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Numero do processo: 14033.000224/2005-61
Data da sessão: Wed May 27 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed May 27 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 1802-000.002
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, Converter o julgamento em diligência para que se verifique a totalidade de recolhimentos, a titulo de estimativa, referentes ao ano-calendário de 2002, apurando-se, por decorrência, o valor do
saldo de IRPJ a pagar, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: ROGERIO GARCIA PERES
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Recorrida 4a TURMA DRJ/ BRASÍLIA/DF Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, Converter o julgamento em diligência para que se verifique a totalidade de recolhimentos, a titulo de estimativa, referentes ao ano-calendário de 2002, apurando-se, por decorrência, o valor do saldo de IRPJ a pagar, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.. Adriana Gomes Rijo — Presidente eles -Relator • Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Cheryl Bemo, Ester Marques Lins de Sousa, Adriana Gomes Rego(Presidente) e Rogério Garcia Peres. Rogéri EDITADO EM:EDITADO EM: 2 Processo if 14033.000224/2005-61 CCO I/T93 Resolução n.° 1802-00.002 Fl 2 Relatório Com a finalidade de privilegiar o princípio da celeridade processual adotamos o relatório proferido pela 4a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília — DF: "Cuidam os autos de Pedido de Ressarcimento ou Restituição — Declaração de Compensação — PER/DCOMP de crédito resultante de pagamento a maior de IRPJ — Estimativa Mensal, mês de março/2002, no valor de R$ 1.109.387,47, com débito próprio de IRPJ - Estimativa, mês de janeiro/2003, no mesmo valor. Irresignado com o "decisum" denegatório da instância "a quo", o interessado oferece manifestação de inconformidade, às folhas 19/25, alegando, em resumo, que: O Despacho Decisório deve ser reformado dado que houve equívoco na Declaração de Compensação quando se fez referência à importância paga a maior em abril de 2002, alusiva ao IRPJ-estimativa de março/2002, no valor de R$ 1.109.387,47, e não ao saldo negativo do IRPJ do ano-base de 2002, exercício de 2003, no valor de R$ 122.283.919,50; Afinal, a compensação foi realizada com observância da tese adotada pela r. Decisão recorrida, pois a Eletrobrás somente utilizou o valor recolhido a maior após o término do exercício, para a compensação do IRPJ devido em janeiro do ano seguinte, quando já estava formado o saldo negativo do IRPJ do ano-base anterior; E, mero equívoco formal de referência na Declaração de Compensação não tem o poder de suprimir o direito do contribuinte à compensação." Ao analisar a defesa do Recorrente, 4" Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília — DF, indeferiu a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente. Inconformada com a decisão referida acima, o Recorrente, interpôs recurso voluntário (fls. 68 a 82), sustentando, em síntese, que: i) atendeu a exigência contida no art.10 da Instrução Normativa SRF 460/2004; ii) não há necessidade de retificação da PER/DCOMP para a compensação efetivada; iii) a exigência fiscal é descabida, pois a Recorrente já recolheu a totalidade do IRPJ relativo ao ano-base 2003, nada mais sendo devido ao Fisco e iv) a prevalência do princípio da verdade material supera eventual erro material no preenchimento da DIPJ e da PER/DCOMP. É o relatório Processo n° 14033.000224/2005-61 Resolução n.° 1802-00.002 CC01/T93 Fl, 3 Voto Conselheiro ROGÉRIO GARCIA PERES, Relator O recurso é tempestivo e dele torno conhecimento. Não há argüição de qualquer preliminar. No mérito, analisando os autos verifico que conforme DIPJ de folha 100 o valor devido a título de estimativa de IRPJ referente ao período de apuração de março de 2002 é de R$ 7.073.746,15, sendo que o recolhimento a esse título é de R$ 8.183.133,62. Em primeira análise a Recorrente recolheu indevidamente o montante de R$ 1.109.387,47 o qual foi compensado no Per/Dcomp objeto desse processo administrativo. A autoridade fiscal no despacho decisório alega que o correto seria compensar recolhimentos a maior de IRPJ na forma de saldo negativo e somente com débitos de exercícios seguintes. Desta forma, para a solução da questão, é necessário que se comprove a existência de crédito tributário. Logo, torna-se necessária a comprovação da totalidade dos recolhimentos efetuados a título de estimativa, referentes ao ano-calendário 2002, bem como a existência de Saldo Negativo suficiente à compensação objeto do presente processo. Ante o exposto, converto o julgamento em diligência para que se verifique a totalidade de recolhimentos, a título de estimativa, referentes Ao ano-calendário de 2002, apurando-se, por decorrência, o valor do saldo de IRPJ a pagar. Brasília (DF),\em \7 de maio de 2009 Rogépo Gaiá PeYes 3
score : 1.0
Numero do processo: 10855.001413/2003-65
Data da sessão: Mon Apr 05 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 1802-000.010
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Numero do processo: 12466.000304/94-32
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 1997
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 1997
Ementa: CLASSIFICAÇÃO - RECURSO DE OFÍCIO.
Confirmado que o veículo em tela atende às especificações do Ato
Declaratório COSIT/ADN n° 32/93, negado provimento ao recurso.
Numero da decisão: 301-28.535
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de Oficio, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: MOACYR ELOY DE MEDEIROS
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ementa_s : CLASSIFICAÇÃO - RECURSO DE OFÍCIO. Confirmado que o veículo em tela atende às especificações do Ato Declaratório COSIT/ADN n° 32/93, negado provimento ao recurso.
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Numero do processo: 10980.007252/2003-88
Data da sessão: Thu Oct 01 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Oct 01 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 1802-000.008
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligencia, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: DCTF_IRPJ - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (IRPJ)
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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I '--. - '"'•-• - " MINISTÉRIO DA FAZENDA:-....ri . • • ... f', . - '.. • -' - CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS :?:-,.^^A • . _ , PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10980007252200388 Recurso n° 166046 Resolução n0 1802-00.008 - Turma Especial /2' Turma Especial Data 01/10/2009 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente KOLAFIT INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA Recorrida 2 TURMA DA DRJ CURITIBA/PR Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligencia, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. . ,— .______..-- ,.-i,,--:------------- _,---- '_tER. MARQUES -LINS D SOUS - Pres nte e Relatora. ,---,-, -- EDITADO EM: e 4 NOV 2009 7.----', _.. Participaram da sessão de/pliamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente da Turma), João Fr isco Bianco (Vice-Presidente), José de Oliveira Ferraz Corrêa, Leonardo Lobo de Al * a, Nelso Kichel (Suplente) e Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. ... . i 1 Processo n° 10980007252200388 81-TE02 Resolução n.° 1802-00.008 Fl. 2 Relatório A empresa autuada acima identificada, recorre a este colegiado da decisão de primeira instância, r Turma/ DRJ/Curitiba/PR, que julgou procedente o lançamento constante do Auto de Infração, e por conseqüência manteve o crédito tributário, relativo ao Imposto Sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza, no valor de R$ 12.375,32, acrescido de 75% de multa de oficio e juros moratórios. O lançamento decorre dos fatos descritos no Auto de Infração, fls.12/19, por falta de pagamento ou pagamento não localizado, em relação aos débitos declarados em DCTFs, referentes ao segundo, terceiro e quarto trimestres de 1998. A empresa foi cientificada da decisão proferida mediante o Acórdão n° 06- 16.294 - 2' Turma DRJ/Curitiba/PR, de 06/12/2007, fls.31/33, conforme Aviso de Recebimento (AR), fl.37, em 21/01/2008, e protocolizou Recurso ao Conselho de Contribuintes, em 14/02/2008, fls.45/54, alegando, preliminarmente a decadência em relação ao fato gerador ocorrido no primeiro trimestre de 1998, ou seja, em 31/03/98, tendo em vista que, fora cientificada do Auto de Infração, somente 21/07/2003, conforme Aviso de Recebimento (fl.27). Quanto ao mérito, às fls.50/52, alega ser indevido o débito exigido em relação aos referidos trimestres de 1998, com apuração do IRPJ e CSLL, com opção de tributação pelo lucro presumido, diante dos seguintes fatos: SEGUNDO TRIMESTRE: Débito declarado em DCTF, igual aoValor exigido no Auto de Infração: R$ 5.637,40 Valor Pago = R$ 5.637,40 ( 4.040,22 + 1.597,18, conforme DARFs, fls.08 e 09). TERCEIRO TRIMESTRE: Débito declarado em DCTF = R$ 4.876,25, igual ao valor pago (DARF, fl.09) QUARTO TRIMESTRE: Débito declarado em DCTF, igual ao Valor exigido no Auto de Infração: R$ 5.233,77 Valor pago = R$ 5.126,21 (4.057,13 + 1.069,08, DARFs, fls.10 e 11). Diferença exigível : R$ 107,56 É o Relatório. 2 Processo n° 10980007252200388 S1-TE02 Resolução n.° 1802-00.008 Fl. 3 VOTO O recurso voluntário, apresentado em 14/02/2008, é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972 e alterações posteriores, portanto, dele conheço. Compulsando-se os autos constata-se a existência dos DARFs elencados pela Recorrente em relação aos débitos ditos declarados em DCTFs. Por todo o exposto, VOTO pelo encaminhamento do presente processo à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba/PR, para, juntar cópia das DCTF(s), relativas aos trimestres de 1998 e informar sobre os débitos lançados no Auto de Infração, diante dos DARFs apresentados como prova de pagamento dos débitos declarados em DCTF. Finalmente, elaborar relatório circunstanciado para comprovar a consistência do Auto de Infração, diante das informações pertinentes às DCTFs e DARFs apresentados pelo contribuinte. É como voto. _ -----------....................„.„..„/". ._ Re . ora ETER MAR* :4:40 -- S D : OUSA (.......„..„----"*". 1 1 77„,-- /,.. .•, - — 3 1 1 _. _
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Numero do processo: 10552.000110/2007-63
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/1996 a 31/07/2005
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional.
MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA.
ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Numero da decisão: 2403-000.760
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, Nas preliminares, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência das competências até 05/2001 com base no art. 150 § 4º do CTN. No mérito, por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte; revisão do lançamento R13 conforme disposto no voto. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Nas preliminares, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência das competências até 05/2001 com base no art. 150 § 4º do CTN. No mérito, por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte; revisão do lançamento R13 conforme disposto no voto. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 624DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Presidente/Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhaes Peixoto, Cid Marconi Gurgel de Souza e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 625DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10552.000110/200763 Acórdão n.º 240300.760 S2C4T3 Fl. 615 3 Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contara decisão da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre, Acórdão n.° N° 10.18.159 8ª Turma da DRJ/POA., que, acatando a preliminar de decadência (artigo 173 CTN), julgou procedente em parte o lançamento consubstanciado na NFLD DEBCAD n° 35.912.1896 de 08 de junho de 2006, mantendo o crédito tributário de R$ 792.024,08 (setecentos e noventa e dois mil e vinte e quatro reais e oito centavos), conforme Discriminativo Analítico do Débito Retificado. Consta do relatório apresentado pela DRJ a seguinte descrição dos fatos: Tratase de crédito previdenciário lavrado contra a empresa Clonex Produtos e Sistemas de Limpeza Ltda, em virtude do não recolhimento, em época própria, de contribuições devidas à Seguridade Social. 0 Relatório Fiscal, As folhas 184 a 196, informa que constituíram fatos geradores do lançamento os salários pagos aos empregados, as remunerações dos contribuintes individuais e os pagamentos a empresas contratadas para o fornecimento de mãodeobra ou empreitada. Segundo informa o relatório, os valores apurados como devidos referemse as seguintes contribuições: a) contribuições devidas pelos segurados empregados e os contribuintes individuais, com observância do limite máximo do salário de contribuição. Valores não descontados das remunerações; b)contribuições da empresa incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais; c) contribuições da empresa para o financiamento do beneficio concedido em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas devidas ou creditadas aos segurados empregados; d) valores retidos ou que deveriam ter sido retidos pela empresa, incidentes sobre o valor de NF/Faturas de prestação de serviços, ou recibo de prestação de serviços tomados mediante cessão de mão de obra ou empreitada; e) contribuições para outras entidades/fundos (FNDE — Salário Educação, INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE) incidentes sobre as remunerações dos empregados. Os valores apurados como devidos foram identificadas por meio dos levantamentos relacionados no item 06 do relatório, reproduzidos a seguir: Levantamento DAL — Diferença de Ac. Legais — Recolhimentos efetuados pela empresa, por meio de GPS, em atraso com acréscimos legais (juros/multa) menores do que os efetivamente devidos. Fl. 626DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Levantamentos LO1 Folha antes de GFIP (matriz e filial CNPJ 94.285.426/000263) e L02 Fol. Pag. Declarado GFIP — (matriz e filial CNPJ 94.285.426/000425) Referemse as contribuições incidentes sobre as remunerações constantes nas folhas de pagamentos e nos recibos de Rescisões de Contrato de Trabalho de empregados. Levantamento L03 Sal. Maternidade Declarado em GFIP contribuições incidentes sobre os valores pagos a titulo de salário maternidade declarados em GFIP registrado nas folhas de pagamentos nas seguintes rubricas: Cód. 047 Comissões S/Saldrio Maternidade, Cód. 212 Rep. R. Com . Sal. Mat. PG. INSS, Cód. 262 — Sal. Maternidade Mês Anterior, Cód. 268 Dias Sal. Mat. Pago INSS, Cód. 269 — Adc. INS. S/Sal. Mat. Pg. INSS, Cód 278 Sal. Mater. Pago INSS, Cód. 441 Qüinqüênio Sal. Mat. INSS. Os valores foram pagos pelo INSS e estão identificados na Planilha n° 01, fls. 210 e 211. Levantamento L04 Auxilio Alimentação Antes GFIP período 09/96 a12/98, e L05=Aux. Alim. Não Declarado em GFIP período 01/99 a 02/01 — Valores registrados nas folhas de pagamento apresentadas. Segundo informa o relatório, apesar da empresa possuir convênio com o PAT — Programa de Alimentação ao Trabalhador, descumpriuo ao efetuar os pagamentos do auxilio em dinheiro diretamente aos trabalhadores, contrariando o disposto no art. 3° da Lei 6.321, de 14/04/76. As contribuições lançadas relativas à quota dos segurados empregados foram calculadas respeitando o limite máximo do salário decontribuição mediante o abatimento do valor descontado dos segurados empregados constantes nas folhas de pagamentos. Os valores estão demonstrados nas planilhas de fls. 212 a 378. Levantamento L06 Prólabore antes GFIP e Levantamento L07 Prólabore não declarado em GFIP contribuições incidentes sobre as retiradas de prólabore dos empresários registradas na contabilidade da empresa nas contas: 3.1.09.01.0013 Prólabore e 5102013001 Prólabore Matriz. Os valores estão demonstrados nas planilhas de fls. 379 a 391. 0 relatório informa que a empresa contabilizou os valores a menor, no período de 05/96 a 12/98, nas contas 2.1.01.25.00018 "INSS a recolher" e n° 2.1.05.01.1001 "INSS a recolher" as contribuições patronais a cargo da empresa incidentes sobre as remunerações dos empresários, Planilha de fls 379 a 391. Levantamento L08 Autônomos Antes GFIP contribuições incidentes sobre o valor das remunerações registradas na contabilidade da empresa nas contas: 3.1.03.02.0016 comissões sobre vendas, 3.1.09.02.0142 assistência médica, 3.1.09.03.0059 manutenção imobilizado, 3.1.09.03.0075 serviços de terceiros pessoa física, 3.1.09.03.0125 despesas diversas e 3.1.09.03.0437 bonificações e no período de 01/98 a 12/98 10093 Benfeitorias filial Caxias, 10104 Fl. 627DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10552.000110/200763 Acórdão n.º 240300.760 S2C4T3 Fl. 616 5 Benfeitorias prédio terceiros, 50014 Comissão sobre vendas, 50276 Bonificações, 50279 Conservação e Reparos, 50415 Despesas Diversas, 50422 Manutenção do Imobilizado, 50534 — Serviços de Terceiros Pessoa Física, 50542 Serviço de Terceiros Pessoa Jurídica (SIC), conforme planilha n° 6, de fls. 392 a 399. Levantamento L09 Autônomos Não Declarados GFIP — Os valores lançados tiveram por base os registros contábeis da empresa, contas: n° 10093 Benfeitorias filial Caxias do Sul, no 10104 Benfeitorias prédio terceiros, 50014 Comissão sobre vendas, n° 50276 Bonificações, n° 50279 Conservação e Reparos, n° 50415 Despesas Diversas, n° 50422 Manutenção do Imobilizado, n° 50534 Serviços de Terceiros Pessoa Física, no 50542 —Serviços de Terceiros Pessoa Jurídica (SIC), conforme planilha de fls. 400 a 413. Levantamento L10 Energy Com. Imp. Exp. Mat. Elétric, Levantamento L11 Ademar Chagas de Lara, L12 SINEQUANON Serv. e Repres. Ltda., L13 Paim Decorações Ltda., L14 Rec. Instaladora Elétrica PWG, L15 SULWORKS Adm. Mão de Obra Ltda., L16 Gilberto Tadeu Zitto, L17 Jac. Serviço de mãodeobra Ltda. período posterior A implantação de GFIP estando as empresas dispensadas de declarar em GFIP os pagamentos realizados. Nesses levantamentos, segundo informa o Relatório Fiscal, figuram os valores correspondentes A retenção de 11% (onze por cento) incidentes sobre o valor bruto contido em Notas Fiscais/Recibos de Prestação de Serviços relacionados à área da construção civil, realizados mediante empreitada de mãodeobra. 