Despachos Aduaneiros e não da D&A Comércio Exterior. Embora a empresa Debossan Despachos Aduaneiros prestasse serviços de desembaraço de mercadorias para a empresa D&A Comércio Exterior (dentre outras empresas), certo é que na época dos fatos, a Debossan Despachos Aduaneiros funcionava em endereço contíguo ao endereço da D&A Comércio Exterior Ltda, ambas no Edifício Tóquio, um prédio comercial situado na Rua General Osório, n° 880 com diversas salas comercia. Enquanto a D&A estava localizada na Rua General Osório, n° 880, sala L Debossan Despachos Aduaneiros funcionava na sala ao lado, ou seja, no endereço Rua General Osório, n° 880, sala 05. Vejase que a autorização judicial não especificou em qual sala do Edifício Tóquio, na Rua General Osório, 880, funcionava a empresa D&A, mas apenas fez referência que seria no andar térreo. Ocorre que o Mandado de Busca e Apreensão, expedido única e exclusivamente para diligências na empresa D&A Comércio Exterior, foi levado a cabo também nas dependências da empresa Debossan Despachos Aduaneiros. Tal fato ocorreu, provavelmente porque o endereço constante do Mandado não especificava a sala, mas apenas que a empresa funcionava no andar térreo. Ao invés de certificarse de que no andar térreo funcionavam duas empresas distintas, o que fez a autoridade policial foi utilizarse daquela 'ambiguidade' constante da autorização judicial para fazer uma devassa não somente nos computadores da D&A Comércio Exterior, como também da empresa Debossan Despachos Aduaneiros. Fl. 860DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722490/201124 Acórdão n.º 3302002.871 S3C3T2 Fl. 6 5 Aliás, digase de passagem, que o endereço constante no mandado de busca e apreensão não foi informado pela Juíza Federal, mas pela própria autoridade policial. Sendo assim, tudo leva a crer que a autoridade policial, certa de que não obteria um mandado de busca na empresa Debossan Despachos, utilizouse de meios escusos (a informação de endereço não específico), induzindo o magistrado em erro na decretação da medida cautelar. Dessa forma, conseguiria justificar a apreensão de bens e documentos não só na empresa D&A, mas também na Debossan Despachos Aduaneiros. Por esses motivos, imperioso reconhecerse a ilicitude das provas utilizadas no presente procedimento fiscal, devendose declarar a nulidade de todo o procedimento por mais esse motivo. · APREENSÃO DE DOCUMENTOS INVESTIGAÇÃO CRIMINAL INEXISTÊNCIA DE CORRELAÇÃO ENTRE OS CRIMES INVESTIGADOS E AS INFRAÇÕES APURADAS ILICITUDE DAS PROVAS. Para se conseguir que aquela investigação alcançasse a empresa Impugnante, alegouse que a D&A estaria envolvida com o Grupo Roger Tur, efetuando remessas cambiais às margens oficiais com o fim de subfaturamento de mercadorias. Contudo, em que pese toda a devassa realizada contra a Impugnante, com a quebra do seu sigilo fiscal, bancário, invasão domiciliar através da busca e apreensão de documentos sem mandado de procedimento fiscal, quebra de sigilo de dados, dentre outros, nenhuma prova ou qualquer indício de prova foi encontrado que pudesse ligar a D&A Comércio Exterior com o Grupo Roger Tur originalmente investigado. Por outro lado, de posse de todos aqueles dados, a autoridade fiscal lavrou o presente Auto de Lançamento apurando supostas infrações administrativas no controle aduaneiro, como a multa por prestação de informações incorretas no comércio exterior, suposta ocultação do real adquirente de mercadorias ou, em alguns casos, multas por embarques de mercadorias sem o licenciamento de importação prévio. Ocorre que, de todas as infrações apuradas pela autoridade fiscal ao longo desses anos de fiscalização, nenhuma possui correlação com os crimes investigados no 'processomãe' do grupo Roger Tur. As penalidades aplicadas contra a Impugnante fogem à finalidade para a qual o Mandado de Busca e Apreensão fora concedido: apurar a evasão de divisas ou prática cambial às margens oficiais! Por esse motivo, não se pode aceitar como lícita a prova utilizada no presente processo pois não se presta ao fim a que se destinava. Estáse diante de uma verdadeira inversão das garantias fundamentais do cidadão, insculpidas no art. 5º da Constituição Federal, o que jamais poderá prosperar, devendo ser reconhecida desde já por esse ilustre julgador, ainda que em sede administrativa. Não é admissível que uma quebra de sigilos e garantias, com finalidade específica diante do objeto próprio do processo investigatório em curso, seja deturpada a ponto de chegarse a uma divulgação maior, fora dos parâmetros desse Fl. 861DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722490/201124 Acórdão n.º 3302002.871 S3C3T2 Fl. 7 6 processo, para alcançar infrações administrativas que nenhuma relação possuem com o alvo inicial a que se destinava. A excepcional quebra do sigilo bancário da Impugnante foi autorizada com um único fim: comprovar de alguma forma a remessa de divisas ao exterior às margens oficiais. No entanto, a autoridade fiscal utilizou tais extratos para tentar caracterizar infrações de natureza eminentemente administrativa, longe de caracterizar um ilícito penal. No caso em análise, houve verdadeira deturpação da ressalva constitucional para fins escusos. Utilizouse de meras suposições, sem respaldo em qualquer documentação probante, para a concessão das medidas judiciais próprias e exclusivas da investigação criminal. Desde o início do procedimento criminal, as quebras dos sigilos da Impugnante, bem como o Mandado de Busca e Apreensão, foram baseados em supostos crimes contra a ordem tributária, praticados pela empresa D&A. É sabido que a propositura de ação penal, bem como o procedimento prévio investigatório de crimes somente pode ser admitido após ocorrido o lançamento definitivo do tributo, assim entendido aquele que não comporte mais qualquer recurso na fase administrativa. Tratase, portanto, de expedientes próprios da investigação criminal sendo claramente utilizados de forma indevida para a definição de infrações de cunho administrativo ou créditos tributários. Impossível se referendar tal prática, devendose reconhecer a ilicitude das provas utilizadas no presente procedimento fiscal, vez que não guardam qualquer relação com os crimes para os quais as quebras das garantias constitucionais foram autorizadas, determinandose o cancelamento do Auto de Lançamento ora impugnado. · AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL DE FISCALIZAÇÃO (MPFF) FISCALIZAÇÃO IRREGULAR NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL E DO AUTO DE INFRAÇÃO O procedimento fiscal em comento foi instaurado sem o prévio e necessário Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização MPFF, o que causa evidente e manifesta ilegalidade, por inobservância dos arts. 2º e 3º da Portaria RFB 3.014/2011. À época em que a Autoridade Fiscal deu início ao Procedimento de Fiscalização, dispunha apenas e tão somente de um Mandado de Procedimento Fiscal de Diligência, que, de acordo com a própria legislação que trata da matéria, não se presta para a realização de procedimento fiscal. Aliás, o próprio relatório do Auto de Infração ora impugnado demonstra claramente que somente em 16 junho de 2011 houve a conversão do Mandado de Procedimento Fiscal de Diligência em Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização (Doc. 53 e fls. 18/19 do Auto de Infração). Ou seja, todos os atos de fiscalização praticados pelas Autoridades entre 21/10/2010 e 16/06/2011 são manifestamente nulos, por ausência de MPFF. Já os praticados posteriormente, são igualmente nulos, pois decorrem de atos nulos praticados anteriormente (observância da teoria dos frutos da árvore envenenada). Fl. 862DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722490/201124 Acórdão n.º 3302002.871 S3C3T2 Fl. 8 7 Transcreve os artigos 2º e 3º da Portaria da RFB n° 11.371/2007. Transcreve os artigos 2º e 3º da Portaria da RFB n° 3.014/2011. Portanto, necessitavam as Autoridades Fiscais, desde o início do procedimento fiscal, de um mandado de procedimento fiscal de fiscalização, nos termos dos arts. 2º e art. 3º de ambas as portarias, acima transcritas, o que não ocorreu, gerando inequívoca ilegalidade, passível de anulação do Auto de Infração. Dessarte, muito mais do que um mero instrumento de controle interno é uma garantia do contribuinte, para que, mediante a apresentação do MPFF lavrado contra si, possa invocar desde o início da fiscalização todos os princípios que a norteiam, notadamente o da ampla defesa e do contraditório. Junta textos da Jurisprudência Administrativa a respeito do assunto. · EXCESSO DE PRAZO NA CONCLUSÃO PROCEDIMENTAL AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO SOBRE AS PRORROGAÇÕES DO MPFF NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. O lançamento tributário é um ato administrativo de ofício, e como tal, somente poderá se aperfeiçoar se forem seguidos todos os seus requisitos essenciais, procedimentos imprescindíveis à sua perfectibilidade. Da mesma forma, o sujeito contra o qual foi procedido o conjunto de atos, deve tomar a devida e regular ciência dos mesmos. No caso concreto, além do vício formal por falta de MPFFiscalização para realizar o Procedimento Fiscal em questão, a autoridade fiscalizadora também extrapolou os prazos legais para a realização da fiscalização instaurada, além de não ter intimado regularmente os Impugnantes acerca das prorrogações dos prazos do MPF. É certo que, se por um lado é dado à autoridade fiscal o poder de fiscalizar, por outro lado tal poder está submetido a certos limites, dentre os quais, o prazo para a conclusão dos seus atos. Certamente o contribuinte não pode ser submetido a um procedimento de fiscalização eterna. No caso concreto, portanto, evidenciouse verdadeiro abuso do poder fiscalizatório. Não existe fiscalização por prazo indeterminado. Quando a autoridade fiscal inicia seu trabalho é obrigado a emitir um termo de início. Nesse termo já deve constar prazo máximo para o término do trabalho. Emitido o MPFD no dia 07/out/2010 a autoridade fiscalizadora detinha o prazo máximo de sessenta dias para sua conclusão, ou seja, deveria necessariamente terminar seu procedimento até o dia 06/Jan/2011 ou, solicitar a prorrogação da fiscalização, desde que devidamente justificada, sob pena de arquivamento do processo. Além do mais, verificase que houve diversas prorrogações do prazo do MPF, sem que, contudo, os Impugnantes fossem cientificados a respeito, em total afronta ao disposto no art. 9º, parágrafo único, da então vigente Portaria RFB 11.371/2007. Aliás, os Impugnantes solicitaram expressamente que, caso ocorressem prorrogações desta natureza, fossem estes expressamente notificados a respeito. No entanto, o pleito foi negado ao errôneo argumento de que não haveria previsão legal para tal pedido. Fl. 863DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722490/201124 Acórdão n.º 3302002.871 S3C3T2 Fl. 9 8 No entanto, consoante se pôde ver da leitura do parágrafo único do art. 9º da Portaria que regulamente o MPF, o pleito dos Impugnantes tinha, sim, base legal, razão pela qual devia ter sido atendido. Assim, ao negar o pedido dos Impugnantes, incorreu a Autoridade Fiscal em novo ato ilegal, que acarreta em nulidade todos os atos praticados, mormente porque agiram em total afronta aos princípios constitucionais da publicidade dos atos administrativos, ao direito de informação, da ampla defesa e do contraditório. Diante disso, deve ser declarado nulo o AI por vício formal. · DOIS SUJEITOS PASSIVOS NO MESMO AUTO DE INFRAÇÃO AUSÊNCIA DE INDIVIDUALIZAÇÃO DO LANÇAMENTO NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO O lançamento não está individualizado. O Auto de Infração aplicou pena de perdimento às mercadorias importadas sob o argumento de que a empresa ARD seria a real adquirente das mercadorias, apesar de oculta. A conversão do perdimento cm multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias ocorreu porque os produtos já "teriam sido" consumidos. Como se sabe, o perdimento caracterizase pela pessoalidade e intransmissibilidade da pena e, por isso mesmo, só pode ser aplicado em face do proprietário da mercadoria, até porque, logicamente, ninguém pode ser condenado a "perder", ou melhor, ter subtraído do seu patrimônio, bem ou direito que nunca o compôs. Transcreve o artigo 100 do DecretoLei n° 37/66. Junta textos da Jurisprudência Administrativa e Judicial a respeito do assunto. Como se vê, para a concretização da pena de perdimento é imprescindível se obter a exata e completa identificação do proprietário da mercadoria, pois é unicamente este o sujeito que poderá ser apenado ou alcançado pela sanção do perdimento. No presente caso, apesar de identificar quem supostamente seria o real proprietário oculto, o Fisco autuou as empresas D&A e ARD conjuntamente, na condição de contribuinte, sem qualquer distinção. Assim, se o Auditor Fiscal entende que a ARD se ocultou, então deveria, vem Processo Administrativo e Auto de Infração próprio, individualizar sua conduta, e punila unicamente. Não existe, porque impossível, a "pena de perdimento solidária". A responsabilização solidária, quando prevista em lei, só pode ocorrer para fins de pagamento de tributo, que não se confunde com pena de perdimento e, evidentemente, também não pode ser confundida com a responsabilização penal do agente infrator, esta prevista no art. 95 do Dec.Lei 37/66. O Decreto 70.235/72 veda e impede que sejam reunidos em um só processo. Autos de Infração instaurados contra contribuintes diversos, ainda que em razão do mesmo fato. In casu, porém, não se trata de reunião em um só processo de dois autos de infração contra dois contribuintes diversos, o que já seria ilegal. No presente caso a ilegalidade é ainda mais flagrante, pois se trata de constituir em um único auto de infração, ou seja, um único crédito tributário constante em um único processo administrativo contra dois contribuintes distintos. Fl. 864DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722490/201124 Acórdão n.º 3302002.871 S3C3T2 Fl. 10 9 Junta textos da Jurisprudência Administrativa a respeito do assunto. · ILEGITIMIDADE DE CAIO MARCELO DEBOSSAN E ÉRICA DEBOSSAN REINERT PARA FIGURAREM SOLIDARIAMENTE NO PÓLO PASSIVO DO AUTO DE INFRAÇÃO Aspectos Fáticos Relevantes da Empresa D&A (Impugnante) O impugnante faz um relato sobre a constituição da empresa D&A Comércio Exterior Ltda. Ao se consultar o histórico de importações da empresa D&A, poderseá constatar que as importações em seu nome iniciaram efetivamente a partir de Junho de 2005, justamente por conta do benefício fiscal que lhe fora concedido naquele mês. Portanto, embora o foco da empresa D&A tenha mudado, iniciando como uma empresa prestadora de serviços de despacho aduaneiro (em 2003) e consolidandose como uma empresa comercial importadora (a partir de Jun/2005), a sua motivação negocial foi sempre muito bem definida. Todas as alterações contratuais foram realizadas conforme os ditames da lei vigente, sempre administrada pela sua sócia Josiane Denise dos Santos Debossan, essa, aliás, quem deu verdadeira guinada nas atividades da empresa, colocandoa no rumo em que se encontra hoje, não havendo qualquer irregularidade a ser apontada. Das Motivações da Autoridade Fiscal para Inclusão de Caio Marcelo Debossan e Érica Debossan Reinert como Responsáveis Solidários. Pelo que se depreende do Relatório do Auto de Infração, conjuntamente do que a autoridade fiscal denominou "Anexo Probante da Sociedade de Fato Caio Érica", a razão que levou à inclusão dos Despachantes Aduaneiros e sócios da Debossan Despachos Aduaneiros 1 (Sr. Caio Debossan e Érica Debossan) a figurarem como responsáveis solidários do presente Auto, foi que a AFRFB entendeu serem eles "sócios ocultos" da empresa D&A. Acontece que a Autoridade Fiscal, data vênia, parte de uma premissa totalmente equivocada para chegar a tal conclusão. A Autoridade Fiscal sustenta que Caio e Érica teriam "tentando ocultarse do quadro societário da empresa D&A com o uso de seus cônjuges na sociedade de direito", e que apesar de a legislação ter desvinculado funcionalmente a profissão de despachante aduaneiro da administração pública, dotoua de múnus público com a impossibilidade de comercializar mercadorias estrangeiras, pois se isso fosse possível "colocaria o despachante aduaneiro em franca vantagem concorrencial, ante as informações de que dispõe em razão de sua profissão, mutatis mutandis, o que o assemelha a um servidor público". Caso a premissa adotada pela Autoridade Fiscal fosse verdadeira, então nenhum servidor público poderia ter seu cônjuge sócio de uma empresa privada. Para se demonstrar que a premissa adotada pela Autoridade Fiscal é falha, tomase como exemplo os inúmeros auditores fiscais cujos cônjuges fazem parte do quadro societário de empresas privadas (muitas vezes de empresas importadoras). No caso hipotético, então, esses funcionários públicos teriam que ser considerados "sócios ocultos daquelas empresas visando obter franca vantagem concorrencial ante as informações de que dispõe". Tal linha de raciocínio, evidentemente, não pode prosperar. Fl. 865DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722490/201124 Acórdão n.º 3302002.871 S3C3T2 Fl. 11 10 Além disso, interessante abrir um parêntesis nesse ponto para uma argumentação sob o plano hipotético, a fim de se demonstrar, sob outro ângulo, que as premissas tomadas pela Autoridade Fiscal são equivocadas. É que, caso a vedação do art. 10, I do Dec. 646/92 pudesse ser considerada válida, mesmo assim ela não atingiria o despachante aduaneiro sócio de uma empresa atuante na importação por conta e ordem. Se por um lado a empresa D&A Comércio Exterior Ltda. sempre foi gerenciada e administrada pela Josiane dos Santos Debossan (conforme pode ser comprovado pelo simples constatação de que é ela quem assina todas as procurações da empresa, livros fiscais, contratos com terceiros, negocia valores, etc.), por outro lado, Caio e Érica Debossan sempre atuaram como sócios e despachantes da empresa Debossan Despachos Aduaneiros Ltda. Não há que se confundir as duas empresas, pois distintas não só de fato, como também de direito. Da mesma forma, não há o que se falar em sociedade oculta, vez que os sócios de cada pessoa jurídica são conhecidos e exercem suas devidas funções. Ora, o fato das duas empresas terem sócios com laços familiares entre si, não tem o condão de desconsiderar suas personalidades jurídicas. Da mesma forma, não se pode presumir que Caio Debossan e Érica Debossan seriam sócios da empresa D&A pelo simples fato de que seus cônjuges é quem figuram no seu quadro societário, quando todos os documentos jurídicolegais da empresa demonstram o contrário. É um total disparate. Por sua vez, a alegação de que Josiane Debossan e Ivan Luiz Reinert seriam sócios "laranja" ou "presta nomes" também não passa de uma suposição descabida de qualquer fundamentação legal. No que tange especificamente o sócio da D&A, o Sr. Ivan Luiz Reinert, é certo que ele é apenas um sócio quotista e não detinha cunho gerencial na empresa. Aliás, possuía, sim, outro emprego em empresa diversa. É uma verdadeira aberração a presunção feita pela autoridade fiscal, de que Josiane Debossan seria uma 'sócia laranja', baseado numa simples conversa, desconsiderando todo o histórico gerencial da empresa realizado sempre pela Josiane Debossan. A empresa D&A se consolidou na prestação serviços de importação por conta e ordem de terceiros. Todo e qualquer outro serviço atrelado ao comércio exterior, como agenciamento de frete, preparação de documentos, desembaraço aduaneiro, etc. era prestado e cobrado pela Debossan Despachos Aduaneiros. Portanto, esse é o motivo para que Caio e Érica (sócios de fato e de direito Debossan Despachos) recebessem o percentual maior das comissões, repar do restante aos demais. Ou seja, mais um grande equívoco da autoridade fiscal. Érica Debossan, assim como inúmeros outros despachantes aduaneiros que trabalhavam para a D&A Comércio Exterior Ltda., eram apenas mandatários daquela empresa. Érica ao fazer contato com a ANP e buscar subsídios para realizar o cadastro de um dos seus clientes junto àquele órgão estatal, estava simplesmente exercendo seu mister. Como se sabe, a ANP é um dos inúmeros órgãos anuentes de licenciamentos de importação para determinadas mercadorias, razão pela qual Érica Debossan, na Fl. 866DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722490/201124 Acórdão n.º 3302002.871 S3C3T2 Fl. 12 11 qualidade de despachante da D&A, estava angariando informações e procedimentos para que Josiane Debossan realizasse o cadastro de sua empresa junto àquele órgão. Érica Debossan representava, então, a empresa D&A, por força do Mandato que lhe havia sido conferido. O que parece é que a autoridade fiscal pretende fazer crer que a sócia administradora de sua empresa não poderia terceirizar nenhum serviço, devendo pessoalmente tratar de todas as questões burocráticas, e, quiçá, cuidar pessoalmente do desembaraço aduaneiro. Um total desconhecimento da realidade empresarial. Merece destaque esse ponto, para se frisar que a importação por conta e ordem em Santa Catarina é regra, não exceção. Somente as empresas que possuem seus próprios benefícios fiscais de ICMS é quem realizam importações diretas. Sendo assim, despachantes aduaneiros da região invariavelmente firmam parcerias com empresas importadoras de sua confiança, pois se assim não o fizerem, o importador buscará outra comercial importadora e, consequentemente, irá desembaraçar suas mercadorias com outro despachante aduaneiro. Logo, a indicação de empresas comerciais importadoras/exportadoras (assim como empresas de outros ramos, como as de transporte nacional, agentes de carga internacional, inspetores de qualidade, corretores de seguros, tradutores e intérpretes, especialistas em classificação aduaneira, agências bancárias, despachantes aduaneiros dentre outras várias que gravitam a atividade de comércio exterior) é prática comum comercial, eis que se depende de vários prestadores de serviços terceirizados para a internação de mercadorias ou seu envio para o exterior. Contudo, a simples indicação da empresa D&A pela Érica Debossan não pode conduzir ao entendimento de que essa a gerenciava. Fosse assim, Érica e Caio Debossan teriam que ser considerados "sócios ocultos" de inúmeras outras empresas, tais como a ES Logística (parceiros da Debossan Despachos Aduaneiros no transporte internacional); Torre Corretora de Seguros (parceiros da Debossan Despachos Aduaneiros nos seguros internacionais de carga), dentre inúmeros outros. A fim de se esclarecer o imbróglio causado pela autoridade fiscal, vejase que em verdade, o site www.deacomex.com.br é destinado ao "Grupo D&A", ou seja, à todas as empresas pertencentes à família Debossan que atuam no comércio exterior. São ao todo três empresas distintas (D&A Com. Serv. Imp. Exp. Ltda.; Debossan Despachos Aduaneiros Ltda. e; Confiança Comércio Exterior Ltda.), com motivos negociais específicos a cada uma delas. Não se confundem nem se misturam. Atuam individualmente e livremente, cada qual no seu segmento de mercado. Vejase, portanto, que embora se tratem de empresas distintas, com o passar dos anos, por serem da mesma família, passouse a chamálas apenas como "D&A". Isso, contudo, não quer dizer que esteja se falando apenas da D&A Comércio Serviços Importação Exportação Ltda. (ora Impugnante), mas sim do Grupo de Empresas D&A (Confiança; Debossan e D&A). Por fim, cumpre lembrar que somente poderia a autoridade fiscalizadora incluir os sócios Caio Debossan e Érica Debossan como solidariamente responsáveis no presente auto de infração, caso tivesse comprovado que os mesmos tiveram agido com excesso de poderes, infração de lei, ou em caso de dissolução irregular da empresa, nos termos do art. 135 do CTN. Fl. 867DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722490/201124 Acórdão n.º 3302002.871 S3C3T2 Fl. 13 12 Entretanto, nenhuma das hipóteses ocorreu conforme amplamente demonstrado na presente peça impugnatória. Ainda que ao final da presente Impugnação se entenda que alguma infração tenha ocorrido, certo é que isso não terá o condão de desconsiderar a personalidade jurídica limitada da empresa Impugnante, ao ponto de alcançar qualquer pessoa física que seja, muito menos terceiros que em nada contribuíram para tal infração, tampouco puderam se beneficiar dela. · ILEGITIMIDADE PASSIVA DA D&A PARA APLICAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO E MULTA DE CONVERSÃO Ainda que se admitisse como correta a aplicação da pena de perdimento e a multa de conversão dela decorrente, mesmo nessa hipótese o Auto de Infração deve ser anulado, diante da manifesta ilegitimidade passiva da D&A. É que a pena de perdimento da mercadoria importada, quando constatada a ocultação do real importador, mediante fraude ou interposição fraudulenta, é sanção que visa punir o real encomendante/adquirente da mercadoria, e não o importador ostensivo, pois este deve ser punido apenas com multa de 10% pela cessão de nome. Essa é, aliás, a exegese que se extrai da conjugação do art. 33 da Lei 11.488/07 com o art. 23, V do Decreto Lei 1.455/76. Cita Jurisprudência Administrativa, em relação aos seguintes acórdãos da DRFSP: ACÓRDÃO N° 1728100; ACÓRDÃO N° 1728104 e ACÓRDÃO N° 1724943. Pelo mesmo motivo, também não se admite que o adquirente seja punido, solidariamente ao importador, com a multa do artigo 33 da Lei 11.488, sob pena de estarse ferindo o princípio do non bis in idem. Transcreve o art. 100 do DecretoLei 37/66. Não bastasse o erro de tipificação legal, é certo que a manutenção da multa de conversão da pena de perdimento em face da D&A causará inegável bis in idem, pois tal empresa já está respondendo a outro Auto de Infração, de n° 13971.722508/201198, no qual lhe fora aplicada justamente a pena de 10% pela cessão de nome. Assim, se a própria Receita Federal reconhece que a D&A deve ser multada apenas em 10% do valor da operação pela cessão de nome para a importação, não pode figurar, concomitantemente, como sujeito passivo na aplicação da pena de perdimento das mercadorias nem suportar a multa de conversão, no valor aduaneiro das mesmas, pois estaria sendo punida duas vezes pelo mesmo fato. Face ao exposto, o presente Auto de Infração deve ser integralmente anulado ou julgado integralmente improcedente, por erro de tipificação legal. · AUSÊNCIA DE PROVA DO CONSUMO DAS MERCADORIAS MERA PRESUNÇÃO CERCEAMENTO DE DEFESA IMPOSSIBILIDADE DE CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA. É de fácil percepção, portanto, que a conversão da pena de perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro pressupõe a prova da impossibilidade de localização das mercadorias ou de que foram consumidas. Fl. 868DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722490/201124 Acórdão n.º 3302002.871 S3C3T2 Fl. 14 13 Acontece que, no caso concreto, a Autoridade Fiscalizadora aplicou a multa em questão por mera presunção pessoal, pois, pelo que consta nos autos, não foram realizadas diligências nem constatações suficientes, conclusivas, que apontassem claramente que as mercadorias não foram encontradas, ou que já foram consumidas. Do extenso relatório do Auto de Infração impugnado não se extrai qualquer prova de que a Receita Federal tenha buscado 'localizar' a mercadoria em questão. E foi exclusivamente com base neste suposto 'consumo da mercadoria' que a Autoridade Fiscal, de imediato, converteu a pena de perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro. Junta textos da Jurisprudência Administrativa e Judicial a respeito do assunto. Não bastasse a flagrante ilegalidade acima apontada, é de se reconhecer também a existência de FLAGRANTE CERCEAMENTO DE DEFESA da D&A, pois esta sequer foi intimada a prestar informações ou esclarecimentos a respeito da localização das mercadorias que envolvem este Auto de Infração. Ora, se a D&A é quem foi autuada pela pena de perdimento convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, necessariamente deveria ser intimada a prestar esclarecimentos, informar o paradeiro/situação das mercadorias ou, pelo menos, se defender. Dessa forma, ante a ausência de intimação da D&A, necessária se mostra a completa anulação do Auto de Infração ora impugnado, notadamente porque se está diante de inegável afronta a princípios basilares do Estado Democrático de Direito: ampla defesa e contraditório. Junta textos da Jurisprudência Administrativa e Judicial a respeito do assunto. Da mesma forma, face à ausência de intimação da D&A, para que esta pudesse apresentar as mercadorias destinadas à pena de perdimento ou, no mesmo prazo, esclarecimentos a respeito das mesmas, resta igualmente prejudicada a aplicação da pena de perdimento e da multa de conversão dela decorrente, inclusive por violação direta aos direitos constitucionais da ampla defesa e contraditório (CF 5º LV), motivos pelos quais deve ser decretada a nulidade deste Auto de Infração. · INEXISTÊNCIA DE SONEGAÇÃO, FRAUDE E CONLUIO. A pena de perdimento das mercadorias é sanção aplicável aos casos de comprovada fraude na operação de importação ou de exportação. O próprio art. 23, V do DL 1.455/1976, no qual a Autoridade Fiscal embasa sua autuação, pressupõe a existência de fraude para que reste caracterizado o dano ao Erário. No caso em apreço, contudo, não houve ação nem omissão dolosa. O que houve foi um mero equívoco operacional, um erro de preenchimento da DI, que jamais pode ser considerado doloso, até porque esta "conduta" dolosa não traria benefício algum à Impugnante. Além do mais, a conduta dolosa deve, NECESSARIAMENTE, ter por escopo impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador ou de situações pessoais que sejam capazes de afetar a obrigação ou o crédito tributário, o que evidentemente não ocorreu no caso em tela, porquanto TODOS OS TRIBUTOS INCIDENTES NA OPERAÇÃO FORAM REGULARMENTE RECOLHIDOS! Fl. 869DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722490/201124 Acórdão n.º 3302002.871 S3C3T2 Fl. 15 14 Em outras palavras, se a conduta da D&A não impediu o conhecimento do fato gerador dos tributos, nem afetou a obrigação tributária e o crédito tributário, não há que se falar em sonegação, como quer fazer crer a Autoridade Fiscal. Aliás, agarrase tal autoridade no frágil argumento de que a conduta em tela visaria à quebra da cadeia do IPI, o que à toda evidência não prospera, consoante restará demonstrado em tópico apartado. Diante disso, não há que subsistir a forçosa alegação de que a D&A teria agido de forma fraudulenta, pois mesmo eventual erro no preenchimento da DI, além de não ser uma conduta deliberada (dolosa), não contribuiu em nada para que tributos deixassem de incidir ou deixassem de ser pagos, ou ainda que incidissem de forma reduzida. E, se não há fraude, também não há que se falar na aplicação da pena de perdimento das mercadorias, razão a mais para se julgar integralmente improcedente este lançamento tributário. Transcreve o artigo 73 da Lei n° 4.502/64. Nessa toada, mero juízo de delibação é suficiente para verificar que o conluio só existirá se houver a presença de sonegação e/ou fraude. No entanto, restou sobejamente demonstrado que em momento algum a D&A agiu de forma dolosa, a fim de praticar sonegação ou fraude, mormente porque todos os tributos foram regularmente recolhidos. Assim sendo, ante a inexistência de fraude ou sonegação, não há que se falar em conluio com a D&A. · INOCORRÊNCIA DE OCULTAÇÃO OU DE SIMULAÇÃO INEXISTÊNCIA DE BURLA AOS CONTROLES ADUANEIROS IMPORTAÇÃO DIRETA PARA REVENDA REGULARMENTE CARACTERIZADA Junta textos da doutrina de Hugo de Brito Machado e Heleno Taveira Tôrres a respeito do assunto. No presente caso, verificase que a Autoridade Fiscal fundamenta a aplicação da penalidade de perdimento das mercadorias ao argumento de que se estaria diante de uma interposição fraudulenta. E esta, por sua vez, seria realizada ao propósito de burlar os controles aduaneiros e quebrar a cadeia de incidência de IPI. Relativamente à suposta "quebra da cadeia do IPI", não houve qualquer burla ao recolhimento de tal imposto, notadamente porque as mercadorias importadas ou são materiais não tributáveis pelo IPI ou possuem alíquota 0%, ou seja, não há que se falar em sonegação de um imposto que sequer incide. Da mesma forma, todos os tributos incidentes na operação foram regularmente recolhidos, não se evidenciando, portanto, nenhuma sonegação ou fraude. Já no que se refere à suposta "burla aos controles aduaneiros" e à suposta "interposição fraudulenta", estas, de igual forma, não ocorreram. A Autoridade Fiscal quer fazer crer que a Impugnante ocultou dolosamente o real encomendante das mercadorias, ao argumento de que não teria informado o CNPJ deste no "campo próprio". Ocorre que este "campo próprio" não existia (e ainda não existe). Assim, as importações em questão se tratam de importações diretas para revenda. A importação direta diferese da importação por conta e ordem de terceiros, basicamente porque nesta (conta e ordem), a mercadoria continua sendo de Fl. 870DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722490/201124 Acórdão n.º 3302002.871 S3C3T2 Fl. 16 15 propriedade do adquirente por conta e ordem, enquanto naquela (direta) a mercadoria é de propriedade do próprio importador, que, depois de desembaraçada, irá revendêla no mercado nacional. A empresa Importadora (D&A) cuidou de cumprir todos os aspectos jurídicos, tributários e formais para deixar "às claras" o negócio realizado, não havendo o que se cogitar em "simulação", como quer fazer crer a autoridade fiscalizadora em seu relatório. Ademais, o negócio concretizado obedeceu todos os requisitos normatizados pela Receita Federal para que a mercadoria seja considerada de propriedade do importador, como é o caso na importação direta para revenda. Transcreve o Ato Declaratório Normativo da SRF n° 7 de junho de 2002 (ADN n° 7/2002). De acordo com o ADN SRF n° 7 como bastaria uma hipótese ser cumprida, para caracterizar a aquisição e propriedade da mercadoria importada pela importadora (D&A Comércio Exterior), descartandose a importação por conta e ordem de terceiros ou encomenda e, conseqüentemente, qualquer hipótese de "interposição fraudulenta". Desta feita, a Ré não pode negar vigência à normativa da RFB a qual está diretamente vinculada, para concluir que a operação realizada tenha sido meramente uma prestação de serviços. Em suma, tratase claramente de importação própria, para revenda no mercado interno, assim caracterizada tanto do ponto de vista substancial, quanto formal, nos termos da legislação em vigor, especialmente do ADN n° 7/2002. · AUSÊNCIA DO ELEMENTO DANOSO RELEVAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO As importações sob análise, ainda que se entendesse irregulares, não foram realizadas dessa forma com o intuito de fraude. Pelo contrário, o contribuinte agiu de boafé, entendendo ser correta sua conduta, baseada na interpretação da legislação aduaneira em vigor. Vejase que o legislador tratou de relevar a pena de perdimento, nos casos em que o infrator, voluntariamente, comunique eventual erro ou equívoco ocorrido nos seus procedimentos, pois são casos nos quais não há o elemento danoso, nem intenção do agente em cometer a infração. Junta textos da Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça a respeito do assunto: (REsp n° 331548/PR, Min. Francisco Peçanha Martins, DJ de 04/05/06) e (REsp n° 512517/SC, Min. Eliana Calmon, DJ de 19/09/05) Por mais que se insistisse na decretação da pena de perdimento à D&A, acreditandose ter havido a ocultação do real adquirente da mercadoria importada, mesmo depois de toda a argumentação exposta, não há como se negar que houve o recolhimento de todos os tributos devidos na operação. Noutras palavras, a infração supostamente cometida neste caso, não resultou em falta ou insuficiência de recolhimento de tributo. Fl. 871DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722490/201124 Acórdão n.º 3302002.871 S3C3T2 Fl. 17 16 Diante disso, considerandose que não houve falta de recolhimento de quaisquer tributos, a relevação da pena de perdimento, com fulcro no art. 737 do Regulamento Aduaneiro, é medida de Justiça que se impõe. · NECESSIDADE DE APLICAÇÃO DA PENALIDADE MAIS FAVORÁVEL Caso se entenda que houve irregularidades na importação, imperioso se reconhecer que estas foram de ordem meramente formal o que ensejaria a aplicação da multa comumente conhecida como "multa por erro", do art. 711 do R.A., ao invés da pena de perdimento. Aliás, insta frisar a existência de conflito entre a pena de perdimento por "ocultação do real comprador", fundamentada no art. 23, V do Decreto Lei 1.455/76, com a pena de multa por "omissão do adquirente comprador" fundamentada no art. 711, inciso III, §1°, do Regulamento Aduaneiro. Conforme demonstrado, ao se confrontar a redação do art. 711, III do RA (omitir a identificação do adquirente comprador) com a redação art. art. 23, V do Dec. Lei 1.455/76 (ocultar o comprador da operação), que ensejou a pena de perdimento no AI ora atacado, notase que as tipificações são idênticas para o caso sob análise, razão pela qual se faria necessária a aplicação da penalidade mais branda, nos termos do art. 112 do Código Tributário Nacional. Além do mais, a redação que introduziu a pena de perdimento no caso de "ocultação do real comprador", prevista no art. 23, V do DeL. 1.455/76, veio ao mundo jurídico através da Lei 10.637, de 30/12/2002. Já a redação do art. 711, inciso III, §1°, inciso I do R.A., por seu turno, que aplica multa de 1% do valor aduaneiro no caso da "omissão do real comprador", foi dada pela Lei 10.833 de 29/12/2003, que é mais recente, razão pela qual há de prevalecer, por força do disposto no art. 2°, § 1° da Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro. DOS PEDIDOS. DO EXPOSTO, os Impugnantes requerem: O acatamento das preliminares alhures constatadas, para: · Reconhecer a ilicitude e imprestabilidade das provas emprestadas do Inquérito Policial n° 2006.72.00.081320 (2005.72.00.0134793) e, consequentemente, decretar a integral nulidade do Auto de Infração (tópico 2.1); · Reconhecer a existência de cerceamento de defesa e, consequentemente, anular o Auto de Infração ou oportunizar a juntada posterior de outros argumentos de fato e de direito, além de outros documentos que possam surgir para contrapor a autuação fiscal (tópico 2.2); · Decretar a nulidade do Auto de Infração, por ausência de Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização MPFF (tópico 2.3); · Decretar a nulidade do Auto de Infração, pelo excesso de prazo para a conclusão procedimental e pela ausência de intimação sobre as prorrogações do MPFF (tópico 2.4); Fl. 872DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722490/201124 Acórdão n.º 3302002.871 S3C3T2 Fl. 18 17 · Reconhecer a ilegitimidade passiva e a responsabilidade solidária de Caio Marcelo Debossan e Érica Debossan Reinert, para anular/cancelar o Auto de Infração em relação a tais Impugnantes (tópico 2.6); · Reconhecer a ilegitimidade passiva da D&A para suportar a pena de perdimento e a multa de conversão eis que tal multa não pode ser aplicada ao importador ostensivo, mas tãosomente ao real encomen dante/adquirente , para o efeito de anular/cancelar o Auto de Infração em relação a tal Impugnante, estendendose automaticamente tais efeitos a Caio e Érica (tópico 2.7); · Decretar a nulidade do Auto de Infração, pela ausência de comprovação do consumo das mercadorias, o que impossibilita a aplicação da pena de perdimento convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro (tópico 2.8); · Decretar a nulidade do Auto de Infração por cerceamento de defesa, consistente na ausência de intimação da D&A para apresentar as mercadorias a serem destinadas ao perdimento (tópico 2.8); No mérito, os Impugnantes ainda requerem: · Seja reconhecida a inexistência de qualquer fraude, sonegação, conluio e/ou subfaturamento que pudesse ensejar a aplicação de pena de perdimento por suposta interposição fraudulenta (tópico 2.9); · Seja reconhecida a inexistência de quebra da cadeia de IPI nas operações em questão, mormente diante de ser produto não tributável e/ou de alíquota 0% (tópico 2.10); · Seja declarada a inocorrência de ocultação dolosa do real adquirente/encomendante das mercadorias, a inocorrência de burla aos controles aduaneiros, bem como a inocorrência de interposição fraudulenta, a fim de afastar a pena de perdimento e a multa de conversão (tópico 2.11) · Seja afastada a hipótese de aplicação da pena de perdimento ao caso concreto, por ausência do elemento danoso; ou, na remota hipótese de se entender realmente aplicável ao caso concreto a pena de perdimento, seja então, relevada tal penalidade, nos termos do art. 737 do R.A. (tópico 2.10); · Por fim, diante da completa ausência de dolo, fraude, sonegação ou dano, reconhecendo por outro lado a boafé, presente nas atividades das Impugnantes, sejam estas isentadas de qualquer tipo de penalidade, ou, alternativamente, seja aplicada apenas a multa de 1% do Valor Aduaneiro por erro, por se tratar de penalidade mais favorável (tópico 2.11). A 23a Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo – SP julgou improcedente a Impugnação, mantendo integralmente o lançamento, nos termos do Acórdão no 16050.669, de 25/09/2013, cuja ementa abaixo se transcreve. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 05/12/2006 Fl. 873DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722490/201124 Acórdão n.