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Numero do processo: 13770.000113/2003-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS QUE NÃO INTEGRAM O PRODUTO FINAL. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO A aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem que não integram o produto final não gera crédito presumido de IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS NÃO
CONSUMIDOS EM CONTATO DIREITO COM O PRODUTO FINAL.
IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO
A aquisição de matériasprimas,
produtos intermediários e material de
embalagem que não foram consumidos na industrialização, em contato direto
com o produto final, não gera crédito presumido de IPI.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS.
INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF.
Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre
constitucionalidade das leis tributárias.
Numero da decisão: 3102-001.366
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes. A Conselheira Nanci Gama votou pelas conclusões. Ausente,
justificadamente, o Conselheiro Ricardo Rosa, que foi substituído pela Conselheira Mara
Cristina Sifuentes.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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AQUISIÇÃO DE INSUMOS QUE NÃO INTEGRAM O PRODUTO FINAL. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO A aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem que não integram o produto final não gera crédito presumido de IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS NÃO CONSUMIDOS EM CONTATO DIREITO COM O PRODUTO FINAL. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO A aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem que não foram consumidos na industrialização, em contato direto com o produto final, não gera crédito presumido de IPI. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Luciano Pontes Fl. 604DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 02/05/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 2 de Maya Gomes. A Conselheira Nanci Gama votou pelas conclusões. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Ricardo Rosa, que foi substituído pela Conselheira Mara Cristina Sifuentes. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Mara Cristina Sifuentes, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Relatório Versa o presente processo de pedido de ressarcimento de créditos presumidos do Imposto de Produtos Industrializados IPI, apurados no 1º trimestre de 2002. O pedido de ressarcimento foi parcialmente deferido pela Unidade de Origem, em razão de parte das aquisições informados pela recorrente não se enquadrarem no conceito de insumo. As glosas foram realizadas em relação às despesas com água bruta utilizada para lavagem e resfriamento de equipamentos, energia elétrica, soda cáustica utilizada no tratamento biológico de efluentes, dióxido de carbono utilizado em testes de laboratório e óleo de lavagem de naftaleno utilizado no processo de reaproveitamento do gás COG utilizado como combustível na área industrial. Inconformada, a empresa impugnou a decisão alegando que a base de cálculo do crédito presumido de IPI é determinada mediante a aplicação sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem e a Lei nº 9.363/96 referese ao valor total, não prevendo qualquer exclusão e a Receita Federal, por meio de Instruções Normativas, não poderia restringir a utilização de insumos, inovando indevidamente a lei ordinária. Também consta da manifestação de inconformidade, questionamento do procedimento adotado por parte da autoridade fiscal, em não considerar um pedido de alteração nos documentos utilizados na compensação, realizado anteriormente ao inicio do procedimento de fiscalização, que retificaram os valores apurados em relação à CSLL e substituíram a Declaração de Compensação constante à fl. 30. A decisão de primeira instância deu provimento parcial a impugnação para acatar os pedidos de alteração nas Declarações de Compensação, anteriores ao procedimento fiscal, determinando a correção dos valores e negando provimento ao restante da manifestação de inconformidade. A decisão foi assim ementada. Fl. 605DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 02/05/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 13770.000113/200397 Acórdão n.º 310201.366 S3C1T2 Fl. 2 3 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. Somente podem ser considerados como matéria prima ou produto intermediário, além daqueles que se integram ao produto novo, os bens que sofrem desgaste ou perda de propriedade, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização e desde que não correspondam à bens do ativo permanente. Dessa maneira, a água bruta, a energia elétrica, a soda cáustica, o dióxido de carbono e o óleo de lavagem de naftaleno, elementos que não atuam diretamente sobre o produto, não se enquadram nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário (PN CST, n° 65, de 1979; Lei n° 9.363, de 1996). ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 CANCELAMENTO DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. O cancelamento oportuno da declaração de compensação possibilita a utilização do crédito presumido reconhecido no despacho decisório na quitação de créditos tributários, consignados em declarações de compensação subseqüentemente apresentadas, desde que vinculadas ao mesmo crédito. Solicitação Deferida em Parte.” Cientificada da decisão, a empresa apresentou recurso voluntário, repisando as alegações já apresentadas na impugnação. Também consta do Recurso questionamentos acerca do procedimento adotado pela Unidade de origem, que ao executar a decisão de primeira instância, concluiu pela cobrança de débito no valor de R$ 247.796,21, o que segundo a Recorrente, estaria em desacordo com a decisão da primeira instância, que, teria concluído por um débito no montante de R$ 2.600,00. É o Relatório. Fl. 606DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 02/05/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 4 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. Inicialmente trato das alegações de erro na cumprimento da decisão de primeira instância. A decisão da Delegacia de Julgamento considerou ao fim do seu acórdão, um débito de R$ 2.600,00, que referese somente as alterações promovidas pela Recorrente nas sua Declarações de Compensação. A discussão limitouse ao pedido de crédito referente à compensação com a CSLL, no valor de R$ 3.020,000,00, o que é inferior ao pedido original da Recorrente, no valor total de R$ 8.500,000,00. O trecho abaixo, transcrito da decisão de primeira instância, comprova estes fatos. "A par das considerações acima, é oportuno notar que o crédito presumido,utilizado, por engano, na quitação do débito da CSLL de R$3.020.000,00 é insuficiente para a homologação integral da compensações dos débitos declarados as PER/DCOMP de fls.167/170; 171/174; 175/178 e 179/182, conforme se demonstra a seguir: .... À vista dos cálculos acima, evidenciase que há insuficiência de recursos de R$2.600,00 (3.022.600,00 — 3.020.000,00) para atender às compensações declaradas nas PER/DCOMP acima relacionadas, o que acarreta a respectiva homologação parcial. Pelas razões expostas, VOTO PELO DEFERIMENTO PARCIAL DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE DE FLS. 202/237, com a homologação parcial da compensação declarada por intermédio das PER/DCOMP de fls. 167/182." A Unidade de Origem ao proceder o encontro de contas no cálculo da compensação, considerou todo o pedido de crédito e todas as compensações pleiteadas, conforme consta de relatório às fls. 458 a 462, considerando o pedido de crédito total no valor de R$ 8.500,000,00. Há de se considerar, que estes esclarecimentos, não estão decidindo sobre o procedimento adotado pela Delegacia da Receita Federal, visto, tal matéria ser estranha a discussão administrativa, já que o cumprimento da decisão de primeira instância é obrigação da Unidade de Origem. Quanto ao mérito da lide, a Recorrente questiona as glosas realizadas pela Fiscalização, referente as aquisições de água bruta, energia elétrica, soda cáustica, dióxido de carbono e óleo de lavagem de naftaleno, por entender que estas aquisições estariam aptas a compor os insumos no cálculo do crédito pleiteado. Para analisar melhor a questão, transcrevo o artigo 1º da Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, que instituiu o crédito presumido do IPI. “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Fl. 607DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 02/05/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 13770.000113/200397 Acórdão n.º 310201.366 S3C1T2 Fl. 3 5 Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único.O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior.” O artigo 1º da Lei 9.363/96 esclarece que o crédito presumido do IPI possui o condão de ressarcir as empresas produtoras e exportadoras, do PIS e da Cofins incidente sobre as aquisições no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizadas no processo produtivo. Apesar de tratarmos de ressarcimento do IPI, a norma visa restituir os valores pagos de PIS e Cofins, nos insumos utilizados pelas empresas exportadoras. Para atingir tal objetivo, o legislador entre diversos caminhos, escolheu aplicar um percentual sobre as aquisições dos insumos utilizados na produção. A legislação não definiu de forma precisa qual o conceito de insumo a ser aplicado no cálculo do crédito, o que gera significativas discussões, sendo este Conselho chamado em diversas ocasiões a se manifestar sobre a matéria. No meu entender, a própria Lei instituidora do crédito presumido, resolveu a questão no art. 3º, Parágrafo único. “Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem.” A matriz legal esclarece, de forma cristalina, que no conceito de receita operacional bruta utilizarseá subsidiariamente a legislação do Imposto de Renda. De outro giro, para definir o conceito de matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem deverá ser utilizada a legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI. Ao tratar dos créditos, o Regulamento do IPI, aprovado pelo Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002, define no seu artigo 164, o funcionamento dos créditos do imposto e no seu inciso II, as exigências para que determinado produto seja considerado insumo, habilitando as suas aquisições a compor a coluna de crédito na apuração do imposto devido . “Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): Fl. 608DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 02/05/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 6 I do imposto relativo a MP, PI e ME , adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; II do imposto relativo a MP, PI e ME , quando remetidos a terceiros para industrialização sob encomenda, sem transitar pelo estabelecimento adquirente; III do imposto relativo a MP, PI e ME , recebidos de terceiros para industrialização de produtos por encomenda, quando estiver destacado ou indicado na nota fiscal; IV do imposto destacado em nota fiscal relativa a produtos industrializados por encomenda, recebidos do estabelecimento que os industrializou, em operação que dê direito ao crédito; V do imposto pago no desembaraço aduaneiro; VI do imposto mencionado na nota fiscal que acompanhar produtos de procedência estrangeira, diretamente da repartição que os liberou, para estabelecimento, mesmo exclusivamente varejista, do próprio importador; VII do imposto relativo a bens de produção recebidos por comerciantes equiparados a industrial; VIII do imposto relativo aos produtos recebidos pelos estabelecimentos equiparados a industrial que, na saída destes, estejam sujeitos ao imposto, nos demais casos não compreendidos nos incisos V a VII; IX do imposto pago sobre produtos adquiridos com imunidade, isenção ou suspensão quando descumprida a condição, em operação que dê direito ao crédito; e X do imposto destacado nas notas fiscais relativas a entregas ou transferências simbólicas do produto, permitidas neste Regulamento. Parágrafo único. Nas remessas de produtos para armazémgeral e depósito fechado, o direito ao crédito do imposto, quando admitido, é do estabelecimento depositante.” Como podemos observar no inciso I, do artigo 164. As matériasprimas, os produtos intermediários e o material de embalagem serão considerado para cálculo de crédito, quando forem incorporados ao novo produto. A exceção é feita, no próprio inciso, para aqueles insumos que apesar de não se incorporarem ao novo produto, são consumidos na sua industrialização. A Fiscalização considerou que os insumos intermediários somente seriam aceitos, quando consumidos em contato direto com o produto final. O questionamento, levantado pela Recorrente, ao alegar que o insumo intermediário, seria qualquer produto consumido na industrialização, sem necessitar do contato físico exigido pela Fiscalização, no meu entender não merece prosperar, tratando desta matéria, foi editada a Súmula CARF nº 19, publicada no DOU de 22/12/2009, que determinou a não inclusão da energia elétrica, dentre os insumos possíveis de gerar crédito presumido de IPI, por não ser consumida em contato direto com o produto final. Fl. 609DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 02/05/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 13770.000113/200397 Acórdão n.º 310201.366 S3C1T2 Fl. 4 7 “Súmula CARF nº 19 Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário.” Diante da Súmula nº 19, não resta nenhuma dúvida. Os produtos consumidos durante a industrialização, somente poderão ser considerados para cálculo do crédito presumido, quando forem consumidos em contato direto com o produto final. Os produtos glosados pela Fiscalização não foram incorporados ao produto final, tampouco consumidos em contato direto com este produto, portanto, tais aquisições não podem compor a lista de insumos a serem utilizadas no cálculo do crédito presumido, estando correto o entendimento adotado no despacho decisório. Quanto à alegação que atos normativos da SRF violam o principio da hierarquia das leis, e ferem o princípio constitucional da legalidade. Em que pese os argumentos da recorrente de afronta a carta magna pela não permissão de utilização dos créditos. Estando as restrições previstas em norma e em plena vigência, como no caso em tela é obrigatória pelas autoridades fiscais a sua aplicação. Ademais, as turmas do CARF estão impedidas de manifestação sobre inconstitucionalidade, diante da emissão da súmula nº 2, publicada no DOU de 22/12/2009. “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Fl. 610DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 02/05/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 8 Fl. 611DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 02/05/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
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Numero do processo: 16327.001698/2010-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2007 Ementa:TÍTULOS PATRIMONIAIS DA ASSOCIAÇÃO BOVESPA. VENDA. EFEITOS TRIBUTÁRIOS. EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. DESCABIMENTO. Por falta de previsão legal, na venda dos títulos patrimoniais da entidade Associação BOVESPA, de propriedade da autuada, descabe aplicar os mesmos efeitos tributários atribuídos à avaliação de investimentos pelo método da equivalência patrimonial. TÍTULOS PATRIMONIAIS DA ASSOCIAÇÃO BOVESPA. VENDA. GANHO DE CAPITAL. COMPUTAÇÃO NO LUCRO. Serão classificados como ganhos de capital, e computados na determinação do lucro real, os resultados na alienação ou na liquidação de bens do ativo permanente. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Na hipótese de lançamento pela autoridade administrativa, a obrigação tributária principal compreende o tributo e a multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário assim constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, com base da taxa Selic, a partir da data do vencimento, nos termos da legislação de regência.
Numero da decisão: 1202-000.837
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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VENDA. EFEITOS TRIBUTÁRIOS. EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. DESCABIMENTO. Por falta de previsão legal, na venda dos títulos patrimoniais da entidade Associação BOVESPA, de propriedade da autuada, descabe aplicar os mesmos efeitos tributários atribuídos à avaliação de investimentos pelo método da equivalência patrimonial. TÍTULOS PATRIMONIAIS DA ASSOCIAÇÃO BOVESPA. VENDA. GANHO DE CAPITAL. COMPUTAÇÃO NO LUCRO. Serão classificados como ganhos de capital, e computados na determinação do lucro real, os resultados na alienação ou na liquidação de bens do ativo permanente. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Na hipótese de lançamento pela autoridade administrativa, a obrigação tributária principal compreende o tributo e a multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário assim constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, com base da taxa Selic, a partir da data do vencimento, nos termos da legislação de regência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/08/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16327.001698/201018 Acórdão n.º 1202000.837 S1C2T2 Fl. 2 2 Vencidos os conselheiros Geraldo Valentim Neto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Orlando José Gonçalves Bueno, que davam provimento ao recurso (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Nelson Lósso Filho, Orlando José Gonçalves Bueno, Carlos Alberto Donassolo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Geraldo Valentim Neto e Viviane Vidal Wagner. Relatório Tratase de examinar o lançamento fiscal para exigência do IRPJ e da CSLL relativo ao anocalendário de 2005, com multa de ofício, no percentual de 75%, e multa de mora, com base na taxa Selic, bem como a glosa de prejuízos fiscais compensados indevidamente no ano de 2007. Por bem retratar os fatos ocorridos, passo a adotar o relatório do Acórdão nº 1632.817 da DRJ/São Paulo I, de fls. 215 a 230, assim transcrito: “No Termo de Verificação Fiscal (fls. 78 a 100), relata a fiscalização que, em junho de 2005, a contribuinte em epígrafe alienou 11 títulos patrimoniais de emissão da Bolsa de Valores de São Paulo Bovespa para a própria emitente pelo valor total de R$ 7.102.762,48. Acrescenta que, em atendimento à intimação, a contribuinte esclareceu que apurou prejuízo de R$ 2.191.606,12 na operação, visto que os títulos patrimoniais estavam contabilizados em seu ativo (investimentos) pelo montante de R$ 9.294.368,60. A fiscalização informa ainda que a contribuinte, embora intimada, não apresentou a documentação comprobatória da aquisição dos títulos patrimoniais alienados e nem dos valores entregues para a formação do patrimônio da Bovespa, devendo, portanto, ser considerado como "zero" o custo de aquisição dos títulos alienados. Informa a fiscalização que, até 2007, a Bovespa era uma associação civil sem fins lucrativos, gozando de isenção fiscal prevista inicialmente no art. 30 da Lei n° 4.506/64 e posteriormente no art. 15 da Lei n° 9.532/97, sendo seu patrimônio Fl. 308DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/08/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16327.001698/201018 Acórdão n.º 1202000.837 S1C2T2 Fl. 3 3 constituído por títulos patrimoniais, de propriedade das sociedades corretoras que operavam na referida bolsa. Acrescenta que, ao longo do tempo, o patrimônio da Bovespa foi aumentando em razão de superávits que, por sua natureza, não podiam ser distribuídos aos seus associados sob pena de desnaturar sua característica de entidade associativa sem fins lucrativos. A fiscalização informa que, a fim de conferir neutralidade tributária aos acréscimos do valor nominal dos títulos patrimoniais enquanto os mesmos permanecessem no ativo de seus detentores, foi editada a Portaria MF n° 785/77, que estabeleceu que "os acréscimos do valor nominal dos títulos patrimoniais das Bolsas de Valores, em decorrência de alteração do seu patrimônio social, não constitui receita nem ganho de capital das sociedades corretoras associadas e, por isso, pode ser excluído do lucro real destas desde que não seja distribuído e constitua reserva para oportuna e compulsória incorporação ao capital." Nesse sentido, o Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional Cosif, no capítulo 1, seção 11, item 3 (normas básicas, ativo permanente, outros investimentos), estabeleceu que os acréscimos aos títulos patrimoniais decorrentes do acúmulo patrimonial da bolsa deveriam ser contabilizados nas sociedades corretoras no patrimônio líquido, na conta de Reserva de Atualização de Títulos Patrimoniais (RAPT), da seguinte forma: "1.11.3.3 Os títulos patrimoniais de bolsas de valores, de mercadorias e de futuros, e da Central de Custódia e de Liquidação Financeira de Títulos CETIP são atualizados, por ocasião dos balanços, pelo valor informado pela respectiva bolsa, procedendose aos seguintes lançamentos de ajustes: (Circ 1273) a) se o novo valor informado pelas bolsas for superior ao saldo contábil na datábase do balanço, debitase TÍTULOS PATRIMONIAIS pela diferença apurada, em contrapartida com RESERVA DE ATUALIZAÇÃO DE TÍTULOS PATRIMONIAIS; b) se o novo valor informado pelas bolsas for inferior ao saldo contábil na data base do balanço, creditase TÍTULOS PATRIMONIAIS pela diferença apurada, em contrapartida com RESERVA DE ATUALIZAÇÃO DE TÍTULOS PATRIMONIAIS até o limite do seu saldo. A parcela excedente, se houver, é debitada em LUCROS OU PREJUÍZOS ACUMULADOS. A fiscalização alega que a alienação dos títulos patrimoniais possibilitou à contribuinte dispor economicamente de uma riqueza até então aferida e registrada apenas cm sua contabilidade. Acrescenta que, com o resultado econômico, temse a ocorrência do fato gerador previsto no art. 418, §1°, do RIR/99 (ganho de capital). Sustenta a fiscalização que a alienação dos títulos patrimoniais impõe a realização da RAPT na mesma proporção, de modo a manter a neutralidade fiscal, uma vez que os acréscimos representados pela reserva não foram tributados em razão do disposto na Portaria MF n° 785/77. Acrescenta que a falta dessa realização implicaria novo benefício às sociedades corretoras, uma vez que a reserva teria sua tributação postergada indefinidamente, tendo sido baixado o ativo que lhe deu origem, sendo considerado dedutível na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL. A fiscalização alega que deve ser adicionado ao lucro real e à base de cálculo da CSLL o valor de R$ 9.294.368,60, referente à realização da RAPT. Acrescenta Fl. 309DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/08/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16327.001698/201018 Acórdão n.º 1202000.837 S1C2T2 Fl. 4 4 que, assim, o ganho de capital na venda dos 11 títulos patrimoniais corresponde ao valor da venda menos o custo de aquisição, ou seja, R$7.102.762,48, o qual representa a efetiva disponibilidade econômica ou jurídica na forma prevista no art. 43,1 e II, do CTN. A fiscalização alega também que a Portaria MF n° 785/77 não autorizou as sociedades corretoras a avaliar os títulos patrimoniais pelo método de equivalência patrimonial, mas apenas autorizou a postergação da tributação. Argumenta que esse entendimento foi expresso na Solução de Consulta Cosit n° 10/2007, em seus itens 18 a 31, reproduzidos às fls. 91 a 97. Ante o exposto, a fiscalização efetuou a recomposição do lucro real e da base de cálculo da CSLL do anocalendário de 2005, conforme demonstrativos a seguir: Recomposição do lucro real de 2005 Lucro real anual declarado 1.041.912,33 (+) Realização da RAPT 9.294.368,60 (=) Lucro real ajustado antes da compensação de prej fiscal 8.252.456,27 () Compensação 30% 2.475.736,88 (=) Lucro real ajustado após compensação 5.776.719,39 IRPJ 15% 866.507,90 Adicional de IRPJ 10% sobre LR acima de 240 mil 553.671,93 IRPJ devido 1.420.179,83 IRPJ declarado 0,00 IRPJ lançado de ofício 1.420.179,83 Recomposição da base de cálculo da CSLL de 2005 Base de cálculo da CSLL anual declarada 1.041.912,33 (+) Realização da RAPT 9.294.368,60 () Base de cálculo da CSLL antes da compensação 8.252.456,27 () Compensação 30% 2.475.736,88 (=) Base de cálculo da CSLL ajustada após compensação 5.776.719,39 CSLL 9% 519.904,75 CSLL declarada 0,00 CSLL lançada de ofício 519.904,75 Há que se ressaltar que as compensações de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL de períodos anteriores efetuadas pela fiscalização resultaram em excesso de compensação de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL no anocalendário de 2007 nos montantes de R$ 3.494.408,28 e de R$ 3.708.492,80, respectivamente, que também foram objeto de autuação. [...] DA IMPUGNAÇÃO Cientificada das autuações em 21/12/2010 (fls. 102 e 109), a contribuinte apresentou, em 19/01/2011, a impugnação de fls. 130 a 151, acompanhada dos documentos de fls. 152 a 207. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/08/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16327.001698/201018 Acórdão n.º 1202000.837 S1C2T2 Fl. 5 5 A impugnante alega que o valor relativo à atualização dos títulos patrimoniais não pode ser tributado, pois se trata de resultado positivo de equivalência patrimonial. Sustenta que o Banco Central do Brasil Bacen e a Comissão de Valores Mobiliários — CVM têm competência para normatizar a contabilidade das pessoas jurídicas por eles reguladas e que esses órgãos fizeram menção expressa quanto à necessidade de se avaliar os títulos patrimoniais das bolsas pelo equity method, em lógica idêntica à do método da equivalência patrimonial previsto na Lei n° 6.404/76. Acrescenta que essa regra encontrase prevista na Circular Bacen n° 1.273/87 e no OfícioCircular CVM n° 325/79. A impugnante alega que esse mesmo entendimento foi manifestado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB no Parecer CST n° 2.254/81 e na Decisão Cosit n° 13/97. Conclui, assim, que a atualização dos títulos patrimoniais não pode sofrer a incidência do IRPJ e da CSLL, pois se trata de resultado positivo de equivalência patrimonial. A impugnante também se insurge contra a aplicação do art. 249, parágrafo único, inciso I, do RIR/99 ao presente caso. Alega que esse dispositivo prevê a tributação de quantias retiradas dos lucros (inclusive lucros suspensos ou acumulados) não tributados por qualquer razão, hipótese distinta do presente caso, em que o montante de R$ 9.294.368,60 (tributado pela fiscalização) representa tãosomente a diferença entre o valor de aquisição dos títulos (considerado "zero") e o valor atualizado dos títulos conforme variação do patrimônio da Bovespa. Sustenta que não se trata de lucro ou de acréscimo patrimonial, mas de valor que se equipara ao resultado da aplicação do método de equivalência patrimonial, conforme determinação expressa da Portaria MF n° 785/77. Assim, a impugnante requer seja reconhecida a inaplicabilidade do art. 249, parágrafo único, inciso I, do RIR/99 ao presente caso, com o conseqüente cancelamento dos autos de infração. A impugnante alega também que não houve ganho de capital na alienação dos títulos patrimoniais, mas prejuízo. Argumenta que o valor referente à atualização dos títulos patrimoniais compõe o custo contábil dos referidos títulos, visto que o custo contábil de qualquer investimento avaliado pelo método da equivalência patrimonial é composto tanto pelo custo de aquisição quanto pelo resultado decorrente da aplicação desse método. Sustenta que o custo contábil dos títulos patrimoniais é de R$ 9.294.368,60. Tendo sido os mesmos vendidos por R$ 7.102.762,48, alega que apurou prejuízo dc R$ 2.191.606,12 na operação. Ad argumentandum, caso sejam mantidas as autuações, sustenta que deve ser considerado o prejuízo na venda dos títulos no montante de R$ 2.191.606,12 na recomposição do lucro real e da base de cálculo da CSLL do anocalendário de 2005. Em decorrência do exposto, a impugnante argumenta que também não podem prosperar os lançamentos relativos ao anocalendário de 2007. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/08/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16327.001698/201018 Acórdão n.º 1202000.837 S1C2T2 Fl. 6 6 A impugnante também se insurge contra a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, sob o argumento de que tal exigência não encontra fundamento legal. Sustenta que o art. 13 da Lei n° 9.065/95 remete ao art. 84 da Lei n° 8.981/95 que, por sua vez, estabelece a cobrança de juros moratórios apenas sobre tributos. Argumenta que a multa é penalidade pecuniária e não tributo, a teor do disposto no art. 3o do CTN. Conclui assim que a exigência de juros sobre a multa de ofício constitui ofensa ao princípio da legalidade, devendo ser cancelada a exigência. É o relatório.” Na sequência, foi emitido o Acórdão nº 1632.817 da DRJ/São Paulo I, de fls. 215 a 230, mantendo integralmente os lançamentos fiscais, com a seguinte ementa: RESERVA DE ATUALIZAÇÃO DE TÍTULOS PATRIMONIAIS DAS BOLSAS DE VALORES. REALIZAÇÃO. A baixa de título patrimonial da Bolsa de Valores de São Paulo Bovespa do ativo permanente da sociedade corretora implica a realização fiscal da respectiva Reserva de Atualização de Títulos Patrimoniais, com a consequente tributação pelo imposto de renda no momento da baixa do ativo. PREJUÍZOS FISCAIS DE PERÍODOS ANTERIORES. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Sendo insuficiente o saldo de prejuízos fiscais de períodos anteriores a compensar, porquanto absorvido pelas infrações apuradas no procedimento de ofício, mantémse a glosa do valor indevidamente compensado. [Idem para a CSLL] JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é regular a incidência dos juros de mora, a partir de seu vencimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Os principais fundamentos do acórdão recorrido podem ser assim sintetizados: a Portaria MF n° 785/77, a Carta Circular Bacen n° 1.273/87 e o Ofício Circular CVM n° 325/79 não autorizam as sociedades corretoras a avaliarem os títulos patrimoniais pelo método de equivalência patrimonial, ao contrário do alegado na impugnação. Há que se observar que a Solução de Consulta Cosit n° 10/2007 refuta expressamente a conclusão da Solução de Consulta Cosit n° 13/97 de que o método da equivalência patrimonial seria aplicável na avaliação do ativo das corretoras representativo dos títulos patrimoniais das bolsas de valores. Portanto, não deve ser acolhida a alegação da impugnante de que a Reserva Fl. 312DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/08/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16327.001698/201018 Acórdão n.