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Numero do processo: 10480.720260/2010-83
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Feb 21 00:00:00 UTC 2022
Numero da decisão: 9202-000.160
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Sesej/2ª Turma da CSRF, para sobrestamento do processo em atendimento à Petição STF nº 6.604/2017, nos autos do RE 566.622/RS, por se tratar da questão de imunidade de entidades filantrópicas.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Sesej/2ª Turma da CSRF, para sobrestamento do processo em atendimento à Petição STF nº 6.604/2017, nos autos do RE 566.622/RS, por se tratar da questão de imunidade de entidades filantrópicas. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1275; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 214 1 213 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10480.720260/201083 Recurso nº Especial do Procurador Resolução nº 9202000.160 – 2ª Turma Data 25 de outubro de 2017 Assunto CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FUNDAÇÃO PEDRO PAES MENDONÇA Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Sesej/2ª Turma da CSRF, para sobrestamento do processo em atendimento à Petição STF nº 6.604/2017, nos autos do RE 566.622/RS, por se tratar da questão de imunidade de entidades filantrópicas. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .7 20 26 0/ 20 10 -8 3 Fl. 447DF CARF MF Documento nato-digital Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 215 ___________ Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2402003.248, proferido pela 2ª Turma Ordinária / 4ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de Auto de Infração n. 37.221.3391, para a aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, em razão de a empresa ter apresentado Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) com informações incorretas ou omissas, in casu, da remuneração de segurados empregados e de contribuintes individuais relativas à cota patronal, da qual entendia estar isenta, nas competências 08/2006 a 09/2007. Nos termos do relatório fiscal (fls. 6/7), o sujeito passivo prestou declaração em GFIP como sendo isenta das contribuições previdenciárias patronais (FPAS 639), tendo recolhido somente as contribuições descontadas dos segurados (GPS com código de pagamento 2305). No entanto, a empresa não dispunha do ato declaratório de isenção de contribuições previdenciárias, razão porque foi aplicada multa pela declaração das contribuições devidas. O Contribuinte apresentou impugnação, às fls. 197/218. A 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife/PE, às fls. 301/306, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. O Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, fls. 309/336, sob os seguintes fundamentos: 1. que o disposto no art. 55, § 1.º, da Lei 8.212/91 não se aplica ao caso dos autos, porque trata de isenção, enquanto que a situação em exame é de imunidade, que deve ser potencializada. Sendo imunidade e não isenção, a Lei referida não pode ser aplicada porque a matéria "imunidade", na qualidade de "limitação constitucional do poder de tributar", é afeta à lei complementar por força do art. 146, II, da Constituição Federal (in casu, o art. 14 do CTN, conforme precedentes do STJ e exConselho de Contribuintes); 2. que para o lançamento o fiscal apegouse a uma burocracia que, absolutamente desnecessária, chegou a ser revogada com o advento da Lei 12.101/09; 3. que a nova legislação substituiu o Ato Declaratório da isenção pela certificação, que nada mais é do que a própria renovação do CEBAS, o que possuía a recorrente, conforme documentação acostada aos autos; 4. que a expedição do Ato Declaratório não cria direito novo, possuindo caráter meramente declaratório e como tal gera efeitos ex tunc, de modo que, a certificação obtida pela recorrente tem o condão de suprir a ausência do indigitado Ato Declaratório, devendo ser aplicada retroativamente em respeito ainda aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade, eficiência, boafé e economia. A 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 362/368, DAR PROVIMENTO ao Recurso Ordinário. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 Fl. 448DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10480.720260/201083 Resolução nº 9202000.160 CSRFT2 Fl. 216 3 AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE INFORMAÇÃO EM GFIP DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. JULGAMENTO DO LANÇAMENTO PRINCIPAL TIDO POR IMPROCEDENTE. Uma vez que o lançamento principal do qual decorre o presente Auto de Infração foi julgado improcedente, é imperioso o cancelamento da infração, uma vez que reconhecida a regularidade das informações. Recurso Voluntário Provido. Às fls. 369/383, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência, alegando divergência jurisprudencial em relação à aplicação temporal das regras de isenção das Entidades Beneficentes de Assistência Social, pois, a Turma a quo entendeu que a Lei nº 12.101/2009 se aplica aos fatos geradores anteriores à sua vigência, para afastar a exigência de ato declaratório de isenção antes prevista no § 1º do art. 55 da Lei nº 8.212/91. Em sentido contrário, os acórdãos paradigmas entenderam que, devido ao disposto no art. 144 do CTN e nos arts. 44 e 45 do Decreto nº 7.2137/2010, a isenção deve ser verificada considerandose o cumprimento dos requisitos legais existentes na época dos fatos geradores (ou seja, o art. 55 da Lei nº 8.212/91); por conseguinte, não é possível retroagir a Lei nº 12.101/2009, que suprimiu a exigência de ato declaratório específico. Às fls. 384/391, a 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, DANDO SEGUIMENTO ao recurso em relação à divergência sobre isenção das Entidades Beneficentes de Assistência Social, para que seja reapreciada a aplicação no tempo das disposições do artigo 55 da Lei nº 8.212/91 em confronto com as disposições da Lei nº 12.101/00 e mantida a autuação em seus exatos termos. Intimado à fl. 393, o Contribuinte apresentou Contrarrazões às fls. 396/419, requerendo o não conhecimento do Recurso Especial, por entender que a tese defendida pelo Recorrente está dissonante do entendimento da CSRF – alegou não ter existido o devido enfrentamento da matéria, tampouco apresentação da divergência. Vieram os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Fl. 449DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10480.720260/201083 Resolução nº 9202000.160 CSRFT2 Fl. 217 4 Tratase de Auto de Infração n. 37.221.3391, para a aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, em razão de a empresa ter apresentado Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) com informações incorretas ou omissas, in casu, da remuneração de segurados empregados e de contribuintes individuais relativas à cota patronal, da qual entendia estar isenta, nas competências 08/2006 a 09/2007. O Acórdão recorrido deu provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a divergência jurisprudencial no tocante a aplicação temporal das regras de isenção das Entidades Beneficentes de Assistência Social, para que seja reapreciada a aplicação no tempo das disposições do artigo 55 da Lei nº 8.212/91 em confronto com as disposições da Lei nº 12.101/00. Aplicação Temporal das Regras de Isenção Sobrestamento pelo STF. O acórdão recorrido defende que o § 1° do art. 55, da Lei n° 8.212/91 estabelecia formalidade segundo a qual só poderia gozar do benefício de isenção contribuinte que protocolasse requerimento nesse sentido junto ao INSS. Contudo, tendo sido revogado o dispositivo que previa tal exigência, ainda que ocorridos supostos fatos geradores quando de sua vigência, havendo disposição legal mais favorável ao contribuinte, possível seria a aplicação retroativa da nova norma. Os ditames da Lei n° 12.101/09, de fato inovaram na discussão da matéria, dispondo de forma mais benéfica que para que entidade possa ser contemplada com a Certificação e, consequentemente, com a isenção de contribuições previdenciárias, deve demonstrar que no período mínimo de 12 meses após a sua constituição tenha cumprido os requisitos previstos em lei. O que nos leva a discussão acerca da interpretação que deve ser dada ao art. 55, da Lei n° 8.212/91 Assim, considerando a decisão do STF determinando o sobrestamento dos processos que discutam a imunidade de Contribuições Previdenciárias de entidades beneficentes (artigo 55 da Lei nº 8.212, de 1991), este é medida que se impõe. Diante do exposto, proponho a conversão do julgamento em diligência à Sesej/2ª Turma da CSRF, para que o presente processo fique sobrestado até decisão do STF. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 450DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 11330.001286/2007-18
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 23 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Sep 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/08/1999 a 31/07/2003
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32,
II, DA LEI N° 8,212/91 C/C ART. 225, II, DECRETO N° 3,048/99 C/C
ART. 225, §§ 13 a 17, DECRETO N 3,048/99 - DEIXAR DE LANÇAR
MENSALMENTE EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE, DE
FORMA DISCRIMINADA, FATOS GERADORES, QUANTIAS DESCONTADAS, CONTRIBUIÇÕES DA EMPRESA E TOTAIS RECOLHIDOS
Constitui infração, punível na forma da Lei, deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos.
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de-infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária,
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 2403-000.197
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, I) Por unanimidade de votos, em
conhecer do recurso, não acolher a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/1999 a 31/07/2003 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, II, DA LEI N° 8,212/91 C/C ART. 225, II, DECRETO N° 3,048/99 C/C ART. 225, §§ 13 a 17, DECRETO N 3,048/99 - DEIXAR DE LANÇAR MENSALMENTE EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE, DE FORMA DISCRIMINADA, FATOS GERADORES, QUANTIAS DESCONTADAS, CONTRIBUIÇÕES DA EMPRESA E TOTAIS RECOLHIDOS Constitui infração, punível na forma da Lei, deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de-infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária, RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
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A inobservÉhicia da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de- infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária, RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, I) Por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, não acolher a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. 2 CARLOS ALBERTO MRES STRINGARI - Presidente PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO - Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto e Marthius Sávio Cavalcante Lobato, Ausente o Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza. Processo n" 11330 001286/2007-18 S2-C413 Acórdão r° 2403-00..197 Fl 134 Relatório Trata-se de recurso voluntário, às fls. 123 a 130, apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro I - RJ, Acórdão ri' 12-17,376 — 13 Turma, às fls. 116 a 121, que julgou procedente a autuação por descuraprimento de obrigação acessória, Auto de Infração n". 37.107.12,3-2, com ciência da recorrente em 08,082007, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 11,951,21 (onze mil, novecentos e cinqüenta e um reais e vinte e um centavos), O Auto de Infração, Código de Fundamentação Legal — CFL 34, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter deixado de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, descumprindo, assim, obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n o 8,212, de 24/07/1991, art. .32, II, combinado com o art. 225, II, e §§ 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n° .3,048, de 06/05/1999. Conforme o relatório Fiscal do Auto de infração, às fls. 19, a recorrente incorreu em erro ao contabilizar em títulos impróprios diversos lançamentos contábeis, a saber: • Lançar nas CONTAS' 413023011 / 414023010 (OUTROS SALÁRIOS E ORDENADOS) valores referentes a Ordens de Serviço em andamento dos setores de Oficina e Funilaria; • Lançar na CONTA 411023020 (RESCISÃO JUDICIAL) valores referentes a bolsa de estágio, paga a Estagiários, e não a processos trabalhistas, • Contabilizar erroneamente na CONTA 411011030 (Rescisão Judicial), na data de 26/08/1999, a importância de R$ 2.143,00 com o histórico "DESPESAS COM TREINAMENTO TÉCNICO" O período de apuração, de acordo com o Mandado de Procedimento Fiscal — MPF n° 09382390F00, foi de 08/1999 a 08/200.3, fls. 6. O período objeto do auto de infração, conforme o disposto no Relatório Fiscal do Auto de Infração, fls. 22 a 25 é de 08/1999 a 07/2003, A recorrente teve ciência do Auto de Infração no dia 08.08.2007, conforme fls. 01. O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fls. 27, não registra a existência de circunstância agravante, conforme a descrição do inciso V do art. 290, do Decreto n° .3.048/1999, tampouco registra a existência de circunstância atenuante, prevista no art. 291 do Decreto n° 3.048/1999. A capitulação da multa aplicada tem sede na Lei n° 8,212, de 24/07/1991, arts, 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto ri c) 3,048, de 06/05/1999, art. 28.3, inc. II, alínea "a" e art, O valor, para este código de fundamentação legal (CFL - 34), é de R$ 11 9.51,21 (onze mil, novecentos e cinqüenta e um reais e vinte e um centavos), com base no art. 9", inciso VI, da Portaria MPS N° 142, de 11 de abril de 2007, Contra a autuação, a Recorrente apresentou impugnação tempestiva, de fls. 68 a 83. Após análise, a DRJ Rio de Janeiro 1 - RJ emitiu o Acórdão IV 12-17.376 — 13" Turma, às fis. 116 a 121, julgando procedente a autuação e mantendo a multa aplicada. Inconformada com a decisão, a Recorrente a s resentou recurso voluntário, fls. 123 a 130, na qual alega em síntese que: Preliminarmente, da decadência parcial do período objeto da autuação fiscal, até a competência julho/2001, inclusive, pela aplicação do prazo decadencial estabelecido no art. 173, CTN em razão da inconstitucionalidade do art. 45, Lei 8.212/1991, Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 132. É o relatório. Processo n" 113.30.001286/2007-18 S2-C4T3 Acórdão n° 2403-00,197 Fl 135 Voto Conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro , Relatar PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto ' tempestivamente, conforme informação à fl, 132. Avaliados os pressupostos, passo para as questões preliminares e ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES DA DECADÊNCIA A recorrente alega a decadência da parte da obrigação acessória compreendida até a competência 07/2001, inclusive, nos termos do art. 173, 1, CTN, com a redução proporcional da multa. Cumpre resgatar que a recorrente foi cientificada do Auto de Infração no dia 08.08.2007, às fls. 01, e que o Auto de Infração se refere ao período de 08/1999 a 07/2003, conforme o Relatório Fiscal do Auto de Infração, fls. 22 a 25. Ainda assim, a autuação foi lavrada devido a Recorrente ter deixado de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos., descumprindo, assim, obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, II, combinado com o art. 225, II, e §§ 1.3 a 17 do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n° 3,048, de 06/05/1999. Para este tipo de infração, Código de Fundamentação Legal — CFL 34, o valor da multa é único, com base no art. 90, inciso VI, da Portaria MPS N° 142, de 11 de abril de 2007, aos valores da época, R$ 11.951,21 (onze mil, novecentos e cinqüenta e um reais e vinte e um centavos), sendo Que não há mitigação da multa por ocorrências. Ou seja, basta apenas urna única ocorrência da infração em urna competência para que seja efetivado o descumprimento da obrigação acessória, desde que aquela competência ainda não esteja decadente, nos termos da Súmula Vinculante n° 8, do Supremo Tribunal Federal, e do Código Tributário Nacional. Ora, se a recorrente foi cientificada do Auto de Infração no dia 08.08.2007, e o Auto de Infração se refere ao período de 08/1999 a 07/2003, desta forma restou evidente que em função de apenas uma única competência, por exemplo, 07/200.3, não decadente por quaisquer dos critérios adotados no Código Tributário Nacional. ter sido efetivado o descumprimento da obrigação acessória. Desta forma, não prospera a alegação da recorrente no sentido de que houve a decadência parcial da obrigação acessória em questão. DO MÉRITO. A recorrente não suscitou quaisquer pontos em sua defesa atinentes ao mérito. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, não acolher a PRELIMINAR e, NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. Sala das Sessões, em 23 ‘de setembro de 2010 9 PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO - Relatar MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA — SEGUNDA SEÇÃO SCS - QUADRA 01 - BLOCO "J" - ED. ALVORADA 11 0 ANDAR.— CEP: 70396— 900 — Brasília - DF Tel: (0xx61) 3412-7568 Home Page:http:// www earf fazenda gov br PROCESSO 33(0 • CO (1 Sb (200-)- INTERESSADO: 9 CC.Avi pp,c5.(--:--.,vr.A99.--ès LTD TERMO DE JUNTADA E ENCAMINHAMENTO Fiz juntada nesta data do Acórdão/Resolução 9_HO g - V1 folhas Encaminhem-se os autos à Repartição de Origem, para as providências de sua alçada, de
score : 1.0
Numero do processo: 11073.000014/2005-17
Turma: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 14 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu May 14 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 1301-000.008
Decisão: RESOLVEM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, CONVERTER o
julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
Nome do relator: WiILSON FERNANDES GUIMARÃES
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MINISTÉRIO DA FAZENDA , 3tEgÃV-7 7 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS <41a: PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 11073.000014/2005-17 Recurso n° 148.222 Voluntário Resolução n" 1301-00.008 — 31 Câmara / 1' Turma Ordinária Data 14 de maio de 2009 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente ESCOLA DE FORMAÇÃO DE CONDUTORES DE VEÍCULOS TRÊS PASSOS LTDA Recorrida P TURMA/DRJ-SANTA MARIA/RS Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 3' Câmara / 1' Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligênc . , .s te • os do voto do relator. 1. 01 ; LÓVIS ALVES / 'residente LSON, a ES d IMARÃES R - lat50,,es. F . alizado • . i 9 juN 2009 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros. Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jacinto do Nascimento, Marcos Rodrigues de Mello, Leonardo Henrique M. de Oliveira, Waldir Veiga Rocha, Alexandre Antonio Allcmim Teixeira, José Carlos Passuello e José Clóvis Alves. 1 Processo n° 11073.000014/2005-17 SI-C3TI Resolução n.° 1301-00.008 Fl. 2 RELATÓRIO ESCOLA DE FORMAÇÃO DE CONDUTORES DE VEÍCULOS TRÊS PASSOS LTDA, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da ia Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Santa Maria, Rio Grande do Sul, que manteve, em parte, os lançamentos tributários efetivados, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de exigências de Imposto de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos (Programa de Integração Social — PIS, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL), relativas aos exercícios de 2001 a 2005, formalizadas em decorrência da imputação das seguintes irregularidades: a) omissão de receitas apurada mediante levantamento das receitas dos serviços prestados nos anos de 2000 a 2004; e b) falta ou insuficiência de recolhimento de imposto/contribuições. A autoridade fiscal promoveu a apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL com base no Lucro Presumido, aplicando o coeficiente de presunção de 32%. Diante da infração descrita como Omissão de Receitas, foi elaborada Representação Fiscal para Fins Penais (processo administrativo n° 11073.000015/2005-53). Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação aos feitos fiscais (fls. 230/275), por meio da qual ofereceu, em síntese, os seguintes argumentos: - que o Auto de Infração não seria válido porque: seria deficiente e possuiria graves equívocos na apuração do crédito tributário, implicando em nulidade; teria havido inclusão de receitas de terceiros (médicos e psicólogos) na base de cálculo dos tributos; o cômputo de receitas que não pertenceriam à ela denotariam a ausência de signo-presuntivo de riqueza, o que violaria frontalmente o Princípio da Capacidade Contributiva consagrado no Texto Constitucional; a cobrança retroativa de tributos em face da sua exclusão do SIMPLES encontraria óbice no Princípio Constitucional da Segurança Jurídica; seriam abusivas as multas confiscatórias aplicadas pela Fiscalização de 150% e 75%; e seria inaplicável a taxa SELIC em débitos tributários; - que suas receitas são auferidas com a prestação dos serviços em favor de interessados na obtenção da carteira Nacional de Habilitação — CNH; - que, na apuração da omissão de receita, a Fiscalização teria adotado como parâmetro a quantidade de serviços supostamente prestados por ela; - que a Fiscalização teria somado a quantidade de serviços prestados, mês a mês, por ela (P expedição da CNH, r via da CNH, exame médico, exame psicotécnico, exame de legislação, exame de direção, aulas teóricas, aulas práticas/amador, aulas práticas/profissional) e multiplicou pelos respectivos valores, o que teria resultado em receitas que não retratariam a realidade dos fatos; - que a totalidade das aulas práticas realizadas na categoria amador seria infinitivamente inferior se comparada com pr. llutadas pela Fiscalização; wah_409 ter 2 Processo n°11073.000014/2005-17 SI-C3T1 Resolução n.• 1301-00.008 Fl. 3 - que haveria equívocos, também, na apuração das aulas práticas realizadas na categoria profissional (juntou planilha - fl. 276 - para demonstrar que teria havido tributação a maior de receitas referente às aulas práticas/amador nos meses de agosto de 2001, abril e dezembro de 2002, junho e julho de 2003, no valor total de R$ 35.927,39, bem como referentes às aulas práticas/profissional nos meses de março e novembro de 2000, agosto a dezembro de 2001 e abril de 2003, no valor total de R$ 3.035,25); - que tais incorreções implicariam nulidade absoluta, pois o Fisco deveria comprovar com elementos concretos os serviços efetivamente prestados por ela; - que o Agente Fiscal teria computado receitas transferidos para terceiros, ou seja, utilizou receitas que nunca pertenceram efetivamente à ela; - que ela contrataria médicos e psicólogos credenciados junto ao DETRAN-RS, para a realiiação dos exames médicos e psicotécnicos, conforme cláusula quarta do Termo de Credenciamento (fl. 41); - que, em relação aos exames médicos e psicotécnicos, o pagamento destes serviços seria realizado diretamente em agências bancárias autorizadas pelo DETRAN-RS e, da totalidade das receitas obtidas com estes serviços, cinco por cento seria reservado para o órgão de trânsito, enquanto noventa e cinco por cento seria destinado para ela; - que, entretanto, grande parte da receita acima referida (sessenta por cento) seria destinada aos médicos e psicólogos que prestam diretamente estes serviços, a título de remuneração, conforme estabelecido pela Portaria n° 17 do DETRAN/RS, art. 3'; - que ela somente auferiria aproximadamente trinta e cinco por cento das receitas obtidas com os exames médicos e psicotécnicos, até porque o restante do valor recebido não integraria o seu patrimônio e tampouco teve disponibilidade jurídica; - que, para comprovar os pagamentos realizados por ela relativos às prestações de serviços de exames médicos e psicotécnicos, no período de 2000 a 2005, juntava os Recibos de Pagamentos de Autônomos- RPAs e Notas Fiscais de Prestações de Serviços (fls. 305-509); - que a imputação de obrigação tributária, em decorrência de receitas recebidas por ela na condição de depositária, e sobre as quais não possuía disponibilidade, implicaria manifesta ofensa ao Princípio da Capacidade Contributiva, consagrado no § 1° do artigo 145 da Carta Magna; - que o crédito tributário constituído com efeitos retroativos, esbarraria no princípio da segurança jurídica; - que os efeitos do ato de exclusão do SIMPLES teria de ocorrer a partir de 18/02/2005 (data do Ato Declaratório Executivo DRF/SAO n° 1, de 18/02/2005 - fl. 174), ao invés de retroagir desde a data de 01/01/2004 (data em que ela aderiu ao SIMPLES); - que a cobrança retroativa fria de encontro aos preceitos tutelados pela Lei n° 9.784/99 (art. 2°), que rege o processo administrativo federal. - que, embora tenha sido excluída do SIMPLES em decorrência de prática reiterada de infração à legislação tributári. &rã ; - exclusão somente poderia surtir efeitos a ‘WI //r 3 Processo n° 11073.000014/2005-17 SI-C3TI Resolução n.