º 3302002.871 S3C3T2 Fl. 19 18 Dano ao Erário por infração de ocultação do verdadeiro interessado nas importações, mediante o uso de interposta pessoa. Pena de perdimento das mercadorias, comutada em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria. A atuação da empresa interposta em importação tem regramento próprio, devendo observar os ditames da legislação sob o risco de configuração de prática efetiva da interposição fraudulenta de terceiros. A aplicação da pena de perdimento não deriva da sonegação de tributos, muito embora tal fato possa se constatar como efeito subsidiário, mas da burla aos controles aduaneiros, já que é o objetivo traçado pela Receita Federal do Brasil possuir controle absoluto sobre o destino de todos os bens importados por empresas nacionais. As empresas autuadas D&A COMERCIO E SERVIÇOS IMP E EXP LTDA e ARD INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA EPP, e os responsáveis pessoais CAIO MARCELO DEBOSSAN e ÉRICA DEBOSSAN REINERT, tomaram ciência desse decisão entre os dias 18/10/2013 e 23/10/2013, conforme AR de fls. 772/775. No dia 18/11/2013 os contribuintes D&A COMERCIO E SERVIÇOS IMP E EXP LTDA., CAIO MARCELO DEBOSSAN e ÉRICA DEBOSSAN REINERT protocolizaram recurso voluntário conjunto, no qual renovam os argumentos da impugnação, acima resumido. Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído para relatar. É o Relatório do essencial. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais e regimentais. Dele se conhece. Como relatado, contra as empresas D&A COMÉRCIO SERVIÇOS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA e ARD INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA EPP foi lavrado Auto de Infração para a aplicação de multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas pela impossibilidade de apreensão de tais mercadorias, conforme determina o art. 23, V, § 3º, do DecretoLei nº 1.455/75 c/c o art. 105, VI e VII do DecretoLei nº 37/66 (arts. 689, VI, VII, XXII e § 1º, c/c art. 673 e 675, IV, todos do RA/2009). Foram nomeados como responsáveis solidários o Sr. Caio Marcelo Debossan e a Sra. Érica Debossan Reinert. Fl. 874DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722490/201124 Acórdão n.º 3302002.871 S3C3T2 Fl. 20 19 Antes de adentrar na lide, é necessário delinear alguns fatos que são absolutamente incontroversos, conforme provas irrefutáveis acostadas aos autos, e sobre os mesmos, por evidente, não há necessidade de considerações complementares às constantes do voto do acórdão recorrido, que aqui se adota integralmente. Primeiro: as mercadorias objeto da aplicação da pena de perdimento, convertida em multa pelo valor aduaneiro, foram desembaraçadas por meio da DI nº 06/14742476, registrada no dia 05/12/2006. Segundo: as mercadorias em tela foram entregues para a empresa ARD por meio da Nota Fiscal nº 00448, com CFOP 6.102, em 11/12/06, de emissão da D&A. Terceiro: das mercadorias em tela, três tipos (Válvulas Solenoides / Cilindros Pneumáticos / Manometros) são tributados pelo IPI com alíquota zero e dois tipos (Válvulas Redutoras de Pressão e Outros Acessórios p/Tubos de Aço Inox) são tributados pelo IPI com alíquota de 5%; Quarto: a importação das mercadorias, de fato, foi contratada e realizada pela ARD e consignada (fraudulentamente) em nome da D&A, conforme PROFORMA INVOICE e INVOICE, ambos de nº 06E.MCB405, mensagens entre a D&A, ARD e Exportador, e movimentação de recursos financeiros entre essas empresas, juntadas aos autos (fls. 253/261). Quinto: para atender às despesas com a operação de importação, a ARD efetuou quatro depósitos na conta corrente da D&A (27/07/06 R$ 29.010,74; 18/09/06 R$ 30.131,69; 30/11/06 R$ 30.031,80; e 06/12/06 R$ 10.000,00) e, com a prestação de contas da operação apresentada pela D&A, restou um saldo a favor da ARD de R$ 1.537,92, prontamente depositado pela D&A na conta da ARD no dia 19/12/06 (fls. 261/267). Sexto: a empresa D&A não realizou importação direta (por conta própria) das mercadorias em tela e depois as revendeu para a ARD, como formalmente se apresenta a operação (DI nº 06/14742476 e NF nº 00448). Na realidade, as mercadorias foram importadas pela D&A por conta e ordem da ARD, conforme provas acima citadas. Sétimo: a DI nº 06/14742476 foi registrada no dia 05/12/2006 como importação direta e não como importação por conta e ordem da ARD. No campo próprio da DI não consta a empresa ARD como adquirente e destinatária da mercadoria. Oitavo: a empresa D&A efetuou remessas de divisas para o exterior, supostamente ilegais, por meio da empresa ROGER TUR. Independente de serem ilegais ou não, tais remessas não constam da escrituração contábil da D&A. Aparentemente, tais remessas não estão relacionadas com as importações objeto deste processo; Nono: a empresa D&A possuía em seu estabelecimento, ao menos, 43 (quarenta e três) carimbos de fornecedores e autoridades estrangeiros. Esses carimbos foram confeccionados em BlumenauSC pela empresa Carimbos Guido Ltda. Décimo: em cumprimento ao MPFD nº 0920400201000718, o procedimento fiscal teve início com o TERMO DE INÍCIO DE PROCEDIMENTO FISCAL INTIMAÇÃO Nº 0109/10/DRF/BLU/SAFIS, recebido pela D&A no dia 22/10/2010, conforme AR. Referido MPFD foi convertido no MPFF nº 0920400201100211, tendo a D&A tomado Fl. 875DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722490/201124 Acórdão n.º 3302002.871 S3C3T2 Fl. 21 20 ciência do MPFF no dia 29/06/2011. A ciência do Auto de Infração ocorreu no dia 25/11/2011. Dito isso, passemos à apreciação das demais razões do recurso. As matérias postas para apreciação do Colegiado são: 1 em sede de preliminar: 1.1 Ilicitude e imprestabilidade das provas emprestadas ausência de provas nulidade do Auto de Infração; 1.2 Compartilhamento de provas inobservância do contraditório e da ampla defesa inobservância de condição para o compartilhamento nulidade do procedimento fiscal; 1.3 Apreensão de documentos empresa diversa da investigada ausência de mandado judicial específico ilicitude das provas – nulidade; 1.4 Apreensão de documentos investigação criminal inexistência de correlação entre os crimes investigados e as infrações apuradas ilicitude das provas nulidade; 1.5 Ausência de mandado de procedimento fiscal de fiscalização (MPFF) fiscalização irregular nulidade do procedimento fiscal e do Auto de Infração; 1.6 Excesso de prazo na conclusão procedimental ausência de notificação sobre as prorrogações do MPFF nulidade do auto de infração; 1.7 Dois sujeitos passivos no mesmo auto de infração ausência de individualização do lançamento nulidade do auto de infração; 2 no mérito: 2.1 Ilegitimidade de Caio Marcelo Debossan e Érica Debossan Reinert para figurarem solidariamente no pólo passivo do auto de infração; 2.2 Ilegitimidade passiva da D&A para aplicação da pena de perdimento e multa de conversão; 2.3 Ausência de prova do consumo das mercadorias mera presunção cerceamento de defesa impossibilidade de conversão da pena de perdimento em multa; 2.4 Inexistência de sonegação, fraude e conluio; 2.5 Inexistência da quebra da cadeia do IPI; 2.6 Inocorrência de ocultação ou de simulação inexistência de burla aos controles aduaneiros importação direta para revenda regularmente caracterizada; 2.7 Ausência do elemento danoso relevação da pena de perdimento; 2.8 Necessidade de aplicação da penalidade mais favorável; Fl. 876DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722490/201124 Acórdão n.º 3302002.871 S3C3T2 Fl. 22 21 Sobre a preliminar de licitude das provas acostadas aos autos (subitens 1.1, 1.2, 1.3 e 1.4, acima), ratifico os fundamentos da decisão recorrida para acrescentar que o conjunto probatório destes autos não foi colhido para instruir única e exclusivamente o presente processo. Ao contrário, as provas foram colhidas para instruir diversos lançamentos fiscais efetuados contra a empresa D&A, nas importações diretas, e contra a D&A e os verdadeiros importadoras, nas operações de importação por conta e ordem registradas pela D&A como importação direta. Parte das referidas provas foram coletadas, com expressa autorização judicial, em inquérito policial regularmente instaurado. Também foram coletadas mediante apresentação pelas empresas vinculadas ao lançamento, em cumprimento a intimações expedidas pela Fiscalização da Receita Federal do Brasil (RFB) e, por último, foram coletadas nos controles internos da Receita Federal do Brasil. As provas coletadas do inquérito policial, que foram compartilhadas com a RFB por expressa ordem do Poder Judiciário (vigente à época do lançamento e, pelo que consta dos autos, não revogada até a presente data) podem e devem ser usadas para instruir os lançamentos realizados contra as empresas que violaram a legislação tributária e aduaneira (no entender da RFB), dentre elas a D&A e a ARD. Isso porque o compartilhamento de provas, autorizada pelo Poder Judiciário, somente se justifica se for para instruir procedimento fiscal de exigência de tributos e penalidades por parte da RFB. É o caso dos autos. Portanto, a legitimidade do uso dessas provas não pode ser questionada administrativamente enquanto vigente a referida ordem judicial de compartilhamento de provas. Em razão disso, se os Recorrentes quiserem contestar o conteúdo da referida decisão judicial, deverão fazêlo no âmbito do Poder Judiciário e não no âmbito administrativo, que não tem competência para afastar legítima e vigente decisão judicial. Além das provas compartilhadas, como prova da infração atribuída aos Recorrentes, a Fiscalização juntou, no curso da ação fiscal, documentos coletados nos controles internos da própria RFB e, também, apresentados pelas empresas autuadas em resposta à intimações da Fiscalização da RFB. Estas provas são suficientes para atestar que a operação de importação, objeto da autuação, não foi uma operação de importação direta, como consignado na DI, mas sim uma operação de importação por conta e ordem da empresa ARD, tendo ocorrido a adulteração da documentação que instruiu a operação de importação e o desembaraço aduaneiro das mercadorias. Sobre a alegada ausência de contraditório, como bem disse a decisão recorrida, este se estabelece com a impugnação do lançamento, onde o contribuinte tem a oportunidade de contestar todos os fatos a ele atribuídos e apresentar todas as provas que entender importante. O procedimento preparatório do lançamento, e o próprio lançamento, é ato inquisitório, não havendo que se falar em violação ao princípio do contraditório e da ampla defesa nessa fase pela não manifestação do contribuinte sobre as provas colhidas nessa fase do procedimento fiscal. Nesse sentido é a Súmula CARF nº 46, abaixo reproduzida: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Fl. 877DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722490/201124 Acórdão n.º 3302002.871 S3C3T2 Fl. 23 22 Quanto as alegações relacionadas ao MPFF, preliminarmente, registrese que a competência para o agente fiscal efetuar o lançamento decorre da lei e não de ato do dirigente da repartição fiscal (art. 7º da Lei nº 2.354/54 e art. 143 do CTN), existindo farta jurisprudência no CARF no sentido de que irregularidade na emissão, alteração ou prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal não acarreta a nulidade do lançamento. É o caso dos Acórdãos nº 1802001.864, de 09/10/2013; 2403002.571, de 15/04/2014; 3102001.669, de 27/11/2012; e 3401002.564, de 23/04/2014. No caso vertente, o MPFF foi emitido antes da lavratura do auto de infração e suas prorrogações foram regularmente publicadas no site da RFB. O MPFF é de junho/2011 e o Auto de Infração é de novembro/2011. Não há nenhuma irregularidade procedimental por parte da administração da RFB. Quando a alegação de falta de individualização do lançamento não tem razão as Recorrentes porque o lançamento é um só (a multa é uma só) e as duas empresas envolvidas na infração respondem, conjunta ou isoladamente, pela infração apurada, nos termos do art. 95, inciso V, do DL nº 37/66. Pelas provas dos autos, correto o procedimento da autoridade lançadora de nomear as duas empresas para responder pelo crédito tributário lançado. Isto posto, rejeito as preliminares de nulidade do procedimento fiscal e do Auto de Infração suscitadas pelas Recorrentes e acima referidas. Quanto ao mérito, a multa em tela foi imposta às empresas Recorrentes em face da comprovação inequívoca da prática de interposição fraudulenta na importação de mercadorias, conforme autoriza o art. 689 do RA/2009 (Decreto nº 6.759/2009), abaixo reproduzido, e da participação dos nomeados responsáveis na prática do ilícito tributário que ensejou a autuação. Art.689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (Decreto Lei nº 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, caput e §1º, este com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): [...] VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; [...] XXII estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. [...] § 1o A pena de que trata este artigo convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida (DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, §3º, com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59). A redação atual do parágrafo 1º, acima, é: Fl. 878DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722490/201124 Acórdão n.º 3302002.871 S3C3T2 Fl. 24 23 § 1º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto nº 70.235, de 1972 (DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, §3º, com a redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010, art. 41). (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) A doutrina nos ensina que interposta pessoa, o mesmo que ‘interposta persona’, é a pessoa que se interpõe, em negócio de outrem, para realizálo em substituição da que tinha a incumbência de fazêlo. É o mesmo que ‘prestanome’. É aquele que comparece num dado negócio jurídico em nome próprio, mas no interesse de outrem, substituindoo e encobrindoo. A ocultação do sujeito passivo mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta de terceiros, consiste em uma infração tipificada como dano ao Erário, punível com a aplicação da pena de perdimento, nos termos do art. 689 do RA/09, acima reproduzido, independente de ter ocorrido ou não falta de recolhimento de tributos. No caso dos autos, está sobejamente provado a prática, pela empresa Recorrente e pela ARD, com a participação efetiva dos nomeados responsáveis (Caio e Érica), de interposição fraudulenta na importação, sendo inequívoca a imposição da penalidade objeto deste processo e a legitimidade passiva de ambas (art. 95, inciso V, do DL nº 37/66). Portanto, não procede a alegação da Recorrente D&A de que a multa no valor aduaneiro da mercadoria deve ser aplicada contra a empresa ARD (e não contra ela), proprietária de fato das mercadorias. E não procede exatamente porque quem fraudou a DI objeto destes autos foi a D&A e não a ARD. Quem é o contribuinte nas operações de importação é o importador ostensivo e não o importador oculto. Por ter se beneficiado da fraude e dela ter participado, a ARD foi nomeada sujeito passivo responsável pelo crédito tributário lançado. Ademais, as mercadorias saíram do estabelecimento da D&A em simulação de operação de compra e venda, feita pela própria D&A, legalmente proprietária das mercadorias importadas. Sobre a ausência de prova do consumo, para aplicação da penalidade dos autos, a lei não exige que a mercadoria seja, obrigatoriamente, consumida: basta que ela não seja localizada para haver a conversão em multa a que se refere o § 1º, do art. 689 do RA/09, acima reproduzido. Portanto, a Nota Fiscal nº 00448 (fl. 171) prova que a mercadoria não se encontrava, à época da lavratura do auto de infração, no estabelecimento da empresa D&A. E a D&A não logrou provar o contrário, ou seja, não apresentou a mercadoria à Fiscalização, até porque ela não possui instalações para armazenar mercadorias, posto que está instalada em uma sala comercial. Mais ainda, em visita ao estabelecimento da D&A, a Fiscalização constatou, in loco, que lá não existia as mercadorias importadas por ela D&A. Também não procede a alegação dos Recorrentes de inocorrência de sonegação, fraude, conluio, ocultação, simulação ou burla aos controles aduaneiros e de que ocorreu importação direta para revenda, devidamente caracterizada. As provas dos autos são no sentido oposto, conforme já dito no início deste voto que a importação não foi direta, lastreado Fl. 879DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722490/201124 Acórdão n.º 3302002.871 S3C3T2 Fl. 25 24 em vasta prova. Não desconstituiu a D&A as provas relativas aos carimbos encontrados em seu estabelecimento, às remessas de divisas feitas por meio da Roger Tur, as tratativas do Sr. Caio e da Sra. Érica da importação das mercadorias para diversos clientes dela D&A e, no caso específico, a movimentação financeiras entre ela D&A e a STRAUSS. As alegações dos Recorrentes, nesta parte, subestimam a capacidade de apreensão dos fatos pelas autoridades administrativas julgadoras. Nenhuma das provas trazidas, de forma legítima, pela Fiscalização foi desconstituída pelos Recorrentes. Eles não lograram provar que os recursos depositados pela ARD em conta bancária da D&A se referem a operações regulares das empresas, de conhecimento do Fisco e devidamente contabilizada nas escritas fiscal e contábil de ambas as empresa. Que as provas das tratativas do negócio entre as empresas se referem a outro negócio ou a outras empresas ou que foi a D&A quem escolheu e importou as mercadorias por sua conta e risco, tendoas revendido para diversas empresas, como soi acontecer nas importações diretas. E que as remessas de divisas para o exterior através da Roger Tur foram regularmente escrituradas em sua contabilidade e se referiam a transações comerciais regulares dela D&A. Quanto a alegação de ilegitimidade do Sr. Caio Marcelo Debossan e Érica Debossan Reinert para figurar no pólo passivo do auto de infração, conforme demonstrado na Descrição dos Fatos que levaram à autuação, devidamente comprovado no "Anexo Probante da Sociedade de Fato CaioÉrica", os irmãos e Despachantes Aduaneiros, Sra. Érica e Sr. Caio, efetivamente dirigiam a empresa D&A, praticando atos típicos de gerência da empresa, que vai desde a negociação com clientes à ascendência sobre os empregados, passando por propaganda onde eles se apresentam como executivos e sócios da D&A, inclusive no site da própria D&A (www.deacomex.com.br). Eventuais negociações com empresas e órgãos intervenientes no comércio, que poderiam ser terceirizadas e que foram efetuadas pelos referidos Despachantes Aduaneiros, não são suficientes para desconstituir os demais atos de efetiva gestão consignados no Auto de Infração, ainda mais quando desacompanhado de contrato específico de prestação desses serviços especializados e da respectiva nota fiscal relativo ao preço do serviço contratado. Por outro lado, a farta documentação probatória juntada aos autos reflete, indubitavelmente, uma intensa atividade de gestão dos negócios da D&A pelos sócios e gestores de fato, Sra. Érica e Sr. Caio. Portanto, está sobejamente provado nos autos que os ditos responsáveis solidários conduziam tanto os negócios da empresa D&A como da empresa Debossan Despachos Aduaneiros e, externamente, as duas empresas se apresentavam como sendo do "Grupo D&A", sendo que as ações de ambas eram sobrepostas, como bem ficou provado na Descrição dos Fatos e no "Anexo Probante da Sociedade de Fato CaioÉrica". Formalmente, na qualidade de sócios da empresa Debossan Despachos Aduaneiros, os dois atuavam pessoalmente também como despachante aduaneiro nas importações realizadas pela empresa D&A e, no caso da DI nº 06/14745476, objeto da autuação, como administradores de fato da D&A, participaram das tratativas e da concretização da fraude para ocultar o real importador. Portanto, sem reforma a decisão recorrida que manteve a Sra. Érica e o Sr. Caio como responsáveis solidários do crédito tributário lançado. Também não procede o argumento da Recorrente de que não houve quebra da cadeia do IPI porque as mercadorias importadas são tributadas pelo IPI com alíquota zero e, Fl. 880DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722490/201124 Acórdão n.º 3302002.871 S3C3T2 Fl. 26 25 também, que inocorreu ocultação do real importador ou simulação de importação direta, não tendo ocorrido burla aos controles aduaneiros. Antes de entrar nessa matéria, há que se esclarecer que, no comércio exterior e de acordo com as disposições do art. 689 do RA/2009, a interposição fraudulenta caracteriza dano ao erário, que independe de haver ou não insuficiência de recolhimento de tributos, porque o dano ao erário envolve outras variáveis, a exemplo da evasão de divisas e da concorrência desleal. Portanto, a ocorrência ou não da quebra da cadeia do IPI é irrelevante para a caracterização de ocorrência do delito fiscal "dano ao erário". Retornando ao caso concreto destes autos, embora irrelevante para caracterizar o dano ao erário, não procede o argumento dos Recorrente, a uma porque na DI objeto da autuação existem mercadorias tributadas com alíquota de 5% e, a duas, porque na operação apurada pelo Fisco, onde ficou provado a simulação de importação direta, uma das conseqüências dessa simulação é que o adquirente da mercadoria (ARD) perde a condição de contribuinte do IPI por equiparação a estabelecimento industrial, posto que passa à condição de comerciante de mercadoria importada por terceiros. Por evidente, nesse caso, como a operação de compra e venda da mercadoria importada foi simulada, conforme largamente provado nos autos, o seu preço de venda foi arbitrado pelas partes. Em consequência, o “preço de compra e venda”, assim estabelecido, é sempre inferior ao preço de venda praticado pelo real importador (ARD) no mercado interno. Com essa simulação, a base de cálculo do IPI foi reduzida e, conseqüentemente, o valor recolhido a título de IPI foi inferior ao devido, com evidente prejuízo financeiro para os cofres da União. Portanto, no despacho aduaneiro da operação de importação realizada pela empresa Recorrente D&A houve a ocultação do real importador, incorrendo na infração do art. 23, inciso V, do DecretoLei nº 1.455/76, punida com a multa prevista nos §§ 1º e 3º desse mesmo dispositivo legal. Quanto ao pedido de relevação da pena de perdimento por ausência do elemento danoso, fundada no art. 737 do RA/2009, impende registrar que o CARF não tem competência para relevar penalidades, cabendo tal competência ao Ministro de Estado da Fazenda, nos termos do art. 736 do mesmo RA/2009, abaixo reproduzido. Art.736. O Ministro de Estado da Fazenda, em despacho fundamentado, poderá relevar penalidades relativas a infrações de que não tenha resultado falta ou insuficiência de recolhimento de tributos federais, atendendo (DecretoLei no 1.042, de 21 de outubro de 1969, art. 4o, caput): [...] §2o O Ministro de Estado da Fazenda poderá delegar a competência que este artigo lhe atribui (DecretoLei nº 1.042, de 1969, art. 4º, §2º). Art.737.A pena de perdimento decorrente de infração de que não tenha resultado falta ou insuficiência de recolhimento de tributos federais poderá ser relevada com base no disposto no art. 736, mediante a aplicação da multa referida no art. 712 (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 67). Fl. 881DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722490/201124 Acórdão n.º 3302002.871 S3C3T2 Fl. 27 26 Relativamente à alegação de que devese aplicar a penalidade mais favorável porque houve mero erro formal na DI, enganase os Recorrentes porque o conjunto probatório dos autos leva à conclusão que eles Recorrentes (D&A, Caio e Érica) conheciam toda a operação de importação e que a mesma era por conta e ordem e, mesmo assim, a Despachante Aduaneira, Sra. Érica, registrou a DI como importação direta e as mercadorias foram transferidas para a ARD a título de venda. Portanto, não ocorreu mero "erro formal" no preenchimento da DI que enseje a aplicação da multa do art. 711 do RA/2009. Tanto é que a D&A não apresentou o contrato de prestação de serviço dessa operação e a respectiva nota fiscal de prestação de serviços que prova o recebimento do preço do serviço contratado e que a operação de importação foi por conta e ordem, tendo ocorrido o referido erro no preenchimento da DI. Por fim, e para que não se alegue omissão no julgado, ratifico e, supletivamente, adoto todos os fundamentos da decisão recorrida, que tenho por boa e conforme a lei (art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991). Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 882DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10880.011827/2001-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF
Ano-calendário: 1997
DÉBITO QUITADO. ALOCAÇÃO INDEVIDA. Estando quitado o débito exigido, não é possível exigi-lo em face de se ter alocado parte do recolhimento a outro débito, sem que o contribuinte fosse previamente intimado, nos termos do art. 12, § 2º, da IN SRF 21, de 1997.
Numero da decisão: 2102-003.288
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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conteudo_txt : Metadados => date: 2015-04-06T19:00:55Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2015-04-06T19:00:55Z; Last-Modified: 2015-04-06T19:00:55Z; dcterms:modified: 2015-04-06T19:00:55Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2015-04-06T19:00:55Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2015-04-06T19:00:55Z; meta:save-date: 2015-04-06T19:00:55Z; pdf:encrypted: true; modified: 2015-04-06T19:00:55Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2015-04-06T19:00:55Z; created: 2015-04-06T19:00:55Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2015-04-06T19:00:55Z; pdf:charsPerPage: 1903; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2015-04-06T19:00:55Z | Conteúdo => S2-C1T2 Fl. 1 1 S2-C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.011827/2001-23 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2102-003.288 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 11 de março de 2015 Matéria IRRF Recorrente RENDATEX INDUSTRIA DE RENDAS E TECIDOS LTDA Recorrida União (Fazenda Nacional) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 1997 DÉBITO QUITADO. ALOCAÇÃO INDEVIDA. Estando quitado o débito exigido, não é possível exigi-lo em face de se ter alocado parte do recolhimento a outro débito, sem que o contribuinte fosse previamente intimado, nos termos do art. 12, § 2º, da IN SRF 21, de 1997. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator e presidente-substituto EDITADO EM: 06/04/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (presidente-substituto e relator) Roberta de Azevedo Ferreira Pagetti (vice-presidente), Núbia Matos Moura, Alice Grecchi e Lívia Vilas Boas e Silva. Relatório Trata-se de recurso voluntário em face do Acórdão 16-36.677, de 15/03/2012, exarado pela 4ª Turma da DRJ/SP1 (fls. 42 a 48, numeração dos autos eletrônicos). Por meio do auto de infração (fls. 04 a 12), originado da realização de auditoria interna na DCTF referente ao primeiro trimestre do ano-calendário (AC) de 1997, foi exigido da contribuinte crédito tributário de R$1.126,66 de imposto, R$845,00 de multa de Fl. 59DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 ofício, e R$1.123,39 de juros de mora, relativo a recolhimentos informados em DCTF e não confirmados. Em sua impugnação (fl. 01), a contribuinte alegou que os DARF de IRRF relacionados no auto de infração encontram-se devidamente liquidados (R$1.110,30, código 0561, recolhido em 15/01/97; R$7,50, código 1708, recolhido em 15/01/97; R$8,86, código 1708, recolhido em 15/01/97). A unidade preparadora revisou o lançamento pelo Despacho Decisório 2.667/2009 (fl. 34), determinando o cancelamento de créditos tributários improcedentes (código 1708), e o encaminhamento do saldo restante para apreciação pela DRJ, restando em aberto o IRRF, código 0561 (demonstrativos de consolidação e recálculo de fls. 26 a 29): A DRJ julgou parcialmente procedente a impugnação, tendo o acórdão retrocitado recebido a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano-calendário: 1997 AUDITORIA DE DCTF. 1º TRIMESTRE. REVISÃO DE LANÇAMENTO. EXONERAÇÃO PARCIAL. SALDO REMANESCENTE. ALOCAÇÃO DE PAGAMENTO A DÉBITO EM ABERTO. Exonerado parcialmente o crédito, em Revisão de Lançamento, e uma vez comprovado que o pagamento do débito remanescente foi alocado para quitar débito anterior do contribuinte, mantém-se a exigência do principal apurado após a revisão, com os devidos acréscimos legais. MULTA DE OFÍCIO. Tendo em vista o princípio da retroatividade benigna, consagrado no art. 106, II, "c", da Lei nº 5.172/1966 (CTN), há que se proceder à exoneração da multa de ofício aplicada. A ciência dessa decisão ocorreu em 09/05/2012 (aviso de recebimento da fl. 52). Em 01/06/2012 foi apresentado recurso voluntário (fl. 53), afirmando-se a liquidação do débito pelo Darf da fl. 54, já apresentado à fl. 03. É o relatório. Voto Conselheiro Relator João Bellini Júnior O recurso voluntário é tempestivo. Dele tomo conhecimento. ANEXO CÓDIGO PA VALOR ORIGINAL NÃO CONFIRMADO MULTA DE OFÍCIO Ia 0561 02-01/1997 1.110,30 842,63 631,97 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10880.011827/2001-23 Acórdão n.º 2102-003.288 S2-C1T2 Fl. 2 3 Como consignou a decisão recorrida, as consultas realizadas nos Sistemas DCTFGER, Sinal08, Documento de Arrecadação no SIEF da Secretaria da Receita Federal do Brasil, e aos documentos que constam dos autos, indicam que o débito objeto do lançamento original (código 0561, período de apuração 2ª semana de janeiro/1997, no valor de R$1.110,30, vencimento em 15/01/1997) foi corretamente informado em DCTF e efetivamente recolhido em 15/01/1997. No entanto, parte do recolhimento foi alocado para quitar outro débito do contribuinte, referente ao período de apuração 31/12/1996 (vencimento 08/01/1997), código 0561 (fl. 27). Não há provas nos autos de que o contribuinte tenha sido notificado de tal compensação de ofício, nos termos da IN SRF 21, de 1997, art. 12, § 2º: Art. 12. Os créditos de que tratam os arts. 2º e 3º, inclusive quando decorrentes de sentença judicial transitada em julgado, serão utilizados para compensação com débitos do contribuinte, em procedimento de ofício ou a requerimento do interessado. (...) § 2º A compensação de ofício será precedida de notificação ao contribuinte para que se manifeste sobre o procedimento, no prazo de quinze dias, contado da data do recebimento, sendo o seu silêncio considerado como aquiescência. No mesmo sentido a IN SRF 600, de 2005, art. 34, § 2º e IN RFB 900, de 2008, art. 49, § 2º. Ora, o presente débito foi quitado pelo contribuinte. O procedimento realizado no presente caso não respeita nem as instruções normativas citadas, nem a vontade do contribuinte em quitar os débitos que considera devidos, impossibilitando o contraditório em relação ao valores não quitados e alocados de ofício, sem oitiva do sujeito passivo. Não pode, portanto, ser aceito. Voto, portanto, por prover o recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Fl. 61DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 18336.000412/2005-36
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 13/04/2000
EMENTA
CERTIFICADO DE ORIGEM - PAIS NÃO INTEGRANTE DA ALADI- Efetivadas contrariedades à legislação sobre a matéria, inclusive à Resolução 78 da ALADI, não possibilita a implementação de redução tarifária. Recurso provido.
Numero da decisão: 9303-003.165
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial. A Conselheira Nanci Gama declarou-se impedida de votar.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente substituto.
FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Ivan Allegretti, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López, e Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente substituto).
Nome do relator: FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA
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Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial. A Conselheira Nanci Gama declarouse impedida de votar. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS – Presidente substituto. FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Ivan Allegretti, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López, e Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente substituto). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 33 6. 00 04 12 /2 00 5- 36 Fl. 362DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Relatório Em Recurso Especial, fls. 234/248, admitido pelo Despacho nº 320011 – 2ª Câmara / 3ª Seção de Julgamento (fl. 249), datado de 08.02.2012, insurge a Fazenda Nacional contra o Acórdão 30335.514 (fls. 214/227), que deu provimento ao Recurso Voluntário pelo voto de qualidade. O Acórdão traz a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 13/04/2000 CERTIFICADO DE ORIGEM PREFERÊNCIA TARIFÁRIA RESOLUÇÃO ALADI 232. Produto exportado pela Venezuela e comercializado por meio de pais não integrante da ALADI. A apresentação para despacho do Certificado de Origem emitido pelo país produtor da mercadoria, acompanhado da fatura do país interveniente e do conhecimento de embarque que deixam clara a origem da mercadoria, supre as informações que deveriam constar de declaração juramentada a ser apresentada à autoridade aduaneira, como previsto no art. 9º do Regime Geral de Origem da Aladi (Res. 78). Em síntese, pretende a Fazenda Nacional a reforma do acórdão colacionado acima alegando erro formal no Certificado de Origem apresentado pela recorrida, por violar o art. 434, parágrafo único, do RA, Decreto 91.030/95, bem como os arts. 4º e 7º da Resolução 78 da ALADI, o que invalidaria o pleito de regime benéfico de tributação do Imposto de Importação. Aduz a recorrente que os argumentos expendidos no acórdão vergastado não merecem prosperar. Isto porque, a legislação tributária que dispõe sobre benefícios fiscais deve ser interpretada de forma literal. Se o benefício acordado entre os países signatários do acordo de que tratam os autos está calcado na origem da mercadoria, a apresentação do Certificado de Origem tornase pressuposto de validade para que o benefício pactuado seja reconhecido pelo país importador. Segue discorrendo que a descrição de produto incluído na declaração que acredita o cumprimento dos requisitos de origem deve coincidir com o correspondente produto negociado e vincula expressamente a mercadoria ao emissor da fatura. Como, no presente caso, o emissor da fatura comercial que instruiu o despacho de exportação não seria país signatário do ACE 39, por pertencer às Ilhas Cayman, não poderia a recorrida fazer jus ao benefício fiscal pleiteado, devendo ser aplicada à mercadoria o regime normal de tributação. Argumenta que, consoante a legislação de regência e de modo alternativo, se no momento de expedir o certificado de origem, não se conhecesse o número da fatura comercial emitida pelo operador de terceiro pais, o importador deveria apresentar à Fl. 363DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 18336.000412/200536 Acórdão n.º 9303003.165 CSRFT3 Fl. 356 3 administração aduaneira uma declaração juramentada que justificasse o fato. O que não teria sido feito no presente caso pela recorrida. Entende que como as condições e requisitos estabelecidos nos acordos internacionais de regência não foram de modo integral e estritamente atendidas pela PETROBRAS para fruição do benefício, não há como conceder o tratamento tarifário pretendido. Entende, ainda, que ao interpretar os referidos dispositivos de modo diverso, o acórdão recorrido acabou por contrariar a legislação que rege o caso em apreço. O pleito é de provimento do recurso no mérito, com a restauração da decisão proferida pela instância de piso, de forma a manter o lançamento tributário realizado pela autoridade competente. Contrarrazões fls. 372/405. Após fazer um apanhado do que trata a controvérsia recursal, dos precedentes favoráveis à sua pretensão e legislação de regência, a ora recorrida passa a refutar os argumentos da Fazenda Nacional em busca da manutenção do Acórdão 30335.514, esclarecendo, em síntese, que: O certificado de origem acostado aos autos atesta que as mercadorias foram expedidas diretamente da Venezuela para o Brasil, países signatários do acordo internacional em apreço, não tendo sequer transitado pelo território das Ilhas Cayman, onde está estabelecida a PIFCO; Só não foram registradas todas as operações da triangulação comercial (PDVSA – PIFCO – PETROBRAS) porque o SISCOMEX não comporta tais registros. Existe uma limitação no SISCOMEX que obriga que a PIFCO figure na DI como “exportadora”, já que não há um campo específico no sistema para alocar o “operador”; Os documentos que instruíram a DI (Certificado de Origem e Bill of Lading) evidenciaram a origem e o destino da mercadoria importada, bem como a interveniência da PIFCO como mera operadora, em consonância com o art. 9º da Resolução nº 252 da ALADI; A própria Receita Federal do Brasil, através da NOTA COANA/ COAD/ DITEG/ nº 60/97, se manifestou no sentido de que a apresentação da fatura anterior é despicienda e que não há exigência expressa de apresentação de duas faturas comerciais, uma vez que no SISCOMEX fica registrada apenas a última operação comercial para a importação; Não se pode penalizar a recorrida com a perda do benefício fiscal, por erros meramente formais como a suposta divergência entre o Certificado de Origem e a fatura comercial apresentada para despacho, mesmo porque existiriam meios de Fl. 364DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 sanar a suposta irregularidade, os quais foram ignorados pela Receita Federal do Brasil. Agindo assim, a RFB teria negado vigência ao art. 15, da Resolução nº 252 da ALADI e IN nº 149/2002; O descumprimento de simples obrigação acessória não poderia, em hipótese alguma, fazer nascer a obrigação principal ligada à obrigação acessória descumprida; Inexiste qualquer dispositivo legal que afaste a fruição de tratamento tributário privilegiado em razão do certificado de origem trazer informação discrepante com relação à fatura comercial apresentada para despacho aduaneiro. Requer seja negado provimento ao recurso da Fazenda Nacional e mantido, na íntegra, o Acórdão 30335.514. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva O Recurso preenche condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Este processo contém Auto de Infração de fls.02/07 que reverbera imperfeição quanto ao Certificado de Origem nº 24774 emitido na Venezuela , em 08.05.2000 indicando esse País como o de origem da mercadoria importada sendo a empresa exportadora a Empresa PDVSA Petróleo Y Gás S. A. tendo sido emitida fatura comercial pela Petrobrás Finance Company – Pifco, nº PIFSB443/2000 situada nas Ilhas Cayman, pais não membro da ALADi tudo na conformidade do declarado na DI no campo “Exportador”. Sem dúvidas a mercadoria foi embarcada na na Venezuela e recepcionada no Brasil pela Petróleo Brasileiro S. A. –PETROBRAS como importadora e também por conta do endosso que lhe foi conferido pela PIFCO no verso do conhecimento de embarque,. Portanto, a PIFCO é a empresa que consta na DI como sendo exportadora. O auto de infração também registra que o Certificado de Origem que instruiu o despacho de importação não relaciona a quantidade da mercadoria objeto da certificação, desta feita violando o que estabelece o art. 8º da Resolução 252. da Resolução nº 78. O fato de não existir dúvida da procedência da mercadoria não suficientiza o preenchimento das condições estabelecidas no acordo materializado entre os países signatários Fl. 365DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 18336.000412/200536 Acórdão n.º 9303003.165 CSRFT3 Fl. 357 5 da ALADI dentre as quais a elencada no parágrafo único do Art. 434 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91030/85 que exige comprovação por meio idôneo e de acordo com modelo aprovado pela ALADI que gerou o Regime Geral de Origem decorrente da Resolução 78 do Comitê de Representantes, anexa ao Decreto nº 98.874/90, além do Acordo 91 anexo ao Decreto nº 98.836/90. De fato, o elemento primordial na materialização do Certificado de Origem é a fatura comercial, visto que a certificação, através dela, dá amparo formal às características da mercadoria garantindo o cumprimento dos requisitos exigidos pelas normas destinadas à matéria. De fato, me parecem dotados de razão jurídica os argumentos da Fazenda Nacional em face do descumprimento pela ora Recorrida de condição explicitada nas normas que tratam da matéria em razão da formalização do procedimento concretizar o fato de que a mercadoria foi importada de País não membro da Comunidade Andina. Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Sala das Sessões, 25 de novembro de 2014. Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva Relator Fl. 366DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 19647.010752/2010-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
Erros de contabilização que não impossibilitam identificar a correta aplicação dos recursos, à luz da razoabilidade/proporcionalidade, não justificam a suspensão de imunidade/isenção.
SUSPENSÃO DE IMUNIDADE/ISENÇÃO TRIBUTÁRIA
Numero da decisão: 1102-001.230
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade invocada e, no mérito, dar provimento ao recurso para anular o ADE07/2011, bem como os autos de infração lavrados para a exigência de IRPJ e CSLL, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Carlos de Figueiredo Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 Erros de contabilização que não impossibilitam identificar a correta aplicação dos recursos, à luz da razoabilidade/proporcionalidade, não justificam a suspensão de imunidade/isenção. SUSPENSÃO DE IMUNIDADE/ISENÇÃO TRIBUTÁRIA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade invocada e, no mérito, dar provimento ao recurso para anular o ADE07/2011, bem como os autos de infração lavrados para a exigência de IRPJ e CSLL, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé - Presidente. (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho.
