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Numero do processo: 18108.000261/2009-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 02 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed Nov 18 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/2000 a 31/08/2004
REALIZAÇÃO DE NOVA INTIMAÇÃO. ACOLHIMENTO. Confiança. Segurança jurídica. RECURSO. TRINTÍDIO LEGAL. CONHECIMENTO.
Embora sem respaldo legal, deferiu a autoridade fazendária o pedido de que nova intimação fosse expedida a seu domicílio fiscal. Com arrimo nos princípios da segurança jurídica e proteção da confiança, deve ser reconhecida a tempestividade do recurso voluntário, contada a partir da data de ciência da segunda intimação.
OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO A CARGO DA PESSOA JURÍDICA.
Sobre a remuneração paga, creditada ou devida ao segurado empregado incide contribuição previdenciária a cargo da pessoa jurídica.
CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A TERCEIROS. OBRIGAÇÃO DE RECOLHIMENTO.
Sobre a remuneração paga, creditada ou devida ao segurado empregado incide contribuição destinada a terceiros e a pessoa jurídica está obrigada a arrecadar e recolher essa contribuição.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. INOVAÇÃO DA DEFESA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO.
A lide se estabelece na impugnação, não se conhecendo das alegações recursais que não tenham sido articuladas na impugnação. Em decorrência da preclusão, não se admite a apresentação de argumentos e/ou documentos com o propósito específico de afastar pontos incontroversos por não terem sido objeto de contestação na impugnação, pois estão fora dos limites da lide estabelecida.
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo manifestante, precluindo o direito de defesa trazido somente no recurso voluntário. As alegações de defesa devem ser apresentadas na impugnação, precluindo o direito de o sujeito passivo fazê-lo em outro momento processual, uma vez que não apresentados motivos para possível relativização do instituto da preclusão.
ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVAS.
Meras alegações desacompanhadas de provas não são suficientes para desconstituir o lançamento tributário.
PROCESSUAIS NULIDADE
Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 2.
DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e judiciais, mesmo proferidas pelo CARF ou pelos tribunais judicias, que não tenham efeitos vinculantes, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se estendem a outras ocorrências, senão aquela objeto da decisão.
Numero da decisão: 2202-007.208
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: por voto de qualidade, em admitir o recurso como tempestivo, vencidos os conselheiros Mário Hermes Soares Campos, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima e Caio Eduardo Zerbeto Rocha, que não o conheciam por intempestividade; e, por unanimidade de votos, ainda em sede preliminar, em conhecer parcialmente do recurso, exceto quanto às matérias multa e juros de mora, para, no mérito, negar-lhe provimento. Designada para redigir o voto vencedor, relativo à preliminar de tempestividade, a conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira.
(documento assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Mário Hermes Soares Campos - Relator
(documento assinado digitalmente)
Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Redatora designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Hermes Soares Campos (relator), Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (redator designado), Caio Eduardo Zerbeto Rocha, Leonam Rocha de Medeiros, Juliano Fernandes Ayres e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: MARIO HERMES SOARES CAMPOS
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ACOLHIMENTO. Confiança. Segurança jurídica. RECURSO. TRINTÍDIO LEGAL. CONHECIMENTO. Embora sem respaldo legal, deferiu a autoridade fazendária o pedido de que nova intimação fosse expedida a seu domicílio fiscal. Com arrimo nos princípios da segurança jurídica e proteção da confiança, deve ser reconhecida a tempestividade do recurso voluntário, contada a partir da data de ciência da segunda intimação. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO A CARGO DA PESSOA JURÍDICA. Sobre a remuneração paga, creditada ou devida ao segurado empregado incide contribuição previdenciária a cargo da pessoa jurídica. CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A TERCEIROS. OBRIGAÇÃO DE RECOLHIMENTO. Sobre a remuneração paga, creditada ou devida ao segurado empregado incide contribuição destinada a terceiros e a pessoa jurídica está obrigada a arrecadar e recolher essa contribuição. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. INOVAÇÃO DA DEFESA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO. A lide se estabelece na impugnação, não se conhecendo das alegações recursais que não tenham sido articuladas na impugnação. Em decorrência da preclusão, não se admite a apresentação de argumentos e/ou documentos com o propósito específico de afastar pontos incontroversos por não terem sido objeto de contestação na impugnação, pois estão fora dos limites da lide estabelecida. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo manifestante, precluindo o direito de defesa trazido somente no recurso voluntário. As alegações de defesa devem ser apresentadas na impugnação, precluindo o direito de o sujeito passivo fazê-lo em outro momento processual, uma vez que não apresentados motivos para possível relativização do instituto da preclusão. ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVAS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 10 8. 00 02 61 /2 00 9- 33 Fl. 455DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-007.208 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18108.000261/2009-33 Meras alegações desacompanhadas de provas não são suficientes para desconstituir o lançamento tributário. PROCESSUAIS NULIDADE Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 2. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e judiciais, mesmo proferidas pelo CARF ou pelos tribunais judicias, que não tenham efeitos vinculantes, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se estendem a outras ocorrências, senão aquela objeto da decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: por voto de qualidade, em admitir o recurso como tempestivo, vencidos os conselheiros Mário Hermes Soares Campos, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima e Caio Eduardo Zerbeto Rocha, que não o conheciam por intempestividade; e, por unanimidade de votos, ainda em sede preliminar, em conhecer parcialmente do recurso, exceto quanto às matérias multa e juros de mora, para, no mérito, negar-lhe provimento. Designada para redigir o voto vencedor, relativo à preliminar de tempestividade, a conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira. 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Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto em face da Decisão-Notificação nº 21.401.4/0483/2/004, do Serviço de Análise de Defesas e Recursos da Gerência Executiva de São Paulo/Centro do Instituto Nacional do Seguro Social, datada de 23 de dezembro de 2004, Fl. 456DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-007.208 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18108.000261/2009-33 que julgou procedente a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) DEBCAD 35.649.579-5. Consoante o Relatório Fiscal elaborado pela autoridade fiscal lançadora (fls. 81/83), trata-se de crédito tributário lançado contra a pessoa jurídica acima identificada, em valor original de R$ 153.466,91, correspondente à cota patronal de segurados contribuintes individuais (diretores da sociedade) e empregados, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT) e as contribuições destinadas a outras entidades (FNDE, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE), cujos recolhimentos não foram comprovados pela autuada. O procedimento fiscal refere-se ao período 02/2004 a 08/2004 e os valores lançados foram apurados por aferição indireta, devido à não apresentação dos documentos solicitados em Termo de Intimação, tais como: como Folhas de Pagamentos, Livros Diários, Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP’s), entre outros. O item 3 do Relatório Fiscal (fl. 81) especifica como foram apuradas as bases de cálculo nos diversos períodos de apuração, nos seguintes termos: 3. Foi considerado como base de contribuição, relativa aos segurados empregados, na competência 13/2003, arbitrada com fundamento nos dados constantes da Folha de Pagamento a empregados da empresa correspondente ao mês 12/2003 (dezembro/2003) exibida a esta fiscalização. No período 02/2000 a 022001, foi considerado como base de contribuição as remunerações devidas aos diretores, por arbitramento, conforme ata de Assembléia Geral Extraordinária —AGE datada de 02/fevereiro/2000, para os diretores IVANILDO ALVES CLAUDINO DA SILVA, CPF 055.408.268-33; LUIZ DALL ANESE, CPF 030.878.748-09 ADALBERTO SERGIO FAZIO, CPF 533.693.608-10, fixadas no montante anual global de R$ 226.800,00, correspondendo a cada diretor citado a remuneração mensal de R$ 6.300,00; e para o período 032001 a 022002, conforme ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada em 02 de março de 2001, para os diretores APARECIDA SELLARI MALDONADO, CPF 066.457.708-39 e LUIZ CARLOS DA SILVA, CPF 053.422.558-64, a remuneração anual global fixada em R$ 36.000,00, correspondendo a cada diretor a remuneração mensal de R$ 1.500,00 (hum mil e quinhentos reais) e para o período 032002 a 082004, conforme ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada em 02 de março de 2002, para o diretor ANTONIO MARTINS GAMES, CPF 039.078.358-75, a remuneração anual global fixada em R$ 36.000,00, correspondendo a remuneração mensal de R$ 3.000,00 (três mil reais) discriminadas no levantamento "FRA-FOLHA REMUNERAÇÕES ARBITRADAS. Inconformada com o lançamento fiscal a autuada apresentou impugnação, documento de fls. 98/114, onde suscita preliminares de nulidade, por cerceamento de defesa, pelo fato de que o seu representante legal não teria sido corretamente intimado dos termos da NFLD e também por não lhe ter sido permitido o conhecimento dos termos da notificação em tempo hábil, somente tendo tomado ciência após transcorridos alguns dias do prazo para impugnação. Na sequência, alega que os diretores da empresa, durante o período autuado, não estavam efetuando qualquer retirada a título de pró-labore e/ou remuneração, inexistindo assim fato gerador da contribuição. Em seguida, sustenta que a cobrança teria sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF), citando jurisprudência que entende respaldar tal afirmação e ao final apresenta o seguinte pedido: IV - DO PEDIDO Ante o exposto, requer a Impugnante o cancelamento da NFLD n° 35.675.035-3, diante das preliminares de nulidade levantadas, e caso não seja esse o entendimento do I. julgador, que no mérito também não prospere a presente, haja vista a não ocorrência de apropriação de quaisquer valores. Fl. 457DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-007.208 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18108.000261/2009-33 Requer, outrossim, o direito de juntar fora do prazo legal para defesa os documentos que comprovam a inexistência do fato gerador da contribuição ao INSS a título de pró- labore, tendo em vista a inexistência de remuneração aos diretores no período autuado. A impugnação foi considerada pela autoridade julgadora de piso tempestiva e de acordo com os demais requisitos de admissibilidade, não obstante, foi mantido o lançamento por aquela autoridade. A decisão exarada apresenta a seguinte ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. EMPREGADOS. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. São devidas ao Instituto Nacional do Seguro Social — INSS, contribuições a cargo da empresa, destinadas à Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do: grau .,de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e aos Terceiros ( Salário - Educação, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE ), incidentes sobre o total das remunerações pagas pela empresa aos seus segurados empregados. São devidas ao INSS contribuições relativas às remunerações pagas aos contribuintes individuais. LANÇAMENTO PROCEDENTE No julgamento de piso foi destacado que, conforme atestam os documentos de fls. 1 e 42 dos autos, a NFLD foi regularmente recebida pelo Diretor da pessoa jurídica, Sr. Antônio Martins Games, no dia 15/10/2004. Quanto à afirmação de que não houve retirada de pró-labore pelos diretores, destacou-se que tal alegação não foi provada pela impugnante juntamente com a peça impugnatória, a qual, também não apresentou a documentação requerida pela fiscalização. Irresignada a contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 178/210), onde inicia afirmando que a decisão de piso merece reforma, pois além de afrontar o que qualifica como princípio do devido processo legal, careceu ainda: “da indispensável fundamentação, isto é, deixou de indicar as razões de decidir, esquivando-se assim de analisar as razões de fato e direito indicados na impugnação.” Sustentando tal afirmação, alega que o julgador de piso deixou de arrolar os fundamentos de fato e direito para manter a autuação, limitando-se à afirmação de que a autuação ateve-se às formalidades legais, a citar trechos normativos e afirmar laconicamente que a Recorrente não teria produzido prova de suas alegações. Complementa nos seguintes termos: (...) III.I - DA NECESSIDADE DE FUNDAMENTAÇÃO DAS DECISÕES ADMINISTRATIVAS Da leitura da decisão recorrida verifica-se que em nenhum momento o I. Julgador arrolou os fundamentos de fato e direito para manter a autuação. Contrariamente, a decisão limitou-se apenas a simples afirmação de que a autuação ateve-se às formalidades legais, a citar trechos normativos e afirmar laconicamente que a Recorrente não teria produzido prova de suas alegações. (...) Com efeito, o processo administrativo submete-se aos mesmos princípios do processo judicial, assim como suas decisões, de modo que deveria o Sr. Auditor Fiscal, e também o julgador de primeira instância, terem atentado não apenas para os aspectos formais, mas também para a descrição correta da alegada infração, tanto quanto para os procedimentos da Recorrente que demonstrariam, em tese, a prática delituosa. Por conseguinte, a Administração deve motivar tanto fática como juridicamente as suas alegações. Todavia isso não foi realizado na decisão recorrida, acarretando a nulidade do ato de julgamento por não ter demonstrado os motivos da procedência da NFLD lavrada, sequer contrariando as alegações traçadas pela Recorrente em sua defesa. Fl. 458DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-007.208 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18108.000261/2009-33 Contrariamente, a decisão limitou-se a dizer que a alegação sustentada na defesa "não foi provada pela Impugnante", o que determina sua invalidade por ausência da devida fundamentação. Cabe ressaltar que a decisão recorrida sequer dispõe sobre o nexo de causalidade que obrigatoriamente o Sr. Agente Fiscal deveria ter comprovado quando da autuação. Por isso, a decisão não permite se chegar a uma conclusão acerca dos motivos que o levaram a entender pela procedência da autuação. A ausência de motivação, além de constituir contrariedade à disposição constitucional quanto à motivação das decisões, o que por si só já acarretaria a nulidade, ainda impossibilita o amplo direito de defesa, pois obstaculiza a argumentação recursal na medida em que são desconhecidos os motivos que levaram à decisão, bem como os exatos dispositivos legais que se julgam infringidos. (...) Outrossim, deveria o ilustre julgador tributário relatar o raciocínio jurídico utilizado para se chegar à conclusão de que a autuação é procedente, a fim de motivar adequadamente o ato administrativo. Contrario senso, a usurpação dessa garantia do contribuinte (fundamentação das decisões) ensejará o retrocesso no processo democrático, haja vista que autorizará ao poder tributante a simplesmente lançar Autos de Infração e Notificações fiscais a esmo, cabendo ao contribuinte provar sua inocência contra qualquer imputação desprovida de fundamento fático. Desse modo, a decisão recorrida carece de fundamento de validade, pois padece de motivação. Esta é a razão pela qual requer-se de pronto seja declarada sua nulidade, conforme já têm decidido inúmeros Tribunais administrativos do país: (...) Posto isto, deve ser decretada a nulidade da autuação, por falta de motivação, pois se assim não o for, será permitido aos agentes da fiscalização exercerem atos totalmente sem embasamento, como ocorreu no presente caso, retirando, assim, a segurança dos atos administrativos, pretendida por todos e prevista na própria legislação previdenciária pátria. (...) Nessa mesma toada, argui a inconstitucionalidade de todo o procedimento, sob argumento de que não consta da autuação os elementos formadores do nexo de causalidade entre a conduta da recorrente e as infrações supostamente praticadas. E que, tanto a autuação, como a decisão de primeira instância, pela ausência de fundamentação válida, não permitem ao contribuinte o exercício da ampla defesa e do contraditório, tendo em vista a falta de descrição dos motivos que levaram à manutenção do ilícito, lesionando diretamente a garantia ao devido processo legal. Sob tal ótica apresenta os seguintes argumentos: III.II - DA INFRAÇÃO AO PRINCÍPIO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL: O CONTRADITÓRIO, A AMPLA DEFESA E OS VÍCIOS DA AUTUAÇÃO Conforme aduzido na impugnação, não consta da autuação os elementos formadores do nexo de causalidade entre a conduta da Recorrente e as infrações supostamente praticadas. Nesse sentido, tanto a autuação como a decisão de primeira instância administrativa, pela ausência de fundamentação válida, não permitem ao contribuinte o exercício da ampla defesa e do contraditório, tendo em vista a falta de descrição dos motivos que levaram à manutenção do ilícito, com o julgamento da procedência da NFLD lavrada, lesionando diretamente a garantia ao devido processo legal prevista pela Constituição Federal da 1988, conforme transcrito a seguir: (...) Fl. 459DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2202-007.208 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18108.000261/2009-33 Conforme já mencionado, dentre as principais balizas de todo o Sistema Processual pátrio, encontra-se o direito ao contraditório e à ampla defesa das partes em litígio, previstos nos incisos do artigo 5° da Constituição Federal de 1.988. Ocorre que não se verifica na autuação, e também na decisão recorrida, o obrigatório nexo de causalidade, comprovado documentalmente, de que a Recorrente tenha praticado as infrações genericamente mencionadas na NFLD. Não obstante, a Recorrente indicou na impugnação os fatos pelos quais os valores autuados mostram-se indevidos, mas mais uma vez essa questão não foi apreciada, como se verifica da lacônica decisão. A decisão recorrida limita-se a alegar que a Recorrente não provou suas alegações. Essa afirmação não procede, pois, diante da alegação da ausência de fato gerador, deveria a autoridade fiscal ao menos ter determinado a conversão do julgamento em diligência para o fim de confirmar tais alegações. Outrossim, consta da NFLD que a aferição foi feita indiretamente, mediante a análise de folhas de pagamento e documentos societários. Ocorre que, em consideração ao princípio da boa fé, e diante da subjetividade do método indireto utilizado na autuação, deveria a decisão recorrida apreciado a questão da não ocorrência do fato gerador, ou determinado a averiguação mais específica da inexigibilidade do suposto débito. Contrariamente, a decisão apenas considerou que a Recorrente não provou diretamente suas alegações, passando então a reproduzir dispositivos legais. Ora, assim, o julgado deixou de efetivamente apreciar e averiguar as alegações de defesa, razão pela qual eximiu-se de julgar de fato a situação em tela. Assim, dizer que o contribuinte infringiu a Lei n° 8.212/91 é, evidentemente, motiva a ocorrência de nenhuma infração, por inexistirem fatos que legitimem a aplicabilidade de qualquer preceito deste regramento legal. (...) Não foi observada, portanto, uma formalidade essencial à validade da autuação, qual seja, a descrição específica da suposta conduta delituosa e a comprovação inequívoca de que isso tenha ocorrido. Apenas foi dito que, no entendimento do Sr. Agente fiscal, há ausência de recolhimento da contribuição devida pelos diretores, nada havendo a especificar de onde provém a obrigação de recolhimento e os respectivos valores. Ainda que caiba a Recorrente fazer prova de suas alegações, cabe ao Fisco, no momento da autuação, ao menos mencionar os indícios de autoria e materialidade da suposta infração, no caso, os valores da suposta remuneração dos diretores e a prova de tais recebimentos ocorreram efetivamente. (...) Verificada a inobservância do devido processo legal, seja pela ausência de descrição e comprovação inequívoca da suposta infração, no caso, que os diretores teriam recebido as importâncias citadas, seja pela ausência de motivação adequada da decisão recorrida, impõe-se a nulidade de todo o Processo Administrativo, eivado de inconstitucionalidade por não ter garantido o direito de defesa em sua totalidade. Patentes os vícios formais e materiais do lançamento, obrigatória a anulação do trabalho fiscal efetuado, pois a ausência de requisitos indispensáveis culminou na violação de direito maior estabelecido em sede constitucional, qual seja, o de defesa. Desse modo, a autuação deve ser anulada pela imprecisão na análise da situação in concreto, pois, inexistindo a correta análise dos livros fiscais e da documentação comprobatória do movimento financeiro negativo da autuada, não se pode tomar o valor ora cobrado como devido, pois ausentes quaisquer elementos probatórios de onde se depreenda os valores cobrados. Ao final, a autuada inova em seu recurso ao contestar a aplicação da multa com alegações de possuir natureza confiscatória e usurpar a capacidade contributiva do contribuinte, Fl. 460DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2202-007.208 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18108.000261/2009-33 assim como, ao questionar a legalidade e constitucionalidade da cobrança dos juros moratórios mediante aplicação da taxa SELIC, matérias não atacadas no momento da impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Mário Hermes Soares Campos, Relator. A recorrente foi intimada da decisão de primeira instância, por via postal, em 13/01/2005, conforme Aviso de Recebimento (AR) de fl. 134, mediante correspondência encaminhada ao seu endereço de funcionamento e de acordo com os cadastros do Órgão remetente. Também compõem os autos o AR de fl. 150, por meio do qual foi intimado, em 03/03/2005, o corresponsável Sr. Luiz Dall Anese e o AR de fl. 144, onde consta tentativa de intimação do patrono da autuada, Sr. Edson Rodrigues de Sousa Júnior, em 10/02/2005. Em petição protocolizada em 04/04/2005 (fls. 160/162), a autuada, por intermédio de seus patronos, inclusive o já mencionado Sr. Edson Rodrigues de Sousa Júnior, apresentou a seguinte solicitação: DALL LOCAÇÕES DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS S/A, devidamente qualificada nos autos do processo em epígrafe, por seus advogados, comparece respeitosamente perante V. Sra. para requerer a expedição de nova intimação da Requerente, ou a intimação dos advogados mediante ciência nos autos, pelas razões a seguir aduzidas: A intimação do julgamento de primeira instância da NFLD em epígrafe foi enviada à empresa em janeiro do corrente ano. No entanto, a correspondência foi recebida por pessoa desconhecida, identificada como "Maria Alda Alves Delgado" que não faz parte do quadro de funcionários da empresa, do contrato social, nem tem autorização para recebimento de documentos, conforme se pode verificar na RAIS anexa. Desse modo, em que pese o recebimento do AR, tal fato não cumpriu a verdadeira função da intimação, que é dar publicidade ao ato administrativo, ou seja, inequívoca ciência da decisão. Diante de tal situação, requer a análise do documento anexo, expedindo-se nova intimação com aviso de recebimento e endereçada a uns dos atuais funcionários ou responsável pela empresa Requerente, em atenção ao princípio do devido processo legal, ou, caso assim não entenda Vossa Senhoria, seja dada intimação pessoal ao advogado(a), reduzindo-se a termo nos autos, possibilitando seu acesso aos autos e ao inteiro teor da decisão Juntamente com tal petição, foi anexada cópia autenticada da Relação Anual de Informações Sociais – RAIS, relativa ao ano-base de 2004. Em atendimento a tal solicitação, foi expedida pela unidade preparadora nova intimação do resultado do julgamento de piso, acompanhada da respectiva Decisão-Notificação, dessa feita, encaminhada via Correios ao endereço do patrono da autuada constante da petição de fl. 152. Aviso este recebido em 14/04/2005. Conforme a Súmula CARF nº 9, que possui natureza vinculante nos termos da Portaria MF nº 277, de 7 de junho de 2018, é válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Alega a autuada que a Decisão-Notificação foi recebida em seu domicílio fiscal (endereço de regular funcionamento da empresa) por pessoa desconhecida (Srª Maria Alda Alves Fl. 461DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2202-007.208 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18108.000261/2009-33 Delgado). A correspondência foi recebida pela Srª Maria Alda, em 13/01/2005, entretanto, para acobertar a afirmação de se tratar de “pessoa desconhecida (...) que não faz parte do quadro de funcionários da empresa, do contrato social, nem tem autorização para recebimento de documentos”, foi apresentada a RAIS relativa ao ano-base de 2004. Ora, o fato da Srª Maria Alda Alves Delgado não constar como integrante do quadro de funcionários da autuada no ano de 2004, não tem o condão de provar tratar-se de pessoa desconhecida da empresa, mesmo porque, a correspondência foi recebida em 2005 e não em 2004. Não foi apontada dúvida de que a correspondência foi entregue no domicílio fiscal eleito pela contribuinte e onde esta exerce regularmente suas atividades, sendo o mesmo endereço constante dos diversos atos processuais praticados pela recorrente, qual seja: Rua Girassol Miudo, 134 – São Paulo/SP – CEP 03245-140. Ao tratar das intimações do sujeito passivo o art .23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, assim preceitua: Art. 23. Far-se-á a intimação: I - pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) II - por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Portanto, o normativo a ser aplicado à presente questão é o inciso II do art. 23, acima reproduzido, pois a intimação foi efetivamente enviada para o endereço do domicílio fiscal eleito pela autuada. Não há qualquer ressalva na norma quanto ao fato de ser, ou não, o recebedor representante ou empregado da pessoa jurídica e assim, tal fato por si só não torna nula a intimação que tenha sido realizada de acordo com a lei. É notório que grande número de empresas terceirizam diversas atividades, tais como as de limpeza, vigilância e portaria, logo, se tal procedimento seja adotado pela autuada, por consequência lógica o recebedor não seria seu empregado. Tal condição, repise-se, sequer consta da norma, posto que apenas determina que haja prova de recebimento no domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo, requisito este cumprido, conforme se verifica do AR de folha 134. Por outro lado, caso não se trate, a recebedora da intimação, de pessoa ligada à empresa ou a uma prestadora de serviço terceirizada, trata-se de séria falha de segurança, posto que entregue no endereço da autuada, não podendo tal falha ser imputada à Administração Tributária para o efeito de se dilatar o prazo legal de 30 dias para apresentação do recurso, posto tratar-se de prazo processual legal, próprio e peremptório. Pelo que consta, o fato é que a correspondência foi entregue no domicílio fiscal da contribuinte, onde esta exerce regularmente suas atividades, o que no entender deste relator reclama a aplicação do acima referido verbete sumular: Súmula CARF nº 9 É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Fl. 462DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2202-007.208 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18108.000261/2009-33 Compete a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais o julgamento dos processos administrativos fiscais em segunda instância, cabendo, inclusive, a apreciação de eventual tempestividade ou perempção, conforme prescreve o art. 35 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Considerando que a Decisão-Notificação nº 21.401.4/0483/2/004, que julgou a impugnação apresentada pela autuada, foi recebida no domicílio fiscal eleito pela contribuinte em 13/01/2005, sendo o recurso ora objeto de análise protocolizado somente em 16/05/2005, fica patente sua intempestividade. Nesses termos, voto por não conhecer do recurso posto que intempestivo. ANÁLISE DO RECURSO Vencido quanto à preliminar de intempestividade, passo à análise do presente recurso. Preliminarmente, cumpre pontuar que, as decisões administrativas e judiciais que a recorrente trouxe em sua peça recursal são desprovidas da natureza de normas complementares e não vinculam decisões deste Conselho, sendo opostas somente às partes e de acordo com as características específicas e contextuais dos casos julgados e procedimentos de onde se originaram. Embora o CTN, em seu art. 100, II, considere as decisões de órgãos colegiados como normas complementares à legislação tributária, tal inclusão se subordina à existência de lei que confira a essas decisões eficácia normativa. Como inexiste, até o presente momento, lei que atribua a efetividade de regra geral a essas decisões, tais acórdãos têm sua eficácia restrita às partes do processo, não produzindo efeitos em outras lides, ainda que de natureza similar à hipótese julgada. MULTA APLICADA E JUROS DE MORA – MATÉRIA NÃO IMPUGNADA – NÃO CONHECIMENTO Conforme relatado, o recurso apresentado pela contribuinte inova ao contestar matéria não abordada no momento da impugnação. Trata-se da parte do recurso onde são contestadas a aplicação da multa e a cobrança dos juros de mora mediante a aplicação da taxa SELIC. Tais matérias somente foram objeto de manifestação por parte da autuada nesta fase recursal, devendo ser considerada matéria preclusa, posto que a interessada deixou de se manifestar sobre as mesmas no momento oportuno, qual seja, o da impugnação. Ocorre que, nos termos do art. 14 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (que rege o procedimento administrativo fiscal), a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento, devendo nela conter, conforme disposto no art. 16, inciso III, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. De acordo com o referido ato normativo, todos os argumentos e provas que o contribuinte pretenda produzir devem ser apresentados no prazo da impugnação, precluindo o direito de apresentação em outro momento processual, salvo se presente alguma das condições de exceção indicadas no mesmo dispositivo legal, cuja ocorrência o recorrente não prova, nem mesmo alega. No processo administrativo fiscal, não se admite a apresentação de argumentos e/ou documentos com o propósito específico de afastar pontos então incontroversos, por não terem sido objeto de contestação na impugnação, pois estão fora dos limites da lide estabelecida, conforme preceitua o art. 17 do mesmo Decreto nº 70.235, de 1972. Nesses termos, considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela manifestante e Fl. 463DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 2202-007.208 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18108.000261/2009-33 precluso está o direito de defesa trazido somente no recurso voluntário, vez que o limite da lide circunscreve-se aos termos da impugnação. Há ressalva quanto a tal regra nas situações em que: a) fique demonstrada a impossibilidade de apresentação oportuna das provas, por motivo de força maior (art. 16, § 4.