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Numero do processo: 10166.720808/2019-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 11 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Wed May 27 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2015 a 31/12/2016
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONHECIMENTO. OMISSÃO. HIPÓTESES CONFIGURADA.
Sendo identificada, na decisão embargada, vício a ser sanado, os embargos devem ser acolhidos e a obscuridade deve ser esclarecida.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL CONFIGURADO. INEXISTÊNCIA DE CONTRADIÇÃO NO DISPOSITIVO. EMBARGOS ACOLHIDOS SEM EFEITOS INFRINGENTES.
Acolhem-se os embargos de declaração para esclarecer obscuridade com relação ao fundamento para se rejeitar a preliminar ter sido somente a Súmula CARF nº 171, e para corrigir erro material pela exclusão de trecho da fundamentação, nos termos do voto.
Numero da decisão: 2202-011.941
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, nos termos do voto do relator.
Assinado Digitalmente
Henrique Perlatto Moura – Relator
Assinado Digitalmente
Ronnie Soares Anderson – Presidente
Participaram da reunião os conselheiros Marcelo Valverde Ferreira da Silva, Henrique Perlatto Moura, Thiago Buschinelli Sorrentino, Andressa Pegoraro Tomazela, Rafael de Aguiar Hirano (substituto[a] integral), Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: HENRIQUE PERLATTO MOURA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2015 a 31/12/2016 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONHECIMENTO. OMISSÃO. HIPÓTESES CONFIGURADA. Sendo identificada, na decisão embargada, vício a ser sanado, os embargos devem ser acolhidos e a obscuridade deve ser esclarecida. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL CONFIGURADO. INEXISTÊNCIA DE CONTRADIÇÃO NO DISPOSITIVO. EMBARGOS ACOLHIDOS SEM EFEITOS INFRINGENTES. Acolhem-se os embargos de declaração para esclarecer obscuridade com relação ao fundamento para se rejeitar a preliminar ter sido somente a Súmula CARF nº 171, e para corrigir erro material pela exclusão de trecho da fundamentação, nos termos do voto.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, nos termos do voto do relator. Assinado Digitalmente Henrique Perlatto Moura – Relator Assinado Digitalmente Ronnie Soares Anderson – Presidente Participaram da reunião os conselheiros Marcelo Valverde Ferreira da Silva, Henrique Perlatto Moura, Thiago Buschinelli Sorrentino, Andressa Pegoraro Tomazela, Rafael de Aguiar Hirano (substituto[a] integral), Ronnie Soares Anderson (Presidente).
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CONHECIMENTO. OMISSÃO. HIPÓTESES CONFIGURADA. Sendo identificada, na decisão embargada, vício a ser sanado, os embargos devem ser acolhidos e a obscuridade deve ser esclarecida. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL CONFIGURADO. INEXISTÊNCIA DE CONTRADIÇÃO NO DISPOSITIVO. EMBARGOS ACOLHIDOS SEM EFEITOS INFRINGENTES. Acolhem-se os embargos de declaração para esclarecer obscuridade com relação ao fundamento para se rejeitar a preliminar ter sido somente a Súmula CARF nº 171, e para corrigir erro material pela exclusão de trecho da fundamentação, nos termos do voto. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, nos termos do voto do relator. Assinado Digitalmente Henrique Perlatto Moura – Relator Assinado Digitalmente Fl. 1236DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.941 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10166.720808/2019-96 2 Ronnie Soares Anderson – Presidente Participaram da reunião os conselheiros Marcelo Valverde Ferreira da Silva, Henrique Perlatto Moura, Thiago Buschinelli Sorrentino, Andressa Pegoraro Tomazela, Rafael de Aguiar Hirano (substituto[a] integral), Ronnie Soares Anderson (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Embargos de Declaração apresentado pelo contribuinte contra acórdão nº 2202-011.467, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, assim ementado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2015 a 31/12/2016 NULIDADE POR INCOMPETÊNCIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL PARA PRÁTICA DE ATO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. MATÉRIA ESTRANHA À LIDE. Eventuais irregularidades na prática do ato de exclusão do Simples Nacional devem ser discutidas no processo que levou à exclusão da pessoa jurídica do regime beneficiado, não sendo possível conhecer de tal matéria em processo que visa apenas o lançamento de tributos devidos após a prolação do ato de exclusão. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. NÃO COMPROVAÇÃO. Somente quando for comprovada a preterição do direito de defesa ou incompetência é possível reconhecer a nulidade de atos e decisões administrativas, nos termos do artigo 59, do Decreto 70.235, de 1972. NULIDADE POR VÍCIO NA AÇÃO FISCAL. INOCORRÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 171. Não há instauração de contraditório na fase fiscalizatória, etapa inquisitorial em que a fiscalização busca reunir elementos para formular a acusação fiscal. Somente com a lavratura do auto de infração se inaugura o contencioso. Pautado neste racional, foi editada a Súmula CARF nº 171, que contém a seguinte redação: “Irregularidade na emissão, alteração ou prorrogação do MPF não acarreta a nulidade do lançamento.” EXCLUSÃO DO SIMPLES. LANÇAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS A OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. CABIMENTO. SÚMULA CARF Nº 77 A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão. Fl. 1237DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.941 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10166.720808/2019-96 3 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI N. 14.689/2023. REDUÇÃO DE 150% PARA 100%. Cabível a imposição da multa qualificada, prevista no artigo 44, inciso I, §1º, da Lei nº 9.430/1996, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo se enquadra na hipótese tipificada nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964. A nova regra mais benéfica (art. 8º da Lei 14.689/2023) deve ser aplicada retroativamente, nos termos do artigo 106, II, “c” do CTN, in casu, reduzida ao patamar máximo de 100% do valor do tributo cobrado. Recurso Voluntário conhecido em parte para, na parte conhecida, ser improvido. Redução, de ofício, da multa qualificada de 150% para 100%. Após a prolação da decisão, a Embargante opôs Embargos de Declaração às fls. 1220-1224 em que alegou erro material manifesto com relação menção de TDPF diverso do documento impugnado, quando o argumento seria de “ausência de prorrogação formal do termo que havia expirado em 24/08/2017, sem a expedição de novo TDPF, conforme exigido pela Portaria RFB nº 6.478/2017” (fl. 1220). Os embargos foram admitidos por despacho de admissibilidade de fls. 1229-1232. É o relatório. VOTO Conselheiro Henrique Perlatto Moura, Relator Conforme destacado no despacho de admissibilidade, é evidente o lapso manifesto trazido no acórdão de fls. 1190-1206 com relação à menção de trecho de acórdão da DRJ que não corresponde a este processo. Não obstante, como já destacado no próprio voto, independentemente de qual procedimento fiscal deu ensejo, o auto de infração não será nulo quando constatada irregularidade quanto à emissão, prorrogação ou alteração do MPF, por força da Súmula CARF nº 171, que possui a seguinte redação: Irregularidade na emissão, alteração ou prorrogação do MPF não acarreta a nulidade do lançamento. Dessa forma, entendo por acolher os embargos de declaração sem efeitos infringentes, para esclarecer que o fundamento da rejeição da preliminar de nulidade foi somente a Súmula CARF nº 171, excluindo da fundamentação o seguinte excerto: Fl. 1238DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.941 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10166.720808/2019-96 4 O TDPF nº 01.2.01.00-2020-00148-0 emitido em 03/03/2020, com validade prevista para 01/07/2020 (fls. 351), teve a sua validade prorrogada para 29/10/2020 e posteriormente para 26/02/2021. A demonstração das prorrogações encontra-se expressa no TDPF, que foi trazido aos autos pela própria empresa autuada: Com isso, entendo por dar provimento aos embargos de declaração, sem efeito infringente. Conclusão Ante o exposto, voto por acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes. Assinado Digitalmente Henrique Perlatto Moura Fl. 1239DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10880.917463/2016-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 15 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Wed May 27 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2014 a 30/06/2014
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. EXISTÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. IMPOSSIBILIDADE DO RESULTADO DA DEMANDA JUDICIAL REDUZIR O VALOR DO CRÉDITO PLEITEADO. ART. 59 DA IN RFB Nº 1.717/2017. INAPLICABILIDADE.
A existência de ação judicial em que se discute a exclusão do ICMS da base de cálculo das Contribuição para o PIS e da COFINS não impede a análise administrativa de Pedido de Ressarcimento quando o resultado da demanda judicial não possui aptidão para reduzir o valor do crédito pleiteado.
Numero da decisão: 3202-003.657
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para que a autoridade de origem proceda à análise meritória do crédito postulado pela recorrente. Vencidos os Conselheiros Juciléia de Souza Lima (Relatora) e Wagner Mota Momesso de Oliveira, que acolhiam os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, apenas para esclarecer a omissão/obscuridade. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3202-003.651, de 15 de abril de 2026, prolatado no julgamento do processo 10880.917459/2016-13, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Assinado Digitalmente
Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Wagner Mota Momesso de Oliveira, Onizia de Miranda Aguiar Pignataro, Rafael Luiz Bueno da Cunha, Aline Cardoso de Faria, Juciléia de Souza Lima (Relatora) e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO LORENZON YUNAN GASSIBE
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EXISTÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. IMPOSSIBILIDADE DO RESULTADO DA DEMANDA JUDICIAL REDUZIR O VALOR DO CRÉDITO PLEITEADO. ART. 59 DA IN RFB Nº 1.717/2017. INAPLICABILIDADE. A existência de ação judicial em que se discute a exclusão do ICMS da base de cálculo das Contribuição para o PIS e da COFINS não impede a análise administrativa de Pedido de Ressarcimento quando o resultado da demanda judicial não possui aptidão para reduzir o valor do crédito pleiteado. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para que a autoridade de origem proceda à análise meritória do crédito postulado pela recorrente. Vencidos os Conselheiros Juciléia de Souza Lima (Relatora) e Wagner Mota Momesso de Oliveira, que acolhiam os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, apenas para esclarecer a omissão/obscuridade. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3202-003.651, de 15 de abril de 2026, prolatado no julgamento do processo 10880.917459/2016-13, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Redator Fl. 421DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.657 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.917463/2016-73 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Wagner Mota Momesso de Oliveira, Onizia de Miranda Aguiar Pignataro, Rafael Luiz Bueno da Cunha, Aline Cardoso de Faria, Juciléia de Souza Lima (Relatora) e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 87, §§ 1º, 2º e 3º, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Embargos de Declaração contra acórdão que manteve o indeferimento de pedido de ressarcimento de crédito de PIS-PASEP/COFINS não cumulativa, vinculado à receita de exportação (ME). Os Embargos foram admitidos nos seguintes termos: Acolho em parte os embargos de declaração, para que o acórdão seja integrado em relação aos itens intitulados nos aclaratórios como: 3.5. Contradição/Obscuridade: a alteração nas bases de cálculo dos créditos; 3.6. Omissão: a alteração na utilização dos créditos Assim, em face da alegada omissão/obscuridade, foram opostos Embargos de Declaração perante esta Relatora, por sua vez admitidos pelo Presidente desta Turma, retornou o presente feito para apreciação da omissão/obscuridade apontada. É o que havia a ser relatado. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto condutor consignado no acórdão paradigma como razões de decidir. Deixa-se de transcrever o voto vencido, que pode ser consultado no acórdão paradigma e deverá ser considerado, para todos os fins regimentais, inclusive de pré-questionamento, como parte integrante desta decisão, transcrevendo-se o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado. Fl. 422DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.657 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.917463/2016-73 3 Em que pese o costumeiro bem fundamentado voto da ilustre relatora, ouso divergir quanto à possibilidade de apreciação do mérito do pedido de ressarcimento objeto destes autos, pelas razões a seguir expostas. Os autos versam sobre o Pedido de Ressarcimento Eletrônico (PER) nº 32082.12012.300115.1.1.09-1383, transmitido em 30/01/2015, de crédito de COFINS não-cumulativa, vinculado à receita de exportação, do 4º trimestre de 2013, no valor de R$ 18.226.422,69, ao qual foram vinculadas Declarações de Compensação (DCOMP). Por meio do Despacho Decisório de fls. 258, o pedido foi indeferido sem apreciação de mérito, com consequente não homologação das compensações, sob o fundamento de que o Mandado de Segurança nº 0007660-15.2007.4.03.6100, impetrado pela recorrente em 16/04/2007, poderia alterar o valor do crédito pleiteado, atraindo a vedação prevista no art. 59 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017. Tal entendimento foi ratificado pela 11ª Turma da DRJ/RPO, conforme Acórdão nº 14-105.760. O aludido art. 59 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017 dispõe que Art. 59 É vedado o ressarcimento ou a compensação do crédito do trimestre-calendário cujo valor possa ser alterado total ou parcialmente por decisão definitiva em processo judicial ou administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. No caso concreto, a recorrente pleiteou judicialmente a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, providência que, em tese, pode alterar o saldo do período. No entanto, é essencial destacar que o objeto da ação judicial restringe-se à composição da base de cálculo dos débitos das contribuições, incidindo apenas sobre parcela específica dos débitos que compõem o saldo credor objeto do pedido de ressarcimento. Assim, embora o resultado da demanda judicial pudesse influenciar o montante a ser recuperado, não teria o condão de reduzir o valor do crédito pleiteado no PER, mas, quando muito, de ampliá-lo. A figura abaixo representa o caso de maneira didática. Observe-se que se trata de imagem meramente ilustrativa, cujas proporções não guardam relação com os valores do caso em análise. Fl. 423DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.657 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.917463/2016-73 4 Parcela dos débitos objeto da ação judicial, que poderia ser considerada indevida pela redução da BC Créditos de COFINS Débitos de COFINS Saldo credor objeto do pedido de ressarcimento Além disso, ainda que se considere que, em virtude de a recorrente ter apurado, no trimestre objeto do ressarcimento, créditos vinculados a receitas de exportação, a receitas tributadas no mercado interno e a receitas não tributadas no mercado interno, o provimento judicial poderia afetar o percentual de rateio, alterando, assim, os créditos ressarcíveis, essa alteração no rateio apenas poderia ocorrer em benefício da recorrente, não sendo apta a reduzir os valores objeto os créditos objeto do PER. Por sua vez, em relação à possibilidade de a decisão da ação judicial afetar a base de creditamento e, portanto, os créditos, entendo que não é o caso. O Mandado de Segurança impetrado pela recorrente não tem por objeto o creditamento na entrada, mas tão somente a composição da base de cálculo dos débitos das contribuições. A Administração Tributária, por sua vez, não poderia fazer essa redução da base de creditamento de ofício, por força do Parecer SEI nº 14.483/2021 - explicativo do julgamento realizado pelo STF no âmbito do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR - cujo entendimento é de que “não é possível, com base apenas no conteúdo do acórdão, proceder ao recálculo dos créditos apurados nas operações de entrada, seja porque a questão não foi, nem poderia ter sido, discutida nos autos”. Ressalte-se, ainda, que eventuais créditos reconhecidos judicialmente somente poderiam ser recuperados administrativamente mediante prévia habilitação em processo administrativo próprio, nos termos do art. 100 e seguintes da IN RFB nº 2.055/2021, não se confundindo com o crédito objeto do presente PER. Releva ainda registrar que o indeferimento do Pedido de Ressarcimento sem análise de mérito, no presente caso, acaba por sujeitar a Recorrente à extinção do direito de pleitear a parcela do crédito não passível de alteração, já que o art. 54 da IN RFB nº 1.717/2017, vigente à época dos fatos, dispunha que somente podiam ser pleiteados créditos apurados nos 5 (cinco) anos anteriores à apresentação do Pedido de Ressarcimento. Fl. 424DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.657 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.917463/2016-73 5 Nessas circunstâncias, a recorrente estaria compelida a escolher entre vindicar, no Poder Judiciário, o direito que entende lhe assistir em relação à redução da base de cálculo das contribuições pela exclusão do ICMS ou pleitear o ressarcimento na via administrativa da parte sobre a qual não há controvérsia jurídica. Tal situação, decerto, não se coaduna com a inafastabilidade da jurisdição, direito fundamental contido no art. 5º, inciso XXXV, da Constituição Federal. Com efeito, uma interpretação sistemática da legislação revela que a norma do art. 170-A do CTN, fundamento do art. 59 da IN RFB nº 1.717/2017, vigente à época, visa impedir que o contribuinte aproveite, na via administrativa, crédito controverso, cujo reconhecimento dependa de uma decisão judicial, não se prestando a obstar o direito de ressarcimento de parcela que não pode ser afetada pela decisão. Além disso, o art. 59 da IN RFB nº 1.717/2017, utilizado como fundamento pela Decisão recorrida, é norma de caráter regulamentar, que não pode ser interpretada de maneira a restringir o direito de que a recorrente pleiteie administrativamente direito creditório que não pode ser afetado por decisão judicial, pelas razões anteriormente expostas. Ressalte-se, por fim, que, embora os créditos discutidos se refiram à mesma contribuição, possuem fundamentos jurídicos distintos: de um lado, a apuração de créditos no regime não cumulativo; de outro, a definição da base de cálculo dos débitos.. Vale registrar que este Conselho já decidiu favoravelmente à análise do mérito do pedido de ressarcimento em processos semelhantes ao presente, a exemplo dos acórdãos nº 3201-005.680, 3201-005.681 e 3201- 005.681 (todos julgados em 24/09/2019), assim ementados: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2013 a 31/12/2013 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DIREITO CREDITÓRIO INCONTROVERSO. O Pedido de Ressarcimento de crédito apresentado pelo contribuinte cujo direito seja incontroverso deve ser processado pela autoridade fiscal. Assim sendo, independentemente do resultado da decisão judicial no Mandado de Segurança nº 0007660-15.2007.4.03.6100, inexiste repercussão capaz de reduzir os valores do pedido de ressarcimento objeto destes autos, não havendo óbice à análise do direito creditório. Fl. 425DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.657 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.917463/2016-73 6 Ante o exposto, voto por acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para que a autoridade de origem proceda à análise meritória do crédito postulado pela recorrente. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para que a autoridade de origem proceda à análise meritória do crédito postulado pela recorrente. Assinado Digitalmente Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Redator Fl. 426DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10580.728564/2011-41
Turma: Quarta Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Tue May 26 00:00:00 UTC 2026
Numero da decisão: 1004-000.025
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, converter o julgamento em diligência a fim de que a Unidade de Origem intime o Contribuinte a comprovar quais as receitas auferidas se referem outras receitas que não sejam “simples consultas médicas”, vencidos os Conselheiros Edeli Pereira Bessa (relatora) e Jandir José Dalle Lucca que votaram pela rejeição da proposta de diligência do Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli, designado para redigir o voto vencedor.
Assinado Digitalmente
Edeli Pereira Bessa - Relatora
Assinado Digitalmente
Luis Henrique Marotti Toselli – Redator designado
Assinado Digitalmente
Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente em exercício
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Edeli Pereira Bessa, Luis Henrique Marotti Toselli, Jandir José Dalle Lucca e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente em exercício).
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Conversão do Julgamento em Diligência RESOLUÇÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, converter o julgamento em diligência a fim de que a Unidade de Origem intime o Contribuinte a comprovar quais as receitas auferidas se referem outras receitas que não sejam “simples consultas médicas”, vencidos os Conselheiros Edeli Pereira Bessa (relatora) e Jandir José Dalle Lucca que votaram pela rejeição da proposta de diligência do Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli, designado para redigir o voto vencedor. Assinado Digitalmente Edeli Pereira Bessa - Relatora Assinado Digitalmente Luis Henrique Marotti Toselli – Redator designado Assinado Digitalmente Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente em exercício Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Edeli Pereira Bessa, Luis Henrique Marotti Toselli, Jandir José Dalle Lucca e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente em exercício). Fl. 331DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1004-000.025 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10580.728564/2011-41 2 RELATÓRIO CLIVALE PROSAUDE IGUATEMI LTDA (Contribuinte), já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo/SP que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 27/07/2011, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 1.445.036,44. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Trata o presente de Impugnação (fls.247/257) apresentada pela contribuinte acima identificada, tributada pelo lucro presumido, contra os Autos de Infração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica - IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, relativos ao ano calendário de 2008, lavrados em 27/07/2011 em sede da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador/BA, cujo crédito tributário, inclusos multa de ofício de 75%(setenta e cinco por cento) e juros de mora à taxa Selic, atualizados até o mês da lavratura, é mostrado na tabela abaixo: [...] BREVE DESCRIÇÃO DOS FATOS DA FISCALIZAÇÃO 2 - Durante o curso da fiscalização relativa ao ano-calendário 2008, o Auditor- Fiscal responsável pelo procedimento, examinando os documentos fiscais da autuada, constatou que os serviços prestados pela mesma, na área de saúde, estavam sujeitos ao coeficiente de 32% para a determinação do lucro presumido, consoante o entendimento expendido na IN RFB nº 791, de 10/12/2007, vigente à época, c/c o art.15, §1º, inc.III, da Lei nº 9,249, de 1995; 3 - Todavia, a contribuinte, conforme sua DIPJ/2009, utilizou o coeficiente de 8%, assim descrevendo o autor do procedimento no Termo de Verificação Fiscal (fls.19/26): Examinada a relação apresentada contendo 70 serviços médicos ou de assistência à saúde, verifica-se tratar-se de: exames médicos como ecocardiograma, endoscopia digestiva, testes cutâneos variados, provas diversas, mapeamentos, mamografias, dentre outros. Os documentos comprovantes tratam-se de “Guias de Serviço Profissional/Serviço Auxiliar de Diagnósticos e Terapia SP/SADT” e “Guias de Outras Despesas”. Além de comprovarem a realização de serviços médicos e não de serviços hospitalares, observados todos os documentos a exemplo das guias nº 1110054411 de 12/02/2011, de nº 164442 de 03/07/2009, nº 0063392193 de 18/01/11. Foram apresentadas apenas 2 (duas) guias de nº 00132033 e nº 00132032 de 15/12/2008 referentes ao ano calendário que o contribuinte está sob ação fiscal, ou seja 2008. Diante dos fatos acima mencionados e examinada toda a documentação apresentada pelo contribuinte registra-se que o mesmo, para efeito da Fl. 332DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1004-000.025 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10580.728564/2011-41 3 determinação da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica para o ano-calendário de 2008, exercício 2009, aplicou sobre a Receita Bruta o valor de 8%, conforme sua DIPJ/2009. Considerando tratar-se de sociedade empresarial que atua na área de saúde promovendo “prestação de serviços médicos de diagnóstico e orientação terapêutica e os sócios em sua atividade profissional...”, conforme Contrato Social acima mencionado, o mesmo está sujeito ao valor de 32% para aplicar sobre a receita bruta, já que se enquadra na condição de prestação de serviços em geral, conforme art. 518 combinado com o art. 519 do RIR do RIR/99 (Lei 9.249, de 1995, art. 15 e Lei 9.430 de 1996 arts 1º e 25, e inciso I) que determina: 4 - Feitas as constatações, o Auditor-Fiscal procedeu às autuações, lavrando o Auto de Infração para o IRPJ, com a seguinte infração: [...] 5 - Decorrente dos mesmos fatos, houve a tributação reflexa da CSLL, com a mesma matéria tributável; 6 - Cientificada dos Autos de Infração em 29/07/2011 (fls.18), a contribuinte apresentou em 29/08/2011 impugnação (fls.247/257) contra os lançamentos, arguindo, em resumo e substância, os seguintes pontos: - entendimento firmado pelo STJ não sujeita os estabelecimentos hospitalares a sua estrutura, conforme o Recurso Especial nº 1116399/BA que foi julgado segundo o rito dos Recursos Repetitivos, o qual então seria aplicável a todos os casos; - a finalidade dos serviços seria o elemento proeminente para o fim de se caracterizar a natureza de serviços hospitalares; - pede diligência, para o fim de verificar os prontuários médicos e assim atestar que alcance dos serviços prestados pela impugnante vão além de simples consultas médicas; 7 - Abaixo, alguns dos trechos mais representativos de sua pugna: [...] 8 – É o relatório. A Turma Julgadora rejeitou estes argumentos em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 COEFICIENTES PARA DETERMINAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇOS HOSPITALARES. No ano-calendário 2008, os serviços prestados pela pessoa jurídica na área de diagnóstico laboratorial não se enquadravam na categoria de "serviços hospitalares". Somente a partir de 2009, com o advento da Lei nº. 11.727, de 23 Fl. 333DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1004-000.025 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10580.728564/2011-41 4 de junho de 2008, houve o alargamento do conceito de serviços hospitalares, sem efeito retroativo. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Tratando-se da mesma matéria fática, aplica-se às exigências reflexas (CSLL), no que couber, o que foi decidido quanto à exigência matriz (IRPJ), devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. PEDIDO DE PERÍCIA. BUSCA DE PROVAS POR MEIO DO PROCEDIMENTO DE DILIGÊNCIA. Indefere-se o pedido de diligência se não pairam dúvidas de natureza técnica sobre o procedimento fiscal, mormente quando se trata a questão de matéria unicamente interpretativa de conceitos legais. Cientificada da decisão de primeira instância em 29/06/2018 (e-fl. 292), a Contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 27/07/2018 (e-fls. 295/307), no qual reprisa os argumentos apresentados na impugnação, especialmente com respeito à aplicação do que decidido no Recurso Especial nº 1.116.399/BA. Adiciona, ainda, argumentos acerca da abusividade da multa aplicada, invoca a Súmula CARF nº 105 e se opõe à cobrança de juros de mora calculados com base na taxa SELIC. Finaliza pleiteando que: Diante de todo o exposto, roga o Contribuinte ora Recorrente, para que seja dado provimento ao presente recurso voluntario, para que o auto de infração seja anulado, em razão dos equívocos cometidos pela Fiscalização, sobretudo pela: a) Consideração de multa de 75% de caráter confiscatório b) Contrariedade a sumula 105 do CARF; c) Utilização de base de cálculo equivocada Fundamental a abertura de diligencias para que se apure com propriedade os argumentos e documentos trazidos pelo Contribuinte. Em 20/08/2024 a Contribuinte peticionou nos autos requerendo que fosse dado o devido prosseguimento ao feito, com julgamento e provimento do Recurso Voluntário interposto. Em 10/06/2025 reiterou o pedido (e-fls. 325/330). VOTO VENCIDO Conselheira Edeli Pereira Bessa, Relatora Em razão da conversão do julgamento em diligência, deixa-se de expor, neste momento, as razões para limitar o conhecimento do recurso voluntário aos argumentos de defesa deduzidos contra as exigências principais de IRPJ e CSLL. Fl. 334DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1004-000.025 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10580.728564/2011-41 5 Neste âmbito, tem-se que depois da decisão de 1ª instância aqui proferida, este Conselho firmou, em entendimento acolhido como vinculante pelo Ministro da Fazenda, que: Súmula CARF nº 142 Aprovada pela 1ª Turma da CSRF em 03/09/2019 Até 31.12.2008 são enquadradas como serviços hospitalares todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, voltadas diretamente à promoção da saúde, mesmo eventualmente prestadas por outras pessoas jurídicas, excluindo- se as simples consultas médicas. Acórdãos Precedentes: 1401-003.024, 1302-002.979, 9101-003.334, 1402-002.173 e 9101-001.559. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 410, de 16/12/2020, DOU de 18/12/2020). Assim, cabe reformar a decisão de 1ª instância quando afirma que no ano- calendário 2008, os serviços prestados pela pessoa jurídica na área de diagnóstico laboratorial não se enquadravam na categoria de "serviços hospitalares". A interpretação que prevaleceu a partir do que decidido no Recurso Especial nº 1.116.399/BA foi no sentido de que a legislação vigente até 31/12/2008 somente permitia afastar as consultas médicas do conceito de “serviços hospitalares”. No presente caso, a autoridade lançadora descreve no Termo de Verificação Fiscal de e-fls. 19/26 que, apesar do objetivo social de “prestação de serviço médico, prestação de assistência médica especializada, de análise e de patologia clínica, e de outros serviços médicos especializados”, a Contribuinte submeteu todas as receitas auferidas ao coeficiente de 8% para determinação do lucro presumido. São referidas notas fiscais contendo na descrição “consulta otorrino” e referentes a “atendimentos médicos” que motivaram questionamentos da autoridade fiscal e resposta da Contribuinte argumentando que as notas fiscais deveriam ser examinadas em conjunto com o prontuário médico, e apresentando guias de serviços para exemplificar sua condição de não se dedicar “tão somente ao oferecimento de consultas médicas, mas à ampla assistência médica ou à saúde, com serviços muito variados”. Neste conjunto de documentos, a autoridade fiscal identificou apenas 2 (duas) guias de nº 00132033 e nº 00132032 de 15/12/2008, mas concluiu que o objeto social da Contribuinte não autorizava a aplicação do coeficiente de 8%. As mencionadas guias, juntadas às e-fls. 181/182, referem serviço de “Mamografia”. Desde a impugnação, a Contribuinte pede a realização de diligência para demonstrar sua dedicação primordial à ampla prestação de serviços de assistência à saúde, ao invés de meras consultas médicas somente. Diz dispor de ampla documentação, que não é passível de juntada aos autos, e lista 70 (setenta) tipos de exames de diagnóstico que realiza, dentre os quais inclui procedimentos em face de lesões de pele e mucosas. Sua pretensão, porém, é ser exonerada do crédito tributário lançado por também realizar aqueles serviços. O quesito assim deduzido em impugnação bem expõe esta pretensão: Fl. 335DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1004-000.025 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10580.728564/2011-41 6 d) Além dos serviços de consultas médicas, segundo os prontuários médicos e os demais documentos técnicos relacionados ao atendimento aos pacientes da impugnante, quais foram os serviços de assistência à saúde prestados pelo contribuinte autuado? Vê-se na DIPJ do ano-calendário 2008 que, apesar de reconhecidamente também prestar serviços de consultas médicas, a Contribuinte submeteu toda a receita bruta auferida ao coeficiente de 8% (e-fl. 70/112). A autoridade lançadora apontou ocorrências desta espécie, mas aplicou o entendimento do art. 27 da Instrução Normativa SRF nº 480/2004, no sentido de que a estrutura da Contribuinte não permitiria a prestação de serviços hospitalares, vez que: Para os fins previstos nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares aqueles prestados por estabelecimentos assistenciais de saúde que dispõem de estrutura material e de pessoal destinada a atender a internações de pacientes e garantir atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, que possuam serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente, durante 24 horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e/ou parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos. Note-se, ainda, que a autoridade lançadora também identificou, dentre as receitas declaradas, valores advindos de Sociedade em Conta de Participações, da qual a Contribuinte é sócia ostensiva. Diante do exposto, deve ser afastada a premissa fiscal de que os serviços de diagnóstico realizados pela Contribuinte não correspondem a serviços hospitalares, sendo desnecessária a diligência para aferição da natureza daqueles serviços, vez que a interpretação da legislação tributária se consolidou no sentido de que todos eles justificam a aplicam do coeficiente de 8%, com exceção das simples consultas médicas, como expresso na ementa do acórdão proferido no RESP nº 1.116.399/BA: 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindo-se as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". De outro lado, desde o procedimento fiscal a Contribuinte é questionada acerca de notas fiscais com descrição de consultas médicas, vez que toda a receita declarada foi submetida ao coeficiente de 8%. Apesar de argumentar que as notas fiscais deveriam ser examinadas em conjunto com o prontuário médico, naquela ocasião a Contribuinte não apresentou o conjunto Fl. 336DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1004-000.025 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10580.728564/2011-41 7 documental que permitiria a segregação do que seriam consultas médicas integradas aos demais serviços prestados e o que seriam “simples consultas médicas”. Em impugnação, a Contribuinte manteve a postura imprecisa, requerendo diligência para verificação dos prontuários médicos a partir dos quais a Impugnante emite notas fiscais de prestação de serviços, porque o exame dos prontuários médicos e demais documentos correlatos permitirá observar a dedicação primordial da Impugnante à ampla prestação de serviços de assistência à saúde, ao invés de meras consultas médicas somente. Os termos em destaque evidenciam que a Contribuinte não nega prestar meras consultas médicas e insiste na afirmação de dedicação preponderante a prestação de serviços cujas receitas se sujeitariam ao coeficiente de 8%, apesar de desde o procedimento fiscal haver a indicação de foram auferidas receitas de consultas médicas, sem que nem mesmo estas tenham sido submetidas ao coeficiente de 32%. Note-se que em recurso voluntário a Contribuinte não renova o pedido de diligência com o mesmo detalhamento apresentado em impugnação, limitando-se a pedir o provimento do recurso e a anulação do lançamento em razão dos equívocos cometidos pela Fiscalização, sobretudo pela utilização de base de cálculo equivocada, apenas mencionando a necessidade de abertura de diligências para que se apure com propriedade argumentos e documentos trazidos pela Contribuinte. Ou seja, em momento algum a Contribuinte se dedicou à prova documental, que não lhe seria complexa, de apresentar as notas fiscais correspondentes às “simples consultas médicas”, dissociadas dos serviços que presta de forma “primordial”, como alegado. Assim, estabelecido o litígio apenas em torno da defesa de que a “dedicação primordial” a serviços de assistência à saúde legitima a aplicação do coeficiente de 8% às receitas auferidas pela Contribuinte, descabe determinar diligência para demonstração de quais receitas auferidas se referem a outras receitas que não sejam “simples consultas médicas”. Nos limites do litígio instaurado pela Contribuinte, é possível julgar o recurso voluntário firmando que o coeficiente de 32% para determinação do lucro presumido, e incidência do IRPJ e da CSLL, deve subsistir sobre as receitas decorrentes de simples consultas médicas, ou seja, decorrente de atividade exercida no âmbito de consultórios médicos, cabendo à autoridade local, encarregada da liquidação do acórdão, determinar os valores de receita bruta que, por não corresponderem a “simples consultas médicas”, não se sujeitam ao coeficiente de 32% aplicado pela autoridade lançadora para determinação do lucro presumido. Conclusão O presente voto, portanto, é por REJEITAR a proposta de diligência do Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli. Assinado Digitalmente Fl. 337DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1004-000.025 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10580.728564/2011-41 8 Edeli Pereira Bessa VOTO VENCEDOR Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli, redator designado Fui designado para redigir o voto vencedor quanto à conversão do julgamento em diligência. Restou demonstrado que a contribuinte, desde a impugnação, requereu diligência nos seguintes termos: A DRJ, porém, indeferiu esse pleito, sustentando que “as atividades da autuada na categoria de “serviços gerais”, incorrendo na alíquota de 32% para a determinação do lucro presumido”. Mais precisamente, aduz que “no ano-calendário 2008, os serviços prestados na área de diagnóstico laboratorial não se enquadravam na categoria de “serviços hospitalares””. Ocorre que, conforme bem aponta o voto ora vencido: Neste âmbito, tem-se que depois da decisão de 1ª instância aqui proferida, este Conselho firmou, em entendimento acolhido como vinculante pelo Ministro da Fazenda, que: Súmula CARF nº 142 Aprovada pela 1ª Turma da CSRF em 03/09/2019 Fl. 338DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1004-000.025 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10580.728564/2011-41 9 Até 31.12.2008 são enquadradas como serviços hospitalares todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, voltadas diretamente à promoção da saúde, mesmo eventualmente prestadas por outras pessoas jurídicas, excluindo-se as simples consultas médicas. Acórdãos Precedentes: 1401-003.024, 1302-002.979, 9101-003.334, 1402-002.173 e 9101-001.559. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 410, de 16/12/2020, DOU de 18/12/2020) Nesse sentido, e considerando que a própria contribuinte afirma sua dedicação primordial à ampla prestação de serviços de assistência à saúde, ao invés de meras consultas médica, é preciso aferir a efetiva natureza das receitas auferidas pela contribuinte no período autuado (2008), uma vez que apenas as decorrentes de “serviços médicos”, que não se confunde com “simples consultas médicas”, é que se sujeitam ao coeficiente de 8%. Dessa forma, necessário a conversão do julgamento em diligência a fim de que a Unidade de Origem intime o Contribuinte a comprovar quais as receitas auferidas se referem a outras receitas que não sejam “simples consultas médicas”. É como voto. Assinado Digitalmente Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 339DF CARF MF Original Resolução Relatório Voto Vencido Voto Vencedor
score : 1.0
Numero do processo: 18130.720043/2020-47
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2016, 2017, 2018, 2019
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REVISÃO ADUANEIRA. REVISÃO DE OFÍCIO. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. NÃO CONFIGURADA.