º 1202000.837 S1C2T2 Fl. 7 7 de Atualização de Títulos PatrimoniaisRAPT tem a natureza de resultado positivo de equivalência patrimonial. a Reserva de Atualização de Títulos PatrimoniaisRAPT foi sendo constituída durante o período em que a impugnante era detentora dos títulos patrimoniais, não tendo sido tributada nesse período face ao disposto na Portaria MF n° 785/77. Entretanto, com a alienação dos títulos patrimoniais, ocorreu a realização econômica do ativo precificado, o que impõe a realização da respectiva reserva, nos termos do disposto no art. 249, parágrafo único, inciso I, do RIR/99. a tributação da realização da RAPT pela fiscalização no montante de R$ 9.294.368,60 resulta na tributação do próprio ganho econômico auferido pela impugnante no valor de R$ 7.102.762,48, visto que o valor de R$ 2.191.606,12 já fora deduzido pela impugnante na apuração do lucro líquido do anocalendário de 2005, conforme se verifica na linha 52 da Ficha 06B Demonstração do Resultado da DIPJ 2006 (fls. 36), impondose a sua glosa. Assim, também não deve ser acolhido o argumento da impugnante de que, caso sejam mantidas as autuações, deve ser considerado o prejuízo de R$ 2.191.606,12 na recomposição do lucro real e da base de cálculo da CSLL, visto que esse valor já foi deduzido na apuração do lucro líquido do anocalendário de 2005. os lançamentos de IRPJ e de CSLL relativos ao anocalendário de 2005 devem ser integralmente mantidos, devendo ser mantidas também as autuações referentes ao anocalendário de 2007, relativas ao excesso de compensação de prejuízo fiscal e de base negativa da CSLL. a exigência de acréscimos moratórios sobre a penalidade não é objeto do lançamento ora em litígio. Os juros, incidentes sobre o crédito tributário lançado a título de multa, serão calculados e atualizados até a data do efetivo pagamento, na fase de execução do acórdão e de cobrança do crédito tributário mantido, após se tornar definitiva, na esfera administrativa, a decisão acerca do lançamento impugnado, amparado nas disposições do art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996. Irresignada, a contribuinte apresentou seu recurso voluntário a este colegiado, mediante arrazoado, de fls. , repisando praticamente as mesmas alegações trazidas na peça impugnatória, sem trazer qualquer elemento/fato novo. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator. O recurso é tempestivo e nos termos da lei. Dele tomo conhecimento. A principal controvérsia do presente processo diz respeito à possibilidade de se exigir a tributação do IRPJ e da CSLL por ocasião da venda, no ano de 2005, de 11 títulos patrimoniais da Bovespa, que se encontravam registrados no Ativo PermanenteInvestimentos da autuada, fls. 26. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/08/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16327.001698/201018 Acórdão n.º 1202000.837 S1C2T2 Fl. 8 8 A fiscalização alega que a alienação dos títulos patrimoniais possibilitou ao contribuinte dispor economicamente de uma riqueza até então aferida e registrada apenas em sua contabilidade, mas ainda não tributada. Acrescenta que com o resultado econômico temse a ocorrência do fato gerador previsto no art. 418, §1°, do RIR/99 (ganho de capital). Já o acórdão recorrido manteve os lançamentos fiscais sob o fundamento de que a Portaria MF n° 785/77, a Carta Circular Bacen n° 1.273/87 e o Ofício Circular CVM n° 325/79 não autorizam as sociedades corretoras a avaliarem os títulos patrimoniais pelo método de equivalência patrimonial. Além disso a Solução de Consulta Cosit n° 10/2007 refuta expressamente a conclusão da Solução de Consulta Cosit n° 13/97, de modo que a Reserva de Atualização de Títulos PatrimoniaisRAPT não teria a mesma natureza do resultado positivo de equivalência patrimonial. Por seu turno, a recorrente defende que o valor referente à atualização dos títulos patrimoniais tem natureza idêntica ao resultado positivo apurado pelo método da equivalência patrimonial e que os acréscimos no patrimônio não constituiriam renda tributável, citando a seu favor o disposto na Solução de Consulta Cosit nº 13, de 1997 e a Portaria MF nº 785, de 1977. Sustenta, ainda, que o custo contábil dos títulos patrimoniais estava registrado no valor de R$ 9.294.368,60, tendo a venda sido realizada no valor de R$ 7.102.762,48, apurando prejuízo na operação, de R$ 2.191.606,12. Alega, também, a inexistência da subsunção do fundamento legal da autuação, contida no inciso I, parágrafo único do art. 249, do RIR/99, aos fatos em análise, porque não se trata de acréscimo patrimonial ou de lucro previsto no referido dispositivo. Em que pese os argumentos trazidos pela defesa, creio não assistirlhe razão. Primeiramente, cumpre registrar que de acordo com o relatado no Termo de Verificação Fiscal e da documentação dos autos, fls. 13 e ss., resta incontroverso que, em junho de 2005, ocorreu a venda de onze títulos patrimoniais de emissão da Bovespa, pelo valor total de R$ 7.102.762,48. Conforme esclarecimentos prestados pela autuada, teria havido prejuízo nessa operação, pois, os onze títulos estavam contabilizados no ativo permanenteinvestimento (conta Cosif 2.1.4.10.105 Títulos Patrimoniais Bolsa de Valores) pelo montante de R$ 9.294.368,60. Já na DIPJ 2006 do anocalendário de 2005, Ficha 06 B, consta o referido prejuízo apurado, no valor de R$ 2.191.606,12, linha 52, () Valor Contábil dos Bens e Direitos do Alienados, fls. 36 (diferença entre o valor da venda e do valor registrado na contabilidade), o que veio a diminuir o resultado tributável no período. Por fim, está claro nos autos que a autuada foi devidamente intimada a informar o valor do custo de aquisição dos títulos patrimoniais vendidos, informação essa que não foi prestada, concluindo a fiscalização por considerar esse custo como “zero”. Inaplicabilidade do Método de Equivalência Patrimonial Inicialmente, cumpre abordar a inaplicabilidade do método de equivalência patrimonial como forma de se avaliar o investimento ao caso em análise. É fato incontroverso que as corretoras de valores tinham autorização para o registro contábil da valorização (ou desvalorização) dos títulos patrimoniais da BOVESPA em conta do Ativo, tendo como contrapartida a conta de Reserva de atualização de títulos patrimoniais (Patrimônio Líquido), sem transitar por contas de resultado, consoante disposições Fl. 314DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/08/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16327.001698/201018 Acórdão n.º 1202000.837 S1C2T2 Fl. 9 9 do COSIF e fundamentado na Portaria MF nº 785, de 1977, abaixo transcrita, para melhor clareza: "Portaria n° 785, de 20 de dezembro de 1977 O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições e, com, fundamento no que dispõe o art. 223, 'm', do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 76.186/75: Resolve: I. Os acréscimos do valor nominal dos títulos patrimoniais das Bolsas de Valores, em decorrência de alteração do seu patrimônio social, não constitui receita nem ganho de capital das sociedades corretoras associadas e, por isso, pode ser excluído do lucro real destas desde que não seja distribuído e constitua reserva para oportuna e compulsória incorporação ao capital. II. Aos aumentos de capital assim procedidos aplicase o disposto no Decretolei nº 1.109/70, art. 3º, § 3º (RIR art. 237). Mário Henrique Simonsen Ministro da Fazenda " (destaques meus) Em que pese reconhecer que a sistemática de atualização dos títulos patrimoniais da BOVESPA, previsto na Portaria MF nº 785, de 1977, era similar ao método de equivalência patrimonial, invocado pela recorrente, entendo que descabe totalmente a aplicação dos efeitos tributários desse método aos casos de atualização dos títulos patrimoniais em análise que, no caso, foram vendidos. Isso se deve pelos seguintes motivos: Primeiramente, porque o método de equivalência patrimonial está previsto na lei das Sociedades por Ações (Lei nº 6.404, de 1976, art. 248 e alterações), aplicável, unicamente, às pessoas jurídicas criadas com o objetivo de auferir lucro, e distribuir aos seus sócios, hipótese totalmente estranha e desvinculada de uma pessoa jurídica criada sob a forma de “associação”, sem fins lucrativos, como era o caso da BOVESPA no ano de 2005. Em segundo lugar, por que o método de equivalência patrimonial, para fins tributários, somente se aplica no caso de sociedades controladas e coligadas, cuja investidora mantenha investimento relevante na pessoa jurídica investida, nos termos do art. 384 do Regulamento do Imposto de RendaRIR/99, situação também não verificada no caso ora em análise: Art. 384. Serão avaliados pelo valor de patrimônio líquido os investimentos relevantes da pessoa jurídica (Lei nº 6.404, de 1976, art. 248, e DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 67, inciso XI): I em sociedades controladas; e Fl. 315DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/08/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16327.001698/201018 Acórdão n.º 1202000.837 S1C2T2 Fl. 10 10 II em sociedades coligadas sobre cuja administração tenha influência, ou de que participe com vinte por cento ou mais do capital social. § 1º São coligadas as sociedades quando uma participa, com dez por cento ou mais, do capital da outra, sem controlála (Lei nº 6.404, de 1976, art. 243, § 1º). § 2º Considerase controlada a sociedade na qual a controladora, diretamente ou através de outras controladas, é titular de direitos de sócio que lhe assegurem, de modo permanente, preponderância nas deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores (Lei nº 6.404, de 1976, art. 243, § 2º). § 3º Considerase relevante o investimento (Lei nº 6.404, de 1976, art. 247, parágrafo único): I em cada sociedade coligada ou controlada, se o valor contábil é igual ou superior a dez por cento do valor do patrimônio líquido da pessoa jurídica investidora; II no conjunto das sociedades coligadas e controladas, se o valor contábil é igual ou superior a quinze por cento do valor do patrimônio líquido da pessoa jurídica investidora. Assim, de acordo com o dispositivo acima transcrito, não há nos autos evidências de que a autuada possa ser caracterizada como tendo “investimento relevante” em outra pessoa jurídica (BOVESPA), nem que esse investimento a constitua em “controladora” ou em “coligada” da pessoa jurídica investida (BOVESPA). Dessa forma, forçoso concluir que uma vez não preenchidos os requisitos do art. 384, também não há como aplicar os efeitos tributários dos arts. 387 a 389 do RIR/99, para excluir da tributação a atualização dos títulos patrimoniais, nos termos do que prevê o método de avaliação de investimentos denominado “equivalência patrimonial”, como pretende a interessada: Art. 387. Em cada balanço, o contribuinte deverá avaliar o investimento pelo valor de patrimônio líquido da coligada ou controlada, de acordo com o disposto no art. 248 da Lei nº 6.404, de 1976, e as seguintes normas (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 21, e DecretoLei nº 1.648, de 1978, art. 1º, inciso III): I o valor de patrimônio líquido será determinado com base em balanço patrimonial ou balancete de verificação da coligada ou controlada levantado na mesma data do balanço do contribuinte ou até dois meses, no máximo, antes dessa data, com observância da lei comercial, inclusive quanto à dedução das participações nos resultados e da provisão para o imposto de renda; (...) Art. 388. O valor do investimento na data do balanço (art. 387, I), deverá ser ajustado ao valor de patrimônio líquido determinado de acordo com o disposto no artigo anterior, Fl. 316DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/08/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16327.001698/201018 Acórdão n.º 1202000.837 S1C2T2 Fl. 11 11 mediante lançamento da diferença a débito ou a crédito da conta de investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 22). § 1º Os lucros ou dividendos distribuídos pela coligada ou controlada deverão ser registrados pelo contribuinte como diminuição do valor de patrimônio líquido do investimento, e não influenciarão as contas de resultado (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 22, parágrafo único). (...) Art. 389. A contrapartida do ajuste de que trata o art. 388, por aumento ou redução no valor de patrimônio líquido do investimento, não será computada na determinação do lucro real (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 23, e DecretoLei nº 1.648, de 1978, art. 1º, inciso IV). (...) (destaques meus) A não consideração do ajuste de que tratam os arts. 388 e 389, acima transcritos, na determinação do lucro real, por aumento ou redução no valor do investimento avaliado pela equivalência patrimonial, decorre do princípio da legislação tributária de tributar o lucro da pessoa jurídica uma única vez, naquele que o produz. Ora, se a pessoa jurídica que produziu o lucro é entidade isenta (Associação BOVESPA), os lucros apurados nessa entidade não foram tributados, o que se justifica, também por esse motivo, a tributação na pessoa que o auferiu, no caso, a autuada. O lucro apurado necessariamente sofre a incidência do imposto de renda, por caracterizar um acréscimo patrimonial, nos termos do definido no art. 43, II do CTN, bem como da contribuição social sobre o lucro, porque compõe o lucro da pessoa jurídica, a teor do art. 1º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988. Por último, em relação à essa matéria, cumpre destacar que em nenhum momento a Portaria MF nº 785, de 1977, mencionou que a atualização dos títulos patrimoniais seria feito nos moldes do método da equivalência patrimonial, muito menos ser aplicável os efeitos tributários da aplicação desse método. Dessa forma, pelas razões acima expostas, sou levado a concluir que a pretensão do recorrente, de querer aplicar o método de equivalência patrimonial, bem como os efeitos tributários dali decorrentes, não encontra nenhum respaldo na legislação comercial e fiscal, devendo ser rejeitada por esse órgão julgador. Acréscimo patrimonial na operação de venda dos títulos Sustenta a recorrente que apurou prejuízo na operação de venda dos títulos patrimoniais da BOVESPA e que seria inaplicável o fundamento legal utilizado na autuação, parágrafo único do art. 249 do RIR/99, aos fatos em análise, porque não se trata de acréscimo patrimonial ou de lucro previsto no referido dispositivo. Mais uma vez creio não assistir razão à recorrente. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/08/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16327.001698/201018 Acórdão n.º 1202000.837 S1C2T2 Fl. 12 12 Inicialmente, cabe destacar que o art. 249 não foi o único dispositivo legal citado na autuação. De acordo com que consta da fl. 104, o fundamento legal utilizado na autuação consiste nos arts. 247, 248, 249, § único, 251, 264, 418, do RIR/99. Nessa parte cumpre reproduzir parte do Termo de Verificação Fiscal, fls. 86 e ss.,onde ficou muito bem explicado os motivos da autuação, cujos fundamentos adoto como razão de decidir: “O patrimônio das Bolsas de Valores, pelo exercício de suas atividades operacionais, foi se acumulando, ao longo do tempo, sob a forma de superávits e que, por sua natureza, não podiam ser transferidos ou devolvidos ou distribuídos aos seus membros sob pena de desnaturar a sua característica de entidade associativa, sem fins lucrativos, com benefício de isenção fiscal. Entretanto, a fim de refletir as alterações do patrimônio social das Bolsas de Valores nos demonstrativos financeiros das associadas, o BACEN regulamentou os registros contábeis dos acréscimos do valor nominal dos títulos patrimoniais das Bolsas de Valores. E, dada a condição de associação civil da BOVESPA, que exigia de seus membros a propriedade de título patrimonial para nela permanecer e operar, a autoridade administrativa, reconhecendo a improvável negociação desses títulos, editou a Portaria MF n° 785, de 20 de dezembro de 1977, para conferir neutralidade tributária aos acréscimos do valor nominal desses títulos, enquanto mantidos no ativo de seus detentores. [...] Com efeito, a portaria ministerial, norma tributária complementar, nos termos dos artigos 96 e 100, inciso I, do Código Tributário Nacional, ao neutralizar os efeitos tributários sobre riqueza meramente contábil, guarda consonância com o disposto no artigo 43, incisos I e II, do mesmo diploma legal, que prevê a ocorrência do fato gerador do imposto de renda na efetiva aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica. "Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. " Estamos tratando, portanto, do princípio da neutralidade fiscal das reservas o qual podemos observar norma na legislação do imposto de renda, em vigor desde o século passado, consoante dispositivo de redação de 1943, Decretolei n 5.844, art. 43, que ainda permanece em vigor, conforme se verifica na leitura do art. 249, parágrafo único, I do RIR/99: "Art. 249. Na determinação do lucro real, serão adicionados ao lucro líquido do período de apuração (DecretoLei n" 1.598, de 1977, art. 6, § 22): I. ....... Fl. 318DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/08/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16327.001698/201018 Acórdão n.º 1202000.837 S1C2T2 Fl. 13 13 II. ...... Parágrafo único. Incluemse nas adições de que trata este artigo: I ressalvadas as disposições especiais deste Decreto, as quantias tiradas dos lucros ou de quaisquer fundos ainda não tributados para aumento do capital, para distribuição de quaisquer interesses ou destinadas a reservas, quaisquer que sejam as designações que tiverem, inclusive lucros suspensos e lucros acumulados (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 43, § alíneas "f, "g" e "i ");” Referido dispositivo, embora escrito com linguagem que se revela defasada em função da terminologia atual, reafirma o princípio da neutralidade fiscal das reservas. O conteúdo normativo do texto citado comanda imposição tributária que hoje conhecemos como REALIZAÇÃO FISCAL DA RESERVA. Em outras palavras, impõe a exação a todos aqueles que mesmo sem a realização econômica do ativo precificado valemse do valor da reserva para distribuir interesses, aumentar capital social ou mesmo a conta de lucros acumulados, porque tais situações são configuradoras do fato gerador por acréscimo patrimonial advindo de proventos de qualquer natureza. No caso em análise, a venda dos onze títulos patrimoniais no mercado secundário implica na realização econômica do ativo precificado o que, por si só, justifica a realização da reserva. Assim, o arcabouço legal que rege as reservas decorrentes de precificação de ativos, que são partes integrantes do patrimônio líquido das sociedades empresariais, evidencia que elas são neutras em termos fiscais no momento de sua formação, ficando os efeitos tributários prorrogados, diferidos ou meramente postergados para momentos posteriores, que são definidos pela legislação de regência ou por imposição principiológica quando feito o seu exame perante as normas contábeis, legais e tributárias concernentes à matéria. [...] Portanto, a alienação dos títulos patrimoniais possibilitou à ABN AMRO dispor economicamente de riqueza até então aferida e registrada apenas em sua contabilidade. Pôde dispor de ganho real auferido, conforme manifestado no Contrato de Cessão e Transferência de Título Patrimonial firmado pelas partes vendedora (ABN AMRO SECUR1TIES BRASIL) e compradora (BOVESPA). Com o resultado econômico temse a ocorrência de fato descrito em norma jurídica como desencadeador de incidência tributária, isto é, a ocorrência de fato gerador previsto no artigo 418 e §1° do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). "Art. 418. Serão classificados como ganhos ou perdas de capital, e computados na determinação do lucro real, os resultados na alienação, na desapropriação, na baixa por perecimento, extinção, desgaste, obsolescência ou exaustão, ou na liquidação de bens do ativo permanente (DecretoLei n 1.598, de 1977, art. 31). § 1 Ressalvadas as disposições especiais, a determinação do ganho ou perda de capital terá por base o valor contábil do bem, assim entendido o que estiver registrado na escrituração do contribuinte e diminuído, se for o caso, da Fl. 319DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/08/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16327.001698/201018 Acórdão n.º 1202000.837 S1C2T2 Fl. 14 14 depreciação, amortização ou exaustão acumulada (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 31, § 1º). " No presente caso, a ABN AMRO SECURITIES BRASIL não apresentou a esta fiscalização a documentação comprobatória do custo de aquisição do título patrimonial da BOVESPA, lembrando que, posteriormente, com o seu desdobramento em doze, ocorrido no ano de 2.000, o referido custo de aquisição deveria ser igualmente desdobrado nessa quantidade. Dessa forma, atribuímos "zero" ao custo de aquisição dos onze títulos alienados em junho de 2.005. Assim, todo valor baixado na conta "2.1.4.10.105 Títulos Patrimoniais de Bolsa de Valores", no valor de R$9.294.368,60, se refere à atualização dos títulos patrimoniais cuja contrapartida foi registrada na conta RATP a qual não foi tributada em decorrência da Portaria MF n° 785/77. Portanto, a alienação de títulos patrimoniais implica na realização da RATP, na mesma proporção, de modo a manter a neutralidade fiscal uma vez que, como os acréscimos representados pela reserva não foram tributados, em razão de um benefício fiscal, o ativo baixado, que representa as atualizações dos títulos patrimoniais, foi considerado dedutível na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL.” Como se percebe da leitura da transcrição acima, ficou muito bem caracterizada a obrigação de registrar como ganho de capital, e computar na determinação do lucro líquido (e do lucro real), os resultados apurados na alienação/liquidação de bens do ativo permanente, na hipótese, os títulos patrimoniais da BOVESPA, nos termos dos arts. 249, parágrafo único I, combinado com o art. 418 do RIR/99, devendo, pelos motivos expostos, ser mantida a tributação contida nos autos de infração. Valor tributável considerado pela fiscalização Alega a recorrente que inexistiu ganho de capital na operação, uma vez que o custo contábil dos títulos patrimoniais estava registrado no valor de R$ 9.294.368,60, tendo a venda sido realizada no valor de R$ 7.102.762,48, que resultou um prejuízo na operação de R$ 2.191.606,12. A questão levantada parece não comportar maiores discussões. Tratase de simples questão matemática. O ganho de capital é apurado mediante a diferença entre o valor da venda do bem e do seu custo de aquisição. O valor da venda dos 11 títulos patrimoniais da BOVESPA foi de R$ 7.102.762,48 e o seu custo de aquisição foi considerado “zero”, já que a autuada não informou qual o valor de aquisição dos respectivos títulos. Desse modo, não tem nenhum fundamento considerar como custo de aquisição o valor dos títulos atualizados na contabilidade da autuada, no valor de R$ 9.294.368,60, porque esse valor não foi desembolsado/pago pela interessada na aquisição dos referidos títulos, não podendo, em conseqüência, compor o seu custo. Da mesma forma também não pode compor o custo, porque, como já se viu anteriormente neste voto, a atualização dos títulos não tem os efeitos tributários atribuídos no caso da avaliação do investimento pelo valor de patrimônio líquido (equivalência patrimonial). A título de esclarecimento, necessário registrar que o valor tributável considerado pela fiscalização, de R$ 9.294.368,60, também encontrase correto, posto que decorre da soma do valor do ganho de capital na venda dos títulos, de R$ 7.102.762,48, mais a Fl. 320DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/08/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16327.001698/201018 Acórdão n.º 1202000.837 S1C2T2 Fl. 15 15 glosa da dedução indevida na apuração do lucro tributável na DIPJ do pretenso prejuízo apurado pela autuada na operação, no valor de R$ 2.191.606,12, fls. 36. Por fim, mantido o acréscimo ao lucro, em 2005, do valor tributável na operação de venda dos títulos da BOVESPA, encontrase também correto o procedimento fiscal em recompor os prejuízos fiscais e as bases de cálculo negativas dos anos de 2005 a 2007. Incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício A defesa se insurge contra a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, sob o argumento de que tal exigência não encontra fundamento legal. Sustenta que o art. 13 da Lei n° 9.065/95 remete ao art. 84 da Lei n° 8.981/95 que, por sua vez, estabelece a cobrança de juros moratórios apenas sobre tributos e contribuições sociais. Argumenta que a multa é penalidade pecuniária e não tributo, a teor do disposto no art. 3º do CTN. A exigência de juros moratórios sobre débitos para com a União, nesses incluídas as multas, é matéria prevista em lei, consoante art. 61 da Lei no 9.430, 1996, que estabeleceu, verbis: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1o de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (destaquei) (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3o do art. 5o, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (destaquei) Esse dispositivo de lei foi abrangente ao dispor sobre a exigência de juros de mora sobre os débitos para com a União, diferentemente do que previa a lei anterior (Lei n° 8.981/95), que estabelecia a exigência dos juros moratórios sobre os tributos e contribuições. E ao se referir sobre a cobrança desses acréscimos sobre os débitos para com a União, a norma estabeleceu a obrigatoriedade da exigência desses gravames sobre quaisquer débitos, do que decorre, por óbvio, a sua exigência sobre multas de ofício. A multa de ofício existe em decorrência da existência do tributo ou das contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil, originado de lançamento efetuado pela autoridade fiscal. Essa é a regra geral. Portanto, em procedimentos em que há a perda da espontaneidade do sujeito passivo, ao débito do tributo (ou contribuição) lançado é acrescida a multa de ofício, que passa a ter os seus efeitos regrados pelo principal, tributo ou contribuição. Extinguindose algum destes, no todo ou em parte, a multa de ofício se extingue na mesma proporção. É a velha máxima do direito, ao estabelecer que o acessório segue o principal. Já o art. 61 e seu § 3º, acima transcritos, são claros o suficiente em prever a incidência dos juros de mora aos débitos decorrentes de tributos e contribuições. E o que Fl. 321DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/08/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16327.001698/201018 Acórdão n.º 1202000.837 S1C2T2 Fl. 16 16 decorre dos tributos e contribuições são os valores de principal e as multas de ofício deles decorrentes, transformandose em débitos tributários para com a União, nos termos do que exige a lei. A obrigação tributária principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de ofício proporcional, consoante previsão do art. 113, §1º, do CTN. Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1° A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente. Já a multa de ofício está prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 e alterações, e é exigida juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago. Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tornandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, obrigação principal. Dispondo sobre a matéria o Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (Decreto no 3000/1999) foi taxativo em seu art. 953 ao destacar a exigência dos juros moratórios sobre os créditos tributários da União,: RIR/99: Art. 953. Em relação a fatos geradores ocorridos a partir de 1º de abril de 1995, os créditos tributários da União não pagos até a data do vencimento serão acrescidos de juros de mora equivalentes à variação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento (Lei nº 8.981, de 1995, art. 84, inciso I, e § 1º, Lei nº 9.065, de 1995, art. 13, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 3º). No mesmo sentido já se manifestou este CARF quando do julgamento do Acórdão nº CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA – MULTA DE OFÍCIO – OBRIGAÇÃO PRINCIPAL – A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de ofício proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Nessa mesma linha, foi editada a Súmula Carf nº 5, aprovada pela Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2012: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que Fl. 322DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/08/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16327.001698/201018 Acórdão n.º 1202000.837 S1C2T2 Fl. 17 17 suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Dessa forma, é de se manter a exigência dos juros de mora sobre os créditos tributários não pagos no vencimento, aí incluídas as multas lançadas de ofício. Em face do exposto, voto para que seja negado provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 323DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/08/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON LOSSO FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 18108.001345/2007-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2005
Ementa:
AUTO DE INFRAÇÃO
A empresa deve lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Art. 32, inciso II, da Lei n.º 8.212/91. A falta de registro contábil
discriminado das contribuições previdenciárias descontadas dos segurados, acarreta lavratura de auto de infração.
