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Numero do processo: 10380.001280/2004-31
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuição para o PIS/Pasep
Exercícios: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
Ementa: RECURSO ESPECIAL. DECADÊNCIA. ARTIGO 45 DA LEI N. 8.212/91. Em vista da edição da Súmula Vinculante n. 08 pelo C. Supremo Tribunal Federal, não merece ser conhecido recurso especial interposto pela Fazenda Nacional que suscita exclusivamente violação do acórdão recorrido ao disposto no art. 45 da Lei n. 8.212/91.
RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. Não demonstrada a contrariedade h. lei ou a evidência de prova incorrida pelo acórdão recorrido,
o Recurso Especial não pode ser conhecido por ausência dos pressupostos regimentais de admissibilidade.
Recurso Especial do Procurador não conhecido.
Numero da decisão: 9101-001.206
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, recurso não conhecido, por ausência de pressuposto processual.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Antonio Carlos Guidoni Filho
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DECADÊNCIA. ARTIGO 45 DA LEI N. 8.212/91. Em vista da edição da Súmula Vinculante n. 08 pelo C. Supremo Tribunal Federal, não merece ser conhecido recurso especial interposto pela Fazenda Nacional que suscita exclusivamente violação do acórdão recorrido ao disposto no art. 45 da Lei n. 8.212/91. RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. Não demonstrada a contrariedade h. lei ou a evidência de prova incorrida pelo acórdão recorrido, o Recurso Especial não pode ser conhecido por ausência dos pressupostos regimentais de admissibilidade. • Recurso Especial do Procurador não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, recurso não conhecido, por ausência de pressuposto processual. Aerti ique Pmhe r eSsilente Substituto. /- Antonio Carlo tn. om ilho - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto), Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Antonio Carlos Guidoni Filho, João Carlos de Lima Junior, Alberto Pinto Souza Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri e Claudemir Rodrigues Malaquias. Relatório Trata-se de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no art. 32, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF n° 55, de 16 de março de 1998, em face de acórdão proferido pela Sétima Camara extinto Primeiro Conselho de Contribuintes (fls. 304 a 336), assim ementado: "SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTOS - OPERAÇÕES DE MÚTUO - FINANCIAMENTO DE PARTE DO ICMS DEVIDO - REDUÇÃO DO VALOR DA DIVIDA - CARACTERIZAÇÃO — Os incentivos concedidos pelo estado do Ceará no âmbito do PRO VIN visando a implantação de indústrias consideradas de fundamental interesse para o desenvolvimento do estado e a interiorização do parque industrial, configura genuína subvenção para investimentos, pois presentes: a) a intenção do estado em transferir capital para a iniciativa privada; e b) o aumento do estoque de capital da pessoa jurídica subvencionada, mediante incorporação dos recursos em seu patrimônio." O caso foi assim relatado pela Camara recorrida, verbis: Contra a contribuinte nos autos identificada fora lavrado Auto de infração de Fls. 03/19, para formalização e cobrança de crédito tributário relativo a contribuição para o Programa de integração Social - PIS, totalizando a época R$ 1.036.966,28 inclusos juros de mora, multa de oficio e multa isolada. Tal Auto de Infração tivera como base a constatação das seguintes infrações: - Diferenças constatadas entre os valores de PIS declarados e os apurados com base na escrituração fiscal da contribuinte entre março de 1998 e setembro de 2003. Em Fls. 20/25 encontra-se o Demonstrativo da Situação Fiscal Apurada, e em Fls. 26/35 consta o Demonstrativo de Apuração da Base de Cálculo. A interessada ao ser incluída no Programa de Incentivo ao Funcionamento de Empresas — PRO VIN em 17/03/1995, passou a ser beneficiária de incentivos fiscais do Fundo de Desenvolvimento Industrial do Ceará — FDI, que subvenciona parte do ICMS devido pela empresa. Pelos termos em que redigido o contrato, concluiu a autoridade fiscal que tal proveito econômico destinara-se a formação de capital de giro, razão pela qual seria imperiosa sua adição na determinação da receita. Diante disso, entendeu a fiscalização que o fato da autuada ter contabilizado a referida subvenção transferindo seu valor da conta "ICMS a Recolher" (débito) para a conta "Reserva de Subvenção" (crédito) impede a contabilização da receita auferida com a subvenção. Em Fls. 46/51 encontram-se os valores das subvenções transferidos da 2 Processo n° 10380.001280/2004-31 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-001.206 H. 2 3 (1`\ conta de passivo para a conta de reserva que não foram contabilizados como receita, Ressaltou ainda a fiscalização que os valores informados como Variações Monetárias/Cambiais Passivas (ganhos), são na verdade Variações Monetárias Ativas, haja vista serem resultantes da diminuição de obrigações em moeda estrangeira levada a efeito em virtude da valorização da moeda nacional, sendo tal variação contabilizada equivocadamente a crédito das contas de despesas. Tendo em vista que a interessada não optara pelo diferimento previsto no artigo 30 da Medida Provisória n° 1.858/99, os valores apurados, Fls. 04/07 foram tributados pelo regime de competência. - Constatação, em procedimento de verificações obrigatórias, de diferença entre o valor escriturado e o valor declarado da contribuição para o PIS. Em Fls. 07/08 encontram-se discriminados os valores tributáveis. A titulo de enquadramento legal fora apontado o artigo 77, III, do Decreto-lei n° 5.844/43, artigo 149 da Lei n° 5.172/66, artigos I° e 3°, alínea `1)', da Lei Complementar n° 7/70, artigo 1°, parágrafo único, da Lei Complementar n° 17/73, Titulo 5, capitulo 1, seção 1, alínea "b", itens 1 e 11, do Regulamento do PIS/PASEP, artigos 2°, I, 3° e 8°, 1 e 9 0, da Medida Provisória n° 1.212/95, artigos 2°, I, 3°c 8 0, I e 9 0, da Lei n° 9.715/98, artigos 2° e 3° da Lei n° 9.718/98 e artigos 2°, I, alínea "a" e parágrafo único, 30, 10, 23, 59 e 63 do Decreto n° 4.524/02. Descontente com a exigência da qual conhecera em 16/02/2004, Fl. 03, a contribuinte oferecera em 17/03/2004, tempestiva impugnação de Fls. 72/104 onde defende-se, em síntese, com os seguintes argumentos: - Preliminarmente, após discorrer brevemente sobre a tempestividade do ato, asseverou que a exigência referente ao ano base de 1998 encontra-se fulminada pelo instituto da decadência, tendo em vista tratar-se de contribuição sujeita ao lançamento por homologação. - Aduziu, estribando-se nos termos do ssÇ 4° do artigo 150 do CTN, que qualquer valor relativo ao período findo em 31/12/1998 somente poderia ser exigido até 31/12/2003. Tendo sido o lançamento efetuado em 11/02/2004, decaiu o Fisco de seu direito de exigir os valores nele Ainda como questão preliminar, sugeriu a nulidade do Auto de Infração por entender que o referido documento não preenche os requisitos constantes do Decreto n° 70.235 e na Instrução Normativa SRF n° 94/97. Neste sentido, alegou que o Auto de Infração fora lavrado sem a descrição pormenorizada dos fatos tidos como infrações, sem a emissão de Termo de Constatação e Verificação ou outro relatório que especificasse as irregularidades determinantes para a autuação. Neste tópico traz a lume trechos da doutrina e decisões proferidas por colegiados administrativos e judiciais; 3 - Informou que em 20/12/1993 firmara com o Governo do Estado do Ceará, Protocolo de Intenções cujo objeto seria a implantação de um Grupo de Unidades Industriais no município de Horizonte/CE, para a produção de bases para tapetes e carpetes, telas especiais, tecidos para decoração, entre outros. Pelo teor do aludido Protocolo, entre outros compromissos recíprocos, compromete-se o Governo cearense a garantir-lhe recursos oriundos do Fundo de Desenvolvimento Industrial — FDI; - Assegurou que embora o citado Protocolo tenha se referido expressamente aos recursos como sendo destinados a formação de capital de giro, na realidade estes se destinavam ao investimento para a implantação das unidades industriais. Ademais, toda a documentação firmada com o Governo do Ceará esclarece que tais recursos provenientes de subvenção estatal seriam utilizados para investimento e não como capital de giro conforme concluiu equivocadamente a autoridade autuante; - Colacionou a legislação pertinente ao FDI — Lei n° 10.367/79 do Estado do Ceard, alterado pelas Leis n° 10.380/80, 11.073/85, 11.524/88 e Decreto n° 22719-A/93, ressaltando que o FDI foi instituído com o objetivo de promover o desenvolvimento das atividades industriais no Estado do Ceará; - Esclareceu que o Protocolo, ern sua cláusula sexta, ao tratar do apoio governamental através do FDI, prevê o empréstimo de 100% do ICMS recolhido no prazo legal. 0 Contrato de Mútuo firmado com o Banco do Estado do Ceará — BEC, prevê a concessão de um empréstimo de execução periódica equivalente a 100% do valor do ICMS recolhido aos cofres estaduais; - Mencionando sempre que os recursos subvencionados pelo Governo do Ceará visavam a implantação de unidade fabril naquele estado, invocou o artigo 15, I do Decreto 22.719- A/93, pelo qual apenas os projetos de implantação de indústria seriam beneficiados pelo empréstimo equivalente a 100% do ICMS. Com isso procurou reforçar sua tese, pela qual os recursos obtidos junto ao Governo cearense são destinados a investimento; - Afirmou que a parcela da autuação que se funda na violação ao artigo 443 do RIR199 é fruto do entendimento equivocado da fiscalização; - Citou o Parecer Normativo n° 112/78, concluindo que as subvenções devem observar os seguintes requisitos: (i) a intenção do subvencionador de destiná-la para investimento; (ii) a efetiva e especifica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado; e (iii) o beneficiário da subvenção ser a pessoa jurídica titular do empreendimento econômico. No caso em tela, a subvenção recebida pelo requerente preenche todas as características, razão pela qual pode ser considerada para investimento. 4 Processo n° 10380.001280/2004-31 Acórdão n.° 9101-001.206 Ainda, o mesmo Parecer estabelece que as subvenções relativas a impostos estaduais são para investimento; - Ressaltou que a Própria Secretaria da Receita Federal, ao responder consulta formal, se manifestara no sentido que as subvenções para investimentos podem ser excluída da apuração do lucro real. Colaciona jurisprudência deste Colegiado que entende como sendo de investimento a subvenção em análise; - Convicta que recebera subvenção para investimento, entendeu ter agido conforme o mandamento contido no artigo 443 do RIR/99, registrando o valor correspondente na reserva de capital do patrimônio liquido, preenchendo todas as condições estabelecidas em Lei; - Sustentou, subsidiariamente, que o montante da subvenção não poderia ser utilizado como base de cálculo da contribuição para o PIS, unia vez que não configura fat uramento, assim -entendido como a receita proveniente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços; - Comentou a edição da Lei n° 9.718/98, a inconstitucionalidade do alargamento do conceito de faturamento e seu reconhecimento pelo STF e a promulgação da Emenda Constitucional n° 20 de 1998 que alterou a redação do artigo 195, I, substituindo a expressão "faturamento" pela expressão "receita bruta". Destarte considerou inválida a cobrança da discutida contribuição quer seja por não ter havido a recepção da Lei n° 9.718/98 pela EC n° 20, quer seja pela inexistência de norma constitucional que autorize a cobrança da contribuição com base na receita e no faturamento; - Quanto a variação cambial, frisou que esta decorrera da oscilação da moeda, não representando ingresso efetivo de receita ou renda. Prosseguiu afirmando que o STJ, ao analisar questão envolvendo a natureza da variação cambial, afastou a incidência de IRPJ, entendendo que não se incluía no conceito de receita. Desta feita não há que se falar em ganho ou receita quando o resultado positivo for decorrente de mera oscilação da moeda; - Sobre a assertiva fiscal que a contribuinte não optara pelo diferimento previsto no artigo 30 da MP n° 1.858/99, acrescentou que a variação cambial positiva jamais pode ser equiparada a faturaniento para fins de apuração do PIS; - Quanto ao registro das variações a crédito na conta de despesas, equivocado no entender do autuante, alegou que a incidência do PIS exige ingresso efetivo de recursos, sendo que a mera redução de despesas não constitui receita, não podendo ser alcançada pela referida contribuição, independentemente do registro contábil. Apresentou decisão do STJ que estabelece que a contribuição para o PIS não CSRF-T1 H. 3 6 5 pode recair sobre receitas financeiras, devendo ser calculada corn base nas receitas operacionais; - Insistiu que não cometera qualquer infração que sustentasse a imposição da multa de oficio no percentual de 75%, multa esta que fere princípios constitucionais tributários; - Insurgiu-se contra a utilização da Taxa Selic, alegando que o referido indexador não fora criado para fins tributários. Cita recente decisão proferida pelo E. STJ, com a qual procurou reforçar seu argumento; - Pleiteou o acolhimento da presente impugnação e o cancelamento integral da exigência relativa a contribuição para o PIS, multas e juros, com o consequente arquivamento do processo administrativo; - Por derradeiro protestou pela juntada posterior de documentos. Apreciada pela 4' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Fortaleza — CE em sessão de 12 de novembro de 2004, a impugnação acima sintetizada restara plenamente infrutífera, uma vez que a referida Turma, ao acompanhar o voto do Relator, optou por manter na integra a exigência inicialmente imposta. Formalizada no Acórdão DRJ/FOR n° 5.206, Fls. 180/203, a decisão de 1° instância sustenta-se nos seguintes fundamentos: - Inicialmente, ultrapassaram a preliminar de decadência afirmando que nas Contribuições Sociais para a Seguridade Social o prazo para extinção do crédito tributário é de 10 anos cuja contagem inicia-se no 1° dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos precisos termos do artigo 45 Lei n° 8.212/91. Assim, não há que se falar na aplicação dos prazos dos artigos 150, §4° e 173 do CTIV, e consequentemente, em decadência; - Da mesma forma restara afastada a preliminar de nulidade, haja vista ter a Turma Julgadora entendido que as infrações apuradas pela fiscalização encontram-se satisfatoriamente descritas em Fls. 04/08 assim como todos os requisitos previstos na legislação de regência foram observados pelo agente autuante. Tanto é que a contribuinte demonstrou saber perfeitamente contra quais acusações se defendia, contestando-as uma a uma, inexistindo por conseguinte, qualquer prejuízo a Ampla Defesa; - Ao iniciarem a análise do mérito, esclareceram que nos termos em que firmado o Contrato de Mútuo junto ao Banco do Estado do Ceará - BEC, não restam dúvidas que os recursos decorrentes deste destinam-se ao capital de giro da unidade industrial da empresa. Acresceram que o ponto principal da lide instaurada reside ern saber se tais recursos tratam-se de subvenções de capital conforme a ótica da fiscalização, ou subvenções para investimento como pretende fazer crer a defendente; 6 Processo n° 10380.001280/2004-31 Acórdão n° 9101-001.206 - COM base no entendimento exarado da Decisão SRRF/4" RF n° 49/97, que cuida de caso semelhante ao em tela, reforçada pela Decisão SRRF/3" RF n° 15/97, concluiram que não se configura subvenção para investimento os recursos obtidos junto ao BEG mediante incentivo financeiro concedido pelo Governo do Ceará através do FDI. - Assim, sendo tais recursos destinados a formação de capital de giro, podem estes ser utilizados ao talante da beneficiária, e por serem não vinculados a aplicações especificas, devem integrar a receita bruta da empresa para que se determine o lucro real sujeito a tributação; - Consignaram que diferentemente do que alega a contribuinte, nos termos do item 3.1 do Parecer Normativo CST n° 112/78, nem toda isenção ou redução de tributo configura subvenção; - Assim, com a redução do ICMS a recolher, a contribuinte auferiu receitas decorrentes de recuperação de custos ou despesas, não contempladas na lista de exclusões da base de cálculo da contribuição, expressa no § 20 do artigo 3° da Lei n°9.718/98; - Em relação a tributação das variações cambiais, rechaçaram os argumentos da defendente à luz dos artigos 2°, 3° e 9 0 da Lei 1709.718/98. Em conclusão, afirmaram que o texto da legislação de regência é claro quanto a base de cálculo, as hipóteses de incidência e as exclusões referentes a contribuição em apreço. Ademais, os termos do já citado artigo 90 não possibilitam interpretação pela qual as variações cambiais passivas sejam consideradas despesas financeiras, ou que os ganhos sejam compensados com as perda para fins de apuração da base de cálculo do P1S/Pasep e da Cofins. - Com o escopo de reforçar que as variações monetárias ativas, que podem decorrer de variações cambiais, devem integrar a base de cálculo do Pis e da Cofins, invocaram o Ato Declaratório SRF n° 73/99, o artigo 30 e §,¢ da MP n° 1.858/99, o artigo 13 e §§ do Decreto 4.524/2002; - No tocante as arguições de ilegalidade ou inconstitucionalidade da legislação aplicada, ressaltaram que tal apreciação extrapola a competência das autoridades administrativas, sendo mister privativo do Poder Judiciário; - Entenderam também devida a multa de oficio no percentual de 75% por ser aplicável tal penalidade nos casos onde constatada a falta de recolhimento ou recolhimento insuficiente da contribuição devida. Ademais, frisaram que as penalidades expressas no artigo 44 da Lei n° 9.430/96, por estarem vigentes, são de aplicação obrigatória por parte do agente público, haja vista o caráter vinculado de seus atos; 7 - Mantiveram a utilização da Taxa Selic, uma vez que sua aplicação encontra guarida tanto no CTN (artigo 161, § 1°) quanta na legislação ordinária (artigos 5°, § 3° e 61, § 30, da Lei n° 9.430/96). Irresignada com o teor amplamente desfavorável do aludido Acórdão, do qual tomara conhecimento em 17/12/2004, Fl. 209, recorre a este 1° Conselho através do Recurso Voluntário de Fls. 213/253, interposto em 14/01/2005 e garantido com o arrolamento de Fls. 257/258. Em suas razões recursais, após manifestar-se sobre a competência deste 1° Conselho para o julgamento do presente apelo, contesta os fundamentos da decisão a quo, reiterando basicamente todos os argumentos dispensados na fase de impugnação, razão pela qual torna-se prescindível reprisá-los. No entanto, inova nos seguintes aspectos: - No tocante ao fundamento utilizado pelos Julgadores a quo para afastar a preliminar de decadência, aduz que a Lei n° 8.212/91 cuida da organização da Seguridade Social e do Plano de custeio, não se aplicando ao PIS, que a seu ver, é tributo administrado e arrecadado pela Secretaria da Receita Federal, sujeito portanto ao lançamento por homologação e aos prazos do § 4° do artigo 150 do CT1V; Quanto a forma como fora afastada a arguição de nulidade, afirma que o Julgador a quo se limitara em descrever os requisitos essenciais para a lavratura do Auto de Infração e concluir que a interessada se defendera por completo das acusações nele constantes. Todavia, o fato de ter se defendido por ocasião da impugnação não significa que seu direito a Ampla Defesa tenha sido exercido por completo, uma vez que diante da carência de fundamentação do Auto de Infração, poderia ter deixado de oferecer argumentos relativos a determinados fatos; - Sustenta que o entendimento exarado na decisão de 1' instância, pelo qual seria a receita decorrente de recuperação de custos ou despesas, pois o aspecto referente ã recuperação de custo não fora mencionado no Auto de Infração, não podendo, todavia, ser discutida questão que não fora citada no referido AI; - Requer o deferimento do Recurso Voluntário e a reforma integral da decisão recorrida para cancelar totalmente a exigência nela mantida, bem como o consequente arquivamento do processo administrativo." É o Relatório. No que interessa a essa instancia recursal, o acórdão acima ementado, por unanimidade de votos, afastou as preliminares de nulidade arguidas pelo contribuinte e acolheu, por maioria de votos, a preliminar de decadência no ano de 1998. No mérito, por maioria de votos, deu provimento ao recurso para reconhecer a insubsistência dos lançamentos de IRPJ e reflexos. 8 Processo n° 10380.001280/2004-31 CSRF-TI Acórdão n.° 9101-001.206 Fl. 5 C, Em síntese, entendeu o acórdão recorrido que o PROVIN importa em renúncia fiscal por parte do Estado do Ceará, tendo como veiculo indutor o Banco estadual de fomento, por meio do qual busca-se o desenvolvimento sustentado do Estado e a interiorização do investimento. Considerou tratar-se de genuína subvenção concedida pelo poder público, ainda que por via indireta. Afirma que a fiscalização não coloca em dúvida tratar-se de subvenção e que o argumento central do fisco é de que o beneficio se traduz em subvenção de capital de giro, tributáveis, portanto, os valores redutores da conta passiva ICMS a Recolher. Com apoio em estudo desenvolvido por Natanael Martins publicado na Revista de Direito Tributário n° 61 (fls. 175 a 186) defendida em Congresso patrocinado pelo IDEP, sob coordenação do saudoso Prof. Geraldo Ataliba, sustenta o acórdão recorrido, verbis: "1.Juridicamente, a subvenção, em qualquer de suas niodalidades, caracteriza-se como uma doação e, quando concedida pelo poder público, desde que registrada em conta de reserva de capital, que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, não será tributada pelo imposto de renda. Consequentemente, tampouco servirá de base para cálculo da contribuição social e do imposto sobre o lucro liquido. 2. A subvenção para investimento (deixando de lado o mérito de tratar-se, juridicamente, de unia doação), caracteriza-se em função de sua natureza - de uma transferência de capital sendo irrelevante a destinação do seu valor. Vale dizer, 'a palavra investimento, no caso, deve ser entendida nos seus dois sentidos - de criação de bens de produção e de aplicação financeira' (Bulhões Pedreira), jamais como condicionante de que o valor recebido deva estar vinculado à (implantação ou expansão de determinados empreendimentos econômicos) aquisição de determinados bens ou direitos sujeitos a imobilização. 3. As isenções ou reduções tributárias não se confundem, juridicamente, com subvenção. Todavia, quando concedidas como estimulo a implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, por ficção legal, equiparam-se às subvenções para investimento, gozando de idêntico tratamento tributário (salvo eni relação às isenções ou reduções do imposto de renda que de qualquer forma se submetem à incidência da contribuição social). 4. Com o advento do Decreto-lei 1.598/77, foi derrogado o art. 44 da Lei 4.506/64. Consequentemente, as transferências de recursos promovidas pelo poder público, de qualquer espécie (para investimentos ou correntes), atendidas as condições impostas, não são tributáveis pelo imposto de renda. 5. As subvenções recebidas pela sociedade, inclusive sob a forma de isenções ou redução tributária, devem se registradas diretamente em conta de reserva de capital, não transitando pela conta de resultados. 6. A provisão para o imposto de renda deve ser contabilizada pelo valor bruto e, posteriormente, do passivo criado, dever ser transferido para a respectiva conta de reserva de capital o montante da isenção ou redução do imposto, concedida como 9 estimulo et implantação ou expansão de empreendimentos econômicos." Com base nesse entendimento, afirma o acórdão que a fiscalização pretende tributar a redução de passivo como ganho, o que equivaleria a criar lucro tributável fictício, uma vez que o valor, por constituir reserva especial no patrimônio liquido, está representado em contas do ativo, esta sim geradoras de receitas tributáveis pelo imposto de renda e pelas contribuições. Cita decisão da Camara Superior de Recursos Fiscais consubstanciada no Acórdão n° CSRF/01-885, que reconheceu que deve ser entendido como subvenção para investimento (e não subvenção corrente para custeio ou operação) o incentivo fiscal efetivado pela restituição de parte do ICMS devido e recolhido pela empresa ao Estado investida na própria indústria beneficiária. No tocante as variações cambiais, afirma ser equivocado o entendimento da Fiscalização de que o contribuinte não optara pelo "diferimento da tributação'. Com fundamento no art. 30 da Medida Provisória n° 1.858-10/99, sucessivamente reeditada, vigorando hoje a Medida Provisória n° 2.158-35/2001, verifica que a regra é o regime de caixa (apuração das receitas ou despesas na liquidação da operação) e a utilização do regime de competência é opcional e deve ser manifestado pelo contribuinte. Conclui serem indevidas, por erro material, as exigências relativas ao PIS/Pasep sobre a variação cambial pelo regime de competência. Em sede de recurso especial, em que pese sustente que a insurgéncia está embasada em violação do acórdão recorrido a lei ou a prova dos autos, a Fazenda Nacional não faz menção a provas ou legislação federal que teria sido violada pelo acórdão recorrido, a exceção da matéria relativa a decadência e a alegada afronta ao artigo 45 da Lei n. 8.212/91. De fato, em sede recursal, a Fazenda Nacional restringe-se a reproduzir com mínimas variações o quanto disposto no termo de verificação fiscal que acompanha o lançamento e a decisão proferida em primeira instancia pela Delegacia Regional de Julgamentos competente. 