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Numero do processo: 15979.000128/2007-78
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/10/2001 a 01/11/2006
COOPERATIVA CARGO DE DIREÇÃO. DECISÃO A QUO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. PROVA ADICIONAIS. PROVA TESTEMUNHAL. PERÍCIA. RECUSA. VIABILIDADE. PREVISÃO LEGAL. SERVIÇOS PRESTADOS A PRÓPRIA
COOPERATIVA. CARGO DE DIREÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. RELEVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. EXIGIBILIDADE DA PRÓPRIA CONTRIBUIÇÃO.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-000.546
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a), uma vez que os argumentos da recorrente não encontram guarida na legislação, como demonstrado e reconhecido, bem como não conhecer do pedido na parte referente à compensação, pois não é matéria afeita ao processo administrativo fiscal.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2001 a 01/11/2006 COOPERATIVA CARGO DE DIREÇÃO. DECISÃO A QUO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. PROVA ADICIONAIS. PROVA TESTEMUNHAL. PERÍCIA. RECUSA. VIABILIDADE. PREVISÃO LEGAL. SERVIÇOS PRESTADOS A PRÓPRIA COOPERATIVA. CARGO DE DIREÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. RELEVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. EXIGIBILIDADE DA PRÓPRIA CONTRIBUIÇÃO. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a), uma vez que os argumentos da recorrente não encontram guarida na legislação, como demonstrado e reconhecido, bem como não conhecer do pedido na parte referente à compensação, pois não é matéria afeita ao processo administrativo fiscal. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira Relator. Fl. 223DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, 11/04/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA J UNIOR, 04/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15979.000128/200778 Acórdão n.º 2803000.546 S2TE03 Fl. 213 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Carolina Siqueira Monteiro Andrade, Oséas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. Fl. 224DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, 11/04/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA J UNIOR, 04/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15979.000128/200778 Acórdão n.º 2803000.546 S2TE03 Fl. 214 3 Relatório A presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD DEBCAD 35.826.5193, objetiva o lançamento de contribuições sociais previdenciárias incidentes sobre a retribuição dos contribuintes individuais, conforme Relatório Fiscal da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – REFISC –, de fls. 26 a 29. O período de apuração compreende as competências 10/2001 a 10/2006, conforme Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, fls. 23. Entretanto, o período do débito compreende as competências 01/2004 a 09/2006, conforme Discriminativo Sintético de Débito – DSD, de fls. 10 a 13. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal, em 12/12/2006, Folha de Rosto do Auto de Infração, de fls. 01. A empresa irresignada com a notificação apresentou impugnação, as fls. 40 a 49, tal impugnação foi acompanhada dos documentos, de fls. 50 a 170. A Seção do Contencioso Administrativo Previdenciário da Secretaria da Receita Previdenciária acolheu a impugnação e prolatou a DecisãoNotificação DN N° 21.433.4/0035/2007, fls. 172 a 179, em 30/03/2007, na qual foi a notificação considerada procedente. A DN foi comunicada ao contribuinte, em 17/05/2007, AR, fls. 181, abrindo lhe prazo para apresentação de recurso. O contribuinte fez uso desta prerrogativa apresentando, em 20/06/2007, fls. 184, o seu recurso, com petição de interposição, as fls. 185, e razões recursais, as fls. 186 a 199. O recurso foi interposto pelos correios com postagem em 13/07/2007, fls. 200. As razões recursais estão assim resumidas. • Que o artigo 23, III, da Lei 8.212/91 determina a contribuição do cooperado que presta serviço; • Que a contribuição em debate referese a contribuintes individuais que prestam serviços a cooperativa e para isso as duas realidades da regra matriz devem ser respeitadas hipótese de incidência e fato gerador; • Que o critério material da regra matriz prestar serviço não se aperfeiçoou razão pela qual não deve haver tributação, pois os dirigentes jamais prestaram serviços a cooperativa, mas sim a terceiros, mediante contratos que foram franqueados; • Que os valores constantes do DAD não são prólabores, mas sim contraprestação de serviços à terceiros, o que afasta a tributação; Fl. 225DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, 11/04/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA J UNIOR, 04/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15979.000128/200778 Acórdão n.º 2803000.546 S2TE03 Fl. 215 4 • Que há inconstitucionalidades e ilegalidades na cobrança dos juros e multas, como anatocismo, multas cumulativas e aplicação da SELIC; • Que só os tomadores de serviços dos sócioscooperados é que devem contribuir, nos termos do artigo 22, IV, das Lei 8.212/91; • Que o artigo 201, § 19, do Regulamento da Previdência Social – RPS, apenso ao Decreto 3.048/99, atesta a não incidência da tributação da cota patronal às cooperativas; • Que o agente notificante para justificar a exação pautouse por critérios subjetivos, afastandose da lei, não sendo estes suficientes para o nascimento do tributo; • Que as pessoas indicadas pelo agente fiscal são sócioscooperados e assim contribuem com bens e serviços, nos termos da Lei 5.764/71; • Que o fato de tais cooperados terem sido eleitos dirigentes, perceberem valores superior a média, não desqualifica a atividade como prestação de serviços à terceiros, estando a remuneração prevista em Ata de Assembleia Geral; • Que os gestores são sócioscooperados que atuam normalmente, mas que também são responsáveis pela organização das atividades da cooperativa em prol de todos; • Que a remuneração dos sócioscooperados se origina nos contratos celebrados com terceiros, sendo que a cooperativa jamais os remunerou; • Que a atividade dos sócioscooperados, com descrito pelo agente notificante, enquadrase como ato cooperativo do artigo 79, da Lei 5.764/71, pois buscam apenas os objetivos sociais da cooperativa; • Que todos os cooperados estão incluídos em GFIP; • Que em sendo mantida a multa, requerse a relevação desta em observância ao artigo 291, do Regulamento da Previdência Social – RPS, apenso ao Decreto 3.048/99; • Que sendo primária e não havendo circunstâncias agravantes credenciase a relevação da multa; • Que ocorreu cerceamento de defesa, pois a empresa na impugnação requereu produção de outras provas, em especial testemunhal, perícia, formulou quesitos e indicou o assistente técnico, sendo tais pedidos indeferidos; • Que a CF garante o contraditório e a ampla defesa, inclusive na seara administrativa, devendo a decisão arbitrária ser considerada nula e os atos decorrentes revogados; Fl. 226DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, 11/04/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA J UNIOR, 04/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15979.000128/200778 Acórdão n.º 2803000.546 S2TE03 Fl. 216 5 • Conclui e pede o recorrente finalizando: a) nulidade da decisão recorrida, com a consequente realização da perícia; b) acolhimento da defesa, extinção do crédito através de compensação com valores recolhidos ou remissão total do crédito em razão do flagrante erro cometido pela recorrente; c) ou alternativamente, a relevação da multa; A recorrente obteve sentença de procedência, fls. 206 a 209, no MS 2007.61.04.0063880 SP, para ter o seu recurso processado sem o depósito recursal. Assim os autos subiram ao 2° Conselho de Contribuintes, fls. 211. É o Relatório. Fl. 227DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, 11/04/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA J UNIOR, 04/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15979.000128/200778 Acórdão n.º 2803000.546 S2TE03 Fl. 217 6 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso foi interposto tempestivamente, haja vista que o contribuinte tomou conhecimento da decisão de primeiro grau, em 17/05/2007, AR, de fls. 181, e apresentou a Petição Recursal, de fls 185, em 20/06/2007, contudo postada nos Correios, em 13/06/2007, fls. 200. A recorrente não realizou o depósito recursal, porém está amparada por decisão judicial em MS, fls. 206 a 209. Inicialmente, será analisada a preliminar de nulidade suscitada, embora, assim não denominada, uma vez que se esta não for ultrapassada não se pode conhecer do mérito da causa. Não comungo da opinião do contribuinte o indeferimento do pedido de provas adicionais, inclusive testemunhal e perícia não violam a ampla defesa e o contraditório. A uma, porque, nos termos do artigo 16, § 4°, do Decreto 70.235/72 a prova documental deve ser feita na impugnação precluindo o direito de fazêlo e outra oportunidade, salvo nas exceções legais ali especificadas, ou seja, a apresentação de novas provas tem regramento restrito. A duas, porque a prova testemunhal não se aplica, em regra, ao procedimento do contencioso administrativo fiscal, tendo em vista que tais casos são exclusivamente de direito e não exigem dilação probatória em audiência. Aliás, no âmbito de instrução processual em lide tributária no judiciário o Superior Tribunal de Justiça – STJ, assim se posiciona. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. PRODUÇÃO DE PROVA TESTEMUNHAL EM MATÉRIA DE DIREITO TRIBUTÁRIO A RESPEITO DE FATOS OCORRIDOS HÁ DOZE ANOS. PROVAS DOCUMENTAIS SUFICIENTES. CÓPIA INTEGRAL DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. APLICAÇÃO DO DIREITO FUNDAMENTAL À DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO (ART. 5º, LXXVIII, CF). DUE PROCESS OF LAW. 1. Anulatória de débito fiscal em que se alega cerceamento de defesa. Prova testemunhal não produzida. 2. Não ocorrência de violação do devido processo legal. Provas colhidas no processo suficientes para a decisão proferida no Tribunal local (cópia integral do processo administrativo). 3. No processo civil tributário, a prova documental e pericial são a regra; a testemunhal, a exceção. 4. A prova testemunhal não é um fim em si mesma. Se a prova documental ou pericial basta à formação do convencimento do juiz, a oitiva de testemunhas, mais ainda anos após os fatos, passa a ser um exagero de caráter protelatório e, por isso mesmo, repreensível. 5. Na apuração da verdade real dos fatos, o juiz não pode se olvidar da primazia da celeridade processual, que não é incompatível com o due process of law. A verdadeira tutela jurisdicional é aquela prestada em tempo razoável (art. 5º, LXXVIII, CF), regra de ouro que vale tanto para o autor, como para o réu. 6. Recurso Especial a que se nega provimento. (RESP 200401830749, HERMAN BENJAMIN, STJ SEGUNDA TURMA, 07/02/2008 Fl. 228DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, 11/04/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA J UNIOR, 04/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15979.000128/200778 Acórdão n.º 2803000.546 S2TE03 Fl. 218 7 (grifo não consta no original) Quanto a produção da prova pericial, ainda, que regularmente requisitada pelo contribuinte esta pode ser indeferida pela autoridade julgadora, pois tal prova destinase a ser uns dos elementos instrutórios da formação do convencimento do julgador. Desta forma, entendendo este que tal prova é desnecessária ou impertinente pode não realizála, indeferindoa, nos termos do artigo 18, caput, in fine, do Decreto 70.235/72, bem como, assim, também, pensa o STJ. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO – AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC – INDEFERIMENTO DE PERÍCIA CONTÁBIL PARA AFERIÇÃO DOS CONSECTÁRIOS LEGAIS – POSSIBILIDADE – AÇÃO CONSIGNATÓRIA – PARCELAMENTO DO TRIBUTO – INVIABILIDADE – PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMAS QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO – DENÚNCIA ESPONTÂNEA – PARCELAMENTO DO DÉBITO – ART. 138 DO CTN – INCIDÊNCIA DA MULTA MORATÓRIA – RESOLUÇÃO 31/00 DO CONFAZ – INVIABILIDADE DE EXAME. 1. Inexistente a alegada violação do art. 535 do CPC, pois a prestação jurisdicional foi dada na medida da pretensão deduzida, conforme se depreende da análise do acórdão recorrido. 2. Considerando a convicção formada pela Corte de origem, no sentido de que a importância devida pela recorrente resta definitivamente comprovada através das CDAs relativas a ICMS informado pelo contribuinte e acréscimos decorrentes do inadimplemento constantes do próprio título, a pretendida dilação probatória revelase absolutamente desnecessária, competindo ao julgador, nessas hipóteses, indeferir a diligência (CPC, art. 130, c/c o art. 420, parágrafo único, inciso II). 3. Firmouse na Primeira Seção o entendimento segundo o qual a simples confissão de dívida, seguida de pedido de parcelamento, não caracteriza a denúncia espontânea prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional. 4. A recorrente não indicou qual o dispositivo da Lei Complementar n. 24/75 foi violado, para sustentar sua irresignação pela alínea "a" do permissivo constitucional. Incidência da Súmula 284/STF. 5. No que concerne à suposta violação da Resolução n. 31/00 do CONFAZ, é inviável o trânsito do recurso especial, por não inserir o ato normativo da espécie no conceito de "lei federal", na forma preconizada pelo art. 105, III, alínea "a", da Constituição Federal. Recurso especial conhecido em parte e improvido. (RESP 200800730992, HUMBERTO MARTINS, STJ SEGUNDA TURMA, 02/06/2008) HABEAS CORPUS. ART. 19, PARÁGRAFO ÚNICO, DA LEI Nº 7.492/1986. ART. 333, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CÓDIGO PENAL. PACIENTE ABSOLVIDO. PEDIDO PREJUDICADO. INDEFERIMENTO DE PROVA PERICIAL REQUERIDA NA DEFESA PRELIMINAR E NA FASE DO ART. 499 DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL. DISCRICIONARIEDADE DO JULGADOR. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. DECISÃO FUNDAMENTADA. RAZOABILIDADE. 1. Diante da notícia de que um dos pacientes foi absolvido na ação penal de que aqui se cuida, o writ mostrase prejudicado quanto a ele. 2. É pacífico o entendimento jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal de que o deferimento de prova pericial e de diligências na fase do art. 499 do Código de Processo Penal está condicionado à avaliação Fl. 229DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, 11/04/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA J UNIOR, 04/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15979.000128/200778 Acórdão n.º 2803000.546 S2TE03 Fl. 219 8 de sua conveniência, cabendo ao julgador aferir, em cada caso, dentro da esfera de discricionariedade, a real necessidade da medida para a formação de sua convicção. 3. Não há que falar em cerceamento de defesa se o indeferimento da realização da perícia está suficientemente justificado, de forma razoável, notadamente pela possibilidade de a defesa produzir provas diversas capazes de atingir o fim almejado com a perícia, assim também pela existência de outros elementos de convicção hábeis a comprovar a prática do delito, não evidenciado qualquer constrangimento ilegal. 4. Habeas corpus julgado prejudicado quanto a a Flávio Antônio Bonet e denegado em relação a Cezar Antônio Bonet. (HC 200601141456, PAULO GALLOTTI, STJ SEXTA TURMA, 30/06/2008) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU FALTA DE MOTIVAÇÃO NO ACÓRDÃO A QUO. DESNECESSIDADE DE PRODUÇÃO DE PROVA. JULGAMENTO ANTECIPADO DA LIDE. LIVRE CONVENCIMENTO DO MAGISTRADO. ACERVO DOCUMENTAL SUFICIENTE. NÃOOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. REEXAME DE PROVA. SÚMULA Nº 07/STJ. IMPOSSIBILIDADE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PARCELAMENTO DO DÉBITO, OU SUA QUITAÇÃO COM ATRASO. MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. APLICAÇÃO DA LC Nº 104/01. ART. 155A DO CTN. TAXA SELIC. LEI Nº 9.250/95. TERMO A QUO DE SUA INCIDÊNCIA. UTILIZAÇÃO EM PERÍODOS DIVERSOS DE OUTROS ÍNDICES. PRECEDENTES. 1. Decisão a quo clara e nítida, sem omissões, contradições ou ausência de motivação. O não acatamento das teses do recurso não implica cerceamento de defesa. Ao juiz cabe apreciar a questão de acordo com o que entender atinente à lide. Não está obrigado a julgála conforme o pleiteado pelas partes, mas sim com seu livre convencimento, usando fatos, provas, jurisprudência, aspectos atinentes ao tema e legislação que entender aplicáveis ao caso. Não obstante a oposição de embargos declaratórios, não são eles mero expediente para forçar o ingresso na instância especial, se não há vício para suprir. Não há ofensa ao art. 535, II, do CPC quando a matéria é devidamente abordada no aresto a quo. 2. Quanto à necessidade da produção de provas, o juiz tem o poderdever de julgar a lide antecipadamente, desprezando a realização de audiência para a produção de provas ao constatar que o acervo documental é suficiente para nortear e instruir seu entendimento. É do seu livre convencimento o deferimento de pedido para a produção de quaisquer provas que entender pertinentes ao julgamento da lide. 3. Nos termos da reiterada jurisprudência do STJ, “a tutela jurisdicional deve ser prestada de modo a conter todos os elementos que possibilitem a compreensão da controvérsia, bem como as razões determinantes de decisão, como limites ao livre convencimento do juiz, que deve formálo com base em qualquer dos meios de prova admitidos em direito material, hipótese em que não há que se falar cerceamento de defesa pelo julgamento antecipado da lide” e que “o magistrado tem o poder dever de julgar antecipadamente a lide, desprezando a realização de audiência para a produção de prova testemunhal, ao constatar que o Fl. 230DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, 11/04/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA J UNIOR, 04/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15979.000128/200778 Acórdão n.º 2803000.546 S2TE03 Fl. 220 9 acervo documental acostado aos autos possui suficiente força probante para nortear e instruir seu entendimento” (REsp nº 102303/PE, Rel. Min. Vicente Leal, DJ de 17/05/99) 4. Precedentes: MS nº 7834/DF, Rel. Min. Félix Fischer; REsp nº 330209/SP, Rel. Min. Ari Pargendler; REsp nº 66632/SP, Rel. Min. Vicente Leal, AgReg no AG nº 111249/GO, Rel. Min. Sálvio De Figueiredo Teixeira; REsp nº 39361/RS, Rel. Min. José Arnaldo da Fonseca. Inexistência de cerceamento de defesa em face do indeferimento de prova pleiteada. 5. Demonstrado, de modo evidente, que a procedência do pedido está rigorosamente vinculada ao exame das provas depositadas nos autos. Na via Especial não há campo para revisar entendimento de 2º grau assentado em prova. A função de tal recurso é, apenas, unificar a aplicação do direito federal, nos termos da Súmula nº 07/STJ. 6. O instituto da denúncia espontânea exige que nenhum lançamento tenha sido feito, isto é, que a infração não tenha sido identificada pelo fisco nem se encontre registrada nos livros fiscais e/ou contábeis do contribuinte. A denúncia espontânea não foi prevista para que favoreça o atraso do pagamento do tributo. Ela existe como incentivo ao contribuinte para denunciar situações de ocorrência de fatos geradores que foram omitidas, como é o caso de aquisição de mercadorias sem nota fiscal, de venda com preço registrado aquém do real, etc. 7. A jurisprudência da egrégia Primeira Seção, por meio de inúmeras decisões proferidas, dentre as quais o REsp nº 284189/SP (Rel. Min. Franciulli Netto, DJ de 26/05/2003), uniformizou entendimento no sentido de que, nos casos em que há parcelamento do débito tributário, ou a sua quitação total, mas com atraso, não deve ser aplicado o benefício da denúncia espontânea da infração, visto que o cumprimento da obrigação foi desmembrado, e esta só será quitada quando satisfeito integralmente o crédito. O parcelamento, pois, não é pagamento, e a este não substitui, mesmo porque não há a presunção de que, pagas algumas parcelas, as demais igualmente serão adimplidas, nos termos do art. 158, I, do CTN. 8. A existência de parcelamento do crédito tributário, ou a sua quitação total, mas com atraso, não convive com a denúncia espontânea. Sem repercussão para a apreciação dessa tese o fato de o parcelamento ou o pagamento total e atrasado do débito, ter ocorrido em data anterior à vigência da LC nº 104/2001, que introduziu, no CTN, o art. 155A. Prevalência da jurisprudência assumida pela 1ª Seção. Não influência da LC nº 104/2001. 9. O pagamento da multa, conforme decidiu a 1ª Seção desta Corte, é independente da ocorrência do parcelamento. O que se vem entendendo é que incide a multa pelo simples pagamento atrasado, quer à vista quer tenha ocorrido o parcelamento. 10. Adotase, a partir de 1o/01/1996, o art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250/1995, pelo que os juros devem ser calculados, após tal data, de acordo com a referida lei, que inclui, para a sua aferição, a correção monetária do período em que ela foi apurada. A aplicação dos juros, in casu, afasta a cumulação de qualquer índice de correção monetária a partir de sua incidência. Este fator de atualização de moeda já se encontra considerado nos cálculos fixadores da referida Taxa. Sem base legal a pretensão do Fisco de só ser seguido tal sistema de aplicação dos juros quando o contribuinte requerer administrativamente a compensação. Impossível ao intérprete acrescer ao texto legal condição nela inexistente. 11. A referida Taxa é aplicada em períodos diversos dos demais índices de correção monetária, como IPC/INPC e UFIR. Juros pela Taxa SELIC só a partir da sua instituição da Lei nº 9.250/95, ou seja, 01/01/1996. Entretanto, frisese que não é ela cumulada com Fl. 231DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, 11/04/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA J UNIOR, 04/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15979.000128/200778 Acórdão n.º 2803000.546 S2TE03 Fl. 221 10 nenhum outro índice de correção monetária. Precedentes desta Corte. 