MULTA VALOR REAJUSTADO POR PORTARIA MINISTERIAL
A aplicação das Portarias Ministeriais para reajustar o valor das multas impostas por infração à legislação previdenciária está respaldada por dispositivo legal, artigo 373, Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3048/99.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2302-001.682
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2005 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO A empresa deve lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Art. 32, inciso II, da Lei n.º 8.212/91. A falta de registro contábil discriminado das contribuições previdenciárias descontadas dos segurados, acarreta lavratura de auto de infração. MULTA VALOR REAJUSTADO POR PORTARIA MINISTERIAL A aplicação das Portarias Ministeriais para reajustar o valor das multas impostas por infração à legislação previdenciária está respaldada por dispositivo legal, artigo 373, Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3048/99. Recurso Voluntário Negado.
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Art. 32, inciso II, da Lei n.º 8.212/91. A falta de registro contábil discriminado das contribuições previdenciárias descontadas dos segurados, acarreta lavratura de auto de infração. MULTA VALOR REAJUSTADO POR PORTARIA MINISTERIAL A aplicação das Portarias Ministeriais para reajustar o valor das multas impostas por infração à legislação previdenciária está respaldada por dispositivo legal, artigo 373, Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3048/99. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Relator Liege Lacroix Thomasi Relatora. EDITADO EM: 20/03/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Eduardo Augusto Marcondes de Freitas, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato Ausência Momentânea: Eduardo Augusto Marcondes de Freitas Fl. 133DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 18108.001345/200722 Acórdão n.º 230201.682 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Trata o presente de autodeinfração, lavrado e cientificado ao sujeito passivo acima identificado, em 28/11/2007, em virtude do descumprimento o artigo 32, inciso II da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso II e parágrafos 13 a 17, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, por não ter lançado em títulos próprios de sua contabilidade as contribuições previdenciárias retidas dos segurados. A multa punitiva foi aplicada de acordo com artigo 283, inciso II, letra “a”, do Regulamento da Previdência Social – RPS, e atualizada pela Portaria Ministerial n.º 142, de 11/04/2007. O relatório fiscal da infração diz que a autuada não provisionou contabilmente em título próprio as contribuições retidas dos segurados, de forma a demonstrar as contribuições do INSS a recolher, resultantes das retenções efetuadas sobre os pagamentos. Após a impugnação, Acórdão de fls. 93/97, julgou a autuação procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso argüindo em síntese: a) que não foi caracterizada a infração porque houve o lançamento na contabilidade, mas de forma imprópria segundo o fisco; b) que possui as contas obrigatórios do plano de contas; c) que não há lei que obrigue a escrituração em plano de contas próprio; d) que as Normas Brasileiras de Contabilidade não exigem que as cooperativas apresentem plano de contas para a escrituração de valores destinados aos cofres públicos; e) que a multa deve ser aplicada de acordo com o artigo 175 do Regulamento da Previdência Social e não pela Portaria 142, alcançando o valor de R$ 7.430,14. Requer a nulidade do auto de infração, ou a redução da multa. É o relatório. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi – Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Trata o presente processo de auto de infração lavrado pelo descumprimento de obrigação acessória que vem definida na legislação. É obrigação da empresa registrar de forma discriminada o montante das quantias descontadas dos segurados. O art. 32, inciso II da Lei n.º 8.212/91, traz que a empresa é obrigada a lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Esse ordenamento encontra respaldo, também, no art. 225, inc. II e §13, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, verbis: Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; (...) § 13. Os lançamentos de que trata o inciso II do caput, devidamente escriturados nos livros Diário e Razão, serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições, devendo obrigatoriamente: I – atender ao princípio contábil do regime de competência; e II – registrar, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do saláriodecontribuição, bem como as contribuições descontadas do segurado, as da empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços. § 14. A empresa deverá manter à disposição da fiscalização os códigos ou abreviaturas que identifiquem as respectivas rubricas utilizadas na elaboração da folha de pagamento, bem como os utilizados na escrituração contábil. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 18108.001345/200722 Acórdão n.º 230201.682 S2C3T2 Fl. 3 5 Na análise da contabilidade de uma empresa a auditoria fiscal verifica a obediência às formalidades intrínsecas e extrínsecas determinadas pela legislação comercial, fiscal e resoluções do Conselho Federal de Contabilidade, que visam possibilitar que os usuários da contabilidade possam analisar a situação da empresa versando seus interesses e que a demonstração dos resultados seja correta para a apuração do tributos que forem previstos em lei. Os princípios contábeis que regem a contabilidade visam, justamente, que os demonstrativos reflitam a areal situação da empresa no período analisado. Em face dos comandos normativos acima transcritos e à vista dos fatos relatados no "Relatório Fiscal da Infração", revelase procedente a autuação, uma vez que a fiscalização atesta que as retenções efetuadas nas remunerações dos segurados não foram provisionadas ou lançadas em título próprio, não havendo no plano de contas a conta relativa a INSS a recolher, o que dificulta a conferência dos valores efetivamente retidos dos segurados para ser confrontado com as folhas de pagamento e com os valores recolhidos. Quanto à inconformidade da recorrente acerca do valor da multa constar de Portaria Ministerial, faço referência ao artigo 373 do Regulamento da Previdência Social que diz: “Art.373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no era.288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social.” Desta forma, a aplicação das Portarias Ministeriais para reajustar o valor das multas impostas por infração à legislação previdenciária está respaldada por dispositivo legal. A multa punitiva foi aplicada nos estritos termos da legislação em obediência ao disposto pelos artigos 283, inciso I, e 373, ambos do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048/99. O artigo 283, inciso I, especifica a multa a ser aplicada frente à conduta da autuada e o artigo 373, determina que os valores expressos em moeda corrente referidos no Regulamento serão reajustados nas mesmas épocas e nos mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Frente à disposição legal, a multa foi aplicada de acordo com os valores constantes da Portaria Ministerial nº. 142, de 11/04/2007, vigente à época da autuação e que reajustou o valor da multa prevista no artigo 283, do Regulamento da Previdência Social. É totalmente inócua a referência feita pela recorrente ao artigo 175, do Regulamento da Previdência Social que trata do pagamento de parcelas relativo a benefício efetuado com atraso, não havendo qualquer relação com o reajuste da multa punitiva aplicada pelo descumprimento de obrigação acessória. A aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória constante da Lei n.º 8.212/91, não foi enquinada de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, estando totalmente válida e devendo ser obedecida pela via administrativa, vez que está dentro dos pressupostos legais e constitucionais. Pelo exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 137DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 16643.000377/2010-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. No procedimento fiscal e na lavratura do auto de infração foram observados os artigos 142 do CTN e 10 do PAF(Decreto 70.235) logo, não há que se falar em nulidade por cerceamento do direito de defesa.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS/OMISSÃO DE RECEITAS. Nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96, caracteriza omissão de receita, os valores creditados em conta de depósito ou investimento mantida junto à instituição financeira, em relação, aos quais, o titular, regularmente notificado, não comprove a origem dos recursos utilizados, mediante documentação hábil e idônea.
OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO FICTÍCIO. Consoante legislação fiscal, presume-se a ocorrência de omissão de receita quando a pessoa jurídica não logra comprovar a efetiva existência de débitos consignados no passivo.
OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. Permanece válida a presunção de omissão de receitas se não for comprovada, com documento hábil, a origem e efetiva entrega dos suprimentos de caixa.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEVOLUÇÃO DE MERCADORIAS E PRODUTOS. A devolução de mercadorias deve ser comprovada por nota fiscal de emissão da própria pessoa jurídica discriminada por data e valor. O montante não comprovado caracteriza omissão de receitas.
Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-001.300
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausentes os Conselheiros Carlos Pelá e Frederico Augusto Gomes de Alencar.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Antônio José Praga de Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. No procedimento fiscal e na lavratura do auto de infração foram observados os artigos 142 do CTN e 10 do PAF(Decreto 70.235) logo, não há que se falar em nulidade por cerceamento do direito de defesa. DEPÓSITOS BANCÁRIOS/OMISSÃO DE RECEITAS. Nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96, caracteriza omissão de receita, os valores creditados em conta de depósito ou investimento mantida junto à instituição financeira, em relação, aos quais, o titular, regularmente notificado, não comprove a origem dos recursos utilizados, mediante documentação hábil e idônea. OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO FICTÍCIO. Consoante legislação fiscal, presume-se a ocorrência de omissão de receita quando a pessoa jurídica não logra comprovar a efetiva existência de débitos consignados no passivo. OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. Permanece válida a presunção de omissão de receitas se não for comprovada, com documento hábil, a origem e efetiva entrega dos suprimentos de caixa. OMISSÃO DE RECEITAS. DEVOLUÇÃO DE MERCADORIAS E PRODUTOS. A devolução de mercadorias deve ser comprovada por nota fiscal de emissão da própria pessoa jurídica discriminada por data e valor. O montante não comprovado caracteriza omissão de receitas. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausentes os Conselheiros Carlos Pelá e Frederico Augusto Gomes de Alencar. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. No procedimento fiscal e na lavratura do auto de infração foram observados os artigos 142 do CTN e 10 do PAF(Decreto 70.235) logo, não há que se falar em nulidade por cerceamento do direito de defesa. DEPÓSITOS BANCÁRIOS/OMISSÃO DE RECEITAS. Nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96, caracteriza omissão de receita, os valores creditados em conta de depósito ou investimento mantida junto à instituição financeira, em relação, aos quais, o titular, regularmente notificado, não comprove a origem dos recursos utilizados, mediante documentação hábil e idônea. OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO FICTÍCIO. Consoante legislação fiscal, presumese a ocorrência de omissão de receita quando a pessoa jurídica não logra comprovar a efetiva existência de débitos consignados no passivo. OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. Permanece válida a presunção de omissão de receitas se não for comprovada, com documento hábil, a origem e efetiva entrega dos suprimentos de caixa. OMISSÃO DE RECEITAS. DEVOLUÇÃO DE MERCADORIAS E PRODUTOS. A devolução de mercadorias deve ser comprovada por nota fiscal de emissão da própria pessoa jurídica discriminada por data e valor. O montante não comprovado caracteriza omissão de receitas. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 00 03 77 /2 01 0- 13 Fl. 5390DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16643.000377/201013 Acórdão n.º 1402001.300 S1C4T2 Fl. 0 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausentes os Conselheiros Carlos Pelá e Frederico Augusto Gomes de Alencar. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Relatório FASHION WEEK CONFECCOES DE MODAS LTDA recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235/1972 (PAF). Tratase autos de infração lavrados em 23/12/2010, para cobrança de créditos tributários no total de R$ 11.476.285,58, a título de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), R$ 842.245,45 do Programa de Integração Social (PIS), R$ 3.879.434,50 da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e R$ 4.149.423,14 da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), incluídos nesses totais multas e juros de mora calculados até 30/11/2010. O enquadramento legal para o IRPJ está discriminado às fls.2.550/2.553, para o PIS, às fls.2.562; para a COFINS, às fls.2.571; para a CSLL, às fls.2.581/2.582. O trabalho fiscal teve início em virtude de os balancetes apresentados pelo contribuinte em 22/03/2011 (fls.49/95), relativos ao anocalendário de 2007, revelarem indícios de existência de lançamentos atípicos, a saber: o volume de entradas de numerários transitados pelas contas de “Caixa” e “Bancos” apresentavamse desproporcionais e maiores que o dobro do numerário transitado nas “Contas a Receber”, sobretudo nas contas de “Receitas”. A partir das informações obtidas, a auditoria fiscal focou suas investigações nas relações entre as contas: Caixa/Bancos – Clientes, Clientes – Vendas e Vendas – Vendas Canceladas. No caso de contas do Ativo, contas de “Bancos” e “Caixa”, os lançamentos a débito representam as entradas de numerário para a empresa e os a crédito, as saídas. Fl. 5391DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16643.000377/201013 Acórdão n.º 1402001.300 S1C4T2 Fl. 0 3 Os lançamentos efetuados a título de “Suprimentos de Caixa” nas contas de “Bancos” tiveram contrapartida na conta “Caixa”. O contribuinte tinha por praxe fazer transitar pela conta “Caixa” tais transações de numerários. Concluída a análise da relação Caixa/Bancos – Clientes, seguiuse à análise da relação ClientesVendas. Notouse que o contribuinte não efetuou lançamentos irregulares, visto que 99,98% dos valores lançados possuíam correspondência em conta de receitas (débito na Conta “Clientes” e crédito na conta de “Vendas”). Concluída a análise da relação ClientesVendas, seguiuse à análise da relação Vendas – Vendas Canceladas. Nesta relação. Foram encontradas irregularidades, visto que os cancelamentos de vendas representavam mais da metade das vendas (54,69%). Conforme descrição no Termo de Verificação Fiscal de fls. 2.586/2.606, a Fiscalização constatou as seguintes infrações: · Depósitos e créditos bancários de origem não comprovada: o contribuinte não apresentou os documentos para comprovar a origem dos recursos ingressos em suas contas bancárias no montante de R$ 13.912.575,47. As transferências entre contas correntes de mesma titularidade não foram consideradas; · Omissão de Receitas – Cancelamentos de Vendas Não Comprovados: Com base na escrituração contábil do contribuinte, foi elaborado demonstrativo das devoluções de vendas de produtos (81,65%) e de vendas de mercadorias (90,16%). O contribuinte não apresentou as notas fiscais de entrada de emissão própria nem das demais devoluções, não restando comprovada, grande parte das devoluções de vendas. O total apurado desta infração é de R$ 7.388.158,00; · Omissão de Receitas – Saldo Credor de Caixa: Os saldos credores de caixa foram extraídos da escrituração contábil em meio magnético nos meses de abril e dezembro de 2007. O valor de saldo credor de caixa não comprovados totalizou R$ 466.453,29; · Omissão de Receitas – Passivo Fictício: o contribuinte efetuou o seguinte lançamento: a débito da conta de Passivo – Fornecedores Nacional e a crédito de conta ativa – Caixa no montante de R$ 2.860.000,00, cuja comprovação não logrou êxito. Cientificado do feito em 23/12/2010 (fl. 2.549), apresentou impugnação de fls. 2.626/2.645, 2.669/2.688, 2.712/2.731 e 2.758/2.779 em 21/01/2011, para todos os feitos, argüindo, em síntese, o seguinte: · O lançamento fiscal está maculado de ilegalidade, pois os trabalhos fiscais basearamse somente em “indícios” sem apurações concretas e efetivas; · Quanto à autuação originário de depósitos bancários, o contribuinte defende que a infração apurada não merece prosperar, pois foram apuradas por mera presunção sem amparo legal; · A autuação com análise apenas de extratos bancários não subsiste por falta de previsão legal; · Traz aos autos todos os extratos bancários, os quais comprovam as origens de todos os recursos ingressos em suas contas bancárias; Fl. 5392DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16643.000377/201013 Acórdão n.º 1402001.300 S1C4T2 Fl. 0 4 · Tendo em vista que a empresa não foi multada pela penalidade prevista no art.968 do RIR/99, indica que a contribuinte apresentou todos os documentos solicitados pela Fiscalização; · O local em que a Fiscalização deveria ter examinado os documentos seria o estabelecimento da contribuinte, a qual não compareceu em nenhum momento da ação fiscal. Ademais, a contribuinte não foi orientada a se deslocar à RFB para a apresentação dos documentos. Dessa forma, o ato fiscal é nulo; · Os documentos fiscais foram devolvidos pela Fiscalização, mediante recibo; · Quanto a conta de Passivo 20004 – fornecedores nacionais, a contribuinte fornecerá a documentação pertinente, a qual comprovará todas as operações; · No que respeita à autuação por saldo credor de caixa (PA de 04 e 12/2007), os valores apurados são meros erros formais na elaboração dos lançamentos contábeis sem repercussão no pagamento do imposto devido; · Devolução de mercadorias: a documentação apresentada à Fiscalização comprova todas as devoluções, razão pela qual é insubsistente a autuação; · Multa de Ofício: Por inexistir a obrigação principal, a multa de ofício fica prejudicada. A multa é confiscatória e fere princípios constitucionais; · Sigilo Bancário: Houve quebra do sigilo bancário da contribuinte, pois o acesso aos extratos bancários deve ser precedido de autorização judicial; · Taxa SELIC: A lei não prevê o que seja taxa SELIC. A taxa SELIC carece de criação legal, pois não foi instituída por lei. A natureza da taxa é remuneratória sem previsão de sua aplicação para exigências tributárias. A aplicação da taxa SELIC majora a exigência tributária, no entanto, não há lei específica disciplinando a matéria; · A apuração da base tributável por meio de amostragem não fornece precisão quanto ao real montante devido; · Protesta pela juntada de documentação; · PIS, COFINS e CSLL: como a exigência matriz não merece acolhida, os reflexos devem ser desconsiderados neste PAF; · Por fim, pede a procedência de seu pedido. A decisão recorrida está assim ementada: DEPÓSITOS BANCÁRIOS/OMISSÃO DE RECEITAS. Nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96, caracteriza omissão de receita, os valores creditados em conta de depósito ou investimento mantida junto à instituição financeira, em relação, aos quais, o titular, regularmente notificado, não comprove a origem dos recursos utilizados, mediante documentação hábil e idônea. OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO FICTÍCIO. Consoante legislação fiscal, presumese a ocorrência de omissão de receita quando a pessoa jurídica não logra comprovar a efetiva existência de débitos consignados no passivo. Fl. 5393DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16643.000377/201013 Acórdão n.º 1402001.300 S1C4T2 Fl. 0 5 OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. Permanece válida a presunção de omissão de receitas se não for comprovada, com documento hábil, a origem e efetiva entrega dos suprimentos de caixa. OMISSÃO DE RECEITAS. DEVOLUÇÃO DE MERCADORIAS E PRODUTOS. A devolução de mercadorias deve ser comprovada por nota fiscal de emissão da própria pessoa jurídica discriminada por data e valor. O montante não comprovado caracteriza omissão de receitas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS, COFINS e CSLL. Aplicase aos lançamentos decorrentes ou reflexos o decidido sobre o lançamento que lhes deu origem, por terem suporte fático comum. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, repisando as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento, nos seguintes termos (verbis): Fl. 5394DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16643.000377/201013 Acórdão n.º 1402001.300 S1C4T2 Fl. 0 6 É o relatório. Fl. 5395DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16643.000377/201013 Acórdão n.º 1402001.300 S1C4T2 Fl. 0 7 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Tratase de exigência de IRPJ e reflexos em face de omissão de receitas apurada em auditoria fiscal. A decisão de primeira instância manteve integralmente a exigência e, conforme acima relatado, no recurso voluntário a contribuinte contestou veemente o lançamento bem como a decisão da turma julgadora. Vejamos, então os fundamentos do voto condutor da decisão recorrida, elaborada pelo ilustre julgador Marcelo Tatsumi Nishijima: DO MÉRITO De acordo com os documentos encartados aos autos, a autuação deuse em razão da não comprovação, por parte da fiscalizada, regularmente intimada, mediante documentação hábil e idônea, da origem dos recursos creditados em contas de depósitos, existência de passivo fictício, cancelamentos de vendas não comprovados e saldo credor de caixa. DA OMISSÃO DE RECEITAS A omissão de receita pode ser apurada por diversos modos. Há omissão de receitas que vem a ser apurada por indícios encontrados na escrituração da pessoa jurídica e há aquela omissão de receita, que constitui presunção legal; encontrado o fato, presumese que houve omissão de receita. A omissão de receita está prevista nos termos do art.42 da lei nº 9.430/96, sem falar das hipóteses que a jurisprudência mansa e pacífica do 1º CC (hoje CARF) vem aceitando como tal, a exemplo: os suprimentos de caixa não comprovados com documentação hábil e idônea; integralização de capital, não comprovada a origem dos recursos; depósitos bancários não contabilizados; compras e pagamentos não contabilizados; diferenças nos estoques de embalagens, etc. O contribuinte, de início, argumenta que a apuração da base tributável, por meio de amostragem, não fornece precisão quanto ao real montante devido. O argumento não merece acolhida uma vez que a amostragem é apenas uma das formas de apuração da base tributável, comumente utilizada 1) DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Para a Fiscalização, o contribuinte não apresentou os documentos para comprovar a origem dos recursos ingressos em suas contas bancárias no montante de R$ 13.912.575,47. As transferências entre contas correntes de mesma titularidade foram excluídas. Para o entendimento da situação, tornase necessária a transcrição do art. 42 da Lei nº 9.430/96: Fl. 5396DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16643.000377/201013 Acórdão n.º 1402001.300 S1C4T2 Fl. 0 8 “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimentos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Diante do disposto no artigo, acima transcrito, está claro que os créditos em contas bancárias, cuja origem não tenha sido comprovada, são considerados como receitas omitidas por presunção legal bem como devem ser tributadas, de acordo com a legislação específica vigente, os montantes comprovados, mas que não foram oferecidas à tributação. Na questão sob exame, não prevaleceria a presunção de omissão de receita, se o contribuinte comprovasse a origem dos recursos respaldadas em documentos hábeis e idôneos, e tivesse oferecido as respectivas receitas à tributação, conforme requisitados pela autoridade fiscal em seu Termo de Início de Fiscalização. Quanto aos depósitos bancários de origem não comprovada, observase que o contribuinte não traz aos autos nenhuma prova inequívoca dos recursos depositados em sua conta bancária. Sob esse aspecto, aliás, é de se estranhar que o impugnante não tenha apresentado a documentação requerida nos Termos de Intimações, quando sua veracidade ou não poderia ter sido facilmente aferida por meio da apresentação de comprovantes de pagamentos e outros documentos hábeis para elucidar as operações efetuadas no período fiscalizado. Dessa forma, tendo sido constatado a omissão de receitas pela não comprovação da origem dos recursos, a autoridade fiscal apurou a omissão com base na análise da movimentação bancária, cuja origem não foi comprovada. Por tratarse da presente hipótese de presunção, prevista expressamente em lei, o fato nele descrito só pode ser afastado por meio de provas inequívocas sendo insuficientes apenas alegações contrárias, as quais acabam por cair no vazio jurídico. Portanto, sem a apresentação de documentação hábil e idônea para a prova em contrário, conforme já dito, prevalece a presunção legal. O CARF consolidou o mencionado entendimento por meio da Súmula nº 26, abaixo transcrito: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Cabe ressaltar que os documentos apresentados pelo contribuinte foram todos analisados pela autoridade fiscal no curso da fiscalização, sendo que, os que comprovaram o nexo causal com os valores depositados em sua conta corrente foram desconsiderados. O contribuinte apresentou documentação de fls.2.780/3.053 e 3.419/3.469 com o intuito de afastar as infrações, as quais lhe foram cominadas no presente Auto de Infração. Fl. 5397DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16643.000377/201013 Acórdão n.