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Numero do processo: 11543.002347/2006-70
Data da sessão: Wed Jun 16 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003 (ano calendário: 2002)
VERBAS RECEBIDAS EM DECORRÊNCIA DE AÇÃO TRABALHISTA.
Os rendimentos recebidos em decorrência de ação trabalhista, são tributáveis
na fonte e na declaração de ajuste do respectivo beneficiário, excetuadas
apenas as verbas legalmente isentas ou não tributáveis, admitida a dedução de
honorários advocatícios necessários ao recebimento dos rendimentos.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2101-000.554
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso pata excluir da tributação os valores relativos ao FGTS e ao IPMF, respectivamente, R$ 9.859,12 e R$ 189,93.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Odmir Fernandes
1.0 = *:*
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 (ano calendário: 2002) VERBAS RECEBIDAS EM DECORRÊNCIA DE AÇÃO TRABALHISTA. Os rendimentos recebidos em decorrência de ação trabalhista, são tributáveis na fonte e na declaração de ajuste do respectivo beneficiário, excetuadas apenas as verbas legalmente isentas ou não tributáveis, admitida a dedução de honorários advocatícios necessários ao recebimento dos rendimentos. Recurso Voluntário Provido.
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Os rendimentos recebidos em decorrência de ação trabalhista, são tributáveis na fonte e na declaração de ajuste do respectivo beneficiário, excetuadas apenas as verbas legalmente isentas ou não tributáveis, admitida a dedução de honorários advocatícios necessários ao recebimento dos rendimentos. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso pata excluir da tributaçã lores relativos ao FGTS e ao IPMF, respectivamente, R$ 9.859,12 e R$ 189,93. Odn des - Relator EDITA OEM: a 2 OUT 201° Participaram do presente julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido, José Raimundo Tosta Santos, Odmir Fernandes, Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka e Ana Neyle Olimpio Holanda. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário da decisão que manteve parte da exigência do IRPF suplementar, do ano-calendário 2002, em decorrência da omissão de rendimentos e dedução indevida de incentivos fiscais. Nas razões de recurso sustenta o Recorrente pagou parte da exigência, mas a decisão recorrida deixou de excluir a parcela do FGTS (item "c") e, conforme destacou o relator é isento. Assim, onde contava o valor de RS 94.260,47 deveria ser RS 84.701,88, Outro equivoco, sustenta, foi em relação a dedução das despesas com a ação judicial. Foram deduzidos aos honorários advocaticios, mas não se descontou as despesas financeiras pagas de RS 189,93 ("Desconto do WNW") — nos termos do art. 3°, da IN SRI; n° 15/2001, É o relatório. Voto Conselheiro Odmir Fernandes, Relator. Houve pagamento de parcela do débito exigido na presente autuação, com isso o contribuinte reconheceu a procedência parcial da exigência c, e neste aspecto, o recurso não pode ser conhecido. O Recorrente não se volta contra a parcela que diz ter pago . Os pagamentos comprovados serão levados em consideração mediante imputação ao débito pela autoridade fiscal por ocasião da liquidação da obrigação, não cabendo apreciação e conhecimento dessa matéria por este Conselho.. A matéria controvertida nestes autos resume-se a dedução do EGTS e das despesas financeiras IPMF — ocorridas corn a ação judicial necessária ao recebimento dos rendimentos tidos por omitidos. A decisão recorrida reconhece que o FGTS no valor de R$9.859,12, não se sujeita ao imposto (fis..44), mas por equivoco, deixou de excluir da tributação ao efetuar a conta No cálculo a decisão recorrida acabou por incluir na base de cálculo as importâncias reconhecidas como não sujeitas ao imposto e que deveriam ser deduzidas da tributação (fls.. 23 e 44). O pagamento do CPMF consta de documento fornecido pelo advogado da ação judicial, dando conta do desconto (fls.. 23) dessa parcela da Recorrente Assim, tratando-se de parcela descontada, necessária e para permitir o recebimento dos rendimentos, que não o próprio imposto de renda, é possível admitir a dedução do rendimento tributável. 2 mess° n" 11543.002347/2006-70 S2-C111- 1 Accird5o n " 2101-00.554 Fl 2 Ante o exposto, conheço e dou provimento ao recurso, pata reformar a decisão recorrida e excluir da tributação a parcela correspondente ao FGTS no valor de R$ 9.859,12 e do IPMF de R$ 189,93, conforme informado pelo Recorrente, mantidas as exigências que no foram objeto do recurso. 3
score : 1.0
Numero do processo: 10845.001751/87-07
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 1988
Ementa: Conferência Final de Manifesto com denúncia espontânea e depósito bancário do tributo devido.
Numero da decisão: 301-25.817
Decisão: ACORDAM os Membros da primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, vencidos os Conselheiros João Holanda Costa Paulo Cesar Bastos Chauvet e José Maria de Melo, determinou-se o cancelamento da multa, face à denúncia espontânea do sujeito passivo (art. 38 do CTN); no mérito, por maioria de votos, negou-se provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Hamilton de Sá Dantas, que dava provimento, em parte, para adotar como data de referência para cálculo do tributo, a da denuncia espontânea, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Rosa maria Magalhães de Oliveira
1.0 = *:*
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CIA. DE NAVEGA~ÃO LLOYD BRASILEIRO, REPRESENTADA NAUTILUS AG~NCIA MARíTIMA LTDA. Recorrente Recurso n,o DRF - SANTOS - SP. Conferência Final de Manifesto com denúncia espontânea e depósito bag V • ' .1 .. c~ri~ do tributo devido. J..stos,relatados e',discut:Í'dôsos8p'têsêfitestâQtos, R 1 d " - . CACO DAM os Mem~ros a prlmelra Camara do Tercelro on- lh d C 'b' I.. d 'dse o e ontrl ulntes, por malorla e votos, venCl os osConse- lheiros João Holanda costa! Paulo Cesar Bastos Chauvet e José Mª ria de Melo, determinou-se lo cancelamento da multa, face à denún- 26 AGO 1988 cia espontânea do sujeito passivo (art. 38 do CTN); no mérito, por maioria de votos, negou-se Iprovimento ao recurso, vencido o Cons~ lheiro Hamilton de s~ Dantas, que dava provimento, em parte, para d d d f -I. " . d 'a otar como ata e re erenCla para calculo do trlbuto, a da enug . - I, . .Cla espontanea, na forma do relatorlo e voto que passam a lntegrar o presente julgado. 23 1 Bra/l-DF, I de agosto de 1988. JO~'NH' '''''EOEPre.iden'e. I . ROSA MARTA ~VElRA - Relatora. 'AiII4 ! MARIA DE LURDESI MARTINS - Proc. da Fazenda Nacional. , ,VISTO EM SESSÃO DE: Participaram, ainda, do presente julgamento os eguintes Conselheiros: I ' FAUSTO FREITAS DE CASTRO NETO e MARIA LUCIA SILVA CASTELO BRANCO. 7 -2- SERViÇO PÚBLICO FEDERAL MF - TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES. RECURSO N~ 109.935 ACÓRDÃO 301-25.817 RECORRENTE: CIA. DE NAvEGAÇÃO LLOYD BRASILEIRO, REPRESENTADA POR NAUTILUS AG~NCIA MARíTIMA LTDA. IRECORRIDA : DRF - SANTOS - SPé•., RELATORA : ROSA MARTA MAGALHÃES DE OLIVEIRA. R E L A T Ó R I O Cia. de Navegaçâo Lloyd Brasileiro, representada:por Nautilus Agência Marítima Ltda. recorre a este Conselho da decisâo de primeira instância (tIs. 45/46), que julgando procedente a açao fiscalllllitaurada com o duto de Infraçâo de fls. 01 e.verso, exige Io pagamento de imposto de importaçâo, em decorrência de apuraçâo, em Conferência Final de Manifesto do navio "Mount Sabana", entrado em 15.08.86, no Porto dEC S:"ntos-SP, de falta de mercadoria manife.ê. tada: 01 saco de Álcool polivinílico, classificaçâo TAB 39.02.31.00. No recurso"a Agência Marítima nao mais se refere à pr~ liminar de ilegitimidade de parte passiva "ad causam", como o fiz~ ra na fase impugnatória por ter "Nautilus ."'AgênciaMarítima Ltda" se responsabilizado por todas as infrações em que incorrerem as em- barcações de sua propriedade (Termo de Responsabilidade - fls. 34). , Quanto ao mérito, alega a improcedência da penalidade aplicada,pe acordo com o artigo 521, inciso lI, letra "d" do Decr~ to n~ 91.030 (RA) em vivtude de "denúncia espontânea" da infraçâo (petiçâo protocolada sob o n~ 203439 - fls. 5/6) e depósito bancá- rio (fls. 12) correspondente. Discorda do~ cálculos do imposto de importaçâo devido, I . por entender que o respectivo fato gerador ocorre na data da entrª . , I . A • •da da mercador la no pal~, devendo ser apllcada a taxa de camblo v~ gente nessa mesma ocasi~o, ou ainda na data do "conhecimento" das, faltas pela autoridade aduaneira (protocolizaçâo de petiçâo de de- núncia espontânea) de acordo com o par~grafo único do art. 23 do Decreto-lei n" 37/66. É O RELATÓRIO. SERViÇO PÚBLICO FEDERAL v O T O -3- Rec. 109.935 Ac. 301-25.817 • A denúncia espontânea" da infração nos termos em que foi formalizada (fls. 5 e 6), e desde que seguida do recolhimento do imposto devido (fls. 12), vem sendo admitida, em casos da espé- cie, por este Colegiado, para os fins do art.138 do CTN _.exclusão de penalidade -. Tal denúncia, no caso, é o ato cronologicamente mais antigo neste processo, cabendo assinalar, outrossim, que o Termo de visita Aduaneira não contém, ainda indicação objetiva da infração, como previsto no parágrafo único, in fine, do art.138 do CTN, citado, além de não se assemelhar a nenhum dos atos previstos no art. 72 do Decreto n2 70.235/72, como início de procedimento fi£ cal. Quanto ao critério de cálculo do 'tributo devido (1.1.) carece de razão a interessada, porquanto, nos termos dos arts. 87 e 107 do Regulamento Aduaneiro (Dec. n2 91.030/85), no caso sob exame, é devido o referido tributo vigorante na data da apuraçãodo fato, considerada, como tal a do lançamento respectivo, conforme adotado pela autoridade julgadora."a quo". Face ao exposto voto no sentido de dar provimento par- cial ao recurso, apenas para excluir a aplicação da penalidade. Sala das Sessões, em 23 de agosto de 1988. ROSA MARTA MAGALHAES! DE OLIVEIRA - Relatora. , I I I I I I, i I 00000001 00000002 00000003
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000448/2004-84
Data da sessão: Tue Dec 14 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
Ementa:
GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS INCOMPROVADAS Não há documentação comprobatória do lançamento feito na conta 40044-0 –
Serviços Terceiros PF, mas somente o lançamento a débito nessa conta em contrapartida ao lançamento a crédito na conta 20036-0, no Livro Diário e no Razão Analítico. As demais despesas e custos escriturados tiverem a devida comprovação documental.
Numero da decisão: 1103-000.365
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR
provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer a glosa de R$ 41.060,00, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: MARCOS TAKATA
1.0 = *:*
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 Ementa: GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS INCOMPROVADAS Não há documentação comprobatória do lançamento feito na conta 40044-0 – Serviços Terceiros PF, mas somente o lançamento a débito nessa conta em contrapartida ao lançamento a crédito na conta 20036-0, no Livro Diário e no Razão Analítico. As demais despesas e custos escriturados tiverem a devida comprovação documental.
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Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 Ementa: GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS INCOMPROVADAS Não há documentação comprobatória do lançamento feito na conta 40044-0 – Serviços Terceiros PF, mas somente o lançamento a débito nessa conta em contrapartida ao lançamento a crédito na conta 20036-0, no Livro Diário e no Razão Analítico. As demais despesas e custos escriturados tiverem a devida comprovação documental. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer a glosa de R$ 41.060,00, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA – Presidente MARCOS TAKATA - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Aloysio José Percínio da Silva (Presidente), Hugo Correia Sotero, Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata (Relator), Gervásio Nicolau Recktenvald, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo (Suplente convocada). Fl. 1DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/01/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 26/01/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 27/01/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18471.000448/2004-84 Acórdão n.º 1103-00.365 S1-C1T3 Fl. 2 2 Fl. 2DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/01/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 26/01/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 27/01/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18471.000448/2004-84 Acórdão n.º 1103-00.365 S1-C1T3 Fl. 3 3 Relatório DO LANÇAMENTO O presente processo tem origem no auto de infração de fls. 81/83, lavrado pela DEFC/Rio de Janeiro, do qual a interessada foi intimada em 12/05/2004, com a exigência do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica - IRPJ, referente ao ano-calendário de 2000 no valor de R$ 621.825,60, com a multa de oficio de 75%, além da autuação reflexa referente à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSL, às fls.87 a 90, no valor de R$ 228.163,82 e a multa de oficio de 75%, além dos juros de mora. Glosa de despesas-custos ou despesas não comprovadas Conforme Termo de Verificação e Esclarecimentos às fls.73 a 75, foi solicitada à interessada através do Termo de Intimação n° 03 às fls. 56 a 58, a apresentação de algumas notas fiscais e comprovantes de pagamentos, que foram contabilizados em conta de custos e/ou despesas, conforme se verifica nas cópias dos razões anexas às fls. 62 a 72. Em 23/03/2004, registra o referido termo que a interessada entregou parte das notas fiscais solicitadas, com a informação de que uma outra parte delas não havia sido localizada. Desse modo, o autuante fez o registro das notas fiscais não localizadas no Termo de Verificação e Esclarecimentos nas fls. 73 e 74, concluindo na fl. 75 que após a concessão do prazo necessário para a interessada fazer a apresentação da documentação solicitada, e não o fazendo, caracterizou a falta de comprovação dos valores a elas pertencentes, devendo os mesmos serem incluídos no lucro apurado pela interessada no ano- calendário de 2000. Em decorrência da glosa de despesas o prejuízo fiscal do 4° trimestre, informado na DIPJ/2000 foi totalmente compensado, conforme "Demonstrativo de Compensação de Prejuízo (doc. fl.92). CSL Trata-se de autuação decorrente dos mesmos fatos que originaram a autuação de IRPJ, descritos acima. DA IMPUGNAÇÃO Regularmente cientificada em 12/05/2004 respectivamente (fls. 81 e 87) das autuações de IRPJ e CSL apresenta a interessada impugnação de fls. 105 a 109 em 11/06/2004, alegando, em síntese, que: Fl. 3DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/01/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 26/01/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 27/01/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18471.000448/2004-84 Acórdão n.º 1103-00.365 S1-C1T3 Fl. 4 4 • foi autuada sob o argumento de deixou de comprovar documentalmente a contabilização de despesas operacionais o que gerou a glosa das mesmas; • é importadora de barrilha a granel, código fiscal 28.36.20.10, em regime de entrepostamento em armazéns alfandegados pela SRF; • a barrilha é importada em lotes suportados por documentação específica em nome de importadores, entre os quais estão a interessada e seus clientes; • por contrato com seus clientes efetua a prestação de serviços de desembaraço, desestiva, transporte entre o navio e o armazém alfandegado, o armazenamento e o embarque em caminhões fretados pelos clientes dos lotes nacionalizados; • grande parte desses serviços é feito através da subcontratação dos serviços como é o caso, dos serviços portuários, de frete interno, armazenagem e obtenção da documentação de importação; • as operações de importação são bem dinâmicas tendo o objetivo de evitar pagamentos de sobrestadias e atrasos na liberação das cargas muitas vezes já comprometidas para entrega quase que imediata; • geralmente os serviços são pagos com base em estimativas de volume das cargas movimentadas, sendo parte via adiantamento e parte via complementação após o fechamento das descargas dos navios; • face a isso, a identificação das despesas operacionais por navio, lote na entrada e lotes pelas saídas nas vendas é uma missão quase impossível; • objetivando não deixar de registrar as receitas e despesas operacionais, nos livros fiscais, dentro do regime de competência, foi adotada a prática de provisionamento com base em valores estimativos, fazendo-se os ajustes contábeis necessários a medida que os valores definitivos eram conhecidos por ocasião do recebimento das notas fiscais dos prestadores de serviço; • todos os pagamentos de serviços são feitos com cheques nominais aos prestadores de serviço, tendo por base a 1ª via das notas fiscais originais, contendo no seu corpo o nome do navio, o número da guia de importação ou do período de competência da despesa no caso de armazenagem; • o critério de contabilização adotado pela interessada requer um bom sistema contábil, e no ano de 2000, que era o seu quarto ano de vida, a escrituração dos seus livros era feita por escritório de contabilidade terceirizado, o que tornou mais difícil o trabalho de análise dos dados contábeis; • foi solicitado pelo autuante quando do procedimento de fiscalização a apresentação de documentação suporte das provisões, sendo observado que somente seria aceito caso fosse constituída pelas notas fiscais originais e os respectivos registros de pagamentos; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/01/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 26/01/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 27/01/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18471.000448/2004-84 Acórdão n.º 1103-00.365 S1-C1T3 Fl. 5 5 • dentro dos prazos estipulados, foram mostrados os documentos e demonstrativos que registravam as provisões e os pagamentos dos serviços operacionais em conformidade com a prática contábil de obediência ao regime de competência; • no entanto, preferiu o autuante ignorar os documentos apresentados, sob a alegação de que provisão de despesas por si só não era uma comprovação de que o gasto teria sido efetivamente feito para a consecução das operações, com a finalidade de atender o seu objetivo social; • o autuante não quis realizar auditoria através da análise da conta de provisão, dos pagamentos que foram feitos no decorrer dos meses de 2000, e nem quis aguardar pelos demonstrativos e documentos que estavam sendo providenciados; • emitiu o auto de infração mesmo sabendo que a interessada teria condições de comprovar, se não totalmente, mas a maior parte das despesas operacionais lançadas em seus livros; • conforme resumo de fls. 124 a 128, referente à análise das contas 40056- 4 - Operação de Desestiva, conta 40059-9 - Armazenamento e conta 40044-0 - Serviços de Terceiros, além da documentação juntada às fls. 130/428, comprovado que os fatos geradores das despesas operacionais no valor de R$ 2.596.142,60 foram contabilizados dentro dos princípios contábeis praticados no Brasil; • desse modo ficou reduzida a base de cálculo do IRPJ e da CSL da autuação em questão; • realmente não foram encontradas comprovações para os fatos geradores das despesas operacionais nos valores de R$ 21.088,00 e R$ 36.980,00, totalizando o valor de R$ 58.068,00; • o fato acima gerou a emissão e pagamento pelos DARF com cópias nas fls. 430 e 431 referente ao IRPJ e à CSL; • isto posto, solicita seja cancelado parte da autuação com base na comprovação das despesas operacionais anexas, mantendo válidas as compensações fiscais efetuadas tanto no IRPJ como na CSL na proporção dos ajustes a serem feitos, e considerando válido o recolhimento parcial dos tributos dentro do prazo recursal. DA DECISÃO DA DRJ Por unanimidade de votos, em 14/06/2007 acordou a 2ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I pela procedência em parte do lançamento. Glosa de despesas-custos De acordo com a documentação apresentada pela interessada na impugnação, entre notas fiscais e boletos bancários de fls. 130 a 399, referentes às contas 40056-4 - OPERAÇÃO DESESTIVA, 40044-0 - SERVIÇOS DE TERCEIROS e 40059-9 - Fl. 5DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/01/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 26/01/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 27/01/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18471.000448/2004-84 Acórdão n.