Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,886)
- Primeira Turma Ordinária (16,420)
- Primeira Turma Ordinária (16,227)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,219)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,909)
- Segunda Turma Ordinária d (14,490)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,514)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,492)
- Quarta Câmara (85,208)
- Terceira Câmara (67,880)
- Segunda Câmara (56,645)
- Primeira Câmara (20,759)
- 3ª SEÇÃO (16,219)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,732)
- Segunda Seção de Julgamen (115,217)
- Primeira Seção de Julgame (77,090)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,975)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,488)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,906)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,234)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,931)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,803)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,628)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,711)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10980.005972/2006-51
Data da sessão: Tue Apr 13 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário: 2000
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA ANTECIPAÇÃO PAGAMENTO. APLICAÇÃO ARTIGO 150, § 4º, CTN. ENTENDIMENTO MAJORITÁRIO.
Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo a ocorrência de pagamento, é entendimento majoritário deste Colegiado a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ressalvados entendimentos pessoais dos julgadores a propósito da
importância ou não da antecipação de pagamento para efeito da aplicação do instituto. In casu, tendo o contribuinte elaborado e entregue Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física, apurando saldo de imposto a pagar e assim procedendo, o prazo decadencial para constituição do crédito tributário conta-se a partir de 31 de dezembro do correspondente ano-calendário, uma vez consolidado, mediante aprovação de Súmula, que o fato gerador do IRPF, relativo a omissão de rendimentos caracterizada com base em depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre naquela data.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-000.759
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Francisco Assis de Oliveira Junior.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201004
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2000 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA ANTECIPAÇÃO PAGAMENTO. APLICAÇÃO ARTIGO 150, § 4º, CTN. ENTENDIMENTO MAJORITÁRIO. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo a ocorrência de pagamento, é entendimento majoritário deste Colegiado a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ressalvados entendimentos pessoais dos julgadores a propósito da importância ou não da antecipação de pagamento para efeito da aplicação do instituto. In casu, tendo o contribuinte elaborado e entregue Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física, apurando saldo de imposto a pagar e assim procedendo, o prazo decadencial para constituição do crédito tributário conta-se a partir de 31 de dezembro do correspondente ano-calendário, uma vez consolidado, mediante aprovação de Súmula, que o fato gerador do IRPF, relativo a omissão de rendimentos caracterizada com base em depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre naquela data. Recurso especial negado.
numero_processo_s : 10980.005972/2006-51
conteudo_id_s : 5407804
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 21 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 9202-000.759
nome_arquivo_s : Decisao_10980005972200651.pdf
nome_relator_s : Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira
nome_arquivo_pdf_s : 10980005972200651_5407804.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Francisco Assis de Oliveira Junior.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 13 00:00:00 UTC 2010
id : 5764390
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:12:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076607955599360
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-08-17T14:32:53Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-08-17T14:32:52Z; Last-Modified: 2010-08-17T14:32:53Z; dcterms:modified: 2010-08-17T14:32:53Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:4c21731a-e5c9-4970-aa72-20e01fdc81df; Last-Save-Date: 2010-08-17T14:32:53Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-08-17T14:32:53Z; meta:save-date: 2010-08-17T14:32:53Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-08-17T14:32:53Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-08-17T14:32:52Z; created: 2010-08-17T14:32:52Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2010-08-17T14:32:52Z; pdf:charsPerPage: 1588; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-08-17T14:32:52Z | Conteúdo => CSRF-T2 Fl. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS -apfsz,vo, CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 10980.005972/2006-51 Recurso n° 154.867 Especial do Procurador Acórdão n° 9202-00.759 — 2" Turma Sessão de 13 de abril de 2010 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SIONEA ALVES CARDOSO DE SOUZA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2000 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA ANTECIPAÇÃO PAGAMENTO. APLICAÇÃO ARTIGO 150, § 40, CTN. ENTENDIMENTO MAJORITÁRIO. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo a ocorrência de pagamento, é entendimento majoritário deste Colegiado a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4 0, do Códex Tributário, ressalvados entendimentos pessoais dos julgadores a propósito da importância ou não da antecipação de pagamento para efeito da aplicação do instituto. In casu, tendo o contribuinte elaborado e entregue Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física, apurando saldo de imposto a pagar e assim procedendo, o prazo decadencial para constituição do crédito tributário conta- se a partir de 31 de dezembro do correspondente ano-calendário, uma vez consolidado, mediante aprovação de Súmula, que o fato gerador do IRPF, relativo a omissão de rendimentos caracterizada com base em depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre naquela data. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiadf, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o consel I eiro Franciscri Assis de Oliveira Junior. CARLOS ALE' 1 1 EITAS B • RRETO- Presidente 11,' -.' iitt. U11,.L.,dwimYào RYCARDO i I RIQ E MAGALHAES DE OLIVEIRA — Relator i EDIT DO E :k 14 MAIO 2010 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Junior, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório SIONEA ALVES CARDOSO DE SOUZA, contribuinte, pessoa fisica, já devidamente qualificada nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 09/06/2006, exigindo-lhe crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física - IRPF, decorrente de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, em relação ao ano-calendário 2000, confonue peça inaugural do feito, às fls. 28/34, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário ao Primeiro Conselho de Contribuintes contra Decisão da 4a Turma da DRJ em Curitiba/PR, consubstanciada no Acórdão n° 06-12.092/2006, às fls. 69/75, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 4a Câmara, em 06/03/2008, por unanimidade de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão n° 104- 23.090, sintetizados na seguinte ementa: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física — IRPF Exercício: 2001 DECADÊNCIA - Na modalidade de lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, que, no caso do IRPF, se perfaz em 31 de dezembro de cada ano-calendário. Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito tributário é atingido pela decadência após cinco anos da ocorrência do fato gerador. Com a qualificação da multa, a contagem do prazo decadencial desloca-se para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em 2 Processo n° 10980.005972/2006-51 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.759 Fl. 2 que o lançamento poderia ser efetuado (arts. 173, I e 150, § 4°, do CTN). LANÇAMENTO DE OFICIO - MULTA QUALIFICADA - SIMPLES OMISSÃO DE RENDIMENTOS INAPLICABILIDADE - A simples omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de • oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula 1° CC n° 14). Decadência acolhida. Recurso provido." Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 110/118, com arrimo no artigo 7 0, inciso II, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurge-se contra o Acórdão atacado, alegando ter contrariado entendimento levado a efeito pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes e, bem assim, da Câmara Superior de Recursos Fiscais a respeito da mesma matéria, conforme se extrai dos Acórdãos nos 102-46.013 e CSRF/01-03.103, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada a divergência argüida. Sustenta que a jurisprudência deste Colegiado, corroborada pelo entendimento adotado pelo Superior Tribunal de Justiça, impõe que a aplicação do prazo decadencial inserido no artigo 150, § 4 0, do CTN, pressupõe a antecipação de pagamento, ainda que parcialmente. Contrapõe-se ao Acórdão recorrido, por entender que o artigo 150, § 4°, do Códex Tributário, estaria dispondo sobre prazo para o ato de "homologação "de um procedimento do contribuinte, e não sobre o prazo para lançamento (que não tem nada a ver com o ato de homologação). Em defesa de sua pretensão, infere que adotando-se o artigo 173, inciso I, do CTN, o prazo decadencial começaria a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento. In casu, ocorrido o fato gerador do IRPF em 31.12.00, o lançamento poderia ter sido efetuado a partir de 01.01.2001, razão pela qual o dies a quo de aludido prazo é 1 0 de janeiro de 2002, findando-se em 01/01/2007. Na hipótese dos autos, constituído o crédito tributário em 09/06/2006, dentro do prazo decadencial inserido no artigo 173, inciso I, do CTN, não há se falar em decadência da exigência fiscal, sobretudo por não ter havido antecipação do pagamento, mediante lançamento por homologação. Assevera que inexistindo recolhimento, ou seja, antecipação de pagamento não há o que se homologar, não estando o lançamento de oficio previsto no artigo 150, § 4°, do CTN, mas, sim, no artigo 173, inciso I, daquele Diploma legal, conforme doutrina transcrita na peça recursal. 3 Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, a ilustre Presidente da então 4' Câmara do 1° Conselho, entendeu por bem admitir o Recurso Especial do Procurador, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão recorrido divergiu do entendimento consubstanciado nos paradigmas, Acórdãos ri% 102-46.013 e CSRF/01-03.103, relativamente ao prazo decadencial, conforme Despacho n° 104-578/2008, às fls. 137/138. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial do Procurador, a contribuinte ofereceu suas contrarrazões, às fls. 142/149, corroborando as razões de decidir do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção. É o relatório. Voto Conselheiro RYCARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo -e acatada pela ilustre Presidente da então 4' Câmara do 1° Conselho a divergência suscitada, conheço do Recurso Especial e passo à análise das razões recursais. Conforme se depreende do exame dos elementos que instruem o processo, a contribuinte fora autuada, com arrimo no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, em virtude da falta de comprovação da origem de depósitos bancários realizados em conta de sua titularidade. Por sua vez, ao analisar o caso, a Câmara recorrida achou por bem rechaçar a pretensão fiscal, afastando a multa qualificada, aplicando, por conseguinte, o prazo decadencial insculpido no artigo 150, §4°, do Código Tributário Nacional, restando decaída a totalidade do crédito tributário. Inconformada, a Procuradoria da Fazenda Nacional, interpôs Recurso Especial, aduzindo, em síntese, que as razões de decidir do Acórdão recorrido contrariaram a jurisprudência deste Colegiado e, bem assim, do Superior Tribunal de Justiça a propósito da matéria, a qual exige a existência de recolhimentos, ou seja, a antecipação de pagamento para que se aplique o prazo decadencial do artigo 150, § 4°, do CTN, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, impondo sejam levados a efeito os ditames do artigo 173, inciso I, uma vez que inexistindo autolançamento do contribuinte, com antecipação de pagamento, não há o que se homologar. Em que pesem os argumentos da recorrente, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Da simples análise dos autos, conclui-se que o Acórdão recorrido apresenta-se incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, como passaremos a demonstrar. A ilustre autoridade lançadora, ao promover o lançamento, utilizou como fundamento à sua empreitada o artigo 42 da Lei n° 9.430/96, o qual contempla a caracterização de omissão de rendimentos e/ou receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada, in verbis: 4 Processo n° 10980.005972/2006-51 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.759 Fl. 3 "Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. [..1" Afora a vasta discussão a respeito do tema, o certo é que após a edição do Diploma legal encimado, especialmente em seu artigo 42, a movimentação bancária dos contribuintes, pessoa fisica ou jurídica, passou a ser presumidamente considerada omissão de rendimentos ou de receitas se aqueles não comprovassem a origem dos recursos transitados em suas contas correntes. Entrementes, a presunção legal encimada não afastou totalmente a celeuma que permeia a tributação de depósitos bancários de origem não comprovada. Com efeito, uma vez consolidado o entendimento suso mencionado, a controvérsia centrou-se no prazo decadencial a ser aplicado nestes casos. Destarte, enquanto parte da jurisprudência defende que o fato gerador de aludido imposto se perfez mensalmente, na medida em que ocorrem os depósitos, entendimento compartilhado por este Conselheiro, outra banda dos julgadores administrativos firmaram o posicionamento de que o fato gerador do imposto de renda pessoa fisica, sobretudo tratando-se de depósitos bancários de origem não comprovada, é complexivo, findando-se no dia 31 de dezembro de cada ano-calendário, submetendo-se, assim, a posterior ajuste anual, por meio da DIRPF. Aliás, referida matéria fora objeto de proposta de Súmula, que veio a ser aprovada pelo Pleno da CSRF, em Sessão realizada em 08/12/2009, afastando definitivamente qualquer discussão quanto ao assunto, conforme se extrai do seguinte Enunciado: "O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário." Ultrapassada e afastada a questão do fato gerador mensal para os casos de omissão de rendimentos, caracterizada com base em depósitos bancários de origem não comprovada, tendo em vista que as Súmulas do CARF são de observância obrigatória pelos julgadores deste Colegiado, nos termos do artigo 72, § 4 ° do Regimento Interno, a querela não se findou, passando a se fixar no dispositivo legal a ser aplicado no prazo decadencial, artigos 150, § 4°, ou 173, inciso I, do CTN, dependendo ou não de antecipação de pagamento. Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar, resumidamente, as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Primeiramente destaca-se o lançamento de ofício ou direto, previsto no artigo 149 do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. Já o lançamento por declaração ou misto, contemplado no artigo 147 do mesmo Diploma Legal, , é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Alfim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150 do Códex Tributário, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades fazend ári as. Dessa forma, estando o Imposto sobre a Renda de Pessoas Físicas - IRPF sujeito ao lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4°, do CTN, levando-se em consideração a natureza do tributo atribuída por lei, independentemente da ocorrência de pagamento, entendimento compartilhado por este conselheiro. Ou seja, a regra para os tributos submetidos ao lançamento por homologação é o artigo 150, § 4°, do Código Tributário, o qual somente não prevalecerá nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que ensejaria o deslocamento do prazo decadencial para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. Não é demais lembrar que o lançamento por homologação não se caracteriza tão somente pelo pagamento. Ao contrário, trata-se, em verdade, de um procedimento complexo, constituído de vários atos independentes, culminando com o pagamento ou não. Observe-se, pois, que a ausência de pagamento não desnatura o lançamento por homologação, especialmente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida por lei. E, esta, em momento algum afirma que assim o é tão somente quando houver pagamento. Não fosse assim, o que se diria quando o contribuinte apura prejuízos e não tem nada a recolher, ou mesmo quando encontra-se beneficiado por isenções e/ou imunidades, onde, em que pese haver o dever de elaborar declarações pertinentes, informando os fatos geradores dos tributos dentre outras obrigações tributárias, deixa de promover o pagamento do tributo em razão de uma benesse fiscal? Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4°, do CTN, proceder à análise das informações prestadas pelo contribuinte homologando-as ou não, quando inexistir concordância. Neste último caso, promover o lançamento de oficio da importância que apurar devida. Aliás, como afirmado alhures, a regra nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4°, do CTN, o qual dispôs expressamente os casos em que referido prazo deslocar-se-á para o artigo 173, inciso I, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação comprovados. Somente nessas hipóteses a legislação específica contempla a aplicação de outro prazo decadencial, afastando-se a regra do artigo 150, § 4°. Como se constata, à toda evidência, a contagem do lapso temporal em comento independe de pagamento. Ou seja, comprovando-se que o contribuinte deixou efetuar o recolhimento dos tributos devidos e/ou promover o autolançamento com dolo, utilizando-se de instrumentos ardilosos (fraude e/ou simulação), o prazo decadencial será aquele inscrito no artigo 173, inciso I, do CTN. Afora essa situação, não se cogita na aplicação daquele dispositivo legal. É o que se extrai da perfunctória leitura das normas legais que regulamentam o tema. 6 Processo n° 10980.005972/2006-51 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.759 Fl. 4 Por outro lado, alguns julgadores e doutrinadores entendem que somente aplicar-se-ia o artigo 150, § 4°, do CrIN quando comprovada a ocorrência de recolhimentos relativamente ao fato gerador lançado, seja qual for o valor. Em outras palavras, a homologação dependeria de antecipação de pagamento para se caracterizar, e a sua ausência daria ensejo ao lançamento de oficio, com observância do prazo decadencial do artigo 173, inciso I. Ressalta-se, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que o artigo 150, 4°, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover qualquer ato tendente a apuração da base de cálculo do tributo devido, seja pelo pagamento, escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse se cogitar em "homologação". Esta, aliás, é a tese que prevaleceu na última reunião do Conselho Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Na hipótese dos autos, afastada a qualificação da multa pela Câmara recorrida, impõe-se à aplicação do artigo 150, § 4 0, do Código Tributário Nacional, de forma a manter a decisão atacada em sua plenitude, por entender que aludido instituto, afora nos casos de dolo, fraude ou simulação, acompanha a natureza do tributo, in casu, submetido ao lançamento por homologação, como já explicitado alhures. Entrementes, mister, ainda, constatar se houve ou não pagamento e/ou outro procedimento do contribuinte nesse sentido, porquanto, em que pese não compartilhar com este entendimento, parte dos julgadores defendem ser determinante/relevante à aplicação do prazo decadencial, senão vejamos. No caso vertente, a contribuinte apresentou Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física, ano-calendário 2000, na modalidade Simplificada, apurando-se imposto a pagar, assim o tendo feito, não declarando, porém, qualquer valor concernente ao depósito bancário objeto do presente lançamento, consoante se positiva da DIRPF, às fls. 21/22, bem como da informação constante do Termo de Verificação Fiscal, mais precisamente item 3, às fls. 33. Na esteira desse entendimento, despiciendas maiores elucubrações a propósito da matéria, uma vez que a simples análise dos autos nos leva a concluir pela existência de antecipação de pagamento, concordando os Conselheiros desta Colenda Câmara, à sua maioria, pela aplicação do artigo 150, § 4°, do CTN, uns pela natureza do tributo outros pela antecipação de pagamento, devendo ser repelido o pleito da recorrente. Destarte, tendo a fiscalização constituído o crédito tributário em 09/06/2006, com a devida ciência da contribuinte, conforme Aviso de Recebimento - AR de fls. 39, a exigência fiscal resta totalmente fulminada pela decadência, eis que o fato gerador ocorreu em 31/12/2000, fora do prazo decadencial de 05 (cinco) anos do artigo 150, § 4°, do Códex Tributário, impondo seja mantida a improcedência do feito. Assim, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento ao recurso voluntário da contribuinte, na forma decidida pela 4 a Câmara do 1° Conselho de Contribuintes, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. 7 Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIA DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. 11111", Rycardo H- 9 . que Magalhães de Oliveira - Relator 8
score : 1.0
Numero do processo: 19515.721790/2013-11
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/2009 a 31/12/2009
CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. NATUREZA JURÍDICA DE SUBVENÇÃO DE INVESTIMENTO. ESCRITURAÇÃO EM CONTA DE RESULTADO. POSSIBILIDADE DA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DOS PIS.
O PN CST nº112/78 extrapolou dos requisitos de caracterização de uma subvenção de investimentos previstos no Decreto 1.578/77, inovando no ordenamento quando deveria apenas explicitar. Não há exigência legal de aplicação dos recursos recebidos a título de subvenção de investimento na composição do ativo permanente da empresa - exige-se tão somente que a subvenção tenha sido concedida como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, na forma estipulada no art.38, 2º do Decreto-Lei 1.598/77.
Dessa forma, é inequívoca a subsunção dos créditos presumidos de ICMS, concedidos no contexto de guerra fiscal, ao conceito de subvenção de investimentos.
Se o legislador ordinário vinculou a não tributação das subvenções de investimento pelo IRPJ e pela CSLL à manutenção de tais valores em conta de reserva de incentivos fiscais, o mesmo não foi estipulado para a exclusão desses valores das bases de cálculo das contribuições.
Conquanto o art.38, 2º do Decreto-lei 1.598/77 traga os elementos caracterizadores da subvenção de investimento, da sua redação resta claro que as alíneas trazem requisitos para o seu não cômputo na apuração do Lucro Real, nada dizendo acerca do PIS e da Cofins, estes regidos pelo art.21 da Lei 11.941/09.
INDENIZAÇÕES RECEBIDAS EM RAZÃO DE DANO EMERGENTE. CARACTERIZAÇÃO COMO RECEITA. IMPOSSIBILIDADE. NÃO INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS.
Receita é algo novo, que se incorpora a uma determinado patrimônio. Nos valores recebidos a título de indenização por dano emergente, o que há é apenas recomposição do patrimônio que fora anteriormente lesado, e não o acréscimo de novos elementos a esse patrimônio.
Impossibilidade de inclusão dos valores recebidos judicialmente a título de indenização na base de cálculo das contribuições sociais sobre a receita.
Numero da decisão: 3402-002.904
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, deu-se provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula, que deram provimento parcial apenas quanto às indenizações. O Conselheiro Antonio Carlos Atulim votou pelas conclusões quanto à questão da subvenção, por entender que o crédito presumido de ICMS não possui natureza de receita. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Sustentou pela recorrente o Dr. Mario Junqueira Franco Júnior, OAB/SP 140.284.
ANTÔNIO CARLOS ATULIM - Presidente.
RELATOR CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO - Relator.
EDITADO EM: 15/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Carlos Atulim (presidente da turma), Jorge Olmiro Lock Freire (presidente-substituto), Carlos Augusto Daniel Neto (vice-presidente), Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais de Laurentiis Galcowicz e Diego Diniz Ribeiro.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201601
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/2009 a 31/12/2009 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. NATUREZA JURÍDICA DE SUBVENÇÃO DE INVESTIMENTO. ESCRITURAÇÃO EM CONTA DE RESULTADO. POSSIBILIDADE DA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DOS PIS. O PN CST nº112/78 extrapolou dos requisitos de caracterização de uma subvenção de investimentos previstos no Decreto 1.578/77, inovando no ordenamento quando deveria apenas explicitar. Não há exigência legal de aplicação dos recursos recebidos a título de subvenção de investimento na composição do ativo permanente da empresa - exige-se tão somente que a subvenção tenha sido concedida como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, na forma estipulada no art.38, 2º do Decreto-Lei 1.598/77. Dessa forma, é inequívoca a subsunção dos créditos presumidos de ICMS, concedidos no contexto de guerra fiscal, ao conceito de subvenção de investimentos. Se o legislador ordinário vinculou a não tributação das subvenções de investimento pelo IRPJ e pela CSLL à manutenção de tais valores em conta de reserva de incentivos fiscais, o mesmo não foi estipulado para a exclusão desses valores das bases de cálculo das contribuições. Conquanto o art.38, 2º do Decreto-lei 1.598/77 traga os elementos caracterizadores da subvenção de investimento, da sua redação resta claro que as alíneas trazem requisitos para o seu não cômputo na apuração do Lucro Real, nada dizendo acerca do PIS e da Cofins, estes regidos pelo art.21 da Lei 11.941/09. INDENIZAÇÕES RECEBIDAS EM RAZÃO DE DANO EMERGENTE. CARACTERIZAÇÃO COMO RECEITA. IMPOSSIBILIDADE. NÃO INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS. Receita é algo novo, que se incorpora a uma determinado patrimônio. Nos valores recebidos a título de indenização por dano emergente, o que há é apenas recomposição do patrimônio que fora anteriormente lesado, e não o acréscimo de novos elementos a esse patrimônio. Impossibilidade de inclusão dos valores recebidos judicialmente a título de indenização na base de cálculo das contribuições sociais sobre a receita.
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 19515.721790/2013-11
anomes_publicacao_s : 201602
conteudo_id_s : 5567678
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3402-002.904
nome_arquivo_s : Decisao_19515721790201311.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
nome_arquivo_pdf_s : 19515721790201311_5567678.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, deu-se provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula, que deram provimento parcial apenas quanto às indenizações. O Conselheiro Antonio Carlos Atulim votou pelas conclusões quanto à questão da subvenção, por entender que o crédito presumido de ICMS não possui natureza de receita. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Sustentou pela recorrente o Dr. Mario Junqueira Franco Júnior, OAB/SP 140.284. ANTÔNIO CARLOS ATULIM - Presidente. RELATOR CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO - Relator. EDITADO EM: 15/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Carlos Atulim (presidente da turma), Jorge Olmiro Lock Freire (presidente-substituto), Carlos Augusto Daniel Neto (vice-presidente), Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais de Laurentiis Galcowicz e Diego Diniz Ribeiro.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
id : 6279167
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:13:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076607974473728
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 25; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2368; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 10 1 9 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.721790/201311 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402002.904 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de janeiro de 2016 Matéria PIS/COFINS Não cumulativo. Base de Cálculo. Recorrente PRODUTOS ROCHE QUÍMICOS E FARMACÊUTICOS S/A Recorrida DRJ/BelémPA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. NATUREZA JURÍDICA DE SUBVENÇÃO DE INVESTIMENTO. ESCRITURAÇÃO EM CONTA DE RESULTADO. POSSIBILIDADE DA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. O PN CST nº112/78 extrapolou dos requisitos de caracterização de uma subvenção de investimentos previstos no Decreto 1.578/77, inovando no ordenamento quando deveria apenas explicitar. Não há exigência legal de aplicação dos recursos recebidos a título de subvenção de investimento na composição do ativo permanente da empresa exigese tão somente que a subvenção tenha sido concedida como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, na forma estipulada no art.38, 2º do DecretoLei 1.598/77. Dessa forma, é inequívoca a subsunção dos créditos presumidos de ICMS, concedidos no contexto de guerra fiscal, ao conceito de subvenção de investimentos. Se o legislador ordinário vinculou a não tributação das subvenções de investimento pelo IRPJ e pela CSLL à manutenção de tais valores em conta de reserva de incentivos fiscais, o mesmo não foi estipulado para a exclusão desses valores das bases de cálculo das contribuições. Conquanto o art.38, 2º do Decretolei 1.598/77 traga os elementos caracterizadores da subvenção de investimento, da sua redação resta claro que as alíneas trazem requisitos para o seu não cômputo na apuração do Lucro Real, nada dizendo acerca do PIS e da Cofins, estes regidos pelo art.21 da Lei 11.941/09. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 17 90 /2 01 3- 11 Fl. 1393DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/0 2/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 INDENIZAÇÕES RECEBIDAS EM RAZÃO DE DANO EMERGENTE. CARACTERIZAÇÃO COMO RECEITA. IMPOSSIBILIDADE. NÃO INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. Receita é algo novo, que se incorpora a uma determinado patrimônio. Nos valores recebidos a título de indenização por dano emergente, o que há é apenas recomposição do patrimônio que fora anteriormente lesado, e não o acréscimo de novos elementos a esse patrimônio. Impossibilidade de inclusão dos valores recebidos judicialmente a título de indenização na base de cálculo das contribuições sociais sobre a receita. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2009 a 31/12/2009 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. NATUREZA JURÍDICA DE SUBVENÇÃO DE INVESTIMENTO. ESCRITURAÇÃO EM CONTA DE RESULTADO. POSSIBILIDADE DA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DOS PIS. O PN CST nº112/78 extrapolou dos requisitos de caracterização de uma subvenção de investimentos previstos no Decreto 1.578/77, inovando no ordenamento quando deveria apenas explicitar. Não há exigência legal de aplicação dos recursos recebidos a título de subvenção de investimento na composição do ativo permanente da empresa exigese tão somente que a subvenção tenha sido concedida como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, na forma estipulada no art.38, 2º do DecretoLei 1.598/77. Dessa forma, é inequívoca a subsunção dos créditos presumidos de ICMS, concedidos no contexto de guerra fiscal, ao conceito de subvenção de investimentos. Se o legislador ordinário vinculou a não tributação das subvenções de investimento pelo IRPJ e pela CSLL à manutenção de tais valores em conta de reserva de incentivos fiscais, o mesmo não foi estipulado para a exclusão desses valores das bases de cálculo das contribuições. Conquanto o art.38, 2º do Decretolei 1.598/77 traga os elementos caracterizadores da subvenção de investimento, da sua redação resta claro que as alíneas trazem requisitos para o seu não cômputo na apuração do Lucro Real, nada dizendo acerca do PIS e da Cofins, estes regidos pelo art.21 da Lei 11.941/09. INDENIZAÇÕES RECEBIDAS EM RAZÃO DE DANO EMERGENTE. CARACTERIZAÇÃO COMO RECEITA. IMPOSSIBILIDADE. NÃO INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS. Receita é algo novo, que se incorpora a uma determinado patrimônio. Nos valores recebidos a título de indenização por dano emergente, o que há é apenas recomposição do patrimônio que fora anteriormente lesado, e não o acréscimo de novos elementos a esse patrimônio. Impossibilidade de inclusão dos valores recebidos judicialmente a título de indenização na base de cálculo das contribuições sociais sobre a receita. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1394DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/0 2/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.721790/201311 Acórdão n.º 3402002.904 S3C4T2 Fl. 11 3 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, deuse provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula, que deram provimento parcial apenas quanto às indenizações. O Conselheiro Antonio Carlos Atulim votou pelas conclusões quanto à questão da subvenção, por entender que o crédito presumido de ICMS não possui natureza de receita. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Sustentou pela recorrente o Dr. Mario Junqueira Franco Júnior, OAB/SP 140.284. ANTÔNIO CARLOS ATULIM Presidente. RELATOR CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Relator. EDITADO EM: 15/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Carlos Atulim (presidente da turma), Jorge Olmiro Lock Freire (presidentesubstituto), Carlos Augusto Daniel Neto (vicepresidente), Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais de Laurentiis Galcowicz e Diego Diniz Ribeiro. Relatório Tratase de procedimento administrativo originado com os autos de infração de fls.937/1024, relativos à Contribuição ao PIS/Pasep e à Cofins, nos respectivos montantes de R$ 4.574.503,53 e R$ 21.072.758,15, incluindo multa proporcional e juros de mora calculados até Agosto de 2013, relativos ao período compreendido entre Janeiro e Dezembro de 2009. Para expor os fatos geradores apontados pela fiscalização, recorrese ao termo de constatação de fls.937/949: I – Crédito outorgado de ICMS: O contribuinte foi intimado através do Termo nº 2 a apresentar memória de cálculo detalhada do preenchimento mensal da DACON, informando a composição de cada linha de Receita utilizada como Base de cálculo na apuração do PIS da COFINS relacionando com a respectiva conta contábil no anocalendário de 2009. O contribuinte apresentou memória de cálculo conforme solicitado, que passaremos a chamar de demonstrativo de base de Cálculo de PIS e COFINS (cópia anexada ao processo). O contribuinte foi intimado através do termo de intimação e constatação fiscal nº 4 e reintimado através do termo de intimação e constatação fiscal nº 5 a Fl. 1395DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/0 2/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 identificar a origem dos recursos registrados em contas contábeis classificadas como contas de receita e que não constavam do demonstrativo de Base de Cálculo de PIS e COFINS. Dentre estas contas verificamos a conta contábil nº 0096410112 denominada “imposto Goiás” classificada como outras receitas operacionais na contabilidade do contribuinte. ... Tendo em vista que as informações fornecidas pelo contribuinte eram insuficientes para a análise e classificação da receita declarada na conta “Imposto Goiás” intimamos o contribuinte através do termo de intimação e constatação fiscal nº 6 a identificar os programas e subprogramas que o contribuinte mantém com o Estado de Goiás que resultaram na apuração dos valores constantes na conta contábil imposto GO no anocalendário de 2009, identificar o nº da legislação com respectivos artigos que amparam os programas e subprogramas discriminados anteriormente, apresentando cópias dos mesmos. ... O objetivo definido no parágrafo único do art. 1o da Lei 14.186/2002 é apoiar operações de comércio exterior no Estado de Goiás realizadas por empresa comercial importadora, inclusive por Trading Company, que opere exclusiva ou preponderantemente com essas operações, por intermédio de estrutura portuária de zona secundária localizada no Estado de Goiás. O apoio descrito no parágrafo único é concedido de acordo com o art. 3o através de concessão de crédito outorgado do ICMS. O referido crédito pode ser concedido para empresas que estão estabelecidas em Goiás e para as que venham a ser estabelecer em Goiás. Basicamente o crédito é outorgado e apropriado na subseqüente saída interestadual de mercadorias e bens importados do exterior diretamente pela beneficiária para compensar com o imposto devido pela empresa comercial importadora e exportadora de 65% aplicado sobre o saldo devedor do ICMS no período correspondente às operações interestaduais realizadas pela beneficiária. A concessão do crédito aplicase somente as operações interestaduais com mercadorias ou bens cujo desembaraço aduaneiro ocorra em território goiano. ... Constatase que o crédito presumido está compreendido no conceito de subvenção, constituindo receita do período de apuração o valor desse crédito que é deduzido do valor do ICMS a recolher, apurado conforme a sistemática do ICMS. As subvenções têm natureza de receita e são tributáveis pelo IRPJ, tanto que são classificadas pela legislação em Outros Resultados operacionais, na modalidade “custeio ou operação” (art. 392, inciso I, do RIR/1999) ou como Resultados Não Operacionais na modalidade “subvenção para investimentos”. Constatase ainda que não tendo a lei que concedeu o crédito outorgado exigido, e nem sequer criado nenhum mecanismo que vincule o crédito concedido com qualquer investimento que a receita em questão não é uma Fl. 1396DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/0 2/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.721790/201311 Acórdão n.º 3402002.904 S3C4T2 Fl. 12 5 receita classificada como subvenção de investimento e sim uma receita operacional. Por tudo exposto procederemos apuração da Receita não contabilizada assim como à apuração da COFINS e do PIS não contabilizados na DACON adicionando os valores recebidos pelo contribuinte na conta contábil nº 0096410112 Imposto GO a título de crédito outorgado do ICMS conforme detalhado na “Planilha de créditos apurados fiscalização” que é parte integrante e indissociável deste auto de infração. II – Indenizações TAM e GOL linhas aéreas: Conforme já descrito no item I, o contribuinte foi intimado através do Termo de Intimação e Constatação Fiscal nº 4 e reintimado através do Termo de Intimação e Constatação Fiscal nº 5 a descrever o conteúdo que deram origem a diversas contas contábeis que não constavam do demonstrativo de base de Cálculo de PIS e COFINS enviado pelo contribuinte. Dentre estas contas verificamos a existência da conta contábil 0964610198 Receitas Diversas 3as/aliadas. O contribuinte afirmou em resposta aos termos 4 e 5 (documento anexado ao processo RESP termo 4 e 5) que esta conta continha natureza diversas. Dentre os lançamentos constantes desta conta foi identificado o lançamento de R$ 147.990,00 e R$ 512.967,71 referentes a indenizações respectivamente da empresa TAM e indenização da GOL linhas aéreas devido à perda/deterioração de medicamentos ocorridos em 2001. ... Em relação aos valores pagos pela GOL verificase depósito de R$ 562.471,85 feito pelo poder judiciário. Incluindo juros e correção monetária (conforme extrato anexado ao processo “RESP TERMO 6 item 2 GOL”). ... Considerado que a contribuinte enquadrase no regime não cumulativo, verificase que as indenizações compõe a base de cálculo do PIS e da COFINS. ... Por tudo exposto procederemos apuração da Receita não contabilizada assim como à apuração da COFINS e do PIS não contabilizados na DACON adicionando os valores recebidos pelo contribuinte na conta contábil nº 0964610198 Receitas Diversas 3as/aliadas a título de indenização conforme detalhado na “Planilha de créditos apurados fiscalização” que é parte integrante e indissociável deste auto de infração. III – Restituição de Indébito: O contribuinte registrou na conta contábil 0964610198 Receitas Diversas 3as/aliadas o lançamento de R$ 925.801,56 referentes a recebimento de ação de repetição de indébito em face a fazenda Estadual. ... Fl. 1397DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/0 2/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 Por tudo exposto procederemos apuração da receita não contabilizada assim como à apuração da COFINS e do PIS não contabilizados na DACON adicionando os valores recebidos pelo contribuinte a título de juros e atualização monetárias totalizando R$ 79.259,81 incidentes sobre os valores obtidos como restituição de indébito conforme detalhado na “Planilha de créditos apurados fiscalização” que é parte integrante e indissociável deste auto de infração. ... VI – Dos Lançamentos Efetuados: ... Procedemos a reconstituição dos valores declarados em DACON referentes a apuração do PIS e da COFINS, adicionando os valores da Receita apurada pela fiscalização mensalmente. Elaboramos mensalmente as “Planilhas de Recomposição da COFINS/DACON” e a “Planilhas de Recomposição do PIS/DACON” que são parte integrante e indissociável deste auto de infração. Através da recomposição da DACON apuramos os valores a recolher de PIS e COFINS. Consolidamos os valores apurados mensalmente das contribuições apuradas pela fiscalização e dos valores apurados de contribuições a recolher na planilha CONSOLIDAÇÃO COFINS E CONSOLIDAÇÃO PIS que são parte integrante e indissociável do auto de infração. Procedemos ao lançamento dos valores apurados de PIS e COFINS e lançando a multa por compensação indevida quando da utilização de créditos indevidos pelo contribuinte. Não se reproduziu aqui os itens IV e V do termo de constatação fiscal haja vista que Inconformada, em 13 de setembro de 2013, apresenta a interessada impugnação (fls. 1028/1077), por meio da qual, em síntese, inicialmente, ressalva aquiescência quanto aos itens IV e V do termo de constatação integrante dos autos de infração, a saber: pagamentos realizados pelo Banco Santander S/A e serviços prestados por terceiros. As contribuições decorrentes das respectivas receitas seriam oportunamente objeto de quitação. O conteúdo da impugnação foi minuciosamente relatado no Acórdão que a julgou, pelo que o reproduzimos abaixo: Após traçar panorama relativo ao dever constitucional de promover e incentivar o desenvolvimento regional, de forma a assegurar o equilíbrio entre as diferentes regiões do país, assevera que os incentivos fiscais concedidos pelo Estado de Goiás não revelariam outra natureza que não a de subvenções para investimento, porquanto representativas de transferências de capital destinadas à instalação, manutenção ou expansão da empresa. Seria o contexto em que, por intermédio da Lei n. 13.591, de 2000, o Estado de Goiás teria instituído o Programa de Desenvolvimento Industrial de Goiás – PRODUZIR, o qual possuiria como objetivo o desenvolvimento da indústria na referida unidade federativa, contribuindo para sua expansão, modernização e diversificação. Fl. 1398DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/0 2/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.721790/201311 Acórdão n.º 3402002.904 S3C4T2 Fl. 13 7 Como parte da mesma política industrial, através da Lei n. 14.186, de 2002, bem como do Decreto n. 5.686, de 2002, o Estado de Goiás também teria instituído tratamento tributário especial para as empresas comerciais importadoras ou exportadoras localizadas em seu território, assim reconhecida pelo SISCOMEX, denominado Apoio ao Comércio Exterior no Estado de Goiás – COMEXPRODUZIR. Tal programa preveria a concessão de crédito presumido de ICMS a ser apropriado na saída interestadual, ainda que destinada a consumidor final, de mercadorias ou bens importados do exterior diretamente pela empresa beneficiária e desembaraçados na zona secundária aduaneira do Estado de Goiás. O crédito, correspondente a 65% do saldo devedor de ICMS no período relativo às operações interestaduais realizadas, serviria à compensação com o ICMS devido pela empresa comercial importadora ou exportadora. Precitada empresa, contudo, encontrarseia obrigada a contribuir para o Programa Bolsa Universitária e para o Fundo de Desenvolvimento de Atividades Industriais – FUNPRODUZIR, no montante equivalente a 5% do valor do crédito outorgado. Seria o cenário no qual firmado pela interessada Protocolo de Intenções com o Estado de Goiás, visando à implantação de filial no Distrito Agroindustrial de Anápolis, destinada à importação de produtos acabados para comercialização, insumos e substâncias utilizadas na fabricação de seus produtos no Brasil, assim como à comercialização e distribuição destes ou quaisquer outros produtos. Consoante tal acordo, teria a interessada comprometidose a realizar investimentos no total de R$ 9.700.000,00 e gerar 200 vagas de emprego, sendo 50 diretas e 150 indiretas. Para efeito da concessão dos benefícios fiscais em epígrafe, a interessada teria firmado, com a Secretaria da Fazenda do Estado de Goiás, Termo de Acordo de Regime Especial – TARE n. 272/2004, por meio do qual teria sido concedido o crédito presumido correspondente a 65% do valor do ICMS relativo às operações interestaduais com as mercadorias importadas pela filial de Anápolis. Referido termo teria sido alterado pelo TARE n. 241/2005, concedendose à interessada o direito de escriturar como crédito fiscal o equivalente a 5,6% do valor da base de cálculo, na saída interestadual de produto farmacêutico de fabricação própria constante dos códigos 3001 a 3006 da NBM/SH. Restaria equivocado, assim, entendimento da autoridade fiscal no sentido de que o crédito concedido à interessada não teria qualquer vinculação à implantação ou expansão de empreendimento econômico. A legislação goiana, porém, não determinaria que o montante obtido com o favor fiscal seja aplicado em bens do ativo não circulante, incremento do parque industrial ou expansão do ativo imobilizado. Segundo a impugnante, a obtenção dos incentivos fiscais por si só seria evidência a caracterizar o benefício como subvenção para investimento, posto que os órgãos governamentais levariam a efeito análise quanto à compatibilidade dos valores renunciados e os investimentos propostos pela iniciativa privada, somente concedendo aval a quem efetivamente atendesse tais condições. A natureza de dada subvenção, insiste – se para custeio ou investimento –, seria definida pela natureza do benefício concedido: se para desenvolver determinada Fl. 1399DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/0 2/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 região ou setor; ou se para intervir em dado segmento, onde presente real necessidade de custeio. E em momento algum, dada a atuação estatal verificada, poderseia identificar a intenção de custear as despesas atinentes aos empreendimentos. O motriz da subvenção concedida pelo Estado de Goiás seria a implantação ou expansão de empreendimento econômico, caracterizandoa claramente como subvenção para investimento, alheia, portanto, à base de cálculo própria da Contribuição ao PIS e da Cofins. A MP n. 449, de 2008, posteriormente convertida na Lei n. 11.941, de 2009, instituiu o Regime Tributário de Transição – RTT, no âmbito do qual teria restado determinado que os contribuintes do IRPJ, da CSLL, da Contribuição ao PIS e da Cofins, observassem as regras fiscais vigentes até 31 de dezembro de 2007, dia anterior ao início da vigência da Lei n. 11.638, de 2007. Mantido também, consoante art. 18 da Lei n. 11.941, de 2009, benefício fiscal consubstanciado na não tributação das subvenções para investimento. Nos termos do mencionado dispositivo, os valores relacionados às subvenções para investimentos poderiam ser excluídos do lucro real para fins de apuração do IRPJ e da CSLL, desde que mantidos em conta de reserva de lucros. A subvenção registrada no resultado do período, todavia, para fins de aplicação do RTT, poderia ser excluída da base de cálculo da Contribuição ao PIS e da Cofins, conforme art. 21 da Lei n. 11.941, de 2009. Para tanto, inexistiria qualquer referência à obrigação de proceder ao registro de referidos valores em conta de reserva de lucros. Ou seja, se por um lado o legislador ordinatório teria vinculado a não tributação das subvenções de investimento pelo IRPJ e pela CSLL à manutenção de tais somas em conta de reserva de incentivos fiscais, semelhante condição não teria sido estipulada para a Contribuição ao PIS e para a Cofins. Em concreto, a interessada, ante deliberação pela distribuição do montante correspondente aos créditos presumidos aos sócios, teria optado pela tributação do IRPJ e da CSLL. Não obstante, observados os ditames do 21 da Lei n. 11.941, de 2009, não haveria que se falar em tributação pela Contribuição ao PIS e pela Cofins. E, a fim de repelir eventual dúvida acerca da impropriedade da exigência fiscal, argumenta que não seria diferente mesmo que se entendesse não consistem os incentivos fiscais em subvenção para investimento, posto que o crédito presumido seria forma de redução da carga efetiva de ICMS, configurandose como mera recomposição de patrimônio, derivada da recuperação de custos. Não seria, portanto, faturamento ou receita bruta, porquanto desconectado da idéia de ingresso de novas riquezas ao patrimônio da pessoa jurídica em decorrência do exercício da atividade patrimonial. A própria Receita Federal, por intermédio do Ato Declaratório interpretativo (ADI) n. 22/03, como também da Cosit, com a Solução de Divergência n. 15/03, teria concluído que os créditos presumidos de ICMS não configurariam subvenções para investimento ou custeio, mas apenas reduções de custos ou despesas. Restaria claro, assim, que tais importâncias não poderiam compor a base de cálculo da Contribuição ao PIS e da Cofins, ainda que, para fins do IRPJ e da CSLL, considerese ter havido benefício econômico passível de tributação. Fl. 1400DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/0 2/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.721790/201311 Acórdão n.