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IRPJ. CSLL Recorrente FUNDAÇÃO DE APOIO AO DESENVOLVIMENTO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 Erros de contabilização que não impossibilitam identificar a correta aplicação dos recursos, à luz da razoabilidade/proporcionalidade, não justificam a suspensão de imunidade/isenção. SUSPENSÃO DE IMUNIDADE/ISENÇÃO TRIBUTÁRIA Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade invocada e, no mérito, dar provimento ao recurso para anular o ADE07/2011, bem como os autos de infração lavrados para a exigência de IRPJ e CSLL, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé Presidente. (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 07 52 /2 01 0- 91 Fl. 6580DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 19647.010752/201091 Acórdão n.º 1102001.230 S1C1T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 6.476/6.513 e documentos fls. 6.514/6.552) interposto contra o Acórdão 11041.621 (fls. 6.396/6.421), proferido pela 3ª Turma da DRJ/REC, na Sessão de 27/06/2013, que, por unanimidade, julgou improcedente os pedidos da FADE. Em apertada síntese, durante processo de fiscalização na Fundação de Apoio ao Desenvolvimento da Universidade Federal de Pernambuco (FADE), foram identificadas supostas infrações à Lei 9.532/97, i.e., art. 15, §3º que remete ao art. 12, §2º, e neste as alíneas “b”, “c” e “d”, que podem ser vistas na tabela abaixo: Fl. 6581DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 19647.010752/201091 Acórdão n.º 1102001.230 S1C1T2 Fl. 4 3 i) Fato segundo o Sr. Fiscal ii) Fundamento iii) R$ 56.985.540,67 xiii) R$ 1.362.000,00 iv) Escriturou receita de prestação de serviço em conta do passivo. xiv) R$ 50.000,00 xvi) R$ 647.081,00 xv) Transferência gratuita de recurso financeiro em caráter definitivo contabilizada no passivo. xvii) xviii) Serviços tomados (NF 20 e 21) pela FADE, “ou seja, representaram despesas em nome próprio e não despesa de terceiros”. xix) R$ 16.960,10 xx) Omissão na escrita de rendimentos decorrentes de aplicações financeiras, já que o correto é R$ 123.046,23. xxi) R$ 891.865,15 xxii) Não comprovou os beneficiários das doações, premiações ou patrocínios. xxiii) xxiv) Ausência de documentos que embasam os lançamentos nas contas: i) 20109.138; ii) 20109.6533 iii) 20109.6044 iv) 20109.5635 v) Art. 14, III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. vi) vii) Lei nº 9.532/97, art. 12, § 2º, viii) Alínea “c”: c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; ix) x) Ou xi) xii) Alínea “d”: d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; xxv) R$ 1.362.000,00 xxvi) Concorrência desleal com as empresas que prestação serviços de informática localizadas em Nova Iguaçu/RJ xxviii) R$ 340.000,00 xxix) Concorrência desleal com as empresas que realizam concurso vestibular xxvii) Art. 170, IV, da CF/88 xxx) R$ 66.097,10 xxxi) Gasto com serviço de buffet para evento de confraternização, incompatível com os objetivos sociais. xxxii) Art. 14, II aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; xxxiii) xxxiv) Lei nº 9.532/97, art. 12, § 2º, “b”: b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; Fl. 6582DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 19647.010752/201091 Acórdão n.º 1102001.230 S1C1T2 Fl. 5 4 Cientificada em 08/11/2010 (fl. 402), a Recorrente apresentou então tempestivamente1 defesa em 09/12/2010 (fls. 2/34 e documentos fls. 35/391). A defesa foi analisada e refutada no Termo de Informação Fiscal (fls. 416/448), acolhendo apenas o pedido de exclusão das supostas infrações 04 e 05. O Sr. AFRF propôs a edição de Ato Declaratório Suspensivo do Benefício da Isenção Tributária do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido em relação ao anocalendário 2006, remetendo a proposição “à apreciação superior” em 11/01/2011 (fl. 448). Por meio de Despacho Decisório de fl. 449, o Sr. Delegado Substituto da Delegacia da Receita Federal no Recife/PE (DRF/REC), ratificou o Termo de Informações Fiscais e suspendeu a isenção tributária da ora Recorrente no que se refere ao IRPJ e à CSLL, para o anocalendário de 2006. Haja vista que o Sr. Delegado ratificou o ato do Sr. AFRF, os fundamentos da suspensão, já considerando a exclusão das infrações 04 e 05, são os constates na tabela abaixo: 1 Conforme esclarece o próprio Auditor Fiscal (fl. 416), no dia 08/12/2010 foi feriado municipal, sendo portanto, tempestiva a defesa. Fl. 6583DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 19647.010752/201091 Acórdão n.º 1102001.230 S1C1T2 Fl. 6 5 xxxv) Fato segundo o Sr. Fiscal xxxvi) Fundamento CTN e do AFRF xxxvii) R$ 56.985.540,67 xlvii) R$ 1.362.000,00 xxxviii) Escriturou receita de prestação de serviço em conta do passivo. xlviii) R$ 50.000,00 l) R$ 647.081,00 xlix) Transferência gratuita de recurso financeiro em caráter definitivo contabilizada no passivo. li) lii) Serviços tomados (NF 20 e 21) pela FADE, “ou seja, representaram despesas em nome próprio e não despesa de terceiros. liii) liv) Ausência de documentos que embasam os lançamentos nas contas: i) 20109.138; ii) 20109.6533 iii) 20109.6044 iv) 20109.5635 xxxix) Art. 14, III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. xl) xli) Lei nº 9.532/97, art. 12, § 2º, xlii) Alínea “c”: c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; xliii) xliv) Ou xlv) xlvi) Alínea “d”: d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; lv) R$ 1.362.000,00 lvi) Concorrência desleal com as empresas que prestação serviços de informática localizadas em Nova Iguaçu/RJ lviii) R$ 340.000,00 lix) Concorrência desleal com as empresas que realizam concurso vestibular lvii) Art. 170, IV, da CF/88 lx) R$ 66.097,10 lxi) Gasto com serviço de buffet para evento de confraternização, incompatível com os objetivos sociais. lxii) Art. 14, II aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; lxiii) lxiv) Lei nº 9.532/97, art. 12, § 2º, “b”: b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; Em 12/01/2011, foi publicado o Ato Declaratório Executivo nº 7, de 11 de Janeiro de 2011 (fl. 450), em que o Delegado Substituto da Receita Federal do Brasil em Recife suspende a isenção tributária da FUNDAÇÃO DE APOIO AO DESENVOLVIMENTO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO quanto ao IPRJ, à CSLL “em relação aos fatos geradores compreendidos no período de 01/01/2006 a 31/12/2006, por inobservância dos requisitos estabelecidos nas alíneas “b”, “c” e “d”, do §2º, do art. 12, combinado com o §3º do art. 15, ambos da Lei nº 9.532/97; no subitem 10.19.2.1, da NBC T 10.19 – “Entidade sem Fl. 6584DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 19647.010752/201091 Acórdão n.º 1102001.230 S1C1T2 Fl. 7 6 finalidade de lucros” (Resolução CFC nº 877/00, alterada pelas Resoluções CFC nº 926/01 e nº 966/03 e no art. 170, IV, da CF/88.” – fl. 450. Em 17/01/2011, a Recorrente tomou ciência do ADE e fez vista do Processo Administrativo (fl. 458). Em 25/01/2011, protocolou petição pleiteando mais prazo (fls. 460/461) e em 16/02/2011 protocolou Impugnação ao Ato Declaratório Executivo (fls. 473/519 e documentos fls. 520/575), precisamente resumida pela própria Fundação, nas razões do Recurso Voluntário (fls. 6.479/6.480): (a) Cerceamento do Direito de Defesa no Ato Declaratório, por trazer argumentos que não estavam na Notificação Fiscal – contra art. 32, §2º da Lei nº. 9.430/96 e art. 59 do Decreto nº. 70.235/72; (b) Afronta aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade – mais de 500 Contratos e Convênios, mas os supostos erros apontados estão em casos isolados; (c) Não houve descumprimento do princípio da escrituração de despesas e receitas. Haveria, isto sim, regras especiais para fundações de apoio, posto que gerem recursos alheios e que a sua única receita é a taxa de administração. (d) Foram apresentados demonstrativos de lançamentos contábeis – realizados em conformidade com o princípio da competência – em consonância com o Manual de Procedimentos Contábeis e de Fundações e Entidades de Interesse Social desenvolvido pelo Conselho Federal de Contabilidade, juntamente com a Fundação Brasileira de Contabilidade. (e) Como a fiscalização não entendeu o “zeramento” de suas contas de resultado ao final do ano, a recorrente demonstrou a higidez de seus lançamentos, através de um passoapasso de cada lançamento. (f) Não há que se falar em concorrência desleal posto que o Fisco não comprova qual empresa ou entidade a recorrente concorreu em desigualdade. Observa, ademais, que a recorrente é uma das fundações criadas com a finalidade de dar apoio a projetos de ensino, pesquisa e extensão e de desenvolvimento institucional, científico e tecnológico, inclusive na gestão administrativa e financeira estritamente necessária à execução desses projetos (previsão na Lei nº. 8.958/94 e a MP nº 495/2010), o que não se classificaria como prestação de serviço; (g) Defende ainda que aplicou integralmente os recursos recebidos nos termos dos projetos e contratos que participou como instituição apoio à UFPE. Os gastos com confraternização e comemoração e eventos foram apenas exceções, e não regra. Mais, afirma que tanto o RIR quanto o CARF entendem essas despesas como necessárias. (h) A falta de juntada de documentos quanto ao contrato com a TV Universitária foi suprida ao longo do processo de fiscalização, bem como no momento da Impugnação. Fl. 6585DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 19647.010752/201091 Acórdão n.º 1102001.230 S1C1T2 Fl. 8 7 Protestou por Diligência. Em 23/02/2011, foi protocolada petição (fls. 577/578) pleiteando efeito suspensivo para sua impugnação ao ADE nº 7/2011 e afirmando não ser “razoável por uma tributação da qual não se estar (sic) convencido”. Em 11/03/2011, a Recorrente foi cientificada (fl. 5.477) do Termo de Continuação de Procedimento Fiscal de 21/01/2011 (fl. 5.476). Deste, resultaram a lavratura de Auto de Infração e Lançamento de IRPJ (fls. 5.478/5.485); CSLL (fls. 5.486/5.492) e COFINS (fls. 5.493/5.501) referentes ao anocalendário 2006, em seu desfavor, somando: Auto de Infração – Fls. 5.478/5.501 IRPJ CSLL COFINS TOTAL Tributo R$ 2.412.035,46 R$ 884.513,64 R$ 8.484.985,53 R$ 11.781.534,63 Multa R$ 1.809.026,58 R$ 663.385,22 R$ 6.363.739,11 R$ 8.836.150,91 TOTAL R$ 20.617.685.54 Em sede de Relatório da Auditoria Fiscal (fl. 5.502/5.512), buscase explicar a forma do lançamento, dentre o que citamos: “Portanto, CONSIDERANDO que a fiscalizada não exerceu a faculdade que lhe foi concedida de optar pela forma de tributação dos seus lucros, CONSIDERANDO que a fiscalizada não apresentou o LALUR – Livro de Apuração do Lucro Real, MAS CONSIDERANDO TAMBÉM que esse fato, por si só, não é suficiente para que seja imputada a ela o arbitramento dos lucros, uma vez que o arbitramento é medida excepcional somente aplicável quando no exame da escrita a fiscalização comprova que as falhas apontadas se constituem em fatos que, camuflando expressivos fatos tributáveis, impedem indiscutivelmente a quantificação do resultado do exercício e CONSIDERANDO que não há previsão legal para que seja atendido o pleito da fiscalizada para que seja sobrestada a apresentação da DIPJ 2007 e do LALUR até que ocorra o julgamento final do processo que aprecia o ADE, fica estabelecido como forma de tributação dos lucros a ser imputada à fiscalizada o Lucro Real trimestral (art. 220 do RIR/99).” – fl. 5.503 “Confrontando essas informações [notas ficais entregues pela prefeitura de Recife] com os respectivos lançamentos contábeis, podese chegar às mesmas conclusões no sentido de que a fiscalizada adotou a prática de realizar convênios/contratos e, ao contratar serviços no âmbitos de tais ajustes, o fez em nome próprio e não em nome de quem lhe havia entregado os recursos financeiros, fato que demonstra que as despesas incorridas representaram despesas próprias e não “do convênio”, como ela insiste em afirmar.” – fl. 5.507. “O que importa destacar é que, embora tenha havido a previsão de que as receitas auferidas com as aplicações financeiras devessem ser aplicadas exclusivamente no objeto do convênio Fl. 6586DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 19647.010752/201091 Acórdão n.º 1102001.230 S1C1T2 Fl. 9 8 (Cláusula Oitava, §2º), o titular da aplicação financeira foi a fiscalizada e, consequentemente, foi ela quem auferiu o respectivo rendimento. A fiscalizada não aplicou os recursos financeiros na qualidade de representante de terceiro, mas, sim, em nome próprio. Dessa forma, deveria ter escriturado tais rendimentos a crédito de contas de receitas e não de contas de passivo, conforme demonstrado no “Demonstrativo dos Rendimentos de Aplicações Financeiras”, onde se pode constatar que a maior parte dos rendimentos foram escriturados nas contas contáveis iniciadas por “20109”, contas de passivo.” – fl. 5.508. “Em vista desse dispositivo [art. 15, §2º, da Lei nº 9.532/972], seria natural que a fiscalizada, que se declarava isenta à época dos fatos, tivesse sofrido a tributação na fonte sobre os seus rendimentos de aplicações financeiras, cuja tributação seria considerada definitiva, conforme determina o art. 770, §2º, inciso II, do RIR/99” – f. 5.508. “Tendo em vista os enquadramentos legais constantes dos autos de infração e o que consta do processo administrativo nº 19647.010752/201091, em especial o Termo de Informação Fiscal, de 11.01.11, constatase que a fiscalizada praticou infrações que implicaram a suspensão da isenção tributária do imposto de renda da pessoa jurídica e da contribuição social sobre o lucro líquido. Em decorrência dessa suspensão, cabe à fiscalização apurar os valores devidos e efetuar os competentes lançamentos tributários.” – fl. 5.509. “Sabendose que entre as receitas auferidas pela fiscalizada não se encontra nenhuma que seja tida como derivada de atividade própria, é de se concluir que todas as receitas da fiscalizada estavam sujeitas à COFINS pelo regime da nãocumulatividade. Entretanto, como já ressaltado antes, a fiscalizada nada declarou nem pagou, além de ter entregado os DACONs preenchidos com zeros.” – fl. 5.511. Cientificada da Lavratura de Autos de Infração referente ao IRPJ, CSLL e COFINS em 16/03/2011 (fl. 5.547), a Recorrente protocolou Impugnação em 15/04/2011 (fl. 5.550/5.592 e documentos fls. 5.593/6.345) Em 09/04/2013 foi determinada por meio do Despacho nº 3.121 a apartação do lançamento da COFINS do restante do processo administrativo, para formalização de processo distinto, sob o argumento de que “mesmo que a fiscalizada fosse considerada isenta do imposto de renda estaria sujeita à incidência da COFINS sobre as receitas derivadas das atividades não próprias” (fls. 6.353/6.354). 2 Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (...) §2º Não estão abrangidos pela isenção do imposto de renda os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. Fl. 6587DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 19647.010752/201091 Acórdão n.º 1102001.230 S1C1T2 Fl. 10 9 O PAF da COFINS (10480.724677/201368) foi distribuído, em 16/05/2014, para 1ªTO/4ªCÂMARA/3ªSEJUL, e ainda não foi julgado. Quanto à impugnação aos Autos de Infração, nas razões do Recurso Voluntário, a Fundação resume os fundamentos invocados (6.480/6.481): a) Houve equívoco no lançamento fiscal efetuado, pois entende ser da Recorrente todos os valores recebidos por esta para a consecução do objeto do convênio/contrato; b) A fiscalização se equivoca ao entender que os rendimentos de aplicações financeiras efetuadas em conta bancária vinculada à efetivação do convênio/contrato seriam de titularidade da Recorrente, quando, na realidade, seus rendimentos são vinculados e utilizados exclusivamente na execução dos convênios/contratos, previstas inclusive no Plano de Trabalho do convênio/contrato. Tanto que eventual sobra é devolvida ao Convenente/Contratante; c) Cobrança em duplicidade dos valores dos rendimentos de aplicações financeiras registradas nas contas contábeis de passivo correspondentes aos convênios (a primeira a medida em que os valores são baixados do passivo, e lançados no resultado do convênio – conta 40103; e, a segunda quando adiciona aos seus cálculos tais rendimentos aos já registrados pela FADE em seu resultado – conta 40102); d) As receitas financeiras oriundas das aplicações dos recursos dos convênios / contratos tem finalidade específica, qual seja, a execução do objeto dos mesmos. Por isso, equivocada está a fiscalização ao entender tais receitas como sendo da Recorrente, pelo singelo motivo de que a conta corrente está em nome da FADE; e) Tendo em vista que o Autuante adiciona, na planilha “Demonstrativo dos Resultados Trimestrais Apurados pela Fiscalização” na linha 05, “serviços de informática”, autua, também, em duplicidade. É que, estes valores também compõem a conta 40103 – Receitas de Convênios; f) Houve decadência de parte do crédito tributário lançado, eis que foi lançado COFINS de janeiro e fevereiro de 2006 e a ciência da autuação ocorreu em 16/03/2011; g) O procedimento de contabilização enfatizado pela fiscalização está equivocado; i) Há claro erro de base de cálculo, cobrança em duplicidade e falta de compensação de IRRF na autuação de IRPJ e CSLL decorrente dos rendimentos de aplicações financeiras; j) Há erro de base de cálculo em relação à COFINS, pelos mesmos fundamentos daqueles apontados quanto ao lançamento do IRPJ e CSLL; Fl. 6588DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 19647.010752/201091 Acórdão n.º 1102001.230 S1C1T2 Fl. 11 10 l) Duplicidade da cobrança em relação ao “serviço de informática”; m) Que são isentas da COFINS todas as receitas da Recorrente advindas das atividades de apoio constantes em seu Estatuto Social; n) Que se a fiscalização enquadrou a Recorrente como lucro real trimestral, deveria determinar o crédito da COFINS relativamente aos insumos utilizados nessa pretensa prestação de serviços. A 3ª Turma da DRJ/REC, por unanimidade, julgou procedente a suspensão da isenção e o lançamento. O Acórdão de nº 11041.621 (fls. 6.96/6.421), proferido na sessão de 27 de junho de 2013, assim foi ementado: “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2006 NULIDADE. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO. SUSPENSÃO DE ISENÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Tendo sido regularmente oferecida ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do Ato Declaratório Executivo, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de cerceamento do direito de defesa e de nulidade do referido ato. NULIDADE. LANÇAMENTO. SUSPENSÃO DA ISENÇÃO. JULGAMENTO DEFINITIVO. NÃO OCORRÊNCIA. O julgamento da impugnação ao lançamento decorrente de suspensão de isenção prescinde do julgamento em definitivo da impugnação ao respectivo ato suspensivo. As impugnações contra o ato declaratório e contra a exigência de crédito tributário devem ser reunidas em um único processo, para serem decidias simultaneamente. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Juridica – IRPJ Anocalendário: 2006 SUSPENSÃO DE ISENÇÃO. LANÇAMENTO DECORRENTE. BASE DE CÁLCULO. Suspensa a isenção arvorada pela entidade, é cabível lançamento para constituirse o crédito, encoberto pelo manto do benefício, que deixou de ingressar nos cofres públicos. Mantémse a base de cálculo, quando os elementos coligidos aos autos no sentido de informala não merecem respaldo. Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2006 Fl. 6589DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 19647.010752/201091 Acórdão n.º 1102001.230 S1C1T2 Fl. 12 11 BENEFÍCIO FISCAL DE ISENÇÃO. FUNDAÇÕES DE APOIO ÀS UNIVERSIDADES. SUSPENSÃO. CABIMENTO. As fundações de apoio às universidades não são isentas, de antemão. Não faz jus à isenção do imposto de renda entidade que praticar atos de natureza econômicofinanceira, dado que atuaria em condições privilegiadas, concorrendo no mercado em desigualdade com outras pessoas jurídicas. Considerandoas enquadradas no caput art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997, é cabível a suspensão da isenção quando não observados os requisitos impostos pela legislação de regência. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2006 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. A decisão prolatada no lançamento matriz estendese ao lançamento decorrente, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. PEDIDO DE PERÍCIA. DILIGÊNCIA. NEGAÇÃO. Negase o pedido de perícia/diligência quando prescindível à solução da lide. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Acordam os membros da 3ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, quanto ao Ato Declaratório Executivo Suspensivo da Isenção: rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, considerar improcedente a impugnação para manter o Ato nos termos em que foi prolatado; quanto ao lançamento: rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, considerar improcedente a impugnação para manter integralmente o crédito.” Os fundamentos da decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ/REC podem ser assim resumidos: ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO NULIDADES: “O que se consignou não o foi de forma unilateral; os fatos que deram ensejo ao expediente resultaram de investigação minuciosa efetuada na entidade e com a colaboração desta. No Termo de Informação Fiscal, após apreciação das razões contrapostas pelas entidade, concluiuse remanesceriam apenas Fl. 6590DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 19647.010752/201091 Acórdão n.º 1102001.230 S1C1T2 Fl. 13 12 as infrações descritas nos itens 8.1., 8.2, 8.3 e 8.6. Momento em que, em face dessas mesmas contraposições, houve referência a “Taxa de administração; despesas com Pessoal; e dos contratos com o Município de Nova Iguaçu”, o que entretanto não constituiu inovação, uma vez que, além desses assuntos terem sido tratados na fase de investigação, estão inseridos no âmbito da infração consubstanciada no descumprimento do princípio da competência na escrituração de receitas e despesas.” – fl. 6.400. DESCUMPRIMENTO DO PRINCÍPIO DA COMPETÊNCIA: “Da leitura dos dispositivos, resta claro, o apoio a ser dado pelas referidas fundações deve limitarse a projetos específicos no âmbito das IFES e ICTS. Ou seja, estabelecido determinado projeto por uma dessas instituições, tem vez a contratação da fundamentação para implementação das condições necessárias ao seu desenvolvimento. As atividades praticadas pela FADE todavia, em quase sua totalidade, ante o que se expôs na Notificação Fiscal e Termo de Informação Fiscal, extrapolaram a limitação, pois se trata de efetiva prestação de serviços – particularidade prevista inclusive no próprio Estatuto Social da entidade.” – fl. 6.406 (...) “Como ressaltado na Notificação Fiscal, não há previsão de isenção para fundações de apoio. Tampouco há para prestadoras de serviços. De sorte que, não obstante a entidade terse arvorado isenta (DIPJ/2007), com suporte no art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997, não reunia condições para isso de antemão. Para efeito de lançamento tributário, dessa forma, revelase prescindível a suspensão da isenção (Despacho Decisório da fl. 449): não se suspende efetivamente o que não se tem. Malgrado, partindose do pressuposto que a Entidade se enquadra dentre as especificadas no caput do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997, persiste a suspensão da isenção ante o descumprimento do princípio da competência na escrituração de receitas e despesas, o que resta sobejamente demonstrado no Termo de Informação Fiscal. Efetivamente, não há falar em receita de “projeto”. A receita é auferida por quem (Pessoa Jurídica) presta o serviço (aqui, não obstante a premissa de que se trata de entidade sem fins lucrativos e de caráter científico, persiste a constatação da prestação de serviços), independentemente de ela estar atrelada ou decorrer de determinado convênio/contrato.” – fls. 6.406/6.407. DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS SEM A INTERVENÇÃO DA UFPE “A fiscalização depois de proceder a exame minucioso de toda a documentação colada a sua disposição, chegou à conclusão de Fl. 6591DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 19647.010752/201091 Acórdão n.º 1102001.230 S1C1T2 Fl. 14 13 que a FADE prestava serviços sem a intervenção da UFPE. Isso restou claro dos contratos/convênios firmados com a Prefeitura de Nova Iguaçu, com a CELPE, com a Assembléia Legislativa do Estado de Pernambuco e com a Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes (Termo de compromisso vinculado a Termo de compromisso celebrando entre a FINEP/MCT).” – fl. 6.408 (...) “O questionamento relativo à Prefeitura de Nova Iguaçu confirma expressamente a conclusão chegada pela fiscalização. De fato, a prestação de serviços àquela prefeitura não fere os seus objetivos sociais, nem também demonstra cientificidade à atividade da entidade, o que de antemão, como dito, não confere o direito de pleitearse isenção nos termos do art. 15 da Lei 9.532, de 1995.” – fl. 6.409 DA ANALOGIA “Não houve utilização de analogia nos termos do inciso I do art. 108 do CTN, nem tributação com base nesse fundamento. O que se quis dizer foi que, a símile às prestadoras de serviços de mão de obra, em que a receita bruta é o total contratado e faturado com os tomadores de serviços, incluindose aí os valores que se destinam ao pagamento de salários dos trabalhadores temporários e os encargos sociais pertinentes, já que estes são de sua exclusiva responsabilidade, a receita bruta da FADE engloba os recursos recebidos para aplicações. Parte desses recursos, vale frisar, foi utilizada para pagamento de despesas com pessoal da entidade. Nesse quadro, não se vê mácula aos princípios do formalismo moderado, da proporcionalidade ou da razoabilidade.” – fl. 6.410/6.411 CONCORRÊNCIA DESIGUAL “Não há o que acordar com a defesa. De fato, a questão da livre concorrência não está elencada no art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997, como causa de suspensão de isenção. Aqui todavia a suspensão se dá em momento anterior, ou seja, não pode determinada entidade, sobre o manto da isenção concorrer de forma desigual, em desacordo com o inciso IV do art. 170 da C.F.” – fl. 6.412 (...) “Os contratos firmados com a Prefeitura de Nova Iguaçu e com a própria UFPE (fls. 438 e 439), este na implementação de vestibular, tratase de pura, genuína, prestação de serviços, nada tendo a ver com algum propósito de viabilizar, através da universidade, projetos da área científica e cultural. Não há efetivamente a necessidade de apontarse empresas que teriam sido prejudicadas; basta a constatação de que, à época, a FADE Fl. 6592DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 19647.010752/201091 Acórdão n.º 1102001.230 S1C1T2 Fl. 15 14 arvoravase isenta enquanto outras empresas, atuando no mesmo ramo, não.” – fl. 6.412. DA NÃO APLICAÇÃO INTEGRAL DOS SEUS RECURSOS NA MANUTENÇÃO E DESENVOLVIMENTO DE SEUS OBJETIVOS SOCIAIS: “Não há acordar com os argumentos da defesa. A questão aqui não diz respeito à razoabilidade dos gastos, tampouco de sua dedutibilidade para efeitos de cálculo do imposto, mas sim de sua incompatibilidade com os objetivos sociais de entidade, para efeito de suspensão de isenção. Nesse aspecto, não restam dúvidas de que os gastos com confraternização (R$ 12.240,00) e gratificação concedidas aos funcionários (R$ 53.857,10) são incompatíveis. De mais a mais, como dito no Termo de Informações Fiscal, a documentação apresentada, relativa à gratificação, diz respeito à transferência bancária efetuada em conta do Banco do Brasil, cujo titular é a FADE, para conta do Unibanco, de titularidade da empresa Cia. Brasileira de Distrib, que atua no ramo de supermercados, o que desdiz a alegação de que se trata de gratificação (vide fl. 443).” – fl. 6.413 NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO “De acordo com a impugnação, a autoridade fiscal teria afirmado que fora entregue “a documentação, com exceção das notas fiscais emitidas para o contrato firmado com a TVU”. O fisco já possuiria as informações relativas a essas notas fiscais, haja vista que as mesmas constariam das Declarações de Serviços em seu poder. Todavia, para que não restassem dúvidas, estaria juntando cópias das referidas notas fiscais (doc. 06). Requereuse a observação do art. 112 do CTN e a realização de perícia, formulandose os quesitos das fls. 518. Apesar da afirmação, não foi juntado aos autos nenhuma nota fiscal relativa à TVU, ou “doc 6” (vide fls. 520 e seguintes). De maneira que persiste a infração constatada pelo autuante. Deixase de observar o art. 112 do CTN, porquanto não existem dúvidas para fazêlo. Negase a perícia, por prescindível. Os elementos coligidos são suficientes à solução da lide.” – fl. 6.414. DO LANÇAMENTO PRELIMINAR “Resta claro da leitura dos supras §§7º, 8º e 9º [do art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996], o auto de infração decorrente de suspensão de isenção, bem assim o julgamento da impugnação à exigência do crédito por ele constituído, prescinde do julgamento em definitivo da impugnação ao Fl. 6593DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 19647.010752/201091 Acórdão n.º 1102001.230 S1C1T2 Fl. 16 15 Ato Declaratório suspensivo da isenção. A determinação do §9º, como se vê, é no sentido de que se junte, em um mesmo processo, as referidas impugnações, para que sejam decididas simultaneamente, o que se fez no caso em questão”3 – fl. 6.416. DO MÉRITO DA CONTABILIDADE “Não há acordar com as razões da defesa. O que se contrapôs nos itens 65.1, 65.2, 65.3, 65.5, em essência, diz respeito a questões já levantadas na impugnação ao Ato Declaratório Executivo suspensivo da isenção. Não obstante, não custa repisar, a fiscalização não só entendeu as “operações da atividade da impugnante”, mas também como elas foram contabilizadas. É tanto assim que sugeriu forma de contabilização (fls. 5.504 a 5.506), apontando as inconsistências apuradas.” – fl. 6.518 (...) “A discussão acerca da “contabilidade vir a afetar o patrimônio da empresa” é inócua. O certo é que não houve reconhecimento de receitas por parte da FADE, ou melhor, não foram levadas ao resultado do exercício as receitas decorrentes dos convênios, próprias e decorrentes de aplicações financeiras. Quanto a essas últimas, vale frisar, com o autuante, apesar de em alguns contratos haver previsão de que as receitas auferidas com as aplicações financeiras devessem ser aplicadas exclusivamente no objeto do respectivo convênio, a titular da aplicação foi a FADE e, consequentemente, foi ela quem auferiu os respectivos rendimentos.” – fl. 6.419 DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO “A emissão de nota fiscal de serviço com efeito revela, de antemão, prestação de serviço, o que no caso em questão é reforçado verbi gratia pelas informações prestadas pelas prefeituras da cidade do Recife e de Nova Iguaçu.” – fl. 6.419 (grifo no original) DA BASE DE CÁLCULO 3 Art. 32. A suspensão da imunidade tributária, em virtude de falta de observância de requisitos legais, deve ser procedida de conformidade com o disposto neste artigo. (...) §7º A impugnação relativa à suspensão da imunidade obedecerá às demais normas reguladoras do processo administrativo fiscal. §8º A impugnação e o recurso apresentados pela entidade não terão efeito suspensivo em relação ao ato declaratório contestado. §9º Caso seja lavrado auto de infração, as impugnações contra o ato declaratório e contra a exigência de crédito tributário serão reunidas em um único processo, para serem decididas simultaneamente. (...)” Fl. 6594DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 19647.010752/201091 Acórdão n.º 1102001.230 S1C1T2 Fl. 17 16 “Não se vê incorreção na apuração das bases de cálculo do imposto. Os valores de receita decorrentes dos serviços de informática foram considerados de forma independente (fl. 5.554), porquanto, de antemão não deveriam ter sido lançados em conta de passivo, dado que se trata de pura prestação de serviços prestados pela FADE. O fato de estarem discriminados no Razão não implica de forma necessária foram eles considerados na Receita de Convênios Ajustada. Na apuração da base de cálculo, o autuante se valeu de informações constantes da DRE (elaborada pela FADE), de valores de aplicações financeiras, de “receita de convênios ajustada” e dos valores de serviços de informática prestados à Prefeitura de Nova Iguaçu (vide Quadro das Receitas Mensais apuradas pela Fiscalização, à fl. 5.541). Toda a apuração do crédito está minuciosamente descrita Às fls. 5.509 a 5.511. Quanto ao IRRF, com efeito, o demonstrativo das fls. 6.341 a 6.343, consigna outros valores de retenção, diversos dos considerados na autuação. Acontece todavia não há como correlacionálos com as receitas objeto da autuação. Demais disso, o IRRF só pode ser compensado quando o contribuinte possui o respectivo comprovante de retenção – que, efetivamente, não foram apresentados –, conforme determinação do art. 9443 do RIR, de 1999. Vale frisar, os valores considerados pela fiscalização estavam devidamente escriturados no Razão e decorreram exclusivamente de rendimentos de aplicações financeiras. Não há acordar também que tenham sido considerados valores de receita atinentes a outros períodos. As receitas consideradas (Receita de convênio ajustadas, em específico), ante o que se expôs, dizem respeito àquelas auferidas pela FADE no ano objeto da autuação.” – fl. 6.420 DA DILIGÊNCIA Negase, por fim, o pedido de realização de diligência, por prescindível. Os quesitos formulados, de certa forma, já foram respondidos ao longo do voto.” – fl. 6.420 Assim ficou o dispositivo do Acórdão em debate: “Acordam os membros da 3ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, quanto ao Ato Declaratório Executivo Suspensivo da Isenção: rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, considerar improcedente a impugnação para manter o Ato nos termos em que foi prolatado; quanto ao lançamento: rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, considerar improcedente a impugnação para manter integralmente o crédito.” – fl. 6.397 Não foi interposto recurso de ofício. Fl. 6595DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 19647.010752/201091 Acórdão n.º 1102001.230 S1C1T2 Fl. 18 17 A Fiscalizada, intimada da decisão em 16/10/2013 (fl. 6.443), objetivando ver reformado o acórdão nº 11041.621, da 3ª Turma da DRJ/REC, interpôs, em 18/112013 (fl. 6.476) Recurso Voluntário (fls. 6.476/6.513 e documentos fls. 6.514/6.552), alegando, em síntese: a) Que o julgamento da ADE é prejudicial ao julgamento dos Autos de Infração (IRPJ, CSLL e COFINS). Portanto, pede que, seja determinada a anexação do processo nº 10480.724677/201368 (referente ao Auto de Infração do CONFINS) ao presente processo; b) Que a “devida compreensão do que faz uma fundação de apoio é condição necessária para o reconhecimento da improcedência de ambos os atos administrativos”; c) Que as Fundações de apoio não são prestadoras de serviço, sendo necessária a análise da Lei nº 8.958, de 1994; d) Que não está concorrendo de forma desigual com outras empresas. Pelo contrário, caso seja reconhecida a autuação, aí sim esta Fundação estará em situação desigual perante as demais Fundações de Apoio; e) Reafirma que os ingressos são valores com destinação específica, não podendo ser transferido de um projeto para outro e que eventual sobra deve ser devolvida. A única receita da Fiscalizada é a taxa de administração; f) Que o acórdão não se manifestou sobre argumentos da defesa, bem como sobre documentos juntados na Impugnação; g) Que a Prefeitura da Cidade de Recife emitiu parecer reconhecendo que a Fiscalizada não é obrigada a emitir Nota Fiscal exatamente por não ser contribuinte de ISS; h) Que o auditor fiscal errou nos procedimentos contábeis, enquanto a Fiscalizada adotou a prática do Manual de Procedimentos Contábeis para Fundações e Entidades de Interesse Social, do Conselho Federal de Contabilidade e da Fundação Brasileira de Contabilidade; i) Que não violou o princípio da competência, mas que a fiscalização queria que a Recorrente contabilizasse como receita ou que não é receita, e como despesa, o que não é despesa; j) A UFPE é parte contratada em todos os contratos, sendo que Recorrente é apenas interveniente; k) Que a atividade da Recorrente é regulada pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, devendo renovar bienalmente seu cadastro ali. Também, caso realize atividade inapropriada, será descredenciada. Neste sentido, ressalta que nunca sofreu nenhum tipo de restrição ou descredenciamento junto ao Ministério. Assim, não é prestadora de serviço; Fl. 6596DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 19647.010752/201091 Acórdão n.º 1102001.230 S1C1T2 Fl. 19 18 l) Que a fiscalização não comentou os contratos juntados pela Recorrente. Se tivesse analisado, perceberia que a maior parte dos entes com os quais firma convênios ou contratos são altamente regulados, por exemplo a Petrobrás pela ANP ou a CELPE pela ANEEL. Assim, estes órgãos reguladores não classificam a atividade desenvolvida como prestação de serviço, mas antes Pesquisa e Desenvolvimento; m) Que o fiscal aplicou analogia para estabelecer a tributação, inclusive afirmando que ele é expresso neste sentido, à folha 12 do Termo de Informação Fiscal; n) Que não se observa concorrência desigual. Primeiro, porque a alegação é genérica e imprecisa, impedindo a Recorrente de realizar defesa adequada. Segundo porque negar à Recorrente o direito a isenção é tratála diferente das demais Fundações de Apoio; o) Que os valores são empregados com pessoal e material. Que em 2006 teve um total de despesas de R$ 27.271.403,13, dos quais R$ 12.720.762,13 foram com pessoal. Assim, os valores de R$ 12.240,00 em confraternização e R$ 53.857,10 em gratificações representam, somados, 0,5% do valor a ser gasto com pessoal, tornando desarrazoada e desproporcional a afirmação posto que os outros 99,5% teriam sido, reconhecidamente, empregados devidamente. De qualquer sorte, defende que gastos com confraternização e gratificação são atividades diretamente relacionadas à atividade da empresa, devendo ser aceitas como dedutíveis, desde que em nível aceitável com a realidade econômica da empresa; p) Que o valor declarado como gratificação, que a DRJ chama atenção para o fato de ter sido uma transferência para a Cia Brasileira de Distribuição (Pão de Açúcar/Extra), tratase de cartão presente; q) Ressalta que a documentação faltante que embasa a o lançamento contábil estava sendo levantada no momento da lavratura da Notificação Fiscal, que a entregou em 09/11/2010 e que a medida tomada pela fiscalização foi extrema, posto que todas as demais foram entregues, faltando apenas “uma das quatro contas contábeis solicitadas, que, por engano, não acompanharam a documentação que foi entregue”, afirma ainda que a informação estava disponível nas Declarações de Serviço que o Fisco já possuía. Enfim, pede a nova juntada das respectivas notas fiscais; Auto de infração r) Que o lançamento foi equivocado, gerando erro na base de cálculo posto que inclui em duplicidade os rendimentos de aplicação financeira e supostas receitas de informática, além não considerar as despesas do projeto; s) Que a forma como julgou o lançamento dos Autos de Infração foi superficial e não apreciou documentos e provas Fl. 6597DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 19647.010752/201091 Acórdão n.º 1102001.230 S1C1T2 Fl. 20 19 juntadas pela Recorrente em sede de Impugnação. Assim, inclusive, o acórdão teria deturpado o quanto exposto pela Fiscalizada na Impugnação; t) Que, se seguisse a determinação do Acórdão, estaria praticando o crime de apropriação indébita (art. 168 do Código Penal); u) Que a receita financeira é do projeto – conforme estabelecido nos contratos/convênios –, inclusive, se tiver sobras (seja da receita financeira como do principal), elas deverão ser devolvidas ao ente que atribuiu os recursos. Isto está em acordo com o procedimento de “zeramento” das contas em 31/12/2006: considerando que os recursos não eram da FADE, ela não poderia mantêlos nas contas que estavam, sendo devido transferilos para contas patrimoniais; v) Que as contas bancárias tiveram que ser abertas em seu nome posto que os projetos/convênios não possuem personalidade jurídica. A FADE funciona como depositária fiel, mas que os recursos não são seus, logo tampouco podem ser os rendimentos; w) Critica ainda a tributação dos valores referentes aos rendimentos financeiros, e concomitantemente não compensação destes valores; Resume, enfim, da seguinte maneira: “Assim, demonstrase que tanto o ADE quanto os lançamentos de IRPJ, CSLL e COFINS decorrentes estão equivocados em sua própria concepção, pois a Recorrente é uma Fundação de Apoio, criada nos moldes previstos pela Lei nº 8.598, de 1994, e com regulamentação estabelecida pelo Decreto nº 5.205, de 2004. Não podendo ser tratada como uma empresa prestadora de serviços. Tendo em vista que a fiscalização entendeu que a Recorrente era prestadora de serviços, tanto o ADE quanto os lançamentos decorrentes deste estão viciados e merecem ser reformados.” – fl. 6.513 Requer, enfim: “Do exposto, a Recorrente pede que esse c. Colegiado dê provimento ao Recurso Voluntário, julgandoo procedente e determine a desconstituição do ADE e dos Autos de Infração lavrados, posto que da maneira como foi lavrado, não estão em conformidade com as provas carreadas aos autos, a legislação fiscal, a doutrina apresentada, e o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, conforme decisões acima citadas. A Recorrente neste momento ratifica e reitera todas as alegações contidas também na Impugnação. Requer que em caso de dúvidas se interprete a norma jurídica da forma mais favorável à Recorrente (art. 112 do CTN) e reitera o Fl. 6598DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 19647.010752/201091 Acórdão n.º 1102001.230 S1C1T2 Fl. 21 20 pedido de perícia ou diligência, nos termos pretendidos na impugnação.” – fl. 6.513 É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto Relator I. DO JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE Os pressupostos e requisitos de admissibilidade, determinados pelo Decreto 70.235/1972 e pelo Regimento Interno do CARF, do Recurso Voluntário, fazemse presentes, senão vejamos. Nos termos do art. 7º, §2º4, do Regimento Interno do CARF, combinado com o art. 2º, incisos I, II e IV, desse mesmo diploma, à Primeira Seção cabe processar e julgar recurso voluntário de decisão de primeira instância que verse sobre aplicação da legislação de IRPJ e CSLL, ainda que decorrente de suspensão de imunidade/isenção. No que tange à legitimidade, a petição está assinada por advogado com procuração outorgada pelo secretário executivo da pessoa jurídica recorrente, que, nos termos do estatuto da entidade, possui poderes para tanto (fls. 6513 a 6516). Por fim, o recurso foi interposto tempestivamente, haja vista que a decisão proferida pela DRJ em 23/06/2013 (fl. 6396) chegou ao conhecimento da Fundação em 16/10/2013, uma quartafeira (fl. 6443) e o recurso foi interposto em 18/11/2013, segunda feira. Tempestivo, pois o dia 15/11/2013, uma sextafeira, termo final do prazo, como sabido, é feriado nacional. Nesse caminho, recebo o recurso. II. DOS PONTOS CONTROVERTIDOS Ultrapassado o juízo de admissibilidade, identificamos os seguintes pontos como controvertidos: 4 Art. 7° Incluemse na competência das Seções os recursos interpostos em processos administrativos de compensação, ressarcimento, restituição e reembolso, bem como de reconhecimento de isenção ou de imunidade tributária. (...) § 2° Os recursos interpostos em processos administrativos de cancelamento ou de suspensão de isenção ou de imunidade tributária, dos quais não tenha decorrido a lavratura de auto de infração, incluise na competência da Segunda Seção. Fl. 6599DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 19647.010752/201091 Acórdão n.º 1102001.230 S1C1T2 Fl. 22 21 a) É possível anexar os autos do processo nº 10480.724.677/201368, que tem por objeto a exigência de COFINS? b) É causa de nulidade o fato de o Sr. Fiscal, supostamente, não ter ido às dependências da Recorrente? c) As condutas imputadas pelo Sr. Fiscal à Recorrente encontram amparo legal (vide tabela abaixo)? d) Decidindo pela legalidade da suspensão da imunidade/isenção, o lançamento do IRPJ e da CSLL considerou as bases de cálculo previstas em lei? III. DO MÉRITO Antes do enfretamento do mérito, necessário se faz desprover o pedido da Recorrente de reunião dos autos de exigência de COFINS a este feito, por ausência de previsão legal e regimental. Em relação à alegada nulidade, esta deve ser rejeitada, pois o fato de o Sr. Fiscal, supostamente, não ter ido às dependências da Recorrente não ofende às normas constantes no art. 59, do Dec. 70.235/72. Agora, passemos ao mérito. As Fundações de Apoio, como o próprio nome evidencia, são fundações de direito privado criadas com a finalidade de, sem a burocracia inerente ao setor público, dar apoio a projetos de pesquisa, ensino, extensão e de desenvolvimento institucional, científico e tecnológico, de interesse das instituições federais de ensino superior (IFES) e também das instituições de pesquisa. A Lei nº 8.958/94 é a norma que regula tais instituições. Naquilo que interessa ao caso, e considerando os dispositivos vigentes no anocalendário de 2006, esse diploma normativo dispunha: “Art. 1º As instituições federais de ensino superior e de pesquisa científica e tecnológica poderão contratar, nos termos do inciso XIII do art. 24 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, e por prazo determinado, instituições criadas com a finalidade de dar apoio a projetos de pesquisa, ensino e extensão e de desenvolvimento institucional, científico e tecnológico de interesse das instituições federais contratantes”. Art. 2º As instituições a que se refere o art. 1º deverão estar constituídas na forma de fundações de direito privado, sem fins lucrativos, regidas pelo Código Civil Brasileiro, e sujeitas, em especial: 1. I a fiscalização pelo Ministério Público, nos termos do Código Civil e do Código de Processo Civil; 2. II à legislação trabalhista; Fl. 6600DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 19647.010752/201091 Acórdão n.º 1102001.230 S1C1T2 Fl. 23 22 3. III ao prévio registro e credenciamento no Ministério da Educação e do Desporto e no Ministério da Ciência e Tecnologia, renovável bienalmente. 4. (...) 5. Art. 4º As instituições federais contratantes poderão autorizar, de acordo com as normas aprovadas pelo órgão de direção superior competente, a participação de seus servidores nas atividades realizadas pelas fundações referidas no art. 1º desta lei, sem prejuízo de suas atribuições funcionais. 6. (...) 7. § 3º É vedada a utilização dos contratados referidos no caput para a contratação de pessoal administrativo, de manutenção, docentes ou pesquisadores para prestarem serviços ou atender necessidades de caráter permanente das instituições federais contratantes. 8. (...) 9. Art. 6º No exato cumprimento das finalidades referidas nesta lei, poderão as fundações de apoio, por meio de instrumento legal próprio, utilizarse de bens e serviços da instituição federal contratante, mediante ressarcimento e pelo prazo estritamente necessário à elaboração e execução do projeto de ensino, pesquisa e extensão e de desenvolvimento institucional, científico e tecnológico de efetivo interesse das instituições federais contratantes e objeto do contrato firmado entre ambas. No sítio virtual do Ministério da Educação, um daqueles com competência para fazer o prévio registro e credenciamento da fundação de apoio, consta que: “O serviço [das Fundações] deverá obrigatoriamente relacionarse com a pesquisa, com o ensino, com a extensão ou com o desenvolvimento institucional, devendo inserirse nas finalidades estatutárias da entidade contratada. Esta não poderá ter fins lucrativos, o que deve ser atestado no estatuto, e demonstrará inquestionável reputação éticoprofissional”.5 Pois bem. Vemos que as Fundações de apoio foram instituídas com o objetivo de tornar menos burocrática a realização de pesquisa, ensino e extensão nas universidades federais. Considerando que elas existem apenas para, de fato, servir às IFES, a consequência é reconhecer que também gozam da imunidade prevista no art. 150, VI, “c”, da CF/88. Afinal, não faria sentido a instituição de fundações para potencializar os serviços 5 http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=14172&Itemid=1018 Fl. 6601DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 19647.010752/201091 Acórdão n.º 1102001.230 S1C1T2 Fl. 24 23 oferecidos pelas IFES e elas não estarem albergadas pela mesma norma imunizadora, que assim dispõe: 10. 11. Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: 12. (...) 13. VI instituir impostos sobre: 14. (...) 15. c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; Este e. Tribunal administrativo tem entendimento semelhante, como pode ser visto no voto do d. Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, proferido no Acórdão nº Acórdão nº 120100.547: ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005 FUNDAÇÕES DE APOIO ÀS UNIVERSIDADES IMUNIDADE INSTRUMENTO DE TERCEIRIZAÇÃO DE MÃODEOBRA. As fundações de apoio Universidades Federais, longe de serem resultado de uma interpretação extravagante da legislação vigente, estão previstas e minunciosamente disciplinadas por lei federal. Seu regime jurídico tributário, desde que atendidos os critérios para a sua criação, deve ser, no mínimo, tão favorável quanto àquele dispensados à Universidade. Afinal, elas exercem a função de desconcentração de certas atividades com o fito de dar eficácia à prestação das atividadesfim das Universidades (ensino, pesquisa e extensão) e não faria sentido criálas se o seu regime jurídico tributário fosse desfavorável. (...) Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Marcelo Cuba Netto e Claudemir Rodrigues Malaquias que negavam provimento. Dada a sua importância para o enfrentamento das questões em análise, transcrevemos alguns trechos do Acórdão acima citado: “A razão de ser da fundação autuada é única exclusivamente amparo à Universidade Federal (digase, além de entidade de ensino, é também autarquia) e todo o seu superávit é a ela Fl. 6602DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 19647.010752/201091 Acórdão n.º 1102001.230 S1C1T2 Fl. 25 24 direcionado. Aliás, quanto a esse ponto vale destacar que as atividades de ensino no sentido estrito, pesquisa e extensão podem ser remuneradas por aqueles a quem são dirigidas. A única vedação é que tal remuneração caracterize atividade lucrativa. (...) Se o regime jurídico da fundação que dá amparo à Universidade fosse diverso desta e menos favorável, sua criação simplesmente não faria sentido. Merece destaque que tais instituições não são resultado de uma criação extravagante calcada em lacunas legais. No plano federal, há lei (Lei nº 8.959/94) que expressamente prevê tais entidades e regula a sua relação com as Universidades Federais.” (...) Com relação à Contribuição Social sobre o Lucro, assim estabelece o art. 15 da Lei 9.532/97: (...) Não são necessárias maiores digressões para afirmarmos o caráter científico das Universidades. Logo, não (sic) isentas de CSLL. De igual sorte, em face dos fundamentos fixados anteriormente de que as fundações de apoio possuem o mesmo regime jurídico tributário das entidades apoiadas, elas são igualmente isentas destas contribuições. Nestes termos, entendemos que as Fundações de Apoio gozam, sim, da imunidade prevista no art. 150, VI, “c”, da CF/88, em relação ao IRPJ e são isentas da CSLL, desde que cumpram os requisitos da Lei nº 8.958/94 e do art.14, do Código Tributário Nacional. No que tange ao respeito às normas para instituição e funcionamento da Recorrente, não há dúvidas. No sítio virtual do MEC consta a relação de fundações de apoio credenciadas6 no período de 1995 a 2007. À fl. 29 deste relatório, encontramos que a FADE possuía o Certificado nº 21, de 2005, cuja vigência era de 15/3/2005 a 31/8/2007. Isso significa não só que o Estatuto da Fundação atende os dispositivos legais, como também que seus dispositivos foram respeitados, afinal, o certificado foi renovado no biênio seguinte, por meio da Portaria 597/2007, vigente a partir de 28/06/2007. Outrossim, a Recorrente também atendeu aos requisitos do art. 14 do CTN, que assim dispõe: 16. Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: 17. I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; 6 http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=14172&Itemid=1018 Fl. 6603DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 19647.010752/201091 Acórdão n.º 1102001.230 S1C1T2 Fl. 26 25 18. II aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; 19. III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. 20. (...) 21. § 2º Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9º são exclusivamente, os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos Antes de analisarmos as condutas descritas pelo Sr. Fiscal, é imperioso estabelecer a seguinte premissa: as normas do CTN objetivam impedir que instituições de fachada sejam utilizadas para gerar lucro para seus dirigentes e, ainda assim, gozem de imunidade e isenções tributárias. Desse modo, o só fato de o Fisco encontrar erros na escrituração fiscal, não geram o dever de suspender o gozo do benefício. É imperioso provar que tais erros foram praticados para possibilitar a distribuição de lucro aos seus gestores. E isso, não encontramos neste feito. O Sr. Fiscal atribuiu à Recorrente as seguintes condutas: Fl. 6604DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 19647.010752/201091 Acórdão n.º 1102001.230 S1C1T2 Fl. 27 26 lxv) 01 lxvi) R$ 56.985.540,67 lxviii) 02 lxix) R$ 1.362.000,00 lxvii) Escriturou receita de prestação de serviço em conta do passivo7. lxx) 03 lxxi) R$ 50.000,00 lxxiii) 04 lxxiv) R$ 647.081,00 lxxii) Transferência gratuita de recurso financeiro em caráter definitivo contabilizada no passivo1. lxxv) 05 lxxvi) lxxvii) Serviços tomados (NF 20 e 21) pela FADE, “ou seja, representaram despesas em nome próprio e não despesa de terceiros. lxxviii) 06 lxxix) R$ 16.960,10 lxxx) Omissão na escrita de rendimentos decorrentes de aplicações financeiras, já que o correto é R$ 123.046,23. lxxxi) 07 lxxxii) R$ 891.865,15 lxxxiii) Não comprovou os beneficiários das doações, premiações ou patrocínios. lxxxiv) 08 lxxxv) lxxxvi) Ausência de documentos que embasam os lançamentos nas contas: i) 20109.138; ii) 20109.6533 iii) 20109.6044 iv) 20109.5635 lxxxvii) 09 lxxxviii) R$ 1.362.000,00 lxxxix) Concorrência desleal com as empresas que prestação serviços de informática localizadas em Nova Iguaçu/RJ xc) 10 xci) R$ 340.000,00 xcii) Concorrência desleal com as empresas que realizam concurso vestibular xciii) 11 xciv) R$ 66.097,10 xcv) Gasto com serviço de buffet para evento de confraternização, incompatível com os objetivos sociais. As condutas 06 e 07 foram afastadas pelo próprio Fiscal, como pode ser visto às fls. 444/445. Também deve ser afastada as alegações de concorrência desleal – condutas 09 e 10. O Código Tributário Nacional estabelece, em seu art. 14, que as instituições de educação deverão observar alguns requisitos para se ver afastadas da incidência dos impostos. 7 “aparentes contas de resultado, não tiveram o condão de representar o devido cumprimento do princípio da competência, pois os saldos dessas contas foram transferidos, em 31.12.06, para o passivo e, consequentemente, não foram considerados na apuração do resultado do período. Fl. 6605DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 19647.010752/201091 Acórdão n.º 1102001.230 S1C1T2 Fl. 28 27 Dentre estes, três que são, não se observa o respeito à liberdade de concorrência. De qualquer sorte, afirma o §1º que – descumprido um destes requisitos – a autoridade competente poderá suspender o benefício. A Lei nº 9.532, de 1997, estabelece, da mesma forma, em seu art. 12, §2º, ainda mais requisitos a serem atendidos – desta vez oito requisitos. Ainda assim, não há nenhuma referência ao suposto respeito à liberdade de concorrência. Observando ainda a Súmula CARF nº 2, vêse que este órgão não é competente para analisar a constitucionalidade de lei tributária. Enfim, não se pode falar em suspensão da imunidade/isenção com base no art. 170, IV da CF/88 por via de processo administrativo. Enfrentemos agora a conduta 11, qual seja, dos Gastos com Confraternização e Gratificações. Em sede de Notificação Fiscal (fls. 49/57), o AuditorFiscal estabelece como “INFRAÇÃO 3” – a “NÃO APLICAÇÃO INTEGRAL DOS SEUS RECURSOS NA MANUTENÇÃO E DESENVOLVIMENTO DOS SEUS OBJETIVOS SOCIAIS”, levantando como fundamento legal o art. 12, §2º, “b”, da Lei 9.532/97. Segundo informa, foi constatado gastos de R$ 12.240,00 com a contratação de buffet para confraternização, em 12/12/2006. Alega, enfim, que este fato representa “gastos incompatíveis com os objetivos sociais dessa entidade.” (fl. 55). Indicando a leitura do art. 299 do RIR/99, bem como do Parecer Normativo CST nº 322/71, reafirma no Termo de Informação Fiscal que estas despesas não são necessárias (fls. 440/443). O Acórdão recorrido segue a mesma linha, afirmando que estas despesas são incompatíveis com a atividade social da instituição. Em sede de Recurso Voluntário, a Fiscalizada reafirma que tal despesa é sim gasto necessário e diretamente relacionado com o seu objetivo social. Não parece haver discussão quanto à razoabilidade dos valores despendidos, mas sim e apenas quanto à sua necessidade. Devemos concordar com a Recorrente. Relembrando que a Fundação atua exatamente naquelas atividades de interesse público que não são economicamente interessantes, seus funcionários não têm o mesmo incentivo da seara privada stricto sensu. Assim, é imprescindível que sejam realizadas atividades de sorte a melhorar o ambiente de trabalho, criando assim estímulos para a persecução da atividade fim. Haja vista que sua atividade é eminentemente pessoal – e não de produção ou indústria, é necessário investir nas próprias pessoas que ali laboram. Quanto ao valor de R$ 53.827,10, a Notificação afirma tratarse de “gastos com comemorações e eventos”. Neste sentido, aplicase o mesmo entendimento dado ao gasto com contratação de buffet. Em sede de acórdão, entretanto, levantase questão de que este valor represente transferência entre a FADE e a Cia. Brasileira de Distribuição, e não gratificação (fl. Fl. 6606DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 19647.010752/201091 Acórdão n.º 1102001.230 S1C1T2 Fl. 29 28 6.413). Tanto a noção de gratificação quanto o fato de que constitua transferência são inovações em relação à Notificação Fiscal (fl. 55), o que tornaria nulo tal argumento. De qualquer sorte, conforme ressalta a Fiscalizada (fl. 6.504) a Companhia citada são as marcas Pão de Açúcar e Extra, e que os valores pagos representam cartão presente, o que se justifica como gratificação e dentro do entendimento supra referido. Em suma, tal conduta não é fundamento para a suspensão dos benefícios fiscais. A próxima prática ilícita atribuída pelo Fiscal foi a ausência de entrega de documentos que embasam os lançamentos contábeis. Todavia como pode ser visto à fl. 1552, a intimação fiscal foi atendida em 09/11/2010, ou seja, antes do parecer conclusivo e da expedição do ato declaratório, esse último de 11/01/2011 (fl. 449). Para não haver dúvidas segue tabela abaixo: xcvi) Conta contábil indicada pelo Sr. Fiscal xcvii) Documentos entregues pela FADE xcviii) 20109.138 TVU xcix) 20109.6533 Motorola c) 20109.6044 Geraldão ci) 20109.5635 Samsung cii) Fls. 1660/1670; ciii) Fls. 1543/1591; civ) Fls. 1593/1624; cv) Fls. 1626/1664 O r. acórdão da DRJ, no que tange aos documentos da TVU, pontifica que nenhuma nota fiscal foi juntada. De fato, nos autos, não encontramos tais documentos, todavia, atenta contra a razoabilidade e à proporcionalidade suspender o gozo da imunidade/isenção, mormente quando o Sr. Fiscal não relacionou a entrega da NF como indício de conduta ilícita. Assim, concluise que tais fatos não são suficientes à suspensão da imunidade. Restam as condutas que, segundo o Sr. Fiscal, caracterizam “descumprimento do princípio da competência”, na tabela acima, correspondentes aos itens 01 a 05. Quanto às demonstrações contábeis, a Resolução do CFC de n.º 1.409/12, aprovou a Interpretação ITG 2002 – Entidade sem Finalidade de Lucros8, que, para o que interessa o caso, assim dispõe: 1. Esta Interpretação estabelece critérios e procedimentos específicos de avaliação, de reconhecimento das transações e variações patrimoniais, de estruturação das demonstrações contábeis e as informações mínimas a serem divulgadas em notas explicativas de entidade sem finalidade de lucros. 22. 2. A entidade sem finalidade de lucros pode ser constituída sob a natureza jurídica de fundação de direito privado, associação, 8 Revogar as Resoluções CFC n.os 837/99, 838/99, 852/99, 877/00, 926/01 e 966/03, publicadas no D.O.U., Seção I, de 2/3/99, 2/3/99, 25/8/99, 20/4/00, 3/1/02 e 4/6/03, respectivamente. Fl. 6607DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 19647.010752/201091 Acórdão n.º 1102001.230 S1C1T2 Fl. 30 29 organização social, organização religiosa, partido político e entidade sindical. 23. (...) 4. Aplicamse à entidade sem finalidade de lucros os Princípios de Contabilidade e esta Interpretação. Aplicase também a NBC TG 1000 – Contabilidade para Pequenas e Médias Empresas ou as normas completas (IFRS completas) naqueles aspectos não abordados por esta Interpretação. 24. (...) 25. 6. Esta Interpretação aplicase às pessoas jurídicas de direito privado sem finalidade de lucros, especialmente entidade imune, isenta de impostos e contribuições para a seguridade social, beneficente de assistência social e atendimento aos Ministérios que, direta ou indiretamente, têm relação com entidades sem finalidade de lucros e, ainda, Receita Federal do Brasil e demais órgãos federais, estaduais e municipais. 26. (...) 8. As receitas e as despesas devem ser reconhecidas, respeitandose o regime contábil de competência. 9. As doações e subvenções recebidas para custeio e investimento devem ser reconhecidas no resultado, observado o disposto na NBC TG 07 – Subvenção e Assistência Governamentais. (...) 11. Enquanto não atendidos os requisitos para reconhecimento no resultado, a contrapartida da subvenção, de contribuição para custeio e investimento, bem como de isenção e incentivo fiscal registrados no ativo, deve ser em conta específica do passivo. 12. As receitas decorrentes de doação, contribuição, convênio, parceria, auxílio e subvenção por meio de convênio, editais, contratos, termos de parceira e outros instrumentos, para aplicação específica, mediante constituição, ou não, de fundos, e as respectivas despesas devem ser registradas em contas próprias, inclusive as patrimoniais, segregadas das demais contas da entidade. (...) 15. O valor do superávit ou déficit deve ser incorporado ao Patrimônio Social. O superávit, ou parte de que tenha restrição para aplicação, deve ser reconhecido em conta específica do Patrimônio Líquido. Fl. 6608DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 19647.010752/201091 Acórdão n.º 1102001.230 S1C1T2 Fl. 31 30 Por sua vez, no “Caderno de Procedimentos Aplicáveis à Prestação de Contas das Entidades do Terceiro Setor (Fundações)”9, elaborado pela Fundação Brasileira de Contabilidade, em 2012, em parceria com o CFC e com a Associação Nacional de Procuradores e Promotores de Justiça e Entidades de Interesse Social (PROFIS), dentre outras, encontramos: “As práticas aqui operacionalizadas devem ser entendidas como sugestões e, não, como definidas pelo Sistema Contábil Brasileiro (Sistema CFC/CRCs), tendo em vista que ainda não foram objeto de normatização para o Terceiro Setor. Igualmente, não devem ser entendidas como exaustivas as questões abordadas, tendo em vista que outras podem existir e aqui não estarem contempladas” – fl. 35. (...) Na ausência de norma específica, podese utilizar o que estabelece o CPC 07, item 14, que assim se expressa: 14. Enquanto não atendidos os requisitos para reconhecimento no resultado, a contrapartida da subvenção governamental registrada no ativo deve ser em conta específica do passivo. Dessa forma, a entidade executora deverá manter em sua contabilidade contas específicas com esquemas contábeis distintos para cada convênio que executar. Os registros dos recursos do convênio, a título de exemplo, estão demonstrados no Quadro 10. Quadro 10: Reconhecimento de Recursos de Convênio 1 Entrada de Recursos financeiros na Contabilidade do Convênio Debitar Banco (Conta de Disponibilidade do Convênio) Creditar Recursos e Convênio (Passivo) 2 Realização da Despesa na Contabilidade do Convênio Debitar Despesa do Convênio(resultado) Creditar Bancos (Conta de disponibilidade do Convênio) 3 Reconhecimento simultâneo da Receita do Convênio Debitar Recursos de Convênio (Passivo) Creditar Receita do Convênio (Resultado) Pois bem. Segundo o S. Fiscal, “o procedimento dessa entidade de debitar contas do passivo e creditar algumas contas contábeis iniciadas com o código 40103, aparentes contas de resultado, não tiveram o condão de representar o devido cumprimento do princípio da competência, pois os saldos dessas contas foram transferidos, em 31.12.06, de volta para o 9 Disponível em: http://www.cfc.org.br/uparq/terceiro_setor.pdf. Fl. 6609DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 19647.010752/201091 Acórdão n.º 1102001.230 S1C1T2 Fl. 32 31 passivo (o que a rigor representou lançamentos de estorno) e, consequentemente, não foram considerados na apuração do resultado do exercício” – fl. 1525. Contudo, assiste direito à Recorrente, pois estamos diante de diferentes formas de contabilizar os valores. Como citado acima, consta no “Caderno de Procedimentos Aplicáveis à Prestação de Contas das Entidades do Terceiro Setor (Fundações)”10, elaborado pela Fundação Brasileira de Contabilidade, que: “As práticas aqui operacionalizadas devem ser entendidas como sugestões e, não, como definidas pelo Sistema Contábil Brasileiro (Sistema CFC/CRCs), tendo em vista que ainda não foram objeto de normatização para o Terceiro Setor. Igualmente, não devem ser entendidas como exaustivas as questões abordadas, tendo em vista que outras podem existir e aqui não estarem contempladas” – fl. 35. Exemplificando: uma fundação com patrimônio líquido de R$ 1.000 em X1 e com igual valor na conta “Banco”, obtendo R$ 1.000 para a execução do “Projeto X”, cuja aplicação foi de R$ 900,00, no fim do projeto, a depender da forma como efetuar os lançamento, terá, em X2: i) R$ 100 de superávit do período, com consequente impacto no PL; ii) nenhuma alteração nas contas “Banco” e PL, no caso de o valor ser devolvido; ou iii) R$ 100 no passivo, na conta “Recurso Projeto X” e com nenhum impacto no resultado e, consequentemente, no PL. Reiteramos, no “Caderno de Procedimentos Aplicáveis à Prestação de Contas das Entidades do Terceiro Setor (Fundações)”, elaborado pela Fundação Brasileira de Contabilidade, em 2012, em parceria com o CFC e com a Associação Nacional de Procuradores e Promotores de Justiça e Entidades de Interesse Social, reconhece a possibilidade de os lançamentos serem feitos de diferentes formas, sem comprometer a transparência da instituição, razão pela qual, entendemos que esse fundamento também não serve para manter o ato de suspensão do benefício. Tendo sido afastados todos os fundamentos do ato de suspensão da imunidade/isenção, ele deve ser anulado, bem com os autos de infração lavrados para a exigências de IRPJ e CSLL. IV. CONCLUSÃO Dado o exposto, rejeito a nulidade invocada e, no mérito, dou provimento ao recurso, anulando o ADE 07/2011, bem como os autos de infração lavrados para a exigência de IRPJ e CSLL. (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto 10 Disponível em: http://www.cfc.org.br/uparq/terceiro_setor.pdf. Fl. 6610DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 19647.010752/201091 Acórdão n.º 1102001.230 S1C1T2 Fl. 33 32 Fl. 6611DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME
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Numero do processo: 10166.907073/2009-31
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1801-000.363
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente
(assinado digitalmente)
Fernando Daniel de Moura Fonseca Relator
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Fernanda Carvalho Alvares, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich – Presidente (assinado digitalmente) Fernando Daniel de Moura Fonseca – Relator Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Fernanda Carvalho Alvares, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório e Voto Este processo administrativo já foi relatado por este Conselho, pois foi inicialmente distribuído à douta 2º Turma Ordinária da 1º Câmara da 2ª Seção de Julgamentos, de cujo relatório valhome neste momento: Tratase da Declaração e Compensação (Dcomp) de nº 11875.24594.040405.1.3.040306, transmitida eletronicamente em 04 de abril de 2005, relativos a créditos do Imposto de Renda Retido na Fonte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .9 07 07 3/ 20 09 -3 1 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES Processo nº 10166.907073/200931 Resolução nº 1801000.363 S1TE01 Fl. 129 2 Na Per/Dcomp a requerente declarou a existência de crédito decorrente do seguinte pagamento indevido ao a maior: Período de Apuração Código Valor do DARF (R$) Data da arrecadação 25/04/2001 5204 787.500,00 25/04/2001 A Declaração de Compensação não foi homologada pela DRF Brasília, tendo em vista não ter sido confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF citado não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. A contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, no prazo regulamentar, alegando que: a) O crédito foi gerado em decorrência do acordo consubstanciado na Escritura Pública de Transação sob Condição Suspensiva, firmada em 16 de abril de 2001, por meio da qual a BASF S/A se comprometeu a pagar o montante de R$ 15.750.000,00 ao Grupo OK Construção e Incorporação, que teria sido contabilizado como receita própria. Em decorrência dessa operação, teria sido recolhido pela BASF S/A a quantia de R$ 787.500,00 de imposto de renda retido na fonte, conforme DARF à folha 61; b) cometeu o equívoco de não incluir o valor no ajuste anual do imposto de renda como dedução do imposto devido no primeiro trimestre do ano calendário, como saldo negativo de IRPJ; c) a negativa da RFB em homologar a compensação frente às evidências apresentadas caracterizaria uma tentativa de enriquecimento ilícito do Estado, no sentido de que a receita correspondente teria sido tributada juntamente com os demais rendimentos e o valor retido não teria sido utilizado até o envio das Declarações de Compensação. d) a doutrina corrobora com o seu entendimento e que a administração tributária deveria pautar sua atuação pelo Princípio da Moralidade, prevalecendo o Princípio da Verdade Material; e e) o crédito existe, é certo e exigível e poderá ser compensado para quitação de outros débitos da contribuinte. A DRJ Brasília considerou a manifestação de inconformidade improcedente, tendo em vista que a origem do crédito informado não seria "saldo negativo de IRPJ” e que não poderia ser alterado o objeto da manifestação de inconformidade para retificar o PER/Dcomp. Cientificado da decisão em 29 de junho de 2010, a recorrente interpôs recurso voluntário, por meio de procuradores legalmente habilitados, no dia 29 do mês subsequente, com os seguintes argumentos: a) o crédito concernente ao pagamento indevido ou a maior de IRRF foi gerado em virtude do acordo expresso em Escritura Pública de Transação sob Condição Suspensiva, firmada 16 de abril de 2001, por meio do qual foi recebido R$ 15.750.000,00, com retenção de R$ 787.00,00 a título de imposto retido na fonte; b) a requerente não cometeu erro, contrariamente ao afirmado na Manifestação de Inconformidade, de não haver incluído como antecipação do imposto devido no primeiro trimestre do ano calendário de 2001, pois era optante pela tributação do IRPJ e da CSLL na modalidade de lucro presumido, não tendo nada adicionar à base de cálculo para a apuração dos impostos; c) não está pleiteando a retificação de informações contidas no PER/Dcomp e que a RFB tem o dever de ofício de verificar a existência do referido crédito; d) o DARF foi originalmente recolhido no código 5204 (IRRF juros indenizações e lucros cessantes) que foi alterado unilateralmente e sem justificativas pela fonte pagadora, por meio de Redarf, para o código 1708 (IRRF remuneração de serviços Fl. 129DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES Processo nº 10166.907073/200931 Resolução nº 1801000.363 S1TE01 Fl. 130 3 prestados por pessoa jurídica), penalizando a recorrente em face da não localização do referido documento de arrecadação; e) a administração tributária deve pautar sua atuação pelo Princípio da Moralidade e não fazendo a compensação estaria se locupletando indevidamente do valor retido pela fonte pagadora; f) a compensação está de acordo com o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, tendo agido a contribuinte dentro da mais estrita legalidade; e g) a análise do pedido de compensação deve levar em conta a verdade material e não a verdade real, de forma prefacial e superficial. Anexa aos autos uma contranotificação extrajudicial da BASF S/A e os comprovantes de arrecadação emitidos pela RFB, e, por fim, requer que seja determinado o deferimento de diligência para verificação da existência, nos sistemas da RFB, do crédito demonstrado, com a consequente quitação, homologandose a referida compensação. É o relatório. Conheço do recurso, pois tempestivo. A princípio, a compensação pretendida pela Recorrente nestes autos foi negada pelo Despacho Decisório (fl. 62) em virtude de suposta inexistência do crédito, pois a Recorrente informou um pagamento a maior via DARF de R$787.500,00, mas esse DARF não foi encontrado nos registros da Receita Federal. Essa foi a fundamentação do despacho decisório. Em sede de manifestação de inconformidade, a Recorrente esclareceu os fatos e afirmou que, na verdade, o seu crédito é decorrente do saldo negativo do anocalendário de 2001, e não de simples pagamento a maior. É que a Recorrente teria feito um acordo judicial que lhe rendeu a quantia de R$15.750.000,00, sendo que, desse valor, R$ 787.500,00 foram pagos a título de imposto retido na fonte. No entanto, a Recorrente, ao declarar em sua DIPJ essa receita de R$15.750.000,00, não informou a retenção e, consequentemente, não a deduziu do valor do total de IRPJ devido ao final do período de apuração. Assim sendo, em razão dessa não dedução, a Recorrente acabou efetuando um recolhimento a maior no valor de R$787.500,00, exatamente o valor do crédito aqui pleiteado. Essas alegações da Recorrente estão acompanhadas de documentos que revestem de verossimilhança as alegações, principalmente a DIPJ/2002 (fls. 3659) e o DARF no valor de R$787.500,00, este devidamente recolhido (fl. 61). Diante dessas alegações da Recorrente, a DRJ constatou que o motivo que fundamentou o Despacho Decisório (inexistência do DARF) realmente não subsistia, pois o DARF foi apresentado nestes autos (fl. 61). No entanto, ainda assim a DRJ negou a compensação pleiteada, adotando argumento novo, não trabalhado anteriormente pelo Despacho Decisório, qual seja: a impossibilidade de retificação do PER/DCOMP através de manifestação de inconformidade. Percebese, portanto, que a DRJ alterou por completo a fundamentação do Despacho Decisório, adotando outra diversa. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES Processo nº 10166.907073/200931 Resolução nº 1801000.363 S1TE01 Fl. 131 4 Sabese que este Conselho tem adotado com frequência o acertado entendimento de que o ato administrativo tem sua validade vinculada aos motivos que lhe deram origem. Se os motivos forem inválidos ou inexistentes, a anulação do ato administrativo é medida impositiva. É a chamada Teoria dos Motivos Determinantes. A ementa abaixo demonstra bem esse entendimento: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2006 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. PER/DCOMP. DIPJ. HOMOLOGAÇÃO. Se o saldo negativo informado no Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) é inferior ao mesmo saldo negativo informado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deve a homologação da compensação se fazer até o limite daquele primeiro saldo. DESPACHO DECISÓRIO. TEORIA DOS MOTIVOS DETERMINANTES. ATO ADMINISTRATIVO. Uma vez declarado o motivo ou o fundamento de um ato administrativo, aquele (motivo ou fundamento) deve ser respeitado, condicionando a validade deste (ato administrativo). (CARF, Primeira Seção, 3ª Turma Especial, acórdão de nº 1803002.236, de 31/07/2014) No entanto, não há lugar no presente caso para aplicação da referida teoria, a despeito de a DRJ ter adotado fundamentação distinta daquela adotada pelo Despacho Decisório. É que, por uma questão de lógica, a Teoria dos Motivos Determinantes só tem espaço nas situações em que a Administração, no momento de edição do ato administrativo, tenha conhecimento de toda a matéria que circunda a situação, de modo a possuir condições totais de analisar a matéria por completo. No presente caso, no entanto, considerando a informação prestada pelo contribuinte de que o crédito pleiteado possuía a natureza de pagamento indevido ou maior, e tendo o recolhimento sido realizado pela fonte pagadora do rendimento em questão (IRRF), a RFB não dispunha de elementos suficientes para proceder a uma análise mais acurada da existência do crédito em questão. Foi só com as informações prestadas pela Recorrente, na manifestação de inconformidade, é que a autoridade administrativa teve ciência do efetivo crédito pleiteado, e só então ela pode adotar o fundamento de impossibilidade de retificação da PER/DCOMP, o que foi feito pela DRJ. Portanto, a alteração da fundamentação do ato administrativo levada a cabo pela DRJ foi legítima. Contudo, no aspecto material, entendo que a decisão merece reforma, por ter sido extremamente formalista e relegado a segundo plano a verdade material, que deve nortear o processo administrativo. Como visto acima, a falta de reconhecimento, pela RFB, do direito creditório invocado pela Recorrente decorre de mero equívoco do contribuinte na hora de transmitir a declaração de compensação, uma vez que, no PER/DCOMP, deveria ter justificado o saldo credor como sendo “saldo negativo” e não como “pagamento a maior”. Todavia, erros formais no preenchimento de declarações não são capazes de elidir a pretensão da Recorrente, mormente quando esta se baseia em direito creditório efetivamente demonstrado. O CTN é categórico em reconhecer o direito de restituição ao contribuinte que tenha pagado tributo a maior ou indevidamente. É o que dispõe o art. 165: “Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a Fl. 131DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES Processo nº 10166.907073/200931 Resolução nº 1801000.363 S1TE01 Fl. 132 5 modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória.” (destacamos) Assim sendo, por questões de eficiência, moralidade e legalidade, é dever da Administração anular seus atos eivados de ilegalidade tão logo esta seja detectada, sem criar óbices burocráticos ao cumprimento da lei. No presente caso, a Recorrente, tendo verificado a existência de saldo negativo de IRPJ, pretendeu efetuar, nos termos da legislação federal, a compensação de tal valor no PER/DCOMP objeto deste processo. Entretanto, ao emitir sua declaração de compensação, a Recorrente cometeu uma impropriedade formal que, de fato, impossibilitou à Administração, num primeiro momento, a verificação da existência do crédito. No entanto, essa impossibilidade inicial foi afastada com a apresentação da manifestação de inconformidade, por meio da qual a Recorrente demonstrou bem qual era, de fato, a sua pretensão. Nesse caso, a Administração não deve ficar presa à literalidade da declaração. E isso por vários motivos: (i) porque a Constituição exige da Administração uma atuação eficiente (art. 37), e não se pode reconhecer eficiência numa decisão que simplesmente desconsidera a verdade dos fatos; (ii) porque é cediço que na esfera administrativa impera a verdade material, devendo ser mitigados institutos processuais como o da preclusão ou coisa julgada; (iii) porque fere a razoabilidade negar, depois de já se ter movimentado toda a máquina administrativa, um crédito tributário que pode ser reconhecido no Judiciário, o que gerará mais gastos para o erário, tanto para custear o processo administrativo que não acabará ali, mas também para o acompanhamento do processo judicial, que certamente se seguirá. Ora, os órgãos administrativos devem prezar pelo gasto consciente do dinheiro público. De nada adianta negar aos contribuintes compensações com base em argumentos extremamente burocráticos e gerar novos gastos (acompanhamento do processo administrativo e do processo judicial) para que, ao final, a compensação seja analisada e determinada pelo Judiciário. Sendo possível, é dever da Administração resolver a questão quando ela se encontra na sua esfera. E no presente caso era (e ainda é) possível. Em resumo, deve prevalecer a boafé da empresa e o princípio da verdade material. Nesse contexto, aliás, a jurisprudência administrativa tem reconhecido a possibilidade de se desconsiderarem pequenos erros materiais no preenchimento da DCOMP, conforme demonstram as ementas abaixo: Fl. 132DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES Processo nº 10166.907073/200931 Resolução nº 1801000.363 S1TE01 Fl. 133 6 “IRPJ PREJUÍZO FISCAL COMPENSAÇÃO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DE DECLARAÇÃO. Compensação de IRPJ recolhido por estimativa em exercício cujo resultado foi prejuízo fiscal, deve ser admitida, não obstante erro de fato no preenchimento da declaração, que não invalida o procedimento, desde que comprovada a existência dos créditos. Prevalência do princípio da verdade material. Recurso Voluntário Provido.” (Primeiro Conselho de Contribuintes. 8ª Câmara. Acórdão nº 10808.805, PTA 1014000094620020, sessão de 27/04/2006) “COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. ERRO DE PREENCHIMENTO. COMPROVAÇÃO. Descabe considerarse, como suposta alteração da origem do crédito pleiteado, o comprovado erro no preenchimento de Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp).” (3ª Turma Especial, 3ª Seção do CARF. Acórdão nº 1803001.551 do PTA nº 10283.900422/200958, sessão de 06.11.2012) “COMPENSAÇAO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido.” (Primeiro Conselho de Contribuintes. 1ª Câmara. Acórdão nº 10196.829, PTA 10768100409200368, sessão de 27/06/2008) Portanto, erro no preenchimento do PER/DCOMP não pode prevalecer sobre o direito ao crédito decorrente de pagamento indevidamente efetuado, desde que este seja devidamente demonstrado. Nestes autos há documentos que ao menos indicam a efetiva existência do crédito alegado pela Recorrente. Como dito acima, às fls. 3659 está acostada a DIPJ do ano calendário de 2001. Analisando essa declaração, é possível ver que nos três primeiros trimestres do ano a receita bruta da Requerente girou em torno de R$1.800.000,00. No entanto, no quarto trimestre daquele ano houve reconhecimento de valor extremamente superior aos três primeiros trimestres, que monta em R$42.544.213,28. Ou seja, é razoável de se admitir que a receita decorrente do acordo judicial (no valor de R$15.750.000,00) está contida nos R$42.544.213,28 informados no 4º trimestre de 2001, pois esta receita foi extremamente superior a dos demais e, ao que tudo indica, não faz parte dos ganhos habituais da Recorrente. Nesse contexto, visando a apurar a verdade material dos fatos de modo a dar subsídios para este Conselho decidir da maneira mais consentânea com a legalidade, voto por determinar a conversão do julgamento na realização de diligência com a finalidade de que a unidade de jurisdição da Recorrente: (i) intime a Recorrente para comprovar o recolhimento regular do IRPJ com base nos valores declarados na DIPJ/2002, por meio de demonstrativo analítico que ateste a inclusão do rendimento em questão nas bases de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, que deve guardar correspondência com a escrituração contábil, especialmente com os valores lançados na conta contábil nº 4103010001 e suas contrapartidas; (ii) verifique se o crédito de R$787.500,00 não foi utilizado em outros processos e, caso tenha sido, se há saldo suficiente para compensar o débito declarado neste processo. Ao final, devem ser juntados aos presentes autos o resultado da diligência já realizada nos autos do PAF nº xxxxxxxx, bem como cópia do acórdão lá formalizado. (assinado digitalmente) Fernando Daniel de Moura Fonseca Fl. 133DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES
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Numero do processo: 10735.002120/2005-23
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2004
COMPENSAÇÃO INDEVIDA. ARTIGO 18 DA LEI N 10.833/2003. MULTA ISOLADA. PERCENTUAL DE 75% OU 150%.
Verificado que o crédito utilizado pela Recorrente debêntures da Eletrobrás não possui natureza tributária, sendo impassível de compensação, cabível a aplicação da multa isolada, que será de 75% caso a conduta da Recorrente não se enquadra e nem esteja devidamente tipificada nas hipóteses constantes nos artigos 71 e 72 da Lei n 4.502/1964.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3403-003.536
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos do Relatório e do Voto que fazem parte integrante do presente.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luiz Rogério Sawaya Batista - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Fenelon Moscoso de Almeida, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator).
Nome do relator: LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA
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COM. E EXP. DE TABACOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004 COMPENSAÇÃO INDEVIDA. ARTIGO 18 DA LEI N 10.833/2003. MULTA ISOLADA. PERCENTUAL DE 75% OU 150%. Verificado que o crédito utilizado pela Recorrente debêntures da Eletrobrás não possui natureza tributária, sendo impassível de compensação, cabível a aplicação da multa isolada, que será de 75% caso a conduta da Recorrente não se enquadra e nem esteja devidamente tipificada nas hipóteses constantes nos artigos 71 e 72 da Lei n 4.502/1964. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos do Relatório e do Voto que fazem parte integrante do presente. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 00 21 20 /2 00 5- 23 Fl. 149DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Fenelon Moscoso de Almeida, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator). Relatório Trata o processo de auto de infração que exige da interessada em epígrafe o recolhimento da multa exigida isoladamente no valor de R$ 1.767.582,41. Consoante o Termo de Verificação Fiscal, foram estas as circunstâncias e fatos que motivaram a lavratura do auto de infração: 1. Informa a fiscalização que em 23/06/2004, o contribuinte compensou débitos de PIS/PASEP por meio de Declarações apresentadas nos autos do processo n° 13746.000399/200499; 2. Em 29/11/2004, às fls. 48 do referido processo, a autoridade competente da DRF Nova Iguaçu proferiu despacho decisório aprovando o Parecer Seort n° 116/2004, daqueles autos, no sentido de não homologar as compensações declaradas; 3. Segue a autoridade autuante informando que o Parecer Seort n° 116/2004 destaca que o crédito utilizado na compensação indevida não tem natureza tributária, e aponta para o cabimento da aplicação da multa isolada prevista no art. 18 da Lei n° 10.833/03; 4. O fiscal autuante salienta que o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 017/2004 determina que, neste caso, seja aplicada a multa de que trata o inciso II do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, por caracterizar evidente intuito de fraude; 5. Informa a fiscalização que o Parecer Seort n° 116/2004 destaca, ainda, que o crédito utilizado na compensação indevida não é administrado pela Secretaria da Receita Federal SRF, não foi arrecadado mediante Darf e tratase de obrigação ao portador; 6. Opina o autuante, no sentido de que o contribuinte tinha total conhecimento de que o crédito usado nas compensações indevidas não é administrado pela SRF. Tal fato restaria explicito nos autos do processo n° 13746.000396/200455, por meio do qual o contribuinte formulou o Pedido de Restituição do crédito que seria usado nas citadas compensações indevidas: solicitou que o pedido de restituição fosse processado segundo o art. 13 da Instrução Normativa SRF 210/02; 7. Esclarece a autoridade fiscalizadora que este dispositivo trata, justamente, do pedido de restituição de receita da União cuja administração não esteja a cargo da SRF; 8. Desta forma, utilizandose do referido crédito em Declaração de Compensação, o contribuinte teria ferido, deliberadamente, o disposto no caput do art. 74 da Lei 9.430/96, com a redação dada pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, que admite somente a compensação de crédito administrado pela SRF, entre outros requisitos; Fl. 150DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10735.002120/200523 Acórdão n.º 3403003.536 S3C4T3 Fl. 9 3 9. Entende a fiscalização que a apresentação de uma Declaração de Compensação sabidamente indevida denota a carência de boafé. Somarseia a isso que as referidas compensações extinguiram indevidamente (sob condição resolutória da sua ulterior homologação) o crédito tributário confessado nas respectivas declarações, o que comprovaria o nítido interesse do contribuinte em suprimir ou diferir o pagamento de tributos; 10. Destaca o fiscal que a homologação da compensação declarada pelo contribuinte se dá por meio de processo administrativo no qual a autoridade competente profere o respectivo despacho decisório. À conta disto, a análise da Declaração de Compensação DCOMP não se dá no mesmo instante da sua apresentação; 11. Não apenas isso, após exarado o despacho nãohomologatório é facultado ao contribuinte recorrer administrativamente, situação esta que lhe dá o beneficio da suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Nesse contexto, o exame dos fatos narrados evidenciaria que o contribuinte utilizou a DCOMP, bem como o processo de análise dela decorrente, com a finalidade de retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da inexistência de crédito a seu favor, capaz de afetar o débito confessado na DCOMP extinguindoo; 12. Informa a fiscalização que a nova redação do art. 18 da Lei n° 10.833/O3, dada pela Lei n° 11.051/04, mantém a aplicação da multa isolada nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 1964; 13. Sendo que o ADI SRF N° 017/02 teria interpretado, taxativamente, que a compensação de crédito de natureza não tributária amoldase à hipótese de lançamento prevista no inciso II do art. 44 da Lei n° 9.430/96, por caracterizar evidente intuito de fraude; 14. Tendo em vista que este dispositivo legal referese, exclusivamente, aos casos definidos nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, inferese, segundo a fiscalização, que o ADI SRF n° 017/02 está em consonância com a nova redação do art. 18 da Lei n° 10.833/03, dada pela Lei n° 11.051/04; 15. Salienta a autoridade fiscal que o presente caso trata de compensação indevida, por isso nãohomologada, o que não se confunde com a compensação considerada não declarada (a previsão legal para o lançamento da multa isolada difere nos dois casos); 16. Entende aquela autoridade que cabe a multa isolada nos termos do art. 18, §2°, da Lei n° 10.833/03, fazendose necessária alavratura do Auto de Infração com fulcro no inciso II do art. 44 da Lei n° 9.430/96, cumprindose, desta forma, o comando expresso no ADI SRF 017/02. 17. Destaca o autuante que os fatos descritos no presente termo, e a consequente lavratura do auto de infração, dão ensejo à formalização de Representação Fiscal para Fins Penais, bem como de Termo de Arrolamento de Bens e Direitos; 18. Deixa claro ainda que a data da ocorrência da infração é a data da entrega da declaração de compensação, formalizada em 23/06/2004 nos autos do processo n° 13746000399/200499. 19. Por fim, o autuante informa que a multa terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado (art. 18, § 2°, da Lei n° 10.833/03). Sendo que a alíquota aplicável é de cento e cinquenta por cento (inciso II do art. 44 da Lei n° 9.430/96). Fl. 151DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 4 Uma vez que os débitos indevidamente compensados totalizam R$ 1.178.388,27, ficou assim determinado o valor da multa lançada pela fiscalização: Apuração do valor da multa é R$ 1.178.388,27 x 1,5 = R$ 1.767.582,41. Em 28/04/2006, a impugnante, apresentou sua Impugnação ao lançamento, alegando, em síntese, o que se segue: Que em 23/06/2004, data da protocolização dos pedidos de compensação, as compensações não podiam ser tidas como indevidas, pois não existia à época dispositivo legal que as impedisse, pois somente com a Lei n° 11.051, de 29/12/2005, é que surgiu a proibição de se compensar tributos não administrados pela SRF Que, dessa forma, não poder ser tido como “réu confesso”, pois fez a compensação utilizandose do art. 13 da IN SRF n° 210/2002. Que não incorreu nas hipóteses dos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64 e que não está inserida nas hipóteses do ADI SRF n° 17/2002. Aduz ainda que a aplicação da multa neste caso ofendeu o princípio da irretroatividade da Lei, conforme doutrina e jurisprudência que cita e defende que o presente processo decorre do indeferimento do direito creditório em outros autos, contra o qual foi apresentada manifestação de inconformidade que suspende a exigibilidade do crédito, cabendo ainda recurso contra possível não provimento da manifestação. E por essa razão argumenta que o presente Auto de Infração não poderia ocorrer antes de findo administrativamente do processo principal. Está apenso a este o processo 10735.002121/200578 com a representação fiscal para fins penais. A DRJ, em seu Acórdão, afirma que, como já esclarecido, o Auto de Infração decorre de Declarações de Compensações (processos 13746.000396/200455 e 13746.000399/200499), o primeiro referese ao pedido de reconhecimento de direito creditório relativo aos títulos da Eletrobrás, no segundo processos são duas declarações de compensação que buscavam adimplir débitos fiscais mediante o suposto créditos decorrente dos títulos da Eletrobrás. Como já dito nos autos citados, malgrado não ter sido feita a juntada num único processo de todas essas matérias, o presente feito, por decorrer daqueles, será julgado nesta mesma sessão simultaneamente com aqueles, conforme determina o parágrafo 3 , do artigo 18 da Lei n 10.833/2003: Lei n 10.833, de 2003 Ari. 18 (...) § 3° Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. Relativamente ao mérito do lançamento, considerando que os pedidos de compensação foram protocolados em 23/06/2004, a DRJ afirma que se trata de multa isolada calculada sobre compensação nãohomologada tida como indevida. Não se fala aqui da nova classificação trazida pela Lei n” 11.051, de 2004, a qual introduz o conceito de compensação não declarada, caso em que também incide a multa isolada, mas sob outro prisma. ` A distinção é relevante, segundo a DRJ, pois a partir de 30/12/2003, data da publicação da Lei n° 10.833, de 29/12/2003, a qual altera o art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996 e Fl. 152DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10735.002120/200523 Acórdão n.º 3403003.536 S3C4T3 Fl. 10 5 altera o art. 90 da MP n° 2.15835, de 2001, até o início da vigência da mencionada Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004, fica claro que nos débitos compensados dentro desse período (caso presente), e que viessem a ser nãohomologados por indevida a compensação, já incidia a multa exigida isoladamente sobre o montante do débito indevidamente compensado. Assim, de acordo com a DRJ, a lei expressamente autoriza e determina constituição de crédito tributário pelo lançamento de oficio, na forma de multa isolada, no percentual de 150 %, quando o contribuinte presta declaração de compensação indevida (art. 90 da M1” 2.15835/2001, combinado com art. 18, “caput”e parágrafo 2° da Lei 10.833/2003, e arts. 43 e 44 da Lei 9.430/1996). Assim, diversamente do alegado pela Recorrente, a DRJ decide que se aplica o percentual de 150%, uma vez que o crédito utilizado pela Recorrente seria de natureza não tributária, e que o Ato Declaratório n 17/2002 dispõe sobre a aplicação do percentual contido no inciso II, do artigo 44 da Lei n 9.430/1996, nas hipóteses que especifica, dentre elas a compensação com crédito de natureza não tributária. A DRJ completa seu raciocínio afirmando que mesmo que não existisse o Ato Declaratório aludido, ainda assim aplicarseia a multa qualificada, pois o intuito doloso da Recorrente seria evidente, uma vez que a legislação expressamente relaciona os créditos e débitos passíveis de compensação. A Recorrente apresentou tempestivamente Recuso Voluntário, em que reitera o conteúdo de sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento. A Recorrente se insurge contra a aplicação da multa isolada em razão da compensação por ela realizada com debêntures da Eletrobrás, que, ao final não foi homologada, dando ensejo a lavratura de auto de infração para formalização da multa isolada prevista no artigo 18 da Lei n 10.833/2003, interpretado em conjunto com o artigo 74 da Lei n 9.430/1996, e com os artigos 71 e 72 da Lei n 4.502/1964. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 6 Em razão do disposto no Ato Declaratório Interpretativo n 17/2002, e considerando que a Recorrente utilizouse de suposto crédito de natureza não tributária, a multa isolada foi aplicada no percentual de 150%: Ato Declaratório Interpretativo n” 17/2002 Artigo único. Os lançamentos de ofício relativos a pedidos ou declarações de compensação indevidos sujeitarseão à multa de que trata o inciso II do art. 44 da Lei ni' 9.430, de 27 de dezembro de 1996, por caracterizarem evidente intuito de fraude, nas hipóteses em que o crédito oferecido à compensação seja: 1 de natureza nãotributária; 11 inexistente de fato; 111 não passível de compensação por expressa disposição de lei,' IV baseado em documentação falsa. Parágrafo único. O disposto nos incisos I a III deste artigo não se aplica às hipóteses em que o pedido ou a declaração tenha sido apresentado com base em decisão judicial. Ademais, restou indicado no Auto de Infração a aplicação do disposto nos artigos 71 e 72 da Lei n 4.502/1964, com fundamento complementar para a aplicação da multa qualificada, conforme segue: Art. 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10735.002120/200523 Acórdão n.º 3403003.536 S3C4T3 Fl. 11 7 A Recorrente contraria os fundamentos utilizados pela Autoridade Fazendária, argumentando que à época dos fatos, em 23 de junho de 2004, o artigo 18 da Lei n 10.833/2003 ainda não havia sido alterado pela Lei n 11.051, de 29 de dezembro de 2004, que previu a denominada compensação não declarada. Defende a Recorrente que a proibição da compensação apenas foi veiculada pela Lei n 11.051/2004, sendo que anteriormente não havia fundamento legal para a aplicação da multa isolada e sequer para a afirmação de que a compensação com créditos não tributários estaria vedada, sobretudo porque seu pedido foi realizado com base na Instrução Normativa n 210/2002. Pois bem. O artigo 18 da Lei n 10.833/2003, à época dos fatos, já previa a aplicação de multa isolada, conforme a redação do dispositivo expressamente transcrita pela Recorrente às fls. 48 dos presentes autos (fls. 47 do processo físico): Art. 18. O lançamento de oflcio de que trata o art. 90 da Medida Provisória ng 2.15835. de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502. de 30 de novembro de 1964. Dessa forma, havia sim previsão para a aplicação de multa isolada, em hipótese de compensação indevida, incidindo unicamente nos casos do crédito ou débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária ou em que ficar caracterizada a prática das infração previstas nos artigos 71 a 73 da Lei n 4.502/1964. No presente caso, a redação constante no artigo 74 da Lei n 9.430/1996 expressamente tratava sobre a compensação administrativa, a ser realizada com crédito tributário apurado pelo sujeito passivo com débitos tributários de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. Ademais, conforme restou decidido no processo administrativo apenso, o crédito utilizado pela Recorrente debêntures da Eletrobrás não possui natureza tributária, sendo, aliás, de conhecimento geral, os obstáculos legais para a compensação desse tipo de título, negociado em mercado informar por preço muito inferior ao seu valor de face pelas mesmas razões ora tratadas. Desse modo, podese concluir que estão presentes, pelo menos, dois dos três pressupostos não cumulativos que ensejam a aplicação da multa isolada prevista no artigo 18 da Lei n 10.833/2003, motivo pelo qual sua exigência se apresenta legítima. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 8 Resta, pois, analisar se deve ser aplicada a multa isolada no percentual de 75% ou de 150%, este último aplicado no presente caso, com suposto fundamento no Ato Declaratório Interpretativo n 17/2002, e nos artigos 71 e 72 da Lei n 4.502/1964, acima transcritos. Inicialmente, não posso deixar de ressaltar que, em razão de anterior previsão legal, resta indubitável o caráter de infração constante no procedimento adotado pela Recorrente, que se utilizou de créditos de debêntures da Eletrobrás para realizar compensação tributária. Contudo, a Recorrente, além de ter formulado pedido de compensação, expressamente declarado à Receita Federal, não alterou as características dos denominados fatos geradores cujos débitos foram contrapostos aos seus supostos créditos no procedimento de compensação. Em outras palavras, a Recorrente, em nenhum momento, praticou sonegação, pois não agiu deliberadamente para impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, sua natureza ou circunstâncias materiais, nem de sua condição de contribuinte ou do crédito tributário correspondente. De igual modo, a Recorrente também não agiu para impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador, nem para excluir as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Não! A Recorrente, de início, apurou débitos dos tributos por ela devidos, e depois, sendo detentora de um direito de crédito, efetuou a compensação tributária, crendo estar agindo em conformidade com a legislação, não tendo, dessa forma, se subsumido às hipóteses de sonegação ou fraude. Por outro lado, importa observar que seria necessário que a Autoridade Fazendária expressamente enquadrasse a conduta da Recorrente em uma das hipóteses dos artigos 71 e 72 da Lei n 4.502/1964, e não os indicasse genericamente, utilizando, como fundamento, para tanto, Ato Declaratório Interpretativo n 17/2002, que, nesse ponto, se distancia da Lei, posto que a conduta praticada pela Recorrente, ainda que utilizando crédito não tributário, não denota fraude. Dessa forma, julgo parcialmente procedente o Recurso Voluntário, para manter a aplicação da multa isolada na hipótese de compensação indevida, mas reduzila ao percentual de 75%, eis que a conduta praticada pela Recorrente não se enquadra, de nenhuma maneira, nos artigos 71 e 72 da Lei n 4.502/1964. É como voto. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Fl. 156DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10735.002120/200523 Acórdão n.º 3403003.536 S3C4T3 Fl. 12 9 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA
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Numero do processo: 15504.721726/2013-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
I) DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL:
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR). DESACORDO COM A LEI. INCIDÊNCIA.