º 1103-00.365 S1-C1T3 Fl. 6 6 ARMAZANAGEM, constatou-se que somente parte dos valores glosados foram comprovados, não sendo apresentado para as demais glosas a nota fiscal correspondente à prestação do serviço bem como o comprovante do pagamento correspondente, devendo ser mantida parte das glosas. Demonstrativo dos valores mantidos: Nome da Conta Valor Glosado(A) Valor Comprovado(B) Valor Mantido (A-B)=C Desestiva R$ 1.352.580,48 R$ 493.915,26 R$ 858.665,22 Armazenagem R$ 1.301.629,98 R$ 1.264.649,98 R$ 36.980,00 TOTAL 0,00 0,00 R$ 895.645,22 Total do IRPJ mantido R$ 201.105,76. CSL. Tributação Reflexa Aplica-se à exigência reflexa o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão de sua íntima relação de causa e efeito, quando não há matéria específica, de fato ou de direito, a ser apreciada. Total da CSL mantida R$ 72.398,12. De acordo com a fl. 466, pelo transcurso do tempo, lavrou-se termo de perempção pela não apresentação de recurso à instância superior por parte da interessada. DO RECURSO DE OFÍCIO Os autos foram encaminhados ao 1º Conselho de Contribuintes tendo em vista o recurso de ofício interposto conforme o Acórdão DRJ/RJO I nº 12-14343 de fls. 446 a 455. É o relatório. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/01/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 26/01/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 27/01/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18471.000448/2004-84 Acórdão n.º 1103-00.365 S1-C1T3 Fl. 7 7 Voto Conselheiro MARCOS TAKATA Como se viu do relatório, cuida-se de remessa de ofício, ou, na linguagem do PAF, de recurso de ofício da 2ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I. A matéria devolvida a este órgão julgador é a glosa de custos e despesas contabilizadas, mas não comprovadas. Segundo a peça impugnatória a interessada é importadora de barrilha, código fiscal 28.36.29.10, produto a granel, em regime de entrepostos em armazéns alfandegados pela Receita Federal. E a interessada presta serviços de desembaraço, desestiva, transporte entre o navio e o armazém alfandegado, o armazenamento e o embarque em caminhões fretados pelos clientes dos lotes nacionalizados. A maior parte desses serviços é feita por subcontratação. Do exame dos documentos acostados aos autos com a peça impugnatória, a 2ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I concluiu estarem comprovados os custos e despesas a seguir descritos. Registrados na conta 40056-4 – Operação de Desestiva: a) Em 26/01/00, R$ 91.990,63; b) Em 30/04/00, R$ 80.350,00; c) Em 31/05/00, R$ 78.022,63; d) Em 30/06/00, R$ 80.640,00; e) Em 30/11/00, R$ 121.852,00. Registrados na conta 40044-0 – Serviço Terceiros PF: a) Em 31/08/00, 41.060,00; Registrados na conta 40059-9 – Armazenagem: a) Em 31/03/00, R$ 94.000,00; b) Em 30/04/00, R$ 71.600,00; c) Em 31/05/00, R$ 242.834,37; d) Em 30/06/00, R$ 266.940,33; e) Em 31/08/00, R$ 190.175,37; Fl. 7DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/01/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 26/01/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 27/01/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18471.000448/2004-84 Acórdão n.º 1103-00.365 S1-C1T3 Fl. 8 8 f) Em 30/11/00, R$ 70.824,30; g) Em 31/12/00, R$ 328.275,61. Vejo que alguns dos custos glosados não são custos. Esclareço. Noto que alguns dos valores registrados na conta de resultado 40056-4 – Operação de Desestiva não são valores registrados a débito nessa conta, mas a crédito, o que reduz o total dessa conta de custo. A meu ver, seria descabido acrescerem-se tais montantes à base de cálculo de IRPJ e de CSL, simplesmente da forma como se dera. De todo modo, como não houve recurso voluntário, deixo de apreciar os valores mantidos relativos a esses lançamentos a crédito na conta 40056-4 – Operação de Desestiva que não estejam contidos na remessa de ofício. Da matéria objetivada no recurso de ofício, compulsando os autos, detecto o seguinte. Com respeito aos lançamentos feitos na conta 40056-4 – Operação de Desestiva: 1) Descabe manter a exigência sobre o valor em “a” acima, pela elementar razão de se tratar de lançamento a crédito nessa conta de resultado, na linha do que já pontuei. Ademais, embora não haja constate a documentação propriamente da prestação do serviço, há o documento da comprovação do pagamento do valor ao contratado (prestador do serviço) na fl. 133; 2) O registro dos valores em “b” e em “c”, por regime contábil de competência, tem comprovação documental conforme fl. 205, sendo que nas fls. 206, 208, 210, 410 e 418 constam os documentos relativos ao pagamento desses valores e os registros no Razão Analítico; 3) O registro do valor em “d”, por regime contábil de competência, tem comprovação documental conforme fls. 212 e 215, sendo que nas fls. 213, 216 e 410 figuram os documentos referentes ao pagamento desse valor e os registros no Razão Analítico; 4) O registro do valor em “e”, por regime de competência, encontra comprovação documental conforme fls. 221 e 224, sendo que nas fls. 222, 225 e 410 figuram os documentos relativos ao pagamento e os registros no Razão Analítico. A bem ver, noto que a comprovação documental constante nos autos é de R$ 35.314,22 e de R$ 44.828,00, segundo as notas fiscais, ambas de emissão da CSN. Mas, diante da sistemática e da quantidade de documentos, entendo ser razoável concluir que a falta de apresentação da nota fiscal, que também seria da CSN, e que completaria os R$ 121.852,00 não compromete a comprovação da despesa em questão. No que pertine aos lançamentos feitos na conta 40059-9 – Armazenagem: Fl. 8DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/01/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 26/01/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 27/01/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18471.000448/2004-84 Acórdão n.º 1103-00.365 S1-C1T3 Fl. 9 9 1) O registro do valor em “a”, por regime contábil de competência, tem comprovação documental conforme fls. 228 a 252; 2) O registro do valor em “b”, por competência, tem comprovação documental conforme fls. 254 a 269; 3) O registro do valor em “c”, por competência, encontra comprovação documental conforme fls. 272 a 295; 4) O registro do valor em “d”, por competência, encontra comprovação documental conforme fls. 298 a 347; 5) O registro do valor em “e”, por competência, tem comprovação documental conforme fls. 350 a 364; 6) O registro do valor em “f”, por competência, tem comprovação documental conforme fls. 367 a 370; 7) O registro do valor em “g”, por competência, tem comprovação documental conforme fls. 373 a 399. Quanto ao lançamento feito na conta 40044-0 – Serviços Terceiros PF, não localizei a documentação comprobatória correspondente. Encontrei somente o lançamento a débito nessa conta em contrapartida ao lançamento a crédito na conta 20036-0, no Livro Diário - fl. 424 - e no Razão Analítico – fl. 410. Nessa ordem de considerações e juízo, dou provimento parcial ao recurso de ofício, para manter a glosa da despesa de R$ 41.060,00. É o meu voto. Sala das Sessões, em 14 de dezembro de 2010 MARCOS TAKATA - Relator Fl. 9DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/01/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 26/01/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 27/01/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18471.000448/2004-84 Acórdão n.º 1103-00.365 S1-C1T3 Fl. 10 10 Fl. 10DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/01/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 26/01/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 27/01/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 11128.000395/2004-62
Data da sessão: Thu Jul 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 07/08/2001
MULTA ADMINISTRATIVA. IMPORTAÇÃO SEM LICENÇA. INOCORRÊNCIA.
O fato de a mercadoria mal enquadrada na NCM não estar corretamente descrita, com todos os elementos necessários à sua correta classificação tarifária, não é razão suficiente para que a importação seja considerada como tendo sido realizada sem licenciamento de importação ou documento equivalente.
REGIMES ADUANEIROS ESPECIAIS DE DRAWBACK. DESCARACTERIZAÇÃO, INOCORRÊNCIA.
A descaracterização de Regime Aduaneiro Especial de Drawback isenção depende da demonstração de que as mercadorias objeto da lide não foram corretamente identificadas no despacho de importação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3201-000.517
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - classificação de mercadorias
Nome do relator: Ricardo Paulo Rosa
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ementa_s : CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 07/08/2001 MULTA ADMINISTRATIVA. IMPORTAÇÃO SEM LICENÇA. INOCORRÊNCIA. O fato de a mercadoria mal enquadrada na NCM não estar corretamente descrita, com todos os elementos necessários à sua correta classificação tarifária, não é razão suficiente para que a importação seja considerada como tendo sido realizada sem licenciamento de importação ou documento equivalente. REGIMES ADUANEIROS ESPECIAIS DE DRAWBACK. DESCARACTERIZAÇÃO, INOCORRÊNCIA. A descaracterização de Regime Aduaneiro Especial de Drawback isenção depende da demonstração de que as mercadorias objeto da lide não foram corretamente identificadas no despacho de importação. Recurso Voluntário Provido.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-09-02T12:09:11Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-09-02T12:09:09Z; Last-Modified: 2010-09-02T12:09:11Z; dcterms:modified: 2010-09-02T12:09:11Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:47ba09d7-3334-4154-b1de-51407dd44b69; Last-Save-Date: 2010-09-02T12:09:11Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-09-02T12:09:11Z; meta:save-date: 2010-09-02T12:09:11Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-09-02T12:09:11Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-09-02T12:09:09Z; created: 2010-09-02T12:09:09Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; Creation-Date: 2010-09-02T12:09:09Z; pdf:charsPerPage: 1424; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-09-02T12:09:09Z | Conteúdo => S3-C2TI Fl 361 ...,J,À.,.. -.W MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS c TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO N. fitn;:.,. Processo n° 11128.000395/2004-62 Recurso n° 141.725 Voluntário Acórdão n" 3201-00.517 — 2" Câmara I P Turma Ordinária Sessão de 01 de julho de 2010 Matéria II/CLASSIFICAÇÃO FISCAL Recorrente MIRACEMA NUODEX IND. QUÍMICA LTDA Recorrida DRJ EM SAO PAULO II- SP ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 07/08/2001 MULTA ADMINISTRATIVA. IMPORTAÇÃO SEM LICENÇA. INOCORRÊNCIA. O fato de a mercadoria mal enquadrada na NCM não estar corretamente descrita, com todos os elementos necessários à sua correta classificação tarifária, não é razão suficiente para que a importação seja considerada como tendo sido realizada sem licenciamento de importação ou documento equivalente. REGIMES ADUANEIROS ESPECIAIS DE DRAWBACK. DESCARACTERIZAÇÃO, INOCORRÊNCIA. A descaracterização de Regime Aduaneiro Especial de Drawback isenção depende da demonstração de que as mercadorias objeto da lide não foram corretamente identificadas no despacho de importação. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente 1 julgado. - -- / RJ a 1T ARI ON ES DO AMARAL - Presidente , 'f / IC " 1 ' ULO ROSA - Relato' .....- \ FORMALIZADO EM: 19 á j ho de 2010 i Processo n° 11128 000395/2004-62 S3-C2T 1 Acórdão n° 3201-00.517 p. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Judith do Amaral Marcondes armando, Mércia Trajano D'Amorim, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Ricardo Paulo Rosa e Tatiana Midori Migiyama (Suplente). 2 Processo rip 11128„000395/2004-62 S3-C2T1 Acórdão n " 3201-00.517 Fl 363 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. O importado,; por meio da declaração de importação — Dl n" 01/0779780-6, de 07/08/2001, ,fl.. 16, importou a mercadoria descrita como "RESINAS =ORADAS ACRILICAS FORAFAC 11.57N", classificando na NCM 3906.90.49, com alíquotas de 16,5% de imposto de importação e 15% do imposto sobre produtos industrializados. Segundo a fiscalização, a classificação .fiscal correta para o produto é a NCM 3402,90,29, com alíquotas do imposto de importação de 20,5% e do imposto sobre produtos industrializados de .5% Baseou-se a autuação no Laudo Labana e 2567,01 de 10/10/2001,11s, 56 e seguintes. Através do Auto de Infração de fls. 01 a 61, cobraram-se as diferenças de imposto de importação, imposto sobre produtos industrializados, juros, multa de oficio e multa pela falta de guia de importação. Intimada do Auto de Infração em 17/02/2004 (11, 62), a interessada apresentou impugnação e documentos em 17/03/2004, juntados às folhas 34 e seguintes e 160 e seguintes, alegando em síntese: Preliminarmente, afirma que a mercadoria da adição 001 estaria coberta por ato concessário de Drawback, que teria sido desconsiderado pela fiscalização.. Ainda preliminarmente, alega que não foi retirada amostra da mercadoria da adição 002, sendo esse motivo ensejado,- de nulidade da autuação, Também como preliminar, alega que não houve compensação do IPI recolhido a maior na adição 002 com o exigido por este auto de infração na adição 001. No mérito alega que, na divergência entre a classificação indicada na fatura pelo fabricante, a adotada pelo importador e a indicada COMO correta pela fiscalização, deve prevalecer a do importador. A impugnante cita ,jurisprudência do Conselho de Contribuintes que acredita aplicar-se ao caso concreto, Alega que não .foi indicado o enquadramento legal da multa por falta de guia de importação, referindo-se o auto de infração apenas ao art 432 do Regulamento Aduaneiro que, não tipifica qualquer multa, 3 Processo n° 11128 000395/2004-62 S3-C2T1 Acórdão n,' 3201-00.517 Fl, 364 Por fim, requer que seja cancelada a presente autuação na sua integralidade, Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou sua decisão na ementa correspondente, Assunto Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 07/08/2001 Ementa' CLASSIFICAÇÃO FISCAL O produto com marca comercial FORAFAC 1157N, do fabricante ATOFINA da França, classifica-se na NCM 3402.90,29. RECLASSIFICAÇÃO FISCAL, COMPROVAÇÃO, Mantém-se a reclassificação fiscal realizada com base em Laudo Técnico que contenha elementos suficientes para comprovar que o produto examinado se enquadra, inequivocamente, no código tarifário determinado pela autoridade lançadora. PROVA EMPRESTADA. Laudo técnico exarado em outro processo administrativo pode ser utilizado como prova para importações diversas, desde que trate de produto originário do mesmo fabricante, com igual denominação, marca e especificação. REGIMES ADUANEIROS ESPECIAIS. DRAWBACK. DESPACHO DE IMPORTAÇÃO. A correta identificação e classificação tarifária de mercadoria importada sobre o regime de drawback é de competência da autoridade fiscal responsável pela análise da declaração de importação. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, confirmando entendimento até aqui defendido no processa Requer declaração de nulidade do auto de infração pelos erros de cálculo cometidos, inclusive em relação ao valor pago a maior na adição 002 da declaração de importação. Considera ter o mesmo efeito o erro de enquadramento legal decorrente da indicação de legislação posterior à data de ocorrência do fato gerador. Ainda mais, pela falta de indicação expressa do inciso do artigo 169 do Decreto-Lei 37/66 correspondente à infração cometida. Repisa que a concessão de beneficio de Drawback isenção à mercadoria da adição 002 afasta a possibilidade de imposição tributária e que não há comprovação de coleta do material correspondente. 4 Processo n° 11128 000395/2004-62 S3-C2T1 Acórdão n 032O1OQ517 Fl 365 No mérito, não discute a classificação tarifária propriamente dita, apenas repete que a presença de três classificações fiscais distintas: a sua, a do exportador e a do Fisco, tornaria o auto improcedente Processo o' 11128.000395/2004-62 S3-C2T1 AcérdzIo o ° 3201-00.517 Fl. 366 Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa Relator. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. A questão da concessão do beneficio de Drawback isenção foi examinada pelo i. Julgador da decisão de piso. Reproduzo excedas do voto. O regime em questão é aprovado para mercadorias específicas, nos termos de ato concessório emitido pela Secretaria de Comércio Exterior — SECEX, e deve conter os requisitos do art. 320 do Regulamento Aduaneiro: "Art. 320 Na modalidade de isenção de tributos, o beneficio será concedido mediante ato do qual constarão: a) valor e especificação da mercadoria exportada sujeita ao regime de que trata este Capítulo; b) especificação e código tarifário das mercadorias a serem importadas, com as quantidades e os valores respectivos, estabelecidos com base na mercadoria exportada; c) valores FOB e/ou CIF da unidade de mercadoria importada; d) outras condições, a critério da Comissão de Política Aduaneira." (grifo meu) Tais requisitos, para este caso concreto, estão expressos no Ato Concessorio Drawback n° 1560-01/000261-0 de 12/06/2001, fls. 30 a 41. Na fIL 31 estão listados os produtos e respectivos códigos tarifários cobertos pelo beneficio da isenção na importação. Através do laudo técnico Labana n° 2567.01 de 10/10/2001, fls. 56 e seguintes, ficou descaracterizada a classificação tarifária indicada pela impugnante, além de ficar demonstrado que o produto importado não guardava relação com a descrição utilizada na declaração de importação Verifica-se, pois, que a mercadoria importada não se enquadra em nenhuma daquelas informadas nos documentos a que se refere o ato concessório n° 1560-01/000261-0, fl. 31, os quais a empresa estaria autorizada a importar com suspensão dos tributos, seja em relação à descrição seja em relação ao código tarifário. Conforme se depreende do anexo ao Ato Concessório de Drawback e do próprio relatório de auditoria-fiscal, que acompanha o auto de infração, o ,Regime foi concedido, dentre outras mercadorias, para "resinas fluoradas acriclicas". 