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Numero do processo: 10850.000806/2003-00
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002
REPRODUÇÃO DAS DECISÕES DEFINITIVAS DO STJ, NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C, DO CPC.
No julgamento dos recursos no âmbito do CARF devem ser reproduzidas pelos Conselheiros as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça na sistemática prevista pelo artigo 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, em conformidade com o que estabelece o art. 62-A do Regimento Interno.
CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. CORREÇÃO MONETÁRIA. SELIC. REsp 993.164
Segundo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, a aquisição de matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem de pessoas físicas e cooperativas integram a base de cálculo do crédito presumido do IPI previsto na Lei nº 9.363/96. Este precedente fixou, ainda, o entendimento de que é devida a incidência da taxa Selic no ressarcimento do IPI, quando há oposição ilegítima do Fisco.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-001.780
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
[assinado digitalmente]
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
[assinado digitalmente]
Andréa Medrado Darzé - Relatora.
Participaram ainda da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (presidente), José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martinez Lopez, Paulo Guilherme Déroulède e Antônio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 REPRODUÇÃO DAS DECISÕES DEFINITIVAS DO STJ, NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C, DO CPC. No julgamento dos recursos no âmbito do CARF devem ser reproduzidas pelos Conselheiros as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça na sistemática prevista pelo artigo 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, em conformidade com o que estabelece o art. 62-A do Regimento Interno. CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. CORREÇÃO MONETÁRIA. SELIC. REsp 993.164 Segundo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, a aquisição de matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem de pessoas físicas e cooperativas integram a base de cálculo do crédito presumido do IPI previsto na Lei nº 9.363/96. Este precedente fixou, ainda, o entendimento de que é devida a incidência da taxa Selic no ressarcimento do IPI, quando há oposição ilegítima do Fisco. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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No julgamento dos recursos no âmbito do CARF devem ser reproduzidas pelos Conselheiros as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça na sistemática prevista pelo artigo 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, em conformidade com o que estabelece o art. 62A do Regimento Interno. CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. CORREÇÃO MONETÁRIA. SELIC. REsp 993.164 Segundo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, a aquisição de matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem de pessoas físicas e cooperativas integram a base de cálculo do crédito presumido do IPI previsto na Lei nº 9.363/96. Este precedente fixou, ainda, o entendimento de que é devida a incidência da taxa Selic no ressarcimento do IPI, quando há oposição ilegítima do Fisco. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. [assinado digitalmente] Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 00 08 06 /2 00 3- 00 Fl. 301DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram ainda da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (presidente), José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martinez Lopez, Paulo Guilherme Déroulède e Antônio Lisboa Cardoso. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ em Ribeirão Preto que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, por entender que as aquisições de não teria sido observado o prazo decadência de cinco anos contados da data do pagamento indevido. A ora recorrente apresentou pedido de ressarcimento de crédito presumido do IPI, relativo ao terceiro trimestre de 2002, com base na Portaria n° 38/97. A DRF de São José do Rio Preto indeferiu parcialmente o pleito, por entender que as compras de mercadorias de pessoas físicas não dão direito ao crédito presumido do imposto. Cientificada do despacho decisório, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade, alegando, em estreita síntese, que é ilegal restringir, mediante atos administrativos, o que a Lei não restringiu, como é o caso das aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas, bem como de mercadorias efetivamente empregadas no processo produtivo. Acrescentou que a jurisprudência administrativa também reconhece o direito à atualização dos valores pleiteados. Por fim, solicitou perícia para demonstrar que o crédito pleiteado está baseado em aquisições imprescindíveis ao fluxo do processo industrial A DRJ de Ribeirão Preto julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade nos seguintes termos: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. Os valores referentes às aquisições de insumos de pessoas físicas, nãocontribuintes do PIS/Pasep e da Cofins, não integram o cálculo do crédito presumido por falta de previsão legal. Os conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável ao IPI, não bastando simplesmente participar do ciclo produtivo do estabelecimento. INCONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa é incompetente para declarar a inconstitucionalidade da lei e dos atos infralegais. CRÉDITO PRESUMIDO. JUROS PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10850.000806/200300 Acórdão n.º 1301001.780 S1C3T1 Fl. 11 3 Irresignada, a contribuinte recorreu a este Conselho repetindo as razões da Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Preliminarmente, cabe manifestação sobre o pedido de perícia. Conforme é possível perceber do relato acima, a presente controvérsia versa, essencialmente, sobre a definição da possibilidade ou não de incluir na base de cálculo do crédito presumido do IPI o valor relativo aos insumos adquiridos de pessoas físicas. Assim, a circunstância de os produtos serem ou não imprescindíveis ao processo produtivo não interfere no julgamento da questão. Ademais, todos os fatos necessários ao julgamento, constam dos autos. Diante do exposto, indefiro o pedido de perícia. Afastada a questão preliminar, passemos a análise do mérito. Aquisição de insumos de pessoas físicas e correção monetária O Superior Tribunal Justiça, valendose da sistemática prevista no art. 543C, do CPC, pacificou, no RE 993.164, o entendimento de que as a aquisição de matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem de pessoas físicas e cooperativas integram a base de cálculo do crédito presumido do IPI previsto na Lei nº 9.363/96: DIREITO TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/05. DESCABIMENTO. VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS. APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE Fl. 303DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10850.000806/200300 Acórdão n.º 1301001.780 S1C3T1 Fl. 12 5 § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final Fl. 305DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 993164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010) Fl. 306DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10850.000806/200300 Acórdão n.º 1301001.780 S1C3T1 Fl. 13 7 E o caso concreto submetido à análise enquadrase perfeitamente no precedente acima transcrito. Afinal, o contribuinte pleiteia justamente o crédito presumido na aquisição de matérias primas de pessoas físicas. Por conta disso, devese aplicar ao presente caso o art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o qual prescreve a necessidade de reprodução, pelos Conselheiros, das decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática dos recursos repetitivos representativos de controvérsia: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Neste contexto, não resta dúvida de que no caso sob análise o contribuinte tem direito ao crédito presumido pleiteado. Por outro lado, vale esclarecer que este mesmo precedente fixou o entendimento de que deve incidir correção monetária, mediante aplicação da Taxa Selic, nos pedidos de ressarcimento quando a utilização do crédito é obstada por ato do Fisco, como ocorre no presente caso. Sendo assim é cabível a sua aplicação a partir da transmissão do pedido ressarcimento. Matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem Pleiteia, ainda, o ora Recorrente o reconhecimento do direito ao crédito presumido de IPI regulado pela Lei nº 9.363/96, relativamente à utilização dos seguintes produtos no seu processo produtivo: BAGAÇO DE CANA Combustível para geração de vapor, utilizado na caldeira; COMBUSTÍVEL Combustível utilizado em movimentações mercantis internas e externas, utilizado nos veículos dos compradores e fiscais de frutas; ÓLEO COMBUSTÍVEL Combustível para geração de vapor, utilizado nos geradores de vapor; ÓLEO LUBRIFICANTE Lubrificação de equipamentos industriais; ENERGIA ELÉTRICA Geração de vapor, utilizado na linha de produção; SERVIÇOS DE TRANSPORTE Transporte de insumos acabados; SERVIÇOS DE COMUNICAÇÃO Imprescindíveis à comercialização CÁUSTICA Limpeza de equipamentos industriais, ' essencial à manutenção do fluxo de produção; Fl. 307DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 ANÉIS DE VEDAÇÃO, BOMBA DE ENZIMA, CORRENTE I3UPLEX, EXTRATORES, ROLAMENTOS, ROTORES E TELAS Produtos intermediários consumidos no fluxo do processo industrial, utilizados em máquinas da produção; Ocorre que, como bem colocado pela decisão recorrida, a legislação em referencia não assegura o direito ao crédito em relação aos insumos genericamente considerados, restringindo o direito de crédito apenas às matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem. É o que se depreende do texto do art. 1º, da Lei nº 9.363/96: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Assim, verificando que nenhum dos produtos relacionados pelo contribuinte se subsumem ao conceito de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, na medida em que não se tratam de produtos que integram o produto novo, tampouco que são consumidos no processo de industrialização, não há como reconhecer o direito ao crédito. Ademais, nos termos da Lei n° 9.363/96, a prestação de serviços não pode ser incluída nestes conceitos, ainda que haja incidência de PIS e Cofins na formação do preço cobrado pelo executante do beneficiamento, na medida em que prescreve que a empresa produtoraexportadora tem direito ao crédito presumido do IPI na forma de ressarcimento das aludidas contribuições incidentes apenas sobre as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, pertinentes ao processo fabril dos produtos exportados: referido dispositivo não autoriza a inclusão da prestação de serviços de transportes ou telecomunicações. Pelo exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito presumido da Recorrente na aquisição de insumos de pessoas físicas, bem como assegurar a correção monetária desses créditos, mediante a aplicação da Taxa Selic, a partir da transmissão do pedido. [Assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 308DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10850.000806/200300 Acórdão n.º 1301001.780 S1C3T1 Fl. 14 9 Fl. 309DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10983.901155/2008-68
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. FALTA DE PROVA DO CRÉDITO ALEGADO.
Deve ser indeferido o ressarcimento quando a Contribuinte, apesar de intimada e diligência, não apresenta as provas do crédito alegado.
Numero da decisão: 3401-002.904
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade negar provimento ao recurso voluntário.
JULIO CÉSAR ALVES RAMOS- Presidente.
ANGELA SARTORI - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: : JULIO CESAR ALVES RAMOS (Presidente), ROBSON JOSE BAYERL, JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA, ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, ANGELA SARTORI e BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA
Nome do relator: ANGELA SARTORI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. FALTA DE PROVA DO CRÉDITO ALEGADO. Deve ser indeferido o ressarcimento quando a Contribuinte, apesar de intimada e diligência, não apresenta as provas do crédito alegado.
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FALTA DE PROVA DO CRÉDITO ALEGADO. Deve ser indeferido o ressarcimento quando a Contribuinte, apesar de intimada e diligência, não apresenta as provas do crédito alegado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade negar provimento ao recurso voluntário. JULIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. ANGELA SARTORI Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: : JULIO CESAR ALVES RAMOS (Presidente), ROBSON JOSE BAYERL, JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA, ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, ANGELA SARTORI e BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 11 55 /2 00 8- 68 Fl. 166DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório Trata o presente processo de PER/Dcomp entregue em 14/05/2004 indicando um Crédito Pagamento Indevido ott a Maior PIS/Pasep no valor original de R$ 2.010,06, que teria origem no Darf PIS/Pasep, período de apuração de 24/02/2000, código da receita "6147", recolhido em 24/02/2000 no valor de R$ 18.090,54. 0 dábilo indicado na compensação foi a Cofins do período de apuração de abril de 2004. O Despacho Decisório eletrônico emitido pela DRF/Florianopolis, todavia, não reconheceu a existência do crédito postulado, sob o fundamento de que o Darf indicado pela interessada não fora localizado nos sistemas da Receita Federal; assim, não homologou a compensação declarada. Na Manifestação de Inconformidade a interessada argumentou que, na condição de pessoa jurídica concessionária de serviço público de energia elétrica e o prestando a órgãos públicos, está sujeita à incidência, na fonte do IRPJ, da CSLL, do PIS/Pasep e da Cofins, tudo nos termos do art. 64 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Informou ainda que somente em maio de 2004 apercebeuse que a Universidade Federal de Santa Catarina, quando do pagamento da fatura de energia elétrica, efetuava a retenção do IRPJ, da CSLL, da Cofins e do PIS/Pasep e que a recolhia em seu nome (interessada) aos Cofres Públicos, e, visando a sua compensação, requereu e obteve da referida instituição a cópia da tela Siafi representativa do documento de arrecadação (Condarf). De posse de tal documento, informou ter segregado o valor total retido de forma a obter a quantia correspondente a cada tributo, sendo que, em relação ao PIS/Pasep, identificou a quantia de RS 2.010,06, a qual, por não ter sido utilizada para a redução do saldo a pagar da contribuição, indicou para ser compensada com o valor da Cofins do período de apuração de abril de 2004, segundo ela, conforme lhe permitiria o artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Juntou cópia da tela de consulta ao Siafi. A 4 Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis, todavia, não acatou os argumentos da Impugnante alegando, em resumo, e não obstante não tivesse questionado a afirmação de que teria havido de fato a retenção na fonte, que a contribuinte não poderia ter se valido da Dcomp para se aproveitar dos valores retidos sem antes recompor formalmente os registros e declarações nos quais apurou e declarou os valores devidos e a pagar relativos as contribuições objeto das retenções e aos períodos base a que pertencem; o saldo credor porventura resultante é que poderia ser usado para a compensação posterior. No Recurso Voluntário a interessada afirmou nunca ter utilizado o valor da retenção para fins de redução do saldo a pagar da contribuição devida e ponderou que a retenção na fonte possui natureza jurídica de um pagamento, uma vez que é um depósito nas contas públicas provenientes de recursos do próprio contribuinte. Citou manifestação da Superintendência Regional da Receita Federal da 10a Regido Fiscal (Processo de Consulta n° Fl. 167DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10983.901155/200868 Acórdão n.º 3401002.904 S3C4T1 Fl. 6 3 196/2006) que iria na linha de seu posicionamento, arguindo, por fim, que, em caso de reforma da decisão ora recorrida, nenhum prejuízo seria causado ao erário. O recurso foi enviado para diligencia por esta turma e retornou sem comprovação do crédito pleiteado. É o Relatório. Voto Conselheiro Angela Sartori O recurso é tempestivo e segue os demais requisitos de admissibilidade por isto dele tomo conhecimento. O julgamento da presente demanda resumese a duas partes, a primeira quanto a possibilidade de ressarcimento da parcela da COFINS retida na fonte por entidade pública e não aproveitada, pela Contribuinte, para abatimento do valor devido; a segunda se, de fato, existe algum valor retido e não utilizado. Na primeira análise do recurso voluntário, muito embora o julgamento tenha sido convertido em diligência, no voto do relator original, já foi analisada a primeira parte e concluiuse pela possibilidade de ressarcimento de tais créditos para compensação. Por essa razão, reputo já ultrapassada essa questão, restando analisar somente se existiu retenção não aproveitada para abatimento. O art. 333, inciso I, do CPC, determina que a prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito. O § 4º, art. 16, por sua vez, determina que os documentos devem ser apresentados junto à impugnação, no caso em tela, junto à manifestação de inconformidade. No processo ora analisado, além de não ter apresentado os documentos comprovadores do crédito anexados à manifestação de inconformidade, a Recorrente deixou de apresentados quando interpôs o recurso voluntário. Ainda assim, em busca da verdade material, o julgamento foi convertido em diligência a fim de se saber se existe ou não o crédito alegado pela Recorrente. Do retorno da diligência foi proferido o despacho pela DRF de inexistência de documentos comprovando o direito creditório. Mesmo sendo intimada, a Recorrente não apresentou os documentos. Desse modo, entendo que a converter o julgamento em diligência mais uma vez foge à razoabilidade, principalmente quando a Recorrente já teve diversas oportunidades de provar o alegado e foi omissa. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 Assim sendo, não estando provada a existência do crédito, o pedido de compensação deve ser indeferido. Ex positis, nego provimento ao recurso voluntário interposto. É como voto. Angela Sartori Relator Fl. 169DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 13005.000947/2005-35
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2001 a 30/06/2003
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT.
A exportação de produtos NT não gera direito ao crédito presumido do IPI, instituído para ressarcimento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins.
Numero da decisão: 3201-001.287
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos Conselheiros Daniel Mariz Gudiño, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Nascimento Silva Pinto.
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente.