0 crédito previdencidrio lançado referese ao período compreendido entre 05/96 e 07/05, importando em R$ 1.506.870,04 (um milhão e quinhentos e seis mil e oitocentos e setenta reais e quatro centavos), o valor foi consolidado 07/06/06. O Relatório Fiscal informa no item 15 que será formalizada Representação Fiscal para Fins Penais ao Ministério Público Federal pela ocorrência, em tese, dos crimes previstos nos art. 95, alíneas "a", "h" e "d" da Lei 8.212/91 e nos arts. 168A e 337A do Decreto Lei n° 2.848/40atualizado pelaLei 9.983/00. 0 contribuinte foi cientificado do lançamento em 12/06/2006, conforme indicado no AR — Aviso de Recebimento de fls. 437 dos autos. A contribuinte, inconformada com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário onde, resumidamente questiona o seguinte: • Tributação do auxílio alimentação pago em pecúnia; Fl. 628DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 • Retenção de 11% (nos lançamentos L10 a L17, a Recorrente está sendo autuada pela nãoretenção do percentual de 11% incidente sobre o valor discriminado na, Nota Fiscal de prestação de serviço) o L10, L12, L13 e L16 refletem responsabilidade tributária nascida de fato não previsto em lei, uma vez que os serviços a que se referem são relativos a "benfeitorias". o L13, L15 e L17, em todas as referidas exigências há a equivocada previsão de incidência da aliquota sobre valores que não representam a efetiva prestação de serviço (materiais). • L 02— Do Efetivo Pagamento da Contribuição pela Recorrente o a Recorrente, por um lapso, acabou por pagar o valor referente à folha de pagamento de mar/2003 em duplicidade, ou seja, recolheu o mesmo valor tanto em mar/2003 como em abr/2003, o que gerou crédito para a Recorrente passivel de restituição. o trouxe documentos que comprovam os recolhimentos dessas duas competências, em que consta a exatidão dos valores de ambas, comprovando o equivoco e, também, o seu crédito. o a Recorrente abateu do valor devido no mês de Mai/2003 o que indevidamente recolheu no mês de Abr/2003, utilizando o seu crédito, descontando do valor total daquela competência (R$ 1.154,92)0 que pagou nesta (R$ 399,83), implicando no correto recolhimento de R$ 754,92. • INCRA • SEBRAE • SELIC É o relatório. Fl. 629DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10552.000110/200763 Acórdão n.º 240300.760 S2C4T3 Fl. 617 7 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões levantadas pela recorrente. DECADÊNCIA Entendo necessário tecer algumas considerações acerca da decadência. A decisão de primeira instância utilizou como critério o recolhimento parcial em cada competência. Este julgador, considera o critério de recolhimentos parciais no lançamento. Considerando a Súmula Vinculante 8 do STF e a existência de recolhimentos parciais verificadas no Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados – RADA, entendo que neste caso se aplica a regra do artigo 150 do CTN. O período do lançamento é de 05/96 a 07/2005. A ciência do lançamento ocorreu em 12/06/2006. Entendo decadentes as competências até 05/2001. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO Conforme registrado no relatório Fiscal e abaixo transcrito, o lançamento decorreu pelo fato de a empresa ter efetuado pagamentos em pecúnia a título de auxílio alimentação, quando somente não integram o saláriodecontribuição a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. Apesar da empresa possuir adesão ao PATPrograma de Alimentação do Trabalhador, esta descumpriu os termos da legislação, uma vez que houve pagamento em pecúnia diretamente ao segurado, conforme regramento do art.3° da Lei n° 6.321 de 14/04/1976, D.O.U. em 19/04/1976 in verbis Art 3° Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga in natura , pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. Da mesma forma a Lei 8212/91, em seu art. 28, § 90, letra c estabelece a incidência previdencidria conforme segue: Fl. 630DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 " 9° Não integram o salário decontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei n°. 9.528, de 10.12.97) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei n°. 6.321, de 14 de abril de 1976; Entendo correto e bem fundamentado o lançamento. RETENÇÃO DE 11% L10 ENERGY COM IMP EXP MAT ELETRIC Não será analisado por ter sido atingido pela decadência. L12 SINEQUANON SERV E REPRES LTDA E L16 GILBERTO TADEU ZITTO Segundo o Relatório Fiscal, os serviços prestados foram na modalidade de empreitada de mãodeobra e referese a serviço na área da construção civil. Nesse levantamento foram considerados como contribuição a aliquota de 11% do valor bruto das notas fiscais de prestação de serviços, mediante empreitada de mãodeobra na construção civil, do empreiteiro Sinequanon Serviços e Representações Ltda. Nessas notas fiscais não houve o destaque da retenção. Na planilha a seguir demonstramos a origem e valor das notas fiscais. Nesse levantamento foram considerados como contribuição a aliquota de 11% do valor bruto das notas fiscais de prestação de serviços, mediante empreitada de mãodeobra na construção civil do empreiteiro Gilberto Tadeu Zitto. Nessas notas fiscais não houve o destaque da retenção. Na planilha a seguir demonstramos a origem e valor das notas fiscais. A tese apresentada no recurso é que “os serviços a que se referem são relativos a "benfeitorias".” Alei 8.212/91, no artigo 31, estabelece a obrigatoriedade da retenção e do recolhimento de 11% do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços em nome da empresa cedente da mãodeobra nos casos de empreitada de mãodeobra e o Regulamento Fl. 631DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10552.000110/200763 Acórdão n.º 240300.760 S2C4T3 Fl. 618 9 da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/90, no artigo 219, textualmente prevê a construção civil como situação fática para aplicação da retenção. Art.31.A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5o do art. 33. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). §3oPara os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). §4oEnquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Ilimpeza, conservação e zeladoria; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). IIvigilância e segurança; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). IIIempreitada de mãodeobra; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). IVcontratação de trabalho temporário na forma da Lei no 6.019, de 3 de janeiro de 1974. (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). Art.219.A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) §1º Exclusivamente para os fins deste Regulamento, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974, entre outros. §2º Enquadramse na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mãodeobra: Fl. 632DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 IIIconstrução civil; Também a Lei 8.212/91 etabelece que o desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. Pelo exposto, entendo correto os lançamentos. L13 PAIM DECORACOES LTDA, L15 SULWORKS ADM MÃO DE OBRA LTDA e L17 JAC SERVICO DE MÃO DE OBRA LTDA Para os serviços prestados por essas empresas, a alegação é que as notas fiscais incluiam material e mão de obra. Registra o relatório Fiscal que a base de cálculo considerada no lançamento foi o valor bruto da nota fiscal e que não houve destaque da retenção. A Lei 8.212/91, no artigo 31, estabelece a obrigatoriedade da retenção e do recolhimento de 11% do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços em nome da empresa cedente da mãodeobra nos casos de empreitada de mãodeobra e o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/90, no artigo 219, textualmente prevê que na contratação de serviços em que a contratada se obriga a fornecer material, fica facultada ao contratado a discriminação, na nota fiscal, do valor correspondente ao material, que será excluído da retenção, desde que contratualmente previsto e devidamente comprovado. Art.31.A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa Fl. 633DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10552.000110/200763 Acórdão n.º 240300.760 S2C4T3 Fl. 619 11 cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5o do art. 33. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). §3oPara os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). §4oEnquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Ilimpeza, conservação e zeladoria; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). IIvigilância e segurança; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). IIIempreitada de mãodeobra; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). IVcontratação de trabalho temporário na forma da Lei no 6.019, de 3 de janeiro de 1974. (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). Art.219.A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) §7º Na contratação de serviços em que a contratada se obriga a fornecer material ou dispor de equipamentos, fica facultada ao contratado a discriminação, na nota fiscal, fatura ou recibo, do valor correspondente ao material ou equipamentos, que será excluído da retenção, desde que contratualmente previsto e devidamente comprovado. §8º Cabe ao Instituto Nacional do Seguro Social normatizar a forma de apuração e o limite mínimo do valor do serviço contido no total da nota fiscal, fatura ou recibo, quando, na hipótese do parágrafo anterior, não houver previsão contratual dos valores correspondentes a material ou a equipamentos. Não consta do processo contrato especificando o material a ser empregado. Entendo correta, neste caso, a utilização do valor bruto da nota fiscal para o cálculo da retenção. Por fim registro o entendimento que a determinação do artigo 31 da Lei nº 8.212/91 configura apenas uma sistemática de arrecadação da contribuição previdenciária, Fl. 634DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 tornando as empresas tomadoras de serviço como responsáveis tributários pela forma de substituição tributária. L 02— FILIAL 94.285.426/000425 Recorrente alega que, para a filial 94.285.426/000425, efetuou recolhimento incorreto na competência 4 e compensou na competência 5/2003. Houve diligência para verificar os fatos, sendo que transcrevo trecho da manifestação fiscal de folhas 496 e 497. 2.1. A empresa alega que recolheu as contribuições previdenciárias, em GPS Guia da Previdência Social, nas competências de 03/2003 e 04/2003 referente à folha de pagamento da competência de 03/2003, portanto em duplicidade, para o CNPJ 94.285.426/000425. A empresa também afirma que utilizou o valor pago a maior em 04/2003, para pagar parte da GPS de 05/2003, utilizandose do instituto da compensação. Ocorre que examinando o conta corrente, na competência de 04/2003 encontramos realmente, dois recolhimentos, conforme abaixo: A empresa para efetuar a compensação precisava obedecer ao regramento vigente a época, conforme previsto no art. 3 e 4 da INSTRUÇÃO NORMATIVA INSS/DC N° 67, DE 10 DE MAIO DE 2002, com a redação dada pela Instrução Normativa n° 80, de 27.08.2002. Verificamos, na auditoria que a empresa estava inadimplente na competência 04/2003 e 05/2003, no estabelecimento 94.285.426/000182, e, portanto não atendeu o determinado nesse artigo que dispõem "o sujeito passivo deverá estar adimplente com as contribuições devidas à Previdência Social, inclusive com aquelas objeto de parcelamento ou de notificação fiscal de lançamento de débito cuja exigibilidade esteja suspensa, considerados todos os seus estabelecimentos e obras de construção civil". Ressaltamos também que a empresa foi notificada nessas competências, no levantamento em questão — L02, tendo inclusive declarado esses valores em GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência. Portanto a mesma não poderia ter efetuado a compensação. Logo mantemos o débito nessa competência. A alegação é que a Recorrente abateu do valor devido no mês de Mai/2003 o que indevidamente recolheu no mês de Abr/2003, utilizando o seu crédito, descontando do Fl. 635DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10552.000110/200763 Acórdão n.º 240300.760 S2C4T3 Fl. 620 13 valor total daquela competência (R$ 1.154,92) o que pagou nesta (R$ 399,83), implicando no correto recolhimento de R$ 754,92. Os documentos trazidos ao processo apresentam à folha 480, folha de pagamento analítica referente à empregada Lourdes Boeira de Lima, cuja contribuição corresponde a R$ 399,83. Esse documento apresenta como data de admissão 02/04/01 e a data de rescisão está em branco, o que leva ao entendimento que não houve rescisão. Para o mês de abril a empregada Lourdes não consta da folha analítica apresentada às folhas 481 e 482. A tributação da folha apresentada equivale a R$ 964,31, o que corresponde a uma das duas guias recolhidas para a competência abril. Ocorre que a remuneração da empregada Lourdes está faltando, o que impede de considerar a outra guia como recolhimento indevido, o que serviria de base para compensação em competência futura. Concluo que os documentos não comprovam o direito à compensação. INCRA Quanto às empresas urbanas terem que recolher contribuição destinada ao INCRA, não há óbice normativo para tal exação. Não se olvida que a contribuição destinada ao INCRA tenha natureza distinta das contribuições sociais da Seguridade Social. As competências do INCRA são atribuídas pela sua lei de criação e o Estatuto da Terra: DECRETOLEI Nº 1.110, DE 9 DE JULHO DE 1970. Regulamento Cria o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), extingue o Instituto Brasileiro de Reforma Agrária, o Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário e o Grupo Executivo da Reforma Agrária e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o artigo 55, item I, da Constituição, DECRETA: Art. 1º É criado o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), entidade autárquica, vinculada ao Ministério da Agricultura, com sede na Capital da República. Art. 2º Passam ao INCRA todos os direitos, competência, atribuições e responsabilidades do Instituto Brasileiro de Reforma Agrária (IBRA), do Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário (INDA) e do Grupo Executivo da Reforma Agrária (GERA), que ficam extintos a partir da posse do Presidente do novo Instituto. Fl. 636DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 LEI Nº 4.504, DE 30 DE NOVEMBRO DE 1964. Dispõe sobre o Estatuto da Terra, e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. 37. São órgãos específicos para a execução da Reforma Agrária: (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) I O Grupo Executivo da Reforma Agrária (GERA); (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) Il O Instituto Brasileiro de Reforma Agrária (IBRA), diretamente, ou através de suas Delegacias Regionais; (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) III as Comissões Agrárias. (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) Art. 43. O Instituto Brasileiro de Reforma Agrária promoverá a realização de estudos para o zoneamento do país em regiões homogêneas do ponto de vista sócioeconômico e das características da estrutura agrária, visando a definir: I as regiões críticas que estão exigindo reforma agrária com progressiva eliminação dos minifúndios e dos latifúndios; II as regiões em estágio mais avançado de desenvolvimento social e econômico, em que não ocorram tenções nas estruturas demográficas e agrárias; III as regiões já economicamente ocupadas em que predomine economia de subsistência e cujos lavradores e pecuaristas careçam de assistência adequada; IV as regiões ainda em fase de ocupação econômica, carentes de programa de desbravamento, povoamento e colonização de áreas pioneiras. Art. 74. É criado, para atender às atividades atribuídas por esta Lei ao Ministério da Agricultura, o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário (INDA), entidade autárquica vinculada ao mesmo Ministério, com personalidade jurídica e autonomia financeira, de acordo com o prescrito nos dispositivos seguintes: I o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário tem por finalidade promover o desenvolvimento rural nos setores da colonização, da extensão rural e do cooperativismo; II o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário terá os recursos e o patrimônio definidos na presente Lei; III o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário será dirigido por um Presidente e um Conselho Diretor, composto de três membros, de nomeação do Presidente da República, mediante indicação do Ministro da Agricultura; Fl. 637DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10552.000110/200763 Acórdão n.º 240300.760 S2C4T3 Fl. 621 15 IV Presidente do Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário integrará a Comissão de Planejamento da Política Agrícola; ... Quanto à alegação de aplicação do artigo 240 da Constituição Federal, não é em razão desse dispositivo que as contribuições ao INCRA não se destinem à Seguridade Social, mas em razão das competências atribuídas à autarquia federal, como já exposto acima. A redação é clara quanto sua restrição apenas às entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema sindical, onde não se enquadra o INCRA: Art. 240. Ficam ressalvadas do disposto no art. 195 as atuais contribuições compulsórias dos empregadores sobre a folha de salários, destinadas às entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema sindical. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...) A contribuição ao INCRA não alcança exclusivamente a produção rural, conforme sua lei de instituição, que relaciona atividades industriais que podem ser desenvolvidas tanto no meio rural como nas regiões urbanas: DECRETOLEI Nº 1.146, DE 31 DE DEZEMBRO DE 1970. Consolida os dispositivos sôbre as contribuições criadas pela Lei número 2.613, de 23 de setembro de 1955 e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA , no uso da atribuição que lhe confere o artigo 55, item II, da Constituição, DECRETA: Art 1º As contribuições criadas pela Lei nº 2.613, de 23 de setembro 1955, mantidas nos têrmos dêste DecretoLei, são devidas de acôrdo com o artigo 6º do DecretoLei nº 582, de 15 de maio de 1969, e com o artigo 2º do DecretoLei nº 1.110, de 9 julho de 1970: I Ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA: 1 as contribuições de que tratam os artigos 2º e 5º dêste DecretoLei; 2 50% (cinqüenta por cento) da receita resultante da contribuição de que trata o art. 3º dêste Decretolei. Fl. 638DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 II Ao Fundo de Assistência do Trabalhador Rural FUNRURAL, 50% (cinqüenta por cento) da receita resultante da contribuição de que trata o artigo 3º dêste Decretolei. Art 2º A contribuição instituída no " caput " do artigo 6º da Lei número 2.613, de 23 de setembro de 1955, é reduzida para 2,5% (dois e meio por cento), a partir de 1º de janeiro de 1971, sendo devida sôbre a soma da fôlha mensal dos salários de contribuição previdenciária dos seus empregados pelas pessoas naturais e jurídicas, inclusive cooperativa, que exerçam as atividades abaixo enumeradas: I Indústria de canadeaçúcar; II Indústria de laticínios; III Indústria de beneficiamento de chá e de mate; IV Indústria da uva; V Indústria de extração e beneficiamento de fibras vegetais e de descaroçamento de algodão; VI Indústria de beneficiamento de cereais; VII Indústria de beneficiamento de café; VIII Indústria de extração de madeira para serraria, de resina, lenha e carvão vegetal; IX Matadouros ou abatedouros de animais de quaisquer espécies e charqueadas. Nesse sentido é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, que também se consolidou no Supremo Tribunal Federal: PROCESSUAL CIVIL EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNRURAL E INCRA EMPRESA URBANA LEGALIDADE ORIENTAÇÃO DESTA PRIMEIRA SEÇÃO, SEGUINDO A JURISPRUDÊNCIA DO STF RECURSO NÃO ADMITIDO SÚMULA 168/STJ AGRAVO REGIMENTAL AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA MERA REPETIÇÃO DAS RAZÕES DOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA IRRESIGNAÇÃO MANIFESTAMENTE INFUNDADA RECURSO NÃO CONHECIDO, COM APLICAÇÃO DE MULTA. 1. Nos termos da orientação desta Primeira Seção e do Supremo Tribunal Federal, é legítimo o recolhimento da contribuição social para o FUNRURAL e INCRA pelas empresas urbanas. Considerando que o acórdão embargado corroborou esse entendimento, correta é a aplicação da Súmula 168 desta Corte Superior. 2. Não tendo a agravante rebatido especificamente os fundamentos da decisão recorrida, limitandose a reproduzir as razões oferecidas nos embargos de divergência, é inviável o conhecimento do recurso. Fl. 639DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10552.000110/200763 Acórdão n.º 240300.760 S2C4T3 Fl. 622 17 3. Tratandose de agravo interno manifestamente infundado, impõese a condenação da agravante ao pagamento de multa de 10% (dez por cento) sobre o valor corrigido da causa, nos termos do art. 557, § 2º, do Código de Processo Civil. 4. Agravo interno não conhecido, com aplicação de multa. (AgRg nos EREsp 530802/GO. Primeira Seção. Relatora Ministra DENISE ARRUDA. Julgamento 13/04/2005. DJ 09/05/2005, p. 291) (sem grifos no original). SEBRAE A cobrança das contribuições destinadas a outra entidades e fundos estão regularmente previstas em lei, conforme relatório de fundamentação legal, não assistindo razão à recorrente quanto aos vícios que suscita. Em relação à contribuição destinada ao SEBRAE, segue ementa do entendimento firmado pelo TRF da 4ª Região: Tributário – Contribuição ao Sebrae – Exigibilidade. 1. O adicional destinado ao Sebrae (Lei nº 8.029/90, na redação dada pela Lei nº 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas no DecretoLei nº 2.318/86 (Senai, Senac, Sesi e Sesc), prescindível, portanto, sua instituição por lei complementar. 2. Prevê a Magna Carta tratamento mais favorável às micro e pequenas empresas para que seja promovido o progresso nacional. Para tanto submete à exação pessoas jurídicas que não tenham relação direta com o incentivo. 3. Precedente da 1ª Seção desta Corte (EIAC n 2000.04.01.1069909). ACÓRDÃO: Vistos e relatados estes autos entre as partes acima indicadas, decide a Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório, voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Porto Alegre, 17 de junho de 2003. (TRF 4ª R – 2ª T – Ac. nº 2001.70.07.0020183 – Rel. Dirceu de Almeida Soares – DJ 9.7.2003 – p. 274) No mesmo sentido se consolidou a jurisprudência no STJ, conforme ementa do Agravo Regimental no Agravo de Instrumento de n ° 840946 / RS, publicado no Diário da Justiça em 29 de agosto de 2007: TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÕES AO SESC, AO SEBRAE E AO SENAC RECOLHIDAS PELAS PRESTADORAS DE SERVIÇO – PRECEDENTES. 1. A jurisprudência renovada e dominante da Primeira Seção e da Primeira e da Segunda Turma desta Corte se pacificou no sentido de reconhecer a legitimidade da cobrança das Fl. 640DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 18 contribuições sociais do SESC e SENAC para as empresas prestadoras de serviços. 2. Esta Corte tem entendido também que, sendo a contribuição ao SEBRAE mero adicional sobre as destinadas ao SESC/SENAC, devem recolher aquela contribuição todas as empresas que são contribuintes destas. 3. Agravo regimental improvido. Por fim, assim também vem entendendo o Supremo Tribunal Federal, conforme julgamento dos Embargos de Declaração no Agravo de Instrumento n ° 518.082, publicado no Diário da Justiça em 17 de junho de 2005, cuja ementa é abaixo transcrita: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OPOSTOS À DECISÃO DO RELATOR: CONVERSÃO EM AGRAVO REGIMENTAL. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEBRAE: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. Lei 8.029, de 12.4.1990, art. 8º, § 3º. Lei 8.154, de 28.12.1990. Lei 10.668, de 14.5.2003. CF, art. 146, III; art. 149; art. 154, I; art. 195, § 4º. I. Embargos de declaração opostos à decisão singular do Relator. Conversão dos embargos em agravo regimental. II. As contribuições do art. 149, CF contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse de categorias profissionais ou econômicas posto estarem sujeitas à lei complementar do art. 146, III, CF, isso não quer dizer que deverão ser instituídas por lei complementar. A contribuição social do art. 195, § 4º, CF, decorrente de "outras fontes", é que, para a sua instituição, será observada a técnica da competência residual da União: CF, art. 154, I, ex vi do disposto no art. 195, § 4º. A contribuição não é imposto. Por isso, não se exige que a lei complementar defina a sua hipótese de incidência, a base imponível e contribuintes: CF, art. 146, III, a. Precedentes: RE 138.284/CE, Ministro Carlos Velloso, RTJ 143/313; RE 146.733/SP, Ministro Moreira Alves, RTJ 143/684. III. A contribuição do SEBRAE Lei 8.029/90, art. 8º, § 3º, redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003 é contribuição de intervenção no domínio econômico, não obstante a lei a ela se referir como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais relativas às entidades de que trata o art. 1º do DL 2.318/86, SESI, SENAI, SESC, SENAC. Não se inclui, portanto, a contribuição do SEBRAE no rol do art. 240, CF. IV. Constitucionalidade da contribuição do SEBRAE. Constitucionalidade, portanto, do § 3º do art. 8º da Lei 8.029/90, com a redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003. V. Embargos de declaração convertidos em agravo regimental. Não provimento desse. Pro tudo, não procede o argumento da recorrente de que as contribuições destinadas ao SEBRAE somente podem ser exigidas de microempresas e de empresas de pequeno porte. SELIC Fl. 641DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10552.000110/200763 Acórdão n.º 240300.760 S2C4T3 Fl. 623 19 Insurgese a recorrente contra a aplicação da taxa SELIC ao argumento de que seria ilegal. A questão da SELIC é recorrente e prevê o regimento do CARF que as decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. A questao foi pacificada pela súmula 4 do CARF abaixo reproduzida. Súmula CARF No 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA DE MORA A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 61 da Lei 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 642DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 20 CONCLUSÃO À vista do exposto, voto por, nas preliminares, reconhecer a decadência das competências até 05/2001. No mérito, voto pelo provimento parcial do recurso, determinando o recálculo da multa de mota, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 643DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 12466.000691/94-71
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 1997
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 1997
Ementa: CLASSIFICAÇÃO - RECURSO DE OFICIO.
Confirmado que o veículo em tela atende às especificações do Ato
Declaratório COSIT/ADN n° 32/93, negado provimento ao recurso.
Numero da decisão: 301-28.541
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de Oficio, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: MOACYR ELOY DE MEDEIROS
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Numero do processo: 10830.007598/2007-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1803-000.050
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: SELENE FERREIRA DE MORAES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “Tratase dos autos de infração relativos ao Imposto de Renda Pessoa JurídicaIRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, Multa Isolada do IRPJ e Multa Isolada da CSLL, cientificados à contribuinte em 02 de outubro de 2007, por meio do Aviso de RecebimentoAR de fl. 117, no valor total de R$ 860.246,34, devido às irregularidades assim descritas: Fl. 453DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/02 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10830.007598/200723 Resolução n.º 1803000.050 S1TE03 Fl. 2 2 2. Auto de Infração do IRPJ, fls. 02/08: "001. Deduções Indevidas de Retenções/Antecipações de Imposto não Comprovadas. Ausência de Comprovação das Retenções/Antecipações do Imposto. 0 auto de infração originouse da revisão interna das Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ/2003 — AC 2002 (...), com base no lucro real anual (balanço de suspensão,), de acordo com o art. 835 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/99 (RIR199). Tendo sido constatada divergência entre apurações em DIPJ, declarações em DCTF e recolhimentos a título de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica — IRPJ com relação aos anoscalendário 2002 e 2003, o contribuinte foi regularmente intimado a prestar os esclarecimentos necessários quanto ás ocorrências constatadas. Da análise da documentação apresentada, verificouse que o contribuinte utilizouse de deduções de Imposto de Renda Retido na Fonte — IRRF no ano calendário de 2002 em valores superiores aos valores comprovados nas declarações de retenção do imposto (DIRF) apresentadas pelas fontes pagadoras em que o contribuinte figura como beneficiário, uma vez que, em DIRF constatouse o valor anual declarado de IRRF no montante de R$ 2.190,89 e não RS 297.844,37 + R$ 16.261,39, como constou na DIPJ/2003 (ficha 11 + ficha 12). Após nova intimação, sem obtenção de esclarecimentos, concluiuse pela glosa dos valores não comprovados deduzidos na DIPJ/2003 a titulo de imposto de renda incidente na fonte no anocalendário de 2002, no montante de R$ 311.914,87 (RS 295.653,48 deduzido mensalmente na ficha 11 + R$ 16.261,39 deduzido na apuração anual na ficha 124). Prosseguindose, foi recalculado o IRPJ sobre o lucro real anual, aplicandose a dedução do IR mensal pago no valor de R$ 3.248.587,15, correspondente a soma do IR pago e do IR compensado durante o ano, não se aplicando nenhuma outra dedução de IRR, urna vez que o IRRF comprovado foi computado mês a mês. Apurouse, assim, valor de imposto a pagar no final do exercício, conforme demonstrado nas tabelas I, II, III e IV anexas. Por essa razão, lavramos o competente auto de infração a fim de constituir "de oficio" o crédito tributário apurado como devido a titulo de IRPJ no ano de 2002 e acréscimos legais. [Demonstrativo com fato gerador em 31/12/2002, valor tributável ou imposto (R$ 205.952,40) e percentual da multa] Enquadramento legal: Art. 11 e , §3°, da Lei n.° 9.249/95; Arts. 231, inciso III, e 943, § 2°, do RIR/99. 002 — Multas Isoladas. Falta de Recolhimento do IRPJ — Balanço de Suspensão Tendo em vista os fatos acima descritos, apurouse diferenças de valores mensais de IR a pagar, conforme tabela IV anexa e, por essa Fl. 454DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/02 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10830.007598/200723 Resolução n.º 1803000.050 S1TE03 Fl. 3 3 razão, lavramos o competente auto de infração afim de constituir "de oficio" o crédito tributário a titulo de multa isolada de 50% sobre os montantes das diferenças de imposto a pagar nos meses de janeiro/2002 a novembro/2002, com base no disposto no art.14 da Medida Provisória 135 de 22/01/2007, que deu nova redação ao art. 14, da Lei n.° 9.430/96. [Demonstrativos com fatos geradores de 31/01/2002 a 30/11/2002; valores da multa isolada] Enquadramento legal: Arts. 222 e 843 do RIR199 c/c art. 44, ,§ 1°, inciso IV, da Lei n.° 9.430/96 alterado pelo art. 14 da Medida Provisória n.° 351/07 c/c art.106, inciso II, alínea "c" da Lei n.° 5.172/66." 3. Auto de Infração da CSLL, fls. 09/16: "001. Insuficiência de recolhimento/Declaração da Contribuição Social Apuração Incorreta da CSLL. 0 auto de infração originouse da revisão interna das Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ/2003 — AC 2002 (.) e DIPJ/2004 — AC 2003 (...), com base no lucro real anual (balanço de suspensão), de acordo com o art. 835, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/99 (RIR/99). Tendo sido constatada divergências entre DIPJ, DCTF e recolhimentos a titulo de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido com relação aos anoscalendário 2002 e 2003, o contribuinte foi regularmente intimado a prestar os esclarecimentos necessários quanto às ocorrências constatadas. Em resposta à intimação, o contribuinte alegou erro no preenchimento das DIPJ/2003 e DIPJ/2004 e apresentou demonstrativos das divergências apontadas, alegando compensações nos meses de janeiro/2003 e abril/2003, não tendo, entretanto, declarado os valores compensados em DCTF e nem apresentado as devidas Declarações de Compensação, documento exigido pelo art. 21, parágrafo 6°, da IN SRF 210/2002. Desse modo, tendo em vista a falta de declaração em DCTF e em DCOMP, concluise por não considerar as compensações alegadas e, assim, considerado como estimativas pagas somente a soma dos pagamentos efetuados, apurouse CSLL a pagar no final do exercício referente ao anocalendário 2003 e não saldo negativo de CSLL, como constava na ficha 17 da DIPJ/2004, conforme demonstrado nas tabelas VI e VII anexas. Por essa razão, lavramos o competente auto de infração a fim de constituir "de oficio" o crédito tributário apurado como devido a titulo de CSLL no ano calendário 2003 e acréscimos legais. [Demonstrativo com fato gerador em 31/12/2003, valor tributável ou contribuição (R$ 35.052,25) e percentual da multa] Enquadramento legal: Art. 841, inciso I, III e IV, do RIR/99. Fl. 455DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/02 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10830.007598/200723 Resolução n.º 1803000.050 S1TE03 Fl. 4 4 002 — Multas Isoladas. Falta de Recolhimento da Contribuição Social —Balanço de Suspensão. Tendo em vista os fatos acima descritos e não tendo o contribuinte esclarecido as origens das divergências constatadas entre DIPJ e DCTF, apurouse diferenças de valores de CSLL a pagar mensalmente e, por essa razão, lavramos o competente auto de infração a fim de constituir "de oficio" o crédito tributário a titulo de multa isolada de 50% sobre os montantes das diferenças de CSLL a pagar, conforme demonstrado nas tabelas VI e VI anexas, com base no disposto do art. 14, da Medida Provisória n.° 135, de 22/01/2007, que deu nova redação ao art. 14, da Lei n.° 9.430/96. [Demonstrativo com fatos geradores de 31/03/2002 a 30/11/2003; valores da multa isolada] Enquadramento legal: Arts. 222 e 843 do RIR/99 c/c art. 44, § 1°, inciso IV, da Lei n.° 9.430/96 alterado pelo art. 14 da Medida Provisória n.° 351/07 c/c art.106, inciso II, alínea "c" da Lei n°5.172/66." 4. Inconformada com a exigência fiscal, a contribuinte, por meio de seus representantes legais, apresentou a impugnação de fls. 126/139, em 01 de novembro de 2007, com as seguintes razões de defesa. 4.1. Diz que o débito de CSLL objeto do auto de infração e imposição de multa decorreu de falhas nos cálculos da contribuição. Por essa razão, recolheu DARF nos valores de R$ 68.527,15 e R$ 27.691,60. Em suas palavras: "Notese que do total recolhido no primeiro DARF, o valor de R$ 35.052,55 corresponde ao principal, R$ 20.330,31 corresponde aos juros calculados até nov/2007 e, por fim, o valor de R$ 13.144,59 corresponde a 50% da multa de oficio exigida (beneficio de redução de 50% da multa de oficio, nos termos do artigo 44, § 3º, da Lei n.° 9.430, de 27 de dezembro de 1996). O segundo DARF (R$ 27.691,60) corresponde a multa isolada e também foi pago com desconto de 50%, com amparo no mesmo fundamento legal antes referido." 4.2. Acrescenta que entendeu por bem recolher parcela da multa isolada exigida pelo auto de infração e imposição de multa do IRPJ pois, apesar de não ter apurado saldo devedor de IRPJ ao final do ano calendário de 2002, existem algumas diferenças entre os valores do imposto a pagar declarados em DCTF e na DIPJ. Tais falhas ensejaram a aplicação da multa isolada no valor de R$ 87.153,91, razão pela qual recolheu o DARF de R$ 43.576,95, com a redução de 50% prevista em legislação, o qual também será oportunamente anexado aos autos. 4.3. Afirma que a impugnação apresentada aborda o lançamento do IRPJ (R$ 205.952,40) e seus acréscimos legais (multa de oficio — R$ 154.464,30 e juros de mora —R$ 152.116,40) bem como parte da multa isolada também relativa ao IRPJ (R$ 125.116,76). 