0 recurso especial foi admitido pelo Sr. Presidente da 7 Camara do P Conselho de Contribuintes por meio do Despacho n. DEF107145120_61 (fls.349/350). Foram apresentadas contra-razões pelo Contribuinte (fls.357/382).f E o relatório. 10 Processo n° 10380.001280/2004-31 CSRF-Tl Acórdão n.° 9101-001.206 Fl. 6 2,0 Voto Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, Relator Peço vênia para divergir do r. Despacho de fls. 349/350 no que se refere à admissibilidade do recurso especial. Em que pese tenha sido interposto com base no art. 7 °, I do antigo Regimento da Camara Superior de Recursos Fiscais, o recurso especial da Fazenda Nacional não atende aos requisitos mínimos de admissibilidade, porquanto dele não é possível depreender o núcleo do apelo ante a ausência de menção clara sobre eventual lei ou prova dos autos que tenha sido contrariada pelo acórdão recorrido. Tal assertiva foi ratificada por este Colegiado no julgamento de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional no Processo n. 10380.001278/2004-62 (Ac. 9101- 00.481) de interesse do mesmo Contribuinte, cujos fundamentos ora reproduzo por sua correção e pertinência ao caso, verbis: "0 presente recurso foi interposto com base no permissivo do art. 32 do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, aprovado pela Portaria MP n° 55/98, tendo a D. Procuradoria da Fazenda Nacional argumentado a contrariedade do acórdão recorrido com o disposto no artigo 45 da Lei n° 8.212/91, que prescreve o prazo decadencial de 10 (dez) anos para o Fisco apurar e constituir seus créditos relativos às contribuições sociais, no presente caso, a Contribuição Social sobre o Lucro (CSLL). Ocorre que como se depreende do voto do acórdão recorrido its fls. 347/368, o ilustre relator do caso, Conselheiro Luiz Martins Valero, não abordou em suas razões expostas em seu voto ocorrência da decadência. Nesse sentido, o Recurso Especial apresentado pela D. Procuradoria aponta" um' dispositivo de lei que em seu entendimento contrariaria o acórdão, sem que a matéria em questão tenha sido sequer sido analisada pelo relator. O que pode ter levado a D. Procuradoria ao equivoco, foi a parte do dispositivo do acórdão (lis. 337 - folha de rosto), onde foi grafado, de forma incorreta, o acolhimento da preliminar de decadência em relação à CSLL, mas referida questão, conforme acima apontado, lido foi em nenhum momento ventilado no voto condutor do acórdão. Na verdade, no voto condutor (fls. 347/368), o Relator enfrenta apenas a questão de nulidade, o que foi afastada, e o mérito a questão posta nos presentes autos, no caso, à natureza jurídica do incentivo de ICMS concedido pelo governo do estado do Ceará no âmbito do Programa de Incentivo ao Funcionamento 11 de Empresas - PRO VIN, tendo, após longo arrazoado, entendido pelo provimento do recurso interposto pelo contribuinte. Por essa razão, entendo que o presente Recurso Especial está desassociado da matéria posta nos presentes autos, razão pela qual não deve ser conhecido. Quanto à questão da incidência da CSLL sobre subvenções de investimentos, também não merece ser conhecido o presente recurso, uma vez que a D. Procuradoria da Fazenda Nacional teceu apenas breves comentários sobre o conceito de subvenção, não demonstrando a contrariedade a lei ou a evidencia de prova, bem corno sequer apontou eventual acórdão paradigma, requisito regimental essencial para a admissibilidade do recurso especial, aliado ao fato de que seu pedido final foi no sentido de ser reformada a decisão a quo, a fim de que se declare (não declare ???) a decadência e se mantenha a cobrança do tributo. Pelo acima exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do presente recurso especial." A insurgéncia relativa à pretensa violação do acórdão recorrido ao disposto no art. 45 da Lei n. 8.212, de 1991, não merece melhor sorte, porquanto é entendimento assente neste Colegiado o de que a edição da Súmula Vinculante n. 08 pelo Supremo Tribunal Federal esvazia por completo o objeto do apelo nesta parte, em vista da absoluta impossibilidade jurídica de se re-examinar a alegada violação do acórdão recorrido a lei suscitada pela Fazenda Nacional. Por tais fundamentos, voto no sentido de não conhecer do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Sala das Se s de outubro de 2011. Antonio uid i Filho 12
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Numero do processo: 10620.000714/2005-97
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jul 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Jul 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2002
ITR ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA ATO
DECLARATÓRIO AMBIENTAL ADA.
A regra expressa no artigo 17-O da Lei n° 6.938/81, com a redação que lhe foi dada pela Lei 10.165/2000, não é taxativa quanto à exigência de apresentação tempestiva do ADA para fins de exclusão da base de cálculo do ITR das áreas de preservação permanente e de utilização limitada. O ADA restringe-se a informações prestadas pelo contribuinte ao órgão ambiental acerca da existência de áreas de interesse ecológico.
Extrai-se do Manual de Perguntas e Respostas editado pelo IBAMA, no item n° 40, que a própria Administração Pública entende que o ADA tem efeito meramente declaratório, não sendo o único documento comprobatório das áreas de preservação permanente e de utilização limitada, podendo ser levado em conta, dentre outros, certidão emitida pelo IBAMA referente a tais áreas, tal qual ocorre neste feito.
Em tal documento, que goza de fé pública, nos termos do artigo 364 do CPC, está consignado que o contribuinte apresentou o ADA e que a área de reserva legal encontra-se averbada desde antes da ocorrência do fato gerador.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-001.628
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Elias Sampaio Freire, que negava provimento.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: Gonçalo Bonet Allage
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 ITR ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL ADA. A regra expressa no artigo 17O da Lei n° 6.938/81, com a redação que lhe foi dada pela Lei 10.165/2000, não é taxativa quanto à exigência de apresentação tempestiva do ADA para fins de exclusão da base de cálculo do ITR das áreas de preservação permanente e de utilização limitada. O ADA restringese a informações prestadas pelo contribuinte ao órgão ambiental acerca da existência de áreas de interesse ecológico. Extraise do Manual de Perguntas e Respostas editado pelo IBAMA, no item n° 40, que a própria Administração Pública entende que o ADA tem efeito meramente declaratório, não sendo o único documento comprobatório das áreas de preservação permanente e de utilização limitada, podendo ser levado em conta, dentre outros, certidão emitida pelo IBAMA referente a tais áreas, tal qual ocorre neste feito. Em tal documento, que goza de fé pública, nos termos do artigo 364 do CPC, está consignado que o contribuinte apresentou o ADA e que a área de reserva legal encontrase averbada desde antes da ocorrência do fato gerador. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Elias Sampaio Freire, que negava provimento. Fl. 400DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 08/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 09/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10620.000714/200597 Acórdão n.º 920201.628 CSRFT2 Fl. 375 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage – Relator EDITADO EM: 04/08/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Oliveira. Relatório Em face de Acesita S.A., CNPJ n° 33.390.170/000189, foi lavrado o auto de infração de fls. 0210, para a exigência de imposto sobre a propriedade territorial rural, exercício 2002, em razão da glosa de áreas declaradas como sendo de preservação permanente (pela não apresentação do Ato Declaratório Ambiental – ADA) e de utilização limitada (pela falta de averbação e pela ausência de apresentação tempestiva do ADA), relativamente ao imóvel denominado Ribeirão das Cabras e Outros, situado no município de Turmalina (MG). A autoridade lançadora justificou a constituição do crédito tributário da seguinte forma (fls. 0608): 1) ÁREA DE RESERVA LEGAL (...) Como o contribuinte não enviou a(s) matrícula(s) do imóvel e o ADA solicitados mediante o Termo de Intimação Fiscal ITR 2002/13, consideramos que o pedido de Ato Declaratório não foi protocolizado junto ao IBAMA e que a área de reserva legal não foi averbada na matrícula do imóvel. Assim, como não foram cumpridas as exigências previstas na legislação para fins de exclusão das áreas de reserva legal da tributação do ITR, foi procedida à glosa da área de 3.725,20ha declarada como de utilização limitada. 2) ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE (...) Como o contribuinte não enviou o ADA solicitado mediante o Termo de Intimação Fiscal ITR 2002/13, consideramos que o pedido de Ato Declaratório não foi protocolizado junto ao IBAMA. Fl. 401DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 08/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 09/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10620.000714/200597 Acórdão n.º 920201.628 CSRFT2 Fl. 376 3 Assim, como não foram cumpridas as exigências previstas na legislação para fins de exclusão das áreas de preservação permanente da tributação do ITR, foi procedida à glosa da área declarada de 53,00ha. A ação fiscal teve início em 07/07/2005 (fls. 16), sem nenhuma manifestação concreta do contribuinte (que apenas pediu dilações de prazo) e, conforme a Certidão de fls. 84, emitida pelo IBAMA em Minas Gerais em 26/08/2005 e juntada à impugnação, “... De acordo com a Escritura Pública registrada no Cartório de Registro de Imóveis de Itamarandiba, o imóvel possui área total de 4.948,90 ha. A área de Preservação Permanente é de 53,00 ha, é assim definida por lei. A Área de Reserva Legal é de 3725,20 ha e sempre foi mantida, e Averbada no Cartório de Registro de Imóveis em 19.12.2001, e lançadas no ADA – Ato Declaratório Ambiental, processado no IBAMA sob o n° 31000221848.” As áreas de preservação permanente e de utilização limitada foram reduzidas de 53,0 ha para 0,0 ha e de 3.725,2 ha para 0,0 ha, respectivamente (fls. 02). A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF) considerou o lançamento procedente (fls. 104112). Por sua vez, a Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, apreciando o recurso voluntário interposto pela contribuinte, proferiu o acórdão n° 30239.392, que se encontra às fls. 211221, cuja ementa é a seguinte: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2002 ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E ÁREA DE RESERVA LEGAL COMPROVAÇÃO. Para que as áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada estejam isentas do ITR, é preciso que as mesmas estejam perfeitamente identificadas por documentos idôneos e que assim sejam reconhecidas pelo IBAMA ou por órgão estadual competente, mediante Ato Declaratório Ambiental ADA, ou que o contribuinte comprove ter requerido o referido ato àqueles órgãos, em tempo hábil. Para a área de utilização limitada/reserva legal deve, também, estar averbada à margem da matrícula do imóvel à época do respectivo fato gerador. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. A decisão recorrida, por maioria de votos, rejeitou a preliminar de diligência e de pedido de perícia e, no mérito, pelo voto de qualidade, negou provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro (Relatora), Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira e Beatriz Veríssimo de Sena que deram provimento. Designada para redigir o acórdão a Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim. Fl. 402DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 08/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 09/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10620.000714/200597 Acórdão n.º 920201.628 CSRFT2 Fl. 377 4 Intimada do acórdão em 30/07/2008 (fls. 229), a contribuinte, devidamente representada, interpôs recurso especial de divergência às fls. 231241, acompanhado dos documentos de fls. 242341, cujas razões podem ser assim sintetizadas: a) A exigência de apresentação do ADA como única forma de comprovação da existência das áreas de reserva legal e de utilização limitada não reflete a finalidade do tributo em discussão e prova disso é que tal exigência vem sendo interpretada de foram diversa não só pela Relatora do acórdão recorrido, mas também pela Primeira e Terceira Câmaras do Terceiro Conselho; b) A empresa não tinha o ADA, mas tinha UMA DECLARAÇÃO DO IBAMA (o mesmo que expede o ADA) e registros de cartórios. Tais documentos não prevalecem a bem da verdade material? O processo administrativo (contraditório, ampla defesa e devido processo legal) admite a exclusividade ou monopólio de uma prova? A terra legalmente improdutiva deixou de ser com a não existência do ADA? c) Resta claro nos autos que: (i) as áreas de preservação permanente e reserva legal sempre foram respeitadas (ii) as referidas áreas são mantidas e não utilizadas na sua totalidade, nos exatos termos da legislação ambiental, não podendo a empresa ser penalizada por nelas não ter produzido; d) Contudo, em que pese a farta prova documental acostada aos autos, o lançamento foi mantido ao argumento que somente a apresentação do ADA poderia elidir o pagamento do imposto incidente sobre essas áreas, em que pese a certidão do IBAMA atestar que as ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE EXISTEM NO MUNDO FÁTICO; e) Em sentido diverso, traz como paradigmas os acórdãos nos 30131.956, 30333.181 e 30333.180; f) Fica evidente que uma formalidade (a existência ou não do ADA ou mesmo a averbação em cartório) não pode ser fato gerador de um tributo e que o mundo fático deve ser visto para constatação da ocorrência ou não da tributação, por isso, pede obediência à intenção do texto legal, o que gera o cancelamento do presente auto de infração; g) Ad argumentandum, mesmo não acatando o acima exposto, quanto à exigência da prova da área de reserva legal e/ou preservação permanente se fazer apenas através do ADA bem como da averbação tempestiva da área às margem da matrícula do imóvel, data venia, há claro ferimento ao princípio constitucional da ampla defesa, uma vez que a legislação processual sempre acatou qualquer prova lícita (art. 5°, LV, CF/88); h) A própria Instrução Normativa que regula a matéria, em seu artigo 17, deixa evidente que o IBAMA é o órgão responsável por dar informações à Receita Federal sobre tais terras; i) Ora, deveria ter sido oficiado o IBAMA quanto à questão, uma vez que ele poderia dar explicações técnicas quanto ao caso e abrir, neste momento, Fl. 403DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 08/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 09/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10620.000714/200597 Acórdão n.º 920201.628 CSRFT2 Fl. 378 5 o ensejo para que a empresa pudesse exercer seu constitucional direito de defesa. Pior, no caso dos autos, a empresa obteve uma certidão, do mesmo órgão que atesta o ADA, informando as áreas existentes no imóvel atacado; j) Repitase, a Recorrente comprovou as áreas dedutíveis por certidão emitida pelo próprio IBAMA, documento que contém a fé pública necessária ao cancelamento do auto de infração; k) A mencionada certidão supre a exigência da apresentação do ADA, já que atesta o registro das áreas de preservação, ora em discussão, pois se trata de órgão público e com presunção de veracidade de suas assertivas; l) Requer seja provido o recurso, tornando o lançamento insubsistente. Admitido o recurso por intermédio do Despacho n° 302.343 (fls. 344347), a Fazenda Nacional foi intimada e apresentou contrarrazões às fls. 350371, onde defendeu, fundamentalmente, a necessidade de manutenção do acórdão de segunda instância, destacando que a contribuinte deixou de comprovar suas alegações. É o Relatório. Voto Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator O Recurso Especial da contribuinte cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Reitero que o acórdão proferido pela Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, rejeitou as preliminares suscitadas pela autuada e, no mérito, pelo voto de qualidade, negou provimento ao recurso. De acordo com a Relatora da decisão recorrida (fls. 217218): As áreas de utilização limitada, vale ressaltar, foram devidamente averbadas, à margem do registro das respectivas glebas, antes do fato gerador da obrigação tributária, em 19 de dezembro de 2001. Ademais quanto à área de preservação permanente, tenho que o documento de fls. 84, emitido Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) é suficiente para lhe dar sustento às alegações da Interessada. Ainda, para arrematar, o mesmo documento de fls. 84 faz menção ao processamento do respectivo ADA. Apesar de tal documento não mencionar a data de sua protocolização ou de sua conclusão, entendo que o mesmo é suficiente para comprovar as áreas declaradas pela Interessada. Leiamse os respectivos termos: Fl. 404DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 08/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 09/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10620.000714/200597 Acórdão n.º 920201.628 CSRFT2 Fl. 379 6 " (.) A área de Preservação Permanente é de 53,00 ha., á assim definida por lei. A área de Reserva Legal é de 3725,20 ha. e sempre foi mantida, e Averbada no Cartório de Registro de Imóveis em 19.12.2001, e lançadas no ADA — Ato Declaratório Ambiental, processado no IBAMA sob o e 31000221848." Como conseqüência, é de se reputar suficientemente feita a prova de que assiste à Interessada o direito à isenção para o período abrangido na DITR/2002 e, portanto, voto pelo provimento do recurso. Já a Redatora Designada consignou que (fls. 220221): No presente caso, o requerente não comprovou nos autos a protocolização, tempestiva, do requerimento do ADA junto ao IBAMA. Quanto à área de reserva legal, a mesma, também, deve estar averbada e esta averbação deve ser providenciada em data anterior à da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária ou, se for realizada posteriormente, deve se reportar àquela data anterior. (...) Concluise, portanto que, para as áreas de reserva legal serem excluídas da área tributada e aproveitável do imóvel rural, as mesmas precisam estar devidamente averbadas junto ao Registro de Imóveis competente, em data anterior à da ocorrência do fato gerador do tributo, o que não ocorreu na hipótese destes autos. Ressalto que não consta, dos autos, certidão do cartório de registro de imóveis com a referida averbação à época do fato gerador (01/01/2002); apesar de constar a "Certidão" do IBAMAMG, atestar que a área de reserva legal encontrase averbada em 19/12/2001. Pelo exposto, voto em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto. O caso em apreço é sui generis, pois a contribuinte deixou de trazer aos autos o ADA e a matrícula do imóvel, mas anexou Certidão emitida pelo IBAMA, onde está expressa a apresentação do ADA e a averbação da área de reserva legal em 19/12/2001 (antes, portanto, da ocorrência do fato gerador, que se deu em 01/01/2002). A recorrente defendeu, basicamente, que a Certidão emitida pelo IBAMA (fls. 84) supre a apresentação do ADA e comprova a existência das áreas de preservação permanente e de utilização limitada informadas na DITR/2002, motivo pelo qual o lançamento não pode prevalecer. Invocou como paradigmas os acórdãos nos 30131.956, 30333.181 e 303 33.180. Ressalto, novamente, que a glosa de áreas informadas na DITR/2002 como sendo de preservação permanente e de reserva legal foi promovida pela ausência de apresentação tempestiva do ADA e, quanto à última, também pela falta da respectiva averbação. Fl. 405DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 08/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 09/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10620.000714/200597 Acórdão n.º 920201.628 CSRFT2 Fl. 380 7 Eis as matérias em litígio. Pois bem, o artigo 10, § 1°, inciso II, alínea “a”, da Lei n° 9.393/96 tem a seguinte redação: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1°. Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; Portanto, de acordo com tal regra, as áreas de preservação permanente e de reserva legal, previstas no Código Florestal (Lei n° 4.771/65), estão excluídas da base de cálculo do ITR. As chamadas áreas de preservação permanente e de reserva legal ou de utilização limitada têm contornos estabelecidos pelos artigos 2°, 3° e 16 do Código Florestal, atualmente com a redação que lhe foi dada pela Medida Provisória n° 2.16667/2001, da seguinte forma: Art. 2°. Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: 1 de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; 2 de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; 4 de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; Fl. 406DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 08/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 09/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10620.000714/200597 Acórdão n.º 920201.628 CSRFT2 Fl. 381 8 5 de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. Parágrafo único. No caso de áreas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, observarseá o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo. Art. 3º. Consideramse, ainda, de preservação permanente, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. § 1°. A supressão total ou parcial de florestas de preservação permanente só será admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando for necessária à execução de obras, Fl. 407DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 08/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 09/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10620.000714/200597 Acórdão n.º 920201.628 CSRFT2 Fl. 382 9 planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. § 2º As florestas que integram o Patrimônio Indígena ficam sujei.tas ao regime de preservação permanente (letra g) pelo só efeito desta Lei. Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: I oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; III vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e IV vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. § 1°. O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo. § 2°. A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. § 3°. Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. § 4°. A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: I o plano de bacia hidrográfica; Fl. 408DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 08/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 09/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10620.000714/200597 Acórdão n.º 920201.628 CSRFT2 Fl. 383 10 II o plano diretor municipal; III o zoneamento ecológicoeconômico; IV outras categorias de zoneamento ambiental; e V a proximidade com outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. § 5°. O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico ZEE e pelo Zoneamento Agrícola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: I reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas de Preservação Permanente, os ecótonos, os sítios e ecossistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e II ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos índices previstos neste Código, em todo o território nacional. § 6°. Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: I oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; II cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do País; e III vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso I do § 2o do art. 1o. § 7°. O regime de uso da área de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § 6o. § 8°. A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. § 9°. A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. Fl. 409DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 08/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 09/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10620.000714/200597 Acórdão n.º 920201.628 CSRFT2 Fl. 384 11 § 10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicandose, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. § 11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. Estas são as previsões do Código Florestal atualmente em vigor a respeito dos temas em discussão. Quanto à apresentação do ADA, devo destacar que em momento anterior à alteração promovida no artigo 17O da Lei n° 6.938/81 pela Lei n° 10.165, de 27/12/2000, apenas Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal veiculavam tal obrigação. A ausência de amparo legal para a exigência do ADA, quanto a fatos ocorridos até o exercício 2000, deu origem ao Enunciado CARF n° 41, que tem o seguinte conteúdo: “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000”. No entanto, o caso em apreço está relacionado ao exercício 2002. A Súmula, então, é inaplicável à espécie. Para fatos ocorridos a partir do exercício 2001, inclusive, o artigo 17O da Lei n° 6.938/81, com a redação que lhe foi dada pela Lei 10.165/2000, passou a prever que: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria (Redação dada pela Lei n° 10.165. de 2000) § 1ºA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA (incluído nela Lei n° 10.165. de 2000) § 1º. A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (Redação dada pela Lei n°10.165, de 2000) Embora este texto pareça demonstrar que a legislação é taxativa ao exigir a protocolização tempestiva do ADA para fins de exclusão da base de cálculo do ITR das áreas de preservação permanente e de utilização limitada, sob minha ótica, não se pode olvidar que a Fl. 410DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 08/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 09/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10620.000714/200597 Acórdão n.º 920201.628 CSRFT2 Fl. 385 12 apresentação do ADA pelo contribuinte ao IBAMA ou órgão conveniado – até que haja uma vistoria pelo órgão competente e a ratificação ou retificação das declarações ali contidas – restringese a informações prestadas pelo contribuinte ao órgão ambiental acerca da existência de áreas que têm algum interesse ecológico. Segundo penso, com o advento de tal regra, o ADA apresentado tempestivamente tem a função de inverter o ônus da prova, passando este a ser do Fisco a partir da sua entrega. Caso não ocorra o protocolo tempestivo do ADA, pode o contribuinte se valer de outros meios de prova visando à fruição da redução da base de cálculo do ITR. Nesse sentido, no que toca à demonstração da existência efetiva das áreas em referência, na página do IBAMA na internet (www.ibama.gov.br), nos “Serviços Online”, na parte relativa ao “Ato Declaratório Ambiental – ADA”, no link “Respostas às Perguntas mais Freqüentes sobre o ADA”, em resposta à pergunta n° 40 (“Que documentação pode ser exigida para comprovar a existência das áreas de interesse ambiental?”), consta a possibilidade de apresentação dos seguintes documentos para tal finalidade: ● Ato Declaratório Ambiental – ADA e o comprovante da entrega do mesmo; ● Ato do Poder Público declarando as florestas e demais formas de vegetação natural como Área de Preservação Permanente, conforme dispõe o Código Florestal em seu artigo 3.; ● Laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, que especifique e discrimine as Áreas de Interesse Ambiental (Área de Preservação Permanente; Área de Reserva Legal; Reserva Particular do Patrimônio Natural; Área de Declarado Interesse Ecológico; Área de Servidão Florestal ou Ambiental; Áreas Cobertas por Floresta Nativa; Áreas Alagadas para fins de Constituição de Reservatório de Usinas Hidrelétricas); ● Laudo de vistoria técnica do Ibama relativo à área de interesse ambiental; ● Certidão do Ibama ou de outro órgão de preservação ambiental (órgão ambiental estadual) referente às Áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada; ● Certidão de registro ou cópia da matrícula do imóvel com averbação da Área de Reserva Legal; ● Termo de Responsabilidade de Averbação da Área de Reserva Legal (TRARL) ou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC); ● Declaração de interesse ecológico de área imprestável, bem como, de áreas de proteção dos ecossistemas (Ato do Órgão competente, federal ou estadual – Ato do Poder Público – para áreas de declarado interesse ecológico): Se houver uma área no imóvel rural que sirva para a proteção dos ecossistemas e que não seja útil para a agricultura ou pecuária, pode ser solicitada ao órgão ambiental federal ou estadual a vistoria e a declaração daquela como uma Área de Interesse Ecológico. ● Certidão de registro ou cópia da matrícula do imóvel com averbação da Área de Servidão Florestal; ● Portaria do Ibama de reconhecimento da Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN). Fl. 411DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 08/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 09/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10620.000714/200597 Acórdão n.º 920201.628 CSRFT2 Fl. 386 13 Portanto, a própria Administração Pública entende que o ADA tem efeito meramente declaratório, não sendo o único documento comprobatório das áreas de preservação permanente e de utilização limitada, podendo ser levado em conta, dentre outros, certidão emitida pelo IBAMA referente a tais áreas. É exatamente o que ocorre no caso em apreço. Cumpre reproduzir, novamente, o que consta na Certidão emitida pelo IBAMA em 26/08/2005 (fls. 84): ... De acordo com a Escritura Pública registrada no Cartório de Registro de Imóveis de Itamarandiba, o imóvel possui área total de 4.948,90 ha. A área de Preservação Permanente é de 53,00 ha, é assim definida por lei. A Área de Reserva Legal é de 3725,20 ha e sempre foi mantida, e Averbada no Cartório de Registro de Imóveis em 19.12.2001, e lançadas no ADA – Ato Declaratório Ambiental, processado no IBAMA sob o n° 31000221848. Entendo que estava ao alcance da recorrente trazer aos autos cópia do ADA mencionado na Certidão do IBAMA, bem como da matrícula do imóvel onde consta a averbação. No entanto, tal omissão não autoriza a completa desconsideração da informação prestada pelo IBAMA, na medida em que, nos termos do artigo 364 do Código de Processo Civil – CPC, “Art. 364. O documento público faz prova não só da sua formação, mas também dos fatos que o escrivão, o tabelião, ou o funcionário declarar que ocorreram na sua presença.” O documento do IBAMA, além de indicar a apresentação de ADA, menciona a existência de área de preservação permanente de 53,0 hectares e de área de utilização limitada de 3.725,20 hectares, sempre mantida e devidamente averbada em 19/12/2001. Exatamente tais áreas foram informadas pela empresa em sua DITR/2002. Sob minha ótica, ambas as áreas estão comprovadas, sendo que a área de reserva legal encontrase averbada desde momento anterior à ocorrência do fato gerador, que se deu em 01/01/2002. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial interposto pela contribuinte, para considerar insubsistente o lançamento. (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Fl. 412DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 08/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 09/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10620.000714/200597 Acórdão n.º 920201.628 CSRFT2 Fl. 387 14 Fl. 413DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 08/08/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 09/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 35009.000658/2006-10
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE MATERIAL.
No presente caso a nulidade foi declarada em face da ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, em virtude de não restar constatada a efetiva existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto "tomador de serviços" e os "prestadores de serviços", o que caracteriza violação ao art. 142 do CTN e, especificamente, ao art. 37 da Lei
nº 8.212/91 e ao art. 229, § 2º do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n°3.048/1999.
Nulo é o lançamento, por vício material, quando ausentes a descrição do fato gerador e a determinação da matéria tributável, em especial quando o crédito é constituído com base na caracterização de segurado empregado e deixam de ser demonstrados os elementos caracterizadores do vínculo empregatício.
Quando nos deparamos com um vício de natureza formal o princípio
princípio pas de nullité sans grief ou princípio do prejuízo deve ser amplamente aplicado, isto porque, a adoção de sistema rígido de invalidação processual impede a eficiente atuação da Administração Pública.
Cabe a autoridade lançadora o ônus de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, conforme descrito no art. 142 do CTN.
A declaração de nulidade ante a ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, decorre do fato de a autoridade fiscal não ter se desincubido do ônus de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação, o que faz com que o prejuízo ao contribuinte seja intrínseco à declaração de nulidade por vício material.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.932
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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NULIDADE MATERIAL. No presente caso a nulidade foi declarada em face da ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, em virtude de não restar constatada a efetiva existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto "tomador de serviços" e os "prestadores de serviços", o que caracteriza violação ao art. 142 do CTN e, especificamente, ao art. 37 da Lei nº 8.212/91 e ao art. 229, § 2º do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n°3.048/1999. Nulo é o lançamento, por vício material, quando ausentes a descrição do fato gerador e a determinação da matéria tributável, em especial quando o crédito é constituído com base na caracterização de segurado empregado e deixam de ser demonstrados os elementos caracterizadores do vínculo empregatício. Quando nos deparamos com um vício de natureza formal o princípio princípio pas de nullité sans grief ou princípio do prejuízo deve ser amplamente aplicado, isto porque, a adoção de sistema rígido de invalidação processual impede a eficiente atuação da Administração Pública. Cabe a autoridade lançadora o ônus de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, conforme descrito no art. 142 do CTN. A declaração de nulidade ante a ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, decorre do fato de a autoridade fiscal não ter se desincubido do ônus de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação, o que faz com que o prejuízo ao contribuinte seja intrínseco à declaração de nulidade por vício material. Recurso especial negado. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Relator EDITADO EM: 24/01/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (Conselheira Convocada), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (Conselheiro Convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão nº 2402 00.011, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção em 09/07/2009 (fls. 140/147), interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 151/178). A decisão recorrida, por unanimidade de votos, anulou o lançamento e, por maioria de votos, reconheceu a nulidade por vício material. Segue abaixo sua ementa: “CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. APLICAÇÃO DO ART. 173,1 DO CTN. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento das contribuiçõesprevidenciárias. NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. SEGURADO EMPREGADO. ENQUADRAMENTO NÃO VERIFICADO. Para o enquadramento de prestadores de serviço como segurados empregados deve a fiscalização, pormenorizadamente, indicar a ocorrência cumulativa dos requisitos ensejadores da relação de emprego. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.” Fl. 195DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 35009.000658/200610 Acórdão n.º 920201.932 CSRFT2 Fl. 192 3 A recorrente afirma que o aresto atacado diverge do paradigma que apresenta, onde se refutou por inteiro a possibilidade de reconhecimento de nulidade sem prejuízo, especificamente no que se refere à descrição deficiente do fato gerador. Aponta uma segunda divergência ao indicar paradigma segundo o qual se trata de requisito formal a descrição dos fatos, que não enseja nulidade por cerceamento de defesa quando houve a demonstração do conhecimento da matéria pela autuada. Considera que os termos do procedimento fiscal contêm os elementos necessários e suficientes para o atendimento do art. 11 do Decreto n.2 70.235/72. Aduz que o exercício amplo e efetivo do direito de defesa foi propiciado à contribuinte, que, inclusive, apresenta longo e detalhado arrazoado, por meio do qual insurgese contra o procedimento de apuração adotado pela fiscalização. Explica que a jurisprudência desta Câmara Superior tem firmado o entendimento segundo o qual, o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não somente preliminares, mas também razões de mérito mostrase incabível a declaração de nulidade de lançamento por cerceamento de defesa, devendo prevalecer os princípios da instrumentalidade e economia processual em lugar do rigor das formas. Entende que a deficiência na exteriorização das razões de fato que levaram a autoridade fiscal a lançar o crédito tributário, por ausência de recolhimentos relativos às diferenças de contribuições sociais, eis que reconhecido o vínculo empregatício, vício apontado pelo colegiado como causa de nulidade do lançamento, a toda vista, não pode ser considerado como de natureza material, pois se assim fosse estarseia afirmando que o motivo (fato jurídico) nunca existiu. Argumenta que não há que se confundir falta de motivo com falta ou deficiência de fundamentação/motivação. A primeira representa a exposição dos motivos, ou seja, a demonstração, por escrito, de que os pressupostos de fato que justificam o ato realmente existiram. Já a motivação diz respeito às formalidades que ensejaram a formação do ato. No caso em debate, o voto condutor é veemente ao afirmar que a descrição fática não é clara o suficiente para exercício do direito de defesa do contribuinte. Tratase, portanto, de motivação deficiente do ato administrativo. Portanto, vício de forma. Destaca que a jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes é farta em decisões que, ao determinarem o cancelamento do lançamento por falta de preenchimento de alguns dos requisitos formais estipulados no art. 10 do Decreto nº 70.235/72 e/ou art. 142 do CTN, consideraram que se tratava de nulidade por vício de forma, perfeitamente convalidável. Ao final, requer o provimento do recurso. Nos termos do Despacho n.º 2400121/2010 (fls. 179/183), foi dado seguimento parcial ao pedido em análise, considerandose configurada a segunda divergência suscitada pela recorrente. O contribuinte não apresentou contrarazões, consoante despacho de fl. 190. Eis o breve relatório. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator O Recurso Especial da Fazenda Nacional preenche os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. O primeiro ponto a ser apreciado diz respeito à natureza do vício que acarretou a nulidade do lançamento. Há de se salientar que a nulidade foi declarada por unanimidade de votos. Entretanto, declarouse a nulidade por vicio material, havendo a minoria declarado o vício formal. É de vital importância a distinção entre vício formal e material para dimensionar os diferentes efeitos que, quanto à sua natureza e intensidade, cada um desses erros pode ter sobre o crédito tributário constituído. Há de se avaliar a ocorrência do erro como sendo “menos ou mais gravoso” e reforçando a idéia de que, também daí, podese extrair subsídios com vistas à classificação do vício como sendo de forma ou de substância. Como efeito prático de se declarar a nulidade do lançamento por vício formal ou material temos que: no caso de vício formal o prazo decadencial para a realização de outro lançamento é restabelecido, passando a ser contado a partir da data da decisão definitiva que declarou a nulidade por vício formal do lançamento, conforme estabelece o 173, inciso II, do CTN. Já no caso de vício material, o prazo decadencial continua a ser contado da ocorrência do fato gerador do tributo, no caso do artigo 150, § 4º, do CTN, ou do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, tratandose do artigos 173, inciso I do CTN. Assim sendo, neste último caso, poderá o Fisco promover novo lançamento, corrigindo o vício material incorrido, conquanto que dentro do prazo decadencial estipulado, sem o restabelecimento do prazo que é concedido na hipótese de se tratar de vício formal. Portanto, a questão reside, assim, no estudo da natureza e intensidade do erro cometido, de cujas conclusões se extrai a classificação necessária para se definir a existência, ou não, do direito de o sujeito ativo da obrigação efetuar novo lançamento, levandose em conta o princípio da segurança jurídica e os limites temporais dos atos administrativos. As incorreções e omissões quanto à formalidade do ato praticado caracterizam o vício formal. Luiz Henrique Barros de Arruda, Processo Administrativa Fiscal, Editora Resenha Tributária, pág. 82, define assim o vício formal: “O vício de forma existe sempre que na formação ou na declaração da vontade traduzida no ato administrativo foi preterida alguma formalidade essencial ou que o ato não reveste a forma legal.” Ou seja, os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, isto é, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. Por outro lado, ocorre vício material quando o lançamento não permitir ao sujeito passivo conhecer com nitidez a acusação que lhe é imputada, quer pela insuficiência na descrição dos fatos, quer pela contradição entre seus elementos, é igualmente nulo por falta de materialização da hipótese de incidência e/ou o ilícito cometido. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 35009.000658/200610 Acórdão n.º 920201.932 CSRFT2 Fl. 193 5 Destarte, a inobservância do que preconiza o art. 142 do CTN, que prevê ser o lançamento procedimento administrativo a tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, caracteriza existência de vício de natureza material. Neste contexto, é lícito concluir que as investigações intentadas no sentido de determinar, aferir, precisar o fato que se pretendeu tributar anteriormente, revelamse incompatíveis com os estreitos limites dos procedimentos reservados ao saneamento do vício formal. Com efeito, sob o pretexto de corrigir o vício formal detectado, não pode o Fisco intimar o contribuinte para apresentar informações, esclarecimentos, documentos, etc. tendentes a apurar a matéria tributável. Se tais providências forem necessárias, significa que a obrigação tributária não estava definida e o vício apurado não seria apenas de forma, mas, sim, de estrutura ou da essência do ato praticado. No presente caso a nulidade foi declarada em face da ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, em virtude de não restar constatada a efetiva existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto "tomador de serviços" e os "prestadores de serviços", o que caracteriza violação ao art. 142 do CTN e, especificamente, ao art. 37 da Lei nº 8.212/91 e ao art. 229, § 2º do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n°3.048/1999, in verbis: "Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação Clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento." Tenho me posicionado no sentido de que nulo é o lançamento, por vício material, quando ausentes a descrição do fato gerador e a determinação da matéria tributável, em especial quando o crédito é constituído com base na caracterização de segurado empregado e deixam de ser demonstrados os elementos caracterizadores do vínculo empregatício: “CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA – DÉBITO NORMAL SEGURADOS EMPREGADOS – CARACTERIZAÇÃO DEFICIENTE LANÇAMENTO ARBITRADO. Para que o crédito tributário seja constituído com base na caracterização de segurado empregado, é necessário que os elementos caracterizadores do vínculo empregatício fiquem devidamente demonstrados no relatório fiscal da NFLD. A falta da exposição clara e precisa dos elementos citados acima dificulta o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo, retirando do crédito os atributos de certeza e liquidez para uma futura execução fiscal. A inviabilidade do saneamento do vício enseja a anulação do crédito. Ocorrência de vício de natureza material.” Fl. 198DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 (2ºCC/6ª C – Ac. 20601817 – Rel. Elias Sampaio Freire) Outro aspecto a ser enfrentado diz respeito a divergência jurisprudencial apresentada pela Fazenda Nacional, no sentido de que a Câmara prolatora do acórdão recorrido entendeu que a insuficiente descrição dos fatos que ensejaram a autuação fiscal é bastante para a nulidade, por vício material, do lançamento. Desconsiderou, no entanto, a inexistência de prejuízo ao contribuinte. Destaca que o v. acórdão ora guerreado mostrase dissonante da jurisprudência majoritária na medida em que decreta uma nulidade sem a comprovação de prejuízo. Por diversas vezes neste colegiado tenho me manifestado no sentido de que quando estamos diante de um vício formal e inexiste prejuízo por parte do contribuinte em sua defesa, a nulidade não deve ser declarada, de acordo com o princípio pas de nullité sans grief: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MPF. NULIDADE FORMAL AFASTADA. AUSÊNCIA DO BINÔMIO DEFEITO PREJUÍZO. De acordo com o princípio pas de nullité sans grief, que na sua tradução literal significa que não há nulidade sem prejuízo, não se declarará a nulidade por vício formal se este não causar prejuízo. Mesmo que estejamos diante de um vício formal no lançamento, a sua nulidade não deve ser decretada, por ausência de efetivo prejuízo por parte do contribuinte em sua defesa. Não há de se falar em nulidade do lançamento, por não restar configurado o binômio defeitoprejuízo. Recurso Especial Provido (2ª Turma CSRF – Ac. 920201609 – Rel. Elias Sampaio Freire) Entretanto, no presente caso, o vício existente no lançamento é de natureza material e não de natureza formal, conforme demonstrado alhures. Por certo, quando nos deparamos com um vício de natureza formal o princípio princípio pas de nullité sans grief ou princípio do prejuízo deve ser amplamente aplicado, isto porque, a adoção de sistema rígido de invalidação processual impede a eficiente atuação da Administração Pública. Nestes casos, há que se ter em mente a noção de prejuízo ao sujeito passivo; somente quando o lançamento, enquanto ato declaratório da obrigação tributária e constitutivo do crédito fiscal, conduzir a um efetivo prejuízo ao contribuinte terse á como conseqüência a nulidade por vício formal. Por outro lado, cabe a autoridade lançadora o ônus de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, conforme descrito no art. 142 do CTN. Destarte, a declaração de nulidade ante a ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, decorre do fato de a autoridade fiscal não ter se desincubido do ônus de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação, o que faz com que o prejuízo ao contribuinte seja intrínseco à declaração de nulidade por vício material. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 35009.000658/200610 Acórdão n.º 920201.932 CSRFT2 Fl. 194 7 Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 200DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/01/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10820.000536/2004-67
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Apr 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Apr 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2000
ÁREA DE RESERVA LEGAL. NECESSIDADE OBRIGATÓRIA DA AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. HIGIDEZ. AVERBAÇÃO ATÉ O MOMENTO ANTERIOR AO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. NECESSIDADE.