12. Agravo regimental nãoprovido. (AGA 200702011344, JOSÉ DELGADO, STJ PRIMEIRA TURMA, 24/04/2008) (grifo meu) Assim sendo, com esses argumentos rejeito a preliminar de nulidade da decisão a quo. Ultrapassada a preliminar passo ao mérito. O contribuinte equivocase ao dizer que o artigo 23, III trata de contribuição de cooperado, na realidade tal artigo trata da contribuição sobre o faturamento e o lucro e não tem inciso III. Nos termos aduzidos pelo contribuinte verificase claramente a ocorrências das duas regras matrizes de incidência da contribuição, quais sejam a prestação de serviços, pois claramente admitida pela recorrente em seu recurso ao dizer que os sócios cooperados “são gestores da atividade” e que “são responsáveis pela organização das atividades”, bem como claramente demonstrado pelo agente notificante no REFISC, de fls. 26 a 29, item 4, razões 1 a 7. Assim sendo, fica evidente a presença dos requisitos essenciais a exação hipótese e incidência e fato gerador. O primeiro encontrase no artigo 12, inciso V, alínea “f”, da Lei 8.212/91 onde diz “... e o associado eleito para cargo de direção em cooperativa...” que conjugado com o artigo 22, III da mesma lei, sedimenta a questão – descrição abstrata na norma e ocorrência do fato no mundo dos fenômenos jurídicos. O segundo prestação dos serviços já foi acima caracterizado. O agente lançador deixou claro em seu relatório que as pessoas por ele indicadas no item 2, de fls. 26, não constam nos documentos que comprovam a prestação de serviços a terceiros, como também, a própria contabilidade no curso do ano de 2004 atribui a remuneração paga a essas pessoas o nome de “prólabore”. Os texto legais suscitados pela recorrente não têm aplicação no presente caso. O artigo 22, IV, da Lei 8.212/91 cuida de serviço de cooperados prestados por intermédio de cooperativas à terceiros e isto não ocorre aqui, pois o fisco deixou claro que os citados prestadores de serviços sócioscooperados, não constam dos documentos que demonstram a prestação de serviços à terceiros, mas tão somente na administração da cooperativa, na qualidade de contribuintes individuais. O artigo 201, § 19, do Regulamento da Previdência Social – RPS, apenso ao Decreto 3.048/99 não se aplica, pela mesma razão do anterior, ou seja, o serviço não foi prestado a terceiros, mas sim a própria cooperativa em sua administração. O agente notificante apenas enquadrou a situação de fato a norma utilizando os critérios estabelecidos por esta e deixou isto claro em seu REFISC. Não há mistério na lei esta é clara em dizer que as pessoas que celebram contrato de cooperativa se obrigam a contribuir com bens ou serviços, mas quando estes serviços ficam a disposição e proveito da própria cooperativa, como ficou demonstrado no caso e não há terceiros, passa a incidir o artigo 12, V, “f”, da Lei 8.212/91. Assiste razão a recorrente ao dizer que o fato dos cooperados terem sido eleitos dirigentes e receberem remuneração acima da média não desqualifica a prestação de serviços à terceiros. Contudo tal prestação de serviços à terceiros deve ser comprovada e isto não ocorreu no Fl. 232DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, 11/04/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA J UNIOR, 04/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15979.000128/200778 Acórdão n.º 2803000.546 S2TE03 Fl. 222 11 presente caso, uma vez que o agente fiscal deixou claro que os sócioscooperados não constam dos documentos que comprovam a prestação de serviços à terceiros, bem como a retribuição estar prevista na Ata de Assembleia Geral não elide a tributação, muito mais a confirma, pois mostra que não vem dos contratantes, mas sim da cooperativa. A prestação de serviços se caracteriza como ato cooperado quanto tal prestação é executada pelo cooperado por intermédio da cooperativa e a favor de terceira pessoa contratante dos serviços e não por este cooperado na administração da própria cooperativa. O fato dos cooperados estarem declarados em GFIP não desvirtua a constituição do crédito, pois na técnica de elaboração da GFIP tal declaração só gera a contribuição pessoal do trabalhador e não a parte patronal que é o que aqui se está exigindo, conforme nota 7, do item 3 – TOMADOR DE SERVIÇO / OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL, do capítulo II, do Manual SEFIP/GFIP 8.4 – 10/2008, conforme abaixo consta. 7. Os dados relativos aos cooperados que prestam serviços mediante a intermediação de cooperativa de trabalho são informados pela própria cooperativa em GFIP/SEFIP distinta por tomador (código 211). A responsabilidade de prestar as informações relativas aos trabalhadores cooperados não é do tomador. Neste caso, o SEFIP não gera cálculo de contribuições patronais; gera apenas, a partir de 04/2003, a contribuição a cargo dos segurados, cuja responsabilidade pelo recolhimento é da cooperativa de trabalho. (grifo neste decisório) O pedido de relevação da multa feito pelo contribuinte com arrimo no artigo 291, do Regulamento da Previdência Social – RPS, apenso ao Decreto 3.048/99 não tem aplicação no presente caso, pois tal favor legal só tem aplicação em matéria de Auto de Infração por descumprimento de dever instrumental o qual enseja a aplicação de pena punitiva e não no caso de cobrança da própria obrigação principal, ou seja, a contribuição previdenciária, sendo irrelevante a primariedade e a não ocorrência de circunstância agravante no presente caso. O pedido de extinção do crédito por compensação feito pelo contribuinte não tem aplicação no curso do processo administrativo fiscal, sendo matéria alheia a este e assim não deve ser conhecida. Assim sendo, não há razão para atender a qualquer dos pedidos da recorrente. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito NEGAR LHE PROVIMENTO, uma vez que os argumentos da recorrente não encontram guarida na legislação, como demonstrado e reconhecido, bem como NÃO CONHECER do pedido na parte referente à compensação, pois não é matéria afeita ao processo administrativo fiscal. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 233DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, 11/04/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA J UNIOR, 04/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15979.000128/200778 Acórdão n.º 2803000.546 S2TE03 Fl. 223 12 Voto Vista Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior. Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD lavrada em desfavor da cooperativa de trabalho COOPERMAX. Na sessão de fevereiro de 2011, numa primeira leitura, entendi que o lançamento, a decisão de primeira instância, bem como o voto apresentado pelo i. Conselheiro Eduardo de Oliveira mereceriam reparos, porquanto dissonantes da legislação previdenciária / cooperativista que regem a matéria. No entanto, depois de melhor analisar os autos, notadamente as razões contidas no Relatório Fiscal de fls., percebi que o lançamento foi realizado em perfeita consonância com as regras contidas na Lei 9.976/99, Lei nº 10.666/03, assim como aquelas previstas no Regulamento da Previdência Social – RPS, ou seja, no Decreto nº 3.048/99. Considerando tratarse de matéria recorrente aqui no Conselho, tive, inclusive, o cuidado de observar a exposição de motivos da Lei nº 9.876/99, exatamente no ponto em que foi tratada a proposta relacionada às cooperativas de trabalho, in verbis: Proposta Propõese estabelecer que a contribuição da empresa contratante dos serviços por intermédio de cooperativas de trabalho incida sobre o valor bruto da nota fiscal, ou fatura cuja base de cálculo é de imediato conhecida. Tratase de uma sistemática de fácil operacionalização e que propiciará um controle efetivo sobre a contribuição desse segmento. A medida proposta encontra similitude naquela já adotada para outros segmentos econômicos, a exemplo do que ocorre com os clubes de futebol profissional, cuja contribuição incide sobre a receita bruta decorrente dos espetáculos desportivos e de qualquer forma de patrocínio, licenciamento de uso de marcas e símbolos, publicidade, propaganda e transmissão de espetáculos desportivos. O percentual proposto de quinze por cento decorre do fato de que o valor pago pelo tomador de serviços do cooperado, contratado mediante a interposição de cooperativa de trabalho, não é totalmente distribuído a ele. Parte do pagamento é destinada a despesas administrativas, tributárias e constituição de fundos de reserva. Assim, o valor distribuído ao cooperado corresponde ao valor bruto da nota fiscal ou fatura, deduzidas as parcelas antes referidas, diferentemente do que ocorre quando a empresa contrata um contribuinte individual que não é cooperado, onde a remuneração não sofre qualquer abatimento. Neste último caso, a contribuição pretendida é de vinte por cento sobre a totalidade da remuneração. Logo, o percentual proposto, quando há a intermediação da cooperativa de trabalho, a incidir sobre o valor Fl. 234DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, 11/04/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA J UNIOR, 04/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15979.000128/200778 Acórdão n.º 2803000.546 S2TE03 Fl. 224 13 bruto da nota fiscal ou fatura, deve ser tal que produza a mesma contribuição que o percentual de vinte por cento sobre a parcela destinada ao cooperado, em igualdade de condições a um contribuinte individual que não é cooperado. Partindo deste pressuposto, e analisando diversas planilhas de custos e distribuição de remunerações a cooperados em diferentes cooperativas, de segmentos variados, verificase que, em média, os valores correspondentes a despesas administrativas, tributárias e fundos de reservas correspondem a vinte e cinco por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, destinando se, o restante – setenta e cinco por cento – à retribuição do cooperado. Assim, buscando a isonomia de tratamento entre as diferentes formas de contratação, o percentual a incidir sobre a nota fiscal ou fatura de prestação de serviços é aquele correspondente a vinte por cento sobre os setenta e cinco por cento distribuídos ao cooperado, o que resulta em um percentual de quinze por cento, conforme proposto. Em outras palavras, é um percentual que mantém constante a contribuição previdenciária, independentemente de a empresa contratar um cooperado ou outro contribuinte individual. Ocorre, porém, que as regras insertas na Lei nº 9.876/99, pelo menos nestes autos, não foram efetivamente observadas pelo contribuinte. In casu, discordo daqueles que me precederam de que os dirigentes prestaram serviços à cooperativa. Neste compasso, cumpreme destacar as disposições contidas no caput do art. 4º da Lei nº 5.764/71, in verbis: Art. 4º. As cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas a falência, constituídas para prestar serviços aos associados, distinguindo se das demais sociedades pelas seguintes características: (grifouse e negritouse) Da leitura do dispositivo da legislação matriz do cooperativismo, é perfeitamente possível visualizar que não é o associado que presta serviços para a cooperativa, mas sim, a cooperativa é quem presta serviço para os seus donos e usuários, os seus associados. Seguindo essa linha de raciocínio, nada obstante entendimentos diversos, manter a lógica daqueles que me precederam significa, na minha visão, total afronta ao art. 110 do CTN, in verbis: Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, Fl. 235DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, 11/04/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA J UNIOR, 04/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15979.000128/200778 Acórdão n.º 2803000.546 S2TE03 Fl. 225 14 pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Contudo, apesar do esforço, o contribuinte não conseguiu afastar o lançamento, tendo em vista que não restou comprovado nos autos o efetivo pagamento dos 20% (vinte por cento) incidentes sobre o pagamento de prólabore dos seus dirigentes. O fato de haver previsão em ata de Assembléia Geral, de percentual a ser extraído da taxa de administração, só vem reforçar o entendimento da fiscalização de que os 15% (quinze por cento) de que trata o inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/99, na redação dada pela Lei 9.876/99, somente incidiu na produção/remuneração dos associados que estavam diretamente ligados aos contratos firmados com os tomadores de serviços da cooperativa. Não tendo recolhido a contribuição na forma estabelecida na legislação tributária, o lançamento está correto. Destarte, concordo com o posicionamento do i. Conselheiro Eduardo de Oliveira. Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente). Amílcar Barca Teixeira Júnior Fl. 236DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 10/04/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, 11/04/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA J UNIOR, 04/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 13710.001327/2003-95
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2001
Ementa: INCLUSÃO RETROATIVA. Comprovado que a empresa exerceu, durante seu período de atividade, basicamente escaneamento, ajuste e impressão de imagens, deve ser deferida a sua inclusão retroativa no Simples, por não serem tais atividades as previstas no inciso do artigo 9° da Lei n° 9.317/96.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
Numero da decisão: 303-34.226
Decisão: ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso,
nos termos do voto da relatora.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: ANELISE DAUDT PRIETO
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ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2001 Ementa: INCLUSÃO RETROATIVA. Comprovado que a empresa exerceu, durante seu período de atividade, basicamente escaneamento, ajuste e impressão de imagens, deve ser deferida a sua inclusão retroativa no Simples, por não serem tais atividades as previstas no inciso do artigo 9° da Lei n° 9.317/96. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
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Recorrida DRJ-RIO DE JANEIRO/RJ 111 Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2001 Ementa: INCLUSÃO RETROATIVA. Comprovado que a empresa exerceu, durante seu período de atividade, basicamente escaneamento, ajuste e impressão de imagens, deve ser deferida a sua inclusão retroativa no Simples, por não serem tais atividades as previstas no inciso do artigo 9° da Lei n° 9.317/96. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. ANELISE DAUDT PRIETO Presidente e Relatora e • • • Processo n.° 13710.001327/2003-95 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-34.226 Fls. 123 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Zenaldo Loibman, Nanci Gama, Sérgio de Castro Neves, Silvio Marcos Barcelos Fiúza, Marciel Eder Costa, Tarásio Campelo Borges e Nilton Luiz Bartoli. Pf"Ces • . Processo n.° 13710.001327/2003-95 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-34.226 Fls. 124 Relatório Trata-se de retorno de diligência determinada pela Resolução n° 303-01.191, de 17/08/2006, a fim de que a repartição de origem, com base no exame da escrituração, se manifestasse sobre a real atividade da empresa. Para melhor compreensão dos fatos, transcrevo o relatório e o voto proferidos por ocasião do julgamento. "Adoto o relatório da decisão recorrida, que passo a transcrever: 'Trata-se de manifestação de inconformidade ao indeferimento à Solicitação de Inclusão no Simples (fl. 68 v.), proferida pela DERAT/RJO. A solicitação efetuada pela interessada encontra-se acostada à fl. 01, • acostando a mesma, para instruir seu pleito, os documentos de fls. 02/61. Assim se pronunciou a Autoridade quando do indeferimento à solicitação de inclusão na sistemática do SIMPLES: ... negue-se a inclusão solicitada por falta de amparo legal, uma vez que a atividade encontra-se vedada pelo inciso XIII do artigo 9° da Lei n°9.317/1996 (contrato social —fl. 02). A interessada, devidamente cientificada do teor da SRS em 28/02/2005, apresentou manifestação de inconformidade em 10/03/2005, afirmando ser legítima a sua opção pelo Simples, esclarecendo que a atividade do Contrato Social é abrangente, mas a atividade exercida de fato pela empresa é aquela constante da inscrição no CNPJ que é apenas o comércio varejista de máquinas, equipamentos e materiais de informática não vedada para enquadramento no regime do Simples e que foi motivo que levou a empresa a não exercer a atividade total • constante em seu contrato social. É o relatório." A Delegacia de Julgamento no Rio de Janeiro indeferiu a solicitação da contribuinte, em decisão assim ementada: "Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples Ano-calendário: 2001 Ementa: ATIVIDADE ECONÔMICA. PREVISÃO CONTRATUAL DE ATIVIDADES VEDADAS E PERMITIDAS. A existência, no contrato social, de atividades permitidas juntamente com atividades vedadas não impede a opção da pessoa jurídica pelo Simples, desde que a empresa não aufira receitas provenientes das 04 Processo n.° 13710.001327/2003-95 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-34.226 Fls. 125 atividades impeditivas, sendo cabível a esta a incumbência do onus probandi.. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. O ônus de demonstrar que jamais exerceu as atividades vedadas previstas no contrato social, mas tão- somente as permitidas, é da interessada que deve apresentar as provas juntamente com a impugnação. Solicitação indeferida" A autoridade que prolatou o voto alegou que, "embora a expressão da atividade traduzida como objeto social da empresa, por sua generalidade, comporte um sem-número de atividades, não colhe dúvidas de que se pode presumir, ou concluir, com base unicamente nestas, que em sobreditos serviços estejam incluídas as atividades de consultor, programador e de analista. Estas vedadas, expressamente, pela lei à opção pela sistemática do Simples. • Aludiu ainda à existência de outras atividades impeditivas, privativas de engenheiros e técnicos. Fundamentou sua decisão no inciso XIII, do artigo 9 0, da Lei 9.317/1996, na Resolução n°218, de 29 de junho de 1993, do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia e no posicionamento da Coordenação Geral do Sistema de Tributação, no Boletim Central n°55 de 1997. Inconformada, a contribuinte, tempestivamente, apresenta recurso a este Colegiado, repetindo as razões da impugnação e acrescentando que o julgador poderia ter intimado a empresa a apresentar os documentos necessários para provar sua atividade. Para que seja atendida a expectativa do julgador em demonstrar que a empresa realmente nunca exerceu as atividades impeditivas, ela teria que ser submetida a um exame das notas ficais emitidas desde a sua criação, sendo que se tratam de mais de cinco anos de escrituração de livros e emissão de notas. Por conter várias caixas com talões de notas fiscais, • a recorrente achou por bem não apresentá-las, uma vez que uma ou outra nota fiscal apresentada não provaria nada. Por fim, se o fato de apresentar somente a sua CNPJ não foi suficiente, a contribuinte pede que seja determinado de que maneira pode apresentar todas as notas fiscais e livros da empresa para provar definitivamente que a mesma nunca exerceu atividade impeditiva. Junta cópias de alteração de contrato social da firma (fls. 02/04). Requer a reconsideração do indeferimento do seu pedido. É o relatório.' O voto está assim redigido: 'Conheço do recurso, que é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade. A presente lide diz respeito ao indeferimento do pedido de inclusão retroativa da empresa no Simples, pelo fato de exercer . , , Processo n.° 13710.00132712003-95 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-34.226 Fls. 126 atividades de manutenção e reparação em computadores e também por exercer outras atividades "assemelhadas" à profissão de engenheiro. Com o advento da Lei n° 11.051/2004 foi excetuada da restrição de que trata o inciso XIII, do artigo 9 0, da Lei 9.317196 os serviços de instalação, manutenção e reparação de máquinas de escritório e de informática. Ocorre que não restou clara a efetiva atividade da empresa. À vista do exposto, voto pela realização de diligência por intermédio da repartição de origem para que se manifeste sobre a real atividade da empresa, com base no exame de sua escrita." Retomando o processo à origem, esta intimou a empresa a prestar informações sobre as atividades por ela desenvolvidas desde outubro de 1999. • Em resposta à intimação, compareceu o representante da empresa à repartição competente com a informação de fl. 117, na qual relaciona as atividades por ela exercidas desde o inicio (24/11/1999) até o encerramento (02/01/2005). Essas informações foram ratificadas pela fiscalização que também concluiu à fl. 120 que as atividades desenvolvidas pela empresa são aquelas relativas aos serviços descritos no documento de fl. 117. Em seguida, o processo retomou a esta Câmara para julgamento. É o Relatório. 9 • ; , Processo n.° 13710.001327/2003-95 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-34.226 Fls. 127 Voto Conselheira Anelise Daudt Prieto, Relatora A presente lide diz respeito ao indeferimento do pedido de inclusão da empresa no Simples, por constar de seu contrato social que exercia atividades de comércio de equipamentos e suprimentos; prestação de serviços de consultoria; assessoria e treinamento nas áreas de informática e telecomunicações; locação de equipamentos e assistência técnica; comércio de softweares próprios e de terceiros e serviços de editoração eletrônica e computação gráfica. Alega a autoridade de primeira instância que tais atividades incluem as de consultor, programador, analista de sistemas e/ou assemelhados, que são vedadas à opção pelo Simples, pelo inciso XIII do artigo 9° da Lei 9.317/96, in verbis: • Art. 90. Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (.) XIII - que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculo, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro veterinário, engenheiro, arquiteto, fisico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida." (grifei) Ocorre que, ao ser intimada a prestar esclarecimentos, a empresa compareceu e informou que jamais exerceu qualquer atividade econômica impeditiva de opção pelo Simples. Com base em documentos fiscais e prestação de serviços que emitiu durante o período de funcionamento, relacionou, à fl. 117, todas as atividades por ela desenvolvidas, o que foi • ratificado e confirmado pela fiscalização, conforme documento de fl. 120: Informação Fiscal "Atendendo à Resolução n° 303-01.191, de fl. 105, da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por intermédio da qual aquele órgão requisitou a realização de diligência com vistas a apurar a real atividade desenvolvida pela empresa, informamos o que segue: 1. (...) 3. no dia 06 de dezembro de 2006, foi apresentado o documento de fl. 117, no qual a empresa descreveu os serviços prestados, bem como os documentos fiscais emitidos pela pessoa jurídica, a saber: a) notas fiscais simplificadas: n° 001, emitida em 08/07/2003 e a n°2188, emitida em 30/11/2004; b) notas fiscais de serviço: n° 001, emitida em 04/02/00 a n° 1889, emitida em 30/11/2004. • • Processo n.° 13710.001327/2003-95 CCO3/CO3 . Acórdão n.° 303-34.226 Fls. 128 4. examinando as notas fiscais apresentadas, ratificamos as informações prestadas pela empresa e concluímos que as atividades desenvolvidas por ela são aquelas relativas aos serviços descritos no documento de fl. 117." Na informação de fl. 117, ratificada pela informação fiscal de fl. 120, verifica-se que as atividades exercidas pela empresa não se encontram no rol daquelas descritas no inciso XII do artigo 90 da Lei 9.317/96 e, portanto, não são impeditivas de sua inclusão no Simples. Com efeito, trata-se basicamente de atividades de escaneamento, ajuste e impressão de imagens, que não necessitam de programadores para o seu exercício, já que, via de regra, são efetuadas com a utilização de programas/aplicativos pré-existentes. Muito menos há que se falar em atividade de analista de sistemas, consultor ou qualquer outra prevista naquele dispositivo. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, incluindo a empresa no Simples. • Sala das Sessões, em 29 de março de 2007 / 12.„..;Lehlk. ANELISE AUDT P - Relatora (1) Page 1 _0010300.PDF Page 1 _0010400.PDF Page 1 _0010500.PDF Page 1 _0010600.PDF Page 1 _0010700.PDF Page 1 _0010800.PDF Page 1
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Numero do processo: 10580.720336/2009-17
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Jun 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2007
Ementa:
IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL.
