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Numero do processo: 16041.000063/2008-85
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 22/05/2002
DEIXAR DE EXIBIR DOCUMENTOS OU LIVROS RELACIONADOS COM AS CONTRIBUIÇÕES PREVISTAS NA LEI 8.212/91.
A empresa está obrigada a exibir os livros e documentos relacionados às contribuições previdenciárias quando regularmente intimada pela fiscalização. A não apresentação, ou apresentação de livros e documentos que não atendam as formalidades legais exigidas, que contenham informação diversa da realidade ou que omitam informação verdadeira, constitui infração à legislação previdenciária.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-000.450
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Carolina Siqueira Monteiro de Andrade e Helton Carlos Praia de Lima que negaram provimento. Ausente Justificadamente o Conselheiro Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
1.0 = *:*
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 22/05/2002 DEIXAR DE EXIBIR DOCUMENTOS OU LIVROS RELACIONADOS COM AS CONTRIBUIÇÕES PREVISTAS NA LEI 8.212/91. A empresa está obrigada a exibir os livros e documentos relacionados às contribuições previdenciárias quando regularmente intimada pela fiscalização. A não apresentação, ou apresentação de livros e documentos que não atendam as formalidades legais exigidas, que contenham informação diversa da realidade ou que omitam informação verdadeira, constitui infração à legislação previdenciária. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1676; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 131 1 130 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16041.000063/200885 Recurso nº 261.520 Voluntário Acórdão nº 280300.450 – 3ª Turma Especial Sessão de 07 de fevereiro de 2011 Matéria Auto de Infração. Obrigação Acessória Recorrente CONSTRUTORA GUIMARAES TORRES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 22/05/2002 DEIXAR DE EXIBIR DOCUMENTOS OU LIVROS RELACIONADOS COM AS CONTRIBUIÇÕES PREVISTAS NA LEI 8.212/91. A empresa está obrigada a exibir os livros e documentos relacionados às contribuições previdenciárias quando regularmente intimada pela fiscalização. A não apresentação, ou apresentação de livros e documentos que não atendam as formalidades legais exigidas, que contenham informação diversa da realidade ou que omitam informação verdadeira, constitui infração à legislação previdenciária. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Carolina Siqueira Monteiro de Andrade e Helton Carlos Praia de Lima que negaram provimento. Ausente Justificadamente o Conselheiro Eduardo de Oliveira. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 11/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/02/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Assinado digitalmente em 28/02/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, 01/03/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16041.000063/200885 Acórdão n.º 280300.450 S2TE03 Fl. 132 2 assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Eduardo de Oliveira. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 11/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/02/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Assinado digitalmente em 28/02/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, 01/03/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16041.000063/200885 Acórdão n.º 280300.450 S2TE03 Fl. 133 3 Relatório A empresa foi autuada em 22.05.2002 por descumprimento da legislação previdenciária, uma vez que deixou de apresentar as folhas de pagamentos de serviços prestados na área de construção civil, no período de 01/92 a 03/93,10/93,03/94,05/95 01/95, 07/96 a 07/96,10/96 a 02/97,06/97 a 12/97, 05/99, 08/98 a 12/98, 01/99 a 03/99, 01/00 e 05/00. A DecisãoNotificação – fls 43 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o Auto lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário tempestivo, alegando, na parte que interessa, o seguinte : • O auto de infração possui erro latente vez que não é o competente meio para efetivação da cobrança. Ao agente fiscal cabe apenas constatar e descrever a infração. Se o CTN como lei complementar prevê essa apuração por meio de procedimento do lançamento no qual cabe ao agente propor a aplicação da penalidade cabível, ou seja, tem que fazer apenas o relatório circunstanciado e a capitulação e não a aplicação da penalidade; fazendoo estará usurpando a função privativa do órgão judicante, pois o fiscal pode propor, mas não impor multa. • Os fatos geradores imputados são dos meses de 01/92 a 03/93; 10/93, 03/94, 05/95 a 11/95; 02/96 a 07/96; 10/96 a 02/97; 06/97 a 12/97, 05/98, 08/98 a 12/98, 01/99a 03/99,01/00 e 05/00. A fiscalização somente procedeu a multa em maio de 2002. Assim, a exceção dos meses de 02/97; 06/97 a 12/97, 05/98, 08/98 a 12/98, 01/99 a 03/99, 01/00 e 05/00, todos os demais fatos geradores levantados pelo Sr. Agente Fiscalizador estariam além do prazo decadencial. • A Ordem de Serviço n° 81, de 04 de agosto de 1993, permite a atenuação da multa se presente boa fé ou manifesta ignorância do infrator, que é o caso dos autos. • Não há que se falar em multa pela não apresentação das folhas de pagamento, já que a recorrente deixou de apresentálas por manifesta ignorância e total boa fé. • Pugna pela improcedência total do auto de infração, relevando a multa na sua totalidade, ou sucessivamente, a redução da mesma em 50% de seu montante. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 11/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/02/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Assinado digitalmente em 28/02/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, 01/03/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16041.000063/200885 Acórdão n.º 280300.450 S2TE03 Fl. 134 4 Voto Conselheiro Oséas Coimbra DA LAVRATURA – COMPETÊNCIA LEGAL Sobre a competência do Auditor Fiscal para a lavratura de Autos de Infração, a MP 2.17529/01 esclarece a matéria: Art. 8o São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Previdência Social, relativamente às contribuições administradas pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS: I em caráter privativo: a) executar auditoria e fiscalização, objetivando o cumprimento da legislação da Previdência Social relativa às contribuições administradas pelo INSS, lançar e constituir os correspondentes créditos apurados; b) efetuar a lavratura de Auto de Infração quando constatar a ocorrência do descumprimento de obrigação legal e de Auto de Apreensão e Guarda de documentos, materiais, livros e assemelhados, para verificação da existência de fraude e irregularidades; Dessa feita, fica demonstrado que o AFPS autuante tinha o necessário respaldo legal à lavratura do presente auto. DA NÃO APRESENTAÇÃO DOS LIVROS – DECADêNCIA PARCIAL No presente caso o lançamento foi cientificado ao contribuinte em 22/05/2002, fls. 06, e os documentos solicitados são relativos ao período de 01/1992 a 05/2000. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há de se observar as regras previstas no CTN. Tratandose de auto de infração, sem pagamentos a homologar, deve ser aplicada, em relação à decadência, a regra trazida pelo artigo 173, I do CTN, que transcrevemos. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: Fl. 4DF CARF MF Emitido em 11/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/02/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Assinado digitalmente em 28/02/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, 01/03/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16041.000063/200885 Acórdão n.º 280300.450 S2TE03 Fl. 135 5 I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Consoante a regra retrocitada, forçoso se faz reconhecer a decadência referente ao período anterior a 1996, inclusive. Contudo, ocorrendo a infração em apenas uma competência não alcançada pela decadência, está configurada a infração à legislação previdenciária. No caso dos autos, a não apresentação dos documentos referentes às competências 01/1997 e seguintes, é suficiente para configurar a procedência da autuação. Acerca de relevação pleiteada, melhor sorte não assiste ao contribuinte. A falta sob exame deuse sob a égide da instrução normativa INSS/DC N° 70, de 10 de maio de 2002 , que assim determinava: Art. 322. Ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade que julgar o Auto de Infração constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada. O texto retrocitado tem o mesmo teor da ordem de serviço INSS/DAF Nº 214, de 10 de junho de 1999, revogada pela citada IN 70. Sem a comprovação da correção da falta não há que se avaliar eventual direito a atenuação ou relevação da multa aplicada. O valor da multa foi corretamente aplicado uma vez que se trata de valor fixo, sem relação com o número de competências envolvidas e, consoante relatório fiscal, não foram verificadas agravantes ou reincidência. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, doulhe parcial provimento, para reconhecer a decadência referente a documentação alusiva ao período anterior a 1996, inclusive, mantendo o valor do auto lavrado. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 11/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/02/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Assinado digitalmente em 28/02/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, 01/03/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16041.000063/200885 Acórdão n.º 280300.450 S2TE03 Fl. 136 6 Fl. 6DF CARF MF Emitido em 11/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/02/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Assinado digitalmente em 28/02/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, 01/03/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10865.000842/2005-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 03 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Tue Sep 29 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 1999
DECADÊNCIA. CONTAGEM DE PRAZO. IMPOSTO RETIDO NA FONTE. SÚMULA CARF Nº 123.
O fato gerador do imposto sobre a renda de pessoa física consuma-se em 31 de dezembro de cada ano-calendário.
Imposto de renda retido na fonte relativo a rendimentos sujeitos a ajuste anual caracteriza pagamento apto a atrair a aplicação da regra decadencial prevista no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional. Súmula CARF nº 123.
Numero da decisão: 2202-007.225
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Mário Hermes Soares Campos - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Hermes Soares Campos (relator), Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Caio Eduardo Zerbeto Rocha, Leonam Rocha de Medeiros, Juliano Fernandes Ayres e Ronnie Soares Anderson (Presidente)
Nome do relator: MARIO HERMES SOARES CAMPOS
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 1999 DECADÊNCIA. CONTAGEM DE PRAZO. IMPOSTO RETIDO NA FONTE. SÚMULA CARF Nº 123. O fato gerador do imposto sobre a renda de pessoa física consuma-se em 31 de dezembro de cada ano-calendário. Imposto de renda retido na fonte relativo a rendimentos sujeitos a ajuste anual caracteriza pagamento apto a atrair a aplicação da regra decadencial prevista no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional. Súmula CARF nº 123.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (documento assinado digitalmente) Mário Hermes Soares Campos - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Hermes Soares Campos (relator), Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Caio Eduardo Zerbeto Rocha, Leonam Rocha de Medeiros, Juliano Fernandes Ayres e Ronnie Soares Anderson (Presidente)
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conteudo_txt : Metadados => date: 2020-09-20T15:13:53Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2020-09-20T15:13:53Z; Last-Modified: 2020-09-20T15:13:53Z; dcterms:modified: 2020-09-20T15:13:53Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2020-09-20T15:13:53Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2020-09-20T15:13:53Z; meta:save-date: 2020-09-20T15:13:53Z; pdf:encrypted: true; modified: 2020-09-20T15:13:53Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2020-09-20T15:13:53Z; created: 2020-09-20T15:13:53Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2020-09-20T15:13:53Z; pdf:charsPerPage: 1975; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2020-09-20T15:13:53Z | Conteúdo => S2-C2T2 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10865.000842/2005-68 Recurso Voluntário Acórdão nº 2202-007.225 – 2ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 03 de setembro de 2020 Recorrente ANTÔNIO GUILHERME MACHADO DE CASTRO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 1999 DECADÊNCIA. CONTAGEM DE PRAZO. IMPOSTO RETIDO NA FONTE. SÚMULA CARF Nº 123. O fato gerador do imposto sobre a renda de pessoa física consuma-se em 31 de dezembro de cada ano-calendário. Imposto de renda retido na fonte relativo a rendimentos sujeitos a ajuste anual caracteriza pagamento apto a atrair a aplicação da regra decadencial prevista no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional. Súmula CARF nº 123. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (documento assinado digitalmente) Mário Hermes Soares Campos - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Hermes Soares Campos (relator), Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Caio Eduardo Zerbeto Rocha, Leonam Rocha de Medeiros, Juliano Fernandes Ayres e Ronnie Soares Anderson (Presidente) Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (DRJ/CGE), que julgou procedente em parte o lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), no valor original de R$ 71.251,65, relativo ao exercício 2000, ano-calendário 1999, face à apuração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada e dedução indevida de despesas médicas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 08 42 /2 00 5- 68 Fl. 269DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-007.225 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10865.000842/2005-68 O autuado foi cientificado do Auto de Infração, por via postal, em 09/04/2005 e impugnou a exigência em 10/05/2005 (fls. 208/220), onde suscita preliminar de decadência, apresenta comprovante de várias despesas médicas incorridas, questiona o lançamento baseado em depósitos bancários e a não consideração de movimentações que entende comprovadas, oriundas de parentes, lucros recebidos pela esposa, além de simples movimentações entre contas. Ao final, contesta a incidência dos juros moratórios calculados pela taxa Selic e solicita que os mesmos venham a incidir somente após o lançamento do crédito tributário, conforme relatório assim sintetizado pela autoridade julgadora de piso: Intimado em 09/04/2005 (AR, fls. 199), o contribuinte apresentou impugnação em 10/05/2005 (fls. 203-215), alegando, em síntese, o seguinte: a) preliminarmente, a autuação fiscal se deu em desacordo com o ordenamento jurídico, tendo sido desrespeitado no lançamento o prazo decadencial de cinco anos contados do fato gerador, conforme o art. 150 e parágrafos, e art. 173 do CTN; b) as despesas médico-odontológicas do ano-base 1999 foram comprovadas com documentos hábeis e idôneos, tais como os recibos, e por este motivo tais despesas devem ser aceitas, pois desconhece na legislação norma que obrigue as pessoas físicas a manter escrituração de seus dispêndios, bem como obrigatoriedade de que os pagamentos sejam por meio de cheque emitido pelo contribuinte, mormente existindo recibos, e quando poderiam ser pagos de outras formas, como por exemplo pagos por sua esposa; c) quanto aos lançamentos de depósitos bancários não foram considerados os valores depositados por parentes, com intuito de pagar despesas médicas de sua genitora em sério tratamento de saúde, Rosália Miranda Machado, tendo em vista que não recebeu nenhum recibo destes parentes, nem tampouco possui documentos em mãos que confirnem tais depósitos; d) não foram consideradas as retiradas de lucros e dividendos da esposa que e sócia da empresa Castro Rech & Cia Ltda., e justificados com os informes de rendimentos, o lançamento baseado em simples depósitos bancários poderia ocorrer se houvesse nexo causal entre os depósitos e o fato que represente omissão de rendimento, ou a utilização dos valores depositados como renda consumida, e em momento algum se demonstrou essa relação; e) a taxa de juros Selic, deve adequar-se ao Código Tributário Nacional, e os juros devem ser cancelados e só podem incidir nos períodos ocorridos após a existência de crédito tributário, ou seja após o lançamento, a teor do art. 161 do CTN. Ademais, os juros cobrados com base na taxa Selic são inconstitucionais, consoante histórico que fez da legislação que a instituiu, concluindo que constitui majoração indevida de tributos, sendo aplicável os juros de 1% ao mês, nos termos do art. 161, § 1°, do CTN. Por fim, requereu a desconstituição do auto de infração e reiterou o acima resumido. A impugnação foi considerada pela autoridade julgadora de primeiro grau tempestiva e de acordo com os demais requisitos de admissibilidade. No julgamento de piso o lançamento foi considerado parcialmente procedente. Foram consideradas devidamente comprovadas despesas médicas que totalizam R$ 13.258,09, sendo restabelecidas tais despesas e realizado novo cálculo do valor devido a título de imposto suplementar e respectivos acréscimos legais. Foi mantida na integralidade a infração relativa à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada e a cobrança dos juros moratórios nos termos legais, sendo exarada a seguinte ementa: DECADÊNCIA. O prazo de decadência do tributo lançado de oficio é de cinco anos a contar do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. Fl. 270DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-007.225 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10865.000842/2005-68 São dedutíveis na declaração os gastos com despesas médicas, desde que sejam comprovadas por meio de documentação hábil e idônea, nos termos legais. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. São tributáveis como rendimentos omitidos os valores creditados em contas bancárias, quando o contribuinte não comprova sua origem. Lançamento Procedente em Parte Foi interposto recurso voluntário (fls. 237/255), onde o autuado: - reitera a alegação de decadência do direito de lançamento, nos termos do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional – CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966); - questiona novamente o lançamento baseado em depósitos bancários, afirmando que simples depósitos bancários não são suficientes para configurar renda tributável e não constituem fato gerador do imposto sobre a renda, posto que não se traduzem em ganho de capital e nem do trabalho, e muito menos da combinação de ambos, citando julgados do extinto 2º Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda; - alega impropriedade do lançamento relativo aos depósitos bancários, sob o fundamento de que não teria sido observada a periodicidade mensal para o efeito de lançamento. Sustenta que o IRPF deve ser apurado mês a mês e eventuais omissões, também devem seguir tal regra, o que não teria sido observado na presente autuação, implicando em seu cancelamento; - arrola uma série de depósitos que entende devidamente comprovados e solicita que os mesmos sejam aceitos e considerados para efeito de exclusão da base de cálculo da infração; - invoca a aplicação do disposto no § 3°,. Inc. II, do art. 42, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, sob o argumento de que: “Após considerados os créditos de valores decaídos, bem como os que já foram comprovados e não aceitos, e os que são comprovados neste Recurso Voluntário, o total dos depósitos não comprovados é menor que R$ 80.000,00, devendo ser anulado o valor lançado no ano-base em discussão.” - ao final, volta a contestar a incidência dos juros moratórios calculados pela taxa SELIC e solicita que os mesmos venham a incidir somente após a data de lançamento do crédito tributário. É o relatório. Voto Conselheiro Mário Hermes Soares Campos, Relator. O recorrente foi intimado da decisão de primeira instância, por meio de Aviso de Recebimento (fl. 236), em 20/03/2009, tendo sido o recurso ora objeto de análise protocolizado em 13/04/2009, conforme atesta o carimbo de protocolo aposto pela Agência da Receita Federal do Brasil em Porto Ferreira/SP (fl. 237). Considera-se tempestivo, assim como, atende aos demais requisitos de admissibilidade, deve portanto ser conhecido. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Suscita o recorrente a decadência do direito de lançamento do presente crédito tributário, conforme previsto no § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Entendo assistir-lhe razão, conforme passo a justificar. Fl. 271DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-007.225 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10865.000842/2005-68 No julgamento de piso entendeu-se que no caso de lançamento de oficio a contagem do prazo decadencial seria regulada pela regra geral do art. 173, inciso I, do CTN, isto é, o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário decairia somente após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Dessa forma, não foi acatada a arguição de decadência, confira-se: Por fim, conclui-se que no caso de lançamento de oficio com base em omissão de rendimentos nos termos do art. 42 da Lei n9 9.430, de 1996, a contagem do prazo decadencial é regulada pela regra geral do art. 173, inciso I, do CTN, isto é, o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário decai somente após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. É o que se deu aqui: os depósitos referem-se ao ano-calendário de 1999, cujo prazo da entrega da declaração venceu em 30 de abril de 2000. Assim, só a partir do primeiro dia do exercício seguinte, isto é, de 1°/01/2001, é que o Fisco poderia efetivar o lançamento, vencendo-se em 31/12/2005. Comoo contribuinte foi intimado desta autuação em 09/04/2005 (AR, fls. 199), dentro do prazo de cinco anos, não ocorreu a decadência. O mesmo se diga quanto às glosas de despesas médicas, as quais são informadas somente na declaração de ajuste anual, aplicando-se integralmente a fundamentação supra. O Código Tributário Nacional estipula que a Administração Tributária possui o prazo de 5 anos para lançamento do crédito tributário e apresenta comandos distintos para efeito de se apurar tal prazo, dependendo da forma de apuração do tributo, da constatação de antecipação do pagamento e da ocorrência de dolo, fraude ou simulação praticados pelo sujeito passivo. Ao tratar da extinção do direito de constituição do crédito tributário tem-se o art. 173 e seus incisos, nos seguintes termos: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Entretanto, foi estabelecido no Códex tratamento distinto com relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, cujo critério de contagem do prazo decadencial encontra-se definido no § 4º do art. 150 do CTN, da seguinte forma: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Fl. 272DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-007.225 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10865.000842/2005-68 O cerne da questão na presente lide reside exatamente nesses dois artigos, ou seja, qual deles deve prevalecer para efeito de aplicação ao imposto sobre a renda da pessoa física na situação ora sob análise. Em consonância com os comandos acima reproduzidos do CTN, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), nos autos do REsp 973.733/SC, submetido à sistemática dos recursos especiais repetitivos representativos de controvérsia (art.543-C, do CPC/73), fixou o entendimento no sentido de que o prazo decadencial quinquenal para a Administração Tributária constituir o crédito tributário conta-se: a) do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, quando a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando a lei prevê o pagamento antecipado, mas ele inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte; b) A partir da ocorrência do fato gerador, nos casos em que ocorre o pagamento antecipado previsto em lei. Conforme definido por aquela Corte, foram sumariadas três condições para efeito de aplicação do art. 150, §4º, do CTN: (i) o tributo deve ser sujeito a lançamento por homologação; (ii) deve ocorrer pagamento antecipado do crédito tributário (ainda que inferior ao efetivamente devido); (iii) o contribuinte não pode ter incorrido em fraude, dolo ou simulação. No caso dos autos, trata-se de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, tributo este que é devido mensalmente, à medida que os rendimentos forem sendo percebidos, a título de antecipações, sem prejuízo do ajuste anual, cabendo ao sujeito passivo a apuração e o recolhimento independentemente de prévio exame da autoridade administrativa, consumando-se o fato gerador em 31 de dezembro de cada ano-calendário. É o que a doutrina classifica como tributo cuja apuração é complexiva, posto que envolve as situações ocorridas no período compreendido entre o primeiro e o último dia de cada exercício. Assim, a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa (art. 7º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995), o que o caracteriza como tipo de lançamento por homologação, tendo dessa forma como regra para definição do prazo de decadência o disposto no §4º do art. 150 do CTN, salvo se comprovada prática de dolo, fraude ou simulação. Compulsando os autos do presente procedimento, consta no Demonstrativo de Apuração do Auto de Infração (fl. 9), a informação de ter havido imposto pago por parte do autuado. Também a cópia da Declaração de Ajuste Anual – IRPF 2000 – Ano-Calendário 1999 (fl. 18) atesta a ocorrência de imposto sobre a renda retido na fonte declarado. Relativamente ao pagamento antecipado, assim dispõe a Súmula CARF nº 123: Súmula CARF nº 123 Imposto de renda retido na fonte relativo a rendimentos sujeitos a ajuste anual caracteriza pagamento apto a atrair a aplicação da regra decadencial prevista no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Dessa forma, temos que o fato gerador do IRPF, relativo ao ano-calendário de 1999 (exercício 2000) ocorre em 31/12/1999, sendo este o termo inicial para a contagem do prazo decadencial conforme previsto no art. 150, § 4° do CTN. Assim, tendo sido constatada a ocorrência de recolhimento antecipado, a autoridade administrativa teria o prazo até o dia 31/12/2004 para efetuar lançamento de eventual crédito tributário suplementar (5 anos a partir da ocorrência do fato gerador). Fl. 273DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2202-007.225 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10865.000842/2005-68 É fato que o lançamento considera-se realizado e só se perfectibiliza com a intimação do sujeito passivo acerca do ato, sendo indiferente eventuais intimações anteriores em sede de procedimento de apuração de regularidade fiscal, tais como as intimações para apresentação de documentos e/ou esclarecimentos, por se tratarem de atos meramente preparatórios. Também há que se pontuar que não há notícia nos autos de eventual constatação de prática de ato que configure eventual dolo, fraude ou simulação, o que poderia implicar no deslocamento da contagem do prazo decadencial. À vista de todo o arrazoado, forçoso se constatar que o Acórdão recorrido, inobstante as suas bem fundamentadas razões, apresenta-se em descompasso com o atual entendimento consolidado no STJ, especialmente nos autos do suso Recurso Repetitivo. Relativamente ao tema, assim tem decidido este Conselho: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002 (...) Não obstante os argumentos trazidos pela Procuradoria da Fazenda, em sede recursal, bem como os argumentos do Contribuinte, em contrarrazões, a matéria objeto dos autos se encontra pacificada nesse Conselho no sentido da aplicabilidade do art. 150, §4º, do CTN, desde que cumpridos dois requisitos: um positivo, qual seja a existência de pagamento antecipado; e outro negativo, que é ausência de qualificação da multa aplicada, ou seja, inexistência de dolo, simulação ou fraude. (...) Pois aferida a existência da retenção na fonte disposta na Declaração de Ajuste anual às fls. 17, impõe-se a aplicação do Enunciado de Súmula 123 do CARF: Súmula CARF nº 123 Imposto de renda retido na fonte relativo a rendimentos sujeitos a ajuste anual caracteriza pagamento apto a atrair a aplicação da regra decadencial prevista no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional. Cabe salientar que a multa aplicada foi no patamar de 75%, razão pela qual se deduz a inexistência de dolo, fraude ou simulação, cumprindo-se assim o requisito negativo para a aplicação do art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional. Portanto, tendo a ciência do auto de infração em 01/11/2004, fls. 578, no que se refere ao fato gerador ocorrido em 31/12/1998, o lançamento aconteceu a destempo, pois o termo final do prazo de cinco anos ocorreu em 31/12/2003. (...)(Acórdão nº 9202-007.372 – 2ª Turma CSRF, sessão de 28/11/2018) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano- calendário: 1995, 1996, 1997 (...) Trata-se de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescido de juros de mora, multa de ofício e multa por atraso na entrega da declaração, tendo em vista a apuração de acréscimo patrimonial a descoberto e ganho de capital, nos anos-calendário de 1995 a 1997. A Contribuinte foi intimada do Auto de Infração em 06/04/2001 (fls. 104/105). A matéria suscitada no recurso é a decadência, declarada em relação ao ano-calendário de 1995. Fl. 274DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2202-007.225 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10865.000842/2005-68 A matéria em tela já está pacificada no âmbito deste Colegiado que, por imposição do artigo 62A, do Regimento Interno do CARF, deve aderir à tese esposada pelo STJ no Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: (...)Assim, nos casos em que há pagamento antecipado, o termo inicial é a data do fato gerador, na forma do § 4º do art. 150 do CTN, que assim dispõe: (...) No caso dos autos, houve o pagamento antecipado, o que pode ser constatado pelo exame da Declaração de Ajuste Anual do exercício de 1996, ano-calendário de 1995, às fls. 10, que registra o Imposto de Renda Retido na Fonte no valor de R$ 18.692,68, bem como o Saldo Imposto de Imposto a Pagar no total de R$ 33.174,72. Ademais, o próprio Auto de Infração registra, às fls. 89, o total de R$ 51.867,40 como imposto pago. Destarte, trata-se de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física do exercício de 1996, ano-calendário de 1995, cujo fato gerador ocorreu em 31/12/1995. Assim, aplicando-se o art. 150, § 4º, do CTN, o Fisco teria até 31/12/2000 para efetuar o lançamento. Como a ciência do Auto de Infração ocorreu somente em 06/04/2001 (fls. 104/105), efetivamente consumou-se a decadência. (...)(Acórdão nº 9202-003.755 – 2ª Turma CSRF, sessão de 29/01/2016) Destarte, tendo sido o presente Auto de Infração lavrado somente em 05/04/2005 e o sujeito passivo cientificado do crédito tributário em 09/04/2005, conforme atesta o Aviso de Recebimento de fl. 203, tem-se que a exigência, já na data de sua lavratura encontrava-se fulminada pela decadência, uma vez que abrange exclusivamente o ano-calendário de 1999, cujo fato gerador ocorreu em 31/12/1999 e o prazo final para lançamento encerrou-se em 31/12/2004, tornando-se desnecessária a apreciação das questões de mérito. Ante o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito dar-lhe provimento, posto que ocorrido o lançamento após ultrapassado o prazo decadencial, previsto § 4° do art. 150 do CTN. (documento assinado digitalmente) Mário Hermes Soares Campos Fl. 275DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 35067.004643/2006-36
Data da sessão: Thu Jun 10 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Jun 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/05/2000 a 31/05/2000, 01/07/2000 a 30/07/2000, 01/10/2000 a 31/10/2000, 01/11/2000 a 30/11/2000, 01/12/2000 a 31/12/2000, 01/01/2001 a 30/04/2001/
AUSÊNCIA DE INFORMAÇÃO EM GF1P DE FATOS GERADORES DE
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
A ausência de informação em GFIP de fatos geradores de contribuições previdenciárias enseja a aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória. Nessa hipótese, por se tratar de obrigação do devedor principal, não se deve admitir a responsabilização solidária de pessoa jurídica do mesmo grupo econômico.
DECADÊNCIA.. MULTA POR DESCUMPRIME.NTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
A multa por descumprimento de obrigação acessória Compõe o credito tributário, estando, portanto, sujeita à decadência. Em razão de ser lançada de oficio, incide na hipótese a previsão contida no art. 173, I, CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-000.129
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Segunda Seção de
Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). Vencido(a)s os Conselheiros Eduardo de Oliveira e Helton Carlos Praia de
Lima quanto a exclusão da Sociedade Educacional do Espírito Santo - SEDES do polo passivo.
Nome do relator: CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE ANDRADE
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/05/2000 a 31/05/2000, 01/07/2000 a 30/07/2000, 01/10/2000 a 31/10/2000, 01/11/2000 a 30/11/2000, 01/12/2000 a 31/12/2000, 01/01/2001 a 30/04/2001/ AUSÊNCIA DE INFORMAÇÃO EM GF1P DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. A ausência de informação em GFIP de fatos geradores de contribuições previdenciárias enseja a aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória. Nessa hipótese, por se tratar de obrigação do devedor principal, não se deve admitir a responsabilização solidária de pessoa jurídica do mesmo grupo econômico. DECADÊNCIA.. MULTA POR DESCUMPRIME.NTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A multa por descumprimento de obrigação acessória Compõe o credito tributário, estando, portanto, sujeita à decadência. Em razão de ser lançada de oficio, incide na hipótese a previsão contida no art. 173, I, CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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FATOS GERADORES Recorrente FUNDAÇÃO UNIVERSITÁRIA DE. PESQUISA ECONÔMICA E SOCIAL DE VILA VELHA E. OUTRO Recorrida DELEGACIA DA RECEITA PREVIDENCIÁR1A DE FLORIANÓPOLIS/SC ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/05/2000 a 31/05/2000, 01/07/2000 a 30/07/2000, 01/10/2000 a 31/10/2000, 01/11/2000 a 30/11/2000, 01/12/2000 a 31/12/2000, 01/01/2001 a 30/04/2001/ AUSÊNCIA DE INFORMAÇÃO EM GF1P DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. A ausência de informação ern GFIP de fatos geradores de contribuições previdencidrias enseja a aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória. Nessa hipótese, por se tratar de obrigação do devedor principal, não se deve admitir a responsabilização solidaria de pessoa jurídica do mesmo grupo econômico. DECADÊNCIA.. MULTA POR DESCUMPRIME.NTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A multa por descumprimento de obrigação acessória Compõe o credito tributário, estando, portanto, sujeita à decadência. Em razão de ser lançada de oficio, incide na hipótese a previsão contida no art. 173, 1, CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.. aut HELT ARLOS A--:-Presidente ' II ACORDAM os membros da 3" Turma Especial da Segunda Seção de fulgamento,i' por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto Lça) relator(a). Vencido(a)s os Conselheiros Eduardo de Oliveira e Helton Carlos Praia de LiMa gum-he a exclusão da Sociedade Educacional do Espirito Santo - SEDES do polo passivo.. 00'0,0(A/11 J(/VAzt,a,t, oi,t-11 CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE ANDRADE - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Eduardo de Oliveira, 'Oseas Coimbra Júnior, Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, Vera Kempeis de Moraes /s b eü (Stiplente), Gustavo Vettorato e Helton Carlos Praia de Lima (presidente). Id I 1, 1 Relatório Trata-se de Auto de Infração lavrado pela Fiscalização em razão de ter a Fui dação Universitária de Pesquisa Econômica e Social de Vila Velha – FUPES deixado de apresentar as Guias de Recolhimento do POIS e Informações à Previdência — GFIP referentes as lcilompetências 05/2000, 07/2000, 10/2000, 11/2000, 12/2000 e de 01/2001 a 04/2001.. Nestes termos, teria a empresa incorrido na hipótese prevista no art. 32, inciso IV, da Lei n°8.212/91, be! como no art. 225, inciso IV, do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pFlo Decreto n" 3.048/99, o que culminou na imposição de multa no valor de R$ 68.252,94 (sessenta e oito mil, duzentos e cinqüenta e dois reais e noventa e quatro centavos), conforme aril . 32 ind . ) IV 1/4;;§ 4° e 7" da Lei 8.212/91 e art. 284, inc. 1, §§ 1 0 e 2 0 do RPS. . ' I Por ter sido apurada a existência de grupo econômico de fato, o Auto de Infração foi lavrado contra a Fundação Universitária de Pesquisas Econômicas e Sociais de Vila RIFFS, como contribuinte, e contra a Sociedade Educacional do Espirito Santo SEDES,' como responsável solidaria. Os fatos que deram ensejo a referida presunção são os segnintes: I (a) foi possível verificar que os administradores da PUFFS são os mesmos , adininistradores da SEDES/UVV, tendo sido demonstrado que alguns dos integrantes do ... Conselho Diretor da FUPES são diretores da SEDES/UVV; I II I 1 1! 1 (b) a contabilidade das duas empresas 6 feita pela mesma pessoa, o Sr. rl'osivaldo Bispo dos Santos; 1 , 1 ] ' ' (c) as folhas de pagamento dos empregados da FUPES têm no seu cabeçalho ti indicação da razão social da FUPES e no seu rodapé a da SEDES/UVV; q (c1) foi verificado que parcela expressiva das remunerações pagas aos docentes da SEDES/UVV no ano de 2001 foi contabilizada na FUPES, na conta n° 41102003, intitulada ''Serviços Didáticos", e as receitas correspondentes As mensalidades foram c ntabilizadas na FUPES, na conta 35101002 intitulada-"Reccitas Operacionais Diversas"; e ' (e) a partir da análise de contratos firmados pela FUPES, foram apurados elementos, que demonstram que a execução dos serviços seria feita mediante a utilização de 2 Processo n°3501)7 004643/2006-36 Acórdiio n ° 2803-0O.129 S2-TE03 Fl 2 uma equipe de docentes da SEDES/UVV e, ainda, que o endereço informado pela Instituição 'seria o mesmo endereço da SEDES/UVV. I • A Fundação Universitária de Pesquisas Econômicas e Sociais de Vila Velha - FUPES apresentou impugnação As fls. 1.35/148, alegando, em síntese, que: I (a) não teria havido a comprovação inequívoca de existência de grupo econômico, pois o comando das duas empresas não era único; (b) o fato de as duas institui0es terem o mesmo contador é irrelevante, pela sua condição de profissional liberal, apto a prestar serviços para mais de uma empresa; (c) as exigências contidas no Contrato de Prestação de Serviço n° 01/2004 com a Prefeitura de Vitória não devem servir como argumentos para unidade de grupo econômico; (d) os princípios da ampla defesa, do devido processo legal e da busca pela verdade real não foram observados; (e) a solidariedade não poderia ser presumida; (1) a legislação tributária, no que tange As penalidades, deveria ser nterpretada da maneira mais favorável ao contribuinte; (g) a autoridade fiscal não teria interpretado a legislação de modo adequado, impondo tributo onde não há previsão legal, contrariando o principio da legalidade; e (h) teria ocorrido a decadência, devendo ser anulado o Auto de Infração. A empresa Sociedade Educacional cio Espirito Santo — SEDES, embora devidamente cientificada, não apresentou defesa. Ao analisar a Impugnação apresentada pela Fundação Universitária de Pesquisas Econômicas e Sociais de Vila Velha - FUPES, a Delegacia da Receita Previdencidria de Vitoria/ES, As fls. 202/211, ressaltou que não houve ofensa ao principio da legalidade, A ampla defesa e ao contraditório; que a multa foi corretamente aplicada; que não teria ocorrido a Idecadência, em raid() do disposto no art. 45, caput e inc. I, cla Lei 8.212 191. Quanto ao argumento de existência de grupo econômico de fato, ressaltou a autoridade julgadora basta o Poder de controle único sobre diversas empresas para caracterizar-se o grupo econômico, independente do tipo de empresa ou da natureza do poder, e que a solidariedade no grupo ' 'econômico esta prevista no art, 2', parágrafo 2", da CLT, e no art. 30, inc. IX, da Lei 8.212/91. Contra a referida decisão, a Fundação Universitária de Pesquisas Econômicas Sociais de Vila Velha - FUPES interpôs Recurso Voluntário (fls. 226/231), no qual se limitou IA repetir os argumentos já trazidos em sua impugnação, evidenciando que não há grupo econômico e que a fiscalização teria ignorado os valores já pagos em parcelamento. Requereu, ao final, a nulidade do Auto de Infração e a relevação da multa imposta. I I A empresa Sociedade Educacional do Espirito Santo — SEDES apresentou Recurso Voluntário As fls. 249/254, alegando que a FUPES tem como objeto a educação especial, diferentemente da SEDES, sendo impossível a caracterização de grupo econômico; e 94 a' fiscalilação teria ignor ado os valores já pagos em parcelamento. Assim como a FUPES, requereu o afastamento da formação do grupo econômico, coin a nulidade do Auto de Inflação, elevação da multa. As Recorrentes impetraram o Mandado de Segurança ir° 2006,50.01.011222- 2, 1 com o Objetivo de ser processado o recurso administrativo interposto nestes autos, sem a exigência 'do depósito de 30% do montante devido, e obtiveram decisão favorável. o relatório. Voto Conselheira CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE ANDRADE, Relatora , Os Recursos Voluntários são tempestivos e preenchem todos os requisitos de ad nissibilidade, razão pela qual, passo a analisá-los. Apenas a titulo de esclarecimento, a deciaraçãO de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal da exigência de depósito pieyio, no valor mínimo de 30% da exigência fiscal, como condição para seguimento do reerso vOluntdrio, deu ensejo à edição da Súmula Vinculante n " 21, DOU de 10/11/2009, tornando prejudicada a verificação da manutenção da decisão judicial proferida em favor do óón ribuinte.1 Da decadência 1 , Inicialmente, faz-se necessário ressaltar que em momento algum a empresa retina a alegação de prática da infração de não apresentar as Guias de Recolhimento do FGTS e I.' çorrnaçaes à Previdência — GFIP referentes às competências 05/2000, 07/2000, 10/2000, 1 I/2000, 12/2000 e de 01/2001 a 04/2001. Se limita a afirmar que teria havido a decadência do dire to do Fisco de constituir o crédito tributário em questão, 1 I lj 1 1 A questão relativa ao prazo decadencial para a constituição de créditos previdenciarios foi paci fi cada pelo Supremo Tribunal Federal, por meio da Súmula Vinculante de' i " 8, nos seguintes termos: I Conforme previsto no art. 103-A da Constituição Federal de 1988, o ente idime no' sumulado pelo Supremo Tribunal Federal terá efeito vinculante para todos os óriãos.da Administração Pública, inclusive para este Conselho: 'Ai t 103-A. 0 Supremo 'Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocaçâo, mediante decisao de dois terços dos seus membros, após l'eiteradas decisbes sobre matéria constitucional, aprovai' que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, lerá eleito vinculante em relagão aos demais Oigdos do Poder Judicititio e it administração pública direta e indireta, nas esjeros federal, estadual e municipal, bem como proceder a suo revisdo ou cancelamento, na farina estabelecida em lei," Súmulu Vinculante ii 8"Sav inconstitucionais os parágrafo único do ai ligo 5" do Deci eta-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributtii io". Nestes termos, por não ser possível aplicar ao caso concreto a hipótese prevista no art. 45 da Lei n ° 8.212/1991, em razão do entendimento contido na Súmula 1Vinculante n" 8, há que se analisar a questão à luz das regras previstas no Código Tributário Nacional. A autuação levada à cabo pela Fiscalização diz respeito ao descumpi imento de obrigação acessória. Tem-se, portanto, lançamento de oficio, nos moldes do art. 149, do Código Tributário Nacional, que assim preleciona: "Art. 149. 0 lançamento é efetuado e revisto de oficio pela autoridade achninistrativa nos seguintes caws: I - quando a lei assim o determine,. II - quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na firma da legislação tributária, III - quando a pessoa legalmente obrigada, emboi a tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de weirder, no prazo e na forma da legislação tributáricu, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade recuse-se a prestá-lo ou não o preste .satisfatoi iamente, a juizo daquela autoridade,' IV - quando se comprove sfalsidade, erro ou omissão quanta a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória, V - quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se ?Were o artigo seguinte; VI - quando se comprove ação ou omissão do midi() passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que de*. lugar à aplicação de pena/idade pecuniária; VII - quando se comprove que o sujeito passivo, on terceiro em beneficio daquele, agiu coin dolo,.fiaude ou simulação, VIII - quando deva ser apreciado fato não conhecido Ott não provado por ocasião do lançamento anterior, IX - quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou ,falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou firrinalidade especial." 0 prazo decadencial aplicável será, portanto, aquele previsto no art. 173, 1, não havendo que se falar em incidência do preceito contido no art. 150, § 4 0, ambos do Código Tributário Nacional, Esse e, inclusive, o posicionamento adotado pelo Colendo Superior 'Tribunal de Justiça acerca do tema: "TRIBUTÁRIO EXECUÇÃO FISCAL - CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA - APRESENTAÇÃO DA GRP - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - DESCUMPRIMENTO - DECADÊNCIA REGRA APLICÁVEL: ART 173, I, DO CTN. 1 A falta de apresentação da Guia de Recolhimento do FGTS InfOrmações à Previdência Social (GF1P), assim como o fornecimento de dados não correspondente j aos fatos geradores de todas as contribuições previdencicirias devidas configura descumptimento de obrigação tributória acessária, passivel de sanção pecuniária, na farina da legislação de regência. Processo n" 35067 004643/2006-36 'Acórdfio rt ° 2803-011,129 S2-T Fl. 3 2 Na hipótese. o plaza decadencial para a constituição do wedito ti ibutói ia é regido pelo art. 173, I, do CIA', tendo em vista tratar-se de lançamento de oficio, consoante a previsão do art 149, incisos II, IV e VI 3 Ausente a figura do lançamento por homologação, não há que se Mar em incidencia da legia do art 150, § 4", do CTN. 4 Recurso especial não provido." (REsp 1055540/SC, Relator: Ministi o EL/ANA CALMON, SEGUNDA FURMA, DJ 27/03/2009) Pois bem, no presente caso, o Auto de Infração foi lavrado ern 13 de junho de 2006, tendo o contribuinte dele tomado ciência nesta mesma data. Considerando que as infrações apuradas foram praticadas em 05/2000, 07/2000, 10/2000, 11/2000, 12/2000 e de 61/2001 a 0412001, não há dúvidas de que as multas deconentes da ausência de entrega da OP' nos meses de 05/2000, 07/2000, 10/2000 e 11/2000 não poderiam ser exigidas do contribuinte, por já ter se verificado a decadência do direito do Fisco de constituir o crédito tribUtário relativo a esses períodos. 1 Já no que diz respeito as competências 12/2000 e de 01/2001 a 04/2001, o prazo de cinco anos para a cobrança das multas decorrentes das infrações praticadas teve inicio rid 1 ¡)rimetrio dia útil do ano de 2002, encerrando-se em 31/12/2006. Legitima, portanto, as referidas exigências.. Do grupo econômico No que diz respeito à existência da situação de grupo econômico, entendo ue a decisão administrativa não merece reparo. Como bem explicitado no relatório constante • deste "acórdão, winos foram os indícios encontrados pela autoridade fiscal que levaram ir cOn iclusfio l, de que as empresas recorrentes efetivamente formam urn grupo econômico, cueunstâneia essa que ensejaria a responsabilidade solidária determinada pelo inciso IX do art. 30 da Lei n°&212/91. Em seus recursos, as Recorrentes sustentam que o fato de as duas empresas teiern administradores em comum não seria suficiente para que a Fiscalização pudesse pre 'timir a existência do grupo econômico. Todavia, não se pode perder de vista que este não foi o único fundamento airesentado pela autoridade fiscal para justificar a responsabilidade solidária. Constam dos au os robustos elementos capazes de justificar a presunção em questão, tais como a verificação, 11. rodapé l das folhas de pagamento dos empregados da FUPES, da indicação da razão social da SEDES/UVV, e, ainda, a contabilização na FUPES de parcela expressiva das remunerações • pagas aos , docentes da SEDES/UVV no ano de 2001, bem como dos valores recebidos por esta Itina emPresa a titulo de mensalidades. Tais fatos servem para demonstrar a natureza da relação existente entre as duas empresas, qual seja, a de "grupo de sociedades", no qual há a combinação de recursos e eSf6rebs para a realização dos seus objetos sociais, mediante a participação em atividades ou empreendimentos comuns. Esta relação, a teor do que dispõe a Lei if 6404/76, normalmente seNierifica entre empresas coligadas e controladas: • t. 265 A sociedade controladora e suas controladas podem constituir, nos termos deste Capitulo, grupo de sociedades, mediante convenção pela qual se obriguem a combiner recwsos 6 S2-TE03 Processo n°35067.004643/2006-36 AcOrdtio n ° 280340.129 ii 4 1 ou esfbrços para a realização dos respectivos objetos, ou a participar de atividades on empreendimentos comuns § 1" - A sociedade controladora, ou de comando do grupo, deve ser brasileira, e exercer, direta ou indiretamente, e de modo permanente, o controle das sociedades filiadas, como titulai de direitos de sócio ou acionista, ou mediante acordo com outros .sócios ou acionistas. § 2" - A participa cão reciproca das .sociedades do grupo obedecerá ao disposto no artigo 244," Uma vez demonstrada a existência de grupo econômico de fato, cabe analisar ,a possibilidade de responsabilização, de forma solidária, da empresa SEDES/UVV pelas infrações cometidas pela empresa FUPES, em razão do que dispõe o art.. 30, IX da Lei n" 8.212/91. Não obstante o referido dispositivo legal estabeleça que as pessoas jurídicas integrantes do grupo econômico serão solidariamente responsáveis pelas obrigações previstas na Lei n° 8212/91, o que, a urna análise superficial, poderia levar a conclusão de que a responsabilização abrangeria tanto as obrigações principais quanto as acessórias, esta previsão 'deve ser interpretada conforme as disposições do Código Tributário Nacional, Nestes termos, "as obrigações decorrentes da lei" mencionadas pelo artigo já 'Citado devem ser entendidas apenas em relação às obrigações de pagar, conforme consta no inciso I do art. 124 do CTN, que assim estabelece: "Art. 124 Seto solidatiamente obrigadas . I - as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o,fato gerador da obrigação principal:" O descumprimento de obrigação acessória, fato gerador da lavratura do presente auto de infração, deve ser imputado tão somente Aquele que deu causa ao procedimento vinculado estabelecido pelo Fisco. Nesse sentido, considerando que no presente caso a empresa SEDES/UVV 'ffo contribuiu para a prática da infração em questão e que nem poderia sanar as infrações apontadas por não possuir as informações necessárias à regularização da situação fiscal do contribuinte, já que relacionadas ao seu quadro de segurados, não se pode admitir a sua inclusão no polo passivo da presente autuação. Por essa razão, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto por SEDES/UVV para reconhecer a sua ilegitimidade para fi gurar no polo passivo da presente autuação. Do parcelamento do debito Corn relação ao argumento trazido pelas partes de que o debito em questão ! não poderia ser exigido, por não ter a autoridade fiscal levado em consideração os valores 'parcelados nos moldes da Lei IV 10.684/2003, insta ressaltar que não foram acostados aos autos nenhum documento comprobatório de tais pagamentos. Ademais, se o crédito tributário não havia sido constituído à época da edição a referida lei, tendo o auto sido lavrado em 2006, não era possível a sua inclusão no parcelamento em questão. E mais, apenas a titulo de argumentação, caso realmente a empresa fiyesse solicitado o seu parcelamento nos moldes de Lei n° 10.684/2003, necessária seria a desistência de sua discussão na esfera administrativa, o que também não ocorreu. Da multa aplicada . ,1 1 Não assiste razão as Recoil entes quanto aos pedidos de relevação da multa. Ainda que a autoridade fiscal tenha constatado a inexistência de circusntfincia agravante, o que 1 I 9i tese Possibilitaria a relevação mencionada, a lei exige o cumprimento de outros requisitos cu não foram observados pela FUPES. , O Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto tr.' 3.048/99, ao tratar . das hipóteses de relevação da multa, estabelece, em seu art. 291, que o inflator deverá corrigir a falta apontada pela autoridade fiscal dentro do prazo de impugnação: H , I I / O A multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a fcdta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infiação, desde que Rya o in frator ptimdrio e não tenha ocori ido nenhuma circunstância agi avante . '1 , Não há, nos autos, qualquer elemento que demonstre que o infrator tenha . retificado as GF1Ps apresentadas corn omissões no prazo estipulado pelo Regulamento da Previdência Social. Logo, não se pode admitir a relevação da multa, tal como pleiteado pelo . dóniribuintel . .t 1 I Diante do exposto, conclui-se que, corn relação ao pleito de relevação da I; multa, a decisão de primeira instancia, proferida pela Delegacia da Receita Previdenciária de )1/' leria/ES, esta em perfeita harmonia corn a legislação vigente A época. 1 1 , i Todavia, cumpre ressaltar que, com a edição da Medida Provisória n° 449, de 03 de clezembro de 2008, posteriormente convertida na Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009, a ração de art. 32 da Lei n° 8.212/91 foi substancialmente alterada, tendo sido revogado os §§ 40 a 7°Elo inencionado dispositivo legal, que previa a aplicação de multa pela contribuição não declaradaJ A nova redação do reférido dispositivo legal ficou assim redigida: I "Art 32 A emptesa é também obrigada IV — declarar Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço — FGTS', na forma, paw e condiçães estabelecidos pot' esses órgãos, dadas relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras inlbrinaçães de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela Lei n" 11,941, de 2009) § 40 (Revogado) (Redação dada pela Lei n" I 1.941, de 2009) § 5 0 (Revogado) (Redo cão dada pela Lei n" 11.941, de 2009) § 6° (Revogado). (Redação dada pela Lei n" 11.941, de 2009) "Art 291 Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicadct ter o inflator corrigido a litita até o termo final do paw para impugnação § 7' (Revogado) (Redação dada pela Lei n" 11 94), dc 2009)§ 50 (Revogado) (Redação dada pela Lei n" 11.941, de 2009)" A multa aplicável pelo descumprimento da obrigação acessória prevista no l art. 32, IV da Lei n° 8.212/91 passou a ser regulamentada pelo disposto no art. .32-A, incluído pela Lei n 11.941/2009. Veja o que dispõe a novel legislação: "Art. 32-A_ O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do calm, do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorl eções ou omissões será intimado a apresentá-la ou a prestai - esclarecimentos e sujeitar-se-á às seguintes mutters (incluido pela Lei ii" 11.941, de 2009). I - de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorre/as ou midday,' e ('Incluído peke Lei n" 11.941, de 2009). II - de 2% (dois poi" cento) ao mês-calendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pdga.s, no caso de fidta de entrega da declaração ou entrega após o pnizo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo (Incluído pela Lei n°11.941, de 2009). § 1° Para efeito de aplicação da maka prevista no inciso ii do caput deste artigo, sera considerado como termo inicial o diet seguinte ao término do piazo fixado pai a entrega da declaração e como termo final a data daefetiva entrega ou, no caso de não- apresentação, a data da lavratura do auto de infração on da notificação de lançamento. (It:child° pela Lei n" 11.941, de 2009) § 2° Observado o disposto no ssç 3° deste (taiga as multas serão reduzidas. (incluido pela Lei n" I I 941, de 2009). I - à metade, quando a declaração apresentada apás o prazo, mas antes de qualquer procedimento de oficio; ou (incluído pela Lei n°11.941, de 2009) 11 - a 7.5% (setenta e cinco por cento), se houver aprewmação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei n°11 941, de 2009) § 3° A multa minima a ser aplicada serd de. (Incluído pela Lei n" 11941, de 2009). I - R$ 200,00 ("duzentos reais), tratando-se de ontissão de declaração sent ocorrencia de 'alas geradores ele contribuição previdencidria, e (Incluído pela Lei n" 11.941, de 2009). II - RS 500,00 (quinhentas reais), nos demais casos. (incluído pela Lei n°11.941, de .2009) " Como se depreende das disposições legais acima colacionadas, o novo regramento trazido pela Lei n° 11,941/2009 poderá conter penalidades mais benéficas aos S2-1E03 Processo n" 35067 004643/2006-36 Acórd5o n. 2803-00.129 Fl 5 pi contribuintes. Por essa razão, e considerando a retroatividade benigna prevista pelo art. 106, II, do CódigO Tributário Nacional, resta claro que a penalidade imposta pela autoridade fiscal • 1 , no presentes autos deve ser adequada ao que estabelece a novel legislação de regência, desde clue demonstrado que a multa poderri ser reduzida no caso concreto dos autos, E o que dispõe o elf rido a irtigo: "Art 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito.. II - tia unido-se de aio não definitivamentejulgado • c) quando !he comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. " Esse é inclusive o posicionamento que tem sido adotado pea Camara erior de Recursos Fiscais para casos análogos ao presente: Su "NORMAS PROCESSUAIS - RETROATIVIDADE BENÉFICA DE LEI. A mullet de oficio deve ser reduzida, de oficio, quando Lei posterior trouxer percentual mais favorável ao sujeito passivo Recurso Especial provido em parte." (Acórdão n" - CSRF/02-02 082, Processo 10880.016118194-44, Recurso n°: 201-101662, Relator. Conselheiro HENRIQUE PINHEIRO TORRES) "MUM POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO SOBRE OPERAÇÕES IMOBILIÁRIAS . RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI N" 10 865, DE 2004 - Aplica-se o novo diploma legal que comine penalidade ao sujeito passivo da obrigação tributtii ia 1110105 gravoso on severa que a prevista em lei ao tempo da prática 1a infiação apurada em procedimento de fiscalização quando o ato ou fato pretérito não foi definitivamente julgado, "ex-vi" do disposto no Art. 106, inciso leira "c" da Lei n°5 172, de 25.10.1996 - Código Tributário Nacional" (ACÓRDÃO CSRF/04-00 246, Recurso n° 104- 13/127, Processo n'. 10980.006526/2001-50, Relator: Conselheiro JOSE RIBAMAR BARROS PENHA) 11 CO NCLUSÃO : , Por todo o exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto por SEDES/UVV para reconhecer a sua ilegitimidade para figurar no pólo passivo da presente airtuação, le DOU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto por FUPES, fiionhecendo a decadência do direito do Fisco de constituir os créditos tributários referidos aos nesese de 05/2000, 07/2000, 10/2000 e 11/2000 e, de oficio, reconhecendo a possibilidade de dOicação l do novo regramento previsto no art. 32-A da Lei n° 8.212/91, corn a redação dada pela Lei n°, 11,941/2009, poi. força da retroatividade benigna prevista pelo art. 106, II, c, do C dig° Tributário Nacional, caso seja mais favoravel ao contribuinte. É como voto, GAJuCki ■licuLakt/t ot, t cud)) CAROLINA SIQUEIRA MONTEIRO DE ANDRADE - Relatora lo
score : 1.0
Numero do processo: 10920.001993/2002-89
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2007
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Período de apuração: 10/08/1997 a 20/12/2000
CLASSIFICAÇÃO FISCAL
Equipamentos próprios para ginástica ou cultura física, utilizados para o desenvolvimento motor e fortalecimento muscular, embora possam ser, ocasionalmente, utilizados como coadjuvantes no tratamento médico, são classificados na posição 95.06.91.00, da TIPI
MULTA MAJORADA
Não restando demonstrado nos autos que os equipamentos em
litígio são exatamente os mesmos que foram objeto de decisão da
DINOM, não deve ser aplicada a multa majorada.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE
Numero da decisão: 303-34.689
Decisão: ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao
recurso voluntário para excluir tão somente o aumento de 50% na multa de oficio, nos termos do voto do relator.