6 Processo n° 11128 000395/2004-62 S3-C2T1 Acórdão n°3201-00.517 F1 367 O importador informou na declaração de importação correspondente, a importação de mercadoria identificada como "Resinas fluoradas aerificas FORAFAC 1157N. A fiscalização, no auto de inflação, assim decidiu. Analisando o resultado do mesmo [Laudo de Análise 2567,01] , verifica-se ter sido definido que"não se tratava de Polímero Acrílico, em forma primária, ", mas sim efetivamente de "Preparação à base de Solução Hidro-Alcoólica de Derivado de Alquil Betaína Fluorado, uma Outra Preparação Tensoativa" (...) Ora, o que fica claro dos apontamentos acima, todos obtidos de informações presentes nos autos, é que não restou caracterizado importação de mercadoria distinta daquela autorizada no Ato Concessório de Drawback, qual seja, resinas fiuoradas acriclicas, já que as diferentes identificações acusadas pela fiscalização dizem respeito ao texto dos códigos tarifários correspondentes e não a especificação das mercadorias propriamente ditas. De resto, o simples erro de classificação não me parece, a priori, ser razão suficiente para exclusão do beneficio. Em todo o caso, não foi esse o critério jurídico adotado nos autos, restando impossível sugerir o início de uma discussão a respeito. No mesmo diapasão, decide-se a respeito da multa aplicada por falta de licenciamento. O Ato Declaratório Normativo Cosit n° 12/97 exclui da hipótese de ocorrência da infração por importar mercadoria sem guia de importação ou documento equivalente o erro de classificação fiscal de mercadoria que estiver corretamente descrita, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, definindo com isso uma situação na qual a infração não ocorrerá. Isso significa que o ADN Cosit n° 12/97 determina que não constitui infração o erro de classificação tarifária se presentes as circunstâncias nele especificadas, mas não determina que, não se encontrando presentes tais circunstâncias, o erro de classificação tarifário importará em que se considere ocorrida a infração. O COORDENADOR-GERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o item II da Instrução Normativa n°34, de 18 de setembro de 1974, e tendo em vista o disposto no inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n" 911)30, de 5 de março de 1985, e no art. 112, inciso IV, do Código Tributário Nacional - Lei e 5 172, de 25 de outubro de 1966, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso lido art, 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação de mercadoria objeto de licenciamento no Sistenia Integrado de Comércio Exterior - SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ç_ ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em 1 ' 7 Processo n" 11128 000395/2004-62 S3-C211 Acórdão n 3241-00,517 Fi 368 qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante (grifei) Ou seja, em obediência à norma, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil, tanto em atividade de execução quanto de julgamento, deverá considerar que não ocorreu a infração por importação sem licenciamento sempre que constatar que a mercadoria estava correta e suficientemente descrita, mas não que, contratio sensu, tenha ocorrido a infração sempre que a mercadoria estiver insuficientemente descrita, seja pela falta de elementos importantes à sua identificação ou de informações necessárias ao correto enquadramento tarifário. Trata-se de interpretação obtida da simples leitura do enunciado da norma, que determina que não constitui infração, em nenhum momento referindo-se às situações que constituam infração. Contudo, esse entendimento é corroborado pelas disposições subsequentes, ao especificar que as ocorrências nela contempladas são aquelas em que a classificação tarifária errônea exija novo licenciamento, automático ou não, admitindo, assim, que o erro de classificação tarifária possa não exigir novo licenciamento. Em termos mais objetivos, o que a norma determina é que não se considere infração o erro de classificação que exija novo licenciamento se a mercadoria estiver correta e suficientemente descrita e não que se considera infração o erro de classificação sempre que a mercadoria não estiver correta e suficientemente descrita, independentemente desse erro exigir ou não novo licenciamento A conseqüência disso é que, constatado o erro de classificação tarifária, em situações nas quais a mercadoria não esteja correta e suficientemente descrita, será sempre necessário avaliar se esse erro remete à exigência de novo licenciamento ou não. Para tanto, é preciso debruçar-se um pouco mais no estudo do assunto licenciamento de importações. O controle administrativo das importações a que se refere o caput do artigo 633 do Regulamento Aduaneiro, diz respeito ao controle que a administração exerce por ocasião da concessão da licença de importação e que se consolida no despacho aduaneiro e/ou na revisão aduaneira, quando os dados contidos na licença de importação serão cotejados com os demais documentos de instrução do despacho e com a própria mercadoria. Disso se extrai que o controle administrativo das importações é exercido em dois momentos distintos, (i) quando o Poder Público concede autorização para o particular importar mercadoria do exterior, nos prazos, condições e especificações estabelecidas na licença de importação e (ii) quando o Poder Público examina se as mercadorias importadas e demais documentos apresentados estão de acordo com os dados contidos na licença de importação. A atividade de controle exercida em cada uma dessas duas etapas é de competência de órgãos distintos dentro da administração pública federal, respectivamente, a Secretaria do Comércio Exterior SECEX e a Secretaria da Receita Federal do Bra RFB. y 8 Processo n° 11128,000395/2004-62 S3-C2TI Acórdão n ° 3201-00.517 F1 369 As divergências entre as informações contidas na licença de importação e as informações obtidas no despacho aduaneiro ou na revisão aduaneira, a partir do exame da mercadoria e demais documentos, é que ensejarão considerarem-se as importações como tendo sido realizada sem licença de importação, tendo em vista a desconsideração da licença apresentada. A Portaria Secex ri' 21/96 trazia algumas considerações relevantes no que diz respeito ao tipo de informações contidas em uma licença de importação, esclarecendo que tais informações caracterizavam a operação de importação e definiam o seu enquadramento. Os parágrafos 1° e 2° do artigo 7' da Portaria determinavam: "§ 1° As informações de natureza comercial, financeira, cambial e fiscal a serem prestadas para fins de licenciamento estão contidas no Anexo II da Portaria Intenninisterial MF/MICT n" 291, de 12 de dezembro de 1996. § 2" As informações de que trata o parágrafo anterior caracterizam a operação de importação e definem o seu enquadramento" A Portaria Secex n° 17, de 1° de dezembro de 2.003; contudo, revogou a Portaria Secex n° 21/96 e deixou de fazer menção expressa aos quatro elementos que, nos termos da Portaria Secex n° 21/96 caracterizam a operação de importação e definiam o seu enquadramento — as informações de natureza comercial, financeira, cambial e fiscal. Embora isso, é de se notar que, mesmo deixando de mencionar os elementos que caracterizam e enquadram a operação de importação, o artigo 10 da Portaria Secex n" 17/03 confirmou que nas importações sujeitas a licenciamento o importador deveria prestar as informações contidas no Anexo II da Portaria Interministerial MF/Mict n° 291, de 12 de dezembro de 1996, remissão idêntica a que fazia a Portaria Secex n° 21/96, ao referir-se às informações de natureza comercial, financeira, cambial e fiscal que caracterizavam e enquadravam a operação. Essa referência foi mantida nas Portarias Secex 14/04, 35/06 36/07 e 25/08. Art. 10. Nas importações sujeitas aos licenciamentos automático e não automático, o importador deverá prestar-, no Siscomex, as informações a que se refere o Anexo II da Portaria Interministerial MF/Mict n.o 291, de 12 de dezembro de 1996, previamente ao embarque da mercadoria no exterior. Ou seja, na prática, a edição da Portaria Secex n° 17/03 não provocou qualquer mudança no que diz respeito às informações que deverão ser prestadas pelo importador para a obtenção da licença de importação, devendo-se considerar que tais informações continuam sendo aquelas das quais o órgão licenciador lança mão no processo de análise do pedido de licenciamento. O Anexo II da Portaria Interministerial MF/Mict ri° 291/96 contém, portanto, todas as informações que devem ser prestadas pelo importador nas importações sujeitas a licenciamento, sendo essas as informações que poderão ser analisadas pela adminrs ação, com vistas à. concessão do licenciamento pleiteado. São elas: 1 - Importador Processo n° 11128,000395/2004-62 S3-C211 Acórdão n. 0 3201-00.517 F 1 370 2 - País de procedência 3 - URF de despacho 4 3 URF de entrada no País 5 - Exportador 6- Fabricante ou produtor 7 - Classificação fiscal da mercadoria na NCM 8 - Classificação da mercadoria na NALADI/SH ou NALADI/NCCA 9 - Quantidade na medida estatística 10 - Peso líquido em Kg 11 - INCOTERM 12 - Número "commoditie" 13 - Moeda na condição de venda 14 - Valor total da operação na moeda negociada 15 - Destaque NCM 16- Processo anuente 17 - Indicativos da condição da mercadoria 18- Descrição detalhada da mercadoria 18.1- Especificação 18.2 - Unidade comercializada 18.3 - Quantidade na unidade comercializada 18.4 - Valor unitário da mercadoria na condição de venda 19 - Acordo tarifário 20 - Regime de tributação para o Imposto de Importação 20. 1-Fundamentação legal 21- Ato Concessário Drawback 22 -Natureza cambial 22.1- Cobertura cambial 22.2 - Modalidade de pagamento 22.3 - Instituição financiadara 22.1- Código 222— Denominação 22.3 - Motivo da importação sem cobertura cambial 23 - Quantidade de dias para limite de pagamento 24 - Substituição de L1 25 - Informações complementares A relação contida no Anexo II da Portaria Interministerial MF/Mit n° 291/96 não deixa margem de dúvidas quanto ao alcance das informações exigidas pela Aàministração com vistas à analise e o deferimento da licença de importação Trata-se de innlação o Processo n 11128 000395/2004-62 S3-C2T1 Acórdão n 3201-00.,517 F1 371 exaustiva, abrangendo dados relacionados à mercadoria, seu enquadramento fiscal, à transação comercial, o pagamento etc. No processo de análise e deferimento da licença de importação, toda essa gama de informações especificada no Anexo II da Portaria 291/96 são do interesse da Administração e devem ser prestadas de forma correta, retratando precisamente a operação que se deseja licenciar, de tal sorte que todos os elementos relevantes para cada operação específica possam ser avaliados e a licença concedida ou indeferida, tendo em vista a adequação do pedido à política de controle das operações de importação vigente à época em que o licenciamento está sendo examinado. Os artigos 14 e 15 da Portaria Secex n° 17/0:3, abaixo transcritos, especificam qual procedimento será observado pela Decex (Departamento de Operações de Comércio Exterior) no caso de serem verificados erros e/ou omissões no preenchimento do pedido de licença. Art. 14„ Quando forem verificados erros e/ou omissões no preenchimento do pedido de licença ou mesmo a inobservância dos procedimentos administrativos previstos para a operação ou para o produto, o Decex registrará, no próprio pedido, advertência ao importador, solicitando a correção de dados §. 1" § 2, Art, 15, Não será autorizado licenciamento quando verificados erros significativos em relação à documentação que ampara a importação ou indícios de fraude ou patente negligência (grifei) Parágrafo Único. Em qualquer caso, serão ,fornecidas informações relativas aos motivos do indeferimento do pedido, assegurado o recurso por parte do importador, na forma da lei. O texto deixa claro, que, independentemente do tipo de operação para a qual se pretende obter a licença ou da mercadoria importada, em três hipóteses não será autorizado o licenciamento pleiteado pelo importador: erros significativos, indícios de fraude e patente negligência. Por outro lado, uma vez concedida a licença, ela poderá ser retificada antes ou depois do desembaraço das mercadorias, sendo preservada a validade do licenciamento original, desde que a alteração não descaracteriza a operação original. Art. 20, A empresa poderá solicitar a alteração do licenciamento, até o desembaraço da mercadoria, em qualquer modalidade, mediante a substituição, no Siscomex, da licença anteriormente deferida. § 10 A substituição estará sujeita a novo exame pelo(s) órgão(s) anuente(s), mantida a validade do licenciamento original § 20 Não serão autorizadas substituições que descaracterizenz a operação originalmente licenciada. \„, \ \J Processo n° 11128.000395/2004-62 S3-C2TI Acárdâo n*3201-00317 Fl 372 Ar!, 21, O licenciamento poderá ser retificado após o desembaraço da mercadoria, mediante solicitação ao órgão anuente, o que será objeto de manifestação fornecida em documento específico De todo o exposto, o que se extrai da legislação de regência é que será preciso decidir se o erro cometido pelo importador ao indicar a classificação incorreta da mercadoria descaracterizou ou não a operação originalmente licenciada, exigindo, por conseguinte, novo licenciamento. A leitura que se tem dos fatos relatados leva à conclusão de que esse aspecto se quer foi investigado. Não há como escapar de uma análise de mérito, caso a caso, de cada uma das importações licenciadas, buscando identificar se o erro de classificação tarifária descaracterizou a operação original, na medida em que para a NCM licenciada havia tratamento administrativo distinto daquele atribuído à NCM correta, para então, somente depois de constatada a necessidade de novo licenciamento, avaliar se a mercadoria estava ou não correta e suficientemente descrita, e só então decidir pela aplicação ou não da multa por importar mercadoria sem licença de importação ou documento equivalente. Finalmente, não faz nenhum sentido falar-se em três classificações distintas dando ensejo à exclusão do crédito tributário. O que ocorre é que, muitas vezes, constata-se que a classificação tarifária escolhida pela fiscalização não está correta, restando improcedente o auto de infração ante essa simples constatação, o que não aconteceu no caso concreto. Prejudicado o pedido de compensação do Imposto sobre Produtos Industrializados pago a maior na importação. Nos termos do artigo 59, § 3°, do Decreto 70,235/72, deixo de examinar as preliminares argüidp, para, no mérito, DAR PROVIMENTO INTEGRAL ao recurso apresentado pela c0 tribuinte, para afastar o crédito tributário exigido em decorrência da desconsideração do b-n cio de Drawback isenção e da multa por importação de mercadoria sem licença de imp• . RA 1ULO ROSA 12
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Numero do processo: 13709.003115/2004-62
Data da sessão: Thu Mar 11 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2000
PROCESSUAL, RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE,
NÃO-CONHECIMENTO, A apresentação do recurso voluntário fora do
prazo disposto no Decreto 70.235/72 impede o conhecimento do apelo,
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 1302-000.193
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por intempestivo, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: LAVÍNIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-09-01T23:37:48Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-09-01T23:37:48Z; Last-Modified: 2010-09-01T23:37:48Z; dcterms:modified: 2010-09-01T23:37:48Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:38ce9181-d2c4-4f2d-943c-02fac6eaf60d; Last-Save-Date: 2010-09-01T23:37:48Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-09-01T23:37:48Z; meta:save-date: 2010-09-01T23:37:48Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-09-01T23:37:48Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-09-01T23:37:48Z; created: 2010-09-01T23:37:48Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2010-09-01T23:37:48Z; pdf:charsPerPage: 1298; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-09-01T23:37:48Z | Conteúdo => SI-C31-2 H 1 . .:1 . ,;:..,:,-'':¡••• , .:16=W W:l'i., .;;.=e-'-N,'Al.•; MINISTÉRIO DA FAZENDA ),44.Y4W-jr.4 .w.' CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS ni!it:odi PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 13709.003115/2004-62 Recurso n" 141.09.3 Voluntário Acórdão n" 1302-00.193 — 3" Câmara / 2" Turma Ordinária Sessão de 11 de março de 2010 Matéria MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DCTF Recorrente QUIMIBRÁS INDÚSTRIAS QUÍMICAS S/A Recorrida DRJ-RIO DE JANEIRO/RJ ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2000 PROCESSUAL, RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE, NÃO-CONHECIMENTO, A apresentação do recurso voluntário fora do prazo disposto no Decreto 70.235/72 impede o conhecimento do apelo, Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por intempestivo, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MARCOS RODRIGUES DE MELLO - Presidente /- . ,----7-Y —.------' ,,./LM/ÍNIA. MORAES DE. ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA - Relatora 1117//' EDITADO E : 1 2 ASO 2010 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jacinto do Nascimento, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Eduardo de Andrade, Irineu Bianchi e Marcos Rodrigues de Mello. ] Processo n" 13709 003 I 15/2004-62 SI-C312 Acórd1lo n° 1302-00,193 F I '? Relatório Em 04/10/2004 a contribuinte fui autuada por multa devida em função do atraso na entrega da DCTF. A contribuinte houvera entregado a DCIF espontaneamente antes de procedimento fiscal. Em 10/11/2004 a contribuinte apresentou sua impugnação alegando que denunciou espontaneamente a sua infração, merecendo dispensa da multa de oficio, nos termos do artigo 138 do CTN na forma melhor interpretada por Ives Gandra Martins. Justifica ainda a empresa que o atraso deu-se porque a Secretaria do Estado da Saúde do Rio de Janeiro interditou a empresa. Em 30/11/2006 a Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro proferiu sua decisão julgando integralmente procedente o lançamento. A DRJ entendeu que a denúncia espontânea não se aplica à multa pelo atraso na entrega da DCTF. Isso porque a denúncia espontânea exige que o fato, que culminou na inflação, tenha sido, à sua época, desconhecido pela contribuinte. No futuro, então, tomando a contribuinte conhecimento do fato, ela o denuncia espontaneamente à autoridade, afastando a multa. A entrega da DCTF é obrigação legal regulamentada, com prazo determinado para cumprimento, que não é desconhecida. Ainda mais, a Lei estabelece a multa pelo atraso na entrega da DCTF e sua redução em 50% no caso da entrega espontânea da DCTF, ainda que atrasada, mas antes da ação fiscal Aplicar o artigo 138 do CTN ao caso significa considerar que a Lei é natimorta. A contrario senso, deve a administração pública seguir a Lei que determina a exigência da multa. A DRJ explicou ainda que a Secretaria do Estado da Saúde do Rio de Janeiro impediu a Quimibras Ltda, não a impugnante, de temporariamente fabricar determinados produtos, mas isso não explica o atraso na entrega da DCTF pela impugnante. Citada da decisão em 15/01/07, em 22/02/07 a contribuinte postou seu Recurso Voluntário à autoridade preparadora. Às fls. 20, 29 e 30 acusa a autoridade fiscal a intempestividade do recurso voluntário. É o relatório. Processo n° 13709 003115/2004-62 s1-c3t2 Acórdão n " 1302-00,193 Fl. 3 Voto Conselheira Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira O Decreto 70.235/72 determina: Art•5 U Os prazos serão contínuos, excluindo-se na sua contagem o dia do início e incluindo-se o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o wo. .„ ...„ . . Art. 33 Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com afeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão ............... ....... ......„ Art. 35, O recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. Neste caso, a contribuinte foi citada da decisão em 15/01/07, expirando seu prazo para apresentação do recurso em 14/02/07, quarta-feira, não acusada como feriada no calendário oficial do Rio de Janeiro. O recurso foi postado à repartição pública, nos correios, apenas em 22/02/07, razão pela qual é intempestivo. A intempestividade na apresentação do recurso acarreta sua perempção. Assim, precluso está o direito de demandar da parte recorrente, que deixou de apresentar a defesa no prazo legal. Nestes termos, não conheço o recurso voluntário dada a intempestividade na sua apresentação. É como voto. , LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA - Relatara 3 Processo n" 13709.003 115/2004-62 SI-C3'f2 Accirao n." 1302-00.193 Fl 4 4
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Numero do processo: 13502.000183/2002-24
Data da sessão: Fri Jul 09 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Fri Nov 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1996, 1997, 1998, 1999, 2000
NULIDADE.
Descabe a argüição de nulidade quando se verifica que o Auto de Infração foi lavrado por pessoa competente para fazê-lo e em consonância com a legislação vigente.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). VALIDADE.
O MPF é instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais, configurando-se objeto meramente informativo para os contribuintes, não implicando nulidade do lançamento eventuais falhas ou omissões relacionadas à sua emissão e trâmite.
LANÇAMENTO. DECADÊNCIA.
Nos casos em que se realize o lançamento por homologação com o pagamento antecipado do tributo o prazo de decadência segue a regra do art. 150, § 4º, do CTN, contando-se do dia seguinte ao fato gerador da obrigação, quando inexiste dolo, simulação ou fraude.
EXCESSO DE EXAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
Não há que se falar em excesso de exação quando os lançamentos das contribuições são calculados sobre a receita omitida, quando não existem provas de que estas receitas não constituam o faturamento da empresa.
EXCESSO DE EXAÇÃO. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. LEGALIDADE
A aplicação da Taxa SELIC como índice de atualização dos créditos tributários decorre de norma legal regularmente editada. Inexiste excesso de exação na sua aplicação regular.
Numero da decisão: 1401-000.285
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negaram provimento ao recurso de oficio e por maioria, deram provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a decadência relativamente aos créditos tributários de PIS e COFINS para os fatos geradores até março de 1997, vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro (Relator) e Viviane Vidal Wagner, que reconheciam a decadência apenas até 30/09/1996. Designada para redigir o voto vencedor nessa matéria, a Conselheira Karem Jureidini Dias.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator ad hoc.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Redator ad hoc.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Viviane Vidal Wagner (Presidente à época), Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmin Teixeira, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Mauricio Pereira Faro, Karem Jureidini Dias.
