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Numero do processo: 13116.000624/2007-56
Data da sessão: Thu May 20 00:00:00 UTC 2010
Ementa: SÚMULA 06/CARF
É legítima a lavratura de auto de inft-ação no local em que foi constatada a
infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte.
OMISSÃO DE RECEITAS - CONFRONTO ENTRE DADOS DO LIVRO DE
APURAÇÃO DE ICMS E AS DIPJ E DCTF - Caracteriza a ocorrência de
omissão no registro de receitas a constatação de diferença entre o total das
vendas lançado no Livro de Apuração de ICMS em confronto com aquele
informado nas DIPJ e DCTF apresentadas ao Fisco Federal
Numero da decisão: 1103-000.225
Decisão: Acordam os membros do colegiada por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, justificadamente, os conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso e Hugo Correia Sotero.
Matéria: IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
Nome do relator: Eric Moraes de Castro e Silva
1.0 = *:*
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ementa_s : SÚMULA 06/CARF É legítima a lavratura de auto de inft-ação no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. OMISSÃO DE RECEITAS - CONFRONTO ENTRE DADOS DO LIVRO DE APURAÇÃO DE ICMS E AS DIPJ E DCTF - Caracteriza a ocorrência de omissão no registro de receitas a constatação de diferença entre o total das vendas lançado no Livro de Apuração de ICMS em confronto com aquele informado nas DIPJ e DCTF apresentadas ao Fisco Federal
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-09-01T16:41:51Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-09-01T16:41:51Z; Last-Modified: 2010-09-01T16:41:51Z; dcterms:modified: 2010-09-01T16:41:51Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:f4673ca8-db09-4f33-b264-a050ded36c8f; Last-Save-Date: 2010-09-01T16:41:51Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-09-01T16:41:51Z; meta:save-date: 2010-09-01T16:41:51Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-09-01T16:41:51Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-09-01T16:41:51Z; created: 2010-09-01T16:41:51Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2010-09-01T16:41:51Z; pdf:charsPerPage: 1474; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-09-01T16:41:51Z | Conteúdo => SI-C1T3 Fl I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n o 13116.000624/2007-56 Recurso re 165.25.3 Voluntário Acórdão n° 110.3-00.225 — 1" Câmara / 3' Turma Ordinária Sessão de 20 de maio de 2010 Matéria IR.PJ Recorrente SOR-PAN SORVETERIA E PANIFICADORA LTDA. Recorrida 2' TURMA DE JULGAMENTO DA DRJ-BRASILIAJDF SÚMULA 06/CARF É legítima a lavratura de auto de inft-ação no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. OMISSÃO DE RECEITAS - CONFRONTO ENTRE DADOS DO LIVRO DE APURAÇÃO DE ICMS E AS DIPJ E DCTF - Caracteriza a ocorrência de omissão no registro de receitas a constatação de diferença entre o total das vendas lançado no Livro de Apuração de ICMS em confronto com aquele informado nas DIPJ e DCTF apresentadas ao Fisco Federal Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiada por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, justificadamente, os cons- - • Mário Sérgio Fernandes Barroso e Hugo Correia Sotero. ./ ALOYSIO JOS : P C , A ILVA - Presidente ERIC MORAES DE CASTRO E SILVA - Relator EDITADO EM: n 7 I ,. 2010 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Aloysio José Percínio da Silva (Presidente), Mário Sérgio Fernandes Barroso, Gervásio Nicolau Recketenvald, Marcos Shigueo Takata (Vice presidente), Eric Moraes de Castro e Silva e Hugo Correia Sotero.. 'Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra o acórdão que julgou procedente o Auto de Infração lavrado para a cobrança do 'RIU e da CSLL do ano-calendário de 2004. Nos termos do relatório da decisão recorrida, "a autuante iforma que houve falta de recolhimento do imposto e da contribuição no ano-calendário de 2004, de acordo com os valores lançados no Livro de Registro de Apuração do ICMS Ao mesmo tempo, na DIPJ/2005, o contribuinte nada informa como receita bruta obtida, bem como não apresentou as DCTF referentes aos trimestres do referido ano" (fls, 92), A decisão ora recorrida fbi assim ementada, verbis: ASSUNTO . IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA- IRPJ Ano-calendário '2004 FISCALIZAÇÃO NO DOMICILIO.. CRITÉRIO DO AFRB O art. 904 do RIR/99 trata apenas de uma previsão para que o AFRB possa realizar a verificação de documentos, livros ou estoques in loco na empresa, quando tal providência, a seu critério, se demonstrar necessária. VALORES DECLARADOS AO FISCO ESTADUAL. Não cabe a alegação de que fora utilizada prova emprestada quando, do exame dos autos, observa-se que foram juntadas, cópias do Livro de Registro de Apuração do ICM. S .fornecidas pelo próprio sujeito passivo. ASSUNTO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO — CSLL Ano-calendário: 2004, LANÇAMENTO FORMALIZADO COM OS MESMOS FUNDAMENTOS. Estando o lançamento alicerçado nos mesmos elementos de prova, estende-se ao lançamento da CSLL o juízo externado em relação ao IRPJ" (fls, 91). No seu Recurso Voluntário de fls. 99/103 vem a contrinuinte reiterar, preliminarmente, que houve infringência ao art. 904 do RIR/99, sob o argumento de terem "os autuantes realizado o procedimento de fiscalização .fora da sede da recorrente, acarretando sua plena nulidade, uma vez que a contribuinte é que foi intimada a apresentar, na sede da DRJ, os livros e documentos fiscais, conforme consta do Termo de Inicio de Fiscalização" (fls. 99). No mérito sustenta o contribuinte a nulidade do lançamento por ter sido realizado com base na escrita fiscal do ICMS, o que na sua ótica não poderia susbsistir vez que "o art. 51 da Lei n" 8 981/95, consolidado no art. 535 do RIR/99 (aprovado pelo Decreto n" 3.000/99), dispõe que o lucro, quando não conhecida a receita bruta, será determinado através de procedimento de oficio, mediante a utilização de uma das oito alternativas de cálculo que enumera" (fls.. 101/102).. Com tais argumentações, requer a procedência do Recurao Voluntário para desconstituir o lançamento. É o relatório. 2 (077v Plocesso n 13116 000624/2007-56 SI-CIT3 Acórdão [I 110340,225 Fl 2 Voto Conselheiro ERIC CASTRO E SILVA, Relator O recurso satisfaz os seus requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço A preliminar de nulidade em razão do auto de infração ter sido lavrado fora do domicilio fiscal do contribuinte não merece agasalho, mormento pelo fato da matéria já se encontrar sumulada neste Tribuntal Administrativo, nos seguintes termos: "É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a 4-ação, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte" (Súmula 06 do CARF). Melhor sorte não assiste às razões de mérito do Recorrente, que pugna pelo afastamento do lançamento realizado com base nos livros do ICMS.. Isto porque, não merecendo fé as declarações apresentadas pelo contribuinte, nada impede que os seus livros fiscais estaduais sejam utilizados para balizar o lançamento, A possibilidade de arbitramento do lucro com base em livros do ICMS é também pacificamente aceita neste Conselho, como demonstram os arestos abaixo: IRPJ - LUCRO ARBITRADO - RECEITA BRUTA - APOIO EM GUL4 INFORMATIVA MENSAL DO IC11/IS (GIM) - PROCEDÊNCIA ACUSATÓRIA - Se as elementos constantes da declaração de rendimentos não merecem fé, deve o fisco - em sua ação impositiva - valer-se de outros elementos, ainda que indiciarias, porém robustos, máxime aqueles que consagram os valores do débito declarados à administração do ICMS pelo sujeito passivo, por corresponderem ao denominado lançamento por declaração. As provas assim hauridas, entretanto, não prescindem de investigações na escrituração contábil da empresa com o objetivo de caracterizar a infração suscitada e afastar a possibilidade de se estar diante de declaração de imposto de renda inexata. Se ao fisco é vedado o acesso aos livros contábeis, fiscais ou outros instituídos em lei, a exigência há de se tipificar de conformidade com os elementos .seguros de que dispuser o agente fiscal, recaindo o ônus da prova sobre a parte que lhe deu causa. (I" Conselho de Contribuintes / 3a. Câmara / ACÓRDÃO 103-20.366 em 16 08.2000. Publicado no DOU em: 27 09 2000) IRPJ E OUTROS - LUCRO ARBITRADO - NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS - ARBITRAMENTO DO LUCRO - CABIMENTO. É cabível o arbitramento do lucro de pessoa jurídica na hipótese da não apresentação de livros ,fiscais e contábeis, bem como da documentação em que se lastreie a escrituração contábil, quando regularmente intimada a tanto, aquela não o faça. IRPJ - LUCRO ARBITRADO - BASE DE CÁLCULO - LIVROS DE REGISTRO DE TRIBUTOS ESTADUAIS E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. Os registros de operações e apurações do ICMS e de prestações de serviços, na .forma de suas legislações de regência, podem ser tomados como base para o arbitramento do lucro para apuração do IRPJ e tributos reflexos devidos CSLL - PIS - COFINS - TRIBUTAÇÃO REFLEX4. Mantida a exigência matriz de 3 , ., IRP,I, idêntica decisão estende-5e à tributação reflexa devido à estreita relação de causa e efeito existente (1" Conselho de Contribuintes / la Câmara / ACÓRDÃO 101-96.500 em 07.12 2007. Publicado no DOU em: 09 09,2008 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ - Ano-calendário: 2000, 2001, 2002 - IRPJ - OMISSÃO DE RECEITAS - CONFRONTO ENTRE DADOS DO LIVRO DE APURAÇÃO DE IC11/IS E AS DIP1 E DCTF - Caracteriza a ocorrência de omissão no registro de receitas a constatação de diferença entre o total das vendas lançado no Livro de Apuração de ICiVIS em confronto com aquele informado nas DIPJ e DCTF apresentadas ao Fisco Federal, mormente quando ela não é contestada pela autuada, IRPJ - LUCRO ARBITRADO - FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS - A falta de apresentação pela fiscalizada de livros e documentos contábeis e fiscais impossibilita a apuração do Lucro Real, restando como única forma de tributação o arbitramento do lucro tributável ('1° Conselho de Contribuintes / 8a, Câmara / ACÓRDÃO 108-09,426 em 14 092007 Publicado no DOU em' 17.01,2008) Por todo o exposto, voto pelo não provimento do Recurso, com a conseqüente manutenção do lançamento originário. É como voto. ,..,_. .--.2,ERI CASTRO E SILVA . 4
score : 1.0
Numero do processo: 10980.002951/2002-51
Data da sessão: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2005
Ementa: uotas de contribuição sobre exportações de café recolhidas ao IBC. Restituição. Decadência.
O direito à restituição de indébitos decai em cinco anos. Nas restituições de quotas de contribuição sobre exportações de café recolhidas ao IBC, o dies a quo para aferição da decadência é 30 de dezembro de 2004, data da publicação da Lei 11.051, sancionada em 29 de dezembro de 2004.
Processo administrativo fiscal. Julgamento em duas instâncias.
É direito do contribuinte submeter o exame da matéria litigiosa às duas instâncias administrativas. Forçosa é a devolução dos autos para apreciação das demais razões de mérito pelo órgão julgador a quo quando superada, no órgão julgador ad quem, prejudicial que fundamentava o julgamento de primeira instância.
Rejeitada prejudicial de decadência e não conhecidas as demais razões de mérito devolvidas ao órgão julgador a quo para correção de instância.
Numero da decisão: 303-32.516
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes por maioria de votos, afastar a prejudicial de decadência, vencida a Conselheira Anelise Daudt Prieto. Pelo voto de qualidade, determinar o retorno dos autos à autoridade competente para apreciar as demais questões, vencidos os Conselheiros Zenaldo Loibman, Sérgio de Castro Neves, Marciel Eder Costa e Nilton Luiz Bartoli. Designado para redigir o voto o Conselheiro Tarásio Campelo Borges, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.sente julgado
Nome do relator: Marciel Eder Costa
1.0 = *:*
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Proc~sso nO Recurso n° Acórdão n° Sessão de. Recorrente Recorrida 10980.002951/2002-51 126.592 : 303-32.516 09 de novembro de 2005 COOPERATIVA CENTRAL AGROPECUÁRIA DO PARANÁ LTDA. '. DRJ/FLORIANÓPOLIS/SC . Quotas de contribuição sobre exportações de café recolhidas ao me. Restituição. Decadência. O direito à restituição çle indébitos decai em cin,co anos. Nas restituições de quotas de contribuição sobre exportaçõeS de café recolhidas ao IBC, o dies a quo para aferição da decadência é 3t>. de dezembro ,de 1004, data da publicação da Lei 11.051, sancionada em 29 de dezembro de 2004. Processo administrativo fiscal. Julgamento em duas instâncias. É direito do contribuinte submeter o exanleda matéria litigiosa às duas instâncias administrativas. Forçosa é a devolução dos autos para apreciação das demais razões de mérito pelo órgão julgador a quo quando superada, rio órgão julgador ad quem, prejudicial que fundamentava. o .julgamento de primeira instância, .' Rejeitada prejudicial de decadência e não corihecidas as. demais razões de mérito devolvidas ao órgão julgador a quo para correção de instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos . .ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho . de Contribuintes, por maioria de votos, afastar a prejudicial de decadência, vencida a Conselheira Anelise Daudt' Prieto. Pelo voto de qualidade, determinar o retomo dos autos à autoridade' competente para apreciar as demais questões, vencidos os Conselheiros Zenaldo Loibman, Sérgio de Castro Neves, MarcieI Eder Costa (relator) e Nilton LuÍz Bartoli. Designado para redigir o voto o Conselheiro Tarásio Call1pelo Borges, na~formado terató:oe ~o presente julgado. . . ~LISE DAUDTPRIETO .' .' . - PresIdente . . T~~L~ORGES Relator Designado Formalizado em: ' I O'9 MfÀR 2006 Participaram, ainda, do presente julg~(mto, os Conselheiros: Nanei Gama e Silvio Marcos Barcelos Fiúza.' Esteve o Procurador da FaZenda Nacionál Leandro Felipe Bueno Tiemo. \ PR CURITIBA DRF Processo nO Acórdão nO' I _ 1050.8.0.0.0439/20.0.3-36 "' 30.3-32.530. RELATÓRIO fV\o .. Trata o presente processo de pedido de restituiçãp de pagamentos efetuados no período de março de 1989 a abril.de 1990, a título. de "quofas de contribuição ao IBC", formulado com base na IN SRF n° 21/97, com a redação dada pela IN SRF n° 73/97 (~. fi. 01). O pedido em tela foi instruído com os documentos de . fls. 02-233. . A autoridade competente da Délegacia da Receita ~Federal em Curitiba proferiu o Despacho Decisório de fls. 234-235, indeferindo o pleito formulado pela interessada, por considerar que decaiu o direito da contribuinte de pleitear a restituição do tributo supostámente pagp de fonna indevida, tendo em vista o decurso de mais de cinco anos da data da extinção do crédito tributário,. conforme Ato Declaratório 'SRF n° 96, de 26 de novembro de 1999. Cientificada do referido despacho, a interessada apresentou a manifestaçi\o de inconformidade de fls. 169-200, com base nos seguitÍtes argumentos: a) d Decreto-Lei nO2.295/86 é inconstitucional, confonne decisões unânimes do STF, proferidas no julgamento dos R,En.o 19l.044-5/SP e 198.554- 2/SP. Neste sentido, fe~ referência a outros julgados do STF, do Terceiro Conselho,de Contribuint~s, bem coJ?1D-à opinião de doutrinadores; . b) conforme jurisprudência do STF, a decadência do direito de requerer a restituição somente se verifica com o decúrso do prazo d~ cinco anos, contados da ocorrência do fa~ogerad,or; acrescidos de mais cinco anos ,da data em que .se qeu a homologação tácita do lállçamento;. \ c) conforme jurisprudência do. STF, a prescnçaodo direito de pleitear judicialmente a restituição somente se verifica com o d~curso do prazo de cinco anos, contados da data em que o STF deçlarou inconstitucional a lei em que se " fundamentou a exigência do tributo. Assim, podem sem objeto.de objeto de pedido judicial de restituição todos ospagaínentos relativos a fatos geradores ocorridos nos últimos dez anos antedores à data de declaração de inconstitucionalidade pelo SlF (sic); . I d) os valores pagos indevidamente deveriam ser restituídos . acompanhados decoITeção monetária e juros, Conforme planilha que insuuiu o pedido, elaborada ~onsoante fundamentação legal reproduzí'da às fls. 254-257. I ' . i . Nestes termos, a interessada l:equereu que,esta autoridade julgadora deferisse o pedido de restituição dos valores pagos a titulo de "quota dê contribuição , .,.,....,.. .. 2 '6~(' ~. . 10508.000439/2003~36 303-32.530 Processo nO Acórõão nO FI. "~9ó V~C~N' ,) '....~..'t-~ ~ . f',;! ~~.~':;"c',~, c: \;';I"~'. \:~:":':~',~/;.{ sobre a exportação .de café", instituída pelo Décreto-Lei n.o 2.445/86, acrescido de correção monetária e expurgos inflacionários, nos exatos tennos do alto 12, ~ 8° da IN SRF n.o 21/97. . A Delegacia da Receita Federal de. Julga.mento em Flori anópQlis/S C, apreciando a manifestação de inconfOlmidade da contribuinte, decid~u pelo seu indet:,erimento (fls. 260/266), cisão assim ementada: .) " "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 14/12/1987 a 26/01/1989 Ementa: Pedido de re~tituição. Decadência. O direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente extingue-secam o decurso do prazo de cinco anos, contados da data. da extinção do crédito tributário, pelo pagamento. Solicitação Indeferida." Ciente da decisão e com ehi não se confornando,. a cqntribuinte recorre, .a este Colegiado por meio do Recurso Voluntário apresentado, tempestivamente (fls. 270), às. fls. 271/288, com os mesmos argumentos apresentados em sua manifestação de inconfonnidade, em apertada síntese': 'quanto a inconstitucionalidade da cobrança da quota de contribuição do café, da necessidade de extensão dos efeitos da decisão plenária definitiva do STF, do direito quanto a restituição dos valores pagos indevidamente, do direito à correção monetária plena, .inclusive os expurgos. . Após discorrer amplamente sobre seu entendimento, pautando:-se na jurisprudência, inclusive do Terceiro Conselho de Contribuintes ,(Recursos. 123.996 e 124.275), requer pela análise do Recurso VolUntário apresentad<;> para que lhe seja deferida a restituição do crédito oriundo do recolhimento das "quotas de contribuição sobre a exportaçãó de café", instituído pelo DL n° 2.245/86, apurados conforme. planilha de cálculos já anexada's, acrescidos de correção monetária pela e com' a inclusão dos expurgos inflacionáriós ocorpdos no período, atualizados ainda até o efetivo benef!cio da empresa contribuinte. , Por se tratar de processo que versa sobre pedido: de restituição de tributo, o recurso teve seguimento sem o depósito recursal ou arrolamento de bens, visto que neste caso inexigíveis. . Os autos. loram. distribuídos a este Conselheiro constando nUmeração até às fls. 290, última. ~ É o relatório. \ . / PRC:tJRfTIBA DRF ' Processo nO Acórdão nO 10508,000439/2003-36 303:'32.5~0 VOTO 'I " I Conselheiro Marciel Eder Costa, R~lator O recUrso ~ tempestivo. \ COlllungo, do entendimento dp ilustre Conselheiro NILTON, LUIZ , BARTOLI quanto ao direito à restituição da Contribuição na Exportação do Café - ; Cota Café - ,cujas razões acham-se estampadas no voto pelo mesmo proferido no Recurso na 130200, em 'que é reco:rrente Cooperativa Agropecuápa Mouraoense ,Ltda e recorrida a DRJlFlorianópolis/SC, e que servem 4e supedâneo e fundaínento do voto a seguir: .' , "Dele conheço totalmente, apesar do fato de a decisão recorrida ter. , ' acatàdo a preliminar de prescrição, que se consubstanciou em obstáculo ao conhecimento do mérito, o qual apreciarei com base nos artigos 515 e 516 do Código de Processo Civil, ora aplicados por anillogia. O Código de Processo Civil, ao tratar do recurso de apelação, équivalente, no processo administrativo-fiscal, ao rt?curso voluntáIio, dispõe que o recurso devolve ao tribunal o conhecimento da matéria impugnada (CPC, art. 515), O mesmo dispositivo,ém seu parágrafo primeiro, esclarece, porém, que serão "objeto de apreciação e julgamento pelo tribunal todas as questões suscitadas e discutidas no processo, ainda que a sentença não as tenha julgado por inteito." , Já seu parágrafo terceiro. permite que o tribunal avance 'no julgamento de causa extinta sem julgamento de mérito, quando esta se encontrar, em condiç?e~ de julgamento. ' ' Ampliando ainda mais os limites de conhecimento da causa conferidos a'o tri~ilnal, o artigo 51,6 do CPC preceitua: Art. 516" Ficam também submetidas ao tribunal as questões , , anteriores, à sentença, ainda não decididas. Sobre o tema, cumpre trazer à colação excerto do votado eminente Ministro do STJ Franciulli Netto, no julgamento do RESP na 252.187/PR, em sessão realizada em 5.11.2002, onde cita exposição de motivos elah~'pelp Exmo. , Ministro da Justiça por ocasjão da introdução do parágrafo terceiro ao artigO' ~J5 do CEC:" , " "'\' ",' -;r " . /' ,~', áCCU;"t"1cnto; ,-=- ". I Processo nO Acórdão nO 10508.000439/2003-36 303-32.530 "Merecem destaque, nesse passo, as Coilsiderações do Excelcntíssimo Senhor. Ministro de Estado da Justiça na Exposição de Motivos da Lei n. 10.352, publicada em 27 de dezembm de 2001, especificamente quanto à, recente introdução do ~ 3ó do artigo 515 do CPC: "Como o. processo não é um fim em si meSmo, mas um meio destinado a um fim, não deve ir além dos limites necessários à sua finalidade. Muitas matérias já se encontram pacificadas no tribunal - como,'por exemplo, na Justiça federal e na dos Estados. as questões relativas a expurgos inflacionários - mas muitos juízes de primeiro grau, em lugar de decidirem de vez a causa, extinguem o processo sem julgamento do mérito, o que obriga o tribunal (l anular'a sentença, devolvendo os autos à origem para que seja ;ulgada no mérito. Tais feitos, estão, muitas vezes, devidamente instruídos,' comportando julgamento antecipado da lide (art. 330, CPC), mas ojulgador, por apegado amor às formas, se esquece de que o mérito da causa constitui a razão primeira e última. do próprio processo". Estando a causa efetivamente apta para. o julg~mento, sem necessidade de dilação probatória, o que a doutrina denominou "causa madura", impõe-se o seu pronto julgamento pelo Tribunal. Essa parece a solução mais consentânea com a tão almejada eficiência e celeridade da prestação jurisdicional. Não resta dúvida que haverá situações em que a causa pode não se encontrar ainda em cOndições de receber decisão de mérito, ocasião em que será indispensável seja novamente submetida ao juiz para prosseguimento da instrução. Não raro, todavia, como no caso ora em exame, os autos já fornecem elementos suficientes para julgamento da causa. Nesse contexto, decidiu com acerto a egrégia Corte de origem que, presentes os documentos comprobatórios dos recolhimentos indevidos, "não tem sentido anular a sentença, a fim de que outra seja proftridá e, quiçá daqui a 2 ou 3 anos, voltem os autos a esta Turma para o exame da mesma matéria. Não há prejuízo algum no ;ulgamento do recúrso de plano, em homenagem ao princípio da economia processual, pois nenhum prejuízo causa às partes. A União teve oportunidade de manifestar-se sobre os documentos na ação cautelar e não os impugnou" (fi. 66). (RECURSO ESp'ECIAL N° 252.187 - PR -200G'OO2b549~7, ReI. Min. FRANCIULLI NETfO, votação unânime, em 05 de novell~bro de 2002, Data do Julgamento), grifos nossos. \ "', 5 :'. ~ ~ / PR CURrnBA DRF Processo nO Acórdão nO 10508.000439/2003-36 303-32.530 ' E nem se diga que tal regra protessual estaIia restrita ao âmbito \ judicial, porquanto é sabido -que sustenta valores de extrema importância para a proficuidade ,do pmcesso, quais sejam, os Prin:cípios da, Instrumentalidade, Efetividade e Economia Processuais, igualmente incrustados nas regras do procedimento administrativo. ' ,Or;a,estando' em pauta o pretenso direito da Recol1"eIÍteà restituição do quanto indevidamente recolhido à contribuição sobre operações de exportação de café - mais especificamente as' questões da prescrição de' tal direito, da inconstitUcionalidade da referida contribuição,' da possibilidade de reconhecimento . desse direito por este órgão judicante e da aplicação dos expurgos inflacionários e da Taxa SELIC' -, é flagrante a possibilidade de imediato julgamento do' feito, sendo " despicienda, e até m~mo desaconselhável, a remessa dos autos à Delegacia de , .Julgamento para que seja proferida nova decisão. Oreste Nestor de Souza Laspro, ao tratar do "dogma" do duplo grau. ' assevera que:' , "Tal prinCIpIO acabou sendo cpnsiderado, contrário à prática e à própria instrumentalidade do processo, na medida em que obrigava o processo a se submeter a infindáveis idas e vindas entre o primeiro e segundo grau, casos em que a questão já poderia ~serapreciada definitivamente pela segunda instância, (...)" ("Nova Reforma Processual Civil Comentada", São Paulo: Editora Método, 2003. p. 255) Parece,.me que o problema identificado pelo autor citado evidencia- se no presente caso, de modo que a providência determinada pelo Código de Processo Civil deve aqui também ser aplicada, em respeito à efetividade do procedimento administrativo-fiscal, a fim de se evitar desnecessária protelação. Se, de um lado, o duplo grau possibilita mn exanle mais acurado e ' exaustivo da matéria sub studio, conferindo maior segurança jurídica às decisões, de outro lado, retarda a-entrega do direito a que se busca, ofuscando a celeridade que se espera do procedimento que é apenas/um instrumento na busca daquele direito. ' o conflito entre segurança jurídica e celeridade nãO é novo e tem sido at11plamente discutido' na comunidade jurídica. Tal conflito foi muito bem identificado pelo einérito processualísta José Roberto dos Santos Bedaque: '~Tahto o direito à efetividade' do, prócessO quanto o direito à. segurança jurídica têIÍl natureza constitucional, pois podem ser extraídos. do conjunto de regras que estabelec~ o modelo processual brasil~ir~ na Constituição." ("Tutela Cautel;- e Tutela / 6 C \ \ ; ,\ '. I PR CURfTIBA DRF Processo nO Acórdão nO 10508.000439/2003-36 303-32.530 \ " J' ) ./ Antecipada: Tutelas SumálÍas' e de Urgência". São. Paulo: :M;alheiros. 2001. p. 91) Todavia, como valores, tais prhlcípios não hão de ser postos à batalha até que só' um subsista, mas, sim, devem ser harmonizados' na específica ,análise do caso concreto. Retomando-se a lição de José Roberto dos Santos Bedaque, 11(••• ) o corretoequacionamento dessa questão requer sejam ponderados os bens' e valores em conflito, a fim de se dar preferência àquele que; ao ver ~o intérprete, seja superior e mereça prevalecer" (ob.cit, p. 90). . A referida hannonização dos. valores explicitados pelol douto processualista, transposta P&fa o caso em exame, certamente' tende para a efetividade, uma vez que, se enviados os autos para julgamento em primeira instância, estes retomarãq, posteriormente,' a este ó~gão, que possuía plenas condições.. de julgamento na primeira oportunidade. ' . . , O insuperável Cândido Rangel Dinamarco, tratandoespecificflmente ' do dispositivo processual etp.foco, brilhantemente encabeça' sua defesa, seguida'pela Doutrina predominante, ao bradar que 11(.