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Numero do processo: 10768.042053/89-58
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 1996
Numero da decisão: 108-00.084
Decisão: RESOLVEM os Membros da 8ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relatora
Nome do relator: Maria do Carmo S.R. de Carvalho
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RECURSON. MATÉRIA RECORRENTE RECORRIDA SESSÃO DE MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES : 10768.042053/89-58 : 108.434 : IRPJ - EXCS. 1986 a 1988 : CASAS SENDAS COMÉRCIO E INDÚSTRIA SIA. : DRF EM NOVA IGUAÇU - RJ : 09 DE JULHO DE 1996 R E S O L U ç Ã O N o 108-00.084 Vistos, relatadose.discutidos os presentes autos de recurso interposto por RESOLVEM os Membros da 83 Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relatora. •• MARIA DO C FORMALIZADO EM: 1 4 SIDENTE Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: JOSÉ ANTONIO MINATEL, PAULO IRVIN DE CARVALHO VIANNA, OSCAR LAFAIETE DE ALBUQUERQUE LIMA, RENATA GONÇALVES PANTOJA, MÁRIo JUNQUEIRA FRANCO JúNIOR e LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA. 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. RESOLUÇÃO N. RECURSON. RECORRENTE : 10768.042053/89-58 : 108-00.084 : 108.434 : CASAS SENDAS COMÉRCIO E INDÚSTRIA SIA.. RELATÓRIO • • • Recorre a este Egrégio Conselho de Contribuintes Casas Sendas Comércio e Indústria SIA, da decisão proferida pelo Sr. Delegado da Receita Federal em Nova Iguaçu - RS, acostada às fls. 262/263, que julgou procedente a peça básica de fls. 02, que teve como fundamento a glosa dos custos incorridos em duplicidade, relativos às importações efetuadas pela recorrente . O auto de infração contém a seguinte descrição dos fatos: "No curso da ação fiscal levada a efeito no estabelecimento da empresa anteriormente identificada, verificamos que nas importações processadas por meio de via terrestre, nos anos de 1986 e 1987, o contribuinte incorreu em duplicidade de pagamento do frete cursado no país exportador, uma vez que os recibos fornecidos pelas Transportadoras incluem também essa parcela, que na realidade já está incluída no Preço FOB pago ao exportador, conforme o definido no Acordo INCOTERMS da Câmara de Comércio Internacional e o art. 20, inciso 11 do Código Tributário Nacional ...". Acostados aos autos existe a relação das DI'S, com as respectivas cópias. Impugnando o feito a contribuinte apresenta um vasto arrazoado tecendo comentários sobre preço FOB, informando que o preço FOB específico para o transporte rodoviário é FOT (Free on Truck -que significa livre sobre caminhão), alega que ao analisar os acordos INCOTERMS a fiscalização confundiu o significado do termo FOB com o termo DAF, para concluir que nem os INCOTERMSe nem o citado dispositivo do CTN obrigam a definição pretendida pela autoridade fiscalizadora para dar respaldo ao auto de infração lavrado. Continua a impQgnaçãocitandoque o Fisco lavrouo auto de infraçãobaseadoem rn"'"JresupO- 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES .,-' , ' • '. PROCESSO W. : 10768.042053/89-58 RESOLUÇÃO W. : 108-00.084 lhe demonstrar, de forma inequívoca, a ocorrência do fato ou fatos apontados como transgressores da norma legal. Destaca que o documento que comprova o preço das mercadorias importadas é a fatura comercial e que, no presente caso, os valores das mercadorias constantes das faturas foram devidamente aprovados pela CACEX. São coincidem com os valores consignados nas GI' s e que, se eventuais divergências ocorreram com os valores apresentados nos Conhecimentos de Transportes Terrestres Internacional, estes ocorreram tão somente com o fulcro de agilizar o desembaraço aduaneiro. Este documento, "cujo caráter é meramente subjetivo", não teria o condão de provar a alegada existência de duplicidade de pagamento de fretes. Por fim, apensa os documentos de fls. 72/214 e solicita a análise dos mesmos, asseverando ,que se tratam de documentos que representam o modus faciendi da empresa na totalidade das operações de importação levantadas pelo Fisco e que se forem considerados insuficientes para o convencimento da autoridade julgadora, propõe a realização de diligência para que não paire qualquer dúvida sobre a veracidade das alegações impugnativas. Requer o conhecimento das razões impugnativas e, por ser de justiça, a anulação da peça básica. A fiscalização analisa os argumentos e propõe a manutenção do auto de infração. A decisão "a quo" acata o parecer de fls. 257 /261 e considera procedente a ação fiscal. O recurso interposto voluntariamente persevera com as razões impugnativas. É o Relatório. 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • • '. PROCESSO N°. : 10768.042053/89-58 RESOLUÇÃO N°. : 108-00.084 VOTO CONSELHEIRA MARIA DO CARMO S.R. DE CARVALHO - RELATORA Recurso tempestivo, assente em lei. Dele conheço. Infere-se, do relato, tratar-se da glosa de custos incorridos em duplicidade quando do pagamento dos fretes referentes às mercadorias importadas, conforme descrição dos fatos contida na folha de continuação do auto de infração . Não constam dos autos documentos que comprovam a escrituração deste feito, muito menos dos custos totais incorridos. Não há cópia do livro diário, nem razão, nem os documentos comprovando o efetivo pagamento destes fretes. Existe uma menção sobre os fretes incorridos no documento acostado aos autos às fls. 09, que sequer está assinado. Assim sendo, voto no sentido de converter a decisão do recurso em diligência, para que se determine com exatidão os fretes incorridos do ponto de partida ao ponto de chegada, os fretes incorridos no país de origem até a fronteira e os fretes incorridos da fronteira até o desembarque das mercadorias. Que sejam verificados os efetivos pagamentos dos fretes incorridos, nos moldes acima e que seja elaborado parecer conclusivo quanto ao corretp "çusto glosado, dando ciência ao contribuinte. 4 00000001 00000002 00000003 00000004
score : 1.0
Numero do processo: 15940.000066/2006-51
Data da sessão: Wed Jul 28 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
Ementa:
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - RECURSO VOLUNTÁRIO - PRAZO INTEMPESTIVIDADE
Não se toma conhecimento do recurso interposto após o prazo de trinta dias ocorridos entre a data da intimação da decisão de primeira instância e da apresentação do recurso voluntário (Decreto n° 70,235, de 1972, art. 33). Os prazos fixados no Código Tributário Nacional ou na legislação serão contínuos, excluindo-se na sua contagem o dia de início e incluindo-se o de
vencimento (CTN, art 210).
Recurso Não Conhecido.
Numero da decisão: 2101-000.598
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO
CONECER do recurso, em razão da intempestividade, nos termos do voto da Relatora, Declarou-se impedido de votar o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka.
Matéria: ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
Nome do relator: Ana Neyle Olimpio Holanda
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ementa_s : Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2002 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - RECURSO VOLUNTÁRIO - PRAZO INTEMPESTIVIDADE Não se toma conhecimento do recurso interposto após o prazo de trinta dias ocorridos entre a data da intimação da decisão de primeira instância e da apresentação do recurso voluntário (Decreto n° 70,235, de 1972, art. 33). Os prazos fixados no Código Tributário Nacional ou na legislação serão contínuos, excluindo-se na sua contagem o dia de início e incluindo-se o de vencimento (CTN, art 210). Recurso Não Conhecido.
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Os prazos fixados no Código Tributário Nacional ou na legislação serão contínuos, excluindo-se na sua contagem o dia de início e incluindo-se o de vencimento (CTN, art 210), Recurso Não Conhecido, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONECER do recurso, em razão da intempestividade, nos termos do voto da Relatora, Declarou-se impedido de votar o Conselheiro Alexandre ,Naoll Nishioka„ • EDITADO EM: 24 SE I 20 10 2. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido, Ana Neyle Olímpio Holanda, Alexandre Naoki Nishioka, José Raimundo Tosta Santos, Odmir Fernandes e Gonçalo Bonet Allage, Relatório Trata o presente processo de auto e infração que diz respeito a imposto sobre a propriedade territorial rural (1TR), referente ao imóvel rural Fazenda Ingazeiro — Quinhão 8, localizado no município de Ribeirão dos índios (SP), por meio do qual se exige do sujeito passivo acima identificado o montante de R$ 195.668,03, a título de imposto, acrescido da multa de oficio equivalente a 112,50% do valor do tributo apurado, além de juros de mora, em face da glosa de valores apresentados na declaração do tributo, no exercício 2002, com supedâneo nos artigos 1 0, 70, 90, 10, 11, e 14 da Lei n° 9.393, de 19/11/1996, nos seguintes moldes: i) Área de Preservação Permanente: de 1.640,00 ha para 0,00 ha; ii) Área de Utilização Limitada: de 498,00 ha para 0,00 ha; iii) Valor da Terra Nua (VTN): de R$ 3.047,58 para R$ 1275.326,00, Em contraposição ao lançamento, foi apresentada a impugnação de fls. 20 a 21. 3. Submetida a lide a julgamento, os membros da 1" Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS) acordaram por dar o lançamento como procedente, resumindo o seu entendimento nos termos da ementa a seguir transcrita: ASSUNTO, IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL — 1TR Exercício: 2002 SUPENSÃO OU EXTINÇÃO DO LANÇAMENTO DE OFICIO DO 1TR Estando presentes todos os pressupostos legais para o lançamento de ofício do 1TR, nenhuma situação particular quanto a divergência de áreas ou regularização do imóvel junto ao INCRA pode autorizar a suspensão ou extinção do lançamento, por falta de previsão legal. Lançamento Procedente. 4. Intimado aos 02/10/2008, conforme Aviso de Recepção (AR) de fl. 61, o sujeito passivo apresenta sua irresignação, aos 05/11/2008, por meio de recurso voluntário (fls. 63 a 72). 5, defesal No apelo interposto, o autuado expõe, em síntese, os seguintes argumentos de 2 Processo ri0 15940 000066/2006-51 S2-C1T1 Acórdão r).° 2101-00,598 El 97 I — o imóvel rural que dá azo à exigência tributária foi transferido à esfera patrimonial da recorrente por meio de dação em pagamento efetuada por um devedor da instituição financeira, devidamente averbada na matrícula do imóvel; II — após referida transação, a instituição financeira detectou claros contornos fraudulentos, que maculam a materialidade da exação em exame, vez que a empresa que o cedeu nunca foi a única suposta proprietária do imóvel, tendo em vista sobreposição de matriculas que sobre ele recaem; III — tal situação é costumeira na região em que se situa o imóvel, vez que, criminosos, em conluio com o notário, conseguem falsificar e averbar títulos de propriedade que já pertencem a terceiros, de boa-fé ou não, criando assim a sobreposição de matriculas; IV — assim, corno a materialidade do 1TR é a propriedade do imóvel rural, sendo que, na hipótese, não a havendo, inadmitido falar no dito tributo, tampouco na obrigatoriedade do seu recolhimento, vez que a propriedade limitada detida pela recorrente não se encaixa na hipótese dos artigos 29 e 31 do Código Tributário nacional; V — a situação jurídica irregular é indicativa de que a matricula do imóvel é insustentável, e, se assim reconhecido, não representará urna aquisição válida pela recorrente; VI — por outro lado, há uma realidade diferente daquela consignada nos documentos imobiliários, vez que, laudos contratados pela recorrente apontam disparidades relativas aos pontos e marcas que o imóvel faz com as fazendas confrontantes, pelo que não se permite delimitá-la com exatidão sem que haja violação do direito de vizinhança, com a usurpação de área dos vizinhos e vice-versa; 6. Ao final, defende que se acatem os termos da defesa para considerar o lançamento improcedente. 7. De fl. 93, Termo de Perempção do recurso voluntário, lavrado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Presidente Prudente (SP), aos 20/11/2008; 8, Vieram os autos a julgamento nesse colegiada, de acordo com as determinações de competência veiculadas pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, em seu artigo 3 0, III. É o Relatório, Voto Conselheira Ana Neyle Olímpio Holanda, Relatora Preliminarmente, essencial que seja averiguada a tempestividade do apelo. Isto porque, o sujeito passivo foi intimado do inteiro teor do acórdão de primeira instância aos 02/10/2008, conforme Aviso de Recepção (AR) de fl. 61, e apresentou sua irresignação aos 05/11/2008, (fls. 63 a 72). 3 O prazo para interposição do recurso voluntário está determinado no artigo 33 do Decreto n° 70,235, de 1972, litteris: Art. 33, Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão, As normas para contagem dos prazos fixados na legislação tributária estão inscritas no artigo 210, do Código Tributário Nacional, e seu parágrafo único que em seu parágrafo único, que determinam: Art. 210. Os prazos fixados nesta Lei fixados ou na legislação tributária serão contínuos, excluindo-se na sua contagem o dia de início e incluindo-se o do vencimento, Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal na repartição em que corra o processo ou deva ser praticado o ato Tal mandamento deve ser interpretado de acordo com o princípio da Súmula 310 do Supremo Tribunal Federal, e a norma do artigo 184, § 2°, do Código de Processo Civil. Destarte, a contagem do lapso de tempo permitido à autuada para interposição do recurso iniciou-se aos 03 de outubro de 2008, sexta-feira, primeiro dia útil seguinte ao da intimação, que se deu na sexta-feira Corno os prazos somente se iniciam ou vencem em dia de expediente normal na repartição em que corra o processo ou deva ser praticado o ato, o prazo venceu-se aos 03 de novembro de 2008, primeiro dia útil após o trintídio legal, não havendo nos autos qualquer elemento que comprove que este não tenha sido dia de expediente normal na repartição de jurisdição do recorrente. Com efeito, por ter sido o recurso voluntário apresentado somente aos 05 de novembro de 2008 não foi observado o lapso temporal legalmente exigido para sua interposição, Forte no exposto, sendo o recurso intempestivo, voto no sentido de não conhecê-lo. Sala das Sessões, em 28 de julho de 2010 GLTÀ,6=.—. rwyle Olímpio Holanda 4
score : 1.0
Numero do processo: 10840.900749/2008-86
Data da sessão: Thu May 20 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTOS SOBRE A RENDA DE Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/12/2003 a 31112/2003
NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. ARGUMENTO DE DEFESA NÃO APRECIADO CERCEAMENTO AO DIREII0 DE DEFESA NÃO CARACTERIZADO Não Há prejuízo à validade da decisão que deixa de se manifestar sobre item da defesa, se este não Foi exposto de forma a se caracterizar como questão controvertida, e assim exigir a atenção da autoridade julgadora
PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVAS ERRO NA BASE DE CÁLCULO. Os rendimentos de aplicações financeiras não integram a base de cálculo para fins de apuração das estimativas APURAÇÃO DO INDÉBITO COMPENSAÇÃO ADMISSIBILIDADE.
Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas
em conformidade com a lei, O pagamento a maior de estimativa caracteriza
indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa
SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento
indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP,
inclusive com o próprio IREI apurado no ajuste anual, mas sem a dedução
daquele excedente, e considerando, também, os acréscimos moratórios
incorridos desde 1º de fevereiro do ano subseqüente, na forma da lei
Numero da decisão: 1101-000.297
Decisão: Acordam Os membros os do colegiada por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e dai provimento parcial ao feculso para reconhecer o direito eredilório pleiteado e homologar a COTnperisação do debito com os ac éscanos moratórios pertinentes, até o litnite do valor atualizado do cuedito na data da entrega da DC'OiVIP, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado Votou pelas conclusões o conselheiro Carlos 17duardo de Almeida Guerreiro, por se tratar de pagamento indevido e DCON/1P verificados antas de 29/10/2004 S RIBEIRO D1-; Qt 41107 Presidente
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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PAGAMENTO rNDvviDo OU A M.A.10R.. ESTIMATIVAS ERRO NA BASE DE CÁLCULO Os rendimentos de aplicações financeiras rio integram a base de cálculo para fins de apuração das estimativas.. APIJRAÇÃO DO INDÉRITO COMPENSAÇÃO ADMISSIMLIDADK Somente são dedullveis do IRP I apurado no ajuste anual as estimativas pagas em ConfOrmidade com a lei.. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa 5 ELIC, acumulados a partir do iné=a's subseqüente ao do recolhimento indevido, pode sei compensado, mediante apresentação de DCOMP, inclusive com o próprio IRP.1 apurado no ajuste anual, mas sem a dedução daquele excedente, e considerando, também, os acréscimos moratórios incorridos desde 1° de Fevereiro do ano subseqüente, na forma da lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos r(29 1.., , i Acordam Os Juembr os do colegiada por unanitnidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e dai provimento parcial ao feculso para reconhecer o direito eredilório pleiteado e homologar a COTnperisação do debito com os ac éscanos moratórios pertinentes, até o litnite do valor atualizado do cuedito na data da entrega da DC'OiVIP, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado Votou pelas conclusões o conselheiro Carlos 17duardo de Almeida Guerreiro, por se tratar de pagamento indevido e DCON/1P verificados antas de 29/10/2004 S RIBEIRO D1-; Qt 41107 Presidente. --P7UM,6 PMFIRA BESS7-'Relatora EDITADO EM: 01/00/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: [rancisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente da turma), Alexandre Andrade Lima da Fonte Vi lho (Vice- Presidente), (.;atlos -Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Passa e Shelley [[eia ique Dalearnim Ausente o conselheiro José Ricardo da Silva.. Processo n" 10M0.9007/10/2008-56 Si -c1.11 Acórdão " 1101-00.297 H Relatório NARDINI" ACIROINDUSTRIAL LTDA, já qualificada nos autos, tecorre de decisão proferida pela 5" Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeira° Keto/S1), que por unanimidade de votos, INDEFERIU a manifestação cle inconformidade interposta contra o despacho decisório que não homologou a Declaração de Compensação -- DC,GIVIP n° 02015..02778..300304 L3.04-2224, por meio da qual a contribuinte fe,z uso de pagamento indevido ou a maior de IRPJ verificado no período de apuração encerrado em 30/11/2003. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Traia-c de Manifest(7ção de Ínconfirtmiclade interpo.sta lace do Despacho Decisór (o, em que fai apreciada a Declaração de Compensação (PER/IX:0MP) de fR 01/05, por intermédio da qual a contribuinte pretende corilpensai (líbitos aRP..1 --- código de receita :2430) de sua esponsabilidade com cri.Wito decorrente (le pagamento indevido Ou a maior de tributo (1R.P.1 - códif .to de receita. 2362) Por intermédio do despacho decisório de fls. 04/06, não foi reconhecido qualquer direito creditaria a favo:- da contribuinte e, por consef:71i a-homo7ogada a compensação declarada no presente processo, ao _fundamento de TIO o pé 1.f,,,./.7~1110 informado em no origem do crédito ,foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando cr(Wito disponivel para i:::(inipensação dos débitos MIM-mudos no PFR/DCOMP" lareignada, interpó,s a contribuinte manifiwiaci.."-to de ineimlOrmidade fls 08/12, acompanhada dos documentos de lis. 13/56, na qual ateira, em apertada síntese, que O despacho decisório JIJU) homologou a compensação declarada, C131 rar,:ão ii ri declaração (DCLF), originarapre,sentada, relativanwilte ao 40 trimestre de 2003, informai paia o débito de relativo ao meis de novenibto/2003, o antigo valor declarado, constituindo evidente erro material, o que poderia ser sanado pela simples retificação da IN:TF do 4" trimestre de 2003 e pela verificação da Dl:PI/2004 do . final, requer "a désconstituicão totum' do lançamento efetuado pela Autoridade Piscai, considei ando-se c'xiinio o suposto e determinando-se, por conseqüencia, o arquivarnento do pi ores SI) administrativo dele originário e, ainda, se necessário permita a retificação das infOrmações declaradas na DCTP:, para que se possa iespeitai a realidade dos fatos" É. o relatóiio A. Turma Julgadora recorrida afastou tais alegações argui nentando que: e Confirmou que o recolhimento efeluado para o iates de novembro/2003 foi integralmente utilizado para liquidação de débito de mesmo valor informado na DCTF do 4'' trimestre/2003, concluindo que não há correção a sei feita no clospw.lio deciscjiio, tendo em conta a inobserváneta de requisito basir o paro lOtmalazação da compensação ,sob exame, qual seja, a existencia de um indébito tributário junto á l' -awrida Nacional """) 'e Ressaltou Cl no o feconhecimento de direito credltáno exige prova de sua liquidez e certeza mediante coutiontacão com os registros contábeis e fiscais, cumprindo à contribuinte tra,Zer, por ocasião do o'esente contencioso., justi 11.c:caixas lastfeadas em lançamentos contábeis que W•ntiliquern, inequivocamente, a ba.se cP. ::álculo do IRP..1 do me's dc novembro de 2003 A apresentação, tão só, da 0111/2004 não é suficiente para a retificação pretendida, tendo em conta o disposto no art 923 do 1Z1R/99, e tais elementos devem ser trazidos na peça impugnatória, consoante dispõe o art. 16, §§ 4° e 5 ` ' do Decreto n" 70 235/72, com a redação dada pela Lei n 9 5'32/9.7 Clientilicada da . decisão de primeira instância em 17/08/2009 (11 (5), a contribuinte interpOs recurso voluntário, tempestivamente, em 16/09/2009 (fis. 66/76), no qual, inicialmente, argni a nulidade da decisão recorrida, por ter deixado de apreciar o [ato de a 1)11).1/2004 ter sido objeto de liscalização, vinculada ao MAI: 11() 08 10700/2005/00081-2. Entende indiscutível a. existência de indébito de _I RP.1 no mós de novembro/2003, por ter incluído, Illad vem" tidaMerde, na base de cálculo deste o valor dos rendimentos obtidos- com aphcações financeá as, inclitsi7o essa absolutaincnic indevida, a teor dos cc taro 32,j", rionzbinado com as regras dos ar14.),-os 65 a 75, todos da Ler ir 5 98.1195, tais valores de rendimentos não devem integrar a base de (..alculo do imposto de c Cflda mensal calculado com base na receita bruta e acréscimos Afirma que o coto Material cometido na DCTE- do 4' trimestre/2003 tOi corrigido com a apresentação da 1)11'1/2004, e esta, por sua vez, roi examinada c chancelada pela ,S'ecrctoria cio .Receita nederal, através da fiscalização levada a eflito nos anos calendários de 2 001 a 2.004 -procedi mento, obviamente, tratou de CONTRAS7211? a DCJ3112004, 19(.:!rn como a mesti e de 2 00 com os registros contábeis de conta no ativo do IRPJ a recuperar, tendo ainda examinado e conkrido a expressão deste direito em balançose balaneetes, os Livros mos e Razão Assim, se tais elementos ia foram. apresentados á Secretaria da Receita Federal, unprópria se mostra a conclusão expressa no acórdão guerreado, de clue a contribuinte de-Veria, par a provar o iudébiro utilizado, apresentar seus registros contábeis.. Fm seu entendimento, 00 eYalniliat a D117/2004, retificadora das informações lançada.s na DCT/i do 4" trimestre do 2 003, a fiscalização da Receita Federal nenhum óbice foi matou, inclusive no que tango ao crédito apurado, exatamente porque a encontrou em consonánda com as cgrcu e documentos sigma e,spi?cilicados Subsidiariamente aponta a necessidade anulação do acórdão recorrido, para que se promova diligência com vistas a novo exame da documentação ratificadora cio credtto apurado. citando acórdão da 8' Camara do Pi Mien() Conselho de Contribuintes, e repodando- se a doca'11W que trata do dever invest4-,,, atório pela di.sciicionaricdade da auto) idade fisval e do necessatio abi al Ria ui e vi to das normas que tratam da preclusão no ambito do processo administrirfivri, corri vistas a invocar 1 aplicação do principio da verdade material (f-9 E o relatório. 4 Processo n' 10840 900740/2008-86 Si CI 1 1 Acórdào n "1101 400..297 1;1 3 Voto Conselheira 1/DELI PER H ERA BESSA A recorrente argúi a nulidade do acórdão proferido pela 5'i turma de Julgamento da DR„1/Ribeirão Preto, que não teria apreciado sua alegação relativa ao procedimento fiscal desenvolvido em 2005, tendo por objeto, inclusive, a apenação do IRPI no ano-calendário 2003. Observa-se, contudo, que a Unica referência a este assunto, contida na impugnação, está assim expressa: DA IMPROC FM ÊNCL1 Na cia rido dos fatos que originaram a presente intimação, a Auditoria Interna da Receita Meia! do RTusil dispõe ter Constatado irref2idaridades no eijidito vinculado a Declaração de Compensação, qual seja o crédito do pagamento indevida ou a maior do 1.15VU referente ao período de ivuração de 30/11/2003. Analisando a DCIF referente ao período de apuração do crédito supro, verifica-se que a suposta. irregularidade se deu em face da inadvertida i etificação da DUTP, onde ainda constam os antigos valare declarados ia//rente ao periodo de apuração de 30/11/2003, constituindo-se, portanto, em evidente erro material (Anexo I) .. Assim, essa diveri,,,-jncia en50011. a intimação, mas, no entanto, poderia sei facilmentc.' sanada pela simples retificação da /.)CIF do 4') trimestre de 2003 e também pela verificação da DIPJ/2004 (Anexoll) Contudo, ressalte-se ainda, que a Impugnante 'Ora fiscalizada nos anos.- calendários de 2001 a 2004, exercícios 2002 a 2005, coulOrme consta do Temo de Constatação Fiscal ti(-) 01 - LUPE 0810700/2005100084-2, em...errada em 06/07/2005. Destarte, a conclusão que se chega é que, diieremeniente clo apni qdo nq inumação em refer-ène, a impugnante nada deve ao eil.:r1-10 público, devendo 7.)01 uçso mesmo Ver h()M0,10gad() o crédito (1(.! .R$ -16 761,70 (quarenta e seis mil setecentos e sessenta e Hm reais e setenta ccntoV00 pOWItfildli.. (nqrej 011-se) COMO SC VC,', a argumentação da impugnante enfatizou, apenas, o CITO material da DCIF, que deveria ser desprezada em face das irribrmacões prestadas na DIP.i. A fiscalização dos anos-calendário 2001 a 2004 é apenas noticiada, sem qualquer esclarecimento quanto ao seu alcance ou aos seus efeitos, como agora faz a contribuinte em seu recurso voluntário, ao afirmar (jue o referido procedimento riscai ensejem a ievisão cia .DI.P.1/2004 e, e, seu entendimento, a admissibilidade dos valores nela expressos importante observar que a Constituição lederal assegura aos liti „çyintes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral o direito a contraifitório e ampla ckjesa, com os meios e recursos a ela inerentes E neste sentido, o Decreto n" 70.135/72 assim regula a instauração do contencioso no ânibito adrninisirativo: „reArt. 14. :1 impugnação da exigerleia instaura a fase litigiosa do procediniento É ..,.. Art. 15 A imprigna.:; (70, formalizada por escrito e Uldd com os documentos em que Se fundamentar, seiá aprewntacia ao órgão preparador no prazo de .17 Una (fia5. contados da data ern que for 1(,.ita a intimação da exige:areia ParágratO único Na hipótese de devolução do pniZi) para impugnação do agravamento da exigência inicial_ decorrente de decisão de primeira instancia, o prazo para apresentação de nova impugnação, começara a fluir a partir da (..'iência des.sa decisão (..kedacão dada pela Lei. il." 8.748, de 1993) Ari; 16 A impugnação mencionará -a autoridade julgadora a quem é (In ig,ida, TI a qiialificação do impugnantc!, 111 0.s motivos de falo e de direito em que se „filndainenta, os pontos de discordância O as razâes O provas que possuir , (Redação dada pela Lei d 8.748, de 1993) - as diligências, ou par icias que o unpupiante pretenda sejam efetuadas, expostos 0.s motivos que o.s justifiquem, com a foi mu/ação dos quesitos refe"re:iites 1105. exames desejados, asszni como, no caso de perdia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do Ne'Ll pei (Redação dada pela Lei i-)0 8 748, de 199"U V - se a matéria impugnada foi submetida à apreciação fir(ficial, devendo ser juntada cópia da petição (Incluído peta Lei n'' Il. 196, de 2005) .Ç 1" Considerar-se-á não ,firrinulado o pedido da diligência ou perícia que dois til de atender aos f equisitos previstos no inciso TV do orí 16 (Incluído pela Lei IV 8 748, de 1993) 2" É nojoso ao imptignante, ou a seu representante légal, empregar expressões injuriosa.s nos escritos apresentados no [1) 000.550, cabendo ao Julgador, oficio a requerimento do oféndidó mandar riscá-las (Incluído pela Lei a' 8 748, de 1993) Quando o unpugnante alegar direito inurz7czpai. esiadual ou esir (Ingeri o, provar-lhe-á o teor e a vigência. se assim o deter minar o julgador (Incluido pela Lei ri' 8.748, de [993) 4"A prova (1o( umental sara apresentado na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento proces.sual„ cr menos que. (Inctuido pela Lei 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo are [Orça mator,(Ineluído peta Lei n" 9.532, de [997) 1)) refira-s.e filio ou a diráto supervenienie-,(Ineluido pela Lei n" 9.532, de 1997) e) destine-se a conn .(rpor fatos ou Flti."(JCS' iormente trm-ulas cros aut.o.s,(bientido pela Lei n" 9.537, de 1997) r3. " A Juntada de doc ume ritos após a unpr,u,mar,:ão devei á ser requerida à autoridade Julgadora, mediante petição em que se demonstre, COM figulumGvlos, a ocorrência de urna (las condições previstas' 1105 afincas do parai aio untei ior (Incluído pela Lei n" 9.532, de 1997) 6' ('uso ienha sido proferida a decisão, os documenios apresentados p(?rmanecerão nos autos para, se, for inter posto recurso, ser em apreciados pela autoridade julgarlora de segunda in ytância (Incluído pela ei n" 9.532, de 1997) Contudo, relativamente ao ponto ein debate, O impugnação, no -.n.in.bito matei ial, nulo observou tais exigências ., em especial o ar 1.. 16, inciso 111 do Decreto n" 70 235/72, que exige do interessado a fixação, individual e concreta, dos aspeitos impugnados, 1innando questões controvertidas que, aí sim, nieteeem a atenção da autoridade julgadota, sob pena de cerceamento ao direito de defesa Proce:;so n" IN404)O0749/2008-86 s i.(. Acórdão n 1101-00.297 1.-.1 4 A. mera notícia de um procedimento fiscal anterior não constitui, por si só, questão controvertida cuja omissão, na apreciação procedida no acórdão recorrido, possa ensejar a sua nulidade Por tais motivos, rejeita-se a argüição de nulidade da. decisão urcorrida. No mérito, aduz ter recolhido a maior a esti inativa de [RP.I devida em novembro/2003, e embora a DC IV do 40 16mestre/2003 aponte que outro seria o débito, a DIN relativa, ao ano-calendário 2003 teria retificado aquela apuração, sendo posteriormente conferida e admitida em procedimento fiscal desenvolvido em razão do Mandado de Procedimento Fiscal -- MPb que cita. leg-istre-se que a recorrente são traz cópia do reter ido MN', Ou de qualquer outro termo lavrado pela fiscalização em razão de sua execução. Apenas menciona, na impugnação, que dela resultou o To1110 C011stoiação Pi..sea/ e° 0! iliff.)P 0810700/2005100084-2, encerrada em 06/07/2001 F: possível, porém, que a reconcilie esteja se referindo 5 exigência formalizada nos autos do processo administrativo n° 10850 001767/2005-1.1, distribuído a esta Conselheira para julgamento do recurso voluntário n' 156.234 Daqueles autos, extrai-se: • O MPf n° 08 1 07.00-2005-00034-2 teve por objeto a verificação do IPI devido em 1998, 2000, 2001 e 2002, bem como vet/fir.:.(zçrs obrizatórias correspondência entre os valores declarados e os valores apurados pelo sujeito [)04 11.0 um sua escrituração contabil e fiscal, em relação aos tributos e ona ibuições arim.ziis irados pela SRIT, nos últimos cinco anos e no período de ex-ecução deste Procedimento Fiscal • Um paralelo ás análises de pedidos de ressarcimento de [PI relativos aos períodos de 01/01/1998 a 30/09/2002, a autoridade fiscal exigiu a escrituração contábil e fiscal da contribuinte no período de 01/03/2000 a 31/01/2005, inclusive destacando a necessidade de apresentação da transcrição dos balanços ou balanceies de redução/suspensão eventualmente levantados para apuração de estimativas do [R P1 e da • Centrando as análises nas corrias Lavoura em POrmaeão, Lavouras a Arnorti:uu e Safra Fundada, nos períodos de 03/2000 a 0.1/2005, a . autoridade lançadora verificou os lançamentos contábeis e fiscais pertinentes à depreciação acelerada incentivada na conta Lavoura em Formação, apurando infiaçõe,s inclusive no ano-calendário 2003. • Como prova, a autoridade fiscal juntou copia do Livro de Apuração do Lucro Real — 1ALIJR, relativo ao lucro real apurado em 31/12/2003, destacando os ajustes ao lucro liquido e a apuração do IR P1 a pagar, que foi reconstituiria para fins exigência promovida.. • No denominado Termo de Constatação Piscai n'' 07, lavrado em razão da redução indevida cio 1RP."1, a fiscalização cordirmóu que a empresa fiscalizada atendeu intimação de deLv-w d disposição da lisealt.-:/Aiio os livros /iscais e contábeis der enh? ao período de 01/03/2000 a 31/01/2005, mas liniiiou-se a descrever a infração constatada nas contas contábeis analisadas, e antes mencionadas, sem limiar qualquer juízo acerca de outros aspectos da apuração do IR RI do ano-calendário 2003 • O auto cic, infração correspondente foi lavrado em 27/06/2005, e cientificado à contribuinte, juntamente com o To mo de COFISiaWi"i0 l''15("(,11 -11" 0!, em data que, 7 aposta manualmente CM tais documentos, aparenta ser 08/07/2005, e não 06/07/2005, corno indica a recorrente.. Há evidências, portanto, que este seria o procedimento fiscal ao qual se refere a recorrente. Todavia, nele não esta firmada qualquer validação da apuração das estimativas no ano-calendário 2003. De fato, a autoridade lançadora concentrou-se na apreciação das adições é exclusões promovidas na apuração anual do lucro real e, recompondo-o, determinou 11011 0 [R PJ devido no período, (inc confrontado corri o apurado no 1.,ALUR em 31/12/2003, resultou na dit:erença que 'Ui. objeto de lar iÇai nento de o ric io Relevante anotar que no processo administrativo ri" 10850.001767/2005-11 sequer estão juntadas as lichírs da DIVT correspondentes à apuração de estimativas A. evidenciar que a fiscalização apenas questionou o IR P.1 devido na apuração anual, nos autos do processo administrativo referido somente constam as fichas de apuração do lucro real anual e do cãlculo do imposto de renda sobre o lucro real anual Lsta, por sua vez, discrimina que a contribuinte apurou RN 4.435.259,86, somado a adicional de R$ 2 932.839,91, dos quais tóram deduzidos R$ 28 227,20 a título de Programa de. Alimentação ao irabalhador, R$ 10.000,00 por destinação Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente Corno antecipações, Coram intOrinados .R.$ 966.653,01 por retenções nu fonte, .R$ .140 741,44 incidentes sobre ganhos no mercado de renda variável e R$ 3,916.086,41 pagos por estimativa, resultando em imposto de renda a pagar de R$ 2 306.341,71 fa. o LA„1,1JR. de 31/12/2003, embora apresente IRPI, adicional e deduções coincidentes, mostra-se divergente cru relação a parte das antecipações informadas na DI.PJ As retenções na fonte representam K$ 1.1.07.394,45 (possivelmente a sorna das retenções na [orne de R$ 966.653,01 e das incidências sobre ganhos no mercado de renda variável de K$ 140.741,44) mas não há pagamentos de estimativas, e sim Compensação do IRP,..1 de, Períodos Anteriores. , no valor de R.$ 5 317.840,46, restando R$ 904.587,56 de ERP.I a pagar Contudo, como este montante de R$ 5 .317 840,46 consta de demonstrativo apresentado pela recorrente nestes autos (fl. 127) a titulo de recolhimento de estimativas de janeiro a dezembro/2003, é razoável inférir que não se trata de compensação, mas sim dedução, e não de pefíodos anuais untei' iores, mas sim dos períodos mensais que intcgiam a própria apuração anual de 2003 Corno as apurações realizadas pela fiscalização, refletidas em Demonsliatiro de Retificação da Aptuação do Luc:J. o Real -- 4/61 2001 a 2004 limitaram-se a determinar a diferença de lucro real nibatavel, e a intbrmar, já de plano, que o 1RP1 declarado de R$ 4.435 259,86 era inferior ao apurado de R$ 4.75 .1.506,17, claro está que a autoridade lançadora, neste momento, não adentrou, sequer, ao cálculo do adicional, quanto mais às antecipações consideradas nas apurações contidas na D11 .1 e no 1A1.1t R. O mesmo se diga do Demonstrativo de Apuração que acompanha o Auto de infiação: por partir do valor tributável liquido determinado no ano-calendário 2003, o único elemento da Dir..1 considerado é o lucro real declarado, com vistas à apuração da regular incidência do adicional De toda sorte, o que se recolhe destes elementos é o fato de. o FAL." JR da contribuinte, apresentado àquela fiscalização, apontar consumo integral das estimídivas de K$ 5.317.848,68 para fins de determinação do IR.P.1 a pagar no período, resultando em tini saldo rfocesso ri" I0540 900749r2005-56 SI -Cl 11 Acc")atlio n " 110.1-00.297 11 5 devido de R$ 904.587,56, ao passo que na DIP1 a contribuinte preteriu considciur estimativas de apenas R$ 3.916.086,41, o que resultou ernIRP.1 a pagar de R$ 2.306.341,71 Ou seja, o procedimento fiscal anterior não convalida a DIPI, mas sim evidencia seu descompasso com o LAIIIR, e precisamente na utilização do valor total recolhido a titulo de estimativas ao ano de 2003 para fins de reduziu o IRPI apurado no ajuste anual infere-se, dai, que ao apresentar a DC:OMP ri 02015.02778 300304 1 3 04- 2224, em 30/03/2004, a contribuinte desfez a utilização das estimativas antes procedida no LAIIIR, e assim constituiu indébito que se prestou a liquidar outro débito. -fodav ia, o débito compensado é justamente o IR P1 devido na apuração anual, com vencimento em 31/03/2004 Ou seja, a contribuinte desfez parcialmente a dedução das estimativas indicada no LA1.UR para utilizar-se da diferença em compensação corri o mesmo débito. Diante destas circunstâncias, mesmo se indevida fosse a compensação de créditos de estimativas, na medida em que ela se fez com débitos do IRP.1 devido no ajuste do mesmo ano-calendário de apuração das estimativas, a inadmissibilidadc daquele indébito ensejaria o seu necessário reconhecimento como dedução do IRPI, e conseqüente redução do débito compensado. Em verdade, a diferença entie os dois procedimentos reside no lato de o indébito ser atualizado com juros à taxa SELK:: desde O moinento do recolhimento indevido mais precisamente a partir do mês subseqüente ao do pagainento indevido ou a maior que o devido até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada, na forma do art 39, § 4" da Lei n" 9.250/95 ele art 73 da lei n" 9.532/97 ao passo que o IRP.1 apurado no ano-calendário de 2003 somente recebe acréscimo de juros S111 AC: a partir dc 1" de fevereiro/2004 até o ultimo dia do inêti anterior ao do pagamento e de uni por cento no mês do pagamento, na forma do art. §2`) da Lei n" 9A30/96. Tanto o é que a recorrente reconheceu na DCTE n" 1000 000,2007, 1740480316, relativa ao I" trimestre/2004, saldo a pagar de RN devido no ano-calendário 2003 no valor de R$ 738 026,88, que em comparação com o saldo a pagar inicialmente apurado em sua escrituração (R$ 904 587,56, elevado a R$ 923 402,98 em razão dos juros devidos até 31/03/2004) resulta na diferença de R$ 185 376,10, atribuível aos juros imputados nas DcoM„P aos indébitos mensais, até sua compensação em março/2004. Relevante notar que durante a vigência das Inslruções Nonnativas SRF a" 460/2004 e 600/2005, ou seja, no período de 29/10/2004 a 30/12/2008 (até sei publicada a Inslrução Normativa R l'B n" 900/2008), a Receita federal buscou coibir a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, assim dispondo: instrução Normativa SRF ti" 460, de 18 de outubro de 2004 zli, 1 10 /1 pessoa jurídica itibutada pelo Mar o real, p;'eslimido ou cabia ado que sofrer reU.aição nulevida ou a maior de imposto de tenda ou ria Cif .sobi e rendimentos que itite, , I. am a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa Jurídica tributada pelo (itero real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSII, a &tilo de estimativa mensal, somente poderá utilizai o valor pago ou retido na dedução do !ARI ou da CSI,1 devida ao final do peFíodo rle apuraçãoo que houve a teletkiio ou 9 7)0 amorno indevido ou paia compor o saldo negativo de JR,P,1 ou de CSU, do período lustrução Normativa SRÍ n" 600, de 28 de dezeinbt o de 2005 Art 10 A pessoa jurielica tributada pelo lucro real presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CS 11, sobre rendimentos que integram a base: de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real animi que dentar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a titulo de estimativa mensal, somente podei á utilizar o valor papo ou retido na dedução do 7RiJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve o retenção ou pagamento indevido ou pata eornpor o saldo negativo de 'RH ou de t:SLL do per iodo Instrução Normativa RE13 it" 900, de 30 de dezembro de 2008 Ar t 11 A pessoa Imidica tributada pelo lucro real, pfeSlif,lid0 ou arbitrado que s•olrer r•etenção indevida ou a rnaior de imposto de renda Ou de C57,L sobre rendimentos que triterarri a base de cálculo do imposto Ou da contribuição somente poderá utilizar o valor r ctido na dedução do [RI )J ou da CSLI., devida ao final do período de apuração que houve a retenção ou para compor O saldo negativo de I11131 ou de CSII. do período As antecipações iecollndas deveriam ser, primeiro, confrontadas com o tributo determinado na apuração anual, e só então, se evidenciada a existência de saldo negativo, seria possível a utilização do indébito este crédito, na forma da interpretação veiculada no Ato Declaratório Noírnativo SRF n" 0:3/2000, seria atualizado com juros à taxa S.1 ,:LIC a partir do mês subseqüente ao do encerramento do ano-calendário: 0 SLCRLTAR10 DA Rk( EUA li10.)ER:=11„ no uso de suas' atribuições e tendo em vista o disposto no 4') do 0(1 39 da Lei IV' 9 250, de 26 de dezembro de 1995. nos anis I" e 6" da Lei IV" 9 430, de 27 de dezembro de 19.96, e no art 73 da Lei Ar' 9 532, do 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos flegaii1 20Y do Impisto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contr. ibuic.