A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluí-los, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12.
IRRF. COMPROVAÇÃO.
Na falta de comprovação da retenção de valor declarado a título de imposto de renda retido na fonte é legítima a glosa desse valor. Recurso negado.
Numero da decisão: 2802-000.843
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR
PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JORGE CLÁUDIO DUARTE CARDOSO
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IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluílos, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. IRRF. COMPROVAÇÃO. Na falta de comprovação da retenção de valor declarado a título de imposto de renda retido na fonte é legítima a glosa desse valor. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 01/07/2011 Fl. 160DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Sidney Ferro Barros, Lúcia Reiko Sakae, Carlos André Ribas de Mello e Dayse Fernandes Leite. Ausente justificadamente o Conselheiro German Alejandro San Martin Fernandez. Relatório Tratase de notificação de lançamento do imposto de renda do exercício 2007, anocalendário 2006, acrescido de multa de ofício de 75% e de juros de mora, em virtude de omissão de rendimentos (R$18.122,44) e de compensação indevida de IRRF (R$11.950,08). A omissão de rendimentos decorre de a autoridade fiscal ter apurado que 49,5% dos rendimentos auferidos em ação judicial são tributáveis, tendo o contribuinte oferecido à tributação apenas R$38.715,00 quando deveria ter tributado R$55.687,50. Não foram deduzidos os valores supostamente pagos a advogados por falta de comprovação. A memória de cálculo da autoridade fiscal consta do documento de fls. 79/83. A impugnação foi julgada parcialmente procedente, admitindo a dedução da base de cálculo do valor de R$11.633,50 referente a 49,5% do valor pago de honorários advocatícios. A glosa do IRRF foi mantida por falta de comprovação (§2º do art. 87 do RIR1999) e a isenção de portador de moléstia grave não foi reconhecida por ser inaplicável aos rendimentos do trabalhos, ainda que recebidos judicialmente após a aposentadoria. Exigese multa de ofício (75%) sobre a omissão de rendimentos e de mora sobre a glosa de dedução indevida do IRRF. Ciente da decisão de primeira instância em 17022010 (fls. 105), o recorrente apresentou recurso voluntário em 16032010 (fls. 113), no qual apresenta os seguintes argumentos: 1. A Súmula nº 368 do Tribunal Superior do Trabalho – TST e decisões administrativas desse Conselho operam no sentido de que não cabe exigir do recorrente o imposto retido; 2. não se pode contrariar ordem judicial e exigir do recorrente o imposto retido; 3. a sentença que homologou o acordo comprova que a fonte pagadora reteve do empregado a parcela do Imposto de Renda na Fonte; 4. desde 25082003, é portador de paralisia em estado definitivo – hemiplegia espastica esquerda – CIDG81.1 – reconhecida pela INSS em 12032008, o que lhe assegura a isenção prevista no inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988; 5. o imposto retido declarado referese a recomposição da base de cálculo de crédito de imposto de renda oriundo Fl. 161DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720336/200917 Acórdão n.º 2802000.843 S2TE02 Fl. 161 3 de acordo judicial homologado perante a Justiça do Trabalho conforme comprovam documentos anexos; 6. recebeu em conciliação trabalhistas o valor líquido de R$400.000,00, em 11 parcelas de R$37.500,00, a primeira em 15102006 e as demais no dia 15 de cada mês e mais uma parcela de R$25.000,00 no dia 1508 2007; 7. constou da cláusula 5º do referido acordo que a executada se comprometeu a comprovar o recolhimento das contribuições previdenciárias e do imposto de renda devidos tanto do empregado como do empregador, incidentes sobre as parcelas salariais; 8. por meio de ofício a juíza do trabalho informou à Receita sobre o inadimplemento da fonte pagadora, bem como despachos judiciais comprovam a obrigação de o reclamado pagar o imposto; 9. denunciou a fonte pagadora (Pedreiras Carangi) perante a Ouvidoria do Ministério da Fazenda (mensagem 131524); 10. a fonte pagadora deveria ter retido R$11.950,08 de IR, diversamente do que pretende a Receita Federal, o INSS moveu execução para exigir da Pedreira Carangi a contribuição não recolhida (R$85.425,98); e 11. disposições legais (art. 718 do RIR cuja matriz legal é o art. 46 da lei 8.541/1992, art. 97, 121 e 128 do CTN e art. 722 e 725 do RIR1999 com matriz legal no art. 103 do DecretoLei 5.844/1943, bem como no STJ e nesse Conselho, sustenta a tese de que a responsabilidade pelo recolhimento é exclusivamente da fonte pagadora. O recorrente requer prioridade na tramitação e julgamento com base no Estatuto do Idoso. e na Lei nº 12.008/2009. O processo foi distribuído a esse Conselheiro exclusivamente pelo sistema informatizado eprocesso. É o relatório. Voto Fl. 162DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso Relator, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. O litígio limitase à insurgência contra a exigência do imposto de renda do beneficiário ao invés de ser exigido da fonte pagadora, bem como à alegação de que o s rendimento são isentos em razão de moléstia grave tipificada na Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. DA ALEGADA ISENÇÃO O artigo 6º da Lei n° Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com as alterações do art.47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992 e art. 30, § 2º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, estabeleceu dois requisitos cumulativos para sua concessão dessa modalidade de isenção: a) os valores recebidos devem ser proventos de aposentadoria, reforma ou pensão; e b) a moléstia deve estar prevista no texto legal e comprovada por meio de laudo médico pericial emitido pelo serviço médico oficial da União, Estados, Distrito Federal ou dos Municípios (caput art. 30 da Lei nº 9.250/1995). Os documentos da ação judicial trabalhista não apresentam discriminação dos períodos a que cada verba se refere, porém permitem concluir que não são rendimentos de aposentadoria, logo não há reparo a ser feito ao acórdão recorrido nesse ponto. DA EXIGÊNCIA DO IMPOSTO DO BENEFICIÁRIO No que tange às alegações de que era da fonte pagadora a responsabilidade de retenção e de que houve retenção no pagamento das verbas trabalhista, confundese o contribuinte ao identificar a retenção do imposto de renda com o pagamento definitivo, posto que a retenção do imposto de renda no caso de recebimento de salários e de verbas trabalhistas tributáveis é mera antecipação do imposto, motivo pelo qual a Declaração Anual de Imposto de Renda é chamada de Declaração de Ajuste Anual, na qual após serem considerados os rendimentos obtidos, as deduções e as antecipações de imposto chegase à apuração de imposto a pagar ou a restituir. Em matéria de execução de ofício pela Justiça do trabalho a competência da Justiça do Trabalho está restrita às contribuições sociais, regulamentadas, por força do artigo 114 da CF, no artigo 195, incisos I, alínea “a” e II, da Lei Maior, além de seus acréscimos legais, o que não alcança a exigência de contribuição social com base em decisão que apenas declare a existência de vínculo empregatício conforme assentado no RE 569056 / PA, julgado em 11/09/2008, com deferimento de repercussão Geral e proposta de edição de Súmula Vinculante. Com muito mais razão a competência da Justiça do Trabalho não alcança o imposto de renda, portanto, a competência para fiscalizar e cobrar o imposto de renda é da União (inciso I do art. 153 da Constituição de 1988 c/c art. 142 do CTN) que a exerce por meio da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). A súmula do TST nº 368 mencionada pela recorrente não alcança a matéria objeto do presente julgamento, ao tratar da responsabilidade da fonte pagadora referese tão só à retenção na fonte e não ao ajuste anual. A exigência do imposto do beneficiário não se trata de descumprir decisão judicial. Fl. 163DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720336/200917 Acórdão n.º 2802000.843 S2TE02 Fl. 162 5 Outrossim, os julgados desse Conselho indicados pelo recorrente encontram se superados pela jurisprudência consolidada. Aplicase a Súmula CARF nº 12 de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 259, de 23 de junho de 2009). Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. De outro giro, a transação realizada não pode ser oponível a terceiros e a sujeição passiva tributária decorre de lei e não se ajuste entre as partes. Não tendo sido comprovada a retenção na fonte é legítima a glosa efetuada pela autoridade fiscal. O rendimento que a autoridade fiscal utilizou para apurar o imposto corresponde a 49,5% (parcela tributável) dos valores recebidos em 2006. Os valores recebidos foram três parcelas de R$37.500,00 que somaram R$112.500,00, logo o valor tributável foi de R$ 55.687,50. No lançamento foi considerado esse valor (R$ 55.687,50) mais a contribuição ao INSS (R$1.149,94) menos o valor declarado (R$38.715,00), implicando em omissão de R$18.122,44. A autoridade fiscal esclareceu que o acréscimo da contribuição previdenciária não acarreta exigência de imposto pois esse mesmo valor foi deduzido no campo previdência oficial. Ademais, segundo consta do acordo judicial (fls. 122, cláusula primeira) o valor recebido é líquido (em 2006, três parcelas de R$37.500,00), logo não caberia ao recorrente deduzir do valor líquido o Imposto de Renda. Salientase que a alegação de que houve outra forma de cobrança pelo INSS, por si só, não é hábil a afastar a validade da presente autuação. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Relator Fl. 164DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Fl. 165DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 35239.002492/2005-81
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 31/12/1999
Ementa: PREVIDENCIÁRIO. RESTITUIÇÃO.
Correta a decisão de 1ª grau, quando defere parcialmente o pedido de restituição, face às provas produzidas e levantadas, que demonstram a existência de diferenças de contribuições não recolhidas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 206-00.153
Decisão: ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso.
Nome do relator: ROGERIO DE LELLIS PINTO
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Siape 751683 MINISTÉRIO g • • • 4 SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA- Processo n° 35239.002492/2005-81 Recurso n° 141.926 Voluntário de con.ribuinteS c ~unto COnse" 1° d- • -ic• Matéria PEDIDO DE RESTITUIÇÃO mi '- do ojicalor, _lua-- St— II Acórdão n° 206-00.153 1Rada Att. Sessão de 21 de novembro de 2007 Recorrente RGN - ENGENHARIA INDUSTRIAL E COMÉRCIO LTDA Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 31/12/1999 Ementa: PREVIDENCIÁRIO. RESTITUIÇÃO. Correta a decisão de ia grau, quando defere parcialmente o pedido de restituição, face às provas produzidas e levantadas, que demonstram a existência de diferenças de contribuições não recolhidas. Recurso Voluntário Negadoi- Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. '7 MC ct' D CaCIRWUTNTES • -. - Processo n • 35239.002492J2005-81Oa (Lati•„... CCO2/C06 Acórdão n.° 206-00.153 eirli Fls. 129Wto Maria de 1,1 tte Carvalho 1,4;1 Si: pt ACORD: M os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINT • • ar unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso. New ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente 1,0 /011. ' R • DE LELLIS PINTO R tor Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Ana Maria Bandeira, Bemadete de Oliveira Barros, Daniel Ayres Kalume Reis, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Deusa Vieira de Souza e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. • MF - SEGUNDO CONSELHO DE cownttsurdn5 Processo n.° 35239.002492/2005-81 CONFERE rom c rITT*CITNAL CCO2/C06 Acórdão n.°206-00.153 Fls. 130 Bradlie Ri . o 1 - .9x96 Màjt-L-x0).-Maria de Relatório Fez: Á c...caa de CatniltO Mat Stage 731683 Trata-se de Recurso Voluntário interposto pela empresa RGN - ENGENHARIA INDUSTRIAL E COMÉRCIO LTDA, contra a Decisão proferida pela Secretaria da Receita Previdenciária, a qual deferia parcialmente seu pedido de restituição de contribuições previdenciárias. A empresa peça recursal onde demonstra apenas o interesse de que esse Conselho analise novamente seu pedido, sem, no entanto, levantar qualquer argumento em sua defesa. Foram apresentadas contra-razões, mantendo-se a decisão de l° grau, e informando a intempestividade do recurso apresentado. É o Relatório. o it "F. SF"DO CONISZ:Liin PR,Processo n.° 35239.002492/2005-81 CO2/C06 Acórdão n.° 206-00.153 -". »irERE , — CONTRIBI -R • -R) ... Root. • Fls. 131 Maris de Facjrad Coe, 02F Voto SAW.i5letig'S Carvalho Conselheiro ROGERIO DE LELLIS PINTO, Relator Inicialmente, temos que o presente processo foi baixado em diligência a fim de que se constatasse se o recurso apresentado seria tempestivo ou não. A SRP, informa pelo despacho de fls. Retro, que muito embora não tenha localizado o AR, todos os outros recursos da mesma empresa, protocolizado na mesma data, foram intempestivo. Em que pese à sustentação da antiga SRP, tenho comigo que a falta de prova regulamentar quanto à data de cientificação da decisão recorrida, impossibilita o reconhecimento de intempestividade da peça recursal, conquanto seria presumir a sua ocorrência, o que não me parece coerente. Portanto, conheço do recurso. Não obstante esse entendimento, nota-se da leitura atenta dos autos que empresa recorre da decisão da qual não concorda, no entanto, sem fazer qualquer alegação visando desconstitui-la, requerendo apenas a análise do decisium atacado. Nessa perspectiva, não me parece que a Decisão tomada pela SRP, tenha, de alguma forma, contrariado a legislação previdenciária ou mesmo as provas produzidas no bojo do presente procedimento fiscal, o que nos leva a manter incólume o seu teor, por ser fiel expressão do melhor direito. Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso, para NEGAR-LHE PROVIMENTO mantendo-se inalterada a decisão de l' instância. Sala das Sessões, em 21 de novembro de 2007 In" RO 1 LELLIS PINTO Page 1 _0041200.PDF Page 1 _0041300.PDF Page 1 _0041400.PDF Page 1
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Numero do processo: 10860.900803/2008-55
Data da sessão: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004
Ementa: ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO
NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO
INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
DILIGÊNCIA. PRODUÇÃO PROBATÓRIA.