4.4. No que se refere à exigência do imposto, aduz que a autoridade fiscal ignorou a importância declarada na Linha 05, referente ao PAT Programa de Alimentação ao Trabalhador, de R$ 83.484,95, que corresponde exatamente a 4% (quatro por cento) do imposto apurado Fl. 456DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/02 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10830.007598/200723 Resolução n.º 1803000.050 S1TE03 Fl. 5 5 de R$ 2.087.123,73. Enfim, em decorrência de um erro de cálculo, o imposto exigido de R$ 205.952,40 deve ser reduzido para R$ 122.467,45. 4.5. Argumenta que o IRRF discriminado em sua DIPJ foi recolhido integralmente. Esclarece que como integrante do conglomerado Saint Gobain é partícipe de um acordo plurilateral para aplicação dos excedentes de caixa disponíveis nas empresas do grupo, de forma centralizada, através de um fundo único de natureza condominial, administrado pela SaintGobain Assessoria e Administração (Saint Gobain), a qual realiza as aplicações financeiras em seu nome, na condição de mandatária, rateando entre as participantes os resultados correspondentes, assim como o IRRF, sempre rigorosamente na proporção da titularidade dos recursos administrados. 4.6. Em decorrência dessas operações, afirma que a SaintGobain emite ao final de cada mês Informe de Rendimentos discriminando a parcela das receitas financeiras auferida que coube a cada uma das participantes do fundo condominial e o respectivo IRRF, com base no que a interessada reconheceu como receita financeira, no ano calendário de 2002, bem como o valor do IRRF incidente, compensado na forma do art. 76, inciso I, da Lei n.° 8.981, de 20 de junho de 1995. 4.7. Assevera que ofereceu à tributação todas as receitas auferidas nas aplicações financeiras realizadas por intermédio da conta condominial e, como decorrência lógica, tem o direito de compensar o IRRF pago. E acrescenta: "Vejase que esse IRRF foi pago por ela (i.i., a Impugnante assumiu o ônus econômico do imposto). De fato, como se passa a demonstrar em I.ii, a sistemática adotada pelo grupo SaintGobain, por meio da declaração do Acordo (cf Anexo 03), além de perfeitamente legítima, pressupõe que a SaintGobain atue como mandatária das demais sociedades (cf cláusula 8), que permanecem titulares dos recursos financeiros aplicados pela SaintGobain. Logo, se os recursos aplicados são de titularidade da Impugnante, o imposto retido (e crédito tributário respectivo) também devem ser a ela atribuídos, como se passa a demonstrar." 4.8. Afirma que as aplicações são efetuadas diretamente pela Saint Gobain, que administra os recursos do fundo comum na condição de mandatária das demais empresas, que permanecem titulares dos recursos financeiros aplicados. Ressalva que a relação jurídica entre a SaintGobain e as outras participantes do acordo é de mandato, conforme artigo 1.288 do Código Civil. 4.9. Continua, argumentando que o procedimento adotado, inclusive a emissão do informe de rendimentos pela administradora, guarda consonância com a legislação tributária, tanto que encontra amparo expresso na regulamentação posteriormente emitida pela Receita Federal do Brasil, que reconhece não somente a intermediação de recursos para aplicações em fundos de investimento administrados por outra pessoa jurídica, mas, ainda, a possibilidade de emissão de Informes de Rendimentos pelo intermediário, conforme estabelece o artigo 1°, da Instrução Normativa n.° 698, de 20 de dezembro de 2006, Fl. 457DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/02 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10830.007598/200723 Resolução n.º 1803000.050 S1TE03 Fl. 6 6 e, ademais, o rateio dos rendimentos e respectivo IRRF está disciplinado pelo Ato Declaratório Normativo n.° 21, de 1984, aplicável ao fundo condominial em questão, na medida em que este, a exemplo do consórcio de sociedades previsto no artigo 278, da Lei n.° 6.404, de 1976, não tem personalidade jurídica. 4.10. No mesmo sentido, referese ao entendimento externado pela SRRF 1ª Região Fiscal, em Decisão de Consulta n.° 093, de 1997, destacando, adicionalmente, julgados do Primeiro Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, admitindo o direito à compensação do IRRF sobre aplicações financeiras pelo contribuinte que suportou o ônus econômico do imposto e a validade dos informes de rendimentos, que só poderiam ser impugnados pelo Fisco diante de elementos seguros de prova ou indícios veementes de falsidade ou inexatidão. 4.11. Referese aos processos administrativos envolvendo outras subscritoras do acordo, que reconheceram a legitimidade do Informe de Rendimentos emitido pelo SaintGobain, entre eles os PAF: 13116.001605/200151 (DRJ/Brasilia); 13116.001608/200195 (DRJ/Brasilia); 10280.004958/200113 (DRJ/Belém). E continua: "41. Notese, ademais, que a correção dos dados da sistemática implementada por meio do Acordo pode ser facilmente fiscalizada pela Secretaria da Receita Federal, sendo que, para tanto, é necessária a análise de apenas alguns arquivos eletrônicos. Caso se entenda que tais informações são essenciais para o deslinde do presente procedimento, a Impugnante se coloca à disposição para fornecêlos. Acrescentese a isso o fato de que, no presente caso, o fisco federal não teve qualquer prejuízo em decorrência da compensação do imposto retido pelas instituições, em nome da SaintGobain, com aquele devido por parte da Impugnante. Como se comprovou, a SaintGobain funcionava como intermediária do fundo condominial, sendo que os recursos aplicados continuavam no patrimônio das investidoras. Caso tais sociedades aplicassem seus recursos disponíveis diretamente no mercado, as taxas de retorno seriam substancialmente menores e, portanto, propiciariam uma arrecadação tributária inferior. 42. Destarte, podese concluir que o Informe de Rendimentos emitido pela SaintGobain para a Impugnante, no ano de 2002, é documento hábil e idôneo a respaldar a compensação do imposto retido pelas instituições financeiras com o IRPJ devido, razão pela qual a presente autuação fiscal merece ser integralmente anulada. 43. Com efeito, não bastasse a previsão expressa de emissão do Informe por intermediária de recursos (cf artigo 1° da Instrução Normativa n.° 698/06), o E.Primeiro Conselho de Contribuintes deste Ministério da Fazenda consolidou seu posicionamento no sentido de que é legítima a compensação do IRRF pelo contribuinte que arcar com o ônus econômico do imposto, sendo que o comprovante de rendimentos e de IRRF somente pode ser impugnando diante da existência de elementos seguros de prova de sua falsidade ou inexatidão, o que não se verifica 'in casu'. Por todos os motivos ora expostos, a glosa dos valores de IRRF pagos pela Impugnante, via retenção e repasse da SaintGobain, é absolutamente indevida. Fl. 458DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/02 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10830.007598/200723 Resolução n.º 1803000.050 S1TE03 Fl. 7 7 44. Notese que o restabelecimento dos valores do IRRF glosados pelos Srs.Auditores Fiscais (R$ 311.914,87), na apuração do saldo de IRPJ ao final do anocalendário de 2002, elimina qualquer saldo devedor deste imposto. Muito pelo contrário, a regular compensação dos valores do IRRF efetivamente pagos pela Impugnante gera um crédito de IRPJ de R$ 105.962,47, a ser considerado na apuração do imposto a partir do mês subseqüente (Jan/03). Reforcese que os valores de multa isolada calculados a partir dos saldos de IRRF glosados também devem ser cancelados (.)" 4.12. Argumenta que a autuação fiscal viola regras do processo administrativo fiscal porque não lhe foi entregue o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) com prazo de validade suficiente para abranger todo o procedimento. 4.13. Diz que não podem ser exigidas multas ou diferenças de IRPJ referentes aos meses de janeiro a setembro de 2002 pois foi cientificada dos lançamentos em 2 de outubro de 2007 e, nos termos do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, deve se reconhecer a decadência dos créditos tributários anteriores a 2 de outubro de 2002.” A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente em parte, em decisão assim ementada: LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE MPF. NULIDADE. A legislação aplicável define, entre as hipóteses de dispensa do Mandado de Procedimento Fiscal, os procedimentos relativos ao tratamento automático das declarações apresentadas, entre as quais a DIPJ, DCTF e DIRF. IRPJ. DECADÊNCIA. 0 lançamento por homologação ocorre quando o sujeito passivo da obrigação tributária apura o montante tributável e efetua o pagamento do imposto devido, ainda que parcialmente, sem prévio exame da autoridade administrativa, hipótese em que a contagem do prazo decadencial se rege pelo disposto no art. 150, § 4°, do CTN, quando ausentes dolo, fraude ou simulação. ik falta do pagamento antecipado, aplicase a regra de contagem do prazo decadencial prevista no art. 173, inciso I, do CTN. Na apuração do resultado pelo lucro real anual, o fato gerador da obrigação tributária é consumado em 31 de dezembro do respectivo anocalendário. No presente caso, tendo sido adotada a hipótese de apuração do resultado pelo lucro real anual, ainda que se aplique a regra de contagem do prazo decadencial mais benéfica à contribuinte, não se vislumbra transcorrido o prazo legal para a constituição do crédito tributário, à vista da ciência do auto de infração em 02 de outubro de 2007. Fl. 459DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/02 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10830.007598/200723 Resolução n.º 1803000.050 S1TE03 Fl. 8 8 DECADÊNCIA. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO ISOLADA. A exigência de penalidade isolada constitui justamente a hipótese de lançamento de oficio, a ela se aplicando, portanto, o prazo decadencial previsto no art. 173, inciso I, do CTN. Nesse contexto, não se vislumbra transcorrido o prazo decadencial para a exigência da penalidade isolada, devida pela falta de recolhimento do tributo calculado em base estimada, A vista da ciência do auto de infração em 02 de outubro de 2007. FALTA DE RECOLHIMENTO. IRPJ. DEDUÇÕES. PAT.IRRF. Não apresentados questionamentos pela autoridade lançadora sobre a dedução relativa ao Programa de Alimentação ao TrabalhadorPAT, o valor respectivo deve ser considerado na apuração do imposto devido, deduzindose a importância respectiva. Da mesma forma, o valor do IRRF retido, confirmado em DIRF pela autoridade fiscal, deve ser aproveitado na apuração da diferença do IRPJ devido. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. IRRF APROVEITADO NA LIQUIDAÇÃO DE ESTIMATIVAS E NO ENCERRAMENTO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. No caso de rendimentos auferidos por empresa contratada para efetuar a intermediação financeira em nome de um conjunto de outras empresas, a comprovação do Imposto de Renda Retido na Fonte levado à dedução, bem como do oferecimento à tributação das receitas respectivas, deve ser comprovado, além da apresentação do informe de rendimentos, por meio da escrituração contábil e fiscal, lastreada nos documentos necessários, de modo a caracterizar plenamente o vínculo entre os rendimentos angariados pela empresa contratada e o respectivo imposto retido, com as receitas especificas da contribuinte. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. A falta de recolhimento do imposto sobre a base de cálculo estimada por empresa que optou pela tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa de oficio isolada.” Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que tece as seguintes considerações: a) Contrariando o entendimento da própria Receita Federal do Brasil, os julgadores definiram como sendo insuficiente a apresentação dos Informes de Rendimento encaminhados pela SaintGobain. Para adotar entendimento diverso da orientação da Receita Federal do Brasil, o acórdão recorrido deveria, no mínimo, ter determinado que os autos fossem baixados em diligência, de modo a determinar que a autoridade fiscal verificasse na escrituração contábil e fiscal da Recorrente a efetiva existência do crédito de IRRF. Fl. 460DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/02 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10830.007598/200723 Resolução n.º 1803000.050 S1TE03 Fl. 9 9 b) No presente caso, a DRJ/CPS tinha duas alternativas: (i) considerar os Informes de Rendimentos apresentados pela Recorrente suficientes para garantir o direito ao crédito do IRRF na apuração do saldo a pagar de IRPJ, acolhendo a Impugnação apresentada pela ora Recorrente; ou (ii) considerar os Informes de Rendimentos apresentados pela Recorrente como meros “indícios” insuficientes para formar sua convicção sobre o direito ao crédito do IRRF na apuração do saldo a pagar de IRPJ, convertendo o julgamento em diligência. c) Ora, quando o órgão julgador considera determinada prova pertinente para a solução da lide, em atenção ao princípio da verdade material, deve determinar a realização de diligência para a produção dessa prova; não pode a autoridade julgadora, quando estiver em dúvida quanto ao direito do contribuinte, decidir em favor do Fisco, principalmente quando sabe que a dúvida seria solucionada através da realização de diligência. d) Ao deixar de determinar a realização da diligência, a DRJ/CPS optou por manter a exigência fiscal, apesar de ter afirmado expressamente que havia indícios da existência do crédito de IRRF. e) A única forma de se relevar a nulidade do acórdão ora recorrido seria pela admissão, por esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, dos Informes de Rendimentos apresentados pela ora Recorrente como prova suficiente para garantir seu direito ao crédito do IRRF retido na fonte em função dos rendimentos financeiros auferidos por conta do Acordo Plurilateral de Movimentação de Recursos celebrado com a Saint Gobain. f) Apenas com o objetivo de facilitar o convencimento deste órgão julgador quanto ao seu direito ao crédito de IRRF, a Recorrente requer a juntada, nesta fase processual, de cópia da conta n.° 1370051 do seu livro razão referente ao anocalendário de 2002 (doc. 05). Tal documento comprova que a Recorrente mantinha em sua conta do ativo o Imposto de Renda a recuperar, correspondente ao imposto de renda retido na fonte em virtude rendimentos financeiros auferidos por conta do Acordo Plurilateral de Movimentação de Recursos celebrado com a SaintGobain. g) A Recorrente, juntamente com outras sociedades relacionadas entre si por vínculos de controle, coligação ou interligação, celebrou o Acordo Plurilateral de Movimentação de Recursos (Anexo 03 da Impugnação fls.150 a 167 dos autos), por meio do qual transferia todas as suas sobras de caixa para a SaintGobain, empresa responsável pela administração e coordenação, de forma mais eficiente, dos recursos de todas as sociedades contratantes. h) O Informe de Rendimentos Financeiros que indicava os valores retidos a título de IRRF incidente sobre os rendimentos das aplicações realizadas pela Recorrente (via Saint Gobain) era fornecido pelas instituições financeiras em nome apenas da SaintGobain, embora se referisse a receitas auferidas por todas as participantes do fundo condominial. Frisese que, como administradora da conta condominial, a SaintGobain controlava as aplicações financeiras do fundo comum, rateando entre todas as participantes os resultados correspondentes, bem como os valores referentes ao respectivo IRRF, sempre rigorosamente na proporção das titularidades sobre os recursos centralizados. Fl. 461DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/02 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10830.007598/200723 Resolução n.º 1803000.050 S1TE03 Fl. 10 10 i) A Recorrente ofereceu a tributação todas as receitas auferidas nas aplicações financeiras realizadas por intermédio da conta condominial, quais sejam R$ 1.912.054,45 obtidos pela própria Recorrente e R$ 9.941,56 referentes à empresa Chemfab do Brasil Ltda. (incorporada pela Recorrente, conforme a Ficha de Breve Relato expedida pela Junta Comercial do Estado de Sao Paulo e Comprovante de Inscrição e de Situação Cadastral expedida pela Receita Federal do Brasil, doc. 06). j) O IRRF informado na DIPJ/03 foi pago pela Recorrente, que assumiu o ônus econômico do imposto. k) A premissa de que as transferências de recursos financeiros entre as empresas são operações de mútuo é totalmente equivocada e contaminou o raciocínio fazendário quando da lavratura do Auto de Infração, sendo confirmada pela decisão de primeira instância administrativa. Notase que tal afirmação deriva de interpretação equivocada do Acordo Plurilateral (item 55 do acórdão). l) A condição de mandatária da SaintGobain, para as situações tratadas no presente caso, ao contrário do afirmado, não se enquadra no conceito de mútuo previsto no Código Civil porque: (i) não há a transferência do domínio da coisa emprestada, para posterior restituição de coisa do mesmo gênero, qualidade c quantidade; e (ii) não há o deslocamento da responsabilidade com relação a coisa emprestada para o mutuário. Tudo se processa como se o dinheiro entregue à SaintGobain para administração fosse ‘carimbado’ com o nome da Recorrente. m) Os recursos não ingressavam no patrimônio da SaintGobain, mas permaneciam sob a titularidade das demais sociedades, que apenas os confiavam a administração e coordenação da primeira sociedade. n) Conforme o disposto na Cláusula 6.3, do Acordo (cf. Anexo 03, fls. 159), a Saint Gobain tinha a obrigação de apresentar relatório completo das operações realizadas no mês anterior, por meio de um Informe de Rendimentos, a cada uma das sociedades contratantes. No presente caso, o Informe de Rendimentos fornecido pela SaintGobain a Recorrente, do qual constavam os valores das receitas e IRRF relativos ao exercício de 2003, anocalendário de 2002, encontramse no Anexo 04 da Impugnação. o) O Informe de Rendimento é o documento idôneo a suportar seus lançamentos contábeis, uma vez que os Informes de Rendimentos das instituições financeiras, como esclarecido anteriormente, são elaborados apenas em nome de SaintGobain, mandatária das empresas e titular da conta condominial única, mesmo que, frisese, referissemse a receitas auferidas por todas as sociedades integrantes do Acordo. p) A adoção de tal procedimento, prescrito no Acordo, sempre esteve em consonância com a legislação tributária, tanto que encontra amparo expresso na regulamentação posteriormente emitida pela Secretaria da Receita Federal, que reconhece não somente a intermediação de recursos para aplicações em fundos de investimento administrados por outra pessoa jurídica, mas, ainda, a possibilidade de emissão de Informes de Rendimentos pelo intermediário. q) A própria DRJ/CPS reconheceu que a Recorrente informou na Linha 24 (Outras Receitas Financeiras) da Ficha 06 A (Demonstração do Resultado) e na Ficha 43 (Demonstração do Imposto de Renda Retido na Fonte, sob o código de receita 6800 Fl. 462DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/02 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10830.007598/200723 Resolução n.