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Numero do processo: 16327.000779/2002-91
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Apr 07 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Mon Apr 07 00:00:00 UTC 2008
Ementa: COFINS. DECADÊNCIA. O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário relativo à Cofins é de dez anos.
EMPRESA DE FACTORING. ATIVIDADE OPERACIONAL. As operações que envolvam compra e venda de direitos creditórios caracterizam-se, de acordo com a legislação de regência, como atividade operacional de empresas de factoring, sujeitando-se à incidência da Cofins.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional, após o vencimento, acrescidos de juros moratórios calculados com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic, além de amparar-se em legislação ordinária, não contraria as normas balizadoras contidas no Código Tributário Nacional.
Recurso negado.
Numero da decisão: 204-03.121
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Bernardes de Carvalho e Renata Auxiliadora Marcheti (Suplente) que davam provimento quanto ao mérito, e os Conselheiros Leonardo Siade
Manzam e Ali Zraik Júnior quanto à decadência.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: NAYRA BASTOS MANATTA
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Ministério da Fazenda. - • - *- - 'note ,rá, NO Fl. Segundo Conselho de Contribuintes orp •;n''.f/C:. magoo g. e • ak../ •--, ^ ., : ned#0,\."010e ! 'ar . Processo n2 : 16327.000779/2002-91 ofQ,N) fitos. gif ffp Recurso n2 136.528 a Acórdão nit : 204-03.121 4bY.PJr cPàY Recorrente : AIR FACTORING FOMENTO MERCANTIL LTDA. Recorrida : DRJ em São Paulo - SP 2 COFINS. DECADÊNCIA. O prazo para a Fazenda Pública à esc. constituir o crédito tributário relativo à Cofins é de dez anos. à p EMPRESA DE FACTORING. ATIVIDADE OPERACIONAL. E w 2 As operações que envolvam compra e venda de direitos creditórios caracterizam-se, de acordo com a legislação de UJ o a a, mreogrêantlriosia,eo:ocuallvio atividadecoademopberasae na tua referencial operacional de emprrenescasial ddefoacst Sistema strnar eing , O 0 -0 o "O c. sujeitando-se à incidência da Cofins. dfl ã O a .1k. . 2 : --- 2 ^1 ..- com a Fazenda JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A cobrança de débitos para O ce CZt ,-, Nacional, após o vencimento, acrescidos de juros g ti z I z oej Especial de Liquidação e Custódia - Selic, além de amparar-se a em legislação ordinária, não contraria as normas balizadoras Lu ai• 1 to r= contidas no Código Tributário Nacional. 21 g Recurso negado. - Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por AIR FACTORING FOMENTO MERCANTIL LTDA. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Bemardes de Carvalho e Renata Auxiliadora Marcheti (Suplente) que davam provimento quanto ao mérito, e os Conselheiros Leonardo Siade Manzam e Ali Zraik Júnior quanto à decadência. Sala das Sessões, em 07 de abril de 2008. ef ....."--e. g– 4:4.-7a .,‘„, . enrique Pinheiro Torres ' Presidente We iry....tx-ct Bastosos Manatta Relatora Participou, ainda, do presente julgamento a Conselheira Silvia de Brito Oliveira. 1 ... . • ilF SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 2 CC-MF Ministério da Fazenda • CONFERE COM O ORIGINAL° ":1-• :?;',1" Segundo Conselho de Contribuintes Brasília, I É 0 eí Processo n2 : 16327.000779/2002-91 Recurso n2 136328 Nee) Batista dos Reis Mut Sin. 911016 Acórdão n2 : 204-03.121 Recorrente : AIR FACTORING FOMENTO MERCANTIL LTDA. RELATÓRIO Trata-se de auto de infração lavrado em 06/03/02 contra a contribuinte em epígrafe relativo à falta de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - afins, nos períodos de 03/96 a 12/97. Segundo o Termo de Verificação Fiscal a base de cálculo da Cofins declarada pela contribuinte em sua declaração anual do IRPJ era inferior à do PIS, prossegue nos seguintes termos: A COF1NS, no caso das empresas de fomento comercial (Factoring), tem por base de cálculo o valor do faturamento mensal, assim entendido, a receita bruta auferida com a prestação cumulativa e continua de serviços: c) de aquisição de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços. Na hipótese do item c acima, o valor da receita a ser computado é o valor da difèrença entre o valor de aquisição e o valor de face do titulo ou direito adquirido. Tal entendimento tem por base a Lei Complementar n° 70, de 30/12/1991, os arts. 28, 1°, alínea "c4" e 36, inciso XV, da Lei n° 8981, de 20/01/1995, com as alterações introduzidas pela Lei n° 9065 de 20/06/1995 e pelo art. 58 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996. Esse entendimento foi ratificado por intermédio do Ato Declaratário Normativo N° 31 de 24/12/1997 da Coordenação-Geral do Sistema de Tributação, publicado em 29/12/1997 no D.O.U. Com esse entendimento, apuramos as divergências quanto à diferença de COFINS que deixou de ser lançada e recolhida pelo contribuinte, conforme demonstrativo abaixo: A contribuinte apresentou impugnação alegando: 1. em relação aos fatos geradores ocorridos entre 01/96 a 02/97, decaiu o direito de o Fisco proceder ao lançamento de oficio, nos termos do art. 150, § 4° da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966— Código Tributário Nacional (CTN); 2. tanto o desconto (praticado pelos bancos) quanto o deságio (praticado pelas factoring) tem natureza intrínseca de receita financeira, já que correspondem a juros cobrados por adiantamento de recursos; 3. as empresas de factoring desempenham atividade dupla: prestam serviços de natureza contábil, administrativa e mercadológica a seus clientes e como corolário dessa prestação de serviços adquirem direitos creditórios que estes tenham contra terceiros; 4. a receita proveniente do deságio na compra de direito creditório não representa venda de mercadorias ou serviços, mas, ao contrário, trata-se de operação de 91.1 2 - • 2" CC-MF =c- Ministério da Fazenda 94F - SEGUNDO CONSE1.1i0 DE CONTRIBUINTES n. Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE COMO ORIGINAL ••)-if Erasita n2? Processo n2 : 16327.000779/2002-91 Recurso n2 : 136.528 Necy Batista dos Re16 Acórdão n2 : 204-03.121 Mut Ssapc 91806 compra de títulos que é feita um desconto em virtude dos mesmos serem adquiridos pela factoring antes dos seus vencimentos, tendo, portanto, natureza de receita financeira; 5. somente após a Lei n°9718/98 as receitas financeiras foram incluídas na base de cálculo da contribuição; 6. a Divisão de Tributação da Superintendência da 6' RF manifestou seu entendimento no Processo 10650.000305/94-65 no sentido de que "a compra de direito creditório pelas sociedades de fomento mercantil não é venda de mercadorias nem de serviços e que, portanto, antes de 1° de fevereiro de 1999 não cabe qualquer cobrança da Cofins sobre esta atividade por falta de amparo legal; 7. o recurso de oficio não foi julgado em razão de alteração do processo de consulta teve validade jurídica até 31/12/96, tendo em vista que a partir de 01/01/97 o processo de consulta passou a ser regido pelo art. 48 da Lei n°. 9430/96; 8. através de sua Associação de Classe teve acesso ao resultado do referido processo de consulta passando a recolher a Cofins com base no entendimento da própria Administração; 9. o ADN 31/97 datado de 31/12/97, quando quase a totalidade dos recolhimentos objeto desta autuação já haviam sido efetuados, estabeleceu uma reviravolta no entendimento da SRF; 10. uma norma administrativa não possui o condão de alterar norma legal que lhe é hierarquicamente superior, e 11. ilegalidade da cobrança de juros em percentual superior a 1%, e conseqüentemente da utilização da taxa Selic como índice para calcular juros de mora. A DRJ em São Paulo-SP julgou procedente o lançamento e cientificada da decisão recorrida a contribuinte interpôs recurso voluntário alegando em sua defesa as mesmas razões da inicial. É o relatório. ,tp. \13' 1 fi 3 • _ ME- SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 2 CC-MF •-• c. -e, Ministério da Fazenda CONFERE COM O ORIGINAL•••1:-.•-• n. tofr t f? Segundo Conselho de Contribuintes Brasina —1211.--'5.4fegik,' Processo n2 : 16327.000779/2002-91 Necy BanNta dos Reis Recurso n2 •: 136.528 Mut sio.: 91806 Acórdão n2 : 204-03.121 VOTO DA CONSELHEIRA-RELATORA NAYRA BASTOS MANATTA O recurso interposto encontra-se revestido das formalidades legais cabíveis, merecendo ser analisado. Em relação à decadência do direito de constituir o crédito da Cofms, tem-se que seu prazo é de 10 anos, e não 5 anos, como alegou a impugnante A Cofins é contribuição destinada a financiar a Seguridade Social, nos termos do art. 195, inciso I da Constituição Federal, sendo-lhe aplicáveis, portanto, as normas específicas da Lei n°8.212, de 24 de julho de 1991, publicada no Diário Oficial da União em 25/07/1991 e republicada em 11/04/1996, que dispõe sobre a organização da Seguridade Social, e cujo art. 45 prevê: Art. 45. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seta créditos extingue-se após 10 (dez) anos contados: 1 — do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; (.) Desta forma, quando da lavratura do Auto de Infração em tela, 20/03/02, ainda não decaíra o direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento relativo aos períodos de março/96 a dezembro/97 uma vez que a Peça Infracional foi lavrada antes de transcorridos os dez anos previstos na lei. Vale ressaltar aqui que a Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Conselho de Contribuintes, a larga maioria votou pelo reconhecimento do prazo decendial para a Cofins. No que tange à base de calculo da Cofins para as empresas de factoring a contribuinte entende que por não representarem a aquisição de direitos creditõrios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços faturamento nos termos da LC n°. 70/91 sobre tais valores não deveria incidir a referida contribuição. O Factoring é uma atividade legal, mundialmente consagrada, amparada pela legislação, que presta serviços, variados e abrangentes, conjugados com a aquisição de direitos crediticios, com direito de regresso. Por ser urna atividade singular, exige alto conhecimento técnico, portanto, deve ser praticada por empresa profissionalmente habilitada, especializada, e destina-se a fomentar a atividade de pequenas e médias empresas, e de pessoas fisic.as equiparadas as jurídicas. Sendo assim, a atividade de Factoring engloba: • compra de direitos crediticios - Cheques pré-datados, Duplicatas, etc.; • parceria no financiamento das vendas a prazo dos produtos e serviços de seus clientes; e • • prestação de serviços variados, nas áreas de crédito, marketing, alavancagem mercadolágica, além de constante aconselhamento técnico administrativo. ‘4I-61 4 22 CC-MF -• Ministério da Fazenda ME - SEGUNDO CONSFLHO DE CONTRIBUINTES • leirCt9' Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE COM O ORIGINAL Fl. Brasika, Processo n't : 16327.000779/2002-91 Recurso : 136.528 y Batista dos Reis Acórdão nst : 204-03.121 Mui Sine 9 I Nb Todas as atividades acima relacionadas quando praticadas pelas empresas de factoring representam receitas em conta própria, por fazerem parte do objetivo social da empresa, e devem sofrer a tributação da Cofins. O que se tributa, para fins de PIS, Cofins, IRPJ, CSL e ISS é o resultado, ou a comissão obtida com a operação, conforme art. 31, Lei n°.8.981/95. Desta forma, entendo que nas operações em questão o que se tem é um ganho decorrente da operação de compra e venda de direitos creditórios. Ou seja, um ganho decorrente de alienação de direito creditório seu, que é uma das atividades da empresa de factoring. E sendo os rendimentos da operação em questão advindos da alienação de bem móvel ou de direito creditório da empresa, representando, portanto, um ganho de capital ou receita bruta operacional, por constituir receita advinda da atividade económica geral praticada pela empresa, já que dentre as atividades das factorings está a compra de direito creditício (como já dito anteriormente), sujeita-se à tributação da Cofins. Nos termos da Lei ri0 9.249, de 28 de dezembro de 1995, art. 15, § 1°, II, e da Lei :IQ 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 58, as empresas de factoring exercem atividades de prestação de serviços e compras de direito creditório. Esses serviços prestados incluem os "de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber", e as compras de direitos creditórios referem-se aos "resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços". As disposições legais citadas, embora se refiram à legislação do Imposto de Renda, aplicam-se claramente ao presente caso, uma vez que se trata de conceito extraído da Resolução do Banco Central n 2.144, de 22 de fevereiro de 1995, que cuidou exatamente da definição das atividades de factoring. Assim, a compra de direitos creditórios representa exercício de atividade operacional das empresas de factoring e seu resultado representa faturamento. Ademais, o Tribunal Regional Federal da 5! Região, ao apreciar as AMS 70.854/CE, 68.085/PE e 66.7561RN e o AGTR 18.566/CE I , entendeu que a incidência da Cofuis nesse tipo de operação é legal. As ações citadas foram todas propostas pela Associação Nacional de Factoring - Anfaci. A ementa do Acórdão da AMS rt i 66756/RN diz o seguinte: TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. AQUISIÇÃO DE DIREITOS CREDITÓRIOS. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCI4MEN7'0 DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS. CONCEITO DE FATURAMENTO/RECEITA BRUTA. ATO DECLARA TÓRIO (NORMATIVO) N°31/97, DA RECEITA FEDERAL. I. Considerando o conceito, no Código Comercial, de compra e venda mercantil, há que se reputar alcançada a aquisição de direitos creditórios, a reclamar a incidência da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS sobre a receita auferida pelas empresas de factoring s, através de tal operação. Encontram-se decisões semelhantes do Tribunal Regional Federal da Região (AMS n2s 60.033 e 63.237) 2 Â qual não é afiliada a recorrente. 5 _ - 2>if SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 1 2° CC-MF srrs;. Ministério da Fazenda CONFERE COM O ORIGINAL men r. Fl. :OS' Segundo Conselho de Contribuintes ____40123 tOBrasi 1 0 ilia Processo n2 : 16327.000779/2002-91 aWft Nele) Batista dos Reis Recurso n2 : 136.528 runi Siary: g MÓ Acórdão 112 204-03.121 2. O Código Tributário Nacional prevê a adoção de conceitos e institutos de Direito Privado, na interpretação das normas do Direito Tributário, impondo-se, por outro lado, na espécie, uma interpretação mais abrangente, tendo em vista a necessidade de que todos os segmentos empresariais contribuam para o custeio da Seguridade Social. 3.Apelação improvida. Assim, a compra e venda de direitos creditórios mercantis, enquadrando-se no conceito de compra e venda mercantil, é operação de comércio. Portanto, não se trata de discutir os requisitos de uma operação típica de empresa de factoring, no sentido prelecionado pela doutrina, mas de saber se a legislação considera as operações em análise como de empresas de factoring, o que, conforme demonstrado, é inegável. Daí decore, em face do principio da universalidade do financiamento da seguridade social, insculpido no caput do art. 195 da Constituição Federal, como ressaltado na ementa acima citada, que os resultados das operações com títulos de crédito devem compor a base de cálculo da Cofins, pelo fato de seu resultado representar faturamento das empresas de factoring. A recorrente alega, ainda que o ADN n. 31/97 alterou a base de cálculo da contribuição, criando nova hipótese de incidência. Na verdade, o que o referido ato declaratório normativo fez foi explicitar o entendimento a respeito do que seria o faturamento no caso de operações com direitos creditórios por parte das empresas de factoring. O referido Ato Declaratório não alterou a base de cálculo da Cofins, que continua a ser o faturamento, apenas identificou naquelas operações elencadas qual o montante a ser qualificado como faturamento, e, no caso tal, ou seja, a diferença entre o valor de aquisição e o valor de face do direito adquirido. Por conseguinte, o ADN limita-se a especificar o que deve ser entendido como faturamento nos casos de que trata. Da mesma forma, incabível requerer-se, alternativamente, que a exigência da contribuição sobre a diferença entre o valor de aquisição e o valor de face do titulo ou direito adquirido ocorresse apenas a partir da publicação do Ato Declaratório Normativo n° 31, de 1997. Por sinal, a Coordenação-Geral do Sistema de Tributação, já havia se manifestado no mesmo sentido anteriormente, conforme expresso no Parecer CST n° 1.162, de 20 de setembro de 1993: Factoring — constitui receita operacional a diferença entre o valor de face e o valor de venda do direito (titulo ou crédito), acrescido de outras receitas inerentes à transação. — Receitas de comissão por serviços prestados de levantamento cadastral, avaliação de riscos, assessoria contábil, jurídica e mercadológica. Quanto à alegação de que teria seguido orientação expedida pela DISIT/SRRF/6* RF no Processo de Consulta n° 10650.000305/94-65 formulado por outro contribuinte, deve ser observado que os efeitos da consulta alcançam apenas as partes envolvidas no processo não sendo estendida a decisão a outros contribuintes, ainda que atuem no mesmo ramo da consulente. Caso a consulta tivesse sido formulada por entidade representativa de categoria econômica ou profissional (o que não é o caso da consulta invocada pela recorrente) seus efeitos seriam extensivos a todos os seus associados ou filiados após a cientificação do consulente. 6 MF • SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES' 2° CC-MF "yi Ministério da Fazenda CONFERE COM O ORIGINAL Fl. Segundo Conselho de Contribuintes .> Brasilia 1 oe Processo o' : 16327.000779/2002-91 Necy Batista dos Reis Recurso n' : 136.528 Mat. Moa: 918(11. Acórdão ni : 204-03.121 Por sua vez, no que tange à exigência de juros de mora, é de se salientar que em devaneio algum pode ser acolhida tese qualquer que pretenda ler no dispositivo legal citado pela contribuinte, qual seja, o art. 161, §1°, do CTN, a determinação de que os juros tributários fixados devidamente em lei especifica jamais podem ultrapassar a taxa de um por cento ao mês. Bem destaca, em sua oração subordinada adverbial condicional, tal norma que esta será a taxa "se a lei não dispuser de modo diverso (sic)". Em nenhuma, absolutamente nenhuma, proposição normativa positivada em vigor há qualquer coisa de onde se possa extrair tal inferência. Ela é, simplesmente, tirada ex nihilo, ou seja, da própria mente de quem assim afirma, e de nada mais. E, devido a justamente isso, por mais brilhante a respeitável que seja a mente ou, rectius, o pensador, constitui mero subjetivismo. Como se trata de subjetivismo, configura algo totalmente arbitrário. Portanto, nada há de objetivo, no Direito vigorante, que tenha erigido tal vedação que possa vincular a observância por parte de outrem, ora a recorrente, pois ninguém está obrigado a acatar arbitrariedades alheias. Do contrário, a cláusula de que a lei pode estatuir em sentido diverso abre amplo leque de possibilidades, tanto para mais quanto para menos. A possibilidade de se legislar diversamente simplesmente traduz a viabilidade de que seja qualquer taxa, ou índice, que não um por cento. Não jaz ela jungida a nenhuma abertura de possibilidades menor que isto. De fato, qualquer e todos os índices numéricos diferentes de 1% constituem o algo "diverso ( índice ou taxa de juros)". O diverso é tão somente a alteridade, eqüivalendo a afirmar: pode ser qualquer outro elemento do conjunto ( no caso, o de índices percentuais) que não aquele tomado como paradigma inicial, o mesmo. Não significa uma determinada parcela dos outros elementos do conjunto, a exemplo dos "menores que ( <)", mas sim todos esses outros, ou seja, o conjunto total com exclusão de um único elemento ( aquele de que se deve guardar diversidade ou diferença, aqui o 1%). Logicamente, portanto, inexiste o limite para menos, como tampouco existe algum para mais. Por sua vez, como tal limite é ilógico, recai em arbitrariedade manifesta. Além disso, é justamente a exegese histórica que demonstra e comprova que os juros em discussão não podem restar jungidos à taxa de 1%, pois, consoante é consabido, tais juros ( os da taxa Selic), além da remuneração própria do custo do dinheiro no tempo, ou seja, os juros stricto sen.su, abarca a correção monetária correlata, pois é espécie de juros simples, e não de juros reais, de cuja definição ainda se prescinde em nosso ordenamento, segundo declarado pelo Colendo STF no julgamento do Adin 04/91. Ora, como esta, a correção monetária, desde a promulgação do CTN até período bem recente da nossa História, com raros períodos de exceção, manteve-se acima do 1%. Obviamente os juros também têm de estar aptos a ultrapassar tal percentual, e não inescapavelmente abaixo dele. Por tudo isso, impõe-se o resultado de que, havendo previsão legal do ente tributante autorizadora, os juros tributários podem ser superiores a 12% ao ano, não se podendo tresler o CTN como tão desassisadamente pretende a executada, conquanto disponha ele exatamente o contrário, de modo explícito. Outra não poderia ser a conclusão a que alçou Ricardo Lobo Torres acerca: A critério do poder tributante os juros podem ser superiores a 1% ao mês, sem que contrastem com a lei de usura ou com o art. 192, §3°, da CF ( apud Comentários ao Código Tributário Nacional, Vol 2, coord. hes Gandra da Silva Martins, São Paulo: Saraiva, 1998, pg. 349). .1111ti 7 _ . MF -SEGUNDO CONS"LHO DE CONTRIBUINTES 2° CC-MF Ministério da Fazenda CONFERE COM O ORIGINAL. Fl. 9" Segundo Conselho de Contribuintes Brasile 4 Og Processo ni : 16327.000779/2002-91 Neey Batista dos Reis Recurso : 136.528 Islut Mape 91 /306 Acórdão n2 : 204-03.121 Mais divorciada ainda da realidade é a asserção de que não haveria previsão nem permissivo legal à cobrança do índice de juros em tela. Seus instrumentos legislativos veiculadores, notadamente no campo tributário, assim como o inaugural historicamente considerado, longe estão de não terem feições desta espécie. Eles são precisamente as Leis n°. 8981/95, 9069/95 (a partir desta, havendo expressa referência à denominação "Selic"), 9250/95, 9528/97 e 9779/99. Portanto, não apenas jaz a taxa em questão dentro da legalidade plena, como ainda isso certifica que há lei federal específica em sentido determinante da aplicação de taxa de juros em sentido diverso daquela a que se refere o CTN. Demais disso, o exame de tais leis bem demonstra outro distanciamento cabal da verdade pela recorrente. Decerto, a primeira das acima mencionadas - a Lei n°. 8981/95-, verbi grafia, em seu art. 84, I, já consignava expressamente que a taxa em tela seria equivalente à "taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna ( sic)". Com isso, bem se desvela que há sim, indubitavelmente, indicação legal precisa de como se aufere e mensura tal taxa, a contrário do asseverado pela contribuinte. Significa, em outros termos, que ela traduz a taxa média do que o Tesouro Nacional necessita pagar para obter capital, vendendo títulos mobiliários federais no mercado interno. Claramente improcedente, pois, delineia-se a pretensão da recorrente. Contudo, poderia ainda haver imprevisão legal específica que não traduziria ofensa à legalidade e à tipicidade. Decerto, no art. 25, I, dos ADCT, consagrou o legislador constituinte que as competências normativas atribuídas pela CF ao Congresso Nacional ( no caso as leis ordinárias) que houvessem sido objeto de delegação a órgão do Executivo poderiam quedar prorrogadas. Tal prorrogação ocorreu pelas sucessivas MPs editadas, na hipótese da competência normativa do CMN, consubstanciando-se em definitivo nas Leis es 7763/89, 7150/83, 9069/95. Com isso, as disposições de fórmulas do CMN sobre como se efetuar o cômputo dos índices de juros no caso da taxa Selic mantêm-se hoje com força de lei, à ausência de disposição parlamentar em contrário, mas antes nessa direção. Menor ainda é o azo de que a taxa de juros não pode ser cobrada por jazer sujeita às flutuações econômicas. Acaso a correção monetária, por definição, não é um índice variável sujeito a tais flutuações? Obviamente que sim. Entretanto, nem se há de sonhar que não possa ser cobrada, premiando os devedores renitentes, como é o caso da contribuinte. Mutatis mutandi idêntica lógica há de ser emprestada à taxa em questão, impondo-se a rejeição imediata de tal argumento da recorrente. Por fim, a alegação de que o Bacen venha a definir a aludida taxa maior reprimenda ainda merece. De fato, em primeiro lugar, tem de se destacar que as normas regulamentares para aferição desse índice matemático não decorrem do Banco Central, mas sim do CMN. A depois, impende considerar que o quanto regulamentado nesse âmbito, uma vez já definida ser a taxa a média mensal das captações dos títulos da dívida pública mobiliária federal interna, emergem como meras disposições técnicas, sendo bem por isso própria do campo do regulamento, e nunca de lei. Igual fenômeno ocorre com a apuração da correção monetária. Quais produtos ou serviços terão seus preços aferidos para tanto, qual o peso ou proporção que cada um deles terá no resultado final, que locais do país serão objeto da pesquisa, bem como que proporção terão na fórmula de cálculo, se é que terão, durante que período haverá essa aferição, com qual periodicidade, que método exponencial empregará a fórmula matemática, tudo isso, dentre outros elementos, é objeto exclusivo de disposição regulamentar infralegal, no cômputo ist M 8 - . • • gI Ministério da Fazenda LIF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 2 CC-ME Fl. Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE COM O ORIGINAL Brasília, •Processo n2 : 16327.000779/2002-91 Recurso n2 : 136.528 cy Batista dos Reis Acórdão n2 : 204-03.121 Mui. M.me 91806 da correção ou desvalorização monetária ( razão, aliás, pela qual diferentes institutos de pesquisa atingem resultados diversos, pois suas fórmulas são diferentes). Se assim se procede em relação à correção monetária, diverso não pode ser acerca dos juros, ressalvada a hipótese de percentual fixo. Por conseguinte, nada de ilegítimo ou reprimível há na aferição desenvolvida. Por derradeiro, a arguição de que o índice de juros utilizado seria remunertório, escapando ao caráter moratório, não apresenta qualquer coima que comprometa o montante cobrado. Com efeito, a distinção empreendida nas denominações atribuídas aos juros de serem eles remuneratórios, moratórios, compensatórios, inibitórios, retributivo, de gozo, de aprazamento ou qualquer outra não identifica nenhum elemento próprio de sua essência jurídica. Antes, correspondem a elementos extrínsecos à mesma, residentes na teleologia de sua cobrança. São, pois, fatores heterônimos à sua concepção jurídica, servindo tão somente ao seu discurso justificatório. • São os juros frutos civis do capital, segundo é amplamente consabido. Originam- se eles da produtividade e da rentabilidade potenciais do capital. Esse, o capital, é apto a gerar mais capital acaso utilizado a tanto. Por conta disso, o uso ou a retenção do capital de alguém por outrem, tolhe esse alguém de empregar seu capital, gerando-lhe renda a ser incorporada ao seu patrimônio, ao passo que permite aquele outro que o retém a gerar para si os frutos correspondentes a esta parcela de capital. Em contrapartida, aquele que subtrai tal uso do capital de seu proprietário lídimo, retendo-o consigo, ainda que seja por ato meramente contratual, jaz jungido a lhe transferir os rendimentos que este capital produz. Assim, são os frutos apenas desse capital que cristalizam a essência do juro. Tampouco se deve confundir os próprios juros com sua respectiva taxa. Essa somente traduz o índice matemático, geralmente expresso em percentual ou em mero valor acrescido e embutido na parcela do capital a restituir. Seria, pois, uma razão, um numerário, mesmo que consignado sob modos de cálculo diversos, enquanto os juros são o próprio quid que essa expressão matemática traduz, em termos de acréscimos potencializados ao capital. Os predicativos de moratório, remuneratório, compensatório, etc., a par da contigente variação doutrinária no manuseio da denominação, espelham a causa efficiens usada para embasar a obrigação do pagamento dos juros. Seriam o porquê de se dever pagá-los. São, com isso, conforme acima antecipado, elementos estranhos à essência da coisa. Como são alienígenas à coisa, não podem ser empregados para sua definição. A sua vez, como são impróprios à sua definição, são absolutamente imprestáveis à sua identificação, podendo sim identificar a razão inspirante daquela obrigação de se dever os juros, mas não estes propriamente ditos. O cerne de sua essência é o de serem frutos civis do capital, sendo, pois, este o componente que se revela como uma constante identificadora dos juros ubiquamente. Outro não é o entendimento consolidado na doutrina, a respeito da jaez dos juros, invariavelmente: Os juros são os frutos civis, constituídos por coisas fungíveis, que representam o rendimento de uma obrigação de capital. São, por outras palavras, a compensação que o obrigado deve pela utilização temporária de certo capital, sendo o seu montante em regra previamente determinado como uma fracção do capital correspondente ao tempo da sua utilização (Antunes Varela. Das Obrigações em GeraL Vol L 10" ed.. Coi bra: Almedina, 2000, pg. 870, com grifos do original). 9 _ e 22 CC-MF Ministério da Fazenda Fl. sF SEGUNDO cONs5LHO DE CONTRIBUtNTES Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE COMO ORIGINAL .M :• • ift Brasiva, Processo na : 16327.000779/2002-91 eRecurso : 136.528 Neey Batista dos Reis Acórdão n2 : 204-03.121 Mut Sittpc 9 U406 Assim, pelo fato de que tanto nas hipóteses de serem devidos por ocasião da mora quanto nas de remuneração de empréstimos de capital ou ainda nas de recomposição de um dano, os juros conservam e mantém a mesma natureza identificadora. Pouco importa que sejam eles devidos para recompensar um capital imobilizado ou disponibilizado a outrem ou para compensar os frutos que aquele capital podia ter rendido ao seu dono se tivesse sido entregue no termo devido, pois conservam eles a mesma feição, sendo todos elementos congêneres, em relação a sua natureza, somente se modificando o fator teleológico do dever de seu pagamento, que não o integra evidentemente. Em virtude disso, no âmbito da tributação como o aqui divisado, a predicação "moratória" apenas identifica a causa obrigacional dos juros, mas não eles próprios. Eles conservam-se com a idêntica natureza e feição dos assim chamados "juros remuneratórios" por impropriedade técnico-linguistica. Em função disso, os juros aqui cobrados continuam a ser frutos ou rendimentos do capital, bem como o motivo que embasa sua cobrança remanesce sendo o moratório, apenas havendo emprego de índice, ou seja, expressão matemática quantificadora dos juros, em caráter flutuante, ao invés de fixo, o que não afronta nenhuma norma vigorante, antes faz cumprir várias, conforme acima elencadas. O índice matemático configura apenas a taxa dos juros, não o juro em si. Esse, como já demonstrado, constitui o rendimento do capital, ao passo que a taxa emerge unicamente como o elemento de quantificação da obrigação, cujo aspecto material remanesce sendo o de pagar os juros, vale dizer, os frutos civis do capital. Juros esses que apenas têm sua extensão (rectius montante, tratando-se de obrigação pecuniária) determinada, ou determinável, pela taxa, mas não vem a ser ela, ou então sequer se poderia estar a cogitar da mensuração de uma coisa por outra, como ocorre aqui. Não se deve, nem se pode, pois, confundir e amalgamar os juros com a taxa dos juros. Bastante precisa nesse sentido é a preleção de Letácio Jansen, a propósito: Na linguagem corrente, a taxa e os juros muitas vezes se confundem: diz-se, por exemplo, que a taxa é periódica, de curto ou longo prazo, ou que é limitada, quando se quer dizer que os juros são periódicos, de curto ou longo prazo, ou que são limitados. Juridicamente, porém, não se devem confundir as noções de taxa e de juros. (Panorama dos Juros no Direito Brasileiro. Rio de Janeiro: Lúmen Júris, 2002, pg 31). Pode-se, pois, alcançar, enfim, o arremate, sem laivos de dúvidas, de que a taxa Sellc obedece a devida legalidade, não havendo inconstitucionalidade qualquer nela, à similitude da TRD, nesses aspectos levantados, de maneira a inocorrer vicio que desautorize sua aplicação, sendo, pelo contrário, essa imperiosa, como necessidade de respeito aos preceitos legais vigentes disciplinadores da matéria. De idêntica forma já se manifesto; a propósito, a Subprocuradoria Geral da República, nos autos do R. Esp. 215881/PR: Como se constata, o SELIC obedeceu ao principio da legalidade e da anterioridade fundamentais à criação de qualquer imposto, taxa ou contribuição, tornando-se exigível a partir de 1.1.1996. E, criado por lei e observada a sua anterioridade. O SELIC não é inconstitucional como se pretende no incidente. Tampouco o argumento de superação do percentual de juros instituído no Mv o torna inconstitucional, quando muito poderia ser 10 rtulF • SEGUNDO CONSFLHO DE CONTR113QINTES Ministério cla Fazenda CONFERE COM O ORIGINAL r CC-MF 11;.-2..:1$' Fl. Segundo Conselho de Contribuintes 0Brasilia 'itz2.4.-:," • ." ! Processo n2 : 16327.000779/2002-91 r/Necy austa dos Reis Recurso n2 : 136.528 Mui. Siupe 91106 Acórdão n2 : 204-03.121 uma ilegalidade, o que também não ocorre porque se admite a elevação desse percentual no próprio Código. No mérito, portanto, mais do que incontendivel troveja ser a total improcedência das alegações da recorrente, não se impondo outra alternativa além daquela de as refutar de pronto. Conforme determinação legal, adota-se o percentual estabelecido na lei como juros de mora. Em sendo a atividade de fiscalização plenamente vinculada, não há outra medida que não seja a estrita obediência ao que dispõe a lei, nos termos do art. 142 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário interposto, nos termos do voto. Sala das Sessões, em 07 de abril de 2008. N%it-BkfrSTOSL-MANATTA 11 - , Page 1 _0007200.PDF Page 1 _0007300.PDF Page 1 _0007400.PDF Page 1 _0007500.PDF Page 1 _0007600.PDF Page 1 _0007700.PDF Page 1 _0007800.PDF Page 1 _0007900.PDF Page 1 _0008000.PDF Page 1 _0008100.PDF Page 1
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Numero do processo: 10875.004366/2001-10
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IPI. CRÉDITO DA LEI n° 9779/99. IN 33/99. EXIGÊNCIA DE
ESGOTAMENTO DO CRÉDITO DO REGIME ANTERIOR.
DESCABIMENTO NO CASO. Desnecessária a comprovação do
esgotamento do crédito de IPI existente em 31.12.1998 para
aproveitamento de créditos mais recentes, quando estes
comprovadamente são derivados de aquisições ocorridas no ano de
2001. A comprovação do esgotamento só se justifica para evitar a
indevida compensação de créditos não sujeitos ao regime da Lei n°
9779/99 com tributos diversos do IPI. Demonstrado que o crédito é
regido por tal lei, não pode ser exigido da contribuinte
comprovação que não tem utilidade e não influi na validade do
crédito, sob pena de desrespeito ao direito de compensar colocado
por lei.
Recurso provido.
Numero da decisão: 204-03.056
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Ana Maria Barbosa Ribeiro (Suplente) e Sílvia de Brito Oliveira.
Nome do relator: AIRTON ADELAR HACK
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ementa_s : IPI. CRÉDITO DA LEI n° 9779/99. IN 33/99. EXIGÊNCIA DE ESGOTAMENTO DO CRÉDITO DO REGIME ANTERIOR. DESCABIMENTO NO CASO. Desnecessária a comprovação do esgotamento do crédito de IPI existente em 31.12.1998 para aproveitamento de créditos mais recentes, quando estes comprovadamente são derivados de aquisições ocorridas no ano de 2001. A comprovação do esgotamento só se justifica para evitar a indevida compensação de créditos não sujeitos ao regime da Lei n° 9779/99 com tributos diversos do IPI. Demonstrado que o crédito é regido por tal lei, não pode ser exigido da contribuinte comprovação que não tem utilidade e não influi na validade do crédito, sob pena de desrespeito ao direito de compensar colocado por lei. Recurso provido.
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Numero do processo: 15746.720786/2023-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Fri Dec 13 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2019 a 31/12/2020
INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. CONTAGEM DO PRAZO RECURSAL POR DIAS CORRIDOS.
A contagem do prazo recursal no processo administrativo federal se dá por dias corridos, tal como disposto no artigo 5°, do Decreto n.° 70.235/1972.
Numero da decisão: 3101-003.951
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. em virtude da intempestividade.
Assinado Digitalmente
Laura Baptista Borges – Relatora
Assinado Digitalmente
Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Renan Gomes Rego, Laura Baptista Borges, Francisca Elizabeth Barreto (substituto[a] integral), Luciana Ferreira Braga, Sabrina Coutinho Barbosa e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
Nome do relator: LAURA BAPTISTA BORGES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. em virtude da intempestividade. Assinado Digitalmente Laura Baptista Borges – Relatora Assinado Digitalmente Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Renan Gomes Rego, Laura Baptista Borges, Francisca Elizabeth Barreto (substituto[a] integral), Luciana Ferreira Braga, Sabrina Coutinho Barbosa e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2024-12-13T16:05:46Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-12-13T16:05:46Z; Last-Modified: 2024-12-13T16:05:46Z; dcterms:modified: 2024-12-13T16:05:46Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-12-13T16:05:46Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-12-13T16:05:46Z; meta:save-date: 2024-12-13T16:05:46Z; pdf:encrypted: false; modified: 2024-12-13T16:05:46Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-12-13T16:05:46Z; created: 2024-12-13T16:05:46Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2024-12-13T16:05:46Z; pdf:charsPerPage: 1218; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-12-13T16:05:46Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 15746.720786/2023-33 ACÓRDÃO 3101-003.951 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 28 de novembro de 2024 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE WMB SUPERMERCADOS DO BRASIL LTDA. INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2019 a 31/12/2020 INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. CONTAGEM DO PRAZO RECURSAL POR DIAS CORRIDOS. A contagem do prazo recursal no processo administrativo federal se dá por dias corridos, tal como disposto no artigo 5°, do Decreto n.° 70.235/1972. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. em virtude da intempestividade. Assinado Digitalmente Laura Baptista Borges – Relatora Assinado Digitalmente Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Renan Gomes Rego, Laura Baptista Borges, Francisca Elizabeth Barreto (substituto[a] integral), Luciana Ferreira Braga, Sabrina Coutinho Barbosa e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Fl. 1104DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.951 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720786/2023-33 2 RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ), proferido pela 21ª Turma/DRJ08/SP, que julgou improcedente a Impugnação protocolizada pela contribuinte, por unanimidade de votos. Na origem, o auto de infração lavrado para a cobrança de IPI (fls. 938/946), no que se refere a fatos geradores ocorridos ao longo dos anos de 2019 e 2020. E, pela clareza e precisão com que relatou os fatos, transcrevo parte do relatório do acórdão da DRJ, para fins de melhor entendimento do contexto histórico que ensejou o lançamento fiscal: “No Termo de Verificação e Constatação Fiscal de fls. 947/958, parte integrante do auto de infração, foram detalhados os procedimentos, verificações, critérios e conclusões da Fiscalização que ensejaram a autuação. Foi constatado que o estabelecimento equiparado a industrial deu saída a produtos tributados, sem lançamento do imposto, por não caracterizar seu estabelecimento como equiparado a industrial. O sujeito passivo da autuação, durante o período sob fiscalização, realizou importação de produtos estrangeiros, os quais deu saída no mercado interno. As mercadorias importadas tratam-se de diversos produtos, os quais, conforme informação prestada pelo sujeito passivo, destinavam-se à comercialização no mercado interno. Assim, é equiparado a industrial nas saídas das mercadorias que importou do exterior, Art. 9º, inciso I, Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010 (Regulamento do IPI/2010). E, sendo contribuinte do tributo, ao dar saídas de produtos importados de seu estabelecimento, considera-se ocorrido o fato gerador do IPI, na condição de equiparado a industrial, sendo obrigado ao pagamento do IPI bem como a todas outras obrigações impostas pela legislação, inclusive às regras para escrituração dos livros fiscais, e a sua manutenção. No curso da fiscalização, o autuado esclareceu que após o julgamento do RE nº 946.648, em que se definiu que é devida a incidência do IPI saída de mercadorias do estabelecimento importador (ou equiparado) para comercialização no mercado interno, reconheceu-se os débitos de IPI e, assim, em 22/06/2021, foi transmitida a PER/DCOMP nº 07628.42608.220621.1.7.57-7707 para compensá-los com créditos próprios, tendo, inclusive, retificado as DCTF’s relacionados ao período objeto da presente Autuação Fiscal. Na apuração dos valores devidos de IPI, a fiscalização sinaliza que o autuado não tem direito a eventuais créditos de IPI, de que trata o art. 251, inciso I1 , do RIPI/2010, uma vez que considerou essa parcela como custo de aquisição. Além Fl. 1105DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.951 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720786/2023-33 3 disso, escreve que, mesmo após intimado, o estabelecimento não preencheu os registros E500 da EFD-ICMS/IPI e consequentemente não escriturou o Livro Registro de Apuração do IPI (RAIPI), que é condição “sine qua non” para que se tenha direito aos créditos a serem recuperados, conforme dispõem os arts. 251, inciso I, 256, 257, 444, inciso VIII, 477 e 478, todos do RIPI/2010. Pelos motivos acima, os valores de IPI, devidamente acrescido de multa de ofício e juros, foram lançados a partir da (1) subtração dos valores de IPI devidos nas saídas dos produtos importados do estabelecimento dos (2) valores declarados em DCTF (Valor lançado = 1 – 2), sem considerar qualquer crédito pago na importação. Regularmente cientificado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 972/987, instruída dos documentos de fls. 987/1038, mediante a qual alega, em síntese, que a autuação fiscal merece ser cancelada, pois ao contrário do disposto no lançamento fiscal, a mera inconsistência de obrigações acessórias, no registro de composição do Livro de Registro de Apuração do IPI (RAIPI), não inviabiliza o reconhecimento do direito dos créditos a serem recuperados, devido a necessidade da perseguição da busca da verdade material. (...)” Ato contínuo, a Colenda 21ª Turma da DRJ08/SP, julgou improcedente a Impugnação apresentada, em acórdão assim ementado (fls. 1041/1049): “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/01/2019 a 31/12/2020 CRÉDITO DE IPI. APROVEITAMENTO. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. Se o interessado utilizou o crédito de IPI como custo das mercadorias vendidas, não existe mais crédito a ser usado na conta gráfica do IPI para o abatimento dos débitos do imposto. Portanto, não há que se falar em desrespeito ao princípio da não cumulatividade. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A matéria não especificamente impugnada é incontroversa, sendo insuscetível de invocação posterior no âmbito de órgão de julgamento administrativo ad quem. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Às fls. 1050, em 08/01/2024, foi expedida Intimação para dar ciência do resultado do julgamento à Recorrente. Foram anexados também os DARFs e Demonstrativos de Débitos (fls. 1052/1057). Às fls. 1058, também em 08/01/2024, foi lavrado nos autos do processo o “Termo de Registro de Mensagem de Ato Oficial na Caixa Postal – Intimação”, para fins da regular intimação da Recorrente quanto ao acórdão de impugnação e demais documentos. Fl. 1106DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.951 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720786/2023-33 4 Às fls. 1059, no mesmo dia 08/01/2024, foi lavrado o “Termo de Ciência por Abertura de Mensagem DTE – Intimação”, com o seguinte teor: “TERMO DE CIÊNCIA POR ABERTURA DE MENSAGEM DTE INTIMAÇÃO O destinatário foi cientificado, com acesso aos documentos relacionados abaixo, pela abertura da mensagem da ciência na sua Caixa Postal, considerada seu Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) perante a RFB, na data de 08/01/2024, data em que se considera feita a intimação nos termos do art. 23, § 2º, inciso III, alínea “b” do Decreto nº 70.235/72. Data do registro da mensagem na Caixa Postal: 08/01/2024 11:59:43 Acórdão de Impugnação Intimação de Resultado de Julgamento - [ 701/2024 ] Data do Documento = 08/01/2024 Documento de Expediente Principal no Processo = NA Número do Documento = 701/2024 Darf - Documento de Arrecadação de Receitas Federais Demonstrativos de Débitos do Processo DATA DE EMISSÃO : 08/01/2024” Em seguida, às fls. 1060, foi lavrado o “Termo de abertura de Documento – Intimação”, datado de 19/02/2024, com o seguinte teor: “TERMO DE ABERTURA DE DOCUMENTO INTIMAÇÃO O Contribuinte acessou o teor dos documentos relacionados abaixo na data 19/02/2024 15:07h, pela abertura dos arquivos digitais correspondentes no link Processo Digital (e-Processo), no Portal e-CAC, através da opção Comunicados/Intimações, os quais já se encontravam disponibilizados desde 08/01/2024 na Caixa Postal do Domicílio Tributário Eletrônico. Acórdão de Impugnação Intimação de Resultado de Julgamento - [ 701/2024 ] Data do Documento = 08/01/2024 Documento de Expediente Principal no Processo = NA Número do Documento = 701/2024 Darf - Documento de Arrecadação de Receitas Federais Fl. 1107DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.951 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720786/2023-33 5 Demonstrativos de Débitos do Processo Contribuinte: 00.063.960/0009-58 WMB SUPERMERCADOS DO BRASIL LTDA. (ou seu Representante Legal) DATA DE EMISSÃO : 19/02/2024” Ato contínuo, no mesmo dia, às fls. 1061, foi lavrado o “Termo de Perempção n.° 459/2024”, dispondo o seguinte: “Transcorrido o prazo regulamentar de 30 (trinta) dias (Decreto n° 70.235/1972, art. 33) e não tendo o interessado apresentado recurso à instância superior da decisão da autoridade de primeira instância, lavra-se este termo de perempção na forma da legislação vigente. Esgotado o prazo da cobrança amigável, sem que tenha sido cumprida a exigência fiscal, o processo será encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional para cobrança execu4va (art. 21, § 30 do Decreto 70.235/1972).” Em 20/02/2024, a Recorrente protocolizou seu Recurso Voluntário (fls. 1064/1083), devolvendo suas alegações de fato de direito, além de defender a tempestividade de seu Recurso, nos termos do artigo 219, do Código de Processo Civil c/c artigo 33, do Decreto n.° 70.235/1972. Alegou ainda que, mesmo sem a aplicação do Código de Processo Civil, não se poderia considerar a contagem de prazos os dias em que o CARF teve sua pauta esvaziada em virtude da greve dos Auditores da Receita Federal. Contrarrazões da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional às fls. 1086/1101. É o relatório. VOTO Conselheira Laura Baptista Borges, Relatora. O Recurso Voluntário não preenche os requisitos de admissibilidade, eis que intempestivo. Tal como exposto no Relatório, em 08/01/2024, a Recorrente foi intimada do Acórdão de Impugnação e documentos, por meio de sua Caixa Postal no eCAC, seu Domicílio Tributário Eletrônico. O Recurso Voluntário foi protocolizado em 20/02/2024. O prazo para interposição do Recurso Voluntário é de 30 dias, conforme determina o artigo 33, do Decreto n.° 70.235/1972. Fl. 1108DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.951 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720786/2023-33 6 Quanto a contagem do prazo, dispõe o Decreto n.° 70.235/1972 que os prazos serão contínuos, conforme abaixo se confere: “Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindo-se na sua contagem o dia do início e incluindo-se o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato.” Verifica-se, assim, que o Decreto n.° 70.235/1972 possui expressa determinação de que a contagem do prazo deve se dar em dias corridos para fins de interposição de Recurso Voluntário no Processo Administrativo Federal, portanto, não se aplica ao caso a contagem do prazo em dias úteis. De igual forma, não merece prosperar a alegação de que não se pode considerar a contagem de prazos nos dias em que o CARF teve sua pauta esvaziada em virtude da greve dos Auditores da Receita Federal. A Recorrente foi intimada do Acórdão de Impugnação e documentos, por meio de sua Caixa Postal no eCAC, seu Domicílio Tributário Eletrônico, nos termos do artigo 23, §2°, III, alínea ‘b’, do Decreto n.° 70.235/1972: “Art. 23. Far-se-á a intimação: (...) §2° Considera-se feita a intimação: (...) III - se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) (...) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013)” Ora, a greve dos Auditores Fiscais da Receita Federal não impediu ou causou prejuízo para que a Recorrente efetuasse o protocolo do seu Recurso Voluntário por meio do eCAC. Tal como a Recorrente de fato o fez posteriormente, de forma intempestiva, o protocolo do Recurso Voluntário deveria ter se dado dentro do prazo de 30 dias corridos de forma eletrônica e o esvaziamento da pauta do CARF em razão de greve não guarda qualquer relação com esse ponto. Ainda, em caso de indisponibilidade do sistema eCAC, o que não foi alegado e nem comprovado, deveria a Recorrente ter postado seu Recurso Voluntário, dentro do prazo legal, em razão da impossibilidade de atendimento presencial no CAC de seu domicílio em razão da greve, o que não foi feito. Destarte, tendo a intimação ocorrido em 08/01/2024, segunda-feira, o prazo recursal de 30 dias corridos iniciou a contagem em 09/01/2024,terça-feira, e finalizou em 07/02/2024, quarta-feira. O Recurso Voluntário foi protocolizado em 20/02/2024. Fl. 1109DF CARF MF Original https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Lei/L12844.htm#art33 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Lei/L12844.htm#art33 D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.951 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720786/2023-33 7 Ante o todo exposto, voto por não conhecer o Recurso Voluntário, ante a sua intempestividade. É como voto. Assinado Digitalmente Laura Baptista Borges Fl. 1110DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10882.000426/2009-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PAF CONCOMITÂNCIA.
A discussão concomitante de matérias nas esferas judicial e administrativa enseja a renúncia nesta, pelo princípio da inafastabilidade e unicidade da jurisdição, salvo nos casos em que a matéria suscitada na impugnação ou
recurso administrativo, se prenda a competências privativamente atribuídas pela lei à autoridade administrativa, como é o caso da decadência e dos
efeitos da exigibilidade do crédito tributário constituído através do lançamento em face de liminar, e dos consectários lógicos do seu inadimplemento, como é o caso da multa e dos acréscimos moratórios consubstanciados no referido lançamento (arts. 142, 145, 147, 149 e 150 do
CTN), que não foram objeto da segurança.
DECADÊNCIA – CTN , ARTS, ARTIGOS 150, § 4º E 173 – APLICAÇÃO
EXCLUDENTE.
As normas dos arts. 150, § 4º e 173” do CTN não são de aplicação cumulativa ou concorrente, mas antes são reciprocamente excludentes, tendo em vista a diversidade dos pressupostos da respectiva aplicação: o art. 150, §
4º aplica-se exclusivamente aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa; o art. 173, ao revés, aplica-se tributos em que o lançamento,
em princípio, antecede o pagamento.
JUROS DE MORA SELIC INCIDÊNCIA
A taxa SELIC é aplicável na atualização dos débitos fiscais não-recolhidos integralmente no vencimento da obrigação, incidindo desde esta data, mesmo que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário tenha se dado em
momento anterior ao vencimento.