O lançamento efetuado em sede de revisão aduaneira não caracteriza revisão de ofício, nem tampouco se cogita a possibilidade de alteração de critério jurídico a que se refere o art. 146 do CTN. A revisão aduaneira é um procedimento fiscal, realizado dentro do prazo decadencial de tributos sujeitos ao "lançamento por homologação", e, portanto, compatível com este instituto, mediante o qual se verifica, entre outros aspectos, a regularidade da atividade prévia do importador na declaração de importação em relação à apuração e ao recolhimento dos tributos.
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972.
Assunto: Classificação de Mercadorias
Ano-calendário: 2016, 2017, 2018, 2019
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. FILTROS DE CARBURANTES. NCM 8421.23.00.
Os aparelhos para filtrar combustíveis (diesel) destinados a motores de ignição por centelha ou por compressão classificam-se no código NCM 8421.23.00, por aplicação direta das RGI-1 (texto da posição 84.21) e RGI-6 (texto das subposições 8421.2 e 8421.23).
ARTIGO INCOMPLETO. CARACTERÍSTICA ESSENCIAL. APLICAÇÃO DA RGI-2 A) E NESH CORRESPONDENTE.
O artefato composto por elemento filtrante e carcaça metálica de proteção, ainda que desprovido de cabeçote ou conexões de tubulação, detém a característica essencial do aparelho de filtrar. A ausência de interfaces de montagem não desnatura a identidade do produto, caracterizando-o como artigo incompleto que, por força da RGI-2 a) e do item II de suas Notas Explicativas, deve ser classificado no desdobramento correspondente ao do artigo completo.
DESTINAÇÃO DO PRODUTO. LOCALIZAÇÃO FÍSICA NO VEÍCULO. IRRELEVÂNCIA.
O enquadramento na NCM 8421.23.00 é determinado pela função de filtragem do combustível destinado ao motor, sendo irrelevante se o dispositivo está fixado diretamente no bloco motor ou em outra parte do veículo.
ALTERAÇÃO TEXTUAL DA NCM 8421.23.00. RESOLUÇÃO GECEX Nº 272/2021. NATUREZA MERAMENTE DECLARATÓRIA E ACLARATÓRIA.
A inclusão do termo "carburantes" na redação da NCM 8421.23.00, por força da Resolução Gecex nº 272/2021, constitui aperfeiçoamento da tradução para o vernáculo, visando à harmonização com as versões oficiais do Sistema Harmonizado em inglês (petrol-filters) e espanhol (carburantes). Tal ajuste apenas torna explícita a abrangência da subposição, superando discussões sobre a distinção entre combustíveis e óleos minerais, uma vez que o contexto da Nomenclatura — a exemplo das Notas Explicativas da posição 38.11, que se referem ao diesel e à gasolina como "óleos minerais" — já permitia concluir, mesmo sob a redação anterior, que os aparelhos destinados a filtrar combustíveis de motores encontram-se compreendidos na especificidade da subposição 8421.23.00.
Numero da decisão: 3002-004.225
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidas as conselheiras Gisela Pimenta Gadelha Dantas (relatora) e Neiva Aparecida Baylon, que davam provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Renata Casorla Mascareñas.
Nome do relator: GISELA PIMENTA GADELHA DANTAS
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ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2016, 2017, 2018, 2019 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REVISÃO ADUANEIRA. REVISÃO DE OFÍCIO. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. NÃO CONFIGURADA. O lançamento efetuado em sede de revisão aduaneira não caracteriza revisão de ofício, nem tampouco se cogita a possibilidade de alteração de critério jurídico a que se refere o art. 146 do CTN. A revisão aduaneira é um procedimento fiscal, realizado dentro do prazo decadencial de tributos sujeitos ao "lançamento por homologação", e, portanto, compatível com este instituto, mediante o qual se verifica, entre outros aspectos, a regularidade da atividade prévia do importador na declaração de importação em relação à apuração e ao recolhimento dos tributos. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. Assunto: Classificação de Mercadorias Ano-calendário: 2016, 2017, 2018, 2019 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. FILTROS DE CARBURANTES. NCM 8421.23.00. Os aparelhos para filtrar combustíveis (diesel) destinados a motores de ignição por centelha ou por compressão classificam-se no código NCM 8421.23.00, por aplicação direta das RGI-1 (texto da posição 84.21) e RGI-6 (texto das subposições 8421.2 e 8421.23). ARTIGO INCOMPLETO. CARACTERÍSTICA ESSENCIAL. APLICAÇÃO DA RGI-2 A) E NESH CORRESPONDENTE. O artefato composto por elemento filtrante e carcaça metálica de proteção, ainda que desprovido de cabeçote ou conexões de tubulação, detém a característica essencial do aparelho de filtrar. A ausência de interfaces de montagem não desnatura a identidade do produto, caracterizando-o como artigo incompleto que, por força da RGI-2 a) e do item II de suas Notas Explicativas, deve ser classificado no desdobramento correspondente ao do artigo completo. DESTINAÇÃO DO PRODUTO. LOCALIZAÇÃO FÍSICA NO VEÍCULO. IRRELEVÂNCIA. O enquadramento na NCM 8421.23.00 é determinado pela função de filtragem do combustível destinado ao motor, sendo irrelevante se o dispositivo está fixado diretamente no bloco motor ou em outra parte do veículo. ALTERAÇÃO TEXTUAL DA NCM 8421.23.00. RESOLUÇÃO GECEX Nº 272/2021. NATUREZA MERAMENTE DECLARATÓRIA E ACLARATÓRIA. A inclusão do termo "carburantes" na redação da NCM 8421.23.00, por força da Resolução Gecex nº 272/2021, constitui aperfeiçoamento da tradução para o vernáculo, visando à harmonização com as versões oficiais do Sistema Harmonizado em inglês (petrol-filters) e espanhol (carburantes). Tal ajuste apenas torna explícita a abrangência da subposição, superando discussões sobre a distinção entre combustíveis e óleos minerais, uma vez que o contexto da Nomenclatura — a exemplo das Notas Explicativas da posição 38.11, que se referem ao diesel e à gasolina como "óleos minerais" — já permitia concluir, mesmo sob a redação anterior, que os aparelhos destinados a filtrar combustíveis de motores encontram-se compreendidos na especificidade da subposição 8421.23.00.
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REVISÃO ADUANEIRA. REVISÃO DE OFÍCIO. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. NÃO CONFIGURADA. O lançamento efetuado em sede de revisão aduaneira não caracteriza revisão de ofício, nem tampouco se cogita a possibilidade de alteração de critério jurídico a que se refere o art. 146 do CTN. A revisão aduaneira é um procedimento fiscal, realizado dentro do prazo decadencial de tributos sujeitos ao "lançamento por homologação", e, portanto, compatível com este instituto, mediante o qual se verifica, entre outros aspectos, a regularidade da atividade prévia do importador na declaração de importação em relação à apuração e ao recolhimento dos tributos. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. Assunto: Classificação de Mercadorias Ano-calendário: 2016, 2017, 2018, 2019 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. FILTROS DE CARBURANTES. NCM 8421.23.00. Os aparelhos para filtrar combustíveis (diesel) destinados a motores de ignição por centelha ou por compressão classificam-se no código NCM 8421.23.00, por aplicação direta das RGI-1 (texto da posição 84.21) e RGI-6 (texto das subposições 8421.2 e 8421.23). ARTIGO INCOMPLETO. CARACTERÍSTICA ESSENCIAL. APLICAÇÃO DA RGI-2 A) E NESH CORRESPONDENTE. Fl. 16494DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.225 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 18130.720043/2020-47 2 O artefato composto por elemento filtrante e carcaça metálica de proteção, ainda que desprovido de cabeçote ou conexões de tubulação, detém a característica essencial do aparelho de filtrar. A ausência de interfaces de montagem não desnatura a identidade do produto, caracterizando-o como artigo incompleto que, por força da RGI-2 a) e do item II de suas Notas Explicativas, deve ser classificado no desdobramento correspondente ao do artigo completo. DESTINAÇÃO DO PRODUTO. LOCALIZAÇÃO FÍSICA NO VEÍCULO. IRRELEVÂNCIA. O enquadramento na NCM 8421.23.00 é determinado pela função de filtragem do combustível destinado ao motor, sendo irrelevante se o dispositivo está fixado diretamente no bloco motor ou em outra parte do veículo. ALTERAÇÃO TEXTUAL DA NCM 8421.23.00. RESOLUÇÃO GECEX Nº 272/2021. NATUREZA MERAMENTE DECLARATÓRIA E ACLARATÓRIA. A inclusão do termo "carburantes" na redação da NCM 8421.23.00, por força da Resolução Gecex nº 272/2021, constitui aperfeiçoamento da tradução para o vernáculo, visando à harmonização com as versões oficiais do Sistema Harmonizado em inglês (petrol-filters) e espanhol (carburantes). Tal ajuste apenas torna explícita a abrangência da subposição, superando discussões sobre a distinção entre combustíveis e óleos minerais, uma vez que o contexto da Nomenclatura — a exemplo das Notas Explicativas da posição 38.11, que se referem ao diesel e à gasolina como "óleos minerais" — já permitia concluir, mesmo sob a redação anterior, que os aparelhos destinados a filtrar combustíveis de motores encontram-se compreendidos na especificidade da subposição 8421.23.00. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidas as conselheiras Gisela Pimenta Gadelha Dantas (relatora) e Neiva Aparecida Baylon, que davam provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Renata Casorla Mascareñas Fl. 16495DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.225 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 18130.720043/2020-47 3 Assinado Digitalmente GISELA PIMENTA GADELHA DANTAS – Relator Assinado Digitalmente Renata Casorla Mascareñas – Redatora designada Assinado Digitalmente Renato Câmara Ferro Ribeiro de Gusmão – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Adriano Monte Pessoa, Gisela Pimenta Gadelha Dantas, Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha, Neiva Aparecida Baylon, Renata Casorla Mascareñas, Renato Câmara Ferro Ribeiro de Gusmão (Presidente) RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão da C. DRJ, que, por unanimidade de votos julgou improcedente a impugnação e manteve o lançamento de Imposto de Importação – II, IPI, Cofins-importação, e multa aduaneira, referentes a Declarações de Importações registradas entre março/2016 e novembro/2019. Pela precisão com que trata a matéria, transcrevo o relatório adotado pela C. DRJ: “Conforme o Fisco, o contribuinte foi cientificado do presente procedimento fiscal consistente na auditoria de tributos incidentes sobre comércio exterior nas operações de importação de mercadorias estrangeiras descritas pela empresa como “FILTRO DE COMBUSTÍVEL” e “FILTRO SEPARADOR DE UMIDADE, UTILIZADO PARA FILTRAR COMBUSTÍVEL DE CAMINHÕES”, por ela classificadas no código tarifário NCM 8421.29.90, sendo intimada a responder se todos os filtros são utilizados para combustíveis e quais seriam estes, obtendo como resposta que todos são filtros para diesel. A Fiscalização afirma que a classificação fiscal para a mercadoria FILTRO DE COMBUSTÍVEL para filtrar os combustíveis seja a GASOLINA ou o ÓLEO, nos motores de ignição por centelha e por compressão, respectivamente, deve fazer-se no código 8421.23.00 da NCM. A DAF fez constar nas declarações de importação que importou filtros de combustível para revenda e para aplicação (industrialização) nos veículos que fabrica. O Imposto de Importação – II incide sobre as duas operações com a mesma alíquota de 16% para a NCM 8421.23.00, contra a alíquota de 14% utilizada pela empresa, sendo lançada a diferença de recolhimento do II. Quanto ao IPI, para os filtros importados para revenda não há a suspensão, sendo o imposto devido e lançada a diferença não recolhida, calculada à Fl. 16496DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.225 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 18130.720043/2020-47 4 alíquota de 8% prevista. Quanto à COFINS, nas declarações de importação 17/1145223-0 e 17/1220760-3, a DAF fez uso da alíquota de 9,65% e não a de 10,65% como determina o § 21 do art. 9º da Lei nº 10.865/2004, sendo lançada a diferença de recolhimento do tributo. A classificação incorreta da mercadoria importada implica a penalidade de multa ao importador/responsável, conforme dicção do art. 711 do Regulamento Aduaneiro-RA, Decreto 6.759/2009, tendo sido lançada. Disso resultou a cobrança de Imposto sobre a Importação, IPI e COFINS, com seus devidos acréscimos legais, além da multa por classificação incorreta, conforme demonstrativos abaixo: (...) Cientificada do lançamento, a interessada apresentou impugnação, alegando, em síntese, que a fiscalização ao lavrar o auto de infração: - Limitou-se a analisar 6 dos 11 part numbers autuados, 0915063, filtro de combustível, próprio para filtrar impurezas, confeccionado em plástico poliamida 6, de forma cilíndrica, com elemento filtrante de papel em seu interior, para caminhões de transporte rodoviário, 1433649, filtro de combustível separador de água (racor), utilizado no sistema de filtragem de caminhões de transporte rodoviário. contendo 8 unidades, 1533849, filtro rotativo de combustível, acompanhado de anel de borracha para vedação, utilizado para depurar líquidos para remoção de impurezas, utilizado em caminhões de transportes rodoviários, 0915470, elemento filtrante de combustível, constituído de papel utilizado para reter impurezas, sendo parte do filtro de combustível de caminhão de transporte rodoviário, 1861881, filtro separador de umidade, utilizado para filtrar combustível de caminhões de transporte rodoviário, e 0915563, filtro sedimentador de água, composto de elemento filtrante de papel, carcaça externa metálica e vedações de borracha, utilizado na linha de combustível de motores de caminhões de transporte rodoviário. - Não utilizou Laudo Técnico para embasamento do AIIM, sendo o Auto de Infração lavrado com base em meras suposições, utilizando-se de argumentos desprovidos de conhecimento técnico. - Não observou que a classificação tarifária indicada não pode ser considerada correta, pois [a] os itens autuados, que não foram analisados em sua integralidade pela Fiscalização, não podem ser considerados como filtros completos, pela falta de componentes essenciais ao desenvolvimento de sua função de filtragem, inclusive de acordo com as Soluções de Consulta COSIT n. 98.305 e 98.306 de 04 de novembro de 2020 e Solução de Consulta COANA n. 017 de 10 de setembro de 2014, por meio das quais identifica-se que todos os filtros considerados completos, classificados no código NCM pretendido pela Fiscalização, possuem conectores além do elemento filtrante; [b] os itens autuados podem ser aplicados em diferentes partes dos veículos, incluindo, mas não limitado ao motor, o que descaracterizaria a posição pretendida pela Fiscalização; e [c] a discussão em torno do título da subposição de segundo nível 8421.23, que quando comparado às versões oficiais do Sistema Harmonizado (inglês e francês) abre margem para questionamentos sobre a inclusão de filtros para combustíveis nesta subposição, ou se esta seria aplicável apenas para óleos lubrificantes, sendo que o ajuste na versão em língua portuguesa deve ser endereçado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), órgão competente para promovê-lo ou para encaminhá-lo à Organização Mundial das Alfândegas, sem que gere ônus ao contribuinte. - Não analisou diversos part numbers autuados, 0915062, filtro sedimentador de agua, composto de elemento filtrante de papel, carcaça externa metálica e vedações de borracha, utilizado na linha de combustível de motores de caminhões de transporte rodoviário, 1533916, filtro de combustível separador de agua (racor), utilizado no sistema de filtragem de veículos rodoviários de transporte de cargas, 0915467, filtro de combustível, utilizado para reter as impurezas do combustível em caminhões de transporte rodoviário, 0915472, filtro de combustível, utilizado para reter as impurezas do Fl. 16497DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.225 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 18130.720043/2020-47 5 combustível em caminhões de transporte rodoviário, 1540148, filtro de combustível separador de agua (racor), utilizado no sistema de filtragem de caminhões de transporte rodoviário, 1814637, filtro de combustível separador de agua (racor), utilizado no sistema de filtragem de caminhões de transporte rodoviário, e 1529639, filtro de combustível separador de agua (racor), utilizado no sistema de filtragem de veículos rodoviários de transporte de cargas. Além disso, argumenta que: - O Parecer da RGC define que os itens representados pelos PNs 0915062, 0915063, 0915467, 0915472, 0915563, 1433649, 1529639, 1533849, 1533916, 1540148 e 1814637 não possuem, sozinhos, a capacidade de receber o fluido a ser filtrado, no caso diesel. Para isso, eles necessitam de outros itens, os quais também compõem o filtro. - A carcaça metálica do produto realiza apenas a função de proteção ao elemento filtrante e, sendo assim, a simples junção de elemento filtrante com a carcaça metálica não pode, por si só, ser considerada como filtro completo, apto a exercer a função filtrante, sendo que tal entendimento está consubstanciado no Parecer emitido pela RGC, que dispõe que os dispositivos em questão são montados no filtro, não sendo, portanto, o filtro em si: ”Os dispositivos para filtrar diesel montados no filtro sedimentador, representados pelos PNs 0915062, 0915063, 0915467, 0915472, 0915563, 1433649, 1529639, 1533916, 1540148 e 1814637, são compostos por elemento filtrante em composto de celulose e carcaça metálica de proteção”. - O cabeçote é acompanhado de uma bomba manual, fundamental para forçar o fluxo do combustível ao filtro, para execução da filtragem, sendo essencial, ainda, o acompanhamento de um recipiente para coleta da água após a filtragem, uma vez que o objetivo final do processo é a separação dessa substância do diesel, então, sem o acompanhamento de tais itens (bomba manual e recipiente para coleta), impossível concluir que a classificação no código NCM 8421.23.00 é adequado, uma vez que sem tais itens, o filtro não está completo para exercer sua função. - As Soluções de Consulta COSIT n. 98.305 e 98.306 de 04 de novembro de 2020 e Solução de Consulta COANA n. 017 de 10 de setembro de 2014, que exaram entendimento sobre classificação fiscal de filtros classificados no código NCM 8421.23.00, consideram que “filtros completos”, para serem assim considerados, devem possuir, além do elemento filtrante, conectores de entrada e saída, o que não é o caso dos itens em questão. - As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH – II, A) do Capítulo, as descrições dos exemplos de filtros completos também incluem conectores, tubulações e outras partes necessárias à execução da filtragem ou depuração de líquidos ou gases, o que mais uma vez reforça não ser o caso em questão. Vejamos: (...) 4) Os filtros-depuradores de água para caldeiras, de ação física ou mecânica, geralmente constituídos por um grande recipiente cilindro-cônico, guarnecido interiormente de várias camadas sobrepostas de diversas matérias filtrantes e comportando, além dos tubos de entrada e de saída de água, um sistema de canalização e válvulas que permite remover as impurezas das matérias filtrantes por meio de uma contracorrente de água. (...) 7) Os filtros de cápsulas, que funcionam também a vácuo e que são constituídos por uma série de pequenos cilindros ou “cápsulas”, dos quais ambas as bases são guarnecidas de superfícies filtrantes. Mergulhadas no líquido a filtrar, as cápsulas ligam-se a uma canalização comum que se comunica com um recipiente coletor fechado, mantido sob pressão inferior a ambiente. - O Parecer indica que os produtos podem ser aplicados em diferentes partes dos veículos, incluindo, mas não limitado ao motor, o que descaracterizaria a posição pretendida pela Fl. 16498DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.225 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 18130.720043/2020-47 6 Fiscalização, podendo ser montados na cabine ou no chassi, no trecho: “Os itens representados pelos PNs 0915062, 0915063, 0915467, 0915472, 0915563, 1433649, 1529639, 1533916, 1540148 e 1814637 são utilizados em filtros sedimentadores, também conhecidos por pré-filtro, já que existe um segundo filtro montado no motor para a filtragem do diesel. O local de montagem deste tipo de filtro no caminhão varia de acordo com o desenvolvimento e processo produtivo de cada fabricante, podendo ser montado no chassi, na cabine ou no próprio motor do caminhão, o importante é que seja localizado no fluxo entre o tanque de combustível e o filtro de diesel do motor. Os PNs 0915467, 1433649, 1533916, 1540148 e 1814637, utilizados em filtros sedimentadores, não são montados em motores, mas sim no chassi ou cabine dos veículos caminhões. Já os itens representados pelos PNs 0915062, 0915063, 0915472, 0915563 e 1529639, também destinados a filtros sedimentadores, são montados em motor de ignição por compressão, por opção do fabricante. Para estes casos, existem 2 filtros de combustível montados no motor. Já o PN 1533849 é montado em motor de ignição por compressão e não há outra alternativa de local para sua montagem.” - O CARF entendeu como correta a NCM 8421.29.90 para o filtro de combustível, mencionando laudo do IPT que não trata os combustíveis como óleos minerais. - Não poderia ter havido mudança de critério jurídico por ter sido aceita a classificação fiscal utilizada. - A Fiscalização deixou de solicitar a confecção de laudo técnico para poder confirmar o suposto erro de classificação fiscal das mercadorias importadas pela Impugnante e, ao mesmo tempo, confirmar aquela classificação que entende como correta, ausência esta que, nos termos das decisões proferidas pela própria Receita Federal, configura a manutenção da classificação indicada pelo importador. - É imprescindível a elaboração de laudo pericial técnico para que haja a reclassificação fiscal da mercadoria, pois, uma vez ausente, a classificação fiscal do importador deve ser mantida, conforme o entendimento da própria Receita Federal do Brasil em acórdão proferido. - É indevida a aplicação da multa administrativa de controle aduaneiro de 1% (um por cento) sobre o valor aduaneiro das mercadorias, prevista no artigo 711, inciso I, do Decreto nº 6.759/09, pela suposta classificação incorreta na NCM, motivo pelo qual requer seja afastada a cobrança de referida multa em razão de clara existência de dúvida acerca da materialidade da infração cometida, conforme dispõe o art. 112 do Código Tributário Nacional. - Requer o provimento à presente Impugnação para declarar a insubsistência do lançamento, eis que consubstanciado em alegações errôneas, não embasadas por laudo técnico, por todos os argumentos e documentos produzidos na presente Impugnação, determinando-se, por fim, o arquivamento do presente processo.” Em julgamento, a C. 17 Turma da DRJ08, proferiu o acórdão nº 108-041.435, que julgou improcedente a impugnação, conforme ementa abaixo: “Assunto: Classificação de Mercadorias Ano-calendário: 2016, 2017, 2018, 2019 Filtro para óleo diesel. “FILTRO DE COMBUSTÍVEL” e “FILTRO SEPARADOR DE UMIDADE, UTILIZADO PARA FILTRAR COMBUSTÍVEL DE CAMINHÕES” apresentam correta NCM 8421.23.00, referente a aparelhos para filtrar óleos minerais nos motores de ignição por centelha (faísca) ou por compressão”. Fl. 16499DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.225 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 18130.720043/2020-47 7 Irresignado, o Contribuinte, interpôs Recurso Voluntário no qual alega, preliminarmente, I - a nulidade do lançamento em razão: a- da impossibilidade de mudança do critério jurídico; b – em razão da falta de prova técnica a cargo da fiscalização; c – em razão da autuação baseada em mera presunção; e, II – no mérito, a improcedência do lançamento. É o relatório. VOTO VENCIDO Conselheira Gisela Pimenta Gadelha Dantas, Relatora O recurso voluntário é tempestivo, reúne os pressupostos legais de admissibilidade, portanto, dele conheço. Da preliminar de nulidade Da Impossibilidade de mudança do critério Jurídico delimitador da NCM e a ofensa ao artigo 146 do CTN. Alega a Recorrente que “realizou centenas de operações de importação pretéritas com a utilização da Classificação Fiscal nº 8421.29.90; tendo referidas importações sido invariavelmente parametrizadas tanto nos canais “verde, amarelo e vermelho”. Aduz que, em razão do comportamento do fisco no decorrer dos anos, estaria acertado o critério jurídico de utilização da NCM nº 8421.29.90, e que a revisão de tal critério, violaria o disposto no artigo 146, do CTN. E segue afirmando que: “A partir dessas razões de fato e respectivos fundamentos jurídicos, a Recorrente entende que não seria possível a mudança de critério jurídico por uma autoridade fiscal de igual hierarquia àquela que efetivamente deferiu os desembaraços aduaneiros pretéritos, havendo falta de competência para referido ato de “reclassificação” do produto importado, em ofensa não só ao artigo 149 do Código Tributário Nacional – CTN, além de caracterizar indevida mudança de critérios jurídicos que não poderiam produzir efeitos retroativos, sob pena de afrontar ao preceito contido no artigo 146 do mesmo Diploma Legal. 9. Com efeito, cada uma das Declarações de Importação que foram levadas a efeito pela Recorrente no período de 2016 a 2019, equivalem a um “lançamento por homologação”, de modo que, sendo deferido o desembaraço sob a parametrização no “canal verde”, referida atividade por parte da Autoridade fiscal acaba deixando precária a homologação expressa da atividade de lançamento realizada pelo importador. No entanto, ao ser parametrizada em “canal amarelo”, com conferência documental, ou em “canal vermelho”, com conferência documental e física do produto importado, essa Fl. 16500DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.225 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 18130.720043/2020-47 8 atividade da autoridade fiscal aduaneira representa uma homologação expressa da parte documental do lançamento do contribuinte (“canal amarelo”) ou também da parte física do produto importado (“canal vermelho”). Desse modo, havendo essa homologação do “autolançamento” efetivado pelo importador, em nível físico do produto importado, por parte da autoridade competente, restou fixado um critério jurídico que vincula o importador e a Administração Tributária e Aduaneira, inclusive respaldando as importações anteriores, de produtos idênticos.” Dispõe o art. 146 do CTN: "A modificação introduzida, de ofício ou em consequência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução." O dispositivo em análise consagra, como regra, a imutabilidade do lançamento tributário após a regular notificação ao sujeito passivo. Com efeito, admitir que a Administração Tributária, após a notificação do lançamento, pudesse reexaminar o caso e promover sua alteração com o objetivo de ampliar a exação significaria autorizar verdadeira mudança de critério jurídico no exercício da atividade de lançamento, o que é vedado pelo ordenamento jurídico. A reinterpretação da norma que embasou o lançamento somente pode produzir efeitos em relação a fatos geradores ocorridos posteriormente à alteração do critério interpretativo, em estrita observância ao princípio da irretroatividade, em lógica equivalente àquela aplicável às alterações legislativas. Dessa forma, o dispositivo sob exame encontra sólido fundamento no princípio da legalidade, assegurando a previsibilidade das relações jurídico-tributárias e a segurança jurídica, valores essenciais à estabilidade do sistema tributário e à proteção da confiança legítima do contribuinte. Ocorre que, no caso, a imposição da NCM na DI, ainda que não questionada pela d. Autoridade Fiscal, não é critério jurídico adotado pelo Fisco, mas tão somente informação promovida pelo contribuinte, passível, por óbvio, de questionamento. Nesse exato sentido é o acórdão nº 3301-014.086, da C. 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA: “NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REVISÃO ADUANEIRA. REVISÃO DE OFÍCIO. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. NÃO CONFIGURADA. O lançamento efetuado em sede de revisão aduaneira não caracteriza revisão de ofício, nem tampouco se cogita a possibilidade de alteração de critério jurídico a que se refere o art. 146 do CTN. A revisão aduaneira é um procedimento fiscal, realizado dentro do prazo decadencial de tributos sujeitos ao "lançamento por homologação", e, portanto, compatível com este instituto, mediante o qual se verifica, entre outros aspectos, a regularidade da atividade prévia do importador na declaração de importação em relação à apuração e ao recolhimento dos tributos.” Em seu voto condutor, o Ilmo. Conselheiro Bruno Minoru Taki, assim expôs de forma precisa e clara: Fl. 16501DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.225 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 18130.720043/2020-47 9 “Ocorre que a Recorrente, para sustentar a sua tese, parte de premissa equivocada, onde considera que o desembaraço aduaneiro seria ato da Administração Aduaneira onde a autoridade fiscal anuncia a concordância com todos os termos ali dispostos. Essa colocação, contudo, merece reparo, isto porque, primeiro, a NCM descrita na DI não é critério jurídico adotado pelo Fisco, mas mera informação provida pelo próprio contribuinte, passível de posterior questionamento. Segundo, porque o despacho aduaneiro não é ato que equivale à homologação do lançamento sendo esse papel, por fim, atribuído à revisão aduaneira, que se presta a conferir não só erros de fato quanto os de direito, vez que não há nenhuma limitação nesse sentido imposta pelo artigo 54 do Decreto-lei nº 37/1966, verbis: Art.54 - A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art.44 deste Decreto-Lei.” Neste mesmo sentido, é a vasta jurisprudência deste C. CARF: “Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2012, 2013 (...) DESEMBARAÇO. REVISÃO ADUANEIRA. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. NÃO CONFIGURADA. O lançamento efetuado em sede de revisão aduaneira não configura alteração de critério jurídico a que se refere o art. 146 do CTN. A revisão aduaneira é um procedimento fiscal, realizado dentro do prazo decadencial de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, mediante o qual se verifica, entre outros aspectos, a regularidade da atividade prévia do importador na declaração de importação em relação à apuração e ao recolhimento dos tributos. (Processo nº 11762.720058/2011-39. Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/02/2006 REVISÃO ADUANEIRA. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. O lançamento efetuado em sede de revisão aduaneira não caracteriza revisão de ofício, tampouco se cogita a possibilidade de alteração de critério jurídico a que se refere o artigo 146 do Código Tributário Nacional. A revisão aduaneira é um procedimento fiscal, realizado dentro do prazo decadencial de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, e, portanto, compatível com este instituto, mediante o qual se verifica, entre outros aspectos, a regularidade da atividade prévia do importador na Declaração de Importação em relação à apuração e ao recolhimento dos tributos. (Processo nº 11128.002188/2010- 91. Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção.) Pelo exposto, rejeito a preliminar de nulidade do lançamento em razão da suposta alteração de critério jurídico em revisão aduaneira. Da nulidade por falta de prova técnica a cargo da fiscalização e da nulidade da autuação fundada em mera presunção simples. Fl. 16502DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.225 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 18130.720043/2020-47 10 Alega a Recorrente que a d. Autoridade Fiscal não teria produzido a prova pericial necessária para a demonstração das características técnicas da mercadoria e sua destinação de forma a embasar o correto enquadramento na NCM apontada como correta no lançamento. Além disso, alega que o auto de infração seria nulo na medida em que teria se fundamentado em mera presunção simples. Aduz que: “Logo, há inconteste nulidade no ato de lançamento em razão da falta de Laudo Técnico juntado pela Fiscalização suficiente a sustentar a correção da classificação fiscal indicada na autuação, providência indispensável a justificar a diferença de tributos apontada como devida e a incidência da multa aplicada. Como sabido, a reclassificação fiscal exige análise técnica da natureza, composição e constituição do produto, não basta apenas que a Fiscalização apresente o seu entendimento sobre a descrição formulada pela importadora, mas sim incumbe-lhe o ônus da prova, cumprido através da apresentação de elementos técnicos que sustentem a classificação atribuída pela Administração, afastando aquela empregada pelo contribuinte. (...) Todo lançamento de ofício ou auto de infração contém motivo: a ocorrência do fato imponível (artigo 114 do CTN). E deve conter, necessariamente, a motivação: o discurso justificador, isto é: a demonstração da ocorrência desse fato mediante prova inequívoca. Por isso, a motivação somente alcança seus fins por intermédio da prova, não havendo campo para presunção. É na motivação que se cuida de demonstrar a efetiva existência do motivo, cuja prova incumbe à Fiscalização. Nas hipóteses de mera indicação de sujeição passiva sem que o Fiscal autuante se preocupe em provar a infração, como no caso presente em que ausente informação técnica a cargo da Fiscalização indicando os critérios pelos quais entende incorreta a classificação indicada pela Recorrente, carece de suporte fático a autuação por CARÊNCIA DE MOTIVAÇÃO.” Em que pese o argumento da Recorrente, entendo que a questão da produção de provas é matéria de mérito e que a falta de laudo técnico que respalde a classificação adotada, quando muito tornaria o Auto de Infração improcedente e não nulo. No caso, o relatório fiscal (fls. 140/181) é bastante robusto e expõe de forma clara os fundamentos do lançamento. Não há qualquer prejuízo ao ser exercício da ampla defesa. Assim, entendo que não assiste razão a Recorrente. As hipóteses de nulidade da autuação fiscal são aquelas elencadas no artigo 59, I e II, do Decreto n.