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Numero do processo: 10166.913608/2009-11
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Compensação – COFINS
Ano Calendário:2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NORMAS PROCESSUAIS.
AÇÃO JUDICIAL E ADMINISTRATIVA CONCOMITANTES.
IMPOSSIBILIDADE.
A propositura pelo contribuinte contra a Fazenda Nacional de ação judicial com o mesmo objeto importa em desistência do processo na esfera administrativa.
Numero da decisão: 3803-003.528
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Compensação – COFINS Ano Calendário:2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NORMAS PROCESSUAIS. AÇÃO JUDICIAL E ADMINISTRATIVA CONCOMITANTES. IMPOSSIBILIDADE. A propositura pelo contribuinte contra a Fazenda Nacional de ação judicial com o mesmo objeto importa em desistência do processo na esfera administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) ALEXANDRE KERN Presidente. (assinado digitalmente) JORGE VICTOR RODRIGUES Relator. EDITADO EM: 23/10/2012 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 05/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/10/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Belchior Melo De Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues E Eu, Areovaldo Mariano Tavares, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Relatório O contribuinte por meio da Per/Dcomp eletrônica nº 41243.10023.140807.1.3.049785, transmitida em 14/08/2007, buscou homologar a compensação de créditos tributários oriundos de pagamento a maior (R$ 241.508,26 valor original), com débitos de PASEP apurados em 29/02/2004 e com vencimento em 15/03/2004. O Despacho Decisório proferido pela DRF/Brasília (fl.9), após a constatação pela fiscalização de que na data da transmissão da referida DComp (14/08/07), o valor original do saldo credor seria insuficiente para à satisfação dos débitos de PASEP (competência 02/2004), eis que foram localizados um ou mais pagamentos efetuados para a quitação de débitos pelo contribuinte. homologou parcialmente a compensação realizada pelo contribuinte, em relação à Per/DComp eletrônica nº 41243.10023.140807.1.3.049785, recebida em 14/08/07,Por conseguinte foi endereçado ao sujeito passivo uma carta de cobrança para a exigência da diferença dos valores considerados insuficientes. Ao tomar ciência da exação, manifestando a sua inconformidade o contribuinte esclareceu que efetuou os recolhimentos dos tributos nas respectivas datas de seus vencimentos. Entretanto, a compensação efetuada, por decorrência do contido nas Leis nºs9.718/98, 10.833/03 e 11.196/05, bem assim as IN SRF nºs 468/04 e 658/06, respectivamente, a levaram a realização de recálculos sucessivos, sempre com efeitos retroativos, daí o atraso na entrega. Aduziu o contribuinte que não cometeu nenhuma irregularidade, que não há se falar em multa de mora e, postulando pela aplicação do princípio da irretroatividade ao caso concreto, pugnou pela improcedência da aplicação da multa de mora, galgada no art. 61 da Lei nº 9.430/96 e o art. 28 da IN SRF nº 460/2004, por ser o motivo causador da insuficiência do crédito informado, igualmente o fazendo em face do caráter de retroatividade da exigência que lhe fora formalizada. Foram os autos encaminhados conclusos para o julgamento da lide pela 4ª Turma da DRJ/BSB em 22/09/11 (fl. 69/73), que proferiu a decisão, cuja ementa adiante se transcreve, por meio do Acórdão nº 0345.223: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano calendário: 2004 Compensação em Atraso – Exigência de Multa de Mora. O débito para com a União, decorrente de tributo e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, não compensado no prazo previsto na legislação específica, será acrescido de multa de mora. Compensação – Observância das Condições da Lei. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 05/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/10/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10166.913608/200911 Acórdão n.º 3803003.528 S3TE03 Fl. 2 3 A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, mas nas condições estipuladas pela lei. Fundamento de Inconstitucionalidade – Processo Administrativo Fiscal – Vedação Entendimento da SRF Expresso em Atos Normativos. É vedado ao órgão de julgamento afastar a aplicação de lei, sob o fundamento de inconstitucionalidade, no âmbito do Processo Administrativo Fiscal. O julgador deve observar o entendimento da SRF expresso em atos normativos. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Inconformada com o teor da decisão de primeira instância, cuja ciência deu se em (25/04/2012), conforme registra o AR , dela recorreu o contribuinte em 23/05/12 , conforme atesta o protocolo do recurso aviado, deduzindo em síntese termos que repisam de forma minudente os argumentos constantes da peça inaugural, ocasião em que mencionou jurisprudência administrativa (Acórdão nº 3102001.126, proc. 14033.003351/200865, Rec. 902.357, Rel. Cons. Ricardo Paulo Rosa) e judicial É o relatório Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso voluntário é tempestivo. A matéria devolvida para este Tribunal se circunscreve ao cabimento ou não da aplicação de multa de mora à compensação intentada,em razão do atraso na entrega da Declaração de Compensação pelo contribuinte. Cumpre registrar a inexistência nos autos de debate acerca da origem do crédito, do montante apurado, da existência dos contratos firmados pelo contribuinte, da legislação adotada para a realização dos recálculos. Portanto, devem tais fatos serem imputados como incontroversos, não mais sendo objeto de exame. Outrossim, encontramse anexos cópias de contratos, planilhas com lançamentos registrados no Livro Razão, indicando os valores relacionados a cada empresa contratante. A decisão prolatada pelo juízo a quo envolve o não reconhecimento do direito creditório e culminou na improcedência da manifestação de inconformidade aviada pelo contribuinte. A tese deduzida pela 4ª Turma de julgadores da DRJ/BSB consistiu em que há respaldo para a aplicação da multa de mora no art. 61 da Lei 9.430/1996, c/c art. 28 da IN SRF 460/2004, uma vez que seja para valorar o crédito do sujeito passivo, quanto os créditos Fl. 116DF CARF MF Impresso em 05/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/10/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN 4 tributários em favor do Erário, a regra de valoração aplicada é a mesma, com vistas à sua extinção pela via da compensação. Ou seja, os créditos do contribuinte são reajustados pela taxa Selic e os valores compensados em atraso serão acrescidos de multa e de juros de mora, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. Concluiu o aresto vergastado que as mudanças da sistemática arrecadatória levada a efeito pela legislação, conforme houvera aduzido o contribuinte, não é motivo para o atraso na entrega na Per/DComp, portanto deve ser cobrada a multa de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96. De antemão, em homenagem ao princípio da unicidade de jurisdição, que tem por finalidade evitar a concorrência de conflitos de competência entre os Poderes harmônicos da União Federal, coube ao Poder Judiciário firmar a coisa julgada que não poderá ser objeto de reforma no processo administrativo. Nesse sentido, o Poder Executivo através do § 2º do art. 1º do DecretoLei nº 1.737/79 e do art. 38 da Lei nº 6830/80, dispôs sobre a matéria, disciplinada por meio da alínea “a” do ADN/SRF/COSIT N º 03/96 e do art. 26 da Port. MF nº 258/01, que a propositura pelo contribuinte contra a Fazenda Nacional de ação judicial com o mesmo objeto importa a desistência do processo. No caso em comento, existe uma Ação Judicial Ordinária Anulatória de Lançamento Tributário com Pedido de Tutela Antecipada de n˚ 74185720104.01.3400, em tramitação na 21ª Vara Federal do Distrito Federal, com sentença de mérito confirmada, a partir da concessão de tutela antecipada para afastar a aplicação de multa moratória na compensação de COFINS (período de apuração 29/02/2004 e arrecadação em 15/03/2004), ante o atraso da transmissão do PER/DCOMP (07/08/07), contra a qual a União interpôs Embargos de Declaração com Efeitos Infringentes, rejeitados em 07/05/2012. Passo seguinte tramitou a referida ação para o Tribunal Regional Federal da 1a Região em 14/09/2012. Ocorre que também há uma demanda administrativa da qual a Recorrente é parte interessada, cujo fundamento da causa de pedir é o mesmo daquele pretendido na ação judicial, ou seja, o afastamento da multa moratória por atraso na declaração de compensação. Ora, sendo a Recorrente parte interessada tanto na ação judicial quanto na demanda administrativa, coincidindo também o mesmo propósito entre eles, resta mais que caracterizada a concomitância, pela simultaneidade de tramitação de ações propostas nos âmbitos judicial e administrativo. Em desfavor do contribuinte encontrase o contido no parágrafo único do artigo 38 da Lei nº 6.830/80 (LEF), o qual estabelece que a propositura, pelo contribuinte, de ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. No mesmo sentido, foi expedido o Ato Declaratório Normativo (ADN) nº 3, de 14/02/1996, da CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação (COSIT), publicado no Diário Oficial da União (DOU) de 15/02/1996, que dispõe sobre o tratamento a ser dispensado ao processo fiscal que esteja tramitando na fase administrativa quando o contribuinte opta pela via judicial, cujas regras abaixo se transcreve: Fl. 117DF CARF MF Impresso em 05/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/10/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10166.913608/200911 Acórdão n.º 3803003.528 S3TE03 Fl. 3 5 “a) a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual , antes ou posteriormente a autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto; b) conseqüentemente, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona a matéria diferenciada (p. ex.: aspectos formais do lançamento, base de cálculo, etc.); c) no caso da letra “a” a autoridade dirigente do órgão onde se encontra o processo não conhecerá de eventual petição do contribuinte, proferindo decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, se for o caso, encaminhando o processo para a cobrança do débito, ressalvada a eventual aplicação do disposto no art. 149 do CTN; d) na hipótese da alínea anterior, não se verificando a ressalva ali contida, procederseá a inscrição em dívida ativa, deixandose de fazêlo, para aguardar o pronunciamento judicial, somente quando demonstrada a ocorrência do disposto nos incisos II (depósito do montante integral do débito) ou IV (concessão de medida liminar em mandado de segurança), do art. 151, do CTN; e) é irrelevante, na espécie, que o processo tenha sido extinto, no Judiciário, sem julgamento do mérito (art. 267 do CPC).” Ante todo o exposto, não conheço do recurso voluntário interposto. É assim que voto. (assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 118DF CARF MF Impresso em 05/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/10/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN 6 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara Processo nº: 10166.913608/200911 Interessada: CENTRAIS ELÉTRICAS DO NORTE DO BRASIL S.A. TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 4º do art. 63 e no § 3º do art. 81 do Anexo II, c/c inciso VII do art. 11 do Anexo I, todos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, fica um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, intimado a tomar ciência do Acórdão no 3803003.528 , de 25 de Setembro de 2012, da 3a Turma Especial da 3a Seção. Brasília DF, em 25 de Setembro de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com ciência ( ) Com embargos de declaração ( ) Com recurso especial Em ____/____/______ Fl. 119DF CARF MF Impresso em 05/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/10/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 15559.000501/2007-31
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 17 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Aug 17 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/1997 a 31/07/1998
PRAZO DECÁDENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART, 173, INCISO I, DO CTN,
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN .
Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial referente as competências anteriores a 11/1997, inclusive
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. APLICABILIDADE, ART 30,VI
DA LEI 8,212/91.
O proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento
das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o beneficio de ordem.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 2803-000.210
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Segunda Seção de
Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a).
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1997 a 31/07/1998 PRAZO DECÁDENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART, 173, INCISO I, DO CTN, O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN . Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial referente as competências anteriores a 11/1997, inclusive RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. APLICABILIDADE, ART 30,VI DA LEI 8,212/91. O proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o beneficio de ordem. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte.