O art. 10, § 1º, II, “a”, da Lei nº 9.393/96 permite a exclusão da área de reserva legal prevista no Código Florestal (Lei nº 4.771/65) da área tributável pelo ITR, obviamente com os condicionantes do próprio Código Florestal, que, em seu art. 16, § 8º, exige que a área de reserva legal deve ser averbada
à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas no Código Florestal. A averbação da área de reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis CRI é uma providência que potencializa a extrafiscalidade do ITR, devendo ser exigida como requisito para fruição da benesse tributária. Afastar a necessidade de averbação da área de reserva legal é uma interpretação que vai de encontro à essência do ITR, que é um imposto essencialmente, diria, fundamentalmente, de feições extrafiscais. De outra banda, a exigência da averbação cartorária da área de reserva legal vai ao encontro do aspecto extrafiscal do ITR, devendo ser privilegiada. Ainda, enquanto o contribuinte estiver espontâneo em face da autoridade fiscalizadora tributária, na forma do art. 7º, § 1º, do Decreto nº 70.235/72 (O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas), poderá averbar no CRI a área de reserva legal, podendo fruir da benesse tributária. Porém, iniciado o procedimento fiscal para determinado exercício, a espontaneidade
estará quebrada, e a área de reserva legal deverá sofrer o ônus do ITR, caso não tenha sido averbada antes do início da ação fiscal.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-001.367
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, pelo voto de qualidade dar
provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Gonçalo Bonet Allage (Relator), Gustavo Lian Haddad, Eivanice Canário da Silva, Damião Cordeiro de Moraes e Marcelo Freitas de Souza Costa. Votou pelas conclusões o conselheiro Elias Sampaio Freire, que entende ser exigível a averbação da área de reserva legal antes do fato gerador. Designado para redigir o voto vencedor o(a) Conselheiro(a) Giovanni Christian Nunes Campos
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: GONCALO BONET ALLAGE
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NECESSIDADE OBRIGATÓRIA DA AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. HIGIDEZ. AVERBAÇÃO ATÉ O MOMENTO ANTERIOR AO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. NECESSIDADE. O art. 10, § 1º, II, “a”, da Lei nº 9.393/96 permite a exclusão da área de reserva legal prevista no Código Florestal (Lei nº 4.771/65) da área tributável pelo ITR, obviamente com os condicionantes do próprio Código Florestal, que, em seu art. 16, § 8º, exige que a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas no Código Florestal. A averbação da área de reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis CRI é uma providência que potencializa a extrafiscalidade do ITR, devendo ser exigida como requisito para fruição da benesse tributária. Afastar a necessidade de averbação da área de reserva legal é uma interpretação que vai de encontro à essência do ITR, que é um imposto essencialmente, diria, fundamentalmente, de feições extrafiscais. De outra banda, a exigência da averbação cartorária da área de reserva legal vai ao encontro do aspecto extrafiscal do ITR, devendo ser privilegiada. Ainda, enquanto o contribuinte estiver espontâneo em face da autoridade fiscalizadora tributária, na forma do art. 7º, § 1º, do Decreto nº 70.235/72 (O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas), poderá averbar no CRI a área de reserva legal, podendo fruir da benesse tributária. Porém, iniciado o procedimento fiscal para determinado exercício, a espontaneidade estará quebrada, e a área de reserva legal deverá sofrer o ônus do ITR, caso não tenha sido averbada antes do início da ação fiscal. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 18/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, 18/05/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, pelo voto de qualidade dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Gonçalo Bonet Allage (Relator), Gustavo Lian Haddad, Eivanice Canário da Silva, Damião Cordeiro de Moraes e Marcelo Freitas de Souza Costa. Votou pelas conclusões o conselheiro Elias Sampaio Freire, que entende ser exigível a averbação da área de reserva legal antes do fato gerador. Designado para redigir o voto vencedor o(a) Conselheiro(a) Giovanni Christian Nunes Campos Assinado digitalmente ELIAS SAMPAIO FREIRE – Presidente em Exercício Assinado digitalmente Gonçalo Bonet Allage Relator Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – redator designado EDITADO EM: 18/04/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Francisco Assis de Oliveira Junior, Gustavo Lian Haddad, Elias Sampaio Freire, Eivanice Canário da Silva, Damião Cordeiro de Moraes, Marcelo Freitas de Souza Costa e Ronaldo Lima de Macedo. Relatório Em face de Analtiva Silva Junqueira de Andrade foi lavrado o auto de infração de fls. 0207, para a exigência de imposto sobre a propriedade territorial rural, exercício 2000, em razão da glosa de áreas declaradas como sendo de preservação permanente e de utilização limitada, pela ausência de protocolização de Ato Declaratório Ambiental – ADA e de averbação tempestiva à margem da matrícula do imóvel quanto à área de reserva legal, relativamente ao imóvel denominado Fazenda Macaubas, situado no município de Santo Antonio do Aracangua (SP). A autoridade lançadora justificou a constituição do crédito tributário da seguinte forma (fls. 04): Falta de recolhimento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural,apurado em procedimento de fiscalização de revisão interna (malha fiscal)da Declaração do ITRexercício Fl. 2DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 18/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, 18/05/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10820.000536/200467 Acórdão n.º 920201.367 CSRFT2 Fl. 341 3 2000, onde foram glosadas as áreas declaradas como de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal por não ter sido comprovado o cumprimento das exigências legais para o gozo do beneficio fiscal(exclusão da área tributável). A área declarada de reserva legal não foi averbada à margem da matrícula do imóvel no cartório de registro de imóveis e também não foi protocolizado junto ao IBAMA o Ato Declaratório Ambiental (ADA). A área declarada como de preservação permanente também não está amparada por Ato Declaratório Ambiental protocolizado perante o IBAMA. As áreas de preservação permanente e de utilização limitada foram reduzidas de 354,9 ha para 0,0 ha e de 476,0 ha para 0,0 ha, respectivamente (fls. 05). A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande (MS) considerou o lançamento procedente (fls. 127141). Por sua vez, a Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, apreciando o recurso voluntário interposto pela contribuinte, proferiu o acórdão n° 30239.457, que se encontra às fls. 213230, cuja ementa é a seguinte: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2000 CONSTITUCIONALIDADE DE LEI As autoridades e órgãos administrativos não possuem competência para decidir sobre a constitucionalidade dos atos baixados pelos Poderes Legislativo e Executivo. PRESERVAÇÃO PERMANENTE/UTILIZAÇÃO LIMITADA RESERVA LEGAL. Não reconhecidas como de interesse ambiental nem comprovada a protocolização tempestiva do requerimento do Ato Declaratório junto ao IBAMA ou órgão conveniado, incide o imposto sobre a área declarada como de preservação permanente. A área de reserva legal averbada a margem do Registro de Imóvel permite reconhecer a exclusão da base tributável. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. A decisão recorrida, por maioria de votos, deu parcial provimento ao recurso voluntário, para considerar 167,48 hectares como área de utilização limitada. O Conselheiro Corintho Oliveira Machado votou pela conclusão. Vencidos os Conselheiros Luciano Lopes de Fl. 3DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 18/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, 18/05/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira e Beatriz Veríssimo de Sena que deram provimento integral. Intimada do acórdão em 13/01/2009 (fls. 231), a Fazenda Nacional interpôs, com fundamento no artigo 7°, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais então vigente, recurso especial às fls. 234255, acompanhado dos documentos de fls. 256273, cujas razões podem ser assim sintetizadas: a) A decisão recorrida, ao admitir a existência de área de utilização limitada de 167,48 hectares, a despeito da respectiva averbação intempestiva no registro de imóveis, diverge da jurisprudência de outras Câmaras do Conselho de Contribuintes no que tange à interpretação do artigo 16, § 8°, da Lei n. 4.771/65, do artigo 144 do CTN combinado com o artigo 1° da Lei n° 9.393/96; b) No ponto em que a União (Fazenda Nacional) foi sucumbente, a votação foi unânime (os votos vencidos davam provimento integral ao recurso da contribuinte); c) Divergindo deste entendimento, em caso semelhante, a Colenda Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, no acórdão n° 30335.538, exige a averbação tempestiva da área de reserva legal, também denominada de área de utilização limitada, junto ao Cartório de Registro de Imóveis para o reconhecimento da isenção; d) Da análise das alegações e da documentação radicada nos autos, com a finalidade de justificar as áreas reserva legal, resulta a constatação do descumprimento, pelo contribuinte, da exigência da averbação tempestiva das respectivas áreas junto ao registro de imóveis; e) O acórdão recorrido concluiu pela exclusão da área de reserva legal constante da matrícula do imóvel, apesar da averbação ter ocorrido em data posterior ao fato gerador; f) Já o acórdão paradigma adotou tese contrária, de que a exclusão da tributação da referida área é condicionada à averbação da reserva legal à margem da matrícula do imóvel, à época do respectivo fato gerador; g) Com efeito, no voto condutor do acórdão paradigma, resta expressamente declarada a necessidade de comprovação da área de reserva legal, chegandose, inclusive à conclusão que o Código Florestal não tem natureza meramente declaratória, em referência a decisão do Supremo Tribunal Federal; h) O voto divergente traz cópia de outro voto (30334.883), cujas razões são aqui adotadas, a fim de elucidar a questão de que a averbação não tem mero caráter declaratório e somente se aperfeiçoa após a correspondente averbação; i) Ademais, é caso de interpretação dada pelo Supremo Tribunal Federal no MS 22.688, onde aquela Corte concluiu que a área de reserva florestal Fl. 4DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 18/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, 18/05/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10820.000536/200467 Acórdão n.º 920201.367 CSRFT2 Fl. 342 5 não identificada no registro imobiliário não é de ser subtraída da área total do imóvel para o fim de cálculo da produtividade; j) A Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989, disciplinou o instituto da reserva legal e consagrou a exigência de sua averbação ou registro à margem da inscrição da matrícula do imóvel, vedada "a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou desmembramento da área" (Art. 16 § 2°); k) O Código Florestal vem sofrendo, desde a sua edição, inúmeras alterações, por meio de leis e medidas provisórias, que demonstram a dificuldade dos legisladores em conciliar os interesses dos diversos setores interessados na questão, principalmente porque há uma preocupação constante de todos os setores em se preservar as áreas de interesse ambiental, criando, para tanto, instrumentos legais; l) Exatamente por isso, a fim de flexibilizar as exigências legais relativas às áreas de reserva legal e atender aos anseios do setor produtivo rural, assim como delimitar a função da reserva legal como verdadeira área de conservação da biodiversidade, é que a averbação à margem da matrícula do imóvel se fez necessária; m) Inconteste que a finalidade da averbação da reserva legal na matrícula do imóvel é a de lhe dar publicidade, para que futuros adquirentes saibam identificar onde está localizada, seus limites e confrontações. Mais ainda, visa a imputar aos proprietários a responsabilidade de preservar tais áreas, já que o interesse na manutenção das mesmas é público; n) Uma vez definidos pela lei a área de reserva legal, os limites para sua exploração, e, finalmente, a obrigatoriedade de se averbar à margem da matrícula do imóvel, o legislador, buscando contrabalançar os interesses de toda a sociedade, permitiu que os proprietários de tais áreas, em contrapartida a tantas obrigações, tivessem algum tipo de benefício; o) Tal benefício é exatamente a possibilidade de exclusão, da incidência do ITR, das áreas caracterizadas como de reserva legal; p) É preciso ponderar que a necessidade do reconhecimento prévio do Poder Público, além de decorrer do comando legal segundo o qual o lançamento se reporta à data do fato gerador, objetiva assegurar a adequada aplicação do fim da norma, cerceando a ocorrência de fraudes e abusos, tanto mais que possibilita o seu controle, a um só tempo, pela sociedade e o Estado, dada a publicidade que decorre das exigências analisadas; q) Ainda que se prove a existência material das áreas de reserva legal, como não se atendeu ao fim real da norma (art. 16), assim como suas disposições complementares (parágrafo 8°), incidirá o imposto se a averbação não tiver sido providenciada no prazo legal (fato gerador); Fl. 5DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 18/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, 18/05/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 r) Uma vez evidenciada a divergência jurisprudencial apontada, e porque a interpretação adotada pelo acórdão recorrido dá melhor aplicação à legislação tributária em vigor, tal como demonstrado, é que deve prevalecer, também no caso, o entendimento adotado pela divergência; s) Portanto, pela ausência de averbação tempestiva, merece ser reformada a decisão recorrida. Admitido o recurso por intermédio do Despacho n° 302.043 (fls. 274276), o contribuinte foi intimado e apresentou, inicialmente, recurso especial às fls. 282298, acompanhado dos documentos de fls. 299322, onde defendeu a necessidade de reforma do acórdão recorrido, pois o lançamento seria totalmente improcedente. Protocolizou, também, suas contrarrazões às fls. 323332, pleiteando, fundamentalmente, a manutenção da decisão de segunda instância. Conforme despacho n° 920200.185 (fls. 335337), confirmado pelo despacho n° 920200.185R, o recurso especial do contribuinte não foi admitido. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator O Recurso Especial da Fazenda Nacional cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Reitero que o acórdão proferido pela Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário, para considerar 167,48 hectares como área de utilização limitada (o lançamento reduziu esta área de 476,0 ha para 0,0 ha). A recorrente insurgiuse contra a exclusão da base de cálculo do ITR da área de reserva legal, suscitando que só faz jus a este benefício o contribuinte que tiver promovido a respectiva averbação à margem da matrícula do imóvel, antes da ocorrência do fato gerador do tributo, o que não ocorre no caso em tela, invocando como paradigma o acórdão n° 303 35.538. Eis a matéria em litígio. Pois bem, o artigo 10 da Lei n° 9.393/96 tem a seguinte redação: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1°. Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: Fl. 6DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 18/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, 18/05/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10820.000536/200467 Acórdão n.º 920201.367 CSRFT2 Fl. 343 7 I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; Portanto, de acordo com tal regra, as áreas de preservação permanente e de reserva legal, previstas no Código Florestal (Lei n° 4.771/65), estão excluídas da base de cálculo do ITR. A chamada área de reserva legal ou de utilização limitada tem contornos estabelecidos pelo artigo 16 do Código Florestal, atualmente com a redação que lhe foi dada pela Medida Provisória n° 2.16667/2001, da seguinte forma: Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: I oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; III vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e IV vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. § 1°. O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo. § 2°. A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e Fl. 7DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 18/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, 18/05/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. § 3°. Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. § 4°. A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: I o plano de bacia hidrográfica; II o plano diretor municipal; III o zoneamento ecológicoeconômico; IV outras categorias de zoneamento ambiental; e V a proximidade com outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. § 5°. O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico ZEE e pelo Zoneamento Agrícola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: I reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas de Preservação Permanente, os ecótonos, os sítios e ecossistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e II ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos índices previstos neste Código, em todo o território nacional. § 6°. Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: I oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; II cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do País; e Fl. 8DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 18/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, 18/05/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10820.000536/200467 Acórdão n.º 920201.367 CSRFT2 Fl. 344 9 III vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso I do § 2o do art. 1o. § 7°. O regime de uso da área de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § 6o. § 8°. A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. § 9°. A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. § 10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicandose, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. § 11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. A necessidade ou não de averbação da referida área no cartório de registro de imóveis, para fins de apuração da base de cálculo do ITR, é matéria bastante controvertida, tanto nos Tribunais Judiciais quanto no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Este julgador, inclusive, chegou a votar no sentido de que, comprovada a existência da área de reserva legal de alguma forma, inexistia o dever de averbála à margem da matrícula do imóvel. Contudo, após profundos debates, principalmente no âmbito da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção, da qual faço parte, alterei meu posicionamento para entender que a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel é, como regra geral, condição para sua exclusão da base de cálculo do ITR. Acabei convencido de que a necessidade de averbação da área de reserva legal, embora com função declaratória e não constitutiva, decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal), conforme acima destacado. Atualmente, a infringência a tal mandamento, inclusive, dá ensejo à aplicação de multas pecuniárias, conforme determina o artigo 55 do Decreto n° 6.514/2008. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 18/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, 18/05/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 O ITR é tributo de natureza eminentemente extrafiscal, sendo que a obrigatoriedade da averbação da reserva legal está relacionada, muito além do direito tributário, à garantia de preservação de um meio ambiente ecologicamente equilibrado. Salvo melhor juízo, o benefício tributário consistente na exclusão da base de cálculo do ITR da área de reserva legal só pode ser reconhecido se estiverem cumpridas as exigências da legislação ambiental. E, no caso, penso que a decisão de segunda instância deve ser confirmada, pois a contribuinte atendeu a todas as exigências legais, na medida em que, embora após a ocorrência do fato gerador, que se deu em 01/01/2000, promoveu a averbação de área de utilização limitada de 167,48 hectares em 20/12/2005 (fls. 190v). Sob minha ótica, a averbação da área de utilização limitada pode se dar em momento posterior à ocorrência do fato gerador. Conforme asseverou o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, no julgamento do recurso voluntário n° 342.455, “...havendo uma área de reserva legal preservada e comprovada por laudos técnicos ou termos do poder público, mesmo com averbação posterior ao fato gerador, não me parece razoável arrostar o benefício tributário, quando se sabe que áreas ambientais preservadas levam longo tempo para sua recomposição, ou seja, uma área averbada e comprovada em exercício posterior, certamente existia nos exercícios logo precedentes, como redutora da área total do imóvel passível de tributação, não podendo ter sido utilizada diretamente nas atividades agrícolas, pecuárias ou extrativistas. Ademais, nem a Lei tributária nem o Código Florestal definem a data de averbação, como condicionante à isenção do ITR.” Nesse sentido, ainda, trago à colação a ementa do seguinte julgado proferido pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça – STJ: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. ITR. ISENÇÃO. LEI Nº 9.393/96. AVERBAÇÃO PRÉVIA DA RESERVA LEGAL. DESNECESSIDADE. AGRAVO IMPROVIDO. 1. "A falta de averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel, ou a averbação feita após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965." (REsp nº 1.060.886/PR, Relator Ministro Luiz Fux, in DJe 18/12/2009). 2. Agravo regimental improvido. (STJ, Primeira Turma, AgRg no REsp n° 1.157.239/DF, Relator Ministro Hamilton Carvalhido, DJE de 04/06/2010) Considerando a averbação da área de reserva legal de 167,48 hectares, ainda que em momento posterior à ocorrência do fato gerador, entendo que a decisão recorrida deve ser confirmada. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 18/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, 18/05/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10820.000536/200467 Acórdão n.º 920201.367 CSRFT2 Fl. 345 11 Assinado digitalmente Gonçalo Bonet Allage Voto Vencedor Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Designado A controvérsia se resume a decidir quanto à pertinência da averbação tempestiva da área de reserva legal à margem do registro imobiliário do imóvel rural, como condição para fruição de exclusão de tal área da incidência do ITR. Especificamente, a reserva legal é a área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas (art. 1º, § 2º, III, do Código Florestal), sendo certo que o Código Florestal, no art. 16, especifica os percentuais mínimos da propriedade rural que deve ser afetada à reserva legal, nas diversas regiões do país, determinando, ainda, que tal reserva seja averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel (art. 16, § 8º, do Código Florestal). Inicialmente, farseá um breve apanhado jurisprudencial sobre a necessidade, ou não, da averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel. Primeiramente, apreciase a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, intérprete máximo da lei federal brasileira. Começase pelo REsp 1.125.632/PR, da Primeira Turma, sessão de 20/08/2009, relator o Ministro Benedito Gonçalves, unânime, onde há um razoável apanhado da jurisprudência dessa Superior Corte. Eis a ementa desse julgado: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. ITR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. DESNECESSIDADE DE AVERBAÇÃO OU DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA. INCLUSÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL ANTE A AUSÊNCIA DE AVERBAÇÃO. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. O art. 2º do Código Florestal prevê que as áreas de preservação permanente assim o são por simples disposição legal, independente de qualquer ato do Poder Executivo ou do proprietário para sua caracterização. Assim, há óbice legal à incidência do tributo sobre áreas de preservação permanente, sendo inexigível a prévia comprovação da averbação destas na Fl. 11DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 18/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, 18/05/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 matrícula do imóvel ou a existência de ato declaratório do IBAMA (o qual, no presente caso, ocorreu em 24/11/2003). 3. Ademais, a orientação das Turmas que integram a Primeira Seção desta Corte firmouse no sentido de que "o Imposto Territorial Rural ITR é tributo sujeito a lançamento por homologação que, nos termos da Lei 9.393/1996, permite a exclusão da sua base de cálculo de área de preservação permanente, sem necessidade de Ato Declaratório Ambiental do IBAMA" (REsp 665.123/PR, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 5.2.2007). 4. Ao contrario da área de preservação permanente, para a área de reserva legal a legislação traz a obrigatoriedade de averbação na matrícula do imóvel. Tal exigência se faz necessária para comprovar a área de preservação destinada à reserva legal. Assim, somente com a averbação da área de reserva legal na matricula do imóvel é que se poderia saber, com certeza, qual parte do imóvel deveria receber a proteção do art. 16, § 8º, do Código Florestal, o que não aconteceu no caso em análise. 5. Recurso especial parcialmente provido, para anular o acórdão recorrido e restabelecer a sentença de Primeiro Grau de fls. 139145, inclusive quanto aos ônus sucumbenciais. (grifouse) Acima se exigiu a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel como condição para fruição da redução do ITR. Porém, a mesma Primeira Turma do STJ julgou o Resp nº 1.060.886/PR, na sessão de 1º/12/2009, relator o Ministro Luiz Fux, quando asseverou que a falta de averbação da reserva legal na matrícula do imóvel ou a averbação a destempo, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção no âmbito do ITR, em votação unânime, ou seja, em manifesto confronto com o REsp 1.125.632/PR, também unânime, que determinou a obrigatoriedade da averbação da reserva legal no cartório de registro de imóvel para fruição do benefício no âmbito do ITR, ressaltando que a decisão de dezembro de 2009 não faz qualquer menção à decisão pretérita da mesma Turma. Para tanto, vejase o excerto da ementa do Resp nº 1.060.886/PR, verbis: Consectariamente, decidiu com acerto o acórdão a quo ao firmar entendimento no sentido de que "A falta de averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel, ou a averbação feita após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965. Reconhecese o direito à subtração do limite mínimo de 20% da área do imóvel, estabelecido pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965, relativo à área de reserva legal, porquanto, mesmo antes da respectiva averbação, que não é fato constitutivo, mas meramente declaratório, já havia a proteção legal sobre tal área". Já no âmbito da Segunda Turma do STJ, no tocante à averbação cartorária da área de reserva legal, recentemente se firmou uma posição pela necessidade da averbação como condição para fruição da benesse no âmbito do ITR, como se pode ver no Recurso Fl. 12DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 18/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, 18/05/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10820.000536/200467 Acórdão n.