° 70.235/1972, conforme se confere abaixo: “Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” Fl. 16503DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.225 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 18130.720043/2020-47 11 Verifico, assim, que o presente caso não se enquadra em nenhuma das hipóteses em que a legislação tributária autoriza a nulidade do lançamento fiscal. O ato foi lavrado por agente fiscal competente e, de igual forma, não vejo preterição do direito de defesa, ou ausência de motivação, eis que a d. Autoridade Fiscal fundamenta o lançamento fiscal de forma clara e objetiva. Assim, mesmo que a Recorrente discorde do lançamento fiscal e de suas razões, entendo que a autuação está fundamentada e devidamente justificada. Rejeito, portanto, a preliminar de nulidade. Mérito No mérito, a controvérsia gira em torno da correta classificação fiscal dos produtos importados, se pelo código NCM 8421.29.90, como pretende a Recorrente, ou 8421.23.00, como entende correta a d. Autoridade Fiscal. As mercadorias importadas são as seguintes: (Part Numbers): A NCM assim descreve as classificações fiscais em questão: Fl. 16504DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.225 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 18130.720043/2020-47 12 8421 – CENTRIFUGADORES, INCLUÍDOS OS SECADORES CENTRÍFUGOS; APARELHOS PARA FILTRAR OU DEPURAR LÍQUIDOS OU GASES 8421.2 – Aparelhos para filtrar ou depurar líquidos 8421.23.00 -- Para filtrar óleos minerais nos motores de ignição por centelha (faísca) ou por compressão 8421.29 – Outros 8421.29.20 – Aparelho de osmose inversa 8421.29.30 – Filtros-prensa 8421.29.90 – Outros A Recorrente alega que não teria importado filtros completos, e que por isso não seria aplicável a posição NCM 8421.23.00 descrito na Tarifa Externa Comum (TEC) como “Centrifugadores, incluindo os secadores centrífugos; aparelhos para filtrar ou depurar líquidos, para filtrar óleos minerais nos motores de ignição por centelha (faísca*) ou por compressão”, mas sim a posição específica 8421.29.90 em relação aos componentes de filtros interiorizados no território nacional (outros): 36. Aliás, o vazio técnico das alegações do Auditor Fiscal autuante é flagrante quando estende os conceitos e distorce a própria descrição dos bens importados, os quais, na forma evidenciada e apurada por profissional técnico, não podem ser considerados como filtros completos, pela falta de componentes essenciais ao desenvolvimento de sua função de filtragem, inclusive de acordo com as Soluções de Consulta COSIT nº 98.305 e 98.306 de 4 de novembro de 2020 e Solução de Consulta COANA nº 017 de 10 de setembro de 2014, por meio das quais identifica-se que todos os filtros considerados completos, classificados no código NCM pretendido pela Fiscalização, possuem conectores além do elemento filtrante. Referido traço distintivo é determinante para afastar de plano a conclusão fazendária, que os itens autuados podem ser aplicados em diferentes partes dos veículos, incluindo, mas não limitado ao motor, o que descaracterizaria por completo a posição sustentada pela Fiscalização. (...) O traço distintivo está na consideração pela Fiscalização Aduaneira de que uma vez que o elemento filtrante destina-se à filtragem de diesel, é recoberto por carcaça metálica e já possui as vedações de borracha, o produto já se encontra preparado para instalação em veículos e, por tal característica, poderia exercer a função de filtrar o combustível em questão, enquadrando-se no código NCM 8421.23.00 relativo aos “aparelhos para filtrar ou depurar líquidos, para filtrar óleos minerais nos motores de ignição por centelha (faísca*) ou por compressão”. Outros itens questionados pela Fiscalização foram os descritos nas Declarações de Importação como “FILTRO DE COMBUSTIVEL SEPARADOR DE ÁGUA (RACOR), UTILIZADO NO SISTEMA DE FILTRAGEM DE CAMINHOES DE TRANSPORTE RODOVIARIO” cuja classificação fiscal indicada pela Recorrente igualmente se referia a “outros aparelhos para filtrar ou depurar líquidos ou gases”, no código NCM 8421.29.90. Em seu entendimento, no entanto, a Fiscalização considerou que uma vez que o elemento filtrante é recoberto por carcaça metálica, o produto já se encontra preparado para instalação em veículos e pode exercer a função de filtrar o combustível, mesmo sem estar acompanhado do cabeçote, nem tampouco do recipiente para eliminação da água que foi separada do combustível, classificando-se no código NCM 8421.23.00, qual seja, Fl. 16505DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.225 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 18130.720043/2020-47 13 “aparelhos para filtrar ou depurar líquidos, para filtrar óleos minerais nos motores de ignição por centelha (faísca*) ou por compressão”. (...) 41. A Recorrente reforça que a carcaça metálica do produto realiza apenas a função de proteção ao elemento filtrante e, sendo assim, a simples junção de elemento filtrante com a carcaça metálica não pode, por si só, ser considerada como filtro completo, apto a exercer a função filtrante. Tal entendimento está consubstanciado no Parecer Técnico acima destacado, que dispõe que OS DISPOSITIVOS EM QUESTÃO SÃO MONTADOS NO FILTRO, não correspondendo, portanto, ao filtro em si, confirmando, com isso, a posição NCM 8421.29.90: (...) Ainda nesta linha, importa esclarecer que o cabeçote é acompanhado de uma bomba manual, fundamental para forçar o fluxo do combustível ao filtro, para execução da filtragem. É essencial, ainda, o acompanhamento de um recipiente para coleta da água após a filtragem, uma vez que o objetivo final do processo é a separação dessa substância do diesel. Desta forma, sem o acompanhamento de tais itens (bomba manual e recipiente para coleta), impossível concluir que a classificação no código NCM 8421.23.00 é adequado, uma vez que sem tais itens, o filtro não está completo para exercer sua função. 42. Ademais, as Soluções de Consulta COSIT nº 98.305 e 98.306 de 4 de novembro de 2020 e Solução de Consulta COANA nº 017 de 10 de setembro de 2014, que exaram entendimento sobre classificação fiscal de filtros classificados no código NCM 8421.23.00, consideram que “filtros completos”, para serem assim considerados, devem possuir, além do elemento filtrante, conectores de entrada e saída, o que não é o caso dos itens importados pela Recorrente e objeto da autuação, senão veja-se: Ao analisar tais argumentos a C. DRJ, assim entendeu: A Impugnante urdiu ainda a tese de que o código NCM 8421.23.00 somente diria respeito e poderia ser utilizado para os produtos (filtros) destinados a filtrar óleos minerais localizados nos motores, e como a localização do filtro não é diretamente atrelado ao corpo do motor, esta não poderia ser aceita como correta. Tal entendimento não prospera. Isto porque o texto da posição 8421.23.00 apenas menciona que o produto é destinado a filtragem de óleos minerais nos motores de ignição por centelha ou por compressão, independentemente de sua localização física estar diretamente fixada no bloco do motor ou em outro lugar qualquer do veículo (tanque de combustível, compartimento do motor, assoalho do carro, etc). Desde que filtre os combustíveis dos motores, pouco importa sua localização. Portanto, por se tratarem as mercadorias de filtros de combustíveis, estes, tais como a gasolina e o diesel, constituem-se espécies de óleos minerais, razão pela qual, com base nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado RGI 1 (texto da posição 84.21) e RGI 6 (textos da subposição de primeiro nível 8421.2 e da subposição de segundo nível 8421.23.00) da NCM constante da Tarifa Externa Comum (TEC), aprovada pela Resolução Gecex nº 272, de 2021, e da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi), aprovada pelo Decreto nº 11.158, de 2022, a mercadoria classifica- se no código NCM 8421.23.00. A adoção pelo importador do código residual 8421.29.90 (OUTROS) implicaria afirmar que o SH não teve o interesse de vincular um código específico para os filtros de combustíveis (diesel e gasolina) aplicados em motores de ignição por centelha e compressão, apesar da relevância do controle, produção e comercialização dessa mercadoria. Ainda, relegando tais mercadorias para o código residual 8421.29.90, sequer teria havido harmonia e Fl. 16506DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.225 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 18130.720043/2020-47 14 coerência na alocação dessas mercadorias nesse pretendido código do SH/NCM, porque o desdobramento onde elas se posicionariam não tem vinculação propriamente com os motores de ignição por centelha ou compressão, vale dizer, o código 8421.29.90 (OUTROS) não representa um desdobramento lógico e coerente do 8421.23.00. A interessada afirma que as Soluções de Consulta COSIT n. 98.305 e 98.306 de 04 de novembro de 2020 e Solução de Consulta COANA n. 017 de 10 de setembro de 2014, que exaram entendimento sobre classificação fiscal de filtros classificados no código NCM 8421.23.00, consideram que “filtros completos”, para serem assim considerados, devem possuir, além do elemento filtrante, conectores de entrada e saída. Fato é que as Soluções de Consulta elencadas colocam os filtros para combustíveis na NCM 8421.23.00, mas em momento algum exigem que haja conectores de entrada e saída. Casualmente, os produtos apreciados nos casos em questão possuíam tais elementos, entretanto, tratam de filtros para gasolina, o que não é o caso dos autos, uma vez que se trata de motores diesel. Já não constam os conectores de entrada e saída na Solução de Consulta Cosit nº 98.249, de 27/10/2022, já citada neste Acórdão, que trata do filtro de combustível, formado por elemento filtrante, sistema de vedação, encapsulamento metálico rosqueável, diâmetro externo 120 mm x 286 mm, utilizado em motores de combustão interna. Portanto, a falta dos conectores, acaso comprovada, não retiraria a qualidade de filtro de combustível.” Como se vê, de lado, a Recorrente alega que os produtos seriam tão somente parte do filtro de combustível na medida em que lhes faltariam componentes para que pudessem ser classificados como filtros. Por sua vez, a d. Autoridade Fiscal e a C. DRJ entendem que são filtros completos. Cumpre destacar o seguinte trecho do relatório fiscal, às fls. 166/167: Neste sentido, existe Jurisprudência pacífica deste e. Conselho: Portanto, além da argumentação técnica de que gasolina e o diesel são óleos minerais e que como tais devem os respectivos filtros (para motores) classificar-8421.23.00 se na posição , a disposição estruturada e codificada do SH/NCM não parece admitir para os filtros de combustível citados o enquadramento na posição 8421.29.90, em face de prejuízos com questões da ordem de controle, produção e estatística dessa mercadoria. Noutro giro, se o combustível utilizável em tais filtros para os motores de ignição por centelha e por compressão fosse por exemplo os inusuais óleos vegetais, aí sim teria vez a classificação que fora adotada pelo importador, qual seja, a residual código NCM 8421.29.90. Como se vê do trecho acima transcrito, entendeu a d. Autoridade Fiscal que os filtros deveriam ser classificados no código NCM 8421.29.90, caso fossem para utilizados para filtragem de outros óleos, que não óleos minerais. Neste ponto, discordo do entendimento fiscal. Ainda que fosse para filtrar combustível não mineral, o código correto seria 8421.23.00. Esse inclusive foi o entendimento do recente acórdão 3402-012.850 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA, conforme ementa abaixo: Fl. 16507DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.225 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 18130.720043/2020-47 15 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. FILTROS DE COMBUSTÍVEIS. NCM 8421.23.00. Classificam-se no código NCM 8421.23.00 os filtros destinados a filtrar, em motores de ignição por centelha ou compressão, combustíveis derivados de petróleo ou de materiais betuminosos, ainda que também se prestem a filtrar outros tipos de combustíveis, com o etanol Sobre a questão probatória, a Recorrente juntou parecer técnico que atesta: 1. Os itens representados pelos part numbers 0915062, 0915063, 0915467, 0915472, 0915563, 1433649, 1529639, 1533849, 1533916, 1540148 e 1814637 não podem ser classificados sob o código NCM 8421.23.00. 2. Os itens representados pelos PNs 0915062, 0915063, 0915467, 0915472, 0915563, 1433649, 1529639, 1533849, 1533916, 1540148 e 1814637 não possuem, sozinhos, a capacidade de receber o fluido a ser filtrado, no caso diesel. Para isso, eles necessitam de outros itens, os quais também compoem o filtro. A subposição 8421.23 é para filtros completos, ou seja, os itens aqui classificados têm, por si só, a capacidade de receber o combustivel, filtrá-lo e enviar de volta ao fluxo. Outras características desses itens que os descaracterizam como classificáveis na subposição 8421.23 serão abordados nos tópicos seguintes. 3. Os itens representados pelos PNs 0915062, 0915063, 0915467, 0915472, 0915563, 1433649, 1529639, 1533916, 1540148 e 1814637 são utilizados em filtros sedimentadores, também conhecidos por pré-filtros, já que existe um segundo filtro montado no motor para a filtragem do diesel. O local de montagem deste tipo de filtro no caminhão varia de acordo com o desenvolvimento e processo produtivo de cada fabricante, podendo ser montado no chassi, na cabine ou no próprio motor do caminhão, o importante é que seja localizado no fluxo entre o tanque de combustível e o filtro de diesel do motor. Os PNs 0915467, 1433649, 1533916, 1540148 e 1814637, utilizados em filtros sedimentadores, não são montados em motores, mas sim no chassi ou cabine dos veículos caminhões. Já os itens representados pelos PNs 0915062, 0915063, 0915472, 0915563 e 1529639, também destinados a filtros sedimentadores, são montados em motor de ignição por compressão, por opção do fabricante. Para estes casos, existem 2 filtros de combustível montados no motor. Já o PN 1533849 é montado em motor de ignição por compressão e não há outra alternativa de local para sua montagem. Isto se dá pelo fato de que este dispositivo tem o objetivo de evitar que o combustível entre contaminado nas galerias do motor, obrigando com que ele seja montado diretamente no bloco do motor. 4. Os dispositivos em questão, representados pelos part numbers 0915062, 0915063, 0915467, 0915472, 0915563, 1433649, 1529639, 1533849, 1533916, 1540148 e 1814637, possuem o elemento filtrante em seu interior e também anéis de borracha em uma das extremidades para efetuar a conexão entre o dispositivo de filtragem e o cabeçote, através de fricção. Os dispositivos filtrantes utilizados em filtros sedimentadores (PNs 0915062, 0915063, 0915467, 0915472, 0915563, 1433649, 1529639, 1533916, 1540148 e 1814637) apresentam, também, rosca em uma das extremidades para a conexão com o coletor de umidade. De maneira geral, nenhum item apresentado neste parecer apresenta conexão para as tubulações de diesel do sistema de abastecimento. Essas conexões estão presentes nos Fl. 16508DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.225 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 18130.720043/2020-47 16 cabeçotes dos filtros, tanto para entrada do combustível contamidado quanto para saída do combustível filtrado. VI. Conclusões. Considerando que: Os objetos deste parecer são 11 modelos de dispositivos para filtrar diesel, utilizados em filtros sedimentadores e filtros do motor de ignição por compressão; Os modelos PNs 0915062, 0915063, 0915467, 0915472, 0915563, 1433649, 1529639, 1533849, 1533916, 1540148 e 1814637 foram perfeitamente caracterizados quanto às suas funcionalidades e aplicações; Ao analisar todos os argumentos trazidos aos autos, entendo que o Recurso Voluntário deve prosperar. Conforme demonstrado, os bens em questão são parte filtrante, mas entendo não serem, por si, aparelhos completos de filtrar óleo mineral. Aparelhos, como se sabe, são instrumentos ou máquinas composta por componentes interligados, visíveis ou não. E, conforme bem explicado no laudo técnico acostado pela Recorrente, os itens em questão são dispositivos utilizados em filtros, ou seja, parte destes. Ressalto que a d. Autoridade Fiscal não produziu prova técnica capaz de contrapor o laudo apresentado na impugnação, motivo pelo qual esta Relatora não tem outros elementos técnicos para afastar aquele produzido pela Recorrente. Pelo exposto, rejeito as preliminares suscitadas e, no mérito, dou provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente GISELA PIMENTA GADELHA DANTAS VOTO VENCEDOR Conselheira Renata Casorla Mascareñas, redatora designada Em que pese a fundamentada razão de decidir da Conselheira Relatora, peço vênia para divergir, no mérito, do provimento do Recurso Voluntário. O parecer técnico PTC nº MVG2021-DAF-0122-01 (fls. 16250-16257) apresentado pela Recorrente por ocasião da impugnação revela uma contradição lógica que compromete a pretensão recursal. Embora a autuada afirme que o documento, emitido por empresa especializada, atesta que os itens "não podem ser classificados no código NCM 8421.23.00", Fl. 16509DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.225 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 18130.720043/2020-47 17 observa-se que os quesitos formulados não indagaram qual seria o enquadramento correto perante a Nomenclatura Comum do Mercosul. Ao concluir que os itens representados pelos PNs 0915062, 0915063, 0915467, 0915472, 0915563, 1433649, 1529639, 1533849, 1533916, 1540148 e 1814637 "não possuem, sozinhos, a capacidade de receber o fluido a ser filtrado" por dependerem de cabeçotes e conexões, o parecer acaba por afastar também a classificação original adotada na importação (NCM 8421.29.90). Isso ocorre porque a posição 84.21, que abrange os “aparelhos para filtrar ou depurar líquidos ou gases”, possui desdobramento específico de primeiro nível para "Partes" (8421.9), e, se a tese da Recorrente fosse a de que o produto é meramente um componente desprovido de autonomia funcional, a subposição 8421.29 — que abrange "Outros" aparelhos para filtrar seria igualmente inaplicável: 84.21 Centrifugadores, incluindo os secadores centrífugos; aparelhos para filtrar ou depurar líquidos ou gases. 8421.1 - Centrifugadores, incluindo os secadores centrífugos: 8421.2 - Aparelhos para filtrar ou depurar líquidos: 8421.21.00 -- Para filtrar ou depurar água 8421.22.00 -- Para filtrar ou depurar bebidas, exceto água 8421.23.00 -- Para filtrar carburantes ou óleos lubrificantes nos motores de ignição por centelha (faísca) ou por compressão 8421.29 – Outros 8421.29.1 Do tipo utilizado em hemodiálise 8421.29.11 Capilares 8421.29.19 Outros 8421.29.20 Aparelho de osmose inversa 8421.29.30 Filtros-prensa 8421.29.90 Outros 8421.3 - Aparelhos para filtrar ou depurar gases: 8421.9 - Partes: 8421.91 -- De centrifugadores, incluindo as dos secadores centrífugos 8421.99 – Outras 8421.99.10 De aparelhos para filtrar ou depurar gases, da subposição 8421.39 8421.99.20 Do tipo utilizado em linhas de sangue para hemodiálise 8421.99.9 Outras Fl. 16510DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.225 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 18130.720043/2020-47 18 8421.99.91 Cartuchos de membrana de aparelhos de osmose inversa 8421.99.99 Outras As próprias descrições do parecer técnico PTC nº MVG2021-DAF-0122-01 confirmam a respeito dos itens representados pelos PNs 0915062, 0915063, 0915467, 0915472, 0915563, 1433649, 1529639, 1533849, 1533916, 1540148 e 1814637 que são “fabricados especificamente para serem utilizados nos filtros de combustível (diesel) em veículos caminhões”, que “são responsáveis por remover impurezas do diesel”, e, com o perdão da redundância, que são “dispositivos para filtrar combustível (...) responsáveis por remover impurezas do diesel”. A respeito dos itens representados pelos PNs 0915062, 0915063, 0915467, 0915472, 0915563, 1433649, 1529639, 1533916, 1540148 e 1814637, o PTC nº MVG2021-DAF- 0122-01 informa que são: “dispositivos para filtrar diesel montados no filtro sedimentador (...) são compostos por elemento filtrante em composto de celulose e carcaça metálica de proteção (...) apresentam anel de borracha na parte superior para fixação no cabeçote, através de fricção, e rosca inferior para fixação do coletor de água”. A respeito do item representado pelo PN 1533849, o PTC nº MVG2021-DAF-0122- 01 traz a seguinte descrição: “dispositivo para filtrar diesel (...) presente no filtro de combustível do motor, é composto por elemento filtrante em celulose e carcaça metálica para proteção (...) apresenta um anel de borracha em uma das extremidades para a fixação, através de fricção, do cabeçote que por sua vez é fixado no motor”. O PTC nº MVG2021-DAF-0122-01 conclui: “Os itens representados pelos PNs 0915062, 0915063, 0915467, 0915472, 0915563, 1433649, 1529639, 1533849, 1533916, 1540148 e 1814637 não possuem, sozinhos, a capacidade de receber o fluido a ser filtrado, no caso diesel. Para isso, eles necessitam de outros itens, os quais também compõem o filtro. A subposição 8421.23 é para filtros completos, ou seja, os itens aqui classificados têm, por si só, a capacidade de receber o combustível, filtrá-lo e enviar de volta ao fluxo. (...) nenhum item apresentado neste parecer apresenta conexão para as tubulações de diesel do sistema de abastecimento. Essas conexões estão presentes nos cabeçotes dos filtros, tanto para entrada do combustível contaminado quanto para saída do combustível filtrado”. Ora, se a própria Recorrente alega que o produto é incompleto e que a subposição 8421.23 seria apenas para "filtros completos", por qual razão classificou a mercadoria na subposição 8421.29, que também se destina a “Outros” aparelhos para filtrar ou depurar líquidos? Se a tese da Recorrente fosse juridicamente consistente com sua prova técnica, ela deveria ter enquadrado os itens como partes (nos desdobramentos da subposição 8421.9), o que não ocorreu. Portanto, o laudo não socorre a classificação original da Recorrente. A questão da alegada incompletude referida no parecer técnico é resolvida pela aplicação da Regra Geral de Interpretação 2a) do Sistema Harmonizado, segundo a qual: Fl. 16511DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.225 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 18130.720043/2020-47 19 "Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado." As Notas Explicativas da RGI-2 a) reforçam esse entendimento: “Nota Explicativa (Artigos incompletos ou inacabados) I) A primeira parte da Regra 2 a) amplia o alcance das posições que mencionam um artigo determinado, de maneira a englobar não apenas o artigo completo, mas também o artigo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. II) As disposições desta Regra aplicam-se aos esboços de artigos, exceto no caso em que estes estão expressamente especificados em determinada posição. Consideram-se "esboços" os artigos não utilizáveis no estado em que se apresentam e que tenham aproximadamente a forma ou o perfil da peça ou do objeto acabado, não podendo ser utilizados, salvo em casos excepcionais, para outros fins que não sejam os de fabricação desta peça ou deste objeto (por exemplo, os esboços de garrafas de plástico, que são produtos intermediários de forma tubular, fechados numa das extremidades e com a outra aberta e munida de uma rosca sobre a qual irá adaptar-se uma tampa roscada, devendo a parte abaixo da rosca ser transformada, posteriormente, para se obter a dimensão e forma desejadas). Os produtos semimanufaturados que ainda não apresentam a forma essencial dos artigos acabados (como é, geralmente, o caso das barras, discos, tubos, etc.) não são considerados esboços. III) Tendo em vista o alcance das posições das Seções I a VI, a presente parte da Regra não se aplica, normalmente, aos produtos dessas Seções. IV) Vários casos de aplicação desta Regra são indicados nas Considerações Gerais de Seções ou de Capítulos (por exemplo, Seção XVI, Capítulos 61, 62, 86, 87 e 90). As Notas Explicativas da RGI-2a) em seu item II tratam dos "esboços", definindo-os como artigos não utilizáveis no estado em que se apresentam e que tenham aproximadamente a forma ou o perfil da peça ou do objeto acabado, não podendo ser utilizados, salvo em casos excepcionais, para outros fins que não sejam os de fabricação desta peça ou deste objeto. Se as NESH da RGI-2a) consideram um tubo plástico que ainda será moldado como um "esboço" de garrafa (pela sua destinação única), com muito mais razão um dispositivo que já contém o elemento filtrante e a carcaça metálica deve ser classificado como o filtro propriamente dito. Assim, o parecer técnico, embora tenha sido apresentado para afastar a classificação do Fisco, acabou por invalidar a classificação da própria Recorrente e, simultaneamente, fornecer os elementos para a aplicação da RGI 2a) do Sistema Harmonizado, na medida em que esclarece que os artigos possuem o elemento filtrante e a carcaça metálica de Fl. 16512DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.225 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 18130.720043/2020-47 20 proteção. O elemento filtrante envolto em sua carcaça constitui a própria essência funcional do aparelho de filtrar: a filtragem de carburantes. A ausência do cabeçote ou das conexões de tubulação não desnatura a identidade do produto como filtro, mas apenas o caracteriza como um artigo incompleto que, por força da mencionada regra, permanece classificado no desdobramento correspondente ao do artigo completo, no caso, NCM 8421.23.00. Quanto ao argumento de que os produtos podem ser aplicados em diferentes partes do veículo e não necessariamente no motor, tal distinção não encontra amparo no texto da NCM 8421.23.00. O texto do desdobramento requer que o combustível filtrado se destine ao consumo do motor, sendo irrelevante a localização física do dispositivo no veículo. Como bem pontuado na decisão recorrida, o requisito é o destino do fluido: "desde que filtre os combustíveis dos motores", " independentemente de sua localização física estar diretamente fixada no bloco do motor ou em outro lugar qualquer do veículo (tanque de combustível, compartimento do motor, assoalho do carro, etc)". Portanto, uma vez que o parecer técnico confirma tratar-se de dispositivos para filtrar diesel em caminhões, a subsunção ao código 8421.23.00 se impõe, prevalecendo a especificidade sobre a subposição genérica "Outros" (8421.29.90) pretendida pela Recorrente. Por fim, sobre o alegado reconhecimento por este Conselho “quanto à correção da classificação fiscal adotada pela recorrente”, o precedente invocado no Recurso Voluntário (Acórdão nº 3301-006.530) mostra que o acolhimento da classificação na NCM 8421.29.90 baseou-se na distinção físico-química entre "combustíveis" e "óleos minerais". Naquela oportunidade, a decisão colegiada baseou-se na premissa de que combustíveis (diesel, gasolina, etanol) possuíam propriedades e funções distintas dos óleos minerais lubrificantes, e que o texto da NCM 8421.23.00 abrangia os aparelhos “para filtrar óleos minerais nos motores de ignição por centelha (faísca) ou por compressão”. Assim, o precedente acolheu que o desdobramento não alcançaria os filtros de combustíveis. Ocorre que tal distinção tornou-se inócua diante do aperfeiçoamento textual da Nomenclatura Comum do Mercosul. Com o advento da Resolução GMC nº 16/2021 e da Resolução GECEX nº 272/2021, o texto do subitem 8421.23.00 foi ajustado para incluir expressamente o termo "carburantes": “para filtrar carburantes ou óleos lubrificantes nos motores de ignição por centelha (faísca) ou por compressão”. Como carburantes são, por definição técnica e comercial, combustíveis destinados à alimentação de motores, a tese de que haveria distinção físico-química capaz de afastar a especificidade da subposição 8421.23 perdeu seu objeto. Ressalte-se que essa modificação não operou uma mudança na classificação da mercadoria, mas apenas aperfeiçoou a tradução da nomenclatura na versão em português. As versões em inglês (petrol-filters) e espanhol (carburantes) do Sistema Harmonizado sempre foram explícitas quanto à inclusão dos filtros de combustíveis na subposição 8421.23: Fl. 16513DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.225 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 18130.720043/2020-47 21 8421.23 – Oil or petrol-filters for internal combustion engines 8421.23 – Para filtrar lubricantes o carburantes en los motores de encendido por chispa o compresión O Brasil, como Parte Contratante da Convenção do Sistema Harmonizado, deve observar a uniformidade classificatória internacional, sendo que as versões oficiais em inglês (oil or petrol-filters) e espanhol (para filtrar lubricantes o carburantes) já eram suficientemente explícitas quanto à abrangência dos filtros de combustível na referida subposição. A alteração promovida apenas harmonizou a versão em português com o contexto técnico já estabelecido pela Organização Mundial das Aduanas (OMA) e pela própria Receita Federal do Brasil, a exemplo da Solução de Consulta COANA nº 17/2014. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado, especificamente na posição 38.11, já tratavam os combustíveis – diesel e gasolina – como "óleos minerais"1, o que demonstra que, mesmo sob a redação anterior, as Regras Gerais de Interpretação já eram suficientes para compreender que os aparelhos para filtrar combustíveis de motores estavam contidos na especificidade da NCM 8421.23.00. Não houve, portanto, uma mudança na classificação fiscal do produto "filtro de combustível", mas tão somente uma clarificação textual que extirpou a margem para interpretações dissociadas da sistemática aduaneira internacional. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Renata Casorla Mascareñas 1 Posição 38.11 - Preparações antidetonantes, inibidores de oxidação, aditivos peptizantes, beneficiadores de viscosidade, aditivos anticorrosivos e outros aditivos preparados, para óleos minerais (incluindo a gasolina) ou para outros líquidos utilizados para os mesmos fins que os óleos minerais. NOTA EXPLICATIVA Os aditivos desta posição são preparações que se adicionam aos óleos minerais ou aos outros líquidos utilizados para os mesmos fins, para eliminar ou reduzir propriedades nocivas ou, pelo contrário, dar ou aumentar certas propriedades. A) Aditivos preparados para óleos minerais (...) 1.- Aditivos para óleos em bruto. Este grupo engloba (...) 2.- Aditivos para gasolina. Este grupo engloba: (...) 3.- Aditivos para óleos lubrificantes. Este grupo engloba: (...) 4.- Aditivos para outros óleos minerais. Este grupo engloba: (...) c) Os produtos para melhorar o índice de cetano do gasóleo (óleo diesel), destinados a melhorar o tempo de auto- inflamação, por exemplo, os à base de nitratos ou de nitritos de alquilos. (...) B) Aditivos preparados para outros líquidos utilizados para os mesmos fins que os óleos minerais. (...) Fl. 16514DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Vencido Voto Vencedor
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Numero do processo: 16682.720555/2024-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 28 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Fri May 29 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2018
NULIDADE. INEXISTÊNCIA. AUTOS DE INFRAÇÃO. LANÇAMENTOS DE OFÍCIO. MOTIVAÇÃO. ENQUADRAMENTO LEGAL.