ão Social sobre o Lucro [1(101 10, apurados. anualmente, poderão s'er • re.slituidos ou compen.sados com o 1-Imposto de ,terido ou contribuição social sobre o lucro liquido devidos a partir do nre'., janeiro do ano . calendario subseatiente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema L. Npecial de Liquidação e Custódia - Selie para títulos fel/ciais, acumulada mensalmente, calcuhulos a partir do mês subseqüente ao do CileetTailiCtIPI do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo defluída. VER/1RD 0 MA Clif, De outio lado, porém, é possível interpretar que a Lei n" 9 430996, ao autorizar a dedução das antecipações iecolhidas, admite somente aquelas recolhidas cio conformidi.rde com caput de seu art 2u: .Art.2 .̀' A pema imã:fica siyeaa a tributação com base no lucro real podetil 01)(AI" pelo pagamento do Imposto, em cada rris, determinado sobre base (./E: c álC11.10 CS limada, mediante a aplicação. sobre « receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de ano 1.1"07(1. O 1.1ii .1.5 da Lei n" 9 249, de 26 de ctez,-?mh, o de 1.995, observado o disposto nos ,,,S1" e2° do ort 29 e nos ar is 30 o 32,31 e 35 da tei 8 981, de 20 de janeiro de 1995, com as «florações' da Lei n" 9:065, de 20 de junho de 1995. ss l° O imposto (7 Se, pago .01C11Sahnelhte ria jr0I'MCI Wirp,0 será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da aí/quota de quinze ptn• cento 10 Kocesso n° 10840 000740/1008-86 SI-C11 1 Acórdão u..".1.101-11W297 H 6 4 parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a 1/7 20 000,00 (Vinte mil reals)ficará sujeita à ineidencia de adicional de imposto cle renda à alíquota de dez por cento pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1" e 2" do artigo anterior, §4" Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: -- dos. incentivos , fiscais de dedução do impo w .̀0, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o dispos. to no 4 do art. 3' da Lei o' 9 2 .19, de 26 de dezembro de 1995, --dos incentivos. .fis. cais de edução e isenção do imposto, calculado .s com base no lucro da exploração, CU -do imposto de renda pago ou retido na .fonte, incidente sobre receitas computeI/as na determinação do lucro real, IV -do imposto de renda pago MI .fornw deste artigo (negiejou-se) Diante deste contexto, tem-se por Kinnalmente correto O procedimento adotado pela recorrente: as estimativas recolhidas a maior não poderiam ser d.eduzidas apuração anual do 1RP,I, e o crédito dali decorrente, atualizado com juros à taxa Shl,IC a partir do recolhimento indevido, poderia ser utilizado em compensação, mediante apresentação de DCOMP, inclusive para liquidação do próprio IRPI apurado no aj-uste (10 Illes1110 ano- calendário, mas, evidentemente sem a dedução daquelas parcelas excedentes. Cumpre, assim, avaliar se há prova doi:ecoai recolhimento indevido. A recorrente, argumenta que incluiu indevidamente rendimentos de aplicações -financeiras no cálculo das antecipações._ E, de fato, os rendimentos tributados na forma dos arts.. 65, 66, 67, 70, 72, 73 e 74 da Lei n`) 8..981/95 não integram a base de cálculo para fins de apuração das estimativas, contbrme art. 32, §1° da mesma. Lei. Para provar que assim procedeu, a contribuinte junta cópia do registro conteíbil das. rendimentos de aplicação . financeira, nas quais, durante o mês de noverribro/2003, a conta 5110106 1w os s/ Aplic.. inanceiras recebe rendimentos de R$ 374.911,02 (fl.. l 16), a conta 5120303 -- Ganhos e/ Bolsa Herc & Futuros -- 211/11 , ' é erra [dada por R$ 2.400,00 e debitada por .R$ 1..320,00 (ti. 117), e a conta 5 .110109 - Dividendos Recebidos recebe credito de R$ 2.832,84 relativo a Ctál.Hrad 14; Encerram. c/ ltau MUI-0860-1-02 (IL .118). Apresenta, ainda, balancete de verificaçã.o relativo ao período de 01 a 30/11/2003, no qual demonstra as receitas auferidas no período, as quais se mostram compatíveis corn o Demonstrativo cio Cálculo do Estimar/o, o qual, sem computar as receitas decorrentes de aplicações financeiras, totaliza em. R$ 166_475,60 a estimativa a pagar (fls. 121/133). Considerando que a existência do recolhimento no valor de R$ 213 237,30, efetuado em 30/12/-2003, e,s1á confirmada rio despacho decisório recorrido, demonstrada está a diferença de R$ 46.761,7 .1, utilizada na DC.i.'.01VIP n' 02015.02778.300304 1.3.04-2224, aqui tratada. -0 Ainda, 6 11 121/126, a recorrente junta cópia do Diário Geral na qual vê-se a contabilização, em dezembro/200.3 e janeiro/2004, da baixa de estimativas deduzidas do 1.R.P1 e ircuisle' rência JRJJpeo indevidamente rel receiias de aplicações jinanceii as, coerente com O procedimento adotado de somente deduzir na apuração do IRPI anual as estimativas regularmente pagas, e distingui' como indébitos aquelas indevidamente pagas. A soma dos dois lançamentos de transretêneias dos pagamentos indevidos (R$ 1 230 495,78 e .R$ 171.258,28) é compatível com a diferença entre as estimativas deduzidas no LALUR (R$ 5 317,848,68) e aquelas utilizadas na DIL1 (R$ 3 91( 086,41). O saldo de R$ 1 401 754,06 está apontado no Livro Razão, na conta 11401.15 - .1.1?1","1— Recolhido a maior.. Observe-se, também, que, embora tais elementos constituam cópia simples dos originais, não há razão paia negar-lhes fé, ante a compatibilidade da contabilização, das alegações e dos procedimentos adotados para a compensação .promovida em. 30/03/2004, especialmente tendo cru mita que o próprio débito compensado é aquele majorado em razão da dedução a menor das estimativas, na parte em que recolhidas indevidamente. Ainda, o total de receitas 1inanceiras inrormado no balancete de dezembro/2003 (R$ 8 653 882,61), apresentado nos autos do processo administrativo 10840..900397/2008-69 (ti "133) que trata de compensação correlata, com crédito decorrente da estimativa apurada em dezembro/2003 é compatível com aquele intOrmado na 1)IP1. apresentada pela contribuinte no ano-calendário 2003 (d 08-0868402-70), a título de outras receitas linanceiras (R.$ 8 333.103,14 Pof sua vez, na composição das receitas financeiras contabilizadas, verifica-se a parcela de R$ 5 578.571,19 relativa a juros sobre aplicações financeiras, sobre a qual, se aplicada a alíquota de 25%, chega-se ao resultado de R$ 1 394.642,80, também compatível com o indébito total de .R$ 1.401 754,06 que teria sido apurado em 2003 Apenas observe-se que a DCOMP aqui em análise, apresentada, em 30/03/2004, não considera. juros sobre o débito de íRP.1 apurado no ano-ealendario 2003, contrariamente ao que dispõe o art. 6", §2`) da Lei n" 9 130/96 que determina o acréscimo de juros á taxa SE L1C a partir de 1' de fevereiro de 2004 bem como imputa ao crédito jliTos superiores aos devidos na torma do art 39, ,"; 4" da Lei 1.1' 9 250/95 c/c art 73 da L,ei n" 9.532/97 — que deveriam corresponder à variação da taxa SEI 1C do mês subseqüente ao do pagamento a maior até o mês anterior ao da. compensação e de 1% relativamente ao mês em que c tetuada , acumulados em 3,35% e não 4,7?.°71) çoino pretendido Por todo o exposto, voto por DAR 1?ROVIMEN1 O PARCIAL ao recurso voluntatio, para rec(mhecer o direito creditório de R$ 16 761,711elativamente ao recolhimento eretuatio em 30/12/2003, e homologar a compensação do débito com os act esc:finos moratorios pertinentes, até o limite do valor atualizado do crédito na data da entrega da .DCOMP. Dr Ll PFI.1-1 RA 1311.S SA — Relatora
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Numero do processo: 10314.002396/96-10
Data da sessão: Wed Apr 28 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO -II
Período de apuração: 13/12/1993 a 17/05/1994
DRAWBACK MODALIDADE SUSPENSÃO. EXIGÊNCIA DAS MULTAS
DE OFÍCIO PREVISTAS NOS ARTIGOS. 364,11, DO RIPI E 4°, I, DA LEI
N° 8.218/91. REDUÇÕES PREVISTAS NA LEI N° 9.430/96.
APLICABILIDADE.
As multas capituladas no art. 4°, I, da Lei n° 8.218/91, referente ao Imposto de Importação - II, e no art. 364, II do RIPI, referente ao Imposto dobre Produtos Industrializados - IPI, devem ser reduzidas para 75%, nos termos dos artigos. 44, I, e 45, ambos da Lei n° 9.430/96, consoante o disposto no artigo 106, I e II, do CTN.
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte
Numero da decisão: 9303-000.973
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial para restabelecer a multa de 75%.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: Nanci Gama
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-03-23T19:17:41Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 8; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-03-23T19:17:41Z; Last-Modified: 2011-03-23T19:17:41Z; dcterms:modified: 2011-03-23T19:17:41Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:639cae9e-3465-4a11-93a1-e1e2c9d9d51c; Last-Save-Date: 2011-03-23T19:17:41Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-03-23T19:17:41Z; meta:save-date: 2011-03-23T19:17:41Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-03-23T19:17:41Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-03-23T19:17:41Z; created: 2011-03-23T19:17:41Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2011-03-23T19:17:41Z; pdf:charsPerPage: 1415; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-03-23T19:17:41Z | Conteúdo => CSRF-T3 Fl. 297 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo no 10314.002396/96-10 Recurso n° 319.421 Especial do Procurador Acórdão n° 9303-00.973 — 3' Turma Sessão de 28 de abril de 2010 Matéria II- DRAWBACK SUSPENSÃO Recorrente FAZENDA NACIONAL• Interessado SIEMENS S/A ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO-li Período de apuração: 13/12/1993 a 17/05/1994 DRAWBACK MODALIDADE SUSPENSÃO. EXIGÊNCIA DAS MULTAS DE OFÍCIO PREVISTAS NOS ARTIGOS. 364,11, DO RIPI E 4°, I, DA LEI N° 8.218/91. REDUÇÕES PREVISTAS NA LEI N° 9.430/96. APLICABILIDADE. As multas capituladas no art. 4°, I, da Lei n° 8.218/91, referente ao Imposto de Importação - II, e no art. 364, II do RIPI, referente ao Imposto dobre Produtos Industrializados - IPI, devem ser reduzidas para 75%, nos termos dos artigos. 44, I, e 45, ambos da Lei n° 9.430/96, consoante o disposto no artigo 106, I e II, do CTN. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial para restabelecer a multa de 75%. Carlos Albert as Barret - Presidente a EDITADO EM: 03/12/2010 elatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martinez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Trata-se de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional com fundamento no art. 5°, inciso I, do Regimento Interno da Camara Superior de Recursos Fiscais, em face do Acórdão n° 303-29273 que, por maioria de votos, entendeu por manter a exigência referente ao II e ao IPI, os quais incidiram sobre as mercadorias que estavam, anteriormente, sob regime de drawback suspensão, posto que as exportações não foram realizadas dentro do prazo previsto para tanto, e, por outro lado, cancelou, também por maioria de votos, a exigência das suas respectivas multas previstas no inciso I do artigo 4° da Lei n° 8.218/91, no tocante ao II, e no artigo 364, inciso II, do RIPI, aprovado pelo Decreto n° 87.981/82, no tocante ao IPI., por entender ser aplicável o Ato Declaratório Normativo de n° 10 da Coordenação do Sistema de Tributação (SRF), de 16 de janeiro de 1997. Inconformada com a parte do acórdão que excluiu a exigência da multa, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial alegando que as multas objeto do presente auto de infração se tratariam de multas moratórias pelo não pagamento dos impostos aduaneiros no prazo legal, não se aplicando portanto o Ato Declaratório Normativo n.° 10/97. Alegou, ainda, que mesmo que se entenda que referido Ato Declaratório exima o contribuinte do pagamento de multas moratórias, o mesmo não se aplicaria aos presentes autos, já que o lançamento dessas penalidades decorre de descumprimento de regime de importação de bens, qual seja, do regime de drawback, o qual permite a suspensão da exigibilidade dos tributos, não se relacionando em nada com os fatos excludentes previstos por referido Ato Declaratório. Cientificado do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do acórdão, o Contribuinte apresentou Contra Razões As fls. 201/203, e, paralelamente, interpôs Recurso Especial em fls. 198/200, referente à parte do acórdão que manteve a exigência do II e do IPI, pretendendo o desfazimento dos atos que mantiveram a exigência desses tributos. No entanto, o Contribuinte teve seu recurso inadmitido em despacho de fls. 258, por ter sido entendido que a divergência jurisprudencial não teria sido comprovada. Não se conformando com referido despacho, o contribuinte apresentou Agravo, requerendo fosse dado seguimento ao seu Recurso Especial. 0 despacho de fls. 293/295, ao apreciar o Agravo apresentado pelo Contribuinte, manteve a posição de que a divergência não haveria sido configurada, negando seguimento ao seu Recurso Especial. Tendo sido inadmitido o Recurso Especial do Contribuinte, e não divergindo do referido entendimento conforme exarado As fls. 293 a 295 dos autos, prossigo com o julgamento somente quanto ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. o Relatório. cl) 2 Processo n° 10314.002396/96-10 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.973 Fl. 298 Voto Conselheira Nanci Gama, Relatora Conheço do Recurso Especial interpbsto pela Fazenda Nacional eis que tempestivo e, ao meu ver, os demais pressupostos de admissibilidade encontram-se devidamente demonstrados. Vale esclarecer que a Recorrente justifica o cabimento de ser recurso sob a alegação de contrariedade do acórdão recorrido com o Ato Declaratório Normativo COSIT n° 10/97, no qual o mesmo se fundamenta. Primeiramente, cabe a consideração acerca das multas exigidas pelos artigos 364, II do RIPI, e 40, I, da Lei n.° 8.218/91, as quais foram alegadas pela Fazenda Nacional como "multas moratórias". Ocorre que, não se tratam de multas incidentes pelo atraso no pagamento, mas sim de multas impostas ao próprio não pagamento dos tributos, ou seja, ao descumprimento da obrigação principal, tratando-se, portanto, de multas de oficio. Isto posto, não procede, com a devida vênia, a alegação de que, pelo fato de as multas serem "moratórias", o Ato Declaratório Normativo Cosit de n.° 10/97 não incide. No entanto, concordo com a Recorrente no tocante à argumentação de que referido ato declaratório não prevê a exclusão de multa, em razão de não pagamento dos impostos suspensos, quando a condição do beneficio não é cumprida pelo contribuinte, corno na hipótese do presente processo; isto 6, no caso de não exportação, dentro do prazo previsto, das mercadorias ingressadas no pais sob regime de drawback. Nesse sentido, cabe a transcrição do disposto em referido ato declaratório, o qual prevê as hipóteses em que são afastadas as exigências das multas, in verbis: "Declara, em caráter normativo, as Superintendências Regionais da Receita Federal, as Delegacias da Receita Federal de julgamento e aos demais interessados, que não constitui infração punível com as multas previstas no art. 4" da Lei n" 8.218, de 29 de agosto de 1996, a solicitação, feita no despacho aduaneiro, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do Imposto de Importação e preferencia percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a classificaçã o tarifária errônea ou a indicação indevida de destaque (ex), desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má-fé por parte do declarante." Dessa forma, mostra-se evidente a não incidência, in casu, do Ato Declaratório Normativo Cosit de n.° 10/97, já que o mesmo s6 isenta de multa os casos em que: (i) o contribuinte realiza solicitação, no despacho aduaneiro, de imunidade tributária, isenção ou redução do LI., bem como (ii) quando o mesmo solicita preferência percentual negociada em acordo internacional, quando as mesmas são incabíveis e, também, (iii) nos casos em que o Contribuinte realiza classificação tarifária errônea ou a indicação indevida de destaque (ex). 3 Assim, em se tratando de hipótese não prevista no Ato Declaratório Normativo Cosit de n.° 10/97, não cabe, in casu, a aplicação do mesmo, devendo as multas pelo não pagamento dos impostos aduaneiros serem mantidas. No entanto, essas multas devem ser reduzidas segundo o disposto nos artigos 44, I e 45, ambos da Lei n.° 9.430/96, consoante o artigo 106, incisos I e II, do CTN. Face ao exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, dou-lhe provimento parcial para manter as multas exigidas, no entanto, com as reduções previstas na Lei 9.430/96. E como voto. 4
score : 1.0
Numero do processo: 11516.002383/2004-07
Data da sessão: Thu Jun 04 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL - COFINS
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
É devido o lançamento pela falta ou insuficiência de recolhimento de contribuições.
NORMAS PROCESSUAIS. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL.
Ação proposta pela contribuinte com o mesmo objeto implica a renúncia à esfera administrativa, a teor do ADN Cosit n° 03/96, ocasionando que o recurso não seja conhecido nesta parte.
INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF.
APLICAÇÃO.
Decisão plenária definitiva do STF que tenha declarado a
inconstitucionalidade do § 1º do art. 32 da Lei nº 9.718/98 deve ser estendida aos julgamentos efetuados por este Conselho, de modo a excluir da base de cálculo do PIS e da Cofins as receitas de variações cambias.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-000.171
Decisão: ACORDAM os Membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da PRIMEIRA CÂMARA da SEGUNDA SEÇÃO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, na parte da
matéria submetida ao judiciário em razão da opção pela via judicial e nas matérias restantes por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir os fatos geradores de
outubro de 2001 a janeiro de 2004.
Nome do relator: MAURICIO TAVEIRA E SILVA
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' • " CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, s. •... . , SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 11516.002383/2004-07 Recurso n° 153.790 Voluntário Acórdão n° 2102-00.171 — 1" Câmara / 2 a Turma Ordinária Sessão de 04 de junho de 2009 Matéria Cofins Recorrente AGROAVíCOLA VÉSETO LTDA. Recorrida DRJ no RIO DE JANEIRO 1- RJ ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. É devido o lançamento pela falta ou insuficiência de recolhimento de contribuições. • iNORMAS PROCESSUAIS. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. Ação proposta pela contribuinte com o mesmo objeto implica a renúncia à esfera administrativa, a teor do ADN Cosit n° 03/96, ocasionando que o recurso não seja conhecido nesta parte. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. Decisão plenária definitiva do STF que tenha declarado a inconstitucionalidade do § 1 2 do art. 32 da Lei n2 9.718/98 deve ser estendida aos julgamentos efetuados por este Conselho, de modo a excluir da base de cálculo do PIS e da Cofins as receitas de variações cambias. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da PRIMEIRA CÂMARA da SEGUNDA SEÇÃO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, na parte da matéria submetida ao judiciário em razão da opção pela via judicial e nas matérias restantes por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir os fatos geradores de outubro de 2001 a janeiro de 2004. (t i _ Processo n° 11516.002383/2004-07 S2-C1T2 Acórdão n." 2102-00.171 Fl. 195 Ucua G411), rviNá toir SE t A MARIA COELHO MARQUES r ' Presidente à SILVA MAUR I° vEi. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça José Antonio Francisco, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório AGROAVÍCOLA VÊNETO LTDA., devidamente qualificada nos autos, recorre a este Colegiado, através do recurso de fls. 168/190, contra o Acórdão n° 12-17.214, de 28/11/2007, prolatado pela 7' Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro — RJ, DRJ/RJOI, fls. 161/167, que não conheceu da impugnação referente ao auto de infração de Cofins (fls. 125/128), decorrente de falta/insuficiência de recolhimento da Cofins e Cofins incidência não cumulativa, relativo a períodos compreendidos entre outubro de 2001 a junho de 2004, cuja ciência ocorreu em 28/09/2004 (fl. 126). Conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 110/119, fora lavrado..auto de infração pela não inclusão na base de cálculo da contribuição do valor das Variações Monetárias Ativas provenientes de exportação, sob a alegação de que seriam isentas. Essa matéria passou a ser objeto do Mandado de Segurança Preventivo com Pedido de Liminar, n° 2004.72.00.012891-0. Em 27/08/2004 foi concedida liminar e em 14/09/2004 houve a retificação da liminar, anteriormente concedida, para que esta tivesse "efeito de unicamente suspender a exigibilidade de eventual crédito fiscal dos tributos discutidos na inicial." (fls. 115; 38/62 e 63/64). Assim, os valores referentes a conta 3352 — Variação Cambial Ativa foram objeto do presente lançamento, com exigibilidade suspensa. Irresignada com a autuação, em 27/10/2005, a contribuinte protocolizou impugnação de fls. 133/150, apresentando as seguintes alegações: 1. o lançamento decorre do fato de a fiscalização entender que a variação cambial referente à receita de exportação constitui receita tributável para fins de apuração da Cofins. Este tema é objeto do MS n° 2004.72.00.012891-0, com liminar deferida. Conforme demonstrado nos autos da medida judicial, a variação cambial corresponde a diferença decorrente da alteração da taxa de câmbio, ocorrida entre a data do fechamento do contrato de câmbio e a data do embarque e é receita da exportação e como tal é isenta do PIS e da Cofins, consoante artigo 14 da MP n° 2.178-35/2001; 2. ainda que a variação cambial não fosse considerada isenta, seria imune, em face do que dispõe a EC n° 33/01, que alterou o artigo 149 do CF/88. Com base nas alterações introduzidas pela EC n° 20/98, a Lei n° 9.718/98 ampliou a base de cálculo da contribuição. . Com as alterações da precitada lei pela MP n° 2.158-35/2001, houve a isenção da Cofins das 2 Processo n° 11516.002383/2004-07 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.171 Fl. 196 receitas da exportação de mercadorias ao exterior. Posteriorrnente, com a EC n° 33/01, as contribuições sociais passaram a não incidir sobre as receitas decorrentes i de exportação. Assim, todas as receitas derivadas da exportação passaram a ficar imunes à tributação por tais contribuições. 3. a Lei n° 10.833/03 restringiu-lhe o conteúdo, somente tratando como imune as receitas decorrentes das operações de exportação para o exterior, ou seja, como já era no passado. A variação cambial vem sendo tratada pelo Fisco como receita financeira, e assim tributada. É, contudo, e sem dúvida, ingresso decorrente de exportação, pelo que está abrangida pela não incidência da Cofins, em face da EC n° 33/01. Desse modo, as normas instituidoras da contribuição à Cofins tornaram-se incompatíveis com a norma constitucional introduzida pela EC n° 33/01. Destarte, os dispositivos legais disciplinadores da Cofins não podem prevalecer, porque, chocando-se com a EC n° 33/01, norma de hierarquia superior, foram por esta revogados e, assim, não vigem mais. Portanto, é improcedente o lançamento. A DRJ houve por bem "DEIXAR DE CONHECER DA IMPUGNAÇÃO e DECLARAR DEFINITIVAMENTE CONSTITUÍDO O CRÉDITO TRIBUTÁRIO, devendo ser mantida a cobrança da COFINS, no valor de R$ 170.223,57, acrescida de juros de mora e multa de oficio, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado." O acórdão restou assim ementado: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA DA COFINS. A propositura, pelo contribuinte, de ação judicial contra a Fazenda, tendo por objeto a mesma matéria discutida na impugnação, implica renúncia à instância administrativa. (Ato Declaratório Normativo COSIT n° 03/1996). ILEGALIDADE E/OU INCONSTITUCIONALIDADE A discussão sobre legalidade ou constitucionalidade das leis é matéria reservada ao Poder Judiciário. À autoridade administrativa compete constituir o crédito tributário pelo lançamento, sendo este vinculado e obrigatório sob pena de responsabilidade funcional. VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. ISENÇÃO/IMUNIDADE DAS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. A exclusão das receitas de exportação da base de cálculo da COFINS não alcança as variações cambiais ativas, que têm natureza de receitas financeiras, devendo, como tal, sofrer a incidência daquela contribuição. Impugnação não Conhecida Inconformada, a contribuinte protocolizou, tempestivamente, em 01/02/2008, recurso voluntário de fls. 168/190, aduzindo que, apesar de deixar de conhecer da impugnação Cc:).).-ep 3 I 1 Processo n° 11516.002383/2004-07 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.171 Fl. 197 e declarar definitivamente constituído o crédito tributário, a turma julgadora adentrou no mérito do recurso apresentado. Se não fosse adentrado ao mérito e apenas não conhecida a impugnação, o efeito seria o mesmo. Assim, de modo a não ferir o direito à 'ampla defesa, o recurso deve ser apreciado e reformada a decisão a quo. No mérito, a recorrente aduz as Imesmas questões anteriormente apresentadas. Por fim, requer o cancelamento do auto de infração, 'dada sua total improcedência. i 1 É o relatório. Voto Conselheiro MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Relator O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual, dele se conhece. Compulsando os autos verifica-se que a contribuinte impetrou o MS e obteve a liminar no curso da ação fiscal, razão pela qual, correto o procedimento do fisco em promover o lançamento com a multa de oficio, uma vez que a exclusão da penalidade só seria possível caso a suspensão da exigibilidade do débito tivesse ocorrido antes do início de Iqualquer procedimento de oficio a ele relativo. i 1 A contribuinte se insurge contra o auto de infração lavrado em virtude da não inclusão na base de cálculo da contribuição do valor das variações cambiais ' ativas. Em seu entendimento, essa variação decorre da alteração da taxa de câmbio verificada entre a data do fechamento do contrato de câmbio e a data do embarque e se caracteriza como receita da exportação e como tal, isenta do PIS e da Cotins, consoante art. 14 da MP n° 2.178-35/2001. Contudo, ainda que assim não fosse, com a EC n° 33/01, as contribuições sociais passaram a não incidir sobre as receitas decorrentes de exportação. Assim, todas as receitas derivadas da exportação passaram a ficar imunes à tributação por tais contribuições. I O argumento aduzido pela recorrente é mesmo que apresentou ao judiciário em sua petição inicial (fls. 42/62), em cujo pedido registra: " c-) ao final, seja julgada procedente a ação, concedendo-se definitivamente a segurança, para o feito de determinar a não incidência (artigo 14, inciso II e s¢ 1' da MP n° 2.158) das contribuições à COFINS e ao PIS, sobre as variações cambiais ativas, decorrente de venda para o exterior do pais, haja visto não se tratar de receitas advindas de vendas no mercado interno, determinando à autoridade coatora que se abstenha de proceder qualquer notificaçã o neste sentido." - Disciplinando a questão, a Coordenação-Geral do Sistema de Tributação, por meio do Ato Declaratório Normativo n° 3, de 14 de dezembro de 1996, determinou que a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto, decidindo-se pela definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida. Transcreve-se, a seguir, o referido ato declaratório, " in verbis" : i, )C., / a ,W' 4 / Processo n° 11516.002383/2004-07 S2 -C1T2 Acórdão n.° 2102-00.171 Fl. 198 "a) a propositura pela contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial - por qualquer modalidade processual - antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto; b) conseqüentemente, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que relaciona à matéria diferenciada (v. g., aspectos formais do lançamento, base de cálculo, etc); c) no caso da letra "a", a autoridade dirigente do órgão onde se encontra o processo não conhecerá de eventual petição da contribuinte, proferindo decisão formal da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, ressalvada a eventual aplicação do disposto no art. 149 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CT1V); d) na hipótese da alínea anterior, não se verificando a ressalva ali contida, proceder-se-á a inscrição em dívida ativa, deixando de fazê-lo, para aguardar o pronunciamento judicial, somente quando demonstrada a ocorrência do disposto nos incisos II (depósito do montante integral) ou IV (concessão de medida liminar em mandado de segurança) do art. 151 da Lei n°5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTiV); —e) é irrelevante, na espécie, que o processo tenha sido extinto, no Judiciário, sem julgamento do mérito (art. 267 do CPC)." Portanto, quanto à matéria objeto de ação judicial, não há reparos a fazer à decisão recorrida. Contudo, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada. Nesse diapasão, embora a interessada não tenha arguido acerca da declaração de inconstitucionalidade do § 1 0 do art. 3°, da Lei n° 9.718/98, pelo pleno do STF, entendo que a questão deva ser apreciada sob esta ótica. De se registrar que a contribuinte apresenta uma determinada base legal para fundamentar o seu direito. Todavia, no Direito brasileiro, o interessado se defende dos fatos, não havendo relevância na qualificação jurídica, uma vez que esta não integra a causa de pedir, consoante os ensinamentos do processualista Alexandre Freitas Câmara'. Assim, às partes cabe alegar e fornecer a prova dos fatos. Ao julgador, conhecedor do direito que é, cabe decidir sobre os fatos, consoante as normas aplicáveis, ou seja, decidir com base na subsunção do fato à norma. Nessa toada dispõem os velhos brocardos latinos: dá-me o fato e te darei o direito e, ainda, o juiz conhece a lei. Portanto, passa-se a análise da declaração de inconstitucionalidade do § 1 0 do art. 3°, da Lei n°9.718/98, pelo pleno do STF e seu reflexo nos presentes autos I Em que pese a incompetência deste Conselho para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária, com supedâneo na autorização contida no art. 77 da Lei n° 9.430/96 e art. 4°, parágrafo único, do Decreto n° 2.346/97, assim dispõe o art. 49, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF n° 147/07: 1 Lições de Direito Processual Civil, Vol. 1, 6 edição, Ed. Lumen Juris, 2001, p. 203 "). I 5 Processo n° 11516.002383/2004-07 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.171 Fl. 199 Art. 49. No julgamento de recurso voluntário ou de oficio, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; (--.) Nesse diapasão, em julgamento realizado em 09/11/2005, pelo Pleno do STF nos RE nos 357.950 e 358.273, o § 1° do art. 3°, da Lei n° 9.718/98, foi objeto de acórdão cuja publicação ocorreu em 15/08/2006 e o trânsito em julgado em 05/09/2006. O acórdão e a ementa registram o seguinte teor: Decisão: Após os votos dos Senhores Ministros Marco Aurélio (Relator), Carlos Velloso e Sepúlveda Pertence, conhecendo do recurso e provendo-o, em parte, e dos votos dos Senhores Ministros Cezar Peluzo e Celso de Mello, provendo-o, integralmente, pediu vista dos autos o Senhor Ministro Eros Grau. Falaram, pela recorrente, o Dr. André Martins de Andrade e, pela recorrida, o Dr. Fabrício da Soller, Procurador da Fazenda Nacional. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Nelson Jobim (Presidente). Presidência da Senhora Ministra Ellen Gracie (Vice-Presidente). Plenário, 18.05.2005. Decisão: Renovado o pedido de vista do Senhor Ministro Eros Grau, justificadamente, nos termos do ,¢ I' do artigo 1° da - Resolução n° 278, de 15 de dezembro de 2003. Presidência do Senhor Ministro Nelson Jobim. Plenário, 15.06.2005. Decisão:O Tribunal, por unanimidade, conheceu do recurso extraordinário e, por maioria, deu-lhe provimento, em parte, para declarar a inconstitucionalidade do 1° do artigo 3 0 da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, vencidos, parcialmente, os Senhores Ministros Cezar Peltiso e Celso de Mello, que declaravam também a inconstitucionalidade do artigo 8° e, ainda, os Senhores Ministros Eros Grau, Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes e o Presidente (Ministro Nelson Jobim), que negavam provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, a Senhora Ministra Ellen Gracie. Plenário, 09.11.2005. (grifei) CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE — ARTIGO 3°, sÇ 1°, DA LEI 1\7° 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 — EMENDA CONSTITUCIONAL N° 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTA' RIO — INSTITUTOS — EXPRESSÕES E VOCÁBULOS — SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, - 7 44411_, ; 6 Processo n° 11516.002383/2004-07 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.171 Fl. 200 conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõe-se ao aspecto formal o principio da realidade, considerados os elementos tributários. (grifei) CONTRIBUIÇÃO SOCIAL — PIS — RECEITA BRUTA — NOÇÃO — INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1° DO ARTIGO 3 0 DA LEI N° 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional n° 20/98, consolidou-se no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindo-as à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o 1° do artigo 3° da Lei n° 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (grifei) Tendo em vista o STF já haver se pronunciado definitivamente através de seu Pleno acerca da inconstitucionalidade do § 1° do art. 3°, da Lei n° 9.718/98, com fulcro no art. 49, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF n° 147/07, há que se reconhecer o direito de a contribuinte ter excluído do presente lançamento a exigência decorrente de receitas estranhas ao faturamentol. Ademais, nesse sentido vem decidindo este Conselho, conforme demonstram as ementas que, parcialmente, se traz à colação: INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. Tendo o plenário do STF declarado, de forma definitiva, a inconstitucionalidade do § 1 2 do art. 32 da Lei n2 9.718/98, deve o Segundo Conselho de Contribuinte aplicar esta decisão para afastar a exigência do PIS sobre outras receitas, inclusive o recebimento de crédito presumido de IPL ." (Acórdão 201- 80964; Recurso 139359; Relator Walber José da Silva; Data da Sessão 12/03/08). COFINS. LEI IV' 9.718. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. LANÇAMENTO. SUBTRAÇÃO DAS ALTERAÇÕES INCONSTITUCIONAIS. Declarada a inconstitucionalidade de lei pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, o lançamento efetuado com base na lei inconstitucional deve ser ajustado à legislação vigente. (Acórdão 201-81027; Recurso 140171; Relator José Antonio Francisco; Data da Sessão 14/03/08). INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. Tendo o STF declarado, de forma definitiva, a inconstitucionalidade do § 1 0 do art. 3 0 da Lei n° 9.718/98, pode o Segundo Conselho de Contribuinte aplicar esta decisão para afastar a exigência do PIS sobre receitas financeiras.Recurso_ ' 7 Processo n° 11516.002383/2004-07 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.171 Fl. 201 provido. (Acórdão 201-80474; Recurso 137543; Relator Walber José da Silva; Data da Sessão 14/08/07). Desse modo, ainda que este argumento não tenha sido aduzido pela recorrente, com base nas considerações já registradas e, ainda, com supedâneo no princípio que veda o enriquecimento sem causa, entendo que este Conselho deva se manifestar no presente caso, de modo a reconhecer a improcedência do lançamento em relação ao alargamento da base de cálculo da exação, em relação ao § 1° do art. 3°, da Lei n° 9.718/98. De se ressaltar que o presente lançamento abrange, também, a Cofins — incidência não cumulativa, com fulcro na Lei n° 10.833/03, o qual não se confunde com a variação cambial ativa decorrente da Lei n° 9.718/98, razão pela qual deve ser mantido o lançamento em relação à incidência não cumulativa. Por fim, de se registrar que, tendo em vista a existência do processo judicial n° 2004.72.00.012891-0, a autoridade responsável pela execução do acórdão deverá proceder ao acompanhamento desta ação, verificando se há algum impedimento para cobrança de crédito tributário mantido. Isto posto, voto no sentido de não conhecer do recurso quanto à matéria submetida ao judiciário e quanto ao restante, de dar parcial provimento ao recurso voluntário para excluir do auto de infração os fatos geradores de outubro de 2001 a janeiro de 2004, todos decorrentes de variações cambiais ativas com supedâneo na Lei n° 9.718/98, Mantendo no mais a decisão recorrida. É como voto. Sala das Sessões, em 04 de junho de 2009. ) MAURIéI0 TAVE • • LVA JL • 8
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Numero do processo: 11065.002147/98-00
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2002
Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. IPI. CRÉDITO
PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Ao situar a fundamentação da decisão no contexto da legislação em vigor para o fato que foi por ela juridicizado, o relator cingiu-se aos limites possíveis da aplicação da norma. Nos casos de exclusão de crédito tributário, ao legislador compete elencar expressamente todas as ocorrências do mundo relacional que pretende sejam excluídas do campo de incidência. É indubitável que a partir dessa análise tornou-se escusável abordar os demais argumentos aventados pela então recorrente.
