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Numero do processo: 18336.000503/2003-18
Data da sessão: Fri Oct 23 00:00:00 UTC 2009
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 31/10/2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DESPACHO ANTECIPADO.
A Correção dos dados da DI na modalidade Despacho antecipado,
acompanhada do pagamento dos gravames que venham ser apurados após os procedimentos cabíveis a esta modalidade de despacho -tributos e juros moratórios - constitui direito do importador beneficiário do regime de Despacho Antecipado, não cabendo a aplicação de qualquer penalidade, quando realizada em termos.
CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. CIDE-COMBUSTÍVEIS.
A complementação da CIDE decorrente de aumento do valor tributável
apurado através de procedimento de arqueação, antes de qualquer
procedimento administrativo ou de fiscalização tributária, e desde que atendidos os pressupostos do art. 138 do CTN, exime o sujeito passivo da multa de oficio prevista no art. 44, I, da Lei no 9.430/96.
Recurso Especial do Procurador Negado
Numero da decisão: 9303-000.304
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso especial. A Conselheira Nanci Gama declarou-se impedida de votar.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
Nome do relator: Judith do Amaral Marcondes Armando
1.0 = *:*
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/10/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DESPACHO ANTECIPADO. A Correção dos dados da DI na modalidade Despacho antecipado, acompanhada do pagamento dos gravames que venham ser apurados após os procedimentos cabíveis a esta modalidade de despacho -tributos e juros moratórios - constitui direito do importador beneficiário do regime de Despacho Antecipado, não cabendo a aplicação de qualquer penalidade, quando realizada em termos. CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. CIDE-COMBUSTÍVEIS. A complementação da CIDE decorrente de aumento do valor tributável apurado através de procedimento de arqueação, antes de qualquer procedimento administrativo ou de fiscalização tributária, e desde que atendidos os pressupostos do art. 138 do CTN, exime o sujeito passivo da multa de oficio prevista no art. 44, I, da Lei no 9.430/96. Recurso Especial do Procurador Negado
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CSRF-T3 Fl. 198 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 18336.000503/2003-18 Recurso no 331.259 Especial do Procurador Acórdão n° 9303-00.304 — 3' Turma Sessão de 23 de outubro de 2009 Matéria CIDE - FALTA DE RECOLHIMENTO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado PETRÓLEO BRASILEIRO S/A - PETROBRAS ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/10/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DESPACHO ANTECIPADO. A Correção dos dados da DI na modalidade Despacho antecipado, acompanhada do pagamento dos gravames que venham ser apurados após os procedimentos cabíveis a esta modalidade de despacho -tributos e juros moratórios - constitui direito do importador beneficiário do regime de Despacho Antecipado, não cabendo a aplicação de qualquer penalidade, quando realizada em termos. CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. CIDE-COMBUSTÍVEIS. A complementação da CIDE decorrente de aumento do valor tributável apurado através de procedimento de arqueação, antes de qualquer procedimento administrativo ou de fiscalização tributária, e desde que atendidos os pressupostos do art. 138 do CTN, exime o sujeito passivo da multa de oficio prevista no art. 44, I, da Lei no 9.430/96. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Vice-Presiderite substituto no exercício da Presidência) Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. A Conselheira Nanc ama declarou-se impedida de votar. Judit do A aral Marcons52ri-hando - Relator EDITADO EM: 20/1 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Susy Gomes Hoffmann, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Marcos Tranchesi Ortiz, José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martinez López, Leonardo Siade Manzan e Luis Marcelo Guerra de Castro. Relatório Petrobrds importou sob regime de Despacho Antecipado, mediante DI de n° 02/0927623-6, de 17/10/2002 óleo diesel — gasóleo. Conforme permite o Regime de Despacho Antecipado, promoveu a retificação da DI em 31/10/2002. Recolheu a diferença de pagamento devida sem recolher a multa moratória e foi autuada conforme dados de fls 01 a 05 deste processo. A DRJ de Fortaleza manteve o auto de infração. A Terceira Camara do então Terceiro Conselho de Contribuintes decidiu favoravelmente ao contribuinte em decisão que ficou assim ementada: DENUNCIA ESPONTÂNEA - A teor do art. 138 do CT1V, se a denUnica espontânea for acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, e ocorrer antes do inicio de qualquer procedimento fiscalizatório, não é devido o pagamento da multa de mora ou da multa de oficio, vinculadas ao fato gerador. RECURSO PROVIDO. A PGFN recorreu com base no art. 5°, inciso I do antigo regimento deste CARF, por contrariedade à legislação tributária. É o Relatório. I 2 Judith to Amaral Marcondes Armando Processo n° 18336.000503/2003-18 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.304 Fl. 199 Voto Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando, Relatora Aprecio o Recurso Especial interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional inconformada com a Decisão estampada no Acórdão proferido pela então Terceira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, assim ementado: DENUNCIA ESPONTÂNEA - A teor do art. 138 do CTN, se a denimica espontânea for acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, e ocorrer antes do inicio de qualquer procedimento fiscalizatório, não é devido o pagamento da multa de mora ou da multa de oficio, vinculadas ao fato gerador. RECURSO PROVIDO. Como relatado, trata-se de aplicação de multa de oficio, decorrente do não pagamento da multa de mora, incidente sobre a complementação da Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico — CIDE, paga em data posterior ao registro referente A. Declaração de Importação 02/0927623-6, de 17/10/2002, na modalidade Despacho Antecipado de Importação. Deixo de apreciar o mérito do lançamento realizado tendo em vista que, neste caso, podemos aplicar com base no art. 106 do Código Tributário Nacional, o direito A. retroatividade benigna da lei posterior, uma vez que o art. 44, inciso I, que foi aplicado neste auto de infração, e que tinha a seguinte redação: "/ - de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte;" foi expressamente revogado pelo art. 14 da lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007. Pelo exposto, nego provimento ao Recurso interposto pela PGFN.
score : 1.0
Numero do processo: 10882.720026/2006-47
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2003
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXIGÊNCIA DE ATO
DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) POR LEI. EXCLUSÃO DA
BASE DE CÁLCULO.
A partir do exercício de 2001, com a introdução do art. 17 na Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) passou a ser obrigatório para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR).
ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA / RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO
DA BASE DE CÁLCULO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA).
AVERBAÇÃO EM CARTÓRIO.
A área de utilização limitada / reserva legal, para fins de exclusão do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR,
se faz necessária ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental ADA, fazendo-se, também,
necessária a sua averbação à margem da matrícula do imóvel, no Cartório de
Registro de Imóveis, até a data do fato gerador do imposto.
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO
SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN
MÉDIO DITR. EM DETRIMENTO DA UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO
POR APTIDÃO AGRÍCOLA.
Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela
fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), utilizando
VTN médio das DITR entregues no município de localização do imóvel, por
contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996.
Numero da decisão: 2202-001.577
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o Valor da Terra Nua – VTN declarado pela Recorrente, nos termos dos votos do Relator e do Redator Designado. Vencidos os Conselheiros Pedro
Anan Junior (Relator), Rafael Pandolfo e Guilherme Barranco de Souza, que proviam o recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Nelson Mallmann.
Matéria: ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
Nome do relator: Pedro Anan Junior
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXIGÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) POR LEI. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A partir do exercício de 2001, com a introdução do art. 17 na Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) passou a ser obrigatório para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR). ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA / RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). AVERBAÇÃO EM CARTÓRIO. A área de utilização limitada / reserva legal, para fins de exclusão do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, se faz necessária ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental ADA, fazendo-se, também, necessária a sua averbação à margem da matrícula do imóvel, no Cartório de Registro de Imóveis, até a data do fato gerador do imposto. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DITR. EM DETRIMENTO DA UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO POR APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), utilizando VTN médio das DITR entregues no município de localização do imóvel, por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996.
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EXIGÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) POR LEI. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A partir do exercício de 2001, com a introdução do art. 17 na Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) passou a ser obrigatório para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR). ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA / RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). AVERBAÇÃO EM CARTÓRIO. A área de utilização limitada / reserva legal, para fins de exclusão do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, se faz necessária ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental ADA, fazendose, também, necessária a sua averbação à margem da matrícula do imóvel, no Cartório de Registro de Imóveis, até a data do fato gerador do imposto. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DITR. EM DETRIMENTO DA UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO POR APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), utilizando VTN médio das DITR entregues no município de localização do imóvel, por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Fl. 265DF CARF MF Documento de 17 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0419.11086.IOTT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o Valor da Terra Nua – VTN declarado pela Recorrente, nos termos dos votos do Relator e do Redator Designado. Vencidos os Conselheiros Pedro Anan Junior (Relator), Rafael Pandolfo e Guilherme Barranco de Souza, que proviam o recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Nelson Mallmann. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente. (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 266DF CARF MF Documento de 17 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0419.11086.IOTT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10882.720026/200647 Acórdão n.º 220201.577 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório Contra a interessada supra foi lavrada a Notificação de Lançamento e respectivos demonstrativos de fls. 01 a 05, por meio do qual se exigiu o pagamento do Imposto Territorial Rural — ITR do Exercício 2003, acrescido de juros moratórios e multa de ofício, totalizando o crédito tributário no valor de R$ 11.871.974,45, relativo ao imóvel rural denominado Gleba São Tomé, cadastrado na Receita Federal sob n.° 67436390, localizado no município de Apiacás/MT. Na descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 02/03, o fiscal autuante citou a fundamentação legal que amparou o lançamento e relatou, em suma, que, após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção das áreas declaradas a título de preservação permanente e de utilização limitada e não comprovou a área declarada de atividade extrativa e o VTN declarado, tendo sido arbitrado o VTN com base nas informações do Sistema de Preços de Terra SIPT da SRF, e que foram alterados esses dados do DIAT e os valores apurados constam do Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. Em complemento à descrição dos fatos, o fiscal relatou que, quanto à área de Utilização Limitada, em atendimento à intimação, a contribuinte apresentou cópias não autenticadas das matrículas do imóvel, e considerandose que as informações contidas nessas cópias são verdadeiras, verificase averbação de 50% da área total do imóvel, referente à reserva legal, e que não foi apresentada comprovação de protocolização do Ato Declaratório Ambiental junto ao IBAMA no prazo de até seis meses, contado do término do prazo de entrega da DITR, razões pelas quais foi desconsiderada a área informada como de utilização limitada; que, quanto à área de preservação permanente, o laudo apresentado pelo contribuinte não discrimina, caso a caso, cada área, conforme art. 2° da Lei n.° 4.771/65, com redação dada pelo art. 1° da Lei n.° 7.803/99, não permitindo sua análise, conforme art. 10, § 1 0, II, "a, da Lei n.° 9.393/1996, e não foi apresentado comprovante de protocolização do ADA junto ao IBAMA no prazo da legislação, sendo desconsiderada essa área; que, quanto à Área de Exploração Extrativa, não foram apresentados documentos hábeis para comprovação dessa atividade no ano de 2002; que, quanto ao valor da terra nua, a contribuinte não apresentou laudo de avaliação como exigido na intimação; que o laudo deveria atender a norma NBR 14653 da ABNT, com grau de fundamentação de precisão II, e o autor informou que o laudo atende à norma NBR 8799/85, já cancelada; que o laudo não identifica corretamente os elementos da amostra e não apresenta cálculos, fazendo uma homogeneização estranha dos elementos da amostra, mencionando que o VTN/ha é R$ 60,00 e depois aplicando um redutor para se chegar ao valor de R$ 12,60/ha, sem apresentar os valores que serviram de subsídio para se chegar a essa conclusão; que não tem sentido como justificativa o argumento do contribuinte de que o imóvel apresenta valor baixo porque o Governo Federal pretende transformar toda a área do norte de Mato Grosso em área de Preservação Ambiental, em razão de que existem, atualmente, ofertas de imóveis rurais dentro do Parque Estadual do Tucana em Aripuanã, para compensação de área junto ao Sema ou IBAMA, no valor de R$ 233,48 o hectare; e que foi desconsiderado o laudo e arbitrado o valor da terra nua com base no Sistema de Preços de Terras SIPT da SRF, que apresenta o VTN de R$ 135,05/ha. para o município de localização do imóvel no exercício fiscalizado. Fl. 267DF CARF MF Documento de 17 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0419.11086.IOTT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 Instruíram o lançamento os documentos de fls. 06 a 94. Cientificada do lançamento em 22/10/2006, por via postal (AR às fls. 11), a interessada apresentou a impugnação de fls. 96 a 108, em 16/11/2006, acompanhada dos documentos de fls. 109 a 139. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campo Grande – DRJ/CGE, ao examinar o pleito decidiu por unanimidade em negar provimento a impugnação, através do Acórdão DRJ/CGE n° 0412. 763, de 27 de setembro de 2007 (fls. 147/160). Consubstanciado na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Na esfera administrativa não é cabível a discussão quanto à legalidade e/ou constitucionalidade de dispositivos da legislação em vigor. SUJEITO PASSIVO DO ITR. São contribuintes do Imposto Territorial Rural o proprietário, o possuidor ou o detentor a qualquer título de imóvel rural,.assim definido em lei. ÁREAS ISENTAS. RESERVA LEGAL E PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Para a exclusão da tributação sobre áreas de preservação permanente e/ou de utilização limitada, além de comprovação efetiva da existência dessas áreas, é necessário o reconhecimento específico pelo IBAMA ou órgão estadual competente, mediante Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado no prazo previsto na legislação tributária. Considerase de reserva legal apenas a área devidamente averbada como tal à margem da matrícula do imóvel, à época do respectivo fato gerador. VALOR DA TERRA NUA. A base de cálculo do imposto será o valor da terra nua apurado pela fiscalização se não existir comprovação que justifique reconhecer valor menor. Devidamente intimado o Recorrente apresenta tempestivamente recurso onde argumenta em síntese: a) seja totalmente provido o presente Recurso, com a finalidade de reconhecerse a ilegalidade do lançamento de Ofício efetuado, desconstituindo, ou, sucessivamente; Fl. 268DF CARF MF Documento de 17 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0419.11086.IOTT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10882.720026/200647 Acórdão n.