Diante de lançamentos de ofício efetuados conforme revisão de ofício (art. 149 do CTN), atividade administrativo vinculada e obrigatória da autoridade fiscal (art. 142 do CTN), devidamente formalizados nos termos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), com descrição dos fatos, motivação e enquadramento legal, não há que se falar em nulidade.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2018
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PIC. MÉTODOS DE PREÇOS INDEPENDENTES COMPARADOS.
A determinação do custo de bens, serviços e direitos, adquiridos no exterior, dedutível na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá ser efetuada pelo método dos Preços Independentes Comparados (PIC), definido como a média aritmética ponderada dos preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda, empreendidas pela própria interessada ou por terceiros, em condições de pagamento semelhantes.
PREÇOS DE BENS, SERVIÇOS OU DIREITOS. APURAÇÃO DO PREÇO PARÂMETRO. COMPARABILIDADE. DIFERENÇAS DE CONDIÇÕES DE NEGÓCIO, NATUREZA FÍSICA E DE CONTEÚDO. CONTRATOS DE AFRETAMENTO DE PLATAFORMAS DE PETRÓLEO. DIFERENÇAS. PRAZOS INICIAIS DE DURAÇÃO. NECESSIDADE DE AJUSTES.
I - Os valores dos bens, serviços ou direitos serão ajustados de forma a minimizar os efeitos provocados sobre os preços a serem comparados, por diferenças nas condições de negócio, de natureza física e de conteúdo.
II – Valor do Afretamento guarda relação entre o valor investido na construção da plataforma de exploração de petróleo, com remuneração vinculada a taxa esperada de retorno sobre o investimento. Contrato de afretamento leva em consideração o prazo de duração do negócio jurídico para a definição do retorno esperado sobre o investimento.
III – Divergências entre prazo de duração inicial de contratos eleitos para apuração do Preço Parâmetro, situados entre sete e nove anos, e contratos celebrados com líder do consórcio de afretamento do cálculo do Preço Praticado, com intervalo de dezesseis a vinte anos, demandam ajustes, para permitir comparar com precisão as condições e circunstâncias econômicas e financeiras relevantes da transação controlada, e verificar se seriam comparáveis com negócio jurídico celebrado entre empresas independentes.
PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. AFRETAMENTO DE EMBARCAÇÕES PARA EXPLORAÇÃO E PRODUÇÃO DE ÓLEO E GÁS. AJUSTE NA METODOLOGIA PARA APURAÇÃO DA TAXA DIÁRIA DE AFRETAMENTO PARA UTILIZAÇÃO COMO PREÇO PARÂMETRO. UTILIZAÇÃO DO INDICADOR DE RENTABILIDADE ROACE. INADEQUABILIDADE.
Em que pese reconhecer o esforço da Fiscalização em conseguir um indicador para ajuste da metodologia empregada pelo contribuinte para apuração do preço parâmetro, o resultado mostrou-se inadequado pelas seguintes razões: (i) foram utilizadas informações contábeis consolidadas dos conglomerados construtores das plataformas utilizadas na comparação. Como os conglomerados possuem uma extensa gama de atividades, torna-se inadequada a comparação das taxas de retorno sobre o investimento, porque não foram utilizadas o resultado do segmentos específica de construção de FPSOs; (ii) além disso, os índices apurados de ROACE mostram uma variância muito grande, o que significa que a média apurada e utilizada não é adequada.
Numero da decisão: 1202-002.418
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário.
Assinado Digitalmente
Maurício Novaes Ferreira – Relator
Assinado Digitalmente
Leonardo de Andrade Couto – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andre Luis Ulrich Pinto, Jose Andre Wanderley Dantas de Oliveira, Liana Carine Fernandes de Queiroz, Mauricio Novaes Ferreira, Maria Angélica Echer Ferreira Feijó (Substituta) e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: MAURICIO NOVAES FERREIRA
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INEXISTÊNCIA. AUTOS DE INFRAÇÃO. LANÇAMENTOS DE OFÍCIO. MOTIVAÇÃO. ENQUADRAMENTO LEGAL. Diante de lançamentos de ofício efetuados conforme revisão de ofício (art. 149 do CTN), atividade administrativo vinculada e obrigatória da autoridade fiscal (art. 142 do CTN), devidamente formalizados nos termos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), com descrição dos fatos, motivação e enquadramento legal, não há que se falar em nulidade. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2018 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PIC. MÉTODOS DE PREÇOS INDEPENDENTES COMPARADOS. A determinação do custo de bens, serviços e direitos, adquiridos no exterior, dedutível na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá ser efetuada pelo método dos Preços Independentes Comparados (PIC), definido como a média aritmética ponderada dos preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda, empreendidas pela própria interessada ou por terceiros, em condições de pagamento semelhantes. PREÇOS DE BENS, SERVIÇOS OU DIREITOS. APURAÇÃO DO PREÇO PARÂMETRO. COMPARABILIDADE. DIFERENÇAS DE CONDIÇÕES DE NEGÓCIO, NATUREZA FÍSICA E DE CONTEÚDO. CONTRATOS DE Fl. 5628DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.418 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720555/2024-65 2 AFRETAMENTO DE PLATAFORMAS DE PETRÓLEO. DIFERENÇAS. PRAZOS INICIAIS DE DURAÇÃO. NECESSIDADE DE AJUSTES. I - Os valores dos bens, serviços ou direitos serão ajustados de forma a minimizar os efeitos provocados sobre os preços a serem comparados, por diferenças nas condições de negócio, de natureza física e de conteúdo. II – Valor do Afretamento guarda relação entre o valor investido na construção da plataforma de exploração de petróleo, com remuneração vinculada a taxa esperada de retorno sobre o investimento. Contrato de afretamento leva em consideração o prazo de duração do negócio jurídico para a definição do retorno esperado sobre o investimento. III – Divergências entre prazo de duração inicial de contratos eleitos para apuração do Preço Parâmetro, situados entre sete e nove anos, e contratos celebrados com líder do consórcio de afretamento do cálculo do Preço Praticado, com intervalo de dezesseis a vinte anos, demandam ajustes, para permitir comparar com precisão as condições e circunstâncias econômicas e financeiras relevantes da transação controlada, e verificar se seriam comparáveis com negócio jurídico celebrado entre empresas independentes. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. AFRETAMENTO DE EMBARCAÇÕES PARA EXPLORAÇÃO E PRODUÇÃO DE ÓLEO E GÁS. AJUSTE NA METODOLOGIA PARA APURAÇÃO DA TAXA DIÁRIA DE AFRETAMENTO PARA UTILIZAÇÃO COMO PREÇO PARÂMETRO. UTILIZAÇÃO DO INDICADOR DE RENTABILIDADE ROACE. INADEQUABILIDADE. Em que pese reconhecer o esforço da Fiscalização em conseguir um indicador para ajuste da metodologia empregada pelo contribuinte para apuração do preço parâmetro, o resultado mostrou-se inadequado pelas seguintes razões: (i) foram utilizadas informações contábeis consolidadas dos conglomerados construtores das plataformas utilizadas na comparação. Como os conglomerados possuem uma extensa gama de atividades, torna-se inadequada a comparação das taxas de retorno sobre o investimento, porque não foram utilizadas o resultado do segmentos específica de construção de FPSOs; (ii) além disso, os índices apurados de ROACE mostram uma variância muito grande, o que significa que a média apurada e utilizada não é adequada. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 5629DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.418 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720555/2024-65 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Maurício Novaes Ferreira – Relator Assinado Digitalmente Leonardo de Andrade Couto – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andre Luis Ulrich Pinto, Jose Andre Wanderley Dantas de Oliveira, Liana Carine Fernandes de Queiroz, Mauricio Novaes Ferreira, Maria Angélica Echer Ferreira Feijó (Substituta) e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário interposto por SHELL BRASIL PETROLEO LTDA visando reformar o acórdão nº 101-029.726, prolatado em 30/06/2025 pela 8ª turma da Delegacia da de Julgamento da Receita Federal do Brasil (DRJ) 01, que considerou improcedente a impugnação apresentada. O acórdão restou assim ementado: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2018 NULIDADE. INEXISTÊNCIA. AUTOS DE INFRAÇÃO. LANÇAMENTOS DE OFÍCIO. MOTIVAÇÃO. ENQUADRAMENTO LEGAL. Diante de lançamentos de ofício efetuados conforme revisão de ofício (art. 149 do CTN), atividade administrativo vinculada e obrigatória da autoridade fiscal (art. 142 do CTN), devidamente formalizados nos termos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), com descrição dos fatos, motivação e enquadramento legal, não há que se falar em nulidade. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2018 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PIC. MÉTODOS DE PREÇOS INDEPENDENTES COMPARADOS. A determinação do custo de bens, serviços e direitos, adquiridos no exterior, dedutível na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá ser efetuada pelo método dos Preços Independentes Comparados (PIC), definido como a média aritmética ponderada dos preços de bens, serviços ou direitos, Fl. 5630DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.418 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720555/2024-65 4 idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda, empreendidas pela própria interessada ou por terceiros, em condições de pagamento semelhantes. PREÇOS DE BENS, SERVIÇOS OU DIREITOS. APURAÇÃO DO PREÇO PARÂMETRO. COMPARABILIDADE. DIFERENÇAS DE CONDIÇÕES DE NEGÓCIO, NATUREZA FÍSICA E DE CONTEÚDO. CONTRATOS DE AFRETAMENTO DE PLATAFORMAS DE PETRÓLEO. DIFERENÇAS. PRAZOS INICIAIS DE DURAÇÃO. RETORNO DE INVESTIMENTO. NECESSIDADE DE AJUSTES. I - Os valores dos bens, serviços ou direitos serão ajustados de forma a minimizar os efeitos provocados sobre os preços a serem comparados, por diferenças nas condições de negócio, de natureza física e de conteúdo. II – Valor do Afretamento guarda relação entre o valor investido na construção da plataforma de exploração de petróleo, com remuneração vinculada a taxa esperada de retorno sobre o investimento. Contrato de afretamento leva em consideração o prazo de duração do negócio jurídico para a definição do retorno esperado sobre o investimento. III – Divergências entre prazo de duração inicial de contratos eleitos para apuração do Preço Parâmetro, situados entre sete e nove anos, e contratos celebrados com líder do consórcio de afretamento do cálculo do Preço Praticado, com intervalo de dezesseis a vinte anos, demandam ajustes, inclusive considerando a taxa de retorno de investimento, para permitir comparar com precisão as condições e circunstâncias econômicas e financeiras relevantes da transação controlada, e verificar se seriam comparáveis com negócio jurídico celebrado entre empresas independentes. IV – Utilização do índice ROACE (Return on Average Capital Employed) para definição do retorno sobre o investimento dos contratos eleitos na apuração do Preço Parâmetro, largamente utilizado pelas indústrias de capital intensivo, dentre os quais do ramo de petróleo, e que reflete a capacidade de uma empresa obter retorno sobre o capital que emprega, mostra adequado para o ajuste de comparabilidade necessário ao caso concreto. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Na origem, trata-se de autos de infração de IRPJ e CSLL (fls. 4782 a 4813) relativos ao ano-calendário de 2019 cujo resultado foi a redução do Prejuízo Fiscal e da Base de Cálculo Negativa de CSLL em R$593.351.678,57, em razão de ajustes de preços de transferência (Método PIC - Preços Independentes Comparados). No entendimento da autoridade fiscal, a Recorrente teria determinado incorretamente o preço parâmetro utilizado na apuração de ajustes decorrentes de preço de transferências pelo método PIC (Preços Independentes Comparados), o que teria resultado, na comparação com o preço praticado na aquisição, em excesso de custos, despesas ou encargos, razão pela qual foram Fl. 5631DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.418 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720555/2024-65 5 considerados indedutíveis na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, e objeto de revisão por meio dos lançamentos de ofício. O acórdão recorrido assim relatou os fatos apurados no curso do procedimento fiscal: Foi declarada na Escrituração Contábil Fiscal (ECF) a realização de importações de direitos, referentes a despesas de afretamento pagas a pessoas jurídicas vinculadas em função do direito de uso de diversas plataformas nas atividades de exploração e produção de petróleo. A acusação fiscal, relativa a preços de transferência, consiste na determinação incorreta do preço parâmetro com base na apuração pelo método PIC (Preços Independentes Comparados), que teria resultado, na comparação do preço praticado na aquisição, em excesso de custos, despesas ou encargos, razão pela qual foram considerados indedutíveis na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, e objeto de revisão por meio dos lançamentos de ofício. A Impugnante tem participação no direito de uso de plataformas de petróleo (Floating Production Storage and Offloading - FPSO), por meio da participação de consórcio liderado pela Petrobrás mediante celebração de contratos de afretamento, que são submetidos ao controle de preços de transferência, uma vez que as transações foram efetuadas entre empresas consorciadas e, portanto, consideradas vinculadas na forma da lei. E, na determinação do preço parâmetro pelo método PIC (eleito pela Impugnante) para verificar a dedutibilidade das despesas efetivamente praticadas, teria deixado de considerar diferenças em termos e condições das transações comparadas (na comparação entre contratos praticados e contratos eleitos como parâmetro), para o ano-calendário de 2019 (AC 2019). Anos-calendário anteriores foram objeto de autuação fiscal, com base nos mesmos fundamentos, formalizados nos autos dos processos administrativos nº 16682.721.322/2021-37 (AC 2016), 16682.721.197/2022-46 (AC 2017) e 16682.721.247/2023-76 (AC 2018). Na ação fiscal, foi apresentada pela Impugnante planilha com apuração dos Preços Praticados referentes ao afretamento das plataformas (BM-S-9 Ilhabela, BM-S-9 São Paulo, BM-S-9 Caraguatatuba, BM-S-11 P-66, BM-S-11 Maricá, BM-S- 11 Mangaratiba, BM-S-11 Paraty, BM-S-11 Itaguaí e BM-S-11 Saquarema) junto à líder do consórcio (Petrobrás), e planilha com apuração dos Preços Parâmetro, que tomou como referência quatro contratos de afretamento de plataformas (Capixaba, Rio de Janeiro, Vitória e Itajaí) celebrados com empresas não vinculadas (SBM, SAIPEN, MODEC e TEEKAY). Conforme orientações fornecidas pela líder do consórcio, foi apurada a Taxa Diária Parâmetro (resultado da relação entre Taxa diária de afretamento e o Valor de Reposição, que consiste no valor investido), para comparação com o Preço Praticado conforme o método PIC. A Taxa Diária Parâmetro consta no demonstrativo a seguir: Fl. 5632DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.418 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720555/2024-65 6 Uma vez apurada a “Média”, a Impugnante apurou o Preço Parâmetro, que resultou em valor superior ao Preço Praticado com suas vinculadas, razão pela qual entendeu que não caberia nenhum ajuste a título de Preços de Transferência: Uma vez intimada, a Impugnante apresentou contratos de afretamento das plataformas em análise, firmados com a líder dos consórcios (Petrobras S.A.), além de planilha relacionando os dados principais dos acordos celebrados, como Laudos de Avaliação das FPSO e contratos dos consórcios, dentre outros. Discorreu a autoridade autuante que o conjunto de características de cada plataforma afretada está relacionada ao valor investido na sua construção. E, em se tratando de operações realizadas para atender necessidades específicas para exploração de determinado campo de petróleo, a construção de cada plataforma a ser afretada leva em consideração as características do local de exploração, como a profundidade, a existência de pré-sal, o tipo de óleo e a presença de gás, dentre outros. E, ao analisar a metodologia empregada pela Impugnante para determinação do Preço Parâmetro, concluiu que não teria se mostrado suficiente para efetuar a devida comparabilidade de preços entre os contratos celebrados entre empresas vinculadas e não vinculadas. Foi intimada a Petrobras S.A., empresa líder dos consórcios responsáveis pelos afretamentos em análise, a esclarecer a metodologia e os critérios utilizados para o cálculo do Preço Parâmetro. Tomando como base a resposta apresentada, Fl. 5633DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.418 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720555/2024-65 7 apurou a autoridade fiscal que o construtor/proprietário considera na precificação do afretamento da plataforma o retorno esperado de parcela de seu investimento no prazo contratado. Entendeu a autoridade fiscal que caberia ter sido considerada, na metodologia adotada pela Impugnante, para fins de comparação entre os contratos de afretamento firmados empresas vinculadas e não vinculadas, a taxa de retorno do investimento dos referidos contratos (uma vez que o proprietário é remunerado por uma taxa esperada de retorno de investimento), que por sua vez tem relação direta com o prazo dos contratos de afretamento celebrados. Exemplificou a autoridade fiscal que a taxa diária de retorno a ser paga em um contrato de afretamento com duração de 10 (dez) anos deveria ser maior do que a taxa diária de retorno a ser paga num contrato de afretamento de 20 (vinte) anos, para tornar viável a recuperação do valor investido pelo construtor/proprietário da plataforma. Foi elaborado gráfico comparativo, demonstrando a diferença entre o retorno de investimento de um contrato de duração de 10 anos e do contrato de duração de 20 anos, e por consequência a diferença entre as taxas de afretamento cobradas para o contrato de 10 anos, em valor superior às taxas de afretamento cobradas para o contrato de 20 anos: E, da análise dos contratos de afretamento, constatou-se que haviam diferenças entre os prazos de duração dos contratos iniciais de afretamento praticados (Preço Praticado), com intervalo entre 7 e 9 anos, e os prazos de duração dos contratos de afretamento eleitos para determinação do Preço Parâmetro, com intervalo entre 16,5 e 20 anos: Fl. 5634DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.418 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720555/2024-65 8 Sobre os aditivos contratuais celebrados, considerou a autoridade autuante que não form considerados, uma vez que distorceriam as comparações entre os direitos de uso da FPSO, e que os prazos de duração nos contratos iniciais guardam relação direta com a vida útil de cada plataforma. Diante dos prazos de duração inferiores dos contratos de afretamento para determinação do Preço Parâmetro, a autoridade fiscal constatou a necessidade de ajustes, para viabilizar a comparabilidade com os contratos de afretamento praticados junto à líder do consórcio (Petrobrás), que foram efetuados mediante a determinação da taxa de retorno de investimento. Assim, buscou-se a apuração de índice de retorno do investimento, visando buscar a equivalência entre os contratos de prazo de duração inferiores (Preço Parâmetro) com os contratos de prazo de duração superiores (Preço Praticado). Registrou ainda a autoridade fiscal que, caso fosse desconsiderada a taxa de retorno do investimento, e fosse adotado simplesmente a relação entre os prazos iniciais contratados entre empresas não vinculadas e vinculadas (prazo inicial parâmetro/prazo inicial praticado, por exemplo), a exigência fiscal seria em valor superior ao efetivamente devido. Para a apuração da taxa interna de retorno, considerou-se o equivalente à média ponderada do índice ROACE (Return on Average Capital Employed, em tradução livre, Retorno sobre o Capital Médio Empregado) das empresas proprietárias/construtoras das plataformas objeto dos contratos de afretamento utilizados pela Impugnante como parâmetros e firmados com terceiros não vinculados (grupos econômicos SBM, SAIPEN, MODEC e TEEKAY) que são também proprietárias/construtoras de várias outras plataformas afretadas pela empresa líder e em operação no país. Trata-se de índice de desempenho de investimentos Fl. 5635DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.418 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720555/2024-65 9 largamente utilizado pelas indústrias de capital intensivo, dentre as quais do ramo do petróleo, que reflete a capacidade de uma empresa obter retorno sobre o capital que emprega. É obtido pela divisão do chamado EBIT (Earnings Before Interest and Taxes, em tradução livre, Lucro Antes dos Juros e Tributos) pela média do capital empregado (Ativo Total Médio – Passivo Circulante Total Médio). Para se determinar um índice consistente para realizar o ajuste de comparabilidade, foi considerado o maior número de período os nos quais tanto as plataformas comparáveis quanto as plataformas alugadas no decorrer do ano sob fiscalização já tinham seus contratos de afretamento pactuados, iniciando-se a série de índices em 2011 e terminando em 2018. A apuração da taxa média de retorno deu-se mediante cálculo da média dos índices ROACE das empresas, no período considerado, ponderada pelas taxas diárias de afretamento de cada grupo. Com base no índice de retorno de investimento apurado, e os prazos de contrato de afretamento, foi efetuada a comparação entre os preços celebrados entre os contratos de afretamento praticados e os contratos de afretamento parâmetros, mediante aplicação de fórmula de matemática financeira: Uma vez apurada a “Renda”, levando-se em consideração os diferentes prazos contratuais, foi determinado novo fator de ajuste, apurando-se média que passou de 0,056% (encontrado pela Impugnante) para 0,02739%: A média foi aplicada para a determinação do Preço Parâmetro. Uma vez apurado o Preço Parâmetro para autoridade fiscal, foi efetuada a sua comparação com o Preço Praticado celebrado nos contratos de afretamento. Concluiu a acusação fiscal que os Preços Praticados foram em valores superiores aos Preços Parâmetros, razão pela qual foram efetuados os ajustes conforme demonstrativo a seguir: Fl. 5636DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.418 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720555/2024-65 10 Demonstrado que o Preço Praticado excedeu em R$593.351.678,57 o valor do Preço Parâmetro, foram efetuados os lançamentos de ofício de IRPJ e CSLL, no sentido de adicionar o valor às bases de cálculo dos tributos, nos termos do § 7º do art. 18, e do art. 28 da Lei nº 9.430, de 1996. Considerando que Impugnante apurou resultado negativo para o ano-calendário de 2019 no valor de R$913.844.478,44, não se a constituição de crédito tributário, mas sim a redução do Prejuízo Fiscal e da Base de Cálculo Negativa de CSLL apuradas na ECF. Cientificada do lançamento de ofício, a ora Recorrente apresentou impugnação assim relatada pelo acórdão recorrido: A Impugnante discorre sobre a tempestividade e os fatos. Discorre que integrava consórcios (BM-S-9, BM-S-9A e BM-S-11) liderados pela Petrobras S.A. (“Petrobras”), para a exploração de petróleo e gás natural no campo de Tupi, localizado na Bacia de Santos. Por sua vez, a Petrobrás, na condição consorciada- líder em todos os consórcios, firmou contratos de afretamento de plataformas de exploração de petróleo (Floating Production Storage and Offloading - FPSO) – junto a afretadores estrangeiros (Guará B.V. e Tupi B.V.), consideradas partes relacionadas da Petrobras, nos termos do art. 23 da Lei nº 9.430, de 1996. E, na medida que os afretadores estrangeiros são partes relacionadas da líder do consórcio (Petrobrás), a remuneração paga pela cessão de direito de uso das plataformas para a exploração de petróleo encontrava-se sujeita à aplicação das normas de preços de transferência, conforme artigo 18 da Lei nº 9.430, de 1996. Para efetuar o teste de controle de preços de transferência, conforme método PIC, identificou quatro transações comparáveis para determinar o Preço Parâmetro, envolvendo a contratação de afretamentos (cessão de direitos de uso) de FPSO: Capixaba, Rio de Janeiro, Vitória e Itajaí. O contratos tinham como partes a Petrobras e residentes não relacionados no exterior: os grupos econômicos SBM, SAIPEM, MODEC e TEEKAY. Afirma que nos contratos-parâmetro a precificação da remuneração a ser paga às empresas afretadoras deu-se mediante a multiplicação da chamada “Taxa Diária de Afretamento” pelo número de dias de afretamento da respectiva embarcação. Fl. 5637DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.418 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720555/2024-65 11 A “Taxa Diária de Afretamento” teria sido definida a partir da divisão (i) do valor das referidas embarcações, denominado “Valor de Reposição” - correspondente ao valor CAPEX de cada FPSO, demonstrado em laudo de avaliação; pela (ii) vida útil esperada das embarcações. No caso concreto, ao efetuar o cálculo da razão entre a “Taxa Diária de Afretamento” e o “Valor de Reposição”, apurou-se o valor médio de 0,056%. O percentual médio (0,056%) foi aplicado sobre o “Valor de Reposição” de cada uma das FPSO afretadas pela Impugnante junto a partes relacionadas, encontrando-se a Taxa Diária Parâmetro acrescida da margem de divergência de 5% para a apuração dos Preços Parâmetros para cada plataforma. E, no caso, todos os Preços Praticados foram inferiores aos Preços Parâmetros, razão pela qual entendeu não haver necessidade de ajuste a título de Preços de Transferência. Alega a Impugnante que não houve contestação da autoridade autuante dos elementos: (i) Método PIC; (ii) transações comparáveis – contratos parâmetro escolhidos (afretamentos das FPSO Capixaba, Rio de Janeiro, Vitória e Itajaí; (iii) objeto de comparação, definido pelo direito de uso das plataformas e valor expresso pela Taxa Diária de Afretamento; (iv) similaridade dos direitos de uso para cada uma das FPSO; (v) cálculo da relação entre a Taxa Diária de Afretamento e o Valor de Reposição; e (vi) aplicação do percentual obtido (valor médio) para o cálculo dos Preços Parâmetro. Por sua vez, entendeu o Fisco que não teriam sido consideradas relevantes diferenças, decorrentes do (a) prazo de contratos de afretamento e (b) taxa de retorno. Nesse contexto, os contratos-parâmetro e os contratos praticados não seriam plenamente comparáveis, o que demandaria a realização de ajustes baseados nos prazos iniciais dos contratos de afretamento e nas taxas de retorno. Contesta a Impugnante entendimento do Fisco. Primeiro, sobre os diferentes prazos iniciais dos contratos de afretamento, no qual a autoridade autuante entendeu que contratos com prazo menor (de 7 a 9 anos), caso dos contratos parâmetro, implicariam em maior Taxa Diária de Afretamento para recuperar o valor do investimento, e contratos com prazo maior (16 a 20 anos), caso dos contratos praticados, teriam menor Taxa Diária de Afretamento. Protesta a Impugnante que o prazo inicial dos contratos não alteraria a Taxa Diária de Afretamento, uma vez que é definida pela relação entre o Valor de Reposição e a Vida Útil da plataforma. Segundo, porque os contratos parâmetro foram estendidos, alcançando em média a duração de 15 anos. Segundo, a autoridade autuante entendeu que a remuneração obtida pelos afretadores seria encontrada mediante tão somente o valor do capital investido multiplicado por um índice de retorno, que no caso seria determinado pelo ROACE (“Return On Avalarge Capital Employed”) apurados pelos. No caso, foi apurado ROACE de 3,33% por ano, no qual protesta a Impugnante, por entender que seria um retorno insatisfatório que não refletiria o risco e capital investido em atividade tão complexa. Na sequência, discorre sobre preliminares e mérito, nos tópicos a seguir: Fl. 5638DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.418 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720555/2024-65 12 3. PRELIMINARMENTE, A NULIDADE MATERIAL DOS AUTOS DE INFRAÇÃO. 3.1. Nulidade dos autos de infração por ausência de indicação do fundamento legal para a adoção do ROACE e realização dos ajustes pretendidos pela Fiscalização. 4. MÉRITO: A IMPROCEDÊNCIA DOS AUTOS DE INFRAÇÃO. 4.1. Improcedência dos autos de infração por afronta ao art. 144 do CTN. A metodologia do ROACE decorre de método introduzido na legislação tributária posteriormente ao período de apuração autuado. Irretroatividade da lei tributária. 4.2. A desnecessidade da realização de ajustes de comparabilidade na transação- parâmetro diante da sua plena comparabilidade com as transações controladas. 4.2.1. A atividade econômica de afretamento de FPSO e a sua precificação. 4.2.2. A plena comparabilidade das transações. Necessária consideração dos prazos totais dos contratos-parâmetro. Da evidência empírica de que houve prorrogações dos afretamentos dos contratos-parâmetro. (i) Inexiste correlação necessária entre o prazo inicial fixado no contrato firme e a recuperação integral do investimento realizado na construção do FPSO. (ii) No processo de barganha, as opções de extensão contratual são antevistas no contrato e precificadas para tornar o valor da taxa diária mais competitivo. (iii) Os elevados custos envolvidos para ambas as partes induzem às sucessivas prorrogações dos prazos dos afretamentos. (iv) A conduta efetiva das partes no contrato-parâmetro demonstra que houve sucessivas extensões dos prazos de afretamento. 4.2.3. Conclusão parcial: a improcedência dos ajustes de comparabilidade efetuados a partir das diferenças de prazos iniciais dos afretamentos. 4.3. A impossibilidade de se utilizar o ROACE para o cálculo da taxa interna de retorno do investimento. 4.3.1. A inadequação do ROACE como índice confiável de rentabilidade das operações de afretamento. O resultado consolidado e abrangente dos grupos construtores afasta a comparabilidade do método PIC. 4.3.2. Falhas cometidas na determinação da taxa de retorno sobre o investimento. 4.3.2.1. Impossibilidade de utilização de dados anteriores a 2019. Afronta ao art. 18, §10, inc. II da Lei nº 9.40/96 e ao art. 11, inc. II e §2ª da IN RFB nº 1.312/2012. 