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EMPRESAS EM GERAL Recorrente SENDAS SA Recorrida SRP-SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA ASSUNTO: CONTRIBUICOES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/05/1997 a 31/07/1998 PRAZO DECÁDENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART, 173, INCISO I, DO CTN, 0 Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n ° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei a " 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN . Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial referente as competências anteriores a 11/1997, inclusive RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. APLICABILIDADE, ART 30,VI DA LEI 8,212/91. O proprietário, o incorporador definido na Lei a" 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários corn o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para corn a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o beneficio de ordem. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ,1 ACORDAM os membros da 3" Turma Especial da Segunda Seção de '1 Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do , + vo o do(a) ielator(a). i J I 1, ' HEDTO k1A-11TE-1=IMA-- Presidente OSEASCI RA JUNIOR - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, Amilcar Barca Júnior, Gustavo Vettorato e Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Relatório 1 . 'Trata-se de recurso voluntário interposto contra decisão que manteve a ' , I notificaçãohliscal lavrada, referente a contribuiçCies devidas incidentes sobre a remuneração de Segurados incluída em nota fiscal ou fatura coriespondente a serviços executados por empresa 'prestadora de serviços de construção civil. A presente notificação se refere as competências 05/1997 a 07/1998, tendo 'sico dado ciência ao contribuinte em 19/05/2003. Inconformado coin a decisão, o contribuinte apresenta recurso voluntário, a egandó, em síntese, o seguinte: 1! 1, • Somente pode existir o instituto da solidariedade se houver divida, a fim de que o credor possa imputá-la a qualquer um dos devedores solidários, e para existir divida é necessário que haja inadimplência do devedor originário, sendo assim necessário que se determine junto ao contribuinte praticante do fato gerador a devida e efetiva contribuição não recolhida, para, só então, cobrar-se do co-responsável pela obrigação, sendo assim vedada a aferição indireta com base nas notas fiscais de prestação de serviços, o que só ocorreria em caso de fraude, consoante art. 33, § 60 da Lei n°8.212/91. • Apenas com um crédito regularmente constituído em seu devedor originário, terá o credor a possibilidade de imputá-la a quaisquer um dos devedores solidários. • Os acréscimos legais incidentes sobre o débito são excessivos, configurando "confisco tributário". • 'Termina por requerer pela anulação integral do lançamento É o relatório • Decadência do crédito tributário relativos as competências de maio a julho de 1997 e fevereiro de 1998, inclusive. ' S2- 'T E03 • Fl 2 Proms° n" 15559.000501/2007-31 Acórdão n ° 2803-00.210 I II Voto Conselheiro OSEAS COIMBRA JUNIOR, Relator DAS QUESTÕES PRELIMINARES DA DECADÊNCIA A súmula vinculante do STF, n" 08 traz: "Sao inconstitucionais or parágrafo único do ai ligo 5" do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que Wotanfl de prescrição e decadência de crédito tributário". 1 11 Corn a decisão do Pretório Excelso, a questão passa a ser decidida corn base riOs artigos art. 150, § 4-e 173, ambos do Código Tributário Nacional — CTN. Trasncrevemos o artigo 173 : .1 Art. 173. 0 &relict de a Fazenda Nblica coizsiiluii o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio fonnal, o lançamento anteriormente efetuado Parágrafo único. O direito a que se rcfere este artigo extingue-se definitivamente coin o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela noti ficação, ao sujeito passivo, de qualquer' medida preparatória indispensável ao lançamento 3 A jurisprudência pátria já assentou que a aplicabilidade deste artigo seria na hipóteses de inexistência de pagamento antecipado ou na ocorrência de fraude ou dolo, conforme transcrevemos. "Ementa' Somente quando min há pagamento antecipado, ou há prova c/c fi aude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN " (ST1 REsp 395059/RS Rei.' Min. Eliana Cah»on. 2" Turma. Decisão. 19/09102. DI de 21/10/02, p„347 ) "Ementa: Ent se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, ern coMunlo, os arts. 150, .§ 4", e 173, I, do Código Tributário Nacional Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciciria) com pagamento antecipado, o praw decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência da lato gerador Somente quando não há pagamento antecipado, ou lid prova de halide, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, 1, do CIN , " (STJ. EREsp 278727/DF Rei,: Min, Franciulli Netto 1" Seção. Decisão. 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) Jr Corno a presente notificação se refere As competências 05/1997 a 07/1998, telflo sido dado ciência ao contribuinte em 19/05/2003, aplicando-se o art. 173 do CTN temos que considerar decadentes as competências anteriores a 11/1997, inclusive. proferido. 1 1 Ante o exposto, acato a preliminar de decadência, nos termos do voto MÉRITO A lei 8.212/91, assim determina em seu art. 30 Ai r 30 A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importiincias devidas á Seguridade Social obedecem às seguintes normas.' ) 171 - o proprietário, o incorporador definido na Lei n" 4.591, de 16 de dezenibm de 1964, o dono da obra ou condómino da unidade imobiliária , qualquer que seja a forma de contratação da construção, relbrina ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pela cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu eito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do comp, intento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hinôtese, o beneficio de ordem: (Redação dada pela Lei 9528, de 1012.97) , A norma determina a solidariedade do dono da obra e expressamente define q 1ien4o se aplica o beneficio de ordem, eliminando assim que se determine junto ao contribuinte praticante do fato gerador a contribuição não recolhida, para, só então, cobrar-se dO cO-responsável pela obrigação. Uma vez que o serviço contratado é fato gerador de contribuições sociais, cabe ao contribuinte a prova de que tais contribuições foram pagas, o que se daria, e.g. corn a apresentação de folhas e guias de pagamento, mas nada foi apresentado. A responsabilidade solidária, determinada em lei, faz corn que o contribuinte se cerque dos cuidados necessários a fi m de comprovar sua regularidade perante o fisco. A lei inclusive lhe dá o direito da retenção dos valores necessários ao adimplemento perante a faze -Ida. E,Xpressamente conta do relatório fiscal que "A empresa tomadora não fez a Comprovação dos recolhimentos exigidos para se elidir da responsabilidade 11, 1 r, 4 11, Tenho assim que o crédito pode ser originalmente constituído perante qualquer devedor solidário e não primeiramente contra o devedor originário, para so então ser imputado aos demais solidários. Urna vez constatada a situação que enseja contribuição social, cabe ao Fisco, corn os elementos presentes, calcular o quantum devido. Os elementos apresentados que serviram para a apuração do crédito, foram aferidos indiretamente tendo corno base os valores constantes nas notas fiscais de serviços, "Onsoante Instrução Normativa IN/INSS/DC N° 18 de 11 de maio de 2000, APURAÇÃO DA MÃO-DE-OBRA CONTIDA EM NOTA FISCAL DE SERVIÇO Art 53, E fixado em 40%(quarenta por cento) o percentual mínimo correspondente à remuneração a incidir sobre o valor dos serviços da ;rota fiscal, fatura ou recibo, Art. 55_ Quando o valor do material fornecido para a execução da obra não estiver estabelecido em contrato e não havendo a discriminação dos valores na nota fiscal, fatura ou recibo, o valor dos serviços corresponderá no mínimo a 50%(cinquenta por cento) do valor bruto da nota fiscal, Pura ou recibo de prestação de serviços , representando a remuneração, por conseguinte, a percentual nunca inferior a 20% (vinte por cento) do valor bruto. A lei 8212/91, art. 33, respalda o método de aferição indireta, quando o 'contribuinte não apresenta os elementos suficientes para a aferição direta do mesmo. Art, 33. A Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejai; execular, acompanhar e avaliar as atividades relativas tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no pareigralb único do art. II desta Lei, das contribuições incidentes a titulo de substituição e das devidas a outras entidades e fundos_ (Redação dada pela Lei n° 11 941; de 2009). § l a É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermddio dos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos or esclarecimentos e infbrmações solicitados o segurado e or terceiros responsáveis pelo recolhill1C111.0 das contribuições previdericiárias e das. contribuições devidas a outras entidades e fitnelo.s (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009). § 2a A empresa, o segurado da Previddncia Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial silo obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009)ci S2-T E03 Process() n° 15559.000501/2007-31 Acórd5o n ° 2803-00.210 El 3 5 § 3e Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuizo da pena/idade cabível, lançar de oficio a imporuincia devida. (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009). § 4°. Na falta de prova regular e ,formalizada pelo sujeito passivo, o moniante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante calculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída, de acordo com critérios estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Bias ii, cabendo ao proprietario, dono da obra, condómino da unidade imobiliária ou empresa con esponsável o ónus da prova em contrário (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009), § 5" 0 desconto de contribuição e de consignação legalmente auk» izadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo licito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ,ficando diretamente responsável pela importeincia que deixou de receber ou arrecadou em desacordo corn o disposto nesta Lei. § 6" Sc, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro document() da empresa, a .fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do .faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário Os valores apresentados pelo fisco são passíveis de impugnação e, caso o contribuinte apiesente comprovação de que os valores lançados não correspondem A realidade, deve n Ser retificados, o que não aconteceu. A defesa não trouxe elementos que possibilitassem outra metodologia de dlculo do 'tributo devido, nem apontou falhas na constituição da presente aferição, alegou que de)lieria Set. leita fiscalização na prestadora, com exame de sua contabilidade para a correta apuração do tributo. A legislação retrocitada fundamenta a metodologia adotada pela fiscalização, ao merece reparo. que„ ACRÉSCIMOS LEGAIS A cobrança de juros esta prevista em lei específica da previdência social, art. 31,cla Lei n i ° 8.212/1991, abaixo transcrito, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal: 11 , Art,34. As contribuições sociais e outras imporuincias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não ell7notificagão fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia-SELIC, a que se refere o cut. 13 da Lei n" 9065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos. de carater irrelevcivel. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescemado pela Lei n" 9.528, de 10/12/97) , ,1 1 , 1,11 ' I Processo n" 15559.000501/2007-31 S2-T E03 Acentliio n.° 2803-00.210 Fl 4 Parágrafo único O percentual dos juros moratório.s relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n ° 475904, Publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTA'RIO EXECUÇÃO FISCAL. VALIDADE, MATÉRIA FAT/CA. SÚMULA 07/STI COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averigua cão do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STI No caw de execução de divida fiscal, os juto.s - possuem a unção de compensar o Estado pelo ti ibuto não recebido tempestivamente. OS itil vs incidentes pela Taxa SEI IC estão previstos em lei. Silo aplicáveis legalmente, portanto Mir) há confronto com o art. 161, 1", do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1"/01/1996. (REsp 439256/MG) Recurso especial pai ciahnente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. A multa aplicável também tem respaldo legal, consoante previsão do artigo 1 35 da 8_212/91. 111 , 1- para pagamento, após o M116110110 de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento. a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação, • b) quatorze por cento, no Inds seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; - para pagamento de créditos incluidos em notificação fiscal de lançamento: a)vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b)trinta por cento, após o décirrio quinto dia do recebimento da not c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, aid quinze dias da ciência da decisão do • Conselho de Recursos da Previdência Social - CRPS, V") Art, 35. Sobre as contribuições sociais en' atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de morn, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: cl) cinqiienta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da deciscio do Conselho de Rectos os da Previdência Social - CRPS, enquanto nc7o inscrito em Divida Ativa." CONCLUSÃO 1 Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, e dou parcial provimento para d dec arar a decadência referente às competências anteriores a 11/1997, inclusive, mantendo o , que de resto consta da notificação. I, , , 1 V r , OSEAS CYIMBRA JUNIOR - Relator
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Numero do processo: 13964.000240/2007-42
Data da sessão: Thu Jul 08 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Jul 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/0.3/2006
MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FALTA DE INSCRIÇÃO DOS SEGURADOS NA PREVIDÊNCIA.
Não havendo nos autos comprovação da regularidade do procedimento
adotado, deve ser mantida a multa imposta pela Fiscalização.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-000.154
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Segunda Seção de
Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE ANDRADE
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/0.3/2006 MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FALTA DE INSCRIÇÃO DOS SEGURADOS NA PREVIDÊNCIA. Não havendo nos autos comprovação da regularidade do procedimento adotado, deve ser mantida a multa imposta pela Fiscalização. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrente FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE DO SUL DE SANTA CATARINA UNISUL Recorrida DELEGACIA DA RECEITA PREVIDENCIARIA ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a .31/0.3/2006 MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FALTA DE INSCRIÇÃO DOS SEGURADOS NA PREVIDÊNCIA. Não havendo nos autos comprovação da regularidade do procedimento adotado, deve ser mantida a multa imposta pela Fiscalização. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' Turma Especial da Segunda Seção de 'Julgamento, por unanimidade de votos, ern negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). HEL'AfrANI7IAID-7-‘—)E,-LIMA. — Presidente ltjOut,i;ii,1 Oft c(t. CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE ANDRADE -Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, Vera Kempers de Moraes l Abreu (suplente), Gustavo Vettorato e Helton Carlos Praia de Lima (presidente). r' Itéllatário Trata-se de Auto de Infração lavrado contra Universidade do Sul de Santa Cat rina UNISUL, em virtude de não ter a empresa inscrito na previdência social os segurados empregados incluidos nas folhas de pagamento das filiais, sendo que todos exerciam atividade fim mediante pagamento de salário, 13" salário, 1/3 de ferias, e sofreram o desconto p 4idenciúrio quando do pagamento das remunerações, no período compreendido entre janeiro de 2001 a março de 2006. Em sede de impugnação alegou, preliminarmente, a UNISUL que: (a) a ausência de elementos comprobatórios capazes de caracterizar a 1' ! itTegularidade da Universidade, comprovando o vinculo empregaticio entre os trabalhadores a ,r que se refere; doi rd (b) inexistência no relatório 'fiscal de dispositivo legal prevendo o fato presente multa; (c) a relevação da multa, tendo em vista ser a Recorrente infratora primária e não existir nenhum requisito que agravante a penalidade imposta. 11 Quando do julgamento da impugnação, afirmou o i. Auditor Fiscal que seria infundada a alegação de inexistência de vinculo empregaticio, tendo em vista que os trabalhadoreS relacionados no Relatório Fiscal receberam verbas de natureza eminentemente empregaticia (salário, 13° salário e 1/3 de férias), e ainda, o percentual de desconto da contribuição previdenciária dos trabalhadores era realizado utilizando-se das aliquotas de segUrados 'empregados. Julgou pela existência de dispositivo legal prevendo a aplicação da Imilta= citando, para tanto, o artigo 18, inciso I, §1°, do Regulamento da Previdência Social. r Ademais, afirmou que a multa não foi calculada de forma imprecisa e obscura, sendo tm .1,1 ri possivel a sua relevação, tendo em vista que a Recorrente rid° corrigiu as faltas. 1 Contra essa decisão, a UNISUL interpôs Recurso Voluntário, ratificando os " fundamentos já trazidos em sua defesa, inclusive no que diz respeito à ausência de comprovação de vinculo empregaticio com os trabalhadores relacionados no Auto de Infração, rr e de dispositivo legal que previna a multa aplicada, requerendo por fim a relevação da multa Pe4s mesmos fundamentos aduzidos na Impugnação 1r ! A Recorrente impetrou Mandado de Segurança n° 2007 32.00..009815-3,com o ,obJetivo de ser processado o recurso administrativo interposto nestes autos, sem a exigência 11 , . do 61eposito de 30% do montante devido, e obteve decisão favorável. 11 I É o relatório. Vo to Conselheira CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE ANDRADE, Re Wore ' f Como já reconhecido pela autoridade fiscal na manifestação de fls. 63, o Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os requisitos de admissibilidade, razão pela 1, passo a analisá-lo. Apenas a titulo de esclarecimento, a declaração de 2 ger inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal da exigência de depósito prévio, no valor . mínimo de 30% da exigência fiscal, como condição para seguimento do recurso voluntário, deu ensejo h edição da Súmula Vinculante IV 21, DOU de 10/11/2009, tomando prejudicada a Verificação da manutenção da decisão judicial proferida em favor do contribuinte. Antes de se adentrar à análise das alegações contidas no Recurso Voluntário, faz-se necessário examinar se a multa aplicada nos autos pode ser exigida do contribuinte . A questão relativa ao prazo decadencial para a constituição de créditos previdenciários foi pacificada pelo Supremo Tribunal Federal, por meio da Súmula Vinculante de n " 8, nos seguintes termos: Súmula Vinculante n" 8"Seio inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5" do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédilo tributário", Conforme previsto no art. 103-A da Constituição Federal de 1988, o entendimento sumulado pelo Supremo Tribunal Federal terá efeito vinculante para todos os Órgãos da Administração Pública, inclusive para este Conselho: "Art. 103-A. 0 Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação Cos demais órgilos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder ei sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em Nestes termos, por não ser possível aplicar ao caso concreto a hipótese prevista no art. 45 da Lei n ° 8.212/1991, em razão do entendimento contido na Sumula ,Vinculante n° 8, há que se analisar a questão à luz das regras previstas no Código Tributário Nacional. A autuação levada à cabo pela Fiscalização diz respeito ao descumprimento de obrigação acessória. Tem-se, portanto, lançamento de oficio, nos moldes do art.. 149, do Código Tributário Nacional, que assim preleciona: ."Art. 149. 