º, alínea "a"); b) refira-se a fato ou a direito superveniente (art. 16, § 4.º, alínea "b"); ou destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos (art. 16, § 4.º, alínea "c"). Nenhuma dessas hipóteses se faz presente no caso ora sob análise. Dessa forma, deixo de conhecer da parte do recurso em que a autuada contesta o lançamento relativamente à multa aplicada e aos juros de mora incidentes sobre os débitos lançados. ALEGAÇÕES DE NULIDADE E SUPOSTOS VÍCIOS DA AUTUAÇÃO Requer a recorrente a nulidade do lançamento por alegado cerceamento de defesa, vícios da autuação, assim como, a nulidade da decisão de piso por suposta ausência de fundamentação. No que tange a alegações de nulidade e cerceamento de defesa, cumpre destacar o fato de a Notificação se revestiu de todas as formalidades legais previstas pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972. Ademais, saliente-se que o art. 59, do mesmo Decreto, preconiza apenas dois vícios insanáveis: a incompetência do agente do ato, situação esta não configurada, vez que o lançamento foi efetuado por agente competente (Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil), e a preterição do direito de defesa, circunstância também não verificada no presente procedimento, conforme passo a demonstrar. Encontra-se anexado aos autos (fl. 75) o “Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD”, datado de 10/09/2004 e recebido pelo diretor Sr. Antônio Martins, por meio do qual é solicitada a apresentação da documentação necessária ao procedimento de auditoria fiscal, o que não deixa qualquer dúvida de que a autuada foi, efetivamente, solicitada a exibir seus documentos. É de fácil verificação que todas as fases processuais preconizadas no citado art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, foram observadas, pois antes mesmo da ciência da autuação foi concedido à contribuinte o direito de contribuir para a fiscalização. Dessa forma, à contribuinte vem sendo garantido o mais amplo direito de defesa, desde a fase de instrução do processo, pela oportunidade de apresentar, em resposta às intimações que recebeu, argumentos, alegações e documentos, passando pela fase de impugnação e o recurso ora objeto de análise, onde ficam evidentes o pleno conhecimento dos fatos e circunstâncias que ensejaram o lançamento. Consonante apontado no relatório elaborado pela autoridade fiscal lançadora, os valores lançados foram apurados por aferição indireta, justamente pela não apresentação, por parte da então fiscalizada, dos documentos solicitados em Termo de Intimação, tais como: Folhas de Pagamentos, Livros Diários e GFIP’s. Deveria a contribuinte, ao discordar da autuação, apresentar no momento oportuno, qual seja, o da impugnação, os documentos e fatos que entendesse capazes de alteração dos valores lançados, ou eventuais fatos desconstitutivos. Diferentemente, limitou-se a alegações genéricas no sentido de que caberia à Administração Tributária a realização de diligências para o fim de confirmar as alegações apresentadas pela recorrente, optando, mais uma vez, pela não apresentação da respectiva documentação, como forma de desconstituir os fatos descritos no lançamento fiscal. Fl. 464DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 2202-007.208 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18108.000261/2009-33 Ora, ao apresentar suas irresignações quanto ao lançamento, efetivado por aferição indireta justamente pela falta de apresentação de documentos, esses argumentos deveriam ter sido objetivamente apontados e provados no momento da impugnação, mediante apresentação dos respectivos elementos de prova. Caberia assim à autuada instruir sua defesa, juntamente com os motivos de fato e de direito, com os documentos que respaldassem suas afirmações, ou entendesse pertinentes a sua comprovação, conforme disciplina os dispositivos legais acima reproduzidos do Decreto nº 70.235, de 1972, bem como o disposto no inciso I, do art. 373 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015), aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal. Diferentemente, optou por substituir sua incumbência probatória pela solicitação de providências a cargo da Administração Tributária, por meio de realização de diligência, com o intuito de levantar eventuais provas que poderiam ter sido por ela apresentadas, caso existentes. Diferentemente do alegado pela autuada, assim se manifestou a autoridade julgadora de piso com relação à afirmação de que não teria havido pagamento de pró-labore aos diretores: 4. Com referência à alegação de que não houve retirada de pró - labore pelos diretores, constatamos que esta alegação não foi provada pela Impugnante a qual também não apresentou a documentação requerida pela fiscalização. 5. Por outro lado, o § 3°, do artigo 33, da Lei n° 8.212/91, estabelece: "Art. 33. .......... § 3° Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social - INSS e o Departamento da Receita Federal - DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário". Portanto, considerando o fato já apontado no julgamento de piso, de que a autuada não trouxe à baila nenhum elemento probante que impedisse, modificasse ou extinguisse a pretensão da autoridade fazendária. Com especial destaque para a não apresentação, em nenhuma das fases do procedimento, da documentação acobertadora de suas operações, solicitada durante a ação fiscal e não apresentada em nenhuma das fases processuais, deve ser mantida a exação. Ante todo o exposto, voto por não conhecer do recurso na parte que contesta o lançamento da multa e dos juros de mora e, na parte conhecida, por negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Mário Hermes Soares Campos Voto Vencedor Peço vênia ao em. Relator e aos demais pares que o acompanham para apresentar respeitosa divergência acerca da suposta intempestividade do recurso. Como minunciosamente relatado, não se questiona ter sido a recorrente, em total observância ao regramento norteador do processo administrativo fiscal, em 13/01/2005.Seria o Fl. 465DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 2202-007.208 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18108.000261/2009-33 dia útil seguinte a este o termo “a quo” da contagem do trintídio para o manejo do recurso voluntário. Meses mais tarde, sem qualquer amparo legal, pediu fosse expedida nova intimação, sob o argumento de que pessoa não integrante de seu quadro de funcionários a teria recebido. Igualmente sem qualquer respaldo na legislação de regência foi o pedido acolhido, com a expedição de nova intimação, o que deu azo à interposição do recurso voluntário a este eg. Conselho. Dentre os inúmeros princípios que alicerçam a atuação da Administração Pública, o da segurança jurídica e o da proteção da confiança (...) andam estreitamente associados, a ponto de alguns autores considerarem o princípio da proteção da confiança como um subprincípio ou como uma dimensão específica da segurança jurídica. Em geral, considera-se que a segurança jurídica está conexionada com elementos objetivos da ordem jurídica – garantia de estabilidade jurídica, segurança de orientação e realização do direito – enquanto a proteção da confiança se prende mais com as componentes subjetivas da segurança, designadamente a calculabilidade e previsibilidade dos indivíduos em relação aos efeitos jurídicos dos atos dos poderes públicos. (CANOTILHO, J.J.G. Direito Constitucional e Teoria da Constituição. Coimbra: Almedina, 2012, P. 257) Com a devida vênia, se a despeito de inexistência de amparo legal veio o pleito da recorrente ser acolhido pela autoridade fazendária, não há como este eg. Conselho desconstitui- lo, por afrontar os supracitados mandamentos nucleares de nosso sistema. Com respaldo na intimação remetida ao seu domicílio fiscal, é que foi o tempestivo recurso voluntário que ora se aprecia manejado. Dele, portanto, conheço, eis que presentes os pressupostos de admissibilidade. Renovadas as vênias, não me convenço da intempestividade. (documento assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Fl. 466DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10580.722357/2008-88
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2004
Ementa:
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE.
São isentos do imposto de renda os rendimentos de aposentadoria percebidos pelos portadores de moléstia grave descrita no inciso XIV do art. 6º da lei 7.713/1988, quando a patologia for comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal
ou dos Municípios. Recurso provido.
Numero da decisão: 2802-000.880
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR
PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JORGE CLÁUDIO DUARTE CARDOSO
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2004 Ementa: ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. São isentos do imposto de renda os rendimentos de aposentadoria percebidos pelos portadores de moléstia grave descrita no inciso XIV do art. 6º da lei 7.713/1988, quando a patologia for comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios. Recurso provido.
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MOLÉSTIA GRAVE. São isentos do imposto de renda os rendimentos de aposentadoria percebidos pelos portadores de moléstia grave descrita no inciso XIV do art. 6º da lei 7.713/1988, quando a patologia for comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 01/07/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Sidney Ferro Barros, Lúcia Reiko Sakae, Carlos André Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite e German Alejandro San Martín Fernández. Relatório Fl. 45DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Trata o presente de notificação de lançamento relativa ao imposto sobre a renda, exercício 2004, anocalendário 2003 por meio do qual formalizouse a exigência de imposto suplementar, acrescido de multa de ofício e juros de mora, em decorrência de: a) glosa de dedução de dependentes (R$3.816,00) referente a Isla Teireira Andrade e Santos, Célia Maria de Andrade Santos e Jéssica Ornelas de Andrade Santos. b) omissão de rendimentos tributáveis recebidos da Fundação Petrobrás de Seguridade Social Petros (R$49.942,00), os quais foram declarados como isentos e não tributáveis, em razão de que os documentos apresentados pelo Contribuinte não foram conclusivos quanto à existência de cardiopatia grave e nem determinaram a data de início da doença. Insurgese o recorrente contra decisão da 3ª Turma da DRJ Salvador que não considerou o laudo médico apresentado para fins de isenção do imposto de renda sobre proventos recebidos por portador de moléstia grave. A decisão recorrida: fundamentase na assertiva de que o interessado não apresentou documento compatível com essa exigência, pois o laudo médico anexado não pode ser considerado laudo pericial oficial por não consta que o emitente estivesse no exercício de cargo que o autorizasse a se manifestar em caráter oficial em nome de qualquer serviço médico da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, sem qualquer indicação do cargo ou delegação de competência que autorize o profissional emitente a representar a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia em caráter oficial, o que impossibilita distinguir o laudo médico de um atestado particular emitido em um simples receituário, disponível a qualquer profissional médico que preste serviços à instituição que nele consta, sem a representar oficialmente. Na referida decisão foi restabelecida a dedução referente à filha Jéssica Ornelas de Andrade Santos, não se acatando as demais (irmã e neta). Ciência do acórdão em 02/06/2010 e recurso voluntário apresentado em 11/06/2010. Em sua peça recursal o recorrente apresenta laudo médico emitido pelo mesmo profissional, no intuito de comprovar que é portador de cardiopatia grave , desde 04/05/2001, e que o signatário do laudo a que se referiu a DRJ é representante do Estado, não se insurge contra a glosa de dependentes O recorrente informa, ainda, que não apresentou esse laudo antes por ter entendido ser desnecessário tendo em vista que a isenção já havia sido reconhecida pela fonte pagadora com base nos mesmos documentos que apresentara na impugnação. Requer prioridade de tramitação do processo com base no Estatuto do idoso. O processo foi distribuído a esse Conselheiro exclusivamente pelo sistema informatizado eprocesso. É o relatório. Fl. 46DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.722357/200888 Acórdão n.º 2802000.880 S2TE02 Fl. 46 3 Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Não há mais litígio sobre a glosa de dependentes. O cerne do litígio é a isenção dos proventos recebidos pelos portadores de moléstia grave tipificada na Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. O artigo 6º da Lei n° Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com as alterações do art.47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992 e art. 30, § 2º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, estabeleceu dois requisitos cumulativos para sua concessão dessa modalidade de isenção: a) os valores recebidos devem ser proventos de aposentadoria, reforma ou pensão; e b) a moléstia deve estar prevista no texto legal e comprovada por meio de laudo médico pericial emitido pelo serviço médico oficial da União, Estados, Distrito Federal ou dos Municípios (a exigência do laudo médico oficial foi acrescentada pelo caput art. 30 da Lei nº 9.250/1995). Aqui já não se discute o cumprimento do primeiro requisito: proventos aposentadoria ou reforma. Cabe averiguar se foi cumprido o segundo dos requisitos, qual seja a comprovação da doença com laudo expedido por serviço médico oficial. O óbice apontado pela DRJ é a falta de comprovação de que o emitente do laudo apresentado pelo impugnante estava habilitado a assinar em nome do Órgão, uma vez que sequer constou no laudo o seu cargo, mas apenas a indicação de cardiologista. O recorrente fez aportar aos autos, juntamente como a peça recursal, novo laudo emitido pelo mesmo médico, Raimundo PereiraCRM 7075, desta vez com o carimbo de identificação o qual indica que o médico é Coordenador de Emergência do Hospital Geral Roberto Santos – HGRS, uma unidade médica do Estado da Bahia (fls. 35). Esse laudo identifica que o recorrente é portador de cardiopatia grave , desde 04/05/2001, conforme exames especificados no laudo. Entendo suprida a falta apontada pela DRJ. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso para excluir dos rendimentos tributáveis o valor de R$49.942,00 (quarenta e nove mil, novecentos e quarenta e dois reais). (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 47DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Fl. 48DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.722357/200888 Acórdão n.º 2802000.880 S2TE02 Fl. 47 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10580.722357/200888 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2802000.880. Brasília/DF, 01/07/2011 (assinado digitalmente) JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Presidente Segunda Turma Especial da Segunda Câmara/Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 49DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Fl. 50DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 13005.000233/2004-46
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2008
Numero da decisão: 303-01.419
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, nos termos do voto do relator.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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RESOLVEM os Membros da Terceira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, nos termos do voto do relator. ANE SE DAUDT PRIETO Presi nte LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Nanci Gama, Nilton Luiz Bartoli, Vanessa Albuquerque Valente, Celso Lopes Pereira Neto e Tardsio Campelo Borges. Ausente o Conselheiro Heroldes Bahr Neto. Processo n.° 13005.000233/2004-46 Resolução n.° 303-01.419 CC03/CO3 Fls. 50 RELATÓRIO Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou a decisão recorrida, que passo a transcrever: Trata-se da exclusão da interessada do Sistema Integrado de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples. Conforme Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples — SRS, apresentada pela interessada em 22/09/2003 (conforme informado no inicio da folha 08), a empresa teria sido excluída do Simples conforme Ato Declaratório Executivo n° 455.345, de 07/08/2003. A motivação para essa exclusão seria a atividade de "intermediaglio comercial no serviço de transporte de carga". As razões da empresa, apresentadas por seu procurador, conforme instrumento de mandato a folha 11, foram apresentadas, em 05/04/2004, as folhas 01 a 07 e foi instruída com cópias e/ou originais de folhas 08 a 16. Cópia parcial da SRS consta às folhas 08 e 09. Observa-se que na instrução dos autos não se encontrava o Ato Declaratório Executivo (ADE) que teria excluído a interessada do Simples. Assim, atendendo a orientação prevista na Norma de Execução Cotec/Corat no 002, de 24 de agosto de 2004, especialmente no seu Anexo I, subitem 4.2.1, letra "d", anexei cópia do ADE n° 455.345 (fl. 23). Os argumentos da manifestante são, em síntese, os seguintes: I. Inicia referindo-se ao despacho do Delegado da DRF em Santa Cruz do Sul que indeferiu a SRS; diz que a decisão de manter a exclusão do Simples seria porque entendeu aquela autoridade que a atividade da empresa seria de "intermediaçã o comercial no serviço de transporte de cargas "; 2. Afirma que a conclusão da autoridade de que a atividade económica seria vedada, decorre pura e simplesmente do código de atividade informado no CNPJ, ou seja, código CNAE 6340-1/99 — Outras atividades relacionadas ir organização do transporte de cargas"; 3. Entende que a indicação do código CNAE 6:40-1/99 foi equivocada; diz que o código correto seria 6026-7/02 — Transporte rodoviário de cargas em geral, intermunicipal, interestadual e internacional" e informa que estaria providenciando a devida alteração no CNPJ; insiste que a (mica atividade de fato exercida é a de transporte de 2 Processo n.° 13005.000233/2004-46 Resolução n.° 303-01.419 CC03/CO3 Fls. 51 cargas rodoviárias, constante da segunda parte do seu objetivo social; não realização a prestação de serviços de organização de documentos; 4. Informa e comprova que encaminhou Alteração de seu Contrato Social, em 05/03/2004, conforme Cando Protocolo da Junta Comercial do Estado do Rio Grande do Sul at 15); pela alteração contratual o objeto social da empresa passa a ser de "Transporte rodoviário de cargas em geral, intermunicrpal, interestr a .ral e internacional e Prestação de serviços de processamento de dados" (fl. 13); 5. Argumenta que o fato de constar "Agenciamento de cargas" nos seus documentos fiscais não tem o condão de exclui-la do Simples pois referida atividade jarru2is foi exercida; informa que a referida expressão já foi suprimida nos novos documentos fiscais (anexa cópia de "Nota Fiscal de Serviços" —fl. 16); 6. Diz que sua exclusão do Simples teria sido motivada pelo exercício de "atividade econômica vedada" em função do CNAE; na decisão relativa et SRS a autoridade diz que a exclusão não foi por exercer a atividade de "organização de documentos" que houve a exclusão,' como no seu contrato social há apenas uma outra atividade, ou seja, "transporte rodoviário de cargas em geral, intermunicipal, interestadual e internacional" deduz que "não apresenta qualquer dúvida quanto à legalidade da opção pelo Simples "; 7. Afirma que a autoridade fiscal mudou os motivos da exclusão passando a justified-la por constar nos documentos fiscais a expressão "agenciamento de cargas"; Sustenta que a alteração dos fundamentos mostra-se equivocada e ilegal; Requer a manutenção da empresa no Simples e protesta por todo gênero de provas de modo a assegurar o mais amplo e geral direito de defesa, especialmente a prova testemunhal. Ponderando os fundamentos expostos na manifestação de inconformidade, decidiu o órgão julgador de la instância por, nos termos do voto do relator, indeferir o pedido de re-inclusão, conforme se observa na leitura da ementa abaixo transcrita: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2003 AGENCIAMENTO DE CARGAS. A prática do agenciamento de cargas, mediante o recebimento de comissões, implicará a exclusão do Sistema, por se tratar de prestação de serviços profissionais assemelhados aos de corretor ou representante comercial, atividade vedada. Solicitação Indeferida Conforme se extrai do voto condutor do acórdão recorrido, concluíram as autoridades julgadoras que prestação de serviços de agenciamento de transporte teria ficado caracterizada em razão dos seguintes elementos consignados na análise de SRS juntada As fl. 08, quais sejam: 3 Processo n.0 13005.000233/2004-46 Resolução n°303-01419 CC03/CO3 Fls. 52 a) o objeto societário declarado no contrato social da recorrente; e b) a descrição dos serviços constantes das notas fiscais que a I & K emitiu. Analisando tais fatos e os fundamentos de manifestação de inconformidade, entenderam os julgadores que: 1- a alteração do contrato social promovida em 05/04/2004, não alcançaria os efeitos almejados pela recorrente: em primeiro lugar, a exclusão do simples em debate diz respeito ao ano-calendário 2003 e, em segundo, essa alteração não seria capaz de demonstrar que a recorrente não mais se dedicaria A atividade vedada; 2- a recorrente não logrou êxito em demonstrar sua alegação de que presta serviço de transportador e não de agenciador, como se poderia inferir da leitura dos documentos apresentados juntamente com a correspondente SRS. Apresentou considerações acerca da documentação que comprovaria essa alegação e os indícios de que, à da legislação que disciplina a emissão de documentos de transporte e as obrigações acessórias inerentes ao ICMS, a recorrente efetivamente se dedicaria ao agenciamento de cargas e não ao seu transporte. Inconformada, comparece a contribuinte novamente aos autos para, em sede de recurso voluntário, questionar os fundamentos que orientaram o acórdão de la instancia, renovando suas alegações apresentadas por ocasião da correspondente manifestação de inconformidade, acrescentando, em síntese, os seguintes argumentos que revelariam os equívocos daquela decisão: a) discorda de que a não-emissão de conhecimento de frete leve h. conclusão de que não prestara serviço de transporte de carga; b) eventual irregularidade na emissão de nota fiscal ao invés dos documentos exigidos pela legislação do ICMS teria natureza exclusivamente formal, dado que o transporte de bens em uma mesma unidade da federação seria isento. o relat o 4 Processo ri.° 13005.000233/2004-46 Resolução n.° 303-01.419 CC03/CO3 Fls. 53 VOTO Conselheiro LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Relator 0 recurso é tempestivo: conforme se observa no AR de fl. 36, a recorrente tomou ciência da decisão de la instância em 22 de novembro de 2006 e, no protocolo de fl. 39, apresentou suas razões de recurso em 21 de dezembro do mesmo ano. Preenchidos os demais requisitos de admissibilidade, dele se deve tomar conhecimento. Conforma se extrai da leitura do voto condutor do acórdão recorrido, as conclusões do i. relator estão ancoradas em dois pontos fundamentais: os elementos coligidos correspondente SRS e a ineficácia da documentação apresentada por ocasião da manifestação de inconformidade ora debatida. Ocorre que, compulsando os autos, não localizei os elementos documentais produzidos por ocasião daquela primeira oportunidade em que a recorrente se manifestou. Sendo assim, resta prejudicado o livre convencimento deste Colegiado ad quem, que não teve oportunidade de analisar os mesmos elementos que, no sentir das autoridades a quo, seriam capazes de levar à convicção da efetiva configuração do impedimento apontado pela unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição. Em assim sendo, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência a fim de que sejam juntados ao presente processo os documentos que instruíram a SRS n° 1011102/0012. Sala das Sessões, em 24 de abril de 2008. LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO - Relator 5
score : 1.0
Numero do processo: 11444.000390/2010-03
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/2005 a 31/12/2009
LEGITIMIDADE PASSIVA DO MUNICÍPIO Em se tratando de débitos
da Câmara Municipal, a legitimidade para figurar no pólo passivo da relação processual é do Município como ente dotado de personalidade jurídica.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2803-000.818
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Eduardo de Oliveira que entende que o Município foi corretamente intimado.
