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Numero do processo: 10970.000346/2008-50
Data da sessão: Fri Apr 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES
Período de apuração: 26/01/2006 a 30/06/2007
EXCLUSÃO DO SIMPLES. SERVIÇOS DE VIGILÂNCIA.
Não podem optar pelo SIMPLES as pessoas jurídicas que prestem serviços de vigilância, assim também considerados aqueles realizados mediante monitoramento a distância de residências e estabelecimentos.
ATIVIDADE ADMITIDA NO SIMPLES NACIONAL. RETROATIVIDADE. INADMISSIBILIDADE.
Não se cogita de aplicação retroativa de norma que altera as vedações à opção pelo SIMPLES, porque inexistente a subsunção a quaisquer das hipóteses previstas no artigo 106, do CTN, mormente quando a atividade é admitida no SIMPLES NACIONAL sem a concessão de isenção para contribuições previdenciárias.
Numero da decisão: 1101-000.281
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso para manter a exclusão do contribuinte do SIMPLES, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado O conselheiro Alexandre Andrade de Lima Fonte Filho votou pelas conclusões
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Edeli Pereira Bessa
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PROTEÇÃO LTDA Recorrida 5' Turma da DR.J/Juiz de Fora Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES Período de apuração: 26/01/2006 a 30/06/2007 EXCLUSÃO DO SIMPLES. SERVIÇOS DE VIGILÂNCIA. Não podem optar pelo SIMPLES as pessoas jurídicas que prestem serviços de vigilância, assim também considerados aqueles realizados mediante monitorarnento a distância de residências e estabelecimentos. ATIVIDADE ADMITIDA NO SIMPLES NACIONAL. RETROATIVIDADE. INADMISSIBILIDADE. Não se cogita de aplicação retroativa de norma que altera as vedações à opção pelo SIMPLES, porque inexistente a subsunção a quaisquer das hipóteses previstas no artigo 106, do CTN, mormente quando a atividade é admitida no SIMPLES NACIONAL sem a concessão de isenção para contribuições previdenciárias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso para manter a exclusão do contribuinte do SIMPLES, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado O conselheiro Alexandre Andrade de Lima Fonte Filho votou pelas conclusões )(0.6W-. PiLLW2.,4 EDELI PEREIRA BESSA — Presidente Substituta e Relatora EDITADO EM: 19/05/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente substituta da turma), Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (Vice-presidente), Carlos Eduardo de Almeida GlielTeitO, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz e Shelley Henrique Dalcamim. 2 Processo n° 10970 000346/2008-50 SI-C1T1 Acórdão n '1101-002.81 Fl 2 Relatório AMERIAN SERVIÇOS ELETRÔNICOS DE PROTEÇÃO LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 5' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Juiz de Fora/MG, que por unanimidade de votos, INDEFERIU a manifestação de inconformidade interposta contra o Ato Declaratório Executivo DRF/UBE n° 057, de 23/09/2008 (fl. 50), o qual a excluiu do SIMPLES de 26/01/2006 a .30/06/2007 Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Trata-se de processo onde consta Ato Declaratório Executivo DRF/UBE n°57/2008 que excluiu o snjeito passivo do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos c Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), prevista na Lei 9.317/1996, ao argumento de exercício de atividades relativas a prestação de serviços de vigilância, vedada nos lermos do art. 9°, X11, dessa mesma lei. Os efeitos da exclusão ocorreram a partir de 26/1/2006 e o Ato Declaratório foi dado ao conhecimento do sujeito passivo em 8/10/2008, por via postal (folha 51) Em 7/11/2008, foi apresentada manifestação de inconformidade do sujeito passivo (folhas 52 a 1 19) onde este propugna, basicamente, que A atividade da empresa não é de serviço de vigilância, conceituado pela Lei • 7 012/1983 (folha 54), mas de "comércio varejista -ele sistemas de segurança eletrônicos, alarmes e circuitos fechados de TV e a prestação de serviços de locação e cessão em comodato". Cita projeto de lei em tramitação que diferencia as atividades. Subsidiariamente, haveria que se aplicar a retroatividade prevista no art.. 106, II a do CTN tendo em vista que a Lei Complementar 123/2006 no art. 17. §1°, xxVII deixou de tratar as atividades de serviço de vigilância como impeditivas à adesão ao Simples (folha 62). A 5' Turma da DRI/Juiz de Fora afastou tais alegações argumentando que: o A Lei n° 7.102/83 dispõe sobre segurança para estabelecimentos .financeiros, estabelece normas para constituição e funcionamento das empresas particulares que exploram serviços de vigilância e de transporte de valores, e não trata da atividade de vigilância privada em residências ou estabelecimentos comerciais não financeiros. Por sua vez, a Lei n° 9.317/96 veda a opção pelo SIMPLES por empresas que exercem atividades, genericamente de "serviços de vigilância". o Os serviços de monitoramento de sistemas de segurança não deixam de ser serviço de vigilância, ainda mais levando-se em conta que tais serviços sobreviram bem tempo após 1983.. o Demais disto, a vedação citada visa exatamente coibir a adesão de empresas que objetivem a prestação de serviços normalmente 3 terceirizados, como vigilância, limpeza e conservação. A atividade da manifestante, a nosso ver, incidiria assim em todas essas características que a afastariam da possibilidade de adesão ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos c Contribuições das Microempresas c Empresas de Pequeno Porte (Simples). o Não é possível a aplicação retroativa da Lei Complementar n° 123/2006, pois a migração para esta nova sistemática depende da verificação de outros requisitos legais e, demais disto, o impedimento à adesão a um estatuto não se trata de infração, nos termos em que previsto no art 106 do CTIV. Cientificada da decisão de primeira instância em 28/05/2009 (fl, 126), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 24/06/2009 (fis 127/141), no qual reprisa os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade Reafirma que celebra contratos para comercializar e instalar equipamentos eletrônicos de segurança, bem assim para prestar serviços de monitoramento mediante recepção e análise de sinais emitidos pelos equipamentos que aliena ou cede em comodato, atividades que nada têm que ver serviços de vigilância, mormente tendo em conta o conceito firmado pela Lei n° 7.102/83. Destaca a impossibilidade de dissociar-se a prestação de serviços de vigilância da ,figura do vigilante, profissional a quem se atribuiu a competência legal para desempenhar tais serviços mediante formação e treinamento específicos, além de não estar presente, em suas atividades, a guarda de estabelecimentos financeiros ou do transporte de valores e cargas. 'Traz excertos do Projeto de Lei n° 1759/2007 para corroborar a diferença ontológica das atividades de vigilância e aquelas desenvolvidas peia recorrente (main. toramento e comercialização de sistemas eletrônicos de segurança), e anota que as atividades de monitoramento não se restringem ao recebimento e avaliações de sinais emitidos por aparelhos eletrônicos para fins de segurança prestando-se também a acompanhamento e otimização do desempenho industrial, aferição da produtividade e assiduidade de empregados, entre outras utilidades. Alega ofensa à segurança jurídica ao se outorgar ao Fisco poder de tributar a partir de interpretação distorcida dos conceitos insertos na legislação Em seu entender, a própria autoridade julgadora de 1' instância acaba por confessar que define "atividade de segurança" como lhe convém à margem do ordenamento pátrio Invoca a aplicação retroativa da Lei Complementar n° 123/2006, por imposição do art. 106, inciso II do CIN, questionando a decisão de i a instância que firmou não se tratar de infração, e apontando a existência de autos de infração lavrados em decorrência da exclusão aqui discutida, para exigência de contribuições previdenciárias. Reproduz ementa de acórdão do Terceiro Conselho de Contribuintes em favor da retroatividade. Pede, assim, o reconhecimento de seu direito de permanecer no SIMPLES, e também requer a exclusão de antigo procurador, para que as publicações e intimações sejam realizadas em nome do novo mandatário indicado É o relatório Processo n° 10970 000346/2008-50 Acórdão n° 1101-00.281 51-C1T1 F] 3 Voto Conselheiro EDELI PEREIRA BESSA Pretende a recorrente que o conceito de serviços de vigilância fique restrito ao que dispõe a Lei n o 7.102/83. Todavia, como já frisado na decisão recorrida, esta lei dispõe sobre segurança para estabelecimentos ,financeiros, estabelece normas para constituição e funcionamento das empresas particulares que exploram serviços de vigilância e de transporte de valores, e evidentemente não trata da atividade de vigilância privada em residências ou estabelecimentos comerciais não financeiros, o que, por si só, não é hábil a afastar estas atividades do conceito de vigilância. De outro lado, observa-se nas cláusulas contratuais dos documentos juntados às fls. 16/44 que a atividade da empresa não consiste, apenas, em comercializar e instalar equipamentos eletrônicos de segurança, bem assim para prestar serviços de monitoramento mediante recepção e análise de sinais emitidos pelos equipamentos que aliena ou cede em comodato. A análise dos sinais emitidos resulta em providências indissociáveis do conceito de vigilância, quais sejam: informar por via telefônica as autoridades competentes ou as pessoas ou entidades indicadas na Ficha Confidencial, bem como enviar um veículo ao Local de Monitoramento do Assinante para verificar se a propriedade do Assinante encontra-se em ordem. Em verdade, a única distinção relevante entre os serviços prestados e aqueles apontados como sendo de vigilância, é o fato de não se ter um vigilante presencialmente na residência/estabelecimento do contratante, sendo o serviço prestado a distância e, eventualmente, com o deslocamento de profissionais para avaliar a existência de algum risco efetivo à propriedade do contratante. E esta distinção não é hábil a descaracterizar o serviço como sendo de vigilância, mormente se não há um conceito firmado em lei para este serviço, como antes já mencionado Quanto aos demais serviços de monitoramento, caberia à contribuinte demonstrar que somente instala estes equipamentos para operação pelo contratante. E, de toda sorte, urna vez constatada a prestação de serviços de vigilância como antes descrito, a prova de que outros serviços também são prestados não afastaria a necessária exclusão do SIMPLES FEDERAL por exercício de atividade vedada Quanto à aplicação retroativa de normas que admitiram o ingresso de contribuintes na sistemática simplificada de recolhimentos, cujas atividades antes eram vedadas, anote-se que já se encontra pacificada no Superior Tribunal de Justiça a inaplicabilidade, nesta seara, do art. 106, do CTN Veja-se a referência mais recente ao tema: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO oPçÁo PELO SIMPLES, INSTITUIÇÕES DE ENSINO MÉDIO QUE SE DEDIQUEM EXCLUSIVAMENTE ÀS ATIVIDADES DE CRECHE, PRÉ- ESCOLAS E ENSINO FUNDAMENTAL. ARTIGO 9 0, XIII, DA LEI 93/7/96 ARTIGO 1", DA LEI 10.034/2000. LEI 10.684/2003, PRECEDENTE EDCL RESP N"882553/RS, julgado em 23.04 2009 1. A Lei 9..317, de 5 de dezembro de 1996 (revogada pela Lei Complementar- 123, de 14 de dezembro de 2006), dispunha sobre o regime tributário das microempresas e das empresas de pequeno porte, instituindo o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Micr •oempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES. 2. O inciso XIII, do artigo 9 0, do aludido diploma legal, ostentava o seguinte teor "Art. 9 0 Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica •( ) XIII - que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, dfretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, lisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; )u [.1 5. Em 30 de maio de 2003, sobreveio a Lei 10.684, que, em seu artigo 24, assim dispôs. "Art. 24 Os arts I' e 2 0 da Lei n° 10 034, de 24 de outubro de 2000, passam a vigorar com a seguinte redação: 'Ari I" Ficam excetuadas da restrição de que trata o inciso XIII do art. 90 da Lei no 9 317, de 5 de dezembro de 1996, as pessoas jurídicas que se dediquem exclusivamente às seguintes atividades: I — creches e pré-escolas, II — estabelecimentos de ensino fundamental; 117 — centros deformação de condutores de veículos automotores de transporte terrestre de passageiros e de carga; IV— agências lotéricas; -- agências terceirizadas de correios, r/ — (VETADO) VII— (VETADO)' (NR) 6 As Turmas de Direito Público desta Corte consolidaram o entendimento da irretroatividade da Lei 10.034/2000 (que excluiu as pessoas _jurídicas dedicadas às atividades de creche, pré-escola e ensino fundamental das restriçõe.s à opção pelo SIMPLES, impostas pelo artigo 9", da Lei n." 9 317/96), uma vez inexistente a subsunção a quaisquer das hipóteses previstas no artigo 106, do CTN, verbis. 6 Processo n" 10970 000346/2008-50 Si-CITi Acórdão n " 1101-00.281 El 4 I-. 1" 7 Precedentes das Turmas de Direito Público REsp 1 042.793/RJ, Rel Ministro José Delgado, Primeira Turma, julgado em 22.04 2008, Dia 21 05 2008, REsp 829.059/RJ, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 18 12.2007, DJ 07.02.2008, e REsp 721.675/ES, Rel Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 23 08 2005, DJ 19 09 2005) 8. Conseqüentemente, ante a irretroatividade do beneficio fiscal instituído pela Lei 10 034/2000, reveste-se de legalidade o procedimento administrativo que inadmitiu a opção do SIMPLES pela escola recorrida, no período anterior a 25.10 2000. 9 Recurso especial provido (REsp tf 1.056.956/MÓ, Relator Ministro Luiz Fux, Data do Julgamento: 26/05/2009, publicação do Me em 01/07/2009) As razões dos precedentes mencionadas foram originalmente firmadas pelo Ministro Castro Moira, no REsp É' 722.307/SC, no qual se extrai: TRIBUTÁRIO. SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DE M1CROEMPRESAS E EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES ESTABELECIMENTO DE ENSINO PRÉ-ESCOLAR E FUNDAMENTAL AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC ART 557 DO CPC FALTA DE INTERESSE EM RECORRER., LEI N° 10.034/00. IMPOSSIBILIDADE DE RETROAÇÃO I . Inexistência de omissão, contradição ou obscuridade no aresta recorrido. Ausência de violação ao art. 535 do Código de Processo Civil. 2. Ainda que não seja dominante o posicionamento favorável à retroatividade da Lei n" 10.034/00, a parte não foi prejudicada, pois teve a questão apreciada pelo órgão colegiada, ante a apresentação de agravo regimental. Falta de interesse em recorrer no particular. 3. O art. 106, em seus incisos, estabelece quando a lei tributária será aplicada a atos ou .fatos pretéritos.. O caso dos autos não se enquadra em qualquer das hipóteses, não havendo de se falar em retroação da Lei n°10.034/00. 4. A pessoa jurídica que se dedica à pré-escola e ao ensino fundamental somente tem direito a optar pelo SIMPLES a partir da vigência da Lei n° 10.034/00 que não pode ter aplicação retroativa. 5 Recurso especial provido. VOTO O EKM-0. SR. MINISTRO CASTRO MEIRA (Relatar): Primeiramente, quanto à suposta ofensa ao art. 535, II, do Código de Processo Civil, o Tribunal de origem apreciou toda matéria controvertida, não havendo nos autos qualquer omissão a ser sanada A própria recorrente assevera que "a matéria, ora enfrentada, foi devidamente pra questionada, não só com a menção explícita aos dispositivos legais tidos por violados, mas também quanto à discussão e solução da questão jurídica trazida à baila" (fl. 108). No tocante ao não-cabimento do art .557 do mesmo diploma legal, a Fazenda Nacional aponta inexistência de jurisprudência pacífica favorável à retroatividade da Lei 10.034/00 Contudo, ainda que não seja dominante o posicionamento acerca dessa tese, não houve prejuízo à parte, que teve a questão apreciada pelo órgão colegiada, ante a apresentação de agravo regimental il) Portanto, a recorrente carece de interesse em recorrer no particular. Relativamente ao mérito propriamente dito, a discussão a respeito do tema não foi debatida nutitas vezes por esta Corte. Ao pesquisar a jurisprudência desta Casa, localizei apenas quatro precedentes da relatoria do Min. Luiz Fia, considerando possivel a retroação da lei tributária em casos semelhantes ao presente (EDcl no REsp 603.4,51/PE, DJU de 25 1004, REsp 577 654/PE, DJU de 03,05 04, • REsp 500 477/SC, DJU de 09.02.04; e, AgRg no RESp 433 697/PR, DJU de 23.06.03) Em tais julgados, consignou-se que a Lei n" 10.637/02 - que passou a permitir às agências de viagem e turismo a opção pelo SIMPLES - deveria retroagir "a teor dos incisos do art 106, do CTN, porquanto referido diploma autoriza a retrooperância da lex nütior Analisando a questão, ouso divergir de tal posicionamento É cediço que, em regra aplica-se o principio da irretroatividade das leis ao Direito Tributário. O art. 106 do Código Tributário Nacional traz as hipóteses excepcionais em que a lei tributária poderá ser aplicada a ato ou fato pretérito, consoante se constata de seu teor, a seguir transcrito "Ar t 106 A lei aplica-se a ato ou fato pretérito• I - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, exchtida a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; - tratando-se de ato não definitivamente julgado • a) quando deâe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como . contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática" Da leitura de seus incisos, não verifico a possibilidade de retroação da lei pela mera existência de regra mais benéfica ao contribuinte. O primeiro inciso restringe-se à lei expressamente interpretativa, o que não é o caso, Já o segundo inciso, subdividido em alíneas, estabelece quando a lei pode retrooperar para atingir atos não definitivamente julgados, A hipótese dos autos não se enquadra em qualquer das alíneas desse último inciso O art. 9 0, inciso XIII, da Lei n° 9317/96, vigente no momento em que a recorrida passou a ser optante do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições de Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, tem a seguinte redação. "Ari 9" Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica. XIII - que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator; empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor; músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, fisico, quimico, economista, contador; auditor, consultor; estatístico, administrador; programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, .fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercicio dependa de habilitação profissional legalmente exigida, Por-tanto, as empresas que prestassem serviços profissionais educacionais eram atingidas „pela vedação imposta Não se cuida aqui de infração ou penalidade, devendo ser afastadas, de pronto, as letras "a" e "c" do art 106 do Código Tributário Nacional 8 Processo n° 10970 00034612008-50 S1-C1T1 Acórdão o.° 1101-00..281 Fl 5 Poder-se-ia entender pela incidência, na espécie, do previsto na letra "b" do artigo em alusão.. Ocorre que a simples leitura da parte final de tal alínea impossibilita essa conclusão, pois o fato de a recorrido ter optado pelo SIMPLES quando não era permitido certamente importou em falta de pagamento de tributo, na .forma como era devido à época.. O recorrido foi excluído da restrição constante da Lei n° 9 317/96 apenas com o advento da Lei n°10.034/00, cujo art. 1° preceitua: "Art. 1° Ficam excetuadas da restrição de que trata o inciso 'UH do art. 9' da Lei n° 9.31 7, de 5 de dezembro de 1996, as pessoas jurídicas que se dediquem às seguintes atividades: creches, pré-escolas e estabelecimentos de ensino fundamental" Cumpre registrar, unicamente a título de informação, que o dispositivo mencionado foi alterado pela Lei n° 10684/03, passando a viger nos moldes abaixo; "Art. 1 0 Ficam excetuadas da restrição de que trata o inciso xffi do art 90 da Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996, as pessoas jurídicas que se dediquem exclusivamente às seguintes atividades. 1— creches e pré-escolas; — estabelecimentos de ensino fundamental, III — centros de formação de condutores de veículos automotores de transporte terrestre de passageiros e de carga, IV— agências lotéricas; — agências terceirizadas de correios,. VI—vetado VII—vetado" Assim, o aresto hostilizado merece reparos, uma vez que, somente a partir da vigência da Lei n" 10.034/00, o recorrido teve o direito de optar pelo SIMPLES, não podendo retroagir a norma em comento para alcançar atos ou fatos pretéritos Ante o exposto, dou provimento ao recurso especial. Claro está, portanto, que não se trata de lei expressamente interpretativa, cuja retroação se dá a teor do art. 106, 1 do CTN, bem como não trouxe, ela, qualquer "retroatividade benigna", a invocar a aplicação do inciso II daquele dispositivo, pois apenas se presta a desenhar o campo de vedação ao ingresso no SIMPLES NACIONAL (ou de permissão, depende do ponto de vista), sob a ótica da atividade econômica explorada. Destaque-se, ainda, que especificamente em relação à atividade aqui em destaque, a sua admissibilidade no âmbito do SIMPLES NACIONAL se fez de forma diferenciada, mantendo a obrigação de recolhimento previdenciário patronal de acordo com as regras contidas no art. 22 da Lei n° 8.212/1991. Assim se dá relativamente às atividades contidas no Anexo IV da LC, nos termos do parágrafo 5°-C do artigo 18 da LC 123/2006, com redação dada pela LC 128/2008, que são: construção de imóveis e obras de engenharia em geral, inclusive sob a forma de subempreitada, execução de projetos e serviços de paisagismo, bem corno decoração de interiores; e serviço de vigilância, limpeza ou conservação, 9 Impróprio, portanto, também sob esta ótica, cogitar de efeitos retroativos da legislação citada, na medida em que o SIMPLES FEDERAL implicava na isenção de tais contribuições previdenciárias Esclareça-se, por fim, que nos termos do art. 23 do Decreto n° 70.235/72, a intimação dos atos administrativos deve ser feita ao sujeito passivo e, quando postal, dirigida ao domicilio por ele eleito, sendo inviável o pleito de que as intimações sejam dirigidas ao patrono da recorrente. Diante deste contexto, VOTO por negar provimento ao recurso voluntário e reconheço a validade do Ato Declaratório Executivo DRF/UBE n° 057, de 23/09/2008 (fl 50), que excluiu a contribuinte da sistemática do SIMPLES FEDERAL de 26/01/2006 a 30/06/2007 EDELI PEREIRA BESSA Relatora 10
score : 1.0
Numero do processo: 15889.000439/2007-46
Data da sessão: Wed Aug 04 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Oct 27 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1401-000.041
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, declinar o processo para a Terceira Seção em razão da matéria discutida.
Assinado digitalmente
Viviane Vidal Wagner - Presidente.
Assinado digitalmente
Maurício Pereira Faro Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Viviane Vidal Wagner (Presidente), Karem Jureidini Dias, Alexandre Antônio Alkmin Teixeira, Antônio Bezerra Neto, Mauricio Pereira Faro e Fernando Luiz Gomes de Mattos.
Nome do relator: Não se aplica
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INDÚSTRIA DE ROUPAS Recorrida Fazenda Nacional Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, declinar o processo para a Terceira Seção em razão da matéria discutida. Assinado digitalmente Viviane Vidal Wagner Presidente. Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro – Relator Participaram do julgamento os conselheiros Viviane Vidal Wagner (Presidente), Karem Jureidini Dias, Alexandre Antônio Alkmin Teixeira, Antônio Bezerra Neto, Mauricio Pereira Faro e Fernando Luiz Gomes de Mattos. Contra a empresa qualificada em epígrafe foram lavrados autos de infração para o PIS às fls. 09 a 23, exigindo contribuição de R$ 737.944,60, multa de ofício de R$784.883,01 e juros de mora de R$ 1.106.916,79, perfazendo o total do PIS de R$ 2.629.744,00 e para a Cofins às fls. 26 a 41, exigindo contribuição de R$ 3.588.242,25, multa de ofício de R$3.788.322,86 e juros de mora de R$ 5.382.363,23, perfazendo o total da Cofins de R$12.758.928,34, ambos em virtude da apuração de falta de recolhimento no período de 31/01/1999 a 31/12/2002. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 58 89 .0 00 43 9/ 20 07 -4 6 Fl. 342DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 15889.000439/200746 Resolução nº 1401000.041 S1C4T1 Fl. 3 2 O órgão julgador a quo entendeu por julgar procedente o auto de infraçao, nos seguintes termos: Assunto: Processo Administrativo Fiscal PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/1999 a 31/12/2002 INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. DECADÊNCIA. O prazo decadencial para o lançamento da Cofins e do PIS é de dez anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). NULIDADE. O MPF foi concebido com o objetivo de disciplinar a execução dos procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições sociais administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, não atingindo a competência impositiva dos seus auditores fiscais. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Cabível a multa qualificada de 150%, quando estiver perfeitamente demonstrado nos autos, que o agente envolvido na prática da infração tributária agiu reiteradamente. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação constitucional ao confisco é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. A vedação prevista na Constituição Federal restringese ao valor do tributo ou contribuição, de forma que a exigência de multa de ofício prevista em lei não se reveste de caráter confiscatório. Irresignado, interpôs o contribuinte o recurso ora analisado que restou distribuído para esta Col. 4ª. Câmara da 1ª Turma da Primeira Seção de Julgamentos do E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Ocorre que a 1ª Seção de Julqamento não é competente para o julqamento do presente recurso voluntário, haja vista que a matéria aqui discutida trata de PIS e COFINS sendo competente para julgamento a 3ª Seção de Julgamento, nos termos do art.4°, inciso I, do RICARF, in verbis: Fl. 343DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 15889.000439/200746 Resolução nº 1401000.041 S1C4T1 Fl. 4 3 "Art. 4° À Terceira Seção cabe processar e julgar recursos de oficio e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Contribuição para o PIS/PASEP e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), inclusive as incidentes na importação de bens e serviços; Ante o exposto, deve ser o presente processo remetido e distribuído para a Colenda Terceira Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro Relator. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 22/10/201 3 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO
score : 1.0
Numero do processo: 10120.000587/91-19
Data da sessão: Tue Aug 25 00:00:00 UTC 1992
Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA
DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO.
Constatada a ocorrência na decisão
singular de inovação do crédito tributário anteriormente constituído, cabe a apreciação da peça recursal como
nova impugnação.
Numero da decisão: 103-12.732
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em DETERMINAR a remessa dos autos ã repartição de origem para que a petição de fls. 99/100 seja apreciada como se impugnação fosse, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Nome do relator: Ilcenil Franco
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ementa_s : IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO. Constatada a ocorrência na decisão singular de inovação do crédito tributário anteriormente constituído, cabe a apreciação da peça recursal como nova impugnação.
