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Numero do processo: 19515.004065/2003-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DURANTE O CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO . IMPOSSIBILIDADE. É inadequada a postulação de matéria relativa à inconstitucionalidade na esfera
administrativa, na forma prevista no art. 26-A do Decreto nº 70.235/72, acrescido pela Lei 11.941/09.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS ARTIGO 42 DA LEI 9.430/1996 Caracterizam omissão de rendimentos valores
creditados em conta bancária mantida junto a instituição financeira, quando o contribuinte ou seu representante, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Outrossim, devem ser corrigidos os equívocos cometidos
pelo fisco na determinação da base de cálculo, apontados no recurso voluntário.
CONTABILIDADE. CIRCUNSTÂNCIA QUE NÃO CONFERE CREDIBILIDADE AOS REGISTROS CONTÁBEIS. CONTABILIDADE DESCLASSIFICADA. ARBITRADO O LUCRO. Não se pode conferir credibilidade à contabilidade quando materialmente se verifica que ela não reflete a realidade das operações comerciais e bancárias realizadas pela empresa.
O artigo 47 da Lei nº 8.981, de 1995, ao usar a expressão de que o lucro será arbitrado, nos casos que especifica, não confere faculdade à autoridade fiscal, mas sim comando impositivo quanto à forma de tributação. Assim verificado quem a contabilidade não registra a maior parte das transações realizadas pela
empresa, impõe-se o arbitramento do lucro para fins de apuração do IRPJ e da CSLL. Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 1402-001.050
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para subtrair das receitas omitidas, levadas a tributação, os valores de R$ 554.399,43 (1998), R$ 2.080.093,75 (1999), R$ 88.490,00 (2000) e R$ 270.191,70 (2001) e reduzir as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL para o montante correspondente a 9,6% do total da receita, aplicando-se a base de cálculo do
lucro arbitrado, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Antonio José Praga de Souza
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DE PEÇAS DIESEL LTDA Recorrida 2ª TURMA/DRJBRASÍLIA/DF ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DURANTE O CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO . IMPOSSIBILIDADE. É inadequada a postulação de matéria relativa à inconstitucionalidade na esfera administrativa, na forma prevista no art. 26A do Decreto nº 70.235/72, acrescido pela Lei 11.941/09. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS ARTIGO 42 DA LEI 9.430/1996 Caracterizam omissão de rendimentos valores creditados em conta bancária mantida junto a instituição financeira, quando o contribuinte ou seu representante, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Outrossim, devem ser corrigidos os equívocos cometidos pelo fisco na determinação da base de cálculo, apontados no recurso voluntário. CONTABILIDADE. CIRCUNSTÂNCIA QUE NÃO CONFERE CREDIBILIDADE AOS REGISTROS CONTÁBEIS. CONTABILIDADE DESCLASSIFICADA. ARBITRADO O LUCRO. Não se pode conferir credibilidade à contabilidade quando materialmente se verifica que ela não reflete a realidade das operações comerciais e bancárias realizadas pela empresa. O artigo 47 da Lei nº 8.981, de 1995, ao usar a expressão de que o lucro será arbitrado, nos casos que especifica, não confere faculdade à autoridade fiscal, mas sim comando impositivo quanto à forma de tributação. Assim verificado quem a contabilidade não registra a maior parte das transações realizadas pela empresa, impõese o arbitramento do lucro para fins de apuração do IRPJ e da CSLL. Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 3450DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.004065/200311 Acórdão n.º 140201.050 S1C4T2 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para subtrair das receitas omitidas, levadas a tributação, os valores de R$ 554.399,43 (1998), R$ 2.080.093,75 (1999), R$ 88.490,00 (2000) e R$ 270.191,70 (2001) e reduzir as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL para o montante correspondente a 9,6% do total da receita, aplicandose a base de cálculo do lucro arbitrado, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Relatório FALSI & FALSI COM. DE PEÇAS DIESEL LTDA recorreu a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que julgou procedente a exigência de IRPJ e Reflexos, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). O recurso foi apreciado pela 7a. Câmara do 1o. Conselho de Contribuintes na sessão de 17/08/2008, tendo sido convertido em diligência mediante resolução No. 10700.716, juntada às fls. 3176 a 3181 dos autos, cujo relatório, abaixo transcrito, adoto e procedo a leitura em plenário. Tratase de autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins (fls. 1718/1783), cujo crédito tributário, composto pelo principal, multa de ofício e juros de mora, totaliza RS 61.638.235,42. Conforme a descrição dos fatos constante do auto de infração de IRPJ e do Termo de Verificação Fiscal (fl. 1714), o lançamento foi motivado por omissão de receitas, caracterizada pela falta de comprovação da origem dos recursos depositados em contas bancárias de titularidade da empresa, nos anoscalendário 1998, 1999,2000 e 2001. Fl. 3451DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.004065/200311 Acórdão n.º 140201.050 S1C4T2 Fl. 4 3 Os autos de infração de CSLL, PIS e Cofins são decorrentes da mesma omissão de receitas que motivou o lançamento de IRPJ. Não se conformando com o lançamento, a empresa apresentou a impugnação de fls. 1790/1872, em que, em apertada síntese, alega o seguinte: Aponta irregularidade nos autos de infração, por estarem apoiados em informações bancárias obtidas em conformação com as regras da CPMF, implicando indevida quebra de sigilo bancário; Alega que o contribuinte tem o direito de permanecer calado, e que, no caso, a Fiscalização não efetuou qualquer ato de investigação junto aos documentos da empresa, preferindo transferir a esta sua responsabilidade de fiscalizar; Entende que a nãorealização de fiscalização por parte do Agente Fiscal, que não praticou qualquer ato tendente a aferir o crédito tributário, fere frontalmente os princípios constitucionais da moralidade e da vinculação da Autoridade Administrativa; Assevera que, em face do princípio da irretroatividade das leis, a Lei Complementar n°. 105/2001, que veio permitir a inusitada forma de quebra do sigilo bancário por decisão exclusiva da autoridade administrativa, independentemente de autorização judicial, não pode ser utilizada para atingir fatos anteriores a 09/01/2001; Alega que, mesmo havendo previsão legal, a quebra do sigilo bancário dos contribuintes constitui evidente desrespeito ao princípio da legalidade, por contrariar princípios constitucionais, que obrigatoriamente devem ser observados pelas autoridades administrativas; Procura demonstrar que o ato de quebra do sigilo bancário também fere os princípios constitucionais da Indelegabilidade de Atribuições, da Separação Orgânica dos Poderes e da Reserva Constitucional de Jurisdição; Assevera ser ilegítimo o lançamento de imposto de renda com base exclusivamente em extratos bancários, por inexistência do nexo causai entre os depósitos e o fato que represente omissão de rendimentos; Diz que, tendo em vista as inúmeras irregularidades praticadas a partir da quebra do sigilo bancário das contas da empresa, o processo administrativo está completamente viciado, sendo, portanto, nulos todos os atos praticados; Por fim, assevera inexistir crédito tributário, por não ter havido formalização do lançamento, estando a se falar simplesmente de arrecadação da CPMF. Conforme documento de fl. 1965, foi declarada a intempestividade da impugnação. Porém, após questionamento da contribuinte, houve a revisão do despacho, reconhecendo que a peça de defesa foi apresentada no prazo legal (fl. 2.399). Às fls. 1973/2046 consta aditamento da impugnação acompanhada dos documentos de fls. 1990/2046 na qual a contribuinte, em síntese, alega possuir todos os livros fiscais e contábeis exigidos pela legislação tributária, e que os valores dos depósitos objeto do lançamento estão devidamente contabilizados nos livros Diário e Razão, de forma englobada, com a individualização dos lançamentos em livro auxiliar denominado de Extrato. Esclarece não ter podido atender à intimação fiscal, explicitando cada número da relação bancária apresentada, em face da quantidade de Fl. 3452DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.004065/200311 Acórdão n.º 140201.050 S1C4T2 Fl. 5 4 documentos, mas que os livros contábeis e fiscais, incluindo os livros auxiliares, fazem prova a seu favor. Por meio da petição de fls. 2.349/2364, a empresa alega a tempestividade da impugnação apresentada em 05/01/2004 e requer a realização de perícia contábil, além de discorrer sobre a obrigatoriedade de arbitramento do lucro, no caso de a escrituração não identificar a efetiva movimentação financeira. Analisando o Feito, a 2a Turma de Julgamento da DRJ/Brasília julgou procedente o lançamento, conforme Acórdão n°. 0318.484, de 08 de setembro de 2006 (fls. 2329/2441), cuja ementa tem a seguinte dicção: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ Anocalendário: 2001, 2003 Ementa: OMISSÃO DE RECEITA — Em conformidade com o artigo 332 do CPC, todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, são hábeis para provar a verdade dos fatos. Nesse sentido, nada obsta a que extratos bancários sejam utilizados como um meio de provar o cometimento de qualquer ilícito fiscal. Caracterizase omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. SIGILO BANCÁRIO Não configura quebra de sigilo o fornecimento ao Fisco de informações sobre a movimentação bancária do contribuinte, as quais permanecem protegidas sob o manto do sigilo fiscal. CONSTITUCIONALIDADE É o administrador um mero executor de leis, não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a constitucionalidade de leis é privativa do Poder Judiciário. DA TRIBUTAÇÃO REFLEXA Lançamentos reflexos. Ao se decidir de forma exaustiva a matéria referenciada ao lançamento principal de IRPJ, a solução adotada espraia seus efeitos aos lançamentos reflexos, próprio da sistemática de tributação das pessoas jurídicas. Lançamento Procedente Cientificada em 03/11/2006 (fl. 2442v), a empresa apresentou, em 04/12/2006, o Recurso de fls. 2454/2506, articulado da seguinte forma, em síntese: Alega que a movimentação de recursos nas contas bancárias objeto da autuação está devidamente escriturada nos livros Diário e Razão, de modo sintético, e no livro auxiliar denominado "Bancos Extrato", de forma analítica, mas que, apesar de estar de posse dos referidos livros assim como da resposta à intimação fiscal para comprovar a origem dos depósitos, na qual a empresa informou não estar legalmente obrigada a realizar o trabalho da Fiscalização, mas sim a esclarecer quaisquer dúvida quanto a qualquer lançamento, bem como comproválos documentalmente mesmo assim o Fisco efetuou o presente lançamento, considerando como receita omitida o valor dos depósitos e créditos nas referidas contas bancárias; Fl. 3453DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.004065/200311 Acórdão n.º 140201.050 S1C4T2 Fl. 6 5 Levanta preliminar de nulidade da decisão a quo, por incompetência da DRJ/Brasília para decidir o litígio; Reclama de não ter o Fisco efetuado auditoria fiscalcontábil nos livros e documentos da empresa, optando simplesmente por intimála a comprovar a origem de aproximadamente 16.200 registros bancários, o que demandaria a vinculação dos respectivos valores com uma quantidade de documentos que facilmente chegariam à quantidade de 50.000 ou 60.000. Assim, e sendo que toda a movimentação bancária estava devidamente contabilizada, entende que caberia ao Fisco aplicar os procedimentos de auditoria por meio de amostragem e testes, intimando a Recorrente a comprovar, documentalmente, as operações selecionadas para exame, no número que julgasse conveniente para sua convicção; Argui no sentido de que a tributação com base na presunção de omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada só pode ser realizada com base no lucro arbitrado, uma vez que desconsidera a existência de regular escrituração; Reclama de que não foram excluídas as receitas declaradas nos respectivos anoscalendário, as quais estão incluídas nos montantes depositados nas contas bancárias; Alega que o entendimento de que a quebra do sigilo bancário pode ser aplicado a período anterior à vigência da Lei n°. 10.174, de 2001, não é correto, posto que calcado na falsa premissa de que as normas instituídas tanto pelo § 3o do art. 11 da Lei n°. 9.311, de 1996, quanto pela Lei n°. 10.174, de 2001, são normas de Direito Formal, quando, inquestionavelmente, correspondem a normas de Direito Material; Diz que a Lei n°. 10.174, de 2001, não preenche os requisitos estabelecidos no art. 144, § Io, do CTN para ser aplicada retroativamente, e que, de qualquer forma, ela não teria o condão de atingir situações já consolidadas anteriormente à sua vigência; Tem por fundamento o artigo 142 do CTN e doutrina e jurisprudência, procura demonstrar ser possível a análise, em fase de recurso, de argumentos sobre matéria de direito não levantados na impugnação; Assevera que o disposto no § 3o do artigo 11 da Lei n°. 9.311, de 1996, em sua antiga redação, caracterizava uma isenção tributária, e que, assim, a Lei n°. 10.174, de 2001, que veio revogar a referida isenção, só pode ser aplicada para períodos posteriores, por ser absolutamente proibida, pelo disposto no art. 104 do CTN, a revogação retroativa de isenção anteriormente concedida; Alega que a presunção de omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada, prevista no art. 42 da Lei n°. 9.430, de 1996, não se aplica ao Pis e à Cofins, posto que a referida norma legal não desceu ao detalhe de caracterizar como "receita da atividade normal da pessoa jurídica", limitandose a fazêlo em caráter geral, restando evidente a impossibilidade de se tributar a totalidade dos depósitos bancários como se "faturamento" fossem. No voto condutor da aludida Resolução, da lavra do ilustre conselheiro Jayme Juarez Grotto, que me antecedeu na relatoria deste processo, porem não mais compõe este Conselho, extraise: Fl. 3454DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.004065/200311 Acórdão n.º 140201.050 S1C4T2 Fl. 7 6 O recurso é tempestivo e atende os pressupostos para prosseguimento. Dele tomo conhecimento. Analisadas as peças do processo, entendo não reunir ele as informações necessárias para a apreciação da matéria na profundidade recomendada e suficiente para a perfeita solução da lide. A autuação referese a omissão de receitas representada por valores creditados em contas de depósito mantidas pela autuada nos anos calendário 1998 a 2001, cuja origem dos recursos utilizados não foi comprovada. No Termo de Verificação Fiscal não foi informado se as referidas contas foram ou não contabilizadas, embora o Fisco tenha estado de posse dos livros Diário e Razão, como dá conta o Termo de Devolução de Documentos n°. 002 (fl. 1708). Tendo a impugnante sustentado que as contas bancárias em questão foram devidamente escrituradas em sua contabilidade, a Turma Julgadora que proferiu a decisão de primeira instância não aceitou a alegação, ao argumento de falta de comprovação. No Recurso a este Conselho de Contribuintes, a interessada traz aos autos cópias de folhas dos livros Diário e Razão, onde se verifica que todas as contas bancárias que dão respaldo à autuação foram objeto de contabilização. Assim, e tendo em vista que, na analise dos lançamentos relativos a omissão de receitas caracterizada por depósitos de origem não comprovada, como no presente caso, tem sido relevante para os Conselheiros dessa Câmara saber se as contas bancárias foram ou não contabilizadas, entendo prudente a realização de diligência a fim de verificar a autenticidade e regularidade da escrituração da interessada juntada aos autos por cópias dos livros Diário e Razão. Pelo exposto, voto no sentido de ser baixado o processo em diligência para a verificação acima, podendo, para isso, serem utilizados todos os documentos, informações e argumentos contidos no presente processo, além de solicitação e de exames de outras informações e documentos que se mostrarem necessários, devendo, antes do processo retornar a esta Câmara, ser aberto prazo de 30 dias para que a interessada se manifeste sobre o resultado da diligência, se o quiser. O AuditorFiscal Ciro Rocha foi encarregado da diligência e na conclusão dos trabalhos lavrou o relatório de fls.:3190 a 3198, no qual assevera que a exceção do livro Diário de 1998, todos os demais (1999, 2000 e 2001), bem como os livros Razão apresentados pela contribuinte foram registrados na junta comercial apenas em 28/07/2009. Registra, ainda, que nos 4 anos fiscalizados a contribuinte contabilizou e tributou receitas totais no valor de R$ 24.272.961,34, porem os depósitos bancários somaram R$ 69.506.806,02. Ao final propugnou pela manutenção da exigência. Cientificada do aludido relatório, a contribuinte apresentou manifestação em 09/11/2009, fls. 3199 a 3203, no qual reforça sua alegação de dupla tributação de valores e anteriormente declarados haja vista que 24milhoes dos depósitos estavam contabilizados, pelo Fl. 3455DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.004065/200311 Acórdão n.º 140201.050 S1C4T2 Fl. 8 7 que os lançamentos devem ser cancelados. Propugna, ainda pela exclusão dos valores das transferências bancarias, comprovadas no anexo da peça recursal. A seguir os autos foram encaminhados a este Conselho para prosseguimento. Mediante resolução 1402000.28, de 14/12/2010 o processo foi volvido em diligência nos seguintes termos do voto condutor: “(...) Conforme relatado, este processo retorna ao julgamento após cumprida a diligencia fiscal solicitada pela antiga 7o. Camara do 1CC (conselheiro Jayme Juarez Grotto). Aludida diligencia centrouse em verificações quanto as receitas consideradas omitidas pelo contribuinte. Todavia, nada foi solicitado/verificado quanto aos custos dos produtos vendidos (peças de veículos), que este colegiado reputou relevante, haja vista que a apuração do lucro tributável foi realizada pela sistemática do lucro real. Ao somar as receitas omitidas ao resultado da empresa, mesmo após certas exclusões, observase uma certa desproporção entre as receitas e os custos. É possível que tenha havido equívocos na apuração dos custos pela contribuinte. Assim, partindose da premissa que, à luz do art. 3o. do Código Tributário Nacional, tributo não pode constituir sanção de ato ilícito, ou seja, não é penalidade. Considerando também que, consoante art. 29 do PAF (Decreto 70.235/1972), que rege o Processo Administrativo Fiscal), “Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias”, o colegiado entendeu que é cabível uma nova diligência, desta feita centrada na verificação dos custos das mercadorias vendidas. Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligencia para que a fiscalização: a) Intime a contribuinte a apresentar demonstrativos e comprovantes (notas fiscais de aquisição) das mercadorias adquiridas para revenda nos anos objeto da fiscalização, bem como reapure o CMV a cada ano. b) Oficie a Secretaria de Fazenda do Estado de São Paulo, com o intuito de obter o montante das compras de mercadorias efetuadas pela empresa nos anos objeto da autuação, seja por meio das declarações do ICMS, ou dos sistemas de gerenciamento do trânsito de mercadorias que aquele órgão possuir. A Fiscalização pode fazer outras verificações e procedimentos, em estrita consonância com o escopo da diligencia visando seu êxito, qual seja, apurar o CMV real do Contribuinte. Ao final, deverá lavrar termo consubstanciado e cientificar a contribuinte para, caso deseje, manifestarse no prazo de 30 dias. (...)” A diligência resultou na juntada dos documentos de fls. 3277 a 3392, bem como na elaboração do relatório de fls. 3393 a 3401, que apresenta a seguinte conclusão: Fl. 3456DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.004065/200311 Acórdão n.º 140201.050 S1C4T2 Fl. 9 8 Cientificado da nova diligência, em 2/3/2012, o contribuinte apresentou manifestação de fls. 3407 e seguintes, ao final requerendo (verbis): É o relatório. Fl. 3457DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.004065/200311 Acórdão n.º 140201.050 S1C4T2 Fl. 10 9 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. Conforme relatado, este processo retorna ao julgamento após cumprida a diligencia fiscal. De inicio, cumpre apreciar a Preliminar de nulidade do auto de infração cerceamento do direito de defesa em face do tempo exíguo para atendimento da intimação fiscal. O recorrente repisa suas alegações quanto a nulidade do lançamento, já enfrentadas e afastadas na decisão de primeira instância. Verificase, de plano, que o auto de infração guerreado não apresenta qualquer vício material ou formal em sua constituição, haja vista que foi lavrado por autoridade fiscal competente com observância das disposições dos artigos 142 do CTN e 10 do Decreto 70.235 de 1972 (PAF). Aliás, as hipóteses de nulidade ab initio do lançamento estão elencadas no art. 59 do PAF, quais sejam: lavratura por servidor incompetente ou com preterição ao direito de defesa. Nenhuma delas ocorreu, pelo contrário o contribuinte compreendeu plenamente as infrações que lhe foram imputas, tanto assim que apresentou defesa administrativa abordando vários aspectos dessa acusação. A decisão recorrida não merece reparos, por ter deixado de apreciar alegações quanto a legalidade ou constitucionalidade de dispositivo legal em vigor. Esta matéria é objeto da Súmula nº 2 deste Conselho, que dispõe: “O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Em verdade, nem as DRJ, nem os Conselhos de Contribuintes, órgãos judicantes administrativos, têm competência para apreciar argüições quanto a constitucionalidade de leis em vigor. Tal competência é reservada ao poder judiciário, nos termos da Constituição Federal. Cumpre esclarecer que as alegações do contribuinte, se pertinentes e acatadas, ensejam o cancelamento da respectiva parcela da exigência e não o cancelamento da ação fiscal. Convém salientar que o interessado teve ampla oportunidade de apresentar no curso do procedimento fiscal (e mesmo na fase impugnatória), os documentos, informações e esclarecimentos requisitados pela Fiscalização. Ainda na fase impugnatória, o contribuinte poderia ter trazido aos autos as provas documentais que lhe foram solicitadas, nos termos facultados pelo artigo 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235/1972, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/1993, e alterações introduzidas pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10/12/1997. Fl. 3458DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.004065/200311 Acórdão n.º 140201.050 S1C4T2 Fl. 11 10 O autuado possuía a prerrogativa de anexar aos autos todas as provas que julgasse relevantes para elidir o lançamento e teve pleno conhecimento do ilícito tributário que lhe foi imputado, podendo exercer, sem qualquer restrição, o seu direito de defesa, como se constata, facilmente, pelo extenso arrazoado apresentado. Nesse sentido, é oportuno transcrever algumas ementas de acórdãos do Conselho de Contribuintes, que corroboram o entendimento aqui expendido: ‘PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCALCERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontrarem plenamente assegurados.’ (Acórdão 104 16357). ‘NULIDADE DO LANÇAMENTO POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.’(Acórdão nº 10416.701/1998). Feitas estas considerações, é patente que não se configurou a ocorrência do propalado cerceamento ao direito de defesa. O interessado teve assegurado os princípios do devido processo legal, contraditório e ampla defesa preceituados no art. 5º, inc. LV, da Constituição Federal. Assinalese, ainda, que não se vislumbra do exame dos autos qualquer falta ou violação aos princípios e critérios elencados no art. 2º e parágrafo único da Lei nº 9.784, de 29/01/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. Por oportuno, frisese que o processo administrativo fiscal é regido, fundamentalmente, pelo Decreto nº 70.235/1972, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/1993 e alterações introduzidas pelo art. 67 da Lei nº 9.532/1997, sendo que somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendose então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela. Enfim, restou claro, que a alegada preterição do direito de defesa não ocorreu, devendo a preliminar de nulidade argüida ser rejeitada. Também não há que se falar em decadência do crédito tributário, isso porque não há provas de recolhimentos de tributos nos autos, pelo que a contagem do prazo decadencial do ano de 1998 iniciouse no 1o. Dia do ano de 1999, encerrandose em 31/12/2003, à luz dos art. 150 e 173 do Código Tributário Nacional – CTN. Mérito. Omissão de Receitas. Depósitos Bancários. Aplicação do artigo 42 da Lei 9.430 de 1996 Quanto à possibilidade de se exigir o imposto de renda, com base exclusivamente em depósitos bancários, devese esclarecer que antes de 01/01/1997; o artigo 6º da Lei nº 8.021, de 1990, exigia da fiscalização a comparação entre depósitos bancários e sinais exteriores de riqueza. Fl. 3459DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.004065/200311 Acórdão n.