Nome do relator: Abel Nunes de Oliveira Neto
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Descabe a argüição de nulidade quando se verifica que o Auto de Infração foi lavrado por pessoa competente para fazêlo e em consonância com a legislação vigente. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). VALIDADE. O MPF é instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais, configurandose objeto meramente informativo para os contribuintes, não implicando nulidade do lançamento eventuais falhas ou omissões relacionadas à sua emissão e trâmite. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. Nos casos em que se realize o lançamento por homologação com o pagamento antecipado do tributo o prazo de decadência segue a regra do art. 150, § 4º, do CTN, contandose do dia seguinte ao fato gerador da obrigação, quando inexiste dolo, simulação ou fraude. EXCESSO DE EXAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em excesso de exação quando os lançamentos das contribuições são calculados sobre a receita omitida, quando não existem provas de que estas receitas não constituam o faturamento da empresa. EXCESSO DE EXAÇÃO. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. LEGALIDADE A aplicação da Taxa SELIC como índice de atualização dos créditos tributários decorre de norma legal regularmente editada. Inexiste excesso de exação na sua aplicação regular. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 01 83 /2 00 2- 24 Fl. 343DF CARF MF Processo nº 13502.000183/200224 Acórdão n.º 1401000.285 S1C4T1 Fl. 344 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negaram provimento ao recurso de oficio e por maioria, deram provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a decadência relativamente aos créditos tributários de PIS e COFINS para os fatos geradores até março de 1997, vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro (Relator) e Viviane Vidal Wagner, que reconheciam a decadência apenas até 30/09/1996. Designada para redigir o voto vencedor nessa matéria, a Conselheira Karem Jureidini Dias. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator ad hoc. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Redator ad hoc. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Viviane Vidal Wagner (Presidente à época), Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmin Teixeira, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Mauricio Pereira Faro, Karem Jureidini Dias. Relatório Iniciemos o presente com a transcrição do relatório da decisão de Piso apresentado quando do julgamento da Impugnação. Trata o presente processo de Autos de Infração que pretendem a exigência de crédito tributário relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, no valor de R$878.254,83 (oitocentos e setenta e oito mil duzentos e cinqüenta e quatro reais e oitenta e três centavos), à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no valor de R$342.017,91 (trezentos e quarenta e dois mil dezessete reais e noventa e um centavos), à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, no valor de R$92.738,84 (noventa e dois mil setecentos e trinta e oito reais e oitenta e quatro centavos), e à Contribuição para o Programa de Integração Social, no valor de R$25.494,21 (vinte e cinco mil quatrocentos e noventa e quatro reais e vinte e um centavos), acrescidos de multa de oficio e dos juros de mora, totalizando R$3.206.744,14 (três milhões duzentos e seis mil setecentos e quarenta e quatro reais e quatorze centavos). De acordo com a "descrição dos fatos", de fls. 08 e 09, constante do Auto de Infração referente ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas, foi verificada a ocorrência de omissão de receita, nos valores apurados conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal e Quadro Demonstrativo de Notas Fiscais Emitidas, integrantes do referido Auto. Consta do Termo de Verificação Fiscal de fl. 05, que: Fl. 344DF CARF MF Processo nº 13502.000183/200224 Acórdão n.º 1401000.285 S1C4T1 Fl. 345 3 a contribuinte foi intimada através do Termo de Início de Fiscalização, a apresentar os livros (Caixa, Diário e Razão, Registros de Apuração do Lucro Real — Lalur, de Apuração de 1CMS e ISS, Documentos Fiscais e Termos de Ocorrências) e documentos ali relacionados e solicitou por duas vezes prorrogação do prazo estipulado e, vencidos estes prazos, foi reintimada e mais uma vez não atendeu. Sendo mais uma vez intimada, respondeu que não tinha condições de apresentar a documentação requerida; através de consulta aos sistemas de controle da Secretaria da Receita Federal — SRF, verificouse que diversos contribuintes declararam ter pago à fiscalizada valores em moeda corrente, a título de prestação de serviços, os quais não estavam compatíveis com os valores constantes das declarações da fiscalizada; procedeuse à circularização junto aos mencionados contribuintes e estes responderam, apresentando documentação comprobatória da prestação de serviços pela empresa fiscalizada e pagamento dos valores correspondentes; tendo em vista que a fiscalizada não comprovou a escrituração daqueles valores, nem os declarou em suas declarações de rendimentos (DIRPJ), procedeuse à tributação conforme Auto de Infração e demonstrativos dele integrantes. O fato apurado foi capitulado como infração aos artigos: 195, inciso II, 197 e parágrafo único, 225, 226, 227 e 889, inciso II a IV, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 11 de janeiro de 1994 (RIR/1994); 24, da Lei n° 9.249, de 1995; 249, inciso II, 251 e parágrafo único, 278, 280, 288 e 841, inciso II a VI do Decreto n° 3000, de 26 de março de 1999 Regulamento do Imposto de Renda (R1R/1999). Instruem os autos: os Mandados de Procedimento Fiscal (MPF), os Termos de Início de Ação Fiscal e de Reintimação, as respostas da empresa, as intimações e notas fiscais do procedimento de circularização (fls. 1 e 2, 04, 36/37, 34/35, 39/124), cópia de fls. das DIRPJ e DIPJ (fls. 125/131) e o Termo de Encerramento no qual a autoridade fiscal fez constar que foram devolvidos "todos os livros e documentos utilizados na presente fiscalização, no estado em que foram recebidos" (fl. 164). Os Autos de Infração decorrentes, relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, à Contribuição para o Programa de Integração Social e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social encontramse às fls. 132/141, 142/153 e 154/163. A contribuinte tomou ciência dos lançamentos em 16/04/2002, impugnando os em 14/05/2002, sob os argumentos expostos a seguir: a subscrição irregular do segundo Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), pois já havia sido extinto o prazo preconizado no primeiro MPF emitido em Fl. 345DF CARF MF Processo nº 13502.000183/200224 Acórdão n.º 1401000.285 S1C4T1 Fl. 346 4 16/08/2001, segundo disposição contida no artigo 15, inciso II, da Portaria SRF n°3.007, de 2001, que regula a matéria; a extinção do MPF gera um vício insanável no ato impugnado "qual seja a prática do ato por servidor incompetente", verdadeira afronta ao Decreto n°70.235, de 1972, o que leva a considerálo nulo; o auditor fiscal que praticou o ato, na vigência do segundo MPF foi o mesmo incumbido da realização dos trabalhos que deveriam ser concluídos à égide do primeiro mandado, o que já é suficiente para configurar como impedido em relação a um eventual MPF destinado à conclusão do procedimento fiscal, à luz do que se vê no artigo 16, parágrafo único, da Portaria n°3.007, de 2001; a decadência se operou em relação aos fatos geradores relativos ao ano calendário de 1996, em virtude da natureza homologatória do lançamento do IRPJ, consoante previsão legal inserta no artigo 150, § 40, do Código Tributário Nacional; o fisco não foi autorizado a ampliar o prazo decadencial, por força da constatação de dolo, fraude ou simulação (artigo 173 do CTN); a impugnante, com base no artigo 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, requer perícia contábil designando, para tanto, o seu representante, formulando os seguintes quesitos: 1. "A escrita contábil e fiscal de PIL, referentes aos anoscalendário de 1996, 1997,1998, 199 e 2000 se presta à apuração do lucro real?" 2. "As notas fiscais enumeradas no denominado Quadro Demonstrativo de Notas Fiscais Emitidas, anexo ao Auto de Infração objeto da presente lide, estão perfeitamente individualizadas e lançadas no competente livro diário?" O referido pedido é pertinente, já que "não foi realizado lançamento por arbitramento" e sim suposta omissão em vistas do regime do lucro real"; os autos de infração reflexivos são intempestivos, tendo em vista a necessidade de se positivar a procedência do lançamento que os originou, mediante o seu julgamento final; os valores consignados nos autos de infração decorrentes constam, também, em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF, gerando "flagrante" duplicidade de cobrança. Em razão da suposta "contradição" existente entre o descrito nos Termos de Verificação Fiscal e Encerramento, junto com as respostas dadas pela autuada, especialmente a de fl. 38, dada à intimação de fl. 37 "não conseguimos localizar os restantes dos documentos, ficamos impossibilitados de fazer a escrituração contábil da Empresa, como também de apresentar os livros solicitados por V. sas" (sic) e, somandose os questionamentos Fl. 346DF CARF MF Processo nº 13502.000183/200224 Acórdão n.º 1401000.285 S1C4T1 Fl. 347 5 apresentados pela impugnante que dizem respeito à análise de sua escrita e documentos, o Despacho/DRJ/SDR n° 99, de 14 de junho de 2002, encaminhou o presente ,processo à DRF/CAMAÇARI, para realização de diligência objetivando que: a) a autoridade fiscal esclarecesse que livros e documentos haviam sido, porventura, apresentados, objeto de posterior devolução; b) os quesitos formulados pela impugnante fossem aclarados de forma a expor se as receitas de prestação de serviços foram ou não escrituradas nos livros exigidos segundo a tributação dos resultados pelo lucro real; c) o autuante observasse se a empresa mantém escrituração que embase referida forma de apuração; d) um parecer conclusivo fosse elaborado, com vistas à contribuinte, para que pudesse haver sua manifestação, se assim desejasse. No Relatório de Diligência (fls. 204 e 205) as perguntas formuladas no despacho supramencionado foram assim respondidas: a) o contribuinte não apresentou quaisquer livros contábeis ou fiscais escriturados durante a fiscalização, nem tão pouco comprovantes de receitas e despesas. Os documentos apresentados foram recibos de entrega de declarações do IRPJ e de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF, Contrato Social e alterações e DARF; b) em relação aos quesitos formulados pela impugnante, esclareço que: 1. a escrituração do contribuinte relativa aos anoscalendário de 1996 a 2000 poderia se prestar à apuração do lucro real desde que os valores escriturados fossem comprovados por documentação idônea, o que não ocorreu. 2. as notas fiscais enumeradas no "Quadro Demonstrativo de Notas Fiscais Emitidas" não estavam "perfeitamente individualizadas e lançadas no Competente livro Diário". c) durante a diligência, depois de intimada e reintimada a apresentar os livros contábeis e fiscais, bem como os documentos que comprovassem sua escrituração (termos e documentos em anexo), o contribuinte apresentou livros Diário relativos aos anoscalendário de 1997 a 2000, contudo, apesar do prazo e prorrogações que lhe foram concedidos, não apresentou os documentos que pudessem comprovar os valores escriturados. Os livros, ora apresentados, evidenciam que a escrituração foi refeita após o inicio da diligência, conforme Termos de Autenticação da JUCEB, dos livros Diário, todos com a mesma data de 28 de novembro de 2002 (cópias anexas), nas quais as receitas objeto da autuação foram, de fato, escrituradas, bem como valores referentes a custos e despesas sem, contudo, apresentar quaisquer documentos que lhes dêem respaldo. Fl. 347DF CARF MF Processo nº 13502.000183/200224 Acórdão n.º 1401000.285 S1C4T1 Fl. 348 6 Em face do exposto, o autuante e também signatário do Relatório de Diligência, conclui "que a escrituração do contribuinte não presta à forma de tributação adotada em suas declarações do IRPJ, qual seja, pelo lucro real, devendo ser apurado, s.m.j., conforme as regras do lucro arbitrado, visto que os livros Diário, embora escriturados, o seu conteúdo não está respaldado por documentação idônea, no que diz respeito aos custos e despesas, imprescindível para apuração do lucro real." Além do Relatório de Diligência, o processo retornou a esta DRJ/SDR com: MPF de Diligência; Termos de Intimação e Respostas da contribuinte; cópias dos Termos de Abertura dos livros Diário (documentos de fls. 206/219). Consta da fl. 221 Memo n° 044/05/DRF/CCl/Sacat, solicitando o presente processo, justificando a necessidade de análise de pleito da contribuinte que teria alegado duplicidade na cobrança dos débitos constantes do Auto de Infração formalizado neste processo, com débitos inscritos em divida ativa da União, processos n° 13502.200831/200321 e 13502.200044/200461. De acordo com o Despacho DRJ/SDR n° 57, de 01/04/2005, o processo foi enviado à DRF/Camaçari/Ba, tendo sido anexados "Termo de Vista em Processo" Procuração, cópia da identidade da procuradora constituída pela contribuinte, "Solicitação de Cópia de Documentos" e respectivo DARF (fls. 224 a 229). Analisando a impugnação a Delegacia de Julgamento proferiu acórdão no qual acolheu parcialmente a preliminar de decadência apenas em relação aos fatos geradores do IRPJ e CSLL ocorridos até 30/09/1996 e no mérito julgou procedente em parte o lançamento para cancelar as exigências não decaídas do IRPJ e CSLL tendo em vista que foram tributadas pelo lucro real, enquanto deveriam ter sido lançadas pelo lucro arbitrado. Da referida decisão a próprio Delegacia recorreu de ofício quanto à parcela exonerada. Cientificado da decisão, o recorrrente apresentou recurso voluntário no qual aduziu as seguintes razões: Preliminar de Nulidade quanto à distribuição do MPF ao mesmo fiscal e quanto ao esgotamento do prazo para a conclusão do MPF; Preliminar de Decadência do PIS e COFINS. Alega que a decisão de Piso considerou o prazo de decadência de 10 anos estabelecido por Lei Ordinária, enquanto que o art. 173 do CTN estabelece o prazo de decadência de cinco anos. Reflexos no PIS e COFINS. Alega que como a decisão de Piso considerou inválidos os lançamentos do IRPJ e CSLL, como o PIS e COFINS lançados são deles decorrente, também devem ser considerados indevidos. Excesso de Exação. Alega que a DRJ excedeu na cobrança do crédito devido tendo em vista que ampliou a base tributável do PIS e COFINS tendo em vista a Fl. 348DF CARF MF Processo nº 13502.000183/200224 Acórdão n.º 1401000.285 S1C4T1 Fl. 349 7 inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98. Contesta, ainda, a aplicação da taxa SELIC. É o relatório do essencial. Voto Vencido Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Relator ad hoc Os recursos são tempestivos e preenchem os requisitos legais, assim deles tomo conhecimento. Em primeiro lugar há de se informar que o presente voto está sendo elaborado mediante designação deste relator para a confecção da redação do acórdão em face de este não ter sido formalizado pelos então relator e redator designados à época do julgado. Destaquese, no entanto, que o presente acórdão será formalizado de acordo com as informações da ata de julgamento publicadas na imprensa oficial. Apresentados os destaques, passemos a analisar os pontos de discordância apresentados nos recursos. Do Recurso de Ofício. O recurso de ofício decorre da decisão da Delegacia de Julgamento no que concerne a ter aceitado a decadência do IRPJ relativo aos períodos de apuração ocorridos até 30/09/1996, além do julgamento pela improcedência do lançamento em relação ao IRPJ e a CSLL, tendo em vista que os valores foram lançados pela sistemática do lucro real quando a empresa não possuía contabilidade e livros obrigatórios, o que demandaria o lançamento pelo lucro arbitrado e da repercussão no lançamento do PIS de janeiro e fevereiro/1996, em razão de ter sido lançado pela sistemática do PIS/Repique que leva em consideração o IRPJ devido. Assim se manifestou a Delegacia de Julgamento a respeito destes temas: Decadência. "Ainda preliminarmente, a impugnante afirma que estaria extinto o direito da Fazenda Pública de promover o lançamento do IRPJ referente aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 1996, pois, submetendose este ao lançamento por homologação, o prazo decadencial teria encerrado em 31/12/2001. Inicialmente, importa ressaltar que o termo inicial do prazo decadencial do imposto de renda é alvo de controvérsias na doutrina e na jurisprudência tanto judicial quanto administrativa. A controvérsia dividese em duas grandes correntes, segundo as quais a decadência regese ou pelo art. 150, Fl. 349DF CARF MF Processo nº 13502.000183/200224 Acórdão n.º 1401000.285 S1C4T1 Fl. 350 8 tese defendida pela impugnante, ou pelo art. 173, ambos do Código Tributário Nacional (CTN). O artigo 173 do CTN trata da extinção do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário, in verbis: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II— da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. O inciso I do dispositivo acima estabelece a regra geral para o dia de início da contagem do prazo decadencial, de onde decorre que para o imposto de renda, na forma de tributação do lucro real mensal, para os fatos geradores, até 31/10/1996, o lançamento poderia ser efetuado dentro do próprio ano calendário de 1996 e a decadência começa fluir em 1° de janeiro do ano calendário seguinte. Já, com relação aos fatos geradores ocorridos em 30/11/1996 e 31/12/1996, para os quais o lançamento só pode ser efetuado no anocalendário seguinte, a decadência começa a fluir em I° de janeiro de 1998. Por outro lado, está pacificado na doutrina e na jurisprudência que o lançamento do imposto de renda é do tipo "lançamento por homologação", no qual o contribuinte tem o dever de apurar o imposto e pagar antes de qualquer ação do Fisco, lançamento este objeto das disposições do art. 150 do CTN, conforme abaixo transcrito: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § I° O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. Fl. 350DF CARF MF Processo nº 13502.000183/200224 Acórdão n.º 1401000.285 S1C4T1 Fl. 351 9 § 2° Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3° Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4° Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Diante do parágrafo 40 acima, em que é estabelecido um lapso de tempo (cinco anos) idêntico ao do prazo decadencial do art. 173 e determinase a extinção do crédito tributário se a Fazenda Pública não se pronunciar, poder seia acreditar que o prazo decadencial para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação contaria da data da ocorrência do fato gerador, não sendo aplicável o art. 173. Entretanto, analisando o mencionado dispositivo, verificase que o artigo 150 está voltado exclusivamente a regular o lançamento por homologação, sem tratar de prazo decadencial para lançamento do tributo, este objeto apenas do art. 173. Neste sentido, o artigo 150 objetiva conferir definitividade a um pagamento efetuado sem o prévio lançamento de oficio, ou seja, para que o crédito tributário seja extinto pelo pagamento é necessário que ele tenha sido anteriormente constituído e a forma encontrada pelo legislador foi criar a figura do "lançamento por homologação", que não é propriamente um lançamento, mas uma disposição legal para atribuir um crédito tributário a um pagamento efetuado sem a atuação do Fisco. Tendo em vista o dever do sujeito passivo de apurar e antecipar o pagamento, se não houvesse a figura do lançamento por homologação, tal pagamento não teria um crédito tributário a ele associado, pois, segundo o CTN, o crédito tributário é constituído pelo lançamento e esta atividade é privativa do Fisco. Diante do exposto, o prazo decadencial é sempre regido pelo art. 173, mesmo no caso dos tributos sujeitos à homologação, pois o prazo estabelecido no parágrafo 4° do art. 150, não trata da decadência do direito de lançamento de oficio da Fazenda Pública, mas de um prazo de homologação tácita que tem o efeito de associar a extinção de um crédito tributário a um pagamento efetuado pelo sujeito passivo. Desse modo, para o caso em exame, temos que relativamente aos fatos geradores até 30/09/2006, tendo iniciado a contagem do prazo decadencial em 01/01/1997 — exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter Fl. 351DF CARF MF Processo nº 13502.000183/200224 Acórdão n.º 1401000.285 S1C4T1 Fl. 352 10 sido efetuado — o direito para o Fisco constituir o crédito tributário extinguiuse ao final do anocalendário de 2001, estando decadente o lançamento do IRPJ relativo a estes fatos geradores, cuja constituição foi efetuada em 16/04/2002, data da ciência do auto de infração. Referente aos fatos geradores ocorridos em 31/12/1996, não há que se falar em decadência do lançamento constituído em 16/04/2002, pois tendo iniciado a contagem do prazo decadencial em 01/01/1998 — exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado — o direito para o Fisco constituir o crédito tributário só viria se extinguir ao final do anocalendário de 2002." Não merece reparos a decisão da Delegacia de Julgamento a respeito do assunto. A tese acolhida foi a da decadência dos lançamentos de IRPJ trimestrais relativos aos fatos geradores ocorridos até 30/09/1996, tendo em vista que a aplicação da hipótese do art. 173, I, do CTN e em razão de o lançamento somente ter sido efetuado em 16/04/2002. A aplicação da contagem da decadência no caso é correta no entender deste relator. A hipótese do art. 173, I, do CTN é aplicável aos casos de lançamento de ofício e, assim, a contagem do prazo decadencial deve se iniciar no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito tributário poderia ser lançado. Por isso, em relação ao ano de 1996, apenas o lançamento do IRPJ do período de apuração de 31/12/1996, cujo início do prazo de decadência somente se iniciou em 01/01/1998 é que não restou atingido pela decadência. Pelo exposto, neste ponto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. Da Improcedência dos lançamentos realizados pelo Lucro Real. Neste ponto a Delegacia de julgamento considerou improcedentes os lançamentos de IRPJ e CSLL dos períodos não decaídos, além dos de PIS/Repique relativos aos meses de janeiro e fevereiro de 1996, tendo em vista que os lançamentos relativos à omissão de receitas que foram cancelados em relação ao IRPJ refletem na base de cálculo do PIS/Repique. Apresentemos o pronunciamento da Delegacia de Julgamento a respeito. "Não havendo outras preliminares a serem analisadas, passase à análise do mérito da tributação atinente às matérias não alcançadas pela decadência. A tributação do IRPJ concernente aos fatos geradores ocorridos a partir de 31/12/1996, incidiu sobre as receitas omitidas levantadas durante a ação fiscal, perfeitamente demonstradas nos autos, de acordo com as regras previstas para a apuração do resultado tributável com base no Lucro Real. A omissão de receitas apontada pela Fiscalização está perfeitamente demonstrada no presente processo. Todavia, à vista dos Termos de Início de Ação Fiscal (fl. 04) e de Reintimação (fls. 36 e 37), das respostas da empresa (fls. 34, 35 e 38), do Relatório de Diligência (fls. 204 e 205), dos Termos de Intimação emitidos por ocasião da diligência e respectivas respostas (fls. 207/211), observase estar evidenciado que, à época em que foi efetuado o lançamento em questão, relativamente ao período autuado, a pessoa jurídica não preenchia os requisitos exigidos pela legislação, para que seus resultados Fl. 352DF CARF MF Processo nº 13502.000183/200224 Acórdão n.