º 3402002.904 S3C4T2 Fl. 14 9 No mesmo sentido, através do ADI/SRF n. 25/03, teria o Fisco manifestado o entendimento de que os tributos posteriormente recuperados em razão do pagamento indevido não se sujeitariam às aludidas contribuições. Quanto aos montantes recebidos das companhias aéreas TAM Linhas aéreas S/A e GOL Transportes Aéreos S/A, afirma que teriam por objetivo reparar a perda e a deterioração de medicamentos, configurandose mera indenização para recomposição do patrimônio. Não deveriam, em decorrência, compor a base de cálculo da Contribuição ao PIS e da Cofins. A propósito dos valores percebidos a título de atualização monetária e juros incidentes sobre principal resultante de ação de repetição de indébito ajuizada em face da Fazenda Estadual de São Paulo, defende, com relação à primeira, que esta denotaria simples recomposição da desvalorização da moeda, não passível de confusão com receita bruta ou faturamento. Neste aspecto, a exigência perpetrada pela autoridade fiscal igualmente não poderia prosperar. Sobre os juros, narra que, com a edição do Decreto n. 5.442, de 2005, a partir de 1o de abril de 2005, as alíquotas da Contribuição ao PIS e da Cofins incidentes sobre receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não cumulativa, à exceção dos juros sobre o capital próprio, teriam sido reduzidas a zero. Como a decisão teria transitado em julgado em data posterior à edição do referido Decreto, inexigível as contribuições sobre os juros respectivos. Ressalta que a inclusão na base de cálculo da contribuição ao PIS e da Cofins das importâncias relativas aos créditos presumidos e às indenizações recebidas das companhias aéreas, como também à ação de repetição de indébito, teria acarretado a glosa de saldos credores apurados sob o regime da não cumulatividade pela interessada. Uma vez decorrentes da indevida inclusão de tais valores na base de cálculo das presentes contribuições, precitadas glosas deveriam ser revistas. Elenca jurisprudência administrativa e judicial. Ao final, a interessada requer seja integralmente acolhida a impugnação, julgandose, no que tange aos itens I, II, e III do termo de constatação, improcedentes os autos de infração. Para tanto, carreia aos autos os documentos de fls. 1078/1251. Em 30 de setembro de 2013, por intermédio do requerimento de fls. 1252/1253, apresenta a interessada os documentos de arrecadação de fls. 1256/1263, aos quais vincula a noticiada concordância quanto aos itens IV e V do termo de constatação. Em 11 de fevereiro de 2014 foi julgada a impugnação parcialmente procedente, com manutenção parcial do crédito tributário, em Acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. Fl. 1401DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/0 2/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 Nos termos da Solução de Divergência COSIT n. 13, de 28 de Abril de 2011, restou fixada orientação no sentido de que, ante absoluta ausência de amparo legal a sustentar a exclusão, eventual crédito presumido a título de ICMS concedido pelos Estados e pelo Distrito Federal constitui receita tributável a ser integrada à base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. REGIME NÃOCUMULATIVO. INDENIZAÇÃO. DANO PATRIMONIAL. Consoante Solução de Consulta n. 49 SRRF04/Disit, de 26 de junho de 2012, as indenizações recebidas a fim de reparar dano patrimonial são tributáveis e integram, pelo valor integral, a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep sob o regime nãocumulativo da Lei n. 10.637, de 2002. PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. REGIME NÃOCUMULATIVO. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. Em conformidade com o Ato Declaratório Interpretativo SRF n. 25, de 24 de dezembro de 2003, e a Solução de Consulta n. 255 SRRF08/Disit, de 27 de julho de 2009, somente a diferença positiva entre o valor do tributo pago a maior atualizado monetariamente e o valor efetivamente restituído enquadrase no conceito de receita nova, integrando, em conseqüência, sob a forma de juros, a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep. Tais acréscimos, não obstante, enquanto receitas financeiras auferidas por pessoa jurídica sujeita ao regime de incidência nãocumulativa, tiveram reduzidas a zero as alíquotas da sobredita contribuição pelo Decreto n. 5.164, de 30 de julho de 2004, posteriormente substituído pelo Decreto n. 5.442, de 9 de maio de 2005. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 COFINS. LANÇAMENTOS DECORRENTES DA MESMA DESCRIÇÃO FÁTICA E IDÊNTICA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. Aplicase ao lançamento da Cofins o disposto em relação ao lançamento da Contribuição para o PIS/Pasep, vez eu decorrente da mesma descrição fática e idêntica matéria tributável. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. Não possuem eficácia normativa as decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros, porquanto não integrantes da legislação tributária a que se referem os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O Recorrente apresentou o presente Recurso Voluntário, em que repete as razões sustentadas na Impugnação, acrescentando que a inclusão das subvenções na base de cálculo das contribuições em comento corresponderia à ofensa ao pacto federativo e à Fl. 1402DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/0 2/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.721790/201311 Acórdão n.º 3402002.904 S3C4T2 Fl. 15 11 imunidade recíproca, além de bis in idem, tributando tanto no momento de composição do preço e quando de sua recuperação. Com a procedência da impugnação no que tange ao item III do termo de constatação, a discussão permanece aberta apenas acerca dos itens I e II. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, pelo que deve ser conhecido. A lide possui duas questões controversas, de conteúdos distintos, que serão tratadas adiante, quais sejam: a) a possibilidade de inclusão das subvenções na base de cálculo das contribuições para PIS e Cofins; b) a possibilidade de inclusão dos valores recebidos a título de indenização na base de cálculo das contribuições para PIS e Cofins. 1. Da inclusão das subvenções na base de cálculo das contribuições para PIS e Cofins. A discussão sobre a inclusão das subvenções na base de cálculo do PIS e da Cofins é dizer, a sua qualificação como receita tributável da pessoa jurídica deve partir de uma propedêutica, posto que necessária, abordagem de sua definição, bem como de suas espécies que atraem tratamentos tributários distintos. Uma definição usualmente evocada ao tratar do tema é aquela proposta por De Plácido e Silva, que afirma ser a subvenção um "auxílio ou ajuda pecuniária que se dá a alguém ou para alguma instituição, no sentido de nos proteger, ou para que se realizem ou cumpram os seus objetivos" (Vocábulo Jurídico, 2ªed. Rio de Janeiro: Forense, s.d., v.IV, p.1492). No mesmo sentido vai o Parecer Normativo CST n.112/78 (que, em rigor, aborda o tratamento tributário das subvenções no âmbito do Imposto de Renda), ao afirmar que "Juridicamente, a subvenção não tem o caráter nem de paga, nem de compensação. É mera contribuição pecuniária destinada ao auxílio ou em favor de uma pessoa, ou de uma instituição, para que se mantenha, ou para que execute os serviços ou obras pertinentes a seu objeto". Legalmente, a lei 4.320/64, que veicula normas gerais de Direito Financeiro para elaboração e controle do orçamento dos entes federados conceituou as subvenções no seu art.12, §3º: Art.12. (...) § 3º Consideramse subvenções, para os efeitos desta lei, as transferências destinadas a cobrir despesas de custeio das entidades beneficiadas, distinguindose como: Fl. 1403DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/0 2/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 12 I subvenções sociais, as que se destinem a instituições públicas ou privadas de caráter assistencial ou cultural, sem finalidade lucrativa; II subvenções econômicas, as que se destinem a emprêsas públicas ou privadas de caráter industrial, comercial, agrícola ou pastoril. Verificase que a lei se refere a subvenções de custeio. E especificamente sobre as subvenções econômicas haja vista que as sociais pouco importam ao caso, por estarem relacionadas a entidades cujas receitas estão tradicionalmente fora do campo da tributação a mesma lei traz em seu art.16 as suas finalidades específicas: II) Das Subvenções Econômicas Art. 18. A cobertura dos déficits de manutenção das emprêsas públicas, de natureza autárquica ou não, farseá mediante subvenções econômicas expressamente incluídas nas despesas correntes do orçamento da União, do Estado, do Município ou do Distrito Federal. Parágrafo único. Consideramse, igualmente, como subvenções econômicas: a) as dotações destinadas a cobrir a diferença entre os preços de mercado e os preços de revenda, pelo Govêrno, de gêneros alimentícios ou outros materiais; b) as dotações destinadas ao pagamento de bonificações a produtores de determinados gêneros ou materiais. Portanto, tornase clara a técnica definitória adotada pela lei 4.320/64 para as subvenções de custeio: por um lado, definea conceitualmente, qualificandoa como uma transferência destinada a cobrir despesas e, conjuntamente, adota critérios finalísticos para essas valores transferidos, devendo serem usados para: i) cobrir déficits de manutenção (para empresas públicas); ii) cobrir a diferença entre os preços de mercado e os preços de revenda, pelo Governo, de diversos materiais; iii) para o pagamento de bonificações a produtores de certos gêneros ou materiais. No Direito Brasileiro, portanto, não basta que haja uma transferência de recursos do Estado para uma empresa para que estejamos diante de uma subvenção de custeio aquela versada definida na lei 4.320/64 sendo necessário não apenas a ajuda pecuniária, mas também as finalidades que a lei determina para tal auxílio. Mais do que isso, há também a necessidade de um interesse público que justifique a concessão de tal subvenção como de resto é exigência de qualquer atuação pública. O tratamento tributário das subvenções para custeio veio na Lei 4.506/64, em seu artigo 44, IV, que prescreve expressamente a inclusão desses valores na receita bruta operacional da empresa: "Art. 44. Integram a receita bruta operacional: (...) IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais." Sobre a adoção da expressão "subvenções correntes", explica Hercília Maria dos Santos Bauer, reproduzindo em parte o Parecer Normativo nº112/78, que: Fl. 1404DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/0 2/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.721790/201311 Acórdão n.º 3402002.904 S3C4T2 Fl. 16 13 É possível que o legislador tenha utilizado esta locução porque a Lei n.4.320/64 (art.12) estabeleceu que as subvenções são espécies de "Transferências Correntes" (que, por sua vez, são indicadas no orçamento como "Despesas Correntes" da pessoa jurídica de direito público). Daí ter criado o termo subvenções correntes. De todo modo, a Lei vinculou as "subvenções correntes" ao custeio (das atividades do beneficiário), o que nos indica que o legislador utiliza o termo "subvenções correntes" para referirse às subvenções de uma maneira geral, pois todas as subvenções são correntes na medida em que classificadas como uma despesa corrente, e também como uma transferência corrente pela legislação financeira, além de se destinarem, sempre, ao custeio de despesas das entidades beenficiadas.(BAUER, Hercília Maria. A não incidência do Pis e da Cofins sobre valores recebidos a título de subvenção para investimento. In PEIXOTO, Marcelo Magalhães; MOREIRA JÚNIOR, Gilberto de Castro (coord.). PIS e COFINS à luz da jurisprudência do CARF, v.III. São Paulo: MP Editora, 2014. P.254) (grifo nosso) Essa tipologia das subvenções se torna mais problemática com a edição do Decretolei n.1.598/77, com a redação alterada pelo Decretolei 1.730/79, que prescreve em seu art.38, §2º: Art.38. (...) § 2º As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, não serão computadas na determinação do lucro real, desde que: a) registradas como reserva de capital, que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto nos §§ 3º e 4º do artigo 19; b) feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas. Esse decretolei traz uma outra espécie de subvenção, que pode ser concedida não apenas por transferências diretas, como também por incentivos fiscais como isenções ou reduções do tributo de modo geral, desde que concedidos como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos atribuindo um regime tributário específico a esta espécie, com a sua exclusão na determinação do lucro real, desde que atendidos os requisitos das alíneas a e b. Observese que novamente o legislador fez uso de uma técnica híbrida de definição, desta feita para a subvenção de investimento: ao lado do elemento conceitual da existência de uma doação ou vantagem econômica, de origem pública, para a empresa, e há novamente um elemento finalístico, relacionado com o objetivo de estimular a implantação ou expansão de empreendimento econômico. Também não deve causar espécie a utilização de diversas técnicas de incentivos fiscais para veicular subvenções de investimento. Independente da clareza da dicção legal, parece correta a observação de Ricardo Lobo Torres: Fl. 1405DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/0 2/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 14 As características principais das subvenções consistem na sua natureza de incentivo financeiro, na necessidade de sua previsão em orçamento e em lei e na discricionariedade de sua entrega pela Administração. No conceito de subvenção, que é indeterminado e multissignificativo, pode ser subsumir, pelas semelhanças que com ela guarda, o de restituiçãoincentivo, isto é, a devolução de tributo como mecanismo de estímulo fiscal. (TORRES, Ricardo Lobo. Tratado de Direito Constitucional Financeiro e Tributário, v.5. Rio de Janeiro: Renovar, 2008. P.463464) Essa mesma percepção ampliativa do conceito de subvenções para abranger outras técnicas como restituição de tributos, créditos presumidos, isenções etc. é compartilhada pelas melhores doutrinas, a exemplo de Klaus Tipke (Steuerrecht. Colônia: Otto Schmidt, 1985, p.137), que denominaas de subvenções dissimuladas, encobertas, invisíveis ou indiretas (verschleierte, verdeckte, unsichtbare oder indirekte Subventionen), além dos americanos Stanley S. Surrey e Paul McDaniel (Tax Expenditures. Cambridge: Havard University Press, 1985. P.1), que denominam essa subvenção tributária de Tax Expenditures, incentivos sediados na receita, e não na despesa. Em síntese, a legislação tributária determina que as subvenções correntes de "custeio ou de operação" o uso de um aposto explicativo denota a intenção do legislador de restringir o gênero "subvenções correntes" às espécies "de custeio" e "de operação", que entendo terem sido adotadas como sinônimas, pela dicção do art.18 da lei 4.320/64 serão incluídas no lucro real, compondo receita bruta operacional, ao passo que as subvenções correntes de investimento serão excluídas do lucro real e creditadas como reserva de capital, na forma do art.38, §2º e alíneas do DecretoLei 1.598/77. A despeito dos elementos que compõem o desenho jurídico dessas duas espécies de subvenções, a Receita Federal exarou o Paracer Normativo CST nº112/78, versando sobre a apuração do lucro operacional das empresas e, neste mister, acrescentando novos contornos às tais subvenções. No item 2.11 há uma nova definição de subvenção de investimento: 2.11 Uma dos fontes para se pesquisar o adequado conceito de SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO é o Parecer Normativo CST nº 2/78 (DOU de 16.01.78). No item 5.1 do Parecer encontramos, por exemplo, menção de que a SUBVENÇÃO para INVESTIMENTO seria a destinada à aplicação em bens ou direitos. Já no item 7, subentendose um confronto entre as SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO ou OPERAÇÃO e as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, tendo sido caracterizadas as primeiras pela não vinculação a aplicações específicas. Já o Parecer Normativo CST Nº 143/73 (DOU de 16.10.73), sempre que se refere a investimento complementao com a expressão em ativo fixo. Desses subsídios podemos inferir que SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliála, não nas suas despesas, mais sim, na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos. Essa concepção está inteiramente de acordo com o próprio § 2º do art. 38 do DL 1.598/77. Vejase que há aqui verdadeira inovação legal, escorada em dois pareceres normativos pretéritos, como se depreende da consolidação de conclusões desse parecer: I As SUBVENÇÕES CORRENTES PARA CUSTEIO OU OPERAÇÃO integram o resultado operacional da pessoa jurídica; as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, o resultado não operacional; Fl. 1406DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/0 2/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.721790/201311 Acórdão n.º 3402002.904 S3C4T2 Fl. 17 15 II SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO são as que apresentam as seguintes características: a) a intenção do subvencionador de destinálas para investimento; b) a efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado; e c) o beneficiário da subvenção ser a pessoa jurídica titular do empreendimento econômico. III As ISENÇÕES ou REDUÇÕES de impostos só se classificam como subvenções para investimento, se presentes todas as características mencionadas no item anterior; IV As SUBVENÇÕES, PARA INVESTIMENTO, se registradas como reserva de capital não serão computadas na determinação do lucro real, desde que obedecidas as restrições para a utilização dessa reserva; Onde havia inicialmente apenas uma finalidade específica de estímulo qualificando a classe das subvenções foram incluídos diversos outros requisitos exigindo que os valores recebidos sejam destinados à aplicação em bens e direitos que comporão o ativo da empresa. Tratase, sem dúvida, de um elaborado parecer, mas que esbarra na inescapável legalidade, haja vista que não possui nenhum respaldo normativo formal os critérios elencados pela Receita Federal mais ainda, o DecretoLei 1.598/77 não fala em momento algum a respeito do modo como deverá ser aplicada a subvenção, muito menos restringindoa da forma como o PN CST nº112/78 fez. Percebeu bem a erronia do Parecer o ilustre Bulhões Pedreira, em trechos de singular obra que bem pontuam as falhas fatais do entendimento da Receita Federal: A subvenção para investimento e a doação não pressupõem, todavia, aplicação de recursos no ativo permanente da pessoa jurídica. O capital próprio (assim como o de terceiros) achase aplicado, de modo indiscriminado, em todos os elementos do ativo, e a pessoa jurídica pode receber subvenções para investimentos ou doações para aumentar o capital de giro próprio. (...) O PNCST n.112/78 interpreta restritivamente a expressão subvenção para investimento, ao considerar como requisito essencial que os recursos doados sejam aplicados em bens do ativo permanente. Essa interpretação não tem fundamento na lei. A legislação tributária classifica todas as subvenções em apenas duas categorias correntes e para investimento. A que não se classifica em uma delas pertence, necessariamente, à outra, e toda transferência de capital é subvenção para investimento. A palavra investimento, no caso, deve ser entendida nos seus dois sentidos de criação de bens de produção e de aplicação financeira. (BULHÕES PEDREIRA, José Luiz. Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas, v.II. Rio de Janeiro: Editora Justec, 1979. P.403 404.) (grifos nossos) Tenho comigo a convicção, de solar clareza de que o PN CST nº112/78 atua inauguralmente na ordem jurídica, acrescentando elementos caracterizadores das subvenções de investimento que não podem ser inferidos logicamente ou sistematicamente à partir do Fl. 1407DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/0 2/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 16 DecretoLei 1.598/77 e, assim, escanteando a legalidade que deve ser observada na configuração das espécies de subvenção. Dito isto, calha lembrar que os Pareceres Normativos não exercem qualquer tipo de força normativa formal sobre este Colegiado não está abrangido nas hipóteses de observância obrigatória do art.45, VI e art.62 da Portaria MF nº343/2015 (RICARF). A lei, ao contrário, é de observância e aplicação vinculante por força do caput do art.62 do mesmo regimento. Em suma, entendemos que não há exigência legal de aplicação dos recursos recebidos a título de subvenção de investimento na composição do ativo permanente da empresa exigese tão somente que a subvenção tenha sido concedida como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, na forma estipulada no art.38, 2º do DecretoLei 1.598/77. Qualquer interpretação que discrepe disto parece ofender não apenas o art.62 do RICARF, mas também o art.111 do Código Tributário Nacional, haja vista que, ainda que o gasto tributário não seja necessariamente uma isenção, o seu regime jurídico deve ser próximo ao desta, pela similaridade de efeitos incluindo aí os dispositivos acerca de sua aplicação. Corroborando a exegese acima proposta, há diversos precedentes no âmbito do CARF e dos Tribunais Superiores, a exemplo do Acórdão 910100.566, julgado pela CSRF em 17/05/2010, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999, 2000, 2001 Ementa: SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. RESTITUIÇÃO DE ICMS. BENEFÍCIO FISCAL. CARACTERIZAÇÃO. CONTRAPARTIDA. NÃO VINCULAÇÃO DA APLICAÇÃO DOS RECURSOS. A concessão de incentivos às empresas consideradas de fundamental interesse para o desenvolvimento do Estado do Amazonas, dentre eles a restituição total ou parcial do ICMS, notadamente quando presentes a i) intenção da pessoa jurídica de Direito Público em subvencionar determinado empreendimento e o ii) aumento do estoque de capital na pessoa jurídica subvencionada, mediante incorporação dos recursos no seu patrimônio, configura outorga de subvenção para investimentos. O conjunto de obrigações assumidas pela beneficiária, em contrapartida ao favor fiscal, não configura aplicação obrigatória dos recursos transferidos. Parece bem desenhado na jurisprudência do CARF (e.g. Acórdãos 1202 000.921, julgado em 07/01/2013, e 10709.492, julgado em 17/09/2008) o afastamento do requisito de vinculação da subvenção à aquisição de ativos. Uma vez esclarecidos os elementos caracterizadores da subvenção de investimento, resta afastar algum argumento remanescente que pretenda incluílo no rol de receitas tributáveis pelo PIS e a Cofins. Para isto, peço vênia para citar o esclarecido voto do ilustre Conselheiro Marcos Shigueo Takata, no acórdão nº. 110300.555, proferido pela 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção: Como elucida o mestre Bulhões Pedreira (cf. seu Finanças e Demonstrações Financeiras da Companhia, Rio: Forense, 1989, pp. 242 a 245), a maioria dos fluxos financeiros é criada por atos de troca ou por atos de transferência. Nos atos de transferência, há um único fluxo financeiro, sem contrapartida de outro Fl. 1408DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/0 2/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.721790/201311 Acórdão n.º 3402002.904 S3C4T2 Fl. 18 17 em sentido oposto, ou seja, aqueles causam curso de bens entre patrimônios num único sentido. Os atos de transferência podem gerar fluxos de renda e fluxos de capital (assim como os atos de troca podem geram ambos os fluxos). Vale dizer, as duas categorias de fluxos financeiros – transferências de renda e transferências de capital – podem ser geradas por atos de transferência. Esclarece Bulhões Pedreira: Transferência de capital é o fluxo financeiro criado por ato patrimonial de que resulta o deslocamento de capital do patrimônio de uma pessoa com o fim de acrescer ao estoque do capital de outra. O capital pode ser transferido com o fim de integrar o patrimônio líquido da outra pessoa (como nos casos de doação, subvenções para investimento, subscrição do capital social de sociedade), ou sem essa destinação (como nos casos de empréstimo e sua restituição, subscrição e pagamento de debêntures, ou pagamento de obrigação nascida de ato ilícito). A forma jurídica do negócio nem sempre é suficiente para classificar o fluxo financeiro como transferência de renda ou de capital. (...) depende da intenção de quem cria a transferência... (grifamos, op. cit., p. 247) E, como casos de transferência de renda, são descritas, entre outras, as doações ou subvenções para despesas ou custeio, os lucros distribuídos por pessoas jurídicas (op. cit., p. 245). Daí que o art. 182, § 1º, “d”, da Lei de S.A. (de cujo anteprojeto de lei Bulhões Pedreira foi um de seus autores), antes da alteração promovida pela Lei 11.638/07, é claro ao determinar que as subvenções para investimento não são registráveis contabilmente como receita, mas como reservas de capital (no patrimônio líquido): Patrimônio Líquido Art. 182. A conta do capital social discriminará o montante subscrito e, por dedução, a parcela ainda não realizada. § 1º. Serão classificadas como reservas de capital as contas que registrarem: a) a contribuição do subscritor de ações que ultrapassar o valor nominal e a parte do preço de emissão das ações sem valor nominal que ultrapassar a importância destinada à formação do capital social, inclusive nos casos de conversão em ações de debêntures ou partes beneficiárias; b) o produto da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição; c) o prêmio recebido na emissão de debêntures; d) as doações e as subvenções para investimento. Fl. 1409DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/0 2/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 18 Na lógica e na inteligência da Lei de S.A., ao tratar do direito contábil, as subvenções para investimento e as doações não são registráveis como receita, mas como reservas de capital no patrimônio líquido, por representarem transferências de capital, e não transferências de renda (muito menos pagamento de renda). E o que determina se as transferências (fluxos financeiros num único sentido) são de renda ou de capital? A intenção do doador ou do subvencionador. Se a intenção ou propósito de quem transfere os recursos é para subvencionar empreendimentos, aumentando o estoque de capital do subvencionado, estamos diante de transferência de capital, e, pois, de subvenção para investimento. No caso de doação, se a intenção ou propósito é de doação para investimento (inversão de capital), aumentando o estoque de capital do donatário, também estamos diante de transferência de capital – são as doações de capital. (...) Pois bem. E como se manifesta a intenção do subvencionador de investimentos? No caso do Poder Público, principalmente através de estímulos à consecução de empreendimentos, pelo mecanismo de incentivos fiscais. É do étimo de subvenção socorrer, ajudar (subventio, subveniere). Por isso, De Plácido e Silva, quando define subvenção, fala em auxílio, ajuda pecuniária a alguém. Quer dizer, se um incentivo fiscal é concedido sob a “condição” de instalação, expansão ou ampliação de empreendimentos, o custo econômico desse incentivo representa uma subvenção para investimento. A caracterização de subvenção para investimento não se dá pela vinculação dos recursos recebidos aos empreendimentos, no sentido de destinação dos recursos a esses investimentos. Isso se ocorrer, constitui elemento acidental: o cerne é o que descrevi acima para configuração de subvenção para investimento. Com a devida vênia, subvenção para investimento não depende da vinculação no sentido de destinação dos recursos, por três razões básicas. Primeiro porque, ordinariamente, o beneficiário primeiro aplica seus recursos, para a realização dos empreendimentos, para depois passar a receber a subvenção para investimento. Basta pensar naquele que resolveu instalar sua fábrica em determinado Estado, por conta da subvenção para investimento na forma de incentivos fiscais. É evidente que só receberá os recursos da subvenção, após ter aplicado seus recursos próprios (ainda que obtidos mediante financiamento). Mesmo nos casos de ampliação de empreendimentos já existentes em certo Estado, o que se dá, em geral, é a aplicação de recursos próprios, e depois o recebimento dos recursos de subvenção para investimento. Segundo porque o aumento de estoque de capital como evidência da intenção de subvencionar investimento não depende da destinação dos recursos aos empreendimentos. Depende (aumento de estoque de capital) certamente da intenção de se subvencionar investimento (empreendimento), geralmente expressa (a intenção) por meio de estímulos ao investimento quando a subvenção se dá através de incentivos fiscais. Noutras palavras, nem o art. 38, § 2º, do Decretolei 1.598/77 prevê referida destinação dos recursos, ao tratar de subvenção para investimento para fins de IRPJ sob regime de lucro real tampouco o direito contábil (art. 182, § 1º, “d”, da Lei de S.A.). Fl. 1410DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/0 2/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.721790/201311 Acórdão n.º 3402002.904 S3C4T2 Fl. 19 19 Terceiro, que não deixa de ser um desdobramento das duas razões citadas, porque o dinheiro não “se carimba”, não é possível se “carimbálo”. Aliás, no caso de subvenção para investimento por meio de incentivos fiscais, em geral nem se recebe dinheiro, mas outro ativo. No mesmo sentido, vejase no Manual de Contabilidade da Fipecafi, de autoria dos eruditos contabilistas Sérgio de Iudícibus, Eliseu Martins e Rubens Gelbcke: No caso de subvenção para atender a despesas de custeio (cobertura de prejuízos, déficits), seu registro deve ser como receita do exercício. Então, tal receita deve ser registrada separada e destacadamente do resultado das operações normais. Em relação às empresas privadas, as subvenções para investimentos mais comuns, dentro da acepção legal ainda existente, são as na forma de devolução, isenção ou redução de impostos devidos pela empresa. (...) Tratandose de subvenções destinadas a investimentos (expansão empresarial), são creditadas diretamente nessa conta de Reserva de Capital – Doações e Subvenções para Investimentos – para a qual a empresa deve ter subcontas por natureza de subvenção recebida. (grifamos) Também prescrevendo a intributabilidade das subvenções de investimento pelas contribuições sociais e pelo IRPJ, temos o art.443 do RIR/99 (que reproduz o conteúdo do DecretoLei nº1.598/77) e a Lei 11.941/09, in verbis: Lei 11.941/09 Art. 18. Para fins de aplicação do disposto nos arts. 15 a 17 desta Lei às subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e às doações, feitas pelo Poder Público, a que se refere o art. 38 do DecretoLei no1.598, de 26 de dezembro de 1977, a pessoa jurídica deverá: Art. 21. As opções de que tratam os arts. 15 e 20 desta Lei, referentes ao IRPJ, implicam a adoção do RTT na apuração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS. (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vigência) (Vide Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Parágrafo único. Para fins de aplicação do RTT, poderão ser excluídos da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, quando registrados em conta de resultado: I – o valor das subvenções e doações feitas pelo poder público, de que trata o art. 18 desta Lei; Portanto, entendo que as subvenções de investimento, desde que registradas na conta de Reserva de Capital, atendendo ao art.38, 2º do DecretoLei 1.598/77, não se qualifica como receita, estando foram do âmbito de incidência das contribuições sociais em comento. Fl. 1411DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/0 2/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 20 Além dos argumentos acima esgrimidos, vejo como contrária à forma de Estado Federal a possibilidade de um ente federado tributar o incentivo fiscal subvencionador concedido por outro a despeito de possíveis implicações relacionadas à guerra fiscal entre os Estados. As limitações às interações federativas vão para muito além da configuração da imunidade recíproca não é a toa que a melhor doutrina tributária sustenta que essa imunidade existiria independente de manifestação constitucional expressa, mas tãosomente por implicação lógica da forma federativa de Estado. Entendo que permitir à União tributar um crédito presumido de ICMS recebido por um contribuinte, como se receita fosse, implica em aceitar que um ente federado por interferir na política fiscaleconômica de outro entes, isto é, restringir a utilização de técnicas fiscais com finalidades indutoras. A União tributar onde o Estado isentou (ou concedeu algum benefício fiscal) é o mesmo que a União isentar (ou conceder benefício fiscal) onde o Estado tributou a chamada isenção heterônoma, vedada pelo sistema constitucional tributário, no art.151, III da CF. A aplicação dessa vedação à primeira hipótese me parece mister da coerência com que devem ser interpretadas as normas tributárias ubi eadem ratio ibi eadem dispositio. Elucidados extensivamente tanto a configuração jurídica das subvenções de investimento quanto a sua qualificação contábil e regime tributário, resta verificar se as subvenções percebidas pela Recorrente se adequam às ilações pretéritas. Poir bem, o Estado de Goiás instituiu o Programa de Desenvolvimento Industrial de Goiás PRODUZIR, através da lei 13.591/00, que estipula como condição para que o empreendimento goze de benefícios fiscais o atendimento de diversas condições (fls.1330/1331). Também, por via da Lei nº 14.186/02 e o Decreto nº 5.686/02 foi instituído o COMEXPRODUZIR, atribuindo um regime tributário especial às empresas comerciais importadoras e exportadoras no Estado. Ambos os programas instituídos tem finalidades extrafiscais claras e incontroversas e atrair investimentos para o Estado, viabilizando a instação de empreendimentos diversos em seu território. É o que depreende, por exemplo, do protocolo de intenções assinado entre a Recorrente e o Estado de Goiás (fls.1177/1188), onde o Estado comprometese a permitir à Recorrente a escrituração como crédito fiscal de 65% sobre o valor do saldo devedor do ICMS, além de outras benesses, listadas nas cláusulas primeira a quinta, ao passo que estabelece condição para a fruição (fl. 1184): Ou seja, exige a implantação do empreendimento econômico tal qual exigido pelo caput do art.38 do DecretoLei 1598/77. Frisese que as cláusulas do protocolo de intenções são reproduzidas nos TAREs acostados aos autos (fls.11891204), o que demonstra a consolidação dessa relação de reciprocidade entre a Recorrente e o Estado de Goiás este Fl. 1412DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/0 2/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.721790/201311 Acórdão n.º 3402002.904 S3C4T2 Fl. 20 21 concede a subvenção em contrapartida da implantação de empreendimento econômico por aquele o protocolo é literal nesta relação: É absolutamente clara a natureza de subvenção de investimento. Ora, é cediço e bem conhecido por todos o mecanismo da guerra fiscal, que se manifesta através da concessão de benefícios fiscais unilaterais no âmbito do ICMS os Estados não procuram, com seus incentivos, custear as empresas nos moldes do art.18, lei 4.320/64, mas sim atrair a implantação de estabelecimentos industriais e comerciais em seu território, aumentando sua arrecadação e gerando incremento de desenvolvimento regional. Esta intenção de atração de investimentos e implantação/expansão de empreendimentos econômicos através de benefícios fiscais unilaterais de ICMS é fato notório que sequer necessitaria de prova neste processo, por força do art.334, I do Código de Processo Civil. Portanto, inequívoca a natureza de subvenção de investimento. Todavia, resta saber se é possível, dada a forma que a subvenção foi escriturada, conforme termo de constatação fiscal (fl.938): Fl. 1413DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/0 2/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 22 A própria autoridade fiscal reiteradas vezes reconhece que se trata de uma conta de resultado, mas nega a possibilidade de exclusão do valor da subvenção por negarlhe a natureza de subvenção de investimento com base no PN CST nº112/78. É dizer, nega aplicabilidade do art.21 da lei 11.941/09: Art. 21. As opções de que tratam os arts. 15 e 20 desta Lei, referentes ao IRPJ, implicam a adoção do RTT na apuração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS. (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vigência) (Vide Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Parágrafo único. Para fins de aplicação do RTT, poderão ser excluídos da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, quando registrados em conta de resultado: I – o valor das subvenções e doações feitas pelo poder público, de que trata o art. 18 desta Lei; Uma vez verificado que a subvenção em questão é, sim, uma subvenção de investimento, tornase matemática a conclusão que a opção do Recorrente pela sua escrituração em uma conta de resultado lhe dá o direito de excluir esses valores da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Se o legislador ordinário vinculou a não tributação das subvenções de investimento pelo IRPJ e pela CSLL à manutenção de tais valores em conta de reserva de incentivos fiscais, o mesmo não foi estipulado para a exclusão desses valores das bases de cálculo das contribuições. Conquanto o art.38, 2º do Decretolei 1.598/77 traga os elementos caracterizadores da subvenção de investimento, da sua redação resta claro que as alíneas trazem requisitos para o seu não cômputo na apuração do Lucro Real, nada dizendo acerca do PIS e da Cofins, estes regidos pelo art.21 da Lei 11.941/09. Em síntese, as subvenções de investimento instituídas no âmbito do COMEXPRODUZIR podem ser excluídas da base de cálculo das contribuições desde que escrituradas em conta de resultado, o que se deu no caso concreto. 2. Das indenizações recebidas pela Recorrente Outro questão controvertida no âmbito desse Recurso Voluntário diz respeito à exclusão de indenizações recebidas da base de cálculo do PIS e da Cofins, passando necessariamente pela definição de receita para fins de incidência dessas contribuições. Pareceme que a Receita Federal tem tentado alargar tanto quanto possível o conceito de receita, para incluir nela figuras que certamente discrepam da sua natureza, como mencionou, data venia, o voto no Acórdão de Impugnação (fl.1288): Inexistindo suporte legal a justificar a exclusão, considerandose que as importâncias eventualmente percebidas a fim de reparar dano patrimonial restam classificadas como receitas nãooperacionais, devem estas compor, pelo valor integral, a base de cálculo das contribuições de que tratam as leis n. 10.637, de 2002, e n. 10.833, de 2003, em obediência ao caráter universal da matéria tributável adotada. A Solução de Consulta n. 49 – SRRF04/Disit, de 26 de junho de 2012, estampa idêntica conclusão. Fl. 1414DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/0 2/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.721790/201311 Acórdão n.º 3402002.904 S3C4T2 Fl. 21 23 Precisa é a crítica do Supremo Tribunal Federal às tentativas de alargar a base de cálculo dessas contribuições, a exemplo do voto do preclaro Ministro Marco Aurélio, no RE 240.785/MG, julgado pelo Pleno desse tribunal em 08/10/2014: A tríplice incidência da contribuição para financiamento da previdência social, a cargo do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, foi prevista tendo em conta a folha dos salários, o faturamento e o lucro. As expressões utilizadas no inciso I do artigo 195 em comento hão de ser tomadas no sentido técnico consagrado peladoutrina e jurisprudencialmente. (...) A base de cálculo da Cofins não pode extravasar, desse modo, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela percebida com a operação mercantil ou similar. O conceito de faturamento diz com riqueza própria, quantia que tem ingresso nos cofres de quem procede à venda de mercadorias ou à prestação dos serviços, implicando, por isso mesmo, o envolvimento de noções próprias ao que se entende como receita bruta. Estamos com aqueles, como Ricardo Mariz de Oliveira, que entendem que "receita é algo novo, que se incorpora a uma determinado patrimônio. Por conseguinte a receita é um 'plus jurídico' que se agrega ao patrimônio" (Conceito de Receita como Hipótese de Incidência das Contribuições para a Seguridade Social.1ª Quinzena de Janeiro de 2001 n.1/2001 Caderno 1. São Paulo: IOB, p.21). Nesse mesmo sentido, há diversos precedentes desta Seção de Julgamento, a exemplo do Acórdão 330200.873, julgado em 01/03/2011, no qual se decidiu que as indenizações de seguros não podem ser consideradas receitas para fins de incidência da Cofins pois, segundo o Relator Walber José da Silva, os valores recebidos não afetaram o patrimônio nem seu resultado operacional. Além disso, por força do art.62, §1º, II, b e §2º do RICARF, é dever do Conselheiro observar o conteúdo das decisões do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C do CPC, aplicandoas sempre que cabíveis. O STJ já se manifestou acerca da inclusão das indenizações na base de cálculo do Imposto de Renda, em acórdão assim ementado: PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. INDENIZAÇÃO POR DANO MORAL. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. IMPOSSIBILIDADE. CARÁTER INDENIZATÓRIO DA VERBA RECEBIDA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A verba percebida a título de dano moral tem a natureza jurídica de indenização, cujo objetivo precípuo é a reparação do sofrimento e da dor da vítima ou de seus parentes, causados pela lesão de direito, razão pela qual tornase infensa à incidência do imposto de renda, porquanto inexistente qualquer acréscimo patrimonial. (Precedentes: REsp 686.920/MS, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/10/2009, DJe 19/10/2009; AgRg no Ag 1021368/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/05/2009, DJe 25/06/2009; REsp 865.693/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/12/2008, DJe 04/02/2009; AgRg no REsp 1017901/RS, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/11/2008, DJe Fl. 1415DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/0 2/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 24 12/11/2008; REsp 963.387/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 08/10/2008, DJe 05/03/2009; REsp 402035 / RN, 2ª Turma, Rel. Min. Franciulli Netto, DJ 17/05/2004; REsp 410347 / SC, desta Relatoria, DJ 17/02/2003). 2. In casu, a verba percebida a título de dano moral adveio de indenização em reclamação trabalhista. 3. Deveras, se a reposição patrimonial goza dessa não incidência fiscal, a fortiori, a indenização com o escopo de reparação imaterial deve subsumirse ao mesmo regime, porquanto ubi eadem ratio, ibi eadem legis dispositio. 4. "Não incide imposto de renda sobre o valor da indenização pago a terceiro. Essa ausência de incidência não depende da natureza do dano a ser reparado. Qualquer espécie de dano (material, moral puro ou impuro, por ato legal ou ilegal) indenizado, o valor concretizado como ressarcimento está livre da incidência de imposto de renda. A prática do dano em si não é fato gerador do imposto de renda por não ser renda. O pagamento da indenização também não é renda, não sendo, portanto, fato gerador desse imposto. (...) Configurado esse panorama, tenho que aplicar o princípio de que a base de cálculo do imposto de renda (ou de qualquer outro imposto) só pode ser fixada por via de lei oriunda do poder competente. É o comando do art. 127, IV, do CTN. Se a lei não insere a "indenização", qualquer que seja o seu tipo, como renda tributável, inocorrendo, portanto, fato gerador e base de cálculo, não pode o fisco exigir imposto sobre essa situação fática. (...) Atentese para a necessidade de, em homenagem ao princípio da legalidade, afastarse as pretensões do fisco em alargar o campo da incidência do imposto de renda sobre fatos estranhos à vontade do legislador." ("Regime Tributário das Indenizações", Coordenado por Hugo de Brito Machado, Ed. Dialética, pg. 174/176) 5. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 6. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1152764/CE, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 23/06/2010, DJe 01/07/2010) Entendo, portanto, que as indenizações recebidas não se qualificam como receitas, por se tratarem de mera reparação do patrimônio que fora desfalcado por outrem é mera reposição, e não acréscimo. 3. Conclusão Dessa modo, dou PROVIMENTO INTEGRAL ao Recurso Voluntário do contribuinte, para excluir as subvenções de investimento e as indenizações recebidas da base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins. É como voto. Relator Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 1416DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/0 2/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.721790/201311 Acórdão n.º 3402002.904 S3C4T2 Fl. 22 25 Fl. 1417DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/0 2/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 13901.000008/97-98
Data da sessão: Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2001
Ementa: TRIBUTÁRIO — IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO — TRANSPORTE MARÍTIMO DE GRANÉIS — QUEBRA INEVITÁVEL — DEC. LEI N° 37/66 — INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N° 12176.