º 220201.577 S2C2T2 Fl. 3 5 b) que seja provido em parte o presente Recurso para que seja considerada como área de reserva legal e de preservação permanente a área declarada pelo contribuinte, de acordo com a legislação de regência e com o ADA apresentado à fls. 110 e mantido o valor da terra nua conforme declaração do recorrente e Laudo de Avaliação apresentado à fls. 40 a 49) ou, sucessivamente; c) que seja provido em parte o presente Recurso para que seja considerada a área de reserva legal averbada nas matrículas do imóvel e a área de preservação permanente declarada em DITR e comprovada através do ADA apresentado à fls. 110 e considerado como valor da terra nua o menor valor apurado pelo SIPT nos anos de 2002 e 2003, como forma de, ao menos, salvaguardar um resquício de razoabilidade a este arbitramento de valor. É o relatório Fl. 269DF CARF MF Documento de 17 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0419.11086.IOTT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 Voto Conselheiro Pedro Anan Junior Relator O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e merece ser conhecido. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E UTILIZAÇÃO LIMITADA Tratase de lançamento fiscal de ITR, exercício 2003, derivado de glosa de área utilização limitada e reserva legal pelo fato do recorrente não ter apresentado tempestivamente o ADA, bem como no arbitramento do VTN declarado pelo Recorrente. A decisão recorrida, que confirmou o lançamento, apóiase na premissa de não foi apresentado ADA tempestivamente de imóveis a área objeto de glosa. A questão exige que se separe a análise da disciplina normativa que as áreas de preservação permanente e reserva legal recebem no âmbito do Direito Tributário daquela que recebem no contexto do Direito Ambiental. A Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996, expressamente exclui da base de cálculo tributável do ITR as áreas de reserva legal e de preservação permanente (art. 10, § 1º, inciso II, letra “a”), ou seja, estas áreas constituem elementos redutores da base de cálculo tributável do ITR. A base de cálculo tributária é a própria exteriorização econômica do fato tributável. Por essa razão, a base de cálculo está submetida à reserva legal e aos rigores da legalidade tributária, contemplada constitucionalmente como uma das principais limitações constitucionais ao poder de tributar (art. 150, I, CF). O Código Tributário Nacional (art. 97, IV), de forma mais explícita, ratifica a necessidade de lei formal para a disciplina da base de cálculo tributável. Importante destacar que o Código Tributário Nacional (art. 97, § 1º) vincula os conceitos de majoração tributária (submetida à reserva legal) ao efeito “onerosidade”, produzido em decorrência de modificação da base de cálculo tributária. Vale dizer, qualquer alteração de base de cálculo que torne o tributo mais oneroso para o sujeito passivo submetese ao regime jurídico aplicável à majoração tributária, notadamente ‘a exigência de que seja veiculada por lei formal e atenda aos interstícios temporais previstos constitucionalmente (anterioridade geral, anterioridade nonagesimal) para cada espécie tributária. O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano (art. 1º, lei 9.393/96). Fl. 270DF CARF MF Documento de 17 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0419.11086.IOTT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10882.720026/200647 Acórdão n.º 220201.577 S2C2T2 Fl. 4 7 A base de cálculo tributável é resultado de uma operação complexa que tem como ponto de partida o Valor da Terra Nua – VTN, o qual sofre o efeito de vários elementos redutores. Do valor do imóvel declarado pelo contribuinte (Valor da Terra Nua) devem ser excluídos (art. 10, § 1º, Lei 9.393/96) os valores relativos a construções, instalações e benfeitorias; culturas permanentes e temporárias; pastagens cultivadas e melhoradas; florestas plantadas. Outro conceito importante na definição da base de cálculo tributável do ITR é o de “área tributável”, entendida como a área total do imóvel, excluídas, ou seja, devem ser considerados como elementos redutores: as áreas de preservação permanente e de reserva legal; as áreas de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas nas áreas de preservação permanente e de reserva legal; as áreas comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; as áreas sob regime de servidão florestal ou ambiental; as áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; e as áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. Da multiplicação do Valor da Terra Nua (VTN) pelo quociente entre a área tributável e a área total, chegase ao Valor da Terra Nua tributável (VTNt), que á efetiva base de cálculo sobre a qual deve incidir a alíquota (variável) do ITR. Importante aferir, no entanto, o Grau de Utilização da terra, tarefa que exige a análise e determinação da “área aproveitável” e da “área efetivamente utilizada”. Considerase como “área aproveitável”, a que for passível de exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, excluídas as áreas ocupadas por benfeitorias úteis e necessárias e os elementos redutores da área tributável, entre os quais destacamse as áreas de preservação permanente e as de reserva legal. Por outro lado, entendese por “área efetivamente utilizada” a porção do imóvel que no ano anterior tenha sido plantada com produtos vegetais; servido de pastagem, nativa ou plantada, observados índices de lotação por zona de pecuária; tenha sido objeto de exploração extrativa, observados os índices de rendimento por produto e a legislação ambiental; tenha servido para exploração de atividades granjeira e aqüícola, ou tenha sido o objeto de implantação de projeto técnico, nos termos do art. 7º da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993. O Grau de Utilização – GU do imóvel rural é a relação percentual entre a área efetivamente utilizada e a área aproveitável. A base de cálculo tributável do ITR é o Valor da Terra Nua tributável (VTNt), sobre a qual incidirão alíquotas variáveis dependendo da área total do imóvel e do Grau de Utilização da terra (art. 11, caput, Lei 9.393/96). Fl. 271DF CARF MF Documento de 17 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0419.11086.IOTT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 Qualquer alteração nos elementos redutores da base de cálculo tributável poderá ensejar modificação no nível de onerosidade tributária, índice que pode refletir majoração tributária, a submeterse aos rigores da reserva legal, na forma do disposto na Constituição Federal e no Código Tributário Nacional. As áreas de preservação permanente e de reserva legal constituem, como visto, elementos redutores da “área tributável”, e por isso influenciam diretamente a base de cálculo tributável (Valor da Terra Nua tributável – VTNt), na medida em que esta é o resultado da multiplicação do Valor da Terra Nua (VTN) pelo quociente entre a área tributável e a área total. A desconsideração de elementos redutores do valor da “área tributável”, tais como as áreas de preservação permanente e reserva legal, leva inexoravelmente ao aumento do número resultante da divisão entre área tributável e área total do imóvel, resultado que repercute aumentando o valor da Terra Nua Tributável (VTNt), base de cálculo do ITR. A rigor, a base de cálculo do ITR (VTNt) é o resultado da multiplicação do Valor da Terra Nua (VTN) pelo índice resultante da divisão da área tributável pela área total do imóvel. O aumento de área tributável, decorrente, por exemplo, da desconsideração de elementos que o reduzem, como as áreas de preservação permanente e de reserva legal, conduz a um aumento na base de cálculo do ITR na medida em que aumenta o resultado da divisão da área tributável pela área total do imóvel. Ao disciplinar a base de cálculo do ITR, a Lei 9.393/96 não impôs qualquer condição para que as áreas de preservação permanente e de reserva legal fossem consideradas como elementos redutores da área tributável por este imposto. Ocorre que a IN/SRF 67/97, conferindo nova redação ao art. 10, § 4º da IN/SRF 43/97, estabeleceu que: Art. 10. § 4º As áreas de preservação permanente e as de utilização limitada serão reconhecidas mediante ato declaratório do IBAMA, ou órgão delegado através de convênio, para fins de apuração do ITR. Observado o seguinte: I as áreas de reserva legal, para fins de obtenção do ato declaratório do IBAMA, deverão estar averbadas à margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente, conforme preceitua a Lei nº 4.771, de 1965, II o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado da data da entrega da declaração do ITR, para protocolar requerimento do ato declaratório junto ao IBAMA. Como visto, o referido ato regulamentar criou três condições relativas aos elementos redutores da base de cálculo do ITR (áreas de preservação permanente e de reserva legal), a saber: Primeiro, as áreas de preservação permanente só poderão ser utilizadas para fins de apuração da base de cálculo do ITR após o protocolo, pelo interessado, de requerimento junto ao IBAMA solicitando a expedição de ato declaratório reconhecendo as características ambientais do imóvel. Fl. 272DF CARF MF Documento de 17 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0419.11086.IOTT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10882.720026/200647 Acórdão n.º 220201.577 S2C2T2 Fl. 5 9 Segundo, as áreas de reserva legal deverão estar averbadas à margem da inscrição da matrícula do imóvel antes do pleito de expedição do ato declaratório junto ao IBAMA. Terceiro, o requerimento para expedição do ato declaratório deve ser protocolado junto ao IBAMA no prazo de até seis meses, contado da data da entrega da declaração do ITR. Segundo a dicção da citada Instrução Normativa, se não cumpridas as três condições por ela criadas, as áreas de preservação permanente e de reserva legal não poderão ser utilizadas pelo sujeito passivo como elementos redutores da base de cálculo do ITR. As referidas condições foram reproduzidas posteriormente pelo art. 17 da IN/SRF 73/2000 e da IN 60/2001 e constam do Decreto 4.382/2002 (art. 10, § 1º e 12, § 1º). Como resta claro, a lei tributária, ao definir o fato gerador do ITR, estabeleceu a sua base de cálculo sem condições. Atos regulamentares editados posteriormente, a pretexto de regular o tributo, na prática, tornaramno mais oneroso, na medida em que majoraram a sua base de cálculo, criando condições (antes inexistentes) para que esta pudesse ser apurada. O Código Tributário Nacional (art. 97, § 1º) é expresso ao equiparar à majoração do tributo, submetida à reserva de lei, qualquer modificação de sua base de cálculo, que resulte em tornálo mais oneroso”. No caso em concreto apesar do Recorrente não ter apresentado o ADA tempestivamente, apresentou laudo de avaliação, que demonstra que as áreas objeto de glosa existem, que no meu entender são suficientes para comprovar a possibilidade de exclusão do valor da base de cálculo do ITR. VALOR DA TERRA NUA VTN Em relação ao VTN, a autoridade lançadora arbitrou o valor em R$ 135,05 uma vez o laudo técnico de avaliação apresentado pelo Recorrente não preencheu os requisitos da ABNT, nos termos da norma de execução COSIT, 003, de 29 de maio de 2006. No que diz respeito ao Valor da Terra Nua para fins de apuração do ITR, o artigo 8º, da Lei nº 9.393, de 1996, determina que ele reflita o preço de mercado de terras apurado no dia 1º de janeiro do ano a que se referir o DIAT, e será considerado auto avaliação da terra nua a preço de mercado. No caso em concreto a autoridade lançadora utilizou os dados constantes no Sistema de Preços de Terra – SIPT, evidenciado nos extratos de fls. 146, uma vez que o contribuinte não apresentou laudo técnico de avaliação válido para suportar o valor adotado pelo Recorrente. Fl. 273DF CARF MF Documento de 17 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0419.11086.IOTT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 10 Na parte atinente ao cálculo do Valor da Terra Nua VTN, entendeu a autoridade lançadora que houve subavaliação, tendo em vista o valor constante do Sistema de Preço de Terras (SIPT), instituído pela então SRF em consonância ao art. 14, caput, da Lei n° 9.393, de 1996. Como visto no relatório, a modificação do Valor da Terra Nua foi realizado com base nos dados cadastrais informados na correspondente DITR/2002, já que não existia um VTN apurado por aptidão agrícola declarado para efeito de comparação, consequentemente, o VTN declarado pelo recorrente, naquela declaração, foi desprezado. Em síntese, podemos dizer que o VTNm/ha representa a média ponderada dos preços mínimos dos diversos tipos de terras de cada microrregião, observandose nessa oportunidade o conceito legal de terra nua previsto na legislação de regência sobre o assunto, utilizandose como data de referência o último dia do ano anterior ao do lançamento, no caso 31 de dezembro de 1999. A utilização da tabela SIPT, para verificação do valor de imóveis rurais, a princípio, teria amparo no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Como da mesma forma, o valor do SIPT só é utilizado quando, depois de intimado, o contribuinte não apresenta elementos suficientes para comprovar o valor por ele declarado, da mesma forma que tal valor fica sujeito à revisão quando o contribuinte comprova que seu imóvel possui características que o distingam dos demais imóveis do mesmo município. Não tenho dúvidas de que as tabelas de valores indicados no SIPT, quando elaboradas de acordo com a legislação de regência, servem como referencial para amparar o trabalho de malha das declarações de ITR e somente deverão ser utilizados pela autoridade fiscal se o contribuinte não lograr comprovar que o valor declarado de seu imóvel corresponde ao valor efetivo na data do fato gerador. Para tanto, a fiscalização deve enviar uma intimação ao contribuinte solicitando a comprovação dos dados declarados antes de proceder à formalização do lançamento. Vivemos em um Estado de Direito, onde deve imperar a lei, de tal sorte que o indivíduo só se sentirá forçado a fazer ou não fazer alguma coisa compelido pela lei. Daí porque o lançamento ser previsto no art. 142 do Código Tributário Nacional como atividade plenamente vinculada, isto é, sem possibilidade de a cobrança se firmar em ato discricionário, e, por outro lado, obrigatória, isto é o órgão da administração não pode deixar de cobrar o tributo previsto em lei. Assim, sendo se faz necessário uma análise preliminar sobre a possibilidade da utilização dos valores constantes da tabela SIPT, quando elaborada tendo por base as DITR do município onde se localiza o imóvel. Ou seja, se faz necessário enfrentar a questão da legalidade da forma de cálculo que é utilizado, nestes caso, para se encontrar os valores determinados na referida tabela. Razão pela qual, na opinião deste Relator, se faz necessário verificar qual foi metodologia utilizada para se chegar aos valores constantes da tabela SIPT, principalmente, nos casos em que restar comprovado, nos autos do processo, que a mesma foi elaborada tendo por base a média dos VTN das DITR entregues no município da localização do imóvel. Esta forma de valoração do VTN atenderia as normas legais para se proceder ao arbitramento do VTN a ser utilizado, pela autoridade fiscal, na revisão da DITR? Fl. 274DF CARF MF Documento de 17 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0419.11086.IOTT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10882.720026/200647 Acórdão n.º 220201.577 S2C2T2 Fl. 6 11 Sem dúvidas, que tal ponto não deixa de ser importante, posto que, em se entendendo que as normas de cálculo utilizadas para a confecção da Tabela SIPT, tomada como base para o arbitramento do VTN pela autoridade fiscal, não se demonstram adequadas à lei, tal situação faria prevalecer o VTN indicado pelo contribuinte em laudo técnico ou de sua Declaração. Este é o caso questão, onde o VTN extraído do SIPT referese à média dos VTNs das DITRs apresentadas para o mesmo município no ano de 2002 e não do VTN médio por aptidão agrícola, onde se avalia os preços médios por hectare de terras do município onde esta localizado o imóvel, apurado através da avaliação pela Secretaria Estadual de Agricultura os preços de terras levando em conta de existência de lavouras, campos, pastagens, matas. Analisando o conteúdo das normas reguladoras para a fixação dos preços médios de terras por hectare só posso concluir, que o levantamento do VTN, levando conta a média dos VTN constantes da DITRs, não condiz com o proposto pelo art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996, verbis: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios Assim se manifesta o art. 12 da Lei nº 8.629, de 1993: Artigo 12 Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. § 1º A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacidade potencial da terra; c) dimensão do imóvel. § 2º Os dados referentes ao preço das benfeitorias e do hectare da terra nua a serem indenizados serão levantados junto às Fl. 275DF CARF MF Documento de 17 página(s) assinado digitalmente. 