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo - Relatora
Carlos Alberto Nascimento Silva Pinto - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 30/06/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. A exportação de produtos NT não gera direito ao crédito presumido do IPI, instituído para ressarcimento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1948; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 114 1 113 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13005.000947/200535 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201001.287 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de maio de 2013 Matéria RESSARCIMENTO IPI Recorrente ALLIANCE ONE EXPORTADORA DE TABACOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 30/06/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. A exportação de produtos NT não gera direito ao crédito presumido do IPI, instituído para ressarcimento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos Conselheiros Daniel Mariz Gudiño, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Nascimento Silva Pinto. Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente. Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Carlos Alberto Nascimento Silva Pinto Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 00 09 47 /2 00 5- 35 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 29/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS S ANTOS ARAUJO Processo nº 13005.000947/200535 Acórdão n.º 3201001.287 S3C2T1 Fl. 115 2 Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes Relatório A ora Recorrente, com fulcro na Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996 solicitou eletronicamente ressarcimento de créditos de IPI de produtos exportados, totalizando o valor de R$ 16.246.526,87, distribuídos da seguinte forma: Os referidos créditos referemse a produtos produzidos e exportados classificados, a partir da informação da própria empresa em resposta à intimação, na posição 24.01 "Fumo (Tabaco) não Manufaturado; Desperdícios de Fumo (Tabaco)", classificados na Tabela de Incidência do IPI (TIPI), enquadrados como produtos não tributados (“NT”), na tarifa, para o período em questão. Em consonância com o Despacho Decisório DRF/SCS 164/2008 (fl. 36) não se reconheceu o direito creditório pleiteado, sob o fundamento de que a ora Recorrente não preenchia os requisitos legais, quais sejam, ser produtor e exportador, pois os estabelecimentos processadores de produtos "NT" (nãotributados), não seriam considerados produtores. Na manifestação de inconformidade (fls. 38 a 46), a Recorrente alegou, em síntese, que a Lei n° 9.363/1996 estabelecera como condição de gozo do beneficio em questão, era ser a empresa produtora e exportadora de produtos nacionais, ao qual se subsumia, pois é produtora e exportadora de fumo em folha. A 3a Turma da DRJ/POA, através do Acórdão 1018.343, julgou improcedente o pedido da Recorrente, em decisão assim ementada: Período Valor 1° Trimestre de 2001 R$ 1.062.358,23 2° Trimestre de 2001 R$ 2.564.943,46 3° Trimestre de 2001 R$ 851.093,68 1° Trimestre de 2002 R$ 1.809.899,40 2° Trimestre de 2002 R$ 3.311.277,32 3° Trimestre de 2002 R$ 3.989.544,15 1° Trimestre de 2003 R$ 2.657.410,63 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 29/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS S ANTOS ARAUJO Processo nº 13005.000947/200535 Acórdão n.º 3201001.287 S3C2T1 Fl. 116 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 30/06/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. PRODUTO NT. A exportação de produtos NT não gera direito ao crédito presumido do IPI, instituído para ressarcimento do PIS/Pasep e da Cofins. Solicitação Indeferida Na decisão ora recorrida, entendeuse que o benefício da Lei n° 9.363/96, foi instituído com a finalidade de ressarcimento, às empresas produtoras e exportadoras, das contribuições para o PIS e da COFINS incidentes sobre as aquisições, no mercado interno, de matériasprimas (MP), produtos intermediários (PI) e material de embalagem (ME), para utilização no processo produtivo, como estabelece o art. 1°, parágrafo único c/c o art. 4o . O conceito de produção seria o prescrito pelo art. 8° do Decreto n° 2.637, de 25 de junho de 1998 (RIPI/98) que determina que “estabelecimento industrial é o executa qualquer das operações referidas no art. 42, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento”, ao passo que a Lei n° 10.451, de 10 de maio de 2002, que veio a substituir o art. 13 da Lei n° 9.493, de 10. de setembro de 1997, prescreve que “o campo de incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI) (...) excluídos aqueles a que corresponde a notação ‘NT’ (não tributado)." Assim, concluise na decisão recorrida, que é necessário que o produto exportado tenha sido industrializado pela produtora e que se encontre dentro do campo de incidência do IPI, o que seria corroborado pela jurisprudência do Conselho de Contribuintes, refletidos na Súmula n° 13 do Segundo Conselho de Contribuintes, aprovada em sessão plenária de 18 de setembro de 2007 (publicada no DOU de 26/09/2007, seção 1): "Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT". Em sede de recurso voluntário, a Recorrente reafirmou os argumentos expendidos na manifestação de inconformidade, aduzindo que: i.tem como principal atividade o beneficiamento de fumo em folha com fim específico de exportação, adquirindo matéria prima (notadamente folhas de fumo) no mercado interno, tanto de outras empresas do ramo de tabaco, como de produtores rurais, para as submeter a processo industrial de beneficiamento que visa ao aprimoramento do produto, o qual passa, então, a ser mais resistente à temperatura, umidade e outras condições ambientais, tornandoo mais apropriado para a exportação; ii. é produtora e exportadora da mercadoria fumo em folha e, como tal, nos termos da Lei n° 9.363/96, tem direito de se apropriar de crédito presumido de IPI, para ressarcirse do PIS e da COFINS incidentes sobre seus insumos; Fl. 114DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 29/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS S ANTOS ARAUJO Processo nº 13005.000947/200535 Acórdão n.º 3201001.287 S3C2T1 Fl. 117 4 iii. a decisão recorrida cria nova limitação ao direito ao crédito presumido de IPI não previsto na legislação aplicável, o que consiste em clara violação ao princípio da legalidade, insculpido no artigo 5°, II da Constituição Federal; iv. a citada Súmula n.° 13 do Segundo Conselho de Contribuintes não tem qualquer relação com o caso sob análise, posto que se refere ao direito a crédito escritural decorrente do princípio da não cumulatividade na aquisição de matériaprima aplicada na produção de produto nãotributado, e não ao direito a crédito presumido como incentivo à exportação de produto nãotributado; v. requer, ao final, que os créditos presumidos de IPI sejam acrescidos de juros equivalentes à taxa SELIC. Procedeu à sustentação oral o representante da parte, Dr. Marcos Prado OABSP 154 632. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade e é tempestivo, pelo que dele tomo conhecimento. Conforme relatado, foi negado o direito creditório da Recorrente, sob o fundamento de que a mercadoria exportada não sendo industrializada pela Recorrente, encontrarseia fora do campo de incidência do IPI, por conseguinte, não se enquadrando nos requisitos para se utilizar do crédito presumido. Ainda, de acordo com o art. 8° do Decreto n° 2.637, de 25 de junho de 1998 (RIPI/98) que determina que “estabelecimento industrial é o executa qualquer das operações referidas no art. 42, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento”, a Recorrente não preencheria o requisito de ser produtora e assim, gozar do direito aos créditos. Inicialmente cumpre consignar que os diversos precedentes desta Corte Administrativa e que foram replicados no caso em tela, estribamse em entendimento sumulado, aos quais os julgadores estariam jungidos por expressa determinação regimental. Contudo, ao se analisar os arestos que deram origem à Súmula n° 13 do Segundo Conselho de Contribuintes e a Súmula CARF nº 20, verificase que não se referem à Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996, porém, às condições de ressarcimento de créditos básicos de IPI, em face do princípio da nãocumulatividade, cuja disciplina atual é dada pelo art.11 da Lei n. 9779/1999, conforme se vislumbra do Acórdão 20215.455, que possui a seguinte ementa: Fl. 115DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 29/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS S ANTOS ARAUJO Processo nº 13005.000947/200535 Acórdão n.º 3201001.287 S3C2T1 Fl. 118 5 IPI. CRÉDITOS BÁSICOS. RESSARCIMENTO. O Princípio da nãocumulatividade aplicase apenas aos produtos tributados incluídos no campo de incidência desse imposto. Não geram direito a créditos de IPI as aquisições de insumos aplicados em produtos que correspondem à notação NT (Não Tributados) da tabela de incidência TIPI. Recurso ao qual se nega provimento. No mesmo sentido, os Acórdãos 20216141, 20215366 e 20400488, que deram origem à Súmula 20 do CARF, que se referem aos créditos básicos de IPI, regidos pelo art. 11 da Lei n. 9779/1999. Destarte, referese a Lei n. 9779/1999, à nãocumulatividade do IPI, cuja matriz na Constituição Federal de 1988 encontrase no art. 153, §3°, inc. II, assegurando aos contribuintes do IPI o direito de se creditarem do imposto cobrado nas operações antecedentes para abater nas seguintes. Assim, o art. 49 do CTN, o art.11 da Lei 9779/1999 e art. 146 do Decreto 2.637/1998, determinam o direito à nãocumulatividade, possibilitando o aproveitamento do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem. No âmbito dos referidos julgados, erigiuse o pressuposto de que o estabelecimento que produz bens que se sujeitam à notação “NT” na TIPI, não seriam titulares do direito ao creditamento, porque lhes faltaria o predicado de “industrial”. A premissa foi transplantada para a hipótese de crédito presumido, vedando lhe a utilização para a hipótese de produtos “NT”, sem considerações acerca das distinções do tipo de crédito que tratam. O crédito presumido do IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, instituído pela Lei n. 9363/1996, em verdade, visa a desonerar a cadeia produtiva do PIS e da COFINS, quando os produtos são destinados à exportação, restrita, após a edição da Lei n.10.833/2003, que em seu art.14, a contribuinte sujeito ao recolhimento cumulativo das referidas contribuições. Assim,verificase que o valor do crédito presumido é determinado por fórmula prevista no art.2o da Lei n. 9363/1996 Art. 2o A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. 1o O crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 5,37% sobre a base de cálculo definida neste artigo. Em 2001, a Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001 criou fórmula alternativa para o cálculo do crédito presumido, qual seja, Fl. 116DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 29/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS S ANTOS ARAUJO Processo nº 13005.000947/200535 Acórdão n.º 3201001.287 S3C2T1 Fl. 119 6 F=0,0365.Rx/(RtC), onde F é o fator estabelecido pela legislação; Rx é a receita de exportação; Rt é a receita operacional bruta; C é o custo de produção Demonstrase, portanto, que o crédito presumido, a despeito do nomen iuris não se relaciona com os créditos básicos de IPI e do regime que lhe é inerente, possuindo sistemática de determinação peculiar, em que o quantum do crédito não guarda estrita relação de identidade com o encargo tributário das operações realizadas. Corrobora a alegação a regra do art.3o da Lei n. 9363/1996, que estabelece que o cálculo do crédito presumido, deverá ser sistematicamente interpretada com a legislação do PIS e da COFINS, e apenas subsidiariamente a do imposto sobre a renda e a do IPI: Art. 3o Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem. (g.n.) Assim sendo, o primeiro ponto a ser estabelecido como premissa no presente voto, é a de que a Súmula CARF n. 20 trata de hipótese distinta da dos autos, de sorte que não se pode aplicála de forma automática, desconsiderando quaisquer matizes do caso concreto, em nítida lesão à ampla defesa e ao contraditório. Em relação ao crédito presumido IPI, portanto, devem ser fixados os critérios exegéticos que lhe são peculiares. Destarte, entendo que a exegese do dispositivo não pode se prestar ao amesquinhamento do direito subjetivo do contribuinte ao seu reconhecimento, com fulcro em interpretação que leva em conta a literalidade da legislação do IPI, em detrimento da natureza de incentivo fiscal à exportação que veicula a Lei n.9363/1996. É certo que uma vez que, ao prevalecer o entendimento aqui contestado, e obstado o aproveitamento do crédito pelo exportador, este passa a suportar o respectivo encargo financeiro, inviabilizando a finalidade de desoneração das exportações nacionais. E não se trata de interpretação econômica, como se poderia argumentar, pois inegável a natureza de incentivo à exportação, cujo vetor sempre aponta para o interesse público subjacente de possibilitar ao País tornarse competitivo no mercado internacional, o que ao fim, revertese em benefícios econômicos e aumento de postos de trabalho. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 29/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS S ANTOS ARAUJO Processo nº 13005.000947/200535 Acórdão n.º 3201001.287 S3C2T1 Fl. 120 7 Em outras palavras, quando o legislador institui incentivos fiscais à exportação, dentre o quadro de interpretações possíveis da norma jurídica, deve prevalecer precisamente aquela que viabilize a desoneração da exportação, pois esta é a teleologia própria da Lei n. 9363/1996, conforme já se manifestou o Supremo Tribunal Federal, quando da análise da repercussão geral no RE 593544, que discute a possibilidade, ou não, de o crédito presumido do IPI, decorrente de exportações, integrar a base de cálculo do PIS e da COFINS, do qual transcrevemos manifestação do Ministro Joaquim Barbosa: A discussão transcende quantitativamente os interesses localizados das partes, na medida em que há um expressivo número de empresas exportadoras que gozam do benefício fiscal cuja expressão econômica a União pretende tributar. Do ponto de vista econômico e de comércio exterior, a definição da base de cálculo da Cofins e da Contribuição ao PIS para as empresas exportadoras é relevante, na medida em que as exonerações tributárias são instrumentos importantes para calibração dos preços e, consequentemente, da competitividade dos produtos nacionais. Nesse passo, relevante se faz a análise da hipótese de incidência da norma jurídica veiculada pelo art.1o da Lei n. 9363/96: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Da leitura do dispositivo supra e, orientados pelas características do produto, objeto de exportação, constatase que o dispositivo normativo nem mesmo se utiliza do conceito de “produto”, porém, de “mercadoria nacional”, o que revela o intento de conferir amplitude à desoneração, que não se compatibiliza com a restrição aos produtos não tributados. Outrossim, esse dispositivo deve ser visto conjuntamente como o já transcrito art.3o da Lei n. 9363/1996, determina que se aplica a legislação própria do PIS e da COFINS para a apuração do montante da receita de exportação, e é certo que essas normas jurídicas não fazem quaisquer distinções quanto à condição do produto ser “NT”. Ainda que se aplique a legislação própria do IPI, deve ser considerada a norma do art.9o da Lei 4502/1964, in verbis: Art . 9º Salvo disposição expressa de lei, as isenções do impôsto se referem ao produto e não ao respectivo produtor ou adquirente. § 1º Se a imunidade, a isenção ou a suspensão for condicionada à destinação do produto, e a este for dado destino diverso, ficará o responsável pelo fato sujeito ao pagamento do imposto e da penalidade cabível, como se a imunidade, a isenção ou a suspensão não existissem.; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) § 2º Salvo comprovado intuito de fraude, se a mudança da destinação se der após um ano da ocorrência do fato gerador que obrigaria ao pagamento do impôsto se inexistisse a isenção, poderá o tributo ser recolhido sem multa antes do fato modificador da Fl. 118DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 29/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS S ANTOS ARAUJO Processo nº 13005.000947/200535 Acórdão n.º 3201001.287 S3C2T1 Fl. 121 8 destinação, não sendo devido se, da ocorrência do fato gerador da mudança de destinação, tiverem decorridos mais de três anos. § 3º As isenções concedidas pela legislação vigente a emprêsas a instituições, públicas ou privadas, se restringem aos produtos por elas diretamente produzidos ou importados, para seu próprio uso. (g.n.) Verificase da transcrição que o legislador determinou qual o caminho deverá trilhar o intérprete na aplicação dos dispositivos que veiculem benefícios fiscais, enfatizando não a aspectos subjetivos, porém características do produto e sua destinação, salvo disposição expressa de lei. Observese, ainda, que o fundamento legal da decisão recorrida estribase em dispositivos normativos gerais em contraposição à Lei n. 9393/1996, que veicula benefício fiscal específico, e aí vale ressaltar a expressão “salvo disposição expressa de lei” do caput do art.9o da Lei n. 4502/1964. Deve ser a interpretação regida pelos dispositivos veiculados pela própria Lei n. 9393/1996, cuja teleologia impõe que se realize o desígnio de promover a exportação do produto nacional, não fazendo essa legislação qualquer restrição ao produto nacional não industrializado. Ao contrário, considerandose que a pauta de exportação dos produtos brasileiros ainda é composta em grande parte por produtos não industrializados ou commodities, o intento do legislador restaria frustrado caso se excluíssem esses produtos da possibilidade de desoneração, na exportação. De mais a mais, a decisão recorrida não contestou o fato de a mercadoria não ter se submetido a processo de industrialização, o que permite tomar como verdadeira a alegação da Recorrente, segundo a qual a mercadoria que exporta, submetese a beneficiamento, processo de industrialização previsto no regulamento do IPI. Em síntese, e em vista do critério hermeneutico que determina que a lei especial prevalece sobre a geral, entendo que o caso concreto não se submete aos critérios estabelecidos para a conformação da Súmula 20 do CARF. Nesse contexto, não há vedação na legislação do PIS e da COFINS que restrinjam os créditos relativos a vendas destinadas à exportação, de produtos não tributados pelo IPI. Com relação ao requerimento da Recorrente sobre a aplicação da taxa SELIC aos créditos presumidos, é legítima a atualização monetária de crédito escritural quando há oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, postergando o seu aproveitamento, conforme o REsp n.º 1.035.847/PR, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 3.8.09, julgado sob o regime do art. 543C do CPC, no qual se entendeu que "É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco". Em face do exposto, uma vez que a Recorrente não teve apreciado o mérito de seu direito creditório, pois a instância administrativa preparadora estabeleceu como prejudicial ao exame, deve ser o retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para apreciação do aspecto meritório do crédito em tela. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 29/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS S ANTOS ARAUJO Processo nº 13005.000947/200535 Acórdão n.º 3201001.287 S3C2T1 Fl. 122 9 Ainda, deve se ressaltar, conforme a linha de entendimento adotada, que enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos, abrindose inclusive, novos prazos para o exercício do contraditório e ampla defesa, sobre o entendimento meritório acerca do direito de crédito. Assim sendo, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade aplicação do benefício da Lei n. 9393/96 para produtos não tributados pelo IPI, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o consequente retorno dos autos à unidade de jurisdição, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Voto Vencedor Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Redator designado Com todo o respeito à posição externada pela eminente relatora, peço vênia para dele discordar, para adotar o entendimento do Acórdão 3201001.245, de lavra da ilustre Conselheira Mercia Helena Trajano Damorim, cujo teor foi o seguinte: O art. 1o e seu parágrafo único da Lei no 9.363, de 1996 dispõem: “Art. 1o A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior.” (sublinhei) Benefício fiscal esse com o fim de ressarcimento, às empresas produtoras e exportadoras, das contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins, incidentes sobre as aquisições, no mercado interno, de matériasprimas (MP), produtos intermediários (PI) e Fl. 120DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 29/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS S ANTOS ARAUJO Processo nº 13005.000947/200535 Acórdão n.º 3201001.287 S3C2T1 Fl. 123 10 material de embalagem (ME), para utilização no processo produtivo, de acordo com a legislação citada acima. Por sua vez, o art. 8o do Regulamento do IPIRIPI, de 2002, em vigor na época, prescreve: “Art. 8º Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no art. 4º, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º).” (sublinhado na transcrição) O art. 6o da Lei nº 10.451, de 10 de maio de 2002), versa: “Art. 6o O campo de incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto no 4.070, de 28 de dezembro de 2001, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação ‘NT’ (nãotributado).” (sublinhado na transcrição) Logo, o benefício foi instituído para a empresa produtora e exportadora, sendo necessário que o produto exportado tenha sido industrializado pela produtora e que se encontre dentro do campo de incidência do IPI, condições necessárias para gerar direito ao crédito presumido. Reproduzo o Parecer MF/SRF/COSIT/DITIP nº 139, de 22 de abril de 1996 que dispôs: “4.11 O contribuinte produtorexportador de produtos com alíquota zero ou isentos tem direito ao crédito, ainda que não tenha débito de IPI. Não tem direito ao crédito presumido o exportador de produtos não tributados pelo IPI (produtos NT), i.e., produtos que não são industrializados, pois neste caso ele não é contribuinte do IPI.” Além disso, o art. 6o da Lei no 9.363, de 1996: “Art. 6o O Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador.” (destacado na transcrição) Bem como, a Portaria MF no 64, de 24 de março de 2003, sucedida pela Portaria MF no 93, de 27 de abril de 2004 (art. 3o, § 12, II) explicitou que apenas o produto da venda (para o exterior e para empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação) de produtos industrializados nacionais é que dá direito ao crédito presumido do IPI, conforme transcrição que segue: “Apuração do Crédito Presumido Fl. 121DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 29/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS S ANTOS ARAUJO Processo nº 13005.000947/200535 Acórdão n.º 3201001.287 S3C2T1 Fl. 124 11 Art. 3o O crédito presumido será apurado ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1o Para efeito de determinação do crédito presumido correspondente a cada mês, o estabelecimento matriz da pessoa jurídica produtora e exportadora deverá: .................... II apurar a relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, acumuladas desde o início do ano até o mês a que se referir o crédito; .................... § 12. Para os efeitos deste artigo, considerase: I receita operacional bruta, o produto da venda de produtos industrializados pela pessoa jurídica produtora e exportadora nos mercados interno e externo; II receita bruta de exportação, o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de produtos industrializados nacionais; III venda com o fim específico de exportação, a saída de produtos do estabelecimento produtor vendedor para embarque ou depósito, por conta e ordem da empresa comercial exportadora adquirente. ....................” (destaquei) Segundo as palavras de Raimundo Clóvis do Valle Cabral em “Tudo sobre o IPI”, 4ª edição, São Paulo, Ed. Aduaneiras, págs. 54/55 (referências legais do RIPI/98), temse: “Estabelecimento Industrial é o que industrializa produtos sujeitos à incidência do imposto, ou seja, aquele que executa operações definidas na legislação do IPI como de industrialização (transformação, beneficiamento, montagem, acondicionamento/reacondicionamento e renovação/recondicionamento) e da qual resulte um produto tributado, ainda que de alíquota zero, ou isento. Tem por base legal o artigo 3º da Lei nº 4.502, de 1964, alterado pelo artigo 12 do DL nº 34/66, que tem o seguinte texto: ‘Considerase estabelecimento industrial todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto’(art. 8º). As expressões ‘fábrica’ e ‘fabricante’ são equivalentes a ‘estabelecimento industrial’, como definido acima (art. 487II). Se ao produto por ele industrializado corresponde uma alíquota positiva (diferente de zero) estará ele obrigado a destacar o imposto na nota fiscal emitida, observando as demais obrigações concernentes à escrituração fiscal e ao recolhimento do imposto, assumindo o real papel de contribuinte – sujeito passivo de Fl. 122DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 29/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS S ANTOS ARAUJO Processo nº 13005.000947/200535 Acórdão n.º 3201001.287 S3C2T1 Fl. 125 12 obrigação principal, salvo se optante pela inscrição no Simples (art. 20I, 23II e 107). Se o produto industrializado estiver sujeito à alíquota zero, ou for isento, embora não haja imposto a ser destacado nem recolhido, ele estará obrigado a emitir nota fiscal e proceder às demais obrigações relativas à escrituração fiscal prevista no Ripi, pois está definido como sujeito passivo de obrigações acessórias (art. 21). Contrario sensu, chegase à conclusão de não ser estabelecimento industrial, para fins do IPI, aquele que elabora produtos classificados na Tipi como NT (nãotributados), bem assim os resultantes de operações excluídas do conceito de industrialização pelo artigo 5º do RIPI. ‘Mesmo que o estabelecimento vendedor da mercadoria promova sobre ela operações que representem em tese processo de industrialização, tais como o beneficiamento ou o acondicionamento, o estabelecimento não será considerado industrial se o produto final recebe na Tipi a capitulação de não tributado, estando a saída de tal produto, portanto, fora do âmbito de incidência do imposto’ (Decisão nº 80/2000 da 7ª RF).” Assim, os produtos exportados fumo (tabaco) destalado, embora sofram algum tipo de tratamento, a que o requerente denomina beneficiamento, continuam sendo classificados na TIPI como NT, na posição 2401; portanto, permanecem fora do campo de incidência do IPI, e dessa forma não pode o requerente ser considerado, nos termos da legislação fiscal, como estabelecimento produtor, e, consequentemente, não pode pleitear o ressarcimento do crédito presumido referente às exportações de produtos NT. Quanto ao pleito de correção monetária ao suposto crédito, tendo em vista o indeferimento do principal, fique prejudicado. Assim, com estas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Fl. 123DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 29/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS S ANTOS ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 10831.012373/2004-36
Data da sessão: Thu Mar 18 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO- II
Data do fato gerador: 08/11/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEREMPÇÃO.