A realização de diligências reserva-se à elucidação de pontos duvidosos ou não suficientemente esclarecidos nos autos, não se prestando para a produção de provas que toca à parte produzir.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004
Ementa: COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3803-003.395
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004 Ementa: ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILIGÊNCIA. PRODUÇÃO PROBATÓRIA. A realização de diligências reserva-se à elucidação de pontos duvidosos ou não suficientemente esclarecidos nos autos, não se prestando para a produção de provas que toca à parte produzir. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004 Ementa: COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004 Ementa: ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILIGÊNCIA. PRODUÇÃO PROBATÓRIA. A realização de diligências reservase à elucidação de pontos duvidosos ou não suficientemente esclarecidos nos autos, não se prestando para a produção de provas que toca à parte produzir. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004 Ementa: COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente e Relator Fl. 198DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por A LEXANDRE KERN 2 Participaram ainda do presente julgamento os conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório SOCOTHERM BRASIL S.A. transmitiu a Declaração de Compensação (Dcomp) nº 08193.81022.151204.1.3.041070, pretendendo extinguir débitos próprios, montantes a R$ 27.972,70, com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior de PIS. A DRF/TaubatéSP emitiu Despacho Decisório Eletrônico, por meio da qual deixou não homologou a compensação porque o pagamento invocado estava integralmente utilizado na quitação de débito espontaneamente confessado pelo contribuinte. Irresignado, o declarante interpôs reclamação, alegando que procedeu a revisão dos cálculos do PIS e da Cofins não cumulativos, em decorrência do reconhecimento diferenciado de receitas de vendas oriundas de contrato de longo prazo assinado anteriormente a 31 de outubro de 2003, que deveriam ser tributados pelo regime cumulativo do PIS e da Cofins, segundo as regras instituídas pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e apresentando resumo da posição de PIS e Cofins apurados no ano de 2004 e demonstrativo de apuração das contribuições. Explica que não procedeu à retificação das DCTF e dos DACON respectivos porque a edição do Despacho Decisório ora guerreado o impediu. Fundada na consideração de inexistiam provas do direito creditório nos autos, a DRJ/CPS9ª Turma julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente e manteve o Despacho Decisório da DRF/Taubaté. O Acórdão 05036.003, de 28 de novembro de 2011, fls. 126 a 128, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004 DCOMP. CREDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito credit6rio, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. 0 reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito credit6rio não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 9ª Turma da DRJ/CPS. O arrazoado de fls. 140 a 149, após síntese dos fatos relacionados com a lide, invoca o princípio da verdade material, que deve informar os processos administrativos e insiste na obrigação do Fisco de perquirir acerca do fato gerador da obrigação tributária. Explica que possui toda a documentação necessária à comprovação dos fatos relacionados com a Fl. 199DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 10860.900803/200855 Acórdão n.º 380303.395 S3TE03 Fl. 199 3 reapuração das contribuições que procedeu, mas que não os aportou aos autos porque os documentos que comprovam essas operações perfazem um acervo bastante volumoso, daí porque a inviabilidade logística de sua apresentação por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade e do recurso ora sub judice. Diz instrui seu recurso, a título exemplificativo, com o Dacon retificador. Requer a realização de diligência para o fim de comprovar as suas alegações. Conclui, requerendo: a) seja o feito convertido em diligência para que seja comprovado todo o alegado, e; b) seja reconhecido integralmente o direito ao crédito apresentado, homologandose a compensação declarada. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 140 a 149 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJCPS9ª Turma nº 05036.003, de 28 de novembro de 2011. Matéria de extremada importância em sede processual é a referente à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas. Com efeito, da delimitação do onus probandi depende a definição de grande parte das responsabilidades processuais. Assim é nas relações de direito privado e, igualmente, nas relações de direito público, dentre as quais as relacionadas à imposição tributária. Neste campo, a legislação processual administrativotributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o principio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim é que, nos casos de lançamentos de oficio, não basta a afirmação, por parte da autoridade fiscal, de que ocorreu o ilícito tributário; pelo contrário, é fundamental que a infração seja devidamente comprovada, como se depreende da parte final do caput do artigo 9° do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que determina que os autos de infração e notificações de lançamento "deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito". De outro lado, ao contribuinte a legislação impõe o ônus de provar o que alega em face das provas carreadas pela autoridade fiscal, como expresso no inciso III do artigo 16 do mesmo Decreto nº 70.235, de 1972, que determina que a impugnação conterá "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". Esse, portanto, o quadro nos lançamentos de oficio: à autoridade fiscal incumbe provar, pelos meios de prova admitidos pelo direito, a ocorrência do ilícito; ao contribuinte, cabe o ônus de provar o teor das alegações que contrapõe às provas ensejadoras Fl. 200DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por A LEXANDRE KERN 4 do lançamento. Já nos casos de repetição de indébito, entretanto, o quadro resta um pouco modificado, como a seguir se verá. Quando a situação posta se refere à restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, é atribuição do contribuinte a demonstração da efetiva existência do indébito. Tanto é assim que a Instrução Normativa SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008, que rege atualmente os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários, assim expressa em vários de seus dispositivos: Art. 3°A restituição a que se refere o art. 2° poderá ser efetuada: I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF). § I' A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). § 2' Na impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, o requerimento será formalizado por meio do formulário Pedido de Restituição. constante do Anexo I, ou mediante o formulário Pedido de Restituição de Valores Indevidos Relativos a Contribuição Previdenciária, constante cio Anexo II, conforme o caso, aos quais deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. [..1 § 4° Tratandose de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo mediante utilização do programa PER/DCOMP, os documentos a que se refere o § 3° serão apresentados à RFB após intimação da autoridade competente para decidir sobre o pedido. [..1 Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito. inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada. mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Como se percebe, em qualquer dos tipos de repetição é exigida a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como prerrequisito ao conhecimento do pleito. E o que se deve ter por documentos comprobatórios do crédito? Por óbvio que os documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito; sem tal evidenciação, o pedido repetitório fica inarredavelmente prejudicado. É certo que as normas acima transcritas prevêem a realização de diligências, por parte da autoridade fiscal, destinadas à verificação da exatidão das informações trazidas pelos contribuintes, mas é preciso ter em conta que tal previsão não existe com o fim de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim de elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pelo contribuinte/pleiteante; em outras palavras, as Fl. 201DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 10860.900803/200855 Acórdão n.º 380303.395 S3TE03 Fl. 200 5 diligências servem para esclarecer pontos duvidosos específicos, e não para que a autoridade fiscal, diante da falta de comprovação da existência do crédito, supra tal omissão do contribuinte. No caso específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, o contribuinte cumpre o ônus que a legislação lhe atribui, quando traz os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. E tal demonstração, no caso das pessoas jurídicas, está, por vezes, associada a uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros. Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio. Em regra, portanto, cumpre ao contribuinte vincular registros contábeis a documentos fiscais, estabelecendo com clareza a natureza das operações por eles instrumentadas, não lhe sendo lícito simplesmente juntar uma massa de documentos ao processo, sem indicação individualizada de a quais registros se referem. A atividade de "provar" não se limita, no mais das vezes, a simplesmente juntar documentos aos autos; nos casos em que se tem inúmeros registros associados a inúmeros documentos, provar significa associar registros e documentos de forma individualizada, do mesmo modo que, no caso das provas indiciárias, exigese a contextualização dos fatos por via do cruzamento dos indícios. Não é tarefa do julgador contextualizar os elementos de prova trazidos pelo contribuinte no caso de um pedido de restituição, compensação ou ressarcimento, tanto quanto não é contextualizar os elementos de prova trazidos pela autoridade fiscal no âmbito de um lançamento de oficio. Quem acusa deve provar, contextualizando os elementos de prova que evidenciam a infração; da mesma forma, quem pleiteia repetição deve provar a existência do direito creditório, contextualizando os elementos de prova que evidenciam o indébito. Não é lícito ao julgador, tanto em sede de apreciação de lançamento de oficio, quanto em sede de pleito repetitório, dispensar a autoridade lançadora ou o pleiteante, conforme o caso, do ônus que a lei impõe a cada um deles; tanto quanto não lhe é lícito valer se das diligências e perícias para, por vias indiretas, suprir o ônus probatório que cabia a cada parte. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Já as perícias existem para fins de que sejam dirimidas questões para as quais exigese conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria impassível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador. Dentro deste quadro, percebese que quando a Instrução Normativa SRF nº 900, de 2008, acima parcialmente transcrita, prevê a "realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas", não está querendo dizer que, diante de qualquer pleito repetitório apresentado, deve a autoridade fiscal diligenciar para fins de verificar, de oficio, a existência do crédito pleiteado. O que o ato legal quer dizer, e isto sim, é que, apresentado o pedido e constatado que o contribuinte demonstrou, por documentos Fl. 202DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por A LEXANDRE KERN 6 e registros contábeis individualmente associados, a origem dos créditos pleiteados, pode a autoridade fiscal, se dúvidas remanescerem em relação a questões pontuais (natureza da operação em um ou outro registro, falta de clareza de algum documento ou registro etc.), demandar por diligências para dirimir tais dúvidas. Por certo que o ato legal não quer, com a previsão da realização das diligências, transferir para a autoridade fiscal ou para o julgador administrativo a responsabilidade pela produção probatória atribuída originariamente ao contribuinte no caso dos pedidos de repetição de indébito. E é isso que ocorreria, por exemplo, se fossem promovidas diligências no caso, por exemplo, em que o contribuinte, junto com seu pleito, traz apenas uma listagem genérica de créditos e uma massa de documentos fiscais sem vinculação recíproca; neste caso, a promoção das diligências estaria suprindo, irregularmente, a omissão do contribuinte, o que não é processualmente admissível. De se ressaltar, igualmente, que o fato de o processo administrativo ser informado pelo principio da verdade material, em nada macula tudo o que foi até aqui dito. É que o referido princípio destinase a busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de, por via de diligências, produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento e por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito repetitório seja proposto sem a minudente demonstração e comprovação da existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento e por via de diligências, se oportunize tais demonstração e comprovação. Por fim, da mesma forma que não se pode usar as diligências como meio de suprir o ônus probatório não cumprido pelas partes, também não se pode exigir que o julgador da questão controversa promova, ele próprio, a contextualização dos elementos de prova juntados ao processo. Por exemplo, usandose o caso já acima referido, se o contribuinte, para consubstanciar seu pleito repetitório, limitase a fornecer um demonstrativo de créditos em que não aparecem individualmente associados registros e documentos, não cabe ao julgador deter se sobre a massa de documentos e buscar, ele próprio, fazer aquilo que o contribuinte deveria ter feito. Ao julgador não cabe fazer a associação dos, não raramente, inúmeros registros e documentos; a ele deve ser oferecido o registro vinculado ao documento que o respalda, para que verifique se aquela operação especifica dá ou não direito ao crédito pleiteado (esta é a sua função: apresentados os documentos que instrumentam um registro, analisar a natureza da operação para fins de deferimento ou não do pleito). A razão pela qual estas considerações são feitas reside no fato de que, além da improcedente alegação do recorrente de que a autoridade fiscal deve exaurir todos os meios de prova, o interessado não apresenta qualquer comprovação do direito creditório, limitandose a apresentar o DACON retificar e, ainda assim, somente nesta fase recursal, quando já não lhe socorre a espontaneidade necessária para que a providência da retificação surta qualquer efeito. O que se quer aqui firmar, portanto, é que não há como, em sede de julgamento administrativo, suprir esta omissão do contribuinte (em termos de cumprimento de seus onus probandi) por via, por exemplo, de diligências ou perícias, já que, como acima já foi exposto, tais institutos não se destinam a tanto. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 10860.900803/200855 Acórdão n.º 380303.395 S3TE03 Fl. 201 7 Não há, nos autos, qualquer prova do alegado direito creditório, ônus que cabia ao recorrente, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: [...] II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Em sede de prova, nada alegar e alegar, mas não provar o alegado se equivalem (allegare nihil et allegatum non probare paria sunt). Nesse sentido, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais.(HABEAS CORPUS Nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(INTERVENÇÃO FEDERAL Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93 116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. 2. Não cabe em mandado de segurança para cobrança de proventos não recebidos, a teor das súmulas 269 e 271 da Suprema Corte. 3. Recurso parcialmente provido. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538)JCPC.333 JCPC.333.II TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de Fl. 204DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por A LEXANDRE KERN 8 fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) À míngua de prova do indébito, o crédito do contribuinte está desvestido dos atributos de liquidez e certeza, exigidos para que se homologue a compensação declarada, nos termos do art. 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional CTN. Com essas considerações, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 21 de agosto de 2012 Alexandre Kern Fl. 205DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 10860.900803/200855 Acórdão n.º 380303.395 S3TE03 Fl. 202 9 Fl. 206DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por A LEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10670.001321/2004-24
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL — ITR
Exercício: 2001
ITR - REVISÃO DO LANÇAMENTO - VALOR TOTAL DO IMÓVEL - VALOR DAS BENFEITORIAS - VALOR DAS CULTURAS/PASTAGENS/FLORESTAS - VTN.
A autoridade administrativa competente poderá rever os valores
informados pelo contribuinte em sua DITR, questionados pelo
mesmo em virtude de glosa procedida em procedimento de verificação fiscal, utilizando-se de Laudo Técnico de Avaliação
que demonstre a realidade fática do imóvel, e que se reporte à
data do fato gerador do lançamento questionado.
LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO.
Firmado por profissional habilitado, acompanhado de ART,
avalizado por Laudo de Avaliação Patrimonial assinado pela
EMATER/MG, contendo elementos suficientes à convicção do
julgador, merece acolhida.
MULTA DE OFÍCIO - INFORMAÇÕES INEXATAS, INCORRETAS - Devida, nos exatos termos do artigo 14, §2°, da Lei d. 9.393/96, c/c artigo 44, inciso I, da Lei n°. 9.430/96.
JUROS DE MORA.
Devidos por significarem, tão somente, remuneração do capital
(Súmulas 3° CC n ° 7 e 4).
Numero da decisão: 303-35.847
Decisão: ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de
contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para acolher os valores demonstrados no laudo de avaliação da EMATER, nos termos do voto do relator.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: NILTON LUIZ BARTOLI
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' CCO3/CO3 Fls. 144 11 ,s..s ....h, MINISTÉRIO DA FAZENDA t,• --4 TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4<43.1:21" TERCEIRA CÂMARA Processo n° 10670.001321/2004-24 Recurso n° 136.661 Voluntário Matéria IMPOSTO TERRITORIAL RURAL Acórdão n° 303-35.847 Sessão de 10 de dezembro de 2008 Recorrente COLONIAL AGROPECUÁRIA LTDA. Recorrida DRJ-BRASÍLIA/DF ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL — ITR Exercício: 2001 ITR - REVISÃO DO LANÇAMENTO - VALOR TOTAL DO IMÓVEL - VALOR DAS BENFEITORIAS - VALOR DAS CULTURAS/PASTAGENS/FLORESTAS - VTN. A autoridade administrativa competente poderá rever os valores informados pelo contribuinte em sua DITR, questionados pelo mesmo em virtude de glosa procedida em procedimento de verificação fiscal, utilizando-se de Laudo Técnico de Avaliação que demonstre a realidade fática do imóvel, e que se reporte à data do fato gerador do lançamento questionado. LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO. Firmado por profissional habilitado, acompanhado de ART, avalizado por Laudo de Avaliação Patrimonial assinado pela EMATER/MG, contendo elementos suficientes à convicção do julgador, merece acolhida. MULTA DE OFÍCIO - INFORMAÇÕES INEXATAS, INCORRETAS - Devida, nos exatos termos do artigo 14, §2°, da Lei d. 9.393/96, c/c artigo 44, inciso I, da Lei n°. 9.430/96. JUROS DE MORA. Devidos por significarem, tão somente, remuneração do capital (Súmulas 3° CC n ° 7 e 4). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 1/44 Processo n° 10670.001321/2004-24 CCO3/CO3 • Acórdão n°303-35.847 F. 145 ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para acolher os valores demonstrados no laudo de avaliação da EMATER, nos termos do voto do relator. Ai MI° w ANEL E DAUDT PRIETO Presidente /929FON L BARTOL Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Nanci Gama, Luis Marcelo Guerra de Castro, Heroldes Bahr Neto, Celso Lopes Pereira Neto, Vanessa Albuquerque Valente e Tarásio Campeio Borges. Processo n°10670.001321/2004-24 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.817 Fls. 146• - Relatório Tomam os autos a julgamento por esta Eg. Câmara, tendo em vista cumprimento da diligência formulada na Resolução n° 303-01.372, juntada aos autos às fls. 114/120. Com o intuito de embasar o presente julgamento adoto o relatório de fls. 115/117, bem como o voto de fls. 118/120, os quais passo a ler em sessão. Em cumprimento ao que fora solicitado por esta Eg. Câmara na mencionada Resolução, foram juntados aos autos, a pedido do contribuinte, os documentos de fls. 132 a 142. É o relatório. Processo n°10670.001321/2004-24 CCO3/CO3 • Acórdão n.°303-35.847 Fls. 147 Voto Conselheiro N1LTON LUIZ BARTOLI, Relator Como já observado por esta Eg. Câmara, em oportunidade em que se entendeu por bem converter o julgamento em diligência, nos termos da Resolução n° 303-01.372, discute-se nos autos irresignação do contribuinte quanto à lançamento de oficio relativo ao ITR/2001, no qual lhe é exigido diferença de recolhimento do ITR em decorrência de procedimento de verificação fiscal, no qual restaram glosados valores declarados em sua DITR. Sob a ótica fiscal não houve comprovação, por parte do contribuinte, dos valores declarados à titulo de: "valor total do imóvel", "valor das benfeitorias", "valor das culturas/pastagens/florestas", bem como o "valor da terra nua". Por discordar dos valores atribuídos pela fiscalização, os quais se verifica do "Demonstrativo de Apuração" de fls. 05, insurge-se o interessado sob o argumento de que os valores declarados em sua DITR estariam corretos, de maneira que não haveria que se falar em diferença a ser recolhida. Além disso, manifesta-se contrário à cobrança de juros e multa na forma como impostos. Desenhados os limites da controvérsia observo que, para justificar os valores que entende por corretos, o contribuinte fez juntar aos autos, já quando de sua impugnaçao, 'laudo de avaliação patrimonial' (fls. 55/74), o qual, de inicio, verificamos ser emitido pela EMATER/MG. Sucede que diante da aparente irregularidade do referido laudo para fins de revisão do lançamento em questão, como entendeu a r. decisão recorrida, uma vez que o mesmo se limita a informar a data de 2004, não especificando a que data, efetivamente, se referia o estudo, converteu-se o julgamento em diligência, em busca da verdade material, para que o interessado apresentasse novo laudo, ou um adendo ao que consta dos autos, com o fim precípuo de apurar a realidade do imóvel à época do fato gerador da exigência tributária em discussão. Atendidos os termos da Resolução n° 303-01.372 chegam aos autos adendo ao Laudo Técnico de Avaliação ora apresentado (fls. 132/134), no qual são reafirmados e validados os valores apresentados no primeiro, além de justificar e se retratar à situação do imóvel em 01/01/2001. Observa-se que este Adendo ao Laudo Técnico de Avaliação (elaborado pela EMATER/MG) se encontra assinado por profissional habilitado — engenheiro agrônomo — além de estar acompanhado da respectiva Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) — documentos de fls. 132/139. Verifica-se, pois, dos documentos que constam dos autos, o seguinte panorama: I' " : ..-7 ::_DESCRIÇÃO ,--_-r; ., -,• VALOR- • VALOR APURADO VALOR ATESTADO, - - . • , .. INFORMADO EM + PELA 3 ',' EM LALTDO 4 Processo n°10670.001321/2004-24 CCO3/CO3 Acórdão n.°303-35.847 Fls. 148 - • DIT12.„,--.._,.1, FISCALIZAÇÃO TÉCNICO demonstrativa fls. 05 ELABORADO PELA EMATER/MG, CONFIRMADO EM ADENDO ASSINADO POR ENG. AGRÔNOMO (C/ART) —lis. 55/74 e 132/134 valor total do imóvel ; tf. 6.574.000,00 :1 v- 4.132..008,96 4c, 6.679.351,42 •• 4-r el.' ;),‘" 4. .• ri l• • 1—• 1.# valor das benfeitorias cx..2.124.000,00 -; 883.12.1,92 J-ti;.4" 1.987.597,08 - vs. - 0.1-1/2‘r • 5,.s•-•• rara valor das 2.950.000,00 . 959.179,92.—..', , 3.190.720,70 - , culturas/pastagens/florestas valor da terra nua -'.1.500.000,00 2.289.707,12. - 1.501.033,64 .. Cumpre assinalar que os valores informados em Laudo Técnico se mostram próximos ao que fora informado pelo contribuinte em sua DITR, em detrimento do que apurou a fiscalização quando do lançamento em discussão. Entendo que a dúvida que permeava nos autos, diante da constatação de que o primeiro laudo apresentado, elaborado pela EMATER/MG, não fez referência a data à que se referia o estudo, se encontra sanada pelo Adendo apresentado pelo Recorrente, eis que este fora elaborado por eng. agrônomo e se encontra acompanhado de ART. Com efeito, referido Adendo (fls. 132/134) esclarece a data de referência, reafirma os valores apurados pela EMATER/MG, bem como, os valida, possibilitando o uso de tais documentos como prova da realidade fática do imóvel na data do fato gerador em discussão. A propósito, laudos de emissão da EMATER são notadamente reconhecidos para fins de avaliação do imóvel, como demonstra o seguinte julgado, proferido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais: Número do Recurso: 303-122111 Turma:TERCEIRA TURMA Número do Processo: 13009.000210/95-12 Ti • do Recurso: RECURSO DE DIVERGENCIA — • Matéria: IMPOSTO TERRITORIAL RURAL - Recorrente: FAZENDA NACIONAL Processo n° 10670.00132112004-24 CCO3/CO3 • Acórdão n.°303-35.847 Fls. 149 Interessado a • MARIA APARECIDA BARBOSA DE ALMEIDA -- - Data da Sessão:0711112005 15:30:00 Relator a :Otacilio Dantas Cartaxo Acórdão: CSRF/03-04.592 Decisão: NPU - NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE • -- Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, NEGAR o rovimento ao recurso. •• , -• : . • ..-. , - Ementa:ITR. LAUDO DE AVALIAÇÃO TECNICA. EMISSAO. EMATER. ANOTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE TÉCNICA — ART. É facultado à autoridade administrativa rever o Valor da Terra Nua mínimo - VTN constante do lançamento, desde que com base em laudo de avaliação emitido por entidade de reconhecida capacitação técnica (Lei n°. 8.847/94, art. 3°, § 4). No caso vertente, por tratar-se de empresa pública vinculada à agricultura, a EMATER/RJ preenche -as condições para proceder à avaliação, com vistas a subsidiar a Secretaria da Receita Federal, relativamente à fixação do "VTN Tributado" . e a emitir laudo :técnico 1 de - ava- Ilação — com : dispensa da r Anotação ;-cle Responsabilidade Técnica —ART. ,. -,- ' t . ,-,-L--"---,,,•-,'?i..';., , i.,. , t-, it2 Recurso es e ecial ne•ado.-:-:— •-_-,ç.'-`-:-::-4.- -'••-r,":•t. '.:;',»-ii,..-..•tk-'' ---:“-,:' E, como antes observado, a Administração Pública, especialmente no exercício da atividade tributária, deve pautar-se pelo principio da estrita legalidade, obrigando-se à retificar ato administrativo, quando comprovadamente se fizer necessário. Assim é que se encontra no âmbito deste Eg. Conselho de Contribuintes inúmeros julgados relacionados ao ITR, nos quais buscou-se o cumprimento do que recomenda o princípio da verdade material, em grande parte com fundamento em laudos técnicos. Tanto que a questão é objeto de Súmula, nos seguintes termos: "Súmula 3° CC n° 3 — A autoridade administrativa pode rever o Valor da Terra Nua mínimo (VTNm) que vier a ser questionado pelo contribuinte do imposto sobre a propriedade territorial rural (ITR) relativo aos exercícios de 1994 a 1996, mediante a apresentação de laudo técnico de avaliação do imóvel, emitido por entidade de reconhecida capacidade técnica ou por profissional devidamente habilitado, que se reporte à época do fato gerador e demonstre, de forma inequívoca, a legitimidade da alteração pretendida, inclusive com a indicação das fontes pesquisadas." Ao contribuinte, portanto, assiste o direito de comprovar, por meio de documentação hábil, a efetiva realidade do imóvel, de modo que se justifique adotar valores diversos daqueles arbitrados pela fiscalização. O intuito da apresentação de laudo técnico, possibilidade oferecida ao contribuinte que discordar do valor atribuído pela Receita Federal ao seu imóvel, é de que restem demonstradas as peculiaridades do imóvel que justifiquem sua valoração inferior aos demais imóveis do município, sendo que tal laudo deve ser emitido por profissional habilitado, e deve estar devidamente acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica — ART. A apresentação do Laudo de Avaliação que atenda aos requisitos legais — possibilidade contemplada no parágrafo 4°, do artigo V, da Lei n° 8.847/94 (vigente à época do lançamento) — é condição indispensável para que o contribuinte possa questionar o valor atribuído pela SRF ao seu imóvel. In cant, a r. autoridade fiscal tomou por base, como já observado pela r. decisão .3de primeira instância, os valores médios do VTN apontados no Sistema de Preço de Terras — 6 Processo n°10670.001321/2004-24 CCO3/CO3 Acórdão n.