4.3.2.2. Irracionalidade econômica da taxa de retorno calculada pela Fiscalização. Afronta ao princípio arm's length. Fl. 5639DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.418 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720555/2024-65 13 4.2.3. Impertinência da discussão quanto à bipartição de contratos (split contratual)Em síntese, entende a Impugnante que os autos de infração deveriam ser cancelados pelas razões a seguir: (i) Nulidade material dos autos de infração em razão da falta de indicação do fundamento legal para a utilização da metodologia do ROACE como “fator de ajuste” da relação entre a taxa diária de afretamento e do valor de reposição das FPSOs dos contratos-parâmetro, gerando cerceamento de direito de defesa da contribuinte; (ii) No mérito, os autos de infração devem ser cancelados por ofensa ao artigo 144 do CTN, uma vez que a Fiscalização aplicou metodologia não prevista em lei no momento da ocorrência dos fatos geradores – o índice de rentabilidade aplicado pelo Fisco só foi instituído com a introdução do Método da Margem Líquida da Transação pela Lei nº 14.596/2023; (iii) As transações controladas e as transações-parâmetro são plenamente comparáveis, não sendo necessária a realização dos ajustes de comparabilidade propostos pela Fiscalização em função dos prazos contratuais iniciais porquanto, em ambas as situações (transação controlada e parâmetro), a premissa quanto à precificação (fixação da taxa diária de afretamento) é a de que o retorno do investimento ocorrerá no prazo de vida útil da FPSO, e não no prazo inicial do contrato. (iv) A utilização do índice ROACE, além de não possuir respaldo na legislação tributária vigente nos fatos geradores lançados, conduz a resultados equivocados, ao considerar, na sua metodologia, atividades econômicas dos grupos econômicos dos afretadores que não estão diretamente relacionados à atividade de afretamento de FPSOs; (v) Ao se utilizar de dados compreendidos entre 2011 e 2018, o cálculo do índice ROACE afrontou a legislação tributária que determina que os preços parâmetro determinados mediante a aplicação do método PIC devem corresponder a preços independentes realizados no mesmo ano-calendário, ou, quando muito, no ano- calendário imediatamente anterior (2018) àquele em que ocorre o controle de preços de transferência (2019); e(vi) A taxa interna de retorno determinada pela Fiscalização mediante cálculo do ROACE é incompatível com a rentabilidade econômica esperada para os riscos envolvidos na construção e operação dos FPSOs (segundo o Fisco, a taxa de retorno seria de 3,33% ao dia), donde se conclui que seria irracional do ponto de vista econômico que o afretador fosse remunerado a uma taxa tão baixa. Manifesta-se, no Pedido: Diante de todo o exposto, pede a Impugnante pela procedência da presente Impugnação, a fim de que seja decretada a total insubsistência dos Autos de Infração em referência, cancelando-se totalmente a glosa de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL nos termos da fundamentação. Fl. 5640DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.418 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720555/2024-65 14 É o relatório. Cientificado do acórdão da DRJ em 05/08/2025 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem, fl. 5.496), a Recorrente apresentou em 03/09/2025 (Termo de Análise de Solicitação de Juntada, fl. 5.499) o recurso voluntário de fls. 5.500 a 5.552. Por meio do apelo, a Recorrente basicamente reitera as razões apresentadas por ocasião da impugnação ao lançamento e conclui sua petição apresentando o seguinte pedido: Diante de todo o exposto, pede a Recorrente que seja dado integral provimento ao presente recurso voluntário, a fim de que o acórdão da DRJ ora recorrido seja integralmente reformado e, consequentemente, seja decretada a total insubsistência dos Autos de Infração em referência, cancelando-se totalmente a glosa de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL nos termos da fundamentação. Posteriormente, em 21/01/2026, avia petição visando a juntada aos autos de parecer jurídico que atestaria suas razões recursais. É o relatório. VOTO Conselheiro Maurício Novaes Ferreira, Relator 1 – Admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razões pelas quais deve ser conhecido. 2 – Da arguição de nulidade A Recorrente reitera nesta instância de julgamento a nulidade já apreciada e afastada pelo acórdão recorrido. Em síntese, a Recorrente sustenta que a autoridade fiscal não indicou o fundamento legal que autorizaria o cálculo por ela efetuado e que os arts. 9º e 10 da Instrução Normativa RFB nº 1.312/2012 trazem as hipóteses taxativas de ajustes a serem realizados nos preços parâmetros utilizados para fins de comparação quando do uso do método PIC. Prossegue afirmando que os dispositivos mencionados não trazem como previsão de ajuste a duração do contrato de afretamento, tampouco a taxa de retorno do investimento, menos ainda com base no índice ROACE. Afirma que o fisco poderia recusar a metodologia utilizada por ela para os cálculos dos ajustes dos preços de transferência, mas não poderia adotar os ajustes que melhor lhe aprouvessem. Fl. 5641DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.418 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720555/2024-65 15 Finaliza a arguição de nulidade destacando que a falta de indicação do dispositivo legal em que se fundamentou o ajuste afronta o art. 10, inciso IV do Decreto nº 70.235/1972, de modo que a autuação fiscal seria nula. A DRJ examinou com parcimônia os argumentos ligados à alegada nulidade, de modo que adoto os fundamentos expressos no acórdão recorrido para decidir a matéria: I. Nulidade. Reclama a Impugnante pela nulidade dos autos de infração, por entender que haveria ausência de indicação de fundamento legal para os ajustes efetuados pela Fiscalização tomando por base a aplicação do índice ROACE como parâmetro para cálculo da taxa de retorno do investimento das plataformas de exploração de petróleo objeto de afretamentos e o tempo de contrato dos afretamentos celebrados. Aduz que as hipóteses tratando de ajustes de comparabilidade relacionadas nos arts. 9º e 10º da IN RFB nº 1.312, de 2012, seriam taxativas, e que o art. 42 da instrução normativa em nenhum momento faz referência a aspectos temporais para fins de comparação. Assim, teria havido violação ao princípio de legalidade, e ausência de falta de indicação do dispositivo legal, caracterizando afronta ao art. 10, inc. IV do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), por vício de fundamentação. Não lhe assiste razão. A autoridade autuante em nenhum momento desconsiderou o Método de Preços de Transferência escolhido pela Impugnante (Preços Independentes Comparados - PIC), tampouco descartou os contratos de afretamento escolhidos com o objetivo de calcular o Preço Parâmetro. No caso, a Impugnante tomou como referência as orientações da líder do consórcio de contratos de afretamento, Petrobrás. Para efetuar o teste de comparabilidade entre os contratos celebrados com a Petrobrás, e os contratos de afretamento celebrados com empresas não vinculadas, efetuou a apuração do Preço Parâmetro, mediante multiplicação da “Taxa Diária de Afretamento” pelo “Número de dias do contrato de afretamento”. Por sua vez, a “Taxa Diária de Afretamento” foi encontrada mediante a divisão entre o “Valor de Reposição” (que consiste no valor do investimento) e a “Vida útil da Plataforma”. Transcrevo a síntese que a própria Impugnante trouxe na peça de defesa sobre as orientações da líder do consórcio de afretamentos (Petrobrás) : (i) “taxa esperada de retorno sobre o investimento”; (ii) “O conjunto de características e especificidades de cada embarcação já está refletido no valor investido pelo afretador durante a construção”; (iii) “A comparação entre os preços de contratos de afretamento firmados entre a Petrobras e partes independentes, que materializa o método dos preços independentes comparados (PIC), deve buscar similaridade entre os racionais dos valores cobrados pelo direito de uso das embarcações e não Fl. 5642DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.418 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720555/2024-65 16 simplesmente das características técnicas destas embarcações, pois estes fatores já estão implícitos no valor de reposição dos ativos afretados”; (iv) “A razão entre remuneração (taxa diária) e o valor de mercado do ativo investido (valor de reposição) é que melhor poderá refletir a natureza da cessão de direito de uso (afretamento) das embarcações. A razão entre a taxa diária e o valor de reposição do ativo proporcional a relação econômica entre o direito de uso de ativos de características que, embora diferentes, são fungíveis e intrínsecas ao valor de reposição, e o valor de mercado do ativo afretado.” Assim, diante das especificidades do negócio jurídico celebrado, a Impugnante tomou como referências as orientações da líder do consórcio de afretamentos para conceber um parâmetro de comparação para submissão aos testes de apuração do Preço Praticado e Preço Parâmetro. Nesse momento, depara-se com uma contradição da Impugnante na arguição de nulidade. Isso porque as orientações apresentadas pela Petrobrás não estão dispostas em lei. Ora, se fosse ser adotado o critério da peça de defesa, então qual foi dispositivo legal ou normativo utilizado pela Impugnante para aplicar tal metodologia? Se as hipóteses da legislação tributária seriam taxativas, como aduzido pela Impugnante, seu procedimento, em tese, não atenderia nenhuma das orientações trazidas pelo art. 9º e 10 da IN RFB nº 1.312, de 2012, tampouco o art. 42 da instrução normativa. Não há, em tese, positivação para adotar como parâmetro de comparabilidade a criação de índice no qual se multiplica a “Taxa Diária de Afretamento” pelo “Número de dias do contrato de afretamento”, e tampouco calcular a “Taxa Diária de Afretamento” mediante a divisão entre o “Valor de Reposição” (que consiste no valor do investimento) e a “Vida útil da Plataforma”. Como se pode observar, a premissa de ilegalidade adotada pela Impugnante é completamente equivocada. A disciplina de Preços de Transferência trata de transações industriais, comerciais e prestação de serviços, dentre outros, das mais variadas naturezas. São transações globais, trazendo especificidades não apenas de ordem econômica ou financeira, mas também territoriais. Assim, para eventual teste de comparabilidade entre negócios jurídicos celebrados entre empresas vinculadas e não vinculadas, há que se apreciar a especialidade de cada caso concreto. Não cabe, tanto no direito nacional quanto no comparado, positivar um “índice de comparabilidade” para cada natureza de transação industrial/comercial/de serviços. E, no caso concreto, a autoridade autuante valeu-se precisamente da mesma metodologia recomendada pela líder do consórcio (Petrobrás), e, por consequência, da aplicada pela Impugnante, e da mesmo método na apuração do Preço Parâmetro, PIC – Métodos dos Preços Independentes Comparados. Fl. 5643DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.418 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720555/2024-65 17 Contudo, a autoridade tributária, tomando-se por base o disposto na legislação tributária, ao determinar que a apuração do Preço Parâmetro pelo método PIC deve levar em consideração os preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda, em condições de pagamento semelhantes, entendeu que os contratos de afretamento trazidos como parâmetro pela Impugnante para fins de comparação com os contratos de afretamento praticados com a Petrobrás teriam que ser ajustados, uma vez que os contratos iniciais de afretamento dispunham sobre períodos de duração diferentes. Legislação tributária vigente à época dos fatos, art. 8 da In RFB nº 1.312, de 2012, com redação amparada no art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, foi expressamente trazida no Termo de Verificação Fiscal: Inclusive, os dispositivos normativos trazidos pela Impugnante confirmam, ratificam, a legalidade da conduta da autoridade fiscal. O § 1º do art. 9º e o art. 10 da IN RFB nº 1.312, de 2012, dispõem expressamente que a efetivação dos ajustes visando comparar o Preço Parâmetro com o Preço Praticado devem estar relacionados ao prazo para pagamento, e reforça que os direitos devem ser similares: Art. 9º Os valores dos bens, serviços ou direitos serão ajustados de forma a minimizar os efeitos provocados sobre os preços a serem comparados, por diferenças nas condições de negócio, de natureza física e de conteúdo. § 1º No caso de bens, serviços e direitos idênticos, somente será permitida a efetivação de ajustes relacionados com: I - prazo para pagamento; (...) Art. 10. No caso de bens, serviços ou direitos similares, além dos ajustes previstos no art. 9º, os preços serão ajustados em função das diferenças de natureza física e de conteúdo, considerando, para tanto, os custos relativos à produção do bem, à execução do serviço ou à constituição do direito, exclusivamente nas partes que corresponderem às diferenças entre os modelos objeto da comparação. Fl. 5644DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.418 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720555/2024-65 18 Outro dispositivo trazido pela Impugnante, art. 42 da IN RFB nº 1.312, de 2012, deixa ainda mais evidente o acerto da conduta da autoridade fiscal, ao predicar que serão considerados similares bens, serviços e direitos quando puderem substituir-se mutuamente e tiverem especificações equivalentes: Art. 42. Para efeito do disposto nesta Instrução Normativa, 2 (dois) ou mais bens, em condições de uso na finalidade a que se destinam, serão considerados similares quando, simultaneamente: I - tiverem a mesma natureza e a mesma função; II - puderem substituir-se mutuamente, na função a que se destinem; e III - tiverem especificações equivalentes. E, como já registrado, os contratos de afretamento praticados com a Petrobrás em prazos de duração inicial distintos dos contratos de afretamento celebrados com empresas não vinculadas e considerados para apuração do Preço Parâmetro. Os contratos iniciais de afretamento celebrados pela Impugnante e Petrobrás tinham prazos de duração superiores (entre 20 e 16,5 anos) do que os contratos de afretamento eleitos para apuração do Preço Parâmetro (entre 7 e 9 anos). Não se trata de especulação. Trata-se de dado concreto, objetivo, amparado por provas trazidas aos autos. Não há que se falar em se substituir mutuamente um contrato de duração de 9 anos com um contrato de duração de 20 anos, tampouco dizer que são de especificações equivalentes. No caso concreto, contratos de menor duração implicam, em tese, em aplicação de taxas de rentabilidade maiores, com finalidade de viabilizar o esperado retorno do investimento dentro de determinado lapso temporal. E, vice versa, contratos de duração com prazos maiores poderiam tolerar uma taxa de rentabilidade menor, uma vez que o retorno pode ocorrer em um lapso temporal superior. Tal constatação não vem ao acaso, uma vez que a consideração da taxa de retorno no investimento consta expressamente no texto encaminhado pela líder do consórcio (Petrobrás) para a Impugnante, no qual discorre que caberia ser considerada a “taxa esperada de retorno sobre o investimento”: Quanto ao preço parâmetro, o objeto dos contratos de afretamento é o direito de uso das embarcações e não as embarcações por si só. O conjunto de características e especificidades de cada embarcação já está refletido no valor investido pelo afretador durante a construção. A capacidade de produção e outras especificidades são inerentes à tecnologia da embarcação construída e das facilidades sobre ela adicionadas. O contrato de afretamento considera essas variáveis através do valor investido na construção da plataforma.” Outrossim, o valor da taxa diária guarda relação entre o valor investido pelo proprietário da embarcação, remunerado a uma taxa esperada de retorno Fl. 5645DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.418 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720555/2024-65 19 sobre o investimento, que por sua vez não mantém relação direta com o resultado da produção de óleo e gás natural pelo uso do equipamento. O valor da taxa diária cobrado é baseado na colocação da embarcação com suas características técnicas à disposição do afretador durante um tempo pré-acordado. O fretador levará este prazo do contrato em consideração em relação ao retorno esperado sobre o investimento. Desta maneira, a comparação entre os preços de contratos de afretamento firmados entre a Petrobras e partes independentes, que materializa o método dos preços independentes comparáveis (PIC), deve buscar similaridade entre os racionais dos valores cobrados pelo direito de uso das embarcações e não simplesmente das características técnicas destas embarcações, pois estes fatores já estão implícitos no valor de reposição dos ativos afretados. A razão entre remuneração (taxa diária) e o valor de mercado do ativo investido (valor de reposição) é a que melhor poderá refletir a natureza da cessão de direito de uso (afretamento) das embarcações. A razão entre taxa diária e o valor de reposição do ativo proporciona a relação econômica entre o direito de uso de ativos de características que, embora diferentes, são fungíveis e intrínsecas ao valor de reposição, e o valor de mercado do ativo afretado. (Grifei) Não poderia ser mais claro e objetivo o texto: O fretador levará este prazo do contrato em consideração em relação ao retorno esperado sobre o investimento. Assim, o afretador (Petrobrás) leva em consideração o prazo de utilização da plataforma de petróleo, para fins de definição do valor a ser pago. Nesse contexto, divergência entre prazos de contrato de afretamento implicam em remunerações distintas, uma vez que tem repercussão no retorno esperado sobre o investimento. Nesse contexto, para fins de comparabilidade, valeu-se a autoridade autuante de índice amplamente conhecido e adotado pelo mercado (ROACE - Return on Average Capital Employed, em tradução livre, Retorno sobre o Capital Médio Empregado) para apuração do retorno do investimento. Observa-se que foi precisa a autoridade autuante ao trazer a discordância entre contratos praticados e contratos parâmetro, e o ajuste a ser efetuado nos contratos parâmetro para poderem apresentar a similitude necessária com os contratos praticados. Trata-se de divergência objetiva, sem nenhuma natureza de subjetividade. E, não por acaso, a acusação fiscal foi plenamente compreendida pela Impugnante, tendo a peça de defesa se manifestado om plenitude em face dos lançamentos de ofício efetuados. O que restou concretizada foi uma divergência em relação à similaridade prevista em lei entre os contratos parâmetro e os contratos praticados. Nesse sentido, eventual discussão sobre qual o entendimento mais adequado sobre a questão, no caso, se os contratos de afretamento com prazos de duração iniciais distintos Fl. 5646DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.418 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720555/2024-65 20 atenderiam aos parâmetros de similitude expressamente dispostos na legislação tributária, reside exclusivamente no mérito. E, em relação ao enquadramento legal/normativo, foram devidamente tipificados os dispositivos aplicáveis ao caso concreto (arts. 8º, 9º e 10 da IN RFB nº 1.312, de 2012 4, art. 18, caput e § 7º, e art. 28 da Lei nº 9.430, de 1996 5), vigentes à época dos fatos. Portanto, não há nenhuma ilegalidade, tampouco ausência de motivação/fundamentação. Nesse contexto, entendeu a autoridade fiscal, em procedimento de revisão do lançamento por homologação efetuado pela contribuinte, que caberia a revisão de ofício, prevista no art. 149 do CTN: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I - quando a lei assim o determine; II - quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III - quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recuse-se a prestá-lo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV - quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V - quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI - quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII - quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII - quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX - quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Diante da revisão de ofício, é dever legal efetuar o lançamento fiscal com base no art. 142 do CTN, em atividade vinculada e obrigatória da autoridade tributária: Fl. 5647DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.418 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720555/2024-65 21 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. A formalização dos autos de infração atendeu rigorosamente aos requisitos previstos no Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), conforme art. 10: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I - a qualificação do autuado; II - o local, a data e a hora da lavratura; III - a descrição do fato; IV - a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V - a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo de trinta dias; VI - a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Restou devidamente demonstrada, fundamentada e motivada a acusação fiscal, acompanhada do enquadramento legal, razão pela qual não subsiste o protesto de nulidade arguido. Assim sendo, deve-se afastar a arguição de nulidade, e negar provimento à impugnação em relação à matéria. Pelo exposto, restou amplamente demonstrado que a autoridade fiscal fundamentou adequadamente os ajustes realizados nos preços parâmetros, valendo-se inclusive de critério similar ao utilizado pela empresa quando do cálculo que ela própria realizou. A discussão quanto à correção ou não dos cálculos procedidos pela autoridade lançadora, especialmente a questão do prazo dos contratos e do uso do índice de retorno, está intrinsecamente correlacionada ao mérito da autuação fiscal, de modo que seu exame constará do tópico seguinte deste voto. Ademais, ao contrário do que afirma a Recorrente, o art. 10 da IN RFB nº 1.312/2012 (também utilizado como fundamento para a autuação fiscal) autoriza outros ajustes além dos relacionados no art. 9º. Veja-se novamente o texto do regulamento: Art. 10. No caso de bens, serviços ou direitos similares, além dos ajustes previstos no art. 9º, os preços serão ajustados em função das diferenças de natureza física Fl. 5648DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.418 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720555/2024-65 22 e de conteúdo, considerando, para tanto, os custos relativos à produção do bem, à execução do serviço ou à constituição do direito, exclusivamente nas partes que corresponderem às diferenças entre os modelos objeto da comparação. Evidentemente, o prazo de validade de um contrato é condição que diferencia uma avença de outra, de modo que os ajustes que visem a minimizar a diferença podem e devem ser realizados pela autoridade fiscal. É de se afastar, portanto, a nulidade suscitada. 3 – Mérito Trata-se de autos de infração de IRPJ e CSLL (fls. 4782 a 4813) relativos ao ano- calendário de 2019 cujo resultado foi a redução do Prejuízo Fiscal e da Base de Cálculo Negativa de CSLL em R$593.351.678,57, em razão de ajustes de preços de transferência (Método PIC - Preços Independentes Comparados). A controvérsia ocorre em relação ao valor das despesas consideradas pela Contribuinte em relação ao afretamento de plataformas, operação sujeita ao controle de preços de transferência, já que realizada com empresas ligadas e sediadas no exterior. No entendimento da autoridade fiscal, a Recorrente teria determinado incorretamente o preço parâmetro utilizado na apuração de ajustes decorrentes de preço de transferências pelo método PIC (Preços Independentes Comparados), o que teria resultado, na comparação com o preço praticado na aquisição, em excesso de custos, despesas ou encargos, razão pela qual foram considerados indedutíveis na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, e objeto de revisão por meio dos lançamentos de ofício. A autoridade assim concluiu porque considerou que o modelo adotado pela Recorrente, que levou em conta somente a relação entre taxas de afretamento e o valor da reposição das plataformas, deixou de considerar variáveis que deveriam ter sido consideradas quando da comparação entre os preços parâmetros e os preços praticados. Ainda segundo o autuante, fundamentado pela informação prestada pela empesa líder do consórcio integrado pela ora Recorrente, as características de cada plataforma são decorrentes do valor investido em sua construção e que este valor guarda relação não apenas com o valor do afretamento (parâmetro considerado pela fiscalizada), mas também com a taxa de retorno do investimento e com o prazo dos contratos de afretamento, estes dois últimos aspectos não considerados pela empresa quando do cálculo do preço parâmetro. A autuação fiscal decorreu, portanto, da consideração destes dois aspectos ligados ao negócio jurídico e que não foram objeto de dimensionamento pela empresa quando do cálculo do preço parâmetro. Sobre o aspecto temporal, ou seja, a duração dos contratados de afretamento, a autoridade fiscal considerou que a empresa adotou como parâmetros contratos com prazos de duração inferiores aos contratos objeto do controle do preço de transferência. Fl. 5649DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.418 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720555/2024-65 23 Os contratos parâmetro informavam, em relação ao prazo inicial, as seguintes durações: Já para os contratos relativos aos preços praticados, os prazos eram os seguintes: Prossegue afirmando que não se poderia fazer a comparação entre o prazo inicial dos contratos celebrados pela Recorrente com o prazo inicial acrescidos dos prazos decorrentes de aditivos contratuais para os contratos parâmetro. Ao assim proceder, a empresa teria comparado valências distintas, o que violaria o intuito normativo de comparar direitos os mais similares possíveis. A Recorrente combate a conclusão do fisco sustentando que o modelo de precificação do afretamento de plataformas leva em conta a sua vida útil, independentemente do prazo inicial dos contratos, pois são esperadas prorrogações até o fim da vida útil do bem ou até que as reservas exploradas sejam exauridas. Deste modo, para comparação entre os contratos parâmetro e os contratos objeto do controle de preços, deveriam ser considerados os prazos totais, incluindo as prorrogações, já que demonstrado que os contratos parâmetro foram objeto de sucessivas extensões de prazo. Quanto a este tópico, a decisão recorrida analisou com profundidade o litígio e apresentou a seguinte fundamentação para convalidar o procedimento realizado pela autoridade fiscal: Tanto a Impugnante quanto a autoridade autuante, em razão de especificidade da relação comercial, levaram em consideração as orientações apresentadas pela líder do consórcio de afretamentos (Petrobrás), transcritas a seguir (e-fls. 4914/4916): Fl. 5650DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.418 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720555/2024-65 24 Quanto ao preço parâmetro, o objeto dos contratos de afretamento é o direito de uso das embarcações e não as embarcações por si só. O conjunto de características e especificidades de cada embarcação já está refletido no valor investido pelo proprietário durante a construção. A capacidade de produção e outras especificidades são inerentes à tecnologia da embarcação construída e das facilidades sobre ela adicionadas. O contrato de afretamento considera essas variáveis através do valor investido na construção da plataforma. Ademais, o valor da taxa diária guarda relação entre o valor investido pelo proprietário da embarcação, remunerado a uma taxa esperada de retorno sobre o investimento, que por sua vez não mantém relação direta com o resultado da produção de óleo e gás natural pelo uso do equipamento. O valor da taxa diária cobrado é baseado na colocação da embarcação com suas características técnicas à disposição do afretador durante um tempo pré-acordado. O fretador levará este prazo do contrato em consideração em relação ao retorno esperado sobre o investimento. Desta maneira, a comparação entre os preços de contratos de afretamento firmados entre a Petrobras e partes independentes, que materializa o método dos preços independentes comparáveis (PIC), deve buscar similaridade entre os racionais dos valores cobrados pelo direito de uso das embarcações e não simplesmente das características técnicas destas embarcações, pois estes fatores já estão implícitos no valor de reposição dos ativos afretados. A Petrobras entende que a razão entre remuneração (taxa diária) e o valor de mercado do ativo investido (valor de reposição) é a que melhor poderá refletir a natureza da cessão de direito de uso (afretamento) das embarcações. A razão entre taxa diária e o valor de reposição do ativo proporciona a relação econômica entre o direito de uso de ativos de características que, embora diferentes, são fungíveis e intrínsecas ao valor de reposição, e o valor de mercado do ativo afretado. Para fins de cálculo, calcula-se uma relação entre a taxa diária e o CAPEX (valor de reposição, conforme laudo de avaliação) das embarcações de cada afretamento da Petrobras com partes independentes, calculando assim uma relação “Taxa diária/CAPEX”. Em seguida, é calculada a média das relações "Taxa diária/CAPEX" de terceiros. Essa média será multiplicada pelo CAPEX dos bens (embarcações) testados, obtendo desta forma, a taxa parâmetro de cada embarcação. Com base nas orientações, foi estabelecido como índice de comparação, entre os preços dos contratos de afretamento praticados e os preços dos contratos de afretamento parâmetro, a razão entre remuneração (taxa diária) e o valor de mercado do ativo investido (valor de reposição). Contudo, ao analisar os contratos de afretamento eleitos como parâmetro, deparou-se a autoridade fiscal com diferenças substanciais no prazo de duração inicial: Fl. 5651DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.418 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720555/2024-65 25 [...] Ora, o prazo de duração de contrato não é mera formalidade, ainda mais levando- se em consideração as especificidades do caso concreto. A líder do consórcio (Petrobrás), ao se manifestar sobre a taxa diária de afretamento, discorre que o valor da taxa diária guarda relação entre o valor investido pelo proprietário da embarcação, remunerado a uma taxa esperada de retorno sobre o investimento, e que o valor cobrado é baseado na colocação da embarcação com suas características técnicas à disposição do afretador durante um tempo pré-acordado. Certamente, há que se haver um prazo determinado na exploração da plataforma de contrato, dentro do consórcio de empresas participantes do afretamento. E, de maneira clara e objetiva, conclui a líder do consórcio: O fretador levará este prazo do contrato em consideração em relação ao retorno esperado sobre o investimento. Para não deixar dúvidas, na sequência, há determinação direta da líder do consórcio em relação à comparação entre preços de contratos de afretamento parâmetro e preços de contratos de afretamento praticados: Desta maneira, a comparação entre os preços de contratos de afretamento firmados entre a Petrobras e partes independentes, que materializa o método dos preços independentes comparáveis (PIC), deve buscar similaridade entre os racionais dos valores cobrados pelo direito de uso das embarcações e não simplesmente das características técnicas destas embarcações, pois estes fatores já estão implícitos no valor de reposição dos ativos afretados. (Grifei) Não poderia ser mais transparente a orientação. A similaridade deve ser entre os racionais dos valores cobrados, e não simplesmente das características técnicas destas embarcações. A tese da Impugnante é de que os contratos eleitos para a apuração dos Preços Parâmetro, de afretamento de plataformas (Capixaba, Rio de Janeiro, Vitória e Itajaí) celebrados com empresas não vinculadas (SBM, SAIPEN, MODEC e TEEKAY) seriam suficientes para preencher plenamente os requisitos de semelhança previstos no art. 18, inc. I da Lei nº 9.430, de 1996 e art. 8º, caput, da IN RFB nº 1.312, de 2012. Sob o enfoque operacional, considerou a acusação fiscal que as operações de afretamento de plataformas celebradas entre a Impugnante e a líder do consórcio (Petrobrás) e as celebradas na apuração do Preço Parâmetro tinham natureza de ordem técnica similar, razão pela qual não foram afastados os contratos de afretamento celebrados com as empresas não vinculadas (SBM, SAIPEN, MODEC e TEEKAY). Fl. 5652DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.418 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720555/2024-65 26 Ocorre que a semelhança entre as características técnicas das plataformas não basta. Deve haver a similaridade entre os racionais dos valores cobrados, análise que passa, inevitavelmente, pelas condições estipuladas nos contratos de afretamento, dentre as quais, o prazo de duração, uma vez que guarda relação com o retorno esperado sobre o investimento. Nesse contexto, sobre o enfoque econômico/financeiro, a acusação fiscal apresentou gráfico, demonstrando a necessidade de que a comparação seja efetuada entre negócios jurídicos com lapso temporal semelhantes. Apurou que a taxa diária de retorno a ser paga em um contrato de afretamento com duração de 10 (dez) anos deveria ser maior do que a taxa diária de retorno a ser paga num contrato de afretamento de 20 (vinte) anos, para tornar viável a recuperação do valor investido pelo construtor/proprietário da plataforma. Para tanto, elaborou gráfico comparativo, demonstrando a diferença entre o retorno de investimento de um contrato de duração de 10 anos e do contrato de duração de 20 anos, e por consequência a diferença entre as taxas de afretamento cobradas para o contrato de 10 anos, em valor superior às taxas de afretamento cobradas para o contrato de 20 anos: [...] O Manual de Preços de Transferência da OCDE (OCDE Transfer Princing Guidelines for Multinacional Enterprises and Tax Administrations, July 2017), trazido pelo Termo de Verificação Fiscal, reforça a comparabilidade sob o enfoque econômico/financeiro, relacionando dois aspectos fundamentais para análise da comparabilidade: primeiro, identificar as relações comerciais ou financeiras entre as empresas associadas e as condições e circunstâncias economicamente relevantes associadas a essas relações, a fim de que a transação controlada seja delineada com precisão; e segundo, comparar com precisão as condições e as circunstâncias economicamente relevantes da transação controlada conforme delineada com as condições e o circunstâncias economicamente relevantes de transações comparáveis entre empresas independentes. Transcrevo excerto do manual (e-fls. 4790/4791): 1.33 Conforme indicado no parágrafo 1.6, uma “análise de comparabilidade” encontra-se no cerne da aplicação do princípio da plena concorrência. A aplicação do princípio do Arm’s Length baseia-se numa comparação das condições numa transação controlada com as condições que teriam sido feitas se as partes eram independentes e realizavam uma transação comparável em circunstâncias comparáveis. Existem dois aspectos fundamentais em tal análise: o primeiro aspecto é identificar as relações comerciais ou financeiras entre as empresas associadas e as condições e circunstâncias economicamente relevantes associadas a essas relações, a fim de que a transação controlada seja delineada com precisão; o segundo aspecto é comparar com precisão as condições e as circunstâncias economicamente relevantes da transação controlada Fl. 5653DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.418 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720555/2024-65 27 conforme delineada com as condições e o circunstâncias economicamente relevantes de transações comparáveis entre empresas independentes. (...) 