Numero da decisão: 3402-001.629
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos deu-se provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência do período de apuração 01/2004. Vencidas as Conselheiras Nayra Bastos Manatta e Silvia de Brito Oliveira.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA
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PLÁSTICOS Recorrida DRJ RIBEIRÃO PRETO SP PAF CONCOMITÂNCIA. A discussão concomitante de matérias nas esferas judicial e administrativa enseja a renúncia nesta, pelo princípio da inafastabilidade e unicidade da jurisdição, salvo nos casos em que a matéria suscitada na impugnação ou recurso administrativo, se prenda a competências privativamente atribuídas pela lei à autoridade administrativa, como é o caso da decadência e dos efeitos da exigibilidade do crédito tributário constituído através do lançamento em face de liminar, e dos consectários lógicos do seu inadimplemento, como é o caso da multa e dos acréscimos moratórios consubstanciados no referido lançamento (arts. 142, 145, 147, 149 e 150 do CTN), que não foram objeto da segurança. DECADÊNCIA – CTN , ARTS, ARTIGOS 150, § 4º E 173 – APLICAÇÃO EXCLUDENTE. As normas dos arts. 150, § 4º e 173” do CTN não são de aplicação cumulativa ou concorrente, mas antes são reciprocamente excludentes, tendo em vista a diversidade dos pressupostos da respectiva aplicação: o art. 150, § 4º aplicase exclusivamente aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa; o art. 173, ao revés, aplicase tributos em que o lançamento, em princípio, antecede o pagamento. JUROS DE MORA SELIC INCIDÊNCIA A taxa SELIC é aplicável na atualização dos débitos fiscais nãorecolhidos integralmente no vencimento da obrigação, incidindo desde esta data, mesmo que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário tenha se dado em momento anterior ao vencimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 08/02/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/02/2012 por NAYRA BAS TOS MANATTA Processo nº 10882.000426/200985 Acórdão n.º 3402001.629 S3C4T2 Fl. 2 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos deuse provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência do período de apuração 01/2004. Vencidas as Conselheiras Nayra Bastos Manatta e Silvia de Brito Oliveira. NAYRA BASTOS MANATTA Presidente FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Nayra Bastos Manatta (Presidente), Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, Gilson Macedo Rosenburg Filho, João Carlos Cassuli Júnior, Helder Masaaki Kanamaru (SUPLENTE). Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 203/236) contra o v. Acórdão DRJ/RPO nº 1430.756 de 01/09/10 constante de fls. 183/195 exarado pela 2ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto SP que, por unanimidade de votos, houve por bem “julgar procedente” o lançamento original de IPI consubstanciado no Auto de Infração (fls. 118/130) notificado em 13/02/09 (fls. 127), no valor total de R$ 9.780.178,75 (IPI R$ 6.489.599,70; juros de mora R$ 3.290.579,05), e lavrado com exigibilidade suspensa por força de Medida Liminar concedida (art. 151 incs. II e IV do CTN) nos autos do Processo nº 2001.61.00.0278846 (18ª Vara JF) que acusou a ora Recorrente de na qualidade de “estabelecimento industrial” ter recolhido a menor o IPI por ter se utilizado de créditos indevidos e após reconstituição de escrita, permanece com saldo credor conforme TCF em anexo no período de 31/01/04 a 31/12/05 (fls. 128/129). Por seu turno a r. decisão de fls. 183/195 da 2ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto SP, houve por bem “julgar procedente” o lançamento original de IPI (fls. 118/130), aos fundamentos sintetizados em sua ementa nos seguintes termos: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 NULIDADES. As causas de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal são somente aquelas elencadas na legislação, de regência. A apuração da base de cálculo do IPI a partir dos valores consignados na escrita fiscal, não acarreta a nulidade do auto de infração. IPI. DECADÊNCIA. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 08/02/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/02/2012 por NAYRA BAS TOS MANATTA Processo nº 10882.000426/200985 Acórdão n.º 3402001.629 S3C4T2 Fl. 3 3 Caracterizado o lançamento por homologação, de iniciativa do sujeito passivo, e escoado o lapso quinquenal; as ocorrências fáticas são abrangidas pelo fenômeno jurídico da decadência. A utilização de créditos, não admitidos na legislação do IPI, para compensar débitos do imposto apurados na escrita fiscal, não configura pagamento antecipado, deslocando para o primeiro dia do exercício seguinte, o termo inicial do prazo decadencial. AÇÃO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. LANÇAMENTO OBRIGATÓRIO. A concessão de tutela antecipada judicial, em vigor à época do lançamento de ofício, implica a suspensão da respectiva exigência tributária, sendo a formalização da peça impositiva, obrigatória sob pena de responsabilidade funcional, para estancar a fluência do prazo decadencial, elaborada sem a inflição da multa de oficio. NORMAS PROCESSUAIS. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. A propositura de ação judicial, antes ou após a lavratura do auto de infração, com o mesmo objeto, além de não obstaculizar a formalização do lançamento, impede a apreciação, pela autoridade administrativa a quem caberia o julgamento, da questão de mérito submetida ao Poder Judiciário. DIREITO AO CRÉDITO. INSUMOS NÃO ONERADOS PELO IPI. É inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos a insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. JUROS DE MORA. EXIGIBILIDADE. São exigíveis os juros de mora em lançamento com a exigibilidade suspensa, exceto na hipótese de depósito do montante integral. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É lícita a exigência do encargo com base na variação da taxa SELIC. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Nas razões de Recurso Voluntário (fls. 195/220) oportunamente apresentadas, a ora Recorrente sustenta a insubsistência da r. decisão recorrida e do auto de infração por ela mantido, tendo em vista: a) preliminarmente a nulidade do AI por cerceamento ao direito de defesa, eis que inexistiria comprovação da efetiva ocorrência da infração cm Fl. 257DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 08/02/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/02/2012 por NAYRA BAS TOS MANATTA Processo nº 10882.000426/200985 Acórdão n.º 3402001.629 S3C4T2 Fl. 4 4 inversão do ônus da prova e não teria sido previamente intimada a recolher AI com os benefícios da denuncia espontânea; b) a decadência parcial do lançamento em relação a janeiro de 2004, nos termos do § 4º do art. 150 do CTN; c) no mérito a regularidade das compensações efetuadas e a impossibilidade de efetuar o lançamento eis que a medida judicial indeferiu o pedido de antecipação de tutela autorizando a utilização dos créditos e em sentença reconheceu parcialmente o direito sendo que a posterior decisão que a reformou não seria definitiva; d) que os órgãos administrativos teriam o dever de cumprimento da CF e o princípio da não cumulatividade do IPI; e) a inexigibilidade da Taxa SELIC. É o relatório. Voto Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, Relator O Recurso Voluntário reúne as condições de admissibilidade e, no mérito, merece ser provido parcialmente. Inicialmente, rejeito as preliminares de nulidade do AI, bem afastadas pela r. decisão recorrida que deve ser mantida e cujos fundamentos adoto como razões de decidir. Desde logo, verificase que a mera existência de ação judicial para discutir a legitimidade da compensação objeto do lançamento, já impede o reexame da mesma matéria de mérito objeto do presente recurso, que sequer poderia ser reapreciada na instância administrativa, seja porque de acordo com a lei processual “nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas, relativas à mesma lide” (art. 471 do CPC), sendo “defeso à parte discutir, no curso do processo, as questões já decididas” (art. 473 do CPC), seja ainda porque, havendo concomitância de discussão esta C. Câmara tem reiteradamente proclamado, que “a discussão concomitante de matérias nas esferas judicial e administrativa enseja a renúncia nesta, pelo princípio da inafastabilidade e unicidade da jurisdição” (cf. Ac. nº 20177.493, Rec. nº 122.188, da 1ª Câm. do 2º CC em sessão de 17/02/04, Rel. Antonio Mario de Abreu Pinto; cf. tb Ac. Acórdão no 20177.519, Rec. no 122.642, em sessão de 16/03/04 Rel. Gustavo Vieira de Melo Monteiro). Nesse sentido a jurisprudência dominante do 1º CC cristalizada na Súmula nº 1, recentemente aprovada, que expressamente dispõe: “importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” (cf. DOU1 de 26/6/06, p. 26 e RDDT vol. 132/239). Notese que, nem mesmo a hipótese de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, poderia obstar o lançamento tributário, pois como já assentou a jurisprudência uniforme do E. STJ “a suspensão da exigibilidade do crédito tributário na via judicial impede o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda de proceder à regular constituição do crédito tributário para prevenir a decadência do direito de lançar” (cf. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 08/02/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/02/2012 por NAYRA BAS TOS MANATTA Processo nº 10882.000426/200985 Acórdão n.º 3402001.629 S3C4T2 Fl. 5 5 Ac. da 1ª Seção do STJ nos Emb. de Divergência no R. Esp. nº 572.603PR, Reg. nº 2004/01217933, em sessão de 08/06/05, Rel. Min. CASTRO MEIRA, publ. in DJU de 05/09/05 p. 199 e in RDDT vol. 123 p. 239), eis que “o prazo para lançar não se sujeita a suspensão ou interrupção, sequer por ordem judicial.” (cf. Ac. da 2ª Turma do STJ no R. Esp. nº 119986SP, Reg. nº 1997/00110168, em sessão de 15/02/01, Rel. Min. ELIANA CALMON, publ. In DJU de 09/04/01 p. 337 e in RSTJ vol. 147 p. 154), sendo certo que a procedência, ou improcedência do débito principal objeto do lançamento, já se encontra adredemente vinculada à sorte da decisão final do processo judicial. Nessa ordem de idéias, não há concomitância ou óbice no exame de certas matérias objeto da impugnação ou recurso administrativo que, sendo meras conseqüências do processo judicial e, prendendose a competências privativamente atribuídas pela lei à autoridade administrativa (ex vi dos arts. 142, 145, 147, 149 e 150 do CTN), como é o caso da decadência e da exigibilidade do crédito tributário constituído através do lançamento excogitado, e dos consectários lógicos do seu inadimplemento (multa e acréscimos moratórios), não foram objeto da ação judicial, razão pela qual passo a examinálas. Nesse ponto, a r. decisão recorrida merece parcial reforma quanto à decadência, cuja ocorrência reconheço em relação às operações ocorridas no período de 01/04, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, com a conseqüente extinção do crédito tributário dela decorrente nos termos do art. 156, inc. V do CTN. Como é curial, “o direito à utilização do crédito está subordinado ao cumprimento das condições estabelecidas para cada caso e das exigências previstas para a sua escrituração” (art. 178, § 2º do RIPI/98 Decreto nº 2.637/98; arts. 195 e 196 do RIPI/02) e, uma vez anulado ou desconsiderado o crédito “no período de apuração em que ocorrer ou se verificar o fato determinante da anulação”, o imposto a recolher é o resultante do cálculo “relativo ao período de apuração a que se referir o recolhimento, deduzidos os créditos do mesmo período” (art. 183, inc. IV do RIPI/98 Decreto nº 2.637/98; art. 200. inc. IV do RIPI/02), sendo certo que, “se o estorno for efetuado após o prazo previsto e resultar saldo devedor do imposto, a este serão acrescidos os encargos legais provenientes do atraso” (art. 174, §§ 3º e 4º do RIPI/98 Decreto nº 2.637/98; art. 193, §§ 5º e 6º do RIPI/02), entre os quais se conta o da multa punitiva. Assim, concessa vênia, parece não haver dúvida que o lançamento excogitado se insere na hipótese de lançamento por homologação prevista no art. 150, § 4º do CTN, cujo prazo decadencial para homologação, contase da data do fato gerador ou período de apuração, conforme expressamente dispõem os arts.124 Incs. I e III e 129, Incs. I do RIPI/02, então vigente (arts.56, Incs. I e III e 61, Inc. I do RIPI/82; arts. 111 e 116 do RIPI/98): “Art. 124. Os atos de iniciativa do sujeito passivo, no lançamento por homologação, aperfeiçoamse com o pagamento do imposto ou com a compensação do mesmo, nos termos dos arts. 207 e 2081 e efetuados antes de qualquer procedimento de ofício da autoridade administrativa (Lei nº 5.172, de 1966, art. 150 e § 1º, Lei nº 9.430, de 1996, arts. 73 e 74). Parágrafo único. Considerase pagamento: I o recolhimento do saldo devedor, após serem deduzidos os créditos admitidos dos débitos, no período de apuração do imposto; Fl. 259DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 08/02/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/02/2012 por NAYRA BAS TOS MANATTA Processo nº 10882.000426/200985 Acórdão n.º 3402001.629 S3C4T2 Fl. 6 6 (...) III a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher.” “Art. 129. O direito de constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados: I da ocorrência do fato gerador, quando, tendo o sujeito passivo antecipado o pagamento do imposto, a autoridade administrativa não homologar o lançamento, salvo se tiver ocorrido dolo, fraude ou simulação (Lei nº 5.172, de 1966, art. 150, § 4º); (...).” Na mesma ordem de idéias, o E. Superior Tribunal de Justiça recentemente esclareceu que “as normas dos artigos 150, § 4º e 173” do CTN “não são de aplicação cumulativa ou concorrente, antes são reciprocamente excludentes, tendo em vista a diversidade dos pressupostos da respectiva aplicação: o art. 150, § 4º aplicase exclusivamente aos tributos ‘cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa’; o art. 173, ao revés, aplicase tributos em que o lançamento, em princípio, antecede o pagamento”. Assim, entende aquela E. Corte que “a aplicação concorrente dos artigos 150, § 4º e 173”, a par de ser “juridicamente insustentável” e padecer de invencível “ilogicidade”, apresentase como “solução (...) deplorável do ponto de vista dos direitos do cidadão porque mais que duplica o prazo decadencial de cinco anos, arraigado na tradição jurídica brasileira como o limite tolerável da insegurança jurídica” (cf. Ac. da 2ª Turma do STJ no R. Esp. nº 638.962PR, rel. Min. Luiz Fux, publ. no DJU de 01/08/05 e na RDDT 121/238) Dos preceitos expostos, desde logo verificase que o Auto de Infração original notificado 13/02/09 (fls. 127), jamais poderia abranger operações ocorridas no período de 01/04 (fls. 128), sobre as quais já se achava extinto o direito da Fazenda Pública de proceder ao lançamento, por se ter consumado o prazo decadencial e a conseqüente extinção do crédito tributário nos expressos termos dos arts. 150, § 4º e 156, inc. V do CTN, impondose a exclusão das referidas operações do lançamento, tal como já proclamou a Jurisprudência retro citada. No que toca à incidência dos acréscimos moratórios calculados à TAXA SELIC, a r. decisão é incensurável eis que, como expressamente admite a Jurisprudência do E. STJ que já se pacificou no sentido da constitucionalidade e legalidade da aplicação da taxa SELIC na atualização dos débitos fiscais nãorecolhidos integralmente no vencimento (cf. Ac. da 1ª Seção do STJ nos Em. Div. no REsp nº 426967MG, Reg. 2005/00802854, em sessão de 09/08/2006, Rel. Min. DENISE ARRUDA, publ. in DJU de 04.09.2006 p. 218), sendo “devido, dessarte, o pagamento de juros de mora desde o vencimento da obrigação e correção monetária, mesmo que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário tenha se dado em momento anterior ao vencimento” (cf. Ac. da 2ª Turma do STJ no REsp 208.803SC, Reg. 1999/00258649, em sessão de 11/02/2003, Rel. Min. FRANCIULLI NETTO, publ. in DJU de 02/06/2003 p. 232) Fl. 260DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 08/02/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/02/2012 por NAYRA BAS TOS MANATTA Processo nº 10882.000426/200985 Acórdão n.º 3402001.629 S3C4T2 Fl. 7 7 Isto posto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para reformar parcialmente a r. decisão recorrida, apenas para proclamar a decadência do lançamento em relação às operações ocorridas no período de 01/04 (fls. 128), e a conseqüente extinção do crédito tributário nos expressos termos dos arts. 150, § 4º e 156, inc. V do CTN, impondose a exclusão das referidas operações do lançamento mantendo no mais a r. decisão recorrida. É como voto Sala das Sessões, em 26 de janeiro de 2012. FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Fl. 261DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 08/02/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/02/2012 por NAYRA BAS TOS MANATTA
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Numero do processo: 17227.727022/2022-82
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Dec 09 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2017 a 30/06/2019
NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. SÚMULA CARF. N.27.
Nos termos do enunciado da Súmula CARF n. 27 é válido o lançamento formalizado por Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo.
EMISSÃO DE NOTAS FISCAIS SEM A CORRESPONDENTE SAÍDA DAS MERCADORIAS. PENALIDADE. CABIMENTO.
Amplo arcabouço fático-probatório que demonstra a emissão de notas fiscais sem a correspondente saída de mercadorias implica a penalidade prevista no artigo 572, II, do RIPI/2010.
MULTA. VIOLAÇÃO DE PRINCÍPIOS. VEDAÇÃO AO CONFISCO. SÚMULA CARF. N. 02.
A autoridade fiscal e os órgãos de julgamento não podem, invocando a proporcionalidade e razoabilidade afastar a aplicação da lei tributária válida e vigente, nos termos do enunciado da Súmula CARF n. 02 é vedado ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária.
Numero da decisão: 3101-003.941
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário interposto, não conhecendo dos argumentos afetos a ofensas a princípios constitucionais e, na parte conhecida, por negar provimento ao recurso.
Sala de Sessões, em 16 de outubro de 2024.
Assinado Digitalmente
LUCIANA FERREIRA BRAGA – Relatora
Assinado Digitalmente
MARCOS ROBERTO DA SILVA – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Gilson Macedo Rosenburg Filho, Laura Baptista Borges, Renan Gomes Rego, Luciana Ferreira Braga, Sabrina Coutinho Barbosa, Marcos Roberto da Silva (Presidente).
Nome do relator: LUCIANA FERREIRA BRAGA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2017 a 30/06/2019 NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. SÚMULA CARF. N.27. Nos termos do enunciado da Súmula CARF n. 27 é válido o lançamento formalizado por Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. EMISSÃO DE NOTAS FISCAIS SEM A CORRESPONDENTE SAÍDA DAS MERCADORIAS. PENALIDADE. CABIMENTO. Amplo arcabouço fático-probatório que demonstra a emissão de notas fiscais sem a correspondente saída de mercadorias implica a penalidade prevista no artigo 572, II, do RIPI/2010. MULTA. VIOLAÇÃO DE PRINCÍPIOS. VEDAÇÃO AO CONFISCO. SÚMULA CARF. N. 02. A autoridade fiscal e os órgãos de julgamento não podem, invocando a proporcionalidade e razoabilidade afastar a aplicação da lei tributária válida e vigente, nos termos do enunciado da Súmula CARF n. 02 é vedado ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária.