As autoridades administrativas (Secretaria da Receita Federal)
reconhecem, pelo teor da IN SRF n° 12, de 1976, a inevitabilidade
das quebras registradas nas descargas de mercadorias
transportadas a granel, por via marítima, em até 5% (cinco por
cento) da quantidade transportada (manifestada), constituindo-se
como «quebra natural". Em assim sendo, presumida a ausência
de culpa do transportador, inocorre a responsabilidade pelo
recolhimento de tributo e penalidade incidentes. Precedentes do
S.T.J.
Negado provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional.
Numero da decisão: CSRF/03-03.196
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao Recurso. Vencidos os Conselheiros: Henrique Prado Megda e João Holanda Costa, que davam provimento.
Nome do relator: Paulo Roberto Cuco Antunes
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200108
ementa_s : TRIBUTÁRIO — IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO — TRANSPORTE MARÍTIMO DE GRANÉIS — QUEBRA INEVITÁVEL — DEC. LEI N° 37/66 — INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N° 12176. As autoridades administrativas (Secretaria da Receita Federal) reconhecem, pelo teor da IN SRF n° 12, de 1976, a inevitabilidade das quebras registradas nas descargas de mercadorias transportadas a granel, por via marítima, em até 5% (cinco por cento) da quantidade transportada (manifestada), constituindo-se como «quebra natural". Em assim sendo, presumida a ausência de culpa do transportador, inocorre a responsabilidade pelo recolhimento de tributo e penalidade incidentes. Precedentes do S.T.J. Negado provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional.
numero_processo_s : 13901.000008/97-98
conteudo_id_s : 5544557
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : CSRF/03-03.196
nome_arquivo_s : 40303196_119619_139010000089798_021.PDF
nome_relator_s : Paulo Roberto Cuco Antunes
nome_arquivo_pdf_s : 139010000089798_5544557.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao Recurso. Vencidos os Conselheiros: Henrique Prado Megda e João Holanda Costa, que davam provimento.
dt_sessao_tdt : Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2001
id : 6175784
ano_sessao_s : 2001
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:13:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076607984959488
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-22T13:21:54Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-22T13:21:53Z; Last-Modified: 2009-07-22T13:21:54Z; dcterms:modified: 2009-07-22T13:21:54Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-22T13:21:54Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-22T13:21:54Z; meta:save-date: 2009-07-22T13:21:54Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-22T13:21:54Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-22T13:21:53Z; created: 2009-07-22T13:21:53Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; Creation-Date: 2009-07-22T13:21:53Z; pdf:charsPerPage: 1453; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-22T13:21:53Z | Conteúdo => 1 ' • MINISTÉRIO DA FAZENDA • 4' CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS -..,itflÉtt TERCEIRA TURMA Processo n° :13901.000008/97-98 Recurso n° : RP/303-0.277 Recorrida : TERCEIRA CÂMARA — 3 . CONSELHO DE CONTRIBUINTES Matéria : MANIFESTO Recorrente : FAZENDA NACIONAL Sujeito Passivo : RODRIMAR S/A — AG., COMIS. E ARM. GERAIS. Sessão de : 20 DE AGOSTO DE 2001 Acórdão n° : CSRF/03-03.196 TRIBUTÁRIO — IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO — TRANSPORTE MARÍTIMO DE GRANÉIS — QUEBRA INEVITÁVEL — DEC. LEI N° 37/66 — INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N° 12176. As autoridades administrativas (Secretaria da Receita Federal) reconhecem, pelo teor da IN SRF n° 12, de 1976, a inevitabilidade das quebras registradas nas descargas de mercadorias transportadas a granel, por via marítima, em até 5% (cinco por cento) da quantidade transportada (manifestada), constituindo-se como «quebra natural". Em assim sendo, presumida a ausência de culpa do transportador, inocorre a responsabilidade pelo recolhimento de tributo e penalidade incidentes. Precedentes do S.T.J. Negado provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela Fazenda Nacional, ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao Recurso. Vencidos os Conselheiros: Henrique Prado Megda e João Holanda Costa, que davam provimento. ISON PE IGUES PRESIDEN E PAULO Pb; CUCO ANTUNES RELATO" __a.- FORMALIZADO EM: 28 SET ZUM Processo n.° 13901.000008/97-98 Acórdão n.° CSRF/03-03.196 Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselheiros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, MOACYR ELOY DE MEDEIROS, MARCIA REGINA MACHADO MELARÉ e NILTON LUIZ BARTOLI 2 Processo n.° 13901.000008/97-98 Acórdão n.° CSRF/03-03.196 Recurso n° : RP1303-0.277 Recorrente : FAZENDA NACIONAL Sujeito Passivo : RODRIMAR S/A — AG., COMIS. E ARM. GERAIS. RELATÓRIO Versa o presente litígio sobre cobrança de tributo (Imposto de Importação), lançada contra o Agente Marítimo, representante do transportador, em decorrência da falta de mercadoria apurada em ato de conferência final de manifesto de carga do navio MN "ATLANTIS SPIRIT", aportado em Paranaguá — PR em dezembro de 1996, totalizando o crédito tributário lançado e exigido o valor de R$ 633,29. O Auto de Infração lavrado às fls. 01, assim como a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal que o integra (folha de continuação ao Auto de Infração), acostados às fls. 01/02 destes autos, não noticiam qual teria sido a espécie e a quantidade de mercadoria faltante; a quantidade total manifestada, nem tampouco indica o percentual de falta apurada em relação ao manifestado. No Demonstrativo de Apuração do Imposto de Importação (fls. 03) e no Demonstrativo de Multa do Imposto (fls. 04), existe indicação apenas de que a mercadoria envolvida seria FOSFATO MONOAMONICO (map) granulado. Em sua defesa a Autuada argumentou que houve descarga da mercadoria nos portos de Antonina (Paraná) e Santos (SP), devendo ser levada em consideração a apuração global dos resultados dessas descargas; Que o percentual final da falta, feita tal apuração global, seria correspondente a 1%, que se refere ao limite de tolerância estabelecido pela IN SRF n° 95/84; Que no caso, trata- se de quebra natural e não de falta de mercadoria. 3 , . Processo n.° 13901.000008/97-98 Acórdão n.° CSRF/03-03.196 Na informação fiscal de fls. 21, consta que a repartição fiscal levou em consideração tão somente o resultado da descarga realizada no porto de Antonina; que teria sido manifestada para aquele porto a quantidade de 6.775,00 TM de Fosfato Monoamânico; que o total descarregado foi de 6.665,95 TM e a falta da ordem de 41,30 TM. Esclarece, ainda, que segundo informado pela Cia. Docas do Estado de São Paulo, também naquele porto ocorreu falta superior a 1%. Em sua R. Decisão, o I. Julgador de primeiro grau (DRJ/CTA) elaborou um quadro demonstrativo indicando o resultado global da descarga, considerando as descargas realizadas nos portos de Antonina (PR) e Santos (SP), do produto envolvido — Fosfato Monoamónico Granulado (MAP), chegando à conclusão de que: TOTAL MANIFESTADO :10.374.167,00 KG TOTAL DESCARREGADO : 10.226.640,00 KG DIFERENÇA (MENOR) : 147.527,00 KG PERCENTUAL DE FALTA : 1,42% Também ressaltou o mesmo Julgador que além da mercadoria mencionada — Fosfato Monoamónico Granulado (MAP), o navio transportou o produto 'SULFATO DE AMÔNIO", que estaria englobado no percentual de descarga apontado pela Autuada. • Asseverou que mesmo apurando-se globalmente toda a quantidade descarregada pelo navio, no Pais, de Fosfato Monoamónico Granulado (MAP), o percentual de tolerância de 1% (um por cento) para os granéis sólidos foi ultrapassado e, sendo assim, julgou procedente a ação fiscal. Ainda em seus fundamentos, argumenta que a legislação que trata especificamente da responsabilidade do transportador marítimo, no caso de perda de granel apurada em conferência final de manifesto, consubstanciada no art. 483 e 4 , L. Processo n.° 13901.000008/97-98 Acórdão n.° CSRF/03-03.196 parágrafo único, do RA, e Instruções Normativas SRF n os 12/76 e 95/84, é bastante clara, no sentido de que: a) até 0,5% (meio por cento), no caso de granel líquido ou gasoso, ou até 1% (um por cento), em se tratando de granel sólido, entende-se que houve perda normal e inevitável nada lhe sendo exigível; b) perdas acima desse limite, porém não superiores a 5% (cinco por cento) revelam culpa do transportador que deverá pagar o imposto incidente pela diferença resultante entre aqueles percentuais de tolerância (0,5% e 1%) e os apurados na conferência final de manifesto; c) já quantidades superiores a 5% (cinco por cento) revelam grande negligência, sendo aplicável a imposição de multa (art. 521, inciso II, alínea "d", do Regulamento Aduaneiro) sobre toda a diferença apurada, ao lado da cobrança de imposto, calculado na forma do item anterior. (grifos meus) Em razão desses fatos, julgou procedente a ação fiscal. Em seu Recurso Voluntário a Autuada argumenta que o percentual de falta apontado é inferior a 5% (cinco por cento) da quantidade manifestada, estando abaixo do limite de tolerância estabelecido pela IN SRF n° 12/76, segundo a qual a situação enquadra-se como QUEBRA NATURAL — fenômeno reconhecidamente INEVITÁVEL - a qual estão sujeitas as cargas transportadas a granel. Argumenta, ainda, que caso assim não fosse, nenhum tributo seria devido uma vez que a mercadoria em questão foi importada com isenção tributária. Não houve prejuízo para a Fazenda Nacional passível da indenização prevista no art. 60, parágrafo único, do Decreto-Lei n° 37/66. -, 5 . IV Processo n.° 13901.000008/97-98 Acórdão n.° CSRF/03-03.196 Em sede de julgamento em segundo grau a C. Câmara recorrida, inicialmente, deu provimento ao Recurso Voluntário interposto, acolhendo a última tese defendida pela interessada, ou seja, de que a mercadoria teria sido importada com isenção, não havendo o que ser indenizado à Fazenda Nacional, como retrata o Acórdão de n° 303-29.075, de 18/03/99, acostado às fls. 36/42. Posteriormente, motivada por manifestação da repartição de origem (fls. 46/47) a mesma C. Terceira Câmara houve por bem reformar o referido Acórdão anteriormente proferido e, em novo julgamento realizado na sessão do dia 15/08/2000, decretou o provimento do Recurso, por maioria de votos, desta feita acolhendo a tese da inevitabilidade da quebra até o limite de 5%, conforme estabelecido na IN SRF n° 12/76, também para a questão da exigência tributária, invocando a jurisprudência existente sobre a matéria, reportando-se especificamente a julgado do E. Superior Tributai de Justiça (STJ) sobre a matéria, como retrata o Acórdão de n° 303-29.372, de 15/08/2000, acostado às fls. 50/59. A D. Procuradoria da Fazenda Nacional, foi cientificada do citado Acórdão em 13/12/200, como noticia documento de fls. 60 (Termo de Intimação). Apresentou Recurso Especial datado de 13/121200 (fls. 61/66) sem data de recepção pelo órgão receptor, juntando, como paradigmas, cópias dos Acórdãos n°s 301-27.396, de 18/5/93, da D. Primeira Câmara; e 302-32.634, de 07/05/93, da D. Segunda Câmara, ambas do E. Terceiro Conselho de Contribuintes. Em seu Recurso a D. Procuradoria pleiteia a reforma do R. Acórdão recorrido, para fins de manutenção da Decisão de primeiro grau. Em suas razões de apelação manifesta, em síntese, o seguinte entendimento: - Consoante as decisões trazidas em anexo como paradigmas, o Terceiro Conselho de Contribuintes vem entendendo que os fatos disciplinados pelas Instruções Normativas citadas (12/76 e 95/84) nada têm a ver um com outro, o que impede seja a hipótese de / 6 12 , Processo n.° 13901.000008/97-98 Acórdão n.° CSRF/03-03.196 incidência de uma norma aplicada, ainda que de forma analógica, extensiva, ao fato jurídico regido pela outra norma; - A IN 12176 isenta o contribuinte do pagamento de multa punitiva nos casos de quebra de transporte de granéis superiores a 5% (cinco por cento) da mercadoria importada. Cuida esta norma administrativa de regular o pagamento de valores ao Estado, decorrentes de infração. - Já a IN 95184 versa sobre hipótese totalmente diversa, que é a dispensa de pagamento de obrigação tributária, que, como disposto expressamente no Código Tributário Nacional, não se caracteriza como sanção por ato ilícito; - O campo de incidência de cada uma dessas normas exclui a outra norma. Não podem se confundir, justamente porque uma cuida de regular um fato ilícito, uma infração, enquanto a outra incide necessariamente sobre um fato lícito, que cria a obrigação tributária. - No caso em tela, ao se argumentar que somente a quebra superior a 5% permitiria à autoridade exigir o imposto de importação, esse farto, a quebra superior a 5%, antes ilícito (apenado com multa) passa a ser lícito (tributo não pode ser sanção de ato ilícito). - Desta argumentação podem ser depreendidas duas conclusões: a primeira é que a Instrução Normativa n° 12/76 estaria revogando tacitamente a Instrução Normativa n° 95184, o que se configuraria no esdrúxulo caso de norma anterior ab-rogando norma posterior. - A outra conclusão é que, ao tornar a quebra superior a 5% um fato lícito, a própria Instrução Normativa n° 12/76 restaria inaplicável, vez que ausente o critério pelo qual a autoridade estaria autorizada a aplicar a pena de multa. Com efeito, repugna ao ordenamento jurídico a aplicação de pena quando o fato com o qual esta punição se relaciona não é ilícito. - Em verdade, ambas as normas tratam de quebras inevitáveis no transporte marítimo. Ocorre que cada um dos percentuais de quebra inevitável origina a incidência de uma espécie de norma. Por exemplo, a IN 95/84 está regulamentando o art. 483 do Regulamento Aduaneiro. - Tal norma permite ao Secretário da Receita Federal determinar os percentuais de falta de mercadoria importada a granel 7 der • . Processo n.° 13901.000008/97-98 Acórdão n.° CSRF/03-03.196 que, ocorrendo, eximirão o sujeito passivo do pagamento de tributo. O exercício desta atribuição caracteriza-se, claramente, como exercício de poder discricionário da autoridade administrativa, a qual foi transferido o juízo de oportunidade e conveniência acerca do percentual a ser estabelecido. - Já a IN 12/76, também estabelecida no exercício de poder discricionário da autoridade administrativa, está fundamentada no art. 521 do Regulamento Aduaneiro. - A rigor, portanto, a quebra no transporte de granéis pode ser hipótese de incidência de multa como pode ser hipótese de dispensa do pagamento do tributo. Cabe à autoridade administrativa, mediante ato regulamentar, estipular os limites dessas hipóteses de incidência. - Entretanto, o entendimento esposado pelo r. acórdão recorrido simplesmente anula o juízo discricionário atribuído à autoridade administrativa, de forma que, como já explicado, a quebra de transporte de granéis passa a não ser mais hipótese de incidência de multa, vez ausentes os critérios para aplicação do art. 521, II, ti", do Regulamento Aduaneiro. Em "contra-razões" ao Recurso Especial a interessada, às fls. 89/96, inova com argüição preliminar de ilegitimidade de parte passiva "ad causam", fundamentada em jurisprudência do E. Superior Tribunal de Justiça (STJ), transcrevendo julgados que decidiram pela improcedência da responsabilização do Agente Marítimo em casos semelhantes. Quanto ao mérito, defende a manutenção do R. Acórdão recorrido, por seus próprios fundamentos, citando também a jurisprudência nesse sentido. É o Relatório. 'A- 8 Processo n.° 13901.000008/97-98 Acórdão n.° CSRF/03-03.196 VOTO Conselheiro PAULO ROBERTO CUCO ANTUNES, Relator Inicialmente, com relação ao Recurso Especial interposto pela D. Procuradoria da Fazenda Nacional, entendo que deva ser o mesmo recepcionado por esta Câmara Superior, por estarem presentes os pressupostos de sua admissibilidade. Com efeito, foram anexadas cópias do inteiro teor de Decisões (Acórdãos) estampando entendimento divergente daquele constante do Acórdão recorrido, de lavra das outras duas Colendas Câmaras do E. Terceiro Conselho de Contribuintes. Quanto à tempestividade, em que pese não existir nos autos qualquer indicação sobre a data de recepção do referido Recurso, pelo órgão receptor competente, é fato que o Despacho de Admissibilidade proferido pelo Sr. Presidente da Colenda Câmara recorrida, acostado às fls. 85 destes autos, foi emitido no dia 19/12/2000. Portanto, considerando que a ciência do Acórdão recorrido, pela D. Procuradoria da Fazenda Nacional, deu-se em 13/12/2000, como atesta o documento de fls. 60, toma-se evidente que o Recurso é tempestivo. Dito isto, passo a dar solução ao conflito que aqui nos é dado a decidir, pelo exame das peças que integram o processo administrativo fiscal em comento. Toda a pendenga restringe-se à exigência tributária formulada pela IRF em Antonina — PR, contra o Agente Marítimo antes identificado, da ordem de R$ 633,29 a título de Imposto de Importação, em razão da falta de mercadoria apurada 9 Processo n.° 13901.000008/97-98 Acórdão n.° CSRF/03-03.196 em ato de conferência final de manifesto de carga do navio MN "ATLANTIS spiRir, aportado na baía de Paranaguá em meados de dezembro de 1996". Antes de adentrar ao mérito das questões suscitadas na Apelação aqui em exame, que espancam os fundamentos do R. Acórdão recorrido, tenho a destacar que a peça exordial que inaugura e sustenta o presente litígio é falha e passível de nulidade, prejudicando, inclusive, a boa análise e a busca da melhor solução a ser dada ao caso por este Colegiado. Conforme anteriormente relatado, o Auto de Infração, abrangendo as demais peças que o integram: DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL (folha de continuação ao AUTO DE INFRAÇÃO); DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO e DEMONSTRATIVO DE MULTA DO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO, acostados às fls. 01 a 04, respectivamente, não fornecem, efetivamente, os fatos que ensejaram tal autuação e a exigência tributária, bem como que nortearam o respectivo embasamento legal. Como pode ser visto, a descrição do fato restringe-se ao seguinte: "Falta de recolhimento do II em razão de falta de mercadoria apurada em ato de conferência final de manifesto de carga do navio MN ifITLANTIS SPIRIT", aportado na baia de Paranaguá em meados de dezembro de 1.996". No decorrer do processo tornou-se conhecido, mas não perfeitamente comprovado, que se trata de mercadoria transportada "a granel", por via marítima; que o mesmo produto envolvido — FOSFATO MONOAMÕNICO GRANULADO (MAP) foi descarregado em mais de um porto brasileiro; que a autuação está levando em consideração tão somente o resultado específico do porto de Antonina (PR) e não a apuração global da descarga; que ocorreu falta do mesmo produto no porto de Santos. 10 . , • Processo n.° 13901.000008/97-98 Acórdão n.° CSRF/03-03.196 Não houve indicação, no Auto de Infração e seus anexos, da quantidade de mercadoria faltante; da quantidade total manifestada e do percentual da falta apontada, mesmo em se considerando apenas o porto de Antonina. Também não foi esclarecido se a tributação ora efetuada incide sobre a totalidade da falta apontada ou se foi dispensado o percentual de tolerância estabelecido na IN SRF 095/84. Esses elementos são indispensáveis, em meu entender, na constituição do crédito tributário. A sua omissão são influenciadores diretos na elaboração da defesa do sujeito passivo e, até mesmo, na solução do litígio pelo Julgador. A precária descrição dos fatos, neste caso, caracteriza, sem dúvida alguma, flagrante infringência às disposições do art. 10, inciso III, do Decreto n° 70.235/72. De outro modo, subentende-se pelos fundamentos da Decisão de primeiro grau — e somente por ela, que a autuação levou em consideração unicamente o resultado individual da descarga do produto no porto de Antonina (PR) sendo que ocorreu a descarga em pelo menos mais de um porto, no caso Santos (SP), onde também teria ocorrido o registro de falta superior a 1% (um por cento). Essa situação é igualmente indicativa da insubsistência ou nulidade do Auto de Infração em questão, pois que está em desacordo com as normas que regem a matéria. A Instrução Normativa SRF n° 95, de 27/09/84, tão questionada nestes autos, estabelece em seu inciso 1, expressamente: "As multas, de qualquer natureza, previstas na legislação de regência, imponiveis por falta ou acréscimo de mercadorias f#-/ 11 Processo n.° 13901.000008/97-98 Acórdão n.° CSRF/03-03.196 importadas só serão aplicadas no caso de importação a granel feita por mais de um importador, para um mesmo ou mais de um porto de descarga, depois de feita a apura cão Global de toda a quantidade descarreqada pelo navio, no Pais" (grifei) É fora de dúvida que para efeito de aplicação da penalidade, nos casos da espécie, impõe-se a aouracão global de toda a quantidade descarregada pelo 1 navio, no País. Portanto, ainda que ao final se conclua que não seja aplicável qualquer penalidade, essa apuração global é indispensável e, do seu resultado, que espelha as eventuais diferenças, para mais ou para menos, da quantidade efetivamente descarregada em relação à totalidade da carga manifestada, é que se pode exigir os tributos por ventura incidentes. Por estas razões, Eméritos Pares, entendo insustentável a ação fiscal aqui em exame, por total insubsistência do Auto de Infração de que se trata. Por outro lado, admitindo-se como correto o percentual de falta apontando somente na Decisão de primeiro grau, limitado o universo da discussão, a meu ver erroneamente, apenas ao porto de Antonina (PR), temos que tal percentual foi da ordem de 1,61%. Envolvidos nessa discussão encontram-se os seguintes dispositivos legais: Instrução Normativa SRF n° 12, de 1976; Instrução Normativa SRF n°95, de 1984; e Art. 483, § único, do Regulamento Aduaneiro de 1985. Árl 12 .• Processo n.° 13901.000008/97-98 Acórdão n.° CSRF/03-03.196 Segundo os fundamentos do I. Julgador de primeira instância, tais dispositivos classificam a quebra ou falta de mercadorias transportadas a granel, em 3 (três) graus de importância, a nível infracional, a saber 1 - até 0,5% (líquidos ou gasosos) e até 1% sólidos: PERDA NORMAL E INEVITÁVEL - Nada se cobra do transportador. 2 - de 0,5% e 1%, nos casos acima, e até 5% : CULPA DO TRANSPORTADOR — cobra-se o tributo. 3 — Acima de 5%: GRANDE NEGLIGÊNCIA. - cobra-se tudo (imposto + penalidade) Tal afirmação, "data vênia", não retrata a realidade e nem tampouco encontra amparo legal. A legislação invocada, ou qualquer outra, não faz essa distinção e, ao contrário, indica entendimento diverso, senão vejamos. A Instrução Normativa SRF n° 12/76, plenamente em vigor, pelo menos à época do evento, em seus CONSIDERANDOS, diz textualmente o seguinte: "Considerando que uma gama de produtos importados do exterior são transportados, por via marítima, a granel; II - que mencionada modalidade de transporte pode ocasionar, em índices oscilantes, uma diminuição no peso apurado após a descarga, em confronto com o peso manifestado; III - a inevitabilidade de tal ocorrência, que resulta da forma de apresentação da mercadoria, das condições estruturais dos veículos transportadores, das peculiaridades dos atuais meios operacionais de descarregamento como também de fatos da natureza; IV- que o artigo 41 do Decreto-lei n°37/66 não tipifica, expressamente, a hipótese de quebra de granéis, de sorte a que se imponha, no caso, a imputação de responsabilidade ao transportador; V - que a diminuição de peso por fatos da natureza, especificamente resultantes em ressecamento ou volatilizacão, não 13 , Processo n.° 13901.000008/97-98 Acórdão n.° CSRF/03-03.196 caracteriza extravio de mercadoria no sentido e para o efeito visados pela lei tributária: Ao final, baseadas em tais considerações, a Secretaria da Receita Federal estabeleceu que as diminuições verificadas no confronto entre o peso manifestado e o peso apurado após a descarga, não superiores a 5% (cinco por cento), excluem a responsabilidade do transportador para efeito de aplicação de penalidade (art. 106, II, kl", do D. Lei n°37/66). Do trecho acima transcrito, destaquei algumas das principais evidências que ensejaram, por tal ato, a exclusão de responsabilidade do transportador, para efeito de aplicação de penalidade (multa punitiva), quando a falta limitar-se ao percentual de 5% (cinco por cento) do total manifestado, a saber: "mencionada modalidade de transporte" - refere-se, no caso, ao transporte marítimo, onde pode ocorrer, em índices oscilantes, a diminuição no peso apurado após a descarga; "inevitabilidade de tal ocorrência" - segundo Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, "inn Dicionário Aurélio — Século XXI — digital: - Inevitável = não evitável, fatal. - Fatal = Determinado, marcado, fixado pelo fado ou destino; Que tem de ser, irrevogável; Improrrogável, final; Decisivo, inevitável, etc... lnevitabilidade, decisivamente, não é sinônimo de culpabilidade mas, ao contrário, exclui a culpa. "Que resulta" = ser conseqüência ou efeito; Nascer, provir, proceder, dimanar. "da forma de apresentação da mercadoria" - por ser granel. "das condições estruturais dos veículos transportadores' = veículos (graneleiros) de grande porte. 14 . • se Processo n.° 13901.000008/97-98 Acórdão n.° CSRF/03-03.196 "das peculiaridades dos atuais meios operacionais de descarregamentos" = guindastes com grabs; sugadores, pás mecânicas, etc.... 'como também de fatos da natureza' = higroscopicidade, ressecamento, volatilização, etc... Fatores intrínsecos da própria carga. Ora, se todos esses fatores são, evidentemente, elementos que tiram a culpa do transportador pelas diminuições (quebras) verificadas entre o peso manifestado e o descarregado, em até 5%, resultando na inaplicabilidade de pena punitiva, determinada pela própria autoridade administrativa — Secretário da Receita Federal, como pode o julgador monocrático falar que essas perdas, até o referido limite (5%) "REVELAM CULPA DO TRANSPORTADOR" e que por isto "DEVERÁ PAGAR O IMPOSTO»? Forçoso se toma reconhecer que, uma vez estabelecido, pela própria autoridade administrativa, que as perdas de mercadoria a granel, transportadas por via marítima, até 5% (cinco por cento) do total manifestado não revelam culpa e, conseqüentemente, responsabilidade infracional do transportador, fica claro que a tal "culpa" só passa mesmo a existir para as perdas que ocorrerem a partir desse percentual limite (5%). Para esses casos — perdas superiores a 5%, inexplicavelmente o i. julgador monocrático atribuiu o adjetivo de 'GRANDE NEGLIGÊNCIA", expressão por ele inventada e que não se justifica no presente caso. Dois elementos definidores das causas que resultam na quebra de mercadorias a granel, em tais condições, até 5%, segundo a Secretaria da Receita Federal em sua Instrução Normativa 12/76 acima mencionada, merecem destaque, a saber: INEVITABILIDADE e FATOS DA NATUREZA. 15 7 • • .•• Processo n.° 13901.000008/97-98 Acórdão n.° CSRF/03-03.196 Nobres Pares, um acontecimento inevitável, conforme os que decorrem de fatos da natureza são, por assim dizer, casos típicos e clássicos de CASO FORTUITO ou FORCA MAIOR. E não é preciso aqui maiores considerações para se confirmar que o transportador não pode ser responsabilizado, sob qualquer circunstância e para qualquer finalidade, por eventuais danos ou avarias e extravio de mercadorias, em decorrência de situações tipificadas como CASO FORTUITO ou FORÇA MAIOR. Devemos, por oportuno, relembrar que a ação fiscal que aqui se discute tem por finalidade a reparação (indenização) de um dano ou prejuízo sofrido pela Fazenda Nacional, pelo não recolhimento do tributo, em decorrência de extravio ou falta de mercadoria importada. Essa circunstância decorre e está autorizada pelo disposto no parágrafo único, do artigo 60, do Decreto-Lei n° 37/66, que assim determina: "Art. 60 - Parágrafo único — O dano ou avaria e o extravio serão apurados em processo, na forma e condições que prescrever o regulamento, cabendo ao responsável, assim reconhecido pela autoridade aduaneira, indenizar a Fazenda Nacional do valor dos tributos que, em conseqüência, deixarem de ser recolhidos" (grifos meus) A responsabilidade a que se refere o mencionado dispositivo, por questão óbvia, não diz respeito à responsabilidade tributária de que trata a Lei n° 5.172/66 (CTN), mas especificamente à responsabilidade pelos eventos anunciados — "dano ou avaria e o extravie, que venha a ensejar prejuízo à Fazenda Nacional, 16 • • Processo n.° 13901.000008/97-98 Acórdão n.° CSRF/03-03.196 passível de indenização por parte do responsável, devidamente identificado em regular processo. Ora, Ilustres Colegas Julgadores, o evento que teria resultado em eventual prejuízo para a Fazenda Nacional, passível de indenização, foi a falta de mercadoria transportada a granel, por via marítima, em percentual de 1,61% em relação ao total manifestado. Por todas aquelas circunstâncias já vistas acima, definidas pela Secretaria da Receita Federal em sua Instrução Normativa n° 12/76, está claro que o transportador, muito menos seu Agente, não podem ser responsabilizados pelo referido evento, pois que a falta não atingiu o percentual limite de 5% em relação ao manifestado. De acordo com tais circunstâncias, toma-se indiscutível que o transportador (ou seu agente) não deu causa à referida perda de mercadoria. Devemos repetir que estamos falando em responsabilidade pelo evento, pela ocorrência, ou seja, falta da mercadoria. Sendo assim, se o transportador (ou agente) não é responsável pelo evento, também não pode ser responsabilizado por infração, até porque esta nunca existiu no presente caso, e muito menos pelo prejuízo eventualmente sofrido pela Fazenda Nacional, cuja indenização agora se pretende. Por estes motivos, as demais considerações trazidas pela D. Procuradoria, em seu Recurso ora em exame, igualmente não resistem a análise um pouco mais aprofundada. De acordo com o entendimento manifestado pelo I. Recorrente, considerando-se as determinações das normas aplicadas no presente caso — INs SRF 12/76 e 95/84, partindo-se da assertiva de que tributo não constitui sanção por fato ilícito, teríamos a seguinte situação para as perdas ou faltas de granéis: é, 17 ,4. , Processo n.° 13901.000008/97-98 Acórdão n.° CSRF/03-03.196 a) até 0,5% (líquido ou gasoso) e até 1% (sólidos) = FATO ILICITO. Não se cobra tributo, nem penalidade. Não existe infração. b) acima desses percentuais e até 5%, em qualquer caso, FATO LICITO = Cobra-se tributo, mas não penalidade. Não há infração. c) Acima de 5%, em qualquer modalidade = FATO LICITO e INFRACIONAL. Cobra-se tributo e penalidade. Como se pode verificar, seguindo-se tal linha de raciocínio, que contempla, sem dúvida alguma, aspectos exclusivamente relacionados com a responsabilidade tributária e não a responsabilidade pelos eventos causadores dos prejuízos indenizáveis sofridos pela Fazenda Nacional (art. 60, p.ú., D.L 37/66), da qual aqui se cuida, chegamos à inadmissível conclusão de que o legislador teria estabelecido que quanto maior for o dano causado, a perda registrada no transporte da mercadoria — acima 0,5% e de 1% do manifestado, conforme seja a modalidade da carga (líquida ou gasosa e sólida), configura-se uma situação LICITA (admissivel, legal, justa, permitida por lei), que enseja a cobrança de tributo. Ao passo que a pequena perda, abaixo daqueles percentuais, caracteriza-se uma situação !LICITA (injurídico, ilegal, contrário à moral e ao bom direito). Chegamos, assim, ao absurdo de imaginar que o nosso ordenamento jurídico estabelece que as grandes infrações seriam perfeitamente LICITAS enquanto os pequenos eventos danosos seriam ILÍCITOS, INADMISSÍVEIS. De resto, para fechar este raciocínio, ressaltamos que o entendimento acima desenvolvido, que se coaduna com o constante do R. Acórdão recorrido, encontra respaldo na copiosa jurisprudência emanada do Egrégio Superior Tribunal de Justiça (STJ), como se pode constatar, apenas para ilustrar, de um de seus mais recentes arestos, a saber: 18 a • Processo n.° 13901.000008/97-98 Acórdão n.° CSRF/03-03.196 "RECURSO ESPECIAL N° 169.418— SP (98/0023062-9) RELATOR : O EXMO.SR.MINISTRO HUMBERTO GOMES DE BARROS RECORRENTE: FERTIMPORT S/A RECORRIDO : FAZENDA NACIONAL ADVOGADOS : DRS. ARTUR R. CARBONE E ELYADIR FERREIRA BORGES EMENTA TRIBUTÁRIO — IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO — MERCADORIA TRANSPORTADA A GRANEL — QUEBRA — DECRETO-LEI 37/66 — LEI 6.562/78 — INSTRUÇÃO NORMATIVA 12/76-SRF. 1. No transporte de mercadoria importada a granel, se a quebra corresponde aos limites admitidos pelo Fisco, não há como falar em responsabilidade tributária. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, dar provimento ao recurso. Votaram com o Sr. Ministro Relator os Srs. Ministros Milton Luiz Pereira e Garcia Vieira. Ausentes, justificadamente, os Srs. Ministros José Delgado e Demócrito Reinaldo. Brasília, 20 de abril de 1999 (data do julgamento)? Importante destacar o Voto que norteou a Sentença em questão, assim redigido: VOTO O EXMO. SR. MINISTRO HUMBERTO GOMES DE BARROS (RELATOR): Como registrei no relatório, esta Turma já emitiu seu entendimento em torno da controvérsia. Isto ocorreu no julgamento do Resp 38.499-0, quando, orientados pelo Ministro Milton Luiz Pereira, proclamamos: 19 • 4 • ' • Processo n.° 13901.000008/97-98 Acórdão n.° CSRF/03-03.196 "TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. TRANSPORTE MARÍTIMO DE PRODUTO A GRANEL. QUEBRA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DECRETO-LEI N° 37/66 (ART. 48, 60, PARÁGRAFO ÚNICO, E 169). LEI N° 6.562/78 (ART. 2°). INSTRUÇÃO NORMATIVA 12116, SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. 1. À palma de transporte de produtos a granel, mantendo-se a quebra dentro do limite admitido como natural pelas autoridades fiscais, presumida a ausência de culpa do transportador, inocorre a responsabilidade para o recolhimento do tributo na importação. 2. No caso, não superando a quebra os 5% previstos como naturais, de logo, descabendo o pagamento de indenização cogitada no parágrafo único, art. 60, Dec. Lei 37/66, as mesmas razões que justificam o reconhecimento da dispensa da multa, conduzem a conclusão lógica de que, também, não se tenha como exigível o pagamento do tributo, na falta superior ao percentual aludido, somente o excesso poderá ser tributado. 3. Recurso provido? Em se tratando de hipótese absolutamente semelhante, dou provimento ao recurso, para acolher os embargos. Fixo os honorários...". Não devo deixar de aqui ressaltar, por último, que a Colenda Câmara recorrida, ao ter decidido pelo provimento do Recurso Voluntário questionado, em hipótese alguma atacou o poder discricionário atribuído à autoridade administrativa que pode, efetivamente, determinar situações de dispensa do pagamento de tributo, em casos que assim se justifiquem, como insinua o I. Recorrente. Julgou, sim, com sua reconhecida e consagrada autonomia, atenta à observância da legalidade e distribuição de justiça, que se individualiza no entendimento próprio e livre de cada um de seus Ilustres Membros. Em razão de todo o exposto e coerentemente com a posição que de há muito venho sustentando sobre a matéria, voto no sentido de negar provimento ao 2 0 , . . • Processo n.° 13901.000008/97-98 Acórdão n.° CSRF/03-03.196 Recurso Especial Divergente, da D. Procuradoria da Fazenda Nacional, mantendo o R. Acórdão recorrido. Sala das Sessões, 20 de agosto de 2001 41111~.~.-"..."ore-r-40~0 'AUL° ROB 4r4; er: T ' ES 21 Page 1 _0043500.PDF Page 1 _0043700.PDF Page 1 _0043900.PDF Page 1 _0044100.PDF Page 1 _0044300.PDF Page 1 _0044500.PDF Page 1 _0044700.PDF Page 1 _0044900.PDF Page 1 _0045100.PDF Page 1 _0045300.PDF Page 1 _0045500.PDF Page 1 _0045700.PDF Page 1 _0045900.PDF Page 1 _0046100.PDF Page 1 _0046300.PDF Page 1 _0046500.PDF Page 1 _0046700.PDF Page 1 _0046900.PDF Page 1 _0047100.PDF Page 1 _0047300.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002559/2006-04
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
PESSOAS JURÍDICAS. EXTINÇÃO. PREJUÍZOS FISCAIS ACUMULADOS. COMPENSAÇÃO. LIMITE DE 30%.