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Este só pode fazer aquilo que a lei o autoriza. Ora, se a fixação do VTNm não teve por base esse levantamento (por aptidão agrícola), o que está comprovado nos autos, já que a autoridade fiscal lançadora se utilizou do VTN médio das DITRs entregues no município, então não se cumpriu o comando legal e o VTNm adotado para proceder ao arbitramento pela autoridade lançadora não é legítimo, sendo inservível para o fim da recusa do valor declarado ou pretendido pelo contribuinte. Por outro lado, é de se levar em conta que é facultado ao contribuinte solicitar a revisão do respectivo VTNm com base em Laudo Técnico de Avaliação emitido por profissional habilitado ou empresa de reconhecida capacitação técnica, que deverá estar acompanhado de ART, devidamente registrada no CREA, além de atender aos requisitos das normas da ABNT, principalmente no que diz respeito às fontes consultadas e a metodologia então utilizada. Estou ciente que a presente matéria sempre gerou polêmica neste Conselho de Contribuintes e ainda vai permanecer ao longo do tempo, pois existem colegas que defendem a tese de que o contribuinte poderia questionar o Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela autoridade fiscal lançadora, mas para tanto seria necessário a apresentação de "Laudo Técnico de Avaliação" emitido por profissional habilitado, acompanhado de ART, devidamente anotada no CREA, que atendesse, ainda, aos requisitos das Normas da ABNT (atual NBR 14.6533), principalmente no que diz respeito à metodologia utilizada e às fontes eventualmente consultadas, demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preços da data do fator gerador do imposto, além da existência de características particulares desfavoráveis, que justificassem um VTN/ha abaixo do arbitrado pela fiscalização com base no SIPT. Ou seja, entendem, que de acordo com a legislação de regência, estes critérios seriam rígidos. Entretanto, particularmente, rejeito esta tese e compartilho com a opinião dos colegas, externada em diversos julgados, que a legislação do ITR não estabeleceu, em lugar algum, a exigência de confecção de laudos técnicos de avaliação de conformidade com a norma da ABNT mencionada, ou em qualquer outra, para fins de pedido de revisão do VTN mínimo sobre determinado imóveis. A lei determinou, isto sim, que o laudo técnico deve ser emitido por entidade de reconhecida capacitação técnica ou por profissional devidamente habilitado. Basta, portanto, na opinião dos colegas que compartilham esta tese, que o laudo emitido de conformidade com tal determinação demonstre, de forma inequívoca, as características que diferenciam o imóvel questionado, das demais terras do município envolvido, indicando um valor de terra nua inferior ao mínimo estabelecido para tal município. Fl. 276DF CARF MF Documento de 17 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0419.11086.IOTT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10882.720026/200647 Acórdão n.º 220201.577 S2C2T2 Fl. 7 13 Entretanto, diante do entendimento que o VTN médio utilizado pela autoridade fiscal lançadora não cumpre as exigências legais determinadas pela legislação de regência, penso ser irrelevante continuar a discussão da questão do Laudo de Avaliação do VTN, já que compartilho com o entendimento, que nesses casos, deve ser restabelecido o VTN declarado pelo recorrente em sua DITR glosado pela autoridade fiscal. Desta forma, entendo que devemos acolher para o VTN declarado pelo Recorrente. Neste sentido, conheço do recurso e no mérito dou provimento. (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 277DF CARF MF Documento de 17 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0419.11086.IOTT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 14 Voto Vencedor Conselheiro Nelson Mallmann, Redator Designado Com a devida vênia do nobre relator da matéria, Conselheiro Pedro Anan Junior, permitome divergir quanto à exclusão da tributação a integralidade da área de preservação permanente e área de utilização limitada (reserva legal), acompanhando o voto do relator nas demais questões. Entende o nobre relator, que no caso em concreto, no que diz respeito às áreas de preservação permanente e de utilização limitada (reserva legal), o recorrente preencheu os requisitos previstos na legislação de regência, em razão da apresentação de laudo técnico. Contudo, não posso acompanhar o raciocínio do nobre relator, já que discordo frontalmente no que diz respeito ao Ato Declaratório Ambiental – ADA, exigência mútua para as áreas de preservação permanente e de utilização limitada (reserva legal), além da exigência concomitante da averbação da área de reserva legal nos Cartórios de Registro, pelos motivos abaixo expostos. Não resta duvidas de que se confirmou o não cumprimento de uma exigência genérica, aplicada tanto às áreas de utilização limitada (Reserva Legal, Reserva Particular do Patrimônio Natural ou Imprestável para a atividade produtiva/Interesse Ecológico), quanto às áreas de preservação permanente, de que as áreas ambientais do imóvel, para fins de exclusão do ITR, sejam devidamente reconhecidas como de interesse ambiental, por intermédio de Ato Declaratório Ambiental ADA, emitido pelo IBAMA/órgão conveniado ou, pelo menos, que seja comprovado a protocolização tempestiva do seu requerimento (do ADA). Como visto nos autos, a discussão principal de mérito diz respeito à área de preservação permanente e área de utilização limitada (reserva legal), e o nó da questão restringese a exigência relativa ao ADA — Ato Declaratório Ambiental, que deve conter as informações de tais áreas e ter sido protocolado tempestivamente junto ao IBAMA/órgão conveniado, para fins de exclusão dessas áreas da tributação, bem como a exigência da averbação tempestiva da área de reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis. Não há dúvidas que, a princípio, por trataremse de áreas não tributáveis, cabe destacar que as áreas assim declaradas estão sujeitas à comprovação para serem aceitas, de acordo com a situação em que se enquadrem: 1 — Reserva Legal — é necessário que o contribuinte protocolize o Ato Declaratório Ambiental (ADA) no prazo legal e que as áreas estejam averbadas no Registro de Imóveis competente até a data da ocorrência do fato gerador (Lei n° 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela MP n° 2.166, de 2001, art. 1°); 2— Reserva Legal do Patrimônio Natural — RPPN — protocolo do ADA no prazo legal; que as áreas sejam reconhecidas pelo IBAMA ou por órgão estadual de meio ambiente, mediante requerimento do proprietário (Decreto n° 1.922, de 1996 e Lei nº 9.985, de 2000, art . 21); que as áreas estejam averbadas no Registro de Imóveis competente na data da ocorrência do fato gerador (Lei n° 9.985, de 2000, art. 21; Decreto n° 4.382, de 2002, art. 13, parágrafo único); Fl. 278DF CARF MF Documento de 17 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0419.11086.IOTT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10882.720026/200647 Acórdão n.º 220201.577 S2C2T2 Fl. 8 15 3 — Interesse Ecológico protocolo do ADA no prazo legal; reconhecimento, em caráter especifico, para determinada área, de órgão competente federal ou estadual (Lei n° 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, II, "b" e "c"); 4 — Servidão Florestal — protocolo do ADA no prazo legal; que as áreas estejam averbadas no Registro de Imóveis competente na data da ocorrência do fato gerador (Lei n° 4.771, de 1965, art. 44A, acrescentado pela MP n° 2.16667, de 2001, art. 2°); 5 Para as áreas de Preservação Permanente, há a necessidade que o contribuinte protocolize o Ato Declaratório Ambiental (ADA) no prazo legal ou reconhecimento da área através de Laudo Técnico, firmado por Engenheiro Agrônomo ou Florestal acompanhado da ART (Anotação da Responsabilidade Técnica) e de acordo com as normas da ABNT. As áreas de Preservação Permanente são as descritas na Lei n° 4.771, de 1965, artigos 2° e 3°, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 1989, artigo 1°. Assim, verificase que as duas exigências previstas para justificar a exclusão de tais áreas da incidência do ITR/2002, qualquer que sejam as suas reais dimensões, não foram providenciadas de forma tempestiva. Primeiro, confirmouse o não cumprimento de uma exigência genérica, aplicada tanto às áreas de utilização limitada (Reserva Legal, Reserva Particular do Patrimônio Natural ou Imprestável para a atividade produtiva/Interesse Ecológico), quanto as áreas de preservação permanente, de que as áreas ambientais do imóvel, para fins de exclusão do ITR, sejam devidamente reconhecidas como de interesse ambiental, por intermédio de Ato Declaratório Ambiental ADA, emitido pelo IBAMA/órgão conveniado ou, pelo menos, que seja comprovado a protocolização tempestiva do seu requerimento. Segundo, no que tange, especificamente, à área de utilização limitada/reserva legal, além de não cumprida a exigência da entrega tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA), constatouse, ainda, a falta de sua averbação à margem da matricula do imóvel no Cartório de Registro de Imóveis (CRI) competente. No tocante à apuração do imposto, de acordo com as instruções de preenchimento da DITR, podem ser excluídas, da área total do imóvel, para determinar a área tributável, as áreas de preservação permanente e de utilização limitada, sendo essas últimas compostas pela área de reserva legal, pelas áreas de reserva particular do patrimônio natural, e pelas áreas imprestáveis para a atividade produtiva, se declaradas de interesse ecológico, mediante ato do órgão competente federal ou estadual; Como é de notório conhecimento, o ITR incide sobre: (i) o direito de propriedade do imóvel rural; (ii) o domínio útil; (iii) a posse por usufruto; (iv) a posse a qualquer título, tudo conforme ditado pela Lei nº 9.393, de 1996. Conquanto, este tributo será devido sempre que no plano fático se configurar a hipótese de incidência ditada pela norma (Lei 9393/96): (i) a norma dita que a obrigação tributária nasce sempre em primeiro de janeiro de cada ano uma vez que a periodicidade deste tributo é anual; (ii) o imóvel deve estar localizado em zona rural; (iii) os demais requisitos já constam acima posse, propriedade ou domínio útil. Tenho para mim que para excluir as áreas de Interesse Ambiental de Preservação Permanente e as de Utilização Limitada da base de cálculo do ITR e anular a sua influência na determinação do Grau de Utilização, duas condições têm de ser atendidas. Uma é Fl. 279DF CARF MF Documento de 17 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0419.11086.IOTT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 16 a sua averbação a margem da escritura no Cartório de Registro de Imóveis outra é a sua informação no Ato Declaratório Ambiental – ADA. Destaquese que ambas devem ser atendidas à época a que se refere a Declaração do ITR. É de se ressaltar, que em nenhum momento estou questionando a existência e o estado das Reservas Preservacionistas, relatórios técnicos que atestam a sua existência não atingem o âmago da questão. Mesmo aquelas possíveis áreas consideradas inaproveitáveis, para integrarem as reservas da propriedade, para fins de cálculo do ITR, devem, no meu ponto de vista, obrigatoriamente, atender as exigências legais. Um dos objetivos precípuos da legislação ambiental e tributária é, indubitavelmente, estimular a preservação do meio ambiente, via beneficio fiscal. No entanto, o beneficio da exclusão do ITR, inclusive em áreas de proteção e/ou interesse ambiental como os Parques Estaduais, não se estende genérica e automaticamente a todas as áreas do imóvel por ele abrangidas. Somente se aplica a áreas especificas da propriedade, vale dizer, somente para as áreas de interesse ambiental situadas no imóvel como: área de preservação permanente, área de reserva legal, área de reserva particular do patrimônio natural e área de proteção de ecossistema bem como área imprestável para a atividade rural, desde que reconhecidas de interesse ambiental e desde que haja o reconhecimento dessas áreas por ato especifico, por imóvel, expedido pelo IBAMA, o Ato Declaratório Ambiental (ADA). Não tenho dúvidas, de que a obrigatoriedade da apresentação do ADA para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e de utilização limitada (reserva legal) da base de cálculo do ITR, surgiu no ordenamento jurídico pátrio com o art. 1º da Lei nº 10.165, de 2000 que incluiu o art. 17, § 1º na Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, para os exercícios a partir de 2001, verbis: Art. 17 O Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria." (NR) (...) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. Tal dispositivo teve vigência a partir do exercício de 2001, anteriormente a este, a imposição da apresentação do ADA para tal fim era definido por ato infralegal, que contrariava o disposto no § 1º do inciso II do art. 97, do Código Tributário Nacional. Os presentes autos tratam do lançamento de ITR do exercício de 2003, portanto, a exigência do ADA para fins de exclusão da base de cálculo daquele tributo encontra respaldo legal, pelo quê, deve ser mantido quanto a este ponto, já o recorrente não comprovou nos autos a protocolização, de forma tempestiva, do requerimento/ADA, junto ao IBAMA/órgão conveniado. É oportuno salientar, que Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem entendido em suas decisões de que a dispensa de comprovação relativa às áreas de interesse ambiental (preservação permanente/utilização limitada), conforme redação do parágrafo 7°, do art. 10, da Lei n° 9.363, de 1996, introduzido originariamente pelo art. 3º da MP n° 1.95650, de 2000, e mantido na MP n° 2.16667, de 2001, ocorre quando da entrega da declaração do ITR, o que não dispensa o contribuinte de, uma vez sob procedimento administrativo de Fl. 280DF CARF MF Documento de 17 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0419.11086.IOTT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10882.720026/200647 Acórdão n.º 220201.577 S2C2T2 Fl. 9 17 fiscalização, comprovar as informações contidas em sua declaração por meio dos documentos hábeis previstos na legislação de regência da matéria. Não obstante a pretensão do requerente de comprovar nos autos a efetiva existência da área de utilização limitada/reserva legal no imóvel (materialidade) por meio do documento “Laudo de Avaliação do Imóvel”, cabe ressaltar que essa comprovação, no meu entendimento, não é suficiente para que a lide seja decidida a seu favor, pois o que se busca nos autos é a comprovação do reconhecimento das referidas áreas mediante ato do IBAMA ou órgão delegado por convênio ou, no mínimo, a comprovação da protocolização tempestiva do requerimento do Ato Declaratório Ambiental (ADA). Enfim, a solicitação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA) constituiuse um ônus para o contribuinte. Assim, caso não desejasse a incidência do ITR sobre as áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal, o proprietário do imóvel deveria ter providenciado, dentro do prazo legal, o requerimento do ADA. Portanto, não há outro tratamento a ser dada às áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal glosadas pela fiscalização, por falta de comprovação da exigência tratada anteriormente, que devem realmente passar a compor as áreas tributável e aproveitável do imóvel, respectivamente, para fins de apuração do VTN tributado e do seu Grau de Utilização (do imóvel). Desta forma, não tendo sido comprovada a protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental — ADA, junto ao IBAMA/órgão conveniado, cabe manter as glosas efetuadas pela fiscalização em relação às áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido de negar provimento ao recurso nesta parte, acompanhando o voto do relator nas demais questões. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Fl. 281DF CARF MF Documento de 17 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0419.11086.IOTT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por PEDRO ANAN JUNIOR em 02/03/2012 09:51:17. Documento autenticado digitalmente por PEDRO ANAN JUNIOR em 02/03/2012. Documento assinado digitalmente por: PEDRO ANAN JUNIOR em 02/03/2012 e NELSON MALLMANN em 02/03/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por VALERIA JOSE VIEIRA DA COSTA em 05/04/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP05.0419.11086.IOTT Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 6A0FAB8B4A560927C78F6E339EE78FD3BBBA567E Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10882.720026/2006-47. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 13672.000040/90-66
Data da sessão: Mon Oct 18 00:00:00 UTC 1993
Numero da decisão: 108-00.035
Decisão: RESOLVEM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em qiligencia, nos termos do voto do Relator
Nome do relator: Jose Carlos Passuello