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AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. SÚMULA CARF. N.27. Nos termos do enunciado da Súmula CARF n. 27 é válido o lançamento formalizado por Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. EMISSÃO DE NOTAS FISCAIS SEM A CORRESPONDENTE SAÍDA DAS MERCADORIAS. PENALIDADE. CABIMENTO. Amplo arcabouço fático-probatório que demonstra a emissão de notas fiscais sem a correspondente saída de mercadorias implica a penalidade prevista no artigo 572, II, do RIPI/2010. MULTA. VIOLAÇÃO DE PRINCÍPIOS. VEDAÇÃO AO CONFISCO. SÚMULA CARF. N. 02. A autoridade fiscal e os órgãos de julgamento não podem, invocando a proporcionalidade e razoabilidade afastar a aplicação da lei tributária válida e vigente, nos termos do enunciado da Súmula CARF n. 02 é vedado ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário interposto, não conhecendo dos argumentos afetos a ofensas a princípios constitucionais e, na parte conhecida, por negar provimento ao recurso. Sala de Sessões, em 16 de outubro de 2024. Fl. 3689DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.941 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17227.727022/2022-82 2 Assinado Digitalmente LUCIANA FERREIRA BRAGA – Relatora Assinado Digitalmente MARCOS ROBERTO DA SILVA – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Gilson Macedo Rosenburg Filho, Laura Baptista Borges, Renan Gomes Rego, Luciana Ferreira Braga, Sabrina Coutinho Barbosa, Marcos Roberto da Silva (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário interposto por HAVITA IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. contra acórdão proferido pela 13ª TURMA/DRJ 06, o qual julgou parcialmente procedente a impugnação do contribuinte tão somente para afastar a exigência de valores decaídos, mas manteve a multa pela emissão de notas fiscais sem a correspondente saída das mercadorias nelas descritas. Consta do Auto de Infração que em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, restou constatada a utilização de notas fiscais provenientes de pessoas jurídicas noteiras, inexistentes de fato, conforme termo de verificação anexado ao referido auto e diante de tais fatos, foi lançada multa prevista no art. 572, inciso II, RIPI/2010. O seguinte trecho do acórdão bem sintetiza as demais razões de ter sido efetuado o lançamento: A autuação albergou lançamentos atrelados a tributos diversos, inclusive o IPI. Quanto a este último assim se manifestou a Autoridade Fiscal: Conforme denúncia do MPRJ (Anexo - denúncia MPRJ) a empresa está envolta em um esquema de sonegação que envolve a criação de empresas de fachada e em nome de laranjas para fraudar a cadeia do ICMS com esquemas de créditos indevidos, vendas para empresas constituídas por interpostas pessoas e que não efetuavam o recolhimento de impostos e operações fictícias entre as empresas para gerar créditos. ... O teor da denúncia do MPRJ está em consonância com as suspeitas identificadas durante este procedimento fiscal: ... Fl. 3690DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.941 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17227.727022/2022-82 3 O denunciado THIAGO MENDONÇA MONTEIRO, além de integrar a estrutura de comando da organização criminosa e operar como administrador de fato das empresas do grupo, inclusive as constituídas em nome das interpostas pessoas, figura como sócio administrador da sociedade empresária Havita Importação e Exportação Ltda., principal beneficiária das transferências fraudulentas de créditos de ICMS das empresas que compõe o grupo delinquencial. (...) Consciente e também no controle das fraudes perpetradas de forma estruturada pela organização criminosa, cabe ao denunciado THIAGO MENDONÇA MONTEIRO, diretor comercial de fato do grupo, estabelecer o preço final das mercadorias comercializadas de acordo com os custos efetivos, valendo-se, pois, da margem que dispõe de sonegação fiscal para estabelecer o preço final dos produtos comercializados e concorrer de forma desleal com o segmento no qual as empresas do grupo competem. (...) É certo ainda que o denunciado THIAGO MENDONÇA MONTEIRO, além de líder da organização criminosa, também foi o responsável pelo cooptação dos denunciados GUILHERME COUTO e ROGÉRIO GIRARDI MEDEIROS DA SILVA como interpostas pessoas para a constituição das empresas com simulação de quadro social utilizadas pela organização criminosa. ... Das Pessoas Jurídicas Inexistentes de Fato – Fornecedores Noteiras da HAVITA. As relações das noteiras BROKERS, HARAGANO, WINNERS, DUBAI, ASTROS e PACIFICOS, entre si e com a HAVITA, estão muito bem delineadas na denúncia apresentada pelo MPE-RJ. Existem provas exaustivas demonstrando que estas empresas fazem parte do grupo GOLDEN FOODS, e que foram criadas com intuito fraudulento. As noteiras KAISSARA, KELSON E JP, no entanto, não constam da denúncia. Isto porque a denúncia se refere a fatos geradores mais antigos, e estas noteiras passaram a ser utilizadas pela HAVITA em períodos mais recentes. 4.4. INFRAÇÃO 04 – Multa por uso de notas fiscais inidôneas. Ficou demonstrado neste procedimento fiscal que a HAVITA registrou na EFD Contribuições e/ou na EFD ICMS/IPI notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas noteiras e inexistentes de fato. Assim dispõe o art. 572, II, do RIPI: Art. 572. Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe for atribuído na nota fiscal, respectivamente (Lei nº 4.502, de 1964, art. 83, e Decreto-Lei n o 400, de 1968, art. 1º, alteração 2ª): [...] II - os que emitirem, fora dos casos permitidos neste Regulamento, nota fiscal que não corresponda à saída efetiva, de produto nela descrito, do estabelecimento emitente, e os que, em proveito próprio ou alheio, utilizarem, Fl. 3691DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.941 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17227.727022/2022-82 4 receberem ou registrarem essa nota para qualquer efeito, haja ou não destaque do imposto e ainda que a nota se refira a produto isento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 83, inciso II, e Decreto-Lei nº 400, de 1968, art. 1º, alteração 2ª). Valores de lançamento, conforme auto de infração anexo ao processo MULDI por uso de notas fiscais de noteiras. Ao julgar a impugnação apresentada, a DRJ manteve parcialmente o lançamento, em acórdão assim ementado: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2017 a 30/06/2019 NOTAS FISCAIS. INIDONEIDADE. EMISSÃO SEM A CORRESPONDENTE SAÍDA DAS MERCADORIAS DESCRITAS NO DOCUMENTO FISCAL. PENALIDADE. CABIMENTO. A emissão de notas fiscais sem a correspondente saída das mercadorias nelas descritas implica a aplicação da penalidade prevista no inciso II do artigo 572 do RIPI/2010. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA. ARTIGO 173, INCISO I, DO CTN. Comprovada a ciência do lançamento em data que extrapola o intervalo previsto no inciso I do artigo 173 do CTN, é se retirar da exigência os valores alojados em períodos de apuração posteriores ao encerramento do intervalo permissivo para efetivação do lançamento. Inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário através do qual, sustenta, em síntese: - Preliminarmente, a nulidade do auto de infração e da multa em razão da fiscalização ter sido realizada em local diverso do domicílio tributário do contribuinte; - Que teria ocorrido erro na declaração de inidoneidade das notas fiscais, eis que nobre auditor fiscal teria se pautado tão somente no relatório do MPERJ e desconsiderado documentos que comprovariam que as compras foram realizadas enquanto seus fornecedores encontravam-se aptos; - Que a aplicação de multa com base de cálculo no valor total da nota fiscal violaria os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade; - Que a aplicação de multa com valor superior ao do tributo seria inconstitucional, segundo entendimento do STF; É o relatório. Fl. 3692DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.941 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17227.727022/2022-82 5 VOTO Conselheira Luciana Ferreira Braga, Relatora. Tempestividade Tempestivo o recurso, passo a sua análise. Das Preliminares Veja que, a Recorrente se limita, praticamente, a reproduzir as teses de sua impugnação, alegando: (i) preliminarmente, nulidade do auto pela fiscalização ter ocorrido em local diverso do domicílio tributário do contribuinte. Quanto a preliminar aventada, a recorrente sustenta que possui regular domicílio tributário em Queimados-RJ, e que o acórdão recorrido embora tenha decidido contra, teria reconhecido que o domicilio tributário do contribuinte seria o “único capaz e legítimo para proferir decisões, intimações, fiscalizações, autuações e ciência dos termos.” Anexa para corroborar a sua tese, trecho do acórdão que determina que a Delegacia da Receita Federal que jurisdiciona no domicilio do contribuinte dê ciência do acórdão à interessada e realize as demais providências de sua alçada. Afirma, em síntese, que a fiscalização conduzida em localidade diversa daquela estabelecida pelo contribuinte como seu domicilio tributário acarretaria, necessariamente, a nulidade do auto de infração por ofensa a ampla defesa e o contraditório, alegando ainda que a documentação estaria em localidade diversa daquela eleita pela Administração Tributária, o que teria dificultado a apresentação de esclarecimentos e documentos para o Fisco. No entanto, tais fundamentos não merecem prosperar, veja que o acórdão recorrido tão somente determinou que a Delegacia que jurisdiciona no domicílio do contribuinte desse ciência ao contribuinte da referida decisão, o que não implica dizer que o acórdão teria reconhecido que o domicilio tributário seria o único competente para proferir decisões, intimações e até efetuar fiscalizações. Na realidade, ao contrário do que aduz o recorrente, conforme entendimento sumulado deste próprio Conselho Administrativo é absolutamente válido o lançamento formalizado por Auditor de jurisdição diversa do domicílio tributário do contribuinte. Senão, vejamos enunciado da Súmula 27: Fl. 3693DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.941 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17227.727022/2022-82 6 Súmula CARF nº 27: É valido o lançamento formalizado por Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. Ademais, como bem ressaltado pela instância inferior, a legitimidade do lançamento não passa pela coincidência territorial verificada entre a lotação do Auditor Fiscal da Receita Federal e o domicílio eleito pelo sujeito passivo. Ressalta-se que o lançamento do crédito tributário pode ser realizado por Auditor Fiscal de qualquer das unidades administrativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, já que sua competência é nacional, sendo que a divisão do órgão em unidades (Delegacias, Alfândegas) é meramente administrativa, não sendo vedado que o Auditor Fiscal lotado em uma unidade fiscalize contribuintes sediados em outra. Portanto, não vislumbro qualquer necessidade de acatamento da preliminar para reforma das conclusões do v. acórdão recorrido neste aspecto. Mérito (ii) erro na declaração de inidoneidade das notas fiscais; (iii) que a multa aplicada violaria os princípios da razoabilidade e proporcionalidade e ainda que seria inconstitucional, segundo entendimento do STF. Quanto ao mérito, o recorrente inicia suas razões afirmando que teria ocorrido erro na declaração de inidoneidade, afirmando ainda que o auditor fiscal teria se pautado em “inverdades apresentadas no relatório do MPERJ” e ignorado os documentos apresentados no decorrer da fiscalização. Acosta para corroborar o alegado relatório emitido pelo banco HSBC que contemplaria boletos liquidados pela recorrente com a empresa DUBAI 10 e um comprovante de pagamento efetuado a referida empresa. Antes de mais nada, cabe reproduzir, de forma parcial, as razões que constaram do TVF quanto ao entendimento de inidoneidade das notas fiscais da referida empresa, baseada na própria fiscalização realizada pelo auditor fiscal e não somente no relatório da MPERJ, conforme aduz a recorrente (fls. 78-83): Fl. 3694DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.941 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17227.727022/2022-82 7 Fl. 3695DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.941 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17227.727022/2022-82 8 (...)Veja que, o auditor fiscal conduziu os seus trabalhos em conformidade com o art. 142 do CTN, tendo avaliado fatos, documentos, e inclusive, as informações decorrentes da MPE/RJ e, ao final, produziu contundente Termo de Verificação Fiscal, no qual pormenorizou os fatos que geraram o lançamento da multa, objeto do presente processo. O relatório bancário e único comprovante de pagamento apresentados pelo Recorrente em sede recursal não tem o condão de afastar as conclusões do lançamento, que levou em consideração além do compartilhamento de informações decorrentes do MPE/RJ, as inúmeras pesquisas realizadas durante a fiscalização que demonstraram, inequivocamente, a fraude perpetuada por empresas inexistentes de fato. Nesse ponto, cumpre trazer a lume o que bem ressaltou o acórdão que julgou a impugnação do recorrente: Segundo a tese de defesa, a Autoridade Fiscal teria apoiado o lançamento unicamente no teor da denúncia formalizada pelo Ministério Público do RJ sem realizar qualquer ação investigativa capaz de formatar corpo probatório que juridicamente sustentasse a ocorrência da infração apontada e a consequente aplicação da multa isolada prevista no inciso II do artigo 572 do RIPI/2010. A alegação destoa da exaustiva explanação fático-jurídica desenvolvida pela Autoridade Fiscal ao longo das 89 (oitenta e nove páginas) do Termo de Verificação Fiscal. Todas as pesquisas realizadas, e muitas foram realizadas, estão descritas minudentemente e a conclusão pela presença de fraudes perpetradas a partir de notas fiscais inidôneas emitidas por empresas noteiras mostra sintonia total entre fatos e norma punitiva aplicada. E mais. Cuidou a Autoridade Fiscal de inaugurar procedimento administrativo de pesquisa de existência física em relação a todas as noteiras à exceção da sociedade empresária DUBAI 10, que já havia sido baixada de forma voluntária. O resultado final do procedimento de pesquisa de existência mostrou, em todos os casos pesquisados, inexistência de fato, sendo que a decisão da Autoridade Fiscal nos respectivos processos administrativos constitui ato jurídico perfeito e acabado não sujeito ao rito do Processo Administrativo Fiscal, extraído este dos Decretos 70.235/72 e 7574/2011. Eis os processos: (...)A título de reforço de formação de corpo probatório, diga-se que em processos que visam a baixa por inexistência de fato é oportunizada ao contribuinte a apresentação de alegações e documentos que contradigam a pretensão do Fisco. Apresentadas alegações e documentos, ponderados são estes pela Autoridade Fiscal que então decidirá pelo arquivamento consequente à aceitação das razões e provas apresentadas ou pela emissão de Ato Declaratório Executivo-ADE dando conta da baixa de ofício, o que ocorreu em relação a todas as empresas supra discriminadas. Trago, como exemplo, o despacho que ordena a Fl. 3696DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.941 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17227.727022/2022-82 9 intimação da contribuinte KAISSARA ALIMENTOS EIRELI para manifestação e o ADE que deu conta da baixa de ofício: (...)A meu sentir, a musculatura do conjunto probatório é inegável, contundente e aponta para a operações de empresas noteiras criadas com o fim único de gerar falsos créditos pela emissão de notas fiscais que descreviam atos negociais inexistentes. Temos um roteiro de auditoria detalhado, eficaz e que conflui para a ilação de inexistência de fato de todas as empresas investigadas; e temos atos jurídicos perfeitos e acabados que conferem roupagem jurídica justa e adequada aos fatos relatados e demonstrados pela Autoridade Fiscal (ADEs que firmam a condição de baixa das empresas em questão por inexistirem no mundo fático). A alegação de que teria havido entrada e pagamento das mercadorias adquiridas carece de comprovação documental idônea, não encontrada nos autos. Dessa forma, tem-se que, ao contrário do que leva a crer o Recorrente em suas razões recursais, a Autoridade Fiscal não pautou o lançamento tão somente na denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro, mas realizou exaustiva pesquisa das empresas envolvidas, inclusive, mediante procedimento administrativo específico para apurar a existência de fato das empresas, tendo concluído ao final, pela existência de fraude a partir de notas fiscais inidôneas e inexistência de fato das pessoas jurídicas envolvidas. Logo, os autos de Infração são procedentes, não merecendo qualquer reparo o julgamento de primeira instância. Da Multa Aplicada Quanto a multa aplicada, o recorrente se irresigna quanto a base de cálculo, afirmando que usar o valor total da nota fiscal violaria os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, afirmando ainda que, seria impossível a aplicação de multa com valor superior ao do tributo, que teria efeito confiscatório. No entanto, quanto a este ponto, cumpre ressaltar que a multa foi aplicada em absoluta consonância ao que prevê o art. 572, II, do RIPI/2010, ante a constatação de emissão de notas fiscais inidôneas: Art. 572. Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe for atribuído na nota fiscal, respectivamente. Fl. 3697DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-003.941 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17227.727022/2022-82 10 II - os que emitirem, fora dos casos permitidos neste Regulamento, nota fiscal que não corresponda à saída efetiva, de produto nela descrito, do estabelecimento emitente, e os que, em proveito próprio ou alheio, utilizarem, receberem ou registrarem essa nota para qualquer efeito, haja ou não destaque do imposto e ainda que a nota se refira a produto isento. Dessa forma, tem-se que o auto de infração foi lavrado com base na norma tributária vigente, não podendo a autoridade fiscal, que tem atuação vinculada, descumprir com a referida determinação, sob pena de sofrer responsabilidade funcional, em consonância com o que prevê o art. 142, parágrafo único, do CTN. Veja ainda que não pode este Colegiado afastar a aplicação da multa da forma como prevê o dispositivo legal supramencionado ao argumento de ofensa aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, eis que a sua competência se restringe aferir a incidência ou sanção da sanção normativa no caso concreto. Afastar tal sanção sob argumento de ofensa a razoabilidade e proporcionalidade ou não confisco, seria declarar de forma incidental a inconstitucionalidade de norma, o que é tarefa vedada a este Conselho, pelo óbice da Súmula nº 02: “Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Assim, não merece conhecimento o recurso voluntário interposto quanto a ocorrência de violação de princípios da proporcionalidade e da razoabilidade ao aplicar a penalidade prevista em lei. Conclusão Ante todo o exposto, voto no sentido de conhecer parcialmente do Recurso Voluntário interposto, não conhecendo dos argumentos afetos a ofensas a princípios constitucionais e, na parte conhecida, negar provimento ao recurso. É como voto. Fl. 3698DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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Numero do processo: 10675.906623/2009-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Ementa:
CRÉDITO PRESUMIDO. LEI Nº 9.363/96. BASE DE CÁLCULO. COMBUSTÍVEL. SÚMULA CARF Nº 19.
Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário.
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE – O juízo sobre
inconstitucionalidade da legislação tributária é de competência exclusiva do Poder Judiciário.
Numero da decisão: 3402-001.595
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: RF06 - C01 - Fazendária - Compensação
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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LEI Nº 9.363/96. BASE DE CÁLCULO. COMBUSTÍVEL. SÚMULA CARF Nº 19. Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE – O juízo sobre inconstitucionalidade da legislação tributária é de competência exclusiva do Poder Judiciário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. NAYRA BASTOS MANATTA Presidente GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Helder Masaaki Kanamaru (Suplente) Fl. 174DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 20/02/2012 por NAYRA BASTOS MA NATTA Processo nº 10675906623/200955 Acórdão n.º 3402001595 S3C4T2 Fl. 296 2 Relatório Para elucidar os fatos ocorridos até a interposição do Recurso Voluntário, transcrevo o relatório da DRJ, in verbis: Trata o presente processo de DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO DCOMP nos 28697.77404.151205.1.3.01 0538 e 13668.25827.130106.1.3.018471, amparadas no crédito presumido de IPI de R$1.189.872,12, relativamente ao 3º trimestre do anocalendário 2003. Com o incentivo, calculado nos termos da Lei n° 9.363, de 13/12/1996, e nº 10.637, de 2002, pretendeu o declarante quitar os débitos do PIS e da Cofins. Em análise de legitimidade, a autoridade competente da Delegacia da Receita Federal em Uberlândia, MG, por meio do Despacho Decisório de fls. 102/104 que teve por sustentáculo o trabalho fiscal relatado Na Informação Fiscal, às fls. 93/97 deferiu em parte o pleito, concedendo ao contribuinte o crédito presumido de R$ 223.007,91. Nos cálculos realizados pela fiscalização houve destaque para a glosa de aquisições de óleo combustível BFP para a caldeira e secador da indústria, lenha e óleo térmico (Thermia E), insumos estes fora do conceito de MP, PI e ME pela legislação do IPI (PN CST 65/79). Quanto aos citados itens, a glosa atingiu o montante de R$ 11.591.744,85 (R$4.370.777,48, 1ºtrimestre + R$3.956.584,63, 2º trimestre + R$3.265.382,74, 3º trimestre). O incentivo foi calculado à alíquota 4,04%, tendo em vista o regime não cumulativo do PIS (Lei n° 10.637, de 2002). Os dados foram obtidos na escrituração fiscal e contábil do contribuinte (por exemplo: RAIPI e balancete). Cientificado do deferimento parcial de seu pleito, o contribuinte, por intermédio de seu procurador (fls. 118/119), apresentou a manifestação de inconformidade de fls.107/117. A argumentação, instruída por acórdãos do Conselho de Contribuintes e por textos doutrinários, traz, em síntese, os seguintes pontos de divergência em relação ao Despacho Decisório. De acordo com excertos da manifestação de inconformidade os pontos de discordância do contribuinte são: Na hipótese da contribuinte,. [...] ESTÃO DESTACADAS AS AQUISIÇÕES DE ÓLEO COMBUSTÍVEL BPF PARA ALIMENTAR AS CALDEIRAS E SECADORES DA INDÚSTRIA, LENHA E ÓLEO TÉRMICO. [...] em face do princípio constitucional da nãocumulatividade, encartado no artigo 153, § 3º, II, da CF/88, [...] tudo o que for utilizado direta ou indiretamente na produção de qualquer bem incidido pelo IPI gera direito a crédito. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 20/02/2012 por NAYRA BASTOS MA NATTA Processo nº 10675906623/200955 Acórdão n.º 3402001595 S3C4T2 Fl. 297 3 [...] importa ressaltar que o óleo combustível BPF se presta para alimentar as caldeiras e secadores da soja, para o devido beneficiamento e industrialização, sendo, também, o mesmo caso da lenha e do óleo térmico. São portanto, a despeito da discordância fiscal, insumos necessários no processo produtivo, gerando, pois, direito a crédito, sem qualquer restrição possível de sofrer por legislações infraconstitucionais, à luz do princípio da supremacia da Constituição Ademais, [...], o citado parecer normativo, ao criar um requisito inexistente no texto do RIPI/79, especificamente em seu artigo 147, ingressou em uma seara que lhe é vedado, pois não é veículo introdutor de normas no sistema jurídico, não podendo, destarte, inoválo. Neste contexto, a exigência de que o bem utilizado no processo produtivo tenha contato direto com o produto final é completamente descabida, pois, reiterese esta imposição não consta no RIPI, não podendo norma de hierarquia inferior criá la, sob pena de se estar desrespeitando o comando incerto no art. 99, do CTN, in verbis: "Art. 99. O conteúdo e o alcance dos decretos restringemse aos das leis em função das quais sejam expedidos, determinados com observância das regras de interpretação estabelecidas nesta Lei" Da leitura deste artigo, inferese que os decretos expedidos pelo Executivo, ou quaisquer normas inferiores não podem inovar o texto prescritivo a que estão vinculados [...] Também não tem guarida, no Direito brasileiro, o regulamento "praeter legem” que é o editado para preencher espaço vazio da lei, também chamado de regulamento independente, que cede, todavia, diante da lei. Laborando no vazio, inova na ordem jurídica, impondo obrigações e estabelecendo limitações à liberdade individual, não previstas em lei. "Destarte, por aplicação estrita do princípio da legalidade, deveriam ser rejeitados por inconstitucionalidade". [...] o Parecer Normativo CST 65/79 indiretamente inobservou o princípio da legalidade, pois, ressaltese, a atribuição para regular a situação relativa ao crédito é do regulamento e não de norma hierarquicamente inferior. O contribuinte finalizou sua contestação com petição para que fosse integralmente homologadas as compensações declaradas. A Delegacia de Julgamento em Juiz de Fora julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO . Somente podem ser considerados como matériaprima ou produto intermediário, além daqueles que se integram ao produto novo, os bens que sofrem desgaste ou perda de propriedade, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou proveniente de ação exercida Fl. 176DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 20/02/2012 por NAYRA BASTOS MA NATTA Processo nº 10675906623/200955 Acórdão n.º 3402001595 S3C4T2 Fl. 298 4 diretamente pelo bem em industrialização e desde que não correspondam a bens do ativo permanente. Dessa maneira, AQUISIÇÕES DE ÓLEO COMBUSTÍVEL BPF PARA ALIMENTAR AS CALDEIRAS E SECADORES DA INDÚSTRIA, LENHA E ÓLEO TÉRMICO, elementos que não atuam diretamente sobre o produto, não se enquadram nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário (PN CST, n° 65, de 1979; Lei n° 9.363, de 1996). ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 MANUTENÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO NO DESPACHO DECISÓRIO. RATIFICAÇÃO DA HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DA COMPENSAÇÃO DECLARADA . Mantido o saldo credor reconhecido no despacho decisório, há de se manter na mesma proporção j á definida no ato decisório a homologação da compensação declarada pelo contribuinte. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE . As normas e determinações previstas na legislação tributária presumemse revestidas do caráter de legalidade e constitucionalidade, contando com validade e eficácia, não cabendo à esfera administrativa questionálas ou negarlhes aplicação. Descontente com a decisão de primeira instância, o sujeito passivo protocolou o recurso voluntário no qual argumenta, em síntese, que: a) O órgão administrativo pode analisar a questão da inconstitucionalidade de legislação fiscal. Neste contexto, afirma que os órgãos julgadores tem competência para deixar de aplicar lei inconstitucional, ou decreto ilegal, uma vez que é inconcebível legitimar lançamento tributário sem embasamento constitucional; b) O Parecer Normativo nº 65/79 criou requisito inexistente no texto do regulamento, ao determinar a exigência de que o bem utilizado no processo produtivo tenha contato direto com o produto final, o que é vedado, pois não é veículo introdutor de normas no sistema jurídico, não podendo inoválo. Nesta linha, afirma que é defeso ao citado parecer criar pressuposto para o cálculo do crédito presumido de IPI, inexistente no RIPI/98; e c) Os custos com as aquisições de óleo combustível BPF, lenha e óleo térmico, que servem para alimentar as caldeiras e secadores da industria, devem compor a base de cálculo do crédito presumido do IPI, por serem insumos necessários ao processo produtivo. Termina sua petição recursal, requerendo que sejam homologadas as compensações apresentadas. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 20/02/2012 por NAYRA BASTOS MA NATTA Processo nº 10675906623/200955 Acórdão n.º 3402001595 S3C4T2 Fl. 299 5 É o Relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator A impugnação foi apresentada com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dela tomo conhecimento e passo a apreciar. O primeiro ponto a ser discutido diz respeito à possibilidade de os Órgãos Judicantes da Administração Tributária exercer o controle de constitucionalidade das leis. Consoante noção cediça, os Órgãos Judicantes do Poder Executivo não tem competência para apreciar a conformidade de lei, validamente editada segundo o processo legislativo constitucionalmente previsto, com preceitos emanados da própria Constituição Federal ou mesmo de outras leis, a ponto de declararlhe a nulidade ou inaplicabilidade ao caso expressamente previsto, haja vista tratarse de matéria reservada, por força de determinação constitucional, ao Poder Judiciário. Compete a esses órgãos tãosomente o controle de legalidade dos atos administrativos, consistente em examinar a adequação dos procedimentos fiscais com as normas legais vigentes, zelando, assim, pelo seu fiel cumprimento. Com efeito, a apreciação de assuntos desse tipo achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos da inconstitucionalidade e/ou invalidade das normas jurídicas deve ser submetida ao crivo desse Poder. O Órgão Administrativo não é o foro apropriado para discussões dessa natureza. Os mecanismos de controle da constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal, passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém, com exclusividade, essa prerrogativa. Noutro giro, não se pode olvidar que esta discussão encontrase superada no âmbito do CARF, pois foi aprovado o enunciado de Súmula nº 02, definindo que este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. A outra questão a ser enfrentada diz respeito a possibilidade de inclusão dos custos com combustíveis, na base de cálculo do crédito presumido do IPI previsto na Lei nº 9.363/96. Essa matéria também foi pacificada com a aprovação do enunciado de Súmula CARF nº 19, publicada no DOU de 22/12/2009, in verbis: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 20/02/2012 por NAYRA BASTOS MA NATTA Processo nº 10675906623/200955 Acórdão n.º 3402001595 S3C4T2 Fl. 300 6 Impende observar que as súmulas do Carf são de observância obrigatória, sob pena de perda de mandato. Portanto, nego o aproveitamento dos custos com aquisição de óleo diesel para fins de crédito presumido do IPI. Ex positis, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Sala das Sessões, em 24 de janeiro de 2012 Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 179DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 20/02/2012 por NAYRA BASTOS MA NATTA
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Numero do processo: 13804.001567/00-27
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2007
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/05/1990 a 31/12/1991, 01/04/1992 a 31/07/1994
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. DECRETOS-LEIS NºS 2.445/88 E 2.449/88. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DA SISTEMÁTICA INSTITUÍDA PELA LEI COMPLEMENTAR N° 07/70.
A declaração de inconstitucionalidade dos Decretos-Leis nºs 2.445/88 e 2.449/88, pelo STF, objeto de Resolução do Senado n° 49/95, importa na aplicação da sistemática prevista na Lei Complementar n° 07/70.
SEMESTRALIDADE. PRAZO PARA RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. RESOLUÇÃO
N° 49, DO SENADO FEDERAL.