º 1402001.300 S1C4T2 Fl. 0 9 Os documentos acostados aos autos em nada comprovam os montantes lançados em suas contas bancárias e nem afastam a omissão de receitas decorrentes de sua atividade Pelo exposto, fica clara a procedência da presente autuação, devendo ser mantida a exação, conforme proposto pela autoridade fiscal no Auto de Infração. 2) Omissão de Receitas – Passivo Fictício: Segundo a Fiscalização, o contribuinte efetuou o seguinte lançamento: a débito da conta de Passivo – Fornecedores Nacional e a crédito de conta ativa – Caixa no montante de R$ 2.860.000,00, cuja comprovação não logrou êxito. A infração imputada ao contribuinte encontra previsão legal no art.40 da Lei nº 9.430/96:: “Art. 40. A falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, assim como a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, caracterizam, também, omissão de receita.” Quanto a esta infração, o contribuinte apenas afirma que no caso da conta de Passivo 20004 – fornecedores nacionais, fornecerá a documentação pertinente, a qual comprovará todas as operações. No entanto, não foi acostado aos autos qualquer documentação comprobatória, razão pela qual o montante lançado da infração deve ser mantido de forma integral. 3) Omissão de Receitas – Cancelamentos de Vendas Não Comprovados: Com base na escrituração contábil do contribuinte, a Fiscalização elaborou demonstrativo das devoluções de vendas de produtos (81,65%) e de vendas de mercadorias (90,16%). O contribuinte não apresentou as notas fiscais de entrada de emissão própria nem das demais devoluções, não restando comprovada, grande parte das devoluções de vendas. O total apurado desta infração é de R$ 7.388.158,00. Em relação à escrita fiscal, o art.251 do RIR/99 determina que todas as operações do contribuinte devem estar contabilizadas de acordo com as leis comerciais e fiscais: “Art. 251. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 7º). Parágrafo único. A escrituração deverá abranger todas as operações do contribuinte, os resultados apurados em suas atividades no território nacional, bem como os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior (Lei nº 2.354, de 29 de novembro de 1954, art. 2º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 25).” Referido procedimento é imprescindível para a prova dos montantes, os quais comporão o lucro real: “Art. 249. Na determinação do lucro real, serão adicionados ao lucro líquido do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 2º): I os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real; Fl. 5398DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16643.000377/201013 Acórdão n.º 1402001.300 S1C4T2 Fl. 0 10 II os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores não incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, devam ser computados na determinação do lucro real.” O contribuinte alega que a documentação apresentada à Fiscalização comprova todas as devoluções, razão pela qual é insubsistente a autuação. Traz aos autos os documentos de fls.3.392/3.416, as quais se constituem de notas fiscais de entradas. Com relação às notas fiscais de entradas de fls.3.392/3.416, referente ao ano calendário de 2007, somente os valores totais das devoluções e as datas de emissão possuem correspondência com o demonstrativo elaborado pela Fiscalização (fl.1.382/1.387verso e fls. 2.603). No entanto, somente as referidas notas de entradas não comprovam as devoluções, pois é necessária a conciliação dos montantes totais com as respectivas notas de saída dos compradores/clientes discriminados por valor, data e mercadoria. Somente desta forma, poderseia comprovar a efetiva devolução das mercadorias. A Fiscalização adotou o citado parâmetro para fins de aceitação da comprovação das devoluções de mercadorias e produtos (fls.1.402/1.410), ou seja, conciliandose notas de entrada emitidas pelo próprio contribuinte com as notas de saídas fornecidas pelos clientes. Dessa forma, em não tendo sido efetuadas as conciliações entre as notas de saídas dos clientes da autuada e as notas de entradas do contribuinte, os tributos exigidos devem ser mantidos. 4) Omissão de Receitas – Saldo Credor de Caixa: Os saldos credores de caixa foram extraídos da escrituração contábil em meio magnético nos meses de abril e dezembro de 2007, não comprovados, totalizou R$ 466.453,29. A infração imputada ao contribuinte encontra previsão legal no art.281, I, do RIR/99: “Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40): I a indicação na escrituração de saldo credor de caixa;” O impugnante alega que os valores apurados são meros erros formais na elaboração dos lançamentos contábeis sem repercussão no pagamento do imposto devido. Foram acostados aos autos os documentos de fls.3.054/3.391, os quais se constituem de lançamentos na escrita fiscal. Apenas a apresentação dos lançamentos na escrita fiscal em nada comprova a origem dos recursos transitadas na conta “Caixa”. A documentação do contribuinte é a mesma já analisada pela autoridade fiscal e que não satisfez os requisitos de comprovação dos recursos. MULTA DE OFÍCIO No presente caso, a multa de ofício foi aplicada por ter sido constatada, pela fiscalização, a omissão de receitas, sendo o montante da penalidade aplicado sobre o valor apurado dos tributos, nos termos do artigo 44, I, da Lei nº 9.430/96: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: Fl. 5399DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16643.000377/201013 Acórdão n.º 1402001.300 S1C4T2 Fl. 0 11 I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte;” Diz o parágrafo 1º do mesmo artigo que as multas serão exigidas juntamente com o tributo não pago: “Art.44. § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos;” Defende o contribuinte que a empresa não foi multada pela penalidade prevista no art.968 do RIR/99, e, portanto, é um indicativo de que o contribuinte apresentou todos os documentos solicitados pela Fiscalização. Mencionado argumento não merece acolhida, pois a multa de ofício aplicada é decorrente de infrações à legislação tributária por omissão de receitas. O fato que originou a incidência da multa de ofício em nada relacionase com a infração prevista no art.968 do RIR/99. TAXA SELIC Alega a requerente serem indevidos também os juros moratórios com base na taxa SELIC sendo devido o percentual previsto no §1º do art.161 do CTN. Os juros de mora serão devidos de acordo com o determinado pelo art.61, parágrafo 3º, da Lei nº 9.430/96, cujo trecho é reproduzido a seguir: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” (grifouse) Em qualquer caso, o termo inicial para incidência de juros de mora é o primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento da obrigação fixado na lei, nos termos do art. 84, § 1º, da Lei n.º 8.981, de 20 de janeiro de 1995, c/c art. 61, § 3º, da Lei n.º 9.430, de 26 de dezembro de 1996, não existindo nenhuma ressalva legal para suspensão, interrupção ou exclusão desses acréscimos moratórios. Constatase, ainda, que o Código Tributário Nacional remeteu ao legislador ordinário a possibilidade de fixar a taxa de juros moratórios diferente daquela prevista em seu texto, atribuindolhe poderes para disciplinar o assunto, do que deflui discricionariedade completa, podendo fixar a referida taxa em nível superior ou inferior ao constante da lei complementar, a depender das condições da política de moeda e crédito vigente no ambiente macroeconômico, desde que, naturalmente, fosse fixada em lei, no caso, lei ordinária. Fl. 5400DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16643.000377/201013 Acórdão n.º 1402001.300 S1C4T2 Fl. 0 12 Uma vez que a Lei n 9.065, de 20 de junho de 1995 em seu art. 13 assim dispôs, definindo que os juros de mora “serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente”, não merece acolhida a alegação de ilegalidade quanto à cobrança pela taxa SELIC. Ademais, a natureza da taxa SELIC em si não é relevante. O que importa é que, conforme determinação legal, adotase seu percentual como juros de mora. Em sendo a atividade de fiscalização plenamente vinculada, não há outra medida que não seja a estrita obediência ao que dispõe a lei, nos termos do art. 142 do CTN: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” A atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Assim, é improcedente a contestação sobre a inaplicabilidade da taxa SELIC, pois, repitase, há fundamentação legal para a sua utilização. O contribuinte está a insurgirse contra disposições expressas de lei. A incidência de juros de mora em percentuais superiores a 1% ao mês encontra guarida no art. 84, I, da Lei n 8.981, de 1995, no art. 13 da Lei n 9.065, de 1995, e no art. 61, § 3º, da Lei n 9.430, de 1996. O mesmo art. 13 da Lei n 9.065, de 1995, respalda a aplicação da taxa SELIC a partir de 1º de abril de 1995. DA ANÁLISE DOCUMENTAL O contribuinte defende que a Fiscalização deveria ter examinado os documentos em seu estabelecimento, a qual não compareceu em nenhum momento da ação fiscal. Ademais, o impugnante diz que não foi orientada a se deslocar à RFB para a apresentação dos documentos. Alega ainda que os documentos fiscais foram devolvidos pela Fiscalização, mediante recibo. A análise documental tanto pode ser feita no estabelecimento do contribuinte como também na repartição fiscal, a critério da autoridade fiscal. Na presente hipótese, toda documentação apresentada pelo impugnante foi analisada pela autoridade fiscal e, posteriormente, devolvida mediante recibo. Não houve, portanto, nenhuma irregularidade ou prejuízo para o contribuinte. O CARF em sua Súmula nº 06 consolidou o entendimento que a autuação pode ser efetuada fora do estabelecimento do contribuinte. Para a atuação, é etapa preliminar, a análise documental, podendo a mesma ser feita fora do estabelecimento do contribuinte. “Súmula CARF nº 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte.” Concluise que a alegações do contribuinte não merecem prosperar pelos motivos expostos. DA LEGALIDADE DA FISCALIZAÇÃO COM BASE EM DADOS BANCÁRIOS. Fl. 5401DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16643.000377/201013 Acórdão n.º 1402001.300 S1C4T2 Fl. 0 13 Sobre o assunto, cumpre dizer que está assente, nos Tribunais Superiores, que o sigilo bancário não é absoluto e deve ceder em face do interesse público relevante. E, na sistemática estruturada pela LC nº 105, na Lei nº 10.174 e no Decreto nº 3.724, todos de 2001, as circunstâncias em que presentes esse interesse são especificadas, inexistindo discricionariedade. O ato administrativo é vinculado às determinações legais, e estas correspondem à concretização da vontade do legislador de, naquelas hipóteses específicas, submeter às informações bancárias ao crivo fiscal. Assim, uma vez presente o comando expresso, em lei ordinária e complementar, autorizando o exame de informações bancárias, cumpre acatálo e utilizálo, até porque não cabe aos agentes públicos questionarem a constitucionalidade de lei vigente, mediante juízos subjetivos, dado o princípio da legalidade que vincula a atividade administrativa. A corroborar todo o exposto, reproduzemse os fragmentos da decisão proferida no Agravo nº 138263, pelo Relator, Juiz Federal convocado, Carlos Muta, no TRF da 3ª Região, 3º Turma – Processo 2001.03.00.0277048 DJU de 13.11.2001, p. 590, reproduzido pela Revista Dialética de Direito Tributário nº 76, p. 216/219: Em coerência com a legislação complementar, a Lei 10.174, de 09.01.2001, introduziu alteração no art. 11 da Lei 9.311/96, permitindo que a Secretaria da Receita Federal, na posse das informações a respeito da movimentação financeira de titulares de contas bancárias, utilizeos para verificação da existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições, e para o lançamento de crédito porventura existente, ... Como se observa, (...), é possível reconhecer que a legislação foi minuciosa e criteriosa na identificação das situações sujeitas à quebra do sigilo bancário e dos procedimentos necessários a tanto, resguardando, por meio do sigilo fiscal, as informações prestadas e os dados aferidos pelo exame de documentos, livros e registros de instituições financeiras, e reservando o seu uso a fins específicos, que não transcendem ao que necessário para o regular, justificado, proporcional e razoável exercício da competência constitucional e legal que possui o Estado Administração de arrecadar os tributos e fiscalizar o cumprimento das obrigações fiscais. Tampouco procede a tese de ofensa ao princípio da irretroatividade da lei. Com efeito, não existe direito adquirido à sonegação de informações ou de tributos ao Estado, mas apenas a possibilidade de invocação de decadência ou prescrição, (...). Por isso é que, prima facie, devese compreender que a criação de mecanismos de fiscalização e apuração de crédito tributário por lei nova não impede a sua aplicação mesmo no período anterior, desde que ainda possua o Fisco o poder de imposição, seja constituindo, seja revisando o lançamento efetuado pelo contribuinte. Em casos que tais, não se trata, por evidente, de criação ou majoração de tributo, com alteração da legislação vigente na data do fato gerador, mas apenas e tãosomente, da aferição da existência de tributo, devido conforme a lei da época, mas, eventualmente, não recolhido ou não declarado pelo contribuinte: em suma, a legislação impugnada não cria nem majora, em absoluto, qualquer tributo, mas apenas permite que o Fisco combata a sonegação fiscal, quando e se existente, o que é diferente. E, por elucidativas, transcrevemse as seguintes ementas de acórdãos do Conselho de Contribuintes: ... – SIGILO BANCÁRIO – ... Não configura quebra de sigilo, o fornecimento ao Fisco, de informações sobre a movimentação bancária do contribuinte, as quais Fl. 5402DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16643.000377/201013 Acórdão n.º 1402001.300 S1C4T2 Fl. 0 14 permanecem protegidas sob o manto do sigilo fiscal. Inteligência dos artigos 197, inciso II, e 198, ambos do CTN. ... [Ac. 1º CC 10513223 – Sessão de 12/07/2000] ...QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO – Tendo a autoridade administrativa procedido em conformidade com o exposto no art. 197, II, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional) e estando esta plenamente recepcionada pela Constituição Federal de 1988, não há que se cogitar em nulidade do lançamento.[Ac. 1º CC 10417152 – Sessão de 17/08/1999] SIGILO BANCÁRIO ... – Informações obtidas regularmente junto às instituições financeiras e usadas reservadamente, no processo, pelos agentes do Fisco, não caracterizam violação do sigilo bancário. [Ac 1º CC 10191.561 – DO 09/12/1997] Por fim, observese ainda que o acesso às informações bancárias não configura, propriamente, quebra do sigilo bancário, haja vista a imposição às autoridades administrativas de seu resguardo durante todo o procedimento, não só em virtude do sigilo fiscal determinado no art. 198 do CTN, como também do disposto no art. 5o, § 5o, e art. 6o, parágrafo único, ambos da LC nº 105, de 2001. Ademais, as informações se prestam apenas à constituição de crédito tributário e eventual apuração de ilícito penal. Há, na verdade, mera transferência do sigilo, que antes vinha sendo assegurado pela instituição financeira e passa a ser mantido pelas autoridades administrativas. Destarte, configurada a legalidade da utilização das informações dos extratos bancários e não haver ofensa ao princípio da irretroatividade das leis há que se manter a autuação. ALEGAÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE Com referência às argüições de violação aos princípios constitucionais (confisco) e ilegalidade, tais aferições só podem ser feitas pelo Poder Judiciário, cabendo ao Poder Executivo, e bem assim a todos os seus agentes, o estrito cumprimento dos atos legais regularmente editados. Nesse contexto, a autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal, e ao entendimento que a ele dá o Poder Executivo, deve limitarse a aplicála, sem emitir qualquer juízo de valor acerca de sua constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. Ademais referida questão já se encontra consolidado na esfera administrativa conforme a súmula a seguir descrita. Enunciado Súmula CARF Nº 2 “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” DOS EFEITOS DAS JURISPRUDÊNCIAS JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS Finalmente, em relação às decisões administrativas proferidas pelos Conselhos de Contribuintes e pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, inseridas pela impugnante no contexto de sua defesa, cumpre ressaltar que são improfícuas as jurisprudências administrativas ora apresentadas, tendo em conta a ausência de base legal que atribua aos acórdãos, proferidos pelos órgãos de julgamento, a devida Fl. 5403DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16643.000377/201013 Acórdão n.º 1402001.300 S1C4T2 Fl. 0 15 eficácia normativa, não se constituindo em normas complementares do Direito Tributário, nos termos do art. 100, inciso II, do CTN. Portanto, depreendese que não são passíveis de serem estendidos genericamente ao caso concreto, eis que são estritamente aplicáveis ao contencioso administrativo dos processos administrativos relacionados aos referidos acórdãos e tãosomente se vinculam aos fatos e as partes envolvidas naqueles litígios. Sob este aspecto, o Parecer Normativo CST nº 390, de 1971, já se manifestou com relação a esse assunto, nos seguintes termos: “3. Necessário esclarecer, na espécie, que, embora o Código Tributário Nacional, em seu art. 100, inciso II, inclua as decisões de órgãos colegiados na relação das normas complementares à legislação tributária, tal inclusão é subordinada à existência de lei que atribua a essas decisões eficácia normativa. Inexistindo, entretanto, até o presente, lei que confira a efetividade de regra geral às decisões dos Conselhos de Contribuintes, a eficácia de seus acórdãos limitase especificamente ao caso julgado e às partes inseridas no processo de que resultou a decisão. 4. Entendase aí que, não se constituindo em norma geral a decisão em processo fiscal proferida por Conselho de Contribuintes, não aproveitará seu acórdão em relação a qualquer outra ocorrência se não aquela objeto da decisão, ainda que de idêntica natureza, seja ou não interessado na nova relação o contribuinteparte no processo de que decorreu a decisão daquele colegiado.” No que concerne às jurisprudências judiciais prolatadas pelos Tribunais Superiores, também reportados pela contribuinte na íntegra de sua impugnação, cumpre esclarecer que, nos termos do art. 4º do Decreto nº 2.346, de 10/10/1997, a extensão dos efeitos das decisões judiciais, no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, possui como pressuposto a existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, acerca da inconstitucionalidade da lei que esteja em litígio, e, ainda assim, desde que seja editado ato específico do Secretário da Receita Federal do Brasil nesse sentido. Assim sendo, não estando enquadradas nesta hipótese, as sentenças judiciais só produzem efeitos em relação às matérias e às partes envolvidas na lide, não se aplicando a terceiros, nos moldes do art. 472 do CPC. Nesse sentido, impõese não conhecer os julgados mencionados no desenvolvimento da impugnação, visto que a contribuinte não figura nas respectivas lides como parte interessada." (...) TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Tendo em vista que não foram aduzidas razões específicas relativamente aos lançamentos reflexos, aplicase a eles o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre eles. É de se registrar que tais fundamentos embora infirmados diretamente na peça recursal, não foram confrontados mediante prova dessas alegações, pelo que as razões de Fl. 5404DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16643.000377/201013 Acórdão n.º 1402001.300 S1C4T2 Fl. 0 16 decidir da decisão recorrida podem ser perfeitamente adotados neste voto, conforme disposto no art. 50 Lei 9.784 de 1999, que se aplica subsidiariamente ao PAF(verbis): Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) V decidam recursos administrativos; (...) § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. (...) § 3o A motivação das decisões de órgãos colegiados e comissões ou de decisões orais constará da respectiva ata ou de termo escrito. (Grifei) Frisese que, especialmente quanto aos depósitos bancários, cabe ao contribuinte comprovar a origem dos recursos, sendo que no caso dos autos é notório que se tratam de receitas não declaradas da atividade da empresa, afinal tais depósitos atingiram a ordem de 39milhoes de reais (líquido) em 2007, vide fls. 2596, enquanto as receitas tributadas não atingiram 27milhoes de reais (fls. 2596). Formei pleno convencimento de que o Termo de Verificação Fiscal, de fls. 25862606, do qual o representante da contribuinte foi pessoalmente cientificado em 23/12/2010, está irretocável. A auditoria fiscal demonstrou com clareza e riqueza de detalhes, bem como provas, as irregularidades cometidas pela contribuinte no intuito de reduzir o montante dos tributos devidos. Portanto, não há que se falar em nulidade muito menos equívocos no trabalho fiscal. CONCLUSÃO Diante do exposto voto no sentido de rejeitar as preliminares, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 5405DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 13830.000300/2007-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano calendário: 2002
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS ESSENCIAIS.
Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de nulidade do auto de infração e do procedimento Fiscal.
INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. ESPONTANEIDADE. O início do
procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo.
DCTF RETIFICADORA.
A retificação da DCTF no curso do procedimento fiscal não impede o lançamento de ofício.
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A compensação efetuada nos termos da
IN SRF n° 21, de 1997, além de ser declarada em DCTF, deve ser também registrada na escrituração da pessoa jurídica
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE. A partir de
outubro de 2002, a compensação de débitos próprios, relativos a quaisquer tributos ou contribuições com crédito relativo a tributo ou contribuição, administrados pela RFB, é efetuada mediante a apresentação da Declaração de Compensação.
IRPJ.CSLL. ESTIMATIVAS. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA
ISOLADA A falta ou insuficiência de recolhimento das estimativas mensais, decorrente do cometimento de infração tributária, implica na multa de 50%, aplicada isoladamente, sobre o valor que deixou de ser recolhido a título de estimativa.
Numero da decisão: 1401-000.676
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Alexandre Antônio Alkmim Teixeira e Meigan Sack Rodrigues que cancelavam a multa isolada.Os Conselheiros Maurício Pereira Faro e o Presidente votaram pelas conclusões em relação à multa isolada.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2002 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS ESSENCIAIS. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de nulidade do auto de infração e do procedimento Fiscal. INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. ESPONTANEIDADE. O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo. DCTF RETIFICADORA. A retificação da DCTF no curso do procedimento fiscal não impede o lançamento de ofício. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A compensação efetuada nos termos da IN SRF n° 21, de 1997, além de ser declarada em DCTF, deve ser também registrada na escrituração da pessoa jurídica DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE. A partir de outubro de 2002, a compensação de débitos próprios, relativos a quaisquer tributos ou contribuições com crédito relativo a tributo ou contribuição, administrados pela RFB, é efetuada mediante a apresentação da Declaração de Compensação. IRPJ.CSLL. ESTIMATIVAS. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA A falta ou insuficiência de recolhimento das estimativas mensais, decorrente do cometimento de infração tributária, implica na multa de 50%, aplicada isoladamente, sobre o valor que deixou de ser recolhido a título de estimativa.