Nome do relator: CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE ANDRADE
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2005 a 31/12/2009 LEGITIMIDADE PASSIVA DO MUNICÍPIO Em se tratando de débitos da Câmara Municipal, a legitimidade para figurar no pólo passivo da relação processual é do Município como ente dotado de personalidade jurídica. Recurso Voluntário Provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1711; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 246 1 245 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11444.000390/201003 Recurso nº 907.059 Voluntário Acórdão nº 280300.818 – 3ª Turma Especial Sessão de 08 de junho de 2011 Matéria REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS: PARCELAS EM FOLHA DE PAGAMENTO Recorrente MUNICÍPIO DE JULIO MESQUITA CAMARA MUNICIPAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2005 a 31/12/2009 LEGITIMIDADE PASSIVA DO MUNICÍPIO Em se tratando de débitos da Câmara Municipal, a legitimidade para figurar no pólo passivo da relação processual é do Município como ente dotado de personalidade jurídica. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Eduardo de Oliveira que entende que o Município foi corretamente intimado. (assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Carolina Siqueira Monteiro de Andrade Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente da turma), Gustavo Vettorato (vicepresidente), Oseas Coimbra, Amilcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo Oliveira e Carolina Siqueira Monteiro de Andrade. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 03/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 03/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 13/07/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11444.000390/201003 Acórdão n.º 280300.818 S2TE03 Fl. 247 2 Fl. 253DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 03/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 03/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 13/07/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11444.000390/201003 Acórdão n.º 280300.818 S2TE03 Fl. 248 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em desfavor de MUNICÍPIO DE JULIO MESQUITA CÂMARA MUNICIPAL, em virtude do não recolhimento das contribuições previdenciárias relativas à parte da empresa e as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (RAT), incidentes sobre os valores pagos a segurados empregados, inclusive os que exercem mandatos eletivos. (vereadores), no período de 04/2005 a 12/2009. De acordo com o Relatório Fiscal apresentado, por tratar o contribuinte de pessoa jurídica de direito público, não foi aplicada multa de mora, por expressa determinação legal, até a competência de janeiro de 2007. Já com relação às competências de fevereiro de 2007 a novembro de 2008, procedeuse a comparação de multas a serem aplicadas, levandose em consideração a legislação anterior e a introduzida pela MP nº. 449/2008, transformada em Lei nº. 11.941/2009, conforme determinado pelo art. 106, II, “c”do Código Tributário Nacional. Por fim, para as competências, a partir de dezembro de 2008, inclusive, aplicouse a multa de ofício prevista na legislação introduzida pela Medida Provisória supracitada. O contribuinte foi intimado em 28/04/2010, consoante se depreende do comprovante de AR juntado às fls. 136/137, apresentando defesa tempestiva protocolizada em 27/05/2010, juntada às fls. 140/176. O Município de Julio Mesquita, por sua vez, se manifestou às fls. 176, ratificando as razões trazidas pela Câmara Municipal. A Delegacia da Receita de Julgamento manteve a autuação em sua integralidade, em acórdão ementado nos seguintes termos (fls. 179/190): “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2005 a 31/12/2009 CONTRIBUIÇÕES DO ÓRGÃO PÚBLICO INCIDENTES SOBRE A REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. O órgão público é obrigado a recolher as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, assim considerados pela legislação vigente, os exercentes de mandato eletivo. SAT/RAT. São devidas as contribuições previdenciárias correspondentes ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados, inclusive, os exercentes de mandato eletivo, vereadores, em conformidade com dispositivos legais vigentes. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 03/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 03/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 13/07/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11444.000390/201003 Acórdão n.º 280300.818 S2TE03 Fl. 249 4 LEGITIMIDADE DA PARTE. Os documentos de constituição do crédito previdenciário serão emitidos em nome do Município, quando auditoria se desenvolver no órgão publico de administração direta (Câmara Municipal), sendo obrigatório consignar no referido documento, o nome do Município, seguido do nome do órgão a que se refere o débito, no qual ocorreu o fato gerador de obrigação previdenciária. AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO FORA DO ESTABELECIMENTO DA EMPRESA. Não enseja nulidade do lançamento a lavratura do Auto de Infração fora do estabelecimento do contribuinte. O local da verificação da falta está vinculado à jurisdição e à competência da autoridade, sendo irrelevante o local físico da lavratura do auto. PROVAS. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO. A prova documental no contencioso administrativo previdenciário deve ser apresentada juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, salvo se fundada nas hipóteses expressamente previstas. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido.” Contra essa decisão, o Sr. Prefeito Municipal apresentou recurso tempestivo em 16/05/2010 (fls.198/230), por meio do qual alega, em síntese que: (a) o presente auto de infração é totalmente nulo, ante a ilegitimidade do ora Recorrente e o não cumprimento dos requisitos mínimos para a sua lavratura, uma vez que não consta a fiel descrição do fato infringente; (b) considerando que o auto de infração foi lavrado fora do estabelecimento do contribuinte, deverá ser declarado ineficaz o procedimento fiscal; (c) a desnecessidade de recolhimento das contribuições previdenciárias por parte dos agentes políticos, diante da suspensão determinada pela Resolução nº. 26/2005 do Senado Federal; (d) de acordo com o art. 12, ‘j’ da Lei nº. 8.212/91, é desnecessário o recolhimento das contribuições previdenciárias; (e) deve ser considerado como de cinco anos o prazo decadencial para o Fisco Federal constituir o crédito tributário; (f) é direito do contribuinte obter a Certidão Positiva com Efeitos de Negativa até a solução final da lide. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 03/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 03/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 13/07/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11444.000390/201003 Acórdão n.º 280300.818 S2TE03 Fl. 250 5 Por sua vez, em 01/04/2011, o Sr. Presidente da Câmara Municipal também apresentou recurso tempestivo (fls. 231/241), argüindo o que se segue: (a) a anulação do auto de infração, ante a ilegitimidade do Recorrente em figurar no pólo passivo da presente demanda, haja vista que sua legitimidade processual se restringe em defender seus interesses institucionais, cabendo ao Município responder pelas dívidas oriundas do não recolhimento das contribuições previdenciárias; (b) que não foram atendidos os requisitos mínimos para a lavratura do auto de infração, não constando a fiel descrição do fato infringente; (c) a declaração de ineficácia do procedimento fiscal, pois o auto de infração deveria ser lavrado, necessariamente, no local do estabelecimento fiscalizado; (d) a desnecessidade de recolhimento das contribuições previdenciárias por parte dos agentes políticos, diante da suspensão determinada pela Resolução nº. 26/2005 do Senado Federal; (e) a desnecessidade de recolhimento das contribuições previdenciárias por parte dos agentes políticos, diante da suspensão determinada pela Resolução nº. 26/2005 do Senado Federal; (f) de acordo com o art. 12, ‘j’ da Lei nº. 8.212/91 é desnecessário o recolhimento das contribuições previdenciárias; (g) é direito do contribuinte obter a Certidão Positiva com Efeitos de Negativa até a solução final da lide. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 03/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 03/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 13/07/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11444.000390/201003 Acórdão n.º 280300.818 S2TE03 Fl. 251 6 Voto Conselheira Carolina Siqueira Monteiro de Andrade Os Recursos Voluntários interpostos são tempestivos e preenchem os requisitos de admissibilidade, razão pela qual passo a analisálos. DA PRELIMINAR Preliminarmente, argui o Recorrente a ilegitimidade para figurar no pólo passivo da presente autuação. Para que seja possível determinar o correto contribuinte dos valores apurados pela Fiscalização, será necessário discorrer acerca do papel da Câmara Municipal no âmbito do Poder Executivo. Compete à Câmara Municipal o desempenho da função legislativa, incluindo se a feitura de leis municipais, bem como o desenvolvimento de sua ação de fiscalização da Administração Pública Municipal como um todo. Nestes termos, não restam dúvidas de que a Câmara Municipal possui autonomia e independência, exercendo função individualizada no âmbito do Poder Executivo Municipal. Para tanto, todavia, fazse mister o desempenho de atividades atípicas relacionadas à sua autoorganização, podendo tratar internamente sobre os seus serviços administrativos e sobre seus servidores. A legitimidade processual para figurar no pólo passivo ou ativo de discussões que envolvem questões institucionais é inquestionável, e provém de sua interdependência funcional. Vêse, portanto, que muito embora não detenha personalidade judiciária própria, a Câmara Municipal possui capacidade processual ou, nas palavras do professor Hely Lopes Meirelles, personalidade judiciária: “A capacidade processual da Câmara para a defesa de suas prerrogativas funcionais é hoje pacificamente reconhecida pela doutrina e pela jurisprudência. Certo é que a Câmara não tem personalidade jurídica, mas tem personalidade judiciária. Pessoa jurídica é o Município. Mas nem por isso se há de negar capacidade processual, ativa e passiva, à Edilidade, para ingressar em juízo quando tenha prerrogativas ou direitos a defender.” (cf. in Direito Municipal Brasileiro, 6a ed. São Paulo, • Malheiros, 1993, pp. 444 e 445). Não é isso o que ocorre, contudo, nas demandas que envolvem discussões referentes às atividades atípicas exercidas pela Câmara Municipal, como é o caso do não recolhimento das contribuições previdenciárias devidas pelos seus servidores, na condição de segurados. Nessa hipótese, a ausência de personalidade judiciária impede que o órgão seja responsabilizado. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 03/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 03/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 13/07/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11444.000390/201003 Acórdão n.º 280300.818 S2TE03 Fl. 252 7 E não poderia ser diferente já que a Câmara Municipal é despatrimonializada, ou seja, os seus bens são, na realidade, bens da municipalidade, devendo a defesa destes, ser do Prefeito Municipal, no uso de seu múnus à frente do Executivo. Esse, inclusive, tem sido o entendimento manifestado pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça: “TRIBUTÁRIO CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO AOS COFRES PÚBLICOS CÂMARA MUNICIPAL PERSONALIDADE JUDICIÁRIA. A Câmara Municipal não tem personalidade jurídica, mas tão somente personalidade judiciária, só podendo vir a juízo defender seus direitos institucionais. Cabe ao Município, e não à Câmara de Vereadores, figurar no pólo passivo da ação ajuizada pelo INSS fundada _em dívida oriunda do não recolhimento de contribuições previdenciárias de servidores municipais que nela desempenham suas funções. Recurso improvido.” (STJ RESP 199885 Relator Ministro Garcia Vieira DJ 7/6/1999 pg. 62). A respeito da legitimidade do Município para figurar no pólo passivo da presente autuação, se mostra irretocável a decisão de primeira instância, como se verifica abaixo: “Não obstante a autonomia administrativa da Câmara Municipal, ela não possui personalidade jurídica e quem responde pelo crédito tributário é o Ente federado Municipio, devendo o lançamento incluir ambos no pólo passivo, não implicando tal procedimento em nenhum desrespeito à autonomia administrativa da Câmara. 0 Código Civil dispõe que: Art. 41. São pessoas jurídicas de direito público interno: I a União; II os Estados, o Distrito Federal e os Territórios; III os Municípios; IV as autarquias, inclusive as associações públicas; (Redação dada pela Lei n° 11.107, de 2005) V as demais entidades de caráter público criadas por lei. Portanto, conforme já disposto, a Câmara Municipal não tem personalidade jurídica, sendo o município a pessoa jurídica demandada por ocasião da cobrança das contribuições previdenciárias incidentes sobre valores apurados na documentação daquele órgão. Conforme preceitua o Direito Civil é o Município que detém a legitimidade ativa/passiva para integrar a lide, de acordo com o Fl. 258DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 03/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 03/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 13/07/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11444.000390/201003 Acórdão n.º 280300.818 S2TE03 Fl. 253 8 que disciplina o art. 12, II, do CPC, seja nas demandas judiciais, seja nas administrativas, representado por seu Prefeito ou procurador. De acordo com as normas, quando a auditoria fiscal se desenvolver nos órgãos da administração pública direta, tais como ministérios, assembléias legislativas, câmaras municipais, secretarias e tribunais, deverá ser emitido o auto de infração em nome do ente estatal, com a identificação do CNPJ dos respectivos órgãos, procedendo à identificação do órgão, nos documentos de constituição do crédito após a menção do ente estatal, conforme ocorreu no presente caso : Município de Júlio Mesquita Câmara Municipal. Ademais, a pessoa jurídica só é representada pelo agente (pessoa física) legalmente investido dessa função que, no caso, é o Prefeito Municipal, que anuiu e ratificou integralmente a impugnação apresentada, inicialmente assinada somente pelo Presidente da Câmara. Portanto, correto o procedimento adotado pela autoridade lançadora, que lavrou o Auto de Infração em nome do município e o notificou na pessoa do Prefeito Municipal, não se verificando aqui nenhuma razão que motive a anulação do presente AI, conforme requer a impugnante.” Sendo assim, fica clara a possibilidade de responsabilização do Município de Júlio Mesquita pelos tributos devidos e não recolhidos pela Câmara Municipal. Todavia, ao computar os autos, verificase que o auto de infração foi lavrado contra a Câmara Municipal, inscrita no CNPJ sob o n° 49.887.540/000128. Nestes termos, vê se que, muito embora o Município tenha sido notificado do lançamento, inclusive apresentando Impugnação e Recurso Voluntário, ele não foi incluído no pólo passivo da autuação. Logo, por tais razões, entendo que o lançamento não poderia ter sido promovido contra parte ilegítima. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto pela Câmara Municipal de Júlio Mesquita, para reconhecer a sua ilegitimidade passiva, e NÃO CONHECER do Recurso Voluntário interposto pelo Município de Julio Mesquita, por não ter sido incluído no pólo passivo. (assinado digitalmente) Carolina Siqueira Monteiro de Andrade Relatora Fl. 259DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 03/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 03/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 13/07/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11444.000390/201003 Acórdão n.º 280300.818 S2TE03 Fl. 254 9 Fl. 260DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 03/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 03/07/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE , Assinado digitalmente em 13/07/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10630.000663/2007-46
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Fri Dec 03 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 08/11/2006
DEIXAR A EMPRESA DE LANÇAR MENSALMENTE EM TÍTULOS PRÓPRIOS DE SUA CONTABILIDADE. INFRAÇÃO CONFIGURADA
A empresa é obrigada a lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Infração a dispositivo legal.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 2803-000.419
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Segunda Seção de
Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 08/11/2006 DEIXAR A EMPRESA DE LANÇAR MENSALMENTE EM TÍTULOS PRÓPRIOS DE SUA CONTABILIDADE. INFRAÇÃO CONFIGURADA A empresa é obrigada a lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Infração a dispositivo legal. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
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Recorrida SRP-SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIARIA ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 08/11/2006 DEIXAR A EMPRESA DE LANÇAR MENSALMENTE EM TITULOS PRÓPRIOS DE SUA CONTABILIDADE. INFRAÇÃO CONFIGURADA A empresa é obrigada a lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Infração a dispositivo legal. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3a Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). HELTO S PRAIA DE LIMA, Presidente. \"1. OSEAS CO BRW JUNIOR - Relator Participaram da essão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, Amilcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato e Helton Carlos Praia de Lima (presidente). Relatório A empresa foi autuada por descumprimento da legislação previdencidria conforme disposto no relatório de fls. 11 e ss, que tranerevo. Foram realizados a partir de Margo de 2000, pagamentos mensais a Unimed Governador Valadares — Cooperativa Trabalho Médico Ltda., sem que ocorresse qualquer lançamento na contabilidade do contribuinte dos valores devidos a previdência social pela contribuição instituída na Lei 9.876/99 e regulamentada pelo Decreto 3.265/99, contribuição essa incidente sobre pagamento efetuado a Cooperativa de Trabalho de Serviços Médicos e Odontológicos (Anexo cópias por amostragem das Notas Fiscais e cópias de Livros Razão com o procedimento de contabilização das mesmas) conforme Lei 8.212/91, art. 22 Foram realizados a partir de Maio de 1996 diversos pagamentos a Autônomos, depois transformados em Contribuintes Individuais (Lei 9.876/99 de 26/11/1999 alterou a denominação de prestadores de serviço autônomos para Contribuinte Individual), sem que fossem registrados na contabilidade da empresa os valores de contribuição previdencidria devidos pela mesma incidentes pelo pagamento da remuneração aos Contribuinte Individuais, conforme Lei 8.212/91, art. 22. O contribuinte não registrou na sua contabilidade em contas individualizadas todos os fatos geradores de contribuições previdencidrias incidente sobre a Folha de Pagamento Mensal de forma que não foi possível identificar em seus títulos contábeis, de forma clara e precisa, as rubricas integrantes e não integrantes do salário-de-contribuição. Não são utilizados pelo contribuinte títulos contábeis que identifiquem; de forma clara e precisa, rubricas integrantes das remunerações mensais de seus segurados empregados através de Rescisões Contratuais, Férias e 13 0. Salário, como por exemplo: • Salários e Ordenados; • Férias; • Férias Indenizadas; • 13 0. Salário; • 13 0. Salário Indenizado; • Aviso Prévio; • Aviso Prévio Indenizado; • 1/3 Ferias Indenizadas; • Abono de Férias; p 4. Processo n° 10630.00066312007-46 Ac4rclAo n.° 2803-00.419 S2-TE03 Fl. 2 • Gratificação; • Abono Pecuniário. Informa ainda que o contribuinte contabiliza, sob a mesma rubrica, parcelas remuneratórias (Fato gerador de contribuição previdencidria) e parcelas indenizatórias (Não é fato gerador de contribuição previdencidria) de sua folha de pagamento. Em sua defesa a empresa apresenta vários livros diário, de 1995 a 2005, sendo determinada diligência para que o Auditor autuante se pronunciasse sobre a correção da falta. Em informação fiscal de fls 274 e ss, o mesmo informa que o contribuinte não corrigiu as irregularidades verificadas. A Decisão-Notificação — fls 278 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o Auto lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário tempestivo, alegando, na parte que interessa, o seguinte • Ilegalidade do depósito prévio • Autoridade Fiscal lavrou contra a Impugnante nada mais nada menos do que 04 (Quatro) Autos de Infração, sob o argumento do cometimento de infrações acessórias, além de uma LDC. tais processos têm vinculação uns com outros, na medida em que as faltas apontadas pelo fisco possuem uma única origem, que seria segundo ele, a ocorrência de erros de lançamentos nos documentos e livros fiscais da empresa autuada, que redundaram nas autuações. Desta forma, como a Impugnante está apresentando defesa ern todas as autuações, requer, respeitosamente, que os julgamentos sejam realizados em conjunto. • Quando a autoridade fiscal verifica que, no seu entendimento, ocorreu descumprimento de norma legal e como conseqüência falta de recolhimento, e que desta forma altere os dados escriturados, este fato novo, não pode implicar em descumprimento de obrigação acessória por falta ou erro de informação, pelo simples fato de não existirem época do envio dos registros. As informações prestadas pelo contribuinte à época, refletiam a realidade de sua escrituração. Quanta a autuação (NFLD), só após a decisão final, respeitando-se o principio constitucional da ampla defesa e do contraditório é que se consumaram as exigências. Após, transcorrido este interregno temporal é que são passiveis de alteração os dados a ser informados aos órgãos competentes. Donde se conclui que os referidos autos de infração devem ser julgados improcedentes. sic • Foi lavrado contra a empresa o Auto de Infração n°. 37.042.929-0, que contém como infringido o artigo 30, inciso I, alínea "a" deixou de "arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos e do contribuinte individual a seu serviço". E inconteste, também, que foi lavrada outra autuação de n°. 37.042.927-3, que trata da violação do mesmo artigo 32, porém no inciso IV que diz respeito a apresentar documento com (/) 3 , "dados não correspondentes aos fatos geradores de todas,, as contribuições previdenciárias.", estando evidente que tais trabalhos têm estreita ligação com o ora Impugnado e os acima apontados. • Salta aos olhos que as infrações acima estão vinculadas com a discutida no presente Auto de Infração, na medida em que, obviamente, se não existem equívocos na elaboração de recibos de pagamento e divergências de informações prestadas na contabilidade, a conseqüência lógica seria a falta de desconto dos valores pagos a avulsos. Na verdade, pode-se afirmar que a norma legal tida como infringida nos outros autos - artigo 32 e seus incisos (II ou IV), em conjunto com o inciso I, alínea "a" do art. 30, trata de uma mesma infração, estando elas vinculadas umas com as outras, tendo como origem um único tipo penal. • Ocorrência de "bis in idem", na medida em que para uma mesma, infração, a empresa está sendo apenada com a lavratura de 03 (três) autuações. Desta forma, já de inicio, o presente Auto de Infração deve ser cancelado. A titulo de ilustração pode-se socorrer no Direito Penal, onde não existe a acusação de lesão corporal e homicídio, para quem esfaqueia um indivíduo e o mesmo vem a falecer. Na realidade, trata-se do concurso formal quando o "agente mediante uma só ação pratica dois ou mais delitos aplicar-se-6 a pena mais grave" (art. 70 do Código Penal).t exatamente o caso dos autos, onde somente se pode • aplicar uma penalidade pela falta e jamais quatro como pretende a Autoridade Fiscal. • A infração informa que a empresa deixou de "lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos." Portanto, o tipo descrito diz respeito a erro de procedimento, estando implícito que as informações foram prestadas A Previdência, porém com equivoco na sua forma. A s informações constam de diários auxiliares que alimentam o diário propriamente dito. Tanto isso é verdade que em nenhum momento a autoridade fiscal teve dificuldade de acesso As informações. • A alegação na r.decisdo que "não foram inseridas as informações que não constavam dos livros fiscais não procede, pois como a recorrente iria introduzir informações em livros contábeis já enfeixados e registrados; nos órgãos competentes? A própria LDC com o respectivo recolhimento e seu lançamento contábil na data da ocorrência, dá validade contábil e altera os lançamentos efetuados anteriormente. Se assim não o fosse, a cada recolhimento indevido que se efetuasse a empresa teria que imprimir, encadernar e registrar um novo livro. • Pugna pelo provimento do recurso, com o conseqüente cancelamento do Auto de Infração É o relatório.' \ 4 Processo n° 10630.000663/2007-46 S2-TE03 Acórdão n.° 2803-00.419 Fl. 3 Voto Conselheiro OSEAS COIMBRA JUNIOR, Relator DO DEPÓSITO RECURSAL A lei 8.213/91 teve o § 1° do artigo 126 revogado pela lei 11.727/08, não sendo mais necessário o depósito recursal para o seguimento do recurso apresentado, dessarte, a falta do depósito não é razão impeditiva de análise do recurso. DO MÉRITO 0 auto de infração foi lavrado por ter deixado a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhido. Não ficou demonstrada a correção da falta, a recorrente resume sua defesa na ilegalidade do bis in idem e que, quando a empresa fez a escrituração, o fez da forma correta, declarando que "As informações prestadas pelo contribuinte à época, refletiam a realidade de sua escrituração." - se o Auditor, após os lançamentos feitos, aponta novos gatos geradores, esses não deveriam, a seu entender, ser considerados para a presente autuação, pois seria fato novo. Temos que a falta é a não escrituração correta de fato gerador anterior a esta. Quando do fechamento dos livros, já havia ocorrido os prefalados fatos geradores, não havendo que se falar em fato novo. A interpretação equivocada do contribuinte acerca do que deveria ser enquadrado como base imponível da obrigação tributária, não afasta a punibilidade. Sobre a aplicação de vários autos de infração ante a mesma conduta, não procede o alegado, uma vez que o presente auto não se confunde com os demais lançados, reproduzimos o quadro de fls 281, da DN impugnada, que resume a questão: Auto de Infração Dispositivos legais infringidos Descrição da Infração AI 37.042.930-3 Art.33, §2° e 3° da Lei 8.212/91 c/c art. 232 e 233 do Regulamento da Previdência Social RPS aprovado pelo Decreto 3.048/99. A empresa apresentou Livros Diários n° 001/ano 1996, n° 015/ ano 2002, n° 016 ano 2003 e n° 017 ano 2004 sem registro/autenticação na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais. Nos Livros Diários n° 001 ano 1998, n° 007 ano 1999, n° 010 ano 2000, n° 013 ano 2001 e n° 015 ano 2002 não constam os lançamentos de encerramento do exercício e também não contêm Balanço Patrimonial e demais Demonstrações Contábeis anuais. N do foram apresentados os Livros Diários anos - 1997 e2005 AI 37.042.929-0 Art. 4°, eaput, Lei 10.666, de 06 de maio de 2003 c/c art.216, I, "a" do RPS aprovado pelo Decreto 3.048/99. A empresa deixou de arrecadar mediante desconto das remunerações pagas, as contribuições devidas pelos segurados Contribuintes individuais no período de 04/2003 a 04/2006. AI 3 7.042.927-3 Art.32, IV, §5° da Lei 8.212/91 c/c art.225, IV do Regulamento da Previdência Social — RPS aprovado pelo Decreto 3.048/99 de Trabalho de Serviços Médicos. A empresa deixou de informar em GFIP no período de março de 2000 a maio de 2006, Pagamentos de pré-labore aos sócios gerentes da entidade, pagamento de remuneração a contribuintes individuais e pagamentos efetuados a Cooperativa Fica assim demonstrado que os demais autos lavrados se referem a diferentes condutas, não ocorrendo o alegado bis in idem. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, nego-lhe provimento. Sala das Sessões, em 02 de dezembro de 2010 OSEAS COIiNJNIOR 6
score : 1.0
Numero do processo: 10920.004794/2007-37
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/08/2005 a 31/07/2007
APURAÇÃO DEVIDA, COM BASE EM DOCUMENTOS FORNECIDOS PELO CONTRIBUINTE.