•• ) essa inovação atende ao desiderato de acelerar' a outorga da tútela jurisdicional, rompendo com um histórico e prestigioso mito. que ao longo dos séculos os processualistas alimentam sem discutir. Não há porque levar tão longe um princípio, como tradicionalmente se eleva o duplo' grau de jurisdição nos termos em que ele seÍnpre foi entendido, quando esse verdadeiro culto não for indispensável- para preservar as balizas do processo, justo é équo, fi~l às exigências dó devido processo legal. (...) Caso por caso, estando a causa madura para . julgamento, não há um motivo racional que exigisse a volta çIos autos ao juízo inferior, para 'que só então 'sobreviesse a decisão de meritis - e' ainda ,çom a. possibilidade de, mediante novo recúrso, a causa. tomar ao mesmo tribunal que', reformara a sentença terminativa. 11 ('iA Reforma da'Refom1a". São Paulo: Malheiros Editores. 2003. p. 151/152) , Desse modo, o julgamento imediato do feito não atenta contra a segurança jurídica, 'porquanto apenas !!I1tecipa um posicionamento que haveria de esperar morosas idas e vindas, privilegiando~' ademais disso, a celeridade igualmente necessá~a à entrega do direito almejado. • ' I .'E nemse diga que, envolvendo também questões de fato, o mélÍto não haveria de ser julgado desde logo por este Conselho de 'Contribuintes. Esclarecedora. e suficiente é, nesSa seara, a I1ção do ilustre Proféssor, Titular da Universidade de SãbPaulo: - , "Processo em condições de julgamento, segundo as palavras da nova lei, equivale a processo já suficientemente instruído para o. julgamento demérito. Não foi feliz o legislador, ao dar a impressão '<- de forniular mais uma. exigênc~apa~a a aplicação d\,-novo parágraf~ 7 ' '~'. " \ . 10508.000439/2003-36 303-32.530 F ,Processo nO Acórdão nO' L "I' íl' 't., _", , ') ,,;~.f..CC~).. :j~ . lI;.,\ 1:;'( ... aa~õ_~ . :. ,. ~fi}J'- . 1:: ::;\/}.~ ;.~ •••• M _ •''\..~..:r. "Af 0"0 - • '-O' , qual seja a de 'que causa versar sobre questão exclusivamente de direito. Se imposta sem atenção ao sistema do Código de Processo .Civil, essa aparente restrição poderia COmprOl)1etera utilidade da inovação, ao impedir o julgamento. pelo ttibunal quando houvesse questões de fato no processo mas estivessem elas já suficientemente , ' . dirimidas pela prova produzida.( ...)" (ob.cit. p. 155/156) Portanto, versando sobre questão de direito e questão de fato cujas' provas encontram-se nos autos (Comprovantes de Confirmação de Ipagamento), o presente feito comp'orta julgà~ento imediato, primando-se, sobretudo, pela economia . processual, princípio muito, bem delineado por Antonio Carlos Araújo Cintra, Ada ./ Pellegrini' Grinover e Cândido Rangel .Dinamarco, ,co-autores' da obra bastante digerida nos bancos das Faculdades intitulada "Teoria Geral do Processol1 (São Paulo: Malheiios Editores. 148 ed.p. 72):' 'i ( / "Se o processo é um instn:u.nento; não pode exigir um dispêndio exager.adQ com relação aos bens que estão em disputa. E mesmo quando não se trata d~ bens materiais deve haver uma necessária. proporção ,entre fins e meios, pàra equilíbrio do binômio custo- beneficio. E o 'que r~omenda o denominado princípio da economia, , o qual preconiza '0 máxime resultado na atuação do direito com o mínimo emprego possível de atividades processuais. (00')'" , " . I Entendo, pois, que, diante das considerações erigidas acima, o recurso deve ser inteiramente conhecido, pelo que passo às considerações de suas razões, iniciando-a pela matéria ap~eciada na instância inferior,. qual seja, a prescrição, tratada nestes autos sem o devido zelo que merece. Como é sabido, nos casos envolvendo o tributo ora em' análise, .' vinha adotando até recentemente tese segundo a qual" embora ainda não houvesse um .ato jurf,dico formal que conferisse efeitos erga omnes à decisão proferida inter partes, , havia elementos jurídicos suficientes.para se reputar indevida a exação, e conceder a restituição pleiteada. Após a edição da Lei 11.051, de .29 de dezembro de 2004 (conversão da MP n°.219, de 30 de setembro de 2004) que, em seu artigo 3'?,alterou a redação do .artigo 18 da Lei 10.522/2002; e, mais recentemente, da edição da Resolução n° 28 do Sepado Federal, publicada no DOU de 22 de junho de 2005, julgo, que as questões atinentes à inconstitucionalidade ,da Cota de Contribuição sobre Exportação 'de. Café e sobre a existência de ato éstendendo efeitos erga omnes à decisão do Supremo Tribunal Federal, proferida em sede de controle difuso de constitucionalidade estão superadas, merecendo a atenção desse Colegiado' apenas. o debate acerca do teImo a quo do prazo prescricional/decadencial para o contI'i'bn~.te pleitear a :est!tuição dos v:lores p~gos a título da Cota d~ ~?ntribuição a~ IBC, bem como dos mdlces de con'eçao daqUIloque se pretende restituIr. (' , , " .•... ~ / , '. \ PR CURITlB/\ DRF Processo nO Acórdão nO ,. 10508:00043912003-36 303-32.530 : \. Tenho enfrentado. problema semelhante nos 'casos de pedidos de restituição do FINSOCIAL, pelo que entendo ser óportuno trazer ao debate alg11111as reflexões que pude desenvolver naquele particular, mas que se ajustam ao presente caso. De início, julgo conveniente nos.debruçannos sobre os institutos da decadência e prescnção. . ., Emboril ainda haja alguma controvérsia acerca. dos eleinentos que diferenciam .a decadência da prescrição, o certo é que ambos os institutos foram' introduzidos há muito no direito pátrio objetivando disciplinar as relações jurídicas no I .. ' " . tempo. . .Com efeito, a falta' de um termo final para o exerCÍcio de um direito poderia desestábilizar as relações sociais, ao deixat indefinidas certas situações, . gerando insegurança jurídica: ' '.. Bem por isso o legislador houvepot estabelecer . regras para o exerCÍcio de direitos, delimitando sua extensão no tempo.e seus termos inicial e final. No qu~ toca ao início do prazo. prescricional pà~~ O exerCÍcio de um • direito, é de lógica elementar Ser o dies a quo aquele em que o direito passou a, ser. exerCitável.' . , Afinal, não prescreve o dirêlto que ainda não nasceu. , G Essa foi a linha adotada pelo legislador no Código Ci~il, de 1916, recentemente revogado. Assim dispunha o seu artigo 17,7, verbis: Art.' 177. As ações, pessoais prescrevem, ordinariamente, em 20 . (vinte) anos, as reais eml.0 (dez), entre presentes, e entre ausentes, em 15 (quinze), contados da data em que poderiam ter sido propostas. (grifos nossos) o .n?vo Código qivil, da lavra de ningueni menos do que o aclamado jurista' e filósofo Miguel Reale,adotando a mesma lógica, dispõe que: . ,/ , , I _ Art. 1.89•.Violado o di~eito, nasce para o titular a preten~,a9.llal se extmgue, pela prescnção, nos prazos a que aludem os \árts. 205 e 206. ' . (destaques acrescentados) 9 / Póde'ser no 1. COllsu,te pápin" , : , \ PR CURITIBA DRF Processo nO. Acórdão nO , 10508.000439/2003-36 303-32.530 Nesse diapasão, o precioso magistério de Paulo Pimenta' \ . . j liA pretensão, na lição inesgotável de Pontes de Miranda, 'é a posição subjetiva dê poder exigir de outrem alguma' pre,stação positiva ou .negativa'2, ou ,seja, é. a faculdade de. exigir. o .' . cumprimento de uma prestação, seja a de dar, fazer, ou de não fazer. Além disso .o dispositivo inovador consagra expressamente o .prinCÍpio da' actio nata - cuja existêricia era a,dmitida com tranqüilidade pela doutrina cjvilista na vigência do Có~igo de 1916- ". , por força do qual o prazo de prescrição começa fluir no momento em que ocorry a violação do direito material. . . Vale dizer, O prazo pr~cricionalsurge no momento da ocorrência de' determinado :(ato que modifica uma detenninada 'situação jurídica, . tomando-a. desconforinecom o sistetna jurídico, Nem sempre esse fato corresponde auro ato do devedor, podendo ser prati~ado, também, por terceiros, pode consistir n~m evento imprevisível (caso fortuit9' ou força maior), _.ou até mesmo ser decorrente de provimento; jurisdicional que atribua nova qualificação, jurídica a um detenninado evento. 11 Na seara tributária,' o termo a quo do prazo prescricional do direito do contribuinte de repetir o que pagou indevidamente p.ossui algumas singularidades. De início, há que se perquirir a natureza, do pagamento' indevido, que comumente ocorre em uma de três modalidades. No primeiro caso, o contribuinte paga espontaneamente tributo que não devia ou além do que devia. .' No ,segundo 'caso, ocontrihuinte sofre cobran.ça fudevida ou maior do que a devida. ) No terceiro caso, o contribuinte paga tributo .que era devido à época do pagamento, e que posteriormente, por força de um fato que modifica a situação jurídica. então vigente, toma-s'e indevido. . Nos' dois p~imeiros casos, o 'pagamento sempre foi indevido, daí porqtié o prazo prescricional para o contribuinte reaver o indébito tem início na data do próprio pagamento (CTN, art. 168, I), malgr'ado a redação imprópria do parágrafo I,' já que não h~ se falar em crédito tributário a ser extinto quando o pagamento é integralmente indevido. '-- ... '. I A Restituição dos Tributos Inconstitucionais, o Novo Código Civil e a JUrisprUfl!ICi.ado STF e dO". "j STJ, in Revista Dialética de Direito Tributário, vaI. 91, Editora Dialética, 2003':~190/91. ~ Tratado doDireitoPrivado. lo 5. otoal. Por Vjsl~: Rodri,u",. Campinás;Bo_l ••.•2OOO.~. 1,'1i I Docurnento de í ~:}Op{~g!n3(s}-ccntinn<Joo pelo (,ódi90 de local'Z2(ÜO FPil2J:S1 /. í ser consultaôC! '10 Rnd,c"c'(~() a.páfr'na de' no destf~({DCUfuento. 10508.000439/2003-36 30:3-32.530 Processo nO , Acórdão nO .l~'L30'<. ',"': ,0" r"". r'>r:'•. ~-06t•.. . ..,:.' :r)."", , 3 1-~{U;l" ..~º_~,t,; .,{~)~}) ~~. ,Tais casos encontran.l-se'previstqs nos incisos I e 11do artigo 165 do . CTN. Vále ainda acrescentar que, diferent~mente do que ocorre no Di~'eito Civil,onde para se repetir o que foi pago indevidamente se deve. comprovar o erro, à indébito. tributário prescinde de tal prova, bastando à comprovação do pagamento, qualquer que tenha sido o motivo. }lR CURITiBA DRF Já na terceira hipótese, a situação é diametralmente distinta. O que foi pago pelo contribuinte era efetivani.ent~ devido à época do pagamento. Não havia, - .naquele ¥Jstánte, o caráter indevido no recolhimento efetuado, que só viria a adquirir essa feição após o advento de uma inovação na realidade j?rídica em vigor. \ Esse é o caso, por exemplo, 'dos eventos previstos no' inciso III do artigo 165: reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão 'condenatória. Bem por isso, e na esteira do que já foi declinado acerca da prescrição e decadência, nesses casos (art. 165, I1D,'a violação do direito que faz. \ naScer a pretensão, in càsu, a-do contribuinte, só ocorre quando O pagamento que era devido se toma indevido. Ocorre que o Código deixou de prever expressamente uma. quarta hipótese, casualmente a que mais' se verifica nos dias atuais: a de . inconstitucionalidade da lei instituidora ou majoradora de tributo .. Na inconstitu,cionalidade de lei, nonnalmente só reconhecida a posteriori, há também uma modificação na ordem jurídica então em vigor, à semelhança dos casos previstos no inciso IH do art. 165. ' .' Como a questão de pagamento indevido por inconstitucionalidadé da norma, reconhecida pos'terioIi:Íl.ente, não foi prevista pelo Código, sendo de vital importância para se identificar o dies a quo do prazo prescricional/decadencial para se pleitear a restituição do indébito, a jurisprudência e a doutrina; estribadas oos prinCípios gerais de direito e demais normas do sisteIila, convencionaram que, nesses casos, está-se diante de um marco ou prescrição '''especial''. (' Com efeito, a contagerrido prazo de prescrição somente pode ter . ' início a partir de uma lesão a um direitõ. Isso porque, se não há lesão, não há utilidade no ato do sujeito de direito tomar alguma medida. A extinção de diteito de que se tr~Úa, pelo decurso de prazd fixadoeI1l.lei, atinge a faculdade conferida ao sujeito ativo para exigir lil eficácia do objeto do direito subjetivo. O decurso .do prazo convalesce esta lesão" como na lição de SÀN TIAGO DANTÀS, desQ.e que se entenda adequadamente O direito de ação como o de agir manifestando ~iglbHi.dade ou pretensão dirigida à obtenção da .eficáciasubstantiva do, objeto dci. direito, in' Programp de Direito Civil, Editora Forense, 3D EdIção, 2001, p. 345:.. 11 / https:!icav.rccelta.1azenda,gov. hr/cC!\C!publ lendo 9in.ôSpx no final dcste'dDcúrnentc, PR CURfTIBf\ DRF Processo nO _Acórdão na 10508.000439/2003-36 303-32.530 "Tenho eu um <Íireitosubjetivo e podem passar os anos sem que o tempo tenha a mínima influência sobre o meu direito. Mais eis que, de repente, o meúdireito entra em lesão, isto é, o dever jurídico que a ele corresponde não se cumpre: dá-se a lesão do direito. Nasce da lesão do direito o dever de ressatcir e, para mim, o d'ireitode propor uma ação para obter ressarcimento. Se, porém, deixo que pásse o tempo sem fazer valer o meu direito de ação, o que acontece? A lesão do direito secura, convalesce, a situação antijulidica torna-se jurídica; o direito anistia a lesão anterior e já não se pode mais pretender que eu faça valer nenhuma ação. Esta é a conceituação da prescrição que mais nos defende de dificuldades da matéria." , I SAN TIAGO DANTAS esclarece que lia prescrição conta-se sempre da dáta em que se verificou a lesão'" pois, na verdade, só com esta surge a denominada "actio nata",que sustenta o diI;eitoà reparação. Assim sendo, indaga-se: quando se verifica a lesão de um direito pelo recqihimento de lim tributo, s6 posteriormente reconhecido por inconstituciomil? Estará tal lesão configurada na data 'em que recolhido o tributo, muito embora a norma, à época' do pagamento, ainda detivesse a presunção de inconstitucionalidade? . As lições dos mestres MARCO AURÉLIO GRECO e HELENILSON CUNHA PONTES, in Inconstitucionalidade da Lei Tributária Repetição do Indébito, Editora Dialétiéa, 2002, obra integralmente dedicada ao tema em apreço, merecem ser destacadas; conforme p. 48,51-52:' "O exercício de um direito, submetido a prazo prescrlcional,' , pressupõe a violação deste, direito, apto a configurar a 'actio nata', isto é, o momento de caracterização da lesão' de um direito. Câmara Leal 'leÍ11braque não basta que o direito tenha existência. atual e possa ser exercido por seu titular, é necessário, para admissibilidade da ação, que esse direito sofra 'alguma violação que deva ser por ela removida. É da violação, portanto, que nasCe a ação. E a prescrição começa a correr desde que a ação teve o nascimento; isto' é, desde a data'em que a violação se verifiéou. I Com base nestes pressupostos doutrinários, pode-se concluiÍ' que antes da pronúncia (ou da extensão) dairiconstitucionalidade da lei tributária, o contribuinté não possui efetivamente um 'direito a uma , prestação', 'apto a gerar contra si um prazo pre~t~~al q~e o fulmine pela sua 'inércia. Não pode haver inérci~ a ser fuhninada pela pr~crição se não há direito exercitável, ist~ e~~e não há 'actio nata'. (...) "Docurncnto de 1riO pr.1Q~na(s} ccnflrrnado pelo código.de localizaç'ôoFFU2,UG i7, i 12 F\)(ie scr consultado no Consune a pagina de P.R CtJRfTIBA DRF Processo nO Acórdão. nO 10508.oà0439/2003-36 . 303-32.530 - 13 ".I Tratando-se de hipótese em que o núcleo da questão éa , " inconstitucionalidade' da. lei ou ato normativo em que se apóia a exigência e em função da qual o pagamento foi realizado, a situação adquire maior complexidade, pois não se. trata' apenas' de aferir a adequação do fato àqualipcação jurídic~ que resulta da lei ou do'ato nonnativo, mas é preciso considerar mais doiseleme_ntos: a) a mudança de qualificação jurídica do fato (pagamento) oriunda .~ de um pronunéiamento judicial que afinlla a incompatibilidade da lei ou ato nOffilativo - com base no qual o fato foi realizado - à .Constituição; e . , r " b) o,momento em que esta mudança de qualificação jurídica ocorre, tendo em conta o m~nento em que o pagamento se deu. Aos dois elementos anteriores (faJo + qualificação jurídica) deve-se ,acrescentar um terceiro elemento que é ó momento em que se realiza o juízo de adequação/inadequ~ção da 'lei ou ato normativo à Constituição (juízo de validade).' Vale dizer, o ,elementofempo passa' a assumir importância capital, em razão do perfIl que , resulta do juízo de Ü1constitucionalidade que atinge a norma jurídica (...l. , . , Olhando dessa perspectiva, e tendo em conta o momento elp que se dá o cotejo entre o fato e o ordenamento, positivo, para fins .de recon1:Íecer a qualificação jurídica que daí advém, à' vista, do pagamento feito, doismomentôs devem ser identificados:. a) momento do pagamento; e b) momento do' julgamento da questãO. constitucional (pronUl1ciamentoquanto à validade). Examinemos estes dois momentos. Momento I: o pagamento foi efetuado sob a vigência de uma lei ou de um ato nonmitivo que O exigia., Estes~ naquela data,' estavam revestidos de presunção ,de cOllstitucionalidade e o contribuinte cumpriu a norma vigente à época. ' , Portanto, no Momento 1 a qualificação' jurídica ,~ue está revestido o pagaIq.ento' feito é de um pagamento devidO;-'P!,sto que corresponde, com exatidão, às previsões q!1e o ordenameb~. positivo determinava à época e a norma estava cercada de presunção de consti~ucionalidade.' .\-.- ~ d,DCUt11cnt.o, , 1 ,PR ClJRfTIBA DRF Processo nO Acórdão nO 10508.00043'9/2003-36 303-32.530 Na medida em que o pagamento é devido, não há por que falar em fluênyia de prazo prescricional, pois não existe actio nata; uma vez que não estão reunidos os elementos que a configuram. , Momento 2: num momento subseqüente, sobrevém deCisãojudicial que declara a inconstitucionalidade, da lei. Esta decis,ão altera a ,qualificação jurídica do pagamento feito,. pois retira um de Seus fundament,os de validade, de modo que o pagamento deixa de estar em s'intoni~ com o ordenamento, para se tornar ,deh~ discrepante; Nesse momento, ele torna-se indevido não porql:le assim sempre tenha sido, mas porque passou a receber esta nova qualificação em decorrência da decisão judicial. Se nos perguiltarrilos, no momento imediatamente anterior' à declaração de inconstitUcionalidade, se os pagámentos são devidos ou indevidos, a resposta só.pode ser que mantêm a qualidade de devidos, pois até aquele momento não' há pronunciamento que tenha alterado tal qualificação." (grifos nossos) Alguns dirão: mas com o recolhimento "indevido", (ainda que apenas em cumprimento de lei com presunção dei constitucionalidade), surge para o contribuinte o direito de ~uscitar a declaração de inconstitucionalidade da norina e , cumullitivarnente pleitear a restituição do recolhido. Mais ainda, dirão que o prazo é o previsto nos artigos 165 a 168 do CTN, defendendo ser esta a interpretação mais adequada com o princípio da segurança jurídica, que demanda a' imutabilidade d~. si~ações que perduram ao longo, do tempo, ainda que irregulares. , , \ Os mesmos autores da oQra já 'citada prontamente refutam esta argumentação~ afif1llando que: a) os artigos que tratanl de restituição no CTN não prevêem a hipótese de declaração de ,inconstitucionalidade da llonna; e b) 0/ princípio da segurança jurídica deve ser temperado por outro que, fulcrado na presunção de constitucionalidade das leis editadas, demanda a imediata' aplicação das, normas editadas pelos Poderes competentes, sob pena de disfunção' sistêmica. Relevante transcrever os excertos nos quais os brilhantes juristas demonstram o acima destacado. Primeiro a questão dos prazos do CTN; conforme p. " 50 da obra citada: . "Nas hipóteseS contempladas no' artigo 165dtf, ~,como a qualificação juridica a ser aferida é aquela que re ulta dalegislação aplicável (fundamento imediato da exigência), a .imples realização de um pagamento que não esteja plenamente de acordo com tal" disciplin~ reúne condições que fazem nascer Pfa o contribuinte o \ direito de obter a restituição do que indevidament~ pagou., ~ . 14. . ~' 10508.000439/2003-36 , 303-32.530 , PR CURITiBA [)RF procésso nO Acórdão nO, F 0, ~ oôtco~ -{- )5-).~ Fi' fi' A,~" '\~?F::I.,.,... 'rJI~: ~~i .' ~~.~,-n:C' l,..•.•:;l , '.:., Vi;' " .) ~"Itoo.d..•••~ Ou seja, nestes casOs, existe uma qualificação celta (a da lei) e uma conduta que, dela se distailcia, (espontaneamente, por erro de identificação etc.). Andou bem o CTN quando atrelou a tais eventos os prazos que correm contra o contribuinte e fixou os respectivos ten1).osiniciais na data da extinção do crédito (artigo 168, I) ,ou na datà em que se tornar definitiva a decisão que refonnar a decisão condenatória'(artigo 168,II). ,Em s~ma, nas hipóteses'reguladl:iSpelo CTN, a qualificaçã~ jurídica é certa e está d~finida antes da ocorrência do evento concreto. E, pela estrita razão de que o evento não se enquadra adequadamente' mi. qualificação jurídica preexistente, é que 'o contribuinte 'tem direito à r~stltuição do indevido. O indevido, nestes casos, éat'erido mediante cotej,o entre um fato e a respectiva previsão nonnativa, sendo que o fato é posterior a esta."'. ' Agora a matéria dos principios' (valle dizer o confronto entre a •..... segurança jurídica e a segurança sistêmica' pelo respeito à presunção de' constitucionalidade das leis), na página 74: "Nesse passo,est~os perante duas Posições. De um lado, os que .sustentam que o prazo prescnciol1al se inicia com o pagamento feito (com base rias normas do CTN) e, que, passados ciilcoanos, não cabe mais pedido de repetiçã() de indébito, ainda q~e, após esse prazo, sobrevenha decisão judicial' reconhecendo a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo. De outro lado, a nossa posição, 'no sentido' de que, tendo havido inequívoca decisão 'do' Supremo Tribunal, Federal declarando a. inconstitucionalidade de uma 'norma tributária, o contribuinte" no , prazo de 5 ~cínco) anos pode ingressar com ação de repetição de indébito, mesmo que o pagamento tenha sido efetuado há mais de cinco anos da proposihu-a da ação, pleiteando a repetição de todo o tIíbutopagocom fundamento na lei declarada inconstitucional. I Entendem os'prinieirosque sua posição deve prevalecer, pois assegura a segurança e a estabilidade das relações. Entendemos nós,. P?rém, que a p~sição qu~ sust,entp~ é' a .que., melhor resguarda taISvalores e, lTIaISdo que ISSO,e a (que pre.~ervao ordenamento jurídico e sua eficácia. !. . . ".~I ~~~ efeito, se a contagem do 'pra~o de ~rescpçã.Q:tiver por ~emld\. 1111Clal.adata do pagamento feIto (1l1clUSIVettgamento ant~.~~pad~~ , 15 \ .~~\- f-> ~ Documento dc 150 rágina(s) conJirmario pelo código cc locai,z,açAó EH12.nCllJ '.PR CURITIBA DRF Processo nO Acórdão nO 10,508.000439/2003-36 303-32.530 '-1 nos termos do artigo 150 do CTN); esta é melhor fonua para induzir os contribuintes a questionai'em toda e qualquer exigência antes de completado o prazo de cinco anos. Ou seja, ela produz o efeito contrário à busca de segurança e estabilidade pois, a priori, tudo seria questionável e mais, deveria ser efetivamente questionado (por mais absurdo que pudesse parecer naquele momento), conlo medida de cautela para evitar o perecimento. do seu direito de pleitear judicialm~nte a restituição. Em' suma, contar a prescrição a partir da data do pagamento feito (inclusive. pagamento antecipado nos termos do artigo 150 do CTN) é negar o valor segurança, pois elimina a. presunção de constitucionalidade da lei (que tem função estabilizadora das relações sociais e jurldicas), além de provocar desconfiança :Q.O ordenamento e induzir seu descumprimento, no sentido de que os contribuintes são levados. a impugnar tudo, pois tudo precisa. ser questionado para evitar a prescrição. Não se pode deixarde.mencionar, também, que discutir quanto a prazo de prescrição por inconstitucionalidade da lei ou ato normativo é defender a mais paradoxal das posições pois, num contexto de relacionamento. sadio entre Fisco e contribuinte, se. o Plenário do Supremo Tribunal' Federal reconheceu . à inconstitucionalidade de uma lei e, por conseqüência admitiu ter havido pagamento indevid9,seria de se esperar que o Fisco tomasse imediatamente a iniciativa e, ex oflicio, devolvesse o que recebeu indevidamente aos que foram atingidos pela exig;ência.1I . Nesse diapasão, a jurisprudência majoritária das mais altas Cortes do país, judiciais e administrativas, tem elencado três ~corrêricias que têm o condão de toqar, aposteriori, indevido o pagamento até então tido como devido. São elas: (i) declaração de. inconstitucionalidade de Inorma tributária proferida pelo Supremo Tribunal Federal em ações de controle concentrado de constitucionalidade, como as . ADINs, dé efeito erga omnes; (ii) declaração incidental de inconstitucionalidade de nonua tributária proferida pelo Supremo Tribun:alFederal em ações de controle difuso .de constitucionálidade, iIT~diando efeitos erga omnes a partir da' publicação de ~:esolução do Senado Federal que suspenda a execução' da lei decJarada inconstitucional; e (iii) lei ou ato admiIústrativo que reconheça, implícita ou expressamente, o caráter indevido da exação. ' O que há de comum nesses três casos é a m~di~;~O- da ordem jurldico-tributária após o pagamento do tributó. c': .\ 16 . J. PR CURITIBA DRF Processo nO Acórdão nO ' 10508.000439/2003-36 3Q3-32.530 ) Como não,é difTcilde intuir, sómente após se tornar indevido é que surge para o contribuinteo,correspondentedirelto de reaver aquilo que pagou. No tocante às hipóteses "i". e "ii" acima citadas, é pacífico o entendimento de que a declaração de inconstitucionalidade de uma nonna tributária produz efeitos ex tune, tomando inválidos os atos práticadossob 'sua vigência. , I Eventual exceção a essa regra sô ,poderia ocorrer se' viesse ' expressamente consignada pelo Supremo Tribunal Federal na própria declaração de inconstitucionalidade da norma, para que, por exemplo, esta emanasse apenas efeitos exmmc. Não havendo ressalva, a inconstitucionalidade da norma retroage ao momento em que entrou no ordenamento jurídico., É o que prevê o artigo 102,,' 9 2°, da Constituição Federal, combinado com os artigos 27 e 28,9 único, da Lei 9.868/99, verbis: CF: Art. 102 ;; , ; ;.. 9 2° As decisõel? definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal nas ações diretas deinconstitucionalldade e nas ações declaratórias de, constitucionalidade 'prodüzirão eficácia contra todos e efeito vinculante, relativamente aos demais órgãos do 'Poder' Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. LEI 9.868/99: " Art 27. Ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, e tendo em vista razões de segUrança jurídica ou de excepcional interesse social, poderá o Supremo Tribunal :Federal, por maioria de dois terços de (seus membros, restringir os 'efeitos daquela 'declaração ou decidir" que ela s6 tenha eficácia a partir, de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado~ Art. 28. .. ~..;, ' . Parágrafo único. ,A declaração de constituciol}Sili.daçieou de inconstitucionalidade, inclusive a interpretaç~o conforme a Constituição e a declaração parcial de inconstitUcionalidade seJJ,1 redução de texto, TÊM EFICÁCIA CONTRA TOD{)S~ EFEITO VINCULANTE EM RELAÇÃO;(OS ÓRGÃOS DO .' . 17' \ > \ .' 10508.000439/2003-:-36 303,,32.530 PR CURITIBA DRF Processo nO Acórdão nO F!. 311 r~~~~.-:() ~~ c.r..\p.L{,' , , 7..;. ••. ; I?;' ~O<')".,~ {;'JF;~.~. 'O ,.':~:l\., -~-, ", f\0 ,,';' '?n' ",,I, r••••-!~ '.!t~.. ).~ ../. . PODER JUDICIÁRIO e à Administração Pública federal, estadual----~ e munidpal." ' \ (grifos nossos) Assim, tributos declarados inconstitucionais conferem ao contribuinte, a partir daindigitada declaração de inconstitucionalidade, o direito de repetir o que foi pago indevidamente .