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REQUISITOS ESSENCIAIS. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de nulidade do auto de infração e do procedimento Fiscal. INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. ESPONTANEIDADE. O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo. DCTF RETIFICADORA. A retificação da DCTF no curso do procedimento fiscal não impede o lançamento de ofício. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A compensação efetuada nos termos da IN SRF n° 21, de 1997, além de ser declarada em DCTF, deve ser também registrada na escrituração da pessoa jurídica DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE. A partir de outubro de 2002, a compensação de débitos próprios, relativos a quaisquer tributos ou contribuições com crédito relativo a tributo ou contribuição, administrados pela RFB, é efetuada mediante a apresentação da Declaração de Compensação. IRPJ.CSLL. ESTIMATIVAS. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA A falta ou insuficiência de recolhimento das estimativas mensais, decorrente do cometimento de infração tributária, implica na multa de 50%, aplicada isoladamente, sobre o valor que deixou de ser recolhido a título de estimativa. Fl. 667DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13830.000300/200742 Acórdão n.º 1401000.676 S1C4T1 Fl. 668 2 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Alexandre Antônio Alkmim Teixeira e Meigan Sack Rodrigues que cancelavam a multa isolada.Os Conselheiros Maurício Pereira Faro e o Presidente votaram pelas conclusões em relação à multa isolada. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Maurício Pereira Faro, Meigan Sack Rodrigues e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 668DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13830.000300/200742 Acórdão n.º 1401000.676 S1C4T1 Fl. 669 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 1432.651, da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão PretoSP. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: Em procedimento de revisão interna efetuada contra a empresa acima identificada, segundo consta da descrição dos fatos, foi apurada, no anocalendário de 2002, insuficiência de recolhimento do IRPJ e da CSLL devidos no período, constatada pelo cotejo dos dados declarados com os escriturados, bem assim com os recolhimentos feitos. Foi lavrado o auto de infração de fls. 2 a 9, exigindo IRPJ no valor de R$ 71.533,64, juros de mora de R$ 47.999,07 e multa proporcional de R$ 53.650,23, com fundamento no Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, (Regulamento do Imposto de Renda RIR, de 1999), art. 841, III e IV, Lei n° 9.430, de 1996, art. 44, I, com redação dada pela Medida Provisória (MP) n° 351, de 2007. Foi lançada, também, a multa isolada no valor de R$ 51.257,55, por insuficiência de recolhimento do IRPJ, em janeiro, março a junho, agosto e setembro, sobre a base de cálculo estimada em função de balanços de suspensão ou redução, conforme encontrase registrado na DIPJ, nas fichas 11 (fls. 16 a 18). Referido lançamento teve como fundamento o RIR, de 1999, arts. 222 e 843, c/c Lei n° 9.430, de 1996, art. 44, § 1º, IV (alterado pelo art. 14, II, b, da MP n° 351, de 2007), c/c art. 106, II, c da Lei n° 5.172, de 1966. Sendo notificada da autuação, a interessada ingressou com a impugnação de fls. 161 a 174, subscrita pelo procurador Luís Eduardo Diaz Toledo Martins (fl. 178), alegando: • Ocorreu cerceamento do direito de defesa, uma vez que, sendo intimada, providenciou todos os documentos necessários, além de informar as compensações. Em contrapartida, a Receita Federal ignorou a retificadora apresentada, assim como todos os documentos juntados e lavrou o auto de infração, intimandoa a recolher os tributos, sem confirmar os documentos da compensação em anexo e sem abrir prazo para resposta; • Houve ofensa ao princípio do contraditório e ampla defesa; • Quanto às DCTF retificadoras, a MP n° 2.189, de 2001 (antiga MP n° 199027, de 2000), art. 18, determina que elas possuem a mesma natureza das declarações originariamente apresentadas. No presente caso, houve o exame da retificadora, apenas seu resultado foi ignorado pelo Fisco, o que é fator impeditivo para que o auto de infração seja processado nos valores constantes nas declarações originais, devendo o pagamento ser reconhecido quando da imposição de infrações fiscais, pois gerará a cobrança de valores indevidos. Nessas situações, para que as retificadoras sejam questionadas o Fisco deve apresentar provas cabais de supostos erros, sendo absurdo a continuidade do auto de infração incidente sobre um crédito Fl. 669DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13830.000300/200742 Acórdão n.º 1401000.676 S1C4T1 Fl. 670 4 inexistente de fato, já que decorrente do erro comprovado no preenchimento da DCTF e já retificado em tempo hábil; • A autuação desrespeita a liberdade do cidadão de organizar licitamente seus negócios do modo mais econômico e fere os princípios da autonomia privada, da tipicidade e da segurança jurídica; • Efetuou a compensação de créditos que possuía, nos termos da Lei n° 8.383, de 1991, art. 66, e das Instruções Normativas (IN) SRF n° 21 e 73, ambas de 1997, cabendo ao Fisco abrir procedimento de cobrança, dando a chance de comprovação dos créditos. Está anexando a declaração de imposto de renda e as guias de pagamento de 2002, que demonstram a origem dos créditos passíveis de compensação. Somente depois da inscrição em dívida ativa é que se pode considerar o débito líquido e certo, e, portanto, exigível, nos termos do art. 204 do Código Tributário Nacional (CTN) e da Lei n° 6.830, de 1980, art. 3o; • A multa de ofício de 75% é desproporcional e confiscatória, infringindo o art. 150, IV da Constituição Federal (CF). Além disso, a multa de ofício e a multa isolada aplicadas conjuntamente sobre o mesmo fato gerador caracterizam duplicidade de autuação; • A penalidade pecuniária é objeto de obrigação tributária principal e, neste sentido, conforme preleciona a Carta Constitucional em seu art. 146, III, b, obrigação tributária é matéria reservada à lei complementar, o que já eivaria de inconstitucionalidade formal quaisquer enunciados referentes à obrigação e lançamento da Lei n° 9.430, de 1996. Equivocado, portanto, o tratamento dado à multa isolada com o advento da MP n° 303, de 2006.^ / O processo foi encaminhado em diligência, conforme despacho de fls. 362/363, para que fosse verificado, na contabilidade da contribuinte, a efetiva apuração do alegado saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001, e a sua compensação com as estimativas do IRPJ do anocalendário de 2002. É o relatório. A DRJ, manteve integralmente o lançamento, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. A compensação efetuada nos termos da IN SRF n° 21, de 1997, além de ser declarada em DCTF, deve necessariamente ser registrada na escrituração da pessoa jurídica. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE. A partir de outubro de 2002, a compensação de débitos próprios, relativos a quaisquer tributos ou contribuições com crédito relativo a tributo ou contribuição, administrados pela RFB, é efetuada mediante a apresentação da Declaração de Compensação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 Fl. 670DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13830.000300/200742 Acórdão n.º 1401000.676 S1C4T1 Fl. 671 5 INCONSTITUCIONALIDADE. ARGUIÇÃO. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar arguição de inconstitucionalidade de lei. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. É cabível a aplicação simultânea da multa isolada por falta ou insuficiência do recolhimento das antecipações mensais das estimativas e da multa proporcional ao tributo exigido no auto de infração. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Rejeitase a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. ESPONTANEIDADE. O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo DCTF RETIFICADORA. A retificação da DCTF no curso do procedimento fiscal não impede o lançamento de ofício. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação. É o relatório. Fl. 671DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13830.000300/200742 Acórdão n.º 1401000.676 S1C4T1 Fl. 672 6 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator. O recurso reúne as condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Trata o presente processo de lançamento do IRPJ, no anocalendário de 2002, apurado pelo confronto entre os dados declarados, os escriturados e os pagamentos efetuados. Preliminar de nulidade A recorrente, em síntese, apregoa a nulidade do feito sob o argumento de que houve cerceamento do direito de defesa na fase de procedimento fiscal. É que sendo intimada, providenciara todos os documentos necessários e a Receita Federal ignorouos, tendo lavrado o auto de infração, intimandoa a recolher os tributos sem confirmar os documentos da compensação em anexo e sem abrir prazo para resposta. Apenas para um melhor esclarecimento sobre o assunto, transcrevese o dispositivo que rege a matéria no processo administrativo fiscal. Prescreve o art. 59 do Decreto 70235/72 com a nova redação dada pela Lei 8748/93: Art. 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; Por conseguinte, considerase nulo o ato, se praticado por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, não tendo se caracterizado quaisquer das situações, pois não se põe em dúvida a competência do autor, nem há que se falar em preterição do direito de defesa, vez que os fatos apurados foram descritos com o respectivo enquadramento legal, e levados ao conhecimento, da autuada, levando a mesma a defenderse plenamente através da peça impugnatória acostada aos autos. .Examinadose o Auto de Infração, não se constata nenhum vício de forma, tendo sido observadas as prescrições contidas no Decreto n° 70.235, de 1972. Verificase que constam adequadamente descritos os fatos apurados pela autoridade, a fundamentação legal, a matéria tributável, os valores apurados e os fatos motivadores da autuação, permitindo ao contribuinte conhecer todos os elementos componentes da ação fiscal e, assim, propiciandolhe todos os meios para livre e plenamente manifestar suas razões de defesa, como efetivamente o fez. Fl. 672DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13830.000300/200742 Acórdão n.º 1401000.676 S1C4T1 Fl. 673 7 Em relação ao suposto cerceamento do direito de defesa em fase procedimental, digase que no procedimento administrativo de fiscalização, inexiste um amplo contraditório, nos moldes garantidos nos processos judiciais. Por outro lado, cabe salientar que o processo administrativo fiscal não se esgota nos atos do lançamento, já que também fazem parte dele a impugnação e o recurso voluntário, ou de ofício. É nesse sentido que se deve compreender o alcance do contraditório previsto no art. 5°, LV da Constituição Federal, já que é mais propriamente exercido nesta fase de apreciação do lançamento. Assim também entende o tributarista Alberto Xavier, que na obra “Do Lançamento. Teoria Geral do Ato do Procedimento e do Processo Tributário”, Rio de Janeiro: Forense, 1998, p. 165, assim leciona: Em matéria de lançamento tributário a garantia de ampla defesa não atua necessariamente pela via do direito de audiência prévia à prática do ato primário, mas no “direito de recurso” deste mesmo ato, pelo qual o particular toma a iniciativa de uma impugnação em que o seu direito assumirá força plena. E , efetivamente, a recorrente exerceu o contraditório a que tem direito, por meio da peça impugnatória e recursal que ora se aprecia, ainda em primeira instância o feito foi baixado em diligência pela primeira instância de forma a oportunizar à contribuinte nova chance para fazer prova da compensação alegada. Acrescentese que, quando muito, em se admitindo o fato da autoridade lançadora ter cometido algum engano com relação à falta de prova ou matéria de fato e a sua subsunção à norma, tratarseia então de questão de mérito e não de preliminar de nulidade. Assim, rejeito a preliminar de nulidade suscitada. Mérito Tratase de insuficiência de recolhimento ou de declaração do imposto de renda devido, apurado pelo confronto dos dados escriturados com os declarados bem como com os recolhimentos efetuados ou não. Segundo a descrição dos fatos de fls. 05: Do imposto de renda declarado em DIPJ, no valor de R$ 80.130,25 (fls.20) foi deduzida a estimativa efetivamente paga referente ao período de setembro/2002 (fls.151), no valor de R$ 3.285,34, apurando um valor de R$76.884,91 que deduzido o imposto de renda retido na fonte declarado no valor de R$ 5.311,27 (fls. 20) apurouse o valor de R$ 71.553,64 valor este relativo ao imposto de renda devido no anocalendário de 2002 não declarado em DCTF e não pago. Alega que procedeu com a retificação das DCTF e que a MP n° 2.189, de 2001 (antiga MP n° 199027, de 2000), art. 18, determina que elas possuem a mesma natureza das declarações originariamente apresentadas, não havendo portanto motivo para o fisco têlas desconsiderado uma vez que foram entregues em tempo hábil. Quanto a esse aspecto, o Fisco teve motivo, sim, para desconsiderálas ou considerar a sua retificação não suficiente. Em relação ao primeiro ponto, a sua desconsideração para o anocalendário de 2002 (1o, 3º e 4º trimestres), foram apresentadas sem espontaneidade, ex vi art. 138 do CTN, conforme muito bem demonstrou a decisão de piso, nada, portanto, a reparar nesta decisão: Com relação à alegação de que apresentou DCTF retifícadoras, temse, às Fl. 673DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13830.000300/200742 Acórdão n.º 1401000.676 S1C4T1 Fl. 674 8 fls. 414/415, que, relativamente ao 1º, 3º e 4º trimestres de 2002, tais declarações foram entregues somente em 03/02/2007, ou seja, depois do início do procedimento fiscal, que se deu em 19/12/2006 (fl.59). Portanto, para esses trimestres, quando da apresentação das DCTF retifícadoras, a contribuinte já havia perdido a espontaneidade, à luz do artigo 138 do CTN e do art. 7o do PAF, abaixo transcritos: Art. 138 . A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF): Art. 7° O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificando o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; (...) § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. (...) Para o 2º trimestre/2002, apesar de teor ocorrido a entrega da DCTF retifícadora em 13/12/2004 (fl. 414, novamente retificada em 03/02/2007), na qual foram informados os débitos de IRPJ nos valores de R$ 17.853,74 (abril), R$ 22.970,10 (maio) e R$ 15.856,39 (junho) e a sua compensação com saldo negativo daquele imposto apurado em 31/12/2001 (fls. 606 a 608), entretanto, de fato a simples informação em DCTF dos débitos e de sua compensação não é suficiente. Para fazer a compensação nos termos da Lei n° 8.383, de 1991, art. 66, e das IN SRF n° 21 e 73, ambas de 1997, é necessário a comprovação, na contabilidade, do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001 declarado na DCTF e da efetivação das compensações das estimativas mensais do IRPJ em 2002. Como já se colocou retro, o feito foi convertido em diligência, tendo sido intimada a contribuinte a apresentar os livros Diário, Razão e Lalur, tendo sido constatado que, apesar de possuir o saldo negativo de IRPJ, não foi feita a compensação mensal das estimativas na escrituração. A DRJ fez a seguinte ressalva: “somente em 31/12/2002 é que se compensou o IRPJ apurado na DIPJ (R$ 80.130,25) com o valor constante na conta "IRPJ a recuperar" (fl.411).” Fl. 674DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13830.000300/200742 Acórdão n.º 1401000.676 S1C4T1 Fl. 675 9 Porém, como é sabido, a partir de outubro de 2002, inaugurouse uma nova sistemática de compensação, onde qualquer tipo de compensação, mesmo a compensação de que trata a Lei 8.383/91, envolvendo tributos da mesma espécie, deve ser feita sempre através de Declaração de Compensação Dcomps: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação: (...) § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo” (grifei) Não consta no processo que tenha sido encaminhada à RFB a citada declaração relativa à compensação do IRPJ do AC de 2002 com o saldo negativo do período anterior. Dessa forma, rejeitamse as alegações da Recorrente. MULTA ISOLADA – ESTIMATIVAS NÃO PAGAS A recorrente pleiteia o cancelamento da multa isolada de 50% apurada em face de falta de recolhimento da estimativa do tributo devido, feito sob argumento de impossibilidade de cumulação com a multa de ofício de 75%. No caso concreto, foram apurados o valor total de R$ 51.257,55 a título de multa em face das estimativas não pagas nos meses de janeiro, março, abril, maio, junho, agosto e setembro (fls. 04 e 05). No ajuste do final do ano, foi constatado imposto a pagar no valor de R$ 71.553,64 (fls.5), superior, portanto, ao montante das estimativas. Cabe de início esclarecer que não se confunde a existência de duas infrações distintas.Uma coisa é o descumprimento da obrigação de recolher, até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir, o imposto apurado por estimativa; outra, completamente diferente é a caracterização de declaração inexata e da falta de recolhimento do imposto apurado no final do ano, com base no lucro real. Fl. 675DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13830.000300/200742 Acórdão n.º 1401000.676 S1C4T1 Fl. 676 10 Tais infrações são passíveis de penalidades distintas, previstas em diferentes dispositivos da legislação uma incidindo isoladamente, sobre as estimativas obrigatórias não recolhidas durante o anocalendário e outra cobrada juntamente com o imposto devido (declaração inexata). A lei em sua redação original, coincidentemente, tinha adotado o mesmo percentual de 75% para ambos os casos. Mas, esse dispositivo foi alterado pela lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, dandolhe nova redação, reduzindo a multa isolada para 50%; bem assim deixando bem claro, se dúvidas haviam, de que a referida multa isolada era cabível no caso de estimativa mensal não paga e não de tributo final não pago. Assim, em virtude da legislação referida, ao optar pela apuração dos lucros com base no real anual a contribuinte ficou obrigada a antecipar o pagamento do imposto de renda e da contribuição social, recolhendoos mensalmente, por estimativa. A multa isolada recebe essa denominação apenas por ser exigida separada e independentemente do tributo, tanto que se impõe ainda quando nenhum tributo ao final do período de apuração seja devido, apenas porque o contribuinte deixou de satisfazer o recolhimento por estimativa que lhe tocava efetuar. A multa aplicase ainda que, no final do período de apuração, venha a ser apurado prejuízo fiscal. Se a multa é cabível mesmo na hipótese de se verificar prejuízo ao final do período de apuração 2(duas) ilações estão aí pressupostas que precisam ser desveladas: a) a penalidade é imposta não em razão do pagamento insuficiente do tributo devido ao final da apuração, mas sim pelo falta de cumprimento de outra obrigação distinta, que é o recolhimento antecipado da estimativa mensal; b) descabido é também o argumento de que a multa isolada só se aplica para período não encerrado. Portanto, importa verificar que a exigência da multa isolada independe de se apurar resultado anual tributável, decorre do descumprimento da obrigação de recolher a estimativa apurada no mêscalendário. Também não se pode conceber que a aplicação da multa seja de caráter condicional. Explico melhor. O descumprimento da norma enseja a aplicação da penalidade, não tendo lógica a lei determinar que se proceda de certa maneira e se venha a ter procedimento em sentido oposto. É, pois, inadmissível que paralelamente com o deverser do comportamento, coexista o pretenso direito ao livre arbítrio de agir, vulnerandose o conteúdo das determinações legais. O nãocumprimento da obrigação tributária estabelecida nos dispositivos legais pelas pessoas jurídicas a elas obrigadas, consubstanciase em infração tributária e oportuniza o procedimento fiscal de ofício que visa restaurar o ordenamento jurídico violado. Mantenho, portanto, a multa isolada nos exatos termos prescritos na autuação. Fl. 676DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13830.000300/200742 Acórdão n.º 1401000.676 S1C4T1 Fl. 677 11 Multas confiscatórias Sobre a argüição de serem confiscatórias as multas aplicadas (75% e a isolada), cumpre gizar que ao julgador administrativo, que se encontra totalmente vinculado aos ditames legais, mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN), não é dado apreciar questões – como a de que a multa fiscal seria confiscatória – que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal válido e vigente. Tal prática encontra óbice, inclusive na Súmulas nº 2 deste E. Primeiro Conselho de Contribuintes, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (PORTARIA MF N.° 383 – DOU de 14/07/2010). Rejeito também estes argumentos. Por todo o exposto, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 677DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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Numero do processo: 11020.002307/2009-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Previdenciárias Período de Apuração: 01/10/2006 a 31/12/2007 ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa. Vencido o
Conselheiro Mauro José Silva, que votou em excluir a multa presente no lançamento; b) em dar
provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61,
da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou em manter a multa aplicada; II) Por
unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da
Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Numero da decisão: 2301-002.500
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32-A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em
negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a)
Relator(a).
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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INDÚSTRIA E COMÉRCIO Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Previdenciárias Período de Apuração: 01/10/2006 a 31/12/2007 RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Reputase não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. INEXISTÊNCIA DE 0. Não há duplicidade na multa aplicada, pois a sanção pelo atraso no pagamento da contribuição está sujeita à penalidade prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996 c/c o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a nova redação dada pela Lei nº 11.941/1991, sendo que a penalidade decorrente da omissão em GFIP deve observar o disposto no art. 32A da Lei nº 8.212/1991 com a redação da Lei nº 11.941/2009, se mais benéfica do que a prevista no art. 32, §5º da Lei nº 8.212/1991, ou seja, penalidades distintas para fatos distintos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se Fl. 72DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 9/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11020.002307/200970 Acórdão n.º 2301002.500 S2C3T1 Fl. 2 2 utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Damiao Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva e Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório Tratase de Auto de Infração nº 37.211.9832 lavrado em face de MADARCO S.A. INDUSTRIA E COMERCIO, do qual foi notificada em 10/07/2009, em virtude da informação parcial, nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, da comercialização da sua produção no mercado interno relativamente às competências de 01/10/2006 a 31/12/2007, as quais servem de base para a apuração da contribuição previdenciária devida pela agroindústria. Tal conduta, conforme afirma o Relatório Fiscal (fls. 11 e seguintes), foi tipificada como infração à legislação previdenciária por força do art. 32, inciso IV, da Lei n° 8.212/91 e alterações posteriores, sendo observado o disposto no art. 106, inciso II, alínea "c" do CTN (retroatividade da multa mais benéfica), restando, assim, aplicada a multa prevista no art. 32A, "caput", inciso II e parágrafos 2º e 3º da MP n° 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, no valor de R$ 3.500,00 (três mil e quinhentos reais) Às fls. 13, o auditor fiscal afirmou que deveria ser comparada a multa de mora prevista no art. 35 somada à multa por omissão em fatos geradores em GFIP do art. 32, §5º, ambos da Lei nº 8.212/1991, com a multa de ofício do art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 somada à multa do art. 32A, inciso I, e §3º, inciso II da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Assim, no caso concreto, teria sido mais favorável a legislação nova, razão pela qual foi lavrado o Auto de Infração nº 37.211.9859, referente à multa de ofício no percentual de 75% (art. 44, I da Lei nº 9.430/1996), bem como o presente Auto de Infração nº 37.211.9832, referente à multa de R$ 20,00 por cada informação incorreta, observado o limite mínimo de R$ 500,00 por competência (art. 32A da Lei nº 8.212/1991, com redação da Lei nº 8.212/1991). Esclarece ainda o Relato do Fisco que o contribuinte, durante a ação fiscal, efetuou a retificação das GFIP, entregando documentos retificadores, restando configurado, portanto, o recolhimento parcial do valor devido após o início do procedimento fiscal. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 9/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11020.002307/200970 Acórdão n.º 2301002.500 S2C3T1 Fl. 3 3 Todavia, afirma o Relatório que tal situação não é apta a afastar a aplicação da penalidade cabível pelo descumprimento da obrigação acessória de declarar contribuições devidas, dado o não cumprimento espontâneo do referido dever instrumental, o que enseja, portanto, a aplicação da multa. Consta ainda nos autos despacho da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre – RS (fls 44) determinando, em virtude das determinações expressas de dispositivos legais acerca da competência territorial e por matéria das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), o encaminhamento do presente processo à DRJ/STM/RS para que fosse devidamente julgado. Irresignada, a Recorrente apresentou impugnação ao referido Auto de Infração, arguindo a inexistência de obrigações acessórias a cumprir, em virtude da apresentação de GFIP’S retificadoras e do recolhimento parcial das contribuições incidentes sobre os valores em comento, tendo obtido, em primeira instância, procedência parcial do seu pedido, pois o crédito tributário referente ao Auto de Infração foi mantido em parte, conforme se depreende da ementa a seguir transcrita: AUTUAÇÃO NO CFL 78. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. ERRO NO CRITÉRIO DE VERIFICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA A penalidade prevista no art. 32A (Auto de infração no código de fundamento legal 78) somente se aplica enquanto multa isolada, isto é, quando não houver falta de recolhimento das contribuições relacionadas às informações omitidas em GFIP, pois do contrário, com a multa de ofício, a omissão de informações em GFIP será penalizada em conjunto com a falta de pagamento. Na aplicação da legislação tributária, a lei retroage quando comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. As multas a serem comparadas devem ser apuradas pela metodologia de cada legislação e cotejadas entre si em relação à mesma infração, salvo em relação às infrações penalizadas em conjunto. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte No voto da decisão recorrida, ficou consignado que a multa de ofício já englobaria aquela aplicada em razão de omissão em GFIP de fatos geradores de contribuições não pagas, tendo o novo art. 32A da Lei nº 8.212/1991 aplicação limitada aos casos em que não houver diferença de contribuição previdenciária a pagar. Assim, como o auto de infração em comento se referia à multa por omissão em GFIP com saldo de contribuição previdenciária a pagar, foi refeito o cálculo, reduzindose de R$ 3.500,00 para R$ 3.000,00 o valor da penalidade no presente Auto de Infração. Não satisfeita com a decisão proferida, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando em suma: Fl. 74DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 9/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11020.002307/200970 Acórdão n.º 2301002.500 S2C3T1 Fl. 4 4 a) A inexistência de descumprimento de dever instrumental (obrigação acessórias), em virtude da retificação das informações e do pagamento parcial realizado; b) A necessidade de ser relevada a multa cominada. Assim, vieram os autos a este Conselho de Contribuintes por meio de Recurso Voluntário. Sem Contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Presentes os pressupostos de admissibilidade do presente recurso, passo ao seu exame. Mérito Preclusão sobre matérias não impugnadas O auto de infração em comento referese à omissão em GFIP de fatos geradores da contribuição previdenciária. Nas razões recursais ora em apreço, a Recorrente não se defendeu quanto ao mérito da questão acima exposto, já que em nenhum momento afirma que os valores apontados pela fiscalização não correspondem a fatos geradores de contribuições previdenciárias, ou seja, apresentou uma defesa genérica, não se desincumbindo do ônus da prova em contrário do afirmado pela fiscalização. Pois bem. A despeito de tal discussão, imperioso trazer a baila o que preconiza o art. 9º, §6º da Portaria nº 520, de 19 de maio de 2004, in verbis: Art. 9º A impugnação mencionará: (...) § 6º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Desta feita, concluise, do acima exposto, que reputase não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao Fl. 75DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 9/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11020.002307/200970 Acórdão n.º 2301002.500 S2C3T1 Fl. 5 5 conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. Notase, portanto, que houve a preclusão processual, uma vez que não houve insurgência da Recorrente quanto à pretensão externada no lançamento. Ademais, a despeito de tal instituto, importante citar os ensinamentos de Fredie Didier Júnior, in verbis: “Entendese que a preclusão está intimamente relacionada com o ônus, que, como se sabe, é situação jurídica consistente em um encargo do direito. A parte detentora de ônus deverá praticar ato processual em seu próprio benefício, no prazo legal, e de forma correta: se não o fizer, possivelmente este comportamento poderá acarretar conseqüências danosas para ela. (...) a preclusão decorre do não atendimento de um ônus, com a prática de atofato caducificante ou ato jurídico impeditivo, ambos lícitos, conformes com o direito. Com isso, entendo que, no caso em apreço, ocorreu a preclusão consumativa, que é a extinção da faculdade de praticar um determinado ato processual em virtude de já haver ocorrido a oportunidade para tanto, ficando, portanto, o julgador impossibilitado de analisar a questão de mérito, posto que não contestada pela Recorrente. Da multa aplicada Nos autos em comento, verificase que o Auditor Fiscal, quando do cálculo da multa aplicada em razão da omissão em GFIP das contribuições previdenciárias, entendeu que deveria ser feito o comparativo entra a legislação anterior e a atual da seguinte forma: (I) legislação anterior: multa de mora, prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, somada à multa por omissão em GFIP de fatos geradores, prevista no art. 32, §5º da Lei nº 8.212/1991; (II) multa de ofício prevista no art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 somada à multa por omissão em GFIP de fatos geradores, prevista no art. 32A da Lei nº 8.212/1991. A decisão recorrida, por sua vez, identificou erro no cálculo da referida multa, uma vez que a multa instituída no art. 32A da Lei nº 8.212/1991 teria aplicação limitada apenas aos casos em que a omissão em GFIP não fosse acompanhada da supressão do pagamento da contribuição previdenciária. Assim, foi dado parcial provimento do recurso para excluir da presente autuação as competências em que todos os valores omitidos em GFIP também não tenham sido objeto de tributação, deixando no presente auto de infração apenas as competências em que houve omissão em GFIP e pagamento parcial da contribuição. Em que pese o erro na metodologia utilizada pela fiscalização, uma vez que o erro no preenchimento de GFIP já teria sido apenado juntamente com a multa de ofício prevista no art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, o fato é que o entendimento deste Relator é pela aplicação da multa por omissão em GFIP prevista no art. 32A da Lei nº 8.212/1991, com a nova redação dada pela Lei nº 11.941/2009, quando esta fosse mais benéfica do que aquela prevista no art. 32, §5º da Lei nº 8.212/1991. Para melhor compreensão, cabe trazer alguns esclarecimentos sobre a questão ora posta. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 9/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11020.002307/200970 Acórdão n.º 2301002.500 S2C3T1 Fl. 6 6 Os fatos geradores omitidos em GFIP ocorreram quando ainda vigorava a redação anterior do art. 32, §5º da Lei nº 8.212/1991, que impunha multa equivalente a 100% da contribuição devida e não declarada. Eis a redação do referido dispositivo: Art. 32, §5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. No entanto, com o advento da Lei 11.941/09, o dispositivo acima transcrito fora revogado em sua totalidade, passando a regular a matéria o seu art. 32A, inciso I, in verbis: "Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo.” Diante da existência de uma nova lei dispondo de forma diversa sobre a penalidade a ser aplicada à conduta de apresentar GFIP com omissões ou erros, deve o Fisco perquirir sobre qual seria a legislação mais benéfica ao contribuinte, já que a novel legislação poderá retroagir nos termos do art. 106, II, alínea “c” do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim, a partir de uma análise no caso concreto de qual seria a penalidade mais favorável ao contribuinte, se de 100% do valor das contribuições omitidas ou de R$ 20,00 para cada grupo de informações incorretas ou omissas, é que se definirá a norma que será aplicada. Não se pode perder de vista, contudo, que existe entendimento, como é o caso da decisão recorrida, de que, pela nova legislação instituída pela Lei nº 11.941/2009, o art. 32A da Lei nº 8.212/1991 somente seria aplicado nos casos em que a omissão ou erro em Fl. 77DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 9/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11020.002307/200970 Acórdão n.º 2301002.500 S2C3T1 Fl. 7 7 GFIP não fosse acompanhado de supressão no pagamento da contribuição previdenciária, pois, quando houvesse também descumprimento da obrigação principal, seria aplicado somente o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, que dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Ocorre que a Lei nº 8.212/1991 é específica para disciplinar as contribuições previdenciárias e todas as obrigações principais e acessórias a elas inerentes. Somente nos casos em que a própria Lei nº 8.212/1991 remeterse a outras normas é que serão estas aplicáveis, como ocorreu expressamente, a título de exemplo, com os seus arts. 35 e 35A, ao se referirem aos art. 61 e 44 da Lei nº 9.430/1996, respectivamente. Assim, se na disciplina da penalidade aplicável aos casos de descumprimento da obrigação acessória (GFIP apresentada com omissão ou incorreções ou GFIP não apresentada) a própria Lei nº 8.212/1991 já tipifica a conduta e impõe a penalidade, não fazendo qualquer ressalva quanto à existência ou não de pagamento, não há por que se perquirir sobre a aplicação de outro dispositivo legal, sendo aquela lei a específica para o caso concreto. A referência feita pela Lei nº 8.212/1991 ao art. 44 da Lei nº 9.430/1996 somente ocorre no art. 35A, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, que tem sua aplicação limitada aos casos de descumprimento de obrigação principal, e não aos de descumprimento de obrigação acessória relacionado a GFIP, pois para este já teria sido introduzida pela mesma Lei nº 11.941/2009 a punição para os casos de não apresentação de GFIP, apresentação com incorreções relacionados ou não a fatos geradores. Por outro lado, não existe razão para que o art. 32A da Lei nº 8.212/1991 seja aplicado somente nos casos em que o descumprimento da obrigação acessória não for acompanhado, também, de diferenças de contribuições a recolher, já que o próprio dispositivo ou qualquer outro não faz essa ressalva. Ao contrário, o inciso II deste mesmo dispositivo deixa evidente que a multa será paga ainda que integralmente pagas as contribuições previdenciárias, isto é, havendo ou não pagamento da contribuição, será aplicada a multa, o que ratifica o entendimento de que, mesmo havendo diferenças do tributo, deverá ser aplicado o dispositivo em comento. Por essa razão é que não pode ser aplicado o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 como penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória quando se tratar de contribuição previdenciária, estando sua aplicação por falta de declaração ou declaração inexata limitada aos tributos de outras espécies. E quanto às contribuições previdenciárias, somente nos casos de descumprimento de obrigação principal, por expressa referência do art. 35A da Lei nº 8.212/1991. Portanto, no meu entendimento, o comparativo da norma mais favorável ao contribuinte, diante de omissão em GFIP, deverá ser feito cotejando os arts. 32, §5º com o art. 32A, I, ambos da Lei nº 8.212/1991, sendo aplicada a multa mais favorável ao contribuinte. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 9/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11020.002307/200970 Acórdão n.º 2301002.500 S2C3T1 Fl. 8 8 No caso dos autos, verificase que as competências nele especificadas já foram apenadas com a multa do art. 32A, I da Lei nº 8.212/1991, que seriam possivelmente a mais favorável ao contribuinte. Contudo, não se pode perder de vista que diante do baixo valor das contribuintes omitidas pelo contribuinte, algumas em quantia inferior a R$ 500,00, limite mínimo previsto para a penalidade, nos termos art. 32A da Lei nº 8.212/1991, a aplicação do art. 32, §5º da Lei nº 8.212/1991 pode ser mais favorável à Recorrente. Ressaltese, contudo, que o comparativo deve ser feito isoladamente entre o art. 32, §5º da Lei nº 8.212/1991, na sua redação anterior, e o art. 32A da Lei nº 8.212/1991, introduzido pela Lei nº 11.941/2009, sem, contudo, adicionálas às multas de mora e de ofício, respectivamente. Da Conclusão Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário e DOULHE PARCIAL PROVIMENTO apenas para que para o descumprimento da obrigação acessória em comento seja punido com a multa do art. 32A da Lei nº 8.212/1991, introduzido pela Lei nº 11.941/2009, somente quando for mais favorável ao contribuinte do que aquela prevista no art. 32, §5º da Lei nº 8.212/1991, na sua redação anterior. É como voto. Sala das Sessões, em 18 de janeiro de 2012. Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 79DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 9/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A
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Numero do processo: 13826.000419/99-11
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu May 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/1989 a 31/10/1995
PIS. PRESCRIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. 5 (CINCO) ANOS PARA HOMOLOGAR (ARTIGO 150, § 4º, DO CTN) MAIS 5 (CINCO) ANOS PARA PROTOCOLAR O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO (ARTIGO 168, I, DO CTN). IRRETROATIVIDADE DO ARTIGO 3º DA LC 118/2005. ARTIGO 65-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Este Conselho está vinculado às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em recurso especial repetitivo. Com efeito, cabe a aplicação simultânea dos entendimentos proferidos pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele proferido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932 (tese dos 5 + 5), para pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação que tenham sido protocolados antes da aplicação, em 09/06/2005, da Lei Complementar 118, a qual não é interpretativa, conforme entendimento do STF. Em se tratando a contribuição para o PIS de tributo sujeito a lançamento por homologação, bem como do fato de o pedido de restituição/compensação ter sido protocolado em 09/08/1999, antes da vigência da Lei Complementar 118/2005, plenamente cabível a aplicação do prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, § 4º, do CTN somado ao de 5 (cinco) anos previsto no artigo 168, I, desse mesmo diploma legal para o contribuinte pleitear restituição/compensação. Assim, prescrito encontra-se o pedido de restituição/compensação no que se refere apenas dos valores de PIS relativos aos períodos compreendidos entre abril e julho de 1989.