º 140201.050 S1C4T2 Fl. 12 11 A tributação com base em depósitos bancários, a partir de 01/01/1997, é regida pelo art. 42 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, publicada no DOU de 30/12/1996, que instituiu a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprovasse mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações. Confirase: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais).” Verificase, então, que o diploma legal acima citado passa a caracterizar omissão de rendimentos, sujeitos a lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, quando não comprovada a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não se inquire o titular da conta bancária sobre o destino dos saques, cheques emitidos e outros débitos, ou se foram utilizados para consumo, aquisição de patrimônio, viagens etc. A presunção de omissão de rendimentos decorre da existência de depósito bancário sem origem comprovada. Portanto, a partir da publicação desta Lei, os depósitos bancários deixaram de ser modalidade de arbitramento simples que exigia da fiscalização a demonstração de gastos incompatíveis com a renda declarada (aquisição de patrimônio e sinais exteriores de riqueza), entendimento também consagrado à época pelo poder judiciário (súmula TFR 182) e pelo Primeiro Conselho de Contribuintes para se constituir na própria omissão de rendimento (art. 43 do CTN), decorrente de presunção legal, que inverte o ônus da prova em favor da Fazenda Pública Federal. Os julgamentos do Conselho de Contribuintes passaram a refletir a determinação da nova lei, admitindo, nas condições nela estabelecidas, o lançamento com base exclusivamente em depósitos bancários, como se constata nas ementas dos acórdãos a seguir reproduzidas: “OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS SITUAÇÃO POSTERIOR À LEI Nº 9.430/96 Com o advento da Lei nº 9.430/96, caracterizase também omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular não Fl. 3460DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.004065/200311 Acórdão n.º 140201.050 S1C4T2 Fl. 13 12 comprove a origem dos recursos utilizados, observadas as exclusões previstas no § 3º, do art. 42, do citado diploma legal.” (Ac 10613329). “TRIBUTAÇÃO DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” “ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos informados para acobertar seus dispêndios gerais e aquisições de bens e direitos.”(Ac 10613188).” Não há que se falar em ilegalidade dessa norma por incompatibilidade com o artigo 43 do CTN, artigo 5º da Constituição Federal/1988, muito menos com artigo 5º da Lei de Introdução ao Código Civil, isso porque “não cabe em sede administrativa discutirse sobre a constitucionalidade ou legalidade de uma lei em vigor”, consoante Sumula nº. 2 deste Conselho. Uma vez que o diploma legal tenha sido formalmente sancionado, promulgado e publicado, encontrandose em vigor, cabe seu fiel cumprimento, em homenagem ao princípio da legalidade objetiva que informa o lançamento e o processo administrativo fiscal. O lançamento tributário, conforme estabelece o art. 142 do CTN, é atividade vinculada e obrigatória, na qual a discricionariedade da autoridade administrativa é afastada em prol do princípio da legalidade e da subordinação hierárquica a que estão submetidos os órgãos e agentes da Administração Pública. Outrossim, na busca da verdade material e imprescindível a análise de documentos e alegações/justificativas quanto aos ingressos de numerários em conta bancária, para que o julgador possa firma sua convicção no sentido de está correto o arbitramento com base na aludida presunção. Pois bem, na diligência fiscal restou evidente que o contribuinte refez sua contabilidade para incluir os depósitos bancários em sua contabilidade. Ocorre que não o montante das receitas contabilizadas pelo contribuinte nos 4 anos fiscalizados foi da ordem de 24 milhões enquanto dos depósitos atingiram o montante de 69 milhões. É certo que o contribuinte não tem condições de justificar a diferença. Todavia é crível que a quase totalidade dessas receitas foram vertidas para as contas bancarias da empresa ou para pagamento de suas compras de mercadorias para revenda. Todas as contas bancárias da empresa foram identificadas, logo, a base de calculo do lançamento de oficio deve ser ajustada para excluir a totalidade das receitas já tributadas pelo contribuinte, em face da evidente duplicidade, nos seguintes valores: R$ 6.584.860,19 (1998), 5.190.236,45 (1999), 4.870.053,69 (2000) e 7.627.811,01 (2001). Há também que ser excluído da tributação os valores das transferências bancárias entre as contascorrentes objeto de tributação, conforme demonstrativos apresentados pelo contribuinte, fls. 3207 a 3218, nos valores totais de R$ 554.399,43 (1998), 2.080.093,75 (1999), 88.490,00 (2000) e 270.191,70 (2001). Esclareço que atentei para o elevado montante das transferências em 1999, constatei que se deve ao fato de o contribuinte manter a época duas contas corrente no Banco Itaú. Fl. 3461DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.004065/200311 Acórdão n.º 140201.050 S1C4T2 Fl. 14 13 Do ajuste das bases de cálculo do IPRJ e CSLL à sistemática do Lucro Arbitrado Desde a impugnação o contribuinte alega que o correto teria sido efetuar o arbitramento dos lucros para apuração do IRPJ e CSLL devidos, haja vista que além de ter omitido as receitas também não considerou o custo das mercadorias vendidas (CMV). Diante da discrepância entre o montante das receitas e dos custos este colegiado determinou a realização de uma nova diligência fiscal para apurar o CMV real do contribuinte. Na transcrição parcial do Relatório Fiscal de conclusão dos trabalhos diligencia (acima), restou patente a imprestabilidade da escrita contábil e fiscal do contribuinte, sendo que a apuração do CMV se deu a partir da GIA do ICMS. Está patente que no presente caso o correto é a apuração das bases de cálculo do IRPJ e CSLL pela sistemática do Lucro Arbitrado, que a meu ver pode ser feito no julgamento administrativo, haja vista que: i) O Arbitramento é medida extrema e irreversível. No lançamento de ofício, se presentes as condições, o arbitramento é impositivo e não facultativo. Não há meio termo. Logo, não só pode como deve ser suscitado de ofício pelos julgadores na revisão do crédito tributário. ii) Tal qual o lançamento de tributos de oficio, o Arbitramento não é penalidade. É a modalidade alternativa, legal é viável, para apuração dos tributos devidos em face da ocorrência do fato gerador. iii) O Arbitramento de lucros não deve ser tratado como uma modalidade de tributação, mas sim de determinação da base de cálculo. Exatamente pela impossibilidade do lucro real ou do lucro presumido (cuja natureza não estamos tratando aqui). iv) O arbitramento do lucro não alcança o núcleo da obrigação tributária, que nasceu com a ocorrência do fato gerador, não implica ou modifica as infrações eventualmente apuradas, não é medida punitiva, muito menos pode agravar a exigência tributária. Considerando essas e outras premissas o Colegiado da 2a. Turma da 4a. Câmara da 1a. Seção do CARF firmou entendimento de que ajustar as bases de cálculo do lançamento de oficio aos critérios do lucro arbitrado, tem amparo na legislação tributária, não implica em mudança de critério jurídico, evitando inclusive que a incidência tributária do IRPJ e CSLL atinja as receitas quando deve se dar sobre o resultado. Em recentes julgamento deste colegiado essa tese tem prevalecido, a exemplo do Acórdão 140200.728 de 29/09/2011, assim ementado: “CONTABILIDADE QUE NÃO REGISTRA A MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. CIRCUNSTÂNCIA QUE NÃO CONFERE CREDIBILIDADE AOS REGISTROS CONTÁBEIS. CONTABILIDADE DESCLASSIFICADA. ARBITRADO O LUCRO. Não se pode conferir credibilidade à contabilidade quando materialmente se verifica que ela não reflete a realidade das operações comerciais e bancárias realizadas pela empresa. O artigo 47 da Lei nº 8.981, de 1995, ao usar a expressão de que o lucro será arbitrado, nos casos que especifica, não confere faculdade à autoridade fiscal, mas sim comando impositivo quanto à forma de tributação. Assim verificado quem a Fl. 3462DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.004065/200311 Acórdão n.º 140201.050 S1C4T2 Fl. 15 14 contabilidade não registra a maior parte das transações realizadas pela empresa, impõese o arbitramento do lucro para fins de apuração do IRPJ e da CSLL” No voto condutor, da lavra do ilustre conselheiro Moises Giacomelli, destaco os seguintes fundamentos. “Os demonstrativos acima, apurados pela fiscalização a partir de verificações, demonstram que a contabilidade da empresa não merece credibilidade, pois os valores das transações omitidas superam ao montante dos operações registradas. Não se pode conferir credibilidade à contabilidade, só porque ela preenche os requisitos formais, quando materialmente se verifica que ela não reflete a realidade da empresa. O artigo 47, II da Lei nº 8.981, de 1997, determina que o lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou Entendese por contabilidade na forma da lei aquela que registra integralmente e não parte reduzida das operações comerciais e transações bancárias. No caso dos autos, a apuração feita pela autoridade fiscal demonstrou que a recorrente teve omissões em montante maior ao das receitas registradas. Tal fato demonstra, de forma inquestionável, que a contabilidade apresentada pela recorrente não atendia aos requisitos especificados nos incisos I e II, do artigo 47 da Lei nº 8.981, de 1997 e artigos 529 e 530, do Regulamento do Imposto de Renda, que nestas situações determinam que o lucro deve ser arbitrado. O arbitramento do lucro não é faculdade concedida pela lei, mas sim imposição. O artigo 47 da Lei nº 8.981, de 1995, não usa a expressão poderá, mas sim será arbitrado. Constatado fraude que não identifica as efetivas operações da empresa, a autoridade fiscal, mesmo para as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, deve arbitrar o lucro. O artigo 241 da Lei nº 9.249, de 1996, deve ser aplicado em conjunto com o artigo 472 da Lei nº 8.981, de 1995. Nos casos em que a contabilidade da empresa 1 Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. § 1º. No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela a que corresponder o percentual mais elevado. § 2º. O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, da Contribuição para o PIS/Pasep e das contribuições previdenciárias incidentes sobre a receita. (Redação dada ao parágrafo pela Lei nº 11.941, de 27.05.2009, DOU 28.05.2009, conversão da Medida Provisória nº 449, de 03.12.2008, DOU 04.12.2008). 2 Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real ou submetido ao regime de tributação de que trata o DecretoLei nº 2.397, de 1987, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; Fl. 3463DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.004065/200311 Acórdão n.º 140201.050 S1C4T2 Fl. 16 15 apresentar deficiência ao ponto de registrar menos da metade das operações, deverá a autoridade fiscal proceder o arbitramento do lucro. Não é regular a contabilidade que deixa de registrar a maior parte das transações realizadas pelo contribuinte. O artigo 47 da Lei nº 8.981, de 1995, ao usar o comando de que o lucro será arbitrado nos casos que especifica, não confere faculdade à autoridade fiscal, mas sim comando impositivo quanto à forma de tributação. Portanto, ao encontro do que pleiteia o próprio recorrente, entendo que é cabível no presente caso o ajuste das bases de cálculo do IRPJ e CSLL à sistemática do lucro arbitrado. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para: 1) subtrair das receitas omitidas, levadas a tributação, os valores de R$ 554.399,43 (1998), 2.080.093,75 (1999), 88.490,00 (2000) e 270.191,70 (2001), 2) reduzir as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL para o montante correspondente a 9,6% do total da receita, aplicandose a base de cálculo do lucro arbitrado. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou Fl. 3464DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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Numero do processo: 10166.722552/2009-80
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
ABONO. BÔNUS. REMUNERAÇÕES. INCIDÊNCIA DE
CONTRIBUIÇÕES.
A importância paga, devida ou creditada aos segurados empregados a título
de abonos não expressamente desvinculados do salário, por força de lei, e os
valores pagos a título de bônus, integram a base de cálculo das contribuições
para todos os fins e efeitos, nos termos do artigo 28, I, da Lei nº 8.212/91,
com a redação dada pela Lei nº 9.528/97.
AJUDA DE CUSTO. TRANSFERÊNCIA. NÃO INCIDÊNCIA.
Os valores pagos a título de ajude de custo em razão da mudança de
domicílio do empregado não se consubstanciam em base de cálculo de
contribuições previdenciárias, consoante artigo 28, parágrafo 9.°, alínea "g",
da Lei n.° 8.212/91.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-001.373
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para julgar improcedente o
levantamento AIT AJUDA
DE INST TRANSFERÊNCIA.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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BÔNUS. REMUNERAÇÕES. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. A importância paga, devida ou creditada aos segurados empregados a título de abonos não expressamente desvinculados do salário, por força de lei, e os valores pagos a título de bônus, integram a base de cálculo das contribuições para todos os fins e efeitos, nos termos do artigo 28, I, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.528/97. AJUDA DE CUSTO. TRANSFERÊNCIA. NÃO INCIDÊNCIA. Os valores pagos a título de ajude de custo em razão da mudança de domicílio do empregado não se consubstanciam em base de cálculo de contribuições previdenciárias, consoante artigo 28, parágrafo 9.°, alínea "g", da Lei n.° 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para julgar improcedente o levantamento AIT AJUDA DE INST TRANSFERÊNCIA. assinado digitalmente Fl. 430DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/03/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10166.722552/200980 Acórdão n.º 280301.373 S2TE03 Fl. 2 2 Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/03/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10166.722552/200980 Acórdão n.º 280301.373 S2TE03 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o auto de infração lavrado, referente a pagamentos de abonos, ajuda de custo e bônus de desempenho, pagos em desacordo com a legislação – parte da empresa. A DecisãoNotificação – fls 407 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o auto de infração lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário tempestivo, alegando, em síntese, o seguinte : • Ilegitimidade de cobrança de contribuição previdenciária sobre as rubricas "abono indenizatório" e "dif abono acordo coletivo' • Ilegitimidade de cobrança de contribuição previdenciária sobre as rubricas denominadas "signing bônus". "diferença de singnig bônus", "ajuda de instalação administrativa, ajuda de instalação transferidos e bônus fidelidade. • Requer seja conhecido e provido o presente Recurso Voluntário, reformandose a decisão da DRJ/BSB, a fim de que seja declarada a insubsistência do Auto de Infração lavrado. É o relatório. Fl. 432DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/03/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10166.722552/200980 Acórdão n.º 280301.373 S2TE03 Fl. 4 4 Voto Conselheiro Oséas Coimbra DOS ABONOS INDENIZATÓRIOS Consoante a lei 8.212/91 em seu artigo 28, inciso I, salário de contribuição compreende a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. O artigo 28, parágrafo 9.°, alínea "e", n.° 7, da Lei n.° 8.212/91, combinado com o artigo 214, parágrafo 9.°, inciso V, alínea "j", do Regulamento da Previdência Social RPS aprovado pelo Decreto n.° 3.048, de 06 de maio de 1999, informam que não integram o salário de contribuição, "ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados do salário por força de lei". O art. 457 §1º da CLT também ajuda a elucidar a questão: Art. 457 Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. § 1º Integram o salário, não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagem e abonos pagos pelo empregador. A lei 8.212/91 determina que o abono, para não ser considerado salário de contribuição, deva ser “expressamente desvinculado do salário”. Já o decreto 3.048/99, informa “expressamente desvinculados do salário por força de lei”. A função regulamentar do Decreto não permite que este extrapole o que previsto em lei, servindo apenas para melhor permitir a aplicabilidade desta. No caso sob exame, a norma do decreto não avança sobre o que previsto em lei, pois abono, no ordenamento brasileiro, é salário, conforme disposto no art. 457, retrocitado c/c art. 28, I da lei 8.212/91 e somente lei poderia alterar esse entendimento. O mero acerto entre as partes não tem o condão de afastar a incidência tributária. Dessa feita, o decreto traduz o que consta das leis que regem o tema. A recorrente também informa: Fl. 433DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/03/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10166.722552/200980 Acórdão n.º 280301.373 S2TE03 Fl. 5 5 Confirase o teor da cláusula terceira do referido Acordo Coletivo de Trabalho, que se repete nos instrumentos firmados nos diversos Estados em que atua a Recorrente, in verbis: "CLÁUSULA TERCEIRA ABONO INDENIZATÓRIÓ A empresa concederá os seguintes abonos indenizatórios, calculados sobre as respectivas faixas/partes salariais, em compensação pelas modificações introduzidas no presente Acordo (...) CLÁUSULA DÉCIMA DO ABONO INDENIZATÓRIO Parágrafo Primeiro O abono constante da cláusula terceira do presente acordo está expressamente desvinculado do salário, não se integrando a ele para quaisquer efeitos, inclusive previdenciário " Destacamos. Pelo teor expresso do parágrafo primeiro da cláusula décima, acima estampada, verificase que o abono indenizatórió em apreço teve o escopo de reparar os trabalhadores em razão da supressão de condições anteriormente ajustadas, especialmente quanto aos percentuais de reajuste salarial. A rigor, as condições previamente ajustadas consistiam direito dos trabalhadores, incorporandose ao seu patrimônio, razão pela qual sua modificação implica redução patrimonial, redução esta que foi compensada, no presente caso, através do pagamento do abono indenizatórió. E dizer, o pagamento do abono recompôs o patrimônio vilipendiado pela perda de direitos, significando verdadeira indenização. grifamos Do acordo coletivo acostado às fls 53 e ss, não há demonstração alguma de que houve prejuízo a ser reparado, também desnaturando a tese defendida. Por fim, discutindo abono indenizatório concedido por Brasil Telecom e Brasil TeleCelular – Filial Rio Grande do Sul, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul assim se manifestou no apelação nº 70045063260 2011/CÍVEL, julgamento 23 de novembro de 2011: DO ABONO INDENIZATÓRIO Esta Câmara já se manifestou quanto ao reconhecimento dos direitos dos funcionários, tanto ativos como inativos, estes pelo princípio da isonomia, da inclusão das parcela acima, tendo em vista o seu caráter remuneratório, devendo a mesma integrar os proventos de aposentadoria. grifamos Outrossim, cumpre salientar que, os abonos indenizatórios foram concedidos aos funcionários em atividade com o intuito de complementar os reajustes salariais concedidos à categoria. Por isso, evidente o caráter remuneratório. Nesse sentido, é o julgado que segue: Fl. 434DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/03/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10166.722552/200980 Acórdão n.º 280301.373 S2TE03 Fl. 6 6 APELAÇÃO CÍVEL. PREVIDÊNCIA PRIVADA. FUNDAÇÃO ATLÂNTICO DE SEGURIDADE SOCIAL. ABONO. EXTENSÃO AOS INATIVOS. 1. É da Justiça Comum Estadual a competência para julgar demanda decorrente de relação de natureza civil, onde não são questionados os direitos trabalhistas, mas sim as obrigações atinentes à complementação de proventos de aposentadoria, de responsabilidade da entidade de previdência privada. 2. Ao se aposentar, a parte autora rompeu o vínculo contratual existente junto à empresa, sendo de responsabilidade da Fundação as obrigações que envolvam complementação de aposentadoria. 3. Nas ações em que são debatidas as parcelas decorrentes de plano de previdência privada, incide a prescrição quinquenal. Entendimento sumulado no STJ, verbete n. 291. Prescrição reconhecida exclusivamente em relação ao abono de 2003. 4. A migração não tem o condão de acarretar a renúncia ao direito adquirido, no plano anterior, com base no art. 5º, inciso XXXVI, da Constituição Federal Desta forma, é possível o controle judicial das cláusulas do novo plano previdenciário. 5. Em razão do reconhecimento de seu caráter remuneratório, o abono deve ser estendido ao aposentado, observada sua faixa salarial, sob pena de ofensa ao princípio da isonomia. 6. Não pode a instituição de previdência privada utilizar o argumento de ausência de fonte de custeio para se esquivar de sua obrigação, cabendolhe planejar os descontos e os índices de contribuição. 7. Limiteteto. Em nome do princípio da isonomia, não se pode restringir o valor concedido a título de renda vitalícia. PROVERAM PARCIALMENTE O APELO. (Apelação Cível Nº 70041116666, Quinta Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Isabel Dias Almeida, Julgado em 23/03/2011). Uma vez que os abonos concedidos não se encaixam nas exceções legais previstas no artigo 28, parágrafo 9.°, alínea "e", n.° 7, da Lei n.° 8.212/91, é salário de contribuição, sujeito às respectivas contribuições à seguridade social. DAS AJUDAS DE INSTALAÇÃO Sobre as ajudas de instalação, a recorrente informa “que somente são efetuados uma única vez, na contratação de trabalhador residente em diferente localidade e na transferência para outro estado, respectivamente” A lei 8.212/91 informa que as ajudas de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, não integra o salário de contribuição, mas não é o caso da rubrica 00240 – AJUDA DE INST ADM. Respondendo questionamento do Auditor autuante, a empresa assim se manifesta em relação a rubrica 00240 – AJUDA DE INST ADM, anexo IV: Ajuda de instalação na admissão. Incidência de IRRF. Provento referese a pagamento de salário negociado no contrato/proposta de admissão. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/03/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10166.722552/200980 Acórdão n.º 280301.373 S2TE03 Fl. 7 7 A desdúvida de que a descrição de tal verba não se enquadra na exceção legal do artigo 28, parágrafo 9.°, alínea "g", da Lei n.° 8.212/91, devendo ser considerada como salário de contribuição. Já sobre a rubrica AJUDA DE INST TRANSF, o relatório fiscal informa “tratarse de pagamento de um salário para aqueles colaboradores que eram transferidos entre os estados região II”. Aqui divirjo do entendimento esposado pelo julgador de primeiro grau. Consoante as informações trazidas no relatório sobre a rubrica em questão, não vejo configurada a hipótese de incidência. O pagamento efetuado com o fito de ressarcir despesas de transferência do empregado não é salário de contribuição, consoante o artigo 28, parágrafo 9.°, alínea "g", da Lei n.° 8.212/91. Caso existisse algum desvirtuamento quanto ao seu pagamento, tal circunstância deveria estar devidamente demonstrada, o que não ocorreu. O levantamento AIT AJUDA DE INST TRANSFERÊNCIA consolida os valores considerados e deve ser anulado. DOS BÔNUS PAGOS Dos bônus pagos “signing bônus”, “diferença de signing bônus” e bônus fidelidade, temos que a decisão recorrida não merece reparos. O próprio contribuinte, nas informações prestadas e constantes do anexo IV, informa que tais verbas têm natureza salarial, sujeitandose inclusive a desconto de imposto de renda na fonte. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, doulhe parcial provimento para julgar improcedente o levantamento AIT AJUDA DE INST TRANSFERÊNCIA. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/03/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10166.722552/200980 Acórdão n.º 280301.373 S2TE03 Fl. 8 8 Fl. 437DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/03/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13410.000074/2006-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
IRPF. ISENÇÃO. PROVENTOS DE APOSENTADORIA PERCEBIDOS POR PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE.
“Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda.” (Súmula CARF n. 43).
“Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.” (Súmula CARF nº 63).
Hipótese em que a Recorrente não comprovou ter moléstia grave, nos termos do inciso XIV do art. 6º da Lei n.º 7.713/88.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-001.582
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ISENÇÃO. PROVENTOS DE APOSENTADORIA PERCEBIDOS POR PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. “Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda.” (Súmula CARF n. 43). “Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.” (Súmula CARF nº 63). Hipótese em que a Recorrente não comprovou ter moléstia grave, nos termos do inciso XIV do art. 6º da Lei n.º 7.713/88. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente Fl. 134DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13410.000074/200660 Acórdão n.º 210101.582 S2C1T1 Fl. 127 2 (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Eivanice Canário da Silva, José Evande Carvalho Araujo e Ewan Teles Aguiar. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 121/125) interposto em 18 de fevereiro de 2010 contra o acórdão de fls. 108/116, do qual a Recorrente teve ciência em 21 de janeiro de 2010 (fl. 120), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife (PE), que, por unanimidade de votos, julgou procedente a notificação de lançamento de fls. 02/04, lavrada em 31 de outubro de 2006, em decorrência de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, verificada no anocalendário de 2004. O acórdão teve a seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF AnoCalendário: 2004 PROVENTOS DE APOSENTADORIA PERCEBIDOS POR PORTADORES DE DOENÇA GRAVE. Os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não restando comprovada a ocorrência de preterição do direito de defesa nem de qualquer outra hipótese expressamente prevista na legislação, não há que se falar em nulidade do lançamento. PROVAS. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13410.000074/200660 Acórdão n.º 210101.582 S2C1T1 Fl. 128 3 As provas devem ser apresentadas na forma e no tempo previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido” (fl. 108). Não se conformando, a Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 121/125), requerendo seja reconhecida a isenção dos rendimentos recebidos tendo em vista ser portadora de moléstia grave, consoante comprovariam os atestados colacionados aos autos, ou, caso assim não se entenda, protestando pela remissão do débito, nos termos do art. 14 da Lei n.º 11.941/2009. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. A controvérsia cingese à omissão de rendimentos percebidos pela Recorrente de pessoa jurídica. Inicialmente, a Recorrente alega que a omissão se deu em razão de um erro por parte da fonte pagadora, qual seja, a Autarquia Educacional do Araripe – AEDA. Além disso, alega ser portadora de doença pulmonar crônica, o que daria ensejo ao gozo da isenção, consoante dispõe o art. 6º, XIV e XXI, da Lei n.º 7.713/88 e legislação complementar. Entendo descabida a alegação de que a omissão se justificaria tendo em vista erro da fonte pagadora. Isso porque, conforme bem ponderado pela decisão recorrida, era de conhecimento da Recorrente o quanto auferiu de renda no anocalendário em debate, uma vez que tinha em seu poder os seus recibos de pagamento de salário (fls. 35/47) para checar as informações fornecidas pela referida instituição. Considerandose que a contribuinte não impugna os valores suplementares, a matéria encontrase incontroversa. No mais, a Recorrente afirma ser beneficiária de norma de isenção (inciso XIV do art. 6º da Lei n.º 7.713/88), pois seria portadora de moléstia grave, conforme declarações que atestam sua invalidez, muito embora seus rendimentos não sejam provenientes de aposentadoria. De acordo com o dispositivo supra, ficam isentos do imposto de renda: “XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina Fl. 136DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13410.000074/200660 Acórdão n.º 210101.582 S2C1T1 Fl. 129 4 especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma”. Dispondo sobre essa isenção, a Lei n.º 9.250/95, em seu art. 30, veio a exigir, a partir de 1º de janeiro de 1996, para reconhecimento de novas isenções, que a doença fosse comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios: “Art. 30. A partir de 1° de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6° da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelo art. 47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º. O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. § 2°. Na relação das moléstias a que se refere o inciso XIV do art. 6° da Lei n° 1713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fica incluída a fibrosecística (mucoviscidose).” Da simples leitura dos dispositivos supracitados, concluise que a contribuinte para gozar da isenção ora em discussão deve cumprir três requisitos, cumulativamente, quais sejam: i) os rendimentos percebidos pelo interessado devem ser rendimentos de aposentadoria; ii) o interessado deve estar acometido de moléstia grave prevista no rol do art. 6º, XIV, da Lei n.º 7.713/88; iii) a moléstia deve ser comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, Estado, Distrito Federal ou Município. No presente caso, a Recorrente pugna pela interpretação análoga dos dispositivos legais supra citados, a fim de que lhe seja estendido o benefício da isenção para fins de imposto de renda, pois acredita que todos os documentos acostados aos autos comprovariam a existência de uma doença incapacitante e irreversível. Analisandose os autos, notase que, em que pese à existência de laudos periciais emitidos por serviços oficiais, a doença que acomete a Recorrente não está elencada no rol taxativo do inciso XIV do art. 6º da Lei n.º 7.713/88, deixando de cumprir requisito essencial para fins de aproveitamento da isenção. Ademais, verificase que a própria Recorrente reconhece que os proventos por ela percebidos têm natureza diversa, ou seja, não se trata de rendimentos de aposentadoria. Sendo assim, inaplicável ao caso a Súmula CARF n. 43, que tem a seguinte redação: Súmula CARF nº 43: “Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda.” Por fim, caso não seja dado provimento ao presente recurso, protesta a Recorrente pela remissão, nos termos do art. 14 da Lei n.º 11.941/2009, em razão do valor envolvido. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13410.000074/200660 Acórdão n.º 210101.582 S2C1T1 Fl. 130 5 Com efeito, devese observar que as dívidas dos contribuintes objeto do perdão a que se refere a Medida Provisória n.º 449/08, convertida na Lei n.º 11.941/09, são aquelas de até R$ 10.000,00, que tenham vencido há mais de cinco anos contados de dezembro de 2007, ou seja, até dezembro de 2002. No presente caso, não há que se falar em remissão do débito, pois seu vencimento ocorreu em 30/04/2005, quando da entrega da "Declaração de Rendimentos", não se encontrando, portanto, a hipótese dos autos, sujeita às disposições da referida legislação. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 138DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10940.720189/2008-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Ano calendário: 2.004
DIREITO DO TITULAR À PROPRIEDADE. REGISTRO ATIVO.
Nos termos do Código Civil, enquanto não se promover, por meio de ação própria, a decretação de invalidade do registro, e o respectivo cancelamento, o adquirente continua a ser havido como dono do imóvel.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXIGÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. (ADA) POR LEI. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO.
A partir do exercício de 2001, com a introdução do art. 17 na Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) passou a ser obrigatório para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR.
ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO.
A área de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, se fez necessária ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental (ADA), fazendo-se,
também, necessária a sua averbação à margem da matrícula do imóvel.
VTN. ARBITRAMENTO. SUBAVALIAÇÃO. INFORMAÇÕES PRESTADAS NA DECLARAÇÃO.
Cabe ao fisco verificar a exatidão das informações prestadas pelo sujeito passivo na declaração do tributo, sendo que os meios utilizados para tal aferição devem ser aqueles determinados pela lei, no sentido de que o
declarante, quando solicitado, apresente os documentos de suporte aos dados declarados. A subavaliação materializa-se pela constatação de diferença considerável entre o VTN declarado pelo sujeito passivo e aquele veiculado na tabela SIPT para as terras da área em que se encontra o imóvel rural, não necessitando o fisco de outros meios de prova que o autorize o arbitramento
do VTN.
Numero da decisão: 2102-001.806
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR
provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro relator Atilio Pitarelli que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos.
Nome do relator: ATILIO PITARELLI
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Ano calendário: 2.004 DIREITO DO TITULAR À PROPRIEDADE. REGISTRO ATIVO. Nos termos do Código Civil, enquanto não se promover, por meio de ação própria, a decretação de invalidade do registro, e o respectivo cancelamento, o adquirente continua a ser havido como dono do imóvel. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXIGÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. (ADA) POR LEI. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A partir do exercício de 2001, com a introdução do art. 17 na Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) passou a ser obrigatório para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A área de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, se fez necessária ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental (ADA), fazendo-se, também, necessária a sua averbação à margem da matrícula do imóvel. VTN. ARBITRAMENTO. SUBAVALIAÇÃO. INFORMAÇÕES PRESTADAS NA DECLARAÇÃO. Cabe ao fisco verificar a exatidão das informações prestadas pelo sujeito passivo na declaração do tributo, sendo que os meios utilizados para tal aferição devem ser aqueles determinados pela lei, no sentido de que o declarante, quando solicitado, apresente os documentos de suporte aos dados declarados. A subavaliação materializa-se pela constatação de diferença considerável entre o VTN declarado pelo sujeito passivo e aquele veiculado na tabela SIPT para as terras da área em que se encontra o imóvel rural, não necessitando o fisco de outros meios de prova que o autorize o arbitramento do VTN.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2227; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 80 1 79 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10940.720189/200850 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2102001.806 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 08 de fevereiro de 2012 Matéria ITR Recorrente NADIM ABRAO ANDRAUS FILHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Ano calendário: 2.004 DIREITO DO TITULAR À PROPRIEDADE. REGISTRO ATIVO. Nos termos do Código Civil, enquanto não se promover, por meio de ação própria, a decretação de invalidade do registro, e o respectivo cancelamento, o adquirente continua a ser havido como dono do imóvel. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXIGÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. (ADA) POR LEI. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A partir do exercício de 2001, com a introdução do art. 17 na Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) passou a ser obrigatório para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A área de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, se fez necessária ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental (ADA), fazendose, também, necessária a sua averbação à margem da matrícula do imóvel. VTN. ARBITRAMENTO. SUBAVALIAÇÃO. INFORMAÇÕES PRESTADAS NA DECLARAÇÃO. Cabe ao fisco verificar a exatidão das informações prestadas pelo sujeito passivo na declaração do tributo, sendo que os meios utilizados para tal aferição devem ser aqueles determinados pela lei, no sentido de que o declarante, quando solicitado, apresente os documentos de suporte aos dados Fl. 91DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10940.720189/200850 Acórdão n.º 2102001.806 S2C1T2 Fl. 81 2 declarados. A subavaliação materializase pela constatação de diferença considerável entre o VTN declarado pelo sujeito passivo e aquele veiculado na tabela SIPT para as terras da área em que se encontra o imóvel rural, não necessitando o fisco de outros meios de prova que o autorize o arbitramento do VTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro relator Atilio Pitarelli que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Presidente Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Nubia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Tratase de Recurso Voluntário face decisão da 1a Turma da DRJ/CGE, de 28 de maio de 2.010 (fls. 36/44), que por unanimidade devotos julgou improcedente a impugnação apresentada pelo Recorrente, mantendo integralmente o crédito tributário no valor total de R$ 902.535,96, sendo R$ 388.087,36 a título de imposto suplementar, R$ 223.383,08 de juros de mora e R$ 291.065,52 de multa de ofício, que recaem sobre o imóvel rural denominado Fazenda Silveira, localizado no município de TibagiPR. De acordo com o Auto de Infração lavrado em 24/11/2008 (fl. 7/11), a exigência do imposto com os acréscimos legais decorre da não comprovação das áreas de preservação permanente e reserva legal, excluídas pelo Recorrente daquela sobre a qual apurou o imposto, bem como da elevação do VTN para a composição da base de cálculo, que estão assim descritas no Auto de Infração: Área de Preservação Permanente não comprovada Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da área declarada a titulo de preservação permanente no imóvel rural. 0 Documento de Informação e Apuração do ITR Fl. 92DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10940.720189/200850 Acórdão n.º 2102001.806 S2C1T2 Fl. 82 3 (DIAT) foi alterado e os seus valores encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. ART 10 PAR 1 E INC II E AL "A" L 9393/96 Área de Reserva Legal não comprovada Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da Área declarada a titulo de reserva legal no imóvel rural. 0 Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT) foi alterado e os seus valores encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. ART 10 PAR 1 E INC II E AL "A" L 9393/96 Valor da Terra Nua declarado não comprovado Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou por meio de Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.6533 da ABNT, o valor da terra nua declarado. No Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT), o valor da terra nua foi arbitrado, tendo como base as informações do Sistema de Pregos de Terra SIPT da RFB. Os valores do DIAT encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. ART 10 PAR 1 E INC I E ART 14 L 9393/96 Complemento da Descricão dos Fatos: Em 11/11/2008 o sujeito passivo apresentou resposta à intimação informando que adquiriu a área no ano de 1999, mas nunca tomou posse do imóvel porque não conseguiu localizálo. Informou também que a Matricula do imóvel está sendo objeto de sindicância administrativojudicial junto à Vara de Registros Públicos da Comarca de Tibagi visando o cancelamento da referida matricula. Apresentou também cópia da escritura de compra e venda do imóvel de 02/08/1999, cópia do CCIR 2000/2002, cópia da Matricula 5.958 com averbação em 17/08/2000, cópia dos Autos 004/2006 da Corregedoria do Foro Extrajudicial da Comarca de Tibagi (sugere suspensão da titular do Cartório que abriu a matricula), cópia da Portaria 21/2007 (instaura procedimento administrativojudicial visando o cancelamento de diversas Matriculas suspeitas de fraude) Considerando que o sujeito passivo não conseguiu provar cabalmente que não é proprietário do imóvel ou que o imóvel Fl. 93DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10940.720189/200850 Acórdão n.º 2102001.806 S2C1T2 Fl. 83 4 não existe, aliás desde 1999, quando comprou a área, nunca tomou alguma providência no sentido de cancelar a escritura ou o registro ou entrar com uma ação contra o vendedor, apenas agora quando foi intimado para apresentar os documentos do ITR que alega a possível anulação da matricula por fraude. Portanto, o contribuinte é titular do imóvel até que haja o efetivo cancelamento da matricula, se houver. Diante da não apresentação dos documentos solicitados restou à fiscalização a glosa das áreas informadas como Preservação Permanente e Reserva Legal e o arbitramento do valor da terra nua com base no preço do Sistema de Preços de Terra SIPT da RFB, alimentados com os preços médios fornecidos anualmente pela Secretaria Estadual de Agricultura do Paraná para o Município de Tibagi. Intimado da lavratura do Auto de Infração, o Recorrente tempestivamente apresentou impugnação, assim Relatada na decisão recorrida: 0 interessado apresentou a impugnação de f. 14/19. Em síntese, alega que adquiriu o imóvel, matriculado sob n° 5.958 do Cartório de Registro de Imóveis da Comarca de Tibagi, mediante negociação efetuada em 02 de agosto de 1999. Apesar de realizar o negócio, afirma que em momento algum entrou na posse do imóvel. Argumenta que sequer sabe a localização do imóvel. Com a intenção de localizar o imóvel rural, contratou profissional especializado, que previamente argumentou que as coordenadas coincidem com área de cultivo de pinus, de propriedade de outro contribuinte. Em face da informação de que a área não existe, alega o impugnante que buscou anular o negócio, sem obter sucesso. Informa, ainda, que, no ano de 2006, houve sindicância administrativo judicial junto à Vara de Registros Públicos da Comarca de Tibagi, visando cancelar matriculas de origem duvidosa, dentre as quais a do presente imóvel. Insurgese contra a cobrança do imposto suplementar, ao argumento de que entregou as DITR apenas para regularizar a situação tributária referente ao imóvel. Aduz que, pelo fato de o imóvel possuir matricula "fria", é impossível saber se possui plantações, pastagens, benfeitorias ou florestas e, conseqüentemente, não há como se determinar um valor da terra nua (VTN). Defende que as informações constantes do demonstrativo de apuração do imposto são absolutamente inverídicas, decorrentes de suposições do fisco. Na decisão recorrida o Relator inicia o seu voto transcrevendo o art. 14 da lei n.o 9.393/96, que cita as circunstâncias em que o cabe o lançamento de ofício, aplicação de multa e faz referência a dispositivo da lei n.o 9.430/96, que prevê a incidência de juros de mora equivalentes à taxa SELIC. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10940.720189/200850 Acórdão n.º 2102001.806 S2C1T2 Fl. 84 5 Sobre a argumentação apresentada na impugnação de que o imóvel não existe, cita e transcreve os arts. 1.245 a 1.247 do Código Civil, sendo que o primeiro deles, que trata da transferência da propriedade mediante registro do título no Registro de Imóveis, está destacando o seu par. 2o, onde consta que enquanto não promovida, por ação própria, a sua invalidação, o adquirente continua a ser havido como dono do imóvel, e do art. 1.246, que ele é eficaz desde o momento em que se apresentar o título ao registro, e como não ficou provado neste processo as alegações do então impugnante de que o registro é nulo ou que foi tomada qualquer iniciativa neste sentido, e ainda, que vem o contribuinte apresentando normalmente as DITR em seu nome, sem comprovação de erro no seu preenchimento, entende correta a sua colocação no pólo passivo da obrigação. Quanto ao VTN, externou entendimento que o trabalho fiscal foi elaborado com fundamento no art. 14 da lei n.o 9.393/96, ampara a utilização da tabela SIPT, que poderia ser afastada mediante apresentação de Laudo Técnico de Avaliação com observância das regras estabelecidas pela NBR, o que não ocorreu, afastando ainda, alegação de que o trabalho fiscal foi elaborado mediante suposições, uma vez que os dados foram extraídos da DITR por ele apresentada, autoria esta, que nem foi contestada. Cita e transcreve ainda a decisão recorrida, “Perguntas e Respostas do ITR/2002”, sobre a exigência do ADA, com referência às áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal, para esta, ainda necessária a averbação na matrícula do Registro de Imóveis, com a transcrição do par. 2o do art. 16 da lei n.o 4.771/65 e 12 do decreto n.o 4.382/2002, para que as mesmas sejam aceitas como isentas do imposto, com citação a precedente do Poder Judiciário. Em grau de Recurso Voluntário a este colegiado, pouco acrescentou aos termos da impugnação, reiterando que: a) através da Portaria n.o 004/2006 foi instaurada sindicância para apurar matrículas fraudulentas junto ao Cartório de Registro de Imóveis da Comarca de TibagiPR, dentre elas, a de n.o 5.958, objeto do imóvel por ele adquirido, que posteriormente foi determinado o envio dos autos para a CorregedoriaGeral de Justiça do Paraná e procedimentos para o seu cancelamento, conforme certidão anexa; b) que orientado na época por seu contador, apresentou a DIAC visando apenas a regularidade fiscal, para não ficar impedido de obter a Certidão Negativa de Débitos, pois a propriedade do imóvel nunca existiu, e com isto, nem o fato imponível, pois nem mesmo a posse deteve, ficando assim, sem esclarecimento, o fato da Receita Federal obter VTN para esta área, objeto de matrícula “fria”, e que não tomou qualquer providencia em data anterior à lavratura do lançamento, pelo fato de aguardar o resultado das sindicâncias e procedimentos administrativos que visavam a anulação das matrículas, objeto de ação que tramitava na Comarca de TibagiPR, sendo o Recorrente uma vítima de falsários quando buscou adquirir o “suposto” imóvel; c) pela inexistência do imóvel, com as limitações descritas, não existe, tornando ainda inexplicável, o fato da Receita Federal conseguir constatar o grau de utilização do mesmo, citando precedente do Poder Judiciário onde se exige para esta constatação, de vistoria do INCRA, para adequação do valor do tributo, e a sua inexistência constitui mais um ato de arbitrariedade da notificação do lançamento, e ao final, Fl. 95DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10940.720189/200850 Acórdão n.º 2102001.806 S2C1T2 Fl. 85 6 d) pede prazo de 90 dias para a produção de prova através de Laudo de Vistoria no imóvel, necessário em função da provável dificuldade na sua localização. Juntou como Anexo 1 (fl 58), Certidão expedida pelo Juízo de Direito da Comarca de TibagiPR, de 14/07/2010, onde declara a existência do processo administrativo judicial n.o 504/2007, objeto da Portaria 21/07 daquele Juízo, originária dos autos de sindicância 4/06, onde ficou demonstrada a origem fraudulenta, dentre outras, da matrícula 5958, em que o Recorrente figura como titular; como Anexo 2, citação para o procedimento administrativo judicial instaurado pelo Juiz Corregedor do Foro Extrajudicial da Comarca de Tibagi, com a Portaria n.o 021/2007, que a ele deu origem. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Atilio Pitarelli, Relator. O Recurso Voluntário é apresentado tempestivamente e está assinado por procurador com instrumento de mandato incluso aos autos, dele conhecendo. A questão que se coloca no centro deste processo diz respeito à incidência do ITR sobre uma área rural que o autuado alega desconhecer, embora sobre ela tenha cumprido com a obrigação acessória de apresentar as DITRs e pagar o imposto com valores que entendeu devidos, tomando por base de calculo área sobre a qual foi excluída as isentas, e com VTN que também entendeu aplicável. Quando da impugnação, alegou que adquiriu o imóvel em 1.999, sem conhecêlo e ao menos saber onde fica, tenho a informação de que nele existe plantação de pinus pertencente a pessoa jurídica, tendo a DRJ mantida a exigência, destacando o fato de que não foi apresentado um único documento que evidenciasse a tomada de iniciativa com relação ao cancelamento da matrícula no Registro de Imóveis. Junto à peça recursal, documentos neste sentido foram apresentados, emitidos pelo Juízo de Direito da Comarca de Tibagi, que dão conta sobre processo administrativo judicial onde, dentre outras, efetivamente a matrícula objeto da autuação é colocada dentre aquelas com validade questionada, ou seja, passível de cancelamento, em decorrência de correição no respectivo cartório, que evidenciam a sua nulidade. Fato é, que independentemente da forma como este “suposto” imóvel foi adquirido, omitido pelo Recorrente, que apenas informou no decorrer do processo que ocorreu no ano de 1.999, mas nada neste sentido apresentou, como escritura pública ou contrato social, assim como, os propósitos para a sua aquisição nestas circunstancias. Se a conduta pelos fins almejados é reprovável por eventualmente causar danos a terceiros, difícil ter que reconhecer que demonstrada a inexistência do imóvel rural, não há como persistir na exigência do imposto. Efetivamente o art. 1o da lei n.o 9.393/96 elegeu como fato gerador do imposto em questão a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, sendo imprescindível para tanto, a sua existência. As obrigações acessórias da principal, como a Fl. 96DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10940.720189/200850 Acórdão n.