Matéria: IPI- ação fiscal - penalidades (multas isoladas)
Nome do relator: NILTON LUIZ BARTOLI
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Recorrida DRJ-PORTO ALEGRE/RS ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 10/08/1997 a 20/12/2000 CLASSIFICAÇÃO FISCAL Equipamentos próprios para ginástica ou cultura física, utilizados para o desenvolvimento motor e fortalecimento muscular, embora possam ser, ocasionalmente, utilizados como coadjuvantes no tratamento médico, são classificados na posição 95.06.91.00, da TIPI MULTA MAJORADA Não restando demonstrado nos autos que os equipamentos em litígio são exatamente os mesmos que foram objeto de decisão da DINOM, não deve ser aplicada a multa majorada. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir tão somente o aumento de 50% na multa de oficio, nos termos do voto do relator. 440 ANELIS ' DAUDT PRIETO Presi , i -nte PrOcesso n° 10920.001993/2002-89 CCO3/CO3 Acórdão n.° 30344.689 Fls. 5.873 121 2TON BARTO., (4)62 Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Nanci Gama, Silvio Marcos Barcelos Fiúza, Marciel Eder Costa, Tarásio Campeio Borges, Luis Marcelo Guerra de Castro e Zenaldo Loibman. • 411 2 • Proces. so no 10920.001993/2002-89 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-34.689 Fls. 5.874 Relatório Tomam os autos a julgamento por esta Eg. Câmara, tendo em vista o retomo da diligência formulada pela Resolução n°. 303-00.925, formulada em julgamento realizado na sessão de 05 de novembro de 2003, juntada aos autos às fls. 5.838/5.847. Com o intuito de ilustrar o presente e recordar aos pares a matéria, adoto o relatório de fls. 5.839/5.844, o qual passo a ler em sessão, seguido do voto de fls. 5.845/5.547. Na seqüência, relato de forma sucinta os atos que sucederam ao julgamento que converteu os autos em diligência, como segue: • em atendimento a Resolução mencionada, consta das fls. 5.854 "Termo de Intimação Fiscal", no qual foi requerido que o contribuinte apresentasse, se assim o desejasse, quesitos complementares para o bem como, todas as informações, documentos, catálogos e tudo que for necessário para os trabalhos periciais; cumprindo o determinado pelo referido termo, o contribuinte apresentou os quesitos complementares a serem respondidos pela perícia (INT), acostados às fls. 5.855/5.857; por sua vez, a Fazenda Nacional apresentou os quesitos complementares listados às fls. 5.863/5.866; em resposta ao requerido pela Resolução n°. 303-00.925, o INT informa, nos termos do 'Oficio GAB n°. 077/2005' a impossibilidade de realizar a diligência da forma requerida, posto que: tendo sido analisados os autos, em seus dezesseis volumes, dos 23 110 quesitos apresentados pelo Eg. 3° Conselho de Contribuintes, pelo contribuinte e pela Procuradoria da Fazenda Nacional, o INT pode responder a 5 itens; dos 5 quesitos referidos, a obtenção de respostas objetivas para 4 deles reveste-se da necessidade de realização de perícia presencial nos equipamentos importados, para confrontá-los com os documentos de importação apensados ao processo, sem que se saiba da disponibilidade dos mesmos; em novo oficio, informa o INT a impossibilidade técnica de responder aos quesitos apresentados, em face da indisponibilidade dos equipamentos objeto da lide, considerando constituir-se o objeto da autuação realizada no ano de 1997, de mercadorias não mais localizáveis. ProCesso no 10920.001993/2002-89 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-34.689 Fls. 5.875 Desta forma, retomaram os autos sem a realização da perícia pleiteada na Resolução supra mencionada. Os autos foram distribuídos a este Conselheiro em 25/04/07. É o relatório. • • 4 \jn ' ProCesso n° 10920.001993/2002-89 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-34.689 Fls. 5.876 Voto Conselheiro NILTON LUIZ BARTOLI, Relator Retornam os autos da diligência determinada através da Resolução n. 303- 00.925, de 05/11/03, sem que tenha sido a mesma cumprida, em razão de não haverem sido disponibilizados equipamentos para perícia "in loco", capaz de permitir ao INT a apresentação de seu laudo técnico. Imperioso observar, desde já, que esse Conselho procurou garantir à Recorrente o seu direito à mais ampla defesa, tanto que, por unanimidade de votos, determinou a realização da citada diligência. Importante, ainda, destacar, que foram apresentados, por todas as partes envolvidas, um total de 23 (vinte e três) quesitos, o que permite demonstrar, inequivocamente, que, uma vez realizada a perícia, várias elementos seriam trazidos aos autos, permitindo um julgamento mais aprofundado. Entretanto, frise-se, também desde já, para que não pairem dúvidas ou esclarecimentos não feitos, que a falta da perícia não inviabiliza o julgamento deste processo, muito ao revés, existem, ao meu ver, elementos suficientes para que essa Câmara profira sua decisão com convicção. Entendo que o cumprimento da perícia seria de fundamental importância para a recorrente, tanto que foi ela quem a requereu desde o início da tramitação deste processo. Entendo, também, que deveria ela Recorrente diligenciar no sentido de utilizar todos os meios admitidos em direito no sentido de tentar comprovar a correção do seu procedimento. •Não obstante esse meu entendimento pessoal, o que se constata nos autos é que a Recorrente, mesmo tendo lhe sido dadas as oportunidades para tanto, não se interessou em produzir as provas que, repito, ao meu ver lhe poderiam ser favoráveis. Se o fez consciente ou inconscientemente é trabalho de adivinhação e não compete a esse relator faze-lo. Compete, isto sim, a partir do momento em que não foram produzidas as novas provas solicitadas, julgar o feito com base nos elementos existentes nos autos, e só com base neles. É de notório conhecimento que a este colegiado compete, na dicção do Decreto n. 70.235/72 e da legislação que veio a lhe modificar, o julgamento dos litígios administrativos de natureza fiscal. Não se encontra na sua esfera de competência aquela destinada a determinar qual a classificação fiscal dos produtos comercializados no mercado interno e aqueles que foram objeto de operação de importação. Embora ao olhar leigo a distinção possa parecer irrelevante, é conveniente que fique bem caracterizada essa competência, para que não haja invasão das atribuições dentro dos órgãos de natureza administrativa. ProCesso n° 10920.001993/2002-89 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-34.689 Fls. 5.877 A determinação para que esse conselho julgue os processos administrativos fiscais envolvendo classificação de produtos, tenho me pronunciado neste sentido, é apenas para identificar, ao olhar dos conselheiros integrantes da casa se, no seu entender, a impugnação da fiscalização federal à classificação fiscal utilizada pelo contribuinte é procedente ou não. Não obstante, inevitavelmente, tenha esse Conselho que pronunciar seu entendimento sobre esse ou aquele elemento essencial para o correto enquadramento tarifário, não é da sua competência produzir atos normativos que, com o verdadeiro efeito de lei entre as partes, tenham o condão de irradiar efeitos futuros. O pronunciamento deste Conselho restringe-se ao fato posto em litígio; se com razão o fisco ou o contribuinte. Tanto isto é verdade que (i) a decisão emanada deste conselho não produz a chamada "coisa julgada administrativa" e (ii) caso entenda esse conselho não estar correta a classificação adotada pelo contribuinte, mas também equivocada a pretendida • pelo fisco, é de se julgar improcedente a exigência fiscal. Em suma, o que julga este conselho é a procedência ou não do auto de infração lavrado e não tem, esse julgamento, o condão de produzir efeitos irradiativos com relação à classificação fiscal de produtos, embore, mesmo que tangencialmente, tenha que se imiscuir pela seara própria daqueles que possuem tal competência. Feito este necessário intróito, entendo não haver como julgar procedente o recurso voluntário apresentado pela contribuinte, à mingua de elementos capazes de ilidir a pretensão fiscal, consubstanciada no auto de infração inaugural. Reside, ao meu ver, a essência da discussão em tela na determinação do fato de serem os equipamentos comercializados pela recorrente específicos e exclusivos para a utilização como auxiliares do tratamento médico ou, ao contrário, se são equipamentos próprios para o exercício físico, os quais, por sua natureza, acabam podendo se afigurar como coadjuvantes naqueles tratamentos. • Dirimida essa questão, poder-se-á determinar se com razão o contribuinte e, por isso, improcedente a autuação fiscal ou, ao revés, com razão o fisco e procedente a exigência. Socorro-me, em primeiro lugar, da Nota Explicativa específica para a posição utilizada pelo contribuinte, ou seja, 90.19: 1— Aparelhos de Mecanoterapia Estes aparelhos são utilizados especialmente para o tratamento de doenças das articulações e dos músculos, dos quais permitem reproduzir mecanicamente os diversos movimentos. Como esse tratamento é efetuado geralmente sob direção ou controle de um técnico, resulta que os aparelhos desta espécie não devem ser confundidos com os aparelhos habituais para cultura fisica propriamente dita ou ginástica denominada "médica". Vê-se, pois, que para o enquadramento nesta posição, as características intrínsecas do produtos devem ser claras no sentido segundo o qual se tratam de equipamentos criados especificamente para o tratamento de doenças das articulações e dos músculos. ProCesso n° 10920.001993/2002-89 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-34.689 Fls. 5.878 Agora, a Nota Explicativa da posição pugnada pelo fisco, qual seja 95.06: "A) Os artigos e material para cultura física, ginástica ou atletismo, por exemplo: Trapézios e argolas, barras fixas e barras paralelas, traves, cavalos de pau, cavalos de arção, trampolins, cordas lisas ou com nós e escadas de cordas, espaldares (escadas), macas, bastões e halteres, medicine- balls (bolas medicinais), aparelhos de remar, bicicletas ergométricas e outros aparelhos para exercícios, extensores, punhos de apertar, blocos de partida, barreiras de salto, A lista de exemplificação da nota explicativa é extensa mas permite concluir, indubitavelmente, que esta posição é própria para o que ouso denominar de "equipamentos de academia", aqueles equipamentos facilmente encontrados nos clubes e academias pelo seus freqüentadores, ou que pelo menos deveriam freqüentar. • Dos produtos e equipamentos constantes dos autos, podemos identificar, pelos elementos constantes dos autos, três grupos. O primeiro deles é aquele objeto da relação de fls. 293 a 295, que consistem em (i) estações multiuso, com carga regulável, para trabalho muscular, contra resistência, usando várias posições e diversos movimentos, com a finalidade de ganho de resistência muscular e articular; (ii) aparelhos para caminhar (esteiras), motorizados ou não, os quais, por intermédio desta atividade, trabalham todo o sistema cardiovascular; e, (iii) bicicletas ergométricas ou estacionárias, as quais, por intermédio dos movimentos cíclicos, também trabalham todo o sistema cardiovascular. Em segundo lugar, encontramos a relação dos principais componentes e matérias-primas de alguns produtos, que se encontram listados às fls. 330 e 333, ou seja, (i) equipamentos de mecanoterapia athletic professional, advanced, speedy 2 e 3 e Runner; (ii), ciclo ergométrico de mecanoterapria athletic cycle star e magnetron; (iii) equipamentos de mecanoterapia atheltic scaler; e, (iv) estação de mecanoterapia athletic 2001 Avant, Compact e • Basic. Em terceiro lugar, os equipamentos listados no laudo técnico juntados às fls. 345 a 353, quais sejam, Módulo Athletic 2001, Athletic Rower, Esteira Eletrônica Racer e Runner e Cicloergômetro Athletic Cycle Magnetron e Cycle Star. Esse grupos irão totalizar os 39 (trinta e nove) tipos distintos de equipamentos que são objeto do presente feito, cuja listagem identificando-os foi apresentada pela fiscalização às fls. 896/898, a qual considero como se aqui estivesse transcrita para todos os efeitos legais. Observo, pelos diversos elementos dos autos, inclusive os "folders", prospectos e opiniões de profissionais da área de medicina, que não há qualquer prova concreta que permita concluir que os equipamentos em questão são específicos para tratamento médico. Ao contrário, um simples passar d'olhos no farto material existente nos autos, especialmente as ilustrações constantes às fls. 163/165, permite concluir, sem qualquer receio de equívoco, que os equipamentos em destilha são justamente aqueles abundantemente existentes nos já citados clubes e academias. 7 , • Proc. esso n° 10920.001993/2002-89 CCO3/CO3 Acórdão n.° 30334.689 Fls. 5.879 Não me impressiona a nomenclatura dada aos equipamentos, já que o nome, mesmo o técnico, não tem o condão de induzir o julgador a tratar-se desde ou daquele produto. Até porque, como dizia o poeta, "a rosa será sempre uma rosa, mesmo que alguém a chame de margarida", ou seja, a essência das coisas não é determinada pelo seu nome e sim pela sua função específica e suas características intrínsecas e extrínsecos. Neste sentido, entendo que a recorrente não logrou êxito, embora, repita-se, tenham lhe sido ofertadas todas as oportunidades, em demonstrar que os equipamentos que comercializa são próprios, específicos e exclusivos para tratamento de doenças das articulações e dos músculos. É evidente que tais equipamentos certamente podem ser utilizados como coadjuvante no tratamento de citadas doenças e, por óbvio, na prevenção das mesmas, sendo este, por pressuposto, entre outros, o motivo que move os frequentadores das academias e clubes e, por consequencia, usuários destes equipamentos. • Não se pode, entretanto, inferir que os equipamentos são exclusivamente utilizados no tratamento de doenças, o que faria correto o seu enquadramento na posição 90.19, conforme a dicção da nota explicativa acima citada e transcrita. Talvez, e em mero exercício de suposição, a perícia técnica solicitada por este conselho poderia demonstrar o uso exclusivo dos equipamentos. Tal situação entretanto, dada a desídia do contribuinte em levar a cabo a produção da prova, não pode ser levada em consideração neste julgamento. Posta assim a questão, entendo ser possível aplicar ao caso em tela os Despachos Homologatórios COSIT/DINOM nos. 106; 107; 108; 109; e, 110, acostados aos autos, que concluem: ".... esclarecemos que o produto em pauta não foi considerado como de mecanoterapia baseado nas Notas Explicativos do Sistema Harmonizado que apresentam os aparelhos de mecanoterapia como sendo aqueles que são utilizados especialmente para o tratamento de doenças das articulações ou dos músculos, cujos diversos movimentos 110 (das articulações ou músculos) permite sejam reproduzidos mecanicamente e que tais aparelhos não devem ser confundidos com aqueles para cultura fisica ou ginástica médica, utilizados para treino ou desenvolvimento dos músculos, como por exemplo: aparelhos de remar, contratores de mola, de qualquer tipo, bicicletas ergométricas, extensores, etc..." Esclareço, por oportuno, que não há evidência nos autos que os equipamentos objeto deste processo sejam exatamente aqueles que mereceram despacho conclusivo da DINOM. Não obstante, por se tratarem, à toda evidência, de equipamentos ao menos bastante semelhantes, entendo serem as suas conclusões aplicáveis ao presente caso. Neste sentido, no particular aspecto da classificação fiscal dos produtos e equipamentos objeto do litígio, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, posto que os elementos constantes dos autos permitem concluir que não se tratam de produtos e equipamentos específicos e exclusivos para tratamento de doenças das articulações e músculos podendo, quando muito, serem utilizados como coadjuvantes nestas ocorrências, devendo, por estes motivos, serem classificados na posição 95.06 da TIPI. 8$ Processo n° 10920.001993/2002-89 CCO3/CO3 Acórdão n.° 30344.689 Fls. 5.880 No que tange à multa aplicada com majoração, entendo inaplicável a sua qualificação, posto que, como dito acima, não se pode concluir cabalmente que se tratem dos mesmíssimos equipamentos fruto de decisões da DINOM. Portanto, uma vez não tipificada a conduta qualificadora da majoração da penalidade, dou provimento parcial ao recurso para retificar a multa, reduzindo-a ao percentual de 75%. Por tudo o quanto foi aqui exposto, voto no sentido de (i) no mérito, negar provimento ao recurso do contribuinte, mantendo-se a exigência fiscal quanto ao IPI por incorreta classificação fiscal; (ii) quanto à multa imposta, dar provimento parcial ao recurso do contribuinte, reduzindo-a para 75%. É como voto. Sala das Sessões, de setembro de 2007 • NII,T,)N LU ARTOL22I - elator • 9
score : 1.0
Numero do processo: 10552.000370/2007-39
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/2005 a 30/06/2006
CONTRIBUIÇÕES A SEGURIDADE SOCIAL DECLARADAS EM GFIP.
As informações apuradas em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP são suficientes ao lançamento tributário. A não comprovação de erro no que declarado, confirma o acerto dos valores apurados.
PERÍCIA. REQUISITOS LEGAIS.
O pedido de realização de perícia deverá apresentar os requisitos do art. 16, IV do decreto 70.235/72, caso contrário, considerar-se-á não formulado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-000.492
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2005 a 30/06/2006 CONTRIBUIÇÕES A SEGURIDADE SOCIAL DECLARADAS EM GFIP. As informações apuradas em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP são suficientes ao lançamento tributário. A não comprovação de erro no que declarado, confirma o acerto dos valores apurados. PERÍCIA. REQUISITOS LEGAIS. O pedido de realização de perícia deverá apresentar os requisitos do art. 16, IV do decreto 70.235/72, caso contrário, considerarseá não formulado. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Fl. 1DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/02/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Assinado digitalmente em 28/02/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, 01/03/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10552.000370/200739 Acórdão n.º 280300.492 S2TE03 Fl. 71 2 Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/02/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Assinado digitalmente em 28/02/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, 01/03/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10552.000370/200739 Acórdão n.º 280300.492 S2TE03 Fl. 72 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil, que manteve a notificação fiscal lavrada, referente a contribuições declaradas em GFIP. A DecisãoNotificação – fls 56 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo a Notificação lavrada. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário tempestivo, alegando, em síntese, o seguinte : • Os fatos elencados na Ação fiscal tiveram por base o levantamento unilateral procedido pela Zelosa Fiscalização. Assim, salvo melhor juízo, necessário se faz um levantamento pericial contábil na documentação analisada, inclusive com a oportunidade da indicação de assistência técnica, por parte da Impugnante, a fim de que possa ser evitado eventual cerceamento de defesa e para que os dados possam ser apurados corretamente. • Os valores apresentados como devidos são exagerados, porquanto se encontra majorado abusivamente em razão da incidência de multa e juros. • Inconstitucionalidade da taxa SELIC • Requer o processamento do recurso sem o recolhimento do depósito recursal. • Pugna pelo provimento do recurso, e realização de perícia contábil. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/02/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Assinado digitalmente em 28/02/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, 01/03/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10552.000370/200739 Acórdão n.º 280300.492 S2TE03 Fl. 73 4 Voto Conselheiro Oséas Coimbra DO DEPÓSITO RECURSAL A lei 8.213/91 teve o § 1º do artigo 126 revogado pela lei 11.727/08, não sendo mais necessário o depósito recursal para o seguimento do recurso apresentado, dessarte, a falta do depósito não é razão impeditiva de análise do recurso . DO PEDIDO DE PERÍCIA E JUNTADA DE DOCUMENTOS O princípio da livre convicção do julgador é aplicável em relação às provas carreadas aos autos. Vejamos a legislação pertinente à época arts. 9º e 11 da portaria MPS nº 520, de 19/05/2004. Art. 9º ... IV as diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito. (...) Art. 11. A autoridade julgadora determinará de ofício ou a requerimento do interessado, a realização de diligência ou perícia, quando as entender necessárias, indeferindo, mediante despacho fundamentado ou na respectiva DecisãoNotificação, aquelas que considerar prescindíveis, protelatórias ou impraticáveis. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 9º. O pedido de perícia requerido – fls 65, está delineado: “Assim, salvo melhor juízo, necessário se faz um levantamento pericial contábil na documentação analisada, inclusive com a oportunidade da indicação de assistência técnica, por parte da Impugnante, a fim de que possa ser evitado eventual cerceamento de defesa e para que os dados possam ser apurados corretamente.” Fl. 4DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/02/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Assinado digitalmente em 28/02/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, 01/03/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10552.000370/200739 Acórdão n.º 280300.492 S2TE03 Fl. 74 5 A desdúvida o pedido não apresenta as exigências do art. 9º retrocitado. Uma vez que o requerente não seguiu o determina anorma, aplicase a regra do art. 11, considerandose não formulado o pedido de perícia. Acrescentese que se trata de notificação referente a informações declaradas pelo próprio contribuinte, em GFIP, a demonstrar a desnecessidade de produção pericial. DA TAXA SELIC A cobrança de juros está prevista em lei específica da previdência social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal: Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n ° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996. (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. Quanto à inconstitucionalidade apontada pela recorrente, não cabe tal análise na esfera administrativa. Não é de competência da autoridade julgadora a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional – ex vi art. 62 do regimento interno do CARF, aprovado pela portaria GMF no 256, de 22 de junho de 2009. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/02/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Assinado digitalmente em 28/02/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, 01/03/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10552.000370/200739 Acórdão n.º 280300.492 S2TE03 Fl. 75 6 Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. .DA MULTA DE MORA APLICADA A multa aplicada é a determinada pela legislação em vigor, a qual está transcrita no relatório anexo FLD – Fundamentos Legais do Débito. A atividade tributária é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais, sendolhe vedada a discricionariedade de aplicação da norma quando presentes os requisitos materiais e formais para a autuação. A penalidade aplicada encontra fundamento nos dispositivos legais retrocitados e foi corretamente aplicada pela autoridade fiscal, encontrandose livre de vícios DOS FATOS GERADORES DECLARADOS EM GFIP O presente débito fundamentouse nos dados declarados na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social – GFIP, documento elaborado pelo próprio recorrente, onde informa todos os fatos geradores de contribuições sociais, sendo instrumento bastante para a lavratura da respectiva notificação uma vez que contém todos os elementos necessários ao lançamento. Caso alguma inconsistência porventura existisse, caberia ao recorrente objetivamente apontálas,o que não foi feito. A lei determina que a empresa entregue a GFIP com os fatos geradores pertinentes, de forma correta, e assim deve ser a presunção da Fazenda, tanto que, para desconstituir o que declarado em GFIP, somente através de provas coletadas em procedimento fiscal específico ou através de outros documentos comprobatórios trazidos pelo contribuinte onde fique evidenciado que errou ao preencher o documento. O decreto n° 3.048/99, em seu art. 225 §1°, determina ainda que a GFIP se constitui em termo de confissão de dívida caso os valores declarados no referido documento não tiverem sido recolhidos, transcrevemos: Art. 225. (...) §1°. As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos beneficios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/02/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Assinado digitalmente em 28/02/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, 01/03/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10552.000370/200739 Acórdão n.º 280300.492 S2TE03 Fl. 76 7 Fica assim demonstrado que o contribuinte não trouxe nenhum elemento que desconstituísse o que declarado em GFIP e devidamente lançado. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negolhe provimento. assinado digitalmente OSÉAS COIMBRA Relator. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/02/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Assinado digitalmente em 28/02/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, 01/03/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 13830.000156/2005-82
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 31/10/2003 a 30/11/2003
Ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO. JULGAMENTO. INCOMPETÊNCIA
EM RAZÃO DO VALOR.
Cabe às Turmas Ordinárias processar e julgar recurso voluntário de decisão de primeira instância em processos que excedem o valor de alçada das turmas especiais.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3803-002.686
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: JOÃO ALFREDO E. FERREIRA
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/10/2003 a 30/11/2003 Ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO. JULGAMENTO. INCOMPETÊNCIA EM RAZÃO DO VALOR. Cabe às Turmas Ordinárias processar e julgar recurso voluntário de decisão de primeira instância em processos que excedem o valor de alçada das turmas especiais. Recurso Voluntário Não Conhecido. Direito Creditório Não Reconhecido.