O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho de
Contribuintes e de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância, de acordo com o no art. 33 do Decreto n° 70.235/72. Recurso apresentado após o prazo estabelecido, dele não se toma conhecimento, visto que a decisão já se tomou definitiva no âmbito administrativo.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3102-00.628
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO- II Data do fato gerador: 08/11/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEREMPÇÃO. O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes e de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância, de acordo com o no art. 33 do Decreto n° 70.235/72. Recurso apresentado após o prazo estabelecido, dele não se toma conhecimento, visto que a decisão já se tomou definitiva no âmbito administrativo. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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Turma Ordinária Sessão de 18 de março de 2010 Matéria II — REMESSA EXPRESSA Recorrente LUNA EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO' IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO- li Data do fato gerador: 08/11/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEREMPÇÃO. O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes e de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância, de acordo com o no art. 33 do Decreto n° 70.235/72. Recurso apresentado após o prazo estabelecido, dele não se toma conhecimento, visto que a decisão já se tomou definitiva no âmbito administrativo. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. 1.Çus 1,4(.1 .3GUerra de Castro - Presidente tL I.-- Celso Lopes Pereira Neto - Relator EDITADO EM: 15/04/2010 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, José Fernandes do Nascimento, Celso Lopes Pereira Neto, Nanei Gama, Beatriz Veríssimo de Sena e Nilton Luiz Bartoli. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II — DRI/SPOII, através do Acórdão n° 17- 27.398, de 10 de setembro de 2008. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório componente da decisão recorrida, de fls. 84/85, que transcrevo a seguir: "Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 04/11/2004, em face do contribuinte em epígrafe, fonnalizando exigência da multa do controle administrativo e multa proporcional ao valor aduaneiro„ no valor de Rd 56.210,34, em face dos fatos a seguir descritos. • A empresa acima qualificada foi submetida à fiscalização, em ato de revisão aduaneira, sendo apurado que destinou comercialmente mercadorias importadas mediante remessas postais (courrier), conforme notas fiscais em anexo; • As mercadorias foram importadas ao desamparo de Guia de Importação ou documento equivalente; Tipificaçáo Legal: Artigos 490 e 631 do Regulamento Aduaneiro -Decreto 4.543/2002. Cientificado do auto de infração, pessoalmente„ em 04/11/2004 (fls. 1-frente), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente na forma do artigo 15 do Decreto 70.235/72, em 03/12/2004, de lis. 76 e 77, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Na forma do artigo 16 do Decreto 70.235/72 a impug,nante alegou resumidamente que: • A mercadoria importada tem classificação fiscal no código NCAT 8431.49.10, submetidas ao regime de tributação simplificado — RTS, com incidência de aliquota de 60%; • As mercadorias estariam sujeitas ao Licenciamento Automático no SISCOMEX; O enquadramento legal feito pela fiscalização, não se aplica ao RTS; • O artigo 570 do Regulamento Aduaneiro - Decreto 4.543/2002 legitima a revisão aduaneira da Declaração de Importação, da Declaração de Exportação, nunca do RTS; Pugna a nulidade e, alternativamente, a improcedência do Auto de Infração." Li)\ #.1 Processo n" 10831.012373/2004-36 - Acórdão n.° 3102-00.628 's 3-C1T2 E /. 129 Os membros da Primeira Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo II/SP julgaram procedente o lançamento, através do referido Acórdão, cuja ementa transcrevemos: "ASSEWTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - Data do fato gerador: 08/11/2003 Declaração de Remessa Expressa Produtos foram consumidos ou entregues a consumo produtos de origem estrangeira desacompanhados de documentação própria. A remessa expressa internacional não pode ter destinação comercial. Por determinação expressa, o remetente e o destinatário devem ser pessoas físicas. O destinatário da DRE foi um estabelecimento comercial Assim, as importações não foram nacionalizadas de forma adequada. Lançamento Procedente" A recorrente apresentou recurso voluntário (fls. 92/109), em que alega, em síntese, que: - efetuou a importação através da modalidade courier e, tendo em vista os valores das mercadorias, foi aplicado o Regime de Tributação Simplificada, havendo o pagamento de tributos correspondente a esta modalidade de importação, qual seja, 60% (sessenta por cento) do valor da mercadoria; - o órgão fiscal alega que a remessa expressa internacional não pode ter como destinatário pessoa jurídica, mas a única restrição encontrada na legislação, para esta modalidade de importação, é quanto à isenção de imposto para mercadorias de valor abaixo de cinqüenta dólares. Nestes casos, o remetente e destinatário têm que ser pessoas físicas; - pelo contrário, de acordo com as definições trazidas pelas Instruções normativas n' 551/09 e 96/99, há, expressamente, autorização legal para importação por pessoa jurídica; - no caso em questão, nenhuma mercadoria excedeu ao valor de US$ 3.000,00 (três mil dólares) portanto conclui-se que não haveria necessidade de submeter a mercadoria a DI; - ademais, o Fisco baseia-se em alegações totalmente infundadas, quando afirma terem sido as mercadorias destinadas ao comércio, baseando-se, ainda mais, em dispositivo legal que não se aplica no caso em questão; - há que se questionar se os agentes fiscais agiram com desídia, que se configuraria uma vez que não houve a devida fiscalização no momento da entrega da .)‘-i3 mercadoria, para estabelecer qual o meio de importação adequado àquela operação ou com ma- fé, que se configuraria na hipótese do agente fiscal ter permitido a entrega dos bens visando à posterior aplicação de multa em revisão aduaneira; - o pagamento de 60% do valor da mercadoria, como realizado, é muito superior ao valor supostamente devido caso fosse realizada importação através de Declaração de Importação e a exigência de pagamento de novos tributos é considerada bitributação, o que é vedado em nosso ordenamento; - o procedimento de Revisão Aduaneira está previsto apenas para os casos em que há Declaração de Importação, não se aplicando às modalidades de Regime de Tributação Simplificada; Por todo o exposto, requer-se a reforma da decisão recorrida, a fim de que o auto de infração seja descaracterizado, com a conseqüente anulação de todas as penalidades que, incorretamente, estão sendo impostas à recorrente. É o relatório. Voto •Conselheiro Celso Lopes Pereira Neto, Relator Pelas razões a seguir, levanto a preliminar de perempção do Recurso Voluntário. A correspondência enviada para intimar o contribuinte cia decisão da DRJ foi expedida em 25/09/2008 (verso do AR de fls. 91). A ciência do Acórdão recorrido deu-se, conforme conteúdo do campo "Data de Recebimento" deste AR de fls. 91, em 29/09/2008. O campo "Carimbo de Entrega Unidade de Destino" dos Correios respalda esta informação. O Decreto IV 70.235/1972 — PAF dispõe em seu art. 33 que o recurso voluntário deverá ser apresentado no prazo de 30 dias da ciência da decisão de primeira instância, verbis: "Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão". Por sua vez, o art. 35, também do PAF, determina que o recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que julgará a perempção, verbis: "Art. 35. O recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção". Tendo a ciência da decisão de primeira instância ocorrido C111 29/09/2008 (AR de fls. 91), uma segunda-feira, a contagem do prazo, de acordo com o art. 210 do CTN, teve inicio em 30/09/2008 e o prazo venceu 30 dias após, em 29/10/2008, urna quarta-feira. A recorrente apresentou seu recurso em 30/10/2008 (fls. 92), portanto, após o vencimento do prazo legal. V/7, •J'Y Processo n° 10831.012373/2004-36 Acórdão n.° 3102-00428 3-C1T2 1. 130 Despacho da Unidade de origem (fls. 126) já ressaltava o fato de que o Recurso voluntário foi apresentado 31 (trinta e um) dias após a ciência da decisão de primeira instância. Os elementos constantes dos autos demonstram, de forma inequívoca, que a interessada não cumpriu o prazo previsto na legislação processual administrativa para interposição do recurso, ocasionando a perempção, de tal forma que a decisão de primeira instância tomou-se definitiva no âmbito administrativo. Diante do exposto, e tendo em vista os prazos processuais são fatais, não comportando qualquer dilação por falta de previsão legal, voto por que não se tome conhecimento do recurso, por perempto. vc,ve Celso Lopes Pereira Neto
score : 1.0
Numero do processo: 14751.000238/2006-51
Data da sessão: Tue Apr 13 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2002, 2003
MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO - CONCOMITÂNCIA - MESMA BASE DE CÁLCULO.
A aplicação concomitante da multa isolada (inciso II, a, do art. 44, da Lei n°9.430, de 1996, com a redação atribuída pela Lei n° 11.488, de 2007) com a multa de oficio (inciso I, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996), não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. Precedentes desta Câmara Superior de Recursos Fiscais (acórdão n° 01-04.987, julg. em 15/06/2004).
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-000.746
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Caio Marcos Candido, Julio César Vieira Gomes e Francisco Assis de Oliveira Junior.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Moises Giacomelli Nunes da Silva
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2002, 2003 MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO - CONCOMITÂNCIA - MESMA BASE DE CÁLCULO. A aplicação concomitante da multa isolada (inciso II, a, do art. 44, da Lei n°9.430, de 1996, com a redação atribuída pela Lei n° 11.488, de 2007) com a multa de oficio (inciso I, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996), não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. Precedentes desta Câmara Superior de Recursos Fiscais (acórdão n° 01-04.987, julg. em 15/06/2004). Recurso especial negado.
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A aplicação concomitante da multa isolada (inciso II, a, do art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação atribuída pela Lei n° 11.488, de 2007) com a multa de oficio (inciso I, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996), não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. Precedentes desta Câmara Superior de Recursos Fiscais (acórdão n° 01-04.987, julg. em 15/06/2004). Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Caio Marcos Candido, Julio César Vieira Gomes e Francisco Assis de Oliveira Junior Rh IRIO SUSY 4040 S HOFFMANN — Presidente em exercício MOI S 1 v •• ILVA — Relator 1 4 MAIO 2010 EDITADO EM: Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Junior, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, temporariamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Por meio do acórdão de folhas 308 e seguintes, a Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte, para excluir da exigência a multa isolada aplicada em concomitância com a multa de oficio. A Fazenda Nacional, inconformada com a decisão, em 10/05/2008, ingressou com recurso especial de fls. 322/332, fundado no artigo 7°, I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 147, de 2007. Alegou a recorrente que a decisão contrariou o artigo 8°, da Lei n.° 7.713, de 1988, c/c artigo 43 e 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação dada pelo artigo 18, da Medida Provisória n.° 303, de 2006, que embasaram a aplicação da multa isolada e o artigo 17, do Decreto n.° 70.235, de 1972, porque não havia impugnação no tocante à multa e o acórdão não pode analisar questão não impugnada. O recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido no despacho de fls. 333/334. O recorrido interpôs recurso especial às fls. 337 e seguintes, todavia este restou inadmitido às fls. 362. Não foram apresentadas contrarrazões. É o relatório. 2 Processo n° 14751.000238/2006-51 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.746 Fl. 3 Voto Conselheiro MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Relator O recurso é tempestivo, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado e preenche os requisitos de admissibilidade. Assim, conheço-o e passo ao exame do mérito. Em relação à exigência cumulativa de multa de oficio e multa isolada, por falta de recolhimento do Carnê-Leão, há que se ter presente as disposições da Lei n°. 9.430, de 1996, no seu art. 44, com a redação dada pela Medida Provisória 351, de 27 de janeiro de 2007, que foi convertida na Lei n° 11.488, de 15/06/2007, in verbis: Lei n° 9.430, de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 15.06.2007, DOU 15.06.2007 - Ed. Extra, conversão da Medida Provisória n°351, de 22.01.2007, DOU 22.01.2007 - Ed. Extra) I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada ao inciso pela Lei n° 11.488, de 15.06.2007, DOU 15.06.2007 - Ed. Extra, conversão da Medida Provisória n° 351, de 22.01.2007, DOU 22.01.2007 - Ed. Extra) - de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8' da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2° desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada ao inciso pela Lei n°11.488, de 15.06.2007, DOU 15.06.2007 - Ed. Extra, conversão da Medida Provisória n° 351, de 22.01.2007, DOU 22.01.2007 - Ed. Extra). §1°-O percentual de multa de que trata o inciso I do caput será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n' 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. 3 §2'Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1 serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: 1-prestar esclarecimentos; II- apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei 72-°. 8.218, de 29 de agosto de 1991; III- apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38. Da leitura da lei, conclui-se que existem três modalidades de multa imponíveis ao contribuinte: (a) multa de 75% nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos casos de declaração inexata; (b) multa de 50% nos casos de não recolhimento do valor do pagamento mensal, Camê-Leão; e (c) a multa • qualificada de 150% em casos de evidente intuito de fraude. Verificado que o contribuinte deixou de efetuar o recolhimento mensal obrigatório (Camê-Leão) efetua-se o lançamento e aplica-se a multa de oficio que incide sobre o tributo não recolhido. Entretanto, feito o lançamento com a multa de oficio não se pode aplicar sobre a mesma base de cálculo a multa isolada, sob pena de dupla incidência de penalidade em relação ao mesmo fato. Neste sentido é a interpretação desta Câmara Superior de Recursos Fiscais: "MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO — CONCOMITÂNCIA — MESMA BASE DE CÁLCULO — A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1°, do art. 44, da Lei n°9.430, de 1996) e da multa de oficio (incisos 1 e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo." (Câmara Superior do Conselho de Contribuintes / Primeira turma, Processo 10510.000679/2002-19, Acórdão n° 01-04.987, julg. em 15/06/2004). Pelo exposto, tendo a multa isolada, no caso concreto, incidido sobre a mesma base de cálculo do lançamento de oficio correspondente à omissão de receita decorrente da remuneração recebida de pessoa fisica, dou provimento ao recurso para afastar da exigência do crédito tributário a multa isolada constante do lançamento. Quanto a alegação de contrariedade ao artigo 17, do Decreto n.° 70.235, de 1972, não merecem prosperar os argumentos trazidos à baila pela Fazenda Nacional. No momento em que a impugnação e o recurso interposto à decisão da DRJ postulam o cancelamento integral do crédito tributário alegando que o lançamento não subsiste, não se pode dizer que a multa isolada não foi objeto de impugnação ou de recurso. Pelo exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para afastar da exigência do crédito tributário a multa isolada constante do lançamento. É o voto. 4b. - Moise iacome 1 Nunes t a 1 - Relator 4
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Numero do processo: 11618.005013/2005-56
Data da sessão: Mon Jul 05 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003
Ementa:
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI, INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário.
Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003
Ementa:
LUCRO PRESUMIDO. SALDO CREDOR DE CAIXA.
A ocorrência de saldo credor de caixa, demonstrada por meio de recomposição do saldo desta conta, que revela a insuficiência de recursos para fazer frente aos dispêndios da pessoa jurídica, caracteriza presunção legal de omissão de receitas.
OMISSÃO DE RECEITAS, ATIVIDADES DIVERSIFICADAS..
No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido e com atividades diversificadas, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela a que corresponder o percentual mais elevado.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA OU DECORRENTE. CSLL. PIS/PASEP. COFINS.
Tratando-se de lançamentos decorrentes ou reflexos efetuados em razão dos mesmos fatos que deram origem ao lançamento principal — IRPJ, aplica-se àqueles a mesma decisão adotada quanto à exigência deste, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
Nos tributos submetidos ao denominado lançamento por homologação, expirado o prazo previsto no parágrafo 4º do art. 150 do CTN sem que a Administração Tributária se tenha pronunciado, independente de ter havido ou não pagamento prévio, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.
DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS.
Declarada a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212, de 1991, pelo Supremo Tribunal Federal (Súmula Vinculante n° 8 — DOU de 20.06.2008), cancela-se o lançamento que não observou o prazo qüinqüenal previsto no Código Tributário Nacional.
JUROS DE MORA. APLICABILIDADE DA TAXA SELIC.
Sobre os débitos tributários para com a União, não pagos nos prazos previstos em lei, aplicam-se juros de mora calculados, a partir de abril de 1995, com base na taxa SELIC.