º 2102001.806 S2C1T2 Fl. 86 7 DITR e cumprimento de outras obrigações junto a órgão públicos, no meu entender, assim como os propósitos eventualmente reprováveis que levaram a manter uma falsa situação, como mencionado, não autorizam a exigência do imposto sobre imóvel rural que não existe, cabendo destacar mais uma vez, que não cabe neste processo administrativo restrito à questão fiscal, apreciar a conduta ou propósitos do Recorrente. Destarte, entendo que a exigência fiscal deve ser cancelada. Pelas razões acima expostas, DOU PROVIMENTO ao Recurso Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Voto Vencedor Matéria idêntica a aqui em discussão foi julgada em sessão de ontem, 07/02/2012, processo 10940.720197/200804, Acórdão nº 2102001.785, relator o Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira, recorrente e imóvel auditado idênticos, somente divergindo o exercício, aqui 2005, lá 2006. Pela identidade dos objetos, tomase aqui como razão de decidir a fundamentação do voto do Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira, abaixo transcrita (em itálico): Na autuação fiscal foram glosadas as áreas declaradas como preservação permanente e de reserva legal e reavaliada a terra nua com base nos valores constantes do SIPT. De acordo com o art. 4º da lei 9.393/1996, o “contribuinte do ITR é o proprietário do imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título”. O requerente, apesar de ter apresentado a Declaração do ITR para os exercícios 2003, 2004, 2005 e 2006, conforme consta no Termo de Intimação Fiscal nº N° 09104/00003/2008 (fls. 1/3), alega que a propriedade registrada sob número 5.958 (fls. 24/25) não existe e em momento algum o teve a posse ou o domínio do imóvel e sequer tem sabe a localização do imóvel. Entretanto, o contribuinte não adotou medidas para o cancelamento da matrícula do imóvel e, apesar da solicitação de 90 dias de prazo, não anexou provas suficientes para demonstrar a inexistência da propriedade. Mesmo argumentando na impugnação de no recurso que contratou um profissional para identificar a localização das coordenadas e que procurou anular o negócio, os documentos juntados aos autos apenas informam a existência de procedimentos administrativos, inconclusos, do Poder Judiciário do Estado do Paraná referente a uma sindicância no Cartório de Registro de Imóveis na Comarca da Tibagi PR.. Quanto à propriedade do bem, assim dispõe a Lei nº 10.406/2002 (Código Civil), na Seção II – Da aquisição pelo registro do título: Fl. 97DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10940.720189/200850 Acórdão n.º 2102001.806 S2C1T2 Fl. 87 8 Art. 1.245. Transferese entre vivos a propriedade mediante o registro do titulo translativo no Registro de Imóveis. § lº Enquanto não se registrar o titulo translativo, o alienante continua a ser havido como dono do imóvel. 2º Enquanto não se promover, por meio de ação própria, a decretação de invalidade do registro, e o respectivo cancelamento, o adquirente continua a ser havido como dono do imóvel. Art. 1.246. O registro é eficaz desde o momento em que se apresentar o titulo ao oficial do registro, e este o prenotar no protocolo. Art. 1.247. Se o teor do registro não exprimir a verdade, poderá o interessado reclamar que se retifique ou anule. Parágrafo único. Cancelado o registro, poderá o proprietário reivindicar o imóvel, independentemente da boafé ou do titulo do terceiro adquirente. O contribuinte alega que não tomou nenhuma providência porque aguardava o resultado de sindicâncias e procedimentos administrativos que visavam a anulação dessa e de outras matrículas. Porém, entre a data da compra e a citação anexada ao processo, emitida em 2008 pela Comarca de Tibagi – PR, se passaram oito anos. Os demais documentos presentes aos autos (relatório da sindicância determinada pela Portaria 4/2006, de 21 de dezembro de 2006, Portaria nº 21/2007 e Processo Administrativo Judicial nº 504/2007) também são posteriores a entrega da declaração. Assim, não procedem os argumentos quanto à falta de providências para cancelar a escritura ou o registro ou, ainda, entrar com ação contra o vendedor, pois, apenas em novembro de 2008, quando foi intimado para apresentar os documentos do ITR, é que passou a alegar a possível anulação da matrícula por fraude. Em decorrência disso, entende se que o contribuinte é o titular do imóvel. Diante disso, passase a analisar as glosas efetuadas na DIAT referentes às áreas de preservação permanente e de reserva legal, e a subavaliação do VTN. Preservação Permanente No que diz respeito redução do valor do ITR a pagar, a partir da vigência da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, que deu nova redação à Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, a obrigatoriedade de apresentação do ADA passou a ter expressa disposição legal. Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000). [...] § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000). Do artigo acima transcrito, resta claro que, a partir do exercício 2001, a obtenção do ADA é condição necessária e obrigatória para que o contribuinte usufrua a Fl. 98DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10940.720189/200850 Acórdão n.º 2102001.806 S2C1T2 Fl. 88 9 redução do valor a pagar do ITR quanto às áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal. O requerente não apresentou o ADA ou qualquer outro documento que comprovasse a área de 930,0 hectare declarada como preservação permanente. Assim, não foram cumpridos os requisitos necessários para a concessão da isenção, de tal forma que o lançamento deve prosperar nos termos em que foi consubstanciado no Auto de Infração. Reserva legal O contribuinte também não comprovou a isenção da área de 630,0 hectare, declarada a titulo de reserva legal. Para a reserva legal, a lei determina sua averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente. O disposto foi inserido no § 8°, do artigo 16 da Lei n° 4.771, de 15/09/1965 (Código Florestal), pelo art. 1º da Medida Provisória n° 2.16667, de 24/08/2001: Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: [...] § 8º A área de reserva local deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. A averbação da área de reserva legal é obrigatória. O seu registro deve estar amparado em demonstrativo da área do imóvel enquadrada nessa situação e de termo de responsabilidade assinado perante o órgão ambiental. Valor da Terra Nua A requerente não apresentou laudo de avaliação do imóvel ou qualquer outro documento para contestar o VTN. Apenas alega que a Receita Federal não teria como efetuar o levantamento de preços mínimos de terra nua, pois a terra inexiste. Em sua declaração registrou a terra nua por R$ 13.500,00 e R$ 10,00 de imposto devido. Nos termos do § 2° do artigo 8º da Lei n° 9.393, de 1996, o VTN refletirá o preço de mercado de terras, apurado em 1º de janeiro do ano a que se referir a declaração do ITR, e será considerado autoavaliação da terra nua a preço de mercado. O VTN declarado será submetido à apreciação da RFB, que verificando subavaliação, com arrimo nas informações veiculadas pela tabela do Sistema de Preços de Terras (SIPT), procederá a correção do valor declarado. Essa orientação está respaldada no mandamento do artigo 14 da Lei nº 9.393, de 1996. A informação pode ser contradita com a apresentação de laudo técnico de avaliação em que reste comprovado existir na propriedade características peculiares que a distingam das demais da região, à vista do qual poderá a autoridade administrativa rever o VTN que fora atribuído ao imóvel rural. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10940.720189/200850 Acórdão n.º 2102001.806 S2C1T2 Fl. 89 10 Porém, a recorrente não apresentou laudo de avaliação. Insurgese contra a forma de apuração do valor lançado sem apresentar um valor plausível para contrapor a cobrança. Assim, não constando o laudo com levantamentos necessários à apuração do valor da terra nua, e apresentando a declaração preço irrisório, devese manter o valor lançado com base no preço médio apurado SIPT para o Município de Tibagi. Pelo exposto, voto para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Pelo acima exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Fl. 100DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 10665.000355/00-01
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Sep 27 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Sep 28 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999
Ressarcimento de crédito incentivado de IPI - Atualização monetária.
Ressarcimento de crédito tem natureza jurídica distinta da de repetição de indébito, e, por conseguinte, a ele não se aplica a atualização monetária taxa Selic autorizada legalmente, apenas, para as hipóteses de constituição de crédito ou repetição de indébito. Recurso Especial Apresentado pela Fazenda Nacional Provido.
Atualização monetária. Termo inicial da incidência da Selic
A questão do termo inicial da correção monetária resta prejudicada quando o Colegiado decide que não ha direito à incidência da atualização monetária sobre o montante dos créditos básicos a ressarcir. Recurso Especial
Apresentado pelo Sujeito Passivo Negado.
Numero da decisão: 9303-001.135
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar
provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Maria Teresa Martinez Lopez, Leonardo Siade Manzan e Susy Gomes Hoffmann. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso especial apresentado pelo sujeito passivo.
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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Ressarcimento de crédito tern natureza jurídica distinta da de repetição de indébito, e, por conseguinte, a ele não se aplica a atualização monetária -taxa Selie - autorizada legalmente, apenas, para as hipóteses de constituição de crédito ou repetição de indébito. Recurso Especial Apresentado pela Fazenda Nacional Provido.. Atualização monetária. Termo inicial da incidência da Selic A questão do termo inicial da correção monetária resta prejudicada quando o Colegiado decide que não ha direito à incidência da atualização monetária sobre o montante dos créditos básicos a ressarcir. Recurso Especial Apresentado pelo Sujeito Passivo Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Maria Teresa Martinez Lopez, Leonardo Siade Manzan e Susy Gomes Hoffmann. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso especial apresentado pelo sujeito passivo Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Luciano Lopes de Almeida :•..: I i ; :11 1..1 2 Moraes, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, José Adão Vitorino, Maria Teresa Martinez López, Susy Gomes Hoffmann e Henrique Pinheiro Torres. Relatório Os fatos foram assim narrados no acórdão de primeira instancia. Trata-se; de manifestação de inconformidade into pasta pela interessada, contra o despacho decisório pi aferido pela Delegacia da Receita Federal em Divinopolis — MG, que não reconheceu o direito creditório referente ao crédito presumido do IN relativo ao 1" ti imestre dc 1999, e em conseqüência indeferiu seu pedido de i essa: cimento. Confor me despacho decis6rio proferido pela Seção de Oi ientação e Análise aibutária (Soma foram os seguintes os inativos do indeferimento do pedido Os 98/106) do total do crédito presumido requerido pela interessada, no valor de R$ 247.748,62 (fl 1), a Seção de Fiscalização e Controle Aduaneiro (Fiona) opinou pelo derei imento de apenas R$ 43,368,81 (fls 96/97), tendo em vista que o restante advéni da aquisição de bens importados, ou de bens que não se incluem no conceito de maté, ias-primas, produtos intermediti, ios e materials de embalagem, os quais não dão ciii eito ao ciédito presumido: no entanto, nem mesmo o refer ido valor de R$ 43.368,81 pode ser objeto de ressarcimento ou compensação, uma vez que a interessada deixou de cumprir um requisito indispensável ao aproveitamento dos ci éditos, qual seja, a escriuu ação do livro registro de apuração de IN Não concordando com as razões expostas pela &wit, a into essada inter pós manifestação de inconformidade (fls. 109/138) junto a esta Delegacia de Julgamento pedindo, ao seja julgado procedente o recurso, sob as seguintes alegações: ao contrário do afirmado pela Fiona, a interessada não incluiu qualquer baton° na base de cálculo do crédito presumido que tenha sido adquirido no mercado extant), O auditor apenas pressman, com "Woo em informações veibais :supostamente . fornecidas pela empresa, que tais ilISIIMOS tivessem sido incluidos na citada base de cálculo. Oco, re que a Fiscalização não pode se amparar em informações verbais, devendo levantar dados esci iturais, o que no caso não foi feito; a Fiona apurou a base de cálculo do crédito presumido utilizando-se de conceitos presentes em just, uções normativas e parecer es expedidos pela própria Secretaria da Receita Federal, enquanto a interessada se valeu da regra insculpida na Lei n" 9,363/96, ou seja, considerando o custo total de suas aquisições no mercado interno; i 2 r.)1: Processo o' 10665 000355/00-01 CS111:-T3 AcOrdiio n." 9303-01,135 FL 315 tendo em vista o pi incipio constitucional da legalidade ti ibutária, o conceito de illS111110 presente na Lei n" 9.363/96 prevalece sobre aquele constante em atos infra legais; como a inter essada somente industrializa produtos sujeitos a aliquota zero, torna-se desnecessária a escrituração do livr o registro do IP1, logo, o aproveitamento do crédito presumido não pode ficar submetido a essa obrigação acessória; o cm édito presumido deve ser acr e.scido da devida atualização monetária, que somente visa recompor a perda aquisitiva da moeda. Tal atualização deve ser feita pela taxa Selic. Pede ainda a inter ess-ada que, no mínimo, se ordene realização de nova diligéncia para apuração do valor do crédito presumido Julgando o feito, o órgão julgador de primeira instância deferiu parcialmente o pleito do sujeito passivo, em decisão assim ementada: Assunto: Imposto sobre Produtos Indastr ializados Ano-calendário: 1999 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO. 0 conceito de matérias- primas, produtos intermediários e materiais de embalagem é o constante cio Parecer Normally° CST n" 65/79. Tal ato tem força 1/Merrimac não só per ante os administrados como também junto aos órgãos da Administração Pública Somente o Poder Judiciário pode deixar de observá-lo, e ainda assim apenas se demonst ar sua ilegalidade ou inconstitucionalidade Solicitação deferida ern par te Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário ao então Segundo Conselho de Contribuintes que, por unanimidade de votos, deu-lhe provimento parcial para reconhecer o direito à incidência da correção monetária a partir do protocolo do pedido Intimada, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional apresentou recurso especial por contrariedade à lei, onde defende a não incidência de atualização do montante a ressarcir. Aprovando a informação de fl. 219, o Presidente da câmara recorrida deu seguimento ao apelo Fazenddrio, nos termos do despacho de II. 220. Contrarrazões ao recurso fazendario vieram as fls. 225 a 233. Ao seu turno, o sujeito passivo também apresentou recurso especial, fls. 241 a 255, onde defende que o termo inicial da atualização monetária é a data de apuração do crédito e não a da protocolização do pedido, como ficara assentado no acórdão vergastado, bem como o direito à inclusão na base de calculo do crédito presumido dos valores pertinentes as aquisições de combustíveis. O esse recurso foi admitido apenas no tocante ao termo inicial da atualização monetária, conforme despacho de fls. por meio do despacho de fls. 291 a 293. Contrarrazões da Fazenda Nacional as fls. 307 a 312. É o Relatório. . 1 • 11 , :.:).;1'...1 I 1 • 3 Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Tories, Relator DO RECURSO APRESENTADO PELA FAZENDA NACIONAL O recurso é tempestivo e apontou o dispositivo legal que teria sido vulnerado pelo acórdão recorrido Desta feita, atende aos requisitos de admissibilidade, dele conheço. A teor do relatado, a questão que se apresenta a debate cinge-se à atualização monetária (Selic) de créditos presumidos de IPI. Esse tema tem sido objeto de acirrados debates no CARE, ora prevalecendo a posição contraria da Fazenda Nacional ora a dos contribuintes, dependendo da composição das Turmas de Julgamento. A meu sentir, a posição mais consentânea com o born direito é a da não incidência de correção monetária desses créditos, visto que, contra tal pretensão, há o fato intransponível da inexistência de previsão legal que autorize a atualização. A Lei 4.502/1964 e suas atualizações foi absolutamente silente em relação à correção monetária dos créditos escriturais desse imposto. De outro lado, a Lei 9.363/1996, concessiva do crédito presumido não autorizou a correção desses créditos Por sua vez, a Lei 9,779/1998, que permitiu o ressarcimento do saldo credor de IPI acumulado trimestralmente, também não trouxe qualquer previsão para a atualização desses créditos. A Instrução Normativa SRE n" 125, de 07/12/89, que trata dos créditos decorrentes de estimulos fiscais na area do IF!, ao prever o ressarcimento em dinheiro dos créditos excedentes aos débitos, não faculta a hipótese de utilização da correção monetária nesses créditos. Alias, mandou que se corrigisse monetariamente apenas a importância recebida a maior, nos casos em que a requerente, comprovadarnente, tenha obtido ressarcimento indevido. Assim, na legislação especifica desse beneficio não ha previsão legal autorizando a correção monetária do valor a ser ressarcido, Resta, agora, analisar a parte geral da Legislação para verificar se ha previsão para que se atualizem os créditos do IPI. O RIPI/98, que reproduz a legislação do IN não traz qualquer autorização para que se corrijam valores a ressarcir.. A lei 9.779/1999 que modificou a sistemática de utilização de créditos de IPI não deu qualquer abertura para que se corrigissem eventuais ressarcimentos. A IN SRF n° 33/1999, que cuidou, dentre outros temas, do direito a ressarcimento trimestral do saldo credor de MI, não previu qualquer hipótese de atualização desses créditos. Confirma-se, assim, não haver previsão legal para proceder a correção monetária do credito de IPI, e de outra forma não poderia ser, pois na sistemática de crédito criada pelo legislador ordinário, para atender o principio constitucional da não-cumulatividade do IN, onde se abate o imposto efetivamente pago nas operações anteriores do MI devido na operação seguinte, não há lugar para a correção monetária, pois consistiria numa redução do IPI a recolher sem base legal ou lógica. Ora, se não é admissivel a correção do crédito utilizado para abater do imposto devido, tampouco haveria razão para se permitir a correção do crédito a ser ressarcido. ; 4 P.., i-!Y: .1 ( r. Processo n" 10665 000155/00-01 CS121,-T3 Acentliio n°9303-01.135 Fl 316 Também a Lei 8.383/91, que instituiu a UFIR como medida de valor e parâmetro de atualização monetária de tributos, multas e penalidades de qualquer natureza, previstos na legislação tributária federal, não tratou da correção do crédito do IPI. O art. 66, § 3" dessa Lei, ao contrario do alegado, não é o suporte legal para a correção monetária dos créditos a lhe serem restituídos. Tal dispositivo trata dos casos de repetição do pagamento indevido ou da parcela paga a maior. Art.. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais, inclusive previdenciárias, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a períodos subsequentes. § 3" A compensação ou restituição .serci efetuada pelo valor cio imposto ou connibuição corrigido monetariamente com bare na variação da UFIR. (Destaque não presente no original). Decorre dos princípios da hermenêutica que na interpretação das normas jurídicas não se pode dissociar o parágrafo do caput do artigo, a interpretação deve set integrada, sistémica e não isoladamente, de tal forma que o parágrafo complete o sentido do artigo ou acrescente exceções ao seu enunciado. Assim, o § 3 0 supracitado ao estabelecer que o valor da compensação ou da restituição serão corrigidos, está completando o sentido do caput do art. 66 que trata exclusivamente de pagamento indevido ou maior que o devido de tributos e contribuições federais. Por outro lado, a aplicação da taxa SELIC à compensação ou à restituição foi assim estabelecida no alt. 39, § 4 0, da Lei n° 9 250, de 26 de dezembro de 1995: A,!. 39. A compensaclio de que trata a art. 66 da Lei n" 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. .58 da Lei n" 9 069, de .29 de junho de 1995, -somente poderci ser efetuada com o i ecolhimento de importância col respondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de memo espécie e de.stinação constitucional, apurado em per iodo.s- subsequientes, § 1" (VETADO) § 2° (VETADO) § 3° (VETADO) § 4" A partir de I" de janeiro de 1996, a compensação ou restituição sei ri acrescida de juros equivalentes à lava referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custodia - SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a par tir - da data do pagamento indevido ou a maior até o rugs anterior ao da compensação ou restituição e de I% relativamente ao ine...5 em que estiver sendo efetuada (Or ifou-se). 5 Ora, ao reportar-se ao art. 66 da Lei if 8,383, de 1991, o dispositivo legal acima transcrito restringe a aplicação da taxa SELIC apenas aos casos de compensação ou restituição referentes a pagamento indevido ou a maior que o devido de tributos e contribuições federais Essas hipóteses de repetição do indébito em nada se assemelham ao ressarcimento dos créditos decorrentes de estímulos fiscais; portanto, não é licito estender o alcance desse dispositivo legal para permitir a correção monetária pretendida. Por sua vez, o Código Tributário Nacional ao tratar sobre pagamento de tributo indevido ou a maior que o devido assim dispôs: Att. 16.5 0 sujeito passivo tent direito, independentemente de pi é viu protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja vial for a modalidade do seu pagamento ressalvado o disposto no § 4" do art 162, nos seguintes casos.' I - cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maim que o devido ern face da legislação ti ibutár ia aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materials do fato gerador efetivamente ocorrido; II - err o na edifica cão do sujeito passivo, na deter mina cão da aliquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; Ill - reforma, anulação, revogação ou rescisão de3 decisão condenatória Ai t. 166. A m estimigão de tributos que comportem, pot sua natureza, transfer acia do respectivo encargo jinanceno somente será feita a quem pi-ove haver assumido referido encargo, ou, no caso de te"-lo transferido a terceiro, estar por este exp, essamente autorizado a recebê-la. (Grifou-se) Como se pode perceber dos dispositivos transcritos, o CTN quando trata de compensação ou restituição, refere-se a pagamento de tributo indevido ou pago a maior que o devido, o que não é absolutamente o caso do presente processo, que se refere a ressarcimento de crédito presumido de In Ressalte-se que o direito à compensação desse crédito ou a seu ressarcimento em espécie, o qual tem como fundamento o favor fiscal graciosamente concedido pela entidade tributante, não tern a mesma natureza jurídica da repetição do indébito, vez que esta tern como origem um pagamento indevido ou maior que o devido pelo sujeito passivo. Em outras palavras, o ressarcimento ou a compensação do credito presumido de IPI para ressarcimento de PIS e Cofins, bem como os créditos relativos as aquisições de insurnos utilizados na fabricação de produtos isentos tern natureza juridica de incentivo fiscal, enquanto a repetição do indébito, quer na modalidade de restituição, quer na de compensação, tem natureza jurídica de devolução de tributo exigido indevidamente (de receita que ingressou nos cofres da Fazenda Nacional e que não lhe pertencia de direitol. Ademais, a sociedade empresária ao adquirir os insumos paga a contribuição que vem embutida no prego das mercadorias, exatamente como determina a lei. 0 que existe posteriormente é urn favor fiscal que prevê o ressarcimento desses tributos na forma de créditos de IPI. Donde conclui-se que o ressarcimento desse crédito não se confunde com a devolução de pagamento indevido . If r/:•:. I if: E. I I:. I j I !- I 6 • ■■": i Processo n" 10665 000355/00-01 CSRF -T3 Acórdiio 11° 9303-01.135 Fl 317 Dessa forma, não é licito valer-se da analogia pm estender ao ressarcimento de crédito o que a legislação (artigo 39, g 4' da Lei 9.250 c/c o art. 66, da Lei n° 8.383, de 1991) prevê exclusivamente para as hipóteses de compensação e de restituição de pagamento de tributos e contribuições indevidos ou pagos a maior que o devido. Ora, evidente que se o legislador quisesse conceder a correção monetaria também para o ressarcimento em questão, incluído nos diplomas legais citados ou no que instituiu o incentivo fiscal. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional DO RECURSO APRESENTADO PELO SUJEITO PASSIVO O recurs() apresentado pelo sujeito passivo é tempestivo e atendeu aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. A teor do relatado, o apelo apresentado pelo sujeito passivo diz respeito ao termo inicial da correção monetária , a câmara a quo entendeu que a atualização tem inicio com a protocolização do pedido de ressarcimento, já a recorrente defende que a Selic passaria a incidir a partir data de apuração do crédito. Essa questão, todavia, não oferece mais qualquer dificuldade para o deslinde, posto que, ao examinar o recurso apresentado pela Procurador ia- Gera] da Fazenda Nacional, versando, justamente, sobre a incidência ou não de atualização monetária de ressarcimentos de crédito de IPI, o Colegiado entendeu que não há autorização legal para se proceder à atualização desses créditos.. Desta feita, a questão do termo de inicio, trazida no recurso do sujeito passivo, perdeu o sentido de ser. Corn essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial apresentado pelo Sujeito Passivo. Henrique Pinheiro Torres w r:,1:11r,f1" ) 1 ■ 1
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Numero do processo: 13971.001797/2007-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2002, 2003
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICA-SE O PRAZO DECADENCIAL PREVISTO NO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE ACORDO COM A SISTEMÁTICA PREVISTA PELO ARTIGO 543-C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL.
REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62-A, DO ANEXO II, DO SEU REGIMENTO INTERNO.
Consoante entendimento consignado no Recurso Especial n.º 973.733/SC, “O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se
do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão
legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.
Nos casos em que a lei prevê o pagamento antecipado e esse ocorre, a contagem do prazo decadencial desloca-se para a regra do art. 150, §4º, do CTN.
SIGILO BANCÁRIO. QUEBRA. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.
“O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” (Súmula CARF n. 2).
LEI 10.174/01 E LEI COMPLEMENTAR N. 105/2001. APLICABILIDADE
IMEDIATA.
Nos termos do artigo 144, §1º., do CTN, “aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros.” Assim, de acordo com a Súmula CARF n. 35, “O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se
retroativamente.”
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
O artigo 42 da Lei n.º 9.430/96 estabelece presunção relativa que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte desconstituí-la.
Hipótese em que o contribuinte não se desincumbiu de seu ônus.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-001.564
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em
rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICASE O PRAZO DECADENCIAL PREVISTO NO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE ACORDO COM A SISTEMÁTICA PREVISTA PELO ARTIGO 543C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62A, DO ANEXO II, DO SEU REGIMENTO INTERNO. Consoante entendimento consignado no Recurso Especial n.º 973.733/SC, “O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Nos casos em que a lei prevê o pagamento antecipado e esse ocorre, a contagem do prazo decadencial deslocase para a regra do art. 150, §4º, do CTN. SIGILO BANCÁRIO. QUEBRA. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” (Súmula CARF n. 2). LEI 10.174/01 E LEI COMPLEMENTAR N. 105/2001. APLICABILIDADE IMEDIATA. Nos termos do artigo 144, §1º., do CTN, “aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, Fl. 306DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13971.001797/200710 Acórdão n.º 2101001.564 S2C1T1 Fl. 472 2 ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros.” Assim, de acordo com a Súmula CARF n. 35, “O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente.” IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. O artigo 42 da Lei n.º 9.430/96 estabelece presunção relativa que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte desconstituíla. Hipótese em que o contribuinte não se desincumbiu de seu ônus. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Eivanice Canário da Silva, Celia Maria de Souza Murphy e Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 221/240) interposto em 21 de janeiro de 2011 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) (fls. 212/217), do qual o Recorrente teve ciência em 13 de janeiro de 2011 (fl. 219), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o auto de infração de fls. 114/115, lavrado em 13 de agosto de 2007, em decorrência de omissão de rendimentos Fl. 307DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13971.001797/200710 Acórdão n.º 2101001.564 S2C1T1 Fl. 473 3 caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, verificada nos anos calendário de 2001 e 2002. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001, 2002 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou investimento, mantida junto a instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. SIGILO BANCÁRIO. ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA A quebra do sigilo bancário por ordem judicial autoriza a autoridade fiscal o acesso às informações relativas à movimentação bancária, sendo o seu acesso e utilização restritos ao exercício da atividade tributária. DECADÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. No caso de rendimentos sujeitos ao ajuste anual, com pagamento de imposto, o prazo decadencial começa a correr em 31 de dezembro (art. 150, § 4°, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional CTN) e, sem pagamento de imposto, iniciase a contagem no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, inciso I, do CTN). JURISPRUDÊNCIA. EFEITOS. As decisões administrativas e as judiciais, não proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, sendo àquela objeto da decisão. Impugnação Procedente em Parte” (fl. 212). Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 221/240, pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13971.001797/200710 Acórdão n.º 2101001.564 S2C1T1 Fl. 474 4 Inicialmente, devese esclarecer que a decisão recorrida julgou procedente em parte o lançamento, exonerando o crédito tributário relativo ao anocalendário 2001 e mantendo a exigência quanto ao anocalendário 2002, no valor de R$ 23.768,94, acrescida da multa de oficio e dos juros de mora. Cancelouse o auto de infração relativamente ao anocalendário 2001, no valor de R$ 16.415,19, diante do fato de que o somatório dos depósitos não justificados de responsabilidade do Recorrente resultava em R$ 65.317,04, ou seja, valor inferior ao limite anual de R$ 80.000,00. Necessário se faz observar, ainda, que consta do sistema Comprot a tramitação de processos administrativos em relação aos cotitulares da conta bancária que ensejou o presente auto de infração, inferindose que, tal como informado no termo de verificação fiscal, em face deles também foram lavrados autos de infração relativos ao IRPF (Proc. n.º 13971.001812/200711, em nome de Marcos Marchetti, e Proc. n.º 13971.001796/200767, em nome de Odinéia Estefania Rubini Marchetti). Verificase, portanto, que não existe qualquer dúvida acerca da intimação dos cotitulares para justificar os depósitos objeto do presente auto de infração, afastandose de plano qualquer nulidade por falta das referidas intimações. Feitos esses esclarecimentos, passase à análise das alegações do Recorrente. Preliminarmente, em relação à decadência, vinha me manifestando no sentido de que, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, sempre seria aplicável o prazo decadencial de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, §4º, do CTN, independentemente da existência ou não de princípio de pagamento, pois, à regra geral do artigo 173, I, o Código estabeleceu justamente a exceção contida no artigo 149, V. Homologase, na verdade, a atividade do contribuinte. Todavia, cumpre registrar que o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n.º 973.733/SC, apreciado sob a sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, representativo da controvérsia acerca do prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário, assim se manifestou: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, Fl. 309DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13971.001797/200710 Acórdão n.º 2101001.564 S2C1T1 Fl. 475 5 julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (STJ, Primeira Seção, REsp 973733/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009). (Grifouse). Como é cediço, o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda n.º 256, de 22 de junho de 2009, no artigo 62A de seu Anexo II, acrescentado pela Portaria do Ministério da Fazenda n.º 586, de 21/12/2010, determina que as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática estabelecida nos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros desse Conselho Administrativo no julgamento dos respectivos recursos. Vejase: “Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria Fl. 310DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13971.001797/200710 Acórdão n.º 2101001.564 S2C1T1 Fl. 476 6 infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” Assim, muito embora já tenha me manifestado em diversas oportunidades, anteriormente ao julgamento do Recurso Especial n.º 973.733, acerca da aplicabilidade do prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional àqueles casos relativos a tributos sujeitos a lançamento por homologação, independentemente de haver início de pagamento, tratandose, o caso concreto, da exata hipótese apreciada sob a sistemática dos recursos repetitivos pelo Superior Tribunal de Justiça, passei a adotar, nos termos do aludido art. 62A do Anexo II do RICARF, o entendimento daquela Corte infraconstitucional. À luz de referido entendimento, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação no qual não houve o princípio de pagamento do IRPF em relação a qualquer rendimento sujeito ao ajuste anual (fls. 78 e 86), verificase que o prazo de lançamento é o de 5 (cinco) anos previsto no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional. No caso do imposto de renda, o fato gerador é complexo, aperfeiçoandose em 31 de dezembro de cada anocalendário, tal como enunciado constante da Súmula 38 deste CARF, in verbis: “O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário.” Nos casos de lançamento de ofício do IRPF dos rendimentos sujeitos ao ajuste anual, o Fisco apenas poderia efetuar o lançamento de ofício a partir da entrega da declaração de cada anocalendário, o que ocorre até abril do ano seguinte. Assim, tratandose de lançamento que abrangeu os fatos geradores correspondentes aos anoscalendário de 2001 e 2002, e que, portanto, aperfeiçoaramse em 31/12/2001 e 31/12/2002 e cujas declarações foram entregues em 2002 e 2003 respectivamente, somente poderia o Fisco efetuar o lançamento a partir de 01/01/2003 (para o anocalendário de 2001) e a partir de 01/01/2004 para o anocalendário de 2002. Portanto, o prazo de 5 (cinco) anos previsto no art. 173, I se esgotaria em 01/01/2008 para o anocalendário de 2001 e 01/01/2009 para o anocalendário de 2002. Tendo sido o auto de infração lavrado em 13/08/2007, com a intimação do contribuinte em 23/08/2007 (fl. 143), devese afastar a alegação de decadência. Cumpre salientar, outrossim, que a alegação de quebra de sigilo bancário no caso concreto não tem fundamento, uma vez que os extratos bancários foram obtidos com autorização judicial, motivo pelo qual eventual inconstitucionalidade da legislação que Fl. 311DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13971.001797/200710 Acórdão n.º 2101001.564 S2C1T1 Fl. 477 7 autorizou a obtenção dessas informações (Lei Complementar n.º 105/2001) não aproveita ao Recorrente no caso concreto. Realmente, consoante restou consignado na decisão recorrida: “No caso presente, temse que o sigilo bancário do contribuinte Marcos Marchetti foi quebrado por decisão proferida judicialmente, a qual facultou o acesso da Receita Federal a utilização das provas já produzidas, bem como as que viriam a ser produzidas, inclusive com a obtenção de cópias, para a instrução de eventuais procedimentos fiscais (fls. 97/102)”. De qualquer forma, no que concerne à alegação de que a legislação, ao autorizar a utilização pela fiscalização de dados bancários para lavratura de autos de infração, teria violado a Constituição da República no que toca ao seu art. 5º, X e XII, cumpre salientar que este Conselho já pacificou o entendimento, consolidado no verbete de número 2, segundo o qual não lhe assiste competência para verificar a constitucionalidade de dispositivos legais, cuja análise fica a cargo do Poder Judiciário. Nesse esteio, cumpre repisar que a Medida Provisória n.º 449/2008, ao introduzir o art. 26A no Decreto n.º 70.235/72, pacificou tal discussão, vedando expressamente a aferição da constitucionalidade de diplomas legais, cuja validade o ordenamento jurídico pátrio expressamente presume. No tocante à alegação de nulidade do procedimento fiscal em virtude da impossibilidade de obtenção das informações bancárias do contribuinte, cumpre ressaltar que, ao contrário do quanto destacado pelo Recorrente, com o advento da Lei n.º 10.174/2001, acompanhada, igualmente, da Lei Complementar n.º 105/2001, passouse a admitir, inclusive com eficácia retroativa, a utilização, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, dos dados referentes às contas bancárias dos contribuintes para o fim específico de conferir subsídios às fiscalizações relativas ao recolhimento dos tributos por ela administrados, e, bem assim, como fundamento para a lavratura de eventuais autos de infração. Por esta razão, sendo certo que o lançamento tributário foi realizado em 13/08/2007, isto é, após a edição dos normativos em referência, em especial do disposto pela Lei n.º 10.174/01, não se afigura, no caso vertente, qualquer nulidade apta a censurar a fiscalização. Vale ressaltar, outrossim, no tocante à utilização dos referidos procedimentos com efeito retroativo, de maneira a alcançar fatos geradores realizados anteriormente, que é entendimento assente deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, consagrado na Súmula CARF n.º 35, na esteira do que estatui o art. 144, §1º, do CTN, que a utilização de técnicas procedimentais, cujo escopo é possibilitar um maior leque de opções para a fiscalização, como é o caso das leis referidas pelo Recorrente, é permitida no que toca aos rendimentos auferidos anteriormente à sua vigência, respeitado, no entanto, o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário. Confirase: Súmula CARF nº 35: “O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente.” Por esta razão, assim, inexiste a apontada nulidade no presente auto de infração, cumprindo repisar que as instâncias administrativas são incompetentes para analisar a constitucionalidade ou legalidade de qualquer lei ou norma administrativa, de acordo com o Fl. 312DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13971.001797/200710 Acórdão n.º 2101001.564 S2C1T1 Fl. 478 8 disposto pelo art. 26A do Decreto n.º 70.235/72 e, igualmente, em razão da já mencionada Súmula n. 2 deste CARF. No mais, verificase que o lançamento foi realizado com base na presunção do artigo 42 da Lei n.º 9.430/96, que assim preceitua: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º. O valor das receitas ou dos rendimentos omitidos será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º. Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos.” Na realidade, instituiu o referido dispositivo autêntica presunção legal relativa, cujo condão é justamente o de inverter o ônus da prova, atribuindoo ao contribuinte, que passa a ter o dever de refutála. Como é cediço, a presunção, seja ela hominis ou legal, é meio de prova que prescreve o reconhecimento jurídico de um fato provado de forma indireta. Ou seja, provando se diretamente o fato indiciário, temse, por conseguinte, a formação de um juízo de probabilidade com relação ao fato presumido que, a partir de então, necessita ser afastado pelo contribuinte. No caso dos autos, provase especificamente a ocorrência de movimentações bancárias injustificadas, decorrendo desta comprovação o reconhecimento da omissão de rendimentos na apuração da base de cálculo do IRPF. Nesse sentido, a presunção relativa referida pelo artigo 42 da Lei n. 9.430/96 é legítima, não ferindo, em nenhum ponto, a legislação tributária em vigor. Este tribunal administrativo, por sua vez, já consolidou entendimento de acordo com o qual, a partir da edição da Lei n. 9.430/96, é válida a presunção em referência, sendo ônus do contribuinte desconstituíla com a apresentação de provas suficientes para tanto. É o que se depreende das seguintes ementas, destacadas dentre as inúmeras existentes sobre o tema: “OMISSÃO DE RENDIMENTOS LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários.” Fl. 313DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13971.001797/200710 Acórdão n.º 2101001.564 S2C1T1 Fl. 479 9 (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 158.817, relatora Conselheira Núbia Matos Moura, sessão de 24/04/2008) “LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. TRIBUTAÇÃO PRESUMIDA DO IMPOSTO SOBRE A RENDA O procedimento da autoridade fiscal encontrase em conformidade com o que preceitua o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, em que se presume como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantidos em instituição financeira, cuja origem dos recursos utilizados nestas operações, em relação aos quais o titular pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 141.207, relator Conselheiro Romeu Bueno de Camargo, sessão de 22/02/2006) No mais, os documentos que comprovem a origem dos valores movimentados devem ser devidamente armazenados pelo mesmo lapso de tempo que as autoridades fiscais têm para constituir possível crédito. Nesse sentido, colacionamos alguns acórdãos que elucidam tal entendimento: “NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – PROVA – No processo administrativo tributário os fatos devem evidenciarse com provas documentais. A documentação dos fatos havidos no transcorrer do anocalendário tem prazo para guarda igual àquele em que possível a constituição do correspondente crédito tributário.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 146.926, relator Conselheiro Naury Fragoso Tanaka, sessão de 04/07/2007) “DOCUMENTOS – GUARDA – O prazo para guarda de documentos é o mesmo que o permitido ao sujeito ativo para exigir o tributo ou rever de ofício o lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS – A presunção legal de renda com suporte na existência de depósitos e créditos bancários de origem não comprovada tem fundamento legal na norma do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, tendo caráter relativo e transfere o ônus da prova em contrário ao contribuinte.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 140.839, relator Conselheiro Naury Fragoso Tanaka, sessão de 21/06/2006) Fl. 314DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13971.001797/200710 Acórdão n.º 2101001.564 S2C1T1 Fl. 480 10 No presente caso, não houve qualquer comprovação acerca da origem dos depósitos bancários existentes na conta bancária do Recorrente, aplicandose, portanto, a presunção de que trata o artigo 42 da Lei 9.430/96. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de REJEITAR as preliminares e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 315DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 11128.000683/2008-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 21 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Mar 21 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Data do fato gerador: 09/11/2007
PROCESSO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO.
CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA.
A propositura de ação judicial contra a Fazenda Nacional, com o mesmo
objeto do recurso voluntário, configura renúncia às instâncias
administrativas, não devendo ser conhecido o recurso apresentado pela
contribuinte.