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decisao_txt : ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em DETERMINAR a remessa dos autos ã repartição de origem para que a petição de fls. 99/100 seja apreciada como se impugnação fosse, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
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Mmorrida: DRP EM GOIÂNIA (GO). IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURIDICA. . DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO. Constatada a ocorrência na decisão singular de inovação do crédito tri butãrio anteriormente constituído, ca be a apreciação da peça recursal como nova impugnação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por LUZIBOI - INDOSTRIA E COMÉRCIO DE CAR- NES LTDA.: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em DETERMINAR a remessa dos autos ã repartição de origem para que a petição de fls. 99/100 seja apreciada como se impugnação fosse, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Sala das Sessões (DF), em 25 de agosto de 1992. Al Ia- __Mi - ,n,..~' argoorgr.„......1~"-- C . liOrreirti U 1 •Dffer-"Tr - PRESIDENTE • OII l ;II frif ' e -.,c, IL Da ; "0 00 - RELATOR ÁL. 1 Np, VISTO EM ZA i O ONI‘DA ; - PROCURADOR DA FA- SESSÃO DE: ZENDA NACIONAL 17 DEZ 1992 v. v. J.N . Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conse- lheiros: LUIZ HENRIQUE BARROS DE ARRUDA, VICTOR LUIS DE SALLES FREIRE, MARIA DE FATIMA PESSOA DE MELLO CARTAXO, SONIA NACINOVIC, PAULO AFFONSECA DE BARROS FARIA JÚNIOR e DICLER DE ASSUNÇAO. .1 "14;a '14;4 SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N? 10120/000.587/91-19 2. RECURSO WS : 102.195 ACORMÃONN: 103-12.732 RECORRENTE: LUZIBOI - INDOSTRIA E COMÉRCIO DE CARNES LTDA. RELATÓRIO LUZIBOI - INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CARNES LTDA., com sede â Rua Sete, n9 354, Sala 1006, centro, em Goiânia (GO), re- corre a este Conselho de decisão do Senhor Delegado da Receita Federal daquela cidade que julgou procedente a ação fiscal con substanciada no Auto de Infração de fls. 79, no qual lhe é exi gido o crédito tributário de Cr$ 83.869.280,53 a título de im- posto de renda - pessoa jurídica e acréscimos legais cabíveis, relativo ao exercício de 1988. A matéria tributável diz respeito á omissão de re- ceita verificada pela contabilização, a menor, no livro Diário, do valor de Cr$ 146.481.898,00, em confrontO com o livro Regis- tro de Saída, valor esse que após os ajustes julgados necessá- rios, pelo autuante, apurou-se o valor tributável de Cr$ 71.987.587,00 (fls. 76/78). Com guarda do prazo legal o contribuinte apresenta sua impugnação de fls. 85/87, alegando, em síntese, que: - os livros fiscais e o Diário são provas do indício da omissão de receita e não fonte da base de cálculo, porém, de- monstrará os erros cometidos pelo autuante, com base nesses mes mos livros; 41.11" of OANIERP/DF- OCO, NI 048/90 SOIVICO PUBLICO FE" PROCESSO N9 10120/000,587/91-.19 3. Acórdão n9 103-12.732 - não foi considerado que a impugnante, em sendo um frigorífico, assume o papel de contribuinte substituto do ICM nas entradas de mercadorias, razão pela qual tal impost000m põe o custo dessas mercadorias. A apuração contábil do custo foi feita com exclusão do ICM, procedimento esse, não perfeito, mas, em compensação, o imposto pago foi lançado como despesa tri butária, que o autuante glosou; - refaz o demonstrativo apresentado pela fiscali- zação, inserindo o ICM de vendas no valor de Cr$ 29.635.095,00 e considerando as compras pelo valor bruto, obtendo um valor omi tido de Cr$ 31.135.833,00; - calcula o Imposto de Renda sobre essa nova base de cálculo e, após compensar o devido no regime de declaração e deduzir o PIS, apura um IRPJ correspondente a 19.795,16 OTN; - finaliza solicitando seja o lançamento conside- rado improcedente para refazer o cálculo do tributo devido, pe los motivos expostos. O "termo de transferencia" de fls. 90 dá conta que pelo processo n9 10120/001.088/91-94 está sendo cobrado o cré- dito tributário no valor de 19.795;15 OTN, a titulo de IRPJ, além de 9.987,58 OTN de multa lançada, transferido deste para aquele processo, em virtude de não haver impugnação quanto a esse valor e conseqüentemente inexistindo o litígio. Em sua contestação fiscal (fls. 91) o autuante opi- na pela manutenção integral do lançamento visto que os demonstra tivos de fls. 76/78 foram elaborados excluindo-se o ICM tanto nas vendas como nas compras, como recomenda a boa técnica, e, como a impugnante também omitiu compras "tendo assim,deixado de aproveitar o custo dessas compras omitidas, a fiscalização por ~VICO ^MUCO ft" PROCESSO N9 10120/000.587/91-19 4. Acórdão n9 103-12.732 achar justo, procedeu os ajustes, julgados necessários, confor me está demonstrado às fls. 78". A decisão da autoridade julgadora monocrática (f is. 93/96) fundamentou-se nos seguintes argumentos, de forma re- sumida: - o trabalho fiscal constatou duas formas de omis são de receita, sendo a não contabilização da receita de vendas no valor de Cr$ 146.481.898,00 e o mesmo prOcedimento com re- lação às compras, no montante de Cr$ 98.286.034,00, perfazendo um total de Cr$ 244.767.932,00; - a impugnante não contesta a exigência fiscal no as pecto da existência de receita omitida, antes, a admite, confor me demonstrativo por ela elaborado às fls. 86 no qual pretende considerar como custo o ICM incidente nas compras, pretensão essa sem amparo legal, pois em casos de receitas e compras não contabilizadas não cabe considerar os valores dos impostos e contribuições arrolados, sendo a sua totalidade tributada como 7 lucro; - em que pese o trabalho fiscal ter demonstrado com clareza a omissão de receita, o demonstrativo de fls. 78 carece de retificação, e, conseqüentemente, o lançamento; - nos ajustes feitos pelo autuante ficou caracte- rizada uma retificação da declaração de rendimentos feita "a destempo", o que s6 é permitido antes de iniciado o procedimen- to de ofício e não no seu curso como ocorrido; - nas omissões caracterizadas por compras e/ou sal das nio contabilizadas não cabe cogitar dos custos correspon- dentes o que só é vindo se devidamente contabilizados; seffiwon~woRm PROCESSO N9 10120/000.587/91-19 Acórdão n9 103-12.732 - "conclui-se, por conseguinte, que, com base no artigo 145, III, c/c o artigo 149, VIII, do CTN-Lei número 5.172/66, torna-se necessário que se faça a devida retificação na apuração do débito fiscal, com fulcro no contido nos artigos 157, parágrafo 19, e 181 do RIR supradito, apurando-se imposto de renda pessoa jurídica e multa de ofício a seguir expostos": 1) Base tributável: 1.2 - attsslode receita de vaidas...Cz$ 146.048.898 1.2 - amissi)decawas Cz$ 98.286.034 2) lucro real (1 mais 2) Cz$ 244.767.932; - finalizando, altera de ofício o valor do débito fiscal, face a modificação do enquadramento legal. Tempestivamente, o contribuinte interpõe o recurso de fls. 99/100, aduzindo que: - o autuante apurou a omissão de receita com base nos livros fiscais e contábeis, tendo glosado o ICM incidente so- bre as compras, apurando o valor constante às fls. 78, nada men cionando, no Auto de Infração, sobre a omissão de compras, porque essa diferença está incluída na diferença das vendas; - a peça impugnatória levou em consideração tão so- mente o raciocínio do autuante, ponderando que o ICM incidente sobre as compras não pode ser glosado, visto que a recorrente,co mo substituto do fornecedor pecuarista assumiu o ónus da des- pesa; - o Senhor Delegado concluiu pela necessidade de retificação do lançamento fiscal o que demonstra contradição e equívoco, pois não aceitar o demonstrativo de fls. 78 "é não acei tar a boa técnica alegada pelo fiscal em sua réplica á pg. SEMICONALKA~M PROCESSO N9 10120/000.587/91-19 6. Acórdão n9 103-12.732 91", além do que o valor das compras está incluído nas vendas.0 pretendido pela decisão afigura-se como uma contagem dupla das compras; - ao majorar a exigência tributária a decisão re- corrida não observou o direito de defesa, preterindo-a, razão pe la qual é nulo esse ato; - finaliza requerendo seja considerada nula a de- cisão recorrida para serem acatadas as razões da impugnação ao Auto de Infração. É o relatório. e' • SERMO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10120/000.587/91-19 7. Acórdão n9 103-12.732 VOTO Conselheiro ILCENIL FRANCO, Relator: O Auto de Infração de fls. 79 teve como base de cálculo o valor de Cz$ 71.987.587,00 (fls. 78). A decisão da autoridade julgadora "a quo", de ofi- cio, majorou a base de cálculo para Cz$ 244.767.932,00, alteran do o enquadramento legal (incluindo o artigo 181 do RIR/80), e, por conseqüência, majorando também o crédito tributário. O contribuinte recorre de tal ato a este Conselho. Não foi observado o duplo grau de jurisdição,eis que o contribuinte foi preterido em seu direito de defesa junto ã autoridade de primeira instância. A informação de fls. 90 dá conta de que o processo n9 10120/001.088/91-94, em fase de cobrança, está a exigir.... 19.795,15 OTN, objeto deste processo e relativo ã parte não li- tigiosa. Em face do exposto, voto no sentido de devolver o processo ã Repartição de origem para que o Senhor Delegado da Re ceita Federal aprecie a petição de fls. 99/100 como se impugna ção fosse, levando-se em conta, inclusive,a existência do proces so n9 10120/001.088/91-94. Adi ), em 25 de agosto de 1992. o IL -NCO - RELATOR hIrma~N.Çore Page 1 _0054000.PDF Page 1 _0054100.PDF Page 1 _0054300.PDF Page 1 _0054500.PDF Page 1 _0054700.PDF Page 1 _0054900.PDF Page 1 _0055100.PDF Page 1
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Numero do processo: 13973.000309/2003-03
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2002
DESPACHO DECISÓRIO E DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA.
Não tem plausibilidade fático-jurídica a alegação de cerceamento do direito de defesa, quando o despacho decisório e a decisão recorrida apresentam fundamentação fático-jurídica para a denegação do direito creditório pleiteado. Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as razões da rejeição do seu direito creditório, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante alentada defesa, abrangendo não só questão preliminar como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. SALDO NEGATIVO DO IRPJ E DA CSLL. DIREITO CREDITÓRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS DA PROVA.
A compensação é forma de extinção do crédito tributário.
Para a concretização da compensação deve ser comprovada, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do direito creditório utilizado.
A prova do fato constitutivo do direito creditório compete ao autor do pedido.
Para que a autoridade administrativa possa reconhecer o direito creditório pleiteado pelo contribuinte e, por via de conseqüência, considerar as compensações tributárias informadas, é necessário que sejam aportados aos autos documentos que demonstrem, de forma inequívoca, a certeza e liquidez do crédito alegado, ex vi do disposto no art.170 do CTN.
Numero da decisão: 1802-001.883
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marco Antônio Nunes Castilho.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: NELSO KICHEL
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INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA. Não tem plausibilidade fáticojurídica a alegação de cerceamento do direito de defesa, quando o despacho decisório e a decisão recorrida apresentam fundamentação fáticojurídica para a denegação do direito creditório pleiteado. Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as razões da rejeição do seu direito creditório, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante alentada defesa, abrangendo não só questão preliminar como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. SALDO NEGATIVO DO IRPJ E DA CSLL. DIREITO CREDITÓRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS DA PROVA. A compensação é forma de extinção do crédito tributário. Para a concretização da compensação deve ser comprovada, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do direito creditório utilizado. A prova do fato constitutivo do direito creditório compete ao autor do pedido. Para que a autoridade administrativa possa reconhecer o direito creditório pleiteado pelo contribuinte e, por via de conseqüência, considerar as compensações tributárias informadas, é necessário que sejam aportados aos autos documentos que demonstrem, de forma inequívoca, a certeza e liquidez do crédito alegado, ex vi do disposto no art.170 do CTN. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 3. 00 03 09 /2 00 3- 03 Fl. 213DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13973.000309/200303 Acórdão n.º 1802001.883 S1TE02 Fl. 214 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marco Antônio Nunes Castilho. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13973.000309/200303 Acórdão n.º 1802001.883 S1TE02 Fl. 215 3 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário (fls. 179/188) contra decisão da 1ª Turma da DRJ/Curitiba de fls. 170/176 que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. Quanto aos fatos, consta que em 13/05/2003 a contribuinte protocolou, em formulário papel, a Declaração de Compensação Tributária (fls. 01/02), onde constam informados os seguintes débitos e créditos: Tributos Codigo de Receita Período de Apuração Data de Vencimento Débito Valor do Principal – R$ (valor original) IRPJ – L Real Estim. Mensal 2362 31/03/2003 30/04/2003 253.984,61 CSLL – L. Real Estim. Mensal 2484 31/03/2003 30/04/2003 119.616,63 Obs: A contribuinte informou crédito utilizado: a) saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2002, no valor de R$ 238.727,59; b) saldo negativo da CSLL do anocalendário 2002, no valor de R$ 112.173,06. c) Total do crédito pleiteado: R$ 350.900,65. No dia seguinte, ou seja, em 14/05/2003 protocolou Declaração de Compensação substitutiva da anterior (fls. 10/13), alterando os códigos de receita dos débitos, de regime de apuração do Lucro Real para Lucro Presumido, sem mudança nos créditos informados: Tributos Código de Receita Período de Apuração Data de Vencimento Débito R$ Valor do Principal (valor original) IRPJ – L. Presumido 2089 31/03/2003 30/04/2003 253.984,61 CSLL –L. Presumido 2372 31/03/2003 30/04/2003 119.616,63 Obs: A contribuinte informou crédito utilizado: c) saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2002, no valor de R$ 238.727,59; d) saldo negativo da CSLL do anocalendário 2002, no valor de R$ 112.173,06. c) Total do crédito pleiteado: R$ 350.900,65. Por fim, ainda no mês de maio de 2003, ou seja, no dia 28/05/2003, a contribuinte protocolou nova Declaração de Compensação substitutiva, alterando o montante ou somatório dos créditos anteriormente informados do anocalendário 2002, de R$ 350.900,65 para R$ 373.601,24 (fls. 14/16): Tributos (R$) Código de Receita Período de Apuração Data de Vencimento Débito Compensado Valor do Principal (valor original) IRPJ – L. Presumido 2089 31/03/2003 30/04/2003 253.984,61 CSLL –L. Presumido 2372 31/03/2003 30/04/2003 119.616,63 Obs: A contribuinte informou crédito utilizado: e) saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2002, no valor de R$ 238.727,59; f) saldo negativo da CSLL do anocalendário 2002, no valor de R$ 112.173,06. c) Total do crédito pleiteado: R$ 373.601,24. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13973.000309/200303 Acórdão n.º 1802001.883 S1TE02 Fl. 216 4 De plano, o fisco – DRF/Joinville constatou que os saldos negativos do IRPJ e da CSLL utilizados/pleiteados pela contribuinte na Declaração de Compensação eram superiores aos apurados/informados na DIPJ 2003, anocalendário 2002. Por isso, a contribuinte foi intimada para explicar, justificar ou comprovar essa divergência constatada, conforme despacho de 26/07/2004 (fl. 38), in verbis: (...) O contribuinte apresentou declaração de compensação para débitos de IRPJ e CSLL, período de apuração março/2003, indicando como origem de crédito saldos negativos de IRPJ e CSLL, exercício 2003, anocalendário 2002, iguais a R$ 238.727,59 e R$ 112.173,06, respectivamente. Na DIPJ, entretanto, a empresa apura saldo negativo de IRPJ igual a R$ 237.183,24 (fl. 25) e saldo negativo de CSLL igual a R$ 94.741,15 (fl. 27), inferiores, portanto, aos valores informados na declaração de compensação. Diante do exposto, encaminhese à ARF/Jaraguá do Sul/SC para intimar o contribuinte a: a) informar quais são os valores corretos dos saldos negativos de IRPJ e CSLL, exercício 2003, anocalendário 2002, retificando a D1PJ ou a declaração de compensação, conforme o caso; b) apresentar comprovantes de rendimentos pagos e retenção na fonte fornecidos pelas fontes pagadoras relativos às retençõe sofridas durante o anocalendário 2002. (...) A contribuinte tomou ciência dessa intimação fiscal em 13/08/2004, conforme Aviso de Recebimento AR (fl. 40) e, em 03/09/2004, prestou os seguintes esclarecimentos (fl. 41), in verbis: (...) Os valores apresentados na DIPJ original ano base 2002, exercício 2003, IRPJ saldo negativo de R$ 237.183,24 e CSLL saldo negativo de R$ 94.741,15, ocorreu por considerarmos como IRPJ e CSLL mensal pagos por estimativa respectivamente R$ 335.137,72 e R$ 168.190,95, quando o efetivamente pago como estimativa foi de IRPJ R$ 336.682,06 e CSLL R$ 185.622,86. O valor apresentado na DIPJ retificadora provém dos documentos de compensação conforme xerox em anexo. Anexamos também, comprovantes de rendimentos pagos e retenção na fonte, anocalendário 2002 , e DIPJ retificadora ano base 2002, exercício 2003. (...) Fl. 216DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13973.000309/200303 Acórdão n.º 1802001.883 S1TE02 Fl. 217 5 Vale dizer, pelos documentos acostados pela contribuinte (fls. 43/115), os saldos negativos do IRPJ e da CSLL do anocalendário 2002 foram gerados a partir de compensação tributária dos débitos do IRPJ estimativa mensal e da CSLL estimativa mensal, desse ano, mediante utilização de crédito adquirido de terceiros (CréditoPrêmio do IPI) Processo de Compensação nº 10920.000521/200217. O crédito Prêmio do IPI foi adquirido de terceiros, ou seja, foram cedidos pela empresa Refinadora Catarinense S.A., controlado no Processo nº 13706.000714/200110. Porém, o referido Crédito Prêmio do IPI, utilizado nas Compensações objeto daqueles autos processo nº 10920.000521/200217 foi julgado inexistente e as compensações acabaram não sendo homologadas, conforme Despacho Decisório da DRF/Florianópolis, de 11/03/2008 (fls. 137/139), in verbis: (...) DESPACHO DECISÓRIO (Processo 10920.000521/200217 — Compensação) (...) COMPENSAÇÃO Constatada a inexistência do crédito alegado, impõese o indeferimento da compensação e cobrança do débito indevidamente indicado como pago. PEDIDO INDEFERIDO (..) Pelos Pedidos de Compensação de fls. 01, 398, 401/403 e 405/406, a empresa Carinhoso Roupas Ltda utiliza, para compensação de seus débitos, crédito cedido por outro contribuinte, Refinadora Catarinense S.A., CNPJ n° 86.151.586/000100, objeto de ação judicial. As compensações utilizam crédito controlado no processo n° 13706.000714/200110. A tabela a seguir indica os débitos compensados, que tem sua cobrança controlada neste processo (fl. 415). (...) A empresa Refinadora Catarinense S.A. impetrou o Mandado de Segurança n° 2001.51.01.0063355, pleiteando judicialmente o ressarcimento de créditoprêmio de IPI. Sentença proferida em primeiro grau julgou procedente o pedido, conferindo ao contribuinte o direito à utilização do crédito pleiteado. A Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) recorreu da decisão e o processo subiu ao Tribunal Regional Federal da 2º Região (TRF 2), onde recebeu o n° 2002.02.01.0066577. Como o Recurso de Apelação interposto pela PFN foi recebido somente em seu efeito devolutivo, a Refinadora Catarinense S.A. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13973.000309/200303 Acórdão n.º 1802001.883 S1TE02 Fl. 218 6 efetuou compensações de débitos próprios com o crédito que tinha como base a decisão de primeira instância, que sequer era definitiva. E, além disso, cedeu parte do crédito a terceiros contribuintes que também o utilizaram em compensações de débitos. Esse é justamente o caso das compensações de que tratam estes autos. Em 04/07/2006, a ação judicial foi julgada pela 3ª Turma Especializada do TRF2, que deu provimento ao recurso da PFN. O acórdão que denegou a segurança menciona que permanece hígida a regra de extinção do créditoprêmio, e que não procede a alegação de que o créditoprêmio teria sido restaurado. A partir do acórdão prolatado, a decisão de primeira instância perdeu sua eficácia, não sendo mais possível ao requerente utilizarse do crédito pleiteado na ação judicial, seja para compensação de débitos próprios ou para cessão a terceiros. A Refinadora Catarinense S.A. apresentou ainda Recurso Extraordinário ao Supremo Tribunal Federal e Recurso Especial ao Superior Tribunal de Justiça. Os recursos foram recebidos apenas no seu efeito devolutivo. Como a Fazenda Nacional já possuía decisão a seu favor, o contribuinte, receoso de que fosse procedida a cobrança dos valores compensados indevidamente, impetrou a Medida Cautelar Inominada n° 2006.02.01.0148472, visando atribuir efeito suspensivo aos recursos especial e extraordinário. Decisão proferida nesse processo determinou à União que se abstivesse de realizar a cobrança dos débitos até o exame da admissibilidade dos recursos. Em cumprimento da ordem judicial, a Fazenda Nacional permaneceu aguardando o exame da admissibilidade dos recursos interpostos pelo contribuinte para proceder à cobrança do crédito tributário. Em 21/02/2008 foram publicadas no Diário da Justiça decisões não admitindo os recursos especial e extraordinário. Com a decisão proferida pelo TRF2 em 04/07/2006 verificouse que nenhum crédito era devido à cedente Refinadora Catarinense S.A. São irregulares, portanto, as compensações que utilizaram esse crédito. Os recursos interpostos não foram admitidos, perdeu assim eficácia o mandamento da sentença proferida na Medida Cautelar Inominada interposta pelo contribuinte que suspendia temporariamente a cobrança dos valores em aberto. Em 01/10/2002, a Medida Provisória n° 66, de 29 de setembro de 2002, posteriormente convertida na Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, alterou a Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, instituindo nova sistemática de compensação e criando a Declaração de Compensação (DCOMP). Os Pedidos de Compensação (...) que se encontravam pendentes de análise quando da entrada em vigor das alterações promovidas pela Lei n° 10.637/2002, no entanto, não estão sujeitos à nova disciplina da compensação, visto que não atendem a um dos requisitos Fl. 218DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13973.000309/200303 Acórdão n.º 1802001.883 S1TE02 Fl. 219 7 inerentes à Declaração de Compensação compensação com créditos próprios, vedada a cessão a terceiros. Os pedidos de compensação de créditos de um contribuinte com débitos de terceiros de que tratam este processo, todos protocolados entre 15/03 e 14/08/2002, antes, portanto, das inovações legislativas acerca da matéria, não se converteram em DCOMP. Tal entendimento é o mesmo adotado em Parecer da Procuradoria da Fazenda Nacional (Parecer PGFN/CDA/CAT n° 1499/05). Os débitos indicados nos Pedidos de Compensação (...) estão corretamente declarados em DCTF e configuram confissão de dívida, nos termos do art. 5° do Decretolei n° 2.124, de 13 de junho de 1984. CONSIDERANDO o exposto e tudo o mais que do processo consta, uso da competência definida pelo art. 238, inciso VI, do Regimento Interno aprovado pela Portaria MF n° 95, de 30 de abril de 2007, para INDEFERIR os Pedidos de Compensação (...) Importante ressaltar que não cabe a discussão administrativa do crédito, visto que o titular do suposto direito creditório, Refinadora Catarinense, optou pela via judicial. Como o ordenamento jurídico brasileiro não comporta dualidade de jurisdição, a opção pela via judicial tem como efeito obrigatório a perda do poder de litigar na esfera administrativa. (...) (Grifei) Como visto, nos autos do Processo de Compensação nº 10920.000521/2002 17, restou caracterizada renúncia à discussão do CréditoPrêmio do IPI na órbita administrativa, pois o CréditoPrêmio do IPI (adquirido de terceiros), desde o início, foi objeto de discussão judicial pela cedente Refinadora Catarinense S/A. Além disso, naqueles autos do processo administrativo de compensação tributária, na data de emissão do Despacho Decisório pela DRF/Florianópolis, de 11/03/2008 (fls. 137/139), já havia decisão do STJ inadmitindo os recursos especial e extraordinário da cedente dos créditos Refinadora Catarinense S/A, cuja decisão fora publicada em 21/02/2008 no Diário da Justiça. Em face disso, os saldos negativos do IRPJ e da CSLL, anocalendário 2002, utilizados como crédito na Declaração de Compensação, objeto dos presentes autos, restaram prejudicados, ou seja, inexistentes (pela inexistência do CréditoPrêmio do IPI), conforme Despacho Decisório da DRF/Joinville, de 26/03/2008 (fls. 141/147), in verbis: (...) Dessa forma, indeferidas que foram as compensações acima referidas, concluise pela inexistência dos saldos negativos em favor do contribuinte, na medida em que: Fl. 219DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13973.000309/200303 Acórdão n.º 1802001.883 S1TE02 Fl. 220 8 • do imposto de renda sobre o lucro real, inclusive adicional, apurado à Ficha 12A da DIPJ/2003 retificadora (fl. 69), de R$ 180.129,37, restaram adimplidos apenas R$ 82.174,89, concernentes a montantes de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre rendimentos de aplicações financeiras oferecidos tributação, devidamente discriminados na Ficha 43 da declaração (fl. 111) e confirmados na Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) do beneficiário constante do sistema SIEF (fls. 32/37); • da CSLL devida no encerramento do exercício, de R$ 73.449,80, declarada Ficha 17 da DIPJ/2003 retificadora (fl. 74), restaram quitados R$ 95,37, recolhidos mediante DARF. CONCLUSÃO Diante do exposto, no exercício das atribuições de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, conferidas pelo art. 6°, I, “b”, da Lei n° 10.593/2002, com a redação dada pelo art. 9° da Lei nº 11.457/2007, proponho a não homologação das compensações declaradas no PER/DCOMP de fls. 14/16, listadas no relatório do presente despacho decisório, dada a inexistência de saldos negativos de IRPJ e CSLL apurados no anocalendário de 2002. (...) DECISÃO No uso da competência definida pelo artigo 243, II, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF no 95/2007, e delegada pela Portaria DRF/Joinville nº 48/2007, não homologo as compensações declaradas no PER/DCOMP de fls. 14/16, listadas no relatório do presente despacho decisório, dada a inexistência de saldos negativos de IRPJ e CSLL apurados no anocalendário de 2002 pelo contribuinte LMG ROUPAS LTDA., atual denominação de CARINHOSO ROUPAS LTDA., CNPJ n° 83.108.712/000156. (...) Ciente dessa decisão monocrática da DRF/Joinville em 08/04/2008 (fl. 149), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 07/05/2008 (fls. 150/159), cujas razões, em síntese, são as seguintes: a) que, de início, deve ser suspensa a exigibilidade do crédito tributário em função da manifestação de inconformidade apresentada, nos termos do art. 151, III, do Código Tributário Nacional (CTN), e § 11 do art. 74 da Lei n2 9.430, de 1996; b) que, preliminarmente, é nulo o despacho decisório, por afronta a critérios processuais administrativos e ao principio da motivação; c) que a autoridade administrativa não fundamentou sua decisão em nenhum dispositivo legal, restringindo o seu direito de defesa; Fl. 220DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13973.000309/200303 Acórdão n.º 1802001.883 S1TE02 Fl. 221 9 d) que, no mérito, tendo sido os pedidos de compensação de débitos com CréditoPrêmio de IPI realizados sob a égide de medida liminar concedida nos autos de mandado de segurança, posteriormente ratificada pela sentença de mérito proferida em 1º grau, deve prevalecer a compensação tributária pelo principio da segurança jurídica; e, e) que, assim, é vedada, em função desse princípio da segurança jurídica, a desconsideração desses pedidos de compensação, sendo que o efeito da decisão revogadora da segurança é ex nunc, não podendo, portanto, retroagir. Por sua vez, a 1ª Turma da DRJ/Curitiba, enfrentando as questões suscitadas pela contribuinte, manteve a não homologação da compensação tributária, conforme Acórdão de fls. 170/176, cuja ementa transcrevo: (...) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2003 DESPACHO DECISÓRIO. PRELIMINAR DE NULIDADE. DESCABIMENTO. Só se pode cogitar de declaração de nulidade de despacho decisório quando for, esse despacho, proferido por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003 COMPENSAÇÃO. MANDADO DE SEGURANÇA. DECISÃO DENEGATÓRIA. EFEITOS. Denegado o mandado de segurança pela sentença, ou no julgamento do agravo, dela interposto, fica sem efeito a liminar concedida, retroagindo os efeitos da decisão contraria. Compensação não Homologada (...) Ciente dessa desse Acórdão em 13/11/2008 (fl. 178), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 09/12/2008 (fls. 179/188), juntando ainda os documentos de fls. 189/199, cujas razões, em síntese, são as seguintes: que na declaração de compensação tributária informou a utilização de saldos negativos do IRPJ e da CSLL, anobase de 2002, exercício 2003, para quitação dos débitos do IRPJ Lucro Presumido e da CSLL – Lucro Presumido, respectivamente, do PA março/2003; que a decisão recorrida denegou a compensação tributária pela inexistência do crédito utilizado/pleiteado; que a decisão recorrida dever ser reformada, pelo seguinte: Fl. 221DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13973.000309/200303 Acórdão n.º 1802001.883 S1TE02 Fl. 222 10 1) – Preliminar de Nulidade: que na Declaração de Compensação, objeto destes autos, utilizou como crédito os saldos negativos do IRPJ e da CSLL, anocalendário 2002 e não crédito do IPI; que, entretanto, o fisco não reconheceu a existência desses saldos negativos, pois procedera análise da formação desses créditos. Vale dizer, que o fisco efetuou análise do histórico de compensações anteriores (não objeto destes autos) e concluiu que os débitos de estimativa do IRPJ e da CSLL do anocalendário 2002 não foram quitados, pois foram objeto de pedidos de compensação indeferidos, pela inexistência dos créditos utilizados, os quais haviam sido adquiridos de terceiros – créditos sub judice (crédito – prêmio de IPI), não gerando, por conseguinte, os saldos negativos do IRPJ e da CSLL para o anocalendário 2002; que o fisco não pode efetuar a análise do histórico das compensações não objeto destes autos, ou seja, que o fisco não pode fazer a análise da formação do crédito pleiteado, sob pena de desvio de finalidade do ato administrativo; que a decisão recorrida não trouxe argumento novo para sustentar a manutenção do despacho decisório; que a simples descrição histórica, indicando a inexistência do crédito pleiteado não é suficiente para embasar o despacho decisório; que faltou embasamento legal para a denegação da compensação pleiteada; que as decisões, nos processos administrativos, devem ser proferidas com observação do art. 2º da Lei nº 9784/99, mormente com indicação dos pressupostos de fato e de direito que a amparam e com observância das formalidades essenciais à garantia dos administrados; que, ainda, o art. 50, I, da referida Lei impõe a motivação dos atos administrativos, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; que no despacho decisório a autoridade fiscal não fundamentou sua decisão em dispostivo legal; que se a matéria é restrita a questões fáticas, ainda assim, é necessário a fundamentação legal do despacho decisório; que, admitindo a suposta inexistência do crédito pleiteado, apenas para argumentar, o fisco deveria considerar não declaradas todas as compensações, conforme § 12 do art. 74 da Lei 9.430/96; que salta aos olhos a flagrante ofensa aos princípios da legalidade e da motivação, configurando vício insanável do despacho decisório, devendo ser reformada a decisão recorrida; 2) – Utilização de crédito de terceiros: CréditoPrêmio do IPI por decisão judicial. Geração de saldo negativo do IRPJ e da CSLL, anocalendário 2002: que em todos as compensações efetuadas na vigência da liminar, ainda que posteriormente revogada em grau de Apelação, devem ser mantidas, em face do princípio da segurança jurídica; Fl. 222DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13973.000309/200303 Acórdão n.º 1802001.883 S1TE02 Fl. 223 11 que a recorrente apresentou diversos pedidos de compensação de débitos administrados pela Receita Federal do Brasil, com Crédito Prêmio de IPI, nos termos da medida liminar concedida nos autos do Mandado de Segurança n.° 2001.51.01.0063355; que a referida medida liminar foi ratificada pela r. sentença de mérito proferida em 1º grau, sendo reformada com o julgamento do recurso de Apelação interposto pela Fazenda Nacional; que todos os pedidos de compensação realizados na vigência da medida liminar e da sentença de mérito de 1º grau foram regulares até então, sendo vedado, em função do princípio da segurança jurídica, a desconsideração dessas compensações; que, de fato, as decisões definitivas de mérito devem se sobrepor às decisões liminares, principalmente se inaudita altera pars; que, entretanto, os efeitos advindos de tal decisão de caráter provisório não devem ser desconsiderados, sob pena de violação do principio da segurança jurídica, bem como da confiança legitima, visto que o contribuinte confiou em decisão proferida pelo Poder Judiciário, de eficácia imediata, bem como no cumprimento, por parte do Estado, das decisões que o próprio Estado proferiu, por meio do Poder Judiciário; que, em sendo revogada a decisão judicial que reconhecia, inicialmente, o direito ao crédito tributário, não poderá mais o contribuinte apresentar pedido de compensação, ou seja, o efeito da decisão revogadora é ex nunc, não podendo, portanto, retroagir, em relação às compensações já efetuadas; que, ademais, não houve trânsito em julgado das decisões proferidas em sentido contrário ao interesse do ora recorrente; que, ainda, por meio de recente decisão do Pretório Excelso, foi reconhecida a repercussão geral da matéria (CréditoPrêmio do IPI) no Recurso Extraordinário n.