° 1301-00.008 Fl. 4 partir do mês subseqüente ao da exclusão, não sendo possível a atribuição de efeitos retroativos que implicasse em cobrança de tributos; - que as multa aplicadas seriam descomunais e não poderiam ser utilizadas como expediente ou técnica de arrecadação, como se fosse verdadeiro tributo "disfarçado"; - que penalizações fixadas nestes percentuais altíssimos têm sido repelidas no nosso sistema jurídico, evidenciando clara ofensa ao dispositivo constitucional que proíbe o confisco (art. 150, IV), constituindo-se em agressão violenta ao seu patrimônio; - que o próprio art. 2°, parágrafo único, inciso VI, da Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, consagra os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade; - que o percentual sancionatório razoável a ser aplicado deveria ser de 20%, fixado pelo artigo 61, § 2° da Lei n° 9.430/96; - que, no caso concreto, a multa de 150% aplicada deveria ser reduzida para o percentual compatível com a conduta praticada (não recolhimento ou recolhimento a menor de tributos), prevista no art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96 e no art. 957, inciso I, do Decreto n° 3.000/99., sendo essa a exegese que decorre do disposto no art. 112 do Código Tributário Nacional (CTN); - que a taxa SELIC foi objeto de argüição de inconstitucionalidade suscitada no Superior Tribunal de Justiça (Resp n° 215.881-PR), que considerou ilegal e inconstitucional a sua utilização para corrigir débitos tributários; - que a taxa SELIC não poderia ser aplicada porque: a) seria inconciliável com a indispensável natureza indenizatória (e não remuneratória) que uma taxa deve ter; b) fria de encontro aos preceitos contidos no art. 161, § 1° do CTN; c) violaria os princípios da razoabilidade e proporcionalidade (art. 5 0, inciso LIV), bem como violaria o princípio da legalidade tributária estrita (art. 150, inciso I, da Constituição Federal e art. 97 do CTN); - que os juros moratórios deveriam ser de 1% ao mês, conforme determina o § 1° do art. 161 do Código Tributário Nacional. A i a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Santa Maria, analisando os feitos fiscais e a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão n° 4.167, 09 de junho de 2005, pela procedência parcial dos lançamentos, conforme ementa que ora transcrevemos. NULIDADE DO LANÇAMENTO Se o auto de infração possui todos os requisitos necessários a sua formalização, estabelecidos pelo art. 10 do Decreto n.° 70.235, de 1972, e se não forem verificados os casos taxativos enumerados no art. 59 do mesmo decreto, não se justifica argüir a nulidade do lançamento de oficio. INCONSTITUCIONALIDADE Às autoridades administrativas com ' ele examinar a adequação dos procedimentos fiscais com as o legais vigentes, não lhes competindo apreciar a conf. i; • d , de lei, validamente editada Q\74 Processo n° 11073.000014/2005-17 SI-C3TI Resolução n.° 1301-00.008 Fl. 5 segundo o processo legislativo constitucionalmente previsto, com os demais preceitos emanados da própria Constituição Federal ou de outras leis, a ponto de declarar-lhe a nulidade ou inaplicabilidade ao caso expressamente previsto, matéria reservada, também por força de dispositivo constitucional, ao Poder Judiciário. OMISSÃO DE RECEITAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS Tributa-se como omissão de receita a diferença entre a receita declarada pela empresa e a receita bruta apurada com base em quantitativos e valores dos serviços prestados, informados pela própria autuada, que a mesma não logrou refutar. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO O percentual de presunção do lucro deve incidir sobre a receita bruta conceituada pela legislação. Não há previsão legal para que os valores repassados pela empresa, referentes aos exames médicos e psicotécnicos, sejam deduzidos da receita bruta. EXCLUSÃO DO SIMPLES. FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Confirmada a exclusão da empresa do sistema SIMPLES a partir de ' 01/01/2004, são devidas as difèrenças lançadas de impostos e contribuições com base no regime do lucro presumido. MULTAS DE OFÍCIO. LANÇAMENTO As multas de oficio são de aplicação obrigatória nos casos de exigência de tributos decorrentes de lançamentos de oficio, não podendo o percentual ser diminuído por falta de previsão legal. MULTA AGRAVADA. DECLARAÇÃO APRESENTADA, 5I5TEMATICAME1VTE, COM RECEITAS MENORES QUE AS EFETIVAMENTE AUFERIDAS O dolo, elemento imprescindível à caracterização das figuras que justificam o agravamento da penalidade, resta comprovado pela conduta, reiterada e sistemática, consistente em omitir receitas nas declarações de rendimentos e DCTFs, com o intuito de reduzir o pagamento do imposto de renda e das contribuições. No caso dos autos, as receitas declaradas correspondem a percentuais entre 9% e 11°4 nos anos de 2000 a 2002, e entre 38% a 43%, nos anos de 2003 e 2004, das receitas apuradas pela fiscalização. JUROS DE MORA. SELIC A exigência dos juros de mora processada na forma dos autos está prevista em normas regulamentares editadas e, até o momento, não consta que os tribunais superiores tenham analisado e decidido, especificamente, a inconstitucionalidade dos dispositivos legais correspondentes. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Contribuição para o PIS, Contribuição para o Finan • mento da Seguridade Social e Contribuição Social sobre o, uido. 5 40( árr Processo n° 11073.000014/2005-17 Sl-C3T1 Resolução n.° 1301-00.008 Fl. 6 A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplica-se, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quanto não houver fatos ou argumentos novos a ensejar decisão diversa. Releva transcrever os seguintes excertos do voto condutor da decisão exarada em primeiro grau: Por outro lado, quanto à alegação de equívocos no levantamento fiscal referente à totalidade das aulas práticas realizadas nas categorias amador e profissional, assiste razão em parte, à impugnante. De acordo com a planilha anexa a impugnação (fl. 276), houve sim o cômputo a maior de aulas práticas/amador nos meses de agosto de 2001 (23 horas/aulas), abril de 2002 (1065 horas/aulas), dezembro de 2002 (984 horas/aulas), junho de 2003 (15 horas/aulas) e julho de 2003 (15 horas/aulas), resultando a tributação a maior de receitas nos seguintes valores: Agosto/2001 -R$ 327,75 Abril/2002 - R$ 18.211,50 Dezembro/2002 -R$ 16.826,40 Junho/2003 -R$ 280,87 Julho/2003 -R$ 280,87 Total R$ 35.927,39. Já, em relação às aulas práticas categoria profissional nos meses de março e novembro de 2000, agosto a dezembro de 2001 e abril de 2003, no valor total de R$ 3.035,25, não há os equívocos no levantamento fiscal como quer a impugnante. — Inconformada, a contribuinte apresentou o recurso de folhas 558/595, por meio do qual renova argumentos expendidos na peça impugnatória, quais sejam: - formação deficiente do auto de infração (irregularidade que, segundo a Recorrente, configura irrefutável nulidade); - constituição do crédito tributário com receita de terceiros (alega que sua remuneração decorre, única e exclusivamente, das aulas teóricas e práticas prestadas, enquanto que a Fiscalização considerou como sua a receita relativa aos exames médicos e psicotécnicos); - violação ao principio da capacidade contributiva; - violação ao princípio da segurança jurídica; - multa confiscatória de - i • e 75%. or 6 Processo rt° 11073.000014/2005-17 SI-C3T I Resolução ri.° 1301-00.008 Fl. 7 Às fls. 657/658, identifica-se despacho, da lavra do ilustre conselheiro Irineu Bianchi, acerca da competência do então Primeiro Conselho de Contribuintes para julgar recursos decorrentes de lançamento sobre a aplicação da legislação referente ao SIMPLES. É o Relatório. 7 . . . • Processo if 11073.000014/2005-17 SI-C3T1 Resolução n.• 1301-00.008 Fl. 8 VOTO Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Trata a lide de exigências de Imposto de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos, relativas aos exercícios de 2001 a 2005, formalizadas em decorrência da imputação das seguintes irregularidades: a) omissão de receitas apurada mediante levantamento das receitas dos serviços prestados nos anos de 2000 a 2004; e b) falta ou insuficiência de recolhimento de imposto/contribuições. Destaco que os fatos apurados por meio do presente processo estão diretamente vinculados à exclusão de oficio da contribuinte da sistemática do SIMPLES, efetuada através do processo administrativo n° 11073.000010/2005-21. No citado processo, conduzi meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que os autos fossem juntados, por anexação, ao presente, vez que a apreciação exclusão do SIMPLES ali tratada demanda análise concomitante de fatos esposados no presente processo. Assim, na mesma linha da proposição apresentada, conduzo meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que o órgão local preparador junte, por anexação, o presente processo ao de número 11073.000010/2005-21, conforme previsto no art. 3° da Portaria RFB n° 666, de 24 de abril de 2008. Sala das Sessões, em 14 de maio de 2009 WILSO • yr .' . • • • • S o. 8 Page 1 _0008100.PDF Page 1 _0008200.PDF Page 1 _0008300.PDF Page 1 _0008400.PDF Page 1 _0008500.PDF Page 1 _0008600.PDF Page 1 _0008700.PDF Page 1
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Numero do processo: 18192.000042/2007-81
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 20 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Oct 20 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/2003 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - GFIP - APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS
Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de-infração, no caso, anota-se que houve o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inc. IV e §§ 3° e 5°, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, combinado com art, 225, IV e § 4°, do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999.
A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, §5º, acrescentado pela Lei n° 9,528, de 10/12/1997, e Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art, 284, inc. H, e art, 373.
Previdenciário - REMUNERAÇÃO - CARTÕES DE PREMIAÇA0 - PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA - PRECEDENTES.
Integram o salário de contribuição os valores pagos a titulo de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação de serviço prestado, razão pela qual, possui natureza jurídica salarial. CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5°, LEI nº 8.212/91 - APLICAÇÃO DO ART. 32,1V, LEI N° 8.212/91 C/C ART. 32-A,
LEI N° 8.212/91 - PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA - ATO
NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO - ART. 106,11, C, CTN
Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional - CTN a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a non -na anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei no 8_212/1991 c/c art. 32, § 5°, Lei n° 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei n° 8,212/1991 c/c o art, 32-A, Lei n° 8.212/1991, na redação dada
pela Lei 11.941/2009.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
Numero da decisão: 2403-000.221
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento parcial ao recurso para determinar o recalculo da multa, se mais benéfico ao contribuinte de acordo com o disciplinado no Art. 32 — A, da Lei 8.212/91, incluído pela Lei 11.941/2009. Vencida na questão de multa de mora a conselheira Niabia Moreira Banos Mazza.
Nome do relator: PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO
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IV e §§ 3° e 5°, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, combinado corn art, 225, IV e § 4°, do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, §5 0, acrescentado pela Lei n° 9,528, de 10/12/1997, e Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art, 284, inc. H, e art, 373. PREVIDENClARIO - REMUNERAÇÃO - CARTÕES DE PREMIAÇA0 - PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIARIA - PRECEDENTES. Integram o salário de contribuição os valores pagos a titulo de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação de serviço prestado, razão pela qual, possui natureza jurídica salarial. CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5°, LEI IV' 8.212/91 - APLICAÇÃO DO ART. 32,1V, LEI N° 8.212/91 C/C ART. 32-A, LEI N° 8.212/91 - PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA - ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO - ART. 106,11, C, CTN Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional - CTN a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a non -na anterior, corn a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei no 8_212/1991 c/c art. 32, § 5°, Lei n° 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei n° 8,212/1991 c/c o art, 32-A, Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recur -so para determinar o recalculo da multa, se mais benéfico ao contribuinte de acordo corn o disciplinado no Art. 32 — A, da Lei 8.212/91, incluído pela Lei 11.941/2009. Vencida na questão de multa de mora a conselheira Niabia Moreira Banos Mazza. L.16- CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI - Presidente PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO — Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Cid Marconi Gurgel de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto e Niabia Moreira Barros Mazza (Suplente). Ausentes os Conselheiros lvacirlio de Souza e Marthius Sivio Cavalcante Lobato. 2 Processo n° 18192.000042/2007-81 S2-C4T3 Acórdão n ° 240340,221 F l. 460 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário, As fls. 435 a 450 e Anexo As fls. 451 a 456, apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Juiz de Fora, Acórdão n° 09.16.909 — 5' Turma, fls. 421 a 431, que julgou procedente a autuação Por descumprimento de obrigação acessória, Auto de Infração n°. 37.027.906-9, corn ciência da Recorrente em 27.10.2006, As fls. 01, com valor consolidado de R$ 77.402,56 (setenta e sete mil, quatrocentos e dois reais e cinqüenta e seis centavos). Conforme o Relatório Fiscal da Infração, às fls, 06, o Auto de Infração n°. 37.027.906-9, Código de Fundamentação Legal — CFL 68, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter deixado de registrar no campo respectivo, na Guia de Recolhimento do FGTS e informações à Previdência Social - GFIP, o valor das remunerações pagas a segurados empregados sob a rubrica de "Prêmios" através dos cartões Flexcard administrados pela empresa Incentive House S/A; deixou de registrar também as remunerações pagas a segurados trabalhadores autônomos que lhe prestaram serviços conforme RPA e Notas Fiscais Avulsas; deixou de registrar ainda remunerações pagas sob a rubrica "Comissões" a segurados trabalhadores autônomos que também lhe prestaram serviços. Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inc. IV e §§ 3° e 5°, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, combinado com art. 225, IV e § 4°, do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n° 3,048, de 06/05/1999. A multa a ser aplicada tern enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, §5°, acrescentado pela Lei n° 9,528, de 10/12/1997, e Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art.. 284, inc. II, e art. 373. Segundo o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fls. 07, a multa aplicada pela infração praticada é de R$ 77.402,56 (setenta e sete mil quatrocentos e dois reais e cinqüenta e seis centavos), que corresponde a 100 % do valor da contribuição devida e não declarada, limitada, por competência, em função do número de segurados da empresa, observado o limite mensal previsto no parágrafo quarto do artigo 32 da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, O Relatório Fiscal da Infração, fls. 06, mostra que o autuado é primário, não registra a existência de circunstância agravante, conforme a descrição do inciso V do art. 290, do Decreto n° 3,048/1999, tampouco registra a existência de circunstância atenuante, prevista art. 291 do Decreto n° 3.048/1999. O período de apuração, de acordo com o Mandado de Procedimento Fiscal — MPF n° 09326288F00, foi de 07/2001 a 07/2006, As fls. 12. O período objeto do Auto de Infração, conforme o Anexo DEMONSTRATIVO DA APURAÇÃO DO VALOR DA MULTA APLICADA, As fls. 08 a 11, é de 12/2001 a 07/2006. A Recorrente teve ciência do Auto de Infração no dia 27.10.2006, conforme fls. 01. A Recorrente apresentou impugnação, As fls. 39 a 49, com Anexos As f1s. 50 a 414. Após, houve pela recorrida, As fls., 417, uma solicitação de informação fiscal para que informassem acerca da documentação apresentada em sede de Impugnação, no sentido de que, se fosse o caso, revisar o lançamento. Ern resposta a solicitação de informação fiscal, a Auditoria-Fiscal emitiu Informação Fiscal, de fls. 418 a 420, na qual manteve o debito. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, fls. 453 a 463, conforme a Ementa a seguir: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 25/10/2006 AI DEBCAD 37.027,906-9 de 25/10/2006 AUTO-DE-INFRAÇÃO, DEFESA TEMPESTIVA, APRESENTAR A EMPRESA GFIP/GRFP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INFRATORA PRIMÁRIA. INOCORRÉNCIA DE CIRCUNSTÂNCIA AGRAVANTE INOCORReNCIA DE CIRCUNSTÂNCIA ATENUANTE NÃO CORREÇÃO DA FALTA QUE ORIGINOU A 4UTUAÇÃO, PROCEDÉNCIA DO LANÇAMENTO, É devida a autuação da empresa por apresentar GFIP coin dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Art. 32, inciso We § 5° da Lei n° 8 212/1991 acrescentado pela Lei n°9.528/1997 combinado com o art. 225, inciso IV e §' 4°, do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n°3 048/1999, Lançamento Procedente Inconformada com a decisão da recorrida, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 471 a 486, com Anexo As fls. 487 a 492, onde alega, em apertada síntese: (a) Da Preliminar de inexigibilidade de depósito prévio em sede recursal No Mérito. (b) A decisão ora recorrida entende que não tem natureza de ganho eventual o importe percebido a titulo de prêmio - pelo que conclui, equivocadamente, pela incidência de contribuição previdenciária -, sob o argumento de que, nos tel mos do RPS (Decreto 3.048/99), não integra o salário contribuição apenas os Processo n" 18192.000042/2007-81 S2-C4T3 Acórdilo n.° 2403-00,221 Fl 451 ganhos eventuais que a lei expressamente assim indicar, aduzindo não ser o caso dos prêmios. Não tem natureza de ganho eventual o importe recebido a titulo de premia A decisão ora recorrida acaba por confundir pagamento de prêmio com pagamento de remuneração tributável, sendo certo que devidamente demonstrado que os pagamentos de prémio não eram habituais, mas sim eventuais, pelo que edgir mais provas, seria o mesmo que exigir do contribuinte prova negativa, o que impossível. (c) Equivocada análise da decisão quanto ao objeto, e, conseqiientemente, objetivo do contrato firmado entre o contribuinte ora recorrente e a Incentive House S.A. Consoante jci denunciado anteriormente, a Incentive House S.A. é uma sociedade, cujo objetivo social tem por escopo a prestação de serviço de criação, planejamento ou implantação de sistemas e ou convénios nas areas de motivação, incentivos, promocões, viagens, lazer,: entretenimento e outros, inclusive por meio de emissão de vales, cupons e cartões, (d) Não ter fundamento a conclusão adotada na NFLD ao concluir ser objeto do contrato entre STS e a Incentive a utilização de prêmios destinados apenas a funcionários empregados, como equivocadamente aduz o relatório no item 2.1.3.'d'. (e) Verifique-se ainda que PROGRAMAS DE PREMIAÇÂO DE FIDELIDADE muito mais até se dirige a terceiros, clientes, e não a empregados, pois não existe lidelização de empregados, o que á próprio de clientes Note-se de forma .flagrante a inépcia da fundamentação do NFLD na medida em que se baseia em i suposta negativa a atendimento ao TL4D, ao asseverar que "a empresa não conseguiu atender ci solicitação da fiscalização através de T1AD, no sentido de relacionar todos os beneficiários dos prêmios, em cada competência, conforme notas fiscais emitidas pela Incentive House S/A", sendo certo que tal motivação não merece prosperar, na medida JAMAIS EXISTIU TL4D NESTE SENTIDO, como aliás denunciado em sua impugnação/defesa.. Cumpre ainda registrar, aliás, que todo o procedimento pertinente a esta fiscalização, segundo conseguiu-se apurar, tem seu nascendowy em ação no Paraná, envolvendo 01 (uma) ONICA EMPRESA, que . foi denunciada de forma anônima (o que alias é ilegal), cuja qual teria utilizado indevidamente algum dos produtos da Incentive House. Assim, a partir desta demareia anônima, todas as empresas clientes da Incentive House - INCLUSIVE A RECORRENTE — PASSARAM A SER FISCALIZADAS E AUTUADAS COMO SONEGADORAS, simplesmente com base nas notas fiscais de 5 so-yip derivadas do contrato DATA VENIA ISTO CHEGA A REPRESENTAR ABUSO DE DIREITO, tratando-se, pois, dá autuação son iiindanzentação legal, AO ARREPIO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL E DA PRESUNÇÃO CONSTITUCIONAL DE INOCÊNCIA, que não pode subsist ir. Posterimmente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls.458. o relatório, 6 Processo n° 18192.000042 12007-81 S2-C4T3 Acórdilo n 0240300.221 Fl 462 Voto Conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à if 458. Anota-se ainda que o Supremo Tribunal Federal — STF ao editar a Súmula Vinculante n°. 21 afastou a exigência de depósito para a admissibilidade de recurso na esfera administrativa. Sfimula Vinca/ante 21 inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. Fonte de Publicaçao: DJe 11", 210, p. 1, em 10/11/2009. DOU de 10/11/2009, p. 1. Avaliados os pressupostos, passo para o exame do Mérito. DO MÉRITO Em relação ao Mérito, a argumentação da Recorrente foi no sentido de descabimento de incidência de contribuição social previdencidria em relação As operações decorrentes do cartão de Premiação INCENTIVE HOUSE. De plano, observa-se que o Termo de Encerramento de Auditoria Fiscal, As fls. 18, relaciona os Termos lavrados na Auditoria-Fiscal: Como resultado da acuo fiscal, foram apurados o5 créditos previdencidrios abaixo relacionados.: NFLD DEB CAD N° 37.027.910-7 R$ 459,989,36 (VALOR CONSOLIDADO) NFLD DEBCAD N° 37.027 911-5 R$ 47,181,04 (VALOR CONSOLIDADO) NFLD DEB CAD N° 37.027.912-3 R$ 22.0.5.5,91 (VALOR CONSOLIDADO) AI DEBCAD N°37.027.906-9 R$ 77.402,56 (VALOR CONSOLIDADO) Al DEBCAD N° 37 027.907-7R$ 1.156,94 (VALOR CONSOLIDADO) DEBCAD N°37.027.908-5 R$ 11,569,44 (VALOR CONSOLIDADO) AI DER CAD N° 37.027.909-3 R$ 11.569,44 (VALOR CONSOLIDADO) Anota-se de plano que a linha de argumentação utilizada pela Recorrente no Recurso Voluntário, qual seja a de se discutir a incidência ou não de contribuição 7 previdencidria em sede de pagamentos a titulo de premiação com cartões via empresa INCENTIVE HOUSE, foi também utilizada pela Recorrente em sede de Impugnação, fato este clue levou a Recorrida, no _process° referente a NFLD 37.027.912-3 às fls. 458, identificar como sendo a defesa constante em outro rocesso referente a NFLD 37.027.910-7: As objeções levantadas pela impttgnante não procedem, uma vez que não são pertinentes à presente NFLD, sendo o item 8 o único pertinente em questão (11.s 74 do processo). Conforme já se analisou, não procede a tese da impugnante quanto a não incidência de contribuições socials aos pagamentos a titulo de premio. As questões trazidas repetem aquelas colocadas iam impugnação h Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD no processo n° 37.027.910-7 em 25/10/2006, sendo juleada e emitida a DECISA -O- NOTIFICACA -0 N° 11.425.4/0030/2007, da Delegacia da Receita Previdencidria de fui de For ue concluiu selo lancamento PROCEDENTE. (—) Ressalte-se que este processo refere-se apenas ao débito levantado com relação aos pagamentos efetuados a segurados trabalhadores autônomos. E, a empresa citada não informou esse fato gerador em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações ã Previdência Social — GFIP. Sendo emitido o Auto de 10-accio DEBCAD no 37.027.906-9, com CFI, 68, mencionado vela Impugnante. E, em relação ao AI acima referido, já foi julgado e considerado procedente por unanimidade de votos em 15 de Agosto de 2007, Acórdão n° 09-16.909 - 5" Turma da DRJ/JFA, O primeiro ponto então, á que restou caracterizado que a Recorrente utilizou no presente Recurso Voluntário, referente ao Auto de Infração AI no 37.027.906-9, a defesa referente a outra Notificação Fiscal, no caso NFLD 37.027.910-7. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, As fis, 06, o Auto de Infração no. 37.027.906-9, Código de Fundamentação Legal — CFL 68, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter deixado de registrar no campo respectivo, na Guia de Recolhimento do FGTS e informações à Previdência Social — GFIP: (a) o valor das remunerações pagas a segurados empregados sob a inbrica de "Prêmios" através dos cartões Flexcard administrados pela empresa Incentive House S/A; (b) deixou de registrar também as remunerações pagas a segurados trabalhadores autônomos que lhe prestaram serviços conforme RPA e Notas Fiscais Avulsas; (c) deixou de registrar ainda remunerações pagas sob a rubrica "Comissões" a segurados trabalhadores autônomos que também lhe prestaram serviços, Desta forma, a Recorrente não se manifestou acerca da imputação referente a: Iks1 8 Processo n° 18192 000042/2007-81 S2-C4T3 AcOrdtio n ° 2403-00.221 Fl 463 (b) deixou de registrar também as remunerações pagas a segurados trabalhadores autônomos que lhe prestaram serviços conforme RPA e Notas Fiscais Avulsas; (c) deixou de registrar ainda remunerações pagas sob a rubrica "Comissões" a segurados trabalhadores autônomos que também The prestaram serviços. Então, sera analisado apenas a manifestação da Recorrente acerca do item a: (a) o valor das remunerações pagas a segurados empregados sob a rubrica de "Prêmios" através dos cartões Flexcard administrados pela empresa Incentive House S/A; Passemos a análise do Mérito em relação à incidência de contribuição social previdencidria sobre o valor das remunerações pagas a segurados empregados sob a rubrica de "Prêmios" através dos cartões Flexcard administrados pela empresa Incentive House S/A. • Os valores pagos por meio de cartão de incentivo são considerados prêmios e premio é um salário vinculado a fatores de ordem pessoal do trabalhador, como a produção, a eficiência, etc. Caracteriza-se pelo seu aspecto condicional, pois uma vez atingida a condição prevista por parte do trabalhador ., este faz jus ao mesmo. Portanto, por depender do desempenho individual do trabalhador, o premio tern caráter retributivo, ou seja, contraprestação do serviço prestado e, por conseqüência, possui natureza juridica salarial. A recorrente tenta descaracterizar a natureza salarial dos prêmios alegando que são pagos por mera liberalidade da empresa e sem habitualidade. Ocorre que tal entendimento não pode prevalecer. De inicio, deve-se destacar o disposto nos artigos 111, inciso II e 176, do CTN: "Art. 111. Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sabre.- I — suspensão ou exclusão do crédito tributário; — outorga de isenção,' III— dispensa do cumprimento de obrigações acessórias Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo o caso, o prazo de sua duração." Conforme se extrai dos dispositivos legais supracitados, qualquer espécie de isenção e/ou hipótese de não incidência que o Poder Público pretenda conceder ao contribuinte deve decorrer de lei disciplinadora, sendo sua interpretaçãô literal e não extensiva. Ocorre que, as importâncias que não integram o salário de contribuição estão expressamente listadas no artigo 28, § 9°, da Lei n° 8.212/91, não constando do referido 9 dispositivo legal as verbas pagas a segurados empregados sob a rubrica de "Prêmios" através dos cartões de premiação, não se cogitando, assim, na improcedência do lançamento na forma requerida pela Recorrente. Art. 28, Entende-se por salário-de-contribuição: § 90 Não integram o salário-de-contribuição, exclusivamente: e) as importáncias: (Alinea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei n'9,528, de 10..12.97 7.recebidas a titulo de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei n"9.711, de 1998) Ao admitir a não incidência de contribuições previdencidrias sobre as verbas pagas aos segurados empregados na forma de prêmios (gratificação ajustada), teriamos que interpretar o artigo 28, § 90, da Lei no 8.212/91, de forma extensiva, o que vai de encontro com a legislação tributária, como acima demonstrado. Com efeito, nos termos do artigo 28, § 9 0, não integram o salário de contribuição as importâncias recebidas pelo empregado ali elencadas, sendo defeso a interpretação de referida previsão legal extensivamente, de forma a incluir outras verbas, sendo aquela (s) constante (s) da norma disciplinadora do "beneficio" em comento, em observância ao dispósto nos artigos 111, inciso II e 176, do CTN. Ademais, observa-se que a própria Recorrente, à fis, 441, considera tais verbas como prêmios, ou seja, o empregado os receba mediante cumprimento de metas pre- estabelecidas pela empregadora, em outras palavras, urna vantagem: " (,.) 17.0uti assim, a natureza jurídica do pagamento dos prêmios está prevista na legislação trabalhista e previdenciciria como ganhos não habituais, sendo que, caso o empregado os receba mediante cumprimento de metas pré-estabelecidas pela empregadora e de forma não habitual, isto é, eventualmente, como no presente caso, não integra a sua remuneração, Mio incidindo reflexos trabalhistas." cediço que este tema da incidência da contribuição social previdencidria sobre o valor das remunerações pagas a segurados empregados por meio de cartões de premiação é matéria pacificada no âmbito desta Colenda Camara no sentido de procedência dos lançamentos efetuados pela Auditoria Fiscal, corno se infere a seguir dos seguintes julgados: Recurso 146.668— Voluntário Acórdão 2401-00.294 — 4"Cámara 1" Turma Ordinária Sessão de 3 de junho de 2009 Assunto: contribuições Sociais Previdencicirias Período de apuração: 01/07/2001 a 31/12/2005 Processo ri° 18192 000042/2007-81 S2-C4 .13 Acórdüo n.° 2403-00.221 Fl 464 DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF APLICAÇÃO DO ART. 1.50, ,§4` ), DO GIN, E de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamemo do credito tributário relativo a contribuições previdenciárias PAGAMENTO DE VERBAS A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS A TITULO DE PRODUTIVIDADE. PROGRAMA DE INCENTIVO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. A teor do disposto no art. 28, I, da Lei 8.212/91, integram o salário de contribuição para fins de incidência da contribuição previdenciária as verbas pagas a segurados empregados e diretores por intermédio da empresa Incentive House LTDA. INCONSTITUCIONALIDADE MULTA. CONFISCO- Não cabe ao Conselho de Contribuintes a análise de inconstitucionalidade. Matéria sumulada. RECURSO DE OFICIO. Não se conhece de recurso de oficio cujo valor do crádito tributário exonerado em primeira instância, não alcança o valor legalmente estipulado para a sua inteiposigão RECURSO DE OFICIO NÃO CONHECIDO. Recurso 151.960— Voluntário Acórdão 2401-00.619— 4" Câmara I" Turma Ordinária Sessão de 20 de agos-to de 2009 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2005 PREVIDENCIÁRIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DEBITO. REMUNERAÇÃO CARTÕES DE PREMIAÇÃO PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. Integram o salário de contribuição os valores pagos a titulo de prêmios de incentivo . Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contrapresta cão de serviço prestado, razão pela qual, possui natureza jurídica solarial. NORMAS PROCEDIMENTAIS. AFERIÇÃO INDIRETA/ARBITRAMENTO, Aplicável a apuração do crédito previdenciário por aferição indireta/arbitramento na hipótese de deficiência ou ausência de quaisquer documentos- ou informações solicitados pela fiscalização, que lançará o débito que imputar devido, invertendo-se o ônas da prova ao contribuinte, com esteio no artigo 33, §§ 3"e 6", da Lei 8 212/91, c/c artigo 233, do Regulamento da Previdência Social. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. 4, Recurso 153.149— Voluntá, io Acórdão 2402-00.028— 4" Cámara 20 Turma adinária Sessão de 9 de julho de 2009 Assunto. Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2002 a 31/12/2005 SALÁRIO INDIRETO - PRÊMIOS DE INCENTIVO - CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDÊNCIA Integram o salário de contribuição os valores pagos a título de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual do trobalhadm; o prentio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação de serviço prestado, razão pela qual, possui natureza jurídica salarial, RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Recurso 158879— Voluntário Acórdão: 2403-00.001 — 4" CO' mara 3" Turma Ordinária Sessão de 28 de abril de 2010 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2003 a 31/12/2006 PRÊMIO - INTEGRA 0 SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO Valores pagos aos segurados empregados, em decorrência do cumprimento de metas ou estimulo pelos resultados obtidos , ainda que efetivados na forma de utilidades (vales ou cupom), constitui premio, parcela indiscutivelmente de nautreza solaria!, integrando, em conseqüência, a remuneração e, por extensão, o salário-de-contribuição da Previdência Social. MULTA DE MORA Devido ti nova redação do artigo 35 da Lei 8.212/91 dada pela Lei 11,941/2009, a multa de ntora deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica para o contribuinte. RECURSO VOLUNTARIO PROVIDO EM PARTE. Anota-se no mesmo sentido a jurisprudência administrativa do Conselho de Recursos da Previdência Social e do 2° Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda: "Assunto: Contribuições Sociais Previdenciár ias Período de apuração.' 01/02/2003 a 31/12/2005 Ementa: NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO - REMUNERAÇÃO. INCENTIVE HOUSE PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁR1A MULTA MORATÓRIA E OS JUROS SELIC SÃO DEVIDOS NO CASO DE INADIMPLÊNCIA DO CONTRIBUINTE. 12 Processo n 0 18192,000042/2007-81 S2-C4T3 Acórchio n.° 2403-00.221 Fl 465 A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, administrativo pela Incentive House SA é.fato gerador de contribuição previdencitiria. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônu.s de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previ.stos. Recurso Voluntário Negado " (Sexta Câmara do Segundo Conselho — Recurso n° 141822, Acórdão n° 206-00286, Sessão de 11/12/2007) "PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO PRÊMIOS — SAT — SESC — SENAC — SEBRAE — INCRA — SELIC Os prêmios ou bonificações vinculados a fatores de ordem pessoal do trabalhador e pagos aos empregados que cumprirem a condição estipulada terão natureza salarial e integrarão o salário-de-contribuição, de acordo com art. 28, I, da Lei 8.212/91, de 24 de julho de 1991 c/c art. 214, I, do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 05 de maio de 1999. [J (43 Câmara do CRPS, Acórdão n°3153/2004) A corroborar esse entendimento, o Parecer/CJ le 1.797/1999, determina que os prêmios decorrentes de um trabalho prestado, observadas as condições estipuladas, terão natureza salarial e, conseqüentemente, integrarão o salário de contribuição: 119. A Consolidação das Leis do Trabalho, ao tratar da remuneração do empregado, estabeleceu que: Art. 457. Compreendem-se na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. § 1 0 Integram o salário não só a imponência fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (grifo nosso) 10. Portanto, como o salário é elemento reinuneratório do trabalho e se determinada parcela remuneratória se originou em decorrência única e exclusiva do vinculo laboral entre empregado e empregador, esta não deve ser excluída da base de cálculo da contribuição. 11. Em face deste conceito, algumas considei ações se fazem necessárias sobre a natureza jurídica dos valores pagos a titulo de Prémios. Segundo o Professor AMA URI MASCARO NASCIMENTO; 13 A - CONCEITO E FUNDAMENTO. Não estão previstos em nossa lei, mas são encontrados como forma de pagamento de empregados. Prêmio é viu salário vinculado a fatores de ordem pessoal do trabalhador, como a producão, a eficiência etc. Não pode ser forma única de pagamento. A natureza jurídica salarial do prêmio não sofre, praticamente, contestações. È uma forma de salário vinculado a um .fator de ordem pessoal do empregado ou geral de muitos empregados, via de regra, a sua produção. Dai se idol; também, em se/duo por produção. Caracteriza-se, também, pelo seu aspecto condicional. Uma vez verificada a condição de que resulta, deve .ser pago. B- DIFERENÇA DE OUTRAS FIGURAS O prêmio não se confunde com a par ticipa cão nos lucros, uma vez que sua causa não é a percepção de lucros pela empresa, mas o cumprimento, pelo empregado, de uma condição preestabelecida (ex.• uma determinada produção). Nem com a gratificação do, cujos causas dependem mais de fatos ou acontecimentos objetivos e extemos à vontade do empregado, enquanto o premio está diretamente ligado ao esforço, ao rendimento do empregado. Também não é confundivel com comissões, porque estas têm por base um negócio .fechado através do empregado, enquanto o premio tem coma causa um aumento de produção ou de eficiência. Em outras palavras, as comissões pendem para o setor comercial, e os prêmios, para o setor industrial C - CLASSIFICAÇÃO Há diversas modalidades de prêmios criadas pelas necessidades do processo de produção. Sao mais difitndidos os prêmios de produção, instituidos para que o empregado se anime a produzir mais e pagos sempre que o trabalhador, individual ou co/ativamente, atingir um limite ixado pelo empregador; o prêmio de assiduidade, pago ao empregado que não falta ao ser viço mais que o número de dias por Ws que a empresa determina); e o prêmio de zelo, pago ao empregado que não danifica os bens da empresa, em especial ao motorista da empresa de ônibus que não der causa a colisão do veiculo durante o Inds. Diante da natureza jurídica salarial os prêmios: a) integram a remuneração-base para recolhimento do depósitos do Fundo de Garantia do tempo de Serviço, de contribuições previdencicirias, cálculo de indenização, 13° salário, repouso remunerado, férias etc.; b)n ao podem ser suptinzidos unilaterahnente; c) não podem ser absorvidos pelo salário, salvo concordância do empregado e desde que não o prejudique; d) se não verificada a condição que os causa, não são exigíveis pelo empregado, e) obedecem ao critério de médias, para o cômputo da remuneração; fi por serem aleatórios, como a participação nos lucros e as gratificações- de balanço, não podem ser admitidos conzo forma única de salário, pressupondo sempre a existência, ao seu lado, de um salário fixo, garantido e invariável para a subsistência do trabalhador (in Iniciação ao Direito do Trabalho, 24" ed., LTr, SP, 1998, Rigs. 343/344) (grifo nosso) 14 Processo n°18192.000042/2007-81 S2-C4T3 Acórao n.° 2403-00.221 Fl. 466 1.2. Também neste sentido as .seguintes decisões do Tribunal Superior do Trabalho. A parcela bonificação por assiduidade/produtividade constitui salário para todos os efeitos legais. Seu caráter condicional não lhe altera natureza jurídica de salário. (TST R1? 189.047/9.5. 2' Turma. Relator Ministro JOSÉ LUCL4.NO DE CASTILHO. DJ 22,11.96) (grifo nosso) Sem prejuízo da terminologia usada, 'bonificação', o fato é que referida verba tem natureza prenzial e, como tal, identifica-se como salário, de vez que originou-se do contrato de trabalho e sempre foi paga como retribuição e incentivo, respectivamente produção e assiduidade do reclamante ao serviço, no curso da semana. Desde que determinada verba seja ajustada de forma expressa ou tácita, presentes nesta irltima hipótese a babitualidade, a periodicidade e a uniformidade de seu pagamento, e objetive remunerar o empregado pelo trabalho executado, sua natureza salarial manifesta-se plena. (TST. ERR 192.120/95.7,. SDI-1,. Relator Ministro MILTON DE MOURA FRANÇA. DJ 1.8.97) (grifo nosso) 13. Do exposto, podemos concluir que a prestação paga por uma empresa ern favor de seus empregados a titulo de Prêmios, mesmo que subordinada ao implemento de uma condição, tem natureza salarial. Ressalte-se que para caracterizar o Prêmio como salário é necessário que uma ,remuneração do trabalho executado, e segundo, seja pago ao empregado ou grupo de empregados que cumprir a condição estipulada. Dessa forma, unia vez presentes tais requisitos, os Prêmios terão natureza salarial e, por conseguinte, integrarão o salário-de-contribuição." (grifo nosso) Registre-se, que não basta o recebimento de prêmio de forma aleatória, deve advir de um trabalho executado, cumpridas as condiçaes estipuladas. Na hipótese dos autos, os funcionários da recorrente prestaram serviços e atingiram o requisito necessário a concessão do prêmio, qual seja, a eficiência nos trabalhos desenvolvidos, se enquadrando perfeitamente na hipótese de incidência dascatitribs_ previdenciiirias. Em relação à habitualidade, esta não fica caracterizada apenas pelo pagamento em tempo certo, de forma mensal, semestral, etc., mas pela garantia do recebimento a cada implemento de condição por parte do trabalhador. Tratando-se de prêmios, não há que se falar em habitualidade, bastando que o empregado alcance a condição predeterminada pelo empregador para fazer jus Aquele beneficio, como forma de gratificação ajustada, que para todos os efeitos é considerado como remuneração, nos precisos termos do artigo 457, § 1°, da CLT, in verbis: "Art. 457. Compreendem-se na remuneração cio empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber 15 § 1' Integram o salário não só a importância ,fixa estipulada, como também, as comissões, pez 'contagens eratificacões ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador." (g1 ffamos) Ademais, o pagamento de prêmios por cumprimento de condição leva tais valores e aderirem ao contrato de trabalho, cuja eventual supressão pode caracterizar alteração prejudicial do contrato de trabalho, o que é vedado pelo art 468 da Consolidação das Leis do Tr abalho: "Art. 468. Nos contratos individuais de trabalho só é licita a alteração das respectivas condições por mútuo consentimento, ainda assim, desde que não resultem, direta ou indiretamente, prejuízos ao empregado, sob pena de nulidade da cláusula ity5 ingente desta garantia. ". 0 entendimento acima encontra respaldo na jurisprudência trabalhista, confonne se verifica nos seguintes julgados: "Prêmios, Salário-condição. Os prêmios constituem modalidade de salário-condição, sujeitos a fatores determinados. E, como tal, integram a remuneração do autor estritamente nos meses em que verificada a condição".(RO-23976/97 — TRT 3" Reg, — 1" T — relator juiz Ricardo Antônio Mo/ia/lain — D.I111G 22-01-99)" "Comissões e prêmios. Distinção, Comissão e um porcentual calculado sobre as vendas ou cobranças feitas pelo empregado em z favor do empregador. O prêmio depende do atingimento de metas estabelecidas pelo empregador, É salário-condição. Uma vez atingida a condição, a empresa paga o valor combinado. Não se pode querer que o preposto saiba a natureza jurídica entre uma verba e outra". (Proc. n" 00693-2003-902-02-00-7 — Ac, 20030282661 — TRT 2" Reg. - 3" Turma — relator juiz Sergio Pinto Martins — DOESP 24-.06-03)" Consoante se infere dos dispositivos legais e jurisprudência acima expostos, não resta dúvida que os valores recebidos pelos empregados intitulados de cartão FLEXCARD devem integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias, uma vez que considerados salário de contribuição, na forma de gratificação ajustada, se enquadrando perfeitamente no conceito de salário de contribuição, inscrito nos artigos 22, inciso I, c/c artigo 28, inciSo I, da Lei n° 8.212/91, que assim prescrevem: "Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada Seguridade Social, além do disposto no art 23, é de: I- vinte por cento sobre o total das renumerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as goijetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo it disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. Art 28. Entende-se por salário-de-contribuição. 16 Processo n" 18192.000042/2007-81 Acórdao n.° 2403-00.221 S2-C4T3 F 467 I - para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; " (grifamos) Neste sentido, tendo a Recorrente concedido a seus segurados empregados gratificação ajustada (Prêmios), não há que se falar em não incidência de contribuições previdericiárias sobre referidas verbas, por se caracterizarem como salário de contribuição, impondo a manutenção do feito. No que tange a jurisprudência trazida à colação pela recorrente, mister elucidar, com relação As decisões exaradas pelo Judiciário, que os entendimentos nelas expresso sobre a matéria ficam restritos As partes do processo judicial, não cabendo a extensão dos efeitos jurídicos de eventual decisão ao presente caso, até que o Supremo Tribunal federal - STF tenha se manifestado em definitivo a respeito do tema. Assim, escorreita a decisão Recorrida devendo nesse sentido ser mantido o Auto de Infração, uma vez que a Recorrente não logrou infirmar os elementos colhidos pela Fiscalização que serviram de base para constituição do crédito previdenciario, atraindo pra si o ônus probandi dos fatos alegados. Não o fazendo razoavelmente, não há como se acolher a sua pretensão. CÁLCULO DA MULTA Recálculo da multa com base no art. 32-A, II, Lei 8.212/1991, a partir da alteração da Lei 11.941/2009. No que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face A edição da recente Medida Provisória n° 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. A citada Lei 11.941/2009 alterou a sistemática de calculo de multa por infrações relacionadas GFIP. Para tanto, a Lei 11.941/2009, inseriu o art, 32-A, o qual dispõe o seguinte: "Art.32-AO contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art, 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentá-la ou a prestar esclarecimentos e sujeitar-c-á as seguintes multas: I- de dois por cento ao mês-calendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no 0'; e 17 II- de R$ 20,00 (vinte reais)para cada grupo de dez info, inações incometas ou omitidas §F-Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do capirt, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declara cão e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não- apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento §2° Observado o disposto no §. 3', as multas serão reduzidas.. I- a metade, quando a declaração for api escutada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de oficio; ou II- a setenta e cinco por canto, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação §3° A multa minima a ser aplicada será de: R$ 200,00 (duzentos reais), tratando-se de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos", Considerando o principio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea "c", do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face As alterações trazidas. Art.106 - A lei aplica-se a ato ou/ato pretér ito.: (.. - tratando-se de ato não definitivamente julgado: c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso da presente autuação, Auto de Infração n°. 37.027.906-9, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, Lei n° 8.212/1991 e do art. 32, § 5', da Lei n° 8.212/1991, o qual previa que pena administrativa correspondente A multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no art. 32, § 4°, da Lei n°8.212/1991. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art, 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, corn a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei n°8.212/1991 c/c o art. 32, § 5°, Lei n° 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei IV 8.212/1991 c/co art. 32-A, Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11,941/2009, Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. 18 Processo 0 18192,000042/2007-81 S2-C4T3 AcOrddo n.° 2403-00.221 Fl. 468 CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, NO MÉRITO, DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para que se recalcule o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo corn o disciplinado no art. 32-A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. corno voto. Sala das Sessões, em 2 de outubro de 2010 PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO - Relator 19 MINISTÉRIO DA FAZENDA -CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo n°: 18192.000042/2007-81 Recurso n°: 159.082 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial no 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2403-00.221 Brasilia, 06 de Dezembro de 2010 RIA MADALENA SILVA Chefe da Secretaria da Quarta Camara Ciente, com a observação abaixo: ] Apenas com Ciência Com Recurso Especial Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
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Numero do processo: 11060.000731/2005-80
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/04/2004 a 31/12/2004
PIS NÃO CUMULATIVO. MERCADO EXTERNO. SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO.