°303-35.847 Fls. 150 S1PT — para o município no qual se encontra o imóvel, arbitrando o VTN. Neste passo, ainda que o valor médio do VTN/ha indicado no SIPT para o município fosse de R$ 549,71, optou a autoridade fiscal por tributar o imóvel com base no VTN médio por hectare apurado no universo das declarações do ITR/2001, referente aos imóveis rurais localizados no mesmo município, o que atingiu o valor de R$ 126,55/ha. Interessante frisar que a própria fiscalização desconsiderou o valor constante do SIPT, adotando o que afirma ser a média do vi-N dos imóveis rurais no município de localização do imóvel, o qual é notadamente inferior ao que recomendaria referido Sistema de Preços. O valor adotado, aliás, mais se aproxima do que consta do laudo técnico apresentado pelo Recorrente — R$ 79,90/ha (fls. 74). Ademais, o laudo técnico de avaliação (fls. 55/74), emitido por entidade de reconhecida capacidade técnica — EMATER/MG — avalizado por profissional devidamente habilitado (adendo de fls. 132/134), oferece elementos suficientes ao embasamento da revisão dos valores apurados pela fiscalização. Observo, no entanto, que impõe-se adotar os valores consignados em laudo técnico, em detrimento do que fora inicialmente declarado pelo contribuinte em sua DITR, já que o processo administrativo fiscal encalça a busca pela verdade material. Por tais razões, valendo-me da prerrogativa, e porque não, do dever, previsto no §2° 1 do artigo 147, do CTN, entendo por necessária a adequação do lançamento às informações de valor colacionadas nos laudos técnicos apresentados nos autos, no que diz respeito aos seguintes aspectos: valor total do imóvel, valor das benfeitorias, valor das culturas/pastagens/florestas, e valor da terra nua. Com relação à multa de oficio imposta na autuação, entendo por sua procedência, tendo em vista a inicial declaração inexata do contribuinte, o que implica na subsunção ao disposto no artigo 14, §2°, da Lei n°. 9.393/96, e artigo 44, inciso I, da Lei n°. 9.430/96, in verbis: "Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de oficio do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. §2° As multas cobradas em virtude do disposto neste artigo serão aquelas aplicáveis aos demais tributos federais." Lei n°. 9.393/96, grifos nossos. Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. §2°. Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de oficio pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. 7 Processo n°10670.001321/2004-24 CCO3/CO3 Acórdão n°303-35.847 Fls. 151 "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I — de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte;" Lei n°. 9.430/96, grifos nossos. Por fim, no que tange aos juros de mora, consigno entendimento do eminente tratadista do Direito Tributário, Paulo de Barros Carvalho, in Curso de Direito Tributário, 9". edição, Editora Saraiva, São Paulo, 1997, p. 337, ao discorrer sobre as características distintivas entre a multa de mora e os juros moratórios: "b) As multas de mora são também penalidades pecuniárias, mas destituídas de nota punitiva. Nelas predomina o intuito indenizatório, pela contingência de o Poder Público receber a destempo, com as inconveniências que isso normalmente acarreta, o tributo a que tem direito. ( ) c) Sobre os mesmos fundamentos, os juros de mora, cobrados na base de 1% ao mês, quando a lei não dispuser outra taxa, são tidos por acréscimo de cunho civil, à semelhança daqueles usuais nas avenças de direito privado. Igualmente aqui não se lhes pode negar feição administrativa. Instituídos em lei e cobrados mediante atividade administrativa plenamente vinculada, distam de ser equiparados aos juros de mora convencionados pelas partes, debaixo do regime da autonomia da vontade. Sua cobrança pela Administração não tem fins punitivos, que atemorizem o retardatário ou o desestimule na prática da dilação do pagamento. Para isso atuam as multas moratórias. Os juros adquirem um traço remuneratório do capital que permanece em mãos do administrado por tempo excedente ao permitido. Essa particularidade ganha realce, na medida em que o valor monetário da dívida se vai corrigindo, o que presume manter-se constante com o passar do tempo. Ainda que cobrados em taxas diminutas (1% do montante devido, quando a lei não dispuser sobre outro valor percentual), os juros de mora são adicionais à quantia do débito, e exibem, então, sua essência remuneratória, motivada pela circunstância de o contribuinte reter consigo importância que não lhe pertence." (grifei) Deste modo, entendo ser cabível a aplicação dos juros de mora, vez que não se revestem de qualquer vestígio de penalidade pelo não pagamento do débito fiscal, mas sim de caráter compensatório pela não disponibilização do valor ao Erário, posição corroborada também pelas determinações do artigo 5° do Decreto-lei n° 1.736, de 20/112/79. Além do mais, trata-se de questão já sumulada no âmbito do Terceiro Conselho de Contribuintes, nos seguintes termos: "Súmula 3° CC n°. 7 — São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." "Súmula 3° CC n°. 4 — A partir de 1° de abril de 1995 é legítima a aplicação/utilização da taxa Selic no cálculo dos juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal." Processo n° 10670.001321/2004-24 CCO3/CO3 • Acórdão n°303-35.847 Fls. 152 Ante o exposto, e o que mais dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao presente Recurso. É COMO 'Vota Sala das Sessões, em 10 de dezembro de 2008 NILTON LUIZ BARTOLI - Relator 4 Page 1 _0021300.PDF Page 1 _0021400.PDF Page 1 _0021500.PDF Page 1 _0021600.PDF Page 1 _0021700.PDF Page 1 _0021800.PDF Page 1 _0021900.PDF Page 1 _0022000.PDF Page 1
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Numero do processo: 10280.003750/2003-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jun 19 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Jun 19 00:00:00 UTC 2009
Ementa: MPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 1999
1TR - ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA - NÃO COMPROVAÇÃO - AUTUAÇÃO MANTIDA - Não tendo o contribuinte apresentado argumentos, bem como provas, que refutem os valores atribuídos pela fiscalização, tomam-se os valores autuados como válidos.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3201-000.228
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / lª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: NILTON LUIZ BARTOLI
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RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2a Câmara / l a Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. LU :CE O GU RA DE CASTRO - Presidente NIJ.20N L BARTOLI - Thlator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Anelise Daudt Prieto, Irene Souza da Trindade Torres, Celso Lopes Pereira Neto, Nanci Gama, Vanessa Albuquerque Valente e Hcroldes Balir Neto. Processo n° 10280.003750/2003-49 83-C2T1 Acórdão n." 3201-00.228 Fl. 67 Relatório Tornam os autos a julgamento por esta Eg. Câmara, tendo em vista cumprimento da diligência formulada na Resolução n° 303-01.415, juntada às fls. 51. Com o intuito de ilustrar o presente e recordar aos pares a matéria, adoto o relatório de fls. 53 a 55, o qual passo a ler em sessão. Comprova o cumprimento da referida diligência os documentos juntados às tls. 60 e 61. É o relatório. Processo n° 10280.003750/2003-49 S3-C2T1 Acórdão n.^ 3201-00.228 Fl. 68 Voto Conselheiro NILTON LUIZ BARTOL1, Relator Tendo em vista o retorno da diligência solicitada em 24 de abril de 2008, retornam-se os autos a esse relator para julgamento. Cinge-se a controvérsia quanto à glosa da área de Exploração Extrativista, referente ao exercício 1999, urna vez que o contribuinte não comprovou a referida área através de documentos hábeis. A decisão recorrida entendeu que não houve a comprovação da referida área e manteve a autuação (fls. 40/43). Por sua vez, o contribuinte colacionou aos autos a autorização para a execução do Plano de Manejo Florestal Sustentável (PMFS) da área glosada (fl. 30). Todavia, no verso da referida folha, consta que a autorização para a execução do Plano de Manejo foi prorrogada de 04/1997 a 04/1998. Haja vista que o exercício autuado é o ano de 1999, deveria o contribuinte comprovar que durante todo o no ano-calendário de 1998, possuía a autorização para exploração das PMFS. Em razão do exposto, o presente processo foi convertido em diligência, corno dito, a fim de que o IBAMA informasse se houve ou não a autorização para a execução do Plano de Manejo e, se a resposta fosse positiva, confirmar se o cronograma foi cumprido. Em atendimento a diligência, o IBAMA juntou aos autos o "Formulário de Situação de Projeto de Manejo Florestal Sustentávenfl. 61), no qual consta a seguinte informação no campo "Observações": "Do total da área efetiva do projeto (500, 00 lia) foi outorgado ao detentor, Autorização para Exploração de 13.812,50 in 3 para uma área de 250,00 ha., com validade de execução de 01/04/96 a 01/04/97, sendo a mesma, posteriormente, prorrogada por mais uni ano, ou seja até 01/04/98."(g.n.) Após esta breve síntese dos fatos passo a analisar o mérito. Importa, primeiramente, observar o que dispõe a legislação atinente à matéria a respeito: Lei n° 9.393/96: "Art. 10 (...) §1° - Para efeitos de apuração do 1TR, considerar-se-á: Processo n" 10280.003750/2003-49 83-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.228 Fl. 69 V— área efetivamente utilizada, a porção do imóvel que no ano anterior tenha: (...) c) sido objeto de exploração extrativa, observados os índices de rendimento por produto e a legislação ambiental; (..-) VI — Grau de Utilização, a relação percentual entre a área efetivamente utilizada e a área aproveitável. ! G.) §5° Na hipótese de que trata a alínea "c" do inciso V do §1 0, será considerada a área total objeto de plano de manejo sustentado, desde que aprovado pelo órgão competente, e cujo cronograma esteja sendo cumprido pelo contribuinte." Assim, para que o contribuinte goze da isenção prevista na novel legislação, acima transcrita, deverá carrear os autos com a Autorização para a Exploração de PMFS, documento este concedido pelo 1BAMA. No caso em tela, o contribuinte anexou a referida autorização, entretanto, está refere-se ao período de 04/1997 a 04/1998, não abrangendo assim o exercício sobre o qual recaí a autuação, exercício 1999, ano-calendário 1998. E o cumprimento da diligência pelo 1BAMA corroborou as informações constantes nos autos, ou seja, o contribuinte não possuía autorização para executar o Plano de Manejo no exercício de 1999. ,,, Portanto, diante dos fatos, entendo que a área Exploração Extrativa não , deverá ser restabelecida. ! Por todo exposto, NEGO PROVIMENTO ao presente Recurso Voluntário. ! Sala das Sessões, em 19 d • nho de 2009. N2TON L 4 BARTOL1 - elator2t gi 4 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1
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Numero do processo: 10860.900722/2008-55
Data da sessão: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004
Ementa: ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO
NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO
INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
DILIGÊNCIA. PRODUÇÃO PROBATÓRIA.
A realização de diligências reserva-se à elucidação de pontos duvidosos ou não suficientemente esclarecidos nos autos, não se prestando para a produção de provas que toca à parte produzir.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004
Ementa: COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3803-003.392
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004 Ementa: ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILIGÊNCIA. PRODUÇÃO PROBATÓRIA. A realização de diligências reserva-se à elucidação de pontos duvidosos ou não suficientemente esclarecidos nos autos, não se prestando para a produção de provas que toca à parte produzir. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004 Ementa: COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004 Ementa: ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILIGÊNCIA. PRODUÇÃO PROBATÓRIA. A realização de diligências reservase à elucidação de pontos duvidosos ou não suficientemente esclarecidos nos autos, não se prestando para a produção de provas que toca à parte produzir. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004 Ementa: COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente e Relator Fl. 200DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por A LEXANDRE KERN 2 Participaram ainda do presente julgamento os conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório SOCOTHERM BRASIL S.A. transmitiu a Declaração de Compensação (Dcomp) nº 37087.14413.15120411.3.046589, pretendendo extinguir débitos próprios, montantes a R$ 141.159,52, com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior de Cofins. A DRF/TaubatéSP emitiu Despacho Decisório Eletrônico, por meio da qual deixou não homologou a compensação porque o pagamento invocado estava integralmente utilizado na quitação de débito espontaneamente confessado pelo contribuinte. Irresignado, o declarante interpôs reclamação, alegando que procedeu a revisão dos cálculos do PIS e da Cofins não cumulativos, em decorrência do reconhecimento diferenciado de receitas de vendas oriundas de contrato de longo prazo assinado anteriormente a 31 de outubro de 2003, que deveriam ser tributados pelo regime cumulativo do PIS e da Cofins, segundo as regras instituídas pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e apresentando resumo da posição de PIS e Cofins apurados no ano de 2004 e demonstrativo de apuração das contribuições. Explica que não procedeu à retificação das DCTF e dos DACON respectivos porque a edição do Despacho Decisório ora guerreado o impediu. Fundada na consideração de inexistiam provas do direito creditório nos autos, a DRJ/CPS9ª Turma julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente e manteve o Despacho Decisório da DRF/Taubaté. O Acórdão 05036.000, de 28 de novembro de 2011, fls. 126 a 128, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004 DCOMP. CREDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito credit6rio, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. 0 reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito credit6rio não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 9ª Turma da DRJ/CPS. O arrazoado de fls. 142 a 151, após síntese dos fatos relacionados com a lide, invoca o princípio da verdade material, que deve informar os processos administrativos e insiste na obrigação do Fisco de perquirir acerca do fato gerador da obrigação tributária. Explica que possui toda a documentação necessária à comprovação dos fatos relacionados com a Fl. 201DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 10860.900722/200855 Acórdão n.º 380303.392 S3TE03 Fl. 201 3 reapuração das contribuições que procedeu, mas que não os aportou aos autos porque os documentos que comprovam essas operações perfazem um acervo bastante volumoso, daí porque a inviabilidade logística de sua apresentação por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade e do recurso ora sub judice. Diz instrui seu recurso, a título exemplificativo, com o Dacon retificador. Requer a realização de diligência para o fim de comprovar as suas alegações. Conclui, requerendo: a) seja o feito convertido em diligência para que seja comprovado todo o alegado, e; b) seja reconhecido integralmente o direito ao crédito apresentado, homologandose a compensação declarada. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 142 a 151 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJCPS9ª Turma nº 05036.000, de 28 de novembro de 2011. Matéria de extremada importância em sede processual é a referente à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas. Com efeito, da delimitação do onus probandi depende a definição de grande parte das responsabilidades processuais. Assim é nas relações de direito privado e, igualmente, nas relações de direito público, dentre as quais as relacionadas à imposição tributária. Neste campo, a legislação processual administrativotributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o principio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim é que, nos casos de lançamentos de oficio, não basta a afirmação, por parte da autoridade fiscal, de que ocorreu o ilícito tributário; pelo contrário, é fundamental que a infração seja devidamente comprovada, como se depreende da parte final do caput do artigo 9° do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que determina que os autos de infração e notificações de lançamento "deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito". De outro lado, ao contribuinte a legislação impõe o ônus de provar o que alega em face das provas carreadas pela autoridade fiscal, como expresso no inciso III do artigo 16 do mesmo Decreto nº 70.235, de 1972, que determina que a impugnação conterá "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". Esse, portanto, o quadro nos lançamentos de oficio: à autoridade fiscal incumbe provar, pelos meios de prova admitidos pelo direito, a ocorrência do ilícito; ao contribuinte, cabe o ônus de provar o teor das alegações que contrapõe às provas ensejadoras Fl. 202DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por A LEXANDRE KERN 4 do lançamento. Já nos casos de repetição de indébito, entretanto, o quadro resta um pouco modificado, como a seguir se verá. Quando a situação posta se refere à restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, é atribuição do contribuinte a demonstração da efetiva existência do indébito. Tanto é assim que a Instrução Normativa SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008, que rege atualmente os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários, assim expressa em vários de seus dispositivos: Art. 3°A restituição a que se refere o art. 2° poderá ser efetuada: I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF). § I' A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). § 2' Na impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, o requerimento será formalizado por meio do formulário Pedido de Restituição. constante do Anexo I, ou mediante o formulário Pedido de Restituição de Valores Indevidos Relativos a Contribuição Previdenciária, constante cio Anexo II, conforme o caso, aos quais deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. [..1 § 4° Tratandose de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo mediante utilização do programa PER/DCOMP, os documentos a que se refere o § 3° serão apresentados à RFB após intimação da autoridade competente para decidir sobre o pedido. [..1 Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito. inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada. mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Como se percebe, em qualquer dos tipos de repetição é exigida a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como prerrequisito ao conhecimento do pleito. E o que se deve ter por documentos comprobatórios do crédito? Por óbvio que os documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito; sem tal evidenciação, o pedido repetitório fica inarredavelmente prejudicado. É certo que as normas acima transcritas prevêem a realização de diligências, por parte da autoridade fiscal, destinadas à verificação da exatidão das informações trazidas pelos contribuintes, mas é preciso ter em conta que tal previsão não existe com o fim de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim de elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pelo contribuinte/pleiteante; em outras palavras, as Fl. 203DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 10860.900722/200855 Acórdão n.º 380303.392 S3TE03 Fl. 202 5 diligências servem para esclarecer pontos duvidosos específicos, e não para que a autoridade fiscal, diante da falta de comprovação da existência do crédito, supra tal omissão do contribuinte. No caso específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, o contribuinte cumpre o ônus que a legislação lhe atribui, quando traz os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. E tal demonstração, no caso das pessoas jurídicas, está, por vezes, associada a uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros. Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio. Em regra, portanto, cumpre ao contribuinte vincular registros contábeis a documentos fiscais, estabelecendo com clareza a natureza das operações por eles instrumentadas, não lhe sendo lícito simplesmente juntar uma massa de documentos ao processo, sem indicação individualizada de a quais registros se referem. A atividade de "provar" não se limita, no mais das vezes, a simplesmente juntar documentos aos autos; nos casos em que se tem inúmeros registros associados a inúmeros documentos, provar significa associar registros e documentos de forma individualizada, do mesmo modo que, no caso das provas indiciárias, exigese a contextualização dos fatos por via do cruzamento dos indícios. Não é tarefa do julgador contextualizar os elementos de prova trazidos pelo contribuinte no caso de um pedido de restituição, compensação ou ressarcimento, tanto quanto não é contextualizar os elementos de prova trazidos pela autoridade fiscal no âmbito de um lançamento de oficio. Quem acusa deve provar, contextualizando os elementos de prova que evidenciam a infração; da mesma forma, quem pleiteia repetição deve provar a existência do direito creditório, contextualizando os elementos de prova que evidenciam o indébito. Não é lícito ao julgador, tanto em sede de apreciação de lançamento de oficio, quanto em sede de pleito repetitório, dispensar a autoridade lançadora ou o pleiteante, conforme o caso, do ônus que a lei impõe a cada um deles; tanto quanto não lhe é lícito valer se das diligências e perícias para, por vias indiretas, suprir o ônus probatório que cabia a cada parte. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Já as perícias existem para fins de que sejam dirimidas questões para as quais exigese conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria impassível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador. Dentro deste quadro, percebese que quando a Instrução Normativa SRF nº 900, de 2008, acima parcialmente transcrita, prevê a "realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas", não está querendo dizer que, diante de qualquer pleito repetitório apresentado, deve a autoridade fiscal diligenciar para fins de verificar, de oficio, a existência do crédito pleiteado. O que o ato legal quer dizer, e isto sim, é que, apresentado o pedido e constatado que o contribuinte demonstrou, por documentos Fl. 204DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por A LEXANDRE KERN 6 e registros contábeis individualmente associados, a origem dos créditos pleiteados, pode a autoridade fiscal, se dúvidas remanescerem em relação a questões pontuais (natureza da operação em um ou outro registro, falta de clareza de algum documento ou registro etc.), demandar por diligências para dirimir tais dúvidas. Por certo que o ato legal não quer, com a previsão da realização das diligências, transferir para a autoridade fiscal ou para o julgador administrativo a responsabilidade pela produção probatória atribuída originariamente ao contribuinte no caso dos pedidos de repetição de indébito. E é isso que ocorreria, por exemplo, se fossem promovidas diligências no caso, por exemplo, em que o contribuinte, junto com seu pleito, traz apenas uma listagem genérica de créditos e uma massa de documentos fiscais sem vinculação recíproca; neste caso, a promoção das diligências estaria suprindo, irregularmente, a omissão do contribuinte, o que não é processualmente admissível. De se ressaltar, igualmente, que o fato de o processo administrativo ser informado pelo principio da verdade material, em nada macula tudo o que foi até aqui dito. É que o referido princípio destinase a busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de, por via de diligências, produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento e por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito repetitório seja proposto sem a minudente demonstração e comprovação da existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento e por via de diligências, se oportunize tais demonstração e comprovação. Por fim, da mesma forma que não se pode usar as diligências como meio de suprir o ônus probatório não cumprido pelas partes, também não se pode exigir que o julgador da questão controversa promova, ele próprio, a contextualização dos elementos de prova juntados ao processo. Por exemplo, usandose o caso já acima referido, se o contribuinte, para consubstanciar seu pleito repetitório, limitase a fornecer um demonstrativo de créditos em que não aparecem individualmente associados registros e documentos, não cabe ao julgador deter se sobre a massa de documentos e buscar, ele próprio, fazer aquilo que o contribuinte deveria ter feito. Ao julgador não cabe fazer a associação dos, não raramente, inúmeros registros e documentos; a ele deve ser oferecido o registro vinculado ao documento que o respalda, para que verifique se aquela operação especifica dá ou não direito ao crédito pleiteado (esta é a sua função: apresentados os documentos que instrumentam um registro, analisar a natureza da operação para fins de deferimento ou não do pleito). A razão pela qual estas considerações são feitas reside no fato de que, além da improcedente alegação do recorrente de que a autoridade fiscal deve exaurir todos os meios de prova, o interessado não apresenta qualquer comprovação do direito creditório, limitandose a apresentar o DACON retificar e, ainda assim, somente nesta fase recursal, quando já não lhe socorre a espontaneidade necessária para que a providência da retificação surta qualquer efeito. O que se quer aqui firmar, portanto, é que não há como, em sede de julgamento administrativo, suprir esta omissão do contribuinte (em termos de cumprimento de seus onus probandi) por via, por exemplo, de diligências ou perícias, já que, como acima já foi exposto, tais institutos não se destinam a tanto. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 10860.900722/200855 Acórdão n.º 380303.392 S3TE03 Fl. 203 7 Não há, nos autos, qualquer prova do alegado direito creditório, ônus que cabia ao recorrente, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: [...] II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Em sede de prova, nada alegar e alegar, mas não provar o alegado se equivalem (allegare nihil et allegatum non probare paria sunt). Nesse sentido, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais.(HABEAS CORPUS Nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(INTERVENÇÃO FEDERAL Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93 116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. 2. Não cabe em mandado de segurança para cobrança de proventos não recebidos, a teor das súmulas 269 e 271 da Suprema Corte. 3. Recurso parcialmente provido. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538)JCPC.333 JCPC.333.II TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de Fl. 206DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por A LEXANDRE KERN 8 fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) À míngua de prova do indébito, o crédito do contribuinte está desvestido dos atributos de liquidez e certeza, exigidos para que se homologue a compensação declarada, nos termos do art. 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional CTN. Com essas considerações, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 21 de agosto de 2012 Alexandre Kern Fl. 207DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 10860.900722/200855 Acórdão n.º 380303.392 S3TE03 Fl. 204 9 Fl. 208DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por A LEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10925.000462/2009-03
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL, DO INFORMALISMO
MODERADO E DA AMPLA DEFESA. OFENSA. INOCORRÊNCIA.