Numero da decisão: 1102-000.242
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CANCELAR as parcelas do e da CSLL de competência até o terceiro trimestre de 2000, inclusive, e do PIS/PASEP e da Cofins, até o mês de novembro de 2000, inclusive, frente à decadência de oficio reconhecida. No mérito, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Silvaria Rescigno Guerra Barreto e João Carlos de Lima Júnior que cancelavam o lançamento, rios termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
Nome do relator: João Otávio Oppermann Thomé
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Recorrida DRJ-RECIFE/PE Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI, INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: LUCRO PRESUMIDO. SALDO CREDOR DE CAIXA. A ocorrência de saldo credor de caixa, demonstrada por meio de recomposição do saldo desta conta, que revela a insuficiência de recursos para fazer frente aos dispêndios da pessoa jurídica, caracteriza presunção legal de omissão de receitas, OMISSÃO DE RECEITAS, ATIVIDADES DIVERSIFICADAS.. No caso de pessoa .jurídica tributada com base no lucro presumido e com atividades diversificadas, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela a que corresponder o percentual mais elevado, TRIBUTAÇÃO REFLEXA OU DECORRENTE.. CSLL. PIS/PASEP. COFINS. Tratando-se de lançamentos decorrentes ou reflexos efetuados em razão dos mesmos fatos que deram origem ao lançamento principal — IRPJ, aplica-se àqueles a mesma decisão adotada quanto à exigência deste, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos tributos submetidos ao denominado lançamento por homologação, expirado o prazo previsto no parágrafo 4 0 do art. 150 cio CIN sem que a Administração Tributária se tenha pronunciado, independente de ter havido ou não pagamento prévio, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação„ DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Declarada a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212, de 1991, pelo Supremo Ti ibunal Federal (Súmula Vinculante n° 8 — DOU de 20.06.2008), cancela-se o lançamento que não observou o prazo qüinqüenal previsto no Código Tributário Nacional. JUROS DE MORA. APLICABILIDADE DA TAXA SELIC. Sobre os débitos tributários para com a União, não pagos nos prazos previstos em lei, aplicam-se juros de mora calculados, a partir de abril de 1995, com base na taxa SELIC.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CANCELAR as parcelas do e da CSLL de competência até o terceiro trimestre de 2000, inclusive, e do PIS/PASEP e da Cotins, até o mês de novembro de 2000, inclusive, frente à decadência de oficio reconhecida. No mérito, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Silvaria Rescigno Guerra Barreto e João Carlos de Lima Júnior que cancelavam o lançamento, rios termos do relatório e voto que integram o presente julgado.. á; / d ' nr. iv rir MAL •MS SSOA MONTEIRO - Presidente. or- JOÃO OTÁVI* PPERMANN THOME - Relator. EDITADO EM: n 1 SET 2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente), João Carlos de Lima Júnior (Vice-Presidente), João Otávio Opperman Thomé (Relator), Silvaria Rescigno Guerra Barreto, José Sérgio Gomes (Suplente Convocado), e Manoel Mota Fonseca (Suplente Convocado). 2 Processo n' 11618. 005013/2005-56 SI-C I T2 Aeórclã o o II 02-00242 FI '? Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício efetivado por meio dos Autos de Infração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ, fls. 03 a 07, e seus reflexos: Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, lis, 17 a .21, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofias, fis. .30 a 34, e Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, fls. 43 a 48. A ação fiscal está devidamente amparada pelo respectivo Mandado de Procedimento Fiscal — MPF n° 04.3,0100-2004-00117-5, fis.. 01, e suas prorrogações, e foi instaUrada após procedimentos de busca e apreensão realizados em 26/11/2003 em decorrência de decisão proferida nos autos de Ação Cautela de Busca e Apreensão n° 200.3.82.01.006468- 0, da justiça Federal de Primeira instância, Seção Judiciária da Paraíba, requerida pelo Ministério Público Federal. A partir da análise da documentação apreendida, bem como dos registros contábeis e dos esclarecimentos prestados pela fiscalizada, e ainda, especialmente, das coletas de informações junto a terceiros com os quais a fiscalizada travou transações comerciais ou financeiras, procedeu a fiscalização à elaboração de um demonstrativo de recomposição do caixa da empresa, fls. 673, no qual restou evidenciada a insuficiência de recursos (saldo credor), caracterizando a omissão de receita, objeto da autuação fiscal. Inconformada com o lançamento, a intereressada apresentou impugnações a todos os autos de infração, as fls. 716 a 731, 737 a 752 e 755 a 769, alegando, em síntese, que: a) quanto ao IRPJ e a CSLL, para a apuração da receita bruta omitida, que a fiscalização teria se valido de "meios heterodoxos, incompatíveis com a legislação de regência". A referida receita, no seu entender ., não serviria para compor sua receita bruta como base para o arbitramento, uma vez que "o art. .51 da Lei n° 8,981/199.5 enumera exaustivamente, sem admitir ampliaçk,5 as possibilidades de determinação do lucro arbitrado quando a receita bruta da empresa não é conhecida." b) Quanto ao P1S/Pasep e à Cofias, que a Lei n° 9,718/98, não poderia ter modificado o conceito de faturamento, para .fins de incidência dessas contribuições, e que esta alteração é inconstitucional, cita doutrina e jurisprudência. Sendo base de cálculo nova, somente poderia ter sido implementada por meio de Lei Complementar, Além disto, o aumento da alíquota da Cofias, de .2% para 3%, também feriu o principio da isonomia, c) Quanto a multa de ofício aplicada, de 75%, que é inconstitucional e confiscatória, d) Quanto aos juros de mora calculados com base na taxa SELIC, que são inconstitucionais, 3 A 3" Turma da DR.I/Recife manteve integralmente o lançamento. Observou que a interessada em nenhum momento se contrapôs diretamente à infração constatada pelo autuante, qual seja a indicação de saldo credor de caixa em sua escrituração. Observou, também, que não houve o alegado arbitramento do lucro, tendo sido a base de calculo do imposto apurada com base no lucro presumido, "vez que a interessada, ao longo dos anos, Optou pela apta ação do lucro presumido, nada obstante ter apresentado declarações de inatividade para as anos-calendátio de 2001 e 2002 " Por fim, observou que não é competente para para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ciente desta decisão em 13/11/2006, conforme lis. 787, a interessada apresentou recurso voluntário a este Conselho, fls. 791, em 11/12/2006, alegando, em síntese, que: a) a decisão ora recorrida tenta, por diversas vezes, justificar a determinação por arbitramento do lucro da Recorrente, muito embora as DCTF e DIPI apresentados pela Recorrente, além de outros documentos fiscais de que dispunha, fossem suficientes à verificação da idoneidade dos cálculos e recolhimentos tributários relativos ao regime de apuração seguido pela Recorrente. b) a decisão do fisco de arbitrar a base de cálculo do IRRI e da CSLL, invocando, para tanto, o artigo 47 da Lei n° 8,981/95, não pode ser aceita, pois nenhuma das hipóteses ali previstas nos incisos deste artigo aplicam- se ao seu caso, e) repete os argumentos quanto à inadequação dos "meios heterodoxos" utilizados pelo .fisco para apurar a sua receita bruta como base para o arbitramento, que esta apuração somente poderia ser feita nos moldes do art. 51 da Lei n° 8981/95, que trata do arbitramento do lucro das pessoas jurídicas quando não conhecida a receita bruta. d) repete também os argumentos quanto à ampliação da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cotins, feita pela Lei no 9.718/98, e quanto ao caráter confiscatório da multa de oficio aplicada, e à sua inconstitucionalidade, assim como também dos juros de mora calculados com base na taxa SELIC, e) entende que é possível aos órgãos julgadores administrativos apreciarem a constitucionalidade das leis, cita doutrina a respeito. É o relatório. 1 4 Pi ()cesso n" 11618 005013/2005-56 SI-C1T2 Acãcliio n " 1102-00242 H. 3 Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, a recorrente, desde o início, insiste no argumento da impossibilidade de o fisco utilizar o arbitramento como forma de apuração dos seus lucros. Contudo, tal argumento é completamente desprovido de sentido, uma vez que a fiscalização utilizou o lucro presumido como forma de tributação para as receitas omitidas que apurou no procedimento fiscal, Tendo em vista que a recorrente havia apresentado declarações de inatividade nos anos calendário 2001 e 2002, conforme lis, 144 a 149, a fiscalização perquiriu a recorrente, conforme intimação de fis. 315, nos seguintes termos: "Pergunta-se também qual a forma de tributação adotada pela empresa para os anos de 2001, 2002, 2003 e 2004? Lucro Presumido, Real trimestral, real anual ou arbitrado?" Ao que a recorrente respondeu, verbis: "A empresa optou pelo Lucro Presumido nos anos de 2001, 2002, 2003 e 2004, mesma forma de tributação dos anos de 1999 e 2000," Quanto à sua escrituração, é de se observar que a empresa apresentou à fiscalização, entre outros, os livros Diário, Razão e Balancetes Analíticos Mensais, referentes aos anos-calendários de 2000 a 2003, autenticados pela Junta Comercial do Estado da Paraíba (jUCEP), escritório regional de Patos, muito embora deva-se observar que, com relação a este período, somente no ano calendário de 2003 há algum registro de receita auferida, sendo que, nos demais anos, encontram-se lançamentos tão somente de despesas com depreciação e outros •• custos gerais de produção. Por este motivo, seus demonstrativos de resultado anuais acusam sempre valores negativos, conforme se pode verificar às fis, 16 e 123 do Anexo VI, Volume I, e fis. 246 e 366 do Anexo VI, Volume II, respectivamente, para os anos calendário de 2000, .2001, 2002, e 2003. A partir destes livros e documentos, bem como da documentação apreendida, o fisco conduziu uma extensa investigação. Foram feitas diversas eircularizações junto a terceiros, com os quais a fiscalizada travou transações comerciais ou financeiras, para confirmar as datas e os valores dessas transações. De forma sintética, estes procedimentos 011 abrangeram as seguintes operações: - aquisição ou venda de equipamentos, produtos ou mercadorias, encontrando-se a documentação no Anexo 1, Volume Único; - aquisição, venda ou leasing de veículos automotores (documentação no Anexo II, Volumes I e II); 5 - aquisição de querosene de aviação e manutenção de aeronave (documentação no Anexo III, Volumes I e II); - operações imobiliárias praticadas pela recorrente (documentação no Anexo IV, Volume único)., Os resultados de todas estas circularizações estão sintetizados nos demonstrativos elaborados pela autoridade fiscal de fls, 674 a 713, nos quais constam a data cio pagamento ou recebimento, o seu valor, e os demais dados que permitem a sua verificação documental junto aos anexos citados.. Além disto, foram também computados nestes demonstrativos os valores dos pagamentos efetuados relativos aos empregados da recorrente, conforme os relatórios da folha de pagamento mensal (Volume 3 do processo principal) e os demonstrativos individuais de pagamento de salários (Anexo V, Volumes 1 e II), os quais haviam sido apreendidos na Busca e Apreensão realizada, Por fim, também foram computados nestes demonstrativos os pagamentos e recebimentos registrados na contabilidade da empresa, os quais, conforme antes referido, eram muito poucos (como exemplo, o pagamento de -fornecedores registrado em 11/05/2000, no valor de R$ 5,697,03, registrado no Diário, lis. 06, do Anexo VI, Vol. 1, incorporado ao demonstrativo elaborado pela fiscalização, às fis,.677). Desta forma, o procedimento fiscal consistiu em recompor o caixa da empresa a partir do saldo inicial contabilizado em 01/01/2000, de modo que restou evidenciado o saldo credor de caixa, conforme demonstrativo elaborado pelo fisco às fls, 673, que o denominou de "Demonstrativo de Insuficiência de Recursos por Mês," Os valores assim apurados foram objeto da autuação fiscal por caracterizarem omissão de receita, por presunção legal. Este procedimento nada tem de heterodoxo, pelo contrário, é expressamente previsto como uma das formas de apuração de omissão de receitas, aplicável, no meu entender, a todas as formas de tributação previstas, quer lucro real, quer- presumido, quer arbitrado, desde que existentes os elementos que permitam a sua apuração.. E, conforme relatado, a fiscalização observou o regime do lucro presumido, respeitando a manifesta opção da recorrente. A presunção legal de omissão de receitas por saldo credor de caixa, como é cediço, é presunção relativa, podendo ser elidida caso a parte produza prova em contrário. A recorrente, contudo, em nenhum momento apresentou qualquer contestação quanto aos fatos concretos, quais sejam, os efetivos pagamentos e recebimentos apontados pelo fisco, os quais de resto encontram-se comprovados pelos documentos acostados aos autos, mas apenas limitou-se a proclamar a inadequação da via eleita pelo fisco pata quantificar a sua receita, no que não lhe assiste razão, conforme demonstrado. Ou seja, a recorrente nada fez para constituir prova em contrário quanto à presunção legal de omissão de receitas. Quanto ao percentual de presunção utilizado pelo fisco, observo que este encontra amparo no art. 24, § 1°, da Lei n° 9.429/95, que assim dispõe: "Ari 24 Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período-base a que correspondei .. a omissão. § I" No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a 6 Processo n" 11618.00501,3/2005-56 SI-CI 12 Acórciào n " 1102 -00242 Fi 4 receita omitida, esta será adicionada àquela a que corresponder o percentual mais elevado. É certo que o procedimento de apuração de saldo credor de caixa não permite identificar a qual atividade se refere a receita omitida, assim como é certo que uma das atividades da recorrente é a prestação de serviços, como o comprovam não apenas o seu contrato social e alterações (v, 7" Alteração Contratual, de 27/01/1999, fis. 182, 9" Alteração Contratual, de 05/09/02, fis. 192, li a Alteração Contratual, de 15/07/03, fis 205), mas também algumas notas fiscais de sua emissão, as quais encontram-se anexas aos autos, às fls. 311 e .312, relativas a serviços de engarrafamento de bebidas. Desta forma, correta a imputação do percentual de presunção de 32%. Quanto os argumentos da recorrente no sentido da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do P1S/Pasep e da Cofins, feita pela Lei n°9.718/98, observo que a receita omitida em questão é receita da atividade, no caso, da prestação de serviços, portanto não há nenhuma pertinência na argumentação suscitada. Quanto às alegações de caráter confiscatório da multa de ofício aplicada, bem como à sua inconstitucionalidade, observo que a sua aplicação no caso concreto decorre exclusivamente da lei tributária, e que falece a este Colegiado competência para afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade, nos termos do que dispõe a Súmula CARF 2, Quanto às alegações de suposta inconstitucionalidade dos . juros de mora calculados com base na taxa SELIC, valem as mesmas observações acima feitas, devendo-se acrescentar, ainda, o teor da Súmula CARF n° 4, atestando a legitimidade de sua incidência. Por fim, quanto aos lançamentos decorrentes ou reflexos, tendo em vista que foram efetuados em razão dos mesmos fatos que deram origem ao lançamento do principal — Imposto sobre a Renda — e que não há quaisquer fatos que possam ensejar solução distinta, devem ser estendidas a eles as conclusões aqui expostas, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Contudo, observo que uma parcela dos lançamentos fiscais deve ser • exonerada, posto que constituída após o prazo decadencial, em que pese esta alegação não ter sido arguida pela recorrente.. De fato, o lançamento fiscal foi cientificado à recorrente em 30/12/2005, e abrange infrações detectadas entre os meses de maio de 2000 e dezembro de .200.3. Ocorre que, nos tributos submetidos ao denominado lançamento por homologação, expirado o prazo previsto no parágrafo 4° do art. 150 do CTN, sem que a Administração Tributária se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.. Com a declaração da inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8,212, de 1991, pelo Supremo Tribunal Federal (Súmula Vinculante n° 8, publicada no DOU de 20 de junho de 2008), o mesmo prazo deve ser observado também para as contribuições sociais. Considerando que a acusação fiscal não contempla o dolo, a fraude ou a simulação, vez que ,os lançamentos foram constituídos com aplicação de multa de ofício de 75%, deve-se exonerar a parcela do crédito tributário relativa aos fatos geradores ocorridos antes de .30 de dezembro de 2000, em razão da decadência do direito da Fazenda de constituir o crédito tributário pelo lançamento. 7 Observo que, para chegar a tal conclusão, irrelevante é a circunstância de que, no caso concreto, não houve qualquer pagamento efetuado com relação aos fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2000. Isto porque entendo que, nos termos do art. 150 do CTN, o que se homologa é o lançamento, e não o pagamento. No lançamento por homologação, a lei tributária atribui ao sujeito passivo a tarefa de verificar a ocorrência do fato gerador, determinar a matéria tributável, calculai o montante do tributo devido, e efetuar o seu pagamento, tudo "sem prévia exame da autoridade aáninisirativa" É justamente nesta característica que reside a diferença entre esta modalidade e o lançamento com base em declaração, no qual, antes que ocorra a notificação do lançamento ao sujeito passivo, este nada deve ao fisco. Ou seja, no lançamento por declaração, ao contrário do lançamento por homologação, o dever do sujeito passivo de adimplir a obrigação tributária só se dá após um prévio exame da autoridade administrativa nas informações prestadas pelos próprios strjeitos passivos em suas declarações. Portanto, não é a existência ou ausência de pagamento antecipado que determina se um tributo é sujeito ao lançamento por declaração ou por homologação, mas sim é a lei que institui o pióprio tributo que o define. Quanto ao pagamento antecipado, ressalte-se mesmo que há circunstâncias em que sequer este seria devido, como por exemplo, tomando-se o IRR1 como referência, a apuração de resultado nulo ou negativo. Inegável, neste sentido, que todos os tributos aqui tratados são regidos pela sistemática do lançamento por homologação. Nesta sistemática, a decadência não segue a regra geral disposta no art. 173, I, do CTN, mas sim aquela contida no § 40 do art. 150, da qual somente se afastaria, conforme antes referido, se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, circunstância esta que não foi imputada à recorrente, Pelo exposto, dou provimento parcial ao recurso do contribuinte, paia cancelar as parcelas do IRPI e da CSLL de competência até o terceiro trimestre de 2000, inclusive, e do PIS/Pasep e da Cotins, até o mês de novembro de 2000, inclusive, mantendo o lançamento fiscal nos demais períodos,. É como voto. /AP -/for o, i, João Otávio •)ermann Thoméopi , -1 , 8
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Numero do processo: 13830.001503/2005-94
Data da sessão: Tue Mar 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL
Exercício. 2001 e 2002
CSLL - SOCIEDADES COOPERATIVAS - BASE DE CÁLCULO - As sobras obtidas pelas Sociedades Cooperativas com seus associados não se configuram como lucro, não subsumindo, portanto, a incidência da contribuição social. Exegese do art. 3o., da Lei n. 5.764/71 e arts. 1 o. e 2o. da Lei n. 7.689/88.