0 lançamento é efetuado e revisto de oficio pela ,11 autoridade administrativa nor seguintes caws . I - quando a lei assim o determine; li - quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III - quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recuse-se a prestá-lo ou não o preste satisfatoriamente, a juizo daquela autoridade,. Processo n° 13964 000240/2007-42 S2-TED3 Fl 2 Ac6td5o n 2803-00.154 3 IV - quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatária; V - quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obi igada, no exercicio da atividade a que se refere o artigo seguinte, VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penolidade pecuniária, VII - quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em beneficio daquele, agiu coin dolo, fiamle ou simulação; VIII - quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX - quando se comp, ove que, no lançamento anterior, ocorreu kaia/e ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial." ! l h, 'riào O prazo decadeacial aplicável será, portanto, aquele previsto no art 173, 1, a que se talai . em incidência do preceito contido no art,. 150, § 4°, ambos do Código , ave , Tributário Nacional. Esse 6, inclusive, o posicionamento adotado pelo Colendo Superior TA unal de Justiça acerca do terna: "TRIBUTÁRIO - EXECUÇÃO FISCAL - CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA APRESENTAÇÃO DA GFIP - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DESCUMPRIMENTO - DECADÊNCIA - REGRA APLICÁVEL: ART 173, /, DO CTN. A falta de op esentação da Guia de Recolhimento do FGTS e h?lbrinciOes à Previdência Social (GFIP), assim como o fbrnecimento de dodos não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuigaes previdenciárias devidas configura des cumprimento de obi igação tributária acessenia, passível de sanção pecuniária, na forma da legislação de regência 2. Na hipótese, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário é regido pelo art. 173, I, do CTN, tendo em vista tratar-se de lançamento de oficio, consoante a previsão do art 149, incisos II, IV e VI 3 Ausente a figura do lançamento por homologação, não 116 que se Mar em incidência da regra do cut 150, § 4", do CTN. 4 Recurs° especial não provido " (RESp 1055540/SC, Relator.. Ministro ELMNA CALMON, SEGUNDA TURMA, DJ 27/03/2009) Pois bem, no presente caso, o Auto de Infração foi lavrado em 28/11/2006, o o contribuinte dele tomado ciência nesta mesma data. Como já mencionado no relatório, nfr.ações foram praticadas pelo autuado no período de 01/2001 a 03 /2006.. Logo, por força do que dispõe o art 173, 1, CTN, não houve a decadência do ito do Fisco de constituir o crédito tributário. en dir P 'ocesso n° 13964 00024012007-42 Acórdão n.* 2803.00.154 S2-TE0.3 Fl 3 Em seu Recurso, alega a Recorrente a existência de vicias formais que implicariam no cerceamento do seu direito de defesa. Data maxima venia, entendo que não assiste razão ao Recorrente . Constam do Auto de Infração todos os elementos necessários identificação da infração praticada pelo contribuinte, seu correto fundamento legal, bem como Os elementos apurados pela Fiscalização que a levaram a considerar como existente o vinculo empregaticio entre os trabalhadores e a empresa autuada. Para que não restem dúvidas acerca do exposto, colaciona-se, abaixo, trecho da decisão de primeira instância que trata do assunto com bastante percuciência: "A alegação de que o Auditor-Fiscal autuante não comp, avail a existência de vinculo empregando entre Autuada e os trabalhadores relacionados na planilhas de .fis. 13/41 ("Filiais 100 e 101 '9, é totalmente improcedente. Conforme expresso no relatório .fiscal de fls .. 12, today os trabalhadores relacionadas nas planilhas de fi.s. 13141, ,loran: considerados, pela própria Autuada corn° sendo empregados Como prova disso, podemos citar; a) o Into dos trabalhadores relacionados nas planilhas de fls. 13/41, receberem, conforme o relatório fiscal dells. 12 e a documentação de fis 13/97, verbas de natureza eminentemente emprega//cio (salário, 13 0 salário e 1/3 de férias); b) o Jato do desconto da contribuição previdenciária dos trabalhadores relacionados nas plan//has c/c fls. 13/41, ser feito utilizando alíquotas de segurados empregados (7,65%, 8,65%, 9% e 11°), confOr me demonstram as folhas de pagamento de /is. 42/89 e 93/97 (Filiais 100 e 101)." Depreende-se dos elementos contidos nos autos que a Fiscalização agiu em estrita conformidade corn a 14slação de regência, tendo cumprido todas as exigências legais na verificação e apuração dos tributos devidos. Corn a devida vênia, a obrigatoriedade de inscrever na previdência social os segurados empregados incluidos na folha de pagamento está prevista em lei e não pode ser Idescumprida pelo contribuinte/responsável, sob pena de aplicação de multa. Em razão disso, a Mera justificativa da parte de que não efetuou a inscrição por não possuírem os trabalhadores relacionados no Relatório Fiscal vinculo empregaticio não é suficiente para afastar a sua I responsabilidade, tendo em vista que a Recorrente restringiu-se apenas em negar o mencionado vínculo, não colacionando aos autos documentação que comprovasse o contrario. Logo, a Recorrente é responsável pelas prestações das informações devidas. Veja, a respeito, o que 'estabelece os arts. 18, I, § 1° e art. 283, § 2" do Regulamento da Previdência Social, in verbis: "Art. 18, Considera-se inscrição de segurado para os eleitos da previdência social o ato pelo qual o segurado é cadastrado no Regime Geral de Previdência Social, mechanie comprovação dos dados pessoais e de outros elementos necessários e úteis a sua caracterização, observado o disposto no art. 330 e seu parágrafo único, na seguinte forma: . 1 - o empregado e trabalhador avulso - pelo preenchintento dos documentos que os habilitem ao exercício da atividade, formalizado pelo contrato de trabalho, no caso de empregado, observado o disposto no ,§ 2o do art. 20, e pelo eadastramento e 5 registro no sindicato ou órgão gestor de mão-de-obra, no caso c/c nabalhador avulso, 'l '4 inscrição do seguraclo de que trata o inciso I será efetuada diretamente na empresa, sindicato ou órgão gestor de mão-de- obra e a dos demais no Instituto Nacional do Seguro Social." "Art 283. Pot infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, pant a qual não hqja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e tres mil, seiscentos e dezessete reais e pinta e cinco centavos), conjbune a gravidade da infração, aplicando-se-lhe o disposto nos arts. 290 cr 292, e de acordo com os seguintes valores . 2"A Alta de inscrição do segurado sujeita o responsável a mho' de R$ I 254,89 duzentos e cinqüenta e quatro reais e oitelita e nove centavos), por segurado não inscrito. " Não há dúvidas, pois, de que o fato de a Recorrente não cumprido as obrigações previstas em lei 6 fato suficiente para que seja mantida a multa imposta pela jf alização. JA quanto ao pedido de sua relevação, ha que se esclarecer que o egulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99 estabelece, em seu art. 2911 1;' -iue b infrator deverá corrigir a falta apontada pela autoridade fiscal dentro do prazo de • IT im • ugnação: "At 1 291 Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do pi azo para impugnacdo. § I° A multa será relevada se o infrator formular pedido e col rigir a Mkt, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infintor primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante." No há, nos autos, qualquer elemento que demonstre que o inflator tenha corrigido as faltas apontadas pela Fiscalização no prazo estipulado pelo Regulamento da , Previdência Social. Logo, não se pode admitir a relevação da multa.. Em sendo assim, a multa imposta nos presentes autos deve ser mantida integralmente. CONCLUSÃO Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto pel i pare e determino a manutenção do crédito tributário lançado em razão do descumpri nento de obrigação acessória. CAROLINA SIQUEIRA SIQUEIRA MONTEIRO DE ANDRADE - Relatora 6
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Numero do processo: 16327.001349/2008-81
Data da sessão: Mon Jul 27 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon Sep 28 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 23/09/2008
RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS. COTEJO ANALÍTICO. DESNECESSIDADE. CORRETA COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA.
O Recurso Especial da Divergência deve ser conhecido sempre que restar comprovado que, em face de situações fáticas semelhantes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados.
Indicados os pontos do paradigma que divergem do acórdão recorrido, mostra-se desnecessária a realização de cotejo analítico, para fins de conhecimento do Recurso Especial.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. RETROATIVIDADE BENIGNA.
No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. (Súmula CARF nº 119).
Numero da decisão: 9202-008.847
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício
(documento assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 23/09/2008 RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS. COTEJO ANALÍTICO. DESNECESSIDADE. CORRETA COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. O Recurso Especial da Divergência deve ser conhecido sempre que restar comprovado que, em face de situações fáticas semelhantes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados. Indicados os pontos do paradigma que divergem do acórdão recorrido, mostra-se desnecessária a realização de cotejo analítico, para fins de conhecimento do Recurso Especial. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. RETROATIVIDADE BENIGNA. No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. (Súmula CARF nº 119).
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PRESSUPOSTOS. COTEJO ANALÍTICO. DESNECESSIDADE. CORRETA COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. O Recurso Especial da Divergência deve ser conhecido sempre que restar comprovado que, em face de situações fáticas semelhantes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados. Indicados os pontos do paradigma que divergem do acórdão recorrido, mostra- se desnecessária a realização de cotejo analítico, para fins de conhecimento do Recurso Especial. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. RETROATIVIDADE BENIGNA. No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. (Súmula CARF nº 119). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em Exercício (documento assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 13 49 /2 00 8- 81 Fl. 295DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9202-008.847 - CSRF/2ª Turma Processo nº 16327.001349/2008-81 Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Trata-se de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n.º 2301-003.941, proferido pela 1ªTurma Ordinária da 2ª Seção do CARF, em 18 de março de 2014, no qual restou consignado o seguinte trecho da ementa, fls. 95: GFIP. INFORMAÇÃO RELATIVA A FATOS GERADORES. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS APURADAS EM AUTO DE INFRAÇÃO MANTIDO. Tendo sido considerada procedente a exigência das contribuições previdenciárias, em relação às competências em questão, é obrigado o sujeito passivo a informar as remunerações pagas aos em GFIP. MULTA. RETROATIVIDADE DO ARTIGO 106 DO CTN. Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente autuação ser calculada nos termos do artigo 32-A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. No que se refere ao Recurso Especial, fls. 100 e seguintes, houve sua admissão, por meio do Despacho de fls. 139 e seguintes, para rediscutir a aplicação da multa prevista no art. 32-A da Lei 8.212/91. Em seu recurso, aduz a Procuradoria, em síntese, que: a) trata-se de Auto de Infração lavrado para a exigência de multa, por descumprimento de obrigação acessória, qual seja, não ter o contribuinte informado em GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91; b) como resultado deste procedimento fiscal, conforme apontado em Relatório Fiscal de fls.14, também foi efetuado lançamento para exigência das contribuições previdenciárias devidas em decorrências das infrações apuradas; c) ao analisar o feito em segunda instância, o e. colegiado a quo decidiu dar provimento parcial ao recurso voluntário, para determinar o recálculo da multa aplicada sob o comando do art. 32-A, da Lei nº 8.212/91, incluído pela Lei nº 11.941/2009, se mais benéfico; d) com a devida vênia, é forçoso concluir que a decisão ora atacada não empreendeu a melhor exegese da legislação que disciplina a matéria objeto do presente recurso, encontrando dissonância também no posicionamento firmado por outros órgãos julgadores deste Eg. Conselho; e) constata-se que antes das inovações da MP nº 449/2008, atualmente convertida na Lei nº 11.941/2009, o lançamento do principal era realizado separadamente, em NFLD, incidindo a multa de mora prevista no artigo 35, II da Lei nº 8.212/91, além da lavratura do auto de infração, com base no artigo 32 da Lei nº 8.212/91 (multa isolada).; f) com o advento da MP nº 449/2008, instituiu-se uma nova sistemática de constituição dos créditos tributários, o que torna essencial a análise de pelo menos dois dispositivos: artigo 32-A e artigo 35-A, ambos da Lei nº 8.212/91; g) o art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96 abarca duas condutas: o descumprimento da obrigação principal (totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de Fl. 296DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9202-008.847 - CSRF/2ª Turma Processo nº 16327.001349/2008-81 falta de pagamento ou recolhimento) e também o descumprimento da obrigação acessória (falta de declaração ou declaração inexata).; h) toda vez que houver o lançamento da obrigação principal, além do descumprimento da obrigação acessória, a multa lançada será única, qual seja, a prevista no artigo 35-A da Lei nº 8.212/91; i) no momento da execução do julgado, a autoridade fiscal deverá apreciar a norma mais benéfica: se as duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou o art. 35-A da Lei nº 8.212/91. Intimada, a Contribuinte apresentou Contrarrazões, como se observa das fls. 214 e seguintes: a) ausência de cotejo analítico entre acórdãos recorrido e paradigmas, razão pela qual não deve ser conhecido o recurso; b) também não merece ser conhecido o Recurso Especial, uma vez que o alegado acórdão paradigma trazido pela PFN apoia-se em tese superada por esta CSRF; c) o Acórdão Recorrido é claro ao aplicar ao caso a retroatividade do art. 32-A da Lei 8.212/91 e afastar o art. 35-A do mesmo diploma, justificando que este último dispositivo seria inaplicável porque o presente caso não consigna lançamento de Contribuições Previdenciárias, mas apenas de multa por alegada incorreção em GFIP. É cediço que o art. 35-A da Lei n.º 8.212/91 não se aplica em autuação por pretenso descumprimento de obrigação acessória, mas tão somente quando se trata de lançamento de ofício de Contribuições Previdenciárias; d) a reforma do Acórdão recorrido na forma pretendida pela Procuradoria acarretaria em bis in idem da multa vinculada prescrita no art. 35-A da Lei n.º 8.212/91, dado que a ora Recorrida já foi penalizada por multa vinculada por meio do AI principal, com fulcro no então vigente art. 35 da Lei n.º 8.212/91; Logo, não merece ser provido o Recurso Especial da Procuradoria, seja por ser improcedente a tese discutida, seja em função do seu efeito prático de bis in idem na aplicação de penalidade no caso concreto. Foi interposto Recurso Especial pelo Contribuinte, fls. 150 e seguintes, mas não foi admitido, consoante consta do Despacho de fls. 254 e seguintes. Posteriormente, foi interposto Agravo contra a inadmissibilidade do Recurso, mas foi negado conhecimento, restando mantida a negativa inicial, conforme se extrai das fls. 265 e seguintes. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz, Relatora. 1. Do conhecimento Aduz o Contribuinte a impossibilidade de conhecimento do Recurso interposto pela Procuradoria, considerando a ausência de cotejo analítico entre o acórdão recorrido e os paradigmas. Ademais, sustenta o Recorrido que a tese da Procuradoria esbarra em entendimento sedimentado da CSRF, motivo pelo qual não deve ser conhecido. Fl. 297DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9202-008.847 - CSRF/2ª Turma Processo nº 16327.001349/2008-81 No que se refere ao cotejo analítico, tal argumento não merece prosperar, pois a CSRF já firmou entendimento no sentido de que o recurso deve apresentar elementos suficientes que comprovem a alegada divergência, sendo desnecessária a realização de comparativo ponto a ponto entre acórdão recorrido e acórdão paradigma. Quanto à alegação de que a tese carreada pela Procuradoria esbarra em entendimento sedimentado da CSRF, razão não assiste à Recorrente, pois houve a correta comprovação da divergência jurisprudencial suscitada, no que concerne ao dispositivo aplicado à multa em comento. Além disso, como se ponderará, na análise do mérito, a controvérsia tem suporte em Enunciado de Súmula do CARF e a tese da Procuradoria converge com o entendimento nele esposado. Portanto, ao contrário do alegado em sede de contrarrazões, houve a correta comprovação da divergência entre o acórdão recorrido e aquele eleito como paradigma pela Fazenda. 2. Da multa Da presente ação fiscal, tiveram origem os autos, fls. 12: AI 37.121.211-1 AI 37.121.210-3 O processo sob análise trata da obrigação acessória disposta no artigo 32, inciso IV, parágrafo 5º, da Lei n.º 8.212 de 24/07/99, acrescentado pela Lei n.º 9.528/97, combinado com o artigo 225, Inciso IV, § 4º do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06/05/99. Foi admitida para rediscussão pelo Colegiado, conforme narrado, apenas a matéria atinente à aplicação da multa (retroatividade benigna). Sobre o tema, o CARF sedimentou o entendimento esposado no âmbito do Enunciado de Súmula CARF n.º 119, como segue: Súmula CARF nº 119 No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Verifica-se que, assiste razão à Recorrente em seus argumentos quanto ao recálculo da multa, em consonância com a Súmula mencionada. Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial interposto pela Procuradoria e, no mérito, dar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Fl. 298DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 9202-008.847 - CSRF/2ª Turma Processo nº 16327.001349/2008-81 Fl. 299DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 11080.901301/2009-72
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/1998 a 31/10/1998
REPRODUÇÃO DAS DECISÕES DEFINITIVAS DO STJ, NA
SISTEMÁTICA DO ART. 543-C, DO CPC.
No julgamento dos recursos no âmbito do CARF devem ser reproduzidas pelos Conselheiros as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigo 543-C
da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, em conformidade com o que estabelece o art. 62-A do
Regimento Interno.
EXIGIBILIDADE DA CONTRIBUIÇÃO NO PERÍODO DE OUTUBRO
DE 1995 A OUTUBRO DE 1998.