O prazo para o sujeito passivo formular pedidos de restituição e de compensação de créditos de PIS decorrentes da aplicação da base de cálculo prevista no art. 6 0, parágrafo único, da Lei Complementar n° 7/70, é de 05 (cinco) anos, contados da Resolução n° 49, do Senado Federal, publicada no Diário Oficial,
em 10/10/95. Inaplicabilidade do art. 3° da Lei
Complementar n° 118/05.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 204-03.007
Decisão: ACORDAM os Membros da QUARTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao
recurso para afastar a decadência e reconhecer a semestralidade. Vencidos os Conselheiros Mônica Monteiro Garcia de Los Rios (Suplente), Júlio César Alves Ramos e Henrique Pinheiro Torres quanto à decadência. Esteve presente ao julgamento a Dra. Olivia Tonello M. Ferreira.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: LEONARDO SIADE MANZAN
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DECRETOS-LEIS WS 2.445/88 E 2.449/88. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DA SISTEMÁTICA INSTITUÍDA PELA LEI COMPLEMENTAR N° 07/70. A declaração de inconstitucionalidade dos Decretos- Leis n's 2.445/88 e 2.449/88, pelo STF, objeto de Resolução do Senado n° 49/95, importa na aplicação da sistemática prevista na Lei Complementar n° 07/70. SEMESTRALIDADE. PRAZO PARA RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. RESOLUÇÃO N° 49, DO SENADO FEDERAL. O prazo para o sujeito passivo formular pedidos de restituição e de compensação de créditos de PIS decorrentes da aplicação da base de cálculo prevista no art. 6 0, parágrafo único, da Lei Complementar n° • 7/70, é de 05 (cinco) anos, contados da Resolução n° 49, do Senado Federal, publicada no Diário Oficial, em 10/10/95. Inaplicabilidade do art. 3° da Lei Complementar n° 118/05. Recurso voluntário provido em parte. •:,OM BRAS (I &kg /9 Processo n.° 13804.001567/00-27 Acórdão n.° 204-01007 Fls. 424 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da QUARTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a decadência e reconhecer a semestralidade. Vencidos os Conselheiros Mônica Monteiro Garcia de Los Rios (Suplente), Júlio César Alves Ramos e Henrique Pinheiro Torres quanto à decadência. Esteve presente ao julgamento a Dra. Olivia Tonello M. Ferreira. dr ' ,,---a- g-- LenA..., ,,-,HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente _ Saltar — 4111n. aia,~---, - .. •n I ARDO SI . :0161 • ZAN Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Jorge Freire, Rodrigo Bemardes de Carvalho e Airton Adelar Hack. 1 - --, :.-:;..-,:,.:".,::ç,,,,,I e f.:v..;; .; a. 1 i 7 i 03. . liE.,:: A e ,' t. rl\i — 1 ._ .....--.,....—....-.......--• , • Processo n.°13804.001567/00-27 Acórdão n.° 204-03.007 Fls. 425 Relatório Por bem retratar os fatos objeto do presente litígio, adoto e passo a transcrever o relatório da DRJ em São Paulo/SP, Ipsis literis: 4. Trata o presente processo de pedido de restituição cumulado a pedidos de compensações, protocolado em 30/06/2000, no valor de R$ 1.189.226,05, referentes aos recolhimentos a titulo de PIS dos períodos de apuração compreendidos entre 05190 e 12/91 e 04/92 a 07/94, com base nos Decretos-Leis n° 2.445/88 e n° 2.449/88 declarados inconstitucionais. Objetiva demonstrar a questão da semestralidade do PIS. Entende que a exação deveria ser recolhida no sexto mês após o faturamento, o que geraria uma diferença de recolhimento pela variação do valor da UF1R entre as datas em que foram feitos os pagamentos e a data devida. 5. O despacho decisório de fls. 287/295 indeferiu o pedido de restituição sob os seguintes fundamentos: 5.1. Que o direito de requerer a restituição dos recolhimentos a titulo de PIS, efetuados antes de 30/06/1995, encontrava-se decaído por decurso de prazo previsto no artigo 168 do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172, de 25/10/1966) e no Ato Declaratório SRF n° 96, de 26/11/1999. 5.2. Que não existe fundamento legal que suporte o procedimento adotado pela interessada em considerar a base de cálculo da contribuição como sendo o faturamento do sexto més anterior. 5.3. Que, apesar de ter sido provocado a sanear as lacunas na instrução processual, por intermédio da intimação n° 97/2005, o contribuinte se manteve inerte, prejudicando e inviabilizando a necessária formação de convicção, elemento essencial para urna eficiente análise de seu pedido. 6. O contribuinte inconformado com despacho decisório que indeferiu seu pleito apresentou sua manifestação de inconformidade (lis. 299/306), acompanhada de documentos de fls. 307/347, no qual argumenta, em síntese: , 6.1. Que "a contagem do prazo decadencial para pleitear a repetição, sob qualquer das suas formas, da indevida incidência apenas se inicia a partir da data em que a norma foi declarada -—."--,- inconstitucional, vez que o sujeito passivo não poderia perder . -. • •,, i .'-',. • ',.. ---- - -1 direito inexercitáver Afirma, portanto, o interessado que o , .. ;---. -... r. . .- 4- o IL•I's;i::•.c•i- 1 pagamento indevido materializa-se com a edição da Resolução `1 % 1,.,- ., ,-54; i 7 1 °13 \do Senado n° 49/95. ,-;::: ..:.it . I .1 lk _. ,....2"2-- _216.2 Que o prazo decadencial para repetir o indébito só se inicia _„----------- 4 • depois de decorridos cinco anos do fato gerador, acrescidos de mais cinco anos, a partir da homologação tácita, para os tributos que utilizam a modalidade de lançamento "por homologação". • .,113 Processo n.° 13804.001567/00-27 Acórdão n.° 204-03.007 Fls. 426 6.3. Que não foi observado o princípio da anterioridade, unia vez que na data de protocolo deste processo, a IN SRF n° 460/04 não se encontrava vigente, de forma a ter sua utilização prejudicada no presente caso. Reclama, então, a utilização da IN SRF n° 21/97, alterada pela IN SRF n° 73/97. 6.4. Que a base de cálculo do PIS, da data de sua criação até o advento da MP n° 1.212/95, manteve a característica de semestralidade. 6.5. Que não baseou o seu direito em nenhum processo judicial, tendo em vista ter desistido da ação judicial em 28/06/2000 e, portanto, teria anexado todos os elementos exigidos a ele e pertinentes ao caso. 6.6. Por final, requer que sejam anexados novos documentos rela. tivos à ação judicial que discutia a inexistência de relação jurídica que a obrigasse ao recolhimento do PIS nos termos dos Decretos-leis n° 2.445/88 e n°2.449/88. 7. Termina sua petição colando jurisprudência sobre o assunto de onde se conclui que a base de cálculo para a contribuição ao PIS é o sexto mês anterior é que a contagem de prazo decadencial começa afluir a partir da declaração de inconstitucionalidade dada pelo Supremo Tribunal Federal. Pleiteia que seja reformada a decisão da Delegacia da Receita Federal — SP. A DRJ em São Paulo/SP indeferiu o pleito da contribuinte, mantendo o lançamento em decisão assim ementada: PIS - RESTITUIÇÃO.0 direito de pleitear restituição de tributo ou contribuição pago a maior ou indevidamente extingue-se com o decurso do prazo de 05 (cinco) anos contados da data da extinção do crédito tributário. Observância do art. 3° da Lei Complementar n 118/2005. RESOLUÇÃO N° 49 DO SENADO FEDERAL - é equivocada a jurisprudência que define as datas de publicação do acórdão do STF e • -iiíz resolução do Senado Federal como marcos iniciais dos prazos.„ . . • • ; ..... ---Trdecadencial ou prescricional do direito de pleitear a restituição de t_ ciou O trkbuto pago com base em lei declarada inconstitucional t's i - SEMESTRALIDADE. Conforme assenta o Parecer PGFN/CAT n° "a Lei n° 7.691/88 revogou o parágrafo único do art. 6° da Lei -----C6mplementar. n° 7/70; não sobreviveu, portanto, a partir daí, o prazo de seis meses, entre o fato gerador e o pagamento da contribuição, como originalmente determinara o referido dispositivo". Solicitação Indeferida Irresignada com a decisão de Primeira Instância, a contribuinte interpôs o presente Recurso Voluntário, alegando, em síntese, que a base de cálculo do PIS corresponde ao faturamento do 6° mês anterior ao pagamento e que não ocorreu a decadência, visto que o prazo, nas hipóteses de "autolançamento", é de cinco anos contados da homologação tácita. É o Relatório. _ . - Processo n.° 13804.001567/00-27 Acórdão n.° 204-03.007 Fls. 427 Voto Conselheiro LEONARDO STADE MANZAN, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, pelo que, dele tomo conhecimento e passo à sua análise. O núcleo do presente litígio trata tanto do reconhecimento, ou não, da semestralidade, consoante prevê a Lei Complementar n.° 7/70, isto é, que a base de cálculo da Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS em um determinado més é o faturamento do sexto mês anterior, como também, trata do prazo para compensar créditos oriundos da declaração de inconstitucionalidade dos Decretos-Leis n's 2.445 e 2.449, ambos de 1988. O Pedido de Restituição constante da fl. 01 dos autos foi apresentado em 30 de junho de 2000. • Referida Restituição se refere aos pagamentos realizados pela contribuinte com base nos Decretos-Leis n's 2.445/88 e 2.449/88, cuja execução foi suspensa pela Resolução do Senado Federal n°49/95, publicada no Diário Oficial em 10 de outubro de 1995. Por concordar com as razões expendidas no Recurso n° 131.254, com a devida vênia, transcrevo-as: Portanto, a questão a ser enfrentada é a da decadência do direito de o contribuinte pleitear a restituição e a compensação das parcelas de PIS recolhidas indevidamente com base nos Decretos-Leis n's 2.445/88 e 2.449/88. Os decretos-leis acima mencionados foram declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário no. 148.754. Posteriormente, foi publicada, em—......._--.......---. - Tx10/95, a Resolução do Senado n° 49/95, suspendendo sua execução, ..... .. 1 .:......... . i -.•'• " (:).;MiW-. C:C.ki O Cd;;[... 1 tunc • LIR2_1;N 0 j 1 ; Og Fiortanto, não há dúvida de que os recolhimentos efetuados com base paa,_ 4 sistemática prevista nos Decretos-Leis foram indevidos, devendo ser vi.,-S ristituidos os valores recolhidos a maior, apurados pela diferença em . relaçao ao critério de cálculo definido pela Lei Complementar n° 7/70, • inclusive com a defasagem na base de cálculo a que se denominou "semestralidade", de acordo com o disposto no seu art. 6°, parágrafo única O prazo para requerer a restituição e a compensação de valores indevidamente recolhidos, tratando-se cie direito decorrente de solução de situação conflituosa, somente se inicia com a declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal ou, no que interessa aos autos, com a publicação da Resolução do Senado Federal. É da lavra do ex-Conselheiro José Antonio Minatel, da 8° Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, voto precursor nos Conselhos de Contribuintes a respeito deste tema, a seguir parcialmente transcrito: 4 - Processo n.° 13804.001567/00-27 Acórdão n.° 204-03.007 Fls. 428 O mesmo não se pode dizer quando o indébito é exteriorizado no contexto de solução jurídica conflituosa, uma vez que o direito de repetir o valor indevidamente pago só nasce para o sujeito passivo com a solução definitiva daquele conflito, sendo certo que ninguém poderá estar perdendo direito que não possa exercitá-lo. Aqui, está coerente a regra que fixa o prazo de decadência para pleitear a restituição ou compensação só a partir 'da data em que se tomar definitiva a decisão administrativa, ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória' (art. 168, II, do CTN). Pela estreita similitude, o mesmo tratamento deve ser dispensado aos casos de solução jurídica com eficácia 'erga omnes', como acontece na hipótese de edição de resolução do Senado Federal para expurgar do sistema norma declarada inconstitucional ou na situação em que é editada Medida Provisória ou mesmo ato administrativo para reconhecer a impertinência de exação tributária anteriormente exigida. (Acórdão n°108-05.791, sessão de 13/07/1999). Especificamente sobre a adoção da Resolução n° 49 como marco temporal para o inicio de contagem do prazo decadencial do PIS/PASEP, cabe destacar a decisão proferida pela 1° Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, nos termos do voto do Conselheiro Jorge Freire, assim ementado: PIS - DECADÊNCIA-SEMESTRALIDADE - BASE DE CÁLCULO - (1) A decadência do direito de pleitear a compensação/restituição tem como prazo inicial, na hipótese dos autos, a data da publicação da Resolução do Senado que retira a eficácia da lei declarada inconstitucional (Resolução do Senado Federal n° 49, de 09/10/95, publicada em 10/10/95). Assim, a partir de tal data, conta-se 05 (cinco) até a data do protocolo do pedido (termo final). In casu, não t ...,ocorreu a decadência do direito postulado. 2) A base de cálculo do PIS, •-r-pc ." . :V C ' , • edi-,•• ção da MP n 1.212/95, corresponde ao faturamento do sexto DRASiLtA )5 t7 dmêstanterior ao da ocorrência do fato gerador (Primeira Seção STJ - REs n° 144.708 - RS - e CSRF . Aplica-se este entendimento, com c,k4"- . --bas+a Lei Complementar n° 7/70, até os fatos geradores ocorridos atévis v ) ------29"de fevereiro de 1996, consoante dispõe o parágrafo único do art. 1° da IN SRF n° 06, de 19/01/2000. Recurso a que se dá provimento. (Acórdão n°201-75380, sessão de 19/09/2001). Não obstante, acerca do tema "Semestralidade", SI face da jurisprudência pacifica do Superior Tribunal de Justiça em sentido contrário ao que se vinha decidindo na esfera administrativa, a própria Procuradoria da Fazenda Nacional mudou seu procedimento quanto a essa matéria, editando o Ato Declaratório n° 8, de 16/11/2006, verbis: O PROCURADOR-GERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19, da Lei n°10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5° do Decreto n° 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/N° 2143/2006, desta Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, DECLARA que ficam dispensadas a apresentação de contestação, a interposição de recursos e fica autorizada a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: e Processo n.° 13804.001567/00-27 Acórdão n.° 204-03.007 Fls. 429 "Nas ações judiciais que visem obter a declaração de que o parágrafo único do art. 6° da Lei Complementar n° 7, de 07 de setembro de 1970, trata da base de cálculo e não do prazo de recolhimento da contribuição para o PIS". JURISPRUDÊNCIA: AgRg nos EDcl no REsp n° 699.890/PR (DJ 13/03/2006), REsp n° 794.884/PE (DJ 06/03/2006), RESP n° 653237/MG (DJ 11/10/04), AGResp n° 4I5.276/PR (DJ 27/09/04). O Parecer PGFN/CRJ/N° 2143/2006, que fundamenta o Ato Declaratório n° 8/2006, aduz o seguinte em seu item 1.2: Tal Parecer, em face da alteração trazida pela Lei n°11.033, de 2004, à Lei n° 10.522/2002, terá também o condão de dispensar a apresentação de contestação pelos Procuradores da Fazenda Nacional, bem como de impedir que a Secretaria da Receita Federal constitua o crédito tributário relativo à presente hipótese, obrigando-a a rever de oficio os lançamentos já efetuados, nos termos do citado artigo 19 da Lei n° 10.522/2002.(Grifei). O referido art. 19 da Lei n°10.522/2002 assim estabelece: Art. 19. Fica a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei n° 11.033, de 2004) II - matérias que, em virtude de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, ou do Superior Tribunal de Justiça, sejam objeto de ato declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda § 42 A Secretaria da Receita Federal não constituirá os créditos tributários relativos às matérias de que trata o inciso II do caput deste artigo. (Redação dada pela Lei n° 11.033, de 2004). § 52 Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de oficio o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso. (Redação dada pela Lei n° 11.033, de 2004). CONSIDERANDO os articulados precedentes e tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de dar provimento ao presente Recurso Voluntário, nos termos acima expendidos. an trhZt: POIn 2" CC. • o meu voto. GotTEns cem O OEIG;Ut. FiR \Sil-Mt 15 7 19-9 Sala das Sessõe em 12 de dezembro de 2007. 1 —arn .• npnly • • z • Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1
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Numero do processo: 11516.724253/2013-10
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Fri Dec 13 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011
LUCRO ARBITRADO. ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL PARA IDENTIFICAÇÃO DA EFETIVA MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA, INCLUSIVE BANCÁRIA. ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL PARA DETERMINAÇÃO DO LUCRO REAL.
O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando, entre outras hipóteses, a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, ou determinar o lucro real.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. FRAUDE.
Mantém-se a multa por infração qualificada quando reste inequivocamente comprovada a ocorrência de sonegação e/ou fraude.
MULTA. LEI. 9.430/1996. RETROATIVIDADE BENIGNA.
É aplicável a retroatividade benigna para redução da multa qualificada para 100%, conforme estabelecido pela nova redação dada ao art. 44 da Lei nº 9.430/96, através das alterações introduzidas pela Lei nº 14.689/2023.
Numero da decisão: 1002-003.661
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para adequar a multa de ofício relativa ao anocalendário 2010 para 100%, em face do princípio da retroatividade benigna e da nova redação dada ao art. 44 da Lei nº 9.430/96, através das alterações introduzidas pela Lei nº 14.689/2023, vencida a conselheira Rita Eliza da Costa Bacchieri, que dava provimento em maior extensão para afastar a qualificação da multa.
Assinado Digitalmente
Luis Angelo Carneiro Baptista – Relator
Assinado Digitalmente
Ailton Neves da Silva – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Ailton Neves da Silva (presidente), Luis Angelo Carneiro Baptista, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Angélica Echer Ferreira Feijó, e Ricardo Pezzuto Rufino.
Nome do relator: LUIS ANGELO CARNEIRO BAPTISTA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010, 2011 LUCRO ARBITRADO. ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL PARA IDENTIFICAÇÃO DA EFETIVA MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA, INCLUSIVE BANCÁRIA. ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL PARA DETERMINAÇÃO DO LUCRO REAL. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando, entre outras hipóteses, a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, ou determinar o lucro real. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2010 MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. FRAUDE. Mantém-se a multa por infração qualificada quando reste inequivocamente comprovada a ocorrência de sonegação e/ou fraude. MULTA. LEI. 9.430/1996. RETROATIVIDADE BENIGNA. É aplicável a retroatividade benigna para redução da multa qualificada para 100%, conforme estabelecido pela nova redação dada ao art. 44 da Lei nº 9.430/96, através das alterações introduzidas pela Lei nº 14.689/2023.
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ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL PARA IDENTIFICAÇÃO DA EFETIVA MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA, INCLUSIVE BANCÁRIA. ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL PARA DETERMINAÇÃO DO LUCRO REAL. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano-calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando, entre outras hipóteses, a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, ou determinar o lucro real. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2010 MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. FRAUDE. Mantém-se a multa por infração qualificada quando reste inequivocamente comprovada a ocorrência de sonegação e/ou fraude. MULTA. LEI. 9.430/1996. RETROATIVIDADE BENIGNA. É aplicável a retroatividade benigna para redução da multa qualificada para 100%, conforme estabelecido pela nova redação dada ao art. 44 da Lei nº 9.430/96, através das alterações introduzidas pela Lei nº 14.689/2023. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para adequar a multa de ofício relativa ao anocalendário 2010 para 100%, em Fl. 1192DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-003.661 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11516.724253/2013-10 2 face do princípio da retroatividade benigna e da nova redação dada ao art. 44 da Lei nº 9.430/96, através das alterações introduzidas pela Lei nº 14.689/2023, vencida a conselheira Rita Eliza da Costa Bacchieri, que dava provimento em maior extensão para afastar a qualificação da multa. Assinado Digitalmente Luis Angelo Carneiro Baptista – Relator Assinado Digitalmente Ailton Neves da Silva – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Ailton Neves da Silva (presidente), Luis Angelo Carneiro Baptista, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Angélica Echer Ferreira Feijó, e Ricardo Pezzuto Rufino. RELATÓRIO Adoto parte do Relatório do Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) em Salvador, por bem representar até aquele momento processual: Conforme Autos de Infração (fls. 557 a 622) e Termo de Verificação Fiscal (fls. 538 a 547), os lançamentos foram efetuados em razão da constatação de que a escrituração contábil a que o contribuinte estava obrigado manter e a respectiva documentação de suporte apresentaram-se imprestáveis para a identificação da efetiva movimentação financeira da pessoa jurídica e para a apuração do lucro real nos períodos assinalados. Foi, então, desclassificada a escrituração contábil, apurando-se os tributos devidos com base nos critérios do lucro arbitrado. A receita bruta do sujeito passivo, auferida nos anos-calendário 2010 e 2011, foi apurada tomando por base informações e documentos fiscais obtidos por meio de diligências em outras empresas que realizaram negócios com a autuada, em cotejo com documentos fiscais apresentados pelo sujeito passivo, sendo consideradas as Notas Fiscais de Prestação de Serviços da autuada em conjunto com as informações prestadas pelas fontes pagadoras (tomadores dos serviços). O Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) foi determinado segundo a sistemática do arbitramento do lucro, a partir da receita bruta levantada, e a base de cálculo foi apurada mediante aplicação do percentual de 38,40% sobre a receita bruta omitida, tendo em vista a atividade da autuada (prestação de Fl. 1193DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-003.661 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11516.724253/2013-10 3 serviços). Foram considerados também os valores retidos na fonte pelos tomadores dos serviços, 4,65% do valor dos serviços, relativos à CSLL (1,00%), Cofins (3,00%) e Pis/Pasep (0,65%). Alega a Autoridade Tributária lançadora que o enquadramento no regime de tributação do lucro arbitrado implica determinação da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido observando-se as mesmas normas de apuração e pagamento do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica, determinado, assim, no lançamento, de modo decorrente, as implicações na CSLL a partir das bases imputáveis utilizadas para o IRPJ. A imputação fiscal consubstanciou lançamentos reflexos de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e Contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – Pis/Pasep, sustentando que a infração em questão também configura hipótese imponível das citadas contribuições. (...) No curso do procedimento fiscal foi apurado, mediante circularização de intimações com empresas tomadoras de serviço, que o sujeito passivo desenvolveu regularmente a atividade própria de seu objeto social no período fiscalizado (2010 e 2011), não obstante tenha registrado por meio de DIPJ inatividade no exercício 2010 (fl. 164) e tenha sido omissa na apresentação da declaração para o ano de 2011. Multa de ofício qualificada aplicada para o ano-calendário 2010, no percentual de 150,00%, tendo a Autoridade Tributária lançadora entendido que a intenção do contribuinte foi retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador pela Administração Tributária, causando prejuízo ao Erário mediante falta de recolhimento dos tributos devidos, com fundamento na Lei nº 9.430, de 1996, art. 44, inciso I, e §1º, combinado com a Lei nº 4.502, de 30/11/1964, art. 71. Entendeu a Autoridade Lançadora que a dissonância entre a apresentação de DIPJ com indicação de inatividade no ano de 2010 e a manutenção regular de suas atividades empresariais no período em questão permitem concluir o dolo na conduta do contribuinte, pois não apenas a empresa deixou de oferecer à tributação fatos imponíveis inerentes à atividade regular, como também utilizou falsa declaração destinada a evitar o conhecimento pela Administração Tributária das operações efetivamente realizadas. Para as demais infrações, do ano-calendário 2011, foi imputada a multa de ofício regular, no percentual de 75,00%, nos termos da Lei nº 9.430, de 1996, art. 44, inciso I. (...) O contribuinte, irresignado, apresentou as alegações a seguir resumidas. Fl. 1194DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-003.661 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11516.724253/2013-10 4 “... foi realizada a desclassificação contábil da contribuinte, bem como o arbitramento de lucros, embora tenha a empresa entregado à fiscalização "um conjunto de documento, entre eles arquivos SINCO, extratos bancários, notas fiscais e livros contábeis" (fl. 02); e que, o auditor fiscal tenha constatado que "as informações fiscais, relativas à receita auferida pela Prinsercon durante o período fiscalizado, guardam coerência entre si, pois, "As notas fiscais de prestação de serviços apresentadas pela fiscalizada conferem com os documentos e informações prestadas pelas empresas circularizadas" (fl. 03).” Em preliminar, alega: “Devido à íntima relação de causa e efeito existente entre o critério jurídico do lançamento do IRPJ (tributação da totalidade dos depósitos bancários considerados de origem não comprovadas) e da tributação reflexiva (Pis, Cofins e CSLL), tornada insubsistente a exigência principal, a mesma sorte assiste assistirá aos procedimentos reflexivos, vez que ambos os lançamentos, matriz (IRPJ) e reflexos (Pis, Cofins e CSLL), estão apoiados nos mesmos elementos de convicção”. Acerca da desclassificação da escrituração contábil, defende-se nos seguintes termos: “...o auditor fiscal realizou a desclassificação da escrita contábil tendo em vista que "os registros contábeis do contribuinte não refletem a movimentação bancária e financeira, tampouco sustentam a veracidade do lucro apurado". “2.2. Todavia, inapelável que a contribuinte mantém em ordem sua escrituração fiscal, nos períodos fiscalizados (2010/2011), no que tange ao Livro Registro de ISS, Livro Diário e Livro Razão, conforme se extrai das fotocópias dos Livros e das Notas Fiscais de serviços emitidas pela contribuinte nos períodos em questão, as quais se encontram em anexo. 2.3. Desta forma, o mero desacerto no que concerne ao registro das movimentações bancárias da contribuinte não poderia ensejar a desclassificação de toda sua escrita contábil, já que, conforme até mesmo reconhecido pela fiscalização em seu Termo de Verificação Fiscal: "as informações fiscais, relativas à receita auferida pela Prinsercon durante o período fiscalizado, guardam coerência entre si", pois, "As notas fiscais de prestação de serviços apresentadas pela fiscalizada conferem com os documentos e informações prestadas pelas empresas circularizadas" (fl. 03). 2.4. Portanto, jamais poderia ter sido realizada a desclassificação da escrita contábil da empresa contribuinte com o consequente arbitramento do lucro, pois, como é sabido, trata-se o arbitramento de medida extrema, apenas cominável nas situações em que a apuração do lucro real esteja, realmente, total e irreversivelmente obstada pelos vícios que inquinem a escrituração contábil fiscal. 2.5. Cuidando-se, especificamente, da contabilização equivocada de determinadas movimentações bancárias e financeiras na conta Bancos, é essencial, para que se legitime o arbitramento, que o fato provado prejudique, inarredavelmente, a Fl. 1195DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-003.661 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11516.724253/2013-10 5 correta mensuração do lucro verificado no período. O comando do artigo 47, inciso II, alínea 'a', da Lei n° 8.981/1995, por esse motivo, deve ser lido, sempre, de modo temperado, com vistas a toda a teleologia a ele inerente. Salvo contrário, poder-se-ia entender que o arbitramento, de maneira subvertida, poderia ser posto a funcionar em toda e qualquer hipótese de escrituração débil da movimentação financeira e bancária - o que, por óbvio, não é verdade. 