MULTA ISOLADA - Resta descabida a aplicação da multa isolada eis que restabelecida a legitimidade da exclusão dos valores referentes a atos cooperativos, legitima a compensação do saldo negativo apurado com a CSLL devida por estimativa.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1301-000.271
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.Vencidos o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: Valmir Sandri
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Exegese do art. 3o., da Lei n. 5.764/71 e arts. 1 o. e 2o. da Lei n. 7.689/88. MULTA ISOLADA - Resta descabida a aplicação da multa isolada eis que restabelecida a legitimidade da exclusão dos valores referentes a atos cooperativos, legitima a compensação do saldo negativo apurado com a CSLL devida por estimativa. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.Vencidos o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto. ILLIk LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente - • • "DM —Relator EDITADO EM: 2 6 ABR 2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Ricardo Luiz Leal de Melo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Thiago D'Ávila Melo Fernandes, Valmir Sandri e Leonardo de Andrade Couto. 2 Processo n° 13830.001503/2005-94 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.271 Fl. 2 Relatório COOPERATIVA DE ELETRIFICAÇÃO RURAL DE ITAt PARANAPANEMA AVARE LTDA, já qualificada nos autos, recorre da decisão proferida pela 5° Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto - SP, que por unanimidade de votos, JULGOU procedente em parte o lançamento efetuado, apenas para reduzir o percentual da multa isolada de 75% para 50%, mantendo as exigências a titulo de CSLL referente aos anos-calendário de 2000 e 2001, e da Multa Isolada sobre o valor do débito da CSLL de dez/2001, devido por estimativa. De acordo com a autoridade administrativa, o presente processo teve origem em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, no qual a fiscalização constatou exclusão indevida na base de cálculo da CSLL de operações realizadas com cooperados, relativamente aos anos-calendário de 2000, 2001 e 2002, além da falta de recolhimento sobre a base estimada da CSLL referente ao mês de dezembro de 2001, conforme relatado no auto de infração às fls. 04/11. Dessa forma, foi lavrado o Auto de Infração a titulo de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL, fls 03/15), no valor de R$ 339.395,47, já incluídos os juros de mora e das multas proporcional e isolada. Cientificada do lançamento, a Recorrente apresentou em 26.09.2005, tempestivamente, sua impugnação às fls. 164/168, juntando, ainda, os documentos de fls. 169/289, alegando preliminarmente que inexiste fato gerador que justifique a presente infração uma vez que ao preencherem o que determina a legislação especifica, a cooperativa fica isenta da Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido. Para sustento de sua alegação, se baseia: (i) no art. 39 da Lei 10.865/04, que dispõe que as sociedades cooperativas que obedecerem ao disposto na legislação especifica, relativamente aos atos cooperados, ficam isentas da CSLL • (ii) no fato de os atos cooperativos não implicarem em operações de compra e venda de produtos ou mercadorias, conforme disposto no art. 79 da Lei n° 5.764/71; (iii) pelo fato de as sociedades cooperativas não auferirem lucros com atos cooperativos, as sobras não pertencem às mesmas e sim aos cooperados e (iv) na existência de diversas decisões do 1° Conselho de Contribuintes no sentido de que o resultado positivo obtido pelas sociedades cooperativas nas operações realizadas com seus associados não integra a base de cálculo da CSLL No mérito, sustenta que não se enquadra nos termos descritos no presente auto de infração por tratar-se de uma Cooperativa, sendo injusto e ilegal qualquer tipo de punição que venha a sofrer, colacionando acórdão proferido pela Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes neste sentido. Ao final, requer a improcedência da ação fiscal com o conseqüente cancelamento do débito fiscal. À vista da Impugnação, a 5°. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto - SP, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento efetuado. • 3 Inicialmente, consignaram que a impugnação apresentada é tempestiva, bem como atende aos demais requisitos previstos em lei, razão pela qual dela tomaram conhecimento. Após relato dos fatos, os julgadores consignaram preliminarmente que as decisões administrativas, sem uma lei que lhes atribua eficácia, mesmo proferidas por órgãos colegiados, não constituem normas complementares do direito tributário, não podendo ser estendidas genericamente a outros casos, posto que vinculam as partes envolvidas no litígio. Baseiam-se no art. 100 do CTN e no Parecer Normativo CST n°390/71. No mérito, entendeu a 5' Turma da DRJ que, por força de imposição normativa, a CSLL é devida por todas as sociedades cooperativas e incide sobre a totalidade do resultado apurado pela cooperativa no período base em questão, sejam eles relativos às operações com associados ou não. Isto porque, entenderam que além do preceptivo constitucional que impõe a toda a sociedade brasileira o financiamento da seguridade social, o § 7° do art. 195 da Constituição Federal somente institui imunidade tributária com relação às entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas por lei e ainda, a Lei n° 7.689/88, não conferiu nenhuma forma de isenção ou não incidência que aproveite às sociedades cooperativas. Argumenta que o item 9 da IN/SRF 198/88, deixa clara a legalidade da incidência da CSLL sobre os resultados de atos cooperativos e não cooperativos, até 31.122004, quando da entrada em vigor da Lei n°10.865/04 que estabeleceu que as sociedades cooperativas, relativamente aos atos cooperativos ficam isentas da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL Quanto ao conceito de "sobras", esclareceram que "sobras" liquidas são o próprio lucro liquido apurado em balanço, que deve ser distribuído sob a rubrica de retomo ou como bonificação aos associados, não em razão das cotas-parte de capital mas em conseqüência das operações ou negócios por eles realizados na cooperativa, concluindo que o fato de a lei do cooperativismo denominar de sobra, não tem o intuito de excluí-la do conceito de lucro, mas permitir um disciplinamento específico da destinação desses resultados, cujo parâmetro, a seu entender, é o volume das operações de cada associado, enquanto o lucro deve guardar relação com a contribuição do capital, de acordo com o art. 187 da Lei n° 6.404/76. Sendo assim, entenderam que não há que se falar em não incidência da CSLL sobre os resultados da sociedade cooperativa, qualquer que seja a denominação adotada, sejam esses resultados decorrentes de atos cooperativos ou não. Colaciona Solução de Consulta DISIT n°29/2001, exarada pela SRF e acórdão do Conselho de Contribuintes. Lembraram, ainda, que somente se pode conceder isenção, exclusão ou outra forma de não tributação mediante autorização legal expressa, nos termos do art. 111 do CTN. Justificam a aplicação da multa isolada pela falta de recolhimento da CSLL devida sobre a estimativa no mês de dezembro de 2001, tendo em vista que, pelo fato de a Recorrente ter realizado exclusões indevidas da base de cálculo da CSLL relativamente às operações realizadas com cooperados, apurou saldo negativo, e que em razão da glosa dessas deduções indevidas, foram refeitos os cálculos da CSLL, tendo resultado em valor a pagar. No entanto, em virtude da alteração do artigo 44 da Lei n° 9.430/96 pelo art. 14 da MP n°351/2007, reduziram o percentual da multa isolada aplicada de 75% para 50%. 4 Processo n° 13830.001503/2005-94 S1-C3T1 Acórdão n•° 1301-00.271 Fl. 3 Intimada da decisão de primeira instância em 04.01.2008, às fls. 308, a contribuinte recorreu a este E. Conselho de Contribuintes, tempestivamente, em 30.01.2008, às fls. 310/335, e após transcorrer sobre a natureza jurídica da sociedade cooperativa, alega em síntese o que se segue: O artigo 111 da Lei n° 5.764171, prevê hipótese de incidência tributária somente aos artigos 85,86 e 88 da mesma Lei, ou seja, nas operações com pessoas fora do seu quadro associativo. Quando as cooperativas praticam operações com não associados, auferem lucros, estes sim sujeitos à incidência tributária, conforme art. 87 da Lei do cooperativismo; Não estão sujeitos à incidência de tributos os resultados positivos, denominados sobras, obtidos pelas cooperativas nos negócios realizados com seus próprios associados, quando tais negócios dizem respeito a serviços que, na conformidade dos estatutos, a cooperativa esta destinada e obrigada a prestar aos seus associados. As sociedades cooperativas, conforme inciso lido art. 44 da Lei n° 5.764/71, apuram sobras ao final do período-base, oriundas das atividades de seus cooperados e que tais sobras são excesso de contribuições não tendo conotação de lucro; As sobras devem retomar aos associados e a eles pertencem, conforme já estabelecido pela Secretaria Receita Federal através dos Pareceres Normativos CST n° 77/76 e 66/86, e uma vez que não constituem acréscimo patrimonial para os associados que as recebem, mas devoluções de recursos não utilizados não podem ser tipificadas como fato gerador de qualquer espécie tributária; O legislador ordinário vem reiteradamente equiparando as regras de apuração da CSLL às do IRPJ, conforme disposto no art. 44 da Lei n° 8.383/91, art. 38 da Lei n° 8541/92, art. 57 da Lei n°8.981/95 e art. 28 da Lei n°9.430(96; Colaciona diversas decisões do Conselho de Contribuintes, dos Tribunais Regionais Federais e do Superior Tribunal de Justiça pela não incidência da CSLL sobre os atos cooperativos. Finalmente, requer seja acolhido e provido o recurso voluntário apresentado, cancelando-se o auto de infração lavrado. É o relatório. Voto Conselheiro VALM1R SANDRI O recurso é tempestivo e preenche os requisitos para a sua admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. Conforme se depreende do relatório, trata-se o presente de recurso voluntário contra decisão de primeira instância, que por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento para reduzir o percentual da multa isolada de 75% para 50%, mantendo as -- 5 &mais exigências efetuadas a titulo de CSLL, referente aos anos-calendário de 2000 e 2001 e da Multa Isolada sobre o valor do débito da CSLL de dez/2001, devido por estimativa. Da leitura do relato fiscal às fls. 04/10 do auto de infração, depreende-se que as exigências tiveram origem em exclusão indevida na base de cálculo da CSLL de ato cooperativo, além da falta de recolhimento sobre a base estimada. Em sua defesa, a Recorrente alega em síntese que: (i) os conceitos de "sobras" e "lucro" não se confundem; (ii) não incide a CSLL sobre as operações realizadas com associados; (iii) para haver a incidência da CSLL é necessário que exista lucro; (iv) nas cooperativas inexiste lucro decorrente dos atos cooperativos. É sabido que a atividade das cooperativas apresenta características peculiares, estando sujeitas ao cumprimento de regras próprias, constantes de legislação especifica. A Lei n° 5.764/71 disciplina a constituição, e o funcionamento das cooperativas, definindo direitos e deveres, a natureza dos atos cooperativos praticados que não visam lucro por força de lei (art. 3°.), e que, por conseguinte não constituem base de tributo, e os atos não cooperativos praticados pela cooperativa conforme determinações contidas nos artigos 85, 86 e 88 desta lei, que definem e delimitam as operações com as quais as cooperativas poderão efetuar, sem, no entanto perder a sua natureza jurídica de cooperativa, os quais geram lucros pela intennediação entre os seus associados e terceiros, os quais se submetem a tributação como as demais atividades econômicas com fins lucrativos. Portanto, por não constituir lucro o resultado positivo dos atos cooperativos, não há o que se falar em incidência de CSLL sobre tal resultado, vez que o artigo 1°. da Lei n. 7.689/88 que instituiu a referida contribuição, dispôs expressamente que a mesma incidiria sobre o lucro das pessoas jurídicas, tendo o art. 2°. da referida lei definido a sua base de cálculo no limite consagrado no artigo 1°., qual seja, o lucro da pessoa jurídica. No âmbito do Poder Judiciário, o Superior Tribunal de Justiça, ao analisar os resultados provenientes da prática de atos cooperativos e não cooperativos por sociedades cooperativas, vem afastando tal incidência, senão vejamos: "SOCIEDADE COOPERATIVA DE CRÉDITO. CSLL ISENÇÃO SOBRE OS ATOS TIPICAMENTE COOPERATIVO& LEI 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE N° 10/STF. INAPLICABILIDADE. I - Os atos tipicamente cooperativos por não implicarem em operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produtos ou mercadorias, conforme a Lei das Sociedades Cooperativas (Lei n° 5.764/71), não geram faturamento, bem assim não produzem lucro para a sociedade, porquanto o resultado positivo decorrente dos seus atos pertence exclusivamente a cada um dos cooperados. Em face de tais peculiaridades, os atos das cooperativas de crédito, ressalvado o disposto nos artigos 86 e 87 da Lei n° 5.5764/71, não sofrem incidência tributária, inclusive de CSLL. Precedentes: AgRg no REsp n° 749.345/RS, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, DJ de 08/08/2005; AgRg no REsp ri0 650.656/RJ, Rel. MM. FRANCISCO FALCÃO, DJ de 17/12/2004; REsp n° 573.393/RS, Rel. Min. CASTRO ME1RA, DJ de 28/0612004 e AgRg nos EDcl no Ag n° 980.095/SP, Rel. Min. LUIZ FUX, DJe de 29/09/2008. II - Na hipótese dos autos não se cogita de incidência da súmula vinculante n° 10 do STF, porquanto não se está afastando a aplicação do parágrafo 1° do artigo 22 da Lei n° 8.212/91, que determina para a cooperativa de crédito a contribuição de acordo com o O Processo n° 13830.001503/2005-94 S1-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.271 Fl. 4 faturamento ou lucro. A norma, ao imputar a sociedade cooperativa a contribuição sobre o faturamento e o lucro (art. 23 da Lei n° 8.212/91), criou hipótese de incidência tributária irrealizável, uma vez que os atos tipicamente cooperativos não produzem qualquer vantagun ou lucro para a cooperativa, não implicando ainda suas atividades em faturamento conforme definido na Lei das sociedades cooperativas (Lei n°5.764/71). III - Agravo Regimental improvido." (AgRg no REsp 1057481. P Turma. Rel. Mim Francisco Falcão DOU de 19.11.2008) No âmbito administrativo a matéria há tempo já esta sedimentada no sentido de que não integra a base de cálculo para apuração da Contribuição Social, o resultado positivo obtido pelas cooperativas nas operações realizadas com seus associados, conforme se depreende do Acórdão CSRF/01-01.734, de 14 de agosto de 1994, que se encontra assim ementado: "CONTRIBUIÇÃO SOCIAL — SOCIEDADES COOPERATIVAS — O resultado positivo obtido pelas sociedades cooperativas nas operações realizadas com seus associados, os chamados atos cooperativos, não integra a base de cálculo da Contribuição Social. Exegese do artigo 111 da Lei n. 5.764/71 e artigos 1°. e 2°. da Lei n. 7.689/88." Desta forma, acompanho a jurisprudência desta Casa no sentido de que, por não constituir lucro da cooperativa o resultado positivo obtidos nas operações realizadas com seus associados, não há o que se falar na incidência da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido sobre tal resultado, Quanto à aplicação da Multa Isolada, pela falta de recolhimento sobre a base estimada da CSLL referente ao mês de dezembro de 2001 - em que apurou saldo negativo -, pelo fato da contribuinte ter realizado exclusões da base de cálculo da CSLL relativamente às operações realizadas com cooperados, glosada pela fiscalização, a questão restou prejudicada, eis que restabelecida as exclusões por ela efetuada em razão do provimento acima — não tributação pela CSLL dos atos cooperados -, restabelece-se o status quo ante da base de cálculo da CSLL apurada pela contribuinte e, consequentemente desaparece a base imponível de tal penalidade, não havendo, portanto, como subsisti-la. A vista do acima exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso voluntário apresentado pela Recorrente. É como voto. : • RI — Relator 7
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Numero do processo: 10830.009075/2010-17
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
ISENÇÃO QUE TRATA O ARTIGO 55 LEI 8.212/91
Para fazer jus a isenção que trata a lei, mister que a instituição/contribuinte atenda todas as exigências, sendo ela cumulativa, implicando que ausente um quesito configura desacordo com as determinações.
No presente caso o Recorrente/Contribuinte acode somente um dos requisitos que é o conhecimento de utilidade pública federal, não contando com igual reconhecimento na esfera estadual, e, igualmente, não é portadora de registro e Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social emitido pelo Conselho Nacional de Assistência Social - CNAS, exigido à época.
MULTA
Devido a aplicação do artigo 106, Inciso II, Alínea C do CTN, aplica-se a retroatividade de lei ao contribuinte, se for a mais benéfica.