A parcela paga aos empregados a título de participação nos lucros ou resultados, em desacordo com as diretrizes fixadas pela legislação pertinente, integra o salário de contribuição.
ESTÁGIO. DESCARACTERIZAÇÃO. NECESSIDADE. ÔNUS DO FISCO. AUSÊNCIA DEMONSTRAÇÃO DO FATO GERADOR.
O Fisco tem o ônus-dever de demonstrar a efetiva ocorrência do fato gerador das contribuições lançadas. No presente caso, em se tratando de descaracterização de serviços prestados mediante estagiários, deve o relatório fiscal conter toda a fundamentação de fato e de direito que possa permitir ao sujeito passivo exercer o seu direito à ampla defesa e ao contraditório. Logo, caberia ao Fisco a demonstração do fato gerador, o que não aconteceu.
ALUGUEL. INCIDÊNCIA PREVIDENCIÁRIA.
O pagamento de aluguéis só estará excluído da base de cálculo quando fornecido pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada.
RESPONSABILIDADE PELO PAGAMENTO DO TRIBUTO. ESTABELECIDA NO CTN.
Avenças particulares não podem ser opostas ao Fisco com o escopo de afastar a responsabilidade tributária prevista em lei.
VALE COMBUSTÍVEL HABITUAL. NÃO COMPROVAÇÃO DESPESA EM PROVEITO DO EMPREGADOR. INCIDÊNCIA PREVIDENCIÁRIA.
O valor concedido ao empregado a título de vale combustível, de forma habitual e sem a comprovação de utilização do veículo em serviço a proveito do empregador, deverá compor a base de cálculo da contribuição previdenciária.
REEMBOLSO ÓCULOS E AUXÍLIO FARMÁCIA. INCIDÊNCIA PREVIDENCIÁRIA.
O reembolso óculos e auxílio farmácia somente estarão excluídos da tributação se oferecidos a empregados de toda a empresa, não bastando que o benefício se estenda a empregados de um único estabelecimento.
GRUPO 1. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. OCORRÊNCIA FÁTICA. VERIFICADA EM PARTE.
Quando o Fisco constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as características de segurado empregado, previstas na Legislação, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar seu correto enquadramento. Os segurados preenchem os requisitos do art. 12, inciso I, alínea a, da Lei 8.212/1991.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. SIMULAÇÃO.
O lançamento é efetuado de oficio pelo Fisco quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em beneficio daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação.
ASPECTOS SUBJETIVOS. DOLO OU CULPA. NÃO ANALISADOS.
Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade pela obrigações tributárias independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.
CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. ARRECADAÇÃO.
A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais deve seguir os mesmos critérios estabelecidos para as contribuições Previdenciárias (art. 3°, § 3° da Lei 11.457/2007).
VALORES RECOLHIDOS PELO TOMADOR. RETENÇÃO TRIBUTOS FEDERAIS (IRRF, PIS, COFINS E CSLL). IMPOSSIBILIDADE DESCONTAR DOS VALORES APURADOS PELO FISCO.
Os tributos federais retidos na nota fiscal pelo tomador, conforme o regime de contratação de serviços, não poderão ser descontados dos valores apurados pelo Fisco no tomador de serviços, pois se trata de sujeitos passivos distintos o valor apurado pelo Fisco e o destino dos recolhimentos efetuados.
GRUPO 2. LANÇAMENTO. OCORRÊNCIA DA FALTA DE CLAREZA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DOS REQUISITOS DA RELAÇÃO EMPREGATÍCIA.
O Fisco deve lançar a obrigação tributária com a discriminação clara e precisa dos seus dos motivos fáticos, sob pena de cerceamento de defesa e de não caracterização da relação empregatícia.
MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR.
O lançamento reporta-se à data de ocorrência do fato gerador e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada.
II) DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA:
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. FOLHA PAGAMENTO. DESACORDO LEGISLAÇÃO.
É devida a autuação da empresa que deixar de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo Fisco.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.595
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso voluntário nos seguintes termos: a) por unanimidade de votos, em manter os valores lançados a título de PLR, a título de aluguel residencial pago ao Sr. Jean Joseph Marie Bouckaer, a título de vale-combustível e reembolso de óculos e auxílio-farmácia; b) por unanimidade de votos, em excluir os valores lançados a título de bolsa-estágio; c) por maioria de votos, em excluir os valores correspondentes aos prestadores de serviços agrupados pelo relator no grupo 2, vencida a Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis que negava provimento e os conselheiros Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões que entenderam ser o caso de aplicação do artigo 129 da Lei 11.196/2005. O conselheiro Julio César Vieira Gomes acompanhou o relator pelas conclusões; e d) por maioria de votos, em não acolher a dedução dos tributos retidos na fonte, vencidos os conselheiros Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 59; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2338; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.721726/201317 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402004.595 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 11 de fevereiro de 2015 Matéria SALÁRIO INDIRETO, PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS (PLR) E CARACTERIZAÇÃO SEGURADOS EMPREGADOS Recorrente LEME ENGENHARIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 I) DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR). DESACORDO COM A LEI. INCIDÊNCIA. A parcela paga aos empregados a título de participação nos lucros ou resultados, em desacordo com as diretrizes fixadas pela legislação pertinente, integra o salário de contribuição. ESTÁGIO. DESCARACTERIZAÇÃO. NECESSIDADE. ÔNUS DO FISCO. AUSÊNCIA DEMONSTRAÇÃO DO FATO GERADOR. O Fisco tem o ônusdever de demonstrar a efetiva ocorrência do fato gerador das contribuições lançadas. No presente caso, em se tratando de descaracterização de serviços prestados mediante estagiários, deve o relatório fiscal conter toda a fundamentação de fato e de direito que possa permitir ao sujeito passivo exercer o seu direito à ampla defesa e ao contraditório. Logo, caberia ao Fisco a demonstração do fato gerador, o que não aconteceu. ALUGUEL. INCIDÊNCIA PREVIDENCIÁRIA. O pagamento de aluguéis só estará excluído da base de cálculo quando fornecido pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada. RESPONSABILIDADE PELO PAGAMENTO DO TRIBUTO. ESTABELECIDA NO CTN. Avenças particulares não podem ser opostas ao Fisco com o escopo de afastar a responsabilidade tributária prevista em lei. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 17 26 /2 01 3- 17 Fl. 19925DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 VALE COMBUSTÍVEL HABITUAL. NÃO COMPROVAÇÃO DESPESA EM PROVEITO DO EMPREGADOR. INCIDÊNCIA PREVIDENCIÁRIA. O valor concedido ao empregado a título de “vale combustível”, de forma habitual e sem a comprovação de utilização do veículo em serviço a proveito do empregador, deverá compor a base de cálculo da contribuição previdenciária. REEMBOLSO ÓCULOS E AUXÍLIO FARMÁCIA. INCIDÊNCIA PREVIDENCIÁRIA. O reembolso óculos e auxílio farmácia somente estarão excluídos da tributação se oferecidos a empregados de toda a empresa, não bastando que o benefício se estenda a empregados de um único estabelecimento. GRUPO 1. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. OCORRÊNCIA FÁTICA. VERIFICADA EM PARTE. Quando o Fisco constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as características de segurado empregado, previstas na Legislação, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar seu correto enquadramento. Os segurados preenchem os requisitos do art. 12, inciso I, alínea “a”, da Lei 8.212/1991. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. SIMULAÇÃO. O lançamento é efetuado de oficio pelo Fisco quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em beneficio daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação. ASPECTOS SUBJETIVOS. DOLO OU CULPA. NÃO ANALISADOS. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade pela obrigações tributárias independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. ARRECADAÇÃO. A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais deve seguir os mesmos critérios estabelecidos para as contribuições Previdenciárias (art. 3°, § 3° da Lei 11.457/2007). VALORES RECOLHIDOS PELO TOMADOR. RETENÇÃO TRIBUTOS FEDERAIS (IRRF, PIS, COFINS E CSLL). IMPOSSIBILIDADE DESCONTAR DOS VALORES APURADOS PELO FISCO. Os tributos federais retidos na nota fiscal pelo tomador, conforme o regime de contratação de serviços, não poderão ser descontados dos valores apurados pelo Fisco no tomador de serviços, pois se trata de sujeitos passivos distintos o valor apurado pelo Fisco e o destino dos recolhimentos efetuados. GRUPO 2. LANÇAMENTO. OCORRÊNCIA DA FALTA DE CLAREZA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DOS REQUISITOS DA RELAÇÃO EMPREGATÍCIA. O Fisco deve lançar a obrigação tributária com a discriminação clara e precisa dos seus dos motivos fáticos, sob pena de cerceamento de defesa e de não caracterização da relação empregatícia. Fl. 19926DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721726/201317 Acórdão n.º 2402004.595 S2C4T2 Fl. 3 3 MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. II) DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA: OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. FOLHA PAGAMENTO. DESACORDO LEGISLAÇÃO. É devida a autuação da empresa que deixar de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo Fisco. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso voluntário nos seguintes termos: a) por unanimidade de votos, em manter os valores lançados a título de PLR, a título de aluguel residencial pago ao Sr. Jean Joseph Marie Bouckaer, a título de valecombustível e reembolso de óculos e auxíliofarmácia; b) por unanimidade de votos, em excluir os valores lançados a título de bolsaestágio; c) por maioria de votos, em excluir os valores correspondentes aos prestadores de serviços agrupados pelo relator no grupo 2, vencida a Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis que negava provimento e os conselheiros Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões que entenderam ser o caso de aplicação do artigo 129 da Lei 11.196/2005. O conselheiro Julio César Vieira Gomes acompanhou o relator pelas conclusões; e d) por maioria de votos, em não acolher a dedução dos tributos retidos na fonte, vencidos os conselheiros Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Julio César Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Fl. 19927DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, concernentes à parcela patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT) e as contribuições destinadas a outras Entidades/Terceiros, para as competências 01/2009 a 12/2009. Também há o lançamento pelo descumprimento de obrigação acessória, que consiste em deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela legislação previdenciária. O Relatório Fiscal informa que os fatos geradores decorrem das remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados, oriundos dos seguintes fatos: 1. aluguéis residenciais do apartamento à rua Paulo Camil Pena, 585, Belvedere, Belo Horizonte/MG, cedido para moradia do empregado Jean Joseph Marie Bouckaert, contratado para atuar na matriz em Belo Horizonte, onde se deu sua admissão; 2. cartão ecx combustível, em valores fixos, fornecidos no período 01/2008 a 01/2009, a Dejair Soares Porto e Carlos Roberto de Oliveira; 3. Participação nos Lucros e Resultados (PLR) a empregados em desacordo com a Lei 10.101/2000; 4. despesas de farmácia e reembolso óculos pagos apenas a empregados da filial Florianópolis; 5. bolsas de estágio pagas sem o termo de compromisso no mês de competência da prestação de serviços; 6. valores pagos a pessoas físicas que prestaram serviços à empresa com todos os requisitos da figura do segurado empregado, porém, indevidamente tidos como segurados contribuintes empresários de pretensas pessoas jurídicas contratadas. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 08/03/2013 (fls. 01). A autuada apresentou impugnação tempestiva, alegando, em síntese, que: 1. Ilegalidade na caracterização como empregados da impugnante, dos sócios das empresas contratadas. Fl. 19928DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721726/201317 Acórdão n.º 2402004.595 S2C4T2 Fl. 4 5 2. Ofensa ao regime de tributação instituído pelo art. 129 da Lei 11.196/2005. O lançamento contraria o art. 50 do Código Civil de duas formas: Primeiro, porque inexiste no caso autorização legal para que a própria autoridade administrativa, à margem do processo judicial, proceda à desconsideração da personalidade jurídica das contratadas. Segundo, porque a responsabilidade pelas obrigações decorrentes da desconsideração da personalidade jurídica é dos sócios da pessoa jurídica desconsiderada. Transcreve o art. 150, §1º, inciso II e §2º, incisos I e II do RIR/99, concluindo que essa legislação, anterior ao art. 129 da Lei 11.196/2005, impedia a constituição de uma sociedade com o fim de atrair as normas de tributação da pessoa jurídica a uma pessoa física que prestasse serviços de engenheiros ou assemelhados com os caracteres de uma relação personalíssima. Ademais, o lançamento fere o art. 129 da Lei 11.196/2005, que alterando a legislação anterior, trouxe novo regime de tributação definido em razão da natureza do serviço prestado, e não mais em razão do caráter personalíssimo ou da relação existentes entre seu sócio e terceiros. A nova ordem jurídica teria impedido a desconsideração da personalidade jurídica para fins de aplicar normas tributárias pertinentes à pessoa física, na medida em que ela própria atribui a essas sociedades o regime de tributação de pessoas jurídicas unicamente em razão da natureza do serviço prestado, sendo irrelevante o caráter personalíssimo e demais características existentes na relação entre seu sócio e terceiros. Não se trata, pois, de simulação de sociedades com o intuito de encobrir uma relação de emprego. A partir da Lei 11.196/2005, constituída a sociedade para a prestação de serviços técnicos, a lei determina a incidência da legislação aplicável às pessoas jurídicas; 3. Ilegalidade da utilização da aferição indireta sem a presença dos pressupostos autorizadores. Outra ilegalidade que acomete o lançamento foi de, sem que estivessem presentes os pressupostos legais do arbitramento (art. 148 do CTN e art. 33, §6º da Lei 8.212/91), utilizar o método da aferição indireta para apurar os valores da remuneração paga ao prestador de serviços em caráter pessoal: presumiuse que todos os valores pagos pela impugnante às sociedades contratadas foram direcionados integralmente ao sócio. Cita doutrina de Mizabel Derzi e Sacha Calmon sobre a excepcionalidade da adoção do procedimento do arbitramento, que só pode ser utilizado se esgotadas as possibilidades de reconstrução da verdade material. No caso concreto, não foi realizada qualquer medida para verificar quanto dos valores pagos pela impugnante constituiu remuneração do sócio apontado como prestador de serviço em caráter pessoal, de forma a segregálo dos valores direcionados aos outros sócios da contratada. Não é razoável supor que todo o valor pago foi todo direcionado ao sócio prestador dos serviços porque seria afirmar que o outro sócio nada recebeu, o que significa a presunção de uma nulidade do contrato de constituição da sociedade desconsiderada, que não foi sequer levantada, muito menos comprovada. Logo, presunção desconectada da realidade, Fl. 19929DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 desarrazoada, contraria o que comumente ocorre e o que determina o art. 1.008 do Código Civil. Conclui que a apuração da base de cálculo destoa dos parâmetros do art. 148 do CTN e do art. 33 da Lei 8.212/91; 4. Nulidade por ausência de fundamentação legal para a aferição indireta. O lançamento contém vicio de motivação legal a demandar sua anulação uma vez que não constou do anexo “fundamentos legais do débito” os §§ 3º e 6º do art. 33 da Lei 8.212/91. Cita jurisprudência administrativa; 5. Equívoco na composição da base de cálculo. Necessidade de exclusão dos valores de tributos retidos nas notas fiscais. A base de cálculo não poderia ser fixada no valor integral das notas fiscais de serviços. Partindose da premissa de que a desconsideração é válida, o correto seria apurar os lucros distribuídos aos sócios das pessoas jurídicas desconsideradas e a tributação como salário apenas de parte desses valores, ou seja, o que a pessoa física do sócio recebeu como remuneração pela prestação laboral. Assim, seria necessário, no mínimo, que fosse abatido o montante da carga tributária suportada pelas pessoas jurídicas desconsideradas, de modo a alcançar valores mais próximos do salário de contribuição. Neste contexto e considerando que as notas fiscais de prestação de serviço sofrem retenções na fonte, impõese, subsidiariamente, a redução da base de cálculo apurada para que dela sejam excluídos os tributos retidos na nota fiscal, quais sejam IR, CSLL, PIS e CONFINS. Logo, ainda que se pretendesse utilizar o valor das notas fiscais para apurar o salário de contribuição este nunca poderia ser o montante bruto da nota, eis que as retenções na fonte realizadas pela impugnante reduzem a remuneração paga à pessoa jurídica contratada, diminuindo a base de cálculo previdenciária; 6. Inexistência de simulação e vínculo empregatício. Da atividade da impugnante e característica dos serviços por ela tomados. O falso cenário apresentado pelo lançamento. As contratações debatidas ocorrem em um cenário em que a impugnante é uma empresa tem por atividade fim desenvolvimento de trabalhos técnicos relacionados à engenharia para usinas de energia elétrica e infraestrutura, que consiste na elaboração de projetos completos de engenharia relativos a essas obras. Dada a magnitude e complexidade dessa atividade fim, a impugnante necessita de mãodeobra de diversas especialidades. A demanda por determinadas capacidades e especializações técnicas é, porém, variável em função da especificidade de cada obra. Logo, não há necessidade manter em seu quadro de empregados as mais diversas especialidades, que nem sempre serão utilizados nos projetos em que a empresa está envolvida. São profissionais que autuam nos mais variados projetos desenvolvidos por diversas empresas e se lançam no mercado por meio de sociedades profissionais regularmente constituídas que são contratadas quando forem necessárias a determinado projeto. Esse cenário afasta o contexto apresentado no lançamento fiscal, de contratos de emprego por meio de simulação de contratos com pessoas jurídicas. Pelo número de empregados da impugnante devidamente declarados em RAIS e GFIP (doc. 05) nota Fl. 19930DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721726/201317 Acórdão n.º 2402004.595 S2C4T2 Fl. 5 7 se que os sócios das empresas contratadas correspondem apenas a 10% do total de empregados. A contratação de pessoas jurídicas de profissionais especializados não é regra, se dá em razão de necessidades momentâneas da impugnante. A presença isolada da onerosidade e a não eventualidade nos contratos não é suficiente para configurar a relação de emprego. São características comuns a quase a totalidade dos contratos típicos do direito privado. Quanto aos demais requisitos da relação de emprego, não se encontram presentes; 7. Inexistência de subordinação. A subordinação que caracteriza o contrato de emprego é a subordinação sobre como fazer, como realizar o trabalho, por meio do qual o empregador controla e dirige qual técnica será utilizada e como será utilizada. Transcreve jurisprudência. Não se pode confundir a subordinação do empregado ao poder diretivo do empregador com a subordinação das partes ao contrato celebrado, próprio do contrato civil de prestação de serviços. A subordinação presente no contrato civil se apresenta como vinculação das partes às obrigações do contrato, em razão o princípio pacta sunt servanda. O tomador dos serviços, por exemplo, é obrigado a respeitar os prazos e não exigir a conclusão dos trabalhos antes do prazo, é obrigado a realizar o pagamento do preço do contrato. Enquanto que o prestador deve concluílo no prazo, respeitar os limites de despesas reembolsáveis, cobrar pelas horas efetivamente trabalhadas e ter como diretriz a obra para a qual seu trabalho se destina. Porém, o desenvolvimento das atividades é realizado com independência e autonomia técnica, ou seja, sem subordinação do prestador ao tomador. Na área de engenharia é isso que ocorre: o prestador se obriga a entregar os trabalhos técnicos contratados (planta, laudo, etc.) sem que tais trabalhos tenham sido desenvolvidos com a ingerência técnica do contratante. Enquanto na relação de emprego há subordinação técnica de como realizar o trabalho, na relação de prestação de serviços a técnica é de aplicação exclusiva e independente do prestador. Assim, não se pode confundir a obrigação do prestador de se submeter a controle de prazos e financeiros do tomador (por exemplo, medição de horas de serviços, atenção para características da obra para a qual se destina o trabalho técnico) com a subordinação técnica de como fazer o trabalho. A Leme não tem nenhuma ingerência sobre a aplicação dos conhecimentos técnicos por parte dos profissionais que integram as pessoas jurídicas que contrata, apenas exige que atentem para as características da obra e o escopo do projeto. A Lei 5.194/66, que regula a profissão de engenheiro, determina que esses profissionais tenham autonomia e independência na elaboração de projetos. Transcreve os arts. 18 e parágrafo único, 19 e 20, parágrafo único da citada Lei. No caso dos autos, é incontroverso que os trabalhos deveriam ser realizados de forma pessoal pelo profissional motivo pelo qual não se revela possível que outro profissional tenha assumido os projetos. Conclui se que, por determinação legal, esses profissionais assumem a responsabilidade exclusiva pelo projeto, o que inviabiliza a ingerência técnica da Leme sobre os projetos por eles elaborados. Logo, Fl. 19931DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 impossível caracterizar, diante da pessoalidade da prestação e da responsabilidade exclusiva pelo projeto, qualquer ingerência técnica da Leme Engenharia, o que descaracteriza a presença de subordinação. O trabalho pessoal do sócio é elemento característico das sociedades destinadas à prestação de serviços intelectuais de forma pessoal pelos sócios e não uma razão para desconsideração de sua personalidade jurídica. Os serviços constantes do lançamento são técnicos de engenharia ou relacionados à engenharia. Logo, nítido o caráter intelectual dos mesmos. Em assim sendo, o art. 966, parágrafo único do CC exclui o caráter empresarial da sociedade. Não sendo empresária a sociedade organiza os fatores de produção para exercer sua atividade, dentre eles a mãodeobra, pois esta organização é característica de uma sociedade empresária (CC art. 982); 8. Da variabilidade e descontinuidade dos pagamentos realizados pela impugnante: descaracterização da relação de emprego. A considerável variabilidade dos valores pagos mensalmente pela execução dos contratos, demonstrada através de planilhas anexas à defesa (doc. 06) comprovam que a impugnante celebra legítimos contratos civis de prestação de serviços e apontam para a validade e legitimidade dos mesmos, impedindo sua desconsideração para fins de tributar uma suposta relação de emprego. Tal variação afasta a pretensão de classificar como empregados as pessoas jurídicas contratadas uma vez que, em contrato de emprego, a remuneração é a mesma em todos os meses trabalhados, pois paga pelo tempo que o empregado fica à disposição do empregador e que a jornada de trabalho é definida, a teor do art. 74 da CLT. No caso dos autos, as pessoas jurídicas contratadas trabalham o tempo necessário para cumprir o contrato celebrado e entregar o trabalho técnico no prazo avençado. Esta é a razão dos valores mensais pela execução do contrato serem extremamente variáveis: não existe tempo certo pelo qual as pessoas envolvidas na execução do contrato ficavam à disposição da impugnante. Em muitos casos a remuneração sofre diminuição de um mês para outro, principalmente nos últimos pagamentos realizados, o que é incompatível com o já citado artigo da Constituição Federal. A explicação é que os pagamentos não se dão em função da disponibilidade, mas das horas efetivamente gastas na execução do contrato. O contrato se dá para a execução de um contrato com autonomia e independência e não na remuneração pelo tempo à disposição do contratante. Ademais os anexos CE2008 e CV 2009 demonstram que na grande maioria dos casos não há emissão de notas fiscais em todos os meses e verificase emissão de mais de uma nota fiscal no mesmo mês com valores distintos. O pagamento agrupado por sociedade contratada permite ainda visualizar o total equivoco ao afirmar a suposta não eventualidade.Cita exemplos. De qualquer forma, tratandose de contratos para desempenho de trabalhos técnicos não há impedimento para que os pagamentos sejam feitos mensalmente de maneira uniforme. Os contratos que tenham por objeto a entrega de trabalho técnico de engenharia (desenho, laudo, projeto, etc) para que seja integrado pela impugnante a um projeto maior que deve entregar a seu cliente configurase como contrato de empreitada que, geralmente, é fechado a preço global, Fl. 19932DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721726/201317 Acórdão n.º 2402004.595 S2C4T2 Fl. 6 9 pratica não vedada em lei. Assim, não descaracteriza o contrato o fato de o preço ser pago de forma parcelada durante a execução do trabalho, inexistindo motivo para desconsideração do contrato de prestação de serviço pela uniformidade dos pagamentos ao longo do contrato; 9. Distinção entre os objetos dos contratos da Leme com seus clientes e aqueles celebrados pela Leme com as sociedades contratadas. As sociedades contratadas não desempenham a atividade fim da Leme uma vez que esta é contratada por suas clientes para desenvolver e entregar um projeto completo de obras nos ramos de energia elétrica e infraestrutura. O objeto contratado é amplo, abrangendo diversos aspectos da engenharia, não podendo ser desenvolvido por uma única equipe. É um trabalho técnico complexo, abrangendo várias áreas de conhecimento e demandando atividades diversas, porém, integradas. Pelos objetos dos contratos celebrados com as sociedades contratadas notase que inexiste uma coincidência de objeto, ou seja, o contrato da Leme com suas clientes é mais abrangente e não se confunde com o contrato dessas sociedades prestadoras de serviços, que desenvolvem tarefas técnicas específicas, com autonomia e independência, visando sua integração ao projeto maior contratado junto a Leme pelos seus clientes. Equívoco de tentar enquadrar as sociedades na estrutura da Impugnante. Os cargos constantes do organograma da Leme não são destinados às tarefas contratadas junto às sociedades, pois estas, como visto são tarefas técnicas destinadas a serem utilizadas pela impugnante na elaboração de projetos maiores. As RAIS e GFIP anexas (doc. 05) comprovam que o organograma é preenchido pelos vários empregados que a impugnante tem. O equívoco decorre da suposição de que a impugnante se utiliza exclusivamente de sociedades para exercer suas tarefas, o que se comprovou ser mentira: para trabalhos técnicos específicos, destinados a utilização em projeto, a impugnante contrata sociedades profissionais especializadas e independentes, enquanto que, para o trabalho interno da empresa. realizado pelos cargos constantes do organograma, possui empregados devidamente registrados; 10. A utilização de recursos da conta contábil Participação nos Resultados Geral – Ano anterior não significa pagamentos a empregados. De acordo com os princípios de contabilidade geralmente aceitos, principalmente o da essência sobre a forma, os registros contábeis devem atentar para substancia econômica e não para formas legais. Eventuais pagamentos a prestadores de serviços pessoas jurídicas em razão de bônus de performance calculados com base nos resultados gerados ou mesmo a distribuição de resultados a diretores não empregados constituem economicamente participação nos resultados. E por esta razão foram assim lançados na contabilidade. É equivocada a premissa do lançamento fiscal, de que são empregados os beneficiários dos pagamentos lançados na conta contábil “participação nos resultados” uma vez que, de acordo com a Fl. 19933DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Lei 10.101/2000, apenas empregados recebem tais pagamentos. O registro contábil se dá com atenção ao aspecto econômico e não legal. Exclusão dos valores relativos à participação nos lucros e resultados. Caso não sejam acolhidas as alegações de que a desconsideração da personalidade jurídica das contratadas é nula, ao menos os valores apontados como sendo de pagamento de participação de lucros e resultados aos sócios das contratadas devem ser excluídos da base de cálculo. A Participação nos lucros e resultados são desvinculados da remuneração e sobre eles não incidem contribuições previdenciárias, pois os pagamentos respeitaram os termos da Lei 10.101/2000, conforme o exposto no item específico de pagamento de PLR a empregados; 11. PLR a empregados. O fato de o Acordo Coletivo ter sido formalizado posteriormente ao exercício do pagamento da PLR não atrai a incidência de contribuição previdenciária porque a Lei 10.101/2000 só usa o ano civil como parâmetro da periodicidade da remuneração, não demandando acordo prévio. Cita decisão do CARF. A Lei 10.101/2000 não determinou quais critérios deveriam ser seguidos na negociação, limitandose a sugerir duas possibilidades no art. 2º §1º, o que é evidenciado pelo uso da expressão “podendo ser consideradas”. Assim, o que caracteriza a PLR é a negociação entre as partes envolvidas, não se exigindo um programa de resultado previamente estipulado, como pretendido no Auto de Infração. No caso da PLR paga aos empregados do escritório de Belo Horizonte, através de Acordo Coletivo, as partes negociaram e consentiram em delegar ao acionista a escolha do montante a ser distribuído, em função dos resultados atingidos no período, dentre os diversos parâmetros previstos no art. 187 da Lei 6.404/76. No caso da PLR paga aos empregados da filial Florianópolis, a fiscalização alega ausência de avaliação de desempenho que justificasse o pagamento da PLR. Entretanto, o Termo Aditivo, cláusula 2ª do Extra Acordo Coletivo de Trabalho 2008/2009 entre a Leme e SENGE/SC, detalhou inclusive o valor a ser distribuído (50% da remuneração do empregado em dezembro de 2008), sua origem, a base e o percentual do pagamento. No mesmo sentido o Termo Aditivo relativo ao ano de 2007. Quanto a filial do Pará, os pagamentos foram feitos com base no acordo celebrado pela matriz. Se a essência do pagamento é a participação nos lucros e resultados, aplicação do acordo da matriz é suficiente para afastar a tributação. Todos os pagamentos obedeceram aos requisitos da Lei, não incidindo contribuição previdenciária. Cita decisão do STJ; 12. Não incidência de contribuição previdenciária sobre valores despendidos a título de aluguel residência ao Sr. Jean Joseph Marie Bouckaer. O Sr. Bouckaert é estrangeiro expatriado da Bélgica, trazido pela empresa para trabalhar no Brasil de acordo com seu programa de mobilidade sumarizado no documento anexo (doc. 08). Tratase, pois, de fornecimento de moradia para estrangeiro não residente no Brasil, essencial para viabilizar seu trabalho em território nacional. Assim, constituise verba indispensável à prestação do serviço, não integra o salário e não sofre tributação. Portando ilegal a inclusão do aluguel na base de cálculo das contribuições devidas, quer Fl. 19934DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721726/201317 Acórdão n.º 2402004.595 S2C4T2 Fl. 7 11 por não constituir remuneração pelo trabalho, quer por ser um pagamento eventual, que perdurou apenas enquanto o trabalhador desenvolveu suas atividades na localidade; 13. Valescombustível em forma de cartão – comprovação das despesas. Os valores fornecidos a empregados referentes a combustíveis, sob a forma de cartões ECX CAD, não sofrem a incidência tributária porque se enquadram como ”ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado”, hipótese excluída de tributação pelo art. 28, §9º, “s” da Lei 8.212/91. Acrescenta que o caso concreto se amolda àquela previsão legal porque as despesas em questão estão devidamente comprovadas através dos extratos de uso emitidos pela empresa fornecedora dos cartões (doc. 08). Os referidos cartões foram devolvidos à empresa (doc. 08) ao término da atuação dos referidos profissionais no projeto localizado em Nova Era/MG, haja vista que com a finalização dos serviços cessouse a ocorrência desses gastos específicos; 14. Não incidência sobre reembolso óculos e auxilio farmácia. O reembolso óculos e auxílio farmácia não sofrem incidência de contribuição por não ter natureza remuneratória, mas nítida natureza assistencial, suprindo necessidades do empregado relacionada à saúde e integridade física as quais, de acordo com a Constituição Federal, deveriam ser satisfeitas pelo Estado, a quem cabe, portanto, estimular as empresas que optem pela concessão de tais benefícios, e não penalizálas, com a imposição de um ônus adicional, como é a sujeição da verba à incidência de contribuições previdenciárias. Conforme comprova o lançamento, as verbas têm o caráter de reembolso, eis que é necessário que a despesa seja incorrida, não bastando o fato de ser empregado para recebêlas. Demonstrada, assim, a natureza assistencial. O fato das verbas serem disponibilizadas apenas para os empregados do estabelecimento de Florianópolis não é suficiente para afastar a aplicação do art. 28, § 9º, “r”, da Lei 8.212/91, pois a expressão “empresa” contida na parte final desse dispositivo legal (“abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa” grifamos) deve ser entendida como “estabelecimento”. Não há sentido em exigir que a parcela abranja todos os estabelecimentos da pessoa jurídica, pois as características regionais podem demandar, a bem do principio da igualdade, a concessão de benefícios para atender apenas as necessidades dos trabalhadores de determinada localidade, que não pode não se reproduzir em todos os estabelecimentos; 15. Não incidência sobre a bolsa de estágio. As relações de estágio para as quais a defesa não apresentou “termo de estágio” podem ser comprovadas através de relatórios e fichas de avaliação anexa à defesa, documentos estes que demonstram tratarse de relação marcada pelo aprendizado, pela compatibilidade entre as atividades desenvolvidas e os estudos do estagiário, bem como pela supervisão e avaliação regulares da empresa. Comprovado que se trata Fl. 19935DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 efetivamente de contrato de estágio e que o processo administrativo fiscal é regido pelo principio da verdade material, não há que se falar em incidência de contribuição previdenciária sobre as bolsas de estágio em foco. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Belo Horizonte/MG – por meio do Acórdão 0246.448 da 6a Turma da DRJ/BHE (fls. 14690/14721) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele foi lavrado com pleno embasamento legal e observância às normas vigentes, não tendo a Defendente apresentado elementos ou fatos que pudessem ilidir a sua lavratura. A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte/MG informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 19936DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721726/201317 Acórdão n.º 2402004.595 S2C4T2 Fl. 8 13 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. I) DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL: A Recorrente alega que a verba paga a título de Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) não deveria integrar o salário de contribuição (base de cálculo), já que cumpriu a legislação de regência. Inicialmente, cumpre esclarecer que – conforme o disposto no art. 28, alínea “j”, § 9º, da Lei 8.212/1991 – é isenta de contribuição previdenciária apenas a verba decorrente de participação nos lucros ou resultados da empresa que fora paga ou creditada de acordo com a lei específica, no caso a Lei 10.101/2000. Lei 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9°. Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com a lei específica; (g.n.) Nesse sentido, a Lei 10.101/2000 estabelece os critérios para o pagamento do PRL e a Lei 8.212/1991 determina que apenas não integra o salário de contribuição a participação nos lucros paga de acordo com o estabelecido na lei específica. Portanto, para não integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária, o pagamento a título de PRL deve seguir o que determina a Lei 10.101/2000: Art. 2º. A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º. Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao Fl. 19937DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Art. 3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado. (...) § 2o. É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Em termos gerais, o pagamento de PLR deve atender cumulativamente aos seguintes requisitos: 1. deve ter sido objeto de negociação entre a empresa e seus empregados. Tal negociação pode ser feita através de acordo celebrado por uma comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria, ou por convenção ou acordo coletivo; 2. os instrumentos de negociação devem conter regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos de participação, como índice de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa e programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente; 3. o instrumento de acordo celebrado deverá ser arquivado na entidade sindical dos trabalhadores; 4. a periodicidade mínima para pagamento deve ser de um semestre e no máximo duas vezes no mesmo ano. Diante do conjunto fático probatório juntado aos autos, faremos uma análise do caso ora evidenciado. Primeiro, verificase que a Recorrente efetuou pagamentos a título de “PLR” aos empregados da filial localizada no Estado do Pará sem qualquer objeto de negociação. Contrapõese a Recorrente argumentando que obedeceu ao estipulado em acordo celebrado pela matriz, nos seguintes termos: “[...] no caso da filial do Pará, os pagamentos foram feitos com base no acordo celebrado pela matriz. É que não seria justo que, na falta de acordo com os sindicatos daquele Estado os trabalhadores daquela filial ficassem sem receber o pagamento apenas por causa da tributação que incide sobre a empresa. Logo, se a essência do pagamento é de participação nos lucros e resultados, a aplicação do acordo pertinente à matriz é suficiente para afastar a tributação [...]” (fls. 47 da primeira peça recursal). Fl. 19938DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721726/201317 Acórdão n.º 2402004.595 S2C4T2 Fl. 9 15 Data vênia, tal argumento não merece prosperar, eis que a Lei 10.101/2000 estabeleceu critérios específicos para o pagamento a título de PRL. Para tanto, a lei expressamente exige que a PLR seja estabelecida mediante negociação, facultando às partes apenas escolher um, dentre dois, procedimento de negociação: comissão paritária ou convenção/acordo coletivo (artigo 2º, caput, da Lei 10.101/2000). Essa negociação é requisito essencial para que um acordo firmado entre empresa e empregados sobre a Participação nos Lucros ou Resultados esteja em conformidade com a Lei específica. Dessa forma, a verba intitulada pela Recorrente de PLR, paga aos segurados empregados da filial do estado do Pará, é flagrantemente uma gratificação atrelada a uma produtividade sem aferição de metas, e, por consectário lógico, configurase como remuneração vinculada ao salário, nos termos do art. 28, inciso I, da Lei 8.212/1991 c/c o artigo 201, §111 da Constituição Federal de 1988. Lei 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Segundo, com relação aos empregados de Belo Horizonte/MG, apesar de existir previsão de pagamento do PLR nos termos do acordo assinado em 29/05/2009 e com pagamento para a competência 06/2009, constatase que o instrumento decorrente da negociação não continha regras claras e objetivas quanto aos mecanismos de aferição para o cumprimento do acordado, conforme os instrumentos de pagamento de PLR apresentados que continha a cláusula: “O montante total a distribuir, definido pelo acionista em função dos resultados atingidos no período, será distribuído proporcionalmente aos salários a todos os trabalhadores”. Esse critério de distribuição dos valores pagos a título de PLR, proporcional ao salário dos trabalhadores, é pautado exclusivamente em aspecto subjetivo e infringe a regra prevista no §1º do art. 2º da Lei 10.101/2000, tendo em vista que esta regra exige a necessidade de regras objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos à pagamento da PLR. É oportuno lembrar que não é a instituição de um plano de pagamento – tal como o previsto em Acordo Coletivo de Trabalho, ou qualquer outro tipo de acordo assinado com os sindicatos –, referente ao pagamento de verbas a títulos de participação nos lucros, que irá lhe retirar o seu caráter remuneratório (art. 123 do CTN). Pelo contrário, é importante a estreita observância à legislação que, neste caso, irá afastála da incidência tributária. 1 Artigo 201, §11, CF/1988: Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. Fl. 19939DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Para os empregados de Belo Horizonte/MG, esses fatos retromencionados são suficientes para demonstrar que a Recorrente descumpriu a legislação pertinente ao pagamento a título de PLR. Nesse caminhar, com relação à data de assinatura do acordo em 29/05/2009 e com pagamento para a competência 06/2009, isso, por si só, não é suficiente para descaracterizar os pagamentos a título de PLR, pois o importante é que o termo de acordo entre as partes ou o acordo coletivo seja assinado antes do pagamento da PLR, que foi o caso dos autos. E alinhome ao entendimento proferido no processo 15504.723899/201108 (sessão de 18/03/2014), Relator: Nereu Miguel Ribeiro Domingues, nos seguintes termos: “[...] a análise do Relatório Fiscal acima emergem claramente os dois pontos que levaram à autuação, quais sejam, (i) o fato do pagamento a título de PLR ter sido efetuado muito antes da formalização do respectivo instrumento e (ii) que não se poderia falar em alcance de metas para 2008 a partir de um instrumento firmado somente em novembro desse mesmo ano. No passado manifesteime em caso praticamente idêntico ao presente, conforme voto de minha relatoria proferido no PAF nº 13896.002986/201047, Acórdão nº 240203.046, Sessão de 15/08/2012, acompanhado por unanimidade por este Colegiado, nos seguintes termos: “Estando o programa de participação de resultado da empresa atrelado à existência de lucro e podendo este ser aferido devidamente ainda que o instrumento de acordo tenha sido formalizado no final do período base da PLR, não há qualquer plausibilidade em se exigir que o instrumento decorrente da negociação coletiva seja firmado e arquivado ´previamente´, tal como sugere o art. 2, inc. II, da Lei nº 8.212/91. Caso assim não se entenda, estarseá criando interpretações restritivas ao arrepio da Lei nº 10.101/00, contribuindo para a instabilidade jurídica do direito constitucional do trabalhador ao recebimento da PLR desvinculada do salário, conforme prevê o art. 7º, inc. XI, da CF/88, haja vista que a referida Lei não prevê qual o prazo para se firmar e arquivar o instrumento decorrente da negociação coletiva. Outrossim, destacase que a única certeza que pode ser extraída da Lei, em relação ao período de formalização do instrumento de negociação, é de que este seja firmado antes do efetivo pagamento da PLR. [...]” (processo 15504.723899/201108) Terceiro, com relação aos empregados da filial Florianópolis/SC, o acordo referente ao exercício de 2008, com pagamento na competência 06/2009, acostados aos autos previa que: “A Leme se propõe a realizar a participação dos empregados nos lucros ou Fl. 19940DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721726/201317 Acórdão n.