Embargos de declaração rejeitados.
Numero da decisão: 203-07.889
Decisão: DECIDEM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração, nos termos do relatório e voto da Relatora-Designada ad hoc.
Nome do relator: Maria Cristina Roza da Costa
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Fl. Segundo Conselho de Contribuintes ';n;41:7-P:, EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO ACÓRDÃO N 2 203-07.889 Processo n2 : 11065.002147/98-00 Recurso n2 : 117.272 Embargante : REICHERT CALÇADOS LTDA. Embargada : Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes , EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. IPI. CRÉDITO MF - Segundo Conselho à Contribuinte* PRE SUMIDO. RESSARCIMENTO. EMBARGOS DE bPub/içadp no Diáriqpficia/ à 4 DL' DECLARAÇÃO. Ao situar a fundamentação da decisão no Ru . contexto da legislação em vigor para o fato que foi por ela a ..--- juridicizado, o relator cingiu-se aos limites possíveis da Zictj Vccuck) Tà-• O. O. dit- aplicação da norma. Nos casos de exclusão de crédito tributário, a- - o .2- (t:- ao legislador compete elencar expressamente todas as ocorrências do mundo relacional que pretende sejam excluidas do campo de incidência. É indubitável que a partir dessa análise tornou-se escusável abordar os demais argumentos aventados pela então recorrente. Embargos de declaração rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes embargos de declaração interpostos por: REICHERT CALÇADOS LTDA. DECIDEM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração, nos termos do relatório e voto da Relatora-Designada ad hoc. Sala das Sessões, em 20 de agosto de 2002 et, % 1Otacílio ... a artaxo Presidente lit ,„' /ãfafi Cristina Roza g Costaeffelatora-Designada Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Renato Scalco Isquierdo, Antônio Augusto Borges Torres, Lina Maria Vieira, Mauro Wasilewski, Maria Teresa Martinez Lopez e Adriene Maria de Miranda (Suplente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Francisco Maurício R. de Albuquerque Silva. cl/cf I ..é 22 cc-m. .- Ministério da Fazenda 1:7:tkw Segundo Conselho de Contribuintes EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO ACÓRDÃO N2 203-07.889 Processo n9 : 11065.002147/98-00 Recurso n9 : 117.272 Emba rga n te : RE ICHERT CALÇA DOS LTDA. RELATÓRIO A empresa identificada no presente processo efetuou, junto à Delegacia da Receita Federal - DRF de sua jurisdição, pedido de ressarcimento de crédito presumido de Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, instituído pela Lei n° 9.363/96. Seu pedido foi parcialmente indeferido, razão pela qual manifestou sua discordância junto à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre - RS, que manteve a decisão da DRF. Inconformada, apresentou recurso a este Conselho de Contribuintes, que, em decisão unânime, prolatada em Sessão realizada em 05 de dezembro de 2001, expediu o Acórdão n°203-07.889, condensado na seguinte ementa e decisão: "IPI - CRÉDITOS PRESUMIDOS NA EXPORTAÇÃO - RESSARCIMENTO PIS/COFIIVS. CUSTOS COM INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA - A base de cálculo do crédito presumido será determinada sobre o valor das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem. Não estão contemplados pela lei os serviços de industrialização feita por encomenda. Recurso a que se nega provimento. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso." Ainda irresignada, a embargante apresentou os presentes Embargos de Declaração, com guarida no art. 27 e parágrafos do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, assim alicerçados: a) a única fundamentação do acórdão embargado baseia-se na interpretação literal do dispositivo legal mencionado - art. 2° da Lei n°9.363/96; b) não foi devidamente enfrentado uma das alegações do recurso, que foi "o tratamento desigual, contrário ao principio constitucional da isononda"; c) a compra de produto intermediário acabado para integrar seu produto final possibilita a inclusão do preço de aquisição no cálculo do crédito presumido do IPI. Contrário senso, adquirido o produto intermediário em estágio semi-acabado/beneficiado, gera direito ao crédito presumido exclusivamente sobre o valor de aquisição do produto, não incluindo o custo do beneficiamento efetuado por encomenda, sob o qual também incide PIS e COFINS; d) esse entendimento da norma legal gera tratamento desigual, quando uma empresa adquire matéria-prima bruta e efetua seu beneficiamento, não pode incluir este último no cálculo do crédito presumido, e uma outra que compra a matéria-prima inteiramente acabada e insere o valor de aquisição &_- 2 2° CC-M, :;": Ministério da Fazenda: • Fl. '9P.rzit Segundo Conselho de Contribuintes ••;•-te4:e4;,;:r EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO ACÓRDÃO N2 203-07.889 Processo n2 : 11065.002147/98-00 Recurso n2 : 117.272 no mesmo cálculo. O produto a ser exportado é exatamente idêntico, e em ambas situações trata-se de matéria-prima que integra bem destinado à exportação; e e) requer sejam os Embargos de Declaração recebidos e acolhidos por esta Câmara, com manifestação a respeito das alegações comidas no recurso. E entendendo pertinente, sejam dados os efeitos infringentes. A ciência do Acórdão (fl. 2 11 - verso) deu-se em 24/04/2002 e os Embargos de Declaração foram apresentados em 26/04/2002 (fl. 213). É o relatório. E 3 r CC-MF• fir; V. Ministério da Fazenda Fl. 14 ,-.1 40 . Segundo Conselho de Contribuintes EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO ACÓRDÃO N2 203-07.889 Processo n2 : 11065.002147/98-00 Recurso n2 : 117.272 VOTO DA CONSELHEIRA-RELATORA MARIA CRISTINA ROZA DA COSTA A apresentação dos Embargos de Declaração atendeu ao prazo estabelecido no artigo 27, § 1°, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes. O principio da legalidade, cuja aplicação tem relevante destaque no direito tributário, tanto é que nesse ramo do direito é entitulado como princípio da estrita legalidade, é ancipite. Tanto se aplica como salvaguarda do sujeito passivo visando a não exigência de tributo sem que a lei o estabeleça e nem antes de sua instituição legal, como também para salvaguardar o sujeito ativo, para que o intérprete, nos casos em que se efetivar a exoneração de tributo, o faça, exclusivamente, nos casos expressamente previstos em lei. Quanto ao tratamento não isonómico reclamado pela embargante, tem-se que o principio da isonomia constitui-se em uma ferramenta jurídica, constitucional e tributária, direcionada mais ao legislador tributário, conduzindo-o na busca da acuidade necessária à construção legislativa, visando contemplar, de forma exaustiva, todas as situações que pretenda sejam alcançadas pela regra, do que ao intérprete da referida norma. Para que se possa efetivar a exclusão do crédito tributário, impõe-se a edição de ato legal que defina todos os contornos da ação ou omissão a ser exigida dos integrantes da relação jurídica-tributária. Ao intérprete do direito tributário é defeso a aplicação, em qualquer circunstância, de interpretação tendente a exigir ou exonerar tributo. O próprio Código Tributário Nacional traz em seu bojo as regras de interpretação e integração da legislação tributária, direcionadas ao intérprete, dentre as quais não se inclui o princípio da isonomia. Em todas elas, saliente-se, é vedado o emprego que resulte em exigência de tributo não previsto em lei ou na dispensa do pagamento de tributo devido, tudo consoante o principio da estrita legalidade. A esse propósito, o artigo 111 do Código Tributário Nacional cuidou de delinear as regras de interpretação possíveis de serem aplicadas no Direito Tributário. Tanto assim que determinou que se deve interpretar literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário. Discorrendo sobre os limites da interpretação em direito tributário, o eminente professor de direito tributário, em inúmeras universidades brasileiras, Ricardo Lobo Torres, em seu livro "Normas de integração e interpretação do Direito Tributário, às fls. 241/242, assim ministra: "A interpretação literal, em outro sentido, significa um limite para a atividade do intérprete. Tendo por inicio o texto da norma, encontra o seu limite no sentido possível daquela expressão lingüística. É a fórmula brilhante de K. Lareizz, para quem a interpretação literal é a compreensão do sentido possível e- 4 _ •r CC-MF .e.- Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Fl. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO ACÓRDÃO N2 203-07.889 Processo n 2 : 11065.002147/98-00 Recurso n2 : 117.272 das palavras, servindo esse sentido de limite da própria interpretação, eis que além dele é que se iniciam a integração e a complememaçã o do direito." Alfredo Augusto Becker, em seu livro "Teoria Geral do Direito Tributário", ao se referirá validade e justiça da regra jurídica (fls. 88 a 90), destaca: "O jurista deve cuidar para não confundir o problema da justiça da regra jurídica (sua conformidade com a moral ou o direito natural) com o problema da validade da regra jurídica, isto é, sua juridicidade e o conseqüente poder de incidir infalivelmente sobre a hipótese de incidência, juridicizando-a e a conseqüente irradiação dos efeitos jurídicos." Dessarte, não cabe reparo ao acórdão aqui embargado. Ao situar a fundamentação da decisão no contexto da legislação em vigor para o fato que foi por ela juridicizado, o Relator cingiu-se aos limites possíveis da aplicação da norma. Nos casos de exclusão de crédito tributário, ao legislador compete elencar expressamente todas as ocorrências do mundo relacional que pretende sejam excluídas do campo de incidência. É indubitável que, a partir dessa análise, tornou-se escusável abordar os demais argumentos aventados pela então recorrente. Voto no sentido de rejeitar os Embargos de Declaração. Sala das Sessões, em 20 de agosto de 2002 1/044:a I decARIA CRISTINA Rk./tA DA COSTA 5
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Numero do processo: 10711.002887/85-34
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 1986
Ementa: FALTA DE MERCADORIA constante como tendo sido importada (volumes). Conferência final de manifesto. Preliminar de nulidade rejeitada, unanimemente. Admitida a denúncia espontânea da infração para efeito de exclusão da penalidade. O fato gerador do I.I. correspondente aperfeiçoa-se na data da entrada (presumida) da mercadoria no país.
Recurso provido.
Numero da decisão: 302-30.897
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade, levantada pela recorrente; no mérito, também por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência 19 volumes cobertos pelo BL nº 80l, Leixões/Rio de Janeiro; por maioria de votos, quanto à penalidade, dar provimento para considerá-la excluída por denúncia espontânea da infração, vencido o Conselheiro Sálvio Medeiros Costa, relator; e também por maioria de votos, quanto ao cálculo do tributo devido, dar provimento, vencidos os Conselheiros Sálvio Medeiros Costa, relator, que negou provimento, e Levy Valério de Oliveira, Enrique Manuel Garbayo Guarido e Edwaldo Reis da Silva, que deram provimento parcial apenas para considerar como data de referência a do conhecimento da falta pela autoridade aduaneira (protocolização da denúncia espontânea de fl. 0l do processo apenso), na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Relator designado: Conselheiro Ubaldo Campello Neto.
Nome do relator: SALVIO MEDEIROS COSTA
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ementa_s : FALTA DE MERCADORIA constante como tendo sido importada (volumes). Conferência final de manifesto. Preliminar de nulidade rejeitada, unanimemente. Admitida a denúncia espontânea da infração para efeito de exclusão da penalidade. O fato gerador do I.I. correspondente aperfeiçoa-se na data da entrada (presumida) da mercadoria no país. Recurso provido.
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decisao_txt : ACORDAM os membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade, levantada pela recorrente; no mérito, também por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência 19 volumes cobertos pelo BL nº 80l, Leixões/Rio de Janeiro; por maioria de votos, quanto à penalidade, dar provimento para considerá-la excluída por denúncia espontânea da infração, vencido o Conselheiro Sálvio Medeiros Costa, relator; e também por maioria de votos, quanto ao cálculo do tributo devido, dar provimento, vencidos os Conselheiros Sálvio Medeiros Costa, relator, que negou provimento, e Levy Valério de Oliveira, Enrique Manuel Garbayo Guarido e Edwaldo Reis da Silva, que deram provimento parcial apenas para considerar como data de referência a do conhecimento da falta pela autoridade aduaneira (protocolização da denúncia espontânea de fl. 0l do processo apenso), na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Relator designado: Conselheiro Ubaldo Campello Neto.
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S."ao d•..º.3 ...ª.E!.....ª.E!.~~!Ap..:r91.19.(3.9...... ACORDÃO N.•..3Q2.:::3.O'•.8.9.7. Recurso n.' l08.314 - Processo nQ l07ll/002887/8 5-34 Recorrente AG'ENCIAMARíTIMA LAURITS LACHMANN S/A Recorrld IRF - NO PORTO DO RIO DE JANEIRO t. FALTA DE MERCADORIA constante como tendo sido impor- tada (volumes). COnferência final de manifesto. Preliminar de nulidade rejeitada, unanimemente. Admitida a denúnc~a espontânea da infração para eféito de exclusão da penalid~ de. O fato gerador do 1.1. correspondente aperfeiçoa-se na data da entrada (presumida) da mercadoria no país. Recurso provido. designado Faz. Nacional Visto, relatado e discutido o presente processo, ACORDAM os membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade, levantada pela recorrente; no mérito, também por un~ nimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência 19 volumes cobertos pelo BL nQ 80l, Leixões/Rio de Ja- neiro; por maioria de votos, quanto à penalidade, dar provimento pa ra considerá-la excluída por denúncia espontânea da infração, venci do o Conselheiro Sálvio Medeiros Costa, relator; e também por maio= ria de votos, quanto ao cálculo do tributo devido, dar' .provimento , vencidos os Conselheiros Sálvio Medeiros Costa, relator, que negou provimento, e Levy Valério de Oliveira, ,Enrique Manuel Garbayo Gua- rido e Edwaldo Reis da Silva, que deram provimento parcial apenas para considerar como data de referência a do conhecimento da falta pela autoridade aduaneira (protocolização da denúncia espontânea de fl. Ol do processo apenso), na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Relator designado: Conselheiro Ubal- do Campello Neto. Sala das Sessões, 03 de de~~mbro de 1986. ALDO REIS Presidente /úW~ I. b-- UBALDO CAlVIPELLO~ Relator A~ - Procurador da v.v. VISTO EM ' SESSÃO DE: 2 9 ./l1N 1Q~7 RECURSO DO PROCtlRAto~JDA FAZENDA NACIONAL: HOUVE RP/302-0.337 Participaram ainda do presente julgamento os seguintes con selheiros: Newton Paranhos, Paulo césar de Ávila e Silva e Luis Car los Viana de Vasconcelos. '"..' -. -2- SERViÇO PÚBLICO FEDERAL RECORRIDA : IRF - NO PORTO DO R[Q DE JANEIRO MP-TERCEIRO RECORRENTE: CONSELHO DE CONTRIBUINTES, SEGUNDA cÂMARA AGtNCIA MARíTIMA LAURITS LACHMANN S/A Rec.108.314 Ac. 302-30.897 RELATOR DESIGNADO: UBALDO CAMPELLO NETO RELATÓRIO Retorna este processo de diligência determinada pela Reso- lução nº 302-0.155 desta Câmara (fls. 151), cujos relatório e voto (fls. 152 a 154) leio, na íntegra, em sessao, para que passem a in- tegrar o presente. Relativamente à primeira soliciitàç,ão, a repartição anexou cópias da Portaria nº 167, de 15/03/78, do Ministro da Fazenda, das Portarias nº 182, de 24/12/85, nº 14, de 27/01/86, do Inspetor da Receita Federal randos internos tes de chefias, no Porto do Rio de Janeiro , bem como IcóPias de memo da repartição sobre férias e substituição de ocupan I - inclusive da signatária da decisão, ~o Decreto nº 83.937/79 e do Aviso Circular nº 09/79, da Chefia do Gabinete Civil da Presidência da República (fls. 156/170). Quanto à consulta sobre as condições do container e respe~ tivo lacre, no ato da descarga, foram anexadas às fls. 173/179, as Comunicações de Avaria referentes ao navio, com a informação de que o grupo de Manifesto não dispunha de elementos que configurem os si nais de avaria existentes no container SCIU- 219968-2, referente ao conhecimento de carga 801 do porto de Leixões. Em seguida, deu-se vista à recorrente que, dom guarda de prazo, reitera a preliminar de nulidade da decisão. I Para finalizar, impõe-se a retificação do re1latório lido, para registrar que a recorrente abandonou, no recurso, a negativa da falta referente aos conhecimentos de nºs. 503 e 519 - Leixões/Rio. É o relatório~ .. j 'tW SERVIço PÚBLICO FEDERAL . V O T O -3- Rec.108.314 Ac. 302-30.897 Data vênia, discordo, apenas, de dois pontos enfocados no voto do ilustre Conselheiro Relator. Senão vejamos: - Consta apensado aos autos a petição de Denúncia Espontâ- nea apresentada na o~asião da descarga, anterior, portanto a qual- quer procedimento administrativo ou fiscal. É, pois, a meu ver, o- portuna, devendo-se excluir as penalidades relativas aos itens cons tantes daquele documento; - O Código Tributário Nacional (Léi nQ5.172/66), assim es tabelece relativamente à taxa de câmbio que deve ser utilizada na conversão da moeda negociada. "Art. 143 - Salvo disposição de lei em contrário quando o valor do tributo esteja expresso em moeda estrangeira, no lançamento far-se-á sua conversão em moeda nacional ao câm bio do dia da ocorrência do fato gerador da obrigação." "Art. 144 - O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vi- gente, ainda que posteriormente modificada ou revogada". Por sua vez, o fato gerador do imposto de importação,- tr~ buto em discussão - está regulamentada em lei. O Código Tributário Nacional assim dispõe em seu art. 19: "O imposto, de competência da 'União, sobre a importação de produtos estrangeiros, tem como fato gerador a entrada des tes no território nacional". Quando trata do assunto o art. 86 do Regulamento Aduaneir~ aprovado pelo Decreto nQ 91.030, de 05/03/85, repete o dispositivo transcrito do CTN, estabelecendo que "o fato gerador do imposto é a entrada da mercadoria estrangeira no território aduaneiro (Decreto- lei nQ 37/~6,art. lQ). Para seu cálculo, o art. 87 do mesmo Regulamento Aduaneiro assim dispõe: "Para efeito de cálculo do imposto, considera-se ocorrido o fato gerador (Decreto-lei nQ 37/66, art. 23 e parágrafo único): -4- Rec.l08.314 Ac. 302-30.897 SERViÇO PÚBLICO FEDERAL I - na data do registro da declaração de importação de mer cadoria despachada para consumo, inclusive a. a) ingressada no país em regime suspensivo de tributação; b) Omissis 11 - no dia do lançamento respectivo, Quando se tratar de: a) Omissis b) Omissis c) mercadoria constante de manifesto ou documento eQuiva- lente, cuja falta ou avaria for apurada pela autoridade a- duaneira. Parágrafo único - O registro da declaràção de importação consiste em sua numeração pela repartição da Secretaria da Receita Federal." "Data venia", nao pode prevalecer esse dispositivo legal. Com efeito, o Regulamento Aduaneiro, neste ponto, contraria frontal mente o texto expresso em lei - CTN - Que é a norma de maior hierar Quia. Aliás, deve ser ressaltado Que mesmo antes do advento do Re- gulamento não prevalecia de igual maneira o art. 23 do Decreto nº 37/66, pois o Código Tributário Nacional, sendo de data posterior, é norma hierarQuicamente superior. Vários tratadistas consideram ile gal sua aplicação. Também o STF proferiu Acórdãos contra a aplica- çao do referido art. 23, do Decreto-lei nº 37/66, conseQuentemente, pelo prevalecimento da entrada mercadoria no território nacional co mo fato gerador do imposto de importação. Transcrevo um desses Acór dãos: "O fato gerador do imposto de importação é a entrada do prQ duto estrangeiro no território nacional - CTN art. 19 - nao preval~ cendo o art. 23 do Decreto-lei nº 37 de 1966, Que considera o fato gerador a da ta do registro na repartição aduaneira, .da declaração de importação" Ac. nº 74.597 - RI (Ag RG), 2ª Turma RT) 89-123/127. O Acórdão é anterior ao Regulamento Adum,eiro, porém, sua disposição contra a aplicação de seu art. 87 é evidente. Finalmente, cumpre repetir Que, embora posterior ao CTN, o Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto llQ 91.030/85 hierárQuica inferior Que não pode prevalecer. .e norma -5- Rec,108.314 Ac. 302-30.897 SERVlCO PúBLICO FEDERAL Acolhendo-se o ~ue dispõe o referido art. 87, o contribuin te estará sempre a mercê das demoras da engrenagem da administração federal, pois é sabido e notório ~ue nos portos de maior movimento do país, o início do processo administrativo fiscal ~uase sempre a- contece seis meses e até anos após a chegada da mercadoria no ter- ritório nacional. Devido a essa morosidade do serviço público, vem ocorren- do, com fre~üência, a apresentação por parte do contribuinte, da d~ núncia espontânea de faltas para os efeitos previstos pelo CTN, art. 138, com graves e grandes perdas para a Fazenda Nacional. Assim, no tocante a este ponto de div.é~gência, \ , lar fiscal vigorante à data da entrada da mercadoria no nacional. Êis o meu voto. Sala das Sessões, 03 de dezembro de 1986. li/'- ;j,b-,~k' ~ELLO O Relat r aplico o dó território -0- Rec.l08.314 Ac. 302-30.897 SERViço PÚBLICO FEDERAL v O T O V E N C I D O Conforme se verifica dos documentos anexados"a competência do Inspetor da Receita Federal no Porto do Rio de Janeiro está cla- ramente definida na Portaria nQ l67, de l5/03/l978, do Ministro da Fazenda. Por outro lado, segundo prescreve o artigo 6Q .do Decreto nQ 83.937/79, o ato de delegar pressupõe a autoridade para subdele- gar. Assim, a delegação conferida na Portaria nQ Ol82/85 ao Chefe da Seção de Tributação para julgar processos é legítima. A AFTN Zélia Maturina de Lemos Ferreira, ao prolatar a de- cisão, o fez no pleno exercício de suas atribuições, como substitu- ta legal, do Chefe da Seção de Tributação, estando, pois"aquele ato revestido de legalidade. Nessas condições, rejeito a preliminar arguída pela recor- rente e passo a abordar as razões de mérito. Com a informação prestada às fls. l72 e à vista dos docu- mentos anexados por força da diligência, é de se concluir que o con tainer foi descarregado sem sinais de avaria e com o lacre intacto. Dessa forma, por se tratar de container embarcado sob a cláusula "House to house", de'conformidade com inúmeros julgados de~ ta Câmara, não cabe ao transportador a responsabilidade por falta Q corrida após a descarga, como no caso presente. Assim,considero prQ cedentes as alegações relativas aos 19 volumes cobertos pelo conhe- cimento nQ 80l - Leixões/Rio, correspondente à D.I. nQ l2l8/85. Quanto à denúncia espontânea e taxa de câmbio"concordo com a decisão recorrida, pelas razões já expendidasem votos formulados em diversos recursos, cujas cópias junto à presente declaração de voto, para que passem a integrá-la. Concluindo, meu voto é'no sentido de, rejeitada a prelimi- nar levantada pela recorrente, dar provimento parcial ao recurso p~ raque seja excluído da exigência o valor correspondente à mercado- ria (l9 caixa~ coberta pelo conhecimento nQ 80l - Leixões/Rio. Sala de 1986. -7- Rec.lOS.314 Ac.302-30.S97 A recorrente pleiteia a exclusão de sua respor£abili- dade pela multa Q.uelhe fo,i imposta, en razão de falta de volu . .rnes apurada em conferência firel de nanifesto, alegando que 4 - '. ~apresenuou de~ULClaespcntanea. Isto posto, sabido é~ue, ao aportar, o navio proce - dente do exterior é submetido à visita aduaneira, momento em ~ue seu respo~ável, ou seja, o comandante, é obrigado aapre- sentar, entre outros, todos os documentos relativos à carga nacional, assinada em Londres, pelo Decreto nQ 80.672/77, bem Para registro desses transportada prestando, no ato"por escrito, declarações com - plemehtares ~ue julgue devidas •• Trata-se de procedimento já adotado pela NoVa Consoli ..---dação das Leis da Alfândega e Mesas de Rendas (NCLAEffi),consa- grado na Convenção para Facilitação do Tráfego TilarítimoInter- em 1965, promulgada no Brasil, como no Decreto-lei!nQ 37/66. I _ documentos e das dec:laraçoes'do comandante foi criado o Termo de Visita Aduaneira.'-Atualmente, a visita aduaneira está disciplinada pelo Regu~amerrto..Ad:aneiroaprovado pelo Decreto nQ 91.030/85. Suas disposições, atinentes à matéria (artigos 44 e 45) r~o deixam dúvida de ~ue, a partir ,davisita, o veículo e sua carga estão sob controle da autoridade aduaneira constituindo-se o Termo de Visita Aduanei.rano início do procedimento administrativo • capaz de inibir a iniciativa da 'denúncia espontânea, no que se refere a falta ou acréscimo, n8s termos do parágrafo Único do artigo'138 do CTN. Há quem afirme nao poder'o comandante conhecer as COE; dições da carga e seus documentos. Ocorre que as exigências le gais e regulamentares de apresentação de documentos e informa- ções sobre a carga se aplicam tanto ao início ~uanto ao térmi- no da viagem. Encerrado o embar~ue e recebida a documentação , o comandante tem em maõs todos os dados te a bordo. Erros e omissões devem ser sobre a carga existen- corrigidos através dOS~. • meios próprios, previstos na legislação, ao con.':lecimentodo comandar"teque deverá -8~, Rec.iÓ8.314 Ac.302-30.897 mas nao podem escapar esclarecer tudo no TermoTermo de Visita l.....d'C.aneira. :L"j'este processo o referido , (fls. 52) r~da registra sobre os acréscimos. De outra parte, o recurso ao disposto no artigo 138 do CTN está condicior~do à indiscutível ocorrência da infração e à defi~ção do ~esponsável pela mesma. Ora; quando a recorrente formulou a pretensa denúncia, a infração não estav~ configurada e a responsabilidade seria, ainda, apurada em conferência final de manifesto. Ao término idesta, poder-se-ia, inclusive, .chegar à conclusão Ide inexistên cia da infração ou, ainda, se cpnfirmada, ser indicado outro responsável que nao a recorrente. Neste processo, aliás, essa situação está plenamente caracterizada, pois a recorrente, no documento de fls. 39 -que se pretende tomar como denúncia espontânea - informou a ocor rência de faltas e acréscimos, sendo, porém, após a conferên cia final do manifêsto, apurados apenas os acréscimos. ILogo, no momento em que aquela informaçãq foi presta- .. , da, nao havia certeza da infração nem estava identificado o sujeito passivo da obrigação tributária. Demais disso, como a recorrente, segundo afirma, de- nunciou faltas e acréscimos, deveria comprovar o .recolhimento do imposto referente às faltas ou, pelo menos, solicitar seu arbitrameÍlto. Pelas razoes expostas, nao vejo amparo legal para acei tar-se a comunicação de fls. com'odenúncia espdntânea para I ', os fins previstos no artigo 138 do CTN. sala das Sessões, 03 de dezembro de 1986. 't;I~STAe~:;rr .. - --'.'-=9-=' ..,.". Rec:l08.314 Ac.302-30.897 :D:2SL.lcP.ACIO :DE VOTO (VElTCIDO) Quanto à data de referência para cálculo dos tributos, trata-se, sem dÚvida, de matéria bastante polêmica) sobre a qlli esta Cêm~ra, inclusive, tem alternado suas decisõe~ por força de reconsideração de posições, a respeito, de alguns de membros. seus As opiniões variam entre as datas da entrada do navio, do registro da :D.I.,.da comurãcação do depositário, do pedido de esclarecimentos formulados pela repartição aduaneira, da con firmação da falta pelo agente marítimo,e, até mesmo, da data do lançamento. , Tais divergências resultam, naturalmente, da forma pou co clara como a legislação disciplinava a matéria. Com relação à mercadoria despachada para donsumo, o Decreto-lei nQ 37/66, em seu artigo 23; dispõe que Ise considera , ocorrido o fato gerador do imposto de importação na data do re- gistro da Declaração de Importação. No artigo seguinte,prescre- ve que, para efeito do cálculo do imposto, os valores expressos em moeda estrangeira serão convertidos, em moeda nacional, à ta xa de câmbio vigente no momento da ocorrência do fato gerador, portanto, na data do registro da Declaração de Importação. Quanto à mercadoria faltante considerada como entrada no país, para efeito de ocorrência do fato gerador,:nos termos do parágrafo únicõ do artigo IQ do mesmo diplooalegal (fato gera , Idor presumido), o parágrafo único do citado artigo 23 estabele- ce que aquela mercadoria "ficará sujeita aos tributbs vigoran _ !tes na data em que a autoridade aduaneira apurar,.a falta ou de- la tiver conhecimento". Como se vê, no caso de falta, ao contrário do que ocoE re com a mercadoria efetivamente entrada no território nacional, o Decreto-lei nQ 37/66 não define o momento da .ocorrência do q& -10- Rec .'lÓ8. 314 Ac.302-30.897 I fato gerador, uma vez ~ue nao identifica os momentos em ~ue se apura ou se tem con..'lecimentoda falta. Com o advento, porém, do Regulamento Aduaneiro, apro- vado pelo Decreto nQ 91.030, de 05.03.85, a matéria está clara mente disciplinada. Com efeito, segundo seu artigo 87, inciso 11, alínea £, para efeit.o de cálculo de imposto, considera-se, ocorrido o Ifato gerador no dia do lançamento respectivo, ~uando se tratar de mercadoria constante de manifesto ou documento e~uivalente, cuja falta ou avaria foi apurada pela autoridade aduaneira. - ! Complementando, o citado Regulamento dispõe, no arti- go 107, ~ue, na hipótese mencionada, a mercadoria ficará sujei ta aos tributos vigorantes na data em~ue a autorid8.de aduanei- ra apurar o fato, dispondo, ainda, no respectivo parágrafo úni crédito tributário correspondente. co, ~ue o fato se considera apurado na data do lançamento ! do Em conclus~o, do exposto verifica-se ~ue o Regulamen- to precisou, não só o momento de ocorrência de fat~ gerador , presumido, como o.em ~ue se considera apurada a falta ou ava - ria. pectivo lançamento. dos, na lores - Assim, por força dos dispositivos regulame~tares cita espéCie, '0 cálculo do tributo deve ter por base os va- taxa de câmbio e'alí~uotas - vigorantes na data do res I sila das Sessões, 03 de dezembro de 1986. -11- Rec.:j.08.314 AC. 302-30.897 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL DECLARAÇÃO DE VOTO' (VENCIDO) Discordo do ilustre Conselheiro relator apenas no Cluecon"- cerne à taxa de conversão da moeda estrangeira, para efeito de cál- culo do ,valor do Imposto de Importação devido. Com efeito, no presente caso, de acordo com o entendimento firmado nesta Câmara, em casos da mesma espécie, aliás Já 'mantido pela E. Instância Especial, devem ser utilizados os valores - taxa de dólar fiscal e alíCluota - vigorantes em 17/01/85, data do "conhe cimento" da falta pela autoridade aduaneira (denúncia', fl. 1 do prQ cesso apenso), conforme preconizado na segunda das alternativas do parágrafo único ao art. 23 do Decreto-lei nQ 37/66. Assim, nesse ponto, dou provimento parcial ao recurso, nos termos indicados. S'aladas sessJes, ~3 de /t:t&-~" .Edwaldo Reis da /' dezembro de 1986. Silva Conselheiro 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011 00000012
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Numero do processo: 13116.722282/2016-10
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012, 2013
DESPESAS. NECESSIDADE. EFETIVIDADE DOS SERVIÇOS. COMPROVAÇÃO.