• " , Afora a declaração .d~ inconstitucionalidade proferida pelo STF em ADIN ou Resolução do Senado Federal estendendo efeitos erga' omnes à decisão proferida -em sede de controle difuso de constitucionalidade de nonna, há' ainda a terceira,modalidade de fato jurídico apto a tomar indevida uma detenninada exação, deflagrando nesse instant!:?o direito à sua repetição. , Trata-se de manifestação inequívoca 'da pr6pria Adtmnistração, através de lei ou ato 'administrativo, que reconhece expressa- ou tacitamente a : inconstitucionalidade de' um detenninado tributá. Esse reconhecimento -pode se exteriorizar de diferentes formas, como na dispensa da cobrança ou pagamento do , tributo, na dispensa da constituição do crédito tributário a ele referente, na 'revogação total ou parcial na norma tributária: inconstitUcional, dentre outras. \ , A partir" da edição desse ato, o contribuinte passa a ter" ciência indubitável da ocorrência da violação de' seu direito, dando início à fluência do prazo prescricional para que pleiteie a devolução do que pagou indevidamentl:? - É mais uma' vez a regra encampada pelo' direito' páttio atinente à prescrição, segundo a qual O -prazo prescricional só tein -início no dia. em que o exercício. do direito passou a ser possível. 'Em 30.9.2004 foi editada a Medida Provisória ,'no' 219, posteriormente convertida na Lei 11.051, de 29 de dezembro de 2004 . . Seu artigo 30 inseriu no rol do artigo 18 da Lei 10.522/2002, que dispensa a Fazenda Nacional de constituir créditos, inscrever na Dívida Ativa, ajuizar execução fiscal, bem como autorizar a cançelar o lançamento e a insctição, ~ Cota de Contribuição ao IBC, revigorada pelo art. 20 do Decreto-Lei n° 2.295, de 21 de novembro de 1986. ." " 18 . Após a edição da citada Medida Provisóda, os artigos 18 e 19 da Lei 10.52212002 passaram a ostentaLa seguinte/redação:' r::'--" C' J ~ j Pode ser consultado no , Consulte a p6gini\ de no • I , PR CURfTIBA DRF Processo nO Acórdão nO 10508.000439/2003-36 303-32.530 .'}. Ao dispensar a constítuiçãode créditos, a inscrição na Dívida Ativa, o ajuizamento de execução fiscal, cancelando o lançàménto e a inscrição relativos ao . que foi exigido a título de Cota de Contribuição ao IBC, a Medida Provisória reconheceu implicitamente a declaração de inconstitucionalidade da norma proferida pelo STF no julgarnento do RE n° 408.830-4-ES. Ao reconhecer a inconstitucionalidade da citad'a Contribuição, dispensando a Administração Tlibutária de procedimentos anecadatólios nesse particular, à Fazenda N'acionaladmitill; a violação do direito do contlibuinte, marco inicial do prazo prescricional para que este pleiteie'st:la restituição. Nesse sentido, respaldado pela .doutrina de Ri<?ardo'Lobo TOlTes, ensina com sua habi~al propliedade Gabriel Lacerda Troiane1li3: "Há que se consid~rar, entretanto, que nem a decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal em controle concentrado .de constitucionalidade, nem a resolução do Senado Federal.suspensiva de ato hormativo declarado incoilstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, que a Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça vem .hoje, pacificamente, admitindo corno sendo causaS de fluências de novo j prazo para pleitear a compensação ou restituição de tributo indevidamente pago, encontram-se previstos na legislação corno tais. A jurisprudência, na verdade, teve como fundamento não a lei,'mas' a ,doutrina; que, especialmente após as lições de Ricardo Lobo Torres\ vem defendendo a' existência de causas supervenientes de \. abertura de prazo para o contribuinte reaver tributo indevidamente 'pago, entre as quais a decisão do Supremo Tribunal Federal em sede de controle concentrado e a reSOlução do Senado Federal, hoje .pacificamente admitidas pel(js Tribunais .. Mas não são apenas estaS .as duas causas supervenientes admitidas pela DoutriIí.a, como bem demonstra Ricardo Lobo Tones, nos trechos a seguir transcritos: 'A restituição do' 'indébito a. causa superveniente apresenta o esquema que pode ser desdobrado em vários procedimentos ou atos distintos: (...); 2°) um ato intermediário que transfonna em ilegal o pagamento até então legal, e que pode ser proferido em a ão judicial . (decretação. de nulidade e da ineficácia do neg' cio jUI"Qi.cO; declaração ~e inconstitucionalidade da lei em aço direta), ê,.. Lei IntelPreta~ivae Prescrição do Direito de Re.petir: Novo pra.zo pa:u a c~ribuiçãQ aa PIS;~ Revista Dialética de Direito Tributário, voI. 71, Editora Dialética, 2001; p. 73';, , ..•.. \ . TORRES, Ricardo ~bo. Restituição dos Tributos. Rio de Janeiro: Forense, 1983, p. 167/17~ ' • 19 . ~ , . deste documento. . . . 'PR CURfTIBA DRF Processo nO Acórdão nO J0508.000439/2003-36 3.03,-32.530. resolução do Senado 'Federal (que suspende a execução da lei .declarada inconstituciánal incidenter pelo STF), em lei de natureza interpretativa ou em ato ou procedimento administrativo (...). (.) Na declaração de inconstitucionalidade da lei a decadência OCOiTe depois de cinco alIos da data do trânsito em julgado da decisão do STF proferida em ação' direta ou da publicação da Resolução do Senado que suspendeu a lei com I. base em decisão prófetida . incidenter tantum pelo. STF. Até aquela data o .contribuinte só poderia exercitar o seu direito se, concomitantemente, postulasse a declaração judicial de inconstitucionalidade. Esse, entretanto, seria outro tipo, de processo de restituição, sujeito às rewas do CTN, . como vimos no TítUlo lI, inconfundível com o que decorre de uma decretação de inconstitucionalidade com eficácia erga omnes. Na hipótese de que se cliida já existe a prejudicialidade da questão da mconstitucionalidad'e. Logo, a partir da data em que se adquiriu eficácia erga munes a deClaração é que se contará o prazo da. decadência. Nem haverá justificativa para restringir o, direito do contribuinte, contando o prazo a partir do pagamentô (legal. e ,devido), pois serviria de estímtiloà multiplicação de repetitórias dirigidas,eoncomitantemente, contra a cons~tucionalidade da lei .. o mesmo argumento ea mesmíssimaconc1usão se impõe para. os casos de lei' interpretativa. Também ai, a nosso ver' o prazo de decadência se mtencia da data. da publicação da lei que incorporou, . em texto Jonnal, os julgados'''. . . . . ..No, mesmo sentido, é copiosa a jurisprudência da Câmara Superi0f. , . de Recursos Fiscais e Conselho de Contribuintes: . .' , .i Número do Recurso: 119471 Câmara: SEGUNDA cÂMARA Número do Processo: 10~83.00l651/99-73 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO M~téria: RESTITUIÇÃO/COMP PIS Recorrente: ELÉTRICA CUIABANA LTDA RecorriclalIntereSsado: DRJ-CAMPOGRANDEIMS Data da Sessão: 05/12/200208:00:00 Relator: Antônio Carlos Bueno Ribeiro Decisão: ACÓRDÃO 202-14475 20 , . ;f'R CURITIBA DRF Pi'ocesso nO Acórdão nO 10508.000439/2003-36 303-32.530 . , Resultado:NPQ - NEGADO PROVIMENTO PbR QUALIDADE . Texto da Decisão: Por unanimidade de votos: I) Acolheu-se a preliminar para afasta~ deéadência; II) no mérito: a) por unanimidade de votos, deu-se provimento 'parcial ao recurso,' quanto à sellleslralidade; e . ' b) pelo voto de qualidade, negou~se provimento ao recurso, quanto aos expurgos inflacionários. Vencidos os Conselheiros Eduardo da Rocha S~hmidt, Gustavo Kel1y Alélicar, R~iinar da Silva Aguilir e Dalton Cesar Cordejro de Miranda. Ementa:NORMAS PROCESSUAIS - RESTITUIÇÃO E .COMPENSAÇÃO DE' INDÉBITO - DECADÊNCIA. O prazo para pleitear a restituição ou compensação de tributos pagos indevidamente é sempre de .05 (cinco)anos, distinguindo-se o início de sua contagem em razão da fonua eIJ;lque se . I . exteriorÍza o indébito. Se o indébito exSlirge da. iBiciativa unilateral do sujeito passivo, calcado em situação fática não, litigiosa, o prazo para pleitear a restituição ou a compensação tem início a partir da data do pagamento que se considera indevido (extinção dó crédito tributário). Todavia, se o indébito se exterioriza,no context~ d~ soluçã~ jurídica conflituosa, o prazo para desconstituir a indevida incidência , ' ,s6 pode ter início com a decisão defmitiva da çontrovérsia, como acontece nas soLuções jurídicas ordenadas com eficácia erga Olunes, pela edição de Resolução do Senado Federal para expurgar do .sistema uorma declarada inconstitucional, ou na situação ~m que é' editada Medida Provis~ria ou mesmo ato administrativo para reconhecer a impertinência de exação tributária anteriormente exigida. . " Decadência - Pedido de 'Restituição - Tenno Inicial Em caso de conflito quanto à legalidade da exação, tributária, o termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de . pleitear a restituição de tributo pago indevÍdamente inicia-se: a) d~ publicação do acórdão' proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ADIn; . b) da Resolução do Senado que cOj1fereefeito erga omues à decisão proferida inter partes em processo que reconhece inconstitucionalidade de tributo; . c) da publicação de ato administrativo que reconhece caráter indevido de exaçã9 tributária. (CSRF-IIÍ Turma, Acórdão n° CSRF/OI-03.491, reI. Cons. Wilfrido . Augusto Marques, j. 17.9.2001, DOU 30.10.2002, p. 62); (CSRF--l~ .Turma, Acórdão nOCSRF/0l-03.239, reI. Cons. Wilfrido Augusto Marques, j. 19.3.2001, DOU 2.10.2001, p. 19) , Número do RecUrso:128622 Câmara:SEXTA cÂMARA Número dd processo:13678.000008/99-4(:-'~- Tipo do Recurso:VOLUNTÁRIO' " 21 . .' í c~';~~:.~t~~~~~~~~.~t~~/'nl°ti",~~:t;~;,:;':';~,(~QI~~tj~~,:(~j~:~~~~~;~~;:~;;~r~da.gov .lJr !OC/J-.,C!puhi:co!!ogíll,a"p)( PR CURfTIBA DRF Processo nO Acórdão nO Ementa: " 10508.000439/2003-36. .303-32.530 Matéria:ILL Recorrente:CIA. AGRO PASTORIL DO RIO GRAND~. Recorrida/Interessado:DRJ-JUIZ DE FORNMG Data da Sessão:ll/07/2002 00:00:00 Relator:Wilfrido Augusto Marques . Decisão:Acórdão 106-12786 . Resultado:OUTROS - OUTROS . Texto da Decisão:Por unanimidade de votos, AFASTAR a decadência do direito de pedir da recorrente e DETERMINAR a remessa dos autos à repartição de origem para apreciáção do mérito. DECADÊNCIA - PEDIDO DE RESTITUIÇÃO - TERMO INICIAL - Em caso de conflito quanto à inconstitucionalidade da exação tributária, o ternlO inicial para contag~m do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente inicia-se: a) da publicação do acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ADIN; b) da Resolução do Sé~ado que confere efeito erga OIunes à, decisão •proferida inter partes em. processo que reconhece .inconstitucionalidade de tributo; c) da publicação de ato administrativo que reconhéce caráter indevido de exação. tributária. Decadência afastada. .J . Merece ainda ser transcrito o voto proferido no Acórdão CSRF/Ol- 03.225, de 19.03.2001, de relatoria do preclaro Conselheiro Antonio de Freitas Dutra, Presidente da 2.o Câmara do 1.0Conselho de Contribuintes: "Em que momento houve a extinção do crédito tributário? A resposta mais óbvia seria - no mês que o imposto passou a indevido ............ As regras definidas pelos artigos 165 e 168 da Lei n° 5.172 de 25/10/66 - Código Tributário. Nacional, pelas características próprias do caso em pauta, não podem ser literalmente aplicadas .....: não há como aplicar a regra inserida no inciso I.do art. 168 do CTN que o direito de pleitear a restituição é de cinco anos.dà extinção do crédito tributário.l Primeiro, porque na, época era incabível qualquer pedido de restituição uma vez que; até então, esta espécie de rendimento era considerada tributável, tanto na esfera àdministrativa como na judiciária. Segundo, em nome do princípio de segurança. jurídica não se pôde admitir a hipótese de que a contagem para o ixercício de um direito TENHA INÍCIO antes da data de sua AQUISIÇAO. Como é que o contribuinte poderia pedir RESTITuIÇAO daquilo que legalmente foi retido e recolhido? O contribuinte só adquire o direito de requerer a devolução daquele imposto, que hum dado momento foi considerado indevido, por um novo ato legal ou decisão judicial transitada em julgado. No caso aqui enfocado, aplica-se a n!:ã inseIida no inciso I do art. 165 dd Código Tributário Nacional ..,. No Ínomento que o J,Jagamentodo imposto foi considerado ind .vido, cabe à adlP-inistração por dever , de oficio, devolve-lo. A regtt~ a administraçãO~'-clOlvero que sabe que não lhe pertence, a exce~ é o ~onttibuinte t e requerê~la e, u ''-? .1 / '. I PR CURITIBA DRF Processo nO Acórdão nO 10508. OOOtl39/2003~ 36 303-32.530 r .' neste caso, só podetia fazê-lo a partir do momento que adquiriu o . direito de pedir a devolução 11 A propósito do que consignou ,o ilustre jurista Gabriel Troiànelli, ! cumpre destacar que, no âmbito dos processos administrativo-tributários federais, há , sim nOlma positiva que contempla as três efemérides. reconhecidas pela jurisprudência, como marcos de irradiação de efeitos erga omnes à declaração de inconstitucionalidade proferida peloSTF. '. É o dispositivo do Regimento Interno que faculta aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação; em virtude de inconstitucionalidade, de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo em vigor. . Com efeito, o artigo 22A do Regimento' Interno, introduzido pelo art. SOdaPortaria MF riO 103, de 23/0412002; autoriZa os Conselhos de Contribuintes a afastar a. aplicação de nonnas que embasem á exigência de crédito tributário cujo. reconhecimento de sua inconstitucionalidade tenha alcançado efeitos erga omnes, ou seja: (i) que já tenham sido declaradas inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Se em ação direta: após"a publicação da decisão; se pela via incidental, após a publicação da resolução do Senado Federal que suspender a execução do ato (art. 228, S único, I);ou (ü) cuja aplicação [de tais normas] tenha sido dispensada por ato do próprio Secretário da Receita Federal ,?U do Procurado~-Geral da Fazenda Nacional, detenninando a-desistência das correspondentes execuções fiscais. Ora, sendo defeso aos Conselhos de ContribuiÍ:ites pronunciar a inconstitucionalidade de norma, só cabendo afastar sua aplicação naq~elas únicas hipóteses, ou seja, quando já houver o reconhecimento [prévio e de efeitos erga omnes] de sua inconstitucionalidade, é de se concluir que ~ais eventos foram positivados pela legi~lilção (Regimento Interno) como fatos modificadores. da ordem jurídica antes em vigor. ' . . . Setlíis fatos modificam a ordem jurídica então em vigor, tomando, in casu, indevido' aquilo que até. ali era devido, por uma questão de lógica . hermenêutica devem ser considerados como o dies a quo do prazo para se pleitear a restituiç.ão do tribu~o, somenté reputado inconstitucional, repita-se, após a ocorrência de um dós fatos (marcos temporais) px:evistosna legislação. Finalmente, resta esclarecer que .à 'dispensa .de constituição de' créditos veiculada pela MP 21912004 veio se somát a Resolução do Senado Federal nO 28, de 21 de junho de 2005 (DOU 22.6.05), que su n e ,,-~?Cecuçãodos "arts. 2° e 4° do Decreto-Lei n° 2.295 'de 21 de novembro de 986, em virtu<l.~de declaração de inconstitucionalidade em' decisão definitiva do Su ~emo Tribunal :Jeral,' nos autos . do Recurso Extraordináriono 408.830-4 - ~spítito . nto". , , 4' , . n\ ~ \ I I i Docurncnto de 150 pf.iQina(s) c.onfln)lado "digitalrnente: Pode ser ('>cnsul~;:1dn no peto códjgo de locafização EP02.Dô11, 11 DGd.CSH1. Cnnsuitc B pÀ~1in8 de hEps:í/cav. nT<:'!il,j azenda ,gov .l,r/oG.tI:C/publicoilogln JiSpx no 0'n21 deste documento. , PR CURITIB/\ DRF Processo nO Acórdão nO .' 10508.000439/2003.;.36 303-32.530 In casu, sendo a MP 21912004 anteIiqr à Resolução 28/2005 .do S'enado Federal, éda primeira que se deve contai- o prazo prescricional/decadencial para o pedido de testituição do contribuinte. 'Noutro giro, confirmado o direito da Recorrente de reaver o crédito a que tem direito, urge avançar sobre a questão da atualização monetáIia, especificamente em relação"aos.expurgos pleiteados. Nesse sentido, para que ao final seja feita ~ tão cotejada justiça à que espera a recorrente, mister verificar, em primejroplano, 'a exaustiva jurisprudência do Egrégio Superior Tribunal de Justiça que traz em seu bojo' os índices manifestamente pacificados: I I \ "PROCESSUAL CML-' REPETIÇÃO DE INDÉBITO EXECUÇÃO DE SENTENÇA - CORREÇÃO MONETÁRIA - INCLUSÃO DOS EXPURGOS INFLACIONÁRIOS -ÍNDICES DOIPC DE JAN/89. (42,72%), MARÇO/90 (84,32%), ABRIL/90 (44,80%), MAIO/90 (7,87%) E FEVEREIRO/91 (21,87%) . .- A jurispnidência pacífica deste I Triblinal vem decidipdo pela aplicação dos índices referentes fiO IPC, para' atualização dos cálcUlos relativos a débitos ou créditos tributáiios, referentes aos meses indicados. - Recurso não conhecido." (STJ - SEGUNDA TURMA - RECURSO ESPECIAL 182626 / SP' - Relator Min. FRANCISCOPEÇANHA MARTINS - DJ 30/10/2000 PG:00140) , . "TRIBUTÁRIO REPETIÇÃO DE INDÉBITO.:. CORREÇÃO MONETÁRIA - EXPURGOS INFLACIONÁRIOS.- EMBARGOS DE DECLARAÇÃO MENÇÃO EXPRESSA AOS INDEXADORES CORREÇÃO . ADMISSIBILIDADE, EMBORA' SEM ALTERAÇÃO. DO JULGADO' - OMISSÃO QUANTO AOS OUTROS ÍNDICES - INOCORRÊNCIA - RECEBIMENTO PAR,cIAL. No acórdão' proferido no julgamento do \recursoespecial, em ).1avcndo omissão quanto à menção expressa aos índices de atualização monetária, cabe receber os' embaegos de declaração.para 'explicitar que a correção monetáIia dos créditos será calculada COl11 base nos seguintes percentuais: 84,32% (março/90), 44,80% (abril/90), 7,87% (maio/90) e 21,87% (fevereiro/91), e após o INPC até dezembro/9l. ( , . Improvida a pretensão r'''!I~ rela9ã~emais índices pleíteados, dev",ser m: da a decisão ~~ determinoua PR CURITIBA, DRF Processo nO Acórdão nO '10508,000439/2003-36 .303-32.530-- ,.. utilização. dos critérias de reajuste aplicados pela Fazenda Nacianal, para a caneçãa de seus próprias créditas. ' \ .. Embargas parcialmente pravidos.1I (STJ - PRIMEIRA TURMA - EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL 4241541 SP --Relator Min. GARCIA VIEIRA - DJ 28110/2002 PG:00243) Importan~e destacar que a egrégia Câmara Superior de. Recursos Fiscais, por sua Primeira Tunna,. vem de reconhecer tal jurisprudência; enfacanda a Princípio da Moralidade, como norte dessa questão; '- . - No Acórdão CSRF/01-04.456, de 25 de fevereiro de 2003,~voto condutar da ilustre Canselheira' Mário. Junqueira Franca Júniar, decidiu-se que "na vigência de sistemática-legal de carreçãa manetária, a correção da indébita tributária - há de ser plena, mediante aplicação. dos índices representativos da real perda de valor da maeda, não. se admitindo a adoção. de índices iufeIioresexpurgados, sab pena de ..afronta ao princípio. da moralidade e de se permitir enriquecimento. ilícito da Estado". Tal julgad,o mereceu acolhida de qUinzemembros dos dezessei~que compõem talsodalícia, sendô importante transcrevê-lo na íntegra, ,cam a devida vênia: . . ( "Merece ser mantido o acórdão da colenda Terceira Câmara, não só "'pelos seus judiciasas fundamentos, mas outrossim pela absaluta senso. de justiça c:: respeito ao. princípio. da maralidade que dele emanam~Seu aceJ;toé incantestável. A matéria ventilada no -presente recurso. restringe-se à póssibilidade de,' em ambiente- jurídico. de plena vigência da sistemática de carreçãa manetária de abrigações, -utilizar-se fndices. plenas para correçãoman~tária da indébita tributária; afa~tanda-se qualquer expurga inflacianário. a reduzi-las. O acórdão. recan"ida fulcrou-se na natureza d~ cOlTeçãomanetária, que não representa um aumento. au acréscimo., mas mera repasição, indicando. que. entender diversamente é possibilitar. um e~quecimento sem causa da,Fazendar'h1iCa,. D~cr_ .... ' Dispõe o artigo 37 da Constituiçã~ederal<q~é. ).~' t /' .PR CURITIBA DRF Processo nO Acórdão nO . 10508.000439/2003-36 303-32.530 "Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualeiu~rdos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos plincÍpios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiênc~a e, também, ao seguinte:" . .. I .Com efeito, a dicção do CiÚldoartigo se tr~duz, indubitavelmenté, em nonna cogente para a Administração' Pública, não podendo esta olvidar qualquer dos princípios por ele erigidos; É justamente isso que aborda o Parecer, da Advocacia Geral da União n° ,01/965, citado no acórdão recorrido, da lavra do ilustre . ,Consultor da União Mirtô Fraga, .devidamente aprovado pelo Senhor Presidente da República, ao discorrer sobre correção \monytária de indébito' tributário antes. do \ advento da Lei - 8.383/91(norma esta que instituiu a UFIR), sendo importante . transcrever excertos setls:' . "29. Na verdade, a correção monetária não constitUi um 'plus' 'a exigir expressa previsão legal.' É, antes, atualização da dívidà ,(devoluçí'ioda quantia indevidamente cobrada a título de tributo), decorrência natural. da retenção' indevida; constitui expressão . atualizada do,quantitativo devido. 30: O princípio da legalidade, no sentido amplo recomenda que o Poder Público conceda, administrativamente, a correção monetária de parcela a serem devolvidas, uma vez que foramindevidàmente recolhidas a título de tributo, ainda que o pagamento (ou o recolhimento) indevido tenha ocorrido antes da 'vigência da Lei n° 8.383/91. E com ele, outro princípio: o da moraliçiade, que impede a todos, inclusive ao ,Estado, '0 enriquecimento sem causa, e que detennina ao 'benefic::iário', de umá norma o reconhecimento do mesmo dever em sittÍação diversa.", "... Com a unanimidade absoluta dos Tribunais e Juízes decidindo no mesmo sentido, persistir a Administração em orientação diversa, sabendo que; se levada aos Tribunais, terá de reconhecer, porque existente, o direito invocado, é agir contra o irtteresse público; é desrespeitar o direito alheio, é valer-se de sua autoddade para, em' beneflc!o próprio, procrastinar a satisfação de' direito de terceiros, procedimento incompatível com o bem público para cuja realização foi criada a sociedade estatal e da quaI a Administração, como o próplio nome o diz, é a gestora. A Administração não deve, desnecessária .e abusivamel1te, :til' que, .com .sua. ação ou . omissão, seja' o Poder Judici' ia assoberlJado com causas cujo desfecho todos já conhecem. acúmulo 'de~es dispensáveis -~D-O-U-1-7/-0-l/9-6-- \'''';..:.) 26' ..•.. ~~ .. ~~,:;".;;â~~~~~~~r,','J::~\,':;!,"g:;;'~~~g:1<;~~~~f;'tC;~~~;t;e,:~i;F,~:~~,;~;;;~;;~'i:',;;!t£;:i~~~::;:"d'.9OV.b<"C""P"bl;WiIPgit."0' ,PR CURITIBA DRF Processo nO Acórdão nO 10508.000439/2003-36 303-32.530 ( ., '. "\. ocasiona o emperramento da máquina judiéiária, prejlJdica e retarda a prestação jurisdicional, provoca, enfim, pela' demora no reconJ.lecimel1todo direit'?, injustiças, pois, corno, Íla célebre Oração aos Moços; disse Rui Barbosa, IIjustiça atrasada não é justiça" senão injustiça qualificada e manifesta.II(edição da Casa de Rui Barbosa, Rio, 1956, p. 63). E, para isso, o Poder Público não deve e não pode connibuir ..." ,. Com toda a certeza, co'nfonne bem apontou o douto parecerista, receber um valor intrínseco de tributo indevido 'e devolvê-lo 'em montante inferior. é tanto' imoral quanto ilegal. É o mesmo que receber um veículo e devolver tão-somente os pneus. Por isso ll;npõe-se .a correção plena, até mesmo porque não h~via, até o advento da Lei n° 8.383/91, non11a ou regime jurídicà que estabelecesse regra em sentido contrário, a estabelecer índice menor expurgado. Mister destacar este aspecto .específico do caso em apreço. Aqui não . havia nonna que determinasse qual o percentual aplicável. Nem tampouco regime jurídico específico para regular tal correção: Daí não ter implicação no presente caso o decidido pelo Supremo Tribunal Federal no RE 201.465-6 MG(Redator para o Acórdão Ministro Nelson Jobim), pois lá se tratava da correção monetária de balanço, instituto que sempre foi regulado por leis que ~stabeleceram . os percentuais aplicáveis. Também inaplicável o decidido no RE 226.855~7 RS (Relator Ministro Moreira Alves), com relação à correção do FGTS, por neste tratava-se de regime jurídico. . Nesse ,passo, vale salientar, por certo, que a Norma.de Execução Conjunta COSIT/COSAR nO 8/97 não tem altivez suficiente para ludibriar a integral correção do indébito, sob pena de se pemitir quê um ato d.y cunho interna corporis, ,sem publicidade oficial, transmude-se em verdadeira lei, de. correção monetária, o que seria absoluto absurdo. Dela só se pode extrair o reconhecimento do próprio fisco de que houve inflação a corroer o valor indevidamente recolhido, mais nada. E, em havendo inflação, a con"eção há de ser plena, sempre que vigente no sistema jurídico o instituto da correção monetária. A eolenda. Sétima Câmara do Primeiro Conselho já apreciou está mesma matéria, em três ope' ades. que ,são do meu conllecimento, nos Acórdãos 10 -06.113/2000, voto condutor da lavra do ilustre Conselheiro Luis alem, 107:. 6.431/01, com voto\: . \ 27 PR C:l!RITIBA DRF Processo nO Acórdão nO ) , ~~ 10508.00043912003-36 /. . ~,.ª".-j-~~-:B~"" 303-32.530 '\,?) ~\ . '-X:i' ~I' ..".:> , , , ' ' -'~' do ilustre Conselheiro Natanael Martins, e .107-06.568/2002, C01")1 voto do ilustre Conselheiro JoséCloyis Alves. ' Peço vênia ao Conselheiro Valera. para. transcrever excerto do seu voto em que resta demonstrada a necessidade de aplicaç,ão do .IPC/IBGE para os períodos em apreço. verbis: ' "Após esse breve intróito, deve-se fazer uma ~álise, dos' índices a serem utilizados para efetuar a atualização tÍlOnetália. A UFIR somente foi instituíd'a, sendo utilizada para atualizar inclusive indébitos tdbutários, pela Lei, n° 8.383/91, prestando-se para atualizar valores a partir de janeiro de 1992, até dezembro de '1995. A partir de então a tàXa SELIC passou a ser utilizada para atualização nos ',pedidos de ressarcim~nto/rêstituição (Ld' nO 9.250/95 c:c. 9.532/97). Ocorre que no período anterior a: 1992, não existia norma legal -' expressa a esse resPeito, dessa forma tànto jurisprudência' quanto administração pública foram forçadas a aplicar, analogicamente certos Índices para" o direito, dos' contribuintes não restar -prejudicado. A Narina de Execução Co~unta SRF/COSIT/COSAR n° 08/97 veio uniformizar os Índices a serem aplicados pela' Secretalia da Receita Federal. Em suma os Índices utilizados são: IPCIIBGE no período compreendido entrejan/88e fêv/90 (excetuando-se o mês de jan/90 cujo índice foi expurgado), BTN no período cpmpreendido, entre mar/90 a j àn/91 e INPC de fev/91 .a dezJ91. Deve-se analisar a correção dos Íl}.dicesadotados. De fevereiro de 1986, até dezembro de, 1.988 o Índice utilizado oficialmente para medir a inflàção era a OTN, que, por sua vez, era calculada com base no IPC/IBGE. Pode-se dizer, portanto que o IPCIIBGE era o índice oficial. A OTN, contudo, foi extinta com o , advento do "Plano Verão", implementado pela Medida ~tovisória n° 32/89, posteriormente convertida na Lei nO7.730/89. o valor da OTN foi, então, congelado em NCz$ 6,17~valor esse que computava a inflação ocorlida no mês de dezembro de 1988, mas não a de janeiro de 1'989.A partir de fevereiro o IPC/IBGE passou a , ,ser utilizado diretamente como indicador oficial da inflação. / A 1 inflação do mês de janf1iro, dessa' f01111a,não seria leva-daeÍ11 conta. Essa a lógica contemplada pela Nonna de Execução Conjunta SRF ,COSIT/COSAR riO 08/97, h~sta'que o mês de jan/89 não , apresenta qualquer Índice de infl~ção. PortaiitO',~pesar da NOlma 28( ,-,j .. . ''', .••.