º 2402004.595 S2C4T2 Fl. 10 17 resultados, relativos ao exercício 2008, utilizando como referência a avaliação de desempenho individual desses a ser realizada conjuntamente pelos gerentes de projetos e diretoria”. Contudo, apesar daquela previsão constar do instrumento de negociação, a Recorrente não demonstrou que tais avaliações foram efetivamente feitas. Isso levou ao Fisco concluir que o pagamento a título de PLR de Florianópolis foi realizado independentemente do alcance de metas ou resultados. Contrapõese a Recorrente argumentando que a empresa adotou as regras previstas no Termo aditivo à clausula 2º do extra acordo coletivo de trabalho 2008/2009 entre Leme e SENGE/SC na qual o pagamento da PLR é extremamente detalhado, constando inclusive o valor a ser distribuído, sua origem, a base e o percentual do pagamento. Esse argumento da Recorrente não será acatado, eis que o teor do extra acordo coletivo de trabalho 2008/2009, acostados aos autos, confirma a tese do Fisco de que a verba intitulada PLR, paga aos empregados de Florianópolis, não dependeu do alcance de metas ou resultados. Para tanto, o acordo previa que o pagamento desse PLR seria concedido ao empregado que contasse com mais de seis meses de trabalho em 31/12/2008 e permanecesse na empresa até 10/06/2009, conforme Cláusula Segunda: “Aos empregados em atividade no decorrer do exercício de 2008, inclusive àqueles com mais de 6 (seis) meses de registro em 31 de Dezembro de 2008, que permanecerem no quadro funcional da Empresa até 10 de junho de 2009, será paga Participação nos Lucros ou Resultados, após a aprovação das demonstrações contábeis daquele exercício pelos sócios estrangeiros”. Logo, o pagamento intitulado de PLR, concedido aos empregados da filial Florianópolis/SC, só dependia do tempo e do período em que o empregado laborou na empresa, não existindo metas ou resultados a serem alcançados. Isso infringe as regras previstas art. 1º e §1º do art. 2º da Lei 10.101/2000, pois, não se caracteriza como “instrumento de integração entre capital e trabalho”, e configura um critério exclusivamente subjetivo. Além disso, o critério de distribuição dos valores pagos a título de PLR era baseado exclusivamente na remuneração dos trabalhadores no mês de dezembro de 2008 (Cláusula quarta do Acordo, fls. 45 da peça recursal), isso configura uma situação subjetiva, e não permitida pelo §1º do art. 2º dessa Lei 10.101/2000. Segue o teor do Termo Aditivo à Cláusula 2a do Extra Acordo Coletivo de Trabalho 2008/2009 entre a Recorrente (Leme) e o SENGE/SC: “CLÁUSULA PRIMEIRA DO OBJETO Este Termo Aditivo tem como objetivo estabelecer as condições e critérios de Participação nos Lucros ou Resultados do Exercício de 2008, conforme Lei 10.101, de 20/12/2000. CLÁUSULA SEGUNDA DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS Aos empregados em atividade no decorrer do exercício de 2008, inclusive àqueles com mais de 6 (seis) meses de registro em 31 de Dezembro de 2008 que permanecerem no quadro funcional da Empresa até 10 de junho de 2009, será paga Participação nos Lucros ou Resultados, após a aprovação das demonstrações contábeis daquele Exercício pelos sócios Fl. 19941DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 18 estrangeiros. Essa distribuição será efetuada conforme Cláusula Quarta abaixo. Parágrafo único Nos termos da legislação vigente, a parcela dos resultados paga ao empregado não terá caráter remuneratório e não gerará encargos de qualquer espécie, exceto a tributação na fonte. CLÁUSULA TERCEIRA DO MONTANTE A SER DISTRIBUÍDO O valor da participação nos resultados que será distribuída será de R$ 203.433,73 (duzentos e três mil, quatrocentos e trinta e três reais e setenta centavos). Parágrafo Primeiro A remuneração que servirá como base de cálculo, será composta exclusivamente do salário base, excetuandose outras rubricas, inclusive décimo terceiro salário, abono ou gratificação de férias e horas extraordinárias. CLÁUSULA QUARTA DA DISTRIBUIÇÃO DOS VALORES O valor a ser distribuído, conforme Cláusula 3a corresponde a 50% da remuneração do empregado em dezembro/2008, utilizando parâmetros definidos na Cláusula 3a, Parágrafo 1° e Cláusula 2a e seu Parágrafo único. CLÁUSULA QUINTA DO CUMPRIMENTO DO EXTRA ACORDO 2008/2009 As condições aqui ajustadas complementam, integralmente, a Cláusula 2a do Extra Acordo Coletivo de Trabalho 2008/2009, tendo validade exclusiva para o exercício de 2008. Diante do exposto (primeiro, segundo e terceiro) – seja pelo descumprimento dos arts. 1º e 2º, caput, da Lei 10.101/2000 (pagamento sem instrumento de negociação), seja pelo descumprimento do §1º do art. 2º dessa Lei (não comprovação de atingimento de metas) –, os valores pagos a título de PLR devem integrar o salário de contribuição, nos termos do artigo 28, inciso I, da Lei 8.212/1991, não estando enquadrados na excludente do § 9o, alínea “j”, deste mesmo artigo, bem como do artigo 214, § 9°, “X” e § 10 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/1999. Com relação à verba paga a título de aluguel residencial ao Sr. Jean Joseph Marie Bouckaer, a Recorrente alega que a incidência é indevida em razão do programa de mobilidade de prazo determinado e também não há configuração do caráter habitual dos pagamentos. Neste particular, razão não assiste à Recorrente. Constatase que a verba paga a título de aluguel foi concedida, mês a mês (janeiro a dezembro de 2009), ao segurado empregado para desenvolver atividades distintas de canteiros de obras ou locais que exijam deslocamento ou estada. A argumentação de que tal verba foi paga para atender o programa de mobilidade não é capaz de afastar a sua natureza de remuneração nem a sua habitualidade, já que, no âmbito tributário, tem regra específica que dispõe sobre a inoponibilidade das convenções privadas contra a entidade lançadora do tributo, nos termos do art.123 do CTN. Fl. 19942DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721726/201317 Acórdão n.º 2402004.595 S2C4T2 Fl. 11 19 Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Evidenciase, então, que o programa de mobilidade firmado pela Recorrente com o trabalhador somente possui efeitos entre as partes, não podendo o Fisco ser compelido a respeitar os seus termos. Assim, a Recorrente é diretamente responsável, perante o Fisco, pelo pagamento dos tributos relativos aos segurados obrigatórios do RGPS que lhe prestaram serviços. Cumpre esclarecer que a relação empregatícia estabelecida pela Recorrente e o segurado empregado, Sr. Jean Joseph Marie Bouckaer, gerente de projeto do sistema elétrico, estrangeiro expatriado da Bélgica, dentro do território brasileiro, está submetida à ordem jurídica nacional, bem como ao seu poder soberano. Dentro dos limites do território brasileiro, a sua jurisdição aplicase a toda a população, a teor do artigo 9 da Convenção de Montevideu sobre os direitos Direitos e Deveres dos Estados, de 1933, que reza que “A jurisdição dos Estados, dentro dos limites do território nacional, aplicase a todos os habitantes”. Desse modo, o estrangeiro, que é o caso do segurado contratado pela Recorrente, está sujeito à lei do Estado onde se encontra, não importando a nacionalidade, o tempo de permanência no território do outro ente estatal ou do caráter da estada, ressalvado o caso em que exista tratado ou convenção internacional específico que preveja algum tipo de imunidade ou de privilégio, fato este não evidenciado nos autos. O STJ, em sede de Recurso Especial, inseriu no conceito de remuneração as despesas de aluguel, considerando o caráter habitual da mesma: TRIBUTÁRIO E PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. VERBAS PAGAS COMO AJUDAS DE CUSTO, AUXÍLIOS, PRÊMIOS E GRATIFICAÇÕES. (...) 3. As verbas pagas ao empregado para auxiliar nas despesas de aluguel, ainda que tenham denominação de auxílio ou de ajuda de custo, não possuem natureza indenizatória, mas salarial, pois são concedidas de forma habitual aos trabalhadores da empresa e, por essa razão, estão inseridas no conceito de remuneração, compondo a base de cálculo da contribuição. Precedente no STJ, EDRESP 440916/SC, DJ dia 28/04/2003, pág. 177. Grifei RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. (...). ALUGUEL. VERBAS PAGAS COM HABITUALIDADE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. (...) 7. Havendo habitualidade no recebimento de ajuda de custo para aluguel, essa parcela deve integrar o salário de contribuição, com a devida incidência de contribuição previdenciária. (REsp 439133/ SC, Rel Min. Denise Arruda 1ª T.DJe 22/09/2008) Fl. 19943DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 20 Ainda, a inclusão de tais verbas na base de cálculo das contribuições previdenciárias se justifica quando analisado o conceito de salário de contribuição (base de cálculo) previsto na Lei 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; Logo, a verba paga a título de aluguel residencial enquadrase na hipótese do art. 28, inciso I, da Lei 8.212/1991, campo de incidência da contribuição social previdenciária. A Recorrente alega que os valores concedidos a título de vale combustível, em forma de cartão ECX CAD, não deverão sofrer a incidência tributária, porque se enquadram como “ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado”. É indiscutível que o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado não deverá ser submetido à incidência da contribuição previdenciária, a teor do art. 28, §9º, alínea “s”, da Lei 8.212/1991, desde que haja a efetiva comprovação desse ressarcimento. No caso dos autos, não há a comprovação de que os valores foram pagos aos segurados empregados para o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo. Por outro lado, a Recorrente apenas alega o fato, mas não demonstra a sua pretensão. Assim, não basta a comprovação da realização de despesa, como pretende a Recorrente. É necessário que reste comprovada a natureza de “ressarcimento” da verba. A Recorrente não demonstrou que os valores pagos a título de vale combustível se destinavam as despesas eventuais que o empregado teve na utilização do veículo para a execução de serviços externos relacionados aos assuntos da empresa, que o veículo estava sendo utilizado na prestação de serviços a interesse do empregador. Por sua vez, o Fisco encontrou informações, nos dados fornecidos pela Recorrente, de que a verba se destinava a compor a remuneração do empregado, nos seguintes termos: Email datado de 11/02/2009, de Tatiana Villefort para Cláudio Maia de Azevedo e Sergio Bagno” “...”. Assunto: ENC: benefícios extras LEME ... Claudio e Sérgio Fl. 19944DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721726/201317 Acórdão n.º 2402004.595 S2C4T2 Fl. 12 21 Em 2008 Dr. Jacintho teve que fazer um reajuste para Carlão e para não impactar e aumentar muito o salário CLT dele,(grifamos) combinamos alguns benefícios extras, (que não são oferecidos para ninguém da LEME...) Salário atual R$ 14.296,50 Combustível R$ 500,00 Estacionamento R$ 150,00 Reembolso R$ 321,00 100% da UNIMED dele e família Alguns ruídos já apareceram de pessoas me questionando esses benefícios, principalmente o de combustível... Acho que a melhor solução seria pegar o valor do combustível + reembolso KM mensal e incorporar isso no salário dele (considerando descontos e demais cálculos para garantir que ele receba líquido o valor de R$ 831,00, manteríamos o estacionamento e a UNIMED da forma como esta!,(grifamos)). Salário 913,19 INSS 82,12 _______________ liquido 831,00 (isso somandose ao salário dele), ainda impactam os descontos abaixo? 1) sobre este valor não cabe desconto de INSS, pois será somado ao salário atual dele, cuja contribuição já corresponde ao teto máximo,(grifamos) 2) desconto de 7% correspondente a contribuição PREVIG 3) como será somado ao meu salário, o valor final, descontados os 7% da PREVIG, sofrerá um desconto de 27,5% correspondente ao IRF da faixa máxima. Assim sendo, pelas minhas contas, o valor correto a ser somado seria de R$ 1217,65. (grifo nosso) Com isso o salário dele iria para R$ 15.515,15;;; ,(grifamos) O que vc acham? podemos mudar? Tenho certeza que o Carlão não achará ruim...”“. Com relação a habitualidade o Fisco demonstrou a reiteração do pagamento, mês a mês, nos seguintes termos: “Cartão Ecx Cad – combustível sem comprovação, cartões disponibilizados aos gerentes Dejair Soares Porto e Carlos Roberto de Oliveira para despesas com uso de veículo próprio, no período de janeiro de 2008 a janeiro de 2009 no valor de 507,50 por mês”. Fl. 19945DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 22 Desse modo, uma vez não comprovado o caráter de ressarcimento ou de indenização das verbas pagas a este título, tais importâncias constituem a base de cálculo das contribuições previdenciárias, a teor do art. 28, inciso I, da Lei 8.212/1991 c/c o artigo 201, §112, da Constituição Federal de 1988. A Recorrente argumenta que o reembolso óculos e auxílio farmácia não sofrem incidência de contribuição por não ter natureza remuneratória, mas nítida natureza assistencial, sendo que o fato das verbas serem disponibilizadas apenas para os empregados do estabelecimento de Florianópolis não é suficiente para afastar a aplicação do art. 28, § 9º, “q”, da Lei 8.212/1991. Afirma ainda que o termo empresa deve ser compreendido como estabelecimento em razão do precedente vinculante consubstanciado na Súmula 351 do STJ. Primeiro, a alegação de que o termo empresa, citado na alínea “q” do § 9º do art. 28 da Lei 8.212/1991, significa estabelecimento, citando na Súmula 351 do STJ, não será acatada, eis que se tratam de conceitos distintos. Além disso, o enunciado da Súmula 351 do STJ não se aplica à espécie em análise, já que o seu conteúdo versa sobre “atividade preponderante” em empresas com mais de um estabelecimento para fins da definição do grau de risco do SAT/GILRAT, o que não é o caso dos autos. Na qualidade de sociedade empresária, que é a Recorrente, a definição de “empresa”, para os fins da alínea “q” do §9º do art. 28 da Lei 8.212/1991, é encontrada no inciso I do art. 15 da citada Lei. Lei 8.212/1991: Art.15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; Segundo, a cobertura do fornecimento de óculos e do auxílio farmácia não abranjeu a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa, sendo concedida somente para os segurados da unidade de Florianópolis. Isso ocasionou o descumprimento da regra prevista no art. 28, § 9º, “q”, da Lei 8.212/1991, já que não incidirá contribuição previdenciária sobre: “o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa”. Dessa maneira, não serão acatadas as alegações da Recorrente, devendo compor a base de cálculo os valores pagos a título de óculos e do auxílio farmácia em desacordo com a legislação previdenciária. No que tange à bolsa de estágio, o Fisco afirma que os valores lançados correspondem às competências sem cobertura de termo de compromisso ou sem contratos de estágios, nos seguinte termos: “[...] 3.4. Levantamento EI ESTAGIO SEM FORMALIDADE LEGAL – ANEXO EI: no que concerne ao estágio, inicialmente 2 Artigo 201, §11, CF/1988: Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. Fl. 19946DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721726/201317 Acórdão n.º 2402004.595 S2C4T2 Fl. 13 23 cabe elucidar que o estagiário é o aluno regularmente matriculado e freqüentando curso em estabelecimento de ensino, no nível superior, profissionalizante de segundo grau ou supletivo, aceito pela empresa para complementação do ensino e da aprendizagem. A impossibilidade da admissão do estagiário sem a celebração do respectivo contrato devidamente homologada pela instituição de ensino esta previsto na legislação de regência a seguir detalhada: (...) A legislação previdenciária determina que se cumpra o disposto na lei acima transcrita, no entanto, foi verificada a existência de estágios sem contratos e conseqüente, interveniência da escola na qual o estudante estava matriculado ou, competências em que o contrato de estágio já havia expirado, o que afronta o dispositivo legal. As situações mencionadas desclassificam a relação de estágio convertendoa em relação de emprego, visto não preencherem o pressupostos definidos na lei. Assim, considerando que a empresa não apresentou alguns contrato de estágio ou os apresentou não acobertando todas as competências em que se deu a relação de trabalho, os valores pagos foram considerados salários de contribuição e base de incidência das contribuições previdenciárias. [...]” A Recorrente alega que os serviços foram prestados com base na lei que rege o regime de estágio, juntando aos autos diversos termos de compromisso, relatórios e fichas de avaliação dos estudantes. Este Conselho determinou diligência fiscal. O Fisco informou que os Termos de Compromisso acostados aos autos foram emitidos após o término do procedimento fiscal e passa discorrer sobre a relação contratual entre a Recorrente e os sócios das pessoas jurídicas que lhe prestaram serviços, nos seguintes termos: “[...] ITEM 2 ao verificarmos os Termos de Compromisso acostados aos autos, constatamos que todos eles foram emitidos após o término do procedimento fiscal que se deu em 01/03/2013, portanto os mesmos não foram analisados pelo fisco. E necessário ressaltar que a alegação da existência de prestação de serviços a outras empresas não foi comprovada pela impugnante e as declarações dos empresários não invalidam a situação fática observada e detalhada no relatório fiscal. [...]” Por sua vez, a Recorrente afirma que: “[...] Apesar de ser evidente a confusão contida no Parecer Fiscal, cumpre salientar, a título exemplificativo, alguns dados dos Termos de Compromisso juntados aos autos e totalmente desconsiderados pela fiscalização: Estagiário Data Termo de Compromisso Assinaturas nos Termos de Compromisso LEME Aluno Insituição de ensino Lucio Vagner Carvalho Neiva 08/09/2008 Sim Sim Sim, CEFET 09/03/2009 Sim Sim Fl. 19947DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 24 Paula Bie Alves 14/07/2009 Sim Sim Sim, Universidade Gama Filho Maira Fortes Bonafe 04/11/2008 Sim Sim Sim.UNB Luana Motta Souza François 28/10/2009 Sim Sim Sim, Sociedade de Ensino Superior Estácio de Sá Carolina De Morais Palhano 17/03/2008 Sim Sim Sim, Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix Extraise do Relatório Fiscal e demais documentos acostados aos autos que o Fisco pautouse, de forma genérica, no fato de que não houve a apresentação dos Termos de compromisso dos estagiários da Recorrente, ou não houve a apresentação de alguns contratos. Entretanto, os autos demonstram que existiam os Termos de compromissos para os estagiários, mesmo que seja a título exemplificativo, conforme tabela acima. Com isso, entendese que o Fisco deixou de configurar os elementos ou os pressupostos da desconsideração dos contratos de estágios. Logo, não estão materializados os elementos (requisitos) suficientes para descaracterizar a relação estagiária entre os estudantes e a Recorrente, já que compete ao Fisco agir em conformidade com o disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), demonstrando a efetiva ocorrência do fato gerador da contribuição, mediante a sua caracterização clara e precisa. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (g.n.) Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. O lançamento fiscal deve ser convincentemente motivado – de forma concisa, clara e congruente –, indicando, com base nos elementos da escrituração contábil ou outros elementos fáticos, a existência da materialidade do lançamento fiscal. O trabalho de auditoria fiscal deverá demonstrar, com clareza e precisão, os motivos da lavratura da exigência tributária. Isso está em consonância com o art. 50 da Lei 9.784/1999, que estabelece a exigência de motivação como condição de validade do ato, bem como §1o do mesmo artigo que exige motivação clara, explícita e congruente. Lei 9.784/1999– diploma que estabelece as regras no âmbito do processo administrativo federal: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; (...) §1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou garantia dos interessados. Fl. 19948DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721726/201317 Acórdão n.º 2402004.595 S2C4T2 Fl. 14 25 Diante dos relatos delineados anteriormente, está claro que faltam requisitos para a existência da presente autuação, requisitos estes que são necessários para o exercício da ampla defesa e do contraditório da Recorrente. Logo, restou prejudicado o direito de defesa da Recorrente, pois foi lhe imputada autuação sem a descrição clara e precisa da motivação fática e jurídica, tornando o lançamento fiscal, referente ao Levantamento EI ESTAGIO SEM FORMALIDADE LEGAL – ANEXO EI, sem a presença de todos os requisitos da descaracterização da relação estagiária entre os estudantes e a Recorrente. Por isso não houve a caracterização material do seu fato gerador. A Recorrente alega que houve ilegalidade na caracterização dos sócios das empresas contratadas como empregados. Para dirimir a contenda instalada, será necessário realizar uma análise da correta compreensão do alcance do contrato individual de trabalho e das formas diversas e lícitas de prestação de serviços por pessoa física, atentando tanto para a conceituação legal quanto para os aspectos fáticos da prestação de serviços – estes evidenciados nos registros contábeis da empresa. Esses elementos conjugados irão evidenciar se há ou não uma relação empregatícia entre a Recorrente e os sócios das empresas ora contratadas. Pois bem. O conceito legal de empregador e empregado estão definidos nos artigos 2º caput e 3º da CLT, respectivamente: “Art. 2º. Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço”. “Art. 3º. Considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário.” Então, a partir dos conceitos legais acima, podese extrair que os elementos fáticos da relação empregatícia são: a) prestação de trabalho por pessoa física a um tomador qualquer: a figura do trabalhador há de ser sempre uma pessoa física. Esse elemento é importante, pois a expressão serviço pode englobar tanto obrigação de fazer realizada por uma pessoa física como por uma pessoa jurídica; b) prestação efetuada com pessoalidade pelo trabalhador: o fato do trabalho ser prestado por pessoa física não importa, necessariamente, em pessoalidade. É essencial que a prestação de serviço pela pessoa física tenha caráter de infungibilidade no que toca à figura do empregado. O empregado não se pode fazer substituir por outra pessoa na prestação de serviço; c) prestação efetuada com nãoeventualidade: para haver relação de emprego é necessário que o trabalho tenha caráter de permanência, não pode ser esporádico. A ideia de permanência reflete em duas dimensões: i) presunção de que pacto laboral foi celebrado para vigorar por período indeterminado, por exceção, a ordem justrabalhista permite a celebração de contrato por prazo determinado e; ii) exclusão do escopo da relação empregatícia as prestações de serviço em caráter eventual. Fl. 19949DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 26 d) prestação efetuada com subordinação: deve ser encarada sob um prisma objetivo. Atua sobre o modo de realização da prestação de serviço, não sobre a pessoa do trabalhador. A ótica subjetiva resta superada nos dias atuais, porquanto essa visão não explica o caso dos trabalhadores intelectuais e altos funcionários, cuja dimensão de subordinação de apresenta em escala bem inferior. Conforme a literatura trabalhista, em qualquer relação civil há um grau de subordinação, não se tratando de uma exclusividade do Direito do Trabalho. Entretanto, a relação de emprego diferenciase das demais relações civis por carregar um elevado grau de subordinação jurídica. Tratase de uma subordinação em grau máximo ou em grau maior. Dentro da relação de emprego, ainda, se encontrará diferentes graus de subordinação jurídica, a depender do trabalho desenvolvido pelo empregado. Os empregados que ocupam posição de chefia, supervisão, gerência, etc. tendem a apresentar uma dimensão menor de subordinação comparativamente àqueles que trabalham em linhas de execução. Porém, isso não desnatura a relação de emprego. e) prestação efetuada com onerosidade: a relação empregatícia é uma relação essencialmente de fundo econômico. A onerosidade não deve ser enfocada sob a ótica do trabalho realizado ou do tomador de serviço. Qualquer que seja o trabalho realizado transferirá um valor econômico àquele que recebe a prestação de serviço. A onerosidade deve ser analisada sob a ótica do prestador de serviço, considerado dois planos: objetivo e subjetivo. No plano objetivo a onerosidade se traduz pelo pagamento pelo empregador de parcelas destinadas a remunerar o empregado em razão do contrato de trabalho. Importante observar que não é remunerar pelo serviço prestado, pois embora possa ocorrer de não haver prestação de serviço, o empregador estará obrigado a pagar salário em razão do tempo à disposição, como no caso do trabalhador em uma linha de produção que permanece aguardando ordens ou a chegada de matériaprima para produzir. O plano subjetivo se relaciona com a motivação do empregado ao realizar a prestação de serviço. Regra geral é desnecessário perquirir o elemento subjetivo, pois a presença do dado objetivo pagamento de salário, é suficiente para configuração do vínculo de emprego. Entretanto, o elemento subjetivo da prestação de serviço pode ser um dado relevante no caso de trabalho com intuito filantrópico, religioso. Haverá onerosidade sob a perspectiva do plano subjetivo se o trabalho é pactuado pelo trabalhador com o intuito contraprestativo, com a intenção de auferir ganho econômico. Já o trabalho voluntário é vinculado à causa benevolente, tende a não evidenciar pretensão de auferir ganho econômico na prestação do serviço. De fato, entre os elementos caracterizadores da relação empregatícia está subordinação jurídica, A doutrina e a jurisprudência, de maneira uniforme, reconhecem como um dos atributos essenciais à configuração do vínculo de emprego a subordinação jurídica, estabelecida a partir da direção do trabalho do empregado pelo empregador e a dependência daquele em relação a este. Nesse caminhar, sobre as alegações concernentes ao fato de que a Recorrente não é a única tomadora dos serviços das sociedades desconsideradas e ao fato de que a base de cálculo não poderia ser o valor total da nota fiscal emitida – bem como as alegações referentes às estatísticas de que a maioria das pessoas jurídicas tem em sua composição mais de um sócio habilitado para a mesma profissão e às estatísticas de que a data de constituição dessas pessoas desconsideradas é anterior ao período da autuação –, essas alegações são meras conjecturas que não se mostram, por si só, suficientemente hábeis a comprovar que a Recorrente não tinha uma relação empregatícia com os supostos sócios das empresas contratadas. Fl. 19950DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721726/201317 Acórdão n.º 2402004.595 S2C4T2 Fl. 15 27 Como foi frisado anteriormente, serão os fatos registrados na escrituração contábil do contribuinte, cotejados com os elementos caracterizadores da relação de empregos, que irão evidenciar se houve ou não uma relação empregatícia entre a Recorrente e os sócios das empresas contratadas. Assim, dentre os diversos fatos noticiados no Relatório Fiscal, passarei a registrar, a nosso juízo, os fatos contábeis, declarados pela própria Recorrente em sua contabilidade, que evidenciam o elemento típico do vínculo empregatício, este sempre acrescido dos demais elementos fáticos enumerados no GRUPO 1, designado neste Voto: Tabela 1 N0 itens NOME SEGURADO EMPRESA FATO CONTÁBIL 1 Antônio Augusto Fonseca AA Fonseca E Filho Consultoria e Projetos Ltda Concessão de férias no mês de abril/2009, fato que pode ser confirmado na Folha de Medição de Serviços da competência e pelo centro de custo: 6513 e 8706 2 Antonio Carlos Antunes ACF Muniz Engenharia Ltda Em 13/07/2009, recebeu participação nos resultados da Recorrente, conforme conta contábil 2.1.08.08.000001 – “Participação Resultados Geral Ano Anterior” 3 Artur Do Carmo Orsini ACO Consultoria Ltda Não há fato contábil capaz de materializar a relação empregatícia. Condições especificas de trabalho e forma de pagamento pelo valor global e sucessivo, isso, por si só, não caracteriza relação empregatícia 4 Vinicius Roman Adgl Engenharia e Consultoria Ltda Não há fato contábil capaz de materializar a relação empregatícia. Condições especificas de trabalho e forma de pagamento pelo valor global e sucessivo, isso, por si só, não caracteriza relação empregatícia 5 Jose Alberto Vogt Andrade & Vogt Assessoria Montagem de Equipamentos Eletromecânicos Ltda Recebeu participação nos resultados da empresa (Recorrente), conforme conta contábil 2.1.08.08.000001 – “Participação Resultados Geral Ano Anterior” 6 Paolo Alberto Tavares Macário Asc Assessoria Empresarial Ltda Ocorreu pagamento de despesas de viagens, tais como aluguel veículo e lanches, em seu nome, conforme contas contábeis: 4.02.04.09Lanches e Refeições; 4.02.01.01Locação de Veículos; 4.02.01.10 Transportes Urbanos 7 Marcelo Gonçalves da Costa Astra Comercio Exterior Ltda Em 13/07/2009, recebeu participação nos resultados da Recorrente, conforme conta contábil 2.1.08.08.000001 – “Participação Resultados Geral Ano Anterior” 8 Marcia Graça Boechat Atlantis Engenharia Ltda Em 02/07/2009 e 23/07/2009, recebeu participação nos resultados da Recorrente, conforme conta contábil 2.1.08.08.000001 – Participação Resultados Geral 9 Antonio Vasques Avil Engenharia e Construcões Ltda Em 02/06/2009, recebeu participação nos resultados da Recorrente, conforme conta contábil 2.1.08.08.000001 – “Participação Resultados Geral Ano Anterior” 10 Pedro Percilio Costa Barlavento Servicos de Engenharia S/C Ltda Ocorreu pagamento despesas de viagem com o nome do profissional na conta contábil 4.02.01.08.02 – “DESPESAS DE VIAGEM 11 Pio Irineu Reitz Bvr Prestadora De Serviços Ltda Em 29/06/2009, recebeu participação nos resultados da Recorrente, conforme conta contábil 2.1.08.08.000001 – Fl. 19951DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 28 “Participação Resultados Geral Ano Anterior” 12 Carlos Alberto Cristóvão Farinha Ca Cristovao Consultoria Ltda Em 22/07/2009, recebeu participação nos resultados da Recorrente, conforme conta contábil 2.1.08.08.000001 – “Participação Resultados Geral Ano Anterior” 13 Carlos Alberto Ferreira Caf & de Marchi Engenharia S/S EPP Em 19/06/2009 e 23/07/2009, recebeu participação nos resultados da Recorrente, conforme conta contábil 2.1.08.08.000001–Participação Resultados GeralAno Anterior 14 Luiz Eduardo Rebelo de Castro Caleng Engenharia Ltda O Fisco não apontou fato contábil capaz de materializar a relação empregatícia. Condições especificas de trabalho, data assinatura do contrato e forma de pagamento pelo valor global e sucessivo, esses elementos, por si só, não caracterizam relação empregatícia 15 Andréa La Moglia Cabral De Vasconcellos Caminada Imagens e Serviços de Proces de Dados Ltda Em 22/07/2009, recebeu participação nos resultados da Recorrente, conforme conta contábil 2.1.08.08.000001 – “Participação Resultados Geral Ano Anterior” 16 Jacintho Alvares Moreira Neto Conseil Consultoria e Desenvolvimento de Negocios Ltda O Fisco não apontou fato contábil capaz de materializar a relação empregatícia. Condições especificas de trabalho, remuneração incompatível e forma de pagamento pelo valor global e sucessivo, esses elementos, por si só, não caracterizam relação empregatícia 17 Elias Vitorino Construtora F. & F. Ltda – ME O Fisco não apontou fato contábil capaz de materializar a relação empregatícia. Condições especificas de trabalho, falta de declaração de pró labore em GFIP e forma de pagamento pelo valor global e sucessivo, esses elementos, por si só, não caracterizam relação empregatícia 18 Joana Maria Guarda Consulcon Engenharia Ltda Em 10/07/2009, recebeu participação nos resultados da Recorrente, conforme conta contábil 2.1.08.08.000001 – “Participação Resultados Geral Ano Anterior”. Acrescentase ao fato de que ocorreu pagamentos despesas de telefone em várias competências e despesas com plano de saúde (Unimed ): conta 1.1.11.01.000001 Créditos c/ Terceiros 19 Salesio Santos Mendes Consutec Serv. em equipamentos Eletromecanicos Ltda Em julho, recebeu participação nos resultados da Recorrente, conforme conta contábil 2.1.08.08.000001 – “Participação Resultados Geral Ano Anterior” 20 Alexandre Luiz Canhoto de Azeredo Craton Geologia E Controles Tecnologicos Ltda Em julho, recebeu participação nos resultados da Recorrente, conforme conta contábil 2.1.08.08.000001 – “Participação Resultados Geral Ano Anterior”. Acrescenta o fato de que ocorreu o pagamento de participação em seminários, conta contábil 4.01.02.03 – “CURSOS, SEMINÁRIOS E TREINAMENTOS, em 17/11/2008, e o pagamento de mudança do colaborador, escriturada na conta contábil 4.02.01.09 FRETES E CARRETOS, em 30/12/2008 21 Charles Sandres de Andrade CS Andrade Consultoria e Projetos Ltda Contrato por prazo indeterminado, com reajuste anual. Em 01/03/2006, consta na Proposta Alteração de Cargos e Salários a autorização alteração do salário de R$10.661,00 para R$13.000,00, anexo CS Andrade Cont. Em vários meses, ocorreu pagamento despesas viagem, conta 11090–Adiant. Viagem da BC Projetos Ltda e após sua incorporação pela Leme Engenharia conta Fl. 19952DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721726/201317 Acórdão n.º 2402004.595 S2C4T2 Fl. 16 29 1.1.60.01.000001–Adiantamentos Viagens – Terceiros 22 Fernando Yutaki Takasugi Cyt Consultoria e Assessoria Em Engenharia S/S Ltda Em 22/06/2009, recebeu participação nos resultados da Recorrente, conforme conta contábil 2.1.08.08.000001 – “Participação Resultados Geral Ano Anterior” 23 Ebert Martins Barros Ebert Barros Serviços Técnicos Ltda O Fisco não apontou fato contábil capaz de materializar a relação empregatícia. Condições especificas de trabalho, data assinatura do contrato, adiantamento de valores para viagens e forma de pagamento pelo valor global e sucessivo, esses elementos, por si só, não caracterizam relação empregatícia 24 Eduardo Cardoso de Almeida Eca Assessoria Tecnica S/S Ltda Passou integrar quadro funcional da Recorrente, como empregado, a partir de 03/04/2008 e demissão em 31/12/2009, conforme ficha registro de empregado, anexo ECA Ficha Reg Empregado e devidamente informado em GFIP. Os pagamentos realizados por meio notas fiscais de serviços consistem em complementação salarial 25 Eder Miguel Pacheco Emit Engenharia e Ensino Ltda O Fisco não apontou fato contábil capaz de materializar a relação empregatícia. Condições especificas de trabalho, data assinatura do contrato, adiantamento de valores para viagens e forma de pagamento pelo valor global e sucessivo, esses elementos, por si só, não caracterizam relação empregatícia 26 Geraldo Antunes de Aguiar Efficace Engenharia e Consultoria Ltda O Fisco não apontou fato contábil capaz de materializar a relação empregatícia. Condições especificas de trabalho, data assinatura do contrato, adiantamento de valores para viagens e forma de pagamento pelo valor global e sucessivo, esses elementos, por si só, não caracterizam relação empregatícia 27 Marlos Fabiano Moraes Eficiencia Desenvolvimento Consultoria E Projeto de Rede Ltda ME Em 20/07/2009, recebeu participação nos resultados da Recorrente, conforme conta contábil 2.1.08.08.000001 Participação Resultados Geral Ano Anterior. Ocorreu pagamento despesas relacionadas aos serviços assistência a viagem, pagos em 07/07/2009 e 03/01/2008, conta contábil 4.02.04.04Seguros Diversos, viagem ao exterior 28 Ronaldo de Almeida Elecad Consultoria e Projetos Ltda Em 29/06/2009, recebeu participação nos resultados da Recorrente, conforme conta contábil 2.1.08.08.000001 – “Participação Resultados Geral Ano Anterior”. 29 Joao Batista Figueiredo Eletric Joma Consultoria Ltda e JB Figueiredo O Fisco não apontou fato contábil capaz de materializar a relação empregatícia. Condições especificas de trabalho, ausência declaração valores em GFIP e forma de pagamento pelo valor global e sucessivo, esses elementos, por si só, não caracterizam relação empregatícia 30 Luiz Chiarelli Eletro Chiareli Ltda Ocorreu pagamento despesas de viagem com o nome do profissional, conta 4.02.01.08.02–Despesas Viagem 31 Edison Osmar do Espírito Santo Elo Supervisao Industrial Ltda ME Em 22/06/2009, recebeu participação nos resultados da Recorrente, conforme conta contábil 2.1.08.08.000001 – “Participação Resultados Geral Ano Anterior”. 32 Claudio Sinicio Encla Engenharia Industria e Comercio Ltda O Fisco não apontou fato contábil capaz de materializar a relação empregatícia. Condições especificas de trabalho, ausência retenção nota fiscal e forma de Fl. 19953DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 30 pagamento pelo valor global e sucessivo, esses elementos, por si só, não caracterizam relação empregatícia 33 Francisco Alonso Tavares Enertech Sistemas de Energia Em 22/06/2009, recebeu participação nos resultados da Recorrente, conforme conta contábil 2.1.08.08.000001 – Participação Resultados Geral Ano Anterior 34 Paulo Alves Santana Enertech Sistemas de Energia O Fisco não apontou fato contábil capaz de materializar a relação empregatícia. Condições especificas de trabalho, ausência declaração em GFIP, folhas medição e forma de pagamento pelo valor global e sucessivo, esses elementos, por si só, não caracterizam relação empregatícia 35 Paulo Roberto Liberato Estarte Pml Ltda O Fisco não apontou fato contábil capaz de materializar a relação empregatícia. Condições especificas de trabalho, folhas medição serviços e forma de pagamento pelo valor global e sucessivo, esses elementos, por si só, não caracterizam relação empregatícia 36 Antonio Fernando Faria Fach Engenharia SC Ltda Em 22/06/2009, recebeu participação nos resultados da Recorrente, conforme conta contábil 2.1.08.08.000001 – Participação Resultados Geral Ano Anterior. Ocorreu pagamento adiantamentos de viagem, em conjunto com o Mario Lucio Hamdan da empresa MV CONSULTORIA E PROJETOS LTDA conta contábil 1.1.60.01.000001 –“ADIANTAMENTOS PARA VIAGENS – TERCEIROS”, nas seguintes datas: 12/02/2008, 27/05/2008, 12/06/2008, 10/09/2008 37 Fernando Ustaquio Evangelista FgwEstudos E Projetos de Engenharia Civil Ltda – Me O Fisco não apontou fato contábil capaz de materializar a relação empregatícia. Condições especificas de trabalho, folhas medição serviços, ausência declaração pró labore em GFIP e forma de pagamento pelo valor global e sucessivo, esses elementos, por si só, não caracterizam relação empregatícia 37 Francisco de Assis Nascimbene Fn Engenharia Ltda Em 24/06/2009, recebeu participação nos resultados da Recorrente, conforme conta contábil 2.1.08.08.000001 – Participação Resultados Geral Ano Anterior. 38 Michel De Fraipont Fraipont Engenharia Ltda ME O Fisco não apontou fato contábil capaz de materializar a relação empregatícia. Condições especificas de trabalho, folhas medição serviços, ausência declaração pró labore em GFIP e forma de pagamento pelo valor global e sucessivo, esses elementos, por si só, não caracterizam relação empregatícia 39 Carmo Pimentel da Silva Franci Supervisao Industrial Ltda O Fisco não apontou fato contábil capaz de materializar a relação empregatícia. Condições especificas de trabalho, folhas medição serviços, data assinatura contrato e forma de pagamento pelo valor global e sucessivo, esses elementos, por si só, não caracterizam relação empregatícia 40 Franklin Delano Moreira Dias Xavier Franklin Xavier Engenharia e Consultoria Ltda O Fisco não apontou fato contábil capaz de materializar a relação empregatícia. Condições especificas de trabalho, folhas medição serviços, data assinatura contrato e forma de pagamento pelo valor global e sucessivo, esses elementos, por si só, não caracterizam relação empregatícia 41 Francisco de Moraes Frazil Assessoria e Concultoria Tecnica Ss Ltda O Fisco não apontou fato contábil capaz de materializar a relação empregatícia. Condições especificas de trabalho, folhas medição serviços, ausência declaração pró labore em GFIP e forma de pagamento pelo valor Fl. 19954DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721726/201317 Acórdão n.º 2402004.595 S2C4T2 Fl. 17 31 global e sucessivo, esses elementos, por si só, não caracterizam relação empregatícia 42 Nelson Luiz Ferreira Porto Geoservice Consultoria e Engenharia Ltda Em 25/08/2008, recebeu participação nos resultados da Recorrente, conforme conta contábil 2.1.08.08.000001 – Participação Resultados Geral Ano Anterior. 43 Mario Gramani Guedes Gge Assessoria Tecnica S/C Ltda A descrição dos serviços pressupõe o controle e direcionamento da empresa contratante. A perenidade da relação pode ainda ser comprovada no pronunciamento da empresa por ocasião do seu falecimento, em trabalho realizado no Peru, anexo “GGE Incidente no Peru Acompanhamento”, onde está clara o vínculo direto do profissional com a Recorrente 44 Luiz Gonzaga Nunes Gonzaga & Nunes Comercio.E Prestadora de.Servicos Ltda Em 20/06/2009, recebeu participação nos resultados da Recorrente, conforme conta contábil 2.1.08.08.000001 – Participação Resultados Geral Ano Anterior. 45 Ricardo Ahouagi Carneiro Junho Hidricon Consultoria de Recursos Hidricos Ltda Em 10/07/2009, recebeu participação nos resultados da Recorrente, conforme conta contábil 2.1.08.08.000001 – Participação Resultados Geral Ano Anterior. 46 Ademir Cavalcante Aguilar; Alvaro Jose Licio; Arno Siebert; e Joaquim Gilberto Sanches Hidromec Serviços Em Equipamentos Eletromecanicos Ltda Em 22/06/2009, recebeu participação nos resultados da Recorrente, conforme conta contábil 2.1.08.08.000001 – Participação Resultados Geral Ano Anterior. 47 Tatiana de Villefort Alves Pinto Hik Consultoria Ltda Integra o quadro de empregados da Recorrente desde 06/08/2007, inicialmente exercia cargo de GERENTE DE RECURSOS HUMANOS, atuando sempre nas atividades ligadas a área. Em 01/04/2008, é reclassificada para o cargo de GESTOR II DE RH. Atualmente exerce Diretora de Recursos Humanos da LEME Engenharia para o mercado latinoamericano. Realizou treinamentos a quatro turmas de novos colaboradores da empresa, portanto, durante o expediente de trabalho dos novos contratados, ou seja, durante a jornada regular da profissional na empresa 48 Humberto dos Santos Carvalho Humberto dos Santos Carvalho e Cia Ltda O Fisco não apontou fato contábil capaz de materializar a relação empregatícia. Condições especificas de trabalho, folhas medição serviços, ausência declaração pró labore em GFIP e forma de pagamento pelo valor global e sucessivo, esses elementos, por si só, não caracterizam relação empregatícia 49 Claudio Maia de Azevedo Isasil Consultoria Ltda O Fisco não apontou fato contábil capaz de materializar a relação empregatícia. Condições especificas de trabalho, folhas medição serviços, ausência declaração pró labore em GFIP e forma de pagamento pelo valor global e sucessivo, esses elementos, por si só, não caracterizam relação empregatícia 50 Joao Abdon Pereira J Abdon Desenhos Ltda O Fisco não apontou fato contábil capaz de materializar a relação empregatícia. Condições especificas de trabalho, folhas medição serviços, ausência declaração pró labore em GFIP e forma de pagamento pelo valor global e sucessivo, esses elementos, por si só, não caracterizam relação empregatícia 51 Milson Gomes Gabriel Jaque Projetos E Consultoria Ltda O Fisco não apontou fato contábil capaz de materializar a relação empregatícia. Condições especificas de trabalho, folhas medição serviços, ausência declaração pró labore em GFIP e forma de pagamento pelo valor Fl. 19955DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 32 global e sucessivo, esses elementos, por si só, não caracterizam relação empregatícia 52 Jose Luiz Ramos Trinta J L Trinta Consultoria E Serviços Ltda O Fisco não apontou fato contábil capaz de materializar a relação empregatícia. Condições especificas de trabalho, folhas medição serviços, ausência declaração pró labore em GFIP e forma de pagamento pelo valor global e sucessivo, esses elementos, por si só, não caracterizam relação empregatícia 53 Jose Luiz Ramos Trinta J L Trinta Consultoria e Serviços Ltda O Fisco não apontou fato contábil capaz de materializar a relação empregatícia. Condições especificas de trabalho, folhas medição serviços e forma de pagamento pelo valor global e sucessivo, esses elementos, por si só, não caracterizam relação empregatícia 54 Jose Gabriel Ferreira Tinano J.G.T. Consultoria e Desenvolvimento de Negocios Ltda O Fisco não apontou fato contábil capaz de materializar a relação empregatícia. Condições especificas de trabalho, folhas medição serviços e forma de pagamento pelo valor global e sucessivo, esses elementos, por si só, não caracterizam relação empregatícia 55 Juscelino Jose Ramos J.Ramos Consultoria e Contabilidade Ltda. Me O profissional está diretamente subordinado ao Gestor Validador Sérgio Leal Bagno. Nas Folhas de Medição de Serviços, podese comprovar que o profissional está enquadrado no Código de Ocupação das Atividades Empresariais (A) Administração Geral da Empresa 51 Direção da Empresa, Administração dos Departamentos de Engenharia, Atividades da Gerência Financeira e do Gerente Administrativo, Atividades das Seções de Controle de Custos, Pessoal, Informação e Documentação, Suprimento. A partir de 02/06/2009, o JUSCELINO JOSE RAMOS passou a integrar o quadro de empregados da Leme Engenharia conforme consta da sua ficha de registro de empregado, anexo JRAMOS Ficha Reg Emp. 56 Milson Gomes Gabriel JaqueProjetos e Consultoria Ltda Em 13/07/2009, recebeu participação nos resultados da Recorrente, conforme conta contábil 2.1.08.08.000001 – Participação Resultados Geral Ano Anterior. 57 Joao Carlos Dal Fabbro Jfdf Engenharia De Projetos Ltda Em 24/06/2009, recebeu participação nos resultados da Recorrente, conforme conta contábil 2.1.08.08.000001 – Participação Resultados Geral Ano Anterior. 58 José Garcia Bueno Jg Servicos Projetos e Consultoria Ltda Em 01/07/2009, recebeu participação nos resultados da Recorrente, conforme conta contábil 2.1.08.08.000001 – Participação Resultados Geral Ano Anterior. 59 Jose Edward de Oliveira JmroAssessoria em Engenharia E Meio Ambiente Ltda Pagamento de “VIAGENS: A contratada deverá, sempre que solicitada comparecer à sede da contratante para reuniões de acompanhamento. Para que estas viagens possam ser utilizadas pelos prepostos Diretores ou empregados da contratada a contratante fornecerá à contratada uma passagem de ida e volta, em transporte por via aérea, em vôo comercial, classe econômica, sendo que os roteiros e companhias aéreas para as viagens do ou para o Brasil, serão escolhidos pela contratante e a seu exclusivo critério.” O profissional atuou em nome Leme Engenharia, na República Dominicana, durante todo o período fiscalizado, sendo seus contratos consecutivamente renovados: Contrato 2007/0435, de 01/11/07, Contrato 2008/0434, de 01/09/08 e Contrato 2009/0474, de 01/08/09 60 Sergio Roberto do Rio Martins; e Valdir Kern Kern & Martins Ltda O Fisco não apontou fato contábil capaz de materializar a relação empregatícia. Condições especificas de trabalho, folhas medição serviços, ausência declaração Fl. 19956DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721726/201317 Acórdão n.º 2402004.595 S2C4T2 Fl. 18 33 pró labore em GFIP e forma de pagamento pelo valor global e sucessivo, esses elementos, por si só, não caracterizam relação empregatícia 61 Carlos Eduardo Kerr Anders Kerr Comercial De Servicos Ltda ME Em 20/07/2009, recebeu participação nos resultados da Recorrente, conforme conta contábil 2.1.08.08.000001 – Participação Resultados Geral Ano Anterior. 62 Lair Luiz Deffente Lair Luiz Deffente Em 23/06/2009, recebeu participação nos resultados da Recorrente, conforme conta contábil 2.1.08.08.000001 – Participação Resultados Geral Ano Anterior. 63 Luiz Carlos de Oliveira Lco De Resende Consultoria e Planejamento Ltda Contrato de trabalho contendo elementos vínculo emprego: Anexo A: Função engenheiro – Nome Luiz Carlos de Oliveira Remuneração: R$ 8.500,00/MÊS em 01/04/2002 em 01/03/2006 – o valor foi reajustado p/ 13.000,00/mês, anexo LCO CONT BC. Após a incorporação adotouse a seguinte redação – consultoria técnica e assessoria nas áreas de engenharia de projetos para Contratante da LPT Rio de Janeiro, sendo realizadas Folhas de Medição de Serviços mensais, anexo LCO MED, mantendose, no entanto, a mesma relação anteriormente existente, anexo LCO CONT LEME 64 Jairo Jose Saliba Leal Saliba Ltda Em 19/06/2009 e 20/07/2009, recebeu participação nos resultados da Recorrente, conforme conta contábil 2.1.08.08.000001 – Participação Resultados Geral Ano Anterior. 65 Michael Antonio Bonilla Denes M.Bonilla Consult.de Recursos Hidricos Ltda Em 10/07/2009, recebeu participação nos resultados da Recorrente, conforme conta contábil 2.1.08.08.000001 – Participação Resultados Geral Ano Anterior. 66 Leonardo Pereira Atahi Mazziotti Mazziotti Engenharia Ss Ltda Em 24/06/2009, recebeu participação nos resultados da Recorrente, conforme conta contábil 2.1.08.08.000001 – Participação Resultados Geral Ano Anterior. E Sucessivos pagamentos parcelas curso de inglês, beneficiário Leonardo Mazzitti, conta contábil 4.01.02.03–Cursos, Seminários e Treinamentos 67 Manuel Nilton Dorneles de Dorneles Md Servicos de Engenharia Ltda Em 22/06/2009, recebeu participação nos resultados da Recorrente, conforme conta contábil 2.1.08.08.000001 – Participação Resultados Geral Ano Anterior. 