A procedência ou improcedência das glosas de despesas deve ser aferida a partir do exame da necessidade das referidas despesas à luz dos critérios fixados na legislação, bem como a partir da comprovação por parte do sujeito passivo da efetiva prestação dos serviços contratados, mediante documentação hábil e idônea.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2012, 2013
CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO.
O decidido para o lançamento de IRPJ estende-se ao lançamento que com ele compartilha o mesmo fundamento factual e para o qual não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2012, 2013
COFINS. LANÇAMENTO REFLEXO.
O decidido para o lançamento de IRPJ estende-se ao lançamento que com ele compartilha o mesmo fundamento factual e para o qual não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso.
COFINS. APURAÇÃO NÃO-CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTOS. INCLUSÃO.
Anteriormente à Lei nº 12.973, de 2014, as receitas de subvenções para investimentos integram a base de cálculo da Cofins, no sistema não cumulativo de apuração, diante da ausência de previsão legal para a exclusão específica de ingressos dessa natureza.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2012, 2013
PIS/PASEP. LANÇAMENTO REFLEXO.
O decidido para o lançamento de IRPJ estende-se ao lançamento que com ele compartilha o mesmo fundamento factual e para o qual não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso.
PIS/PASEP. APURAÇÃO NÃO-CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTOS. INCLUSÃO.
Anteriormente à Lei nº 12.973, de 2014, as receitas de subvenções para investimentos integram a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, no sistema não cumulativo de apuração, diante da ausência de previsão legal para a exclusão específica de ingressos dessa natureza.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2012, 2013
HIPÓTESES DE NULIDADE. AUSÊNCIA. LANÇAMENTO. REGULARIDADE.
Não se comprovando situação que se enquadre nas hipóteses do art. 59, incisos I e II, do Decreto nº 70.235, de 1972, não ocorre a nulidade do lançamento e/ou da decisão de primeira instância.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
Somente é cabível o pedido de diligência quando esta for imprescindível ou praticável ao desenvolvimento da lide, devendo serem afastados os pedidos que não apresentam este desígnio.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2012, 2013
MANDADO DE SEGURANÇA. COISA JULGADA. RENÚNCIA EXTRAJUDICIAL. IMPOSSIBILIDADE.
Em decorrência do Princípio da Legalidade e do caráter mandamental da decisão proferida em Mandado de Segurança, tratando-se de relação jurídico-tributária, não é possível, por ato unilateral extrajudicial da parte vencedora, o desfazimento da coisa julgada, para restabelecer a incidência da norma legal afastada por decisão judicial.
MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. LEI. NOVA REDAÇÃO. FATOS GERADORES A PARTIR DE 2007.
Após a alteração de redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, é plenamente aplicável a multa isolada de 50% em relação à insuficiência de recolhimento de estimativas e a multa de ofício de 75% sobre o lançamento complementar. O disposto na Súmula nº 105 do CARF aplica-se aos fatos geradores pretéritos ao ano de 2007.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 1302-003.085
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminar de nulidade do lançamento e do acórdão de primeiro grau e ao requerimento de diligência; por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto à inclusão da receita relativa ao IPI Complementar na base de cálculo do IRPJ, CSLL, Contribuição ao PIS/Pasep e Cofins, vencidos os conselheiros Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias, votando o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa pelas conclusões do relator; por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso quanto à tributação pelo IRPJ e CSLL do crédito ICMS outorgado pelo governo de Goiás a título de subvenção para investimento e, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso quanto a exigência de Pis e Cofins sobre as mesmas subvenções, vencidos os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias; por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso quanto à glosa de despesas com consultoria e assessoria, quanto aos pagamentos efetuados a Cançado e Barreto Advocacia S/S; e em negar provimento quanto ao reflexo na base de cálculo da CSLL, à incidência de juros sobre a multa; e à compensação de prejuízos fiscais e base negativa da CSLL; e, ainda, por maioria de votos, em negar provimento quanto à exigência de multa isolada de estimativas de IRPJ e CSLL, vencidos Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias. E, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do relator. Manifestou intenção de apresentar de declaração de voto os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Flávio Machado Vilhena Dias.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2012, 2013 DESPESAS. NECESSIDADE. EFETIVIDADE DOS SERVIÇOS. COMPROVAÇÃO. A procedência ou improcedência das glosas de despesas deve ser aferida a partir do exame da necessidade das referidas despesas à luz dos critérios fixados na legislação, bem como a partir da comprovação por parte do sujeito passivo da efetiva prestação dos serviços contratados, mediante documentação hábil e idônea. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2012, 2013 CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO. O decidido para o lançamento de IRPJ estende-se ao lançamento que com ele compartilha o mesmo fundamento factual e para o qual não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2012, 2013 COFINS. LANÇAMENTO REFLEXO. O decidido para o lançamento de IRPJ estende-se ao lançamento que com ele compartilha o mesmo fundamento factual e para o qual não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso. COFINS. APURAÇÃO NÃO-CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTOS. INCLUSÃO. Anteriormente à Lei nº 12.973, de 2014, as receitas de subvenções para investimentos integram a base de cálculo da Cofins, no sistema não cumulativo de apuração, diante da ausência de previsão legal para a exclusão específica de ingressos dessa natureza. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2012, 2013 PIS/PASEP. LANÇAMENTO REFLEXO. O decidido para o lançamento de IRPJ estende-se ao lançamento que com ele compartilha o mesmo fundamento factual e para o qual não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso. PIS/PASEP. APURAÇÃO NÃO-CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTOS. INCLUSÃO. Anteriormente à Lei nº 12.973, de 2014, as receitas de subvenções para investimentos integram a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, no sistema não cumulativo de apuração, diante da ausência de previsão legal para a exclusão específica de ingressos dessa natureza. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2012, 2013 HIPÓTESES DE NULIDADE. AUSÊNCIA. LANÇAMENTO. REGULARIDADE. Não se comprovando situação que se enquadre nas hipóteses do art. 59, incisos I e II, do Decreto nº 70.235, de 1972, não ocorre a nulidade do lançamento e/ou da decisão de primeira instância. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Somente é cabível o pedido de diligência quando esta for imprescindível ou praticável ao desenvolvimento da lide, devendo serem afastados os pedidos que não apresentam este desígnio. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2012, 2013 MANDADO DE SEGURANÇA. COISA JULGADA. RENÚNCIA EXTRAJUDICIAL. IMPOSSIBILIDADE. Em decorrência do Princípio da Legalidade e do caráter mandamental da decisão proferida em Mandado de Segurança, tratando-se de relação jurídico-tributária, não é possível, por ato unilateral extrajudicial da parte vencedora, o desfazimento da coisa julgada, para restabelecer a incidência da norma legal afastada por decisão judicial. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. LEI. NOVA REDAÇÃO. FATOS GERADORES A PARTIR DE 2007. Após a alteração de redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, é plenamente aplicável a multa isolada de 50% em relação à insuficiência de recolhimento de estimativas e a multa de ofício de 75% sobre o lançamento complementar. O disposto na Súmula nº 105 do CARF aplica-se aos fatos geradores pretéritos ao ano de 2007. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
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OMISSÃO DE RECEITAS. Recorrentes CAOA MONTADORA DE VEICULOS LTDA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012, 2013 DESPESAS. NECESSIDADE. EFETIVIDADE DOS SERVIÇOS. COMPROVAÇÃO. A procedência ou improcedência das glosas de despesas deve ser aferida a partir do exame da necessidade das referidas despesas à luz dos critérios fixados na legislação, bem como a partir da comprovação por parte do sujeito passivo da efetiva prestação dos serviços contratados, mediante documentação hábil e idônea. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2012, 2013 CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO. O decidido para o lançamento de IRPJ estendese ao lançamento que com ele compartilha o mesmo fundamento factual e para o qual não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2012, 2013 COFINS. LANÇAMENTO REFLEXO. O decidido para o lançamento de IRPJ estendese ao lançamento que com ele compartilha o mesmo fundamento factual e para o qual não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso. COFINS. APURAÇÃO NÃOCUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTOS. INCLUSÃO. Anteriormente à Lei nº 12.973, de 2014, as receitas de subvenções para investimentos integram a base de cálculo da Cofins, no sistema não AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 72 22 82 /2 01 6- 10 Fl. 5851DF CARF MF Processo nº 13116.722282/201610 Acórdão n.º 1302003.085 S1C3T2 Fl. 5.852 2 cumulativo de apuração, diante da ausência de previsão legal para a exclusão específica de ingressos dessa natureza. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2012, 2013 PIS/PASEP. LANÇAMENTO REFLEXO. O decidido para o lançamento de IRPJ estendese ao lançamento que com ele compartilha o mesmo fundamento factual e para o qual não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso. PIS/PASEP. APURAÇÃO NÃOCUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTOS. INCLUSÃO. Anteriormente à Lei nº 12.973, de 2014, as receitas de subvenções para investimentos integram a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, no sistema não cumulativo de apuração, diante da ausência de previsão legal para a exclusão específica de ingressos dessa natureza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2012, 2013 HIPÓTESES DE NULIDADE. AUSÊNCIA. LANÇAMENTO. REGULARIDADE. Não se comprovando situação que se enquadre nas hipóteses do art. 59, incisos I e II, do Decreto nº 70.235, de 1972, não ocorre a nulidade do lançamento e/ou da decisão de primeira instância. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Somente é cabível o pedido de diligência quando esta for imprescindível ou praticável ao desenvolvimento da lide, devendo serem afastados os pedidos que não apresentam este desígnio. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2012, 2013 MANDADO DE SEGURANÇA. COISA JULGADA. RENÚNCIA EXTRAJUDICIAL. IMPOSSIBILIDADE. Em decorrência do Princípio da Legalidade e do caráter mandamental da decisão proferida em Mandado de Segurança, tratandose de relação jurídico tributária, não é possível, por ato unilateral extrajudicial da parte vencedora, o desfazimento da coisa julgada, para restabelecer a incidência da norma legal afastada por decisão judicial. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. LEI. NOVA REDAÇÃO. FATOS GERADORES A PARTIR DE 2007. Após a alteração de redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, é plenamente aplicável a multa isolada de 50% em relação à insuficiência de recolhimento de estimativas e a multa de ofício de 75% sobre o lançamento complementar. O disposto na Súmula nº 105 do CARF aplicase aos fatos geradores pretéritos ao ano de 2007. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Fl. 5852DF CARF MF Processo nº 13116.722282/201610 Acórdão n.º 1302003.085 S1C3T2 Fl. 5.853 3 A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminar de nulidade do lançamento e do acórdão de primeiro grau e ao requerimento de diligência; por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto à inclusão da receita relativa ao IPI Complementar na base de cálculo do IRPJ, CSLL, Contribuição ao PIS/Pasep e Cofins, vencidos os conselheiros Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias, votando o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa pelas conclusões do relator; por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso quanto à tributação pelo IRPJ e CSLL do crédito ICMS outorgado pelo governo de Goiás a título de subvenção para investimento e, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso quanto a exigência de Pis e Cofins sobre as mesmas subvenções, vencidos os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias; por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso quanto à glosa de despesas com consultoria e assessoria, quanto aos pagamentos efetuados a Cançado e Barreto Advocacia S/S; e em negar provimento quanto ao reflexo na base de cálculo da CSLL, à incidência de juros sobre a multa; e à compensação de prejuízos fiscais e base negativa da CSLL; e, ainda, por maioria de votos, em negar provimento quanto à exigência de multa isolada de estimativas de IRPJ e CSLL, vencidos Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias. E, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do relator. Manifestou intenção de apresentar de declaração de voto os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Flávio Machado Vilhena Dias. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratamse de Recurso Voluntário e Recurso de Ofício apresentados em relação ao Acórdão nº 0839.861, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza/CE (fls. 5.292 a 5.392), que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pelo sujeito passivo, e cuja ementa é a seguinte: Fl. 5853DF CARF MF Processo nº 13116.722282/201610 Acórdão n.º 1302003.085 S1C3T2 Fl. 5.854 4 "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2012 RENÚNCIA AOS EFEITOS DA COISA JULGADA. IMPROCEDENTE. A norma individual e concreta produzida em sentença judicial transitada em julgado apenas deixará de ser aplicável ao caso se houver alteração fática ou normativa com pronunciamento do Poder Judiciário. A renúncia, tácita ou expressa, não pode ser oposta para restabelecer a relação jurídicotributária protegida pelo instituto da coisa julgada. COISA JULGADA MATERIAL. LIMITES OBJETIVOS. ALTERAÇÃO DO ESTADO DE FATO OU DE DIREITO. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em modificação do estado de direito quando as alterações regulamentares posteriores em nada modificaram os aspectos pertinentes à hipótese de incidência de determinado tributo. SUBVENÇÕES. DOAÇÕES. DISTINÇÃO. Em Direito Público, doação e subvenção não são conceitos que se confundem. Os dois institutos são regidos por normas diferentes e são instituídos por procedimentos que lhes são próprios. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. Este órgão do contencioso administrativo não possui competência para se pronunciar sobre controvérsias atinentes a Representação Fiscal para Fins Penais, matéria da alçada do Ministério Público Federal, titular da ação penal, e do Poder Judiciário, encarregado de processar e de julgar as ações penais respectivas. Assunto: Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2012, 2013 IPI COMPLEMENTAR. RECEITA TRIBUTÁVEL. Os valores de IPI Complementar indevidamente destacados, por força de decisão judicial, ingressam no patrimônio do contribuinte como receita e devem compor a base de cálculo do imposto sobre a renda da pessoa jurídica. IPI SUB JUDICE. LUCRO REAL. INDEDUTIBILIDADE. O IPI cuja exigibilidade esteja suspensa, assegurada por meio de depósito judicial, não pode ser integrar o custo das mercadorias vendidas nem ser deduzido na determinação do lucro real por expressa vedação legal. Fl. 5854DF CARF MF Processo nº 13116.722282/201610 Acórdão n.º 1302003.085 S1C3T2 Fl. 5.855 5 SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTOS. DESCARACTERIZAÇÃO. INCENTIVOS FISCAIS. CRÉDITO OUTORGADO DE ICMS. INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. Os valores correspondentes ao benefício fiscal do Crédito Outorgado de ICMS que não possuam vinculação com a aplicação específica dos recursos em bens ou direitos referentes à implantação ou expansão de empreendimento econômico não se caracterizam como subvenção para investimentos, devendo ser computados na determinação do lucro real. Os recursos fornecidos às pessoas jurídicas pela Administração Pública, quando não atrelados ao investimento na implantação ou expansão do empreendimento projetado, constituem estímulo fiscal que se reveste das características próprias das subvenções para custeio, não se confundindo com as subvenções para investimento, e devem ser computados no lucro operacional das pessoas jurídicas, sujeitandose, portanto, à incidência do imposto sobre a renda. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTOS. DESCARACTERIZAÇÃO. INCENTIVOS FISCAIS. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. Os valores correspondentes ao benefício fiscal do Crédito Presumido de IPI não se caracterizam como subvenção para investimento para fins de não serem computados na apuração do lucro real, uma vez que não há compromisso de que a subvenção seja aplicada em algum investimento para implantação ou expansão de empreendimento econômico mas à pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica. DESPESAS COM PAGAMENTOS DE BÔNUS SOBRE VENDAS. GLOSA. IMPROCEDÊNCIA. Presentes os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade, as despesas com pagamento de bônus sobre vendas são consideradas operacionais e podem ser deduzidas na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. GLOSA DE DESPESAS. SERVIÇOS DE CONSULTORIA E ASSESSORIA EMPRESARIAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. Não tendo o contribuinte logrado comprovar, de forma inequívoca, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, a efetiva prestação de serviços de consultoria e assessoria, nem a vinculação aos requisitos de necessariedade, normalidade e usualidade presentes na legislação do imposto de renda, forçoso concluir que é cabível sua glosa. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. CUMULAÇÃO COM A MULTA DE OFÍCIO PELA FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE TRIBUTO. MATERIALIDADES DISTINTAS. Fl. 5855DF CARF MF Processo nº 13116.722282/201610 Acórdão n.º 1302003.085 S1C3T2 Fl. 5.856 6 A partir do advento da MP 351/2007, convertida na Lei 11.488/2007 a multa isolada passa a incidir sobre o valor não recolhido da estimativa mensal independentemente do valor do tributo devido ao final do ano, cuja falta ou insuficiência, se apurada, estaria sujeita à incidência da multa de ofício. São duas materialidades distintas, uma referese ao ressarcimento ao Estado pela não entrada de recursos no tempo determinado e a outra pelo não oferecimento à tributação de valores que estariam sujeitos à mesma. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. CABIMENTO. A QUALQUER TEMPO. Cabível a multa exigida isoladamente, quando a pessoa jurídica sujeita ao pagamento mensal do IRPJ, determinada sobre a base de cálculo estimada, deixar de efetuar o seu recolhimento dentro do prazo legal de vencimento, por expressa previsão legal. Permanece aplicável a referida multa quando a falta é detectada após o encerramento do exercício de apuração da base de cálculo destes tributos, por interpretação lógica do disposto no artigo 44, II, b da Lei 9.430/96. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Por se tratar de exigências reflexas realizadas com base nos mesmos fatos, a decisão de mérito prolatada quanto ao lançamento do imposto de renda pessoa jurídica constitui prejulgado na decisão dos lançamentos decorrentes relativos à CSLL, à Cofins e à contribuição para o PIS. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2012 COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. DELEGACIAS DE JULGAMENTO. INCOMPETÊNCIA. Não se inclui nas prerrogativas das Delegacias de Julgamento a apreciação da compensação de ofício. INTIMAÇÃO. INFRAÇÃO CARACTERIZADA. DESNECESSIDADE. Se o agente fiscal dispuser de elementos necessários, robustos e suficientes para a constituição do crédito tributário, pode ser dispensada a intimação ao sujeito passivo para apresentar documentos ou prestar esclarecimentos. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2012 SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO OU OPERAÇÃO. RECEITA. O crédito presumido do IPI e os créditos outorgados de ICMS, classificados como subvenções para custeio ou operação, uma Fl. 5856DF CARF MF Processo nº 13116.722282/201610 Acórdão n.º 1302003.085 S1C3T2 Fl. 5.857 7 vez abrangidos pelo conceito de receita e não tendo sido expressamente contemplados pelas hipóteses de exclusão e isenção, submetemse à incidência da contribuição. NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM PAGAMENTOS DE BÔNUS SOBRE VENDAS. O pagamento de bônus sobre vendas, como o próprio nome sugere, representa um prêmio, uma vantagem, uma bonificação para quem o recebe e um encargo, uma despesa, para quem o paga. A citada despesa não configura desconto concedido, razão pela qual o valor pago a título de bônus sobre vendas não afeta a base de cálculo da contribuição, que tem como ponto de partida a receita auferida pela pessoa jurídica, sendo certo também que não há previsão legal para a sua exclusão da referida base de cálculo. NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO A CRÉDITO. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS. CONCEITO. Para fins de apuração de créditos da contribuição, consideram se insumos as matériasprimas, os produtos intermediários, os materiais de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas, em ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, bem como os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. LANÇAMENTO DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA. Aplicase ao lançamento da contribuição para o PIS o decidido em relação à Cofins exigida de ofício a partir da mesma matéria fática. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2012, 2013 DESPESAS GLOSADAS. ADIÇÃO AO LUCRO LÍQUIDO PARA DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. PREVISÃO LEGAL. PROCEDÊNCIA. Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente para apuração do IRPJ. Logo, é procedente a adição na base de cálculo da CSLL das despesas glosadas." O Relatório do Acórdão recorrido descreve de forma precisa o procedimento fiscal e a Impugnação apresentada, de modo que passo a transcrevêlo, com a devida complementação: "Tratamse de Autos de Infração lavrados contra o contribuinte acima identificado, doravante denominado Impugnante, para exigência de IRPJ (fls. 3.924 a 3.938), CSLL (fls. 3.939 a 3.954), Fl. 5857DF CARF MF Processo nº 13116.722282/201610 Acórdão n.º 1302003.085 S1C3T2 Fl. 5.858 8 Cofins (fls. 3.955 a 3.967) e PIS (fls. 3.968 a 3.980), além de multas isoladas, referentes a fatos ocorridos nos anoscalendário 2012 e 2013. Tendo verificado incorreção no cálculo dos Autos de Infração de IRPJ e de CSLL, a Fiscalização promoveu a revisão de ofício, sem modificação de critério jurídico, com fulcro no art. 149 da Lei nº 5.172 de 1996, o Código Tributário Nacional (CTN), a fim de incluir o saldo negativo declarado daqueles tributos. Como resultado desta operação, retificou os Autos de Infração de IRPJ (fls. 4.938 a 4.940) e de CSLL (fls. 4.941 a 4.943), importando no total de crédito tributário de R$ 1.420.483.996,87. Do Termo de Verificação Fiscal fls. 3.982 a 4.032 Concluído o procedimento fiscal inscrito sob o nº 0120200.2015.00169 e iniciado em 20/08/2015 (data de ciência do Termo de Início), a Autoridade Fiscal apurou as seguintes infrações à legislação tributária: (a) Omissão de receita caracterizada pela falta ou insuficiência de contabilização de IPI destacado indevidamente nas notas fiscais de revenda de mercadorias importadas, no total de R$ 264.820.188,46 ao longo do anobase 2012; (b) Glosa de despesas de consultoria, auditoria e assistência técnica não comprovadas, no total de R$ 88.433.906,79, nos anosbase 2012 e 2013; (c) Contabilização indevida, como subvenções para investimento, de valor relativo a subvenções correntes para custeio ou operação (crédito presumido de IPI) recebidas no anobase 2012, no total de R$ 145.686.003,39; (d) Contabilização indevida, como subvenções para investimento, de valor relativo a subvenções correntes para custeio ou operação (crédito outorgado de ICMS) recebidas no anobase 2012, no total de R$ 455.915.372,45; (e) Valores não adicionados ao Lucro Líquido do anobase 2012, para a determinação do Lucro Real, relativos a repasses feitos a empresas do mesmo grupo econômico, bem como a outros clientes, com a denominação de “Bônus sobre Vendas”, no total de R$ 509.405.836,28; e (f) Multa pela falta de pagamento de estimativa mensal do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica, incidente sobre a base de cálculo calculada com base em balanço de suspensão ou redução, nos anosbase 2012 e 2013. Registrese que todas as infrações acima também foram objeto de exigências no lançamento decorrente de CSLL. Quanto aos lançamentos decorrentes de PIS e Cofins, apenas as infrações “a”, “c”, “d” e “e” foram objeto de exigências, oportuno consignar, no que tange à última, que a acusação fiscal Fl. 5858DF CARF MF Processo nº 13116.722282/201610 Acórdão n.º 1302003.085 S1C3T2 Fl. 5.859 9 é de exclusão indevida, da base de cálculo dessas contribuições, do referido bônus. Da Impugnação fls. 4.046 a 4.221 Intimada do lançamento fiscal e irresignada com este, a Impugnante contesta, por meio de defesa fundamentada, detalhada e organizada, as infrações arroladas pela Fiscalização, oferecendo vários argumentos para afastar a incidência de cada uma daquelas. São eles: (a) IPI complementar destacado nas notas fiscais: que renunciou os efeitos da decisão transitada em julgado que autorizou o não recolhimento desta modalidade do tributo; que houve revogação da norma legal em que se fundamentava o dispositivo da sentença, caracterizando a mutabilidade da coisa julgada; que não houve o reconhecimento do crédito efetivamente recolhido; e que houve erro na apuração do Custo da Mercadoria Vendida (CMV). (b) Despesas de consultoria, auditoria e assistência: que a Fiscalização não buscou a verdade material ao realizar a glosa e ofendeu o contraditório e à ampla defesa, aptos a inquinar de nulidade o auto de infração; que apresentou a documentação comprobatória do pagamento das despesas glosadas; que a contabilidade faz prova a favor da Impugnante. (c) Subvenções para investimento: que os créditos de ICMS outorgados pelo estado de Goiás são, de fato, subvenções para investimento, não subvenções de custeio como pretende qualificar a Fiscalização, pois atendidas as contrapartidas legais firmadas; que não é exigível o sincronismo entre o benefício concedido e o investimento realizado; que é possível empregar o investimento como reforço ao capital de giro. (d) Subvenções para investimento: que os créditos presumidos de IPI recebidos da União eram, de fato, subvenções para investimento, demonstrando sua aplicação em implantação ou expansão do empreendimento econômico; que, se não forem reconhecidos como subvenções, devem sêlo como doações, que não são tributáveis. (e) Bônus sobre as vendas: que houve ofensa aos princípios do contraditório e ampla defesa em decorrência da fundamentação legal da infração; que as bases de cálculo aferidas são incertas e ilíquidas, destarte inquinado de nulidade o auto de infração; que a natureza jurídica desta verba é de desconto incondicional e, portanto, não constitui receita tributável da Impugnante; que, mesmo não sendo reconhecida sua natureza, esta verba é dedutível por se tratar de despesa operacional, conforme Regulamento do Imposto de Renda, e de insumo, na ótica da legislação das contribuições PIS e Cofins. Fl. 5859DF CARF MF Processo nº 13116.722282/201610 Acórdão n.º 1302003.085 S1C3T2 Fl. 5.860 10 (f) Multa isolada sobre falta de recolhimento do IRPJ/CSLL por estimativa: que a multa isolada é inaplicável neste caso e que ela não pode ser cumulada com a multa de ofício. Afora estes pontos, ainda alega: inexistir previsão legal para adicionar, à base de cálculo da CSLL, as despesas consideradas não comprovadas; ilegalidade da cobrança de juros de mora sobre multa de ofício; necessidade de restabelecimento do prejuízo fiscal e da base negativa da CSLL compensados de ofício; e improcedência de representação fiscal para fins penais por inexistência de qualificação da multa. Caso não sejam cancelados os Autos de Infração, pugna pela conversão do julgamento em diligência." A decisão de primeira instância (fls. 5.292 a 5.392) manteve a autuação relativa à infração de omissão de receitas dos valores correspondentes ao IPI complementar, por entender que: (a) a renúncia, nos moldes realizados pelo sujeito passivo, não tem o condão de desconstituir os efeitos da coisa julgada; (b) a edição dos Decretos nº 4.544, de 2002, e nº 7.212, de 2010, não promoveu alteração no estado de direito, e não modificaram a coisa julgada material; (c) estando desobrigado do recolhimento do IPI complementar, a parcela correspondente aos valores destacados a tal título é receita própria do sujeito passivo, para todos os efeitos; (d) não é possível à autoridade administrativa compensar, sem a obediência ao rito próprio estipulado na legislação para as compensações, os créditos decorrentes de recolhimentos efetuados pelo sujeito passivo a título de IPI complementar com os débitos de IRPJ e CSLL apurados; (e) o julgador administrativo de primeira instância não detém competência para promover a compensação de ofício dos referidos valores; (f) inexiste nulidade dos autos de infração na ausência da citada compensação de ofício; (g) o valor referente ao IPI cuja exigibilidade estava suspensa, por força de depósito judicial realizado nos autos da Ação Ordinária nº 6818357.2011.4.01.3400, não pode integrar o custo das mercadorias vendidas, posto que também não pode ser deduzido na apuração do Lucro Real. Não tendo havido contestação expressa sobre a emissão de notas fiscais com CFOP incorreto, considerou a matéria preclusa no contencioso administrativo. Em relação à autuação referente ao crédito outorgado de ICMS e ao crédito presumido de IPI, entendeu o Acórdão recorrido que se tratam de subvenção para custeio e não para investimento, de modo que ratificou que os valores foram excluídos indevidamente da determinação do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL, Cofins e Contribuição ao PIS/Pasep. No que se refere à tributação do bônus sobre venda, os julgadores a quo rejeitaram a arguição de nulidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa, e ausência de liquidez e certeza; consideraram que os referidos bônus não se confundem com descontos incondicionais, devendo compor a base de cálculo da Cofins e da Contribuição ao PIS/Pasep; mas, reconhecerem como despesas operacionais os valores em questão, de modo que entenderam necessário o cancelamento da infração referente ao IRPJ e à CSLL. Quanto à mesma matéria, a decisão rechaçou a argumentação de que os bônus seriam insumos para fins de apuração dos créditos da nãocumulatividade da Cofins e da Contribuição ao PIS/Pasep. Fl. 5860DF CARF MF Processo nº 13116.722282/201610 Acórdão n.º 1302003.085 S1C3T2 Fl. 5.861 11 O Acórdão combatido, ainda, refutou, em relação à infração referente às despesas com consultoria e assessoria, a arguição de nulidade; entendeu correta a glosa dos dispêndios; indeferiu o pedido de conversão do julgamento em diligência; e considerou que a glosa deve se aplicar tanto na apuração do Lucro Real, quanto na base de cálculo da CSLL. Ademais, entendeu procedente o lançamento relativo à multa isolada pela falta de recolhimento das estimativas de IRPJ e CSLL (cabendo a revisão dos valores constituídos, em face da procedência da Impugnação quanto aos bônus sobre vendas); e a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Finalmente, considerou não caber o restabelecimento do prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL compensados de ofício, tendo em vista a procedência da autuação referente ao anocalendário de 2013; e deixou de tomar conhecimento, por ausência de competência, acerca das alegações referentes à Representação Fiscal para Fins Penais. Por força do valor exonerado, foi interposto Recurso de Ofício ao CARF. Após a ciência, o sujeito passivo apresentou, em 31 de agosto de 2017, Pedido de desistência parcial, para adesão ao Programa Especial de Regularização Tributária (PERT), instituído pela Medida Provisória nº 783, de 31 de maio de 2017, em relação à tributação do crédito presumido de IPI e do bônus sobre a venda de veículos (fls. 5.410 a 5.419). Em 19 de setembro de 2017, a Recorrente juntou Petição por meio da qual relata equívocos praticados no momento da adesão ao PERT (fls. 5.442 e 5.443). No dia seguinte, apresentou o Recurso Voluntário de fls. 5.459 a 5.611, no qual repetiu os mesmos argumentos já veiculados na Impugnação, à exceção daqueles relativos às duas matérias objeto de desistência parcial. Às fls. 5.758 e 5.759, juntou o Anexo Único à Instrução Normativa RFB nº 1.752, de 25 de outubro de 2017, relativo à desistência do Recurso em relação às matérias já destacadas. O processo foi, então, remetido à Unidade preparadora, para as providências decorrentes do pedido de desistência apresentado pelo sujeito passivo. Após a transferência dos valores objeto de renúncia para o processo administrativo nº 13116.720380/201884, o processo retornou ao CARF, para prosseguimento do julgamento, em relação à parte não alcançada pela desistência do Recurso (fls. 5.785 a 5.795). Finalmente, em 15 de maio e 1º de junho de 2018, apresentou Petições solicitando a aplicação do disposto na Lei Complementar nº 160, de 2017, e no Decreto nº 9.193, de 2018, à infração relativa à subvenção outorgada pelo Estado de Goiás (fls. 5.828/5.832 e 5.840/5.842). É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator Fl. 5861DF CARF MF Processo nº 13116.722282/201610 Acórdão n.º 1302003.085 S1C3T2 Fl. 5.862 12 I DO RECURSO VOLUNTÁRIO I.1. Do juízo de admissimilidade O sujeito passivo foi cientificado, por via eletrônica, em 22 de agosto de 2017 (fl. 5.406), tendo apresentado Recurso Voluntário, em 20 de setembro de 2017 (fls. 5.457 a 5.611), dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. O Recurso é assinado por Procuradores, devidamente constituídos às fls. 5.176 e 5.177 . A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Art. 2º, incisos I, II e IV, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Como relatado, o sujeito passivo apresentou, em 31 de agosto de 2017, Pedido de desistência parcial, para adesão ao Programa Especial de Regularização Tributária (PERT), instituído pela Medida Provisória nº 783, de 31 de maio de 2017, em relação à tributação do crédito presumido de IPI e do bônus sobre a venda de veículos (fls. 5.410 a 5.419). Isto posto, como explicitado pela Recorrente na petição de fls. 5.828 a 5.832, após a citada renúncia, permanecem em litígio apenas as seguintes matérias: "(i) não tributação pelo IRPJ, CSLL, PIS e COFINS de receitas relativas ao "IPI complementar" indevidamente destacado nas notas fiscais de revenda de mercadorias importadas no mercado nacional; (ii) não tributação pelo IRPJ, CSLL, PIS e COFINS de montantes recebidos em razão do "PRODUZIR", instituído pelo Governo do Estado de Goiás, supostamente contabilizados de maneira indevida como subvenções para investimento; (iii) dedutibilidade, a título de despesas operacionais, de valores decorrentes de prestação de serviços supostamente não comprovados; e (iv) impossibilidade de exigência de multa isolada." Igualmente como relatado, após a apresentação do Recurso Voluntário, o sujeito passivo faz juntada de novas provas documentais relacionadas com o benefício recebido do Estado de Goiás. A juntada de prova documental após a Impugnação é vedada pelas normas que regem o processo administrativo fiscal, sendo admitidas tãosomente quanto presentes as situações excepcionais previstas no §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972: " Art. 16. (...) Fl. 5862DF CARF MF Processo nº 13116.722282/201610 Acórdão n.