Não tendo sido franqueado ao interessado o direito a se pronunciar antes da prolação do despacho decisório de origem, que restringiu a análise aos estritos termos dos pedidos de ressarcimento, homologa-se a compensação pleiteada até o limite do saldo creditório apurado pela Fiscalização.
Numero da decisão: 3803-002.252
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Alexandre Kern, que fez declaração de voto.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 31/12/2004 PIS NÃO CUMULATIVO. MERCADO EXTERNO. SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. Não tendo sido franqueado ao interessado o direito a se pronunciar antes da prolação do despacho decisório de origem, que restringiu a análise aos estritos termos dos pedidos de ressarcimento, homologase a compensação pleiteada até o limite do saldo creditório apurado pela Fiscalização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Alexandre Kern, que fez declaração de voto. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Fl. 546DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2011 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 19/11/2011 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 18/11/2011 por HELCIO LAFETA REIS 2 Tratase de retorno dos autos da repartição de origem com os resultados da diligência requerida por esta Terceira Turma Especial em 1º de junho de 2011, por meio da Resolução nº 380300.104. Em 29 de março de 2005, o contribuinte supra identificado protocolizou na Receita Federal Pedidos de Ressarcimento de Créditos da Contribuição para o PIS dos segundo, terceiro e quarto trimestres de 2004, com fundamento no art. 5º, § 1º, da Lei nº 10.637/2002 (fls. 1 a 3). Posteriormente, em 26 de abril de 2005, o contribuinte apresentou Declarações de Compensação (fls. 337 e 355), com o intuito de quitar débitos relativos a outros tributos com os créditos decorrentes dos ressarcimentos pleiteados. Após análise dos documentos entregues pelo contribuinte, de planilha de cálculo da contribuição, do registro de inventário, de balancete do ano de 2004, da Dacon e da DCTF, a Fiscalização refez o cálculo dos créditos e débitos da Contribuição para o PIS na modalidade não cumulativa, tendo sido apurado crédito referente a mercadorias exportadas inferior ao valor solicitado pelo contribuinte (fl. 413). A par dos procedimentos fiscais realizados, a autoridade administrativa da repartição de origem decidiu por deferir apenas parcialmente os ressarcimentos solicitados e homologar as compensações até o limite do direito creditório reconhecido (fls. 414 a 416). Não satisfeito com o resultado de sua demanda, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 442 a 443) e requereu o deferimento do pedido de compensação e o reconhecimento dos créditos no montante solicitado, arguindo que a divergência de cálculos se deveu ao fato de que ele utilizara, na apuração dos créditos pleiteados, a publicação errada do informativo denominado “Informare” nº 5, de janeiro de 2004. Alegou, ainda, que a Fiscalização, ao refazer os cálculos da contribuição, apurara créditos que não teriam sido aproveitados, em razão do que requeria fossem eles considerados nas parcelas da compensação não homologadas. A DRJ Santa Maria/RS indeferiu a solicitação (fls. 460 a 463), cujo acórdão restou ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Periodo de apuração: 01/04/2004 a 31/12/2004 1 DIREITO CREDITÓRIO. APRECIAÇÃO DE PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. A alegação da existência de novos créditos, que não constaram do Pedido de Ressarcimento ou de Declaração de Compensação, deve ser analisada, originariamente, pela DRF com jurisdição sobre o domicilio tributário do sujeito passivo. Solicitação Indeferida Ressaltou o relator a quo que o contribuinte não se opusera aos valores apurados pela Fiscalização, mas pretendera, com a impugnação do despacho decisório, tão somente, que os novos créditos que constaram da planilha elaborada pela Administração tributária fossem computados para fins de compensação. Fl. 547DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2011 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 19/11/2011 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 18/11/2011 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11060.000731/200580 Acórdão n.º 380302.252 S3TE03 Fl. 523 3 Argumentou a autoridade julgadora de primeira instância que os créditos apurados pela fiscalização seriam aqueles demonstrados às fls. 411 e 412, sendo considerados passíveis de serem utilizados em compensação, em virtude de operações de exportação, os relacionados na linha 57 (fl. 411). Esclareceuse, ainda, que os créditos utilizados para compensação deveriam se restringir aos apurados ao final de cada trimestre, em virtude das disposições do art. 21 da Instrução Normativa SRF nº 600/2005, e que, em relação ao 2° trimestre de 2004, o valor total dos créditos cujo ressarcimento havia sido solicitado fora totalmente reconhecido, tendo restado saldo creditório em razão de terem sido solicitados valores menores que os apurados pela Fiscalização. Quanto aos 3° e 4° trimestres, ressaltou o relator que o valor que havia sido solicitado seria maior que o valor dos créditos apurados pela fiscalização, resultando no reconhecimento parcial do direito creditório pleiteado, sendo que, em determinados meses, fora apurado saldo credor da contribuição, considerandose todos os créditos do contribuinte, sem a segregação dos créditos que permitiriam a formulação de pedido de ressarcimento/compensação em virtude da origem das receitas a que estivessem vinculados e os que somente serviriam para desconto do valor da contribuição apurada em cada período. Salientouse que, de acordo com o Demonstrativo de fls. 411 e 412, todos os créditos da contribuição para o PIS disponíveis para compensação no terceiro e quarto trimestres de 2004 teriam sido aproveitados nas compensações declaradas. Consignouse, também, que a pretensão do contribuinte de ter computados em seus pedidos de ressarcimento os valores apurados pela fiscalização, o que resultaria em créditos maiores em relação aos por ele apurados, esbarraria no fato de que a fiscalização apurara os créditos levandose em conta os valores dos débitos declarados em DCTF, o que a conduzira a concluir que tais valores seriam créditos passíveis de compensação, sendo que, em relação a esses débitos declarados, não haveria provas nos autos sobre o seu recolhimento. Por outro lado, argumentouse que a existência ou não de novos créditos em período de apuração que já havia sido objeto de Pedido de Ressarcimento e Declaração de Compensação deveria ser analisado, num primeiro momento, na Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) com jurisdição sobre o domicílio tributário do contribuinte, nos termos do art. 41 da IN SRF n° 600/2005, pois o reconhecimento do direito creditório em relação a outros créditos, além daqueles já pleiteados, dependeria da apresentação de novo pedido a ser submetido à apreciação da repartição de origem. Irresignado, o contribuinte recorreu a este Conselho (fls. 474 a 484) e requereu a extinção integral do crédito tributário da contribuição para o PIS, bem como a suspensão da sua exigibilidade até o julgamento definitivo deste processo, repisando os mesmos argumentos e salientando que, de acordo com o art. 163 do Código Tributário Nacional (CTN), bem como com a Instrução Normativa SRF nº 600/2005, a autoridade administrativa seria obrigada a efetuar a imputação ou compensação de ofício, precipuamente por não restar dúvida quanto à existência do direito creditório. Esta Terceira Turma Especial, em 1º de junho de 2011, decidiu por converter o julgamento em diligência à repartição de origem, para que se informasse se as parcelas dos créditos apurados pela Fiscalização que excediam aquelas já absorvidas nas compensações homologadas permaneciam disponíveis para ressarcimento/compensação, ou seja, se ainda não Fl. 548DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2011 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 19/11/2011 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 18/11/2011 por HELCIO LAFETA REIS 4 tinham sido compensadas ou ressarcidas em outro(s) processo(s) ou procedimento(s) administrativo(s), bem como qualquer outro dado que pudesse influir no convencimento dos julgadores de segunda instância administrativa para decidir (fls. 494 a 496). Os resultados da diligência constam do Relatório de fls. 520 a 521, elaborado pela repartição de origem, tendo sido concluído que o crédito de R$ 17.666,75, apurado pela Fiscalização, não foi utilizado em outra restituição ou compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Conforme já havia sido apontado no voto prolatado no bojo da Resolução nº 380300.104, de 1º de junho de 2011 (fls. 494 a 496), nos presentes autos, restou controvertida apenas a questão referente à compensação requerida pelo Recorrente em relação a alegados créditos que teriam sido apurados pela Fiscalização mas não computados nas compensações. Sobre tais créditos excedentes, não havia sido franqueado ao Recorrente o direito à pronúncia, tendo sido exarado o despacho decisório tendose em consideração os estritos termos dos pedidos de ressarcimento formalizados. Se ao interessado tivesse sido franqueado prazo para se pronunciar, antes da ciência da decisão administrativa de origem, ele poderia, nos termos do art. 57 da Instrução Normativa SRF nº 600/2005, ter apresentado retificação dos pedidos de ressarcimento, adequandoos às apurações procedidas pela Fiscalização. Nesse contexto, esta Terceira Turma, com o fito de assegurar ao Recorrente a efetividade do seu direito, decidiu por baixar os autos em diligência à repartição de origem para que se obtivesse informação quanto à disponibilidade do saldo credor, relativo à parcela não reconhecida do crédito apurado pela Fiscalização. A repartição de origem, no cumprimento da diligência requerida, concluiu que o crédito remanescente de R$ 17.666,75 (dezessete mil, seiscentos e sessenta e seis reais e setenta e cinco centavos), apurado pela Fiscalização, ainda não havia sido utilizado em outra restituição ou compensação, encontrandose na situação de “disponível” (fl. 521). Poderseia argumentar que, em razão do fato de a autoridade julgadora de primeira instância não ter apreciado o mérito da matéria sob análise, dado que negara o direito pleiteado sob o argumento de que o pedido do interessado não teria sido formulado na repartição de origem, estarseia suprimindo instância, com infração aos princípios do duplo grau de jurisdição, da ampla defesa e do contraditório. Contudo, tal possibilidade não acarretará a declaração de nulidade da decisão de piso, pois, nos termos do art. 59, § 3º, do Decreto nº 70.235/1972 (PAF), quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Dessa forma, tendose em conta que a materialidade do crédito sob análise já havia sido atestada pela Fiscalização e que ele ainda se encontra disponível para o Recorrente, Fl. 549DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2011 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 19/11/2011 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 18/11/2011 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11060.000731/200580 Acórdão n.º 380302.252 S3TE03 Fl. 524 5 voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, no sentido de acolher a compensação até o limite do direito creditório apurado pela Fiscalização. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator Declaração de Voto Conselheiro Alexandre Kern De acordo com o relatado pelo ínclito Conselheiro Hélcio Lafetá Reis, o ora recorrente, no momento processual da Manifestação de Inconformidade, requereu a compensação de novos créditos com débitos que emergiram da homologação apenas parcial das compensações originalmente declaradas. A DRJ/STM, no meu entender, corretamente, indeferiu a solicitação, haja vista não deter competência originária para a apreciação de pleitos da espécie, consoante o art. 41 da Instrução Normativa SRF no 600, de 2005. Em grau de recurso, vem agora a 3a. Turma Especial da 3a. Seção de Julgamento do CARF travestirse de Delegacia da Receita Federal do Brasil e autorizar a compensação de crédito que não foi objeto da necessária declaração de compensação, muito menos passou pelo crivo da autoridade legalmente autorizada a apreciar o pleito. Como é cediço, o processo deve caminhar sempre para o seu final, sendo defeso modificarse o objeto, depois da manifestação inicial das partes, ou seja, depois de estabilizada a lide (cf. artigo 303 do Código de Processo Civil). Pontes de Miranda qualifica tal atribuição do processo como princípio da entropia negativa, pelo qual todos os atos processuais convergem para o desfecho do feito, a fim de compor com a maior rapidez possível os interesses contrapostos das partes em litígio, em obediência à celeridade, economia, e efetividade processuais. Desta forma, ao tratar de outros supostos créditos que, muito embora tenham sido aventados pela Fiscalização, não foram reconhecidos em Despacho Decisório, a presente decisão abordou questão estranha a estes autos, decidindo ultra petita. Convém nesse ponto lembrar que o Código de Processo Civil tem aplicação subsidiária ao PAF (Decreto no 70.235, de 1972) e qualquer decisão que sobeje o pedido originalmente formulado pelo interessado, caracterizando um julgamento ultra petita, evidencia um flagrante ultraje ao comando estatuído no art. 128 do CPC , como disposto abaixo: Fl. 550DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2011 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 19/11/2011 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 18/11/2011 por HELCIO LAFETA REIS 6 “Art. 128. O juiz decidirá a lide nos limites em que foi proposta, sendolhe defeso conhecer de questões, não suscitadas, a cujo respeito a lei exige a iniciativa da parte.” A doutrina não destoa. Moacyr Amaral Santos (Comentários ao Código de Processo Civil, RioSão Paulo, Forense, 1973, p. 441) ensina que: “Fiel ao princípio dispositivo, o Código consagra o princípio de adstrição do juiz ao pedido da parte. Fêlo no art. 128. Repeteo no art. 460, agora como requisito da sentença: a sentença deverá ser a resposta jurisdicional ao pedido do autor, nos limites em que este o formulou. Afastandose desses limites, a sentença decide extra ou ultra petita. A sentença deverá conter se nos limites do pedido, tanto no que concerne ao pedido imediato como no que concerne ao pedido mediato.” (negrito na transcrição) O Superior Tribunal de Justiça, em casos tais, tem entendimento pacificado no sentido de que a matéria extravagante decidida é nula: "É nulo o acórdão que, apreciando controvérsia não suscitada, a cujo respeito a lei exige a iniciativa da parte, extravasa os limites da postulação recursal. Vulneração dos arts. 128 e 515 do CPC" (STJ4 a. Turma, Resp 12.093PI, rel. Min. Barros Monteiro, j. 28.9.92, deram provimento, v.u., DJU 16.11.92, p. 21.144)." (in "Código de Processo Civil e Legislação Processual em Vigor", Theotonio Negrão e José Roberto F. Gouvêa, nota 4 ao artigo 128, 36 a. ed., Saraiva, pág. 237) Logo, é defeso, em sede de recurso voluntário, deferirse pretensão que não foi deduzida pelo contribuinte em seu pedido, pois, se assim não for, restará ferido de morte o princípio da adstrição do juiz ao pedido da parte. Com essas considerações, necessário negar provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Fl. 551DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2011 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 19/11/2011 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 18/11/2011 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11060.000731/200580 Acórdão n.º 380302.252 S3TE03 Fl. 525 7 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara Processo nº: 11060.000731/200580 Interessada: THOR MÁQUINAS E MONTAGENS LTDA. TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 4º do art. 63 e no § 3º do art. 81 do Anexo II, c/c inciso VII do art. 11 do Anexo I, todos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, fica um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, intimado a tomar ciência do Acórdão no 380302.252, de 09 de novembro de 2011, da 3a Turma Especial da 3a Seção. Brasília DF, em 09 de novembro de 2011. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com ciência ( ) Com embargos de declaração ( ) Com recurso especial Em ____/____/______ Fl. 552DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2011 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 19/11/2011 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 18/11/2011 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 13931.000945/2008-28
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3803-000.216
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à repartição de origem, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à repartição de origem, nos termos do voto do relator. [assinado digitalmente] ALEXANDRE KERN Presidente. [assinado digitalmente] JORGE VICTOR RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Belchior Melo De Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento de créditos da COFINS – mercado interno e que não puderam ser compensados com débitos das próprias contribuições decorrentes das operações no mercado interno, referente ao 3º trimestre de 2005, no valor total de R$ 4.987,53. Com fulcro no crédito informado no Pedido de Ressarcimento, a contribuinte transmitiu Declaração de Compensação. A DRF em Ponta Grossa não homologou a compensação pois, da análise da documentação apresentada pela contribuinte, constatouse a inexistência de créditos vinculados Fl. 403DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ALEXANDRE KERN 2 ao mercado externo. Segundo o despacho decisório recorrido, os créditos do período em questão foram apropriados somente na rubrica “Outros Valores com Direito a Crédito”, em virtude das aquisições de grãos (milho, soja e trigo) de pessoas físicas e com a aplicação da alíquota da contribuição sobre o valor das exportações realizadas. A autoridade fiscalizadora entendeu que a Interessada não era uma empresa agroindustrial, e portanto, não poderia fazer jus ao aproveitamento do crédito pleiteado. A atividade desenvolvida pela empresa é a de comercialização de adubos, defensivos agrícolas e sementes, na matriz, e de cerealista na filial. Entendeuse, ainda, que faltava o cumprimento de outro requisito legal: “que os produtos sejam destinados à alimentação humana ou animal”. Como o crédito indicado é relativo à exportação e todos os produtos foram comercializados para empresas comerciais exportadoras, não ocorreu a destinação dos produtos à alimentação humana ou animal. A autoridade fiscal consignou que a contribuinte não faz jus ao crédito das cerealistas, tendo em vista que a partir de 01/08/2004 o crédito presumido das cerealistas está vedado pelo § 4º, do art. 8º da Lei 10.925/2004. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, aduzindo o seguinte: "por tratarse de pedido eletrônico de ressarcimento de crédito, o contribuinte RATIFICA as suas razões em conteúdo na defesa dos autos processuais de n. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000". Assim, pretende que lhe seja assegurado o direito às retificações sem a incidência de penalidade, além de requerer a desclassificação do despacho decisório em virtude de manifesta nulidade das diligências em face do vício insanável do MPFF. A DRF em Curitiba reconheceu a conexão entre as demandas e apreciou todas as razões constantes nas impugnações dos processos ns. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000 que, ao seu ver, guardassem relação com os motivos para o indeferimento do pedido de ressarcimento pela autoridade fiscal. A título de esclarecimento, os processos mencionados alhures dizem respeito aos Autos de Infração lavrados para a exigência de PIS e COFINS, lançados em decorrência da análise do direito creditório promovida nos créditos das contribuições nos anos de 2003 a 2007. Verificouse, ainda, que em diversos períodos de apuração ocorreu a não tributação de algumas receitas pelo contribuinte, motivo pelo qual lhe restou saldo devedor da contribuição, o que motivou o lançamento. Desta feita, foi analisado pelos julgadores de piso, a contestação das glosas do crédito, a nulidade alegada e o direito à retificação sem a incidência de penalidades, consubstanciada nos seguintes tópicos: “decadência”, “hermenêutica”, “créditos sobre bens para revendas”, “créditos utilizados como insumos”, “serviços utilizados como insumos”, “bens do ativo imobilizado”, “débitos apurados” , “grãos”, “das sementes” e “posição 2710 da NCM”. Por unanimidade de votos, acordaram os membros daquela DRJ, em considerar não formulado o pedido de diligência, não acatar as argüições de nulidade do procedimento fiscal e não acolher as razões de inconformidade, negando a solicitação de Fl. 404DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13931.000945/200828 Acórdão n.º 3803000.216 S3TE03 Fl. 2 3 reforma do Despacho Decisório recorrido, de modo a manter a não homologação da compensação pleiteada. A ementa do julgado transcrevemos a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. COMPRAS DE BENS DE PESSOA FÍSICA. IMPOSSIBILIDADE. No sistema da não cumulatividade da Cofins, não gera direito a crédito básico as compras efetuadas de pessoas físicas. CEREALISTA. EXPORTAÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. No período de vigência do §11 do. Art .3° da Lei n.° 10.833,de2003, as empresas cerealistas somente podiam apurar crédito presumido da Cofins e do PIS em relação aos produtos in natura de origem vegetal indicados nesse dispositivo, adquirido diretamente de pessoas físicas, quando eles fossem revendidos a agroindústrias que os utilizassem como insumos na produção dos produtos especificados na lei, e , como decorrência, os produtos adquiridos de pessoas físicas exportados por cerealista não dão direito a crédito presumido das citadas contribuições. CRÉDITO PRESUMIDO. BENS ADQUIRIDOS DE PESSOA FÍSICA. AGROINDÚSTRIA. Somente a pessoa jurídica que produza mercadorias de origem animal ou vegetal., classificadas na legislação de regência, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculados sobre o valor dos bens e serviços adquiridos de pessoas físicas residentes no País. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 NULIDADE.PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não constitui requisito de validade do lançamento, pois é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos de auditoria fiscal. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ALEXANDRE KERN 4 Se o autuado revela conhecer as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas de forma meticulosa, com impugnação que abrange questões preliminares e razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. COMPENSAÇÃO.HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Somente o corre a homologação tácita da compensação declarada pelo sujeito passivo com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de transmissão da Dcomp. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. As instâncias administrativas são incompetente s para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DILIGÊNCIA.PEDIDO NÃO FORMULADO. Considerase não formulado o pedido de diligência que não indica os quesitos referentes aos exames desejados. PROVAS. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A apresentação de provas deve ser realizada junto à impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outra ocasião, ressalvada a impossibilidade por motivo de força maior, quando se refira a fato ou direito superveniente ou no caso de contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Declarouse impedido o servidor José Ricardo Zilli, Auditor Fiscal responsável pelo despacho decisório em questão. Cientificada, apresentou recurso voluntário por meio do qual defende, em sede de preliminar, a nulidade do despacho decisório que culminou com o indeferimento do crédito, a nulidade da decisão de primeira instância por não ter autorizado o pedido de diligência fiscal bem como, quanto a impossibilidade de retificação pela autoridade fiscal de créditos e débitos anteriores a junho de 2005, tomando por vista que a glosa dos créditos e lançamento de débitos ocorreu em julho de 2010 (prescrição/decadência). No mérito, argumenta sobre a equiparação à empresa agroindustrial tendo em vista que a interessada realiza atividade de acondicionamento de grãos previamente selecionados e padronizados, após rigorosa limpeza e secagem. Defende, ainda, que o fato de a Recorrente adotar critério de apropriação do crédito presumido de PIS/COFINS baseado no valor das exportações realizadas, não retira o direito da correta apropriação dos créditos relativos às aquisições de grãos, tarefa que incumbi a à autoridade fiscal. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13931.000945/200828 Acórdão n.º 3803000.216 S3TE03 Fl. 3 5 Caso sejam superadas as alegações de prescrição/decadência, requer o direito ao crédito presumido das contribuições pela venda de grãos no período entre fevereiro e julho de 2004, argumentando seu reconhecimento pela delegacia de origem e pela DRJ. Por fim, argumenta a Recorrente que, considerando a inexistência de sistema de contabilidade de custos integrado e coordenado com o restante da escrituração, devem ser considerados e atribuídos às receitas decorrentes das exportações, os créditos decorrentes dos outros custos ou insumos atribuídos a estas receitas pelo sistema de rateio proporcional, conforme a legislação de regência do PIS/COFINS. Reitera a observâncias dos argumentos expendidos nas impugnações constantes nos processos n. 12571.000200/201057e12571.000201/201000 e requer o acolhimento do recurso voluntário. É o relatório. Voto O presente recuso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade razão pela qual dele tomo conhecimento. Conforme relatado acima, trata o feito de pedido de ressarcimento e declaração de compensação de créditos da COFINS – mercado externo que não puderam ser compensados com débitos das próprias contribuições decorrentes das operações no mercado interno. A Delegacia de origem manifestouse pelo indeferimento total do crédito e a DRJ manteve o decisum. Contudo, a ora Recorrente em sua manifestação de inconformidade faz referência a defesa de outros 2 processos, os quais versam sobre a lavratura de autos de infração para a exigência de PIS e COFINS lançados em decorrência da análise do direito creditório promovida nos créditos das contribuições nos anos de 2003 a 2007. Ademais disso, foi verificado que em diversos períodos de apuração ocorreu a não tributação de algumas receitas pelo contribuinte. Da leitura do relatório do acórdão hostilizado que explicita o teor das impugnações a qual a contribuinte faz referência, observase que a ora Recorrente alegou uma série de ilegalidade e irregularidades com vistas a defender a nulidade do procedimento fiscal adotado o qual ensejou o lançamento, e portanto, a nulidade do próprio auto de infração. Observase, também, que o contribuinte se defendeu da glosa efetuada sobre a entrada de mercadorias adquiridas de pessoas físicas e dos bens e serviços utilizados como insumos, por ter o Fisco separado as atividades da matriz e da filial, sustentando que somente a cerealista poderia se creditar dos insumos. Defendeuse a ora Recorrente das glosas concernentes aos encargos com a depreciação dos bens do ativo imobilizado, crédito presumido das cerealistas, bem como a tributação dos produtos classificados na posição 2710 da NCM. Fl. 407DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ALEXANDRE KERN 6 Naqueles processos, pugnou a Autuada pela reforma do indeferimento dos pedidos de ressarcimento e não homologação da declaração de compensação; de forma subsidiária requereu a desclassificação da autuação para infração formal de obrigação acessória, assegurado o direito à denúncia espontânea, bem como, a improcedência do auto de infração. Consoante preceitua o art. 103 do Código de Processo Civil, reputamse conexas duas ou mais ações, quando lhes for comum o objeto ou a causa de pedir. Neste caso, o julgador originário se torna prevento em relação a todos os processos relacionados com a matéria. Sabendose que de forma subsidiária ao processo administrativo fiscal aplicamse as normas processuais civis, diligenciou este relator junto ao sítio do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e verificou que os processos outrora mencionados foram julgados em 23 de maio de 2012, pela 1ª Turma da 3ª Câmara da 3ª Seção, cuja relatoria se atribuiu ao conselheiro Antônio Lisboa. Sabendose que as causas são conexas, e que aquele colegiado, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário da contribuinte, cujo acórdão recebeu o nº 3301001.472 e que a decisão pode assistir aos interesses da ora Recorrente, voto no sentido de que o presente feito seja baixado em diligência a fim de que se informe o inteiro teor da decisão supracitada bem como possa verificar em que extensão os autos de infração e o decisum influenciam nos Per/Dcomps que ora se aprecia. [assinado digitalmente] Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 408DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 36624.003386/2007-04
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 21 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Sep 21 00:00:00 UTC 2010
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2006
Ementa:INCONSTITUCIONALIDADE, AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS.
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
MULTA - REDUÇÃO - LEI MENOS SEVERA - APLICAÇÃO RETROATIVA - CTN, ART. 106
Tratando-se de crédito não definitivamente julgada, aplica-se o disposto no art. 106 do CTN que permite a redução da multa prevista na lei mais nova, por ser mais benéfica ao contribuinte, mesmo a fatos anteriores à. legislação aplicada.
SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO - SAT.
REGULAMENTAÇÃO.
Não ofende ao Princípio da Legalidade a regulamentação através de decreto do conceito de atividade preponderante e da fixação do grau de risco.
EMPRESAS URBANAS. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA,
É legitima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural. SEBRAE Submetem-se à tributação para o SEBRAE pessoas jurídicas que não tenham relação direta com o incentivo.
SALÁRIO EDUCAÇÃO
É constitucional a cobrança da contribuição do salário-educação, seja sob a carta de 1969, seja sob a constituição federal de 1988, e no regime da lei 9,424/96..
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
Numero da decisão: 2403-000.160
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, nas preliminares por unanimidade de voto, em negar provimento ao recurso, II) No mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recalculo da multa de mora, acordo com o determinado no Art, 35, caput, da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 11.941/2009 prevalecendo o mais benéfico ao contribuinte. Vencido o Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro no que refere se ao recalculo da multa.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2006 Ementa:INCONSTITUCIONALIDADE, AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. MULTA - REDUÇÃO - LEI MENOS SEVERA - APLICAÇÃO RETROATIVA - CTN, ART. 106 Tratando-se de crédito não definitivamente julgada, aplica-se o disposto no art. 106 do CTN que permite a redução da multa prevista na lei mais nova, por ser mais benéfica ao contribuinte, mesmo a fatos anteriores à. legislação aplicada. SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO - SAT. REGULAMENTAÇÃO. Não ofende ao Princípio da Legalidade a regulamentação através de decreto do conceito de atividade preponderante e da fixação do grau de risco. EMPRESAS URBANAS. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA, É legitima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural. SEBRAE Submetem-se à tributação para o SEBRAE pessoas jurídicas que não tenham relação direta com o incentivo. SALÁRIO EDUCAÇÃO É constitucional a cobrança da contribuição do salário-educação, seja sob a carta de 1969, seja sob a constituição federal de 1988, e no regime da lei 9,424/96.. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
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VEDAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. MULTA - REDUÇÃO - LEI MENOS SEVERA - APLICAÇÃO RETROATIVA - CTN, ART. 106 Tratando-se de crédito não definitivamente julgada, aplica-se o disposto no art. 106 do CTN que permite a redução da multa prevista na lei mais nova, por ser mais benéfica ao contribuinte, mesmo a fatos anteriores à. legislação aplicada. SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO - SAT. REGULAMENTAÇÃO. Não ofende ao Princípio da Legalidade a regulamentação através de decreto do conceito de atividade preponderante e da fixação do grau de risco. EMPRESAS URBANAS. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA, É legitima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural. SEBRAE Submetem-se à tributação para o S.EBRAE pessoas jurídicas que não tenham relação direta com o incentivo. SALÁRIO EDUCAÇÃO É constitucional a cobrança da contribuição do salário-educação, seja sob a carta de 1969, seja sob a constituição federal de 1988, e no regime da lei 9,424/96.. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, nas preliminares por unanimidade de voto, em negar provimento ao recurso, II) No mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recalculo da multa de mora, acordo com o determinado no Art, 35, caput, da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 11.941/2009 prevalecendo o mais benéfico ao contribuinte. Vencido o Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro no que refere se ao recalculo da multa. CARLOS ALBERTO MEES STRINCrARI Presidente e Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Ausente o Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza. 2 Processo n' 36624.003.386/2007-04 S2-C4T3 Acórdão !L° 2403-00.160 Fl . 341 Relatório Trata-se de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo I, Acórdão 16 – 14A28-14, 14128-14, 14a Turma, folhas 285 a 299, que julgou procedente o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal, fl, 001. Segundo a fiscalização, de acordo com o Relatório Fiscal (RF), fls. 203 e 204, o lançamento refere-se a contribuições destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração paga a segurados, correspondentes a contribuição da empresa, a contribuição para o financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (SAT) e as contribuições devidas aos Terceiros no período de 10/2003 a 13/2006. Ainda segundo o RF, o débito teve como origem os valores informados nas GUIAS DE RECOLHIMENTO DO FGTS E INFORMAÇÕES A PREVIDÊNCIA SOCIAL — GFFP, entregues em épocas próprias e constantes dos sistemas informatizados, que serviram de base para o levantamento, apropriadas, sempre que cabível as GUIAS DE RECOLHIMENTO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL — GPS, pagas pelo contribuinte, constantes também dos sistemas informatizados, Em 30/03/2007, a recorrente foi cientificada do lançamento. Inconformada com a decisão da DRJ, a recorrente apresentou recurso voluntário, fls, 306 a 328, onde alega, em síntese, que: • da necessidade de confrontação entre os valores declarados em GFIP a título de contribuição dos contribuintes individuais e os recolhidos pelo próprio contribuinte individual, por outras empresas tomadoras dos seus serviços, ou, ainda, na qualidade de segurado empregado (requer diligência); • obscuro e conflitante enquadramento no código CNAE (classificação nacional de atividades econômicas); e Inconstitucionalidades presentes: o SAT o INCRA o SEBRAE o Contribuição para terceiros o SELIC o MULTA É o relatório, 3 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator PRELIMINARES Quanto às preliminares, a recorrente aponta dois vícios que, segundo sua tese, levariam à nulidade do lançamento. Limite da contribuição dos segurados A tese aqui apresentada é a da necessidade de confrontação entre os valores declarados em GFIP a título de contribuição dos contribuintes individuais e os recolhidos pelo próprio contribuinte individual, por outras empresas tomadoras dos seus serviços, ou, ainda, na qualidade de segurado empregado. A recorrente alega que o confronto não foi efetuado , o que caracterizaria o vício e requer diligência. Cabe esclarecer que, basicamente, nos recolhimentos efetuados pelas empresas, encontram-se presentes a contribuição da própria empresa e a contribuição dos segurados, pela qual a empresa é responsável. O questionamento feito é acerca da contribuição dos segurados que têm múltiplos vínculos e, por essa razão, no caso de não observância do teto de contribuição, podem vir a ser tributados além desse teto. Rapidamente se verifica que não procede a tese aventada pela recorrente visto que o presente lançamento é exclusivamente da cota patronal, como pode ser constatado, por exemplo, no Relatório Discriminativo Analítico de Débito e no Relatório Fiscal. A recorrente se equivocou apresentando neste processo uma tese imprópria. Acresça-se a isso, o estabelecido no artigo 216 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3048/99. Art.216. A arrecadação e o recolhimento das contribuições e de outras importâncias devidas à seguridade social, observado o que a respeito dispuserem o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal, obedecem às seguintes normas gerais.. I-a empresa é obrigada a: a)arrecadar a contribuição do segurado empregado, do trabalhador avulso e do contribuinte individual a seu serviço, descontando-a da respectiva remuneração, (Redação dada pelo Decreto n" 4,729, de 2003) b)recolher o produto arrecadado na forma da alínea anterior e as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer titulo, inclusive adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, acordo ou convenção coletiva, aos segurados empregado, contribuinte Processo n° 36624.003386/2007-04 S2-C4T3 Acórdão n 2403-00,160 Fl„342 individual e trabalhador avulso a seu serviço, e sobre o valor bruto da nota fiscal ou ,fatura de serviço, relativo a serviços que lhe tenha sido prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho, no dia dois do mês seguinte àquele a que se referirem as remunerações, bem como as importâncias retidas na forma do art. 219, no dia dois do mês seguinte àquele da emissão da nota .fiscal ou ,fatura, prorrogando-se o vencimento para o dia útil subseqüente quando não houver expediente bancário no dia dois; e (Redação dada pelo Decreto n° 3.265, de 1999) XII-a empresa que remunera contribuinte individual é obrigada a fornecer a este comprovante do pagamento do serviço prestado consignando, além dos valores da remuneração e do desconto feito, o número da inscrição do segurado no Instituto Nacional do Seguro Social; (Redação dada pelo Decreto n" 4,729, de 2003) §52 O desconto da contribuição e da consignação legalmente determinado sempre se presumirá feito, oportuna e regularmente, pela empresa, pelo empregador doméstico, pelo adquirente, consignatário e cooperativa a isso obrigados, não lhes sendo lícito alegarem qualquer omissão para se eximirem do recolhimento, ficando os mesmos diretamente responsáveis pelas importâncias que deixarem de descontar ou tiverem descontado em desacordo com este Regulamento, §26,A alíquota de contribuição a ser descontada pela empresa da remuneração paga, devida ou creditada ao contribuinte individual a seu serviço, observado o limite máximo do salário- de-contribuição, é de onze por cento no caso das empresas em geral e de vinte por cento quando se tratar de entidade beneficente de assistência social isenta das contribuições sociais patronais. (Incluído pelo Decreto n° 4.729, de 2003) §27.0 contribuinte individual contratado por pessoa jurídica obrigada a proceder à arrecadação e ao recolhimento da contribuição por ele devida, cuja remuneração recebida ou creditada no mês, por serviços prestados a ela, for inferior ao limite mínimo do salário-de-contribuição, é obrigado a complementar sua contribuição mensal, diretamente, mediante a aplicação da alíquota estabelecida no art. 199 sobre o valor resultante da subtração do valor das remunerações recebidas das pessoas ,jurídicas do valor mínimo do salário-de- contribuição mensal. (Incluído pelo Decreto n°4.729, de 2003) §28. Cabe ao próprio contribuinte individual que prestar serviços, no mesmo mês, a mais de uma empresa, cuja soma das remunerações superar o limite mensal do salário-de- contribuição, comprovar às que sucederem à primeira o valor ou valores sobre os quais já tenha incidido o desconto da contribuição, deforma a se observar o limite máximo do salário- de-contribuição. (Incluído pelo Decreto n°4.729, de 2003) §29.Na hipótese do § 28, o Instituto Nacional do Seguro Social poderá facultar ao contribuinte individual que prestar, regularmente, serviços a uma ou mais empresas, cuja soma das remuneraçães seja igual ou superior ao limite mensal do salário- de-contribuição, indicar qual ou quais empresas e sobre qual valor deverá proceder o desconto da contribuição, de forma a respeitar o limite máximo, e dispensar as demais dessa providência, bem como atribuir ao próprio contribuinte individual a responsabilidade de complementar a respectiva contribuição até o limite máximo, na hipótese de, por qualquer razão, deixar de receber remuneração ou receber remuneração inferior às indicadas para o desconto. (Inchtido pelo Decreto n° 4,729, de 2003) Conforme previsto no Regulamento, deve ser observado o limite máximo do salário-de-contribuição na arrecadação da contribuição do contribuinte individual, efetivada pela empresa, sendo que, cabe ao próprio contribuinte individual comprovar e apresentar à empresa pagadora a informação dos valores anteriormente recebidos, por meio de comprovantes de pagamento ou declarações, como estabelece a legislação, quando o total das remunerações recebidas no mês for superior ao limite máximo do salário-de-contribuição, o que pode dispensar a retenção ou reduzi-la_ Complementarmente, cabe à empresa informar, em GF1P, a existência de múltiplos vínculos ou múltiplas fontes pagadoras e, neste caso, por óbvio, a declaração dos valores relativos à contribuição do contribuinte individual, prestada pela empresa em GFIP, poderá até estar com o valor zerado se este já contribuiu pelo limite máximo. Entendo bem caracterizado que a tese é improcedente, CNAE O segundo ponto levantado é que à empresa foi atribuído código CNAE 5246-9, quando o correto seria 4761-0/01. Inicialmente, ressalta-se que o código do CNAE serve para classificar a empresa no grau de risco (atual GIILR.AT, antigo SAT), No presente caso, o relatório Discriminativo Analítico de Débito menciona o código CNAE atribuído á empresa (5246-9), atribuível ao comércio varejista de livros, jornais, revistas e papelaria, ao qual corresponde grau de risco leve, tributado à alíquota de 1%. Analisando as Resoluções da CONCLA, encontramos a Resolução CONCLA N° 1/2006, de 04/09/2006, que divulga a Classificação Nacional de Atividades Econômicas — CNAE 2.0 e que prevê em seu artigo 2°, a entrada em vigor a partir de 1° de janeiro de 2007. Art, 20 A versão 2.0 da CNAE entra em vigor a partir de 1° de janeiro de 2007. O presente débito limita-se aos anos 2003 a 2006, quando vigorava a Classificação Nacional de Atividades Econômicas-Fiscal — CNAE Fiscal 1.1, que foi corretamente utilizada no levantamento. Entendo que a tributação se deu pela alíquota mínima, que está correta e que não merecem prosperar as alegações da impugnante, MÉRITO Inconstitucionalidade 6 Processo o° 36624.003386/2007-04 S2-C4T3 Acórdão n.° 2403-00J60 F1 343 A contribuinte alega ilegalidades c/ou inconstitucionalidades nas normas que fundamentaram o lançamento. Inicialmente deve-se registrar que tanto o lançamento corno os acréscimos têm respaldo nas leis. Cumpre esclarecer que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade de normas legais. O Decreto ri° 6.764, de 10 de fevereiro de 2009, que aprovou a Estrutura Regimental do Ministério da Fazenda apresenta as atribuições do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF, no artigo 32. Art. 32, Ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, órgão colegiado judicante, paritário, compete julgar recursos de oficio e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos especiais, sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, conforme estabelecido nos arts. 25, inciso II, e 37, § 2°, do Decreto IP 70,235, 6 de março de 1972, alterado pela Medida Provisória n° 449, de 3 de dezenzbro de 2008. Parágrafo único, Metade dos conselheiros integrantes do CARF será constituída de representantes da Fazenda Nacional, e a outra metade, de representantes dos contribuintes, indicados pelas confederações representativas de categorias econômicas de nível nacional e pelas centrais sindicais Note-se, que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF, em seu artigo 62 expressamente veda aos julgadores do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Observe-se, que somente nas hipóteses contempladas no parágrafo único e incisos do dispositivo legal encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência, o que não se vislumbra no presente caso. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no capta não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II - que fundamente crédito tributário objeto de:- 7 a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, na , forma dos arts, 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da Advocacia-Geral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado-Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Para haver harmonia nos julgamentos, conforme artigo 72 do Regimento Interno, o CARF emitirá súmulas para decisões reiteradas e uniformes, de observância obrigatória pelos membros do CARF, Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARE. Nesse sentido, quando da Consolidação das Súmulas dos Conselhos de Contribuintes, foi editada a Súmula CARFn° 2: Súmula CAIU' n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.. Finalmente, o artigo 102, 1, "a" da Constituição Federal, não deixa dúvida a propósito da discussão sobre inconstitucionalidade, que deve ser debatida na esfera do Poder Judiciário, senão vejamos: Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, preciptiamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe: 1— processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de Lei ou ato normativo federal,' Dessa forma, não há como se acolher a pretensão da contribuinte, também em relação a ilegalidade e inconstitucionalidade de normas ou atos normativos que fundamentaram o presente lançamento. SAT A contribuição patronal prevista no art. 22, II, da Lei 8212/91, destinada ao Seguro de Acidente de Trabalho — SAT, seguiu os princípios constitucionais tributários e nos moldes do art. 97 do Código Tributário Nacional - CTN, a Lei 8212/91 tratou da instituição da referida contribuição para o financiamento dos beneficios em razão da incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT), definindo o seu fato gerador, fixando a base de cálculo e as alíquotas aplicáveis, restando ao decreto apenas a regulamentação da aludida contribuição, o qual, por sua vez, estabelece os graus de risco conforme a atividade precípua da empresa. O decreto apenas expressa os graus de risco e o que seja atividade preponderante, enquanto a fixação de todos os elementos da obrigação tributária se encontra na referida lei. E, o Supremo Tribunal Federal já se manifestou a respeito do SAT, aduzindo, inclusive, a desnecessidade de Lei Complementar para instituição da sobredita contribuição, 8 Processo n° 36624003386/2007-04 52-C4-1"3 Acórdão n.° 2403-00.160 FI 344 bem como que não há ofensa aos art, 195, § 4°, c/c art„ 154, I, da Constituição Federal, consoante a ementa a seguir transcrita: "CONSTITUCIONAL, TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO - SAT. Lei 7,787/89, arts. 3" e 4"; Lei 8.212/91, art. 22, II, redação da Lei 9.732/98. Decretos 612/92, 2,173/97 e 3.048/99. CF., artigo 195, § 4 0; art. 154,1; art. .5", ; art. 150, I 1. - Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho - SAT: Lei 7,787/89, art. 3", II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4", c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência, Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, CF„, art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAI'. Ii - O an 3", da Lei 7,787/89, não é ofensivo ao principio da igualdade, por isso que o art. 4' da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. - As Leis 7,787/89, art. 3°, II, e 8,212/91, art. 22, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao principio da legalidade genérica, CF., art. 5", II, e da legalidade tributária, CF., art. 150, - Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V. - Recurso extraordinário não conhecido", (RE 343A46-2/SC, Rel. Min. Carlos Velloso, DJ de 04/04/2003) INCRA Quanto às empresas urbanas terem que recolher contribuição destinada ao INCRA, não há óbice normativo para tal exação. Não se olvida que a contribuição destinada ao INCRA tenha natureza distinta das contribuições sociais da Seguridade Social. As competências do INCRA são atribuídas pela sua lei de criação e o Estatuto da Terra: DECRETO-LEI N°1.110, DE 9 DE JULHO DE 1970, Regulamento Cria o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), extingue o Instituto Brasileiro de Reforma Agrária, o Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário e o Grupo Executivo da Reforma Agrária e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o artigo 55, item I, da Constituição, DECRETA: 9 Art. 1 É criado o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), entidade autárquica, vinculada ao Ministério da Agricultura, com sede na Capital da República. Ari, 2" Passam ao INCRA todos os direitos, competência, atribuições e responsabilidades do Instituto Brasileiro de Reforma Agrária (IBRA), do Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário (INDA) e do Grupo Executivo da Reforma Agrária (GERA), que ficam extintos a partir da posse do Presidente do novo Instituto, LEI N° 4.504, DE 30 DE NOVEMBRO DE 1964. Dispõe sobre o Estatuto da Terra, e dá outras providências, O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei. Art. 37, São órgãos especificos para a execução da Reforma Agrária: (Redação dada pela Decreto Lei e 582, de 1969) I - O Grupo Executivo da Reforma Agrária (GERA); (Redação dada pela Decreto Lei n°582, de 1969) 11 - O Instituto Brasileiro de Reforma Agrária (IBRA), diretamente, ou através de suas Delegacias Regionais; (Redação dada pela Decreto Lei n°582, de 1969) III- as Comissões Agrárias, (Redação dada pela Decreto Lei n° 582, de 19692 Art. 43 O Instituto Brasileiro de Reforma Agrária promoverá a realização de estudos para o zoneamento do país em regiões homogêneas do ponto de vista sócio-econômico e das características da estrutura agrária, visando a definir.: I - as regiões críticas que estão exigindo reforma agrária com progressiva eliminação dos mintfündios e dos latifúndios; II - as regiões em estágio mais avançado de desenvolvimento social e econômico, em que não ocorram tenções nas estruturas demográficas e agrárias; III- as regiões já economicamente ocupadas em que predomine economia de subsistência e cujos lavradores e pecuaristas careçam de assistência adequada; IV - as regiões ainda em ,fase de ocupação econômica, carentes de programa de desbravamento, povoamento e colonização de áreas pioneiras, Art, 74. É criado, para atender às atividades atribuídas por esta Lei ao Ministério da Agricultura, o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário (INDA), entidade autárquica vinculada ao mesmo Ministério, com personalidade jurídica e autonomia financeira, de acordo com o prescrito nos dispositivos seguintes: 10 Processo n" 36624..003386/2007-04 S2-C4T3 Acórdão n." 2403-00.160 Fl. 345 - o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário tem por finalidade promover o desenvolvimento rural nos setores da colonização, da extensão rural e do cooperativismo; II - o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário terá os recursos e o patrimônio definidos na presente Lei; III - o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário será dirigido por um Presidente e um Conselho Diretor, composto de três membros, de nomeação do Presidente da República, mediante indicação do Ministro da Agricultura; IV - Presidente do Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário integrará a Comissão de Planejamento da Política Agrícola; Quanto à alegação de aplicação do artigo 240 da Constituição Federal, não é em razão desse dispositivo que as contribuições ao INCRA não se destinem à Seguridade Social, mas em razão das competências atribuídas à autarquia federal, corno já exposto acima. A redação é clara quanto sua restrição apenas às entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema sindical, onde não se enquadra o INCRA: Art. 240. Ficam ressalvadas do disposto no art. 195 as atuais contribuições compulsórias dos empregadores sobre a folha de salários, destinadas às entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema sindical. Art. 195, A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais.:' A contribuição ao INCRA não alcança exclusivamente a produção rural, conforme sua lei de instituição, que relaciona atividades industriais que podem ser desenvolvidas tanto no meio rural como nas regiões urbanas: DECRETO-LEI N° 1146, DE 31 DE DEZEMBRO DE 1970. Consolida os dispositivos sôbre as contribuições criadas pela Lei número 2,613, de 23 de setembro de 1955 e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA , no uso da atribuição que lhe confere o artigo 55, item II, da Constituição, DECRETA.. Ari 1° As contribuições criadas pela Lei n° 2 613, de 23 de setembro 1955, mantidos nos têrmos dêste Decreto-Lei, são devidas de acôrdo com o artigo 6° do Decreto-Lei n°582, de 15 de maio de 1969, e com o artigo 2' do Decreto-Lei n° L 110, de 9 julho de 1970: li 1 - Ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária - INCRA: I - as contribuições de que tratam os artigos 2" e 5" dês te Decreto-Lei; 2 - 50% (cinqüenta por cento) da receita resultante da contribuição de que trata o art. .3" dêste Decreto-lei, II - Ao Fundo de Assistência do Trabalhador Rural - FUNRURAL, 50% (cinqüenta por cento) da receita resultante da contribuição de que trata o artigo 3' dêste Decreto-lei, Art 2°A contribuição instituída no "capta "do artigo 6" da Lei número 2.613, de 23 de setembro de 1955, é reduzida para 2,5% (dois e meio por cento), a partir de I' de janeiro de 1971, sendo devida sôbre a soma da fõlha mensal dos salários de contribuição previdenciária dos seus empregados pelas pessoas naturais e jurídicas, inclusive cooperativa, que exerçam as atividades abaixo enumeradas,- 1- Indústria de cana-de-açúcar; II - Indústria de laticínios; III - Indústria de beneficiamento de chá e de mate; IV - Indústria da uva; V Indústria de extração e beneficiamento de fibras vegetais e de descaro çamento de algodão; VI - Indústria de beneficiamento de cereais,' VII - Indústria de beneficiamento de café; VIII - Indústria de extração de madeira para serraria, de resina, lenha e carvão vegetal; IX - Matadouros ou abatedouros de animais de quaisquer espécies e chaiqueadas Nesse sentido é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, que também se consolidou no Supremo Tribunal Federal: PROCESSUAL CIVIL - EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA - CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNRURAL E INCRA - EMPRESA URBANA - LEGALIDADE - ORIENTAÇÃO DESTA PRIMEIRA SEÇÃO, SEGUINDO A JURISPRUDÊNCIA DO STF - RECURSO NÃO ADMITIDO - SÚMULA I 68/STJ - AGRAVO REGIMENTAL - AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA - MERA REPETIÇÃO DAS RAZÕES DOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA - IRRESIGNAÇÃO MANIFESTAMENTE INFUNDADA - RECURSO NÃO CONHECIDO, COM APLICAÇÃO DE MULTA, I. Nos termos da orientação desta Primeira Seção e do Supremo Tribunal Federal, é legítimo o recolhimento da contribuição social para o FUNRURAL e INCRA pelas empresas urbanas, 12 Processo n° 36624 003386/2007-04 S2-C4T3 Acórdão a° 2403-00.160 Fl 346 Considerando que o acórdão embargado corroborou esse entendimento, correta é a aplicação da Súmula 168 desta Corte Superior. 2. Não tendo a agravante rebatido especificaniente os .fundamentos da decisão recorrida, limitando-se a reproduzir as razões oferecidas nos embargos de divergência, é inviável o conhecimento do recurso. 3. Tratando-se de agravo interno manifestamente infundado, impõe-se a condenação da agravante ao pagamento de multa de 10% (dez por cento) sobre o valor corrigido da causa, nos termos do art. 557„ . 2', do Código de Processo Civil, 4.Agravo interno não conhecido, com aplicação de multa. (AgRg nos EREsp 530802/GO, Primeira Seção. Relatara Ministra DENISE ARRUDA. Julgamento 13/04/2005. DJ 09/05/2005, p. 291) (sem grifas no original). Ementa no Agravo Regimental do Recurso Extraordinário de n ° 211.190, publicado no Diário da Justiça em 29 de novembro de 2002: EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA A FINANCIAR O FUNRURAL. VIOLAÇÃO DO PRECEITO INSCRITO NO ARTIGO 195 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. ALEGAÇÃO INSUBSISTENTE. A norma do artigo 195, caput, da Constituição Federal, preceitua que a seguridade social será financiada por toda a sociedade, de ,forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, sem expender qualquer consideração acerca da exigibilidade de empresa urbana da contribuição social destinada a financiar o FUNRURAL, Precedentes, Agravo regimental não provido. SEBRAE A cobrança das contribuições destinadas a outra entidades e fundos estão regularmente previstas em lei, conforme relatório de fundamentação legal, não assistindo razão à recorrente quanto aos vícios que suscita. Em relação à contribuição destinada ao SEBRAE, segue ementa do entendimento firmado pelo TRF da 4" Região: Tributário — Contribuição ao Sebrae — Exigibilidade. 1. O adicional destinado ao Sebrae (Lei re 8.029/90, na redação dada pela Lei n° 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas no Decreto-Lei n" 2.318/86 (Senai, Senac, Sesi e Sesc), prescindível, portanto, sua instituição por lei complementar-. 2. Prevê a Magna Carta tratamento mais favorável às micro e pequenas empresas para que seja promovido o progresso nacional. Para tanto submete à exação pessoas jurídicas que não tenham relação direta com o incentivo. 3. Precedente da 1" Seção desta Corte (EIAC n 2000.04.01.106990-9). 13 ACÓRDÃO: Vistos e relatados estes autos entre as partes acima indicadas, decide a Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 4" Região, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório, voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Porto Alegre, 17 de junho de 2003. (TRF 4" R — 2' T Ac. n° 2001.70.07.002018-3 — Rel. Dirceu de Almeida Soares — DJ 9.7,2003 —p. 274) No mesmo sentido se consolidou a jurisprudência no STJ, conforme ementa do Agravo Regimental no Agravo de Instrumento de n 0 840946 / RS, publicado no Diário da Justiça em 29 de agosto de 2007: TRIBUTÁRIO — CONTRIBUIÇÕES AO SESC, AO SEBRAE E AO SENAC RECOLHIDAS PELAS PRESTADORAS DE SERVIÇO — PRECEDENTES 1, A jurisprudência renovada e dominante da Primeira Seção e da Primeira e da Segunda Turma desta Corte se pacificou no sentido de reconhecer a legitimidade da cobrança das contribuições sociais do SESC e SENAC para as empresas prestadoras de serviços,. 2. Esta Corte tem entendido também que, sendo a contribuição ao SEBRAE mero adicional sobre as destinadas ao SESC/SENAC, devem recolher aquela contribuição todas as empresas que são contribuintes destas, 3. Agravo regimental improvido. Por fim, assim também vem entendendo o Supremo Tribunal Federal, conforme julgamento dos Embargos de Declaração no Agravo de Instrumento n ° 518.082, publicado no Diário da Justiça em 17 de junho de 2005, cuja ementa é abaixo transcrita: PROCESSUAL CIVIL, EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OPOSTOS À DECISÃO DO RELATOR.' CONVERSÃO EM AGRAVO REGIMENTAL. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO, SERRA& CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. Lei 8.029, de 12.4.1990, art. § 3°. Lei 8 154, de 28,12.1990. Lei 10.668, de 14.5.2003. CF, art, 146, III,. art. 149; art, 154, I; art. 195, § I. - Embargos de declaração opostos à decisão singular do Relatar. Conversão dos embargos em agravo regimental, II. - As contribuições do art. 149, CF contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse de categorias profissionais ou econômicas posto estarem sujeitas à lei complementar do art. 146, III, CF; isso não quer dizer que deverão ser instituídas por lei complementar.. A contribuição social do art. 195, § 4°, CF, decorrente de "outras fontes", é que, para a sua instituição, será observada a técnica da competência residual da União: CF, art. 154, I, e.,,c vi do disposto no art. 195, § 4° A contribuição não é imposto.. Por isso, não se exige que a lei complementar defina a sua hipótese de incidência, a base imponivel e contribuintes: CF, art. 146, III, a. Precedentes: RE 138.284/CE, Ministro Carlos Velloso, RTJ 143/313; RE 146 733/SP, Ministro Moreira Alves, RTJ 143/684.. III - A contribuição do SEBRAE Lei 8.029/90, art. 8°, § 3', redação das Leis 8,154/90 e 10.668/2003 é contribuição de intervenção no 14 Processo n°36624,003386/2007-04 S2-C4T3 Acórdão n." 2403-00.160 Fl 347 domínio econômico, não obstante a lei a ela se referir como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais relativas às entidades de que trata o art. 1 do DL 2,318/86, SESI, SENAI, SESC, SENAC. Não se inclui, portanto, a contribuição do SEBRAE no rol do art. 240, CF, IV, - Constitucionalidade da contribuição do SEBRAE. Constitucionalidade, portanto, do áç 3° do art. 8' da Lei 8.029/90, com a redação das Leis 8, 154/90 e 10.668/2003. V. - Embargos de declaração convertidos em agravo regimental. Não provimento desse. Pro tudo, não procede o argumento da recorrente de que as contribuições destinadas ao SEBRAE somente podem ser exigidas de microempresas e de empresas de pequeno porte. Contribuições para terceiros A recorrente alega falta de legitimidade do INSS para fiscalizar e cobrar as contribuições destinadas aos Terceiros, argumentando que haveria a necessidade de lei complementar. No caso em questão, deve ficar bem clara a distinção entre competência e capacidade tributaria. A competência é atribuída pela própria Constituição Federal a um ente estatal dotado de poder legislativo, consistindo na prerrogativa de instituição de tributos, sendo exercida mediante edição de lei. Por outro lado, a capacidade tributária, entendida como a capacidade para ser sujeito ativo da relação tributária, é atribuída pela Constituição, ou por urna lei, a um ente estatal não necessariamente dotado de poder legislativo, sendo exercida mediante atos administrativos. Assim, a competência para instituir as contribuições devidas a terceiros é da União, sendo que foi exercida pela edição das respectivas leis instituidoras de tais exações. Entretanto, como a própria Constituição estabelece, tais contribuições serão transferidas em favor de determinadas entidades. Por sua vez, a Lei n° 8.212/91, que é uma lei federal, no seu art. 94, estabelece que a arrecadação e a fiscalização dessas contribuições ficam a cargo do INSS. Art. 94. O Instituto Nacional do Seguro Social-INSS poderá arrecadar e fiscalizar, mediante remuneração de 3,5% do montante arrecadado, contribuição por lei devida a terceiros, desde que provenha de empresa, segurado, aposentado ou pensionista a ele vinculado, aplicando-se a essa contribuição, no que couber, o disposto nesta Lei,. (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10. 12.97). Parágrafo único. O disposto neste artigo aplica-,se, exclusivamente, às contribuições que tenham a mesma base utilizada para o cálculo das contribuições incidentes sobre a remuneração paga ou creditada a segurados, ficando sujeitas aos mesmos prazos, condições, sanções e privilégios, inclusive no que se refere à cobrança judicial. Novamente verifica-se que o Fisco agiu em harmonia com as leis. SELIC 15 Insurge-se a recorrente contra a aplicação da taxa SELIC ao argumento de que seria ilegal. Registre-se, porque importante, que a legislação de regência, sobretudo a Lei n° 8.212/91, afasta literalmente os argumentos erguidos pelo recorrente. De fato, as contribuições sociais arrecadadas estão sujeitas à incidência da taxa referencial SELIC - Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, nos termos do artigo 34 da Lei n° 8.212/91: Art, 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, a que se refere o art, 13 da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrekv ável. (Restabelecido com redação alterada pela MP n°1571/97, reeditada até a conversão na Lei n" 9.528/97, A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei n" 8,981/95, A multa de mora esta disciplinada no art.. 35 desta Lei) A propósito, convém mencionar que o Segundo Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula n° 03, nos seguintes termos: SÚMULA N°3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — Selic para títulos federais. Nesse contexto, correta a aplicação da taxa SELIC como juros de mora, com fulcro no artigo 34 da Lei n° 8.212/91, Multa de mora A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei ti' 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 61 da Lei 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106 do CIN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, principio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito 1- em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; 16 Acórdijo ° 2403-00,160 F I 348 Processo n° 36624 003.386/2007-04 S2-C4T3 II - tratando-se de ato não definitivamente julgado; a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado einfalta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Conclusão À vista do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, determinando o recálculo da multa de mota, com base na redação dada pela lei 1L941/2009 ao artigo 35 da Lei 8212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Sala das Sessões, em 21 de setembro de 2010 /1"---) — CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI — Relator 1/4 17 ." /MINISTÉRIO DA FAZENDA -CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS U > ' QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo ri°: 36624,003386/2007-04 ,-Recurso n°: 154.927 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial rf 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão ri° 2403-00.160 Brasil j'a, 250 outubro de 2010 PUAS SAMPAIO FREIRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ Apenas com Ciência [ Com Recurso Especial [ 1 Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 13227.900403/2013-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 26 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Feb 25 00:00:00 UTC 2022
Numero da decisão: 3301-011.257
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para reverter as glosas de frete entre estabelecimentos e embalagens de transporte. Divergiu o Conselheiro José Adão Vitorino de Morais que negava provimento ao recurso voluntário. Divergiu o Conselheiro Marcos Antonio Borges (suplente convocado) que negava provimento ao recurso voluntário no tocante ao frete entre estabelecimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-011.256, de 26 de outubro de 2021, prolatado no julgamento do processo 13227.900406/2013-12, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Presidente Redatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Semíramis de Oliveira Duro, Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), Juciléia de Souza Lima e Liziane Angelotti Meira (Presidente). Ausente o Conselheiro Ari Vendramini, o Conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes, substituído pelo conselheiro Marcos Antonio Borges.