LANÇAMENTO. PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. SUSPENSÃO DO
CRÉDITO. DATA POSTERIOR AO INÍCIO DO PROCEDIMENTO
FISCAL. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
Sobre os créditos tributários constituídos em auto de infração para prevenção
da decadência será exigida a multa no percentual de setenta e cinco por cento
sempre que a suspensão da exigibilidade ocorrer depois do início do
procedimento de ofício correspondente.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-001.415
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do Recurso na parte em que há concomitâncias de processos administrativo e judicial
e em negar provimento ao recurso nas demais questões suscitadas, nos termos do relatorio e
votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial contra a Fazenda Nacional, com o mesmo objeto do recurso voluntário, configura renúncia às instâncias administrativas, não devendo ser conhecido o recurso apresentado pela contribuinte. LANÇAMENTO. PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. SUSPENSÃO DO CRÉDITO. DATA POSTERIOR AO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Sobre os créditos tributários constituídos em auto de infração para prevenção da decadência será exigida a multa no percentual de setenta e cinco por cento sempre que a suspensão da exigibilidade ocorrer depois do início do procedimento de ofício correspondente. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso na parte em que há concomitâncias de processos administrativo e judicial e em negar provimento ao recurso nas demais questões suscitadas, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Ricardo Paulo Rosa – Presidente Substituto e Relator. EDITADO EM: 07/06/2012 Fl. 440DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or RICARDO PAULO ROSA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, Winderley Morais Pereira, Luciano Pontes de Maya Gomes, Mara Cristina Sifuentes, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o presente processo de Autos de Infração lavrados para a cobrança de Imposto sobre Produtos Industrializados, Cofins e PIS/PASEP na Importação. A interessada através das Declarações de Importação de nºs 07/15498333, 07/15503167, 07/15503272, 07/15503396, 07/15504619 e 07/15508398, todas registradas em 09/11/2007, submeteu a despacho as mercadorias descritas como Unidades Condensadoras para Ar Condicionado, classificando na Tarifa Externa Comum no código Tarifário NCM 8418.69.40. As Declarações de Importação foram registradas com a a alíquota do IPI de 0% (alíquota zero). Quando da realização do exame documental (canal amarelo), foi registrada no sistema, a seguinte exigência: RETIFICAR A ALÍQUOTA DO IPI, RECOLHENDO O IMPOSTO DEVIDO E DEMAIS ACRÉSCIMOS LEGAIS DE ACORDO COM O DECRETO nº 6225/07. Em resposta à exigência formulada, o importador juntou os extratos das retificações das declarações de importação, informando a existência do Mandado de Segurança nº 2007.61.04.0133079, onde foi deferido “parcialmente a medida liminar postulada, para suspender a exigibilidade do crédito decorrente da incidência da alíquota de 20% do Imposto sobre Produtos Industrializados veiculada pelo Decreto nº 6.225, de 05/10/2007, em relação tão somente aos “grupos frigoríficos de compressão para refrigeração ou ar condicionado”. O Decreto nº 6.225, de 04/01/2007, publicado no D.O.U. de 05/10/2007, determina a alíquota de 20% (vinte por cento) de IPI para as mercadorias enquadradas no código NCM 8418.69.40 “Ex01” desta classificação tarifária, o qual não foi recolhido pelo importador, em consequência gerando um recolhimento a menor de PIS e Cofins. Assim, a fim de prevenir a decadência, à qual se refere o artigo 173, da Lei nº 5.172/66 – Código Tributário Nacional, a fiscalização da Alfândega do Porto de Santos lavrou o Auto de Infração ora impugnado. Cobrouse além do IPI, PIS e Cofins, a multa de lançamento de ofício, juros de mora e a multa regulamentar prevista no art. 84, inciso I, da Medida Provisória nº 215835/01 combinado com o art. 69 e art. 81, inciso IV, da Lei nº 10.833/03. A interessada apresentou a impugnação de fls. 265/277, levantando questões não levadas ao judiciário que merecem apreciação. alegou que, apesar de o Decreto nº 6.225/07 mencionar sua vigência a partir da data de sua publicação, isto é 05/10/2007, o fato é que essa norma legal somente surtiu efeitos jurídicos a partir de 06/01/2008, em razão do que dispõe o art. 150, III, “c”, da Constituição (questão levada ao judiciário); da mesma forma que é incabível a cobrança do IPI majorado pelo Decreto nº 6.225/07, antes de 06 de janeiro de 2008, incabível também é a cobrança de PIS e Fl. 441DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.000683/200841 Acórdão n.º 310201.415 S3C1T2 Fl. 3 3 Cofins reflexos da majoração deste imposto, que aumentou a base de cálculo dessas contribuições; a multa de ofício não pode prevalecer por força de disposição legal expressa do art. 63 da Lei 9.430; também é incabível a multa regulamentar imposta à Impugnante, não só em razão da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, mas também em razão da inocorrência de descrição incompleta da mercadoria importada; a descrição da mercadoria oferecida pela Impugnante foi suficiente para sua caracterização, o que se verifica, inclusive, da análise dos laudos de vistoria relativos a cada uma das D.I. juntadas aos autos do processo administrativo, em que o engenheiro Orlando Albuquerque Gallotti, ao responder quesitos elaborados pelas autoridades fiscais, declarou que “após vistoria realizada no local, a mercadoria guarda perfeita correlação com a descrita na DI”. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Data do Fato Gerador: 09/11/2007 CONCOMITÂNCIA. A propositura pelo contribuinte de ação judicial, por qualquer modalidade processual, com o mesmo objeto do processo administrativo, importa renúncia às instâncias administrativas. MULTAS DE OFÍCIO A interposição de medida judicial posteriormente ao registro da DI, exclui a espontaneidade, nos termos do ADI SRF nº 18/04, sendo cabíveis as multas aplicadas. MULTA REGULAMENTAR. Não cabimento tendo em vista que, de acordo com a vistoria realizada no local, a mercadoria guarda perfeita correlação com a descrita na D.I. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na impugnação ao lançamento. Defende que “não há concomitância de ações (processo administrativo e judicial), e não houve procedimento administrativo anterior que justificasse a aplicação da multa de oficio”. Em face disso, volta a advogar a impossibilidade de majoração do IPI e aumento reflexo do PIS/COFINS decorrentes das disposições contidas no Decreto n° 6.225/2007 antes do dia 06 de janeiro de 2008. Protesta pela exclusão da multa de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or RICARDO PAULO ROSA 4 Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. O processo trata de crédito tributário com exigibilidade suspensa, constituído para prevenção da decadência do direito da Fazenda Nacional. Preliminarmente, a recorrente defende não existir a concomitância declarada em primeira instância de julgamento, pois, conforme entende, “não há discussão na esfera judicial do PIS/COFINS reflexos” razão pela qual haveria “uma maior abrangência do processo administrativo comparado com o Mandado de Segurança”. Ainda mais, “que o pedido do processo administrativo é diferente do pedido do mandado de segurança”. Diante disso, volta a advogar a impossibilidade de majoração do IPI e aumento reflexo do PIS/COFINS decorrentes das disposições contidas no Decreto n° 6.225/2007 antes do dia 06 de janeiro de 2008. Não assiste razão à autuada. O objeto das causas é idêntico. Exatamente, a possibilidade ou não de o Poder Executivo majorar a alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados, antes do prazo nonagesimal fixado pela Constituição Federal, sendo o aumento reflexo do PIS/COFINS mera consequência da decisão que será tomada no processo judicial. Assim, não deve ser conhecido o Recurso neste particular, e confirmada a renúncia ao processo administrativo tal como decidido em primeiro grau. Melhor sorte não tem a contribuinte em relação à multa aplicada. A seguir o texto legal aplicável ao caso. Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. (grifos meus) § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. Uma vez que a exigência fiscal foi feita no dia 13/11/2007 e a liminar concedida em 03/12/2007, não há como entender de maneira distinta. A suspensão do crédito decorrente da liminar concedida ocorreu depois do início do procedimento de ofício, não estando, por conseguinte, incluído na dispensa prevista no caput do artigo 63. Por todo exposto, VOTO POR NÃO CONHECER do Recurso Voluntário na parte em que discute assunto submetido ao Poder Judiciário e POR NEGAR PROVIMENTO ao Recurso no tocante à multa exigida no auto de infração guerreado. Sala de Sessões, 21 de março de 2011. Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.000683/200841 Acórdão n.º 310201.415 S3C1T2 Fl. 4 5 Fl. 444DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 16327.000700/2010-31
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Ano-calendário: 2007, 2008
Ementa:
ARRENDAMENTO MERCANTIL – SUPERVENIÊNCIAS DE DEPRECIAÇÃO – INTRIBUTABILIDADE
A lei tributária prescreve o regramento contábil além do tratamento tributário, impondo a ativação do bem a ser arrendado no imobilizado da arrendadora e a consequente depreciação com sua despesa nela. Ao assim estatuir, a lei não se limita ao lucro real quanto ao tratamento tributário “decorrente” da
contabilização imposta, além do que a lei nem referencia lucro real ao versar
sobre a disciplina da arrendadora. Os ajustes de superveniências e de
insuficiências de depreciação das normas do Bacen se prestam para obtenção
de resultado de um financiamento conforme os fluxos das taxas de juros
contratuais – o que não se dá pela contabilização imposta pela lei. Para tanto,
a lei teria de prever a ativação do bem no imobilizado da arrendatária, e não
no da arrendadora – o que dispensaria os ajustes das normas do Bacen. Os
ajustes de superveniências de depreciação afetam o resultado da arrendadora
como receita, mas não geram efeitos tributários: não interferem na base de
cálculo da CSLL. Diante da amplitude da lei tributária cabe a inteligência do
Ato Declaratório (Normativo) CST 34/87 para a CSLL.
Numero da decisão: 1103-000.684
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros José Sérgio Gomes (relator) e Mário Sérgio Fernandes Barroso, que negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcos Shigueo Takata.
Nome do relator: JOSE SERGIO GOMES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007, 2008 Ementa: ARRENDAMENTO MERCANTIL – SUPERVENIÊNCIAS DE DEPRECIAÇÃO – INTRIBUTABILIDADE A lei tributária prescreve o regramento contábil além do tratamento tributário, impondo a ativação do bem a ser arrendado no imobilizado da arrendadora e a consequente depreciação com sua despesa nela. Ao assim estatuir, a lei não se limita ao lucro real quanto ao tratamento tributário “decorrente” da contabilização imposta, além do que a lei nem referencia lucro real ao versar sobre a disciplina da arrendadora. Os ajustes de superveniências e de insuficiências de depreciação das normas do Bacen se prestam para obtenção de resultado de um financiamento conforme os fluxos das taxas de juros contratuais – o que não se dá pela contabilização imposta pela lei. Para tanto, a lei teria de prever a ativação do bem no imobilizado da arrendatária, e não no da arrendadora – o que dispensaria os ajustes das normas do Bacen. Os ajustes de superveniências de depreciação afetam o resultado da arrendadora como receita, mas não geram efeitos tributários: não interferem na base de cálculo da CSLL. Diante da amplitude da lei tributária cabe a inteligência do Ato Declaratório (Normativo) CST 34/87 para a CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros José Sérgio Gomes (relator) e Mário Sérgio Fernandes Barroso, que negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcos Shigueo Takata. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 13/06/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado dig italmente em 27/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000700/201031 Acórdão n.º 110300.684 S1C1T3 Fl. 168 2 documento assinado digitalmente ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA Presidente. documento assinado digitalmente JOSÉ SÉRGIO GOMES Relator. documento assinado digitalmente MARCOS SHIGUEO TAKATA Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Sérgio Gomes, Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, Eric Moraes de Castro e Silva, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 13/06/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado dig italmente em 27/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000700/201031 Acórdão n.º 110300.684 S1C1T3 Fl. 169 3 Relatório Em foco recurso voluntário visando à reforma da decisão da 10ª Turma de Julgamento da DRJI em São PauloSP que julgou procedente o lançamento efetuado em 07/07/2010 pela Delegacia Especial de Instituições Financeiras no São PauloSP com vistas a exigência de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) afeta aos anoscalendário de 2007 e 2008, acrescida de multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) e juros moratórios calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC). A autuação fiscal consignada no Termo próprio de fls. 12/14 consistiu na glosa das exclusões dos valores de R$ 63.904.027,89 (anocalendário 2007) e R$ 13.597.859,24 (anocalendário 2008) lançadas pela contribuinte quando do cálculo da contribuição social (ficha nº 17 das respectivas Declarações de Informações Econômico Fiscais). A imputação da irregularidade cometida encontrase nos seguintes termos: “Constatamos no caso em apreço que a VWL efetuou os ajustes de Superveniência e Insuficiência de Depreciação definidos na Circular Bacen n° 1.429, de 20 de janeiro de 1989. Nesse documento foram estabelecidos os mecanismos contábeis que deveriam ser observados pelas instituições autorizadas no tocante à escrituração obrigatória e à elaboração das demonstrações financeiras, em face dos ajustes da carteira de arrendamento mercantil, visando com isso aperfeiçoar a mensuração dos reflexos provenientes da baixa dos bens arrendados. Tais ajustes consistem na contabilização por complemento ou estorno das Despesas ou Rendas de Arrendamento, em contrapartida ao lançamento de Insuficiências ou Superveniências de Depreciação. Os efeitos tributários decorrentes desses ajustes já haviam sido apontados nos itens I e II do Ato Declaratório (Normativo) SRF/CST n° 34, de 23 de abril de 1987. Dai sabermos que esses ajustes não são computáveis na determinação do Lucro Real, devendo, ainda, serem mantidos segregados contabilmente para que se conheça sua composição e o tratamento tributário a eles dispensados. ................................................................................................. A Lei n° 7.689, de 1988, alterada pela Lei n° 8.034, de 1990, instituiu para as pessoas jurídicas o tributo em questão, a CSSL, cuja base de cálculo é definida a partir do resultado apurado no encerramento do períodobase, observadas a disposições da legislação comercial. Em se tratando de sociedades obrigadas à apuração do lucro real, a base de cálculo da CSSL é obtida considerando o lucro contábil antes das provisões para o imposto de renda e para a própria CSSL, devidamente ajustado por adições e exclusões previstas no art. 2° da Lei n° 8.034, de 1990. Ocorre que dentre os referidos ajustes não figura a exclusão das rendas de arrendamento oriundas da Fl. 235DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 13/06/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado dig italmente em 27/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000700/201031 Acórdão n.º 110300.684 S1C1T3 Fl. 170 4 superveniência de depreciação, contrariamente ao que praticou a VWL, conforme demonstrado no quadro acima. Ao incluir no montante informado a titulo de "Outras Exclusões" o valor proveniente das Rendas de Arrendamento Superveniência de Depreciação, a empresa reduziu indevidamente a base de cálculo do tributo nessa mesma proporção, gerando uma distorção que deverá ser corrigida de oficio, conforme quadro a seguir: Referida peça fiscal elenca os dispositivos legais aplicáveis como sendo o artigo 2º, § 1º, da Lei nº 7.689, de 1988; alterado pelo artigo 2º da Lei nº 8.034, de 1990 e artigo 28 da Lei nº 9.430, de 1996. Ainda, quanto aos acréscimos legais, os artigos 6º, inciso I, 44, § 3º e 61, todos desse último diploma. Impugnando o lançamento a contribuinte dissertou que as modificações introduzidas no Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional – COSIF pela Circular nº 1.429/89 do Banco Central do Brasil – BACEN objetivaram que fossem melhor registrados e demonstrados os resultados auferidos pelas empresas dedicadas ao arrendamento mercantil e isto porque, dada a sazonalidade e características especificas do mercado de bens duráveis ou do próprio mercado de juros, essas pessoas jurídicas exibiam sempre um enorme descompasso entre as contas de registro da depreciação e as contrapartidas pelo arrendamento, o que produzia resultados irreais e fictícios. Entendeu que a glosa foi motivada exclusivamente pela suposta falta de previsão legal, isto é, a questão seria de saber se os ajustes determinados no item 1.11.8.4 do COSIF devem ser considerados para fins de determinação somente do resultado tributável pelo Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), ou também alcançam a CSLL. Realçou que a base de cálculo da CSLL é o lucro liquido ajustado, ou seja, a mesma base do IRPJ, logo, evidenciase que o intuito do legislador ordinário, ao editar a Lei n° 7.689/88, foi o de instituir uma contribuição social calcada na capacidade contributiva da pessoa jurídica. Assim, o entendimento adotado no lançamento, traduzido na impossibilidade de exclusão dos valores apurados a titulo de "Superveniência de Depreciações", faz cobrança de tributo sobre base de cálculo distorcida, uma "nãorenda", o que importa em tributação do próprio patrimônio da pessoa jurídica. Por fim, deduziu que o ADN nº 34/87 não se presta a amparar a pretensão fiscal e que nenhum dos dispositivos de lei indicados na autuação permitem a conclusão de que os ajustes efetuados por força da Circular BACEN nº 1.429/89 são indedutíveis na apuração da CSLL. A douta 10ª Turma de Julgamento da DRJI/SP admitiu a impugnação e entendeu procedente o lançamento fundamentando o decisório, primeiramente, que o item II do Ato Declaratório Normativo CST nº 34, de 23/04/1987, estatui que os ajustes determinados pela aplicação do Plano de Contas aprovado pelo Banco Central do Brasil não serão computados na apuração do lucro real. Assim, indedutíveis para fins de apuração do lucro real, e, por via de consequência, do IRPJ, consequentemente falece o argumento da contribuinte no sentido de afirmar que, por analogia, tais valores também seriam dedutíveis da base de cálculo da CSLL. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 13/06/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado dig italmente em 27/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000700/201031 Acórdão n.º 110300.684 S1C1T3 Fl. 171 5 Em segundo, que a base de cálculo da CSLL é sujeita a ajustes, tanto por intermédio de adições, quanto de exclusões, na forma do artigo 2º da Lei nº 7.689/88 e artigo 2º da Lei nº 8.034/1998, não constando previsão para a exclusão de encargos de depreciação relativos às rendas de arrendamento mercantil. Cientificada em 18/10/2010, fl. 134, a contribuinte apresentou em 12 do mês seguinte o recurso de fls. 135/145 no qual sustenta existência de equívoco no entendimento da decisão recorrida na medida em que a matéria não versaria sobre dedutibilidade do encargo de depreciação relativo a rendas de arrendamento mercantil do lucro real, contrariamente até mesmo ao asseverado pela autoridade lançadora, mas sim de ajustes (adições e exclusões) feitos na apuração do lucro contábil em cumprimento à determinação do BACEN, os quais não são computáveis na determinação do lucro real e que, portanto, também não devem ser computados na base de cálculo da CSLL. No mais, reprisa suas razões originárias Ao final requer o provimento do recurso, seguindose a declaração de improcedência do lançamento. É o relatório, em apertada síntese. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 13/06/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado dig italmente em 27/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000700/201031 Acórdão n.º 110300.684 S1C1T3 Fl. 172 6 Voto Vencido Conselheiro José Sérgio Gomes, Relator Observo a legitimidade processual e o aviamento do recurso no trintídio legal. Assim sendo, dele tomo conhecimento. À fl. 44 vêse cópia da Ficha 09B da Declaração de Informações Econômico Fiscais (DIPJ) do anocalendário de 2008, a qual trata dos ajustes do lucro contábil apurado no período para fins de obtenção do lucro real, base sobre a qual incidirá a alíquota do imposto de renda, e onde se verifica no rol das adições a linha 21 denominada “Despesa de Arrendamento – Insuficiência de Depreciação” e no elenco das exclusões a linha 40 intitulada “Rendas de Arrendamento – Superveniência de Depreciação”. Concluo, pois, que referida metodologia se dá justamente em atendimento ao preconizado pelo Ato Declaratório Normativo SRF/CST nº 34, de 23 de abril de 1987, que versa: I Na determinação do lucro líquido das sociedades de arrendamento mercantil deverão ser observadas as disposições da Lei nº 6.099, de 12 de setembro de 1974, com as alterações introduzidas pela Lei nº 7.132, de 26 de outubro de 1983 e o disciplinado nas Portarias MF nºs 376E, de 28 de setembro de 1976, nº 564, de 03 de novembro de 1978 e 140, de 27 de julho de 1984, permitidos os ajustes determinados pela aplicação do Plano de Contas aprovado pelo Banco Central do Brasil. II Os ajustes de que trata o item anterior, quando relacionados com fatos administrativos cuja apropriação está disciplinada pelos atos ministeriais referidos, não serão computados na apuração do lucro real e deverão ser segregados contabilmente, de forma a permitir seja determinada sua composição e o tratamento tributário a eles dispensados. III – O mencionado procedimento de ajustes não poderá alterar os efeitos tributários decorrentes da aplicação das disposições dos atos legais referidos no item I.” Conseqüentemente, a assertiva da r. decisão recorrida no sentido de que os valores glosados são indedutíveis para fins de apuração do lucro real, base de cálculo do IRPJ, não me parece correta. Quanto à Ficha 17 dessa mesma declaração, presente à fl. 45, e que diz respeito às adições e exclusões desse mesmo lucro contábil para obtenção do lucro líquido ajustado, base que serve ao crivo da CSLL, observase que dita metodologia não se encontra prevista. Portanto, desde antanho a Receita Federal já se posicionara no sentido de que para fins da contribuição social sobre o lucro não se aplica os ditames do Ato Declaratório Normativo SRF/CST nº 34, é dizer, para este tributo, contrariamente ao IRPJ, os efeitos dos Fl. 238DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 13/06/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado dig italmente em 27/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000700/201031 Acórdão n.º 110300.684 S1C1T3 Fl. 173 7 ajustes ditados pelo Banco Central do Brasil (BACEN) são computados na determinação de sua base de cálculo. O lançamento, por sua vez, bem assim a r. decisão recorrida, reiteram aquilo que a estrutura da DIPJ já informava aos contribuintes. A súplica da Recorrente, a seu turno, pugna por interpretação diversa, para que os ajustes da carteira dos contratos, impostos pelo Banco Central às sociedades de arrendamento mercantil, não sejam computados na apuração da CSLL. Eis a legislação editada pela autoridade monetária: “Plano Contábil das Instituições Financeiras COSIF, aprovado pela Circular do Banco Central do Brasil n° 1.273, de 29 de dezembro de 1987. INSUFICIÊNCIA DE DEPRECIAÇÕES Conta: 2.3.2.40.005 Função: Registrar a diferença entre o valor contábil e o valor atual dos contratos em andamento, às taxas pactuadas, quando este for menor. Quando da baixa do bem arrendado, com apuração de prejuízo com recebimento de valor residual garantido ou exercício da opção de compra pelo arrendatário, esta conta deve ser debitada pelo valor do prejuízo, em contrapartida com Bens Arrendados. SUPERVENIÊNCIA DE DEPRECIAÇÕES Conta: 2.3.2.30.008 Função: Registrar a diferença entre o valor contábil e o valor atual dos contratos em andamento, às taxas pactuadas, quando este for maior. Por ocasião da baixa do bem arrendado, com apuração de lucro, com recebimento do valor residual garantido ou exercício da opção de compra pelo arrendatário, esta conta deve ser creditada pelo valor do lucro, em contrapartida com Disponibilidades. " Circular BANCO CENTRAL DO BRASIL BACEN n° 1.429 de 20 de janeiro de 1989 (Alterar os itens 1.7.3 e 1.11.8, e incluir os itens 1.11.9.6 e 1.11.10.8, no Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional (COSIF) (......) COSIF 1.11 8. Imobilizado de Arrendamento I. Imobilizado de Arrendamento compõese dos bens de propriedade da instituição, arrendados a terceiros. 2. Os bens objeto de contratos de arrendamento são registrados no desdobramento Bens Arrendados, pelo seu custo de aquisição, composto dos seguintes valores: preço normal da operação de compra acrescido dos custos de transporte, seguros, Fl. 239DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 13/06/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado dig italmente em 27/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000700/201031 Acórdão n.º 110300.684 S1C1T3 Fl. 174 8 impostos e gastos para instalação necessários à colocação do bem em perfeitas condições de funcionamento. 3. A instituição deve abrir desdobramentos de uso interno para os subtítulos de BENS ARRENDADOS, destinados a registrar, separadamente, os bens arrendados ao amparo das Portarias MF 564/78 e 140/84. 