º 1302003.085 S1C3T2 Fl. 5.863 13 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)" (Destacouse) No caso dos autos, a apresentação extemporânea dos documentos se encontra albergada pelo inciso "b)" do §4º acima transcrito, posto que se relacionam com a Lei Complementar nº 160, de 05 de agosto de 2017. Tratamse de atos normativos e administrativos praticados após a interposição do Recurso Voluntário, pelo que devem ser conhecidos e apreciados. Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. II.2. Do IPI Complementar A primeira matéria a ser apreciada diz respeito à dedução, na base de cálculo do IRPJ, CSLL, Contribuição ao PIS/Pasep e Cofins, pela Recorrente de valores pagos a título de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), por força do art. 9º, inciso I, do Decreto nº 2.637, de 1998. A controvérsia acerca de referidos valores é sintetizada pela decisão recorrida, do seguinte modo: "A Impugnante impetrou o Mandado de Segurança nº 2004.35.00.0110772 (renumerado para 2006.35.02.0015061) fls. 2.968 a 2.985 , com a intenção de afastar a incidência do IPI devido na saída de mercadorias importadas do seu estabelecimento, prevista no art. 9º, I, do Decreto nº 2.637/1998. Este processo transitou em julgado em 28/04/2010, em favor da Impugnante, que deixou de ser contribuinte desse denominado “IPI Complementar”. Fl. 5863DF CARF MF Processo nº 13116.722282/201610 Acórdão n.º 1302003.085 S1C3T2 Fl. 5.864 14 Mesmo provida sua demanda, a Impugnante destacou, no ano calendário 2012, o IPI das notas de saída de mercadorias importadas e das notas de devolução de compra para comercialização, procedimento este incorreto no entendimento da Fiscalização. Ciente de que a Impugnante registrou em cartório um Termo de Ratificação de Renúncia fl. 3.096 a todos os efeitos decorrentes da decisão supracitada, a Fiscalização entendeu que a relação jurídicotributária não pode ser tratada como direito patrimonial disponível. Em sendo assim, com a constituição de nova relação entre a Impugnante e o Fisco, esta é a que deve prevalecer, sob pena de ofensa à coisa julgada material. Por essa razão, a Fiscalização entendeu que o IPI destacado nada mais é do que componente do preço da venda da mercadoria importada, repassado ao cliente, logo, receita omitida não oferecida à tributação. Nada obstante, na apuração da base tributável da infração, a Fiscalização subtraiu do IPI creditado na entrada de mercadorias estrangeiras o IPI sub judice (Ação Judicial nº 6816357.2011.4.01.3400 fls. 3.119 a 3.147 , que discute a aplicação da alíquota de IPI reduzida aos veículos de procedência estrangeira, consoante autoriza o Decreto nº 7.567/2011) para obtenção do CMV apurado de ofício. Por fim, a Fiscalização procedeu à identificação de notas fiscais classificadas incorretamente como venda de produção quando, na verdade, referiamse à revenda de mercadorias importadas." Como visto, a primeira justificativa do sujeito passivo para o procedimento por ele adotado seria o Termo de Renúncia de fls. 3.095 a 3.115, registrado em Cartório em janeiro de 2012, por meio do qual declara e ratifica que renunciou, de forma irretratável e irrevogável, a todos os efeitos decorrentes da decisão favorável obtida nos autos do referido Mandado de Segurança. Para a autoridade fiscal, porém, a referida renúncia não possui o condão de, afastando a coisa julgada, tornar o sujeito passivo novamente contribuinte do IPI. Vejase os argumentos trazidos no TVF: "46. Quanto à renúncia da coisa julgada formada nos autos do mandado de segurança, entendemos que não se pode tratar a relação jurídicotributária como um mero direito patrimonial disponível, do qual o interessado pode abrir mão, como e quando bem lhe aprouver. O direito tributário é de natureza pública e envolve a relação Estadocidadão. 47. Pelo princípio da legalidade, somente a lei pode instituir tributos e definir todos os elementos da regra matriz de incidência tributária. Logo, não pode ficar ao arbítrio do interessado definir se deve ou não ser considerado contribuinte de determinado imposto. Se pela ação judicial ocorreu a aplicação do direito ao caso concreto, compondose a lide, é essa nova realidade que deve ser observada entre a empresa e o Fisco. O pronunciamento judicial adornado com a coisa julgada Fl. 5864DF CARF MF Processo nº 13116.722282/201610 Acórdão n.º 1302003.085 S1C3T2 Fl. 5.865 15 define o direito quanto a uma situação fática específica, fazendo atuar a vontade concreta da lei. 48. A norma individual e concreta somente deixará de ser aplicável ao caso se houver alteração no quadro fático ou normativo submetido ao crivo do Poder Judiciário. Por essas razões, não se pode admitir como válida a suposta renúncia à coisa julgada, conforme defendido pela empresa. 49. Portanto, no caso em exame, prevalece o entendimento exarado no julgamento da Apelação Cível n' 2006.35.02.001506 1, que decidiu que a empresa CAOA não deve recolher IPI no momento da saída de veículos importados de seu estabelecimento. Como nenhum dos recursos interpostos contra essa decisão foram providos, bem como já transcorreu o prazo para apresentação de recurso contra o último pronunciamento judicial, entendese que operou o trânsito em julgado do Acórdão, tornandose plenamente exeqüível a decisão. 50. Assim, não pode ser alterado o entendimento firmado no julgado, sob pena de se ofender a coisa julgada material, a qual apenas poderia ser atacada por meio de ação rescisória. 51. Além disso, a natureza da sentença proferida nos autos do Mandado de Segurança é mandamental, que tutela o direito do autor forçando o réu a adimplir a ordem do juiz. 52. Portanto, neste caso, uma vez acolhida a ação judicial, a Administração estará integralmente submetida ao resultado da prestação jurisdicional que lhe for determinada para a composição da lide." Tanto na Impugnação, quanto no Recurso Voluntário, o sujeito passivo alega que a citada decisão judicial seria direito patrimonial seu, portanto disponível e exercitado ou renunciado, conforme a sua livre decisão. Tal argumento foi rechaçado pelo Acórdão recorrido, nos seguintes termos: "Afirma a Impugnante que a decisão judicial favorável é direito patrimonial e disponível, por conseguinte, pode ser livremente exercido. Isto lhe permite realizar suas operações com desoneração de “IPI Complementar” ou renunciar a este direito, o que fizera em decorrência do ponto de vista econômico. Sobre os efeitos da renúncia, estas são minhas considerações. Sem me ater a suposições de causa ou de efeito da renúncia sustentada pela Impugnante, importanos discutir se um ato unilateral de manifestação de vontade pode desconstituir ou relativizar a coisa julgada no âmbito tributário e, em caso afirmativo, em quais condições isto poderia ser operado. Na terminologia jurídica, a renúncia é ato privativo do autor da ação cujos efeitos são idênticos aos da improcedência da ação, conduzindo a extinção da lide com resolução de mérito e Fl. 5865DF CARF MF Processo nº 13116.722282/201610 Acórdão n.º 1302003.085 S1C3T2 Fl. 5.866 16 formação de coisa julgada, podendo ser exercida a qualquer tempo ou em qualquer grau de jurisdição, independentemente de manifestação da parte contrária. Tratase, em outras palavras, da perda do direito material sobre o qual se funda a ação. Entretanto, repare que o Código de Processo Civil vigente à época (Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973) tratava do direito à renúncia como uma causa extintiva do processo, evidentemente antecedente da formação de coisa julgada com o trânsito em julgado. De outro turno, a renúncia aos efeitos da coisa julgada operase de modo distinto, com requerimento formal particular, nos termos do inciso I do art. 471 do CPC: Art. 471. Nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas, relativas à mesma lide, salvo: I se, tratandose de relação jurídica continuativa, sobreveio modificação no estado de fato ou de direito; caso em que poderá a parte pedir a revisão do que foi estatuído na sentença; (grifei) A título informativo, o novo Código do Processo Civil manteve o disposto acima, tendo modificado apenas relação jurídica continuativa por relação jurídica de trato continuado. São os termos do inciso I do artigo 505: Art. 505. Nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas relativas à mesma lide, salvo: I se, tratandose de relação jurídica de trato continuado, sobreveio modificação no estado de fato ou de direito, caso em que poderá a parte pedir a revisão do que foi estatuído na sentença; (grifei) No presente caso, a Impugnante apresenta um Termo de Ratificação da Renúncia por meio do qual abdica, de forma irretratável e irrevogável, de todos os efeitos decorrentes da decisão favorável obtida nos autos da demanda judicial que afastou a incidência do “IPI Complementar”. Este documento, a despeito das consequências que porventura dele dimanem, não é o instrumento adequado para abrir mão dos efeitos da coisa julgada, é o que entendo da parte final do art. 474, I, do CPC, devendo o autor peticionar ao magistrado a revisão da sentença. Nada obstante, a leitura escorreita do Termo de Ratificação da Renúncia abre margem à conclusão estarrecedora de que a Impugnante, por meio de simples ato volitivo, pode regressar à condição de contribuinte do “IPI Complementar”; noutras palavras, é como se a decisão que afastou a incidência da espécie tributária em comento fosse um direito disponível e meramente patrimonial. Acerca disto, mister realizar digressões sobre a própria natureza da obrigação tributária. Fl. 5866DF CARF MF Processo nº 13116.722282/201610 Acórdão n.º 1302003.085 S1C3T2 Fl. 5.867 17 A relação jurídicotributária decorre de lei, apenas dela, em decorrência do princípio constitucional da legalidade (art. 150, I, CF/88), nela presentes todos os elementos da regramatriz de incidência tributária. Veio a decisão judicial transitada em julgado, aplicou o direito ao caso concreto e construiu nova realidade entre o Fisco e a Impugnante, possibilitando que esta se desonere do “IPI Complementar” oriundo da saída de mercadorias de procedência estrangeira e que aquele se abstenha do poder dever de exigir esse tributo. Trocando em miúdos, a sentença compôs a lide no tocante a um dos elementos do fato gerador, o sujeito passivo, afastando a determinação do art. 9º, I, do Decreto nº 2.637/1998, que equiparava o estabelecimento industrial ao importador de produtos de procedência estrangeira que lhes dessem saída. Pela natureza pública da relação jurídicotributária, a coisa julgada desta matéria revestese de natureza semelhante, portanto, não pode ser enxergada como mero direito patrimonial. Decidir contrariamente seria abandonar ao alvedrio da Impugnante o direito de ser ou não contribuinte de determinado tributo, se assim desejasse, dentro dos limites casuísticos discutidos. Em síntese, manifestações de vontade unilaterais, tácitas ou expressas, estejam registradas ou não em cartório, não são meios hábeis para reestabelecer relações jurídicotributárias. A norma individual e concreta no seio da coisa julgada somente pode ser revista nas hipóteses enumeradas na legislação, e, no âmbito tributário, não resulta em direito patrimonial e disponível, em decorrência da própria natureza que lhe é ínsita. Portanto, os eventuais recolhimentos de “IPI Complementar” e o registro do Termo de Ratificação da Renúncia não derrogam, desconstituem, modificam nem mitigam os efeitos da coisa julgada, que permanece aplicável ao caso concreto até sobrevier decisão judicial no sentido contrário." A matéria foi enfrentada por esta Turma Julgadora, na sessão de maio de 2018, no julgamento de semelhante autuação relativa ao anocalendário de 2011 (processo administrativo nº 13116.722236/201459), quando foi proferido o Acórdão nº 1302002.804. Naquela ocasião, o lançamento fiscal foi mantido, sendo que, especificamente em relação à disponibilidade, a decisão não foi unânime. Deste modo, apesar de concordar com as razões da DRJ/Fortaleza, as quais adoto integralmente como parte dos fundamentos do meu voto, trago novas tintas ao quadro, no intuito de convencer os meus pares do acerto do lançamento fiscal e da decisão recorrida. Em artigo intitulado "Coisa julgada: direito facultativo ou imperativo" (disponível em http://www.buscalegis.ufsc.br/revistas/files/anexos/18585185861PB.pdf, consulta em 31 de julho de 2018), o magistrado federal Walter Nunes da Silva Júnior reconhece que a coisa julgada é, em regra, um direito facultativo da parte vencedora: Fl. 5867DF CARF MF Processo nº 13116.722282/201610 Acórdão n.º 1302003.085 S1C3T2 Fl. 5.868 18 "De conformidade com o exposto supra, a coisa julgada tem dois efeitos, sendo, um deles, a imperatividade, que se traduz na submissão das partes ao que ficou definido na sentença, afetando o direito material das partes envolvidas. O que ficou definido na sentença, em razão da coisa julgada, passa a ser obrigatório para as partes, de modo que, caso ainda haja resistência quanto ao reconhecimento do direito, os ditames do julgado podem ser impostos coercitivamente. Sob essa visão, a coisa julgada é um imperativo, seja para o vencedor, seja para o vencido. Todavia, não se pode perder de vista que a coisa julgada, a despeito de ser um imperativo, no sentido de que não mais permite resistência a respeito do assunto por nenhuma das partes, em concepção outra, para o vencedor ela é, antes de tudo, um direito, enquanto para o vencido, um dever. Temse, assim, que o direito reconhecido pela sentença pertence a o vencedor, podendo ele, evidentemente, desde que disponível o direito, usufruílo, ou não. Isso porque que não se pode obrigar alguém, a não ser que se trate de dir eito fundamental, a usufruir do seu direito." O autor traça o encadeamento lógico da disponibilidade da coisa julgada à disponibilidade do próprio direito do autor em propor ou não a ação. Assim: "Se ao titular do direito não é obrigatória a propositura da ação, e nem mesmo, ainda que venha a propôla, o pedido de condenação, sendolhe reconhecida a possibilidade de restringir o querer à mera declaração judicial, perguntase: ele é obrigado a exigir o cumprimento da coisa julgada? Penso que não, desde que o direito seja disponível, logicamente. Pensamento diferente cria antinomia. Ora, se o indivíduo tem o direito disponível, podendo decidir, ao seu talante, entre ofertar ou não a ação e, ainda que se incline a fazêlo, pode contentar se, nada obstante a lesão praticada contra o seu direito, em obter uma mera sentença judicial declaratória, necessariamente, ele tem a faculdade, também, de decidir entre exigir, ou não, que o vencido cumpra o julgado." Vêse, contudo, que a referida disponibilidade da coisa julgada não é absoluta. O próprio autor citado a restringe aos direitos disponíveis. Em uma abordagem similar, Simone Rodrigues Ferreira e João Armando Bezerra Campos (Coisa julgada à luz da ordem constitucional, Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora, 2013), estabelecem a distinção entre a eficácia e efeitos da sentença, para compreender que os efeitos desta são renunciáveis, quando se tratar de direitos disponíveis: "Cabe destacar que efeito e eficácia não se confundem, significando conceitos distintos. (...) Efeitos, portanto, corresponderiam à expressão dinâmica das eficácias ou à sua exteriorização em relação ao formalismo sentencial, representando, precipuamente, a execução, por intermédio da Fl. 5868DF CARF MF Processo nº 13116.722282/201610 Acórdão n.º 1302003.085 S1C3T2 Fl. 5.869 19 atividade jurisdicional, da ação de direito material a que foram impelidas as partes. Portanto, eficácia é a possibilidade de materializar o conteúdo da sentença; efeito é a exteriorização dessa materialização. Portanto, seria a eficácia (ou eficácias) da sentença que se tornaria imutável, não os seus efeitos. Outrossim, vale esclarecer que, quando se refere à mutabilidade dos efeitos e imutabilidade das eficácias, estáse referindo a direitos disponíveis, porque tal raciocínio não se mostra adequado aos direitos indisponíveis, justamente por seu caráter irrenunciável." A questão que interessa a estes autos, portanto, é: em se tratando de coisa julgada em matéria tributária, seria possível ao autor, unilateralmente, renunciar ao seu direito. O mesmo Walter Nunes da Silva Júnior apresenta a resposta: "Mas não creio que a questão comporte abordagem apenas por essa ótica. Acredito que merece indagação, também, se o vencido não pode invocar a autoridade da coisa julgada, no sentido de impor ao vencedor o cumprimento dos seus termos. Se o vencido é o poder público, tendo sido reconhecido, na sentença trânsita em julgado, que uma determinada lei é inconstitucional, em conseqüência do princípio da legalidade que norteia o agir da Administração Pública, a coisa julgada se torna um imperativo para o vencedor, no sentido de que ele não pode querer impor à Administração que a relação jurídica seja mantida nos termos da norma declarada eivada de vício de inconstitucionalidade. O argumento de que, sendo o direito assegurado pela coisa julgada disponível, poderia o titular do direito dele dispor, nesse caso, não tem aplicação. Isso porque, se a norma foi considerada inválida, é defeso ao particular exigir que ela seja reconhecida pela Administração como se válida fosse, nem muito menos esta tem a possibilidade de emprestar essa qualidade à lei." No caso sob exame, portanto, ainda que se admita que, em regra, é facultado à parte vencedora renunciar a decisão judicial favorável transitada em julgado (a despeito da discussão acerca da forma pela qual isso deve se dar: se por meio de novo pronunciamento judicial ou por ato unilateral), tratandose de relação jurídicotributária, entendo não haver como um ato unilateral da parte vencedora poder afastar a coisa julgada. Como afirma Luciano Amaro (Direito Tributário Brasileiro, São Paulo: Saraiva, 2011, p. 272), ao tratar da natureza ex lege da obrigação tributária: "O nascimento da obrigação tributária independe de manifestação de vontade do sujeito passivo dirigida à sua criação. Vale dizer, não se requer que o sujeito passivo queira obrigarse; o vínculo tributário abstrai a vontade e até o conhecimento do obrigado: ainda que o devedor ignore ter Fl. 5869DF CARF MF Processo nº 13116.722282/201610 Acórdão n.º 1302003.085 S1C3T2 Fl. 5.870 20 nascido a obrigação tributária, esta o vincula e o submete ao cumprimento da prestação que corresponda ao seu objeto." Não é possível se admitir, portanto, que o sujeito passivo, segundo a sua única conveniência, sobreponhase ao decidido definitivamente pelo Poder Judiciário, e resolva em que momento deva estar ou não sob a incidência da legislação tributária. Além disso, como bem apontado pela autoridade fiscal, ao óbice decorrente do Princípio da Legalidade, no caso concreto, o caráter mandamental da decisão proferida em Mandado de Segurança (passo ao largo da discussão acerca da classificação das ações e decisões judiciais) é mais um obstáculo intransponível a ser superado por mera renúncia unilateral extrajudicial. Como bem lecionado pelo saudoso Hely Lopes Meirelles na clássica obra Mandado de Segurança (São Paulo: Malheiros Editores Ltda, 29ª ed., 2006, pp. 104, 106), "a execução da sentença concessiva da segurança é imediata", o mandado de ofício transmitido ao impetrado "valendo como 'ordem legal', para o imediato cumprimento do que nele se determina, e, ao mesmo tempo, marca o momento a partir do qual o impetrante, beneficiário da segurança, passa a auferir todas as vantagens decorrentes do 'writ'.". A par disso, "o não atendimento do mandado judicial caracteriza o 'crime de desobediência a ordem legal (CP, art. 330), e por ele responde o impetrado renitente". Cabe citar, ainda, Nagib Slaibi Filho (Sentença Cível, Rio de Janeiro: Forense, 1997, p. 339), segundo quem: "O provimento que se busca com o 'writ' é nitidamente mandamental, isto é, o juiz não substitui, com sua atividade, a atividade administrativa: o juiz 'manda' que o administrador proceda de determinada forma." Assim, enquanto não desconstituída a coisa julgada, ou seja, enquanto novo pronunciamento judicial não desobrigar a autoridade impetrada da ordem proferida na decisão transitada em julgado, não pode a Administração, ainda que com o assentimento da parte vencedora, descumprir o decidido e considerála novamente contribuinte do IPI na forma do dispositivo legal atacado. Em relação aos demais argumentos de defesa apresentados pela Recorrente, sendo mera repetição daqueles trazidos na Impugnação, valhome do disposto no art. 57, §3º, do RI/CARF, para adotar a decisão da DRJ/Fortaleza como os meus próprios fundamentos: "I.b) Da Revogação da Norma Legal Base da Decisão Judicial Sustenta a Impugnante que, em função de a medida liminar e a sentença judicial estarem fundamentadas no art. 9º, I, do Decreto nº 2.637/1998, a revogação deste decreto expressamente pelo de nº 4.544, em 27 de dezembro de 2002, e o não aditamento do dispositivo judicial implicam na insubsistência dos efeitos da coisa julgada. Nesse contexto, a Impugnante alega haver ocorrido mudança no quadro normativo de maneira a afastar a aplicação da norma individual e concreta transitada em julgado. Acosta em sua defesa: a doutrina de Hugo de Brito Machado, decisões do Fl. 5870DF CARF MF Processo nº 13116.722282/201610 Acórdão n.º 1302003.085 S1C3T2 Fl. 5.871 21 CARF e do extinto Conselho de Contribuintes, a menção ao Parecer da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nº 492/2011, sobre relativização da coisa julgada, e Parecer do Professor Cássio Scarpinella Bueno. Discorrese sobre a alteração de estado de fato ou direito com a edição do Decreto nº 4.544/2002, diferentemente daquele constante no dispositivo da sentença judicial, o nº 2.637/1998, e se esta alteração legislativa repercutiria na coisa julgada material. Muito embora não sejam eternos os efeitos da coisa julgada, não houve a alteração de estado de fato ou de direito capaz de abalá la porque as modificações regulamentares posteriores (os Decretos nº 4.544/2002 e 7.212/2010) em nada importaram em mudança na hipótese de incidência do “IPI Complementar” para este caso. Com efeito, os referidos Decretos n° 4.544/2002 e nº 7.212/2010 trazem, em artigos de idêntica numeração, o mesmo comando do questionado art. 9º, I, do Decreto nº 2.637/1998, e o motivo para isto não é outro senão a base legal desse dispositivo regulamentar haver se mantido inalterada. Refirome à Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, mais precisamente ao art. 4º, I, 'in verbis': Art . 4º Equiparamse a estabelecimento produtor, para todos os efeitos desta Lei: I os importadores e os arrematantes de produtos de procedência estrangeira; Ora, a mudança no estado de direito de que tratam os arts. 471, I, do antigo CPC, e 505, I, do novo CPC não se consubstancia somente na edição de novos diplomas legais ou regulamentares, mas sim na mudança, de fato, do seu conteúdo. Isto não ocorreu no caso em apreço, estando mantida a hipótese de incidência do “IPI Complementar”. Logo, a revogação de diploma regulamentar por outro que preservou, com a mesma numeração inclusive, o inteiro conteúdo do dispositivo a partir de que se formou coisa julgada não importa em mudança no estado de direito apta a lhe desconstituir e atrair a aplicação do art. 471, I, do CPC, tendo, até mesmo, sido mantida a base legal que lhe dá suporte, o art. 4º, I, da Lei nº 4.502/1964. Concorrem para essa conclusão as contradições avistadas nos autos: quando impetrado o Mandado de Segurança (junho/2004), já estava vigente o Decreto nº 4.544/2002; a própria confissão da Impugnante, em sede de Apelação dirigida ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região, acerca da identidade literal e topográfica entre os dispositivos dos Decretos nºs 2.637/1998 e 4.544/2002: Fl. 5871DF CARF MF Processo nº 13116.722282/201610 Acórdão n.º 1302003.085 S1C3T2 Fl. 5.872 22 Contudo, o IPI é exigido no desembaraço e na venda para as empresas concessionárias, neste último momento, com base no art. 9º, I, do Decreto 2637/98 RIPI (desde a sua edição) e, atualmente, com base no art. 9º, I, do Decreto 4.544/2002 RIPI, o denominado IPI Complementar. Ambos os dispositivos são literal e topograficamente idênticos, preservando o alcance da presente interpretação. (fl. 2.998, § 4º). (...) Destarte, dentro do sistema escalonado de normas, não há norma jurídica que apresente fundamento de validade, ou seja, que fundamente a existência válida do art. 9º, I, do Decreto nº 2637/98 (e idêntico dispositivo reproduzido no Decreto 4.544/2002). (fl. 3.011, § 3º) Nessa mesma esteira de raciocínio, o Acórdão nº 1201001.617 do CARF, desfavorável ao mesmo contribuinte, mas relacionado a eventos de 1º de janeiro de 2007 a 31 de dezembro de 2010: COISA JULGADA MATERIAL. LIMITES OBJETIVOS. ALTERAÇÃO DO ESTADO DE FATO OU DE DIREITO. INOCORRÊNCIA. Permanece em pleno vigor a decisão judicial proferida pelo TRF/1ª Região, que afastou a incidência do IPI "complementar" nas operações de saída/revenda de veículos importados. Não há que se falar em alteração do estado de direito, pois as alterações regulamentares posteriores (Decreto n° 4.544, de 2002 e Decreto nº 7.212, de 2010) em nada modificaram os aspectos pertinentes à hipótese de incidência do mencionado tributo. Em sendo assim, rejeito a alegação de que houve alteração no estado de direito e consequente modificação na coisa julgada material e entendo permanecer em pleno vigor a decisão judicial transitada em julgado que afastou a incidência do “IPI Complementar” nas operações de saída de mercadorias de procedência estrangeira. I.c) Do “IPI Complementar”: Receita Própria ou Tributária? Com base no parecer do Professor Eliseu Martins, a Impugnante pretende demonstrar que o “IPI Complementar” não corresponde à receita própria, mas à receita tributária. Entende o Ilustre Professor que o “IPI Complementar” não se trata de receita, e sim passivo. Dado o resultado obtido nas alíneas “I.a” e “I.b”, o de que a Impugnante não é contribuinte do “IPI Complementar”, mantida a coisa julgada a despeito da renúncia e da revogação da base legal, resta prejudicado o presente argumento posto que seu pressuposto era justamente o oposto: que a Impugnante é contribuinte do “IPI Complementar”. Fl. 5872DF CARF MF Processo nº 13116.722282/201610 Acórdão n.º 1302003.085 S1C3T2 Fl. 5.873 23 Isso porque não se ousa mencionar em existência de passivo se inexistente a obrigatoriedade ao recolhimento do “IPI Complementar”, assim, a apuração e a escrituração do referido tributo ocorreram de forma indevida, ao arrepio da composição da lide realizada pelo Poder Judiciário. Nesse diapasão, por estar o “IPI Complementar” introduzido no preço final da mercadoria revendida aos clientes e sendo seu destaque e recolhimento indevidos, por óbvio ele se reveste de caractere de receita bruta do art. 279 do Regulamento do Imposto de Renda (aprovado pelo Decreto nº 3.000/1999). Ademais, sequer se cogita a adoção do entendimento esposado pelo Parecer no trecho abaixo: (...) Esse passivo é para com o Tesouro Nacional ou, se este não se achar credor desse montante, o passivo é para com os clientes que pagaram o tributo que agora se vê não era devido durante aquele interstício temporal. Com respeito à posição do Professor Eliseu Martins, a formação de passivo perante os clientes dependeria de todos aqueles que adquiriram mercadorias com o “IPI Complementar” indevidamente destacado ingressarem com ações de ressarcimento dos valores pagos a maior, situação que, a bem da verdade, subsiste apenas no mundo das hipóteses, não no universo real. Tendo isso em mente, decerto asseverar que o preço adicionado da parcela de “IPI Complementar”, que compôs a receita bruta dos bens vendidos, reverteuse ao patrimônio da Impugnante e consiste em receita própria para todos os efeitos. Mais, a despeito de existirem pagamentos indevidos ao Erário, eles não são de maneira alguma passivo contábil tributário, tanto é verdade que podem ser objeto de pedido de restituição ou ressarcimento ou declaração de compensação. Em conclusão, com a determinação judicial que impediu a exigência do “IPI Complementar”, forçoso concluir que tais valores ingressaram no patrimônio como receitas, razão por que correto o entendimento da Fiscalização de que deveriam ser incluídos na apuração da base de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. I.d) Do Reconhecimento do Crédito do IPI Recolhido A título de argumentação, a Impugnante aponta que o “IPI Complementar” foi efetivamente recolhido aos cofres públicos, em conformidade com as guias de pagamentos e declarações de compensação anexadas às fls. 4.428 a 4.554. Por essa razão, crê que a Fiscalização deveria, ao menos, considerar os montantes pagos como indébito tributário e compensálos, de ofício, com os tributos apurados no procedimento de fiscalização. A não adoção do encontro de Fl. 5873DF CARF MF Processo nº 13116.722282/201610 Acórdão n.º 1302003.085 S1C3T2 Fl. 5.874 24 contas, ao ver da Impugnante, inquina os autos de infração de nulidade por carecerem de certeza e liquidez, pugnando por seu cancelamento. Subsidiariamente, se não atendido o pleito, requer a realização da compensação por esta instância de julgamento. Inicialmente, cabe destacar o que diz o Código Tributário Nacional acerca da extinção do crédito tributário por compensação: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Destacase, portanto, que a compensação de créditos tributários não se dá automaticamente como a compensação de dívidas cíveis, devendose observar os estritos termos legais para que tais créditos sejam extintos. Especificamente, em âmbito federal, a compensação é disciplinada pelo art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e pela Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, que trazem os requisitos a serem preenchidos a fim de concretizar a compensação. Dentre eles, o preenchimento da declaração de compensação, em que são prestadas as informações relativas ao crédito em face da Fazenda Pública e ao débito que pretende extinguir. Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Para que seja processada a compensação, é necessário que o contribuinte preencha a declaração do § 1º do art. 74 (a DCOMP), que será submetida à análise da projeção local de Orientação e Análise Tributária, à qual compete a apreciação de pedidos dessa natureza (nos termos do art. 241, I, do Regimento Interno da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria nº 203, de 14 de maio de 2002). Desta maneira, a Autoridade Fiscal não está autorizada a compensar, espontaneamente, sem que haja procedimento formal instaurado ou manifestação do próprio contribuinte nesse sentido, os créditos tributários que porventura detenha, inexistindo, portanto, defeito na autuação fiscal que não Fl. 5874DF CARF MF Processo nº 13116.722282/201610 Acórdão n.º 1302003.085 S1C3T2 Fl. 5.875 25 reconheceu os recolhimentos alegadamente efetuados a título de “IPI Complementar”. Com relação às Delegacias de Julgamento [e ao CARF], não se inclui nas prerrogativas deste órgão a compensação de ofício, mas tão somente o julgamento do contraditório resultante de inconformismo contra despacho decisório previamente exarado no bojo de compensação. Quanto à alegação de que a autuação fiscal carece de liquidez e certeza por não ter compensado o indébito tributário alegado, destaco que os mencionados pagamentos em nada interferiram na apuração dos tributos lançados de ofício. A Fiscalização apurou a base de cálculo do tributo, que não guarda a menor relação com a existência de recolhimentos ou não, aplicou a alíquota devida e encontrou o montante devido. Ainda que cogitássemos a possibilidade de compensação de ofício, por bem da argumentação, o crédito tributário lançado de ofício já seria líquido e certo inclusive por se tratarem de tributos diversos , sendo o ato efetivo de compensação a simples realização de encontro de contas. Em suma, afasto a alegação de nulidade dos autos de infração em virtude da não compensação dos valores apurados com os pagamentos efetuados a título de “IPI Complementar”. I.e) Do Erro na Apuração do Custo da Mercadoria Vendida Sobre este ponto, a Impugnante discorre sobre a Ação Ordinária nº 68183 57.2011.4.01.3400, manejada com intenção de se beneficiar do regime instituído no art. 3º do Decreto nº 7.576/2011. A tutela antecipada foi inicialmente concedida em 15/12/2011 e posteriormente interrompida por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Entretanto, para permanecer com a exigibilidade do crédito suspensa, efetuou depósitos judiciais correspondentes à diferença entre o valor do IPI reduzido do valor que seria devido nas importações caso não aplicado o benefício. Entende a Impugnante que a Fiscalização errou ao desconsiderar o IPI sub judice da apuração do Custo das Mercadorias Vendidas (CMV), pois, embora a exigibilidade do crédito tributário estivesse suspensa, a efetiva obrigação tributária não deixou de existir. Não assiste razão à Impugnante. O custo das mercadorias vendidas é o gasto relativo à aquisição ou produção de um bem de venda ou de uso, nele podendo estar incorporadas despesas incorridas com frete, seguro, tributos etc. Este valor é subtraído da receita líquida das vendas para se obter o Lucro Bruto, consoante o art. 187, II, da Lei nº 6.404/1976, reproduzido no art. 278 do RIR: Art. 278. Será classificado como lucro bruto o resultado da atividade de venda de bens ou serviços que constitua objeto Fl. 5875DF CARF MF Processo nº 13116.722282/201610 Acórdão n.º 1302003.085 S1C3T2 Fl. 5.876 26 da pessoa jurídica (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 11, § 2º). Parágrafo único. O lucro bruto corresponde à diferença entre a receita líquida das vendas e serviços (art. 280) e o custo dos bens e serviços vendidos Subseção III (Lei nº 6.404, de 1976, art. 187, inciso II). De outra ponta, o Regulamento do Imposto de Renda conceitua o Lucro Real em seu art. 247: Art. 247. Lucro real é o lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas por este Decreto (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º). Ao passo que o Lucro Líquido está descrito no art. 248 do RIR: Art. 248. O lucro líquido do período de apuração é a soma algébrica do lucro operacional (Capítulo V), dos resultados não operacionais (Capítulo VII), e das participações, e deverá ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 1º, Lei nº 7.450, de 1985, art. 18, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 4º). Por fim, o Capítulo V trata do Lucro Operacional no qual está contido o Lucro Bruto, consoante a disposição do art. 277: Art. 277. Será classificado como lucro operacional o resultado das atividades, principais ou acessórias, que constituam objeto da pessoa jurídica (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 11). Com essa decomposição introdutória do Lucro Real a partir dos conceitos introduzidos pela legislação do imposto de renda, podese afirmar, seguramente, que o custo das mercadorias vendidas pode ser deduzido na sua apuração, por conseguinte, também podem os tributos envolvidos na aquisição ou produção da mercadoria, dentre os quais o IPI. Entretanto, o § 1º do art. 344 do Regulamento do Imposto de Renda não deixa dúvidas quanto à indedutibilidade, na determinação do lucro real, de tributos ou contribuições que estejam com exigibilidade suspensa, haja ou não depósito judicial, in litteris: Art. 344. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência (Lei nº 8.981, de 1995, art. 41). § 1º O disposto neste artigo não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 1966, haja ou não depósito judicial (Lei nº 8.981, de 1995, art. 41, § 1º). Fl. 5876DF CARF MF Processo nº 13116.722282/201610 Acórdão n.º 1302003.085 S1C3T2 Fl. 5.877 27 Diante do exposto, o IPI que estava com exigibilidade suspensa assegurada por depósito judicial nos autos da Ação Ordinária nº 6818357.2011.4.01.3400 não pode integrar o custo das mercadorias vendidas porque, também, não pode ser deduzido na apuração do lucro real, logo, está correto o procedimento da Autoridade Fiscal que excluiu a quantia em discussão judicial da apuração dos custos da Impugnante.". À vista de todo o exposto, entendo que deve ser negado provimento ao Recurso Voluntário quanto a este tópico, mantendose integralmente a exigência. II.3 Do crédito outorgado de ICMS Por meio do lançamento de que tratam os presentes autos, foram constituídos, ainda, créditos tributários sobre valores de receitas declaradas pelo sujeito passivo a título de "doações e subvenções para investimentos", no montante de R$ 601.601.375,84, e excluídos na apuração do Lucro Real. As referidas receitas tem as seguintes origens, conforme descrição constante na escrituração da Recorrente: RECEITA VALOR (R$) Crédito outorgado 98%, conf. alínea B, art. 2º da lei 13.194/97 397.733.319,98 Crédito outorgado 92,53, sobre parcela incentivada produzir 58.182.052,47 Crédito presumido IPI 32%, conf. art. 1º lei 9.826/99 145.686.003,39 Os valores referentes ao Crédito presumido de IPI foram objeto da renúncia para adesão ao PERT, de modo que permanece sob apreciação apenas os montantes referentes ao crédito outorgado de ICMS. Para a autoridade fiscal, os referidos valores não atendem aos requisitos para serem considerados como subvenções para investimentos, uma vez que: "a) Não houve a intenção do subvencionador de destinálo para investimento; b) Não houve a efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, na implantação ou expansão do empreendimento econômico localizado no Estado de Goiás; e c) O sujeito passivo utilizou a subvenção para dar suporte à sua operação (custeio), de forma bastante ampla, tendo, inclusive, destinado valores significativos a uma coligada no exterior, bem como a outras empresas do grupo no Brasil e a clientes." Deste modo, os valores foram considerados como Subvenção para custeio, devendo integrar o lucro operacional, conforme art. 392, inciso I, do RIR/99. A decisão recorrida manteve o lançamento, ao não acolher os diversos argumentos trazidos pelo sujeito passivo e repetidos no Recurso Voluntário. Fl. 5877DF CARF MF Processo nº 13116.722282/201610 Acórdão n.º 1302003.085 S1C3T2 Fl. 5.878 28 A análise, contudo, ganha novos contornos com a edição da Lei Complementar nº 160, de 2017, cujos arts. 3º, 9º e 10 trouxeram nova disciplina acerca dos requisitos para a caracterização de benefícios fiscais como subvenções para investimento. In verbis: "Art. 3o O convênio de que trata o art. 1o desta Lei Complementar atenderá, no mínimo, às seguintes condicionantes, a serem observadas pelas unidades federadas: I publicar, em seus respectivos diários oficiais, relação com a identificação de todos os atos normativos relativos às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais abrangidos pelo art. 1o desta Lei Complementar; II efetuar o registro e o depósito, na Secretaria Executiva do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeirofiscais mencionados no inciso I deste artigo, que serão publicados no Portal Nacional da Transparência Tributária, que será instituído pelo Confaz e disponibilizado em seu sítio eletrônico. (...) Art. 9o O art. 30 da Lei no 12.973, de 13 de maio de 2014, passa a vigorar acrescido dos seguintes §§ 4o e 5o: "Art. 30. As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e as doações feitas pelo poder público não serão computadas na determinação do lucro real, desde que seja registrada em reserva de lucros a que se refere o art. 195A da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, que somente poderá ser utilizada para: (...) § 4o Os incentivos e os benefícios fiscais ou financeiro fiscais relativos ao imposto previsto no inciso II do caput do art. 155 da Constituição Federal, concedidos pelos Estados e pelo Distrito Federal, são considerados subvenções para investimento, vedada a exigência de outros requisitos ou condições não previstos neste artigo. § 5o O disposto no § 4o deste artigo aplicase inclusive aos processos administrativos e judiciais ainda não definitivamente julgados. Art. 10. O disposto nos §§ 4o e 5o do art. 30 da Lei no 12.973, de 13 de maio de 2014, aplicase inclusive aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais de ICMS instituídos em desacordo com o disposto na alínea ‘g’ do inciso XII do § 2o do art. 155 da Constituição Federal por legislação estadual publicada até a data de início de produção de efeitos desta Lei Fl. 5878DF CARF MF Processo nº 13116.722282/201610 Acórdão n.º 1302003.085 S1C3T2 Fl. 5.879 29 Complementar, desde que atendidas as respectivas exigências de registro e depósito, nos termos do art. 3o desta Lei Complementar. " Por meio das Petições de fls. 5.828/5.832 e 5.840/5.842, a Recorrente invoca a aplicação dos novos §§4º e 5º do art. 30 da Lei nº 12.973, de 2014, apontando, ainda, o cumprimento pelo Estado de Goiás das exigências do art. 3º da Lei Complementar nº 160, de 2017. Há que examinar, portanto, se a nova legislação tem o condão, especificamente em relação ao benefício fiscal usufruído pela Recorrente, de conferirlhe o caráter de subvenção para investimento, de modo a afastar a tributação. A Recorrente seria favorecida por benefício fiscal concedido pelo Estado de Goiás por meio do Termo de Acordo e Regime Especial (TARE) nº 162/04 GSF. Consoante o disposto naquele documento (juntado à fl. 824), foramlhe concedidos dois benefícios fiscais: Os valores em discussão, conforme o registro contábil acima transcrito, referemse ao benefício concedido na alínea "b" do inciso I da Cláusula acima, com base no art. 2º, inciso II, alínea "l", itens 1, 2 e 3, da Lei nº 13.194, de 1997. Vejamos, portanto, o referido dispositivo (na redação vigente à época da celebração do TARE): " Art. 2º Fica o Chefe do Poder Executivo autorizado, na forma e condições que estabelecer, a conceder: (...) II crédito outorgado do ICMS: (...) l) para o industrial de veículo automotor beneficiário do Programa de Desenvolvimento Industrial de Goiás PRODUZIR de que trata a Lei nº 13.591, de 18 de janeiro de 2000, no valor equivalente ao percentual de: (ACRESCIDA A ALÍNEA "L" AO INCISO II AO ART. 2º PELO ART. 1º DA LEI Nº 14.800, DE 08.06.04 VIGÊNCIA: 09.06.04) 1. 92,53% (noventa e dois inteiros e cinqüenta e três centésimos por cento) do valor da parcela não incentivada pelo referido programa; 2. 98% (noventa e oito por cento) do valor do saldo devedor do imposto correspondente à saída de veículos, suas partes e peças, importados do exterior; Fl. 5879DF CARF MF Processo nº 13116.722282/201610 Acórdão n.º 1302003.085 S1C3T2 Fl. 5.880 30 3. até 3% (três por cento) aplicado sobre o valor da receita decorrente de operação de saída de mercadoria, no período de 24 meses, contados da data de início das atividades do industrial de veículo automotor no Estado de Goiás;" Não há registro de que o referido benefício tenha sido concedido com obediência ao disposto na alínea ‘g’ do inciso XII do § 2o do art. 155 da Constituição Federal, portanto, à luz do art. 10 da Lei Complementar nº 160, de 2017, para a incidência dos §§4º e 5º do art. 30 da Lei nº 12.973, de 2014, é imprescindível o atendimento às exigências de registro e depósito, nos termos do art. 3o da referida Lei Complementar. A Recorrente suscita, então, o Decreto nº 9.193, de 20 de março de 2018, editado pelo estado de Goiás, que cumpriria a exigência do inciso I do referido art. 3º. De fato, o referido Decreto foi publicado para atender ao dispositivo da Lei Complementar nº 160, de 2017, conforme se observa do seu teor: "O GOVERNADOR DO ESTADO DE GOIÁS, no uso de suas atribuições constitucionais, com fundamento no art. 3º da Lei Complementar nº 160, de 7 de agosto de 2017, no inciso I da cláusula segunda e na cláusula terceira do Convênio ICMS 190/17, de 15 de dezembro de 2017, e tendo em vista o que consta do Processo nº 201800013000805, DECRETA: Art.1º Os atos normativos relativos às isenções, aos incentivos e benefícios fiscais ou financeirofiscais, referentes ao Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, instituídos pelas leis, decretos e legislação complementar estaduais, em desacordo com a alínea “g” do inciso XII do § 2º do art. 155 da Constituição Federal de 1988, vigentes em 8 de agosto de 2017, são os relacionados nos Anexos I a X deste Decreto. Parágrafo único. O disposto neste artigo compreende as seguintes espécies de benefícios fiscais: (...) V crédito outorgado ou crédito presumido;" Em adição, no Anexo I do citado Decreto, consta expressamente o benefício veiculado no art. 2º da Lei nº 13.194, de 1997. Finalmente, para cumprimento do exigido no inciso II do art. 3º da Lei Complementar nº 160, de 2017, a Recorrente traz, à fl. 5.850, Certificado que comprova que o Estado de Goiás depositou, na Secretaria Executiva do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), planilha dos atos normativos de que trata o Decreto nº 9.193, de 2018. Portanto, aplicarseia ao benefício fiscal do crédito outorgado do ICMS previsto no art. 2º, inciso II, da Lei Estadual nº 13.194, de 1997, o tratamento de subvenção para investimento, por força dos §§4º e 5º da nova redação do art. 30 da Lei nº 12.973, de 2014, de modo que os valores a ele referentes não deveriam ser computados na determinação do Lucro Real, conforme art. 443 do RIR/99. Fl. 5880DF CARF MF Processo nº 13116.722282/201610 Acórdão n.º 1302003.085 S1C3T2 Fl. 5.881 31 Em relação ao último dos requisitos fixados na legislação, qual seja a destinação dos valores subvencionados a reserva de lucros, cabe lembrar o que dispõe o §3º do art. 18 da Lei nº 11.941, de 2009: "Art. 18. (...) § 3o Se, no período base em que ocorrer a exclusão referida no inciso II do caput deste artigo, a pessoa jurídica apurar prejuízo contábil ou lucro líquido contábil inferior à parcela decorrente de doações e subvenções governamentais, e neste caso não puder ser constituída como parcela de lucros nos termos do inciso III do caput deste artigo, esta deverá ocorrer nos exercícios subsequentes." Conforme fl. 1.265, no anocalendário de 2012, a Recorrente apurou lucro líquido negativo, de modo a incidir a dispensa de destinação a reserva, conforme dispositivo trasncrito. Constato, portanto, que se aplica ao benefício fiscal do crédito outorgado do ICMS previsto no art. 2º, inciso II, da Lei Estadual nº 13.194, de 1997, o tratamento de subvenção para investimento, por força dos §§4º e 5º da nova redação do art. 30 da Lei nº 12.973, de 2014, de modo que os valores a ele referentes não devem ser computados na determinação do Lucro Real, conforme art. 443 do RIR/99. Desta forma, tornase sem valor a apreciação das alegações apresentadas pela Recorrente em relação aos fundamentos que motivaram a constituição dos créditos tributários sobre os valores registrados pela Recorrente, e imperioso o provimento do Recurso Voluntário para afastar a tributação do IRPJ sobre referidos montantes. Em relação à Cofins e à Contribuição ao PIS/Pasep, contudo, em nada aproveita à Recorrente o reconhecimento do caráter de subvenção para investimento do referido benefício fiscal.É que, quanto a tais contribuições, somente com a edição da Lei nº 12.973, de 13 de maio de 2014, é que as subvenções para investimentos foram excluídas de suas bases de cálculo. Anteriormente a isso, como no caso dos autos, que se referem aos anos calendários de 2012 e 2013, não é possível se entender que as subvenções, de que natureza sejam, podem ser excluídas da base de cálculo das citadas contribuições, quando estas forem apuradas no regime de cobrança nãocumulativa. É que, com base nos Arts. 1º, caput e §1º, das Lei nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003 (na redação vigente à época dos fatos geradores), as citadas contribuições incidem sobre "o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil". Subvenção, como bem sintetizou o Parecer Normativo CST nº 112, de 1978, é um auxílio que não importa em qualquer exigibilidade para o seu recebedor, ou seja, o patrimônio da empresa beneficiária é enriquecido com recursos vindos de fora sem que isto importe na assunção de uma dívida ou obrigação. As subvenções, quando feitas pelo Poder Público, podem se traduzir através de redução ou isenção de impostos. Fl. 5881DF CARF MF Processo nº 13116.722282/201610 Acórdão n.º 1302003.085 S1C3T2 Fl. 5.882 32 Na mesma linha, o CPC 07, aprovado pela Resolução nº 1.305/10, na forma da NBC TG 07: “12. Uma subvenção governamental deve ser reconhecida como receita ao longo do período e confrontada com as despesas que pretende compensar, em base sistemática, desde que atendidas as condições deste Pronunciamento. A subvenção governamental não pode ser creditada diretamente no patrimônio líquido. (...) 15. O tratamento contábil da subvenção governamental como receita deriva dos seguintes principais argumentos: (a) uma vez que a subvenção governamental é recebida de uma fonte que não os acionistas e deriva de ato de gestão em benefício da entidade, não deve ser creditada diretamente no patrimônio líquido, mas, sim, reconhecida como receita nos períodos apropriados; (b) subvenção governamental raramente é gratuita. A entidade ganha efetivamente essa receita quando cumpre as regras das subvenções e cumpre determinadas obrigações. A subvenção, dessa forma, deve ser reconhecida como receita na demonstração do resultado nos períodos ao longo dos quais a entidade reconhece os custos relacionados à subvenção que são objeto de compensação; (c) assim como os tributos são despesas reconhecidas na demonstração do resultado, é lógico registrar a subvenção governamental que é, em essência, uma extensão da política fiscal, como receita na demonstração do resultado.” De acordo, ainda, com o Comitê de Pronunciamentos Contábeis, “Receita é o ingresso bruto de benefícios econômicos durante o período observado no curso das atividades ordinárias da entidade que resultam no aumento do seu patrimônio líquido, exceto os aumentos de patrimônio líquido relacionados às contribuições dos proprietários” (CPC 30, na redação conferida pela Resolução CFC nº 1412/12). Como já concluído, o valor do crédito outorgado de ICMS é subvenção recebida pela Recorrente, enquadrandose no conceito de receita, e estando incluída na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, conforme os já citados arts. 1º, §1º, das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. Na forma dos art. 150, §6º, da Constituição Federal, e art 97, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN) , para a exclusão dos referidos valores da base de cálculo das citadas contribuições, necessário seria a edição de lei específica neste sentido. Nesta linha, recente julgado da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: "BASEDECÁLCULO.EXCLUSÕES.SUBVENÇÃO. Fl. 5882DF CARF MF Processo nº 13116.722282/201610 Acórdão n.º 1302003.085 S1C3T2 Fl. 5.883 33 As receitas de subvenções integram a base imponível da Contribuição para o PIS/Pasep no sistema não cumulativo de apuração, uma vez que o legislador não tenha previsto nenhuma exclusão específica para ingressos dessa natureza." (Acórdão nº 9303006.715, sessão de 15 de maio de 2018, Relator Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal) A Recorrente cita, desde Petição apresentada antes do julgamento da Impugnação, precedentes do CARF e jurisprudência do STF e STJ no sentido da impossibilidade de tributação da subvenção pela Cofins e pela Contribuição ao PIS/Pasep. O Acórdão recorrido apreciou a alegação, refutandoa do seguinte modo: "Sem embargo do brilhantismo da exposição do Relator, não me filio ao entendimento acima nem ao posicionamento do Egrégio STF por não se tratarem de normas complementares na forma do art. 100 do CTN, mas decisões em casos concretos que afastaram a incidência do PIS e da Cofins sobre créditos incentivados de ICMS, cuja natureza concessiva sequer se conhece a fundo. Às decisões favoráveis a essa exclusão do conceito de receita bruta falta o elemento vinculante para irradiarem seus efeitos por toda a Administração. Ademais, o posicionamento da CSRF não é uníssono em seguir a linha que deseja a Impugnante, como comprovam os Acórdãos abaixo reproduzidos: (...) Ademais, a instância julgadora não possui competência legal para se manifestar sobre questões em que se presume a colisão da legislação de regência e a Constituição Federal, atribuição reservada ao Poder Judiciário. Cabe, apenas, a aplicação da lei ao caso concreto, e, no corrente, as subvenções para custeio ou operação integram o conceito de receita na legislação do PIS e da Cofins, nem que por via oblíqua de sua não exclusão da base de cálculo. Para deslinde, destaco que o Supremo Tribunal Federal posicionouse de forma definitiva sobre a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, nos termos da ementa abaixo do RE 585.235/MG: (...) Entretanto, as limitações ao alargamento da base de cálculo foram impostas apenas em relação às pessoas jurídicas que apuram a Contribuição para o PIS e a Cofins pelo regime cumulativo, com base nas disposições do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, e alterações. Este não é o caso da Impugnante, sujeita à incidência das contribuições pelo regime não cumulativo. Desta forma, continuam válidas as normas atinentes à incidência não cumulativa do PIS e da Cofins no tocante às regras Fl. 5883DF CARF MF Processo nº 13116.722282/201610 Acórdão n.º 1302003.085 S1C3T2 Fl. 5.884 34 definidoras da base de cálculo previstas no art. 1º, §§ 1º e 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, até que sobrevenha uma eventual decisão definitiva do Judiciário a respeito dispondo de modo diverso." De fato, a jurisprudência invocada pela Recorrente não possui efeito erga omnes, mas apenas para as partes envolvidas nos respectivos processos, de modo que entendo correto o posicionamento do julgador a quo, ao manter, com base na legislação vigente, a incidência das contribuições sobre os valores sob análise. No Recurso Voluntário, o sujeito passivo argumenta que o procedimento da DRJ macularia de nulidade a decisão, posto que não teria obedecido ao que dispõe o o art. 489, §1º, inciso VI, da Lei nº 13.105, de 2015. In verbis: "Art. 489. São elementos essenciais da sentença: I o relatório, que conterá os nomes das partes, a identificação do caso, com a suma do pedido e da contestação, e o registro das principais ocorrências havidas no andamento do processo; II os fundamentos, em que o juiz analisará as questões de fato e de direito; III o dispositivo, em que o juiz resolverá as questões principais que as partes lhe submeterem. § 1o Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: (...) VI deixar de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a superação do entendimento." Mais uma vez, não assiste razão à Recorrente. É preciso, em primeiro lugar, entender o alcance da norma invocada. É que o seu propósito não é obrigar o julgador a refutar, nos termos fixados, todos os precedentes trazidos pela parte. Como explana Fredie Didier Jr., Paula Sarno Braga e Rafael Alexandria de Oliveira (Curso de Direito Processual Civil, 11a ed. Salvador: Ed. Jus Podium, 2016, v. 2): "(...) a obrigatoriedade de que fala o inciso VI somente se aplica aos precedentes obrigatórios; não se aplica aos precedentes persuasivos. Assim, se a parte invoca, como reforço argumentativo, numa causa que tramita perante a justiça baiana, um julgado proferido por outro tribunal estadual (não vinculativo; caráter meramente persuasivo), não há obrigação de o magistrado, para não seguir a orientação desse precedente, demonstrar que ele se refere a Fl. 5884DF CARF MF Processo nº 13116.722282/201610 Acórdão n.º 1302003.085 S1C3T2 Fl. 5.885 35 caso distinto daquele posto sob sua análise ou que ele está superado. Isso porque os casos podem até ser muito semelhantes contexto fático praticamente idêntico e o precedente pode estar vigendo, mas o magistrado pode simplesmente 'não concordar' com a tese jurídica adotada pelo outro tribunal estadual. Tratase de postura legítima, já que não está ele adstrito à tese jurídica firmada em precedentes nãovinculantes." Observese, ainda, que, conquanto, de acordo com o art. 15 do novo Código de Processo Civil, este Diploma tenha aplicação subsidiária ao Processo Administrativo Fiscal, esta se dará "na ausência de normas". Ocorre que o regramento do processo administrativo fiscal foi muito além na deferência aos precedentes obrigatórios. Inicialmente, o art. 62, §2º, do RI/CARF, obriga o julgador administrativo à reprodução das decisões com tal teor: "Art. 62 (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infr aconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou do s arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)" Além disso, o art. 20, inciso VI, do mesmo RI/CARF estabelece como causa da perda de mandato do Conselheiro do CARF "deixar de observar enunciado de súmula ou de resolução do Pleno da CSRF, bem como o disposto no art. 62". Por outro lado, o julgador administrativo está vinculado ao princípio da legalidade, não podendo deixar de aplicar lei vigente (ainda que precedentes judiciais não obrigatórios reconheçam a sua ilegalidade ou inconstitucionalidade). Neste sentido, o art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, e o art. 62 do RI/CARF. Estes dispositivos regulamentam explicitamente que os julgadores administrativos somente podem deixar de observar tratados, acordos internacionais, leis ou atos normativos: Art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972 "I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou Fl. 5885DF CARF MF Processo nº 13116.722282/201610 Acórdão n.º 1302003.085 S1C3T2 Fl. 5.886 36 c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993." Art. 62 do RI/CARF "I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016)" No caso, portanto, constatase que não há nenhuma nulidade praticada pelo julgador de primeira instância que, ademais, justificou o seu posicionamento e demonstrou a existência de jurisprudência administrativa contrária à tese do sujeito passivo trazida nos precedentes nãoobrigatórios. Diante de todo o exposto, a subvenção auferida pela Recorrente, com base no nº 162/04 GSF deve compor a base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins, devendo ser improvido o Recurso Voluntário quanto a esta matéria. II.4. Das despesas com consultoria e assessoria Outra parcela da autuação se refere à glosa na apuração do Lucro Real e na base de cálculo da CSLL de despesas relativas serviços de consultoria e assessoria, em relação às quais o sujeito passivo, apesar de intimado, não teria logrado comprovar por meio de documentação hábil e idônea a efetiva prestação dos serviços e/ou o pagamento e/ou o preenchimento das condições de dedutibilidade. O procedimento adotado pela autoridade fiscal na apuração desta infração foi assim descrita no TVF: Fl. 5886DF CARF MF Processo nº 13116.722282/201610 Acórdão n.º 1302003.085 S1C3T2 Fl. 5.887 37 167. Conforme relatado anteriormente, o fiscalizado foi intimado por diversas vezes para apresentar os contratos de prestação de serviço, a comprovação da efetiva entrega do serviço por parte do prestador e em relação a alguns serviços apresentar a comprovação do pagamento. 168. A seguir apresentamos um breve histórico dos fatos relativos a este procedimento específico de fiscalização: ・ Em 08/10/2015, foi dado ciência ao fiscalizado do Termo de Intimação Fiscal nº 01, para no prazo de 5 dias úteis apresentar todos os contratos de prestação de serviço de consultoria ou assessoria devidamente acompanhados da efetiva comprovação da realização do serviço e da comprovação do pagamento. Período 2012 a 2014. ・ Em 13/10/2015, o fiscalizado solicitou prorrogação do prazo para mais 15 dias; ・ Foi concedido a prorrogação do prazo até o dia 23/10/2015; ・ Em 22/10/2015, foi solicitado nova prorrogação de prazo para mais 30 dias úteis; Neste ato, o contribuinte apresentou quatro contratos (cópias) de prestação de serviço; ・ O contribuinte foi reintimado por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 02 para apresentar os dados solicitados no Termo de Intimação 01, no prazo de 5 dias úteis; ・ Em 03/11/2015, o contribuinte apresentou mais alguns contratos de prestação de serviço e solicitou nova prorrogação de prazo para mais 30 dias (fls. 2799); ・ Em 17/03/2016, por meio do Termo de Intimação nº 03, foi solicitado os elementos discriminados no Termo de Intimação nº 02, além de outros documentos e esclarecimentos, no prazo de 5 dias úteis; ・ Em 18/03/2016, o contribuinte foi cientificado do Termo de Intimação Fiscal nº 04 para apresentar outros documentos e esclarecimentos; ・ Em 24/03/2016, o contribuinte solicitou prorrogação de prazo para os Termos de Intimação nº 03 e 04 para mais 15 dias úteis; ・ Em 18/03/2016, por meio do Termo de Intimação nº 05, o contribuinte foi intimado a apresentar os contratos de prestação de serviço, comprovação da efetiva entrega do Fl. 5887DF CARF MF Processo nº 13116.722282/201610 Acórdão n.º 1302003.085 S1C3T2 Fl. 5.888 38 serviço e notas fiscais de prestação de serviço dos itens relacionados nas planilhas anexas (planilhas 1.1 a 1.8; 2.1 a 2.9 e 3.1 a 3.12); apresentar comprovação do pagamento dos serviços relacionados nas planilhas 1.9, 2.10 e 3.13; apresentar, para os serviço relacionado nas planilhas anexas se são necessários à atividade da empresa e se estão vinculados, intrinsecamente, com a produção ou comercialização dos bens e serviços; discriminar, mês a mês, em planilha, as despesas com consultoria, assessoria ou prestação de serviços prestados por terceiros considerados indedutíveis para fins de apuração do lucro real. ・ Em 12/04/2016, foi protocolizado pedido de prorrogação de prazo; ・ Em 19/04/2016, o contribuinte foi cientificado pessoalmente do Termo de Intimação Fiscal nº 06 para no prazo de 5 dias úteis apresentar alguns contratos relacionados no anexo 4 do referido Termo (apenas os contratos firmados com seis pessoas jurídicas) e para no prazo de 20 dias apresentar os contratos relacionados nos demais anexos. ・ Em 03/05/2016, o contribuinte foi cientificado do Termo de Intimação Fiscal nº 07 para no prazo de 5 dias apresentar os elementos contidos no anexo 4 do Termo de Intimação Fiscal nº 06 e para no prazo de 13 dias apresentar os elementos contidos nos demais anexos do Termo de Intimação Fiscal nº 06; ・ Em 09/06/2016, o contribuinte foi cientificado do Termo de Intimação Fiscal nº 08 para apresentar outros elementos no prazo de 5 dias úteis; ・ Em 16/06/2016, o contribuinte solicitou prorrogação do prazo para mais 5 dias para apresentar os elementos solicitados no Termo de Intimação Fiscal nº 08; ・ Em 04/07/2016, o contribuinte foi cientificado do Termo de Intimação Fiscal nº 09 para apresentar outros elementos no prazo de 5 dias úteis; ・ Em 08/07/2016 o contribuinte solicitou prorrogação do prazo para mais 5 dias úteis para apresentar os elementos solicitados no Termo de Intimação Fiscal nº 09; ・ Em 18/07/2016 o contribuinte solicitou prorrogação do prazo para mais 20 dias úteis para apresentar os elementos solicitados no Termo de Intimação Fiscal nº 09. O prazo foi concedido, inclusive para atendimento das demais intimações ainda pendentes de atendimento. Fl. 5888DF CARF MF Processo nº 13116.722282/201610 Acórdão n.º 1302003.085 S1C3T2 Fl. 5.889 39 ・ Em 11/08/2016 o contribuinte solicitou prorrogação do prazo por mais 10 dias úteis para apresentar os elementos solicitados no Termo de Intimação Fiscal nº 09; O prazo foi concedido pela fiscalização. 169. Conforme se depreende acima, já passou mais de 1 (um) ano desde a primeira intimação efetuada para apresentar os documentos referentes à prestação de serviços sem que o contribuinte atendesse de forma satisfatória as intimações. O contribuinte poderia ter apresentado os elementos solicitados a qualquer tempo neste longo período de tempo. 170. Chegamos ao fim do procedimento fiscal e o contribuinte não apresentou todos os contratos de prestação de serviço solicitados (foram apresentados alguns contratos que serão analisados adiante), não apresentou comprovação da prestação dos serviços para nenhum dos contratos bem como não apresentou a comprovação do pagamento conforme solicitado nas intimações fiscais (especialmente no Termo de Intimação Fiscal nº 06). 171. Convém esclarecer que embora nas intimações iniciais fosse solicitado de forma geral a apresentação de todos os contratos de prestação de serviço de consultoria ou assessoria acompanhados da efetiva comprovação da realização do serviço e da comprovação do pagamento, posteriormente no Termo de Intimação Fiscal nº 05 e no Termo de Intimação Fiscal nº 06 (fls. 825 882) foi solicitado os contratos de prestação de serviço, comprovação da efetiva entrega do serviço e notas fiscais de prestação de serviços dos contratos relacionados nos anexos à intimação. Foi solicitado também nestas intimações que o contribuinte apresentasse comprovação de pagamento para alguns dos contratos discriminados em anexo à Intimação (para os contratos mais relevantes, de maior valor). (...) 175. Verificamos que não é possível determinar o valor do serviço para a grande maioria dos contratos apresentados pois estes contratos incluem na cláusula referente ao valor do serviço alguns itens de despesas ainda não quantificadas e outras parcelas que dependem de algum evento futuro (como por exemplo valores que dependem do êxito de ações judiciais e/ou administrativas); Da mesma forma alguns contratos foram realizados para prestação de serviços para outras empresas do grupo CAOA e/ou para pessoas físicas (sócios de empresas do grupo CAOA); 176. Esclarecemos que a comprovação efetiva dos serviços foram solicitados para todos os contratos relacionados nas intimações e a comprovação do pagamento foi solicitado apenas para os contratos relacionados nos anexos do Termo de Intimação Fiscal nº 06: Anexo 1.8 (referentes a contratos do ano 2012) e Anexo 2.8 (referentes a contratos do ano 2013); Fl. 5889DF CARF MF Processo nº 13116.722282/201610 Acórdão n.º 1302003.085 S1C3T2 Fl. 5.890 40 177. De acordo com a legislação, os custos ou despesas operacionais somente serão dedutíveis na apuração do lucro real, desde que efetivos e se atendidas as condições gerais de dedutibilidade estabelecidas em lei, como a comprovação por documentação hábil e idônea. 178. Sabemos que a escrituração somente faz prova a favor do contribuinte quando amparada por documentos hábeis a comprovar os fatos nela registrados. 179. A falta de apresentação de documentos que comprovem a efetiva prestação dos serviços e justifiquem registros contábeis e dispêndios incorridos a título de custos e despesas, inviabiliza a sua admissibilidade na apuração do resultado e justifica a glosa efetuada pela fiscalização." As despesas glosadas a tal título foram discriminadas por empresa e por mês, às fls. 3.481 e 3.482, respectivamente. No TVF (item 174), foi apresentado quadro detalhando as razões, por contratado, pelas quais cada uma das glosas. As alegações trazidas na Impugnação foram rejeitadas integralmente pela decisão de primeira instância. No Recurso Voluntário, a Recorrente, praticamente, repete os argumentos, com algumas alterações pontuais. II.4.1 Nulidade por ausência de busca pela verdade material e ofensa ao contraditório e à ampla defesa A Recorrente suscita a referida nulidade, uma vez que teria sido cientificada de Termo de Ciência de Continuidade do Procedimento, em 23/09/2016, e, 25 dias depois, teria sido surpreendida com a lavratura dos autos de infração. Contesta tal atitude com base no fato de que, no interregno, não houve qualquer intimação suplementar, apesar de restar consignado pelo constante no TVF que a autoridade fiscal teria dúvidas em relação aos documentos já apresentados. A alegação foi rejeitada pela decisão recorrida, do seguinte modo: "Como se vê, passouse mais de 1 (um) ano desde 30 de setembro de 2015 até a lavratura do lançamento sem que a Impugnante respondesse de maneira satisfatória ao demandado pela Autoridade Fiscal, que, em hipótese alguma, pode ser acusada de não haver buscado a verdade material. Isso porque a busca pela verdade material não é sinônimo de protelação 'ad infinitum' do ato administrativo, devendo ser harmonizada e conciliada com outros princípios informadores do processo administrativo, dentre os quais a razoável duração do processo. É a técnica da ponderação dos valores a ferramenta mais adequada para sopesar os princípios e identificar aquele que deve ser adotado em detrimento de outro, sendo que, no caso em tela, a conduta do Agente Fiscal prima por sua correção. Fl. 5890DF CARF MF Processo nº 13116.722282/201610 Acórdão n.º 1302003.085 S1C3T2 Fl. 5.891 41 Mesmo após sucessivos pedidos de prorrogação de prazo, os quais foram deferidos pela Fiscalização, a Impugnante apresentou uma documentação probante insuficiente e aquém ao requerido, ausentes as comprovações da efetiva prestação dos serviços (p. ex., notas fiscais) e de pagamentos, além de esclarecimentos quanto à necessidade, normalidade e usualidade das despesas com serviços de assessoria e consultoria na forma requerida pelo art. 299 do RIR. Dada a inércia da Impugnante, que, não esqueçamos, tem a seu favor estar amparada pelo instituto da decadência, o Agente Fiscal, após repetidas e frustradas tentativas de comprovar tais despesas à luz da legislação tributária, julgou por bem glosálas, e o fez de modo correto. Custa rememorar que a busca pela verdade material não se exaure no momento de lavratura do lançamento, mas se prolonga e alcança esta instância de julgamento que, no momento oportuno, se debruçará sobre a documentação probatória carreada aos autos. Informese também que o Termo de Continuidade de Ação Fiscal é mera formalidade que tem, por objetivo, dentre outros, manter afastada a espontaneidade do contribuinte investigado, em nada interferindo no desenrolar do restante da investigação fiscal, que pode ser encerrada a qualquer momento, a critério da Autoridade Fiscal. (...) À guisa do exposto, rechaço a arguição de nulidade por ausência de busca pela verdade material e de cerceamento do direito de defesa." Com razão o julgador a quo. A descrição dos procedimentos adotados pela autoridade fiscal revela um prolongado esforço no sentido de obter do sujeito passivo documentos hábeis e idôneos que permitissem a comprovação da efetividade dos serviços deduzidos como despesa pela Recorrente e da necessidade de tais serviços para a atividade da empresa. Como bem dito pelo Relator da decisão recorrida, a busca pela verdade material não pode ser algo infinito, tendo ficado comprovado que o responsável pela constituição pelo crédito tributário ofereceu ao fiscalizado inúmeras oportunidades para a prestação dos esclarecimentos necessários, sem que este tenha se desincumbido de tal mister a contento (na visão do auditor). Eventuais dúvidas pendentes podem ser esclarecidas pelo sujeito passivo por meio da Impugnação. Ademais, em relação ao contraditório, como sabido, o procedimento fiscal é fase inquisitorial, sendo o contraditório instalado exatamente após a ciência da constituição do crédito tributário, o que foi oportunizado e desenvolvido pelo sujeito passivo, tanto que as suas defesas foram/estão sendo analisadas dentro do contencioso administrativo Fl. 5891DF CARF MF Processo nº 13116.722282/201610 Acórdão n.