° 577.302/RS, pelo Ministro Ricardo Lewandowski, consubstanciada na argüição de violação ao artigo 41, §1°, do ADCT; que é plenamente possível que o Supremo Tribunal Federal reverta o novo posicionamento do STJ acerca da matéria, qual seja, a extinção do CréditoPrêmio de IPI em 1990; que, inclusive, nos autos da Medida Cautelar em Reclamação n.° 6162/Alagoas, por meio de decisão do Presidente do Supremo Tribunal Federal, Ministro Gilmar Mendes, restou reconhecida a usurpação de competência do Supremo Tribunal Federal pelo Superior Tribunal de Justiça, ao decidir com base no artigo 41, § 1°, do ADCT. Por fim, como base nessas razões, a recorrente pediu a reforma da decisão recorrida, para que seja reconhecida a nulidade do despacho decisório, reconhecido o direito creditório pleiteado e homologada a compensação tributária. É o relatório. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13973.000309/200303 Acórdão n.º 1802001.883 S1TE02 Fl. 224 12 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O Recurso Voluntário, por ser tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade, merece ser apreciado. Logo, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de declaração de compensação tributária sob condição resolutória, em formulário papel, protocolizada em 28/05/2003, informando (fls. 14/16): a) débitos do IRPJ e da CSLL, apurados no regime do Lucro Presumido, PA 31 de março 2003 (1º trimestre/2003), conforme já narrados no relatório; b) crédito utilizado: supostos saldos negativos do IRPJ e da CSLL do ano calendário 2002, também já mencionados no relatório. A decisão a quo, na mesma esteira do despacho decisório, denegou o crédito pleiteado – saldos negativos do IRPJ e da CSLL do anoalendário 2002, não homologando a compensação, em face da inexistência do direito creditório (inexistência dos pretensos saldos negativos do IRPJ e da CSLL do anocalendário 2002). Nesta instância recursal, a recorrente nas razões do recurso: a) suscitou preliminar de nulidade em relação ao despacho decisório, por vício na fundamentação legal, falta de indicação de dispositivo legal (cerceamento do direito de defesa), e quanto à decisão recorrida por não trazer outros fundamentos que pudessem justificar adequadamente a rejeição da preliminar de nulidade e manutenção da negativa de reconhecimento do direito creditório pleiteado; b) quanto ao direito creditório do anocalendário 2002 (saldos negativos do IRPJ e da CSLL), voltou a defender a tese de que os saldo negativos foram gerados com base em pedidos de compensação protocolados antes da Lei nº 10.637/2002, pois na época era permitido a utilização de créditos de terceiros e Crédito Prêmio do IPI ainda que sub judice; que se o Poder Judiciário, no meio do caminho, mudou de entendimento não reconhecendo a existência do benefício fiscal (Crédito – Prêmio do IPI), revogando a liminar, os pedidos de compensação até então protocolados, não obstante, deveriam ser válidos, não deveriam ser atingidos pela decisão final do Poder Judiciário; que, nesse caso, deveria ser aplicado o princípio da segurança jurídica. c) por fim, em relação à utilização de Crédito–Prêmio do IPI (adquirido de terceiros), alegou que essa questão, ainda, não estaria encerrada na esfera judicial, pendente de apreciação, no mérito, vários RE no STF, inclusive sendo objeto de declaração de repercussão geral e, ainda, existindo Reclamatória, em face de possível usurpação de função constitucional da Suprema Corte pelo Egrégio STJ, quando da declaração de extinção do benefício fiscal do CréditoPrêmio do IPI. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13973.000309/200303 Acórdão n.º 1802001.883 S1TE02 Fl. 225 13 Identificados os pontos controvertidos, passo à análise da lide objeto dos autos. DESPACHO DECISÓRIO E DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA. Diversamente do alegado pela recorrente, não se vislumbra vício algum no despacho decisório, não há o alegado cerceamento do direito de defesa, que o pudesse macular de nulidade, e na decisão ora recorrida, que rejeitou a preliminar de nulidade e manteve no mérito o indeferimento do direito creditório pleiteado, também não restou configurado vício algum que pudesse causar prejuízo à defesa, pois ambas as decisões estão devidamente fundamentadas. Vale dizer, o despacho decisório da DRF/Joinville, que rejeitou o direito creditório pleiteado nos presentes autos, tem adequada fundamentação fáticojurídica, bem como a decisão recorrida. Primeiro, o despacho da DRF/Joinville narrou, com riqueza de detalhes, o contexto no qual a recorrente gerou, indevidamente, os alegados saldos negativos do IRPJ e da CSLL do nacalendário 2002 (saldos negativos inexistentes), conforme transcrição já constante do relatório. Em suma, a contribuinte não quitou os valores dos débitos de estimativas mensais do IRPJ e da CSLL do anocalendário 2002, para utilizálos como deduções ou abatimento do valor do imposto e do valor da contribuição apurados na declaração de ajuste anual do anocalendário 2002, pois tais débitos, embora objeto de pedidos de compensação protocolados, não foram quitados pelo indeferimento dos respectivos pedidos de compensação nos autos do processo nº 10920.000521/200217, uma vez que a contribuinte utilizara nos pedidos de compensação, naqueles autos, Crédito – Prêmio de IPI sub judice, adquirido de terceiros, e que, ao final, restaram não reconhecidos pelo Poder Judiciário. Como as estimativas do anocalendário 2002 não foram quitadas, por conseguinte não não há que se falar em apuração ou existência de saldos negativos desse ano para o IRPJ e para a CSLL (saldos negativos inexistentes). A propósito, em relação à inexistência dos saldos negativos do IRPJ e da CSLL do anocalendário 2002 transcrevo aqui, no que pertinente, parte da fundamentação do Despacho Decisório da DRF/Joinville (fls. 152/153), in verbis: Fundamentação O artigo 165 do Código Tributário Nacional prevê o direito do sujeito passivo à restituição total ou parcial do tributo quando tenha ocorrido pagamento espontâneo indevido ou a maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, independente de prévio protesto; já seu artigo 170 prevê que a lei autorize a compensação de créditos líquidos e certos com créditos tributários do sujeito passivo, o que ocorreu com a Lei no 9.430/1996, em seu artigo 74. (...) Fl. 225DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13973.000309/200303 Acórdão n.º 1802001.883 S1TE02 Fl. 226 14 No anocalendário de 2002, sob apuração anual do lucro real (fl. 58), o interessado determinou mensalmente as bases de cálculo do imposto de renda e da contribuição social por estimativa com base em balanços ou balancetes de redução ou suspensão, à exceção do mês de outubro, quando as calculou em função da receita bruta e acréscimos, conforme discriminado, respectivamente, nas Fichas 11 (fls. 65/68) e 16 (fls. 70/73) de sua DIPJ/2003 retificadora, entregue em 01/09/2004. Segundo a mencionada Ficha 11, teria apurado IRPJ a pagar nos períodos de apuração 07/2002 (R$ 23.573,47), 08/2002 (R$ 128.953,68), 09/2002 (R$ 54.534,48), 10/2002 (R$ 121.403,33) e 11/2002 (R$ 6.672,76), que somam R$ 335.137,72. No entanto, as DCTF originais (fls. 125/127) informam a obtenção de estimativas nos períodos de apuração 07/2002 (R$ 92.536,78), 08/2002 (R$ 122.741,95) e 10/2002 (R$ 121.403,33), totalizando R$ 336.682,06, todas compensadas com crédito advindo de ressarcimento de IPI, sob o processo n° 10920.000521/200217. Consoante Ficha 16 da DIPJ/2003 retificadora, houve apuração de estimativas da contribuição social nas competências 04/2002 (R$ 8.248,31), 07/2002 (R$ 24.924,42), 08/2002 (R$ 48.464,46), 09/2002 (R$ 21.962,19) e 10/2002 (R$ 64.591,57), que perfazem a importância de R$ 168.191,08. As DCTF disponíveis para o período, algumas retificadas em 2004 (fls. 128/132), informam o uso do mesmo crédito de IPI, pleiteado no âmbito do processo n° 10920.000521/200217, na compensação das estimativas dos períodos de apuração 04/2002 (R$ 18.069,69), 07/2002 (R$ 39.860,63), 08/2002 (R$ 63.005,60) e 10/2002 (R$ 64.591,57), além de recolhimento efetuado relativamente ao período de apuração 05/2002, no valor de R$ 95,37, confirmado à tela do sistema SINAL09 de fl. 133, somando, pois, R$ 185.622,86 (...) Contudo, temse que os pedidos de compensação de crédito com débito de terceiros foram indeferidos pela SEORT/DRF/Florianópolis, de que é exemplo o despacho decisório proferido no âmbito do processo n° 10920.000521/200217, com iguais resultados para os demais processos. (...) Dessa forma, indeferidas que foram as compensações acima referidas, concluise pela inexistência dos saldos negativos em favor do contribuinte, na medida em que: • do imposto de renda sobre o lucro real, inclusive adicional, apurado à Ficha 12A da DIPJ/2003 retificadora (fl. 69), de R$ 180.129,37, restaram adimplidos apenas R$ 82.174,89, concernentes a montantes de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre rendimentos de aplicações financeiras oferecidos tributação, devidamente discriminados na Ficha 43 da declaração (fl. 111) e confirmados na Declaração de Imposto Fl. 226DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13973.000309/200303 Acórdão n.º 1802001.883 S1TE02 Fl. 227 15 de Renda Retido na Fonte (DIRF) do beneficiário constante do sistema SIEF (fls. 32/37); • da CSLL devida no encerramento do exercício, de R$ 73.449,80, declarada Ficha 17 da DIPJ/2003 retificadora (fl. 74), restaram quitados R$ 95,37, recolhidos mediante DARF. (...) DECISÃO No uso da competência definida pelo artigo 243, II, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF no 95/2007, e delegada pela Portaria DRF/Joinville no 48/2007, não homologo as compensações declaradas no PER/DCOMP de fls. 14/16, listadas no relatório do presente despacho decisório, dada a inexistência de saldos negativos de IRPJ e CSLL apurados no anocalendário de 2002 pelo contribuinte LMG ROUPAS LTDA., atual denominação de CARINHOSO ROUPAS LTDA.,CNPJ n° 83.108.712/000156. Obs: Acrescentese, ainda, que nos autos do citado processo administrativo n° 10920.000521/200217 (utilização do Crédito – Prêmido do IPI, crédito de terceiros), os pedidos de compensação tributária, conforme já transcrito no relatório, foram indeferidos por Despacho Decisório da DRF/Florianópolis, em face da existência de decisão judicial, de mérito, denegando o direito ao CréditoPrêmio do IPI, por estar extinto desde 05/10/1990, constando ainda a seguinte observação, por fim, no referido Despacho Decisório – renúncia da discussão do créditoprêmio do IPI na esfera administrativa (fl. 139 ou 145): (...) Importante ressaltar que não cabe a discussão administrativa do crédito, visto que o titular do suposto direito creditório, Refinadora Catarinense, optou pela via judicial. Como o ordenamento jurídico brasileiro não comporta dualidade de jurisdição, a opção pela via judicial tem como efeito obrigatório a perda do poder de litigar na esfera administrativa (...) Já, a decisão ora recorrida, acertadamente, rejeitou a preliminar suscitada na instância a quo e, no mérito, denegou, também, o direito creditório pleiteado (inexistência dos alegados saldos negativos do IRPJ e da CSLL do anocalendário 2002), pois foram gerados indevidamente a partir de utilização do CréditoPrêmio do IPI (crédito inexistente), conforme voto condutor, cuja fundamentação, por ter sido bem lançada, adoto como razão de decidir (fl. 185), in verbis: PRELIMINAR DE NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO Argúi a interessada, preliminarmente, a nulidade do despacho decisório proferido neste processo, por suposta afronta aos critérios processuais administrativos e ao principio da motivação. (...), é de se considerar que só se pode cogitar de declaração de nulidade de despacho decisório quando for, esse despacho, Fl. 227DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13973.000309/200303 Acórdão n.º 1802001.883 S1TE02 Fl. 228 16 proferido por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) No presente caso, o alegado cerceamento do direito de defesa se baseia na suposta falta de indicação, naquele despacho decisório, de dispositivo legal que o fundamente. Sucede, porém, que se está diante de questão de fato, e não de direito a não comprovação, por parte da requerente, dos alegados saldos negativos de IRPJ e de CSLL por ela apurados no anocalendário de 2002 , pelo que não se materializou a existência de qualquer pagamento indevido, de que trata o art. 165 do CTN. (...) MÉRITO No mérito, a nãohomologação da compensação pleiteada no presente processo decorre do indeferimento de compensações requeridas em outros processos, nos quais se pretendeu utilizar créditos de terceiros (créditoprêmio de IPI), discutidos judicialmente em mandado de segurança, e não reconhecidos, ao final, pelo Poder Judiciário. (...) Reiterando, nos termos do art. 170 do CTN somente é possível a compensação de débitos com créditos líquidos e certos. No processo de compensação tributária, o ônus probatário da existência do direito creditório pleiteado/demandado é da contribuinte, autora do pedido de direito creditório. Vale dizer, no processo de compensação tributária, a contribuinte é autora do pedido de aproveitamento de direito creditório contra o fisco. Logo, a contribuinte tem o ônus de comprovar o fato constitutivo do seu direito, nos termos do art. 333, I, do CPC (Lei nº 5869, de 11 de janeiro de 1973 e alterações posteriores), in verbis: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II (...) Já o Decreto nº 70.235/72, diplama legal que rege o processo administrativo tributário Federal, nos arts. 15 e 16 estatui o momento da produção das provas. Entretanto, a recorrente, em momento algum, comprovou a liquidez e a certeza do direito creditório pleiteado, nos presentes autos. Portanto, a contribuinte não se desencumbiu do seu ônus probatório, nos autos, quanto ao alegado direito creditório. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13973.000309/200303 Acórdão n.º 1802001.883 S1TE02 Fl. 229 17 Diversamente do alegado pela recorrente, o fisco tem, sim, o dever legal de analisar, verificar a origem, a formação do crédito demandado/pleiteado, pois não se devolve, não se repete, não se restitui o que não se quitou a maior ou indevidamente. Quanto ao efeito da decisão final, de mérito, em sede de Mandado de Segurança, diferentemente do alegado pela recorrente, o seu efeito é ex tunc, ou seja, tornando sem efeito a liminar, desde o início, como se nunca tivesse existido, pois a liminar em Mandado de Segurança não tem caráter satisfativo, mormente na demanda que se tratava quanto ao CréditoPrêmio do IPI. Aqui, também, ademais, adoto, como razão de decidir, a fundamentação do voto condutor da decisão recorrida (fls. 184/186), in verbis: (...) Por outro lado, não procede a alegação da interessada de que o efeito da decisão revogadora da segurança é ex nunc, não podendo, portanto, retroagir, em face do disposto na Súmula nº 405 do Supremo Tribunal Federal (STF): Súmula 405: DENEGADO O MANDADO DE SEGURANÇA PELA SENTENÇA, OU NO JULGAMENTO DO AGRAVO, DELA INTERPOSTO, FICA SEM EFEITO A LIMINAR CONCEDIDA, RETROAGINDO OS EFEITOS DA DECISÃO CONTRÁRIA. Fonte de Publicação DJ de 6/7/1964, P. 2181; DJ de 7/7/1964, P. 2197; DJ de 8/7/1964, p.2237. De um dos precedentes em que se fundamentou essa Súmula, o Recurso em Mandado de Segurança (RMS) n° 11.106SP, extrai se o seguinte excerto: Assiste inteira razão ao Dr. Procurador. Não é possível que prevaleça uma medida liminar, provisória, concedida no início da lide, sobre uma decisão final, proferida após o exame e estudo de todos os elementos informativos do processo. A liminar desaparece com a sentença de 1ª instância: quando concede o mandado passa a substituila; quando o nega, revogaa, automaticamente. Com a manifestação de 2ª instância, é a decisão do Tribunal que passa a prevalecer, seja mantendo, seja reformando a sentença. Mesmo que esta conceda a segurança, se o Tribunal a modificar, o que vigora judicialmente é o acórdão. Nem residualmente subsiste a liminar após a sentença e a decisão da instância superior. Seria totalmente subversivo da hierarquia judiciária que uma medida efêmera, tomada de imediato, no dealbar da ação, ainda sem a audiência da autoridade, e por um Juiz de instância inferior, pudesse sobreporse a uma decisão do Tribunal Superior, proferida Fl. 229DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13973.000309/200303 Acórdão n.º 1802001.883 S1TE02 Fl. 230 18 após toda a instrução do feito e com o conhecimento das alegações e argumentos das partes. Preleciona a respeito José Frederico Marques, que o despacho que concede a liminar é ato jurisdicional de cognição incompleta, proferido segundo o estado da cousa, que deve ceder em face de uma decisão de cognição completa, como a prolatada afinal (Inst. de Dir.Proc. Civil, Tomo IV, n° 971). No Mandado de Segurança n° 11.412, julgado em 10 de junho do corrente ano, e do qual foi relator o eminente ministro Luiz Gallotti, decidiu o Supremo Tribunal Federal, unanimemente: Liminar. Mesmo na hipótese de haver a segurança sido concedida na primeira instância, e conseqüentemente, ter sido ali mantida a liminar, a decisão do Tribunal de Justiça, negando a segurança, impediria a subsistência daquela liminar, porque seria subversiva da hierarquia a prevalência de ato do Juiz sobre a decisão do Tribunal Superior. E dar ao recurso contra a decisão tal prevalência seria atribuirlhe não apenas efeito suspensivo, mas efeito restaurador e subversivo. Como visto, não tem plausibilidade fáticojurídica a alegação de cerceamento do direito de defesa, quando o despacho decisório e a decisão recorrida, como no caso, que apresentam fundamentação fáticojurídica para a denegação do direito creditório pleiteado. Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as razões da rejeição do seu direito creditório, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante alentada defesa, abrangendo não só questão preliminar como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. Por tudo que foi exposto, rejeito a preliminar de nulidade suscitada. CRÉDITO –PRÊMIO DO IPI. DECRETOLEI Nº 491/69 (ART. 1º). EXTINÇÃO DO BENEFÍCIO FISCAL. A recorrente, ainda, alegou, nas razões do Recurso Voluntário, apresentado em 09/12/2008 (fls. 179/188): que a questão do CréditoPrêmio do IPI ainda não estaria resolvida no Poder Judiciário, especificamente no âmbito do STF; que haveria pendência de julgamento de diversos RE (processos de terceiros) que subiram para a Corte Suprema, envolvendo essa matéria. que, então, o entendimento do STJ de extinção desse benefício fiscal em 05/10/1990 (dois anos após a promulgação da CF/1988), ainda, poderia ser revertido pelo STF e com efeito erga omnes; que ainda, por meio de recente decisão do Pretório Excelso, foi reconhecida a repercussão geral da matéria (CréditoPrêmio do IPI), no Recurso Extraordinário n.° 577.302/RS, pelo Ministro Ricardo Lewandowski, consubstanciada na argüição de violação pelo STJ do artigo 41, §1°, do ADCT; Fl. 230DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13973.000309/200303 Acórdão n.º 1802001.883 S1TE02 Fl. 231 19 que é plenamente possível que o Supremo Tribunal Federal reverta o novo posicionamento do STJ acerca da matéria, qual seja, a extinção do CréditoPrêmio de IPI em em 05/10/1990; que, inclusive, nos autos da Medida Cautelar em Reclamação n.° 6162/Alagoas, por meio de decisão do Presidente do Supremo Tribunal Federal, Ministro Gilmar Mendes, restou reconhecida a usurpação de competência do Supremo Tribunal Federal pelo Superior Tribunal de Justiça, ao decidir com base no artigo 41, § 1°, do ADCT. Incabível a irresignação da recorrente. Diversamente do alegado pela recorrente, a questão do CréditoPrêmio do IPI já foi resolvida, de forma definitiva, pelo Supremo Tribiunal Federal, pelo Pleno, na Sessão de Julgamento de 13/08/2009. Ou seja, o Pleno do STF no âmbito do RE 577.302/RS, Sessão de 13/08/2009, feito submetido à sistemática do art. 543B do CPC, firmou o entendimento de que o referido benefício fiscal foi extinto, sim, em outubro de 1990, conforme ementa abaixo transcrita: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. CRÉDITOPRÊMIO. DECRETOLEI 491/1969 (ART. 1º). ADCT, ART. 41, § 1º. INCENTIVO FISCAL DE NATUREZA SETORIAL. NECESSIDADE DE CONFIRMAÇÃO POR LEI SUPERVENIENTE À CONSTITUIÇÃO FEDERAL. PRAZO DE DOIS ANOS. EXTINÇÃO DO BENEFÍCIO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO CONHECIDO E DESPROVIDO. I O créditoprêmio de IPI constitui um incentivo fiscal de natureza setorial de que trata o do art. 41, caput, do Ato das Disposições Transitórias da Constituição. II Como o créditoprêmio de IPI não foi confirmado por lei superveniente no prazo de dois anos, após a publicação da Constituição Federal de 1988, segundo dispõe o § 1º do art. 41 do ADCT, deixou ele de existir. Portanto, conforme decisão do Pleno do STF, o CréditoPrêmio do IPI de que trata o DecretoLei nº 491/69 (art. 1º), por ser um incentivo de natureza setorial, foi extinto em 05/10/1990, dois anos após a promulgação da Contituição Federal de 1988. Por conseguinte, o STF teve o mesmo entendimento do STJ acerca da matéria. USURPAÇÃO DE COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL. RECLAMAÇÃO REJEITADA PELO STF. A recorrente ainda alegou que as decisões do STJ, em relação à extinção do CréditoPrêmio do IPI em 05 outubro de 1990, estariam usurpando competência constitucional do STF; que, inclusive, nos autos da Medida Cautelar em Reclamação n.° 6162/Alagoas, por meio de decisão do Presidente do Supremo Tribunal Federal, Ministro Gilmar Mendes, restou reconhecida a usurpação de competência do Supremo Tribunal Federal pelo Superior Tribunal de Justiça, ao decidir com base no artigo 41, § 1°, do ADCT. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13973.000309/200303 Acórdão n.º 1802001.883 S1TE02 Fl. 232 20 Aqui, também, está totalmente equivocada a recorrente. Essa questão da pretensa usurpação de competência constitucional pelo STJ, também, já está superada. Diversamente do alegado pela recorrente, no mérito foi negado seguimento à Reclamatória nº 6162/Alagoas, julgada em 25/11/2009, Relator Min. Eros Grau, in verbis: (...) Processo:Rcl 6162 AL Relator(a):Min. EROS GRAU Julgamento:25/11/2009 Publicação:DJe228 DIVULG 03/12/2009 PUBLIC 04/12/2009 Parte(s):UNIÃOADVOGADOGERAL DA UNIÃO ANTONIO NABOR AREIAS BULHÕES MENDO SAMPAIO S/A BARTER COMÉRCIO INTERNACIONAL S/A TULLIO PONZI FILHO RELATOR DO RECURSO ESPECIAL Nº 883438 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA DECISÃO: Reclamação, com pedido de medida liminar, proposta por Mendo Sampaio S/A, em que se alega usurpação de competência desta Corte. 2. A reclamante sustenta que o Relator do REsp n. 883.438 não poderia, ao apreciar o recurso especial, ter fundamentado sua decisão no disposto no artigo 41 do ADCT. Isso por que a controvérsia constitucional que envolve a lide vigência do créditoprêmio de IPI , objeto de recurso extraordinário interposto concomitantemente ao especial, só poderia ser apreciada pelo Supremo Tribunal Federal. 3. O Ministro GILMAR MENDES deferiu o pedido de medida liminar para suspender os efeitos das decisões proferidas pelo Ministro Herman Benjamim e pela 2ª Turma do STJ, nos autos do Resp n. 883.438, até decisão final nesta reclamação . 4. A União interpôs agravo regimental da decisão que concedeu a medida liminar. 5. É o relatório. Decido. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13973.000309/200303 Acórdão n.º 1802001.883 S1TE02 Fl. 233 21 6. A decisão proferida no julgamento do RESP n. 883.438, alicerçada no disposto no artigo 41 do ADCT, não consubstancia usurpação de competência desta Corte. 7. Não procede a alegação de que o STJ, ao julgar originalmente o recurso especial, competência que lhe foi atribuída pela Constituiçãodo Brasil, usurpa competência do STF. Cabe ao Superior Tribunal de Justiça o julgamento de recurso especial interposto contra decisão de única ou última instância dos Tribunais de Justiça dos Estadosmembros . 8.[artigo 105,III, da Constituiçãodo Brasil] Ademais, a aplicação do artigo 41 do ADCT não foi objeto de deliberação do TRF5ª Região. Surgiu incidentalmente quando da apreciação do recurso especial. O Superior Tribunal de Justiça atua, ao fundamentar sua decisão em interpretação da Constituição do Brasil, no âmbito do controle difuso de constitucionalidade, que no sistema brasileiro é atribuição de todos, todos os órgãos judicantes. Isso é elementar, toda a gente sabe disso. 9. Se o STJ interpretar a Constituição em recurso especial e eventualmente, no entender de parte no recurso, fizer má aplicação de preceitos constitucionais, dessa decisão caberá recurso extraordinário para o Supremo Tribunal Federal [artigo 102,III, a, daConstituiçãodo Brasil]. 10. A reclamação proposta perante este Tribunal não pode servir como sucedâneo de recursos ou ações cabíveis e eventualmente não utilizadas. A via processual eleita é inadequada [RCL n. 1.852/AgR, Relator o Ministro MAURÍCIO CORRÊA, DJ de 8.02.02]. 11. Há ainda outras decisões proferidas em casos análogos a este, em que o trâmite das reclamações foi obstado: Rcl n. 6.061, de minha relatoria, DJ de 5.6.2008; Rcl n. 6.772MCAgR, Relator o Ministro CELSO DE MELLO, DJe de 11.5.2009; Rcl n. 6.530, Relatora a Ministra ELLEN GRACIE, DJe de 25.6.2009; Rcl n. 8.115, Relator o Minsitro JOAQUIM BARBOSA, DJe de 5.6.2009; Rcl n. 8.163, Relator o Ministro RICARDO LEWANDOWSKI, DJe de 8.5.2009. 12. Em caso idêntico, a Ministra CÁRMEM LÚCIA decidiu [RCL n. 6.882, DJe de 25.5.2009]: [...] O Superior Tribunal de Justiça pode exercer o controle difuso de constitucionalidade para, cotejando o art. 41, § 1º, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias com as demais normas infraconstitucionais supostamente aplicáveis ao caso vertente, entender pela inconstitucionalidade daquelas que indevidamente beneficiariam a ora Reclamante. Nesse sentido: RECURSO ESPECIAL JULGAMENTO DE MÉRITO CONTROLE DIFUSO DE CONSTITUCIONALIDADE. O Superior Tribunal de Justiça, uma vez ultrapassada a barreira de conhecimento do recurso especial, julga a lide, cabendolhe, como ocorre em relação a todo e qualquer órgão investido do ofício judicante, o controle Fl. 233DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13973.000309/200303 Acórdão n.º 1802001.883 S1TE02 Fl. 234 22 difuso de constitucionalidade. (...) (AI 217.753 AgR/DF, Rel. Min. Março Aurélio, Segunda Turma, DJ 23.4.1999, grifos nossos); E, RECURSO ESPECIAL ATUAÇÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA CONTROLE DIFUSO. O Superior Tribunal de Justiça, ultrapassada a barreira de conhecimento do recurso especial, exerce, como todo e qualquer órgão investido do oficio judicante, o controle difuso de constitucionalidade. Inexiste óbice constitucional que o impeça de desprover recurso enquadrado no inciso III do artigo 105 da Carta Política da República, tendo em vista homenagem a esta última (AI 172.527 AgR/SP, Rel. Min. Março Aurélio, Segunda Turma, DJ 12.4.1996, grifos nossos). O argumento segundo o qual o reconhecimento de repercussão geral no Recurso Extraordinário n. 577.302, que cuida do créditoprêmio do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, tornaria ainda mais evidente (fl. 12) a usurpação da competência deste Supremo Tribunal Federal não pode prosperar. É que a circunstância de ter sido reconhecida, em 19.4.2008, a repercussão geral da matéria versada no Recurso Extraordinário n. 577.302 não significa que: a) este Supremo Tribunal irá reconhecer, necessariamente, o caráter constitucional da questão para fins de conhecimento de recursos extraordinários; b) o Superior Tribunal de Justiça está impedido de julgar, observando os limites de sua competência, o recurso especial interposto simultaneamente ao recurso extraordinário contra o acórdão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região na Apelação em Mandado de Segurança n. 2004.38.00.0029273; c) haverá prejuízos ao julgamento que vier a ser proferido naquele recurso extraordinário que aguarda, no Tribunal a quo, o julgamento de mérito do Recurso Extraordinário n. 577.302. Em situação análoga à vertente, o Ministro Celso de Mello negou seguimento a reclamação ajuizada pela Companhia Vale do Rio Doce, nos termos seguintes: Ocorre, no entanto, que o E. Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o recurso de agravo em questão, não usurpou a competência desta Suprema Corte, como corretamente sustentou a União Federal nas razões do recurso de agravo que interpôs contra a decisão de fls. 272/274 (fls. 304/308): (...) uma leitura mais atenta do acórdão reclamado evidencia que em apenas uma passagem há referência direta ao art. 41 do ADCT. A despeito disso, apesar de haver menção ao dispositivo constitucional em questão, o acórdão em análise não o adotou como razão de decidir. Com efeito, observase que a conclusão externada no julgamento do agravo de instrumento em questão teve como razão de decidir a análise das normas relativas ao Decreto nº 20.910/32, e não o texto do artigo 41, § 1º do ADCT. Por oportuno, vejase, por mais uma vez, o teor da decisão reclamada: 'Por outro lado, ressaltese que o prazo prescricional das ações que objetivam o recebimento do crédito prêmio do IPI é qüinqüenal, regido pelo Decreto 20.910/32, Fl. 234DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13973.000309/200303 Acórdão n.º 1802001.883 S1TE02 Fl. 235 23 porquanto não se trata de compensação ou de repetição de indébito tributário (REsp 652.378/RS, 1ª Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ de 23.10.2006; REsp 752.550/RS, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 19.9.2005). Conforme exarado no acórdão recorrido, apesar do Tribunal regional ter adotado a tese no sentido de que o incentivo fiscal em comento foi extinto em 30 de junho de 1983, mostrase indiferente a aplicação do entendimento da corrente majoritária, pois a demanda foi ajuizada tãosomente em janeiro de 2004, razão pela qual é manifesta a ocorrência da prescrição...................................................................................... Contudo, mesmo que se admita que se elevou ao Superior Tribunal de Justiça, no presente caso, pretensão de índole estritamente constitucional, o Ministro Relator do acórdão reclamado fez uma análise estritamente legal da matéria. (grifei) Mostrase irrecusável concluir, desse modo, considerado o exame do quadro processual delineado pela União, que o E. Superior Tribunal de Justiça atuou, na presente sede processual, dentro dos estritos limites de sua própria competência, sem que se possa atribuir, à decisão ora questionada, o caráter de ato usurpador da competência do Supremo Tribunal Federal. Esse fato, por si só, inviabiliza o próprio conhecimento da presente reclamação pelo Supremo Tribunal Federal. (...) Nem se diga que o Superior Tribunal de Justiça não poderia aplicar regra de direito constitucional positivo nem efetuar o controle incidental de constitucionalidade das leis e atos do Poder Público, quando do julgamento de recursos sujeitos à sua própria competência. É que a fiscalização concreta de constitucionalidade, em nosso sistema jurídico, regese pelo método difuso, que permite, a qualquer magistrado ou Tribunal, proceder, incidenter tantum, ao controle de legitimidade constitucional dos atos estatais. É importante enfatizar, neste ponto, na linha do magistério jurisprudencial firmado por esta Suprema Corte, que o E. Superior Tribunal de Justiça à semelhança dos demais Tribunais e juízes dispõe de competência para exercer o controle incidental, pela via difusa, da constitucionalidade dos atos estatais em geral (RTJ 158/976978, Rel. Min. CELSO DE MELLO, v.g.), ainda que a questão prejudicial de constitucionalidade venha a ser instaurada, como é processualmente lícito, em sede de recurso especial. Daí a decisão que o eminente Ministro RICARDO LEWANDOWSKI proferiu na Rcl 7.51PA, na qual como precedentemente referido reconheceu a plena legitimidade de o Superior Tribunal de Justiça exercer, mesmo em sede de recurso especial, o controle difuso de constitucionalidade . 12. A preservação da competência desta Corte e a garantia da autoridade de suas decisões [artigo 102, I, l, da CB/88], circunstâncias que autorizam a propositura de reclamação, não estão presentes no caso. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13973.000309/200303 Acórdão n.º 1802001.883 S1TE02 Fl. 236 24 Nego seguimento à reclamação, com fundamento no disposto no artigo 21, § 1º, do RISTF, cassada a decisão liminar anteriormente concedida. Em consequência, reconheço o prejuízo do agravo regimental interposto. Publiquese. Brasília, 25 de novembro de 2009. Ministro Eros Grau Relator – 1 (...) Como visto, a extinção do CréditoPrêmio do IPI em 05/10/1990 restou confirmada, de forma definitiva, pelo Pleno do STF, chancelando o entendimento do STJ. Além do mais, em relação à decisão no REsp nº 883.438 (objeto de Reclamação no STF), a Suprema Corte, no mérito, negou seguimento à Reclamação de usurpação de competência constitucional, cassando a liminar anteriormente concedida, pois o Superior Tribunal de Justiça, Corte guardiã da leis infraconstitucionais, atuou nos estritos limites de sua competência constitucional. Por tudo que foi exposto, voto para rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 236DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 11831.001889/99-07
Data da sessão: Fri Mar 12 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. AUSÊNCIA DE DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL.- Se o recurso especial indica paradigma que não compreende a matéria em litígio, não resta caracterizada a divergência jurisprudencial, não devendo ser conhecido o recurso especial.