º 920201.367 CSRFT2 Fl. 346 13 Especial nº 1.027.051 – SC (STJ, 2011 C), sessão de 07/04/2011, por maioria (relator vencido), com a seguinte ementa no votovista do Ministro Castro Meira: TRIBUTÁRIO. AMBIENTAL. ITR. ISENÇÃO. LEIS 8.971/91 E 9.393/96. RESERVA LEGAL FLORESTAL. AVERBAÇÃO. NECESSIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. O Código Florestal exige a aprovação dos órgãos ambientais quanto à localização da reserva legal, bem como a sua averbação no registro de imóveis. A imprescindibilidade da averbação justificase não apenas para facilitar o controle do Poder Público, mas também em razão do caráter propter rem da obrigação de manter a reserva legal que, em regra, não se altera nos casos de transmissão, desmembramento ou de retificação da área. 2. O imposto territorial rural ITR possui inequívoco propósito extrafiscal, sendo utilizado para combater o latifúndio improdutivo e para incentivar e proporcionar a utilização racional dos recursos naturais e a preservação do meio ambiente. Caracterizase, portanto, como um imposto que auxilia o Estado no disciplinamento da propriedade rural, tendo como norte a função social da propriedade. 3. Os incentivos fiscais assumem considerável relevância na consecução dos objetivos constitucionais, o que implica reconhecer, sob a ótica da proteção ao meio ambiente, que a interpretação da norma instituidora da isenção tributária não pode se afastar dos valores e princípios veiculados na Constituição e na legislação ambiental. 4. Apesar de o art. 111 do CTN consignar que se interpreta literalmente a norma que outorga isenção, isso não significa que seja vedada a utilização dos critérios teleológico, histórico e sistemático. O hermetismo do ordenamento jurídico não prescinde da atuação do intérprete, cumprindolhe buscar uma identidade lógicojurídica do deverser. Assim, é impossível conferir à lei uma aplicação em descompasso com o sistema normativo no qual esteja inserida. 5. Quando as Leis nºs 8.171/91 e 9.393/96 isentam o tributo referente à área de reserva legal prevista na Lei nº 4.771/65, significa que apenas se sujeitam à exclusão do crédito tributário as áreas que estiverem em consonância com a legislação de proteção ao meio ambiente, visto que não é possível conferir um benefício fiscal àqueles que descumpriram a própria lei que serve de base para a isenção. Entender o contrário seria desconsiderar o modelo de proteção ambiental contemplado no Texto Maior, bem assim o princípio cooperativo insculpido no art. 225 da CF. 6. A previsão contida no § 7º do art. 10 da Lei n. 9.393/96, segundo a qual o contribuinte não precisa comprovar a regularidade das deduções efetuadas em decorrência da isenção, apenas disciplina a forma de constituição do crédito tributário, que se dá por meio do autolançamento, em nada interferindo Fl. 13DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 18/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, 18/05/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 quanto à exclusão do crédito tributário, ou seja, sobre os requisitos para obtenção do benefício fiscal. 7. Recurso especial provido. (grifouse) Claramente se vê que a Segunda Turma do STJ, com supedâneo no caráter extrafiscal do ITR, albergou a necessidade da averbação cartorária da área de reserva legal, como condição para fruição de benesse no âmbito do ITR. Observese que se trata de Acórdão em que a Turma debateu a matéria com profundidade, como se comprova pela existência de voto vencido. Por tudo, no tocante à averbação cartorária da área de reserva legal, a Segunda Turma do STJ asseverou sua necessidade, não havendo ainda concordância no âmbito da Primeira Turma. Porém, se há dúvidas no âmbito da jurisprudência do STJ sobre a presente controvérsia, como se vê pelas decisões conflitantes no âmbito da Primeira Turma do STJ, tal situação não é amainada pelo que ocorre no âmbito da jurisprudência administrativa, como abaixo se demonstrará. A jurisprudência do Terceiro Conselho de Contribuintes, competente para apreciar as controvérsias no seio do ITR até março de 2009, era oscilante no tocante à averbação cartorária da área de reserva legal. Abaixo, breve apanhado da jurisprudência do Terceiro Conselho de Contribuintes, para exercícios posteriores ao ITRexercício 2001 (que pode ser aplicada desde o exercício 1997, pois a legislação que passou a obrigar a averbação de tal área remonta à Lei nº 7.803/89), em decisões prolatadas no ano de 2008, trazendo também algumas informações sobre a exigência de Ato Declaratório Ambiental ADA, já que, em regra, debatese a exigência do ADA e da averbação cartorária para deferimento da fruição da benesse tributária no tocante à área de reserva legal: 1. exigência de averbação da área de reserva legal somente a partir do Decreto nº 4.382/2002 (Regulamento do ITR) – Acórdão nº 301 34459, sessão de 20/05/2008, unânime; 2. área de reserva legal reconhecida a partir de documentos outros, privilegiando a busca da verdade material – Acórdão nº 30134475, sessão de 20/05/1998, unânime; Acórdão nº 30239586, sessão de 19/06/2008, por maioria; Acórdão nº 39100031, sessão de 21/10/2008, por maioria (acatando também laudo técnico para comprovar a existência de área de preservação permanente); 3. Ausência de averbação cartorária da reserva legal, por si só, não afasta a benesse legal – Acórdão nº 30335421, sessão de 19/06/2008, por maioria; Acórdão nº 30335734, sessão de 16/10/2008, por maioria; 4. área de reserva legal averbada e ADA extemporâneo reconhecida para reduzir o ITR devido – Acórdão nº 30134686, sessão de 13/08/2008, unânime (também com laudo técnico); Acórdão nº 30134632, sessão de 10/08/2008, unânime; 5. área de reserva legal averbada extemporaneamente reconhecida para reduzir o ITR devido – Acórdão nº 30134788, sessão de 15/10/2008, por voto de qualidade (os vencidos exigiam o ADA para os exercícios posteriores a 2001); Fl. 14DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 18/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, 18/05/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10820.000536/200467 Acórdão n.º 920201.367 CSRFT2 Fl. 347 15 6. comprovação da área de utilização limitada (reserva legal) a depender do ADA e da averbação cartorária tempestivos – Acórdão nº 302 39244, sessão de 29/01/2008, por maioria; Acórdão nº 30239866, sessão de 15/08/2008, por voto de qualidade; Acórdão nº 30335538, sessão de 13/08/2008, por voto de qualidade; Acórdão nº 30335645, sessão de 11/09/2008, por voto de qualidade; Acórdão nº 39300083, sessão de 19/11/2008, por voto de qualidade. Tentando fazer um resumo dos posicionamentos acima sobre a averbação da área de reserva legal, temse: § averbação após a publicação do Decreto nº 4.382/2002 (1ª Câmara); reconhecimento da área por laudos técnicos (1ª, 2ª, 3ª Câmaras e 3ª TE); averbação cartorária e ADA intempestivo (1ª Câmara); averbação cartorária intempestiva (1ª Câmara); averbação e ADA tempestivos (2ª, 3ª e 3ª TE); Da jurisprudência acima, claramente não se extrai qualquer posição consolidada no tocante à averbação cartorária para a área de reserva legal (há precedentes de todas as Câmaras ordinárias com reconhecimento da área de reserva legal a partir de laudos técnicos), sendo certo que as posições mais formais, com exigência do ADA e da averbação tempestivos para a área de reserva legal são tomadas, em regra, por voto de qualidade (vide item 6, acima), a demonstrar a profundidade da controvérsia. Longe de tecer quaisquer críticas à jurisprudência do Terceiro Conselhos de Contribuintes, aqui se reconhece a funda controvérsia no tocante à necessidade da averbação cartorária da reserva legal para reconhecimento dos benefícios isentivos no âmbito do ITR, ressaltando que o próprio Superior Tribunal de Justiça tem também vacilado na solução dessa controvérsia, como se viu acima, com a Primeira Turma dessa Superior Corte prolatando decisões divergentes, por unanimidade, em um mesmo semestre, sem qualquer ressalva à posição pretérita (apesar da matéria aparentemente ter sido pacificada na Segunda Turma, como já visto neste artigo). Sem apoio na jurisprudência, quer do Terceiro Conselho de Contribuintes, quer do Superior Tribunal de Justiça, passase a definir um posicionamento sobre a controvérsia referente à averbação da área de reserva legal. Da área tributável para fins do ITR se excluem as áreas de preservação permanente e de reserva legal, de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas ambientais, comprovadamente imprestáveis para os fins do setor primário, de servidão florestal ou ambiental e, mais recentemente, cobertas por florestas nativas e alagadas por reservatórios hidrelétricos, como se pode ver no art. 10, § 1º, II, “a” a “f”, da Lei nº 9.393/96. Claramente vêse que as áreas de interesse ambiental ou imprestáveis para os fins do setor primário estão excluídas da incidência do ITR, sendo certo que esse imposto somente incide sobre as áreas aproveitáveis, geradoras de renda agrícola, pecuária e extrativista. O nó górdio aqui é definir quais os requisitos que devem ser implementados para que uma área seja considerada de reserva legal para fins de fruição da exclusão da tributação do ITR. Fl. 15DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 18/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, 18/05/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 Partindo do princípio que o ITR incide sobre a área tributável da propriedade (área total do imóvel menos as áreas de preservação permanente e de utilização limitada1), geradora de renda agrícola, pecuária ou extrativista, parece claro que o contribuinte somente pode se beneficiar do favor legal tributário se de fato existir essas áreas de utilização limitada, ou seja, caso as áreas de reserva legal ou de preservação permanente estejam sendo utilizadas indevidamente em atividades agrícolas, extrativistas ou pecuárias diretas, afastarseia a isenção legal. De outra banda, existindo tais áreas, o contribuinte pode se beneficiar do favor legal, cumpridos os requisitos formais, que se verá a seguir. Assim, para a fruição de isenção tributária, pode a lei exigir o cumprimento de requisitos formais, além dos substanciais (no caso vertente, a existência das próprias áreas ambientalmente protegidas). Como exemplo de requisito isentivo de ordem formal, o art. 4º, V, da Lei nº 8.661/1993 determina que o contribuinte detentor de um Programa de Desenvolvimento Tecnológico Industrial PDTI pode ter um crédito de 50% do IRRF incidente sobre as remessas para o exterior, a título de royalties, de assistência técnica ou científica e de serviços especializados, previstas em contratos de transferência de tecnologia, desde que averbados nos termos do Código de Propriedade Industrial, ou seja, não basta ter um contrato de transferência de tecnologia firmado com uma empresa estrangeira, mas se deve averbálo no Instituto Nacional da Propriedade Industrial INPI, como manda o art. 230 do Código de Propriedade Industrial (Lei nº 9.279/96), para fruição do benefício legal. Agora, passase a verificar a existência de requisitos formais para fruição do benefício no âmbito do ITR para área de reserva legal. Em relação à área de reserva legal, assim versa o art. 10, § 1º, II, “a”, da Lei nº 9.393/96, verbis: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I Omissis; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; A Lei tributária assevera que a área de reserva legal, prevista no Código Florestal (Lei nº 4.771/65), pode ser excluída da área tributável. Já no art. 16 da Lei nº 4.771/65 definemse os percentuais de cobertura florestal a título de reserva legal que devem ser preservados nas diferentes regiões do país e determina que a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área. A questão que logo se aventa é sobre a obrigatoriedade de averbação da reserva legal para fruição do benefício no âmbito do ITR, já que a Lei nº 9.393/96 assevera a exclusão da área de reserva legal, porém remetendoa ao Código Florestal, não havendo, 1 As áreas de utilização limitada são as áreas de reserva legal, de interesse ecológico para proteção dos ecossistemas ou imprestáveis para fins do setor primário, de servidão florestal ou ambiental, de RPPN, cobertas por floresta nativa e alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas. Fl. 16DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 18/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, 18/05/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10820.000536/200467 Acórdão n.º 920201.367 CSRFT2 Fl. 348 17 especificamente, uma obrigação de averbação cartorária da área de reserva legal na Lei tributária. Quanto à obrigatoriedade da averbação da área de reserva legal, em sentido lato, parece que não há qualquer dúvida, pois inclusive há norma editada pelo Poder Executivo, com supedâneo na Lei nº 9.605/98 (Lei dos crimes ambientais), que considera tal comportamento uma infração administrativa, com aplicação de multas pecuniárias, conforme o art. 55 do Decreto nº 6.514/2008, sendo certo que o Poder Judiciário vem ratificando a obrigatoriedade da averbação da reserva legal, como se pode ver no REsp 927.979 – MG, julgado pela Primeira Turma em 31/05/2007, relator o Ministro Francisco Falcão, unânime, assim ementado: DIREITO AMBIENTAL. ARTS. 16 E 44 DA LEI Nº 4.771/65. MATRÍCULA DO IMÓVEL. AVERBAÇÃO DE ÁREA DE RESERVA FLORESTAL.NECESSIDADE. I A questão controvertida referese à interpretação dos arts. 16 e 44 da Lei n. 4.771/65 (Código Florestal), uma vez que, pela exegese firmada pelo aresto recorrido, os novos proprietários de imóveis rurais foram dispensados de averbar reserva legal florestal na matrícula do imóvel. II "Essa legislação, ao determinar a separação de parte das propriedades rurais para constituição da reserva florestal legal, resultou de uma feliz e necessária consciência ecológica que vem tomando corpo na sociedade em razão dos efeitos dos desastres naturais ocorridos ao longo do tempo, resultado da degradação do meio ambiente efetuada sem limites pelo homem. Tais conseqüências nefastas, paulatinamente, levam à conscientização de que os recursos naturais devem ser utilizados com equilíbrio e preservados em intenção da boa qualidade de vida das gerações vindouras" (RMS nº 18.301/MG, Rel. Min. JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, DJ de 03/10/2005). III Inviável o afastamento da averbação preconizada pelos artigos 16 e 44 da Lei nº 4.771/65 (Código Florestal), sob pena de esvaziamento do conteúdo da Lei. A averbação da reserva legal, à margem da inscrição da matrícula da propriedade, é conseqüência imediata do preceito normativo e está colocada entre as medidas necessárias à proteção do meio ambiente, previstas tanto no Código Florestal como na Legislação extravagante. IV Recurso Especial provido. (grifouse) Na linha acima, não se pode deixar de fazer uma leitura combinada das Leis nº 9.393/96 e 4.771/65, devendo ser reconhecido que a obrigatoriedade da averbação da reserva legal transcende em muito o direito tributário, sendo uma medida de garantia de preservação de um meio ambiente ecologicamente equilibrado, para as atuais e futuras gerações, conforme insculpido no art. 225 da Constituição Federal, sendo, inclusive, a defesa do meio ambiente um dos princípios da ordem econômica. E aqui não se diga que, por se tratar de isenção tributária, estarseia obrigado a fazer uma interpretação literal, na forma do art. 111, II, do Código Tributário Nacional, sem qualquer observação da teleologia visada pelo legislador. Não obstante a interpretação restritiva, nada impede a busca da concretização das finalidades Fl. 17DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 18/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, 18/05/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 18 previstas pelo legislador, como se pode ver no precedente do Supremo Tribunal Federal, abaixo transcrito: EMENTA: CONSTITUCIONAL. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 149, § 2º, I, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. EXTENSÃO DA IMUNIDADE À CPMF INCIDENTE SOBRE MOVIMENTAÇÕES FINANCEIRAS RELATIVAS A RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO ESTRITA DA NORMA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DESPROVIDO. I O art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal é claro ao limitar a imunidade apenas às contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico incidentes sobre as receitas decorrentes de exportação. II Em se tratando de imunidade tributária a interpretação há de ser restritiva, atentando sempre para o escopo pretendido pelo legislador. III A CPMF não foi contemplada pela referida imunidade, porquanto a sua hipótese de incidência – movimentações financeiras – não se confunde com as receitas. IV Recurso extraordinário desprovido. (STF; RE 566259; Relator(a): Min. Ricardo Lewandowski; Tribunal Pleno; julgado em 12/08/2010; Repercussão Geral Mérito; DJe179: 24092010) – Destacouse. Ora se averbação da reserva legal chega a ser objeto de multa pecuniária administrativa específica, parece desarrazoado deferir o benefício tributário sem o cumprimento dessa medida, quando a própria Lei nº 9.393/96 defere a exclusão da área de reserva legal, prevista no Código Florestal, ou seja, parece que com as condicionantes da legislação ambiental. A interpretação acima está alicerçada no entendimento de que o ITR é um imposto de feição essencialmente extrafiscal, tendo pouco valor o aspecto fiscal, arrecadatório. Aqui, tratando da coexistência da fiscalidade e da extrafiscalidade nas normas tributárias, assevera Paulo de Barros Carvalho2: Há tributos que se prestam, admiravelmente, para a introdução de expedientes extrafiscais. Outros, no entanto, inclinamse mais ao setor da fiscalidade. Não existe, porém, entidade tributária que se possa dizer pura, no sentido de realizar tãosó a fiscalidade, ou, unicamente, a extrafiscalidade. Os dois objetivos convivem, harmônicos, na mesma figura impositiva, sendo apenas lícito verificar que, por vezes, um predomina sobre o outro. No dizer de José Marcos Domingues Oliveira3 (1999, p. 37) a “Tributação extrafiscal é aquela orientada para fins outros que não a captação de dinheiro para o Erário, tais como a redistribuição da renda e da terra, a defesa da indústria nacional, a orientação dos investimentos para setores produtivos ou mais adequados ao interesse público, a promoção do 2 CARVALHO, Paulo de Barros. Direito Tributário – Linguagem e Método. 2ª ed., São Paulo: Noeses, p. 241. 3 OLIVEIRA, José Marcos Domingues de. Direito Tributário e Meio Ambiente: proporcionalidade, tipicidade aberta, afetação de receita. 2ª ed. (rev. e amp.), Rio de Janeiro: Renovar, 1999, p. 37. Fl. 18DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 18/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, 18/05/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10820.000536/200467 Acórdão n.º 920201.367 CSRFT2 Fl. 349 19 desenvolvimento regional ou setorial etc.”, sendo certo que é do conhecimento geral que o ITR é um imposto marcantemente extrafiscal, desde sua instituição, primeiramente tentando atingir os fins da reforma agrária e gravando de forma mais vertical os latifúndios improdutivos, como se viu com o Estatuto da Terra (Lei nº 4.504/64) e com as alterações perpetradas pela Lei nº 6.746/79 nesse Estatuto, e, posteriormente, notadamente com a Lei nº 9.393/96 (e suas alterações posteriores, como a Lei nº 11.428/2006), avultou a extrafiscalidade do ITR no tocante à preservação das áreas de interesse ambiental, já que tais áreas não compõem as áreas objeto da incidência do imposto, bem como a progressividade a depender do binômio área total do imóvel/grau de utilização. Apenas para se ter uma idéia da irrelevância do aspecto fiscal, arrecadatório, do ITR, no ano de 2009, as receitas administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil atingiram 682.983 bilhões de reais, e, desse montante, a arrecadação do ITR atingiu a mísera quantia de 480 milhões de reais, ou seja, 0,07% do total arrecadado4, isso no país que é o quinto maior em extensão do planeta, a indicar que, a despeito das enormes áreas rurais do Brasil, a questão arrecadatória é marginal, secundária. De outra banda, o aspecto extrafiscal do ITR é cristalino, e diversos pontos dessa extrafiscalidade podem ser anotados, a saber: imunidade da pequena gleba familiar, a favorecer a fixação do homem no campo; progressividade das alíquotas, como se vê no anexo da Lei nº 9.393/96, no qual uma propriedade com o mesmo grau de utilização do imóvel rural, pode variar a alíquota de 1% a 20%, a depender do porte da propriedade, tudo a agravar mais fortemente as propriedades de maior porte, favorecendo os minifúndios e propriedades de pequeno porte; tributação mais favorecida dos imóveis rurais com maior grau de utilização das atividades do setor primário, a privilegiar um mais racional uso da terra; exclusão da área de tributável das partes do imóvel que detém interesse ecológico (áreas de preservação permanente e de reserva legal; de interesse ecológico declaradas pelos órgãos ambientais; imprestáveis para a atividade primária e declaradas de interesse ecológico pelo órgão ambiental competente; de servidão florestal ou ambiental; e cobertas por florestas nativas), destacando a preservação do meio ambiente. Em um cenário dessa natureza, devese privilegiar toda a interpretação que potencialize os aspectos extrafiscais do ITR e, dentre esses, avulta a relevância das áreas de proteção ambiental, sendo que a averbação cartorária da área de reserva legal é um importante requisito para a conservação da área protegida, para as atuais e futuras gerações, devendo ser rechaçada qualquer interpretação que enfraqueça o aspecto extrafiscal do ITR, como aquela que arrosta a necessidade da averbação cartorária da área de reserva legal, pelo simples fato de não haver um comando literal na Lei nº 9.393/96 para o mister. Ora, o art. 10, § 1º, II, “a”, da Lei nº 9.393/96 permite a exclusão da área de reserva legal prevista no Código Florestal (Lei nº 4.771/65) da área tributável pelo ITR, obviamente com os condicionantes do próprio Código Florestal, que, em seu art. 16, § 8º, exige 4 Esses dados da arrecadação federal podem ser acessados no site da internet da Secretaria da Receita Federal do Brasil, no endereço: http://www.receita.fazenda.gov.br/Publico/arre/2009/Analisemensaldez09.pdf. Fl. 19DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 18/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, 18/05/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 20 que a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas no Código Florestal. A averbação da área de reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis é uma providência que potencializa a extrafiscalidade do ITR, obrigação propter rem, devendo ser exigida como requisito para fruição da benesse tributária. Insistese que afastar a necessidade de averbação da área de reserva legal é uma interpretação que vai de encontro à essência do ITR, que é um imposto essencialmente, diria, fundamentalmente, de feições extrafiscais. De outra banda, a exigência da averbação da área de reserva legal vai ao encontro do aspecto extrafiscal do ITR, devendo ser privilegiada. O entendimento acima, no tocante à necessidade de averbação cartorária da área de reserva legal, já foi adotado pela Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, como se viu no Acórdão nº 9202001.348, sessão de 09 de fevereiro de 2011, por maioria, que restou assim ementado: (...) ÁREA DE RESERVA LEGAL. NECESSIDADE OBRIGATÓRIA DA AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. HIGIDEZ. O art. 10, § 1º, II, “a”, da Lei nº 9.393/96 permite a exclusão da área de reserva legal prevista no Código Florestal (Lei nº 4.771/65) da área tributável pelo ITR, obviamente com os condicionantes do próprio Código Florestal, que, em seu art. 16, § 8º, exige que a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas no Código Florestal. A averbação da área de reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis é uma providência que potencializa a extrafiscalidade do ITR, devendo ser exigida como requisito para fruição da benesse tributária. Afastar a necessidade de averbação da área de reserva legal é uma interpretação que vai de encontro à essência do ITR, que é um imposto essencialmente, diria, fundamentalmente, de feições extrafiscais. De outra banda, a exigência da averbação cartorária da área de reserva legal vai ao encontro do aspecto extrafiscal do ITR, devendo ser privilegiada. Entretanto, apesar de obrigatória a averbação cartorária da área de reserva legal, aqui não me filio àqueles que exigem obrigatoriamente a averbação em momento prévio ao fato gerador, de maneira peremptória, já que, havendo uma área de reserva legal preservada e comprovada por laudos técnicos ou por atos do poder público, mesmo com averbação posterior ao fato gerador, especificamente se anterior ao início do procedimento fiscal pela autoridade tributária, não me parece razoável arrostar o benefício tributário, quando se sabe que áreas ambientais preservadas levam longo tempo para sua (re)composição, ou seja, uma área averbada e comprovada em exercício posterior, certamente existia nos exercícios logo precedentes, como redutora da área total do imóvel passível de tributação, não podendo ter sido utilizada diretamente nas atividades agrícolas, pecuárias ou extrativistas. Ademais, nem a Lei Fl. 20DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 18/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, 18/05/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10820.000536/200467 Acórdão n.º 920201.367 CSRFT2 Fl. 350 21 tributária nem o Código Florestal definem a data de averbação, como condicionante à isenção do ITR. Devese, porém, definir um termo final de quando poderia ser implementada a averbação cartorária da área de reserva legal, para fruição da exclusão da área tributável do ITR, pois não se pode deixar ao alvedrio do contribuinte implementar a averbação da área, sob pena de vulnerar a cogência da obrigação, pois o contribuinte poderia, simplesmente, aguardar o início do procedimento fiscal para fazêla, hipótese que jamais pode se concretizar, já que a quantidade de imóveis de um país continental como o Brasil é imensa, não sendo razoável imaginar que a autoridade tributária tenha condições de auditar todos os imóveis rurais do país. Dessa forma, enquanto o contribuinte estiver espontâneo em face da autoridade fiscalizadora tributária, na forma do art. 7º, § 1º, do Decreto nº 70.235/72 (O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas), poderá averbar no CRI a área de reserva legal, podendo fruir das benesses tributárias. Porém, iniciado o procedimento fiscal para determinado exercício, a espontaneidade estará quebrada, e a área de reserva legal deverá sofrer o ônus do ITR, caso não tenha sido averbada antes do início do procedimento fiscal. Com as considerações acima, entendo que a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel é condição imperativa para exclusão dela da incidência do ITR, devendo ser procedida antes do início do procedimento fiscal, o que não restou comprovado nestes autos, devendo, por conseqüência, ser dado provimento ao recurso procurador. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 21DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 18/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, 18/05/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10120.004672/97-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Período de apuração: 31/12/1995 a 31/05/1996
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEREMPÇÃO
O recurso voluntário deve ser interposto nos trinta dias seguintes ao da
intimação do julgamento, conforme disposição do art. 33 do Decreto no.