º 1302003.085 S1C3T2 Fl. 5.892 42 Portanto, inexistente qualquer violação ao contraditório e à ampla defesa, que poderiam levar à nulidade do lançamento, à luz do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. De nenhum valor o argumento da Recorrente de que, em se tratando de despesas dos anoscalendários de 2012 e 2013, o procedimento fiscal poderia se desenvolver até o final do ano de 2017, sem qualquer prejuízo ao erário público. Tratouse de fiscalização que se desenvolveu por mais de um ano, com reiterados atos praticados pela autoridade fiscal na busca pelas informações necessárias, não estando esta obrigada a exaurir todo o prazo decadencial. O argumento atacado apenas foi apenas mais um lançado pelo julgador de primeira instância, para afastar a argüição de nulidade. Rejeito, portanto, a preliminar invocada. II.4.2 Da legislação aplicável A dedutibilidade das despesas, na apuração do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL obedece, de modo geral, ao estatuído nos art. 249 e 299 do RIR/99: "Art. 249. Na determinação do lucro real, serão adicionados ao lucro líquido do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 2º): I os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real; (...) Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º)." De plano, portanto, o primeiro requisito a ser preenchido, para fins de dedutibilidade, deve ser a necessidade e usualidade/normalidade do dispêndio para a realização da atividade da empresa e manutenção da respectiva fonte produtiva. Como bem registrado pela autoridade fiscal no TVF, conjugado à necessidade, é imprescindível que as despesas registradas pelo sujeito passivo em sua escrituração comercial/fiscal esteja amparada em comprovantes hábeis e idôneos, sendo dever do sujeito passivo a guarda e apresentação de tais elementos. O referido TVF traz o art. 276 do RIR/99, para ilustrar tal obrigação, bem como, desde já, para esclarecer (posto que esta é uma das alegações da Recorrente) que a escrituração somente faz prova em favor do contribuinte, quando comprovada por documentos hábeis: Fl. 5892DF CARF MF Processo nº 13116.722282/201610 Acórdão n.º 1302003.085 S1C3T2 Fl. 5.893 43 "Art. 276. A determinação do lucro real pelo contribuinte está sujeita à verificação pela autoridade tributária, com base no exame de livros e documentos de sua escrituração, na escrituração de outros contribuintes, em informação ou esclarecimentos do contribuinte ou de terceiros, ou em qualquer outro elemento de prova, observado o disposto no art. 922 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º). §1º A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais." Finalmente, como também bem delimitado pela autoridade fiscal, no caso da comprovação de despesas de prestação de serviços, a comprovação necessária à dedutibilidade deve abranger a efetividade da prestação dos serviços pagos: "185. Desse modo, a lei exige que os custos ou despesas sejam registrados na escrituração contábil da empresa, devendo ser identificados, quer sob aspectos formais (documentação hábil e idônea, como notas fiscais ou recibos), quer sob aspectos intrínsecos (identificação da operação, efetividade da operação e do respectivo pagamento, identificação do beneficiário, etc.)." Assim, somente por meio da apresentação de elementos materiais/concretos (por exemplo, no caso de serviços jurídicos, de pareceres, relatórios, peças jurídicas, indicação de números de processos, etc) é que se poderá aferir se os serviços efetivamente foram prestados e a sua (des)necessidade em relação à atividade produtiva do contratante. A jurisprudência do CARF, há muito, é remansosa neste sentido. para exemplificar: "CUSTOS E DESPESAS NÃO COMPROVADOS. GLOSA. Para que uma despesa decorrente de serviços prestados seja deduzida da base do IRPJ, deve ser comprovada com contratos, documentos fiscais, comprovantes de pagamento e, principalmente, com a demonstração efetividade do serviço prestado, devendo ainda ser necessária, normal e usual ao desenvolvimento da atividade da empresa. Se a empresa não comprovou sequer a efetividade dos serviços, correta a sua glosa." (Acórdão 1401002.648 4ª Camara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Sessão de Julgamento, sessão de 12 de junho de 2018, Relator Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa) "Despesas com Prestação de Serviços. Falta de Comprovação. Glosa.Cabe a glosa de despesas com serviços quando não comprovada a efetividade da respectiva prestação." (Acórdão 1301002.618 3ª Camara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Sessão de Julgamento, sessão de 20 de setembro de 2017, Relator Conselheiro Roberto Silva Júnior) Fixadas tais premissas, passo à análise das despesas especificamente defendidas pela Recorrente. Fl. 5893DF CARF MF Processo nº 13116.722282/201610 Acórdão n.º 1302003.085 S1C3T2 Fl. 5.894 44 II.4.3 Antônio Luís dos Santos Barros Conforme descrição contida no TVF, o sujeito passivo não apresentou nem a comprovação da efetividade do serviço, nem dos pagamentos referentes às despesas assim registradas: Data Conta Contábil Valor Descrição 29/06/2012 6.02.01.05.09 Honorários advocatícios 75.000,00 NFS 000285 CFOP 1949 DE 27/06/2012 DE ANTONIO LUIS DOS SANTOS BARROS. 27/12/2012 6.02.01.05.09 Honorários advocatícios 250.000,00 NFS 000448 DE 12/12/2012 DE ANTONIO LUIS DOS SANTOS BARROS 31/12/2012 6.02.01.05.09 Honorários advocatícios 75.000,00 NFS 000426 DE 30/11/2012 DE ANTONIO LUIS DOS SANTOS BARROS. A Recorrente apresentou contrato, firmado em 18/06/2002, cujo objeto seria o assessoramento jurídico para atendimento a fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Anápolis, com previsão de pagamento de honorários em duas parcelas de R$ 75.000,00, cada. Juntou a comprovação de dois pagamentos nos referidos valores, realizados em 05/07/2012 e 07/01/2013, e defesa elaborada pelo prestador de serviços. A DRJ manteve a glosa pela ausência de apresentação de notas fiscais, do comprovante do pagamento referente ao lançamento contábil de 27/12/2012, bem como pelo fato de que a petição apresentada como prova da efetividade dos serviços (fls. 4.722 a 4.738) não se referir ao "objeto do contrato supramencionado, mas a impugnação dirigida a 1ª instância do conselho administrativo tributário do estado de Goiás". Os elementos de prova apresentados pelo sujeito passivo, formalmente, serviriam para atestar os pagamentos correspondentes aos lançamentos contábeis no valor de R$ 75.000,00. Contudo, inexiste a imprescindível prova da efetividade da prestação dos serviços. Deste modo, deve ser mantida a glosa. II.4.4 Terra, Pimentel e Vecci Advogados Associados S/S Conforme descrição contida no TVF, o sujeito passivo não apresentou nem a comprovação da efetividade do serviço, nem a comprovação dos pagamentos referentes às despesas assim registradas: A Recorrente juntou contrato de prestação de serviços referente a assessoria jurídicotributária (com previsão de pagamentos no valores de R$ 200.00,00 e R$ 400.000,00) e comprovante de pagamento realizado em 06/07/2012, no valor de R$ 187.700,00. Fl. 5894DF CARF MF Processo nº 13116.722282/201610 Acórdão n.º 1302003.085 S1C3T2 Fl. 5.895 45 A glosa foi mantida pela DRJ, posto que ausentes as notas fiscais de serviço e instrumento contratual que suportasse o pagamento no valor de R$ 100.000,00. Repetese, mais uma vez, que os comprovantes apresentados pelo sujeito passivo, formalmente, serviriam para atestar parcialmente os pagamentos. Novamente, porém, não foi apresentada nenhuma prova da efetividade da prestação dos serviços. A glosa, portanto, é procedente. II.4.5 Campos Advogados S/C As despesas foram glosadas pela ausência da comprovação da efetiva prestação dos serviços. A Recorrente apresentou os comprovantes de pagamento e peça judicial relativa ao processo nº 003505115.2013.8.26.0100. A DRJ manteve a glosa, pois, além da ausência das notas fiscais de serviço, o contrato foi assinado conjuntamente com a Hyundai Caoa do Brasil Ltda e Caoa Norte Comércio de Veículos Ltda, de modo que as despesas não podem ser consideradas necessárias à autuada. Além disso, "os honorários advocatícios iniciais foram fixados em R$ 350 mil, em parcela única no ato da assinatura do contrato, de modo que o desencontro entre sua data de assinatura e a dos pagamentos (mais de 1 e meio após) advoga em desfavor da dedutibilidade da despesa por sugerir a existência de um outro contrato de prestação de serviços não carreado aos autos". De fato, tanto o contrato de fls. 367 a 371, quanto a peça apresentada à guisa de comprovação da prestação dos serviços (fls. 4.757 a 4.764), não se referem, exclusivamente, à Recorrente, não tendo sido apresentada qualquer detalhamento de rateio de serviços e preços entre esta e os demais contratantes. Além de tal fato, já suficiente para a glosa das despesas, os honorários fixados contratualmente prevêem pagamento inicial de R$ 350.000,00 e honorários de êxito de 10% (dez por cento) do valor da causa, devidos apenas no caso de êxito total. Nenhum elemento foi apresentado correlacionando os pagamentos glosados (no valor, cada, de R$ 50.000,00) com o referido contrato. Cabe registrar que os citados pagamentos foram realizados em outubro de 2012 e a peça juntada é datada de agosto de 2013. Por tudo isso, devese manter a glosa das despesas. II.4.6 Gabilan e Gabilan Advogados Associados Em relação a tal contratada, as despesas foram glosadas pela ausência de comprovação da efetividade da prestação dos serviços, bem como pelos fatos de que a Recorrente não figura isoladamente como contratante e de que há discrepâncias nos beneficiários dos pagamentos. Assim registrou a autoridade fiscal, no quadro do item 174 do TVF: Fl. 5895DF CARF MF Processo nº 13116.722282/201610 Acórdão n.º 1302003.085 S1C3T2 Fl. 5.896 46 "Duas contratantes: Caoa Montadora e Hyundai Caoa do Brasil (recibo no valor de 66.000,00 pago a Gabilan e 44.000,00 pago a Pardini, data 25/04/2012)" A Recorrente juntou comprovante de pagamento e peça judicial que comprovaria a prestação dos serviços. A decisão de primeira instância manteve a glosa, nos seguintes termos: Juntados: o contrato para prestação de serviços (fls. 556 a 562) e 1º aditivo (fls. 630 e 631), os recibos de honorários pagos em 25/04/2012, mas referentes ao contrato firmado em 18/04/2011 (fls. 563 a 566) e o comprovante de transferência eletrônica efetuado em 27/09/2012, no valor de R$ 22.173,91 (fl. 4.776). Ausente: a NFS nº 250912. Nada obstante a falta de comprovação da efetiva prestação de serviços, suficiente para manutenção da glosa da despesa, os elementos carreados aos autos depõem desfavoravelmente à Impugnante: os recibos de honorários reportamse à contrato de prestação de serviços ausente dos autos, ao passo que, no que está anexado, figura como contratante também Hyundai Caoa do Brasil Ltda, terceiro que atraí a presunção de desnecessariedade da despesa efetuada. De fato, no contrato juntado às fls. 556 a 562, a Recorrente figura ao lado de outra contratante (Hyundai Caoa do Brasil Ltda), o que, pelos mesmos fundamentos descritos no item anterior, afastariam a necessidade da despesa. A par disso, as parcelas mensais de remuneração previstas para a Gabilan, no contrato (no valor de R$ 73.913,00) não se relacionam com a despesa glosada, no montante de R$ 23.727,96. Por fim, como apontado no TVF e no Acórdão, os recibos apresentados se referem a contrato diverso do juntado aos autos e não guardam semelhança com o valor glosado. Voto, portanto, pela manutenção da glosa. II.4.6 Cançado e Barreto Advocacia S/S A glosa, neste caso, decorreu da ausência de comprovação da efetividade da prestação dos serviços, bem como dos respectivos pagamentos. A Recorrente juntou contrato de prestação de serviços e comprovante de pagamento, sendo que a DRJ manteve a glosa, nos seguintes termos: "Juntados: o contrato de prestação de serviços e honorários advocatícios (fls. 525 a 527), o comprovante de transferência eletrônica (fl. 4.860) e a NFS nº 204 (fl. 5.144), cuja autenticidade foi confirmada em consulta à Secretaria Municipal de Fazenda de Goiânia. Dados esses elementos, que comprovam indubitavelmente a efetiva prestação e pagamento dos serviços, Fl. 5896DF CARF MF Processo nº 13116.722282/201610 Acórdão n.º 1302003.085 S1C3T2 Fl. 5.897 47 cabenos perquirir sobre a necessidade, normalidade e usualidade do art. 299 do RIR. Pela Cláusula Segunda Objeto, o presente contrato consiste na “Defesa dos interesses da Contratante nos autos da Ação de Execução Forçada que tramita perante o Juízo de Direito da 10ª Vara Cível da Comarca de Goiânia Autos 201204516752 que tem como autora Balduíno Leitão Advogados S.S. (...)”. Em consulta ao Diário Oficial da Justiça, ano VI, edição nº 1.397, seção II, disponibilizado em 27/09/2013 e publicado em 30/09/2013, fls. 5.290 e 5.291, extraise que as partes protocolizaram acordo para pagamento do débito originalmente reconhecido de R$ 11,5 milhões, homologado por sentença e extinto o processo com resolução de mérito. Não se pode afirmar que o gasto com a Cançado e Barreto Advocacia no patrocínio da causa seja necessário porque também não é essencial a dívida de que se originou: os honorários advocatícios exigidos pela Balduíno Leitão Advogados S/S, não adimplidos, presumese. Aquele não se mostra essencial à transação ou operação exigida pela exploração das atividades, principais ou acessórias, que estejam vinculadas com as fontes produtoras de rendimentos da empresa. E, ainda que viéssemos considerar o pagamento in casu necessário genericamente, já que a parte não poderia litigar em causa própria e deveria, portanto, fazerse representar por um advogado ou escritório de advogados, importa frisar que não é, de modo algum, normal ou usual, mesmo porque não é comum, costumeiro ou ordinário o inadimplemento dos contratos de prestação de serviços firmados. Ora, o contrato da Cançado e Barreto Advocacia apenas prevê a defesa em causa específica, decorrente da exceção da disciplina de obrigações: a falta de pagamento. Se fôssemos pensar em outra ótica, se a Impugnante houvesse honrado seus haveres com a Balduíno Leitão Advogados S/S, não estaria no pólo passivo de execução e nem precisaria contratar os serviços da Cançado e Barreto Advocacia para defendêlo. Este, sim, seria o fluxo normal e usual, não aquele vislumbrado no caso concreto. Em sendo assim, em que pese a comprovação inquestionável dos serviços prestados, importanos manter a glosa da despesa pelo não atendimento dos requisitos de sua dedutibilidade." (Destacouse) Neste ponto, entendo necessário divergir da decisão de primeira instância e dar razão à Recorrente. A própria autoridade julgadora atesta a efetividade dos serviços prestados pela contratada e as razões para a manutenção da glosa se referem a presunção acerca das razões pelas quais foi movida ação judicial contra a Recorrente e que teria motivado a contratação relacionada com os pagamentos. Fl. 5897DF CARF MF Processo nº 13116.722282/201610 Acórdão n.º 1302003.085 S1C3T2 Fl. 5.898 48 Como bem pontuado no Recurso Voluntário: Como pode a Turma Julgadora saber se realmente tais honorários advocatícios que não foram pagos à Balduíno Advogados S/S eram devidos pela Recorrente? Ademais, em total ingerência aos negócios da Recorrente, a Turma Julgadora chega a afirmar que a contratação do Cançado e Barreto Advocacia não era necessária e que a Recorrente não precisaria contratar tais serviços. Ora, se a Turma Julgadora acessou o Diário Oficial e verificou que realmente existe um processo em nome da Recorrente, patrocinado por Cançado e Barreto Advocacia, é evidente que houve a prestação de serviço por parte deste escritório, fazendo jus ao pagamento realizado pela Recorrente." Entendo que os julgadores se excederam na apreciação da necessidade da despesa para a atividade da Recorrente, de modo que deve ser restabelecida a dedutibilidade da referida despesa. II.4.7 Demais contratos A mesma situação se repete em relação a todos os demais contratos glosados (CG Gontijo de Moraes Promoção de Eventos Automobilísticos EPP, Parker Randall Consultoria Empresarial Ltda, Balduíno Leitão Advogados S/S, Advocacia Júlio Oliveira, Repossi & Mendes Advocacia, Hedge Auditoria e Consultoria Empresarial S/S Ltda, Alaor e Giselle Advogados Associados S/C, Ipsos Brasil Pesquisas de Mercado Ltda, Mattos Filho, Veiga Filho, Marrey Jr e Quiroga Advogados, Escritório de Advocacia Sérgio Bermudes, Oliveira Lima Advogados e Emsenhuber e Advogados Associados), em relação aos quais a Recorrente se limita a listar os documentos juntados (sempre instrumentos contratuais e comprovantes de pagamento). Em nenhum dos casos, porém, foi apresentada a comprovação da efetiva prestação dos serviços, elemento essencial para a dedutibilidade das despesas, conforme já tratado no item II.4.2. Ademais, em várias situações, a documentação apresentada se refere apenas a parte dos pagamentos (a exemplo da despesa com a Repossi & Mendes Advocacia), ou os valores dos pagamentos não se correlacionam com o previsto nos contratos apresentados (a exemplo da despesa relativa à Parker Randall Consultoria Empresarial Ltda), ou, ainda, a contratante é pessoa jurídica diversa (como no caso da Ipsos Brasil Pesquisas de Mercado Ltda). Em relação à despesa com a Hedge Auditoria e Consultoria Empresarial S/S Ltda, conforme fundamentado pela decisão recorrida: "Não bastasse a falta de comprovação adequada das despesas, o que é bastante para confirmação da glosa, a análise detida do instrumento descaracteriza, em parte, a necessariedade requerida pela legislação do imposto de renda para dedutibilidade de despesas operacionais. O item I. Objetivo dos Trabalhos traz que “O objetivo principal dos serviços da Fl. 5898DF CARF MF Processo nº 13116.722282/201610 Acórdão n.º 1302003.085 S1C3T2 Fl. 5.899 49 Contratada é o de apoiar a administração da Contratante e ainda das sociedades que compõem o grupo empresarial da Contratante em seu todo (...)”; já o item III. Forma de Apresentação e Local da Prestação de Serviços oferecenos “Como produto dos serviços prestados, apresentaremos à Contratante e as empresas pertencentes ao seu grupo econômico (...)”; por fim, o item V. Serviços Complementares destacam que estão inclusos nos honorários a elaboração das declarações de imposto de renda anuais de pessoas físicas (sócios das empresas do grupo econômico). Em sendo assim, desfigurase o elemento da necessariedade, ao menos em parte, dado ainda não restar demonstrado o quantum dos pagamentos reverteuse, de fato, à atividade empresarial da Impugnante, e não a empresas ou pessoas físicas distintas." Ou seja, mais uma vez, a Recorrente é apenas uma das contratantes e não discriminou os serviços de que efetivamente foi beneficiária e a correspondente remuneração. Dessa maneira, deve ser mantida a glosa em relação a todas as despesas relacionadas com as citados empresas. II.4.8 Do requerimento de diligência A Recorrente repete o requerimento de conversão do julgamento em diligência, uma vez que no seu entender "o levantamento realizado pelo Sr. Auditor Fiscal possui diversas inconsistências, maculando toda a base de cálculo apurada com a glsoa de despesa realizada em razão da sua iliquidez e incerteza". O art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, coloca o atendimento ao requerimento de diligências ou perícias sob a análise da autoridade julgadora. In verbis: "Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine." (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) No mesmo sentido, o art. 29 do citado Decreto dispõe que "Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias". Tratando do tema, James Marins (Direito Processual Tributário Brasileiro, São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 10. ed. rev. atual. e ampl., 2017, fls. 289/290), leciona: "Como o impulso do processo compete à Administração (princípio da impulsão oficial, em conformidade com o art. 19 da LGPAF), cumprirá à autoridade julgadora de primeira instância apreciar os requerimentos de produção de provas, apreciar sua pertinência e determinar a realização daquelas que seja em virtude de terem sido requeridas ou por deliberação ex officio da autoridade de primeira instância sejam necessárias para que a instrução se complete. Fl. 5899DF CARF MF Processo nº 13116.722282/201610 Acórdão n.º 1302003.085 S1C3T2 Fl. 5.900 50 O juízo de pertinência probatória será feito principalmente com base nos critérios de imprescindibilidade e praticabilidade." O pedido foi indeferido pela DRJ, para quem não procede a alegação de falhas suscitada pelo sujeito passivo, sendo desnecessária a realização da diligência: "Em sendo assim, esta instância de julgamento detinha de todo o arcabouço probatório que a Impugnante pôde reunir para se pronunciar sobre a glosa das despesas com serviços de assessoria e consultoria, tendoo feito no tópico anterior! Assim, entendo que o processo está instruído e o julgamento prescinde de outras verificações, portanto, indefiro o pedido de conversão deste em diligência." De fato, não vislumbro no presente caso qualquer necessidade de que seja realizada a diligência requerida. Os autos se encontram adequadamente instruídos. A autoridade fiscal foi extremamente cuidadosa na reunião dos elementos probatórios e, à Recorrente, foram ofertadas fartas ocasiões para a apresentação dos documentos que entendesse necessários para afastar a infração a ela imputadas, bem como para robustecer os seus argumentos de defesa. A matéria pode ser adequadamente apreciada, a partir dos elementos de prova já existentes nos autos, sendo que as comprovações não realizadas decorreram de deficiência na defesa da Recorrente, que, a despeito das citadas oportunidades, não apresentou as provas necessárias a comprovar a efetividade dos serviços relacionados com as despesas glosadas. Isto posto, rejeito o pedido de diligência. II.4.9 Do reflexo na base de cálculo da CSLL Segundo a Recorrente as despesas consideradas indedutíveis na apuração do IRPJ não poderiam ser adicionadas à base de cálculo da CSLL, por ausência de previsão legal, já que, para esta contribuição, "existem normas específicas que tratam das adições e exclusões ao lucro líquido para fins de determinação de sua base de cálculo, as quais, nem sempre, são as mesmas aplicáveis ao IRPJ". O Acórdão recorrido refutou a tese do sujeito passivo, por considerar que "as despesas consideradas indedutíveis, que devem ser adicionadas à base de cálculo do IRPJ, também devem ser adicionadas à base de cálculo do CSLL, com previsão no art. 28 da Lei 9.430/1997 combinado com o art. 13 da Lei 9.249/1995". Não procede a pretensão a Recorrente. É que, embora, de fato, existam regras específicas acerca das parcelas que devem ser adicionadas ao lucro líquido para fins de apuração do IRPJ e da CSLL, conforme, inclusive, expressamente disciplinadas pela Receita Federal, por meio da Instrução Normativa RFB mº 1.700, de 14 de março de 2017, não é disso que trata os autos. No caso, conforme os já transcritos arts. 249 e 277 do RIR/99, bem como do art. 13 da Lei nº 9.249, de 1995, c/c o art. 47 da Lei nº 4.506, tratase de, na apuração do Lucro Fl. 5900DF CARF MF Processo nº 13116.722282/201610 Acórdão n.º 1302003.085 S1C3T2 Fl. 5.901 51 Real e da base de cálculo da CSLL, adicionar as despesas consideradas indedutíveis por não serem necessárias à atividade da empresa e à manutenção da fonte produtora. A ementa do Acórdão nº 1402002.964, da 4ª Câmara da 2ª Turma Ordinária da Primeira Sessão de Julgamento (sessão de 13 de março de 2018, Relator Conselheiro Paulo Mateus Ciccone) é bem didática: "CSLL. CRITÉRIOS DE DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS EM SUA APURAÇÃO. LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA A CSLL tem como base de cálculo o lucro líquido do período, com os ajustes determinados na legislação de regência. Neste sentido, os artigos 248 e 277, ambos do RIR/99. O lucro operacional traduzse no resultado do confronto entre as receitas operacionais e as despesas operacionais (artigo 299 do RIR/99). Da interpretação sistemática destes dispositivos, deduzse que somente poderão reduzir o lucro líquido as despesas operacionais que preencham os requisitos previstos no artigo 299, quais sejam, as despesas necessárias e devidamente comprovadas. Os dispêndios glosados afetam o próprio resultado do exercício e, consequentemente, também a base de cálculo da Contribuição Social, como definida no art. 2º da Lei 7.689, de 1988, com as alterações do art. 2º da Lei 8.034, de 1990. Além disso, o art. 13 da Lei nº 9.249/95, quando trata das despesas indedutíveis das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, é taxativo ao dispor que tais vedações de dedutibilidade se aplicam independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.502/64, justamente a base legal do art. 299 do RIR/99. Portanto, dada a relação de causa e efeito entre as glosas efetuadas para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, mantémse a glosa realizada pela Fiscalização." II.5 Da multa isolada Adicionalmente, a pessoa jurídica argumenta, em seu Recurso, que a multa isolada pelo não recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL não poderia ser imposta após o encerramento do anocalendário e em concomitância com a exigência de tais tributos com multa de ofício de 75%, uma vez que isso configuraria duplicidade de penalidade. A argumentação da Recorrente não merece ser acolhida. Conforme art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, não há impedimento para a aplicação concomitante das referidas penalidades, que possuem bases de cálculo distintas: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 5901DF CARF MF Processo nº 13116.722282/201610 Acórdão n.º 1302003.085 S1C3T2 Fl. 5.902 52 II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)" A multa de ofício sobre o ajuste anual é embasada no inciso I c/c o §1º do referido dispositivo e calculada sobre a diferença de imposto apurada ao final do exercício; a multa isolada tem por base o inciso II, e é calculada sobre o valor devido no mês correspondente. A primeira alegação da Recorrente é totalmente despida de sentido, já que o momento de aplicação da penalidade isolada é exatamente após o encerramento do ano calendário. Antes disso, a autoridade fiscal exigirá o próprio tributo devido por estimativa. É essa a justificativa, portanto, para a Súmula CARF nº 82. Quanto à concomitância e subsunção de penalidades, também não há razão para acolhêlas. Os argumentos trazidos pela Recorrente para fundamentar a sua tese se referem à redação anterior do referido art. 44 (e que se apresentam em consonância com a Súmula CARF nº 105). É que na redação original do dispositivo legal, a multa de ofício aplicada ao final do exercício e a multa pelo não recolhimento da estimativa tinham, ambas, como fundamento legal o inciso I do citado art. 44, razão pela qual se firmou a tese da inaplicabilidade concomitante. Após a alteração da redação, promovida pela Lei nº 11.488, de 2007, entendese plenamente cabível a aplicação concomitante das duas penalidades. Cabe neste momento a transcrição de trecho do voto da Conselheira Adriana Gomes Rêgo, no Acórdão nº 9101002.438 (1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, sessão de 20 de setembro de 2016), de sua relatoria: "Já no caso em debate, a norma tributária prevê expressamente a aplicação das duas penalidades em face da conduta de sujeito passivo que motive lançamento de ofício, como bem observado Fl. 5902DF CARF MF Processo nº 13116.722282/201610 Acórdão n.º 1302003.085 S1C3T2 Fl. 5.903 53 pelo Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão no já citado voto condutor do Acórdão nº 9101002.251: [...]Ora, o legislador, no caso, fez mais do que faria se apenas acrescentasse “mais uma alínea no inciso II da nova redação do art. 44 da [Lei nº] 9.430/1996”. Na realidade, o que, na redação primeira, era apenas um inciso subordinado a um parágrafo do artigo (art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996), tornouse um inciso vinculado ao próprio caput do artigo (art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996), no mesmo patamar, portanto, do inciso então preexistente, que previa a multa de ofício. Vejase a redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, dada pela Lei nº 11.488, de 2007 (sublinhei): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: [...]; Dessa forma, a norma legal, ao estatuir que “nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas”, está a se referir, iniludivelmente, às duas multas em conjunto, e não mais em separado, como dava a entender a antiga redação do dispositivo. Nessas condições, não seria necessário que a norma previsse “a possibilidade de haver cumulatividade dessas multas”. Pelo contrário: seria necessário, sim se fosse esse o caso, que a norma excetuasse essa possibilidade, o que nela não foi feito. Por conseguinte, não há que se falar como pretendeu o sujeito passivo, por ocasião de seu recurso voluntário em “identidade quanto ao critério pessoal e material de ambas as normas sancionatórias”. Se é verdade que as duas normas sancionatórias, pelo critério pessoal, alcançam o mesmo contribuinte (sujeito passivo), não é verdade que o critério material (verbo + complemento) de uma e de outra se centre “no descumprimento da relação jurídica que determina o recolhimento integral do tributo devido”. O complemento do critério material de ambas é, agora, distinto: o da multa de ofício é a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição; já o da multa isolada é o valor do pagamento mensal, apurado sob base estimada ao longo do Fl. 5903DF CARF MF Processo nº 13116.722282/201610 Acórdão n.º 1302003.085 S1C3T2 Fl. 5.904 54 ano, cuja materialidade, como visto anteriormente, não se confunde com aquela. (grifos do original) A alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, portanto, claramente fixou a possibilidade de aplicação de duas penalidades em caso de lançamento de ofício frente a sujeito passivo optante pela apuração anual do lucro tributável. Somente desconsiderandose todo o histórico de aplicação das penalidades previstas na redação original do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, seria possível interpretar que a redação original não determinou a aplicação simultânea das penalidades. A redação alterada é direta e impositiva ao firmar que "serão aplicadas as seguintes multas". Ademais, quando o legislador estipula na alínea "b" do inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, a exigência isolada da multa sobre o valor do pagamento mensal ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa no anocalendário correspondente, claramente afirma a aplicação da penalidade mesmo se apurado lucro tributável e, por conseqüência, tributo devido sujeito à multa prevista no inciso I do seu art. 44. Acrescentese que não se pode falar, no caso, de bis in idem sob o pressuposto de que a imposição das penalidades teria a mesma base fática. Basta observar que as infrações ocorrem em diferentes momentos, o primeiro correspondente à apuração da estimativa com a finalidade de cumprir o requisito de antecipação do recolhimento imposto aos optantes pela apuração anual do lucro, e o segundo apenas na apuração do lucro tributável ao final do anocalendário. A análise, assim, não pode ficar limitada, por exemplo, à omissão de receitas ou ao registro de despesas indedutíveis, especialmente porque, para fins tributários, estas ocorrências devem, necessariamente, repercutir no cumprimento da obrigação acessória de antecipar ou na constituição, pelo sujeito passivo, da obrigação tributária principal. A base fática, portanto, é constituída pelo registro contábil ou fiscal, ou mesmo sua supressão, e pela repercussão conferida pelo sujeito passivo àquela ocorrência no cumprimento das obrigações tributárias. Como esta conduta se dá em momentos distintos e com finalidades distintas, duas penalidades são aplicáveis, sem se cogitar de bis in idem." Essa tem sido a jurisprudência dominante sobre o tema, inclusive no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme ilustra a ementa a seguir referenciada: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010 (...) MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. LEI. NOVA REDAÇÃO. FATOS GERADORES A PARTIR DE 2007. Tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 de suportes fáticos distintos e autônomos com diferenças claras na temporalidade da apuração, que tem por consequência a Fl. 5904DF CARF MF Processo nº 13116.722282/201610 Acórdão n.º 1302003.085 S1C3T2 Fl. 5.905 55 aplicação das penalidades sobre bases de cálculo diferentes. A multa de ofício aplicase sobre o resultado apurado anualmente, cujo fato gerador aperfeiçoase ao final do anocalendário, e a multa isolada sobre insuficiência de recolhimento de estimativa apurada conforme balancetes elaborados mês a mês ou ainda sobre base presumida de receita bruta mensal. O disposto na Súmula nº 105 do CARF aplicase aos fatos geradores pretéritos ao ano de 2007, vez que sedimentada com precedentes da antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que foi alterada pela MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.489, de 15/07/2007." (Acórdão nº 9101003.060 1ª Turma, sessão de 12 de setembro de 2017, Redator designado Conselheiro André Mendes de Moura) Após a alteração da redação, entendese, como já dito, plenamente cabível a aplicação concomitante das duas penalidades. Desta forma, rejeito o Recurso apresentado também quanto a este tópico. II.6 Da incidência dos juros sobre multa A Recorrente defende a impossibilidade de aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício imposta. No seu entendimento, o art. 13 da Lei nº 9.065, de 1995, que determina a cobrança dos juros de mora, calculados com base na taxa Selic, remeteria ao art. 84 da Lei nº 8.981, de 1995, que estabeleceria a cobrança de tais acréscimos apenas sobre tributos. Mais uma vez, não há como se concordar com a tese defendida, sendo bastante invocar a Súmula CARF nº 108: "Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício." Deste modo, não deve ser acatado o Recurso Voluntário, quanto a esta matéria. II.7 Da compensação de prejuízos fiscais e base negativa da CSLL Consoante a improcedência quase total do Recurso Voluntário manejado pelo sujeito passivo, é consequência lógica a improcedência da sua pretensão de verem desfeitas as compensações de ofício promovidas pela autoridade fiscal do crédito constituído com prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL apuradas pele Recorrente. II.8 Da representação fiscal para fins penais Finalmente, a Recorrente argui a improcedência da representação fiscal para fins penais formalizada a partir do procedimento fiscal que resultou na constituição dos créditos tributários ora sob apreciação. O tema é solucionado diretamente pela Súmula CARF nº 28: Fl. 5905DF CARF MF Processo nº 13116.722282/201610 Acórdão n.