Recurso Extraordinário Provido em Parte.
Numero da decisão: 9900-000.779
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso extraordinário.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Nanci Gama - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martínez López, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Mércia Helena Trajano DAmorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: NANCI GAMA
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/1989 a 31/10/1995 PIS. PRESCRIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. 5 (CINCO) ANOS PARA HOMOLOGAR (ARTIGO 150, § 4º, DO CTN) MAIS 5 (CINCO) ANOS PARA PROTOCOLAR O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO (ARTIGO 168, I, DO CTN). IRRETROATIVIDADE DO ARTIGO 3º DA LC 118/2005. ARTIGO 65A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Este Conselho está vinculado às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em recurso especial repetitivo. Com efeito, cabe a aplicação simultânea dos entendimentos proferidos pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele proferido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932 (tese dos 5 + 5), para pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação que tenham sido protocolados antes da aplicação, em 09/06/2005, da Lei Complementar 118, a qual não é interpretativa, conforme entendimento do STF. Em se tratando a contribuição para o PIS de tributo sujeito a lançamento por homologação, bem como do fato de o pedido de restituição/compensação ter sido protocolado em 09/08/1999, antes da vigência da Lei Complementar 118/2005, plenamente cabível a aplicação do prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, § 4º, do CTN somado ao de 5 (cinco) anos previsto no artigo 168, I, desse mesmo diploma legal para o contribuinte pleitear restituição/compensação. Assim, prescrito encontrase o pedido de restituição/compensação no que se refere apenas dos valores de PIS relativos aos períodos compreendidos entre abril e julho de 1989. Recurso Extraordinário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 6. 00 04 19 /9 9- 11 Fl. 479DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso extraordinário. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Nanci Gama Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martínez López, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Mércia Helena Trajano D’Amorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão de nº 0203.425, proferido pela Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que, por maioria de votos, negou provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional para reconhecer o direito de o contribuinte pleitear, em 09/08/1999, restituição/compensação de valores de PIS relativos aos períodos compreendidos entre abril de 1989 e outubro de 1995. Para tanto, a Segunda Turma considerou que o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de valores de PIS nos presentes autos seria de 5 (cinco) anos contados a partir da publicação da Resolução do Senado Federal de nº 49, a qual suspendeu a execução dos inconstitucionais DecretosLeis 2.445 e 2.449, ambos de 1988. Inconformada, a Fazenda Nacional, com fulcro nos artigos 9º e 43 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, interpôs recurso extraordinário com base no acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais utilizado como paradigma, qual seja, o de nº 0400.810, para aduzir que o prazo para pleitear restituição/compensação é de 5 (cinco) anos contados a partir da data de extinção do crédito tributário conforme previsão dos artigos 165 e 168, I, do CTN. O acórdão paradigma restouse assim ementado: “PEDIDO DE RESTITUIÇÃO – ILL – O direito de pleitear restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro (art. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13826.000419/9911 Acórdão n.º 9900000.779 CSRFPL Fl. 480 3 165, incisos I e II, e 168, inciso I, do CTN, e entendimento do Superior Tribunal de Justiça). Recurso Especial do Procurador Provido.” A Recorrente complementa, ainda, que o advento da Lei Complementar 118/2005 teria encerrado definitivamente a controvérsia sobre o tema, tendo em vista que o seu artigo 3º prevê que “para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei”. E, entendendo que aludido dispositivo deteria caráter interpretativo, a Fazenda Nacional alega que caberia a sua aplicação retroativa nos presentes autos, conforme previsão do artigo 106, I, do CTN. A Recorrente alega, também, a necessidade de observância ao disposto no Ato Declaratório SRF nº 96, de 1999, o qual considera que “o prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário”. O i. Presidente do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais reconheceu o dissídio jurisprudencial e deu seguimento ao recurso extraordinário. Regularmente intimado, o contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 548/561, por meio das quais requereu fosse negado provimento ao recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheira Nanci Gama, Relatora O recurso extraordinário é tempestivo, razão pela qual passo a analisar seus pressupostos de admissibilidade em conformidade ao Regimento Interno aprovado pela Portaria MF nº 147/2007. Primeiramente, quanto à divergência entre acórdãos recorrido e paradigma, entendo ter a mesma sido devidamente demonstrada. Isso porquê ao passo que o acórdão recorrido respaldou o entendimento de que o prazo de 5 (cinco) anos, para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributo sujeito a lançamento por homologação (PIS), se inicia a partir da edição do ato normativo que dispensa o pagamento desse tributo, o acórdão paradigma respaldou entendimento de que o prazo de 5 (cinco) anos, para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributo sujeito a lançamento por homologação (ILL), se inicia a partir da data da extinção do crédito tributário “sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro”. Fl. 481DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Quanto aos demais pressupostos de admissibilidade previstos nos artigos 9º e 43 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF nº 147/20071, o qual é aplicado por força do artigo 4º do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF nº 256/20092, também entendo terem os mesmos sido devidamente demonstrados, razão pela qual conheço do recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional. A controvérsia aduzida nos presentes autos cingese, basicamente, em determinar o prazo para o contribuinte pleitear restituição dos valores de PIS recolhidos com base nas sistemáticas instituídas pelos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.448/88, os quais tiveram suas execuções suspensas por força da Resolução do Senado Federal de nº 49/95, publicada com base em decisão do STF que reconheceu as suas inconstitucionalidades. Conforme se infere do relatório, o acórdão recorrido entendeu que o prazo para pleitear restituição deve ser de 5 (cinco) anos contados a partir da data da publicação de aludida Resolução do Senado Federal. Em contrapartida, a Fazenda Nacional entende que o prazo para pleitear restituição é de 5 (cinco) anos contados a partir das datas de extinção do crédito tributário, ocorridas entre abril de 1989 e outubro de 1995, e que, portanto, o pedido de restituição, protocolado em 09/08/1999, já estaria prescrito. Considerando que o artigo 62A3 do atual Regimento Interno do CARF, qual seja, o aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, vincula os Conselheiros do CARF às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em sede de recurso especial repetitivo, cabe a esta Relatora aplicar ao presente caso o entendimento do STF consubstanciado no julgamento do RE nº 566.621, bem como o entendimento do STJ objeto do julgamento do REsp nº 1.002.932. De acordo com referida jurisprudência, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação será, para os pedidos de compensação protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118 ocorrida em 09/06/2005, o de 10 (dez) anos, ou seja, 5 (cinco) anos para homologar (artigo 150, § 4º, do CTN) mais 5 (cinco) anos, a partir dessa homologação, para pleitear restituição (artigo 168, I do CTN). E, em se tratando a contribuição para o PIS de tributo sujeito a lançamento por homologação, bem como do fato de o pedido de restituição/compensação ter sido protocolado antes do dia 09/06/2005 (vigência da LC 118/05), plenamente aplicável ao presente caso a tese dos 5 (cinco) anos mais 5 (cinco) anos objeto do REsp nº 1.002.932, por força da decisão do STF objeto do RE nº 566.621. 1 “Art. 9º Compete ao Pleno julgar recurso extraordinário de decisão de Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Turma ou o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais.” 2 “Art. 4º Os recursos com base no inciso I do art. 7º, no art. 8º e no art. 9º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, interpostos contra os acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior à vigência do Anexo II desta Portaria, serão processados de acordo com o rito previsto nos artigos 15 e 16, no art. 18 e nos artigos 43 e 44 daquele Regimento. (Redação dada pela Portaria MF nº 446, de 27 de agosto de 2009).” 3 “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Fl. 482DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13826.000419/9911 Acórdão n.º 9900000.779 CSRFPL Fl. 481 5 O acórdão do Supremo Tribunal Federal restou assim ementado: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” Em face do exposto, conheço do recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, voto no sentido de lhe dar parcial provimento para reconhecer a prescrição do pedido de restituição/compensação, protocolado pelo contribuinte em 09/08/1999, no que se refere apenas aos valores de PIS relativos ao período de apuração de abril a julho de 1989. Nanci Gama Fl. 484DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 15586.001678/2010-23
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO. FOLHA DE PAGAMENTOS. ELABORAÇÃO DE ACORDO COM AS NORMAS PREVISTAS. OBRIGAÇÃO.
Constitui infração punível na forma da lei deixar de preparar folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos, conforme disposto no art. 225, I e § 9º, do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99.
É obrigatória a inclusão em folhas de todos os pagamentos a segurados, independente da natureza salarial. Compete à autoridade fiscal identificar as parcelas integrantes ou não da base de cálculo das contribuições previdenciárias.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-002.255
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO. FOLHA DE PAGAMENTOS. ELABORAÇÃO DE ACORDO COM AS NORMAS PREVISTAS. OBRIGAÇÃO. 1. Constitui infração punível na forma da lei deixar de preparar folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos, conforme disposto no art. 225, I e § 9º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. 2. É obrigatória a inclusão em folhas de todos os pagamentos a segurados, independente da natureza salarial. Compete à autoridade fiscal identificar as parcelas integrantes ou não da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 16 78 /2 01 0- 23 Fl. 151DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 8/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15586.001678/201023 Acórdão n.º 2803002.255 S2TE03 Fl. 3 2 (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 8/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15586.001678/201023 Acórdão n.º 2803002.255 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Acessória lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, tendo em vista que a autuada deixou de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela legislação, conforme previsto no art. 32, I, da Lei nº 8.212/91 e art. 225, I e § 9º RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, entre as competências 01/01/2006 a 31/12/2007. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 21 de junho de 2011 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não merece acolhida a alegação de cerceamento de defesa, quando as informações necessárias à compreensão e clareza da autuação tenham sido prestadas pelos relatórios fiscais e anexos entregues ao contribuinte e, na impugnação este revela ter entendido todos os aspectos do lançamento tributário. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração à legislação previdenciária deixar de informar em folha de pagamento a totalidade da remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, ensejando a aplicação de multa decorrente de descumprimento de obrigação acessória. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. O Relatório de Vínculos é peça necessária à instrução do processo administrativo de débito, não importando em qualquer responsabilização das pessoas nele listadas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 153DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 8/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15586.001678/201023 Acórdão n.º 2803002.255 S2TE03 Fl. 5 4 Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Conforme dito por ocasião da Impugnação, a empresa Recorrente sofreu fiscalização para verificar a regularidade do cumprimento das obrigações relacionadas às contribuições previdenciárias de competência arrecadatória da Receita Federal Previdenciária, mais especificamente no que se refere ao pagamento de vale transporte aos seus funcionários e supostos pagamentos a contribuintes individuais por serviços prestados. Ao tentar defendese da autuação, a Recorrente percebeu que não teria condições de fazêlo de maneira segura, pois não conseguiu decifrar a razão da lavratura do Auto. Ante a incongruência estampada no Auto, a Recorrente não soube, como ainda não sabe, se deve considerar aquilo que está descrito no auto de infração propriamente dito (capa) ou se deve considerar o que está apontado no relatório. A autuação ora guerreada está eivada de vício formal, que não foi sanada com o julgamento da impugnação e implica em nulidade absoluta do Auto. Não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de vale transporte, tendo em vista a incompatibilidade com o conceito de salário de contribuição previsto no artigo 28, I, da Lei 8.212/91 e de remuneração delimitado pela alínea “a” do inciso I, do art. 195 da CF/88. Em face do exposto, e estando sobejamente demonstrada a nulidade absoluta da autuação, bem como provada a ilegalidade das exações pretendidas, requer seja conhecido e provido o presente recurso, para julgar insubsistente a exigência fiscal e, via de consequência, anular o Auto de Infração 37.306.7992. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 8/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15586.001678/201023 Acórdão n.º 2803002.255 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. A recorrente estava obrigada a confeccionar folha de pagamento com todas as remunerações pagas aos segurados a seu serviço. A obrigação de preparar folhas para todos os pagamentos a segurados vem expressa na legislação vigente, artigo 32, I, da Lei n. 8.212/9, combinado com o inciso I e parágrafo 9º do artigo 225 do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Os citados artigos estão assim redigidos: Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; O Decreto n.º 3.048/99, que aprovou o Regulamento da Previdência Social traz no seu artigo 225, parágrafo 9º, os elementos que devem conter a folha de pagamento: Art.225. A empresa é também obrigada a: I preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo manter, em cada estabelecimento, uma via da respectiva folha e recibos de pagamentos; (...) § 9º A folha de pagamento de que trata o inciso I do caput, elaborada mensalmente, de forma coletiva por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços, com a correspondente totalização, deverá: I discriminar o nome dos segurados, indicando cargo, função ou serviço prestado; II agrupar os segurados por categoria, assim entendido: segurado empregado, trabalhador avulso, contribuinte individual; (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) III destacar o nome das seguradas em gozo de salário maternidade; Fl. 155DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 8/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15586.001678/201023 Acórdão n.º 2803002.255 S2TE03 Fl. 7 6 IV destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais; e V indicar o número de quotas de saláriofamília atribuídas a cada segurado empregado ou trabalhador avulso. É, pois, obrigatória a inclusão em folhas de todos os pagamentos a segurados, independente da natureza salarial. Compete à autoridade fiscal identificar as parcelas integrantes ou não da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Segundo consta no Relatório Fiscal da Infração (fls. 15), a empresa deixou de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela Receita Federal do Brasil. Ainda de acordo com o citado relatório fiscal, constatouse que: 1. O contribuinte incorreu na seguinte infração: deixou de incluir em sua folha de pagamento as remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais, referentes a: Remuneração de segurados empregados a título de vale transporte; Remunerações de contribuintes individuais por serviços prestados Desta forma, infringiu o artigo 32, I, da lei 8.212/91, combinado com o artigo 225, inciso I e parágrafo 9º do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Vêse da análise dos autos, que constitui infração punível na forma da lei deixar de preparar folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos, conforme disposto no art. 225, I e § 9º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. É obrigatória, portanto, a inclusão em folhas de todos os pagamentos a segurados, independente da natureza salarial. Compete à autoridade fiscal identificar as parcelas integrantes ou não da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Em seu recurso o contribuinte não discutiu o mérito. Ele ficou restrito a questões genéricas do tipo: Cumpre destacar ainda que o Supremo Tribunal Federal já analisou a questão tendo firmado posicionamento no sentido da não incidência de contribuição previdenciária Fl. 156DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 8/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15586.001678/201023 Acórdão n.º 2803002.255 S2TE03 Fl. 8 7 sobre vale transporte (ainda que pago em dinheiro, o que não é o caso). A exigência de recolhimento de contribuição previdenciária sobre valores pagos a título de valetransporte implicaria até mesmo em enriquecimento sem causa da Previdência Social, vez que no momento da concessão de benefício de aposentadoria não se computam os referidos valores como salário para fins de base de cálculo do referido benefício. Observase, portanto, que o contribuinte tenta induzir o julgador a acatar sua tese, tendo em vista a proximidade do assunto. O lançamento não foi realizado em virtude de pagamento do benefício do vale transporte em pecúnia, mas sim, em razão de a empresa ter descumprido a legislação de regência, assumindo na integralidade o pagamento do benefício. A aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória constante da Lei n.º 8.212/91, está dentro dos pressupostos legais e constitucionais, não foi inquinada de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, estando totalmente válida e devendo ser obedecida pela via administrativa. Por último, a autuação objeto do presente recurso, foi executada de acordo com os preceitos legais e o Auto de Infração lavrado, contém todos os elementos essenciais à sua validade, descritos no art. 10 do Decreto n.º 70.235, de 06/03/1972, devendo ser mantido na sua integralidade, já que a recorrente não comprovou a correção da falta. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 8/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10925.002692/2009-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Sat Apr 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004, 2005, 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO.
É intempestivo o Recurso Voluntário interposto após o transcurso do prazo legal de 30 (trinta) dias contados da data da ciência da decisão recorrida, excluindo-se o dia do início (data da ciência) e incluindo-se o do vencimento do prazo.
Não interposto Recurso Voluntário no prazo legal, tal como ocorreu na hipótese, torna-se definitiva a decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 2101-002.151
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestividade.
(assinado digitalmente)
________________________________________________
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
(assinado digitalmente)
________________________________________________
CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Eivanice Canário da Silva, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora).
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004, 2005, 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. É intempestivo o Recurso Voluntário interposto após o transcurso do prazo legal de 30 (trinta) dias contados da data da ciência da decisão recorrida, excluindo-se o dia do início (data da ciência) e incluindo-se o do vencimento do prazo. Não interposto Recurso Voluntário no prazo legal, tal como ocorreu na hipótese, torna-se definitiva a decisão de primeira instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestividade. (assinado digitalmente) ________________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente. (assinado digitalmente) ________________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Eivanice Canário da Silva, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora).
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RECURSO INTEMPESTIVO. É intempestivo o Recurso Voluntário interposto após o transcurso do prazo legal de 30 (trinta) dias contados da data da ciência da decisão recorrida, excluindose o dia do início (data da ciência) e incluindose o do vencimento do prazo. Não interposto Recurso Voluntário no prazo legal, tal como ocorreu na hipótese, tornase definitiva a decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestividade. (assinado digitalmente) ________________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) ________________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Eivanice Canário da Silva, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 26 92 /2 00 9- 07 Fl. 230DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/ 04/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração contra o contribuinte em epígrafe, no qual foi apurado Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural suplementar dos exercícios 2004, 2005 e 2006, em decorrência da apuração incorreta da base de cálculo do imposto, tendo sido glosada a área de preservação permanente declarada e arbitrado o valor da terra nua. A autuada impugnou o lançamento, alegando que existe área de preservação permanente de, pelo menos, 75,00 hectares nos exercícios 2004 a 2006 e que, por meio de ADA, declarou parte dessa área em 2005 e o total somente em 2006. Esclareceu que essa área corresponde a área alagada para compor reservatório de usina hidrelétrica, isenta por força do DecretoLei n.º 2.281, de 1940. No tocante ao valor da terra nua, argumentou que o imóvel rural em questão é um bem fora do comércio por ser um bem público de uso especial e, por esse motivo, não possui valor econômico algum. Além disso, a impugnante sustenta que é mera detentora do bem em nome do Estado, não exercendo, sobre esses bens, o direito de propriedade, posse ou domínio útil. A 1.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Campo Grande (MS) julgou a impugnação improcedente, por meio do Acórdão n.º 04 25.716, de 22 de agosto de 2011, que contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004,2005, 2006 PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Além de constar de ADA tempestivo, a área de preservação permanente deve também ser comprovada com Laudo Técnico, que deve discriminar as áreas, com o pertinente enquadramento previsto na Lei n° 4.771/1965 (arts. 2.º e 3.º), com as alterações da Lei n° 7.803/1989. VALOR DA TERRA NUA. O valor da terra nua, apurado pela fiscalização, em procedimento de ofício nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96, não é passível de alteração, quando o contribuinte não apresentar elementos de convicção que justifiquem reconhecer valor menor. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a interessada interpôs recurso voluntário em 19 de outubro de 2011. É o Relatório. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/ 04/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10925.002692/200907 Acórdão n.º 2101002.151 S2C1T1 Fl. 3 3 Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy A interessada tomou ciência do Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS) em 15 de setembro de 2011, conforme comprova o Aviso de Recebimento – AR às fls. 178. Examinando os autos, verificase que o Recurso Voluntário foi protocolizado na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba no dia 19 de outubro de 2011, tal como atesta o servidor da referida unidade (fls. 179 e 224). O Recurso Voluntário pode ser interposto pelo contribuinte no prazo de trinta dias contados da ciência da Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, nos termos do artigo 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, a seguir transcrito: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. A contagem dos prazos no Processo Administrativo Fiscal está disciplinada no artigo 5.º do mesmo diploma legal, que assim dispõe, ipsis litteris: Art. 5° Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. No presente caso, iniciouse a contagem do prazo em 16 de setembro de 2010, sextafeira, dia seguinte ao do recebimento da Decisão de primeira instância. Tendo em vista que não consta ter havido expediente anormal nas repartições federais em Joaçaba na data, a contagem dos trinta dias iniciou no próprio dia 16 de setembro de 2011 e encerrouse em 15 de outubro do mesmo ano. Tendo em vista que o dia 15 de outubro de 2011 caiu em um sábado, o prazo foi prorrogado para a segundafeira seguinte, dia 18 de outubro de 2011, dia de expediente normal. Todavia, o recurso só foi apresentado no dia seguinte, 19 de outubro de 2011. Sobre o tema, vale salientar que os prazos recursais são peremptórios e preclusivos, razão pela qual, decorrendo o lapso temporal previsto em lei sem que ocorra a interposição do Recurso Voluntário, extinguese, tal como sucedeu na hipótese, o direito do interessado de deduzilo. Impõese, portanto, a conclusão de que a decisão a quo tornouse definitiva, nos termos do artigo 42 do Decreto n.º 70.235, de 1972, verbis: "Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; Fl. 232DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/ 04/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 [...].” Sendo assim, constatada a sua intempestividade, o Recurso Voluntário não preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele não conheço, deixando, destarte, de analisar o mérito. Conclusão Ante todo o exposto, voto por não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestividade. (assinado digitalmente) _________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 233DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/ 04/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10314.005814/2003-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2002
Mudança de Critério Jurídico. Inocorrência
A correção de ofício da classificação fiscal fornecida pelo sujeito passivo, levada a efeito em sede de Revisão Aduaneira, realizada nos contornos do art. 54 do Decreto-lei nº 37, de 1966, segundo a redação que lhe foi fornecida pelo Decreto-lei nº 2.472, de 1988, não representa retificação do lançamento em razão de erro de direito ou de mudança de critério jurídico, não afrontando, consequentemente o art. 146 do Código Tributário Nacional.