º 1803000.050 S1TE03 Fl. 11 11 (Aplicações Financeiras em Fundos de Investimentos Renda Fixa) da sua DIPJ as receitas financeiras auferidas em função das aplicações realizadas através do Acordo supra citado. Ora, as constatações da DRJ/CPS apenas corroboram as informações constantes nos Informes de Rendimentos apresentados pela Recorrente, que confirmam o seu direito ao crédito de IRRF. r) A Fiscalização Federal não pode exigir da Recorrente a apresentação de documentos fiscais e contábeis da propriedade de outra empresa, completamente independente e autônoma. Tal ‘necessidade’ sustentada pelo v. acórdão proferido pela 4ª Turma da DRJ/CPS mostrase uma tentativa desesperada de se manter o posicionamento fazendário nesse caso e exigir o credito tributário da Recorrente, o que não pode ser admitido por esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. s) Cita acórdão da 2ª Turma da Delegacia de Julgamento em Brasília, no âmbito do processo n.° 13116.001605/20015, em que foi cancelada a glosa do IRRF de outra empresa do grupo que também subscreveu o Acordo. Afirma que o acórdão da DRJ/CPS interpretou este acórdão de forma a considerar essenciais para o reconhecimento do direito ao crédito do IRRF a escrituração contábil e fiscal da Recorrente. t) A Recorrente foi intimada da lavratura dos autos de infração e intimação em 01 de outubro de 2007, por meio da intimação pessoal de seu representante legal. Naquela data, já havia se exaurido o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo ao período compreendido entre janeiro e setembro de 2002. É o relatório. Voto Conselheira Selene Ferreira de Moraes A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 02/12/2010 (AR de fls. 417). O recurso foi protocolado em 30/12/2010, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. Aduz a recorrente que a decisão recorrida é nula por ter dispensado a realização de diligência, sob o fundamento de que tal providência não se fazia necessária, o que afronta o princípio da busca da verdade material. No Decreto n° 70.235/1972 estão previstas duas hipóteses de nulidade dos atos administrativos: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” A decisão de primeira instância foi proferida por autoridade competente, devendo ser analisado apenas se a dispensa de diligência no acórdão recorrido ocasionou o Fl. 463DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/02 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10830.007598/200723 Resolução n.º 1803000.050 S1TE03 Fl. 12 12 cerceamento do direito de defesa do contribuinte. Não é a violação ao princípio da verdade material que gera a nulidade do ato, mas sim, a “preterição do direito de defesa”. O princípio da ampla defesa e do contraditório está elencado no artigo 5º, letra LV da Constituição Federal, que assim dispõe: “Aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes”. A simples leitura do dispositivo constitucional demonstra, de pronto, que não ocorreu qualquer violação ao princípio do contraditório e da ampla defesa nele esculpidos, posto que, no caso vertente, a recorrente teve ciência de todos os termos lavrados pela fiscalização, sendolhe concedido o prazo necessário para a apresentação de todas as provas ao seu alcance para exonerarse da pretensão fiscal. As garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa foram rigorosamente respeitadas, na medida em que foi oportunizado ao contribuinte, em todas as fases processuais, o exame do processo e a obtenção das cópias das peças que o integram. A instauração do contraditório está demonstrada, de modo inequívoco, mediante a notificação do lançamento e a concessão do prazo de trinta dias para a contribuinte pagar ou impugnar o feito, podendo então, nessa ocasião, apresentar as razões de fato e de direito que militam a seu favor e produzir todas as provas admitidas no direito, para corroborar suas alegações, requerendo, inclusive, a realização de diligências e perícias. Contudo, vale observar que a realização de diligência ou perícia, embora possa ser solicitada pela parte, é providência determinada em função do juízo formulado pela autoridade julgadora quanto à sua necessidade para o esclarecimento de pontos obscuros ou que exijam conhecimento especializado. A diligência não se presta para suprir as deficiências das partes na apresentação de provas de sua responsabilidade, consoante estabelecido no artigo 18 do Decreto n° 70.235, de 1972, verbis: "Art. 18 A autoridade administrativa de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine.” Como se vê, contrariamente ao que entende a recorrente, a realização de diligências ou de perícias tem por finalidade a formação da convicção do julgador. Por isso mesmo, dálhe a lei a faculdade de decidir, discricionariamente, se é o caso de deferir o pedido do contribuinte ou não, e mesmo sem pedido do contribuinte, determinar as que julgar necessárias, de ofício. No presente caso, a autoridade recorrida, assim se manifestou sobre a necessidade de realização de diligências (fls. 226/227): “52. Estes fatos, em conjunto com a apresentação do contrato de fls.150/164, podem indicar indícios de que a contribuinte teria auferido rendimentos financeiros através da intermediação da empresa de Fl. 464DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/02 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10830.007598/200723 Resolução n.º 1803000.050 S1TE03 Fl. 13 13 assessoria envolvida, inclusive com a retenção do imposto devido na fonte. 53. No entanto, apesar dos indícios relatados, caberia à interessada comprovar, de forma contundente e inequívoca, de que as receitas financeiras em questão foram, de fato, oferecidas à tributação, bem como de que o IRRF incidente sobre elas foi retido pelas fontes pagadoras dos rendimentos. (...) 59. Cabe acrescer que tal comprovação deveria ter sido efetuada pela contribuinte na apresentação da impugnação, momento previsto na legislação para tanto (Decreto n.° 70.235, de 06 de março de 1.972), o que não ocorreu. 60. Nesse sentido, no tocante às diligências implicitamente requisitadas pela autuada, ao referirse à análise de arquivos eletrônicos, tal providência reservase à elucidação de pontos duvidosos ou não suficientemente esclarecidos nos autos, necessária para o deslinde da questão controversa, não se justificando sua realização quando as provas e os documentos presentes nos autos são suficientes para a formação da convicção e elaboração da decisão no processo administrativo. 61. Esclareçase que, se o julgador, diante das provas produzidas pela autoridade lançadora e pelo sujeito passivo, se confrontar com dúvidas sobre a ocorrência ou natureza do fato jurídico tributário, pode providenciar a realização de diligências especificas, conforme sua convicção. 62. Entretanto, o objetivo da diligência não se presta à juntada de provas pela autoridade lançadora, ou pela contribuinte, mas sim a esclarecer e formar a convicção do julgador diante de dúvidas que possam impedir a apreciação da lide, surgidas a partir das provas já presentes e disponíveis nos autos, sejam elas de responsabilidade da fiscalização ou do sujeito passivo da obrigação tributária.” A leitura do trecho acima reproduzido nos leva à conclusão de que as premissas fundamentais do voto condutor do acórdão são duas: i) o ônus da prova do oferecimento dos rendimentos à tributação e da retenção na fonte cabe ao contribuinte; ii) a comprovação deve ser feita por ocasião da apresentação da impugnação. O Código de Processo Civil estabelece em seu art. 333, incisos I e II, a quem incumbe o ônus da prova: “Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.” Arruda Alvim, em sua obra “Manual de Direito Processual Civil”, assim se manifesta sobre as conseqüências do descumprimento do ônus da prova: Fl. 465DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/02 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10830.007598/200723 Resolução n.º 1803000.050 S1TE03 Fl. 14 14 “De um modo geral, podemos dizer que, recaindo sobre uma das partes o ônus da prova relativamente a tais e quais fatos, não cumprindo esse ônus e inexistindo nos autos quaisquer outros elementos, pressuporseá um estado de fato contrário a essa parte. Assim, quem devia provar e não o fez perderá a demanda.” (ALVIM, Arruda. Manual de direito processual civil, volume 2: processo de conhecimento, 11. ed.rev., ampl. e atual. – São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2007). Não há contradição entre a afirmação de que há indícios da existência do crédito de IRRF e o indeferimento da diligência. Indícios não são prova, e a decisão recorrida tem como pressuposto o entendimento de que o ônus da prova é do contribuinte. Para ela, não tendo a contribuinte se desincumbido satisfatoriamente deste ônus, o direito pleiteado não merece ser acolhido. Em síntese, a preliminar de nulidade da decisão recorrida deve ser afastada pelos seguintes motivos: • As garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa foram rigorosamente respeitadas no curso do processo administrativo. • A contribuinte não solicitou explicitamente a realização de diligência, uma vez, que segundo o seu entendimento o Informe de Rendimentos emititido pela SaintGobain é documento hábil e suficiente a respaldar a apropriação do IRRF. • A realização de diligência ou perícia, embora possa ser solicitada pela parte, é providência determinada em função do juízo formulado pela autoridade julgadora quanto à sua necessidade. • A decisão recorrida entendeu que o Informe de Rendimentos não é prova suficiente para demonstrar a retenção. Para ela há necessidade da escrituração contábil e fiscal, acompanhada dos documentos que comprovem ou evidenciem os fatos contábeis. • Não há contradição entre a afirmação da existência de indícios do direito creditório e o indeferimento de diligência. O entendimento fundamentado acerca do ônus da prova, do momento de apresentálas, e de sua insuficiência para comprovar o direito pleiteado, não configura preterição do direito de defesa, não havendo que se falar em nulidade do acórdão recorrido. Afastada a preliminar de nulidade, prosseguimos na análise dos argumentos apresentados pela recorrente. De acordo com o § 4° do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, as provas devem ser trazidas na impugnação, não ocorrendo a preclusão do direito do litigante trazêla em outro momento processual, quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. A recorrente anexou novos documentos para contrapor os fundamentos da decisão recorrida, que entendeu que os elementos apresentados na ocasião eram insuficientes para dar sustentação à veracidade do IRRF aproveitado na liquidação das estimativas mensais e no encerramento do ano calendário. Fl. 466DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/02 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10830.007598/200723 Resolução n.º 1803000.050 S1TE03 Fl. 15 15 Por conseguinte, as provas trazidas na fase recursal cópia da conta n° 1370051 do livro razão referente ao ano de 2002 (fls. 418/420) devem ser apreciadas, em face do disposto na alínea “c”, do § 4° do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972. Ao analisarmos o procedimento fiscal constatamos que a contribuinte foi intimada 3 vezes – 09/02/2007, 23/03/2007 e 09/05/2007 a comprovar, com documentação hábil e idônea, o IRRF (fls. 100/102). Diante do silêncio da contribuinte não restou outra alternativa à fiscalização, senão a de efetuar a glosa do IRRF, por falta de comprovação: “Após nova intimação, sem obtenção de esclarecimento, concluiuse pela glosa dos valores não comprovados deduzidos na DIPJ/2003 a título de imposto de renda incidente na fonte no calendário 2002 no montante de R$ 311.914,87 ( R$295.653,48 deduzido mensalmente na ficha 11 + R$16.261,39 deduzido na apuração anual na ficha 12A)” A recorrente não apresentou o “Instrumento particular de acordo plurilateral para movimentação de recursos” à fiscalização, o que impediu o aprofundamento da auditoria na fase inquisitória. Tal como a decisão recorrida considero os informes de rendimentos constantes dos autos, por si só, insuficientes para comprovar a retenção. Notese que, na realidade, o documento designado como “informe de rendimentos” (fls. 169/170), não corresponde ao documento gerado a partir da Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF, uma vez que a SaintGobain Assessoria e Administração não reteve, nem recolheu o imposto. É oportuno transcrever o trecho do Acordo Plurilateral citado na decisão recorrida: “2.1. As CONTRATANTES farão, entre si, empréstimos em dinheiro, através de suprimentos de numerário em moeda corrente, cheques, ordens de pagamento, documentos de crédito e débito e/ou transferências de saldos, sendo os valores correspondentes lançados a crédito da mutuante e a débito da mutuária, observadas as formalidades legais. 2.2. Os empréstimos serão efetuados e comprovados, em cada caso, pelos documentos que refletirão as transferências de recursos, e pelos respectivos lançamentos na contabilidade das CONTRATANTES envolvidas na operação, dando como origem o presente contrato. Os valores objeto de mútuo serão devolvidos pela CONTRATANTE mutuária total ou parcialmente, nos termos acordados em cada caso, observado o disposto no item 9.2, infra, deste instrumento.” Entendo ser necessária, além dos informes de rendimentos, a apresentação dos documentos que refletem as transferências de recursos, nos termos do acordo celebrado. Em outras palavras, da documentação que comprova as informações constantes do documento de fls. 169/170. Fl. 467DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/02 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10830.007598/200723 Resolução n.º 1803000.050 S1TE03 Fl. 16 16 A documentação constante dos autos – informe de rendimentos e lançamentos na conta IRRF a recuperar (ilegível nos autos) – se não prova a retenção, é suficiente para tornar necessária a realização de diligências. O que procurei demonstrar até o presente momento foi a necessidade de maiores informações para formar a convicção a respeito da validade da glosa efetuada pela fiscalização. Por isso, considero necessária a realização de diligência, para as providências e verificações a seguir relacionadas: a) Explicitar a forma de contabilização utilizada para registrar os fatos contábeis decorrentes da execução do Acordo Plurilateral de Movimentação de Recursos Financeiros (contas e lançamentos efetuados). b) Apresentar à autoridade administrativa a escrituração contábil relativa aos lançamentos das transferências de saldos entre a mutuante e a mutuária (claúsula 2.1). c) Apresentar à autoridade administrativa os comprovantes das transferências de recursos suprimentos de numerário em moeda corrente, cheques, ordens de pagamento, documentos de crédito e débito e/ou transferências de saldos (claúsulas 2.1. e 2.2). d) Apresentar à autoridade administrativa os documentos que comprovem as informações constantes do informe de fls. 169/170. e) Confirmação de que os rendimentos foram oferecidos à tributação. A documentação deverá ser apresentada à autoridade administrativa encarregada do procedimento, a fim de seja efetuada auditoria das informações constantes do relatório de fls. 169/170. A autoridade administrativa deverá: i) elaborar relatório conclusivo, ressalvadas a prestação de informações adicionais e a juntada de outros documentos que entender necessários; ii) entregar cópia do relatório à recorrente, e concederlhe prazo para que se pronuncie sobre as suas conclusões. Após estes procedimentos os autos deverão retornar a este Conselho. Conclusão Pelo exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência nos termos acima propostos. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 468DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/02 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 12448.910219/2010-29
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2006
DIREITO CREDITÓRIO. APRECIAÇÃO APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. INEXATIDÃO MATERIAL. PROVAS.
A retificação da DCTF, depois de prolatado o despacho decisório, não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre o erro, e por conseguinte, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado., por meio de prova idônea Assim, ante a comprovação de inexatidão material no preenchimento da DCOMP, há a possibilidade de retomar a análise do direito creditório. Súmula CARF nºs 164 e 168.
Numero da decisão: 1003-002.885
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para fins de reconhecimento da possibilidade de formação de indébito por se referir a fato ou a direito superveniente, ante os documentos apresentados em de manifestação de inconformidade e aplicação das determinações da Parecer Normativo COSIT nº 2/2015 e Súmulas CARF nºs 164 e 168, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRF de Origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp devendo o rito processual seja reiniciado mediante prolação de despacho decisório complementar. Destaque-se que a Unidade de Origem deverá considerar em sua investigação todas as provas colacionadas aos presentes autos e, caso entenda necessário, deverá intimar o contribuinte para apresentar provas complementares garantindo-lhe o cumprimento dos princípios da ampla defesa e do contraditório.