No caso em tela, quanto a aplicação da multa, a mais benéfica é a do artigo 61, da Lei 9.430/1996.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-003.802
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
MARCELO OLIVEIRA Presidente
(assinado digitalmente)
WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Marcelo Oliveira, Bernadete de de Oliveira Barros, Mauro José Silva, Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antonio de Souza Corrêa e Adriano Gonzáles Silvério.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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Voluntário Acórdão nº 2301003.802 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de outubro de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente CIRC DE AMIGOS DO PATRULHEIRO DE VALNHOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 ISENÇÃO QUE TRATA O ARTIGO 55 LEI 8.212/91 Para fazer jus a isenção que trata a lei, mister que a instituição/contribuinte atenda todas as exigências, sendo ela cumulativa, implicando que ausente um quesito configura desacordo com as determinações. No presente caso o Recorrente/Contribuinte acode somente um dos requisitos que é o conhecimento de utilidade pública federal, não contando com igual reconhecimento na esfera estadual, e, igualmente, não é portadora de registro e Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social emitido pelo Conselho Nacional de Assistência Social CNAS, exigido à época. MULTA Devido a aplicação do artigo 106, Inciso II, Alínea C do CTN, aplicase a retroatividade de lei ao contribuinte, se for a mais benéfica. No caso em tela, quanto a aplicação da multa, a mais benéfica é a do artigo 61, da Lei 9.430/1996. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). MARCELO OLIVEIRA – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 90 75 /2 01 0- 17 Fl. 25DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCELO OLIVE IRA 2 (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA – Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Marcelo Oliveira, Bernadete de de Oliveira Barros, Mauro José Silva, Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antonio de Souza Corrêa e Adriano Gonzáles Silvério. Fl. 26DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 10830.009075/201017 Acórdão n.º 2301003.802 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado à constituição de crédito tributário previdenciário relativo às contribuições sociais devidas pela empresa destinadas a Outras Entidades (Salário Educação, Incra, Sesc e Sebrae), incidentes sobre as remunerações de seus segurados empregados, bem assim, contribuições devidas pela empresa à Seguridade Social incidentes sobre a remuneração de contribuintes individuais, abrangendo o período de 01/2006 a 12/2007, incluindose o 13° salário. Conforme o Relatório Fiscal de fls. 88/89, durante o período auditado o contribuinte se autoenquadrou como entidade isenta às contribuições devidas pela empresa à Seguridade Social. No entanto, não logrou demonstrar o preenchimento dos elementos necessários à fruição de tal direito, na forma do artigo 55 da Lei n° 8.212/91, em vigor à época dos fatos geradores. A fiscalização sustenta ter elaborado a competente Representação Fiscal Para Fins Penais — RFFP, pela ocorrência, em tese, dos delitos previstos nos artigos 197, inciso III, e 337A do Código Penal. O lançamento abrange os seguintes levantamentos: "SE" e "SE 1 ", referente às contribuições patronais incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, e "CI" e CI1", referente às contribuições patronais incidentes sobre a remuneração dos segurados contribuintes individuais. Irresignado com o lançamento, impugna em peça própria o Auto de Infração, fls. 101/106, postulando pelo cancelamento da autuação e sua improcedência, aduzindo, em síntese: i) que a entidade se encontra inscrita junto ao Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente e no Conselho Municipal de Assistência Social; ii) que é portadora de Certificado de utilidade pública federal, conforme Portaria n° 1.649, de 07/07/2004; que não consta validade do referido Certificado, valendo com prazo indeterminado, tendo sido feita sua renovação e; iii) que o efeito de tal certificado é ex tunc, fazendo desaparecer a exigibilidade do crédito tributário. A DRJ/Campinas julgou procedente o lançamento em sua totalidade. A Recorrente interpôs o presente recurso aviado, com as mesmas alegações da impugnação. É a síntese do necessário. Fl. 27DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCELO OLIVE IRA 4 Voto Conselheiro Wilson Antonio de Souza Correa – Relator. A defesa registrada no presente remédio processual está limitada a discussão da eficácia do Certificado de Utilidade Pública Federal para fazer jus à isenção que trata a Lei 8.212/91, em desapego à necessidade do preenchimento de outros requisitos à fruição. Sem razão a Recorrente. Como dizem os latinos, na clareza da lei, cessa sua interpretação. Reza o artigo 55 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, em vigor à época dos fatos geradores, dispunha, in verbis: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: (Revogado pela Medida Provisória n°446, de 2008). I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Medida Provisória n° 2.18713, de 2001). III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer titulo; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades.(Redação dada pela Lei n°9.528, de 10.12.97). § 1° 0 Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2° A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. § 3º Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. (Incluido pela Lei n° 9.732, de 1998). (Vide AD1N n° 20285) §. 4º 0 Instituto Nacional do Seguro Social INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei n° 9.732, de 1998). (Vide ADIN n° 20285) § 5º Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. (Incluído pela Lei n° 9.732, de 1998). (Vide ADIN n° 20285) § 6º A inexistência de débitos em relação às contribuições sociais é condição necessária ao deferimento e a manutenção da isenção de que Fl. 28DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 10830.009075/201017 Acórdão n.º 2301003.802 S2C3T1 Fl. 4 5 trata este artigo, em observância ao disposto no § 3o do art. 195 da Constituição. (Incluído pela Medida Provisória n°2.18713, de 2001). Vêse que a lei é clara e exige o preenchimento de todos os requisitos elencados em seu seus incisos, cumulativamente. Depreendese nos autos que a Recorrente acode somente um dos requisitos que é o conhecimento de utilidade pública federal, não contando com igual reconhecimento na esfera estadual, e, igualmente, não é portadora de registro e Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social emitido pelo Conselho Nacional de Assistência Social CNAS. Também a Recorrente não tem o requerimento exigido no § 10 do citado artigo 55 da Lei n° 8.212/91. Desta forma, tornase impossível reconhecer a isenção de contribuição previdenciária requerida pela Recorrente, pois a Carta Maior, quando trata da isenção das contribuições previdenciárias, estabelece: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da Unido, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: omissis... § 7° São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Multa – Retroatividade benigna Consta do Relatório Fiscal que a Fiscalização aplicou a multa de conformidade com o que estatui a atual lei em vigor, ou seja, a que aplica a pena menos severa ao contribuinte. Igualmente, há de se registrar que o dispositivo legal da multa aplicada foi alterado pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, merecendo verificar a questão relativa à retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. Segundo as novas disposições legais, a multa de mora que antes respeitava a gradação prevista na redação original do artigo 35, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, passou a ser prevista no caput desse mesmo artigo, mas agora limitada a 20% (vinte por cento), uma vez que submetida às disposições do artigo 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Em princípio houve beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo qual incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 61 da Lei n° 9.430/96, se mais benéfica ao contribuinte. CONCLUSÃO Diante do exposto tenho que o Recurso aviado encontrase em consonância com a legislação processual, razão pela qual dele conheço, para no mérito DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo, conforme relatório fiscal elucida, aplicar a pena de multa mais benéfica ao contribuinte, cuja qual é a do artigo 61 da Lei 9.430/1996. É como voto. WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator (assinado digitalmente) Fl. 29DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCELO OLIVE IRA 6 Fl. 30DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCELO OLIVE IRA
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Numero do processo: 13572.000022/88-70
Data da sessão: Tue Jul 11 00:00:00 UTC 1989
Ementa: ISENÇÃO/SUDENE/ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL
- Pessoa jurídica, detentora de declaração
de estar apta a gozar de isenção,
nem por isso deixa de ficar
sujeita ao fiel cumprimento dos princípios gerais denominantes na sistemática da legislação tributária, á qual a lei concedente do benefício se liga umbelicalmente. A pessoa jurídica
beneficiada deve, portanto, demonstrar a veracidade dos resultados obtidos, no respeitante á escrituração
contábil, á normalidade,usualidade ou realidade das despesas dedutíveis, assim também a todas as prescrições legais, inclusive constituir a reserva específica de capital
pelo valor do imposto que deixa de pagar. A redução de receita, através de descontos, somente se admite quando estes se comprovam plenamente e a amortização das despesas pré-operacionais (gastos de implantação)não pode ir além da taxa anual permitida.
Numero da decisão: 101-78.894
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integra
o presente julgado.
Nome do relator: Celso Alves Feitosa
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ementa_s : ISENÇÃO/SUDENE/ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL - Pessoa jurídica, detentora de declaração de estar apta a gozar de isenção, nem por isso deixa de ficar sujeita ao fiel cumprimento dos princípios gerais denominantes na sistemática da legislação tributária, á qual a lei concedente do benefício se liga umbelicalmente. A pessoa jurídica beneficiada deve, portanto, demonstrar a veracidade dos resultados obtidos, no respeitante á escrituração contábil, á normalidade,usualidade ou realidade das despesas dedutíveis, assim também a todas as prescrições legais, inclusive constituir a reserva específica de capital pelo valor do imposto que deixa de pagar. A redução de receita, através de descontos, somente se admite quando estes se comprovam plenamente e a amortização das despesas pré-operacionais (gastos de implantação)não pode ir além da taxa anual permitida.
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Recorrida — DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM ARACAJÚ — (SE). ISENÇÃO/SUDENE/ESCRITURAÇÃO CONTÂBIL - Pessoa jurídica, detentora de de- claração de estar apta a gozar de i- senção, nem por isso deixa de ficar sujeita ao fiel cumprimento dos prin cã:pios gerais denominantes na siste: mãtica da legislação tributária, ã . qual a lei concedente do benefício se liga umbelicalmente. A pessoa ju- rídica beneficiada deve, portanto, demonstrar a veracidade dos resulta- . dos obtidos, no respeitante ã escri- turação contãbil, ã normalidade,usua lidade ou realidade das despesas de-1 (lu-Eiveis, assim também a todas as prescrições legais, inclusive consti tuir a reserva específica de capi- tal pelo valor do imposto que deixa de pagar. A redução de receita, atra vés de descontos, somente se admite quando estes se comprovam plenamente e a amortização das despesas pre-ope racionais (gastos de implanta-ção)não . pode ir alem da taxa anual permitida'. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por UBATAL - USINA BENEFICIADORA DE ALGODÃO TEIXEIRA ALVES LTDA.: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimen to ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integra , o presente julgado. , ( ,'/ 1íSala das Sessões (DF), em 11 de julho de 1989 /15v.v URGL PERIOrL05 - PRESIDENTE ./.5r Aí/ Aí; CELSO ALVES E r TzSA - RELATOR „7- fr07. , VISTO EM AFONSO , LS4 FERREIRADE S - PROCURADOR DA FA- - SESSÃO DE: 9 1 r.:1" 1C89 ZENDA NACIONALiJ Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conse- lheiros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, FRANCISCO DE ASSIS MIRAN DA, CRISTÓVÃO ANCHIETA DE PAIVA, CÂNDIDO RODRIGUES NEUBER e JOSr EDUARDO RANGEL DE ALCKMIN. Ausente por motivo justificado o Con- selheiro RAUL PIMENTEL. 2 . • • '•'; SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PliocEsSO r49 13572-000.022/88-70 RECURSO NV: 94.046 ACÓRDÃO NY: 101-78.894 . RECORRENTE : UBATAL - USINA BENEFICIADORA DE ALGODÃO TEIXEIRA ALVES LTDA. RELATÓRIO Foi a Recorrente tributada, tendo arbitrado o seu lucro, exercício de 1988, ano base de 1987, deixando de assim proce- der o FISCO quanto aos anos-base de 1985 e 1986, uma vez que nestes últimos entendido encontrar-se ela ém fase pré-operacional. Deveu-se o entendimento do FISCO ao fato da falta: de precisão dos lançamentos contábeis; da imprescindível clareza;de individualiàação das contas; de identificação dos credores e devedo- res; de registro das operações bancárias; de compras, etc. A fundamentação para a exigência decorreu do dispos to nos artigos: 157, 19, 160, '§ 19, 161, I, 165, 167, 399, I e IV 400 do RIR/80. A fls. 113 existe uma informação do FISCO concor- dando com o deferimento da prorrogação do prazo para impugnação, re querido a fls. 114. A fls. 117 se vê a impugnação da Recorrente, negan- do infração a qualquer dos incisos do artigo 399 do RIR, entendo de _ masiado o rigor do FISCO. Alega que a jurisprudência administrativa é no sentido de aproveitar a escrita nos casos de sua existência, a- crescentando as omissões ocorrida, citando o julgado da CSRF de n9 01.0.017. Termina dizendo que por estar estabelecida em área daAgp /7/ SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 13572-000.022/88-70 3. Acórdão n9 101-78.894 NE, amparada por isenção, nos termos da Portaria n9 354/88, qual quer que fosse o resultado de seus lançamentos, resultaria na impossibilidade de tributação, dal porque se impunha o arquiva-- mento dos autos. O FISCO se manifestou a fls. 128/130 no sentido de que não feira rigoroso, tendo resultado o arbitramento da to- tal impossibilidade de apuração, pela escrita, dos dados re'áis. Tanto assim que a impugnação não tocou ou enfrentou qualquer das acusações constantes do relatório que antecedeu o arbitramento ou fatos constantes do auto de infração. Disse ainda que a Recorrente incidia em erro ao entender que a sua condição de empresa instalada na área da SUDE NE a amparava, citando trecho do acórdão Primeiro Conselho de Contribuintes, de n9 101-76.461; em seu socorro. A fls. 132/136 se encontra a decisão recorrida a qual, com fundamento na decisão desta Câmara, Acórdão citado em caso análogo, manteve a tributação, uma vez que á-isenção re- clamada tinha por base o lucro da exploração, impossível de ser alcançado sem uma escrita regular. Manteve a exigência do auto de infração. Intimada a Recorrente no dia 03.03.89 da deci- são, apresentou o seu recurso em 21.03.89, lamentando que a Auto ridade Monocrática não soubesse que a competência para reconhe- cer a isenção, a partir da Lei n9-5.508/68 era da SUDENE, exclu- sivamente, determinação incorporada ao RIR/80 no seu artigo 445, descartado assim o entendimento de se atribuir ã Autoridade Fa- zendária a competência para reconhecer o direito ã isenção. Alega ainda a Recorrente que mesmo que imprestá- vel a sua contabilidade, esse fato não poderia ter prejudicado a isenção, conforme reconhecido pelo TFR na apelação civil número' 107.121-SE, de 11.10.88, que assim concluiu: "Considerando que, como tem sido reconhecido,;e guidamente nesta Corte, o ato administrativo de. (17 , , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 13572-000.022/88-70 4. Acórdão n9 101-78.894 reconhecimento de isenção tem efeito declarató- rio, não é possível ter-se como válido o -lança mento de imposto de renda cobrado na execução posta contra a apelante, relativo a lucro que te ria auferido na sua atividade industrial, no ano base de 1979" (fls. 156). É o relatório. VOTO Conselheiro CELSO ALVES FEITOSA, Relator: O recurso e tempestivo. Não enfrenta a Recorrente as acusações constan- tesdo relatório do FISCO, especialmente a de que os seus livros não representam com fidelidade ãs suas operações. As omissões de receita, de custos, de despesas, de lançamentos bancários,etc, restaram confirmadas. Embora isenta a Recorrente em suas opera ções - circunscritas ao seu lucro da exploração - não resta dúvi da de que tal fato não a dispensa, por estar estabelecida em á- rea da SUDENE, de manter escrita em ordem, de acordo com a legis lação do imposto de renda, mesmo porque está e a única fórmula para se aferir o cumprimento das condições estabelecidas para ai_ senção. Pudesse prevalecer a tese da Recorrente, chegar- se-ia ate ã.'" conclusão de total dispensa de livros e cumprimento . de qualquer obrigação acessória, o que é afastado pela legisla- ção, como se vê do disposto no art. 123 do RIR/80: "Art. 123. As isenções de que trata este Capítu- lo não eximem as pessoas jurídicas das demais o- brigações previstas neste Regulamento, especial- mente as relativas ã retenção e recolhimento de impostos sobre rendimentos pagos e ã prestação de informações." No mais, adoto as razões de decidir consta e)do Acórdão n9 101-76.461, relator o Conselheiro Sylvio Rodrigue 4 _4".2 PROCESSO N9 13572-000.022/88-70 5. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Acordão n9 101-78.894 desta Primeira Câmara, proferido em sessão de 10.03.86, já refe- rido nos autos, fazendo minhas as suas razões de decidir e emen- ta: "IRPJ - PRELIMINAR - CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - Não ocorre nenhum cerceamento do direi- to de defesa, quando a autoridade julgadora de primeiro grau se manifesta, expressamente, pela prescindéncia de pedido de diligência ou perícia, por não restar dúvida quanto aos elementos cons- tante dos autos (art. 17 do Decreto n9 70.235/72). -- ISENÇÃO - DESCONTOS REDUTORES DE RECEITA - AMOR- TIZAÇÃO DE DESPESAS PRÉ-OPERACIONAIS)- Pessoa ju rldica, detentora de declaração de estar apta gozar de isenção, nem por isso deixa de ficar su jeita ao fiel cumprimento dos princípios gerai denominantes na sistemática da legislação tribu- tária, à qual a lei concedente do benefício se liga umbelicalmente. A pessoa jurídica beneficia da deve, portanto, demonstrar a veracidade do-s- resultados obtidos, no respeitante à escritura- ção contábil, à normalidade, usualidade ou reali dade das despesas dedutíveis, assim também a to das as prescrições legais, inclusive constituir- a reserva específica de capital pelo valor do im posto que deixa de pagar; A redução de receita 7 através de descontos, somente se admite quando estes se comprovam plenamente e a amortização das despesas pré-operacionais (gastos de implantação) não pode ir alem da taxa anual permitida". Isto po -o, ego pre/mento ao recurso. 45;/70/ ) CELSO A.'ES FE fe''' Á - RELATOR Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1
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Numero do processo: 11128.005393/2005-41
Data da sessão: Thu Oct 07 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Fato Gerador: 11/03/2005
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA Nº 2 DO CARF.
Não cabe a órgão administrativo apreciar arguição de inconstitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária (Súmula CARF nº 02).
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. MERCADORIAS EM TRÂNSITO. AVARIAS/EXTRAVIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DO TRANSPORTADOR. IMPOSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE FATO GERADOR. AUSÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO FEDERAL.
É indevida a imputação de responsabilidade tributária ao transportador, em relação ao imposto de importação, e de eventuais penalidades decorrentes da constatação de extravio/avaria das mercadorias sem que se demonstre cabalmente sua culpa “strictu senso”.
Sendo o destino final da mercadoria outro País, não há que se falar em dano ao erário pelo não-recolhimento do imposto, uma vez que já não seria devido, ante a ausência da concretização da hipótese de incidência do tributo.
Preliminar de ilegitimidade passiva acolhida. No mérito, recurso voluntário conhecido em parte, em razão da rejeição da preliminar de inconstitucionalidade e, na parte conhecida, recurso voluntário também provido.
Numero da decisão: 3202-000.186
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de inconstitucionalidade do artigo 32 do nº Decreto-Lei 37/66;
acolher e dar provimento quanto a preliminar de ilegitimidade passiva; dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Presente o Conselheiro Elias Fernandes Eufrásio. Ausente justificadamente o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda
Nome do relator: Gilberto de Castro Moreira Junior
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ementa_s : NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Fato Gerador: 11/03/2005 INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA Nº 2 DO CARF. Não cabe a órgão administrativo apreciar arguição de inconstitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária (Súmula CARF nº 02). IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. MERCADORIAS EM TRÂNSITO. AVARIAS/EXTRAVIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DO TRANSPORTADOR. IMPOSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE FATO GERADOR. AUSÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO FEDERAL. É indevida a imputação de responsabilidade tributária ao transportador, em relação ao imposto de importação, e de eventuais penalidades decorrentes da constatação de extravio/avaria das mercadorias sem que se demonstre cabalmente sua culpa “strictu senso”. Sendo o destino final da mercadoria outro País, não há que se falar em dano ao erário pelo não-recolhimento do imposto, uma vez que já não seria devido, ante a ausência da concretização da hipótese de incidência do tributo. Preliminar de ilegitimidade passiva acolhida. No mérito, recurso voluntário conhecido em parte, em razão da rejeição da preliminar de inconstitucionalidade e, na parte conhecida, recurso voluntário também provido.