2.15 Seguindo os princípios do Capítulo I, uma transação não controlada é comparável a uma transação controlada (ou seja, é uma transação não controlada comparável) para fins do método CUP se uma das duas condições for atendida: a) nenhuma das diferenças (se houver) entre as transações sendo comparadas ou entre as empresas que realizam essas transações poderiam materialmente afetar o preço no mercado aberto; ou, b) ajustes razoavelmente precisos podem ser feitos para eliminar os efeitos materiais de tais diferenças. Quando for possível localizar transações não controladas comparáveis, o método CUP é a forma mais direta e confiável de aplicar o princípio da plena concorrência. Consequentemente, em tais casos, o método CUP é preferível a todos os outros métodos.” (tradução livre) (Grifei) Improvável dizer que o prazo de duração contratual, com repercussão no retorno esperado do investimento, não consiste em condição e circunstância economicamente relevante. E, precisamente em razão das diferenças apontadas, de forma objetiva, em relação ao prazo de duração inicial dos contratos de afretamento eleitos para apuração do Preço Parâmetro e dos contratos de afretamento que deram origem ao Preço Praticado, a autoridade autuante buscou efetuar ajustes, buscando uma equiparação nas condições financeiras/econômicas do negócio. Trata-se de medida prevista nos arts. 9º e 10 da IN RFB nº 1.312, de 2012, mencionada expressamente pelo Termo de Verificação Fiscal: Art. 9º Os valores dos bens, serviços ou direitos serão ajustados de forma a minimizar os efeitos provocados sobre os preços a serem comparados, por diferenças nas condições de negócio, de natureza física e de conteúdo. (...) Art. 10. No caso de bens, serviços ou direitos similares, além dos ajustes previstos no art. 9º, os preços serão ajustados em função das diferenças de natureza física e de conteúdo, considerando, para tanto, os custos relativos à produção do bem, à execução do serviço ou à constituição do direito, exclusivamente nas partes que corresponderem às diferenças entre os modelos objeto da comparação. (Grifei) Ou seja, tomando-se como referência os contratos de afretamento eleitos pela Impugnante para a apuração do Preço Parâmetro, constatou-se a necessidade de se efetuar ajustes visando trazer equivalência dos termos acordados, considerando a diferença entre os prazos de duração iniciais, no caso, contratos Fl. 5654DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.418 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720555/2024-65 28 praticados celebrados pela Impugnante e Petrobrás com lapso temporal entre 20 e 16,5 anos, e contratos de afretamento eleitos para apuração do Preço Parâmetro com lapso temporal entre 7 e 9 anos, e a correspondente repercussão na taxa esperada de retorno de investimento. Protesta a Impugnante que a duração dos contratos eleitos para a apuração dos Preços Parâmetro, de afretamento de plataformas (Capixaba, Rio de Janeiro, Vitória e Itajaí) celebrados com empresas não vinculadas (SBM, SAIPEN, MODEC e TEEKAY), teriam sido estendida, perfazendo a média final de 15 (quinze) anos, fato que teria sido desconsiderado pela acusação fiscal. Ao contrário do aduzido na peça de defesa, a extensão dos contratos de afretamento eleitos para apuração dos Preços Parâmetro foi tratada pela autoridade autuante. Primeiro, o que se observa é que a Impugnante vem buscar comparação entre prazo inicial de contratos do Preço Praticado com prazos prorrogados de contratos eleitos para apuração do Preço Parâmetro, ou seja, grandezas de naturezas distintas. E, ainda que se admitisse tal comparação, a média de 15 anos dos contratos com prazo estendido eleitos para apuração do Preço Parâmetro não alcança a média dos contratos de afretamento de Preço Praticado, uma vez que sete contratos tem prazo de 20 anos e um contrato tem prazo de 16,5 anos: [...] Na realidade, em tese, se pudesse ser feita a comparação proposta pela Impugnante, caberia constatar que os contratos celebrados com a líder do consórcio (Petrobrás) também podem ser estendidos, em razão da expectativa de vida útil das plataformas. Inclusive, conforme trazido na impugnação, à e-fl. 4852, os elevados custos envolvidos para as partes contratantes induzem as sucessivas prorrogações dos prazos dos afretamentos. E, na perspectiva de prorrogação dos contratos de afretamento, apurou a autoridade autuante que os prazos acordados nos contratos iniciais guardam relação com a vida útil da plataforma. Ou seja, as plataformas eleitas na apuração do Preço Parâmetro, com contratos celebrados de duração entre 7 e 9 anos, tinham expectativa de vida útil de 15 anos, precisamente o prazo médio aduzido pela Impugnante considerando-se a prorrogação dos acordos de afretamento de plataformas (Capixaba, Rio de Janeiro, Vitória e Itajaí) celebrados com empresas não vinculadas (SBM, SAIPEN, MODEC e TEEKAY). Na mesma medida, os contratos iniciais celebrados pela Impugnante com a líder do consórcio de afretamentos (Petrobrás), com duração de 20 anos (sete contratos) e 16,5 anos (um contrato), trataram de plataformas de exploração de petróleo com vida útil estimada de 30 a 35 anos (e-fl. 4792, Termo de Verificação Fiscal). Assim, uma vez constatada a divergência entre os prazos contratuais, no caso, contratos praticados celebrados pela Impugnante e Petrobrás com lapso temporal Fl. 5655DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.418 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720555/2024-65 29 entre 20 e 16,5 anos na apuração do Preço Praticado; e contratos de afretamento eleitos para apuração do Preço Parâmetro com lapso temporal entre 7 e 9 anos, restou incontestável a necessidade de ajustes buscando trazer a devida equivalência entre os negócios jurídicos objeto de comparação. Concordo integralmente com a decisão acima transcrita. Não há, efetivamente, como comparar contratos com prazos de duração tão distintos sem que se proceda a ajustes visando minimizar os efeitos das diferenças existentes entre eles. Ademais, como destacado, se fossem ser comparados os prazos totais dos contratos, haveria de se considerar, igualmente, a possibilidade de prorrogação dos prazos dos contratos relativos aos preços praticados. Ainda, a vida útil dos contratos parâmetro, incluindo as prorrogações (15 anos, em geral) é muito menor do que a vida útil das plataformas objeto do controle de preços, que varia entre 30 e 35 anos. Por estes fundamentos, reputo que agiu bem a autoridade fiscal ao considerar a necessidade de ajustes nos contratos parâmetros, dada a diferença entre os prazos contratuais cotejados. Para realizar os ajustes nos preços parâmetro, a autoridade fiscal apurou inicialmente a taxa de retorno do investimento realizado pelas afretadoras. Os valores constam de planilha integrante do arquivo não paginável de fl. 973, aba “taxa de retorno”. Os valores estão assim tabulados: A taxa interna de retorno adotada pelo fisco foi equivalente à média ponderada do índice ROACE (Return on Average Capital Employed – retorno sobre o capital médio empregado). O índice é obtido pela divisão do EBIT (earnings before interest and taxes) pela média do capital empregado e foi obtido diretamente em publicações das companhias proprietárias das plataformas objeto do preço parâmetro (grupos econômicos SBM, SAIPEN, MODEC e TEEKAY) Os dados coletados levaram em consideração a diversidade de operações das empresas cotejadas, cujo conjunto de atividades (financiamento, marketing, vendas e prestação de serviços) contribuem para a geração do valor (TVF, fl. 4.798, destaques ora acrescidos): Importa dizer que tal índice apurado nas demonstrações financeiras consolidadas foi escolhido justamente porque captura a diversidade de operações dos grupos construtores de plataformas cujo conjunto de atividades, entre elas, fmanciamento, marketing, vendas e prestação de serviços contribuem para a geração de valor. Observe-se no presente caso, que além do afretamento das unidades (Capex), os FPSO comparáveis também eram operados pelas mesmas empresas construtoras. Assim, tais atividades (serviços, financiamento e outros) Fl. 5656DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.418 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720555/2024-65 30 não necessariamente alocadas à entidade que diretamente constrói a unidade, contribuem para o retorno dos investimentos da atividade principal que é o negócio de alugar unidades/plataformas para operação em campos de óleo e gás. Além disso, a autoridade autuante considerou os dados do período compreendido entre 2011 e 2018, já que buscou o maior número de períodos nos quais tanto as plataformas comparáveis quanto as alugadas em 2019 possuíam contratos de afretamento. A autuada contesta o procedimento levado a efeito pelo fisco. Afirma que o uso do ROACE foi introduzido na legislação tributária pela Lei nº 12.956/2023, de modo que não poderia ser utilizado pelo fisco para os cálculos dos ajustes. Sustenta que o índice ROACE seria inadequado para aferir a rentabilidade das operações, já que captura a rentabilidade de atividades distintas do afretamento de plataformas Enquanto indicador de rentabilidade abrangente para entidades que atuam em setores com uso de capital intensivo, o ROACE pode auxiliar gestores e investidores nº processo de tomada de decisões. No entanto, enquanto índice de rentabilidade para fins de aplicação das regras de precos de transferência, o ROACE conduz a resultados inconsistentes uma vez que considera ativos não relacionados ao contrato analisado(afretamento de FPSOs), especialmente se a sua finalidade for ajustar o preço parâmetro para fins de comparabilidade. Argumenta que os resultados apresentados pelo índice ROACE colhidos pelo fisco apresentaram uma variação muito grande, desde um retorno negativo de 25,82% até um positivo de 15,10%. Argui ainda que é impossível isolar os resultados de transações com partes relacionadas no índice ROACE, o que ofenderia o art. 18, inciso I da Lei nº 9.430/1996. Ainda segundo a Recorrente, seria vedado o uso de dados anteriores a 2019, e como o fisco utilizou dados de 2011 a 2018, teria descumprido o art. 11, inciso II da IN RFB nº 1.312/2012. Por fim, alega que a taxa de retorno do investimento apurado pela autoridade fiscal (3,33% a.a) é excessivamente baixa, e que seria irracional do ponto de vista econômico desempenhar atividade de tal nível de complexidade e riscos a ela inerentes para ter retorno tão baixo. Combate ainda a argumentação apresentada pelo fisco segundo a qual o uso do índice ROACE evitaria os problemas ligados à bipartição de contratos (afretamento e prestação de serviços). Informa que para o ano-calendário 2019, a legislação já previa um coeficiente de bipartição dos contratos de afretamento e prestação de serviços de exploração de petróleo e gás. O acórdão de piso merece ser reformado quanto a este tópico. Fl. 5657DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.418 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720555/2024-65 31 Restou, como anteriormente assentado, devidamente demonstrada a necessidade de ajustes aos contratos parâmetros utilizados para fins do controle do preço de transferência. O método adotado pelo fisco, contudo, deixou margem para muitos questionamentos bem explorados pela defesa. A autoridade fiscal calculou os fatores de ajuste por ela utilizados com base na seguinte equação inserta exemplificativamente no TVF (fl. 4.803): Segue um exemplo do cálculo de um dos fatores de ajuste de comparabilidade que consta do documento Ajustes - Preços de Transferência — AC 2019, na planilha "Capixaba SBM 7-20 anos": O mesmo cálculo foi repetido para os 4 contratos parâmetro de modo que se obteve a nova média que deveria ser considerada para fins de cálculo dos ajustes dos preços de transferência: Com o cálculo dos fatores de ajustes foi apurada uma nova média dos contratos de terceiros que deixa de ser 0,056% e passa a ser 0,02739%. Portanto, o fisco apurou uma média de 0,02739%, fator que deveria multiplicar a relação entre a taxa diária de afretamento e o valor de reposição de cada plataforma, enquanto a Contribuinte havia utilizado o valor de 0,056% para a mesma operação. Deste modo, recalculou os valores que seriam dedutíveis a título de despesas/custos de produção, ao obter a diferença entre os preços praticados e o novo preço parâmetro: Fl. 5658DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.418 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720555/2024-65 32 Ocorre, contudo, que a conclusão a que chegou a autoridade fiscal tem como ponto de sustentação a taxa média de retorno por ela calculada com base nos seguintes elementos coletados em demonstrativos públicos disponíveis: De plano, verifica-se que foram utilizadas informações de 8 períodos diferentes. Ao justificar a utilização de informações relativas aos anos-calendário 2011 a 2018, o fisco afirmou que procurou considerar o maior número de períodos nos quais tanto as plataformas comparáveis quanto as alugadas já tivessem contratos de afretamento pactuados. Neste sentido, como a FPSO Rio de Janeiro não operou normalmente em 2019, os dados daquele ano não foram levados em consideração (fl. 4.801, com destaques acrescidos): Com o objetivo de determinar um índice consistente para realizar o ajuste de comparabilidade buscou-se considerar o maior número de períodos nos quais tanto as plataformas comparáveis quanto as plataformas alugadas no decorrer do ano sob fiscalização já tinham seus contratos de afretamento pactuados. Dessa maneira, a série de índices considerada começa em 2011 e termina em 2018 (Em 2019, a FPSO Cidade Rio de Janeiro não operou normalmente, motivo pelo qual não foram coletados índices para este ano). Tal procedimento de ajuste já foi questionado por utilizar índices de diferentes anos-calendário, mas cabe lembrar que a própria empresa ao buscar o valor de reposição de suas plataformas utilizou laudos que avaliaram as embarcações em variadas datas (Por exemplo: FPSO Capixaba feito em 2006; Paraty feito em 2013; Mangaratiba feito em 2014; Maricá feito em 2015). Compulsando-se os autos do processo, à fl. 943 encontra-se o arquivo não paginável intitulado “planilhas datas e consórcios”. A leitura do documento indica que nenhum Fl. 5659DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.418 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720555/2024-65 33 dos contratos de arrendamento objeto do controle de preço de transferência estava vigente em 2011; os mais antigos começaram a viger em 2013: Os contratos juntados aos autos (fls. 329 a 941) ratificam as informações constantes da planilha acima reproduzida, donde se conclui que, ao contrário do afirmado, não havia contratos de afretamento vigentes em 2011 e 2012 e que somente a partir de 2016 todos os contratos objeto do controle haviam se iniciado. Deste modo, o único critério objetivo apontado pela autoridade fiscal (existência concomitante no tempo de contratos de afretamento e parâmetro) mostrou-se incomprovado e, por via de consequência, injustificável, mormente quanto se conflita com o preceito contido no § 2º do art. 11 da IN/RFB nº 1.312/2012 (destaques acrescidos): Art.11. A partir de 1º de janeiro de 2013, as operações utilizadas, para fins de cálculo, devem: I - representar, ao menos, 5% (cinco por cento) do valor das operações de importação sujeitas ao controle de preços de transferência, empreendidas pela pessoa jurídica, no período de apuração, quanto ao tipo de bem, direito ou serviço importado, na hipótese em que os dados utilizados para fins de cálculo digam respeito às suas próprias operações; e II - corresponder a preços independentes realizados no mesmo ano-calendário das respectivas operações de importações sujeitas ao controle de preços de transferência. § 1º Na hipótese prevista no inciso I do caput, não havendo operações que representem 5% (cinco por cento) do valor das importações sujeitas ao controle de preços de transferência no período de apuração, o percentual poderá ser complementado com as importações efetuadas no ano-calendário imediatamente anterior, ajustado pela variação cambial do período. § 2º Na hipótese prevista no inciso II do caput, não havendo preço independente no ano-calendário da importação, poderá ser utilizado preço independente relativo à operação efetuada no ano-calendário imediatamente anterior ao da importação, ajustado pela variação cambial do período. Por estes fundamentos, a taxa de retorno média apurada pela autoridade fiscal (3,3% a.a) adquire contornos de subjetividade, já que calcada em parâmetros objetivos (taxa média de retorno), mas relativos a períodos arbitrariamente escolhidos pela autoridade autuante, sem um critério objetivo que valide a escolha. Fl. 5660DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.418 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720555/2024-65 34 Mas não é apenas em relação aos períodos considerados que o cálculo da taxa média de retorno tem problemas. Como salientado desde o procedimento fiscal, os valores tabulados pela autoridade fiscal levam em conta a totalidade das atividades desempenhadas pelos grupos empresariais ligados aos contratos parâmetro. Rememore-se (TVF, fl. 4.798, destaques acrescidos): Importa dizer que tal índice apurado nas demonstrações financeiras consolidadas foi escolhido justamente porque captura a diversidade de operações dos grupos construtores de plataformas cujo conjunto de atividades, entre elas, financiamento, marketing, vendas e prestação de serviços contribuem para a geração de valor. Observe-se no presente caso, que além do afretamento das unidades (Capex), os FPSO comparáveis também eram operados pelas mesmas empresas construtoras. Assim, tais atividades (serviços, financiamento e outros) não necessariamente alocadas à entidade que diretamente constrói a unidade, contribuem para o retorno dos investimentos da atividade principal que é o negócio de alugar unidades/plataformas para operação em campos de óleo e gás. Inobstante a argumentação apresentada, o que se está a elucidar é o preço praticado em contratos de afretamento de plataformas, uma operação específica e singular. Se a autoridade fiscal, ao apurar a taxa média de retorno dos grupos empresariais responsáveis pelos contratos parâmetro, levou em conta atividades diversas, e o fez deliberadamente, sem margem para dúvida “contaminou” os índices utilizados, que refletem o conjunto das atividades empresariais desenvolvidas pelos grupos econômicos e não o afretamento de plataformas. Esta falta de especificidade em relação à atividade objeto da taxa de retorno adotada pela autoridade fiscal compromete todo o cálculo realizado, já que contraria a disposição contida no art. 18, inciso I da Lei nº 9.430/1996: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (Vide Medida Provisória nº 478, de 2009) (Vide Medida Provisória nº 1.152, de 2022) Vigência (Revogado pela Lei nº 14.596, de 2023) I - Método dos Preços Independentes Comparados - PIC: definido como a média aritmética ponderada dos preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda empreendidas pela própria interessada ou por terceiros, em condições de pagamento semelhantes; (Redação dada pela Lei nº 12.715, de 2012) [...] Fl. 5661DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.418 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720555/2024-65 35 Ainda que os contratos parâmetros tratem exclusivamente do arrendamento de plataformas, o valor apurado para fins de comparação com os preços praticados é diretamente influenciado por outras atividades desempenhadas pelo grupo empresarial, de modo que é lícito o questionamento ligado ao expurgo que deveria ter sido feito em relação às demais atividades desenvolvidas pelos grupos empresariais, bem como em relação aos resultados decorrentes de operações com partes relacionadas. Assim, não há como se acatar a taxa de retorno média apurada pela autoridade autuante, já que o valor obtido restou comprometido por adoção de critérios arbitrários em relação aos períodos utilizados para sua apuração e pelo uso de todas as atividades desenvolvidas pelos grupos empresariais, o que desnatura o espírito de comparação entre contratos semelhantes previsto em lei. Por fim, há de se considerar que a matéria objeto deste julgamento foi apreciada em outros 9 processos que chegaram ao CARF, 4 dos quais via de recurso de ofício. Dos 9 processos julgados, 8 tiveram decisão favorável ao Contribuinte, seja pela rejeição do recurso de ofício, seja pelo provimento do recurso voluntário. As decisões favoráveis aos contribuintes estão formalizadas por meio dos acórdãos nºs 1102-001.360; 1201-007.209; 1201-007.134; 1401-007.316; 1201-007.239; 1302-007.044; 1302-007.307; 1402-007.594. A única decisão favorável à fazenda nacional foi proferida por voto de qualidade, nos termos do acórdão nº 1102-001.524 (09/10/2024), assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2017 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PIC. AFRETAMENTO DE EMBARCAÇÕES. TAXA DE AFRETAMENTO DIÁRIA. AJUSTES NA METODOLOGIA. ADMISSIBILIDADE. Os levantamentos espontaneamente efetuados pelo contribuinte, para fins de subsunção às regras de preços de transferência no método PIC, devem ser ajustados de ofício quando da inobservância do prazo contratual e das diferentes expectativas de retorno sobre o investimento, por guardarem, objetivamente, obediência à correspondente norma e racionalidade lógica e econômica. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL Ano-calendário: 2017 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. SEGUE A SORTE DA EXIGÊNCIA PRINCIPAL. Dado o suporte fático e jurídico comum, aplica-se ao lançamento reflexo (CSLL) o que decidido no lançamento principal (IRPJ). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, por voto de qualidade, em negar Fl. 5662DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.418 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720555/2024-65 36 provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Fredy José Gomes de Albuquerque, Cristiane Pires McNaughton e Eduarda Lacerda Kanieski, que davam provimento. Manifestou intenção de declarar voto o Conselheiro Fredy José Gomes de Albuquerque Esta decisão é decorrente da mesma autuação fiscal da ora Recorrente, relativa a período de apuração diverso; e representou mudança no entendimento daquele Colegiado que havia declarado, por ampla maioria, a nulidade do procedimento fiscal em relação a outro período de apuração. Com a devida vênia, pelas razões acima apontadas, discordo da decisão prolatada em relação à mesma empresa objeto dos presentes autos e me filio ao mérito da decisão contida no acórdão nº 1302-007.044, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2016 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PIC. AFRETAMENTO DE EMBARCAÇÕES. TAXA DE AFRETAMENTO DIÁRIA. POSSIBILIDADE DE AJUSTES NA METODOLOGIA. A contribuinte utilizou como metodologia utilizar a média da razão Taxa Diária de afretamento (US$)/CAPEX relativas a contratos de afretamentos firmados pela líder do consórcio com terceiros não vinculados. Para apuração do preço parâmetro nos contratos de afretamento nos consórcio que integrava, simplesmente multiplicou a Taxa Diária/CAPEX pelo valor de reposição das plataformas por ela afretadas. Não foram considerados os diferentes prazos contratuais inicialmente previstos e os valores implícitos da taxa de retorno sobre o investimento esperado por cada fretador (construtor proprietário das plataformas). Ajustes na metodologia utilizada em decorrência do prazo contratual e das diferentes expectativas de retorno sobre o investimento são possíveis e tem racionalidade lógica e econômica. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. AFRETAMENTO DE EMBARCAÇÕES PARA EXPLORAÇÃO E PRODUÇÃO DE ÓLEO E GÁS. AJUSTE NA METODOLOGIA PARA APURAÇÃO DA TAXA DIÁRIA DE AFRETAMENTO PARA UTILIZAÇÃO COMO PREÇO PARÂMETRO. UTILIZAÇÃO DO INDICADOR DE RENTABILIDADE ROACE. INADEQUABILIDADE. Em que pese reconhecer o esforço da Fiscalização em conseguir um indicador para ajuste da metodologia empregada pelo contribuinte para apuração do preço parâmetro, o resultado mostrou-se inadequado pelas seguintes razões: (i) foram utilizadas informações contábeis consolidadas dos conglomerados construtores das plataformas utilizadas na comparação. Como os conglomerados possuem uma extensa gama de atividades, torna-se inadequada a comparação das taxas de retorno sobre o investimento, porque não foram utilizadas o resultado do segmentos específica de construção de FPSOs; (ii) além disso, os índices apurados de ROACE mostram uma variância muito grande, o que significa que a média Fl. 5663DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.418 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720555/2024-65 37 apurada e utilizada não é adequada; (iii) o retorno sobre investimento apurado pela Fiscalização se mostra muito baixo, incompatível com o retorno que um investidor espera no mercado que exige grande volume de investimento e de alto risco, havendo investimento muito mais seguros e com maior retorno, o que também mostra a inadequação do índice utilizado pela Fiscalização; (iv)no presente caso, a contribuinte era participante minoritária de um consórcio, de modo que os outros parceiros tinham participação majoritária e que se espera, por racionalidade lógica e econômica; que buscassem o melhor preço para o afretamento das embarcações, o que levaria a concluir que o preço praticado no afretamento foi justo, e não demandaria ajuste do preço de transferência. Pelo exposto, e considerando-se que a taxa média de retorno foi o parâmetro utilizado para “calibrar” as diferenças entre os prazos de vigência dos contratos cotejados, e que a referida taxa média de retorno não poderia ser calculada como foi, há de se prover o recurso voluntário para afastar a autuação fiscal. Em função do provimento do recurso, deixo de examinar os demais argumentos da defesa. 4 – Conclusões Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, afastar a nulidade apontada e, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO a fim de sejam restabelecidos o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa da CSLL objeto da autuação fiscal. Assinado Digitalmente Maurício Novaes Ferreira Fl. 5664DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10935.903327/2020-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 14 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Fri May 29 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2014
NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. MERO INCONFORMISMO.
O mero inconformismo do contribuinte com o entendimento exarado no Despacho Decisório não gera por si só a sua nulidade, quando houve a devida motivação e fundamentação das glosas efetuadas.
FRETE DE INSUMO DESONERADO. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF N° 188.
É permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições.
CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETES. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF N° 217,
Nos termos da Súmula CARF n° 217, não cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e Cofins não-cumulativos sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa.
CRÉDITOS. DESPESAS COM MULTA E JUROS. ENERGIA ELÉTRICA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF N° 224.
Nos termos da Súmula CARF n° 224, para efeito de apuração de crédito no âmbito do regime da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, somente será considerada a energia elétrica efetivamente consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, não se enquadrando nesse conceito outras despesas como a Contribuição para o Custeio da Iluminação Pública (COSIP) ou a demanda contratada.
CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA INICIAL DO CONTRIBUINTE.
Conforme determinação do art. 36 da Lei nº 9.784/1999, do art. 16 do Decreto 70.235/72 e dos art. 165 e seguintes do CTN e demais dispositivos que regulam o direito ao crédito fiscal, o ônus da prova é inicialmente do contribuinte ao solicitar seu crédito.
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. ALÍQUOTA ZERO. VEDAÇÃO.
Há vedação expressa na legislação que regulamenta o sistema não cumulativo de apuração das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins de apropriação de créditos calculados sobre o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições.