º 1401000.285 S1C4T1 Fl. 353 11 tributáveis fossem apurados com base no Lucro Real, uma vez que não mantinha os livros e documentos da escrituração com observância das leis comerciais e fiscais a que estava obrigada por força do disposto no artigo 251 do RIR/1999. Assim, por imposição legal expressa, contida no artigo 530, também do RIR/1999, o IRPJ devido nos períodos de apuração objeto da autuação deveria ter sido determinado com base nos critérios do Lucro Arbitrado, fato este reconhecido pelo próprio autuante, no Relatório de Diligência. Diante do exposto, a tributação do IRPJ, não atingida pela decadência, não deve prosperar por estar em desacordo com as regras de tributação de regência. Pelas mesmas razões de mérito expostas acima, também deve ser afastada a tributação relativa à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. O lançamento da Contribuição para o Programa de Integração Social — Pis/Repique concernente aos fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro e fevereiro de1996, tem por base de cálculo o IRPJ — que, independentemente de ter sido alcançado pela decadência, no mérito, não prosperaria, pois, conforme já comentado, foi apurado em desacordo com a legislação fiscal de regência. Logo, deve ser afastada a tributação do Pis nos referidos períodos de apuração." Da análise do que foi decidido pela Decisão de Piso constatase que a motivação do julgamento pela improcedência do lançamento decorreu do fato de ter sido considerado que analisadas as peças processuais verificouse a inexistência de escrituração fiscal e dos livros obrigatórios pela empresa, assim, pela leitura realizada por àquela Delegacia, o lançamento, obrigatoriamente, deveria ter sido realizado pela sistemática do lucro arbitrado e não pelo lucro real, como realizado. Entendo pertinente a decisão de Piso neste ponto. Ante a inexistência de escrituração fiscal e dos livros obrigatórios às empresas que são obrigadas ao lucro real, não sendo possível a apuração do lucro real, seria obrigatória a tributação do IRPJ pela sistemática do lucro arbitrado. Assim não procedeu a fiscalização. O lançamento foi realizado pelo lucro real quando, na hipótese, era obrigatória a incidência do arbitramento dos lucros para fins de tributação. Por estas razões, entendo correta a decisão de piso que considerou improcedentes os lançamentos de IRPJ e CSLL não atingidos pela decadência e os reflexos no PIS/Repique de janeiro e fevereiro/1996. Por estas razões, também neste ponto voto no sentido de negar provimento apo recurso de ofício. Fl. 353DF CARF MF Processo nº 13502.000183/200224 Acórdão n.º 1401000.285 S1C4T1 Fl. 354 12 Do Recurso Voluntário Passamos, agora, à análise dos pontos de recurso apresentados pelo recorrente em sua peça. Preliminar de Nulidade quanto à distribuição do MPF ao mesmo fiscal e quanto ao esgotamento do prazo para a conclusão do MPF; Neste ponto o recorrente apresenta as mesmas razões de recurso apresentadas quando da impugnação ao lançamento. Analisando a decisão de Piso no que respeita a este ponto entendo que a análise foi suficientemente abrangente a demonstrar a insubsistência da apontada nulidade pelo recorrrente. Assim, aproveito os fundamentos demonstrados na decisão de Piso para utilizálos como razões de decidir o presente ponto do recurso. Quanto à alegação de nulidade, cabe inicialmente aduzir que a única hipótese prevista de nulidade dos atos processuais, entre os quais se incluem os autos de infração, está perfeitamente definida no inciso I do artigo 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, e referese ao caso em que a lavratura tenha sido feita por pessoa incompetente, o que não se aplica à presente situação, eis que a legislação em vigor conferiu ao AuditorFiscal da Receita Federal competência exclusiva para a realização do lançamento, o que foi aqui efetivado com a lavratura dos autos de infração. A impugnante afirma que o lançamento padece de vicio grave, qual seja, a sua lavratura por autoridade incompetente, tendo em vista que o Auditor Fiscal que o praticou — designado no 2° MPF, emitido em 13/03/2002, destinado à conclusão dos trabalhos — foi o mesmo a quem coube a condução dos trabalhos do 1° MPF emitido em 16/08/2001, que já havia sido extinto por decurso de prazo, o que é vedado pelo artigo 16, parágrafo único da Portaria n° 3.007, de 2001. O MPF foi criado pela Portaria SRF n° 1.265, de 22 de novembro de 1999, com fundamento no art. 190, inciso III do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF n° 227, de 03 de setembro de 1998; art. 196 do Código Tributário nacional (CTN), e art. 6° da Medida Provisória n° 1.9153, de 24 de setembro de 1999, tendo em vista a necessidade de disciplinar a execução dos procedimentos fiscais. No ano de 2002, o MPF era regido pela Portaria SRF n° 3.007, de 26 de novembro de 2001 e atualmente vigora a Portaria RFB n°4.328, de 05 de setembro de 2005. A Portaria SRF n°3.007, de 2001, em seus artigos 12 a 16, dispõe in verbis: Art. 12. Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade: I cento e volte dias, nos casos de MPFF e de MPFE; II sessenta dias, no caso de MPFD. Art. 13. A prorrogação do prazo de que trata o artigo anterior poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de trinta dias. Fl. 354DF CARF MF Processo nº 13502.000183/200224 Acórdão n.º 1401000.285 S1C4T1 Fl. 355 13 § I° A prorrogação de que trata o caput farseá por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação estará disponível na Internet, nos termos do art. 7°, inciso VIII. § 2° Após cada prorrogação, o AFRF responsável pelo procedimento fiscal fornecerá ao sujeito passivo, quando do primeiro ato de oficio praticado junto ao mesmo, o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação, contendo o MPF emitido e as prorrogações efetuadas, reproduzido a partir das informações apresentadas na Internet, conforme modelo constante do Anexo VI. Art. 14. Os prazos a que se referem os arts. 12 e 13 serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento, nos termos do art. 52 do Decreto n2 70.235, de 1972. Parágrafo único. A contagem do prazo do MPFE farseá a partir da data do início do procedimento fiscal. Art. 15. O MPF se extingue: I pela conclusão do procedimento fiscal, registrado em termo próprio; II pelo decurso dos prazos a que se referem os arts. 12 e 13 . Art. 16. A hipótese de que trata o inciso II do artigo anterior não implica nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade responsável pela emissão do Mandado extinto determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal. Parágrafo único. Na emissão do novo MPF de que trata este artigo, lei não poderá ser indicado o mesmo AFRF responsável pela execução do Mandado extinto. Obs: Os destaques não constam do original. No caso em comento, observese que em 16/08/2001 foi emitido o MPF n° 05104002001000567, determinando procedimento de fiscalização na contribuinte, referente aos períodos de apuração ocorridos de 01/1996 a 12/1996, e para executálo foram designados os Auditores Fiscais Daniel Meira (como supervisor) e Marcos Coutinho Vianna, autorizados a praticar, isolada ou conjuntamente, todos os atos necessários à sua realização. Já o MPF n° 05.1.04.002002000170, emitido em 15/03/2002, determinou procedimento de fiscalização na contribuinte, referente aos períodos de apuração ocorridos de 01/1996 a 12/2000, sendo indicado para a sua execução apenas o AuditorFiscal Daniel Meira. Assim, não é verdadeira a afirmação da impugnante de que no segundo MPF foi atribuída a mesma finalidade contida no 1° MPF e, a rigor, a indicação dos responsáveis pela execução, também não é a mesma. Portanto, não é seguro concluir que a situação aqui configurada enquadrase na vedação expressa no artigo 16, parágrafo único, da Portaria SRF n° 3.007, de 2001. Fl. 355DF CARF MF Processo nº 13502.000183/200224 Acórdão n.º 1401000.285 S1C4T1 Fl. 356 14 Além disso, o processo administrativo fiscal (PAF), na esfera federal, tem regime jurídico próprio, estampado no Decreto n° 70.235, de 1972, ao qual atribuise status de lei e em seu artigo 59 estão previstos os únicos casos de nulidade como já comentado anteriormente neste Voto e em função do disposto no inciso 1, a discussão se estabeleceria em tomo da competência do auditor que procedeu ao lançamento em face da alegada invalidade deste em decorrência de vício na emissão de MPF. A competência do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal (AFRF) é trazida pela Lei n° 10.593, de 06 de dezembro de 2002: Art. 6° Silo atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal, no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda, relativamente aos tributos e às • contribuições por ela administrados: 1 em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário; b) elaborar e proferir decisões em processo administrativofiscal, ou delas participar, bem como em relação a processos de restituição de tributos e de reconhecimento de benefícios fiscais; c) executar procedimentos de fiscalização, inclusive os relativos ao controle aduaneiro, objetivando verificar o cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo, praticando todos os atos definidos na legislação específica, inclusive os relativos à apreensão de mercadorias, livros, documentos e assemelhados; d)proceder à orientação do sujeito passivo no tocante à aplicação da legislação tributária, por intermédio de atos normativos e solução de consultas; e e) supervisionar as atividades de orientação do sujeito passivo efetuadas por intermédio de mídia eletrônica, telefone e plantão fiscal; e H em caráter geral, as demais atividades inerentes à competência da Secretaria da Receita Federal, Obs: Os destaques não constam do original. Verificase que o desenvolvimento do procedimento fiscal e a atividade de lançamento do crédito tributário compõem a competência do AFRF legalmente estabelecida. A SRF não pretendeu, com a publicação das Portarias n° 1.265, de 1999 e n° 3.007, de 2001, restringir a competência do detentor do cargo de Auditor Fl. 356DF CARF MF Processo nº 13502.000183/200224 Acórdão n.º 1401000.285 S1C4T1 Fl. 357 15 Fiscal da Receita Federal (AFRF), o que só a lei poderia fazer, mas sim disciplinar a atuação do órgão visando alcançar uma maior eficiência, buscando a excelência de resultados. O próprio instrumento utilizado, a Portaria, é fórmula pela qual autoridades de nível inferior ao de Chefe do Executivo, sejam de qualquer escalão de comandos que forem, dirigemse a seus subordinados, transmitindo decisões de efeito interno, quer com relação ao andamento das atividades que lhes são afetas quer com relação à vida funcional dos servidores, ou, até mesmo, por via delas, abremse inquéritos, sindicâncias, processos administrativos, segundo lição de Celso Antônio Bandeira de Mello. O Mandado de Procedimento Fiscal nada mais é do que uma ordem para que determinado AFRF execute um procedimento fiscal em relação a um contribuinte especifico. Esta ordem é cientificada ao contribuinte, mas em nada altera a competência legal do fiscal, acima apontada. Tendo sido constatada a existência de irregularidade, é o AFRF obrigado a adotar os procedimentos legais pertinentes, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do art. 142 e § único do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (grifei) Fica clara a proteção que a Lei Complementar dá ao crédito tributário, e o Decreto regulador do PAF não age diferente, indo ao limite entre o interesse individual e o coletivo, afastando da tributação apenas os fatos em que o direito de defesa seja violado no processo, ou pela incompetência do agente que procedeu à auditoria. Portanto, o procedimento fiscal está plenamente sustentado pela norma legal, motivo pelo qual rejeito a alegação de nulidade. Da análise das nulidades apontadas pelo recorrente em relação ao fiscal responsável pelo procedimento e os MPF's emitidos para autorização do mesmo, demonstrase que não ocorreu nenhuma nulidade, até mesmo porque o MPF é instrumento de controle da atividade da administração, servindo para evitar procedimentos indevidos contra o contribuinte. Fl. 357DF CARF MF Processo nº 13502.000183/200224 Acórdão n.º 1401000.285 S1C4T1 Fl. 358 16 A nulidade de um procedimento, para ser passível de declaração nestes termos deve ocasionar uma violação ao pleno exercício de direito de defesa da empresa no caso. Analisandose a situação dos autos não se demonstra a existência de nenhuma violação que tenha ocasionado prejuízos na defesa do contribuinte, razão pela qual comungo com o entendimento apresentados pela Decisão de Piso, que passam a constar como fundamentos de decidir deste voto. Pelo exposto, dadas as considerações acima, voto no sentido de rejeitar a preliminar suscitada. Preliminar de Decadência do PIS e COFINS. Alega que a decisão de Piso considerou o prazo de decadência de 10 anos estabelecido por Lei Ordinária, enquanto que o art. 173 do CTN estabelece o prazo de decadência de cinco anos. Em relação a esta preliminar de decadência o recorrente alega que a decadência a ser implementada deve ser contada com o prazo do art. 173, I, do CTN e não com o prazo estabelecido por Lei Ordinária que trata dos débitos previdenciários. A este respeito, entendo assistir parcial razão ao contribuinte. Na verdade, considerando este relator que os lançamentos de PIS e COFINS foram realizados na forma de reflexos quanto aos lançamentos de IRPJ, entendo que a sorte que levou à consideração da decadência do IRPJ pela decisão de Piso, que alcançou os créditos tributários de IRPJ com fatos geradores ocorridos até 30/09/1996, deve ser refletida nos lançamentos de PIS e COFINS que lhe são decorrentes. Entendo neste sentido em razão da obrigatória reflexão das decisões tomadas a respeito da subsistência dos lançamentos do IRPJ, assim, como são do lançamento em si, nos demais tributos decorrentes. Assim, se os lançamentos de PIS e COFINS decorreram dos lançamentos de IRPJ e se estes foram considerados decaídos até o fato gerador de 30/09/1996, inclusive, há de se aplicar a decorrência da consideração da decadência aos lançamentos de PIS e COFINS. Por estas razões, neste ponto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso para considerar decaídos os lançamentos de PIS e COFINS cujos fatos geradores ocorreram até 30/09/1996. Reflexos no PIS e COFINS. Alega que como a decisão de Piso considerou inválidos os lançamentos do IRPJ e CSLL, como o PIS e COFINS lançados são deles decorrente, também devem ser considerados indevidos. Neste ponto o recorrente alega que em relação ao PIS e COFINS, como os lançamentos foram realizados como decorrentes dos lançamentos de IRPJ, se os lançamentos do IRPJ foram considerados improcedentes, assim devem ser considerados os lançamentos do PIS e COFINS de todos os demais períodos não atingidos pela decadência. Fl. 358DF CARF MF Processo nº 13502.000183/200224 Acórdão n.º 1401000.285 S1C4T1 Fl. 359 17 Ocorre que, excluído o efeito da decadência, a decorrência dos lançamentos do PIS COFINS não é absoluta. Explico. Os lançamentos de PIS e COFINS ocorreram em razão da hipótese de omissão de receitas constatada pela fiscalização. Verificada a omissão. foram realizados os lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS sobre as receitas omitidas. No entanto os lançamentos de IRPJ e CSLL foram julgados improcedentes não porque deixou de existir a omissão, mas sim porque diante da omissão, a fiscalização realizou os lançamentos pela sistemática do lucro real, quando deveriam ter sido efetuados pela sistemática do lucro arbitrado. Assim, em verdade a insubsistência do lançamento em relação ao IRPJ não reflete no PIS e COFINS em função de que as receitas omitidas que serviram de base para os lançamentos de PIS e COFINS permaneceram incólumes. Ora, existindo a omissão de receitas, deve ser realizado o lançamento do PIS e COFINS que deveriam ter sido recolhidos sobre as receitas omitidas. Por estas razões, a improcedência do lançamento do IRPJ não tem como se refletir para fins de cancelar as exigência do PIS e COFINS. Pelo exposto, neste ponto nego provimento ao recurso. Excesso de Exação. Alega que a DRJ excedeu na cobrança do crédito devido tendo em vista que ampliou a base tributável do PIS e COFINS tendo em vista a inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98. Contesta, ainda, a aplicação da taxa SELIC. Neste ponto o recorrente alega que a decisão de Piso manteve os lançamentos relativos ao PIS e COFINS com a base tributável incorreta, vez que não considerou a inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da lei nº 9.718/98. Ora, os lançamentos de PIS e COFINS não atingidos pela decadência se referem à omissão de receitas por parte da empresa. Não existe nenhuma informação no conjunto de peças processuais, nem mesmo alegação do contribuinte neste sentido, de modo a demonstrar que as receitas omitidas não se referem a receitas da atividade normal da empresa. Para que se pudesse aplicar a exclusão de receitas que não compunham o faturamento da empresa, farseia necessário que o contribuinte demonstrasse e provasse que as receitas omitidas, ou parte delas, não compunham o faturamento da empresa, ou seja, não decorriam se duas atividades regulares. Não existindo nenhuma prova neste sentido que tenha sido apresentada pelo recorrente não há como se lhe acatar o pedido, haja vista que esta questão é de matéria eminentemente probatória. Em relação à aplicação da Taxa SELIC, a aplicação desta taxa como forma de atualização monetária encontra respaldo nas normas legais que determinam a atualização do crédito tributário pago em atraso. Fl. 359DF CARF MF Processo nº 13502.000183/200224 Acórdão n.º 1401000.285 S1C4T1 Fl. 360 18 Assim, não pode este Conselho julgar recursos contra disposição expressa de Lei, posto ser uma vedação legal de sua atuação. Apenas o Poder Judiciário, em razão de reserva legal, pode decidir contra a aplicação de norma regularmente editada. Por estas razões, também neste ponto nego provimento ao recurso. Ante todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício e de dar parcial provimento ao recurso voluntário apenas para reconhecer a decadência dos lançamentos de PIS e COFINS relativos aos períodos ocorridos até 30/09/1996. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator ad hoc Voto Vencedor Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Redator ad hoc Tendo sido designado para apresentar a redação do voto vencedor, passo à concretização da tarefa. O Conselheiro relator do presente processo considerou que, em relação aos lançamentos de PIS e COFINS, estariam decaídos apenas os lançamentos relativos aos fatos geradores ocorridos até 30/09/1996, em razão de aplicar a estes créditos tributários a reflexão da decadência dos lançamentos de IRPJ. Discordo da opinião do Conselheiro relator neste ponto. A contagem do prazo decadencial do IRPJ é diferente da contagem do mesmo prazo para o PIS e COFINS. Em verdade, no presente caso, ao contrário do entendimento proferido pela Decisão de Piso, entendo que para a contagem do prazo decadencial há de incidir a norma do art. 150, § 4º, do CTN, tendo em vista a existência de pagamentos realizados pela empresa e a homologação do lançamento após decorridos cinco anos do pagamento. Por isso, a contagem do prazo decadencial deve se iniciar a partir do mês seguinte ao da ocorrência dos fatos geradores, se completando com o decurso de cinco anos sem a realização dos lançamentos. Fl. 360DF CARF MF Processo nº 13502.000183/200224 Acórdão n.º 1401000.285 S1C4T1 Fl. 361 19 No presente caso o lançamento ocorreu apenas em abril/2002, desta forma, considerandose que os lançamentos de PIS e COFINS são mensais, estariam decaídos os lançamentos relativos aos períodos de apuração ocorridos até março de 1997, tendo em vista que o prazo decadencial se completou em março de 2002, sem a intimação do lançamento. Assim, discordando do Conselheiro relator, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso para considerar decaídos os lançamentos de PIS e COFINS relativos aos períodos de apuração ocorridos até março de 1997, tendo em vista que o prazo de homologação tática completouse em março de 2002, restando decaído o lançamento relativo a estes período, vez que somente foi realizado em abril de 2002. É como voto. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Redator ad hoc Fl. 361DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13807.014053/99-41
Data da sessão: Mon Jul 05 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica
Ano-calendário: 1996
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL — O prejuízo fiscal só pode
ser compensado com o lucro real (mensal ou anual) apurado nos meses ou nos anos-calendário seguintes, vedada a compensação com lucro real apurado em mês anterior.
LANÇAMENTOS DECORRENTES, CSLL — COFINS — Solução dada
ao litígio principal, relativo ao imposto de renda das pessoas jurídicas, estende-se aos demais lançamentos decorrentes quando tiver por fundamento o mesmo suporte fático e não sendo trazidas alegações específicas,
Recurso Voluntário Desprovido.