A Contribuição ao PIS permaneceu exigível no período compreendido entre outubro de 1995 a fevereiro de 1996, por força da Lei Complementar nº 7/70, e entre março de 1996 a outubro de 1998, por força da Medida Provisória 1.212/95 e suas reedições
Numero da decisão: 3803-002.325
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/1998 a 31/10/1998 REPRODUÇÃO DAS DECISÕES DEFINITIVAS DO STJ, NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C, DO CPC. No julgamento dos recursos no âmbito do CARF devem ser reproduzidas pelos Conselheiros as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigo 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, em conformidade com o que estabelece o art. 62A do Regimento Interno. EXIGIBILIDADE DA CONTRIBUIÇÃO NO PERÍODO DE OUTUBRO DE 1995 A OUTUBRO DE 1998. A Contribuição ao PIS permaneceu exigível no período compreendido entre outubro de 1995 a fevereiro de 1996, por força da Lei Complementar nº 7/70, e entre março de 1996 a outubro de 1998, por força da Medida Provisória 1.212/95 e suas reedições Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. [assinado digitalmente] Alexandre Kern Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE 2 Participaram ainda da sessão de julgamento os conselheiros Alexandre Kern (presidente), Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani, Alan Fialho Gandra e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ de Porto Alegre que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, não reconhecendo o direito creditório e não homologando a compensação declarada, por entender que não procede a alegada vacatio legis no período de outubro de 1995 a outubro de 1998. Em 17.05.2005, a ora Recorrente transmitiu, PER/DCOMP eletrônico pretendendo utilizar o crédito de Contribuição ao PIS indevidamente pago em outubro de 1998 com débitos de COFINS e da própria Contribuição ao PIS. A DRF de Porto Alegre emitiu Despacho Decisório eletrônico não homologando a compensação declarada, sob o argumento de que o pagamento fora integralmente utilizado na quitação de débitos da contribuinte, não restando, por conseguinte, crédito disponível para a compensação. Contra esta decisão, a contribuinte apresentou, tempestivamente, Manifestação de Inconformidade alegando, em apertada síntese, que (i) no período de outubro de 1995 a outubro de 1998 houve a interrupção na incidência do PIS; (ii) a decisão liminar na ADI 1417 suspendeu da cobrança da contribuição neste período; (iii) a Corte Suprema, no julgamento definitivo da ADI 1417, declarou inconstitucional a parte final do art. 18 da Lei n° 9.7151/98; (iv) a Lei n° 9.715/98, jamais poderia ser estendida a épocas pretéritas sob pena de violação do princípio constitucional da irretroatividade; (v) a Instrução Normativa n° 06/00 não atende os preceitos consubstanciados no julgamento da ADI n° 14170, nem os ditames legais da legislação tributária vigente; e (vi) a repristinação é vedada nos termos do art. 2º, da LICC. A DRJ de Porto Alegre julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, nos seguintes termos: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação Nos termos do artigo 170 do CTN, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. PIS. LEGISLAÇÃO. INDEFERIMENTO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Após a edição da Medida Provisória n° 1.212, de 28 de novembro de 1995 e reedições, transformada na Lei 9.715, de 25 de novembro de 1998, houve a revogação da legislação anterior que regulava a contribuição para o PIS, devido a nova determinação normativa, nos termos da interpretação contida na IN n° 06, de 19 de janeiro de 2000 e da decisão do Supremo Tribunal Federal. Irresignado, o contribuinte recorreu a este Conselho repetindo as razões da Manifestação de Inconformidade. Acrescentou, apenas, que não seria necessária qualquer norma para regulamentar referido dispositivo legal, tendo em vista a incompetência do Poder Executivo para dispor sobre a base de cálculo das contribuições. É o relatório. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 11080.901301/200972 Acórdão n.º 3803002.325 S3TE03 Fl. 76 3 Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme é possível perceber do relato acima, a ora Recorrente entende que seu indébito tributário decorreria do pagamento indevido da Contribuição ao PIS entre outubro de 1995 a outubro de 1998. No seu entender, existiu um vácuo legislativo entre as datas da publicação da MP n° 1.212, de 28.11.95, e da Lei n° 9.715, de 26.11.98, uma vez que o STF teria declarado a inconstitucionalidade daquela medida na ADI n° 1.4170, não podendo se admitir a repristinação da lei anterior (Lei Complementar n° 07, de 1970) para fins de cobrança da Contribuição ao PIS. Pois bem. A Medida Provisória nº 1.212, foi publicada no dia 29 de novembro de 1995 no Diário Oficial da União. A despeito disso, estabeleceu o seguinte: Art. 15. Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua publicação, aplicandose aos fatos geradores ocorridos a partir de 1° de outubro de 1995. Como é possível perceber, a parte final deste dispositivo feria o princípio da irretroatividade tributária, prescrito expressamente no art. 150, III, b, da Constituição da República, na medida em que pretendeu alcançar fatos ocorridos anteriormente à sua publicação. Essa Medida Provisória sofreu inúmeras reedições, vindo a ser convertida na Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, a qual reproduziu, em seu art. 18, o enunciado que tratava da eficácia retroativa. Contra estas normas, foi proposta a ADI nº 1.4170, a qual foi julgada parcialmente procedente para declarar a inconstitucionalidade apenas do efeito retroativo imprimido à vigência da contribuição pela parte final do art. 18 da Lei nº 9.715/98, ou seja, quanto à aplicação das suas disposições no período entre 1º de outubro de 1995 e o 90º dia que seguiu à publicação da MP 2.121/95. Neste contexto, verificase que a alegação da Recorrente, no sentido de que a referida ADI seria o fundamento jurídico para o seu indébito, por ter sido supostamente declarada a inconstitucionalidade da totalidade das disposições da MP 1.212/95, é falaciosa, não guardando qualquer correspondência com a realidade. Essa matéria ainda foi apreciada pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE nº 232.896, que assim decidiu: Provimento, em parte, a fim de que seja observado o princípio da anterioridade nonagesimal, contados noventa dias a partir da veiculação da Medida Provisória nº 1.212, de 28/11/1995, Fl. 82DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE 4 declarada a inconstitucionalidade da disposição inscrita no seu art. 15. – ‘aplicandose aos fatos geradores ocorridos a partir de 01/10/1995’(...) A questão propriamente da exigibilidade da Contribuição ao PIS no período de outubro de 1995 a outubro de 1998 foi enfrentada apenas pelo Superior Tribunal de Justiça, no REsp nº 1136210/PR, que assim decidiu: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. PIS. EXIGIBILIDADE DA CONTRIBUIÇÃO NO PERÍODO DE OUTUBRO DE 1995 A OUTUBRO DE 1998. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DOS DECRETOSLEIS 2.445/88 e 2.449/88 (RE 148.754). RESTAURAÇÃO DOS EFEITOS DA LEI COMPLEMENTAR 7/70. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 18, DA LEI 9.715/98 (ADI 1.417). PRAZO NONAGESIMAL DA LEI 9.715/98 CONTADO DA VEICULAÇÃO DA PRIMEIRA EDIÇÃO DA MEDIDA PROVISÓRIA 1.212/95. 1. A contribuição social destinada ao PIS permaneceu exigível no período compreendido entre outubro de 1995 a fevereiro de 1996, por força da Lei Complementar 7/70, e entre março de 1996 a outubro de 1998, por força da Medida Provisória 1.212/95 e suas reedições. (...) 3. O reconhecimento, pelo STF, da inconstitucionalidade formal dos DecretosLeis 2.445/88 e 2.449/88 (RE 148.754, Rel. Ministro Carlos Velloso, Rel. p/ Acórdão Ministro Francisco Rezek, Tribunal Pleno, julgado em 24.06.1993, DJ 04.03.94) teve o condão de restaurar a sistemática de cobrança do PIS disciplinada na Lei Complementar 7/70, no período de outubro de 1995 a fevereiro de 1996 (...). 4. É que a norma declarada inconstitucional é nula ab origine, não se revelando apta à produção de qualquer efeito, inclusive o de revogação da norma anterior, que volta a viger plenamente, não se caracterizando hipótese de repristinação vedada no § 3º, do artigo 2º, da Lei de Introdução ao Código Civil. 5. Outrossim, é pacífica a jurisprudência da Excelsa Corte, anterior à Emenda Constitucional 32/2001, no sentido de que as medidas provisórias não apreciadas pelo Congresso Nacional, não perdiam a eficácia, quando reeditadas dentro do prazo de validade de 30 (trinta) dias, contandose a anterioridade nonagesimal, prevista no artigo 195, § 6º, da CRFB/88, da edição da primeira medida provisória (ADI 1417, Rel. Ministro Octávio Gallotti, Tribunal Pleno, julgado em 02.08.1999, DJ 23.03.2001). 6. Destarte, até 28 de fevereiro de 1996 (início da vigência das alterações introduzidas pela Medida Provisória 1.212, de 28 de novembro de 1995), a cobrança das contribuições destinadas ao PIS era regida pelo disposto na Lei Complementar 7/70. A partir de março de 1996 e até a publicação da Lei 9.715, de 25 de novembro de 1998, a contribuição destinada ao PIS restou disciplinada pela Medida Provisória 1.212/95 e suas reedições, inexistindo, portanto, solução de continuidade da exigibilidade da exação em tela. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1136210/PR, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/12/2009, DJe 01/02/10) Fl. 83DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 11080.901301/200972 Acórdão n.º 3803002.325 S3TE03 Fl. 77 5 Tendo em vista que o citado precedente também foi julgado sob da sistemática prevista no art. 543, “c”, do CPC, deve o seu resultado ser igualmente reproduzido no presente caso, por força do que prescreve o caput do art. 62A do RICARF, já mencionado. Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso voluntário. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 84DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE 6 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº:11080.901301/200972 Interessada:FERRAÇO INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE FERRO LTDA. Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 3803002.325, de 25 de janeiro de 2012, da 3a Turma Especial da 3a Seção e demais providências. Brasília DF, em 25 de janeiro de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 85DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE
score : 1.0
Numero do processo: 11070.001613/2005-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
RECURSO VOLUNTÁRIO. JULGAMENTO. COMPETÊNCIA.
Cabe às Turmas Ordinárias processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância em processos que excedem o valor de alçada das turmas especiais.
Numero da decisão: 3803-002.702
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso. Vencido o Relator. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Alexandre Kern.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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JULGAMENTO. COMPETÊNCIA. Cabe às Turmas Ordinárias processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância em processos que excedem o valor de alçada das turmas especiais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso. Vencido o Relator. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Alexandre Kern. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente e redator designado (assinado digitalmente) Juliano Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Fl. 510DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI 2 Tratase de Recurso Voluntário manejado contra a decisão exarada pela DRJ de Porto Alegre às fls. 482/483 que glosou R$ 123.237,25, referentes ao pedido de ressarcimento e de compensação de IPI, transmitidos via eletrônica, por PERD/COMP e DCOMP. Inicialmente a interessada apresentou pedido de ressarcimento em 20/12/2004, referente a saldo credor do IPI apurado no 3° trimestre de 2004, conforme se verifica às fls. 01/56 e posteriormente sucessivas DCOMPs, com a finalidade de utilizar o crédito para compensar diversos tributos. Em sua Manifestação de Inconformidade às fls. 401/403, o contribuinte requereu o sobrestamento do presente processo até que seja definitivamente julgado na esfera administrativa o PAF n.º 170.002449/200518, tendo em vista que neste exigese o recolhimento de IPI no valor de R$ 123.237,25, decorrente da reconstituição de escrita fiscal promovida pela lavratura de infração, no período de 01 a 09 de 2004, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 265/271. A DRF de origem às fls. 352/354, acolheu parcialmente as pretensões do contribuinte e homologou as compensações no valor de R$ 1.272.091,46, referente ao 3º trimestre de 2003, com fundamento na Lei n.º 9.779/1999. Todavia, não se manifestou a respeito do sobrestamento do PAF n.º 170.002449/200518. Cumpre esclarecer que a glosa no valor de R$ 123.237,25 ocorreu pelas seguintes razoes: a) Não lançamento de IPI na saída de produtos do estabelecimento remetidos para empresa TEAG — Terminal de Exportação de Açúcar do Guaruja Ltda., conforme demonstrativo de fls. 257/260; b) Inclusão indevida na base de cálculo do crédito do IPI de créditos provenientes de aquisições de mercadorias para simples revenda, a apuração encontrase no Demonstrativo de Glosas de Crédito do TI — Revenda de Mercadoria — fl. 261; c) Escrituração indevida no Registro de Entrada, sob o código 1.151 (transferência para industrialização), de créditos do IPI destacado nas notas fiscais de transferências de mercadorias, emitidas pelo estabelecimento filial CNPJ N° 87.288.940/0030 40, a apuração encontrase no Demonstrativo de Glosas de Crédito do IPI — Transferências de Mercadoria — fls. 262/264. Irresignado com a decisão de primeiro grau, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 488/492 com o objetivo de reclamar contra a redução de seu saldo credor em decorrência da lavratura de autos de infração no PAF n.º 11070.002449/200518, pois compreende que a Fazenda Nacional não poderia ter reduzido o saldo credor, principalmente porque o citado processo ainda está pendente de julgamento e com a exigibilidade do crédito suspensa. O acórdão referente a decisão atacada, segue ementado da seguinte maneira: Fl. 511DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 11070.001613/200570 Acórdão n.º 380302.702 S3TE03 Fl. 499 3 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 15/01/2004 a 31/12/2004 GLOSA NÃO IMPUGNADA Glosas não expressamente impugnadas, tornamse definitivas na esfera administrativa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 15/01/2004 a 31/12/2004 GLOSA. SAÍDA DE PRODUTOS COM SUSPENSÃO DE IPI INDEVIDA. Somente após a edição dos atos normatizadores do Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária (Reporto), as saídas dos produtos podem se dar com suspensão do imposto. GLOSA. CRÉDITO BÁSICO. AQUISIÇÃO DE MERCADORIA. REVENDA. IMPOSSIBILIDADE. indevido o aproveitamento de crédito do IPI em relação à entrada de mercadoria que não tenha sido submetida a qualquer processo de industrialização. Impugnação Improcedente Assim, em seu Recurso Voluntário, o contribuinte argumenta que o presente processo é dependente do PAF n.º 11070.002449/200518, já que o resultado do julgamento deste irá gerar reflexos no saldo credor e em sua escrita fiscal. Além do que, informa que contra o acórdão supra descrita, interpôs Recurso Voluntário. Por fim, requer a reforma da decisão e a homologação das compensações em questão. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Juliano Lirani O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser analisado. Compulsando os autos, concluo que assiste razão para o contribuinte. O PAF n.º 11070.002449/200518 realmente reduziu o saldo credor e por conta disso o Fisco deixou de homologar o pedido de compensação e de restituição apresentado pelo contribuinte. Fl. 512DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI 4 Acontece que não há notícia nos autos de que o referido processo já tenha transitado em julgado na esfera administrativa, conseqüentemente, fazse necessário a realização de diligência para confirmar tal fato. É verdade que o Recurso Voluntário apresentado no PAF n.º 11070.002449/200518 já fora apreciado pelo CARF, conforme se verifica logo abaixo. Processo nº 11070.002449/200518 Acórdão nº 340301.433– 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 15 de fevereiro de 2012 Matéria IPI.AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente KEPLER WEBER INDUSTRIAL S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2004 REPORTO. INÍCIO DOS EFEITOS DO REGIME FISCAL PRIVILEGIADO. A MP nº 206/04, convertida na Lei nº 11.033/04, não era auto aplicável, dependendo de regulamentação dos órgãos fiscais, a fim de que fossem utilizados os benefícios nela previstos. IPI. GLOSA DE CRÉDITOS. MERCADORIAS REVENDIDAS. A aquisição e posterior revenda de mercadorias não submetidas a qualquer processo de industrialização não gera crédito de IPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Entretanto, ainda assim, julgo necessária a realização de diligência à repartição de origem, pois tal providência tem por com o objetivo aguardar o trânsito em julgado no âmbito administrativo do PAF n.º 11070.002449/200518, já que pode existir recurso pendente de julgamento. Além do que é sabido, que a Manifestação de Inconformidade e a Impugnação, quando tempestivas, suspendem a exigibilidade do crédito tributário, por força do art. 151 do CTN. Neste passo, a redução do saldo credor, por parte da Fazenda, configura confisco, bem como desrespeito ao princípio da nãocumulatividade. Ante o exposto, dou provimento ao apelo para determinar a realização de diligência. (assinado digitalmente) Juliano Lirani Relator Voto Vencedor Fl. 513DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 11070.001613/200570 Acórdão n.º 380302.702 S3TE03 Fl. 500 5 Conselheiro Alexandre Kern . considerando (i) que a competência das turmas especiais fica restrita ao julgamento de recursos em processos de valor inferior ao limite fixado para interposição de recurso de oficio pela autoridade julgadora de primeira instância, nos termos do § 2º do art. 2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF; (ii) que esse valor está fixado atualmente em R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), e (iii) que o valor original do pedido de ressarcimento do saldo credor básico de IPI é de R$ 1.395.328,71 (um milhão, trezentos e noventa e cinco mil, trezentos e vinte e oito reais e setenta e um centavos) (cf.Despacho Decisório, fl. 352, V. 2)), voto pelo não conhecimento do recurso de ofício, declinandose a competência para seu julgamento às turmas ordinárias da 3ª Câmara desta 3ª Seção. Sala de sessões, em 22 de março de 2012 Alexandre Kern Redator designado. Fl. 514DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI 6 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 11070.001613/200570 Interessada: KEPLER WEBER INDUSTRIAL S/A À SEJUL da 3ª Seção, para formação de lote de sorteio para as turmas ordinárias, haja vista que o valor do processo supera a alçada desta TE, estabelecida no § 2º do art. 2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF. Brasília DF, em 22 de março de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 515DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI
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Numero do processo: 10880.004495/99-36
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2001
Data da publicação: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2001
Ementa: SIMPLES — INCONSTITUCIONALIDADE — A apreciação de inconstitucionalidade de norma tributária é matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário. OPÇÃO — Creche, pré-escolas e estabelecimentos de ensino fundamental, legalmente constituídos como pessoa jurídica, poderão optar pelo SIMPLES nos termos do art. 1º da Lei nº 10.034, de 24/10/2000.