Inocorre ofensa aos princípios da verdade material, do informalismo moderado e da ampla defesa quando a Administração tributária atua em conformidade com a legislação tributária, material e processual, bem como com as informações e os elementos probatórios presentes nos autos.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. INSUMOS.
Na não cumulatividade das contribuições sociais, o elemento de valoração é o total das receitas auferidas, o que engloba todo o resultado das atividades que constituem o objeto social da pessoa jurídica, e o direito ao creditamento alcança todos os bens e serviços, úteis ou necessários, utilizados como insumos diretamente na produção, e desde que efetivamente absorvidos no
processo produtivo que constitui o objeto da sociedade empresária.
MATERIAL DE EMBALAGEM. DIREITO AO CRÉDITO.
No regime da não cumulatividade da contribuição para o PIS e da Cofins, há direito à apuração de créditos sobre as aquisições de bens utilizados na embalagem para transporte, cujo objetivo é a preservação das características do produto vendido.
MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO.
SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. DIREITO A CRÉDITO.
Os valores referentes a serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, para manutenção das máquinas e equipamentos empregados na produção de bens destinados à venda podem compor a base de cálculo dos créditos a serem descontados da contribuição não cumulativa, desde que respeitados todos os demais requisitos legais atinentes à espécie.
BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS
UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. DEPRECIAÇÃO. DIREITO A
CRÉDITO.
Em relação aos bens do ativo imobilizado, com expectativa de utilização no processo produtivo por mais de um ano, os créditos serão calculados com base no valor do encargo de depreciação incorrido no período, observados os demais requisitos exigidos pela lei.
CREDITAMENTO. BENS CONSUMIDOS DURANTE O PROCESSO
PRODUTIVO. INSUMOS.
Dão direito a crédito as aquisições de insumos consumidos durante o processo produtivo na marcação das matérias-primas e dos produtos finais fabricados, bem como na proteção das máquinas utilizadas no setor produtivo.
Numero da decisão: 3803-003.206
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade arguida e, no mérito, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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OFENSA. INOCORRÊNCIA. Inocorre ofensa aos princípios da verdade material, do informalismo moderado e da ampla defesa quando a Administração tributária atua em conformidade com a legislação tributária, material e processual, bem como com as informações e os elementos probatórios presentes nos autos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. INSUMOS. Na não cumulatividade das contribuições sociais, o elemento de valoração é o total das receitas auferidas, o que engloba todo o resultado das atividades que constituem o objeto social da pessoa jurídica, e o direito ao creditamento alcança todos os bens e serviços, úteis ou necessários, utilizados como insumos diretamente na produção, e desde que efetivamente absorvidos no processo produtivo que constitui o objeto da sociedade empresária. MATERIAL DE EMBALAGEM. DIREITO AO CRÉDITO. No regime da não cumulatividade da contribuição para o PIS e da Cofins, há direito à apuração de créditos sobre as aquisições de bens utilizados na embalagem para transporte, cujo objetivo é a preservação das características do produto vendido. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. DIREITO A CRÉDITO. Os valores referentes a serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, para manutenção das máquinas e equipamentos empregados na produção de bens destinados à venda podem compor a base de cálculo dos Fl. 592DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS 2 créditos a serem descontados da contribuição não cumulativa, desde que respeitados todos os demais requisitos legais atinentes à espécie. BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. DEPRECIAÇÃO. DIREITO A CRÉDITO. Em relação aos bens do ativo imobilizado, com expectativa de utilização no processo produtivo por mais de um ano, os créditos serão calculados com base no valor do encargo de depreciação incorrido no período, observados os demais requisitos exigidos pela lei. CREDITAMENTO. BENS CONSUMIDOS DURANTE O PROCESSO PRODUTIVO. INSUMOS. Dão direito a crédito as aquisições de insumos consumidos durante o processo produtivo na marcação das matériasprimas e dos produtos finais fabricados, bem como na proteção das máquinas utilizadas no setor produtivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade arguida e, no mérito, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Florianópolis/SC, que julgou apenas parcialmente procedente a Manifestação de Inconformidade do contribuinte, esta apresentada em oposição ao despacho decisório da repartição de origem que homologara em parte a compensação pleiteada por meio de PER/DCOMPs, cujo direito creditório reclamado monta o valor de R$ 6.046,53. Submetidos os pedidos à apreciação da repartição de origem, esta, amparada em esclarecimentos prestados pela pessoa jurídica e em documentos fiscais apresentados, homologou parcialmente a compensação pleiteada, tendo sido constatados pela Fiscalização os seguintes fatos: a) a atividade da sociedade empresária é a produção de portas de madeira; Fl. 593DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10925.000462/200903 Acórdão n.º 380303.206 S3TE03 Fl. 2 3 b) somente foram considerados insumos para fins de creditamento as matériasprimas, os produtos intermediários, o material de embalagem – este somente em relação às embalagens de apresentação – e os serviços e outros bens que, efetivamente aplicados ou consumidos na produção, tenham sofrido alterações durante o processo produtivo e tenham sido adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; c) as glosas efetuadas referiramse a insumos que não se agregaram aos produtos produzidos ou aos serviços prestados, não se configurando como aplicados ou consumidos diretamente na produção; d) os insumos identificados como contador de segurança, retentor 501 3M, serviço de engenharia mecânica, serviço de conserto de motor, mesa, moto redutor, peneira PDK220, unidade de lubrificação, rodas de vagonete, grampeador, controle programável, pistola do aplicador de cola, conserto de prato etc. foram considerados como “imobilizáveis”, passíveis de depreciação, tendo em vista que contribuem para mais de um exercício; e) as embalagens utilizadas exclusivamente para o transporte de mercadorias não compõem o processo de industrialização, em razão do que não foram acolhidos os créditos decorrentes das aquisições de fita adesiva, fita uniflec, filme película (STRETCH), película polietileno, embalagem p/parquet, chapas de papelão s/dobras e s/impressão, embalagem de papelão (fundo e tampo), sacos plásticos, tiras de papelão, fita gomada perfurada, embalagem plástica, embalagem papelão (bobina) etc.; f) glosaramse, também, a título de insumos, outros materiais que não se agregam aos produtos produzidos, constituindose, embora necessários ao processo produtivo, gastos normais ou necessários às atividades empresariais, a exemplo de: lápis de carpinteiro, tapete plástico, solução de limpeza acetona, label, leibls modulo 194, labels, etiquetas adesiva aprovado/aproved, identificação de pacotes, tinta p/carimbo, lápis estaca preto, foto sensor difuso, colmeia, solução de limpeza 5 litros, marcador esferográfico, papel manteiga 900 mm, etiquetas life time Warranty, etiquetas model, tingidor amarelo, selo personalizado FSC, instrução J.B.Kind, locação de retro escavadeira/caminhão, etc.; g) desconsideraramse, ainda, os insumos importados, os insumos não sujeitos à incidência das contribuições e as aquisições submetidas ao drawback ou referentes a serviços internacionais de courier; h) foram glosados os encargos de depreciação decorrentes de bens não utilizados na produção. A autoridade administrativa de origem acolheu as constatações da Fiscalização, tendo, por meio de despacho decisório, homologado parcialmente as compensações pleiteadas. Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento total dos créditos pleiteados, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: 1) ofensa ao princípio da não cumulatividade, tendo em vista que a lei ordinária não poderia dispor sobre a não cumulatividade das contribuições em razão do status constitucional impingido pela Emenda Constitucional nº 42/2003, inexistindo no texto constitucional qualquer limite a sua operacionalização; Fl. 594DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS 4 2) considerando que as contribuições incidem sobre a totalidade das receitas, os créditos decorrentes também devem ser calculados sobre os custos e despesas gerais e necessários à obtenção da receita; 3) de acordo com a legislação, os créditos são calculados sobre os bens e serviços utilizados na linha de produção, necessários à obtenção dos produtos finais; 4) nas regras aplicáveis à Cofins e ao PIS não cumulativos, inexiste distinção entre “embalagens de apresentação” e “embalagens de transporte”; 5) diferentemente do alegado pela Fiscalização, houve, sim, glosas em relação a embalagens de apresentação; 6) as embalagens para transporte, em face da impossibilidade de sua reutilização, são insumos consumidos na fase final da industrialização (acondicionamento), inexistindo restrição legal à apuração de créditos em suas aquisições; 7) acatase a glosa de máquinas e equipamentos, mas se contrapõe à glosa de outros itens diversos destinados à manutenção de máquinas e equipamentos utilizados na fabricação de portas, itens esses que sofrem grande desgaste no processo de industrialização, necessitando de reposições regulares, assim como ocorre em relação aos serviços de manutenção, casos em que não ocorre aumento da vida útil dos equipamentos empregados na produção; 8) os outros insumos – solução de limpeza acetona, colmeia, tapete plástico, lápis carpinteiro, lápis estaca, marcador esferográfico, solução diluente, tingidor amarelo e tinta para carimbos – são próprios da indústria madereira, sendo utilizados na fabricação de portas; 9) os serviços utilizados como insumos, cuja relação elaborada pela Fiscalização engloba também outros bens utilizados como insumos, são necessários ao processo produtivo; 110 todas as máquinas e equipamentos, bens do ativo imobilizado, são utilizados na produção. A DRJ Florianópolis/SC julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Anocalendário: 2006 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. Para efeito da nãocumulatividade das contribuições, há de se entender o conceito de insumo não de forma genérica, atrelando o à necessidade na fabricação do produto e na consecução de sua atividadefim (conceito econômico), mas adstrito ao que determina a legislação tributária (conceito jurídico), vinculando a caracterização do insumo à sua aplicação direta ao produto em fabricação. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Fl. 595DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10925.000462/200903 Acórdão n.º 380303.206 S3TE03 Fl. 3 5 As embalagens de apresentação geram direito aos créditos relativos as suas aquisições, sendo consideradas como tais aquelas que se integram ao produto durante o processo de industrialização e tenham como finalidade a apresentação do produto ao consumidor final, contendo rótulos destinados ao propósito de promover ou valorizar o produto. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. PARTES E PEÇAS DE REPOSIÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição que sofram desgaste ou dano ou a perda de propriedades fisicas ou químicas, utilizadas em máquinas e equipamentos que efetivamente respondam diretamente por todo o processo de fabricação dos bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no Pais, geram direito à apuração de créditos a serem descontados do PIS/Pasep, desde que não estejam obrigadas a serem incluidas no ativo imobilizado, nos termos da legislação vigente. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. ATIVO IMOBILIZADO. DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Apenas os bens do ativo permanente que estejam diretamente associados ao processo produtivo é que geram direito a crédito, a título de depreciação, no âmbito do regime da não cumulatividade. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITORIO. ONUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito especifico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 ILEGALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTANCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no Pais, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Fl. 596DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS 6 Direito Creditório Reconhecido em Parte O relator a quo, após discorrer sobre o ônus da prova e o conceito de insumos, conclui quanto à manifestação de inconformidade da seguinte forma: a) em razão do caráter vinculado da atuação da Administração Pública, esta não pode se esquivar de cumprir as leis e os atos normativos sob o argumento de inconstitucionalidade ou de ilegalidade; b) existe respaldo legal para a distinção entre “embalagens de apresentação” e “embalagens para transporte”, havendo o direito de creditamento somente em relação ao material de embalagem que se integra ao produto final durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), o que exclui aquelas incorporadas somente após a conclusão do processo produtivo, como ocorre com as embalagens para trasnporte; c) em relação às embalagens consideradas pela Fiscalização como sendo para transporte, constatou o relator que parte delas se refere a embalagens finais de portas e de alguns artefatos de madeira, contendo indicações promocionais com o objetivo de realçar os produtos, o que confirmaria a assertiva do contribuinte de que os referidos materiais de embalagens não só acondicionam os produtos, como também garantem o seu fim promocional, em razão do que as caixas de papelão utilizadas para embalar individualmente cada porta e as etiquetas (rótulos) fixadas nas portas demonstrariam as características do produto, integrando se ao produto para apresentação ao consumidor final, gerando, por conseguinte, direito ao cálculo dos créditos respectivos; d) “no âmbito das contribuições para o PIS/Pasep/Cofins não cumulativo, as despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição e com serviços de manutenção em veículos, máquinas e equipamentos empregados diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no pais, geram direito a créditos a serem descontados das contribuições; porém, desde que estas partes e peças de reposição não estejam incluídas no ativo imobilizado. Se estiverem no ativo imobilizado, essas partes e peças deixarão de ser consideradas insumos e poderão gerar créditos decorrentes de depreciação futura, conforme previsto na Lei n° 10.637/2002, art. 3°, inciso VI”. Segundo o relator, o contribuinte não demonstrou a relação existente entre as peças de reposição e as máquinas utilizadas no processo produtivo, o que, por falta de provas, impediria a sua aceitação como itens geradores de crédito; e) constatou o relator que a solução limpeza acetona, diluente misturado na tinta; o marcador esferográfico, para fazer destaque nas etiquetas do produto; o tapete plástico Monguzzi, utilizado em máquina para que a lâmina da faca não encoste no metal; a tinta p/carimbo, utilizada para marcar nas bordas do produto com as especificações; o lápis estaca preto, para fazer marcação direto nos produtos; o lápis carpinteiro, utilizado para fazer marcação direto nos produtos; o sulfato de alumínio branco e sulfato amônio branco, usados como catalizadores em mistura com a cola, em princípio, poderiam ser considerados como insumos para fins de créditos no regime da não cumulatividade, visto serem bens que sofrem alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Contudo, não acatou a tinta para carimbo e o giz escolar, pelo fato de poderem ser também utilizados em atividades não diretamente relacionadas ao processo produtivo; f) em relação a alguns dos demais bens e serviços (identificação de pacotes, etiquetas, labels, conserto de pratos selos personalizados, tinta para carimbo, caixa de papelão), constatou o relator que, no contexto do processo produtivo, eles foram adquiridos de pessoas jurídicas, encontrandose nos autos todas as notas fiscais apontadas pelo contribuinte, em razão Fl. 597DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10925.000462/200903 Acórdão n.º 380303.206 S3TE03 Fl. 4 7 do que foram acatados para fins de geração de créditos. Por outro lado não se acataram os gastos com serviços de engenharia mecânica por não se inserir no conceito de insumo e por ter sido prestado por sócio em seu domicílio; g) no que tange aos encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado, concluiu o julgador de primeira instância que, pela descrição apresentada pelo contribuinte, os bens (motor trifásico, utilizado para sucção de pó e serragem; tira de aço alto carbono, que consiste em peça para silo de armazenagem; desumidificador, para secagem da madeira; rotor, para sucção de pó e resíduos; ciclone, para sucção de pó e resíduos; andaime; impressora; Central de controle e peças p/máquinas Viet, utilizado para o lixamento de portas; coletor de pó; compressor de ar; peças para manutenção e reforma; silo, duto para serragem; motor para empilhadeira; carro hidráulico, utilizado na expedição, como aparelho auxiliar para carga e descarga dos produtos acabados; vassoura mecânica, utilizada na limpeza da fábrica; equipamento filtrante, utilizado como sistema de sucção de pó e resíduos de madeira (serragem) para armazenamento nos silos; empilhadeira, utilizada para o transporte da madeira em diversos setores para o processo de fabricação; aspirador de pó,. utilizado para limpeza da fábrica; mola do agitador Silo, para armazenagem da serragem; motor trifásico componente do sistema de sucção de pó e resíduos de madeira; tira de aço alto carbono, como peça do silo para armazenagem da serragem do processo de produção), em regra, não se caracterizariam como máquinas ou equipamentos utilizados na produção de mercadorias destinadas à venda, no contexto do processo produtivo da empresa, não gerando, por conseguinte, direito ao creditamento, com exceção do bem descrito como "Central de controle e peças para máquinas", utilizado para o lixamento de portas, o qual, caso houvesse nos autos a prova de sua aquisição, poderia ser acatado como bem utilizado na produção. Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho, repisa os argumentos de defesa e requer o total acolhimento do seu pleito, arguindo, em preliminar, ofensa aos princípios da verdade real e da ampla defesa, pelo fato de que a autoridade julgadora de piso procedera à tarifação das provas, exigindo comprovações desnecessárias ou impossíveis de serem cumpridas, contrariando o princípio do informalismo mitigado que vigora do processo administrativo. Alternativamente, requer o Recorrente que se realize diligência junto à repartição de origem, em razão do fato de que os documentos presentes nos autos foram desconsiderados pela autoridade julgadora. Para se contrapor à decisão de piso, na parte relativa às glosas mantidas, o Recorrente traz aos autos cópias das notas fiscais de aquisição de peças de reposição e de serviços de manutenção, de bens do ativo imobilizado, bem como de fotografias que os identificam. Por fim, requer que as intimações sejam enviadas ao endereço do seu mandatário. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Fl. 598DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS 8 O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, tratase de pedido de ressarcimento cumulado com declarações de compensação, em que o interessado pretende se valer de créditos apurados na sistemática da não cumulatividade da contribuição para quitar débitos de sua titularidade. A autoridade julgadora de primeira instância manteve em parte a decisão da repartição de origem, restando controvertidos neste grau de recurso os créditos glosados pela Fiscalização relativos a: a) produtos utilizados em embalagens para transporte (fita adesiva, fita uniflec, filme película (STRETCH), película polietileno, embalagem p/parquet, chapas de papelão s/dobras e s/impressão, embalagem de papelão (fundo e tampo), sacos plásticos, tiras de papelão, fita gomada perfurada, embalagem plástica, embalagem papelão (bobina) etc.); b) peças de reposição (moto redutor, foto sensor, roda de vagonete, dentre outros), serviços de manutenção de máquinas, equipamentos e veículos e serviços de engenharia mecânica prestados no domicílio do sócio; c) outros bens: tinta para carimbo, tapete plástico, solução de limpeza acetona, lápis carpinteiro, lápis estaca, marcador esferográfico e tingidor amarelo; d) encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado (motor trifásico, tira de aço alto carbono, desumidificador, rotor, ciclone, andaime, impressora, Central de controle e peças p/máquinas Viet, coletor de pó, compressor de ar, peças para manutenção e reforma, silo, duto para serragem, motor para empilhadeira, carro hidráulico, vassoura mecânica, equipamento filtrante, empilhadeira, aspirador de pó, tira de aço alto carbono). De início, devese registrar que a presente análise, no que tange aos elementos fáticos controvertidos, terá como base as planilhas elaboradas pelo agente fiscal no Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal, contendo todos os dados das notas fiscais de aquisição de produtos e serviços apresentadas pelo contribuinte na repartição de origem (nº do documento, data da operação, valor de aquisição, emissor, identificação do bem/serviço etc.), independentemente dos documentos trazidos posteriormente aos autos, por amostragem, para subsidiar os argumentos de defesa do ora Recorrente. No que tange ao pedido do Recorrente no sentido de se enviarem as intimações ao endereço do seu mandatário, há que se registrar que o Decreto nº 70.235/1972, em seu art. 23, inciso II, estipula que a intimação por via postal deve ser enviada ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, que corresponde àquele presente no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ), cuja atualização compete ao contribuinte. Quanto ao pedido alternativo de realização de diligência, temse por desnecessária a sua efetivação, uma vez que, conforme se verá ao longo do presente voto, todas as informações e os documentos presentes nos autos são suficientes para o convencimento deste julgador. I. Preliminar. Ofensa aos princípios da verdade real, do informalismo mitigado e da ampla defesa. De início, destaquese que não se vislumbra nos autos que a autoridade administrativa tenha afrontado quaisquer dos princípios apontados pelo Recorrente. Fl. 599DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10925.000462/200903 Acórdão n.º 380303.206 S3TE03 Fl. 5 9 Toda a análise efetuada pelo relator a quo se baseou nos documentos e nas informações presentes nos autos, não tendo havido qualquer cerceamento ao direito de defesa do contribuinte. O alegado princípio do informalismo mitigado se refere à possibilidade de a Administração Pública e os administrados atuarem no processo administrativo sem os rigores formais do processo judicial, adotandose formas simples, suficientes para garantir o adequado grau de certeza e segurança, respeitadas as formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados (art. 2º, incisos VIII e IX, da Lei nº 9.784/1999), o que não significa que seja dispensada a comprovação dos fatos alegados pela parte interessada. Para que se aplique o princípio da verdade material, ou verdade real, conforme aponta o Recorrente, para além da possibilidade de a Administração tributária agir de ofício na elucidação dos fatos, há a necessidade de se ter presente nos autos o conjunto probatório que ateste os fatos alegados pelo interessado, sob pena de se conceber tal princípio como um direito genérico de contraposição às constatações da Administração tributária, mesmo quando estas se realizam com base nos fatos efetivamente apurados. Como a verdade material se funda no princípio da legalidade, para a ela se chegar, devese partir tanto dos fatos apurados de ofício pela Administração tributária, quanto pelas provas produzidas pela parte, no que tange aos direitos por ela invocados, de forma a se garantir a aplicação da lei nos exatos termos de sua normatividade. Tanto a repartição de origem quanto a delegacia de julgamento externaramse com base nos documentos e informações presentes nos autos, reportandose às normas da legislação aplicável. Não se vislumbra, portanto, qualquer ofensa aos princípios apontados, inclusive o da ampla defesa, pois, em nenhum momento deste processo, foi obstaculizado o direito do Recorrente de se pronunciar e de produzir as provas dos fatos por ele alegados, tendo sido observadas todas as normas regidas pelo Decreto nº 70.235/1972, que regula o processo administrativo fiscal. Nesse sentido, afastase a preliminar de afronta aos princípios da verdade material, do informalismo moderado e da ampla defesa. II. Creditamento. Insumos. Bens e serviços. Conforme acima relatado, a Fiscalização glosou créditos calculados sobre determinados bens e serviços não abrangidos pelo conceito de insumos estabelecido pela IN SRF n° 404/2004, ou seja, aqueles não consumidos ou aplicados diretamente na fabricação dos bens e produtos destinados à venda. De início, devese registrar que a não cumulatividade aplicada às contribuições sociais para o PIS e Cofins não se confunde com a não cumulatividade dos impostos IPI e ICMS. Nesta, além da origem constitucional, diferentemente da não cumulatividade das contribuições de origem legal, a sistemática do encontro de contas entre débitos e créditos referese ao ciclo de produção ou de comercialização de um produto ou mercadoria. Fl. 600DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS 10 Na não cumulatividade do IPI, por exemplo, o direito ao creditamento refere se às aquisições de insumos que serão aplicados nos produtos industrializados que serão comercializados pelo contribuinteindustrial, encontrandose circunscrita a não cumulatividade à produção do bem. O imposto pago na aquisição de insumos encontrase destacado na nota fiscal e será ele, e tão somente ele, que dará direito ao creditamento. No processo produtivo de um bem, há eventos de natureza física; enquanto que no auferimento de receitas, temse um complexo de atividades envolvidas que extrapola os elementos físicos para alcançar, também, os elementos funcionais relevantes. Na não cumulatividade das contribuições, o elemento de valoração não é mais o produto ou mercadoria em si considerado, mas o total das receitas auferidas pelos contribuintes, o que engloba todo o resultado da atividade operacional da pessoa jurídica. O fato gerador sob interesse não é apenas a saída ou entrada de uma mercadoria ou produto – o que pode se constituir em parte ínfima da atividade global do sujeito passivo –, mas todo o resultado comercial e financeiro da principal e, muitas vezes, exclusiva, atividade do contribuinte. O regime não cumulativo das contribuições sociais não se refere à recuperação, stricto sensu, dos tributos pagos na etapa anterior da cadeia de produção, mas a um conjunto de bens e serviços definido pelo legislador, “tratandose, em realidade, mais como um crédito presumido do que de uma não cumulatividade” 1. Como nos ensina Marco Aurélio Greco2, ao analisar a previsão legal da não cumulatividade das contribuições, a apuração dos créditos de PIS e Cofins envolve um conjunto de dispêndios “ligados a bens e serviços que se apresentem como necessários para o funcionamento do fator de produção, cuja aquisição ou consumo configura conditio sine qua non da própria existência e/ou funcionamento” da pessoa jurídica. Greco considera, ainda, que o termo “insumo” utilizado pelas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 abrange “os bens e serviços ligados à ideia de continuidade ou manutenção do fator de produção, bem como os ligados à sua melhoria. Ficam de fora da previsão legal os dispêndios que se apresentem num grau de inerência que configure mera conveniência da pessoa jurídica contribuinte (sem alcançar perante o fator de produção o nível de uma utilidade ou necessidade) ou, ainda, que ligados a um fator de produção, não interfiram com o seu funcionamento, continuidade, manutenção e melhoria”. Somente os bens e serviços utilizados de forma direta na produção da pessoa jurídica dão direito ao crédito das contribuições, devendo ser, efetivamente, absorvidos no processo produtivo que constitui o objeto da sociedade empresária. Para a análise da questão posta, necessário se torna reproduzir os dispositivos legais que cuidam da matéria. A Lei nº 10.637/2002, aplicável à contribuição para o PIS na sistemática não cumulativa, assim dispõe: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: 1 ANAN JR., Pedro. A questão do crédito de PIS e Cofins no regime da não cumulatividade. Revista de Estudos Tributário. Porto Alegre: v. 13, n. 76, nov/dez 2010, p. 38. 