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Márcio Avito Ribeiro Faria, Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2006 DIREITO CREDITÓRIO. APRECIAÇÃO APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. INEXATIDÃO MATERIAL. PROVAS. A retificação da DCTF, depois de prolatado o despacho decisório, não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre o erro, e por conseguinte, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado., por meio de prova idônea Assim, ante a comprovação de inexatidão material no preenchimento da DCOMP, há a possibilidade de retomar a análise do direito creditório. Súmula CARF nºs 164 e 168.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2006 DIREITO CREDITÓRIO. APRECIAÇÃO APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. INEXATIDÃO MATERIAL. PROVAS. A retificação da DCTF, depois de prolatado o despacho decisório, não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre o erro, e por conseguinte, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado., por meio de prova idônea Assim, ante a comprovação de inexatidão material no preenchimento da DCOMP, há a possibilidade de retomar a análise do direito creditório. Súmula CARF nºs 164 e 168. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para fins de reconhecimento da possibilidade de formação de indébito por se referir a fato ou a direito superveniente, ante os documentos apresentados em de manifestação de inconformidade e aplicação das determinações da Parecer Normativo COSIT nº 2/2015 e Súmulas CARF nºs 164 e 168, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRF de Origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp devendo o rito processual seja reiniciado mediante prolação de despacho decisório complementar. Destaque-se que a Unidade de Origem deverá considerar em sua investigação todas as provas colacionadas aos presentes autos e, caso entenda necessário, deverá intimar o contribuinte para apresentar provas complementares garantindo-lhe o cumprimento dos princípios da ampla defesa e do contraditório. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Márcio Avito Ribeiro Faria, Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 91 02 19 /2 01 0- 29 Fl. 286DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-002.885 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.910219/2010-29 Relatório Trata-se de recurso voluntário contra acórdão de nº 109-001.440, de 24 de setembro de 2020, proferido pela 12ª Turma da DRJ09, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, não conhecendo do direito creditório. Por bem descrever os fatos e por economia processual, adoto o relatório da decisão da DRJ, nos termos abaixo, que será complementado com os fatos que se sucederam: Por meio do Despacho Decisório (eletrônico) de fls. 77, foi declarada a não homologação da DCOMP 36724.76728.070207.1.3.04-1771, na qual foi utilizado crédito a título de pagamento a maior oriundo de um DARF de Imposto de Renda Retido na Fonte, no importe de R$ 388.833,98, código de receita 0561, recolhido em 26/12/2006. A não homologação dessa DCOMP gerou um valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, no montante de R$ 2.934,17, acrescido de multa de mora e juros de mora. Na fundamentação do referido despacho, consta que: Irresignada, a contribuinte encaminhou a manifestação de inconformidade de fls. 83-87, na qual alegou, basicamente, o seguinte: a) De fato, a contribuinte informou na DCOMP que o crédito seria oriundo de pagamento em DARF no valor de R$ 388.833,98, referente ao código de receita 0561, vencimento 26/12/2006. No entanto, o recolhimento a maior que daria ensejo à compensação é outro: IRFF de 08/2006, no valor de R$ 315.967,55, recolhido em 08/09/2006; b) Após recalcular o tributo devido na competência 08/2006, a Recorrente constatou que haveria um crédito de R$ 2.79767, o qual foi utilizado na DCOMP objeto do despacho decisório ora recorrido; c) A Recorrente retificou a DCTF respectiva, para ajustar o valor do IRRF efetivamente devido no mês de 08/2006, formalizando assim, a existência do crédito pleiteado; d) Não obstante a não homologação da DCOMP tenha decorrido de imprecisões no preenchimento da declaração de compensação por parte do contribuinte, é certo que tal Fl. 287DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-002.885 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.910219/2010-29 imprecisão não tem o condão de afastar a efetiva existência do crédito, tampouco motivar a não homologação da compensação. Erros materiais não podem culminar na negativa do direito creditório da empresa. Invocou em defesa de seu entendimento o disposto no caput do art. 74 da Lei nº 9.430/96, combinado com os §§ 1º e 2º, bem como os princípios da legalidade, informalismo (formalismo moderado), proporcionalidade, razoabilidade e verdade material; e) Por fim, fez referência a precedentes do CARF (fls. 86-87), decidindo que “uma vez demonstrado erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal”. Por sua vez, a 12ª Turma da DRJ09 julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, sob o argumento de que, ante a constatação de erro no preenchimento do Per/Dcomp, em vez de a Recorrente apresentar outra declaração de compensação “para solicitar a restituição ou compensação do aludido crédito, optou por apresentar manifestação de inconformidade em face do Despacho Decisório de fls. 77, o qual, conforme visto, apresenta-se inteiramente correto, sob os pontos de vista material e formal”. Inconformada, a Recorrente apresentou recurso voluntário nos seguintes termos: “1. Trata-se de recurso voluntário interposto contra acórdão da DRJ 09, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por considerar inexistente o crédito pleiteado, uma vez que o DARF teria sido utilizado integralmente para quitar um débito do mesmo valor. A decisão, entretanto, deve ser anulada, ao efeito de que seja devida-mente apreciada a compensação declarada, a partir das premissas fáticas que circunscrevem a hipótese; ou reformada, a fim de que se reconheça a existência do crédito de IRRF utilizado pela Recorrente na compensação levada a efeito neste processo administrativo, homologando-a integralmente. 2. Em breve histórico processual, tem-se que, no presente caso, a contro-vérsia diz respeito à declaração de compensação registrada sob o nº 36724.76728.070207.1.3.04- 1771 (fls. 10/15), no valor total de R$ 2.934,17, no âmbito da qual informou como tipo de crédito “pagamento indevido ou a maior”, oriundo de um DARF de IRRF, no importe de R$ 388.833,98, código de receita 0561, recolhido em 26/12/2006. Examinando a referida declaração de compensação, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba, por meio de despacho eletrônico, não a homologou, consignando a fundamentação da decisão: “Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 2.789,67 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados pa-ra quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Fl. 288DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-002.885 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.910219/2010-29 Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 30/09/2010” (fl. 02) Não concordando com o entendimento da autoridade administrativa, a Recorrente apresentou a respectiva manifestação de inconformidade (fls. 2/6), justificando a existência do seu direito creditório, bem como esclarecendo que houve um equívoco no preenchimento da PER/DCOMP e que o pagamento a maior era originário do direito creditório correspondia a um DARF de IRRF de 08/2006, no valor de R$ 315.967,55, recolhido em 08/09/2006. A DRJ/09, no entanto, rejeitou a compensação, sob a premissa de que o equívoco no preenchimento da declaração de compensação seria óbice para o reconhecimento do direito creditório da Recorrente: (...) Ocorre que, ao considerar não homologada a compensação objeto da manifestação de inconformidade, o v. acórdão recorrido acabou olvidando-se da realidade fática que circunscreve o caso concreto, apoiando-se em razões de natureza eminentemente formal, inaplicáveis ao caso, as quais, portanto, não se justificam. 3. Consoante já destacado, a Recorrente informou na PER/DCOMP (fls. 10/15) que o crédito seria oriundo de pagamento em DARF no valor de R$ 388.833,98, referente ao código de receita 0561, vencimento 26/12/2006. Ocorre que, conforme já demonstrado em sua manifestação de inconformidade, o recolhimento a maior ou indevido que dá ensejo à compensação é outro: IRRF de 08/2006, no valor total de R$ 315.967,55, recolhido em 08/09/2006 (fl. 19). O equívoco no preenchimento da PER/DCOMP respectiva (fls. 10/15) levou à não homologação da compensação pretendida, sem que fosse considerada a realidade fática que circunscreve a hipótese dos autos. Com efeito, in casu, após recalcular o tributo devido na competência 08/2006, a Recorrente constatou que haveria um crédito de R$ 2.789,67, o qual foi utilizado na PER/DCOMP objeto do despacho decisório ora recorrido. O recálculo do IRRF da competência 08/2006 se deve ao fato de que a Recorrente acabou computando na base de cálculo do tributo valores de verbas rescisórias, relativamente à funcionária BEATRIZ HELENA PACINI AULER (matrícula 3091066). Contudo, conforme atesta a documentação anexa (fls. 20/30), a rescisão do contrato de trabalho programada para a referida funcionária foi cancelada, tendo em vista o seu efetivo afastamento ocorreu em outro mês. Da documentação acostada à manifestação de inconformidade – sequer examinada pela DRJ - verifica-se que, inicialmente, foi feito o desligamento da referida funcionária por motivo de falecimento com data de 24/08/2006, e o imposto de renda do período foi devidamente recolhido (R$ 2.789,67) – fl. 20-21. Posteriormente, quando informada que a data correta do falecimento era 22/07/2006, a Empresa procedeu ao cancelamento da primeira rescisão, com os ajustes pertinentes na folha de pagamento, bem como com o recolhimento do IRRF de 07/2006 (com os acréscimos legais de multa e juros) - fl. 22. Fl. 289DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-002.885 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.910219/2010-29 Ou seja, como a Empresa equivocou-se quando da apuração do seu IRRF de 08/2006, incluindo na sua base cálculos valores indevidos, houve um excesso de retenção do imposto de renda, na ordem de R$ 2.789,67, consoante se verifica da planilha anexa (fl. 24-30), exatamente o crédito original pleiteado pela Recorrente. A Recorrente retificou a DCTF respectiva (fls. 31-35), para ajustar o valor do IRRF efetivamente devido no mês de 08/2006, formalizando, assim, a existência do crédito por si aproveitado. Ora, nada obstante o indeferimento da compensação tenha decorrido de imprecisões no preenchimento da declaração de compensação, é certo que essa imperfeição restou superada com os esclarecimentos prestados com a manifestação de inconformidade, evidenciando que a realidade documental e contábil da situação é outra e confirmando a existência e a suficiência do direito creditório pleiteado. Desse modo, está configurado o “pagamento a maior ou indevido”, passível de aproveitamento em procedimentos de restituição/compensação (cf. artigo 74 da Lei 9.430/1996, com a redação da pela Lei nº 10.637/2002). 4. Diferente do que entendeu o v. acórdão recorrido, meras questões formais, como o equívoco no preenchimento da PER/DCOMP, não possuem o condão de afastar a efetiva existência do crédito, tampouco motivar o indeferimento da compensação. É consenso que meros erros materiais não podem culminar na negativa do direito creditório da Empresa! Veja-se que a r. decisão recorrida não infirma os elementos de prova trazidos em manifestação de inconformidade, sequer analisando o mérito, limitando-se a afirmar que a homologação da compensação somente seria possível caso o DARF de IRRF 08/2006 tivesse sido originalmente apresentado no PER/DCOMP em análise. O fato do crédito indicado no PER/DCOMP não ter sido adequadamente informado, não induz ao indeferimento automático da compensação, como equivocadamente pretende o r. decisum recorrido. Ao contrário do que restou decidido, o simples erro (material) na indicação precisa do crédito aproveitado pela Recorrente não pode prejudicar a compensação efetivamente realizada, devendo prevalecer a verdade dos fatos sobre os requisitos formais. Não há, como concluiu o despacho decisório, falta total de identidade entre as situações! Embora os fatos geradores sejam diversos, iguais são o contribuinte, o código de retenção e o valor do crédito originário, aliados à prova documental realizada pela Recorrente, a permitir o reconhecimento do crédito apontado. Quanto ao entendimento da DRJ/09 de que no momento da ciência do despacho decisório “a contribuinte ainda dispunha de muito tempo hábil para pleitear o aproveitamento do crédito que ora alega possuir”, a Recorrente ressalta que somente tomou conhecimento do seu equívoco após a prolação de despacho decisório. Dessa forma, tendo em vista a impossibilidade de retificação da declaração de compensação após a ciência do despacho decisório, a Contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade, trazendo toda a documentação comprobatória que embasa o direito creditório em sua manifestação de inconformidade. Fl. 290DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1003-002.885 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.910219/2010-29 Uma vez cabalmente demonstrada a origem do crédito, não há nenhum óbice que seja reconhecido o direito creditório a partir das informações apresentadas pelo contribuinte em âmbito de manifestação de inconformidade, sendo despropositada a exigência de que seja apresentada uma nova PER/DCOMP para a homologação do crédito. 5. Com efeito, independentemente do equívoco da Contribuinte no preenchimento da PER/DCOMP, a verdade é que a finalidade da norma que prevê a compensação foi atingida, não se podendo colocar a forma do ato em plano superior à realidade da situação, em face da observância de diversos princípios norteadores do processo administrativo. Assim, a observância ao disposto no caput do art. 74, da Lei nº 9.430/96, combinado com os §§ 1º e 2º, aliada aos princípios da legalidade, do informalismo (ou do formalismo moderado), da proporcionalidade, da razoabilidade e da verdade material (arts. 5º e 37, da CF/88), demonstram que a não homologação de parte da compensação revela rigor formal extremado da administração, incompatível com o caso concreto. Frise-se ainda que, o fato de o equívoco da Recorrente ter sido a indicação de DARF distinto na declaração de compensação não afasta a aplicação dos princípios antes mencionados, como quis fazer a r. decisão recorrida. Isso porque não há nenhuma disposição legal, tampouco ressalva na jurisprudência administrativa, que permita criar essa limitação. Ainda nessa esteira, é importante considerar que o processo administrativo tributário tem por característica precípua conferir liquidez e certeza ao crédito tributário. Dessa forma, e tendo em vista que os elementos trazidos aos autos pela Recorrente em sede de manifestação de inconformidade podem conduzir à efetivação do seu direito à compensação, os novos argumentos devem ser analisados, até mesmo pelo interesse público inerente à atuação administrativa. A propósito, corrobora o exposto a existência de regras que impõe à Administração Pública o dever de retificar de ofício declarações e lançamentos de créditos tributários eivados de erro, consoante o disposto nos arts. 147, § 2º e 149, IV e V, do CTN. Tanto é assim, que nem o art. 170 do CTN, tampouco o art. 74 da Lei nº 9.430/96, trouxeram a impossibilidade de alterar a origem do crédito informado em declaração de compensação após a emissão de despacho decisório, razão pela qual impõe-se a reforma do v. acórdão de origem, quando impõe restrição não prevista em lei para manter o indeferimento do crédito requerido pela Recorrente. Vale destacar, ainda, que a decisão recorrida não demonstrou nenhum tipo de prejuízo para a administração com a homologação da compensação. Até porque, prejuízo não há! Na verdade, a Recorrente não deixou de propiciar à autoridade administrativa as informações necessárias ao conhecimento da existência de diversas obrigações tributárias suas, quando enviou eletronicamente o PER/DCOMP (o que demonstra a relevância do comportamento do contribuinte), de modo que a eventual imperfeição relacionada à forma de entrega da declaração não pode contaminar o próprio direito. É nesse sentido que a jurisprudência do Eg. CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) reconhece que, em casos análogos ao presente, uma vez demonstrada a existência do crédito pelo contribuinte, o erro material no preenchimento da declaração não constitui óbice insuperável, por força do princípio da verdade material e do formalismo moderado: (...) Fl. 291DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1003-002.885 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.910219/2010-29 Nessa linha de pensamento, conclui-se que a verdade material não pode ser mitigada em face de mero erro formal no preenchimento de declaração, já que a existência e a suficiência do crédito pleiteado restam amplamente demonstradas. 6. Desse modo, uma vez que a não homologação da compensação se fun-damenta em questões meramente formais, sem levar em conta a realidade fática que circuns-creve o presente processo administrativo, a anulação/reforma do v. acórdão recorrido é medida que se impõe. 