O art. 15 da Lei nº 9.065/95 autoriza a compensação de prejuízos fiscais acumulados em períodos anteriores, desde que o lucro líquido do período, ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, não seja reduzido em mais de 30%. O limite à compensação aplica-se, inclusive, ao período em que ocorrer a extinção da pessoa jurídica, haja vista a inexistência de norma, ainda que implícita, que o excepcione.
ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E IRRF. DEDUÇÃO.
Do IRPJ devido ao final do ano-calendário, ainda que lançado de ofício, devem ser deduzidos o imposto pago por estimativa mensal e o IRRF.
Numero da decisão: 1201-000.751
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento os acréscimos legais decorrentes da glosa da compensação de prejuízos fiscais excedentes à trava de 30%, tendo em vista que, quando do lançamento, os valores recolhidos a título de antecipação seriam suficientes para liquidar o tributo objeto da autuação. Vencidos o relator e o conselheiro André Almeida Blanco, que admitiam a compensação integral dos prejuízos pela incorporada. Indicado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Cuba Netto.
(documento assinado digitalmente)
Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Correia Fuso - Relator.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Plínio Rodrigues Lima, Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, André Almeida Blanco e João Carlos de Lima Junior.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: RAFAEL CORREIA FUSO
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201210
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 PESSOAS JURÍDICAS. EXTINÇÃO. PREJUÍZOS FISCAIS ACUMULADOS. COMPENSAÇÃO. LIMITE DE 30%. O art. 15 da Lei nº 9.065/95 autoriza a compensação de prejuízos fiscais acumulados em períodos anteriores, desde que o lucro líquido do período, ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, não seja reduzido em mais de 30%. O limite à compensação aplica-se, inclusive, ao período em que ocorrer a extinção da pessoa jurídica, haja vista a inexistência de norma, ainda que implícita, que o excepcione. ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E IRRF. DEDUÇÃO. Do IRPJ devido ao final do ano-calendário, ainda que lançado de ofício, devem ser deduzidos o imposto pago por estimativa mensal e o IRRF.
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 19515.002559/2006-04
anomes_publicacao_s : 201307
conteudo_id_s : 5278690
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1201-000.751
nome_arquivo_s : Decisao_19515002559200604.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : RAFAEL CORREIA FUSO
nome_arquivo_pdf_s : 19515002559200604_5278690.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento os acréscimos legais decorrentes da glosa da compensação de prejuízos fiscais excedentes à trava de 30%, tendo em vista que, quando do lançamento, os valores recolhidos a título de antecipação seriam suficientes para liquidar o tributo objeto da autuação. Vencidos o relator e o conselheiro André Almeida Blanco, que admitiam a compensação integral dos prejuízos pela incorporada. Indicado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Cuba Netto. (documento assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso - Relator. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Plínio Rodrigues Lima, Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, André Almeida Blanco e João Carlos de Lima Junior.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2012
id : 4980039
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:11:20 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076607990202368
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2374; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 329 1 328 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.002559/200604 Recurso nº 174.490 Voluntário Acórdão nº 1201000.751 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 2 de outubro de 2012 Matéria IRPJ Auto de Infração Recorrente KLABIN S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 PESSOAS JURÍDICAS. EXTINÇÃO. PREJUÍZOS FISCAIS ACUMULADOS. COMPENSAÇÃO. LIMITE DE 30%. O art. 15 da Lei nº 9.065/95 autoriza a compensação de prejuízos fiscais acumulados em períodos anteriores, desde que o lucro líquido do período, ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, não seja reduzido em mais de 30%. O limite à compensação aplicase, inclusive, ao período em que ocorrer a extinção da pessoa jurídica, haja vista a inexistência de norma, ainda que implícita, que o excepcione. ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E IRRF. DEDUÇÃO. Do IRPJ devido ao final do anocalendário, ainda que lançado de ofício, devem ser deduzidos o imposto pago por estimativa mensal e o IRRF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento os acréscimos legais decorrentes da glosa da compensação de prejuízos fiscais excedentes à trava de 30%, tendo em vista que, quando do lançamento, os valores recolhidos a título de antecipação seriam suficientes para liquidar o tributo objeto da autuação. Vencidos o relator e o conselheiro André Almeida Blanco, que admitiam a compensação integral dos prejuízos pela incorporada. Indicado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Cuba Netto. (documento assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Presidente. (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 25 59 /2 00 6- 04 Fl. 329DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por RAFAEL CORREIA FUS O, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.002559/200604 Acórdão n.º 1201000.751 S1C2T1 Fl. 330 2 Rafael Correia Fuso Relator. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Plínio Rodrigues Lima, Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, André Almeida Blanco e João Carlos de Lima Junior. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado pela fiscalização, que objetiva cobrar da empresa Klabin S/A, em razão de sucessão IRPJ do ano calendário de 2001, em razão da compensação de prejuízo fiscal apurado em empresa incorporada acima do limite de 30%. Em 28/12/2001, a Klabin S.A incorporou a sociedade Igaras Papéis e Embalagens, as quais em seu balanço de extinção acabou compensando integralmente seus prejuízos fiscais. Portanto, a compensação ocorreu na empresa extinta. Vejamos com detalhes os fatos através do relatório da fiscalização: 1. Tratam os autos de lançamento de 1RPF, consubstanciado no auto de infração as fl. 32/36, referente ao anocalendário 2001, com crédito tributário total de R$ 10.934.020,21 (sendo os juros de mora calculados até 31/10/2006). 2. Consoante descrição dos fatos contida no auto de infração e no Termo de Verificação Fiscal anexo ao primeiro (fl. 30/31), o lançamento decorreu de glosa de compensações de prejuízos fiscais acima do limite de 30% do lucro liquido ajustado realizadas em 2001 pelas empresas Klabin Export S/A e Igaras Papéis e Embalagens S/A, incorporadas pelo sujeito passivo em 2001. As demais infrações descritas no termo mencionado foram objeto de lançamentos específicos protocolados em outros processos. 3. Cientificado do lançamento em 07/12/2006, consoante AR à fl. 38, o sujeito passivo apresentou a impugnação as fl. 39/50, cm 04/01/2007, acostada dos documentos as fls. 52/188, onde alegou, em apertada síntese, que: • é plenamente possível a compensação integral dos prejuízos fiscais quando do encerramento das atividades, conforme entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais; • não restou qualquer diferença de imposto a ser satisfeita pela empresa Igaras, visto que as antecipações pagas/retenções sofridas ao longo do período liquidavam o montante da exigência final; Fl. 330DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por RAFAEL CORREIA FUS O, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.002559/200604 Acórdão n.º 1201000.751 S1C2T1 Fl. 331 3 • não ha fundamento legal que autorize a transferência da multa de oficio para a sucessora. 4. Em vista dos argumentos trazidos pelo sujeito passivo relativamente multa de oficio e à falta de consideração no lançamento dos valores de imposto antecipados pela incorporada Igaras, entendo necessário que sejam adotadas as providências a seguir indicadas, a fim de permitir um adequado julgamento da lide: • anexar aos autos os contratos/estatutos sociais e alterações das empresas: Klabin Export S/A e Igaras Papéis e Embalagens S/A, bem assim do sujeito passivo, a fim de verificar se o quadro societário deste e das empresas incorporadas têm algum vinculo, ou seja, se ocorreu, no caso, uma reorganização societária; • verificar se houve o efetivo recolhimento do imposto de renda mensal por estimativa informado na linha 16, da ficha 12A, da DIPJ 2001 (de encerramento de atividade) da empresa Igaras (11. 87), no valor de R$ 4.150.022,48: Se sim, verificar se o imposto de renda a compensar (linha 18) decorrente da dedução da estimativa já foi utilizado em períodos posteriores para compensação de IRPJ ou outros tributos; Se não, providenciar lavratura de auto de infração complementar de redução do imposto a compensar, nos termos do disposto no art. 18, parágrafo 3, do Decreto 70.235/72, com redação dada pela Lei 8.748/93, o qual deverá instruir o presente processo. 5. Proponho, pois, o encaminhamento dos autos a Delic/SP para que adote as providências acima indicadas e elabore, ao final, relatório circunstanciado com um resumo das informações obtidas e com a indicação das folhas dos autos onde estão as respectivas documentações sobre as quais as conclusões obtidas se alicerçaram. Saliento que o contribuinte deverá ser cientificado do relatório da diligência e, conforme o caso, do auto de infração complementar, concedendolhe o prazo legal para manifestarse exclusivamente em relação ao teor do relatório e dos documentos porventura anexados aos autos. Em diligência solicitada pela DRJ, a contribuinte foi intimada e apresentou os seguintes documentos: • Cópias dos documentos societários das empresas Klabin Export S/A e Igaras Papéis e Embalagens, fls. 199 (os relativos ao próprio contribuinte já se encontram as fls. 54); • Demonstrativo dos valores pagos, compensados e retidos referentes ao AC 2001 e que totalizaram o valor de R$ 4.150.022,48; • Esclarecimento de que o valor de imposto de renda a compensar (linha 18, da ficha 12A, de sua DIPJ AC 2001) foi Fl. 331DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por RAFAEL CORREIA FUS O, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.002559/200604 Acórdão n.º 1201000.751 S1C2T1 Fl. 332 4 integralmente utilizado na compensação de débitos do IPI, relativos ao 1°, 2° e 3°. decendios de outubro de 2002 (processo 11610.019278/200269). Em decisão, a DRJ entendeu pela manutenção do lançamento fiscal, conforme ementa abaixo transcrita: Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 Ementa: INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. DECLARAÇÃO FINAL. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. GLOSA DO EXCESSO DE COMPENSAÇÃO. APLICAÇÃO DE OFÍCIO DA TRAVA DE 30% — Inexiste amparo legal para se proceder compensação de prejuízos fiscais sem observância do limite de 30%, no caso de desaparecimento de empresa em face de reorganização societária. No contexto do ordenamento jurídico tributário, em homenagem ao principio da legalidade, o silencio da lei, em termos de abertura ou previsão de situação excepcional, não pode ser preenchido pelo intérprete administrativo, que está vinculado a lei, sob pena de responsabilidade funcional. SUCESSÃO SOCIETÁRIA. INCORPORAÇÃO DE EMPRESA DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. APLICAÇÃO DE MULTA APÓS A OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO. INFRAÇÃO DA SUCEDIDA. RESPONSABILIDADE DO SUCESSOR PELA MULTA FISCAL. EXIGÊNCIA MANTIDA: I — Sucessão por incorporação de empresa do mesmo grupo econômico importa na inexorável assunção dos direitos e deveres da sucedida pela sucessora, sejam passados, presentes e futuros compromissados, nos termos da lei, não cabendo a exclusão da responsabilidade se os acionistas e administradores se confundem. II Responde o sucessor pela multa de natureza fiscal. 0 direito dos contribuintes às mudanças societárias não pode servir de instrumento à liberação de quaisquer ônus fiscais (inclusive penalidades), ainda mais quando o negócio jurídico objetiva apenas a redução de custos de empresa do mesmo grupo societário da empresa sucedida. JUROS DE MORA. TAXA SELIC Os juros de mora incidem, sempre, seja nos pagamentos espontâneos após o prazo de vencimento da exação fiscal, seja nos lançamentos de oficio. A justificativa legal, para tanto, decorre do fato dos juros de mora não terem natureza de penalidade, mas sim natureza compensatória; são remuneração do capital da Fazenda Pública em posse do contribuinte moroso. Lançamento Procedente Fl. 332DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por RAFAEL CORREIA FUS O, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.002559/200604 Acórdão n.º 1201000.751 S1C2T1 Fl. 333 5 Inconformada com a decisão da DRJ, sendo cientificada do acórdão em 09/08/2008, a contribuinte interpôs Recurso em 03/09/2008, alegando em síntese que: em 28/12/01 foi deliberada, pelos órgãos societários competentes das partes envolvidas, a incorporação de IGARAS PAPEIS E EMBALAGENS S.A. (CNPJ/MF n°. 61.399.945/0001 12) por KLABIN S.A. (CNPJ/MF n°. 89.637.490/000145), tendo sido entregue a DIPJ relativa ao último períodobase da incorporada onde, por um lapso, figurou inicialmente a compensação de prejuízos fiscais da ordem de apenas R$ 7.331.421,22 (conforme ficha "9A" da referida Declaração doc. 3 que acompanhou a Impugnação); posteriormente, em 22/05/02, foi remediado o equivoco mediante a transmissão de DIPJ retificadora onde figura a compensação de prejuízos fiscais de R$ 24.438.070,72, correspondentes a 100% do lucro real apurado por ocasião do encerramento das atividades da,sociedade incorporada, o que segue refletido na ficha "9A" da aludida Declaração (anexo 4da Impugnação) e no competente LALUR (idem, doc. 4A); ....... devendo a tributação onerar a aquisição de "renda ou proventos" — seguese que em se tratando das pessoas jurídicas não é possível reconhecer a existência de um tal substrato se porventura afastada a compensação de prejuízos. E isso porque, dentre outras razões; enquanto unidade econômica a empresa não atua de maneira isolada no tempo e no espaço, mas antes goza da presunção de continuidade (on going concern), de tal sorte que não é possível pretender indagar da sua "riqueza" ou "renda" levando em consideração apenas determinada transação ou mesmo um período especifico de tempo, sem atentar para os dados de toda a realidade precedente; os próprios comandos da legislação societária, dentre outros, ao tratarem de delimitar os contornos do conceito de "lucro" (Lei n°. 6.404/76, Capitulo XVI, Seção I) — o qual constitui a medida, por excelência, da "renda" de uma pessoa jurídica — estabelecem que do "resultado do exercício serão deduzidos, antes de qualquer participação, os prejuízos acumulados e a provisão para o Imposto Sobre a Renda" (art. 189), sendo vedado á legislação fiscal tentar distorcer tal noção (CTN, art. 110). atentos a essa realidade os próprios patrocinadores da introdução em nosso ordenamento jurídico da limitação, a 30% do lucro real, da possibilidade de compensação dos prejuízos fiscais, fizeram questão de consignar que não pretendiam, de modo algum, "retirar do contribuinte o direito de compensar", mas antes e apenas assegurar ao Tesouro uma maior folga de caixa, mediante a garantia de uma arrecadação mínima decorrente do presumível diferimento no tempo do aproveitamento dos prejuízos. Consultese, a propósito,a seguinte passagem da Exposição de Motivos que acompanhou a Fl. 333DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por RAFAEL CORREIA FUS O, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.002559/200604 Acórdão n.º 1201000.751 S1C2T1 Fl. 334 6 Medida Provisória no. 998/95, que haveria de se converter na Lei n°. 9.065/95 (Diário do Congresso Nacional, 14/06/95, fls. 3270); ora, se, de um lado, o imposto em tela incide sobre a "renda”, tal como deflui do seu desenho constitucional, e, de outro, por intermédio da introdução da baliza dos 30% não se pretendeu subverter o conceito de "lucro" — que, enquanto medida da grandeza "renda", pressupõe a possibilidade da compensação de prejuízos prévios — não é difícil concluir que a "trava" ordinariamente tem aplicação em todos os períodosbase da vida da empresa, à exceção do último. E isso porque, em se pretendendo estender também ao derradeiro período a restrição, se estará por vias transversas justamente vedando ao contribuinte o exercício integral do seu direito à compensação, na exata medida em que o saldo dos prejuízos porventura não utilizado não poderá ser aproveitado em outro anobase (visto que, no caso de encerramento das atividades, inexistirá outro), nem tampouco transferido a terceiros, ainda que sucessores a titulo universal (RIR/99, art. 514); há que se destacar, por segundo, que mesmo em se admitindo para fins de argumentação a aplicação do limitador de 30%, nenhum tributo/acréscimo poderia ser exigido da ora Recorrente relativamente ao anocalendário de 2001; com efeito, ao tratar de formalizar o lançamento a d. Autoridade Lançadora preferiu simplesmente, como já se disse, calcular a diferença entre dois "montantes de prejuízos" e tratá la como "base do imposto" devido em 2001, sem atentar, contudo, para a existência de prépagamentos efetuados pela contribuinte e, conseqüentemente, para a total impossibilidade lógica de qualquer valor ser reputado exigível no tocante ao indigitado período; por ocasião da formalização da sua contradita, no entanto, a jurisdicionada chamou atenção para o fato de que quando da apresentação inicial da DIPJ relativa ao evento da incorporação (doc. 3 que acompanhou a Impugnação), onde indicada a compensação de prejuízos apenas no limite de 30% do lucro real, a sucedida IGARAS PAPÉIS E EMBALAGENS S.A. já apontara a existência de prépagamentos feitos ao longo do ano em montante suficiente para fazer frente a todo o saldo de imposto devido no encerramento das suas atividades. Destacase a propósito, a linha 16, da ficha "12A" do referido informe, onde indicado um valor de I.R. pago antecipadamente da ordem de R$ 4.150.022,48; tal informação, cabe aditar, foi devidamente confirmada quando da apresentação de DIPJ retificadora atinente à incorporação. As linhas 16 e 18, ainda uma vez da ficha "12A", dessa nova Declaração, identificam o mesmo valor de R$ 4.150.022,48; Fl. 334DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por RAFAEL CORREIA FUS O, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.002559/200604 Acórdão n.º 1201000.751 S1C2T1 Fl. 335 7 além disso, carreou aos autos a então lmpugnante, a título meramente ilustrativo, comprovantes de retenção de mais de R$ 300.000,00 (docs. 5 a 8), e cópias dos DARFs das estimativas mensais de aproximadamente R$. 3.140.000,00 (docs. 9 a 11), colocandose desde logo a disposição para apresentar a integral conciliação dos R$ 4.150.022,48 apontados na DIPJ; por evidente, sendo o custo do capital em nosso país sabidamente elevado, não deixou a ora Recorrente, na qualidade de sucessora, de aproveitar a posteriori o crédito fiscal oriundo dos prépagamentos acima apontados; ocorre, contudo, que, tendo o I. Agente Lançador discordado da compensação integral de prejuízos, não poderia ele, então, desconsiderar que na data da incorporação (28/12/01) a sucedida ainda contava com crédito a seu favor — o qual só viria a ser empregado pela sucessora bem depois — e que esse crédito deveria, antes de mais nada, ser utilizado para liquidar o "débito" próprio da incorporada. Até porque ela (a incorporada) atingia, naquele instante, o seu último período de atividade, quando tem lugar o derradeiro acerto de contas com o Fisco, e em qualquer processo de sucessão o sucedido só "transfere" ao sucessor créditos que, por óbvio, não tenham sido consumidos na liquidação das suas próprias "obrigações"... Deveras, em sede de sucessão empresarial por incorporação temos que o CTN claramente determina, a altura do seu art. 132, que: (...) como se pode perceber, D. Julgadores, o texto legal não deixa dúvidas ao tratar da responsabilidade dos sucessores, limitando a expressamente à soma dos tributos porventura devidos pelo sucedido. E a multa de oficio, como se sabe, não é tributo, mas antes penalidade voltada a sancionar suposto comportamento em desacordo com a letra da lei. Compõe a obrigação principal (CTN, art. 113), à semelhança do tributo, mas com ele, por evidente, não se confunde. Corolário disso, não integra, a multa de oficio, o espectro da responsabilidade do sucessor por incorporação, particularmente quanto lançada ela (a multa) em momento posterior à ocorrência do evento que desencadeia a sucessão. examinando o tema em apreço, porém, a r. decisão colegiada de fls. 261/271, outrora tão ciosa do respeito a "estrita literalidade" (e.g., às fls. 267), defende agora que se enxergue no art. 132 do CTN uma limitação que do seu texto não consta, qual seja a de que quando a incorporação configura uma "reorganização societária empresarial" (fls. 269), envolvendo empresas "do, mesmo grupo econômico" (idem), a exclusão da responsabilidade pela sanção não se aplica, porquanto (fls. 262) O direito dos contribuintes às mudanças societárias não pode servir de instrumento à liberação de quaisquer ônus fiscais (inclusive penalidades), ainda mais quando o negócio jurídico Fl. 335DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por RAFAEL CORREIA FUS O, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.002559/200604 Acórdão n.º 1201000.751 S1C2T1 Fl. 336 8 objetiva apenas a redução de custos de empresa do mesmo grupo societário da empresa sucedida". O posicionamento sufragado pela r. decisão de primeiro grau comporta, é certo, inúmeros reparos. No intuito de não estender desmesuradamente o seu arrazoado, porém, permitese a ora Recorrente limitar suas ponderações aos principais, quais sejam: por primeiro, que o texto do art. 132 do CTN não contempla, seja de modo explicito seja de maneira remotamente implícita, o "discrimen" que o lançamento vestibular e a r. decisão "a quo" entenderam de privilegiar. Alias, o que se observa aqui, isto sim, parece ser aquela conhecida, conquanto reprovável, prática á qual alude CARLOS MAXIMILIANO no seu consagrado estudo dos cânones da exegese (idem, págs. 84/85); por segundo, não deveria causar qualquer estranheza à DRJ o fato de uma reorganização societária visar a redução dos custos suportados pelo grupo econômico. Curiosa seria, na verdade, dentro das melhores praticas de administração, uma reestruturação que visasse o contrario... não é razoável, por terceiro, pretender divisar na reorganização em tela qualquer eventual "expediente" para escapar a tributação penal, a não ser que se atribuam ãs partes envolvidas dons premonitórios. De fato, tendo a incorporação da IGARAS pela KLABIN ocorrido em dezembro de 2001, não foi, por certo, com o fito de escapar a uma multa de oficio que so viria a figurar em Auto de Infração lavrado em novembro de 2006... em quarto lugar, sequer a doutrina e a jurisprudência trazidas á colação pelo r. "decisum a quo" emprestam maior substância à tese que ele defende. A doutrina, porque composta de passagens genéricas, que não permitem inferir se foi analisada pelo autor exatamente a hipótese de que aqui se cuida (onde, cerca de cinco anos depois da incorporação, se vem exigir da incorporadora multa de ofício vinculada a evento anterior à sucessão). A jurisprudência, porque nem de longe representa o entendimento preponderante na esfera administrativa, o qual vem a ser, isto sim, aquele lembrado em "20.2.", supra; em conclusão, pois, ainda que se pudesse reputar válida a extensão da "trava" dos 30% ao balanço de encerramento da incorporada, e ainda mesmo que se pudesse desconsiderar os prépagamentos feitos pela sucedida, para reclamar da sucessora qualquer valor de tributo relativo ao anocalendário de 2001, ainda assim não reuniria o lançamento ora guerreado condições para prosperar, porquanto exige do sucessor parcela (multa de oficio) que claramente extrapola o limite estabelecido pelo CTN (tributos) para sua responsabilização. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao Recurso Voluntário, sustentando as teses apresentadas na decisão da DRJ, porém com outra roupagem lingüística. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por RAFAEL CORREIA FUS O, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.002559/200604 Acórdão n.º 1201000.751 S1C2T1 Fl. 337 9 Este é o relatório! Voto Vencido Conselheiro RAFAEL CORREIA FUSO O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. Não existindo preliminares a serem enfrentadas, passamos ao mérito. I – HISTÓRICO LEGISLATIVO DA COMPENSAÇÃO DO PREJUÍZO FISCAL O direito à dedução dos prejuízos fiscais acumulados e das bases negativas acumuladas com os resultados positivos apurados nos exercícios posteriores passou a ser reconhecido pelo direito brasileiro em 1947, pela Lei nº 154, em seu artigo 10, limitado o seu exercício a 3 (três) anos: Art. 10. O prejuízo verificado num exercício, pelas pessoas jurídicas, poderá ser deduzido, para compensação total ou parcial, no caso de inexistência de fundos de reserva ou lucros suspensos, dos lucros reais apurados dentro dos três exercícios subseqüentes. Parágrafo Único. Decorridos os três exercícios, não será permitida a dedução nos seguintes, do prejuízo porventura não compensado. Por sua vez, o DecretoLei nº 1.598/77 alterou a compensação de prejuízos fiscais, em seu artigo 64 e parágrafos, no tocante ao prazo decadencial, aumentando de 3 (três) anos para 4 (quatro) anos: Art. 64. A pessoa jurídica poderá compensar o prejuízo apurado em um períodobase com o lucro real determinado nos quatro períodosbase subseqüentes. § 1º O prejuízo compensável e o apurado na demonstração do lucro real e registrado no livro de que trata o item I do art. 8º, corrigido monetariamente até o balanço do períodobase em que ocorrer a compensação. § 2º Dentro do prazo previsto neste artigo a compensação poderá ser total ou parcial, em um ou mais períodosbase, a vontade do contribuinte. Posteriormente, a Lei nº 8.383/91, nos arts. 38, parágrafo 7º e 44, parágrafo único, reconheceu o direito à dedução dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas da contribuição social com os resultados positivos apurados nos períodos subseqüentes, sem qualquer limitação percentual ou temporal: Art. 38.................. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por RAFAEL CORREIA FUS O, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.002559/200604 Acórdão n.º 1201000.751 S1C2T1 Fl. 338 10 Parágrafo 7º O prejuízo apurado na demonstração do lucro real em um mês poderá ser compensado com o lucro real dos meses subseqüentes. Art. 44.............. Parágrafo único: Tratandose da base de cálculo da contribuição social (Lei nº 7.689, de 1988) e quando ela resultar negativa em um mês, esse valor, corrigido monetariamente, poderá ser deduzido da base de cálculo de mês subseqüente, no caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro real. (Artigo revogado pela Lei nº 8.981, de 20.01.95). Já o artigo 12, da Lei nº 8.541/92, quanto ao imposto sobre a renda, determinou que os prejuízos fiscais, apurados a partir de 1º de janeiro de 1993, poderiam ser deduzidos do lucro real apurado em até 4 (quatro) anoscalendários subseqüentes ao ano de apuração: Art. 12. Os prejuízos fiscais apurados a partir de 1º de janeiro de 1993 poderão ser compensados, corrigidos, monetariamente, com o lucro real apurado em até quatro anoscalendários, subseqüentes ao ano da apuração. (Artigo revogado pela Lei nº 8.981, de 20.01.95) Como se pode observar, não existia limite quanto ao aspecto material para a compensação do prejuízo fiscal, podendo ser feito em sua integralidade pela pessoa jurídica, porém existia limite temporal, devendo ser feito em até 4 anos. Esse elemento temporal seria inaplicável nos casos de aproveitamento do prejuízo ou da base negativa da CSLL no caso da extinção da pessoa jurídica, o que lhe permitira a compensação integral. Quanto à restrição, a Lei nº 8.981/95, em seus arts. 42 e 58, alterando o critério temporal limitador do direito em questão, determinou que, a partir de janeiro de 1995, o lucro líquido ajustado somente poderia ser reduzido por dedução da base de cálculo negativa ou prejuízos fiscais apurados em períodos anteriores em, no máximo, 30% (trinta por cento). Art. 42. A partir de 1º de janeiro de 1995, para efeito de determinar o lucro real, o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação do Imposto de Renda, poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento. Parágrafo único. A parcela dos prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, não compensada em razão do disposto no caput deste artigo poderá ser utilizada nos anoscalendário subseqüentes. Art. 58. Para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido por compensação da base de cálculo negativa, apurada em períodosbase anteriores em, no máximo, trinta por cento. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por RAFAEL CORREIA FUS O, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.002559/200604 Acórdão n.º 1201000.751 S1C2T1 Fl. 339 11 Da mesma forma, com a edição do artigo 15 da Lei nº 9.065/95, a restrição foi consolidada: Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação. Observe que o texto acima prescrito é claro e não traz dúvidas quanto à sua validade, vigência e eficácia. Destacase ainda que não há exceção no texto para as operações de incorporação. II – DA JURISPRUDÊNCIA SOBRE A MATÉRIA Em investigação sobre a constitucionalidade da limitação da compensação do prejuízo fiscal em 30%, o Pleno do Supremo Tribunal Federal decidiu que o texto legal acima transcrito referese a um benefício fiscal concedido pelo legislador: EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITAÇÕES. ARTIGO 42 E 58 DA LEI Nº 8.981/95. CONSTITUCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO DISPOSTO NOS ARTIGOS 150, INCISO III, ALÍNEAS “A” E “B”, E 5º, XXXVI, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. 1. O direito ao abatimento dos prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores é expressivo de benefício fiscal em favor do contribuinte. Instrumento de política tributária que pode ser revista pelo Estado. Ausência de direito adquirido. 2. A Lei nº 8.981/95 não incide sobre fatos geradores ocorridos anteriores e não afetam fato gerador nenhum. Recurso extraordinário a que se nega provimento.1 Da mesma forma é o entendimento do E. Superior Tribunal de Justiça quanto à matéria, já sob a análise da questão da extinção da sociedade. In verbis: TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. SUCESSÃO DE PESSOAS JURÍDICAS. INCORPORAÇÃO E FUSÃO. VEDAÇÃO. ART. 33 DO DECRETOLEI Nº 2.341/87. VALIDADE. ACÓRDÃO. OMISSÃO: NÃO OCORRÊNCIA. 1 Supremo Tribunal Federal, Recurso Extraordinário nº 344.9940/PR, Ministro Relator para o Voto Eros Grau, Tribunal Pleno, Julgado em 25/03/2009. Endereço eletrônico: www.stf.jus.br. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por RAFAEL CORREIA FUS O, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.002559/200604 Acórdão n.º 1201000.751 S1C2T1 Fl. 340 12 1. Inexiste violação ao art. 535, II, do CPC se o acórdão embargado expressamente se pronuncia sobre as teses aduzidas no recurso especial. 2. Esta Corte firmou jurisprudência no sentido da legalidade das limitações à compensação de prejuízos fiscais, pois a referida faculdade configura benefício fiscal, livremente suprimível pelo titular da competência tributária. 3. A limitação à compensação na sucessão de pessoas jurídicas visa evitar a elisão tributária e configura regular exercício da competência tributária quando realizado por norma jurídica pertinente. 4. Inexiste violação ao art. 43 do CTN se a norma tributária não pretende alcançar algo diverso do acréscimo patrimonial, mas apenas limita os valores dedutíveis da base de cálculo do tributo. 5. O art. 109 do CTN não impede a atribuição de efeitos tributários próprios aos institutos de Direito privados utilizados pela legislação tributária. Recurso especial não provido.2 Portanto, como visto acima, o Supremo Tribunal Federal declarou que a compensação do prejuízo é um benefício fiscal, cabendo ao legislador o regramento da compensação fiscal.3 Não obstante, a questão que se põe em discussão é se existe ou não regras e princípios (que são valores) que autorizam os contribuintes a realizar a compensação integral do prejuízo fiscal, sem a limitação dos 30%, quando ocorre a extinção da sociedade por incorporação, observando que o aproveitamento se dá dentro da pessoa jurídica extinta. Outro obstáculo à tese da eliminação da trava dos 30% está no disposto no artigo 32 do DecretoLei nº 2.341/87, que deu redação ao artigo 513 do Decreto nº 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda): Art. 513. A pessoa jurídica não poderá compensar seus próprios prejuízos fiscais se entre a data da apuração e da compensação houver ocorrido, cumulativamente, modificação de seu controle societário e do ramo de atividade (DecretoLei nº 2.341, de 29 de junho de 1987, art. 32). Contudo, observase que a legislação acima citada não trata da extinção da sociedade, o que não implicaria em nenhuma vedação no aproveitamento do prejuízo pela Recorrente. 2 , Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial nº 1.107.518SC, 2ª Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, Julgado em 06/08/2009. Endereço eletrônico: www.stj.jus.br. 3 A despeito do entendimento do Supremo Tribunal Federal servir de orientação à jurisprudência de todos os Tribunais no país, o entendimento firmado não gera efeitos vinculantes, bem como é matéria que pode ser revista na mesma Corte pela sua nova composição, bastando o conhecimento de recurso extraordinário sob os efeitos de repercussão geral. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por RAFAEL CORREIA FUS O, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.002559/200604 Acórdão n.º 1201000.751 S1C2T1 Fl. 341 13 O artigo 514 do Decreto nº 3.000/99, que reproduz o texto do artigo 33, parágrafo único do DecretoLei nº 2.341/87, prescreve a vedação da compensação do prejuízo fiscal pela empresa sucedida, mas também não faz nenhuma menção ou imposição de restrição quanto ao aproveitamento pela empresa extinta. Art. 514. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida (DecretoLei nº 2.341, de 1987, art. 33). Parágrafo único. No caso de cisão parcial, a pessoa jurídica cindida poderá compensar os seus próprios prejuízos, proporcionalmente à parcela remanescente do patrimônio líquido (DecretoLei nº 2.341, de 1987, art. 33, parágrafo único). Passemos à exposição quanto à insustentabilidade da limitação da compensação de prejuízos fiscais e bases negativas de contribuição social sobre o lucro a 30% das bases de cálculo dos referidos tributos, no caso de extinção da pessoa jurídica por liquidação. III – FUNDAMENTOS PARA A AFASTABILIDADE DA LIMITAÇÃO DOS 30% NA INCORPORAÇÃO Partindo logo para o problema do estudo do histórico legislativo, vislumbra se que antes da Lei nº 9.065/95, era facultado aos contribuintes promover compensação integral do prejuízo fiscal, e conjuntamente havia um prazo legal para o seu exercício – quatro anos , o qual poderia, no caso de contínuos prejuízos apurados pelo contribuinte, levar a perda integral do direito. Com a modificação da legislação que inseriu no ordenamento jurídico a denominada trava dos 30%, os contribuintes adquiriram um efetivo ganho, pois, uma vez extinto o prazo para o exercício do direito, não mais há o risco dele perecer com o tempo. Por outro lado, o artigo 15 da Lei nº 9.065/95 impôs um limite de 30% sobre o lucro do período em que se pretende exercer a compensação. Esse limite percentual não se refere ao prejuízo acumulado, mas se refere ao lucro líquido do ano da compensação. Com isso, o prejuízo acumulado continua autorizado à compensação integral. Desta feita, cabe transcrever as lições do exConselheiro do CARF, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, que tratou da matéria com propriedade: Em síntese, a antiga legislação não estabelecia limites materiais, mas sim temporais; a atual estabelece materiais, mas não temporais. Na combinação dos dois tipos de limites, a legislação atual é mais vantajosa aos contribuintes por extinguir a possibilidade de perecimento do exercício de direitos.4 4 Processo Administrativo nº 16327.000481/200876. Acórdão nº 120100.108.Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 1ª Seção, 2ª Câmara, 1ª Turma. Julgado em 18 de junho de 2009. Relator para voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por RAFAEL CORREIA FUS O, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.002559/200604 Acórdão n.º 1201000.751 S1C2T1 Fl. 342 14 Estamos diante de um entendimento perfeitamente coerente, que aplicou o histórico legislativo, sob as nuances da intenção do legislador, interpretada com base num comparativo de enunciados prescritivos trazidos nos textos legais. Nas lições acima transcritas, extraídas de um julgado do CARF, não há exigência de regra de exceção, não há inconstitucionalidade de enunciados, não há investigação sobre a violação ao conceito de renda trazido no artigo 43 do Código Tributário Nacional5; a tese sustentada em não se aplicar a trava dos 30% sobre o prejuízo é que a mesma não se refere ao prejuízo, mas ao lucro líquido, sob o ponto de vista da materialidade, e não da temporariedade extinta. O entendimento da matéria é bem simples, não há complexidade. O que vem somar a esse entendimento e que faz parte da identificação dos anseios do legislador é a exposição de motivos da Medida Provisória nº 998/95, reedição das Medidas Provisórias 947/95 e 972/95, editada no Diário Oficial do Congresso Nacional de 14 de junho de 1995, fls. 3270, que traz o seguinte excerto: Arts. 15 e 16 do Projeto: decorrem de Emenda do Relator, para restabelecer o direito à compensação de prejuízos, embora com as limitações impostas pela Medida Provisória nº 812/94 (Lei 8.981/95). Ocorre hoje vacatio legis em relação à matéria. A limitação de 30% garante uma parcela expressiva da arrecadação, sem retirar do contribuinte o direito de compensar, até integralmente, num mesmo ano, se essa compensação não ultrapassar o valor do resultado positivo. Notese que diante da presença da expressão “sem retirar do contribuinte o direito de compensar” o entendimento de que na declaração de encerramento cabe integral compensação das bases negativas acumuladas é evidente, sendo inaplicável a trava dos 30% para a empresa extinta. O autor da norma acima mencionada, exConselheiro do Conselho de Contribuintes, Edson Vianna de Brito, quando ocupava importante cargo nos quadros da Receita Federal, tratou do assunto em seu livro sobre o imposto sobre a renda, afirmando6: “Este dispositivo estabelece uma base de cálculo mínima, para efeito da determinação do imposto de renda devido, através da fixação de um limite máximo de redução – por compensação de prejuízos fiscais – do lucro tributável apurado em cada ano calendário. Em outras palavras, as pessoas jurídicas que detenham estoque de prejuízos fiscais apurados em anos anteriores passam a sujeitarse a um imposto de renda mínimo, uma vez que o lucro tributável só poderá ser reduzido em no máximo trinta por cento. Notese, preliminarmente, que em nenhum momento, o texto integral cerceou o direito do contribuinte de compensar os 5 "Art.43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza, tem como fato gerador a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. (...)” 6 Brito, Edson Vianna de. Imposto de Renda das Pessoas Físicas. Editora Frase: São Paulo, p. 161 e seguintes. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por RAFAEL CORREIA FUS O, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.002559/200604 Acórdão n.º 1201000.751 S1C2T1 Fl. 343 15 prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994 com lucro real obtido a partir de 1º de janeiro de 1995. Pelo contrário, ao fixar um limite máximo para compensação em cada ano calendário, o dispositivo legal, em seu parágrafo único, faculta a compensação da parcela que seria compensável se não houvesse a limitação com o lucro real de anoscalendários subsequentes.” Somente há razoabilidade, aplicabilidade, coerência se tal aplicação limitativa fosse insurgida em face de uma empresa que possui no tempo o exercício de sua atividade nos anos anteriores, o que não é o caso dos autos em razão da sua extinção. A conclusão que se tira do excerto acima é que a utilização de prejuízo fiscal e da base negativa da contribuição social sobre o lucro, em decorrência da extinção de sociedade, não está sujeita à limitação dos 30% do lucro líquido ajustado. Por fim, destacase ainda que o problema da interpretação da norma e sua referência, além de ser o ponto principal desse estudo, merece uma articulação sistemática na extração do conteúdo hermenêutico. IV CONCLUSÕES É fato que o texto legal não trouxe exceção à regra da incorporação quanto à compensação do prejuízo, mas nem precisaria, pois se a trava dos 30% se refere ao lucro líquido, e na extinção não haveria nenhuma restrição ao aproveitamento do prejuízo fiscal ou da base negativa da CSLL. Neste sentido, a tese é firme e sustentável no sentido de sua aplicabilidade no âmbito do processo administrativo e no judiciário, o que não resulta em um esforço semântico muito grande para entendêla e aplicála, em razão da sua logicidade e coerência jurídica. Diante do exposto, entendemos na declaração de encerramento da sociedade por incorporação cabe integral compensação do prejuízo fiscal e das bases negativas acumuladas pela empresa extinta, sendo inaplicável a trava dos 30%. V – DO CRÉDITO ALEGADO PELO CONTRIBUINTE QUANTO ÀS ANTECIPAÇÕES E RETENÇÕES Por fim, cumpre destacar ainda quanto ao caso em julgamento que o contribuinte declarou na linha 16 da ficha 12ª da DIPJ relativa ao evento da incorporação um valor recolhido de IR pago antecipadamente de R$ 4.150.022,48, alegando que possui um crédito tributário que deveria ter sido considerado pela fiscalização. Esses valores foram novamente declarados na DIPJ retificadora apresentada antes de qualquer procedimento de fiscalização, atinente à incorporação. Nas linhas 16 e 18 da ficha 12ª dessa declaração retificadora, constatase o valor de R$ 4.150.022,48. Contudo, conforme informado nos autos, houve baixa dos autos em diligência para se verificar o referido crédito, sendo informado pela fiscalização que tal crédito fora compensado com débitos de IPI, relativos aos primeiros três decêndios de outubro de 2002, nos autos do processo administrativo n° 11610.019278/200269. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por RAFAEL CORREIA FUS O, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.002559/200604 Acórdão n.º 1201000.751 S1C2T1 Fl. 344 16 A despeito disso, o fato é que quanto ao aproveitamento do crédito tributário pago do tributo no ano de 2001, a título de antecipação, entendo que o mesmo deve ser considerado neste processo, destacando que no momento do encerramento do ano de 2001, a empresa havia pago valores que não implicariam em saldo devedor do imposto naquele ano, mesmo considerando o aproveitamento do prejuízo fiscal sem a trava dos 30%. O que reforça a tese de que a exigência fiscal não se sustenta, visto que o saldo a pagar de tributo nestes autos é zero! Por fim, quanto à multa de ofício, a mesma deve ser cancelada seja em razão dos fundamentos do aproveitamento do prejuízo fiscal acima mencionado, seja em razão do aproveitamento do crédito tributário relativo a antecipação feita durante o ano de 2001. Nestes termos, destacase ainda a necessidade de informar a DRJ da presente decisão, em razão de pedidos de compensação pendentes de julgamento nos autos do Processo n° 11610.019278/200269, visto que o aproveitamento do crédito nestes autos implica em não acolhimento dos pedidos de compensação naquele processo. Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso e, no mérito DOULHE PROVIMENTO, para cancelar o lançamento fiscal em sua integralidade. (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso Relator Voto Vencedor 1) Da Compensação de Prejuízos Fiscais Em que pesem as razões expostas no voto do ilustre Relator, peço licença para dele divergir. Em primeiro lugar é de se destacar que inexiste norma legal que excepcione a aplicação do limite de 30% do lucro líquido ajustado do período, para fins de compensação de prejuízos fiscais de períodos anteriores, mesmo na hipótese em que a referida compensação venha a ocorrer no período de extinção da pessoa jurídica. A argumentação da recorrente fundase no conceito constitucional de renda. Segundo o entendimento da defesa, seria direito das pessoas jurídicas compensar integralmente, ao longo de sua existência, o prejuízo fiscal apurado em um determinado período, com o lucro líquido ajustado apurado nos períodos subsequentes, sob pena de inconstitucional incidência do IRPJ sobre o patrimônio da pessoa jurídica. Assim, nessa linha de raciocínio, o limite de 30% será legítimo, desde que o montante do prejuízo fiscal não compensado em um determinado período em razão desta limitação possa ser integralmente compensado nos períodos posteriores. Surge daí a sua conclusão de que o limite não se aplica ao período de extinção da pessoa jurídica, pois, caso contrário, o direito à compensação integral ao longo da existência da pessoa jurídica seria violado, incidindo assim o IRPJ sobre o patrimônio dos contribuintes. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por RAFAEL CORREIA FUS O, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.002559/200604 Acórdão n.º 1201000.751 S1C2T1 Fl. 345 17 Tal raciocínio, no entanto, não encontra amparo na jurisprudência do STF. De fato, como visto na ementa transcrita no voto do Relator, a Corte entendeu que o legislador ordinário detém competência para dispor livremente sobre a compensação de prejuízos fiscais. Não existe, portanto, direito à compensação integral de prejuízos fiscais ao longo da existência da pessoa jurídica. Não fosse assim, também a legislação anterior à Lei 9.065/95 igualmente violaria o suposto direito à compensação integral dos prejuízos fiscais acumulados. Conforme bem lembrado pelo Relator, a legislação anterior estabelecia um limite temporal, de quatro anos, à compensação de prejuízos fiscais. Essa limitação temporal, seguindo o mesmo raciocínio defendido pela recorrente, também implicaria em incidência do IRPJ sobre o patrimônio da pessoa jurídica, acaso o prejuízo não pudesse ser integralmente compensado nos quatro anos seguintes à sua apuração. Ademais, ao contrário do afirmado pela interessada, também não há na exposição de motivos à MP 998/95 (posteriormente convertida na Lei nº 9.065/95) nada que permita concluir que os contribuintes têm direito a compensar integralmente, ao longo de sua existência, o resultado negativo apurado em um determinado período, com o lucro líquido ajustado apurado nos períodos subsequentes. Vale a pena rememorar a redação da exposição de motivos no que toca ao limite para compensação de prejuízos fiscais: "Arts. 15 e 16 do Projeto: decorrem de Emenda do Relator, para restabelecer o direito à compensação de prejuízos, embora com as limitações impostas pela Mediada Provisória n. 812/94 (Lei n. 8981/95). Ocorre hoje vacatio legis em relação à matéria. A limitação de 30% garante uma parcela expressiva da arrecadação, sem retirar do contribuinte o direito de compensar, até integralmente, num mesmo ano, se essa compensação não ultrapassar o valor do resultado positivo." (Grifamos) Como se vê na redação acima, a exposição de motivos esclarece que a compensação de prejuízos fiscais poderá ser realizada até integralmente. E dizer que o prejuízo fiscal poderá ser compensado até integralmente é algo bem distinto de dizer que poderá ser compensado integralmente. Ou seja, a própria exposição de motivos admite que poderá haver situações em que o prejuízo fiscal não será compensado integralmente. Quanto às decisões administrativas, em especial aquelas proferidas pela CSRF, embora seja verdadeira a afirmação da recorrente segundo a qual aquele Colegiado já exarou alguns acórdãos que vão ao encontro de sua tese, também é verdade que em seu último julgado sobre a matéria a CSRF alterou seu entendimento, passando a acolher a tese contrária, conforme se depreende da ementa a seguir transcrita: INCORPORAÇÃO DECLARAÇÃO FINAL Inexiste amparo para, a luz da legislação que rege a matéria, se proceder, em virtude do desaparecimento da empresa em decorrência de reorganização societária, a compensação dos prejuízos fiscais sem observância do limite de 30% a que se reporta o artigo 15 da Lei nº 9.065, de 1995. No contexto do ordenamento jurídico tributário, em homenagem ao principio da legalidade, o silêncio da lei não pode ser preenchido pelo seu intérprete, mormente na situação em que tal interpretação objetiva assegurar direito não Fl. 345DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por RAFAEL CORREIA FUS O, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.002559/200604 Acórdão n.º 1201000.751 S1C2T1 Fl. 346 18 contemplado, nem mesmo pela via de exceção, nos diplomas legais. (Acórdão CSRF nº 910100401, de 02/10/2009) 2) Dedução do IRPJ pago por Estimativa e do IRRF Conforme já abordado pelo Relator, no anocalendário de 2001 a sucedida Igaras Papéis e Embalagens S.A. recolheu estimativas mensais de IRPJ bem como sofreu retenções de imposto de renda na fonte. Tais recolhimentos e retenções, aliados à indevida compensação de prejuízos fiscais acima do limite de 30% do lucro líquido ajustado, resultaram na apuração, pela contribuinte, de saldo negativo de IRPJ no ano de 2001. Em sua peça recursal a interessada pede que esses recolhimentos e retenções sejam deduzidos do IRPJ lançado no âmbito do presente processo. Pois bem, segundo o disposto no art. 37, § 3º, alíneas “c” e “d”, da Lei nº 8.981/95, a pessoa jurídica tem direito a deduzir do IRPJ devido ao final do anocalendário o imposto de renda pago por estimativa mensal e o IRRF. Referido direito há que ser observado, inclusive, pela autoridade que promover o lançamento de ofício. No caso sob exame, a autoridade fiscal deixou de observar a norma acima referida, razão pela qual há que se retificar aqui essa omissão. Nesse sentido, como os pagamentos e retenções foram realizados antes do lançamento de ofício, e como são suficientes à extinção do IRPJ lançado, há que se afastar a exigência da multa de ofício e dos juros de mora. O IRPJ (principal) deve ser mantido para fins de controle administrativo, devendo a autoridade local promover a vinculação do IRPJ lançado aos valores das estimativas e IRRF. Por fim, ante a inexistência de saldo negativo de IRPJ no anocalendário de 2001, ficam prejudicadas as declarações de compensação (DCOMPs) lastreadas neste crédito, quais sejam, aquelas de que cuidam os processos 11610.019278/200269 e 11610.019803/200246, que atualmente encontramse sob apreciação da DRJ1 em São Paulo – SP. 3) Conclusão Tendo em vista o acima exposto, voto por manter, para fins de controle administrativo, o IRPJ lançado (principal), e por afastar a correspondente multa de ofício e juros de mora. Deve a autoridade local promover a vinculação das estimativas mensais de IRPJ e do IRRF do ano de 2001 ao IRPJ lançado. Deve ainda a autoridade local extrair cópia deste acórdão e anexála aos autos dos processos 11610.019278/200269 e 11610.019803/200246. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 346DF CARF MF Impresso em 25/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por RAFAEL CORREIA FUS O, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 11065.001565/2005-99
Data da sessão: Wed Mar 17 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do Fato Gerador: 10/05/2005
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação de matéria distinta da constante do processo judicial. Inteligência da Súmula 3° CC n° 5.
LANÇAMENTO PROMOVIDO NO INTUITO DE PREVENIR A DECADÊNCIA. MULTA DE OFÍCIO.
A proposição de ação no intuito de discutir a incidência de tributo não é suficiente para evitar a incidência de multa sobre os tributos lançados no intuito de prevenir a decadência. É imprescindível que, cumulativamente, os tributos lançados se encontrem com a exigibilidade suspensa, por força de medida judicial, e que tal provimento ocorra em data anterior ao início de procedimento de oficio inerente à cobrança dos tributos litigiosos.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3102-000.615
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, tomar parcial conhecimento do recurso e na parte conhecida, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da multa de oficio a parcela liminarmente reconhecida como indevida.
Matéria: Cofins - Ação Fiscal - Importação
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Cofins - Ação Fiscal - Importação
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201003
ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do Fato Gerador: 10/05/2005 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação de matéria distinta da constante do processo judicial. Inteligência da Súmula 3° CC n° 5. LANÇAMENTO PROMOVIDO NO INTUITO DE PREVENIR A DECADÊNCIA. MULTA DE OFÍCIO. A proposição de ação no intuito de discutir a incidência de tributo não é suficiente para evitar a incidência de multa sobre os tributos lançados no intuito de prevenir a decadência. É imprescindível que, cumulativamente, os tributos lançados se encontrem com a exigibilidade suspensa, por força de medida judicial, e que tal provimento ocorra em data anterior ao início de procedimento de oficio inerente à cobrança dos tributos litigiosos. Recurso Voluntário Provido em Parte.
numero_processo_s : 11065.001565/2005-99
conteudo_id_s : 5447984
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3102-000.615
nome_arquivo_s : Decisao_11065001565200599.pdf
nome_relator_s : Luis Marcelo Guerra de Castro
nome_arquivo_pdf_s : 11065001565200599_5447984.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, tomar parcial conhecimento do recurso e na parte conhecida, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da multa de oficio a parcela liminarmente reconhecida como indevida.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 17 00:00:00 UTC 2010
id : 5879232
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:12:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076607997542400
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-07-13T13:23:10Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-07-13T13:23:10Z; Last-Modified: 2010-07-13T13:23:10Z; dcterms:modified: 2010-07-13T13:23:10Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:8cfa9075-07c1-4d7f-b47b-0a50fcac8eed; Last-Save-Date: 2010-07-13T13:23:10Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-07-13T13:23:10Z; meta:save-date: 2010-07-13T13:23:10Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-07-13T13:23:10Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-07-13T13:23:10Z; created: 2010-07-13T13:23:10Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2010-07-13T13:23:10Z; pdf:charsPerPage: 1651; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-07-13T13:23:10Z | Conteúdo => S3-C2T1 Fl. 122 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS .0, TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 11065.001565/2005-99 Recurso n° 343.116 Voluntário Acórdão n° 3201-00.615 — 2a Câmara / 1' Turma Ordinária Sessão de 17 de março de 2010 Matéria PIS/Cofins Importação Recorrente TÚBOPEÇAS INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL AssUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do Fato Gerador: 10/05/2005 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação de matéria distinta da constante do processo judicial. Inteligência da Súmula 3° CC n° 5. LANÇAMENTO PROMOVIDO NO INTUITO DE PREVENIR A DECADÊNCIA. MULTA DE OFÍCIO. A proposição de ação no intuito de discutir a incidência de tributo não é suficiente para evitar a incidência de multa sobre os tributos lançados no intuito de prevenir a decadência. É imprescindível que, cumulativamente, os tributos lançados se encontrem com a exigibilidade suspensa, por força de medida judicial, e que tal provimento ocorra em data anterior ao início de procedimento de oficio inerente à cobrança dos tributos litigiosos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, tomar parcial conhecimento do recurso e na parte conhecida, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da multa de oficio a parcela liminarmente reconhecida como indevida. Lu erra de Castro - Presidente e Relator EDITADO EM: 22/04/2010 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, José Fernandes do Nascimento, Celso Lopes Pereira Neto, Nanci Gama, Beatriz Veríssimo de Sena e Nilton Luiz Bartoli. Relatório - - Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que respaldou a decisão recorrida, que passo a transcrever: Trata o presente processo dos Autos de Infração de fls. 02 e 03; e de fls. 05 e 06, por meio dos quais encontram-se formalizadas as exigências dos créditos tributários nos valores de R$ 87.323,32 e de R$ 18.958,35, acrescidos de multa de oficio, respectivamente, a titulo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social — Importação (Cofins-Importação) e da Contribuição para o Programa de Integração Social — Importação (PIS-Importação relativamente à mercadoria submetida a despacho aduaneiro com base na declaração de importação n° 05/0480860-0, registrada em 10/05/2005 (v. 10 a 13). Segundo a descrição dos fatos (fls. 08 e 09), de ambos autos de infração, ao serem analisados os documentos de instrução da declaração de importação constatou-se que o importador havia deixado de recolher os valores correspondentes a Cofins- Importação e PIS-Importação, tendo declarado (v. fl.11) que: "As contribuições do PIS e da Cotins foram depositadas judicialmente conforme Mandado de Segurança expedido pelo Juiz da 1" Vara Federal de Novo Hamburgo-RS — Processo n° 2005.71.08.003.669-9 — PIS R$ 24.566,69 / Cofins R$ 113.155,65". Intimado a fazer prova do depósito judicial acima mencionado (v. fl. 22) a interessada solicitou, em 18/05/2008, a retificação da declaração de importação o que fez nos seguintes termos: "As contribuições do PIS e da Cofins não foram depositadas judicialmente, porque houve um equivoco quanto ao depósito judicial feito em 9/05/2005 onde o mesmo foi transferido via TED, do Banco Itait-SP para a conta 00000008435-0, na Caixa Econômica Federal em Novo Hamburgo-RS, cujo número estava incorreto, sendo o correto seria 635.00008435-0. Por este motivo o TED nos foi devolvido em 11/05/2005, após o registro da DL Então, conclui-se que não houve depósito judicial." (v. fls. 23 e 24) Consigna, ainda, a autuação que, no âmbito do referido mandado de segurança, foi deferida parcialmente a liminar solicitada pela interessada com a determinação da exclusão do valor do ICMS e o valor das próprias contribuições da base de cálculo do PIS/Co:fins incidentes na importação e não como pretendido pela interessada, isto é, o desembaraço aduaneiro das mercadorias sem a incidência dessas contribuições. Processo n° 11065.001565/2005-99 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.615 Fl. 123 Como visto, a interessada ao submeter a declaração de importação a registro deixou de recolher os valores da Cofins- Importação e PIS-Importação, conforme determinação judicial; por entender que o depósito judicial, que pelas razões antes indicadas, acabou não sendo efetivado antes do registro da declaração de importação, suprimiria o recolhimento. Com isso, a autoridade fiscal concluiu por lavrar os autos de infração para fins de exigir a Cofins-Importação e PIS- .• Importação, incidentes na importação em caso, nos valores determinados nos autos do mandado de segurança n° 2005.71.08.003.669-9 (deferimento parcial da liminar pleiteada) e condicionou o desembaraço da mercadoria ao cumprimento do disposto na Portaria MF n°389/1976 (v. fls.29 e 66). Tendo a interessada comprovado o depósito - realizado em 30/06/2005 - dos valores das contribuições em menção (v. documentos à fl.65) a autoridade fiscal proferiu o seguinte despacho (v. fl.66): "Iniciada a fase litigiosa pela apresentação em 03.06.2005 da impugnação de fls. 30/64 e tendo o contribuinte depositado extrajudicialmente o montante integral da lide e solicitado a liberação das mercadorias, documentos de fls. 29 e 65, proponho, nos termos dos itens I e 2 da Portaria MF n° 389/76, o desembaraço das mercadorias objeto do presente processo". E assim, foi determinado pela senhora Delegada da DRF/Novo Hamburgo o desembaraço das mercadorias (v. despacho à fl. 66). Cientificada dos autos de infrações em apreço, a interessada apresenta a impugnação de fls. 30 a 52, onde, em síntese, aduz que: - visando questionar a constitucionalidade dos valores exigidos a título de Cofins-Importação e PIS-Importação, conforme previsto na Lei n° 10.865, de 2004, buscou a via judicial para elidir o recolhimento dessas contribuições, impetrando mandado de segurança com pedido de liminar — processo judicial n° 2005.71.08.003.669-9; - na data de 27/04/2005 foi deferida parcialmente a liminar para que fosse excluída da base de cálculo das contribuições em apreço o valor do ICMS e das próprias contribuições; - em face do deferimento parcial do seu pleito, a interessada resolveu depositar o valor integral das contribuições, o que acabou por não se efetivar, antes do registro da declaração de importação que se deu em 10/05/2005 com a informação sobre o depósito, em razão de incorreção relativa ao número da conta corrente junto a Caixa Econômica Federal em Novo Hamburgo- RS; - constato o erro relativo ao depósito, foi procedida, em 13/05/2005, a retificação da declaração de importação (v. fls. 55 e 56), porém, tal retificação não foi considerada pela Receita Federal e, por conseqüência, lavrou os autos de infração em questão, com a aplicação da multa de oficio do art. 44, inciso 1 da Lei n° 9.430, de 1996, a qual entende descabida, pois, as referidas contribuições estão sendo discutidas judicialmente e, ainda, por ter ocorrido equívoco na elaboração do documento de transferência bancária. - a multa de oficio capitulada no art. 44, inciso Ida Lei n°9.430, de 1996, comporta quatro infrações distintas, no caso concreto não foi especificada nos autos de infração qual a hipótese correspondente ao tipo; - estando as contribuições com a exigibilidade suspensa não ocorreu nenhuma das hipóteses do inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, assim, no lançamento para prevenir a decadência do direito de lançar descabe a aplicação da multa de oficio, conforme preceitua a norma disposta no art. 63 da mesma Lei n°9.430, de 1996; No que tange propriamente as exigências da Contribuição Cofins-Importação e PIS-Importação, a interessada verte ataques sobre a constitucionalidade das mesmas (instituição por Lei Complementar), sobre a ofensa ao Princípio da Finalidade, sobre a base de cálculo (valor aduaneiro) e sobre a Agressão aos Acordos Internacionais. Ao final, pede a desconstituição de todo o crédito tributário lançado com a decisão pela improcedência dos autos de infração. Ponderando tais fundamentos, decidiu o órgão julgador recorrido pela manutenção integral da exigência, conforme se observa na leitura da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DATA DO FATO GERADOR: 10/05/2005 Ação Judicial. Propositura. Mesmo Objeto. Renúncia às Instâncias Administrativas. A propositura pelo contribuinte de ação judicial com mesmo objeto do auto de infração, importa a renúncia às instâncias administrativas. Ação Judicial. Determinação do Crédito Tributário a Recolher. Falta de Recolhimento. Lançamento. Determinado judicialmente, ainda que liminarmente, o valor do crédito tributário a ser recolhido e, verificada a falta do seu recolhimento incumbe à autoridade fiscal efetuar o correspondente lançamento e proceder de imediato sua exigência. Lançamento de Oficio. Multa de Oficio. Aplicação. Formalizada, por iniciativa do Fisco, a exigência de crédito tributário pela falta do seu recolhimento, cabível a aplicação da multa prevista no art. 44 da Lei n°9.430, de 1996. Processo n0 11065.001565/2005-99 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.615 Fl. 124 Mantendo sua irresignação, comparece a recorrente mais uma vez aos autos para, em sede de recurso voluntário, sinteticamente, reiterar os fundamentos aduzidos por ocasião da instauração da fase litigiosa e pleitear a reforma da decisão de 1' instância. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator O recurso é tempestivo e trata de matéria afeta à competência deste Colegiado. Preliminarmente, há que se relembrar que a exigência do PIS e da Cofins propriamente dita é alvo de discussão no Poder Judiciário, circunstância apta a atrair a aplicação da súmula 3° CC n° 51 Assim, tomo conhecimento do presente recurso exclusivamente no que se refere à incidência ou não da multa de oficio. Quanto a esse aspecto, apesar da veemência com que o argumento é aduzido, a solução do litígio não se adstringe à discussão dos efeitos do alegado erro quando da efetivação do depósito promovido no intuito de viabilizar o desembaraço aduaneiro, independentemente do recolhimento do PIS e da Cotins que a recorrente defende indevidos. Veja-se o que diz o art. 63, caput e § 1°, da Lei 9.430, de 1996, conforme redação fornecida pela Medida Provisória n°2.158-35, de 24/08/2001. Veja-se o texto da norma: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei n' 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de oficio. O disposto neste artigo aplica-se, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do inicio de qualquer procedimento de oficio a ele relativo. Por outro lado, embora seja de pleno conhecimento dos meus pares, relembro o que dizem os incisos IV e V do art. 151 da Lei n° 5.172, de 1966 (CTN), em sua atual redação: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (.) Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação de matéria distinta da constante do processo judicial. IV - a concessão de medida liminar em mandado de segurança. V — a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; É possível perceber, portanto, que dispositivo em questão exige o cumprimento concomitante de duas condições: que a exigibilidade se encontre suspensa, em razão da concessão de medida liminar ou tutela antecipada, e que tal provimento se concretize antes do início de qualquer procedimento de oficio relativo à exigência alvo de discussão em juízo. Analisando os elementos carreados ao processo, vê-se, com relação à fração da exigência não amparada por medida liminar, ambas as condições foram descumpridas. De fato, afora a exigência não se encontrar suspensa em razão de uma das hipóteses dos incisos IV e V do art. 151 do Código Tributário Nacional, quando da efetivação do depósito, o procedimento de oficio no bojo do qual é apurada a exigência, ou seja, o despacho de importação, já se encontrava iniciado. Lembrar que, nos termos do inciso III do art. 7° do Decreto n° 70.235, de 19722 , o procedimento de oficio tem inicio na data do início do despacho e este, nos termos do art. 485, do Decreto n° 4.543, de 2002 (Regulamento Aduaneiro) 3 , se inicia com o registro da Declaração de Importação. Na mesma senda, vai o § 1°, "a", do art. 102 do Decreto-lei n° 37, de 1966, que, após alteração promovida pelo Decreto-lei n°2.472, de 1988, esclarece: § 1°- Não se considera espontânea a denúncia apresentada; a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria,. Ou seja, por qualquer ângulo que se visualize, se a suspensão da exigibilidade se dá quando já iniciado o despacho de importação, descumprida estaria a condição explícita no parágrafo 1° do art. 63 da Lei n° 9.430, de 1996. Tal raciocínio, entretanto, não se sustenta com relação à fração do lançamento cuja exigibilidade se encontraria suspensa em razão de medida liminar deferida pelo MM. Juiz da 1' Vara Federal de Novo Hamburgo em 27/04/2009 (doc. de fis. 19 a 21). Data anterior, portanto, ao registro da declaração de importação. Para maior clareza, transcrevo excerto do julgado em que tal determinação é consignada: 7. Portanto, defiro parcialmente a liminar para determinar que seja excluída da base de cálculo do PIS/COFINS sobre a importação o valor do ICMS e das próprias contribuições, exclusivamente para fins de desembaraço do equipamento constante da fatura 556, de 14/03/2005 e conhecimento de embarque n. YBAR754132540009, desde que seja comprovado o 2 Att. 70 O procedimento fiscal tem início com: (...) III - o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. 3 Art. 485. Tem-se por iniciado o despacho de importação na data do registro da declaração de importação. Processo n° 11065.001565/2005-99 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.615 Fl. 125 atendimento aos demais requisitos legais. (o destaque consta do original). Conforme é possível concluir, com relação a esta fração, quando do registro da declaração de importação n° 05/0480860-0, em 10/05/2005, a exigibilidade do PIS/Cofins estava suspensa, independentemente da realização de depósito e, consequentemente, cabível e a aplicação do art. 63 da Lei n°9.430, de 1996. Finalmente, não se pode olvidar que a multa imposta, capitulada no art. 44, I, da mesma Lei n° 9.430, de 1996, seja na sua redação atual4, seja na que vigia na data do lançamento 5 , não exige que o alegado infrator tenha agido com dolo ou culpa, inserindo-se portanto, no plano da responsabilidade objetiva de que trata o art. 136 6 do Código Tributário Nacional. Basta que se configure, como de fato se configurou, o não pagamento do tributo. 4 Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei no 11.488, de 15 de junho de 2007) I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei no 11.488, de 15 de junho de 2007) 5 Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I - de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte 6 Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. 7 Com essas considerações, deixo de tomar conhecimento das alegações relativas à inconstitucionalidade da exigência do PIS e da COFINS e dou parcial provimento ao recurso voluntário exclusivamente para reduzir a multa de oficio em montante proporcional aos valores do PIS e da COFINS calculados sobre o valor do ICMS e dessas mesmas contribuições. Luis M-arce uerra de Castro 8
score : 1.0
Numero do processo: 11543.000349/99-61
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA. TERMINAIS DE PONTO DE VENDA
(PDV). 8470.50.01, EM 1995, e 8470.50.11, EM 1996 e 1997.
Os terminais de ponto de venda, ainda que possuam mais recursos do que as caixas registradoras, incluem-se no código 8470.50.01, em 1995, e 8470.50.11. em 1996 e 1997, de acordo com as NESH e o Parecer CST/DMC 1.089/92.
Numero da decisão: 9303-001.937
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidas as Conselheiras Nanci Gama, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann e o Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201204
ementa_s : CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA. TERMINAIS DE PONTO DE VENDA (PDV). 8470.50.01, EM 1995, e 8470.50.11, EM 1996 e 1997. Os terminais de ponto de venda, ainda que possuam mais recursos do que as caixas registradoras, incluem-se no código 8470.50.01, em 1995, e 8470.50.11. em 1996 e 1997, de acordo com as NESH e o Parecer CST/DMC 1.089/92.