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E PLANE"AIIENTO Sessão de 18 outubro de 19_9_3__ ACOROÃONl? .108-00.035 Recurso nº: - 102.769 - IRPJ •..EX: DE 1987 Recorrente: .,... INDÚSTRIAS PASTORIS SÃO JOÃO LTDA. Recorrida: - DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EMDIVIN6pOLillS (MG) RE S O L U f ~O 'N9 108~00~035 Vistos, ~el~t~qos e discutidos os presente~ auto de ~ecu~so interpost~ por INDÚSTRIAS PASTORIS SÃO JOÃO LTPA.: ;RESOLVEM os Membros d~ Oitava Câma:ra doPrirneiro Co selho de Contribuintes, por unanimidade de votos, CONVERTER o julg menta em qiligencia, nos t'ermos do voto do Relator. RELATO;R - PRESIDENTE •..PROCUMJ)OR DA D~,NACIONAL (DF), em 18 de outubro de 1993 M.. P~.rticipapaIn,~inqa, ..9 presente julgamento,' os seguintes ConselAe' / rqs: APELMO'M{\.RTINS SILVA, PAULO IRVIN I:>ECARVA.LHO VIANNA, ;RENAT. GONÇALVES PANTOJA, MÁRIO JUNQUEIR{\ FRANCO JÚNIOR, S{\NpRA MARIA NUNES e LUIZ ALBERTO C{\VA MACEIRA. VISTO EM 8ESS!\O DE: .' • 2 •MINIST~RIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO NQ 13672-000.040/90-6c RECURSO NQ 102.769 • ACORDA0 NQ 108-00.035 RECORRENTE~ INDUSTRIAS PASTORIS SAO JOAO LTDA RELATORIO qUI::!!de e>{ig~ncia fiscal, pa~cj.aln}ente, decol~rente do lançamer"lto de imposto de renda do e>:er-cici,o de 1987" A e>:i,g?ncia fi.scal alc:ançava os e>~ercicios de 1986 e 1987, tendo a recorrente efetuado pagamento de cz$ 76.800,21, em 04.10.90 (fls. 41), alegando estar pagando a parte nào controversa, relativamente ao total lançado do exercício de 1986u A auto,~idade jlllgador-a a ql.iO% rlC~ deci.sóri,o, apreciou o pagamento nem declarou seu caráter extintivo da valor de cz$ 790.000,00 e glosa de custos de cz$ 136.932,80, 'totalizar1do cz$ 926n932,BO, relativas ac) exerci cio de 1987n ,:~.título dE~ "{''11u(,uéj..~; ealiquota de 6%, en~ 31a12n86, Pecuária Tabubes Ltda, empresa do mesmo grupo, tributada à • 3 • MINIST~RIO DA FAZENDA PROCESSO N9 13672/ O O O •O 4 0/9 O -6 6 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES RESOLUÇÃO 'N9~1Q8-00.035 TÉ'cn.1.co-' f.?ilf .; ; ...•1'-,.' J_ ....' CJ C.-:- fi. i£:lAg!'-ciF'f."!cu.ét'''i<",.T",\bufji=.'~; L.t.da confinii~mE:nto de bo\/i.no!,;d~:?tf.,?!'-'ce.it-o~;."(fI!:;. 7). obj E"tivii~mF.~ntE"!,].im:i..t<",.ndc)"'-~:.ea j un ta!'- c)1~.1.(;.:,1 ini£:llelo J'-fJfc.ibCI dE' depósito bancário de cz$ 490.000,00, em cheque, de 23.12.86 (fls. 42) e czS 300.000,00, em dinhei.ro, de 30.12.86, para crédito de Agropecuária Tabubes Ltda, sem identifi.car o df:?posi teilntE~, chf2ques n "-. 490.000,00 e 695350, de czS ::;::00.000:'00 • .] un t.Ol..\ c.~inde:! con tt-ii~t:.O al~I'-E"nd<~mento I'''f..?ff:?I'''('?nt.es a !'-I'-f:?nd ii'<.mE~r'lto f:? animai.s durante a vig~ncia do contrato, e ao final, requereu o arquivamento do processo. No decisório (fls. 96 a 100), a autoridade monocrática fez " qLle em 1985 e 1986, em suas propr~eclades somente confinou animais seus, de sua propriedade. Ainda a mesma empresa, parte na transaçào, informa que a capacidade de confinamento de bovinos em 1985 e 1986, era de 200 ar)iinais~ O c:or)'trato de flsu 29, c:lál.lsula tOJ'-nd . . , . ,l.n\/á.1. .1. CJ C) Sf."!qU('-?t-.beneficidr-se dd dÜ\/ida, PDI'''qUE' consequ~ncia da incorreçNo do próprio atD juridicm. QUdnto qUe~.lquet-. PCit-qU.E' tE'm • PROCESSO n9 13672/000.040/90-66 MINISTéRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4 . RESOLUÇÃO N9 108-00.035 formalidades essenciais, além de ter sido assinado por uma das despesas deduzidas para apuraçáo do lL\cro re21 simulou 2 tl'-'é'lns.;tE?I'"é'nci",IIde r"i:."!fCU1'''~".OS;dt? um ,?I E,'mp r" e S".,?Ido mes-mo i}t...l...\PO~ tr"ibutii:'((:1c:1a 6~':n i\!o qUE? ~:;;E:! r"E:"'1"en,?aos", CUf..;:.tosp cJE::~";pe~:;.a~":. operacionais, para efeito de dedutibilidade dos rendi~entos pagos a terceiros~ manda o Regulamento do Imposto de Renda (RIR/SO), que sejam aplicadas as disposiçOes pertinentes à dC"!!dl...\ ti b:.i.lidii~den .• ri :",_t .,. .I~:'n da dE.du ti bi 1.idc:\cIE! r"E'I"'1d :.i. fi'lE.n t.OS:; a 1.,....".,..1,f' de) ci tac!o de qualquer nature2a~ t.itulat'..~ di t". i ÇJE:,n t.F! CCln t r- a t:.an tf-2~:;) , C)u (no cios I"esmo!':;~ empt"'F:..~.as impugnados pela autoridade lançadora, se o contribuinte náo No recurso, a recorrente defendeu-se alegando que o contrato de fls. 29 e 30 (repetido a fls. 46 f-2 46) alcançava~ além do confinamento, a engorda e o trato dos animais e que a autoridade julgadora equivocou-se quanto à exclusividade de confinamento de animais próprios e que a capacidade de demonstram as notas fiscais anexas, i:or"am os animais remetidos para a propriedade " Agropecuária Tabudes dE:',T,on~:;;tr"é'ilt.:i.VOde cu<:::.toS;B e''v'idE?l"',ci "'" qUE':! ..roi obsE,'t-vi::iclo sempre - o limitE:' máximo de 200 animais que se , eiS à. pl'''e~;;t,::idol'-a PROCESSO N9 13672/000.040/90-66 5 • MINIST~RIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES RESOLUÇÃO N9 108-00.035 como se n~o bastasse tudo o aqui já consignado, os próprios depósitos bancários p cópias de cheques atestam que e-fF!!tiv .:;,mfi!!n t.f:? houve o pagamento; documentos est.es que A glosa de custos, se caracterizou, na forma do cont.ido na J<~~o L,'tda, VendelJ, par-a a SlAa i,ndústr'ia, 120 novilhos, conforme Nota Fiscal de Fr-odut.ol'- n9 pOr'" 276.000,00. E, segundo registro na contabilidade, este gado se destiflari,a a parcer"j.a COín Rosa Cn CN Carcjoson Em de2embr"o Ltda, através das Notas Fiscais de Entrada abaixo: N9 10086 cc~m 40 boi.s cz$ 184n~98,60 N9 10087 com 80 bois cz$ Total cz$ 549.865,60. Do tot.i3.1 Si.U.P l'-,,~ 'f o i deduzido o custo dos bovinos cz$ 276.000,00 e o restante cz$ 273.865,60 foi todo creditado a Rosa C. C. Cardoso. O r-f:!!ÇJi.r:;tt...o de;;cont,,~b:i.J.id<;:tdE'de~st.inandci o t:otC:'11do lucr"o do con1 :i.nament() I~L. c" Car-dclso nenhu.fn documento através do Termo de Solicitaç~o pedimos jl(stificativa para o fato. Em 03.08.90, recebemos da administ.raçào a cópia de um con tirato dI::?pal'-cel"i.e;;,,;;COi"i"ipanhado dE~ um I::;:e ].i::c. -I":.Óf- .1.0Técn.ico ..... t.otal do lucro do confinamento a Rosa C" C. Cardoso foi um CJ:I. os,;,\doP,,;\qCI pagamento ÇJracioso" Assim, seguindo o procedimento de contratos de parceria praticados pela empresa, glosamos PROCESSO N9 13672/000.040/90-66 MINIST~RIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 6. RESOLUÇÃO N9 108-00.035 c.bjeti.vamF2nt.i.?~ li.mi t.::\ndo.....s.;e ,,=,. j un tal'" cor',t.I'.',i'lt.ode pa 1''' ct':-'I'''ia. pecu~~ia e demonstrat.ivo de produtos vendidos após o abate, e ao final, requereu o arquivamento do processo. No decisório, a autoridade monocr~tica fez conslgnar que a recorrente atribuiu integralmente o lucro da engorda dos 120 nO\/.i 11"'lo~; ~?nquant.C) ,::\c! m i ~:;!::..i. \/ F.:~1. • CoutC) C,:~I'''\iii'lll'''lo,PI~t?j:::.umj..\/(.?lmf2r'lt(.?p<.-:i.t'''t:.?nt.edf2 algum membír'o dEI Diretoria da autuada, conforme se verifica pelo sobrenome. A recorrente, no recurso veio argumentar que os contratos de , par"cE'lr'ic:~n~~o tF:!ffl'fC)r"in.:~imut./..~v€,,'J.e df:;)t:.E'I'"minada~I SE? d.::tndo o pagamento conforme a viabilidade econ3mica do negócio e que especIfica de vant.agem diret.a do confi~amento ou parceiro da engorda e trato, reservando-se a recorrente o resultado r.~:.o r'elii'ltc')I'''.:i.o. 7. MINIST~RIO DA FAZENDA PROCESSO N9 13672/ O O O • O 4 O / 9 0-66 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES VOTO do Conselheiro JOS£ CARLOS PASSUELLO~ Reconhecida, inicialmente, a tempestividade do recurso e atendidos os pressupostos processuais, o mesmo deve ser conhecidc). o exame do relatório nos incli.c:a questionada vinculada exclusivamente a matéria de prova. contidos no processo, na medida que sua clareza e adequaçào.', , o exame dos documentos, especialmente alguns, como: a) Fls. -I '''? _t..I 9- qUr.:lndD ,::1 10cadDra afirma possuir sua propriedade, qLtando a recc)r-rer1te afirma pc)ssuir' em estoque, t,::\lgÕ:ldo se locõ:11,izõ:lvõ:ll;c) Fls,,, 29 e ~~:O,cor-r-'t:-?s.pondent.f::!êI entrega de 329 animais, pela recorrente, para engorda, trato E' cDn-finE'tti'lento;d) FIs"" :::::1 ol"'sdE'c:1r-ec:of"r-'E?ntf.'?demons~t.j'''<::'l,::\ despesas vinculada ao contrato de fls. 29 e 30; .' onde a recorrente demonstra a movimentaçào dos estoques; f) oferecidas na impugnaçào, correspondentes à movimentaçào de gado de tr~nsferâncias com destino à propriedade da locadora (F~2enda Tabubes) e de lá em retorno para a sede da ,i. tF:.'m i~ algum •• conclusff•• inlcl.is. ~ • MINIST~RIO DA FAZENDA PROCESSO N9 13672/000. 040/90-66 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES RESOLUÇÃO N9 108-00.035 8. A fiscalizaç~o entende ser forjado o contrato de fls. 29 e 30 enquanto a recorrente entende ser o documento suficiente para comprovar a regularidade da operaçâo. A dir'in~êr~(:ia deste ponto P 1"'0 cu. r" i:'\nd o fi';'! documentais que impedem formar convicçào, como veremos. mas fi~O consta dos documentos juntados a transfer@ncia dos 329 animais envolvidos no contrato. Examinando os documentos movimentaçào de estoques na fazenda Tabubes em quantidades 1: I s" conforme documentos juntados ao processo pela recorrente: tIf. J aneir"o F::- E'i!\/er" (e i Ira ()bl'" .1.1 1"1'::'\.1.0 Junho ,Ju:l. ho PJqC)stcI ;-3('2tE'mbl'"'O [!U.tubl'"O E:f:::.t .• in ic::i.,;'! I ":r _I f .•.• '..:' _" C:' ::~;08 ::?:':;.::::: :241 :"24.1. '";1' ri"'~ ,.':1.1:':.7 o LI.() o '7 o O O O O O 11 J..() :::::Lj. 6::::; or., .t::. o <:.,£.!. :':::18 :~~OB :::::04 :24::.~ 2.':l::~; :2:41 :',24.1. .1.~:,:,2 .1.4B julho, MINIST~RIODAFAZENDA PROCESSO N9 13672/000.040/90-66 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 9. RESOLUÇÃO N9 108-00.035 Con~:;.:l.dE~I'''ando .....SE~ as:; di !:;;.Cr-E'p,âr'l c:ias; apon ti£\de':is , dilig&ncia especialmente determinada para tal f .i.m, como 1. Verificar onde se encontravam os animais componentes do OUt.I~Ot:::. documE~n tos f..:.":,n dE:i especialmente se existia part.e de tais est.oques na fazenda pr'olJantE~ de:\ ::::'0. mov imE~nti~iÇào do • cCint.,f:lbi1 CrU I'-eq i!::~tt ...os da 4. Elaborar parecer conclusivo apreciando a document.açâo acostada na fase recursal, que sào cópia sem qualquer •..., I". i'" •... 'l' -,. [: .• ,••• t ....~c ..:;~..~'.~':~l:...~ '...' :~..:'" t.! LI J ._1' <::4.1 J '::::.,::t. ~ .•• (: .. \." 11 Cl \ ...• • 10 • MINISTéRIO DA FAZENDA PROCESSO N9 13 6;J2 / Q OO • O4 0/9 O~6 6 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES I:~c.::.-la t:i. \/c:\iflE'nt.E! a.Ci s;.f:?ç:iundo:i.tE!m, cOI'-.r.E~sr.;:.ond€?ntE? aD c:c::ont.r.c:\to firmado c:om Rosa Cambraia do Cout.o Cardoso, entendo €?st.ar o processo suf:i.cient€?m€?nte instruido para sua aprec:iaç~~. Assim, diante do que consta do processo, voto no sentido de E'::.~pF::-dir. F~('.;)~::;o1UC;:~:'iO dF!tel' ..mini:i!ndc, di 1iç~r~nc:i.a j un t.o à E?mprf.:)sa na forma do voto e €?laboraçàD dE? parec:€?r Após.;;a cor.,c 1us;;'ú::oc!D~::. t.l'. <:\ b<:\:I. ho~::..f:i. ~:;<::<:,.:i. ~::.!'",. (.:.:'Irl/:n..(.:.:-s.:.\d (.:.:"v'(.:.:'I",:\ ~:;.(.:.:'I" cic.::..nt.i.ficada do S€?i..l j'-E~s;ultc.ido, ~,.E"!ndo.-..lhe concedidc, o pt-.;:~:;~o de.::.-20 dias, p;:~r..a!i e/Ti qUf.'!:f-e.::.-nc!o,ar)t-E~s;.c.::.'nt.Ci\r.. <::\f."; r.a:;~bf.7)~::;qUf.? julgar c:onveni€?ntes sobre o relatório fiscal. 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010
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Numero do processo: 10768.001215/2003-81
Data da sessão: Tue Jul 06 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 1998
1RPJ. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INEXISTENTE
Ante a inexistência do crédito tributário pleiteado, que já fora usado em outras compensações anteriores, não poderá o sujeito passivo utilizá-lo em novas compensações de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob a administração da SRF.
Descabe a retificação de Declaração de Compensação por não se tratar de simples inexatidão material, situação que exige apresentação de nova DCOMP.
Numero da decisão: 1802-000.537
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior, Gilberto Baptista e João Francisco Bianco.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INEXISTENTE Ante a inexistência do crédito tributário pleiteado, que já fora usado em outras compensações anteriores, não poderá o sujeito passivo utilizá-lo em novas compensações de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob a administração da SRF. Descabe a retificação de Declaração de Compensação por não se tratar de simples inexatidão material, situação que exige apresentação de nova DCOMP. Vistas, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior, Gilberto Baptista e João Francisco Bianco„- -- ster Marq a es Lins de Sousa esidente. Relator EDITADO EM: 0 5 01I 3110 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel, Gilberto Baptista (Suplente Convocado), Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e João Francisco Bianco (Vice Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra decisão da DRJ/Rio de Janeiro I que indeferiu solicitação de revisão de compensação tributária não homologada pela DRF de origem, pela inexistência do crédito do IRPJ utilizado para extinção de débitos da COF1NS e da Contribuição para o PIS do periodo de apuração novembro/2002 (códigos de receita 7987 e 4574). Vale dizer, consta dos autos que o contribuinte pretendeu extinguir, mediante compensação, débitos do ano-calendário 2002: (PA 11/2002); 11/2002). 4,727.245,34. 1) - CM-NS - Código de receita 7987-, debito no valor de R$ 580.918,66 2) - PIS - Código de receita 4574-, debito no valor de R$ 172.821,44 (PA Crédito utilizado de R$ 753.740,10. Origem do crédito: saldo negativo do IRPJ do ano-calendário 1998 de R$ A DCOMP, no caso, foi apresentada em 14/02/2003 (fls. 01/02). Débitos confessados — DCTF (fls. 64/68). A unidade de origem — Deinf/Rio de Janeiro -, primeiro órgão a apreciar o pleito, e antes de prolatar sua decisão, constatou que o crédito infbrmado inexistia, pois já havia sido utilizado em compensações anteriores (crédito saldo zerado). Intimado a explicar a situação em 07/01/2004 (fls. 25/26), o contribuinte em 17/02/2003 pediu retificação, ou seja, que fosse desconsiderado o crédito que fora informado (bem como o ano-calendário), e que fosse considerado — doravante — o crédito fiscal — saldo negativo da CSLL - DIPJ 2002 (ano-calendário 2001), cujo montante do crédito seria R$ 2.008.203,24, juntando cópias da documentação contábil/fiscal (Livro Razão, DCTF retificadora do 4° trimestre 2002), através do quais se verificou que ele efetuara a pretendida retificação da compensação por sua própria iniciativa (fls. 44 e 69). Na sequência, em 11/03/2004 o contribuinte foi intimado pelo Fisco a estornar as retificações contábeis e fiscais que havia feito por iniciativa própria, quanta a origem dos créditos, pela vedação expressa na legislação tributária de retificação da DCOMP original, pois não se tratava de mera correção de inexatidão material (fl. 70) Porém, em 26/04/2004 o contribuinte ratificou o pedido de retificação da DCOMP original, mudando, mais uma vez, a origem do crédito, solicitando a retificação (fls.74/75): 4.727.245,34; 9.359.113,95. a) de: crédito fiscal do IRPJ do ano-calendário 1Y48 (saldo negativo ) de R$ b) para: crédito fiscal do IRPJ do ano-calendário 2001 (saldo negativo) de R$ 2 Processo n° 10768.001215/2001-81 SI-TEO2 Acórdão n, 1802-00.537 Fl 2 A unidade de origem da Receita Federal não acatou a pretensão do contribuinte, pois a legislação tributária somente permite a apresentação de DCOMP retificadora para corrigir inexatidão material (que a substituição de crédito não se enquadra no conceito de correção de simples inexatidão material e que seria caso para cancelamento da PER/DCOMP e apresentação de outra — IN SRF n° 414/2004 — arts. 6° a 10), prolatando então decisão — Despacho Decisórido de 25/04/204 - denegando a compensação, cuja ementa é a seguinte(fl.. 87): (. ) Assunto: Declaração de Compensação - DComp Compensação — HMI — saldo negativo do ano de 1998 — Ante a inexistência cio crédito tributário pleiteado, que já fora usado em outras compensações anteriores, não poderá o sujeito passivo utilizá-lo em novas compensações de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob a administração da SRF. Descabe a retificaccio de Declaração de Compensação por não se tratar de simples inexatidão material. Seria cabível o cancelamento da Declaração de Compensação caso houvesse sido solicitado pelo contribuinte — Compensação não homologada.. (grifos do original) (-) Inconformado com essa decisão, o interessado apresentou manifestação de inconformidade perante a DRJ/Rio de Janeiro I, aduzindo as seguintes razões, em síntese 93/97) - que o fundamento pelo qual foi denegada a homologação 6, em síntese, o disposto pela IN SRF n° 414/04 (arts. 6° a 10), com base no entendimento, equivocado, de que o procedimento de retificação adotado pela impugnante estaria incorreto, tendo em vista a inexistência de erro material no pedido, inicialmente protocolado, quando "o correto" (no entender do Sr. Agente Fiscal) seria o cancelamento; - que tal decisão não deve prevalecer, não somente pela natureza do equivovo que ensejou a retificação, como pela evidência do erro; - que, na verdade, o crédito a compensar referia-se ao ano-calendário 2001 e não a 1998/9, como, equivocadamente, constou da Declaração de Compensação; - o equivoco da Declaração de Compensação torna-se evidente coin a simples comparação com os registros contábeis; - o equivoco da Declaração de Compensação não implicou prejuízo ao Fisco, uma vez que havia crédito a compensar de outro ano-calendário; - que é inaplicável, no caso, o disposto no art. 10 da IN SRF no 414/2004, que seria aplicável na hipótese de "desfazimento" (anulação) do pedido, ou alteração quanto a sua substância, o que não seria a situação obejto dos autos; 3 que — na situação — tanto o credito quanto o debito são existentes, sendo que o equivoco referiu-se a sua especificação, qual seja, ao invés de IRPJ do ano-base 1998/9, trata-se de crédito do IRPJ do ano-base 2001 — DIPJ 2002 (fl. 69); que, indubitavelmente, assim 6, como se verifica do "Razão Analítico" — fl. 129 Não obstante essas alegações, a DRJ/Rio de Janeiro indeferiu a solitação do contribuinte Acórdão de 18/01/2007 (fls. 133/135), cuja ementa é a seguinte: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário, - 1998 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA Mantém-se o Despacho Decisório proferido na forma da legislação de regência., Solicita çâo indeferida. (.) Novamente inconformado, o interessado tomou ciência da decisão em 15/02/2007 (fl. 138) e apresentou Recurso Voluntário em 19/03/2007 (segunda-feira) de fls. 143/147, juntando ainda os documentos de fls.148/207, cujas razões, em síntese, são as mesmas aduzidas na primeira instância j á resumidas anteriormente, constando ainda: - que "0 erro grosseiro do declarante, como o de operações aritméticas, engano na classificação de rendimentos, etc,, pode ser considerado e corrigido ex officio pela autoridade, ainda que o sujeito passivo não se apresse a pedir-lhe isso." - "O contribuinte pode retifica,' a declara çâo eivado de erro que lhe seja prejudicial mediante comprovação do erro em que se funde e antes da notificação do lançamento (art. 147, § 1). 