Numero da decisão: 9101-000.557
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por descumprimento dos requisito de admissibilidade, nos termos do voto do Relator. Ausente, justificadamente a Conselheira Suzy Gomes Hoffman.
Matéria: IRF- que ñ versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.)
Nome do relator: Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho
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NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. AUSÊNCIA DE DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL.- Se o recurso especial indica paradigma que não compreende a matéria em litígio, não resta caracterizada a divergência jurisprudencial, não devendo ser conhecido o recurso especial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por descumprimento dos requisito e admiss eilidade, nos termos do voto do Relator. Ausente, justificadamente a Conselheir. • uzy Gora , s Hoffman. / 44 CARLOS ALBERTO F • !. S B • • - Presidente. ALEXANDRE ANDRADE L , DA ONTE FILHO - Relator. EDITADO EM: 09 ABR 2010 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Karem Iureidini Dias, Viviane Vidal Wagner, Antonio Carlos Guidoni Filho, Leonardo de Andrade Couto, Valmir Sandri, Claudemir Rodrigues Malaquias, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Em face do Acórdão 101-95.872, proferido pela Egrégia Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, a Fazenda Nacional, por seu representante, apresentou o Recurso Especial de fls. 807/813, admitido em parte pelo ilustre Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, pretendendo a reforma da decisão, com fundamento no art. 7, II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (redação vigente à época) e nas razões seguintes. Em 30.12.1999, a contribuinte apresentou o Pedido de Restituição de fls. 01 de crédito de 1RF apurado sobre aplicações financeiras, da Celpav Celulose e Papel Ltda., empresa incorporada pela contribuinte em 31.07.1999. Posteriormente, a contribuinte apresentou os pedidos de compensação com débitos próprios (fIs 235) e de terceiros (fls. 231/234), que foram objeto dos processos administrativos n° 10840.000068/00-42; 13983.000449/2002-82; 13884.000419/00-05; e 13888.000021/00-01. A DRF entendeu não ser possível o restituição de PRI, uma vez o valor do imposto retido deveria ser computado no Ajuste Anual e, se havendo recolhimento a maior, a contribuinte apuraria saldo negativo de IRPJ, e não de IRF. Adicionalmente, alegou que a contribuinte não obedeceu ao limite da trava de 30%, na compensação de seu prejuízo fiscal, e que, se tivesse observado a trava, teria apurado Lucro Real, não havendo, assim, saldo negativo de IRPJ a restituir. A DRJ, por sua vez, igualmente entendeu que o IRF sobre aplicações financeiras não se enquadra em hipótese de pedido de restituição, devendo integrar a apuração do Lucro Real. Eventual saldo negativo, de IRPJ, constitui crédito passível de restituição ou compensação, mas que deveria ser observada, no caso, a trava de 30% na compensação de prejuízo fiscal, do que não resultaria saldo negativo de IREI. A Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuinte, por meio da decisão de fls. 791803, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário Em suas razões, apreciou, primeiramente, se os pedidos de compensação de fls. 231/235 seriam convertidos em Declarações de Compensação, com base no art. 74 da Lei n° 9430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n° 10.637/2002. Após considerar que não se tratava de compensação com débitos de terceiros, mas de mesma contribuinte, apenas constituída por diversos estabelecimentos, entendeu convertidas as pedidos em declaração de compensação e, assim, considerou homologada a compensação requerida. Ainda, analisando a possibilidade de compensação de prejuízos fiscais, sem a observância da limitação de 30%, afirmou que, no caso de incorporação de pessoa jurídica, é possível a compensação integral dos prejuízos, ante a impossibilidade de sua utilização nos• anos subseqüentes, como determina a legislação. tig 2 • Processo n° I1$31001889/99-O7 CSRF-11111 Acórdão a.° 9101-00.557 R.Z Adicionalmente, afirmou que a empresa incorporada era beneficiaria da Programa Especial de Exportação-BEFIEX, que afasta a limitação, para a compensação da prejuízos fiscais, ao percentual de 30% do lucro líquido ajustado. A Fazenda Nacional, por seu representante, apresentou Recurso Especial, às fls. 081/813. Indicou como paradigma o acórdão n° 103-21.813 e 107-08 441 Em suas razãea, defendeu a impossibilidade de compensação de prejuízos fiscais da empresa sucedida no caso de incorporação, conforme determinação do Decreto-Lei n° 2.341/87 Em relação à limitação de 30% para compensação de prejuízo fiscal, o recurso especial não foi conhecido em relação a essa matéria. A contribuinte apresentou contra-razões ao recurso especial às fls. 864/871. Em suas razões, a contribuinte afirmou que, no ano 1999, a Celpav apurou Lucro Real igual a zero Em decorrência,-os valores de ERRE transformaram-se em-crédito tributário passivel-db -- restituição/compensação. A contribuinte utilizou dos referidos créditos para a compensação de da:ritos próprios e de terceiros. Alega, assim, que não houve a compensação de saldo negativo de IRPJJ de sua incorporada, mas sim crédito de IRP. Por fim, defendeu a inaplicabilidade da limitação da compensação da prejuízos fiscais ao presente caso. É o relatório. - - Voto Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho Conforme despacho de fls. 852, o recurso da Fazenda Nacional foi admitido apenas em relação à divergência apontada com o Acórdão n° 103-21.813, indicado como paradigma, que apresenta decisão negando a compensação, pela incorporadora, de prejuízos fiscais da incorporada. Esta, contudo, também não é a matéria em litígio. O que a contribuinte requereu, conforme fls. 01, foi a restituição de crédito de IRF, originário de sua incorporada. Esse crédito, como destacado pela DRJ, decorreu da compensação integral de prejuízos fiscais pela incorporada, sem a trava de 30%. Como ainda indicado pela DRF, se a incorporada tivesse observado a trava de 30%, esta não teria apurado saldo negativo de IRPJ e, portanto, a incorporadora (ora contribuinte) não teria crédito fiscal a restituir. Esta é a matéria em litígio: se a incorporada teria direito à utilização de crédito fiscal da incorporada. Neste particular, ademais, há ainda a questão se foi ou não correto o procedimento da contribuinte, que requereu, erroneamente, pedido de restituição de IRF, quando deveria ter pedido a restituição de saldo negativo de IRPJ. Uma ou a outra, contudo, o fato é que não se trata de discussão sobre a utilização, pela incorporadora, de prejuízos fiscais de sua incorporada, que é a matéria tratada em citado paradigma. _ Assim, não se trata de hipótese de compensação de prejuízo fiscal da incorporada pela incorporadora, mas de pedido de restituição de crédito fiscal pela incorporadora. Desse modo, entendo que o dissídio jurisprudencial não foi caracterizado, razão pela qual voto por não conhecer do recurso. Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho - Relator 4
score : 1.0
Numero do processo: 10831.012551/2001-86
Data da sessão: Mon May 24 00:00:00 UTC 2010
Ementa: REGIMES ADUANEIROS
Data do fato gerador: 17/06/1999
Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado (Recof).
A nacionalização de mercadoria admitida no regime mediante benefício auferido no bojo do regime de drawback, modalidade isenção, não caracteriza transferência entre regimes aduaneiros especiais e, como tal, não incide na vedação imposta pela legislação de regência.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3102-00.663
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário A Conselheira Maria Regina Godinho declarou-se impedida de votar.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
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ementa_s : REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 17/06/1999 Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado (Recof). A nacionalização de mercadoria admitida no regime mediante benefício auferido no bojo do regime de drawback, modalidade isenção, não caracteriza transferência entre regimes aduaneiros especiais e, como tal, não incide na vedação imposta pela legislação de regência. Recurso Voluntário Provido
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E COM LTDA., Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEMOS Data do fato gerador: 17/06/1999 Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado (Reco ft A nacionalização de mercadoria admitida no regime mediante beneficio auferido no bojo do regime de drawback, modalidade isenção, não caracteriza transferência entre regimes aduaneiros especiais e, como tal, não incide na vedação imposta pela legislação de regência Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegial°, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário A Conselheira Maria Regina Godinho declarou-se impedida de votai. Luis aráo Guerra de Castro - Presidente e Relator EDITADO EM: 28/06/2010 • Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, José Fernandes do Nascimento, Maria Regina Godinho (Suplente), "Manei Gama, Beatriz Veríssimo de Sena e Elias Fernandes Eufrásio (Suplente). .‘ Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que .passo a tntriscrever: l'rata o presente processo de auto de infração, lavrado em 21/12/2001, em face do conn ibuinte em epígrafe, formalizando a exigência do Imposto de Importação e Imposto sobre l'roduios Industrializados acrescidos de jUrOS de mora e multa proporcional, no valor de R$2 150 026,78, em face dos fatos a seguir descritos • A empresa acima qualificyrda foi submetida à fiscalização sendo apurado que uma vez tnitorizada a operar o .Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado • RECVF, (11/ VOS do Aio Dechuatório ,.SRP N° 44/08, nos despachos aduaneiros pertinentes às 1)eclaraç:ões de Importação n" 00/0617570-2 de 07/07/2000 e 00/0726860-7 de 07/08/2000, des(31111111111 os lermos e condições desse RC,Li fiC Aduaneiro Especial, • O motivo do descumprimento .S.0 deveu ao falo de.' que a empresa pronn»,eu a saída de mercadorias admitidas no RECOF, nansftrindo-as para o Regime Aihranciro Especial de 1)/IA WBAC'K, modalidade isenção, • Ao de efetuar o pagamento dos impostos como firma de extinção do crédito tributário suspenso, utilizou-se de um direito adquirido por conta do regime • 1)R4WBA(1sl/ISENÇ:'210, transfer indo para este regime as MeTeUdOr ia5. admitidas no RECOP; • liii procedimento é vedado pelo artigo 8 0, 3' da Instrução Normativa SRE N" 3.5/98, • O contribuinte ainda descumpriu aspectos formais estabelecidos pela legislação que rege o Rime Aduaneiro E.spec.'ial de DRAWBACK, pois a mercadoria admitida no .1.?E(.01.' foi destinada ao mercado inter I10 ao amparo do regime DRAWBACKIISENGIO, sem que houves • se sido registrada e dos em bar (içada, por meio de declaração de importação C011 l'SpOlidente ao Regime Aduaneiro Especial DRA RIBA ("K(LSENÇÃO,. • Na prática, houve uma completa inversão dos procedimentos estipuhidos na legislação pertinente, pois O contribuinte repôs o .seu estoque de mercadorias importada.s e destinou-as como quis, c, posteriormente,. pleiteou a isenção do DRAWBACK, antes que tivesse sido consumada a importação regular da mercadoria, • O Regime Aduaneiro Especial IMAWBACKVISENÇÃO e o RECOE são incompatíveis quando utilizados concomitardcmcnte, • Alo campo de Dados Complementares das Declarações de Importação no 00/0617570-2 de 07/07/2000 e 00/0726860-7 de 07/08/2000, o cor r Ir ibuirde infirt q110 50 tr ata de 2 71 Pmeesso n'' 10831 01255112001-86 83-C1-12 Acórcrio n " 3102-00.663 Fl 1.206 nacionalização amparada sob a égide do PECO!', utilizando-.se do Regime Aduaneiro Especial DRAWBACK/ISEN(...,AQ, respectivamente vinculadas aos Atos Concessórios No. 1227- 98/011-4 e No 1227-99/010-9; • Ao proceder dessa forma deixou de fazer jus ao beneficio .fiscal previsto no Regime Aduaneiro Especial do RECOF, entendendo- se devida a incide/leia do Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados de todas as mercadorias admitidas HG"; se Regime Aduaneiro, em face da ocorte...::ncia. do fato gerador, • As mercadorias admitidas no RECOP - fletiriam com os impostos .su„spensas condicionada a destinação tio.s produtos . -- condição Teso/tiú Vir. • Ainda, admitindo que o REC .:0F teria por condão ci suspensão do fato gerador, Os impostos seriam cobrados retroativamente a data tio ingresso da mercadoria no Regime AdUCIFICiF0 suspensivo, • Por diSpO.Wfivos legais do Código Tributário Nacional e do Regulamento Aduaneiro - Decreto 91 030/1985 a outorga de isenção deve ser interpretada literalmente; • O ônus da prova de demonstrar que a mercadoria importada se enquadra na isenção ou na redução de imposto cabe ao importador, por força do artigo 134 do Regulamento Aduaneiro - Decreto 91.03071985, • O reconhecimento da isenção no momento do despacho aduaneiro não ,e era direito adquirido; • A homologação do lançamento do Imposto de Importação ocorre com a execução da conclusão do destucho aduaneiro, prevista no artigo 54 do Decreto-Lei n' 3 7/66; Em decorrència, foi lavrado o presente auto de infração, exigindo do contribuinte o recolhimento do Imposto de hriportação e /ny?osio sobre Produtos Indu„strializados acrescidos de juros de mora e multa proporcional, no valor de R$ 2.150,026,78 (.:ientilleudo do auto de infração, pessoalmente,„ em 21/12/200.1 (fr.s. 1 frente), o contribuinte, por intermédio de „seus advogado.s. (procuração . frs. 1028) protocolizou impugnação, protocolizou impugnação, tempestivamente na fiulna do artigo 15 do Decreto 70 235/72, em 17/01/2002, de . fis 1030 à 1042, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Na . forma do artigo 16 do Decreto 70.235/72 a impugnante alegou resumidam„cnte que: • A impugnante vem operando a linha de produção de .sua fabrica de microcomputadores sob o RECOF com base na Instrução Normativa n" 35/98 e alteraçãos posteriores, sendo a primeira empresa a ser credenciada para neste .Regime Aduaneiro Especial, • .129etuou as importações relativas aos despachos aduaneiros pertinentes às Declarações de Importação n(-) 00/0617570-2 de 07/07/2000 e 00/0726860-7 de 07/08/2000, • 45: 1 eje. -'7 idas. declarações de impo' tação se tratavam de despacho aduaneiro paia consumo de mercadoria S' componentes para microcomputadores, destinados ao mercado interno -- que haviam ingres.sado no RECOF por via dos de.spachos aduaneiros de admissão, • As declarações de importação em questão cinrespondein despacho aduaneiro paia consumo de parte daqueles componentes. já que outra parle lei oNeto de outros dois despachos aduaneiras para consumo pertinentes às Declarações dc Importação a 00/0617639-3 de 07/07/2000 e 00/0726770-8 de 07/08/2000, • Dos quatro despachos aduaneiros, dois feiram processado s. COM o pagamento integial dos impostos e dois foram proceSsado.s mediante isenção, referente ao Reg, iine Aduaneiro Especial de DRAWBACK atribuído pela ,SECEX" como contrapartida às nporlaç.'ães realizadas anteriormente ao funcionatnento do RECOF, • A questão, levantada pela fiscalização, cinge-se às Declarações de Importação n" 00/0617.570-2 de 07/07/2000 e 00/0726860-7 de 07/08/2000; • Antes de .5 Cl credenciada no RECOF, a empresa utilizava-se sisterniilicanleflA' (h) Regime Aduaneiro Especial de DRA H-1 CK • () aproveitamento do beneficio proveniente do Regime Aduaneiro .Lspecial de 1)RAWRACK, tendo por base exportações anteriormente realizadas, á circunstancial e transitório, não restando a impugnante Oh Ira oportunidade de usuli-uí-lo, uma Vel," que diante do novo ieginie não mais poderia importai insinues para sua linha de produção, sob pena de tumultuar o seu controle inle,grado, • ?ai procedirnento adotado pela impu,£,, itante foi ,flato da incapacidade do 57SCOlin,X em recusar para o RECOF. o re,s.,,-isu O de uma só (fecha ação de importação lendo adições com diferentes regimes de tributação, • O problema foi comunicado à COANA que informalmente resultou na orientação no .sentido de que se processas.sem diferentes declarações, com o pagamento dos impostos, e com o aproveihimento do beneficio; • OS Preces 5 OS Adinjn¡yfrafivos 10 f 68 002455/98-05 C 10168 002781/98- 41 relataram o problema à COANA, • Tanto a COANA quanto a Delegacia da Receita Federal de Campinas/SP, à ("voca furiselicionando a empresa, assentiram tal pr atice. Processo a' 10831 012551/2001-86 S3-C 112 Acórdão a." 3102-00..663 11 1 207 • .4 IRE Viraeopos/51) dissentiu deste entendimento, lavrando o presente Auto de Infração lendo por fulcro a determinação do artigo 8", • 3' da frtstrução Normativa Sl?E' n'' 3.5/98; • O amago da questão versa _sobre o fato de que a mercadoria importada para a industrialização e destinada para o RECOP, teria sido destinada ao DRAWBACK iSeNi-10, recebendo assim ¡festim-10o diversa, • O RECOP ,singe como uma nova modalidade de Regime Aduaneiro Especial para conferir maior agilidade ao processo produtivo, atrelado ao controle fiscal integrado; • O 3' do artigo 8' da Instrução Normativa 51?1 ,' No $ 5/98 veda a transferência de mercadorias admitidas no RECOF para outro Regime Aduaneiro Espc .fjal, sendo permitido o procedimento inver,s o ; • Para que ocorres.se a trans'fer'ência de mercadorias admitidas no RECOF para o Regime Aduaneiro Especial de DRAWRACK, .scria necessário a alteração da destituição da mercadoria e da mercadoria fisicamente disponível, finos que não aconteeet (uni, pois- a mercadoria que . foi admitida no RECO.E, entrou no processo produtivo da enn .tresa e dc .,1et .saio agregada a produto.s produzidos O transferência de mercadorias mim/tidas no RECOF para outro Regime Munteir o Especial indigitado, processando-se, a final, os competentes de_Tachos aduaneiros para consumo, • A transferência de mercadorias admitidas no RECOP para o Regime Aduaneiro Especial de DRAWBACK, como relata a ação fiscal, mostra- .se incoerente, pois tratam-se de dois Regimes Aduaneiros destinados para consumo,' • A transferência de mereadoria.s admitidas no RI/CO]" para o Regime Aduaneiro Especial de .DRA WBA CK., só poderia .ser feito mediante proceditnento administrativo próprio, regulado na _Instrução Normativa n" 156/98, jamais por um despacho aduaneiro para consumo; • Os insumo.s que deram origem ao beneficio do DRAWBACK/ISEN(..ÃO concedido por via de Ato Concessório, •foram aplicados em produtos exportados . antes Me.sino da existência do RELVE': • Traz _jurisprudência de caso análogo decidido pelo Conselho de Contribuintes em favor do contribuinte; • Insurge-se tambán contra a aplicação das MULTA,S' previstas no artigo 44 da Lei 9.430/96 por afrontar o Ato Declaratório n" 10 de 16/01/1997 da COM:, Propugna a improcedência do Auto de Infração. Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão de piso pela manutenção integral da exigemicia, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: A S,ST/N) 'O: .R.1_,;(}111/1ES ADUANEIROS Data do fido ,52,-ciador • 17/06/1999 Regime Aduaneiro Especial de Entra/7o sio Industria l „sob Controle fulormatizado— /?ECOE Incidência do 5̀ . .3° do Ari 8" da 1.¡V,SRF 35/98 /1S mercadorias importadas finam admitidas sob a c• gicle do RECOF e não poderiam .s c valer do Regime Aduaneiro Especial DRAWBACK/ISEAVAO Lançamento Procedente Após tomar ciência da decisão- recorrida em 20/09/2007, comparece a. recorrente mais uma vez aos autos em 02/0/2007, para, em sede de recurso volunlário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da -.fase litigiosa. I--, o Relatório, Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo Conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta a esta Terceira Seção, O ponto fulcral para a solução do litígio, como é possível observar, é decidir SC O despacho de nacionalização da mercadoria entrepostada, mediante a fruição da isenção outorgada no bojo do regime especial de drawback ise.ncão, constitui transferência para outro regime aduaneiro especial. Para que se responda a essa indagação entendo salutar investigar, preliminarmente, os contornos do que se denomina regime aduaneiro especial. Para tanto, tomo emprestada a lição de Liziane Meda': Destarte, no afã de realizar mu estudo científico do direito, dividimos os regimes • aduaneiros em regime comum, com rito normal (mediante pagamento, imunidade ou is •enção não .s¡deita a condição e controle aduaneiro) e regime especial, no qual há ¡adução ou isenção tributária sujeitas' a condição resolutiva ou suspensiva e controle aduaneiro dos bens estrangeiros ou desnacionalizado.s Ou seja, se o tratamento tributário aplicado no despacho não depender do cumprimento de condição .posterior ou os bens não se mantiverem sujeitos a controle aduaneiro, não há que se falar em regime aduaneiro especial, mas em regime comum de importação.. Resta registrar, à esta altura em que momento se dá O cumprimento da condição suspensiva inerente ao drawba.ck isen.ção e, para tal mister, recorro mais uma vez à,-, mesma autora - (destaquei): I Re,2rraes .Adttaueiros Especiais. (._.00rderiaçâo Paulo de Barros Carvallio São Paulo : 1013, 2002, p. 161 i 6 Processo 11° 1083! .012551/2001-86 S3-C I T2 Acórdão n." 3102-00.663 H 1 208 No espécie designada ".Drawhack Isenção"„ há reabnente uma isenção sujeita à comprovação tia importação precedente de insumo semelhante e do emprego deste em produto exportado, portanto se traia de uma isenção .sujeita à condição anterior, su„spensivo No caso do drawback isenção, portanto, o regime se encerra no momento em que o Ato Concessorio é expedido. A partir de então cumpre ao sujeito passivo usuftuir ou não do beneficio outorgado a partir da prévia comprovação do cumprimento das condições próprias do regime.. Com efeito, relembre-se, cm primeiro lugar, o que diz O Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos litigiosos (aprovado pelo Decreto n" (ff 030, de I 985) Ari 314. Poderá .ser concedido pela Comissão de Político Aduaneiro, nos termos e condições estabelecidos no presente Capitulo, o beneficio do drawback nas seguintes modalidades (Decreto-lei n°37/66, art. 78, Ia Til). ) .11 - isenção dos fui/mios eXigíVeiS na importação de mercadoria, em quantichnk e qualidade equivalente à utilizada no beneficiamento, .fabricação, complementação acondicionamento de prochno exportado; Igualmente importante é analisar o que dizia a Consolidação das Normas de Drawbaek vigente à época, que foi aprovada pelo Comunicado Decex n" 2 -1, de .11/0611997. 15.7 A concessão do Regime dar-se-á com a emissão de Ato Coneessório de DrallYhack. 15.8 O prazo de validade do Ato Concessório de Drawback determinado pela data-limite estabelecido para a realização dos importações vinculadas e será de 1 (um) ano, contado a partir da data de sua emissão. 20.5 A empresa pleiteante deverá comprovar importações e exportações já realizadas, quando da apresentação do Pedido de Drawbaek, por meio do fOrnuthírio Rehnário de Comprovação de Diawback, devendo ser encaminhados os documentos relacionados no Título 21 desta CND. Ou seja, diferentemente do draw-back suspensão, onde as mercadorias são admitidas no regime e nele permanecem até o cumprimento dos compromissos assumidos, no caso do drawback isenção, essas condições são comprovadas previamente,. Em assim sendo, a partir do momento em que o órgão competente se manifeSta, expedindo o competente alo concessorio, não mais se fala et» regime aduaneiro pendente. ' 2 O p cii p218. 'Tanto é assim que a mesma Consolidação das Normas de Drawback sequer cogita da hipótese de inadimplemcnto do regime na modalidade isenção. Contira-se o que diz o seu Titulo 27 MULO 27 - Inadimplemento do Regime de Drawhack 27.1 S'efti. declarado o inadimplemcnio do Regime de Drawback, modalidade .saspertsão, se vencido o prazo estabeieCh10 170 item 26..3 e não comprovada o adoção de uma das providências previstas. 27.2 O inadimplemento do Regime será considerado - Total- quando não houver nenhuma exportação que comprove a utilização da Mele cuim ta importada, .11- Parcial .se existir exportação efetiva que comprove a utilização de parte da mercadoria intpot irada 27 .3 O hiadiniplemento do Regime será for-171Ultilente comunicado à Secretaria da R.eccita Federal (SRF) e aos demais órgãos envolvidos Sendo certo que o regime de drawback. isenção já se encontrava devidamente cumprido por ocasião da emissão do alo coneessorio, não vejo como atribuir, à hipótese tratada nos autos, a vedação imposta na instrução normativa SRV que disciplina o regime. Efetivamente, não há uma transferência entre regimes. Não custa registrar, finalmente, que esse entendimento é endossado pela remansosa jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais. À guisa de exemplo, confira-se: Acórdão CSRF/03-03..944: :3 ADUANE-RIO RECOE Não- caracterizada a iransferência de mercadoria do RECO]' para o DRAWBACK, mas apenas lin processado despacho para consumo mediante a aplicação da i.senção obtida ante, 1.01 Mente no (frawhauk isenção. Procedimento não obstado pelo ali 8", para grafo .3" da IN SRP' n'' 35/98. Recurso do Contribuinte provido. Recurso da Fazenda .Nacional negado. Acórdão C SRF/03 -05.142: ADUANEM° .R//COE - Não caracterizaria a transferência de ineluadoria do RE(."01 ,- para o .01?AWB4CK Apenas fi)i processado despacho para consumo mediante a aplicação da isenção obtida anteriormente no drawback isenção. Procedimento não obstado pelo art 8 0, parágrafo 3`) da IN- SRE n" 3.5/98 Acórdão CS RI 103-05 .5615: -` litigado em 15/03/2004, Conselheiro João Holanda Costa. 4 Julgado em 07/11/2006, Conselheira Anelise Daudt Prieto Julgado em 13/11/2007, Conselheiro Mareie] [der Costa 8 Pnwesso n" 10831 012551/200 I -86 S3-C1 Acórdâo n 3102-00.663 H 1 209 RECOF-- REGIME ADUANEIRO ESPECIAL DE EN'IREPO,S70 INDT RL1L SOB CONTROLE INFORMATIZA DO IRA N,VERE'NCIA PARA DRAWBACK-ISEN(ÃO NÃO CONFIG UR 4 - Não caracterizada a transferência de mercado, ias admitidas no Reginle Áduancii o Especial bit.' C1)0110 Industrial sob Controle Informatizado (RECO1-7) para o Drawback-Isenção Processado despacho para conyumo mediante a aplicação de isenção obtida anler lo, mente Procedimento não obstado pelo , ;3`) do ar t 8" da IN SRF n°35/98 Ante ao exposto, dou provimento ao recurso voluntário. C ,iii's--Máícelo Guerra de Castro o
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Numero do processo: 13056.001020/2008-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3401-000.453