Fulcro nos artigos 33, da Lei n. 8.212/1991, a NFLD foi lavrada
considerando os próprios livros e demais documentos do contribuinte, demonstrando-se corretamente as bases legais e fáticas do crédito apurado, obedecendo o art. 142 do CTN.
GRUPO ECONÔMICO SOLIDARIEDADE PELAS CONTRIBUIÇÕES
PREVIDENCIÁRIAS
As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, de forma comprovada, respondem solidariamente entre si pelas contribuições previdenciárias.
GFIP. INFORMAÇÕES PRESTADAS. EFEITO DECLARATÓRIO E DE CONFISSÃO DE DÍVIDA. Com fulcro nos artigos 33, §§ 6º e 7º, da Lei n.
8.212/1991, e 225, do Decreto n° 3.048/99, as informações prestadas em GFIP's serão admitidas como base de cálculo das contribuições previdenciárias e como confissão de dívida na hipótese de não recolhimento.
APLICAÇÃO DA TAXA SELIC A TÍTULO DE JUROS MORATÓRIOS DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS. LEGALIDADE.
Taxa Selic é legalmente aplicada a título de juros moratórios incidente sobre os créditos tributários constituídos (Lei n. 9.250/1995), ajustando-se ao disposto do art. 162, do CTN. (ADRESP 200500950874, DENISE ARRUDA, STJ PRIMEIRA TURMA, 02/04/2009)
APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO EX OFÍCIO. REDUÇÃO DE MULTA MORATÓRIA. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE E MORALIDADE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. ART. 106, II, E 112, DO CTN. ALTERAÇÃO DO ART. 35, DA LEI N. 8.212/1991, PELA LEI N.
11.941/2009. Em razão dos princípios da legalidade e moralidade da Administração Pública, e do disposto nos artigos 106, II, e 112, ambos do CTN, observando que o limite máximo 20% (vinte por cento) a ser aplicado a título de multas moratórias, conforme o art. 61, §2º, da Lei n. 9.430/1996, é inferior à multa moratória aplicada aos valores do créditos tributários lançados na NFLD, com base no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Lei n. 11.941/2009, o lançamento do crédito tributário deve se
adequar a multa moratória à aplicação da menor sanção, reduzindo-se a multa moratória, ex oficio, desde que mais favorável ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito
Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2803-000.653
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, (1) em preliminar, por maioria, a turma entendeu que pode ser conhecido de ofício a questão da multa benéfica, ainda, que sem pedido do contribuinte, vencido o Conselheiro Eduardo de Oliveira que entende ser desnecessária tal
menção, pois a lei mais benéfica deve ser aplicada por todo à administração tributária, leia-se DRF origem; (2) quanto ao mérito, por maioria, em dar provimento parcial ao recurso, nos
termos do voto do Relator, para determinar a aplicação da multa moratória sobre os créditos constituídos seja aplicada em conformidade com o disposto no art. 35, da Lei n. 8.212/1991,
com a redação dada pela Lei n. 11.941/2009, combinado com o art. 61, da Lei n. 9.430/1997, desde que mais favorável ao sujeito passivo.Vencido o Conselheiro Oséas Coimbra Junior, que entende pela aplicação da multa mais benéfica, a qual será obtida pela comparação da multa que consta da presente NFLD com a multa prevista no artigo 44, I, da lei 9.430/96, por se tratar
de lançamento de ofício. O Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima entende que tal cálculo deve ser feito pela DRF de origem, conforme portaria conjunta PGFN/RFB, quando não pleiteado no recurso.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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Fulcro nos artigos 33, da Lei n. 8.212/1991, a NFLD foi lavrada considerando os próprios livros e demais documentos do contribuinte, demonstrandose corretamente as bases legais e fáticas do crédito apurado, obedecendo o art. 142 do CTN. GRUPO ECONÔMICO SOLIDARIEDADE PELAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, de forma comprovada, respondem solidariamente entre si pelas contribuições previdenciárias. GFIP. INFORMAÇÕES PRESTADAS. EFEITO DECLARATÓRIO E DE CONFISSÃO DE DÍVIDA. Com fulcro nos artigos 33, §§ 6º e 7º, da Lei n. 8.212/1991, e 225, do Decreto n° 3.048/99, as informações prestadas em GFIP's serão admitidas como base de cálculo das contribuições previdenciárias e como confissão de dívida na hipótese de não recolhimento. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC A TÍTULO DE JUROS MORATÓRIOS DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS. LEGALIDADE. Taxa Selic é legalmente aplicada a título de juros moratórios incidente sobre os créditos tributários constituídos (Lei n. 9.250/1995), ajustandose ao disposto do art. 162, do CTN. (ADRESP 200500950874, DENISE ARRUDA, STJ PRIMEIRA TURMA, 02/04/2009) APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO EX OFÍCIO. REDUÇÃO DE MULTA MORATÓRIA.PRINCÍPIO DA LEGALIDADE E MORALIDADE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. ART. 106, II, E 112, DO CTN. ALTERAÇÃO DO ART. 35, DA LEI N. 8.212/1991, PELA LEI N. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/08/2011 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 23/08/2011 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10920.004794/200737 Acórdão n.º 280300.653 S2TE03 Fl. 134 2 11.941/2009. Em razão dos princípios da legalidade e moralidade da Administração Pública, e do disposto nos artigos 106, II, e 112, ambos do CTN, observando que o limite máximo 20% (vinte por cento) a ser aplicado a título de multas moratórias, conforme o art. 61, §2º, da Lei n. 9.430/1996, é inferior à multa moratória aplicada aos valores do créditos tributários lançados na NFLD, com base no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Lei n. 11.941/2009, o lançamento do crédito tributário deve se adequar a multa moratória à aplicação da menor sanção, reduzindose a multa moratória, ex oficio, desde que mais favorável ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, (1) em preliminar, por maioria, a turma entendeu que pode ser conhecido de ofício a questão da multa benéfica, ainda, que sem pedido do contribuinte, vencido o Conselheiro Eduardo de Oliveira que entende ser desnecessária tal menção, pois a lei mais benéfica deve ser aplicada por todo à administração tributária, leiase DRF origem; (2) quanto ao mérito, por maioria, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para determinar a aplicação da multa moratória sobre os créditos constituídos seja aplicada em conformidade com o disposto no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, com a redação dada pela Lei n. 11.941/2009, combinado com o art. 61, da Lei n. 9.430/1997, desde que mais favorável ao sujeito passivo.Vencido o Conselheiro Oséas Coimbra Junior, que entende pela aplicação da multa mais benéfica, a qual será obtida pela comparação da multa que consta da presente NFLD com a multa prevista no artigo 44, I, da lei 9.430/96, por se tratar de lançamento de ofício. O Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima entende que tal cálculo deve ser feito pela DRF de origem, conforme portaria conjunta PGFN/RFB, quando não pleiteado no recurso. (Assinado Digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vicepresidente), Eduardo de Oliveira, Wilson Antônio de Souza Corrêa, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/08/2011 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 23/08/2011 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10920.004794/200737 Acórdão n.º 280300.653 S2TE03 Fl. 135 3 Relatório O presente Recurso Voluntário apresentado (fls. 124130) busca a revisão total da decisão a quo (fls.112117), que manteve crédito constituído pela NFLD a título de oriundos da incidência de contribuições previdenciárias e destinadas a terceiras entidades sobre a folha de pagamentos e acordos trabalhistas, todas declaradas em GFIP da empresa Tonacril Indústria de Tintas Ltda. (que também foi notificada). Contudo, tais créditos estão sendo cobrados da Recorrente por reconhecimento por parte da autoridade autuante de existência de Grupo Econômico, devido o sócio gerente desta (Renato Fraz) ser também procurador/gestor daquela contribuinte, bem como haveria outros sócios e empregados em comum, com base peças processuais de ações trabalhistas e alterações dos contratos sociais das duas empresas, referentes aos sócios/empregados Miguel Augusto Lourenço, Marlon Souza, Ademar de Borba, Cid Nelson Falcão. Ocorrência dos eventos sobre os quais incidiu a norma de imposição tributária se deu nas competências de 08/2005 a 07/2007, sendo o lançamento cientificado no dia 31.08.2007 (fls.01). Em seu recurso, a Recorrente repetiu os argumentos da impugnação: “a ) "O agente fiscal, na tentativa de demonstrar a existência de grupo econômico entre a impugnante e a empresa Tonacril Indústria de Tintas Ltda., discorreu exaustivamente sobre o assunto, no entanto, levantou teses completamente destituídas de fundamento legal"; b) "para a configuração de grupo econômico entre empresas há necessidade de subordinação no que diz respeito a direção, controle e administração. Evidente que este não é o caso da impugnante e da empresa Tonacril Indústria de Tintas Ltda."; c) "não se pode considerar a existência de grupo econômico tão somente porque entre os sócios das empresas há vínculo familiar"; d) "O que ocorre entre a impugnante e a empresa Tonacril é a existência de relações comerciais pura e simplesmente. A impugnante apenas comercializa os produtos fabricados pela Tonacril, não havendo que se falar em intervenção na direção, controle ou administração uma da outra, muito menos em subordinação de uma a outra"; e) "Portanto, não há que se falar em solidariedade entre as empresas Tonacril e Maxicron, em face da ausência de provas acerca da subordinação ou intervenção na gestão uma da outra, afastandose completamente a responsabilidade solidária pelas obrigações em que está sendo enquadrada a impugnante"; f) "há que se impugnar os termos da presente notificação fiscal de lançamento de débito, considerando que os valores apresentados para lançamento são carecedores de fundamento legal"; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/08/2011 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 23/08/2011 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10920.004794/200737 Acórdão n.º 280300.653 S2TE03 Fl. 136 4 g) "A impugnante sempre recolheu todas as contribuições que lhe são exigidas pelo fisco. Não merece prosperar a presente notificação de lançamento eis que não há débito a ser lançado para inscrição em dívida ativa" h) a aplicação da taxa SELIC "é ao mesmo tempo ilegal, por conflitar com o CTN, que diz que a taxa de juros será de 1% quando não houver lei dizendo o contrário, e, inconstitucional, por ferir o princípio da legalidade, entre outros". O recurso foi considerado tempestivo pela autoridade preparadora, seguindo originalmente para o 2º Conselho de Contribuintes, que teve suas competências transferidas à 2ª Seção de Julgamento do CARF/MF, e, por conseguinte, veio distribuído à presente Turma Especial e relator. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/08/2011 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 23/08/2011 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10920.004794/200737 Acórdão n.º 280300.653 S2TE03 Fl. 137 5 Voto I – Da Admissibilidade do Recurso O recurso é tempestivo, conforme supra relatado, dispensado do depósito prévio (Súmula Vinculante 21 do STF), assim deve o mesmo ser conhecido. II – Da Constituição Devida O lançamento questionado tomou por base os artigos 33, da Lei n. 8.212/1991, em que a NFLD foi lavrada considerando os próprios livros e demais documentos do contribuinte, demonstrandose corretamente as bases legais e fáticas do crédito apurado, obedecendo o art. 142 do CTN. Pois, trouxe não somente um ou dois elementos fáticos que comprovam a existência sócios, gerência e funcionários em comum entre as empresas, bem como, além do Relatório de Fundamentos Legais, o Relatório Fiscal está fartamente fundamentado especificamente, informando tanto os dispositivos legais incidentes ao caso, bem como seus entendimentos jurisprudenciais e doutrinários. A Recorrente não trouxe qualquer outros elementos que comprovassem o contrário, afetando a legitimidade do trazido pela autoridade fiscal. Inclusive, a autuação e reconhecimento da responsabilidade pelas contribuições previdenciárias foram fundamentadas especificamente nos artigos 124, II, do CTN, que estabelece a solidariedade por obrigações tributárias as pessoas designadas por lei, e combinado com o art. 30, XI, da Lei n. 8.212/1991 que deixou claro que são responsáveis solidários pelos créditos oriundos de contribuições previdenciárias as empresas que integram o mesmo grupo econômico de qualquer natureza. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça consolidou o entendimento que o reconhecimento de existência de grupo econômico, termo decorrente de outras áreas do Direito, em especial Trabalhista e Concorrencial, decorre da comprovação no plano fático as duas empresas funcionam como uma só, compartilhando empregados, instalações, recursos materiais e financeiros, sócios e gestores. Tais elementos reforçado pelo que disciplina a legislação trabalhista no art. 2º, §2º, da Consolidação das Leis do Trabalho, que define a responsabilidade solidária das empresas que compartilham, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. Casos como esse gerariam a responsabilidade solidária entre as empresas do grupo quanto às obrigações previdenciárias. Vide o seguinte trecho: 3. O Tribunal de origem declarou que "é fato incontroverso nos autos que as três embargantes compartilham instalações, funcionários e veículos. Além disso, a fiscalização previdenciária relatou diversos negócios entre as empresas como empréstimos sem o pagamento de juros e cessão gratuita Fl. 5DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/08/2011 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 23/08/2011 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10920.004794/200737 Acórdão n.º 280300.653 S2TE03 Fl. 138 6 de bens, que denotam que elas fazem parte de um mesmo grupo econômico. O sóciogerente da Simóveis, Sr. Écio Sebastião Back tem um procuração que o autoriza a praticar atos de gerência em relação às outras empresas, sendo irmão do sócio gerente delas. Ou seja, no plano fático não há separação entre as empresas, o que comprova a existência de um grupo econômico e justifica o reconhecimento da solidariedade entre as executadas/embargantes" (grifei). 4. Incide a regra do art. 124, inc. II, do CTN c/c art. 30, inc. IX, da Lei n. 8.212/91, nos casos em que configurada, no plano fático, a existência de grupo econômico entre empresas formalmente distintas mas que atuam sob comando único e compartilhando funcionários, justificando a responsabilidade solidária das recorrentes pelo pagamento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos trabalhadores a serviço de todas elas indistintamente. (RESP n. 1.144.884 SC (2009/01142420), MAURO CAMPBELL MARQUES, STJ SEGUNDA TURMA, 03/02/2011) Assim, havendo o reconhecimento da existência do grupo econômico, bem como da incidência da norma de responsabilidade tributária do art. 30, XI, da Lei n. 8.212/1991, não há como reconhecer a razão da Recorrente a esse ponto. Em tempo, atentese ao fato de que os créditos constituídos foram levantados por análise do Auditor Fiscal, munido de competência legal específica (art. 142, 147 e 149, do CTN, art. 33, da Lei n. 8.212/1991), com base principalmente da Folha de Pagamento e Guias Fiscais de Informações à Previdência Social, e outros documentos fornecidos. Ainda, quanto à GFIP, as informações nela consolidadas são instrumentos de confissão dos fatos geradores adequados à constituição dos créditos tributários, bem como o mesmo pode ser constituído por lançamento fiscal mediante exame da escrituração contábil e outros documentos da empresa que representem a real movimentação para aferição indireta dos créditos, cabendo ao contribuinte a prova em contrário (art. 33, §§ 6º e 7º, da Lei n. 8.212/1991, e art. 225, do Decreto n° 3.048/1999). III – Da Ilegalidade/Inconstitucionalidade da Aplicação da Taxa Selic Quanto à aplicação da Taxa Selic, a mesma também não pode ser afastada por alegação de inconstitucionalidade, como trazido pelo o art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, salvo as estritas ressalvas do mesmo artigo. Indiferentemente, é pacífico pela jurisprudência, de que Taxa Selic é legalmente aplicada a título de juros moratórios incidente sobre os créditos tributários constituídos (Lei n. 9.250/1995), ajustandose ao disposto do art. 162, do CTN. (ADRESP 200500950874, DENISE ARRUDA, STJ PRIMEIRA TURMA, 02/04/2009) IV – Da Retroatividade de Aplicação de Multa Indiferentemente de não ter sido alegado pela Recorrente, por dever de ofício, em razão do princípio da legalidade e moralidade da Administração Pública, observase que os créditos tributários foram apurados por meio das declarações em GFIP, tanto que essas informações foram utilizadas para obter as diferenças de acréscimos legais por atraso, devese atentar às alterações legislativas recentes no que trata a sanções tributárias (multa moratória) Fl. 6DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/08/2011 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 23/08/2011 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10920.004794/200737 Acórdão n.º 280300.653 S2TE03 Fl. 139 7 dispostas no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, que foi alterado pela Medida Provisória n. 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009, passando a ter a seguinte redação: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Ou seja, há remissão expressa ao art.61, da Lei n. 9.430/1996, in verbis: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Essas alterações devem ser aplicadas ao caso objeto de análise, em decorrência a aplicação dos dispostos nos artigos 106, II, e 112, ambos do CTN. Isso tudo, ordena ao julgador aplicar as novas normas gerais e abstratas preteritamente quando vislumbra que a norma nova for mais benéfica ao contribuinte que a anterior, além de interpretála sempre de forma mais favorável ao contribuinte. Não se pode tratar a hipótese de incidência da multa moratória disposta no art. 35 como uma possível multa de ofício para comparar com a nova redação do art. 35A, da Lei n. 8.212/1991, incluso pela Medida Provisória n. 449/2008, convertida em Lei n. 11.941/2009, porque a multa aplicada pela redação anterior do art. 35, somente tratava de multa de natureza moratória, variada em razão das fases (tempo) do processo. Portanto, observando que o limite do art. 61, §2º, da Lei n. 9.430/1996, é inferior à multa moratória aplicada aos valores do créditos tributários lançados na NFLD que foram declarados em GFIP, com base no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Lei n. 11.941/2009, deve a decisão a quo ser reformada no sentido de adequar a multa moratória à nova legislação, desde que mais favorável ao sujeito passivo. V – Do Dispositivo do Voto Fl. 7DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/08/2011 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 23/08/2011 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10920.004794/200737 Acórdão n.º 280300.653 S2TE03 Fl. 140 8 Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso do notificado, para no mérito DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, no sentido de que a multa moratória sobre os créditos constituídos seja aplicada em conformidade com o disposto no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, com a redação dada pela Lei n. 11.941/2009, combinado com o art. 61, da Lei n. 9.430/1996, desde que mais favorável ao sujeito passivo. Sala de Sessões, 14 de abril de 2011. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato – Relator Fl. 8DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/08/2011 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 23/08/2011 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10880.012175/98-60
Data da sessão: Thu Jun 18 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Jun 19 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Período de apuração: 01/08/1990 a 30/11/1990
Finsocial. Restituição. Decadência.
O direito à restituição de indébitos decai em cinco anos. Nas compensações administrativas de créditos tributários apurados judicialmente com débitos próprios de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, o dies a quo para aferição da decadência é o trânsito em julgado do título judicial.
Processo administrativo fiscal. Julgamento em duas instâncias.