0 erro tanto poderá ser erro de fato ou de direito," Por fim, o recorrente entende que a discussão não é quanto a existência do crédito, uma vez que ele existe (claro, se for aceita a declaração retificadora); que, na verdade, se discute tão-somente se o erro cometido pelo recorrente é possível de correção ou não para exercer o seu direito de uso desse credito existente; pediu, em suma, a reforma da decisão recorrida. o relatório. 4 Processo 1.1° 10768 001215 12003-81 Acórdão n.° 1802-00.537 Sl-TE02 Fl 3 Voto Conselheiro Relator, Nelso Kichel Conheço do recurso por ser tempestivo e por atender aos demais pressupostos de admissibilidade. Inexistindo preliminar a ser enfrentada, passo, de imediato, b. análise do mérito da lide. A presente lide trata de compensação tributária não homologada por inexistência do crédito informado na DCOMP original ou primitiva. O contribuinte após notificação do Fisco sugerindo que fosse cancelada a DCOMP pela inexistência do crédito, e apresentada outra procedeu diversamente, ou seja, pediu e procedeu unilateralmente retificação da DCOMP substituindo o crédito inexistente, por duas vezes: primeiro, substituiu o crédito inexistente pelo crédito de CSLL do ano-calendário 2001 (saldo negativo) f1.44; por último, desconsiderou a substituição anterior, e substituiu pelo crédito do IRPJ ano-calendário 2001 (saldo negativo). A inexistência do crédito da DCOMP primitiva foi, expressamente, reconhecido pelo próprio recorrido nos autos (fl.74), nos seguintes termos: a) Demonstrativo de Crédito de MAT do ano calendário 1998/R$ 4,727,245,34 (doc.1), crédito este indicado equivocadamente na Declaração de Compensação — PA (...) e que conforme Razão Analítico (anexo) encontrava-se com saldo zerado desde 29/11/2001: Visto que, o débito ora compensado refere-se a CORNS e PIS cujo sfato gerador ocorreu em Nov/2002 e os créditos já se encontravam 100% utilizados nesta data, afirmamos que houve erro no preenchimento da Declaração de Compensação e solicitamos a retificação. (..) A recorrente realmente foi surpreendida pelo Fisco, quando recebeu a notificação de que o crédito utilizado era inexistente e que seria caso de solicitar o cancelamento e apresentar nova DCOMP, pois a situação não se trata de hipótese de retificação de DCOMP. Entretanto, o recorrente de forma insistente, primeiramente, substituiu de forma unilateral o crédito inexistente pelo crédito da CSLL, do ano-calendário 2001 — saldo negativo (fl. 44), e depois, reconsiderando tudo, substituiu pelo crédito do IRPJ do ano- calendário 2001 — saldo negativo (fls.74175). 5 A retificação da DCOMP não foi aceita pela DRF de origem, bem como pela DRJ/Rio de Janeiro I, pela existência de vedação na legislação tributária, impedindo a substituição do credito inexistente por outro existente, como pretendida pelo recorrente, pois, nesse caso, não se trata de mera correção de inexatidão material, exigindo apresentação de outra DCOMP, com cancelamento da anterior. A questão controvertida, destarte, resume-se ao conteúdo ou alcance da expressão "inexatidões materiais", para efeito do art. 7 0 da IN SRF n° 414/2004, de 30/03/2004, cujo texto é o seguinte: Art. 7"_ A retificação de Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP 1.3 (ou versão anterior) ou elaborada mediante utilização dos formulários a que se refere o art 3" somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento de referido documento e, ainda, da não ocorrência da hipótese prevista no art, 8. A propósito deste ponto controvertido, o Decreto 70,235172 (art. 32), que regula o Processo Administrativo Fiscal Federal, quanto a inexatidões materiais, assim dispõe: Art. 32, As inexatidaes materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de oficio ou a requerimento do sujeito passivo Nesse diapasão, por inexatidões materiais, no preenchimento da DCOMP primitiva ou original, entende serem os lapsos manifestos, ou seja, de evidência metidiana; são os equívocos que se percebem primo ictu oculi e que, sem maior exame, se verifica não traduzirem o pensamento ou vontade do contribuinte; consistem em pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade, cuja correção não inova o teor do ato objeto de correção . Assim, são exemplos de erros materiais erro de soma, equivoco de datas, eiras ortográficos, de digitação, troca de campos no preenchimento,etc. De modo que a inexatidão material não abarca a análise, de mérito, quanto a existência ou inexistência do crédito utilizado. Se o crédito é inexistente, como no caso, isso não é erro a ser corrigido, mas sim matéria que exige análise de mérito, pois a inexistência do crédito foi apurada de oficio, e não por iniciativa do contribuinte. Logo, a substituição de crédito na DCOMP (de um crédito inexistente, por outro existente) não é permitida, pois tat situação não configura inexatidão material de preenchimento da DCOMP primitiva ou original, mas sim inovação (substituição do crédito cornpensável para efeito de extinção de obrigação tributdria). Tal hipótese exige apresentação de nova DCOMP, mediante cancelamento da anterior (IN SRF 414/2004, art. 10). Não procede, também, a alegação de que o pedido de retificação teria ocorrido antes de notificação de oficio e que, nesse caso, teria direito a retificação da DCOMP (CTN, art. 147, § 1°). O raciocínio da recorrente está equivocado. Como já demonstrado, e diferentemente do alegado pelo recorrente, a tentativa de retificação da DCOMP deu-se após notificação do Fisco de 13/01/2004 para que o 6 Process° n° 10768001215/2003-81 S1-TE02 Acórdão n.° 1802-00,537 Fl 4 recorrente comprovasse o credito utilizado, em face da constatação de oficio da inexistência do credito utilizado (fls. 25/31, 70/72 e 74/76). Por tudo que foi exposto, voto para NEGAR provimento ao recurso. Nelso Kichel 7
score : 1.0
Numero do processo: 13830.000100/2005-28
Data da sessão: Tue Nov 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Auto de Infração de IRPJ por glosa de incentivos fiscais - PERC Ano-calendário: 2000
Ementas: IRPJ - INCENTIVO FISCAL FINAM - GLOSA NÃO JUSTIFICADA - É insubsistente a exigência de IRPJ, lastreada na não confirmação de aplicação em incentivo fiscal FINAM, quando o fisco justifica o lançamento na alegação de pendências em relação ao FGTS, quando tais pendências não estão comprovadas nos autos.
IRPJ - INCENTIVO FISCAL FINAM - ERRO NA QUANTIFICAÇÃO DO INCENTIVO - Na hipótese de pagamento a menor de imposto sobre a renda em virtude de excesso de valor destinado para o FINAM, por não excluída da base de apuração do incentivo a Doação ao Fundo dos Direitos da Criança e do Adolescente, a diferença é exigível com acréscimo de multa e juros, ainda mais quando a irregularidade autuada é incontroversa por não contestada no recursos voluntário.
MULTA DE OFÍCIO. EXIGIBILIDADE. A multa de oficio tem base legal no art 44 da Lei n" 9.4.30/96. Diante disso, não é possível conhecer a reivindicação da recorrente de insubsistência dessa penalidade pecuniária, mesmo porque as normas regimentais não permitem "aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade". Diante disso, é devida a multa de oficio de 75%, calculada sobre a parcela incontroversa do IRPJ, lançada e mantida, decorrente de erro de quantificação da base do incentivo.
Numero da decisão: 1103-000.331
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Gervasio Nicolau Recktenvald
1.0 = *:*
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ementa_s : Auto de Infração de IRPJ por glosa de incentivos fiscais - PERC Ano-calendário: 2000 Ementas: IRPJ - INCENTIVO FISCAL FINAM - GLOSA NÃO JUSTIFICADA - É insubsistente a exigência de IRPJ, lastreada na não confirmação de aplicação em incentivo fiscal FINAM, quando o fisco justifica o lançamento na alegação de pendências em relação ao FGTS, quando tais pendências não estão comprovadas nos autos. IRPJ - INCENTIVO FISCAL FINAM - ERRO NA QUANTIFICAÇÃO DO INCENTIVO - Na hipótese de pagamento a menor de imposto sobre a renda em virtude de excesso de valor destinado para o FINAM, por não excluída da base de apuração do incentivo a Doação ao Fundo dos Direitos da Criança e do Adolescente, a diferença é exigível com acréscimo de multa e juros, ainda mais quando a irregularidade autuada é incontroversa por não contestada no recursos voluntário. MULTA DE OFÍCIO. EXIGIBILIDADE. A multa de oficio tem base legal no art 44 da Lei n" 9.4.30/96. Diante disso, não é possível conhecer a reivindicação da recorrente de insubsistência dessa penalidade pecuniária, mesmo porque as normas regimentais não permitem "aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade". Diante disso, é devida a multa de oficio de 75%, calculada sobre a parcela incontroversa do IRPJ, lançada e mantida, decorrente de erro de quantificação da base do incentivo.
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Numero do processo: 10907.003149/2006-94
Data da sessão: Mon Jul 05 00:00:00 UTC 2010
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO CRÉDITO OBJETO DE CONTESTAÇÃO JUDICIAL.
É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.
Para períodos subseqüentes deve o sujeito passivo cumprir normas
complementares de competência legal da SRFB, sem o que deixa de atender requisito formal prévio e necessário ao pleno exercício do reconhecido direito creditório no ambito administrativo
Numero da decisão: 1202-000.325
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento
ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: Orlando José Gonçalves Bueno
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO CRÉDITO OBJETO DE CONTESTAÇÃO JUDICIAL. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Para períodos subseqüentes deve o sujeito passivo cumprir normas complementares de competência legal da SRFB, sem o que deixa de atender requisito formal prévio e necessário ao pleno exercício do reconhecido direito creditório no ambito administrativo
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MINISTERIO DA FAZENDA ,.i, 47. CONSELHO ADMINISTRA UIVODE RECURSOS FISCAIS PRIMFIRA SEÇÃO DE .TULGAMENTO Si.'Pri.4ri Processo n" 10907. 003149/2006-94 Recurso n" 170 752 Voluntário Acórdão n" 1202-00.325 — 2" Câmara! 2" Turma Ordinária Sessão de 05(10 julho de 2010 Matéria SIMPI ,PS Recorrente Indústria e Comércio de Conservas Floresta Ltda Recorrida 2" Turma da DRI/CIA ASSUN I O: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO CRÉDITO OBJETO DE CONTESTAÇÃO JUDICIAL. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Para períodos subseqüentes deve o sujeito passivo cumprir normas complementares de competência legal da SRFB, sem o que deixa de atender requisito formal prévio e necessário ao pleno exercício do reconhecido direito creditório no ambito administrativo Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Nélso:Tos o -7T . — . -esidente/ Orland( José Gon-a vos Bueno - Relato!. EDITADO EM: t',É 5. i\án Nin Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho (Presidente), Carlos Alberto Donassolo, Valeria Cabral Geo Verçoza, Darei Mendes de . I Carvalho Pilho (Suplente Convocado),. Nereida de Minmda inamore Horta, Orlando Jose Gonçalves Nieto (Vice Pr 'sidente da Turma), 2 Processo n" 10907_003149/2006-94 S I -C21-2 Acórdão n '' 1202-00.325 .1-1 2 Relatório Trata-se de exigência de diferenças tributárias relativas ao 1RPJ, P1S, CSL,I„ COFINS e CONTR,IBUIÇÁ.0 PARA O INSS, decorrentes do regime SIMPLES, dos anos- calendário de 2001, 2002, 2003 e 2004, motivado por constatação de irregularidade na compensação de débitos do SIMPLES com a utilização indevida de créditos decorrentes de ações judiciais, uma contra. o INSS (processo n° 2002,70.08.000125-6) e outra contra a União (processo IV 2002„70.08.000126-8) antes do trânsito em julgado das respectivas ações, ao arrepio do disposto no art, I 70-A do Código Tributário Nacional, além de -utilizar corno crédito contribuição previdenciária não administrada pela SRF. A contribuinte apresentou, tempestivamente, sua impugnação aos lançamentos de oficio, alegando, em apertada síntese, o seguinte: - preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa, alegando que não consta o motivo da infração, além dos autos de infração não se revestirem dos requisitos do artigo 56, inciso III da Lei n" 11.580/96, assim como a capitulação legal esta incomplela, dificultando sua defesa; -sustenta a tese do abuso de direito, como limite ao exercício de poderes discricionários; - clama pela nulidade do lançamento por omitir previsão legal dos incisos III e TV do artigo 10 do Decreto a' 70.235/72; - questiona a capacidade técnica do auditor fiscal, que a seu entender, deve ser contador habilitado pelo conselho profissional de classe dos contabilistas; - no mérito sustente que o agente fiscal foi omisso ao não acatar as compensações promovidas em desrepeitando as decisões judiciais que autorizaram as compensações, argumentando que tal direito a compensação decorre do pagamento indevido, reconhecido pelo Judiciário, antes do advento da alteração do art. 170 do CTN, pela LC 104/2001, ou seja, que os créditos compensados pela impugnante foram recolhidos ao cofre público antes de tal restrição legal; - que existem compensações cobradas mesmo após o trânsito em julgado das ações . judiciais, posto que o trânsito ocorreu em 22/09/2004, sendo exigidas as diferenças de compensações de 30/09/2004 até .31/12/2004; - entende que a multa é confiseatoria, além de ter sido capitulada erroneamente„ A 1' Turma. da DR,J de Curitiba .julgou o lançamento procedente em parte, adotando a seguinte ementa: Assunto... Sistema Integrado de Pagamento de impostos e Contribuições das Miemempresas e das. /72 3 Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano -calendário.: 2001, 2002, 2003, 2004 Ementa: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO CRÉDITO OBJETO DE CONTESTAÇÃO JUDICIAL É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto cie contestação judicial pelo sujeito passivo, atues do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. COMPENSA Ç Y.i.0 DE VALORES RECOLIIIDOS A MAIOR A 'UL() DE PIS COM PARCELAS V1NCENDAS DA MESMA CONTRIBUIÇÃO DESNECESSIDADE DE REQUERIMEN10 • Tratando-se de compensação e pretendendo o contribuinte efeatá-ia Com o próprio PIS, relativo a períodos _subseqüentes, é admissivel que a faça por sua própria iniciativa, independentemente de P equer imento Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 Ementa: MULTA DE OFÍCIO - PERCENTUAL APLICÁVEL - LEGALIDADE. Constatada infração à legislação tributária, a imposição de penalidades pelo fisco obedece ao principio da estrita legalidade, nos termos do art. 97, inciso V, do ("IN, sendo inerente ao lançamento de oficio, não cabendo à autoridade tributária reduzir os percentuais aplicados segundo a legislação tributária, nem afastar sua exigência, exceto quando há previsão legal PRESUNÇÃO LEGAL. .NTILIDADE 1)0 AUTO DE INFRAÇÃO fl\ • - -n4à 4 Processo n" 10907 003149120(16-94 SI -C21.2 Acói ao o'' 1202-00 325 ri 3 Comprovado que O procedimento fiscal .foi.kito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. .59 do Decreto n' 70. 235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. PRELIMINARES. FALTA nr FUNDAMENTAÇÃO LEGAL CE,RCEA MENTO D.E DEFESA. Rejeitam-se as preliminares quando a infração 010 apurada subsume-se à hipótese prevista na norma que .fundamentou a imposição fiscal, não se caracterizando o cerceamento de AI c'?sa ou ufalla de limdamentação legal do kito. Assunto: Normas de Administração Tributária Evereicio.. 2001, 2002, 2003, 2004 Ementa: ATIVIDADE DE LANÇAMENTO. PROFIS,SÃO. COMPETÊNCIA. .Nas atividades inerentes à constituição de créditos da Fazenda Nacional administrados pela Secretaria da Receita Federal não se aplicam, aos Auditores Fiscais da Receita Federal, quaisquer limitações à profissão de contabilista. A autoridade .julgadora "a quo" rejeitou as preliminares suscitadas, notadamente a questão do cerceamento do direito defesa posto que o auto de inflação aponta. a razão da exigência tendo em vista que pleiteou a compensação desses mesmos créditos com valores pleiteados em ação ordinária itinto ao Poder Judiciário, nem se pode olvidar que a interessada foi cientificada por meio do Despacho Decisório .DRF/ PGA n" 198/2005 (Iis, 102/ .10400) das razões que levaram a autoridade fiscal a considerar corno não declaradas as compensações de débitos do SIMPLES, assim, quando da. lavratura do auto de infiação, ela já tinha conhecimento pleno do motivo da ação fiscal., 1101' )11 5 /Vasta a preliminar da necessidade de que o auditor seja contador inscrito, posto que sua competência decorre expressamente dos artigos 194 e 195 do CTN. Quanto as ações judiciais diz o seguinte: "44. A empresa efetuou compensações de parte dos valores devidos ao Simples com créditos que teria obtido com base em duas ações judiciais distintas. A ação de n° 2002.70.08.000125-6 foi impetraria contra o Instituto Nacional do Seguro Social - •• .1NSS,visando o direito de recuperação de Contribuição Previdenciárja recolhida sobre o pró- labore e.,a segunda ação, sob O protocolo 2002.70.08.000126-8, movida contra a União Federal, visando o reconhecimento do direito de recuperação dos valores recolhidos a título de PIS com fundamento nos Decretos n02.445 e 2.44.9, ambos de 1988. 