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VISTORIA ADUANEIRA Recorrente CMA CMG DO BRASIL AGÊNCIA MARÍTIMA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Fato Gerador: 11/03/2005 INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA Nº 2 DO CARF. Não cabe a órgão administrativo apreciar arguição de inconstitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária (Súmula CARF nº 02). IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. MERCADORIAS EM TRÂNSITO. AVARIAS/EXTRAVIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DO TRANSPORTADOR. IMPOSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE FATO GERADOR. AUSÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO FEDERAL. É indevida a imputação de responsabilidade tributária ao transportador, em relação ao imposto de importação, e de eventuais penalidades decorrentes da constatação de extravio/avaria das mercadorias sem que se demonstre cabalmente sua culpa “strictu senso”. Sendo o destino final da mercadoria outro País, não há que se falar em dano ao erário pelo não-recolhimento do imposto, uma vez que já não seria devido, ante a ausência da concretização da hipótese de incidência do tributo. Preliminar de ilegitimidade passiva acolhida. No mérito, recurso voluntário conhecido em parte, em razão da rejeição da preliminar de inconstitucionalidade e, na parte conhecida, recurso voluntário também provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11128.005393/2005-41 Acórdão n.º 3202-00.186 S3-C2T2 Fl. 285 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de inconstitucionalidade do artigo 32 do nº Decreto-Lei 37/66; acolher e dar provimento quanto a preliminar de ilegitimidade passiva; dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Presente o Conselheiro Elias Fernandes Eufrásio. Ausente justificadamente o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior – Relator Ad Hoc Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, João Luiz Fregonazzi, Gilberto de Castro Moreira Junior, Heroldes Bahr Neto e Elias Fernandes Eufrásio. Relatório Trata-se o presente feito de exigência fiscal no montante de R$163.101,40, sendo que R$29.623,54 concernente ao Imposto Importação; R$80.872,30 de Imposto sobre Produtos Industrializados; R$6.815,17 de PIS/PASEP; R$30.978,62 de Cofins e de R$14.811,77 de Multa Proporcional II, decorrente de Vistoria Aduaneira, efetuada com base no art.32, II, do Decreto n° 2.472/88, que constatou o extravio de parte da mercadoria que deveria conter no container. Em 08/03/2005, a pedido da empresa MANNAH SRL (fls. 13), o i. Auditor Fiscal compareceu no Terminal Libra para realizar a conferência física das mercadorias contidas no container TCNU954431-4, amparada pelo conhecimento marítimo nº PCA685358 (Cia Sud Americana de Vapores), procedente de MIAMI, através do Navio CMA CGM Brasília, tendo entrado no Porto em 18/02/2005. Formalizada a presente Vistoria através do processo 11.128.001591/2005-35, constatou-se que o container foi recebido pelo transportador no Porto de origem sem nenhuma ressalva quanto ao peso ou sobre o lacre, e que quando da descarga na unidade de carga, apurou-se haver divergência de peso. Em vista de tais circunstâncias, imputou-se a responsabilidade pela divergência de peso (Termo de Avaria do Container, às fls. 29/32), ao Transportador-Armador da empresa CMA CGM representada no Brasil pela CMA CMG DO BRASIL AGENCIA MARITMA LTDA. (fl. 16, 29/32), sobre a qual recaiu o dever de recolher o crédito tributário demonstrado no DAAE – Demonstrativo de Apuração de Avaria e/ou Extravio de Mercadorias – Anexo V, de fls. 33 e ss. A identificação e valoração das mercadorias tiveram com base as Faturas Comerciais sob n° 01475-5, 1107, 2129, 676460 e 2032355. A responsabilidade foi aplicada ao transportador com base nos artigos 591 e 592, incisos II e IV do Decreto nº 4543/2002. Inconformada com a atuação, a Contribuinte, em 13/01/2006, apresentou Impugnação (fls. 42/104), alegando em síntese: Fl. 285DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11128.005393/2005-41 Acórdão n.º 3202-00.186 S3-C2T2 Fl. 286 3 1. Que a lavratura do referido Auto de Infração maltrata os termos do Decreto 50.259-A, que regulamenta a utilização dos entrepostos de depósito franco em Santos e Paranaguá, em virtude de convênios assinados entre o Brasil e o Paraguay (sic); 2. Que essas mercadorias são dotadas do regime aduaneiro livre, sujeito apenas ao pagamento de taxas portuárias e alfandegárias devidas pela prestação de serviços; 3. Que ditas mercadorias tinham como destino outro País (Paraguai) local onde se dá o seu efetivo desembaraço por ser este o real importador, o que, via de conseqüência, não é devedor do imposto importação, bem como do Imposto sobre Produtos Industrializados, e demais consectários legais; 4. Que atua licitamente como agente mandatária, em Santos, da armadora CMA CGM SOCIETÉ ANONYME, sediada em Marselha-França; 5. Que o transporte foi efetuado pela COMPANHIA SUD AMERICANA DE VAPORES – CSAV, sediada em Valparaízo/Chile, cuja mandatária comercial, em Santos, é pessoa jurídica diversa da autuada, com quem não tem liame algum, uma vez que atua no agenciamento de navios, carga, descarga e fretes, somente por conta e ordem de sua mandante CMA CGM, nos estritos termos do artigo 653 e ss. do Código Civil Brasileiro. Daí a razão pela qual atendeu juntamente com os agentes da CSAV, à Vistoria Aduaneira que motivou a Notificação de Lançamento ora questionada; 6. Alega, ainda, que o container em questão, foi descarregado no Porto de Santos, em trânsito, para a Cidade de Leste, Paraguay, e ENTREGUE AO DEPOSITÁRIO PORTUÁRIO, COM O LACRE DE ORIGEM INTACTO, não obstante tenha o ato administrativo omitido tal circunstância; 7. Que o transporte foi realizado na condição de FCL/FCL, chamado de House-to-House (Casa-a-Casa) ou Door-to-Door (Porta-a-Porta), termos que denotam um serviço de frete onde as mercadorias são estufadas num container nas dependências do exportador, entregue lacrado ao navio transportador, e só são desovadas nas dependências do consignatário, ou lugar designado por este, debaixo da condição “SHIPPER’S STOW LOAD AND COUNT AND SEAL” (Embarcado, Estufado, Contado e Lacrado pelo Embarcador) não podendo o Agente Marítimo responder por tributos devidos pelo seu agenciado; 8. Que em 18 de fevereiro de 2005, o navio em questão atracou no Porto de Santos, no Terminal da Libra S.A., e descarregado na mesma data, sendo na unidade de carga relacionada na MINUTA DE DESCARGA DE CONTAINER emitida pelo operador portuário, com as ressalvas – “Peso – Divergência”, MAS COM LACRES DE SEGURANÇA DA ORIGEM, ou seja, intactos. Razão da solicitação de Vistoria; 9. Diante de tais fatos, entende: a) ser o ato anulável de pleno direito conforme entendimento sedimentado nas cortes judiciárias de que O AGENTE MARÍTIMO NÃO RESPONDE POR TRIBUTOS DEVIDOS PELO SEU AGENCIADO; b) que o transportador de fato – CSAV – não é representado pela autuada; e c) as mercadorias em trânsito para o Paraguai, são beneficiadas pelo regime aduaneiro livre, por força de Acordo Internacional sancionado por Decreto; 10. Alega ser parte ilegítima para figurar na condição de responsável tributário ante a inexistência de comando legal para tanto, haja vista que o art. 32, § único do Decreto nº 2.472/88, já foi declarada inconstitucional pelo e. STJ. (negrito e sublinhado no original) Sobreveio decisão da DRJ – Florianópolis/SC (fls. 107/112), que julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento fiscal, mantendo o crédito tributário exigido. A r. decisão proferida, ficou assim ementada, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO – II DATA DO FATO GERADOR: 11/03/2005 VISTORIA ADUANEIRA. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11128.005393/2005-41 Acórdão n.º 3202-00.186 S3-C2T2 Fl. 287 4 Extravio de Mercadoria – Responsabilidade do Transportador – A responsabilidade pelos tributos apurados em relação ao extravio de mercadorias ocorrido durante o transporte será do representante do transportador estrangeiro, por expressa determinação legal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DATA DO FATO GERADOR: 11/03/2005 ILEGITIMIDADE PASSIVA. Por expressa determinação legal, o Agente marítimo, no caso de também ser representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este, com relação à eventual exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação aduaneira. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO DATA DO FATO GERADOR: 11/03/2005 ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetente para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Lançamento Procedente.” Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou, tempestivamente, o presente Recurso Voluntário, em 25/11/2008 (fls. 115/139). Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. Foram os autos encaminhados a essa Terceira Seção do CARF para apreciação e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator Ad Hoc O recurso voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Pelo que se depreende dos autos, três são as teses sustentadas pela ora Recorrente e postas à apreciação e julgamento desta c. Turma, posto que rejeitadas integralmente pela d. DRJ/FNS. Em sede de preliminar, alega: a) ser parte ilegítima para figurar na condição de responsável tributário, pela inexistência de comando legal para tanto, pois entende que o art. 32, § único do Decreto nº 2.472/88, foi declarado inconstitucional pelo STf; ou, alternativamente, b) porque o transportador de fato é a empresa CSAV – COMPANIA SUD AMERICANA DE VAPORES S.A., sendo a Recorrente CMA CGM DO BRASIL, mandatária do ARMADOR-PROPRIETÁRIO DO NAVIO; e Fl. 287DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11128.005393/2005-41 Acórdão n.º 3202-00.186 S3-C2T2 Fl. 288 5 No mérito, assenta que as mercadorias, objeto da presente autuação, se encontram em trânsito pelo País, pois seu destino final é a Cidade de Leste, situada no Paraguai, e que, portanto, são beneficiadas pelo regime aduaneiro livre, por força de Acordo Internacional sancionada pelo Decreto 50.259-A/61. Por esta razão, entende não ter ocorrido a incidência do fato gerador para a exigibilidades dos tributos pretendidos e seus consectários legais. 1. Das Preliminares 1.1. Da ilegitimidade passiva decorrente da inconstitucionalidade do artigo 32, § único do Decreto nº 2.472/88 Aduz, inicialmente, a ora Recorrente, em sede de preliminar, que a cobrança de tributo para mercadoria que se encontra em trânsito para o Paraguai fere frontalmente a nossa Carta Magna, uma vez que não estaria respaldada em Lei. Cumpre se destacar, por uma vez mais, que não é competência desta e. Corte Administrativa, analisar questões relativas à constitucionalidade ou legalidade da norma aplicável à espécie, posto que tal prerrogativa está reservada tão somente ao Poder Judiciário. Trata-se, na verdade, de entendimento há tempo consagrado no âmbito dos tribunais administrativos, inclusive já sumulado pelo CARF, conforme ementa transcrita, verbis: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. O presente entendimento está conforme o Parecer Normativo da CST/SRF de n° 329/70: “Interativamente tem esta Coordenação se manifestado no sentido de que a argüição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional”. Assim sendo, os julgadores e conselheiros encontram-se restritos a proceder à exegese da legislação tributária sem adentrar nos campos da ilegalidade e inconstitucionalidade. Esse entendimento foi excepcionado no parágrafo único do art. 4° do Decreto n° 2.346 de 10/10/1997 – DOU 13/10/1997 que consolida normas de procedimentos a serem observadas pela Administração Pública Federal em razão de decisões judiciais, regulamenta os dispositivos legais que menciona, e dá outras providências, in verbis: Art. 4º Ficam o Secretário da Receita Federal e o Procurador-Geral da Fazenda Nacional, relativamente aos créditos tributários, autorizados a determinar, no âmbito de suas competências e com base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei, tratado ou ato normativo, que: I - não sejam constituídos ou que sejam retificados ou cancelados; II - não sejam efetivadas inscrições de débitos em dívida ativa da União; III - sejam revistos os valores já inscritos, para retificação ou cancelamento da respectiva inscrição; IV - sejam formuladas desistências de ações de execução fiscal. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11128.005393/2005-41 Acórdão n.º 3202-00.186 S3-C2T2 Fl. 289 6 Parágrafo único. Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. (grifos nossos) Pelo texto do Decreto citado acima, observa-se que se trata apenas dos casos que a inconstitucionalidade foi declarada em caráter definitivo pelo STF, mas não faz qualquer menção à declaração de ilegalidade pelo STJ. Portanto, os julgadores e conselheiros continuam impedidos de afastar a aplicabilidade de lei por ilegalidade, ainda que eventualmente declarada pelo STJ. Portanto, neste ponto, voto no sentido de não conhecer do presente Recurso. 1.2. Da ilegitimidade passiva por ser apenas mandatária do ARMADOR- PROPRIETÁRIO DO NAVIO, sendo que o transportador de fato é a empresa CSAV – COMPANIA SUD AMERICANA DE VAPORES S.A. Alega, a ora Recorrente, em síntese, que “não poderia ter sido eleita pela Comissão de Vistoria como devedora principal do Imposto de Importação, porque não é contribuinte do imposto, nem a transportadora marítima que teria dado causa ao suposto extravio da carga, mas mera agente mandatária da ARMADORA-PROPRIETÁRIA DO NAVIO”. (fls. 45) Para sustentar o alegado, diz que “atua licitamente como AGENTE MANDATÁRIA, em Santos, da armadora CMA CGM SOCIÉTE ANONYME, sediada em Marselha-França, e que, como demonstra o contrato de transporte - B/L nº PCA 685358 Miami/Santos em trânsito para Cidad Del Este, que o transporte foi efetuado por COMPANIA SUDAMERICANA DE VAPORES – CSAV S.A., sediada em Valparaízo/Chile, cuja mandatária comercial, em Santos, é pessoa jurídica diversa da nossa, e com quem não temos liame algum, uma vez que atuamos no agenciamento de navios, carga, descarga e fretes, somente por conta e ordem de nossa mandante CMA CGM, nos estritos termos do artigo 653 e seguintes do CÓDIGO CIVIL BRASILEIRO, (...) omissis (...). Nessa qualidade, atendemos juntamente com os agentes da CSAV, à Vistoria Aduaneira – que motivou a Notificação de Lançamento ora impugnada.” (sic) (fls. 44, ao final e 45, início). Contudo, simples cotejo dos elementos de prova trazidos à colação até o presente momento, não dão sustentação aos argumentos erigidos pela Recorrente, como pretendido. Não obstante alegue ser mero agenciador de cargas da empresa CMA CGM, o que se depreende no contido no Termo de Vistoria nº 013/2005 (fls. 29/32), é que a Recorrente não só consta como representante do Transportador-Amador, mas também como Transportador e, por via de conseqüência, o emissor do B/L. Como bem assentou a d. DRJ/SFNS, “É fato que a empresa CMA CMG do Brasil Agência Marítima Ltda., participou, ou mandou alguém participar do processo de Vistoria Aduaneira atuando como mandatária ou como gestora de negócios da transportadora. Não é razoável supor que a mesma compareceria gratuitamente a atos que não lhe dissessem respeito e, comparecendo, procuraria justificar imediatamente a sua não relação com o caso” (fls. 109 e 109/vº). Assim sendo, a conduta perpetrada pela ora Recorrente, se amolda à norma encartada no Decreto-Lei nº 37/66, que dispõe sobre Contribuintes e Responsáveis, alterada pelo Decreto-Lei nº 2.472/88 para atribuir expressamente a responsabilidade tributária ao representante do transportador estrangeiro, verbis: “Art. 32. É responsável pelo imposto: Fl. 289DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11128.005393/2005-41 Acórdão n.º 3202-00.186 S3-C2T2 Fl. 290 7 I – o transportador, quando transportar mercadoria procedente do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno; II - ... Parágrafo único: É responsável solidário: a) ...; b) o representante, no País, da transportador estrangeiro. (g. do original) Ainda, como assentou a d. DRJ/FNS, a Portaria MF/MICT nº 291 de 12/12/1996, Anexo I, publicado na pág. 26941, em 13/12/1996, define o que seja transportador internacional e a emissão dos conhecimentos de transporte, verbis: “13 – Transportador Razão Social da pessoa jurídica, nacional ou estrangeira, que realizou o transporte internacional e emitiu o conhecimento de transporte (único ou “máster”). Instrução normativa nº 248, de 25/11/2002 – DOU de 27/11/2002: Art. 4º Para os efeitos desta Instrução Normativa, define-se como: (...) V – conhecimento genérico, ou máster, o conhecimento de transporte internacional emitido pelo transportador do percurso internacional quando consignado a agente desconsolidador; VI – conhecimentos agregados, ou houses ou filhotes, os conhecimentos de carga emitidos por agente consolidador no exterior, relativos a um conhecimento genérico; (n. e s. do original) Com efeito, entende a legislação aduaneira como sendo o transportador aquele que emite o conhecimento de transporte “máster” e como agente consolidador aquele que emite o conhecimento “house”. Assim, fica evidente ser a ora Recorrente passível de figurar no pólo passivo da obrigação de recolher os tributos devidos. Contudo, estas circunstâncias, por si sós, não são suficientes para se atribuir à ora Recorrente, a responsabilidade pelo recolhimento do tributo pertinente decorrente de suposta avaria ou extravio das mercadorias ditas faltantes. Como é cediço, nenhuma responsabilidade pode ser atribuída a quem quer que seja, e em qualquer esfera do Direito, baseado em meras presunções ou conjecturas. Para que se impute a prática de qualquer ilícito, seja civil, criminal, administrativo e/ou tributário, a alguém, dever estar sobejamente demonstrado a autoria ou participação. Na hipótese dos autos, o simples fato de a LIBRA TERMINAIS 35 S/A ter lavrado o Termo de Avaria fazendo consignar que o container, objeto da presente autuação, se encontrar amassado, arranhado, enferrujado, com suspeita de falta/avaria (fato este confirmado quando da vistoria) (fl. 13), não são elementos suficientes a trazer à responsabilidade a ora Recorrente. No Termo de Abertura e Verificação de Mercadoria de Importação (fl. 14), pois este é claro ao fazer consignar que ao proceder “a verificação qualitativa (sic) da mercadoria, do total de 1885 caixas manifestadas, foram encontradas 880 caixas”. E mais. Consigna, ainda, o nº do Lacre de Origem, mas em momento algum afirma ter havido violação deste. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11128.005393/2005-41 Acórdão n.º 3202-00.186 S3-C2T2 Fl. 291 8 Assente na presente premissa, fica evidente assistir razão à ora Recorrente quando afirma em suas razões de Impugnação (fl. 45), que “Embora o ato administrativo o omita,..., AQUI FOI ENTREGUE AO DEPOSITÁRIO PORTUÁRIO, COM O LACRE DE ORIGEM INTACTO”. E diz mais: “Conforme se depreende do dito conhecimento marítimo, tal transporte foi realizado na condição FCL/FCL, também conhecida como House-toHouse (Casa a Casa) ou Door-to-Door (Porta-a-Porta) – termo denotado um serviço de frete onde as mercadorias são estufadas num contêiner nas dependências do exportador, entregue lacrado ao navio transportador, e só são desovadas nas dependências do consignatário, ou lugar designado por este, debaixo da condição “SHIPPER’S STOW LOAS AND COUNT AND SEAL” (Embarcado, Estufado Contado e Lacrado pelo Embarcador).” Com efeito, amparada na Circular que trata da Conferência de Fretes Brasil/Mediterrâneo/Brasil, aprovada pelo Ministério dos Transportes transcrito às fls. 60, entende não estar obrigado a conferir peso, metragem, ou até mesmo se a mercadoria que está contida no container que lhe é entregue lacrado, no costado do navio, para transporte, é o que efetivamente consta na declaração feita pelo Embarcador, pois é dele tal responsabilidade, pois foi ele (Embarcador) que as estufou, as pesou, as lacrou e preencheram os conhecimentos de embarque. Nesse sentido, já foi a razão de decidir do então Terceiro Conselho de Contribuintes, nas penas do i. Conselheiro Relator, JOSÉ ALVES DA FONSECA, verbis: “VISTORIA ADUANEIRA. Falta e avaria. O transporte de contêiner mediante cláusula "house to house", descarregado com o lacre intacto, afasta a responsabilidade do transportador. Contêiner descarregado sem lacre, deslocado do costado do navio até o terminal retroportuário sem as medidas acautelatórias do fisco, impede apenação ao transportador, no caso de vir a ser constatada falta na conferência final de manifesto.” (Ac. 302-32109, sessão do dia 22/10/1991, Rec. nº 313731, 2ª Câmara, Dado provimento por maioria). Diante do exposto e de tudo o que demais consta no presente feito, não há elementos minimamente suficientes para demonstrar a culpabilidade do transportador, pelo “extravio/avaria” da quantidade a menor das mercadorias supostamente faltantes, nenhuma responsabilidade pode ser-lhe aplicada. Por estas razões, julgo, neste ponto, por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, a fim de isentar a ora Recorrente da responsabilidade pela avaria/extravio supostamente ocorrida. 