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento do Recurso em diligência nos termos do voto do relator.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento do Recurso em diligência nos termos do voto do relator. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assisi, Odassi Guerzoni Filho, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 30 56 .0 01 02 0/ 20 08 -6 0 Fl. 194DF CARF MF Impresso em 06/05/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 0/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por JULIO CESAR ALV ES RAMOS Processo nº 13056.001020/200860 Resolução nº 3401000.453 S3C4T1 Fl. 195 2 Relatório Em 19.11.2008 a contribuinte apresentou Pedido de Ressarcimento de créditos de COFINS não cumulativa, referentes ao 3º trimestre de 2008, no valor de R$ 477.124,77. Por bem expor a lide reproduzo o relatório apresentado pelo ilustre julgador da DRJ: “Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de créditos de Cofins nãocumulativa. A Delegacia de origem do processo reconheceu parcialmente o direito creditório, uma vez que encontrou diversas irregularidades no cálculo dos créditos a serem descontados da contribuição devida. A empresa calculou créditos sobre bens adquiridos de pessoas físicas, sobre despesas administrativas, sobre despesas com vendas (comissões, cobranças, feiras, exposições, propaganda e publicidade), sobre gastos gerais de fabricação que não se enquadram no conceito de insumo (alimentação, análises/laudo técnico, assistência médica, combustível empilhadeira, despesas com importação, despesas com transporte, despesas com veiculo, indumentária e material de trabalho, laboratório, material de limpeza pedágio, resíduos industriais, e sistema de tratamento de água), sobre despesas com combustíveis não utilizados como insumos e, por fim, calculou créditos sobre o valor de mercadorias recebidas com o fim especifico de exportação. 2. Inconformada, a interessada apresentou tempestivamente manifestação de inconformidade, onde discorda da glosa implementada, defendendo a legitimidade do direito creditório pleiteado. Afirma que haveria afronta ao principio da não cumulatividade na vedação ao aproveitamento de insumos adquiridos de pessoas físicas. As vedações impostas pelas leis n° 10.637/2002, n° 10.833/2003 e n° 10.865/2004 não encontrariam fundamento de validade, pois estariam tratando de matéria reservada à Lei Complementar. Discorda do conceito de insumo, entendendo que esse já foi superado pela própria Receita Federal. Alega que os créditos sobre combustíveis e lubrificantes glosados referemse a compras de óleo diesel utilizado para abastecer caminhões que transportam mercadorias compradas pela empresa.” Em 2.9.10 a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) indeferiu a Manifestação de Inconformidade sob o argumento de que não há previsão legal/normativa para a geração dos créditos pleiteados, bem como que a matéria não contestada pela Manifestação de Inconformidade transitou em julgado na esfera administrativa. Em 11.11.10 a contribuinte apresentou recurso voluntário onde alega que as normas que impedem a fluição dos créditos gerados pelos insumos adquiridos de pessoas físicas e pelas despesas administrativas e comerciais entram em choque com a Carta Magna de 1988, bem como que a glosa sobre “Despesas com Veículos, Resíduos Industriais, Indumentaria e Material de Trabalho, Material de segurança, análises e Laudo Técnico e Sistema de Tratamento de .Agua” foi indevida, bem como a glosa sobre despesas com combustíveis.Por fim o ressarcimento dos créditos glosados. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 06/05/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 0/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por JULIO CESAR ALV ES RAMOS Processo nº 13056.001020/200860 Resolução nº 3401000.453 S3C4T1 Fl. 196 3 Por fim, a contribuinte requer o reconhecimento do crédito de Cofins referente ao 3º trimestre de 2008, pelo valor total de R$ 477.124,77. É o relatório. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 06/05/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 0/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por JULIO CESAR ALV ES RAMOS Processo nº 13056.001020/200860 Resolução nº 3401000.453 S3C4T1 Fl. 197 4 Voto Em suma a contribuinte protocolou pedido de ressarcimento de créditos de Cofins referentes ao 3º trimestre de 2008, no valor de R$ 477.124,77. Logrando êxito parcial em sua demanda, protocolou Recurso Voluntário onde alega que as normas que impedem a fluição dos créditos gerados pelos insumos adquiridos de pessoas físicas e pelas despesas administrativas e comerciais entram em choque com a Carta Magna de 1988, bem como que a glosa sobre “Despesas com Veículos, Resíduos Industriais, Indumentaria e Material de Trabalho, Material de Segurança, Análises e Laudo Técnico e Sistema de Tratamento de Agua” foi indevida, bem como a glosa sobre despesas com combustíveis. No que tange aos insumos adquiridos de pessoas físicas e pelas despesas administrativas e comerciai, não conheço do recurso, uma vez que questões sobre a constitucionalidade das leis é de competência exclusiva do poder judiciário, não sendo a esfera administrativa competente para se pronunciar sobre este ponto. Corrobora este entendimento a Súmula CARF nº 2, reproduzida abaixo: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” No que diz respeito às “Despesas com Veículos, Resíduos Industriais, Indumentária e Material de Trabalho, Material de Segurança, Análises e Laudo Técnico e Sistema de Tratamento de Água, o ponto desta lide é a classificação dos itens glosados como insumos. Existe definição distinta para os insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda e os utilizados na prestação de serviços, como podemos observar nas Instruções Normativas nº. 358/2003 e nº. 404/2004, as quais alteram a IN nº. 247/2002, que podem ser aplicadas tanto para PIS quanto COFINS, reproduzida abaixo: “§5º Para os efeitos da alínea “b” do inciso I do caput, entendese como insumos: I – utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) As matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e qualquer outros bens que sofram alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II – utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço.” Tendo em mente a definição de insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda e na prestação de serviços, percebese que os itens glosados não geram os créditos pleiteados. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 06/05/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 0/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por JULIO CESAR ALV ES RAMOS Processo nº 13056.001020/200860 Resolução nº 3401000.453 S3C4T1 Fl. 198 5 Por fim, quanto às glosas sobre despesas com combustíveis merece êxito a demanda da recorrente, uma vez que a contribuinte defende o aproveitamento de créditos da Cofins para combustíveis e lubrificantes, pois, neste caso, eles foram utilizados na operação de entrega direta de produtos industrializados e vendidos pelo produtor/vendedor, ou de frete arcados pelo recorrente integram o conceito de insumos e geram créditos dedutíveis da Cofins nãocumulativa devido mensalmente, assim, como as despesas com frete suportadas pelo contribuinte. Corrobora este entendimento jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes, que segue abaixo: Número do Processo: 11065.003570/200455 NºRecurso: 234213 Turma: 3ª Câmara Contribuinte: FIRENZE ACABAMENTOS EM COURO LTDA. Data da sessão: 08/05/2008 Relator: José Adão Vitorino de Morais Nº do Acórdão: 20312898 Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 CRÉDITOS. COMBUSTIVEIS E LUBRIFICANTES. FRETES As aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados na produção e na operação de entrega direta de produtos industrializados e vendidos pelo produtor/vendedor integram o conceito de insumos e geram créditos dedutíveis do PIS não cumulativo devido mensalmente, assim, como as despesas com fretes suportadas por ele. NÃO CUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR. ALTERAÇÃO NA PARCELA DO DÉBITO SEM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPOSSIBLIDADE. Não existe dispositivo legal na novel sistemática de ressarcimento do PIS/Pasep Não Cumulativo que desobrigue a autoridade fiscal de seguir a determinação do artigo 149 do Código Tributário Nacional, qual seja, a de proceder ao lançamento de ofício para constituir crédito tributário correspondente à diferença da contribuição devida ao PIS/Pasep quando depare com inconsistências na sua apuração. Assim, do valor da parcela do crédito reconhecido, não pode simplesmente ser deduzida escrituralmente a parcela de débito do PIS/Pasep correspondente a receitas que deixaram de ser consideradas na sua base de cálculo, no caso, receitas com a cessão de créditos de ICMS e receitas do Crédito Presumido de IPI recebido. NÃO CUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA E JUROS. AUSÊNCIA DE DISPOSITIVO LEGAL. O artigo 15, combinado com o artigo 13, ambos da Lei nº 10.833, de 2003, vedam expressamente a aplicação de qualquer índice de atualização monetária ou de juros para este tipo de ressarcimento. Recurso provido em parte. Assim, entendo ser necessária uma diligência para que se apuro o valor alimentação, análises/laudo técnico, assistência médica, combustível, despesas com transporte, despesas com veiculo, indumentária e material de trabalho, material de limpeza, pedágio, resíduos industriais, e sistema de tratamento de água Frente a todo o exposto voto por converter o presente julgamento em diligência para a apuração dos créditos referentes ao valor alimentação, análises/laudo técnico, assistência médica, combustível, despesas com transporte, despesas com veiculo, indumentária e material de trabalho, material de limpeza, pedágio, resíduos industriais, e sistema de tratamento de água bem como a apresentação de documentação comprobatória que corrobore com a existência dos créditos pleiteados. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 06/05/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 0/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por JULIO CESAR ALV ES RAMOS Processo nº 13056.001020/200860 Resolução nº 3401000.453 S3C4T1 Fl. 199 6 Cientificandose a contribuinte, do resultado para, caso queira manifestarse no prazo de 30 dias. Fernando Marques Cleto Duarte – Relator. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 06/05/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 0/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por JULIO CESAR ALV ES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 10580.001030/92-50
Data da sessão: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 1995
Ementa: FINSOCZAL FATURAMENTO - Procedente o lançamento
quando comprovada a falta de recolhimento da contribuição,
por omissão de receita operacional, e
mantido o lançamento de Imposto de Renda Pessoa
Jurídica.
Numero da decisão: 102-30.034
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Ursula Hansen
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COMERCIO E REPRESENTAÇOES LTDA RECORRIDA : DRF - SALVADOR - BA FINSOCZAL FATURAMENTO - Procedente o lançamento quando comprovada a falta de recolhimento da con- tribuição, por omissão de receita o peracional, e mantido o lançamento de Imposto de Renda Pessoa Jurídica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por COMER? COMERCIO E REPRESENTAÇOES LTDA. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conse lho de Contribuintes, por unanimidade de votos, ne gar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a inte grar o pre- sente julgado: Sala 3ç de julho de 1995 rtaNW___ PARLOS TVF5 - PRESIDENTE ID j nÃASEN - RELATORA VISTO *EM LOUREMBERG RIBEIRO NUNES ROCHA - PROCURADOR DA FA SESSAO DE: ZENDA NACIONAL. Partic i param, ainda, do presente ju l gament o, os: seguintg-: Oonelhei- 1-os: Waldevan Alve de Ol i ve i ra, Jos à ClOv i s Alvf--:s, Maria Clél ia. de Andrade Figueiredo, Júlio César Gomes da Silva e José Carlos t-..--..-, -. lo. 2. MINISTERIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO NQ. 10580/001.030/92-50 . RECURSO Nn,: 84,005 ACORDA° Na.: 102-30.034 RECORRENTE : COMER? COMERC IO E REPRFSENTAÇOES LTDA RE.T.LA.T.QH1.2 Versa o presente processo do Auto de infração, fls. 01 O anexos, lavrado contra COM FRP COMERC TO E REPRESENTAÇOFS LTDA, CGC No 16.150:492/0001-31, jurisdicionada à Delegacia da Receita Federal em Salvador - BA, formalizando a exigência de FINSOCIAL FATURAMENTO, re- lativa aos exercícios de 1991 e 1992, no valor originário de 2.977,74 UFIR e 1. 00 acréscimos legais. O lançamento, com base no parágrafo lo do artigo i.. Decreto Le i Nn 1940/82 e artigos 16, 80 e 83 do Regulamento do. FINSO- CIAL, aProvado pelo Decreto No 92,693/86 e artigo 28 da Lei Nn 7:738/89, decorreu de procedimento de fiscalização em que foram apura- das irregularidades - omissão de receita operacional, ocasionando in- sufuciência na determinação da base de cálculo da Contribuição, e lan- çado Imposto de Renda - Pessoa Jurídica, conforme demonstrado no Pro- cesso No. 10580/001.033/92-50. Inconformada com a exigência fiscal, a contribuinte, apresentou em 04/03/92 , sua i mpugnação de fl s. 1 85/ 1 8 1 , com os anexos de fls. 187/192, fundamentando suas alegações nas razões apresentadas no processo relativo ao imposto de Renda, A decisão de la Instância, de ni:zmero 153/92, foi profe- rida às 4' 1,R. 199/ 903 Rendo n lançamento i r11 -, d .-) ,)--oc---..dR-ntf \-4,-- _,--- ,... , 3. MINISTERIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO NQ. 10580/001,030/92-50 ACORDA° Na. 102-30.034 Ciente da decisão singular em 18/05/92 (tis, 207), a contribuinte interpôs recurso voluntário em 15/06/92, reiterando, em suas Razões, anexadas às fls, 212/211, os argumentos formulados na fa- se impugnatória, bem como aos constantes do recurso interposto no pro- cesso de Imposto de Renda, Pessoa Jurídica. O recurso foi lido na íntegra em Plenário. E o relatório. ) , / .,/ , , 4. MINISTERIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO NQ, 10580/001.030/92-50 ACORDA() Na. 102-30.034 ZQ1.2 Conselheira Ursula Hansen, Relatara: Estando o recurso revestido de todas as formalidades legais, dele tomo conhecimento. A exigência fiscal constante deste processo é correlata a que foi apurada no processo de No 10580/001.033/92-48. Considerando que o recurso referente ao Imposto de Ren- da Pessoa Jurídica, ao ser a preciado por esta Câmara em sessão reali- zada em 15 de fevereiro de 1993, foi julgado improcedente, conforme faz certo o Acõrdão No 102-27.835; Considerando Que, nas Razões de recurso voluntário acostadas aos -presentes autos, a Recorrente alega que a exigência fis- cal está vinculada e decorre daquele formalizado no processo em que foram apurada, as irregularidades tributadas Pelo Imposto de Renda Pessoa Jurídica e ao q ua l foram anexados Notas Fiscais, Talonários e demais documentos. Considerando que a ora Recorrente não apresentou qual- quer nova razão ou prova que infirmasse o acerto da decisão proferida, Voto no sentido de negar-se provimento ao recurso. Brasília - DF, 06 de julho de 1995. / ‘-------- Ursula ,g, iã'á'rí - Relatora. . Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1
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Numero do processo: 11080.011379/2006-51
Data da sessão: Thu Sep 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: RECURSO EX OFFICIO
RECURSO "EX OFFICIO" — Devidamente fundamentada nas provas dos
autos e na legislação pertinente a insubsistência das razões determinantes de parte da autuação, é de se negar provimento ao recurso necessário interposto pelo julgador "a quo" contra a decisão que dispensou parcela do crédito
tributário da Fazenda Nacional. RECURSO VOLUNTÁRIO
IRPJ — APURAÇÃO DO LUCRO REAL — AJUSTES AO LUCRO
LÍQUIDO CONTÁBIL — 0 lucro contábil não se confunde com o lucro real, base de cálculo do IRPJ, portanto, a necessidade de atendimento às normas impostas pela Comissão de Valores mobiliários — CVM, para atendimento das normas contábeis não tem o condão de modificar os ajustes necessários
para apurar o lucro real. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO — DEDUTIBILIDADE — A pessoa jurídica que, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, absorver patrimônio de outra que dela detenha participação societária adquirida com ágio, poderá amortizar o
valor do ágio, cujo fundamento seja o de expectativa de rentabilidade futura, nos balanços correspondentes h. apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração.(arts. 7° e 8° da Lei 9.532/97).
Numero da decisão: 1101-000.354
Decisão: ACORDAM os membros da lª Câmara / 1ªa Turma Ordinária do PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de oficio, votando pelas conclusões os Conselheiros Alexandre Andrade Lima Da fonte Filho e Edeli Pereira Bessa que admitiram haver transferência do ágio,mas fundado em rentabilidade futura em razão do Edital de Licitação no qual o investimento foi adquirido; e por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro que negava provimento ao recurso e votando pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa, que fará declaração de voto, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: José Ricardo da Silva
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ementa_s : RECURSO EX OFFICIO RECURSO "EX OFFICIO" — Devidamente fundamentada nas provas dos autos e na legislação pertinente a insubsistência das razões determinantes de parte da autuação, é de se negar provimento ao recurso necessário interposto pelo julgador "a quo" contra a decisão que dispensou parcela do crédito tributário da Fazenda Nacional. RECURSO VOLUNTÁRIO IRPJ — APURAÇÃO DO LUCRO REAL — AJUSTES AO LUCRO LÍQUIDO CONTÁBIL — 0 lucro contábil não se confunde com o lucro real, base de cálculo do IRPJ, portanto, a necessidade de atendimento às normas impostas pela Comissão de Valores mobiliários — CVM, para atendimento das normas contábeis não tem o condão de modificar os ajustes necessários para apurar o lucro real. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO — DEDUTIBILIDADE — A pessoa jurídica que, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, absorver patrimônio de outra que dela detenha participação societária adquirida com ágio, poderá amortizar o valor do ágio, cujo fundamento seja o de expectativa de rentabilidade futura, nos balanços correspondentes h. apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração.(arts. 7° e 8° da Lei 9.532/97).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-03-14T14:19:35Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 5; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-03-14T14:19:35Z; Last-Modified: 2011-03-14T14:19:35Z; dcterms:modified: 2011-03-14T14:19:35Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:c48f3e52-0a78-4f99-9609-e5d59ce87024; Last-Save-Date: 2011-03-14T14:19:35Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-03-14T14:19:35Z; meta:save-date: 2011-03-14T14:19:35Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-03-14T14:19:35Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-03-14T14:19:35Z; created: 2011-03-14T14:19:35Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 32; Creation-Date: 2011-03-14T14:19:35Z; pdf:charsPerPage: 1876; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-03-14T14:19:35Z | Conteúdo => SI-CITI Fl. I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 11080.011379/2006-51 Recurso n° 166.621 De Oficio e Voluntário Acórdão no 1101-00.354 — la Camara / la Turma Ordinária Sessão de 02 de setembro de 2010 Matéria IRPJ E OUTRO Recorrentes 5a TURMA - DRJ - PORTO ALEGRE e VIVO S/A RECURSO EX OFFICIO RECURSO "EX OFFICIO" — Devidamente fundamentada nas provas dos autos e na legislação pertinente a insubsistência das razões determinantes de parte da autuação, é de se negar provimento ao recurso necessário interposto pelo julgador "a quo" contra a decisão que dispensou parcela do crédito tributário da Fazenda Nacional. RECURSO VOLUNTÁRIO IRPJ — APURAÇÃO DO LUCRO REAL — AJUSTES AO LUCRO LÍQUIDO CONTÁBIL — 0 lucro contábil não se confunde com o lucro real, base de cálculo do IRPJ, portanto, a necessidade de atendimento às normas impostas pela Comissão de Valores Mobiliários — CVM, para atendimento das normas contábeis não tem o condão de modificar os ajustes necessários para apurar o lucro real. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO — DEDUTIBILIDADE — A pessoa jurídica que, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, absorver patrimônio de outra que dela detenha participação societária adquirida com ágio, poderá amortizar o valor do ágio, cujo fundamento seja o de expectativa de rentabilidade futura, nos balanços correspondentes h. apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada Ines do período de apuração.(arts. 7° e 8° da Lei 9.532/97). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da la Câmara / la Turma Ordinária do PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de oficio, votando pelas conclusões os Conselheiros Alexandre FRANCIS JOSÉ RICA IBEIRO DE QUEIROZ - Presidente ator Processo n° 11080.011379/2006-51 SI-C1T1 Acórdão n.° 1101-00.354 Fl. 2 Andrade Lima da Fonte Filho e Edeli Pereira Bessa que admitiram haver transferência do ágio, mas fundado em rentabilidade futura em razão do Edital de Licitação no qual o investimento foi adquirido; e por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro que negava provimento ao recurso e votando pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa, que fará declaração de voto, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. .,)cz - ti ?Gli Participaram da sessão de jul!amento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (presidente da turma), Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (vice- presidente), Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa, José Ricardo da Silva e Marcos Vinicius Barros Ottoni (suplente convocado). Relatório VIVO S/A, já qualificada nos presentes autos, interpõe recurso voluntário a este Colegiado (4352/4392), contra o Acórdão n° 12.497, de 27/06/2007 (fls. 4270/4290), proferido pela colenda 5 1 Turma de Julgamento da DRJ em Porto Alegre - RS, que julgou parcialmente procedente o lançamento consubstanciado nos autos de infração de IRPJ, fls. 4000 e CSLL, fls. 4009. Consta do Termo de Verificação Fiscal (fls. 3867/3973), em síntese, as seguintes irregularidades fiscais: Das alterações societárias examinadas pela fiscalização: 1) Situação inicial: CRT- CN13.1: 92.794.486; 2) 30/04/97 - Criação da TBH: integralização de capital mediante conferência das ações da CRT; 3) 24/06/98 — Aquisição de mais ações da CRT pela TBH; 4) 25/06/98 — Criação da CELULAR CRT, subsidiária da CRT; 5) 31/12/98 — TBH S/A com participação em: (1) CRT e (2) TBH participações; fir 2 Processo n° 11080.011379/2006-51 SI -CITI Acórdão n.° 1101 -00.354 Fl. 3 6) 29/01/99 — alteração da denominação da TBH para Tele Brasil Sul Part. S/A e cisão parcial da CRT com versão de acervo para Celular CRT Part.; 7) 09/02/99 — aumento de capital na TBH Participacões mediante conferencia das ações da CRT e da Celular CRT; 8) 28/05/99 — alteração da denominação da TBH Participações — para TBS Participações e cisão parcial, com versão de patrimônio para a TBS Celular Part. S/A; 9) 09/10/00 — Criação da Tula Part. Ltda, mediante conferencia das ações da TBS Celular Part. S/a e Celular CRT Part.; 10) 10/10/00 — incorporação da Tula Part. Ltda. pela Celular CRT Part. Até 30/04/97, havia a empresa de telefonia CRT — CNPJ: 92.794.486. Em 30/04/97 foi criada a TBH S/A, cujo capital foi integralizado mediante com as ações da CRT (mantidas pelos antigos acionistas), onde foi apurado ágio (relativo a participação da TBH S/A na CRT) de R$ 472 milhões. Entendeu o autuante que o referido ágio não estava devidamente fundamentado em expectativa de lucratividade futura. Segundo a fiscalização "o ágio gerado nesta etapa não poderia ter sido amortizado para fins tributários, tendo em vista o fato de o laudo em que se baseia o ágio não versar sobre rentabilidade futura, haver controvérsias quanto a autoria e por ter sido elaborado por profissionais não legalmente habilitados" (fl 3900). Em 24/06/98, a TBH adquiriu, com ágio, mais ações (50,12% do capital votante) da CRT. Após essa operação, a TBH passou a manter registrado em seu ativo um valor significativo de ágio sobre o investimento da CRT "que tem, quase em sua totalidade, como origem, os ágios de 04/97, Etapa 2 (quando recebeu ações da CRT em troca de ações de sua emissão) de aproximadamente R$ 472 milhões e de 06/98, Etapa 4 (comprados diretamente do Governo do RS) de aproximadamente 860 milhões" 3901). Conforme a fiscalização, esse novo ágio foi fundamentado na rentabilidade conjunta das operações de telefonia celular e fixa, desenvolvidas pela investida (conforme laudo elaborado por Lehman Brothers). A fiscalização entendeu que o Laudo da Lehman Brothers pode ser aceito para justificar o ágio da operação de 06/98, mas não serviria para justificação do ágio da operação de 04/97. Em 25/06/98, a CRT constituiu a subsidiária integral CELULAR CRT, cujo capital foi integralizado mediante conferência dos ativos utilizados na "operação celular", a valores contábeis, 3 • Si-CIT1 Fl. 4 Processo n° 11080.011379/2006-51 Acórdão n.° 1101 -00.354 operação esta que não teve efeitos sobre os valores de ágio existentes" I. 3906). Em 31/12/98, a TBH, mantendo a participação na CRT acima referida, possuía também participação na subsidiária TBH Participações. A fiscalização destaca que o saldo de ágio constante do ativo da TBH, referente ao investimento na CRT, no valor de R$ 1.297.719.577,00, "que ainda estava consolidado, ou seja, não separava a CRT fixa da CRT celular. Referido valor teve sua origem na privatização da CRT, principalmente, nos eventos societários de 04/97 (Etapa 2) e de 06/98 (Etapa 4)" (fl. 3906). Em 29/01/99, a TBH altera sua denominação para Tele Brasil Sul Part. S/A. Nessa mesma data, a CRT realiza cisão parcial, com versão de acervo para Celular CRT Part. Nessa operação, o ágio mantido pela Tele Brasil Sul Part. S/A, na antiga CRT, deveria ter sido dividido entre as participações na CRT e na Celular CRT Part. A fiscalização afirma ff 1. 3907) que "no momento em que foi feita esta cisão, era necessário segregar, no tocante ao ágio, aquele que foi pago em função da rentabilidade da operação telefonia celular e aquele que foi pago em função da rentabilidade da operação telefonia fixa" Em 09/02/99 foi realizado aumento de capital na TBH Participações pela acionista Tele . Brasil Sul Part., mediante conferencia de ações da CRT e da Celular CRT Part. Assim, a Tele Brasil Sul deixa de ser acionista direta da CRT e da Celular CRT Part., passando a ser acionista apenas da TBH Participagões. Nessa opera cão, deixa de haver ágios no patrimônio da Tele Brasil Sul Part. e surgem ágios no patrimônio da TBH Participações: (a) um ágio referente ao investimento da TBH Participações na CRT e (b) outro ágio referente ao investimento da TBH Participagões na Celular CRT Part. A fiscalização verificou que os ágios registrados no patrimônio da TBH Participações (referentes aos investimentos na CRT e na Celular CRT Part.) 'foram subsidiados por laudos que avaliaram o valor contábil dos investimentos existentes, contudo, sempre pelo valor total. Tais laudos não fundamentaram a segregação efetuada pelas empresas" (/1. 3908). Na mesma data, em 09/02/99 foi efetuado o resgate de ações da Tele Brasil Sul Part., com pagamento em ações da TBH Participa cães. Com esta opera cão, a Tele Brasil Sul Part. passou a ser proprietária da Telesp e se afastou do controle da CRT e da Celular CRT Participações. Em 28/05/99, a TBH Participagões alterou sua denominação para TBS Participações e realizou cisão parcial, com versão do acervo para a TBS Celular Part. S/A. ■•■ Processo n° 11080.011379/2006-51 SI-CIT1 Acórdão n.° 1101-00.354 Fl. 5 A fiscalização verificou que, na referida cisão há um ajuste contábil — sem justificativa — que leva R$ 126 milhões de ágio da participação mantida na CRT (referente a atividade de telefonia fixa) para a CRT Celular Part. S/A. Assevera, a fiscalização, que "com esse ajuste, demonstrado no Razão a fls. 3304, o ágio registrado da telefonia celular, na contabilidade da TBS Celular Part. aumentou ainda mais, o que posteriormente, trouxe beneficios fiscais para este 'lado' dos eventos societários (lembrando que, com a alteração da etapa 9, os investidores e/ou percentuais de investimentos na telefonia fixa e na celular foram modificados, ou seja, quem ficasse com mais ágio, teria maiores benéficos fiscais)" (11. 3914). Em 09/10/00 foi criada a empresa Tula Part. Ltda., seu capital foi integralizado pela TBS Celular Part. S/A, mediante conferência das ações da Celular CRT Part. Assim, a TBS Celular Part. S/A deixou de ser acionista direta da Celular CRT Part. Com essa operação, o ágio da TBS Celular Part. S/A é baixado e surge ágio no patrimônio da empresa TULA Part. S/A, conforme Relatório da Atividade Fiscal 3920): Esta etapa demonstra um `ato preparatório para a reestruturação de outubro de 2000. O ágio da telefonia celular, através de integralização de capital na TULA, que se deu com a entrega da participação da cel CRTPAR, foi transferido para a TULA, empresa veiculo da reestruturação de 2000, a qual, ao fim, visava levar o ágio pago nas privatizações para a empresa operacional Cel CRT, 02.603.554, colocando-o no Ativo Diferido e aproveitando os benefícios fiscais de sua amortização. Em 10/10/2000 a Tula Part. Ltda foi incorporada pela Celular CRT Part. Em 28/11/2000, ocorre cisão parcial da Celular CRT ParticiPagões com versão de parte de seu patrimônio (acervo) para a própria investida Celular CRT S/A. Finalmente, em 28/11/2000, ocorre a incorporação de ações da Celular CRT pela Celular CRT Part; fazendo que aquela se tornasse subsidiária integral desta. A fiscalização assim se manifestou a respeito (fl. 3922): Conforme os próprios documentos legais e societários acima arrolados, o principal objetivo da reestruturação acima, foi o de levar o ágio que estava alocado na Cel CRTPAR, empresa holding, para a cel CRT, empresa operadora. A Cel CRT, como operadora, é a empresa que de fato produz os resultados financeiros e econômicos dentro do grupo societário e, por conseguinte, gerava lucros (ou prejuízos) ao final de cada ano-calendário. A alocação do ágio anteriormente gerado em contas de Ativo Diferido na Operadora (Cel CRT), permite o aproveitamento da despesa gerada pela amortização do Ativo Diferido. 5 Processo n° 11080.011379/2006-51 SI-CITI Acórdão n.