70.235/72, importando o descumprimento de3 tal prazo na perempção do ato
recursal.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3302-001.189
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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Recorrida DRFSALVADOR/BA Período de apuração: 31/12/1995 a 31/05/1996 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEREMPÇÃO O recurso voluntário deve ser interposto nos trinta dias seguintes ao da intimação do julgamento, conforme disposição do art. 33 do Decreto no. 70.235/72, importando o descumprimento de3 tal prazo na perempção do ato recursal. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Walber José da Silva Presidente. (Assinado Digitalmente) Gileno Gurjão Barreto Relator (Assinado Digitalmente) EDITADO EM: 25/01/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto (Relator). Fl. 229DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 29/01/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10120.004672/9723 Acórdão n.º 330201.189 S3C3T2 Fl. 2 2 Relatório Adotase o relatório do Acórdão recorrido, por bem refletir a contenda da lide. “Trata o presente processo de pedido de suspensão (fl. 1) da cobrança de débitos da Cofins apurados em abril e maio de 1996 (planilha fl. 2) e retificados no documento (fl.53), sob o argumento de que esses débitos foram compensados amparado por medida judicial à época, ainda transitada em julgado e que tão logo a sentença final transite em julgado, comunicaria tal fato a SRF para baixa definitiva dos débitos em questão. A interessada efetuou pagamentos a título de Finsocial no período de setembro de 1989 a março de 1990, fls. 18, considerados indevidos em decisão judicial. A contribuinte é litisconsorte no. Mandado de Segurança (processo n° 96.00008590/2100) impetrado na Vara da Seção Judiciária do Estado de Goiás, cópias às fls. 04 a 17. Na decisão (fls. 129/130), a autoridade administrativa a quo, resolveu não reconhecer o crédito de Finsocial a favor da contribuinte, pleiteado nas planilhas (fls. 18/19), "em razão de se tratar de créditos não abrangidos pela decisão judicial", e, em conseqüência, indeferiu as compensações de débitos de Cofins apurados no período de dez/95 a mai/96 e determinou o prosseguimento na cobrança dos citados débitos, relacionados à fl. 129. A contribuinte tomou conhecimento do despacho decisório em 26/06/2007 (AR fls. 139). Inconformada, por meio de seu Advogado (Eroides Fideles da Silva), apresentou a manifestação de inconformidade (fls. 140 a 149), na qual cita e transcreve o artigo 74, § 11, da Lei _9.430, de 1996, com redação dada_pelo o artigo 14 da Lei 10.833, de 2003, que trata do efeito suspensivo da manifestação de inconformidade, e conclui, em preliminar, que deve ser mantida e/ou determinada a suspensão da exigibilidade dos valores compensados cobrados até a finalização do presente processo administrativo. Nos fundamentos fáticos e jurídicos cita dispositivos da legislação tributária e. faz comentário sobre o recolhimento do Finsocial, menciona entendimento do STF ao julgar a inconstitucionalidade das leis que alteraram, a partir da promulgação da Constituição de 1988, as alíquotas e base de cálculo do Finsocial (RE1507644PE, Rel.Min.Marco_Aurélio_DJU 02.04.1993) e, em resumo, apresenta os seguintes argumentos de defesa: em razão do julgado do STF, o Poder Executivo editor o Decreto n° 2.194, de 08.04.97 e a SRF a IN n° 31, de 10.04.97, vedando a cobrança do FINSOCIAL, e, posteriormente, também a SRF instrumentalizou as compensações administrativas destes créditos nos arts. 2°, I, e 5° da IN n° 21, de 10.03.97 e no art. 2° da IN n° 32, de 09.04.97; Fl. 230DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 29/01/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10120.004672/9723 Acórdão n.º 330201.189 S3C3T2 Fl. 3 3 denotase do histórico supra, o FINSOCIAL foi julgado inconstitucional pelo STF, e que teve seu crédito reconhecido e a compensação instrumentalizada pela própria administração da fazendária; as cópias dos DARF acostados aos autos comprovam que ela recolheu valores a título de FINSOCIAL com a alíquota majorada, conforme determinavam as leis declaradas inconstitucionais pelo STF. Desta feita, possuía créditos de FINSOCIAL junto à SRF, que foram compensados com débitos da COFINS nos termos das Instruções Normativas acima citadas, e que as compensações foram todas informadas em DCTF, conforme quadro, os quais devem ser considerados como os constantes no pedido de compensação; após efetivar a compensação estritamente conforme as normas de regência, protocolou junto à SRF em 04/12/1997 o presente processo administrativo pedindo a suspensão da exigibilidade das compensações efetuadas com base nas decisões proferidas no processo 96.00.008590 (liminar e sentença); em 16/03/2000, foi surpreendida pelo indeferimento de pedido no Despacho Decisório SASIT/DRF/GNA n° 59/2000, sob o único argumento de ocorrência de decadência do direito de repetição do indébito, por já haver decorrido mais de 5 (cinco) anos do último pagamento; no acórdão proferido em 16/08/2000 (doc. 01) foi dado parcial provimento à apelação da Fazenda Nacional para acolher a prescrição qüinqüenal contados retroativamente à propositura da ação judicial, ou seja, os pagamentos realizados até 5 (cinco) anos retroativos à 07/02/1996. Portanto, todos os eventuais créditos recolhidos anteriormente à 05/02/1991 estariam prescritos, não podendo mais ser compensados; mesmo podendo cobrar todas as compensações realizadas, a Delegacia da Receita Federal em Goiânia quedouse inerte, somente agora, em 26/06/2007, mais de 07 (sete) anos que se tornou definitivamente exigida a compensação é que saiu de sua inércia e junto com um despacho decisório mandou cobrança de todas as compensações realizadas, de valores que não podem mais ser exigidas; a princípio não se vislumbra nenhuma irregularidade quanto ao entendimento esposado pela autoridade coatora, mesmo porque, não restava nenhuma saída senão cumprir a decisão judicial transitada em julgada que mandava reconhecer como crédito todo Finsocial, pagamento excedente a 0,5% nos dez anos anteriores ao protocolo da ação judicial; resta definitivamente comprovada que se encontra prescrita a possibilidade da Recorrida em cobrar débitos ocorridos anteriormente a agosto/2005, e se tais débitos estão prescritos, não podem mais ser cobrados; no presente processo administrativo desde agosto/2000 ela não teria direito ao crédito do Finsocial pleiteado, e nesta esteira de raciocínio da mesma forma as compensações realizadas deveriam ter sido lançadas, via lançamento, única forma de constituir e garantir o crédito tributário; por sua própria vontade, a Recorrida nada fizera para garantir que o tempo não consumasse o seu direito creditório, ao passo que ela, ingressou em juízo para garantir o seu direito ao pagamento do Finsocial excedente à 0,5% Fl. 231DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 29/01/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10120.004672/9723 Acórdão n.º 330201.189 S3C3T2 Fl. 4 4 (meio por cento), demanda na qual obteve pleno êxito com trânsito em julgado, e em relação aos débitos que a Recorrida quer abater do crédito do Finsocial, não podem mais ser exigidos, pois já se consolidou o fato prescricional, pois resta completa a extensão temporal de suporte fático previsto na regra. E resta comprovado, que ao contrário da empresa, que foi ao Judiciário fazer valer seu crédito, a Recorrida ficou em inércia absoluta em período superior ao determinado em lei para a caracterização da prescrição. Por derradeiro, requer restituição e a extinção pela prescrição de todas as compensações realizadas, vez que todos estes débitos foram atingidos pela prescrição, conforme amplamente comprovado na presente peça recursal, devendo ser extinta a cobrança de todos os valores cobrados” A DRJ/BSA houve por bem decidir que, Contudo, em face do Mandado de Segurança impetrado na Justiça Federal em 09/02/1996, com vista ao reconhecimento de crédito de Finsocial, bem como sua compensação com débitos de Cofins, do qual a empresta consta como litisconsorte, a autoridade fiscal, em obediência a decisão judicial proferida na Apelação ao MS, considerou como ponto de partida para contagem do prazo decadencial a data de 09/02/1996. Segundo o Acórdão recorrido, na Apelação de Mandado de Segurança (fl. 119) ficou decidido no voto do Exmo. Sr. Juiz Antônio Ezequiel (Relator) que Tendo o mandado de segurança sido impetrado em 09.02.96, a quantia paga a maior pelas impetrantes, no período anterior a fevereiro/91, não pode ser repetida. (destaque não original). Diante disso, como os pagamentos efetuados mediante os DARF apresentados, referemse a recolhimentos efetuados antes de fevereiro de 1991, não foram considerados por terem sido alcançados pelo instituto da decadência, conforme ficou decido na Apelação de Mandado de Segurança — cópia de fl. 119 — acima citada. Quanto à prescrição dos débitos compensados indevidamente desconsiderou o entendimento do patrono da_recorrente, pois, consoante o artigo 903 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3000, de 1999, não ocorrerão os prazos estabelecidos em lei para a cobrança do imposto, até a decisão na esfera judiciária, nos casos em que a ação das repartições da Secretaria da Receita Federal for suspensa por medida judicial contra a Fazenda Nacional (Lei n° 3.470, de 1958, art. 23). Intimada em 19/12/2007, às fls. 175 apresentou recurso voluntário em 23/01/2008, às fls. 176. É o relatório. Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator Fl. 232DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 29/01/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10120.004672/9723 Acórdão n.º 330201.189 S3C3T2 Fl. 5 5 Verifico que o Recurso Voluntário fora apresentado dia 23 de janeiro de 2008 (protocolo de fls. 176) quando o prazo fatal para o protocolo da peça recursal ocorrera em 18 de janeiro de 2008, cinco dias após, portanto. Nesse sentido, voto por não conhecer do presente recurso, por não atender o requisito de admissibilidade presente no art. 33 Decreto nº 70.235/72 É como voto. GILENO GURJÃO BARRETO (Assinado Digitalmente) Fl. 233DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 29/01/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por GILENO GURJAO BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 15465.001258/2010-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SIMPLES NACIONAL
Ano Calendário: 2010
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
Com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, o recurso voluntário deve ser interposto dentro do prazo de trinta dias do recebimento. O não atendimento deste prazo acarreta a intempestividade do recurso.
Numero da decisão: 1301-000.701
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso voluntário, por intempestividade.
Nome do relator: Paulo Jakson da Silva Lucas
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INTEMPESTIVIDADE. Com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, o recurso voluntário deve ser interposto dentro do prazo de trinta dias do recebimento. O não atendimento deste prazo acarreta a intempestividade do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Fl. 51DF CARF MF Impresso em 09/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 12/ 01/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Trata o presente processo sobre impugnação apresentada em 09/04/2010 (fl. 01), ao termo de indeferimento da opção pelo Simples Nacional, de 11/03/2010, as fl.06. O termo apresenta dois débitos como motivo do indeferimento, sendo um relativo ao Simples, código de receita 6106 e período de apuração em 06/2007, e o outro relativo à COFINS, código de receita 4493 e já inscrito em Divida Ativa da Unido sob o número 7060603957309. O interessado alega, em síntese, que o darf relativo ao pagamento do débito do Simples foi preenchido com o período de apuração errado. O interessado anexou cópia do Darf relativo ao pagamento em questão fl.07. Este é o relatório. A autoridade julgadora de primeira instância decidiu a matéria por meio do acórdão DRJ/RJ1 1231.828, de 24/06/2010 (fls. 20), tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2010 TERMO DE INDEFERIMENTO DA OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL. Não tendo sido elidido o motivo que impedia a opção pelo Simples, há que ser mantido o termo de indeferimento. Impugnação Improcedente É o relatório. Passo ao voto. Voto Fl. 52DF CARF MF Impresso em 09/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 12/ 01/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15465.001258/201013 Acórdão n.º 1301000.701 S1C3T1 Fl. 2 3 Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas A autoridade preparadora (DRF/RJII) não se manifesta a respeito da tempestividade do recurso voluntário apresentado às fls. 27. No entanto, do exame dos autos verificase que existe uma questão prejudicial à análise do mérito da presente lide, relacionada com a preclusão do prazo para interposição de recurso voluntário a esse E.Conselho. A decisão de primeira instância foi encaminhada para o domicílio que consta no cadastro da RFB, sistema de consulta CNPJ; por via postal, e recebido em 11/08/2010 (quinta feira) conforme atesta o “AR” às fl. 24/25. O recurso voluntário fora recepcionado pela Delegacia de jurisdição em 13/09/2010, conforme carimbo e assinatura de fls. 27, portanto, após o prazo fatal de 30 (trinta) dias que seria 11/09/2010 nos termos da legislação. Desta forma não se instaurou a fase litigiosa do processo, como dispõe o artigo 14 do Decreto n°. 70.235, de 1972, e, após isto, qualquer ato de defesa ou decisório é ineficaz, porquanto ressoa inequívoca a ocorrência da preclusão. A legislação que rege a forma de promover as intimações é cristalina, conforme podemos constatar no Processo Administrativo Fiscal, aprovado pelo Decreto n°. 70.235, de 06 de março de 1972, que quando trata de intimação, especificamente no art. 23, com nova redação editada pela Lei n°. 9.532, de 1997, diz: "Art. 23 Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador na repartição ou fora dela, provada com assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. § 1°. O edital será publicado uma única vez, em órgão de imprensa oficial local, ou afixado em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação. § 2°. Considerase feita à intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; III quinze dias após a publicação ou afixação do edital, se este for meio utilizado. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 09/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 12/ 01/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 § 3°. Os meios de intimação previstos nos incisos I e II deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. § 4°. Considerase domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo o do endereço postal, eletrônico ou de fax, por ele fornecido para fins cadastrais, à Secretaria da Receita Federal.” Por pertinente, transcrevo algumas ementas de acórdãos deste Colegiado onde se demonstra que a validade da intimação via postal é matéria com jurisprudência mansa e pacífica: Acórdão 20208.457, de 21 de maio de 1996 "NORMAS PROCESSUAIS É válida a intimação via postal remetida ao endereço da pessoa jurídica que consta do Cadastro da Fazenda Nacional, ainda mais quando a mesma exerce atividades normalmente no endereço indicado. A lei processual não exige que a ciência de recebimento do Auto de Infração seja dada por representante legal da empresa, sendo válido o recebimento e ciência aposto por qualquer pessoa que receber o AR no endereço indicado." Acórdão 20210.924, de 03 de março de 1999 "NORMAS PROCESSUAIS Válida a intimação via postal endereçada para domicílio fiscal da intimada com recepção comprovada mediante a juntada do respectivo Aviso de Recebimento. PEREMPÇÃO Recurso apresentado após o decurso do prazo consignado no caput do artigo 33 do Decreto n°. 70.235/72. Por perempto, dele não se toma conhecimento." Acórdão n°: 10413.527, de 09 de julho de 1996 "NOTIFICAÇÃO CIÊNCIA. Considerase feita à intimação, quando por via postal ou telegráfica, a data do recebimento, ainda que assinatura aposta no aviso de recebimento seja a do porteiro do edifício do contribuinte, pessoa esta idônea a recepcionar as correspondências dos moradores” Nestes termos, posicionome no sentido de não tomar conhecimento do recurso, por perempto. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 54DF CARF MF Impresso em 09/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 12/ 01/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15465.001258/201013 Acórdão n.º 1301000.701 S1C3T1 Fl. 3 5 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 09/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 12/ 01/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 37169.005382/2006-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/2000 a 31/12/2005
FALTA DE CIÊNCIA DO RESULTADO DA DILIGÊNCIA. VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA.
O contribuinte possui direito de participação no processo administrativo em relação a qualquer ato praticado ou documento juntado.
Aguardando Nova Decisão
Numero da decisão: 2302-001.401
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da segunda
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Adriana Sato
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2000 a 31/12/2005 FALTA DE CIÊNCIA DO RESULTADO DA DILIGÊNCIA. VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. O contribuinte possui direito de participação no processo administrativo em relação a qualquer ato praticado ou documento juntado. Aguardando Nova Decisão
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Empresas em Geral Recorrente TRANSPORTADORA ITANORTE LTDA Recorrida SRP Blumenau / SC ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2000 a 31/12/2005 FALTA DE CIÊNCIA DO RESULTADO DA DILIGÊNCIA. VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. O contribuinte possui direito de participação no processo administrativo em relação a qualquer ato praticado ou documento juntado. Aguardando Nova Decisão Fl. 1DF CARF MF Impresso em 09/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da segunda SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente Adriana Sato Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros . Marco André Ramos Vieira (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Eduardo Augusto Marcondes de Freitas, Manoel Coelho Arruda Junior e Adriana Sato Fl. 2DF CARF MF Impresso em 09/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37169.005382/200659 Acórdão n.º 230201.401 S2C3T2 Fl. 269 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito lavrada em 25/04/2006, cuja ciência do Recorrente ocorreu em27/04/2006 (fls.168). De acordo com o Relatório Fiscal de fls.112/ , os fatos geradores do presente lançamento fiscal decorrem de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra ou empreitada, onde a empresa contratante, a Transportadora Itanorte Ltda. está obrigada a reter onze por cento (11%) do valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços emitido pelo contratado e recolher A. Previdência Social a importância retida, em documento de arrecadação identificado com a denominação social e o CNPJ da empresa contratada. A empresa deixou de recolher em época própria valores relativos a retenções sobre os serviços prestados pelos seus contratados na atividade de limpeza, conservação, vigilância, segurança, carga de descarga, prestação de serviços, entre outros. A obrigação de efetuar a retenção está amplamente amparada pela legislação, art. 31 da Lei n.°8.212, de 24/07/1991: Os fatos geradores foram apurados com base na analise da escrituração contábil da empresa, Livros Diário e Livros Razão, corroborados por Arquivos digitais disponibilizados, GFIP, Notas fiscais de Serviço, Faturas, Recibos e documentos de suporte de lançamentos contábeis, além das guias de recolhimento para a previdência social — GPS, relativas a retenção. A documentação foi fornecida pela empresa, no período indicado. O Recorrente apresentou impugnação com documentos, levando a Unidade de Atendimento a sugerir o encaminhamento do processo ao setor de análises para manifestar se sobre os documentos e alegações da impugnação (fls.193). A DN julgou o lançamento procedente, e, inconformada, a Recorrente interpôs recurso voluntário, alegando em síntese: interpôs recurso voluntário sem o depósito recursal resguardada por Mandado de segurança; nulidade da decisão por falta de análise da impugnação; inconstitucionalidade e ilegalidade da taxa selic; decadência; inconstitucionalidade da exigência; A DRP apresentou contrarazões. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 09/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Fl. 4DF CARF MF Impresso em 09/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37169.005382/200659 Acórdão n.º 230201.401 S2C3T2 Fl. 270 5 Voto Conselheiro Adriana Sato, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo a análise das questões. Da Preliminar Analisando os autos verifiquei que não foi cumprida a determinação de fls.193. A falta da análise dos fatos e dos documentos da impugnação cercearam o direito de defesa da Recorrente e a ampla defesa, assegurada constitucionalmente aos contribuintes, deve ser observada no processo administrativo fiscal. A propósito do tema, é salutar a adoção dos ensinamentos de Sandro Luiz Nunes que, em seu trabalho intitulado Processo Administrativo Tributário no Município de Florianópolis, esclarece de forma precisa e cristalina: A ampla defesa deve ser observada no processo administrativo, sob pena de nulidade deste. Manifestase mediante o oferecimento de oportunidade ao sujeito passivo para que este, querendo, possa oporse a pretensão do fisco, fazendose serem conhecidas e apreciadas todas as suas alegações de caráter processual e material, bem como as provas com que pretende provar as suas alegações. Este entendimento também consta do Decreto nº 70.235/72 que, ao tratar das nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa. Feitas estas considerações, entendo que a decisão recorrida deve ser anulada, para que seja emitido parecer conclusivo sobre a impugnação e dada a ciência da informação fiscal a Recorrente para que seja garantido a Recorrente o princípio constitucional do contraditório, sendo facultado à parte manifestar sua posição sobre fatos trazidos ao processo pela outra parte vez que tomando conhecimento dos atos processuais, pode, se desejar, reagir contra os mesmos. Inseremse no princípio do contraditório a chamada regra da informação geral e também a regra da ouvida dos sujeitos ou audiência das partes. O princípio do contraditório é de índole constitucional, devendo ser observado inclusive em processos administrativos, consoante art. 5°, LV, da Constituição Federal vigente. Art. 5°, LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o Fl. 5DF CARF MF Impresso em 09/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Foi contemplado também no art. 2º, caput e parágrafo único, inciso X, da Lei nº 9.784/99, abaixo transcrito: Lei n° 9.784/99, art. 2° A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (...) X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (grifo nosso) Nesse sentido, entendo que a decisão proferida é nula, por cerceamento ao direito de defesa, com fulcro no art. 31, II, da Portaria MPS n° 520/2004, abaixo transcrito. Art. 31. São nulos: (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; Por todo o exposto, voto pela anulação da decisão de primeira instância. devendo ser analisada a impugnação e os documentos acostados, de acordo com às fls.193, para que após, seja conferida ciência a recorrente do resultado da diligência, abrindolhe prazo para manifestação e posterior emissão de nova decisão. Sala das Sessões, em 27 de outubro de 2011 Adriana Sato Fl. 6DF CARF MF Impresso em 09/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37169.005382/200659 Acórdão n.º 230201.401 S2C3T2 Fl. 271 7 Fl. 7DF CARF MF Impresso em 09/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10825.001347/2009-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2007
Ementa:
IRPF. DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA.