numero_processo_s : 11543.000349/99-61
conteudo_id_s : 5570204
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 12 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 9303-001.937
nome_arquivo_s : 930301937_115430003499961_201204.pdf
nome_relator_s : JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS
nome_arquivo_pdf_s : 115430003499961_5570204.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidas as Conselheiras Nanci Gama, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann e o Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
id : 6291057
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:13:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076607999639552
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1848; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11543.000349/9961 Recurso nº 123.456 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303001.937 – 3ª Turma Sessão de 11 de abril de 2012 Matéria CLASSIFICAÇÃO FISCAL Recorrente UNISYS BRASIL LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA. TERMINAIS DE PONTO DE VENDA (PDV). 8470.50.01, EM 1995, e 8470.50.11, EM 1996 e 1997. Os terminais de ponto de venda, ainda que possuam mais recursos do que as caixas registradoras, incluemse no código 8470.50.01, em 1995, e 8470.50.11. em 1996 e 1997, de acordo com as NESH e o Parecer CST/DMC 1.089/92. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e do voto que integram o presente julgado. Vencidas as Conselheiras Nanci Gama, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann e o Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. NOME DO REDATOR Redator designado. EDITADO EM: 04/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martinez Lopez e Susy Gomes Hoffmann. Fl. 0DF CARF MF Impresso em 31/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório Insurgese a contribuinte acima identificada contra decisão da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes – acórdão nº 30130.300 – que, por maioria de votos, negou provimento a seu recurso voluntário. Mantevese, em conseqüência, auto de infração que lhe exigia o imposto de importação e o imposto sobre produtos industrializados incidentes no desembaraço aduaneiro de máquinas descritas nos documentos correspondentes como “terminal ponto de venda (pdv) modelo beetle 3/60 com processador 38620 mhz. memória cmos 321, memória ram 2mb, impressora p/ cupom fiscal e display do operador”, em razão de alegado erro de classificação fiscal. De fato, a empresa as classificou na posição da TEC 8470.90.0000 nos anos de 1995 e 1996 e 8470.90.00 no ano de 1997, que se destinam às “outras máquinas” classificáveis na posição 8470. A fiscalização, por sua vez, entende ser correta a classificação fiscal na posição indicada, divergindo porém quanto ao desdobramento, que considera ser a subposição 8470.50, destinada às “caixas registradoras”. No ano de 1995, vigente ainda a TAB, a classificação correta seria, segundo a fiscalização, 8470.50.0100, enquanto nos anos de 1996 e 1997, a 8470.50.11 da NCM. Para as autoridade fiscais autoras dos procedimentos de revisão aduaneira, tal classificação se justifica à luz das notas explicativas do sistema harmonizado (NESH), e das regras gerais de classificação RGC1 e RGC6, além das notas de seção, capítulo e subposição que mencionam. O recurso especial apontou como paradigma para a divergência decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais, consubstanciada no acórdão nº CSRF 0303.501, cujo inteiro teor cabe aqui: VOTO CONSELHEIRO MOACYR ELOY DE MEDEIROS RELATOR O cerne do questionamento é o enquadramento do produto "TERMINAL DE PONTO DE VENDA — PDV, no código de classificação da TAB, e para isso, é necessário a caracterização ou não do PDV como "caixa registradora", como pretende o autuante. Para colocálo no Código. 8470.50 é imprescindível um laudo técnico, de órgão especializado, com base no qual, então, a fiscalização exerceria a sua competência exclusiva de classificálo. A referida posição é complexa, abrigando inúmeros equipamentos, provocando inclusive Parecer da OMA, como no caso abaixo transcrito: "8470.50 • 1. Terminal para pagamento eletrônico por meio de cartão de crédito ou de débito, • utilizado em estabelecimentos tais como hotéis, restaurantes, agências de viagem, etc. Este aparelho comporta sobre a . face um teclado, uma tela, rolo de papel para recibos e uma fenda para leitura de cartão inteligente ou de cartão magnético. O terminal funciona por meio da rede telefônica que o liga ao estabelecimento financeiro para permitir a autorização e a liquidação da transação, assim corno o ' Fl. 1DF CARF MF Impresso em 31/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11543.000349/9961 Acórdão n.º 9303001.937 CSRFT3 Fl. 2 3 registro e a emissão de recibos indicando os montantes debitados ou creditados." O simples entendimento da fiscalização, de que, à vista do catálogo, o equipamento tratase de uma caixa registradora, é insuficiente para caracterizar a infração. A classificação de equipamentos complexos deve se fundamentar na verdade material, não prescindindo de perícia técnica de órgão especializado. Isto posto, dou provimento ao recurso especial de divergência. Ele aponta que o próprio Ministério da Fazenda classificava a mercadoria em discussão na posição adotada pela empresa. Essa afirmação decorre de ter sido editada, em 92, a Portaria MF 550 que criou um “ex” tarifário especificamente para os “terminais de ponto de venda” exatamente no código 8470.90.0000. Essa disposição foi renovada nos anos de 1993 e 1994, ao final do qual os terminais foram excluídos da Portaria. Aponta ainda a defesa que nem o “Decreto 435/92, que aprovou as Notas Explicativas a que se refere o art. 17 do RIPI/98, nem as IINN SRF 123/98 e 99/99” teriam enquadrado o terminal PDV no código 84.70.50, o que só teria sido feito pelo Parecer CST (DCM) 1089/92, em que também se louvaram as autoridades responsáveis pelo lançamento. Em contraposição, no acórdão recorrido, assentou o redator designado: No mérito, entendo correta a classificação tarifária do produto adotada pelo Fisco e mantida em Primeira Instância, segundo a qual os "Terminais Ponto de Venda" (PDV), modelo Beetle da Unisys, incluemse no código 8470.50.01 da NBM/SH, em 995, e 8470.50.11, em 996 e 997, posição destinada a 'caixas registradoras', por aplicação das RG1 1' e 6 RGC1. Corroboram este entendimento o Parecer CST/DCM 1.089/92 e as NESH, que esclarecem: "Incluemse igualmente na presente posição as caixas registradoras que operam em conexão direta ou indireta com uma máquina automática de processamento de dados, bem como os aparelhos dessa natureza que utilizam, por exemplo, a memória e o microprocessador de uma outra caixa registradora, à qual se ligam por cabo, a fim de assegurar as mesmas funções." O fato de os PDV possuírem mais recursos do que as caixas registradoras, não lhes retira a condição de caixas registradoras. O próprio contribuinte reconhece que têm características comuns. Ademais, o catálogo do produto (fls. 14 e 14v) também demonstra ser correta a classificação adotada pelo Fisco. Por outro lado, a classificação é feita na Nomenclatura pelos textos das posições e pelas NESH, por expressa determinação legal, não se podendo fundamentar em portarias ministeriais criadoras de "Ex", que podem ser, quando muito, indicadoras da Fl. 2DF CARF MF Impresso em 31/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 posição adequada para o produto. Não se pode falar, também, em hierarquia, em matéria de classificação, entre tais portarias e outras normas complementares, cuja finalidade específica é esclarecer a correta classificação dos produtos. Inaplicável, assim, à presente lide, os pronunciamentos judiciais apresentados pela recorrente. As mencionadas portarias ministeriais não têm força legal para se opor à Nomenclatura, não podendo levar ao acatamento de uma classificação errônea, mas o contribuinte que a adotou fica dispensado das penalidades decorrentes do erro a que foi induzido pelo pronunciamento oficial, a teor do parágrafo único, do art. 100 do CTN. Rejeito a preliminar de nulidade do Auto de Infração, nego provimento ao recurso voluntário e nego provimento ao recurso de oficio. Sala das Sessões, em 20 de agosto de 2002 LUIZ SÉRGIO FONSECA SOARES – Relator Designado Em contrarazões, afirma a Procuradoria da Fazenda: (...) 9 O direito também constrói suas classificações. Através de normas jurídicas, dispõe conceitos e impõe critérios, de regra conotativos, de modo a classificar condutas, coisas e pessoas. Tendo em vista que é assente que o direito cria suas próprias realidades, em princípio o legislador (em sentido lato) se encontra livre para eleger os critérios e no tas de s uas p róprias classificações, obedecidas suas competências 10 Outrossim, podendo o 'legislador escolher com certa liberdade os seus critérios classificatórios, seletores de propriedades, com certeza se permite que o mesmo também venha a constituir exceções a seus próprios critérios, retirando expressamente um objeto pertencente a uma determinada classe e alocandoa em outra. Contudo, para assim agir, tem que o fazer de forma expressa e clara, pois, na dúvida, devese aplicar o critério geral. (...) 17 O fato de portaria ministerial já ter classificado como "ex" as máquinas de PDV não infirma o acima dito; pelo contrário, confirmao. Isto porque, valendose de sua liberdade para criar suas próprias realidades, o Ministro da Fazenda retirou o PDV de sua classe (8470.50.01) para alocálo como "extarifário" no código 8470.90.0000. Para isso o fez expressamente. 18 Contudo, após a revogação de tal preceito, as coisas voltaram ao seu status quo ante, de modo que as máquinas de PDV devem ser classificadas no código 8740.50.01. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 31/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11543.000349/9961 Acórdão n.º 9303001.937 CSRFT3 Fl. 3 5 Em suma, defende a douta Procuradoria que a Portaria ministerial poderia “retirar” temporariamente da classificação correta uma mercadoria, a qual a ela retornaria após a perda de eficácia do ato normativo. É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS O recurso foi bem admitido porquanto devidamente comprovada a divergência de entendimentos. É que a decisão paradigma efetivamente rechaçou a tributação dos PDV segundo a classificação pretendida pela fiscalização. E entendo que isso basta, embora seja certo, como a transcrição integral do voto que a conduziu prove, que ali apenas se decidiu que a fiscalização não poderia apontar qual era o produto apenas com base no catálogo obtido, devendo requerer laudo técnico que a corroborasse. Concordo com a decisão paradigmática em que a questão é muito mais de identificação da mercadoria por classificar do que propriamente de classificação fiscal em si, aliás, como é regra no caso de máquinas complexas do capítulo 84. Mas não vejo a imprescindibilidade do laudo técnico ali referido. Digo isso porque a aplicação direta das Regras Gerais de Interpretação de nºs 01 e 06, como indicado no auto de infração, em verdade não nos ajuda muito. Como se sabe, estabelecem elas que: OS TÍTULOS DAS SEÇÕES, CAPÍTULOS E SUBCAPÍTULOS TÊM APENAS VALOR INDICATIVO. PARA OS EFEITOS LEGAIS, A CLASSIFICAÇÃO É DETERMINADA PELOS TEXTOS DAS POSIÇÕES E DAS NOTAS DE SEÇÃO E DE CAPÍTULO E, DESDE QUE NÃO SEJAM CONTRÁRIAS AOS TEXTOS DAS REFERIDAS POSIÇÕES E NOTAS, PELAS REGRAS SEGUINTES. e A CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS NAS SUBPOSIÇÕES DE UMA MESMA POSIÇÃO É DETERMINADA, PARA EFEITOS LEGAIS, PELOS TEXTOS DESSAS SUBPOSIÇÕES E DAS NOTAS DE SUBPOSIÇÃO RESPECTIVAS, ASSIM COMO, MUTATIS MUTANDIS, PELAS REGRAS PRECEDENTES, ENTENDENDOSE QUE APENAS SÃO COMPARÁVEIS SUBPOSIÇÕES DO MESMO NÍVEL. PARA OS FINS DA PRESENTE REGRA, AS NOTAS DE SEÇÃO E DE CAPÍTULO SÃO TAMBÉM APLICÁVEIS, SALVO DISPOSIÇÕES EM CONTRÁRIO. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 31/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 Mas não há no sistema nenhuma posição ou subposição cujo texto inclua “Terminais de Ponto de Venda”. O mesmo se passa com as notas do capítulo 84 e da Seção XVI onde ele se insere, bem como não há nota para as subposições em disputa. Em verdade, dentre as notas mencionadas no auto de infração, entendo que apenas se aplica a nota 7 do capítulo 84, que abaixo transcrevo, mas não para subsidiar a aplicação das RGC 1 e 6, e sim a de nº 04 como adiante comento. Vejase a nota: 7. Salvo disposições em contrário, e ressalvadas as prescrições da Nota 2 acima, bem como as da Nota 3 da Seção XVI, as máquinas com utilizações múltiplas classificamse na posição correspondente à sua utilização principal. Não existindo tal posição, ou na impossibilidade de se determinar a sua utilização principal, tais máquinas classificamse na posição 84.79. Não sendo aplicáveis as RGC 1 e 6, muito menos as de números 2 e 3, destinadas a grupos específicos de mercadorias, havemos de recorrer à RGI nº 04, assim redigida: AS MERCADORIAS QUE NÃO POSSAM SER CLASSIFICADAS POR APLICAÇÃO DAS REGRAS ACIMA ENUNCIADAS CLASSIFICAMSE NA POSIÇÃO CORRESPONDENTE AOS ARTIGOS MAIS SEMELHANTES Daí que é necessário encontrar, no sistema harmonizado, a mercadoria que mais se assemelhe a um terminal de ponto de venda. Essa regra, também de conhecimento geral, reconhece a impossibilidade de o sistema harmonizado descrever nos textos de suas posições e subposições todos os produtos que a criatividade humana possa conceber. Também busca dar conta dos aprimoramentos que se alcancem sobre determinados produtos básicos, dado que tais textos não podem ser, e não são, permanentemente atualizados. Não há, por conseqüência, qualquer falha sistêmica no fato de não se encontrar no SH a exata expressão terminais de ponto de venda no texto de alguma posição ou subposição. O que se deve buscar entender é a função essencial do artigo por classificar e, por analogia àquela mercadoria que execute funções semelhantes, estabelecer a classificação adequada. Pareceme inteiramente razoável começar essa empreitada pela leitura do catálogo fornecido pelo importador (fls. 14, 14v) no qual se vê: O PDV Beetle 4/61 ME otimiza nossa linha de soluções para todos os segmentos do mercado do varejo: • lojas/supermercados de autoserviço • lojas de departamento • lojas varejistas especializadas • drogarias • livrarias • lojas de materiais de construção,etc Fl. 5DF CARF MF Impresso em 31/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11543.000349/9961 Acórdão n.º 9303001.937 CSRFT3 Fl. 4 7 O PDV Beetle 4/61 ME é a união perfeita entre as características específicas do PDV e a tecnologia padrão baseada nos PCs. Essencialmente, os modelos Beetle serão configurados como sistemas PDV com DOS (terminais PDV em uma rede LAN com servidores), mas também podem ser configurados como um sistema independente. Algumas das características do PDV 4/61 são: • Impressosa de cupom/diário/ documento • Instalação simples ( *só é necessário conectar), requerimentos reduzidos de espaço (28 cm de largura e 37 cm de comprimento) • Sistema Operacional aberto MSDOS ou Windows • Quatro portas V.24 incluídas, duas com energia própria • 32 KB CMOS de memória não volátil para dados de auditoria • Armazenamento dos aplicativos e produtos de alta rotatividade em 2 a 16 MB de memória de trabalho • Armazenamento de dados seguro e a baixos custos através de diário eletrônico • Com o software Calypso, as transações são completadas mesmo em caso de falta de energia por até quatro minutos • Integração com DOS e UNIX através de redes Cheapernet e Ethernet • Ampla gama de periféricos: monitor de 9" e 14", colorido ou monocromático leitor ótico de códigos de barra nos modelos mesa ou pistola; gaveta compacta ou fliptop; teclado numérico de PDV ou alfanumérico com display para a leitura da operadora e leitor de cartões de crédito/débito; leitor de cartão inteligente (Smart Card) e leitor de caracteres CMOS • Sistema orientado para o futuro, baseado em tenologia inovadora (cartão de memória, disco rígido, laptop de 2.5"). O cartão de memória (Flash card) pode ser instalado como: cartão administrativo, cartão do operador, cartão de transferência de dados, etc. Logo, assumidamente, tratase de um terminal de ponto de venda que incorpora facilidades adicionais. Sua característica essencial, no entanto, a meu sentir, permanece sendo a de registrar as operações de venda praticadas pelos seus destinatários (lojas, lojas de departamento, livrarias etc), permitindolhes adequado controle diário dos resultados alcançados. Além disso, por incorporar a “tecnologia padrão baseada nos PCS”, permite a geração de informações mais complexas do que o mero total diário, bem como sua transmissão a outros pontos e a periféricos que a ele eventualmente se conectem. Definido, portanto, que se trata mesmo de um terminal de ponto de venda, cabe buscar no sistema a classificação de mercadoria que execute as funções mais parecidas à desse equipamento. Entendeu o Departamento de Classificação da Coordenação do Sistema de Fl. 6DF CARF MF Impresso em 31/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 Tributação da SRF ser ela a caixa registradora prevista textualmente na suposição 8470.50, emitindo, em 1992, o Parecer 1.089 em solução de consulta formalizada por interessada diversa da aqui autuada. Tal conclusão pareceme correta em vista da leitura das notas explicativas do sistema harmonizado (NESH) a ela referentes, consoante IN SRF 157 que as aprovou: C. CAIXAS REGISTRADORAS Este grupo compreende as caixas registradoras, mesmo não incorporando um dispositivo de cálculo. São aparelhos utilizados especialmente nas lojas ou escritórios para registrar, à medida que se realizam, e totalizar as transações (vendas de mercadorias, prestações de serviço, etc.), os montantes e eventualmente outras indicações que se relacionem com estas transações: número indicativo do artefato, quantidade vendida, hora da transação, etc. A entrada de dados pode efetuarse quer manualmente com ajuda de um teclado e de toques, de uma alavanca ou de uma manivela, quer automaticamente, com a ajuda de um leitor de códigos de barras, por exemplo. Algumas podem igualmente, como as máquinas de calcular e as máquinas de contabilidade, serem providas, a título acessório, de dispositivos tais como leitores de cartões ou de tiras que permitem a introdução automática de alguns dados fixos ou predeterminados. Em geral, os resultados inscrevemse num visor e, ao mesmo tempo, imprimemse num tíquete (bilhete) que se destina ao cliente, e em uma tira de controle que se retira periodicamente. As caixas registradoras comportam freqüentemente uma gaveta que se destina a receber o numerário. Podem também incorporar ou trabalhar em ligação com dispositivos tais como multiplicadores que se destinam a aumentar a sua capacidade de cálculo, calculadores de troco, distribuidores automáticos de moedas, distribuidores de selos ou de bilhetesprêmios ou de fidelidade, dispositivos de leitura de cartões de crédito ou de verificação das operações realizadas pela caixa e dispositivos de registro, em suporte, sob forma codificada, de todas ou parte destas operações. Apresentados isoladamente, estes dispositivos seguem o seu próprio regime. Incluemse igualmente na presente posição, as caixas registradoras que operam em conexão direta (online) ou diferida (offline) com uma máquina automática de processamento de dados, bem como os aparelhos desta natureza que utilizam, por exemplo, a memória e o microprocessador de uma outra caixa registradora, à qual se ligam por cabo, a fim de desempenhar as mesmas funções. Este grupo de aparelhos compreende também os terminais de pagamento eletrônico por cartão de débito ou de crédito. Estes terminais estão ligados por rede telefônica ao estabelecimento financeiro para permitir a autorização e finalização da transação, bem como o registro e emissão de recibos indicando os montantes debitados ou creditados. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 31/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11543.000349/9961 Acórdão n.º 9303001.937 CSRFT3 Fl. 5 9 Devese, por isso, rejeitar a alegação – apenas tangenciada no recurso – de que não se trataria de mero terminal ponto de venda dado incorporar autêntica máquina de processamento de dados. Embora não expresso, parece que o argumento pretende extrair daí a característica essencial do produto. Mas que não é disso que se trata, concluise pelo próprio catálogo apresentado. En passant, registro que, ainda que assim fosse, a classificação não seria, a meu ver, a pretendida pela empresa. É que isso claramente a levaria para a posição 8471. Por outro lado, da leitura do texto da posição 8470, por ela não transcrito em seu recurso, só se pode concluir que a posição 8470.90.90 atual, correspondente à 8470.90.0000 de antes da adoção da Nomenclatura comum do Mercosul, só se pode destinar às máquinas “de emitir bilhetes e máquinas semelhantes, com dispositivo de cálculo incorporado”. Essa conclusão se impõe porque é a única dentre as enunciadas no texto da posição que não foi expressamente desdobrada em qualquer outra subposição. Cediço que o terminal de ponto de venda não é, como não eram as caixas registradoras antigas, mera máquina de emitir bilhetes, embora isso ambas também façam, restam as “máquinas semelhantes, com dispositivo de cálculo incorporado”. Sobre elas nos dizem as NESH: D. OUTRAS MÁQUINAS, COM DISPOSITIVO DE CÁLCULO INCORPORADO Neste grupo podem citarse: 1) As máquinas de franquear correspondência, que imprimem nos envelopes uma vinheta que substitui o selo e que, ao mesmo tempo, por meio de um dispositivo de totalização de movimento irreversível, contabilizam o montante das franquias assim efetuadas. Além do valor da franquia, às vezes estas máquinas imprimem nos envelopes outras indicações, tais como mensagens publicitárias. 2) As máquinas de emitir tíquetes (bilhetes), utilizadas especialmente nas companhias de transporte ou em salas de espetáculos para emitir tíquetes (bilhetes) e totalizar o respectivo montante, às vezes depois da sua impressão. 3) As máquinas para corridas de cavalos, que fornecem os tíquetes (bilhetes) de participação, totalizam as apostas e, às vezes, calculam as cotas e os ganhos. As máquinas de emitir tíquetes (bilhetes), de colar selos ou vinhetas, etc., que apenas os contam sem totalização do montante, incluemse na posição 84.72, ou, se funcionarem por introdução de moedas, na posição 84.76. Inconclusivo, pois. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 31/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 10 Restanos então buscar definições não tão imprecisas tanto dos terminais PDV quanto das antigas, e atuais ainda, caixas registradoras. Sobre ambos é possível encontrar na rede mundial de computadores ((http://pt.wikipedia.org/wiki), versão em português): Uma caixa registradora, ou simplesmente caixa (s.m.), é um dispositivo mecânico ou eletrônico que serve para calcular e registrar transações de vendas, e possui uma gaveta para armazenar o dinheiro. A caixa registradora também geralmente imprime um recibo para o consumidor. Na maioria dos casos, a gaveta pode ser aberta só depois de uma venda, exceto quando se usa chaves especiais, as quais só funcionários experientes e o gerente tem. Isso reduz o risco dos empregados roubarem do dono da loja não tendo registrado uma venda e embolsando o dinheiro, quando um cliente não precisa de recibo mas tem que dar o troco (o dinheiro é mais facilmente fiscalizado em relação à vendas registradas do que o inventário). Na verdade, caixas registradoras foram primeiramente inventadas com o propósito de eliminar o roubo dos empregados ou apropriação indébita, e seu nome original era a Caixa Incorruptível. Também foi sugerido que preços estranhos surgiram porque cobrar quantidades estranhas como 49 ou 99 centavos, o caixa muito provavelmente teria de abrir a gaveta para darse o troco de 1 centavo e, assim, registrar a venda. História A primeira caixa registradora foi inventada por James Ritty, depois da Guerra de Secessão. Ele era dono de um saloon em Dayton, Ohio, e queria impedir os empregados de furtar seu lucro. Ele inventou a Ritty Model I em 1879, depois de ver uma ferramenta que contava as rotações da hélice de um navio a vapor. Com a ajuda de John Ritty, seu irmão, ele a patenteou em 1883. E sobre os PDV (POS em inglês), se lê na mesma enciclopédia on line: POS ou PoS é um ponto de venda ou ponto de serviço (do inglês: Point of Sale ou Point of Service). Pode uma caixa registradora em uma loja, ou outro local onde ocorre uma transação de venda. Pode também indicar máquinas de cartão de crédito e outros terminais eletrônicos de vendas. Sistemas de POS são usados em restaurantes, hotéis, estádios, cassinos além de lojas de varejo. Em suma, se algo pode ser vendido, existe um sistema POS. O baixo custo e os novos recursos implementados aos terminais POS tem criado novas formas de uso e ampliado a cadeia de valor dessas maquininhas. Atualmente já se vê no Brasil os terminais POS sendo utilizados em vendas de ingressos com emissão do ingresso pela própria máquina, de forma online, também é possível comprar créditos para telefones celulares pré pagos, tickets para estacionamentos, leitura de medidores água e esgoto nas residências com emissão da conta em tempo real, jogos eletrônicos como a zooloteria (popular "jogo do bicho"). Um terminal POS também pode ser usado para serviços de Fl. 9DF CARF MF Impresso em 31/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11543.000349/9961 Acórdão n.º 9303001.937 CSRFT3 Fl. 6 11 recebimento de contas, apontamento de informações em controle de registro de ponto eletrônico, para coleta de dados por profissionais que trabalham com vendas de produtos portaa porta, entre outras funções. O que permite ampla utilização de terminais POS é o fato de que, atualmente, tais terminais, além de serem compactos e móveis, usando baterias de longa duração, dispõem de comunicação sem fio e grande capacidade de armazenamento, além de teclado numérico, display, impressora térmica e leitores de cartões magnéticos e chipados. O POS utiliza uma linha telefônica ou conexão GPRS para comunicação, e os cupons das vendas são impressos pelo próprio POS, dependendo do tipo de equipamento utilizado na transação, não sendo necessário o uso de um computador, automação comercial ou ECF. Um exemplo claro de um POS são máquinas de pagamento de cartões de crédito, sistemas que contabilizam a venda e emitem nota fiscal ou mesmo as máquinas de VR. (negritos meus) Portanto, terminais de ponto de venda são versões aprimoradas das caixas registradoras (ainda hoje existentes) porquanto utilizados, como aquelas, como forma de proteção do proprietário do estabelecimento. Com efeito, tanto no passado como agora, sua função precípua é evitar (ou ao menos dificultar em muito) o desvio de recursos por parte de quem os receba no momento das operações de venda nele praticadas. Sua evolução permitiu, primeiramente, a emissão de documentos fiscais, o controle de estoques e, hoje, sua interligação remota que permite operar simultaneamente várias unidades bem como a comunicação sem fio que os adapta ao uso com cartões de crédito e de débito. De todo modo, a função essencial continua a mesma, qual seja, registrar as operações de venda para maior segurança da propriedade, função primeiramente mencionada no catálogo do produto em questão e em todos os concorrentes disponíveis na rede mundial de computadores. E essa foi exatamente a conclusão do Parecer CST (DCM) 1.089 emitido no já longínquo ano de 1992. Contra essa conclusão da SRF, opõe o recurso especial a existência de Portaria Ministerial expedida no mesmo ano do Parecer, que expressamente classificou os terminais de ponto de venda na subposição 8470.90.0000 pretendida pela empresa, ao estabelecer ex tarifário para essa subposição textualmente endereçado a eles. Por esse motivo, entendem os defendentes dever prevalecer, mesmo nos anos de 1995 a 1997 em que não mais vigia o ex tarifário, excluído que fora ainda em 1994, a “interpretação” do Ministro. Para tanto, o recurso cita jurisprudência que aponta a prevalência do entendimento da autoridade de mais elevado nível hierárquico. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 31/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 12 Não adiro a esse argumento. Em primeiro lugar porque a Portaria Ministerial não mais vigia no momento das importações objeto do auto de infração. Não havia, portanto, nesse momento, nenhum conflito entre autoridades de nível hierárquico distinto. Em segundo lugar porque, segundo o próprio recurso especial, a decisão judicial mencionada examinava conflito entre a Comissão Especial de Classificação do Ministério da Fazenda e o Inspetor da Alfândega do Porto de Santos e, por isso, assentou: "Havendo divergência entre órgãos da administração fazendária, na classificação da mercadoria sujeita ao imposto de importação, prevalece a deliberação de nível mais elevado." Ali divergiam diferentes órgãos da administração fazendária. Aqui o que se tem é que a autoridade máxima dentro do País, no que tange à classificação fiscal, expedira um Parecer, em resposta definitiva a consulta formulada, fixando a classificação dos PDV que veio a não ser observada pelo Ministro ao expedir as Portarias. Pareceme mero caso de descuido da equipe ministerial, que – ao contrário da diligente empresa mencionada pela recorrente – não consultou previamente quem detinha a competência para a classificação. Tal descuido, digase, não produziu qualquer efeito danoso aos interessados, visto que conseguiu, ao fim e ao cabo, promover a redução tarifária pretendida para os ditos equipamentos nos anos em que vigeram as Portarias. Isso não significa, no entanto, aderir ao argumento contrário exposto pela douta representação fazendária. consistente, em suma, na admissão de uma certa discricionariedade do Ministro da Fazenda para incluir numa dada posição certa mercadoria que pretendesse beneficiar com redução tarifária por meio de “ex”. Assim, de fato, não penso. É que, embora muito possa, não pode o Ministro, ou qualquer outra pessoa, inserir uma dada mercadoria numa determinada posição do sistema harmonizado, ainda que temporariamente e pelos mais nobres objetivos de política fiscal ou tarifária, se aí ela não se classificar segundo as regras gerais de interpretação e as notas explicativas do sistema harmonizado já mencionadas. E assim é porque – bem indicado no recurso manejado – tal observância é norma regulamentar, de estatura presidencial, a que também deve obediência o Sr. Ministro de Estado. De modo que importa estabelecer qual a classificação correta, e se a adotada na Portaria estiver errada reconhecer o erro e aplicar as conseqüências jurídicas apropriadas. Registro que isso já foi feito desde a decisão de primeira instância, que retirou a multa aplicada, dado que o contribuinte seguira o pronunciamento oficial. Com essas considerações, voto por negar provimento ao recurso. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 11DF CARF MF Impresso em 31/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 10247.000172/2004-86
Data da sessão: Thu Apr 29 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do rato gerador: 01/12/2004
IMPOSIÇÃO DE PHNALIDADE. AUSÊNCIA DE TIPICIDADE
A conduta punível com a penalidade prevista no art. 70, inciso 11, alínea "b", item 1, da Lei nº 10.833/2003 é o descumprimento da obrigação de manter, após o despacho aduaneiro, em boa guarda e ordem, os documentos relativos às transações que realizarem, pelo prazo decadencial, ou da obrigação de os apresentar à fiscalização aduaneira de zona secundária, quando exigidos. A não apresentação de firtura durante o despacho aduaneiro não se subsume à hipótese do pré-falado dispositivo.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3102-00.656
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
Nome do relator: Celso Lopes Pereira Neto
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201004
ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do rato gerador: 01/12/2004 IMPOSIÇÃO DE PHNALIDADE. AUSÊNCIA DE TIPICIDADE A conduta punível com a penalidade prevista no art. 70, inciso 11, alínea "b", item 1, da Lei nº 10.833/2003 é o descumprimento da obrigação de manter, após o despacho aduaneiro, em boa guarda e ordem, os documentos relativos às transações que realizarem, pelo prazo decadencial, ou da obrigação de os apresentar à fiscalização aduaneira de zona secundária, quando exigidos. A não apresentação de firtura durante o despacho aduaneiro não se subsume à hipótese do pré-falado dispositivo. Recurso Voluntário Provido.
numero_processo_s : 10247.000172/2004-86
conteudo_id_s : 5503564
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 17 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3102-00.656
nome_arquivo_s : Decisao_10247000172200486.pdf
nome_relator_s : Celso Lopes Pereira Neto
nome_arquivo_pdf_s : 10247000172200486_5503564.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 29 00:00:00 UTC 2010
id : 6091491
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:13:23 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076608011173888
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-09-01T22:39:06Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-09-01T22:39:05Z; Last-Modified: 2010-09-01T22:39:06Z; dcterms:modified: 2010-09-01T22:39:06Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:b51903b4-640a-461d-a063-abdc9404308e; Last-Save-Date: 2010-09-01T22:39:06Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-09-01T22:39:06Z; meta:save-date: 2010-09-01T22:39:06Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-09-01T22:39:06Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-09-01T22:39:05Z; created: 2010-09-01T22:39:05Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2010-09-01T22:39:05Z; pdf:charsPerPage: 1418; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-09-01T22:39:05Z | Conteúdo => S3-C1 12 1 , 1 1 08 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA. SEÇÃO DF .ILILGAMENTO Processo n" 10247.000 172/2004-86 Recurso n" 344.625 Voluntário Acórdão n" 3102-00.656 — 1" Câmara / 2" Turma Ordinária Sessão de 29 de abril de 2010 Matéria MULTA ISOLADA Recorrente JARI CELULOSE S.A. Recorrida "FAZENDA N ACIONAI, ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do rato gerador: 01/12/2004 IMPOSIÇÃO DE PHNALIDADE. AUSÊNCIA DÊ TIPICIDADK A conduta punível com a penalidade prevista no ali. 70, inciso 11, alínea "b", item 1, da 1 ,ei n" 10.83.3/2003 é o descumprimento da obrigação de manter, após o despacho aduaneiro, em boa guarda e ordem, os documentos relativos às transações que realizarem, pelo prazo decadencial, ou da obrigação de os apresentar à fiscalização aduaneira de zona secundária, quando exigidos. A não apresentação de firtura durante o despacho aduaneiro não se subsume à hipótese do pré-falado dispositivo. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos Os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Luis Marcelo-TAL:leria de Castro - Presidente Celso Lopes Pereira Neto - Relator EDI'LADO EM: 20/05/2010 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, José Fernandes do Nascimento, Celso Lopes Pereira Neto, Nanei Gama, Beatriz Veríssimo de Sena e Nias Fernandes Eutrásio (suplente). "Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de .Julgamento em Fortaleza - DRPFOR, através do Acórdão tf 08-14303, de 22 de outubro de 2008.. Por bem descrever Os fatos, adoto o relatório componente da decisão recorrida, de fls. 67/69, que transcrevo a seguir: -Traia o presente processo de multa, prevista no artigo 70, inciso 11, alínea "b", item I ", da Lei n" .10.833 de 2003, no valor de R$ 44,668,50, por falta de apresentação de fatura comercial no curso do despacho da 1)1, fOrmalizada no Auto de Infração às 'Olhas 01/05. ConfOrme detalhado no ferino de (. -`oristatação às 'Olhas 12/14, a autuada, no procedimento de despacho aduaneiro da Declaração de Impor taça() ii 04/1193922-4, apresentou fatura comei cial sem assinatura do exportador, em desacordo com o Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto "1" 4 543/2002, em seu artigo 493, inciso II. A fiscalização entendeu que a assinatura de próprio punho do exportador na fauna comercial, para . fins de instrução da Dl é obrigatória "sob pena de invalidação do documento, O que caracteriza inexistência ou fillta de apresentação da fatura comercial punível com a multa prevista no art. 70, inciso II, alínea "b", da Lei '1'10 833/2003", Assim entendendo, a fiscalização lavrou o auto ora impugnado, calculando .5% sobre o valor aduaneiro de R$ 893,370,17, chegando à quantia de .R$ 44.668,50. Cientificada do auto de infração, em 07/12/2004 (fOlha 16), a interessada apresentou impugnação alegando.' • "Com efeito, a fatura Comercial que instruía a Dl não estava assinada pelo exportador Diante disso, a Autoridade Fiscal houve por bem não aceitar a Declaração de Importação apresentada. pela ora Defendente, imputando-lhe a pena. fiscal por descumprimento de obrigação tributária concernente à apresentação de documentos fiscais relativos à operação de importação realizada -; • "Saliente-se, entretanto, que antes de ser notificada da lavratura do presente Auto de Infração a Defendente cuidou de sanar a irregularidade da documentação fiscal apresentada mediante a juntada da via original da Fatura Comercial assinada pelo exportador (cópia anexa • "Desta feita, não se justifica a manutenção do Auto de Infração em comento, mormente porque não há dano ao Pisco, vez que a ora Deter dente regularizou, de plano, a documentação relativa à operação de importação fiscalizada. Nesse sentido, tem-se ainda (Inc a multa. aplicada, no montante de 5% incidente sobre o valor total da operação, tem nítido caráter confiscatorio„ ". Afirma que, em tendo verificado a irregularidade da fatura comercial, "atuando com a mais absoluta boa-fé, cuidou de saná-la, 24" Processo n" 10247 0001 72/2004-86 S3--C 112 Acórdão n 3102410.656 lif 109 antes mesmo de ser notificada da lavratum", e por essa razão., aduz que o presente Auto de Infração se configura "medida arbitrária e desarrazoada". Alega a inocorrência de dano ao . fisco, trazendo como re.fOrço argumenta-11v° o art. 113, parágraf° 2" do Código Tributário Nacional, destacando o trecho "no interesse da arrecadação ou. liscaliza.ção". Segundo sua narrativa, é equivocada "a. Iavratrua do presente auto de infração com fundamento no descumprimento da obrigação tributária definida no artigo 70 da Lei 10 833/2003, posto que Defendente apresentou os documentos solicitados pela autoridade fiscal, promovendo de plano a regularização da Fatura Comercial apresentada..." Argumentando a natureza conliscatória da multa aplicada, a impugnante acrescenta.. - "Com eleito, a ora Defendente não deixou de apresentar à fiscalização aduaneira os documentos fiscais relativos à operação de importação realizada (.....) Em que pese a ausência da assinatura do exportador na Fatura Comercial — irregularidade que, frise-se, foi sanada de plano pela Defendente não se pode desconsiderar todos Os documentos solicitados foram apresentados, inclusive os documentos obrigatórios de instrução da declaração aduaneira."; - "A imposição da multa fiscal de 5% do valor- aduaneiro das mercadorias importadas, conforme previsto no art.. 70 da Lei 10,833/2003, se justificaria se a Defendente não apresentasse à Fiscalização os documentos que lhe foram solicitados. Não é o que ocorreu."; - "(..) Isto porque a multa aplicada corresponde à. infração mais grave do que supostamente cometida pela Defendenl.e, uma vez que a legislação prevê sua aplicação em face do contribuinte que não manter (sie) a guarda dos documentos obrigatórios de instrução das declarações aduaneiras ou deixar de apresentá-los à autoridade fiscal.. Ressalte-se que a Defendente apresentou os documentos solicitados". - "Portanto, a imita aplicada na hipótese em exame corres-ponde à inflação mais grave do que efetivamente apurada ao Auto de Infração Daí o seu caráter confiscatório." - (....) Imperioso é, portanto, o recalculo da multa em questão, de modo que esta seja. mais branda, proporcional à infração que se refere". Por . fim, pede que séja. "anulado o Auto de Infração ora impugnado, cuja lavratura foi arbitrária e se deu em desconformidade com o principio da razoabilidade." Efetivada a juntada da peça de defesa, o processo .-fin encaminhado para esta 1)1?:1/Fortaleza." 3 Os membros da 7" Turma de Julgamento da DRVEORTALEZA, pelo voto de qualidade, consideraram procedente o lançamento, através do referido Acórdão, cuja ementa transcrevemos, verbis: ASSUMO OBRIGAÇÕES ACLSSÓRIAS Data do fato gerador: 01/12/2004 .F.141'111R4. COMLR(.11L. Comprovado nos autos que a Faturo Comercial não contém os requisitos exigidos na 1.( • ,gislação de regência, torna-.se cabível a exigencia da penalidade prevista no artigo 70, inciso II, alínea "b”, item "I'', da Lei n" 108.33 de 2003. Lançamento Proc.rdente'' Irresignada com a decisão de primeira instância, a empresa apresentou recurso • voluntário (fis. 75/79) reiterando os argumentos apresentados em sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Celso Lopes Pereira Neto, Relator A recorrente tomou ciência da decisão h.ostilizada em 16/12/2008 (AR de fls. 74) e apresentou seu recurso voluntário cm .15/01/2009 (Os. 75) sendo, portanto, tempestivo. A multa objeto do presente auto de infração está prevista no art. 70, inciso 11, alínea "b", item "1", da 1,ei 10.833/2003. No caso concreto, a conduta da recorrente que a fiscalização pretende ver punida com a referida multa firi a apresentação, durante despacho aduaneiro de importação, de uma. fatura comercial sem assinatura.. Entende a fiscalização que a apresentação de uma fatura comercial não-assinada corresponde à não-apresentação de fatura. O ad. 46, caput do Decreto•lei. n" 37/66 estabelece que a fatura comercial é documento exigido para o processamento do despacho aduaneiro de importação, com as exceções que vierem a ser estabelecidas em regulamento: 'Art. 46 - Além da declaração de que trata o art.44 deste Decreto-Lei e de outro.s documenlo.s previstos em leis ou regulamentos, serão exigida.s, pata o processamento do despacho aduaneiro, a prova de pOS'Ye ou propriedade da mercadoria e a fatura comercial, com as exceçães que estabelecer' o regulamento (Redação dada pelo Decrewt- i Lei n'' 2 472, de 01/09/1988 -)" .• O Decreto no 4,543/2002 (Regulamento Aduaneiro vigente à época da importação a que se refere o presente processo), confirmou, em seu art.. 493, inciso H, a exigência da fatura para instrução da declaração de Unportação e ainda, estabeleceu um requisito essencial para a validade da mesma, que seja "assinada pelo exportador", conforme se depreende do dispositivo que é transcrito a seguir: )\-.71 ',A\ 41 Processo n e 10217 000172/2004-86 S3-C1 T2 Acórdão!' 3102-00.656 Fl. 1 10 -Ari 493 4 declaração de importação .será instruída com (Deereto-lei n" $7, de 1966, art. -16, com a redação dada pelo Decreto-lei n" 2.472, de 1988, art. 2. 1 - a via original do c.vnheeimento de carga ou documento de (1, ãto equivalente,- 11 - a via original da fatura comercial, assinada pelo exportador; JJJ- o comprovante de pagamento dos tributos, se exigível, e JJ/- outros documentos exigidos em decorrencia de acordos internacionais ou por força de lei, de regulamento ou de ato normativo. "(grifei) Podanto, correto o entendimento da fiscalização de que uma fatura não-assinada corresponde a uma fatura inválida, caracterizando a sua inexistência para efeitos de instrução da declaração de importação., A recorrente reconhece o fato, porém, tanto em sua impugnação quanto em seu recurso voluntário, afirma ter sanado a irregularidade com a apresentação da fatura, assinada pelo exportador, antes de ser notificada da lavratura do auto de infração., No entanto, a única cópia da. citada fatura existente nos autos, é aquela constante às fis. 10, ond.e não se verifica consignada a devida assinatura do exportador, requisito de validade daquele documento, Caracterizou-se, assim, a falta da apresentação de fatura durante o despacho aduaneiro. No entanto, entendo que a conduta da recorrente,: não-apresentação de fatura comercial durante o despacho, não se subsume à hipótese estabelecida no art. 70, 11, alínea "b", item 1, da Lei n" 10.833, de 200.3, que reza: At. 70. O descumprimento pelo importador, exportador ou adquirente de mercadoria importada por .sua conta e ordem, da obrigação de manter, em boa guarda e ordem, os documentos relativos à.s transações que realizarem, pelo prazo decadeneial estabelecido na legislação tributária a que estão .submetidos, ou da obrigação de os apresentar à fiscalização aduaneira quando exigidos, implicará. II - se relativo aos documentos obrigatórios de instrução das- declarações whianeiras. ) b) a aplicação cumulativa das multas de: 1. .5% (cinco por cento) do valor aduaneiro das mercadorias. importadas; e Ou seta, as condutas típicas encerradas no pré-falado ato estão relacionadas com a fiscalização de zona secundária, após a fase de despacho aduaneiro.. Na verdade, a obrigação de apresentar os documentos à fiscalização aduaneira quando exigidos está relacionada com a obrigação de manter, pelo prazo &cadenciai, em boa guarda e ordem, os documentos relativos às transações que realizarem, os quais são relevantes para o exercício da fiscalização pós-despacho, não se confundindo com a hipótese dos autos. )0 1'5 Quando a lei tala em não apresentar os documentos está dizendo "não apresentar os documentos que deveria manter em boa guarda e ordem". Rm SUITla, a conduta da recorrente: não apresentação de 'atura durante o despacho, não está tipificada no dispositivo invocado no auto de infração (ad, 70, inciso 11, alínea "b", item 1, da Lei n" 10.833/2003) e, portanto, não está sujeita à penalidade ali cominado. De todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. LL, Celso Lopes Pereira Neto J;
score : 1.0
Numero do processo: 13886.001240/2002-25
Data da sessão: Thu Apr 29 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI — ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS.