Tratando-se de correção de informação prestada pelo sujeito passivo, tal procedimento encontra pleno respaldo no art. 149, IV do mesmo Código Tributário Nacional.
Taxa Selic
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC. Aplicação da Súmula CARF nº 4.
Recurso de Ofício Provido em Parte e Recurso Voluntário Provido em Parte.
Os módulos capazes de funcionar acoplados a produtos classificáveis nas posições 8471 e 8517 devem ser classificados na posição 8473.
Por outro lado, partes de produtos da posição 8517 que não se enquadrem em em outro item ou subitem mais específico devem ser classificadas no subitem 8517.90.99.
Multa de Ofício de 75% em Razão de Inexatidão na Declaração da Classificação Fiscal. Cabimento.
A inexatidão da classificação fiscal, principalmente quando acompanhada da descrição equivocada e insuficiente da mercadoria, insere-se no universo das condutas puníveis com a multa de 75% sobre os impostos que deixaram de ser recolhidos.
Numero da decisão: 3102-001.542
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento aos recursos de ofício e voluntário para: a) restabelecer a exigência de tributos e de multas de ofício e regulamentar de 1% sobre as mercadorias descritas como WS C3524 XL, WS 3548 XL, WS C1924, WS 2924C, WS C1912C, WS C2828-A; e b) afastar a fração da exigência fundada na aplicação da multa capitulada no art. 526, II do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 1985.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro.
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2002 Mudança de Critério Jurídico. Inocorrência A correção de ofício da classificação fiscal fornecida pelo sujeito passivo, levada a efeito em sede de Revisão Aduaneira, realizada nos contornos do art. 54 do Decreto-lei nº 37, de 1966, segundo a redação que lhe foi fornecida pelo Decreto-lei nº 2.472, de 1988, não representa retificação do lançamento em razão de erro de direito ou de mudança de critério jurídico, não afrontando, consequentemente o art. 146 do Código Tributário Nacional. Tratando-se de correção de informação prestada pelo sujeito passivo, tal procedimento encontra pleno respaldo no art. 149, IV do mesmo Código Tributário Nacional. Taxa Selic A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC. Aplicação da Súmula CARF nº 4. Recurso de Ofício Provido em Parte e Recurso Voluntário Provido em Parte. Os módulos capazes de funcionar acoplados a produtos classificáveis nas posições 8471 e 8517 devem ser classificados na posição 8473. Por outro lado, partes de produtos da posição 8517 que não se enquadrem em em outro item ou subitem mais específico devem ser classificadas no subitem 8517.90.99. Multa de Ofício de 75% em Razão de Inexatidão na Declaração da Classificação Fiscal. Cabimento. A inexatidão da classificação fiscal, principalmente quando acompanhada da descrição equivocada e insuficiente da mercadoria, insere-se no universo das condutas puníveis com a multa de 75% sobre os impostos que deixaram de ser recolhidos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento aos recursos de ofício e voluntário para: a) restabelecer a exigência de tributos e de multas de ofício e regulamentar de 1% sobre as mercadorias descritas como WS C3524 XL, WS 3548 XL, WS C1924, WS 2924C, WS C1912C, WS C2828-A; e b) afastar a fração da exigência fundada na aplicação da multa capitulada no art. 526, II do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 1985. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro.
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HIPÓTESES. A nulidade do procedimento é medida excepcional, que só se justifica quando se está diante da incompetência do agente ou cerceamento do direito de defesa. Se não demonstrada pelo menos uma dessas hipóteses, não há como decretar a nulidade. ÔNUS DA PROVA. EXIGÊNCIA FISCAL. A exigência fiscal deve estar respaldada pelos elementos de fato capazes de dar suporte à acusação. Se não constam do processo elementos capazes de dar a conhecer as características do produto importado, forçoso é considerar as informações PRESTADAS pelo sujeito passivo. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2002 CHAVEADORES (SWITCHES) PARA REDES DE COMPUTADORES. Produtos identificados como switches ou chaveadores possuem funcionalidades que os distinguem dos equipamentos denominados Hubs. Consequentemente, o código tarifário que classifica corretamente os primeiros (8471.80.19) não é o mesmo que se destina ao enquadramento dos segundos (8471.80.14). ROTEADORES Roteadores digitais não identificados como do tipo "Crossconect” e que não atinjam velocidade de conexão igual ou superior a 4 Mbits/s devem ser classificados no subitem 8517.30.69. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 58 14 /2 00 3- 10 Fl. 2748DF CARF MF Impresso em 25/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10314.005814/200310 Acórdão n.º 3102001.542 S3C1T2 Fl. 2.735 2 MÓDULOS INTERCAMBIÁVEIS Os módulos capazes de funcionar acoplados a produtos classificáveis nas posições 8471 e 8517 devem ser classificados na posição 8473. Por outro lado, partes de produtos da posição 8517 que não se enquadrem em em outro item ou subitem mais específico devem ser classificadas no subitem 8517.90.99. MULTA DE OFÍCIO DE 75% EM RAZÃO DE INEXATIDÃO NA DECLARAÇÃO DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CABIMENTO. A inexatidão da classificação fiscal, principalmente quando acompanhada da descrição equivocada e insuficiente da mercadoria, inserese no universo das condutas puníveis com a multa de 75% sobre os impostos que deixaram de ser recolhidos. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2002 Erro de Classificação. Licenciamento. Efeitos. O exclusivo erro na indicação da classificação fiscal, ainda que acompanhado de falha na descrição da mercadoria não é suficiente para imposição da multa por falta de licença de importação. É indispensável que a falha na indicação da classificação caracterize prejuízo ao controle administrativo das importações. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2002 MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA A correção de ofício da classificação fiscal fornecida pelo sujeito passivo, levada a efeito em sede de Revisão Aduaneira, realizada nos contornos do art. 54 do Decretolei nº 37, de 1966, segundo a redação que lhe foi fornecida pelo Decretolei nº 2.472, de 1988, não representa retificação do lançamento em razão de erro de direito ou de mudança de critério jurídico, não afrontando, consequentemente o art. 146 do Código Tributário Nacional. Tratandose de correção de informação prestada pelo sujeito passivo, tal procedimento encontra pleno respaldo no art. 149, IV do mesmo Código Tributário Nacional. TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. Aplicação da Súmula CARF nº 4. Recurso de Ofício Provido em Parte e Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 2749DF CARF MF Impresso em 25/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10314.005814/200310 Acórdão n.º 3102001.542 S3C1T2 Fl. 2.736 3 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento aos recursos de ofício e voluntário para: a) restabelecer a exigência de tributos e de multas de ofício e regulamentar de 1% sobre as mercadorias descritas como WS C3524 – XL, WS 3548 XL, WS C1924, WS 2924C, WS C1912C, WS C2828A; e b) afastar a fração da exigência fundada na aplicação da multa capitulada no art. 526, II do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 1985. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Versa o presente processo sobre Auto de Infração lavrado para exigência de tributos, juros e multas, tendo ocorrido esse lançamento em virtude de reclassificação fiscal das mercadorias importadas pela interessada (fls. 213 a 251), sendo as mesmas classificadas conforme segue: “hubs”, distribuidores de conexões para redes, com código 8471.80.14, roteadores digitais de interface serial de pelo menos 4 Mbits, próprios para interconexão de redes locais com protocolos distintos, com código 8517.30.62, e circuitos impressos com componentes elétricos ou eletrônicos, montados, dos aparelhos para telefonia ou telegrafia, com código 8517.90.10. Em conseqüência, lavraramse os Autos de Infração de fls. 01 a 211, pelos quais o contribuinte foi intimado a recolher ou impugnar a diferença de tributos (II e IPI) que deixou de ser pago em decorrência de alíquotas maiores, juros de mora, multas do art. 44, I da Lei 9430/96 (75% II), do art.633 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto 4543/2002 (30% V A), do art. 84 da Medida Provisória 2158/2001 (1% V A) e do art. 80, inciso I da Lei 4502/64, com a redação dada pelo art. 45 da Lei 9430/96 (75% IPI). Em razão de diversas Soluções de Consulta, conforme fls. 252 a 335, a Fiscalização entendeu que as mercadorias em questão apresentam outras classificações fiscais que não aquelas apontadas pela interessada: os “hubs” passam do código 8471.80.14 para o código 8471.80.19, na maior parte das Declarações de Importação, relativo a outras unidades de controle ou de adaptação de unidades de conversão de sinais, considerando estes equipamentos como SWITCH, mas também utilizando os códigos 8473.30.49, relativo a partes e acessórios da posição 8471, e Fl. 2750DF CARF MF Impresso em 25/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10314.005814/200310 Acórdão n.º 3102001.542 S3C1T2 Fl. 2.737 4 8517.90.99, relativo a outras partes dos aparelhos elétricos para telefonia ou telegrafia. os roteadores digitais passam do código 8517.30.62 para o código 8517.30.69, na maior parte das Declarações de Importação, relativo a outros roteadores digitais, em função da incapacidade de velocidade de pelo menos 4 Mbits/s, mas também utilizando o código 8471.80.19, relativo a outras unidades de controle ou de adaptação de unidades de conversão de sinais. os circuitos impressos passam do código 8517.90.10 para o código 8517.90.99, relativo a outras partes dos aparelhos elétricos para telefonia ou telegrafia. Regularmente notificada do Auto de Infração, a interessada impugnou (fls. 355 a 421) alegando, em síntese, que: o auto é nulo por não constar de sua descrição os elementos suficientes que demonstrem a natureza da infração; houve apenas presunção de suposto erro de classificação fiscal, devendo a fiscalização se valer de perícia técnica para comprovar as eventuais suspeitas; a fiscalização utilizou prova emprestada para reclassificar os equipamentos importados, com base em consultas fiscais de outro contribuinte que, embora tenham identidade do produto, poder ser montados pela CISCO de forma absolutamente distinta, conforme deve ser comprovado por perícia técnica; não houve atendimento às regras gerais para interpretação do sistema harmonizado; como já houve importações de equipamentos semelhantes e a classificação correta para os equipamentos WS foi 8471.80.14, não pode haver retroatividade da norma interpretativa; diversas perícias anteriores acolhem a classificação fiscal indicada pela impugnante, por virem configurados para velocidade de interface serial de pelo menos 4 Mbits/s; existem algumas consultas que reconhecem a classificação 8517.30.62 para o CISCO 7507, 3620, 7204, 2522 e 2505; houve insuficiência de enquadramento legal e nulidade da aplicação da multa por falta de licenciamento de importação ou documento equivalente; por não ter havido classificação incorreta, são incabíveis as multas e o IPI; a taxa SELIC é inconstitucional. Além disso, a interessada cita diversas Soluções de Consulta onde constam diversos modelos CISCO apontados e classificados como roteadores, com capacidade mínima de 4 Fl. 2751DF CARF MF Impresso em 25/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10314.005814/200310 Acórdão n.º 3102001.542 S3C1T2 Fl. 2.738 5 Mbits/s, no código 8517.30.62. Além disso, requer diligência, indicando como seu Assistente Técnico o Sr. Marcelo Olivo Marrega, elencando onze quesitos (fls. 179 a 180) e indicando perito para acompanhar os trabalhos. Tendo sido atendido o que preceitua o art. 16 do Dec. 70235/72, com alterações da Lei 8748/93, relativamente ao pedido de perícia, e também em razão da complexidade das mercadorias analisadas, deferimos a perícia requerida, efetuada por Assistente Técnico Credenciado junto à Receita Federal (fls. 2205 a 2236). Além dos quesitos da interessada, fezse necessário, para o correto deslinde do presente, a análise de todos os equipamentos importados, indicando a sua função principal, capacidade, velocidade (com utilização ou não de placa serial), utilização, enfim, do que se trata cada mercadoria importada, em cada adição das Declarações de Importação elencadas pela Fiscalização. Deferido o pedido de perícia, foi expedido laudo técnico1. Regularmente cientificada, a recorrente contestou as respostas do expert, em especial no que se refere à velocidade dos equipamentos. Segundo defende, o perito afirmara que os produtos alcançariam a velocidade de até 4 Mbits/s, quando, na verdade, atingiriam pelo menos 4 Mbits/s. Nova diligência foi efetuada (2458 a 2482) para a análise de todos os equipamentos importados, indicando a sua função principal, capacidade, velocidade (com utilização ou não de placa serial), utilização, enfim, do que se trata cada mercadoria importada, em cada adição das Declarações de Importação elencadas pela Fiscalização. A interessada manifestouse dizendo que pouco importa a velocidade que os “switches” Catalyst atingem, pois são equipamentos utilizados para distribuição de conexão para rede local, sendo que o próprio laudo pericial atestou que um “switch” como um “hub” é um distribuidor de conexões para rede, sendo a classificação mais correta 8471.80.14. Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão a quo pela manutenção parcial da exigência, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2002 ROTEADOR. SWITCH. INTERFACES E MÓDULOS PARA SWITCH. LAUDO OFICIAL. Os roteadores das famílias CISCO 1700, 2500, 2600, 3600, 3810, 4500, 4700, 7120, 7200 e 7500 têm velocidade de 4 1 Fls. 2205 a 2245 Fl. 2752DF CARF MF Impresso em 25/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10314.005814/200310 Acórdão n.º 3102001.542 S3C1T2 Fl. 2.739 6 Mbits/s, alguns deles com determinadas placas, apresentando correta classificação fiscal 8517.30.62, diferentemente dos roteadores da família CISCO 1600, com velocidade de 2 Mbits/s, com classificação fiscal 8517.30.69. Os equipamentos das famílias CATALYST 1900, 2820, 2900, 2948, 2950, 3500 XL, 3920, 4006, 5000 e 8510 são “switch”, com correta classificação fiscal 8471.80.19. O equipamento CISCO AS 5300 é um servidor remoto, com correta classificação fiscal 8471.80.19, conforme entendeu a fiscalização. Os equipamentos WS X5225R e WS X2841 são módulos para “switch”, com correta classificação fiscal 8473.30.49, relativa a circuitos impressos com componentes elétricos ou eletrônicos, montados, partes e acessórios das máquinas da posição 8471. Os equipamentos WS G5484 e VIP2 50 são interfaces para roteador e switch, partes e acessórios das máquinas da posição 8471, diferentemente do que entendeu a fiscalização. Os equipamentos WS C3524, WS 3548, WS C1924, WS 2924C, WS C1912C, WS C2828 e WS X2818 e o módulo MC 3810 não foram identificados por laudo oficial, razão pela qual não cabe exigência tributária. Lançamento Procedente em Parte Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a interessada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. Dado que o montante exonerado é superior ao limite fixado na Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008, foi apresentado recurso de ofício. É o Relatório Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento dos recursos, que preenchem os requisitos para sua admissibilidade. Analiso separadamente cada um dos pontos sobre os quais deve este Colegiado se manifestar. 1 Preliminarmente Sustenta a recorrente que o auto de infração seria nulo em razão de três fundamentos: a) a descrição dos fatos se apresentaria insuficiente, b) o auto se basearia em presunções infundadas, c) haveria falha na capitulação legal. Prova de tais alegações seria o Fl. 2753DF CARF MF Impresso em 25/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10314.005814/200310 Acórdão n.º 3102001.542 S3C1T2 Fl. 2.740 7 fato do acórdão ter afastado parcela da exigência em razão da exatidão da classificação declarada pela recorrente. Argumenta, assim, que o Fisco não aprofundara suficientemente suas verificações e cita jurisprudência dos extintos Conselhos de Contribuintes que referendariam sua tese. Com o devido respeito, não vejo como acatar tal pleito. Em primeiro lugar, como bem destacado pelo acórdão de primeira instância, a autoridade autuante descreveu os elementos de que dispunha para chegar à convicção de que os produtos teriam sido classificados incorretamente e fez remissão expressa às soluções de consulta que forneceriam os fundamentos técnicojurídicos para tais conclusões. Apontou, ademais, o código das classificações empregadas pelo sujeito passivo em declarações diversas da que teriam sido alvo de exigência fiscal, bem assim a remissão a catálogos fornecidos pelo sujeito passivo. A soma de tais elementos, como é possível concluir a partir da análise das peças impugnatórias, máxime após a produção de perícia técnica, permitiu o pleno exercício do direito de defesa. Quando se trata de discutir nulidade procedimental, entendo salutar tomar como referência a lição de Bedaque2: “...De fato, a observância da técnica é fundamental para que o método estatal de solução de controvérsias cumpra com êxito sua função. O problema está nos exageros. Tudo que é levado às últimas conseqüências acaba produzido efeitos perversos. A técnica processual deixa de ser fator de segurança e se transforma em fim, adorando a sua própria imagem. Necessário evitar que isso ocorra, pois ela está prestes a cair no lago. É preciso considerar, portanto, as situações em que a falta de um pressuposto do processo não afeta os valores a serem assegura dos por ele, nem impede a solução adequada no âmbito material. Nem sempre a ausência de requisito de admissibilidade do exame de mérito compromete a segurança e a ordem, devendo essas situações ser solucionadas à luz dos objetivos visados pelo instrumento, não em função da forma em si mesma considerada. Cabe ao processualista dizer em que medida a violação da técnica pode ser relevada, porque não afetados os valores assegurados pelo processo.” É preciso firmar, ainda, que essa abordagem, encontrase dogmatizada nos artigos 60, do Decreto nº 70.235, de 19723 e 55, da Lei nº 9.784, de 19994, este último aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal. 2 Bedaque, José Roberto dos Santos. Efetividade do Processo e Técnica Processual. São Paulo. Malheiros, 2006, pp 82 e 83. Fl. 2754DF CARF MF Impresso em 25/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10314.005814/200310 Acórdão n.º 3102001.542 S3C1T2 Fl. 2.741 8 Indiscutivelmente, situações há em que tal prejuízo (ou ameaça) presumese jure et de jure, taxativamente elencadas nos incisos I e II do art. 59 do Decreto 70.235/725. Sendo certo que não se discute a competência do agente, hipótese tratada no inciso I, caberia investigar se o alegado descumprimento da forma prescrita em lei efetivamente cerceara o direito de defesa dos sujeitos passivos, hipótese do inciso II. Com efeito, conforme se observa da leitura desse inciso II, em conjunto com o art. 60 do Decreto nº 70.235/72, mesmo quando a lei é taxativa quanto à forma por meio da qual determinado ato processual deve ser executado, o saneamento ou a nulidade só tem vez quando caracterizada prejuízo a interesse processual. Ou seja, mesmo quando a lei estabelece a presunção, transfere ao julgador a análise da validade do ato sob um prisma teleológico, que direciona tal avaliação para o atingimento do resultado, sem a prévia definição da forma. Se, e somente se, caracterizado prejuízo, conforme o caso, tornarseá nulo o procedimento ou ato, ou exigirseá seu saneamento. Caso contrário, não se fala em nenhuma dessas medidas. Registro aqui, por outro lado, a felicidade com que Tércio Sampaio Ferraz Jr6 esclarece os contornos da técnica de avaliação finalística do ato administrativo, em comparação com o que denomina validade condicional7: 16. Distinto é o caso da validação finalista. Aqui não é possível desvincular meios e fins, pois a prefixação dos fins exige que eles sejam atingidos. Para isto a autoridade tem de encontrar os meios adequados, sendo pois, responsável pela própria adequação, ou seja, não só pelos fins, mas pelos meios também. Neste caso, o efeito imunizador da fixação exige da autoridade um comportamento nãoautomático, mas participante, pois de mera utilização de um meio qualquer não segue necessariamente o fim. Neste sentido, para controlar se uma norma é válida não basta regredir no processo hierárquico, mas é preciso verificar, de caso para caso, se a adequação foi obtida. Se o controle da validade condicional é generalizante, o da finalista é casuístico. Feita tal delimitação, restaria, ainda, explorar o significado da expressão “prejuízo” no âmbito processual, elencada no já mencionado art. 60 do Decreto nº 70.235, de 1972. Para tanto, recorro à lição de Teresa Arruda Alvim Wambier8 3 Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. 4 Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração. 5 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. 6 A relação meio/fim na Teoria Geral do Direito Administrativo. texto extraído de http://www.terciosampaioferrazjr.com.br/?q=/publicacoescientificas/111. Consulta realizada em 21/11/2008 7 Considera unicamente o meio de execução, ou seja, a norma que o instituiu. Fl. 2755DF CARF MF Impresso em 25/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10314.005814/200310 Acórdão n.º 3102001.542 S3C1T2 Fl. 2.742 9 A existência de prejuízo está correlacionada com o princípio do contraditório, no sentido de que, não ensejado o contraditório, por ausência de comunicação, configurase, processualmente, prejuízo. Dizse configurarse processualmente prejuízo, já que, em nível do processo, haverseá de ensejar a oportunidade sonegada à parte; no entanto, ainda que proporcionada tal oportunidade, isto não significa que, necessariamente, fique demonstrado um efetivo prejuízo, agora aferido em nível do direito material. Ou seja, nem pelo fato de renovarse ou repetir se o ato decorrerá necessariamente a demonstração de um direito. Partindo dessas referências, não vejo como afirmar que a prática dos atos segundo a forma adotada pelo Fisco prejudicara o contraditório ou o pleno exercício do direito de defesa. Da mesma forma, não vejo como considerar que a mera falha na indicação do dispositivo regulamentar que disciplina a aplicação da multa por falta de licença de importação, por si só, seja suficiente para a decretação de nulidade, principalmente quando esse dispositivo, gizado no regulamento que sucedeu o que vigia no momento dos fatos geradores litigiosos, é praticamente idêntico ao dispositivo revogado. 2 Mérito A principal questão de mérito é a classificação dos produtos importados pela Recorrente, e que pode ser dividida em três grandes grupos: 1 Produtos descritos como “hubs”, mas que, de fato, seriam “switches”; 2 Roteadores, classificados de acordo com a sua velocidade; e 3 Partes e acessórios. Analiso separadamente cada um desses pontos: 2.1 Switches x Hubs A discussão acerca da correta classificação dos produtos em análise, destaquese, diz respeito à sua característica essencial. Segundo descrito nas declarações formuladas pelo sujeito passivo, os produtos teriam a função de “Hub “, classificado no código 8471.80.14 e, segundo o Fisco, de “Switch”, classificado no código 8471.80.19. Confirase o texto da NCM: 8471 MÁQUINAS AUTOMÁTICAS PARA PROCESSAMENTO DE DADOS E SUAS UNIDADES; LEITORES MAGNÉTICOS OU ÓPTICOS, MÁQUINAS PARA REGISTRAR DADOS EM SUPORTE SOB FORMA CODIFICADA, E MÁQUINAS PARA PROCESSAMENTO 8 Nulidades do Processo e da Sentença. São Paulo, RT, 2007, 6ª ed, p. 169. Fl. 2756DF CARF MF Impresso em 25/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10314.005814/200310 Acórdão n.º 3102001.542 S3C1T2 Fl. 2.743 10 DESSES DADOS, NÃO ESPECIFICADAS NEM COMPREENDIDAS EM OUTRAS POSIÇÕES 8471.80 Outras unidades de máquinas automáticas para processamento de dados 8471.80.1 Unidades de controle ou de adaptação e unidades de conversão de sinais 8471.80.12 Controladora de comunicações ("frontend processor") 8471.80.13 Tradutores (conversores) de protocolos para interconexão de redes ("gateways") 8471.80.14 Distribuidores de conexões para redes ("hubs") 8471.80.19 Outras O ponto de partida para a solução dessa controvérsia está na identificação da função principal dos equipamentos importados, que norteará a aplicação da nota 3 da Seção XVI da NCM9. De fato, ambos os equipamentos prestamse a viabilizar a comunicação entre equipamentos de informática conectados em rede, a diferença está no processo por meio do qual esses equipamentos viabilizam esse “tráfego” de dados e na função exercida por cada um. Os hubs prestamse exclusivamente para promover a interligação, enquanto os switches permitem a organização desse “tráfego”. Esta, portanto, é a sua função principal. Assim sendo, os equipamentos que apresentarem a função de switch, para efeito de classificação no SH, não podem receber o mesmo código dos hubs, na medida em que possuem características e funções diversas. Feitas tais considerações, passase às questões sobre as quais cabe manifestação. 