É direito do contribuinte submeter o exame da matéria litigiosa às duas instâncias administrativas. Forçosa é a devolução dos autos para apreciação do mérito pelo órgão julgador a quo quando superadas, no órgão julgador adquem, prejudiciais que fundamentavam o julgamento de primeira instância.
Recurso não conhecido nas demais razões de mérito, devolvidas ao órgão julgador a quo para correção de instância.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3101-000.141
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, para superar as prejudiciais que fundamentavam o julgamento de primeira instância e devolver os autos deste processo para apreciação das demais razões de mérito pelo julgador a quo.
Nome do relator: TARASIO CAMPELO BORGES
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Restituição. Decadência. O direito à restituição de indébitos decai em cinco anos. Nas compensações administrativas de créditos tributários apurados judicialmente com débitos próprios de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, o dies a quo para aferição da decadência é o trânsito em julgado do título judicial. Processo administrativo fiscal. Julgamento em duas instâncias. É direito do contribuinte submeter o exame da matéria litigiosa às duas instâncias administrativas. Forçosa é a devolução dos autos para apreciação do mérito pelo órgão julgador a quo quando superadas, no órgão julgador adquem, prejudiciais que fundamentavam o julgamento de primeira instância. Recurso não conhecido nas demais razões de mérito, devolvidas ao órgão julgador a quo para correção de instância. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para superar as prejudiciais que fundamentavam o julgamento de primeira instância e devolver os autos deste processo para apreciação das demais razões de mérito pelo julgador a quo. Henrique Pinheiro Torres - Presidente /(9 ‘1‘ `2 i . i I Tarásio CamPs-e)o Borges - Relator EDITADO EM 23/10/2009 Participaram do julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, José Luiz Novo Rossari, Luiz Roberto Domingo, João Luiz Fregonazzi, Rodrigo Cardozo Miranda, Valdete Aparecida Marinheiro e Tarásio Campelo Borges. Ausente momentaneamente a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. Relatório Cuida-se, mais uma vez, do recurso voluntário contra acórdão unânime da Nona Turma da DRJ São Paulo (SP) que rejeitou manifestação de inconformidade da interessada contra indeferimento de pedido de reconhecimento de direito creditório da contribuição para o Fundo de Investimento Social (Finsocial) I atrelado a pedido de compensação com débitos do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples). Aduz a peticionária que tais créditos são decorrentes de recolhimentos a maior do Finsocial dos períodos de apuração de agosto de 1990 a novembro de 1990, conforme guias de recolhimento de folhas 11 a 14, calculados mediante a aplicação de aliquotas superiores a 0,5% (meio por cento), jurisdicionalmente tutelados2. Indeferido o pedido pela Delegacia da Receita Federal competente 3, a interessada tempestivamente manifestou sua inconformidade com as razões de folhas 20 a 23, cuja síntese tomo de empréstimo do relatório do acórdão recorrido4: 3.1 O interesse na compensação de tributos foi motivado pela decisão judicial que lhe favoreceu, dada no processo n° 92.0064841-0 que tramitou perante a 16" Vara da Justiça Federal de S. Paulo, cuja sentença tornou-se definitiva através de acórdão exarado em 30 de outubro de 1996. 3.2 O prazo prescricional embasador do indeferimento não se coaduna com a legislação tributária porque, ao se iniciar a ação declaratória perante o judiciário, trancou-se o lapso temporal prescritivo, vindo a ter curso natural após o lançamento do 1 acórdão, em 30 de outubro de 1996. 3.3 A pretensão da compensação foi efetuada dentro do termo correto, sendo inaplicáveis os dispositivos citados, pois o prazo prescricional foi interrompido da data em que se tornou t Pedido protocolizado no dia 22 de maio de 1998 (folhas 1 a 6). 2 Trânsito em julgado de ação declaratória no dia 20 de fevereiro de 1999, conforme certidão de folha 140. 3 Motivação do indeferimento do pedido: direito creditório alcançado pela decadência (folha 18). jf 4 Inteiro teor do acórdão recorrido acostado às folhas 30 a 35. 2 Processo n° 10880.012175/98-60 S3-C1T1 Acórdão n.° 3101-00.141 Fl. 174 definitiva a decisão judicial que declarou o crédito, art. 168, II do CT'N. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido estão consubstanciados na ementa que transcrevo: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/08/1990 a 30/11/1990 Ementa: FINSOCIAL - RESTITUIÇÃO - DECADÊNCIA - TRÂNSITO EM JULGADO DE DECISÃO JUDICIAL O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extingue-se após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data da extinção do crédito tributário. Caso pretenda o contribuinte valer-se, no âmbito administrativo, de decisão transitada em julgado que lhe é favorável, proferida em ação de repetição de indébito, deve observar o disposto no art. 17 da Instrução Normativa SRF n° 021/1997. Solicitação Indeferida Ciente do inteiro teor do acórdão originário da DRJ São Paulo (SP), recurso voluntário foi interposto às folhas 38 a 50. Dessa petição transcrevo excerto que sintetiza as razões recursais: [...] no caso vertente, como bem lançado data venia, no pedido de compensação, custodiado na ação declaratória, transitada em julgado, independentemente da declaração de inconstitucionalidade proferida pelo Tribunal Maior Pátrio, os prazos prescricionais, somente poderiam ser contados a partir do que restou julgado judicialmente, não podendo mera decisão administrativa, via do Ato Declaratório SRF n° 96/1999, afrontar determinação maior [...]5. O litígio instaurado nos autos deste processo administrativo já foi submetido a este colegiado em outras três oportunidades, relatado pela conselheira Anelise Daudt Prieto nas duas primeiras e por este relator na derradeira ocasião. Em 8 de julho de 2004, por unanimidade de votos, a conversão do julgamento do recurso em diligência à repartição de origem, por intermédio da Resolução 303-00.960 [6], determinava a intimação da recorrente para trazer aos autos: certidão de objeto e pé, para comprovar a data do trânsito em julgado da decisão judicial; as petições dirigidas ao poder \ --1 5 Recurso voluntário, folhas 40 e 41. 1 ' 6 Inteiro teor da Resolução 303-00.960, de 8 de julho de 2004, às folhas 56 a 61. 3 judiciário ou o inteiro teor da sentença e do acórdão; e informação sobre a existência ou não de execução do título judicial. A resposta do sujeito passivo da obrigação tributária se deu em dois momentos: nos documentos de folhas 66 a 118, recepcionados e autuados pela Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (Derat) de São Paulo (SP); e nos documentos de folhas 120 a 140, recepcionados pela Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (Derat) São Paulo (SP) e autuados pela Terceira Câmara deste Terceiro Conselho de Contribuintes. Na sessão de 26 de abril de 2006, também por unanimidade de votos, no Acórdão 303-33.074, de 26 de abril de 2006 [ 7], esta câmara rejeitou a decadência do direito de a contribuinte pleitear a restituição e determinou a devolução dos autos do processo ao órgão judicante de primeira instância para apreciação das demais questões de mérito. Embargos de declaração 8 manejados pela Procuradoria da Fazenda Nacional denunciaram omissão no acórdão acerca da inobservância de determinação contida no despacho de folha 120, no qual a presidente desta câmara abria oportunidade para a Fazenda Nacional se manifestar sobre os documentos oferecidos pela recorrente às folhas 122 a 140. Da última vez, na sessão de 20 de maio de 2008, por unanimidade de votos, este colegiado acolheu os embargos de declaração para declarar a nulidade do processo a partir do aresto recorrido, inclusive, e devolver à representante jurídica do sujeito ativo da obrigação tributária a oportunidade de conhecer e de se manifestar a respeito dos documentos de folhas 121 a 140, acostados aos autos no âmbito desta Terceira Câmara com abertura de vista à parte adversária regularmente autorizada porém não levada a efeito pela secretaria da câmara. Superado o vício denunciado nos embargos de declaração, a Fazenda Nacional, por sua procuradora que subscreve a petição de folhas 167 a 170, invoca o princípio da segurança jurídica para requerer seja negado provimento ao recurso voluntário. Alega, em síntese, a concomitância entre o processo administrativo e a demanda judicial, em face de inexistirem provas da desistência da execução judicial, bem como da assunção de todas as custas processuais, inclusive honorários advocatícios. O termo de juntada de documentos de folhas 166 a 171 encerra o único volume dos autos ora submetidos a julgamento. É o relatório. 7 Inteiro teor do acórdão embargado acostado às folhas 142 a 148. 8 Embargos de declaração às folhas 151 e 152. 4 Processo n° 10880.012175/98-60 S3-C1T1 Acórdão n.° 3101-00.141 Fl. 175 Voto Conselheiro Tarásio Campelo Borges, Relator Conheço do recurso voluntário interposto às folhas 38 a 50, porque tempestivo e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Versa o litígio, conforme relatado, sobre execução administrativa de provimento jurisdicional que reconheceu direito creditório da contribuição para o Fundo de Investimento Social (Finsocial) 9 decorrente de recolhimentos a maior dos períodos de apuração de agosto de 1990 a novembro de 1990, calculados mediante a aplicação de alíquotas superiores a 0,5% (meio por cento), atrelada a pedido de compensação com débitos do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples). Na petição de folhas 167 a 170, a Fazenda Nacional alega configurada a concomitância entre o processo administrativo e a demanda judicial, em face de inexistirem provas da desistência da execução judicial, bem como da assunção de todas as custas processuais, inclusive honorários advocatícios. Preliminarmente, entendo que o ajuizamento de ação judicial implica em renúncia ao direito de questionar igual matéria na via administrativa bem como desistência de recurso eventualmente interposto, nos termos do parágrafo único do artigo 38 da Lei 6.830, de 22 de setembro de 1980 [11• Ademais, dada a prerrogativa constitucional do poder judiciário para o controle jurisdicional dos atos administrativos, entendo irrelevante distinguir se a ação judicial está em curso ou se transitou em julgado, porquanto a decisão lá proferida será sempre soberana. Essa é a regra geral. Nada obstante, se é desejo do contribuinte promover a execução administrativa de decisão judicial com trânsito em julgado ll , mediante compensação dos créditos tributários apurados com débitos próprios de igual natureza, essa pretensão tem amparo no artigo 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, mormente em seu § 14, parte integrante da seção que cuida da restituição e da compensação de tributos e contribuições, senão vejamos: 9 Petição inicial e certidão de objeto e pé acostadas às folhas 68 a 72 e 140. I ° Lei 6.830, de 1980, artigo 38: A discussão judicial da Divida Ativa da Fazenda Pública só é admissivel em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da divida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo único — A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa: e desistência do recurso acaso interposto. Ç \ (-(--- 11 Trânsito em julgado de ação declaratória no dia 20 de fevereiro de 1999, conforme certidão de folha 140. .i 5 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (redação dada pela Lei 10.637, de 2002) § 14. A Secretaria da Receita Federal — SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (parágrafo incluído pela Lei 11.051, de 2004) Assim, para conciliar a tácita renúncia à via administrativa enunciada na Lei 6.830, de 1980, com a possibilidade de compensação administrativa de créditos tributários apurados judicialmente com trânsito em julgado, nada mais lógico e razoável do que exigir do contribuinte a prova da homologação pelo poder judiciário da renúncia ao direito à execução do título judicial ou da desistência da execução, conforme o caso, dentre outras obrigações atualmente disciplinadas no artigo 70 da IN SRF 900, de 30 de dezembro de 2008, verbis: Art. 70. São vedados o ressarcimento, a restituição e a compensação do crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional, objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da decisão que reconhecer o direito creditó rio. § 1 0 A autoridade da RFB competente para dar cumprimento à decisão judicial de que trata o caput poderá exigir do sujeito passivo, como condição para a efetivação da restituição, do ressarcimento ou para homologação da compensação, que lhe seja apresentada cópia do inteiro teor da decisão. § 2° Na hipótese de ação de repetição de indébito, bem como nas demais hipóteses em que o crédito esteja amparado em título judicial passível de execução, a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação somente poderão ser efetuados se o requerente comprovar a homologação da desistência da execução do título judicial pelo Poder Judiciário, ou a renúncia à sua execução, e a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocatícios referentes ao processo de execução. § 3° Não poderão ser objeto de restituição, de ressarcimento, de reembolso e de compensação os créditos relativos a títulos judiciais já executados perante o Poder Judiciário, com ou sem emissão de precatório. § 40 A restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação de créditos reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado dar-se-ão na forma prevista nesta Instrução Normativa, caso a decisão não disponha de forma diversa. Todavia, a exigência de homologação pelo poder judiciário da renúncia à execução do título judicial é inovação somente introduzida no ordenamento jurídico pela IN 6 ("). Processo n° 10880.012175/98-60 S3-C1T1 Acórdão n.° 3101-00.141 Fl. 176 SRF 460, de 18 de outubro de 2004 [ 12], revogada pela IN SRF 600, de 28 de dezembro de 2005 [ 13]. Antes disso, a matéria estava disciplinada na IN SRF 21, de 10 de março de 1997 [ 14 ], depois substituída pela IN SRF 210, de 30 de setembro de 2002 [ 15], e ambas obrigavam o contribuinte a produzir prova apenas quanto ao teor do pedido judicial e da tutela jurisdicional obtida, exceto no caso de execução administrativa de título cuja execução judicial havia sido iniciada. 12 IN SRF 460, de 2004, artigo 50: São vedados o ressarcimento, a restituição e a compensação do crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional, objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da decisão que reconhecer o direito creditório. (§ 1 2) A autoridade da SRF competente para dar cumprimento à decisão judicial de que trata o caput poderá exigir do sujeito passivo, como condição para a efetivação da restituição ou do ressarcimento ou para homologação da compensação, que lhe seja apresentada cópia do inteiro teor da decisão judicial em que seu direito creditório foi reconhecido. (§ 2 2) Na hipótese de ação de repetição de indébito, a restituição, o ressarcimento e a compensação somente poderão ser efetuados se o requerente comprovar a homologação, pelo Poder Judiciário, da desistência da execução do título judicial ou da renúncia a sua execução, bem como a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocatícios referentes ao processo de execução. (alterado pela in RFB 563, de 23 de agosto de 2005) (§ 32) Não poderão ser objeto de restituição, de ressarcimento e de compensação os créditos relativos a títulos judiciais já executados perante o Poder Judiciário, com ou sem emissão de precatório. (§ 4 2) A restituição, o ressarcimento e a compensação de créditos reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado dar-se-ão na forma prevista nesta Instrução Normativa, caso a decisão não disponha de forma diversa. 13 IN SRF 600, de 2005, artigo 50: São vedados o ressarcimento, a restituição e a compensação do crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional, objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da decisão que reconhecer o direito creditório. (§ 1 2) A autoridade da SRF competente para dar cumprimento à decisão judicial de que trata o caput poderá exigir do sujeito passivo, como condição para a efetivação da restituição ou do ressarcimento ou para homologação da compensação, que lhe seja apresentada cópia do inteiro teor da decisão judicial em que seu direito creditório foi reconhecido. (§ 2 2) Na hipótese de ação de repetição de indébito, a restituição, o ressarcimento e a compensação somente poderão ser efetuados se o requerente comprovar a homologação, pelo Poder Judiciário, da desistência da execução do título judicial ou a renúncia à sua execução, bem como a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocatícios referentes ao processo de execução. (§ 3 2) Não poderão ser objeto de restituição, de ressarcimento e de compensação os créditos relativos a títulos judiciais já executados perante o Poder Judiciário, com ou sem emissão de precatório. (§ 4 2) A restituição, o ressarcimento e a compensação de créditos reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado dar-se-ão na forma prevista nesta Instrução Normativa, caso a decisão não disponha de forma diversa. 14 IN SRF 21, de 1997, artigo 17: Para efeito de restituição, ressarcimento ou compensação de crédito decorrente de sentença judicial transitada em julgado, o contribuinte deverá anexar ao pedido de restituição ou de ressarcimento uma cópia do inteiro teor do processo judicial a que se referir o crédito e da respectiva sentença, determinando a restituição, o ressarcimento ou a compensação. (Redação dada pela IN SRF 73/97, de 15/09/1997) (§ 1°) No caso de título judicial em fase de execução, a restituição, o ressarcimento ou a compensação somente poderão ser efetuados se o contribuinte comprovar junto à unidade da SRF a desistência, perante o Poder Judiciário, da execução do título judicial e assumir todas as custas do processo, inclusive os honorários advocatícios. (Redação dada pela IN SRF 73/97, de 15/09/1997) (§ 2°) Não poderão ser objeto de pedido de restituição, ressarcimento ou compensação os créditos decorrentes de títulos judiciais já executados perante o Poder Judiciário, com ou sem emissão de precatório. (Incluído pela IN SRF 73/97, de 15/09/1997). 15 IN SRF 210, de 1997, artigo 37: É vedada a restituição, o ressarcimento e a compensação de crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional, objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da decisão em que for reconhecido o direito creditório do sujeito passivo. (§ 1 2) A autoridade da SRF competente para dar cumprimento à decisão judicial de que trata o caput poderá requerer ao sujeito passivo, como condição para a efetivação da restituição, do ressarcimento ou da compensação, que lhe seja encaminhada cópia do inteiro teor da decisão judicial em que seu direito creditório foi reconhecido. (§ 29) Na hipótese de título judicial em fase de execução, a restituição ou o ressarcimento somente será efetuado pela SRF se o requerente comprovar a desistência da execução do título judicial perante o Poder Judiciário e a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocatícios. (§ 3 Q) Não poderão ser objeto de restituição ou de ressarcimento os créditos relativos a títulos judiciais já executados perante o Poder Judiciário, com ou sem emissão de precatório. (§ 42) A compensação de créditos reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado com débitos do sujeito passivo relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF dar-se-á na forma disposta nesta Instrução Normativa, caso a decisão judicial não disponha sobre a compensação dos créditos do sujeito passivo. É certo que, diferentemente das normas do direito material, a legislação processual tem aplicação imediata, independentemente da data da ocorrência dos fatos jurídicos submetidos à apreciação do operador do direito. Apesar disso, in casu, na quarta apreciação do litígio nesta instância administrativa, não há se falar em desistência de execução perante o poder judiciário, porquanto não se tem noticia de execução judicial do titulo submetido à execução administrativa, muito pelo contrário, a certidão de objeto e pé acostada à folha 140 faz remissão apenas ao trânsito em julgado da ação declaratória e ao depósito da verba honorária da União promovido pela parte autora, após cálculo de compensação decorrente da sucumbência de ambas as partes (sentença julgou parcialmente procedente o pedido). Outrossim, busco proteção no principio da economia processual para considerar suficiente a instrução dos autos enriquecida com a diligência à repartição de origem formalizada na Resolução 303-00.960 [ 16], de 8 de julho de 2004, data em que o disciplinamento da execução administrativa de titulo judicial ainda não exigia prova da homologação em juízo da renúncia à execução judicial. No que respeita à alegada decadência do direito à restituição, adoto, em sua inteireza, os fundamentos do voto condutor do Acórdão 303-33.074, de 26 de abril de 2006 [ 17], da lavra da conselheira Anelise Daudt Prieto, como se aqui transcritos estivessem, para vincular à data do trânsito em julgado do titulo judicial o dies a quo para aferição do prazo qüinqüenal. Por conseguinte, concluo não operada a decadência do direito à restituição em 22 de maio de 1998, data da protocolização do pedido de folhas 1 a 6. Com essas considerações e em respeito ao principio do duplo grau de jurisdição, superadas as prejudiciais que fundamentavam o julgamento de primeira instância, voto no sentido de devolver os autos deste processo para apreciação das demais razões de mérito pelo órgão julgador a quo. èé Tarásio Campelo Borges 16 Inteiro teor da Resolução 303-00.960, de 8 de julho de 2004, às folhas 56 a 61. 17 Inteiro teor do voto condutor do Acórdão 303-33.074, de 2006, acostado às folhas 147 e 148. 8
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Numero do processo: 10980.924460/2009-39
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PROVA. ÔNUS DO
DECLARANTE.
É ônus do sujeito passivo comprovar as alegações contidas em sua defesa, sobretudo tratando-se de utilização, em declaração de compensação, de crédito de pagamento que considera indevido.
Assunto: Normas de Direito Tributário
Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. FALTA DE
COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Inexistindo comprovação do direito creditório informado na Declaração de Compensação deve ser não homologada a compensação declarada.