Numero da decisão: 1402-000.208
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Nome do relator: Carlos Pelá
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica Ano-calendário: 1996 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL — O prejuízo fiscal só pode ser compensado com o lucro real (mensal ou anual) apurado nos meses ou nos anos-calendário seguintes, vedada a compensação com lucro real apurado em mês anterior. LANÇAMENTOS DECORRENTES, CSLL — COFINS — Solução dada ao litígio principal, relativo ao imposto de renda das pessoas jurídicas, estende-se aos demais lançamentos decorrentes quando tiver por fundamento o mesmo suporte fático e não sendo trazidas alegações específicas, Recurso Voluntário Desprovido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. EDITADO EM: B3 ST-I 2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, Antonio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Edijalmo Antonio da Cruz, Sérgio Bezerra Presta e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. Relatório Cuida-se de Recurso Voluntário, fls. 126/153 interposto contra decisão da 2' Turma da DRJ de São Paulo - SP, de fls,I17/120, que julgou parcialmente procedente o lançamento efetuado por meio do auto de infração de fls. 86/100. Adoto o relatório proferido pela 5 a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto/SP (fls. 267/275): "Relatório 1. Em ação fiscal direta, a empresa acima qualificada .foi autuada e notificada, em O/11/1999, a recolher ou impugnar os créditos tributários de R$ 84.055,59, a título de Imposto de Renda - Pessoa Jurídica, R$ 18,33 de Cotins e R$ 24.905,37 de CSLL, incluídos nesses totais multas e juros de mora calculados até 29/1 0/1999. 2, Conforme descritos nos Termos de Verificação Fiscal n"s. 01, 02 e 03, de fls. 66 a 70, 72 a 74 e 82 a 84, a fiscalização efetuou glosas de diversos valores computados como despesas operacionais (despesas que deveriam ser ativadas e despesas não comprovadas), bem como tributou como omissão de receitas a não contabilização de saídas de mercadorias por venda. 3. Cientificada dos feitos, apresentou, em 23/12/1999, uma única impugnação para todos os lançamentos, argüindo, em síntese, o seguinte:' 3.1 - que a empresa fez sua opção pelo lucro real e recebeu a autuação objeto desta impugnação; - que a impugnante em razão de ter apresentado prejuízo fiscal no exercício de 1999, ano calendário 1998, no montante de R$ 770..776,10, conforme cópias da DIPJ/99 e das páginas do LALUR de fls. 107 a 112, requer a compensação desse prejuízo, à razão de 30%, nos termos do art. 42 da Lei ri° 8,981/95, com o apurado no presente Auto de Infração, tendo em vista aos artigos 195, 196 e 502 (impugnante indicou o art.. 509 "caput" do RIR199) do RIR/94. 3.3 - que seja retificado o lançamento do respectivo auto e seus reflexos e aberto novo prazo para que empresa efetue o pagamento com os benefícios da Lei n" 8.218/91, art 60 e do art. 997 do RIR/94, 2 Processo n" 13807014053/99-41 S1-C4T2 Acéallo n " 1402-00.208 Fl 2 É o relatório" Analisando a impugnação, fis. 102/103, a DRJ julgou parcialmente procedente o lançamento efetuado por meio do auto de infração de fls. 86/100, tendo a seguinte ementa: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ Exercício: 1997 EMENTA: COMPENSAÇÃO DE PREJUIZO FISCAL — O prejuízo fiscal só pode ser compensado com o lucro real (mensal ou anual) apurado nos meses ou nos anos-calendário seguintes, vedada a compensação com lucro real apurado em mês anterior, LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL COFINS — Solução dada ao litígio principal, relativo ao imposto de renda das pessoas jurídicas, estende- se aos demais lançamentos decorrentes quando tiver por fimdamento o mesmo suporte tático e não sendo trazidos alegações específicas. Lançamento procedente" Inconformado com a decisão da DRI, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário alegando, em síntese, que: a) o prejuízo fiscal apurado no ano-calendário de 1998, no montante de R$ 770.776,10, deve ser utilizado para reduzir o IRPI cobrado nesse processo. b) o prejuízo fiscal gerado até .31/12/1995, no montante de R$ 8.745,95, deve ser utilizado para reduzir o IRPJ cobrado nesse processo. É o relatório. 3 Voto Conselheiro Carlos Pela, Relator O presente processo administrativo discorre acerca de autuação de 1RPJ, CSLL e COF1NS do ano calendário 1996. A autoridade fiscal autuou a Recorrente por omissão de receitas e dedução de despesas consideradas como não necessárias. A Recorrente não questionou a omissão de receitas e a dedução de despesas não necessárias. Por sua vez, apenas argumenta que do valor autuado deve ser reduzido pelo valor do saldo de prejuízo fiscal apurado no ano calendário de 1998 no montante de R$ 770,776,10, bem como do prejuízo fiscal apurado no ano calendário de 1991 no montante de R$ 8,745,95, Com relação ao prejuízo fiscal apurado no ano calendário de 1998, deve- se observar o disposto na Lei n" 9065/95: "Art. 15' O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do ano- calendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adiçôes e exclusães previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Parágrafo único O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas , jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação compro batórios do montante do prejuízo ,fiscal utilizado para a compensação." A Recorrente argumenta que o referido dispositivo não proíbe a compensação de prejuízo fiscal apurado em períodos posteriores com lucros gerados em exercícios passados. Contudo, a referida norma legal não precisaria dispor sobre o assunto, já que é evidente que tal forma de compensar prejuízos fiscais é inviável, Assim, não existe possibilidade de compensar o prejuízo fiscal apurado no ano calendário de 1998 no ano calendário de 1996, pois no ano calendário de 1996, o prejuízo de 1998 ainda não havia sido apurado. Ademais, toda a legislação acerca da matéria, desde o Decreto-Lei 1598/77 (att. 64), passando pelo artigo 38 da Lei n° 8383/91 e pelo art, 12 da Lei n° 8541/92, mantém a premissa que de o prejuízo fiscal somente pode ser compensado com lucro de períodos subsequentes. Assim, não pode prosperar o apelo da Recorrente quanto a redução do débito de IRP1 apurado em 1996 com prejuízo fiscal gerado em 1998. Encerrado esse assunto, passa-se a análise quanto ao prejuízo fiscal gerado no ano calendário de 1991 4 Piocesso n" 13807.014053/99-41 Acórao o." 1402-00,208 S1-C4T2 19 3 A Recorrente pleiteia que o valor cobrado nesse processo seja reduzido pela compensação de prejuízo fiscal apurado em 1991, para tanto, anexa a página do LALUR (fl. 163) onde foi registrado tal prejuízo, bem como o cálculo elaborado pelo contador, que corrige o referido prejuízo para a moeda corrente. Ocorre que a Recorrente deixou de comprovar que o prejuízo fiscal apurado em 1991 no montante de RS 8345,95 se mantinha intacto. Para tanto seria necessária a apresentação da declaração de imposto de renda do AC 1991, o que não ocorreu. Ademais, seria necessário comprovar que o referido prejuízo fiscal não fora utilizado em exercícios subseqüentes. Não se trata de prova negativa, advirta-se. Para efetuar tal comprovação, bastaria a Parte B do LALUR, onde estariam registrados o saldo do prejuízo fiscal e suas compensações, bem corno das declarações de imposto de renda dos exercícios subseqüentes. Tais documentos também não foram acostados nos autos. Desta forma, não subsiste o argumento da Recorrente quanto ao prejuízo fiscal apurado no ano calendário de 1991. Diante do exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário, 5 r 1 Seção 4a Câmara Fls,: CARF TERMO DE JUNTADA i a Seção/4a Câmara Declaro que juntei aos autos o Acórdão n° 1402-00.208, (fls. ), e certifico que a cópia arquivada neste Conselho confere com o mesmo. Encaminhem-se os presentes autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil Em / / Chefe da Secretaria :7̂r3 ' MINISTÉRIO DA FAZENDA t. CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS - CARF I" SEÇÃO DE JULGAMENTO/4" CÂMARA Processo n° 13807,014053/99-41 Interessado(a) : DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS MARSIL LTDA.
score : 1.0
Numero do processo: 15956.000228/2006-81
Data da sessão: Mon Nov 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2001/2002
Ementa: RECURSO ESPECIAL, PRESSUPOSTO DE ADMISSIBILIDADE, DIS SENSO JURISPRUDENCIAL NÃO CARACTERIZADO. No se conhece de recurso especial na parte em que desatende aos pressupostos de admissibilidade estabelecidos na legislação de regência.
Numero da decisão: 9101-000.725
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não
conhecer do recurso da Fazenda Nacional
Matéria: IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
Nome do relator: Antonio Carlos Guidoni Filho
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C arcos Cai Antonio Carl CSR.F-T1 H. I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nO 15956,000228/2006-81 Recurso 163.380 Especial do Procurador Acórdão 9101-00.725 — 1a Turma Sessão de 08 de novembro de 2010 Matéria Multa Qualificada e Decadência Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado POWER HELICÓPTEROS COMERCIAL LTDA, Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2001/2002 Ementa: RECURSO ESPECIAL, PRESSUPOSTO DE ADMISSIBILIDADE, DIS SENSO JURISPRUDENCIAL NA.0 CARACTERIZADO. No se conhece de recurso especial na parte em que desatende aos pressupostos de admissibilidade estabelecidos na legislação de regência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. EDITADO EM: 2 8 FEV 2C11 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Leonardo de Andrade Couto, Karem Jureidini Dias, Claudemir Rodrigues Malaquias, Antonio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Com base no permissivo do art 67, Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria n. 256/2009, a Fazenda Nacional interptie recurso especial contra acórdão proferido pela Primeira Turma da Segunda Camara da Primeira Seção do CARF assim ementado: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário 2000, 2001 Ementa: DECADÊNCIA. PRAZO. O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação extingue-se em 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, conforme disposto no art. 150, § do CTN Essa regra aplica-se também à CSLL e à Cofins por força da Súmula n°8 do STF. DECADÊNCIA, TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO CASO DE DOLO OU FRAUDE Uma vez tipificada a conduta fraudulenta prevista no § 4" do art 1.50 do CTN, aplica-se à regra do prazo decadencial e a forma de contagem fixada no art. 173, quando a contagem do prazo de cinco anos tem como termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Assunto... Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2000, 2001 Ementa.- ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula 1' CC, n°2,). Assunto, Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001 Ementa; PRESUNÇÃO LEGAL, ONUS DA PROM. O artigo 42, da Lei n" 9.430/96, estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação .financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legitima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados AUTO DE INFRAÇÃO.. MULTA DE OFICIO, È aplicável na hipótese de lançamento de oficio, nos termos do art, 44 da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996, não cabendo 2 Process() n 15956000228/2006-St Acárd'Ao a" 910140,725 CSRF-T1 Fl 2 a este colegiado manifestar-se quanta a eventual natureza confiscatória de penalidade prevista em lei. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Para efeito de qualificação da multa de oficio, cada infração deve ser analisada isoladamente, como resultado de conduta especifica. Mantém-se a exasperadora quando a irregularidade for originada de conduta.fraudulenta e, a contrario sensu, reduz- se a multa ao percentual convencional quando não comprovada aquela circunstancia JUROS DEMORA. TAXA SELIG A partir de I" de abril de 199.5, os juros moratórias incidentes sabre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplencia, taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para titulas federais (Súmula 1" CC n" 4), " O caso foi assim relatado pela Camara recorrida, verbis: "Trata o presente de Autos de Infração (fls. 04/46) para cobrança do NW, CSLL, PIS e Cofins referentes aos anos- calendário de 2000 e 2001 no montante de R$ 89.5.268,31; R$ 170.646,49; R$ 103,935,65 e R$ 479.705,46; respectivamente, incluindo multa de oficio e .juros de mora com valores consolidados em 30/11/2006. De acordo coin o Termo de Verificação de Infrações e de Conclusão de Procedimento Fiscal (fls. 47/65) a interessada omitiu receitas de venda de helicópteros e prestação de serviços decorrentes da atividade de intennediação na compra e venda de aeronaves dessa natureza. Além disso, também omitiu receitas como decorrência de depósitos em conta corrente bancária sem documentação hábil e idônea que pudesse justificar a origem dos valores movimentados. Em impugnação tempestivamente protocolizada «lis, 1.624/1.699,), a autuada sustenta preliminarmente a ocorrência da decadência pelo decurso do prazo quinquenal entre as fatos geradores e a ciência da autuação. No mérito, defende que apresentou toda a documentação solicitada pela Fiscalização que comprovaria a escrituração dos depósitos questionados. Em relação à omissão da receita de venda de helicópteros, questiona especificamente a tributação da operação realizada com a empresa Center Norte pois, do total recebido (R$ 97.740,00), teria devolvido o montante de R$ 16.701,12. Apresenta arrazoado questionando a legalidade da quebra do sigilo bancário e afirma que o Fisco teria cometido erro na base de calculo, pois a receita não poderia corresponder integralidade da movimentação financeira, mas sim ao ganho liquido percebido pelo contribuinte. 3 Em relação ao PIS e a Cofins, traz questionamentos em relação legalidade da Lei n" 9.718/98 inclusive no que se refere a violação de princípios constitucionais, seja pelo alargamento indevido da base de cálculo dessas contribuições através da distorção do conceito de . faturamento, seja por ofender o principio da capacidade contributiva , não confisco e direito de propriedade. No que se refere à multa de oficio, alega que o percentual aplicado tem natureza confiscatória o que é vedado pela Constituição Federal. Por .fim, defende a impossibilidade de utilização da taxa SELIC como indexador dos juros de mora por ser flagrantemente inconstitucional, A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto prolatou o Acórdão 14-16,799/2007 als, I ,709/1,725) considerando o lançamento parcialmente procedente, Acolheu a arguição de decadência para o 1RPJ correspondente aos fatos geradores ocorridos em 31/03/2000, 30/06/2000 e 30/09/2000; e acatou a exclusão do valor de R$ 16.701,12 na base tributável concernente à omissão receita de revenda de mercadorias, tendo em vista que esse valor . foi comprovadamente devolvido Devidamente cientificado (fl. 1.730-v), o sujeito passivo recorre a este Colegiada (fis. 1.733/1.800), ratificando as razões expedidas na pega impugnatórid" No que interessa a esta instancia, o Colegiado a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário da Contribuinte para: (i) desqualificar o percentual da multa de oficio (reduzindo-o de 150% para 75%) - em relação à infração "omissão de receitas decorrente de depósitos de origem não comprovada" (item 002 do auto de infração — IRPJ), já que não restariam comprovadas as situações descritas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/64. Entendeu a Turma recorrida que não seria cabível a qualificação da penalidade nas hipóteses de tributação realizada por presunção legal, tal corno ocorre em relação à omissão de receitas decorrente de depósitos de origem não comprovadas", mormente quando a Fiscalização deixa de trazer elementos convincentes sobre o intuito fraudulento do contribuinte., (ii) acolher preliminar de decadência em relação aos fatos geradores ocorridos até o 3' trimestre de 2001, no caso do RN e do CSLL, e até 30.1 L2001, para o PIS/COHNS em relação A infração de omissão de receitas decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada, em vista do disposto no art, 150, § 4° do CTN e da data de ciência do lançamento pelo Contribuinte (12A2.2006), Em sede de recurso especial, sustenta a Fazenda Nacional divergência entre o acórdão recorrido l e (i) o Acórdão 105-15.847, o qual assenta o entendimento de que "caracterizado o evidente intuito de fraude, pela prática reiterada de omitir receitas através 1 Quanto à matéria relativa à desqualificação da multa de oficio, a Fazenda Nacional arguiu divergência com outros 4 acórdãos desta Corte Administrativa Tais acórdãos deixaram de ser considerados pelo despacho de admissibilidade abaixo citado em virtude dos expressos termos do art 67, §5 do RI/CAM', o qual estabelece "na hipótese de apresentação de mais de dais paradigmas, caso o recorrente não indique a prioridade de análise, apenas os dois primeiros citados no recurso serão analisados para fins de verificação da divergência" 4 Processo n° 15956 000228/2006-81 CSRF-T 1 Acórdiio n 9101 -00.725 Fl. 3 da falta de contabilização da movimentação bancária, é aplicável a multa de oficio qualificada no percentual legalmente definido de 150%; (ii) o Acórdão 105-17036, o qual assenta o entendimento de que "provada pelo fisco a situação prevista nos art, 71 a 73 da Lei n. 4.502/64, deve ser qualificada a multa de oficio, nos termas da Lei n. 9,430, em especial quando provada a conduta reiterada." Segundo se observa de citado acórdão, "o contribuinte foi autuado por omissão de receitas, apuradas pela comparação entre as receitas declaradas e os valores declarados em DIRF pelas .fontes pagadoras., Confessa a omissão e se opõe a obtenção dos dados de movimentação financeira para identificar que ele poderia ter omitido receitas. Esclareça-se que os depósitos bancários não foram utilizados para apuração da receita omitida, mas apenas para identificar o indicio de que o contribuinte tinha omitido receitas" (,..); (iii) o Acórdão CSRF/02,02.288, que assevera que "por ter natureza tributária, na hipótese de ausência de pagamento antecipado, aplica-se ao PIS a regra de decadência prevista no art, 173, Ido CTN". O recurso especial foi admitido pelo Sr, Presidente do Colegiada a quo (Despacho n. 1200-0.317/2009 (fls. 1906/1911), ante a caracterização da alegada divergência jurisprudencial. O contribuinte apresentou contra-razões ao recurso da Fazenda Nacional (fls. 1913/1920). E o relatório. 5 Voto Conselheiro Antonio Carlos Guideni Filho Peço vénia para divergir do r. Despacho de fls. 441/442 no que se refere a admissibilidade de parte do recurso especial. Premissa fundamental para análise do recurso especial de divergência é a perfeita similitude Mica entre acórdãos paradigma e recorrido, de modo, verificada a discrepância entre eles, firmar-se a jurisprudência desta Corte a respeito da especifica questão de direito posta a desate. Veja-se, nesse sentido, iterativa jurisprudência do E. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, verbis: Processo civil. Agravo nos embargos de divergência no recurso especial. Cotejo entre acórdãos paradigma e embargado. Inexistência de similitude [ática e jurídica entre os arestos confrontados. Ausência de argumentos capazes de ilidir os fundamentos da decisão agravada. - Em tema de divergência .jurisprudencial, mostra-se imprescindível para a caracterização do dissídio que os julgados confrontados tenham decidido as mesmas teses jurídicas coin bases fciticas semelhantes. Agravo não provido. (AgRg nos EREsp 972590, Relatora Nancy Andrighi, DJe 16/02/2009 —grifos nossos) No mesmo sentido: 'PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE SIMILITUDE ENTRE OS CASOS EM CONFRONTO. NJ() CONHECIMENTO,. 1 Os embargos de divergência tem poi- escopo a uniformização da . jurisprudência desta Corte, eliminando as dissidências internas quanta a inteipretagão do direito em tese, e, para tanto, pressupõem a identidade fritica e solução divergente entre os acórdãos confrontados, o que não é o caso dos autos (AgRg nos EREsp 510 299/TO, Rel , Min. Teori Zavascki, DI 03,12,2007 — grifos nossos) No mesmo sentido: PROCESSUAL CIVIL — EXECUÇÃO FISCAL — LEILÃO — AVALIAÇÃO DO BEM — IMPUGNAÇÃO — DECISÃO NÃO AGRAVADA PRECLUSÃO — INTIMAÇÃO DO EXEOOENTE' E DE POSSiVE1S CREDORES PRECEDENTES OU PREFERENCIAIS - DESNECESSIDADE - PREÇO VIL - ARREMATAÇÃO POR MAIS DA METADE DO VALOR DA AVALIA(7ÃO - NÃO-OCORRÊNCIA - DIVERGÊNCIA JUR1SPRUDENCIAL - SEMELHANÇA FÃTICA INEXISTÊNCIA. 1. Não se conheceu da alegação de inobservância do procedimento de impugnação a avaliação do bem penhorado porque precluso o direito de atacar a decisão que a indeferiu liminarmente, Este fundamento restou inatacado no recurso especial. 2. Ausente qualquer prejuízo ao exeqiiente 6 Processo n" 15956.000228/200&81 CSRF-T1 Acórdão n ° 9101 -00.725 Fl 4 ou aos demais possíveis credores da parte executada na inexistência de intimação prévia à arrematação, reputa-se válida a arrematação. 3. Arrematação de bem penhorado por mais da metade do valor da avaliação não é considerado prep vil para jurisprudência desta Corte. 4. Inviável o conhecimento do recurso especial pelo dissídio furisprudencial se o acórdão paradigma não possui ,setelhança ftitica com o acórdão recorrido. 