45.. Conclui-.se, portanto, que a contribuinte buscou junto ao Poder Judiciário autorização para compensar créditos recolhidos com ba.se no art. 3 0, inciso [da Lei n" 7.787/L989 e artigo 22, inciso .1 da Lei ri" 8.212/1991. Na sentença, .fl. 70, foi .julgado procedente o pedido para compensar os valores pagos indevidamente, com a contribuição incidente sobre a Mha de salários. 46.Relativamente ao PIS, pleiteou a restituição dos valores pago.s indevidamente ou, alternativamente, a restituição dos mesmo.s e obteve sentença "reconhecendo o direito das autoras à compensação do.s valores recolhidos a maior, nos moldes dos referido.s decretos, até o limite de 30% (trinta por cento) do valor devido em cada competência, com parcelas vincendas da contribuição ao PIS, corrigido o montante pelos índices INPC„ U1,11?". A sentença ressalta ainda que seriam aplicados juros equivalentes à taxa SELAI', a partir de janeiro de 1996, na atualiray-hr monuiário do indébito.. 47.Re.ssalte-se, de inicio, que a contribuinte não cumpriu a autorização obtida junto ao Poder .Judiciário nos termos em que lin proferida, visto que constava expressamente, nas dita .s.sentenças que a compensação com a contribuição incidente .sobre a folha de .salários (no caso da ação impetrada contra o INSS) e, seria com parcelas vincendas de PIS ( no caso (Mação movida contra a União). 48.Atente-se que a questão não se prende à existência ou não de crédito da contribuinte junto à Fazenda Publica, que, embora não quantificado nos autos, reconhecimento na referida sentença, mas sim ao procedimento relativo à compensação efetuado com os citados créditos.. 49.Como bem historiado na impugnação, a Secretaria da Receita Federal, responsável pela administração dos tributos e contribuições federais em questão, fundamentada legislação regularmente inserida rio ordenamento jurídico nacional, disciplina os procedimento.s a que se submetem os contribuintes, para a regular compensação de créditos e débitos tributários junto à Fazenda Pública. 50.De fato, a compensação de créditos de natureza distinta, de conformidade com a regulamentação da matéria contida na IN SRF n' 21, de .10/03/1997, vigente à data do procedimento da empresa, exigia a formalização junto à unidade da Receita Federal de pedido de compensação, a saber /destaques acrescidos] • Compensação entre Tributos e Contribuições de Dif. e rentes Is'spécies Art. .12. Os créditos de que tratam os arts.. 2' e 3 O, inclusive quando decorrentes de sentença judicial transitada em julgado, serão utilizados • para compensação com débitos do contribuinte, em procedimento de oficio ou a requerimento do interessado. §1 O A compensação será efetuada entre quaisquer tributos ou contribuições sob a administração da SRF, ainda que não sejam da mesma espécie nem tenham a mesma destinação constitucional. ,0°4 compensação a requerimento do contribuinte será formalizada no "Pedido de Compensação" de que trata o Anexo §7 0 A utilização de crédito decorrente de sentença judicial, transitada ernjulgado, para compensação, somente poderá ser ele' tuada após 6 Proceso n" I 0907 003149/2006-91 S1-C21-2 Acórdão n 1202-00,325 Fl. 4 atendido o disposto no art 17. • Art 14.. Os créditos decorrentes de pagamento indevido, ou a maior que o devido, de tributos e contribuições da mesma espécie e destinação constitucional, inclusive quando resuhantes de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenató ria, poderão :ser utilizados, mediante compensação, para pagamento de débitos da própria pessoa jurídica, correspondentes a períodos subseqüentes, desde que não apurados em procedimento de oficio, independentemente de requerimento. 6".. utilização de crédito decorrente de sentença judicial, transitada em julgado, para compensação„ somente poderá ser efetuada após atendido o disposto no art. 17. "Art. 17. Para efeito de restituição, ressarcimento ou compensação de . crédito decorrente de sentença judicial transitada em julgado, o contrilnzinte deverá anexar ao pedido de restituição ou de ressarcimento uma cópia do inteiro teor do processo judicial a que se referir o crédito e da respectiva sentença, determinando a restituição, o ressarcimento ou a compensação O No caso de titulo judicial em fase de execução, a restituição, o ressarcimento ou a compensação somente poderão ser efetuados se o contribuinte comprovar junto à unidade da SRE a desistência, perante o Poder Judiciário, da execução do titulo judicial e assumir todas as custas do processo, inclusive os honorários advocaticios Não poderão ser obj(*) de pedido de restituição, ressarcimento ou compensação os créditos decorrentes de títulos judiciais já executados perante o Poder Judiciário, com ou sem emissão de precatório." (Alteração dada pela IN SRF n° 73, de 1.5/09/1997) .51. Ressalte-se que, como consta da Representação Fiscal de ti. 2, existem indícios de que o interessado, desde a data da impetração da ação (janeiro de 2002), vêm utilizando os créditos de PLS', na compensação de débitos apurados pela sistemática do Simples, sem qualquer requerimento ou comunicação prévia à Secretaria da Receita Federal. 52. Tais indícios finam posteriormente confirmados, quando da intimação ao sujeito passivo, fato que gerou o Despacho Decisório DRF/PGA n" 198, de 29 de junho de 2006, cuja cópia se encontra às fls 102/104. 53. Dessa jOrma„ a legislação tributária vigente à (poca da exigência determinava o lançamento de oficio de tributos objeto de pedidos de compensação que descumprissenz requisitas exigido.s pela administração tributária, conforme disposto no art.. 90 da Medida Provisória (A4P) n°2.158-3.5, de 2001, que assim estabelece /destaques acrescidos]. "Art. 90 Serão objeto de lançamento de oficio as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo decorrentes de pagamento, parcelamentO, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal," 54. Isto porque a compensação somente pode ser efetivada com créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional, segundo o disposto no ar! 170 do CliN Não possuindo a pessoa .jurídica . fiscalizada no momento do lançamento qualquer crédito reconhecido definitivamente nas esferas judicial e administrativa, caberia ao . fisco exigir os tributos "compensados" indevidamente. 55. Evidentemente que qualquer' decisão judicial que alaste as exigências estabelecidas no disciplinamento da SR/' deve ser observada de pronto, e sem qualquer' ressalva, pela if 7 autoridade administrativa. Da mesma fo' rma, a determinação judicial deve ser integrahnente cumprida pelos contribuintes que igualmente devem se .submeter à conclusão da Justiça. 56.Logo, não pode O impetrante, 00 obter do Poder Judiciário autorização para proceder de forma diversa do regramento vigente, considerar urna terceira solução, desrespeitando tanto as exigências da SR)? corno do Poder Judiciário. 57.Quanto ao pedido para que sejam subtraídos da ação os meses de outubro, novembro e dezembro de 2004, período em que . já teria O amparo da sentença transitada em julgado, entendo que não merece acolhimento de vez que não fórum observados os trâmites estabelecidos na legislação que regia a matéria e que determinava que para pleitear a compensação, a contribuinte deveria . formalizar o pleito por meio do "Pedido de C'orrifrensação", fato que não ocorreu. Da multa de oficio 58. Por conseguinte, correto o procedimento do auditor fiscal ao formalizar a exigência de tributos e contribuições indevidamente compensados' pela autuada, visto não atender aos requisitos contidos na IN SR17 n° 21, de 1997, que determinava, à época dos . flitos, a formaliza cão de pedido junto ao órgão jurisdicionante do domicilio fiscal da contribuinte, para compensação de tributos e contribuições de espécie e destinação constitucional distintas. 59.. Dessa forma, considerando que as corripens.ações realizadas com créditos de PIS e débitos do SIMPLES nos períodos de apuração de dezembro de 200.1 a dezembro de 2004 não estavam amparadas em autorização judicial, perfeitamente aplicável a multa de oficio prevista no artigo 44, inciso 1, da Lei n" 9..430, de 1996, corri°. rine registra o enquadramento legal da infração, visto que a dispensa da imposição da penalidade, prevista no art. 63 da mesma lei, rc?.;!ring2.-..,;e 005 laq.ç.l.P111-' 11t( 3N pfira prevenir a decadência de tributos cuia exigibilidade houver • sido suspensa na firma do art. 1,51 do CIN., fato não presente na situação em pauta. A decisão de primeira instância afastou a exigência relativa ao PIS; uma. vez que poderá o m.estno pleitear tal compensação com o PIS pago com. base nos Decretos-lei n° 2A45 e2,449 de 1988, julgados inconstitucionais, pelo que entendeu procedente -em parte o lançamento. O contribuinte, tempestivamente interpôs seu recurso voluntário alegando em seu arrazoado o seguinte: - direito da empresa compensar os valores pagos indevidamente a título de PIS, citando inlcusive _jurisprudência judicial a seu favor; - A Recorrente, diz ela a lis, 242, " obteve, através da Ação Ordinária n° 2002.70.08 000.126- 8, em trâmite perante a Vara Federal da Subseção Judiciária de Paranaguá Paraná, autorização para compensar o indébito tributário dos valores pagos indevidamente a titulo de PIS. Segundo o Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, o ente público está ciente do trânsito em julgado dos autos que autorizaram à Recorrente esta compensação. A própria Receita _Federal do Brasil admite o crédito da Impugnante e a sua compensação, tanto que extinguiu o lançamento refèrente a parcelas do P18 - Simples. Já é um bom começo, no entanto, não é o suficiente, visto que o procedimento fiscal apontou supostas falhas na compensação promovida pela Recorrente, as quais são inexistentes A hnpugnante ao receber a noticia de decisão favorável à compensação pleiteada na Ação Ordinária n° 2002.70.08 000126-8, iniciou o procedimento, utilizando-se de s(.?u crédito para a compensação do SIMPLES. Tal compensação fin cuidadosamente assistida por contador inscrito no CRC, sempre dentro dos limites . legais e . judiciais,- a Impugnante apresentou uma conduta de extrema cautela e lisura no pagamento de seus tributos'. No entanto, segundo o depreendido do Auto de Infração em comento, a Autoridade .Fazendária incorreu em conduta omissiva ao não baixar as compensações promovidas, em detrimento da Impugnante, com fins (4) 8 Processo n" 10907 00.3149/2006-94 Sl-C21-2 Acótcrio " 1202-00.325 11 5 de locupletamento ilícito através da arrecadação de multas; também agiu com desrespeito ao Poder Judiciário, o qual autorizou as compensações adininistrativas na exata fOrma nas quais elas ocorreram.. A alegaçã.o cdc que as compensações administrativas não podem ser . aceitas por terem ocorrido antes do trânsito em . julgado da ação judicial não pode prosperar, tendia em vista que o pagamento indevido gerador do crédito se deu muito antes do acréscimo do ar! 170-4 ao Código Tributário Nacional. Com efeito, o art. 170-A, o qual determina o aguardo do trânsito em julgado da ação .judicial para o inicio da compensação dos créditos resultantes do processo, .foi introduzido na legislação tributária brasileira em 2001, através da LC,' 104/2001 No entanto, almpugnante, na ação n° 2002.70..08.000126-8, buscava a restituição dos valores indevidamente pagos a titulo de 1)15, no interregno de janeiro de 1992 ajáneiro de 1996, como bem assinalado no Acórdão do julgamento destes autos. Sendo assim, busca-se a compensação ou repetição de indébito de valores pago.s . entre 1992 e 1996, ou seja, muito antes da vigência da regra que determina o trânsito em . julgado do processo judicial como condição para o inicio da.conzpensação." - aduz ainda, a 118.244, que "Mesmo que remotamente o argumento exposto supra seja rechaçado, ainda há de se levar em conta que existem compensações promovidas pela Impugnanie que ocorreram após o trânsito em julgado da ação judicial, que erroneamente estão .sendo aqui cobradas pela autoridade lazendária, o trânsito em julgado das autos n" 2002 70.08..000126-8 ocorreu em 22/09/2004, segundo Certidão do Superior Tribunal de Justiça. No entanto, note-se que o Auditor responsável pelo Auto de Infração alega que as compensações do 1R1I, da C55.1.„ da COHNS e ao iN,5',5" d enfadas em 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004 e 31/12/2004 leriam ocorrido antes do trânsito em julgado do processojtuficial, O que é uma grande inverdade.''; - se insurge contra a multa por a considerar confiscatória, Eis o relatótio. Voto Conselheiro Relato" Orlando .José Gonçalves Bueiro Por presentes os pressupostos de admissibilidade recursal, dele torno conhecimento.. A decisão colegiada de primeira instância não está a merecer' reparos. Afastou, com precisão, as preliminares suscitadas pelo sujeito passivo.. Neste grau recursal reitera seu direito a compensar o direito cieditorio reconhecido judicialmente relativamente ao PIS -- Ação Ordinária n° 2002.70.08.000126-8, em trâmite perante a Vara Federal da Subseção .hidiciária de Paranaguá Paraná- com o SIMP.LES, ao arrepio do disposto no art. 1.70-A do CTN, com a redação dada pela Lei Complementar IV .104, de 10 de janeiro de 2001, alegando que o pagamento indevido se deu em momento anterior a edição de relerRia. alteração do CIN, fazendo jus a compensação ULliflo requerida. Não comungo do mesmo entendánento, ainda que se deva absoluta reverência ao trânsito em julgado da decisão lavorável ao contribuinte, mesmo porque a disposição do artigo 170-A, do CTN, é explicita ao proibir, taxativamente, a compensação mediante o aproveitamento de tributo antes do trânsito em julgado da respectiva decisão .judiciar. Os finos relatados nestes autos trazem a informação que a ação para discussão judicial somente foi proposta em 2002, portanto, ainda, posteriores aos tatos geradores, e foi reconhecido o direito creditorio somente após o advento da alteração promovida no CTN pela citada lei complementar 104/2001, não podendo, por expressa vedação, o sujeito passivo, antes do trânsito em ,julgado adotar por liberalidade, na sua contabilidade e conta corrente fiscal, qualquer aproveitamento do reconhecido posterior direito creditório, e que o trânsito) cru julgado somente ocorreu em 22 de setembro de 2004 (11s.. 244), Portanto, até essa data não poderia, por expressa vedação legal, proceder qualquer compensação administrativa, como apurada pela fiscalização e exigida corretamente no presente auto de infração, compreendendo Os períodos de 2001. até 2004. - Processo n i 0907.0(R [49/2006-91 S1-C212 Acóaião n." 1202-00.325 F! 6 Argumenta, mais a frente, que a autoridade administrativa deveria ter deferido a compensação referente aos meses outubro, novembro e dezembro de 2004, posto que posteriores a data consignada do trânsito em julgado. Em tese cabe ao contribuinte tal reconhecimento, posto que tem assegurado seu direito creditório por força de decisão .judicial transitada em julgado, conquanto assim seja, no âmbito administrativo, restou descumprida regra administrativa, como bem lembrado pela decisão de primeira instância, de competência legal da SRFB, para que o sujeito passivo requeresse previamente, na forma da instrução normativa competente, a devida formalização de tal compensação, o que não foi realizado pela Recorrente, como se depreende dos autos. Assim., correto o entendimento do voto condutor do colegiado "a quo", que assim decidiu, a lis. 223: "Quanto ao pedido para que sejam subtraídos da ação Os -meses de outubro, novembro e dezembro de 2004, período em que . já teria o amparo da sentença transitada em julgado, entendo que não merece acolhimento de vez que não -1i-wam observados os trâmites estabelecidos na legislação que regia a matéria e que determinava que para pleitear a compensação, a contribuinte deveria formalizar o pleito por meio do "Pedido de Compensação", fato que não ocorreu." Por igual motivo sigo o mesmo entendimento, lembrando, neste momento, que neste processo administrativo não se questiona mais o direito creditório, mas sim a ausê,ncia de um requisito normativo administrativo fiscal, necessário para o pleno exercício da pretensa compensação tributária como solicitada. Nesse sentido, por essas razões, nego provimento ao recurso voluntário. 41,Eis como voto_ _ Relator Orlando _é Gonçalves Buen" MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS , SUGUN DA CÂMARA - PRIMEIRA SEÇÃO TERMO DE INTIMAÇÃO) Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n'' 256, de 22 de junho de 2009. Bi asilia, 09 de agosto de 20 l O Maria Conceição &Sousa Rodngues - Secretária da Câmara Ciência Data: Nome: Procurador (a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da VIN: [ 1 apenas com ciência; I _I com Recurso Especial; [1 com Einhar g,os de Declaração,
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Numero do processo: 10410.002925/2003-78
Data da sessão: Tue May 18 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Exercício: 1999
CSLL - FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA MENSAL
Identificada a falta de recolhimento do valor de estimativas mensais, após o ténnino do ano-calendário, deve a fiscalização lavrar auto de infração abrangendo a multa pela falta de recolhimento do tributo e o valor do tributo devido em 31 de dezembro, conforme previsto no artigo 16 da Instrução
Nornativa SRF n. 93, de 24.12.1997.