••• : cc "" "g'M',1 CC""'","" ' iI"">ne.,,: ",,, ". w'" ,I""" ", "d,'" c., h'", d~" 2,,,", qod ••. "c '.Or'.U wlq ".".M pf:?k~qód{jo.oe locatz:aç.f.)o.Fr-.;n2.LH>1 /, 11D6,ticsn 1. CQnswte d pt.l£fna oe £HltentlcaçEio no nnal defJ.e 0DClH1'1C'nt.0 j " 10508;000439/2003-36 303-32.530 PR (:URITIBA DRF Processo nO Acórdão nO , I i ..' FI i"". -~"~:?.....~.~ , ,~t"; (;~~;~1;9.0 ~ . -/~ ~ 1FI~...w.2{9 ..~" o ," I) -1'" n~ .(~;~', , ....!0 , , utilizara IPC a partir de 1988 - pois este era o verd~d((iroindicador . 'da inflação já que a OTN era corrigida de acordo com ele - no 'mês de jan/89, nenhum Índice foi considerado.. . ' Obviamente, tal si1:!temática' não merece prosperar, como 'acertadamente decidiu a R.Sentença, na esteira de reiterada jurisprudência do STJ (REsp.,na 23.095-7, REsp. na 17.829-0, entre outros). A inflação expurgada referente ao 'mês de janeiro deve, portanto, ser' considerada para fins de atualização monetária. . . b IPC divulgado relativo ao mês de janeiro de 1989 foi de 70,.28%. Todavia," esse índice não refletiu a inflação' ocorrida no mês de janeiro, mas sim a inflação ocorrida no períodocompr~endido entre 30 de novembro (média estatística entre os dias 15 de novembro e 15 de dezembro) e 20 de janeiro (média estatística entre os dias 17e 23de janeiro). ' , Como o IPC referente ao mês. dejan/89 computou, na verdade, a inflação ocorrida em 51 dias,' o .STJ entendeu que o Índice expurgado seria de 42,72%, obtido pelo pelo cálculo proporcional a 31 dias. Referente ao mês de fevereiro, ,o IPC/IBGE divulgado foi de 3,6%. No entarito, tal índice refletiu tão~somente a inflação ocorrida em 11 . dias (período compreendidO enn:e 20 de janeiro- média de 17 a.23 de jane~ro - e 31~de janeiro....: média de. 15 qe 'janeiro a 15 de fevereiro). Proporcionalizando-se tal índice para 31 dias o STJ entendeu .aplicável, o' índice de 10,14%,' considerando que teria \ havido um expurgo de 6,54%. N\J pedodo cOlnpreendido entre março de 1989 e fevereiro de 1990, deve ser utilizado o .IPC/IBGE, pois este foi o índice oficial adotado pará medir a inflação, como, aliás, a própria Norma de Execução Conjunta nO08/97 reconhece. " " . Nos meses de luarço a janeiro; de 1991 o Índice a ser 'aplicado, segundo a R. Sentença, é oIPC1IBGE. Em inúmeros julgados, o STJ já firmou entendimento de ser aplicável o indice:de 84,32% para o , mês de março de 1990 (REsp n° 81.859, REsp. na 17.829-0, entre outros) A NOlma de Exe.cução ConjuntanO 08/97, contudo, utiliza- se do BTN d~ 41,28% para procederf:'à a~~liza~ão monet4ri~.'. i. O mesmo ocorre com os meses de bril ,e maiod 90, quando os índices do IPC, respectivamen~ .. ~ 44,80% e 7, % não são 29 10508.000439/2003-36 303-32.530 / PR ÓJRITlBA DRF Processo nO Acórdão nO F I. J;i, ~~'"/f;~:;.~:có;~>~ li ~{;;~111I- ~~7 '~-fZ' , ..~) .~ "'Zt ••••.-<:1 '".", <Vlf 5,38%. O STJ, também em referência a estes meses tem decidido que devem prevalecer os valores do IPC (REsp.no 159.484, REsp. n° 158.998, REsp n° '175.498, entre outros)." Por fim, é imperativo destacar a mansa e pacífica jurisprudêncià do egrégio Superior Tribunal de Justiça, confonne abaixo: "EDRESP 461463, PRIMEIRA TURMA, 03/12/2002: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA' DE 'OMISSÃO, REPETIÇÃO' DE INDÉBITO. CORREÇÃO MONETÁRIA. APLICAÇÃ.o DOS ÍNDICES QUE MELHOR REFLETEM A REAL INFLAÇÃO À SUA ÉPOCA. mROS DE MORA. ART. 161, 9 1°, DO CTN. SUCUMBÊNCIA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. PRECEDENTES. 1. qcorrência de omissão na decisão embargada quanto à correção monetária a ser aplicada ao débito'r~conhecido, assim como aos juros de morae aos ônus sucumbenciais. ' 2. A correção monetária não se constitui em um plus; não é uma penalidade, sendo, tão-soment~, a reposição do valor real da moeda, corroído pela inflação. Portanto, independe de culpa das partes litigantes., Pacífico na jurisprudência desta Corte o entendimento de qU,eé devida a aplicação dos índices de mflàção expurgados p~losp}anos econônticos (planos Bresser, Verão, Collor I e 11), como fatores de atualizàção ~onetária de débitos judiciais. 3. Este Tribunal tem adotado o princípio de que deve ser seguido, em qualquer situação, o índice que melhor reflita a 'realidade inflacionária do período, independentemente das determinações oficiais, Assegura-se, contudo, seguir o percentual apurado por entidade de absoluta credibilidade e que, para tanto, merecia credenciamento do Poder Público, como é o caso da Fundação IBGE. É finne ajurisprudência desta Corte que, parÇltal propósito, há de se aplicar o IPC, por melhor refletir a inflação à sua época. 4. Aplicação dos índices de correção Illonetária da seguinte forma: a) por meio do !PC, no período de março/1990 a fevereü'o/1991; b) a pal'tir da promulgação da Lei nO8.177/91, a aplicação do INPC (até dezembroI1991); e c) só a partir de janeirol1992, a aplicação da UFIR, nos moldes estabelecldos - pela Lei nO8.383/91." . "RESP 263535, SEGUNDA TURM~12002: ' TRIBUTÁRIO -'ADICIONAL Dl. IMPOST~"~ RENDA - .RESTITUIÇÃO - CORRE'~ÃO MON~T ÁRIA ~LICAÇÃb, ~ .;S i;g,~U(~~;~~~~:~l~~~I;~{;~~(~)F'?~1'1[:~;;I~<';(jg;Pr~r~~~~~it"c~;~~;~t~t~~~~~~~:t~~[~~~:"~~1;:~~~~;GI:~ttNi~:(~J<~"~;;~~:;~~~i;~~~fz~da.gov. tJrieC,4C!publicoiloljln .ôspx ~ - --- --~---------------------'---- £lR CURITIBA pRF Processo nO Acórdão nO ,10508.000439/2003-36 ,. 303-32.530 \ \, DA TR ~ IMPOSSIBILIDADE - ADIN 493-0 - INCLUSÃO DOS - ÍNDICES' OFICIAIS :...LEIS 8.177/91 'E' 8.383/91 PRECEDENTES. -: Conforme orientação' assentada pelo STFna ADIN 493-0, a TR , não é Índice de atualização da expressão monetária de débitos judiciais, porque não afere a variação do poder aquisitivo da moeda. - A jurisprudêllda desta egoCorte pacificou-se quanto à adoção do IPC como índice para' correção, monetária nos meses .de março/90 a fevereiro/91; a partir da promulgação da Lei 8.177/91 vigora o INPC e, a partir de jalleil"O/92,a UFIR, na forma recomendada pela Lei 8.383/91. . , - Recurso especial conhecido epro'vido" "RESP42669-8, PRIMEIRA TURMA, 13108i2002: , TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL -, CONTRIBUIÇÃO 'PREVIDENCIÁRIA - AUTÔNOMOS, ADMINISTRADORES R AVULSOS ~RESTITUIÇÃO - CORREÇÃO MONETÁRIA - IPC - INPC - UFIR - RECURSO ESPECIAL - FALTA DE ATENDIMENTO AOS PRESSUPOSTOS ESSENCIAIS DE ÀDMISSIBILIDADE - NÃO CONHECIMENTO - EMBARGOS DE DECLARAÇÃO;. VIOLAÇÃO 'AO ARTIGO- 535 DO CPC- INOCORRÊNCIA. ' No cálculo da correção monetária dos valores, a serem compensados,. o IpC é, o !ndice a ser aplicado nos meses de .março de 1990 a fevereiro de 1991 e, a partir da promulgação da Lei 8177/91, ~ INPC. No período de janeiro de 1992' a 31.12.95, os créditos tributários devem ser reajustados p/ela UFIR, sendo indevida a adoção do IGPM nos meses de julho a agosto de 1994. - , _ Se .os dispositivqs legais ap0Ittados coIriomalferi,dos não restaram versados na decisão recorrida, não cabe conhecer do recurso especial.. . Não se configura violação ao artigo 535 do CPC, quando a deCisão proferida, em sede de embargos de declaração, entremostra-se fundamentada o quantum satis, para.formar o convencim~nto da "TUlma Julgadora a quo, inexistindo omissão a ser supdda. Recurso do INSS. a que se nega' provimento e o da outra parte conhecido, em parte, mas improvido. " "RESP 165945, SEGUNbA TURMAr/iif98: " . ' (', ~ , .31 .... ~~.' .~ ~. ~~~~l~~~~:~j;; 1~~?,r;'i~~g(~},7;~'l~;g1~~;(~g(n~f~Z~J't~;~~~~;~t~'Z~2~;~~~t~~:CJnu . , .PR C)JRJTIBA DRF Processo nO Ácórdão nO 10508.000439/2003-36 303-32.530 / ) . TRIBUTÁRIO. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO . . EXPURGOSINFLACIONARIOS. 'APLICAÇÃO. RECURSO .. ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO. . ! I -Na restituição dos recolhidos a maior a título de cOlJ.tr~buição. para o Finsocial, cuja exação foi considerada inconstitucional pelo STF'(RE n° 150.764-1), aplicám-se à correção monetária os expurgos inflaCionários. 11- Na correção monetária dos valores compensáveis, deve ser aplicad9, no mês de janeiro de 1989, Ó , índice de 42,72%, no período de março de 1990 a janeiro de 1991, o IPe, e, a partir de janeiro de 1992, a UFIR. III - Recurso conhecido e provido." \ ' Ex 'positis, voto no sentido de negar prov:imento ao recurso da Fazenda Nacional." (grifos nossos) o mesmo en(endimento foi recentemente sufragado pela. Terceira Turma da Egrégia Cân:lara Superior de Recursos Fiscais, em acórdão 'de relataria do 'preclaro Conselheiro Paulo Roberto Cucca Antunes, assim ement;:tdo': Processo nO:13674.000107/99-90 Recurso nO:301"'124000 . Matéria: RESTITUIÇÃO -' COMPENSAÇÃO - JUROS E I EXPURGOS Recorrente: FAZENDA NACIONAL E IND. E COM. DE CAFÉ ~OSruLIOLTDA . Recorrida: la CÂMARA- 3° CONSELHO DE CONTRIBUINTES . Interessada: .INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE. CAFÉ IRMÃos JULIOLTDA' Sessão de: 06 DE JULHO DE2004. Acórdão: CSRF/03-04.108 I. RECURSO DA FAZENDA NACIONAL. PRESSUPOSTOS DE ADMISSlBILIDADR - .Não atendidos, pela Procuradoria da Fazenda Nacional, os pressupostos de admissibilidade do Recurso Especial de Divergência interposto. . Recurso não conhecido .. n. RESTITUIÇÃO E. COMP~çÃO .DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CORREÇÃO \ MC?NETÁRÍÀ~ DECISÃO. . (' ! . ,,\ . '.~'. ~(~I~u;(~:i~:~j:~!~:;:~I\;~g~~g(~)f'?~~'1~~glr';(~g;mt~~~~~lte i.:om;ult2':'jc:'l',ltenticaç;(lO1~;)(tR,~;,,~i~!,~~,~;~';~~;~;:,~;;~;;~3.gov ,lJrieC!' C!publicoilogin.DSOX PR {URlTIBA ,DRF Processo nO Acórdão nO, 10508.000439/2003-36 . 303-32.530 DICIAL TRANSITADA EM JULGADO., INCLUSÃO EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. , No cálculo do valor a .ser restituído ao Contribuinte devem- ser inseridos os .expurgos inflacioná~ios' con'espondentes. Precedentes do Primeiro Conselho de Contribuintes e. da ,Primeira Tunna da. Câmara Superior de Recursos Fiscais~ ' ,Provido o Recurso Especial do Contribuinte. . ' ,- Tecidas as considerações acerca dos expurgos. cristalizados pelas, '. remansosas jurisprudências administrativa e judiciária, convém, asseverar que a partir ,de 1° de janeiro de 1996, por força do artigo 39" parágrafo 4°, da Lei 9.250/95, a estituição ou compensação de créditos tributários deve ser acrescida da taxa SELIC, , conforme dete~ina o reterido dispositiv0: .. "~ 4° A partir de 1° de janeiro d~ 1996, a compensação ou' restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e dé Custódia - SELIC para títulos . federais,. acumulada mensahnente, calculadós a partir da data do ' pagamento indevido ou a maior até o mês. anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada." . Nessa esteira, convém reprodu~ri.acórdãos, também emanados do Colendo Superior Tribunal de Justiça, os quais, tratando .da aplicação. da SELIC, encerram a questão: "PROCESSO ,CIVIL. TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA (ARTS. 496, VIII; E 546, 1, CPC). JUROS. TAXA SELIC. CTN, ART ..16I, ~ 1°. . . 1. "Juros moratórios de 1'%(um por cento) ao mês (art. 161, ~ 1°, do CTN), com a incidência a partir do trânsito em julgado (art. 167, parágrafo lÍnico, do CTN) até 31/12/94, .com aplicação dos juros ' pela taxa SELIC só a pattir da instituição da. Lei n° 9.250/95, ou seja, 01/01/1995". EREsp 193.453-SC, Primeira SeçãO,ReI. Min. José Delgado. ," \ 2. Precedentes. 3. Embargos acolhidos." (STJ - PRIMEIRA SEÇÃO - EMBARGOS pE DIVERGENCIA, '. NO ,RECURSO ESPECIAL, - Relator Min; -MILTON LUIZ PEREIRA - DJ ~0/09/2002PG:OOI50) "TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINSOCIAL. COMPENSAÇÃO -_REPETIÇÃO t6ElNDÉBITO - JUROS DE MORA - APLICAÇAO DA TAXA ~ELIC - LE.~0-9.250/95.r- '. '. 33 \ "~r::::- .rJ Documento de'1 50 pág;na(s) C()nfífmadc~dlg'taímente, "orle ser consubiôo no end,,,,,,;o https:íicav,rec,e:ta.fazenda.gov.lJriccl,A,C!puhlícoilogín.aspx .pelo código de localizaçiio FFD2.GE>11.11í]E>üCSn1. Consulte a pl\gin,:de uter1tica'çilOno final eleGte documento. ' PR CURITIBA DRF Processo nO -Acórdão 'no . 10508.000439/2003-36 .303-32.530 " \ / j . / l-Os expurgos inflacionários decommtesoa implantação do.s '- Planos Governamentais são aplicáveis de acordo com os seguintes índices: no mês de Janeiro de 1989, índice de 42,72%: no período de . março de 1990 a janeiro de 1991, o IPC; a paltirdapro~nulgação da Lei n° 8177/91, vigora o INPC; e, a iJartir de janeiro de 1992, a UFIR, na.foima preconizada pela Lei n° 8383/91. 2- Os juros de,mora inc~demna compensação efetuada pelo sistema de autolançamento, isto \é, a produzida pelo próprio -contribuinte via registro em seus livros contábeis\e' fiscais. Precedentes desta Corte. Conforme o disposto nos artigos 161, parágrafo 1° com,binado cóm o 167 do CTN, os juros são devidos a partir do trâ.nsito em julgado da sentença no percentual de 1% (um por cento) ao mês, e posteriormente incidem na fórma do parágrafo 4° do artigo 39 da Lei n° 9.250/95. ' . 3-Estabelece o parágrafo 4° do artigo 39 da Lei n09.250/95 que:"A partir de 1o de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida. de juros equivalentes à taxa referenciaJ do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia '- SELIC para títulos federais, •acumulada mensalmentc~,càlculadosà partir do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que 'estiver sendo efetuada." " • 4-A taxa SELIC 'representa a taxa de juros reais e a taxa de inflação no período considerado e nãopóde ser aplicada, cumulativamente, com outros índices de reajustamento. . " 5.,Recurso da Fazenda não conhecido. Recurso da part~ conhecido, , porém, improVido." . .,' (STI - PRIMEIRATUR1v1A -RECURSO ESPECIAL 396720 / PE - . Relator Min. LUIZ FUX -DI 23/09/2002 PG:00241) "TRIBUTÁRIO. ADICIONAL DE IMPOSTO DE RENDA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. roROS DE MORA. PERCENTUAL DE 1% AO MÊS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA A PARTIR DE 01/0111996. RECURSO PROVIDO .. 1~ Os juros 'de mo~a devém' idiÍ" a partir do trânsito em julgado da decisão, no perc ntual de 1% (um por cento) ao mês. Contudo, a partir da' igênciá da Lei n° .9.250/95, os juro, deverá .seraplicados fonue ~..~axa,C. " .~. (ks!c OOC!Lil11C"Ú), ".. ~1 Processo nO Acórdão nO 10508.000439/2003-36 303-32.530 2. Recurso especial provido." .I, j' (STJ - PRIMEIRA TIJRMA - RECURSO ESPECIAL 431269 j SP - Relator Min. JOSÉ DELGAI?O .,DJ 21/10/2002 PG:00293) "TRIBUTÁRIO - PIS - FATO GERADOR - BASE DE CÁLCULO 'CORREÇÃO MONETÁRIA NÃO INCIDÊNCIA , PRECEDENTES JURlSPRUDENCIAlS - JUROS MORATÓRIOS - TAXA SELIC - ,sUCUMBÊNCIA ÍNFIMA - HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. 1- Consoante entendimentofinnad.o pela ,egrégia Primeira Seção do ' STI, é garantido o recolhimento do PIS, nos termos da Lei Complementar nO07/7.0,sem correção monetária da base de CálC41o. II - Após a entrada em vigor da Lei 9250/95, em 1° de janeiro de 1996, passa a incidir somente a taxa de juros SELIC, a qual se, 'decompõe em taxa de juros reais' e taxa de inflação no penodo considerado, e -não pode ser aplicada cumulativamente com juros moratórios de 1% ao mês previsto no art. 167 do CTN. ' In "7 Decaindo o al,ltorem parte mínima do pedido, responde a parte adversa, por inteiro, pelos honorários advocatícios e custas. processuais (artigo 21, parágrafo único doepe). J' , , . I.' IV - Recurso parcialmente provido. 11 (STI - PÍUMEIRA TURMA -RECURSO ESPECIAL 433147 / PR - Relator'Min. GARCIA VIEIRA - DI 21110/2002 PG:00295) , "TRlBUTÁRlO. AGRAVOS REGIMENTAIS. RECURSO, ESPECIAL. COMPENSAÇÃO. FINSOCIAL. TRIBUTOS' DIVERSOS. IMPOSSIBILIDADE. ÇORREÇÃO MONETÁRIA. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS: JUROS. MATÉRIA NÃO DEBATIDA. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. LEI N°' 9.250/95. DEéADÊNCIÁ. CONTAGEM DO PRAZO." . - Esta Corte já se manifestou no sentido da ,possibilidade de compensação de créditos a .título deFINS0CIAL somente com a' COFINS. . ',' ' ..: '. - A correção monetária, para os valores a serem compensados, tem como indexador, para o período de março/90. a janeiro/91, o IPC, relativamente ao de fevereiro/9l, a dezembro/91, o INPC (Lei nO: ' 8.177/91), e, a partir de janetM2'~"'a:. IR, na forma ,preconizada " \ . Pode no . CP'lSLI!!C 8 p\~Ulr12 de PR CURITIBA DRF .Processo nO Ac6rdãono 10508.000439/2003-36 303-32.530 'la Lei nO 8.383/91, incluídos' nestes Índices a inflação pelos planos econÔmicos. .( / ( -"A matéria objeto da incidência dos juros COTI,lpensatóriosnão foi debatida em sede de recurso especial, o que obsta o conhecimento da matéria agora trazida à baila. ' Quanto à data inicial de incidência do juros da taxa 8ELIC, o entendimento dominante neste Tribunal é que devem ser .contados a partir de i° de jaileiro de 1996, devendo ser aplicª.vel tanto na compensação, como ria repetição de indébito, inclusive para os ributos sujeitos a autolançamento, em face da deter,minação contida. no parágrafo 4°, do artigo 391 da Lei n~ 9.250195. . - É pacífico no SupcpriorTribunal de Justiça o entendlmento de que, não havendo lançamento por homologação 'ou qualque~ outra forma, ,o prazo decadencial só 'começa' a correr após decorridos cinco.anos da ocorrência do fato gerador, somados mais 05(cinco) anos. - Agravos regimentais 'improvidos." (STJ - PRIMEIRA TURMA - AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 331665 1 SP - Relator Min. FRANCISCO . FALCÃO - Dl 02/1212002 PG:00227) / 36 \. . . 'Ou seja, assim -coino os índices de 42,72% e 10,14%; 84,32% e 44,80%; 7,87%; e 21;87% relativos,respectivanlente, aos meses de janeiro e fevereiro' de 1989; março, abril e maio de t990;e fevereiro de 1991, a Taxa SELIC também conta com amplo respaldo parasua ~piicação no ~aso concreto, motivo pelo qual será, juntamente com estes índices, deferida. ',: . Destarte, af&stada a preliininar de prescrição/d~cadência, .e 'reconhecida a inconstitucionalidade originária do Decreto-I1ei' nO 2.295/86 pela .. dispensa decohstituição de créditos veiculada pela MP 21912004, rest& a eSte Colegiado DAR PROVIMENTO 'ao recurso do Contribuinte para fim de deferir' a restituição dos valores recolhidos indevidamellte com a devida atualização.monetária, incluindo-se, pois, na Norma de Execução Conjunta SRFIGOSIT/COSAR nO08/97, apenas os expurgos inflacionários de 42,72% (jan/89), .10,14% (fev/89),84,32% (mar/90), 44,80% (abr/90), 7,87% (maio/90), e 2f .(fev/91) pacificados no seio da' jurisprudência, devendo ser aplicada, a partir de 1° de j~neiro 'de 1996, a taxa referencial SELIC." ..... \ '.~ '! .~ I, PR CURfTIBA DRF Processo nO Acordão nO / 105Ó8. 000439/2003- 36 303-32.530 É como voto .. MARCIEL .. 37 j / / . .. Docun",nto de b(rp:!Hj'na(s) confirmaoo di£jitDlmente. _pelo código oe localr7.(~çãoE~)D2.DE311.11~JGG.CSn'1. PR CURITIBA DRF Processo nO Acó'rdão nO , 10508.000439/2003-36 303-32.530 VOTO VENCEDOR , , , I \ ') , Conselheiro TaráSio Campelo Borges, Relator Designado. ' o recurso voluntário é tempestivo' e desnecessária a: garantia de ,instância:, versa a matéria litigiosa sobre a restituição de quotas de contribuição sobre exportações de café recolhidas ao IBC no período de março de 1989 a abril de 1990. '.~ '. . Conforme relatado, a DRJ não apreciou as demais razões do mérito \ da manifestação de inconformidade relativa 'ao indeferimento do pedido' de restituição ,acostado à folha 1, porque entê'ndeu extinto o direito pela decadência. Nofundamenío -do acórdão recorrido, a data do pagamento da contribuição é toniada. como marco inicial, do prazo de decadência, independentemente do posterior reconhecimento da improcedência da' exação pelo artigo 18, caput e inciso X, da'Lei 10.522, de 19 de julho de 2002, adicion~doao texto legal pelo artigo 30 daLei 11.051, de 29,de dezembro de 2004. Amparado, no princípio constitucional da segurança jurídica, creio equivocado o fundameI,ltodo acórdão recorrido. , Com efeito, desde a origem, é objetivo principal das constituições limitar a autoridade govemativa COni a instituição do chamado Estado constitucional, Estado liberl:il ou Estado de direito, resultante da força de princípios ideológicos fincados na Revolução Francesa. $e assim era no 'Estado liberal, então regido pela teoria formal da Constituição, com foco na estrutura do Estado - "separação' de poderes e distribuição de competências, enquanto fonna jurídica de neutralidade aparente [...]"6 -, maior pujança ganhou a limitação' da autoridade govemativa na' medida da evolução das ciências sociais porque, conforme leciona Páulo' Bonavides, ''[ ...] Consti¥ção é lei, sim, mas é sobretudo direito, tal como reconhece a teoria II\aterial da Constituição,,7, que rege o Estado social, em oposição 'ao Estado liberal, agora com foco na suqstância' da Lei Magna: os direitos fundamentais e a,sgarantias processuais da liberdade. " Especificamente quanto à força dos princípios, Paulo Bonavides, numa análise da grande transformação por eles suportadaS, outrora "fontes de mero teor supletório" dos Códigos e atualmente convertidos' em "fundamento de toda a ordem jurídica, na qualidade de princípios constitucionait",onc1ui: , -6 , BONAVIDES, Paulo. Curso de direito COllstitu~' uaI. 8. ed. São paul~: lheiros, 1999,p.537. "Paulo Bonávides. Curso de direito constitucional, 1999, p. 5j5:---, , ~ Paulo Bonavides. Curso de direito constitucional: 999, p. 228~a2 ~ ' . " ~ ' , I ". , , ,/ 0DCl111'1Qnto, PR CCTRfrIBA DRF Processo nO Acórdão nO 10508.00043912003-36 303-32.530 r . Fazem eles [os princípios] a congruência, o equilíbrio e a essencialidade de um sistemajuridico legíthno. Postos no ápice da pirâmide normativa, elevam-se, P01t!i~to; ao grau de norma das noooa8, de fonte das fontes. São qualitativamente a viga- \ . mestra do sistema, o esteio da legitimidade constitucional, o penhor .. da constitucionalidade das regras ~e uma Constituição.9 Da mesma forma. pertinentes são os ensinamentos de Paulo de Barros Carv~lho sobre o princípio da segurança juridica. Antes, porém, ele cuida do princípio da certeza do direito: . Princípio da certeza do direito . Trata-se, também, de umsobreprincípio, estando acima de outros primados eregendó toda.~ qualquer porção da ordem jurídica. éomo. valor imprescindível do ordenamento, sua presença é assegurada nos vários subsistemas, nas diversas instituições e ,no âmago de cada unidade norniativa, por mais insignificante que seja. A cep:eza do direito é algo que se sitUa na própria raiz do dever-ser, é Ínsita' ao deôntico,seJtdo incompatível imaginá'-lo sem detenninação específica: . Na sentença .de um magistrado, que põe fml a.wna controvérsia, seria absurdo figurarmos um juízo de probabilidade, em que o ato jurisdicional declarasse, comp exemplifica Lourival Vilanova'o, que A possivelmente . deve reparar o da~o'causado por ato ilícito seu. Não é sentenciar, diz o mestre, oll'estatuir, com pretensão de validade, o -certum no conflito de .' I condutas. E. ainda que consideremos as obrigações alternativas em que o devedor pode optar pela prestação A, B ou C, sobre uma' delas há de recair, enfaticamente, .sua escolha, como imp~rativo inexorável da. certeza . jurídica. Substanciando a necessidade. premente da segurança, do. indivíduo, o sistema empírico do direito elege a certeza como postulado .indispensável para a convivência soCial organizada .. o princípio da certeza juridica é implícito, mas todas' as magnas diretrizes do '-órd~nanlento operam no sentido de realizá-lo. . Mas, além do caráter sintático dessa acepção, há outra, muito difundida, quetoma "certeza" com o sentido de "previsibilidade", , de tal modo que os destinatários dos comandos jurídicos hão de poder organizar suas condutas na coIÍfonnidade dos teores. normativos existentes. Pensamos que esse signi1?-cadode certeza qu~dra melhor no r--..." .... 9 Paulo Bonavides. Curso de direito constitucio~l, 1991, 'P: 265. ~ . 10 . VILANOVA, Lourival. As estruturas lógicas e sistema do direito pos ivo. São Paulo: < '.' Rev~tad",Thbunais, 1977,p.183. " . \. ..~ ~ ,1~RCURITIBA [)Itr Processo nO Acórdão nO l0508.000439/2003~36 303-32.530 âmbito do principio da segurança jurídica, que examinaremos em seguida.11 [itálicos do original] Contitiuando o seu raciocínio, Paulo de Barvos Carvalho fala especificaníellte sobre o princípio da segurança jurídica: ' , Princípio da segurança jurídica . Não há por que confundir a certeza do direito naquela acepção de índole sintática, com ó eânane da segurar;ça jurídica. Aquele é atributo essencial, sem o que não se produz enunciado normativo com sentido deôntico; este último é decorrência de fatores sistêmicos, que utilizam o primeiro de modo racional e, 'objetivo, mas dirigido à implantação de um valor específico qual seja o de. coordenar o fluxo das interações inter-humanas, no sentido de propagar no seio da comunidade social o sentimento de previsibilidade quanto aos efeitos jt,Irídicos da regulamentação da conduta. Tal, sentimento tranqüiÍiza os .cidadãos, abrindo espaço para o planejamento de ações futuras, cuja disciplina jurídica conhecem, confiantes que estãó no modo pelo qual a aplicação das normas do direito se realiza. Concomitantemente, a certeza do tratamento normativo dos fatos já consumados, dos direitos adquiridos e da força da coisa julgada, lhes dá a garantia do passado; Essa bidirecionalidade passadoljuturo'é fundamental para que se,estabeleça o clima de segurança das relações jurídicas, motivo por que dissemos que o princípio depende de fatores sistêmicos. Quanto ao passado, exige-se Uijl único, postulado: <> da irretroatividade [...]. No que aponta para o futuro, entretanto, muitos são os expedientes prinqipiológicos neéessários para que se possa falar na efetividade do primado da segurança jurídica;, ' Desnecessário encarecer que a segurança das relações jurídicas é indissociável do valor justiça, [sic] e sua realização 'concreta se traduz numa conquista paulatinamente perseguidá pelos povos cultos.12 [itálicos do original] , Roque Carrazza vai. além. Afora a certeza do conhecimento prévio das conseqüências, dos atos praticados~ ele dá grande ênfase à isonorrlla como condição indispensável à implementação da segurança jurídica: ' , O princípio.' da segurança. jurídica ajuda' a \ promover os valores supremos da soCiedade, inspirando a edição e a boa aplicação das leis, dos decretos, das' portarias, das sentenças, dos atos administrativos etc. , , \ f:)R CURITIBA DRF ProceSso nO Ac6rdão nO \ 10508.000439/2003-36 : 303-32.530 i. . [ jurídicas, especialmente as que dão efetividade às, garantias constitucionais, devem procurar tornár segura a' vida das pessoas e das instiruições.'3 . Muito bem, o Direito, com sua positividade, confere segurança' às' pessoas, isto é, "cria condições de certeza e igualdade que habilitam o cidadão a sentir-se senhor de seus próprios atos e dos atos dosoutros".14 Portanto, .a 'certeza .e a igualdade são indispensáveis à .obtenção da tão almejada segurança jurídica. , Com efeito,. u.ma das funções mais relevantes do .. Direito é "coI1ferir certeza à incerteza' das relações' sociais" (Becker), subtraindo do .campo de atuação do Estado e' dos particulares qualquer resquício de arbítrio.CoÍno o Direito é a "imputação de efeitos a determinadQs fatos" (Kelsen), cada pessoa tem elementos para conhecer previamente' as conseqüências de seus. atos. • ••••••••••••••••••• ! ••••••• '••••••••••••.•••••••••••••••••.•••••.