º 1302003.085 S1C3T2 Fl. 5.906 56 "Súmula CARF nº 28: Este Conselho Administrativo é incompetente para se pronunciar sobre controvérsias referentes à representação fiscal para fins penais elaborada pela fiscalização." III. DO RECURSO DE OFÍCIO Por meio do Acórdão de fls. 5.282 a 5.392, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza/CE exonerou parte do crédito tributário constituído em relação ao sujeito passivo, por entender "descaracterizada a incidência do IRPJ e da CSLL sobre as receitas pagas a título de “bônus sobre vendas”, posto se tratarem de despesas operacionais dedutíveis". A referida parcela, contudo, foi incluída expressamente no pedido de desistência formulado pelo sujeito passivo, para adesão ao PERT (fls. 5.410 a 5.419), de modo que prejudicado o Recurso de Ofício, por perda do objeto. IV. DOS DEMAIS TRIBUTOS Em relação aos lançamentos referente à CSLL, Contribuição ao PIS/Pasep e Cofins, à exceção dos aspectos pontuais já tratados no âmbito deste voto, os valores exigidos por força da constatação de omissão de receita relativa ao "IPI Complementar" e da contabilização indevida do "crédito outorgado de ICMS" tem sua sorte vinculada ao decidido com relação ao IRPJ, dada a relação de causa e efeito. Em relação à apuração de omissão de receitas, estas serão consideradas na determinação da base de cálculo para o lançamento dos tributos acima referidos, por expressa disposição do art. 24, §2º, da Lei nº 9.249, de 1995. V. DA CONCLUSÃO À vista de todo o exposto, quanto ao Recurso Voluntário, voto por não acolher as preliminares de nulidade, por indeferir o pedido de diligência e por dar provimento parcial, apenas para afastar a tributação de IRPJ e CSLL sobre os montantes correspondentes ao "crédito outorgado de ICMS" e para restabelecer a dedutibilidade na apuração do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL das despesas relativas à pessoa jurídica Cançado e Barreto Advocacia S/S, conforme item II.4.6. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Declaração de Voto Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias Fl. 5906DF CARF MF Processo nº 13116.722282/201610 Acórdão n.º 1302003.085 S1C3T2 Fl. 5.907 57 Em que pese os bem fundamentados argumentos apresentados pelo ilustre relator, ouso discordar do entendimento quanto à possibilidade de o contribuinte renunciar ao trânsito em julgado favorável obtido em ação judicial. É que o processo, em apertada síntese, nada mais é do que um instrumento para realização substancial do Direito. Assim, quando houver um direito material lesado ou ameaçado de lesão, o cidadão podese socorrer do Poder Judiciário, para obter uma resposta do Estado ao problema de convivência humana que lhe é narrado. Contudo, aquele direito material lesado (ou na iminência de ser lesado) pode ser disponível ou indisponível. Caso seja indisponível, entendese que, como já afirmou o Superior Tribunal de Justiça (vide Resp 472.608), a prestação jurisdicional não pode ser desprezada, ou seja, não pode o cidadão “abrir mão” do que restou decidido pelo Poder Judiciário (caso do reconhecimento de paternidade, por exemplo). Entretanto, em um esforço argumentativo inverso, nos direitos disponíveis, como o próprio nome já diz, o jurisdicionado pode dispor do que o Poder Judiciário lhe concedeu. Não há, no ordenamento, dispositivo que lhe obrigue a exercer aquele direito. Em se tratando de coisa julgada, devese pontuar que o NCPC é claro, como se observa do artigo 505, que aquela coisa julgada pode ser revista, nas relações de trato sucessivo, caso sobrevenha modificação no estado de fato ou de direito. E modificação do estado de fato, no presente caso, se mostra factível, justamente porque (i) houve declaração, registrada em cartório, em que o contribuinte abre mão de um direito disponível, (ii) este contribuinte se declara contribuinte do IPI quando destaca, nas Notas Fiscais, o tributo (iii) e, por consequência, toma créditos deste tributo, como a não cumulatividade permite. Assim, no presente caso, não há que se falar em prevalência da coisa julgada. Não se pode perder de vista, apenas para argumentar, que a própria Fazenda Nacional entende que a coisa julgada, cujo objeto teve decisão, contrária e posterior, proferida pelo STF, não deve prevalecer (vide RE 949.297 e 955.227, em que foram reconhecidas as repercussões gerais pelo Supremo). Na questão posta em discussão, não se pode olvidar que esta mesma Fazenda Nacional não concordava com a tese que prevaleceu e transitou em julgado em “favor” do contribuinte. Entretanto, mesmo este não querendo se “beneficiar” do que restou decidido, a Fazenda insiste em dizer que isto não é possível, por conta do trânsito em julgado. Ou seja, aos olhos da Fazenda Nacional, o contribuinte não poderia agir como o próprio ente tributante entendia como sendo correto, porque tem uma ação transitada em julgado. Contudo, como mencionado, não se pode esquecer que se está falando de um direito disponível, podendo sim, data venia, o contribuinte dispor do que restou decidido pelo Poder Judiciário. Fl. 5907DF CARF MF Processo nº 13116.722282/201610 Acórdão n.º 1302003.085 S1C3T2 Fl. 5.908 58 Assim, entendo como válida a renúncia do trânsito em julgado feita pelo contribuinte, concluindo que não houve vício quando se declarou contribuinte do IPI, com todos os efeitos que essa declaração produz. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa A controvérsia sobre a questão do IPI complementar é sintetizada pela decisão recorrida, do seguinte modo: "A Impugnante impetrou o Mandado de Segurança nº 2004.35.00.0110772 (renumerado para 2006.35.02.0015061) fls. 2.968 a 2.985 , com a intenção de afastar a incidência do IPI devido na saída de mercadorias importadas do seu estabelecimento, prevista no art. 9º, I, do Decreto nº 2.637/1998. Este processo transitou em julgado em 28/04/2010, em favor da Impugnante, que deixou de ser contribuinte desse denominado “IPI Complementar”. Mesmo provida sua demanda, a Impugnante destacou, no ano calendário 2012, o IPI das notas de saída de mercadorias importadas e das notas de devolução de compra para comercialização, procedimento este incorreto no entendimento da Fiscalização. Ciente de que a Impugnante registrou em cartório um Termo de Ratificação de Renúncia fl. 3.096 a todos os efeitos decorrentes da decisão supracitada, a Fiscalização entendeu que a relação jurídicotributária não pode ser tratada como direito patrimonial disponível. Em sendo assim, com a constituição de nova relação entre a Impugnante e o Fisco, esta é a que deve prevalecer, sob pena de ofensa à coisa julgada material. Por essa razão, a Fiscalização entendeu que o IPI destacado nada mais é do que componente do preço da venda da mercadoria importada, repassado ao cliente, logo, receita omitida não oferecida à tributação. Nada obstante, na apuração da base tributável da infração, a Fiscalização subtraiu do IPI creditado na entrada de mercadorias estrangeiras o IPI sub judice (Ação Judicial nº 6816357.2011.4.01.3400 fls. 3.119 a 3.147 , que discute a aplicação da alíquota de IPI reduzida aos veículos de procedência estrangeira, consoante autoriza o Decreto nº 7.567/2011) para obtenção do CMV apurado de ofício. Por fim, a Fiscalização procedeu à identificação de notas fiscais classificadas incorretamente como venda de produção quando, na verdade, referiamse à revenda de mercadorias importadas." (Grifei) Fl. 5908DF CARF MF Processo nº 13116.722282/201610 Acórdão n.º 1302003.085 S1C3T2 Fl. 5.909 59 Como bem relatado pelo Ilustre Relator, a justificativa do sujeito passivo para o procedimento por ele adotado seria o Termo de Renúncia de fls. 3.095 a 3.115, registrado em Cartório em janeiro de 2012, por meio do qual declara e ratifica que renunciou, de forma irretratável e irrevogável, a todos os efeitos decorrentes da decisão favorável obtida nos autos do referido Mandado de Segurança. O sujeito passivo alega, em apertada síntese, que a citada decisão judicial seria direito patrimonial seu, portanto disponível e exercitado ou renunciado, conforme a sua livre decisão. Pois bem, sabese que a sentença só produz efeitos após seu trânsito em julgado. Não se quer, com isso, confundir a eficácia da sentença com sua imutabilidade e a possibilidade de nova discussão. A coisa julgada, não é efeito da sentença, mas uma situação jurídica nova, surgida no momento em que se torna inadmissível a interposição de recurso contra tal provimento, consistente na imutabilidade e indiscutibilidade da sentença e de seu conteúdo. Logo, enquanto houver possibilidade de recurso, haverá possibilidade de discutir e, eventualmente, obter provimento judicial em sentido diverso. No entanto, tal expediente de mudança deve obedecer ao procedimento previsto em lei. In casu, a sentença judicial poderia ser atacada por apelação, ou por ação rescisória. Decorridos os respectivos prazos legais, sem que houvesse interposição deste ou daquele recurso, verificase o trânsito em julgado da mesma, não havendo, portanto, razão para discutirse acerca da mesma. Não obstante, a recorrente firmou Termo de Renúncia, registrado em Cartório em janeiro de 2012, por meio do qual declara e ratifica que renunciou, de forma irretratável e irrevogável, a todos os efeitos decorrentes da decisão favorável obtida nos autos do referido Mandado de Segurança. Entretanto, tal Termo de Renúncia, por si só, não serve para modificar relação jurídica estabilizada pela coisa julgada. Isto porque, o fato de o contribuinte renunciar seu direito por meio de medida extrajudicial, não pode alterar decisão jurisdicional que havia declarado a inexistência de relação jurídicotributária entre Fisco e contribuinte. Com profundidade, quando o Magistrado emite uma norma individual e concreta declarando a inexistência de relação jurídicotributária, esta norma impede que, uma vez ocorrido o fato gerador do tributo, seja emitida outra norma estabelecendo a obrigação pecuniária entre o contribuinte e o Fisco. Em outras palavras, impede que seja estabelecida a relação jurídica entre aquele que praticou o fato gerador, e aquele que tem o direito subjetivo de obter a prestação pecuniária. Tratase do primado da segurança jurídica que confere estabilidade, previsibilidade e confiabilidade às relações jurídicas. Neste âmago Ricardo Lobo Torres ensina: “Segurança jurídica é certeza e garantia dos direitos. É paz. Como todos os valores jurídicos é aberta, variável, bipolar e indefinível. A segurança jurídica significa sobretudo segurança dos direitos fundamentais. Fl. 5909DF CARF MF Processo nº 13116.722282/201610 Acórdão n.º 1302003.085 S1C3T2 Fl. 5.910 60 A segurança jurídica tornase valor fundamental do Estado de Direito, pois o capitalismo e o liberalismo necessitam de certeza, calculabilidade, legalidade e objetividade nas relações jurídicas e previsibilidade na ação do Estado e garantia da propriedade. (...) A segurança foi incluída na declaração dos direitos fundamentais constante no art. 5º da CF/88:(...). A segurança é um valor jurídico e, como segurança dos Direitos fundamentais, se transforma ela própria em direito fundamental. A segurança jurídica é valor porque guarda todas as características deles (generalidade, abstração, polaridade, interação com outros valores); é garantida no art. 5º da CF por intermédio dos princípios jurídicos, e não como performativo.” (“Limitações ao Poder Impositivo e Segurança Jurídica”, Pesquisas Tributárias – Nova Série nº 11. São Paulo: RT/Centro de Extensão Universitária, 2005, pp. 74/76) Ives Gandra da Silva Martins assevera que, em sua visão, certeza e segurança: “...são direitos e garantias fundamentais; a ‘segurança’ é ofertada pelas disposições dos textos legislativos e a ‘certeza’ pela interpretação que os Tribunais lhes ofertam. Desta forma, a ‘segurança’, a que se refere a Carta Magna, só adquire ‘certeza’ absoluta quando o Poder Judiciário oferta a decisão definitiva, a interpretação última, aquela que permite seja a interpretação seguida pelos cidadãos com confiança. É de se admitir, portanto, que a ‘segurança jurídica’ só se completa com a ‘certeza’ da interpretação pelo Poder que a determina, e o Supremo Tribunal Federal, como guardião da Constituição, é aquele que oferta a interpretação última, definitiva, que orienta, sinaliza, mostra a todos os cidadãos o caminho correto a seguir. O jurista, finaliza seu parecer afirmando: “Não pode, pois, o Estado eximirse de sua responsabilidade – através do único Poder que impõe, com ‘definitividade’, sua orientação e interpretação da ordem jurídica – em respeitar os direitos da cidadania. E nem seria justo que a Suprema Corte, no caso de alterar reiterada jurisprudência a favor do particular, declarasse caber o ônus de seu ‘erro’, de sua ‘instabilidade decisória’, exclusivamente aos cidadãos. Não seria legítimo – nem engrandeceria a tradição de guardiã da Constituição, que o Pretório Excelso detém – que tendo seus eminentes integrantes ‘errado’, deva o cidadão pagar por esse erro.” (“Coisa julgada – Constitucionalidade e legalidade em matéria tributária, coedição São Paulo: Dialética; e Fortaleza: Instituto Cearense de Estudos Tributários – ICET, 2006, pp. 218/219) Este entendimento, inclusive, foi corroborado pelo STJ, em sede de recurso repetitivo, no REsp nº 1.118.893 – MG (2009/00111359), à seguir transcrito: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. RITO DO ART. 543 C DO CPC. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO CSLL. COISA Fl. 5910DF CARF MF Processo nº 13116.722282/201610 Acórdão n.º 1302003.085 S1C3T2 Fl. 5.911 61 JULGADA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI 7.689/88 E DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICOTRIBUTÁRIA. SÚMULA 239/STF. ALCANCE. OFENSA AOS ARTS. 467 E 471, CAPUT, DO CPC CARACTERIZADA. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL CONFIGURADA. PRECEDENTES DA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO. 1. Discutese a possibilidade de cobrança da Contribuição Social sobre o Lucro CSLL do contribuinte que tem a seu favor decisão judicial transitada em julgado declarando a inconstitucionalidade formal e material da exação conforme concebida pela Lei 7.689/88, assim como a inexistência de relação jurídica material a seu recolhimento. 2. O Supremo Tribunal Federal, reafirmando entendimento já adotado em processo de controle difuso, e encerrando uma discussão conduzida ao Poder Judiciário há longa data, manifestouse, ao julgar ação direta de inconstitucionalidade, pela adequação da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, ao texto constitucional, à exceção do disposto no art 8º, por ofensa ao princípio da irretroatividade das leis, e no art. 9º, em razão da incompatibilidade com os arts. 195 da Constituição Federal e 56 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT (ADI 15/DF, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, Tribunal Pleno, DJ 31/8/07). 3. O fato de o Supremo Tribunal Federal posteriormente manifestarse em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado em nada pode alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada, sob pena de negar validade ao próprio controle difuso de constitucionalidade. 4. Declarada a inexistência de relação jurídicotributária entre o contribuinte e o fisco, mediante declaração de inconstitucionalidade da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, afastase a possibilidade de sua cobrança com base nesse diploma legal, ainda não revogado ou modificado em sua essência. 5. "Afirmada a inconstitucionalidade material da cobrança da CSLL, não tem aplicação o enunciado nº 239 da Súmula do Supremo Tribunal Federal, segundo o qual a "Decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores" (AgRg no AgRg nos EREsp 885.763/GO, Rel. Min. HAMILTON CARVALHIDO, Primeira Seção, DJ 24/2/10). 6. Segundo um dos precedentes que deram origem à Súmula 239/STF, em matéria tributária, a parte não pode invocar a existência de coisa julgada no tocante a exercícios posteriores quando, por exemplo, a tutela jurisdicional obtida houver impedido a cobrança de tributo em relação a determinado período, já transcorrido, ou houver anulado débito fiscal. Se for declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo, não há falar na restrição em tela (Embargos no Agravo de Petição 11.227, Rel. Min. CASTRO NUNES, Tribunal Pleno, DJ 10/2/45). 7. "As Leis 7.856/89 e 8.034/90, a LC 70/91 e as Leis 8.383/91 e 8.541/92 apenas modificaram a alíquota e a base de cálculo da contribuição instituída Fl. 5911DF CARF MF Processo nº 13116.722282/201610 Acórdão n.º 1302003.085 S1C3T2 Fl. 5.912 62 pela Lei 7.689/88, ou dispuseram sobre a forma de pagamento, alterações que não criaram nova relação jurídicotributária. Por isso, está impedido o Fisco de cobrar a exação relativamente aos exercícios de 1991 e 1992 em respeito à coisa julgada material" (REsp 731.250/PE, Rel. Min. ELIANA CALMON, Segunda Turma, DJ 30/4/07). 8. Recurso especial conhecido e provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil e da Resolução 8/STJ. Ademais, ressaltase que o Direito não dispõe de normas individuais e concretas para regular cada caso em específico. Dispõe sim, de um aparato de normas gerais e abstratas, que não atuam diretamente sobre as condutas intersubjetivas, exatamente em decorrência da sua generalidade e abstração. O sistema pressupõe, por isso, que, a partir dessas normas gerais e abstratas, sejam criadas outras normas (individuais e concretas) diretamente voltadas aos comportamentos dos indivíduos, para atuarem especificamente em cada caso, o que só ocorre com a aplicação do direito. Assim, a norma não tem força para sozinha atingir condutas intersubjetivas e modificálas. Depende dos homens, dos aplicadores do direito. Isto porque, tomando o sistema jurídico como um corpo de linguagem, qualquer modificação que lhe pretenda (como a criação de direitos e deveres correlatos) pressupõe a produção de uma nova linguagem, e esta, por sua vez, pressupõe alguém que a produza, por isso, a inevitável presença do homem na constituição de efeitos jurídicos. Não obstante, o produtor dessa linguagem deve ser investido de competência para tanto. No caso em espeque, há decisão judicial em que o julgador, investido de competência, declarou a inexistência de relação jurídica entre o contribuinte e o Fisco. Ou seja, posteriormente ao pleito do jurisdicionado, o Magistrado emitiu norma jurídica afastando a incidência do IPI devido na saída de mercadorias importadas do seu estabelecimento, prevista no art. 9º, I, do Decreto nº 2.637/1998, o que, expressamente veda a cobrança do IPI quanto ao referido tributo. Relevante pontuar que a referida decisão fora obtida no âmbito judicial, Sendo assim, voltando ao caso, estarseia a infirmar esta norma jurídica, por meio de regra produzida no âmbito extrajudicial, qual seja, o Termo de Renúncia. Contudo, afirmase que a tutela obtida em meio judicial deve ser respeitada. Portanto, não pode o Contribuinte simplesmente desfazer o mandamento proferido pelo Poder Judiciário de qualquer forma, posto que esse é quem detém jurisdição sobre as relações jurídicas. Logo, concluise que para o restabelecimento da relação jurídica que, ao momento encontrase extinta, deve o Contribuinte provocar o Judiciário afim de que seja produzida outra norma jurídica desconstituindo os efeitos da norma individual e concreta que atualmente rege a relação. Neste sentido, colhese jurisprudência deste Conselho: CSRF, Sessão de 20.01.2015, acórdão n. 9101002.087. Fl. 5912DF CARF MF Processo nº 13116.722282/201610 Acórdão n.º 1302003.085 S1C3T2 Fl. 5.913 63 Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Ano calendário: 2005 RELAÇÃO JURÍDICO TRIBUTÁRIA CONTINUATIVA. DECISÃO TRANSITADA EM JULGADA EM AÇÃO JUDICIAL QUE DECLARA A INCONSTITUCIONALIDADE DA EXIGÊNCIA DA CSLL NOS TERMOS DA LEI Nº 7.689/88. COISA JULGADA. DECISÃO POSTERIOR EM AÇÃO DIRETA DE CONSTITUCIONALIDADE. EFEITOS. ALCANCE TEMPORAL. RECURSO ESPECIAL 1.118.893 MG (2009/00111359), SUBMETIDO AO REGIME DO ARTIGO 543C DO CPC. ARTIGO 62ª DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Segundo entendimento do STJ proferido no julgamento do Recurso Especial 1.118.893 MG, submetido ao artigo 543 C do CPC: Nos casos que envolvem relação jurídico tributária continuativa, a decisão transitada em julgado, declarando a inexistência de relação jurídico tributária entre o contribuinte e o fisco, faz coisa julgada em relação a períodos posteriores. Nos casos em que há decisão judicial transitada em julgado, em controle difuso, declarando a inexistência de relação jurídico tributária entre o contribuinte e o fisco, mediante declaração de inconstitucionalidade de lei que instituiu determinado tributo, a decisão posterior, em controle concentrado, mediante Ação Declaratória de Constitucionalidade, em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado em nada pode alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada. CSRF. Sessão de 04.06.2012. Acórdão n. 9101001.369 LIMITES DA COISA JULGADA – Tendo o Superior Tribunal de Justiça, sob a sistemática dos chamados Recursos Repetitivos, reconhecido, na espécie, a efetiva ofensa à coisa julgada, nas hipóteses em que a decisão obtida pelo contribuinte reconhece a inconstitucionalidade incidenter tantum da exigência da CSLL originalmente, pelas disposições da Lei 7689/88, sejalhe exigida, agora, com a simples referência à existência de diplomas normativos posteriores que rege a matéria, deve os conselheiros desta Corte, reproduzir tal entendimento no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, a teor do disposto no art. 62ª do Regimento. CARF, Data da Sessão: 03/06/2014, Acórdão n.º 1302001.410 Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Exercício: 1996, 1997 Fl. 5913DF CARF MF Processo nº 13116.722282/201610 Acórdão n.º 1302003.085 S1C3T2 Fl. 5.914 64 INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI 7.689/88. INCONSTITUCOINALIDADE DA CSLL. EXISTÊNCIA DE COISA JULGADA. CONSTITUCIONALIDADE DA CSLL SUPERVENIENTE. AUSÊNCIA DE AÇÃO RESCISÓRIA. FORMAÇÃO DE COISA SOBERANAMENTE JULGADA. A coisa julgada formada em controle concentrado não é rescindida por decisão do Supremo Tribunal Federal em controle difuso em sentido contrário, especialmente nos casos em que inexiste ação rescisória. PARECER PGFN 492/2011. INTERPRETAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. EXISTÊNCIA DE RECURSO REPETITIVO EM SENTIDO CONTRÁRIO. INTERPRETAÇÃO DO PODER JUDICIÁRIO. O Parecer PGFN 492/2011 apresenta interpretação conflitante com o caráter constitucional e infraconstitucional da coisa julgada, este reafirmado pelo REsp 1118893/MG, julgado pelo rito do art. 543C do CPC, razão pela qual não deve ser observado pelos Tribunais Administrativos. Por todo o exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário quanto a este ponto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 5914DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15455.002201/2010-51
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano calendário:2009
DCTF MENSAL. A opção pela apresentação da DCTF mensal será exercida mediante a apresentação da primeira declaração mensal, sendo essa opção definitiva e irretratável para todo o ano calendário que contiver o período correspondente à declaração apresentada.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A apresentação da DCTF mensal fora do prazo sujeita o contribuinte à multa por atraso na entrega, como penalidade pelo descumprimento de obrigação
acessória.
Numero da decisão: 1803-000.925
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Selene Ferreira de Moraes
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano calendário:2009 DCTF MENSAL. A opção pela apresentação da DCTF mensal será exercida mediante a apresentação da primeira declaração mensal, sendo essa opção definitiva e irretratável para todo o ano calendário que contiver o período correspondente à declaração apresentada. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A apresentação da DCTF mensal fora do prazo sujeita o contribuinte à multa por atraso na entrega, como penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2009 DCTF MENSAL. A opção pela apresentação da DCTF mensal será exercida mediante a apresentação da primeira declaração mensal, sendo essa opção definitiva e irretratável para todo o anocalendário que contiver o período correspondente à declaração apresentada. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A apresentação da DCTF mensal fora do prazo sujeita o contribuinte à multa por atraso na entrega, como penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Fl. 41DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 16/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 15455.002201/201051 Acórdão n.º 180300.925 S1TE03 Fl. 35 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “Versa o presente processo sobre a notificação de lançamento de fl. 03 por meio do qual é exigida da interessada acima qualificada a multa por atraso na entrega de sua Declaração de Débitos e Créditos Tributários FederaisDCTF relativa ao mês de abril de 2009, no valor de R$ 500,00. Inconformada, a interessada apresentou sua peça impugnatória à exigência, onde alega, em síntese, que se equivocou na apresentação da DCTF mensal, quando deveria têla apresentado na periodicidade semestral e que vem passando por dificuldades após sua exclusão do SIMPLES, não tendo condições de pagar a multa lavrada, por isso, pedindo a anulação da notificação de lançamento.” A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente, com base nos seguintes fundamentos: a) É verdade que a interessada não estava obrigada, por força do art. 3° da IN n° 903/2008, a apresentação da DCTF mensal, podendo ter apresentado a DCTF semestral. Porém, optou pela entrega da DCTF mensal conforme lhe facultava o art. 4° do mesmo ato normativo. b) A opção da interessada se fez em caráter definitivo e irretratável, descabendo retificação que altere a periodicidade, conforme parágrafo 10, do art. 11, da mesma IN RFB n° 903/2008. Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que, tece as seguintes considerações: a) A empresa não se opõe contra as multas em virtude das apresentações que se deram com atraso. Porém é inadmissível que a Empresa sabedora que estava com suas DCTF em atraso, iria preferir pagar 12 ( doze ) multas de R$500,00 ( Quinhentos Reais ) cada, quando poderia pagar somente 02 ( duas ) de R$500,00 ( Quinhentos Reais ) cada. b) Requer seja concedida a redução das multas de 12 ( doze ) para 02 (duas ), inclusive já houve pagamento de 05 ( multas ), referente os meses de competência janeiro, maio, julho, novembro e dezembro/2009, processos de n°s 15455.002.205/2010 39, 15455.002.199/201010, 15455.002.196/201086, 15455.002.197/201021, 15455.002.194/201097 ( conforme comprovantes em anexo ). c) Requer também seja concedida a possibilidade do pedido de dispensa da apresentação da DCTF mensal conforme trata os parágrafos 5°, 6° e 7° da IN RFB N° 903 / 2008. d) Requer também a redução das multas referentes as DACON`s de forma correta (1° e 2° semestre), tendo informação verbal da Receita Federal que deveríamos apresentar as Fl. 42DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 16/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 15455.002201/201051 Acórdão n.º 180300.925 S1TE03 Fl. 36 3 DACON`s da mesma forma (mensalmente). Assim sendo, estamos no aguardo para que possamos transmitir as DACON`s. É o relatório. Voto Conselheira Selene Ferreira de Moraes A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 29/10/2010 (AR de fls. 16). O recurso foi protocolado em 26/11/2010, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. Não merece reparos a decisão de primeira instância. Apesar de inicialmente a recorrente estar obrigada apenas à entrega da DCTF semestral, a IN n° 903/2008 é muito clara ao regular a hipótese dos autos, in verbis: “Art. 4º As pessoas jurídicas não enquadradas nas hipóteses do art. 3º poderão optar pela apresentação da DCTF Mensal. § 1º A opção de que trata o caput será exercida mediante a apresentação da 1º (primeira) DCTF Mensal, sendo essa opção definitiva e irretratável para todo o anocalendário que contiver o período correspondente à declaração apresentada. § 2º Exercida a opção de que trata o caput com a apresentação de DCTF Mensal relativa a mês posterior a janeiro, a pessoa jurídica ficará obrigada à apresentação das declarações relativas aos meses anteriores ao da 1º (primeira) DCTF apresentada, sendo devida multa pelo atraso na entrega das referidas declarações. § 3º A obrigatoriedade de entrega na forma prevista no § 2º não se aplica no caso de pessoa jurídica dispensada da apresentação da DCTF no período considerado.” Afirma a recorrente que cometeu um erro de versão na transmissão das Declarações de DCTF referentes ao ano de 2009. Ora, se o erro fosse apenas de versão, e a recorrente não tivesse efetivamente optado pela entrega das declarações mensais, deveria ter entregue apenas duas DCTF`s. A entrega da declaração relativa ao mês de janeiro é hipótese de manifestação, irretratável, da opção pela apresentação da DCTF mensal, conforme expressa disposição normativa. No tocante à possibilidade de dispensa da DCTF mensal, é mister transcrevermos o § 5° do art. 11 da IN n° 903/2008: § 5º A pessoa jurídica que apresentar declaração retificadora, relativa ao anocalendário utilizado como referência para o Fl. 43DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 16/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 15455.002201/201051 Acórdão n.º 180300.925 S1TE03 Fl. 37 4 enquadramento no disposto no art. 3º, nos casos em que a retificação implicar seu desenquadramento dessa condição, poderá pedir dispensa de apresentação da DCTF Mensal. A simples leitura deste dispositivo legal nos leva à conclusão de que ele não é aplicável à situação fática do presente caso. Não houve retificação do ano calendário utilizado para enquadramento na condição de obrigatoriedade da entrega da DCTF mensal. A entrega extemporânea da declaração sujeita o contribuinte à penalidade prevista no art. 7° da Lei n° 10.426/2002, resultado da conversão da Medida Provisória n° 16, de 27 de dezembro de 2001, in verbis: “Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (...) § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos.” A entrega da declaração na forma prevista pelo § 1° do art. 6° configura a opção pela entrega da DCTF mensal. Alegação de equívoco, não justificado, por parte da recorrente não é suficiente para descaracterizar a entrega da declaração como forma de exercício da opção, e consequentemente não é causa excludente da penalidade prevista no art. Art. 7° da Lei n° 10.426, de 24/04/2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei n° 11.051/2004. A presente multa deve ser integralmente mantida, sendo que as demais devem ser objeto de análise nos respectivos processos administrativos. Ante todo o exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 44DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 16/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 15455.002201/201051 Acórdão n.º 180300.925 S1TE03 Fl. 38 5 Fl. 45DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 16/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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Numero do processo: 10925.001943/2006-85
Data da sessão: Thu Jun 17 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Exercício: 2005
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DITR.
Provada a entrega a destempo da Declaração do Imposto Territorial Rural, há que ser mantido o lançamento da multa correspondente.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2201-00.712
Decisão: Acordam os membros do Colegiado por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Rayana Alves de Oliveira França.
Matéria: ITR - Multa por atraso na entrega da Declaração
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Provada a entrega a destempo da Declaração do Imposto Territorial Rural, há que ser mantido o lançamento da multa correspondente. Recurso negado, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relatar. encidos os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa, Moisés Giacomelli Nunes d Silv ayana 31.14es de Oliveira França, Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Janaina Mesquita Lourenço de Souza, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente), Processo 0 10925 001943/2006-85 S2-C211 Acórchlo n " 2201-00..712 Fl 2 Relatório Contra a interessada acima identificada foi lavrado o Auto de Infração relativa à multa por atraso na entrega da DITR, referente ao imóvel rural localizado no município de Água Doce/SC, Em sua impugnação alega a autuada, em síntese, que: - não se pode admitir que o município de Água Doce/SC sofra mais baixa na sua arrecadação; ii já regularizou a situação do imóvel; iii- requer a relevação da multa, A I" Turma da DRJ de Campo Grande/MS manteve integralmente a exigência, consubstanciada na ementa abaixo transcrita: MULTA PELO ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A entrega da dechuação de TIR . fbra do prazo . fixado na legislação tributária enseja a cobrança da multa por atraso, prevista no ar!. 9 0, da Lei n° 9 393/96, não havendo previsão de seu afastamento em razão da situação financeira do contribuinte. Intimada da decisão de primeira instância, a autuada apresenta Recurso Voluntário, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos postos em sua impugnação, sobretudo o cancelamento do lançamento face à denúncia espontânea configurada na forma do art. 138 do CTN. É o relatório.. Processo :f 10925 00 1943/2006-85 S2-C211 Acórdão " 2201-00.712 Fl. 3 Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço Segundo se colhe dos autos, houve a entrega a destempo da DITR, razão pela qual foi lavrada a infração. Os arts. 7", 8' e 9° da Lei n" 9,39.3, de 1996, determinam a condição para a cobrança de multa pelo atraso na entrega da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR): Ar!, 7" No caso de apresentação espontânea do DIAC (Documento de Informação e Atualização Cadastral do ITR) fora do prazo e.stabelecido pela Secretaria da Receita Federal, será cobrada multa de I% (um por cento) ao mês ou fração sobre o imposto devido não inferior a R$ .50,00 (cinqüenta reais), sem prejuízo da multa e dos juros de mora pela falta ou insuficiência de recolhimento do imposto ou quota. Ao 8" O contribuinte do ITR entregará, obrigatoriamente, em cada ano, o Documento de Informação e Apuração do ITR - DIA T, correspondente a cada imóvel, observadas data e condições fixadas pela Secretaria da Receita Federal. ) Art. 9"A entrega do DIAT fora do prazo estabelecido sujeitará o contribuinte à multa de que trata o art. 7", sem prejuízo da multa e dos .juros de mora pela falta ou insuficiência de recolhimento do imposto ou quota. ) Em que pese alegue a recorrente que o município de Água Doce possua baixa arrecadação, não há nenhuma lei tributária que preveja a hipótese de isenção ou beneficio fiscal em razão da condição financeira do contribuinte nos casos de entrega a destempo da DITR, sob pena de contrariar frontalmente o principio da reserva legal. Outrossim, não se pode perder de vista as prescrições constantes no art. 115 do CTN: Ar! 115 Fato gerador da obrigação acessória e qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. (grifei) Pelo que se observa do excerto legal reproduzido a obrigação acessória decorre da legislação, não se configurando, no presente caso, em obrigação principal, Processo n" 10925.001943/2006-85 Acórdão n 2201-00.712 S2-C2•11 R 4 Neste sentido, cumprida a ordem legal poderá o sujeito ativo exigir a multa pelo não cumprimento da obrigação acessória, em que pese à condição de imunidade tributária (em relação ao imposto) da recorrente, Ademais, a exigência visa, entre outros, a regularidade e controle das informações nos cadastros oficiais, Assim, a entrega da declaração fora do prazo previsto na lei constitui infração formal (obrigação acessória autônoma), não podendo ser tida como pura infração de natureza tributária, apta a atrair o instituto da denúncia espontânea prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional. (Precedentes - STJ: AGREsp n° 262,295/GO, Rei, Min, Francisco Falcão, j. 07.12.2000, v.u., DM 16.04.2001; REsp n° 396.698/PR, Rel., Min, Luiz Fux, j, 12.012002, v.u,, Dlli 08.04,2002) Restando provada a apresentação a destempo da D1TR, há que ser mantido o lançamento da multa por atraso na entrega.. Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso, 4
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