Os conceitos de produção, matéria-prima, produtos intermediários e materiais de embalagem são os admitidos na legislação aplicável ao IPI, não abrangendo as despesas com energia elétrica e combustível. Súmula 19 do CARF.
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI — AQUISIÇÕES DE INSUMOS DE PESSOA FÍSICA.
A Lei no. 9.363/1996, ao determinar a forma de apuração do incentivo do crédito presumido do IPI, excluiu da base de cálculo aquelas aquisições que não sofreram incidência da Contribuição ao PIS/PASEF e da COFINS no fornecimento ao produtor/exportador.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-000.373
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Gileno Gurjdo Barreto (Relator), Rodrigo Pereira de Mello e Alexandre Gomes, que davam provimento parcial. Designado o Conselheiro Luis Eduardo G. Barbieri para redigir o voto vencedor.
Nome do relator: Gileno Gurjão Barreto
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201004
ementa_s : Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI — ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. Os conceitos de produção, matéria-prima, produtos intermediários e materiais de embalagem são os admitidos na legislação aplicável ao IPI, não abrangendo as despesas com energia elétrica e combustível. Súmula 19 do CARF. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI — AQUISIÇÕES DE INSUMOS DE PESSOA FÍSICA. A Lei no. 9.363/1996, ao determinar a forma de apuração do incentivo do crédito presumido do IPI, excluiu da base de cálculo aquelas aquisições que não sofreram incidência da Contribuição ao PIS/PASEF e da COFINS no fornecimento ao produtor/exportador. Recurso Voluntário Negado.
numero_processo_s : 13886.001240/2002-25
conteudo_id_s : 5352896
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jun 12 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3302-000.373
nome_arquivo_s : Decisao_13886001240200225.pdf
nome_relator_s : Gileno Gurjão Barreto
nome_arquivo_pdf_s : 13886001240200225_5352896.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Gileno Gurjdo Barreto (Relator), Rodrigo Pereira de Mello e Alexandre Gomes, que davam provimento parcial. Designado o Conselheiro Luis Eduardo G. Barbieri para redigir o voto vencedor.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 29 00:00:00 UTC 2010
id : 5490085
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:12:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076608027951104
conteudo_txt : Metadados => date: 2013-09-25T16:26:54Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2013-09-25T16:26:54Z; Last-Modified: 2013-09-25T16:26:54Z; dcterms:modified: 2013-09-25T16:26:54Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:31576b25-72f6-4aba-a5c0-afef77c17f3f; Last-Save-Date: 2013-09-25T16:26:54Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2013-09-25T16:26:54Z; meta:save-date: 2013-09-25T16:26:54Z; pdf:encrypted: true; modified: 2013-09-25T16:26:54Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2013-09-25T16:26:54Z; created: 2013-09-25T16:26:54Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; Creation-Date: 2013-09-25T16:26:54Z; pdf:charsPerPage: 1969; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2013-09-25T16:26:54Z | Conteúdo => S3-C3T2 Fl. MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13886.001240/2002-25 Recurso n° 239.863 Voluntário Acórdão n° 3302-00.373 — 3' Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 29 de abril de 2010 Matéria CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI Recorrente TOYOBO DO BRASIL INDÚSTRIA TÊXTIL LTDA. Recorrida DRJ-RIBEIRÃO PRETO/SP Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI — ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. Os conceitos de produção, matéria-prima, produtos intermediários e materiais de embalagem são os admitidos na legislação aplicável ao IPI, não abrangendo as despesas com energia elétrica e combustível. Súmula 19 do CARF. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI — AQUISIÇÕES DE INSUMOS DE PESSOA FÍSICA. A Lei no. 9.363/1996, ao determinar a forma de apuração do incentivo do crédito presumido do IPI, excluiu da base de cálculo aquelas aquisições que não sofreram incidência da Contribuição ao PIS/PASEF e da COFINS no fornecimento ao produtor/exportador. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Gileno Gurjdo Barreto (Relator), Rodrigo Pereira de Mello e Alexandre Gomes, que davam provimento parcial. Designado o Conselheiro Luis Eduardo G. Barbieri para redigir o voto vencedor. Walber José da Silva - Presidente Gileno Gurjão Barreto — Relator Fl. 102DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 5/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por GILENO GURJA O BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Luis Eduardo G. Barbieri — Redator Designado EDITADO EM: 23/09/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabíola Cassiano Keramidas, Luiz Eduardo G. Barbieri, Alexandre Gomes e Gileno Gurjdo Barreto (Relator). Relatório Trata o presente processo de pedido complementar de ressarcimento do crédito presumido do IPI, relativo ao período em destaque, no qual a interessada defende o direito de incluir no cálculo do beneficio as aquisições feitas junto a pessoas físicas e os gastos com energia elétrica e combustíveis, com base na Lei n° 9.363/96. 0 pleito foi indeferido pela autoridade competente vez que a energia elétrica e os combustíveis não estão incluídos no conceito de matéria-prima, material de embalagem e produtos intermediários dados pela legislação do IPI, como pelo disposto §2° da IN SRF n° 23/97 que, quanto à base de cálculo do crédito presumido relativo aos produtos oriundos da atividade rural, permite, exclusivamente, a inclusão das aquisições efetuadas junto a pessoas jurídicas. Tempestivamente, o interessado apresentou sua manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que os combustíveis e a energia elétrica seriam insumos, não pertencentes ao ativo permanente, que se consumiriam no processo produtivo, portanto classificáveis como produtos intermediários na legislação do IPI, ademais atos da SRF não poderiam restringir o alcance da Lei n° 9.363/96 que se referiu ao "valor total" das aquisições. No acórdão a quo (fls. 70/76), foi indeferida a solicitação da contribuinte, sob o argumento de que o pedido de ressarcimento sobre a energia elétrica e o combustível não deve prosperar, urna vez que não ocorre o consumo físico quando da industrialização do produto. Em face desse Acórdão apresentou a empresa o recurso voluntário de fls. 80/92, em linhas gerais depondo os mesmos argumentos que embasaram sua manifestação de inconformidade, requerendo assim a reforma da decisão recorrida, bem como a autorização para o ressarcimento complementar no valor de R$ 20.053,25. o relatório. 2 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 5/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por GILENO GURJA O BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo n° 13886.001240/2002-25 S3-C3T2 l'1. 2 Acórdão n.° 3302-00.373 Voto Vencido Conselheiro Gileno Gurjão Barreto, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. I — CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI: Dentre as matérias controversas trazidas à baila, a primeira diz respeito a aquisições feitas pela empresa, ora recorrente, frente a pessoas fisicas e cooperativas de produtores, cujo objetivo é o levantamento do crédito presumido de IPI e a apuração saldo suficiente de crédito presumido do referido imposto, visando o ressarcimento. Tal matéria encontra-se disciplinada nos arts. 1 2 e 22 da Lei n.° 9.363, de 13/12/96, transcritos a seguir: "Artigo 1°. A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares 7, de 7 de setembro de 1970; 8, de 3 de dezembro de 1970; e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. 0 disposto neste artigo aplica-se, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim especifico de exportação para o exterior. Artigo 2°. A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador." (grifos nossos) Cabe, a esta altura, ter em mente que a apuração do crédito presumido de IPI está associada A. quantificação dos créditos gerados pelas aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Nesse exame é possível asseverar que boa parte da aquisição de matéria- prima, produto intermediário e material de embalagem deve integrar a apuração do crédito presumido de IPI. Dessa forma, não é possível limitar ou selecionar as aquisições (valores) das demais matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagens que seriam passíveis de integrar o levantamento do crédito presumido de IPI, porquanto tal posicionamento configuraria postura contrária A. lei. 3 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 5/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por GILENO GURJA O BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Além disso, a questão sob exame conta com posicionamento sedimentado da Câmara Superior de Recursos Fiscais, segundo observa-se dos seguintes julgados: "IPI - CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI NA EXPORTAÇÃO - 1) AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS - A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários, e material de embalagem referidos no art. I° da Lei n.° 9.363, de 13.12.96, do percentual correspondente â relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (art. 20 da Lei n.° 9.363/96). A lei citada refere-se a 'valor total' e não prevê qualquer exclusão. As Instruções Normativas SRF n. °s 23/97 e 103/97 inovaram o texto da Lei 11.° 9.363, de 13.12.96, ao estabelecerem que o crédito presumido de IPI será calculado, exclusivamente, em relação as aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas as Contribuições ao PIS/PASEP e a COFINS (IN SRF n.° 23/97), bem como que as matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas não geram direito ao crédito presumido (IN SRF n.° 103/97). Tais exclusões somente poderiam ser feitas mediante Lei ou Medida Provisória, visto que as Instruções Normativas são normas complementares das leis (art. 100 do CTN) e não podem transpor, inovar ou modificar o texto da norma que complementam. 2) EXPORTAÇÕES ATRAVÉS DE EMPRESAS COMERCIAIS EXPORTADORAS - Estando em pleno vigor, no ano de 1996, os artigos 10 e 3 0 do Decreto-Lei n.° 1.248, de 29.11.72, são assegurados ao produtor-vendedor os benefícios fiscais concedidos por lei para incentivo à exportação nas vendas a empresas comerciais exportadoras destinadas a exportação. 3) TAXA SELIC - NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO - Incidindo a Taxa SELIC sobre a restituição, nos termos do art. 39, sS 4°, da Lei 11. 0 9.250/95, a partir de 01.01.96, sendo o ressarcimento uma espécie do gênero restituição, conforme entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão CSRF/02-0.708, de 04.06.98, além do que, tendo o Decreto n.° 2.138/97 tratado de restituição e ressarcimento da mesma maneira, a referida taxa incidirá, também, sobre o ressarcimento. Recurso provido." (1 2 Câmara, Recurso n.° 110.657, Processo n.° 10675.000979/97-61; julgado em 17/04/2001; rel. Conselheiro Serafim Fernandes Correa, Acórdão n.° 201-74.438) "IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI). RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO PIS/COFINS. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. RECONHECIMENTO. A receita, inclusive de exportação, deve ser reconhecida quando da tradição do bem exportado, que se da apenas quando da entrega do bent pelo vendedor exportador ao comprador estrangeiro, conforme a modalidade de exportação contratada, e não quando da celebração de dito contrato e da emissão da correspondente nota fiscal. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. Incluem-se na base de cálculo do crédito presumido as aquisições feitas de não contribuintes das contribuições para o 4 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 5/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por GILENO GURJA O BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo n° 13886.001240/2002-25 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302-00.373 Fl. 3 PIS e da COFINS. Recurso a que se nega provimento." (Acórdão CSRF/02-01.250, 2 2 Turma, relator Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Recurso n.° 110.146, Processo n.° 10945.008246/97-56, sessão: 27/01/2003) Adoto a orientação como parâmetro decisório, salientando que também o STJ enfrentou a matéria, tendo optado por idêntico desfecho: "TRIBUTÁRIO - CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI - AQUISIÇÃO DE MATÉRIAS-PRIMAS E INS UMOS DE PESSOA FÍSICA - LEI 9.363/96 E IN/SRF 23/97 - LEGALIDADE. 1. A IN/SRF 23/97 extrapolou a regra prevista no art. 1°, da Lei 9.363/96 ao excluir da base de cálculo do beneficio do crédito presumido do IPI as aquisições, relativamente aos produtos da atividade rural, de matéria-prima e de insumos de pessoas fisicas, que, naturalmente, não são contribuintes diretos do PIS/PASEP e da COFINS. 2. Entendimento que se baseia nas seguintes premissas: a) a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtor-exportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição; b) o Decreto 2.367/98 - Regulamento do IPI posterior ei Lei 9.363/96, não fez restrição ás aquisições de produtos rurais; c) a base cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2°), sem condicionantes. 3. Regra que tentou resgatar exigência prevista na MP 674/94 quanto a apresentação das guias de recolhimentos das contribuições do PIS e da COFINS, mas que, diante de sua caducidade, não foi renovada pela MP 948/95 e nem na Lei 9.363/96. 4. Recurso especial improvido." (REsp n.° 586.392/RN, rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19/10/2004, DJ de 06/12/2004, p. 259) Assim, o direito credit6rio de que a contribuinte se diz detentora e sobre o qual fundamenta, decorre do pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, do qual, pelos fundamentos aqui expostos, os julgadores a quo tolheram-na quando correspondentes às aquisições de pessoas fisicas e cooperativas que compõem a base de cálculo do crédito. II. Energia elétrica e combustíveis Uma das questões suscitadas no mérito do presente questionamento, versa sobre a possibilidade dos valores gastos com energia elétrica comporem ou não o cálculo do crédito presumido do IPI. Neste sentido, vejamos o que dispõe o art. 1°, caput, e § 1 0, da Lei 10.276/2001, in verbis: Art. 1 0. Alternativamente ao disposto na Lei n.° 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para 5 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 5/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por GILENO GURJA O BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo as contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1 0 . A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I - de aquisição de insumos, correspondentes a matérias-primas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo;" (destaques nossos) Desta forma, apesar do Pedido de Ressarcimento tratar de período anterior A edição da Lei n° 10.276/01, considero que a mesma veio fortalecer o entendimento que, data maxima vênia, considero correto, qual sei a, o de que a Lei n° 9.363/96, em seus arts. 10 e 2°, ao versar sobre a possibilidade das matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados no processo produtivo, comporem a base de cálculo do crédito presumido de IPI, o que englobaria as aquisições de energia elétrica e combustíveis, por serem produtos intermediários que, embora não integrando o produto final, são consumidos no processo industrial. Esse entendimento, inclusive, encontra respaldo nos arts. 147 e 488 do Decreto n° 2.637/98 (Regulamento do IPI), vigente à época do Pedido de Ressarcimento: "Art. 147. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditar-se (Lei n.° 4.502, de 1964, art. 25): I - do imposto relativo a matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo-se, entre as matérias-primas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; (...) Art. 488. Consideram-se bens de produção (Lei n.° 4.502. de 1964, art. 4 0, inciso IV, e Decreto-lei n.° 34, de 1966, art. 2°, art. 1°): I - as matérias-primas; II - os produtos intermediários, inclusive os que, embora não integrando o produto final, sejam consumidos ou utilizados no processo industrial;" (original sem destaque) Adicionalmente, não bastassem os argumentos trazidos A. baila, vejo que as referidas disposições da Lei n ° 10.276/01 podem ser consideradas aplicáveis no presente caso por força do art. 106, II, do CTN, ou seja, a interpretação da norma tributária mais benéfica ao contribuinte (lex mitior). Vejamos: "Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: I - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; 6 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 5/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por GILENO GURJA O BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo IV 13886.001240/2002-25 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302-00.373 Fl. 4 II - tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática." (original sem destaque) Assim também entende o ilustre Hugo de Brito Machado, em "Comentários ao Código Tributário Nacional", volume II, Editora Atlas S.A., São Paulo, 2004, páginas 164 e 165, ao reforçar que: "Temos no art. 106 do Código Tributário Nacional, portanto, duas hipóteses de aplicação retroativa da lei tributária, a saber, a hipótese de lei expressamente interpretativa e a hipótese de lei punitiva mais favorável ao acusado, que denominamos retroatividade benigna. Quanto a esta última , não existem divergências dignas de nota." (original sem destaque) Além disso, o Conselho de Contribuintes possui recentes decisões tratando a matéria. Destaco, os Recursos Voluntários 110.473, 110.474 e 110.475, de semelhante teor, oportunidade em que passo a transcrever o primeiro deles, conforme se observa a seguir: "IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÕES. AQUISIÇÕES DE ENERGIA ELÉTRICA. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. DIREITO AO CRÉDITO. Estão abrangidos no conceito de produto intermediário os produtos que, embora não se integrem ao novo produto, são consumidos no processo de industrialização. Integram a base de cálculo do crédito presumido de IPI, na exportação, as aquisições de energia elétrica, nos termos do art. 2° da Lei n.° 9.363/96. Recurso Voluntário provido." (Recurso 110.473, Acórdão 201-74.607, relator Cons. Serafim Fernandes Correa) (grifamos e destacamos) Este também foi o entendimento da Camara Superior de Recursos Fiscais, conforme julgado a seguir colacionado: "IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI). RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO PIS/COFINS. ENERGIA ELÉTRICA. Incluem-se na base de cálculo do crédito presumido as aquisições de energia elétrica, em especial quando utilizada diretamente no processo produtivo, fisicamente consumida em decorrência da ação exercida sobre o produto em fabricação (FeSi)." (Acórdão n.° CSRF/02- 01.662, 2a Turma) (grifamos e destacamos) Comungo desta opinião, pois que a energia elétrica e os combustíveis, mesmo não se integrando ao novo produto, são consumidos no processo de industrialização, tratando- se assim de um produto intermediário. Outrossim, a Súmula n° 12 do 2° CC veio a determinar o contrário, in verbis: "Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei n09.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são 7 Fl. 108DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 5/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por GILENO GURJA O BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário." Assim, pelo exposto, no tocante a energia elétrica e combustíveis, portanto, não resta a esse julgador outra alternativa senão negar provimento ao pedido da contribuinte. Por todo o exposto, voto no sentido de dar parcial provimento a pretensão da contribuinte, para reformar o Acórdão recorrido quanto as aquisições de matérias primas de pessoas físicas e cooperativas, negando-lhe a pretensão de ter crédito sobre energia elétrica e combustíveis. É como voto. Gileno Gurjão Barreto Voto Vencedor Conselheiro Luis Eduardo G. Barbieri, Redator Designado Trata o presente processo de pedido de ressarcimento complementar de crédito presumido do IPI relativo ao 3 0 trimestre de 2001, formulado no dia 22/08/2002, em decorrência de produção e exportação de mercadorias nacionais, onde a empresa pleiteia o direito aos seguintes créditos: (i) valores referentes a energia elétrica e combustíveis utilizados no processo de industrialização; (ii) valores referentes as aquisições efetuadas de pessoas fisicas. 0 pleito foi indeferido pela autoridade competente da DRF Limeira — SP (fls. 49/52). A interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls. 54/67), sendo indeferida sua solicitação pela DRJ — Ribeirao Preto — SP (fls. 70/76). Foi apresentado recurso ao CARF - Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fls. 79/92), sendo o processo sorteado ao Conselheiro Gileno Gurjdo Barreto (fl. 95) que o relatou. No tocante ao item (i) — valores referentes a energia elétrica e combustíveis - o ilustre Conselheiro-Relator do processo negou provimento ao recurso do contribuinte, no que foi seguido por unanimidade pelos demais Conselheiros da Turma, nos termos do que dispõe a Súmula n° 12 do 2° Conselho de Contribuintes, consolidada pela Súmula n° 19 do CARF, in verbis: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei no 9.363, de 1996, as aquisic5es de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário. Quanto ao item (ii) — valores referentes 'As aquisições efetuadas de pessoas físicas - o Conselheiro-Relator votou por dar provimento ao recurso do contribuinte. Neste item, por voto de qualidade, a Turma decidiu, então, por negar provimento ao recurso, sendo este Conselheiro-Redator designado para fazer o voto vencedor. 8 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 5/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por GILENO GURJA O BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo n° 13886.001240/2002-25 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302-00.373 Fl. 5 Portanto, o ponto de discordância refere-se exclusivamente à possibilidade do direito ao crédito presumido do IPI em relação aos valores referentes às aquisições efetuadas de pessoas físicas e, assim sendo, somente sobre esta questão irei pronunciar-me neste voto. A Lei 9.363, de 13/12/1996, assim dispõe: Art. 1° A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. 0 disposto neste artigo aplica-se, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim especifico de exportação para o exterior. (grifei) Da leitura do artigo acima transcrito, pode-se concluir que a finalidade da prescrição normativa foi conceder o ressarcimento das Contribuições (PIS/PASEP e COFINS) que incidiram sobre as operações de vendas faturadas pelo fornecedor (aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem) para a empresa produtora e exportadora, utilizados em seu processo produtivo. A Lei refere-se às contribuições "incidentes sobre as respectivas aquisições", de forma que pouco importa se incidiu em etapas anteriores. 0 que importa é que nas aquisições efetuadas pela empresa produtora e exportadora, estas não incidiram. Portanto, só se podem ressarcir valores que incidiram e foram devidamente recolhidos. 0 Dicionário Aurélio esclarece: ressarcir — indenizar, compensar, reparar. Ora, as pessoas físicas não são contribuintes do PIS/PASEP e nem da COFINS, logo, não houve incidência destas contribuições sobre as citadas aquisições, e portanto nenhuma quantia foi dispendida no pagamento das contribuições. Não havendo recolhimento das contribuições em fases anteriores, não há que se falar em ressarcimento. Nada há a compensar ! Parece-me simples e lógica tal conclusão. Este entendimento foi explicitado pela Instrução Normativa SRF No 23/97, nos seguintes termos: "Art. 2° - Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. sç' 1° 0 direito ao crédito presumido aplica-se inclusive: I - quando o produto fabricado goze do beneficio da aliquota zero; II - nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim especifico de exportação. sç 2 0 0 crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2° da Lei no 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matéria-prima, produto intermediário ou embalagem, na 9 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 5/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por GILENO GURJA O BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação eis aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas tis contribuições PIS/PASEP e COFINS". (grifei) A IN SRF No. 23/97 esclareceu que apenas (exclusivamente) as aquisições efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas as contribuições PIS/PASEP e COFINS, darão direito ao crédito presumido, portanto, por exclusão, as aquisições efetuadas de pessoas fisicas, que não são contribuintes das citadas contribuições, não possibilitam o direito ao crédito presumido do IF!. Mantiveram o mesmo entendimento as Instruções Normativas SRF Nos. 303/2003 (que revogou a IN SRF No. 23/97) e 419/2004. Reforça esta tese o Parecer PGFN/CAT/No. 3092, de 27/09/2002, conforme trechos abaixo transcritos: "21. Quando o PIS/PASEP e a COFINS oneram de forma indireta o produto final, isto significa que os tributos não 'incidiram' sobre o insumo adquirido pelo beneficiário do crédito presumido (o fornecedor não é contribuinte do PIS/PASEP e da COFINS), mas nos produtos anteriores, que compõem este insumo. Ocorre que o legislador prevê, textualmente, que serão ressarcidas as contribuições 'incidentes' sobre o insumo adquirido pelo produtor/exportador, e não sobre as aquisições de terceiros, que ocorreram em fases anteriores da cadeia produtiva. 22. Ao contrário, para admitir que o legislador teria previsto o crédito presumido como um ressarcimento dos tributos que oneraram toda a cadeia produtiva, seria necessária uma interpretação extensiva da norma legal, inadmitida, nessa especifica hipótese, pela Constituição Federal de 1988 e pelo Código Tributário Nacional". 0 Parecer PGFN/CAT/No. 3092/2002 foi aprovado pelo Ministro da Fazenda nos seguintes termos: "Aprovo o Parecer PGFN/CAT/No. 3092/2002, da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, cuja conclusão é no sentido de que o crédito presumido, de que trata a Lei no. 9.363, de 1996, somente será concedido ao produtor/exportador que adquirir insumos de fornecedores que efetivamente pagarem as contribuições instituídas pelas Leis Complementares No. 7 e No. 8, de 1970 e No. 7, de 1991". (grifei) Ressalte-se, ainda, que se por um lado a finalidade da lei, ao instituir o crédito presumido do IPI, foi estimular a exportação, o que é louvável, entretanto por outro lado, certamente existe uma limitação ao gozo deste beneficio. Limites que a própria lei estabeleceu: não se pode incluir no custo acumulado dos insumos, no cálculo do crédito presumido, os valores relativos às aquisições de matérias-primas, adquiridas de pessoas fisicas, de sociedades cooperativas ou de qualquer outra pessoa jurídica que não seja contribuinte do PIS e da COFIN S. Por fim, para corroborar a tese de que as aquisições efetuadas de pessoas fisicas — não contribuintes das Contribuições - não dão direito a crédito presumido do IPI, transcrevo excertos do esclarecedor voto do então Conselheiro Marcos Vinicius Neder de Lima, proferido no Acórdão 202-12.551: 10 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 5/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por GILENO GURJA O BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo n° 13886.001240/2002-25 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302-00373 Fl. " O litígio ora em exame centra-se na interpretação do beneficio trazido pela Lei n° 9.363/96 no que tange às aquisições de insumos de pessoas físicas. O Fisco, a teor da Portaria MF no 129/95, exclui do cálculo do incentivo essas aquisições, enquanto a eminente Relatora entende que o ressarcimento, por ser presumido e estimado, alcança também as compras de insumos de não contribuintes dessas contribuições sociais. O incentivo em questão constitui-se num crédito fiscal concedido pela Fazenda Nacional em função do valor das aquisições de insuntos aplicados em produtos exportados. Tem origem na carga tributária que onera os produtos exportados e tem por finalidade permitir maior competitividade desses produtos no mercado externo. Trata-se, portanto, de norma de natureza incentivadora, em que a pessoa tributante renuncia a parcela de sua arrecadação tributária em favor de contribuintes que a ordem jurídica considera conveniente estimular. A exegese deste preceito, a luz dos princípios que norteiam as concessões de benefícios fiscais, ha de ser estrita, para que não se estenda a exoneração fiscal a casos semelhantes. Neste diapasão, caso não haja previsão na norma compulsória para determinada situação divergente da regra geral, deve-se interpretar como se o legislador não tivesse tido o intento de autorizar a concessão do beneficio nessa hipótese. No dizer do mestre Carlos Maximilian° : "o rigor é maior em se tratando de dispositivo excepcional, de isenções ou abrandamentos de ônus em proveito de indivíduos ou corporações. Não se presume o intuito de abrir mã° de direitos inerentes et autoridade suprema. A outorga deve ser feita em termos claros, irretorquiveis; ficar provada até a evidência, e se não estender além das hipóteses figuradas no texto; jamais será inferida de fatos que não indiquem irresistivelmente a existência da concessão ou de um contrato que a envolva". A fruição deste incentivo fiscal deve, destarte, ser analisada nos estritos termos do art. 1° da MP n° 948/95, posteriormente convertida na Lei no 9.363/96. Ou seja, as aquisições de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem devem ser feitas no mercado interno, utilizadas no processo produtivo e o beneficiário deve ser, simultaneamente, produtor e exportador. Vejamos o que disse o referido artigo: "Art. 1° - O produtor exportador de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares números 7, de 7 de setembro de 1970; 8, de 3 de dezembro de 1970; e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para a utilização no processo produtivo." Verifica-se que o legislador estabeleceu nesse dispositivo que o incentivo fiscal deve ser concedido como ressarcimento da Contribuição ao PIS e da COFINS. A empresa paga o tributo embutido no prep de aquisição do insumo e recebe, posteriormente, a restituição da quantia desembolsada, mediante compensação do 11 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 5/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por GILENO GURJA O BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA crédito presumido e, na impossibilidade desta, na forma de ressarcimento em espécie. Ao compensar o contribuinte, na forma de crédito presumido, com a devolução do montante de tributo pago, o incentivo visa justamente anular os efeitos da tributação incidente nas etapas precedentes. As pequenas diferenças, para mais ou para menos, porventura existentes nesse processo, se compensam mutuamente dentro de um contexto mais abrangente. Não sendo relevante, sob o ponto de vista econômico, que o crédito concedido não corresponda exatamente aos valores pagos de tributo na aquisição da mercadoria. Esse tratamento, ands, tem sido muito empregado pelo legislador na concessão de incentivos. A Administração Pública, para facilitar os mecanismos de execução e controle, vem realizando os ressarcimentos dos créditos por valores estimados (v.g. a regra geral de apuração proporcional de créditos prevista na Instrução Normativa n° 114/88). Esclareça-se, por oportuno, que o crédito presumido não pode ter a natureza de subvenção econômica para incremento de exportações, como defende a ilustre Relatora. Segundo De Plácido e Silva, a subvenção, juridicamente, não tem o caráter de compensação. Sabidamente, o crédito presumido é uma forma de compensação pelos tributos pagos na etapa anterior, tanto que a própria lei o tratou como ressarcimento de contribuições. Feita essa breve introdução, verifica-se que o artigo 10 restringe o beneficio ao "ressarcimento de contribuições ... incidentes nas respectivas aquisições". Em que pese a impropriedade na redação da norma, eis que não há incidência sobre aquisições de mercadorias na legislação que rege as contribuições sociais, a melhor exegese é no sentido de que a lei tem de ser referida à incidência de COFINS e de PIS sobre as operações mercantis que compõem o faturamento da empresa fornecedora. Ou seja, a locução "incidentes sobre as respectivas aquisições" exprime a incidência sobre as operações de vendas faturadas pelo fornecedor para a empresa produtora e exportadora. Nesse caso, se as vendas de insumos efetuadas pelo fornecedor para a interessada não sofreram a incidência de contribuição, não há como haver o ressarcimento previsto na norma. Se em alguma etapa anterior houve o pagamento de Contribuição ao PIS e de COFINS, o ressarcimento, tal como foi concebido, não alcança esse pagamento especifico. Estar-se-ia concedendo o ressarcimento de contribuições "incidentes" sobre aquisições de terceiros que compõem a cadeia comercial do produto e não das respectivas aquisições do produtor e exportador previstas no artigo 1°. 0 contra-senso aparente dessa afirmação, se cotejada com a finalidade do incentivo de desonerar o valor dos produtos exportados de tributos sobre ele incidentes, resolve-se em função da opção do legislador pela facilidade de controle e praticidade do incentivo. Sabidamente, instituir uma sistemática que permitisse o crédito de todo o valor dos tributos, que, direta ou indiretamente, houvesse onerado o produto exportado, tarefa complexa e de muito dificil controle. Basta lembrar as inúmeras imposições tributárias que incidem sobre o valor dos serviços contratados e sobre a aquisição de equipamentos necessários ao processo industrial, além das diversas taxas a título de contraprestação de serviços cobrados pelos entes da Federação que, 12 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 5/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por GILENO GURJA O BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo n° 13886.001240/2002-25 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302-00.373 Fl. 7 somadas aquelas incidentes sobre folha de pagamento, oneram expressivamente a empresa industrial. O escopo da lei, partindo de tais premissas, foi o de instituir, a titulo de estimulo fiscal, um incentivo consubstanciado num crédito presumido calculado sobre o valor das notas fiscais de aquisição de insumos de contribuintes sujeitos its referidas contribuições sociais. É certo que esse crédito não tem por objetivo ressarcir todos os tributos que incidem na cadeia de produção da mercadoria, até por impossibilidade prática. Todavia, chega a desonerar o contribuinte da parcela mais significativa da carga tributária incidente sobre o produto exportado. A op cão do legislador por essa determinada sistemática de apuração do incentivo às exportações decorre da contraposição de dois valores igualmente relevantes. O primeiro cuida da obtenção do bem-estar social e/ou desenvolvimento nacional através do cumprimento das metas econômicas de exportação fixadas pelo Estado. O outro decorre da necessidade de coibir desvios de recursos públicos e de garantir a efetiva aplicação dos incentivos na finalidade perseguida pela regra de Direito. 0 Estado tem de dispor de meios de verificação que evitem a utilização do beneficio fiscal apenas para fugir ao pagamento do tributo devido. Dai o legislador buscou atingir tais objetivos de política econômica, seen inviabilizar o indispensável exame da legitimidade dos créditos pela Fazenda. Ocorre que, para pessoa fisica, não há obrigatoriedade de manter escrituração fiscal, nem de registrar suas operações mercantis em livros fiscais ou de emitir os documentos fiscais respectivos. A comprovação das operações envolvendo a compra de produtos, nessas condições, é de difícil realização. Assim, a exclusão dessas aquisições no cômputo do incentivo tem por finalidade tornar factível o controle do incentivo. Nesse sentido, a Lei n° 9.363/96 dispõe, em seu artigo 3 0, que a apuração da Receita Bruta, da Receita de Exportação e do valor das aquisições de insumos será efetuada nos termos das normas que regem a incidência do PIS e da COFINS, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor/exportador. A vincula ção da apuração do montante das aquisições às normas de regência das contribuições e ao valor da nota fiscal do fornecedor confirma o entendimento de que somente as aquisições de insumos, que sofreram a incidência direta das contribuições, é que devem ser consideradas. A negação dessa premissa tornaria supérflua tal disposição legal, contrariando o principio elementar do direito, segundo o qual não existem palavras inúteis na lei. Reforça tal entendimento o fato de o artigo 50 da Lei no 9.363/96 prever o imediato estorno da parcela do incentivo a que faz jus o produtor/exportador, quando houver restituição ou compensação da Contribuição para o PIS e da COFINS pagas pelo fornecedor na etapa anterior. Ou seja, o legislador prevê o estorno da parcela de incentivo que corresponda às aquisições de fornecedor, no caso de restituição ou de compensação dos referidos tributos. 13 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 5/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por GILENO GURJA O BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Ora, se há imposição legal para estornar a correspondente parcela de incentivo, na hipótese em que a contribuição foi paga pelo fornecedor e restituida a seguir, resta claro que o legislador optou por condicionar o incentivo a existência de tributação na última etapa. Pensar de outra forma levaria ao seguinte tratamento desigual: o legislador consideraria no incentivo o valor dos insumos adquiridos de fornecedor que não pagou a contribuição e negaria o mesmo incentivo quando houve o pagamento da contribuição e a posterior restituição. As duas situações são em tudo semelhantes, mas na primeira haveria o direito ao incentivo sem que houvesse ônus do pagamento da contribuição e na outra não. 0 que se constata é que o legislador foi judicioso ao elaborar a norma que deu origem ao incentivo, definindo sua natureza jurídica, os beneficiários, a forma de calculo a ser empregada, os percentuais e a base de cálculo, não havendo razão para o intérprete supor que a lei disse menos do que queria e crie, em conseqüência, exceções it regra geral, alargando a exoneração fiscal para hipóteses não previstas. Do exposto, conclui-se que, mesmo que se admita que o ressarcimento vise desonerar os insumos de incidências anteriores, a lei, ao estabelecer a maneira de se operacionalizar o incentivo, excluiu do total de aquisições aquelas que não sofreram incidência na última etapa. No caso em tela, a ora recorrente considerou no cálculo do incentivo as aquisições de insumos de pessoas físicas não sujeitas ao recolhimento de COFINS e de PIS. Assim, não sendo contribuintes das referidas contribuições , não há o que ressarcir ao adquirente, como ficou largamente demonstrado".. A vista do exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, também quanto ao pedido de ressarcimento complementar de crédito presumido do IPI em relação aos valores referentes as aquisições efetuadas de pessoas físicas. como voto. Luis Eduardo G. Barbieri 14 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 5/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por GILENO GURJA O BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 13053.000308/2007-66
Data da sessão: Thu Feb 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
AGROINDÚSTRIA. AQUISIÇÕES DE INSUMOS. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO.
Nos termos da legislação de regência, as pessoas jurídicas que produzirem mercadorias de origem vegetal ou animal destinadas à alimentação humana ou animal, podem descontar como créditos as aquisições de insumos, considerados os percentuais de acordo com a natureza dos insumos adquiridos (art. 8o, §3o, da Lei nº 10.925/2004), e que variam de acordo com a espécie dos insumos adquiridos.
AGROINDÚSTRIA. CRIAÇÃO DE ANIMAIS PELO SISTEMA DE PARCERIA (INTEGRAÇÃO).
A pessoa jurídica que se dedica ao abate e beneficiamento de animais poderá, observados os demais requisitos legais, creditar-se de PIS relativamente à ração e outros insumos efetivamente utilizados na criação por meio de sistema de integração, em que, mediante contrato de parceria, o parceiro da pessoa jurídica (produtor rural integrado) encarrega-se, dentre outras atribuições, da criação dos animais que lhes foram entregues, a ele tocando parte da quantidade produzida. Nesse caso, o valor do crédito a que faz jus a pessoa jurídica será proporcional à parcela da produção que efetivamente lhe couber.
Numero da decisão: 3102-000.896
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso para reconhecer os créditos decorrentes da aquisição de insumos aplicados em produtos beneficiados no âmbito de contrato de parceria, por meio do qual o bem beneficiado pela parceira retorna ao processo produtivo da Recorrente.