Nos termos do art. 8º, § 2º, inc. III da Lei nº 9.250/95, somente podem ser deduzidas as despesas médicas comprovadas por meio de recibo que preencha os requisitos da lei. Para que o contribuinte possa pleitear a dedução de valores maiores do que aqueles comprovados mediante recibo emitido pela instituição beneficiária, deverá comprovar ter arcado com pagamento diverso daquele já comprovado.
Numero da decisão: 2102-001.638
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
provimento ao recurso.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. Nos termos do art. 8º, § 2º, inc. III da Lei nº 9.250/95, somente podem ser deduzidas as despesas médicas comprovadas por meio de recibo que preencha os requisitos da lei. Para que o contribuinte possa pleitear a dedução de valores maiores do que aqueles comprovados mediante recibo emitido pela instituição beneficiária, deverá comprovar ter arcado com pagamento diverso daquele já comprovado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 05/01/2012 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Nubia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos Andre Rodrigues Pereira Lima. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO 2 Relatório Em face do contribuinte acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 152/155 para exigência de IRPF em razão da glosa das despesas deduzidas por ele a título de pensão alimentícia, no Exercício 2007. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 1, por meio da qual alegou: O contribuinte retificou a título demonstrativo, a este conceituado Instituto alterando os lançamentos em suas declarações já que o auditor fiscal, em sua interpretação, não aceitou os lançamentos das despesas com instrução no mesmo campo das pensões pagas , e alterando estes lançamentos, separando os dependente e incluindo o Plano de Saúde, fica claramente demonstrado que a diferença no resultado final do imposto a pagar é irrelevante. Na análise de suas alegações, os membros da DRJ em São Paulo decidiram pela manutenção parcial do lançamento. Foram acolhidas as deduções dos valores pagos a título de pensão para cada uma das três filhas, na medida daquilo que fora documentalmente comprovado nos autos. Consideraram que o contribuinte cometera mero erro no preenchimento da Declaração de Ajuste, pois deveria ter declarado como pagamento de pensão alimentícia somente a pensão propriamente dita, sendo que os demais valores pagos (escola e médicos) deveriam ter sido declarados nos campos próprios. O valor total glosado foi então reduzido de R$ 34.970,43 para R$ 7.837,71. O contribuinte teve ciência de tal decisão e contra ela interpôs o Recurso Voluntário de fls. 260, por meio do qual os pedidos contidos em sua impugnação, ressaltando que o relator da decisão recorrida desconsiderou o Acordo Judicial protocolizado no Fórum, assinado entres as Partes (Marido, Esposa, e os advogados representantes), e devidamente homologado em Juízo. Alega ainda que o mesmo alterou a forma de lançamentos das despesas com instrução, mesmo estas fazendo parte da totalidade da pensão judicial, e “não aceitou o contrato que comprova as Pensionistas (Filhas), na Utilização do plano de Saúde da Unimed”. Os autos então foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relator O contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 20.09.2010, como atesta o AR de fls. 259. O Recurso Voluntário foi interposto em 15.10.2010 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de lançamento para exigência de IRPF em razão da revisão da Declaração de Ajuste Anual apresentada para o Exercício 2007 pelo Recorrente, em razão da glosa dos valores declarados como pagos a título de pensão alimentícia. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 10825.001347/200976 Acórdão n.º 210201.638 S2C1T2 Fl. 389 3 A decisão recorrida já reconheceu em parte do direito do Recorrente, tendo alterado a forma de declaração das deduções pretendidas, já que os valores pagos a título de despesa médica e com instrução deveriam ser assim declarados, ainda que seu pagamento decorresse do acordo celebrado judicialmente com sua exesposa. Inconformado, o Recorrente pugna pelo reconhecimento do seu direito a deduzir as despesas pagas em favor de suas filhas a título de plano de saúde (Unimed). Com efeito, a decisão recorrida acolheu as seguintes deduções, que reputou como comprovadas pelo Recorrente: valor pago pensão (R$ 6.083,33 para cada filha) 18.249,99 médico Amanda 596,62 médico Marcela 592,06 médico Giovana 575,53 instrução Amanda 2.373,84 instrução Marcela 2.373,84 instrução Giovana 2.373,84 27.135,72 Todos estes pagamentos levaram em consideração os comprovantes trazidos aos autos pelo Recorrente. No caso das despesas médicas, há que se ressaltar que os valores considerados pela decisão recorrida foram aqueles que constam no recibo de fls. 08 – justamente o documento emitido pela Unimed, e trazido aos autos pelo Recorrente para comprovar suas despesas a este título com suas filhas. Sendo assim, é de se reconhecer que o pleito do Recorrente já foi acolhido pela decisão recorrida, não havendo motivo para se alterar aquilo que já foi reconhecido a título de pagamento de despesas médicas. Caso o mesmo tivesse efetuado dispêndios outros além daqueles já reconhecidos através da decisão recorrida, caberia a ele têlos comprovado. Diante do exposto, VOTO no sentido de NEGAR provimento ao Recurso. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora Fl. 423DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO 4 Fl. 424DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO
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Numero do processo: 13971.000119/95-91
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 15/10/1989 a 30/07/1994
RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. DEFINITIVIDADE DA.
DECISÃO A QUO.
São definitivas as decisões de primeira instância, esgotado o prazo para
recurso voluntário sem que tenha sido interposto.
Numero da decisão: 3403-001.257
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso por intempestivo.
Nome do relator: LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 15/10/1989 a 30/07/1994 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. DEFINITIVIDADE DA. DECISÃO A QUO. São definitivas as decisões de primeira instância, esgotado o prazo para recurso voluntário sem que tenha sido interposto.
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PRECLUSÃO. DEFINITIVIDADE DA. DECISÃO A QUO. São definitivas as decisões de primeira instância, esgotado o prazo para recurso voluntário sem que tenha sido interposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestivo. Antonio Carlos Atulim – Presidente Liduína Maria Alves Macambira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Liduína Maria Alves Macambira, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Ivan Allegretti, Raquel Motta Brandão Minatel e Adriana Oliveira e Ribeiro. Fl. 715DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 3 1/10/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 2 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de IPI, referente ao período de apuração de 15/10/89 a 30/07/94 (fl. 02), com fundamento no art. 7ºo , § 1ºo , da Lei n° 4.502/64, e art. 5º, do DecretoLei n° 491/69, no valor de R$ 83.519,27, de crédito decorrente de aquisição de insumos utilizados na fabricação de produtos exportados. De acordo com a juntada da informação da Agência da Receita Federal (ARF) de Blumenau, o contribuinte tinha débitos em atraso relativos ao PIS, FINSOCIAL e Contribuição Social sobre o Lucro, fls. 64 a 67. Em 24/11/1995, a unidade de origem, Delegacia da Receita Federal em JoinvilleSC, indeferiu o pedido mediante Despacho – Ressarcimento nº304/95, fl. 69, com fundamento no art. 60 da Lei nº 9.069, de 1995, sem análise do mérito: O art. 60, da Lei n° 9.069/95, dispõe que o reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal relativos a tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal está condicionado à comprovação pelo contribuinte da quitação de débitos de tributos e contribuições federais. Embora o contribuinte não tenha apresentado a quitação de débitos para com a Fazenda Nacional, o documento de fl. 42, juntada pela PSFNJoinville/SC, informa a existência de débito em nome do interessado, (destaques no original). Em 10/01/1996, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, fls. 72/76, contra a decisão da unidade de origem. Transcrevo trecho do relatório da decisão proferida pela DRJ que manteve o despacho denegatório que não reconheceu o direito ao ressarcimento de IPI: (...) Em 10/1/96, a empresa apresentou manifestação de inconformidade, alicerçada nos seguintes argumentos: 1. não discute a existência dos débitos, mas, não é isto que está em discussão; 2. [...] "benefício e incentivo fiscal, nem juridicamente, nem sintaticamente, tem correspondência próxima com o termo ressarcimento. O ressarcimento pleiteado é um direito do contribuinte decorrente de um crédito nas exportações, que, por não ter sido utilizado, tornase excedente e, portanto, passível de ressarcimento" (grifos no original) Por outro lado, benefício e incentivo fiscal, na definição da mais clássica doutrina, se referem a "...redução do quantum debeatur de natureza tributária, ou mesmo na eliminação da exigibilidade. Sua instituição, quando legítima, representa instrumento de ação econômica e social objetivado à consecução do bem comum" (JARDIM, Eduardo Marcial Ferreira. Dicionário jurídico tributário, São Paulo, Saraiva, 1995, p. 83); (grifos no original) Fl. 716DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 3 1/10/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 13971.000119/9591 Acórdão n.º 3403001.257 S3C4T3 Fl. 716 3 Tratase, em verdade, de coisas absolutamente distintas e desta forma devem ser tratadas. Argumenta, ainda, que a autoridade administrativa, baseando sua decisão no art. 60 da Lei do Real proferiu decisão alheia ao mais comezinho dos princípios do direito tributário qual seja, o Princípio da estrita legalidade/tipicidade cerrada, retirando da norma legal sentido mais extenso do que o pretendido; 3. Outro princípio violado é o da irretroatividade das leis art. 150, III "a", da Constituição Federal de 1988 (CF/88) e artigos 105 e 106 do Código Tributário Nacional (CTN), que só admitem a retroação da lei para beneficiar o contribuinte, vez que, o pedido de ressarcimento se refere a períodos de apuração do imposto anteriores a vigência da lei 9.069, de 30 de junho de 1995. Finalmente, pleitea a compensação dos valores apurados como crédito do IPI com seus débitos reconhecidos, mencionado, conforme consta dos documentos de fls. 64 a 66 deste processo. A DRJ em Florianópolis julgou o despacho denegatório procedente, mediante Decisão nº 771, de 19 de junho de 1996, às fls. 78/83, sob os fundamentos a seguir: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI RECONHECIMENTO DO DIREITO AO RESSARCIMENTO Não é de reconhecerse o direito ao ressarcimento do IPI decorrente de operação incentivada, quando não se comprove que a recorrente está em dia com suas obrigações tributárias ante a União Federal. COMPENSAÇÃO – A compensação entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie com débitos apurados em períodos subseqüentes, só é prevista nos casos de pagamento indevido ou a maior. DESPACHO DENEGATÓRIO PROCEDENTE Em 15/07/1996, o contribuinte toma ciência da Decisão da DRJ/Florianópolis, fls. 84/85. Em 31/10/96, fls. 89/92, o contribuinte apresenta Pedido de Reconsideração para que lhe fosse aplicado o disposto no art. 11, § 1º, I, da Instrução Normativa SRF nº 28, de 10 de maio de 1996, publicada no DOU de 14/05/1996: Eis os termos da Instrução Normativa n° 28/96: "Art. 11 Quando da efetivação do ressarcimento em dinheiro, deverão ser observadas as disposições do art. 7 do DecretoLei nº 2.287, de 23 de julho de 1986, da IN n° 5, de 13 de janeiro de 1987 e do art. 8º e parágrafo único da Instrução Normativa SRF nº 89, de novembro de 1993. Fl. 717DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 3 1/10/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 4 § 1° Deverá ser verificada a existência de débitos na ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, para efeito de compensação. (...) I havendo débitos não suspensos referentes a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal deverão ser compensados." Em 04/11/1996, fls. 63, a Delegacia da Receita Federal em JoinvilleSC, indefere o pedido de reconsideração sob fundamentação a seguir , Despacho – Ressarcimento nº 898/96. Em sua ordem de intimação, acrescenta que cabe dessa decisão recurso à DRJ/Florianópolis. Fundamentação. O art. 104 do Regulamento do IPI, aprovado pelo Decreto n.9 87.981/82, dispõe que os créditos decorrentes de incentivos fiscais, relacionados nos art. 92 a 95, que não forem absorvidos no período de apuração do imposto em que foram escriturados, poderão ser utilizados em outras formas de aproveitamento estabelecidas pelo Ministro da Fazenda, inclusive o ressarcimento em dinheiro. As Leis n 4.502/64 e 8.402/92 estabelecem a manutenção e utilização do crédito de IPI proveniente de insumos efetivamente utilizados na fabricação de produtos para exportação. Os documentos de fls. 03 a 63 revelam a inexistência de saldo credor de IPI passível de ressarcimento, vez que os créditos de IPI decorrentes de compras para industrialização foram absorvidos pelos débitos das vendas no mercado interno. Assim, apesar da permissão de compensação dos créditos a ressarcir com os débitos referentes a tributos e contribuições administrados pela SRF, dada pela INSRF nº 28/96, não houve apresentação de CNDINSS, nem existe o saldo credor de IPI escriturado que permita o atendimento do pleito. Em 18/02/1997, o contribuinte tomou ciência da decisão da DRF de origem, fls. 94/95. Em 20/03/1997, apresenta uma petição dirigida à DRJ de Florianópolis, fls. 96/98. A DRJ de Florianópolis manifestase no despacho às fls. 685 dizendo que já proferiu decisão formal (fls. 78 a 83), não cabendo o pedido de reconsideração(fls. 89 a 92) e muito menos novo despacho da autoridade administrativa a quo, mas sim recurso ao Segundo Conselho de Contribuintes, nos termos dos arts. 33 e 36 do Decreto nº 70.235, de 1972. Por fim conclui que não há que apreciar nova manifestação de inconformidade, fls. 96/98, sobre matéria já decidida nesse processo às fls. 78 a 83. Em 04/12/1997, o contribuinte toma ciência do despacho da DRJ/Florianópolis. Apresenta uma petição, em 30/12/1997, requerendo que fosse enviada ao Segundo Conselho de Contribuintes, na forma do Decreto nº 70.235, de 1972, para que a matéria esposada possa ser apreciada, a fim de que não lhe seja suprimido o direito ao duplo grau de jurisdição, fls. 688/689. Fl. 718DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 3 1/10/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 13971.000119/9591 Acórdão n.º 3403001.257 S3C4T3 Fl. 717 5 Em 18/03/2003, os membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes resolvem, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator, fls. 695/697. De acordo com o relatório da diligência: Irresignada, a empresa interpôs recurso a este Colegiado, onde, em síntese, aduziu que não escriturou o crédito pleiteado no intuito de antes demonstrar a SRF a constituição desses créditos, para somente após escriturálos. E, junto com a articulação recursal, apresentou planilha relativa ao período que postula o benefício, na tentativa de demonstrar "a totalidade dos créditos mensais, não lançados em época própria". Consigna a empresa que os créditos foram levantados de acordo com a IN SRF n° 114/88, vindo a proceder à escrituração desses créditos no período de apuração ocorrido entre 01.03.97 e 10.03.97, conforme cópia Livro Registro de Apuração de IPJ (fl. 99). Transcrevo a seguir os termos da diligência solicitada, fls. 697: Contudo, somente agora na peça processual é que a contribuinte veio a formular os cálculos na forma regulamentar. Dessarte, vislumbro naquela um novo pedido. Como há forte evidência do direito postulado, que não pode ser fulminado por questões meramente instrumentais, decido converter o julgamento do recurso em diligência para que a autoridade administrativa responda, fundamentadamente, aos seguintes quesitos, e ao fim informe: l o contribuinte, ao escriturar os créditos na forma extemporânea, como no caso, corrigiu monetariamente os mesmos até a data de sua escrituração? 2 Após sua escrituração restou saldo credor a permitir ressarcimento? 3 No entender do órgão local, com base na documentação de fls. 99 a 317, e outros documentos que entenda pertinente, a recorrente faz jus aos créditos postulados? E se faz jus aos créditos postulados, quais seriam os valores? A resposta a tal quesito deve quantificar o valor do eventual crédito, demonstrando analiticamente, como se chegou até ele; e 4 qual a situação do contribuinte, presentemente, em relação aos tributos administrados pela SRF? Se houver débitos devem ser apontados os tributos e sua situação. Trazer aos autos toda informação que entenda necessária ao deslinde do presente litígio. O processo retorna com o resultado da diligência e documentos de fls. 673/678, após transcorrido o prazo para manifestação do contribuinte . Embora cientificado em 20/04/2001, o contribuinte não se manifestou. Fl. 719DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 3 1/10/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 6 Tratando de processo de diligência solicitada por exconselheiro, em cumprimento ao Regimento desse Órgão Colegiado, o mesmo foi a esta conselheira distribuído para relatar após novo sorteio. É o relatório. . Voto Conselheira Liduína Maria Alves Macambira, Relatora Primeiramente, antes de entrar no mérito, é importante ressaltar que o relator da diligência registra preliminarmente sua posição manifestandose que a autoridade local não deveria ter conhecido da petição da empresa que solicitava a revisão de seu primeiro despacho decisório, visto que já havia decisão da DRJ em Florianópolis. A solicitação deveria ter sido recebida como recurso e enviada ao órgão julgador ad quem. Diante do equívoco ocorrido, tomou como marco temporal a quo para fluência do prazo recursal a ciência da contribuinte do segundo despacho decisório, no caso 18/02/1997. Por ter sido a petição protocolizada em 20/03/1997, conhece do recurso. Em seguida, diz o relator da diligência que: Em verdade, na peça recursal a contribuinte está a reiniciar seu pedido, tendo em vista que somente quando da petição de fls. 96/98, extemporaneamente, escriturou o crédito e procedeu à apuração como determinado na IN SRF n° 114, de 1988. Também gostaria de registrar alguns pontos sobre os fatos até aqui relatados. O relator original reconhece que a solicitação de revisão deveria ter sido recebida como recurso e enviada ao órgão julgador ad quem. Pois bem. Esse entendimento encontrase também esposado no despacho da DRJ/Florianópolis, fls. 695, fundamentado nos artigos 33 e 36 do PAF ( Decreto nº 70.235, de 1972), conforme a seguir: Sobre o Pedido de Ressarcimento de IPI às fls. 1/2 esta DRJ já proferiu Decisão formal (fls. 78 a 83), não cabendo o pedido de Reconsideração constante às fls. 89 a 92, muito menos o novo despacho da autoridade administrativa a quo, mas sim, recurso ao Segundo Conselho de Contribuintes, nos termos dos artigos 36 e 33 do Decreto n° 70.235/72, respectivamente: Art. 36. Da decisão de primeira instância não cabe pedido de reconsideração. Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário. Total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro de trinta dias seguintes à ciência da decisão. Tendo o contribuinte tomado ciência da decisão da DRJ/Florianópolis em 15/07/1996, fls. 84/85, não concordando com o resultado dessa decisão caberia a apresentação de recurso voluntário até o dia 14/08/1996, de acordo com o prazo legal. Caso o contribuinte tivesse interesse. Entretanto, assim não agiu o contribuinte, somente em 31/10/96, fls. 89/92, ela vem apresentar Pedido de Reconsideração para que lhe fosse aplicado o disposto no art. 11, § 1º, I, da Instrução Normativa SRF nº 28, de 10 de maio de 1996, publicada no DOU de 14/05/1996. Passaramse mais de 60 dias do dia final para a interposição de recurso voluntário. Fl. 720DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 3 1/10/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 13971.000119/9591 Acórdão n.º 3403001.257 S3C4T3 Fl. 718 7 Se fosse recepcionada como recurso voluntário, seria, portanto, intempestivo. Ao ingressar com o pedido de reconsideração, a decisão proferida pela autoridade julgadora de primeira instância já era uma decisão definitiva, por conta da preclusão administrativa, nos termos postos nas normas processuais que regem o Processo Administrativo Fiscal. Assim dispõe o art. 42 do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 42. São definitivas as decisões: I –de primeira instância, esgotado o prazo para recurso voluntário sem que tenha sido interposto. Quanto ao direito ao duplo grau, invocado pelo peticionante, ele próprio preferiu desconsiderálo. Preferiu ficar inerte. Simplesmente, ficou sem agir, da data da ciência da decisão de primeira instância até a data da entrega do pedido de reconsideração, portanto, mais de 90 dias. O art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, que assegura na via administrativa, o duplo grau de jurisdição, assim invocado pelo contribuinte, fixou que da decisão ( proferida pelas DRJ) caberá recurso voluntário, total ou parcial com efeito suspensivo, dentro do prazo de trinta dias seguintes à decisão. É bem verdade, que o contribuinte não está obrigado a recorrer, mas caso queira, fica sujeito ao prazo de previsto no artigo 33, sob pena de preclusão. Entendo que foi isto que ocorreu. Ante o exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso. Liduína Maria Alves Macambira Fl. 721DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 3 1/10/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA
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Numero do processo: 15504.013056/2009-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2006
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA
Somente nos casos em que ficar demonstrado nos autos que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, deve ser mantida a penalidade qualificada de 150%.
Na hipótese, a Fiscalização não demonstrou o intuito doloso da contribuinte, requisito essencial para a caracterização da sonegação fiscal.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. SÚMULA CARF N° 2.
Nos termos da Súmula nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2101-001.407
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento em parte ao recurso voluntário para reduzir para o percentual de 75% a multa de ofício incidente sobre o Imposto sobre a Renda apurado com base em depósitos bancários de origem não comprovada.