Numero da decisão: 3101-004.731
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade. No mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reverter as glosas sobre fretes vinculados a aquisição de bens não sujeitos ao pagamento das contribuições, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições e sobre gastos com combustíveis. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3101-004.728, de 14 de abril de 2026, prolatado no julgamento do processo 10935.903331/2020-68, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Assinado Digitalmente
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Renan Gomes Rego, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Ramon Silva Cunha, Luciana Ferreira Braga, Eduardo Gargiulo Ornelas Santiago, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2014 NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. MERO INCONFORMISMO. O mero inconformismo do contribuinte com o entendimento exarado no Despacho Decisório não gera por si só a sua nulidade, quando houve a devida motivação e fundamentação das glosas efetuadas. FRETE DE INSUMO DESONERADO. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF N° 188. É permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições. CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETES. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF N° 217, Nos termos da Súmula CARF n° 217, não cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e Cofins não-cumulativos sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa. CRÉDITOS. DESPESAS COM MULTA E JUROS. ENERGIA ELÉTRICA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF N° 224. Nos termos da Súmula CARF n° 224, para efeito de apuração de crédito no âmbito do regime da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, somente será considerada a energia elétrica efetivamente consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, não se enquadrando nesse conceito outras despesas como a Contribuição para o Custeio da Iluminação Pública (COSIP) ou a demanda contratada. CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA INICIAL DO CONTRIBUINTE. Conforme determinação do art. 36 da Lei nº 9.784/1999, do art. 16 do Decreto 70.235/72 e dos art. 165 e seguintes do CTN e demais dispositivos que regulam o direito ao crédito fiscal, o ônus da prova é inicialmente do contribuinte ao solicitar seu crédito. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. ALÍQUOTA ZERO. VEDAÇÃO. Há vedação expressa na legislação que regulamenta o sistema não cumulativo de apuração das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins de apropriação de créditos calculados sobre o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade. No mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reverter as glosas sobre fretes vinculados a aquisição de bens não sujeitos ao pagamento das contribuições, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições e sobre gastos com combustíveis. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3101-004.728, de 14 de abril de 2026, prolatado no julgamento do processo 10935.903331/2020-68, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Renan Gomes Rego, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Ramon Silva Cunha, Luciana Ferreira Braga, Eduardo Gargiulo Ornelas Santiago, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
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DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. MERO INCONFORMISMO. O mero inconformismo do contribuinte com o entendimento exarado no Despacho Decisório não gera por si só a sua nulidade, quando houve a devida motivação e fundamentação das glosas efetuadas. FRETE DE INSUMO DESONERADO. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF N° 188. É permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições. CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETES. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF N° 217, Nos termos da Súmula CARF n° 217, não cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e Cofins não-cumulativos sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa. CRÉDITOS. DESPESAS COM MULTA E JUROS. ENERGIA ELÉTRICA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF N° 224. Nos termos da Súmula CARF n° 224, para efeito de apuração de crédito no âmbito do regime da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, somente será considerada a energia elétrica efetivamente consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, não se enquadrando Fl. 2713DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.731 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.903327/2020-08 2 nesse conceito outras despesas como a Contribuição para o Custeio da Iluminação Pública (COSIP) ou a demanda contratada. CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA INICIAL DO CONTRIBUINTE. Conforme determinação do art. 36 da Lei nº 9.784/1999, do art. 16 do Decreto 70.235/72 e dos art. 165 e seguintes do CTN e demais dispositivos que regulam o direito ao crédito fiscal, o ônus da prova é inicialmente do contribuinte ao solicitar seu crédito. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. ALÍQUOTA ZERO. VEDAÇÃO. Há vedação expressa na legislação que regulamenta o sistema não cumulativo de apuração das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins de apropriação de créditos calculados sobre o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade. No mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reverter as glosas sobre fretes vinculados a aquisição de bens não sujeitos ao pagamento das contribuições, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições e sobre gastos com combustíveis. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3101-004.728, de 14 de abril de 2026, prolatado no julgamento do processo 10935.903331/2020-68, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Renan Gomes Rego, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Ramon Silva Cunha, Luciana Ferreira Braga, Eduardo Gargiulo Ornelas Santiago, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Fl. 2714DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.731 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.903327/2020-08 3 Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que julgou o Pedido de Ressarcimento apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente ao suposto crédito de PIS/PASEP. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa, em síntese abaixo, estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2014 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Incabível anular decisão sem que haja fatos ofensivos ao direito de ampla defesa, ao contraditório ou às normas que definem competência. PROVAS. O interessado tem o ônus de demonstrar seu direito para que este seja reconhecido pela autoridade julgadora. A mera alegação de que os documentos pertinentes estariam à disposição do Fisco não é suficiente para gerar a dúvida motivadora de diligência fiscal. Irresignada, a Recorrente interpôs recurso voluntário alegando, em preliminar, nulidade material do despacho decisório e no mérito a procedência dos créditos efetuados em sua contabilidade. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, de modo que admito seu conhecimento. Da preliminar de nulidade Alega-se nulidade do acórdão recorrido, uma vez que não há no despacho decisório razões para as glosas efetuadas pela autoridade fiscal. Fl. 2715DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.731 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.903327/2020-08 4 No entanto, constata-se que o Parecer de folhas 1854 a 1877 contém fundamentação e enquadramento legal, além de disponibilizar ao contribuinte todo o informativo complementar da análise do crédito. Aliás, a Recorrente revela conhecer plenamente a acusação que lhe foi imputada, rebatendo-a mediante substanciosa defesa, o que descaracteriza cerceamento do direito de defesa ou qualquer outro prejuízo ao contribuinte. Mostra-se incabível a declaração de nulidade do despacho decisório, ante a presença de todos os requisitos necessários e suficientes para a ampla defesa do contribuinte. Do mérito GLOSAS DO FRETE VINCULADO A AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES O Fisco entendeu que não seria possível a concessão de crédito sobre fretes de produtos não tributados e bens adquiridos de pessoas físicas, porque a aquisição do bens não era geradora de créditos. Todavia, entendimento contrário à jurisprudência deste egrégio Colegiado, sob a Súmula CARF n° 188: É permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições. Com isso, reverte-se as glosas de frete vinculado a aquisição de bens não sujeitos ao pagamento das contribuições, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições. GLOSAS DO FRETE VINCULADO AS TRANSFERÊNCIAS DE PRODUTOS ENTRE OS ESTABELECIMENTOS Glosa efetuada sobre o frete de produtos acabados entre estabelecimentos da pessoa jurídica. Na Manifestação de Inconformidade, a Recorrente diz que são operações de transferência dos produtos já acabados, para escoamento de sua produção. No Recurso Voluntário, a Recorrente sustenta que são transporte de produtos acabados, não acabados e insumos, que ocorrem no decorrer da prática Fl. 2716DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.731 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.903327/2020-08 5 operacional da empresa e sobre tais operações, houve o creditamento das contribuições sociais de PIS e COFINS. Em que pese acostar laudo operacional, entendo que a Recorrente não logrou êxito em comprovar que o frete entre estabelecimentos era realmente relativo à transferência de insumos ou produtos em elaboração. Apesar de tal documento corroborar sua linha de argumentação de forma genérica, é certo que, para relacionar cada frete à transferência de insumo ou produto não acabado, deveria ser comprovada a descrição de forma individualizada. Ademais, ao caso, aplica-se a Súmula CARF n° 217: Os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas. Assim, as glosas devem ser mantidas. GLOSAS DO FRETE DE OPERAÇÕES INDETERMINADAS Também foi aplicada glosa sobre os valores das despesas de fretes em operações fiscais indeterminadas, ante a ausência ou insuficiência de informações relativas ao produto transportado, ao remetente e/ou ao destinatário. Em Manifestação de Inconformidade, defendeu que referem à aquisição de leite cru Refrigerado e que tais glosas se deram por conta de que algumas informações estavam ausentes nas informações apresentadas sobre os fretes, em especial por ausência de especificação dos produtos no CT-e, constando na grande maioria dos documentos, descrições genéricas, como ‘compra para industrialização’ ou então ‘diversos. A autoridade julgadora, no entanto, indicou que a planilha “NBCC7 Fretes - RFB.xlsx”, aba “Fretes”, mostra que na descrição do produto não era de leite cru, mas outras descrições como alimentos, caixas, carga de risco, carga fechada, cartuchos de, casa e construção, gráficas/livrarias/bazar/mat escritório, matéria prima, materiais, outras. Em Voluntário, a defesa praticamente não apresenta razões contra o trabalho fiscal, alegando apenas que era plenamente possível à auditoria a verificação da relação de itens indicados naqueles documentos que instruíram o PER. Ante a manifesta carência probatória do direito creditório, mantém-se a glosa sobre frete de operações indeterminadas. Fl. 2717DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.731 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.903327/2020-08 6 GLOSAS DO FRETE REFERENTE A NOTA FISCAL INCOMPATÍVEL COM O PERÍODO DE EMISSÃO DO CONHECIMENTO DE TRANSPORTE Para o Fisco, diz respeito à incompatibilidade entre o período de emissão da nota fiscal e o período de emissão do conhecimento de transporte, agravada pelo fato de que os produtos transportados, em regra, são altamente perecíveis: por exemplo, foram detectados registros nos quais as notas fiscais transportadas foram emitidas em dezembro de 2012, mas os conhecimentos de transporte foram emitidos entre novembro de 2017 e janeiro de 2019. A defesa defende que nesta atividade econômica, que o cliente da Indústria, no caso o Supermercado, efetue compra de produtos com razoável antecedência da data de entrega. Esta prática é corriqueira, sobretudo em relação aos bens não perecíveis ou com validade superior a um ano, que são os produtos a que dizem respeito aquelas notas: Veja-se que a Recorrente não apresenta nenhuma nota fiscal ou conhecimento de transporte emitido no 1° trimestre de 2015, período de apuração em análise e relacionado ao PER n° 06771.36509.080916.1.1.19-4510. Assim, nesse tópico, mantenho a glosa, em razão da carência probatória do direito creditório. GLOSAS DO FRETE RELATIVAS AS NOTAS FISCAIS ASSOCIADAS A DOIS OU MAIS CONHECIMENTOS DE FRETE Com intuito de se evitar o aproveitamento de crédito em duplicidade, foi feita a glosa dos valores dos conhecimentos de transporte associados a uma mesma nota fiscal transportada. Fl. 2718DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.731 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.903327/2020-08 7 Para a Recorrente, não há qualquer vício ou impeditivo legal que não possibilite a vinculação de uma nota a mais de um Conhecimento de Transporte. No entanto, da mesma forma que no tópico anterior, a parte recorrente não apresenta nenhuma nota fiscal ou conhecimento de transporte emitido no 1° trimestre de 2015, período de apuração em análise e relacionado ao PER n° 06771.36509.080916.1.1.19-4510. Assim, nesse tópico, mantenho a glosa, em razão da carência probatória do direito creditório. GLOSAS DOS CRÉDITOS RELATIVOS À ENTRADA DE PRODUTOS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO A legislação prevê a impossibilidade de concessão de crédito para as operações não tributadas, nos termos dos incisos do artigo 1° da Lei n° 10.925/2004, tais como açúcar, manteiga, queijos, soro de leite etc. Rememora-se que a vedação de creditamento em relação à aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição é uma das premissas fundamentais da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, conforme vedação expressa de apuração de créditos estabelecida no inciso II do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (…) § 2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (…) II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Pelo exposto, voto por negar provimento ao pedido nesse particular, mantendo as glosas de créditos relativos a produtos adquiridos com alíquota zero. GLOSAS DOS CRÉDITOS RELATIVOS AOS COMBUSTÍVEIS A autoridade fiscal efetuou glosas de bens referidos apenas como produtos em geral. A Recorrente informa que se referem à aquisição de combustíveis, sendo estes óleos Diesel, para alimentar os geradores, entrega de produtos aos seus clientes e, por fim, naquelas que só podem gerar créditos presumidos (transporte de leite). Fl. 2719DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.731 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.903327/2020-08 8 Para a DRJ, não poderia haver creditamento do combustível para alimentar geradores e nem para entrega dos produtos aos clientes. Compulsando os autos, entendo que a Recorrente tem direito ao creditamento do combustível (óleo diesel), seja para o uso como fonte de energia para os geradores (principalmente para manter as câmaras frias e os tanques isotérmicos no preparo do leite), seja para o transporte dos produtos ao cliente (principalmente quando a atividade da empresa também é transporte rodoviário de carga). Reverto as glosas de créditos relativos aos combustíveis (diesel). GLOSAS DOS CRÉDITOS RELATIVOS AOS REGISTROS CONSTANTES NO F100 – SERVIÇOS DE FRETE A autoridade fiscal informa que para os poucos registros constantes do bloco F100, supostamente relativos a serviços de frete, foi constatada a ausência de informações relativas ao produto transportado, ao remetente e/ou ao destinatário, denotando operações indeterminadas, cuja aferição de adequação ao conceito de insumo ou de frete em operação de venda torna-se inviável. A Recorrente, noutra direção, informa que operações objeto do pedido de crédito referem-se ao transporte de produtos no curso do processo produtivo. O julgador a quo analisou a documentação da defesa, concluindo que na Discriminação das NFs de serviços apresentadas no Anexo 12, consta “SERVIÇOS PRESTADOS EM TRANSP.MUNICIPAIS NO MÊS”, ou seja, continua a ser “constatada a ausência de informações relativas ao produto transportado, ao remetente e/ou ao destinatário, denotando operações indeterminadas, cuja aferição de adequação ao conceito de insumo ou de frete em operação de venda torna-se inviável”, exatamente como destacado pela fiscalização. Em Voluntário, percebe-se que a defesa não evoluiu na natureza probatória do referido direito creditório, praticamente sustentando o que já havia informado em sua manifestação inaugural. Ante a carência probatória, mantém-se a glosa. DA GLOSA DE CRÉDITOS RELATIVOS AOS ALUGUÉIS – FALTA DE COMPROVAÇÃO DOS VALORES REGISTRADOS NA APURAÇÃO FISCAL A autoridade fiscal informa: 106. Após a entrega de cópia de contratos de locação e de recibos em atendimento ao termo de início do procedimento fiscal, a Latco foi intimada a apresentar cópia dos extratos bancários que comprovassem referidas despesas, por meio do TIF No 288-2020. Em resposta, a empresa apresentou cópia de documentos oriundos de Fl. 2720DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.731 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.903327/2020-08 9 instituições financeiras diversas, disponíveis no processo-dossiê no 13033.153439/2020-51, acompanhados da planilha “ALUGUEIS.xlsx”. 107. Por amostragem, não foi identificada incompatibilidade entre os valores assinalados nos extratos e os importes constantes da coluna “VALOR PAGO” desta última planilha; por outro lado, para alguns registros, não foi feita a devida indicação do eventual comprovante na coluna “FOLHA DO ANEXO”, o que impossibilitou a verificação fiscal do documento e ensejou a respectiva glosa. Para a determinação dos valores passíveis de reconhecimento, foram observados os montantes escriturados pela contribuinte, conforme demonstrado nas planilhas “NBCC5_6 Aluguéis - RFB.xlsx” e “Detalhamento dos Créditos - Latco x RFB.xlsx” (vide Termo de Anexação de Arquivo Não Paginável “Planilhas RFB”). No recurso inaugural, a Recorrente diz que junta um mapeamento feito (anexo 14) dos meses em que houve essa divergência entre os valores creditados de aluguéis e os registros constantes na EFD-Contribuições”. A autoridade julgadora analisa o documento da defesa e confirma que: o citado anexo 14 relaciona pagamentos efetuados nos meses janeiro e agosto de 2015 e junho, julho, agosto, setembro e outubro de 2016 que não foram glosados. O mesmo anexo relaciona os 4 pagamentos de novembro de 2016 que foram glosados, porém a interessada não apresenta documentos que comprovem tais pagamento, o que impossibilita a análise. Em voluntário, a parte recorrente não apresenta qualquer documento capaz de refutar as conclusões do Fisco em relação ao período do 1° trimestre de 2015. Veja que a Recorrente apresenta comprovantes da competência de agosto de 2015, período não relacionado ao PER n° 06771.36509.080916.1.1.19-4510. Ante a carência probatória, mantém-se a glosa. DA GLOSA DE DESPESAS COM ENERGIA ELÉTRICA Narra que os valores pagos a título de juros e multas que constam nas faturas de energia como “Demais Rubricas da Fatura” não seriam passíveis de creditamento, sendo necessário a manutenção das glosas relativas àqueles valores. Correto o entendimento do Fisco. Segundo legislação das contribuições, não há possibilidade de creditamento de outras despesas relativas à energia elétrica, mas somente do gasto da energia elétrica efetivamente consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. Nesse sentido, Súmula CARF n° 224: Para efeito de apuração de crédito no âmbito do regime da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, somente será considerada a energia elétrica efetivamente consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, não se Fl. 2721DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.731 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.903327/2020-08 10 enquadrando nesse conceito outras despesas como a Contribuição para o Custeio da Iluminação Pública (COSIP) ou a demanda contratada. Mantém-se a glosa efetuada pela Fiscalização. Ante o exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para reverter a glosa sobre fretes vinculados a aquisição de bens não sujeitos ao pagamento das contribuições, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições e sobre gastos com combustíveis. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de afastar a preliminar de nulidade e ,no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reverter as glosas sobre fretes vinculados a aquisição de bens não sujeitos ao pagamento das contribuições, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições e sobre gastos com combustíveis. Assinado Digitalmente Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator Fl. 2722DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10384.722704/2011-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 26 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Tue May 26 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2007 a 31/10/2007
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. SÚMULA CARF Nº 103:
Com a edição da Sumula CARF nº 103, não deve ser conhecido o recurso de ofício interposto contra decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa em valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do julgamento.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ÔNUS PROBANDI.
Para embasar o lançamento tributário, incumbe à Autoridade Fiscal viabilizar ao fiscalizado a possibilidade de comprovar a existência de créditos informados em sua escrita contábil ou fiscal, não lhe cabendo optar por desconsiderá-los sem intimação prévia.
Numero da decisão: 3101-004.445
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento para exonerar o crédito tributário ainda em litígio.
Assinado Digitalmente
Ramon Silva Cunha – Relator
Assinado Digitalmente
Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Laura Baptista Borges, Luciana Ferreira Braga, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Ramon Silva Cunha, Renan Gomes Rego, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
Nome do relator: RAMON SILVA CUNHA
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LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. SÚMULA CARF Nº 103: Com a edição da Sumula CARF nº 103, não deve ser conhecido o recurso de ofício interposto contra decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa em valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do julgamento. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ÔNUS PROBANDI. Para embasar o lançamento tributário, incumbe à Autoridade Fiscal viabilizar ao fiscalizado a possibilidade de comprovar a existência de créditos informados em sua escrita contábil ou fiscal, não lhe cabendo optar por desconsiderá-los sem intimação prévia. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento para exonerar o crédito tributário ainda em litígio. Assinado Digitalmente Ramon Silva Cunha – Relator Assinado Digitalmente Fl. 38133DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.445 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10384.722704/2011-94 2 Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Laura Baptista Borges, Luciana Ferreira Braga, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Ramon Silva Cunha, Renan Gomes Rego, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de recursos de ofício e voluntário interpostos contra o Acórdão nº 02- 87.496 da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação apresentada contra autos de infração da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, referentes aos períodos de apuração fevereiro a dezembro de 2007. O Julgador de piso apresenta, no relatório do acórdão contestado, breve relato do procedimento fiscal, nos seguintes termos: I.1 –Termo de Informação Fiscal Conforme relatado no Termo de Informação Fiscal (fls. 34 a 38), foi detectada insuficiência de recolhimento das contribuições cuja apuração foi submetida à apreciação do contribuinte por meio do Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 1 (fls. 2966 a 2970). Na resposta apresentada, o contribuinte se manifestou sobre os documentos que lhe foram submetidos à apreciação, contestando a inclusão de diversos produtos que lhe eram desfavoráveis na apuração, seja por que lhe davam direito a crédito os que foram incluídos na lista dos produtos sem direito a crédito, ou porque não estavam sujeitos às contribuições os que foram incluídos na lista de venda de bens com incidência de PIS e Cofins. Refeita a apuração para se adequar às contestações do contribuinte consideradas procedentes pelos autuantes, bem como para excluir algum crédito ou incluir algum débito que o autuante entendeu ser devido, o procedimento foi externalizado nos demonstrativos anexos ao Termo de Informação Fiscal (fls. 39 a 41). Não foram utilizados pela fiscalização créditos das contribuições informadas no Dacon referente ao mês de dezembro de 2006, tendo em vista a ausência de controle de aproveitamento desses créditos conforme estabelecido no art. 3º da IN SRF nº 387/2004, e que foram apurados valores das contribuições em Fl. 38134DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.445 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10384.722704/2011-94 3 31/12/2006, conforme escriturado pelo contribuinte, que contraria a informação de saldo credor do Dacon. Então, foi concluído pela insuficiência de recolhimento das contribuições nos montantes e períodos indicados nos demonstrativos de apuração do PIS e Cofins e relacionados nos demonstrativos de apuração anexos ao “TERMO DE INFORMAÇÃO FISCAL”. Apresentada impugnação tempestiva contra os autos de infração lavrados, a lide então estabelecida foi julgada mediante acórdão que se sintetiza na seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2007 a 31/10/2007 ALEGAÇÕES. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da impugnação trazer ao julgado todos os dados e documentos comprovadores dos fatos que alega, por força do art. 15 e § 4 do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/02/2007 a 31/10/2007 COFINS. CRÉDITOS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CERTEZA E LIQUIDEZ. Créditos do regime não cumulativo passíveis de desconto são somente aqueles que possuem certeza e liquidez. COFINS. REGIME CUMULATIVO. REVENDA DE PRODUTO SUBMETIDO À TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. ALÍQUOTA ZERO. A incidência da alíquota zero da Cofins sobre venda de produto que foi submetido à tributação concentrada pelo produtor ou importador dispensa o atacadista ou revendedor de recolhimento dessa contribuição nessa ocasião. COFINS. REGIME CUMULATIVO. APROVEITAMENTO DE CRÉDITO. Quando submetido o produto à tributação disposta no caput do art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003, na aquisição e na venda, o sujeito passivo tem direito à dedução do crédito correspondente à contribuição que incidiu nas aquisições do produto. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2007 a 31/10/2007 PIS. CRÉDITOS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CERTEZA E LIQUIDEZ. Créditos do regime não cumulativo passíveis de desconto são somente aqueles que possuem certeza e liquidez. PIS. REGIME CUMULATIVO. REVENDA DE PRODUTO SUBMETIDO À TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. ALÍQUOTA ZERO. Fl. 38135DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.445 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10384.722704/2011-94 4 A incidência da alíquota zero do PIS sobre venda de produto que foi submetido à tributação concentrada pelo produtor ou importador dispensa o atacadista ou revendedor de recolhimento dessa contribuição nessa ocasião. PIS. REGIME CUMULATIVO. APROVEITAMENTO DE CRÉDITO. Quando submetido o produto à tributação disposta no caput do art. 2º da Lei nº 10.637, de 2002, na aquisição e na venda, o sujeito passivo tem direito à dedução do crédito correspondente à contribuição que incidiu nas aquisições do produto. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte No mesmo ato decisório, o julgador de piso submete a decisão proferida à apreciação deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em conformidade com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 1972, c/c o art. 1º da Portaria MF nº 63, de 2017, por força de recurso de ofício. Esclarece, ainda, que a exoneração do crédito procedida por aquele acórdão só será definitiva após o julgamento em segunda instância. Na liquidação da decisão proferida, observa-se que a parcela exonerada do crédito tributário lançado corresponde a R$ 3.016.858,06. A sociedade empresária autuada, por sua vez, foi cientificada da decisão em 11/10/2018, tendo interposto recurso voluntário mediante solicitação de juntada formulada em 12/11/2018. Em seu recurso voluntário, toda a argumentação da Recorrente conduz ao seu pedido de que seja reformada a decisão de primeira instância, para que seja reconhecido o saldo credor do PIS e da Cofins proveniente do ano de 2006, no montante de R$ 170.872,14 (PIS) e R$ 797.047,45 (COFINS), devendo ser utilizados para abater os débitos do PIS e da COFINS no decorrer do ano calendário de 2007. Alega que todos os requisitos exigidos pela norma suscitada pela fiscalização para controle da formação dos créditos do PIS e Cofins não cumulativos foram devidamente preenchidos, isto é, todas as informações foram devidamente extraídas da contabilidade e devidamente noticiadas na DACON de dezembro de 2006. Conclui que tal constatação importa a nulidade da glosa de créditos acumulados do PIS e Cofins de pleno direito, por falta de motivação e por força da patente usurpação das prerrogativas da administração em detrimento dos direitos dos administrados. VOTO Conselheiro RAMON SILVA CUNHA, Relator Fl. 38136DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.445 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10384.722704/2011-94 5 DO RECURSO DE OFÍCIO Conforme consta no relatório supra, o Julgador de primeiro grau recorre de ofício a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) em razão da exoneração de parcela do crédito tributário lançado em valor superior ao limite de alçada na forma do 34, inciso I, do Decreto nº 70.235, 6 de março de 1972, c/c a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017. Conforme mencionado no relatório supra, o valor do crédito tributário exonerado, consideradas as contribuições lançadas e as respectivas multas de ofício aplicadas, totalizou R$ 3.016.858,06, ultrapassando o limite de alçada estabelecido na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, então vigente, que era de R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Ocorre que o referido limite de alçada foi modificado quando da revogação da Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, pela Portaria MF Nº 2, de 17 de janeiro de 2023, nos seguintes termos: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento de Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$15.000.000,00 (quinze milhões de reais). [...] Art. 2º Fica revogada a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Assim assenta a Súmula CARF103: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Nessa perspectiva, não deve ser conhecido o recurso de ofício interposto contra decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa em valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do julgamento. Constatado, portanto, o aumento do limite de alçada para patamar muito superior ao valor correspondente à exoneração ocorrida no presente processo, voto por não conhecer o recurso de ofício. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Fl. 38137DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.445 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10384.722704/2011-94 6 O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os requisitos estabelecidos na legislação processual para ser apreciado. Conforme consta no relatório, observa-se que não foram utilizados pela fiscalização créditos das contribuições informadas no Dacon referentes ao mês de dezembro de 2006, tendo em vista a ausência de controle de aproveitamento desses créditos conforme estabelecido no art. 3º da IN SRF nº 387/2004, e considerando que foram apurados valores das contribuições em 31/12/2006, conforme escriturado pelo contribuinte, o que contraria a informação de saldo credor do Dacon. Consultando o Termo de Informação Fiscal que instrui os Autos de Infração, observa-se que a motivação para a não utilização dos saldos das contribuições constantes no Dacon relativo ao mês de dezembro/2006 foi assim apresentada pela Autoridade Fiscal: Não se vislumbra, portanto, ausência de motivação para não considerar os referidos saldos. Todavia, impõe-se analisar sua procedência. O Julgador de piso se manifestou, diante das alegações da então Impugnante de que todas as informações foram extraídas da contabilidade da empresa, devidamente noticiadas no Dacon de dezembro de 2006, e que foram apresentados livros à fiscalização onde constam as compras, as vendas, os custos e as despesas efetuadas no decorrer do ano-calendário 2006, fazendo prova em favor do impugnante, no seguinte sentido: Verificando os Dacon mensais referentes ao ano de 2006 (fls. 37719 a 38068), constata-se nas fichas 06A e 16A, relativas à apuração dos créditos sobre aquisições no mercado interno - regime não cumulativo, que os valores dos bens adquiridos no mercado interno para revenda (linha 1) foram totalmente vinculados na coluna relativa à receita tributada no mercado interno. Na linha 1 Fl. 38138DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.445 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10384.722704/2011-94 7 das colunas destinadas aos registros de vinculação a receita não tributadas no mercado interno ou de exportação os valores estão zerados. Observa-se nas fichas 14 e 24 - Controle de Utilização dos Créditos no Mês - que os supostos créditos apurados sobre aquisições no mercado interno vinculadas à receita tributada no mercado interno, não obstante apresentarem saldos acumulados, foram utilizados em quantidades inferiores às respectivas contribuições devidas. Paradoxalmente, haja vista as informações de saldos credores dessas contribuições nos mesmos períodos de apuração em 2006, restaram saldos das contribuições a recolher conforme informados nas fichas 15B e 25B dos Dacon e nos Balancetes de suspensão apresentados (fls. 6232 a 6296), e, ao mesmo tempo, os supostos saldos foram se acumulando. Não obstante a alegação de que as informações noticiadas no Dacon de dezembro 2006 foram extraídas da contabilidade da empresa, os valores dos saldos dos créditos ao final desse ano decorreram de acúmulos mensais. Diferentemente dos valores das contribuições a recolher mensais em 2006 informadas nos Dacon, não se constata nos Balancetes de Suspensão às fls. 6232 a 6296 que os supostos créditos das contribuições tenham sido registrados na contabilidade. Ademais, em que pese a alegação de que os valores escriturados fazem prova a favor do impugnante, a documentação contábil que consta nos autos não traz os valores segregados, onde se possa visualizar quanto das aquisições que geram ou não direito a crédito das contribuições. Não constam nessa referida documentação contábil elementos suficientes que comprovem se as aquisições de bens e serviços são passíveis ou não de creditamento, bem como se restaram saldos favoráveis ao contribuinte. Portanto, diferentemente do que foi alegado na impugnação, a escrituração não fez prova dos supostos saldos credores. Limitou-se o impugnante a alegar que a sua contabilidade faz prova a seu favor, não apresentando documentos outros que corroborassem os saldos dos créditos ao final de 2006. [...] Assim, com base na documentação que consta nos autos não é possível verificar a liquidez dos alegados saldos de créditos das contribuições. Nos termos do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), incumbe ao manifestante instruir a impugnação com todas as provas em que se fundamentar, precluindo o seu direito de fazê-la posteriormente, in verbis: [...] Considerando que não foi apresentada a documentação que serviu de suporte aos lançamentos que geraram os Balancetes de Suspensão, necessária para Fl. 38139DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.445 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10384.722704/2011-94 8 verificação da existência dos supostos créditos, não foi satisfeita a disposição reproduzida acima.[Destaque nosso] A Recorrente, por sua vez, alega que: ...é dever da fiscalização apurar os créditos e os débitos nos tributos não- cumulativos, refazendo se for o caso cálculos efetuados pelo contribuinte, na forma da legislação tributária. Não pode a fiscalização glosar os créditos não- cumulativos, por alegado vício formal no preenchimento das obrigações acessórias, sem sequer intimar o contribuinte para retificar os supostos equívocos nem examinar se os créditos procedem ou não, deixando indevidamente de corrigir, de ofício, os erros eventualmente cometidos pelo contribuinte. Os fatos suscitados pela decisão recorrida a fim de corroborar o entendimento fiscal, não são suficientes para elidir o direito a que faz jus a recorrente, pois não passam de meras elocubrações, sem o devido aprofundamento exigido pela legislação para que fossem glosados os créditos acumulados de PIS e COFINS. No caso em apreço, a fiscalização e a decisão da DRJ entenderam que a recorrente não possui o devido controle do contábil/extracontábil do saldo credor proveniente do ano de 2006, utilizando-se para justificar tal fato a provisão do PIS e Cofins do mês de dezembro de 2006 constante no balanço patrimonial do encerramento do exercício. Contudo, olvidou-se a fiscalização de falar que os valores de R$ 3.790,49 e R$ 20.351,56 refere-se a provisão do PIS e da Cofins referente ao período de apuração de dezembro cujo vencimento ocorreu em janeiro de 2007. Ademais, o argumento de inexistência de controles contábeis e extracontábeis do saldo credor do PIS e da Cofins não pode prosperar pois estes valores foram devidamente demonstrados na DACON do Período de Apuração referente a dezembro de 2006 encaminhada a Secretaria da Receita Federal (vide fls. 5837/5864), estando todo lastreado na contabilidade da recorrente, não trazendo a fiscalização nenhum elemento que demonstrasse qualquer incompatibilidade dos valores informados na DACON com aqueles escriturados na contabilidade da recorrente. A legislação obriga a pessoa jurídica sujeita à sistemática da "não-cumulatividade" a contabilizar os bens e serviços adquiridos e os custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoas jurídicas domiciliadas no País separadamente daqueles efetuados a pessoas jurídica domiciliada no exterior. A Instrução Normativa SRF nº 387/2004 exige que a pessoa jurídica sujeita à sistemática da "não-cumulatividade" mantenha controle de todas operações que influenciem a apuração do valor devido das contribuições e dos respectivos créditos a serem descontados, deduzidos, compensados ou ressarcidos... [...] Fl. 38140DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.445 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10384.722704/2011-94 9 No caso em comento, o lançamento tributário que ora se discute limita-se a afirmar que não foi aceito o saldo credor do PIS e da Cofins proveniente do ano- calendário de 2006 sob o simples argumento da inexistência de controles acerca da origem do seu direito creditório, desconsiderando por completo as informações extraídas da contabilidade da recorrente, bem como a DACON de dezembro de 2011 entregue pelo contribuinte a Secretaria da Receita Federal do Brasil, sem no entanto juntar qualquer prova que demonstrasse cabalmente as suas alegações. Ora, o dever de investigação acerca da ocorrência da inexistência de saldo credor do PIS e COFINS, decorre da necessidade que tem o fisco em provar a ocorrência do fato constitutivo do seu direito de lançar. Sendo seu o encargo de provar a inocorrência do saldo credor, para exercício do direito de seu direito de glosa, a este corresponderá o dever de investigação com o qual deverá produzir as provas segundo determine a regra aplicável ao caso. [...] Noutra banda, o princípio da verdade material é tão forte e base de todo o Estado de Direito, que já se escreveu, noutra ocasião: Enquanto o fisco não comprovar que os indícios por ele apresentados implicam necessariamente a inexistência do saldo credor do PIS e Cofins afirmado pelo contribuinte, estaremos diante de mera presunção simples, não de prova. Não terá, pois, o fisco cumprido seu ônus e a consequência é o dever do julgador considerar não comprovada a ocorrência do fato gerador e do nascimento da obrigação tributária. Entendo que assiste razão à Recorrente. Evidencia-se que a Autoridade Fiscal tomou conhecimento, no curso do procedimento fiscal, da existência de saldos credores declarados pela Recorrente no Dacon relativo ao mês de dezembro/2006. Observa-se, outrossim, que a motivação para não considerar os referidos saldos diz respeito à fragilidade dos controles da Recorrente, observada no curso do procedimento fiscal, mencionando a não apresentação de controles, mesmo que extracontábeis, que assegurassem sua existência. Ocorre que não se vislumbra nos autos que a Autoridade Fiscal tenha efetivamente realizado qualquer verificação relativa ao ano-calendário 2006. Nenhum dos termos de intimação juntados ao processo menciona ter sido solicitada a apresentação de documentos relativos ao referido período, menos ainda comprobatórios da existência dos créditos e do saldo credor declarado no Dacon relativo ao mês de dezembro/2006. Compreendo que não se faz possível à Autoridade Fiscal estender conclusões tiradas em relação ao ano-calendário objeto de fiscalização (2007) a períodos anteriores, quando se trata de matéria que restringe direitos do contribuinte fiscalizado. Fl. 38141DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.445 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10384.722704/2011-94 10 Nesse sentido, mesmo a identificação de que fora apurado valor a pagar no mês de dezembro, o que se encontra demonstrado no Dacon daquele mês, somente pode ser tratada como indício de irregularidade, não como prova, já que o saldo credor não utilizado se encontra também devidamente informado naquele documento. Vale sempre lembrar que, no processo administrativo fiscal, o lançamento não se aperfeiçoa por mera afirmação da autoridade fazendária, exigindo motivação adequada e suporte probatório suficiente quanto aos fatos que constituem o crédito tributário. Nos termos do art. 142 do CTN, compete à autoridade administrativa verificar a ocorrência do fato gerador, determinar a matéria tributável, calcular o montante devido e identificar o sujeito passivo, sendo tal atividade vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Do mesmo modo, o Decreto nº 70.235/1972 exige que o auto de infração contenha a descrição do fato, a indicação da norma infringida e a determinação da exigência, o que pressupõe demonstração concreta das circunstâncias que autorizam o lançamento. Deve-se considerar, ainda, que apenas o indício não pode ser utilizado como fundamento para restringir direitos. Nesse sentido, leciona Gilson Wessler Michels1: O indício se refere, apenas, a um elemento, vestígio, fato ou dado conhecido que, por meio do raciocínio, pode sugerir a ocorrência do fato que se quer provar, mas que não pode ser utilizado como a única base para o lançamento, bem como não poderá ser o único elemento em que se fundamentará a livre convicção do julgador. O indício ganha robustez e capacidade para atestar a ocorrência de um fato, quando aparece associado a um quadro indiciário mais amplo (um conjunto de indícios), no âmbito do qual o fato alegado aparece como o único resultado plausível ou verossímil. Nesse contexto, tendo a Autoridade Fiscal tomado conhecimento, no curso do procedimento fiscal, a respeito da referida informação de crédito de período anterior, não lhe cabe optar pela sua não utilização partindo da presunção de sua inexistência ou irregularidade. Para embasar o lançamento tributário, incumbe-lhe averiguar e viabilizar ao fiscalizado a possibilidade de comprovar sua existência. Mesmo a menção do Julgador de piso sobre não constar, no balancete de suspensão de fls. 6232 a 6296, que os supostos créditos das contribuições tenham sido registrados na contabilidade não subverte essa lógica. Primeiramente porque tal constatação não foi utilizada como fundamento de glosa nos autos de infração. Depois, porque representaria apenas mais um indício, ainda incapaz, segundo entendo, de justificar a glosa unilateral e peremptória dos referidos saldos. Observe-se que o próprio Julgador de primeiro grau reconhece que os valores dos saldos dos créditos ao final do ano de 2006 decorreram de acúmulos mensais nos Dacon’s daquele 1 Processo Administrativo Fiscal: litigância tributária no contencioso administrativo. São Paulo: Cenofisco, 2018. Fl. 38142DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.445 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10384.722704/2011-94 11 ano. Embora essa evolução não sirva de prova da existência do crédito, tal circunstância reforça a necessidade que existia de uma verificação mais cuidadosa por parte da Autoridade Fiscal. Assim, diante de elementos já disponíveis ao Fisco que indiquem a possível existência de direito do contribuinte, como informações prestadas em obrigações acessórias, escrituração fiscal ou declarações regularmente transmitidas, não é lícito à autoridade simplesmente desconsiderá-los na constituição do crédito. Em observância à verdade material, ao contraditório e ao dever de adequada instrução do processo, cabe ao Fisco diligenciar para esclarecer tais circunstâncias, oportunizando ao contribuinte a apresentação da documentação comprobatória pertinente. Considerando que os saldos mencionados superam os valores de contribuições apurados após a decisão de primeiro grau, há que se exonerar o crédito tributário em litígio. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso de ofício, por conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento para exonerar o crédito tributário ainda em litígio. Assinado Digitalmente RAMON SILVA CUNHA Fl. 38143DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10830.005209/90-15
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Nov 19 00:00:00 UTC 1992
Data da publicação: Thu Nov 19 00:00:00 UTC 1992
Ementa: PIS-FATURAMENTO - BASE DE CÁLCULO - Exclusão do ICM (ICMS) - Impossibilidade. As decisões judiciais, em que pese alicerçarem a jurisprudência, não produzem efeitos erga omnes.