2.6. No presente caso, o auditor fiscal sequer fundamentou o lançamento em suposta omissão de receita, centrado na identificação de depósitos bancários irregulares ou de origem não identificada, ao revés, autuou a empresa em razão da insuficiência de recolhimento, apurada com suporte na receita escriturada pela empresa em sua escrituração contábil e fiscal. Concluiu, então, sua argumentação, afirmando que: “... no caso concreto, não se pode dizer que os defeitos escriturais encontrados mostravam-se absolutamente prejudiciais à apuração do lucro tributável. Aliás, constatando a não contabilização de alguns créditos e/ou débitos bancários, o Fisco, na pior das hipóteses, poderia ter adicionado ou subtraído valores ao lucro real do contribuinte - por exemplo, valendo-se da presunção relativa preconizada pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996 ou, simplesmente, engendrando os ajustes essenciais às DIPJ's. 2.8. Como última ratio, reitera-se que a desclassificação da escrita contábil seguida do arbitramento só cabe, excepcionalmente.” (...) Aduz ainda em sua defesa que ocorreu vício procedimental do arbitramento do lucro, nos seguintes termos: “O arbitramento da base de cálculo de um tributo, como é de conhecimento geral, na qualidade de uma subespécie qualificada de lançamento ex officio (CTN, art. 148), constitui medida de caráter excepcional, somente cabível na hipótese da escrituração fiscal da empresa mostrar-se efetivamente imprestável ou inidônea, ou seja, se provada a falta de amparo documental para a receita escriturada, ou, ainda, se impossível a apuração de ofício do quantum devido...” (...) Entende o sujeito passivo que identificada e quantificada a receita bruta auferida, não há causa determinante e justificadora do arbitramento do lucro, face ao disposto no art. 47, inciso II, "a", da Lei n° 8.981, de 20/01/1995. (...) Quanto à imputação de multa qualificada, defende-se nos seguintes termos: “4.1. Consoante se depreende do lídimo teor das informações contidas no Termo de Verificação Fiscal, no sentido de que "as informações fiscais, relativas à receita auferida pela Prinsercon durante o período fiscalizado, guardam coerência entre Fl. 1196DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-003.661 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11516.724253/2013-10 6 si", pois, "As notas fiscais de prestação de serviços apresentadas pela fiscalizada conferem com os documentos e informações prestadas pelas empresas circularizadas" (fl. 03), bem como, por meio das Notas Fiscais que ora traz-se aos autos (em anexo), que nunca houve a intenção da contribuinte em utilizar-se de declarações falsas destinadas a evitar o conhecimento de suas operações pela Administração Tributária, quando da declaração na DIPJ de inatividade para o ano-calendário de 2010. 4.2. Ora, nos períodos fiscalizados a contribuinte prestou seus serviços a empresas de grande porte, emitindo competentes Notas Fiscais de Serviço, sujeitando-se, nos termos da legislação tributária de regência, às retenções na fonte de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. 4.3. Portanto, a rigor da indispensável apresentação da DIRF (Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte) pelos seus tomadores de serviços, e, sendo esta, sua única fonte de receita, revela-se ininteligível o argumento de que a empresa valia-se de declarações falsas destinadas a evitar o conhecimento de suas operações pela Administração Tributária. 4.4. A isolada declaração de inatividade na DIPJ do ano-calendário 2010 se deu, tão somente, em razão de equívocos incorridos pela contabilidade no processamento dessa declaração, de forma que o contribuinte não merece ser penalizados com a gravosa aplicação de multa qualificada de ofício no patamar de 150%. Tanto é verdade que, no ano-calendário 2011, evidenciado o equívoco, não foi processada nova declaração de inatividade, quebrando-se, assim, o argumento desta prática reiterada por parte da contribuinte.” Alega que ainda que tivesse havido omissão de receitas, não poderia ter sido aplicada a multa qualificada (150,00%) pois a declaração inexata isolada (DIPJ/2010) não se presta a comprovar o intuito de dolo ou fraude da empresa contribuinte, ainda mais se levado em consideração que as informações fiscais encontravam-se em ordem, conforme constado pelo auditor fiscal, que, inclusive, valeu-se de tais informações para realizar o lançamento, conforme citado no Relatório "Demonstração da Receita - 2010", anexo aos Autos de Infração e ao Termo de Verificação Fiscal. Em suas alegações finais afirma que os créditos tributários lançados encontram-se totalmente despidos de fundamentos de validade e que as multas (sanções) aplicadas são improcedentes. Postula o provimento da impugnação e cancelamento dos lançamentos, seja para pronunciar a nulidade da desclassificação da escrita contábil e o consequente arbitramento de lucro, seja para reconhecer incabível a aplicação da multa agravada de 150,00%, à míngua de prova do intuito de fraude (dolo específico) pelo contribuinte, não presumível pela apresentação de declaração inexata isolada (DIPJ/2010). Fl. 1197DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-003.661 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11516.724253/2013-10 7 A DRJ em Salvador, então, exarou o Acórdão 15-42.994 - 5ª Turma da DRJ/SDR, de 27 de julho de 2017 julgando improcedente a impugnação, tendo a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 LUCRO ARBITRADO. DESCARACTERIZAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária ou determinar o lucro real. Caracterizada a imprestabilidade da escrituração do sujeito passivo, o lucro arbitrado passa a ser determinado tomando por base a receita bruta auferida, quando conhecida, mediante aplicação de percentuais definidos em lei. Autos de Infração Decorrentes CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL. IRPJ. MATÉRIA FÁTICA IDÊNTICA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO. Em se tratando de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento ao relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, em razão da relação de causa e efeito advindas dos mesmos fatos geradores e elementos probantes. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS). IRPJ. MATÉRIA FÁTICA IDÊNTICA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO. Em se tratando de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento ao relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), em razão da relação de causa e efeito advindas dos mesmos fatos geradores e elementos probantes. Contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público-PIS/PASEP. IRPJ. MATÉRIA FÁTICA IDÊNTICA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO. Em se tratando de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento ao relativo às Contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público-PIS/PASEP, em razão da relação de causa e efeito advindas dos mesmos fatos geradores e elementos probantes. Fl. 1198DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-003.661 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11516.724253/2013-10 8 O contribuinte foi cientificado do julgado acima em 14/09/2017 (fl. 1158). Irresignado, apresentou Recurso Voluntário (fls. 1162 a 1188) no dia 03/10/2017 (fl. 1160). Neste, o recorrente aduz os mesmos argumentos apresentados na sua impugnação. Este é o relatório. VOTO Conselheiro Luis Angelo Carneiro Baptista, Relator Admissibilidade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma dos art. 43 e 65 da Portaria MF nº 1.634/2023 (Regimento Interno do CARF). A ciência do Acórdão 15-42.994 - 5ª Turma da DRJ/SDR se deu em 14/09/2017 (fl. 1158), sendo o recurso voluntário apresentado em 03/10/2017 (fl. 1160). Logo, o recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Mérito Primeiramente se precisa compreender como se dá a opção, pelo contribuinte, para tributação do lucro para fins de apuração de IRPJ/CSLL. A apuração de IRPJ pode ser realizada com base no lucro real, presumido ou arbitrado, conforme art. 1º da Lei nº 9.430/96: Art. 1º A partir do ano-calendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada ano-calendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei. A regra geral é a opção pelo lucro real trimestral. Isso porque o contribuinte precisa realizar a opção para aderir à forma de tributação com base no lucro real anual (art. 2º da Lei nº 9.430/96) ou lucro presumido (art. 26 da mesma Lei nº 9.430/96): Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei Fl. 1199DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-003.661 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11516.724253/2013-10 9 nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. (redação vigente à época dos fatos geradores) (...) § 3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior. (...) Art. 26. A opção pela tributação com base no lucro presumido será aplicada em relação a todo o período de atividade da empresa em cada ano-calendário. § 1º A opção de que trata este artigo será manifestada com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada ano-calendário. (grifo próprio) Já a forma de tributação de IRPJ com base no lucro arbitrado só é aplicável em casos específicos e excepcionais, previstos no art. 47 da Lei n.º 8.981/95, podendo o contribuinte realizar a opção a esta modalidade de apuração do lucro, caso deseje, conforme § 1º do artigo abaixo transcrito: Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: I - o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real ou submetido ao regime de tributação de que trata o Decreto-Lei nº 2.397, de 1987, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II - a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real. III - o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa, na hipótese de que trata o art. 45, parágrafo único; IV - o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; V - o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de cumprir o disposto no § 1º do art. 76 da Lei nº 3.470, de 28 de novembro de 1958; VII - o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. VIII – o contribuinte não escriturar ou deixar de apresentar à autoridade tributária os livros ou registros auxiliares de que trata o § 2º do art. 177 da Lei no 6.404, de Fl. 1200DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-003.661 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11516.724253/2013-10 10 15 de dezembro de 1976, e § 2º do art. 8º do Decreto-Lei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977. § 1º Quando conhecida a receita bruta, o contribuinte poderá efetuar o pagamento do Imposto de Renda correspondente com base nas regras previstas nesta seção. § 2º Na hipótese do parágrafo anterior: a) a apuração do Imposto de Renda com base no lucro arbitrado abrangerá todo o ano-calendário, assegurada a tributação com base no lucro real relativa aos meses não submetidos ao arbitramento, se a pessoa jurídica dispuser de escrituração exigida pela legislação comercial e fiscal que demonstre o lucro real dos períodos não abrangido por aquela modalidade de tributação, observado o disposto no § 5º do art. 37; b) o imposto apurado com base no lucro real, na forma da alínea anterior, terá por vencimento o último dia útil do mês subsequente ao de encerramento do referido período. LUCRO ARBITRADO Voltando para o caso aqui relatado, se percebe que o contribuinte não realizou opção para tributação do lucro para os anos fiscalizados (2010 e 2011). A DIPJ do ano-calendário 2010 foi entregue como se a empresa estivesse inativa. E para o ano 2011, o contribuinte ficou omisso da entrega desta declaração. Ao mesmo tempo, não houve pagamento de IRPJ ou declaração de IRPJ em DCTF (quando espontâneo), métodos também aceitos para opção de forma de tributação de IRPJ. Desta sorte, resta a aplicação da regra geral para os anos-calendário fiscalizados: lucro real trimestral. Esta seria, então, a forma adequada de apuração de base de cálculo para tributação do lucro no caso concreto. O contribuinte, então, foi intimado e reintimado a apresentar livros contábeis e escritas fiscais, entre outros. O contribuinte acabou por atender as intimações, entregando balancetes, balanços, livros razão, livros diário, notas fiscais e a contabilidade em formato digital para os períodos 2010 e 2011. De posse destes documentos e tendo circularizado os clientes do contribuinte no período, a Autoridade Fiscal assim se pronunciou: Da posse da documentação apresentada pela fiscalizada e pelas empresas tomadoras de serviços, foi possível constatar que as informações fiscais, relativas à receita auferida pela Prinsercon durante o período fiscalizado, guardam coerência entre si. As notas fiscais de prestação de serviços apresentadas pela fiscalizada conferem com os documentos e informações prestadas pelas empresas circularizadas. (grifo próprio) Fl. 1201DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-003.661 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11516.724253/2013-10 11 Ou seja, do ponto de vista das receitas auferida pela fiscalizada, as notas fiscais apresentadas por ela conferem com as informações prestadas por terceiros tomadores de serviços dela, sendo plenamente úteis para apuração da receita da empresa. Contudo, a apuração do lucro real não é realizada somente a partir das receitas, mas sim com a apuração do lucro (com deduções, despesas, custos, ajustes, etc.). A Autoridade Fiscal, então, percebeu lançamentos contábeis que impossibilitavam a apuração do lucro real, tendo intimado a recorrente a justificá-los e apresentar novos documentos (fls. 532 a 534), nos seguintes termos: 1- Ao examinar os livros contábeis de 2010 e 2011 apresentados pela fiscalizada, constatamos que todos os lançamentos contábeis em contrapartida a receitas, despesas e custos são lançados na conta Caixa, cujo saldo cresce continuamente de RS 624.000,72 (11/01/2010) até RS 2.475.767.10 (31/12/2011). Constatamos, também, que ao final de cada mês a fiscalizada efetua lançamentos a débito e a crédito contra a conta banco de forma a ajustar artificialmente os saldos mensais desta última aos extratos bancários. Constatamos por fim, que na conta bancos são feitos quase exclusivamente lançamentos por totais mensais. Diante dessas constatações, INTIMAMOS a fiscalizada a: a. Comprovar os saldos mensais da conta Caixa; b. Comprovar, com documentos hábeis e idôneos, os lançamentos contábeis a débito de caixa e a crédito de banco com o histórico "Vlr. Transf.p/pgto.despesas no caixa'', bem como os lançamentos a crédito de caixa e débito de banco, com o histórico "Vlr.Depósitos bancários efetuados n/mês", que são realizados ao final de cada mês; c. Apresentar o Razão auxiliar da conta Banco. A resposta da recorrente, fiscalizada à época, foi esta (fl. 531): Referente a valores apresentados nos livros contábeis 2010 e 2011, em relação aos lançamentos contábeis da conta Caixa, Banco e suas contrapartidas (custos, despesas e receitas): A - Devido ao longo tempo, a empresa não possui condições de comprovar os saldos mensais da conta Caixa; B - A empresa registrou totais de débitos e créditos apurados no final de cada mês nos extratos bancários com os históricos "Vlr.transf.p/pgto.despesas no caixa" bem como "Vlr.Depósitos bancários efetuados n/mês", não possuindo em seu poder tais documentos que comprovem tais lançamentos. C - A empresa não possui o Livro Razão auxiliar da conta Banco, somente o livro razão geral conforme já apresentado. Por fim, devido ao fato da empresa não apresentar a sua contabilidade os documentos necessários e em tempo hábil, os registros contábeis se encontra deficientes em seus saldos. Fl. 1202DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-003.661 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11516.724253/2013-10 12 Frente à resposta da fiscalizada, que reconhece literalmente a deficiência de sua contabilidade, como poderia a Autoridade Fiscal realizar a apuração do lucro real? As receitas auferidas foram comprovadas, inclusive com as notas fiscais apresentadas. Mas as despesas e os custos, a própria empresa reconhece não possuir documentos que os lastreiem. A Autoridade Fiscal, então, assim se pronunciou no Termo de Verificação Fiscal: No entanto, a escrita contábil da fiscalizada padece de sérios defeitos que a tornam imprestável para o lucro real. O saldo da conta caixa cresce indefinidamente até chegar aos exorbitantes montantes de R$ 1.615.943,17 em 31/12/2010 e R$ 2.475.767,10 em 31/12/2011. A fiscalizada efetua lançamentos por totais mensais na conta Bancos. Esses lançamentos ao final de cada mês servem apenas para ajustar o saldo àquele registrado nos extratos bancários. Destacamos que não há lançamentos individualizados na conta Banco do Brasil Conta 31.000. Tal prática é vedada, exceto se a escrituração for acompanhada de Livro Auxiliar conforme previsto no art. 258, § 1o. do Decreto n° 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda). A contabilidade mostra que os pagamentos pela prestação de serviços teriam sido feitos em espécie, a débito de caixa, quando comprovou-se nas diligências junto aos clientes da fiscalizada que os serviços eram pagos através de operações bancárias. Constata-se que a contabilidade não reproduz as operações realizadas pela empresa, tanto nas receitas como nas despesas. Assim, intimou-se, em 04/11/2013, a empresa a comprovar os saldos mensais da conta caixa c. por meio de documentação hábil e idônea, comprovar os lançamentos mensais de débito na conta banco contra crédito na conta caixa e ainda apresentar Livro Razão Auxiliar da conta banco. Em resposta à Intimação, a empresa admitiu que não possui condição de comprovar os lançamentos da contabilidade, tampouco seus saldos; não possui livro Razão Auxiliar da conta Banco e que os registros contábeis encontram-se deficientes. Por exigência legal, a pessoa jurídica é obrigada a manter a documentação em boa ordem, conforme o art. 264 do RIR/99 e Lei 10.406/2002, art. 1179, 1184 e 1194 (Código Civil), in verbis: (...) A tributação com base no lucro real, seja por opção ou por obrigação, requer a manutenção da escrituração de livros comerciais e fiscais na forma determinada por lei (artigos 258 a 259 do RIR/99) e também a manutenção, em boa ordem, da documentação que embasou a escrituração, isto porque estará sujeita à verificação pela autoridade tributária, na forma do artigo 276 do RIR/99, in verbis: (...) Fl. 1203DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-003.661 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11516.724253/2013-10 13 A escrita contábil do contribuinte não está respaldada em documentação hábil e idónea capaz de assegurar sua fidelidade. Ao contrário, conforme demonstrado no sub item anterior, os registros contábeis do contribuinte não refletem a movimentação bancária e financeira, tampouco sustentam a veracidade do lucro apurado. Finalmente, os lançamentos das contas para os quais o contribuinte foi intimado a apresentar documentação hábil e idônea estão carentes de comprovação. (...) A escrituração e documentação contábil do contribuinte não se presta à identificação da efetiva movimentação financeira, bem como à apuração do lucro real, restando o recurso de arbitramento do lucro, na forma prevista pelo art. 530, II. a do RIR/99, in verbis: (...) No seu recurso, a empresa aduz, de forma incisiva e recorrente, a inadequada aplicação do lucro arbitrado pela Autoridade Fiscal. Defende até mesmo ser “inapelável que a contribuinte mantém em ordem sua escrituração fiscal, nos períodos fiscalizados (2010/2011), no que tange ao Livro Registro de ISS, Livro Diário e Livro Razão”. Contudo, não vislumbro razão ao recorrente. Diferente do arguido no recurso, o próprio contribuinte reconheceu a deficiência de sua contabilidade em resposta à Autoridade Fiscal. A contabilidade da empresa se encontrava em estado caótico, para ser mais preciso. Além disso, todo contribuinte é obrigado a manter em boa ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos à sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (art. 264 do RIR/99, vigente à época; arts. 1.179, 1.184, §1º, e 1.194 da Lei nº 10.406/2002 – Código Civil). Ainda, os comprovantes da escrituração, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis, devem ser conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos (Art. 264, caput e §3º do RIR/99, vigente à época). Nada disso fez o fiscalizado! Intimado a apresentar documentos comprovatórios de lançamentos contábeis, disse textualmente não possuir. Na sistemática de tributação com base no lucro real, há ainda a exigência de manutenção da regular escrituração de livros comerciais e fiscais e conservação, em boa ordem, da documentação respectiva, para possibilitar a verificação pela Autoridade Tributária (Arts. 258, 259 e 276 do RIR/99). Como bem discorreu o julgado a quo: “Ficou evidenciado e comprovado que a escrituração contábil da contribuinte não estava respaldada em documentação hábil e idônea capaz de assegurar fidelidade. Não bastasse isso, foi também demonstrado que os registros contábeis do contribuinte não refletiam a real movimentação bancária e financeira, tampouco Fl. 1204DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-003.661 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11516.724253/2013-10 14 sustentavam a veracidade do lucro apurado, situação que implicou o arbitramento adotado pela Autoridade Tributária.” Não havia alternativa à fiscalização. O lucro arbitrado é realmente exceção e deve ser aplicável quando não for possível a apuração do lucro frente aos documentos e escritas existentes. E este é o caso. A escrita contábil é deficiente, como bem demonstrado e reconhecido pela fiscalizada. Os documentos que lastreiam os lançamentos das movimentações bancárias e da conta caixa não foram comprovados, sendo reconhecido pelo contribuinte que não teria como fazê-los. E isso é obrigação da empresa, conforme bem pontuado pela Autoridade Fiscal. É importante salientar que as despesas e custos, por exemplo, devem ter lançamentos reflexos na conta caixa ou bancos. Com lançamentos imprestáveis e sem documentação que os lastreiem, como poderia a Autoridade Fiscal utilizar tais escritas para apuração do lucro real? Neste caso é aplicável o art. 47 da Lei n.º 8.981/95, especialmente o inciso II: Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: II - a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real. Essa é a linha adotada por esta primeira seção do CARF nos julgados abaixo listados: ACÓRDÃO 1402-007.081 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 14 de agosto de 2024 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2014, 2015, 2016 LUCRO REAL. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. IMPRESTABILIDADE. ARBITRAMENTO. BASE DE CÁCULO. RECEITA CONHECIDA. LANÇAMENTO. PROCEDÊNCIA. É procedente o lançamento com arbitramento do lucro, a partir da receita conhecida, em razão da comprovação de deficiências e vícios na escrituração contábil que impediram a identificação da efetiva movimentação financeira e bancária e determinar o lucro real. ACÓRDÃO 1402-007.044 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 18 de julho de 2024 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006, 2007 (...) Fl. 1205DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-003.661 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11516.724253/2013-10 15 ARBITRAMENTO DO LUCRO. ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL. MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA O IRPJ devido deve ser calculado com base no arbitramento do lucro quando a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária. O que houve foi a impossibilidade de apuração de outras rubricas necessárias a apuração do lucro real. O contribuinte foi incapaz de apresentar um documento que lastreasse os lançamentos questionados em intimação. Fez lançamentos totalizados por mês, sem apresentação de razão auxiliar, o que impossibilita qualquer identificação do que se tratam tais lançamentos. Além disso, possuía uma conta caixa crescente, de milhões de reais, sem conseguir provar seus lançamentos e saldos. Nas suas palavras, os lançamentos e saldos das contas contábeis eram “deficientes”, assim se pronunciando quando intimado a apresentar documentos, correções contábeis ou explicações. Diferentemente do arguido pelo recorrente, não se trata de lançamento por omissão de receita. O que houve foi a apuração dos tributos a partir das receitas escrituradas. Contudo, a contabilidade da empresa se mostrou imprestável para a apuração do lucro real, razão do adequado enquadramento no arbitramento de lucros. MULTA QUALIFICADA O recorrente também questiona a qualificação para multa para 150% aplicada pela Autoridade Fiscal no ano de 2010, especificamente pelo contribuinte ter entregado Declaração de Inatividade para este ano. Assim se pronunciou a Autoridade Fiscal: No âmbito dos acréscimos pecuniários infligidos, esclareça-se que, diante de haver declarado inativo no ano-calendário de 2010, não restam dúvidas quanto à intenção do contribuinte em retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador por parte do fisco, causando prejuízo aos cofres públicos mediante a falta do recolhimento/pagamento dos tributos devidos, é de se aplicar a qualificação da multa para aquele ano-calendário. A multa de ofício qualificada aplicável ao caso em tela está prevista no artigo 44, parágrafo 1º da Lei nº 9.430/96, e tem como pressuposto para sua aplicação a sonegação, definida no art. 71 da Lei nº 4.502. de 30 de novembro de 1964: Art. 71 Sonegação ê toda ação ou omissão dolosa tridente a impedir ou retardar total ou parcialmente o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; Fl. 1206DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-003.661 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11516.724253/2013-10 16 Os fatos levantados no procedimento fiscal conduzem para a conclusão indubitável de que o dolo esteve presente na conduta adotada pelo contribuinte. A prática delituosa implementada não deixa dúvida quanto à voluntariedade da conduta. Não apenas deixou de oferecer à tributação fatos imponíveis inerentes a atividade, como utilizou falsa declaração destinada a evitar o conhecimento pela Administração Tributária de operações efetivamente realizadas. A recorrente alega que a DIPJ de inatividade entregue para o ano-calendário de 2010 não foi com a intenção de utilizar-se de declarações falsas destinadas a evitar o conhecimento de suas operações pela Administração Tributária. Expressa que foi um equívoco incorrido pela contabilidade no processamento dessa declaração, de forma que o contribuinte não merece ser penalizado com a multa qualificada. Mais uma vez, na visão deste relator, não há razão à recorrente. A Declaração de Inatividade não foi uma ação isolada. Primeiro que o contribuinte auferiu receitas robustas no ano em tela. Além disso, essa declaração veio acompanhada da omissão de confissão de dívidas em DCTF para todo o ano de 2010, somado à falta de pagamento dos tributos. Lembra-se que, para o ano de 2010, as DCTFs eram mensais. Ou seja, o contribuinte entregou a DIPJ de Inatividade e se omitiu na confissão de dívidas em todas as DCTFs para o mesmo ano (12 DCTFs). Somado a isso, se observa a omissão de DIPJ em 2011 e falta de confissão de dívidas em todas as DCTFs também para este ano, com a falta de pagamento dos tributos. Assim considerando, há 8 trimestres de apuração de IRPJ/CSLL omitidos do Fisco Federal, seja através da declaração de inatividade (2010) ou seja pela omissão de DIPJ (2011). Essa ação não pode ser considerada como mero equívoco! Denota a intenção da recorrente em omitir dolosamente a ocorrência do fato gerador da administração tributária, enquadramento legal aplicado pela Autoridade Fiscal. Nesta mesma linha decidiu a Câmara Superior de Recursos Fiscal nestes casos: Acórdão nº 1002-002.721 – 1ª Seção de Julgamento / 2ª Turma Extraordinária Sessão de 10 de março de 2023 MULTA QUALIFICADA. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. DECLARAÇÃO DE INATIVIDADE EM PERÍODO EM QUE ERA INEQUÍVOCO O EXERCÍCIO DE ATIVIDADE OPERACIONAL. DOLO CONFIGURADO. A apresentação de declaração de inatividade, quando se sabia estar em situação operacional, caracteriza dolo capaz de levar à qualificação da multa de ofício. Acórdão nº 9101-006.592 – CSRF / 1ª Turma Sessão de 10 de maio de 2023 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2004, 2005 Fl. 1207DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-003.661 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11516.724253/2013-10 17 IRPJ. MULTA QUALIFICADA. CONDUTA REITERADA DE OMITIR RECEITAS MEDIANTE A PRESTAÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA AO FISCO. CABIMENTO. Cabível a aplicação da multa qualificada intenção deliberada da contribuinte de omitir suas receitas, de forma reiterada mediante a prestação de informação falsa ao Fisco, seja declarando-se inativa em um ano, seja declarando valores ínfimos no ano subsequente, sabidamente inferiores à real receita auferida Logo, entendo cabível a manutenção da multa qualificada aplicada pela Autoridade Fiscal. No entanto, o art. 44 da Lei nº 9.430/96 foi alterada pela Lei nº 14.689/2023, assim prevendo atualmente: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será majorado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, e passará a ser de: (...) VI – 100% (cem por cento) sobre a totalidade ou a diferença de imposto ou de contribuição objeto do lançamento de ofício; Resta aplicável, no caso, a retroatividade benigna prevista na alínea c do inciso II do art. 106 do CTN: Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: (...) II - tratando-se de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Dessa forma, o percentual da multa de ofício aplicada deve ser reduzido para 100%, em face do princípio da retroatividade benigna. Dispositivo Diante do exposto, dou provimento parcial ao Recurso Voluntário para reduzir a multa de ofício para 100%, em face do princípio da retroatividade benigna e da nova redação dada ao art. 44 da Lei nº 9.430/96, através das alterações introduzidas pela Lei nº 14.689/2023. Fl. 1208DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-003.661 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11516.724253/2013-10 18 É como voto. Assinado Digitalmente Luis Angelo Carneiro Baptista Fl. 1209DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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Numero do processo: 13971.901066/2013-14
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Wed Dec 11 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009
PER/DCOMP. RESSARCIMENTO DE IPI. SALDO CREDOR RESSARCÍVEL DO TRIMESTRE.