° 1101-00.354 Fl. 6 Conforme Fato Relevante a fls. 1484 e seguintes, a previsão de beneficio fiscal com a reestruturação societária é de R$ 163.525.307,00. Ver também, entre outros documentos, o protocolo a fls. 1659 e 1683 que justificam a respectiva operação societária pelo beneficio fiscal que será auferido na Cel CRT. Por honestidade intelectual, cabe registrar que esta fiscalização não encontrou ilicitudes nesta reestruturactio feita com esta finalidade. Como veremos adiante, os problemas apontados neste auto de infração referem-se a geração e a evolução dos ágios ao longo dos eventos societários que culminaram com a reestruturação de outubro de 2000. Em seguida, a celular CRT Part. Foi cindida (parcialmente) com versão de parte de seu patrimônio (acervo) para a própria controlada Celular CRT S/A. Finalmente, a Celular CRT S/A teve ações de sua emissão incorporadas pela Celular CRT Part, tornando-se subsidiária integral. Das infrações imputadas A fiscalização imputou a contribuinte duas infrações fiscais: (a) registro indevido de despesas inexiS tentes, de amortização de ágio e (b) compensação indevida de prejuízos fiscais. De acordo com a fiscalização, a primeira infração (A — amortização indevida de ágio) teria três motivos: (a-1) inexistência de fundamentação do ágio referente ao evento ocorrido em 30/04/1997; (a-2) transferência indevida de ágio, de uma participação para outra e (a-3) Amortização em prazo inferior àquele determinado pela legislação. A segunda infração (compensação indevida de prejuízos) é decorrente da primeira, pois, caso não tivesse sido considerada a despesa de amortização do ágio, parte dos prejuízos fiscais inexistiriam e, assim, não haveria prejuízo fiscal a ser compensado. (A) Glosa de ágio (e, conseqüentemente, de sua amortização) (a-1) Glosa de despesa de amortização de ágio por inexistência fundamentação A fiscalização entendeu pela inexistência de comprovação do fundamento do ágio referente ao evento ocorrido em 30/04/97. Considerou que, sem essa comprovação, o referido ágio — não fundamentado — teria sua posterior amortização indedutivel. Finalmente, considerando ter havido, no âmbito das operações societárias ocorridas, transferência do referido ágio, posteriormente amortizado, a fiscalização concluiu pela necessidade de glosar o valor da respectiva despesa dessa amortização. 6 Processo n° 11080.011379/2006-51 SI-C1TI Acórdão n.° 1101-00.354 Fl. 7 (a-2) Glosa de despesa de amortização de ágio por transferência indevida de ágio, de uma participação para outra Quanto ao ágio pago na operação de 24/06/98, a fiscalização entendeu estar devidamente fundamentado. Foi verificado, porém, que seu valor foi dividido em dois (ágio pago pela participação na empresa de telefonia fixa e ágio pago pela participação na empresa de telefonia celular) — quando da opera cão ocorrida em 29/01/99. Posteriormente, quando da opera cão ocorrida em 09/02/99, esses valores foram modificados (com transferencia do valor do ágio da participação na empresa de telefonia fixa para a participação na empresa de telefonia celular). A fiscalização entendeu que essa transferência não tinha fundamento e, sendo impossível, glosou a parte referente amortização do ágio indevidamente transferido. (a-3) Glosa de despesa de amortização de ágio por amortização em prazo inferior ao permitido pela legislação de regência A fiscalização verificou que o ágio constante do ativo diferido da empresa Celular CRT S/A, foi amortizado a taxa de 1/60 ao mês. De acordo com o disposto no art. 14 da IN CVM 247/96, esse ágio — decorrente de aquisição de direito de exploração, concessão ou permissão delegadas pelo Poder Público — deveria ser amortizado no prazo da referida concessão. Abaixo a demonstração dos cálculos correspondentes a glosa dos valores correspondentes ao ágio amortizado: Demonstração da glosa de despesas com amortização de ágio - nos termos do Relatório de Auditoria Fiscal Valor considerado pela fiscalizada Valor calculado pela fiscalização * Glosa saldo de ágio em outubro de 2000 489.561.174,48 153.765.263,47 período de amortização do ágio 60 meses 85 meses amortização mensal 8.159.352,91 1.809.003,10 despesa de amortização anual 2000 16.318.705,82 2 meses 3.618.006,20 2 meses não lançado 2001 97.912.234,90 12 meses 21.708.037,20 12 meses 76.204.197,70 2002 97.912.234,90 12 meses 21.708.037,20 12 meses 76.204.197,70 2003 97.912.234,90 12 meses 21.708.037,20 12 meses 76.204.197,70 2004 97.912.234,90 12 meses 21.708.037,20 12 meses 76.204.197,70 2005 73.434.176,17 9 meses 21.708.037,20 12 meses 51.726.138,98 2006 não disponível 1 meses 21.708.037,20 12 meses não lançado 2007 - 0 meses 19.899.034,10 11 meses não lançado TOTAIS 60 meses 85 meses * desconsiderando o ágio de 1997 e considerando segregação entre telefonia celular e fixa do laudo da Lehman Irresignada, a contribuinte apresentou tempestiva impugnação de fls. 4042/4096, com ajuntada dos documentos de fls. 4097/4232. 7 Processo n° 11080.011379/2006-51 SI-CIT1 Acórdão n.° 1101-00.354 Fl. 8 A Colenda Turma de Julgamento de primeira instância decidiu pela manutenção parcial da exigência tributária, conforme acórdão citado, cuja ementa tem a seguinte redação: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 VALOR DE ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTOS. MOMENTO. FUNDAMENTAÇA -0. O ágio na aquisição de investimentos surge no ativo da investidora no momento da aquisição do referido investimento. Este ágio deve estar devidamente fundamentado, para aproveitamento da despesa de amortização, caso ocorra futura fusão, cisão ou incorporação envolvendo a investida e a investidora. A transferência do ágio ocorre quando de eventos de fusão, cisão e incorporação. No momento da aquisição de investimento por realização de capital, não há transferência do ágio - referente ao investimento - da antiga investidora para a nova investidora; com efeito, ocorre surgimento de novo ágio na nova investidora, ao passo que a antiga investidora deve baixar seu investimento (e respectivo ágio), apurando eventual ganho de capital. CONCESSÃO DE SERVIÇO PÚBLICO. AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÃO COM ÁGIO E POSTERIOR INCORPORAÇÃO, FUSÃO OU CISÃO ENTRE A CONTROLADORA E A CONTROLADA. REGRAS DE AMORTIZAÇÃO PELO PRAZO DE CONCESSÃO. Para a amortização de ágio em face de rentabilidade futura por conta de contrato de concessão, aplicáveis as normas estabelecidas pela Instrução CVM 247/96, alterada pela Instrução CVM 285/98, isto é, a amortização contábil e os decorrentes efeitos fiscais operam-se pelo prazo da concessão. FALTA DE RECOLHIMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE CONSIDERAÇÃO DE POSTERGAÇÃO DE TRIBUTO. Não há falar em posterga cão de tributo quando - no momento do auto de infração - a fiscalizada ainda não havia realizado eventual oferecimento do tributo antes recolhido a menor. No caso, ocorre mera falta de recolhimento. GLOSA DE COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. Tendo sido glosadas despesas com amortização de ágio, o valor do lucro real de vários períodos resta superior ao declarado e, assim, o saldo de prejuízos a compensar fica reduzido, o que implica impossibilidade de sua utilização para compensação com o lucro real de períodos subseqüentes. CSLL. 8 Processo n° 11080.011379/2006-51 SI-C1T1 Acórdão n.° 1101-00354 Fl. 9 Aplicam-se a CSLL as mesmas considerações aplicadas ao IRPJ nesta decisão. Lançamento Procedente em Parte Nos termos da legislação em vigor, aquele Colegiado recorreu de oficio a este Conselho. Ciente da decisão de primeira instância em 15/05/2008 (fls. 4346), e com ela não se conformando, a contribuinte recorre a este Colegiado por meio do recurso voluntário apresentado em 13/06/2008 (fls. 4352), onde apresenta, em síntese, os seguintes argumentos: a) que o autuante entendeu que a amortização do ágio gerado na aquisição de ações da CRT Celular deveria seguir a norma contábil emitida pela CVM que prevê a amortização do ágio no prazo da concessão, resultando na glosa do excesso da quota mensal do ágio objeto da amortização; b) que a IN CVM 285/98 cuida de regras de amortização do próprio ágio, enquanto registrado na controladora, ou seja, antes da incorporação, e quando sequer ele é dedutivel para efeitos fiscais, ao passo que o regime previsto no art. 70 da Lei 9.532/97, cuida do critério de amortização e dedutibilidade de ágio que já se transformou em ativo diferido; c) que o art. 20 do D1 1598/77 estabelece que o contribuinte deverá desdobrar o custo da aquisição da participação no momento em que esta ocorrer e o § 2° do art. 385 do RIR/99 prevê que o ágio ou deságio apurado na ocasião da aquisição do investimento deverá ser contabilizado com a indicação do fundamento econômico que o determinou; d) que o legislador sequer faz referencia a laudo, mas sim a "demonstração", não interessando a forma, mas sim a substancia. Assim, a demonstração deve ser capaz de justificar o fundamento para o pagamento do ágio; e) que, para efeitos fiscais, durante o período em que o ágio permanecer (e não como ativo diferido), registrado no balanço da controladora ou coligada, as contrapartidas da amortização do ágio de que trata o art. 385 do RIR199, não serão computadas na apuração do lucro real nem da CSLL. E da amortização do ágio nestas condições de que trata o art. 14 da IN CVM 247; f) que os procedimentos adotados pela recorrente estavam de acordo corn a norma legal, pois o ágio registrado estava fundamentado em rentabilidade futura, conforme demonstrado pela instituição financeira Salomon Barney Smith, membro do Grupo Citibank, documento anexado aos autos; Processo n° 11080.011379/2006-51 SI-CIT1 Acórdão n.° 1101-00.354 Fl. 10 g) que o valor total da aquisição do investimento foi de R$ 593.843.000,00, ligeiramente inferior ao montante da avaliação do Salomon Smith, utilizando como critério de avaliação a perspectiva de rentabilidade futura. Disto decorre que todo o valor apurado como ágio encontra-se justificado e suportado com base em perspectiva de rentabilidade futura da recorrente; h) que as projeções contidas no referido laudo prevêem o prazo de cinco anos, ou seja, a rentabilidade do investimento projetada para este período de tempo; i) que, com fundamento exclusivamente na legislação fiscal, bem como em laudo de avaliação minuciosamente fundamentado, a partir de implementação da reestruturação societária após aquisição da participação societária da CERT Part pela Tula Participações Ltda., a recorrente passou a ter o direito de amortizar o referido ágio para fins fiscais, mais precisamente, a razão de um sessenta avos (1/60), no máximo, para cada mês, conforme dispõe 0 art. 386 do RIR199; j) que é inequívoca a conclusão de que a amortização fiscal do ágio pela recorrente operou-se em estrita conformidade com a legislação fiscal, devendo ser cancelado o lançamento; k) que a IN CVM 247, trata da amortização contábil do ágio quando a controladora mantém o investimento na controlada, ou seja, não está cuidando do caso em que tenha ocorrido qualquer incorporação, fusão ou cisão; 1) que a lei fiscal e a instrução normativa CVM tem formas diferentes de tratar a amortização do ágio. A razão mais óbvia está em que a IN CVM 247, por cuidar da amortização do ágio no estágio em que está detido pela controladora, preocupa-se tão somente com os critérios pelos quais a sua amortização vai afetar a distribuição de lucros aos acionistas das companhias abertas. 0 regime da Lei 9.532, diferentemente, tem por objetivo indicar os critérios de dedutibilidade do ágio, quando, após a incorporação, fusão ou cisão, ele deixa de ser ágio e passa a integrar o valor dos bens ou direitos, para depreciação, ou então passa a compor uma conta do ativo diferido para amortização na hipótese de ter sido antes justificado com base em rentabilidade futura do investimento; m) que, no caso da lei fiscal, para o caso em exame, ou seja, de justificativa em razão da rentabilidade futura, o legislador previu a amortização do ágio a razão de 1/60, na hipótese de o contribuinte absorver patrimônio de outra sociedade por incorporação, fusão ou cisão; n) que a diferença existente entre a lei fiscal e a IN CVM em relação a forma de apuração do ágio e ao prazo de amortização tem um explicação, qual seja, as referidas normas se prestam para finalidades distintas. A lei fiscal se presta para regulamentar a relação entre o Fisco e o contribuinte, criando regras para a apuração do lucro tributável. A CVM cr 10 It Processo n° 11080.011379/2006-51 Si -C1T1 Acórdão n.° 1101-00.354 Fl. 11 edita regras para outras finalidades, quais sejam a relação entre os investidores e a empresa, não existindo qualquer cunho fiscal; o) que ,o prazo adotado para a amortização tem como fundamento aquele informado na projeção de rentabilidade futura do mencionado laudo de avaliação elaborado pelo Salomon Smith Barney para fundamentar o valor econômico das açôes adquiridas; p) que, em se mantendo a exigência, deve ser recalculado o lucro real de cada um dos períodos-base subseqüentes ao da autuação mediante o direito da recorrente a quota remanescente de amortização do ágio. E o relatório. Voto Conselheiro José Ricardo da Silva, Relator RECURSO VOLUNTÁRIO Como visto do relato, trata-se de glosa de despesa com amortização de ágio, a qual a autoridade autuante considerou que teria ocorrido antecipação no reconhecimento da amortização do ágio gerado na operação de aquisição de investimento em outubro de 2000, decorrente da aplicação do percentual linear de 20% ao ano, sob o entendimento de que a amortização do ágio deveria obedecer ao prazo da concessão. Do voto condutor do acórdão recorrido, na parcela que foi mantida a exigência fiscal, extrai-se os seguintes excertos: Em síntese, a impugnante alega ser inaplicável a alínea b do sç 2o do art. 14 da IN CVM 247, de 1996, que determina que o ágio decorrente da aquisição do direito de exploraça o, concessão ou permissão, delegadas pelo Poder Público — no prazo estimado ou contratado de utilização, de vigência ou de perda de substância econômica, ou pela baixa por alienação ou perecimento do investimento; afirmando que não houve aquisição direta do direito de exploração dos serviços de telefonia em si, mas apenas aquisição de ações da concessionária (CRT). Entretanto, deve ser afastado este argumento, de que a regulamentação da CVM referir-se-ia a critério de amortização do capital investido na aquisição direta de concessão de serviço público, e não a amortização de ágio pago na aquisição de participação societária. 0 fato é que o art. 14 da Instrução CVM 247, de 1996, com a redação dada pela Instrução CVM no 285, 1 1 Processo n° 11080.011379/2006-51 SI-CIT1 Acórdão n.° 1101-00.354 Fl. 12 de 1998, se refere a "ágio ou deságio computado na ocasião da aquisição ou subscrição do investimento" e não a aquisição direta de concessão de serviço público. Portanto, o valor a que a alínea b, do § 2o deste artigo se refere ("o ágio decorrente da aquisição do direito de exploração, concessão ou permissão delegadas pelo Poder Público"), cuja amortização deverá se dar no prazo da concessão, somente pode ser o valor de ágio pago na aquisição de participação societária, cujo fundamento seja a possibilidade de exploração de concessão de serviço público pela empresa investida — que, por óbvio, deverá trazer beneficios futuros. Saliente-se que foi exatamente este o ocorrido. Na peça recursal a recorrente retorna aos autos insistindo que a amortização do ágio apurado na aquisição do investimento está fundamentada de acordo com o prazo de rentabilidade futura utilizado, conforme comprova o laudo especifico, tendo observado a norma legal que prevê a taxa máxima de amortização a razão de 1/60 por mês prevista no artigo 70, inciso III, da Lei n° 9.532/97. Afirma ainda, que a taxa de amortização prevista na alínea "b", § 2° do artigo 14 da Instrução CVM n° 247/96 não encontra base na legislação tributária, constituindo-se mero critério contábil e, ainda que se entendida como válida, a referida taxa não poderia ser aplicada à recorrente, uma vez que as instruções da CVM somente são de observância obrigatória por sociedades de capital aberto, o que não é o caso da recorrente. Nesse sentido, cabe ressaltar que a autuação fiscal, efetivamente tomou como base a mencionada instrução CVM, conforme manifestação do auditor fiscal autuante, constante no Termo de Verificação Fiscal: Com efeito, a legislação da CVM — que determina a apuração do lucro contábil — 6, de acordo com a Lei das S/A, de aplicação necessária para que, em seguida, seja aplicada a legislação tributária com os respectivos ajustes (de adição, exclusão ou compensação). Ora, o fulcro da discussão no presente caso está no prazo a ser considerado para contabilização da amortização do ágio, com a consequente apuração da base de cálculo dos tributos. Tal prazo está claramente definido pela Instrução CVM 247, de 1996, como o prazo para concessão, sendo que a legislação tributária somente exige que se respeite o prazo mínimo de 5 (cinco) anos, não determinando qualquer outra alteração ou ajuste (adição, exclusão ou compensação). Como visto acima, a autoridade fiscal considerou que a amortização do ágio gerado na aquisição das ações por parte da recorrente deveria obedecer a norma contábil editada pela CVM — Comissão de Valores Mobiliários, tendo, por conseguinte, sido lavrado o 12 # Processo n° 11080.011379/2006-51 SI-C1T1 Acórdão n.° 1101-00.354 Fl. 13 auto de infração com a glosa daquilo que foi considerado excesso da quota mensal do ágio objeto da amortização que deixou de ser apurada nos termos do prazo de concessão. Assim, podemos afirmar com segurança, que a base legal para a lavratura do auto de infração foi a Instrução CVM n° 247/1996, cujos arts. 13 e 14 encontram-se abaixo transcritos: DO ÁGIO OU DESÁGIO NA AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTO AVALIADO PELO MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL Art. 13 - Para efeito de contabilizacdo, o custo de aquisição de investimento em coligada e controlada deverá ser desdobrado e os valores resultantes desse desdobramento contabilizados em sub-contas separadas: I - equivalência patrimonial baseada em demonstrações contábeis elaboradas nos termos do artigo 10; e - ágio ou descigio na aquisição ou na subscrição, representado pela diferença para mais ou para menos, respectivamente, entre o custo de aquisição do investimento e a equivalência patrimonial. Art. 14 - O ágio ou descigio computado na ocasião da aquisição ou subscrição do investimento deverá ser contabilizado com indicação do fundamento econômico que o determinou. § 1° 0 ágio ou deságio decorrente da diferença entre o valor de mercado de parte ou de todos os bens do ativo da coligada e controlada e o respectivo valor contábil, deverá ser amortizado na proporção em que o ativo for sendo realizado na coligada e controlada, por depreciação, amortização, exaustão ou baixa em decorrência de alienação ou perecimento desses bens ou do investimento. § 2 0 0 ágio ou deságio decorrente de expectativa de resultado futuro, deverá ser amortizado no prazo e na extensão das projeções que o determinaram ou pela baixa por alienação ou perecimento do investimento. Por oportuno, destaco abaixo alguns aspectos que considero relevantes extraídos da Nota Explicativa A. Instrução CVM 247/96: NOTA EXPLICATIVA À INSTRUÇÃO CVM _AI' 247, DE 27.03.96. Ref: Instrução CVM n° 247, de 27.03.96, que dispõe sobre a avaliação de investimentos em controladas e coligadas e sobre a elaboração de demonstrações contábeis consolidadas. 13 Processo n° 11080.011379/2006-51 SI-C1T1 Acórdão n.° 1101-00.354 Fl. 14 INTRODUÇÃO A evolução da prática contábil internacional, desde a emissão das Instruções CVM n" 01/78 e n" 15/80, tornou imprescindível a realização de uma revisão das referidas normas, com o objetivo de atualizá-las. Com o processo de globalização dos mercados e com o incremento dos fluxos de capitais, tanto aqueles diretamente aportados no Brasil, quanto aqueles obtidos por entidades brasileiras no mercado internacional, cresceu também a necessidade de harmonização dos procedimentos contábeis e do nível de divulgagdo feito pelas companhias abertas. Neste sentido, a atual Instrução buscou não apenas corrigir e consolidar as referidas Instruções n° 01/78 e n" 15/80, como também incorporar alguns avanços que já fazem parte das práticas internacionais. Depreende-se do acima exposto que a citada instrução CVM foi editada tão somente para a non-natização dos procedimentos contábeis das sociedades de capital aberto, sem qualquer efeito para as empresas de capital fechado e muito menos, sem competência para alterar as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, o que somente é factível com a edição de lei. Aliás, para reforçar os argumentos referidos, transcrevo abaixo as funções estabelecidas em lei, de competência da CVM, extraídas de seu site da Internet: www. cvm. go v.br: De acordo com a lei que a criou, a Comissão de Valores Mobiliários exercerá suas funções, afim de: assegurar o funcionamento eficiente e regular dos mercados de bolsa e de balcão, proteger os titulares de valores mobiliários contra emissões irregulares e atos ilegais de administradores e acionistas controladores de companhias ou de administradores de carteira de valores mobiliários; evitar ou coibir modalidades de fraude ou manipulação destinadas a criar condições artificiais de demanda, oferta ou prego de valores mobiliários negociados no mercado; assegurar o acesso do público a informações sobre valores mobiliários negociados e as companhias que os tenham emitido; assegurar a observância de práticas comerciais equitativas no mercado de valores mobiliários; estimular a formação de poupança e sua aplicação em valores mobiliários; 14 15 Processo n° 11080.011379/2006-51 Si -C1T1 Acórdão n.° 1101-00.354 Fl. 15 promover a expansão e o funcionamento eficiente e regular do mercado de ações e estimular as aplicações permanentes em ações do capital social das companhias abertas. Por outro lado, a norma legal que rege a matéria tributária sob exame, encontra-se inserida na Lei n° 9.532/97, em seu artigo 7 0 (e reproduzido no artigo 386 do RIR/99, inciso III), abaixo transcrito: Art. 7° A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societciria adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do Decreto-Lei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (Vide Medida Provisória n° 135, de 30.10.2003) I - deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2' do art. 20 do Decreto-Lei n° 1.598, de 1977, em contrapartida a conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; III -poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "h " do § 2' do art. 20 do Decreto-Lei n" 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados em até dez anos-calendários subseqüentes incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no máximo, para cada mês do período de apuração; III - poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "h" do § 2° do art. 20 do Decreto-lei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes a apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusel() ou cisão, a razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei n°9.718, de 1998) IV - deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "h" do § 2° do art. 20 do Decreto-Lei le 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes a apuração de lucro real, levantados durante os cinco anos-calendários subseqüentes a incorporação, fusão ou cisão, a razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. importante destacar que as instruções emanadas pela CVM são atos administrativos, portanto, infralegais, que não geram quaisquer efeitos fiscais, visto que têm por objeto a regulação das normas contábeis e são endereçadas as companhias de capital aberto. Processo n° 11080.011379/2006-51 Si -C1T1 Acórdão n.° 1101-00354 • Fl. 16 Da simples comparação entre a lei tributária e a Instrução CVM, que fundamentou o presente auto de infração, constata-se a distinção entre a forma de apuração do ágio. A Instrução CVM 247/96, prevê duas formas de apuração do ágio, quais sejam: a) que o ágio pode ser apurado mediante a diferença entre o valor de mercado e o valor contábil dos bens do ativo da controlada; e b) o ágio pode ser apurado mediante a diferença entre o valor pago na aquisição do investimento e o valor de mercado dos ativos e passivos da controlada. Por seu turno, a norma legal em vigor, artigo 20 do Decreto-lei n° 1598/77, dispõe que o ágio será apurado pela diferença entre o valor do custo de aquisição da participação societária e o valor do patrimônio liquido proporcional da empresa investida. Não resta qualquer dúvida que o ágio correspondente a diferença entre o valor de mercado e o valor contábil dos bens da controlada não encontra respaldo legal e, portanto, não pode ser utilizado para fins de dedução da base de cálculo do IRPJ. Esta distinção também ocorre em relação ao prazo de amortização do ágio, no qual a norma legal prevê um determinado prazo, enquanto que a instrução CVM, para fins de apuração do lucro contábil, determina que as companhias de capital aberto realizem a amortização de acordo com o prazo de concessão. Não vejo nenhum empecilho para as empresas sujeitas as detenninações da CVM em atenderem aos dois dispositivos (a instrução CVM e a norma legal), visto que no caso da instrução, para fins de apuração do lucro contábil, não existe um prazo pré-estabelecido para a amortização do ágio, visto que o mesmo fica vinculado ao prazo da concessão, enquanto que a lei fiscal prevê a amortização em 60 meses, independentemente do prazo de concessão. Com isso, fica bem claro que as determinações emanadas pela CVM não possuem qualquer cunho tributário, visto que objetivam regular o mercado de ações e, em especial a relação dos investidores com as empresas. Nesse sentido cabe transcrever as ementas de decisões proferidas por este Tribunal Administrativo: Acórdão n°107-06373, de 22 de agosto de 2001 IRPJ - REDUÇÃO DO LUCRO REAL - 0 lucro contábil não se confunde com o lucro real, base de calculo do IRPJ, portanto, a necessidade de atendimento as normas impostas pela Comissão de Valores Mobiliários - CVM, não autoriza a inobservância da legislação tributária. Acórdão n°101-93.692, de 05 de dezembro de 2002 IRPJ. DESPESAS INDEDUTiVEIS. AJUSTE AO VALOR PRESENTE DE VALORES DE VENDAS E COMPRAS. Não previsão na legislação tributária para se fazer o ajuste das contas Clientes e Fornecedores ao valor presente, segregando as receitas e despesas financeiras para apropriação no momento de suas realizações. 0 ajuste admitido pela CVM — Comissão de Valores Mobiliários não pode gerar efeitos tributcirios e constitui 16 17 Processo n° 11080.011379/2006-51 Si -C1T1 Acórdão n.° 1101-00.354 Fl. 17 inobservância do regime de competência e configura hipótese de postergação de pagamento de imposto, devendo o lançamento da diferença, porventura encontrada, ser efetuado na forma prevista no artigo 219 do RIR/94 e Parecer Normativo COSIT n" 02/96. Acórdão n°103-20.475, de 07 de dezembro de 2000: CSLL. APURAÇÃO DE RESULTADO. AJUSTE AO VALOR PRESENTE. Não há previsão na legislação tributária para se fazer o ajuste das contas Fornecedores e Clientes ao Valor Presente. Tal procedimento, mesmo que admitido pela CVM, tendo em vista que as normas daquele órgão não força para gerar efeitos tributários, constitui inobservância do regime de competência e configura hipótese de postergação do pagamento da CSLL, devendo o lançamento da diferença porventura encontrada, ser efetuado na forma prevista no art. 219 do RIR/94 c/c o PN COSIT n°02/96. Admitir que a CVM, através de um ato administrativo, possui competência para alterar o prazo estabelecido em lei para fins de reconhecer como despesa o valor investido em ágio fere o principio da legalidade em matéria tributária, o qual tem como prevê que só pode ser atribuida uma carga tributária a uma pessoa fisica ou jurídica mediante o comando de uma lei, e, por outro lado, que o Estado não tem nenhum direito alem daquele que a lei expressamente lhe concede, visto que a redução do prazo para amortização do ágio trata-se efetivamente do aumento da carga tributária. No caso, a referida instrução CVM estabeleceu que as companhias que possuem capital aberto, por ocasião da aquisição, com ágio, de participações decorrentes de concessão pública, devem realizar o ágio no prazo estabelecido para a concessão dos serviços. Com efeito, as empresas de capital aberto devem obedecer ao comando da CVM para efetuar os procedimentos contábeis por ela determinados, porém, essa determinação em nada altera o lucro tributável das pessoas jurídicas, incluindo ai as próprias empresas de capital aberto, visto que o artigo 6° do Decreto-lei n° 1.598/77, que é a matriz legal do artigo 247 do RIR/99, instituiu o chamado "Lucro Real", que é a base de cálculo do IRPJ. Portanto, o ponto de partida para a determinação do lucro tributável é o lucro liquido do período, conforme definido no artigo 248 do RIR/99, que nada mais é do que o lucro contábil apurado pelas pessoas jurídicas. Portanto, o lucro real, que serve de base para a apuração do imposto de renda das pessoas jurídicas, deriva do lucro liquido contábil, apurado de acordo com as determinações previstas pela lei comercial, o qual, posteriormente, deve ser ajustado por adições e exclusões determinadas pela norma tributária. 0 lucro contábil, que é apurado antes do lucro tributável, ou seja, aquele serve de ponto de partida para este, tem como norte a Lei n° 6.404/76 (Lei das Sociedades Anônimas) e que deve obedecer, conforme determinação do artigo 177, os princípios fundamentais de contabilidade, in verbis: Processo n° 11080.011379/2006-51 Si -C1T1 Acórdão n.