7. PELO EXPOSTO e com os suprimentos de Vossas Senhorias, a Recorrente espera seja provido o presente recurso, anulando-se o v. acórdão recorrido, a fim de que os autos retornem à origem para apreciar a PER/DCOMP, com a análise do crédito de IRRF, recolhido em 08/2006. Subsidiariamente, acaso não anulada a decisão recorrida, a mesma deve-rá ser reformada por esse Eg. Conselho, ao efeito de que reste reconhecido o direito creditório da Recorrente, homologando a compensação declarada, nos termos da fundamentação antes deduzida”. É o relatório. Voto Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relatora. O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Conforme já relatado, o presente processo versa acerca de Per/Dcomp nº 36724.76728.070207.1.3.04-1771 em que foi informado crédito a título de pagamento a maior oriundo de um DARF de Imposto de Renda Retido na Fonte, no importe de R$ 388.833,98, código de receita 0561, recolhido em 26/12/2006. Por meio do Despacho Decisório, às e-fls. 77, referida compensação não foi homologada sob a alegação de inexistência do aludido crédito, uma vez que o pagamento no valor de R$ 388.833,98, código de receita 0561, recolhido em 26/12/2006, teria sido inteiramente utilizado para quitar um débito de mesmo valor, referente ao período de apuração 20/12/2006, resultando em valor devido no montante de R$ 2.934,17, acrescido de multa de mora e juros de mora. Ao tomar ciência da não homologação da compensação, a Recorrente interpôs suas razões de defesa alegando que o recolhimento a maior que daria ensejo à compensação é outro, ou seja, é o Imposto de Renda Retido na Fonte, de 08/2006, no valor de R$ 315.967,55, recolhido em 08/09/2006 e que teria retificado a DCTF respectiva, para ajustar o valor do IRRF efetivamente devido no mês de 08/2006, formalizando assim, a existência do crédito pleiteado. Fl. 292DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1003-002.885 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.910219/2010-29 Argumenta, ainda que imprecisões no preenchimento da declaração de compensação por parte do contribuinte, não tem o condão de afastar a efetiva existência do crédito e apresentou documentos que comprovariam o erro em questão e, por conseguinte, a liquidez e certeza do direito creditório. A DRJ apreciou a manifestação de inconformidade, porém, não reformou o despacho decisório e manteve o não reconhecimento do crédito tributário, sob o argumento de ausência de prova, cujos trechos do voto condutor do acórdão recorrido seguem transcritos: “(...) Diante dos fatos acima expostos, é forçoso reconhecer que não assiste razão à impugnante. De plano, cumpre registrar que o Despacho Decisório de fls. 77 foi absolutamente correto. Em face da inexistência de qualquer crédito oriundo do pagamento apontado pela contribuinte (DARF de R$ 388.833,98, código de receita 0561, vencimento 26/12/2006.) impunha-se a não homologação da compensação pleiteada. A contribuinte reconheceu que se equivocou completamente ao preencher os campos correspondentes ao crédito pleiteado na DCOMP sob análise, a qual foi originalmente transmitida em 07/02/2007. Aparentemente, a contribuinte somente percebeu seu equívoco quando foi cientificada do Despacho Decisório de fls. 77, em 21/09/2010 (v. fls. 09). Até aquele momento, a contribuinte não havia tomado qualquer providência visando retificar as informações prestadas na DCOMP em apreço. No momento em que percebeu o equívoco cometido (21/09/2010), a contribuinte ainda dispunha de muito tempo hábil para pleitear o aproveitamento do crédito que ora alega possuir (recolhimento efetuado a título de IRFF de 08/2006, no valor de R$ 315.967,55, recolhido em 08/09/2006). A contribuinte, contudo, em vez de apresentar outra PER/DCOMP para solicitar a restituição ou compensação do aludido crédito, optou por apresentar manifestação de inconformidade em face do Despacho Decisório de fls. 77, o qual, conforme visto, apresenta-se inteiramente correto, sob os pontos de vista material e formal. A pretensão da contribuinte não pode prosperar. Acatar a alteração do crédito, conforme pretendido pela contribuinte, implicaria atribuir competência para este colegiado julgador apreciar originariamente uma nova DCOMP, completamente diferente da que efetivamente foi apresentada pela contribuinte, em 07/02/2007. Não existe nenhuma correlação lógica (fática ou jurídica) entre os fatos geradores de IRRF ocorridos em dezembro de 2009 (conforme DCOMP) e agosto de 2009 (conforme pleito da contribuinte, formulado apenas na fase de manifestação de inconformidade). Os precedentes do CARF mencionados pelo contribuinte não possuem eficácia geral, por ausência de norma legal que lhe atribua o status de norma complementar da legislação tributária, nos termos do art. 100 do CTN. Fl. 293DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 1003-002.885 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.910219/2010-29 Além disso, os aludidos Acórdãos versam sobre questões totalmente distintas da que ora se analisa. Nos casos apreciados pelo CARF, tratava-se de simples erros de preenchimento da DCOMP, perfeitamente sanáveis, sem implicar a análise originária de um novo pleito de compensação pelo colegiado julgador. No presente caso, contudo, a pretensão da contribuinte configura um pedido de compensação totalmente distinto, referente a fatos geradores diferentes, sem nenhuma correlação lógica (fática ou jurídica) entre si”. Por sua vez a Recorrente, em seu recurso voluntário, ratificou as informações e argumentos constantes na manifestação de inconformidade de que “o fato de o equívoco da Recorrente ter sido a indicação de DARF distinto na declaração de compensação não afasta a aplicação dos princípios antes mencionados, como quis fazer a r. decisão recorrida. Isso porque não há nenhuma disposição legal, tampouco ressalva na jurisprudência administrativa, que permita criar essa limitação”. Destarte, entendo assistir à Recorrente em seu pleito. Explique-se. Percebe-se, pelo teor da decisão recorrida, que não houve uma apreciação mais aprofundada ou detalhada pela DRJ das razões de defesa apresentadas com a manifestação de inconformidade, incluindo os cópias de documentos carreados aos autos. e que foram reiteradas no recurso voluntário. Para a DRJ, o pleito da Recorrente seria, na verdade, um pedido de retificação de DCOMP e que não teria competência para apreciá-lo. Insta pinçar novamente fragmento do acórdão de piso: “Acatar a alteração do crédito, conforme pretendido pela contribuinte, implicaria atribuir competência para este colegiado julgador apreciar originariamente uma nova DCOMP, completamente diferente da que efetivamente foi apresentada pela contribuinte, em 07/02/2007. Não existe nenhuma correlação lógica (fática ou jurídica) entre os fatos geradores de IRRF ocorridos em dezembro de 2009 (conforme DCOMP) e agosto de 2009 (conforme pleito da contribuinte, formulado apenas na fase de manifestação de inconformidade). No entanto, os “erros” alegados podem ser entendidos como “inexatidões materiais” cometidas pela interessada ao informar os valores do saldo negativo e das retenções na fonte na declaração de compensação. E, nos termos do art. 149 do Código Tributário Nacional, as inexatidões materiais são passíveis de serem corrigidas de ofício ou a pedido do sujeito passivo. Ademais, em relação à retificação de ofício de débitos confessados, o Parecer Normativo Cosit nº 08, de 03 de setembro de 2014, orienta: Fl. 294DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 1003-002.885 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.910219/2010-29 Conclusão 81. Em face do exposto, conclui-se que: c) a revisão de ofício de despacho decisório que não homologou compensação pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese de ocorrer erro de fato no preenchimento de declaração (na própria Dcomp ou em declarações que deram origem ao débito, como a DCTF e mesmo a DIPJ, quando o crédito utilizado na compensação se originar de saldo negativo de IRPJ ou de CSLL), desde que este não esteja submetido aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes; [...] e) o despacho decisório é o instrumento adequado para que a autoridade administrativa local efetue a revisão de ofício de lançamento regularmente notificado, a retificação de ofício de débito confessado em declaração, e a revisão de ofício de despacho decisório que decidiu sobre reconhecimento de direito creditório e compensação efetuada; f) a revisão de ofício nas hipóteses aqui tratadas não se insere nas reclamações e recursos de que trata o art. 151, III, do CTN, regulados pelo Decreto nº 70.235, de 1972, tampouco a ela se aplica a possibilidade de qualquer recurso, uma vez que, ainda que possa ser originada de uma provocação do contribuinte, é procedimento unilateral da Administração, e não um processo para solução de litígios; g) todavia, para os casos de reconhecimento de direito creditório e de homologação de compensação alterados em virtude de revisão de ofício do despacho decisório que tenha implicado prejuízo ao contribuinte, em atenção ao devido processo legal, deve ser concedido o prazo de trinta dias para o sujeito passivo apresentar manifestação de inconformidade e, sendo o caso, recurso voluntário, no rito processual do Decreto nº 70.235, de 1972, enquadrando-se o débito objeto da compensação no disposto no inciso III do art. 151 do CTN. (grifos acrescentados) Por outro lado, a retificação de DCTF após a prolação do Despacho Decisório não caracteriza óbice à análise do direito creditório em discussão desde que o erro seja comprovado. A comprovação, portanto, é condição para admissão da retificação realizada, quando essa, como no caso dos autos, suprimiu tributo. Em verdade, salvo exceções legais, verifica-se que a retificação da DCTF após o indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, de acordo com o Parecer Normativo Cosit nº 02, de 28 de agosto de 2015 1 , não impede que o direito creditório discutido no Per/Dcomp seja comprovado por outros meios. 1 Conclusão 22. Por todo o exposto, conclui-se: a) as informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário; b) não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010; Fl. 295DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 1003-002.885 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.910219/2010-29 Não por outro motivo, o entendimento em questão foi sumulado por este Tribunal (Súmulas CARF nº 164 e 168) e que devem ser aplicadas ao caso sob análise. Súmula 164 A retificação de DCTF após a ciência do despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição ou que não homologou a declaração de compensação é insuficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se fundamenta a retificação. Súmula 168 Mesmo após a ciência do despacho decisório, a comprovação de inexatidão material no preenchimento da DCOMP permite retomar a análise do direito creditório. Portanto, entendo que a apresentação da documentação em sede de Manifestação de Inconformidade, demonstra a probabilidade da existência do crédito pleiteado no momento do envio do pedido de compensação deve ser apreciada pela autoridade de origem. Que fique claro: o erro de preenchimento de Dcomp, nos termos da Súmula CARF nº 168, não tem o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei. Dessa forma, repise-se, mesmo após a ciência do despacho decisório, a discussão sobre inexatidão material no preenchimento da DCOMP permite retomar a análise do direito creditório, sendo indispensável a comprovação do erro cometido, o que se deu in casu. c) retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo; d) o procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9º-A da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não-homologação do PER/DCOMP; e) a não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazê-la em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios; f) o valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996; e g) Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. (grifos acrescentados) Fl. 296DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 1003-002.885 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.910219/2010-29 Ante o exposto, oriento meu voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para fins de reconhecimento da possibilidade de formação de indébito por se referir a fato ou a direito superveniente, ante os documentos apresentados em de manifestação de inconformidade e aplicação das determinações da Parecer Normativo COSIT nº 2/2015 e Súmulas CARF nºs 164 e 168, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRF de Origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp devendo o rito processual seja reiniciado mediante prolação de despacho decisório complementar. Destaque-se que a Unidade de Origem deverá considerar em sua investigação todas as provas colacionadas aos presentes autos e caso entenda necessário deverá intimar o contribuinte para apresentar provas complementares garantindo-lhe o cumprimento dos princípios da ampla defesa e do contraditório. (documento assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Fl. 297DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13001.000381/2007-43
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 14/12/2005
Ementa:
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS REPERCUSSÃO GERAL
Inconstitucionalidade do art. 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação ao art. 25 da Lei nº 8.212/91, que determinou a incidência da contribuição sobre a comercialização da produção rural por empregador rural pessoa física.
Numero da decisão: 2403-000.761
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 14/12/2005 Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS REPERCUSSÃO GERAL Inconstitucionalidade do art. 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação ao art. 25 da Lei nº 8.212/91, que determinou a incidência da contribuição sobre a comercialização da produção rural por empregador rural pessoa física.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 14/12/2005 Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS REPERCUSSÃO GERAL Inconstitucionalidade do art. 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação ao art. 25 da Lei nº 8.212/91, que determinou a incidência da contribuição sobre a comercialização da produção rural por empregador rural pessoa física. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Presidente/Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhaes Peixoto, Cid Marconi Gurgel de Souza e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 326DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Relatório Tratase de recurso de ofício apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Previdenciária em Porto Alegre, Decisão Notificação 19.401.4/0521/2006, que julgou procedente a autuação, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal acessória. Segundo a fiscalização, o contribuinte foi autuado por deixar de lançar mensalmente em sua contabilidade os fatos geradores das contribuições previdenciárias relativas à aquisição de produtos rurais de pessoas físicas, conforme relatório fiscal da infração, de fls. 04, demonstrativo de fls. 19 e anexos de fls.20/237. A Fiscalização caracterizou tal fato como infração ao artigo 32, inciso II, da Lei 8.212/91 combinado com o art. 225, inciso II e parágrafos 13 a 17, do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. A multa inicialmente aplicada era de R$ 22.034,92 por a fiscalização entender como circunstância agravante a empresa ter sido autuada em ação fiscal anterior. Em revisão de ofício da multa aplicada, a autoridade de primeira instância observou que o auto de infração presente foi lavrado em 16/12/2005, antes do trânsito em julgado da decisão administrativa que julgou procedente o auto de infração 35.705.8135, lavrado em 30/09/2004, que motivou o agravamento. Dessa observação resultou que a multa foi reduzida para R$ 11.017,46. Inconformada com a multa aplicada, a autuada apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese que: • requerer que lhe seja concedido o beneficio da relevação da multa lançada por ser primário e por estar providenciando todo o necessário para sanar a eventual infração capitulada; • em observância aos princípios do contraditório e da ampla defesa, a Lei n° 9.784/99 assegura aos administrados os direitos de ter ciência da tramitação do processo em que possam resultar sanções ou em situações de litígio; • não houve, no "Relatório Fiscal da Infração", a descrição pormenorizada dos fatos concretizadores da infração, as circunstâncias em que foi praticada e, principalmente, a ocorrência ou não de circunstâncias agravantes e atenuantes; • cita o princípio da verdade material e afirma que a autuação fiscal não pode levar em conta meras suposições, ou aparências, mas deve ter como fundamento prova inconteste de que a infração efetivamente se deu. • a Autoridade Fiscal não logrou comprovar as circunstâncias fáticas e documentais que ocasionaram a presente autuação. Fl. 327DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13001.000381/200743 Acórdão n.º 240300.761 S2C4T3 Fl. 318 3 • O julgador da esfera administrativa, ao verificar que determinada lei não se coaduna com algum preceito constitucional, deverá, por dever moral e legal, deixar de aplicála. É o relatório. Fl. 328DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões levantadas pela recorrente. Em 1º/8/11, o Plenário do STF, por unanimidade e nos termos do voto do relator, deu provimento ao recurso (RE 596.177) para declarar a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos arts. 12, V e VII, 25, I e II, e 30, IV, da Lei nº 8.212/91, e determinou a aplicação desse entendimento aos demais casos, nos termos do art. 543B do CPC. (acórdão publicado em 26/8/11). Art. 25.A contribuição da pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: I dois por cento da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; II um décimo por cento da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento de complementação das prestações por acidente de trabalho. § 1º O segurado especial de que trata este artigo, além da contribuição obrigatória referida no"caput", poderá contribuir, facultativamente, na forma do art. 21 desta Lei. § 2º A pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12, contribui, também, obrigatoriamente, na forma do art. 21 desta Lei. § 3º Integram a produção, para os efeitos deste artigo, os produtos de origem animal ou vegetal, em estado natural ou submetidos a processos de beneficiamento ou industrialização rudimentar, assim compreendidos, entre outros, os processos de lavagem, limpeza, descaroçamento, pilagem, descascamento, lenhamento, pasteurização, resfriamento, secagem, fermentação, embalagem, cristalização, fundição, carvoejamento, cozimento, destilação, moagem, torrefação, bem como os subprodutos e os resíduos obtidos através desses processos. § 4º Não integra a base de cálculo dessa contribuição a produção rural destinada ao plantio ou reflorescimento, nem sobre o produto animal destinado a reprodução ou criação pecuária ou granjeira e a utilização como cobaias para fins de pesquisas científicas, quando vendido pelo próprio produtor e quem a utilize diretamente com essas finalidades, e no caso de produto vegetal, por pessoa ou entidade que, registrada no Ministério da Agricultura, do Abastecimento e da Reforma Agrária, se dedique ao comércio de sementes e mudas no País. § 5º (VETADO) Fl. 329DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13001.000381/200743 Acórdão n.º 240300.761 S2C4T3 Fl. 319 5 ... Art. 30..................................................................................................... ........................................... IV o adquirente, o consignatário ou a cooperativa ficam sub rogados nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea"a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; X a pessoa física de que trata a alínea "a"do inciso V do art. 12 e o segurado especial são obrigados a recolher a contribuição de que trata o art. 25 desta Lei no prazo estabelecido no inciso III deste artigo, caso comercializem a sua produção no exterior ou, diretamente, no varejo, ao consumidor. Como visto acima, a determinação da incidência da contribuição sobre a comercialização da produção rural por empregador rural pessoa física foi declarada inconstitucional. Portanto, o procedimento de deixar de lançar mensalmente em sua contabilidade os fatos geradores das contribuições previdenciárias relativas à aquisição de produtos rurais de pessoas físicas, mostrouse correto. CONCLUSÃO Voto no sentido de dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 330DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10530.003423/2007-21
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 28/02/2007
PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. ART. 45 DA LEI 8.212/91.
SÚMULA VINCULANTE Nº 08 DO STF. ÔNUS DA PROVA. MATÉRIA
CONSTITUCIONAL. REFEIÇÃO SEM INSCRIÇÃO NO PAT. INCIDÊNCIA. MULTA DE MORA.
O prazo decadencial das contribuições previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos dos arts. 150, § 4º, havendo antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal.
Ao contribuinte cabe o ônus de provar o alegado.
O CARF não se pronuncia sobre matéria tributária constitucional, nos termos da Súmula nº 2 do CARF.
Incide Contribuição Previdenciária quando a empresa não estiver inscrita no PAT.
Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-000.751
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, na preliminar, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência parcial do período compreendido entre 01/1999 a 09/2002, inclusive, com base no art. 150, § 4º do CTN. No mérito: por maioria de votos, em dar
provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso na questão da tributação do PAT. Vencidos os conselheiros Marthius Sávio Cavalcante Lobato, Cid Marconi Gurgel de Souza e Marcelo Magalhães Peixoto, relator. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari.