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA Somente nos casos em que ficar demonstrado nos autos que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, deve ser mantida a penalidade qualificada de 150%. Na hipótese, a Fiscalização não demonstrou o intuito doloso da contribuinte, requisito essencial para a caracterização da sonegação fiscal. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. SÚMULA CARF N° 2. Nos termos da Súmula nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário para reduzir para o percentual de 75% a multa de ofício incidente sobre o Imposto sobre a Renda apurado com base em depósitos bancários de origem não comprovada. (assinado digitalmente) _______________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) __________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Gonçalo Bonet Allage,Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (relatora). Relatório Em desfavor da contribuinte MARIA GORETI DE SOUZA MARRA foi emitido o Auto de Infração às fls. 3 a 7, no qual foi apurado o imposto sobre a renda de pessoa física (IRPF) correspondente ao anocalendário de 2005 (exercício 2006), no valor total de R$ 62.879,74 (sessenta e dois mil, oitocentos e setenta e nove reais e setenta e quatro centavos), acrescido de multa de lançamento de oficio e de juros de mora, calculados até 30/06/2009, perfazendo um crédito tributário total de R$ 180.697,50 (cento e oitenta mil, seiscentos e noventa e sete reais e cinquenta centavos). A Fiscalização de que trata o presente processo teve origem na aplicação do disposto no artigo 42, § 6.°, da Lei n.° 9.430, de 1996, que assim dispõe, verbis: Art. 42 [...] § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002). No caso, a contribuinte é segunda titular das contas bancárias em nome de João Divino Marra, seu cônjuge. Tendo em vista serem ela e seu cônjuge os dois únicos titulares das contas bancárias em análise, a ela foi imputada metade do valor apurado a título de omissão de rendimentos. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 15504.013056/200977 Acórdão n.º 210101.407 S2C1T1 Fl. 147 3 As infrações apontadas encontramse relatadas na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal às fls. 4. A Fiscalização alega ter havido omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, nos seguintes valores: Mês Valor (R$) Janeiro 11.836,29 Fevereiro 9.682,09 Março 23.000,65 Abril 11.979,09 Maio 17.132,70 Junho 31.311,08 Julho 36.135,89 Agosto 12.023,39 Setembro 35.249,98 Outubro 20.551,77 Novembro 16.800,21 Dezembro 21.596,65 Total 247.299,79 Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou Impugnação, em 17 de agosto de 2009 (fls. 110 a 118). As razões da Impugnação foram assim sintetizadas pelo órgão julgador de primeira instância: “ embora suas contas bancárias sejam em conjunto com o cônjuge, a movimentação é feita exclusivamente por João Divino Marra. em setembro de 2004, o cônjuge vendeu sua participação no capital social da empresa Manchester Ferro e Aço Ltda, CNPJ 25.878.901/000101, pelo valor de R$1.000.000,00, recebidos em 5 parcelas de R$200.000,00, em 13/09/2004, 14/10/2004, 18/11/2004, 29/12/2004 e 14/01/2005; a movimentação financeira ocorreu em período posterior à venda da participação no capital social, que foi devidamente informada na declaração de ajuste anual. A fiscalização considerou somente os créditos na conta de seu marido, em que figura como segunda titular, desconsiderando os débitos. Há saídas de valores para aplicações que retornam configurando duplicidade de exação. A fiscalização ignora que várias aplicações que tinham saldo positivo em 31/12/2004 estavam zeradas em 31/12/2005 e que João Divino Marra declarou a venda de sua participação no capital social da pessoa jurídica. Todos os valores envolvidos nessas operações tiveram como destino a conta bancária de seu marido; a impugnante em nenhum momento deixou de atender os reiterados pedidos da fiscalização. O auto de infração não passa de meras conjecturas feitas por meio de simulações de saídas e Fl. 151DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 retorno de operações financeiras da conta corrente de seu marido para aplicação de Fundo de Aposentadoria Programada Individual — FAPI, cujos rendimentos inclusive podem ser abatidos quando o ônus for suportado pela pessoa física, nos termos do art. 82 do Decreto ri° 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999, com redação dada pelas Leis n.os 9.477, de 1997, e 9.532, de 1997; os valores auferidos a partir de 2004, bem como no início de 2005, devidamente declarados, são superiores aos discriminados no demonstrativo anexo ao Termo de Verificação Fiscal que serviu de base para o lançamento. A mais, não há impedimento legal para a manutenção de dinheiro em espécie; no arbitramento, em procedimento de oficio, efetuado com base em depósitos bancários, é imprescindível que seja comprovada a utilização dos valores depositados como renda consumida, evidenciando sinais exteriores de riqueza, visto que, por si sós, depósitos bancários não constituem fato gerador do imposto de renda, pois não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos; o extinto Tribunal Federal de Recursos editou a Súmula n.° 182, que dispõe: ‘É ilegítimo o lançamento do Imposto de Renda arbitrado com base em extratos ou depósitos bancários’; há inadequação na presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, uma vez que entre os depósitos bancários e a omissão de rendimentos não há uma correlação lógica direta e segura. Nem sempre o volume dos depósitos bancários injustificados leva ao rendimento omitido correlato; a movimentação bancária não corporifica fato gerador do Imposto de Renda. Em uma linguagem econômica, depósito bancário é estoque e não fluxo, e não sendo fluxo não tipifica renda. Juridicamente, só o fluxo tem a conotação de acréscimo patrimonial; depósitos bancários não podem sustentar uma presunção legal, pois, além da ausência da correlação natural exigida na instituição desse artifício legal, tal providência implicaria na transferência integral do encargo probatório para o contribuinte. Não obstante, a declaração de ajuste anual, por si só, é elemento suficientemente idôneo para derrubar o auto de infração. No caso, devem ser consideradas as declarações da contribuinte e de seu cônjuge relativas aos anoscalendário 2004 e 2005. Ao longo da peça impugnatória, cita doutrina e jurisprudência administrativa e judicial que entende virem ao encontro de seus argumentos e, por fim, requer, seja julgado improcedente o lançamento, uma vez que as apontadas movimentações financeiras decorrem dos rendimentos auferidos no ano anterior devidamente declarados e tributados.” Ao examinar o pleito, a 5.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte decidiu pela improcedência da Impugnação, por meio do Acórdão n.º 0224.601, de 20 de novembro de 2009, assim ementado: Fl. 152DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 15504.013056/200977 Acórdão n.º 210101.407 S2C1T1 Fl. 148 5 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não se conformando, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 4 de janeiro de 2010 (fls. 131 a 142), no qual alega, em síntese, que: 1) A norma contida no § 2° do artigo 33 do Decreto n° 70.235 de 1972, que exige o arrolamento equivalente a 30% da exigência fiscal não pode impedir o seguimento do recurso, na medida em que evidente obstrução aos canais possibilitados pela Constituição para recorrer administrativamente, pelo que requer seja dado seguimento ao recurso ora interposto sem a necessidade de atender ao disposto no referido dispositivo. 2) A presunção da Lei n° 9.439, de 1996, que cria o "sonegador presumido", admite prova em contrário, e a Recorrente juntou cópias de suas DIRPF. O contribuinte não é obrigado a gastar no mesmo ano tudo o que ganhou. 3) Apenas na ausência de comprovação da origem dos recursos depositados em instituição financeira é que incide a presunção de omissão de rendimentos. Conforme amplamente demonstrado, toda a movimentação de seu esposo teve como origem a venda de sua participação no capital social que tinha na empresa Manchester Ferro e Aço Ltda., CNPJ 25.878.901/000101, pelo valor de R$ 1.000.000,00, conforme consta de sua DIRPF. 4) Perfeitamente cabível a aplicação da Súmula n° 182 do antigo TFR Tribunal Federal de Recursos, e sua DIRPF constitui prova. 5) A 5.ª Turma da DRJ/BHE entendeu que as decisões citadas e reiteradas, principalmente as do antigo TRF, não podem se aplicar ao caso em questão. Essas decisões corroboram a interpretação in bonam partem do direito tributário, que manda aplicar o princípio do in dubio pro reo sempre que houver dúvida sobre a aplicação dos quatro incisos do artigo 112 do Código Tributário Nacional que, por seu turno vem temperar o disposto no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. 6) Tratandose de procedimento fiscal com base em mera presunção, pode haver a hipótese de sonegação, como também a hipótese de abuso de direito do fisco. Sendo assim, havendo dúvida, esta deve socorrer sempre o contribuinte. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 6 7) Têm origem comprovada os recursos informados pelo seu esposo nas declarações de ajuste anual, no anobase de 2005 e seguintes; são recursos provenientes da venda de quotas de Capital Social da sociedade empresária Manchester Ferro e Aço Ltda., pelo valor total de R$ 1.000.000,00, importância essa recebida em parcelas de R$ 200.000,00 em 13.09.2004, 14.10.2004, 18.11.2004, 29.12.2004 e 14.01.2005, que por corolário lógico não podem compor a base de cálculo de lançamento lavrado com fundamento no artigo 42 da Lei n° 9.430/96; além disso o AI não considerou os incisos I e II § 3° do artigo 42, que determinam que não sejam considerados os valores decorrentes de transferências do próprio contribuinte assim como valores até R$ 12.000,00. 8) O FAPI — Fundo de Aposentadoria Programada Individual, instituído pela Lei n° 9.477, de 1997; consiste no acúmulo de capital investido, sendo os rendimentos recebidos pela pessoa física tributados na fonte mês a mês. Portanto, não há que se falar em omissão de rendimentos, na medida em que o capital investido consta da DIRPF da Recorrente e referente à realização de suas cotas de capital social. 9) Aplicase igual raciocínio aos depósitos encontrados em sua conta corrente, também referentes à realização de suas cotas de capital social assim como de meras transferências pela Recorrente entre aplicação tributada na fonte e conta banco. 10) A presunção nunca poderá ser resultado da iniciativa criativa e original do aplicador, pois ela deve sempre estar apoiada na repetida e comprovada correlação natural entre os dois fatos considerados, o conhecido e o desconhecido. Só a certeza da correlação natural entre esses fatos autoriza a inserção da correção lógica entre tais fatos, mediante a via legislativa. 11) Entre a presunção e as informações prestadas pela Recorrente através de sua Declaração do Imposto de Renda deve haver uma correlação segura e direta, não podendo haver dúvidas sobre a materialização dessa correlação, sob pena de esse artifício legal resultar indevido por absoluta inadequação do conceito jurídico escolhido para sua concreção, do qual se desconhece por absoluto o método adotado. 12) A movimentação bancária não corporifica fato gerador do Imposto de Renda. Para usar uma linguagem econômica, depósito bancário é estoque e não fluxo, e não sendo fluxo não tipifica renda. Juridicamente, só o fluxo tem a conotação de acréscimo patrimonial. 13) A presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei 9.430, de 1996, colide com as diretrizes do processo de criação das presunções legais. Depósitos não podem sustentar uma presunção legal, posto que, além da ausência de correlação natural exigida na instituição desse artifício legal, tal providência implicaria na transferência integral do encargo probatório para o contribuinte, mas, por si só a Declaração de Imposto de Renda do Impugnante é elemento suficientemente idôneo para derrubar o presente Auto de Infração. 14) Seria inevitável que a Fazenda pública desconsiderasse as meras transferências do esposo da Recorrente .e, principalmente a Declaração de Imposto de Renda do Impugnante no anobase de 2005 e seguintes, que tratam da venda de quotas de Capital Social da sociedade empresária Manchester Ferro e Aço Ltda., pelo valor total de R$ 1.000.000,00, importância essa recebida em parcelas de R$ 200.000,00, em 13.09.2004, 14.10.2004, 18.11.2004, 29.12.2004 e 14.01.2005. No entanto a Fazenda Pública foi omissa, sendo ainda indispensável a exclusão das multas confiscatórias e inconstitucionais. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 15504.013056/200977 Acórdão n.º 210101.407 S2C1T1 Fl. 149 7 Propugna pela reforma da decisão recorrida para efeitos de cancelar e tornar insubsistente o Auto de Infração, assim como pela reforma do acórdão n° 0223.444 da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte. É o relatório. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. Em primeiro lugar, a Recorrente insurgese contra uma suposta exigência de arrolamento equivalente a 30% da exigência fiscal, em atendimento ao disposto no § 2° do artigo 33 do Decreto n° 70.235 de 1972. Essa inconformidade não tem qualquer pertinência, haja vista que não consta dos autos qualquer exigência nesse sentido. No tocante ao lançamento objeto deste processo, decorrente de omissão de rendimentos em virtude de existência de depósitos bancários de origem não comprovada, a Recorrente faz inúmeras alegações, sobre as quais discorreremos a seguir. Na vigência da Lei n° 8.021, de 1990, para presumir que depósitos bancários de origem não comprovada eram rendimentos omitidos, o Fisco era obrigado a comprovar o consumo da renda por eles representada, que tivesse ocasionado sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados. Assim prescrevia o então vigente artigo 6° da Lei n° 8.021, de 1990: Art. 6° O lançamento de ofício, além dos casos já especificados em lei, farseá arbitrandose os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. § 1° Considerase sinal exterior de riqueza a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. § 2° Constitui renda disponível a receita auferida pelo contribuinte, diminuída dos abatimentos e deduções admitidos pela legislação do Imposto de Renda em vigor e do Imposto de Renda pago pelo contribuinte. § 3° Ocorrendo a hipótese prevista neste artigo, o contribuinte será notificado para o devido procedimento fiscal de arbitramento. § 4° No arbitramento tomarseão como base os preços de mercado vigentes à época da ocorrência dos fatos ou eventos, podendo, para tanto, ser adotados índices ou indicadores econômicos oficiais ou publicações técnicas especializadas. § 5° O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos Fl. 155DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 8 recursos utilizados nessas operações. (Revogado pela lei nº 9.430, de 1996) (g.n) § 6° Qualquer que seja a modalidade escolhida para o arbitramento, será sempre levada a efeito aquela que mais favorecer o contribuinte. Esse cenário foi alterado com o advento da Lei n.º 9.430, de 1996, cujo artigo 88, XVIII, expressamente revogou os ditames do artigo 6.º, § 5.º da Lei n.º 8.021, de 1990, e, em seu artigo 42 assim determinou, verbis: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. [...] A partir da vigência do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, o Fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do artigo 6º da Lei nº 8.021, de 1990. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. Atualmente, os valores mantidos em conta de depósito sem comprovação de sua origem são rendimentos presumidos. Tratase de presunção juris tantum, passível de prova em contrário por parte do contribuinte. Caso o contribuinte, regularmente intimado, não comprove a origem dos valores mantidos em conta de depósito ou investimento, presumese que tais valores não foram oferecidos à tributação. É o que ocorre neste processo: a contribuinte, regularmente intimada, teve a oportunidade de comprovar a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias, mas não o fez, limitandose a alegar que a movimentação bancária correspondente ao ano calendário de 2005 teria resultado de uma alienação das quotas de uma sociedade da qual seu cônjuge fora titular. Não logrou desconstituir, por meio de provas, a presunção legal. A partir da vigência do artigo 42 da Lei n.º 9.430, de 1996, acima transcrito, o depósito bancário com origem não comprovada é, por presunção legal, rendimento omitido, com incidência da tabela progressiva do imposto sobre a renda. Não há mais que se falar em sinais exteriores de riqueza ou prova do consumo da renda como requisito para tributar depósitos bancários com origem não comprovada, eis que expressamente revogado o § 5.º do artigo 6.º da Lei n.º 8.021, de 1990. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 15504.013056/200977 Acórdão n.º 210101.407 S2C1T1 Fl. 150 9 Esse entendimento encontrase pacificado no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tal como expresso na Súmula CARF n.º 26: “A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.” A Súmula n.º 182 do extinto TFR, que a Recorrente cita e transcreve, em sua defesa, é ainda anterior à Lei n° 8.021, de 1990. A interpretação, na época, era de que os depósitos bancários não caracterizavam rendimentos, e, por isso, não ensejavam a incidência do imposto sobre a renda. Como explicitado, não se trata mais de se aplicar essa interpretação ante as alterações legislativas mais recentes. As alegações da Recorrente estão, como exposto, superadas. Tanto a Súmula n.° 182 do extinto TRF quanto as decisões do então Conselho de Contribuintes cujas ementas foram por ela transcritas não mais se aplicam, em decorrências das alterações implementadas por meio da Lei n.° 9.430, de 1996. Na hipótese, a contribuinte, intimada a justificar a origem dos recursos financeiros depositados em suas contas bancárias, alegou que toda a movimentação financeira de seu cônjuge teve como origem a venda de sua participação no capital social que tinha na empresa Manchester Ferro e Aço Ltda, pelo valor de R$ 1.000.000,00, em 5 quotas de R$ 200.000,00, tendo as quatro primeiras quotas sido recebidas no ano calendário 2004 e a última em janeiro de 2005. Não foi localizado, contudo, qualquer depósito bancário, no valor apontado, no mês de janeiro de 2005, ano calendário sobre o qual recai a fiscalização que deu origem ao Auto de Infração de que trata o presente processo (as quatro primeiras parcelas, que a contribuinte sustenta ter recebido em 2004, estão fora do escopo da fiscalização realizada). Por outro lado, a Recorrente não apresentou qualquer documento que justificasse a origem dos recursos apontados pela Fiscalização, depositados em suas contas bancárias. Sendo assim, correta a decisão de primeira instância, que manteve o lançamento. A Recorrente sustenta que o FAPI — Fundo de Aposentadoria Programada Individual, consiste no acúmulo de capital investido, sendo os rendimentos recebidos pela pessoa física tributados na fonte mês a mês, razão pela qual não há que se falar em omissão de rendimentos, na medida em que o capital investido consta da DIRPF da Recorrente e referente à realização de suas cotas de capital social. Por meio dessa afirmação, é possível que a Recorrente esteja tentando justificar a origem de algum ou alguns dos valores constantes das contas bancárias objeto da fiscalização que deu origem ao Auto de Infração constante deste processo. No entanto, a alegação, confusa, vaga e imprecisa, além de tudo é desprovida de qualquer elemento de prova. Por esse motivo, não pode ser apreciada. A contribuinte aplica o mesmo raciocínio acima aos depósitos encontrados em sua contacorrente, alegando serem estes referentes à realização de suas cotas de capital social assim como de meras transferências pela Recorrente entre aplicação tributada na fonte e conta banco. Igualmente confusa e imprecisa, além de desprovida de provas, consubstanciadas em documentação hábil e idônea, apta a demonstrar cabalmente a veracidade dos fatos alegados, a alegação não se sustenta. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 10 Por fim, a recorrente entende indispensável a exclusão das multas confiscatórias e inconstitucionais. A multa lançada no presente processo está prevista no artigo 44 da Lei n.° 9.430, de 1996, o qual assim prevê: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] Os casos previstos nos artigos 71 a 73 da Lei n.º 4.502, de 1964 são os seguintes: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Para a correta aplicação da multa de ofício qualificada no percentual de 150%, conforme previsto no § 1.º do artigo 44 da Lei n.º 9.430, de 1996, é preciso que haja descrição e comprovação razoável da ação ou omissão dolosa do contribuinte, na qual fique evidente o intuito de sonegação, fraude ou conluio, na forma dos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, acima transcritos. No presente processo, entendo que não houve, por parte da Fiscalização, a adequada descrição e comprovação razoável de qualquer ação ou omissão dolosa do contribuinte, evidenciando o intuito de sonegação, fraude ou conluio. Vejamos os fundamentos da multa qualificada de 150% constantes do Termo de Verificação Fiscal (fls. 11 e 12): Fl. 158DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 15504.013056/200977 Acórdão n.º 210101.407 S2C1T1 Fl. 151 11 “2.4 Como conseqüência da não comprovação da origem dos depósitos bancários incorreu na infração fiscal de omissão de rendimentos, bem como incorreu no ato ilícito de sonegação fiscal consoante preceito legal: [...] 2.5 Tendo a contribuinte incidido em crime previsto no art. 71° da Lei n° 4.502/1964, ao lançamento de ofício foi aplicada a multa qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento), conforme disposto no art. 44° da Lei n° 9.430/1996, com nova redação dada pelo art. 14° da Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007: [...].” A fraude não se presume, comprovase. No presente processo, não ficou adequadamente demonstrado, pela Fiscalização, o intuito doloso da contribuinte, requisito imprescindível para a caracterização do crime de sonegação fiscal, previsto no artigo 71 da Lei n.° 4.502, de 1964, acima transcrito. Não houve qualquer justificativa plausível, por parte da Fiscalização, para a qualificação da multa, a não ser o fato de ter havido a omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada. A omissão de rendimentos, por si só, não pressupõe o dolo, a teor da Súmula CARF n.º 14, a seguir transcrita: “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. “ O intuito de fraude precisa ser demonstrado por aquele que acusa, o que, na hipótese, não foi feito. Não vejo razão, portanto, para a qualificação da multa. A omissão de rendimentos deve, a meu ver, ser penalizada com multa de 75%. A contribuinte insurgese ainda contra o percentual da multa aplicada, entendendo que, na hipótese, impõese a exclusão de referida penalidade, por ser confiscatória e inconstitucional. O princípio constitucional da vedação ao confisco deve ser observado pelo legislador de modo a evitar que a tributação seja confiscatória, o que violaria os princípios da capacidade contributiva e da propriedade privada. Ocorre que a atividade administrativa é plenamente vinculada à lei, não cabendo à autoridade fiscal analisar a constitucionalidade da lei tributária, afastando a sua aplicação quando entender adequado. Os órgãos administrativos de julgamento também não se revelam como sede apropriada para discutir e deliberar sobre os temas relativos à capacidade contributiva e confisco, haja vista que, como dito, a fixação do percentual das penalidades aplicáveis é atribuição do legislador. Sendo assim, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, tal como prevê a Súmula CARF nº 2, a seguir transcrita: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Fl. 159DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 12 Por fim, ao longo da peça recursal, a contribuinte cita e transcreve trechos de doutrina e jurisprudência administrativa e judicial que entende virem ao encontro de seus argumentos. Sobre este tema, salientamos que as decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não estão vinculadas a uma determinada linha doutrinária ou a decisões judiciais válidas somente entre as partes integrantes do processo judicial. O livre convencimento do julgador permite que a decisão proferida, baseada na lei, tenha por supedâneo o argumento que entender razoável ou cabível ao caso concreto, desde que devidamente fundamentada, explicitadas as razões de fato e de direito que o levaram a tal convicção. Conclusão Ante todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para o fim de reduzir, de 150% para 75%, o percentual da multa de ofício incidente sobre o Imposto de Renda apurado sobre os depósitos bancários de origem não comprovada. (assinado digitalmente) ________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 160DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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