2 GRECO, Marco Aurélio. Nãocumulatividade no PIS e na COFINS. In: PAULSEN, Leandro (coord.). Não cumulatividade das contribuições PIS/PASEP e COFINS. IET e IOB/THOMSON, 2004. Fl. 601DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10925.000462/200903 Acórdão n.º 380303.206 S3TE03 Fl. 6 11 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o; e (Redação dada pela Medida Provisória nº 413, de 2008) Produção de efeitos a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) Fl. 602DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS 12 IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) § 1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Vigência) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos IV, V e IX do caput, incorridos no mês; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. § 4o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. § 5o (VETADO) § 6o (VETADO) § 7o Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da contribuição para o PIS/Pasep, em relação Fl. 603DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10925.000462/200903 Acórdão n.º 380303.206 S3TE03 Fl. 7 13 apenas a parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. (Vide Lei nº 10.865, de 2004) § 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I – apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II – rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 9o O método eleito pela pessoa jurídica será aplicado consistentemente por todo o anocalendário, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. (...) § 13. Não integram o valor das máquinas, equipamentos e outros bens fabricados para incorporação ao ativo imobilizado na forma do inciso VI do caput deste artigo os custos de que tratam os incisos do § 2o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) A Lei nº 10.833/2003, aplicável à Cofins e à contribuição para o PIS na sistemática não cumulativa, disciplina a matéria nos seguintes termos: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)(Vide Medida Provisória nº 413, de 2008) (Vide Lei nº 11.727, de 2008). b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao Fl. 604DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS 14 concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo e no § 1o do art. 52 desta Lei, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) (Vide Lei nº 10.925, de 2004) § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeito) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; Fl. 605DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10925.000462/200903 Acórdão n.º 380303.206 S3TE03 Fl. 8 15 IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. § 4o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. (...) § 7o Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 9o O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito, na forma do § 8o, será aplicado consistentemente por todo o anocalendário e, igualmente, adotado na apuração do crédito relativo à contribuição para o PIS/PASEP não Fl. 606DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS 16 cumulativa, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. § 10. O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para dedução do valor devido da contribuição. (...) § 13. Deverá ser estornado o crédito da COFINS relativo a bens adquiridos para revenda ou utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, que tenham sido furtados ou roubados, inutilizados ou deteriorados, destruídos em sinistro ou, ainda, empregados em outros produtos que tenham tido a mesma destinação. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 14. Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular o crédito de que trata o inciso III do § 1o deste artigo, relativo à aquisição de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado, no prazo de 4 (quatro) anos, mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas referidas no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de aquisição do bem, de acordo com regulamentação da Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 15. O crédito, na hipótese de aquisição, para revenda, de papel imune a impostos de que trata o art. 150, inciso VI, alínea d da Constituição Federal, quando destinado à impressão de periódicos, será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no § 2o do art. 2o desta Lei (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 16. Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular o crédito de que trata o inciso III do § 1o deste artigo, relativo à aquisição de vasilhames referidos no inciso IV do art. 51 desta Lei, destinados ao ativo imobilizado, no prazo de 12 meses, à razão de 1/12 (um doze avos), ou, na hipótese de opção pelo regime de tributação previsto no art. 52 desta Lei, poderá creditarse de 1/12 (um doze avos) do valor da contribuição incidente, mediante alíquota específica, na aquisição dos vasilhames, de acordo com regulamentação da Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.925, de 2004) § 16. Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular o crédito de que trata o inciso III do § 1o deste artigo, relativo à aquisição de embalagens de vidro retornáveis, classificadas no código 7010.90.21 da Tipi, destinadas ao ativo imobilizado, de acordo com regulamentação da Secretaria da Receita Federal do Brasil: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeito) I – no prazo de 12 (doze) meses, à razão de 1/12 (um doze avos); ou (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeito) II – na hipótese de opção pelo regime especial instituído pelo art. 58J desta Lei, no prazo de 6 (seis) meses, à razão de 1/6 (um sexto) do valor da contribuição incidente, mediante alíquota específica, na aquisição dos vasilhames, ficando o Poder Executivo autorizado a alterar o prazo e a razão estabelecidos Fl. 607DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10925.000462/200903 Acórdão n.º 380303.206 S3TE03 Fl. 9 17 para o cálculo dos referidos créditos. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeito) (...) § 18. O crédito, na hipótese de devolução dos produtos de que tratam os §§ 1o e 2o do art. 2o desta Lei, será determinado mediante a aplicação das alíquotas incidentes na venda sobre o valor ou unidade de medida, conforme o caso, dos produtos recebidos em devolução no mês. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) (Vide Medida Provisória nº 413, de 2008) (Vide Lei nº 11.727, de 2008). 19. A empresa de serviço de transporte rodoviário de carga que subcontratar serviço de transporte de carga prestado por: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) I – pessoa física, transportador autônomo, poderá descontar, da Cofins devida em cada período de apuração, crédito presumido calculado sobre o valor dos pagamentos efetuados por esses serviços; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II pessoa jurídica transportadora, optante pelo SIMPLES, poderá descontar, da Cofins devida em cada período de apuração, crédito calculado sobre o valor dos pagamentos efetuados por esses serviços. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) § 20. Relativamente aos créditos referidos no § 19 deste artigo, seu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor dos mencionados pagamentos, de alíquota correspondente a 75% (setenta e cinco por cento) daquela constante do art. 2o desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) § 21. Não integram o valor das máquinas, equipamentos e outros bens fabricados para incorporação ao ativo imobilizado na forma do inciso VI do caput deste artigo os custos de que tratam os incisos do § 2o deste artigo. (Incluído dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I nos incisos I e II do § 3o do art. 1o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1o e 10 a 20 do art. 3o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) Na sequência, passase à análise das glosas e alterações efetuadas pela Fiscalização e mantidas pela Delegacia de Julgamento. II.a – Produtos utilizados em embalagens para transporte. Fl. 608DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS 18 A Delegacia de Julgamento manteve as glosas de créditos efetuadas pela Fiscalização relativamente às embalagens para transporte, englobando os seguintes produtos: fita adesiva, fita uniflec, filme película (STRETCH), película polietileno, embalagem p/parquet, chapas de papelão s/dobras e s/impressão, embalagem de papelão (fundo e tampo), sacos plásticos, tiras de papelão, fita gomada perfurada, embalagem plástica, embalagem papelão (bobina) etc. A DRJ baseouse na legislação do IPI que faz a distinção entre “embalagens de apresentação” e “embalagens de transporte”, considerando que somente as primeiras, por serem consumidas durante o processo produtivo, dão direito ao creditamento. Não comungo desse entendimento Tendo por fundamentos os dispositivos legais que regem a matéria, precipuamente o inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, bem como o requisito de utilidade ou necessidade para a produção, concluise, diferentemente da repartição de origem e da delegacia de julgamento, que dão direito ao creditamento, desde que adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País, que tenham sido tributados pela contribuição na aquisição e que estejam comprovados com documentação hábil e idônea, os produtos identificados, utilizados na embalagem e no transporte dos bens produzidos pela pessoa jurídica, configurandose itens necessários à distribuição e à comercialização da produção. Além disso, justificase a apuração de créditos nas aquisições de material de embalagem para transporte pelo fato de que tais bens destinamse à preservação das características dos produtos durante o transporte até os pontos de venda. Por se tratar de portas de madeira, a realização do seu transporte sem o cuidado devido pode comprometer a integridade dos produtos finais, já vendidos no momento do transporte, o que torna o material de embalagem elemento imprescindível à efetivação do negócio nas condições pactuadas. A Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) já decidiu nesse sentido, quando do julgamento do Agravo Regimental no Recurso Especial nº 1.125.253, ocorrido em 15 de abril de 2010, cujo acórdão restou ementado da seguinte forma: “PROCESSUAL CIVIL TRIBUTÁRIO PIS/ COFINS NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos. Fl. 609DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10925.000462/200903 Acórdão n.º 380303.206 S3TE03 Fl. 10 19 Também o CARF já decidiu nesse sentido, conforme se depreende da ementa a seguir reproduzida: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 (...) Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 NÃO CUMULATIVIDADE. MATERIAIS DE EMBALAGEM. DIREITO AO CRÉDITO. No regime da nãocumulatividade do PIS e Cofins as indústrias de móveis têm direito a créditos sobre aquisições de materiais de embalagem, como etiquetas adesivas, chapas de papelão ondulado, cantoneiras, filme stretch e fita de aço, por constituírem insumos vinculados aos produtos fabricados. (...) (Acórdão nº 3401001.585 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 1º de setembro de 2011). Portanto, uma vez comprovado que os produtos identificados como fita adesiva, fita uniflec, filme película (STRETCH), película polietileno, embalagem p/parquet, chapas de papelão s/dobras e s/impressão, embalagem de papelão (fundo e tampo), sacos plásticos, tiras de papelão, fita gomada perfurada, embalagem plástica, embalagem papelão (bobina) etc. tenham sido adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País, tributados pela contribuição e utilizados na embalagem para transporte dos bens produzidos pelo Recorrente, sua aquisição deve ser considerada na apuração dos créditos devidos. II.b Peças de reposição e serviços de manutenção em máquinas utilizadas no processo produtivo. Foram glosados pela Fiscalização os créditos decorrentes da aquisição de peças de reposição, identificadas como “moto redutor, foto sensor, roda de vagonete, dentre outros”, os serviços de manutenção prestados em máquinas, por terem sido considerados como bens “imobilizáveis”, passíveis de depreciação, tendo em vista que contribuem para mais de um exercício e serviços de engenharia mecânica prestados no domicílio do sócio, por não se configurarem como insumos. A Delegacia de Julgamento manteve a glosa, sob o fundamento de que o contribuinte não comprovara a relação existente entre as peças de reposição e as máquinas utilizadas no processo produtivo, o que, por falta de provas, impediria a sua aceitação como itens geradores de crédito. Segundo o Recorrente, os bens dispendidos e os serviços com reformas, reparos ou retíficas destinamse à manutenção de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo, não sendo passíveis de imobilização, por sofrerem grande desgaste na fabricação de portas, batentes e guarnições, necessitando de reposições regulares, de forma a manter as máquinas em condições normais de funcionamento. Fl. 610DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS 20 O Recorrente reproduz algumas soluções de consulta da Receita Federal, em que se consigna que “[as] ferramentas adquiridas para utilização em máquinas da linha de produção, a contratação de mãodeobra de pessoas juridicas para operação e manutenção de equipamentos da linha de produção (...) são considerados insumos, para fins de creditamento da Cofins” (Solução de Consulta Disit08 nº 30/2010). Tal entendimento consta de algumas outras soluções de consulta, como a de nº 420, de 5 de dezembro de 2010, publicada na Seção 1 do Diário Oficial da União de 2 de fevereiro de 2011, em que se registrou que “[os] valores referentes a serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, para manutenção das máquinas e equipamentos empregados na produção de bens destinados à venda, podem compor a base de cálculo dos créditos a serem descontados da Cofins nãocumulativa, desde que respeitados todos os demais requisitos normativos e legais atinentes à espécie”. Constatase, portanto, que a própria Administração tributária concebe que as ferramentas e os serviços de manutenção de máquinas utilizadas no processo produtivo dão direito à apuração de créditos das contribuições na sistemática da não cumulatividade. Junto ao recurso, o contribuinte traz aos autos (doc. 3) outras cópias das notas fiscais de aquisição dos bens, além das que já haviam sido apresentadas na primeira instância, bem como de fotos contendo detalhes de sua utilização na indústria (doc. 4). Com base apenas nas fotos reproduzidas no anexo, não é possível afirmar, peremptoriamente, conforme assegura o Recorrente, que tais bens têm vida útil inferir a um ano – condição para a sua não imobilização –, pois quase todos eles se mostram como bens duráveis, passíveis de utilização por mais de doze meses, cujos valores de aquisição são significativos, denotando tratarse de bens que não se consomem no processo produtivo em período inferior a um ano. Por exemplo, as fotos da pistola aplicadora de cola e da roda de vagonete indicam que tais bens têm um porte considerável, assemelhandose mais a máquinas e equipamentos do ativo imobilizado do que a bens consumidos durante o processo de industrialização. Dessa forma, mostrase mais consentâneo com a realidade dos autos a “imobilização” de tais bens (motorredutor, foto sensor, roda de vagonete, pistola aplicadora de cola, contador de segurança, controlador programável, dentre outros), cujo creditamento se dará a partir de sua depreciação, nos termos fixados na lei. Quanto ao bem identificado como foto sensor, por se tratar de peça de reposição e reparo, ele deve ser acatado por seu valor de aquisição no cálculo do crédito devido. Quanto aos serviços de manutenção de máquinas comprovadamente utilizados na produção, prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no País e submetidos à tributação, eles devem ser considerados como insumos para fins de apuração de créditos da contribuição não cumulativa, conforme já vem decidindo a Receita Federal por meio de soluções de consulta, ressaltandose a exceção relativa aos serviços de engenharia mecânica prestados por sócio da pessoa jurídica em seu domicílio, pelo fato de não atenderem as condições impostas pela lei, dentre elas a prestação do serviço por pessoa jurídica (art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 10.833/2003). Fl. 611DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10925.000462/200903 Acórdão n.º 380303.206 S3TE03 Fl. 11 21 II.c – Outros bens: tinta para carimbo, tapete plástico, solução de limpeza acetona, lápis carpinteiro, lápis estaca, marcador esferográfico e tingidor amarelo. A Fiscalização glosou os créditos relativos às aquisições de outros materiais que, segundo ela, não se agregam aos produtos finais. Alguns desses créditos foram acatados pela Delegacia de Julgamento, tendo sido mantida a glosa em relação a: tinta para carimbo, tapete plástico, solução de limpeza acetona, lápis carpinteiro, lápis estaca, marcador esferográfico e tingidor amarelo. Segundo o Recorrente, tais bens são insumos utilizados na fabricação de portas, eis que se agregam ao produto final, inexistindo razão para as glosas efetuadas. Para o relator a quo, alguns desses bens podem ser também utilizados em atividades não diretamente relacionadas ao processo produtivo, em decorrência do que eles não podem ser considerados como consumidos no processo produtivo. No anexo identificado como doc. 5, o Recorrente reproduz fotos relativas aos bens, em que é possível constatar nas imagens, por exemplo, da tinta para carimbo (recipiente de 1.000 ml e registros na madeira) que ela é utilizada em carimbos destinados a marcar os produtos fabricados com informações relativas ao país de fabricação (Made in Brazil) e à identificação do produto. Quanto ao tapete plástico, da marca italiana Monguzzi, as fotos não estão muito nítidas, mas, considerando a informação do Recorrente de que se trata de produto destinado a proteger as máquinas da lâmina da faca, assim como a constatação da Fiscalização de que se refere a gasto normal e necessário à atividade empresarial, é possível concebêla como um bem utilizado como insumo no processo produtivo, sujeito a desgaste pelo uso constante junto a elementos cortantes. Em razão do material perecível de que é feito (plástico) e do seu baixo custo (ver Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal), é possível concluir que o tapete plástico não é um bem “imobilizável”, mas um bem consumido durante o processo produtivo. No que tange ao lápis de carpinteiro, ao lápis estaca e ao marcador esferográfico, que segundo o Recorrente destinamse a marcar e classificar os produtos, não comungo do mesmo entendimento do relator a quo de que eles podem ser utilizados indistintamente em outros setores da pessoa jurídica, em razão do que não dariam direito a crédito da contribuição, pois, por se tratar o Recorrente de uma fábrica de portas de madeira, não se vislumbra outro uso para tais bens que não a marcação da madeira e dos produtos fabricados, prática essa muito comum em indústrias que têm a madeira como insumo principal. Os demais produtos (solução de limpeza acetona e tingidor amarelo) mostramse plenamente consentâneos com a atividade de fabricação de portas, não se vislumbrando razão ao seu não acatamento, salvo, logicamente, na hipótese de não comprovação de sua aquisição. Diante dessas constatações, acolhese o creditamento relativamente à tinta para carimbo, ao tapete plástico, à solução de limpeza acetona, ao lápis carpinteiro, ao lápis estaca, ao marcador esferográfico e ao tingidor amarelo, observados os demais requisitos impostos pela lei. Fl. 612DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS 22 IId Encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado. A Fiscalização glosou os encargos de depreciação decorrentes de bens considerados não utilizados na produção, a saber: motor trifásico, tira de aço alto carbono, desumidificador, rotor, ciclone, andaime, impressora, Central de controle e peças p/máquinas Viet, coletor de pó, compressor de ar, peças para manutenção e reforma, silo, duto para serragem, motor para empilhadeira, carro hidráulico, vassoura mecânica, equipamento filtrante, empilhadeira, aspirador de pó, tira de aço alto carbono. O recorrente afirmou, em sua manifestação de inconformidade, que todas as máquinas e equipamentos de sua propriedade, bens do ativo imobilizado, são utilizados na produção. Naquele momento, o contribuinte trouxe aos autos a descrição dos referidos bens, que segundo ele, destinamse ao transporte de madeira entre os setores da empresa, à sucção de pó e resíduos, à limpeza da fábrica, ao lixamento da madeira, à carga e descarga de mercadorias etc. (doc. 12). Juntaramse, também, aos autos, cópias de fotos de alguns dos referidos equipamentos (doc. 13), em que se constata tratarse de máquinas e equipamentos, duráveis e de porte considerável, utilizados no processo produtivo da pessoa jurídica. A Delegacia de Julgamento argumentou que, pela descrição apresentada pelo contribuinte, os bens, em regra, não se caracterizam como máquinas ou equipamentos utilizados na produção de mercadorias destinadas à venda, no contexto do processo produtivo da empresa, não gerando, por conseguinte, direito ao creditamento, com exceção do bem descrito como "Central de controle e peças para máquinas", utilizado para o lixamento de portas, o qual, caso houvesse nos autos a prova de sua aquisição, poderia ser acatado como bem utilizado na produção. O Recorrente, em sua defesa, reproduz o Parecer Normativo da Coordenação Geral de Tributação da Receita Federal nº 7/1992, em que se consigna que “como industriais devem ser entendidos (...) as máquinas, aparelhos e equipamentos empregados na produção industrial, em contraposição aos de utilização comercial ou de uso doméstico”. Pelas informações constantes dos autos (descrição dos equipamentos, fotografias, notas fiscais de aquisição etc.), concluo que se trata de equipamentos do ativo imobilizado da pessoa jurídica, utilizados no parque fabril, que, observados os requisitos legais (comprovadamente adquiridos de pessoas jurídicas, submetidos à tributação etc.), encontramse aptos a gerar crédito da contribuição não cumulativa determinado sobre o valor dos encargos de depreciação, exceto em relação à impressora, cujo uso se mostra mais consentâneo com os setores administrativos da pessoa jurídica. III. Conclusão Diante do exposto, voto por PROVER PARCIALMENTE o recurso, para RECONHECER o direito do contribuinte de se creditar, observados os elementos probatórios constantes dos autos, precipuamente aqueles averiguados e atestados pela repartição de origem, identificados no Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal, quanto a: (i) produtos identificados como fita adesiva, fita uniflec, filme película (STRETCH), película polietileno, embalagem p/parquet, chapas de papelão s/dobras e s/impressão, embalagem de papelão (fundo e tampo), sacos plásticos, tiras de papelão, fita gomada perfurada, embalagem plástica, embalagem papelão (bobina) etc., utilizados na embalagem para transporte dos bens produzidos pelo Recorrente; (ii) encargos de depreciação calculados sobre máquinas e equipamentos (motorredutor, foto sensor, roda de vagonete, pistola aplicadora de cola, Fl. 613DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10925.000462/200903 Acórdão n.º 380303.206 S3TE03 Fl. 12 23 contador de segurança, controlador programável, dentre outros) utilizados no processo fabril da pessoa jurídica; (iii) serviços de manutenção das máquinas e equipamentos comprovadamente utilizados na produção, prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no País, ressaltandose a exceção relativa aos serviços de engenharia mecânica prestados por sócio da pessoa jurídica em seu domicílio; e (iv) tinta para carimbo, tapete plástico, solução de limpeza acetona, lápis carpinteiro, lápis estaca, marcador esferográfico e tingidor amarelo. Esclareçase que o provimento parcial se deve, também, ao creditamento com base nos encargos de depreciação de parte das máquinas e dos equipamentos, em relação a qual o Recorrente pretendia se creditar a título de insumos (partes e peças de reposição) com base nos valores de aquisição. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator. Fl. 614DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS 24 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara Processo nº: 10925.000462/200903 Interessada: SINCOL S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 4º do art. 63 e no § 3º do art. 81 do Anexo II, c/c inciso VII do art. 11 do Anexo I, todos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, fica um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, intimado a tomar ciência do Acórdão no 380303.206, de 17 de julho de 2012, da 3a Turma Especial da 3a Seção. Brasília DF, em 17 de julho de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com ciência ( ) Com embargos de declaração ( ) Com recurso especial Em ____/____/______ Fl. 615DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 17546.001177/2007-43
Data da sessão: Tue Jun 08 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Jun 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 01/08/2002
MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
INFORMAÇÕES INCORRETAS EM GFIP.