O valor do crédito a ser reconhecido no trimestre é o valor apurado na escrita fiscal, partindo-se de um saldo inicial do trimestre ajustado pelos valores dos créditos solicitados/utilizados em PER/Dcomps de trimestres anteriores.
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
O pronunciamento impreciso na decisão recorrida acerca da origem do saldo credor do período anterior, questionada na manifestação de inconformidade, constitui cerceamento do direito de defesa e fundamento de nulidade da decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 3001-003.053
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acatar a preliminar de cerceamento de defesa por falta de fundamentação específica na decisão de primeira instância.
Assinado Digitalmente
Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha – Relator
Assinado Digitalmente
Francisca Elizabeth Barreto – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Bernardo Costa Prates Santos, Daniel Moreno Castillo, Larissa Cassia Favaro Boldrin, Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha, Wilson Antônio de Souza Correa, Francisca Elizabeth Barreto (Presidente).
Nome do relator: LUIZ FELIPE DE REZENDE MARTINS SARDINHA
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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 PER/DCOMP. RESSARCIMENTO DE IPI. SALDO CREDOR RESSARCÍVEL DO TRIMESTRE. O valor do crédito a ser reconhecido no trimestre é o valor apurado na escrita fiscal, partindo-se de um saldo inicial do trimestre ajustado pelos valores dos créditos solicitados/utilizados em PER/Dcomps de trimestres anteriores. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. O pronunciamento impreciso na decisão recorrida acerca da origem do saldo credor do período anterior, questionada na manifestação de inconformidade, constitui cerceamento do direito de defesa e fundamento de nulidade da decisão de primeira instância. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acatar a preliminar de cerceamento de defesa por falta de fundamentação específica na decisão de primeira instância. Assinado Digitalmente Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha – Relator Assinado Digitalmente Fl. 170DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.053 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13971.901066/2013-14 2 Francisca Elizabeth Barreto – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Bernardo Costa Prates Santos, Daniel Moreno Castillo, Larissa Cassia Favaro Boldrin, Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha, Wilson Antônio de Souza Correa, Francisca Elizabeth Barreto (Presidente). RELATÓRIO Trata o presente processo do pedido de ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) referente ao 1º trimestre de 2009, no valor de R$ 50.843,02, efetuado por meio do PER/Dcomp nº 37917.67807.130509.1.1.01-0699, ao qual foram vinculadas declarações de compensação. Analisada a pretensão, a Delegacia da Receita Federal proferiu despacho decisório eletrônico (fl. 119) reconhecendo parcialmente o direito creditório, no importe de R$ 39.568,74, em razão da glosa de créditos considerados indevidos, bem como por constatar que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. Desse modo, homologou parte das compensações declaradas. Cientificada, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade, que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) julgou procedente em parte, reconhecendo em parte o direito creditório, decidindo em síntese: i) rejeitar a preliminar de nulidade por cerceamento de defesa baseada na alegação de falta de fundamentação legal do despacho decisório; ii) reverter as glosas de créditos considerados indevidos; e iii) não acolher o argumento de que o saldo inicial, na apuração, deveria ser igual ao saldo credor do trimestre anterior escriturado no livro de apuração do imposto. Cientificada do julgamento em 24/05/2021, a recorrente apresentou recurso voluntário em 23/06/2021, alegando em síntese que: i) o despacho decisório cerceia o seu direito de defesa porque carece de fundamentação válida, devendo ser anulado; ii) o acórdão recorrido cerceia o seu direito de defesa porque não se pronunciou a respeito de elementos apresentados, devendo ser anulado; iii) os processos administrativos relativos aos pedidos de ressarcimento/compensação de créditos do IPI do 4º trimestre de 2008 ao 3º trimestre de 2010 devem ser analisados conjuntamente, pois a análise do saldo credor pretendido em um influencia os demais; e Fl. 171DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.053 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13971.901066/2013-14 3 iv) houve equívoco do agente fiscalizador ao analisar o saldo credor. Ao final, requer: i) reunir todos os processos administrativos e, assim, reconhecer a nulidade dos despachos decisórios e, por consequência, as exigências dos valores não homologados; ii) julgar os processos administrativos procedentes, para reformar o acórdão recorrido e homologar os pedidos administrativos de ressarcimento /compensação, uma vez comprovada a legitimidade do crédito pleiteado nos pedidos administrativos; e iii) converter o julgamento em diligência, à luz do princípio da verdade material, para fins de que sejam afastadas quaisquer dúvidas capazes de infirmar o convencimento dos julgadores quanto à higidez dos créditos pleiteados. Juntamente com o presente processo, foram a mim distribuídos para apreciação e tratam de matéria idêntica àquela aqui discutida os seguintes processos atinentes a pedidos de ressarcimento/compensação de créditos do IPI apresentados pela recorrente: Processo PER/Dcomp do Crédito Trimestre do Crédito 13971.901065/2013-61 08905.73018.140109.1.1.01-4538 4° trimestre de 2008 13971.901066/2013-14 37917.67807.130509.1.1.01-0699 1° trimestre de 2009 13971.901067/2013-51 00849.46670.040809.1.1.01-1831 2° trimestre de 2009 13971.901068/2013-03 22412.46991.141009.1.1.01-3045 3° trimestre de 2009 13971.901069/2013-40 12649.59309.180110.1.1.01-6599 4° trimestre de 2009 13971.901070/2013-74 12709.33764.280711.1.1.01-3063 1° trimestre de 2010 13971.901071/2013-19 18203.34168.280711.1.1.01-1101 2° trimestre de 2010 13971.901072/2013-63 14223.02751.280711.1.1.01-3890 3° trimestre de 2010 A recorrente juntou memorial ao processo. É o relatório. VOTO Conselheiro Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha, Relator. 1. Da competência para julgamento do feito Com base no artigo 65, do Anexo da Portaria MF nº 1.634, de 2023, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), este colegiado é competente para apreciar este feito. 2. Do conhecimento Fl. 172DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.053 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13971.901066/2013-14 4 O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, de forma que o conheço. 3. Preliminar 3.1 Nulidade do acórdão recorrido por cerceamento do direito de defesa A recorrente alega, em síntese, que o acórdão recorrido deve ser anulado visto que cerceou o seu direito de defesa ao não se pronunciar a respeito de elementos apresentados. Apreciando os processos relativos aos pedidos de ressarcimento de créditos do IPI do 4º trimestre de 2008 ao 3º trimestre de 2010, a mim distribuídos conforme mencionado acima, entendo que assiste razão à recorrente, pelas razões a seguir. Na manifestação de inconformidade, a recorrente: i) alegou que ficou impedida de realizar defesa específica porque o despacho decisório não demonstrou a origem do valor considerado como saldo credor do período anterior, no valor de R$ 0,00; ii) apresentou o livro de apuração do IPI o qual indica que o saldo credor para aquele período corresponde ao valor de R$ 154.088,78; e iii) afirmou que a utilização incorreta do saldo credor do período anterior ocasionou uma diferença a menor no cálculo do crédito que poderia ser compensado pela empresa. Na peça recursal, alega que houve clara omissão do julgador na apreciação de elementos de prova trazidos ao processo quando da apresentação da sua manifestação de inconformidade, configurando negativa de prestação jurisdicional, acarretando cerceamento de defesa decorrente da falta de análise de argumentos essenciais quanto à matéria controvertida, em flagrante prejuízo concreto à parte. Reproduz trecho do acórdão da DRJ destacando que não foram observados os documentos juntados aos autos, que demonstram o direito ao crédito tal como pleiteado, reiterando que o saldo credor do período anterior de acordo com o livro de apuração do IPI juntado aos autos é de R$ 154.088,78. Aduz que os pedidos de ressarcimento/compensação de créditos do IPI do 1º trimestre de 2009 ao 3º trimestre de 2010 foram diretamente prejudicados ao ser considerado como saldo credor do período anterior ao 4º trimestre de 2008 o valor de apenas R$ 12.211,47. Conclui que houve cerceamento ao seu direito de defesa e requer a anulação da decisão de primeira instância na medida em que os elementos por ela apresentados não foram avaliados no acórdão recorrido. Em relação ao “DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO SALDO CREDOR RESSARCÍVEL” (fl. 119), que instrui a apuração do direito creditório em todos os processos acima referidos, a DRJ esclareceu que: Fl. 173DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.053 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13971.901066/2013-14 5 (...) o DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO SALDO CREDOR RESSARCÍVEL tem por finalidade evidenciar a apuração do saldo credor passível de ressarcimento ao final do trimestre de referência. São considerados passíveis de ressarcimento, relativamente ao trimestre de referência, apenas os créditos escriturados neste trimestre. O saldo credor acumulado de trimestres anteriores é considerado não passível de ressarcimento no trimestre de referência, podendo ser utilizado, neste trimestre, apenas para deduzir, escrituralmente, os débitos de IPI. Desta forma, o saldo credor inicial do demonstrativo (Saldo Credor de Período Anterior Não Ressarcível no primeiro período de apuração - coluna b) corresponde ao Saldo Credor apurado ao final do trimestre-calendário anterior ajustado (reduzido) pelos valores dos créditos compensados em PERDCOMP de trimestres anteriores. Observe-se que o ressarcimento de créditos escriturados em outros trimestres, que não o de referência, deve ser pleiteado em PERDCOMP apresentado especificamente para cada trimestre. Sendo assim, o cálculo feito na Dcomp e o saldo do trimestre passível de ressarcimento é bem diferente do valor apurado no livro de apuração do imposto. (Grifou-se). Conforme mencionado acima, o saldo credor inicial do demonstrativo corresponde ao saldo credor apurado ao final do trimestre-calendário anterior ajustado. Por esse motivo, há relação entre os saldos finais e iniciais nos processos de ressarcimento de créditos do IPI do 4º trimestre de 2008 ao 3º trimestre de 2010, a mim distribuídos para apreciação. Ocorre que o acórdão proferido no processo de nº 13971.901065/2013-61, referente ao 4º trimestre de 2008, não se manifestou de forma precisa acerca da origem do saldo credor do período anterior, ou seja, de setembro/2008, no valor de R$ 12.211,47, tendo informado unicamente que: De acordo com referido demonstrativo, a empresa possuía R$ 12.211,47 de saldo credor de período anterior disponível para o abatimento de débitos de IPI no período, pois do valor de R$ 207.781,12 de saldo credor registrado no livro, R$ 195.569,65 fora ressarcido ou compensado em períodos anteriores. Não obstante tenha esclarecido que parte do saldo credor registrado no livro de apuração do IPI fora ressarcido em períodos anteriores, a DRJ não especificou os períodos, valores e respectivos processos relativos ao citado valor de R$ 195.569,65. Considerando que o direito creditório reconhecido em cada trimestre subsequente foi apurado a partir do saldo credor do período anterior ao 4º trimestre de 2008, no valor de R$ 12.211,47, entendo que a imprecisão acerca da origem desse valor, de fato, impossibilita a recorrente de apresentar defesa específica nos processos, restando prejudicado o seu direito à ampla defesa e ao contraditório. Desse modo, segundo o entendimento deste relator, fica caracterizado o vício de motivação específica nos termos constantes do voto condutor da decisão recorrida, restando Fl. 174DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.053 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13971.901066/2013-14 6 configurada a nulidade da citada decisão em virtude da preterição do direito de defesa, conforme prevê o art. 59 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Assim sendo, reconheço a preliminar de cerceamento de defesa, por falta de fundamentação específica na decisão de primeira instância, para fins de decretar a nulidade do acórdão recorrido e, por conseguinte, determinar o retorno dos autos à DRJ para que seja proferida nova decisão em que sejam analisados os argumentos constantes da impugnação apresentada. Resta prejudicada a análise dos demais argumentos da contribuinte. Conclusão Diante do exposto, voto por acatar a preliminar de cerceamento de defesa, por falta de fundamentação específica na decisão de primeira instância, para decretar a nulidade do acórdão recorrido e, por conseguinte, determinar o retorno dos autos à DRJ para que seja proferida nova decisão em que sejam analisados os argumentos constantes da impugnação apresentada. Assinado Digitalmente Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha Fl. 175DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10980.011700/2002-67
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Ementa:
PROVAS - De acordo com a legislação, a manifestação de inconformidade mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir o direito creditório ao sujeito passivo.
CRÉDITO PRESUMIDO. LEI Nº 9.363/96. APURAÇÃO CENTRALIZADA. A partir de 15 de janeiro de 1999, com a edição da Lei nº 9.779/99, não foi mais possível realizar a apuração descentralizada, pois ficou obrigatória a centralização da apuração na matriz.
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITA DE EXPORTACÃO.
A receita decorrente da exportação para o exterior de produtos adquiridos de terceiros integra a receita de exportação e a receita operacional bruta, na apuração da base de cálculo do crédito presumido do IPI.
CRÉDITO PRESUMIDO. LEI Nº 9.363/96. BASE DE CÁLCULO. COMBUSTÍVEL. SÚMULA CARF Nº 19.
Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS .
Os insumos admitidos, para cálculo do benefício, são tão somente aqueles adquiridos para utilização no processo industrial para exportação – com a incidência das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, e que se desgastem em decorrência de um contato físico, ou de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por esse diretamente sofrida.
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. INSUMOS ADMITIDOS NO CÁLCULO. AQUISIÇÕES A PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS
O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinando-se aos limites do texto legal.
Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matéria prima e
de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS. RESP 993164, Min. Luiz Fux.
TAXA SELIC SÚMULA nº 411STJ É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. Rel. Min. Luiz Fux, em 25/11/2009.
As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo art. 543-C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
Numero da decisão: 3402-001.603
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da Tterceira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para admitir a inclusão dos valores dos insumos adquiridos por não contribuintes do PIS e da Cofins no cálculo do crédito presumido do IPI, para admitir a incidência da taxa Selic, a partir da data do pedido no valor a ser ressarcimento e para incluir na receita de exportação as mercadoria fabricadas por terceiros, vencido o conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho quanto a inclusão da receita de exportação. Designada a Conselheira Sílvia de Brito Oliveira.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir o direito creditório ao sujeito passivo. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI Nº 9.363/96. APURAÇÃO CENTRALIZADA. A partir de 15 de janeiro de 1999, com a edição da Lei nº 9.779/99, não foi mais possível realizar a apuração descentralizada, pois ficou obrigatória a centralização da apuração na matriz. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITA DE EXPORTACÃO. A receita decorrente da exportação para o exterior de produtos adquiridos de terceiros integra a receita de exportação e a receita operacional bruta, na apuração da base de cálculo do crédito presumido do IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI Nº 9.363/96. BASE DE CÁLCULO. COMBUSTÍVEL. SÚMULA CARF Nº 19. Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS . Os insumos admitidos, para cálculo do benefício, são tão somente aqueles adquiridos para utilização no processo industrial para exportação – com a incidência das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, e que se desgastem Fl. 480DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/02/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 10980.011700/200267 Acórdão n.º 3402001603 S3C4T2 Fl. 484 2 em decorrência de um contato físico, ou de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por esse diretamente sofrida. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. INSUMOS ADMITIDOS NO CÁLCULO. AQUISIÇÕES A PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS. RESP 993164, Min. Luiz Fux. TAXA SELIC SÚMULA nº 411STJ É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. Rel. Min. Luiz Fux, em 25/11/2009. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo art. 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da Tterceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para admitir a inclusão dos valores dos insumos adquiridos por não contribuintes do PIS e da Cofins no cálculo do crédito presumido do IPI, para admitir a incidência da taxa Selic, a partir da data do pedido no valor a ser ressarcimento e para incluir na receita de exportação as mercadoria fabricadas por terceiros, vencido o conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho quanto a inclusão da receita de exportação. Designada a Conselheira Sílvia de Brito Oliveira. NAYRA BASTOS MANATTA Presidente GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator SILVIA DE BRITO OLIVEIRA – Relatora Designada Fl. 481DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/02/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 10980.011700/200267 Acórdão n.º 3402001603 S3C4T2 Fl. 485 3 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Helder Masaaki Kanamaru (Suplente). Relatório Para elucidar os fatos ocorridos até a interposição do Recurso Voluntário, transcrevo o relatório da DRJ, in verbis: O interessado em epígrafe pediu o ressarcimento do crédito apurado no período em destaque, no valor de R$ 2.633.220,04. O Despacho Decisório de fls. 378/382 deferiu parcialmente o pleito, reconhecendo o direito creditório montante em R$ 165.665,87, sendo que a parcela negada teve como fundamento as seguintes alterações no cálculo do crédito presumido: 1. Exclusão das compras realizadas junto a cooperativas, pessoas físicas e no mercado externo, por não terem sofrido a incidência das contribuições para o PIS/COFINS, bem como das aquisições de mercadorias, consumidas na geração de energia, tratamento de água e no laboratório de análises, que não se incluem, de acordo com a legislação do 1PI no conceito de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem; 2. A Receita Operacional Bruta foi modificada para R$ 113.271.092,55, pois a empresa informou na DCTF apenas àquela do estabelecimento produtor exportador, deixando de observar que, nos termos do artigo 15, II, da Lei n° 9.779/99 a apuração deveria ser efetuada de forma centralizada; 3. Exclusão das receitas de exportação das vendas de mercadorias adquiridas de terceiros e revendidas no mercado externo (R$ 3.297.853,44) e das vendas para empresas comerciais que não possuíam o registro de comerciais exportadoras, conforme o artigo 2º, I, do DecretoLei n° 1.248/72, disciplinado pelo Comunicado DECEX (CECEX/MIDCT) n° 2/99 (R$ 32.648.103,11); Tempestivamente, o contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que: 1. Não se poderia ter glosar as aquisições de pessoas físicas e cooperativas, pois, o cálculo do crédito presumido, pelo disposto na lei que não poderia ser alterado por atos administrativos, porque não se restringe a aquisição da matériaprima simples e pura, mas sim de todos aqueles bens è produtos utilizados no fluxo industrial, inclusive adquiridos de pessoas físicas e cooperativas, conforme decisões do Conselho de Contribuintes; Fl. 482DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/02/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 10980.011700/200267 Acórdão n.º 3402001603 S3C4T2 Fl. 486 4 2. Também, conforme reiteradamente decidido pelo Conselho de Contribuintes, os produtos utilizados na geração de energia, tratamento de água e no laboratório de análise integram o processo produtivo da empresa e foram onerados pelo PIS/COFINS, portanto devem ser incluídos no cálculo do crédito presumido; 3. A MP nº 948/95, a Lei n° 9.363/99 e a Portaria 38/97 conceituariam que a Receita Bruta de exportação abrangeria a venda de mercadorias nacionais, não limitando que deveriam ser incluídas apenas as vendas de produtos manufaturados. Por outro lado, ao se incluir tais receitas na Receita Operacional Bruta, isto criaria uma distorção no cálculo do crédito presumido que fere a regra da igualdade, legalidade e dos parâmetros de equivalência matemática; 4. A Lei n° 9.363/99 não estipulou qualquer condição ou registro para a empresa comercial exportadora, sendo que a fiscalização não contestou a efetiva exportação dos produtos em questão, o que se comprovaria pelo fato da empresa não ter recebido nenhuma autuação nesse sentido; 5. Com relação a Receita Operacional Bruta aduz que a Lei n° 9.363/96 permitia que ao requerente optasse por requerer de forma centralizada, ou não, o ressarcimento do crédito presumido, caso o julgador entenda o contrário entende que o mesmo critério deve ser adotado na Receita de Exportação; 6. Relativamente às compras no mercado externo, afirma que não incluiu estes valores nos cálculos apresentados, portanto, uma vez que tais valores não compunham o cálculo do crédito presumido, caso se mantenha tal glosa incorreria a Fazenda em enriquecimento sem causa e o contribuinte teria que suportar um prejuízo de elevada monta e difícil reparação; 7. O valor parcialmente deferido está permeado por erro de cálculo, pois o valor do estoque inicial de R$ 11.499.049,16 adotado no cálculo da Fazenda referese ao valor do estoque final de fevereiro de 1999, quando o correto deveria ser R$ 30.617.188,74, referente ao estoque final de dezembro de 1998., sendo que também teria ocorrido erro de subtração no valor da Receita de Exportação, o qual deveria ser de R$ 30.681.895,79 e não de R$ 30.996.895,63. Assim conforme recalculo de fl.413 o valor que deveria ter sido parcialmente deferido, considerando todas as alterações efetuadas pela fiscalização deveria de ser de R$ 303.820,39 e não de R$ 165.665,87. 8. Por fim, defende a aplicação da taxa SELIC para atualizar o valor do crédito a ser ressarcido, com base no acórdão do Conselho de Contribuintes que cita. Encerrou solicitando que seja integralmente acatada a manifestação de inconformidade. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/02/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 10980.011700/200267 Acórdão n.º 3402001603 S3C4T2 Fl. 487 5 A Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 1413722, de 20/09/2006, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. COMPRAS COM DIREITO AO CREDITO. Os valores referentes às aquisições de insumos de pessoas físicas, nãocontribuintes do PIS/Pasep e da Cofíns, não integram o cálculo do crédito presumido por falta de previsão legal. Os conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável ao IPI, não abrangendo as despesas com energia elétrica e combustível. BASE DE CÁLCULO. PRODUTOS ADQUIRIDOS PARA REVENDA. Não se incluem no cálculo do crédito presumido, a título de receita de exportação, os valores relativos aos produtos exportados adquiridos para revenda, devendo estes integrarem a receita bruta operacional nos termos da legislação do Imposto de Renda. VENDAS PARA EMPRESAS COMERCIAIS EXPORTADORAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. Diante do conceito dado à expressão "empresa comercial exportadora" em diferentes oportunidades pela SRF e pelo MF, concluise que são admitidas no cálculo do crédito presumido as vendas a empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação, nos termos da Lei n° 9.532, de 1997, art. 39, § 2º, e não apenas as vendas a empresas enquadradas no Decretolei n° 1.248, de 1972. CREDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO CENTRALIZADA. OBRIGATORIEDADE. A obrigatoriedade de apuração centralizada do crédito presumido do IPI somente vigora a partir da apuração referente ao primeiro trimestre de 1 999. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova de suas alegações,mormente quando contrariam o que foi declarado na DCTF e no balancete analítico apresentado. CRÉDITO PRESUMIDO. JUROS PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. Fl. 484DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/02/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 10980.011700/200267 Acórdão n.º 3402001603 S3C4T2 Fl. 488 6 Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. Solicitação Deferida em Parte. Descontente com a decisão de primeira instância, o sujeito passivo protocolou o recurso voluntário no qual argumenta, em síntese, que: a) Houve inexatidão material devida a lapso manifesto na análise dos documentos colacionados aos autos que acarretou prejuízo à recorrente. Pela sua tese, o estoque inicial adotado para o primeiro trimestre do ano de 1999 não poderia ser o do início do mês de março, que corresponde ao último mês do trimestre solicitado, deveria ser o estoque inicial do primeiro mês do trimestre pretendido, ou seja, janeiro de 1999; b) É indevida a glosa do crédito presumido do IPI sobre as aquisições de insumos de cooperativa e pessoas físicas; c) É indevida a glosa do crédito presumido do IPI sobre a aquisição de fuel oil, sulfato de alumínio, dearborn T53, resina aniônica, cortrol IS 1075 e soda caústica. Alega que todos esses materiais foram utilizados diretamente na produção industrial, onde foram consumidos para geração de fonte energética, no tratamento de água e no laboratório de análises, sendo, portanto, imprescindíveis e essenciais no processo produtivo da recorrente; d) É indevida a exclusão dos valores das vendas no mercado externo de mercadorias adquiridas de terceiros da receita bruta de exportação, para fins de obtenção do percentual a ser aplicado para determinação do benefício. Afirma que a exclusão teve como fundamento que os valores recebidos pelas tais operações não são considerados como receita de exportação. Entende equivocada essa conclusão tendo em vista que a Lei nº 9.363/96 determina que na base de cálculo do crédito presumido deverá ser considerada o total da receita de exportação; e) A legislação facultou ao sujeito passivo o direito de promover a apuração centralizada ou descentralizada, como melhor puder aproveitar. Sendo, portanto indevida a glosa de parte do valor ressarcido; e f) O valor ressarcido deve ser corrigido pela taxa Selic. Fl. 485DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/02/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 10980.011700/200267 Acórdão n.º 3402001603 S3C4T2 Fl. 489 7 Termina sua petição recursal, requerendo que seja reformada a decisão vergastada a fim de que a recorrente possa se ressarcir da integralidade do seu crédito presumido acrescido da taxa Selic. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. A impugnação foi apresentada com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dela tomo conhecimento e passo a apreciar. INEXATIDÃO MATERIAL O recorrente alega que houve erro na apuração do crédito presumido do IPI referente ao primeiro trimestre de 1999, pois a Autoridade Fiscal considerou como estoque inicial um valor diferente do valor que, segundo suas linhas, seria o real valor. Preliminarmente, afigurase oportuno assinalar que o objeto da lide é o indeferimento de um pedido de ressarcimento e não um lançamento tributário. Partindo desta premissa, não é preciso tecer grandes argumentos para identificar que o ônus da prova neste processo é do sujeito passivo. Ressalto que o objetivo deste processo é a apuração do quantum devido, seja por parte do contribuinte ou por parte do fisco. É por meio desta apuração que poderá ser identificado o valor a ser ressarcido ao sujeito passivo. Em virtude dessas considerações, é importante relembrar alguns preceitos que norteiam a busca da verdade real por meio de provas materiais. Um dos principais objetivos do direito é fazer prevalecer a justiça. Para que uma decisão seja justa, é relevante que os fatos estejam provados a fim de que o julgador possa estar convencido da sua ocorrência. Segundo Francesco Carnelutti as provas são fatos presentes sobre os quais se constrói a probabilidade da existência ou inexistência de um fato passado. A certeza resolve se, a rigor, em uma máxima probabilidade. A certeza vai se formando através dos elementos da ocorrência do fato que são colocados pelas partes interessadas na solução da lide. Mas não basta ter certeza, o julgador tem que estar convencido para que sua visão do fato esteja a mais próxima possível da verdade. Francesco Carnelutti compara a atividade de julgar com a atividade de um historiador. Segundo ele o historiador indaga no passado para saber como as coisas ocorreram. O juízo que pronuncia é reflexo da realidade ou mais exatamente juízo de existência. Já o julgador encontrase ante uma hipótese e quando decide converte a hipótese em tese, adquirindo a certeza de que tenha ocorrido ou não o fato. Estar certo de um fato quer dizer conhecêlo como se houvesse visto. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/02/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 10980.011700/200267 Acórdão n.º 3402001603 S3C4T2 Fl. 490 8 Como o julgador sempre tem que decidir, ele deve ter bom senso na busca pela verdade, evitando a obsessão que pode prejudicar a justiça célere. Mas a impossibilidade de conhecer a verdade absoluta não significa que ela deixe de ser perseguida como um relevante objetivo da atividade probatória. A verdade encontrase ligada à prova, pois é por meio desta que se torna possível afirmar idéias verdadeiras, adquirir a evidência da verdade, ou certificarse de sua exatidão jurídica. Ao direito somente é possível conhecer a verdade por meio das provas. Posto isto, concluímos que a finalidade imediata da prova é reconstruir os fatos relevantes para o processo e a mediata é formar a convicção do julgador. Os fatos não vêm simplesmente prontos, tendo que ser construídos no processo, pelas partes e pelo julgador. Após a montagem desse quebracabeça, a decisão se dará com base na valoração das provas que permitirá o convencimento da autoridade julgadora. Assim, a importância da prova para uma decisão justa vem do fato dela dar verossimilhança às circunstâncias a ponto de formar a convicção do julgador. Voltando ao caso em análise, compulsando os autos, identifico que a Autoridade Fiscal utilizou o balancete analítico apresentado pelo próprio recorrente, fls. 376, para efetuar a apuração do benefício reclamado. Ressalto que não houve apresentação de documentos probatórios que permitisse a modificação do conteúdo do balancete analítico apresentado na fase de fiscalização. Portanto, entendo que esse balancete apresentado pelo recorrente e utilizado para apuração do crédito presumido do IPI reflete os documentos fiscais resultantes das operações efetuadas pela empresa. De sorte que afasto a alegação de erro material por falta de provas. APURAÇÃO CENTRALIZADA DO CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. Entende o recorrente que a legislação facultou ao sujeito passivo a escolha pela apuração do crédito presumido do IPI de forma descentralizada ou centralizada na matriz. Ledo engano, como passo a demonstrar. A Lei nº 9.363/96 foi regulamentada pela Portaria nº 38, de 03/03/1997 e pelas Instruções Normativas nº 23, de 17/03/1997 e nº 103, de 05/01/1998. Essas regulamentações aduziram importantes modificações na forma de cálculo e apropriação do benefício fiscal. A legislação realmente conferia à sociedade produtora exportadora optar pela apuração do crédito presumido do IPI de forma centralizada na matriz ou de forma descentralizada para cada estabelecimento produtorexportador. Essa regra teve efeito retroativo para todo o exercício de 1996. Assinalo, contudo, que havia exceção a essa faculdade. Segundo o art. 6º da IN SRF nº 103/97, se os produtos fossem exportados por intermédio de estabelecimento diferente daquele que os produziu ou o estabelecimento produtor exportador transferisse para outro estabelecimento parte de sua produção para comercialização no mercado interno a apuração do crédito presumido do IPI deveria ser centralizada. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/02/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 10980.011700/200267 Acórdão n.º 3402001603 S3C4T2 Fl. 491 9 Por fim, a partir de 15 de janeiro de 1999, com a edição da Lei nº 9.779/99, em especial seu art. 15, II, não foi mais possível realizar a apuração descentralizada, pois ficou obrigatória a centralização da apuração na matriz. Após esse breve passeio pela legislação, regressando aos autos, o período pleiteado referese ao primeiro trimestre de 1996. A entrega da DCTF, instrumento utilizado para declarar o crédito presumido, deveria acontecer até o dia 15 de abril de 1999. Portanto, não é preciso despender muita energia mental para concluir pela obrigatoriedade da apuração do benefício de forma centralizada. CÁLCULO DO BENEFÍCIO O recorrente entende que é indevida a exclusão dos valores das vendas no mercado externo de mercadorias adquiridas de terceiros do cálculo do total da receita bruta de exportação, para fins de obtenção do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta. Quanto a essa matéria, entendo que a primeira instância julgou acertadamente o assunto. Devendo ser mantido pelos seus próprios fundamentos, como se segue: Sendo o benefício instituído para a empresa produtora e exportadora, para que a receita de exportação possa ser computada no cálculo da proporcionalidade que determinará a base de cálculo, fazse necessário que o produto exportado seja industrializado pela exportadora e tributado pelo IPI, condições indispensáveis para gerar direito ao crédito presumido. Essa conclusão decorre das expressões "empresa produtora e exportadora" e "para utilização no processo produtivo" constante o disposto no artigo 1º, da Lei n° 9.363, de 1996, assim como do disposto no parágrafo único do seu artigo 3º, que determina a utilização da legislação do IPI para definir "produção". Embora o RIPI, de 1998 não defina expressamente o que seja produção, tal definição pode ser deduzida do disposto em seu art. 423, que estabelece o cálculo da produção por elementos subsidiários, estando assim expresso: “Art. 423. Constituem elementos subsidiários, para o cálculo da produção, e correspondente pagamento do imposto, dos estabelecimentos industriais, o valor e quantidade das matériasprimas, produtos intermediários e embalagens adquiridos e empregados na industrialização e acondicionamento dos produtos, o valor das despesas gerais efetivamente feitas, o da mãodeobra empregada e o dos demais componentes do custo de produção, assim como as variações dos estoques de matériasprimas, produtos intermediários e embalagens (Lei n° 4.502, de 1964, art. 108). § 1°. Apurada qualquer falta no confronto da produção resultante do cálculo dos elementos constantes deste artigo com a registrada pelo estabelecimento, exigirseá o imposto correspondente, o qual, no caso de fabricante de produtos sujeitos a alíquotas e preços diversos, será calculado com base nas alíquotas e preços mais elevados, quando não Fl. 488DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/02/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 10980.011700/200267 Acórdão n.º 3402001603 S3C4T2 Fl. 492 10 for possível fazer a separação pelos elementos da escrita do estabelecimento (Lei n° 4.502/64, art. 108, § 1º)”. Da leitura do dispositivo supra transcrito, concluise que "produção" é a quantidade de produtos resultantes do processo de industrialização do estabelecimento, porque é a quantidade produzida que será multiplicada pelo preço do produto para apurar a base de cálculo do imposto, no caso de apuração da produção com o uso de elementos subsidiários. Como determina a Lei n° 9.363, de 1996, o benefício visa ressarcir a incidência do PIS/Pasep e Cofins sobre as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados no "processo produtivo", entendendose como "processo produtivo" o conjunto de ações das quais resulta a "produção" da empresa exportadora, ou da empresa que vende a mercadoria para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. No presente caso, o que se tem, é que as mercadorias, adquiridas de terceiros e exportadas, não foram submetidas pela exportadora a qualquer processo de industrialização, razão pela qual não podem ser incluídas no montante das exportações utilizadas para o cálculo que determinará o percentual das aquisições que comporá a base de cálculo do benefício. Aliás, a NOTA MF/SRF/COSIT/CTIP/D1PES N° 312, de 1998, já esclarecia este assunto, que foi objeto do Ato Declaratório (Normativo) COSTT n° 09, de 1998, da seguinte forma: 19) O valor resultante da venda para o exterior de produtos adquiridos de terceiros compõe as receitas operacional bruta e de exportação para fins do cálculo do crédito presumido do IP1? R) Não, o valor decorrente da venda de produtos adquiridos de terceiros não integra a receita de exportação, mas, integra a receita operacional bruta. Por outro lado, considerando que a distorção apontada pela contribuinte no cálculo da relação percentual RE/ROB seja um fato, as regras para esse cálculo foram alteradas pela Portaria MF 64/2003, que no parágrafo 12 de seu artigo 3º, assim dispôs: § 12. Para os efeitos deste artigo, considerase: I receita operacional bruta, o produto da venda de produtos industrializados pela pessoa jurídica produtora e exportadora nos mercados interno e externo; Ou seja, a partir da publicação do dispositivo acima transcrito as receitas de exportação de produtos adquiridos de terceiros, que permanecem fora do cômputo das receitas de exportação, deixaram de ser incluídas na apuração da receita operacional bruta. Todavia, esse dispositivo só entrou em vigor em 26/03/2003, não alcançando a apuração do crédito presumido Fl. 489DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/02/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 10980.011700/200267 Acórdão n.º 3402001603 S3C4T2 Fl. 493 11 ora tratado, que, conforme o período em destaque é anterior a esta legislação. Antes dessa data, o entendimento da Receita Federal vinculava se ao conceito constante da Portaria MF 38/97 (art. 3º, § 15), que definia receita operacional bruta como " o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia". Essa definição, sem deixar dúvidas, inclui as receitas de exportação de produtos adquiridos de terceiros no cômputo da receita operacional bruta. E não há como retroceder essa alteração ao presente pedido. As portarias e as instruções normativas não são atos interpretativos. São normas complementares das leis tributárias (art. 100 do CTN), que regulamentam, que detalham as disposições legais. No caso em pauta, a portaria MF 64/2003 alterou conceitos envolvidos na apuração do benefício, trazendo expressa a sua vigência: Art. 14. Esta Portaria entra em visor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I a partir de 1° de outubro de 2002, em relação aos arts. 4º e 11; II a partir de 1º de dezembro de 2002, em relação ao § 14 do art.3º; III na data de sua publicação, com relação aos demais artigos. Sendo ato administrativo normativo (e não interpretativo) não há como aplicála retroativamente. Para admitir a alteração dos conceitos como interpretação indispensável que houvesse menção expressa ao dispositivo da portaria anterior que estava sendo interpretado. Tal não ocorreu. Portanto, as alterações introduzidas pela portaria em comento só atingem fatos geradores ocorridos a partir de 26/03/2003. Forte nestes argumentos, nego o provimento ao recurso quanto a essa matéria. INSUMOS O recorrente reclama pela inclusão dos custos com aquisição de “Fuel Oil” na base de cálculo do crédito presumido do IPI previsto na Lei nº 9.363/96. Alega que o insumo é utilizado como combustível na caldeira. Essa matéria já foi pacificada com a aprovação do enunciado de Súmula CARF nº 19, publicada no DOU de 22/12/2009, in verbis: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Fl. 490DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/02/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 10980.011700/200267 Acórdão n.º 3402001603 S3C4T2 Fl. 494 12 Impende observar que as súmulas do Carf são de observância obrigatória, sob pena de perda de mandato. Portanto, nego o aproveitamento dos custos com aquisição de óleo diesel para fins de crédito presumido do IPI. Quanto aos demais insumos sulfato de alumínio, dearborn T53, resina aniônica, cortrol IS 1075 e soda caústica passo a analisar a possibilidade de creditamento com fulcro na legislação regente. O crédito presumido é uma forma de desoneração fiscal. São créditos que não estão relacionados com a operação direta do contribuinte. É uma ficção jurídica utilizada pelo legislador, cujo intuito é ressarcir o contribuinte do ônus arcado em operações anteriores. O crédito presumido como ressarcimento do PIS e da Cofins foi regulamentado pela Lei nº 9.363/96. Tal benefício tinha como objetivo o fomento das atividades industriais relacionadas às exportações. Tratase de um crédito correspondente ao ressarcimento das ditas contribuições incidentes na aquisição, no mercado interno, dos principais insumos do contribuinte do IPI, a saber: matériaprima, produto intermediário e material de embalagem. Observe que os insumos tinham que ser utilizados no processo industrial das empresas relacionadas às atividades de exportação. Foi, então, estabelecido um percentual (que resulta da relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta) a incidir sobre os custos com matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados no produto exportado, para a obtenção da base de cálculo do benefício. O crédito fiscal resultará da aplicação do percentual de 5,37% sobre a base de cálculo acima descrita. Como dito alhures, a base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante aplicação de um percentual sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Ressalto que os insumos admitidos no cálculo do crédito presumido são os conceituados pela legislação do IPI. O Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto n.º 2.637, de 25 de junho de 1998 – RIPI/98 (art. 147, I), esclarece que se incluem no conceito de MP e PI os bens que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos no ativo permanente. Por seu turno, o Parecer Normativo CST nº 65, de 30 de outubro de 1979 (DOU de 6/11/79), norma complementar da legislação tributária, por força do inciso I do artigo 100 da Lei n.º 5.172, de 25 de outubro de 1966 – CTN, esclarece a expressão: “consumidos no processo de industrialização”, condição para que os bens sejam considerados insumos. (...) ‘Art. 66 Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502/64 arts. 25 a 30 e Decretolei nº 3.466, art. 2º, alt. 8ª): I do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para Fl. 491DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/02/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 10980.011700/200267 Acórdão n.º 3402001603 S3C4T2 Fl. 495 13 emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo se, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente.’ 4 Notese que o dispositivo está subdividido em duas partes, a primeira referindose às matériasprimas, aos produtos intermediários e ao material de embalagem; a segunda relacionada às matériasprimas e aos produtos intermediários que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização. 4.1 Observese, ainda, que enquanto na primeira parte da norma ‘matériasprimas’ e ‘produtos intermediários’ são empregados ‘stricto sensu’, a segunda usa tais expressões em seu sentido lato: quaisquer bens que, embora não se integrando ao produto em fabricação se consumam na operação de industrialização. 4.2 Assim, somente geram direito ao crédito os produtos que se integrem ao novo produto fabricado e os que, embora não se integrando, sejam consumidos no processo de fabricação, ficando definitivamente excluídos aqueles que não se integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização. 5 No que diz respeito à primeira parte da norma, que se refere a matériasprimas e produtos intermediários ‘stricto sensu’, ou seja, bem dos quais, através de quaisquer das operações de industrialização enumeradas no Regulamento, resulta diretamente um novo produto, tais como, exemplificadamente, a madeira com relação a um móvel ou o papel com referência a um livro, nada há que se comentar de vez que o direito ao crédito, diferentemente do que ocorre com os referidos na segunda parte, além de não se vincular a qualquer requisito, não sofreu alteração com relação aos dispositivos constantes dos regulamentos anteriores. 6 Todavia, relativamente aos produtos referidos na segunda parte, matériasprimas e produtos intermediários entendidos em sentido amplo, ou seja, aqueles que embora não sofram as referidas operações são nelas utilizados, se consumindo em virtude do contato físico com o produto em fabricação, tais como lixas, lâminas de serra e catalisadores, além da ressalva de não gerarem o direito se compreendidos no ativo permanente, exige se uma série de considerações. 6.1 Há quem entenda, tendo em vista tal ressalva (não gerarem direito ao crédito os produtos compreendidos entre os bens do ativo permanente), que automaticamente gerariam o direito ao crédito os produtos não inseridos naquele grupo de contas, ou seja, que a norma em questão teria adotado como critério distintivo, para efeito de admitir ou não o crédito, o tratamento contábil emprestado ao bem. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/02/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 10980.011700/200267 Acórdão n.º 3402001603 S3C4T2 Fl. 496 14 6.2 Entretanto, uma simples exegese lógica do dispositivo já demonstra a improcedência do argumento, uma vez que, consoante regra fundamental de lógica formal, de uma premissa negativa (os produtos ativados permanentemente não geram o direito) somente concluise por uma negativa, não podendo, portanto, em função de tal premissa, ser afirmativa a conclusão, ou seja, no caso, a de que os bens não ativados permanentemente geram o direito de crédito. 7 Outrossim, aceita, em que pese a contradição lógicoformal, a tese de que para os produtos que não sejam matérias nem produtos intermediários ‘stricto sensu’, vigente o RIPI/79, o direito ou não ao crédito deve ser deduzido exclusivamente em função do critério contábil ali estatuído, estarseia considerando inócuas diversas palavras constantes do texto legal, de vez que bastaria que o referido comando, em sua segunda parte, rezasse “...e os demais produtos que forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens ao ativo permanente”, para o mesmo resultado. 7.1 Tal opção, todavia, equivaleria a por de lado o princípio geral de direito consoante o qual ‘a lei não deve conter palavras inúteis’, o que só é lícito fazer na hipótese de não se encontrar explicação para as expressões inúteis. 8 No caso, entretanto, a própria exegese histórica da norma desmente esta acepção, de vez que a expressão ‘incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando no novo produto forem consumidos no processo de industrialização’ é justamente a única que consta de todos os dispositivos anteriores (inciso I do artigo 27 de Decreto 56.791/65, inciso I do artigo 30 do Decreto nº 61.514/67 e inciso I do artigo 32 do Decreto nº 70.162/72), o que equivale a dizer que foi sempre em função dela que se fez a distinção entre os bens que, não sendo matériasprimas nem produtos intermediários ‘stricto sensu ’, geram ou não direito ao crédito, isto é, segundo todos estes dispositivos, geravam o direito os produtos que embora não se integrando no novo produto, fossem consumidos no processo de industrialização. 8.1 A norma constante do direito anterior (inciso I do artigo 32 do Decreto nº 70.162/72), todavia restringia o alcance do dispositivo, dispondo que o consumo do produto, para que se aperfeiçoasse o direito do crédito, deveria se dar imediata e integralmente. 8.2 O dispositivo vigente inciso I do artigo 66 do RIPI/79 por sua vez, deixou de registrar tal restrição, acrescentando, a título de inovação, a parte final referente à contabilização no ativo permanente. 9 Como se vê, o que mudou não foi o critério, que continua sendo o do consumo do bem no processo industrial, mas a restrição a este. Fl. 493DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/02/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 10980.011700/200267 Acórdão n.º 3402001603 S3C4T2 Fl. 497 15 10 Resumese, portanto, o problema na determinação do que se deve entender como produtos ‘que embora não se integrando no novo produto, forem consumidos, no processo de industrialização’, para efeito de reconhecimento ou não do direito ao crédito. 10.1 Como o texto fala em ‘incluindose entre as matérias primas e os produtos intermediários’, é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matériasprimas e os produtos intermediários ‘stricto sensu ’, semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto de fabricação, ou por este diretamente sofrida. 10.2 A expressão ‘consumidos’ sobretudo levandose em conta que as restrições ‘imediata e integralmente’, constantes do dispositivo correspondente do Regulamento anterior, foram omitidas, há de ser entendida em sentido amplo, abrangendo, exemplificativamente, o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre o insumo. O aludido Parecer orienta no sentido de que se deve considerar no conceito de MP e PI, em sentido lato, os bens que se consumirem em decorrência de um contato físico, ou de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por esse diretamente sofrida. Após essa breve digressão, retornando aos autos, o recorrente colima aproveitar os custos com aquisição de diversos materiais sulfato de alumínio, dearborn T53, resina aniônica, cortrol IS 1075 e soda caústica para cálculo do crédito presumido do IPI instituído pela Lei nº 9.363/96. Analisando a aplicação de cada um na fase produtiva, verificaremos que a decisão da DRJ acertou em manter as exclusões. O sulfato de alumínio, o dearborn T53, a resina aniônica e o cortrol IS 1075 são utilizados no tratamento da água e a soda caústica no laboratório de análises. Com efeito, o valor correspondente aos custos com a aquisição destes materiais, devem ser considerados como gastos gerais de fabricação, ou custos indiretos incorridos na produção. Desse modo, tais custos devem ser observados quando da apuração dos valores dos estoques finais dos produtos industrializados, mas não como sendo matériaprima ou produto intermediário empregado nestes. Do exposto, fica claro que os gastos acima relatados não podem ser computados no cálculo desse benefício fiscal porque não revestem a condição de matériaprima ou produto intermediário (MP e PI), conceituados pela legislação do IPI, como explicado no item anterior, sendo equivocada portanto a interpretação de que, todos os insumos sujeitos à incidência das contribuições para o PIS e a Cofins poderiam ser considerados no cálculo do crédito em referência. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/02/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 10980.011700/200267 Acórdão n.º 3402001603 S3C4T2 Fl. 498 16 Neste sentido, nego mantenho a decisão da DRJ quanto a essa matéria. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOA FÍSICA OU COOPERATIVA. O contribuinte se insurge contra exclusão dos valores referentes às aquisições de insumos de não contribuintes do PIS e da COFINS da base de cálculo do crédito presumido de IPI. O Colegiado já conhece minha opinião sobre o assunto, sempre neguei a possibilidade da inclusão dos insumos adquiridos de pessoa física e de cooperativa. Não obstante, por força regimental, sou obrigado a mudar meu voto, uma vez que essa matéria foi objeto de decisão em sede de recurso representativo de controvérsia no Superior Tribunal de Justiça. A decisão do STJ assim definiu a matéria: O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS. RESP 993164, Min. Luiz Fux Desta forma, não vejo alternativa, tenho que aceitar a inclusão dos valores dos insumos adquiridos por não contribuintes do PIS e da Cofins no cálculo do crédito presumido do IPI. TAXA SELIC Essa matéria já foi objeto de vários acórdãos de minha lavra. Em todos eles, negava aplicação da referida taxa nos valores ressarcidos. Contudo, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, sou obrigado a rever minha posição e decidir em sentido contrário. Em recente decisão, a 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso representativo de controvérsia, confirmou a invalidade da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal nº 23/97, e reconheceu o direito à correção dos créditos do IPI, no acórdão proferido no Recurso Especial nº 993.164MG, de 13/12/2010. O voto condutor do acórdão assim se refere à matéria: Com efeito, a oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural, Fl. 495DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/02/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 10980.011700/200267 Acórdão n.º 3402001603 S3C4T2 Fl. 499 17 (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 10358471RS, ReI. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELlC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 11501881SP, Rei. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). Pelas assertivas feita, dou provimento parcial ao recurso para admitir a inclusão dos valores dos insumos adquiridos por não contribuintes do PIS e da Cofins no cálculo do crédito presumido do IPI, desde que haja industrialização e não mera revenda e que os produtos sejam exportados e para admitir a incidência da taxa Selic no valor a ser ressarcimento de crédito presumido do IPI. É como voto. Sala das Sessões, em 24 de janeiro de 2012 Gilson Macedo Rosenburg Filho Voto Vencedor Sílvia de Brito Oliveira, Redatora designada Por divergir do I. Conselheiro Relator quanto a exclusão do total da receita de exportação dos valores recebidos pela exportação de produtos adquiridos de terceiros, passo a expor as razões que conduziram meu voto divergente. De início, a vista do voto condutor da decisão recorrida adotado pelo I. Relator em relacão a essa matéria, registro que as expressões “empresa produtora e exportadora” e “processo produtivo” utilizadas pela Lei n 9.363, de 13 de dezembro de 1996, afetam diretamente a definicão do que vem a ser matériaprima, produto intermediário e material de embalagem para apuracão do valor total das aquisicões da empresa produtora e exportadora, mas não possuem o condão de restringir receitas para o cômputo da receita total de exportação. Fl. 496DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/02/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 10980.011700/200267 Acórdão n.º 3402001603 S3C4T2 Fl. 500 18 O diploma legal supracitado, ao instituir o crédito presumido do IPI, estabeleceu, em seu art. 2 , que a base de cálculo desse crédito deve ser determinada pela aplicação do percentual obtido da razão entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador, nos seguintes termos: Art. 2o A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. § 1o O crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 5,37% sobre a base de cálculo definida neste artigo. (...) Mais adiante, a mesma lei remeteu as normas que regem a incidência da contribuição para o Programa de Integracão Social (PIS) e da Contribuicão para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) a apuração da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, com utilização subsidiária da legislação do Imposto de Renda (IR) e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem, sem que tenham sido impostas quaisquer exclusões da receita de exportação ou permitidas deduções da receita operacional bruta. Pertinente ainda observar que, no art. 6. dessa lei, deferiuse ao Ministro de Estado da Fazenda competência para, entre outras coisas, definir a receita de exportação e a definição dada pela Portaria MF no 38, de 27 de fevereiro de 1997, em seu art. 3o, § 15, inc. II, nem com intenso esforço interpretativo capaz de subtrair ao Senhor Ministro de Estado a vontade não revelada no texto normativo, autoriza a exclusão de algum valor da receita de exportação. Diante do exposto, divirjo do I. Conselheiro Relator para dar provimento parcial ao recurso para também admitir a inclusão dos valores recebidos pela exportação de produtos adquiridos de terceiros na receita de exportação, na apuração da base de cálculo do crédito presumido do IPI. Sílvia de Brito Oliveira Fl. 497DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/02/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA
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