Recurso provido.
Numero da decisão: 201-74.875
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Nome do relator: JORGE FREIRE
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-10-21T11:49:31Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-10-21T11:49:31Z; Last-Modified: 2009-10-21T11:49:31Z; dcterms:modified: 2009-10-21T11:49:31Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-10-21T11:49:31Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-10-21T11:49:31Z; meta:save-date: 2009-10-21T11:49:31Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-10-21T11:49:31Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-10-21T11:49:31Z; created: 2009-10-21T11:49:31Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2009-10-21T11:49:31Z; pdf:charsPerPage: 1241; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-10-21T11:49:31Z | Conteúdo => MF - Segundo Conselho de Contribuintes Publicado no Diário Oficial da Unido de 2G / Z00-3- MINISTÉRIO DA FAZENDA Rubrico SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10880.004495/99-36 Acórdão : 201-74.875 Recurso : 115.459 Sessão : 20 de junho de 2001 Recorrente : PLANETA AZUL ESCOLA INFANTIL S/C LTDA. Recorrida : DRJ em São Paulo - SP SIMPLES — INCONSTITUCIONALIDADE — A apreciação de inconstitucionalidade de norma tributária é matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário. OPÇÃO — Creche, pré-escolas e estabelecimentos de ensino fundamental, legalmente constituídos como pessoa jurídica, poderão optar pelo SIMPLES nos termos do art. 1 2 da Lei if 10.034, de 24/10/2000. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: PLANETA AZUL ESCOLA INFANTIL S/C LTDA. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 20 de junho de 2001 Jorge reir: Presidente e Relator Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Luiza Helena Galante de Moraes, Rogério Gustavo Dreyer, Serafim Fernandes Corrêa, Gilberto Cassuli, José Roberto Vieira, Antonio Mário de Abreu Pinto e Sérgio Gomes Velloso Eaal/ovrs 1 ,_,15,NN., MINISTÉRIO DA FAZENDA .1. '04:4:4;: SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10880.004495/99-36 Acórdão : 201-74.875 Recurso : 115.459 Recorrente : PLANETA AZUL ESCOLA INFANTIL S/C LTDA. RELATÓRIO Discute, nos presentes autos, a lavratura do ATO DECLARATÓRIO referente à comunicação de exclusão da Sistemática de Pagamento dos Tributos e Contribuições denominada SIMPLES, nos termos da Lei n 2 9.317/96, artigos 92 ao 16, com as alterações introduzidas pela Lei rig 9.732/98, no tocante à vedação da opção à pessoa jurídica prestadora de serviços profissionais de professor ou assemelhado. O Delegado da Receita Federal em São Paulo - SP, através da Decisão às fls. 25/28, indeferiu o referido pleito por não poderem optar pelo SIMPLES as pessoas jurídicas que vendam ou prestem serviços relativos à profissão de professor ou assemelhados, uma das atividades expressamente vedadas pelo inciso XIII do artigo 92 da Lei 1.19 9.317/96. Tempestivamente, a empresa apresentou sua manifestação de inconformidade contra a referida Decisão, às fls. 35/47, alegando, em síntese, a argüição de inconstitucionalidade do artigo 9' da Lei n' 9.317/96, ao argumento de que a atividade empresarial desenvolvida não se caracteriza como serviço de professor ou assemelhado e, tampouco, como qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida. A autoridade julgadora de primeira instância indeferiu a solicitação para cancelamento da exclusão do SIMPLES, em decisão assim ementaria: "Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples Ano-calendário: 1999 Ementa: SIMPLES Não podem optar pelo SIMPLES as pessoas jurídicas cuja atividade não esteja contemplada pela legislação de regência, tal como é o caso de prestação de serviços de professor. SOLICITAÇÃO INDEFERIDA". 2 si 1 ta • MINISTÉRIO DA FAZENDA .t • '1' tf-:01N SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10880.004495199-36 Acórdão : 201-74.875 Recurso : 115.459 Inconformada, recorre a interessada, em tempo hábil, a este Conselho de Contribuintes, reportando-se às mesmas alegações expendidas na peça impugnatória É o relatório 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA 14J,L ,•<Ar IT4k, SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10880.004495/99-36 Acórdão : 201-74.875 Recurso : 115.459 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR JORGE FREIRE O recurso cumpre todas as formalidade legais necessárias para seu conhecimento. Em relação à inconstitucionalidade argüida é pacifico o entendimento deste Colegiado de que não compete à autoridade administrativa sua apreciação, prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. No mérito o art. 1 2, da Lei n2 1 0.03 4, de 24/10/2000, assim dispõe: "Art. 1' Ficam excetuadas da restrição de que trata o inciso XIII do art. 9da Lei n' 9.3 17, de 5 de dezembro de 1996, as pessoas jurídicas que se dediquem às seguintes atividades: creches, pré-escolas e estabelecimentos de ensino findamental. " Na análise do ato constitutivo de fls. 15/18, verifica-se que a recorrente se enquadra na exceção criada pela citada Lei n2 10.034/2000. A IN SRF n2 1 15, de 27/12/2000, que disciplina a matéria, estabelece no § 3 2 do art. 12: "Art. 1' (omissis) § 32 Fica assegurada a permanência no sistema das pessoas jurídicas mencionadas no capta, que tenham efetuado a opção pelo SIMPLES anteriormente a 25 de outubro de 2000 e não foram excluídas de oficio ou, se excluídas, os efeitos da exclusão ocorreriam após a edição da Lei tr 2 10.034, de 2000, desde que atendidos os demais requisitos legais." Portanto, lei nova autoriza a recorrente a integrar o sistema de tributação especial denominado SIMPLES. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso. Sala d Sessões em, 20 de junho de 200 1 JORGE FREIRE 4
score : 1.0
Numero do processo: 10380.005871/2007-21
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 23/02/2007
DEIXAR DE EXIBIR DOCUMENTOS OU LIVROS RELACIONADOS
COM AS CONTRIBUIÇÕES PREVISTAS NA LEI 8.212/91.
A empresa está obrigada a exibir os livros e documentos relacionados às contribuições previdenciárias quando regularmente intimada pela fiscalização. A não apresentação, ou apresentação de livros e documentos que não atendam as formalidades legais exigidas, que contenham informação diversa da realidade ou que omitam informação verdadeira, constitui infração à legislação previdenciária.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-000.488
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Carolina Siqueira Monteiro de Andrade e Helton Carlos Praia de Lima que negaram provimento.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 23/02/2007 DEIXAR DE EXIBIR DOCUMENTOS OU LIVROS RELACIONADOS COM AS CONTRIBUIÇÕES PREVISTAS NA LEI 8.212/91. A empresa está obrigada a exibir os livros e documentos relacionados às contribuições previdenciárias quando regularmente intimada pela fiscalização. A não apresentação, ou apresentação de livros e documentos que não atendam as formalidades legais exigidas, que contenham informação diversa da realidade ou que omitam informação verdadeira, constitui infração à legislação previdenciária. Recurso Voluntário Provido em Parte
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BATISTA BENEFICENTE E MISSIONARIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 23/02/2007 DEIXAR DE EXIBIR DOCUMENTOS OU LIVROS RELACIONADOS COM AS CONTRIBUIÇÕES PREVISTAS NA LEI 8.212/91. A empresa está obrigada a exibir os livros e documentos relacionados às contribuições previdenciárias quando regularmente intimada pela fiscalização. A não apresentação, ou apresentação de livros e documentos que nao atendam as formalidades legais exigidas, que contenham informação diversa da realidade ou que omitam informação verdadeira, constitui infração à legislação previdenciária. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Carolina Siqueira Monteiro de Andrade e Helton Carlos Praia de Lima que negaram provimento. assinado digitalmente Fl. 1DF CARF MF Emitido em 15/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/02/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Assinado digitalmente em 28/02/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, 01/03/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.005871/200721 Acórdão n.º 280300.488 S2TE03 Fl. 117 2 Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/02/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Assinado digitalmente em 28/02/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, 01/03/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.005871/200721 Acórdão n.º 280300.488 S2TE03 Fl. 118 3 Relatório A empresa foi autuada em 23.02.2007, por descumprimento da legislação previdenciária conforme disposto no relatório fiscal, que trancrevo. 3. , Ensejou a lavratura do presente auto a não apresentação de: 3.1. Livros Diário e Razão, relativos ao período de 1997 e às competências janeiro a setembro de 2006; 3.2. da totalidade das folhas de pagamento relativas ao período de 1996 a 1998, à competência outubro de 1999 e ao décimo terceiro salário de 2000; 3.3. parte das folhas de pagamento referentes ao período de 01/1999 a 09/1999, 11/1999 e 12/1999, de 01/2000 a 05/2003, eis que os ,valores declarados em GFIP, a título de remuneração paga a empregados, nesse período, ultrapassam aqueles constantes das folhas de pagamento apresentadas pela empresa, tendo sido verificado na contabilidade que os documentos não disponibilizados se referiam ao convênio da ABBEM com a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. A documentação não apresentada foi solicitada por meio de Termo de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD, do qual a empresa teve ciência em 10 de outubro de 2006. A DecisãoNotificação – fls 95 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o Auto lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário tempestivo, alegando, na parte que interessa, o seguinte : • No Auto de Infração n°. 37.043.894.9 o Relatório Fiscal atesta que a Contribuinte também foi autuada por violação do art. 33,§§ 2° e 3°, da Lei 8.212/91, de sorte a caracterizar irrefutável aplicação de idêntica penalidade para um mesmo fato, eis que ali, supostamente, não foram apresentadas as folhas das remunerações de 1997 e 1998; • O Contribuinte não deixou de oferecer a documentação solicitada, o que ocorreu foi um furto no seu estabelecimento, consoante o já apresentado Boletim de Ocorrências. • De mais a mais, o INSS aplicou a multa no valor mínimo superior ao vigente, pois somente houve elevação pela Portaria do Ministerial n°. 342/2006, sendo o valor contido no citado preceito legal de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos). Todavia, a multa aplicada por descumprimento das obrigações acessórias previstas no Capítulo VIII, Seção 111, do RPS e Capítulo X, da arrecadação de recolhimento das obrigações da Lei n°. 8.212/91 configurase um Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/02/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Assinado digitalmente em 28/02/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, 01/03/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.005871/200721 Acórdão n.º 280300.488 S2TE03 Fl. 119 4 tributo e, como tal, só pode ser, majorada mediante Lei, nos termos do art. 150, inciso I, da Constituição da República. • Requer o processamento do feito sem o depósito prévio exigido. • Pugna pelo provimento do recurso, citação pessoal dos procuradoes e realização de perícia contábil, esta já requerida e indeferida em primeira instância. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/02/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Assinado digitalmente em 28/02/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, 01/03/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.005871/200721 Acórdão n.º 280300.488 S2TE03 Fl. 120 5 Voto Conselheiro Oséas Coimbra DAS QUESTÕES PRELIMINARES DA DECADÊNCIA O auto de infração foi entregue ao contribuinte em 23/02/2007 em razão da não apresentação de documentos referentes aos anos de 1996 a 2006. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há de se observar as regras previstas no CTN. Tratandose de auto de infração, sem pagamentos a homologar, deve ser aplicada, em relação à decadência, a regra trazida pelo artigo 173, I do CTN, que transcrevemos. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Consoante a regra retrocitada, forçoso se faz reconhecer a decadência referente ao período anterior a 2000, inclusive, desobrigando o contribuinte de apresentar documentos pertinentes a este período. Ressalvamos que, não entregue documentação referente a apenas uma competência não alcançada pela decadência, está configurada a infração à legislação previdenciária. Ante o exposto, reconheço de decadência parcial nos termos do voto proferido. DO DEPÓSITO RECURSAL A lei 8.213/91 teve o § 1º do artigo 126 revogado pela lei 11.727/08, não sendo mais necessário o depósito recursal para o seguimento do recurso apresentado, dessarte, a falta do depósito não é razão impeditiva de análise do recurso . DO MÉRITO Fl. 5DF CARF MF Emitido em 15/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/02/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Assinado digitalmente em 28/02/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, 01/03/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.005871/200721 Acórdão n.º 280300.488 S2TE03 Fl. 121 6 A legislação previdenciária, em especial a lei 8212/91 art. 33 c/c arts. 232 e 233 do decreto 3048/99, determina a obrigatoriedade de apresentação todos os documentos e livros relacionados com as contribuições sociais, uma vez não apresentados, cabe a lavratura do respectivo auto de infração. Transcrevemos o art 33 da lei 8212/91 § 2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liqüidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.grifamos Está caracterizada a regular intimação, através de TIAD´s acostados às fls 13 a 15, para apresentação dos seguintes documentos que constam do relatório fiscal da infração – Livros Diário, Razão e folhas de pagamento. A infração se caracteriza pela não entrega de quaisquer dos documentos acima requeridos, basta um documento não entregue para que se justifique a autuação. Em seu arrazoado, a recorrente não se desvencilha da necessidade de apresentação dos documentos retro, além de não trazer prova capaz de afastar os fundamentos da autuação, senão vejamos. O boletim de ocorrência de fls. 79 e 80 se refere a fato incorrido em 11.01.2003, o que não afastaria a obrigatoriedade de apresentação dos Livros Diário e Razão relativos às competências janeiro a setembro de 2006 e das folhas de pagamento referentes ao período de 02 a 05/2003. Referido BO também não expressamente elenca como extraviados os documentos requeridos pela Autoridade Fiscal. Se isso não bastasse, a simples alegação da ocorrência de roubo/furto, não afasta a responsabilidade da empresa em efetivar os procedimentos pertinentes. O extravio, perda ou deterioração de livros contábeis e de outros documentos pode acarretar implicações de ordem comercial, previdenciária, trabalhista, administrativa, tributária, entre outras, por isso o sujeito passivo deveria ter observado certas providências quando da sua ocorrência, segundo dispõe a legislação abaixo transcrita: INSTRUÇÃO NORMATIVA DNRC 65, DE 31/07/97 "Au. 11. Ocorrendo extravio, deterioração ou definição de qualquer dos instrumentos de escrituração mercantil, a empresa fará publicar, em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento, aviso concernente ao fato e deste fará minuciosa informação, dentro de quarenta e oito horas à Junta Comercial de sua jurisdição." (sem grifos no original) DECRETOLEI N° 486, DE 03/03/1969 "Art. 10 Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de livros fichas, documentos ou papéis de interesse da Fl. 6DF CARF MF Emitido em 15/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/02/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Assinado digitalmente em 28/02/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, 01/03/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.005871/200721 Acórdão n.