Nome do relator: MARCELO MAGALHÃES PEIXOTO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 28/02/2007 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. ART. 45 DA LEI 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE Nº 08 DO STF. ÔNUS DA PROVA. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. REFEIÇÃO SEM INSCRIÇÃO NO PAT. INCIDÊNCIA. MULTA DE MORA. O prazo decadencial das contribuições previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos dos arts. 150, § 4º, havendo antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. Ao contribuinte cabe o ônus de provar o alegado. O CARF não se pronuncia sobre matéria tributária constitucional, nos termos da Súmula nº 2 do CARF. Incide Contribuição Previdenciária quando a empresa não estiver inscrita no PAT. Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2130; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 1 1 0 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10530.003423/200721 Recurso nº 262.907 Voluntário Acórdão nº 2403000.751 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 29 de setembro de 2011 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente DISTRIBUIDORA BARREIRAS DE ALIMENTOS E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 28/02/2007 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. ART. 45 DA LEI 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE Nº 08 DO STF. ÔNUS DA PROVA. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. REFEIÇÃO SEM INSCRIÇÃO NO PAT. INCIDÊNCIA. MULTA DE MORA. O prazo decadencial das contribuições previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos dos arts. 150, § 4º, havendo antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. Ao contribuinte cabe o ônus de provar o alegado. O CARF não se pronuncia sobre matéria tributária constitucional, nos termos da Súmula nº 2 do CARF. Incide Contribuição Previdenciária quando a empresa não estiver inscrita no PAT. Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, na preliminar, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência parcial do período compreendido entre 01/1999 a 09/2002, inclusive, com base no art. 150, § 4º do CTN. No mérito: por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Fl. 730DF CARF MF Emitido em 12/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/12 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/12/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Monteiro na questão da multa de mora. Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso na questão da tributação do PAT. Vencidos os conselheiros Marthius Sávio Cavalcante Lobato, Cid Marconi Gurgel de Souza e Marcelo Magalhães Peixoto, relator. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente – Relator Designado Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 731DF CARF MF Emitido em 12/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/12 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/12/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10530.003423/200721 Acórdão n.º 2403000.751 S2C4T3 Fl. 2 3 Relatório Assim relatou a DRJ, verbis: “Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD, Debcad n° 37.124.7543, lavrada em 10/10/2007 para constituição do crédito tributário correspondente a contribuições sociais ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) e de interesse de categorias econômicas a cargo do contribuinte identificado em epígrafe, relativas ao período de 01/01/1999 a 28/02/2007, com consolidação em 09/10/2007, no montante de R$ 203.368,99 (duzentos e três mil trezentos e sessenta e oito reais e noventa e nove centavos). A ação fiscal teve início com o Termo de Inicio da Ação Fiscal (TIAF) (fls. 427 e 428) com ciência em 06/07/2007. O contribuinte foi cientificado por via postal com aviso de recebimento da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD sob julgamento em 12/11/2007 (quinze dias após a data de postagem de 26/10/2007 fl. 469) e apresentou impugnação em 13/11/2007 (fl. 476). O Relatório Fiscal inicia sua narrativa registrando que durante a ação fiscal foram constatados vários pagamentos da empresa fiscalizada efetuados pela Distribuidora Barreiras de Alimentos LTDA, tratando da formação societária e enquadramento da empresa na atividade de comércio atacadista de mercadorias em geral, sem predominância de alimentos ou de insumos. Foram lançadas as contribuições sociais ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) e as contribuições de interesse de categorias econômicas ao Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC), ao Serviço Social do Comércio (SESC), ao Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa (SEBRAE) e ao Serviço Social do Transporte (SEST). O lançamento das contribuições acima decorre das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados, inclusive àqueles assim caracterizados, e também ao transportador rodoviário autônomo, bem como referente à aferição indireta ou arbitramento de remuneração nas competências para as quais não foram encontrados recibos de pagamentos, tendo como base as rescisões preparadas pela empresa contendo o período trabalhado, anotações feitas pelo responsável da área de pessoal da empresa, fichas de contratação de pessoal, recibos de quitação de verbas rescisórias não escrituradas na contabilidade, contratos de Fl. 732DF CARF MF Emitido em 12/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/12 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/12/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 experiência assinados apenas pelos empregados e outros recibos de pagamentos (denominados "por fora"). A Autoridade Lançadora registra que as contribuições não foram recolhidas em época própria e foram declaradas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) apenas parcialmente, bem como algumas não foram escrituradas contabilmente. O Relatório Fiscal possui planilhas anexas com discriminações. Os recolhimentos em Guia de Recolhimento da Previdência Social — GRPS e Guia da Previdência Social — GPS e os créditos já constituídos anteriormente (através de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito) foram considerados e apropriados nas formas discriminadas no Relatório de Documentos Apresentados (RDA) e no Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados —RADA. O lançamento está estruturado nos levantamentos descritos nos Relatório Fiscal, Discriminativo Analítico de Débito (DAD) (no qual consta a classificação a respeito da declaração ou não dos fatos geradores em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações A Previdência Social), Discriminativo Sintético do Débito (DSD), Relatório de Lançamentos — RL e com as considerações de documentos de crédito na forma do Relatório de Documentos Apresentados (RDA) e apropriações consoante o Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados —RADA. O Relatório Fiscal ressalta que a grande maioria dos trabalhadores vinculados ao sujeito passivo teve suas carteiras de trabalho registradas tardiamente e que desempenha funções que, por si só, indicam a subordinação como elemento da relação de trabalho. Ademais, expõe os motivos de convencimento da Autoridade Lançadora para caracterização de segurados empregados: • trabalho era efetuado por pessoa física, com determinação e identificação pessoal para execução do trabalho, cuja substituição somente se opera por direção do empregador, corroborada pelos recibos e rescisões; • trabalho prestado de maneira permanente, pois todas as funções faziam parte de cargos fixos existente na empresa, mesmo porque todos os que foram tardiamente registrados, continuaram a exercer as mesmas tarefas, nos mesmos, horários, mesmos locais e com os mesmos salários; • todas as atividades condizem o trabalho existente e necessário ao funcionamento de uma distribuidora de alimentos que demonstram as funções de repositores, motoristas, carregadores, coordenadores auxiliares de vendas, supervisor de vendas externas, auxiliares de finanças, entre outras; • remuneração pelo trabalho comprovada em recibos e rescisões; Fl. 733DF CARF MF Emitido em 12/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/12 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/12/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10530.003423/200721 Acórdão n.º 2403000.751 S2C4T3 Fl. 3 5 • sujeição dos trabalhadores as normas de funcionamento da empresa, jornada etc característica da subordinação, comprovada em contratos de experiência com regulação das atribuições, horário de jornada, remuneração, exigência de atestados médicos para admissão e termos rescisórios com pagamento de verbas trabalhistas a exemplo de décimo terceiro salário, férias, horas extras entre outras. O lançamento está estruturado nos levantamentos relacionados às fls. 4 a 125, (Discriminativo Analítico de Debito — DAD), às fls. 126 a 147 (Discriminativo Sintético do Débito — DSD) e às fls. 153 a 232 (Relatório de Lançamentos — RL), com descrição e detalhamento no Relatório Fiscal (fl. 385 a 419). O sujeito passivo apresentou peça impugnatória, às fls. 477 a 517, alegando, em síntese: • preliminarmente, decadência para a constituição dos créditos relativos ao período anterior a outubro/2002, por se tratar de lançamento por homologação, aplicandose a regra qüinqüenal do § 4° do art. 150, combinado com o inciso VII doi art. 156, ambos da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN) e inaplicabilidade do art. 45 da Lei n°8.212/91; • falta de suporte fáticojurídico contundente que ampare o arbitramento; • ilegalidade, não recepção e inconstitucionalidade do salárioeducação; • inconstitucionalidade da contribuição ao INCRA; • não enquadramento do sujeito passivo como contribuinte ao SEBRAE; • competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) para fiscalizar e lançar contribuições destinadas a terceiros; • natureza indenizatória dos valores pagos aos segurados a título de transporte, alimentação e hospedagem, horas extras, décimo terceiro, prêmios, férias, comissões, pagamentos diversos, promoção de vendas, rescisões complementares, valores extras empregados, diárias de motoristas, valegds, sem incidência das contribuições sobre essas parcelas; • o pagamento dos empregados da empresa CEREALISTA CASTRO LTDA feito pelo sujeito passivo foi contabilizado pela primeira empresa, que assumiu o ônus do recolhimento das contribuições e que o crédito está extinto pelo pagamento e que essa prática se daria por rateio de despesas. Fl. 734DF CARF MF Emitido em 12/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/12 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/12/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 O contribuinte requer revisão fiscal, prova pericial e que o lançamento seja julgado improcedente. É o relatório.” DA DECISÃO DA DRJ Após analisar aos argumentos das impugnantes, a 5ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de Salvador – BA DRJ/SDR, emitiu o Acórdão n° 1515.895, mantendo procedente o lançamento. DO RECURSO Inconformada, a recorrente apresentou, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 531/570, com os mesmos argumentos da defesa. É o relatório. Fl. 735DF CARF MF Emitido em 12/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/12 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/12/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10530.003423/200721 Acórdão n.º 2403000.751 S2C4T3 Fl. 4 7 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fl. 580, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária de 12 de Junho de 2008, aprovou a Súmula Vinculante nº 8 nos seguintes termos: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Referida Súmula declara inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que impõe o prazo decadencial e prescricional de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias, o que significa que tais contribuições passam a ter seus respectivos prazos contados em consonância com os artigos 150, § 4º, 173 e 174, do Código Tributário Nacional: CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; De acordo com o art. 103A, da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 vincula toda a Administração Pública, inclusive este Colegiado: CF/88 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal, poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos Fl. 736DF CARF MF Emitido em 12/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/12 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/12/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder a sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. In casu, como se trata de contribuições sociais previdenciárias que são tributos sujeitos a lançamento por homologação, contase o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, caso se verifique a antecipação de pagamento (mesmo que parcial) ou, nos termos do art. 173, I, do CTN, quando o pagamento não foi antecipado pelo contribuinte. Tratase de NFLD lavrada em razão das contribuições sociais devidas a Outras Entidades (INCRA, SENAC, SESC, SEBRAE, SEST, SENAT) e ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados, inclusive àqueles caracterizados como tal e também ao transportador rodoviário autônomo, segurado obrigatório na categoria de contribuinte individual. Da análise do Relatório Fiscal de fls. 385/419, mais especificamente no item 4.5. da fl. 390, a fiscalização diz que: “Foram abatidos todos os pagamentos feitos em época própria através de GRPS (...)”. Logo, concluise que houve pagamento de contribuições previdenciárias por parte da recorrente, mesmo que parcial. Diante dessa constação, o caso em tela comporta aplicação da decadência prevista no art. 150, § 4º do CTN. O período de apuração compreendeu as competências de 01/1999 a 02/2007. A última notificação ocorreu em 29/10/2007 (fl. 470). Logo, o prazo decadencial ocorreu em relação ao período compreendido entre: 01/1999 a 09/2002 (nos termos do art. 150, § 4º do CTN), conforme explicado. DO MÉRITO DO ARBITRAMENTO (AFERIÇÃO INDIRETA) Tratase de NFLD lavrada em razão das contribuições sociais devidas a Outras Entidades (INCRA, SENAC, SESC, SEBRAE, SEST, SENAT) e ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados, inclusive àqueles caracterizados como tal e também ao transportador rodoviário autônomo, segurado obrigatório na categoria de contribuinte individual. A fiscalização autuou a recorrente, por arbitramento, por não ter incluído na base de cálculo da contribuição previdenciária as verbas que denominou de VEA (Valores Extras Aferidos) e VGA (Vale Gás Aferido). Antes de se analisar o caso concreto, mister se faz analisar o conceito de “Aferição Indireta”. Do ponto de vista doutrinário, seguem as lições do Professor Wladmir Novaes Martinez (Curso de Direito Previdenciário. 4a Ed. – São Paulo: LTr, 2011. P. 756), verbis: Fl. 737DF CARF MF Emitido em 12/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/12 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/12/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10530.003423/200721 Acórdão n.º 2403000.751 S2C4T3 Fl. 5 9 861. Apuração usual – Fiscalizando o contribuinte, a Receita Federal do Brasil examina vários documentos trabalhistas (PPP, LTCAT, do ambiente do trabalho) e contábeis (documentos de caixa) para verificar a presença do fato gerador. Entre muitos outros, são considerados a folha de pagamentos, recibos de pagamento, holleriths, cartões de ponto, pagamentos aos contribuintes individuais (autônomos eventuais e empresários), contratos de prestação de serviços ou de cessão de mão de obra, documentos de aquisição de produtos, rendas e receitas, quitações no Poder Judiciário, enfim, uma quantidade significativa de registros escriturais pertinentes aos deveres das obrigações principais e secundárias. E continua: Essa modalidade de detenção do fato gerador, por sua excepcionalidade, reclama cuidados extremos do aplicador da norma. Ela tem pressupostos, mecanismos de levantamento, claríssima descrição do modus operandi fiscal e um relatório discriminativo que não obste o direito constitucional de defesa. Por ser inusitada ab initio, merece justificativa efetiva e deve ser interpretada restritivamente. (grifos nosso) Feita a análise doutrinária acerca da Aferição Indireta, mister se faz avaliar á luz da legislação (art. 33, §§ 3º e 6º da Lei nº 8.212/91), que regulamenta a matéria, vigente há época da fiscalização, verbis: Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (...) § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (...) § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente Fl. 738DF CARF MF Emitido em 12/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/12 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/12/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (grifo nosso) Em sede de defesa, a recorrente impugnou o arbitramento por meio indireto. Ocorre que não fez prova em sentido contrário, vez que não estava desincubida de provar o alegado. SALÁRIO EDUCAÇÃO – FNDE, INCRA, SEBRAE No que tange às verbas destinadas ao Salário Educação, INCRA e SEBRAE a recorrente sustenta as suas inconstitucionalidades. Diante disso, não há o que se pronunciar, posto que o CARF não é competente para se pronunciar sobre matéria constitucional nos termos da Súmula nº 02 do CARF, abaixo transcrita: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. DOS VALORES INTEGRANTES DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO A recorrente impugna os lançamentos por entender que eles têm natureza indenizatória e/ou visam cobrir despesas como: transporte, alimentação e hospedagem. Ocorre que, para essas verbas serem excluídas do conceito de salário de contribuição devem ser pagas de forma impessoal, ou seja, todos os funcionários devem ter acesso. A recorrente alegou que os valores pagos em relação à educação, assistência médica, hospitalar, odontológica, entre outros, são extensivos a todos os empregados, porém, não comprovou o alegado. Por esse motivo, no que tangem aos lançamentos decorrentes dos valores pagos sob as rubricas: pagamentos diversos, promoção de vendas, rescisões complementares, valores extras empregados (Mickey, Rider, Rudnei e Sonivan), bem como as diárias; devem ser mantidas, vez que pagas sem critérios específicos. REFEIÇÕES REF A recorrente foi autuada por fornecer alimento in natura, por meio de terceiros, bem como sem estar inscrita no PAT, nos termos da Lei n. 6.321/76. A DRJ, no seu r. acórdão, julgou como procedente o lançamento no que se refere a essa autuação, por entender que a inscrição no PAT é condição essencial para que tais verbas possam ser excluídas do conceito de remuneração. É pacífica a jurisprudência do Colendo STJ, no sentido de que o fornecimento do alimento in natura, mesmo sem a inscrição no PAT, não deve integrar a contribuição previdenciária, verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. PAGAMENTO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO. INSCRIÇÃO NO PAT. DESNECESSIDADE. PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. Fl. 739DF CARF MF Emitido em 12/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/12 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/12/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10530.003423/200721 Acórdão n.º 2403000.751 S2C4T3 Fl. 6 11 1. Caso em que se discute a incidência da contribuição previdenciária sobre as verbas recebidas a título de auxílio alimentação in natura, quando a empresa não está inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. 2. A jurisprudência desta Corte pacificouse no sentido de que o auxílioalimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Precedentes: EREsp 603.509/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, DJ 8/11/2004; REsp 1.196.748/RJ, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28/9/2010; AgRg no REsp 1.119.787/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 29/6/2010. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 5.810/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/06/2011, DJe 10/06/2011) (grifo nosso) Da análise do recente acórdão, verificase que o Tribunal Superior aplicou a Súmula 83 do STJ, verbis: NÃO SE CONHECE DO RECURSO ESPECIAL PELA DIVERGÊNCIA, QUANDO A ORIENTAÇÃO DO TRIBUNAL SE FIRMOU NO MESMO SENTIDO DA DECISÃO RECORRIDA. Em outras palavras, por ser matéria pacífica, o STJ nem conhece Recursos em sentido contrário. Razão pela qual, no que tange à Contribuição Previdenciária referente à alimentação in natura, fornecida sem a inscrição no PAT e por meio de terceiros, o Recurso Voluntário deve ser julgado procedente. EMPREGADOS CEREALISTAS Argumenta a recorrente que as contibuições previdenciárias foram devidamente aimplidas pela empresa CEREALISTA CASTRO LTDA, por ser do mesmo grupo econômico. Ocorre que, mais uma vez não provou o alegado, razão pela qual, no que se refere a essa rubrica, deve o lançamento ser mantido. MULTA DE MORA A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabelece que os débitos referentes a contribuições não recolhidas no prazo previsto em lei, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61, da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, cominelhe penalidade menos Fl. 740DF CARF MF Emitido em 12/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/12 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/12/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 12 severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo), para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. CONCLUSÃO Do exposto, voto, preliminarmente, para reconhecer a decadência parcial do período compreendido entre 01/1999 a 09/2002, inclusive com base no art. 150, § 4º do CTN, no mérito, pelo provimento parcial do recurso para excluir da base de cálculo da Contribuição Previdenciária os valores pagos para fornecimento de Refeição in natura, bem como para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Marcelo Magalhães Peixoto Voto Vencedor Quanto à tributação do auxílioalimentação, discordo do relator. Inicialmente farei registro que o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela PORTARIA Nº 256/209 do Ministério da Fazenda, estabelece que o CARF tem por finalidade julgar recursos de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. CAPÍTULO I DA NATUREZA E FINALIDADE Fl. 741DF CARF MF Emitido em 12/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/12 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/12/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10530.003423/200721 Acórdão n.º 2403000.751 S2C4T3 Fl. 7 13 Art. 1° O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, tem por finalidade julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (grifei) Quanto ao auxílioalimentação oferecido aos segurados, a inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador é requisito essencial para que o benefício não integre a base de cálculo das contribuições previdenciárias. O inciso I do artigo 28 da Lei nº 8.212/1991, assim dispõe sobre o saláriodecontribuição: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). E o art. 458 da CLT assevera a natureza salarial do benefício. Logo, uma vez que se subsume ao conceito de saláriodecontribuição, somente outro dispositivo legal seria idôneo para o excluir da base de cálculo da contribuição: Art. 458. Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações “in natura” que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. (...)Grifamos Assim o fez a Lei nº 8.212/91 em sua alínea “c”, do §9º do artigo 28; no entanto, somente para as empresas inscritas no Programa de Alimentação do Trabalhador: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; No caso sob exame, está demonstrado nos autos que durante o período a que se refere o lançamento a recorrente não estava inscrita no programa e, portanto, o lançamento está correto. Fl. 742DF CARF MF Emitido em 12/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/12 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/12/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 14 Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 743DF CARF MF Emitido em 12/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/12 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/12/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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