Numero da decisão: 1802-000.467
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Matéria: DCTF_CSL - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (CSL)
Nome do relator: JOÃO FRANCISCO BIANCO
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório_e voto que integram o presente julgado. ------- - - R M-------1-0:-- LIN- --""-ivt--------------------"------e SA - President-- • (`')•;jii fl --r- c_ 4n.-‘..,-.....›1JO rO FRANCISCO BIAN . - Relatorij / / i Processo n° 10410.002925/2003-78 Si -TE02 Acórdão n.° 1802-00.467 Fl. 2 EDITADO EM: 8 JUL 2011 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente de Turma), José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Çilberto Baptista (Suplente Convocado), Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, João Francisco Bianco (Vice Presidente de Tuima). Relatório Tratam os presentes autos de exigência de CSLL devida por estimativa mensal, relativa a junho de 1998, no valor de R$ 5.630,21. Alegam as autoridades fazendárias no auto de infração (fls. 03) ter sido identificada a falta de recolhimento da referida contribuição, devidamente informada na DCTF (fls 13). Intimado, a recorrente apresentou sua impugnação (fls. 01) argumentando ter havido extinção desse crédito tributário por meio de compensação, informada na DCTF, com créditos de CSLL recolhida a maior, devida por estimativa sobre o mês de maio de 1998. A fiscalização, após analisar os documentos juntados na impugnação, proferiu despacho (fls. 20) dando prosseguimento ao processo administrativo, conforme demonstrativos de consolidação e recálculo (fls. 16). A recorrente apresentou nova manifestação (fls. 29) apontando que o valor da CSLL devida contante da DCTF estaria errado e que o valor correto seria aquele informado na DIPJ, no LALUR, no Livro Diário e nos balancetes, conforme cópia juntada aos autos. Ao final, requereu a retificação da DCTF. Por seu turno, a DRJ manteve parcialmente o trabalho fiscal (fls. 68). Em sua decisão, sustentou que não há previsão legal para a compensação de "recolhimentos mensais por estimativa" efetuados a maior em um mês com débitos mensais subseqüentes, no transcurso do ano calendário. Ainda, apontou a falta de liquidez e certeza dos supostos créditos. Por fim, exonerou a multa de lançamento de oficio, tendo em vista a nova redação dada ao artigo 18 da Lei n. 10833, de 2003, pela Lei n. 11.051, de 2003, combinado com o princípio da retroatividade benigna da lei, previsto no artigo 106, inciso II, alínea "c", do C'TN. Inconformada, a recorrente apresentou recurso voluntário (fls 79), juntando documentos com o objetivo de demonstrar que o valor do débito aqui exigido havia sido compensado com créditos efetivamente existentes. Além disso, reiterou que os valores lançados na DCTF seria ilíquidos e incertos, pois totalmente errados e não condizentes com aqueles anotados na DIPJ e demais livros contábeis da empresa. É o relatório. 2 • Processo n° 10410.002925/2003-78 Si -TE02 Acórdão n.° 1802-00.467 Fl. 3 Voto Conselheiro Relator João Francisco Biauco, Relator O recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Passo a apreciá-lo. A matéria em discussão nestes autos versa sobre a exigência de CSLL devida por estimativa mensal (relativa a junho de 1998) que, informada na DCTF, deixou de ser recolhida aos cofres públicos. Sustenta a recorrente que o valor constante da DCTF estava incorreto, pois em desconformidade com os valores anotados na sua DIPJ, Lalur e escrituração comercial e fiscal. Além disso, o valor declarado teria sido pago mediante compensação com recolhimento feito a maior de CSLL, devida por estimativa mensal relativa a maio de 1998. A decisão recorrida não se manifestou sobre os supostos erros cometidos no preenchimento da DCTF, limitando-se a sustentar não haver base legal que autorize a compensação de valores recolhidos a maior do que o devido a título de estimativa mensal, tendo em vista que esses recolhimentos não tem natureza de tributo pago mas sim de mero recolhimento antecipado de tributo que será devido ao final do período de apuração. A exoneração da multa de lançamento de oficio não é matéria ora em discussão. A meu ver, não procedem os argumentos foimulados pela DRJ para manter o trabalho fiscal. Com efeito, após o término do ano-calendário — como é o caso dos autos — não pode a fiscalização exigir o pagamento das estimativas mensais devidas e não pagas. Nessa hipótese, o lançamento de oficio deverá abranger a multa pela falta de recolhimento do tributo e o valor do imposto devido em 31 de dezembro. Esse é o exato teor do comando previsto no artigo 16 da Instrução Normativa SRF n. 93, de 24.12.1997. Diante de todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso para cancelar a exigência fiscal. Sai das Sessões, em 18 de maio de 2010 • - • Jo t o Francisco Bianco • • 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Processo : 10410.002925/2003-78 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3° do artigo 81 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Portaria MF n° 259/2009), intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Primeira Seção do CARF, a tomar ciência do inteiro ter do Acórdão n° 1802-00.467. Brasília - DF, em 08 de julho de 2010 / ,iosé Roberto Trança Secretárid da 2' Câmara da Primeira Seção CARF Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ 1 Com Embargos de Declaração Data da ciência: • - Procurador(a) da Fazenda Nacional 1
score : 1.0
Numero do processo: 19740.000346/2004-12
Data da sessão: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 1998, 1999
NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Constitui cerceamento de defesa o não enfrentamento das razões de
contestação trazidas pela impugnante, devendo os autos retornar à primeira instância para prolatar-se nova decisão suprindo a omissão, observando-se o disposto no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72 e em prestígio ao princípio do duplo grau de jurisdição.
Numero da decisão: 1801-000.502
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada pela recorrente de nulidade do acórdão de primeira instância, e dar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: Ana de Barros Fernandes
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Constitui cerceamento de defesa o não enfrentamento das razões de contestação trazidas pela impugnante, devendo os autos retornar à primeira instância para prolatarse nova decisão suprindo a omissão, observandose o disposto no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72 e em prestígio ao princípio do duplo grau de jurisdição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada pela recorrente de nulidade do acórdão de primeira instância, e dar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, André Ricardo Lemes da Silva e Ana de Barros Fernandes. Relatório Fl. 489DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 31/03/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 A empresa teve contra si lavrado Auto de infração para exigência da Multa Isolada pelo não recolhimento da estimativa de CSLL, objeto deste processo. O Termo de Verificações de fls. 80 a 90 nos noticia que a empresa é autora de diversas ações judiciais, inclusive a ordinária n. 95.00260875, que trata da exigência de CSLL, assunto conexo ao do presente processo. Analisadas as referidas ações judiciais, a empresa teve contra si lavrados outros Autos de Infração para exigência do tributo CSLL, formalizados em processos distintos. De posse da documentação relativa às ações judiciais, a autoridade fiscal elaborou um demonstrativo das parcelas exigíveis de CSLL, destacando as estimativas de CSLL não recolhidas e os valores exigíveis no ajuste de cada ano analisado (1997, 1998), bem como relacionou tais parcelas às pertinentes ações judiciais – fls. 300 a 303. Continuando os esclarecimentos, elaborou outro demonstrativo de cálculo para as exigências de multa isolada (aplicação de penalidade e não exigência de tributo) – fls. 304 a 305. Assim resta explicitado no Termo de Verificações de fls. 306 a 315: “[...] A conseqüência direta é a necessidade de lançamento de multa isolada sobre a parte agora exigível das estimativas não recolhidas, bem como sobre a parcela exigível da contribuição apurada no Ajuste. Assim sendo, examinamos a contribuição social devida a cada período de apuração, a partir da planilha de fls. 78/79, destacando de forma sistemática as parcelas ainda suspensas e as parcelas tornadas exigíveis. Para tanto, elaborouse o demonstrativo de fls. 300 a 303. Uma vez apuradas as parcelas exigíveis da CSLL, passamos ao cálculo da multa. O lançamento compreende duas hipóteses de multa isolada: a) multa isolada decorrente do nãorecolhimento da parcela exigível da CSLL (Lei 9.430/96, art. 44, I, § 1°, IV); e b) multa isolada decorrente do pagamento após o vencimento, mas sem o acréscimo de multa de mora, em DARFs e depósitos judiciais (Lei 9.430/96, art. 44, I, § 1°, II). O cálculo da multa consta do demonstrativo de fls. 304 a 305. Observese que a multa a que se refere a alínea "b" do parágrafo anterior deve ser lançada com suspensão de exigibilidade, em razão de decisão proferida na ação judicial de multa. Do Lançamento de Oficio Efetuamos o lançamento de oficio das multas isoladas apuradas no demonstrativo de fls. 304 a 305, sendo parte exigível e parte com exigibilidade suspensa. O lançamento objeto do presente Termo, formalizado neste processo 19740.000346/200412, referese à parcela lançada sem suspensão. A parcela do lançamento efetuada com suspensão de exigibilidade foi objeto de auto próprio, formalizado no processo fiscal número 19740.000345/200460.” (alguns grifos não pertencem ao original) Fl. 490DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 31/03/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19740.000346/200412 Acórdão n.º 180100.502 S1TE01 Fl. 464 3 Esclarece, ainda, que este Auto de Infração para a exigência das multas isoladas decorrentes dos não recolhimentos das estimativas de CSLL guarda relação com o processo n. 10768.014791/200126, pois neste é que foram apuradas as CSLL (o resultado pode influenciar nos valores das estimativas e consequente penalização). O Auto de Infração objeto do presente litígio encontrase às fls. 316 a 319 e restringese à exigência da multa isolada pela falta de recolhimento das CSLL sobre as bases estimadas relativas a novembro de 1997, julho e dezembro de 1998. Na impugnação, fls. 324 a 341, a autuada informa, em suma, que: a) a exigência das retro mencionadas multas isoladas decorre de insuficiência de depósito judicial efetuado no processo n. 98.002.18084, cujo objeto é o direito que entende em compensar bases negativas da CSLL sem observância do limite legal de 30%; b) a cobrança ora debatida não merece prosperar, pois os depósitos foram feitos de forma integral; c) o lançamento do suposto débito está decaído, nos termos do artigo 150, parágrafo 4º do Código Tributário Nacional – CTN; os débitos são relativos a novembro de 1997, julho e dezembro de 1998, e o lançamento tributário ocorreu somente em setembro de 2004, portanto, fora do prazo hábil; d) passa a discorrer sobre as diferenças de bases de cálculos entre os valores que entende fazer jus, para a apuração de CSLL, e aqueles apurados na auditoria fiscal; e) analisa minuciosamente cada valor relativo à base de cálculo da multa isolada, na tentativa de descontiuílos, consoante o que discute no processo judicial 95.002.60875; f) discorre sobre a impossibilidade de autuação para a exigência das parcelas de antecipação das CSLL durante ou após o encerramento do anocalendário; g) alega duplicidade de base de cálculo utilizada na cobrança; h) cita diversas ementas de julgados administrativos que defendem a impossibilidade da aplicação da multa isolada, nos quais defendese que esta só pode decorrer do descumprimento de obrigação acessória, e não falta de recolhimento de antecipação. A Sétima Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro / RJ – I exarou o Acórdão nº 1214.193/07, fls. 430 a 433, não conhecendo da impugnação interposta pelos seguintes fundamentos: “O mérito quanto ao crédito tributário impugnado encontrase jungido aos processos judiciais n° 98.002.18084, da 1ª Vara da Justiça Federal do Rio de Janeiro e 95.002.60875, da 28ª Vara Federal do Rio de Janeiro. A presente autuação guarda conexão indissociável ao processo 10768.014791/2001 26, cuja impugnação a 3' Tunna desta Delegacia deixou de conhecer, em face de ações judiciais ajuizadas pelo contribuinte. Fl. 491DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 31/03/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Como os processos judiciais versam sobre os mesmos objetos do lançamento em análise, a apreciação da peça impugnatória fica prejudicada, em face do disposto no § 2° do art. 1° do Decretolei n° 1.737/1979, combinado com o § único do art. 38 da Lei n° 6.830/1980 e disciplinado, no âmbito administrativo, pelo Ato Declaratório (Normativo) COSIT n° 3 de 14/02/1996 e Portaria MF n°258 de 24/08/2001. Nos termos da legislação citada, a propositura — por qualquer que seja a modalidade processual — de ação judicial contra a Fazenda Nacional, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa, por parte do interessado, em renúncia tácita às instâncias administrativas e desistência de eventual recurso interposto, operandose, por conseguinte, o efeito de constituição definitiva do crédito tributário na esfera administrativa.” (grifos não pertencem ao original) A recorrente, tempestivamente, interpõe o Recurso Voluntário de fls. 438 a 461 argumentando, em apertada síntese, que o acórdão padece de nulidade porque não enfrentou os argumentos trazidos na impugnação sobre a improcedência do lançamento de multas isoladas, e não do tributo em si, e da requerida decadência deste lançamento. Nesta oportunidade, a dra. Ana Carolina G P de Andrade, OAB/RJ n. 114.499, fez sustentação oral pela recorrente. É o relatório, passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, relatora. Conheço do recurso voluntário, por tempestivo. O cerne da discussão deste recurso está no fato de a recorrente entender que a turma julgadora de primeira instância não se ateve às razões impugnatórias divergentes daquelas levadas a juízo. É de se reconhecer, primeiramente, que as bases de cálculos das penalidades ora aplicadas à recorrente – multas isoladas pelo não recolhimento das estimativas a que se sujeitava – de fato estão inequivocamente vinculadas à sorte da ação judicial que discute os valores de CSLL, compensáveis, ou não, desde 1989. Todavia, entendo que a decadência do lançamento das referidas multas foge ao escopo da ação judicial, não podendo a instância de julgamento a quo declinar a apreciação desta preliminar. Principalmente porque tratase de matéria de ordem pública, cogente o pronunciamento da turma julgadora, ainda que não houvesse a sua alegação. Se o lançamento das presentes multas isoladas estiver decaído, pouco importa o desfecho da ação judicial que debate as bases de cálculo destas penalidades, este não poderá subsistir. Saliento, mais uma vez, que a ação judicial, conforme explicitado pela autoridade fiscal do lançamento, não versa sobre a cominação das multas isoladas pelo não recolhimento das estimativas, mas especificamente sobre valores devidos a título de CSLL. Claro que se, judicialmente, a recorrente obter parecer favorável e não forem devidas as CSLL calculadas sobre as bases estimadas, este lançamento de penalidade também não subsistirá. Fl. 492DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 31/03/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19740.000346/200412 Acórdão n.º 180100.502 S1TE01 Fl. 465 5 A contrário senso, se as exigências dos tributos, no caso CSLL, forem reconhecidas como devidas na esfera judicial, há que, administrativamente, apreciarse se a cominação das multas isoladas decorrentes dos não recolhimentos de estimativas é devida ou não, matéria esta não levada ao crivo judicial, mas aventada na seara administrativa, ainda que de relance pela recorrente por meio da invocação de ementas de julgados correlatos. Pelo exposto, e em prestígio ao duplo grau de jurisdição, voto no sentido de determinar a devolução dos autos à primeira instância de julgamento para: a) enfrentar a preliminar da decadência do presente lançamento e, b) quanto ao mérito, decidir sobre a procedência da autuação para a exigência da penalidade imposta pelo não recolhimento de CSLL mensais pelas bases estimadas. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Relatora Fl. 493DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 31/03/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10380.025434/99-80
Data da sessão: Thu May 07 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/10/1999 a31/12/1999
COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO DE CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS.