Numero da decisão: 3803-003.256
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PROVA. ÔNUS DO DECLARANTE. É ônus do sujeito passivo comprovar as alegações contidas em sua defesa, sobretudo tratando-se de utilização, em declaração de compensação, de crédito de pagamento que considera indevido. Assunto: Normas de Direito Tributário Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Inexistindo comprovação do direito creditório informado na Declaração de Compensação deve ser não homologada a compensação declarada.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PROVA. ÔNUS DO DECLARANTE. É ônus do sujeito passivo comprovar as alegações contidas em sua defesa, sobretudo tratandose de utilização, em declaração de compensação, de crédito de pagamento que considera indevido. Assunto: Normas de Direito Tributário Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Inexistindo comprovação do direito creditório informado na Declaração de Compensação deve ser não homologada a compensação declarada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 31/07/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Relatório Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº 0633.570, de 14 de setembro de 2011, da DRJCuritiba/PR, fls. s/nº, que considerou improcedente a manifestação de inconformidade. A Contribuinte transmitiu a Declaração de Compensação nº 26686.08025.280406.1.3.044930, em 28/04/2006, por meio da qual compensou débitos de IRPJ do 1º Trim/2006. Na DComp foi utilizado o crédito de pagamento indevido no valor de R$ 2.479,29, relativo ao PIS do mês de novembro/2003, do total recolhido de R$ 5.981,81. A DRFCuritiba, não homologou a compensação, por meio do despacho decisório de 22/06/2009, fl. 01, fundada no fato de que o DARF discriminado na DComp fora integralmente utilizado para quitação do débito de Cofins do período de apuração de novembro de 2003, não restando saldo de crédito disponível para a compensação do débito indicado. A interessada apresentou manifestação de inconformidade, em que alegou que: a) dentre as atividades desenvolvidas, realiza a prestação de serviços para armadores estrangeiros e, até pouco tempo, desconhecia a lei que traz o benefício da não incidência da contribuição para o Pis/Pasep e da Cofins sobre receitas decorrentes das operações de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; b) os armadores estrangeiros são representados no território nacional por empresas brasileiras. Os pagamentos efetuados a estes representantes são suportados pelo primeiro, conforme a legislação brasileira, que remete previamente ao país divisas suficientes para fazer frente às despesas assumidas com a passagem de seus navios por águas e portos nacionais; c) as Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 exigem somente duas condições para a não incidência das contribuições: que o tomador, pessoa física ou jurídica, esteja domiciliado no exterior, e que o pagamento seja realizado em moeda conversível; d) os serviços prestados para armadores estrangeiros atendem a estas duas condições, embora o serviço seja executado totalmente em território brasileiro e aqui seja verificado o seu resultado, uma vez que o tomador está domiciliado no exterior e sua contraprestação acarreta a entrada de divisas; e) os representantes são meros repassadores de recursos do exterior, atuando em nome dos armadores, por imposição das leis brasileiras, e que esta intermediação não é suficiente para descaracterizar a não incidência das contribuições, uma vez que toda atividade exercida pela empresa é desenvolvida exclusivamente para uma empresa estrangeira; f) existe um nexo causal entre o pagamento que representa a entrada de divisas e a prestação de serviços à pessoa estrangeira, e que este nexo é evidenciado pela legislação do Bacen, a qual autoriza esse tipo de transação; Fl. 239DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 31/07/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10980.924460/200939 Acórdão n.º 3803003.256 S3TE03 Fl. 2 3 g) preenche todos os requisitos para fazer jus ao benefício e relatou que ingressara com o pedido de restituição e compensação dos valores não prescritos. Indicou o valor do faturamento com a prestação de serviços ao armador estrangeiro, o valor da contribuição que entende ter pago indevidamente e a correção do indébito até a data da apresentação da DComp. h) ressaltou que as notas fiscais de prestação de serviços permitem correlacionar a atividade que desenvolve à desenvolvida pelos armadores estrangeiros em águas nacionais e que as disponibilizará para conferência no momento em que forem requisitadas. Com esses argumentos a interessada requereu o acolhimento da manifestação de inconformidade, o cancelamento do procedimento administrativo adotado pela DRF/Curitiba e a homologação da compensação declarada. Em julgamento da lide, a DRJCuritiba destacou que a compensação tributária pressupõe que o sujeito passivo tenha um crédito líquido e certo contra a Fazenda Pública, conforme dispõe o art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Sob essa premissa legal, sustentou que a Contribuinte não trouxe ao processo qualquer prova material ou documental para amparar sua principal alegação de direito ao crédito decorrente da não incidência da contribuição sobre as receitas de prestação de serviços a pessoa jurídica domiciliada no exterior, conforme exigida pelo art. 16, III, do Decreto n° 70.235/72 e do artigo 333, do Código de Processo Civil. Aduziu que a manifestante fez juntar ao processo um simples demonstrativo de apuração do crédito, o qual traz a indicação das notas fiscais relativas aos serviços prestados, tendose colocado à disposição para a sua apresentação posterior. Cientificada da decisão em 17 de outubro de 2011, irresignada, a interessada apresentou recurso voluntário em 09 de novembro de 2011, em que repisa os mesmos termos da manifestação de inconformidade e anexa cópias dos contratos anuais de prestação de serviço de agenciamento marítimo, firmados com o armador estrangeiro, P&O Nedlloyd. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Belchior Melo de Sousa O recurso é tempestivo, e atende a todos os requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A suma dos argumentos da Recorrente é que o pagamento da COFINS utilizado como crédito na DComp sob análise foi calculado sobre receitas de prestação de serviços para pessoa jurídica localizada no exterior, representativa ingresso de divisas, não sujeitas à incidência das contribuições, a teor do do art. 6º, inciso II, da Lei nº 10.833/2003, verbis: Fl. 240DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 31/07/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ALEXANDRE KERN 4 Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...] II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) A razão de decidir da DRJ/Curitiba resumese na falta de comprovação do alegado pela manifestante. Com efeito, a Interessada não respaldou a defesa com documentação contábil e fiscal, únicos elementos autorizados legalmente para aferição de bases de cálculo, para identificação das receitas, de sorte a, no caso, viabilizar a verificação de não incidência da contribuição sobre a exclusiva receita de prestação de serviços ao armador estrangeiro que a Interessada representa no Brasil. A decisão recorrida observou: “a contribuinte [...] juntou ao processo, desacompanhado de documentação contábil e fiscal comprobatória, um simples demonstrativo de apuração do crédito”. No recurso voluntário, reitero, a declarante replica o mesmo argumento trazido na manifestação de inconformidade, e nele agrega o mesmo demonstrativo do crédito utilizado na DComp, em que apresenta a receita auferida do armador estrangeiro e o valor do pagamento indevido da contribuição. Informou a Defendente, em ambas as instâncias, que “dentre as atividades desenvolvidas realiza a prestação de serviços para armadores estrangeiros”. Suas atividades estão descritas no objeto social, constante da cláusula terceira do contrato social consolidado, fl. 24, anexo ao recurso voluntário, ipsis litteris: Agência Marítima, Entidade Estivadora, Operadora Portuária, Agenciamento de navios, Representações Comerciais, Comissária de Despachos Aduaneiros, Prestação de Serviços e Assessoria Técnica em cargas e encomendas e Participações Societárias em outras empresas. Como representante do armador, esta pessoa jurídica, além de angariar cargas para a sua Contratante, executa todos os procedimentos que têm pertinência com o movimento dessas cargas, inclusive quanto à contratação de transporte rodoviário e serviços de armazéns, segundo os termos do contrato de prestação de serviços firmado com a P&O Nedlloyd. Para fazer frente ao cumprimento do contrato, a Agência Marítima Transatlântica movimenta duas contas bancárias. A primeira, para controle do custeio da atividade da Contratante, P&O Nedlloyd, intermediada pela Contratada. A segunda, para as remessas de receitas da Contratante. Os registros contábeis, notadamente contas a pagar, contas a receber e caixa, são feitos separadamente dos da Contratada, de modo que a posição financeira líquida da Contratante possa ser estabelecida a qualquer tempo, consoante cláusula do contrato. Dos termos avençados no contrato deflui a preponderante característica da Agência Marítima Transatlântica como repassadora de recursos financeiros da P&O Nedlloyd para cobertura dos custos e despesas desta nas operações relativas aos fretamentos, serviços de intermediação pelos quais, podese ter como certo, aufere suas próprias receitas representantes de ingressos de divisas. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 31/07/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10980.924460/200939 Acórdão n.º 3803003.256 S3TE03 Fl. 3 5 Contudo, não se perca de vista o leque de atividades previsto no objeto social da Agência Marítima Transatlântica Ltda., a indicar a possibilidade da existência de outras relações de negócios, além da que estabelece com a P&O Nedlloyd, sujeitas à incidência da contribuição, como o prova o débito que a Interessada reconhece como efetivo em cada período de apuração. Dessas observações acima registradas, ressalta a insuficiência do único elemento que a Defendente trouxe na manifestação de inconformidade, vale dizer, o demonstrativo espelhado acima, para demonstrar a propriedade e a medida das receitas de prestação de serviços desta Contratada exclusivamente decorrente do contrato em foco. Mesmo indicado na decisão recorrida que os elementos de prova consubstanciavamse na escrita ou documentação contábil e fiscal, a Recorrente não suprimiu esta lacuna no recurso voluntário, limitandose a anexar cópias dos contratos de prestação de serviços à P&O Nedlloyd, ineptos para aferição dos valores controversos e, portanto, para ateste da verossimilhança das alegações. Assim, nada a reparar na decisão recorrida, que a mantenho por seus próprios fundamentos, o art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e a art. 333 do CPC1, segundo os quais é ônus da Defendente carrear aos autos a prova de sua alegação de ser detentora de crédito perante a RFB, não cabendo a este Órgão provêla em substituição àquela, mediante diligência, coligindo os elementos de sua escrita contábil e fiscal, que são de privativo conhecimento da Interessada e se encontram sob seu estrito controle. Em vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 18 de julho 2012 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa 1 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. (...) Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 31/07/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ALEXANDRE KERN 6 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 10980.924460/200939 Interessada: AGENCIA MARÍTIMA TRANSATLÂNTICA LTDA. Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 3803003.256, de 18 de julho de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 18 de julho de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 243DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 31/07/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 35950.002621/2006-77
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 18 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Oct 18 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/08/2005 a 30/06/2006
RESTITUIÇÃO. RECOLHIMENTO INDEVIDO. NÃO COMPROVAÇÃO
É responsabilidade do contribuinte comprovar o recolhimento feito
indevidamente a maior. Apurado débito através de NFLD, referente ao
mesmo fato gerador - obra de construção civil, não há que se falar em restituição.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 2803-000.299
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Segunda Seção de
Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: Outros proc. que não versem s/ exigências cred. tributario
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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OSEAS COIMB JUNIOR - Relator. S2-TE03 Fl. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 35950.002621/2006-77 Recurso n° 255.047 Voluntário Acórdão n° 2803-00.299 — 3' Turma Especial Sessão de 18 de outubro de 2010 Matéria RESTITUIÇÃO: EMPRESAS EM GERAL Recorrente AM 5 CONSTRUCÕES LTDA. Recorrida DELEGACIA DE JULGAMENTO EM CURITIBA/PR ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/08/2005 a 30/06/2006 RESTITUIÇÃO. RECOLHIMENTO INDEVIDO. NÃO COMPROVAÇÃO responsabilidade do contribuinte comprovar o recolhimento feito indevidamente a maior. Apurado débito através de NFLD, referente ao mesmo fato gerador - obra de construção civil, não há que se falar em restituição. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3a Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, Amilcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato e Helton Carlos Praia de Lima (presidente). Relatório A empresa requer restituição referentes a parcelas retidas em notas fiscais de prestação de serviços de construção civil - competências maio, julho e agosto de 2004. A obra se refere a construção da superestrutura da sede da Camara Municipal de Joinville/SC. 0 pedido foi protocolizado em 15.10.2004. Fundamentado em informação fiscal - fls 122 e ss, o Delegado da Receita Federal em Curitiba indefere o pedido. Inconformada, apresenta recurso a este Conselho, dizendo basicamente que o fundamento da decisão denegatória foi afastado com o que demonstrado no processo referente a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito n° 37.082.110-6, lavrada em razão de procedimento fiscal aberto com o intuito de averiguar a regularidade da obra efetuada. Pede o julgamento conjunto da NFLD com o presente pedido de restituição. A DN referente A NFLD n° 37.082.110-6 encontra-se as fls 150/153, onde ficou decidido pela procedência da Notificação. 0 referido processo foi distribuído a este Relator e será apreciado conjuntamente. A NFLD se refere a período que abarca a restituição pleiteada — 05/2004 a 10/2004, referente ao contrato 14/2004 — superestrutura, e também período de 11/2004 a 11/2006 — contrato 34/2004 — construção parcial da nova sede da Câmara. Continuando, por conta do disposto na portaria n° 14 de 09/12/2008, do Segundo Conselho de Contribuintes — fls 147, o processo retornou a Delegacia de Julgamento em Curitiba e, As fls. 155 temos decisão negando a restituição pleiteada. Novo recurso é apresentado — fls 175, onde alega, em síntese, que: • 0 direito creditório discutido nestes autos depende da decisão que sera proferida no Processo Administrativo n° 14474.00014212007-90 (NFLD n° 37.082.110-6). motivo pelo qual o presente processo administrativo deve ficar sobrestado até o julgamento definitivo daquele PAF, pois sendo reconhecida a ilegalidade do arbitramento da remuneração dos empregados, através de aferição indireta, e, conseqüentemente, a idoneidade da contabilidade da Recorrente, que está sendo tratada no processo administrativo acima referido, restará evidente o direito ao crédito e, por conseqüência, o direito A. restituição ora pleiteada. Quanto ao mérito, transcreve as razões expostas no recurso apresentado no PAF n° 14474.0001421/2007-9090 (NFLD n° 37.082.110-6), como se segue: • A Auditora Fiscal não apontou a conduta que levou a desconsideração da contabilidade. A Recorrente sempre colocou â disposição da Auditora Fiscal todos os documentos contábeis, em perfeita ordem e todos com preenchimento fiel aos requisitos legais. Nada foi dito em contrário pela própria Fiscal. Aliás, no item V do "Relatório Fiscal", a autoridade lançadora informa r que, no procedimento fiscalizatório ref a NFLD n°37.082.110-6, "D 2 PrOcesso no 35950.002621/2006-77 S2-TE03 Acórdão n.° 2803-00.299 Fl. 2 foram examinados: livros diários, livro razão magnético, notas fiscais, contratos, guias de recolhimento • A Auditora fez o cruzamento de algumas informações contábeis, cujo resultado, todavia, não revela nenhuma evidência de utilização de mão-de-obra sem registro, ou mesmo que a obra em exame, por suas características, não poderia ser construída com o montante de mão-de-obra expresso na contabilidade. • 0 orçamento é um instrumento da Construtora para se chegar ao valor em que se materializará a sua proposta na concorrência. Não se pode partir dos valores nele presentes para se traçar qualquer conclusão sobre a efetiva aplicação de materiais ou mão-de-obra que, de fato, foram utilizados no serviço em questão. o Cronograma Físico Financeiro (orçamento) não reflete a "realidade" da mão-de-obra aplicada, não podendo a comparação entre as informações nele presentes corn os valores efetivamente gastos com mão-de-obra servir corno base para a verificação da integridade da contabilidade da Recorrente. • As discriminações realizadas nas referidas notas fiscais não correspondem á. realidade dos gastos efetivamente efetuados com mão-de-obra no empreendimento em exame. Pelo contrário, foi uma exigência do Contratante, A. qual a Recorrente se vergou, porém em momento algum reconhecendo como verdadeiro o montante de 50% como gastos referentes a serviços. • Os métodos de aferição indireta (arbitramento) somente são cabíveis quando forem omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados pelo sujeito passivo. • Foram aplicadas soluções de engenharia para diminuir a mão-de- obra utilizada. • Durante todo o curso do empreendimento, a Recorrente contabilizou toda a mão-de-obra utilizada. Corno bem observado pela Fiscal, somente um empregado foi utilizado diretamente pela Recorrente (supervisor da obra), corn todo o serviço restante sendo objeto de subcontratação. Termina por requerer o sobrestamento do presente processo de restituição até o julgamento definitivo do Processo Administrativo n° 14474.000142/2007-90, decorrente da NFLD n° 37.082.110-6, e o provimento do recurso interposto. o relatório 3 Voto Conselheiro OSEAS COIMBRA JUNIOR, Relator Inicialmente cumpre esclarecer que a empresa efetuou obras de construção civil para a Camara de Vereadores de Joinvile, contratos 14/2004 e 34/2004, e solicitou restituição através dos processos 35950.001758/2004-42, 35950-002202/2004-73, 35950- 002821/2008-77 e 35950-001885/2005-22. Devido a discrepâncias de informações, foi aberta ação fiscal para apurar os fatos geradores das obras constantes nos pedidos de restituição e, ao final, lavrada a NFLD n° 37.082.110-6 e indeferidos os pedidos solicitados. Dada a identidade de fatos geradores, apreciaremos em conjunto os processos de restituição e a NFLD lavrada. As razões de recurso expressamente remetem à NFLD, pois é onde se encontram os elementos de prova. As fls 122 a autoridade fiscal informa que, devido ao conflito de informações entre o Cronograma Físico Financeiro anexo ao Contrato e as Notas Fiscais de Serviços, foi necessário o exame da contabilidade da empresa, onde a fiscalização entendeu que: 1. 0 contrato 14/2004 – fls. 18/26 não estabelece o percentual de materiais e de serviços empregados nesta execução. 0 Cronograma Físico Financeiro discrimina Serviço/Material no valor total de R$ 1.903.393,90. Termo aditivo altera o valor global do contrato para R$ 2.321.694,75. 2. Na Conta Contábil 4103 — Custo de Obras Contratadas e na Conta n° 2101 — Fornecedores, constam registradas todas as Notas Fiscais de Materiais utilizados na superestrutura da obra da nova sede da Camara dos Vereadores de Joinville, e constatou-se que foram utilizados na realidade apenas um percentual de 23,30% de materiais com relação ao valor total das NFPS, devidamente contabilizadas na conta no 3102 — Obras Contratadas. 3. Anexa planilha onde consta o valor bruto das NFPS e o valor considerado material – apenas na nota emitida em 31/05/2004, não foi considerado o percentual de 50% como mão-de-obra e sim 15%, o restante - 85%, considerado material. 4. Do exposto acima, temos que, dos valores totais das notas fiscais de serviços, apenas 23,3% foi efetivamente comprovado como material, através da contabilidade da contratada, apesar de destacados 50% e 85% na nota de 31/05/2004. 5. Foi verificada a contratação de subempreitadas parciais para a realização deste contrato, sua contabilização, e recolhimento da retenção dos 11%, confirmado no Sistema Plenus. 6. A AM5 possuía um único empregado na obra, que supervisionava as subempreiteiras. Seus recolhimentos estão comprovados no sistema PLENUS. 7. Fld defasagem de 898,56% dos salários de contribuição da mão-de-obra direta (01 empregado) e indireta (subempreiteiras) empregada na obra, com relação ao salário- de-contribuição contido nas NFPS, ou seja, necessita-se multiplicar o salário -de-contribuição considerado pela empresa (pelas NFPS) por 8,9856 que somado a ele mesmo, dará o salário - de-contribuição real. Isto significa que foi utilizado apenas 4,01% da mão-de-obra contida nos serviços da Nota Fiscal – fls 123/124. 4 Processo n° 35950.002621/2006-77 82-TE03 Acórdão n.° 2803-00.299 Fl. 3 8. 0 cálculo da MO nas NFPS foi feito pelas aliquotas de 75%(contrato 14/2004) e 70%(contrato 34/2004) do total da nota como serviços e, sobre esse valor, aplicou- se 40% - consoante arts. 600, I e 601 §1° da IN 003/05. Utilizou-se 75% sobre os valores do contrato 14/2004 uma vez que o material devidamente contabilizado, foi de 23,3%, como adrede citado — realizado arredondamento(fls 78) e 70% sobre os valores do contrato contrato 34/2004, pois o material devidamente contabilizado atingiu o montante de 29,2%(fls 75) das notas emitidas. 9. Sobre os valores encontrados, subtraiu-se o salário de contribuição declarado em folha de pagamento(fls 80) da empresa e das subempreiteiras, aplicou-se aliquota de 36,8%, determinando o valor devido ao INSS, e subtrairam-se os valores efetivamente retidos da autuada.(fls 82). 0 cálculo da MO utilizada foi feito dividindo-se a diferença - valores a recolher, por 0,368 — cálculo inverso para apuração do salário de contribuição(fis 82) para o correto lançamento no SAFIS(fls 04 e ss). 10. Da mão-de-obra declarada em folha de pagamento da notificada e utilizando-se cálculo inverso - valor da retenção de 11% dividido por 0,368 - para apuração do salário de contribuição das contratadas/subempreiteiras, temos que, para o contrato 14/2004, de R$ 2.321.694,75, realizado de 05/2004 a 10/2004 — superestrutura, foi apurado um total de mão-de-obra de R$ 4.014,21 do único empregado e R$ 65.737,28 das subempreiteiras e, para o contrato 34/2004, de R$ 5.617.376,11, realizado de 11/2004 a 11/2006 — construção parcial da sede, foi apurado um total de mão-de-obra de R$ 15.426,00 do único empregado e R$ 117.447,43 das subempreiteiras. Resumindo — contratos de R$ 7.939.070,86 e mão-de-obra R$ 202.624,92. 11. Embasado no Art. 33, §6°, da Lei n° 8.212/ 91, utiliza o instituto da aferição indireta por constatar que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a serviço desta obra, uma vez que os serviços e materiais contidos no contrato divergem dos declarados nas Notas Fiscais, que por sua vez, divergem ambos da realidade dos fatos apurados na contabilidade pelo registro de apenas 23,30% de materiais. NFLD n° 37.082.110-6 - Processo n° 14474.00014212007-90 No recurso voluntário apresentado ao processo n° 14474.00014212007-90, a empresa alega: 1. Nulidade da r. decisão por não se manifestar acerca dos pedidos de perícia técnica e contábil requeridos. 2. Ausência de fundamento para aferição. 3. A mão-de-obra foi plenamente contabilizada. 4. Erro na metodologia de arbitramento. 5. Contesta os valores de materiais contabilizados apontados pela fiscalização Sobre a nulidade pela não manifestação acerca de pedidos de perícia técnica e contábil, temos que na impugnação — fls 108, o pedido foi assim formulado. <1 5 Muito embora já plenamente provado pelos laudos técnicos apresentados em anexo, requer-se a realização de perícia técnica, por profissional da área de engenharia (.) e bem assim perícia contabil.(.) 0 decreto 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal, em seu art. 16 menciona os requisitos da impugnação. 0 inciso III determina que a peça já deve trazer os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. 0 inciso IV regula os pedidos de diligência ou perícia e, por fim os §§1° e 40 consideram não formulados os pedidos que não atendam aos requisitos elencados e determinam que toda prova seja apresentada quando da impugnação. Transcrevemos. Art. 16. A impugnação mencionará: IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei n°8.748. de 1993) § 1° Considerar-se-ti não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei n° 8.748, de 1993) 40 A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante faze-10 em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei n° 9.532, de 10/12/97) Resta demonstrado que o impugnante formulou pedido de perícia sem apresentar os necessários quesitos ou qualificação do profissional, em total desacordo com a norma citada. Uma vez que o requerente não seguiu o previsto no prefalado art. 16, aplica-se a regra do § 1°, considerando-se não formulado o pedido de perícia. Acerca do laudo pericial contábil anexado voluntariamente pelo contribuinte, assim se manifestou o julgador de primeiro grau, cujas conclusões compartilho: A impugnação juntou aos autos um pretenso laudo pericial contábil. Ocorre que a conclusão desse laudo não vai além do evidente, ou seja, os fatos contábeis que a empresa apresentou estariam lançados na contabilidade. Em momento algum, porém, procura desfazer as informações fornecidas pela Auditoria no Relatório Fiscal do lançamento e demonstrar que executou a obra dispondo de apenas 4,01% e 3,38% a titulo de mão de obra em relação ao total dos serviços. No tocante a esse laudo tem-se, ainda, que os valores nele elencados, sejam de mão de obra sejam de materiais, divergem substancialmente daqueles encontrados pela Auditoria Fiscal e não vem acompanhado de nenhuma prova documental de que esses é que estariam corretos e não aqueles apontados pela Auditoria. Pelo que se nota, esses valores estariam lançados nas contas "Custo de Obras Contratadas" e "Fornecedores". Tais contas são enéricas de modo que nelas podem estar lançados fatos contábeis pertinentes a outras obras executadas pela empresa na época e não só ci obra da Câmara Municipal de Joinville. Assim, haveria que ser demonstrado que os documentos que deram suporte aos 6 Processo n° 35950.002621/2006-77 S2-TE03 Acórdão n.° 2803-00.299 Fl. 4 converge para obra — custo 7.939.070,86. lançamentos relacionados pela defesa se vinculariam inequivocamente à citada obra. Sabe-se que em matéria tributária a prova documental é elemento essencial para corroborar os argumentos da impugnação. Nesse passo, laudos periciais elaborados de forma unilateral pelo sujeito passivo, se desacompanhados da necessária prova documental, não são capazes para fornecer o necessário suporte às alegações da defendente. Ante a falta dos elementos que possam colocar em dúvida as informações prestadas pela Auditoria Fiscal, não épossivel acatar o referido laudo, sequer como inicio de prova para impor eventual diligencia com vistas ao reexame do lançamento por parte da Fiscalização. Ademais disto, com relação a mão de obra, o mesmo laudo considerou como sendo mão de obra o valor total clas notas fiscais emitidas pelas empreiteiras, somando R$ 605.079,55. Isto porém não é possível, porque no valor das notas estão inclui/os. além da remuneração dos segurados empregados (mão de obra), também os encargos sociais e tributários, demais despesas operacionais e administrativas e o lucro das prestadoras de serviço. Cerca de apenas 30 a 35% do valor das notas correspondem remuneração sujeita ei contribuição previdenciciria. E isto que se extrai da conversão para base de cálculo da contribuição de 11% retida sobre as notas fiscais, mediante a divisão do valor retido por 0,368. Assim, no máximo RS 211.777,84 dos RS 605.079,55 mencionados pela empresa correspondent a remuneração. Esse valor está próximo da mão de obra apurada pela Auditoria Fiscal na vigência dos dois contratos fiscalizados (RS 202.624,92). Fica demonstrado que a própria perícia realizada pelo recorrente — fls 438 - a quantia apurada pela fiscalização, em torno de R$ 200.000,00 reais de mão-de- direto, sem encargos. Repise-se que os valores das obras totalizam R$ Os fundamentos para aferição foram detalhados no relatório fiscal respectivo, inclusive com planilhas e as razões de convencimento do Auditor. A aferição foi feita com base nos valores de nota fiscal e está minuciosamente descrita no prefalado relatório. Sobre a contabilização da mão-de-obra e discrepâncias de valores contabilizados apontados pela fiscalização, novamente o contribuinte não traz documentos que comprovem o alegado. Nos autos temos apenas planilhas e os poucos documentos acostados - notas fiscais - não fazem prova da contabilização da mão-de-obra. As Es 112, o recorrente atesta que "no quadro resumo em anexo que a categoria diversos guarda o montante de R$ 1.770.837,05. Esta classe de gastos abrange desde pareceres técnicos de consultoria até gastos médicos de exames admissionais." Já às tis 521, informa que "somente um empregado foi utilizado diretamente pela recorrente (supervisor de obra), com todo o serviço restante sendo objeto de subcontratação". As notas fiscais acostadas no anexo CUSTOS DIVERSOS VINCULADOS A OBRA DA CAMARA DE VEREADORES — fls 302 a 309, que se referem a exames médicos pré admissionais, ) 7 periódicos e demissionais, pericias e auditorias médicas, totalizam R$ 341.241,32, gum' tia incompatível com a folha de pagamento de um empregado. Atesta ainda As fls 112/113, gastos diretos de R$ 3.291.203,23, gastos diversos de R$ 1.770.837,05 e impostos de R$ 518.649,33, o que totaliza R$ 5.580.689,61 — sem contabilizar estadia e alimentação de pessoal. Já o parecer técnico de fls 464, aponta um custo total de R$ 5.386.256,36, a demonstrar inconsistência nas contas apresentadas. As fls 495 temos a Decisão Notificação, informando ainda: 1. Quanto aos gastos indiretos, como pagamentos de despesas por exames médicos, que a impugnação alega estarem vinculadas à obra, merece notar que foram juntadas aos autos, notas fiscais (sem nenhuma vinculação A. obra) de valores consideráveis, emitidas pelos prestadores de serviços nos meses de junho/2004, julho/2004, agosto/2004, setembro/2004 e outubro/2004. Ora, se a empresa teve apenas um segurado empregado registrado na obra, é de se concluir por uma ou por outra hipótese: ou ela impunha que esse (mico empregado fizesse exames médicos caríssimos todos os meses ou então mantinha outros segurados empregados na obra sem a necessária inscrição na previdência social. Por isto, ao contrário do que pretende a impugnação, esses documentos fazem prova contra sua própria tese. 2. Não houve desprezo pela escrita da Impugnante, mas verificou-se que o valor declarado na escrita regular, despendido com a mão-de-obra, não é o suficiente para a conclusão das obras em questão. Ao contrario do que entende a impugnação, são de meridiana clareza os motivos elencados nos relatórios fiscais anexados As Notificações Fiscais de Lançamento de Debito que conduziram à utilização do método da aferição indireta. DA RESTITUIÇÃO PLEITEADA Entendemos que as discrepâncias de bases de cálculo do que apurado em NFPS e o que efetivamente é contabilizado como material e mão-de-obra, via de regra, não justificam o arbitramento. Os percentuais aplicados ao total das NFPS são presunções legais para apuração dos 11% a serem retidos e não se sobrepõe ao que apurado na contabilidade - valor real. Por outro lado, tal fato, corroborado com outras evidências, levam a convicção da não confiabilidade do que escriturado. Os fatos elencados nos levam a concluir pela procedência da decisão impugnada. A grande discrepância entre os valores contabilizados como mão-de-obra, em termos percentuais, e os indices normativos — obtidos por aferições de mercado — aliados a despesas de exames médicos desproporcionais para o que seria atendimento de um único segurado, R$ 341.241,32 — fls 302 a 309- processo n° 14474.00014212007-90, inconsistências das contas apresentadas, insuficiente apresentação de documentação fiscal e lançamentos contábeis não individuados por obra, impossibilitando a comprovação dos reais custos da construção da superestrutura e sede da Camara Municipal de Joinville, sustentam a adoção do procedimento de aferição indireta. Fica assim demonstrado que o contribuinte não comprovou o direito restituição dos valores pleiteados. 8 Pr6cesso n° 35950.002621/2006-77 82-TE03 Acórdão n.° 2803-00.299 Fl. 5 CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, nego-lhe provimento. Sala das Sessões, em 18 de outubro de 2010 OSEAS C IMBWA JUNIOR - Relator 9
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Numero do processo: 10530.000196/2004-30
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2007
Ementa: SIGILO BANCÁRIO - VIOLAÇÃO - INOCORRÊNCIA - É lícito ao Fisco requisitar dados bancários, sem autorização judicial - art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001.