68 Leonardo Garcia Borges de Oliveira; e Silvio Sebastião Borges de Oliveira Milenio Engenharia Ltda O Fisco não apontou fato contábil capaz de materializar a relação empregatícia. Condições especificas de trabalho, folhas medição serviços, ausência declaração pró labore em GFIP, dados históricos de sócios e forma de pagamento pelo valor global e sucessivo, esses elementos, por si só, não caracterizam relação empregatícia 69 Carlos Antonio de Souza Milenium Engenharia S/C Ltda Em 22/06/2009, recebeu participação nos resultados da Recorrente, conforme conta contábil 2.1.08.08.000001 – Participação Resultados Geral Ano Anterior. 70 Mario Augusto Soares Bittencourt MME Engenharia S/C Ltda Passou integrar quadro de empregados da Recorrente 03/11/2008 no cargo de Engenheiro Civil Sênior, conforme anexo MME registro empregado. E a emissão notas fiscais serviços da pessoa jurídica visou complementar o seu salário, conforme quadro constante Relatório Fiscal (fls. 59), em que se pode comprovar baixa remuneração paga ao profissional enquadrado Fl. 19957DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 34 como Engenheiro Civil Sênior 71 Lucio de Almeida Teixeira Mpt Engenharia Ltda Em 24/06/2009 e 10/07/2009, recebeu participação nos resultados da Recorrente, conforme conta contábil 2.1.08.08.000001 – Participação Resultados Geral Ano Anterior. 72 Frederico Jose Bazzo Mussi & Bazzo Ltda Em 20/06/2009, recebeu participação nos resultados da Recorrente, conforme conta contábil 2.1.08.08.000001 – Participação Resultados Geral Ano Anterior. 73 Vanessa Alexandra de Moura Perides Handan Mv Consultoria e Projetos Ltda Em 26/06/2009 e 10/07/2009, recebeu participação nos resultados da Recorrente, conforme conta contábil 2.1.08.08.000001 – Participação Resultados Geral Ano Anterior. 74 Mario Lucio Hamdan Mv Consultoria e Projetos Ltda O Fisco não apontou fato contábil capaz de materializar a relação empregatícia. Condições especificas de trabalho, folhas medição serviços, ausência declaração pró labore em GFIP, dados históricos de sócios e forma de pagamento pelo valor global e sucessivo, esses elementos, por si só, não caracterizam relação empregatícia 75 Euler de Carvalho Cruz Nautilus Engenharia Ltda Em 22/07/2009, recebeu participação nos resultados da Recorrente, conforme conta contábil 2.1.08.08.000001 – Participação Resultados Geral Ano Anterior. 76 Nazareno Linhares Nazareno Linhares Projetos e Consultoria Ltda O Fisco não apontou fato contábil capaz de materializar a relação empregatícia. Condições especificas de trabalho, folhas medição serviços, ausência declaração pró labore em GFIP, e forma de pagamento pelo valor global e sucessivo, esses elementos, por si só, não caracterizam relação empregatícia 77 Jose Hermínio Rodrigues de Borba Nh Consultores Associados Ltda O Fisco não apontou fato contábil capaz de materializar a relação empregatícia. Condições especificas de trabalho, folhas medição serviços, ausência declaração pró labore em GFIP, e forma de pagamento pelo valor global e sucessivo, esses elementos, por si só, não caracterizam relação empregatícia 78 Antonio Castilho Nunes Nunes & Pizzolo Engenharia Ltda Em 22/06/2009, recebeu participação nos resultados da Recorrente, conforme conta contábil 2.1.08.08.000001 – Participação Resultados Geral Ano Anterior. 79 Olavo de Araújo Omdraft Desenhos Ltda O Fisco não apontou fato contábil capaz de materializar a relação empregatícia. Condições especificas de trabalho, folhas medição serviços, ausência declaração pró labore em GFIP, e forma de pagamento pelo valor global e sucessivo, esses elementos, por si só, não caracterizam relação empregatícia 80 Oswaldo Barizon Filho Oswaldo Barizon Filho – Me Contrato 6.3.21, assinado entre o prestador de serviços e a BC Projetos Ltda, constam no “Anexo B” a função de projetista por ele desempenha, o seu nome e a remuneração pactuada R$8.500,00 e, a vigência por prazo indeterminado, anexo OSWALDO BARIZON FILHO CONT BC. O projetista está subordinado ao Gestor Validador Paulo Sergio Dubeux Fonseca que presta serviços a Leme através da empresa MMF Engenharia Ltda. Outro ponto que deixa claro o vínculo empregatício e a especificação nas Folhas de Medição de Serviços – anexo OSWALDO BARIZON FILHO MED, onde está especificado no mês de fevereiro/2009 que o profissional participou de Treinamento Curso Revil, constando, ainda, que gozou suas férias Fl. 19958DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721726/201317 Acórdão n.º 2402004.595 S2C4T2 Fl. 19 35 81 Paulo Augusto Osorio Carneiro P L Carneiro Servicos e Projetos Industriais Ltda O Fisco não apontou fato contábil capaz de materializar a relação empregatícia. Condições especificas de trabalho, folhas medição serviços, ausência declaração pró labore em GFIP, e forma de pagamento pelo valor global e sucessivo, esses elementos, por si só, não caracterizam relação empregatícia 82 Henrique Andrade Trinckquel Padrao Gerenciamento de Projeto Ltda O Fisco não apontou fato contábil capaz de materializar a relação empregatícia. Condições especificas de trabalho, folhas medição serviços, ausência declaração pró labore em GFIP, dados históricos de empresa e forma de pagamento pelo valor global e sucessivo, esses elementos, por si só, não caracterizam relação empregatícia 83 Helio Paladino de Oliveira Paladino Engenharia Sociedade Simples Ltda Em 24/06/2009, recebeu participação nos resultados da Recorrente, conforme conta contábil 2.1.08.08.000001 – Participação Resultados Geral Ano Anterior. 84 Ramon Tellado Picone Engenharia e Telecomuncacoes Ltda O Fisco não apontou fato contábil capaz de materializar a relação empregatícia. Condições especificas de trabalho, folhas medição serviços, ausência declaração pró labore em GFIP, dados históricos de empresa e forma de pagamento pelo valor global e sucessivo, esses elementos, por si só, não caracterizam relação empregatícia 85 Carlos Roberto dos Santos PlanejaMar Santos Construcao Civil Ltda O Fisco não apontou fato contábil capaz de materializar a relação empregatícia. Condições especificas de trabalho, folhas medição serviços, ausência declaração pró labore em GFIP, dados históricos de empresa e forma de pagamento pelo valor global e sucessivo, esses elementos, por si só, não caracterizam relação empregatícia 86 William Alves das Chagas Filho Planfisco S/C Ltda Planfisco S/C Ltda Passou a integrar o quadro de empregados da Leme Engenharia em 01/02/2008, onde exerce o cargo de ANALISTA III DE CONTABILIDADE, conforme pode ser confirmado em sua ficha de Registro de Empregado, anexo PLANEJAMAR Ficha Reg Emp. Valores notas fiscais serviam para complementar salário, conforme tabela Relatório Fiscal (fls. 68) 87 Henry Saute Glock Polysystem Consultoria e Planejamento Em Sistemas e Informática Ltda Em 22/07/2009, recebeu participação nos resultados da Recorrente, conforme conta contábil 2.1.08.08.000001 – Participação Resultados Geral Ano Anterior. 88 Victor Maschtakow Ppv Engenharia e Consultoria Ltda O Fisco não apontou fato contábil capaz de materializar a relação empregatícia. Condições especificas de trabalho, folhas medição serviços, ausência declaração pró labore em GFIP, dados históricos de empresa e forma de pagamento pelo valor global e sucessivo, esses elementos, por si só, não caracterizam relação empregatícia 89 Pedro Sponchiado Precisa Gerenciamento e Construcao Ltda Condição de empregado pode ser confirmada no Auto de Infração Nº 18788971, aplicado a Leme pelo Ministério do trabalho, por manter sem registro de empregado, o técnico em geotécnica, Pedro Sconchiado, situação constatada em ação fiscal ocasionada pela ocorrência do acidente fatal, no canteiro de obras da em Queiroz Galvão, em 06/03/09, anexo PRECISA AI MTE 018788971. O segurado foi contratado pela Leme Engenharia através da empresa Precisa Gerenciamento e Fl. 19959DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 36 Construções Ltda, onde participava como sócio administrador, tendo como única sócia a sua esposa. Conforme se pode constatar nas Folhas de Medição de Serviços, anexo PRECISA MED, os controles são individualizados por profissional. O segurado se subordinava ao Gerente de Projetos Marcio Moreira Santos Cruz 90 Udo Friedhelm Borrmann PressTec H Instrumentacao E Controle Ltda O Fisco não apontou fato contábil capaz de materializar a relação empregatícia. Condições especificas de trabalho, folhas medição serviços, ausência declaração pró labore em GFIP, dados históricos de empresa e forma de pagamento pelo valor global e sucessivo, esses elementos, por si só, não caracterizam relação empregatícia 91 Karol Wojtyla Lemes Sousa Primum Engenharia Ltda O Fisco não apontou fato contábil capaz de materializar a relação empregatícia. Condições especificas de trabalho, folhas medição serviços, ausência declaração pró labore em GFIP, dados históricos de empresa e forma de pagamento pelo valor global e sucessivo, esses elementos, por si só, não caracterizam relação empregatícia 92 Fernando Otavio Rezende Alves e Mello Proa Engenharia O Fisco não apontou fato contábil capaz de materializar a relação empregatícia. Condições especificas de trabalho, folhas medição serviços, ausência declaração pró labore em GFIP, dados históricos de empresa e forma de pagamento pelo valor global e sucessivo, esses elementos, por si só, não caracterizam relação empregatícia 93 Alberto Jose Fernandes Pvb Engenharia e Consultoria Ltda Passou a condição empregado formal em 09/04/2009, registrado pela Recorrente, na função de ENGENHEIRO CIVIL ESPECIALISTA III, conforme ficha de registro de empregado, PVB Ficha Reg Emp, função compatível com as atividades por ele exercida através da PVB Engenharia. Subordinado ao Gestor Validador Antônio Vasques, que presta serviços a autuada através da empresa Avil Engenharia e Construções Ltda 94 Valeria Fernanda Saracura Quatipuru Consultoria Ambiental Ltda O Fisco não apontou fato contábil capaz de materializar a relação empregatícia. Condições especificas de trabalho, folhas medição serviços, ausência declaração pró labore em GFIP, dados históricos de empresa e forma de pagamento pelo valor global e sucessivo, esses elementos, por si só, não caracterizam relação empregatícia 95 Rogerio Afonso R&A Consultoria e Assessoria Tecnica e Ambiental Ltda O Fisco não apontou fato contábil capaz de materializar a relação empregatícia. Condições especificas de trabalho, folhas medição serviços, ausência declaração pró labore em GFIP, dados históricos de empresa e forma de pagamento pelo valor global e sucessivo, esses elementos, por si só, não caracterizam relação empregatícia 96 Jose Renato Locatelli Fonseca Refacon Serviços e Consultoria Ltda O Fisco não apontou fato contábil capaz de materializar a relação empregatícia. Condições especificas de trabalho, folhas medição serviços, ausência declaração pró labore em GFIP, dados históricos de empresa e forma de pagamento pelo valor global e sucessivo, esses elementos, por si só, não caracterizam relação empregatícia 97 Leopoldo Mario Antunes Correa Relac Engenharia Ltda O Fisco não apontou fato contábil capaz de materializar a relação empregatícia. Condições especificas de Fl. 19960DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721726/201317 Acórdão n.º 2402004.595 S2C4T2 Fl. 20 37 trabalho, folhas medição serviços, ausência declaração pró labore em GFIP, dados históricos de empresa e forma de pagamento pelo valor global e sucessivo, esses elementos, por si só, não caracterizam relação empregatícia 98 Elisabete do Nascimento Rocha RochaLacorte Consultoria Ltda Em 22/06/2009 e 05/08/2009, recebeu participação nos resultados da Recorrente, conforme conta contábil 2.1.08.08.000001 – Participação Resultados Geral Ano Anterior. 99 Roni Siefert Volz Roni Siefert Volz Consultoria O Fisco não apontou fato contábil capaz de materializar a relação empregatícia. Condições especificas de trabalho, folhas medição serviços, ausência declaração pró labore em GFIP, dados históricos de empresa e forma de pagamento pelo valor global e sucessivo, esses elementos, por si só, não caracterizam relação empregatícia 100 Ronaldo Gonçalves Lima Junior Rrp Arquitetura Ltda O Fisco não apontou fato contábil capaz de materializar a relação empregatícia. Condições especificas de trabalho, folhas medição serviços, ausência declaração pró labore em GFIP, dados históricos de empresa e forma de pagamento pelo valor global e sucessivo, esses elementos, por si só, não caracterizam relação empregatícia 101 Julio Cesar Leal Rubim Rubim Engenharia e Consultoria Ltda Em 10/07/2009, recebeu participação nos resultados da Recorrente, conforme conta contábil 2.1.08.08.000001 – Participação Resultados Geral Ano Anterior. 102 Silvio Antonio de Almeida Santos S A S Planejamento e Consultoria Sociedade Simples Em 19/06/2009, recebeu participação nos resultados da Recorrente, conforme conta contábil 2.1.08.08.000001 – Participação Resultados Geral Ano Anterior. 103 Sergio Souza S.S. Engenharia Ltda O Fisco não apontou fato contábil capaz de materializar a relação empregatícia. Condições especificas de trabalho, folhas medição serviços, ausência declaração pró labore em GFIP, dados históricos de empresa e forma de pagamento pelo valor global e sucessivo, esses elementos, por si só, não caracterizam relação empregatícia 104 Victoria Tuyama Sollero Sagarana Consultoria e Planejamento Ambiental Ltda O Fisco não apontou fato contábil capaz de materializar a relação empregatícia. Condições especificas de trabalho, folhas medição serviços, ausência declaração pró labore em GFIP, dados históricos de empresa e forma de pagamento pelo valor global e sucessivo, esses elementos, por si só, não caracterizam relação empregatícia 105 Fileto Isaias de Oliveira Fantini Secff Servicos de Engenharia e Consultoria Franca Fantini Ltda Em 13/07/2009, recebeu participação nos resultados da Recorrente, conforme conta contábil 2.1.08.08.000001 – Participação Resultados Geral Ano Anterior. 106 Francisco Correa Netto Melazzi Senior Consultoria em Engenharia Ltda O Fisco não apontou fato contábil capaz de materializar a relação empregatícia. Condições especificas de trabalho, folhas medição serviços, ausência declaração pró labore em GFIP, dados históricos de empresa e forma de pagamento pelo valor global e sucessivo, esses elementos, por si só, não caracterizam relação empregatícia 107 Sergio Finck Sf Supervisao de Montagem Mecanica Ltda Em 22/06/2009 e 05/08/2009, recebeu participação nos Fl. 19961DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 38 resultados da Recorrente, conforme conta contábil 2.1.08.08.000001 – Participação Resultados Geral Ano Anterior. 108 Shori Shimura Shori Shimura O Fisco não apontou fato contábil capaz de materializar a relação empregatícia. Condições especificas de trabalho, folhas medição serviços, ausência declaração pró labore em GFIP, dados históricos de empresa e forma de pagamento pelo valor global e sucessivo, esses elementos, por si só, não caracterizam relação empregatícia 109 Hamilton Gajardone Sm Servicos e Manutencao Ltda – Me O Fisco não apontou fato contábil capaz de materializar a relação empregatícia. Condições especificas de trabalho, folhas medição serviços, ausência declaração pró labore em GFIP, dados históricos de empresa e forma de pagamento pelo valor global e sucessivo, esses elementos, por si só, não caracterizam relação empregatícia 110 Vitalio Bondarczuk Smc Consultoria e Engenharia Ltda Em 22/06/2009, recebeu participação nos resultados da Recorrente, conforme conta contábil 2.1.08.08.000001 – Participação Resultados Geral Ano Anterior. 111 Ana Maria Silva Moraes Solucao Consultoria Ltda Em 26/06/2009 e 22/07/2009, recebeu participação nos resultados da Recorrente, conforme conta contábil 2.1.08.08.000001 – Participação Resultados Geral Ano Anterior. 112 Wallace Ferreira Lobo Junior Stw Engenharia S/C Ltda Em 19/06/2009, recebeu participação nos resultados da Recorrente, conforme conta contábil 2.1.08.08.000001 – Participação Resultados Geral Ano Anterior. 113 Vitor Szklarz Szk Engenharia Ltda O Fisco não apontou fato contábil capaz de materializar a relação empregatícia. Condições especificas de trabalho, folhas medição serviços, ausência declaração pró labore em GFIP, dados históricos de empresa e forma de pagamento pelo valor global e sucessivo, esses elementos, por si só, não caracterizam relação empregatícia 114 Joaquim Humberto Dias Marçal Szuster & Marcal Projetos Arquitetonicos Manutencao e Operação de Equipam Ltda Em 29/06/2009, recebeu participação nos resultados da Recorrente, conforme conta contábil 2.1.08.08.000001 – Participação Resultados Geral Ano Anterior. 115 Tadeu Pimentel da Silva Tadeu Pimentel da Silva O Fisco não apontou fato contábil capaz de materializar a relação empregatícia. Condições especificas de trabalho, folhas medição serviços, ausência declaração pró labore em GFIP, adiantamentos para viagens de forma isolada e forma de pagamento pelo valor global e sucessivo, esses elementos, por si só, não caracterizam relação empregatícia 116 Tovar Geraldo Peixoto Figueiredo Tec Obras Engenharia Ltda Em 03/07/2009 e 07/08/2009, recebeu participação nos resultados da Recorrente, conforme conta contábil 2.1.08.08.000001 – Participação Resultados Geral Ano Anterior. 117 Waldemar Krepke Tecnap Tecnologia Aplicada Ltda O Fisco não apontou fato contábil capaz de materializar a relação empregatícia. Condições especificas de trabalho, folhas medição serviços, ausência declaração pró labore em GFIP e forma de pagamento pelo valor global e sucessivo, esses elementos, por si só, não caracterizam relação empregatícia 118 Luiz Cláudio Costa Marques Topgyn Telecomunicações Ltda O Fisco não apontou fato contábil capaz de materializar a relação empregatícia. Condições especificas de trabalho, folhas medição serviços, ausência declaração Fl. 19962DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721726/201317 Acórdão n.º 2402004.595 S2C4T2 Fl. 21 39 pró labore em GFIP e forma de pagamento pelo valor global e sucessivo, esses elementos, por si só, não caracterizam relação empregatícia 119 Mauricio Jose Marzano do Nascimento Tritech Consultoria e Projetos Ltda O Fisco não apontou fato contábil capaz de materializar a relação empregatícia. Condições especificas de trabalho, folhas medição serviços, ausência declaração pró labore em GFIP e forma de pagamento pelo valor global e sucessivo, esses elementos, por si só, não caracterizam relação empregatícia 120 Francisco Rodrigues Carneiro Vale Eletricidade Ltda O Fisco não apontou fato contábil capaz de materializar a relação empregatícia. Condições especificas de trabalho, folhas medição serviços, ausência declaração pró labore em GFIP e forma de pagamento pelo valor global e sucessivo, esses elementos, por si só, não caracterizam relação empregatícia 121 Leonir Roberto Vandresen Vandresen Manut. Eletrica Industria Ltda Em 22/06/2009, recebeu participação nos resultados da Recorrente, conforme conta contábil 2.1.08.08.000001 – Participação Resultados Geral Ano Anterior. É possível extrair dessa Tabela 1 a situação dos prestadores de serviços em dois grupos, a saber: (i) Grupo 1, há elementos fáticos caracterizadores da relação empregatícia; e (ii) Grupo 2, o Fisco não apontou elementos fáticos suficientes para caracterização da relação empregatícia. Com isso, passarei a discorrer sobre cada grupo. (i) GRUPO 1 à há elementos fáticos caracterizadores da relação empregatícia Dos elementos indicados no campo “FATO CONTÁBIL” da Tabela 1, tem se que os registros contábeis referentes à concessão de férias, pagamentos de despesas de viagens, assistência a viagem, plano de saúde, treinamentos e cursos, lanches, telefone, PLR, dentre outras, são verbas alheias a relação de prestação de serviço entre pessoas jurídicas e/ou pessoa física, e tais registros materializam elementos típicos de relação empregatícia. A rubrica férias é ocorrência típica de uma relação de emprego, porquanto decorre da aquisição do direito do trabalhador empregado ao descanso remunerado pelo período de 30 (trinta) dias, após 12 meses de serviço prestado, cuja disciplina está prevista nos arts. 129 e seguintes da CLT. Transcende ao cotidiano de uma relação jurídica entre empresas a concessão pelo gozo de férias. Da mesma forma, não é crível que, numa relação jurídica meramente civil, o tomador de serviço assuma o ônus de despesas que são inerentes ao risco da atividade econômica da empresa prestadora de serviço, como pagamentos de despesas de viagens, despesas de assistência à viagem, treinamentos e cursos, lanches e gastos com telefone. A detenção pelo prestador de serviço dos meios materiais, incluindo os recursos financeiros, à execução do objeto contrato é também um dos elementos que diferenciam a prestação de serviço meramente civil de uma prestação de serviço sob a forma empregatícia. Noutra senda, o pagamento a título de PLR está vinculado ao alcance de metas pelos empregados, estabelecidas por meio de negociação entre esses e o empregador, nos termos previstos na Lei 10.101/2000. Entre pessoas jurídicas não existe pagamento de PLR. A própria Lei 10.101/2000 traz em seu bojo diversos sinais indicando que se trata de vantagem auferida por trabalhadores contratados mediante vínculo de emprego, como por Fl. 19963DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 40 exemplo, a necessidade de assistência do sindicato representativo da categoria quando da estipulação das metas e objetivos. Acrescentase a isso o fato de que os empregados registrados formalmente pela Recorrente receberam os valores a título de PLR na competência 06/2009 e os supostos sócios das empresas contratadas nas competências 06/2009 e 07/2009. Esses fatos não foram objetivamente enfrentados pela Recorrente na peça defensiva. Ou seja, o contribuinte não explicou porque pagou vantagens como férias, despesas de viagens, telefone, plano de saúde, treinamentos e cursos, lanches e PLR a certos prestadores de serviço que diz terem sido contratados como pessoas jurídicas, sem existência de qualquer vínculo caracterizador da relação de emprego. Assim, considerando que a Recorrente não logrou provar que a prestação de serviço ocorreu de forma diversa da apontada no Relatório Fiscal, mantenho o lançamento nesse particular, já que o fato contábil registrado na Tabela 1 somado aos aspectos que passarei a registrar demonstra os requisitos da relação empregatícia. Registrase que nada há que se discutir que essa atuação representa violação à competência da Justiça do Trabalho, eis que a legislação tributária expressamente confere atribuição à autoridade fiscal para impor “sanções” sobre os atos ilícitos e viciados verificados no sujeito passivo, permitindo a aplicação da norma tributária material (artigos 142 e 149, incisos I e VII, ambos do CTN), ainda que alheia à formalidade da situação encontrada. Portanto, é certo que a autoridade do FiscoPrevidenciário, no intuito de aplicar a norma previdenciária ao caso em concreto, detém autonomia ou poderes para caracterizar um pacto laboral empregatício em que o contribuinte entendia não haver, e, para tanto, está perfeitamente autorizada a desconsiderar atos e negócios jurídicos, em que se vislumbra manobras e condutas demonstradas ilegais, com intuitos inequivocamente evasivos. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. ......................................................................................................... Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; (...) VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; (g.n.) Insta mencionar ainda que, ao considerar um pacto laboral empregatício em que o contribuinte entendia não haver, o Fisco não está a invadir a competência outorgada à Justiça do Trabalho – nem está realizando a desconsideração de pessoa jurídica prevista no art. 50 do Código Civil, nem tampouco está desobedecendo à regra estampada no art. 129 da Lei 11.196/2005 –, já que a sua ação não está voltada para fins relacionados exclusivamente ao Fl. 19964DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721726/201317 Acórdão n.º 2402004.595 S2C4T2 Fl. 22 41 direito trabalhista e ao direito civil, mas sim ao cumprimento fiel e irrestrito da legislação previdenciária, e encontra respaldo legal no artigo 229, § 2°, do Decreto 3.048/1999. Assim, a legislação previdenciária possibilita que o Fisco proceda dessa forma. Decreto 3.048/1999 – Regulamento da Previdência Social (RPS): Art. 9º. São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural a empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; (...) Art. 229. O Instituto Nacional do Seguro Social é o órgão competente para: (...) §2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. (g.n.) Em decorrência do procedimento de Auditoria Fiscal realizado na Recorrente, o Fisco verificou que os sócios de várias empresas que lhe prestavam serviços eram, na realidade, segurados empregados da Recorrente, por estarem presentes na prestação de serviços os seguintes requisitos: (i) pessoalidade; (ii) não eventualidade; (iii) subordinação; e (iv) remuneração. Esse entendimento do Fisco de que os supostos sócios das empresas contratadas são segurados empregados da Recorrente está consubstanciado nos seguintes elementos fáticos probatórios, que foram delineados no Relatório Fiscal e comprovados nos autos, dentre outros: 1. os trabalhadores foram inseridos no processo produtivo da atividade do sujeito passivo e que a especialização deles confundese com as atividades finalísticas da Leme (Recorrente); 2. não consta dos autos qualquer indício de se tratar de ocorrência isolada ou de contratação excepcional justificada pelo fato de o profissional ser detentor de notória especialização única e singular, acima de qualquer competição entre os profissionais existentes no ramo; 3. os serviços objeto do Auto de Infração relacionamse direta ou indiretamente com atividade fim da Recorrente, com atividade de desenvolvimento de trabalhos técnicos de engenharia para usinas de Fl. 19965DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 42 energia elétrica e infraestrutura, com a elaboração e entrega de projetos completos; 4. em vários contratos, houve pagamentos mensais aos prestadores de serviços; 5. somados aos elementos típicos da relação empregatícia enumerados na Tabela 1 (fato contábil) – designados de elementos de concretude da relação empregatícia: concessão de férias; pagamentos de despesas de viagens, assistência a viagem, plano de saúde, treinamentos e cursos, lanches, telefone; pagamentos aos supostos sócios das empresas contratadas a título de PLR. Esses elementos fáticos probatórios apontados acima, no meu entendimento, caracterizam a fraude objetiva da relação empregatícia em decorrência da “pejotização” de empregados3, tal como propugnado por Mario de La Cueva, eis que presentes os requisitos da relação de emprego (pessoalidade, subordinação, não eventualidade, onerosidade e alteridade – art. 12, inciso I, alínea “a”, da Lei 8.212/1991, e arts. 2º e 3º da CLT), numa determinada prestação ou relação de trabalho, é indiferente para a relação empregatícia a presença ou não do consilium fraudis (elemento subjetivo a máfé, o intuito malicioso de prejudicar) entre as partes ou mesmo da conscientia fraudis (elemento subjetivo com a consciência ou vontade de fraudar) por parte do empregador, com o consequente afastamento dos atos fraudulentos e o reconhecimento da relação de emprego entre as partes. Em outras palavras, é somatório de fatos importantes, que se fossem analisados isoladamente seriam apenas presunções, mas é o conjunto probatório, harmônico entre si e no mesmo sentido, que conduz à inevitável conclusão de que os supostos sócios configuram segurados empregados da Recorrente, materializados por meio da fraude objetiva da relação empregatícia. Dizse objetiva a fraude nas relações empregatícias porque, ao contrário do que ocorre no direito civil, para a sua averiguação “(...) basta a presença material dos requisitos da relação de emprego, independentemente da roupagem jurídica conferida à prestação de serviços (parceria, arrendamento, prestação de serviços autônomos, cooperado, contrato de sociedade, estagiário, representação comercial autônoma, etc.), sendo irrelevante o aspecto subjetivo consubstanciado no animus fraudandi do empregador, bem como eventual ciência ou consentimento do empregado com a contratação irregular, citandose, v.g, nesta última hipótese, a irrelevância dos termos de adesão às falsas cooperativas pelos trabalhadores com vistas a alcançar um posto de trabalho dentro de determinada empresa; a inscrição, e consequente prestação de serviços, como autônomo ou representante comercial, apesar da existência de um vínculo empregatício; a exigência de constituição de pessoa jurídica (“pejotização”) pelo trabalhador para ingressar no emprego etc., posto que constituem instrumentos jurídicos insuficientes para afastar o contratorealidade entre as partes” (artigo Fraudes nas Relações de Trabalho: Morfologia e Transcendência. Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, n. 36, 2010; pág. 170/171) Com esse mesmo entendimento o doutrinador Américo Plá Rodrigues afirma que “(...) a existência de uma relação de trabalho depende, em consequência, não do que as partes tiverem pactuado, mas da situação real em que o trabalhador se ache colocado, porque [...] a aplicação do Direito do trabalho depende cada vez menos de uma relação jurídica subjetiva do que de uma situação objetiva, cuja existência é independente do ato que 3 Como elucida Célia Regina Camachi Stander, o vocábulo “pejotização” constitui um neologismo originado da sigla “PJ”, a qual é utilizada para designar a expressão “pessoa jurídica” (STANDER, Célia Regina Camachi. Fraude por meio de cooperativa e de constituição de pessoa jurídica por trabalhadores. Revista da Escola da Magistratura do Tribunal Regional do trabalho da 2ª Região, São Paulo, Ano I, n. 1, set. 2006, p. 105). Fl. 19966DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721726/201317 Acórdão n.º 2402004.595 S2C4T2 Fl. 23 43 condiciona seu nascimento. Donde resulta errôneo pretender julgar a natureza de uma relação de acordo com o que as partes tiverem pactuado, uma vez que, se as estipulações consignadas no contrato não correspondem à realidade, carecerão de qualquer valor” (Apud DE LA CUEVA, Mario; Princípios de Direito do Trabalho; São Paulo; LTr, 2002, pág. 340) (g.n.). No presente caso analisado, constatase que, por meio do processo de “pejotização”, o empregador (Recorrente) transmudou os supostos sócios, pessoas físicas, prestadores de serviços como uma pessoa jurídica (sociedade civil ou sociedade simples), formalizandose um contrato de natureza comercial ou civil, com a consequente emissão de notas fiscais pelos trabalhadores, não obstante a prestação de serviços revelarse como típica relação empregatícia. Tal “pejotização” dos empregados foi evidenciada em decorrência dos seguintes elementos fáticos: 1. os segurados caracterizados pelo Fisco como empregados podem até exercer uma atividade específica, mas a sua especialização confunde se com as atividades típicas da Recorrente, que sempre foi o desenvolvimento de trabalhos técnicos relacionados à engenharia para usinas de energia elétrica e infraestrutura. Sua atividade consiste na elaboração e execução de projetos completos de engenharia relativos a determinadas obras; 2. embora os segurados caracterizados pelo Fisco como empregados detenham conhecimentos técnicos, o knowhow do desenvolvimento das atividades é determinado pela Recorrente, que detém todo o controle da prestação de serviços; 3. algumas empresas contratadas prestam serviços exclusivos para a Recorrente, com a geração de uma dependência econômica, uma vez que todos os ganhos são aferidos na condição de remuneração do labor, tendo natureza salarial, conquanto os segurados caracterizados como empregados sejam obrigados à emissão de notas fiscais; 4. as empresas contratadas não possuem a assunção de riscos econômicos, pois estes estão concentrados na atividade da Recorrente, sendo esta que atua verdadeiramente no mercado. Vejamos também decisões de nossos tribunais sobre a “pejotização” no âmbito da relação empregatícia. “FRAUDE. PJ. SERVIÇOS PESSOAIS E SUBORDINADOS, SOB A ROUPAGEM DE PESSOA JURÍDICA. VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECONHECIDO. Restou evidenciado nos autos que, para as atividades nas quais atuou o reclamante, necessitava a reclamada de um empregado típico, ou seja, não eventual, subordinado a horário, e que prestasse serviços habituais e pessoais. E foi isto exatamente o que fez a ré: contratou um autêntico empregado, ainda que sob a roupagem de "PJ" (pessoa jurídica). Ocorre que o pacto de trabalho é um contrato realidade, configurandose do desdobramento da realidade fática que envolve toda a prestação de serviços, Fl. 19967DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 44 independentemente do rótulo contratual formal. Prestigiase assim, a decisão de origem que, em face da presença dos elementos tipificadores dos artigos 2º e 3º da CLT, reconheceu o vínculo empregatício. Recurso patronal a que se nega provimento.” (TRT 2ª Região, RO, Proc. 01588.2006.070.02.00.2, 4ª T., Rel. Juiz Ricardo Artur Costa e Trigueiros, j. 12.2.2008, p. 22.2.2008). ......................................................................................................... “VÍNCULO DE EMPREGO. Atuação de empregado por intermédio de pessoa jurídica. Fraude caracterizada. Num contexto em que o empregado atua em serviço inerente à atividade normal da contratante, com pessoalidade, subordinação, não eventualidade, ainda que por intermédio de "pessoa jurídica" condição imposta para a continuidade da prestação do serviço fica estampada a fraude. Incidência da regra de proteção contida no art. 9º do mesmo Estatuto. Vínculo de emprego configurado. Recurso a que se dá provimento.” (TRT 2ª Região, RO – Proc. 02014.2005.067.02.00.8, Acórdão 20080868538, 10ª T., Rel. Juíza Marta Casadei Momezzo, J. 30.9.2008, p. 14.10.2008). (g.n.) Portanto, no lançamento fiscal ora analisado, o Fisco verificou as características de segurado empregado na relação jurídica material estabelecida inicialmente entre os supostos sócios das empresas prestadoras de serviços e a Recorrente, desconsiderou o vínculo associativo pactuado e efetuou o respectivo enquadramento para o segurado na qualidade de empregado, conforme preconiza o art. 12, inciso I, alínea “a”, da Lei 8.212/1991, in verbis: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço [pessoalidade] de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual [habitualidade], sob sua subordinação e mediante remuneração [onerosidade], inclusive como diretor empregado; (grifos e notas pessoais acrescidas) Pelo contrário do afirmado na peça recursal, compulsando os autos do presente processo, verificamse os seguintes elementos fáticoprobatórios que caracterizam a relação empregatícia, inclusive a subordinação entre a Recorrente e os segurados caracterizados pelo Fisco como empregados para fins tributários: 1. pessoalidade, os segurados prestaram serviços e não foram substituídos por outras pessoas, tendo em vista a natureza dos serviços prestados por eles (serviços de engenharia, gerente de projeto, gestor de desenvolvimento de negócios, e geologia, dentre outros). Isso está devidamente consubstanciada, dentre outros elementos juntados aos autos, nos itens 3.3.2 a 3.3.96 do Relatório Fiscal; 2. onerosidade, as pessoas elencadas na ação fiscal receberam remuneração de forma habitual, eis que houve pagamentos, efetuados pela Recorrente, aos supostos sócios das empresas, em razão dos Fl. 19968DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721726/201317 Acórdão n.º 2402004.595 S2C4T2 Fl. 24 45 serviços por estes prestados, conforme verificado pelo Fisco nas notas fiscais de prestação de serviço e nos respectivos lançamentos contábeis; 3. caráter não eventual é aquele relacionado direta ou indiretamente com as atividades normais da empresa. Ficou demonstrado que os segurados executaram os serviços durante vários meses seguidos (período de 01/2008 a 12/2009); 4. subordinação, o Fisco identificou, ao longo da prestação dos serviços, que os supostos sócios atendiam as atividades típicas da Recorrente. Entendo que a subordinação jurídica foi devidamente materializada pelo Fisco – conforme os elementos de concretude da relação empregatícia enumerados na Tabela 1 (fato contábil) –, e vislumbro que, de acordo com os documentos acostados nos autos, há também uma subordinação estrutural ou objetiva4, conforme o ensinamento de Maurício Godinho Delgado5, eis que os segurados caracterizados como empregados pelo Fisco estão subordinados à Recorrente quando seu trabalho integra as atividades que fazem parte do objeto social da empresa. Neste particular, resta caracterizada a subordinação objetiva no momento em que o trabalho prestado pelos supostos sócios estava inserido no objeto social da Recorrente. Registrase ainda que não há como afastar a conclusão no sentido de que, isoladamente, o simples fato da prestação de serviços, realizados pelos sócios das empresas contratadas, abarcar algumas atividades especificadas no objeto social de constituição da Recorrente, isso, por si só, não configuraria uma relação empregatícia. Por sua vez, pontuese que a prova cabal da relação de emprego pode se tornar impossível se se impuser que os elementos que compõem essa relação sejam demonstrados de forma inafastável, extreme de dúvidas. Pela limitações de tempo e de procedimento de auditoria fiscal, baseada em fatos pretéritos e em informações declaradas pelo sujeito passivo nos documentos contábeis, inerentes ao ato de lançamento fiscal, não é factível exigir do Fisco uma demonstração cabal, definitiva da relação empregatícia, porque isso seria impor algo que ele não pode alcançar: “a verdade real”. Entretanto, nesse GRUPO 1, composto pelos segurados que não fazem parte dos itens enumerados no GRUPO 2, o que se observa são vários elementos probatórios que, soltos, de per se, não configurariam, em tese, relação empregatícia, mas que, somados, formam um panorama caracterizador da fraude objetiva da relação empregatícia, atraindo a incidência da contribuição previdenciária sobre a remuneração dos segurados configurados como empregados. Dessa forma, ao contrário do alegado pela Recorrente, entendo que, para os segurados do GRUPO 1, foram apontados elementos suficiente a caracterização do vínculo descrito pela auditoria fiscal, qualificando os segurados como empregados para fins tributários. 4 Mauricio Godinho Delgado ensina que “A subordinação objetiva, ao invés de se manifestar pela intensidade de comandos empresariais sobre o trabalhador (conceito clássico), despontaria da simples integração da atividade laborativa obreira nos fins da empresa. Com isso reduziase a relevância da intensidade de ordens, substituindo o critério pela idéia de integração aos objetivos empresariais.” 5 DELGADO, Mauricio Godinho. Direitos Fundamentais na Relação de Trabalho, Revista do Ministério Público do Trabalho, Brasília, ano XVI, n. 31, mar. 2006, pág. 45. Disponível para download em: http://www.anpt.org.br/site/download/revistampt31.pdf. Fl. 19969DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 46 Cumpre esclarecer que as alegações da Recorrente, registradas na peça recursal e na peça de impugnação, não estão consubstanciadas em documentos probatórios e sim em meros relatos que a relação estabelecida entre ela e os segurados seria não empregatícia. As alegações da Recorrente, desacompanhadas de elementos subjacentes ao fato que se pretende comprovar, não constituem, por si só, elementos de prova. Além disso – visando comprovar a fidedignidade dos registros contidos nos seus documentos declaratórios do pacto laboral firmado entre as empresas e a Recorrente, exposta na sua tese de defesa –, caberia à Recorrente apresentar documentos, contemporâneos à prestação de serviços, contábeis e fiscais que demonstrassem o contrário do que foi apontado e comprovado pelo Fisco como relação empregatícia. Esse entendimento está consubstanciado na regra estabelecida pelo art. 333 do CPC, eis que cabe ao autor (Fisco) o ônus de provar os fatos constitutivos de seu direito – no qual entendo que foi materializado no Relatório Fiscal e nos documentos acostados aos autos –, e cabe à Recorrente comprovar à existência de qualquer fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do Fisco, fato este que não foi comprovado para algumas empresas contratadas. Código de Processo Civil – CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (g.n.) Assim, independentemente da figura contratual adotada pelas empresas contratadas e a Recorrente, uma vez ausente a autonomia organizacional do trabalho dos prestadores de serviços, com o exercício da sua atividade laboral de forma pessoal e sob a direção do tomador (Recorrente), e sem assunção ativa (propriedade dos meios de produção) e passiva (responsabilidade pelos riscos do empreendimento), estáse diante de típica relação de emprego, o que invoca a aplicação dos artigos 142 e 149, incisos I e VII, ambos do CTN, combinados com o art. 12, inciso I, alínea “a”, da Lei 8.212/1991. É importante frisar que, para fins tributários, a comprovação da relação empregatícia não depende exclusivamente da demonstração da ocorrência de dolo, culpa ou fraude na constituição das empresas associadas ao sujeito passivo, ao contrário do que entende a Recorrente. Não cogitou o legislador sobre o elemento volitivo que originou a relação jurídica tributária. A obrigação da empresa é recolher a contribuição social previdenciária decorrente dos segurados empregados, devidamente relacionados e caracterizados diante da realidade fática evidenciada pelo Fisco, não cabendo a este analisar os motivos subjetivos do não recolhimento dos tributos. Vale mencionar que o art. 136 do CTN, ao eleger como regra a responsabilidade objetiva, isenta a autoridade fiscal de buscar as provas da intenção do infrator, conforme transcrito abaixo: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. (g.n.) Na peça recursal, a Recorrente alega que o Fisco não pode desconsiderar a personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços, que foram legalmente Fl. 19970DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721726/201317 Acórdão n.º 2402004.595 S2C4T2 Fl. 25 47 constituídas, e apurar pretensas contribuições sociais previdenciárias. Tal argumento é impertinente ao presente processo, eis que restou demonstrado nos autos que não ocorreu desconsideração nem despersonalização da personalidade jurídica, sendo que a apuração das contribuições lançadas decorre dos documentos contábeis e fiscais da Recorrente e da realidade fática encontrada na atividade laboral dos prestadores de serviços, estes caracterizados como segurados empregados. Ainda dentro desse contexto da relação obrigacional tributária previdenciária objetiva – prevista no art. 136 do CTN, susomencionado –, registrase que a regra do art. 129 da Lei 11.196/2005 – ao estabelecer que a prestação de serviços intelectuais, para fins fiscais e previdenciários, se sujeita tãosomente à legislação aplicável às pessoas jurídicas – não tem o condão de afastar a realidade fática encontrada na atividade laboral dos prestadores de serviços específicos para a Recorrente, eis que tal regra deve ser interpretada sistematicamente com as demais normas do ordenamento jurídico brasileiro – inclusive com as normas pertinentes à legislação tributária –, não possuindo o arrimo de afastar o reconhecimento do vínculo de emprego entre o trabalhador, contratado sob o manto de pessoa jurídica, e o empregador. Lei 11.196/2005: Art. 129. Para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tãosomente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do disposto no art. 50 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 – Código Civil. Esse entendimento de que a regra do art. 129 da Lei 11.196/2005 deve ser interpretada sistematicamente com as demais normas do ordenamento jurídico brasileiro é extraído das lições de Alice Monteiro de Barros que registra: “[...] O fato de o trabalho executado ser intelectual não descaracteriza o liame empregatício, pois ele consistirá sempre na exteriorização e no desenvolvimento da atividade de uma pessoa em favor de outrem. Por outro lado, inexiste incompatibilidade jurídica, tampouco moral, entre o exercício dessa profissão e a condição de empregado. Isso porque a subordinação é jurídica, e não econômica, intelectual ou social; ela traduz critério disciplinador da organização do trabalho, sendo indispensável à produção econômica”. (BARROS, Alice Monteiro de. Curso de direito do trabalho. São Paulo: LTr, 2005, p. 256) (g.n.) Além disso, constam apenas alegações de que os sócios das empresas contratadas desenvolviam atividades intelectuais, sem qualquer comprovação do exercício dessa atividade nos autos. Por sua vez, os autos demonstram que os sócios das empresa contratadas não se dedicavam somente à elaboração de projetos, esta atividade intelectual ou cientifica, eles se dedicavam também à execução desses projetos, tanto que o trabalho intelectual dos supostos sócios seria um dos elementos das atividades da Recorrente, cujo produto final seria, não o esforço de criação desses sócios, mas em vez disso, a obra realizada, com seus vários componentes. Fl. 19971DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 48 Com efeito, o Fisco tem competência para afastar os efeitos de negócios jurídicos formalizados com aparência de licitude tributária, quando, de acordo com os elementos fáticos evidenciados no procedimento de auditoria fiscal, revelarem que foram celebrados com o objetivo de não possibilitar a incidência da contribuição social previdenciária, haja vista que relativamente ao plano da eficácia, tais negócios não são oponíveis ao Fisco. Nesse sentido, deve o Fisco efetuar o lançamento, constituindo o crédito tributário, como determinam os artigos 142 e 149, incisos I e VII, ambos do CTN, combinados com o art. 12, inciso I, alínea “a”, da Lei 8.212/1991. A Recorrente alega que os tributos retidos na fonte (IRRF, PIS, COFINS e CSLL) sejam apropriados nos valores apurados pelo Fisco no tomador de serviços. Tal alegação não será acatada, tendo em vista que, quando da emissão de nota fiscal ou fatura da prestação de serviços, a retenção constante dessa nota fiscal tem o condão de pagar os tributos do próprio prestador de serviços e não do tomador de serviços. Portanto, o recolhimento foi efetuado para o prestador de serviços e não para o tomador de serviços, ora Recorrente e responsável pelo recolhimento da contribuição dos segurados caracterizados como empregados. Considerando que os tributos recolhidos a título de retenção foram efetuados para o próprio prestador de serviços e não para a Recorrente – ora empregadora da mão de obra configurada pelo Fisco –, os valores constantes das notas fiscais a título de retenção não poderão ser descontados dos tributos apurados pelo Fisco na Recorrente, já que se trata de sujeitos passivos distintos o responsável pelo valores apurados pelo Fisco e o destino dos recolhimentos efetuados a título de retenção. (ii) GRUPO 2 à o Fisco não apontou elementos fáticos suficientes para caracterização da relação empregatícia Por sua vez, relativamente a certos Prestadores, conforme Tabela 1, o Fisco deixou de trazer os elementos fáticos, extraídos dos registros contábeis, que evidenciam tratar se de prestação de serviço mediante contrato de emprego. A simples alusão genérica a condições específicas de trabalho, folhas de medição de serviços, ausência de declaração pró labore em GFIP e forma de pagamento pelo valor global e sucessivo, por si só, não são suficientes a demonstrar os elementos caracterizadores da relação de emprego. Nesse particular, em relação tais prestadores, conforme Tabela 1 acima (no itens: 3, 4, 14, 16, 17, 23, 25, 26, 29, 32, 34, 35, 37, 38, 39, 40, 41, 48, 49, 50, 51, 52, 53, 54, 60, 68, 74, 76, 77, 79, 81, 82, 84, 85, 88, 90, 91, 92, 94, 95, 96, 97, 99, 100, 103, 104, 106, 108, 109, 113, 115, 117, 118, 119 e 120), entendo que o crédito tributário não procede. Assim, para os prestadores de serviços enumerados nos itens retromencionados da Tabela 1 (GRUPO 2), os elementos fáticos apontados pelo Fisco não possuem um elemento de concretude da relação empregatícia, eis que eles não são capazes de afirmar se era efetivamente a Recorrente que dirigia a prestação pessoal desses serviços, nem houve uma caracterização nítida, evidente, do requisito subordinação. Nessa toada, registrase que não há fundamento para tentar reduzir todas as formas de prestação de serviços por pessoa física a outra pessoa física ou jurídica à figura da relação jurídica empregatícia, porque realidades diversas reclamam enquadramento jurídico diverso. De fato, a simples prestação de serviço por pessoa física, ser útil ou inserirse no processo produtivo da empresa tomadora de serviços – ou ser prestado em determinada localidade ou na instalação da Recorrente –, não induz, por si só, ao reconhecimento da relação de emprego, pois esta requer a presença de todos os requisitos previstos no art. 12, inciso I, Fl. 19972DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721726/201317 Acórdão n.