° 1101 -00.354 Fl. 18 Art. 177. A escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta Lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência. § 1° As demonstrações financeiras do exercício em que houver modificação de métodos ou critérios contábeis, de efeitos relevantes, deverão indicá-la em nota e ressaltar esses efeitos. § 2° A companhia observará em registros auxiliares, sem modificação da escrituração mercantil e das demonstrações reguladas nesta Lei, as disposições da lei tributciria, ou de legislação especial sobre a atividade que constitui seu objeto, que prescrevam métodos ou critérios contábeis diferentes ou determinem a elaboração de outras demonstrações financeiras. Assim como a CVM que tem a competência de regular o sistema contábil e as demonstrações financeiras das companhias de capital aberto, também o Banco Central, na Area financeira, tem a função de guardião do mercado financeiro e, conseqüentemente, da higidez do mesmo, há décadas padronizou as regras contábeis para as instituições financeiras, visto que tem competência para tanto, porém, referidas normas, não afetam o lucro tributável das instituições por ele reguladas permanecendo sempre em vigor as regras emanadas pelas leis que ditam as regras em relação a forma de apuração e cálculo dos tributos. No que atine ao Poder Executivo e aos seus órgãos, prevalece que o seu poder normativo deve se limitar A. elaboração de regramentos de caráter estritamente técnico e econômico, restritos ao seu campo de atuação, sem invasão das matérias reservadas à lei, sob pena de violação ao principio da legalidade. Ainda que a Comissão de Valores Mobiliários — CVM, tivesse competência para alterar a legislação tributária — somente para discorrer sobre o assunto — a mencionada Instrução 247 foi editada em 27/03/1996, enquanto que a norma legal que rege a matéria, qual seja, a Lei n° 9.532, foi publicada em 10 de dezembro de 1997, cujos efeitos entraram em vigor em 01 de janeiro de 1998, portanto, caso a instrução CVM tivesse força de lei, como pretende a autoridade fiscal e também a turma de julgamento de primeiro grau, ainda nesse caso, teria a mesma sido alterada pela Lei 9532, não sendo cabível a exigência fiscal. Consequentemente, concluo que não há como manter a exigência fiscal pela dita realização do deságio em desacordo com a Instrução CVM no 247/1996. RECURSO EX OFFICIO Recurso assente em lei (Decreto n° 70.235/72, art. 34, c/c a Lei n° 8.748, de 09/12/93, arts. 1° e 3°, inciso I), dele tomo conhecimento. 181f Processo n° 11080.011379/2006-51 SI -CIT1 Acórdão n.° 1101-00.354 Fl. 19 Passamos a análise do recurso de oficio interposto pela e. Quinta Turma da DRJ em Porto Alegre - RS, contra o Acórdão n° 12.497, de 27/06/2007, que exonerou parcela da exigência tributária constituída contra a interessada. A autoridade fiscal considerou que o ágio registrado no ativo diferido da Celular CRT S/A, como sendo o resultado da transferência de vários valores de ágio, referentes as operações societárias que haviam ocorridas no grupo em fase anterior. Em sua defesa, a interessada justificou que o ágio em questão foi registrado no ativo diferido da Celular CRT S/A originou-se por ocasião da criação da empresa TULA Participações Ltda., o qual, posteriormente, foi transferido para a Celular CRT S/A, em operações de incorporação e cisão. A norma legal prevê a possibilidade de transferência de ágio entre empresas na ocorrência de fusão, cisão e incorporação. Assim, o patrimônio da empresa sucedida passa para o patrimônio da sucessora, representado pelos bens, direitos e obrigações. No caso da existência de ágio no patrimônio da empresa sucedida, será o mesmo transferido para o patrimônio da sucessora. Do voto condutor do acórdão recorrido, transcrevo os excertos abaixo que elucidam muito bem a situação do caso sob exame: Assim, é possível que uma empresa "Investidora" possua ações de uma companhia ("Investida') e, desejando subscrever capital em uma outra empresa "Nova Investida", resolva realizar o aumento de capital na "Nova Investida", mediante conferência das ações da antiga "Investida ". Nessa situação, a "Investidora" deixa de ser investidora direta da antiga "Investida" e passa a ser investidora direta da "Nova Investida". A "Nova Investida", por sua vez, passa a ser investidora direta da antiga "Investida". Nos termos dos arts. 7o e 8o da Lei das S/A, o ativo recebido pela nova investida (participação societária) deve ser coerente com o valor do capital social realizado, conforme avaliação. Nota-se que a empresa "Nova Investida": (1) recebe ações da antiga "Investida" e (2) entrega, à "Investidora ", ações (ou quotas de capital) de sua própria emissão. Caso o valor "pago" pela "Nova Investida" (representado pelo valor de seu capital, entregue a "Investidora" na forma de ações ou quotas de capital de sua emissão) seja maior do que o valor patrimonial da participação societária adquirida (referente à antiga "Investida", entregue pela "Investidora" et empresa "Nova Investida'), nos termos do art. 385 do Decreto 3.000, de 1999, cabe o registro de ágio na aquisição de ações. Por outro lado, há que ser baixado o investimento anteriormente mantido pela "Investidora" na antiga "Investida" podendo, inclusive ser gerado um ganho de capital para a "Investidora". 19 Processo n° 11080.011379/2006-51 SI-CIT1 Acórdão n.° 1101-00.354 Fl. 20 A Lei 10.637, de 2002, conversão da Medida Provisória n° 66 de 2002, deixou essa situação bem clara em seu art. 36 (revogado pela Lei 11.196, de 2005) quando determinou, à época, o diferimento da tributação do ganho de capital acima referido, conforme a seguir reproduzido: Art. 36. Não será computada, na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido da pessoa jurídica, a parcela correspondente a diferença entre o valor de integralização de capital, resultante da incorporação ao patrimônio de outra pessoa jurídica que efetuar a subscrição e integralização, e o valor dessa participação societária registrado na escrituração contábil desta mesma pessoa jurídica. § lo 0 valor da diferença apurada será controlado na parte B do Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur) e somente deverá ser computado na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido: Ora, a determinação legal (atualmente já revogada) de diferimento da tributação de ganho de capital em evento de subscrição e integraliza cão de capital (correspondente ez diferença entre o valor de integralização de capital, resultante da incorpora cão ao patrimônio de outra pessoa jurídica que efetuar a subscrição e integraliza cão, e o valor dessa participação societária registrado na escrituração contábil desta mesma pessoa jurídica), implica a existência de ganho de capital por parte da investidora. Ganho de capital decorre de baixa de ativo e, assim, não há falar em transferência. Por outro lado, a empresa que recebe o investimento fica obrigada a avaliá-lo, podendo surgir — ou não — um ágio. Repare que, conforme exemplo acima apresentado, verifica-se a possibilidade de surgimento de ágio na empresa Nova Investida, sem que haja anteriormente qualquer ágio no patrimônio da empresa Investidora. Isso comprova que não há nesse tipo de operação: transferencia de ágio anterior, mas — tão somente — surgimento de ágio novo, que demanda fundamentação própria. Por ocasião da constituição da empresa controlada Tula Participações Ltda., ocorreu exatamente o caso acima descrito, pois esta recebeu as ações da Celular CRT Participações e efetuou a entrega A. empresa TBS Celular Participações S/A de quotas de capital de sua própria emissão. Nessas condições, o valor investido pela empresa Tula Part. Ltda., representado pelo valor de seu capital, entregue A. TBS Celular Part. S/A — na forma de quotas de capital de sua emissão, foi superior ao valor patrimonial da participação societária adquirida (Celular CRT Part., entregue pela investidora A. empresa nova investida TULA Part. Ltda.). 20 If 21 Processo n° 11080.011379/2006-51 SI-C1T1 Acórdão n.° 1101-00.354 Fl. 21 Esse é o tratamento previsto no art. 386 do RIR/99, verbis: Tratamento Tributário do Ágio ou Deságio nos Casos de Incorporação, Fusão ou Cisão Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei n°9.532, de 1997, art. 7°, e Lei n°9.718, de 1998, art. 10): I - deverá registrar o valor do ágio ou descigio cujo fundamento seja o de que trata o inciso I do § 2° do artigo anterior, em contrapartida el conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II - deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso III do § 2° do artigo anterior, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; 111 -poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2° do artigo anterior, nos balanços correspondentes a apuração de lucro real, levantados posteriormente a incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; IV- deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2" do artigo anterior, nos balanços correspondentes a apuração do lucro real, levantados durante os cinco anos-calendário subseqüentes a incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1° 0 valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão (Lei n° 9.532, de 1997, art. 7°, § 1°). § 2° Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar (Lei n° 9.532, de 1997, art. 7°, § 2°): - o ágio em conta de ativo difefido, para amortização na forma prevista no inciso III; - o deságio em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3" 0 valor registrado na forma do inciso II (Lei n" 9.532, de 1997, art. 7°, § 3°): I - sera considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu Processo n° 11080.011379/2006-51 SI-CIT1 Acórdão n.° 1101-00.354 Fl. 22 causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; 11 -poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4 0 Na hipótese do inciso II do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos ou contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente (Lei n°9.532, de 1997, art. 7°, § § 5 0 0 valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito (Lei n° 9.532, de 1997, art. 7', § § 6° 0 disposto neste artigo aplica-se, inclusive, quando (Lei n° 9.532, de 1997, art. 8"): I - o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor do patrimônio liquido; - a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. § 7° Sem prejuízo do disposto nos incisos III e IV, a pessoa jurídica sucessora poderá classificar, no patrimônio liquido, alternativamente ao disposto no § 2" deste artigo, a conta que registrar o ágio ou deságio nele mencionado (Lei n" 9.718, de 1998, art. 11). Assim, de acordo com o art. 386 do Decreto 3.000, de 1999, é cabível o registro de ágio na aquisição de ações, no patrimônio de TULA Part. Ltda. Esses foram os motivos que a turma julgadora de primeiro grau reconheceu a correção do valor do ágio a ser amortizado pela Celular CRT S/A, considerando que referido valor está fundamentado no laudo de avaliação. A decisão recorrida está devidamente motivada e aos seus fundamentos de fato e de direito, não merecendo reparos. Nessas condições, voto no sentido de negar provimento ao recurso de oficio interposto. 22 Processo n° 11080.011379/2006-51 SI -CITI Acórdão n.° 1101 -00.354 Fl. 23 CONCLUSÀO Pelas razões expostas, voto no sentido de negar provimento ao recurso de oficio e dar provimento recurso voluntário. Sala das Sessões, em 02 de setembro de 2010 Declaração de Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Com a devida vênia, registro as razões de minha divergência quanto ao posicionamento do I. Relator, que acolheu os fundamentos adotados pela 5' Turma da DRJ/Porto Alegre para exoneração parcial da exigência, bem como deu provimento ao recurso voluntário interposto pela contribuinte. Como relatado, a Turma Julgadora restringiu as hipóteses de transferência de ágio aos casos de fusão, cisão ou incorpora cão envolvendo a investida e a investidora, e afastou tal hipótese no contexto presente nestes autos, no qual vislumbrou aquisição de investimento por realização de capital, em razão da qual surgiria novo ágio na nova investidora, ao passo que a antiga investidora deve baixar seu investimento (e respectivo ágio), apurando eventual ganho de capital. Admitiu aquela Turma Julgadora que a entrega, h. "Investidora", de ações (ou quotas de capital) de emissão da "Nova Investida" representaria um "pagamento" desta em favor daquela, e sendo ele maior que o valor patrimonial da participação societária adquirida (referente à antiga "Investida"), seria possível o registro de ágio na aquisição de ações. E transportando estes conceitos para o caso concreto, assim concluiu o I. Relator da DRJ/Porto Alegre: Ora, foi esta a situação que ocorreu com a criação da empresa TULA Part. Ltda.. Com efeito, a empresa "Nova Investida" (TULA Part. Ltda): (1) recebe ações da antiga "Investida" (Celular CRT Part.) e (2) entrega a "Investidora" (TBS Celular Part. S/A) quotas de capital de sua própria emissão. No caso o valor "pago" pela "Nova Investida" — TULA Part. Ltda. (representado pelo valor de seu capital, entregue 4 "Investidora" — TBS Celular Part. S/A — na forma de quotas de capital de sua emissão) foi maior do que o valor patrimonial da participação societária adquirida (referente a antiga "Investida" — Celular CRT Part., entregue pela "Investidora" a empresa "Nova Investida" — TULA Part. Ltda). Processo n° 11080.011379/2006-51 SI-CIT1 AcOrdAo n.° 1101-00.354 Fl. 24 Assim, nos termos do art. 385 do Decreto 3.000, de 1999, cabe o registro de ágio na aquisição de ações, no patrimônio de TULA Part. Ltda. Por outro lado, há que ser baixado o investimento anteriormente mantido pela Investidora – TBS Celular Part. S/A – na Antiga Investida – Celular CRT Part. –podendo gerar um ganho de capital para a Investidora. Dessa forma, depreende-se claramente que o ágio eventualmente existente na "Investidora" não é transferido para a "Nova Investida", mas somente é baixado do ativo da "Investidora", reduzindo o eventual ganho de capital a ser por ela auferido. Isso denota que os vícios dos ágios anteriormente existentes em empresas do grupo não têm o condão de serem transferidos para o ágio surgido no patrimônio da TULA Part. S/A. Com efeito, esses vícios lograriam a existência de ganho de capital nas empresas que deram baixa de seus investimentos (e dos respectivos ágios). Entretanto, não foi esse o lançamento efetuado. Todavia, como bem consignou o autuante nos demonstrativos anexos ao Relatório Fiscal, não houve ali ágio pago, ao qual pudesse ser associado o motivo expresso no laudo de rentabilidade futura apresentado pela empresa fiscalizada. E isto porque não houve terceiros envolvidos nesta operação, mas sim transferência da titularidade das ações entre empresas do mesmo grupo, sob controle comum. O próprio procedimento adotado para esta transferencia, e para aquelas que a antecederam, evidenciam que o ágio ern questão, na verdade, formou-se quando da privatização dos serviços de telefonia, e foi sendo atribuído às empresas sucessoras/adquirentes pelo valor remanescente após as amortizações apropriadas nas empresas sucedidas/alienantes, enquanto estas eram titulares do investimento. Ressalto que o Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações da FIPECAFI (Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras, FEA/USP) elaborado por Sérgio de Iudicibus, Eliseu Martins e Ernesto Rubens Gelbcke (7a Edição) é claro quanto à inexistência de ágio formado em operações de transferência como estas: 11.7 A' GIOS OU DESÁGIOS E AMORTIZAÇÃO 11.7.1 — Introdução e Conceito Os investimentos, como já vimos, são registrados pelo valor da equivalência patrimonial e, nos casos em que os investimentos foram feitos por meio de subscrições em empresas coligadas ou controladas, formadas pela própria investidora, não surge normalmente qualquer ágio ou deságio. Veja-se, todavia, caso especial no item 11.7.6. Todavia, no caso de uma companhia adquirir ações de uma empresa já existente, pode surgir esse problema. 0 conceito de ágio ou deságio, aqui, não éo da diferença entre o valor pago pelas ações e seu valor nominal, mas a diferença entre o valor pago e o valor patrimonial das ações, e ocorre quando adotado o método da equivalência patrimonial. Dessa forma, há ágio quando o preço de custo das ações for maior que seu valor patrimonial, e deságio, quando for menor, como exemplificado a seguir. 11.7.2 Segregação Contábil do Ágio ou Deságio r)24 Processo n° 11080.011379/2006-51 SI-CIT1 Acórdão n.° 1101-00.354 Fl. 25 Ao comprar ações de uma empresa que serão avaliadas pelo método da equivalência patrimonial, deve-se, já na ocasião da compra, segregar na Contabilidade o preço total de custo em duas subcontas distintas, ou seja, o valor da equivalência patrimonial numa subconta e, o valor do ágio (ou deságio) em outra subconta(.) 11.7.3 Determinação do Valor do Ágio ou Deságio a) GERAL Para permitir a determinação do valor do ágio ou deságio, é necessário que, na data-base da aquisição das ações, se determine o valor da equivalência patrimonial do investimento, para o que é necessária a elaboração de um Balanço da empresa da qual se compraram as ações, preferencialmente na mesma data- base da compra das ações ou até dois meses antes dessa data. Todavia, se a aquisição for feita com base num Balanço de negociação, poderá ser utilizado esse Balanço, mesmo que com defasagem superior aos dais meses mencionados. Ver exemplos a seguir. b) DATA-BASE Na pratica, esse tipo de negociação é usualmente um processo prolongado, levando, as vezes, a meses de debates até a conclusão das negociações. A data- base da contabilização da compra é a da efetiva transmissão dos direitos de tais ações aos novos acionistas a partir dela, passam a usufruir dos lucros gerados e das demais vantagens • patrinzoniais.() 11.7.4 Natureza e Origem do Ágio ou Descigio (.) c) ÁGIO POR VALOR DE RENTABILIDADE FUTURA Esse ágio (ou deságio) ocorre quando se paga pelas ações um valor maior (menor) que o patrimonial, em função de expectativa de rentabilidade futura da coligada ou controlada adquirida. Esse tipo de ágio ocorre com maior frequência por envolver inúmeras situações e abranger diversas possibilidades. No exemplo anterior da Empresa B, os $ 100.000.000 pagos a mais na compra das ações representam esse tipo de ágio e devem ser registrados nessa subconta especifica. Sumariando, no exemplo anterior, a contabilização da compra das ações pela Empresa A, por $ 504.883.200, seria (..). 11.7.5 Amortização do Ágio ou Descigio a) CONTABILIZAÇÃO V —Amortização do ágio (descigio) por valor de rentabilidade futura O ágio pago por expectativa de lucros futuros da coligada ou controlada deve ser amortizado dentro do período pelo qual se pagou por tais futuros lucros, ou seja, contra os resultados dos exercícios considerados na projeção dos lucros estimados que justifiquem o ágio.0 fundamento aqui é o de que, na verdade, as receitas equivalentes aos lucros da coligada ou controlada não representam um lucro efetivo, já que a investidora panou por eles antecipadamente devendo, portanto, baixar o ágio contra essas receitas. Suponha que uma empresa tenha pago pelas ações adquiridas um valor adicional ao do patrimônio liquido de $ 200.000, correspondente a sua participação nos lucros dos 10 anos seguintes da empresa adquirida. Nesse caso, tal ágio deverá ser amortizado na base de 10% ao ano. (Todavia, se os lucros previstos pelos quais se pagou o ágio não forem projetados Processo n° 11080.011379/2006-51 SI-CIT1 Acórdão n.° 1101-00.354 Fl. 26 em uma base uniforme de ano para ano, a amortização deverá acompanhar essa evolução proporcionalmente).(.) Nesse sentido, a CVM determina que o ágio ou o deságio decorrente da diferença entre o valor pago na aquisição do investimento e o valor de mercado dos ativos e passivos da coligada ou controlada deverá ser amortizada da seguinte forma (.). 11.7.6 Ágio na Subscrição (..) b) por outro lado, vimos nos itens anteriores ao 11.7 que surge o ágio ou descigio somente quando uma empresa adquire ações ou quotas de uma empresa já existente, pela diferenca entre o valor papo a terceiros e o valor patrimonial de tais ações ou quotas adquiridas dos antigos acionistas ou quotistas. Poderíamos concluir, então, que não caberia registrar um ágio ou deságio na subscrição de ações. Entendemos, todavia, que quando da subscrição de novas ações, em que há diferença entre o valor de custo do investimento e o valor patrimonial contábil, o ágio deve ser registrado pela investidora. Essa situação pode ocorrer quando os acionistas atuais (Empresa A) de uma empresa B resolvem admitir novo acionista (Empresa X) não, pela venda de ações já existentes, mas pela emissão de novas ações a serem subscritas, pelo novo acionista. Ou quando um acionista subscreva aumento de capital no lugar de outro. O preço de emissão das novas ações, digamos $ 100 cada, representa. a negociação pela qual o acionista subscritor está pagando o valor, patrimonial contábil da Empresa B, digamos $ 60, acrescido de uma mais-valia de $ 40, correspondente, por exemplo, ao fato de o valor de mercado dos ativos da Empresa B ser superior a seu valor contabilizado. Tal diferença representa, na verdade, uma reavaliação de ativos, mas não registrada pela Empresa B, por não ser obrigatória. Notemos que, nesse caso, não faz sentido lógico que o novo acionista ou mesmo o antigo, ao fazer a integralização do capital, registre seu investimento pelo valor patrimonial das suas ações e reconheça a diferença como perda não operacional. Na verdade, nesse caso, o valor pago a mais tem substância econômica bem fundamentada e deveria ser registrado como um ágio, baseado no maior valor de mercado dos ativos da Empresa B. "(destaquei). Logo, é necessária uma aquisição onerosa de terceiros para formação do ágio, exigência também expressa na legislação tributária: Decreto-lei n° 1.598, de 30 de dezembro de 1977 Art.20 - 0 contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio liquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I - valor de patrimônio liquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II - ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. 5S' 1 0 - 0 valor de patrimônio liquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. 5S. 2 0 - O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade,. OP 26 Processo n° 11080.011379/2006-51 SI-C1T1 Acórdão n.° 1101-00354 Fl. 27 b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base ern previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. 3" - O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2" deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. 4' - As normas deste Decreto-lei sobre investimentos em coligada ou controlada avaliados pelo valor de patrimônio liquido aplicam-se as sociedades que, de acordo com a Lei n°6.404, de 15 de dezembro de 1976, tenham o dever legal de adotar esse critério de avaliação, inclusive as sociedades de que a coligada ou controlada participe, direta ou indiretamente, com investimento relevante, cuja avaliação segundo o mesmo critério seja necessária para determinar o valor de patrimônio liquido da coligada ou controlada. [...] Art. 23. [...] 5 0 - Não serão computadas na determinação do lucro real as contrapartidas de ajuste do valor do investimento ou da amortização de ágio ou deságio na aquisição, nem os ganhos ou perdas de capital derivados de investimentos em sociedades estrangeiras coligadas ou controladas que não funcionem no Pais. Lei 9.532, de 10 de dezembro de 1997 Art. 7° A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou descigio, apurado segundo o disposto no art. 20 do Decreto-Lei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977: - deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2° do art. 20 do Decreto-Lei n° 1.598, de 1977, em contrapartida a conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; - deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do sS' 2° do art. 20 do Decreto-Lei n° 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III - poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "h" do § 2° do art. 20 do Decreto-Lei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente a incorporação, fusão ou cisão, a razão de 1/60 (um sessenta avos), no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei 9.718, de 27/11/98) IV - deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "h" do § 2° do art. 20 do Decreto-Lei le 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes ei apuração de lucro real, levantados durante os cinco anos- calendário subseqüentes a incorporação, fusão ou cisão, a razão de 1/60 (uni sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apura cão. sç 1 0 0 valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. sf 2° Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: Processo n° 11080.011379/2006-51 SI -CIT1 Acórdão n.° 1101-00.354 Fl. 28 a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. ,sç 300 valor registrado na forma do inciso II do caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comercio ou do intangível que lhe deu causa. § 4 0 Na hipótese da alínea "h" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comercio ou intangível sujeitará a pessoa fisica ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 5° 0 valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. Art. 8" 0 disposto no artigo anterior aplica-se, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio liquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societciria." (negrej ou -se) É, portanto, o ágio pago na aquisição de investimentos que pode ser amortizado. Refere-se o art. 7° da Lei n° 9.532/97 ao ágio apurado segundo o disposto no art. 20 do Decreto-Lei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e este, por sua vez, trata do ágio formado entre o custo de aquisição do investimento e o valor do patrimônio liquido na época da aquisição. Assim, se houver uma efetiva aquisição, e o patrimônio liquido da adquirida se mostrar menor que o custo de aquisição do investimento surgirá o ágio passível de amortização com efeitos na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, desde que a pessoa jurídica detentora da participação societária adquirida com ágio incorpore a investida, ou vice-versa (art. 8° , alínea "h" da Lei n° 9.532/97). Tal tema, inclusive, já foi apreciado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mas em situações mais gravosas, nas quais o ágio surge internamente, mediante reorganização societária envolvendo apenas empresas sob controle comum. Neste contexto, foram as seguintes as conclusões do I. Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, expressas no Acórdão n° 1301-00.058 e acolhidas por unanimidade pela l a Turma Ordinária da 3 a Câmara desta l a Seed() de Julgamento, em sessão de 13 de maio de 2009: 0 que se observa é que os administra dores da Recorrente e de outras empresas a ela ligadas, em um prazo de cinco dias, tomando por base uma avaliação discutível do seu patrimônio, aproveitaram-se de uma reorganização societária para fazer surgir uma despesa vultosa, classificada como AGIO, e, a partir dai, reduzir o lucro tributável. Nil 28 Processo n° 11080.011379/2006-51 Si -C1T1 Acórdão n.° 1101-00.354 Fl. 29 0 planejamento tributário engendrado pela Recorrente, que ao menos no que tange aos seus efeitos fiscais revela o lado perverso das práticas adotadas sob esse manto, representou, em síntese, a criação de uma despesa que tem por base a própria mais valia do seu patrimônio, isto é, a contribuinte, a partir de uma avaliação encomendada por ela própria, fez refletir no seu ativo os resultados de uma suposta rentabilidade futura e, por meio de uma reorganização societária, sem despender um único centavo, transformou essa mais valia em uma despesa. Como salientado pela autoridade fiscal, o ágio objeto de amortização por parte da Recorrente, na forma como foi criado, representa a sua própria expectativa de lucro, nascida em decorrência da avaliação solicitada ci empresa ERNST & YOUNG. 0 que salta aos olhos é que, como bem ressaltou a autoridade fiscal, a intenção da Recorrente foi, paralelamente aos interesses estritamente societários, forjar a existência de um ágio para, a partir da conseqüente redução da incidência tributária, propiciar ganhos para os seus acionistas. - Note-se que a autoridade fiscal, ainda que tenha tratado o ágio apropriado como fruto de artificialismo, não questionou os motivos alegados pela Recorrente para promover as operações aqui tratadas, ou seja, diferentemente do arguido por ela, não se imiscuiu em seus negócios, declarando-os ilegais ou ilegítimos. Apenas e tão-somente demonstrou que os efeitos fiscais buscados pela empresa, a luz da legislação do imposto de renda, não poderiam ser admitidos. A meu ver, outra não poderia ser a conclusão, pois, no' caso vertente, em que a despesa apropriada decorreu de mais valia do patrimônio daquela que almeja beneficiar-se de sua dedutibilidade, não há que se falar em ágio decorrente de aquisição de participação societária. Aqui, porém, a autoridade lançadora entendeu que houve formação de ágio na criação da TBH S/A, cujo capital foi integralizado mediante conferencia das ações (mantidas pelos antigos acionistas) da CRT, o qual não estava devidamente fundamentado em rentabilidade futura, a inviabilizar a dedução parcial dos valores contabilizados pela autuada. No entanto, há evidencias de formação de ágio na aquisição original da CRT por aqueles acionistas, aquisição esta que se deu em razão da privatização daquela empresa, cujo Edital estipularia preço inicial fundamentado em rentabilidade futura. Assim, no suposto de que sejam verdadeiras estas alegações contidas em recurso voluntário — até porque sua confirmação não se justifica ante o resultado do julgamento favorável A. autuada, pelas razões expostas pelo I. Relator José Ricardo da Silva — o ágio transferido até o momento em que se verificou o evento previsto no art. 7° da Lei n° 9.532/97 teria fundamento, sim, em rentabilidade futura, não havendo motivo para acolher o recurso de oficio decorrente da exoneração desta exigência. Estas as razões, portanto, que adoto para também NEGAR PROVIMENTO ao recurso de oficio. Quanto ao recurso voluntário, verificando que o ágio amortizado pela autuada teve origem na aquisição dos investimentos oferecidos em razão da privatização dos serviços de telefonia, tenho por correto o entendimento fiscal que estabeleceu sua amortização no prazo da concessão de tais serviços públicos. L. Processo n° 11080.011379/2006-51 SI-CIT1 Acórdão n.