LEGISLAÇÃO QUE AMPLIA OS MEIOS DE FISCALIZAÇÃO - INAPLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE - A Lei nº 10.174, de 2001, que deu nova redação ao § 3º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 1996, permitindo o cruzamento de informações relativas à CPMF para a constituição de crédito tributário pertinente a outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, é norma procedimental e por essa razão não se submete ao princípio da irretroatividade das leis, ou seja, incide de imediato, ainda que relativa a fato gerador ocorrido antes de sua entrada em vigor.
LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS - PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS - Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo.
OMISSÃO DE RECEITAS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - Quando restar evidenciado que as receitas escrituradas e declaradas pelo contribuinte integram o montante total dos depósitos bancários, cabível a exclusão daquela parcela.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 105-16.726
Decisão: ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares argüidas e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para reduzir dos valores da infração 001 - OMISSÃO DE RECEITAS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS os valores das receitas declaradas pela recorrente ao Fisco, que constam em sua Declaração Anual Simplificada (DAS) do exercício 2000, ano-calendário 1999, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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QUINTA CÂMARA Processo n°. :10530.000196/2004-30 Recurso n°. :159.539 Matéria . : SIMPLES - EX.: 2000 Recorrente : CÉZAR AUTOMÓVEIS E EMPREENDIMENTOS LTDA. Recorrida : 4a TURMA/DRJ em SALVADOR/BA Sessão de :18 DE OUTUBRO DE 2007 Acórdão n°. :105-16.726 SIGILO BANCÁRIO - VIOLAÇÃO - INOCORRÊNCIA - É lícito ao Fisco requisitar dados bancários, sem autorização judicial - art. 6° da Lei Complementar n° 105, de 2001. LEGISLAÇÃO QUE AMPLIA OS MEIOS DE FISCALIZAÇÃO - INAPLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE - A Lei n° 10.174, de 2001, que deu nova redação ao § 3° do art. 11 da Lei n° 9.311, de 1996, permitindo o cruzamento de informações relativas à CPMF para a constituição de crédito tributário pertinente a outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, é norma procedimental e por essa razão não se submete ao princípio da irretroatividade das leis, ou seja, incide de imediato, ainda que relativa a fato gerador ocorrido antes de sua entrada em vigor. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS - PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS - Para os fatos geradores ocorridos a partir de 10 de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei ri° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. OMISSÃO DE RECEITAS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - Quando restar evidenciado que as receitas escrituradas e declaradas pelo contribuinte integram o montante total dos depósitos bancários, cabível a exclusão daquela parcela. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso voluntário interposto por CÉZAR AUTOMÓVEIS E EMPREENDIMENTOS LTDA. ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares argüidas e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para reduzir dos valores da infração 001 - OMISSÃO DE RECEITAS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS os valores das receitas declaradas pela recorrente ao Fisco, que constam em sua Declaração Anual Simplificada (DAS) do exercício 2000, ano-calendário 1999, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.yf ,--- MINISTÉRIO DA FAZENDA Fl. QPIRU IIMNTEAIROVANSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. :13888.002977/2006-79 Acórdão n°. :105-16.726 4/// CL•VIS AL S /residente WALDIR VEIGA ROCHA Relator Formalizado em: O 9 NOV 2007 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: WILSON FERNANDES GUIMARÃES, EDUARDO DA ROCHA SCHMIDT, MARCOS RODRIGUES DE MELLO, ROBERTO BEKIERMAN (Suplente Convocado), MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI (Suplente Convocado) e IRINEU BIANCHI. Ausente, justificadamente o Conselheiro JOSÉ CARLOS PASSUELLO. 2 , 4f MINISTÉRIO DA FAZENDA Fl. N'E PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUINTA CÂMARA Processo n°. :13888.002977/2006-79 Acórdão n°. :105-16.726 Recurso n°. :159.539 Recorrente : CÉZAR AUTOMÓVEIS E EMPREENDIMENTOS LTDA. RELATÓRIO CÉZAR AUTOMÓVEIS E EMPREENDIMENTOS LTDA., já qualificada nestes autos, foi autuado em 30/01/2004 e intimado a recolher os tributos integrantes do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, quais sejam, Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) (fl. 245), Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) (fl. 249), Contribuição Social sobre o Lucro (CSLL) (fl. 253), Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) (fl. 257) e Contribuição para Seguridade Social (INSS) (fl. 261), acrescidos de multa de ofício de 75% e juros de mora, perfazendo o crédito tributário de R$ 469.030,70, tudo relativo ao ano-calendário 1999, conforme demonstrativo consolidado de fl. 02. A autuação ocorreu por omissão de receitas, em face de depósitos bancários de origem não comprovada pela autuada. Consta na Descrição dos Fatos (fls. 246/248) que a contribuinte tomou ciência do Termo de Início de Fiscalização em 07/07/2003, tendo apresentado parte dos documentos solicitados. Reintimada em 24/10/2003 para apresentar o restante dos documentos, a autuada respondeu que deles não dispunha. Vencido o prazo concedido, a fiscalização procedeu à requisição dos extratos bancários às instituições financeiras, na forma do art. 6° da Lei Complementar n° 105, regulamentada pelo Decreto n°3.724, de 10 de janeiro de 2001. Com base nos extratos bancários, fomecidos pelo BRADESCO, HSBC, Banco do Brasil e Banco Mercantil de S. Paulo, foi elaborado um demonstrativo dos créditos, sendo a contribuinte de novo intimada a comprovar a origem dos depósitos, com ciência em 12/01/2004. A contribuinte se manifestou apresentando o livro-caixa do período de 1999 e diversas notas de entrada e saída de veículos e de prestação de serviços de corretagem de vendas. Foi abatido o crédito de R$ 16.500,00 do BRADESCO de 92 • MINISTÉRIO DA FAZENDA Fl. ‘fr PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUINTA CÂMARA Processo n°. :13888.002977/2006-79 Acórdão n°. :105-16.726 26/01/1999. Findo o prazo estipulado na intimação, sem que houvesse a comprovação dos demais créditos, foi lavrado o presente auto de infração, com os valores constantes do demonstrativo de lançamento. Inconformada com as exigências, das quais foi cientificada em 30/01/2004 (fls. 245, 249, 253, 257 e 261), a autuada apresentou impugnação ao lançamento em 27/02/2004 (fls. 424/439), alegando em síntese o seguinte: > A quebra de sigilo bancário só pode ser feita mediante prévia e justificada autorização judicial, nos termos do art. 50 da Constituição Federal de 1988 — CF/1988, mesmo após a Lei Complementar n° 105, de 2001, ressaltando que, neste sentido, tem havido manifestação até do Superior Tribunal de Justiça, conforme jurisprudência que cita. > Em sendo inviolável o sigilo de dados sob a guarda de instituições financeiras, não é licita a sua utilização na investigação fiscal. Assim, a exigência de apresentação de extratos bancários é inconstitucional e ilegal. > Diz que o art. 1° da Lei n° 10.174, de 2001, que deu nova redação ao art. 11 da Lei n° 9.311, de 1996, não pode retroagir para alcançar fatos anteriores à sua vigência, no que tange ao imposto de renda e demais tributos lançados por período certo. Tal dispositivo só teria efeito a partir de 10/01/2001, devido aos princípios da irretroatividade e anterioridade da norma tributária. > Que a Lei n° 10.174, de 2001, não é norma de conteúdo meramente procedimental, no âmbito do procedimento fiscal, mas sim de conotação material, na medida em que autoriza uma nova sistemática de tributação do imposto de renda, ensaiando uma nova forma de presunção legal de omissão de receita (cita jurisprudência e entendimento de juristas). > No mérito, alega que não houve qualquer omissão de receita, e que por isso a exigência do crédito tributário é descabida. Explica que a autuada tem, dentre outros, como ramo de atividade, a compra e venda de veículos, bem como a intermediação (corretagem) em operação de alienação e aquisição dos mesmos. De modo que quando aceita tomar um carro, para intermediar a sua venda, emite, de logo, uma nota fiscal de entrada, por um valor estimado, para atender exigência do fisco estadual, que de outra forma não aceita a presença do referido bem em seu pátio de exposição. No momento da venda, emite uma nota fiscal de saída, pelo valor correspondente ao preço de venda e recebe o cheque em seu favor, que vai para a sua conta bancária. Entretanto, este valor, posteriormente, é entregue à pessoa do vendedor e proprietário do veículo, ficando com a impugnante apenas o ganho referente à comissão pela interrnediação de venda. Por isso, considera um absurdo o Fisco querer travestir de receita o ingresso na conta bancária da empresa correspondente a todo o valor da venda do carro. 4 e i•4. MINISTÉRIO DA FAZENDA n. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ' QUINTA CÂMARA Processo n°. :13888.002977/2006-79 Acórdão n°. :105-16.726 > Frisa que muitos clientes confiam encomendas de determinado veiculo ora inexistente em seu estoque, fazendo pagamentos adiantados no todo ou em parte do bem, para superar as dificuldades de caixa da empresa, e assim viabilizar a sua aquisição. Daí a multiplicidade de lançamentos na sua conta BANCOS. Dessarte, a receita da autuada nestas operações não é o quantum recebido do cliente, mas, apenas a diferença entre o que ele pagou e o preço de aquisição do bem perante terceiros, pela impugnante. > Não raras vezes, o cliente paga o veículo com cheque de sua emissão (às vezes pré-datado) e de terceiros. Havendo, por um lado, a emissão de uma nota fiscal correspondente ao preço da alienação e, por outro, mais de um lançamento em conta-corrente, em datas distintas, quando há cheques pré-datados e oriundos _ de mais de uma pessoa. Portanto, neste cenário é impossível haver a correspondência entre a movimentação bancária e a emissão de notas fiscais. Para sustentar a sua defesa, a interessada descreve na impugnação vinte dessas operações, que alega respaldada em documentos anexos aos presentes autos. > Afinal, requer e espera a declaração de invalidade do Auto de Infração, ou, pelo menos, a sua improcedência. A 49 Turma da DRJ em Salvador/BA analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão n° 06.026, de 4 de novembro de 2004, considerou procedente o lançamento, com a seguinte ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Data do fato gerador 31/01/1999, 28/02/1999, 31/03/1999, 30/04/1999, 31/05/1999, 30/06/1999, 31/07/1999, 31/08/1999, 30/09/1999, 31/10/1999, 30/11/1999, 31/12/1999 Ementa: OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. É cabível tributação de depósitos bancários cuja origem não é comprovada por documentação hábil e idônea, pelo contribuinte regularmente intimado, em face da existência de presunção legal de omissão de receitas. SIGILO BANCÁRIO. EXTRATOS FORNECIDOS POR INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. O acesso a informações bancárias não caracteriza quebra de sigilo bancário, pois é imposto à administração tributária seu resguardo durante todo o s . • fi MINISTÉRIO DA FAZENDA FL PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, QUINTA CÂMARA Processo n°. : 13888.002977/2006-79 Acórdão n°. :105-16.726 procedimento. Há, na verdade, mera transferência do sigilo, que antes vinha sendo assegurado pela instituição financeira, e passa a ser mantido também pela administração tributária. ARGUIÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE DE ATOS LEGAIS. Não compete à autoridade administrativa apreciar argüições sobre a constitucionalidade/legalidade da legislação aplicável. Esta é uma prerrogativa reservada ao Poder Judiciário por designação Constitucional. Ciente da decisão de primeira instância em 16/11/2004, conforme Aviso de Recebimento (AR) à fl. 923, e inconformado com a manutenção do lançamento, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 02/12/2004 conforme carimbo de recepção à fl. 924. No recurso interposto (fls. 924/940), repete as argumentações contidas na impugnação. É o Relatório. »I 6 • . „ MINISTÉRIO DA FAZENDA Fl. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUINTA CÂMARA Processo n°. : 13888.002977/2006-79 Acórdão n°. : 105-16.726 VOTO Conselheiro WALDIR VEIGA ROCHA, Relator O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade e dele conheço. Preliminarmente, argúi a recorrente que a quebra de sigilo bancário só pode ser feita mediante prévia e justificada autorização judicial, nos termos do art. 5° da Constituição Federal de 1988 — CF/1988, mesmo após a Lei Complementar n° 105, de 2001, ressaltando que, neste sentido, tem havido manifestação até do Superior Tribunal de Justiça, conforme jurisprudência que cita. Em sendo inviolável o sigilo de dados sob a guarda de instituições financeiras, não é lícita a sua utilização na investigação fiscal. Assim, a exigência de apresentação de extratos bancários é inconstitucional e ilegal. Diz que o art. 1° da Lei n° 10.174, de 2001, que deu nova redação ao art. 11 da Lei n°9.311, de 1996, não pode retroagir para alcançar fatos anteriores à sua vigência, no que tange ao imposto de renda e demais tributos lançados por período certo. Tal dispositivo só teria efeito, por sua ótica, a partir de 10/01/2001, devido aos princípios da irretroatividade e anterioridade da norma tributária. Afirma, ainda, que a Lei n° 10.174, de 2001, não é norma de conteúdo meramente procedimental, no âmbito do procedimento fiscal, mas sim de conotação material, na medida em que autoriza uma nova sistemática de tributação do imposto de renda, ensaiando uma nova forma de presunção legal de omissão de receita, conforme jurisprudência e entendimento de juristas que colaciona. A Turma Julgadora, em primeira instância, não lhe deu razão, afastando todas as preliminares suscitadas. Também assim o faço IL. 7 14. •44 • MINISTÉRIO DA FAZENDA Fl. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUINTA CÂMARA Processo n°. :13888.002977/2006-79 Acórdão n°. :105-16.726 Quanto à necessidade de autorização judicial para acesso às informações bancárias, é de se examinar as disposições dos arts. 1° e 6° da Lei Complementar n° 105/2001, a seguir transcritos (grifos não constam do original) Art. 1° As instituicões financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. § 3° Não constitui violacão do dever de sigilo: _ VI — a prestação de infonnacões nos termos e condicões estabelecidos nos artigos 2°. 3°. 4°. 5°. 6°. 7°e 9° desta Lei Complementar. Art. 6° As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Como facilmente se observa, a Lei autoriza o acesso das autoridades tributárias diretamente aos registros das instituições financeiras, sem que haja violação do dever de sigilo, desde que haja procedimento fiscal em curso, e que os exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. A regulamentação do art. 6°, ou seja, a perfeita delimitação das condições a que a lei se refere, foi feita pelo Poder Executivo mediante o Decreto n° 3.724/2001. Não há que se falar, portanto, em reserva de jurisdição. Aliás, mesmo para aqueles que entendem que o sigilo bancário pode ser compreendido como espécie do direito à intimidade, em um sentido amplo, protegido pelo inciso X do art. 5° da 8 ee MINISTÉRIO DA FAZENDA Fl. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES> QUINTA CÂMARA Processo n°. :13888.002977/2006-79 Acórdão n°. :105-16.726 Constituição Federal de 1988 (o que não é pacífico), há que se notar que o texto constitucional, neste caso, é silente quanto à necessidade ou não de prévia autorização judicial. Quando quis, o legislador constitucional fez constar explicitamente a competência exclusiva do Poder Judiciário para determinadas matérias, como, por exemplo, a busca domiciliar, prevista no inciso XI, a interceptação telefônica (inciso XII) e a decretação de prisão de qualquer pessoa, ressalvada a hipótese de flagrância (inciso LXI, todos do art. 5°). Ainda quanto ao conceito de intimidade, conquanto possa ser tido de maneira mais ampla, quase como sinônimo de privacidade, abrangendo também a vida privada, a honra e a imagem, o fato é que a Constituição fez questão de separar esses aspectos, o que nos leva a adotar um conceito mais restrito. José Afonso da Silva, citando René Anel Dotti, ensina que a intimidade se caracteriza como "a esfera secreta da vida do indivíduo na qual este tem o poder legal de evitar os demais" 1 . O mesmo autor cita conceito de Adriano de Cupis, que define a intimidade como "o modo de ser da pessoa que consiste na exclusão do conhecimento de outrem de quanto se refira à pessoa mesma"2* Veja-se que estes conceitos não têm precisa linha demarcatória, correndo o risco de ambigüidade ou de referências circulares. No entanto, a linha comum a ser observada é que a intimidade vela sobre segredos e particularidades do foro moral e íntimo do indivíduo. Já quanto à vida privada, separada da intimidade pelo texto constitucional, mais uma vez é de se recorrer a José Afonso da Silvas: ... a vida das pessoas compreende dois aspectos: um voltado para o exterior e outro para o interior. A vida exterior, que envolve a pessoa nas relações sociais e nas atividades públicas, pode ser objeto das pesquisas e das divulgações de terceiros, porque é pública. A vida interior, que se debruça sobre a mesma pessoa, sobre os membros de sua família, sobre seus amigos, é a que integra o conceito de vida privada, inviolável nos termos da Constituição. I SILVA, José Afonso da. Curso de Direito Constitucional Positivo. 15 ed. rev. e atual., São Paulo, Malheiros Editores, 1998, pág. 210. 2 SILVA, José Afonso da. Obra citada, pág. 210. 3 SILVA, José Afonso da. Obra citada, pág. 211. •• . MINISTÉRIO DA FAZENDA* n. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUINTA CÂMARA Processo n°. :13888.002977/2006-79 Acórdão n°. :105-16.726 A próxima etapa da análise é verificar se a movimentação bancária estaria abrangida pela proteção constitucional. Considerando o exposto anteriormente, seria uma distorção admitir que sim. Afinal, os dados bancários de uma pessoa refletem aspectos de seu patrimônio, que em princípio nenhuma relação têm com seu foro moral e íntimo, e apenas indiretamente poderiam ser aspecto da vida interior a que se refere José Afonso da Silva. Seria mais adequado caracterizar o sigilo bancário como um dos instrumentos de defesa da propriedade, como proteção contra a curiosidade sem justo motivo de terceiros ou concorrentes. Essa linha de raciocínio ganha ainda mais força ao analisar a possível aplicabilidade do dispositivo constitucional às pessoas jurídicas, no que tange à proteção à intimidade e à vida privada. Ora, trata-se de valores típicos da pessoa humana, de conceitos atinentes à dimensão interna da entidade (pessoa). Inaplicáveis, assim, às pessoas jurídicas, criações abstratas do Direito, despossuídas de intimidade. Em se tratando de empresas, fica ainda patente que a movimentação bancária pode revelar tão somente aspectos patrimoniais, não abrangidos pelo inciso X do art. 5° da CF/88. Pelo exposto, cai também por terra o argumento da recorrente, de que a exigência de apresentação de extratos bancários seria ilegal e inconstitucional. Observe-se, inicialmente, que o acesso do fisco às informações bancárias é, em última análise, um mero teste de veracidade e consistência das informações já anteriormente oferecidas à administração tributária. O dever original de informar sobre suas operações sujeitas ou não à incidência tributária é do contribuinte, antes mesmo de iniciado qualquer procedimento fiscal. Assim, o acesso a tais informações não deve ser encarado como quebra de sigilo ou prerrogativa excepcional, e sim como forma de se aferir a veracidade das informações que originariamente deveriam ter sido prestadas pelo próprio sujeito passivo da obrigação tributária. "" • MINISTÉRIO DA FAZENDA Fl. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUINTA CÂMARA Processo n°. :13888.002977/2006-79 Acórdão n°. :105-16.726 Em se tratando de pessoas físicas, as informações já deveriam constar de suas declarações anuais de rendimentos, quer se trate de rendimentos auferidos, tributáveis ou não, quer se trate de informações sobre variações patrimoniais tais como aquisição efou alienação de bens, saldos de contas bancárias e de aplicações financeiras, entre outras. Se for o caso de pessoas jurídicas, com muito mais razão as informações já deveriam estar disponíveis ao fisco, em face da obrigação de escriturar detalhadamente todas as suas operações (inclusive bancárias/financeiras) e de comprovar sua escrituração com documentação hábil e idônea. No caso em tela, ressalte-se, a movimentação financeira não se encontrava adequadamente escriturada no livro Caixa, como seria obrigação da recorrente, a teor do disposto na alínea "a" do § 1° do art. 7° da Lei n°9.317/1996 (grifos não constam do original): Art. 7° A microempresa e a empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES apresentarão, anualmente, declaraç'do simplcada que será entregue até o último dia útil do mês de maio do ano-calendário subseqüente ao da ocorrência dos fatos geradores dos impostos e contribuições de que tratam os arts. 3° e 4°. ,§* 1° A microempresa e a empresa de pequeno porte ficam dispensadas de escrituração comercial desde que mantenham, em boa ordem e guarda e enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes: a) Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a sua movimentacão financeira, inclusive bancária • b) Livro de Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término de cada ano-calendário; c) todos os documentos e dentais papéis que serviram de base para a escrituracão dos livros referidos nas alíneas anteriores. Quanto às alegadas ilegalidade e inconstitucionalidade, basta observar as disposições do art. 145, § 1°, da Constituição Federal vigente: Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: MINISTÉRIO DA FAZENDA Fl. "'/.] 