Não havendo nos autos comprovação da regularidade do procedimento
adotado, deve ser mantida a multa imposta pela Fiscalização.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Credito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2803-000.137
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Segunda Seção de
Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). Ausente o Conselheiro Eduardo Oliveira justificadamente.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE ANDRADE
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FATOS GERADORES. CONSTRUTORA E INCORPORAÇÃO COMODORO LTDA.. DELEGACIA DA RECEITA PREVIDENCIARIA ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 01/08/2002 MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFORMAÇÕES INCORRETAS EM GFIP. Não havendo nos autos comprovação da regularidade do procedimento adotado, deve ser mantida a multa imposta pela Fiscalização. Recurso Voluntário Provido em Parte Credito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros da 3' Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). Ausente o Conselheiro Eduardo Oliveira ,justificadamente, HELTøaWC TèS RAIA DE LIMA — Presidente ()Mar/loll CAROLINA SIL UEIRA MONTEIRO DE ANDRADE - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Oseas Coimbra Júnior, 1 1 Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, Vera Kempers de Moraes Abreu (suplente), Gustavo I Vettorato e Helton Carlos Praia de Lima (presidente), ; Relatório Trata-se de Auto de Infração lavrado contra a empresa Construtora e IncOrporação Comodoro Ltda., em virtude de ter a empresa apresentado Guia de Recolhimento do !undo de Garantia e Informações a Previdência Social — GFIP em desconformidade corn as fOrina1idades especificadas no Manual de Orientação, deixando de informar a ausência de fato 11.,111 gerador para a obra matricula CE! no 50.00184186-73, obra Rodoanel, infringindo o disposto 111 , no artigo 32, inciso IV, § 1° e 3°, da Lei n° 8.212/91, combinado corn o artigo 225, inciso IV, o ecreta' no 1048/99, na competência de agosto de 2002. (1 1 11 Em sede de impugnação (fls. 27/31), a ora Recorrente argüiu que, na competência de agosto de 2002, a mencionada obra já havia sido concluída, razão pela qual 1-.111 rrao l ensejou a ocorrência de fato gerador. Adicionalmente, apresentou a GFIP relativa competência de 0812002 com o código 906, consoante previsão do manual de orientação. 1 , (a) o Recorrente não declarou a existência da obra nos campos próprios conforme ,determinado no Manual da GFIP aprovado pela IN INSS/DC n°, 86/2003; (b) o fato de a obra estar concluida não restou comprovado nos autos, não se sustentando, portanto, a GFIP apresentada com o código 906; e (c) ainda que se considerasse o pedido de cancelamento da multa como 11 relevação, esta também não poderia ocorrer por não ter a Recorrente atendido aos requisitos necessários, quais sejam, a primariedade e a correção da WM. Contra essa decisão, a autuada interpôs Recurso Voluntário (fls.. 44), confirmando a informação trazida pela Fiscalização de que a GFIP não teria sido entregue de acordo com as normas previdencidrias, esclarecendo, contudo, que o equivoco na elaboração terra ocorrido por culpa exclusiva do profissional responsável. Por fim, requereu a empresa a Orientação Ido Fisco sobre a forma correta de cumprimento da referida obrigação acessória. , Em razão da revogação, pelo art. 19 da Medida Provisória n° 413, de 93/01/2008, da norma insculpida nos §§ 1° e 2' do art. 126 da Lei n° 8.213/91, o Recurso VoluntúriO foi interposto sem a realização de deposito recursal. É o relatório. to Conselheira CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE ANDRADE, e atora 0 Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os requisitos de razão pela qual, passo a analisá-lo. Apenas a titulo de esclarecimento, a declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal da exigência de deposito tiréViO, no l valor mínimo de 30% da exigência fiscal, como condição para seguimento do récurso voluntário, deu ensejo à edição da Simula Vinculante nu 21, DOU de 10/11/2009. Quando do julgamento da impugnação, afirmou o i. Auditor Fiscal que: 2 Processo n° 17546 00117712007-43 S2-T £03 Acórdfio ti ° 2803-00.137 Fl 2 I Inicialmente, cumpre ressaltar que não há qualquer discussão nos autos acerca da infração que deu ensejo à lavratura do presente auto de infração, qual seja, o Preenchimento da GFIP com dados incorretos, inexatos ou omissos, especificamente no que diz respeito à ausência de fato gerador para a obra de construção civil, matricula CET n° 50.003,84186-73. A própria Recorrente afirma, em suas razões recursais, que "posa ter havido um equivoco na elaboração pelo profissional responsável, contudo sent anuência da mesma". Nestes termos, não há dúvidas de que a hipótese prevista no art. 32, IV, §§ I° a 3 0, da Lei n° 8.212/91, com a redação dada pela Lei n° 9.528/97, se verificou. A esse "Art. 32. A empresa é também obrigada IV - informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social-INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos .fatos geradm es de contribuição prevideneiciria e outras infOrmações de interesse do INSS; § I" O Poder Executivo poderá estabelecer critérios diferenciados de periodicidade, de formaliza cão ou de dispensa de apresentação do document() a que se refere o inciso IV, para segmentos de empresas ou situações específicos. § 2"As informações constantes do documento de que trata o inciso IV, servirão como base de cálculo das contribuições devidas ao Instituto Nacional do Seguro Social-INSS, bem como comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos beneficias previdenciários. § 3 0 0 regulamento disporá sobre local, data e forma de entrega do d0C11111e171`0 previsto 110 inciso IV" Na decisão proferida pela Delegacia da Receita de Julgamento de Campinas, restou claramente demonstrado que, ao não informar a existência da obra de construção civil, , matrícula CEI n° 50,003.84186-73, a empresa praticou infração A legislação previdencidria, 'incorrendo em descumprimento de obrigação acessória. JA no que diz respeito à suposta .correção da irregularidade apontada, pela apresentação de nova GF1P para a competência de 98/2002, desta vez com a informação do código 906, esclareceu a autoridade coatora que a situação de término da referida obra de construção civil não foi comprovada nos autos. Veja- l e: "Conforme relatado pela fiscalização o contribuinte não informou a ausência de fatos geradores para a obra de construção civil matricula CEI 50.003.84186-73, na competência 08/2002, sendo que em sua peça de defesa junta guia GFIP e informando que a obra já havia sido concluida não havendo fato gerador. respeito, vale conferir o disposto no referido normativo: 3 1 Verifica-se da GFIP juntada as lis. 27/30 que o contribuinte não declarou a existência da obra acima referida, nos campos próprios conforme I determinado no Manual da GFIP 6.0, aprovado pela IN INSS/DC n° 86, de ! 05/02/2003, versão utilizada pelo contribuinte, não corrigindo a falta para fazer jus a atenuação da 'India (- ) Ademais, o fato de a obra estar conchdda não restou comprovado nos autos, prescrevendo o referido manual que em caso de obra não devidamente encerrada esta deverá ser informada em GFIP com código 906, confira-se..Inexistindo recolhimento ao FGTS e informações à Previdência O empregador/contribuinte deve emitir uma GFIP com dados cadastrais, no código de recolhimento 906 dispensando-se a entrega da GFIP referente cis competências subseqüentes até a ocorrência de fatos determinantes de recolhimento ao FGTS elou fato gerador de contribuição previdenciária, Devem apresenta?. GFIP com Código de recolhimento 906: ) todas as empresas cujos números de inscrição (CNPJ e CEI) não estejam devidamente encerrados junto ao MSS, Como por exempla, .firma obras de construção - pessoa fisica ou jurídica, produtor rural ou contribuinte individual coin segurados que lhe tenham prestado serviço, caso estejam com suas atividades paralisadas;" Poi; fim, com relação à possibilidade de relevação ou atenuação da multa aplrcada, insta ressaltar que também nesse ponto a decisão proferida pela DRJ se mostra irretocável. r Consoante autorizado pelo art. 291, § 1°, do Regulamento da Previdência SOcial, aprovado pelo Decreto n" 3.048/99, são requisitos para a atenuação ou relevação da irril 4d') '( a correção da falta ate a decisão de primeira instância; (ii) a solicitação de relevação 1, 11 1 11 ainda ! no 'prazo de defesa; (iii) ser o infrator primário; e, por fim, (iv) não ter ocorrido !! ci cunstfinCia agravante. E o que dispõe o referido artigo: !! ,! "Art 291. Constitui circanskincia atenuante da penalidade aplicada ter o inflator cotrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente I" A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de (Wesel, ainda que não contestada a infração, se o Mfiator for primário, liver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante." Com relação à situação de primariedade, restou constatado nos autos que já ' haviam sido lavrados contra o contribuinte autos de infração, com decisões desfavoráveis já ! trans! Itadas em julgado en-r março e setembro de 2002. ! ! .! Nos termos da disposição contida no parágrafo único do art 290 do ! 'Re ulamento da Previdência Social, na redação vigente a época, e repetida pelo art. 655 da irOrUiçãO 1 Normativa SRP n° 03/2005, reincidência seria "a prática de nova infração a Clis lIositio da legislação por uma mesma pessoa ou por seu sucessor; dentro de cinco anos da 1,t 4 I I ' ! Processo n" 17546001177/2007-43 S2-TE03 Acórdtio n 2803-00.137 Fl 3 data em que houver passado em julgamento administrativo a decis-ão condenatória ou homolocatória da extinção do crédito referente à n?fração anterior", A diferenciação entre reincidência especifica e a reincidência genérica é feita pelo § 3° do mesmo art. 655, nos seguintes termos: "§ 3" Reincidência especifica é a prática de nova infração ao mesmo dispositivo legal e reincidência genérica, a prática de nova infração de natureza diversa." ,¡ 11 Como se vê, incone em reincidência o contribuinte que pratica nova infração dispositivo da legislação, dentro de cinco anos da data em que houver o trânsito em julgado da decisão administrativa condenatória ou homologatória da extinção do crédito referente infração anterior. Para a configuração da circunstância agravante, é irrelevante o fato de se tratar de reincidência especifica ou genérica. Ademais, no que diz respeito a necessidade de correção da falta, já I' reconheceu a autoridade julgadora que a apresentação da GFIP corn o código 906, sem a , comprovação inequívoca de término da obra de construção civil, não implica na regularização da infração praticada. Diante do exposto, conclui-se que a decisão de primeira instância, proferida pela Delegacia da Receita Previdenciária de Campinas/SP, está em perfeita harmonia com a legislação vigente à época. Todavia, com a edição da Medida Provisória n° 449, de 03 de dezembro de 2008, posteriormente convertida na Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009, a redação do artigo 32 da Lei n° 8.212/91 foi substancialmente alterada, tendo sido revogados os §§ 1° e 3° do mencionado dispositivo legal. A nova redação do referido dispositivo legal ficou assim redigida: "Art 32. A empresa é também obrigada a' IV declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço — FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por e.sses órgãos, dados relacionados a ,fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Cutador do FGTS, (Redação dada pela Lei n°11.941, de 2009) § I" (Revogado). (Redação dada pela Lei n" 11.941, de 2009) § 2"A declaração de que trata o inciso 11/ do copra deste ar tigo constitui instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas infarmações comporão a base de dados para ,fins de cálculo e concessão dos beneficias previdenciórios (Redação dada pela Lei n" I I 941, c/c 2009) § 3" (Revogado). (Redação dada pela Lei n°11.94/, de 2009)" II . 11 A multa aplicável pelo descumprimento da obrigação acessória prevista no art. 32, W i lda Lei n° 8.212/91 passou a ser regulamentada pelo disposto no art. 32-A, incluído pela Lei 1111,941/2009. Veja o que dispõe a novel legislação: '1 I I ' "Att. 32-A. 0 conti ibuinte que deixar de apresentar a dechtragdo de que trata o inciso IV do caput do art 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar CO171 incorreções ou onlissdes será intimado a apresentá-la ou a prestar esclarecimentos e sujeitar-se-á ós seguintes multas . (Incluído pela Lei n" /1 941, de 2009) I — de R$ 20,00 (vinte reais) para cada gtapo de 10 (dez) infigmações incorretas ou omitidas; e (Incluido pela Lei n" 11 941, de 2009) 11 — de 2% (dois por cento) ao ids -calendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte par- cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Inatilda pela Lei n" II 941, de 2009) § 1° Para efeito de aplicação da ¡indi(t prevista no inciso II do caput deste rfigo, será considerado como Wino inicial o dia seguinte ao termino do prazo fixado para entrega da declaração e cimio felino final a data da *.tiva entrega au, no caso de não- apresentação, a data da lavratura do auto de igfiação ou da notificação de lançamento. (Incluido pela Lei 11 0 11.94), de 2009). § 2° Observado o disposto no § 3" deste al figo, as multas serão ;eduzidas (Incluido pela Lei n°11,941, de 2009). 1— à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de oficio,. ou (Incluído pela Lei n°11 941, de 2009). 11 — a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentaçâo da declaração no prazo fixado em intimação, (Incluido pela Lei n" /1.941, de 2009). §' 3° A multa minima a ser aplicada será de - ('Incluído pela Lei n" I 1.94), de 2009) I — R$ 200,00 (duzentos teats), tratando-se de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradoi -es de contribuição previdenciória, e (Matilda. pela Lei n" 11 941, de 2009), II — R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Inchado pela Lei n" 11.941, de 2009)." Como se depreende das disposições legais acima colacionadas, o novo amento trazido pela Lei n° 11.941/2009 contém penalidades mais benéficas aos tribuintes. Por essa razão, e considerando a retroatividade benigna prevista pelo art. 106, II, c, 10 Código Tributário Nacional, resta claro que a penalidade imposta pela autoridade fiscal 'nos presentes autos deve ser adequada ao que estabelece a novel legislação de regência. E o 'qu dispõe o referido artigo: ' "Amt 106 A lei aplica-se a ato oit . firto pretérito: 6 Processo n" 17546.001177/2007-43 S2-TE,03 11.4 Acórao n 2803-00.137 II - tratando-se de ato não definitivamente julgado. c) quando The comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática." Esse é inclusive o posicionamento que tern sido adotado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais para casos análogos ao presente: "NORMAS PROCESSUAIS - RETROATIVIDADE BENÉFICA DE LEI. A multa de oficio deve ser reduzida, de oficio, quando Lei posterior trouxer percentual mais favorável ao sujeito passivo. Recurso Especial provido em parte." (Acárdcio n" • CSRF/02-02.082, Processo )7 0. 10880.016118/94-44, Recta so n°: 201-101662, Relator': Conselheiro HENRIQUE PINHEIRO TORRES) "MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO SOBRE OPERAÇÕES 1MOBILIÃRIAS RETROATIV1DADE BENIGNA LEI N" 10.865, DE 2004 - Aplica-se o novo diploma legal que confine penalidade ao sujeito passivo da obtigação tributária menos gravosa ou severa que a prevista em lei ao tempo da prática da infração apurada em procedimento de fiscalização quando o ato ou .fato pretérito lido foi definitivamente julgado, "ex-vi" do disposto no Art 106, inciso II, letra "c" da Lei n.° 5.172, de 25.10 1996 - Código Tributário Nacional." (ACÓRDÃO CSRF/04-00.246, Recurs() n° 104- 131127, Processo n'.. 10980.006526/2001-50, Relator. Conselheiro JOSE RIBAMAR BARROS PENHA) Em sendo assim, a multa imposta nos presentes autos deve ser mantida 'integralmente, CONCLUSÃO Por todo o exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto pelo interessado, reconhecendo, de oficio, a aplicação do novo regramento previsto ;no art, .32-A da Lei no 8.212/91, com a redação dada pela Lei n° 11.941/2009, por lbrça da retroatividade benigna prevista pelo art, 106, II, c, do Código Tributário Nacional, desde que Verificada penalidade mais favorável ao contribuinte.. 0;',/..0(Atiiatet:/(Aait,c,t,d4; CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE ANDRADE. - Relatora 7
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