Nome do relator: Luciano Pontes de Maya Gomes
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201102
ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 AGROINDÚSTRIA. AQUISIÇÕES DE INSUMOS. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. Nos termos da legislação de regência, as pessoas jurídicas que produzirem mercadorias de origem vegetal ou animal destinadas à alimentação humana ou animal, podem descontar como créditos as aquisições de insumos, considerados os percentuais de acordo com a natureza dos insumos adquiridos (art. 8o, §3o, da Lei nº 10.925/2004), e que variam de acordo com a espécie dos insumos adquiridos. AGROINDÚSTRIA. CRIAÇÃO DE ANIMAIS PELO SISTEMA DE PARCERIA (INTEGRAÇÃO). A pessoa jurídica que se dedica ao abate e beneficiamento de animais poderá, observados os demais requisitos legais, creditar-se de PIS relativamente à ração e outros insumos efetivamente utilizados na criação por meio de sistema de integração, em que, mediante contrato de parceria, o parceiro da pessoa jurídica (produtor rural integrado) encarrega-se, dentre outras atribuições, da criação dos animais que lhes foram entregues, a ele tocando parte da quantidade produzida. Nesse caso, o valor do crédito a que faz jus a pessoa jurídica será proporcional à parcela da produção que efetivamente lhe couber.
numero_processo_s : 13053.000308/2007-66
conteudo_id_s : 5509500
dt_registro_atualizacao_tdt : Sun Apr 19 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 3102-000.896
nome_arquivo_s : Decisao_13053000308200766.pdf
nome_relator_s : Luciano Pontes de Maya Gomes
nome_arquivo_pdf_s : 13053000308200766_5509500.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso para reconhecer os créditos decorrentes da aquisição de insumos aplicados em produtos beneficiados no âmbito de contrato de parceria, por meio do qual o bem beneficiado pela parceira retorna ao processo produtivo da Recorrente.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 03 00:00:00 UTC 2011
id : 6097908
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:13:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076608041582592
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2283; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 579 1 578 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13053.000308/200766 Recurso nº 513.360 Voluntário Acórdão nº 310200.896 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 03 de fevereiro de 2011 Matéria PIS/PASEP Ressarcimento Recorrente DOUX FRANGOSUL S/A AGRO AVÍCOLA INDÚSTRIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 AGROINDÚSTRIA. AQUISIÇÕES DE INSUMOS. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. Nos termos da legislação de regência, as pessoas jurídicas que produzirem mercadorias de origem vegetal ou animal destinadas à alimentação humana ou animal, podem descontar como créditos as aquisições de insumos, considerados os percentuais de acordo com a natureza dos insumos adquiridos (art. 8o, §3o, da Lei nº 10.925/2004), e que variam de acordo com a espécie dos insumos adquiridos. AGROINDÚSTRIA. CRIAÇÃO DE ANIMAIS PELO SISTEMA DE PARCERIA (INTEGRAÇÃO). A pessoa jurídica que se dedica ao abate e beneficiamento de animais poderá, observados os demais requisitos legais, creditarse de PIS relativamente à ração e outros insumos efetivamente utilizados na criação por meio de sistema de integração, em que, mediante contrato de parceria, o parceiro da pessoa jurídica (produtor rural integrado) encarregase, dentre outras atribuições, da criação dos animais que lhes foram entregues, a ele tocando parte da quantidade produzida. Nesse caso, o valor do crédito a que faz jus a pessoa jurídica será proporcional à parcela da produção que efetivamente lhe couber. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso para reconhecer os créditos decorrentes da aquisição de insumos aplicados em produtos beneficiados no âmbito de contrato de parceria, por meio do qual o bem beneficiado pela parceira retorna ao processo produtivo da Recorrente. Fl. 604DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 07 /07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 2 LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Presidente. LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Beatriz Veríssimo de Sena, José Fernandes do Nascimento, Luciano Pontes de Maya Gomes, Ricardo Rosa e Nanci Gama. Relatório Tratase de Recurso Voluntário que chega para exame deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF em razão da insurgência do contribuinte epigrafado ao Acórdão nº. 1810.862 (fls. 543556), da 2ª. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Santa Maria/RS. Em instante prévio à apreciação da manifestação recursal, convém que sejam revisitados os atos e fases processuais já vencidas. Pois bem. Conforme bem descrito no relato empreendido pela autoridade julgadora de origem: “Trata o presente processo de verificação e controle de PER/DCOMP transmitido eletronicamente em 07/11/2007, relativo ao terceiro trimestre de 2007, contendo pedido de ressarcimento de valores de PIS nãocumulativo (exportação), conforme fls. 01/05. Ao processo foram anexados, ainda, demonstrativos de valores, DACONs referentes ao trimestre em questão e documento de procuração (fls. 06/69). Posteriormente a contribuinte transmitiu PER/DCOMP retificador em 19/11/2007 (fls. 73/77) e apresentou os documentos de fls. 78/141 (demonstrativos de valores, DACONs referentes ao trimestre em questão e documento de procuração). A Fiscalização da DRF de origem juntou documentos fiscais, tendo diligenciado no sentido da confirmação do direito ao ressarcimento pleiteado e elaborado o Relatório de Ação Fiscal de fls. 225/234, acompanhado das planilhas de fls. 235/243 donde, no que interessa diretamente a este julgado, se pode extrair: No curso da ação fiscal detectamos irregularidades no cálculo dos valores a serem ressarcidos. As divergências entre o cálculo Fl. 605DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 07 /07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 13053.000308/200766 Acórdão n.º 310200.896 S3C1T2 Fl. 580 3 apresentado pelo contribuinte e o cálculo feito pela fiscalização centramse em quatro itens: a)falta de ajustes negativos de débito (item 2); b)créditos referentes ao crédito presumido (item 3); c)base de cálculo da contribuição (item 4) d)duplicidade de solicitação de créditos de períodos anteriores (item 5.2); e)impedimento legal ao aproveitamento de créditos de períodos anteriores (item 5.3). (fl. 225) A Frangosul então calcula em excesso o seu crédito presumido uma vez que coloca a alíquota máxima de 60% para todos os insumos adquiridos enquanto deveria usar as três alíquotas, dependendo da natureza do insumo adquirido. (fl. 226) Utilizando os dados das notas fiscais em meio magnético entregues pela empresa, observase que 10% do valor dos animais recebidos dos criadores integrados referemse a vendas, ou seja, em média, 90% dos animais criados pertencem a Frangosul e 10% pertencem aos criadores integrados (.). (.) se analisarmos atentamente o texto do inciso 11 do Art. 3° da Lei n°10.637, de 2002, e da Lei n°10.833, de 2003 observamos que estes dispositivos autorizam a apuração de créditos em relação a bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Está claro, nesse comando diante de seu contexto, que a produção há de pertencer à pessoa jurídica que apura o crédito e que essa produção há de destinarse à venda, a ser por ela realizada. Ora, a parcela das aves que cabe ao produtor integrado não constitui produção da pessoa jurídica tampouco é destinada à venda pela pessoa jurídica (é irrelevante, nesse aspecto a eventual prática de a processadora de frangos adquirir essa parcela do produtor rural). Assim, não se pode admitir que a pessoa jurídica calcule créditos sobre a totalidade da ração e outros insumos empregados na criação dos frangos. Como conseqüência lógica do explanando no parágrafo anterior, o valor dos créditos a que ela faz jus há de ser proporcional ao quinhão da produção que efetivamente lhe toca. (fl. 227) À fl. 245 está anexado o Despacho Decisório DRF/SCS n° 189, de 10/09/2008, onde o Sr. Delegado da Receita Federal do Brasil em Santa Cruz do Sul (RS), considerando o Relatório produzido pela Fiscalização, que aprovou, resolveu: a) reconhecer parcialmente o direito creditório da empresa frente à Fazenda Pública da União, referente ao PIS 3° trimestre de 2007, no montante de R$ 2.460.548,30; Fl. 606DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 07 /07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 4 b) homologar as compensações dos débitos informados nas Declarações de Compensação analisadas no presente processo, até o limite do crédito reconhecido. Após delimitar a matéria impugnada, a 2a. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Santa Maria/RS, através do acórdão já referenciado, manteve a linha do Despacho Decisório DRF/SCS n º 189, de 10/09/2008, o que se colhe da ementa clara e precisa do julgado guerreado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 ATOS ADMINISTRATIVOS. EXISTÊNCIA DE ILEGALIDADES. A apreciação de ilegalidade de leis, normas ou atos administrativos está deferida ao Poder Judiciário, por força do próprio texto constitucional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 AGROINDÚSTRIA. AQUISIÇÕES DE INSUMOS. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. Nos termos da legislação de regência, as pessoas jurídicas que produzirem mercadorias de origem vegetal ou animal destinadas à alimentação humana ou animal, podem descontar como créditos as aquisições de insumos, considerados os percentuais de acordo com a natureza dos insumos adquiridos. AGROINDÚSTRIA. CRIAÇÃO DE ANIMAIS PELO SISTEMA DE PARCERIA (INTEGRAÇÃO). A pessoa jurídica que se dedica ao abate e beneficiamento de animais poderá, observados os demais requisitos legais, creditarse de PIS relativamente à ração e outros insumos efetivamente utilizados na criação por meio de sistema de integração, em que, mediante contrato de parceria, o parceiro da pessoa jurídica (produtor rural integrado) encarregase, dentre outras atribuições, da criação dos animais que lhes foram entregues, a ele tocando parte da quantidade produzida. Nesse caso, o valor do crédito a que faz jus a pessoa jurídica será proporcional à parcela da produção que efetivamente lhe couber. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIAS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. A partir de 1° de agosto de 2004, os créditos presumidos da agroindústria somente podem ser aproveitados como dedução da própria contribuição devida em cada período de apuração, não existindo previsão legal para que se efetue o seu ressarcimento. Solicitação Indeferida. Fl. 607DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 07 /07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 13053.000308/200766 Acórdão n.º 310200.896 S3C1T2 Fl. 581 5 Regularmente intimado, o contribuinte manejou o Recurso Voluntário em análise, pelo qual basicamente reitera os argumentos já deduzidos em sua manifestação de inconformidade, continuando sua defesa quanto: (i) a legitimidade na utilização da alíquota de 60% (sessenta por cento) de que versa o inciso I, do §3o do art. 8o, da Lei n º 10.925/2004, vez que o legislador teria tomado como premissa para a aplicação de cada uma das alíquotas estipuladas o produto fabricado/produzido pelo beneficiário do crédito presumido; e, (ii) a possibilidade de tomar créditos sobre o custo com ração animal, por si suportado, ainda quando o produto final seja produzido por terceiro em regime de parceria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES Verificado o preenchimento dos pressupostos de admissibilidade recursal, dele tomo conhecimento. Ainda antes de se dar início à apreciação do recurso em si, é conveniente esclarecer que, inexistindo nesta instância qualquer insurgência pelo contribuinte quanto à parte do julgado a quo em que fora negado o ressarcimento do saldo remanescente dos créditos presumidos de que trata o art. 8o da Lei nº 10.925/2004, tenho esta matéria por não impugnada, de modo que ficam mantidas as conclusões da DRJ de Santa Maria/RS que negou tal pleito na esteira dos artigos 5o, 8o, §3o, inciso II e II da IN SRF n° 660, de 2006. Assim, o exame que deverá ser ora procedido dirá respeito, então, à (in)correção quanto à aplicação dos percentuais progressivos versados em forma progressiva nos incisos do §3o, do art. 8o, da Lei n º 10.925/2004, assim como em relação à possibilidade de tomar créditos oriundos da sistemática não cumulativa do PIS/PASEP nas aquisições de insumos a serem aplicados em relação de parceria. No que remonta ao primeiro ponto, devese observar que foi a Lei n° 10.637, de 2002, que inseriu o PIS dentro do regime de apuração nãocumulativa. Foi entretanto, a Lei n º 10.925, de 2004, por seu art. 8o, que em forma de crédito presumido assegurou o aproveitamento de créditos sobre as aquisições, efetuadas à pessoas físicas ou cooperados pessoa física, de insumos aplicados na produção de mercadorias de origem animal ou vegetal (nela especificadas) destinados a alimentação humana ou animal. O §3o do aludido dispositivo, é quem define a forma de apuração do crédito em questão. Atentese para a sua redação: Art. 8° As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, Fl. 608DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 07 /07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 6 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3° das Leis n's 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei n°11.051, de 2004) § 1° O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (Redação dada pela Lei n°11.196, de 21/11/2005); II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. (Redação dada pela Lei n°11.051, de 2004). § 2° O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1° deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4° do art. 3° das Leis es 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3° O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1° deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2° das Leis n's 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e II 50% (cinqüenta por cento) daquela prevista no art. 2° das Leis n's 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI; e III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2° das Leis ns 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. Na realidade, o objeto da lide, no caso, se a aplicação das alíquotas acima destacadas estariam vinculadas ao bem produzido pelo beneficiário do crédito presumido ou ao insumo adquirido para a produção do mesmo bem, não se resolve à partir de uma interpretação literal do texto legal. Aliás, são manifestadamente retóricos as considerações de ambas as Fl. 609DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 07 /07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 13053.000308/200766 Acórdão n.º 310200.896 S3C1T2 Fl. 582 7 partes quando enaltecem a clareza do texto, de indiscutível obscuridade no que tange ao critério para a definição da alíquota a ser aplicada. A solução à questão, distante da literalidade do texto legislativo, está em sua teleologia do dispositivo ou na mens legis. Pois bem. A legislação em questão procedeu forte discussão travada logo após a instituição do regime não cumulativo para o PIS e para a COFINS, especificamente sobre a possibilidade da tomada de créditos nas aquisições efetuadas à pessoa física. Os reclames partiam principalmente do setor agropecuário, aonde estão reunidos os maiores produtores de mercadorias para consumo humano ou animal. Aliás, cujos negócios possuíam e possuem como característica marcante a aquisição de insumos de produtores rurais pessoas físicas. Como argumento mais substancial, defendiase exatamente que embora as pessoas físicas não fossem contribuintes do PIS e da COFINS, na produção dos bens por estes negociados eram indiscutivelmente utilizados insumos tributados pelas aludidas contribuições. A graduação constante dos incisos do citado §3o do art. 8o da Lei n º 10.925/2004, então, entendemos nós, adota como referência o insumo adquirido pelo beneficiário, não o produto por este produzido, como quer fazer crer a recorrente. E isto por uma lógica simples: O crédito que se pretende assegurar de forma presumida é aquele decorrente dos insumos onerados pelo PIS e pela COFINS e suportados pelo produtor pessoa física, não contribuinte destas contribuições. Assim, as alíquotas decrescentes são inversamente proporcionais ao custo de produção dos produtos (insumos) de que farão uso o beneficiário do crédito presumido para a sua produção industrial. Por estas razões, entendemos que agiu com acerto a instância a quo ao manter a glosa sobre os créditos tomados com base na alíquota máxima do §3o, do art. 8o, da Lei n º 10.925/2004. No que remete ao segundo ponto da manifestação recursal, relacionado à possibilidade da pessoa jurídica tomar créditos, na forma do art. 3o, inciso II, da Lei n º 10.833/2003, sobre insumos por ela fornecidos a parceiro para a produção de bens, mediante contraprestação, em favor daquela primeira. Para a correta aplicação da norma jurídica contida no art. 3o acima citado, convém inicialmente conhecermos em detalhes a operação de remessa de insumos a terceiro parceiro. Pois bem. Conforme se infere dos autos, a recorrente processa/industrializa frango, iniciando seu processo produtivo com a criação das aves. Por razões que não interessa ao deslinde da lide, terceiriza parte da criação dos animais a parceiros, fornecendo a estes insumos (ração). Tais animais, por seu turno, retornam à recorrente e são reinseridos no seu processo produtivo, de modo a que entendemos que a melhor exegese do art. 3o, inciso II, da Lei n º 10.833/2003, é a que permite ao recorrente a apuração de créditos decorrentes da sistemática não cumulativa do PIS: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) Fl. 610DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 07 /07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 8 (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; Ante ao exposto, voto no sentido de conhecer do presente recurso voluntário para darlhe parcial provimento, apenas para reconhecer o direito à apuração de créditos pela sistemática não cumulativa do PIS sobre os insumos aplicados pela recorrente em relação de parceria, na qual o bem produzido pela parceira retorne ao processo produtivo daquela. Deve, no entanto, a autoridade de origem observar as limitações ao reconhecimento dos créditos quando estes tenham sido solicitados mediante pedido de ressarcimento fora do período de apuração da contribuição. Sala de Sessões, em 03 de fevereiro de 2011. LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES Relator Fl. 611DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 07 /07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 13411.000674/2004-56
Data da sessão: Thu Sep 02 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Fri Jul 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002
DIFERENÇAS ENTRE OS VALORES DO TRIBUTO INSERTOS NA ESCRITA MERCANTIL E AQUELES CONFESSADOS EM DCTF E/OU PAGOS.
Pertine o lançamento afeto às diferenças, a maior, resultantes do confronto entre os valores do tributo registrados na escrituração mercantil ou fiscal e aqueles efetivamente declarados (confessados) na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) ou efetivamente pagos.
ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA.
A multa isolada é inaplicável quando se constata que o valor do tributo devido no encerramento do exercício é inferior ao calculado por estimativas.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Lançamento efetuado em 08/09/2004, afeto aos meses de janeiro a setembro de 1999, não atrai o fenômeno decadencial.
Numero da decisão: 1102-000.315
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para afastar a multa isolada, vencidos o Relator e o Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Silvana Rescigno Barretto. Declarou-se impedida a Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro. Presidiu o julgamento o Conselheiro João Carlos de Lima Júnior (Vice- Presidente).
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Redator ad hoc designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente Original da Turma), João Carlos de Lima Júnior, João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto (Redatora Original), José Sérgio Gomes (Relator) e Frederico de Moura Theophilo.
Nome do relator: Re
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201009
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002 DIFERENÇAS ENTRE OS VALORES DO TRIBUTO INSERTOS NA ESCRITA MERCANTIL E AQUELES CONFESSADOS EM DCTF E/OU PAGOS. Pertine o lançamento afeto às diferenças, a maior, resultantes do confronto entre os valores do tributo registrados na escrituração mercantil ou fiscal e aqueles efetivamente declarados (confessados) na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) ou efetivamente pagos. ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. A multa isolada é inaplicável quando se constata que o valor do tributo devido no encerramento do exercício é inferior ao calculado por estimativas. Recurso Voluntário Provido em Parte Lançamento efetuado em 08/09/2004, afeto aos meses de janeiro a setembro de 1999, não atrai o fenômeno decadencial.
dt_publicacao_tdt : Fri Jul 10 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 13411.000674/2004-56
anomes_publicacao_s : 201507
conteudo_id_s : 5483601
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 10 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1102-000.315
nome_arquivo_s : Decisao_13411000674200456.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : Re
nome_arquivo_pdf_s : 13411000674200456_5483601.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para afastar a multa isolada, vencidos o Relator e o Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Silvana Rescigno Barretto. Declarou-se impedida a Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro. Presidiu o julgamento o Conselheiro João Carlos de Lima Júnior (Vice- Presidente). Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé - Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio - Redator ad hoc designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente Original da Turma), João Carlos de Lima Júnior, João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto (Redatora Original), José Sérgio Gomes (Relator) e Frederico de Moura Theophilo.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 02 00:00:00 UTC 2010
id : 6028632
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:13:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076608048922624
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2436; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T2 Fl. 772 1 771 S1C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13411.000674/200456 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1102000.315 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 02 de setembro de 2010 Matéria CSLL Recorrente SUPERGESSO S/A INDUSTRIA E COMERCIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002 CSLL APURADA PELO REGIME DO LUCRO REAL ANUAL. ANTECIPAÇÕES DO TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANO CALENDÁRIO. DECADÊNCIA DO DIREITO DO LANÇAMENTO SUPLEMENTAR OU DA REPETIÇÃO. Os recolhimentos mensais da CSLL calculados sobre a receita bruta auferida nesses períodos, as denominadas estimativas, não caracterizam pagamentos do imposto a ser apurado com o balanço patrimonial levantado no final do anocalendário, mas sim meras antecipações. A feição de pagamento, modalidade extintiva da obrigação tributária, só se exterioriza em 31 de dezembro, pois aí ocorrente o fato gerador da contribuição social sobre o lucro líquido da pessoa jurídica optante pelo regime de tributação anual e no qual o real valor do tributo se exterioriza, marco esse em que se inicia a contagem do prazo decadencial para o fisco exercer seu direito de constituir crédito tributário suplementar ou para o contribuinte exercer seu direito de repetição de valor eventualmente antecipado a maior que o devido, o denominado saldo negativo. Lançamento efetuado em 08/09/2004, afeto ao anocalendário de 1999, não atrai o fenômeno decadencial. MULTA ISOLADA. DECADÊNCIA O direito fiscal de lançar multa aplicada isoladamente decai em 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído, nos termos do art. 173, I, do CTN. Lançamento efetuado em 08/09/2004, afeto aos meses de janeiro a setembro de 1999, não atrai o fenômeno decadencial. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 41 1. 00 06 74 /2 00 4- 56 Fl. 772DF CARF MF Impresso em 10/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 08/07/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 13411.000674/200456 Acórdão n.º 1102000.315 S1C1T2 Fl. 773 2 DIFERENÇAS ENTRE OS VALORES DO TRIBUTO INSERTOS NA ESCRITA MERCANTIL E AQUELES CONFESSADOS EM DCTF E/OU PAGOS. Pertine o lançamento afeto às diferenças, a maior, resultantes do confronto entre os valores do tributo registrados na escrituração mercantil ou fiscal e aqueles efetivamente declarados (confessados) na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) ou efetivamente pagos. ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. A multa isolada é inaplicável quando se constata que o valor do tributo devido no encerramento do exercício é inferior ao calculado por estimativas. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para afastar a multa isolada, vencidos o Relator e o Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Silvana Rescigno Barretto. Declarouse impedida a Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro. Presidiu o julgamento o Conselheiro João Carlos de Lima Júnior (Vice Presidente). Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Redator ad hoc designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente Original da Turma), João Carlos de Lima Júnior, João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto (Redatora Original), José Sérgio Gomes (Relator) e Frederico de Moura Theophilo. Relatório Inicialmente, esclareço que fui designado redator ad hoc nos termos do Despacho de Designação datado de 29/05/2015 (fls. 771) e que o conteúdo do relatório e voto vencido a seguir exarados corresponde à minuta de acórdão que encontravase anexada a este processo na presente data. Fl. 773DF CARF MF Impresso em 10/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 08/07/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 13411.000674/200456 Acórdão n.º 1102000.315 S1C1T2 Fl. 774 3 "Em foco recurso voluntário visando a reforma da decisão da 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Belo Horizonte/MG que julgou procedente o lançamento efetuado em 08/09/2004 pela Delegacia da Receita Federal em Petrolina/PE com vistas a exigência de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) relativa aos anoscalendário de 1999, 2000 e 2001, acrescida de multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) e juros moratórios correspondentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC), como também, de multa isolada de 75% (setenta e cinco por cento), calculada sobre a receita bruta mensal dos períodos de agosto de 1999 a novembro de 2002 em razão da falta de recolhimento das estimativas. A ação fiscal imputa a existência de valores a título de provisão para contribuição social na Demonstração do Resultado do Exercício Social, transcrita no livro Diário, sem que tenha havido pagamentos correspondentes ou confissão na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Ainda, relata que nas Declarações de Informações EconômicoFiscais (DIPJs) a contribuinte optou pela tributação do lucro na forma do Lucro Real anual, apurando o tributo no final do anocalendário, porém, não efetuou qualquer recolhimento de estimativa com base nas receitas brutas mensais, razão pela qual aplicoulhe a multa isolada de que trata o artigo 957, inciso IV, do Regulamento do Imposto de Renda. Impugnando o lançamento a contribuinte alegou preliminar de decadência do direito fiscal de lançar as parcelas geradas até setembro de 1999 em razão de se tratar de tributos sujeitos ao regime de lançamento denominado “por homologação” previsto no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN). Quanto ao mérito, aduziu que deixou de recolher as estimativas porque houve prejuízos contábil e fiscal ao longo dos meses de janeiro a novembro dos anos de 1999 a 2002, consoante informado nas respectivas DIPJs e conforme atestam os balancetes apresentados à Fiscalização, bem assim, que o fato destes não se encontrarem transcritos no livro “Diário” não autoriza tornálos inservíveis como elemento da contabilidade e meio de prova, de forma que, na linha de jurisprudência do Conselho de Contribuintes, não procede a exigência de multa isolada. Por fim, asseverou que a multa fere o princípio da razoabilidade e ainda que não haveria justificativa legal para cobrança de juros à taxa do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC), além de indevida incidência sobre o débito acrescido de juros vencidos, ao invés de ser aplicada sobre o débito originário (anatocismo). Ao final, requereu perícia e a improcedência da denúncia fiscal. Aquela 2ª Turma de Julgamento admitiu a impugnação e refutou a preliminar de decadência ao entendimento de que a contagem do prazo na forma estatuída no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN) só se aplica se existirem pagamentos, condição essencial para aplicação do regime do lançamento conhecido “por homologação”, sendo que no caso nem mesmo valor declarado em DCTF existe, de forma que a norma de contagem é aquela prevista no artigo 173, I, desse diploma legal. Consignou, também, que independentemente da transcrição ou não dos balancetes mensais é entendimento da Administração, ancorada nos artigos 1.180 a 1.184 do Fl. 774DF CARF MF Impresso em 10/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 08/07/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 13411.000674/200456 Acórdão n.º 1102000.315 S1C1T2 Fl. 775 4 novo Código Civil, Parecer Normativo CST nº 97, de 1º de novembro de 1978 e Instrução Normativa SRF nº 93, de 1997, que a não escrituração do livro “Diário” até a data fixada para pagamento da contribuição do respectivo mês implicará a desconsideração do balanço ou balancete para efeito da suspensão ou redução, sendo que, no caso, os balancetes apresentados foram elaborados com base em livro escriturado e registrados muito tempo depois do prazo de recolhimento das estimativas, assim arrematando: Confirmam estes fatos as próprias DIPJ, apresentadas tempestivamente segundo informação do impugnante, e anexadas por cópia às fls. 297/523. De acordo com esses documentos, nas fichas correspondentes ao cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido mensal por estimativa, foi indicada a forma de tributação "Com Base na Receita Bruta e Acréscimos", tendo os campos correspondentes ficado "zerados". Ou seja, quando foram apresentadas as DIPJ 2000, 2001, 2002 e 2003, relativas aos anos calendário de 1999, 2000, 2001 e 2002, respectivamente, o contribuinte não dispunha dos resultados da apuração do lucro real levantados com base nos balancetes de forma a atestar a suspensão ou redução da contribuição devida em cada mês. Caso efetivamente o contribuinte tivesse à disposição os balancetes mensais como alega, bastaria efetuar o preenchimento das DIPJ "Com Base em Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução", retratando o resultado do mês, correspondente. O fato ora constatado, mais uma vez, depõe contra os argumentos da defesa.” Contudo, houve por reduzir a multa isolada a 50% (cinqüenta por cento), calculada sobre o valor das estimativas que deixaram de ser antecipadas, em razão do advento da nova redação do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996 trazida pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007 e em cumprimento ao princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, II, “c”, do CTN. Por fim, entendeu desnecessária a realização de perícia e que a multa isolada não é tributo e sim penalidade, de forma que não cabe cogitações de confisco, bem como, quanto os juros à taxa SELIC, que os mesmos são aplicados por expressa disposição legal, descabendo análises quanto a ilegalidade e/ou inconstitucionalidade das normas. Ciente do decisório em 20 de agosto de 2008, fl. 743, a contribuinte apresentou em 18 do mês seguinte o recurso de fls. 747/762 no qual reprisa os argumentos expendidos na peça impugnatória e requer, ao final, seu provimento. É o relatório, em apertada síntese." Voto Vencido Fl. 775DF CARF MF Impresso em 10/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 08/07/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 13411.000674/200456 Acórdão n.º 1102000.315 S1C1T2 Fl. 776 5 "Conselheiro JOSÉ SÉRGIO GOMES, Relator Observo a legitimidade processual e o aviamento do recurso no trintídio legal. Assim sendo, dele tomo conhecimento. I – Exigência de contribuição social A regra de apuração do IRPJ com base no lucro real, tomada por empréstimo pela legislação da CSLL (Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 28) se dá nos trimestres civis do ano calendário mediante o levantamento de balanços patrimoniais e elaboração de demonstrativos de resultados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro, consoante dispõe o artigo 220 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999. A apuração anual é uma alternativa dada pelos artigos 222 e 223 do RIR/99 que, para o seu exercício, requer pagamentos mensais calculados sobre base de cálculo estimada, isto é, determinados mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, sendo certo que em determinados tipos de atividade econômica dito percentual poderá ser de um inteiro e seis décimos por cento; dezesseis por cento ou trinta e dois por cento. Com base na receita, então, estimase o lucro, daí a denominação de pagamentos por estimativa. Exercida a opção, com o pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro ou do início de atividade, a pessoa jurídica somente poderá suspender ou reduzir os recolhimentos devidos em cada mês se demonstrar, através de balanços e balancetes mensais, que o valor acumulado já recolhido excede o valor do imposto, inclusive o adicional, calculado com base no lucro real do período em curso (RIR/99, art. 230). Acresçase que a opção, uma vez exercida, é de caráter irretratável (RIR/99, art. 232). Apurado o imposto devido no anocalendário, mediante o levantamento do balanço em 31 de dezembro, dele deduzse, entre outros elementos, as antecipações efetuadas. Acaso a somatória dessas quantias ultrapassar aquele valor estará exteriorizada a figura do saldo de imposto a ser restituído ou compensado (RIR, art. 231), também chamado de saldo negativo de IRPJ; inversamente, afigurase o saldo de imposto a pagar. Significa, pois, que o termo inicial de contagem de decadência se dá na data em que se afeiçoa o fato gerador, qual seja, em 31 de dezembro do anocalendário, da mesma forma que, em se tratando de repetição ou compensação do saldo negativo de IRPJ, igualmente a data de inicio do prazo (também) decadencial para a restituição se conta dessa mesma data. No caso dos autos não há divergência quanto ao fato de que a contribuinte optou pela sistemática de apuração do lucro real anual. A tese trazida nas razões recursais no sentido de que os lançamentos relativos às operações compreendidas entre os meses de janeiro a setembro de 1999 foram tacitamente Fl. 776DF CARF MF Impresso em 10/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 08/07/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 13411.000674/200456 Acórdão n.º 1102000.315 S1C1T2 Fl. 777 6 homologados em razão da ciência do ato administrativo ter se operado em setembro de 2004, em face do artigo 150, § 4º, do CTN não tem subsistência. É que o fato gerador do CSLL, do período mais remoto versado nestes autos, ocorreu em 31 de dezembro de 1999, enquanto o lançamento ultimouse em 08 de setembro de 2004, portanto, anteriormente aos cinco anos ditados pela norma em foco, de forma que não há cogitarse no fenômeno decadencial. No que toca à expressão dos juros de mora se darem pela taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (SELIC) a que alude o § 3º do artigo 61, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, regularmente vigente no ordenamento jurídico, observo que a matéria já se encontra sumulada por esta Corte, de sorte que não mais comporta discussões. Vejase: Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Quanto à alegação de que estariam sendo calculados de forma composta ou capitalizada (juros sobre base já adicionada de juros anteriores) creio equivocada a assertiva, já que o auto de infração faz expressa indicação da taxa acumulada aplicada, isto é, a somatória das taxas mensais correspondentes entre o mês do vencimento da obrigação e o mês anterior ao de sua lavratura. Noutras palavras: taxa mensalmente acumulada, assim entendida como soma aritmética (e não exponenciação), a par de expressa disposição encontrada na lei de regência, não implica capitalização. II – Exigência de multa isolada No que pertine a argüição de decadência do direto fiscal de lançar multas isoladas afetas aos períodos de janeiro a setembro de 1999 vejo que o fenômeno não se operou. Com efeito, neste caso a regra de regência não poderia seguir o disposto no § 4º do art. 150 do CTN (cinco anos contados do fato gerador) tendo em vista tratarse de aplicação de penalidade autônoma decorrente do descumprimento no recolhimento de antecipações obrigatórias, isto é, o ato administrativo não realiza constituição de tributo em substituição ao lançamento por homologação não realizado pela contribuinte. Como já alinhavado, o adimplemento da estimativa não constitui pagamento propriamente dito, já que o tributo só se exteriorizará como tal no final do período de apuração, em 31 de dezembro, de sorte que até lá consubstancia mero instrumento de validação de uma específica sistemática de tributação, a propósito, de livre opção do contribuinte. Se tributo fosse, ao Fisco seria lícito lançar dita exigência. Assim, revestida dessa natureza jurídica, adotase o entendimento que a regra de contagem do prazo decadencial é aquela definida no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, pois referida exação só pode nascer no mundo jurídico mediante lançamento de ofício. Fl. 777DF CARF MF Impresso em 10/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 08/07/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 13411.000674/200456 Acórdão n.º 1102000.315 S1C1T2 Fl. 778 7 Neste sentido, a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais: DECADÊNCIA – ESTIMATIVAS – MULTA ISOLADA Se a Fazenda Pública denegar a homologação ao pagamento realizado pelo contribuinte, o limite temporal para a realização do lançamento de ofício para cobrar o tributo é estabelecido pelo prazo de cinco anos previsto no art. 150. § 4º, do CTN, já que, findo esse prazo, é considerado extinto o crédito tributário. Contudo, não há falar em lançamento por homologação no caso de falta de recolhimento de estimativas. O valor pago a esse título não tem a natureza de tributo, eis que, juridicamente, o fato gerador do Imposto sobre a Renda e da CSLL só será tido por ocorrido ao final do período anual (31/12). A regra geral para contagem do prazo decadencial para constituição do crédito tributário, inclusive no caso de penalidades, está prevista no artigo 173 do CTN. Recurso especial provido. Acórdão CSRF/0105.653 Data da Sessão 27/03/2007 Relatora Ivete Malaquias Pessoa Monteiro. No caso sob apreciação o lançamento de ofício da multa isolada por falta de recolhimento das estimativas mensais devidas em janeiro a setembro de 1999 já poderia ter sido efetuado no próprio anocalendário de 1999, de sorte que o primeiro dia do exercício seguinte a que alude o artigo 173, I, do CTN, seria 01/01/2000 fixando, conseqüentemente, o termo final em 01/01/2005. Ultimado o ato administrativo em 08/09/2004 não há cogitar na decadência, já que efetivado dentro do prazo legal. Quanto a exigência em si tenhoa por inafastável, eis que decorrente de expressa previsão legal, qual seja, o art. 44, II, “b” (art. 44, § 1º, IV, na redação originária) da Lei nº 9.430 de 1996. Consoante estatui ditos dispositivos ela decorre, exclusivamente, do descumprimento da obrigação de se efetuar o recolhimento por estimativa nos prazos e condições estabelecidos na legislação tributária, independentemente do resultado anual (lucro ou prejuízo) apurado pelo sujeito passivo. A empresa livremente optou pela apuração do lucro real anual, isto é, ao invés de apurar balanços trimestrais e pagar o IRPJ e CSLL sobre o lucro destes períodos, consoante determinam os artigos 218 e 220 do RIR/99, preferiu deslocar a apuração para o regime anual, comprometendose, em contrapartida, a efetuar antecipações mensais em bases estimadas (RIR/99, art. 221 e seguintes). Exercida a opção, com o recolhimento da antecipação correspondente ao mês de janeiro ou do início de atividade, a pessoa jurídica somente poderia suspender ou reduzir os recolhimentos devidos em cada mês se demonstrasse, através de balanços e balancetes mensais, que o valor acumulado já recolhido excede o valor do imposto, inclusive o adicional, calculado com base no lucro real do período em curso, consoante art. 35 da Lei n.º 8.981, de 1995, matriz do artigo art. 230 do Regulamento do Imposto de Renda. E essa demonstração não se encontra, aliás, não há qualquer controvérsia quanto ao fato de que o livro “Diário” não possui balancetes transcritos. Fl. 778DF CARF MF Impresso em 10/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 08/07/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 13411.000674/200456 Acórdão n.º 1102000.315 S1C1T2 Fl. 779 8 Com a venia devida, ouso divergir da construção jurisprudencial colacionada pela Recorrente, pois tenho como primado que a opção de apuração anual do lucro, para fins do imposto de renda e contribuição social, requisita o cumprimento de todas as condições impostas pelo legislador, sob pena da regra geral de apuração trimestral tornarse letra morta. E mesmo que me filiasse à tese de que os balancetes apartados do livro “Diário” deveriam ser entendidos como meio de prova e em razão disso admitidos a favor da contribuinte firmo convicção que ainda assim não surtiriam esse efeito, pois elaborados em 30 de setembro de 2004 após, até mesmo, ao lançamento fiscal, e também porque enunciam, quando muito, a existência de prejuízos contábeis, não a figura de prejuízos fiscais, fls. 524/670, que poderiam ser demonstrados no livro “Lalur”, também não apresentado. Com tais razões VOTO pelo improvimento do recurso. José Sérgio Gomes" Voto Vencedor Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Redator ad hoc designado Conforme já esclarecido, fui designado redator ad hoc nos termos do Despacho de Designação datado de 29/05/2015 (fls. 771). Diante disso, o conteúdo do voto a seguir exarado não necessariamente corresponde a minha opinião pessoal, mas, sim, ao entendimento que se presume ter inspirado o Colegiado. Há algum tempo consolidase nesta Casa a jurisprudência que nega configuração de suporte fático suficiente à imputação da multa isolada sobre estimativas o simples fato de não ter o contribuinte transcrito no livro diário os balancetes de suspensão/redução. Na época deste julgamento, podia se citar, por exemplo, os seguintes acórdãos: MULTA ISOLADA A simples falta de transcrição dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução no Livro Diário não pode justificar a aplicação da multa isolada prevista no art. 44, § 1º, IV, da Lei n" 9.430/96, quando o sujeito passivo apresenta toda a escrita contábil e fiscal demonstrando que apurou prejuízos fiscais. (Acórdão n" 10194.401, de 16/10/2003) IRPI CSLL RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA MULTA ISOLADA A falta de transcrição dos balanços de redução/suspensão no Livro Diário, não se consubstancia em Fl. 779DF CARF MF Impresso em 10/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 08/07/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 13411.000674/200456 Acórdão n.º 1102000.315 S1C1T2 Fl. 780 9 fato gerador de imposto, caracterizando, tão somente, descumprimento de obrigação acessória, sendo incabível portanto, a aplicação da multa isolada prevista no artigo 44, § 1º, inciso IV, da Lei n" 9.430/96, quando o sujeito passivo apresenta a escrituração contábil e fiscal bem como os balanços/balancetes de suspensão ou redução das antecipações. (Acórdão n" 10195.977, de 26/01/2007) MULTA ISOLADA. BALANÇOS DE SUSPENSÃO/REDUÇÃO, FALTA DE TRANSCRIÇÃO DOS BALANÇOS NO LIVRO DIÁRIO. FORMALIDADE INADMISSIBILIDADE DA IMPUTAÇÃO. Inexiste suporte fático suficiente à imputação da penalidade em comento pelo simples fato de não ter o contribuinte transcrito no livro Diário os balancetes de suspensão/redução, mormente quando apresenta contabilidade ordenada e idônea que comprova o preenchimento dos requisitos materiais estabelecidos na legislação de regência para suspensão do recolhimento das estimativas mensais. (Acórdão n" 110300.277, de 04/08/2010) O mesmo se pode dizer sobre a aplicação dessa multa, após o respectivo exercício, quando se constata que o valor devido é inferior ao calculado por estimativa. Confirase: CSLL MULTA ISOLADA FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA BASE DE CÁLCULO NEGATIVA O artigo 44 da Lei nº 9.430/96 precisa que a multa de oficio deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo devido pelo contribuinte surge quando é o lucro apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade pelo não recolhimento de estimativa quando a empresa apura base de cálculo negativa em sua escrita fiscal ao final do exercício. (Acórdão CSRF nº 0105.179, de 14/03/2005) CSLL – MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA – TRIBUTO APURADO INFERIOR AO VALOR CALCULADO POR ESTIMATIVA. O artigo 44 da Lei nº 9.430/96 determina que a multa de ofício seja calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, grandeza que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. Na apuração do lucro real anual, o tributo devido pelo contribuinte só é conhecido ao final do período de apuração quando ocorre a Fl. 780DF CARF MF Impresso em 10/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 08/07/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 13411.000674/200456 Acórdão n.º 1102000.315 S1C1T2 Fl. 781 10 aquisição de renda pelo contribuinte fato gerador do Imposto sobre a Renda. Improcede a aplicação de penalidade pelo não recolhimento de estimativa quando o valor do cálculo estimado ultrapassa o tributo devido na escrita fiscal ao final do exercício. (Acórdão CSRF nº 0105.552, de 04/12/2006) Considerando que os valores devidos informados nas DIPJ (fls. 322, 354, 408 e 481) eram inferiores aos apurados por estimativa (fls. 36 a 38) materializouse a hipótese prevista no entendimento jurisprudencial acima reproduzido. Essas são as razões que presumo terem orientado o Colegiado no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para afastar a multa isolada aplicada. É o que se conclui sobre o voto da Redatora Original. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Fl. 781DF CARF MF Impresso em 10/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 08/07/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME
score : 1.0