º 280300.488 S2TE03 Fl. 122 7 escrituração, o comerciante fará publicar em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação, dentro de 48 (quarenta e oito) horas ao órgão competente do Registro do Comércio." (sem grifos no original) Inequívoco que a legislação determina a publicação do fato em jornal de grande circulação e a informação à Junta Comercial, dentro de 48 horas. O entendimento doutrinário também corrobora o acerto da legislação, conforme leciona Fábio Ulhoa Coelho: A falta de um instrumento de escrituração obrigatório implica sanções ao empresário. Deste modo, ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de livros, fichas ou microfichas já autenticadas pela Junta Comercial, o empresário deve adotar certas providências, exigidas pelo registro de empresas, para não sofrer as sanç'ões relacionadas à falta da escrituração. Em primeiro lugar, é necessário providenciar a publicação, em jornal de grande circulação na sede do estabelecimento correspondente, de um aviso relativo à ocorrência. Em segundo, nas quarenta e oito horas que se seguirem à publicação, o empresário deve apresentar na Junta Comercial uma comunicação, com detalhado relato do fato. Após essas providências, o empresário poderá recompor sua escrituração, adotando o mesmo número de ordem do instrumento extraviado ou perdido, para fins de a submeter à autenticação. A segunda via do livro ou instrumento de escrituração após o atendimento destas cautelas e formalidades, produzirá, em principio, os mesmos efeitos jurídicos da primeira. Claro que, uma vez demonstrada a fraude na substituição do livro mercantil — o empresário, na verdade, inutilizou o original , a segunda via tem a sua eficácia probatória limitada ou comprometida. Quando presentes as cautelas e formalidades acima, no entanto, presumese regular a substituição do instrumento de escrituração, recaindo sobre a parte adversa o ônus de prova de eventuais fraudes. (sem grifos no original) (COELHO, Fábio Ulhoa. Curso de direito comercial, v. 1, 6. ed. São Paulo : Saraiva, 2002, p. 5 Uma vez que a empresa não apresentou os documentos adrede citados, temos a procedência da autuação. DA MULTA APLICADA O recorrente se insurge contra a multa aplicada, entendendo que o valor da mesma não se coaduna com a legislação vigente e com o previsto no art. 150, inciso I, da Constituição da República. A multa aplicada é a determinada pela legislação em vigor, em especial lei n. 8.212, de 24.07.91, artigos 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto no. 3.048, de 06.05.99, art. 283, II, "j" e art. 373, atualizada com base na Portaria MPS n°. 342 de l6/08/2006, publicada no Diário Oficial da União em 17/08/2006. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 15/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/02/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Assinado digitalmente em 28/02/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, 01/03/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.005871/200721 Acórdão n.º 280300.488 S2TE03 Fl. 123 8 A atividade tributária é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais, sendolhe vedada a discricionariedade de aplicação da norma quando presentes os requisitos materiais e formais para a autuação. A penalidade aplicada encontra fundamento nos dispositivos legais retrocitados e foi corretamente aplicada pela autoridade fiscal, encontrandose livre de vícios. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, doulhe parcial provimento, para reconhecer a decadência referente a documentação alusiva ao período anterior a 2000, inclusive, mantendo o valor do auto lavrado. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 15/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/02/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Assinado digitalmente em 28/02/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, 01/03/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 13822.001172/96-11
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2001
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2001
Numero da decisão: 303-00.788
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: PAULO DE ASSIS
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RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 18 de abril de 2001 JOÃ~NDA COSTAprern;;~~'~ PA~;~S Relator 21 SET 2001 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: MANOEL D' ASSUNÇÃO FERREIRA GOMES, IRINEU BIANCHI, ZENALDO LOIBMAN, NILTON LUIZ BARTOLI, CARLOS FERNANDO FIGUEIREDO DE BARROS e MARIA EUNICE BORlA GONDIM TEIXEIRA (Suplente). Ausente a Conselheira ANELISE DAUDT PRIETO. tine • MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUlNTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° RECORRENTE RECORRIDA RELATOR(A) 121.776 303-0.788 SÉRGIO RICARDO MENDONÇA DE ALMEIDA DRJIRIBEIRÃO PRETO/SP PAULO DE ASSIS RELATÓRIO • • • O presente processo está sendo analisado com apoio em medidaliminar concedida em mandado de segurança impetrado junto à sétima subseçãojudiciária do Estado de São Paulo, Primeira Vara Federal de Araçatuba. O recorrente insurge-se contra a notificação (fi. 8) que lhe exige o crédito tributário relativo ao Imposto Territorial Rural (ITR), às Contribuições Sindicais do Trabalhador e do Empregador e às contribuições ao Senar, exercício de 1995, no montante de R$ 5.652,48, incidente sobre o imóvel rural de sua propriedade, denominado Fazenda Santa Cecília, com área de 965,4 ha, localizado no município de Barbosa/SP. Alega que: a) ao desprezar o valor por ele informado e adotar o VTNm, o lançamento deixou de respeitar as normas tributárias vigentes; b) o arbitramento do VTN originou uma tributação injusta e excessiva, caracterizando confisco; c) o valor atribuído ao imóvel é irreal e superior ao valor da propriedade como um todo, incluídas as construções, benfeitorias e áreas plantadas; d) outras regiões do município, em melhores condições e mais bem servidas de rodovias, tiveram VTNm fixado em valor inferior; e) o lançamento deve ser anulado por desrespeitar o princípio constitucional de irretroatividade, uma vez que a Lei 8.847/94 que majorou o ITR, não poderia ser aplicada no exercício em pauta, mas somente em 1996; f) o lançamento desobedeceu, também, à Lei 8.847, art. 3°, porque não adotou o VTN de 31/12/94; g) não consta da notificação a fundamentação legal para cobrança das contribuições sindicais e SENAR; e 2 Na fundamentação de sua decisão, mantendo os valores da Notificação, a DRJIRPO, assim se fundamenta: MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA cÂMARA i) ao final, requer nulidade do lançamento do ITR e demais taxas, adotando-se em novo lançamento o VTN de mercado e cancelamento da cobrança das contribuições. 121.776 303-0.788 3) não há que se falar em confisco, haja vista que o VTN tributado no lançamento teve como base de cálculo o Valor da Terra mínimo - VTNm estabelecido na Instrução Normativa SRF nO 42/1996; 2) a Lei 8.847/94 que rege o lançamento questionado, foi publicada no D.O.V. de 29 de janeiro de 1994, não se sustentando a tese de irretroatividade para lançamentos do exercício de 1995; 1) as questões sobre confisco, irretroatividade das leis e liberdade de associação escapam da competência da instância administrativa, atribuição reservada ao poder judiciário (Constituição Federal, art. 102); RECURSO N° RESOLUÇÃO N° h) por se tratar de contribuições confederativas, não há sustentação jurídica nem legal para sua cobrança, em face da liberdade de associação a tais entidades, prevista na Constituição Federal; • • • 4) a possibilidade de revisão do VTNm poderá ser efetuada com base em laudo técnico de avaliação, nos moldes da NBR 8.799 daABNT; Ao socorrer-se do Conselho de Contribuintes o recorrente apresentou um substancial laudo de avaliação, (fls. 34 a 54) que conclui por um VTN de R$ 361.282,60 e alíquota de tributação de 0,15%, reduzindo o imposto devido para R$ 541,92. Houvesse esse laudo sido analisado pelo julgador monocrático, do que estava impedido, por falta do depósito exigido por lei (p. 59), provavelmente não haveria necessidade do presente recurso. É o relatório. '. 3 '. MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA cÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° 121.776 303-0.788 VOTO .' • O recorrente trouxe para a Segunda Instância elementos substanciais que não foram apreciados na Primeira Instância. Voto pelo retorno do processo à origem, para que a questão seja revista. Sala das Sessões, em 18 de abril de 2001 4 00000001 00000002 00000003 00000004
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000987/2007-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 28 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Fri Oct 02 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2003 a 30/11/2003
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. INTELIGÊNCIA DO ART. 138, CAPUT DO CTN. PROVA. APLICABILIDADE.
O pagamento atrasado do tributo, acrescido de juros moratórios, antes de iniciado procedimento fiscal e da apresentação da declaração do débito em DCTF, caracteriza a ocorrência de denúncia espontânea e afasta a incidência da chamada multa moratória.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ERRO NO PREENCHIMENTO DE PLANILHA SOLICITADA PELA FISCALIZAÇÃO. INFORMAÇÃO CORRETA DECLARADA EM DIPJ.
Ainda que seja legítimo a fiscalização solicitar planilha para facilitar sua atividade, a atividade de lançamento deve ser pautada pelos documentos fiscais declarados pelo contribuinte nos termos da lei. Havendo indicação de erro na planilha confeccionada pelo sujeito passivo e estando os dados da DIPJ validados pela autoridade, estes últimos devem prevalecer, visto que a DIPJ é documento oficial e vincula o declarante ao seu conteúdo, servindo de fundamento suficiente, na condição de documento confeccionado pelo próprio contribuinte, para a exigência de ofício.
Numero da decisão: 3401-007.733
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso, para, por unanimidade de votos, afastar as multas por pagamento em atraso das contribuições referentes à abril de 2003, e por maioria de votos, reconhecer os valores relativos a devoluções de vendas, vencido o conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares, que manifestou intenção de apresentar declaração de voto.
(documento assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes Presidente Substituta
(documento assinado digitalmente)
Fernanda Vieira Kotzias - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lazaro Antônio Souza Soares, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Joao Paulo Mendes Neto, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente) e Mara Cristina Sifuentes (Presidente Substituta). Ausente o conselheiro Tom Pierre Fernandes da Silva, substituído pelo conselheiro Marcos Roberto da Silva.
Nome do relator: FERNANDA VIEIRA KOTZIAS
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MULTA DE MORA. INTELIGÊNCIA DO ART. 138, CAPUT DO CTN. PROVA. APLICABILIDADE. O pagamento atrasado do tributo, acrescido de juros moratórios, antes de iniciado procedimento fiscal e da apresentação da declaração do débito em DCTF, caracteriza a ocorrência de denúncia espontânea e afasta a incidência da chamada multa moratória. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ERRO NO PREENCHIMENTO DE PLANILHA SOLICITADA PELA FISCALIZAÇÃO. INFORMAÇÃO CORRETA DECLARADA EM DIPJ. Ainda que seja legítimo a fiscalização solicitar planilha para facilitar sua atividade, a atividade de lançamento deve ser pautada pelos documentos fiscais declarados pelo contribuinte nos termos da lei. 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(documento assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes – Presidente Substituta (documento assinado digitalmente) Fernanda Vieira Kotzias - Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 09 87 /2 00 7- 66 Fl. 432DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-007.733 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.000987/2007-66 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lazaro Antônio Souza Soares, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Joao Paulo Mendes Neto, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente) e Mara Cristina Sifuentes (Presidente Substituta). Ausente o conselheiro Tom Pierre Fernandes da Silva, substituído pelo conselheiro Marcos Roberto da Silva. Relatório Por bem descrever os fatos do autos, adoto parcialmente o relatório elaborado pela DRJ/CTA, o qual transcrevo abaixo: “1. Versa o presente processo sobre autos de infração lavrados em nome do contribuinte em epígrafe. 1.1 Às fls. 33 a 36, consta o auto de infração lavrado sobre a falta/insuficiência de recolhimento da COFINS de 01/2003 a 05/2003, 07/2003 e 11/2003, no valor de R$ 588.314,82, incluindo principal, multa proporcional e juros de mora calculados até 31/07/2007. 1.2 Às fls 37 a 40, consta o auto de infração lavrado sobre a diferença falta/insuficiência de recolhimento da Contribuição para o PIS, incidência cumulativa de 01/2003 a 07/2003, no valor de R$ 82.621,42, incluindo principal, multa proporcional e juros de mora calculados até 31/07/2007. 2. Na Descrição dos Fatos (fls. 34 e 38), a autoridade fiscal que procedeu aos trabalhos, esclarece que apurou os valores lançados de acordo com o contido no Termo de Verificação Fiscal de fls. 25 a 32. Neste consta em resumo que: 2.1 Comparando-se os totais de PIS e COFINS a recolher discriminados no Demonstrativo das bases de cálculo apresentado pela empresa às fls. 18, com os totais informados em DCTF às fls. 19/22, a título das supracitadas contribuições, foi verificado em relação aos meses informados nas planilhas elaboradas pela fiscalização, valores declarados a menor impondo-se, desta forma, a constituição dos créditos tributários correspondentes. 3. Cientificado dos lançamentos consubstanciados nos Autos de Infração em comento, na data de 10/08/2007, o interessado apresentou as peças impugnatórias de fls. 57 a 67 e 111 a 119, em 11/09/2007. Alegou, em síntese que: 3.1. Reconhece, em parte, as diferenças apuradas pela fiscalização relativamente aos débitos de Cofins dos meses de janeiro, fevereiro, março, abril, maio, julho e novembro do ano-calendário de 2003, e relativamente aos débitos da Contribuição para o PIS dos meses de janeiro, fevereiro, março, abril, maio, junho e julho do ano-calendário de 2003, comprometendo-se a efetuar o recolhimento dos respectivos valores, acrescidos de juros e multa (reduzida), no prazo determinado na intimação, ou seja, no prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência do Auto de Infração (até dia 11/09/2007), conforme DARF's a serem juntados posteriormente aos autos do processo. 3.2 Ocorreram equívocos no preenchimento da Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ/04 (doc. n° 03), bem como no preenchimento da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF (docs. n°s 04 a 07) relativas aos respectivos meses do ano-calendário de 2003, constantes do quadro acima, pelo que, compromete-se a efetuar as devidas retificações, com a posterior juntada aos autos do processo das respectivas declarações. 3.3 Relativamente à competência referente ao mês de abril de 2003 da Cofins, ao contrário do que aduz a fiscalização, o valor de R$ 224.796,21 foi efetivamente Fl. 433DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-007.733 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.000987/2007-66 recolhido conforme comprovado através do DARF em anexo (doc. n° 08). De fato, houve erro no preenchimento da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF (doc. n° 05) e da Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ (doc n° 03), o que levou a Autoridade Fiscalizadora a entender que a Impugnante devia as quantias apontadas no Auto de Infração em questão. Trata-se de erro meramente formal, o que, de forma alguma, pode prevalecer sobre a verdade material dos fatos ou ser utilizado como fundamento para a exigência de crédito tributário. O Fiscal autuante não atentou para o DARF (doc. n° 08) que comprova o pagamento, não havendo, portanto, crédito tributário a ser lançado. 3.4 Relativamente à competência referente ao mês de abril de 2003 da Contribuição para o PIS, o valor de R$ 16.936,70 foi efetivamente recolhido conforme comprovado através do DARF em anexo (doc. n° 07). Em relação ao valor de R$ 0,70 (competência junho/03) equivocou-se novamente o Fiscal, pois o Darf pago monta R$ 96.901,96 (doc. nº 08) e não R$ 96.901,26, como afirma no demonstrativo anexo ao Termo de Verificação Fiscal. De fato, houve erro no preenchimento da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF (doc. n° 05) e da Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ (doc n° 03), o que levou a Autoridade Fiscalizadora a entender que a Impugnante devia as quantias apontadas no Auto de Infração em questão. Trata-se de erro meramente formal, o que, de forma alguma, pode prevalecer sobre a verdade material dos fatos ou ser utilizado como fundamento para a exigência de crédito tributário. O Fiscal autuante não atentou para os DARF (docs. n° 07 e 08) que comprovam os pagamentos, não havendo, portanto, crédito tributário a ser lançado. 