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JULGAMENTO. INCOMPETÊNCIA EM RAZÃO DO VALOR. Cabe às Turmas Ordinárias processar e julgar recurso voluntário de decisão de primeira instância em processos que excedem o valor de alçada das turmas especiais. Recurso Voluntário Não Conhecido. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] Alexandre Kern Presidente. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Fl. 569DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 23/ 03/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Relatório Trata o presente processo de Declarações de Compensações nas quais foram utilizados créditos decorrentes de pagamentos efetuados a maior que o devido a titulo de Contribuição para o Fundo de Investimento Social — Finsocial, relativos ao período de outubro de 1988 a março de 1990, no valor atualizado de R$ 2.206.758,60, que resultaram de decisão judicial transitada em julgado em 02/02/2000, exarada nos autos da Ação Declaratória de inexistência de relação jurídica n° 90.00092710. Apurado o direito creditório, o Delegado da Receita Federal em Marília proferiu Despacho Decisório (fls. 235/244) reconhecendo o montante do crédito em favor da interessada e homologou as compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido. Realizado o encontro de contas entre o crédito reconhecido e os débitos informados nas Declarações de Compensação n° 3923.26981.151003, 03572.97973.221003, 01012.43302.291003, 21630.45316.311003, 24864.85336.051103, 11912.73058.121103 e 35043.56015.141103, ficou constatado que o montante do crédito foi insuficiente para extinguir a totalidade dos débitos declarados. Cientificado do Despacho Decisório e da homologação parcial das compensações declaradas, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade, apresentando razões de direito que levariam à reforma da decisão administrativa. A DRJ em Ribeirão Preto manteve o Despacho Decisório, por unanimidade, conforme se observa da ementa que trasladamos a seguir: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/10/2003, 30/11/2003 SENTENÇA JUDICIAL. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. Estabelecido em sentença judicial o período a partir do qual deve ser apurado o indébito tributário, não pode o beneficiário do direito creditório ou a autoridade administrativa ampliar o que ficou decidido judicialmente. SENTENÇA JUDICIAL. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CORREÇÃO MONETÁRIA. ÍNDICES LEGAIS. Não estabelecendo critério especifico a sentença judicial, na atualização monetária do indébito tributário devem ser aplicados os índices oficiais definidos em atos normativos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/10/2003, 30/11/2003 JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. NÃO VINCULAÇÃO. As referências a entendimentos proferidos em acórdãos do Conselho de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou decisões judiciais proferidas em casos concretos não vinculam os julgamentos administrativos emanados em primeiro grau pelas Delegacias da Receita Federal de Julgamento. Fl. 570DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 23/ 03/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13830.000156/200582 Acórdão n.º 380302.686 S3TE03 Fl. 2 3 Solicitação Indeferida Cientificada em 9/6/2009, apresentou recurso voluntário em 8/7/2009 onde repisa os argumentos aduzidos em sede de manifestação de inconformidade, pugnando, ao final, pela procedência do recurso com o reconhecimento da inclusão dos expurgos inflacionários na atualização dos indébitos tributários de FINSOCIAL, confirmandose, dessa forma, o procedimento adotado pela ora Recorrente. Requer, ainda seja reconhecido indevido o FINSOCIAL na competência de outubro de 1988, com a homologação da totalidade das compensações declaradas. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira O recurso é tempestivo, entretanto, dele não tomarei conhecimento pelo que explano a seguir: Considerando (i) que a competência das turmas especiais fica restrita ao julgamento de recursos em processos de valor inferior ao limite fixado para interposição de recurso de oficio pela autoridade julgadora de primeira instância, nos termos do § 2º do art. 2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF; (ii) que esse valor está fixado atualmente em R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), e (iii) que o valor original do crédito declarado nas Dcomps deste processo é de R$ 1.052.627,98, voto pelo não conhecimento do recurso voluntário, declinandose a competência para seu julgamento a uma das turmas ordinárias desta 3ª Seção. Sala das sessões, 22 de março de 2012. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 571DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 23/ 03/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2012 por ALEXANDRE KERN 4 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 13830.000156/200582 Interessada: MARILAN ALIMENTOS S/A À SEJUL da 3ª Seção, para formação de lote de sorteio para as turmas ordinárias, haja vista que o valor do processo supera a alçada desta TE, estabelecida no § 2º do art. 2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF. Brasília DF, em 23 de março de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 572DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 23/ 03/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2012 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 13851.000830/2005-81
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jan 24 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Wed Jan 24 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/12/2003
Ementa: PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO, DA AMPLA DEFESA E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. ATOS PROCESSUAIS. NULIDADE
O Acórdão recorrido, ao eximir-se de enfrentar os argumentos postos pela empresa na sua Manifestação de Inconformidade, fundamentando sua decisão como se pedido de ressarcimento de crédito de IPI tratasse o processo, quando os documentos estão a comprovar tratar de mera Declaração de Compensação eletrônica baixada para tratamento manual, não respeitou o contraditório, preterindo a ampla defesa do contribuinte. Processo que se anula a partir do Acórdão recorrido, para elaboração de novo, não obstante a solução da lide esteja claramente delineada em face do julgamento doutro processo, que tratou do crédito que serviu de lastro para as compensações.
Processo anulado a partir da decisão recorrida.
Numero da decisão: 203-11.716
Decisão: ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em anular o processo a partir da decisão da DRJ, nos termos do voto do relator
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: ODASSI GUERZONI FILHO
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COM . MÁQUINAS E IMPLEMENTOS AGRÍCOLAS LTDA. Recorrida DRJ-RIBEIRÃO PRETO/SP Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/12/2003 Ementa: PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO, DA AMPLA DEFESA E DO DEVIDO PROCESSO - LEGAL. ATOS PROCESSUAIS. NULIDADE O Acórdão recorrido, ao eximir-se de enfrentar os 14F-SEGUNDO CONSELHO DE conteuitaitsi argumentos postos pela empresa na sua Manifestação COMI"' - C: . , ORIGINALA de Inconformidade, fundamentando sua decisão como sia (5) é lã j, 1 0.4-• se pedido de ressarcimento de crédito de IPI tratasse o íon ,17,74:s , O t (1 .acT processo, quando os documentos estão a comprovarLy tratar de mera Declaração de Compensação eletrônica baixada para tratamento manual, não respeitou o contraditório, preterindo a ampla defesa do contribuinte. Processo que se anula a partir do Acórdão recorrido, para elaboração de novo, não obstante a solução da lide esteja claramente delineada i em face do julgamento doutro processo, que tratou do crédito que serviu de lastro para as compensações. Processo anulado a partir da decisão recorrida. _ Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em anular o processo a partir da decisão da DRJ, nos termos do voto do relator. () • Processo n.° 13851.000830/2005-81 CCO2/CO3 Acórdão n.• 203-11.716 Fls. 2 sg4- ANTONI EZERRA NETO Presidente ÊCWij DASSI GUERZONIFIL O R tor Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Roberto Velloso (Suplente), Silvia de Brito Oliveira, Valdemar Ludvig, Eric Castro de Mora e Silva e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Cesar Piantavigna. /eaal o 50 141._ tos:ou:Eco. :tiono iDE 001r141111114TE5 ama • ;•• / e) W.! O Processo n.• 13851.000830/2005-81 CCO2/CO3 Acórdão n.°203-11.716 $F-SEGY .. • . autaièr Fls. 3 •-• IGt1 t • -. ,4010' • sgs • ' Relatório VIS^ O presente processo foi formalizado em 27/06/2005 pela Delegacia da Receita Federal de Araraquara/SP, para tratamento de forma manual da Declaração de Compensação (DCOMP eletrônica n° 02966.83910.240904.1.3.01-3810), que fora anteriormente entregue pela empresa interessada em 24/09/2004 (fls. 1/4) e que consistia em declarar a compensação nos seguintes termos: Débito declarado para compensação Crédito pleiteado no Processo 13851.000850/2004-71 ' Tribut4 Per:Aptii') nTribúto Per Apuração Valor 2(R$) -•-•2• .. , : o m f312t1":: .' . n kn`Pl %,•• • »4 • ir • ., J`^• 1 ":?*r"'"' • ". Cofins Dez/2003 15/01/2004 14.112,23 1 IPI 1° trimestre/2004 102.735,512 0 inalados juros de mora peio atraso (') acrescido de juros pela Selic Com base no Despacho Decisório "DRF/AQA/EQORT n° 13851.000853/2004- 12", de 18/04/2005, proferido no citado Processo n° 13851.000853/2004-12, que indeferira o pedido de reconhecimento do crédito de IPI pleiteado (cópia às fls. 5/7), a DRF de Araraquara proferiu o "Despacho Decisório DRF/AQA/EQORT n° 13851.000830/2005-81", de• 28/07/2005, fl. 11, não homologando as compensações declaradas. Manifestação de Inconformidade apresentada pela empresa (fls. 14/26), em resumo, pede que, pelo fato de ainda estar pendente de julgamento o seu crédito, que lhe sejam homologados seus pedidos de compensação, nos termos da legislação que cita. Acórdão da 2. Turma da DRJ de Ribeirão Preto/SP, n° 11.137, de 8 de março de 2006 (fls. 45/56), aparentemente ignorou o teor da Manifestação de Inconformidade e, refutando argumentos que, muito provavelmente, foram apresentados pela empresa noutro processo, que trata do seu Pedido de Ressarcimento de IPI (de n° 13851.000853/2004-12), indeferiu a solicitação. Em outras palavras, a DRJ não enfrentou as questões realmente suscitadas na manifestação de inconformidade, especialmente o fato de que o pedido de ressarcimento da empresa ainda se encontrava pendente de decisão administrativa, o que, segundo a empresa, inviabilizaria a negativa das homologações declaradas. Recurso Voluntário de fls. 59/84, em resumo, suscita a preliminar de nulidade pelo fato do Acórdão não ter analisado os termos de sua manifestação de inconformidade. Além disso, alega que o pedido de reconhecimento de crédito do IN, no qual se lastreia a sua declaração de compensação ainda não fora decidido pela SRF, o que, nos termos da legislação que cita, lhe daria o direito de ver homologadas tais compensações. No mérito, refuta as alegações do Acórdão apresentando extensa argumentação sobre a procedência de seu pedido de reconhecimento de crédito do 'PI incidente sobre insumos isentos e tributados à aliquota zero. É o Relatório. IaF.S€GUK1L. S'Elot ..1. C iNTRIDVAire., t Processo n.° 13851.000830/2005-81 COr CO f A n n ccovcoi Acórdão n.° 203-11.716 . fl. °/ I ? 'II Cln— Fls. 4 . 0 (1514 , us.., Voto Conselheiro ODASSI GUERZONI FILHO, Relator O recurso é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, merecendo ser conhecido. Inicialmente, é preciso consignar que o presente processo trata de uma Declaração de Compensação — DCOMP, e não de um pedido de ressarcimento de créditos de MI, o que toma sem préstimo algum o debate travado pelas partes neste sentido. Assim, a homologação ou não desta declaração de compensação está na total dependência do que for decidido no processo em que a empresa pleiteia o reconhecimento de crédito no qual tais compensações estão lastreadas, qual seja, o que trata do pedido de Ressarcimento de TI. E esse pedido de ressarcimento de crédito de II'!, segundo indicação feita pela própria empresa na DCOMP n° 02966.83910.240904.1.3.01-3810, está no processo n° 13851.000853/2004-12. Esse processo n° 13851.000853/2004-12, à época da apresentação da Manifestação de Inconformidade e do Recurso Voluntário, ainda se encontrava pendente de julgamento. Ocorre, porém, que, da consulta efetuada junto ao sítio na Internet, do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda (www.conselhoslazenda.gov.br), verifica-se que referido processo já foi julgado em 5/12/2006, cuja decisão, prolatada no Acórdão n° 203- 11.619, negou provimento ao recurso por unanimidade de votos. Assim, a pretensão da empresa — de ver reconhecido o direito ao ressarcimento de créditos de rei sobre a aquisição de insumos isentos e/ou tributados à alíquota zero — não foi acolhida pela Secretaria da Receita Federal, e, conseqüentemente, as compensações de débitos declaradas pela recorrente que estejam lastreadas naquele crédito, irremediavelmente, não haverão de ser homologadas pelo Fisco. Não obstante, porém, esteja perfeitamente delineada a solução da lide objeto do presente processo, registro a ocorrência de vício formal no Acórdão recorrido, corretamente apontado pela recorrente e que, conforme mencionado no meu Relatório supra, consistiu no fato da 2' Turma de Julgamento da DRJ de Ribeirão Preto não ter enfrentado os argumentos da Manifestação de Inconformidade nos exatos termos que dela constaram. i1 Em face do exposto, conheço do recurso na parte em que o mesmo suscita a nulidade, e voto no sentido de anular o processo a partir da folha 45, inclusive, de modo que a DELI de Ribeirão Preto/SP promova a novo julgamento da Manifestação de Inconformidade, apreciando os argumentos nela inseridos, mas, levando em conta, desta feita, tratar-se o presente processo de Declaração de Compensação que está na completa dependência do processo administrativo n° 13851.000853/2004-12, o qual, por sua vez, já foi decidido por este - Colegiado, conforme mencionado acima. Coisis essões, em i 44de janeiro de 2007 Page 1 _0015000.PDF Page 1 _0015100.PDF Page 1 _0015200.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 36202.003091/2006-18
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 03 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Fri Dec 03 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 08/05/2007
DILIGENCIA FISCAL. ANULAÇÃO DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA E EMISSÃO DE NOVA APÓS CIÊNCIA DO CONTRIBUINTE
Não consta nos autos o registro da ciência do contribuinte em relação ao resultado da diligência fiscal, tampouco sua manifestação:
O contribuinte tem o direito de set- citado para tomar conhecimento do resultado da diligência fiscal e prazo para contesta-la, em razão do principio da ampla defesa e contraditório, esculpido no art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal cio Brasil de 1988.
A decisão de primeira instância deve ser anulada Após ciência do
contribuinte em relação ao resultado da diligência fiscal e sua manifestação deve ser emitida nova decisão.
Anulada a Decisão de Primeira Instância.
Numero da decisão: 2803-000.431
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Segunda Seção de
Julgamento, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 08/05/2007 DILIGENCIA FISCAL. ANULAÇÃO DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA E EMISSÃO DE NOVA APÓS CIÊNCIA DO CONTRIBUINTE Não consta nos autos o registro da ciência do contribuinte em relação ao resultado da diligência fiscal, tampouco sua manifestação: O contribuinte tem o direito de set- citado para tomar conhecimento do resultado da diligência fiscal e prazo para contesta-la, em razão do principio da ampla defesa e contraditório, esculpido no art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal cio Brasil de 1988. A decisão de primeira instância deve ser anulada Após ciência do contribuinte em relação ao resultado da diligência fiscal e sua manifestação deve ser emitida nova decisão. Anulada a Decisão de Primeira Instância.