2. Do Mérito – Trânsito Aduaneiro – Entrepostos de Depósitos Francos – Entendimento Consolidado do STJ Afirma a Recorrente, em síntese, que “a mercadoria acobertada pelo dito container não foi importada, nem estava destinada ao mercado interno brasileiro – ELEMENTO NUCLEAR PARA A EXIGÊNCIA DO TRIBUTO, NA CONFORMAÇÃO LEGAL DO ARTIGO 60 DO DECRETO-LEI 37/66 - de molde que não estava originalmente sujeita a qualquer gravame, por força do Acordo Brasil Paraguai, mas debaixo de regime aduaneiro livre, onde não havia o que indenizar à Fazenda Nacional no que concerne a tributo que tivesse deixado de ser recolhido.” (n. e destaques do original) Assenta sua tese, no sentido de que “a mais escorreita exegese do § único do art. 60 do DL 37/66, e do cânon constitucional – Art. 153 da CARTA MAGNA – que limita a competência da união Federal à instituição de imposto sobre a IMPORTAÇÃO DE PRODUTOS ESTRANGEIROS, o que implica em óbice constitucional talhado a granito a que a União efetue lançamento de impostos sobre mercadorias destinadas a empresas paraguaias, em trânsito aduaneiro livre pelos portos de Santos e Paranaguá. (fls. 116) Fl. 291DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/consultarJurisprudencia.jsf Processo nº 11128.005393/2005-41 Acórdão n.º 3202-00.186 S3-C2T2 Fl. 292 9 (n. e destaques do original) Em contrapartida, sustenta a d. DRJ/FNS, que a Recorrente “Equivoca-se em sua interpretação, pois a legislação brasileira que rege a matéria, a Lei nº 5.172, de 25/10/1966 – CTN e o Decreto- Lei nº 37, de 18/11/1966, assim dispõem com relação ao fato gerador do Imposto de Importação: Artigo 19 do CTN: O imposto de competência da União, sobre a importação de produtos estrangeiros tem como fato gerador a entrada destes em território nacional. Artigo 1º do Decreto-lei nº 37/66: O imposto de importação incide sobre mercadoria estrangeira e tem como fato gerador sua entrada no Território Nacional.” Assenta, ainda, que “Importante registrar, por oportuno, o disposto no parágrafo 2º do DL nº 37/66, o art. 73, II, alínea “c” e o art. 596 do Decreto nº 4.543, de 26/12/2002, in verbis: § 2º - Para efeito de ocorrência do fato gerador, considerar-se-á entrada no Território Nacional a mercadoria que constar como tendo sido importada e cuja falta venha a ser apurada pela autoridade aduaneira. Art. 73. Para efeito de cálculo do imposto, considera-se ocorrido o fato gerador (Decreto-lei nº 37/66, de 1966, art. 23 e parágrafo único): II – no dia do lançamento do correspondente crédito tributário, quando se tratar de: c) mercadoria constante de manifesto ou de outras declarações de efeito equivalente, cujo extravio ou avaria for apurado pela autoridade aduaneira. Art. 596. Observado o disposto na alínea “c” do inciso II do art. 73, o valor do imposto de importação referente a mercadoria avariada ou extraviada será calculado á vista do manifesto ou dos documentos de importação (Decreto-lei nº 37, de 1966, art. 112). Do cotejo dos documentos trazidos à colação pelas Partes como elemento de prova a fundamentar suas pretensões, constata-se que no corpo do Conhecimento Marítimo nº PCA 685358 (fl. 16), consta que “***SANTOS IN TRANSIT, FINAL DESTINATION: CIUDAD DEL ESTE – PARAGUAI****”. Conquanto sustente a d. decisão atacada que “O fato gerador do imposto de importação incide sobre mercadoria estrangeira e tem como fato gerador sua entrada no Território Nacional”, pura e simplesmente, quero me fazer crer, s.m.j, que tal entendimento não se aplica ao caso vertente. Como é sabido, a noção de importação tem como núcleo a incorporação à economia nacional, não bastando o mero ingresso físico, de modo que a impropriamente chamada “importação temporária”, ou seja, a entrada de produto no território nacional em trânsito para outro País ou para simples participação em feira e posterior retorno à origem, não pode ser posta por lei como configuradora do fato gerador do Imposto sobre a Importação. HAMILTON DIAS DE SOUZA, em seu lapidar ensinamento, preleciona: “(...) não é fato gerador qualquer entrada de mercadoria estrangeira no Brasil. A entrada há de ser referida a mercadoria que se destine a uso ou consumo internos, mesmo porque, se assim não fosse, o simples trânsito de bens destinados a outro país poderia ser o pressuposto de fato da obrigação tributária. (in, Estrutura do Imposto de Importação no Código Tributário Nacional, Resenha Tributária, 1980, p. 20) Com efeito, ainda que haja isenção para o produto importado, a regrado Decreto-Lei nº 37/66, que determina a incidência de multa e cobrança do tributo em relação às mercadorias nas quais haja avaria ou extravio, é aplicável apenas àqueles produtos que tenham como destino último o próprio território nacional, não podendo abarcar a situação na qual os produtos importados se achavam em trânsito pelo Brasil, com destino a outros países, no caso dos autos, o Paraguai. A interpretação que deve ser dada à norma preconizada no § 2º, do art. 1º, do Decreto-Lei nº 37/66 (Redação dada pelo Decreto-Lei nº 2.472, de 01/09/1988), é que só Fl. 292DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11128.005393/2005-41 Acórdão n.º 3202-00.186 S3-C2T2 Fl. 293 10 haverá fato gerador quando da constatação de falta de mercadoria que constar como tendo sido importada para o Brasil. Em outras palavras, limita-se às mercadorias aqui ingressadas e que se destinam ao nosso próprio território. Para a correta configuração da hipótese de incidência prevista na norma tributária vige a regra da tipicidade. Não cabe à autoridade fazendária alargar o alcance da norma para estendê-la às importações de mercadoria para outros países. A interpretação restritiva se impõe ainda mais quando se verifica que a norma é utilizada para impor responsabilidade tributária aos transportadores e aplicar-lhes penalidades, como ocorre no caso vertente. O dispositivo legal encartado no artigo 60 do próprio Decreto-Lei nº 37/66, que trata do dano ou avaria ocorrido à mercadoria, dispõe, verbis: “Art. 60 – Considerar-se-á, para efeitos fiscais: I – dano ou avaria – qualquer prejuízo que sofrer a mercadoria ou seu envoltório; II – extravio – toda e qualquer falta de mercadoria. (Vide Medida Provisória nº 320, 2006) Parágrafo único: O dano ou avaria e o extravio serão apurados em processo, na forma e condições que prescrever o regulamento, cabendo ao responsável, assim reconhecido pela autoridade aduaneira, indenizar a Fazenda Nacional do valor dos tributos que, em conseqüência, deixarem de ser recolhidos”. (n. nosso) A falta, extravio ou avaria de mercadorias que estejam em trânsito pelo Brasil não causa qualquer dano à arrecadação pátria, pois, de qualquer forma, o tributo não seria devido, ante a não-ocorrência do fato gerador do imposto de importação. Daí incabível querer a Fazenda enriquecer-se em face do infortúnio causado aos produtos transportados para outro País. Nesta esteira de raciocínio lógico, é o entendimento uníssono do e. Superior Tribunal de Justiça, verbis: “TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. MERCADORIA EM TRÂNSITO DESTINADA AO PARAGUAI. AVARIA OU EXTRAVIO. ISENÇÃO. IRRESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR. PRECEDENTES. 1. Não obstante o fato gerador do imposto de importação se dê com a entrada de mercadoria estrangeira em território nacional, torna-se necessária a fixação de critério temporal a que se atribua a exatidão e certeza para se completar o inteiro desenho do fato gerador. Assim, embora o fato gerador do tributo se dê com a entrada da mercadoria em território nacional, ele apenas se aperfeiçoa com o registro da Declaração de Importação no caso de regime comum e, nos termos precisos do parágrafo único, do artigo 1º, do Decreto-Lei nº 37/66, ‘com a entrada no território nacional a mercadoria que contar como tendo sido importada e cuja falta seja apurada pela autoridade aduaneira’. 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é pacífica no sentido de que: a) ‘indevido o imposto de importação sobre mercadoria importada, com destino ao Paraguai, quando verificada sua falta em trânsito no território nacional.’ (REsp nº 171621/SP, Rel. Min. FRANCISCO PEÇANHA MARTINS); b) ‘no caso de avaria ou falta de mercadoria importada ao abrigo de isenção do tributo, o transportador não pode ser responsabilizado.’ (REsp nº 22735/RJ, Rel. Min. HÉLIO MISIMANN); c) ‘no caso de extravio de mercadoria importada ao abrigo de isenção (ou redução) do tributo, não é responsável o transportador pelo valor deste. O artigo 60, §, parágrafo único, do Decreto-Lei nº 37/66, de 18 de novembro de 1966, estabelece que havendo dano ou avaria ou extravio, caberá indenização à Fazenda Nacional pelo que Fl. 293DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11128.005393/2005-41 Acórdão n.º 3202-00.186 S3-C2T2 Fl. 294 11 deixar de recolher. Existindo isenção, não há o que indenizar. É ilegal o art. 30, par. 3º, do Decreto nº 63.431, de 1968, que manda ignorar a isenção ou redução se se verificar avaria ou extravio (Código Tributário Nacional, artigos 94, par. 1º, e 99).’ (REsp’s nºs 11428/RJ e 18945/RJ, Rel. Min. DEMÓCRITO REINALDO); d) ‘o transportador não pode ser responsabilizado por tributo, em caso de avaria ou falta de mercadorias, se toda ela foi importada sob o regime de isenção. É indevido o imposto de importação sobre mercadorias em trânsito pelo território brasileiro, destinadas ao Paraguai. Inaplicável , ao caso, o parágrafo único do art. 1º, do Decreto-Lei nº 37/66.’ (REsp’s nºs 10901/RJ e 5536/RJ, Rel. Min. GARCIA VIEIRA) 3. Precedentes do STJ e STF. 4. Recurso não conhecido.” (Resp nº 362.910/PR, Rel. Min. José Delgado, DJ 13.05.2002) No mesmo sentido, as mais recentes decisões do e. STJ, verbis: “TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. MERCADORIAS EM TRÂNSITO. AVARIAS. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DO TRANSPORTADOR. IMPOSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE FATO GERADOR. AUSÊNCIA DE DANO À FAZENDA PÚBLICA. 1. É indevida a imputação de responsabilidade tributária do transportador, em relação ao imposto de importação, e de eventuais penalidades decorrentes da constatação de avaria em mercadorias em trânsito para outro país. 2. Sendo o destino final da mercadoria outro país, não há que se falar em dano ao erário pelo não-recolhimento do imposto, uma vez que esta já não seria devido, ante a ausência da concretização da hipótese de incidência do tributo. 3. Recurso Especial não provido.” (REsp nº 946.684/RJ – Rel. Min. Castro Meira, j. 04/09/2007) “AGRAVO DE INSTRUMENTO AGRAVANTE: FZENDA NACIONAL AGRAVADO: COMPANHIA DOCAS DO ESTADO DE SÃO PAULO – CODESP. DECISÃO “Trata-se de Agravo de Instrumento de decisão que não admitiu Recurso Especial (art. 105, III, “a”, da CF) interposto contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, cuja ementa é a seguinte: TRIBUTÁRIO. ADUANEIRO. ANULATÓRIA DE DÉBITO. MERCADORIA EM TRÂNSITO. EXTRAVIO. FATO GERADOR DO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO, INOCORRÊNCIA. SUCUMBÊNCIA. 1. O ponto nodal da questão refere-se à ocorrência ou não do fato gerador do imposto de importação, imputado à autora em face do extravio ocorrida em bem sob sua guarda, tendo em vista que a mercadoria encontrava-se em trânsito no país. 2. O regulamento aduaneiro define, no art. 252 (Decreto aduaneiro, 91.030/85), o que vem a ser o regime especial de trânsito aduaneiro, consignando encontrarem-se suspensos os tributos das mercadorias que ingressem no país sob essa modalidade, regime que tem como condição resolutiva a entrega da mercadoria ao destino. 3. Cumpre observar, diante das alegações da União Federal, se há alguma causa que exclua a hipótese, enquanto a mercadoria estiver em trânsito no país, incidindo o Imposto de Importação, como, por exemplo, em caso de avaria, por se tratar de irregularidade a ser aferida ao término ou no curso dessa operação, ou seja, se constatará a integridade da carga, para que não se interne, por meio dessa sistemática, indevida e clandestinamente, bens para consumo interno. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11128.005393/2005-41 Acórdão n.º 3202-00.186 S3-C2T2 Fl. 295 12 4. As situações, avaria e extravio, são previstas expressamente pelo Regulamento Aduaneiro, insertas no artigo 467, que se destina a identificar o responsável e apurar o crédito tributário dele exigível (art. 468 do mesmo Regulamento). 5. A responsabilidade tributária implicará na conjugação de várias situações, dentre elas a de entrar o bem no território nacional para o consumo, ter sido extraviada ou avariada, determinar-se a responsabilidade e quem lhe deu causa, nas formas dos artigos 478 a 485 do Regulamento Aduaneiro. 6. A ocorrência de avaria ou extravio só será admitida para fins de tributação quando a mercadoria tiver como destino o Brasil, fato gerador da tributação que não se aperfeiçoou. 7. Na hipótese tratada, considerando que o bem se encontrava em trânsito aduaneiro, na forma preconizada pelo artigo 87, do Regulamento Aduaneiro, o que, por si só, já ilidiria qualquer pretensão do Fisco em exigir o imposto de importação. Não obstante esse fato, a avaria foi verificada quando a autora recebeu o container em depósito, tendo registrado o fato, ressalvando eventuais responsabilidades, não se fazendo presente, igualmente, a responsabilidade pelo imposto devido, em caso de sua pertinência. 8. ... 9. Recurso e remessa oficial improvidos (fls. 150-151). A agravante alega que, além de divergência jurisprudencial, ocorreu violação ao art. 121, parágrafo único, II, do CTN e do art. 32, parágrafo único, “b”, do Decreto-Lei nº 37/66, sob o argumento de que, nos casos de extravio de mercadoria, independentemente de seu destino, incide nela imposto de importação, ficando devida ao depositário a responsabilidade pelo seu recolhimento. Os Embargos de Declaração opostos foram, rejeitados (fl. 164) ... É o relatório. Decido. A irresignação não merece prosperar. O Tribunal “a quo” consignou: Assim, diante do caso concreto, havendo avaria e estando o bem em trânsito no país, deve-se verificar se a entrada nessa condições admite a exigência do imposto de importação respectivo. (...) Dessa forma, considerando não ser o produto destinado ao consumo interno, não resta configurado o fato gerador do Imposto de Importação. No caso tratado, o bem ingressou no país, em trânsito aduaneiro, para o seu encaminhamento ao Paraguai, sequer poderá haver lançamento tributário, porquanto não destinado à economia interna. (...) Dessa forma, a avaria ou o extravio ocorrido só serão admitidos para fins de tributação quando a mercadoria tiver como destino o Brasil, fato gerador da tributação que não se aperfeiçoou. (fls. 145-147). O aresto recorrido julgou a questão de acordo com o entendimento firmado no STJ . Nesse sentido: “TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. MERCADORIAS EM TRÂNSITO. AVARIAS. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DO TRANSPORTADOR. IMPOSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE FATO GERADOR. AUSÊNCIA DE DANO À FAZENDA PÚBLICA. 4. É indevida a imputação de responsabilidade tributária do transportador, em relação ao imposto de importação, e de eventuais penalidades decorrentes da constatação de avaria em mercadorias em trânsito para outro país. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11128.005393/2005-41 Acórdão n.º 3202-00.186 S3-C2T2 Fl. 296 13 5. Sendo o destino final da mercadoria outro país, não há que se falar em dano ao erário pelo não-recolhimento do imposto, uma vez que esta já não seria devido, ante a ausência da concretização da hipótese de incidência do tributo. 6. Recurso Especial não provido.” (REsp nº 946.684/RJ – Rel. Min. Castro Meira, 2ª Turma, j. 04/09/2007, DJ 18.09.2007, p. 292) “TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. MERCADORIA EM TRÂNSITO DESTINADA AO PARAGUAI. AVARIA OU EXTRAVIO. ISENÇÃO. IRRESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR. PRECEDENTES. 1. Não obstante o fato gerador do imposto de importação se dê com a entrada de mercadoria estrangeira em território nacional, torna-se necessária a fixação de critério temporal a que se atribua a exatidão e certeza para se completar o inteiro desenho do fato gerador. Assim, embora o fato gerador do tributo se dê com a entrada da mercadoria em território nacional, ele apenas se aperfeiçoa com o registro da Declaração de Importação no caso de regime comum e, nos termos precisos do parágrafo único, do artigo 1º, do Decreto-Lei nº 37/66, ‘com a entrada no território nacional a mercadoria que contar como tendo sido importada e cuja falta seja apurada pela autoridade aduaneira’. 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é pacífica no sentido de que: a) “indevido o imposto de importação sobre mercadoria importada, com destino ao Paraguai, quando verificada sua falta em trânsito no território nacional.” (REsp nº 171621/SP, Rel. Min. FRANCISCO PEÇANHA MARTINS); b) “no caso de avaria ou falta de mercadoria importada ao abrigo de isenção do tributo, o transportador não pode ser responsabilizado.’ (REsp nº 22735/RJ, Rel. Min. HÉLIO MISIMANN); c) ‘no caso de extravio de mercadoria importada ao abrigo de isenção (ou redução) do tributo, não é responsável o transportador pelo valor deste. O artigo 60, §, parágrafo único, do Decreto-Lei nº 37/66, de 18 de novembro de 1966, estabelece que havendo dano ou avaria ou extravio, caberá indenização à Fazenda Nacional pelo que deixar de recolher. Existindo isenção, não há o que indenizar. É ilegal o art. 30, par. 3º, do Decreto nº 63.431, de 1968, que manda ignorar a isenção ou redução se se verificar avaria ou extravio (Código Tributário Nacional, artigos 94, par. 1º, e 99).’ (REsp’s nºs 11428/RJ e 18945/RJ, Rel. Min. DEMÓCRITO REINALDO); d) ‘o transportador não pode ser responsabilizado por tributo, em caso de avaria ou falta de mercadorias, se toda ela foi importada sob o regime de isenção. É indevido o imposto de importação sobre mercadorias em trânsito pelo território brasileiro, destinadas ao Paraguai. Inaplicável , ao caso, o parágrafo único do art. 1º, do Decreto-Lei nº 37/66.’ (REsp’s nºs 10901/RJ e 5536/RJ, Rel. Min. GARCIA VIEIRA) 3. Precedentes do STJ e do STF. 4. Recurso não conhecido.” (Resp nº 362.910/PR, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, julgado em 16.04.2002, DJ 13.05.2002, p. 161) Com efeito, em que pese entendimentos divergentes já proferidos por este c. Conselho, com a devida vênia, entendo ter restado demonstrado o quantum satis a inocorrência do fato gerador do imposto de importação no caso sub examine, razão pela qual afigura-se insubsistente a autuação objurgada. Diante do exposto, e pelo que demais consta no presente processo, voto no sentido de: (i) ACOLHER a preliminar de ilegitimidade passiva; e (ii) no mérito, conhecer parcialmente do recurso voluntário, em razão da rejeição da preliminar de inconstitucionalidade, e, na parte conhecida, também DAR-LHE PROVIMENTO vez que se trata de mercadoria em trânsito aduaneiro. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11128.005393/2005-41 Acórdão n.º 3202-00.186 S3-C2T2 Fl. 297 14 Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 297DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Relatório Voto
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