••••••••••••••••. [...] É mister, ainda,' que a lei que descreve a ação- tipo tributária valha para todos igua1nJ.ente,isto é, seja .aplicada a seus destinatários (quer pelo Judiciário, quer pela Administração Fazendária) de acordo com o princípio da igualdade (art. 5°, l, da CF). SÓ assim os contfÍbuintes terão segurança jurídica em seus contatos com o }<isco. o princípio da igualdade (isonomia) é, de todos os 'nossos princípios cOlistitucionais, o mais importante (Francisco Campos). " . Realmente, . todos os princípios 'que estão na Constituição (a legalidade, a universalidade da jurisdição, a amplà . defesa etc.) 'encontram-se a serViço da isonomiá e sem ela não se explicam com a necessária <;lensidadede exposição teórica .. A própria legalidade é a morada da isonomia. DaL .falarmos em legalidade isonômica. Com efeito, quando' dizemos que "ninguém será' o1;>rigado.a fazer ou a deixar de fazer alguma coisa '. senão em virtude de lei", implicitamente esta~ proclamando que 13 • Cf. Jos.éSoutoMaiorBorges:Princípio da seg~rança jurídica ~cl'iaçãO e aplicação do tnbuto. In RDT63, p. 206 e 207. C.....,. 14 .' Térc~osampai.oF.errazJr. Segurança jurídica e no.rma~el'aiS tl'.ibutál'iRS.In~17, .•. p.18a51w,fusdoa~to'). . ..•• .. .. ..~~ \~ (11::; 1.~;:;:~i~;:~~~(~)p(i.~~'\g;~1.~d1(~g;;j;t~~~;!it'~~);.~~.~:t~t~~~,';~~j:~.~t~~C}•."nJat."7:,lt1:~~'~'?í~C Cf\,(~!p:,jbh;0iI':)\:J!n ~ _ Ui no deste docurnentc, Processo nO Acórdijo nO 10508.000439/2003-36 303-32.530 "ninguém será obrigado a fazer ou a deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei igualitária", isto é, de lei editada de -conformidade com,a isonomia.' Nesse sentido, José Souto Maior Borg~s não exagerou ao afIrmar, no VIII Congresso Brasileiro de Direito Tributário, realizado em São Paulo, em setembro de 1994, que a isonomia não est~ no Texto Constitucional: a' isonomia é o próprio Texto Constitucional. ............................................................... , . o princípio constitucional da segurança jurídica exige, ,ainda, que os contriblJintes tenham condições de antecipar objetivamente seu~ direitos e deveres tributários, que, por isto mesmo, só podem surgir de lei, igual para todos, irretrQativa e votada pela pessoa política' competente. Assim, a segurança jurídica acaba por desembocar no principio da confiança na lei fiscal, que, como leciona Alberto' Xavier, "traduz-se, praticamente, na possibilidade dada ao contribuinte de conhecer e computar os seus encargos tributários com base exclusivamente na lei".15 Não podemos deixar de Qlencionar,ainda, o principio da boa~é, que impera tambémno Direito Tributário.De fato, ele irradia efeitos tanto sobre o Fisco quanto sobre o contribJI1nte,exigindo que , ambosrespeitemas conveniênciase interessesdo outro e nao incorramem contradição com sua própria ,conduta, na qual confia a outra parte (proibiçãOde venirê contrafactum proprio).16 11 [itálicosdo original] Logo, no caso concreto, admitir o marco' inicial da decadência pretendido pelo órgão julgador a quo é prot(;:ger o Estado, .autor de nonna inconstitucional - que exigia quotas de contribuição sobre exportações de café -, diante de sua própria torpeza, em detrimento dos princípfos constitucionais -da isonomia, d~ boa:..fée da segurançajuridica. ~:~~u(~~~g2:~1~:;:;r~~~;~~~(~)F?1~2i:;gí~r';(~ , I' 15 16 11 XAVIER, Alberto. Os princípios da legalidade e da tipicidade da 'tributação. São Paulo: RT, 1978, p. 46. A respeito, Jesús González Perez preleCiona: "O princípio da boa-fé aparece como um dos principios gerais que servem de fundamento ao ordenamento jurídico, infOlmam o labor interpretativo e constituem decisivo instrumento de integração" (Êl principio General de la BUlina Fé en:el Derecho AdministratIVo, Madri, Real Academia de Cienéias Morales yPolíticas, 1983, p. 15 - traduzimos). E, nlais adiante, acrescenta: "Independentemente de seu reconhecimento legislativo, o principio ga boa-fé, enquanto principio geral de Di Ito, cumpre uma função informadora do ordenamento jurídico e, como tal, as distintas no as devem ser interpretadas em hahnonia com ele. (...).Ele indicará, em cada momento, a interpr tação que se deve eleger" (idem, ibidem,p. 48). CARRAZZA, Roque Antonio. Curso de direito constitucional tributário. i3~ed~rev. , •o{ atu.l. e ••• p.Silo Paulo: Malheiro, 1999,p. 29~ 298,299, ~O~302. " ) ~., FJode ser ,ConsuHe a PR C:URJTIBA DRF Processo nO Acórdão nO, 10508.000439/20Ó3-36 3Ó3-32.530 " ,I' o desprezo pela isonomia resta patente quaqdo comparado o ônus tributário individualmente 'assumido por todos' aqueles que cumpriram a obrigação principal em data anterior à publicação da Lei 11.051, de 29 de dezembro de 2004, com qualquer dos destinatários do beneficio outorgado pelo artigo 18, caput e inciso X, da Lei 10.522, de 19 de julho de 20.02, introduzido pela priúleira, nonna jurídica citada neste parágrafo . . Semelhante desd9m mereccu o princípio da, boa-fé pelo pr~cedimento ,contradit6rio da Fazenda Nacional: para fatos geradores iguais, ocorridos em períodos coincidentes, de .alguns contribuintes foi exigido o cumprimento da obrigação tributária e de outros foi dispensada a constituição do!t créditos da Fazenda Nacional, a inscrição como Dívida Ativa da União, o ajuizamento dii respec~va execução fiscal e até cancelados os lan,çamentos efetuados. Igualmente ferido o plincípio da segurança jurídica' porque deturpada a previsibilÍdade, quanto aos efeitos da regulamentação da' conduta daqueles contribuintes. que confiaranl na constitucionalidade pre~umida das nonnas formalmente sancionadas, promu,lgadas e publicadas. . i Pórtà.nto, o desafio que reclama uma solução desta Câmara, no meu ' sentir, é interpretar, momíente à luzdos princípios constitucionais da isonomia, da: boa-fé e da segurançà jurídica, os artigos 165 e 168 do CTN para deles extrair o marco inicial do prazo de decadência para o caso objeto da lide. É certo que o CTN, no artigo 165, I, reconhece o direito do s~jeito passivo à restitúição do tributo indevido, seja qual for a modalidade do seu pagamento, mas fixa, no artigo 168, o prazo de cinco anos para o exercício de tal direito. É' a fixação do marco inicial da contagem desse prazo que buscarei alcançar, amparado nos princípios constitucionais citados 'no parágrafo anterior. Antes. contudo; trago outras lições da doutrina para lembrar que o interprete ~eve presumir inexistirem na lei palavras supérfluas e que "devem todas ser entendidas como escritas adrede para influir no sentido da frase respectiva"18, sem' perder da lembrança que "o texto da lei forma o substrato de que deve partir ê em que d~ve repousar o intérprete", embora evitando o apego à literalidade, "que pode conduzir à injustiça, à fraude e até ao'ridículo"19; (, elemento teleol6gico será adotado. na busca da "[...] genuína razão da lei, de cujo descobrimento depende inteiramente a compreensão do verdadeiro espírito dela,,20. 19 \ 18 MAXIMILIANO. Carlos. Hermenêutica e aplicação do dir~ito. 18. ed. Rio,de Janeiro: Forense, 1999, p. 110. . . . BARROSO, Luis Roberto. Interpretação e aplicação da constil(JiÇib. ,;;. ed. rev. e atual. , São Paulo: Saraiva, 1999, p. 127. . . "':'., 20. PORTUGAL. Estatutos da Universidade de.COimbra.,qe 1772, liv. 2, tít. 6.,~9 23.' '. . .•.... •apud C"<I,,, Moximiliano. H~meoôut;o" e .P~;",ã.d.dirci~:1999.p. l;~ \v \~ '~~"~â~:~~,~~~f:~:(~~'f,ogi\';~~~I~~R'J:''C::;;::';';;:;~~':;,"0' ';;'''f,::I:~~;;;;:;';~''h<"C'c<"h'W''';'''''''', Processo nO Aéórdão nO_ 'PI{> tURJTIB/\ DRF .. ~~~~:i~:39n003-36 i:Li ........~..., Retorno ao artigo 165 do CTN, que trata do direito à restituição de , "tributo indevido ou maior que o devido". Vale dizer, conseqüentemente, -que esta ~ a fimilidade da noima, o seu elemento teleblógico: impedir a apropriação, pelo Erál'io, de vàlores indevidos ou maiores do que. o devido, na forma da lei tributária. . " E é em consonância '.cOlllo - ordenamento jutídico, numa interpretação sistemática d0s attigos 165 e 168, que deve ser definido o momento ~ .partir do qual o direito à restituição do indébito poderia ter sido exercido. , Nesse ponto, entendo solucionada a controvérsia, porquanto se as . quotas de contiibuição sobre exportações de café somente foram' reconhecidas pela '. administração tributária como exigên6ià indeviq.a em 30 de dezembro de 2004, data da publicação da Lei 11.051, de 29 de dezembro de 2004, não há se falar em dies a quo para aferição da decadência do direito à restituição em data anterior à pl,lblicação dessa norma jurídica; . l . . Não vislumbro. outra interpretação sistemática e teleológica dos artigos 165 e 168 do CTN aplicada .ao caso concreto à luz dos princípios constitucionltis da isonomia, da boa-fé e da segurança jurídica .. I . Por conseguinte, concluo não operada a. decadência .do direito à restituição na data da protocolização do' pedido de folha. 1. . Nada obstante, a ~~lução da lide depende da análise de matéria de fato não enfrentada pela primeira instância administrativa, condição' prejudicial ao imediato julgamento do tema por este cólegiado, a contrario sensu do disposto no ~ JOdo artigo 5i5 do Código de Processo ,Civil. . ' . .' Com essas considerações e em respeito ao' princípio do duplo grau de. jurisdição, preliminanhente, superadas' as prejudiciais que fundamentavam o julgamento de pnrneira instância, voto no 'sentido de dtwolver os autos deste processo para apreciação das demais razões de mérito pelo qrgão julgador a quo. Sala das Sessões, em 9 de novembro de 2005 .. ~ "" -.', . . { .T .3IO~~ ~6RGES - Relator Designado. • . - J 44 I . c!este docurnent.o. , . 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011 00000012 00000013 00000014 00000015 00000016 00000017 00000018 00000019 00000020 00000021 00000022 00000023 00000024 00000025 00000026 00000027 00000028 00000029 00000030 00000031 00000032 00000033 00000034 00000035 00000036 00000037 00000038 00000039 00000040 00000041 00000042 00000043 00000044
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Numero do processo: 13888.000448/2003-98
Data da sessão: Wed May 12 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário: 1998
DEPÓSITO BANCÁRIO A DESCOBERTO - LEGALIDADE
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada
pelo sujeito passivo.
CONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA - COMPETÊNCA - CARF
O CARF não é competente para julgar a inconstitucionalidade de lei tributaria (Súmula n° 02). Exclui-se da presunção do art. 42 da Lei n° 9.430/1998 o depósito bancário cuja origem seja comprovada pelo contribuinte.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2102-000.601
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos,
REJEITAR as preliminares e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Carlos André Rodrigues Pereira Lima
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CONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA - COMPETÊNCA - CARF O CARF não é competente para julgar a inconstitucionalidade de lei tributaria (Súmula n° 02). Exclui-se da presunção do art. 42 da Lei n° 9.430/1998 o depósito bancário cuja origem seja comprovada pelo contribuinte. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os My511b-r–o-s—do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares e, noy6rito, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. /2 / Carlos André,Redfigue's Pereira Lima — Relator EDITADO EM: Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Giovarmi Christian Nunes Campos, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Núbia Matos Moura, Rubens Mauricio Carvalho, Ewan Telles de Aguiar e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Cuida-se de Recurso Voluntário de fls. 168/183, interposto contra decisão da DRJ em São Paulo/SP, de fls. 144/164, que julgou procedente o lançamento de IRPF de fls. 107/112 dos autos, lavrado em 18/03/2003 (ciência da contribuinte, fls. 109 e 112), relativo ao ano-calendário 1998. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 95.946,94, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de oficio de 75%. O lançamento teve origem na omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários a descoberto, nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430/96, do art.4° da Lei n° 9.481/97, e do art. 21 da Lei n° 9.532/97, de acordo com a descrição dos fatos à fl. 110. Em decorrência do auto de infração, foram apurados rendimentos tributáveis no valor total de R$ 149.934,35 (fl. 107). Assim, a base de cálculo do imposto de renda, que havia sido declarada antes no valor de R$ 10.240,00, passou a ser de R$ 160.174,35 (R$ 10.240,00 + R$ 149.934,35), sendo apurado saldo de imposto a pagar no valor de R$ 39.727,94. Em 16/04/2003, a contribuinte apresentou sua impugnação de fls. 116/132. Em suas razões, arguiu como defesa: (i) a nulidade do auto de infração, por infringir ao art. 142 do Código Tributário Nacional — CTN, vez que a atividade de lançamento é vinculada às regras estabelecidas em lei, não podendo o agente fiscal realizar tal função segundo seus critérios pessoais, e não podendo ser exigido tributo algum se não houver a ocorrência da hipótese descrita em lei que, no caso do imposto de renda, seria o acréscimo patrimonial do sujeito passivo; (ii) a impossibilidade de acesso ao sigilo bancário sem autorização judicial, com base no art. 5°, incisos X e XII, da Constituição Federal, quando não há motivos para que tais dados bancários sejam levados sejam levados ao conhecimento da fiscalização tribMia; (iii) a inconstitucionalidade da Lei Complementar n° 105/2001d 2 3 Processo n° 13888.000448/2003-98 S2-C1 T2 Acórdão m° 2102-00601 Fl. 186 (iv) a irretro atividade da Lei n° 10.174/2001; (v) que o Fisco não considerou o fato de a contribuinte ter alienado imóvel, conforme prova o Contrato Particular de Compromisso de Compra e Venda (fls. 135/140), efetivado em 05/03/1998, que determina em sua cláusula 3 a a venda de urna casa residencial e um lote de terreno sem benfeitorias pelo preço total de R$ 190.000,00, sendo R$ 25.000,00 pagos no ato da assinatura do instrumento particular e o restante em duas unidades de apartamentos e em 12 parcelas de R$ 4.600,00, sendo a primeira com vencimento em 09/04/1998 e as demais em parcelas mensais, conforme se verifica nos extratos bancários, mês a mês. (vi) a taxa SELIC possui característica eminentemente remuneratória, e que portanto não poderia ser utilizada para cálculo de juros de mora sobre tributos vencidos, sob pena de ofensa ao conceito jurídico e econômico de juros moratórios e por afronta ao determinado pelo art. 161, § 1° do CTN, e art. 192, § 3° da Constituição. Posto isso, requereu que o auto de infração fosse considerado totalmente improcedente. A DRJ, às fls. 144 a 164 dos autos, julgou procedente o lançamento, através de acórdão com a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA- IRPF Ano-calendário: 1998 PRELIMINAR. LANÇAMENTO EFETUADO SEM OBSERVÂNCIA DO ART. 142 DO CTN. Consoante disposição legal expressa, presumem-se como rendimentos omitidos os créditos efetuados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, quando regularmente intimado, não comprovar mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Unia vez que o lançamento preencheu os requisitos do art. 142 do CTN, é de se rejeitar a preliminar em questão. PRELIMINAR. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. Havendo procedimento administrativo regularmente instaurado, não constitui quebra do sigilo bancário a obtenção, pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados, de dados sobre a movimentação bancária dos contribuintes com base em valores da CPMF. Preliminar rejeitada. PRELIMINAR. LANÇAMENTO LASTREADO EM INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA (BASE DE DADOS DA CPMF). IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR N° 105/2.001 E DA LEI N° 10.174/2.001. Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das Autoridades Administrativas. Preliminar rejeitada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. BASE DE CÁLCULO DA AUTUAÇÃO. Na medida em que a contribuinte não carreou aos autos qualquer comprovação hábil a elidir a presente autuação, é de se manter o lançamento, nas bases em que foi efetuado. JUROS DE MORA. TAXA REFERENCIAL SELIC. Havendo previsão legal para a aplicação da laxa SELIC, não cabe à Autoridade Julgadora exonerar a cobrança dos juros de mora legalmente estabelecida. Lançamento Procedente" Nas razões do voto do referido julgamento, foram rebatidas as alegações da contribuinte, sintetizadas da seguinte forma: (i) No que diz respeito à preliminar de infringência do art. 142 do CTN, afilina que o lançamento em tela preencheu todos os requisitos elencados no referido dispositivo legal, uma vez que a presente tributação da omissão de rendimentos provenientes de depósitos bancários pautou-se no art. 42 e parágrafos da Lei n° 9.430/1996, que estabelece uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de deposito ou de investimento. (ii) Em relação à preliminar de quebra do sigilo bancário sem autorização judicial, de acordo com o art. 1°, § 3°, inciso III, e art. 5°, e §§ 4° e 5°, da Lei Complementar n° 105/2001, o acesso às informações bancárias independe de autorização, não constituindo quebra de sigilo, vez que as informações obtidas permanecem protegidas. De acordo com o art. 197, inciso II, do CTN as entidades financeiras estão obrigadas a fornecer ao Fisco as informações solicitadas. (iii) Quanto à preliminar de impossibilidade da aplicação retroativa da Lei n° 10.174/2001, conclui que é facultada a utilização das informações prestadas, relativas à movimentação financeira, para constituição de outros impostos e contribuições e que este foi o caso em questão, visto que o presente procedimento fiscal resultou na obtenção dos dados da CPMF e dos respectivos extratos bancários de fls. 29/42, 47/52 e 58/67 e iniciou-se em 16 de agosto de 2002 (fls. 7/8), ou seja, todos os procedimentos adotados para a constituição do crédito tributário relativo ao imposto de renda pessoa fisica, com base nos dados da base CPMF, ocorreram dentro da vigência da Lei Complementar n° 105/2001 e da Lei n° 10.174/2001. Atentou também para o fato de que a Lei Complementar n° 105/2001 e da Lei n° 10.174/2001 não violaram a segurança jurídica ou o direito adquirido, visto que o art. 144, § 1°, do CTN autoriza a aplicação "ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação da autoridade administrativa". Assim, quando do inicio do procedimento fiscal contra o contribuinte, em 04/04/2002 (fls. 01 e 0 ,Ã).-, tanto a Lei Complementar n° 105/2001 quanto a Lei n° 10.174/2001 já estavam em vigor. ) 4 Processo n° 13888.000448/2003-98 S2-C1 T2 Acórdão n.° 2102-00601 Fl. 187 (iv) No mérito, em relação à alienação de imóvel não considerada pelo Fisco, a autoridade julgadora decidiu que o Contrato Particular de Compromisso de Compra e Venda, anexado pelo contribuinte às fls. 135/140, não constitui elemento hábil para comprovar parte da origem dos créditos bancários objetos de tributação, visto que trata-se de cópia de documento sem autenticação, sem registro em Cartório, além de não haver firma reconhecida dos signatários. (v) Por fim, no que diz respeito à alegação de ilegalidade na aplicação da taxa SELIC no cálculo dos juros de mora, a autoridade julgadora demonstrou que o art. 13 da Lei n° 9.065/1995 prevê que a partir de 1° de janeiro de 1995, os juros de mora de que trata o art. 84, inciso I, §§ 1°, 2° e 3°, da Lei n° 8.981/1995, incidentes sobre tributos e contribuições sociais arrecadadas pela Secretaria da Receita Federal e não pagos no prazo previsto, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do SELIC. Assim, por haver previsão legal para a aplicação da taxa SELIC no cálculo dos juros de mora, não caberia à Autoridade Julgadora exonerar a correção dos valores legalmente estabelecidos, não havendo amparo legal a alegação do contribuinte em relação a este fato. (vi) A respeito da doutrina e jurisprudência trazidas pelo contribuinte em sua impugnação, esclareceu que, por força do principio da hierarquia, a Autoridade Julgadora de primeira instância tem sua liberdade de convicção restrita aos entendimentos expedidos em leis em pleno vigor, atos normativos do Ministro de Estado da Fazenda e do Secretário da Receita Federal, ressalvado os casos de afastamento da aplicação da lei quando esta é declarada inconstitucional pelo STF. Deste modo, foram rejeitadas as preliminares arguidas pelo contribuinte, e no mérito, julgou-se procedente o lançamento. O contribuinte, devidamente intimado da decisão da DRJ em 16/08/2007, conforme faz prova o "Aviso de Recebimento" de fl. 167, apresentou, tempestivamente, o recurso voluntário de fls. 168/183, em 13/09/2007. Em suas razões, o contribuinte simplesmente reitera as alegações expostas em sua impugnação, sem acrescentar novas razões de defesas e sem juntar nenhum outro documento. Este recurso voluntário compôs o 8° lote, sorteado para este relator, em Sessão Pública. É o relatório. Voto Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legai razões por que dele conheço. De acordo com o que consta no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 97 a 100 dos autos, a partir dos fatos relatados: a ,fiscalização concluiu que os valores constantes do anexo ao Termo n° W141/02, ajustados pelos números comentados nos subitens 14.b e 14.c , correspondem efetivamente a ingressos de recursos cuja origem a contribuinte não logrou comprovar. De acordo com o disposto no artigo 42 da Lei 9430/96, caracterizam-se como rendimentos omitidos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição ,financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil ou idônea, a origem dos recursos utilizados naquelas operações." Inicialmente, cabe analisar as preliminares suscitadas no apelo da contribuinte, quais sejam: (i) alegação de nulidade do lançamento por entender inconstitucional e ilegal a aplicação de presunções para justificar a incidência de tributo; (ii) inconstitucionalidade e ilegalidade da quebra do sigilo bancário sem autorização judicial e hTetroatividade da Lei n° 10.174/2001; (iii) ilegalidade da aplicação da taxa Selic ao créditos de natureza tributária. Entendo que não merecem ser acolhidas as preliminares indicadas pelo contribuinte, como demonstro a seguir. Em relação às alegadas inconstitucionalidades, de acordo com o disposto na Súmula n° 02 deste órgão julgador administrativo: "SÚMULA CARF N°02 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Quanto à exigência do art. 42 da Lei n° 9.430/1996 e a irretroatividade da Lei n° 10.174/2001, também são ambas matérias sumuladas por este CARF, razão pela qual invoco as Súmulas n° 26 e 35 transcritas a seguir: "SÚMULA CARF N° 26 A presunção estabelecida no an, 42 da Lei N°- 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada." "SÚMULA CARF N°35 O art. 11, sç 3°, da Lei n°9.311/96, com a redação dada pela Lei n" 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente." Quanto à aplicação da taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC, também entendo que é legal a incidência, nos exatos termos da Súmula 04 deste CARF: 6 "SÚMULA CARF N° 4 1. 40,of los André R~és Pereil-a-rima Processo n° 13888.000448/2003-98 S2-C1 T2 Acórdão n.° 2102-00601 Fl. 188 A partir de 1' de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais." No caso dos depósitos bancários, de acordo com a Súmula 38 do CARF, o fato gerador ocon-e em 31 de dezembro de cada ano-calendário, o que é suficiente para afastar a decadência; verbis: "O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário." Quanto ao mérito, entendo que deve ser mantido o lançamento em parte, pelas razões a seguir. Como se percebe do processo administrativo, a autoridade fiscal andou bem durante o procedimento de fiscalização, cumprindo as formalidades legais, dentre as quais a intimação para que a contribuinte: (i) apresentar a relação dos domicílios bancários (banco, agência e conta) em que tenha figurado como titular ou co-titular no período; (ii) apresentasse os extratos bancários das contas que fosse titular; (iii) informar por escrito se houve a utilização de domicilio(s) bancário(s) de terceiros na gestão dos seus rendimentos e despesas do período; em caso afirmativo, indicar o domicilio bancário e o seu titular; (iv) e informar se, no período fiscalizado, suas contas bancárias foram movimentadas por terceiros, em caso afirmativo, indicando o CNPJ/CPF do proprietário do recurso. Os depósitos bancários omitidos da DIPF da contribuinte estão todos discriminados, um a um, no "Demonstrativo de Valores Creditados em Conta Bancária". Na tentativa de comprovar a origem da receita, a contribuinte acostou à impugnação cópia de "contrato de compra e venda" de uma casa residencial e um lote de terreno sem benfeitorias pelo preço total de R$ 190.000,00, sendo que R$ 25.000,00 foram pagos no ato da assinatura do instrumento particular, lhe seriam entregue dois apartamentos e o restante em 12 parcelas de R$ 4.600,00, com vencimento em 09/04/1998. Todavia, não há nos autos nenhum elemento que demonstre a efetividade dessa receita, mas tão somente um contrato entre particulares, sem escritura do imóvel. Ante o exposto, voto por não conhecer as preliminares suscitadas no recurso voluntário e negar provimento ao recurso. Sala das ,Ssessões, em 12 de maio de 2010 7
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Numero do processo: 13981.000063/2001-09
Data da sessão: Fri Jun 05 00:00:00 UTC 2009
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 15/08/1989 a 15/12/1995
INDÉBITO FISCAL. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA
INDÉBITO FISCAL. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA
O prazo qüinqüenal para restituição/compensação de indébitos decorrentes de pagamentos efetuados indevidamente e/ ou a maior, a título de PIS, com . fundamento nos indigitados Decretos-lei n° 2.445 e n° 2.449, ambos de 1988, é de cinco anos contados da data da publicação da Resolução n° 49, em 10/10/1995, expedida pelo Senado Federal.
Para os recolhimentos efetuados com base na MP n° 1.212, de 25/11/1995, cujo art. 15 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, conta-se o prazo qüinqüenal a partir da data decisão proferida por este Tribunal Superior.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/10/1995 a 30/11/1995
FUNDAMENTO LEGAL
Em face da suspensão da execução dos Decretos-lei n° 2.445 e n° 2.449, ambos de 1988, pelo Senado Federal, e do julgamento da ADIN n° 1.417-0, pelo Supremo Tribunal Federal que julgou inconstitucional parte do art. 15 da Medida Provisória (MP) n° 1.212, de 1995, a contribuição para o PIS tomou-se devida, no período de competência de 1° de outubro de 1995, com base na
Lei Complementar n° 7, de 1970, e ulterior alteração legal.
SEMESTRALIDADE. COMPETÊNCIA. 01/10/1995 A 31/10/1995
Súmula 11. A base de cálculo do PIS, p .vista no artigo 6° da Lei
Complementar n° 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2201-000.332
Decisão: ACORDAM os Membros da 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária da 2ª Seção de
Julgamento do CARF, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso no sentido de determinar a aplicação das regras previstas na Lei Complementar n° 07/70, em especial, a sistemática da semestralidade, para os períodos compreendidos entre 10/95 e 11/95, reconhecendo à recorrente o direito à repetição/compensação de possíveis diferenças apuradas para aquele período de competência, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro
Odassi Guerzoni Filho.