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DESCARACTERIZAÇAO. Recorrente TRISTA0 COMPANHIA DE COMERCIO EXTERIOR Recorrida DELEGACIA DA RECEITA PREVIDENCIARIA EM VITORIA/ES ASSUN .FO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Data do fato gerador: 08/05/2007 DILIGENCIA FISCAL. ANULAÇÃO DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA E EMISSÃO DE NOVA APÓS CIÊNCIA DO CONTRIBUINTE Não consta nos autos o registro da ciência do contribuinte em relação ao resultado da diligência fiscal, tampouco sua manifestação: O contribuinte tem o direito de set - citado para tomar conhecimento do resultado da diligência fiscal e prazo para contesta-la, em razão do principio da ampla defesa e contraditório, esculpido no art. 5", inciso LV, da Constituição Federal cio Brasil de 1988. A decisão de primeira instancia deve ser anulada Após ciência do contribuinte em relação ao resultado da diligência fiscal e sua manifestação deve ser emitida nova decisão Anulada a Decisão de Primeira Instancia Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3" Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeim instancia, nos termos do relatorio e votos que integram o presente jultnrclo. HE LIO 1MA — Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, Amilcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato e Helton Carlos Praia de Lima (presidente).. Relatório Trata-se de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD contra a empresa acima identificada, que de acordo com o Relatório Fiscal de fls, 228/230, teve como latos geradores os valores pagos a contribuintes individuais - Sr. Sérgio Giestas Tristâo (empresário) e cl i versos prolissionais autônomos, pessoas fisicas, contratados sem vinculo empregatici o. Com relação ao segurado empresario, Sr. Sergio Giestas Tristão, não foi identificado o recolhimento das contribuições sociais incidentes sobre a remuneração paga ou creditada a titulo de pró-labore, a mútuo não liquidado (empréstimo concedido pela empresa sem a identificação da liquidação da operação pelo Tomador) e a ressarcimento indevido de despesas de viagens não comprovadamente realizadas para o trabalho. Outros pagamentos a contribuintes individuais referem-se a profissionais contratados sem vinculo empregaticio como corretores na compra de café, para manutenção de equipamentos e de areas fisicas, para limpeza de jardinagem, para a prestação de serviços jurídicos e de apoio ao escritório, alem de outras atividades burocráticas. O contribuinte tomou ciência da notificação, apresentando impugnação (fis, 208/301, acompanhada de anexos.. A Seção do Contencioso Administrativo (fis. 2849/2852) baixou os autos em diligência fiscal para verificar a documentação apresentada e se pronunciar sobre a impugnação. Ern resposta (lis. 2889/2896) houve retificação parcial do lançamento e os esclarecimentos devidos a seguir transcritos, em síntese: 6 1 Dos documentos apresentados, verificamos clue foram parcialmente ou integialmente recolhidos, ou não incide contribuições previdencicirias, os documentos indicados nos ime.vos I ell (cujos lançamentos deverdo ser retificados).. contribuições normais com as respectivas guias apresentadas, contribuições com a opção de tecolhimento de 20% sobre a escala de salário-base (art 201, §9°, do Decreto n° .3 048, de 1999), notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas (consideradas indevidamente como emitidas por pessoas físicas), tarilas bancárias; reembolso de despesas 6 2 No anew) 1 é possível identificar, discriminados por competências, até 0.3/200.3, os estahele.cimentos,Os levantamenlos, os _salários-de- contribuição (o vahn lançado na 11010a100; o valor a excluir - em razdo dos documentos apreventados, e a nova base-dc-cálculo), os créditos considerados (tecolhimentos identificados no pi ocohmento fiscal), as contribuições (a devida - calculada em função da nova base-cle-calculo c/c/in/do, e o débito - resultante da subtração cio crédito considerado da contribuição devida), e as respectivas folhas do processo onde constant os documentas 6 .3 No aneyo 11 consumi as retificações relativas ao period() posterior a 04/2003, em lazão das especilicidades introduzidas pelo art 4° da Lei n ° 10.666, de 200.3 Nesse alley() es/cio discriminados por competência, os estabelecimentos, os levantamentos. os scdcitios-dc-contribuição (6 valor lançado na notificação; o valor ci el"Cillil en1 (1=J° duS documentos apresentados; e a nova base-de-calcula), os 2 Processo n" 36202 003091/2006-18 S2- 1 £03 Accird5o n " 2803-00,431 Fl 2 créditos considerados (recolhimenurs idenillicados no pi ocedtmenio fiscal); as conlribuivóes (a devida - calculada em liinçâo da nova base-de-cUlculo delini(1a - separando a mule da emprou e do segurado), o débito remanescente também separando a park' da emplesa e do segurado), e as iespectivas lidluts do proce.sso onde constam OA document()) 6 4 Os denials documentos ruvesemados chnivos aos contribuintes iiidividieaL, hão identilicados nos a1eX0 I L' 11, 100 foram consulei ()dos na retificação do débito lançado 5s7O documenlos relativas a notasfLcw1 einitidas poi pessoas físicas, guias de tecolhimento lc"! aproprtadas (munch) lançamento do débito, e document()) nClo identificados como relacionados ao (Onto lançado Não consta nos autos registro da ciência do contribuinte em relação ao resultado da diligencia fiscal, tampouco sua manifestação. A decisão de primeira instancia administrativa fiscal .julgou procedente em parte o lançamento (fls.. 2951/2969) em razão da retificação do lançamento. O contribuinte tomou ciência da decisão em 08/05/2007 (fls. 2972), Inconformado apresentou recurso em 04/06/2007 (fi s, 2973/2987), alegando em sintese: Da Prelimina r. - cerceamento ao direito de defesa do recorrente 0 lançamento ora contestado esteve vinculado a outros 22 (vinte e dois) lançamentos previdenciários, todos levados ciência da contribuinte numa mesma data, o que indubitavelmente dificultou e criou obstáculos ao seu legitimo direito de defesa; - a decadência do lançamento; No Mérito - da ilegitima descaracterização do mutuo registrado contabilmentc pelo recorrente; - da necessidade de abertura de prazo para manjfestação sobre os termos da diligência fiscal As fls. 2889/2896. 0 recorrente em nenhum momento fbi intimado para se manifestar acerca do resultado da aludida diligencia realizada, a qual, presume-se, teria analisado o documentário apresentado, no tocante a comprovação do milituo, o que sem dúvida acarreta no cerceamento ao seu amplo direito de defesa, assegurado constitucionalmente; - as despesas com viagem devem ser julgadas improcedente, em razão da precariedade da sua fundamentação, tendo em vista a ausência cia devida e necessária análise do vasto documentário anexado aos autos ou, alternativamente, que seja então baixado presente feito ern diligencia, abrindo-se prazo para manifestação sobre as conclusões apresentadas; - os pagamentos efetuados em razão dos serviços de corretagem foram feitos a pessoas jurídicas; - por fim requer a nulidade do lançamento. Os autos foram encaminhados ao 2° Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda para apreciação do EMUS() (fls, 3025). At- É. o relatóri Voto Conselheiro HELTON CARLOS PRAIA DE. LIMA, Relator O recurso interposto tempestivamente (fis. 2992), pressuposto superado, passo ao exame das questões suscitadas. O contribuinte reivindica o direito de ser citado para tornar conhecimento do resultado da diligência fiscal (fis. 2889/2896) e prazo para contestá-la, em razão do principio da ampla defesa e contraditório. Assiste razão ao contribuinte pois o direito está esculpido no art. 5 " , inciso LV Constituição Federal cio Brasil de 1988. A analise de possíveis distorções pode e deve ser realizada pela autoridade fiscal, contudo deve ser devidamente fundamentada, possibilitando um procedimento fiscal que confira a amnia defesa e o contraditório,. sabido que a Administração Pública, no correto exercício de suas atribuições, deve buscar a realidade dos fatos, além das informações trazidas aos autos pelas partes . É. dever do administrador' trazer ao processo todas as provas que entender imprescindíveis ir sua livre convicção, desde que a sua produção se dê em conformidade corn a lei, por força cio que dispõe o art. 5, inciso LVI, da Constituição Federal de 1988. Na análise do "princípio da razoabilidade" a administração, ao exercer seu poder discricionário, terá de obedecer a critérios aceitáveis do ponto de vista racional, em sintonia com o senso normal das pessoas equilibradas e respeitosas das finalidades que presidiram a outorga da competência exercida (Mello, 1996, p. 63-4). A Lei n " 9,784/99, veda, como critério de atuação da administração nos processos administrativos, imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior aquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público" (art, 2°, inciso 1V).. Quanto no "principio da verdade material" a administração tem o direito e o dever de carrear pm o expediente todos os dados, informações e documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos (Medauar, 1993, p. 121, apud Néder e Lopez, 2002, p. 63). Assim, está em permanente tensão com o "principio da preclusão" e toca no julgador pondera-los adequadamente. A regra é clue as provas devem ser apresentadas juntamente corn a impugnação ou com a manifestação de inconformidade, no devido prazo legal, conforme artigo 15 cio Decreto n° 70.235. de 1972. No § 4' do artigo 16, a disposição foi repetida, mitigando a regra preclusiva nas circunstâncias eleneadas nas alíneas de ,i a ti a " ca , como segue: Art 16 inqnigna(ao mencionalii 4" .4 pova documental seur esentada no impugna0o, prechando O direito de o impugnante em outro momento proce,sual, ci mews que tIncluido pela Lei n" 9.532, de 1997) fique denumstrada U impossibilidade de .511(1 apresentaçao opm tuna, pot motivo de lbro maior,(Ineluido pela Lei a" 9.532, de 1997) lefira-e a . fluo ou a direito mperveniente;(Indaido pela Lei a" 9 532, de 1997) e) de,tine-s. e a contraporfitios ou razões posteriormente trazidos ¡JOS autos (Incluid) pelt, Lei n"9 532, de 1997) 4 Processo n 36202 003091/2006- I S2-1 E03 Ac6rdilo n " 2803-00,431 Fl 3 Revela-se, pois, irrelevante que a documentação comprobatória dos fatos tenha sido acostada aos autos no prazo ou não, A própria Câmara Superior de Recursos Fiscais tern acolhido esse entendimento: "PREVALÊNCIA DOS PRINCiPIOS DA BUSCA DA t'ILRDADE MATERIAL E DA OFICIALIDADE SOBRE 0 RIGOR FORMAL O objetivo CIO proceA.so adminislrativo fiscal e a ce .m.stata(ão ocorrência (ou não) elo liao gerador do igaer-ão ttilyaM lo Tendo a Administravão ciência ele que o ato admtniwrativei dc lançamento não seguia o ditennes do legalidade, ainda que atravês de documento /mach) laidiamente, deve o Fico. de oficio, revel- o cito (ACORDJO CSRF/03-04 382, Relator Nihon Luiz Bartoli, DOU 26 12 2006) Não consta nos autos registro da ciência do contribuinte em relação ao resultado da diligencia fiscal (fls. 2889/2896), tampouco sua manifestação CONCLUSÃO: Ante o exposto, considerando tudo que dos autos consta, ANULO A DECISÀO DE PRIMEIRA A INSTANCIA, e determino que a unidade de origem: taça saneamento dos autos, excluindo o periodo decadente se houver; - dê conhecimento ao contribuinte: a) da diligência fiscal (lis. 2889/2896), e b) do resultado do lançamento após a exclusão do period() decadente: abrindo prazo purr manifestação; - apresente contrarrazões, caso queira, aos argumentos do contribuinte quanto: a) à diligência fiscal (fls. 2889/2896), b) ao resultado do lançamento revisto em razão da decadência, e) ao recurso apresentado, bein como, d) outras informações que se fizerem necessárias; ao final, encaminhe os autos ao ÓRGÃO JULGADOR DE PRIMEIRA INSTANCIA para emitir nova decisão. o voto Sala das Sessões, em 03 de dezembro de 2010 HELTON C 'LIMA — Relator
score : 1.0
Numero do processo: 10280.721823/2009-73
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL
RURAL ITR
Exercício: 2005
SUJEIÇÃO PASSIVA, POSSUIDOR A QUALQUER TITULO.
Comprovado nos autos que o contribuinte detinha a posse do imóvel rural à época do fato gerador, é ele o sujeito passivo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural na qualidade de possuidor a qualquer título, sendo irrelevante a existência de documento legítimo de propriedade.
ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA RESERVA LEGAL — AVERBAÇÃO ATO
CONSTITUTIVO.
A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá suprimi-la da base de cálculo para apuração do ITR.
VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO.
A menos que o contribuinte apresente Laudo Técnico de Avaliação,
elaborado por engenheiro agrônomo ou florestal, com elementos de
convicção suficientes para demonstrar que o valor da terra nua é inferior ao valor constante do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal SIPT, mantém-se o valor arbitrado pela fiscalização.Recurso Negado
Numero da decisão: 2802-001.216
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.Ausente justificadamente o Conselheiro German Alejandro San Martin Fernandez..
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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Comprovado nos autos que o contribuinte detinha a posse do imóvel rural à época do fato gerador, é ele o sujeito passivo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural na qualidade de possuidor a qualquer título, sendo irrelevante a existência de documento legítimo de propriedade. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA RESERVA LEGAL — AVERBAÇÃO ATO CONSTITUTIVO. A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá suprimila da base de cálculo para apuração do ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. A menos que o contribuinte apresente Laudo Técnico de Avaliação, elaborado por engenheiro agrônomo ou florestal, com elementos de convicção suficientes para demonstrar que o valor da terra nua é inferior ao valor constante do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal SIPT, mantémse o valor arbitrado pela fiscalização.Recurso Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.Ausente justificadamente o Conselheiro German Alejandro San Martin Fernandez. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 (assinado digitalmente) Jorge Claudio Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora. EDITADO EM: 06/01/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lúcia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro German Alejandro San Martin Fernandez Relatório JAMEF TRANSPORTES LIMITADA, recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância, proferida pela Primeira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF, pleiteando sua reforma, nos termos do Recurso Voluntário apresentado. Tratase de exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR (fls. 01/04), no montante de R$ 218.270,06, relativo ao imóvel denominado Fazenda Jamef I, cadastrado na RFB sob o n° 5.504.8315, com área declarada de 8.000,0 ha, localizado no Município de Moju/PA. O lançamento decorre das seguintes alterações efetuadas de oficio na DITR apresentada: • Glosa Área de Reserva Legal não comprovada Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da área declarada (8.000,0 há) a titulo de reserva legal no imóvel rural. • Alteração do Valor da Terra Nua declarado não comprovado Após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou por meio de Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.6533 da ABNT. Desta forma, a fiscalização entendeu que o valor da terra nua (VTN) declarado de R$ 13.750,00 (RS 1,72/ha) estava subavaliado e com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), instituído pela Receita Federal arbitrou em R$ 491.760,00 (R$ 61,47/ha). Consequentemente elevou a área tributável/área aproveitável e o VTN tributável, resultando o imposto suplementar de R$98.342,60, conforme demonstrado às fls. 03. Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou tempestivamente impugnação, alegando, consoante o relatório da decisão de primeira instância o seguinte: Fl. 253DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10280.721823/200973 Acórdão n.º 2802001.216 S2TE02 Fl. 2 3 • esclarece que firmou contrato de compra e venda das Fazendas denominadas Jamef, Jamef I, Jamef II, Jamef III, Jamef IV, Jamef V, Jamef VI, Jamef VII, Jamef VIII, Jamef IX, Jamef X e Jamef XI, com área de 106.000,0 ha, dentro da porção de terra maior da Fazenda Santa Rita, com Carlos Evandro Pontes Pinto; • informa que, apesar de lavrado o contrato de compra e venda no Cartório do 2º. Ofício de Notas da Comarca de Belém do Pará, a impugnante nunca registrou na Matrícula do Imóvel a aquisição, por impossibilidade jurídica e/ou por ordem judicial, lembrando que a titularidade, ou seja, o domínio só se transfere com o registro no Cartório de Registro de Imóveis, logo, ao tempo dos lançamentos, não era proprietária do imóvel; • informa que, também, não tomou posse, sequer a título precário, nunca tendo exercido o domínio útil; • salienta que, em 2001, o Instituto de Terras do Pará (ITERPA) ajuizou perante a Comarca de IgarapéMiri ação de nulidade e cancelamento de matrícula, transcrições e averbações da propriedade, na qual foi deferida antecipação de tutela para que não houvesse mais qualquer anotação na matrícula desde a aquisição originária em 1967; • esclarece que, não obstante os fatos narrados que constituem impedimento para a aquisição da propriedade, o exercício da posse ou do domínio útil do bem, recolheu os tributos incidentes sobre a terra, a fim de resguardar seus interesses; • entende que os lançamentos ofendem o texto constitucional, sendo inválidos e inexistentes, em face da imunidade recíproca prevista no art. 150, VI, "a", da Constituição da República, posto que essa regra de não incidência faz que jamais qualquer imposto de natureza "propter rem " possa recair sobre o imóvel, sejam aqueles já recolhidos, seja o lançamento suplementar, posto que a procedência da citada ação enseja a que o estado do Pará se torne o único proprietário do imóvel que se cobra o ITR; • considera que não houve a ocorrência do fato gerador do ITR, pois não teria a propriedade do imóvel, já que essa se adquire pelo registro do título aquisitivo na matrícula do imóvel, como determina o art. 1.245 do Código Civil, posto que não registrou o instrumento público de compra e venda na matrícula do imóvel, em anexo, logo não é contribuinte do ITR, e não praticou seu fato gerador, além de não ter sido eleita pela legislação como devedora solidária; • salienta que não se pode dizer que não promoveu o registro na matrícula do imóvel por inércia, porquanto ainda que o quisesse não poderia fazêlo, porque existe impedimento judicial para que tal ato se formalize e se aperfeiçoe certidão processual contendo a ordem impeditiva, em anexo; Fl. 254DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 • esclarece que as terras compradas de Carlos Evandro Pontes Pinto decorrem de desmembramento da Fazenda Rio Doce, propriedade que foi adquirida por Francisco Melo Almeida, declarada em Registro Torrens nos idos de 1964 e que o ITERPA vindica nulidade desse Registro por meio da Ação Anulatória 2001.1001146, que tramita na Comarca de IgarapéMiri/PA, com o fundamento de inexistência de qualquer processo naquela Comarca de Registro Torrens da referida área; • esclarece, ainda, que o Sr. Francisco Melo Almeida, após ação julgada procedente declarando como dono da área maior, onde se insere a gleba do ITR cobrado, ensejou que vendesse parte das terras a Carlos Evandro Pontes Pinto, que fez nova venda de parte dela à impugnante; • salienta que a Ação Anulatória ataca o nascedouro da cadeia dominial, ou seja, aquele Registro Torrens declarado em sentença de 1964, assim julgada procedente a ação anulatória, será anulado o título aquisitivo de Carlos Evandro Pontes Pinto, logo não poderá adquirir a propriedade pelo título translativo que ostenta; • ressalta que a existência da Ação Anulatória demonstra e reforça o fato de que jamais deteve a propriedade do bem, fato gerador do ITR cobrado; • registra que, como demonstração da completa ausência de propriedade pela impugnante, o fato de que a ação foi dirigida contra os proprietários conhecidos da área, onde não consta a impugnante sequer como pólo passivo, documentação em anexo; • entende que a notificação de lançamento é insubsistente, posto que o lançamento elegeu como contribuinte ou devedora solidária quem não praticou o fato gerador, ou mesmo, sem expressa disposição legal; • afirma que, desde de que firmado o negócio translativo da propriedade, ou mesmo antes disso, nunca exerceu qualquer direito relativo à posse, conforme definido no art. 1.196 do Código Civil, e nunca desenvolveu qualquer atividade econômica ou de conservação da propriedade; • ressalta que, mesmo depois de concretizada a compra e venda do imóvel, o ITERPA não a reconhecia como possuidora do bem, o que se nota do Edital de Convocação dos conhecidos possuidores da área que se cobra o ITR para apresentarem títulos, escrituras, documentos, informações de interesse, testemunhas ou outras provas que fundamentem o direito de propriedade, e nesse Edital não consta a impugnante, já que não era conhecida como possuidora da área; • conclui que, se nunca exerceu a posse do imóvel, não pode ser eleita como sujeito passivo, não podendo subsistir a notificação de lançamento; Fl. 255DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10280.721823/200973 Acórdão n.