3.4 Em relação às demais diferenças apuradas nos meses de janeiro a março, maio e novembro, da COFINS, nos valores de R$ 21,50, R$ 104,55, R$ 225,00, R$ 826,41, R$ 86,18, respectivamente, a Impugnante esclarece que houve um equívoco na planilha das bases de cálculo entregue ao Fiscal, a qual não contemplava a dedução das devoluções de vendas, conforme informações constantes na linha 12, ficha 26A, da Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ/04 relativa aos respectivos meses do ano-calendário de 2003 (doc. nº 03). 3.5 Anexa à presente, planilha de cálculo da COFINS (doc. n° 09) em substituição à anteriormente entregue ao Fiscal — com a correta demonstração das bases de cálculo da referida contribuição, contemplando as devoluções de vendas referentes aos respectivos meses do ano-calendário de 2003, cujas informações já constavam na Declaração de informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ/04 entregue à Receita Federal. 3.6 Ao final requer que seja a presente conhecida, porquanto tempestiva e, no mérito, julgada procedente, a fim de declarar a insubsistência do referido Auto de Infração, reconhecendo a inexistência de crédito tributário a ser reclamado, bem como protesta por provar o que necessário por todos os meios de prova admitidos na legislação. 4. É o relatório.” A DRJ/CTA decidiu por julgar parcialmente procedente a impugnação fiscal para excluir do montante lançado os valores comprovadamente recolhidos de PIS e Cofins, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2003 a 30/11/2003 COMPROVAÇÃO DE RECOLHIMENTO Deve ser exonerado do lançamento o pagamento efetivamente recolhido. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Deve ser considerada definitivamente constituída a parcela do lançamento que não houver sido contestada. Fl. 434DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-007.733 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.000987/2007-66 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2003 a 31/07/2003 COMPROVAÇÃO DE RECOLHIMENTO Deve ser exonerado do lançamento o pagamento efetivamente recolhido. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Deve ser considerada definitivamente constituída a parcela do lançamento que não houver sido contestada. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Irresignada, a empresa apresentou recurso voluntário argumentando a improcedência da parte subsistente do lançamento, diante das seguintes questões: (i) a fiscalização e a DRJ desconsideraram os recolhimentos efetuados pela recorrente em 10.09.2007, após a lavratura dos Autos de Infração e as devoluções de vendas, as quais ensejaram a redução da base de cálculo da COFINS; e (ii) os recolhimentos das contribuições de PIS e COFINS, relativos a abril de 2003, foram efetuados em atraso, mas de forma espontânea, sendo beneficiados pela regra contida no art. 138 do CTN, não cabendo a cobrança de multa. Diante disso, requer o provimento do recurso voluntário para afastar a totalidade do lançamento. O processo foi então encaminhado ao CARF, sendo a mim distribuído para análise e voto. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Vieira Kotzias, Relatora. O recurso é tempestivo e preenche todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual merece ser conhecido. Conforme destacado no relatório, a DRJ/CTA afastou parte do lançamento diante da comprovação de recolhimento de parte das contribuições devidas, mantendo o lançamento da seguinte forma (fl. 219): Fl. 435DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-007.733 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.000987/2007-66 Conforme se observa, parte remanescente do lançamento não foi contestada pela recorrente, de forma que o objeto do presente recurso restringe-se a: (i) parcelas do lançamento relativas às multas por pagamento em atraso das contribuições referentes à abril de 2003; (ii) valores relativos às devoluções de vendas, que foram equivocadamente incluídas na planilha apresentada à fiscalização pela recorrente; e (iii) recolhimentos efetuados pela recorrente em 10.09.2007, após a lavratura dos Autos de Infração. Assim, passa-se à análise desses pontos de forma individualizada. 1) Da denúncia espontânea No que concerne à denúncia espontânea, defende a recorrente que realizou pagamento em atraso das contribuições devidas em abril de 2003, com a adição dos juros devidos antes de qualquer procedimento fiscalizatório, fazendo jus à exclusão da multa, nos termos do art. 138 do CTN. Avaliando os documentos dos autos, verifica-se que o pagamento das contribuições devidas em abril de 2003 foi realizado em 31/10/2003, acrescido de juros e que tais valores não tinham sido previamente admitidos em DCTF, uma vez que a retificação do referido documento para refletir esses valores somente ocorreu em 15/01/2004 (fl.118). Inclusive, a fiscalização e a DRJ não discordam desses fatos, mas defendem que, independentemente do pagamento ter sido realizado de forma espontânea e antes de qualquer admissão do débito em DCTF, a multa é devida diante da demora no pagamento. Ora, é pacífico neste Conselho que, diante do pagamento espontâneo e antes de qualquer fiscalização/confissão, cabe o benefício do art. 138 do CTN, afastando-se a incidência de mura de mora, conforme entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF): NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. INTELIGÊNCIA DO ART. 138, CAPUT DO CTN. PROVA. APLICABILIDADE O pagamento atrasado do tributo, acrescido de juros moratórios, antes de iniciado procedimento fiscal e da apresentação da declaração do débito em DCTF, caracteriza a ocorrência de denúncia espontânea e afasta a incidência da chamada multa moratória. (CSRF. 3ª Turma. Acórdão n. 9303-009.905 no Processo n. 10768.002002/2007-08. Rel. Cons. Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Dj 06/02/2020) Assim, entendo que assiste razão à recorrente, devendo a decisão de piso ser reformada para afastar a multa relativa aos pagamentos a destempo relativos à abril de 2003. Fl. 436DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3401-007.733 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.000987/2007-66 2) Da exclusão dos valores relativos a devoluções de venda No que se refere ao segundo ponto, defende a recorrente que a fiscalização realizou lançamento com base em planilha fornecida pela empresa durante a fase fiscalizatória. Todavia, alega que cometeu erro na elaboração da referida planilha, tendo incluído de forma equivocada valores relativos a devoluções de venda, as quais não são base de cálculo para as contribuições e, portanto, devem ser excluídas do lançamento. Aduz ainda que informou à DRJ do ocorrido, tendo apresentado nova planilha, a qual está em linha com as normas aplicáveis, bem como coincide com os valores declarados em à linha 12, ficha 26A de sua DIPJ. Por sua vez, a DRJ/CTA entendeu pela procedência do valor originalmente lançado pela fiscalização nos seguintes termos: “11. Quanto às parcelas contestadas é de se registrar que a alegação de que correspondem à devolução de vendas carece de comprovação. O contribuinte limitou indicar que tais devoluções estariam informadas em sua DIPJ. Entretanto, tais informações não são suficientes para que consideremos o lançamento insubsistente. Necessário seria a comprovação do registro destas devoluções de vendas em sua escrituração contábil e fiscal a fim de que pudéssemos acatar tal dedução da base de cálculo da COFINS. O que temos em síntese é mera alegação sem prova, fato este que não deve ter campo favorável dentro do processo administrativo, sob o risco de se fazer mau uso de seu iter.” (fl.216-217) Entendo que assiste razão à recorrente. Primeiramente porque o lançamento fiscal é atividade vinculada e deve ser realizada à luz de documentos contábeis e fiscais. Assim, ainda que seja legítima a solicitação de planilha à fiscalizada para facilitar o trabalho dos auditores, estes tem o dever de pautar o lançamento e suas conclusões em documentação idônea e prevista em lei. Além disso, havendo a recorrente justificado o equívoco, apresentando planilha corrigida e estando a justificativa e os valores em linha com os documentos fiscais avaliados e validados pelo Fisco, inexiste necessidade de produção probatória por parte da recorrente. Cabe lembrar que no lançamento fiscal o ônus probatório recai sobre a autoridade, cabendo a ela demonstrar que os valores lançados são efetivamente devidos e possuem base legal para tanto. Assim, não poderia ter a decisão de piso negado os argumentos trazidos pela recorrente, quando amparados por documento fiscal válido e devidamente justificados. Nesse sentido, pode-se citar entendimento da CSRF sobre a força probante da DIPJ em casos de lançamento fiscal, o que deve valer tanto contra, quanto a favor do contribuinte, senão vejamos: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 28/02/2004, 30/09/2004, 30/10/2004, 30/11/2004, 30/12/2004, 30/01/2005, 30/07/2005 Fl. 437DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3401-007.733 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.000987/2007-66 DIPJ. FORÇA PROBANTE. ERRO EM SEU CONTEÚDO. DEMONSTRAÇÃO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. A DIPJ contém informações sobre tributos devidos pela pessoa jurídica, vinculando o declarante ao seu conteúdo e servindo de fundamento suficiente, na condição de documento confeccionado pelo próprio contribuinte, para a exigência de ofício. O conteúdo da DIPJ, para ser ilidido, depende da apresentação de documentos e provas do erro alegado, cujo ônus probante compete ao sujeito passivo. Recurso Especial do Contribuinte negado. Recurso Especial do negado. (CSRF. 3ª Turma. Acórdão n. 9303-004.555 no Processo n. 10280.720004/2009-17. Rel. Cons. Charles Mayer de Castro Souza. Dj 07/12/2016) Portanto, entendo que a decisão da DRJ também merece reforma quanto a esse ponto, de forma a afastar os valores relativos a devoluções de venda que foram devidamente registrados na DIPJ aceita pela fiscalização. 3) Dos recolhimentos efetuados após a lavratura do AI Por fim, a recorrente defende a exclusão dos valores que teriam sido recolhidos após a lavratura do AI, mas que permaneceriam incluídos no montante lançado. Segundo a recorrente, “pode-se constatar a insubsistência do v. Acórdão recorrido, na medida em que, conforme se verifica da planilha demonstrativa de débito de fl. 223 acima retratada, não considerou os DARF`s recolhidos pela ora Recorrente dentro do prazo de 30 (trinta) dias contados após a intimação dos Autos de Infração, atinentes às diferenças apuradas pela fiscalização relativamente aos débitos referentes aos meses de janeiro, fevereiro, março, abril, maio, junho e julho do ano-calendário de 2003, a título de PIS, e de janeiro, fevereiro, março, abril, maio, julho e novembro do ano-calendário de 2003, a título de COFINS, cujos pagamentos a Recorrente comprometeu-se a efetuar em suas peças impugnatórias” (fl.275). Assim, considerando os comprovantes de pagamento que apresenta nos docs. 4 a 11 anexos ao recurso voluntário, a recorrente defende a necessidade de exclusão dos aludidos valores nos termos do art. 156, I do CTN. Entendo que, como tais valores não foram objeto de impugnação fiscal, tendo a empresa concordado com sua cobrança desde o lançamento, a DRJ acabou não conhecendo os pagamentos e, como isso, não os retirou do montante final mantido. Considerando que os documentos juntados aos autos comprovam a realização dos referidos pagamentos, entendo que os valores em questão devem ser abatidos do montante lançado no momento da liquidação, sob pena de cobrança indevida dos referidos tributos pelo Fisco. Todavia, ainda seja bem-vinda o destaque solicitado pela recorrente, não cabe em sede de recurso voluntário excluir do lançamento parte não impugnada e já paga. Fl. 438DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3401-007.733 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.000987/2007-66 Nestes termos, voto per conhecer o recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe parcial provimento para afastar o lançamento relativo às multas por pagamento em atraso das contribuições referentes à abril de 2003 e aos valores relativos às devoluções de vendas. É como voto. (documento assinado digitalmente) Fernanda Vieira Kotzias Declaração de Voto Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares. Com as vênias de estilo, em que pese o como de costume muito bem fundamentado voto da Conselheira Relatora Fernanda Vieira Kotzias, ouso dela discordar quanto à possibilidade do contribuinte apresentar, em sede de impugnação, nova planilha de apuração de contribuições, em substituição à apresentada anteriormente, desacompanhada de documentos comprobatórios contábeis e fiscais, sustentada unicamente em sua DIPJ. Com efeito, consta do Relatório do Acórdão o seguinte: 3.4 Em relação às demais diferenças apuradas nos meses de janeiro a março, maio e novembro, da COFINS, nos valores de R$21,50, R$104,55, R$225,00, R$826,41, R$86,18, respectivamente, a Impugnante esclarece que houve um equívoco na planilha das bases de cálculo entregue ao Fiscal, a qual não contemplava a dedução das devoluções de vendas, conforme informações constantes na linha 12, ficha 26A, da Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ/04 relativa aos respectivos meses do ano-calendário de 2003 (doc. nº 03). 3.5 Anexa à presente, planilha de cálculo da COFINS (doc. n° 09) em substituição à anteriormente entregue ao Fiscal — com a correta demonstração das bases de cálculo da referida contribuição, contemplando as devoluções de vendas referentes aos respectivos meses do ano-calendário de 2003, cujas informações já constavam na Declaração de informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ/04 entregue à Receita Federal. No voto, o entendimento da Conselheira foi o seguinte: Entendo que assiste razão à recorrente. Primeiramente porque o lançamento fiscal é atividade vinculada e deve ser realizada à luz de documentos contábeis e fiscais. Assim, ainda que seja legítima a solicitação de planilha à fiscalizada para facilitar o trabalho Fl. 439DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3401-007.733 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.000987/2007-66 dos auditores, estes tem o dever de pautar o lançamento e suas conclusões em documentação idônea e prevista em lei. Além disso, havendo a recorrente justificado o equívoco, apresentando planilha corrigida e estando a justificativa e os valores em linha com os documentos fiscais avaliados e validados pelo Fisco, inexiste necessidade de produção probatória por parte da recorrente. Cabe lembrar que no lançamento fiscal o ônus probatório recai sobre a autoridade, cabendo a ela demonstrar que os valores lançados são efetivamente devidos e possuem base legal para tanto. Assim, não poderia ter a decisão de piso negado os argumentos trazidos pela recorrente, quando amparados por documento fiscal válido e devidamente justificados. Nesse sentido, pode-se citar entendimento da CSRF sobre a força probante da DIPJ em casos de lançamento fiscal, o que deve valer tanto contra, quanto a favor do contribuinte, senão vejamos: As questões que versam sobre a suficiência das provas apresentadas no processo, tanto pelas Autoridades Tributárias quanto pelos contribuintes é alvo de intenso debate nos julgamentos deste Conselho, existindo uma “zona cinzenta” de onde resultam dúvidas razoáveis sobre quais documentos são realmente necessários para comprovar as alegações das partes, ou sobre a necessidade de diligência para esclarecer dúvidas, dentre tantas outras possibilidades. Contudo, no presente caso, entendo que o Auditor-Fiscal efetuou o lançamento com base em documento apresentado pelo próprio contribuinte, o qual somente foi contestado em sede de impugnação. Caso o contribuinte tivesse entregue a “nova” planilha de apuração ainda no curso do procedimento fiscal, solicitando a substituição da anterior, entendo que caberia à Fiscalização decidir se acata integralmente o novo documento ou se, tendo dúvidas sobre qual o documento correto, solicita maiores esclarecimentos/documentos comprobatórios. Nesta fase inquisitorial, é do Fisco o ônus da produção probatória, não lhe sendo possível simplesmente ignorar uma alegação de que teria sido entregue um documento contendo erros materiais. O Auditor-Fiscal