4.7 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES „„. QUINTA CÂMARA Processo n°. :13888.002977l2006-79 Acórdão n°. :105-16.726 1- impostos; LI - taxas..... III - contribuição de melhoria, ... . ° - Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. O caput do artigo traz a competência para a instituição dos tributos, fonte de recursos para o Estado. Seu parágrafo primeiro delimita parâmetros para a exigência tributária, no que é conhecido na doutrina como o principio da capacidade contributiva, embora o constituinte tenha preferido a expressão capacidade econômica. Não obstante o fato de que o texto constitucional se refere aos impostos, não são poucos os autores que estendem sua aplicação às demais espécies tributárias. Esse conceito está subordinado à idéia de justiça distributiva, busca fazer com que cada um pague de acordo com sua riqueza, e encontra raizes no vetusto preceito do direito romano de que a justiça consiste em dar a cada um o que é seu (suum cuique tribuere). Ao estabelecer esse parâmetro para a exigência tributária, o constituinte se preocupou com a efetividade de sua aplicação. Para que esse dispositivo constitucional não viesse a se tomar letra morta, à administração tributária foi facultado, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. Quando o art. 145 da Constituição Federal faculta (ou, em se tratando de um poder-dever, ordena) à administração a identificação do patrimônio, rendimentos e atividades econômicas dos contribuintes, nada mais faz do que reforçar o principio da /1"-- 12 fir • MINISTÉRIO DA FAZENDA Fl. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUINTA CÂMARA Processo n°. :13888.002977/2006-79 Acórdão n°. :105-16.726 igualdade, permitindo a tributação em paridade de condições daqueles que se encontram em situação econômica semelhante. Nesse diapasão devem ser compreendidos os artigos 195 e 197 do Código Tributário Nacional: Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibi-los. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: 1- os tabeliães, escrivães e demais serventuários de oficio; - os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras; 1ff- as empresas de administração de bens; IV - os corretores, leiloeiros e despachantes oficiais; V - os inventariantes; VI - os síndicos, comissários e liquidatários; VII - quaisquer outras entidades ou pessoas que a lei designe, em razão de seu cargo, oficio, função, ministério, atividade ou profissão. Parágrafo único. A obrigação prevista neste artigo não abrange a prestação de informações quanto a fatos sobre os quais o informante esteja legalmente obrigado a observar segredo em razão de cargo, oficio, função, ministério, atividade ou profissão. e 76 13 ' MINISTÉRIO DA FAZENDA Fl. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUINTA CÂMARA Processo n°. :13888.002977/2006-79 Acórdão n°. :105-16.726 Fica, assim, afastada qualquer alegação quanto a ilegitimidade, ilegalidade ou inconstitucionalidade da exigência da apresentação de extratos bancários pelo contribuinte, titular das contas. Finalmente, em sede de preliminar, resta apreciar a alagada irretroatividade da Lei n° 10.174/2001. Para tanto, necessário se faz breve retrospecto das alterações legislativas ocorridas, envolvendo essa lei e sua aplicação. A Lei Federal n° 9.311, de 24/10/1996, que instituiu a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), disciplinou também a fiscalização e a utilização dos dados relativos à arrecadação dessa contribuição social em seu artigo 11, a seguir transcrito (grifo não consta do original): Art. 11. Compete à Secretaria da Receita Federal a administração da contribuição, incluídas as atividades de tributação, fiscalização e arrecadação. § 1° No exercício das atribuições de que trata este artigo, a Secretaria da Receita Federal poderá requisitar ou proceder ao exame de documentos, livros e registros, bem como estabelecer obrigações acessórias. § 2° As instituições responsáveis pela retenção e pelo recolhimento da contribuição prestarão à Secretaria da Receita Federal as informações necessárias à identificação dos contribuintes e os valores globais das respectivas operações, nos termos, nas condições e nos prazos que vierem a ser estabelecidos pelo Ministro de Estado da Fazenda. § 3° A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicada à matéria, o sigilo das informações prestadas, vedada sua utilização para constituição do crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos. § 4° Na falta de informações ou insuficiência de dados necessários à apuração da contribuição, esta será determinada com base em elementos de que dispuser a fiscalização. Posteriormente, outra Lei Federal, a de n° 10.174, de 09/01/2001, deu nova redação ao parágrafo 3° acima, que passou a vigorar da seguinte forma (grifo não consta do original):(, 14 " • r MINISTÉRIO DA FAZENDA Fl. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUINTA CÂMARA Processo n°. :13585.002977/2006-79 Acórdão n°. :105-16.726 § 30 A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicável à matéria, o sigilo das informações prestadas, facultada sua utilizacão para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuicões e para lancamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores. Observa-se que a alteração passou a permitir à Receita Federal a utilização de informações decorrentes da fiscalização e arrecadação da CPMF com o fim de instauração de procedimento administrativo tendente à apuração de eventuais créditos tributários de outros tributos, como, por exemplo, o imposto sobre a renda. Em outras palavras, as informações da CPMF passaram a servir como parâmetro para a fiscalização de outros tributos. De pronto, o órgão fiscalizador começou a utilizar tão valioso instrumento para procedimentos fiscais abrangendo os períodos ainda não atingidos pelo prazo decadencial, vale dizer, períodos anteriores à alteração legislativa introduzida pela citada Lei n° 10.174/2001. Seu entendimento foi de que se tratava de norma procedimental ou formal, de aplicabilidade imediata, nos termos do artigo 144, § 1°, da Lei n° 5.172/66 (Código Tributário Nacional — CTN). Sua aplicação se fez, na maior parte dos casos, de forma conjugada com as disposições do art. 6° da Lei Complementar n° 105/2001, rigorosamente conforme ocorreu no presente caso. Muitas foram as vozes que se levantaram contra a aplicação da Lei n° 10.174/2001 para apuração de crédito tributário referente a períodos anteriores à sua vigência, atribuindo-lhe conteúdo material e não meramente procedimental. Em assim sendo, não se aplicaria o disposto no art. 144, § 1°, do CTN, mas sim o art. 105 do mesmo diploma legal, o qual veda a aplicação retroativa. Essas vozes se materializaram em ações judiciais, que foram, afinal, apreciadas pelo STJ. A partir do início de 2004, aquela corte vem decidindo de forma reiterada, com o conteúdo a seguir transcrito (os grifos não constam do original): I5$7 MINISTÉRIO DA FAZENDA Fl. - PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUINTA CÂMARA Processo n°. :13888.002977/2006-79 Acórdão n°. :105-16.726 6. Norma que permite a utilização de informações bancárias para fins de apuração e constituição de crédito tributário, por envergar natureza procedimental, tem aplicação imediata, ao passo que as leis de natureza material só alcançam fatos geradores ocorridos durante a sua vigência. 7. A exegese do art. 144, ,f 1° do Código Tributário Nacional, considerada a natureza formal da norma que permite o cruzamento de dados referentes à arrecadação da CPMF para fins de constituição de crédito tributário relativo a outros tributos conduz à conclusão da possibilidade da aplicação dos artigos 6° da Lei Complementar 105/2001 e 1° da Lei 10,174/2001 ao ato de lançamento de tributo cujo fato gerador se -verificou em exercício anterior à vigência dos citados diplomas legais desde que a constituição do crédito em si não esteja alcançaria pela decadência. 8. Inexiste direito adquirido de obstar a fiscalização de negócios tributários, máxime porque, enquanto não extinto o crédito tributário a Autoridade Fiscal tem o dever vinculativo do lançamento em correspondência ao direito de tributar da entidade estatal. O trecho transcrito é da ementa de acórdão prolatado pelo STJ no Recurso Especial n° 623.929-PR (DJ 30/08/2004). Com idêntico teor, acórdãos nos seguintes processos, entre muitos outros: RESP n° 498.354-SC (DJ 16/02/2004); RESP n° 506.232-PR (DJ 16/02/2004); RESP n° 576.304-PR (DJ 22/03/2004); RESP n° 608.274-PR (DJ 31/05/2004); RESP n° 617.092-PR (DJ 22/11/2004). Relator Min. Luiz Fux. Embora o foco da discussão no STJ tenha sido a possibilidade de aplicação retroativa da Lei n° 10.174/2001, e não propriamente a constitucionalidade do art. 6° da Lei Complementar n° 105/2001 (nem poderia ser, pois a competência para tal é deferida ao STF), o ponto 7 da ementa acima transcrita admite a aplicação conjunta dos dois dispositivos, sem qualquer restrição ou ressalva. Exatamente esse é o meu entendimento: por se tratar de norma de caráter procedimental, a qual amplia os poderes de investigação das autoridades administrativas, a aplicação da Lei n° 10.174/2001 é imediata ao lançamento. Equivoca- se, mais uma vez a recorrente, quando tenta fazer crer que essa lei introduziu nova 16 Ir 4), 44 x• • MINISTÉRIO DA FAZENDA Fl. "P PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUINTA CÂMARA Processo n°. :13888.002977/2006-79 Acórdão n°. :105-16.726 forma de presunção legal de omissão de receitas. Na verdade, a presunção legal a que se refere a contribuinte, com base em depósitos bancários de origem não comprovada, já há muito existia no ordenamento jurídico, criada que foi pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996, com vigência a partir de 1997. Com relação ao Recurso Voluntário 132.573 a que se refere à recorrente às fls. 928 e segs, vale ressaltar que a decisão ali mencionada foi reformada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, em 22/09/2005, mediante o Acórdão CSRF 04-00108, assim ementado: LEGISLAÇÃO QUE AMPLIA OS MEIOS DE FISCALIZAÇÃO - INAPLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE - A Lei n° 10.174, de 2001, que deu nova redação ao § 3 0 do art. 11 da Lei n° 9.311, de 1996, permitindo o cruzamento de informações relativas à CPMF para a constituição de crédito tributário pertinente a outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, é norma procedimental e por essa razão não se submetem ao principio da irretroatividade das leis, ou seja, incidem de imediato, ainda que relativas a fato gerador ocorrido antes de sua entrada em vigor. No mérito, a recorrente repete as alegações contidas na peça impugnatória, de que não houve qualquer omissão de receita, e que por isso a exigência do crédito tributário é descabida. Explica que a autuada tem, dentre outros, como ramo de atividade, a compra e venda de veículos, bem como a intermediação (corretagem) em operação de alienação e aquisição dos mesmos. De modo que quando aceita tomar um carro, para intermediar a sua venda, emite, de logo, uma nota fiscal de entrada, por um valor estimado, para atender exigência do fisco estadual, que de outra forma não aceita a presença do referido bem em seu pátio de exposição. No momento da venda, emite uma nota fiscal de saída, pelo valor correspondente ao preço de venda e recebe o cheque em seu favor, que vai para a sua conta bancária. Entretanto, este valor, posteriormente, é entregue à pessoa do vendedor e proprietário do veículo, ficando com a impugnante apenas o ganho referente comissão pela intermediação de 17 L. t: MINISTÉRIO DA FAZENDA ;7fk:,"> PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUINTA CÂMARA Processo n°. :13888.002977/2006-79 Acórdão n°. : 105-16.726 venda. Por isso, considera um absurdo o Fisco querer travestir de receita o ingresso na conta bancária da empresa correspondente a todo o valor da venda do carro. Frisa que muitos clientes confiam encomendas de determinado veículo ora inexistente em seu estoque, fazendo pagamentos adiantados no todo ou em parte do bem, para superar as dificuldades de caixa da empresa, e assim viabilizar a sua aquisição. Daí a multiplicidade de lançamentos na sua conta BANCOS. Dessarte, a receita da autuada nestas operações não é o quantum recebido do cliente, mas, apenas a diferença entre o que ele pagou e o preço de aquisição do bem perante terceiros, pela impugnante. Não raras vezes, o cliente paga o veículo com cheque de sua emissão (às vezes pré-datado) e de terceiros. Havendo, por um lado, a emissão de uma nota fiscal correspondente ao preço da alienação e, por outro, mais de um lançamento em conta-corrente, em datas distintas, quando há cheques pré-datados e oriundos de mais de uma pessoa. Portanto, neste cenário é impossível haver a correspondência entre a movimentação bancária e a emissão de notas fiscais. Para sustentar a sua defesa, a interessada descreve na impugnação vinte dessas operações, que alega respaldada em documentos anexos aos presentes autos. A Turma Julgadora examinou em detalhe essas alegações, e concluiu por sua improcedência, nos parágrafos 25 a 32 do Acórdão recorrido, os quais transcrevo a seguir: 25. A contribuinte alega que os valores lançados referem-se a depósitos de clientes nas contas-correntes da empresa, de cujos valores a interessada só ficava com uma pequena parte a título de comissão pela venda do bem, repassando a outra parte a terceiros. Contudo, não apresenta nenhum demonstrativo que vincule os depósitos efetuados com a respectiva operação, a exemplo de valor, data do evento e vendedor/comprador, ou mesmo o banco em que a transação teria sido realizada. Igualmente, não trouxe ao processo nenhum comprovante dos valores transferidos aos antigos proprietários dos veículos. Portanto, as provas trazidas aos autos não são suficientes para descaracterizar o feito fiscal. 18 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUINTA CÂMARA Processo n°. :13888.002977/2006-79 Acórdão n°. :105-16.726 26. Acrescente-se, como exemplo, que apesar da expressiva movimentação financeira comprovada pelos depósitos bancários nas contas-correntes da interessada, julho de 1999 foi o mês em que a contribuinte registrou no livro-caixa (fls. 114) o maior número de transações que redundaram no recebimento de valores ditos de comissão de vendas (somente quatro). 27. Veja-se, ainda mais, que a impugnante limitou-se a trazer ao processo apenas a documentação que suportaria os valores que se encontram registrados no livro-caixa, não apresentando provas quanto aos demais valores. E, como já dito, toda a documentação anexa à impugnação já havia sido objeto de exame durante o procedimento fiscal e anexada ao processo pelo autuante. 28. Por outro lado, para efeito de tributação pelo regime do Simples, vale o conceito de receita bruta mensal, definido pelo art. 4° da IN SRF n° 355, de 29 de agosto de 2003, que ora dispõe sobre o Simples, in verbis: Art. 4° Considera-se receita bruta, para os fins de que trata esta Instrução Normativa, o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. 1° Ressalvado o disposto no capuz, para fins de determinação da receita bruta apurada mensalmente, é vedado proceder-se a qualquer outra exclusão em virtude da alíquota incidente ou de tratamento tributário diferenciado (substituição tributária, diferimento, crédito presumido, redução de base de cálculo, isenção) aplicáveis às pessoas jurídicas não optantes pelo regime tributário das microempresas e das empresas de pequeno porte, de que trata esta Instrução Normativa. 29. É relevante frisar que a pessoa jurídica optante pelo Simples, que tem como atividade a compra e a venda de veículos usados, como é o caso da requerente, deve ser tributada pela receita bruta mensal auferida e não pela diferença entre o valor de alienação e o custo de aquisição do citado veículo. Este entendimento está consignado nas decisões SRRF/3° RE n° 58/2000 (DOU de 22/002/2001) e SRRF/6" RF n° 42/2002, proferidas em processo de Solução de Consulta, sintetizadas pelas ementas abaixo transcritas: Decisão SRRF/3° RF n° 58/2000 Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ementa: OPERAÇÕES COM VEÍCULOS USADOS. 19 - • .-, MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES• QUINTA CÂMARA Processo n°. :13888.002977/2006-79 Acórdão n°. :105-16.726 É inaplicável às empresas tributadas pelo Simples a equiparação das operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, às operações de consignação. Dispositivos Legais: Lei n°9.317, de 1996, art. 2°, 2°, e art. 5°, Lei n.°9.716, de 1998, art. 5°, IN SRF n.° 152, de 1998 e IN SRF n° 9, de 1999. Decisão SRRF/6° RF n° 42/2002 Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte-Simples Ementa: OPERAÇÕES COM VEÍCULOS USADOS. A equiparação das operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, às operações de consignação, não se aplica às empresas tributadas pelo Simples. A receita a ser tomada como base de cálculo do montante devido, relativo ao Simples, deve ser sempre o valor total constante das notas fiscais que espelham o valor real das transações da pessoa jurídica, pois a empresa optante pelo Simples não pode deduzir o custo de aquisição do veículo para determinar o valor do pagamento mensal unificado. É vedado o exercício da opção pelo Simples às pessoas jurídicas que prestam quaisquer serviços que traduzam a mediação ou intermediação de negócios, e que resultem no pagamento de comissões, corretagens ou qualquer outra remuneração pela mediação na realização de negócios civis ou comerciais. Dispositivos Legais: Lei n° 9.716/1998, arts. 9' XIII, e 5°; IN SRF n°152/1998. 30. De logo, conclui-se que deve prosperar a tributação por omissão de receita e insuficiência de recolhimento, apurada com base em valores extraídos dos depósitos bancários em nome da empresa, haja vista que tais valores não estão escriturados no livro-caixa do ano-calendário de 1999 (fls. 101/125) e não coincidem em data e valores com os das notas fiscais apresentadas pela impugnante (fls. 448/901), apesar de a mesma ter sido regularmente intimada para esclarecer a origem dos sobreditos depósitos, mediante apresentação de documentação hábil e idónea (fls. 94/98). 31.Aliás, a contribuinte não anexou nenhum demonstrativo que vincule os depósitos efetuados com a respectiva operação, a exemplo de valor, data e vendedor/comprador, ou mesmo o banco em que a transação teria sido 20 MINISTÉRIO DA FAZENDA Fl. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, QUINTA CÂMARA Processo n°. : 13888.002977/2006-79 Acórdão n°. : 105-16.726 realizada. Também não trouxe ao processo qualquer comprovante dos valores transferidos aos antigos proprietários dos veículos. 32. É de se ressaltar que o valor de R$ 16.500,00, referente a janeiro de 1999, não foi incluído no lançamento porque se encontra escriturado no livro-caixa (fls. 102). À míngua de novos argumentos, considero irretocáveis os fundamentos do julgado a quo, os quais adoto também nesta decisão, bem assim suas conclusões quanto à improcedência das alegações da ora recorrente, então impugnante, quanto ao mérito da autuação. Entretanto, no que tange à quantificação das receitas omitidas, embora a recorrente assim não se manifeste de forma explícita, de seu arrazoado e de sua forma de operação, descrita em detalhes, fica implícito que as receitas registradas em seu Livro Caixa também teriam transitado em conta-corrente e, assim, já teriam sido oferecidas à tributação mediante a entrega da Declaração Anual Simplificada (DAS) do exercício 2000, ano-calendário 1999. Tendo em vista que, no trabalho do Fisco, foram consideradas todas as contas-correntes da então fiscalizada, é plausível o entendimento de que as receitas registradas, de fato, estejam contidas entre os valores da movimentação financeira, não obstante a inexistência de correspondência individualizada entre datas e valores. Aliás, essa correspondência nem mesmo poderia ser verificada, no caso concreto, em face da ausência da escrituração incompleta do Livro Caixa. Não se afigura razoável afirmar que todas as receitas escrituradas teriam sido recebidas em espécie, sem transitar em nenhum momento pelos bancos. Deve-se proceder, então, à exclusão, mês a mês, da omissão de receitas apurada, caracterizada por depósitos/créditos de origem não comprovada, dos valores das receitas oferecidos à tributação em sua Declaração Anual Simplificada (DAS) do exercício 2000, ano-calendário 1999, conforme quadro a seguir: f 21 MINISTÉRIO DA FAZENDA J-st PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUINTA CÂMARA Processo n°. :13888.002977/2006-79 Acórdão n°. :105-16.726 Depósitos Bancários de Receita Bruta Declarada Receitas Omitidas a P.A. Origem não Comprovada (DAS) Lançar jan/1999 178.280,69 1.400,00 176.880,69 fev/1999 164.615,28 1.850,00 162.765,28 mar/1999 114.700,17 859,80 113.840,37 abr/1999 121.119,50 2.810,00 118.309,50 mai/1999 189.368,19 2.000,00 187.368,19 jun/1999 138.112,56 0,00 138.112,56 jul/1999 70.279,12 2.527,50 67.751,62 aqo/1999 239.086,02 1.500,00 237.586,02 set/1999 178.038,54 2.375,00 175.663,54 out/1999 309.200,70 680,00 308.520,70 nov/1999 97.815,84 3.300,00 94.515,84 dez/1999 363.463,76 3.950,00 359.513,76 Pelo exposto, meu voto é pelo provimento parcial do recurso, para reduzir dos valores da infração 001 — OMISSÃO DE RECEITAS — DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS os valores das receitas declaradas pela recorrente ao Fisco, que constam em sua Declaração Anual Simplificada (DAS) do exercício 2000, ano-calendário 1999. Sala das Sessões - DF, em 18 de outubro de 2007. 4-------?:"Sé2ALDIR VE1/Á Ro:C")------CHA • 22 Page 1 _0008300.PDF Page 1 _0008400.PDF Page 1 _0008500.PDF Page 1 _0008600.PDF Page 1 _0008700.PDF Page 1 _0008800.PDF Page 1 _0008900.PDF Page 1 _0009000.PDF Page 1 _0009100.PDF Page 1 _0009200.PDF Page 1 _0009300.PDF Page 1 _0009400.PDF Page 1 _0009500.PDF Page 1 _0009600.PDF Page 1 _0009700.PDF Page 1 _0009800.PDF Page 1 _0009900.PDF Page 1 _0010000.PDF Page 1 _0010100.PDF Page 1 _0010200.PDF Page 1 _0010300.PDF Page 1
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