4. A depreciação dos bens arrendados reconhecese mensalmente, nos termos da legislação em vigor, devendo ser registrada a débito de DESPESAS DE ARRENDAMENTO, subtítulo Depreciação de Bens Arrendados, em contrapartida com DEPRECIAÇÃO ACUMULADA DE BENS ARRENDADOS, a qual figura como conta retificadora do subgrupo Imobilizado de Arrendamento. 5. A escrituração contábil e as demonstrações financeiras ajustamse com vistas a refletir os resultados das baixas dos bens arrendados. Os ajustes efetuamse mensalmente, conforme segue: a) calculase o valor presente das contraprestações dos contratos, utilizandose a taxa interna de retorno de cada contrato. Consideramse, para este efeito, os Arrendamentos e Subarrendamentos a Receber, inclusive os cedidos, os VALORES RESIDUAIS A REALIZAR, inclusive os recebidos antecipadamente, e os registrados em CRÉDITOS DE ARRENDAMENTO EM LIQUIDAÇÃO; b) apurase o valor contábil dos contratos pelo somatório das contas abaixo: (+) ARRENDAMENTOS A RECEBER RECURSOS INTERNOS (+) ARRENDAMENTOS A RECEBER RECURSOS EXTERNOS (+) ARRENDAMENTOS A RECEBER EM ATRASO () RENDAS A APROPRIAR DE ARRENDAMENTOS RECEBER RECURSOS INTERNOS () RENDAS A APROPRIAR DE ARRENDAMENTOS A RECEBER RECURSOS EXTERNOS (+) SUBARRENDAMENTOS A RECEBER (+) SUBARRENDAMENTOS A RECEBER EM ATRASO () RENDAS A APROPRIAR DE SUBARRENDAMENTOS A RECEBER (+) VALORES RESIDUAIS A REALIZAR () VALORES RESIDUAIS A BALANCEAR (+) CRÉDITOS DE ARRENDAMENTO EM LIQUIDAÇÃO () RENDAS A APROPRIAR DE CRÉDITOS DE ARRENDAMENTO EM LIQUIDAÇÃO (+) BENS ARRENDADOS () VALOR A RECUPERAR () DEPRECIAÇÃ0 ACUMULADA DE BENS ARRENDADOS (+) BENS NÃO DE USO PRÓPRIO (relativos aos créditos de arrendamento mercantil em liquidação); (+) PERDAS EM ARRENDAMENTOS A AMORTIZAR () AMORTIZAÇÃO ACUMULADA DO DIFERIDO Fl. 240DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 13/06/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado dig italmente em 27/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000700/201031 Acórdão n.º 110300.684 S1C1T3 Fl. 175 9 c) o valor resultante da diferença entre "a" e "b", acima, constitui o ajuste da carteira em cada mês. 6. 0 valor do ajuste apurado conforme a letra "c" do item supra registrase por complemento ou estorno, em DESPESAS DE ARRENDAMENTO ou RENDAS DE ARRENDAMENTOS RECURSOS INTERNOS ou outra conta adequada, em contrapartida com INSUFICIÊNCIAS DE DEPRECIAÇÕES ou SUPERVENIÊNCIAS DE DEPRECIAÇÕES. (.......................................................................) 9. Para efeito de contabilização do ajuste mensal previsto no item 1.11.8.5, observase que: a) o seu registro deve ser efetuado pelo valor bruto; b) a parcela do Imposto de Renda não dedutível no período, incidente sobre os ajustes negativos, deve ser registrada em CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS IMPOSTO DE RENDA; c) a parcela do Imposto de Renda relativa aos ajustes positivos, devida em períodos subseqüentes, registrase em 8.9.4.10.006 IMPOSTO DE RENDA, em contrapartida com PROVISÃO PARA IMPOSTO DE RENDA DIFERIDO; d) o montante registrado na forma da letra "b" supra deve ser objeto de nota explicativa nas demonstrações financeiras, de forma a evidenciar seus efeitos. (......................................................................)" Como se observa, o COSIF e o BACEN determinam que através do uso das taxas pré e pósfixadas, previstas nos contratos de arrendamento, seja calculado o valor presente líquido da carteira e, concomitantemente, também seja calculado o valor contábil desses contratos, constituindo a diferença apurada desse confronto o ajuste mensal relativo à “insuficiência” ou “superveniência”. Se a diferença entre o valor presente líquido da carteira e o saldo contábil for positivo contabilizarseá receita em “Rendas de Arrendamento” e a contrapartida será na conta “Superveniência de Depreciações”. Quando negativo, será contabilizado em “Despesas de Arrendamento” contra a conta de “Insuficiência de Depreciações”. A legislação do BACEN também textualiza que o objetivo da regra de ajuste objetiva refletir os resultados das baixas dos bens arrendados, enquanto a própria Recorrente admite que o fim é a melhor demonstração dos resultados auferidos pelas empresas dedicadas ao arrendamento mercantil. Portanto, integrante da composição do resultado contábil, a partir do qual apura se a base de cálculo da CSLL, não haveria motivação suficiente para que o fluxo de despesas ou receitas derivado da aplicação dessas normas do BACEN não devesse ser levado em conta na seara do gravame em comento. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 13/06/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado dig italmente em 27/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000700/201031 Acórdão n.º 110300.684 S1C1T3 Fl. 176 10 De qualquer sorte importa sobremaneira à questão a diretriz emanada do artigo 97, inciso IV, do Código Tributário Nacional (CTN) no sentido de que somente a lei pode estabelecer a base de cálculo de tributo. Para a contribuição social sobre o lucro estipulou o legislador ordinário que a base de cálculo é o valor do resultado do exercício ou períodobase, apurado com observância da legislação comercial (Lei nº 7.689/88, art. 2º, § 1º, alínea “c”). Ainda, esse legislador estatuiu certas adições e exclusões a serem observadas (Lei nº 8.034/90, art. 2º), a saber: 1 adição do resultado negativo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; 2 adição do valor de reserva de reavaliação, baixado durante o períodobase, cuja contrapartida não tenha sido computada no resultado do períodobase; 3 adição do valor das provisões não dedutíveis na determinação do lucro real, exceto a provisão para o imposto de renda; 4 exclusão do resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; 5 exclusão dos lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; 6 exclusão do valor das provisões adicionadas na forma do item 3, que tenham sido baixadas no curso do períodobase. E em outras oportunidades legislativas, listadas a seguir, também os seguintes tópicos: 7 – adição das despesas indedutíveis (Lei nº 9.249/95, art. 13); 8 – adição de lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior (Medida Provisória nº 2.15835, art. 21); 9 – adição do valor dos lucros distribuídos disfarçadamente (Lei nº 9.532/97, art. 60); 10 – exclusão do valor das provisões técnicas das operadoras de planos de assistência à saúde, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável; 11 – adição do valor dos ajustes decorrentes de métodos de preços de transferências. Assim, a base de cálculo da contribuição é o lucro líquido do exercício ajustado por adições e exclusões expressamente previstas na legislação própria, dentre as quais não se insere o fluxo de receitas e despesas próprio das empresas de arrendamento mercantil. Como visto, não se sustenta a tese de que o IRPJ e a CSLL possuem a mesma base de cálculo. Aliás, o artigo 57 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com a redação Fl. 242DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 13/06/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado dig italmente em 27/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000700/201031 Acórdão n.º 110300.684 S1C1T3 Fl. 177 11 dada pelo artigo 1º da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, espanca de vez a hipótese quando assim definiu: Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. (grifei) Com tais razões VOTO pelo não provimento do recurso. documento assinado digitalmente José Sérgio Gomes Relator Fl. 243DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 13/06/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado dig italmente em 27/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000700/201031 Acórdão n.º 110300.684 S1C1T3 Fl. 178 12 Voto Vencedor Conselheiro Marcos Shigueo Takata, Redator Designado Presto minhas homenagens ao ilustre relator, mas peço vênia para dissentir quanto ao efeito das chamadas superveniências de depreciação e insuficiências de depreciação na determinação da base de cálculo da CSL. Bem se sabe que não há norma legal que regule o negócio jurídico de leasing, malgrado a doutrina autorizada reconheça que já se tenha tipicizado tal negócio jurídico (contrato já tipicizado – i.e., tipicidade de contrato – não se confunde com contrato típico)1. O que há é, desde a década de 70, um diploma legal que disciplina tributariamente o leasing. Houve anteprojeto de lei sobre o leasing, na esfera jurídica privada, mas que não chegou até hoje a integrar nosso ordenamento jurídico. Noutras palavras, há lei tributária sobre o leasing tão somente. É a Lei 6.099/74. Vejase o que prescrevem os arts. 1º a 4º e 12, caput, da Lei 6.099/74: Art. 1º. O tratamento tributário das operações de arrendamento mercantil regerseá pelas disposições desta Lei. Parágrafo único. Considerase arrendamento mercantil, para os efeitos desta Lei, o negócio jurídico realizado entre pessoa jurídica, na qualidade de arrendadora, e pessoa física ou jurídica, na qualidade de arrendatária, e que tenha por objeto o arrendamento de bens adquiridos pela arrendadora, segundo especificações da arrendatária e para uso próprio desta. (Redação dada pela Lei nº 7.132, de 1983) Art. 2º. Não terá o tratamento previsto nesta Lei o arrendamento de bens contratado entre pessoas jurídicas direta ou indiretamente coligadas ou interdependentes, assim como o contratado com o próprio fabricante. § 1º. O Conselho Monetário Nacional especificará em regulamento os casos de coligação e interdependência. § 2º. Somente farão jus ao tratamento previsto nesta Lei as operações realizadas ou por empresas arrendadoras que fizerem dessa operação o objeto principal de sua atividade ou que centralizarem tais operações em um departamento especializado com escrituração própria. Art. 3º. Serão escriturados em conta especial do ativo imobilizado da arrendadora os bens destinados a arrendamento mercantil. Art. 4º. A pessoa jurídica arrendadora manterá registro individualizado que permita a verificação do fator 1 Nesse sentido, Orlando Gomes, “Contratos”, 15ª ed., Rio: Forense, 1995, pp. 102, 461 a 463. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 13/06/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado dig italmente em 27/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000700/201031 Acórdão n.º 110300.684 S1C1T3 Fl. 179 13 determinante da receita e do tempo efetivo de arrendamento. Art. 12. Serão admitidas como custos das pessoas jurídicas arrendadoras as cotas de depreciação do preço de aquisição de bem arrendado, calculadas de acordo com a vida útil do bem. Notese que o dever legal de se ativar no imobilizado da arrendadora o bem objeto do arrendamento mercantil e a consequência derivada de tal ativação, que é a depreciação do bem, entre outros, é previsto sem se fazer remissão ou restrição ao lucro real. Ainda: a referida lei não versa somente sobre tributo que grava a renda ou sua expressão o lucro, alcançando tributos federais que incidem sobre a circulação, como o IPI e o II (arts. 17 e 18, da Lei 6.099/74). Acentuo aqui a amplitude do art. 1º da Lei 6.099/74 retrotranscrito. Em consonância com a extensão que ele predica, a ementa da lei também fala “Dispõe sobre o tratamento tributário das operações de arrendamento mercantil”. De mais a mais, como disse, essa lei não cuida somente de tributo sobre a renda. Nessa linha de considerações, apreciandoa em sua completude (no que se inclui a disciplina contábil nela contida) e sistematicamente com outras normas legais tributárias, ainda que a lei em comentário fizesse referência a lucro real, pareceme que, no quadro posto, o tratamento tributário não se restringiria ao IRPJ, em matéria de tributação sobre a renda (ou lucro). Quer dizer, pareceme que, diante do conteúdo e do continente dessa lei, seria despicienda outra norma legal que dissesse que o mesmo tratamento imposto pela referida lei seria aplicável à CSL. Mesmo que a Lei 6.099/74 fizesse remissão a lucro real, caberia, na hipótese, um perfeito paralelismo com a exegese extraída quanto à inaplicabilidade da “trava”de compensação de prejuízos fiscais para as bases negativas de CSL, mesmo antes do art. 41 da Medida Provisória 2.158/01 (a Lei 8.023/91 tratou da tributação de IR sobre a atividade rural da pessoa física e da jurídica). Entretanto, nem se precisa chegar a tanto no caso em dissídio, pois, como já disse, a Lei 6.099/74 não se restringiu e não se referiu a lucro real. Ou seja, embora ao tempo da edição da lei em comentário não houvesse sido criada ainda a CSL, as prescrições legais relacionadas à ativação do bem a ser arrendado no imobilizado da arrendadora e à despesa de depreciação nela não fazem referência a lucro real. Prescrições legais, repitase, de efeitos tributários. Atentese que a lei em questão, embora seja tributária, impõe o tratamento contábil, e desse decorre ou é “consequencial” a disciplina tributária prescrita. Como não ser aplicável à CSL o efeito contábil e, pois, a consequência tributária previstos na lei em questão? Por outro lado, a Instrução CVM 58/86 veio determinar o ajuste dos balanços das arrendadoras para que no ativo se tenha o efetivo valor presente do fluxo futuro das carteiras de arrendamento mercantil2. 2 Art. 2. Os balanços dos exercícios encerrados em 1986 serão ajustados, para mais ou menos, de tal forma a se ter no ativo, pela soma de todas as rubricas vinculadas às operações de arrendamento mercantil, o efetivo valor presente dos fluxos futuros das carteiras referentes a essa atividade. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 13/06/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado dig italmente em 27/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000700/201031 Acórdão n.º 110300.684 S1C1T3 Fl. 180 14 Noutras palavras, a Instrução CVM 58/86 determinou que os balanços das arrendadoras, e, por conseguinte, a demonstração de seus resultados (DRE) refletissem a essência das operações de arrendamento mercantil: o financiamento. Este é a causa do negócio jurídico de arrendamento mercantil, não obstante com financiamento não se confunda o negócio jurídico (= juridicamente o negócio não é financiamento, o qual é somente causa desse negócio). Pois bem. Como os balanços e, consequentemente, as demonstrações de resultado das arrendadoras poderiam refletir a essência do negócio de leasing que é o financiamento, diante da lei que lhes impõe a ativação do bem a ser arrendado em seu imobilizado e o registro da consequente depreciação? Noutro viés, como atender aos ditames da ICVM 58/86 sem violar as normas legais? Daí é que o Bacen, na sua esfera regulatória, criou as subcontas de superveniências de depreciação e de insuficiências de depreciação, para se buscar o resultado preconizado pela CVM, sem agredir as normas legais – normas legais tributárias. Dessa forma, quando o valor presente dos fluxos futuros de recebíveis de arrendamento segundo as taxas de juros contratuais se apresentar superior ao valor contábil (arrendamentos a receber líquido mais imobilizado menos depreciação acumulada), o Bacen determinou o registro a débito na subconta de superveniências de depreciação (subconta patrimonial), em contrapartida a crédito de receita (rendas de arrendamento mercantil). Ou seja, se o valor contábil for inferior ao valor presente dos recebíveis de leasing, “aumentase” o valor do ativo, mediante débito em superveniências de depreciação, registrandose em contrapartida uma receita, equalizandoa para uma operação de financiamento como pretendido pela CVM – que é diverso da lei tributária. Nessa hipótese, o prazo de depreciação é menor do que se a operação fosse tratada como financiamento. § 1º. O ajuste líquido do imposto de renda, será feito em 31.12.86, no ativo permanente e no patrimônio líquido e terá tratamento similar aos ajustes de exercícios anteriores. § 2º. O efeito do imposto de renda pago antecipadamente em função dos critérios fiscais de apropriação de receita será considerado na avaliação do ativo, apenas se a companhia conseguir se assegurar de sua efetiva possibilidade de recuperação. § 3º. Poderá ser apropriada ao resultado do exercício a parcela do ajuste previsto neste artigo que se referir ao exercício em curso. Art. 3º. A partir do exercício social subseqüente, os ajustes ao ativo referidos no § 1º do art. 2º desta Instrução serão efetuados tendo como contrapartida o resultado do exercício. Art. 4º. Serão informados em notas explicativas: a. os critérios de contabilização atualmente utilizados, inclusive os que provocam a necessidade dos ajustes previstos nesta Instrução por não atenderem aos princípios fundamentais de contabilidade. b. o ajuste determinado nos artigos 2º e 3º desta Instrução, evidenciando o efeito do imposto de renda se considerado no seu cômputo. c. a parcela do ajuste referido no art. 2º que caberia ao resultado do exercício de 1986, ou as razões da eventual impossibilidade de fazêlo, sendo que as sociedades de arrendamento mercantil deverão quantificar esse valor pelo menos para o 2º semestre de 1986. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 13/06/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado dig italmente em 27/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000700/201031 Acórdão n.º 110300.684 S1C1T3 Fl. 181 15 A contrario sensu, quando o valor presente dos fluxos futuros de recebíveis de arrendamento for inferior ao valor contábil, o Bacen determinou o registro a crédito na subconta de insuficiências de depreciação (subconta patrimonial), com contrapartida registrada a débito da conta de receita (rendas de arrendamento mercantil) ou a débito de despesa (se a conta de receita se revelar insuficiente à absorção de sua redução). Isto é, se o valor contábil for superior ao valor presente dos recebíveis de leasing, “diminuise” o valor do ativo, mediante crédito em insuficiências de depreciação, registrandose em contrapartida uma redutora de receita ou uma despesa, equalizandoa para uma operação de financiamento como pretendido pela CVM – que é diverso da lei tributária. O prazo de depreciação é maior do que se a operação fosse tratada como um financiamento. Com isso, mantémse observância ao prescrito pela lei. Repitase, lei tributária, lei que regula o tratamento tributário de leasing, estatuindo normas contábeis ainda que possa ser discutível no plano da política e da técnica legislativas a “ingerência” de normas tributárias no regramento contábil. Mas essas determinações do Bacen, consequenciais ou derivadas do que previu a ICVM 58/86, teriam impacto na determinação do lucro real das arrendadoras? Não. Ora, a imposição inclusive de regramento contábil deuse justamente para determinar o tratamento tributário das operações de leasing na arrendadora: prescrevendo a ativação do bem a ser arrendado no imobilizado da arrendadora (ao invés de sêla no da arrendatária), com a consequente depreciação e sua despesa nela. O que foi deduzido no parágrafo antecedente à pergunta igualmente indica essa resposta. O resultado pretendido pela CVM, e materializado através das normas infralegais do Bacen, destoa do resultado obtido segundo a estatuição da lei tributária em comentário apesar de tal dissonância se dar só temporalmente (o efeito é temporal). Daí o Bacen ter operacionalizado o resultado requerido pela CVM, por meio de um “complemento” no imobilizado da arrendadora, com manutenção do registro do bem a ser arrendado seu ativo imobilizado e do efeito da depreciação (na arrendadora). Quer dizer, sem violar a imposição da lei tributária, com atendimento ao tratamento contábil nela prescrita. Esse “complemento” são as subcontas de superveniências de depreciação (aumento do ativo imobilizado) e de insuficiências de depreciação (diminuição do ativo imobilizado, via aumento da depreciação acumulada) com suas contrapartidas, respectivamente, como receita e como redutora de receita ou despesa. Assim, conseguese o resultado de um financiamento (essência da operação de leasing), sem contrariar o que determina a lei tributária, a qual exige os registros contábeis do bem arrendado no ativo imobilizado da arrendadora e de sua depreciação: a contabilização imposta pela lei tributária não produz efeito de um financiamento conforme fluxos de taxas de juros. Sucede que, desse modo, não se elimina nem se mutila a contabilização prescrita pela lei tributária e permanece a visualização do efeito nela previsto com seu regramento contábil: mediante o “expurgo” dos ajustes (o referido “complemento” de superveniências de depreciação e sua contrapartida em conta de resultado – receita e de Fl. 247DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 13/06/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado dig italmente em 27/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000700/201031 Acórdão n.º 110300.684 S1C1T3 Fl. 182 16 insuficiências de depreciação e sua contrapartida em conta de resultado – conta redutora de receita ou conta de despesa). Como já disse, o negócio jurídico de arrendamento mercantil não é financiamento, a causa desse negócio jurídico é um financiamento (leasing financeiro). A lei tributária prescreve tratamento do leasing na arrendadora diverso a de um financiamento – por isso as normas do Bacen preveem ajustes, “complementando” a contabilização imposta pela lei, para que o balanço e a demonstração de resultado da arrendadora reflita um financiamento segundo fluxo de juros contratuais. Para obtenção de resultado de um financiamento a lei teria de prever a ativação do bem a ser arrendado no imobilizado da arrendatária, e não da arrendadora. Diante disso tudo que expus, só posso concluir pela legalidade da interpretação dada pelo Ato Declaratório (Normativo) CST 34/873, ao reconhecer que os ajustes determinados pelas normas do Bacen não podem interferir na determinação do lucro real das arrendadoras. É de se relembrar ainda as considerações que fiz sobre: a) a amplitude do art. 1º da Lei 6.099/74 e, pois, dessa lei; b) a não referência da referida lei a lucro real; c) a interpretação extraível ainda que a Lei 6.099/74 fizesse remissão a lucro real, apreciando a lei em sua completude e sistematicamente com outras normas legais tributárias; d) as regras contábeis prescritas à arrendadora, com efeitos tributários “consequentes” à contabilização imposta (até porque a lei é tributária). Após essas reflexões, só posso atinar com a interpretação de que o regramento contábil e o consequente tratamento tributário previstos na Lei 6.099/74 são aplicáveis igualmente à CSL. Portanto, os ajustes de superveniência de depreciação como os de insuficiências de depreciação, embora afetem o resultado da arrendadora, não geram efeitos tributários. Identidade de razões, portanto, para se reconhecer que a interpretação dada pelo Ato Declaratório (Normativo) CST 34/87 é igualmente correta para a CSL: os ajustes 3 I Na determinação do lucro líquido das sociedades de arrendamento mercantil deverão ser observadas as disposições da Lei nº 6.099, de 12 de setembro de 1974, com as alterações introduzidas pela Lei nº 7.132, de 26 de outubro de 1983 e o disciplinado nas Portarias MF nºs 376E, de 28 de setembro de 1976, nº 564, de 03 de novembro de 1978 e 140, de 27 de julho de 1984, permitidos os ajustes determinados pela aplicação do Plano de Contas aprovado pelo Banco Central do Brasil. II Os ajustes de que trata o item anterior, quando relacionados com fatos administrativos cuja apropriação está disciplinada pelos atos ministeriais referidos, não serão computados na apuração do lucro real e deverão ser segregados contabilmente, de forma a permitir seja determinada sua composição e o tratamento tributário a eles dispensados. III – O mencionado procedimento de ajustes não poderá alterar os efeitos tributários decorrentes da aplicação das disposições dos atos legais referidos no item I. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 13/06/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado dig italmente em 27/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000700/201031 Acórdão n.º 110300.684 S1C1T3 Fl. 183 17 determinados pelas normas do Bacen não podem interferir na determinação da base de cálculo da CSL. Aqui, teria de haver norma legal afastando o regramento contido na Lei 6.099/74 à CSL para que a essa fosse inaplicável tal regramento. É o contrário do que sucede com as normas legais que fazem remissão a lucro real, em que é mister que a mesma norma legal se refira à base de cálculo da CSL, ou que normas concomitantes ou supervenientes estendam o mesmo tratamento para a apuração da base de cálculo da CSL (quanto a adições ao lucro líquido na determinação da base de cálculo da CSL: o art. 2º, § 1º, “c”, “1” a “3”, da Lei 7.689/88; art. 1ºA da Lei 8.685/93 incluído pela Lei 11.437/06; os arts. 13, 21, 22 e 24, § 2º, da Lei 9.249/95; o art. 1º, § 3º, da Lei 9.316/96; o art. 28 da Lei 9.430/96; os arts. 11 e 60, da Lei 9.532/97; os arts. 21 e 74, da Medida Provisória 2.158/01; o art. 4º da Lei 11.053/04; os arts. 19A, § 3º, 37, § 4º, da Lei 11.196/05; o art. 1º, § 2º, da Lei 11.438/07; o art. 31, § 1º, da Lei 11.727/08; o art. 20, caput, da Lei 11.941/09; os arts. 24 a 26, da Lei 12.249/10). Enfim, com a devida vênia ao nobre relator, diante do que e como dispõe a Lei 6.099/74, não vejo como se possa deixar de reconhecer que os efeitos das superveniências de depreciação (e das insuficiências de depreciação) possam afetar a determinação da base de cálculo da CSL. Sob essa ordem de considerações e juízo, dou provimento ao recurso. É o meu voto. assinado digitalmente Marcos Takata – Redator Designado Fl. 249DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 13/06/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado dig italmente em 27/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10768.006070/00-91
Turma: Terceira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Sep 01 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Sep 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
Ementa: IRPJ REGIME DE RETENÇÃO NA FONTE. ANTECIPAÇÃO
DO IMPOSTO APURADO PELO LUCRO REAL ANUAL. Comprovada a
retenção na fonte de imposto de renda sobre receita integrante do lucro real,
deve-se ratificar o ti atamento de antecipação do IRPJ apurado pelo regime do
lucro real anual dado na contabilidade da pessoa juridica.