Nome do relator: Semíramis de Oliveira Duro
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INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. RESP 1.221.170-PR. O limite interpretativo do conceito de insumo para tomada de crédito no regime da não-cumulatividade de COFINS foi objeto de análise do Recurso Especial nº 1.221.170-PR, julgado na sistemática dos recursos repetitivos, assim são insumos os bens e serviços utilizados diretamente ou indiretamente no processo produtivo ou na prestação de serviços da empresa, que obedeçam ao critério de essencialidade e relevância à atividade desempenhada pela empresa. NÃO-CUMULATIVIDADE. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS. POSSIBILIDADE. O frete entre estabelecimentos da mesma empresa é indispensável à atividade do sujeito passivo, configurando-se como frete na operação de venda, atraindo a aplicação do permissivo do art. 3º, IX c/c art. 15 da Lei nº 10.833/2003. EMBALAGENS DE TRANSPORTE. CRÉDITO. ART. 3° II, DA LEI 10.637/2002. POSSIBILIDADE. As despesas incorridas com embalagens de transporte são insumos, nos termos do art. 3°, II, da Lei n° 10.637/2002, por serem essenciais e relevantes na produção de laticínios e sua logística. As embalagens de transporte garantem a qualidade dos produtos, mantendo a integridade, em virtude do rápido perecimento. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para reverter as glosas de frete entre estabelecimentos e embalagens de transporte. Divergiu o Conselheiro José Adão Vitorino de Morais que negava provimento ao recurso voluntário. Divergiu o Conselheiro Marcos Antonio Borges (suplente convocado) que negava provimento ao recurso voluntário no tocante ao frete entre estabelecimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-011.256, de 26 de outubro de 2021, prolatado no julgamento do processo 13227.900406/2013-12, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 04 03 /2 01 3- 71 Fl. 188DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-011.257 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13227.900403/2013-71 (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Semíramis de Oliveira Duro, Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), Juciléia de Souza Lima e Liziane Angelotti Meira (Presidente). Ausente o Conselheiro Ari Vendramini, o Conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes, substituído pelo conselheiro Marcos Antonio Borges. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que acolhera em parte o Pedido de Ressarcimento/Compensação apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente a crédito de COFINS do 1º trimestre de 2008. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto: (1) Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. Dispositivos Legais. Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, inciso II; (2) As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tão somente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não geram direito ao creditamento relativo às suas aquisições; (3) Uma vez que a venda do produto não gerou débito da contribuição, tendo em vista tributação pela alíquota zero, não há que se falar em crédito relativo à operação de devolução. Em recurso voluntário, a empresa defende o conceito de insumo segundo o critério da essencialidade, com base no precedente do STJ, REsp 1.221.170/PR, e ressalta a Fl. 189DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-011.257 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13227.900403/2013-71 legalidade dos dispêndios sobre os quais houve creditamento no regime não cumulativo das contribuições: frete entre estabelecimentos; fretes para transporte de insumos e dispêndios com embalagens. Ao final, defende: Foi amplamente demonstrado, nos tópicos acima, que as razões negativas para a homologação das compensações em relação às despesas com frete para entre estabelecimentos de produtos acabados, fretes para transporte de insumos e aquisição de embalagens, não se sustentam. A própria construção de entendimentos do CARF caminha no sentido de reconhecer tais eventos como justificadores dos créditos de PIS e de COFINS, especialmente considerando-se todas as peculiaridades que vinculam a Recorrente na consecução de suas atividades enquanto fabricante de laticínios. Assim, o recorrente solicita que acórdão recorrido seja INTEGRALMENTE REFORMADO e, consequentemente, HOMOLOGADO o pedido de compensação formulado pela DCOMP nº 01850.90554.300309.1.3.11-4915. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, devendo ser conhecido. Na origem foi transmitido PER/DCOMP para aproveitamento de crédito de PIS. A fiscalização entendeu como não passíveis de creditamento no regime não cumulativo (art. 3°, da Lei n° 10.637/2002), as despesas com frete entre estabelecimentos; serviços de remoção ou movimentação de produtos e embalagens de transporte. A Recorrente sintetiza seu processo produtivo, nesses termos: A Recorrente (Canaã Indústria de Laticínios LTDA.) é uma indústria dedicada à fabricação de laticínios em geral – leite em pó, leite UHT, queijos, etc. -, atuando, assim, com a produção e venda de produtos alimentícios extremamente difundidos na alimentação do ser humano. Compreensivelmente, a consecução desse tipo de atividade prescinde de diversos cuidados de natureza sanitária, além de demandar amplo espaço físico para a alocação de diversos maquinários e a realização adequada de todos os arranjos logísticos e de produção: (...) Avalie-se que, justamente, o perfil de contribuinte faz invocar uma série de razões de créditos de PIS e de COFINS que prescindem de análise individualizada de suas atividades - pelas fotos acima, por exemplo, facilmente já se verifica o motivo pelo qual a empresa até esse momento insiste no cabimento dos créditos de depreciação do maquinário ou aquisição de equipamentos para a linha de produção. Fl. 190DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-011.257 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13227.900403/2013-71 No mais, também é importante registrar que toda a estrutura de que dispõe a Recorrente não se limita à pura atividade de fabricação desses laticínios. Afinal, até por exigências sanitárias (exemplificadas em regulamentações da ANVISA e do Ministério da Agricultura), também o armazenamento e distribuição desse tipo de produtos (assim como os alimentícios de forma geral) prescinde de cuidados especiais. Por isso, a Recorrente possui instalações especiais em diversas localidades além de Ji-Paraná (sua matriz): (...) O conjunto de estruturas fabris, de armazenagem e de distribuição contempla, como (literalmente) se faz visível nos registros acima, contempla reservatórios, depósitos, plataformas de recepção de leite, galpões para tratamento de efluentes, fábricas de queijos e manteigas, maquinários de armazenamento e fermentação de leite, armazéns refrigerados e de acesso restrito, linhas de montagem de embalagens próprias e com controles rígidos de qualidade e de composição por regramentos de INMETRO, ANVISA e Ministério da Agricultura, dentre diversos outros. Cumpre ressaltar que, no relatório fiscal, não consta expressamente glosa de fretes para transporte de insumos, mas sim fretes entre estabelecimentos. Despesas com frete entre estabelecimentos As glosas de crédito foram relacionadas a fretes de transferências de produtos entre os diversos estabelecimentos do contribuinte, por não se enquadrarem nas operações de venda, nos termos do inciso IX do art. 3º c/c art. 15 da Lei n° 10.833/2003. Sobre isso, a Recorrente sustenta: Como explicado anteriormente (e até visualmente, em certa proporção), a Recorrente, enquanto indústria de laticínios, prescinde de diversos requisitos próprios para o transporte de bens in natura desde a produção até a logística de distribuição de seus produtos. O transporte de leite retirado dos animais até as fábricas e a necessidade de transporte de embalagens próprias de acordo com a regulamentação sanitária do país – ou até mesmo o frete do produto acabado até os armazéns para conservação e distribuição – são estritamente necessárias para a produção e desempenho do funcionamento das fábricas, até a última etapa de venda. Tais fatos foram apresentados ao Fisco ao longo deste processo administrativo, deixando claro que os dispêndios incorridos a esses títulos – e, claro, o fato dos fretes entre estabelecimentos estarem umbilicalmente ligados à atividade-fim da empresa no ramo alimentício – são eminentemente imprescindíveis. (...) Vê-se, à luz dos entendimentos fixados pelo CARF, a orientação de que frete entre estabelecimentos da mesma empresa, quando se tratar de empresas alimentícias, é de reconhecida extrema importância para o pleno funcionamento das atividades, e, portanto, um dispêndio intimamente ligado à atividade operacional da empresa com impactos diretos na capacidade de execução de suas finalidades. Ao mesmo tempo, os gastos com a aquisição e deslocamento de insumos para ou entre os estabelecimentos da empresa, justamente ao se tratar de natureza alimentícia (logo sujeitos a intempéries próprias dessa classe de produtos) e impactar diretamente as atividades da Recorrente, também são geradores do direito ao creditamento. Fl. 191DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-011.257 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13227.900403/2013-71 Os fretes entre estabelecimentos são imprescindíveis à atividade do sujeito passivo, configurando-se como frete na operação de venda, atraindo a aplicação do permissivo do art. 3º, inciso IX c/c art. 15 da Lei nº 10.833/2003. Em suma, deve ser revertida parte das glosas do Anexo I do relatório fiscal. Isso porque não houve em recurso voluntário a contestação da glosa referente aos serviços de remoção ou movimentação de produtos, que também consta desse Anexo I. Embalagens de transporte Defende o creditamento sobre embalagens de transporte, já que ligadas à necessidade de observância estrita a requisitos técnicos e sanitários: É evidente que produtos alimentícios não podem ser conduzidos de forma avulsa, muito menos em embalagens que não estão de acordo com as normas de saúde pública. Tratando, por exemplo, das embalagens de leite UHT - o conhecido comumente como “Longa vida” (cartonadas multicamadas) -, temos que, além de propiciarem estocagem doméstica por longos períodos, são responsáveis por permitir o consumo imediato sem um prévio preparo ou necessidade de fervura. Não à toa, as próprias regulamentações sanitárias estabelecem, com rigor, as especificações técnicas das citadas embalagens e o seu respectivo uso nos produtos alimentícios em geral. Da mesma forma também a embalagem para transporte (seja a secundária, seja a terciária) não pode seguir padrão de outros setores, sendo objeto de dispêndios específicos sem os quais a Recorrente seria impedida de realizar a manutenção e venda dos produtos. Tanto o é que, nas instalações de armazenamento, a Recorrente deve observar estritas condições ambientes justamente para que as embalagens utilizadas nos produtos lácteos cumpram o seu papel da melhor forma a conservar a qualidade dos produtos: (...) Por se tratar de um dispêndio específico e vinculado às regulamentações sanitárias, o entendimento desta Recorrente é que são, tais, gastos cujo creditamento do PIS e da COFINS é pertinente. As embalagens de transporte estão vinculadas à movimentação dos produtos perecíveis, encaminhamento ou retirada de depósitos. Logo, são dispêndios vinculados à logística, portanto, são essenciais e relevantes. Além disso, as embalagens garantem a qualidade dos produtos destinados à venda. Sem elas, não há como manter a integridade dos produtos lácteos, em virtude de seu rápido perecimento. Por conseguinte, devem ser revertidas as glosas de caixas de papelão, fitas adesivas, embalagens cartonadas multicamadas, estrados de plástico e demais produtos utilizados como embalagem de transporte, por serem insumos, nos termos do art. 3°, II, da Lei n° 10.637/2002. Logo, devem ser revertidas as glosas do Anexo II do relatório fiscal. Do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para reverter as glosas de frete entre estabelecimentos e embalagens para transporte. Fl. 192DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-011.257 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13227.900403/2013-71 CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário para reverter as glosas de frete entre estabelecimentos e embalagens de transporte. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Presidente Redatora Fl. 193DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10746.904241/2012-10
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3803-000.614
Decisão: Por maioria de voto, converteu-se o julgamento em diligência,
para que a repartição de origem analise os documentos juntados
aos autos e se pronuncie acerca da satisfação dos débitos da
recorrente, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro
Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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Por maioria de voto, converteu-se o julgamento em diligência, para que a repartição de origem analise os documentos juntados aos autos e se pronuncie acerca da satisfação dos débitos da recorrente, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues - relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, e Jorge Victor Rodrigues. RELATÓRIO Por meio de Despacho Decisório foi indeferido o pleito constante do Per/DComp transmitido pela contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior. A fiscalização contrapondo-se ao alegado pela parte interessada, constatou a existência de um ou mais débitos, havendo o crédito declarado sido integralmente utilizado para a liquidação desses débitos, resultando na insuficiência de saldo credor o suficiente para a realização da compensação pretendida. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904241/2012-10 Resolução nº 3803-000.614 S3-TE03 Fl. 2 2 Manifestando a sua inconformidade, consubstanciada no art. 165, I, do CTN, a contribuinte deduziu a sua discordância ao despacho decisório, de acordo com as seguintes razões de defesa: (a) o despacho decisório foi emitido antes da retificação da DCTF e da DACON; (b) a partir da retificação desses documentos tornou-se possível a Receita localizar o crédito alegado; e (c) demonstrado a existência do crédito aludido nos moldes de planilha contida na exordial, restou o direito à restituição correspondente. A título de comprovação de direito alegado fez colação aos autos das DCTF e DACON, bem assim de suas respectivas retificadoras e da cópia do DARF pago a maior, para postular pelo acolhimento de sua manifestação e pela insubsistência do aludido despacho. Concluso foram os autos para pronunciamento pela 4ª Turma da DRJ/BSB, que por meio do Acórdão nº 03-52.889, em 27/06/2013, julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, nos termos da ementa transcrita a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Ano Calendário: 2010 APRESENTAÇÃO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A restituição de créditos tributários só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Em apertada síntese, a título de esclarecimento, menciona o relator que o direito à isenção alegado pela contribuinte na comercialização de seus produtos (sucos) e não aproveitado do benefício quando da apuração das contribuições, o que levaria ao recolhimento a maior que o devido, se referiu à tributação monofásica, que reduz a 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos especificados nos arts. 58-A e 58-B, da Lei nº 10.833/03. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904241/2012-10 Resolução nº 3803-000.614 S3-TE03 Fl. 3 3 Assim o direito creditório que a contribuinte alegou possuir seria proveniente de apuração de valor devido a menor, apurado em data posterior à época da entrega das declarações originais. Concluiu o voto condutor que a simples entrega de declarações retificadoras, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento efetuado a maior, que teria originado o crédito pleiteado pela contribuinte em seu pedido de restituição; que tais retificações deveriam ter ocorrido anteriormente a qualquer procedimento administrativo ou notificação de lançamento, conforme dispõem o parágrafo único do art. 39 e o § 1º do art. 147, ambos do CTN; e que não comprovada a liquidez e certeza de direito creditório contra a Fazenda Nacional passível de restituição, não há o que ser reconsiderado na decisão contida no despacho decisório. Após ser cientificado do decidido no Acórdão nº, por meio de AR, conforme subscrição em 11/11/13, contra o mesmo se insurgindo a contribuinte protocolou o seu recurso voluntário na repartição preparadora em 20/12/13, aduzindo sucintamente: Verificou que um de seus produtos vendidos (bebida: refresco e energético) pertenciam à sistemática monofásica de PIS e Cofins, enquadradas no sistema NBH/SH 22.02, e na NCM 2202.10.00 e NCM 22012.90.00, como também que recolheu a maior valores atinentes a essas contribuições, razão pela qual transmitiu a Per/DComp em 30/12/10, pleiteando a restituição que entendeu lhe era devida (PAF 10746.904200/2012-15) Em razão do indeferimento de sua manifestação de inconformidade e, para demonstrar o seu direito ao direito alegado, colacionou aos autos prova documental qual seja: Livri Diário anos 2007 a 2010, Livro Razão anos 2007 a 2010, Livros Fiscais ( Entrada, Saída e Apuração de ICMS dos anos de 2007 a 2010), Notas Fiscais de entrada dos anos 2007 a 2010, Blocos fiscais dos anos 2007 a 2010, Livro de Registros de Inventário correspondente aos anos de 2007 a 2010 e Notas Fiscais Eletrônicas de Saída dos anos 2007 a 2010. No que atine ao mérito reiterou os termos expendidos na exordial para requerer pelo provimento do seu recurso. Consta dos autos despacho proferido por autoridade administrativa da SAORT/DRFB em Palmas/TO, mencionando que a contribuinte apresentou o recurso voluntário acompanhado dos documentos acima descritos em 05/12/2013 e que ante a impossibilidade de juntar aos autos digitais os originais dos documentos entregues, foi o mesmo intimado - TIF SAORT nº 180/2013 - para apresentação dos itens discriminados no TIF em mídia eletrônica (arquivo digital), ou alternativamente, juntamente com os originais, cópia de cada um dos documentos a serem protocolados. Consta ainda desse despacho as seguintes informações: Em 17/01/2014, em resposta ao termo de intimação, o interessado apresentou um DVD-R contendo vários arquivos, os quais não possuem as características necessárias ao processamento no ambiente do Sistema do Processo Digital da RFB (alguns arquivos de tamanho superior a 15 megabytes). Além disso, não foram entregues os relatórios/recibos do Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais, conforme orientação constante do Anexo I do termo de Intimação Fiscal SAORT nº Fl. 99DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904241/2012-10 Resolução nº 3803-000.614 S3-TE03 Fl. 4 4 108/2013. Portanto, em princípio, os arquivos não foram gerados com o auxílio do SVA o que torna impossível a validação e a autenticação dos mesmos. Assim, não obstante ter sido devidamente orientado, o interessado não atendeu os termos da intimação. Dessa forma, proponho que os autos sejam encaminhados ao CARF sem os elementos apresentados em mídia digital (arquivos constantes do DVD-R) para análise do recurso. É o relatório. VOTO Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos necessários à sua admissibilidade, dele conheço. A recorrente fez colação aos autos em sede de recurso voluntário de documentos contábeis e fiscais já elencados no relatório, complementarmente, aos oferecidos como elementos materiais de prova na manifestação de inconformidade. O acórdão recorrido versa sobre o pedido de restituição/compensação, formalizado pela Recorrente perante a repartição preparadora em 30/12/10, quando arguiu possuir crédito tributário proveniente de pagamento realizado a maior que o devido (vide processo 10746.904200/2012-15) para compensar com débitos tributários próprios. Alegou a recorrente que a origem do crédito remete à sistemática de tributação monofásica, que reduz a 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos especificados nos arts 58-A e 58-bB, da lei nº 10833/03, notadamente aquelas classificadas no sistema NBH/SH 22.02, e na NCM 2202.10.00 e NCM 2202.90.00. Desde logo cumpre esclarecer, que sob à ótica do direito material, o tema " direito à restituição/compensação de indébito, oriundo de alíquota 0%, com fulcro nos arts. 58- A e 58-B, da lei nº 10833/03", não foi enfrentado efetivamente pelo juízo a quo, eis que o mesmo se pronunciou exclusivamente acerca da ausência de comprovação da liquidez e da certeza do crédito alegado, em razão da insuficiência de documentos probantes, bem assim por entender que o ônus da prova cabe a quem alega o direito de. Portanto, infere-se que a demanda sob este aspecto resta superada, cabendo ao Tribunal ad quem o pronunciamento exclusivamente acerca das provas colacionadas aos autos, complementarmente, mesmo a destempo, e da sua eficácia probante. DA APRESENTAÇÃO DE PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO Fl. 100DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904241/2012-10 Resolução nº 3803-000.614 S3-TE03 Fl. 5 5 A regra geral contida no art. 16 do Dec. nº 70.235/72 informa que o momento de apresentação das provas atinentes ao direito alegado é o mesmo da formalização da manifestação de inconformidade/impugnação. Destarte o dispositivo no § 4º deste mandamus, c/c o art. 38 e §§, da Lei nº 9+784/99, veio a propiciar à modulação dos efeitos dessa regra, sinalizando com a possibilidade da apresentação de prova noutro momento processual. Este também é o entendimento pacífico cristalizado por meio da jurisprudência administrativa emanada do CARF, notadamente quando a prova, mesmo que juntada a destempo é imprescindível para o deslinde da querela, consoante demonstram os extratos de julgados colacionados adiante na forma de ementa, confira-se: Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 VERDADE MATERIAL. PROVA INCONTESTE. A juntada de prova cuja simples leitura, em documento de uma só folha, permite constatar as alegações sustentadas pela recorrente, e cuja inadmissibilidade motivada pela preclusão perenizaria situação de injustiça evidente, deve ser considerada, ainda que em sede de embargos, em atendimento ao princípio da verdade material e à instrumentalidade do processo. (Acórdão 1302-001.493, sessão de 27/08/2014 - 13840.000215/00-18, Rel. Eduardo de Andrade). ____________________________________________________ (...). PRODUÇÃO DE PROVAS NO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE PARA SE CONTRAPOR ÀS RAZÕES DO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Como regra geral, a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo do direito de fazê-lo em outro momento processual. Contudo, tendo o contribuinte trazido os documentos que julgava aptos a comprovar seu direito, ao não ser bem sucedido no julgamento de 1ª instância, razoável se admitir a juntada das provas no voluntário, pois é exceção à regra geral de preclusão a produção de novos documentos destinados a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Ademais, seria por demais gravoso, e contrário ao princípio da verdade material, a manutenção da glosa de deduções sem a análise das provas constantes nos autos. E ainda, sendo esta a última instância administrativa, tal postura exigiria do contribuinte a busca da tutela do seu direito no Poder Judiciário, o que exigiria do Fisco a análise das provas apresentadas em juízo, e ainda condenaria a União pelas custas do processo (Acórdão nº 1102.000-940, sessão de 08/10/2013, PAF 16327.001040/2008-91, Rel. José Evande carvalho Araújo). ____________________________________________________ Fl. 101DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904241/2012-10 Resolução nº 3803-000.614 S3-TE03 Fl. 6 6 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DO CONTRIBUINTE. CONFERÊNCIA ELETRÔNICA. RETIFICAÇÃO DA DCTF A DESTEMPO. OBSTÁCULO. INEXISTÊNCIA. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. INOCORRÊNCIA. Deve ser verificada a procedência do pedido de compensação fundado em direito de crédito recusado exclusivamente com base em cotejo eletrônico das informações prestadas pelo contribuinte na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, desde que essa tenha sido retificada, ainda que extemporaneamente. Não há que se falar em preclusão do direito de apresentação de provas em fase recursal quando tenha sido dada ciência ao requerente da necessidade de instrução do processo apenas por ocasião da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Provido em Parte (Acórdão nº 3102-001.959, sessão de 25/07/2013 - 10166.911735/200978, Rel. Ricardo Paulo Rosa). ___________________________________________________ O entendimento profligado por meio da jurisprudência acima transcrita tem a finalidade precípua de consolidação do princípio da verdade material, pressuposto basilar do Direito Processual Administrativo Tributário, bem assim da tese que defende que a produção probatória no processo administrativo tributário compete concorrentemente às partes e ao Juiz, quando apresentadas após a impugnação. A conselheira Andréa Medrado Darzé, em "Preclusão no Processo Adm. Tributário: Um Falso Problema", in "VII Congresso Nacional de Estudos Tributários, Derivação e Positivação no Direito Tributário" (2011, p. 7879) com apoio na jurisprudência dos tribunais administrativos, traz a contribuição significativa à questão posta: " A regra de preclusão do direito de o impugnante produzir provas no processo administrativo tributário, prescrita no art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, é cogente, de aplicação obrigatória, apenas podendo ser excepcionada nas hipóteses relacionadas neste mesmo dispositivo legal. Isso não significa, todavia, impossibilidade de a prova vir a ser apreciada pelo julgador, mesmo quando apresentada após a impugnação. A razão desta assertiva é singela, mas decisiva: a produção probatória no processo administrativo tributário compete concorrentemente às partes e ao Juiz. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904241/2012-10 Resolução nº 3803-000.614 S3-TE03 Fl. 7 7 Assim, mesmo na hipótese de a prova ser trazida aos autos quando já precluso o direito de ao particular fazê-lo, o julgador pode e deve analisá-la, desde que se trate de prova necessária para a apreciação da matéria litigada. Afinal, diferentemente do que se verifica em relação ao impugnante, o legislador não estabeleceu limite temporal para a iniciativa probatória da autoridade julgadora." Como visto, resta demonstrada a efetiva possibilidade de apresentação de prova após a impugnação, seja pela aplicação da legislação tributária, ou mediante a jurisprudência administrativa, ou ainda pela doutrina hodierna. Portanto não há se falar em preclusão temporal neste caso. Ao contrário, os exemplos mencionados servem para demonstrar a possibilidade de se imprimir maior celeridade ao julgamento do feito, com a oportunidade criada a partir da colação desses documentos aos autos, a permitir que dúvidas por ventura existentes possam ser sanadas, sem a necessidade de remessa dos autos à repartição preparadora. Até mesmo por ser a opção pelo acolhimento da prova apresentada a destempo, uma discricionariedade do julgador, notadamente o relator dos autos, como auxílio para firmar a sua convicção pessoal ao caso sob análise. No caso vertente a recorrente trouxe aos autos na fase recursal novos elementos materiais de prova, dando conhecimento à autoridade administrativa de sua iniciativa. Essa autoridade limitou-se a alegar a impossibilidade de juntar aos autos digitais os originais dos documentos que lhe foram entregues, intimando a Recorrente a reapresentar os documentos, desta feita na forma de arquivo digital, por meio de mídia eletrônica, concedendo- lhe o prazo de 20 dias para o cumprimento do desiderato. Em atenção à intimação que lhe fora endereçada a contribuinte em 17/01/2014 apresentou um DVD-R contendo vários arquivos, que segundo a fiscalização, não possuem as características necessárias ao processamento no ambiente do sistema de Processo Digital da RFB, além de não haver sido entregue os relatórios/recibos do Sistema de Validação e /autenticação de Arquivos Digitais, conforme orientação constante do Anexo I do Termo de Intimação Fiscal SAORT nº 180/2013, endereçado à ora Recorrente. Conclui a autoridade administrativa que os arquivos não foram gerados com o auxílio do SVA o que torna impossível a validação e a autenticação dos mesmos. Mister esclarecer que a Recorrente não se furtou de reapresentar os documentos em meio magnético, entretanto em plataforma diversa daquela orientada pela fiscalização. Igualmente ao apresentar na repartição preparadora os documentos originais para protocolo (cópia de cada documento), a recorrente o fez sob amparo da regra contida no § 7º do art. 2º e art. 8º da Portaria MF nº 527/2010, que autoriza a formalização de recursos mediante a apresentação de documentos em papel, como sendo uma opção do contribuinte. A persecução da verdade material no âmbito do processo administrativo tributário, como dito, deve funcionar para ambos os lados, portanto, pugno pela conversão deste julgamento em diligência à repartição de origem, para que sejam analisados todos os documentos indicados pela Recorrente no recurso voluntário, com vistas à apuração e Fl. 103DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904241/2012-10 Resolução nº 3803-000.614 S3-TE03 Fl. 8 8 pronunciamento acerca da existência de direito creditório, e se o mesmo é o bastante suficiente para a liquidação dos débitos indicados no Per/DComp transmitido para, posteriormente facultar-lhe a oportunidade , mediante a concessão de tempo razoável, para comparecer aos autos se assim lhe aprouver. Cumprido com o desiderato devem os autos retornarem do órgão preparador para a retomada do julgamento suspenso circunstancialmente. É como voto Jorge Victor Rodrigues - Relator Fl. 104DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10925.903087/2009-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Processo Administrativo Tributário
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. POSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO.
A alegação de erro na DCTF, quando acompanhada de retificadora, deve ser apreciada, nos termos do art. 16, III, do PAF, não podendo ser considerada como sem efeito jurídico a transmissão de DCTF retificadora após o despacho decisório. Assim, existindo provas no processo do pagamento indevido e da sua disponibilidade, ainda que sob código de receita equivocado, deve ser homologada a compensação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3301-001.571
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencido o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, que negou provimento ao recurso.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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COMPENSAÇÃO Recorrente COOPERATIVA DE ALIMENTOS E AGROPECUÁRIA TERRA VIVA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Tributário Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. POSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO. A alegação de erro na DCTF, quando acompanhada de retificadora, deve ser apreciada, nos termos do art. 16, III, do PAF, não podendo ser considerada como sem efeito jurídico a transmissão de DCTF retificadora após o despacho decisório. Assim, existindo provas no processo do pagamento indevido e da sua disponibilidade, ainda que sob código de receita equivocado, deve ser homologada a compensação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencido o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, que negou provimento ao recurso. [assinado digitalmente] Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram ainda da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (presidente), José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martinez Lopez, Paulo Guilherme Déroulède e Antônio Lisboa Cardoso. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ Florianópolis que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, não reconhecendo o direito creditório e não homologando a compensação declarada, por entender que não teria sido observado requisito essencial, qual seja, a retificação de DCTF antes da transmissão da PER/DCOMP. A ora recorrente apresentou pedido de ressarcimento e declaração de compensação (PER/Dcomp) em face do suposto pagamento indevido da COFINS no 3º e 4º trimestre de 2004 e no 1º e 2º trimestre de 2005. A DRF Joaçaba/SC emitiu Despacho Decisório eletrônico não homologando a compensação declarada, sob o argumento de que o pagamento fora integralmente utilizado na quitação de débitos da contribuinte, não restando assim crédito disponível para a compensação. Contra esta decisão, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando que a despeito de as bases de cálculo das Contribuições PIS faturamento Código 6912 e COFINS faturamento Código 5856, relativa ao período pleiteado, estarem negativas, a contribuinte procedeu ao seu recolhimento. O equívoco teria se dado em razão de, mesmo tendo a empresa migrado para a sistemática não cumulativa, procedeu ao cálculo do tributo no antigo regime cumulativo. Afirmou que o erro pode ser verificado, por exemplo, observando a DCTF do 3° trimestre de 2004, recibo n. 36.97.31.31.8974, onde constavam valores a recolher com os códigos 8109 para PIS faturamento/PJ e 2172 para a COFINS faturamento/PJ e a DCTF do terceiro trimestre de 2004, recibo n.° 22.75.64.84.3410, com os Códigos da Receita 58561 COFINS não cumulativa e 69121 PIS não cumulativo. Por fim, acrescentou que o equívoco teria sido corrigido através das DCTFs Retificadoras datadas de 21/05/2009, recibo n° 29.52.22.44.6608, onde apresenta as bases zeradas para o 3° trimestre de 2004, recibo n° 34.58.24.34.0891, onde apresenta as bases zeradas para o 4° trimestre de 2004, recibo n° 14.87.50.65.8135, onde apresenta as bases zeradas para o 1° semestre de 2005. A DRJ Florianópolis julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade nos seguintes termos: COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é maior do que o devido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Irresignada, a contribuinte recorreu a este Conselho, alegando, em apertada síntese, que apresentou provas da existência do crédito. Acrescentou que com o processamento das DCOMP’s acima citadas, caracterizaria a existência jurídica do crédito. Todos os pedidos de compensação (PER/DCOMP) apresentados são de datas posteriores as DCOMP’s apresentadas. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 10925.903087/200947 Acórdão n.º 3301001.571 S3C3T1 Fl. 93 3 Em face das alegações do contribuinte, e considerando o que dispõe o art. 18, I, Anexo II, da Portaria MF n° 256/08, o qual prevê a realização de diligências para suprir deficiências do processo, o julgamento do Recurso Voluntário foi convertido em diligência à repartição de origem, para que verificasse se estava correto o valor indicado pela Recorrente como pagamento a maior, bem como se ele não estava alocado a outro débito. Em resposta à diligência solicitada, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC esclareceu o seguinte: No âmbito do julgamento do Recurso Voluntário da lide administrativa instaurada no processo acima identificado, a 3ª Turma Especial do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do Despacho nº 3803000.147, remeteu os autos à DRF/JoaçabaSC para que fossem esclarecidas as seguintes questões: 1. Se está correto o valor indicado pela interessada como pagamento a maior; e 2. Se o referido pagamento não está alocado a outro débito. Quanto à primeira questão, em consulta aos sistemas informatizados da RFB, identificamos um pagamento com as características apontadas pela contribuinte na PER/DCOMP, inclusive quanto ao valor. Porém, tal pagamento foi retificado do código de receita 2172 para o 5856, conforme corrobora tela de sistema anexada ao processo. Em relação ao segundo questionamento, após a retificação da DCTF ocorrida em 21/05/2009, na qual a contribuinte eliminou todos os débitos de Cofins (5856), o pagamento encontrase integralmente disponível nos sistemas da RFB. Cumpridas as demandas do órgão julgador, proponho a devolução deste processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme é possível perceber do relato acima, a Recorrente alega que teria um crédito de COFINS em virtude de ter realizado, equivocadamente, o seu pagamento sob a sistemática cumulativa, quando já teria migrado para o regime não cumulativo e sua base de cálculo, do período, seria negativa. Para demonstrar o seu direito, instrui sua Manifestação de Inconformidade com os DARF’s nos quais consta o código de receita 2172, bem como indicou o número de recibo da DCTF retificadora, onde apresentou as bases zeradas para o período. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE 4 A autoridade recorrida entendeu que, independentemente da existência de crédito, a presente compensação não poderia ser homologada, uma vez que as DCTF’s retificadoras foram transmitidas a destempo, após o PER/DCOMP. Por óbvio que não se está aqui a afirmar que o crédito contra a Fazenda Nacional existe ou não existe, dado que não é isto que importa para o caso concreto que aqui se tem. O que se afirma, e isto sim, é que só a partir da retificação da DCTF é que a contribuinte passou a ter crédito contra a Fazenda devidamente conformado na forma da lei. Assim, a retificação já efetuada pode produzir efeitos em relação a DCOMP apresentadas posteriormente a esta retificação, mas não para validar compensações anteriores. De se dizer que débitos anteriores, não adimplidos no prazo legal, podem ser incluídos em DCOMP, mas neste caso, por óbvio, tais débitos deverão ser declarados com a devida adição da multa e dos juros de mora legalmente previstos (aliás, está aqui mais uma razão para a impossibilidade de validação retroativa da compensação: como só posteriormente à data de vencimento do tributo e à data de prolação do Despacho Decisório é que houve retificação da DCTF, estarseia permitindo, com a validação retroativa, o adimplemento a destempo da obrigação tributária, sem o acréscimo da penalidade e encargos legais previstos). Neste ponto, entendo que não assiste razão à autoridade recorrida, que considera a transmissão de DCTF retificadora após o despacho decisório sem efeito, vez que não espontânea. Ora, nos termos do art. 138 do CTN, a espontaneidade é relevante apenas para excluir a responsabilidade pela infração. Por conta disso, e tendo em vista que não estamos falando de ausência de pagamento de tributo, mas, pelo contrário, de pagamento a maior, não há que se obstar a análise de documento fiscal, pela simples razão de ter sido transmitido após o início do procedimento de restituição. Por outro lado, também o art. 9º, § 1º, II, da IN 255/02, não se presta para fundamentar a conclusão de que a DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório não poderia ser analisada. Com efeito, o texto deste enunciado normativo é muito claro ao prescrever que não será aceita a retificação da DCTF que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado do inicio de procedimento fiscal. Ou seja, o que se veda é a entrega de DCTF para retificar débito sob procedimento fiscal e não crédito, como o fez a Recorrente. Neste contexto, resta evidente que a alegação de erro na DCTF, quando acompanhada de retificadora, deve ser apreciada, nos termos do art. 16, III, do PAF, não podendo ser considerada como sem efeito jurídico a transmissão de DCTF retificadora após o despacho decisório. Foi justamente por ultrapassar esse requisto formal e por entender que a Recorrente trouxe aos autos elementos que indicam que o recolhimento da COFINS foi feito sob o regime equivocado, o que representa forte indício de pagamento indevido que determinei, num primeiro momento, a conversão do Recurso Voluntário em diligência à Fl. 159DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 10925.903087/200947 Acórdão n.º 3301001.571 S3C3T1 Fl. 94 5 repartição de origem, para que verificasse se estava correto o valor indicado pela Recorrente como pagamento a maior, bem como se ele não estava alocado a outro débito. Em resposta à diligência solicitada, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC esclareceu o seguinte: No âmbito do julgamento do Recurso Voluntário da lide administrativa instaurada no processo acima identificado, a 3ª Turma Especial do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do Despacho nº 3803000.147, remeteu os autos à DRF/JoaçabaSC para que fossem esclarecidas as seguintes questões: 1. Se está correto o valor indicado pela interessada como pagamento a maior; e 2. Se o referido pagamento não está alocado a outro débito Quanto à primeira questão, em consulta aos sistemas informatizados da RFB, identificamos um pagamento com as características apontadas pela contribuinte na PER/DCOMP, inclusive quanto ao valor. Porém, tal pagamento foi retificado do código de receita 2172 para o 5856, conforme corrobora tela de sistema anexada ao processo. Em relação ao segundo questionamento, após a retificação da DCTF ocorrida em 21/05/2009, na qual a contribuinte eliminou todos os débitos de Cofins (5856), o pagamento encontrase integralmente disponível nos sistemas da RFB. Ou seja, confirmou a autoridade fiscal que a Recorrente efetivamente realizou pagamento do valor indicado pela contribuinte na declaração de compensação em análise, o qual, inclusive, teve o código de receita retificado de 2172 para 5856, conforme documento anexo. Ademais, esclareceu o auditor fiscal que o referido pagamento encontrase integralmente disponível nos sistemas da RFB, ou seja, que não foi alocado a outro débito. Neste contexto, não resta dúvida quanto a existência e a disponibilidade do crédito financeiro apurado pelo contribuinte. Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para reconhecendo a disponibilidade dos créditos informados pelo contribuinte, autorizar seja homologada a declaração de compensação dos débitos fiscais até o valor correspondente aos créditos decorrentes dos pagamentos indevidos ora reconhecidos. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 160DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE 6 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE
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