º 2402004.595 S2C4T2 Fl. 26 49 alínea “a”, da Lei 8.212/1991 combinados com os requisitos dos arts. 2º e 3º da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), a saber: (i) serviço prestado por pessoa física; (ii) pessoalidade; (iii) continuidade (caráter não eventual); (iv) onerosidade; e (v) a subordinação. No que tange à arguição de ilegalidade da legislação tributária que dispõe sobre a utilização da taxa de juros (Taxa SELIC), frisese que é incabível a sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis as normas reguladas na Lei 8.212/1991. Isso está em consonância com o Enunciado nº 2 de Súmula do CARF: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Esclarecemos que foi correta a aplicação do índice pelo Fisco, pois o art. 144 do CTN dispõe que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e regese pela lei então vigente, ainda que modificada ou revogada, e a cobrança de juros (taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC) estar prevista em lei específica tributária, art. 5o, §3o, da Lei 9.430/1996, transcrito abaixo: Art. 5o. (...) § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Com o mesmo entendimento, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) manifestouse que é legitima a incidência da Taxa SELIC sobre os tributos não recolhidos no prazo legal, conforme ficou assentado no Recurso Especial n° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996 (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. A propósito, convém mencionar que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria por meio do enunciado da Súmula nº 4 (Portaria MF no 383, publicada no DOU de 14/07/2010), nos seguintes termos: Fl. 19973DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 50 Súmula CARF nº 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Não tendo o contribuinte recolhido à contribuição previdenciária em época própria, tem por obrigação arcar com o ônus de seu inadimplemento. Caso não se fizesse tal exigência, poderseia questionar a violação ao principio da isonomia, por haver tratamento similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que não recolheram no prazo fixado pela legislação. Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de cobrança de juros, estando os valores descritos no lançamento fiscal, em consonância com o prescrito pela legislação tributária acima mencionada, já que as contribuições sociais não recolhidas à época própria ficam sujeitas aos juros SELIC e multa de mora, todos de caráter irrelevável. Isso está em consonância com o próprio art. 161, § 1°, do CTN, pois havendo legislação especifica dispondo de modo diverso, abrese a possibilidade de que seja aplicada outra taxa e, no caso das contribuições previdenciárias pagas com atraso, a taxa utilizada é a SELIC. Lei 5.172/1966 Código Tributário Nacional (CTN): Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (g.n.) O disposto no art. 161 do CTN não estabelece norma geral em matéria de legislação tributária. Portanto, sendo materialmente lei ordinária pode ser alterado por outra lei de igual status, não havendo necessidade de lei complementar. Ainda, conforme estabelecem os arts. 35 e 35A da Lei 8.212/1991, com as alterações da Lei 11.941/2009, a multa de mora (20%) deverá ser afastada e deverá ser aplicada a multa de ofício (75%), eis que se trata de lançamento de ofício. Essa sistemática de aplicação da multa, oriunda de obrigação tributária principal, sofreu alteração por meio do disposto nos artigos 35 e 35A, ambos da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 11.941/2009. Lei 8.212/1991: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (g,n,) ......................................................................................................... Lei 9.430/1996: Fl. 19974DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721726/201317 Acórdão n.º 2402004.595 S2C4T2 Fl. 27 51 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em decorrência da disposição acima, percebese que a multa prevista no art. 61 da Lei 9.430/96, se aplica aos casos de contribuições que, embora tenham sido espontaneamente declaradas pelo sujeito passivo, deixaram de ser recolhidas no prazo previsto na legislação. Esta multa, portanto, se aplica aos casos de recolhimento em atraso, que não é o caso do presente processo. Por outro lado, a regra do art. 35A da Lei 8.212/1991 (acrescentado pela Lei 11.941/2009) aplicase aos lançamentos de ofício, que é o caso do presente processo, em que o sujeito passivo realizou compensações indevidas e, consequentemente, deixou de recolher contribuições previdenciárias, com o percentual 75%, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/1996. Lei 8.212/1991: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. (g.n.) Assim, não havendo o recolhimento da obrigação principal não declarada em GFIP, passou a ser devida a incidência da multa de ofício de 75% sobre o valor não recolhido, como segue: Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de cobrança da multa para as competências 01/2009 a 12/2009, estando os valores descritos no lançamento fiscal, bem como os seus fundamentos legais, em consonância com o prescrito pela legislação previdenciária. Fl. 19975DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 52 Também esclareço que não há espaço jurídico para aplicação da multa mais benéfica ao sujeito passivo, eis que o critério jurídico a ser adotado é do art. 144 do Código Tributário Nacional CTN (tempus regit actum: “o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada”). A regra do art. 35A da Lei 8.212/1991 (acrescentado pela Lei 11.941/2009) aplicase aos lançamentos de ofício, que é o caso do presente processo, em que o sujeito passivo deixou de declarar fatos geradores das contribuições previdenciárias e consequentemente de recolhêlos, com o percentual 75%, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/1996. Lei 8.212/1991: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. (g.n.) Assim, não havendo o recolhimento da obrigação principal não declarada em GFIP, passou a ser devida a incidência da multa de ofício de 75% sobre o valor não recolhido, como segue: Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II) DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA: Com relação ao procedimento utilizado pela auditoria fiscal, a Recorrente alega que não houve cumprimento da legislação vigente. Tal alegação não será acatada, eis que o Fisco cumpriu a legislação de regência, ensejando o lançamento de ofício em decorrência da Recorrente ter incorrido no descumprimento de obrigação tributária acessória, conforme os fatos e a legislação a seguir delineados. Verificase que a Recorrente deixou de incluir em folhas de pagamento as remunerações pagas aos segurados empregados, referentes às seguintes verbas: 1. abono salarial sem previsão legal de sua exclusão da base de incidência, ANEXO AB 2008; 2. aluguéis de moradia desvinculada da necessidade do trabalho, pois o vínculo se deu com no local onde foi oferecida a moradia, apartamento, Sr. Jean Bouckaert, gerente de projeto elétricos; 3. Cartão Ecx Cad – combustível sem comprovação, cartões disponibilizados aos gerentes Dejair Soares Porto e Carlos Roberto de Oliveira para despesas com uso de veículo próprio, no período de janeiro de 2008 a janeiro de 2009 no valor de R$507,50 por mês; Fl. 19976DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721726/201317 Acórdão n.º 2402004.595 S2C4T2 Fl. 28 53 4. reembolso óculos e despesas farmácia paga apenas aos empregados da filial Florianópolis, ANEXO OC e RO 2008 e ANEXO RO 2009; ANEXO DF e FA 2008; anexo FA 2009; 5. participação dos empregados nos resultados, sem, no entanto, atender as exigências legais, ANEXO PL 2008 e ANEXO PL 2009. Com isso, a Recorrente incorreu na infração prevista no art. 32, inciso I, da Lei 8.212/1991, transcrito abaixo: Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; (grifos nossos) Esse art. 32, inciso I, da Lei 8.212/1991 é claro quanto à obrigação acessória da empresa e o Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, complementa, delineando a forma que deve ser observada para o cumprimento do dispositivo legal, como, por exemplo, o destaque, em folha de pagamento, de discriminar o nome dos segurado, de agrupar os segurados por categoria e das parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais, conforme preceitua o seu art. 225, § 9o e incisos I a V, in verbis: Art. 225. A empresa é também obrigada a: I preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo manter, em cada estabelecimento, uma via da respectiva folha e recibos de pagamentos; (...) § 9o. A folha de pagamento de que trata o inciso I do caput, elaborada mensalmente, de forma coletiva por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços, com a correspondente totalização, deverá: I discriminar o nome dos segurados, indicando cargo, função ou serviço prestado; II agrupar os segurados por categoria, assim entendido: segurado empregado, trabalhador avulso, contribuinte individual; III destacar o nome das seguradas em gozo de salário maternidade; IV destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais; e V indicar o número de quotas de saláriofamília atribuídas a cada segurado empregado ou trabalhador avulso. (g.n.) Fl. 19977DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 54 Nos termos do arcabouço jurídicoprevidenciário acima delineado, constata se, então, que a Recorrente – ao não apresentar ao Fisco as folhas de pagamento contendo as remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela legislação previdenciária, para as competências 01/2008 a 12/2009 – incorreu na infração disposta no art. 32, inciso I, da Lei 8.212/1991, c/c o art. 225, § 9o, do Regulamento da Previdência Social (RPS). Da mesma forma, enganase a Recorrente ao alegar a não observação ao princípio da tipicidade, uma vez que a Lei 8.212/1991 delimita o valor, prevê sua atualização e remete ao regulamento a fixação do mesmo: Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de CrS 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a CrS 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. (...) Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Nesse sentido, o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/1999, determina: Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de RS 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto n° 4.862, de 2003) I a partir de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) nas seguintes infrações: a) deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com este Regulamento e com os demais padrões e normas estabelecidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social; (...) Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente, referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência. Posteriormente – conforme dispôs a Lei 8.212/1991, artigos 92 e 102, e o Regulamento da Previdência Social (RPS), artigos 283 e 373, todos susomencionados –, a Fl. 19978DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721726/201317 Acórdão n.º 2402004.595 S2C4T2 Fl. 29 55 Portaria Interministerial MPS/MF nº 15, de janeiro de 2013, DOU de 11/01/2013, reajustou o valor da multa. Portanto, o procedimento utilizado pela auditoria fiscal para a aplicação da multa foi devidamente consubstanciado na legislação vigente à época da lavratura do auto de infração. Ademais, não verificamos a existência de qualquer fato novo que possa ensejar a revisão do lançamento em questão nas alegações registradas na peça recursal da Recorrente. Dentro desse contexto fático, depreendese do art. 113 do CTN que a obrigação tributária é principal ou acessória e pela natureza instrumental da obrigação acessória, ela não necessariamente está ligada a uma obrigação principal e decorre de cada circunstância fática praticada pela Recorrente, que será verificada no procedimento de Auditoria Fiscal. Em face de sua inobservância, há a imposição de sanção específica disposta na legislação nos termos do art. 115 também do CTN. Código Tributário Nacional (CTN) – Lei 5.172/1966: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (...) Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal.(g.n.) As obrigações acessórias são estabelecidas no interesse da arrecadação e da fiscalização de tributos, de forma que visam facilitar a apuração dos tributos devidos. Elas, independente do prejuízo ou não causado ao erário, devem ser cumpridas no prazo e forma fixados na legislação. Outro ponto a esclarecer é que essa autuação não é calculada conforme a quantidade de descumprimentos da obrigação acessória, ou em quantos meses a obrigação foi descumprida. Assim, o cálculo é único, bastando um descumprimento para gerar a autuação com o mesmo valor, no caso em tela, as competências 01/2008 a 12/2009 em que a Recorrente deixou de incluir em sua folha de pagamento as remunerações de todos os segurados que lhe prestaram serviços. Fl. 19979DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 56 CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso voluntário e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para reconhecer que: (i) sejam excluídos os valores apurados sobre as notas fiscais emitidas para os sócios das pessoas jurídicas contratadas enumerados nos itens 3, 4, 14, 16, 17, 23, 25, 26, 29, 32, 34, 35, 37, 38, 39, 40, 41, 48, 49, 50, 51, 52, 53, 54, 60, 68, 74, 76, 77, 79, 81, 82, 84, 85, 88, 90, 91, 92, 94, 95, 96, 97, 99, 100, 103, 104, 106, 108, 109, 113, 115, 117, 118, 119 e 120 da Tabela 1 deste voto (GRUPO 2); (ii) sejam excluídos os valores lançados no Levantamento EI ESTAGIO SEM FORMALIDADE LEGAL – ANEXO EI, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 19980DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721726/201317 Acórdão n.º 2402004.595 S2C4T2 Fl. 30 57 Declaração de Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues Analisando o voto proferido pelo i. Conselheiro Relator, no que tange à caracterização da relação jurídica dos prestadores de serviço como segurado empregado, notadamente no que tange à interpretação dada ao art. 129 da Lei nº 11.196/05, peço licença para divergir do exposto acima. Compulsando os autos, verificase que o presente caso, dentre outros, versa sobre a desconsideração da personalidade jurídica de diversas sociedades que prestam serviços de engenharia à Recorrente, com o objetivo de enquadrar os engenheiros como segurados empregados e, consequentemente, exigir as contribuições previdenciárias correspondentes. Inicialmente, cumpre destacar que os serviços prestados por engenheiros são enquadrados como decorrentes de uma profissão intelectual, a qual deve ser entendida como sendo a atividade realizada por pessoa humana, decorrente da sua capacidade criadora, na produção de serviços inerentes às profissões regulamentadas, bem como de obras literárias, artísticas, inventivas e científicas. Notase que, pela própria forma com que os serviços de engenharia são prestados, não há como o serviço ser prestado sem que haja atuação dos sócios, além do fato de que a responsabilidade pelo serviço prestado recai diretamente na pessoa destes, mesmo que eles, eventualmente, não estejam diretamente envolvidos na execução de determinado trabalho. Com isso, não há necessidade de que um profissional naturalmente intelectual (tal como um engenheiro) comprove que os seus serviços foram prestados de forma intelectual, tal como alegado no voto do i. Relator. Muito pelo contrário, caso fosse a hipótese de um profissional intelectual estar prestando serviço diverso da sua formação, sem qualquer caráter intelectual, o ônus da prova recairia à fiscalização. O legislador, visando impedir as diversas autuações que estavam sendo lavradas em face das sociedades prestadoras de serviços intelectuais, em atenção ao princípio constitucional da livre iniciativa, insculpido no art. 170, caput, da CF/88, editou o art. 129 da Lei nº 11.196/05, nos seguintes termos: “Art. 129. Para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tãosomente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do disposto no art. 50 da Lei no10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil.” De acordo com o aludido dispositivo legal, as sociedades prestadoras de serviços intelectuais devem se sujeitar apenas à legislação aplicável às pessoas jurídicas, para fins tributários e previdenciários. Fl. 19981DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 58 Notase que a regra é clara em atingir apenas os efeitos tributários e previdenciários a que uma sociedade profissional poderia estar sujeita, caso sua estrutura jurídica fosse desconsiderada. Assim, cumpre destacar que, independentemente de eventuais vínculos de ordem trabalhista que possam ser configurados nas relações firmadas pelas sociedades profissionais, na seara tributária e previdenciária, especificamente, não haverá que se aplicar outras legislações, senão àquelas aplicáveis às pessoas jurídicas (leiase, neste caso, “sociedades de engenharia”). A única exceção trazida pelo comando legal é de que continua aplicável a desconsideração da personalidade jurídica de que trata o art. 50 do Código Civil, in verbis: “Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica.” De acordo com as regras previstas em tal dispositivo legal, caracterizado o desvio de finalidade ou a confusão patrimonial, é possível que haja a desconsideração da personalidade jurídica para fins fiscais ou previdenciários, desde que efetuada por um juiz de direito. Ou seja, com o advento da regra trazida no art. 129 da Lei nº 11.196/05, não cabe mais à autoridade administrativa buscar os elementos fáticos que seriam necessários à desconsideração da personalidade das sociedades que prestam serviços intelectuais com o fim específico de exigir contribuição previdenciária, como se a relação jurídica firmada entre as partes decorresse do binômio Pessoa Jurídica + Pessoa Física. Esclarecido esse ponto, peço vênia para discordar do voto proferido pelo i. Cons. Relator, no sentido de que o art. 129 deveria ser interpretado sistematicamente para permitir que as sociedades que prestam serviços intelectuais sejam desconsideradas. Transcrevese abaixo trecho do voto: “Ainda dentro desse contexto da relação obrigacional tributária previdenciária objetiva – prevista no art. 136 do CTN, susomencionado –, registrase que a regra do art. 129 da Lei 11.196/2005 – ao estabelecer que a prestação de serviços intelectuais, para fins fiscais e previdenciários, se sujeita tãosomente à legislação aplicável às pessoas jurídicas – não tem o condão de afastar a realidade fática encontrada na atividade laboral dos prestadores de serviços específicos para a Recorrente, eis que tal regra deve ser interpretada sistematicamente com as demais normas do ordenamento jurídico brasileiro – inclusive com as normas pertinentes à legislação tributária –, não possuindo o arrimo de afastar o reconhecimento do vínculo de emprego entre o trabalhador, contratado sob o manto de pessoa jurídica, e o empregador. Isto porque, qualquer interpretação sistemática que se dê para desconsiderar a personalidade Fl. 19982DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721726/201317 Acórdão n.º 2402004.595 S2C4T2 Fl. 31 59 jurídica das sociedades profissionais resultará, indubitavelmente, na negativa de vigência ao art. 129 da Lei nº 11.196/05, o que não se admite.” Nesse sentido, destacase abaixo os comentários de Ives Gandra da Silva Martins6, enfatizando sua preocupação em não ver aplicada a regra inserida no art. 129 da Lei nº 11.196/05: “O TST, inclusive, apenas desconsidera sociedades cuja formação é imposta ao trabalhador, ou seja, quando este não quer constituílas. Ainda recentemente, o Ministro Ives – meu filho – prolatou voto que veio a ser vencedor no sentido de que as sociedades de profissionais ou empregados são legais, desde que surjam por decisão do trabalhador, e não por imposição do empregador. E, neste particular, reside o ponto de maior polêmica. Se o art. 170, parágrafo único, da CF permite a ampla criação de sociedades, sem interferência do Poder Público, a não ser quanto à capacitação dos profissionais (sociedades de advogados tem de ser com advogados), não pode um agente fiscal impor limites que a Constituição Fiscal não impôs. Preocupame muito, nos tempos atuais, essa contínua negação de justiça tributária, por parte do governo, e essa insistência em agir como se o art. 129 da Lei 11.196/05 não existisse, como se fosse “letra morta”, como se fosse essa a norma que necessitasse regulamentação, e não a Lei Complementar 104/01. Infelizmente, a justiça tributária perde terreno, de mais em mais, para a desesperada política de mera arrecadação.” Posto isso, entendo que o art. 129 da Lei nº 11.196/05 deve ser respeitado, de modo a impossibilitar que as contribuições previdenciárias sejam exigidas da Recorrente, como se esta fosse a efetiva empregadora dos engenheiros associados às sociedades contratadas. Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO, a fim de que os valores exigidos sobre pagamentos efetuados a pessoas jurídicas prestadores de serviços intelectuais (engenharia) sejam excluídos do lançamento. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. 6 MARTINS, Ives Grandra da Silva, in Revista Dialética de Direito Tributário nº 141. p. 107. Fl. 19983DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUE S, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 13971.000241/2002-93
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/1997
PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA.
O procedimento de revisão de oficio do lançamento não se trata de um novo lançamento de débito, não estando o saldo do débito mantido após a retificação, sujeito ao prazo prescricional.
COMPENSAÇÃO INDEVIDA. CRÉDITOS INEXISTENTES.
É indevida a compensação de débitos com créditos já utilizados em outro procedimento compensatório.
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE. PRAZO PARA JULGAMENTO DA IMPUGNAÇÃO OU DO RECURSO. SÚMULA CARF Nº11.
Realizado o lançamento e constituído o crédito tributário, há que se falar em prescrição, que se refere à ação para a cobrança do crédito tributário (art.174, do CTN) e cujo prazo é contado somente a partir da decisão administrativa definitiva, quando o contribuinte interpõe impugnação e recurso. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Súmula CARF nº 11.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-004.116
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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INOCORRÊNCIA. O procedimento de revisão de oficio do lançamento não se trata de um novo lançamento de débito, não estando o saldo do débito mantido após a retificação, sujeito ao prazo prescricional. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. CRÉDITOS INEXISTENTES. É indevida a compensação de débitos com créditos já utilizados em outro procedimento compensatório. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE. PRAZO PARA JULGAMENTO DA IMPUGNAÇÃO OU DO RECURSO. SÚMULA CARF Nº11. Realizado o lançamento e constituído o crédito tributário, há que se falar em prescrição, que se refere à ação para a cobrança do crédito tributário (art.174, do CTN) e cujo prazo é contado somente a partir da decisão administrativa definitiva, quando o contribuinte interpõe impugnação e recurso. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Súmula CARF nº 11. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 02 41 /2 00 2- 93 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 4ª Turma da DRJ de Florianópolis – SC (fls. 141/145), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente as razões de impugnação e manter o crédito tributário lançado referente a COFINS, nos termos do acórdão assim ementado: Assunto: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/1997 DECADÊNCIA. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. O procedimento de revisão de oficio do lançamento não se trata de um novo lançamento de débito, não estando o saldo do débito mantido após a retificação sujeito ao prazo decadencial ou prescricional. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. CRÉDITOS INEXISTENTES. É indevida a compensação de débitos com créditos já utilizados em outro procedimento compensatório. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Por muito bem retratar os fatos, transcrevo, a seguir, o relatório objeto da decisão recorrida: Por meio do auto de infração eletrônico (fls. 12/19) decorrente de auditoria interna de DCTF, a contribuinte acima identificada foi autuada por falta de recolhimento da COFINS no período 01/1997 a 06/1997, no valor de R$ 51.758,14, acrescido de multa de oficio e juros de mora. Segundo o Demonstrativo dos Créditos Vinculados Não Confirmados (fls.14/16), os valores devidos representariam débitos declarados como compensados, com base no processo judicial n°. 96.20.029534, além de parte de débito do período de apuração 06/1997, vinculado a pagamento não localizado. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13971.000241/200293 Acórdão n.º 3802004.116 S3TE02 Fl. 163 3 Em 02/01/2002, a contribuinte apresentou impugnação ao lançamento onde alega que comprova os recolhimentos no prazo legal, conforme DARF em anexo (fl. 21). Traz, ainda, a fotocópia do mandado de segurança n°. 96.20.029534 com o intuito de comprovar o direito à compensação via judicial. Requer o cancelamento do débito reclamado. Com base nos artigos 145, inciso III e 149, inciso VIII, ambos da Lei n°.5.172/66 (CTN), o lançamento é revisto de oficio em 06/10/2004 (recálculo às fls. 26/29),considerandose o recolhimento do valor de R$ 7.498,65 no mês 06/1997, conforme DARF apresentado pela contribuinte em sede de impugnação. É dada ciência ao contribuinte da referida revisão em 08/10/2004. Não houve manifestação por parte do contribuinte. Em 18/09/2009, é emitido um parecer fiscal (fls. 88/90), onde é relatado, ora em breve síntese, que, embora tenha sido permitida a compensação das importâncias recolhidas com alíquotas acima de 0,5% para o FINSOCIAL no processo judicial a que se refere a contribuinte, constatou se que os saldos destes pagamentos já teriam sido aproveitados integralmente para os débitos de COFINS no período de apuração de 07/1996 a 12/1996, conforme os demonstrativos que constam dos autos (fls. 64/81). Consta, ainda, que tais procedimentos de cálculo foram anteriormente realizados por conta do processo administrativo n°. 13971.000652/9670 (homologação de compensação), também impugnado pelo contribuinte, o qual se encontraria na Câmara Superior de Recursos Fiscais, è época do referido despacho. Em 23/09/2009, é dada ciência à interessada do parecer fiscal proferido no processo, com reabertura de prazo para defesa. A impugnante apresenta a sua manifestação, às fls. 108/116, fazendo inicialmente um resumo do histórico dos desdobramentos do processo até a presente etapa. Reitera, ainda, que procedeu às compensações dos ditos créditos de FINSOCIAL com seus débitos de COFINS em relação às competências de 08/1996 a 06/ 1997. Sustenta que a impugnação inicialmente apresentada pela empresa (fls.01), perdeu o seu objeto desde a revisão de oficio procedida no Auto de Infração n°. 449/01, revisão essa ocorrida no ano de 2004, uma vez que, embora cientificada, a empresa não se manifestou, o que teria Fl. 164DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 constituído definitivamente o crédito tributário àquele ano. Literalmente, o impugnante aduz (fl.111): Com efeito, não se pode mais considerar eficaz e válida a impugnação de fls. 01, porquanto interposta para contestar especificamente o AI n°. 449 de 2001. Isso porque a revisão de oficio do lançamento importa em novo lançamento, o que implica, por certo, na desconsideração do lançamento anteriormente feito, mormente em razão de que parte dos valores exigidos originariamente no Al n°. 449 foram até desconsiderados por ocasião da revisão do lançamento. Como o lançamento foi revisto de oficio, com base no art. 149 do CTN, e a empresa não se manifestou no prazo de 30 (trinta) dias, temse por constituído definitivamente o crédito tributário no ano de 2004, por meio da revisão de oficio não impugnada pela sujeito passivo. Remetendo ao art. 149 do CTN, sustenta que, tanto a revisão de oficio de 2009, ora impugnada, como a revisão de oficio levada a efeito no ano de 2004, são ilegais, na medida em que foram efetuadas após a extinção do direito da Fazenda Pública. Segundo a defesa, tanto a revisão do lançamento importa em novo lançamento como, segundo o CTN, também se sujeita ao prazo decadencial para a constituição do crédito tributário. Assim, como as compensações de FINSOCIAL com COFINS ocorreram entre 01/1997 a 06/1997, e em se tratando de tributos sujeitos à homologação, não poderia mais a Fazenda Nacional ter constituído o crédito tributário por meio de revisão do lançamento, pelo que a exigência é nula. No item “4” de sua impugnação, alega a contribuinte sobre a prescrição do direito de cobrança, nos termos do art. 174 do CTN, argüindo que a Fazenda tinha o prazo de 5 (cinco) anos para cobrar o tributo da data da constituição definitiva do crédito tributário, em 08/10/2004, data esta em que a empresa foi intimada da revisão de lançamento, a qual não foi objeto de impugnação. Requer, por fim, a nulidade do lançamento. A ciência da decisão que manteve em parte a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 08/04/2010 (fl. 150). Inconformada, a mesma apresentou, em 07/05/2010 (fl. 152), o recurso voluntário de fls. 152/159, onde se insurge contra o indeferimento parcial de seu pleito, conforme as razões abaixo sintetizadas: a) que a recorrente impetrou o Mandado de Segurança n° 96.20.029534, com a finalidade de que lhe fosse reconhecido o direito de compensar os seus créditos de Fl. 165DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13971.000241/200293 Acórdão n.º 3802004.116 S3TE02 Fl. 164 5 FINSOCIAL (igualmente reconhecidos por meio da ação judicial n° 91.01.011995) com débitos vincendos de COFINS, o que lhe foi reconhecido por decisão judicial transitada em julgado. Por essa razão, a recorrente compensou os ditos créditos de FINSOCIAL com seus débitos de COFINS, em relação às competências de 08/1996 a 06/1997; b) no ano de 2001, a recorrente recebeu o Auto de Infração n° 449, por meio do qual se constituiu crédito tributário de COFINS, diante da não homologação das compensações, nas competências compreendidas entre 01/1997 a 06/1997, em razão da suposta ausência de comprovação do processo judicial. Na data de 02/01/2002, a Recorrente havia apresentado impugnação, conforme documentos de fls. 02/26; c) no dia 06/10/2004, a DRF de Blumenau procedeu a REVISÃO DE OFÍCIO DO AUTO DE INFRAÇÃO N° 449/01, o que fez com base no art. 149, VIII, do CTN, tendo sido esta contribuinte intimada do Despacho de Revisão de Ofício na data de 08/10/2004 (fls. 27/33). Alega que dessa revisão do lançamento não apresentou impugnação e que o crédito tributário restou definitivamente constituído; d) ocorre que, em 23/09/2009, foi outra vez cientificada de uma nova “suposta” revisão de ofício do referido Auto de Infração, representado pelo Parecer Fiscal DRF/BLU/EAC1 n° 216/2009, a pretexto de que não haveria crédito de FINSOCIAL para fazer frente à compensação declarada. A recorrente foi intimada para “complementar” a impugnação interposta, no prazo de 30 dias; e) Tendo a Recorrente apresentado a impugnação, a DRJ em Florianópolis, então, ao apreciar o mérito negou provimento a impugnação por entender, em apertada síntese, que o procedimento de revisão do lançamento não constitui novo lançamento, de modo que o lançamento original teria continuado a existir, parcialmente, e o litígio seguiu seu curso, não se sujeitando o débito à prescrição ou decadência. Do Equívoco na Condução do Procedimento Administrativo. f) considera absolutamente equivocado o procedimento adotado pela RFB de Blumenau, que determinou o encaminhamento do presente processo para a DRJ, a pretexto de que a empresa teria apresentado impugnação à fl. 02. Alega que a referida impugnação apresentada, perdeu seu objeto, desde a revisão de ofício procedida no Auto de Infração, ocorrida no ano de 2004. Naquela oportunidade, a empresa foi intimada da revisão do lançamento mas não se manifestou o que findou por constituir definitivamente o crédito tributário no ano de 2004; g) que não se pode mais considerar eficaz e válida a impugnação de fl. 02, porquanto interposta para "contestar especificamente o Auto Infração n° 449/01. Isso porque, a revisão de ofício do lançamento importe ou não em novo lançamento se não for contestada no prazo legal (art. 14 do Decreto n° 70.235/72), implica, por certo, na constituição definitiva do crédito tributário. Logo, equivocada e despida de fundamento a pretensão de encaminhar o presente feito para que a DRJ proceda ao exame da impugnação de fl. 02, eis que, como já dito, PERDEU O SEU OBJETO. O procedimento adequado seria o encaminhamento para dívida ativa para a cobrança judicial do crédito. Da Prescrição do Direito de Cobrança Fl. 166DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 h) como já asseverado, o crédito tributário em discussão restou definitivamente constituído pela revisão ex oficio do lançamento ocorrida no ano de 2004, em decorrência da ausência de impugnação desta contribuinte. De fato, de acordo com o entendimento já consagrado pelo Superior Tribunal de Justiça, tem inicio a contagem do prazo prescricional no momento em que o contribuinte é intimado da revisão de ofício do lançamento, que se não for impugnado, há a sua constituição definitiva, a partir de quando começa a contagem do prazo prescricional (transcreve o julgado). i) se os valores objeto do lançamento originário foram revisados de ofício, com base no art. 149 do CTN, e não foram impugnados pelo sujeito passivo, então, a revisão de ofício implica em constituição definitiva do crédito tributário, a partir de quando se inicia o prazo prescricional. Com isso, o que se observa é que da data da constituição definitiva do crédito tributário às fl. 33, em 08/10/2004 (fls. 27/33). Com efeito, a prescrição das exações em discussão devem submeterse ao disposto no artigo 174, do Código Tributário Nacional, que estabelece o prazo de cinco anos para cobrança de tributos. Do Pedido Por todo o exposto, requerse seja reformado o Acórdão recorrido, sendo conhecido e provido o presente recurso voluntário, a fim de que seja reconhecida a prescrição do direito de cobrança do crédito tributário constituído nos presentes autos. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Admissibilidade do recurso Conforme relatado, a ciência da decisão de primeira instância se deu em 08/14/2010 (fl. 150). Por sua vez, o recurso voluntário foi apresentado em 07/05/2010 (fl. 152), tempestivamente, portanto. Quanto à matéria, esta se encontra dentre os assuntos que são da competência desta Turma de julgamento. O montante em litígio também está dentro do limite de alçada de Turma Especial. Tratase de auto de infração eletrônico (fls. 12/21) decorrente de auditoria interna de DCTF, a Recorrente foi autuada por falta de recolhimento da COFINS no período 01/1997 a 06/1997. Segundo o Demonstrativo dos Créditos Vinculados Não Confirmados (fls. 15/17), os valores devidos representariam débitos declarados como compensados, com base no processo judicial n°. 96.20.029534, além de parte de débito do período de apuração 06/1997 vinculado a pagamento não localizado. Em 02/01/2002, a contribuinte apresentou impugnação ao lançamento (fl. 02), onde alega que comprova os recolhimentos no prazo legal, conforme DARF em anexo (fl. 22). Em 06/10/2004, conforme recálculo às fls. 27/30, o lançamento é revisto de ofício, com base nos artigos 145, inciso III e 149, inciso VIII, ambos da Lei n°. 5.172/66 (CTN), considerandose o recolhimento do valor de R$ 7.498,65 referente ao mês 06/1997, Fl. 167DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13971.000241/200293 Acórdão n.º 3802004.116 S3TE02 Fl. 165 7 conforme DARF apresentado pela Recorrente. É dada ciência ao contribuinte da referida revisão em 08/10/2004. Não houve nenhuma manifestação por parte do contribuinte. Conforme se verifica nos autos, em 18/09/2009, é emitido um parecer fiscal (fls. 89/91), onde é relatado, conforme síntese em trecho abaixo reproduzido extraído do Acórdão recorrido: (...) que, embora tenha sido permitida a compensação das importâncias recolhidas com alíquotas acima de 0,5% para o FINSOCIAL no processo judicial a que se refere a contribuinte, constatouse que os saldos destes pagamentos já teriam sido aproveitados integralmente para os débitos de COFINS no período de apuração de 07/1996 a 12/1996, conforme os demonstrativos que constam dos autos (fls. 64/81). Consta, ainda, que tais procedimentos de cálculo foram anteriormente realizados por conta do processo administrativo n°. 13971.000652/9670 (homologação de compensação), também impugnado pelo contribuinte, o qual se encontraria na Câmara Superior de Recursos Fiscais, è época do referido despacho. Em 23/09/2009, é dada ciência à interessada do parecer fiscal proferido no processo, com reabertura de prazo para defesa. A Recorrente apresenta a sua manifestação, às fls. 111/119, fazendo inicialmente um resumo do histórico dos desdobramentos do processo. Reitera, ainda, que procedeu às compensações dos ditos créditos de FINSOCIAL com seus débitos de COFINS em relação às competências de 08/1996 a 06/ 1997. Aduz que a impugnação apresentada pela empresa (fl. 02), perdeu o seu objeto desde a revisão de ofício procedida no Auto de Infração n°. 449/01, ocorrida no ano de 2004, uma vez que, embora cientificada, a empresa não se manifestou, o que teria constituído definitivamente o crédito tributário àquele ano. Se os valores objeto do lançamento originário foram revisados de ofício, com base no art. 149 do CTN, e não foram impugnados pelo sujeito passivo, então, a revisão de ofício implica em constituição definitiva do crédito tributário, a partir de quando se inicia o prazo prescricional. Com isso, o que se observa é que da data da constituição definitiva do crédito tributário às fl. 33, em 08/10/2004 (fls. 27/33). Com efeito, a prescrição das exações em discussão devem submeterse ao disposto no artigo 174, do Código Tributário Nacional, que estabelece o prazo de cinco anos para cobrança de tributos, nos seguintes termos: “Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva”. Pois bem, sabese que constituído o crédito tributário pelo lançamento, conforme a letra do CTN, não há mais que se falar em perda do direito do Fisco, por suposta prescrição. Interposta impugnação e recurso, nos termos das normas reguladoras do processo administrativo fiscal, a exigibilidade do crédito fica suspensa (art.151, III, do CTN). Fl. 168DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 A ação para cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva (art. 174, do CTN), sendo que "constituição definitiva", no caso, referese à decisão administrativa da qual não caiba mais recurso pelo sujeito passivo. A Súmula nº 153, do extinto TFR, bem dizia que: "Constituído, no qüinqüênio, através de auto de infração ou notificação de lançamento, o crédito tributário, não há que falar em decadência, fluindo, a partir daí, em princípio, o prazo prescricional, que, todavia, fica em suspenso, até que sejam decididos os recursos administrativos". Também, citese o seguinte julgado do STJ: " 3. Deve ser observado como marco temporal da constituição definitiva do crédito tributário,para fins do art.174 do CTN, o dia da notificação ao contribuinte, da decisão final do Conselho de Contribuintes...".(STJ, 1ª T. REsp. 1.028.428/SC, Relator Ministro Jose Delgado). Como bem asseverado pela decisão a quo, a revisão do lançamento, formalizada nestes autos, não se trata de procedimento que extingue o litígio e constituí os créditos de forma definitiva. Vejase trecho abaixo reproduzido: (...) O parecer fiscal DRF/BLU/EAC1 n°. 216/2009, juntado aos autos em um segundo momento, apenas veio a reiterar e complementar esta decisão administrativa de revisão do lançamento, não se tratando, da mesma forma, em procedimento que extingue o litígio e constitui os créditos de forma definitiva. Obedecendo ao disposto no item 2.3 da referida norma, que trata especificamente de Vinculações indicadas como “exigibilidade suspensa por medida judicial”, a competente autoridade administrativa encaminhou o presente processo para julgamento nesta DRJ. Contudo, trouxe também informações relevantes para o deslinde do processo, adiantandose a uma possível diligência por parte desta delegacia. (...) Consta que os saldos destes pagamentos já teriam sido integralmente aproveitados para os débitos de COFINS no período de apuração de 07/1996 a 12/1996, conforme os demonstrativos constantes dos autos (fls.64/81). Todas as demonstrações destes cálculos foram trazidos aos autos: Demonstrativo de Apuração de Débitos de Cofins(fis. 73); Demonstrativo de Vinculações Auditadas de Pagamentos (fl. 74/77); Demonstrativo (fls. 78/79). (...) Assim, pelo que consta dos autos, já não teria a requerente qualquer crédito compensável quando da apresentação da DCTF do período 01/1997 a 06/1997. Com os referidos demonstrativos, dos quais a contribuinte tomou ciência, estaria apta a verificar sua correção e impugnálos, caso não concordasse com os cálculos. Todavia, a alegação do direito a estas compensações veio desacompanhada de qualquer elemento de prova por parte da contribuinte, de modo que o lançamento deve ser mantido tal qual se apresenta como resultado da revisão de oficio. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13971.000241/200293 Acórdão n.º 3802004.116 S3TE02 Fl. 166 9 Como se vê, não assiste razão à impugnante, pois o procedimento efetuado em 08/10/2004, não se constituiu de um novo lançamento, como quer fazer crer a impugnante em seu recurso, e sim em revisão de oficio prevista legalmente. O objeto do lançamento inicial continuou existindo parcialmente e o litígio seguiu o seu curso legal, sendo a Recorrente regularmente cientificado do referido ato administrativo. Portanto, no caso, não há que se falar em prescrição, pois uma vez interposta impugnação (fl. 2) e recurso (fl. 152), nos termos das normas reguladoras do processo administrativo fiscal, a exigibilidade do crédito fica suspensa (art.151, III, do CTN). .Quanto ao alegado pela Recorrente que, (...) nem se diga que a revisão de ofício, comunicada ao sujeito passivo em 23/09/2009, teria o condão de interromper o prazo prescricional, eis que manifestamente nula, porquanto levada a efeito após o decurso do prazo de 05 (cinco) de que trata o art. 149, parágrafo único, do CTN. Também não assiste razão à Recorrente, senão vejamos: Como ensina Leandro Paulsen, prescrição intercorrente é aquela que ocorre no curso da execução fiscal quando, interrompido o prazo prescricional pelo despacho do Juiz que determina a citação, o sujeito ativo exeqüente deixar de promover o andamento efetivo da execução, quedandose inerte. A inércia do exeqüente dá ensejo ao reinício do prazo qüinqüenal. (PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código Tributário....15. ed. Porto Alegre:Livraria do Advogado Editora, ESMAFE, 2013, p.1208) É de ser observada ainda a Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. A Súmula, que também é usada pelos Tribunais Judiciários, consubstancia o entendimento reiterado e uniforme da instância julgadora e traz eficiência, confiança e segurança aos julgamentos, atendendo a princípios administrativos e constitucionais. Segundo o Regimento Interno do CARF, art. 72, as Súmulas são de observância obrigatória nestes julgamentos. Conclusão Por todo o acima exposto, não ficou caracterizado a prescrição alegada, portanto nenhum reparo a ser feita nos fundamentos e nos cálculos elaborados pela DRJ, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo, mantendose integralmente o contido no Acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 170DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 10 Fl. 171DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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