5. Recurso especial conhecido em parte e, nesta parte, não provido, (REsp 1052691 / SC, Rel.: Min, Eliana Gahm?, DJE — 26/11/2008 — grifos nossos). Do exame do acórdão recorrido depreende-se que o contexto fático verificado na lavratura do lançamento é distinto daquele constante do aresto paradigrna 2 . Conforme citado no relatório supra, o acórdão recorrido afastou a qualificação da penalidade de oficio por entender que não seria possivel aplicar o art. 44, II da Lei n, 9,430/96 na hipótese de lançamento lavrado com base em presunção legal (no caso, depósitos bancários de origem não comprovada — Lei n. 9,430/96, art. 42), mormente quando a Fiscalização deixa de trazer aos autos (outros) elementos que autorizem a imputação ao contribuinte de urna das condutas tipificadas nos art. 71 a 7.3 da Lei n. 4.502/64. Veja-se, nesse sentido, trecho do voto condutor do acórdão recorrido, verbis: "Para justificar a aplicação da multa no percentual qualcado, a autoridade lançadora registra o que seria fraude nos registros contábeis pela ocultação da negociação de duas aeronaves, omissão rotineira de receita de prestação de serviços e a omissão caracterizada por depósitos de origem não comprovada. Em relação a omissão de receita decorrente da venda de helicópteros e prestação de serviços, parece-me que assiste rani() a Fiscalização. De fato, os registros contábeis dessas operações foram camuflados de forma a impedir o conhecimento, pelo Fisco, da ocorrência do fato gerador dos tributos decorrentes da venda de bens ou serviços.. Registre-se ainda quanto a esse ponto que as receitas auferidas pelo sujeito passivo s6 foram obtidas pela Fiscalização através de informações de terceiros. Dai não se pode sequer qfirmar que os valores estavam escriturados e disponíveis as autoridades tributárias e apenas por uni lapso não teriam sido declarados. Ressalte-se, por outro lado, que a omissão apurada tem origens diversas, cada uma delas com sua descrição e respectivo enquadramento legal. Nesse prisma, a avaliação quanto exasperação da multa deve seguir a mesma linha, examinando- se cada omissão como resultado de uma conduta aut6noma. Esse raciocínio aplica-se fundamentalmente h omissão de receita como resultado dos depósitos bancários de origem não 2 Note-se, no particular, que tal circunstancia foi percebida inclusive pelo r despacho de admissibilidade de fls 1909, verbis: "da análise de tais ementas, bem como de seu inteiro teor, verifico que, nao obstante o contexto Mc° deles não ser o mesmo (o primiero cuida de movimentação financeira à margem da contabilidade e o segundo de comparação entre receitas declaradas e valores constantes de DIRF), o entendimento adotado em ambos é de que a conduita reiterada justifica a qualificação da multa de oficio" 7 comprovada. Diferentemente das demais situações apuradas, a irregularidade tem origem numa presunção legal. A lei autoriza a autoridade tributária presumir que o depósito bancário não comprovado tem origem numa omissão de receita Entretanto, não há dispositivo legal que autorize o Fisco a presumir que tal omissão envolva uma conduta „fraudulenta, pela simples razão de que a fraude não se presume. Em outras palavras;'as razões que levaram à convicção quanta a ocorrência da fraude nos casos de omissão de receita perfeitamente identificada, podem não ser suficientes para essa caracterização quando a irregularidade decorre de uma presunção legal. Caberia a apresentação de fatos complementares, o que não ocorreu no presente caso A utilização da conta-corrente de terceiros, normalmente circunstância que induz à conclusão pela ocorrência da . fraude, não é decisiva no presente caso pelo fato da conta ter sido escriturada como se fosse da recorrente. Do exposto, entendo que a multa na forma qualificada deve ser reduzida ao percentual de 75% (setenta e cinco por cento) para a exigência decorrente dos depósitos bancários de origem não comprovada (item 002 do auto de infração IRPJ). Otranto ao item 001, o percentual de 150% (cento e cinquenta por cento) deve ser mantido. Esse mesmo raciocínio aplica-se aos lançamentos decorrentes.. " Os arestos paradigmas não tratam de hipótese de lançamento tributário decorrente de aplicação de presunção legal de omissão de receitas. Em ambos os acórdãos, a omissão de receitas foi caracterizada por prova direta, quais sejam: (i) movimentação financeira mantida h margem da contabilidade; e (ii) comparação entre receitas declaradas pelo contribuinte e os valores informados por terceiros por meio de DIRF. Veja-se, no particular, que o segundo paradigma atesta expressamente que os depósitos bancários não foram utilizados naqueles casos para apuração da receita omitida, mas apenas para identificar o indicio de que o contribuinte tinha omitido receitas, verbis: "o contribuinte foi autuado por omissão de receitas, apuradas pela compara cão entre as receitas declaradas e os valores declarados ern D1RF pelas fontes pagadoras.. Confessa a omissão e se opõe a obtenção dos dados de movimentação .financeira para identjficar que ele poderia ter omitido receitas. Esclareça-se que os depósitos bancários não foram utilizados para apuração da receita omitida, mas apenas para identificar o indicio de que o contribuinte tinha omitido receitas" (..); Em suma, pois, a circunstância determinante para a desqualificação da penalidade no caso do acórdão recorrido não se encontra presente em nenhum dos dois acórdãos tidos como paradigmas, qual seja: o fato de o lançamento ter sido lavrado em decorrência de mera presunção legal de omissão de receitas. A questão relativa à reiteração da conduta do contribuinte, embora possa ser discutida via reexame da prova dos autos, sequel - foi ventilada pelo acórdão recorrido na parte relativa à desqualificação da multa de oficio. Não coincidentes as situações faticas, não ha como conhecer o recurso especial nessa parte, 8 Processo n° 15956.000228/2006-SI Acendrio n ° 9101.00,725 CSRF-1- 1 Fl 5 A insurgência recursal quanto ã. questão da decadência não merece ser conhecida pelo mesmo fundamento. Conforme se constata do exame do acórdão tido como divergente, a condição necessária para a aplicação do art. 17.3, I do CTN naquele caso foi a inexistência de recolhirnentos (do tributo lançado) nos respectivos períodos de apuração . Naquela hipótese, o contribuinte não teria efetuado recolhimento da contribuição ao PIS nas competências lançadas no auto de infração. 0 acórdão recorrido não faz qualquer referência ao fato da existência (ou não) de "pagamento" para definir qual seria o dispositivo legal aplicável ao caso em relação decaddncia . Da leitura do acórdão recorrido não 6 possível sequer inferir que o caso dos autos trata de hipótese de completa falta de recolhimento de tributos nos períodos lançados no auto de infração para viabilizar a identidade fatica indispensável para o processamento do apelo especial. Ao contrário, da leitura dos autos 6 possível inferir que o Contribuinte efetuou recolhimentos ao menos em boa parte dos períodos lançados. Tal constatação, contudo, não prescindiria do reexame das provas dos autos, o que, no meu entender, é vedado nas hipóteses de recurso especial interposto exclusivamente corn base em divergência jurisprudencial. Em suma, pois, o acórdão recorrido não tratou sobre a questão juridica em relação à qual a Fazenda Nacional pretende solucionar divergência, qual seja: definição sobre prazo decadencial nas hipóteses de tributos objeto de lançamento por homologação quando não há pagamento antecipado pelo contribuinte . Por tais fundamentos, voto no sentido de não conhecer do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Sala das Sessõe 010. Antonio Carl - Relator 9
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Numero do processo: 10830.912942/2012-65
Data da sessão: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 25 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.480
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância por cerceamento de direito de defesa e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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LUCRO PRESUMIDO. ATIVIDADES HOSPITALARES. Recorrente OCC ONCOLOGIA CLINICA DE CAMPINAS SOCIEDADE EMPRESÁRIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO LUCRO PRESUMIDO ATIVIDADES HOSPITALARES ANOCALENDÁRIO 2004 DIPJ RETIFICADORA. A DIPJ retificadora, por si só, não se constitui em instrumento hábil para a exigência dos valores nela informados. A DCTF é que se constitui, de fato, em confissão de dívida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância por cerceamento de direito de defesa e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 29 42 /2 01 2- 65 Fl. 1097DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília, que por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente, não reconhecendo o seu direito creditório. Por economia processual passo a adotar o suscinto relatório elaborado pela DRJ, in verbis: “Trata o presente processo de despacho decisório eletrônico (fl. 29), no qual a compensação realizada no Per/Dcomp nº 14446.46515.260209.1.2.040564, pela empresa acima identificada, não foi homologada por inexistência/insuficiência do crédito compensado, haja vista o pagamento relativo ao DARF ali discriminado, foi integralmente utilizado para quitar débito do CSLL, PA 30/06/2004, não restando saldo disponível. A contribuinte tomou ciência do despacho decisório em 18/12/2012 (AR fl. 35). Inconformada, por intermédio de seu procurador (Gustavo Froner Minatel), apresentou manifestação de inconformidade (fls. 2 a 9) em 16/01/2013, na qual transcreve os fatos, dispositivos da legislação tributária e, em síntese, argumenta o seguinte: inicialmente no trimestre em análise apurou débito de CSLL, quitado da seguinte forma: (i) parte por retenções sofridas; e (ii) parte com DARF; revendo a apuração da CSLL, constatou que estava aplicando o percentual incorreto de presunção do lucro (32%), tendo em vista sua atividade ser enquadrada como serviços hospitalares, previsto no art. 15, §1°, III, combinado com o art. 20 da Lei n° 9.249/95. Diante do equívoco, aplicou o percentual correto (12%), e apurou CSLL devida de no trimestre, resultando pagamento a maior, e retificou a DIPJ do período para demonstrar o valor correto da CSLL; do valor pago, parte foi utilizada para liquidar a CSLL devida no trimestre e o restante pago a maior, pediu a restituição. No entanto, a DRF/Campinas indeferiu o pedido de restituição no despacho decisório, em flagrante desrespeito à legislação tributária, especialmente a que trata de necessidade de lançamento e de restituição (Arts. 142 e 165 do CTN) devendo ser reformado, porque não foi considerado a DIPJ retificadora apresentada antes da emissão do despacho decisório; a autoridade fiscal não pode, a seu critério, efetuar lançamento ou deixar de fazêlo, porque sua atividade é vinculada e obrigatória. Com efeito, o artigo 15, parágrafo 1º, Inciso III, alínea "a" da Lei n° 9.249/951, vigente à época dos fatos, determinava que os prestadores de serviços hospitalares poderiam utilizar na apuração da CSLL na sistemática do lucro presumido percentual de 12% sobre a receita bruta (art. 20 da Lei 9.249/95); apesar da clareza na redação no que concerne à aplicação do percentual de 12% sobre a receita bruta na prestação de serviços hospitalares, o legislador não definiu o que seriam considerados serviços hospitalares para fins de aplicação do Fl. 1098DF CARF MF Processo nº 10830.912942/201265 Acórdão n.º 1001000.480 S1C0T1 Fl. 3 3 aludido percentual, questão essa central para o deslinde da controvérsia ora analisada; na busca de uma interpretação do alcance da norma, foram editados pela Receita Federal do Brasil uma série de atos normativos para regulamentar a questão e tentar definir o que seriam "serviços hospitalares", sendo o primeiro deles a IN SRF n° 306/2003 que em seu artigo 23 conceituou "serviços hospitalares" para fins do disposto no artigo 15, § 1º, inciso III, alínea "a", da Lei nº 9.249/95; a sua atividade estava expressamente listada no artigo 23, inciso V, alíneas "i" e "k", da IN SRF n° 306/2003, vigente à época dos fatos, e atendia a todos os requisitos mencionados no referido dispositivo, vez que os serviços eram prestados por pessoa jurídica que possuía estrutura física condizente para a execução e desenvolvimento das atividades de radioterapia e quimioterapia, tanto que autorizado seu funcionamento pela ANV1SA, o que confirma a aplicação do percentual de 12% na apuração da base de cálculo da CSLL apurado no ano calendário de 2004; assim, com base no artigo 15, § 1o, inciso III, alínea "a", da Lei n° 9.249/95 (redação original), confirmada pela IN SRF n° 306/03, refez o cálculo da CSLL de 2004, aplicando o percentual de 12% e constatou recolhimento a maior, devendo assim o crédito ser reconhecido e o pedido de restituição integralmente deferido; diante de apuração, não desconstituída pelo Fisco, os valores de CSLL recolhidos a maior caracterizamse indébitos tributários, pois extrapolam o critério quantitativo da sua base de cálculo. Nesse sentido, são esclarecedoras as palavras do ilustre professor Paulo de Barros Carvalho. No PEDIDO, requer seja conhecida a Manifestação de Inconformidade, declarandose a ineficácia da decisão, a fim de que seja reconhecido integralmente o direito creditório com a consequentemente restituição do valor pleiteado, acrescido de juros SELIC, nos termos da legislação de regência. É o breve relatório.” A DRJ de Brasília (DF) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 PRESTADOR DE SERVIÇOS HOSPITALARES. PERCENTUAL DE LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS. Para serem considerados serviços hospitalares, as atividades dos contribuintes que desejem usufruir do benefício legal de redução de alíquota, em face da legislação tributária de Fl. 1099DF CARF MF 4 regência e orientação traçada pela Administração tributária, devem atender cumulativamente todas às exigências e/ou requisitos previstos nos normativos, devidamente comprovada mediante documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” No Recurso faz extenso arrazoado sobre os motivos pelo qual o acórdão exarado pela DRJ não deve prosperar, reiterando em seguida as alegações feitas por ocasião da sua manifestação de inconformidade e, no fim, pugnando pelo provimento do seu Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator O presente processo tratase de retorno de diligência, conforme decisão deste egrégio Conselho, em 27/11/2014. Por economia processual reproduzo parcialmente o voto do relator: O Recurso é tempestivo, portanto dele tomo conhecimento. A presente lide consiste na interpretação da Delegacia da Receita Federal que entendeu que a contribuinte, optante pelo lucro presumido, deveria utilizar o percentual de lucro de 32% sobre sua receita bruta de prestação de serviços hospitalares, portanto divergente do percentual de 12%, o qual a contribuinte utilizou entendendo ser pertinente às suas atividades. De acordo com o entendimento da fiscalização, a Lei nº 10.684/2003 criou a alíquota de 32% para a apuração da CSLL para as pessoas jurídicas optantes pelo Lucro Presumido, enquadradas na mesma situação da contribuinte, embora a mesma tenha continuado a utilizar a alíquota de 12%. Vejamos o diploma legal em questionamento: “Art. 22. O art. 20 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do ano calendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. Fl. 1100DF CARF MF Processo nº 10830.912942/201265 Acórdão n.º 1001000.480 S1C0T1 Fl. 4 5 Parágrafo único. A pessoa jurídica submetida ao lucro presumido poderá, excepcionalmente, em relação ao quarto trimestrecalendário de 2003, optar pelo lucro real, sendo definitiva a tributação pelo lucro presumido relativa aos três primeiros trimestres." (NR) Passo portanto a análise do mérito. Para tanto colaciono o dispositivo questionado, constante da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995: “Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. (Redação dada Lei nº 10.684, de 2003) (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) (Vide Lei nº 11.119, de 205) (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vigência)” Reproduzindo também o dispositivo referente ao IRPJ, o qual ampara a CSLL: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: [...] III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) [...] Como de plano se observa, a Lei n° 11.727, de 23 de junho de 2008, promoveu alteração no sentido de adicionar atividades específicas no rol de exceções à aplicação da alíquota de 32%, sem adicionar contudo, os serviços radiológicos. Ocorre que tal alteração não afeta o caso em tela em virtude de: Fl. 1101DF CARF MF 6 (I) não servir de caráter expressamente interpretativo para o termo “serviços hospitalares”, fato que poderia ensejar a retroatividade nos termos do art. 106, I, do Código Tributário Nacional; e (II) vir após a ocorrência dos fatos geradores que lhe deram causa (anoscalendário de 2003, 2004, 2005 e 2006). Portanto, da análise devese verificar o texto legal vigente à época dos fatos geradores, que era “prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares”. Neste prisma, a Recorrente entende prestar serviços hospitalares e, nesta condição, entende que nos fatos geradores supra estaria na regra de exceção à aplicação da alíquota de presunção de lucro a 32%. Confrontada com idêntica situação, o STJ através do REsp n° 859.574, de relatoria do Ministro Castro Meira, julgado em 23/06/2009 se pronunciou no sentido de se interpretar o termo “serviços hospitalares” objetivamente. No voto do Ilustre Ministro, que também citou precedente do decidido no REsp 951.251/PR, concluiuse o seguinte: ... a Seção decidiu que o benefício fiscal de redução de base de cálculo foi concedido de modo objetivo, pois leva em consideração o serviço prestado e não a natureza ou estrutura do prestador. Nesses termos, definiuse que a alíquota reduzida beneficia todos os prestadores de serviços tipicamente hospitalares – que são aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde , independentemente da complexidade ou da estrutura para internação de pacientes. A mens legis da norma em debate busca, através de um objetivo extrafiscal, minorar os custos tributários de serviços que são essenciais à população, não vinculando a prestação desses a determinada qualidade do prestador capacidade de realizar internação de pacientes , mas, sim, à natureza da atividade desempenhada. No julgamento citado, excetuaramse, apenas, as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. Na oportunidade foram fixadas duas situações que convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por instituição que, no desenvolvimento de sua atividade, possuía custos diferenciados do simples atendimento médico, sem, contudo, decorrerem estes necessariamente da internação de pacientes. No caso, tratase de entidade que presta serviços de radiologia, ultrassonografia e diagnóstico por imagens dentro do Hospital Geral pertencente à Associação de Caridade Santa Casa do Rio Grande, que não possui esses serviços e, portanto, os terceiriza à recorrente. Fl. 1102DF CARF MF Processo nº 10830.912942/201265 Acórdão n.º 1001000.480 S1C0T1 Fl. 5 7 Não se trata de simples consulta médica, mas de atividade que se insere, indubitavelmente, no conceito de “serviços hospitalares, já que demanda maquinário específico, geralmente adquirido por hospitais ou clínicas de grande porte.” É importante deixar consignado – por sugestão do Min. Teori Zavascki no julgamento do REsp 951.251/PR – que a redução da base de cálculo somente deve favorecer a atividade tipicamente hospitalar desempenhada pela recorrente – especificamente a prestação de serviços de radiologia, ultrassonografia e diagnóstico de imagens – excluídas as simples consultas e outras atividades de cunho administrativo. [...] (Grifouse) Retornando a matéria ao pleito do STJ, decidiu este pacificar seu entendimento no julgamento do REsp n° 1.116.399/BA, quando aplicou o regime do art. 543C do Código de Processo Civil, representativo da controvérsia, assim ementado: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir Fl. 1103DF CARF MF 8 que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl.. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. (REsp 1116399/BA, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/10/2009, DJe 24/02/2010) Tal decisão ainda foi consolidada pelo julgamento de Embargos Declaratórios, cuja ementa também transcrevo a seguir, por adicionar elementos interessantes, em especial, a inaplicação do conceito de “serviços hospitalares” para “consultas médicas”, vejamos: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. Fl. 1104DF CARF MF Processo nº 10830.912942/201265 Acórdão n.º 1001000.480 S1C0T1 Fl. 6 9 ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO.OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. 1. Os embargos de declaração são cabíveis quando o provimento jurisdicional padece de omissão, contradição ou obscuridade nos ditames do art. 535, I e II, do CPC, bem como para sanar a ocorrência de erro material. 2. A parte embargante aduz que há no acórdão embargado, basicamente, três questões a serem esclarecidas, quais sejam: (i) a atividade de consulta médica realizada no interior dos hospitais por profissionais com vínculo com a instituição deve ser conceituada como serviços hospitalares para efeito de beneficiarse da redução da base de cálculo?; (ii) estão (ou não) abrangidas pelo benefício fiscal as consultas médicas prestadas em consultório médico não localizado no interior do hospital, mas com prestação de serviços que não a simples consulta médica?; e (iii) as consultas médicas prestadas em consultório médico de forma exclusiva se incluem no benefício? 3. No caso dos autos, o Colegiado foi claro e preciso ao afirmar que são excluídas dos benefícios tendentes à redução das alíquotas ora pleiteadas as atividades destinadas unicamente à realização de consultas médicas, de sorte que a conclusão ora buscada pela embargante decorre da simples leitura do acórdão embargado. 4. Não obstante, a fim de dirimir quaisquer dúvidas sobre o que foi efetivamente decidido pelo colegiado, prevenir interpretações errôneas do julgado, bem como o manejo de novos aclaratórios, devese esclarecer que a redução da base de cálculo de IRPJ na hipótese de prestação de serviços hospitalares prevista no artigo 15, § 1º, III, "a",da Lei 9.249/95, efetivamente, não abrange as simples atividades de consulta médica realizada por profissional liberal, ainda que no interior do estabelecimento hospitalar. Por conseguinte, também é certo que o benefício em questão não se aplica aos consultórios médicos situados dentro dos hospitais que só prestem consultas médicas. 5. Ademais, por ocasião do julgamento dos embargos declaratórios opostos pela Fazenda Nacional em face do acórdão proferido no REsp 951.251PR, o eminente Ministro Relator afirmou que: "Não há que se estender o benefício aos consultórios médicos somente pelo fato de estarem localizados dentro de um hospital, onde apenas sejam realizadas consultas médicas que não envolvam qualquer outro procedimento médico." 6. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no REsp 1116399/BA, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/09/2010, DJe 29/09/2010) Como se observa, o entendimento jurisprudencial de “serviços hospitalares” ficou consolidado em sentido amplo, Fl. 1105DF CARF MF 10 relacionandose ao serviço prestado, e não à natureza ou a estrutura do prestador. A interpretação do dispositivo, portanto, é objetiva. Ressaltese que o CARF se sujeita ao definido nos termos do art. 543C do Código de Processo Civil, nos termos da Portaria CARF n° 256, de 22 de junho de 2009: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. A contrario sensu, a DRJ havia entendido pela aplicação temporã dos fatos geradores, à luz das Instruções Normativas vigentes a cada tempo, que vinham restringindo o conceito de serviços hospitalares. “Seguindo este raciocínio, pacificouse no âmbito da administração tributária federal o entendimento de que serviços hospitalares são aqueles prestados em decorrência da internação e tratamento de doentes ou aqueles que necessitam de intervenções cirúrgicas em hospitais. Não se consideram como tais, para os fins específicos da tributação pelo imposto de renda e CSLL das pessoas jurídicas, mormente no regime do lucro presumido, os serviços ambulatoriais, os meros serviços de clínica médica, de exames clínicos, de análises clínicas (laboratoriais, radiológicas, ecográficas, de ressonância magnética, de tomografia computadorizada, etc.), de clínica odontológica que não necessitam de um complexo hospitalar, ou seja, dos recursos materiais e humanos próprios de um hospital, inclusive para promover a internação dos pacientes. Não bastassem estes argumentos, outra justificativa que aponta a intenção do legislador em distinguir, para fins tributários, os serviços profissionais de médico dos serviços hospitalares encontrase no custo suportado pelas pessoas jurídicas que atuam no ramo da saúde. Com efeito, os custos e despesas operacionais dos hospitais são bem superiores aos de outros serviços médicos/odontológicos/psicológicos prestados em clínicas, consultórios médicos e laboratórios, o que fundamenta a diferenciação de percentual adotada pela lei para fixação do lucro presumido da pessoa jurídica. De fato, aos custos dos serviços prestados por hospitais, além dos gastos dos profissionais especializados e dos materiais empregados no atendimento, somamse, permanentemente, os custos de hotelaria, alimentação, enfermagem, lavanderia e pesquisa, além do que devem abranger o estado de prontidão para o atendimento a possíveis situações de emergência (atendimento 24 horas). Este, pois, é o sentido teleológico da norma: considerar como base de cálculo do imposto de renda uma porcentagem menor da receita bruta para quem atua no ramo de serviços hospitalares Fl. 1106DF CARF MF Processo nº 10830.912942/201265 Acórdão n.