° 1101-00.354 Fl. 30 Somente admitindo-se a formação do ágio em 09/10/2000 seria possível cogitar de sua amortização nos cinco anos que serviram de base h expectativa de rentabilidade futura, como aventado nos Pareceres apresentados pela autuada. No caso em exame, porém, o ágio amortizado, por tudo antes exposto, formou-se na privatização inicial dos serviços de telefonia, e na aquisição complementar de 50,12% do capital da CRT, em 24/06/98, devendo a despesa dai decorrente ser apropriada ao resultado na mesma proporção das receitas correspondentes, consoante expresso na Resolução CFC n° 750/93: SEÇÃO O PRINCÍPIO DA COMPETÊNCIA Art. 9° As receitas e as despesas devem ser incluídas na apuração do resultado do período em que ocorrerem, sempre simultaneamente quando se correlacionarem, independentemente de recebimento ou pagamento. § 1° 0 Principio da COMPETÊNCIA determina quando as alterações no ativo ou no passivo resultam em aumento ou diminuição no patrimônio liquido, estabelecendo diretrizes para classificageio das mutações patrimoniais, resultantes da observância do Principio da OPORTUNIDADE. § 2 0 0 reconhecimento simultâneo das receitas e despesas, quando correlatas, é conseqüência natural do respeito ao período em que ocorrer sua geração. § 3° As receitas consideram-se realizadas: I — nas transações com terceiros, quando estes efetuarem o pagamento ou assumirem compromisso firme de efetivá-lo, quer pela investidura na propriedade de bens anteriormente pertencentes a ENTIDADE, quer pela fruição de serviços por esta prestados; II — quando da extinção, parcial ou total, de um passivo, qualquer que seja o motivo, sem o desaparecimento concomitante de um ativo de valor igual ou maior; III — pela geração natural de novos ativos independentemente da intervenção de terceiros; IV— no recebimento efetivo de doações e subvenções. § 4" Consideram-se incorridas as despesas: I — quando deixar de existir o correspondente valor ativo, por transferência de sua propriedade para terceiro; 11 —pela diminuição ou extinção do valor econômico de um ativo; 111 —pelo surgimento de um passivo, sem o correspondente ativo. Logo, é irrelevante discutir a submissão da empresa às regras estabelecidas pela Comissão de Valores Mobiliários — CVM se, em sua essência, a apropriação daqueles valores no resultado deve observar o prazo da concessão do serviço público. Todavia, quanto h alegação de postergação, é de se dar razão à recorrente. Vê-se na memória de cálculo adotada pela autoridade lançadora que o procedimento fiscal concluído em 22/12/2006 cuidou de considerar os efeitos da glosa parcial da amortização até o encerramento do ano-calendário 2005, consignando que, muito embora ainda restasse 1/60 do ágio a ser amortizado pela autuada no ano-calendário 2006, contra 33/85 da amortização admitida na autuação, a apuração da contribuinte ainda não estaria disponível. Processo n° 11080.011379/2006-51 Si-CITI Acórdão n.° 1101-00.354 Fl. 31 Demonstração da glosa de despesas com amortização de ágio - nos termos do Relatório de Auditoria Fiscal Valor considerado pela fiscalizada Valor calculado pela fiscalização * Glosa saldo de ágio em outubro de 2000 489.561.174,48 153.765.263,47 período de amortização do ágio 60 meses 85 meses amortização mensal 8.159.352,91 1.809.003,10 despesa de amortização anual . 2000 16.318.705,82 2 meses 3.618.006,20 2 meses não lançado 2001 97.912.234,90 12 meses • • 21.708.037,20 12 meses 76.204.197,70 2002 97.912.234,90 12 meses 21.708.037,20 12 meses 76.204.197,70 2003 97.912.234,90 12 meses 21.708.037,20 12 meses 76.204.197,70 2004 97.912.234,90 12 meses 21.708.037,20 12 meses 76.204.197,70 2005 73.434.176,17 9 meses 21.708.037,20 12 meses 51.726.138,98 2006 não disponível I meses 21.708.037,20 12 meses não lançado 2007 - 0 meses 19.899.034,10 11 meses não lançado TOTAIS 60 meses 85 meses * desconsiderando o ágio de 1997 e considerando segregação entre telefonia celular e fixa do laudo da Lehman A autoridade julgadora de 1a instância, por sua vez, afastou a possibilidade de postergação nos seguintes termos: É verdade que, de 2006 em diante (caso fosse mantido o critério de amortização de ágio considerado pelo contribuinte) poderia ocorrer oferecimento ao fisco dos tributos recolhidos a menor nos anos anteriores. Porém, saliente-se, o ano de 2006 nem sequer havia terminado, ou seja, ainda não havia ocorrido o fechamento de qualquer período de apuração em que pudesse ser — eventualmente — oferecido tributo intempestivamente ao fisco. A recorrente, porém, prova que em 31/10/2006 houve apuração de IRPJ e CSLL em razão de evento especial ocorrido naquela data, apuração esta que resultou em bases de cálculo positivas com conseqüente tributo devido e pago, ainda que mediante a utilização de antecipações e retenções na fonte. Registro que embora a DIPJ apresentada nos memorais tenha sido retificada em 2009, os dados da declaração original apresentada em 29/11/2006, constantes dos sistemas informatizados da Receita Federal, também apontavam resultados positivos em 31/10/2006. Ressalvo, ainda, que não vislumbro a postergação como causa formal de improcedência de lançamento. Isto somente ocorre quando seu reconhecimento depende da inclusão de fatos novos, a ensejar cerceamento ao direito de defesa da autuada. Este, porém, é o contexto que verifico na presente exigência, na qual não considero possível aferir os efeitos da postergação sem tal inovação. De fato, a se considerar que em cada período de apuração há uma glosa que pode ter sido total ou parcialmente oferecida A. tributação em 31/10/2006, mediante dedução de uma amortização inferior àquela admitida pela Fiscalização, seria necessário especificar um critério para determinação desta parcela que, inicialmente antecipada, foi posteriormente co 3 Processo n° 11080.011379/2006-51 SI-C1T1 AcOrdAo n.° 1101-00.354 Fl. 32 oferecida à tributação, para assim lhe imputar o recolhimento efetuado em atraso, explicitando- se, também, os efeitos desta mora. Não sendo possível assim proceder nesta instância de julgamento sem prejuízo A. defesa da interessada, voto também por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. )(LOLL tt-aa EDE I PEREIRA BESSA — Conselheira ., 32
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Numero do processo: 19515.722305/2012-46
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3302-000.460
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES - Relator.
EDITADO EM: 10/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. EDITADO EM: 10/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .7 22 30 5/ 20 12 -4 6 Fl. 2704DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 19515.722305/201246 Resolução nº 3302000.460 S3C3T2 Fl. 102 2 RELATÓRIO Por bem retratar a matéria aqui tratada, transcrevo o relatório produzido pela DRJ de Florianópolis: Tal verificação fiscal tinha como objetivo analisar os créditos de PIS e de Cofins utilizados pela empresa quando da apuração da base de cálculo das contribuições. O início da fiscalização se deu em 26/08/2011. De acordo com os autos, o impugnante foi intimado pela fiscalização a apresentar vasta documentação contábil e fiscal, entre outros, conforme a seguir: Livro de Registro de Saídas; Livro Registro de Inventário; Livro Lalur; Balancete contábil mensal e acumulado; Plano de Contas; DIRPJ/DIPJ; arquivos magnéticos de notas fiscais, e arquivos com itens de mercadorias e de serviços com notas fiscais de entrada e de saída (fls. 194 a 202); Planilha com os valores declarados no DACON com a base de cálculo das contribuições (fls. 536 a 895); Notas Fiscais (fls. 896 a 1.206); Notas Fiscais emitidas da Pepsico para a própria Pepsico (fls.1.207 a 1.233); Notas Fiscais de frete entre estabelecimentos (fls. 1.234 a 1.276); Notas Fiscais relativas a materiais de consumo (fls. 1.277 a 1.371); Notas Fiscais – Serviço de Transporte (fls. 1.372 a 1.391); Notas Fiscais de Combustíveis (fls. 1.392 a 1.435); e Notas Fiscais de prestação de serviços (fls. 1.436 a 1.560). Além desses documentos apresentados via intimação, também foram analisados outros elementos de prova constantes nos sistemas da Receita Federal, como as contas contábeis específicas (SPED Contábil de 2008). A fiscalização apurou divergências entre os arquivos digitais apresentados pela empresa (conforme recibos do SVA – Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais) e os informados pelo próprio contribuinte no DACON. Destacou a fiscalização que a empresa teve um prazo de 11 meses para a apresentação desses arquivos digitais, visto seus pedidos de prorrogação. Da análise dos documentos apresentados pelo contribuinte constatou a fiscalização o aproveitamento de créditos de PIS e de Cofins em desacordo com a legislação específica. Conforme o Termo de Verificação Fiscal (fls. 1.647 a 1.676) foram identificadas as seguintes irregularidades de valores considerados como insumos e que deveriam ser glosados: insuficiência de bens utilizados como insumo e combustível com as notas fiscais apresentadas; energia; devolução de vendas (da empresa para a própria empresa); créditos com alíquota diferenciada; serviços de terceiros que não apresentavam características vinculadas à produção; e outras operações não caracterizadas como insumos (ver Tabela da fl. 1.642). Fl. 2705DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 19515.722305/201246 Resolução nº 3302000.460 S3C3T2 Fl. 103 3 A ciência foi dada ao contribuinte em 13/12/2012 (fls. 1.678), tendo o contribuinte apresentado impugnação em 11/01/2013 (fls. 1.683 a 1.732). Em síntese o impugnante faz as seguintes alegações: Preliminarmente a) Nulidade devido à ilegalidade da presunção como meio de prova: entende que as supostas inconsistências basearamse na análise de documentação por amostragem, defendendo que deveriam ser analisados todos os documentos para comprovar a infração. b) Nulidade por inconsistências localizadas na apuração dos montantes questionados pela fiscalização, argumentando também que houve cerceamento do direito de defesa decorrente da ausência de descrição fática clara e precisa quanto à suposta infração praticada. Descreve três erros de cálculo na apuração fiscal. No mérito Discorre, inicialmente, sobre o que entende que a doutrina e a jurisprudência consideram como conceito de insumo para fins de apuração de créditos de PIS e de Cofins. Na seqüência comenta as despesas que teriam sido glosadas pela fiscalização discordando em síntese com base na seguinte argumentação: a) QUE de acordo com os artigos 3º das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, a pessoa jurídica poderá descontar, do valor devido das contribuições, créditos computados em relação a determinados custos e despesas com a aquisição de bens e serviços utilizados em sua atividade empresarial; b) QUE com fundamento no artigo 66, da IN nº 247/02, bem como no artigo 8º da IN nº 404/04, a fiscalização considera insumo apenas os bens ou serviços diretamente utilizados na fabricação ou na produção de bens destinados à venda, ou aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Contudo, discorre que o conceito de insumo deve ser analisado de forma ampla, de modo a contemplar a totalidade dos dispêndios essenciais para o processo produtivo da empresa, do qual resulta a geração de sua receita e faturamento. Fala que as Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 não apresentam quaisquer ressalvas quanto aos conceito de insumos, seja em relação à natureza dos bens e serviços adquiridos, seja no que se refere a sua aplicação, direta ou indiretamente, no processo produtivo ou na prestação de serviços.Me nciona que tal entendimento já teria sido inclusive ratificado pelo CARF e STJ; c) QUE no que tange ao combustível, em vista do conceito de insumo anteriormente exposto, pode afirmar que existe uma inerência entre as despesas incorridas com os veículos utilizados diretamente e exclusivamente para a venda de mercadorias da requerente, que geram a receita tributável pelo PIS e Cofins. Ou seja, comenta que os gastos com o combustível indicados pelo Agente Fiscal são despesas que deveriam ser incorridas para a geração da receita tributável e, portanto, gerariam créditos para essas contribuições; d) QUE em relação à devolução de mercadorias, compreende ter demonstrado que se tratam de devoluções de venda de terceiros que, por mero equívoco no preenchimento de notas fiscais, indicou uma devolução da requerente para a própria requerente, como comprovam os documentos ora juntados. Não obstante, caso assim não se entenda, o que se admite para fins de argumentação, o impugnante requer a conversão do presente julgamento em diligência, para que Fl. 2706DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 19515.722305/201246 Resolução nº 3302000.460 S3C3T2 Fl. 104 4 seja comprovado que as notas fiscais ora questionadas dizem respeito a efetivas devoluções de mercadorias de seus clientes certos e, pois, aptas a gerar a apuração de créditos de PIS/Cofins; e) QUE com relação às despesas com serviços cujos créditos de PIS e de Cofins foram glosados, argumenta que não há dúvidas de que estas despesas são essenciais à sua atividade, seja porque o seu aproveitamento está expressamente autorizado em outras hipóteses previstas na legislação. Além disso, diz que se as autoridades fiscais tivessem efetivamente analisado todos os documentos relacionados aos serviços, poderiam ter confirmado o direito ao crédito da requerente. Não obstante, para sanar quaisquer dúvidas sobre o tipo de serviço contratado e sua vinculação ao processo produtivo, requer a realização de diligências e a produção de provas para que sejam analisados todos os documentos de todos os serviços contratados; f) QUE no que tange aos créditos extemporâneos, o impugnante entende que inexiste qualquer vedação expressa na legislação que impeça a escrituração de créditos extemporâneos sem a retificação dos respectivos documentos fiscais ou, contrariamente, que obrigue a realização de tais retificações. Ademais, fala que não se pode perder de vista que o direito ao crédito nas hipóteses ora analisadas encontram respaldo na legislação e que os créditos estão embasados em documentos hábeis e idôneos, não questionados pela fiscalização. g) QUE é inadequada a aplicação da taxa de juros Selic sobre o valor da multa de ofício. Por fim, protesta ainda pela juntada posterior de documentos a corroborar seu direito, bem como a realização de diligências para a conseqüente produção de prova pericial, para a comprovação de que as glosas de PIS e de Cofins realizadas pela autoridade fiscal nas hipóteses antes mencionadas são improcedentes. A par dos argumentos lançados na impugnação apresentada, a DRJ entendeu por bem manter o lançamento em decisão que assim ficou ementada: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 DESPESAS FORA DO CONCEITO DE INSUMOS. Existe vedação legal para o creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade. PERÍCIA. PEDIDO INDEFERIDO. Indeferese o pedido de perícia quando as informações necessárias se encontram nos autos e não é demonstrada sua real necessidade para a solução do litígio. Ainda mais quando o lançamento do crédito tributário está todo baseado em documentação apresentada pelo próprio contribuinte. AUTO DE INFRAÇÃO. AMOSTRAGEM. Na alegação de direito creditório relativo às contribuições sociais apuradas pelo regime da nãocumulatividade no DACON, cabe ao contribuinte demonstrar, por meio de registros e documentos contábeis e fiscais, a existência do crédito informado. O uso, pela autoridade fiscal, quando do procedimento fiscalizatório, de aferições por amostragem destinadas a identificar operações e/ou grupo de operações, se conforma como Fl. 2707DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 19515.722305/201246 Resolução nº 3302000.460 S3C3T2 Fl. 105 5 medida investigatória regular. Registrese, também, que o Auto de Infração tem como base documentos que evidenciam que todos os dados foram obtidos de documentos fiscais e contábeis da empresa, fornecidos pela mesma mediante intimação. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO DE DACON E DCTF. É exigida a entrega de DACON e DCTF retificadores quando houver aproveitamento extemporâneo de créditos da contribuição para o período desse litígio. MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. Cobramse juros de mora equivalentes à taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic – por expressa previsão legal. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 DESPESAS FORA DO CONCEITO DE INSUMOS. Existe vedação legal para o creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela nãocumulatividade. PERÍCIA. PEDIDO INDEFERIDO. Indeferese o pedido de perícia quando as informações necessárias se encontram nos autos e não é demonstrada sua real necessidade para a solução do litígio. Ainda mais quando o lançamento do crédito tributário está todo baseado em documentação apresentada pelo próprio contribuinte. AUTO DE INFRAÇÃO. AMOSTRAGEM. Na alegação de direito creditório relativo às contribuições sociais apuradas pelo regime da nãocumulatividade no DACON, cabe ao contribuinte demonstrar, por meio de registros e documentos contábeis e fiscais, a existência do crédito informado. O uso, pela autoridade fiscal, quando do procedimento fiscalizatório, de aferições por amostragem destinadas a identificar operações e/ou grupo de operações, se conforma como medida investigatória regular. Registrese, também, que o Auto de Infração tem como base documentos que evidenciam que todos os dados foram obtidos de documentos fiscais e contábeis da empresa, fornecidos pela mesma mediante intimação. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO DE DACON E DCTF. É exigida a entrega de DACON e DCTF retificadores quando houver aproveitamento extemporâneo de créditos da contribuição para o período desse litígio. MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. Cobramse juros de mora equivalentes à taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic por expressa previsão legal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Contra esta decisão foi apresentado recurso voluntário onde são reprisados os argumentos lançados na impugnação. Em 18/08/2014, a Recorrente informa a adesão parcial a reabertura do parcelamento da Lei nº 11.941/09 promovida pela Lei nº 12.973/14 e 12.996/14, e que, por Fl. 2708DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 19515.722305/201246 Resolução nº 3302000.460 S3C3T2 Fl. 106 6 consequência, desistiu da discussão administrativa em relação as glosas de “bens como insumos (insuficiência)” e “energia” no periodo de janeiro de 2008 a dezembro de 2008. VOTO Alexandre Gomes – Conselheiro Relator. O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Para melhor delimitar a matéria que permanece em discussão no presente processo, listo os itens lançados nos autos de infração conforme constam do TFV: Bens utilizados como insumos; Despesas de energia eletrica e energia térmica, inclusive forma a forma de vapor; devoluções de vendas; serviços utilizados como insumos; outras operações com direito a crédito (creditos extemporâneos). Pois bem, em relação aos intes “a” e “b” acima houve a desistência do recurso interposto, morito pelo qual passo a analisar os demais itens. No tocante as glosas relativas as devoluções de vendas temos, de um lado, a Decisão recorrida sustentando a glosa efetuada com base nos seguintes argumentos: A fiscalização glosou créditos de devolução de vendas da Pepsico para a própria Pepsico (conforme fls. 1.207 a 1.233). O contribuinte argumenta que tal glosa não pode prosperar, pois a mesma decorreria de vendas realizadas a destinatários certos e que no caso de recusa no recebimento por parte desses não haveria emissão de nota fiscal de devolução, o mesmo ocorrendo no caso de vendas sem destinatários certos. Mais uma vez foi observado pela fiscalização uma divergência entre os valores apresentados nas notas fiscais em arquivos magnéticos com os declarados pela empresa no cômputo da base de cálculo dos insumos das contribuições (DACON). Concluiuse que essas específicas notas fiscais emitidas pela Pepsico para a própria Pepsico, na verdade não apresentariam as características de recusa, visto que a Pepsico não iria recusar a nota fiscal dela mesma. Portanto, não haveria como se aproveitar de créditos com origem em insumos desse tipo de operação. Ressaltase que as outras notas fiscais de devolução onde constavam empresas clientes da Pepsico não foram glosadas. Fl. 2709DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 19515.722305/201246 Resolução nº 3302000.460 S3C3T2 Fl. 107 7 Dessa forma, não há como a empresa querer que seja gerado insumo de uma operação realizada em tese com ela mesma. Além do mais, é ainda de se observar que o art. 23 da Instrução Normativa da SRF nº 247/2002 define que os valores de vendas canceladas podem ser excluídos ou deduzidos da receita bruta, quando a tenham integrado: “Art. 23. Para efeito de apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da COFINS incidentes sobre o faturamento, observado o disposto no art. 24, podem ser excluídos ou deduzidos da receita bruta, quando a tenham integrado, os valores: I – das vendas canceladas.” O mesmo se encontra disposto no inciso VIII, do art. 3º, das Leis nº 10.637/20 e nº 10.833/03, sobre o qual reproduzimos essa última: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei.(gn) Ou seja, as devoluções de venda não geram créditos de PIS e de Cofins, salvo se foram inclusas as receitas no faturamento da empresa. Em que pese para a fiscalização já estar claro que essas operações da empresa para com ela mesma não se tratavam de insumos, constatase também que tais devoluções não foram integradas ao faturamento da empresa, tendo em vista que o Auto de Infração ter levado em conta no seu enquadramento os dispositivos estabelecidos no referido artigo 3º das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03. Assim, no enteder da fiscalização, além de as glosas terem sido efetuadas em operações que não se carcterizaram como devoluções de mercadorias, também não houve a devida tributação quando da saida destas mercadorias do estabelecimento da Recorrente. A Recorrente por sua vez aduz que: Fl. 2710DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 19515.722305/201246 Resolução nº 3302000.460 S3C3T2 Fl. 108 8 Analisando os documentos juntados com a Impugnação é possível aferir que as referidas notas fiscais (fls 2.015 a 2.031) são na verdade devoluções realmente efetivadas que identificam claramente o destinatário que recusou as mercadoria. Existe menção, inclusive, a nota fiscal de saída da mercadoria. Contudo, conforme destacado pelo TFV, estas operações não foram glosadas. A Glosa ocorreu somente em relação as operações em que não foi possível identificar o destinatário da mercadoria ou ainda a nota fiscal de saída relacionada. O TFV assim consignou: 67. A empresa foi intimada através do TIF 16 (anexo D) a apresentar por amostragem as NF emitidas pela Pepsico para a própria Pepsico, as quais não apresentam características de recusa, uma vez que a Pepsico não recusa NF dela mesma (DOC 10). É evidente que essas notas fiscais não refletem uma recusa e por isso todas as NFs desse CFOP que forem emitida da Pepsico para a própria Pepsico não serão aceitas como sugere a empresa. Segue no DOC 22 amostragens digitalizadas dessas Notas Fiscais. 69. As notas fiscais do CFOP 1949 cujo nome dos participantes são empresas clientes da Pepsico e que foram verificadas como tal através da amostragem de NFs apresentadas pela empresa em resposta ao TIF 15 ( DOC 21 e DOC 21a) apresentam características de recusa e por isso não foram glosadas e sim aproveitadas pela fiscalização. Ou seja, a fiscalização reconhece que existem notas do CFOP que se revestem da característica de devolução uma vez que a amostragem efetuada pela Recorrente claramente comprova isso, mas prefere manter a glosa sobre a totalidade das operações do CFOP 1949, aceitando os créditos somente em relação as notas fiscais apresentadas pela Recorrente. Fl. 2711DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 19515.722305/201246 Resolução nº 3302000.460 S3C3T2 Fl. 109 9 Ainda que entenda ser viável a verificação por amostragem de notas fiscais ou outros documentos é preciso, para glosar créditos ou até mesmo efetuar lançamentos, verificar a existência nota a nota de outras situações que sejam também excludentes. Em relação aos serviços que geram direto ao crédito, basicamente a Recorrente defende a possibilidade de creditamento em relação a contratação de operações de industrialização por encomenda; armazenagem e atendimento a clientes. Instado a comprovar a divergência encontrada entre os créditos informados em DACON e o valor total das notas fiscais apresentadas, a Recorrente, no entender da fiscalização, não logrou êxito, tendo sido mantida a glosou parcial de tais créditos sob o argumento de que as operações não estavam relacionadas as atividades produtivas da Recorrente. Para a fiscalização “os serviços verificados atraves das NFs em envio papel de prestação de serviço sem CFOP (anexo B do TIF 16) não apresentam características de serviços vinculados à produção, característica necessária conforme dispositivo legal para dar direito a crédito.” A Recorrente junta cópia de contratos firmados com seus fornecedores a fim de comprovar a prestação de serviços de industrialização por encomenda. Do Recurso protocolado destaco o seguinte trecho: 96. Entre outros, a Recorrente celebrou contrato de serviço de industrialização por encomenda com as empresas LSI LOGÍSTICA LTDA., SÃO DOMINGOS INDÚSTRIA (SDI) E SERVIÇOS LTDA E PROFICENTER SERVIÇOS TERCEIRIZADOS LTDA. A contratação de serviços de industrialização por encomenda é, sem qualquer lugar a dúvida, insumo da atividade produtiva da Recorrente, na media em que se configura em serviço essencial e indispensável para suas atividades. No tocante aos serviços de armazenagem, a Recorrente aduz que: 99. Em relação às despesas com serviços de armazenagem, a Recorrente celebrou contrato com as empresas MUNDIAL LOGÍSTICA INTEGRADA LTDA.; GTECH – TRASNPORTES & LOGISTICA LTDA.; RAJA LOJÍSTICA LTDA.; FRISA – FRIGORÍFICO RIO DOCE S.A.; e COMÉRCIO E AGROÍNDUSTRIA BORTAS LTDA. Como se pode verificar da análise dos contratos celebrados com essas empresas, a Recorrente necessita que os seus produtos sejam armazenados em locais específicos, seja em função da sua distribuição, seja para evitar o seu perecimento. Para a fiscalização “a armazenagem de bens somente poderia dar crédito se enquadrada dentro do conceito de insumo na produção ou fabricação, como se vê no inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.833/03.” Como se percebe dos trechos destacados acima, existe alguns pontos que precisam ser melhor esclarecidos uma vez que, da análise feita da documentação dos termos existentes no presente processo, não é possível determinar que esta com a razão. Fl. 2712DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 19515.722305/201246 Resolução nº 3302000.460 S3C3T2 Fl. 110 10 Por este motivo entendo ser necessário que o presente processo seja baixado em diligencia para que a fiscalização intime a Recorrente: a) para que esta apresente planilha acompanhada de notas fiscais e outros documentos que entender pertinentes que comprovem a operação de devolução de mercadorias alegada; b) descreva os serviços de industrialização por encomenda relacionados as empresas LSI LOGÍSTICA LTDA., SÃO DOMINGOS INDÚSTRIA (SDI) E SERVIÇOS LTDA E COMERCIO E AGROINDÚSTRIA BROTAS e sua relação com o seu processo produtivo, trazendo prova dos fatos alegados; c) informe se as despesas com armazenagem estão relacionadas a produtos acabados; Após o recebimento da resposta, deve a autoridade preparadora elaborar relatório circunstanciado, manifestandose sobre as informações e documentos apresentados. Deste relatório circunstanciado deve ser intimada a Recorrente para manifestação. Após retornem os autos para continuidade do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Gomes – Relator. Fl. 2713DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ALEXANDRE GOMES
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