º 2802001.216 S2TE02 Fl. 3 5 • salienta que, como comprovam o instrumento público de compra e venda do imóvel, assim como sua matrícula, essas terras nunca foram objeto de enfiteuse, assim nunca foi titular de domínio útil, portanto jamais praticou o fato gerador, motivo que a exclui da legitimidade passiva do tributo, pelo que devem ser julgadas improcedentes as notificações de lançamentos; • ressalta que o ITR é um tributo sujeito ao lançamento por homologação, na modalidade prevista no art. 150 do CTN, e que a data do fato gerador do ITR do exercício 2004 é 1°.01.2004 e que em 1°.01.2009 os tributos cujos fatos geradores ocorreram no ano de 2004 tiveram seus pagamentos tacitamente homologados nessa data, sem qualquer ressalva da Fazenda Nacional; • ressalta, também, que decorreram 5 anos do fato gerador e a Receita Federal procedeu ao lançamento por arbitramento suplementar somente em 08.06.2009, tornandose inválido o ato administrativo, posto que decaiu deste direito em 01.01.2009 e transcreve Ementas de Decisões Judiciais para referendar sua tese; • discorre sobre seu entendimento da desnecessidade do ADA, já que a legislação que institui o ITR não exige qualquer obrigação acessória para a exclusão da base de cálculo das áreas previstas no art. 10 da Lei n° 9.393/96, já que a suposta exigência do ADA com base na IN/SRF n° 256/2002 fere o princípio da legalidade estrita previsto no art. 5o , II, da Constituição da República; • ressalta que o art. 10 da Lei n° 9.393/96 determina expressamente em seu caput que "a apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária", dizendo textualmente na alínea "a" do inciso II do art. 10 que são áreas de "preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771", concluindo que a exclusão da base de cálculo das citadas áreas decorrem "pelo só efeito dessa lei", já que não há necessidade de um ato administrativo posterior para reconhecer o que a própria lei já atribui afeitos jurídicos; • reitera que a exigência do ADA não tem qualquer validade, pois a Lei Federal Código Florestal e Lei n° 9.393/96 determina que basta o preenchimento das características das áreas dispostas nessa legislação como fato bastante para a exclusão da base de cálculo pelo contribuinte e cita Ementas de Decisões Judiciais para referendar seus argumentos; • considera que o conceito do VTN é dado pelo art. 8o , § 2o , da Lei n° 9.393/96, que determina que o VTN é o "preço de mercado da terra" e que esse dispositivo legal não faz qualquer menção à forma de apuração desse valor, não exigindo seu cálculo em conformidade com nenhuma norma regulamentadora; Fl. 256DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 • entende que não há qualquer comando normativo que determine que se deva levantar o VTN seguindo a NBR 14.6533 da ABNT, salientando que a referida norma não é uma das espécies legislativas, pelo que não obriga qualquer cidadão a seguíla, tratandose de norma regulamentadora expedida por pessoa jurídica de direito privado e que o arbitramento com base em atendimento a NBR afronta o princípio da legalidade estrita, previsto no art. 5o , inciso II, da Constituição da República; • salienta que, ainda que fosse exigível a elaboração de laudo de avaliação em conformidade com a NBR, que entrou em vigor em 01.07.2004, ela não pode ser aplicada ao exercício de 2004, já que na data do fato gerador do imposto, em 1°.01.2004, não estava em vigor, não podendo ser exigido seu cumprimento em data anterior a sua entrada em vigor; • conclui que o VTN de 2004, o que se diz apenas por eventualidade, deve ser mantido na forma elaborada, e se for o caso de sua aplicação, que ela ocorra somente após a sua entrada em vigor, para a apuração do VTN de 2005; • quanto aos recolhimentos do ITR realizados, esclarece que mesmo não tendo sido praticado nenhum dos fatos geradores do tributo, se deram em virtude da lavratura de um contrato de compra e venda e que diante da constatação da possibilidade de anulação desse negócio jurídico, entendeu necessário resguardar seus interesses sobre a propriedade, mas considera que os tributos foram pagos indevidamente e serão, oportunamente, objeto de pedido de repetição de indébito pela via adequada; • argumenta que, se as pessoas citadas (proprietárias, posseiras ou foreiras das terras) no Edital de Intimação promovido pelo INTERPA, que representam 123 pessoas físicas e 12 pessoas jurídicas, fizeram o pagamento do ITR, excluindo da base de cálculo as áreas de preservação permanente e reserva legal, e não foram intimadas de lançamento suplementar, restaria claro que o presente lançamento impugnado é nulo, pois contraria o princípio da igualdade previsto na Constituição da República; pelo exposto, requer sucessivamente: a) que sejam anulados os lançamentos suplementares por ausência de prática do fato gerador do ITR; b) a anulação dos lançamentos impugnados por inexigibilidade de ADA para exclusão da base de cálculo; c) que seja reconhecida a imunidade recíproca com efeitos que daí dimanam; d) que sejam declarados nulos os lançamentos impugnados tendo em vista o princípio da igualdade tributária. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10280.721823/200973 Acórdão n.º 2802001.216 S2TE02 Fl. 4 7 A Primeira Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF), ao examinar o pleito, proferiu o acórdão n°. 0342.286, de 23 de março de 2011, que se encontra às fls. 209 a 231, cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 DA DECADÊNCIA Na modalidade do lançamento por homologação, o prazo qüinqüenal legalmente previsto para revisão do valor do ITR apurado e recolhido, integralmente ou de forma parcelada, pelo contribuinte, dentro do próprio exercício de referência do imposto, iniciase na data da ocorrência do respectivo fato gerador, com fulcro no artigo 150, § 4o , do Código Tributário Nacional (CTN). No caso, o crédito tributário constituído no prazo qüinqüenal legalmente previsto, por meio da ciência da Notificação de Lançamento pelo sujeito passivo, na qualidade de contribuinte do imposto, ilide a decadência. DO FATO GERADOR DO ITR E DO SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. Constando nos autos documentos que comprovam a propriedade de imóvel rural, há a ocorrência do fato gerador do imposto. O proprietário do imóvel rural é contribuinte do ITR. Não comprovada a perda da propriedade do imóvel, por Ação de Nulidade e Cancelamento de Registro, em período anterior à ocorrência do fato gerador do ITR/2005 (1°.01.2005), deve ser mantida a contribuinte no pólo passivo da relação jurídicotributária. DA NULIDADE LANÇAMENTO Contendo a Notificação de Lançamento todos os requisitos obrigatórios previstos no Processo Administrativo Fiscal (PAF) e tendo sido o procedimento fiscal instaurado em conformidade com as normas e os princípios constitucionais vigentes, possibilitando ao contribuinte exercer plenamente o seu direito de defesa, não há que se falar em qualquer irregularidade que macule o lançamento (Nulidade). IMUNIDADE RECÍPROCA. INAPLICABILIDADE Fl. 258DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 Não comprovado nos autos que o imóvel integra o patrimônio do Estado do Pará, por Decisão Judicial transitada em julgado, na data do fato gerador do imposto, não há que se cogitar do beneficio da imunidade recíproca prevista na Constituição da República. DAS ÁREAS DE RESERVA LEGAL As áreas de reserva legal, para fins de exclusão da tributação do ITR, devem estar incluídas no Ato Declaratório Ambiental (ADA) protocolado tempestivamente junto ao IBAMA, além de averbadas, em tempo hábil, à margem da matrícula do imóvel. DO VALOR DA TERRA NUA (VTN) SUBAVALIAÇÃO Deve ser mantido o VTN arbitrado pela fiscalização, com base no SIPT, por falta de documentação hábil (Laudo Técnico de Avaliação, elaborado por profissional habilitado, com ART devidamente anotada no CREA, em consonância com as normas da ABNT NBR 14.6533), demonstrando, de maneira inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preço de mercado, à época do fato gerador do imposto, e a existência de características particulares desfavoráveis, que pudessem justificar a revisão do VTN em questão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada do Acórdão de primeira instância, em 18/04/2011 (vide AR de fl.233), a contribuinte apresentou, em 17/05/2011, tempestivamente, o recurso de fls, 234 a 244, no qual, após breve relato dos fatos, dos fatos, expõe as razões de sua irresignação a seguir sintetizadas: • DA NULIDADE DO REGISTRO DO IMÓVEL DO EFEITO EX TUNC Ação de Nulidade e Cancelamento de Matrícula proposta pelo Estado do Pará, através do ITERPA 1. alega que a instância "a quo" rejeitou o pedido de reconhecimento da imunidade recíproca, que decorreria da procedência da ação 2001.1.0000053, que corre na Comarca de Igarapé Miri/PA, onde o Estado do Pará ataca o registro torrens, e consequentemente toda a cadeia dominial, do imóvel NIRF 5.504.8315, sob a alegação de que tal processo tem apenas decisão interlocutória impedindo qualquer registro ou averbação na matrícula cartorária, não havendo transito em julgado de decisão favorável ao Estado do Pará, que vindica as terras. 2. ressalta que ainda que o fisco não concorde com as suas argumentações, mister se faz a aplicação do principio da coerência e em especial da razoabilidade, posto que pendente a definitividade de quem tem a posse e/ou a propriedade não só, no seu caso, mas de dezenas de outros "pseudos" proprietários físicos e jurídicos como expostos nas suas razões de defesa. Assim e por tais razões o possível crédito tributário deve ser suspenso Fl. 259DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10280.721823/200973 Acórdão n.º 2802001.216 S2TE02 Fl. 5 9 até o fim daquela ação judicial, pelo simples fato de que, uma vez procedente o feito, o Estado do Pará se tornará único dono do bem imóvel. 3. Assevera que não se olvide que se procedente a ação proposta pelo ITERPA, a sentença que advier é de cunho declaratório, cujos efeitos serão "ex tunc", alcançando e tornando nulo todos os registros e averbações na referida matrícula ocorridos após o registro torrens declarado nulo, inclusive o registro do contrato de compra e venda da Recorrente. • Do reconhecimento das áreas de reserva legal A Autoridade julgadora manteve a glosa das áreas de reserva legal declaradas.pela Recorrente na DIITR/2005, sob dois argumentos: Primeiro: "A primeira exigência averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente de caráter específico, encontrase prevista originariamente, na Lei n° 4.771/1965 (Código Florestal), com redação dada pela Lei n° 7.803/1989, e foi mantida nas alterações posteriores. Desta forma, ao se reportar a essa lei ambiental, a Lei n° 9.393/1996, aplicada ao exercício em questão, está condicionado, implicitamente, a » não tributação das áreas de reserva legal à efetivação da averbação." Inicialmente cumpre esclarecer que a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel tem o único efeito de tornar públicas as características ambientais do imóvel, que trazem restrições ao seu uso, ou seja, tratase apenas de uma obrigação para resguardar o direito de terceiros, e obrigação acessória, como prevista no artigo 113, parágrafo 2o do CTN, onde expressamente fica determinado que as obrigações acessórias devam ser instituídas pela legislação tributária, sendo certo que a Lei 4.771/65 não é legislação tributária. Assim, não há previsão legal para que a isenção do ITR incidente sobre áreas de reserva legais dependam de averbação dela na matrícula do imóvel. Não havendo previsão legal expressa determinando que seja condição "sine qua non" para reconhecimento da isenção em tela a averbação da reserva legal, a Autoridade julgadora de Primeira Instância contrariou a legislação em vigor, merecendo reforma a decisão, no que toca este fundamento. Segundo: "Além dessa primeira exigência (averbação tempestiva à margem da matrícula para a área de reserva legal), não comprovada pela requerente, também, se fazia necessário comprovar nos autos, para justificar a exclusão de tributação da declarada área de reserva legal de 8.000,00 ha, a protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA) do IBAMA. Essa exigência de caráter genérico, aplicada a qualquer área ambiental, seja de preservação permanente ou de utilização limitada (RPPN, Fl. 260DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 Servidão Florestal, Área Imprestável/Declarada como de Interesse Ecológico ou de Reserva Legal), que advém desde o ITR/1997 (art. 10, § 4°, da IN/SRF n° 043/1997, como redação dada pelo art. 1o da IN/SRF n° 67/1997), para o exercício de 2005, encontrase prevista na IN/SRF n° 256/2002 (aplicada ao ITR/2002 e susbsequentes), no Decreto n° 4.382/2002 RITR (art. 10, § 3°, inciso I), tendo como fundamento o art. 170 da Lei n° 6.938/81. Em especial o caput e parágrafo 1o, cuja atual redação foi dada pelo art. 1o da Lei n° 10.165, de 27 de dezembro de 2000..." Vêse que a Autoridade julgadora "a quo" buscou validade para o lançamento atacado no parágrafo 1o do artigo 170 da Lei 6.938/81, que assim dispõe: "Art. 170. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei n° 9.960, de 29 de janeiro de 2000. a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei n° 10.165. de 2000) § 1 A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (Redação dada pela Lei n° 10.165. de 2000)" Contudo, devese ter em mente duas coisas: a primeira; como já demonstrado, o citado parágrafo único do artigo 170, da Lei 6.938/81, não constitui uma obrigação acessória nos moldes do parágrafo 2o, do artigo 113, do CTN. Logo, o direito à isenção do ITR incidente sobre as áreas de reserva legal não está condicionado ao cumprimento de qualquer ato. Decorre unicamente do estado de fato das terras, isenção esta que já está definida e concedida pela legislação, como adiante se demonstrará. Segundo; ainda que se possa dar algum cunho de legislação tributária à norma acima citada, a exigência do referido ADA somente poderia recair sobre as áreas que seriam excluídas da tributação por iniciativa do contribuinte, áreas que não consistem em reserva legal, tais como servidão florestal, área imprestável, área de manejo florestal, enfim, qualquer porção de terreno que não esteja enquadrada nas características do inciso III, do parágrafo 2o, do artigo 1o, da Lei 4.771/65. De um modo mais simples, hipoteticamente, tomandose como verdadeira a premissa acima, poderia ser exigido o ADA para isenção de áreas que não configuram reserva legal, nos termos da legislação, onde a isenção decorreria da previsão legal, condicionada a algum ato do Poder Público. Contudo, as áreas de reserva legal estão isentas pela legislação já citada, sem qualquer necessidade de reconhecimento pelo Poder Estatal. Por outro lado, forte na redação do artigo 10 da Lei 9.393/96, que assim dispõe: Fl. 261DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10280.721823/200973 Acórdão n.º 2802001.216 S2TE02 Fl. 6 11 "Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1o Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias;] b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira agrícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; (Redação dada pela Lei n° 11.428. de 2006); Fl. 262DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 12 e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluído pela Lei n° 11.428, de 2006). f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluído pela Lei n° 11.727, de 2008)" Ou seja, a legislação que determinou que o ITR fosse apurado e recolhido por iniciativa do próprio contribuinte, sem qualquer intervenção estatal. Assim, vêse que não há qualquer possibilidade de interpretação conjunta da Lei 6.938/81 com a Lei 9.393/96, uma vez que esta última está inserida no arcabouço da legislação tributária, enquanto a primeira não pertence a este campo, estando localizada no campo do direito ambiental. São sistemas legislativos diferentes, que buscam validade em locais diferentes da Constituição Federal. Logo, o artigo 10°, da Lei 9.393/96, deve ser interpretado de forma literal, e sem intervenção de qualquer outra norma legal. Assim, a decisão guerreada ao dar validade jurídica ao lançamento impugnado, através do disposto do artigo 170 da Lei 6.938/81, fugiu dos preceitos normativos e da interpretação jurídica acima exposta, devendo ser reformada para que seja corretamente aplicado o artigo 10, da Lei 9.393/96, e via de consequência anular a glosa das áreas de reserva legal, bem como do imposto lançado de ofício, juros de mora e multa de ofício estampados na Notificação de Lançamento 02101/00165/2009. A recorrente insiste na argumentação de que a falta do ADA não é fundamento legal para a glosa das áreas de reserva legal. Para reforçar sua defesa transcreve vasta jurisprudência desse Conselho. • Do valor da terra nua (VTN Ratifica as razões apresentadas na impugnação e , requer que seja reformada a decisão, para manter o VTN declarado. Acaso não seja este o entendimento desta Seção de Julgamento, que seja determinado o retorno da Notificação de Lançamento para Autoridade Fiscal, para que seja arbitrado conforme diretrizes da ABNT. É o relatório. Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite O recurso de fls. 234 a 244 é tempestivo, consoante o cotejo do AR – Aviso de Recebimento de fl. 233 protocolo de recepção aposto à fl. 234. Estando dotado, ainda, dos demais requisitos formais de admissibilidade, dele conheço. Em análise do argüido, observase que a defesa está centrada na preliminar de ilegitimidade passiva, No mérito, alega que as exigências para gozo da isenção das áreas de Fl. 263DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10280.721823/200973 Acórdão n.º 2802001.216 S2TE02 Fl. 7 13 interesse ambiental declarada estariam prejudicadas face a existência de decisão judicial e, caso seja mantido o lançamento, requer a revisão do VTN arbitrado pela fiscalização. De se analisar cada uma dessas questões. • Sujeição passiva O objeto do presente processo é a Notificação de Lançamento que diz respeito a imposto a propriedade territorial rural (ITR), referente ao imóvel denominado FAZENDA JAMEF I, localizado no Município de MOJU (PA), no exercício 2005, em face da glosa de valores apresentados na declaração do tributo, por falta de comprovação, mediante documentação hábil e idônea das informações prestadas na declaração do ITR, a titulo de: i) Área de Utilização Limitada — Reserva Legal – 8.000,00 ha para 0,00 há 1 processo judicial alegado pela empresa ainda não transitou em julgado Comarca de Igarapé Miri n° 2001.1.0000053.ii) Valor da Terra Nua — de R$ 13.750,00 (RS 1,72/ha) estava subavaliado e com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), instituído pela Receita Federal arbitrou em R$ 491.760,00 (R$ 61,47/ha). Consequentemente elevou a área tributável/área aproveitável e o VTN tributável, resultando o imposto suplementar de R$98.342,00. • Primeiramente, alega o recorrente não que, apesar de lavrado o contrato de compra e venda no Cartório do 2º. Ofício de Notas da Comarca de Belém do Pará, a impugnante nunca registrou na Matrícula do Imóvel a aquisição, por impossibilidade jurídica e/ou por ordem judicial, lembrando que a titularidade, ou seja, o domínio só se transfere com o registro no Cartório de Registro de Imóveis, logo, ao tempo dos lançamentos, não era proprietária do imóvel; • Não tomou posse, sequer a título precário, nunca tendo exercido o domínio útil do imóvel; • em 2001, o Instituto de Terras do Pará (ITERPA) ajuizou perante a Comarca de IgarapéMiri ação de nulidade e cancelamento de matrícula, transcrições e averbações da propriedade, na qual foi deferida antecipação de tutela para que não houvesse mais qualquer anotação na matrícula desde a aquisição originária em 1967; Importante esclarecer que na notificação fiscal consta como Complemento da Descrição dos Fatos e ENQUADRAMENTO LEGAL que os valores apurados neste Lançamento de Oficio decorrem da falta de: ................................................................................ O processo judicial alegado pela empresa ainda não transitou em julgado (Comarca de Igarapé Miri n° 2001.1.0000053). (fls.2 arquivo 6534095) A decisão de primeira instância julga procedente o lançamento sob a fundamentação de que: “Como não há nos autos a comprovação do cancelando, ou da anulação, do registro, às fls. fls. 88 e verso e 99 e verso, Fl. 264DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 14 o Registro continua produzindo seus efeitos a teor do art. 252 da Lei n° 6.015/1973, verbis: "Art 252 O registro, enquanto não cancelado, produz todos os efeitos lesais ainda que, por outra maneira, se prove que o título está desfeito, anulado, extinto ou rescindido ". (grifei) Assim, não comprovado que a contribuinte perdeu a propriedade do imóvel de NIRF n° 5.504.8315, por meio de Decisão Judicial transitada em julgado, conforme, inclusive, mencionado na "Descrição dos Fatos" pela autoridade autuante, às fls. 02, não há como afastar, pelos documentos constantes dos autos, a responsabilidade da contribuinte pelo ITR, relativo ao exercício de 2005, já que a mesma é a proprietária do imóvel à época do fato gerador do ITR/2005 01.01.2005). período objeto do presente processo, razão pela qual, inclusive, foi apresentada, em seu nome, a DITR correspondente.” Por sua vez a recorrente apresenta às fls. 111 a 161 , documentos relativos ao processo 2001.1.0000053, citado na Notificação de Lançamento Suplementar. Em pesquisa realizada na rede mundial de computadores internet, no site: http://200.217.195.100/consultasProcessuais/1grau/, dia 22 de novembro de 2011, às 20:52 horas, verifiquei que o processo recebeu nova numeração 000003279.2001.814.0022, e encontrase na situação BAIXADO, com o seguinte despacho: “ DECISÃO INTERLOCUTÓRIA Tratam os presentes autos de Ação de anulação de Registro Público de Imóvel proposta pelo Instituto de Terras do Para contra Manoel Francisco da Paz. Observase que o feito tem como causa de pedir o cancelamento do registro de imóvel rural localizado a margem esquerda do Rio Moju, no Município de Moju com matrícula no Cartório de Registro de Imóveis desta Comarca, conforme documentos de fls. 22 a 32. Nos termos do art. 167 da Constituição Estadual e o art. 2º da Resolução no. 18/2005 do Egrégio Tribunal de Justiça do Estado do Para, o Juízo competente para conhecer do pedido é o da Vara Agrária. Posto isto, com fulcro no art. 113 do Código de Processo Civil e na legislação acima referida, declino da competência e determino a remessa dos autos a Vara Agrária de Castanhal, competente para exame e julgamento do feito, nos termos da Resolução nº. 21/2003, item I, número 41 do TJE. Intimemse as partes. Decorrido o prazo para eventual recurso, o que o cartório certificarão, remetamse os autos a Vara Agrária de Castanhal, dando baixa na distribuição. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10280.721823/200973 Acórdão n.