º 1001000.480 S1C0T1 Fl. 7 11 em relação aos serviços médicos ou odontológicos em geral, uma vez que seus custos são bem superiores aos serviços prestados em clínicas, ambulatórios, consultórios médicos ou laboratórios. Claro está, mais uma vez, a especificidade do conceito de serviços hospitalares para fins do artigo 15, III, a, in fine, da Lei nº 9.249/95. A INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº 306/2003 E A PORTARIA GM Nº 1.884/1994 À época dos fatos, a Coordenação Geral do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal do Brasil solicitou parecer ao Ministério da Saúde a respeito do conceito de “serviços hospitalares” com o desiderato de esclarecer caso concreto em solução de consulta a ela formulada, cuja resposta consubstanciada na Nota Técnica CGPI/DP/SIS/MS nº 020, de 18 de fevereiro de 2002, assim concluiu a questão: Conforme exposto acima podemos concluir que as definições sobre serviços hospitalares e serviços préhospitalares devem ser elaboradas a partir da normatização atualmente vigente, podendose resumir da seguinte forma: SERVIÇOS HOSPITALARES: para a verificação de serviços hospitalares, devese avaliar se no caso concreto a pessoa jurídica exerce uma das seguintes atribuições: i) promoção, prevenção e vigilância à saúde da comunidade; atendimento eletivo de assistência à saúde em regime ambulatorial; ii) atendimento imediato de assistência à saúde: prestação de atendimento de assistência à saúde em regime de internação por período superior a 24 horas; iii) atendimento a pacientes internos e externos em ações de apoio direto ao reconhecimento e recuperação do estado da saúde. Em face dessas conclusões, a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Instrução Normativa SRF nº 306/2003, acolheu o posicionamento externado na Nota Técnica CGPI/DP/SIS/MS nº 020/2002, ao estabelecer em seu art. 23, as hipóteses em que os serviços prestados por determinadas pessoas jurídicas poderão ser considerados como serviços hospitalares, para os fins previstos no art. 15, § 1º, inciso III, alínea "a", da Lei nº 9.249/95. Eis o teor do dispositivo: Art. 23. Para os fins previstos no art. 15, § 1º inciso III, alínea "a", da Lei nº 9.249, de 1995, poderão ser considerados serviços hospitalares aqueles prestados por pessoas jurídicas, diretamente ligadas à atenção e assistência à saúde, que possuam estrutura física condizente para a execução de uma das atividades ou a combinação de uma ou mais das atribuições de que trata a Parte II, Capítulo 2, da Portaria GM nº 1.884, de 11 de novembro de 1994, do Ministério da Saúde, relacionadas nos incisos seguintes: Fl. 1107DF CARF MF 12 I – realização de ações básicas de saúde, compreendendo as seguintes atividades: (...) II – prestação de atendimento eletivo de assistência à saúde em regime ambulatorial, compreendendo as seguintes atividades: (...) III – prestação de atendimento imediato de assistência à saúde, compreendendo as seguintes atividades: (...) IV – prestação de atendimento de assistência a saúde em regime de internação, compreendendo as seguintes atividades: (...) V – prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia, compreendendo as seguintes atividades: (...) Frisese: para que sejam considerados hospitalares, exigese que os serviços descritos nos incisos do art. 23 da IN SRF 306/2003 sejam prestados por estabelecimentos que possuam estrutura física condizente com as atividades que desempenha. Para que se verifique isso, fazse necessária a apresentação de provas que demonstrem que os estabelecimentos cumprem as condições exigidas em lei para ser considerado como estabelecimento assistencial de saúde (EAS). Neste ponto, a Portaria GM nº 1.884/94 disciplinou sobre a organização físicofuncional dos estabelecimentos assistenciais de saúde, determinando quais as condições necessárias exigidas para que um estabelecimento possa prestar serviço hospitalar. Lembrese, ainda, que o caput do art. 23 da IN SRF nº 306/2003, exige que o estabelecimento assistencial de saúde possua estrutura física condizente com as atividades que desempenha, sendo obrigatório, portanto, oferecer os seus serviços de maneira plena e integral. Além disso, é imprescindível a pessoa jurídica contar com todas as instalações e os equipamentos adequados para a prestação do serviço hospitalar equiparado, devendo estar apta a prestar os serviços necessários para os quais foi criada e executálos em local onde se encontram seus equipamentos, materiais, mãodeobra especializada, etc., os quais justificam os custos assemelhados à atividade hospitalar. Se, porventura, o contribuinte tãosomente dispensa atendimentos superficiais, sendo incapaz de propiciar o efetivo diagnóstico e tratamento de seus pacientes, concluise que ela não possui uma estrutura capaz de usufruir os proveitos fiscais em análise. Aduziu, portanto, que a definição de empresário e sociedade empresária não se coaduna como elemento de empresa pela simples prestação de serviços profissionais na área médica, Fl. 1108DF CARF MF Processo nº 10830.912942/201265 Acórdão n.º 1001000.480 S1C0T1 Fl. 8 13 afastando pelas características estruturais o contribuinte da condição de estabelecimento hospitalar de que trata a lei. Ora, como já abordado, o STJ decidiu que o termo “serviços hospitalares” deve ser analisado objetivamente. No caso, houve uma interpretação subjetiva, levandose em conta outros fatores que não se relacionam à prestação do serviço, mas à estrutura e outras condições do estabelecimento, restringindo sua aplicação ao caso. Neste estigma, é oportuno ressaltar que este Conselho não se submete aos atos da Secretaria da Receita Federal, que é parte interessada na arrecadação, mas deve atenção ao conteúdo estabelecido por leis, decretos, tratados ou acordos internacionais, nos termos da Portaria CARF n° 256, de 22 de junho de 2009: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: [...] Assim, é de se afastar a interpretação restritiva emanada através do Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF n° 18, de 23 de outubro de 2003, bem como, as Instruções Normativas SRF n° 306, de 12 de março de 2003, n° 480, de 15 de dezembro de 2004 e n° 539, de 25 de abril de 2005, que não se coadunam ao conceito objetivo de “serviços hospitalares” e se apegar ao precedente jurisprudencial representativo da controvérsia emanado pelo STJ supracitado. Por derradeiro, ainda que possam haver discussões, vale colacionar decisões deste Conselho já levadas a efeito nesta matéria que consolidam a interpretação esposada: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 SERVIÇOS HOSPITALARES. ESPÉCIE DE SOCIEDADE. HIPÓTESE NÃO PREVISTA EM LEI. PERCENTUAL DE APURAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO. A expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva, ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte, porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Para a empresa que presta “serviços hospitalares”, o percentual de apuração do lucro presumido sobre as receitas da atividade, para os anos de 2002 a 2005, é de Fl. 1109DF CARF MF 14 8% para o IRPJ e de 12% para a CSLL, consoante arts. 15 e 20 da Lei nº 9.249/95. (Acórdão n° 1202000.584, Relator Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Segunda Câmara, Primeira Seção, julgado em 04/10/2011) IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 LUCRO PRESUMIDO. CLÍNICA DE DIAGNÓSTICOS. DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COEFICIENTE No julgamento do Recurso Especial nº 1.116.399BA (2009/00064810), havido na sistemática dos recursos especiais repetitivos, o STJ decidiu, com a ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727 de 2008 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, que a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde), excluindose, contudo, as simples consultasmédicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004, 2005, 2006 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Subsistindo o lançamento principal, na seara do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica, igual sorte colhe o lançamento que tenha sido formalizado em legislação que toma por empréstimo a sistemática de apuração daquele. (Acórdão n° 1103000.552, Relator Conselheiro Jose Sergio Gomes, Primeira Câmara, Primeira Seção, julgado em 04/10/2011) Assim a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei nº 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva, ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte, porquanto a lei, ao conceder o menor percentual estimado de lucro, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Para a empresa que presta “serviços hospitalares”, o percentual de apuração do lucro presumido sobre as receitas da atividade é de 12% para a CSLL, consoante o art. 20 do mesmo diploma legal. Apesar de tudo o que foi dito o julgamento do presente processo necessita de uma instrução complementar para que se verifique a natureza do serviço prestados no período em que os créditos foram apurados. Isto posto, voto pela conversão do presente Fl. 1110DF CARF MF Processo nº 10830.912942/201265 Acórdão n.º 1001000.480 S1C0T1 Fl. 9 15 processo em diligência para que a Delegacia de origem verifique: a) através das notas fiscais de saída a natureza dos serviços que estão sendo faturados; b) a existência de ativos, próprios ou alugados de terceiros, condizentes com a prestação de serviços que tenham custos diferenciados em relação à simples consultas; c) demais elementos julgados pertinentes que possam esclarecer a natureza das receitas auferidas pela ora Recorrente, bem como o coeficiente para presunção do lucro. Reproduzo a seguir, resumidamente, o relatório da diligência realizada pela unidade de origem: Portanto à luz da interpretação da forma objetiva, qual seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte, conclui se que, de acordo com os documentos e informações disponibilizadas referente ao período diligenciado (2003 a 2006), há fortes indícios que a mesma tenha prestado serviços relacionados ao tratamento de quimioterapia, com equipamentos específicos (de quimioterapia), possuindo custos diferenciados do simples atendimento médico, e os indícios também apontam que a mesma exerceu (no período) atividade tipicamente hospitalar. A análise da rubrica “Honorários Médicos” não foi conclusiva devido a especificidade e a natureza da prestação de serviços de quimioterapia, ficando a cargo do julgador o que entender ser correto. Embora, em sua conclusão, o agente tenha mencionado que a análise da rubrica “honorários médicos” não tenha sido conclusiva e que ficaria a cargo do julgador o que “entender ser o correto”, no próprio relatório da diligência efetuada há a menção de que os honorários são uma parte pequena do faturamento da clínica, conforme reproduzo: Das informações e documentos coletados não temos como estabelecer se os “Honorários Médicos” teriam sido consultas médicas dissociadas ou não do tratamento de quimioterapia. O que é cediço é que os “Honorários Médicos” constituem uma parcela menor do faturamento da clínica, e que devido as características e as especificidades da prestação de serviços de quimioterapia, é bem plausível que estejam relacionados com o tratamento como um todo. Em seu recurso voluntário, a recorrente alegou, além das questões relativas à sua atividade, já tratadas acima, que houve cerceamento do direito de defesa, posto que: Fl. 1111DF CARF MF 16 · · Alega com base na PER, acostada aos autos é possível verificar que não há compensação, mas, pedido de restituição, que o equívoco é inadmissível de quem, pelo visto, não analisou os documentos acostados aos autos com o devido cuidado. Portanto, é patente o cerceamento do direito de defesa da Recorrente perpetrado pela decisão recorrida, vez que traz argumentos relacionados a fatos que a recorrente sequer consegue identificar a origem. De imediato, afasto o pedido de cerceamento do direito de defesa, pois, a recorrente foi capaz de identificar, claramente, do que se tratava a lide, posto que mencionado o número do pedido (identificado no acórdão) e os argumentos para o indeferimento, ou seja, não retificação da DCTF e o enquadramento da atividade da Recorrente. Subsequentemente, em uma petição, anexada aos autos , a recorrente alega de acordo com o Parecer Normativo COSIT 2/2015 "a não retificação da DCTF não impede que o crédito informado seja comprovado por outros meios". Na verdade, o referido parecer normativo indica o contrário, como veremos mais adiante. Por todo o exposto, como indica, claramente, o resultado da diligência, fica evidente que os serviços prestados pela recorrente foram de natureza hospitalar. Entretanto, observase que na correspondente sessão de julgamento, cujo processo foi convertido em diligência, não foi tratado o fato de a Recorrente apenas ter retificado a DIPJ, originalmente, entregue, sem ter efetuado a correspondente retificação da DCTF que, como bem afirmou a autoridade julgadora de primeira instância. Fl. 1112DF CARF MF Processo nº 10830.912942/201265 Acórdão n.º 1001000.480 S1C0T1 Fl. 10 17 No entanto, é cediço que a DCTF constituise, de fato, em confissão de dívida (constitui o crédito tributário) e não a DIPJ, como já decidido em outras sessões nesta turma.. De acordo com o art. 1º da IN SRF 077/98: Art. 1º Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas físicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União. (grifei) Assim temos que a DIPJ é uma declaração meramente informativa, enquanto a DCTF constituise em confissão de dívida, o que torna sem efeito a alegação da necessidade de lançamento tributário. O Parecer Normativo COSIT n° 2/2015, assim dispõe: 3 É possível o reconhecimento do crédito com base em provas ou indícios sem a retificação da DCTF? Não. A DCTF é confissão de dívida, portanto sua retificação é imprescindível para o reconhecimento do crédito. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). A divergência entre os valores informados na DCTF afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para o indeferimento do pedido. A súmula 436 do Superior Tribunal de Justiça STJ assim enunciou: A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal constitui crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do fisco. Assim, rejeito a preliminar de nulidade pelo cerceamento do direito defesa para, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 1113DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.007469/2005-53
Data da sessão: Thu May 20 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Exercício: 2002
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA D1PJ, EXCLUSÃO DO
SIMPLES.
Não se exime da multa por atraso na entrega da DIPJ a empresa excluída do Simples que recorre dessa exclusão, quando poderia, conformando-se com o referida ato, ter passado, desde logo, a cumprir as obrigações acessórias
atinentes a outro regime de tributação.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2002
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) não é competente para se pronunciar sobre a incanstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 2).
Numero da decisão: 1803-000.431
Decisão: Acordam os membros do Colegiada, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - multa por atraso na entrega da DIPJ
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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MINISTÉRIO DA FAZENDA '":ã # íç"-crirse:' CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 10166,007469/2005-53\,. ,., Recurso n" 3.36.715 Voluntário Acórdão n° 18034)0.431 — 3' Turma Especial Sessão de 20 de maio de 2010 Matéria DIPJ - MULTA POR ATRASO NA ENTREGA Recorrente INSTITUTO CULTURAL BRASIL AMÉRICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2002 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA D1PJ, EXCLUSÃO DO SIMPLES. Não se exime da multa por atraso na entrega da DIPJ a empresa excluída do Simples que recorre dessa exclusão, quando poderia, conformando-se com o referida ato, ter passado, desde logo, a cumprir as obrigações acessórias atinentes a outro regime de tributação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2002 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) não é competente para se pronunciar sobre a incanstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 2). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiada, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. , . --.._.---------.:e en- - e e Moraes - Presidente /- 5:S2 IP' ge, Sérgio Rodrigues Mene es - Relator 1 Processo n° 10166.007469/2005-53 81-TE03 Acórdão n.° 1803-00.431 Fl. 32 EDITADO EM: 20/05/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Selene Ferreira de Moraes, Benedicto Celso Benicio Júnior, Walter Adolfo Maresch, Luciano Inocêncio dos Santos, Sérgio Rodrigues Mendes e Diniz Raposo e Silva Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (tis, 15): Versa o presente processo sobre lançamento de multa por atraso na entrega da DIPJ, exercício de 2002, folha 03, mediante o qual é exigido da interessada supra identificada o valor de R$ 1,094,28. Cientificada, a contribuinte apresentou impugnação de .folhas 01/02, alegando em síntese, que: - era optante pelo Simples, tendo o seu desenquadramento em 05/12/2003. - discorda do desenquadramento e, revoltada com a flagrante ilegalidade e inconstitucionalidade da medida, apresentou recursos administrativos contra a decisão, os quais foram indeferidos e, por esta razão, optou por acatar a determinação e apresentou as declaraçães pelo lucro real e a conseqüente entrega das DCTF/DIRT - devido a uma interpretação descabida, arbitrária e imoral, alguém, que não foi o legislador, pois no texto da lei não há essa vedação, consegue concluir que uma escola de línguas não pode ser optante pelo Simples porque a atividade é equiparada à de professor.. Frisa que, no quadro da empresa, não tem professores. - é uma vergonha a empresa receber cobrança de multa por atraso na entrega das declarações, e pergunta como poderia entregar as mesmas se a empresa estava enquadrada no Simples e, mesmo que tentasse entregar, o sistema da Receita não permitiria.. - transcreve o Art. 112 do CTN e diz que o artigo aplica-se integralmente ao caso, havendo dúvida em todos os itens, os quais devem ser interpretados favoravehnente ao contribuinte, pois a capitulação legal do fato, a natureza das circunstâncias, bem como a autoria foram decorrentes de fatores supervenientes, sobre os quais a empresa, nem qualquer outra pessoa, inclusive a Receita Federal, tinha conhecimento naquele momento, ,frÁ Processo rf 10166.007469/2005-53 SI-TE03 Acórdtio a' 1803-00431 Fl 33 - Por fim, solicita a nulidade do lançamento. A decisão da instância a pio foi assim ementada (fls. 13): Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2002 Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE DE NORMAS LEGAIS, A instância administrativa não é foro apropriado para discussões desta natureza, pois qualquer discussão sobre a constitucionalidade e/ozt ilegalidade de normas jurídicas deve ser submetida ao crivo do Poder Judiciário, que detém, com exclusividade, a prerrogativa dos inecanismos de controle repressivo de constüticionalidade, regulados pela própria Constituição Federal. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DIPt É cabível a exigência da multa pelo atraso na entrega da DIRI, na forma em que foi consignada no auto de infração. Lançamento Procedente Cientificada da referida decisão em 14/08/2006 (A, R. de fls, 20), a tempo, em 04/09/2006, apresenta a interessada recurso de fls, 21 e 22, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos. Em mesa para julgamento. Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, torno conhecimento do recurso. Conforme se verifica da tela de consulta de fls. 6, a empresa autuada optou pelo regime do Simples em data de 01/01/1997, tendo sido dele excluída em 01111/2000. Assim sendo, não é correta a afirmação da recorrente de que teria havido o seu desenquadramento em 05/12/2003. Dessa forma, a premissa em que se assenta a sua irresignação - a de que não poderia ter entregado a Declaração de Informações Econômico-fiscais da Pessoa Jurídica (DIPI) por estar enquadrada no Simples - é falsa. Por outro lado, não se exime da multa por atraso na entrega da DIPI a empresa excluída do Simples que recorre dessa exclusão, Processo n° 10166.007469/2005-53 S 1-11E03 Acórdão n." 1803-00.431 F i 34 Frise-se que era do pleno conhecimento da empresa, por meio do correspondente Ato Declaratório de Exclusão (ADE), que estava ela em situação vedada em relação à sistemática do Simples (art. 9 0, inciso XIII, da Lei n" 9.317, de 1996) Poderia, então, conformando-se com o referido ato, ter passado, desde logo, a cumprir as obrigações acessórias atinentes a outro regime de tributação. Se, ao revés, preferiu recorrer, deve, ela, arcar com todas as conseqüências daí advindas - multa por atraso na entrega da DIN - do ano-calendário de 2001, no valor de RS 1,094,28 -, descabendo, pois, se falar que "se a empresa era optante pelo Simples, não poderia apresentar DCTF, se não poderia ter apresentado a DCTF e foi desenquadrada de oficio, não pode ser multada" (fis„ 21) ou que "isto é uma pouca vergonha" (fia, 22), Optando por discutir a questão, assumiu a recorrente o risco das consequências do curso do tempo, quanto ao não-cumprimento das obrigações acessórias. Sendo-lhe desfavorável a demanda, não há buscar, em prol da recorrente, efeitos que lhe venham a atenuar a responsabilidade, em não tendo acatado, desde o início, a decisão da autoridade fiscal. Corno constou do Acórdão de if 302-38,813, de 14 de junho de 2007, da Segunda Câmara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes, em situação similar à aqui analisada: Verifica-se, por oportuno, que a motivação para a exclusão da Interessada do Simples está fundamentada na sua própria natureza, qual seja, a execução de serviços de intermediação de negócios, a qual está expressamente proibida pelo inciso XIII, do art. 9 0, da Lei n° 9,317/96 0103), o qual dispõe. Dessa feita, entendo que não pode a Interessada alegar estar sendo irdustiçada, pois, em realidade, deveria estar ciente, desde sua constituição, que não poderia ter optado por este tipo de tributação simplificada. Saliente-se, por oportuno, que, apenas com a edição da Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006, já na nova sistemática do Simples Nacional, foi permitida a opção pelas escolas de línguas estrangeiras, a partir de 01/07/2007 (art. 17, § 1', XVI), Com relação às alegações de ilegalidade, inconstitucionalidade, arbitrariedade e imoralidade de seu desenquadramento, trata-se de matéria já superada, pois, segundo ela mesma afirma, "apresentou recursos administrativos contra a decisão, os quais foram indeferidos" (fis, 21). Já no que se refere à alegada inconstitucionalidade da instituição da DIN, por atos infralegais (fis, 22), incide na espécie a Súmula Carf n° 2, de seguinte teor: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por conseguinte, não remanescendo qualquer dúvida sobre o acerto do procedimento fiscal, deve, este, ser integralmente mantido. Processo n 10166.007469/2005-53 S1-TE03 Acórdão n " 1803-00.431 Fi 35 Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É corno voto. SergioRriguQAP-íjSes ndes MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS - CARF i a SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo rf : 10166,007469/2005-53 Interessado(a) : INSTITUTO CULTURAL BRASIL AMÉRICA LTDA. TERMO DE JUNTADA 1 a Seção Declaro que juntei aos autos o Acórdão n° 1803-00.431, (fls. ), e certifico que a cópia arquivada neste Conselho confere com o mesmo. Encaminhem-se os presentes autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil Em / / ASSINATURA
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