Nome do relator: JOSÉ ADÃO VITORINO DE MORAIS
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MINISTÉRIO DA FAZENDA \74) ? -i . '., . CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS_ ...Q1C..tt ‘ SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° .. 13981.000063/2001-09 Recurso n° 141.119 Voluntário Acórdão n° 2201-00.332 — 2' Câmara / I' Turma Ordinária Sessão de 05 de junho de 2009 Matéria RESTITUIÇÃO/COMP PIS Recorrente INDUSTRIAL MOAGEIRA LTDA. Recorrida DRJ-JUIZ DE FORA/MG ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 15/08/1989 a 15/12/1995 INDÉBITO FISCAL. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA INDÉBITO FISCAL. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA O prazo qüinqüenal para restituição/compensação de indébitos decorrentes de pagamentos efetuados indevidamente e/ ou a maior, a título de PIS, com . fundamento nos indigitados Decretos-lei n° 2.445 e n° 2.449, ambos de 1988, é de cinco anos contados da data da publicação da Resolução n° 49, em 10/10/1995, expedida pelo Senado Federal. Para os recolhimentos efetuados com base na MP n° 1.212, de 25/11/1995, cujo art. 15 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, conta-se o prazo qüinqüenal a partir da data decisão proferida por este Tribunal Superior. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/1995 a 30/11/1995 FUNDAMENTO LEGAL Em face da suspensão da execução dos Decretos-lei n° 2.445 e n° 2.449, ambos de 1988, pelo Senado Federal, e do julgamento da ADIN n° 1.417-0, pelo Supremo Tribunal Federal que julgou inconstitucional parte do art. 15 da Medida Provisória (MP) n° 1.212, de 1995, a contribuição para o PIS tomou- se devida, no período de competência de 1° de outubro de 1995, com base na Lei Complementar n° 7, de 1970, e ulterior alteração legal. SEMESTRALIDADE. COMPETÊNCIA. 01/10/1995 A 31/10/1995 • • Súmula 11. A base de cálculo do PIS, p .vista no artigo 6° da Lei Complementar n° 7, de 1970, é o faturame tç do sexto mês anterior, sem correção monetária. Recurso provido em parte. % I /k i i Processo n° 13981.000063/2001-09 S2-C2TI Acórdão n.° 2201-00332 Fl. 287 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da 2" Câmara/1" Turma Ordinária da r Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso no sentido de determinar a aplicação das regras previstas na Lei Complementar n° 07/70, em especial, a sistemática da semestralidade, para os períodos compreendidos entre 10/95 e 11/95, reconhecendo à recorrente o • ireito à repetição/compensação de possíveis diferenças apuradas para aquele período de. p, tência, nos 4, rmos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Odassi Guerzoni Filho. i/ • 71 1 /0Ir 1' A E I' • RO E : 'G FILHO Presidente A JOSÉ AD ar tf --; r O INO DE MORAISi Relator 11.tf Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Eric Moraes de Castro e Silva, Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte e Dalton César Cordeiro de Miranda. Relatório A recorrente acima qualificada ingressou com o pedido às fl. 01/08, protocolado em 10/06/2003, requerendo a restituição/compensação do montante de R$ 844.313,36 (oitocentos e quarenta e quatro mil trezentos e treze reais e trinta e seis centavos), decorrente de pagamentos indevidos e/ ou maior, a título de contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) entre as datas de 15/08/1989 a 15/12/1995, sobre os fatos geradores ocorridos nos meses de competência de julho de 1989 a novembro de 1995, conforme planilhas à fl. 18. O pedido foi inicialmente apreciado e indeferido pela DRF em Joaçaba, SC, conforme Despacho Decisório às fls. 191/194. Cientificada daquele despacho decisório, inconformada, a recorrente interpôs a manifestação de inconformidade às fls. 200/224, requerendo a sua reforma para que lhe fosse reconhecido o direito à repetição/compensação dos valores reclamados, alegando razões que foram assim sintetizadas pela DRJ em Juiz de Fora: "Contestando tal decisão, a interessada argumentou, em resumo, o seguinte: 1 — houve a coisa julgada judicial no processo 91.7000010-7, da Seção Judiciária de Santa Catarina, afastando a decadência / prescrição; 2 — a base de cálculo do PIS, determinada pela LC 7/70, é o sexto mês anteri à ocorrência do fato gerador sem a aplicação da correção monetária." 2 '. , •. Processo n° 13981.000063/2001-09 S2-C2TI Acórdão n.°2201-00332 Fl. 288 Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgou-a improcedente, conforme Acórdão n° 09-16.326, datado de 24/05/2007, às fls. 253/255, assim ementado: "RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA PEDIR. O direito de pleitear a restituição/compensação extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos, contado da data de extinção do crédito tributário, assim entendido como o pagamento antecipado, nos casos de lançamento por homologação." Inconformada com essa decisão, a recorrente interpôs o recurso voluntário às fls. 262/271, requerendo a sua reforma a fim de que lhe reconheça o direito à repetição/ compensação dos valores reclamados, alegando, em síntese, que o prazo qüinqüenal para se repetir/compensar indébitos tributários, nos termos do Código Tributário Nacional (CTN), art. 168, I, é de cinco anos a partir da extinção do crédito tributário. Ainda, de acordo com o art. 150, § 40, a extinção de créditos tributários de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como no presente caso, ocorre em 05 (cinco) anos, contados dos respectivos fatos geradores. Expirado esse prazo, sem que a Fazenda Pública tenha se manifestado, a extinção tácita se dá depois dos 05 (cinco) anos, contados dos respectivos fatos geradores, quando, então, se inicia o prazo qüinqüenal para se exercer o direito à repetição/compensação, resultando prazo total de 10 (dez) anos, ou seja, cinco para a extinção e mais cinco para a repetição. Alegou, ainda, violação à coisa julgada, ou seja, à decisão judicial transitada em julgado em 28/06/1996 nos autos do processo judicial n° 94.04.14278-6/SC que reconheceu o direito da recorrente, afastando taxativamente a decadência. Além disto, esta decisão judicial consignou a semestralidade da base de cálculo do PIS. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ ADÃO VITORINO DE MORAIS, Relator *. O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n°70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. Preliminarmente, quanto à alegação de ofensa à coisa julgada, ou seja, à decisão judicial transitada em julgado na data de 28/05/1996, processo n° 94.04.14278-6/SC, ao contrário do alegado pela recorrente, esse processo não tratou de repetição/compensação de indébitos tributários decorrentes de pagamentos indevidos e/ ou a maior, efetuados nos termos dos indigitados Decretos-lei n° 2.445 e n° 2.449, ambos de 1988, e sim da inexistência de relação jurídico-tributário que a obrigasse ao pagamento dessa contribuição nos termos desses decretos. Dessa forma, tratando-se de matéria diferente, não há qu; .e falar em coisa julgada. Ainda, a título de esclarecimento, caso aquela decisão judicial tiv -.e reconhecido o direito de a recorrente repetir/compensar créditos tributários decorren • de PIS, pagos indevidamente e/ ou maior, nos termos daqueles decretos, na data de prt t colo do pr ente /14 lip 3 ' Processo n° 1398(.000063/2001-09 S2-C2T I Acórdão n.° 2201-00332 Fl. 289 pedido, em 12/07/2001, seu direito já havia decaído pelo decurso do prazo de cinco anos, contados da data do trânsito em julgado daquela decisão. No mérito, os valores reclamados como indébitos referem a fatos geradores ocorridos no período de competência de julho de 1989 a novembro de 1995. Assim, toma-se necessário fundamentar nossa decisão em dois tópicos distintos. Para os recolhimentos efetuados entre 15/08/1989 e 13/10/1995, correspondentes aos fatos geradores do período de competência de julho de 1989 a setembro de 1995, a contribuição foi paga com base nos indigitados Decretos-lei n°2.445 e n°2.449, ambos de 1988, julgados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Em face desse julgamento o Senado Federal expediu a Resolução n° 49, publicada no DOU de 10/10/1995, suspendendo a execução daqueles decretos-lei. A decadência do direito de se repetir indébito tributário está regulada no Código Tributário Nacional (CTN), arts. 165 e 168, in verbis: "Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, á restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4° do artigo 162, nos seguintes casos: 1 - cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; Art. 168. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: 1 - nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extincão do crédito tributário. (...). "(grifos não-originais) Em se tratando de lançamento por homologação, como no caso da contribuição tara o PIS, a extinção do crédito tributário, por previsão expressa do CTN, ocorre quando do pagamento e não em outro momento, conforme disposto a seguir: "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § I° - O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. 4 Processo n° 13981.000063/2001-09 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00332 Fl. 290 Art. 156. Extinguem o crédito Tributário: VII - o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus parágrafos 1 e 4; (...).(gr(os não-originais) No entanto, como no presente caso, os indébitos decorreram de recolhimentos efetuados com base nos Decretos-lei n° 2.445 e n° 2.449, ambos de 1988, posteriormente, declarados inconstitucionais pelo STF e cujas execuções foram suspensas por meio da Resolução n°49, expedida pelo Senado Federal, publicada no DOU de 10 de outubro de 1995, o prazo qüinqüenal para se exercer o direito à repetição/compensação de valores pagos indevidamente, deve ser contado a partir da data de publicação daquela resolução. Dessa forma, contando-se o prazo qüinqüenal a partir da data de publicação daquela resolução, o prazo limite expirou em 10/10/2000, Com o presente pedido foi protocolado em 12/07/2001, não há que se falar em restituição/compensação dos valores decorrentes dos recolhimentos efetuados entre as datas de 15/08/1989 e 15/10/1995. Já para os recolhimentos efetuados entre as datas de 14/11/1995 e 15/12/1995, correspondentes aos fatos geradores de outubro a novembro de 1995, a contribuição foi paga com base na Medida Provisória (MP) n° 1.212, de 27/11/1995, cujo art. 15 determinava sua aplicação a partir de 1° de outubro de 1995. Contudo, em face da decisão do STF sobre a ADIN n" 1.417-0 que julgou inconstitucional a parte do art. 15 daquela MP que determinava sua aplicação retroativa, a contribuição para o PIS, no período de competência de outubro de 1995 a fevereiro de 1996, tomou-se devida com base nas LCs n° 7, de 1970, e n° 17 de 1973, até a entrada em vigor daquela MP, em 1° de março de 1996. Dessa forma, o prazo decadencial qüinqüenal para a recorrente exercer seu direito de repetição/compensação de possíveis indébitos decorrentes dos pagamentos indevidos e/ ou a maior entre as datas de 14/11/1995 e 15/15/1995, correspondentes aos fatos geradores das competências mensais de outubro e novembro de 1995, deve ser contado da data do julgamento da ADIN n° 1.417-0 pelo STF, em 02/08/1999. Como o presente pedido foi protocolado em 12/07/2001, a recorrente faz jus a possíveis indébitos decorrentes dos pagamentos correspondentes aos fatos geradores daqueles meses de competência. Quanto à semestralidade da base de cálculo do PIS nos termos da LC n° 7, de 1970, esta vigeu até a entrada em vigor da Medida Provisória n° 1.212, de 28 de novembro de 1995, em 1° de março de 1996. Trata-se de matéria já sumulada por este 2° Conselho, in verbis: "SÚMULA N° I I A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6° da Lei Complementar n° 7, de 1970, é o faturamento do sexto mis 154 anterior, sem correção monetária." 5 • Processo n0 13981.00006312001-09 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00332 Fl. 291 ' Assim, cabe à DRF de origem, adotada a semestralidade da base de cálculo do PIS, para o período de competência de outubro e novembro de 1995, apurar possíveis indébitos decorrentes de pagamentos indevidos e/ ou a maior, efetuados nos termos da MP n° 1.212, de 1995, e os devidos nos termos das LCs n° 7, de 1970, e n° 17, de 1973, repetindo os valores apurados, atualizados monetariamente até 31/12/1995 pela variação do Ufir e acrescidos de juros compensatórios à taxa Selic a partir de 1° de janeiro de 1996. Em face do exposto e de tudo o mais que consta dos autos, dou provimento parcial ao presente recurso voluntário para reconhecer à recorrente o direito de repetir possíveis diferenças a serem apurada pela DRF de origem, para o período de competência de outubro e novembro de 1995, mantendo o indeferimento do direito à repetição dos valores reclamados para os demais períodos de competência, ou seja, de julho de 1989 a setembro de 1995. Sala das Sessões, em 05 de junho de 200 JOSÉ ADA O • INO DE MORAI • 6 Page 1 _0014800.PDF Page 1 _0014900.PDF Page 1 _0015000.PDF Page 1 _0015100.PDF Page 1 _0015200.PDF Page 1
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Numero do processo: 10909.003039/2003-60
Data da sessão: Wed Sep 29 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 04/04/2003
ACRÉSCIMOS LEGAIS. VIGÊNCIA DE LEI QUE INSTITUI A APLICAÇÃO DE PENALIDADE E ACRÉSCIMOS LEGAIS. INEXISTÊNCIA DE CONTRARIEDADE À LEI.
A multa e os juros moratórios passaram a fazer parte do ordenamento jurídico pertinente à legislação antidumping somente a partir de 30/10/2003, data de publicação da Medida Provisória n o 135/2003, que instituiu a exigência desses acréscimos. Descabida a cobrança de acréscimos legais relativos a despachos aduaneiros promovidos anteriormente àquela data.
Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-001.174
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - classificação de mercadorias
Nome do relator: Maria Teresa Martínez López
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 04/04/2003 ACRÉSCIMOS LEGAIS. VIGÊNCIA DE LEI QUE INSTITUI A APLICAÇÃO DE PENALIDADE E ACRÉSCIMOS LEGAIS. INEXISTÊNCIA DE CONTRARIEDADE À LEI. A multa e os juros moratórios passaram a fazer parte do ordenamento jurídico pertinente à legislação antidumping somente a partir de 30/10/2003, data de publicação da Medida Provisória no 135/2003, que instituiu a exigência desses acréscimos. Descabida a cobrança de acréscimos legais relativos a despachos aduaneiros promovidos anteriormente àquela data. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, nos termos do voto da Relatora. Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto Maria Teresa Martínez López Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martínez López e Henrique Pinheiro Torres. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 28/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Relatório Tratase de auto de infração relativo a direitos antidumping, acrescido de multa de ofício e de juros de mora. Consta do relatório da decisão recorrida o que a seguir reproduzo: Trata o presente processo do auto de infração de fls. 0119, por meio do qual foi formalizada a exigência da quantia de R$ 485.987,82 a título de direitos antidumping, acrescida de multa de ofício e juros de mora. Conforme relato de fls. 0415, a contribuinte registrou a DI n.º 03/02816709 (fls. 5860), por meio do qual declarou a importação de cogumelos originários da República Popular da China, classificados no código NCM/SH 2001.90.00. No curso do despacho aduaneiro da DI n.º 03/06879225 (v. fls. 2022), relativa à importação de mercadoria idêntica, foram solicitados laudos de assistência técnica, realizados pela Universidade Federal de Santa Catarina, visando à correta identificação e quantificação da mercadoria importada. Os laudos técnicos de fls. 2840 e 4154 permitiram concluir que a mercadoria em questão foi classificada incorretamente e quantificada a menor, o que ensejou a lavratura do presente auto de infração. Conforme relato de fls. 04 e seguintes, os elementos de prova obtidos no curso do despacho aduaneiro da DI n.º 03/06879225 são válidos para o procedimento de revisão aduaneira da DI n.º 03/02816709, por se tratar de produto originário do mesmo fabricante, com igual denominação, marca e especificação, nos exatos termos do art. 30, § 3º, “a” do Decreto n.º 70.235/72, com a redação dada pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997. Nas duas declarações de importação (DI n.º 03/06879225 e DI n.º 03/02816709), a mercadoria importada foi classificada no código NCM/SH 2001.90.00 (outros produtos hortícolas, frutas e outras partes comestíveis de plantas, preparados ou conservados em vinagre ou em ácido acético). O laudo técnico de fls. 2840, contudo, demonstrou que o produto não era conservado em ácido acético (vinagre), mas sim em solução conservante de metabissulfito de sódio, fato este que tornava os cogumelos impróprios para alimentação, no estado em que se encontravam. Tal fato motivou a desclassificação da mercadoria para o código NCM/SH 0711.51.00 (cogumelos do gênero Agaricus, conservados transitoriamente, impróprios para alimentação neste estado). Por sua vez, o laudo técnico de fls. 4154 comprovou que cada barrica continha uma quantidade de cogumelos superior ao que foi declarado pela contribuinte. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 28/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10909.003039/200360 Acórdão n.º 930301.174 CSRFT3 Fl. 183 3 Inconformada com a exigência, a interessada apresentou a impugnação de fls. 6974, com base nos seguintes argumentos: a) não houve licitação para determinação do laboratório responsável pelos laudos técnicos; b) a amostragem utilizada foi insuficiente para averiguar o montante da carga, tanto em sua substância quanto em sua quantidade; c) a abertura das bombonas foi realizada sem a presença do representante do contribuinte, viciando a carga probatória; d) houve intimação de pessoa não legitimada para o início do procedimento; e) foi ilegítima a presunção realizada com base no art. 52 da Medida Provisória n.º 135, uma vez que os fatos narrados ocorreram antes da edição da referida MP; f) a matéria em questão não poderia ser tratada por Medida Provisória, conforme Emenda Constitucional n.º 32; g) é irregular a cominação de multa com base na Medida Provisória n.º 2.158, de 2001; h) verificase ausência de motivação e fundamentação no procedimento de arbitramento da base de cálculo da multa; i) houve vício no arbitramento da diferença do preço declarado na DI, uma vez que não houve demonstrativo de verificação de toda a carga e não houve a presença do representante do contribuinte na abertura das bombonas; j) não é possível apenar o contribuinte pela ausência de licença de importação pois, não tendo sido verificado todo o carregamento de responsabilidade da autuada, deve ser aceita a alegação de veracidade do restante do carregamento, que não foi fiscalizado. Desta forma, não se pode atribuir à interessada a obrigação de obter licença de importação. Nestes termos, a interessada pleiteou o “desmantelamento” (sic) do auto de infração guerreado, em razão dos vícios de procedimento cometidos durante a fiscalização e por ocasião da confecção dos laudos técnicos que embasaram o presente lançamento. Ponderando tais fundamentos, decidiu o órgão julgador a quo pela manutenção integral da exigência, conforme se observa da leitura da ementa a seguir transcrita: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 04/04/2003 Ementa: DESPACHANTE ADUANEIRO. AUTO DE INFRAÇÃO. CIÊNCIA Fl. 3DF CARF MF Impresso em 28/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 O despachante aduaneiro pode ser cientificado de intimações, notificações, autos de infração e demais atos e termos processuais relacionados com o procedimento fiscal. LAUDOS PERICIAIS. REQUISITOS. VALIDADE Os laudos periciais elaborados por entidades da Administração Pública devidamente credenciadas pela Secretaria da Receita Federal devem ser adotados nos aspectos técnicos de sua competência. A legislação de regência não exige licitação para escolha do laboratório responsável pela perícia e também não exige que a abertura das amostras ou os próprios exames sejam realizados na presença do importador ou de seu representante legal. LAUDOS PERICIAIS. AMOSTRA Uma vez comprovado que o tamanho da amostra foi determinado com base em critérios estatísticos reconhecidos pelo INMETRO, os resultados das perícias devem ser considerados representativos de todo o lote de mercadorias importadas, seja sob o ponto de vista qualitativo ou quantitativo. LAUDOS PERICIAIS. PROVA EMPRESTADA Atribuise eficácia a laudos técnicos sobre a mercadoria importada, exarados em outro processo administrativo fiscal, quando se tratar de produto originário do mesmo fabricante, com igual denominação, marca e especificação. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE/ ILEGALIDADE. ESFERA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA As autoridades administrativas são incompetentes para apreciação de argüições de inconstitucionalidade e/ou ilegalidade de atos legais regularmente editados. Os fundamentos que embasaram a decisão hostilizada são essencialmente os que se extrai da sua ementa. Ou seja: 1 que não o procedimento não padece de nulidade em função da formalização da sua ciência ter sido realizada por despachante aduaneiro; 2 que a quantificação e qualificação das mercadorias seguiu as normas técnicas definidas pelo INMETRO para efeito de definição dos padrões de amostragem, bem assim as normas administrativas que disciplinam a designação de assistentes identificadores e quantificadores; 3 que não compete à autoridade administrativa debater acerca da constitucionalidade das normas, especialmente a alegada multa cominada com base na Medida Provisória nº 2.158, de 2001, máxime em função de que essa multa não foi aplicada no presente processo; Fl. 4DF CARF MF Impresso em 28/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10909.003039/200360 Acórdão n.º 930301.174 CSRFT3 Fl. 184 5 4 que antes da importação objeto de litígio a recorrente realizara importação de suas mercadorias por meio de unidade de despacho diversa, consignando o código tarifário indicado como correto, mas que se encontra sujeito aos direitos ora impostos, indicando mesmo país de origem (China) e o mesmo fornecedor; 5 que após o registro de três declarações com aquele código, a recorrente solicitara a realização de trânsito aduaneiro, oitenta dias após a chegada do veículo transportador, para uma terceira unidade de despacho, onde registrou a declaração de importação com o código tarifário entendido como indevido. 6 que não se verifica irregularidade na formação da convicção por meio de prova emprestada, ancorada no art. 30, § 3º, “a” do Decreto nº 70.235/72, acrescido pela Lei nº 9.532, de 1997, ou no art. 52 da Medida Provisória nº 135 de 2003, posteriormente convertida na Lei nº 10.833, de 2003. 7 que a declaração de importação objeto do presente recurso fora elaborada pelo mesmo representante que elaborara aquela sobre a qual foi realizada perícia técnica. Com relação a esses dois últimos itens, importa esclarecer que faz parte da decisão hostilizada declaração de voto da julgadora Elisabeth Maria Violatto que contesta as conclusões dos demais julgadores baseadas em prova emprestada, na medida em que, no seu sentir, não estaria configurada a hipótese motivadora abstratamente prevista no texto do Decreto nº 70.235/72. Inconformada, compareceu a pessoa jurídica C.F.A. Importação e Exportação Ltda aos autos manejando o presente Recurso Voluntário, onde pleiteia a reforma integral do decisum a quo, essencialmente em função de: 1 que não fora trazido ao processo nenhum elemento probante contra a recorrente. Basearamse os autuantes em prova emprestada, que, no seu sentir, somente surtiria efeitos ao terceiro contribuinte perante o qual foi produzida. Na sua opinião, promoveuse o exercício, não de presunção legal, mas de ficção; 2 que a coincidência de despachante aduaneiro não teria qualquer relevância para a caracterização de indício; 3 que a utilização desses elementos para alterar a natureza, classificação, quantidade, peso das mercadorias importadas pela recorrente teria causando espanto inclusive da autoridade julgadora, Elizabeth Maria Violato, que em voto discordante manifestou a impossibilidade da aplicação da emprestada ao vertente processo; 4 que todo o teor da notificação fora construído, com base em material de outro contribuinte, importado em outra época, e sem que o mesmo tenha qualquer relação negocial com a recorrente; Fl. 5DF CARF MF Impresso em 28/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 5 que a possibilidade de aplicar direito antidumping retroativo não permitiria a aplicação retroativa do art. 52 da medida provisória nº 135, ainda que as importações objeto da notificação impugnada fossem registradas pelo mesmo importador; 6 que, além do dispositivo procedimental acima citado, também lhe estaria sendo aplicado retroativamente o art. 63 da citada medida provisória, que alterara os artigos 7º 8º da Lei nº 9.019, de 1995, passando a impor juros de mora e multa de ofício ou de mora às hipóteses de não recolhimento de direitos antidumping; 7 que não seria possível ampliar o Fato Gerador com base em medida provisória, conforme seria possível extrair da leitura do art. 104 do Código Tributário Nacional; 8 que não caberia a aplicação da “dilação probatória retroativa” como se conclui da leitura dos artigos 105 e 106 do mesmo CTN; 9 que o despachante aduaneiro é parte estranha à relação jurídica tributária. É o Relatório. Por meio do Acórdão nº 303.332, os Membros da Terceira Câmara do então Conselhos de Contribuintes, por maioria de votos deram provimento ao recurso para reestabelecer a quantificação originariamente declarada e excluir a multa e os juros. A ementa dessa decisão possui a seguinte redação: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 04/04/2003 Ementa: Matéria Litigiosa. Limites: Os limites da lide são fixados pela manifestação de inconformidade do sujeito passivo, ainda que não citada especificamente a legislação. Vigência da Lei que institui a Aplicação de Penalidade e Acréscimos Legais. A lei que institui penalidade ou aplicação da taxa Selic só se aplica a fatos geradores ocorridos após o início da sua vigência. Tratandose de fato anterior, afastase a cobrança dos acréscimos. Prova emprestada. Não configuração. Não há que se falar em prova emprestada quando o conjunto de indícios carreados aos autos, em conjunto com laudo técnico produzido para identificação de mercadoria descrita de maneira idêntica e fornecida pelo mesmo exportador, permite a formação da convicção acerca da natureza da mercadoria efetivamente importada. Tal raciocínio, entretanto, não autoriza a quantificação da mercadoria, que somente poderia ser procedida caso a caso. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 28/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10909.003039/200360 Acórdão n.º 930301.174 CSRFT3 Fl. 185 7 Recurso Voluntário Provido em Parte A Fazenda Nacional, por sua i. procuradora, com fundamento no art. 7º, inciso I, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda, aprovado pela Portaria n˚ 55, de 12/03/98, contra decisão prolatada por maioria de votos, em acórdão da 3ª Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes interpõe recurso especial (contrariedade à lei) a esta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Inconformada, pois, com a decisão que decidiu: Restabelecer a quantificação originariamente declarada de mercadorias e excluir a multa e os juros, por ausência de tipicidade legal à época do fato gerador. Segundo as razões apresentadas pela Fazenda Nacional, a decisão é contrária aos seguintes dispositivos legais: art. 30, § 3º, alínea a, e art 17 do Dec. 70.235/72 e art. 161 do CTN e as provas nos autos. O apelo especial, uma vez preenchidos os requisitos de admissibilidade, foi recebido pelo despacho n˚132/2008 da Presidência da então Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes. Cientificada, a contribuinte, do Recurso Especial e Acórdão recorrido, optou pela não apresentação de Contrarazões ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. É o Relatório. Voto Conselheira Maria Teresa Martínez López, Relatora Por entender caber ao relator do processo, antes de efetuar qualquer apreciação de mérito, efetuar o controle dos requisitos formais de admissibilidade do recurso, entre eles, a verificação se os pressupostos processuais foram devidamente cumpridos, passo à apreciação. ADMISSIBILIDADE Este exame preliminar sobre o cabimento do recurso denominase juízo de admissibilidade, transposto o qual, em sentido favorável ao recorrente, passará o órgão recursal ao juízo de mérito do recurso. As matérias, objeto do recurso especial dizem respeito à reavaliação de prova: I) à não aceitação de prova emprestada para a definição da quantificação da mercadoria importada, e: II) exclusão da multa e os juros, pela ausência de dispositivo legal. Penso que o recurso não deve ser conhecido. Explico. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 28/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 I) DA NÃO ACEITAÇÃO DE PROVA EMPRESTADA PARA A DEFINIÇÃO DA QUANTIFICAÇÃO DA MERCADORIA IMPORTADA Há de se observar ter ocorrido arbitramento da suposta diferença do preço declarado na DI, diante da ausência de demonstrativo de verificação de toda a carga. O arbitramento da quantidade de mercadoria constitui uma forma de apuração quando não se possa, por meio de outros critérios, determinar corretamente a quantidade. Essa forma de apuração, por se caracterizar como uma medida extrema, não pode ser considerada como regra, mas, tãosomente, como uma exceção a ser aplicada quando ocorrer impossibilidade ou recusa do contribuinte. Não é o que aconteceu no caso concreto. O conjunto de indícios carreados aos autos, em conjunto com laudo técnico produzido para identificação de mercadoria descrita de maneira idêntica e fornecida pelo mesmo exportador, pode permite a formação da convicção do julgador acerca da natureza da mercadoria efetivamente importada mas não autoriza a quantificação da mercadoria, que somente poderia ser procedida caso a caso. Como isto não aconteceu, correta a decisão recorrida ao estabelecer a quantificação adotada pelo importador. No mais, é importante observar, não caber ao órgão de segunda instância, reavaliar a prova. II) EXCLUSÃO DA MULTA E OS JUROS. CONSECTÁRIOS LEGAIS O cerne da questão principal diz respeito aos consectários legais. A Fazenda Nacional recorre inconformada, pois, com a decisão que decidiu: que a cobrança dos acréscimos legais (juros e multa) padecem de ausência de fundamentação legal. No entender da decisão recorrida, somente seriam devidos após alteração legislativa, i.é, Medida Provisória nº 135, que entrou em vigor no dia 30/10/2003. A priori, questão também levantada pela D. Procuradoria, diz respeito à ocorrencia do princípio da preclusão, sob o entendimento de que o questionamento da multa somente se verificou por ocasião do recurso apresentado pela contribuinte, aos Conselhos de Contribuintes. Sobre a matéria transcrevo as razões inseridas no voto recorrido: 1.1 limites da lide Antes de prosseguir no julgamento do presente recurso voluntário, entendo relevante delimitar a matéria litigiosa propriamente dita. Tal medida justificase em função de que, aparentemente, as autoridades a quo, ao não fazerem qualquer ilação acerca da regularidade da incidência de multa de ofício e juros de mora sobre a importação objeto do vertente processo, possivelmente consideraram a matéria não impugnada. Como observa o voto condutor da decisão hostilizada, a recorrente teria se limitado a protestar genericamente contra a imposição de multa capitulada na Medida Provisória nº 2.158 de 2001 e por falta de guia de importação, exigências que não fariam parte da presente autuação. Em fase de recurso voluntário, criticando a decisão a quo, o contribuinte contesta textualmente a aplicação dos citados Fl. 8DF CARF MF Impresso em 28/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10909.003039/200360 Acórdão n.º 930301.174 CSRFT3 Fl. 186 9 acréscimos que, no seu sentir, somente teriam sido instituídos em ato normativo em data posterior ao “fato gerador” dos direitos antidumping. De tal sorte, poderseia questionar se a matéria que se tornara explícita em sede de recurso voluntário não se tornara litigiosa, por suposta omissão da recorrente quando da apresentação de sua impugnação. A fim de que não pairem dúvidas, portanto, achei por bem enfrentar essa questão como preliminar e trazêla à consideração de meus pares. Esclareço que, a meu ver, os acréscimos em questão efetivamente fazem parte da lide, em especial porque a impugnação da sua cobrança é conseqüência natural da contestação à cobrança dos direitos antidumping. Voto, portanto, no sentido de tomar conhecimento da matéria explicitamente tratada em grau de recurso. Penso, igualmente não haver que se falar em preclusão. Explico: No caso em análise tratase de matéria de ordem pública (inexistência de dispositivo legal à época do fato gerador). De fato, questões de ordem pública por sua natureza, não precluem e são suscitáveis em qualquer tempo e grau de jurisdição, além de serem cognoscíveis de ofício. Nesses casos, o quesito prequestionamento pode terse por inexigível, até em homenagem à lógica do processo administrativo e à ordem jurídica justa. No mais, a matéria foi prequestionada explicitamente em segunda instância, permitindo o exame de revisão da causa decidida em primeira instância. No caso, a motivação pela exclusão dos consectários legais foi pela inexistência de base legal. Não havia previsão legal de exigência por ocasião do fato gerador. Ainda, na linha adotada pela decisão recorrida, é possível alegar ter havido “prequestionamento implícito” já na fase de impugnação, implícito eis que a contribuinte se insurgiu contra o lançamento como um todo. Por via reflexa, se o lançamento é “inválido por supostos vícios no arbitramento” contestado também os consectários legais. Afasto portanto a ocorrência da figura da preclusão, a exemplo do ocorrido pela decisão recorrida. De fato, como exposto, a cobrança dos juros e multa moratórios não tem qualquer base legal na situação sob exame, visto que essas exigências não estavam previstas em lei no momento de ocorrência do fato gerador. Observase que o art. 61, § 2o (multa de mora) e § 3o (juros de mora), da Lei no 9.430/96, dizem respeito tãosomente aos débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela SRF, conforme rezam os citados dispositivos, não se aplicando à exigência de direitos antidumping, gravame de natureza não tributária. A exigência de multa e juros moratórios somente veio a fazer parte do ordenamento jurídico concernente à legislação antidumping a partir de 30/10/2003, data em que foi publicada a Medida Provisória no 135/2003, que em seu art. 63 dispôs, verbis: Fl. 9DF CARF MF Impresso em 28/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 10 “Art. 63. Os arts. 7o e 8o da Lei no 9.019, de 30 de março de 1995, passam a vigorar com a seguinte redação: "Art. 7o ............................................................................................... § 2o Os direitos antidumping e os direitos compensatórios são devidos na data do registro da declaração de importação. § 3o A falta de recolhimento de direitos antidumping ou de direitos compensatórios na data prevista no § 2o acarretará, sobre o valor não recolhido: I no caso de pagamento espontâneo, após o desembaraço aduaneiro: a) a incidência de multa de mora, calculada à taxa de 0,33% (trinta e três centésimos por cento), por dia de atraso, a partir do 1o (primeiro) dia subseqüente ao do registro da declaração de importação até o dia em que ocorrer o seu pagamento, limitada a 20% (vinte por cento); e b) a incidência de juros de mora calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, a partir do 1o (primeiro) dia do mês subseqüente ao do registro da declaração de importação até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de 1% (um por cento) no mês do pagamento; II no caso de exigência de ofício, de multa de setenta e cinco por cento e dos juros de mora previstos na alínea "b" do inciso I deste parágrafo. (destaquei) (...)” Destarte, os acréscimos legais instituídos por lei para as situações de mora no pagamento dos direitos antidumping, passaram a viger apenas em 30/10/2003, com a publicação do art. 63 da Medida Provisória no 135/20031, decorrendo daí que a exigência dos acréscimos formalizados no auto de infração, com tipificação diversa e referentes a fatos geradores ocorridos em 1996 e em 1997, fere o princípio da legalidade, por inexistência de comando próprio que permitisse a cobrança dos juros de mora e da multa de mora relativamente às importações referidas nesse período.” Há que se considerar que, o registro das declarações de importação em análise se deu em 04/04/2003 ( DI 03/02816709), ainda não vigia a nova redação do § 3º, I e II, do art. 7º da Lei nº 9.019, de 30 de março de 1995, que somente foi acrescido pela Medida Provisória nº 135, que entrou em vigor no dia 30/10/2003. Nesse diapasão, revelase que a multa de ofício e os juros de mora exigidos padecem de ausência de fundamentação legal, (homenagem ao princípio da irretroatividade dogmatizado nos arts. 105 e 144 do Código Tributário Nacional) não havendo que se falar em contrariedade à lei. 1 Convertido no art. 79 da Lei no 10.833, de 29/12/2003. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 28/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10909.003039/200360 Acórdão n.º 930301.174 CSRFT3 Fl. 187 11 CONCLUSÃO: Diante do acima exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional. É como voto. Maria Teresa Martínez López Fl. 11DF CARF MF Impresso em 28/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10711.723806/2012-59
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 27/11/2007 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA. Somente cabe conhecer Recurso de Ofício de decisão da DRJ cujo valor do crédito tributário seja superior a R$ 2.500.000,00. ESFERA JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda Nacional, com o mesmo objeto do auto de infração, configura renúncia às instâncias administrativas no tocante a mesma matéria.