Recurso negado.
Numero da decisão: 203-00.068
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: MAURO WASILEWSKI
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P-1 .. i -.....~...-...-- ,— .4ÍÃ/ MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO ï 5, _ ry. C I °g ' .-0-2 19k . •,,,z4,,,edr" dr SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES C C."' .........,....„......~......,- P ro c: essa no 10.830-005.209/90-15 Sessab de : 19 de novembro de 1992 ACORDO No 203-00..068 Recurso no: 88.319 Recorrente: EL BANATE COMERCIO E INDUSTRIA LTDA. Recorrida : DRF EM CAMPINAS - SP PIS-FATURAMENTO - BASE DE CALCULO - ExclusWo do 1CM (I( MS) - Impossibilidade. As decisges judiciais, em que pese alicerçarem a jurisprudencia, nWo produzem efeitos erga omnes. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por EL BANATE COMERCIO E INDUSTRIA LTDA. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Sala das Sessges, em 19 de novembro de 1992. --,---- erx.(3.-- R 7e :Al...vo I.:f- ... wAGÁ sros -- presiden te-3n . di 11111. t./A MAUFWWW-.E.WSKI-R1ater lal, DALTON MIRANDA - Proxiurador-Representante da • -^"-- Cizenda Nacional VISTA EM SESSNO DE O 8 jAN 1993 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros RICARDO LEITE RODRIGUES, MARIA THEREZA VASCONCELLOS DE ALMEIDA, SERGIO AFANASIEFF. TIBERANY FERRAZ DOS SANTOS e SEBASTINO BORGES TA-C:MARY. . cl/ovrs/ac/ja 1. • .}5 3 MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO .-4r SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo no 10.830-005.209/90-15 Recurso No: 88.319 Acórao No: 203-00.068 Recorrente: EL BANATE COMERCIO E INDUSTRIA LTDA. RELATORI O Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra Decisão de Primeira Instância que julgou procedente o Auto de . Infração de fls. 17. , A Empresa foi autuada por insuficiencia do i recolhimento da contribuição para o PIS, relativo ao período de 1 I abril/S5 â iulho/88, decorrente da exclusão por ela feita do ICM I da base de cálculo da contribuição. I Tempestivamente, a Autuada ofereceu impugnação alegando que o ICM não constitui receita da Empresa e, portanto, não deve integrar a base de cálculo da contribuição (fls. 20/21). O autor do feito contesta a impugnação da Autuada alegando que o faturamento da Empresa demonstra a sua capacidade econemica e, nesse faturamento, o ICM é parte integrante, fato pelo qual nãb se pode exclul-lo da base de cálculo da contribuição, tanto do PIS como do FINSOCIAL. Proa ao final a manutenção do Auto de Infração (fls. 24 a 26). A Autoridade julgadora decide pela manutenção do feito, por considerar que por disposição de lei, o montante do ICM integra o valor da operação e, assim sendo, a contribuição ao PIS deve incidir sobre a parcela do ICEI. Em razaes de recurso, a Apelante reitera as consideraçUes feitas A Primeira Ins~i.a„ ou seja, que o ICM não constitui receita cia Empresa e n go deve, portanto, integrar a base de cálculo da contribuição. Ao final requer a procedencia do recurso. /91 E o relatório. , 2 .... ,n,w4, . .. At tki MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO láSr‘ e:~ SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo no 10.830-005.209/90-15 ' AcOrdWo no 203-00.068 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR MAURO WASILEWSKI A questão que emerge dos autos é determinar se o ICM, atualmente ICMS, integra ou não a base de cálculo do PIS. Sobre o assunto, a Súmula no 258 do TER ensina que "Inclui-se na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Também, este Conselho de Contribuintes tem reiterado sua posição em sentido idéntico ao da Súmula, quer nos casos do PIS, quer nos do FINSOCIAL. ASSiM mesmo com decisffes isoladas do Poder audiciário, a tendOncia lurisprudencial, quer na instancia administrativa, quer no TER, que entendeu por consagrar seu entendimento através da edição da súmula, exceto se ocorrer a existOncia de inusitado novo, não vejo motivos aceitáveis para contrariar tais entendimentos. Por derradeiro, contrapondo a decisão do MF " em São Paulo, reproduzida na peça recursal, com a anexação aos autos • de um recorte do jornal "Gazeta Mercantil", de 05 de junho de, . 1991, esse mesmo jornal, em 29 de outubro de 1992, transcreveu a ementa do Acórdão da Primeira Turma do ST3 (Recurso Especial n2 18.380-0) no sentido de que os Decretos-Leis nos 2.045 e 2.449 não ofendem qualquer princípio constitucional, ou seja, em suas várias hipóteses de exclui:as de base de cálculo na to está , incluído o TOMS. Diante do exposto, e do mais que constam dos autos, nego provimento ao recurso para manter, na integra, a Decisão Singular guerreada. . Sa a das Ss- r, s,__Lt, de novembro de 1992" Illb,-. dr /m/0011 - RA.„WASILEWSKI __- --- ..)
score : 1.0
Numero do processo: 10880.932434/2013-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Fri May 29 00:00:00 UTC 2026
Numero da decisão: 1401-001.148
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência à unidade de origem, para esclarecimento de questão de fato, nos termos do voto da relatora.
Sala de Sessões, em 26 de março de 2026.
Assinado Digitalmente
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora
Assinado Digitalmente
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores: Alberto Pinto Souza Junior, Daniel Ribeiro Silva, Matheus Ferreira Azevedo, Andressa Paula Senna Lísias, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente).
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência à unidade de origem, para esclarecimento de questão de fato, nos termos do voto da relatora. Sala de Sessões, em 26 de março de 2026. Assinado Digitalmente Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora Assinado Digitalmente Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores: Alberto Pinto Souza Junior, Daniel Ribeiro Silva, Matheus Ferreira Azevedo, Andressa Paula Senna Lísias, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente).
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência à unidade de origem, para esclarecimento de questão de fato, nos termos do voto da relatora. Sala de Sessões, em 26 de março de 2026. Assinado Digitalmente Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin – Relatora Assinado Digitalmente Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores: Alberto Pinto Souza Junior, Daniel Ribeiro Silva, Matheus Ferreira Azevedo, Andressa Paula Senna Lísias, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário interposto contra o Acórdão da DRJ/REC que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por considerar Fl. 523DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1401-001.148 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.932434/2013-99 2 não comprovado que a informação quanto ao montante da estimativa na DIPJ e na DCTF está incorreta, e, em consequência, concluir pela inexistência de pagamento indevido ou a maior, já que o valor recolhido correspondia integralmente à débito confessado pelo contribuinte. A compensação requeria crédito no valor original de R$ 21.569,37, referente a pagamento indevido ou a maior de CSLL estimativa (código de receita 2484, período de apuração 31/03/2009, vencimento 30/04/2009, pago em 30/04/2009 via DARF), para abatimento de débito de CSLL do período de abril/2011, no valor principal de R$ 20.958,15, com saldo remanescente de R$ 4.047,30. O crédito foi glosado pelo Despacho Decisório nº 057874553, de 02/08/2013, por inexistência de disponibilidade, dado que o valor do DARF fora integralmente utilizado para quitação de outros débitos da contribuinte (utilização total de R$ 21.569,37), nos termos dos arts. 165 e 170 do CTN e art. 74 da Lei nº 9.430/1996. Na Manifestação de Inconformidade, a contribuinte alegou erro material na DIPJ 2010 (ano-calendário 2009), com subestimativa do "Custo dos Bens e Serviços Vendidos", repercutindo em ajuste indevido no RTT (Regime Tributário de Transição) e pagamento a maior de CSLL estimativa. Requereu reconhecimento do crédito com fundamento no princípio da verdade material (art. 145, parágrafo único, CTN) e retificação de ofício pela autoridade fiscal, dispensada retificadora prévia de DIPJ/DCTF. Juntou DCTF mensal de março/2009 (recibo nº 22.86.90.22.34- 31), DIPJ 2010, comprovante de DARF e balancete analítico. Como resultado da análise efetuada foi proferido o despacho decisório que decidiu por não reconhecer o direito creditório pleiteado e, por conseguinte, não homologar a compensação declarada. Segundo a fundamentação da decisão, o valor recolhido via Darf foi integralmente utilizado para a quitação de débito confessado. Mesmo após a Manifestação de Inconformidade, restou mantido integralmente o Despacho Decisório. Inconformada, interpôs Recurso Voluntário repisando o argumento quanto a erro de fato no preenchimento de sua DIPJ, pois teria adicionado indevidamente montante relativo a ajuste do RTT na determinação da base de cálculo do tributo, como consequência do preenchimento equivocado da linha de custos da ficha 07 A (Demonstração do Resultado – Critérios em 31.12.2007 – PJ em Geral), com valor diferente do informado na Ficha 06 A (Demonstração do Resultado – PJ em Geral). Afirma que, retificado o erro, não haveria estimativa a pagar, sendo seu direito a utilização do montante recolhido a este título como crédito em compensação. Anexa balancetes, LALUR 2009, memória de cálculo IRPJ e relação de DECOMPs. Este E. Conselho, em primeira análise, manteve a decisão recorrida em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano calendário: 2009 Fl. 524DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1401-001.148 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.932434/2013-99 3 MPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO PLEITEADO. Na ausência de Declaração Retificadora que constitua o crédito pleiteado, não vejo como reconhecê-lo. Contudo, em sede de Recurso Especial, a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) deu provimento parcial ao apelo do contribuinte. A decisão superior fixou o entendimento de que a ausência de retificação da obrigação acessória não impede o reconhecimento do direito creditório, desde que comprovado o erro de fato por outros meios de prova idôneos, em homenagem ao princípio da verdade material. Dessa forma, os autos retornaram a este Colegiado com a determinação específica de se proceder à análise do acervo probatório documental e contábil apresentado pela Recorrente, para verificar a existência do erro de preenchimento alegado e a liquidez do indébito pleiteado. É o relatório. VOTO Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Relatora. O Recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Conforme relatado, os presentes autos retornaram a esta Turma por força de decisão da E. Câmara Superior de Recursos Fiscais, que afastou a preclusão referente à ausência de retificação da DCTF, DIPJ e determinou a análise do acervo probatório para a verificação da verdade material e do alegado indébito. O cerne da controvérsia reside na alegação da Contribuinte de que incorreu em erro de fato na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, especificamente quanto aos custos dos bens e serviços vendidos. Para sustentar o pleito, a Recorrente acostou aos autos, em sede de Recurso Voluntário, cópias do Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) e outros documentos contábeis. Ocorre que, para a validação do crédito pleiteado, não basta a mera apresentação visual do LALUR. É imperioso confrontar tais registros com as normas de regência vigentes à época dos fatos geradores (2009), período marcado pela vigência do Regime Tributário de Transição (RTT). A decisão recorrida da DRJ, ao analisar a Manifestação de Inconformidade, pontuou com precisão técnica que os ajustes no lucro líquido, decorrentes das alterações introduzidas Fl. 525DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1401-001.148 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.932434/2013-99 4 pelas Leis nº 11.638/2007 e 11.941/2009, exigiam controle específico. Nos termos do art. 7º da Instrução Normativa RFB nº 949/2009, a apuração da base de cálculo fiscal demandava a utilização do Controle Fiscal Contábil de Transição (FCONT). O FCONT foi o instrumento instituído justamente para expurgar os efeitos dos novos métodos e critérios contábeis (IFRS) da base tributável, garantindo a neutralidade tributária com base nos critérios vigentes em 31 de dezembro de 2007. Neste cenário, a simples análise perfunctória do LALUR por este Colegiado pode se mostrar insuficiente para atestar a liquidez e certeza do direito creditório, haja vista a necessidade de verificar se os ajustes de adição e exclusão lançados pela Contribuinte observaram estritamente o expurgo dos efeitos das novas práticas contábeis, conforme deveria estar espelhado no FCONT. Considerando que o processo administrativo fiscal se rege pelo princípio da verdade material (art. 29 do Decreto nº 70.235/72) e que a decisão da CSRF determinou expressamente a análise das provas, entendo que a medida mais adequada para formar a convicção deste Colegiado é a conversão do julgamento em diligência. O objetivo é que a unidade preparadora, detentora da competência técnica e dos sistemas corporativos, valide a consistência entre o LALUR apresentado e as obrigações acessórias do RTT (FCONT), confirmando se o "erro de fato" alegado se sustenta sob a ótica da legislação de transição. Diante do exposto, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, remetendo os autos à unidade da Receita Federal de origem para que, providencie: A análise técnica do Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) e demais documentos contábeis apresentados pela Recorrente em sede de Recurso Voluntário, confrontando-os com as informações constantes no Controle Fiscal Contábil de Transição (FCONT) da Contribuinte referente ao ano- calendário em questão; Informe se os ajustes de adição e exclusão realizados no LALUR para fins de neutralidade tributária (RTT) estão em conformidade com o disposto na IN RFB nº 949/2009, especificamente quanto aos critérios contábeis de 31/12/2007; Informe também a unidade preparadora se houve DCTF retificadora constituindo o crédito pleiteado e se houve, ou não, PER - DCOMP requisitando saldo negativo para o período em questão com a utilização dos créditos objeto do processo. Apresente, de forma conclusiva, se a documentação comprova a existência do saldo negativo de IRPJ pleiteado na PER/DCOMP em análise, indicando, se for o caso, o valor passível de homologação. Fl. 526DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1401-001.148 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.932434/2013-99 5 Após, intime-se a Recorrente para, querendo, manifestar-se sobre o resultado da diligência no prazo de 30 (trinta) dias. Retornando os autos, voltem-me conclusos para julgamento. Assinado Digitalmente Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Fl. 527DF CARF MF Original Resolução Relatório Voto
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Numero do processo: 16682.720619/2023-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Tue May 26 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2015 a 31/03/2015
PROVA DOCUMENTAL JUNTADA COM O RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO COMPROVAÇÃO DAS EXCEÇÃO DO §4º DO ART. 16 DO DECRETO Nº 70.235, DE 1972. PRECLUSÃO TEMPORAL. NÃO CONHECIMENTO.
O momento correto de apresentação da prova documental é junto com a impugnação, nos termos do §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. A apresentação de novos documentos junto com o Recurso Voluntário será considerada preclusa e, portanto, não poderão ser conhecidos a menos que fique demonstrada, ônus do recorrente, a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refira-se a fato ou a direito superveniente ou destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.
RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. FORMALIDADES LEGAIS. RETIFICAÇÃO PRÉVIA DA GFIP. NECESSIDADE.
A prévia retificação da GFIP na competência em que ocorreu o recolhimento indevido ou a maior, em estrito cumprimento às formalidades legais, é condição obrigatória para realização de compensação de contribuições previdenciárias ou para sua restituição. Na falta da retificação da GFIP, a compensação deverá ser glosada ou o pedido de restituição indeferido.
Numero da decisão: 2301-012.084
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, conhecer em parte do recurso, não conhecendo dos documentos apresentados após a impugnação, nos termos do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Vencidos os Conselheiros Marcelle Rezende Cota e André Barros de Moura, que conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Marcelle Rezende Cota, que deu provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o Conselheiro André Barros de Moura. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 2301-012.075, de 09 de abril de 2026, prolatado no julgamento do processo 16682.720609/2023-10, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Assinado Digitalmente
Diogo Cristian Denny – Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Barros de Moura (substituto[a] integral), Carlos Eduardo Avila Cabral, Flavia Lilian Selmer Dias, Marcelle Rezende Cota, Monica Renata Mello Ferreira Stoll, Diogo Cristian Denny (Presidente).
Nome do relator: DIOGO CRISTIAN DENNY
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2015 a 31/03/2015 PROVA DOCUMENTAL JUNTADA COM O RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO COMPROVAÇÃO DAS EXCEÇÃO DO §4º DO ART. 16 DO DECRETO Nº 70.235, DE 1972. PRECLUSÃO TEMPORAL. NÃO CONHECIMENTO. O momento correto de apresentação da prova documental é junto com a impugnação, nos termos do §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. A apresentação de novos documentos junto com o Recurso Voluntário será considerada preclusa e, portanto, não poderão ser conhecidos a menos que fique demonstrada, ônus do recorrente, a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refira-se a fato ou a direito superveniente ou destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. FORMALIDADES LEGAIS. RETIFICAÇÃO PRÉVIA DA GFIP. NECESSIDADE. A prévia retificação da GFIP na competência em que ocorreu o recolhimento indevido ou a maior, em estrito cumprimento às formalidades legais, é condição obrigatória para realização de compensação de contribuições previdenciárias ou para sua restituição. Na falta da retificação da GFIP, a compensação deverá ser glosada ou o pedido de restituição indeferido.
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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2015 a 31/03/2015 PROVA DOCUMENTAL JUNTADA COM O RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO COMPROVAÇÃO DAS EXCEÇÃO DO §4º DO ART. 16 DO DECRETO Nº 70.235, DE 1972. PRECLUSÃO TEMPORAL. NÃO CONHECIMENTO. O momento correto de apresentação da prova documental é junto com a impugnação, nos termos do §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. A apresentação de novos documentos junto com o Recurso Voluntário será considerada preclusa e, portanto, não poderão ser conhecidos a menos que fique demonstrada, ônus do recorrente, a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refira-se a fato ou a direito superveniente ou destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. FORMALIDADES LEGAIS. RETIFICAÇÃO PRÉVIA DA GFIP. NECESSIDADE. A prévia retificação da GFIP na competência em que ocorreu o recolhimento indevido ou a maior, em estrito cumprimento às formalidades legais, é condição obrigatória para realização de compensação de contribuições previdenciárias ou para sua restituição. Na falta da retificação da GFIP, a compensação deverá ser glosada ou o pedido de restituição indeferido. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, conhecer em parte do recurso, não conhecendo dos documentos apresentados após a impugnação, nos termos do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Vencidos os Conselheiros Marcelle Rezende Cota e André Fl. 944DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-012.084 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720619/2023-47 2 Barros de Moura, que conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Marcelle Rezende Cota, que deu provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o Conselheiro André Barros de Moura. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 2301-012.075, de 09 de abril de 2026, prolatado no julgamento do processo 16682.720609/2023-10, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Diogo Cristian Denny – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Barros de Moura (substituto[a] integral), Carlos Eduardo Avila Cabral, Flavia Lilian Selmer Dias, Marcelle Rezende Cota, Monica Renata Mello Ferreira Stoll, Diogo Cristian Denny (Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 87, §§ 1º, 2º e 3º, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que denegara o Pedido de Restituição apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente a suposto direito creditório decorrente de retenção previdenciária sofrida em serviços executados mediante cessão de mão de obra. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa, estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto: DIREITO CREDITÓRIO. RETENÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ. INDEFERIMENTO. O reconhecimento do direito creditório depende da comprovação da certeza e liquidez do crédito, cujo ônus é daquele que pleiteia. O atendimento parcial da intimação para apresentação da documentação comprobatória do saldo remanescente de retenção previdenciária, que incidiu sobre valores recebidos por serviços executados mediante cessão de mão de obra, após a compensação por Fl. 945DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-012.084 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720619/2023-47 3 ocasião do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos seus segurados, implica o indeferimento do pleito. Cientificado da decisão de primeira instância, o sujeito passivo interpôs Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, o seguinte: a) Que o processo administrativo fiscal deve primar pela busca da verdade material; e b) Que seria desnecessária a retificação da GFIP para fins de garantir a compensação ou restituição de créditos previdenciários pagos a maior ou indevidamente. Com o recurso foram apensados novos documentos. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: ADMISSIBILIDADE O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/72. Passando ao conhecimento, considerando a juntada extemporânea de novas provas sem qualquer fundamentação nos permissivos legais definidos no Decreto nº 70.235/72, o conhecimento será parcial por força da preclusão. Antes de adentrar no mérito da controvérsia, imperioso apreciar a recepção da documentação acosta aos autos juntamente com o recurso voluntário, bem como a petição e documentação apresentada no dia 30/01/2026, após a indicação e inserção do presente PAF na pauta de fevereiro de 2026. O contribuinte, seja no recurso, seja na última petição, não apresenta qualquer justificativa com fundamento no art. 16, § 4º e alíneas “a” a “c”, a juntada tardia da documentação. Eis o que prescreve mencionado dispositivo normativo: Art. 16. A impugnação mencionará: I - a autoridade julgadora a quem é dirigida; Fl. 946DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-012.084 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720619/2023-47 4 II - a qualificação do impugnante; III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V - se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Assim, considerando que não restou demonstrado qualquer das hipóteses de exceção acima anotadas, de se concluir que houve preclusão para apresentação da prova acostada com o recurso voluntário. Desta feita não acato a documentação apresentada. O litígio recai sobre pedido de restituição (PER), por meio do qual o contribuinte pleiteia suposto direito creditório decorrente de retenção previdenciária sofrida em serviços executados mediante cessão de mão de obra. De forma suscinta, a recusa da restituição foi fundamentada na ausência de registro de saldo de retenção em GFIP. Assim se manifestou a autoridade que proferiu o despacho decisório (fls. 50/52): 3. O crédito seria oriundo de saldo de retenção sofrida na prestação de serviços na cessão de mão de obra pela filial 29.504.214/0024-73 na competência 06/2016. Na GFIP declarada, vide fls. 20 a 49, consta o valor total de retenções sofridas no montante de R$ 0,00, valor utilizado para quitar débitos declarados de R$ 0,00 e, consequentemente, saldo de retenção no valor total de R$ 0,00 (zero).Portanto, conforme declarado em GFIP pelo próprio contribuinte, inexiste valor de saldo de retenção que dê respaldo ao pedido de restituição declarado no PER sob análise. Fl. 947DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-012.084 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720619/2023-47 5 4. Da análise dos documentos anexados ao processo e das informações constantes dos sistemas informatizados da RFB, constata-se que a empresa requerente não possui o direito creditório pleiteado, posto que o saldo de retenção de Contribuições Previdenciárias na Cessão de Mão de Obra na competência 06/2016 foi de R$ 0,00 (zero), conforme declarado na GFIP do estabelecimento pelo próprio contribuinte (fls. 49). (...) Ante todo o exposto e de tudo o mais que do processo consta, e considerando que o próprio contribuinte declarou em GFIP não haver saldo de retenção na competência objeto do pedido de restituição, e no uso da competência de que trata o art. 294, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria ME n£' 284, de 27 de julho de 2020 (DOU de 27/07/2020), a mim delegado pela Portaria SRRF07 n£' 343, de 29 de maio de 2020 (DOU de 02/06/2020), DECIDO INDEFERIR o pedido de restituição formalizado no PER nº 14511.20043.290819.1.2.15- 0087. Por sua vez, a DRJ manteve a decisão acima ao argumento de que seria imprescindível a retificação da GFIP para fins de registro de eventuais créditos, pois somente com tal registro seria possível apurar a certeza e liquidez do crédito como determina o art. 170, do Código Tributário Nacional. Após citar o dispositivo legal acima recordado, conclui a decisão recorrida: Cabe informar que a verificação da liquidez e certeza do valor solicitado em restituição referente à retenção de 11% (onze por cento) sobre notas fiscais de prestação de serviço, prevista no art. 31 da Lei 8.212/1991, depende dos seguintes procedimentos, em cada competência: 1) averiguação do valor devido declarado em GFIP e sua comprovação de acordo com elementos justificadamente demandados a critério da autoridade competente; 2) constatação do valor retido declarado em GFIP e sua comprovação por meio do destaque em nota fiscal ou do recolhimento da retenção; 3) apuração de diferença recolhida a maior; e 4) exame da existência de compensações na mesma competência e em competências posteriores e da parcela da diferença apurada utilizada nessas compensações, tudo comprovado de acordo com elementos justificadamente demandados a critério da autoridade competente. E, no caso, o Auditor-Fiscal, designado para a análise do pedido de restituição, verificados os documentos anexados, afirmou que a comprovação do saldo, após as compensações, depende da comprovação do total de retenções declaradas em GFIP. Fl. 948DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-012.084 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720619/2023-47 6 A compensação de contribuições previdenciárias encontra-se disciplinada no artigo 89 da Lei nº 8.212/1991, que estabelece: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas 'a', 'b' e 'c' do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Por sua vez, o Código Tributário Nacional ao estabelecer as regras gerais sobre as modalidade de extinção do crédito tributário, sendo dentre elas a compensação, especificamente em seu art. 170, coloca como condição inafastável que o crédito seja líquido e certo. Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. À autoridade fazendária, diante de pleitos de compensação, compete averiguar, em conformidade com as normativas incidentes e com os meios procedimentais estabelecidos, a certeza e liquidez do crédito apontado como existente e que fará frente a compensação solicitada. No caso de contribuições previdenciárias a ferramenta adequada e legalmente estabelecida para controle de certeza e liquidez de eventuais créditos decorrentes de pagamento a maior ou indevido, bem como retenções indevidas, é a Guia de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social – GFIP. A GFIP - Guia de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social não constitui mero instrumento arrecadatório, mas verdadeiro documento declaratório de natureza tributária, que serve simultaneamente a múltiplas finalidades: (i) declaração das bases de cálculo das contribuições previdenciárias; (ii) confissão de dívida tributária; (iii) registro dos recolhimentos efetuados; (iv) declaração de créditos compensados; e (v) fonte de alimentação do Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS). Quando o contribuinte identifica ter efetuado recolhimento a maior ou indevido de contribuições previdenciárias, a legislação e a regulamentação aplicável impõem que seja procedida a retificação da GFIP original, mediante apresentação de declaração retificadora que corrija as informações prestadas e demonstre, de forma clara e transparente, o crédito apurado. Fl. 949DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-012.084 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720619/2023-47 7 Este procedimento não é facultativo, mas obrigatório, constituindo requisito essencial para que o crédito seja formalmente reconhecido perante a administração tributária e possa, subsequentemente, ser utilizado em compensação com débitos futuros da mesma espécie. A GFIP funciona como uma contracorrente Previdenciária, registrando cronologicamente, de forma mensal, as contribuições previdenciárias, permitindo uma verdadeira conciliação e auditoria por parte da Receita Federal e do INSS, que utilizam as GFIPs para verificar se as contribuições declaradas foram efetivamente pagas, identificando pendências ou inconsistências. Enfim, a GFIP funciona como um instrumento de controle escritural das obrigações e contribuições previdenciárias, registrando a "movimentação" da relação contributiva entre empregador, trabalhador e Previdência Social ao longo do tempo. Havendo pagamento a maior ou indevido, a empresa deve retificar a GFIP original, gerando uma nova declaração que corrija os valores e demonstre o crédito apurado.Com isso, somente a partir da declaração correta é que a autoridade fazendária consegue atesta a certeza e liquidez de eventuais créditos para fins de compensação. Inúmeros precedentes deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais confirmam a imprescindibilidade do registro na GFIP do crédito, anotando a necessidade de retificação. Colha-se: COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS RECONHECIDOS EM AÇÃO JUDICIAL COM TRÂNSITO EM JULGADO. PRÉVIA RETIFICAÇÃO DA GFIP. LEGALIDADE. REQUISITO. A prévia retificação da GFIP da competência em que ocorreu o recolhimento indevido, cujo crédito foi reconhecido em ação judicial com trânsito em julgado, é condição obrigatória para realização de compensação de contribuições previdenciárias. (ACÓRDÃO 2201-011.861 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA, julgado em 06/08/2024) COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS RECOLHIDAS INDEVIDAMENTE EXIGE PRÉVIA RETIFICAÇÃO DAS GFIPs RESPECTIVAS. A retificação das GFIPs é condição procedimental obrigatória para a efetiva compensação de valores recolhidos indevidamente, pois não cabe, em sede administrativa, julgar a validade de ato ministerial ou quaisquer outra norma legal. Fl. 950DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-012.084 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720619/2023-47 8 (ACÓRDÃO 2101-003.055 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA, julgado em 11/03/2025) RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. FORMALIDADES LEGAIS. RETIFICAÇÃO PRÉVIA DA GFIP. NECESSIDADE. A prévia retificação da GFIP na competência em que ocorreu o recolhimento indevido ou a maior, em estrito cumprimento às formalidades legais, é condição obrigatória para realização de compensação de contribuições previdenciárias ou para sua restituição. Na falta da retificação da GFIP, a compensação deverá ser glosada ou o pedido de restituição indeferido. (ACÓRDÃO 2301-011.749 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA, julgado em 08/10/2025) A importância e motivo da imprescindibilidade de retificação da GFIP foi muito bem detalhada pela Conselheira Flávia Lilian Selmer Dias, relatora do caso logo acima transcrito. Veja o que diz a Conselheira: No uso desta competência, o Fisco estipulou a necessidade de a declaração que constitui em confissão de dívida previdenciária, a GFIP, expressar, de forma fiel, a realidade dos fatos e isso é requisito para utilização do crédito. Neste cenário, no caso da restituição ou compensação de indébito previdenciário, é imprescindível a informação correta da origem do crédito pelo pagamento indevido ou a maior, na competência em que ocorreu, com a regular retificação da declaração (GFIP), bem como a correta informação da utilização do valor na competência em que ocorreu o uso. A necessidade da correção dos dados informados em GFIP não trata de mero capricho burocrático, mas decorre da importância dos dados constantes da Declaração. Para além de servir de documento em se constitui o crédito tributário, no aspecto mais geral, informa ao Estado o “quantum” foi arrecadado para fins de definição da política previdenciária. Já no aspecto mais restrito, permite o Fisco controle e acompanhamento dos valores declarados, essenciais para uma administração tributária eficaz e eficiente. A retificação da GFIP na competência do indébito, explicitando sua origem, permite à Administração Tributária corrigir os reais valores de ingresso de receitas para o custeio dos benefícios previdenciários, além de servir de informação para fins de fiscalização da liquidez e certeza dos valores a serem restituídos ou compensados. Já a correção das informações na GFIP da competência da compensação, permite controlar a correta utilização do crédito gerado. Fl. 951DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-012.084 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720619/2023-47 9 Em ambos os casos, as informações são imprescindíveis, justificando o cuidado do legislador e regulamentador de disporem sobre a exigência de correção das informações prestadas em GFIP Desta feita, inegável o preenchimento do requisito formal de retificação da GFIP. Diferentemente do que sustentado pelo recorrente, a normas procedimentais, no caso em apreço, somente reforçam o atendimento do princípio da verdade material. Princípio este que tem aplicabilidade tanto para os contribuintes como para o próprio ente fiscalizados e arrecadador ao permitir a constatação de certeza e liquidez do crédito. Não havendo certeza e liquidez do crédito, como determina as normas procedimentais, apontado no pedido de compensação, deve a decisão recorrida ser mantida. Por todo o exposto, voto por conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo da documentação apresentada a destempo por preclusão, na parte conhecida nego-lhe provimento. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de conhecer em parte do recurso, não conhecendo dos documentos apresentados após a impugnação, nos termos do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. No mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Diogo Cristian Denny – Presidente Redator Fl. 952DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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