Numero da decisão: 1103-000.299
Decisão: Acordam Os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso para reconhecer o crédito do contribuinte no valor de R$ 381.246,55, nos ter,ps dp relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: ALOYSIO JOSÉ PERCINIO DA SILVA
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Ano-calendário: 1999 Ementa: IRPJ REGIME DE RETENÇÃO NA FONTE. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO LUCRO REAL ANUAL. Comprovada a retenção na fonte de imposto de renda sobre receita integrante do lucro real, deve-se ratificar o ti atamento de antecipação do IRPJ apurado pelo regime do lucro real anual dado na contabilidade da pessoa juridica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam Os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer o credito do contribuinte no valor de R$ 381.246,55, nos termos do relatório e voto q integram o presente julgado. ALOYSIO '0 DA -SILVA- Presidente e Relator EDITADO EM: 1 0 NOV 2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Aloysio Jose Percinio da Silva (Presidente), Mario Sergio Fernandes Barroso, Hugo Correia Sotero, Gervásio Nicolau Recktenvald, Marcos Shigueo Takata e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (Conselheiro Substituto Convocado). Relatório Supergasbrds Distribuidora de Gás dirige recurso voluntário a este colegiado visando a obter reforma do Acórdão 8.71512005 (fls 938), da 9" Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro/I-RJ, que deferiu parcialmente pedido de restituição e compensação de saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 1229.942,21, apurado no ano-calendário 1999 e informado na DIPJ/2000 (fls.. 118). Após complementação da instrução dos autos em conseqüência de duas intimações expedidas pela DRJ à interessada (lis 274 e 739), a turma julgadora deferiu parcialmente o pedido, reconhecendo procedente o valor de R$ 2:715_382,28. A negativa da parcela restante foi assim fundamentada: "70. Quanto aos demais impostos de renda retido na fonte pleiteados pelo contribuinte, mister se faz ressaltar que incumbe a interessada comprovar a existên- cia e a exatidão dos seus créditos tributários a compensar, não cabendo à SRF o ônus da prova quando se trata de solicitação de reconhecimentos de créditos para fins de compensação de tributos e contribuições; 71 0 comprovante de arrecadação aposto as Os 752, no valor de R$ 381 246,55, foi recolhido sob código 3317 que tem a denominação de ERN — Renda Variável, logo por não ser IRRF, nem, tampouco, o contribuinte ter apresentado informações sobre este recolhimento, mesmo sendo intimado para tal, a teor do item 1 da 'Entimação de lIs 739, este valor foi desconsider ado; 72. Não há informações, nem por parte da impugnante nem por parte da fonte pagadora, do IRRF relativo ao "Mútuo Qualival" no valor de R$ 15..783,18, sendo por isso desconsidetado; 73. 0 IRRE retido pelos Órgãos Públicos, no valor de R$ 54.021,89, também não lei aceito, visto que a defendente, embora intimada pela DRJ, As fls. 739 item 1, a indicar as contas contábeis que receberam os rendimentos que deram origem ao IRRE, manteve-se silente; 74. Ante todo o exposto, a teor do art 231, inciso III do RIR199, que prevê no cálculo do saldo a pagar de IRPJ a compensação do IRRF computado na determinação do lucro real, o valor de imposto de renda retido na fonte a ser deduzido do imposto apurado no período 6 de R$ 1346.804,14;" O acórdão, colhido por unanimidade de votos, recebeu a seguinte ementa: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1999 Ementa: PEDIDO DE DILIGÊNCIA. A realização de diligencia fica a critério da autoridade julgadora que poderá indeferir quando entendê-la prescindível ou impraticável, notadamente quando as dúvidas surgidas nos autos puderem set esclarecidas por meio de intimações diretas ao contribuinte Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPT Ano-calendário: 1999 Process() n" 10768 006070/00-91 SI-C1T3 Acárao n 0 110340.299 Fl 2 Ementa: RESTITUIÇÃO DEPOSITO JUDICIAL Deve- se reconhecer o dirtito creditório que se origina de depósitos judiciais, se estes se transformaram em renda para a União, garantindo liquidez e certeza aos eventuais indébitos_ RESTITUIÇÃO. PROVA IR.RE O direito creditório decorrente da dedução do TRW' deve ser reconhecido, se existem nos autos as provas da efetiva retenção de imposto de renda pela fonte pagadora DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO SALDO CREDOR DE IRPT HOMOLOGADA. ATE O LIMITE DO CREDITO ORA RECONHECIDO Comprovada parcialmente pela pessoa juridica tributada com base no lucre real, optante pelo pagamento do imposto de renda calculado por estimativa, a existência de saldo negativo de deve ser defetido este valor como direito creditorio e homologada a compensação solicitada até o limite deste crédito" Cientificada da decisão de primeiro grau em 27/01 12006 (fis, 973), a interessada protocolizou o recurso no dia 24 do mês seguinte (fls. 974), no qual contestou apenas a rejeição do valor de R$ 381.246,55 recolhido sob o código 3317, relativo a IRPJ — Renda Variável, referido no § 71 da decisão refutada, silenciando quanto às demais parcelas indeferidas. No seu modo de ver, com o advento do art. 76, caput, .1 e § 2', da Lei 8.981/95, o rendimento de aplicações financeiras, de renda fixa ou variável, passou a integrar o lucro real e o imposto recolhido se transformou em compensavel com o devido ao final do período de apuração. Destacou que tal compensação não se restringe ao imposto retido na fonte, também alcança aquele pago em separado sobre as aplicações financeiras de renda variável. Informou ter obtido ganho de R$ 3_816,000,00 com aquisição de posições no mercado futuro de dólar para a realização de operações de hedge cambial com swap de moedas, sobre o qual recolheu o imposto discutido. Assegurou que a receita sobre a qual incidiu o imposto foi oferecida tributação, Juntou copia do razão analítico (fls. 989/998) e de fichas da DIPJ (fls. 1.000/1 004)_ Ao final, concluiu: "Por todo o exposto, a Recorrente requer a V Sas que se dignem conhecer e dar provimento ao presente Recurso, reformando a r decisão, no que diz respeito ao item 71, em todos os aspectos abordados na presente peça recursal para efeito de homologar o crédito tributário decorrente do recolhimento de Imposto de Renda sob o código 331 7, por ser medida de inteira JUSTIÇA" Os autos foram enviados à unidade de origem para realização de diligência determinada mediante a Resolução n" 103-01.863/2007 (fis_ 1 006), retornando para 3 prosseguimento do julgamento com os esclarecimentos prestados pela reconente (fls. 1:021) e os documentos que os acompanharam (fls 1 024/1.068).e as informações contidas no relatório de diligencia (tls. 1.069 ). A contribuinte não se manifestou a respeito das conclusões da autoridade o relatório, 4 Processo e 10768 006070/00-91 S1-C113 AcOrcifio ti 1103-00,299 Fl 3 Voto Conselheiro ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA, Relator O recurso é tempestivo e tame as demais condições para sua admissibilidade. Conforme relatado, dos valores negados, a recorrente se insurgiu contra a parcela de R$ 381.246,55, recolhida sob o código 3317, relativa a IRPJ — Renda Variável, referida no § 71 da decisão refutada, silenciando quanto As demais parcelas indeferidas. No primeiro exame que fiz nos autos, na condição de relator, ainda na Terceira Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, identifiquei fortes indícios que corroborariam as alegações da recorrente, conforme expus no voto condutor da Resolução 103-01.863/2007 (fls. L006). Tendo em vista os indícios descritos na referida resolução, os autos foram devolvidos à unidade de origem para verificação nos assentamentos contábeis da recorrente do reconhecimento contábil da receita (R$ 1816.000,00) e do imposto correspondente, supostamente recolhido sob código 3317 (RS .38L246,55), fis. 752. Realizado o procedimento, a autoridade fiscal constatou o reconhecimento contábil da receita e do imposto, conforme consignado no relatório de diligencia (fls. 1..069): "Analisando os documentos entregues, cópia do razão analítico (fls. 1024); Copias da página do Livro Diário (fls. 1025/1027); copia do Balancete analítico (Hs.. 1056/1068) e copia do razão analítico -- Banco Votorantin, pode-se concluir que o valor de R$ 3 816.000,00 a título de receita e o imposto correspondente no valor de R$ 381.246,55 foram devidamente contabilizados:" Assim, tendo em vista a regular contabilização da receita e do correspondente imposto na fonte, ambos computados na apuração do lucro real, deve ser reconhecido o direito creditório alegado no recurso. Conclusão Pelo exposto, dou provimento ao recurso voluntário para reconhecer o crédito do contribuinte no valor de R$ 81.246,- /--- ALOYSIO R PEIM DA SILVA 5
score : 1.0
Numero do processo: 11065.100882/2007-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Período de apuração: 01/04/2005 a 30/11/2005
LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. PROVA PERICIAL.
INDEFERIMENTO. Nos termos do artigo 29, do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária. TAXA SELIC E MULTA. LEGALIDADE. Não há que se falar em inconstitucionalidade ou ilegalidade na utilização da taxa de juros SELIC para aplicação dos acréscimos legais ao valor originário do débito, já que
encontra amparo legal no artigo 34 da Lei nº 8.212/91. Incide multa de mora sobre as contribuições previdenciárias não recolhidas no vencimento, de acordo com o artigo 35 da Lei nº 8.212/91 e demais alterações. INCONSTITUCIONALIDADE
NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE NÃO CONHECIMENTO. De acordo com os artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2 deste mesmo órgão, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação
vigente, por extrapolar os limites de sua competência.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-002.212
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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ementa_s : Período de apuração: 01/04/2005 a 30/11/2005 LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. Nos termos do artigo 29, do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária. TAXA SELIC E MULTA. LEGALIDADE. Não há que se falar em inconstitucionalidade ou ilegalidade na utilização da taxa de juros SELIC para aplicação dos acréscimos legais ao valor originário do débito, já que encontra amparo legal no artigo 34 da Lei nº 8.212/91. Incide multa de mora sobre as contribuições previdenciárias não recolhidas no vencimento, de acordo com o artigo 35 da Lei nº 8.212/91 e demais alterações. INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE NÃO CONHECIMENTO. De acordo com os artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2 deste mesmo órgão, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Período de apuração: 01/04/2005 a 30/11/2005 LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. Nos termos do artigo 29, do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária. TAXA SELIC E MULTA. LEGALIDADE. Não há que se falar em inconstitucionalidade ou ilegalidade na utilização da taxa de juros SELIC para aplicação dos acréscimos legais ao valor originário do débito, já que encontra amparo legal no artigo 34 da Lei nº 8.212/91. Incide multa de mora sobre as contribuições previdenciárias não recolhidas no vencimento, de acordo com o artigo 35 da Lei nº 8.212/91 e demais alterações. INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE NÃO CONHECIMENTO. De acordo com os artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2 deste mesmo órgão, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 53DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire; Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira; Kleber Ferreira de Araújo; Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Marcelo Freitas de Souza Costa. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11065.100882/200759 Acórdão n.º 240102.212 S2C4T1 Fl. 53 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, lavrada contra o contribuinte acima identificado, referente às contribuições devidas pelos segurados empregados e contribuintes individuais arrecadadas pela empresa mediante desconto das respectivas remunerações e não recolhidas à Previdência Social, no período compreendido pelas competências de abril de 2005 a novembro de 2005. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 19/20, empresa deixou de recolher as contribuições previdenciárias devidas pelos segurados empregados e contribuintes individuais, descontadas das respectivas remunerações e arrecadadas pela empresa, mas não recolhidas à Previdência Social, apurado através de folhas de pagamento, com declaração em GFIP. Inconformada com a decisão de fls. 38/41, a empresa apresentou recurso alegando em síntese: Inicialmente solicita a realização de perícia técnica para fazer a apuração da existência do débito na forma apontada pela fiscalização. Defende que os valores apresentados como devidos são exagerados, porquanto se encontra majorado abusivamente em razão da incidência de multa e juros; Diz que merece também reforma a decisão ora recorrida, em razão de que o Auto de Infração apresenta equívocos no dimensionamento do pretendido crédito tributário, porquanto a multa administrativa que foi imposta além de exagerada é indevida; Entende que, admitindose, apenas por força de argumentação e hipótese, fosse a referida multa reconhecida como devida, a mesma devia ser reduzida para no máximo 20% do valor principal, consoante estabelece o artigo 106, II, CNT; Que considerase totalmente inconstitucional a aplicação da taxa SELIC como indexador na atualização do aludido crédito; Cita decisões do Superior Tribunal de Justiça para amparar sua tese. Por fim, requer o provimento do recurso, tornando insubsistente o crédito em questão, principalmente em relação a multa juros incidentes, bem como determinando a feitura de perícia para apuração dos valores efetivamente devidos, sob pena de configurar cerceamento de defesa, afastandose a taxa SELIC como indexador do aludido crédito. É o relatório. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa O pedido de perícia técnica solicitado pela recorrente não merece acolhimento, já que, não faz prova ou indica qual omissão que o julgador atacado teria incorrido, capaz de ensejar a preterição do seu direito de defesa. O julgador deve adentrar às questões mais importantes suscitadas pela recorrente, decidindo de forma fundamentada e congruente, para que sua decisão tenha plena validade. A documentação constante do processo serve para formar a convicção do julgador, podendo interpretála da forma que melhor entender, refutálas ou desconsiderálas, de acordo com sua convicção, conquanto que de forma fundamentada. Vejamos o que consta no art. 29 do Decreto 70.235?72: Do Julgamento em Primeira Instância [...] Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias.” A recorrente não atendeu os requisitos para concessão da perícia, inscritos no artigo 16, inciso IV, do Decreto 70.235/72, a autoridade recorrida já tinha formado sua convicção no sentido de manter o lançamento fiscal com base nos demais documentos constantes dos autos, sendo desnecessária a produção de prova pericial. O artigo 38, § 2º da Lei nº 9.784/99 c/c o artigo 16, inciso IV, § 1º do Decreto 70.235/72, in verbis, é bastante claro neste sentido, senão vejamos: “Lei 9.784/99 Art. 38. [...] § 2º Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou pretelatórias.” “Decreto 70.235/72 Art. 16. [...] IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim Fl. 56DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11065.100882/200759 Acórdão n.º 240102.212 S2C4T1 Fl. 54 5 como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito; § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16.” Alega a Recorrente que recolheu todas as contribuições devidas, não podendo ser autuada pela fiscalização, sem, contudo, apresentar nenhuma documentação capaz de comprovar que os valores lançados não condizem com a verdade. Reconhecidamente e na dinâmica legal processual o ônus da prova cabe a quem alega. E mais, de conformidade com a legislação tributária e previdenciária, é dever do contribuinte apresentar todos os recolhimentos, quando requerido pela fiscalização. Como se vê da impugnação, bem como do recurso aviado, estes não foram acompanhados com dos documentos imperiosos assaz de comprovar o recolhimento. Todavia, das peças frias dos autos vêse que houve o fato gerador, razão pela qual não merece guarida o frágil argumento de defesa. JUROS, MULTA E TAXA SELIC Quanto a desejada exclusão dos juros e multa, e da dita ilegalidade na aplicação da taxa SELIC, não assiste razão a Recorrente, porque a fiscalização não inventou as suas aplicações. Ao contrário, é determinação da legislação previdenciária. Nesse sentido, o art. 35 da Lei n ° 8.212/1991 dispõe que a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso, verbis: “Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (..)” Também, mister se diga que não caráter de confisco a exigência da multa moratória, já que a legislação prevê no art. 35 da Lei n ° 8.212/1991 o caso de não recolhimento em tempo certo. Em não sendo recolhido no tempo adequado, o contribuinte ‘atrasado’ tem que honrar com a sua desídia ou outra razão qualquer, que não importa ao fisco. Mas, o certo é que, tal exigência serve para não permitir a agressão ao principio da isonomia, tão bem defendida pela Carta Cidadã, uma fez que o contribuinte que não recolher no prazo fixado, não pode ter o mesmo tratamento daquele outro que cumpri regularmente as suas obrigações fiscais. Quanta as ditas aplicações ilegais dos juros, urge verificar que a sua utilização está disciplinada no artigo 34, da Lei n.º 8.212/91: “Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Fl. 57DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97. A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei nº 8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei)” Em 18 de setembro de 2007 o Segundo Conselho de Contribuintes aprovou a SÚMULA Nº 3, com o seguinte teor, que põe uma pá de cal na argumentação defensiva, ‘ex vi’: “SÚMULA Nº 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais.” E, também é correta a aplicação da taxa SELIC como juros de mora, com base na inteligência do artigo 34, da Lei nº 8.212/91, e bem assim da multa moratória, nos termos do artigo 35, do mesmo Diploma Legal. De atualização monetária, urge dizer que há extinção para os fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1995, conforme a Lei n.º 8.981/95. Sendo assim, não há dúvida que, em caso de inadimplência com o fisco, o sujeito passivo é devedor do principal com os acréscimos legais na forma da legislação hodierna, Lei 9.430/96, artigo 61, se mais benéfica ao contribuinte. ‘Ex vi’ artigo em tela: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento Além do mais, não devem ser analisadas por este colegiado, as alegações de inconstitucionalidade ou ilegalidade de Leis, vez que, que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade de normas legais. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11065.100882/200759 Acórdão n.º 240102.212 S2C4T1 Fl. 55 7 A Portaria MF nº 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, é bem clara neste sentido, impossibilitando o afastamento de leis, decretos, atos normativos, dentre outros, a pretexto de inconstitucionalidade ou ilegalidade, nos seguintes termos: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993.” Também é esse o entendimento contido na Súmula CARF nº 02, que assim estabelece: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Ante ao exposto, VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO e no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 59DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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