Numero da decisão: 3402-004.765
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício e não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Carlos Augusto Daniel Neto
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VALOR DE ALÇADA. Somente cabe conhecer Recurso de Ofício de decisão da DRJ cujo valor do crédito tributário seja superior a R$ 2.500.000,00. ESFERA JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda Nacional, com o mesmo objeto do auto de infração, configura renúncia às instâncias administrativas no tocante a mesma matéria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício e não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 72 38 06 /2 01 2- 59 Fl. 158DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0618.15173.HVOX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Relatório Trata o presente processo de auto de autos de infração lavrados para a cobrança de Imposto de Importação, CofinsImportação e Pis/PasepImportação considerados devidos em face do registro da Declaração de Importação nº 07/16472001, em 27/11/2007, referente à nacionalização de um pórtico de contêineres, classificado no posição tarifária da NCM 8426.49.90. Pretendeu a autuada que a operação fosse cursada no Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária (REPORTO), a qual se sujeita ao exame de similaridade para fins de emissão da Licença de Importação emitida pelo DECEX. Relata a auditoria fiscal que foi efetuado o desembaraço aduaneiro em cumprimento à tutela antecipada deferida pelo Juízo da 3º Vara Federal da Seção Judiciária do Estado do Rio de Janeiro, nos autos da Ação Ordinária nº 2007.51.01.0285950. Informa, ainda, que o lançamento foi efetuado visando a prevenir o respectivo crédito tributário dos efeitos da decadência, estando suspensa a sua exigibilidade, por força do disposto no artigo 151, incisos II e IV do CTN. Cientificada, a autuada apresentou Impugnação na qual aduz, em síntese: Comunica que é beneficiária do Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária (REPORTO), conforme ADE nº 01/2005, da Alfândega do Porto do Rio de Janeiro. Aduz que, somente no caso do Imposto de Importação, a referida suspensão fica condicionada à inexistência de similar nacional. Para os demais tributos, a suspensão depende somente de o equipamento ter sido adquirido por beneficiário do REPORTO e ser destinado ao Ativo Imobilizado do operador portuário para utilização na carga, descarga e movimentação de mercadorias. Assim, por preencher estes requisitos, devem ser cancelados os lançamentos do PIS e COFINS. Alega que, diante do atraso na análise da questão da existência de similar nacional pelo DECEX, propôs a ação judicial, na qual foi deferida a liminar transcrita. Aduz que, ante a ausência de posicionamento do Decex, não pode o fisco exigir o pagamento do Imposto de Importação, pois é condição essencial para a sua incidência a existência de similar nacional, motivo pelo qual o lançamento deve ser cancelado. A DRJ julgou parcialmente procedente a Impugnação, reconhecendo: I) Quanto à alegação de ilegalidade na cobrança do II, por inexistência de produto similar nacional, reconheceu a ocorrência de concomitância com a Ação Ordinária nº 2007.51.01.025950, na qual os pedidos da Recorrente eram: Fl. 159DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0618.15173.HVOX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10711.723806/201259 Acórdão n.º 3402004.765 S3C4T2 Fl. 3 3 II) Quanto à ilegalidade da cobrança de PISImportação e COFINS Importação, deuse provimento à impugnação. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário alegando a inocorrência de concomitância. O presente processo foi resultado do desmembramento do processo nº 10711.000146/201072, incorporando os créditos tributários relativos ao PIS e COFINS Importação, no valor total de aproximadamente R$ 1.250.000,00, sendo posteriormente apensado novamente ao processo de origem. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Recurso de Ofício Nos termos do art.1º da Portaria MF nº 63/2017 "O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais)." Conforme extratos do processo de fls. 135 e 136, o valor do crédito tributário objeto do presente Recurso de Ofício é inferior ao valor de alçada (aproximadamente R$ 1.250.000,00), não devendo ser conhecido. Ante o exposto, voto por NÃO CONHECER do presente Recurso de Ofício. Recurso Voluntário O Recurso Voluntário é tempestivo. Fl. 160DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0618.15173.HVOX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 Do exame da Lei nº 11.033/2004, especificamente seus arts. 13 a 16, com a regulamentação dada pelo Decreto nº 5.281/2004, podemos concluir que o legislador delimitou as condições para a aplicação do benefício fiscal da suspensão do pagamento dos tributos, que, ao final de cinco anos, se converteria numa isenção fiscal, no caso do Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos IndustrializadosVinculado, e, em alíquota zero (0%), no caso do Pis/Pasep e CofinsImportação, quais sejam: I) os bens devem ser adquiridos ou importados diretamente pelos beneficiários do Reporto; II) os bens devem ser destinados ao seu ativo imobilizado, para utilização exclusiva em portos na execução de serviços de carga, descarga e movimentação de mercadorias; e, III) no caso do Imposto de Importação, a suspensão somente será aplicada ao bem que não possua similar nacional. No caso em concreto, não há controvérsia de que a empresa importadora dos bens é beneficiária do Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária (REPORTO), conforme o ADE nº 01/2005, da Alfândega do Porto do Rio de Janeiro. Também não há notícia nos autos de que os bens estejam sendo utilizados em desacordo com a previsão legal acima transcrita. Replico abaixo trecho da decisão recorrida, como fundamento da minha decisão, com fulcro no art. 50, §1º da Lei nº 9.784/99: Quanto ao Imposto de Importação, como visto acima, existe ainda outra condição para a sua suspensão, a de que não exista similar nacional para o bem importado sob amparo do Reporto. E, conforme a Portaria SECEX nº 35/2006, em seu art. 27, o exame de similaridade deve ser realizado pelo Decex. No caso vertente, verifico que o contribuinte ingressou com a Ação Ordinária n.º 2007.51.01.0285950, em trâmite na 3ª Vara Federal da Seção Judiciária do Estado do Rio de Janeiro, com pedido de antecipação dos efeitos da tutela para determinar o desembaraço aduaneiro de um portainer importado pela autora retido no Porto pelo não recolhimento do Imposto de Importação ou comprovação, mediante declaração do DECEX, de inexistência de similar nacional. Ofereceu o bem como garantia do Imposto de Importação, cuja suspensão da exigibilidade é objeto daquele litígio judicial. Assim, constatado que existe concomitância entre a questão colocada para a apreciação administrativa e aquela levada ao escrutínio do Poder Judiciário, concluo que esta autoridade julgadora deve se eximir do exame dos argumentos suscitados. Pois a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto, devendo ser proferida decisão declaratória da definitividade da exigência discutida, conforme dispõe o Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, em seu art. 62: Art.62.A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, importa renúncia às instâncias administrativas. Fl. 161DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0618.15173.HVOX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10711.723806/201259 Acórdão n.º 3402004.765 S3C4T2 Fl. 4 5 Parágrafo único.O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada. Na esteira dos dispositivos citados, o Ato Declaratório Normativo nº 3, de 14 de fevereiro de 1996, da CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação (COSIT) determinou que a autoridade dirigente do órgão onde se encontra o processo não conhecerá de eventual petição do contribuinte, proferindo decisão formal declaratória da definitividade da exigência discutida: a) a propositura pelo contribuinte, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa em renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto; b) conseqüentemente, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada (p.ex., aspectos formais do lançamento, base de cálculo etc.); c) no caso da letra “a”, a autoridade dirigente do órgão onde se encontra o processo não conhecerá de eventual petição o contribuinte, proferindo decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, se for o caso, encaminhando o processo para cobrança do débito, ressalvada a eventual aplicação do disposto no artigo 149 do CTN; d) na hipótese da alínea anterior, não se verificando a ressalva ali contida, procederseá a inscrição em dívida ativa, deixandose de fazêlo, para aguardar o pronunciamento judicial, somente quando demonstrada a ocorrência do disposto nos incisos II (depósito do montante integral do débito) ou IV (concessão de medida liminar em mandado de segurança) do art. 151 do CTN; e) é irrelevante, na espécie, que o processo tenha sido extinto, no Judiciário, sem julgamento do mérito (art. 267 do CPC).” No mesmo sentido, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais –CARF, publicou, no DOU de 22/12/2009, a Súmula nº 01, conforme abaixo: Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. A conclusão da regra em referência tem natureza legal e lógica porque a decisão do Poder Judiciário se sobrepõe à decisão administrativa. A via judicial é uma opção adotada pela contribuinte no seu livre exercício de escolha. Nesse sentido, o artigo 5º, inciso XXXV, da Constituição Federal de 1988, declara que “a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito”. O ordenamento jurídico brasileiro não alberga o instituto da dualidade de jurisdição, não podendo haver, sob nenhuma hipótese, a sobreposição da decisão administrativa à sentença judicial como direito público subjetivo. E, finalmente, cumpre esclarecer que, bem ao contrário do que aduz a impugnante, justamente ante a ausência de declaração do Decex acerca da inexistência de similar nacional, deve o fisco exigir o pagamento do Imposto de Importação, pois, então, não estariam satisfeitas as condições para a suspensão do Fl. 162DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0618.15173.HVOX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 Imposto de Importação, prevista no Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária. Não compete ao fisco provar a existência de similar nacional, mas à contribuinte provar exatamente o contrário, motivo pelo qual o lançamento pode ser efetuado e mantido enquanto não satisfeita esta condição, especialmente ao se considerar que o presente crédito tributário foi feito com o intuito de prevenir a decadência, ante a pendência judicial. Basta que se analise as fls. 9293 do processo, onde constam os pedidos feitos na ação judicial movida pela Recorrente, para que se verifique que a mesma se insurge contra a cobrança do Imposto de Importação, pelo mesmo motivo que alega administrativamente, qual seja, a inexistência de produto similar fabricado no Brasil: Desse modo, não restam dúvidas quanto à ocorrência de concomitância, não devendo o presente Recurso Voluntário ser conhecido, com fundamento na Súmula CARF nº 01. Ante o exposto, voto por NÃO CONHECER do presente Recurso Voluntário. Dispositivo Diante das considerações esposadas acima, voto pelo não conhecimento do recurso de ofício e do recurso voluntário. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 163DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0618.15173.HVOX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10711.723806/201259 Acórdão n.º 3402004.765 S3C4T2 Fl. 5 7 Fl. 164DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0618.15173.HVOX. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO em 02/11/2017 09:05:00. Documento autenticado digitalmente por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO em 02/11/2017. Documento assinado digitalmente por: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE em 03/11/2017 e CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO em 02/11/2017. Esta cópia / impressão foi realizada por VALERIA JOSE VIEIRA DA COSTA em 05/06/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP05.0618.15173.HVOX Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha2: DC78699B9FA7A53E3861A422156E94F8EECB66BFEE19193D04C2D3CEF92ECEBD Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10711.000146/2010-72. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10850.902228/2013-10
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.517
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado). Relatório Tratase de Pedido de Compensação de crédito contribuição não foi homologada por despacho decisório eletrônico, vez que o DARF teria sido integralmente utilizado para quitar débitos próprios. Inconformada, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pelo Acórdão da DRJ nº 14060.780. Intimado desta decisão, apresentou o Recurso Voluntário ora em apreço, tempestivamente, alegando, em síntese: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 02 22 8/ 20 13 -1 0 Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10850.902228/201310 Resolução nº 3402001.517 S3C4T2 Fl. 101 2 (i) a ausência de retificação da DCTF não prejudica a validade do crédito do contribuinte, respaldado na indevida extensão do conceito de receita bruta da Lei n.º 9.718/98; (ii) que as provas anexadas pela Recorrente seriam suficientes para respaldar o crédito pleiteado, baseado nas receitas financeiras indicadas no balanço (contribuinte anexou planilha de cálculo, balancete e livro razão à Manifestação de Inconformidade). Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho para julgamento. É o relatório. Resolução Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido n Resolução 3402001.505 de 28 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10850.901549/201399, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.505): "O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. Contudo, o processo não se encontra suficientemente instruído para julgamento, razão pela qual proponho sua conversão em diligência nos termos a seguir. Em sua defesa, a Recorrente indica que os créditos seriam referentes à extensão inconstitucional da base de cálculo da COFINS Cumulativa pelo art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/98, especificamente quanto ao período de apuração de 10/2003. Como bem apontado pela r. decisão recorrida, "a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins, implementada pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, é inconstitucional e deve ser afastada também no âmbito administrativo." No presente caso, a Recorrente apresentou aos autos parte dos documentos contábeis que aduzem o pagamento a maior de COFINS sobre as parcelas que fugiriam ao conceito de faturamento, por não corresponder “à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços”1. Uma vez que o contribuinte trouxe documentos que sugerem a existência do crédito, entendo pela necessidade da conversão do processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem oportunize à Recorrente a apresentação de documentos e informações adicionais que podem confirmar sua validade, dentre os quais cópia dos documentos contábeis e da memória de cálculo da COFINS paga e 1 BRASIL. STF. RE 346084, Relator Ministro Ilmar Galvão, Relator para o acórdão Ministro Marco Aurélio, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, publicado em 01/09/2006. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10850.902228/201310 Resolução nº 3402001.517 S3C4T2 Fl. 102 3 devida no período. Com base nesses documentos e outros que entender pertinente, a autoridade fiscal terá elementos para elaborar relatório fiscal avaliando a existência e validade do crédito pleiteado, com fulcro no conceito de faturamento aceito pelo Supremo Tribunal Federal (receita da venda de mercadorias, da prestação de serviços ou da combinação de ambos). Importante salientar que não está claro nos autos como o contribuinte aproveitou o crédito e qual seria o saldo remanescente do crédito efetivamente passível de aproveitamento na DCOMP objeto do presente processo, sendo crucial que se esclareça quais DCOMPs e quais processos administrativos estariam relacionados ao mesmo crédito. Diante dessas considerações, à luz do art. 29 do Decreto n.º 70.235/722, proponho a conversão do presente processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem (Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto/SP): (i) intime a Recorrente para: (i.1) apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar a composição da base de cálculo da COFINS Cumulativa do período (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes); (i.2) informar como procedeu com o aproveitamento do crédito da COFINS Cumulativa do processo, informando os pedidos de compensação/restituição transmitidos em relação a este crédito, qual o valor do crédito aproveitado em cada pedido, quais os processos administrativos correspondentes e o status atual dos processos. (ii) elaborar relatório fiscal considerando os documentos e informações apresentados: (ii.1) com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, com fulcro no conceito de faturamento aceito pelo Supremo Tribunal Federal (receita da venda de mercadorias, da prestação de serviços ou da combinação de ambos), de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido; (ii.2) apurar, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo da COFINS Cumulativa ao qual a Recorrente tem direito em razão da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição pelo art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/98. Caso seja reconhecido um valor de crédito passível de compensação, 2 "Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10850.902228/201310 Resolução nº 3402001.517 S3C4T2 Fl. 103 4 informar qual o montante creditício que poderá ser aproveitado pela Recorrente no presente processo, considerando os demais processos por ela apresentados relacionados ao mesmo crédito. Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o presente processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem (Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto/SP): (i) intime a Recorrente para: (i.1) apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar a composição da base de cálculo da COFINS Cumulativa do período (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes); (i.2) informar como procedeu com o aproveitamento do crédito da COFINS Cumulativa do processo, informando os pedidos de compensação/restituição transmitidos em relação a este crédito, qual o valor do crédito aproveitado em cada pedido, quais os processos administrativos correspondentes e o status atual dos processos. (ii) elaborar relatório fiscal considerando os documentos e informações apresentados: (ii.1) com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, com fulcro no conceito de faturamento aceito pelo Supremo Tribunal Federal (receita da venda de mercadorias, da prestação de serviços ou da combinação de ambos), de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido; (ii.2) apurar, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo da COFINS Cumulativa ao qual a Recorrente tem direito em razão da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição pelo Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10850.902228/201310 Resolução nº 3402001.517 S3C4T2 Fl. 104 5 art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/98. Caso seja reconhecido um valor de crédito passível de compensação, informar qual o montante creditício que poderá ser aproveitado pela Recorrente no presente processo, considerando os demais processos por ela apresentados relacionados ao mesmo crédito. Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra . Fl. 113DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.015483/00-24
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO — OMISSÃO — SEMESTRALIDADE - Embargos conhecidos e acolhidos para sanar omissão de julgado, relativa à semestralidade da Contribuição para o PASEP, com espeque no Decreto n° 71.618/72, que regulamentou essa exação, em face dos efeitos
ex tune decorrentes da Resolução n° 49/95 do Senado Federal.
Embargos acolhidos
Numero da decisão: 203-09.238
Decisão: DECIDEM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para retificar o Acórdão n° 203-09.238, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva
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MINISTERIO DA FAZENDA, Segundo Conselho de Contribuintes t I Publicado no Diário Oficial da União ••• e"--;.- Ministério da Fazenda De 21 I Pb laleszr, r CC-MF rfarls? Fl. rs'4_,-4f4W' Segundo Conselho de Contribuintes EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO ACÓRDÃO N 9 2(3-09.238 Processo irg : 10880.015483/00-24 Recurso n2 : 122.860 Embargante : CIA. DO METROPOLITANO DE SÃO PAULO - METRÔ Embargada : Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes EMBARGOS DE DECLARAÇÃO — OMISSÃO — SEMESTRALIDADE - Embargos conhecidos e acolhidos para sanar omissão de julgado, relativa à semestralidade da Contribuição para o PASEP, com espeque no Decreto n° 71.618/72, que regulamentou essa exação, em face dos efeitos ex tune decorrentes da Resolução n° 49/95 do Senado Federal. Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes embargos de declaração interpostos por: CIA. DO METROPOLITANO DE SÃO PAULO — METRO. DECIDEM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para retificar o Acórdão n° 203-09.238, nos termos do voto do Relator. Sala das Sessões, em 01 de dezembro de 2003a. Otacilio Dan .s Cartaxo Presidente Fran • • • aun R. - s • uer.' I. Silva R • : Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Maria Cristina Reza da Costa, César Piantavigna, Valmar Fonsêca de Menezes, Maria Teresa Martinez López, Luciana Pato Peçanha Martins e Mauro Wasilewski. Imp/cf/ovrs 1 CC-NIF Ministério da Fazenda Fl. Segundo Conselho de Contribuintes EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO ACÓRDÃO NI°- 203-09.238 Processo n9 : 10880.015483/00-24 Recurso n9 : 122.860 Embargante : CIA. DO METROPOLITANO DE SÃO PAULO — METRÔ RELATÓRIO Trata-se de embargos de declaração interpostos com o fito de corrigir omissão de ponto articulado no pedido de restituição e no Recurso Voluntário sobre o qual deveria pronunciar-se a Câmara. Alega a Embargante que a decisão quanto ao recolhimento da Contribuição para o PASEP veio sem considerar que as bases de cálculo correspondentes às receitas e transferências deveriam ser apuradas com fundamento na semestralidade estabelecida no art. 14 do Decreto n°71618/72, que preleciona: "Art. 14. A contribuição ao PASEP será calculada, em cada mês, com base na receita e nas transferências apuradas no 60 (sexto) mês imediatamente anterior. Em face is exposto, requer o saneamento da omissão com o proferimento de outro julgamento dotado de eitos modificativos. É o relatório 2 . ,. 22 CC-MF ••• 're'-',.7 Ministério da Fazenda 92::.-r.-..1‘.• 1 Fl. tri. ."..., . Segundo Conselho de Contribuintes ...;.X1/4:2C.• h--, -. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO ACÓRDÃO N9 203-09.238 Processo n2 : 10880.015483/00-24 Recurso o' : 122.860 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR FRANCISCO MAURÍCIO R. DE ALBUQUERQUE SILVA A Embargante deu-se por intimada do resultado do julgamento do Recurso Voluntário com a oposição dos Embargos de Declaração, sendo tempestivo e articulado por quem de direito, portanto, dotado dos requisitos de admissibilidade, o que me faz dele conhecer. De fato, verifico que o Recurso Voluntário, às fls. 771 e 772, contempla fundamentações e requerimento acerca da base de cálculo da Contribuição para o PASEP como sendo a receita e transferências apuradas no 60 mês anterior, com estribo no art. 14 do Decreto n° 71.618/72, que regulamentou a Lei Complementar n° 8/70. Do mesmo modo inserido esse aspecto às fl. 736 e 739 da impugnação, caracterizando o necessário prequestionamento. Assim, com razão a Embargante, posto que foi por mim omitido no julgamento do Recurso Voluntário o enfrentamento do pedido alternativo de reconhecer o direito da Recorrente ao ressarcimento dos valores pagos a maior, levando em consideração a semestralidade, a titulo de contribuição ao fundo do PIS/PASEP. Diante do exposto, acolho os embargos opostos para admitir efeitos modificativos ao julgado na Sessão de 15 de outubro de 2003, incluindo o aspecto omitido, relativo à admissão da semestralidade das bases de cálculo relativamente às receitas e transferências nas atividades da Embargante sem correção monetária, até fevereiro de 1996, com fundamento no art. 14 do Decreto n° 7 .618/72, que regulamentou a Lei Complementar n° 8/70. Essa admissão repousa no fato conc o de que os Decretos-Leis n's 2.445 e 2.449, ambos de 1988, foram expelidos do mundo ji4rídico com efeitos "ex tu c", portanto, vigindo a Lei Complementar n° 8/70, sem interrupç . i / Sala das Sessões, erri 01 de dez- bro de 2003/ r „ ___ FRANCI • i 4 ± 4! .g ._ e • I IQ 1 RQUE SILVA 3
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Numero do processo: 10314.000200/99-78
Data da sessão: Wed Jul 08 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Data do fato gerador: 09/06/1998
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ART. 166 DO CTN. INAPLICABILIDADE.
0 Imposto de Importação não se constitui tributo que, por sua natureza, comporta transferência do respectivo encargo financeiro. 0 sujeito passivo do Imposto de Importação não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter
direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-000.105
Decisão: ACORDAM os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos em NEGAR provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencida a Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando
Matéria: II/IE/IPI- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II Data do fato gerador: 09/06/1998 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ART. 166 DO CTN. INAPLICABILIDADE. 0 Imposto de Importação não se constitui tributo que, por sua natureza, comporta transferência do respectivo encargo financeiro. 0 sujeito passivo do Imposto de Importação não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido. Recurso Especial do Procurador Negado.
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Numero do processo: 13971.002109/2003-05
Data da sessão: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Data do fato gerador: 30/06/1998, 30/09/1998, 31/12/1998
ALTERAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DO LANÇAMENTO. EFEITOS. LIMITAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
A eventual alteração dos fundamentos do lançamento por parte da autoridade julgadora só pode contribuir para a decretação da sua nulidade na situação em que o crédito tributário constituído só subsiste em razão dessa modificação.
Não obstante, no caso vertente, em que não se identifica divergência entre os fundamentos utilizados pela autoridade julgadora de primeira instância e os considerados pelas autoridades autuantes, não há que se falar em inovação e,
muito menos, em nulidade dos feitos fiscais.
AÇÃO JUDICIAL. COISA JULGADA. COMPENSAÇÃO. VINCULAÇÃO
A decisão definitiva em ação judicial produz efeitos nos estritos termos em
que foi passada. Estando a compensação lastreada em ação judicial, o ali
decidido deve ser obedecido em todo o seu teor, não havendo margem para
aplicação parcial da decisão.
MULTA DE OFÍCIO. PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
No julgamento dos processos de auditoria de DCTF, cujo crédito tributário tenha sido constituído sob a égide art. 90 da MP no 2.15835, as multas de ofício exigidas juntamente com as diferenças lançadas devem ser exoneradas pela aplicação retroativa do caput do art. 18 da Lei no 10.833, de 2003, em razão de lei nova deixar de caracterizar o fato como hipótese para aplicação de multa de ofício. Subsiste nestes casos apenas a multa de mora.
Numero da decisão: 1803-000.936
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Walter Adolfo Maresch
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/06/1998, 30/09/1998, 31/12/1998 ALTERAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DO LANÇAMENTO. EFEITOS. LIMITAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A eventual alteração dos fundamentos do lançamento por parte da autoridade julgadora só pode contribuir para a decretação da sua nulidade na situação em que o crédito tributário constituído só subsiste em razão dessa modificação. Não obstante, no caso vertente, em que não se identifica divergência entre os fundamentos utilizados pela autoridade julgadora de primeira instância e os considerados pelas autoridades autuantes, não há que se falar em inovação e, muito menos, em nulidade dos feitos fiscais. AÇÃO JUDICIAL. COISA JULGADA. COMPENSAÇÃO. VINCULAÇÃO A decisão definitiva em ação judicial produz efeitos nos estritos termos em que foi passada. Estando a compensação lastreada em ação judicial, o ali decidido deve ser obedecido em todo o seu teor, não havendo margem para aplicação parcial da decisão. MULTA DE OFÍCIO. PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. No julgamento dos processos de auditoria de DCTF, cujo crédito tributário tenha sido constituído sob a égide art. 90 da MP no 2.15835, as multas de ofício exigidas juntamente com as diferenças lançadas devem ser exoneradas pela aplicação retroativa do caput do art. 18 da Lei no 10.833, de 2003, em razão de lei nova deixar de caracterizar o fato como hipótese para aplicação de multa de ofício. Subsiste nestes casos apenas a multa de mora.