teria que, necessariamente, acatar a substituição da planilha de cálculos ou, estando em dúvidas sobre qual o demonstrativo de apuração que estaria correto, solicitar novos documentos para poder fundamentar corretamente sua decisão. Finda esta fase com a ciência do contribuinte no Auto de Infração, no entanto, é vedado ao Auditor-Fiscal interferir no processo, não lhe sendo possível solicitar novos documentos, razão pela qual cabe, a partir de então, ao contribuinte o ônus de rebater as imputações que lhe são feitas. É bem verdade que nas autuações cabe ao Fisco comprovar a existência de débito do fiscalizado com a União. Isso, no entanto, não significa que ao contribuinte seja legítimo apresentar uma negativa geral para os fatos sem a necessidade de qualquer produção probatória. O que se garante é que, estando a produção probatória da Fazenda Nacional insuficiente, deve ser cancelada a autuação, assim como, nos casos de pedido de ressarcimento, estando insuficiente a produção probatória do contribuinte, deve ser negado o direito ao crédito. Ora, se o Auditor-Fiscal solicita o demonstrativo de apuração do contribuinte, e este lhe fornece tal documento, é legítima a autuação que nele se fundamente. Observe-se que a Lei nº 9.430/96 garante ao Fisco o direito de exigir do contribuinte o fornecimento de informações, sendo sua recusa fato que caracteriza embaraço à fiscalização: Fl. 440DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3401-007.733 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.000987/2007-66 Seção II Regimes Especiais de Fiscalização Art. 33. A Secretaria da Receita Federal pode determinar regime especial para cumprimento de obrigações, pela sujeito passivo, nas seguintes hipóteses: I - embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos em que se assente a escrituração das atividades do sujeito passivo, bem como pela não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado, e demais hipóteses que autorizam a requisição do auxílio da força pública, nos termos do art. 200 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966; (...) Seção III Documentação Fiscal Acesso à Documentação Art. 34. São também passíveis de exame os documentos do sujeito passivo, mantidos em arquivos magnéticos ou assemelhados, encontrados no local da verificação, que tenham relação direta ou indireta com a atividade por ele exercida. Retenção de Livros e Documentos Art. 35. Os livros e documentos poderão ser examinados fora do estabelecimento do sujeito passivo, desde que lavrado termo escrito de retenção pela autoridade fiscal, em que se especifiquem a quantidade, espécie, natureza e condições dos livros e documentos retidos. (...) Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (...) § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pela sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I - prestar esclarecimentos; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II - apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III - apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Obviamente, se o contribuinte somente após a ciência da autuação percebe que cometeu um erro material na documentação fornecida, é pleno o seu direito de exigir a correção do equívoco. Neste momento processual, contudo, não basta apresentar nova planilha excluindo valores que ensejaram a autuação. Se assim fosse, estaria em suas mãos, a qualquer momento, cancelar as autuações, bastando-lhe elaborar uma planilha que atenda aos seus interesses. Da mesma forma, não se lhe exige qualquer esforço hercúleo; bastaria, no presente caso, que apresentasse, juntamente com a nova planilha, a documentação contábil-fiscal Fl. 441DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3401-007.733 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.000987/2007-66 que lhe desse respaldo. Importante inclusive destacar que a DRJ, em seu Acórdão, deixou explícitas as razões para a negativa de provimento por ausência de comprovação das alegações, indicando quais documentos seriam necessários: 10. Todavia, alega em relação às demais diferenças apuradas nos meses de janeiro a março, maio e novembro, da COFINS, nos valores de R$ 21,50, R$104,55, R$225,00, R$ 826,41, R$ 86,18, respectivamente, ter cometido um equívoco na elaboração da planilha das bases de cálculo entregue ao Fiscal, não contemplando a dedução das devoluções de vendas, conforme informações constantes na linha 12, ficha 26A, da Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ/04 relativa aos respectivos meses do ano-calendário de 2003. 11. Quanto às parcelas contestadas é de se registrar que a alegação de que correspondem à devolução de vendas carece de comprovação. O contribuinte limitou indicar que tais devoluções estariam informadas em sua DIPJ. Entretanto, tais informações não são suficientes para que consideremos o lançamento insubsistente. Necessário seria a comprovação do registro destas devoluções de vendas em sua escrituração contábil e fiscal a fim de que pudéssemos acatar tal dedução da base de cálculo da COFINS. O que temos em síntese é mera alegação sem prova, fato este que não deve ter campo favorável dentro do processo administrativo, sob o risco de se fazer mau uso de seu iter. 12. A teor do PAF, (Decreto nº 70.235/72), caberia ao impugnante trazer juntamente com suas alegações impugnatórias todos os documentos que dêem a elas força probante. Eis a norma: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) Quanto à afirmação do contribuinte de que a DIPJ poderia suprir o registro das devoluções de vendas em sua escrituração contábil e fiscal, não posso com esta concordar. A Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) é documento produzido unilateralmente pelo contribuinte. É passível de retificação a qualquer momento, antes de iniciada a fiscalização, com a inserção de quaisquer valores que o contribuinte entenda corretos, o que não implica que a Fazenda Nacional seja obrigada a concordar com tais valores. O procedimento fiscal sob análise, inclusive, visava a confirmar os valores de PIS e de COFINS declarados em DCTF e DIPJ. Se tais documentos pudessem servir de prova dos próprios valores que informa, sequer seria necessária a existência de procedimentos fiscalizatórios. A própria existência da Administração Tributária seria desnecessária, visto que o próprio contribuinte produziria suas provas, e que suas declarações unilaterais como DIPJ, DACON, DCTF, EFD, DI, serviriam de prova a seu favor. Veja-se que até mesmo os registros contábeis dos contribuintes são passíveis de serem contestados pelo Fisco, que, obviamente, precisa respaldar suas conclusões em outros elementos, como notas fiscais, procedimentos de circularização em terceiros, movimentação Fl. 442DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 3401-007.733 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.000987/2007-66 bancária, etc. Observe-se que estes documentos, contudo, são produzidos por outros contribuintes que, ao menos em tese, são terceiros desinteressados (salvo a existência de conluio). Nesse sentido tem decidido este Conselho, conforme os seguintes precedentes: (i) Acórdão nº 1302003.149, Sessão de 16 de outubro de 2018: Conforme já destacado, no curso da fiscalização, a Impugnante apresentou um documento intitulado "Estado de Situación Patrimonial al 31 de Octubre de 2008", no qual se aponta um lucro ("Resultado del Ejercicio") de R$ 4.477.430,52 e um imposto de renda devido ("Impuestos SAFIS"), já descontado do referido lucro, no importe de R$ 127.721,00 (fls. 674/675). Em suposta resposta à intimação para esclarecer a divergência entre o lucro mencionado no documento citado no parágrafo precedente e a informação constante da DIPJ/2009, o Impugnante apresentou um novo documento intitulado "Estado de Situación Patrimonial al 31 de Octubre de 2008". Neste documento, contudo, constam informações completamente díspares das anteriormente apresentadas, pois o resultado do período passa a corresponder a um prejuízo de US$ 1.717.648,64 (equivalente a R$4.014.144,87). Na suposta resposta à intimação, a explicação apresentada pelo Impugnante para a discrepância em questão é claramente insuficiente, pois aponta apenas que a demonstração financeira apresentada inicialmente à fiscalização teria data base diversa da considerada para a DIPJ (fls. 2.153). Contudo, qual seria o motivo para existirem duas demonstrações financeiras com dados díspares para o período de novembro/2007 a outubro/2008? Na impugnação, as alegações do contribuinte também são pífias, pois apenas se aponta que teria havido um equívoco no atendimento inicial à fiscalização. Em nenhum momento se aponta, e muito menos se comprova, qual seria a origem do aventado equívoco. À vista de tais fundamentos, não há como afastar o entendimento da DRJ de que não cabe alteração do lançamento, vez que não restou comprovada a origem do aventado equívoco na demonstração de resultados da empresa Dahlen Uruguai inauguralmente apresentada à fiscalização. (ii) Acórdão nº 1802002.538, Sessão de 24 de março de 2015: IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). (...) A busca da verdade material não autoriza o julgador a substituir o interessado na produção das provas. A apresentação dos documentos juntamente com a defesa é ônus da alçada da recorrente. Fl. 443DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 3401-007.733 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.000987/2007-66 (iii) Acórdão nº 1802002.068, Sessão de 08 de abril de 2014: RECEITA NÃO DECLARADA Constatada divergência entre o valor da receita bruta efetivamente auferida e a declarada em DIPJ e DCTFs, é de ser mantido o crédito tributário que exige a diferença dos tributos devidos. (...) E que, as diferenças mensais encontradas em relação ao PIS do ano calendário de 2004 estão devidamente discriminadas no demonstrativo de fl.30, e, em relação à Cofins, nos períodos de apuração 01/2003 a 12/2003 (não cumulativo), os valores foram apurados considerando todo o faturamento do Contribuinte, sem a exclusão dos valores da receita repassados a terceiros. Nos períodos de 01/2004 a 12/2004, as diferenças foram apurados pelo confronto entre as receitas escrituradas e as receitas declaradas na DIPJ do ano calendário de 2004. (iv) Acórdão nº 1802002.068, Sessão de 08 de abril de 2014: Tendo sido identificada a divergência entre a apuração do lucro tributável pelo lucro real, e os valores oferecidos à tributação por meio da DIPJ, a Autoridade Fiscal promoveu o lançamento da diferença. Simples assim: o que o contribuinte escriturou e não declarou, foi objeto de lançamento direto. Não procedem as alegações teóricas descritas pelo Rcorrente, posto que, no caso em apreço, não é a declaração dos valores que foi a base do lançamento fiscal, mas sim a sua própria apuração fiscal, por meio de seus livros fiscais e contábeis. Deve, assim, ser mantida a autuação fiscal, conforme entendimento deste Conselho, a saber: (v) Acórdão nº 1801001.715, Sessão de 05 de novembro de 2013: DIPJ. DCTF. CONTABILIDADE. A contabilidade faz prova a favor do contribuinte e as declarações entregues ao fisco devem espelhar os registros contábeis, não viceversa. (vi) Acórdão nº 1302-00.967, Sessão de 11 de setembro de 2012: Os elementos presentes no processo são suficientes para que eu conclua que, de fato, a contribuinte apurou contabilmente lucros nos anos de 2001, 2002 e 2003 em valor superior ao lucro que declarou em DIPJ. Tais lucros contábeis justificavam a incidência de imposto de renda e contribuição social em valor superior àquela declarada na DIPJ. Na apuração de tais valores, foi utilizada a própria escrita contábil da contribuinte que faz prova a seu favor ou contra si. Diante dos fatos, a contribuinte teve plenas chances de defesa e de apresentação de razões e explicações adicionais que fossem capazes de demonstrar a improcedência-do lançamento e desse ônus de prova não se desincumbiu. Nesse sentido, com base nos elementos dos autos, comprovada esta a liquidez e certeza do lançamento do imposto de renda e da contribuição social. Fl. 444DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 3401-007.733 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.000987/2007-66 Houve ainda conduta reiterada da contribuinte que por três anos-calendários consecutivos apurou lucros em valor superior aos declarados em DIPJ. A contribuinte tinha, portanto, ciência da ocorrência do fato gerador e procurou ocultá-lo do conhecimento do fisco com o claro intuito de adiar ou afastar a incidência tributária. Nesses termos, está presente o intuito de fraude que justifica a incidência da multa de oficio de 150%. (vii) Acórdão nº 120100.370, Sessão de 15 de dezembro de 2010: BASE DE CÁLCULO DO IRPJ. O lucro real, base de cálculo do IRPJ, é definido pelo confronto entre elementos positivos (as receitas), que o incrementam, com elementos negativos, dentre os quais, as despesas, que o reduzem. Enquanto o ônus da prova dos positivos é do Fisco, o dos negativos é do sujeito passivo. Do contrário, seria impor à Administração Pública a “prova diabólica”, ou seja, de impossível formação. Em razão disso, o mero registro contábil ou a informação na DIPJ justamente por serem atos exclusivos do sujeito passivo não fazem prova a seu favor dos elementos negativos. (...) Pois bem, o mero registro contábil ou a informação na DIPJ– justamente por ser ato exclusivo do sujeito passivo – não faz prova a seu favor dos elementos negativos. Para tal, é necessário que faça a comprovação com documentação apta para tal. (viii) Acórdão nº 1301-00.021, Sessão de 115 de março de 2009: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIVERGÊNCIA ENTRE DIPJ E DIRF. Tendo a fiscalização encontrado divergência entre o montante declarado pelo Contribuinte na DIPJ com aquele registrado em DIRF, a existência do saldo de IRRF deve ser objeto de comprovação por parte do contribuinte, por meio do comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora dos rendimentos. PROVA. RETENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. Documentos unilaterais, tias como cópia do livro-razão e DIPJ, não se prestam para, isoladamente, comprovar a existência de imposto retido por terceiros. (...) A decisão da DRJ manteve a glosa R$618.163,17, referente ao saldo registrado de imposto a compensar dos exercícios anteriores, registrado em 02/01/2001, por divergência no valor declarado em DIPJ com aquele apurado em DIRF. Sustenta, a contribuinte, que a prova da existência dos créditos pode ser feita pela apresentação do livro Diário, assim como pela DIPJ. A decisão deve ser mantida, neste particular. Tendo a fiscalização encontrado divergência entre o montante declarado pelo Contribuinte na DIPJ com aquele registrado em DIRF, a existência do saldo de IRRF deve ser objeto de comprovação por parte do contribuinte. O artigo 55 da lei n° 7.450/1985 dispõe ser, o comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora dos rendimentos o instrumento hábil para tanto, in verbis: (...) Fl. 445DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 3401-007.733 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.000987/2007-66 No caso dos autos, não só a Recorrente não apresentou referidos comprovantes de retenção, como não trouxe qualquer documento que atestasse a sua existência, valendo ressaltar que documentos unilaterais não se prestam para tal reconhecimento. A apresentação do livro razão e da DIPJ, ambos de confecção unilateral, não se mostram suficientes para comprovar a existência de imposto retido por terceiros. Nesse contexto, meu entendimento é pela negativa de provimento ao Recurso Voluntário. Entretanto, como dito alhures, existe uma considerável “zona cinzenta” neste tema, sendo razoável admitir, embora não seja esta a posição majoritária neste Conselho, que, em homenagem ao Princípio da Verdade Material, poderia ser superada a deficiência probatória do contribuinte e determinada a realização de diligência para verificar os registros contábeis e fiscais do Recorrente. Ocorre, entretanto, que nem mesmo esta posição intermediária foi aceita pela Turma, que decidiu acolher como provas das alegações do Recorrente a “nova” planilha fiscal apresentada junto com a Impugnação, em conjunto com a DIPJ. São estas as considerações que gostaria de apresentar nesta Declaração de Voto. Meu entendimento, entretanto, foi isolado na Turma, restando vencido por todos os demais Conselheiros. (assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares Fl. 446DF CARF MF Documento nato-digital
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