º 2802001.216 S2TE02 Fl. 8 15 IgarapéMiri, 10 de setembro de 2007. Ana Patrícia Nunes Alves Fernandes Juíza de Direito” Como se vê, a informação que consta nos autos (fls. 112) é que o Processo 2001,1.0000053, foi baixado, e o Juiz determinou a sua remessa a Vara Agrária de Castanhal, que é competente para exame e julgamento do feito, nos termos da Resolução nº. 21/2003, item I, número 41 do TJE. É sabido que o contribuinte do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR "é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título" (art. 41 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996). A Instrução Normativa SRF nº. 73, de l8 de julho de 2000, esclarece ainda que (grifei): Art. 4° Contribuinte do 1TR é I — o proprietário de imóvel rural; II— o titular do domínio útil; III— o possuidor por usufruto; e IV— o possuidor a qualquer titulo. § 1º É titular do domínio útil aquele que adquiriu o imóvel rural por enfiteuse ou aforamento. § 2º Para efeito do ITR, é possuidor a qualquer título aquele que tem a posse do imóvel. I — com justo título e boafé, 11— sem oposição, independentemente de Justa título e boafé, 111— por ocupação autorizada, ou não, pelo Poder Público; ou IV — por promessa ou compromisso particular de compra e venda. Portanto, o fato gerador do ITR ocorre em 1º de janeiro de cada ano (art. da Lei nº 9.393 de 1996), ou seja, para o exercício 2005, é o dia 01/01/2005. Assim, o fato de os registros de propriedade terem sido anulados ou não, pela decisão judicial não tem o condão de afastar a recorrente do pólo passivo da obrigação tributária. Isso porque, independentemente de a contribuinte ser a legítima proprietária do imóvel rural em questão, ficou demonstrado que ela era possuidora a qualquer título do mesmo, ainda que de forma irregular, à época do fato gerador (01/01/2005), explorandoo Fl. 266DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 16 economicamente e, portanto, nos termos da legislação que rege a matéria, ela era a contribuinte do ITR. Destarte, rejeitase a preliminar de ilegitimidade passiva. • Área de reserva legal No tocante à Área Utilização Limitada — Reserva Legal, o lançamento se animou no fato de que o agente fiscal considerou não ter o sujeito passivo apresentado documentação de respaldo para a exclusão daquela área da base de cálculo do tributo. Não se discute nos autos sobre o cancelamento do registro da matrícula do imóvel de propriedade da recorrente objeto do presente lançamento, uma vez que, conforme já esclarecido no item anterior, é irrelevante a existência de título legítimo de propriedade, já que foi caracterizada como contribuinte do ITR por estar comprovado nos autos que detinha a posse do imóvel rural na data do fato gerador (01/01/2005), mesmo que sem autorização do Poder Público. Para que esteja devidamente formalizada, à luz do ordenamento jurídico brasileiro, a Área de Utilização Limitada — Reserva Legal deve estar devidamente averbada no registro imobiliário. Entretanto, em relação à da reserva legal, existe ainda condição a ser cumprida para que a contribuinte possa gozar do beneficio da isenção, sendo oportuno transcrever o art. 10, § 1º, inciso II, alínea "a", da Lei nº. 9.393, de 1996, verbis: Art. 10.[...] § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá.. [...] II área tributável, a área total do imóvel,menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº. 7 803, de 18 de julho de 1989; [...] A lei tributária reportase ao Código Florestal (Lei nº. 4.771, de 15 de setembro de 1965), no qual se deve buscar a definição de reserva legal (art. 1º, § 2º, inciso III): Art. 1º [...] § 2º Para os efeitos deste Código, entendese por (Incluído pela Medida Provisória nº.16667, de 2001) [...] III Reserva Legal: área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e Fl. 267DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10280.721823/200973 Acórdão n.º 2802001.216 S2TE02 Fl. 9 17 flora nativas, (Incluído pela Medida Provisória nº 16667, de 2001) [...] O mandamento que determinou a averbação da área de Reserva Legal à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, foi inserido no § 8°, do artigo 16 da Lei n° 4:771, de 15/0911965 o chamado Código Florestal, pelo artigo 1° da Medida Provisória nº.16667, de 24/08/2001, litteris: Art. 16 As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação especifica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam manadas, a título de reserva legal, no mínimo: (...) §8º A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (destaques da transcrição) Por oportuno, cabe ressaltar que a averbação de determinada área imobiliária como reserva legal não se trata de formalidade, mas sim de ato constitutivo, vez que modifica o direito real sobre o imóvel, conforme determina o artigo 1.227 do Código Civil: Art. 1.227 Os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com o registro no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos (arts 1.245 a 1.247), salvo os casos expressos neste Código. O Código Florestal define, ainda, percentuais mínimos da propriedade rural que devem ser destinados à reserva legal, para cada região do país (art. 16, incisos I a IV), assim como determina que a referida área seja averbada à margem da inscrição da matricula do imóvel no Cartório de Registro de Imóveis (art., 16, § 8º). Como se percebe, diferentemente da área de preservação permanente, em que a demarcação de tais áreas encontrase na lei ou em declaração do Poder Público, no caso da reserva legal, a lei fixa apenas percentuais mínimos a serem observados, cabendo ao proprietário/possuidor escolher qual área de sua propriedade será reservada para proteção ambiental. A simples observância dos percentuais mínimos estabelecidos na lei não garante o beneficio fiscal, pois somente com a averbação delimitase a área de reserva legal Fl. 268DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 18 sobre a qual passa a ser vedada qualquer alteração na "sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área" (art. 16, § 8º, do Código Florestal). Convém lembrar, ainda, que "os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com o registro no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos (arts, 1.245 a 1.247), salvo os casos expressos neste Código" (art. 1.227 do Código Civil). Assim, somente a partir da averbação da reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis é que o uso da área corresponde fica restrito às normas ambientais, alterando o direito de propriedade e influindo diretamente no seu valor. Não se trata, portanto, de mera formalidade, mas verdadeiro ato constitutivo. O entendimento acima exposto já foi defendido com muita propriedade no julgamento do Mandado de Segurança n° 226889/PB, no Supremo Tribunal Federal — STF (publicado no Diário de Justiça de 28/04/2000), pelo Ministro Sepúlveda Pertence, que a seguir transcrevese: A questão, portanto, é saber, a despeito de não averbada se a área correspondente à reserva legal deveria ter sido excluída da área aproveitável total do imóvel para fins de apuração da sua produtividade nos termos do art 6°, caput, parágrafo, da Lei 8.629/93, tendo em vista o disposto no art 10, IV dessa Lei de Reforma Agrária. Diz o art. 10. Art. 10 Para efeito do que dispõe esta lei, consideramse não aproveitáveis: (...) IV as áreas de efetiva preservação permanente e demais áreas. protegidas por legislação relativa à conservação dos recursos naturais e à preservação do meio ambiente. Entendo que esse dispositivo não se refere a uma fração ideal do imóvel, mas as áreas identificadas ou identificáveis. Desde que sejam conhecidas as áreas de efetiva preservação permanente e as protegidas pela legislação ambiental devem ser tidas como aproveitadas. Assim, por exemplo, as matas chiares, as nascentes, as margens de cursos de água, as áreas de encosta,os manguezais. A reserva legal não é uma abstração matemática. Há de ser entendida como zuna parte determinada do imóvel. Sem que esteja identificada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obri8gações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe. Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel, o que dos novos Fl. 269DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10280.721823/200973 Acórdão n.º 2802001.216 S2TE02 Fl. 10 19 proprietários só estaria obrigado por a preservar vinte cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserva, proporcional à diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada a proibição da mudança de sua destinação nos casos de transmissão a qualquer título ou de desmembramento, que a lei florestal prescreve Estou assim em que, sem a averbação determinada pelo § 2º. do art. 16 da Lei n° 4 771/65, não existe a reserva legal. (os destaques não constam do original) Quanto ao prazo para o cumprimento dessa exigência específica, cabe lembrar que o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador da obrigação, conforme disposto no art. 144 do CTN, e que fato gerador do ITR o dia 12 de janeiro de cada ano (o art. 1 , caput, da Lei nº.9393, de 1996). Dessa forma, concluise que a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel deve ser efetivada até a data do fato gerador da obrigação tributária, para fins de isenção do ITR correspondente. No caso dos autos, a contribuinte não comprovou a averbação da reserva legal à margem da matrícula do imóvel à época do fato gerador nem tampouco apresentou Termo de Ajustamento de Conduta firmado até aquela data, razão pela qual mantémse a glosa efetuada. Destarte, na espécie, não cabe excluir qualquer área ambiental declarada do ITR/2005, para efeitos de exclusão de tributação, mantendose a glosa da área de reserva legal declarada de 7.400,0 há efetuada pela fiscalização. • Valor da terra nua O art, 14, caput e §1º., da Lei nº.9.393, de 19 de dezembro de 1996, autoriza a Receita Federal, no caso de falta de entrega de declaração ou de subavaliação, fixar o valor da terra nua com base em sistema por ela instituído, utilizando informações sobre preços de terras que deverão considerar os levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, observados os critérios estabelecidos no art. 12, 1º, inciso II, da Lei nº. 8.629, de 25 de fevereiro de 1993. Nesse contexto, foi aprovado o Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal SIPT, pela Portaria SRF nº. 447, de 28 de março de 2002, alimentado com os valores de terras e demais dados recebidos das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, e com os valores de terra nua da base de declarações do ITR (art. 3º da Portaria SRF nº 447, de 2002). No caso em concreto, a fiscalização arbitrou o VTN com base em informação fornecida pela Secretaria Estadual de Agricultura extraído do SIPT (fl. 2), A simples correção do valor de aquisição, como pretende a recorrente, não serve para fins de determinação do VTN, uma vez que o art, 8º, § 2º, da Lei nº 9,393, de 1996, determina que o VTN "refletirá o preço de mercado de terras, apurado em 1º de janeiro do Fl. 270DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 20 ano a que se referir o DIAT, e será considerado autoavaliação da terra nua a preço de mercado", Para se contrapor ao valor arbitrado com base no SIPT, deve o contribuinte apresentar Laudo Técnico de Avaliação, com suficientes elementos de convicção, elaborado por profissional habilitado. É sabido que as vistorias, perícias, avaliações e arbitramentos relativos a imóveis rurais são atividades de competência dos engenheiros agrônomos e florestais, que devem ser objeto de Anotação de Responsabilidade Técnica — ART para sua plena validade (Arts. 7º e 13 da Lei nº 5.194, de 24 de dezembro de 1966, c/c o disposto na Resolução nº. 345, de 27 de junho de 1990, e na Resolução nº 218, de 29 de junho de 1973, ambas do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia — CONFEA), De acordo com a Resolução CONFEA nº 345, de 1990, que dispõe sobre as atividades de Engenharia de Avaliações e Perícias de Engenharia, a avaliação "é a atividade que envolve a determinação técnica do valor qualitativo ou monetário de um bem, de um direito ou de um empreendimento" e o laudo "é a peça na qual o perito, profissional habitado, relata o que observou e dá as suas conclusões ou avalia o valor de coisas ou direitos, fundamentalmente "(art. 1º, alíneas "c" e "e"), Na elaboração dos Laudos Técnicos, os profissionais devem observar, ainda, os requisitos das normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas — ABNT, que regem a matéria (no caso da avaliação dos imóveis rurais, a NBR 1465.33). Outrossim, o Laudo de Avaliação de imóvel rural para fins de determinação do VTN a ser utilizado no cálculo do ITR deve ter como objetivo o preço de mercado da terra na data do fato gerador (art. 8, §2º, da Lei Nº 9393, de 1996), apurado de acordo os critérios de localização do imóvel, capacidade potencial da terra e dimensão do imóvel (art. 14, § 1º, da Lei nº. 9.393, de 1996). Conjugandose as exigências da legislação tributária com as prescrições da NBR 146533, os Laudos Técnicos de Avaliação para fins de determinação do VTN tem como requisitos principais: (a) a identificação e caracterização do imóvel avaliando, em que se descreve os aspectos relevantes na formação do valor; (b) a pesquisa realizada, com a identificação das fontes e descrição dos imóveis da amostra coletada (no mínimo 5 elementos); (c) a escolha e justificativa do método de avaliação utilizado; e (d) a memória de cálculo do tratamento dos dados. No caso em concreto, não houve a apresentação de laudo para justificar o valor declarado e, portanto, mantémse o arbitramento do VTN efetuado pela fiscalização. Conclusão Diante do exposto, voto por REJEITAR a preliminar de ilegitimidade passiva suscitada pela recorrente e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Sala das Sessões, 30 de novembro de 2011. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora Fl. 271DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10280.721823/200973 Acórdão n.º 2802001.216 S2TE02 Fl. 11 21 Fl. 272DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10640.004166/99-18
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/1997 a 31/03/1998,
01/11/1998 a 30/06/1999
Ementa: FALTA DE OBJETO NO RECURSO VOLUNTÁRIO.
O pedido e a causa de pedir apresentados na fase recursal são distintos daqueles que deram causa ao início deste processo. O novo pedido poderia até representar o início de outro processo, mas em relação a estes autos trata de matéria estranha que extrapola os limites da lide inaugurada neste processo. Em relação à matéria objeto do presente processo não foi apresentado recurso.
Numero da decisão: 303-34.289
Decisão: ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, não tomar conhecimento do
recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: ZENALDO LOIBMAN
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-11-10T14:53:48Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-11-10T14:53:48Z; Last-Modified: 2009-11-10T14:53:48Z; dcterms:modified: 2009-11-10T14:53:48Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-11-10T14:53:48Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-11-10T14:53:48Z; meta:save-date: 2009-11-10T14:53:48Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-11-10T14:53:48Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-11-10T14:53:48Z; created: 2009-11-10T14:53:48Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2009-11-10T14:53:48Z; pdf:charsPerPage: 942; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-11-10T14:53:48Z | Conteúdo => CCO3/CO3 Fls. 373 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTESn ->; > TERCEIRA CÂMARA Processo n° 10640.004166/99-18 Recurso n° 131.008 Voluntário Matéria FINSOCIAL - RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Acórdão e 303-34.289 Sessão de 26 de abril de 2007 • Recorrente EMBRAUTO - EMPRESA BRASILEIRA DE AUTOMÓVEIS LTDA. Recorrida DRJ/JUIZ DE FORA/MG Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/1997 a 31/03/1998, 01/11/1998 a 30/06/1999 Ementa: FALTA DE OBJETO NO RECURSO VOLUNTÁRIO. O pedido e a causa de pedir apresentados na fase recursal são distintos daqueles que deram causa ao início deste processo. O novo pedido poderia até representar o início de outro processo, mas em relação a estes autos trata de matéria estranha que extrapola os limites da lide inaugurada neste processo. Em relação à matéria objeto do presente processo não foi apresentado recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Processo n.° 10640.004166/99-18 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-34.289 Fls. 374 ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, não tomar conhecimento do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. w I ANELISE #AUDT P ETO Presidente • Z . • D • LOIBMAN Re or Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Nanci Gama, Silvio Marcos Barcelos Fiúza, Marciel Eder Costa, Nilton Luiz Bartoli, Tarásio Campelo Borges e Luis Marcelo Guerra de Castro. Fez sustentação oral o advogado Sergio dos Santos Moraes OAB 24454/DF. • Processo n.° 10640.004166/99-18 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-34.289 Fls. 375 Relatório A Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por meio da Resolução n° 303-01.066, de 22.11.2005, declinou a competência para o julgamento do recurso constante deste processo ao Egrégio Segundo Conselho de Contribuintes. As principais razões que sustentaram a referida resolução foram que a recorrente sustentara haver erro na formação do processo, que o seu interesse seria o de compensar supostos créditos de PIS, recolhidos com base nos Dl 2.445 e 2.449/88, e não com créditos de Finsocial. Acusou que o processo judicial em trâmite que trata do assunto é o de n° 1997.38.01.03989-0 e não o outro apontado pela DRJ, que embora existisse e tratasse de Finsocial, não é o seu interesse neste recurso. A empresa interessada pretendeu no seu recurso voluntário levantar preliminar acusando erro material na decisão da DRJ, e no mérito, pediu que fosse determinada a • compensação dos seus supostos créditos de PIS, a seu ver, recolhidos indevidamente por força dos decretos-lei acima referidos, com débitos de PIS relativos aos períodos de julho/97 a março/98 e novembro/98 a junho/99. Entretanto, a egrégia Primeira Câmara do Segundo Conselho, por meio da Resolução n° 201-79.294, de 24.05.2006, decidiu devolver o processo à apreciação do Terceiro Conselho porque considerou que a preliminar levantada pela recorrente não tem o condão de transmudar o objeto deste processo, que todos os documentos trazidos aos autos, a partir do requerimento inicial do contribuinte até a decisão de primeira instância por parte da DRJ, tratavam de compensação de créditos de FINSOCIAL com débitos de COFINS. Acrescentou o voto condutor da resolução exarada pela Primeira Câmara do Segundo Conselho que nestes autos não havia sequer vestígio de pedido de reconhecimento de direito creditório de PIS. Que este poderia ser solicitado em outro processo, e não neste, mesmo que o interessado expressamente desistisse do pedido inicial que deu origem à lide decidida na instância a quo. 011 Ressaltou, por fim, que a competência do Terceiro Conselho para julgar este processo se assenta no previsto no art.9°, VII, e parágrafo único, do RI dos Conselhos de Contribuintes. É o Relatório. 1(1 Processo n.° 10640.004166/99-18 CCO3/CO3 • Acórdão n.° 303-34.289 Fls. 376 Voto Conselheiro ZENALDO LOIBMAN, Relator Aqui se apresenta apenas aparentemente um conflito de competência. Este relator sugeriu, e obteve aprovação unânime da Câmara, para com base no art.8°, III, e parágrafo único, II, do RI do CC, declinar a competência para o julgamento do recurso ao colendo Segundo Conselho. De fato, à primeira vista, e tomando por foco a preliminar de erro material na formação do processo e na decisão de primeira instância, como também a questão de mérito proposta no recurso voluntário, relativa a pedido de reconhecimento de direito de compensar supostos créditos de PIS, pareceu-me ser o caso de verificar a hipótese de nulidade processual, ou até mesmo de preclusão, mas por ser o interesse do contribuinte manifestado em relação a créditos de PIS, talvez devesse tal apreciação ficar a cargo do Segundo Conselho. No entanto o preclaro relator Walber José da Silva, autor do voto condutor da 111 Resolução n° 201-79.294, apontou com precisão três aspectos que permitem definir com clareza a questão acerca da competência para julgamento deste processo: 1. O pedido inicial do contribuinte que deu origem a estes autos é um "Requerimento de Regularização da Compensação Finsocial/Cofins". Neste documento se identifica o pedido e a causa de pedir, definidores dos limites da lide inaugurada. 2. Todos os documentos trazidos aos autos pelo contribuinte interessado no sentido de sustentar a legitimidade do seu pleito se referem ao Finsocial, especialmente o "Demonstrativo dos Valores do Finsocial" (fls.02/08), os DARF's de recolhimento de Finsocial (fls.09/33), bem como a cópia da petição inicial e da sentença judicial de mérito no MS n o 1997.38.01.004470-9 (fls. 235/255). 3. Na manifestação de inconformidade apresentada pelo interessado perante a DAT, contra a decisão da DRF/Juiz de Fora que indeferiu o seu pedido de compensação de Finsocial com Cofins, o • argumento é justamente sobre o direito de compensação de créditos de Finsocial, e o pedido formulado na impugnação é precisamente de deferimento daquela compensação na forma requerida. Dessa forma, compulsando os autos, é de se confirmar que até a decisão de primeira instância, todos os documentos trazidos aos autos, por ambas as partes, de fato se referiam apenas à compensação de créditos de Finsocial com Cofins. Portanto, a competência para julgamento desta lide é do Terceiro Conselho de Contribuintes. Devo então concordar com o i. relator da Primeira Câmara do Segundo Conselho quando afirma que a questão preliminar que o interessado pretendeu levantar de erro material na formação do processo, e de suposta nulidade da decisão de primeira instância, não tem a capacidade de modificar o objeto deste processo. Neste contexto o que evidentemente está deslocado, e não condiz com todos os demais atos encadeados previamente, é justamente a peça apresentada a titulo de recurso voluntário. , . • Processo n.° 10640.004166/99-18 CCO3/CO3 , • • .. Acórdão n.° 303-34.289 Fls. 377 Em nenhum momento anterior à decisão de primeira instância o interessado I manifestou qualquer evidência de que o seu pedido fosse distinto do de obter reconhecimento 1, do direito de compensar Finsocial com Cofms. Portanto, de nenhuma forma pode se apontar nulidade da decisão da DRJ por ter enfrentado exatamente a matéria proposta pelo contribuinte como objeto deste processo. Também não é o caso de se falar em preclusão da matéria apresentada à apreciação da segunda instância de julgamento administrativo. Na verdade a matéria referente a compensação de créditos de PIS é absolutamente estranha a este processo. Ressalta-se que os advogados que representaram o interessado desde o início deste processo são os mesmos que apresentaram a peça que se pretendia apresentar como recurso contra a decisão exarada pela DRJ. Mas, rigorosamente, não se pode tratar dessa peça como sendo recurso voluntário, simplesmente porque a matéria para a qual pretende obter reconhecimento de direito é absolutamente distinta daquela apresentada para dar início à lide, nada tem a ver com todos os documentos juntados até a decisão da instância a quo. Este processo teve início com pedido de compensação de Finsocial, e foi sobre isso que decidiu a DRJ. Sobre essa matéria nada disse a interessada na fase recursal, apenas pretendeu apontar, intempestivamente, e inadequadamente nestes autos, que seu interesse agora é em relação a outro objeto, qual seja o direito de compensar supostos créditos de PIS. Este objeto é estranho a este processo. Não há nesta peça apresentada a título de recurso voluntário nenhuma alegação referente ao pedido inicial que deu inicio ao processo, nem mesmo quanto à matéria julgada em primeira instância, pelo que proponho que não se conheça do recurso por falta de objeto, ou melhor, por tratar de objeto estranho aos limites da lide caracterizada pelo pedido inicial e pela causa de pedir. Pelo exposto proponho que não se conheça deste recurso por falta de objeto. 1 1 111 Sala das Sessões, em 26 de abril de 2007 , ZE' 11,.414*N. D e LOIBMAN - Relator 1 , i
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