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EFEITOS. LIMITAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A eventual alteração dos fundamentos do lançamento por parte da autoridade julgadora só pode contribuir para a decretação da sua nulidade na situação em que o crédito tributário constituído só subsiste em razão dessa modificação. Não obstante, no caso vertente, em que não se identifica divergência entre os fundamentos utilizados pela autoridade julgadora de primeira instância e os considerados pelas autoridades autuantes, não há que se falar em inovação e, muito menos, em nulidade dos feitos fiscais. AÇÃO JUDICIAL. COISA JULGADA. COMPENSAÇÃO. VINCULAÇÃO A decisão definitiva em ação judicial produz efeitos nos estritos termos em que foi passada. Estando a compensação lastreada em ação judicial, o ali decidido deve ser obedecido em todo o seu teor, não havendo margem para aplicação parcial da decisão. MULTA DE OFÍCIO. PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. No julgamento dos processos de auditoria de DCTF, cujo crédito tributário tenha sido constituído sob a égide art. 90 da MP no 2.15835, as multas de ofício exigidas juntamente com as diferenças lançadas devem ser exoneradas pela aplicação retroativa do caput do art. 18 da Lei no 10.833, de 2003, em razão de lei nova deixar de caracterizar o fato como hipótese para aplicação de multa de ofício. Subsiste nestes casos apenas a multa de mora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 222DF CARF MF Emitido em 31/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/07/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 31/07/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 26/07/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 13971.002109/200305 Acórdão n.º 180300.936 S1TE03 Fl. 209 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira De Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Marcelo de Assis Guerra e Victor Humberto da Silva Maizman. Relatório WILRICH & CIA LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ FLORIANÓPOLIS (SC), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. Em procedimento fiscal de auditoria interna das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF do ano calendário de 1998, contra a sociedade empresária acima identificada foi emitido, em 17 de junho de 2003, o Auto de Infração nº 2.358 (f. 21 e 22, e anexos) por falta de pagamento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, relativo ao segundo, ao terceiro e ao quarto trimestres (meses de abril, julho e outubro) de 1998, conforme demonstrativos anexos ao Auto de Infração. Os valores lançados por meio do referido Auto de Infração, de acordo com o que consta em seu item 4, são os seguintes: Imposto (Anexo III — Demonstrativo do Crédito Tributário a Pagar) R$ 48.059,92; Multa de Oficio (Passível de Redução) R$ 36.044,94; Juros de Mora (cálculos válidos até 30/06/2003) R$ 43.109,73 TOTAL R$ 127.214,59. Inconformada com o lançamento, a contribuinte interpôs, em 20 de agosto de 2003, impugnação às fls. 1 a 7 (e anexos), em que alega: 1. DOS FATOS [...]2. PRELIMINARMENTE 2.1 DOS REQUISITOS À VALIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO: Neste subitem, a nulidade do Auto de Infração, pelo descumprimento em sua emissão de requisitos de validade, previstos no art. 10 do Decreto n.° 70.235, de 6 de março de 1972, que enumera: Fl. 223DF CARF MF Emitido em 31/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/07/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 31/07/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 26/07/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 13971.002109/200305 Acórdão n.º 180300.936 S1TE03 Fl. 210 3 2.1.1 DA EXIGÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO SER LAVRADO POR SERVIDOR COMPETENTE: emissão automática, pelo sistema informatizado da Receita Federal de São Paulo/SP, em que o Delegado da Receita Federal "[...] nem chega a verificar a regularidade do auto de infração, só toma ciência da sua existência no momento em que o contribuinte realiza sua defesa administrativa."; 2.1.2 DA HORA: falta de menção da hora da sua confecção; 2.1.3 DA DESCRIÇÃO DO FATO: falta de descrição detalhada da infração; 2.1.4 DA ASSINATURA DO AUTUANTE: falta de assinatura de próprio punho do emitente. 3. DO MÉRITO 3.1 DA EXTINÇÃO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA: Cabe salientar que, no campo de descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração n. 0002358, consta como argumento à autuação a "falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata". Contudo, referidos valores foram quitados através do instituto da compensação, conforme demonstra a DCTF anexa. É que a impugnante, em face da conhecida inconstitucionalidade das majorações da contribuição ao FINSOCL4L, ajuizou a ação ordinária n. 98.20040973, cuja decisão reconheceulhe o direito à compensação. Diante da propositura da ação judicial, bem como da decisão favorável, a impugnante efetuou os lançamentos na sua contabilidade, declarando tais procedimentos nas correspondentes DCTF's, abatendo do valor devido a título de CSLL, os créditos resultantes da ação judicial n. 98.20040973, nos moldes do art. 156, II, do Código Tributário Nacional, encontrandose, portanto, extinto o crédito tributário. Senão vejamos: "Art. 156. [..]" Ademais, a Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal nº. 210/2002, em seu art. 21, disciplina que "o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela SRF, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vendidos [Sic] ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da SRF". Destarte, tendo a autora efetuado a compensação do valor devido a título de CSLL nos meses de abril, julho e outubro de 1998, com créditos decorrentes da ação judicial n. 98.2004097 3, extinto encontrase o crédito tributário. Requer o cancelamento do Auto de Infração por não preencher os requisitos à sua validade e, sucessivamente, seu cancelamento Fl. 224DF CARF MF Emitido em 31/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/07/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 31/07/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 26/07/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 13971.002109/200305 Acórdão n.º 180300.936 S1TE03 Fl. 211 4 à vista da extinção do crédito tributário pela compensação realizada. À f. 57, consta o seguinte despacho, de 9 de maio de 2005, da Agência da Receita Federal do Brasil em Brusque SC: Tratase de débitos de IRPJ compensados pela contribuinte com créditos decorrentes de pagamento a maior de FINSOCIAL. A compensação não foi homologada. Ver, a propósito, o processo nº 19994.000026/9953. Encaminhese, pois, este processo à DRF/BLU/SACATEQPAJ SC, juntamente com o processo mencionado no parágrafo anterior, para as providências cabíveis. À f. 58, manifestação da impugnante, de 17 de abril de 2006, nos seguintes termos: Willrich Cia. Ltda. em atenção ao termo de comunicação n 2 577522024, datado de 01/04/2006, referente ao Auto de Infração de nº 2358, para informar que protocolou, tempestivamente, sua impugnação ao referido auto de infração em data de 20 de agosto de 2003 (cópia em anexo), que se encontra pendente de julgamento. Assim, requer seja desconsiderado o presente termo de comunicação até decisão final do processo administrativo em que se impugna o Auto de Infração n° 2361. Às f. 125 e 126, relatório do trabalho realizado pela EQPAJ — Sacat, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau — SC, datado em 11 de fevereiro de 2005, no autos do já referido processo administrativo fiscal nº 19994.000026/9953, que assim diz: O processo em epígrafe referese a Ação Ordinária nº 98.20040973, fls. 02 a 12, onde as autoras objetivam a compensação/restituição dos valores recolhidos indevidamente a título de F1NSOCL4L, em razão da inconstitucionalidade das majorações de sua alíquota, com parcelas vencida e vincendas da COF1NS, do IRPJ, da CSLL e do PIS. A sentença de 1º grau, prolatada em 21/10/99, julgou procedente o pleito do contribuinte, reconheceu o direito das autoras de compensar os valores recolhidos a maior a título de FINSOCIAL com valores vincendos da COFINS, do IRPJ, da CSLL e do PIS, fls. 26 a 31. Procuradoria Geral da Fazenda Nacional recorreu da sentença de primeiro grau ao Tribunal Regional Federal da 4" Região, fls. 32 a 40. A Primeira Turma do Tribunal Regional Federal da 4" Região, por unanimidade deu parcial provimento à remessa oficial e ao apelo da união e negou provimento ao recurso das autoras nos termos do relatório, reconhecendo o direito das autoras Fl. 225DF CARF MF Emitido em 31/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/07/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 31/07/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 26/07/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 13971.002109/200305 Acórdão n.º 180300.936 S1TE03 Fl. 212 5 compensarem os valores recolhidos indevidamente a título de FINSOCIAL com parcelas vincendas da COF1NS conforme acórdão publicado fls. 47. Verificouse a baixa definitiva com trânsito em julgado fls. 49. A autora WILLRICH & CIA. LTDA. CNPJ nº 82.984.170/0001 12, apresentou darfs de pagamento e base de cálculo do FINSOCIAL do período 09/89 a 03/92, fls. 54 a 98 e, relatório das compensações efetuadas da COFINS, do IRPJ, da CSLL e, do PIS, 99 a 101. Conforme decisão Judicial, foram efetuadas as compensações, de valores pagos a maior do FINSOCL4L, com parcelas vincendas da COF1NS, fls. 126 a 182. Foram levantados os créditos do F1NSOCIAL no sistema CTSJ fls. 126 a 157, efetuado o trabalho de compensação no sistema CTSJ dos débitos da COF1NS fls. 158 com os créditos oriundos do F1NSOCIAL fls. 142 a 157, verificouse que os valores pagos a maior a título de FINSOCL4L extinguiram todos o débitos da COFINS compensados conforme Demonstrativo Resumo das Vinculaçães Auditadas, fls. 159 a 163, existindo ainda saldo de pagamentos, fls. 181 e 182, saldos estes atualizados pelo Sistema de Apoio Operacional (SAPO) fls. 183 e 184, totalizando R$ 3.378,08 (...). Considerando o acima exposto proponho o envio do processo em epígrafe a ARF/BRUSQUE: Para dar ciência à autora Willrich & Cia. Ltda. de que os débitos da COFINS compensados foram homologados e pedido baixa dos que estavam inscritos em dívida ativa da União referente ao período 01 e 02/1999, e que existe um saldo de FINSOCL4L, fls. 121 e 122 o qual poderá ser pedido restituição ou compensação com débitos da COFINS; Que os débitos da CSLL, do IRPJ e do PIS compensados indevidamente seguirão em cobrança, pois a decisão judicial não autorizou tal compensação. À f. 127, cópia da Intimação 2/05, de 28 de fevereiro de 2005, feita nos autos do processo administrativo fiscal nº 19994.000026/9953: Dáse ciência à interessada: a) da homologação da compensação dos débitos da COFINS; b) da solicitação do cancelamento da inscrição em Dívida Ativa dos débitos da COFINS de 01 e 02/99; c) da existência de saldo de FINSOCL4L (demonstrativos anexos), que pode ser restituído ou compensado com débitos da COFINS; e d) do prosseguimento na cobrança dos débitos de CSLL, IRPJ e PIS, já que a decisão judicial não autorizou essa compensação. À f. 132, resultado da Revisão do Lançamento, que faz menção aos demonstrativos de f. 128 a 131, cujo resumo à f. 131 dá conta de que o valor exigido a título de IRPJ no Auto de Infração Fl. 226DF CARF MF Emitido em 31/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/07/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 31/07/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 26/07/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 13971.002109/200305 Acórdão n.º 180300.936 S1TE03 Fl. 213 6 impugnado foi revisto com redução do valor original em R$ 6.639,15, como segue: Valor orig.lançado Valor O. Exonerado. Valor orig. Mantido R$ 48.059,92 R$ 3.793,80 R$ 44.266,12 A Intimação nº 081/2006, de 21 de setembro de 2006 (f. 139), entregue à contribuinte em 22 de setembro de 2006 (AR à f. 140) contém os seguintes dizeres: Segue, em anexo, para ciência, cópia do despacho referente à revisão de lançamento efetuada no processo acima. Fica o interessado intimado a recolher, dentro do prazo de 30 (trinta) dias, contados a partir do recebimento desta (data da assinatura do Aviso de Recebimento AR), o(s) débito(s) discriminado(s) em anexo a esta intimação. É facultado vista do processo, no endereço abaixo, ao interessado ou pessoa por ele legalmente autorizada. Transcorrido o prazo acima, sem que ocorra o pagamento do(s) débito(s), o processo será encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional para cobrança executiva. (o destaque não é do original). Pela petição de f. 141 e 142, a impugnante requer seja mantida suspensa a exigibilidade do crédito tributário impugnado, e a remessa da impugnação à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, "[...] para que dela tome conhecimento e profira decisão, que mesmo sendo contrária à impugnante possibilitará que a matéria seja examinada pela segunda instância administrativa, por meio de Recurso Voluntário ao Conselho de Contribuintes, [..1". Por despacho à f. 145, foram os autos encaminhados à Sacat — Seção de Controle e Acompanhamento Tributário da DRF em Blumenau — SC, para revisão de oficio, como se lê: Portanto, como o presente processo não requer procedimentos meramente operacionais (alocação de pagamentos, suspensão de débito parcelado, etc.) e sim, de natureza fiscal, existe a necessidade de encaminhamento à DRF/Blumenau/Sacat para as providências necessárias. Às f. 162 a 165, o Parecer Fiscal DRF/BLU/EAC1 nº 58/2009, de 13 de fevereiro de 2009, cuja ementa informa: "Revisão de Oficio — Auto de Infração DCTF —SIEF/FISCEL IRPJ.", de que se transcreve, por sua relevância para o deslinde do presente litígio, os trechos seguintes, das f. 163 a 165: L..1 Neste sentido, observamos com base no Demonstrativo do Crédito Tributário a Pagar, fi. 28, que pelo fato de ter a pessoa jurídica apresentado com relação aos débitos de IRPJ no 22 Trimestre de 1998, além da Declaração DCTF original, também Declaração Complementar, houve a duplicação dos valores Fl. 227DF CARF MF Emitido em 31/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/07/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 31/07/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 26/07/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 13971.002109/200305 Acórdão n.º 180300.936 S1TE03 Fl. 214 7 declarados como devidos, quando o que pretendeu realizar foi a retificação das vinculações imputadas as 3 (três) quotas do débito declarado, informando a liquidação de uma quota por pagamento e as demais vinculadas por compensação. Houve anteriormente ao lançamento, a imputação de parte do débito declarado com os valores recolhidos pelo contribuinte em 31/08/1998 (R$ 10,00) e 30/09/1998 (R$ 10,00), vinculados a quotas do imposto. E em procedimentos de revisão anterior, consta a amortização do débito pelo valor do pagamento equivalente a R$ 3.793,80, resultando desta forma, no saldo remanescente de IRPJ no 2° Trimestre de 1998, o qual corresponde a vinculação compensatória pretendida. Portanto, com a amortização dos pagamentos para pouco mais de uma quota, e vinculação compensatória dos saldos das quotas restantes do débito de IRPJ no 2° Trimestre de 1998, considerando os valores informados na DIPJ, cabe a extinção do crédito tributário correspondente ao valor duplicado do 2° Trimestre/1998 para o IRPJ, cujo montante principal lançado é igual a R$ 11.373,51. Passase neste momento, a revisão das duas quotas do débito do IRPJ no 2º Trimestre de 1998 vinculados a compensação, bem como, dos débitos do imposto para o 3º e 4º Trimestres de 1998, conforme informado via DCTF's, os quais nestes casos compreendem vinculação por modalidade compensatória envolvendo os autos judiciais nº 98.20.040973. Ocorre, que tais procedimentos envolvendo a análise compensatória dos débitos já se mostram conclusos, conforme auditoria anteriormente realizada nesta DRF/BlumenauSC, ante as peças documentais contidas às fls. 66 a 126. De acordo com a informação fiscal prestada à época fls. 125/126, pode ser observado que o mencionado processo judicial compreendendo ação ordinária, onde o interessado em questão participou como litisconsorte, objetivava a compensação/restituição dos valores recolhidos indevidamente a titulo de FINSOCIAL, em razão da inconstitucionalidade das majorações de alíquota, com parcelas vencidas e vincendas de tributos federais (COFINS, IRPJ, CSLL e PIS). Consta informado que a sentença em primeiro grau, prolatada em 22/10/1999 (extrato de consulta das fases processuais, fls. 154/156), julgou procedente o pleito do contribuinte, reconhecendo o direito das autoras de compensar os valores recolhidos a maior a titulo de FINSOCIAL com valores vincendos da COFINS, do IRPJ, da CSLL e do PIS. E com o recurso interposto pela Fazenda Nacional, julgou o TRF da 4° Região via Apelação Cível 102 2000.04.01.0221062, nos termos do Acórdão proferido em 17/10/2000 (cópia à fl. 158), pelo reconhecimento ao direito das autoras em compensarem os valores indevidamente recolhidos a titulo de FINSOCIAL, somente com parcelas vincendas da COFINS, de Fl. 228DF CARF MF Emitido em 31/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/07/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 31/07/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 26/07/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 13971.002109/200305 Acórdão n.º 180300.936 S1TE03 Fl. 215 8 acordo com a previsão legal da Lei nº 8.383/91, sobre a possibilidade da compensação de importâncias pagas indevidamente com valores a serem recolhidos no futuro, referentes a tributos e contribuições da mesma espécie. Assim, diante da decisão provida pela instância superior, impossibilitando a compensação de tributos de espécies distintas, e sem novos recursos promovidos nos autos, tornouse definitivamente encerrada a discussão, ocorrendo o trânsito em julgado do litígio em 28/02/2001 (extrato à fl. 157). Com isso, verificase pelas informações fiscais apresentadas anteriormente, fls. 125/126, que foram realizados os procedimentos de apuração do direito creditório existente a titulo do FINSOCIAL (competências: 09/1989 a 03/1992) em favor do contribuinte, fls. 66/97, e cálculos do efetivo alcance do crédito sobre as compensações pretendidas em relação a contribuição COFINS (períodos de apuração 07/1998 a 02/1999), fls. 98/122, tratandose de contribuição da mesma espécie tributária nos termos da decisão judicial transitada em julgado. Desta avaliação, resultou ainda a constatação de direito creditório remanescente, fls. 123/124, igual a R$ 3.378,08 (.), atualizados para 10/02/2005. Quanto as demais compensações compreendendo débitos das contribuições PIS, IRPJ e CSLL, não foram homologadas pelo fisco, tendo em vista a decisão judicial proferida com trânsito em julgado. Além disso, podese observar que o saldo credor existente contempla um valor inferior ao montante dos débitos pretendidos para compensação envolvendo tributos de espécie distinta, como o caso dos débitos vinculados do IRPJ do presente lançamento fiscal. De toda forma, como visto, a decisão provisória na sentença em primeiro grau foi concedida em 22/10/1999, posteriormente à entrega das Declarações DCTF's correspondentes aos débitos vinculados por compensação com base na ação judicial e lançados (fl. 28), conforme extrato da Relação de Declarações, fl. 149, excetuandose a Declaração DCTF Retificadora do 3° Trimestre de 1998. Ainda assim, a decisão judicial provisória permitiu a compensação dos débitos vincendos, o que impossibilitaria a pretensão da autora em compensar os valores em questão lançados, uma vez que se referem a períodos de apuração do anocalendário de 1998, e portanto, com vencimentos respectivos ocorridos em momento pretérito à data da sentença em primeiro grau. (destaque acrescido) Ademais, com a finalidade de promover compensações de tributos distintos, à época de ocorrência dos fatos geradores e entrega das Declarações DCTF's, caberia ao interessado em proceder nas formalidades previstas na legislação, 2 disciplinadas no âmbito da Receita Federal naquele momento através da Instrução Normativa SRF n.° 21/1997, de 10/03/1997, com a apresentação de requerimento, o que não se realizou, Fl. 229DF CARF MF Emitido em 31/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/07/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 31/07/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 26/07/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 13971.002109/200305 Acórdão n.º 180300.936 S1TE03 Fl. 216 9 visto que inexistem quaisquer pedidos protocolados via processos administrativos para referidas compensações. Ocorre ainda, que pelas informações fiscais anteriores, fls. 125/126, determinouse o encaminhamento de cobrança à pessoa jurídica dos valores lançados da CSLL, do IRPJ e do PIS, vinculados aos autos judiciais nº 98.20.040973. No entanto, diante desta exigência, requereu o interessado às fls. 141/142, a remessa dos autos à DRJ/Florianópolis — SC, considerando que a impugnação apresentada deuse em prazo tempestivo. E diante da constatação anterior quanto à tempestividade da impugnação, encontrandose suspensa a exigibilidade dos créditos tributários, nos termos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional, com relação aos valores não extintos pela presente revisão de oficio para débitos declarados via DCTF's trimestrais do anocalendário de 1998, indispensável o encaminhamento deste processo administrativo à DRJ/Florianópolis — SC para apreciação, em conformidade às observações contidas na Nota Técnica Conjunta Corat/Cofis/Cosit n.° 32, de 19 do fevereiro de 2002. Cabe ainda relatar, que foram revistos demais lançamentos em nome da pessoa jurídica envolvendo compensações de débitos não confirmadas com base nos autos judiciais informados (98.20.040973), que por idêntico entendimento, destinamos para apreciação da DRJ, compreendendo assim, os seguintes processos administrativos: 13971.002106/200363, 13971.002107/200316 e 13971.002109/200305. Ante o exposto, procedida a revisão de oficio com base nos arts. 145, 147 e 149, inciso VIII, da Lei nº5.172/66 (Código Tributário Nacional), em conformidade às observações contidas na Nota Técnica Conjunta Corat/Cofis/Cosit n.° 32, de 19 de fevereiro de 2002, considerando o tratamento idêntico das impugnações de Autos de Infração emitidos via Sistema SIEF FISCEL aos débitos decorrentes de auditoria das DCTF's do anocalendário de 1998, encaminhese à SACAT para as seguintes providências: 1. Procedimento via sistema de controle dos débitos lançados, no sentido de realização a extinção parcial do crédito tributário de IRPJ lançado no período de apuração 04/1998 (2º Trimestre/1998), em valor principal equivalente ao montante de R$ 11.373,51 (3 quotas de R$ 3.791,17), considerando a duplicação de valores declarados em DCTF Complementar conforme relatado; 2. Atualização da fase processual via sistema de controle dos débitos lançados e demais procedimentos objetivando a continuidade do contencioso administrativo, referente aos lançamentos mantidos dos créditos tributários e acréscimos legais vinculados de IRPJ associado a compensação não homologada com base nos autos judiciais nº 98.20.040973, cujos débitos originários assim encontramse identificados: Fl. 230DF CARF MF Emitido em 31/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/07/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 31/07/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 26/07/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 13971.002109/200305 Acórdão n.º 180300.936 S1TE03 Fl. 217 10 Período de Apuração 04/1998 (2º Trimestre/1998) => R$ 7.559,71; Período de Apuração 07/1998 (3º Trimestre/1998) => R$ 12.216,95; Período de Apuração 10/1998 (4º Trimestre/1998) => R$ 13.115,95; Posteriormente, remetase o presente processo para julgamento na DRJ/Florianópolis — SC quanto ao Auto de Infração vinculado. Sobre a atualização de valores nos sistemas de controle, determinada pela autoridade lançadora/revisora, consta informação à f. 168: Em atendimento ao contido no Parecer Fiscal de fls. 162/165, informo que foram tomadas as providências necessárias junto ao SIEF a fim de possibilitar a continuidade do contencioso administrativo, instaurado nestes autos pela impugnação de fls. 01/56, sem que tenha sido alterado, no entanto, o crédito tributário apurado na respectiva revisão de ofício, uma vez que o recurso ainda será analisado pela autoridade julgadora de primeira instância. (destaque acrescido) Intimada, em 5 de março de 2009, da revisão de oficio, no dia 1 2 de abril de 2009, a contribuinte aditou a impugnação inicial por meio da petição de f. 171 a 174, em que reitera sua tese de legalidade da compensação feita com base na decisão judicial de primeira instância (que não restringia a compensação a tributo da mesma espécie — fato somente alterado pelo acórdão do TRF, em 2000) e pugna pela aplicação da legislação tributária posterior (a partir de 2002, Lei n° 10.637, que alterou o art. 74 da Lei n2 9.430, de 1996), e cita decisão da DRJ em Juiz de Fora — MG, nesse sentido; não sendo atendido seu pedido, sucessivamente requer a exoneração da multa de oficio de 75%, de vez que noticiou a compensação realizada e não praticou nenhuma falsidade mas cumpriu o previsto no art. 21 da INSRF n2 210, de 2002 (f. 174). A DRJ FLORIANÓPOLIS/SC, através do acórdão nº 0718.540, de 15 de janeiro de 2010 (fls. 178/184), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998 PRINCÍPIO DA SEGURANÇA NA RELAÇÃO JURÍDICA. PROVIMENTO JURISDICIONAL. Em homenagem ao princípio da segurança jurídica, todos devem se submeter à lei e à jurisdição. O contribuinte não pode, ao executar o provimento jurisdicional alcançado, transbordar seus limites. A sentença ou decisão interlocutória pesa sobre o contribuinte como norma jurídica individual e concreta, de Fl. 231DF CARF MF Emitido em 31/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/07/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 31/07/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 26/07/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 13971.002109/200305 Acórdão n.º 180300.936 S1TE03 Fl. 218 11 observância obrigatória. Decisão Judicial que não permita a compensação de crédito de Finsocial com débitos de outros tributos faz coisa julgada inclusive na área administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. EXISTÊNCIA DE CRÉDITOS COMPENSÁVEIS. EXIGÊNCIAS REGULAMENTARES. A compensação tributária pressupõe, além da existência de créditos compensáveis, o cumprimento pelo sujeito passivo das correspondentes obrigações tributárias regulamentares. Ciente da decisão em 10/02/2010, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 189), apresentou o recurso voluntário em 03/03/2010 fls. 191/204, onde requer o cancelamento da exigência por indevida inovação na fundamentação legal introduzida pela DRJ Florianópolis; o cancelamento da exigência em virtude da extinção por compensação de créditos decorrentes de ação judicial e por fim em caso de manutenção do lançamento, a ilegalidade da aplicação da multa de ofício de 75% por inexistência de falsidade na DCOMP. É o relatório. Fl. 232DF CARF MF Emitido em 31/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/07/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 31/07/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 26/07/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 13971.002109/200305 Acórdão n.º 180300.936 S1TE03 Fl. 219 12 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de lançamento IRPJ lavrado em virtude de auditoria de DCTF pela qual se constatou a ausência de validação da existência de processo judicial utilizado para extinção dos débitos relativos ao 2º, 3º e 4º Trimestres de 1998, mediante compensação. A recorrente alega em síntese: a) Que a exigência deve ser cancelada considerando que a inovação na fundamentação legal introduzida pela DRJ Florianópolis, além de caracterizar cerceamento de defesa, representa novo lançamento realizado além do período decadencial de 05 anos; b) Que a exigência deve ser cancelada validandose a compensação realizada com créditos de FINSOCIAL decorrente de ação judicial, pois as modificações legislativas ocorridas após a Lei nº 8.383/81 que fundamentou a sentença judicial, permitem a compensação com tributos de espécies diferentes; c) Que em caso de manutenção do lançamento, deve ser cancelada a multa de ofício de 75% pois o procedimento adotado de compensação para futura homologação, não se enquadra nas hipóteses capituladas no art. 44 da Lei nº 9.430/96, já que não houve falsidade na declaração. Inicialmente é de se refutar as alegações de inovação no lançamento com alteração na fundamentação legal que teria sido introduzida pela DRJ Florianópolis. Com efeito, desde o início o lançamento foi realizado em virtude da não confirmação de ação judicial que autorizasse a compensação do FINSOCIAL com o IRPJ, não se afastando o julgado de primeira instância desta tarefa, rebatendo apenas as alegações de licitude do procedimento aventadas pela contribuinte. Verificase que a recorrente compreendeu perfeitamente a acusação que lhe foi formulada, justificando o seu procedimento com diversas alegações que foram apreciadas pelo colegiado julgador de primeira instância, não se vislumbrando qualquer cerceamento de defesa e tampouco o alegado novo lançamento como quer a recorrente. Somente estaria caracterizado eventual vício se o lançamento só pudesse ser mantido com a suposta inovação introduzida pela DRJ o que efetivamente não ocorreu pois o colegiado julgador de primeira instância apenas aduziu argumentos subsidiários em contraponto às alegações da impugnação. Fl. 233DF CARF MF Emitido em 31/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/07/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 31/07/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 26/07/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 13971.002109/200305 Acórdão n.º 180300.936 S1TE03 Fl. 220 13 Afasto portanto as alegações de inovação no lançamento e por decorrência de decadência do novo lançamento que efetivamente não poderia ser realizado pela autoridade julgadora por lhe falecer competência legal para tanto. Melhor sorte não colhe a recorrente com relação ao mérito do litígio. Com efeito, de acordo com a informação fiscal prestada à época, fls. 125/126, pode ser observado que o mencionado processo judicial compreendendo ação ordinária, onde o interessado em questão participou como litisconsorte, objetivava a compensação/restituição dos valores recolhidos indevidamente a título de FINSOCIAL, em razão da inconstitucionalidade das majorações de alíquota, com parcelas vencidas e vincendas de tributos federais (COFINS, IRPJ, CSLL e PIS). Consta informado que a sentença em primeiro grau, prolatada em 22/10/1999 (extrato de consulta das fases processuais, fls. 154/156), julgou procedente o pleito do contribuinte, reconhecendo o direito das autoras de compensar os valores recolhidos a maior a título de FINSOCIAL com valores vincendos da COFINS, do IRPJ, da CSLL e do PIS. E com o recurso interposto pela Fazenda Nacional, julgou o TRF da 4ª Região via Apelação Cível nº 2000.04.01.0221062, nos termos do Acórdão proferido em 17/10/2000 (cópia à fl. 158), pelo reconhecimento ao direito das autoras em compensarem os valores indevidamente recolhidos a título de FINSOCIAL, somente com parcelas vincendas da COFINS, de acordo com a previsão legal da Lei nº 8.383/91, sobre a possibilidade da compensação de importâncias pagas indevidamente com valores a serem recolhidos no futuro, referentes a tributos e contribuições da mesma espécie. Alega a recorrente que embora tenha a decisão judicial transitada em julgado limitado a compensação apenas com a COFINS, nos termos da Lei nº 8.383/91, as alterações legislativas posteriores, admitiram a compensação com quaisquer tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. Data vênia, tal entendimento é equivocado. É que a norma individual e concreta proferida pelo juiz prevalece sobre a norma geral e abstrata. É este, portanto, o único Direito possível, já que o único órgão ou instituição capacitado a dizer o direito em definitivo das soluções cogitáveis já foi instado a pronunciarse, proferindo decisão que, na prática, opôs limites significativos ao pleito da Recorrente. Pelo exposto, não se pode reconhecer o direito à compensação dos créditos decorrentes da sentença proferida na Ação Judicial nº 98.20.040973. com o IRPJ devido. Por outro turno, se é certo que a decisão judicial apenas autorizou a compensação com débitos vincendos de COFINS, para que a tese de compensação com outros tributos da recorrente pudesse ser aceita, deveria ter cumprido as demais regras estipuladas para compensação administrativa definidas pela novas normas tributárias e a Secretaria da Receita Federal. Nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional, a Lei nº 9.430/96 e a Instrução Normativa SRF nº 21/97, estipularam condições e regras para a compensação administrativa de créditos tributários líquidos e certos que podem ser compensados com quaisquer tributos administrados pela SRF. Fl. 234DF CARF MF Emitido em 31/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/07/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 31/07/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 26/07/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 13971.002109/200305 Acórdão n.º 180300.936 S1TE03 Fl. 221 14 Constatase inicialmente, que a compensação somente é possível com créditos líquidos e certos de que o contribuinte dispunha por ocasião da compensação. Nestes termos, já se verifica a incompatibilidade da compensação pleiteada pois por ocasião da compensação em 1998, a contribuinte não tinha sequer o provimento favorável para reconhecimento de qualquer crédito a título de FINSOCIAL que conforme relatado somente se deu de forma provisória em sede de primeiro grau em 22/10/1999. Assim, mesmo que houvesse provimento favorável, a recorrente para poder realizar a compensação administrativa com outros tributos, deveria atender as disposições da Lei nº 9.430/96 e Instrução Normativa SRF nº 21/97 (substituída pela Instrução Normativa nº 210/2002), que estipulou forma e condições para utilização dos créditos judiciais. Destarte, se pretendia a contribuinte se beneficiar das alterações legislativas que possibilitaram a compensação de créditos judiciais com quaisquer tributos administrados pela SRF deveria se submeter as regras e condições estipuladas pela lei e regulamentação expedida pelo órgão administrador tributário, formulando o pedido de acordo com estas regras e não simplesmente realizar a compensação em DCTF. De sorte seja pela inexistência de créditos líquidos e certos, seja pela falta de atendimento das condições para compensação administrativa com débitos de qualquer natureza administrados pela SRF, deve ser indeferida a compensação realizada e mantida a exigência do IRPJ não recolhido. Por último, com relação à multa de ofício de 75%, assiste parcialmente razão à recorrente. Com efeito, o lançamento de ofício foi realizado na vigência do art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, que prescreve: “Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal.” (Grifamos) O art. 18 da Lei 10.833/2003 alterou a redação dessa MP. A redação atual desse artigo é a seguinte: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) (Vide Medida Provisória nº 472, de 15 de dezembro de 2009) § 1º Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6º a 11 do art. 74 da Lei nº9.430, de 27 de dezembro de 1996. (...) Fl. 235DF CARF MF Emitido em 31/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/07/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 31/07/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 26/07/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 13971.002109/200305 Acórdão n.º 180300.936 S1TE03 Fl. 222 15 Em relação ao lançamento da multa de ofício de 75%, esta deve ser excluída do lançamento, em razão do princípio da retroatividade benigna, previsto no art. 106 do CTN, em função do disposto no art. 18 da Lei 10.833/2003, acima transcrito, uma vez que o mero preenchimento da DCTF, com a compensação pretendida e indicação do número do processo judicial existente em que se discute a origem do crédito, não caracteriza falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Relativamente à retroatividade benigna, este é o entendimento manifestado pela CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação – Cosit, por meio da Solução de Consulta Interna nº 3, de 8 de janeiro de 2004 (que se refere apenas ao caput do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, por haver sido expedida antes das modificações introduzidas pelas Leis nº 11.051, de 2004 e 11.488, de 2007): “EMENTA: (…) No julgamento dos processos pendentes, cujo crédito tributário tenha sido constituído com base no art. 90 da MP nº 2.15835, as multas de ofício exigidas juntamente com as diferenças lançadas devem ser exoneradas pela aplicação retroativa do caput do art.18 da Lei nº 10.833, de 2003, desde que essas penalidades não tenham sido fundamentadas nas hipóteses versadas no “caput” desse artigo.” Destarte, deve ser exonerada a multa de ofício de 75%, exigindose em seu lugar apenas a multa de mora de 20% incidente sobre quaisquer diferenças recolhidas em atraso, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96, não implicando sua cobrança em qualquer inovação ou agravamento da exigência no lançamento de ofício. Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, excluindo a multa de ofício de 75%, cobrandose em seu lugar a multa de mora de 20%. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 236DF CARF MF Emitido em 31/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/07/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 31/07/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 26/07/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH
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