Face às normas regimentais, processam-se perante o Terceiro Conselho de Contribuintes os recursos relativos à classificação de mercadorias.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 2202-000.100
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara/2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, para declinar competência à Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF
Nome do relator: Rodrigo Bernardes de Carvalho
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Face às normas regimentais, processam-se perante o Terceiro Conselho de Contribuintes os recursos relativos à classificação de mercadorias. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da r Câmara/2' Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, para declinar competência à Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF. \)totittzzákt NAY B STOS MANATTA Presidenta RcÁGO BERNARDES DE CAR ALHO Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Julio César Alves Ramos, Ali Zraik Junior, Silvia de Brito Oliveira, Marcos Tranchesi Ortiz, Alexandre Kern (Suplente) e Leonardo Siade Manzan. Processo n° 10380.025434/99-80 S2-C2T1 Acórdão n.° 2202-00.100 Fl. 2 Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra decisão da DAI em Belém/PA que manteve o indeferimento do pedido de ressarcimento do IPI feito pela DRF em Fortaleza/CE em virtude de reclassificação fiscal do produto fabricado pela contribuinte, alterando-se a alíquota de zero para 15%, mas, por outro lado reconheceu como homologadas as compensações pleiteadas com os créditos decorrentes do ressarcimento do IPI, em virtude do disposto no art. 74,§ 5° da Lei n° 9430/96, com a nova redação dada pelo art. 49 da Lei n° 10.637/02, combinado com o art. 17 da MP n° 135/03. A contribuinte apresentou recurso voluntário acerca do indeferimento do ressarcimento de créditos do LPI. É o Relatório. Voto Conselheiro RODRIGO BERNARDES DE CARVALHO, Relator O recurso interposto encontra-se revestido das formalidades legais cabíveis merecendo ser apreciado, ressaltando-se que a compensação não é objeto de recurso uma vez que foi homologada pela instância julgadora a quo. Apenas o pedido de ressarcimento é objeto de recurso. A razão do motivo do indeferimento do ressarcimento de créditos de IPI foi erro na classificação fiscal e nas alíquotas das mercadorias saídas do estabelecimento industrial da recorrente. Exatamente esta é a matéria objeto do recurso: classificação fiscal das mercadorias. O Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MT n° 55/98, com as alterações introduzidas pela Portaria MF ri° 103, de 23/04/2002, estabeleceu como competência do Terceiro Conselho de Contribuintes o julgamento acerca de questão que envolva, apenas a classificação fiscal de mercadorias. A partir de tais considerações, faz-se mister que se decline a competência para o julgamento da matéria relativa à classificação fiscal das mercadorias saídas do estabelecimento industrial da recorrente e pelo encaminhamento do processo ao Egrégio Terceiro Conselho de Contribuintes para que este se manifeste acerca desta questão. Assim sendo, concluo por declinar competência ao Terceiro Conselho de Contribuintes, nos termos do Decreto n° 2.562/98, para analisar e julgar a matéria objeto do litígio. W`f 2 Processa n° 10380.025434/99-80 S2-C211 Acórdão n.° 2202-00.100 E. 3 Assim sendo, voto por ao conhecer do recurso interposto. Sala das Sessões, em 7 de maio de 2009 47/6 RO IO/0 BERNARDES DE CARVALHO 3
score : 1.0
Numero do processo: 10680.912454/2012-19
Data da sessão: Fri Jun 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/03/2005
MULTA DE MORA. DÉBITOS. PAGAMENTOS A DESTEMPO. DCOMP. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INOCORRÊNCIA.
O pagamento de débitos fiscais declarados nas respectivas DCTF, mediante a transmissão de Declaração de Compensação (Dcomp), em data posterior à dos seus respectivos vencimentos, não configura denúncia espontânea, incidindo multa de mora sobre débitos compensados a destempo.
Recurso Especial do Procurador provido.
Numero da decisão: 9303-008.797
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/03/2005 MULTA DE MORA. DÉBITOS. PAGAMENTOS A DESTEMPO. DCOMP. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INOCORRÊNCIA. O pagamento de débitos fiscais declarados nas respectivas DCTF, mediante a transmissão de Declaração de Compensação (Dcomp), em data posterior à dos seus respectivos vencimentos, não configura denúncia espontânea, incidindo multa de mora sobre débitos compensados a destempo. Recurso Especial do Procurador provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1422; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10680.912454/201219 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303008.797 – 3ª Turma Sessão de 14 de junho de 2019 Matéria COFINS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CEMIG GERAÇÃO E TRANSMISSÃO S/A. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2005 MULTA DE MORA. DÉBITOS. PAGAMENTOS A DESTEMPO. DCOMP. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INOCORRÊNCIA. O pagamento de débitos fiscais declarados nas respectivas DCTF, mediante a transmissão de Declaração de Compensação (Dcomp), em data posterior à dos seus respectivos vencimentos, não configura denúncia espontânea, incidindo multa de mora sobre débitos compensados a destempo. Recurso Especial do Procurador provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 24 54 /2 01 2- 19 Fl. 318DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão nº 3403003.628, da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, que, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer ao contribuinte a aplicação da denúncia espontânea no pagamento realizado em relação ao débito confessado e pago por meio da Decomp 13059.10276.031007.1.7.048309, cujo efeito é o de afastar a exigência de multa, devendo ser recalculado pela Delegacia de origem o aproveitamento do crédito em relação aos débitos apresentados pelo contribuinte, mas apenas considerando o valor do principal e os juros, sem o cômputo de multa. O Colegiado a quo, assim, consignou a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ALOCAÇÃO DO SALDO DE CRÉDITO ENTRE DIVERSAS COMPENSAÇÕES. CANCELAMENTO DE OFÍCIO DE COMPENSAÇÃO ANTERIOR. IMPOSSIBILIDADE. O cancelamento da Declaração de Compensação apenas é possível no momento anterior à decisão administrativa que lhe homologue ou negue homologação. DENUNCIA ESPONTÂNEA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE CONFISSÃO PRÉVIA. DIFERENÇA DE VALOR Fl. 319DF CARF MF Processo nº 10680.912454/201219 Acórdão n.º 9303008.797 CSRFT3 Fl. 3 3 CONFESSADA E PAGA EM MOMENTO SUPERVENIENTE. RECURSO REPETITIVO. ART. 62A DO RICARF. O entendimento do Superior Tribunal de Justiça não é de que a denúncia espontânea seria impossível em tributos sujeitos ao lançamento por homologação, mas de que a denúncia espontânea não se configura se o contribuinte, em razão de tal sistemática de lançamento, faz a prévia confissão do débito e deixa transcorrer o prazo de vencimento, para depois pretender uma falsa espontaneidade (Súmula STJ/360 e Recursos Especiais nºs 886.462 e 962.379 da Primeira Seção do STJ, Dje 28/10/2008). Não se tratando de prévia confissão, mas de diferença de tributos que foi confessada e paga de maneira superveniente, aplicase a denúncia espontânea, afastandose a aplicação de penalidades, em cujo conceito se insere a multa de mora. Entendimento firmado em regime de recurso repetitivo, na forma do art. 543C do CPC (Recurso Especial nº 1.149.022, da Primeira Seção do STJ, Dje 24/06/2010), que deve ser aplicado no julgamento administrativo por força do art. 62ª do Regimento Interno deste Conselho. Precedentes (acórdão 3403001.946, j. 19/03.2013; acórdão 3403002.060, j. 24/03/2013). DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO. São equivalentes o recolhimento por meio de DARF e a compensação por meio de DCOMP para o efeito de configuração da denúncia espontânea, na forma do art. 138 do CTN. Recurso parcialmente provido.” Insatisfeita, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, trazendo, entre outros, que a compensação e o pagamento constituem duas modalidades distintas de extinção do crédito tributário. O que, não caberia estender o benefício da denúncia espontânea para a compensação, uma vez que o art. 138 do CTN se refere tão somente ao pagamento. Em Despacho às fls.237 a 238, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Fl. 320DF CARF MF 4 Contrarrazões foram apresentadas pelo sujeito passivo, trazendo que a compensação por ser uma das modalidades de extinção de obrigação tributária – é caracterizador de denúncia espontânea. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama – Relatora. Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que devo conhecêlo, eis que atendidos os requisitos dispostos no art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. Vêse que o cerne da lide se resume a equiparação das modalidades de extinção do crédito tributário, especificamente compensação com pagamento, para fins de aplicação da tese da denúncia espontânea ao presente caso. Eis o art. 138 do CTN: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Para melhor direcionar o meu entendimento, importante recordar: · Tratase de despacho decisório que homologou em parte a compensação dos débitos tributários declarados na DCOMP; · A homologação parcial decorreu da falta de recolhimento de multa de mora, vez que o contribuinte adotou a tese da denúncia espontânea nesse caso – eis que entregou a DCOMP antes da apresentação da DCTF retificadora. Resta assim, inegável, que houve a extinção de parte do débito com a homologação parcial, vez que a Receita Federal do Brasil homologou parcialmente a declaração de compensação, Fl. 321DF CARF MF Processo nº 10680.912454/201219 Acórdão n.º 9303008.797 CSRFT3 Fl. 4 5 considerando que faltava o recolhimento da multa. Inegável, assim, que houve a quitação total do débito, com a homologação, se adotarmos a tese da denúncia espontânea. Tal informação é relevante, considerando o decidido pelo STJ, em sede de Recurso Repetitivo (Grifos meus): "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. Fl. 322DF CARF MF 6 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1149022/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010) Vêse que o STJ traz que quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. O STJ traz o termo recolhido integralmente, e não pago integralmente, além mencionar a palavra quitação. Por óbvio, vez que o que devese considerar para a aplicação do art. 18 do CTN é a quitação – extinção do débito. E, no presente caso, ocorreu. A compensação tem o mesmo efeito prático e jurídico do recolhimento: ambos surtem o efeito imediato de extinção do crédito tributário e estão sujeitos, igualmente, à homologação pela autoridade fiscal. Frisese tal entendimento a Nota Técnica Cosit 1 – que aplico, ainda que “extinta”: Fl. 323DF CARF MF Processo nº 10680.912454/201219 Acórdão n.º 9303008.797 CSRFT3 Fl. 5 7 “[...] Aplicabilidade da denúncia espontânea no caso de compensação 18. Com relação a aplicabilidade da denúncia espontânea na compensação de tributos, não se pode perder de vista que pagamento e compensação se equivalem, ambos apresentam a mesma natureza jurídica, seus efeitos são exatamente os mesmos: a extinção do crédito tributário. Como consequência, a compensação também é instrumento apto a configurar a denúncia espontânea. [...]” Cabe considerar ainda o decidido pelo STJ que decidiu que “compensação” se equiparava a “pagamento” – Resp 1.122.131/SC: “TRIBUTÁRIO. INTERPRETAÇÃO DE NORMA LEGAL. ART. 9°. DA MP 303/06, CUJA ABRANGÊNCIA NÃO PODE RESTRINGIRSE AO PAGAMENTO PURO E SIMPLES, EM ESPÉCIE E À VISTA, DO TRIBUTO DEVIDO. INCLUSÃO DA SSP 1669290v7 12 HIPÓTESE DE COMPENSAÇÃO, COMO ESPÉCIE DO GÊNERO PAGAMENTO, INCLUSIVE PORQUE O VALOR DEVIDO JÁ SE ACHA EM PODER DO PRÓPRIO CREDOR. PLETORA DE PRECEDENTES DO STJ QUE COMPARTILHAM DESSA ABORDAGEM INTELECTIVA. NECESSIDADE DA ATUAÇÃO JUDICIAL MODERADORA, PARA DISTENCIONAR AS RELAÇÕES ENTRE O PODER TRIBUTANTE E OS SEUS CONTRIBUINTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE DÁ PROVIMENTO. [...] Considerandose a compensação uma modalidade que pressupõe credores e devedores recíprocos, ela, ontologicamente, não se distingue de um pagamento no qual, imediatamente depois de pagar determinados valores (e extinguir um débito), o sujeito os recebe de volta (e assim tem extinto um crédito). Por essa razão, mesmo a interpretação positivista e normativista do art. 9°. da MP 303/06, deve conduzir o intérprete a albergar, no sentido da expressão pagamento, a extinção da obrigação pela via compensatória, especialmente na modalidade ex officio, como se deu neste caso (2/6/16)” (REsp 1122131/SC, relator: ministro Napoleão Nunes Maia Filho, primeira turma, data do julgamento: 24/5/16, data da publicação/fonte: DJe 2/6/16, g.n.).” Fl. 324DF CARF MF 8 Em vista de todo o exposto, nego provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Voto Vencedor Jorge Olmiro Lock Freire Redator designado Com a devida vênia, divirjo da i. Conselheira Tatiana M. Migiyama. Entende a Dra. Tatiana Migiyama "que houve a extinção de parte do débito com a homologação parcial, vez que a Receita Federal do Brasil homologou parcialmente a declaração de compensação, considerando que faltava o recolhimento da multa". Ou seja, para a digna relatora a compensação tem, em toda sua extensão, natureza de pagamento. Aí reside nossa divergência. A aplicação da denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN, na extinção de créditos tributários sujeitos a lançamento por homologação, já foi objeto de julgamento pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), sob o rito dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 16/03/2015, por meio do REsp nº 1.149.022/SP, no qual aquele Tribunal Superior decidiu que não se aplica aquele instituto aos débitos declarados pelo contribuinte nas respectivas DCTF e liquidados depois das datas de seus vencimentos. Assim, por força no disposto no art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF, aplicase ao presente caso essa decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), reconhecendo que a transmissão da Dcomp depois das datas dos prazos de vencimentos dos débitos tributários compensados, visando suas extinções, não configurou denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN. Vejase, nesse sentido, outro julgado do STJ: TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. CONDIÇÃO RESOLUTÓRIA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. REQUISITOS. INOCORRÊNCIA. 1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça consolidou se no sentido de que é incabível a aplicação do benefício da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN, aos casos de compensação tributária, justamente porque, nessa hipótese, a extinção do débito estará submetida à ulterior condição resolutória da sua homologação pelo fisco, a qual, caso não ocorra, implicará o não pagamento do crédito tributário, havendo, por consequência, a incidência dos encargos moratórios. Precedentes. (AgInt nos EDcl nos EREsp 1.657.437/RS, Relator Min. Gurgel de Faria, Dje 17/10/2018) Fl. 325DF CARF MF Processo nº 10680.912454/201219 Acórdão n.º 9303008.797 CSRFT3 Fl. 6 9 Portanto, em casos que o alegado pagamento operouse com o envio de DCOMP não há que falarse em denúncia espontânea. Esse é o entendimento majoritário desta E. Turma, como no presente julgado. A título de exemplo cito o aresto 9303008.370, de 20/03/2019, de relatoria do Dr. Rodrigo da Costa Pôssas. DISPOSITIVO Ante o exposto, conheço e provejo o recurso especial fazendário, desta forma revigorando os termos da decisão da DRJ. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 326DF CARF MF
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