2.1.1 Recurso de Ofício O único fundamento para afastar a acusação acerca do erro na indicação da classificação e das multas decorrentes é a alegada insuficiência de laudo técnico capaz de fundamentar a exigência. Confirase trecho do acórdão de primeira instância: WS C3524, WS 3548, WS C1924, WS 2924C, WS C1912C, WS C2828 e WS X2818 e MC 3810 Os equipamentos WS C3524, WS 3548, WS C1924, WS 2924C, WS C1912C, WS C2828 e WS X2818 e o módulo MC 3810 não foram identificados por laudo oficial, razão pela qual não cabe exigência tributária 9 3. Salvo disposições em contrário, as combinações de máquinas de espécies diferentes, destinadas a funcionar em conjunto e constituindo um corpo único, bem como as máquinas concebidas para executar duas ou mais funções diferentes, alternativas ou complementares, classificamse de acordo com a função principal que caracterize o conjunto. Fl. 2757DF CARF MF Impresso em 25/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10314.005814/200310 Acórdão n.º 3102001.542 S3C1T2 Fl. 2.744 11 Com a devida vênia, entendo que tais conclusões devem ser parcialmente revistas, pois, diferentemente do consignado, a grande maioria dos produtos foi identificada pelo perito designado e, o que é mais importante, há catálogos técnicos expedidos pelo seu fabricante que respaldam as conclusões do expert. Confirase a lista dos produtos, as considerações do perito e os elementos que respaldam essas conclusões, relativamente a cada um desses produtos: a) Equipamento WS C1912C e WS C1924 Acerca desses produtos, afirma o perito10: Os switches Catalyst série 1900 podem melhorar a performance da rede de desktop, servidores e backbone, especialmente em redes que utilizam estações de trabalho de alta performance e servidores com grande trafego de arquivos gráficos, audio e vídeo, e necessitam os mesmos recursos da rede para acessar a internet. Notar que à fl. 2.464 foi juntado elaborado um quadro, onde estão listados os equipamentos para os quais tais conclusões se aplicariam, uma imagem desses equipamentos e quais seriam suas configurações Dentre os produtos ali listados estão os switches WS C1912C11 e WS C192412, com descrição idêntica à consignada nas declarações formuladas pelo sujeito passivo e nas faturas comerciais que as acompanham. Mais adiante, nas conclusões, afirma ainda o mesmo perito13: O equipamento da família Catalyst 1900 tratase de um switch com 25 portas Ethernet 10BaseT. Segue trecho do manual técnico. The Catalyst 1900 switches (shown in Figure 11) aio improve network performance to lhe desktop, server, and backbone, especially in networks that use highperfonnance workstations and servers, use bandwidthintensive applications, transfer large graphic, .audio. and video files, and require access to lhe same network resources and Lhe Internet. These switches have up to 25 10BaseT switched Ethernet polis (including the AUI switch port on lhe back panel), each port providing users ar grottps of users dedicated 10Mbps bandwidth to resources within the network. Registra, ainda, a autoridade fiscal que o sujeito passivo, quando da formulação da DI nº 01/09935815, à fl. 1396, instruída com a fatura comercial à fl. 1399, quando da identificação da classificação fiscal do produto WS C 1924, informara o código pretendido na autuação. Ou seja, 8471.80.19. 10 Trecho do laudo à fl. 2463 11 Vide DI nº 99/ 01935881, à fl. 1977, instruída com a fatura comercial à fl. 1979; e DI nº 99/05563881, à fl. 2133, instruída com a fatura comercial à fl. 2.135. 12 Vide DI nº 01/00653345, à fl. 730, instruída com a fatura comercial à fl. 733; e DI nº 99/05563881, à fl. 2.133, instruída com a fatura comercial à fl. 2.135. 13 Fl. 2477 Fl. 2758DF CARF MF Impresso em 25/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10314.005814/200310 Acórdão n.º 3102001.542 S3C1T2 Fl. 2.745 12 Finalmente, a leitura das faturas comerciais já indicadas anteriormente é bastante esclarecedora. Confirase (original não destacado): WS C1912CA/12 Port 10BaseTSwitch b) WS 2924C Acerca desse produto, informa o perito14: A série Catalyst 2900 XL é um switch que fornece sensibilidade automática 10BaseT ou 100BaseT para todos os pontos de conexões. A série de switch Catalyst 2900 XL faz parte de um extenso sistema de rede de empilháveis, LAN e WAN modulares, produtos que aumentam o desempenho da LAN, que conectam escritórios remotos e usuários, e fornecem um acesso seguro. Dentre os produtos para os quais essas conclusões se aplicariam está expressamente citado o switch WS 2924C, descrito de maneira semelhante nas declarações formuladas pelo sujeito passivo15. Mais adiante, nas conclusões, afirma 16 O equipamento da família Catalyst 2900 XL tratase de um switch. Segue trecho retirado do manual técnico c) WS C2828A17 Acerca desse produto, afirma o perito designado18: A série Catalyst 2820 de switches Ethernet pode fornecer até 25 portas de 10 Mbps, sendo, 24 portas a 10Mbps para conexões 10BaseT de dispositivos compatíveis, e 1 conector AUI de 10Mbps. Através do uso de módulos opcionais o Catalyst 2820, pode também aumentar o desempenho de grandes e pequenos grupos de trabalho fornecendo 100BaseT Ethernet, FDDI, ATM e conectividade para 110 servidores e backbones. Os WS C2828A e WSC2828EN suportam 8192MAC cache de endereçamento compartilhados entre todos os portos comutados. Mais adiante, nas conclusões, afirma19: Família Catalyst 2820 O equipamento da família Catalyst 2820 tratase de um switch com até 25 conexões Ethernet de 10 Mbps. Segue trecho do manual técnico. The Catalyst 2820 series Ethernet switches can provide up to 2.5 10Mbps switched thernet connections. 14 Fl. 2465. 15 Vide DI 01/00653345, à fl. 730 e 01/09935815, à fl. 1396. 16 Fl 2477. 17 DI nº 99/05563881, à fl. 2.134 18 Trecho à fl. 2464 19 Trecho à fl. 2477. Fl. 2759DF CARF MF Impresso em 25/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10314.005814/200310 Acórdão n.º 3102001.542 S3C1T2 Fl. 2.746 13 d) WS C3524 XL e WS 3548 XL Acerca dos equipamentos Catalist 3500, diz o manual à fl. 2466 (original não destacado) The Catalyst 3500 series XL switches—also referred to as Catalyst 3500 XL switches—are stackabie 10/100 Ethernet switches to which you can connect workstations and Cisco IP Phones and other network devices such as servers, routers, and other switches. These switehes also can be deployed as backbone switches, aggregating 10/100 and Gigabit Ethernet traffic from other network devices. A feature specific to the Catalyst 3524 PWR XL switch is its ability to provide inline power to Cisco IP Phones. (Phone adapters are not required when connecting to the Catalyst 3524PWR XL 10/100 switch ports.) Notar que à fl. 2.467 há um quadro onde estão listados os equipamentos para os quais tais conclusões se aplicariam, uma imagem desses equipamentos e quais seriam suas configurações e, à fl. 2.486, uma foto do equipamento WS 3548 XL. Dentre os produtos para os quais essas conclusões se aplicariam estão expressamente citados os switches WS 3524 XL20 e WS 3548 XL21, descritos na declarações formuladas pelo sujeito passivo e nas faturas comerciais que a instruem. Com relação às conclusões do perito, destacase22: Família Catalyst 3500 XL O equipamento da família Catalyst 3500 XL tratase de um switch. Segue trecho retirado do manual técnico The Catalyst 3500 series XL switelies also refetted to as Catalyst 3500 XL switches are stackab/e 10/100 Ethernet switches to which you can connect workstations and Cisco IP Phones and other network devices such as servers routers. and other e) WS X2818 Com relação ao equipamento WS X2818, razão assiste ao órgão julgador a quo: não há elementos no processo que viabilizem a identificação das características do produto. Consequentemente, não é possível verificar se a classificação indicada pelo sujeito passivo estaria incorreta. Também não foi possível promover tais investigações por ocasião da realização da perícia. 23 f) MC 3810 20 DI 00/09257483 e fatura comercial às fls. 1052 e 1054, respectivamente. 21 DI nº 01/00202009, fl. 719 e Fatura comercial à fl. 725; DI nº 01/09935815, fl. 1396 e fatura comercial à fl. 1399; DI nº 01/11151010, fl. 1459 e Fatura Comercial à fl. 1461. 22 Trecho do Laudo à fl. 2478. 23 Vide trecho do laudo técnico à fl. 2480 Fl. 2760DF CARF MF Impresso em 25/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10314.005814/200310 Acórdão n.º 3102001.542 S3C1T2 Fl. 2.747 14 Por motivo diverso, entendo que a fração da exigência fundada no suposto erro de classificação do produto identificado como MC 3810, deva ser afastada. Veja a descrição dos fatos consignada pela a autoridade autuante: Os equipamentos que têm na sua descrição o códigoprefixo "WS" foram considerados equipamentos "switch", juntamente com o equipamento MC3810. Em sentido diverso, aponta o engenheiro designado24 O roteador MC3810 é um roteador digital com velocidade de interface serial de pelo menos 4 Mbits/s? O equipamento acima, tratase de um roteador multiserviços. O termo designado para multiserviços é que o roteador em questão possui entradas para sinais de dados, voz/fax e de video. (...) O chassis base do roteador multiserviços possui duas interfaces seriais (Serial 0 e Serial 1). Estas interfaces suportam o padrão V.35, como segue abaixo. Desta forma, se for utilizada uma única porta, os roteadores MC3810 poderão atingir até 4 Mbits/s. Ausentes os fundamentos fáticos que dariam suporte à exigência, não há como considerála procedente. 2.1.2 Recurso Voluntário Com relação aos produtos cuja classificação foi mantida pelo órgão a quo, o perito chegou às seguintes conclusões: a) Catalist 190025 O equipamento da família Catalyst 1900 tratase de um switch com 25 podas Ethernet 10BaseT. Segue trecho do manual técnico. The Catalyst 1900 switches (shown in Figure 11) improve network performance to lhe desktop, server, and backbone, especially in networks that use highperfonnance workstations and servers, use bandwidthintensive applications, transfer large graphic, audio. and video files, and require access to lhe same network resources and Lhe Internet. These switches have up to 25 10BaseT switched Ethernet polis (including the AUI switch port on lhe back panel), each port providing users ar grottps of users dedicated 10Mbps bandwidth to resources within the network. b) Catalyst 282026: 24 Trecho à fl. 2225 25 Trecho à fl. 2477 Fl. 2761DF CARF MF Impresso em 25/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10314.005814/200310 Acórdão n.º 3102001.542 S3C1T2 Fl. 2.748 15 O equipamento da família Catalyst 2820 tratase de um switch com até 25 conexões Ethernet de 10 Mbps. Segue trecho do manual técnico. The Catalyst 2820 sedes Ethernet switches can pmvide up to 25 10Mbps switched thernet connections. c) Catalyst 290027 O equipamento da família Catalyst 2900 XL tratase de um switch. Segue trecho retirado do manual técnico The catalyst 2900 XL swtches have these features: • Autonegotiates speed and duplex operation on ali 10/100 ports • Operates in fullduplex modo ou ali 100BASEFX ports. • Checks for errors on a reeeived packet, determines the destination port, stores the packet in shared memory, and then forwards the packet to the destination port c) Catalyst 294828 O equipamento da família Catalyst 2948 G tratase de um switch. Segue trecho do manual técnico. The Catalyst 2948G. 2948GETX, and 2980 switches interface with networking equipment using Ethernet (10BASET). Fast Ethernet (100BASET) and Gigabit Ethernet (1000BASET) interfaces. d) Catalyst 295029 O equipamento da família Catalyst 2950 tratase de um switch. Segue trecho retirado do manual técnico The Catalyst 2950 switches are a family of Ethernet switches that you can use to connect workstations and other network devices, such as servers, routers, and other switches. e) Catalyst 3500 XL30 O equipamento da família Catalyst 3500 XL tratase de um switch. Segue trecho retirado do manual técnico The Catalyst 3500 series XL switelies—also refetted to as Catalyst 3500 XL switches—are stackab/e 10/100 Ethernet switches to which you can connect workstations and Cisco IP 26 Trecho à fl. 2477 27 Trecho à fl. 2477 28 Trecho à fl. 2478 29 Trecho à fl. 2478 30 Trecho à fl. 2478 Fl. 2762DF CARF MF Impresso em 25/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10314.005814/200310 Acórdão n.º 3102001.542 S3C1T2 Fl. 2.749 16 Phones and other network devices such as servers,routers and others switches f) Catalyst 392031 O equipamento da família Catalyst 3920 tratase de um switch. Segue trecho C t retirado do manual técnico. The Catalyst 3920 switch support these network management features: • Simple Network Management protocol (SNMP) • Remote Monitoring (RMON) • Switch Port Analyzer (SPAN) • Soft Error Monnoting and Remove Adapter support g) Catalyst 400632 O equipamento da família Catalyst 4006 tratase de um switch. Segue trecho de documentação extraída do site do fabricante. Cisco Systems announces the end of life of the Cisco Catalyst 4006 switch, Cisco Catalyst 4000 Supervisor Engine II and associated and bundles. The last day to order the Cisco Catalyst 4006 and Catalyst 4000 Supervisor Engine II is May 3.2005. h) Catalyst 500033 O equipamento da família Catalyst 5000 tratase de um equipamento modulado, podendo assumir diferentes configurações, dentre as configurações possíveis, ele pode realizar a função de um switch router mas para isso são necessários módulos específicos (WSX5302 e VIP2) do contrário sua função é restrita a um switch. Cabe informar que dentre os equipamentos analisados nenhum dos equipamentos possuí tais módulos descritos (WSX5302 e VIP2), sendo todos Switches. Segue trechos retirados do manual técnico. i) Catalyst 851034 O Catalyst 8510 tratase de um ATM switch modular. O chassi do equipamento possui cinco slots que suportam até 32 portas 10/100/1000 Fast Ethernet, ou quatro portas Gigabit Ethernet. O ATM switch trabalha com a camada 02 com gerenciamento tanto local como remoto. 31 Trecho à fl. 2478 32 Trecho à fl. 2479 33 Trecho à fl. 2479 34 Trecho à fl. 2476 Fl. 2763DF CARF MF Impresso em 25/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10314.005814/200310 Acórdão n.º 3102001.542 S3C1T2 Fl. 2.750 17 Na esteira do que já foi explicitado anteriormente, todos os produtos em análise possuem a função de switch e, como tal, devem ser classificados no subitem 8471.80.19, como, aliás, tem se manifestado a jurisprudência do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes e este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Confirase, a propósito: a) Acórdão n° 30133.26535 Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 19/02/2001 Ementa: CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO E IMPOSTO SOBRE PRODUTO INDUSTRIALIZADO. EQUIPAMENTO WSC3524XLEN – “SWITCH”. Correta a classificação fiscal no código NCM 8471.80.19. b) Acórdão 320100.50636 ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 28/12/2001 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CHAVEADORES (SWITCHES) PARA REDES DE COMPUTADORES. Erro de classificação fiscal dos produtos, justifica o lançamento de ofício da diferença dos tributos, da multa de oficio, com os respectivos acréscimos legais; bem como aplicação da multa regulamentar, tendo em vista declaração inexata. Classificação fiscal correta é a NCM 8471.80.19. 2.2 – Roteadores O ponto crucial para a solução do litígio acerca da classificação de roteadores é a faixa de operação, essencial para definir o subitem no qual deverá o produto ser classificado. Confirase os desdobramentos do item da NCM eleito tanto pelo Fisco quanto pelo sujeito passivo: 8517 APARELHOS ELÉTRICOS PARA TELEFONIA OU TELEGRAFIA, POR FIO, INCLUÍDOS OS APARELHOS TELEFÔNICOS POR FIO CONJUGADO COM APARELHO TELEFÔNICO PORTÁTIL SEM FIO E OS APARELHOS DE TELECOMUNICAÇÃO POR CORRENTE PORTADORA OU DE TELECOMUNICAÇÃO DIGITAL; VIDEOFONES 8517.30 Aparelhos de comutação para telefonia e telegrafia 35 Julgado em 18/10/2006, unânime, Conselheira Susy Gomes Hofman 36 Julgado em 01/07/2010, unânime, Conselheira Mércia Helena Trajano D’Amorim. Fl. 2764DF CARF MF Impresso em 25/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10314.005814/200310 Acórdão n.º 3102001.542 S3C1T2 Fl. 2.751 18 8517.30.6 Roteadores digitais 8517.30.61 Do tipo "Crossconect" de granularidade igual ou superior a 2 Mbits/s 8517.30.62 Com velocidade de interface serial de pelo menos 4 Mbits/s, próprios para interconexão de redes locais com protocolos distintos 8517.30.69 Outros O dissenso, como se verifica na descrição dos fatos e nas peças de impugnação e recursal, está concentrado no nível de subposição: a recorrente defende que o código correto para classificação dos produtos é o 8517.30.62 e o Fisco, o 8517.30.69. A diferença entre os dois códigos, como é possível verificar decorre da velocidade de interconexão: o código pretendido pelo sujeito passivo só se presta a classificar roteadores que alcancem 4 Mbits/s. Os que alcançarem uma faixa de operação inferior, devem empregar o código apontado pelo Fisco. Feitas tais considerações, passase às questões sobre as quais cabe manifestação. 2.2.1 Recurso de Ofício Fixou o órgão a quo a interpretação de que os equipamentos CISCO 1700, 2500, 2600, 3600, 3810, 4500, 4700, 7120, 7200 e 7500 deveriam se enquadrar no código tarifário 8517.30.62, pois atingiriam a velocidade mínima exigida para classificação nesse subitem. De fato, tal conclusão está alinhada com as identificações apontadas pelo expert. Confirase: a) Cisco 1700, 2600 e 3600: Acerca dos roteadores da família 1700, afirma o engenheiro certificante: Sendo assim, a velocidade de interface serial está diretamente ligada à quantidade de placas instaladas, desta forma caso tenha um slot preenchido com uma placa WIC2T, a velocidade do roteador poderá ser configurada para atingir até 4 Mbits/s. Caso os dois slots forem preenchidos com duas placas WIC2T, a velocidade do roteador poderá ser configurada para atingir até 8 Mbits/s. Por outro lado, com relação aos equipamentos da família 260037 A velocidade de interface serial está diretamente ligada A quantidade de placas instaladas, desta forma caso tenha um slot preenchido com uma placa WIC2T a • velocidade do roteador poderá ser configurado para atingir até 4 Mbits/s. 37 Trecho à fl. 2.227. Fl. 2765DF CARF MF Impresso em 25/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10314.005814/200310 Acórdão n.º 3102001.542 S3C1T2 Fl. 2.752 19 Os roteadores Cisco 2612, 2610, 2610 XM, 2620 2621 XM, 2650, 2650 XM são roteadores multiserviços que permitem a instalação de 02 (duas) placas WIC e o modelo 2691 permite a instalação de 03 (três) placas WIC. Finalmente, no que se refere aos equipamentos da família 360038 Os roteadores 3620, 3640 e 3660 são roteadores multiserviços digitais. Segue abaixo uma tabela com a velocidade que poderá ser configurada em cada uma das placas de interface serial. Modelo Velocidade das placas WIC2T 4 Mbits/s NM4T 8 Mbits/s NM1HSSI 52 Mbits Especificamente em relação a essas três famílias, podese concluir que a velocidade é definida pela incorporação de placas de interface e com relação a esse aspecto, entendo relevante destacar três pontos. Em primeiro lugar, compulsando o relatório fiscal chegase à conclusão de que a autoridade autuante não teceu qualquer consideração a esse aspecto. Em segundo, tratando especificamente das famílias 1700 e 2600, que foram alvo de laudo técnico decorrente da seleção da Declaração de Importação nº 02/02139780, o engenheiro designado pela RFB afirmou39: 1) As mercadorias examinadas modelos: cisco 1720, cisco 2620, cisco 2621, cisco 2611 e cisco 1750 são roteadores digitais com velocidade de interface serial de pelo menos 4 Mbits/s, próprio para interconexão de redes locais com protocolos distintos R.: As mercadorias que vieram com as placas de WIC1T e WIC 2T, podem ampliar a velocidade de interface serial até 8 Mbits/s, segundo o catalogo técnico, essas placas pertencem a um grupo de opcionais, portanto, conforme a necessidade, sua programação pode fazer com que essa velocidade pode ser ampliada ou reduzida. Nessa linha, ponderando os elementos carreados ao processo, é possível admitir que a incorporação dessa placa serial teria o mesmo efeito sobre os equipamentos 3600. Em terceiro, até onde este relator pôde verificar, por meio da análise dos extratos de declarações de importação, havia a descrição da incorporação das placas em questão. b) Cisco 2500 38 Fl. 2.229 39 Cópia à fl. 743. Fl. 2766DF CARF MF Impresso em 25/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10314.005814/200310 Acórdão n.º 3102001.542 S3C1T2 Fl. 2.753 20 Os roteadores da família Cisco 2500, modelos 2501, 2502, 2503, 2504, 2513, 2514 e 2515 são roteadores digitais com velocidade de interface serial podendo ser configurado para atingir até 4 Mbits/s. Todos os roteadores possuem 2 (duas) portas seriais conforme tabela abaixo e estas portas são fixas no roteador. c) Cisco 3810 O equipamento 3810, conforme já explicitado anteriormente, é predominantemente um roteador e atinge velocidade de pelo menos 4 Mbits/s. d) Cisco 4500 e 4700 Com relação aos roteadores 4500 e 4700, em que pese a inconclusividade do laudo técnico, não vejo como manter a exigência, em razão de que, a acusação do Fisco está igualmente maculada de imprecisão. Com efeito, analisando a resposta do Sr. Perito, vêse que é apontada uma característica que, salvo melhor juízo, não pode ser verificada nos documentos acostados aos autos. Confirase a pergunta formulada e a resposta do expert: 6 Os roteadores da família CISCO 4500 ou 4700 são roteadores digitais com velocidade de interface serial de pelo menos 4 Mbits/s quando possuem uma placa serial NP4T? O roteador digital Cisco 4500 ou 4700 é um roteador digital onde a velocidade do roteador poderá ser configurada para atingir até 16 Mbits/s, uma vez que a placa NP4T possui 04 (quatro) interfaces seriais. Ocorre que, compulsando os autos não se localiza qualquer despacho formulado pela recorrente em que se indique que o produto importado teria sido configurado a partir da incorporação do referido módulo NP4T. De fato, a relação de declarações de importação relativas aos bens objeto do presente litígio40 não contempla os roteador da família 4700. Por outro lado, as declarações de importação onde o roteador 4500 é descrito indicam a incorporação do módulo NP2T. Evidentemente, isso não é suficiente para inferir que o módulo explicitamente incorporado não faria com que o produto não atingisse a velocidade fixada no subitem almejado pelo sujeito passivo. Assim, por motivo diverso do alegado, julgo que o órgão a quo andou bem ao afastar a fração da exigência fundada na reclassificação desses roteadores. e) 7120 40 Fls. 213 a 251 Fl. 2767DF CARF MF Impresso em 25/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10314.005814/200310 Acórdão n.º 3102001.542 S3C1T2 Fl. 2.754 21 Com relação ao roteador 7120 4T1, descrito na relação de declarações de importação à fl. 231, afirma o perito41: O roteador da família Cisco série 71204T11 é um roteador digital com interface serial de no máximo 52 Mbits/s próprios para interconexão de redes locais com protocolos distintos f) 7200 e 7500 Com relação ao roteador da família 7200 (7204 VXR), descrito na relação de declarações de importação à fl. 232, afirma o perito42: Os roteadores digitais da série Cisco 7200 podem ser de dois modelos: Cisco 7204VXR e Cisco 7206VXR. O roteador Cisco 7204VXR possui quatro slots para conexão de placas, enquanto que o roteador Cisco 7206VXR possui seis slots para conexão de placas, como foi mostrado na tabela acima. Segue abaixo uma tabela com a velocidade que poderá ser configurada em cada uma das placas de interface serial: Modelo Velocidade das placas PA4T 16 Mbits/s PA8TV.35 32 Mbits/s PAH 52 Mbits/s PA2H 104 Mbits/s g) 7500 Já com relação aos roteadores da família 7500, afirma o perito43 Os roteadores digitais da série Cisco 7500 podem ser de três modelos: Cisco 7505, Cisco 7507 e Cisco 7513. O roteador Cisco 7505 possui quatro slots para conexão de placas. O roteador Cisco 7507 possui cinco slots para conexão de placas, enquanto que o roteador Cisco 7513 possui onze slots para conexão de placas, como mostra a tabela abaixo: (...) Segue abaixo uma tabela com a velocidade que poderá ser configurada em cada uma das placas de interface serial: Modelo Velocidade das placas PA4T 8 Mbits/s PA8TV.35 16 Mbits/s 41 Trecho à fl. 2475 42 Trecho à fl. 2231 43 Trecho à fl. 2231/2232 Fl. 2768DF CARF MF Impresso em 25/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10314.005814/200310 Acórdão n.º 3102001.542 S3C1T2 Fl. 2.755 22 PAH 52 Mbits/s PA2H 104 Mbits/s 2.2.2 Recurso Voluntário Com relação à classificação dos roteadores, há que se analisar, ainda, o recurso voluntário relativo ao Cisco 1600. Nesse aspecto, faço coro com o acórdão recorrido: A característica essencial para a solução do litígio, ou seja, a velocidade de interconexão, foi investigada no bojo do processo de consulta levado a cabo por meio da decisão 2144, e, diferentemente dos demais equipamentos, não foi trazido aos autos eventuais diferenças de configuração que pudessem infirmar a convicção acerca do fato de que, efetivamente, o produto não alcança 4Mbits/s. Por outro lado, diferentemente do afirmado, a solução de consulta 13/2002 não altera essa premissa. Confirase a ementa: 8517.30.69 Roteadores digitais modulares da série Cisco 1600, com 1 porta LAN Ethernet 10BaseT ou AUI, 1 porta WAN serial síncrona/assíncrona e 1 slot de expansão disponível para interface WAN (modelo Cisco 1601), com 1 porta LAN Ethernet 10BaseT ou AUI, 1 porta WAN serial síncrona e 1 slot de expansão disponível para interface WAN (modelo Cisco 1602), com 1 porta LAN Ethernet 10BaseT ou AUI, 1 porta WAN ISDN BRI S/T e 1 slot de expansão disponível para interface WAN (modelo Cisco 1603), com 1 porta LAN Ethernet 10BaseT ou AUI, 1 porta WAN ISDN BRI U, 1 porta WAN ISDN SBUS e 1 slot de expansão disponível para interface WAN (modelo Cisco 1604), com 2 portas LAN Ethernet 10BaseT ou AUI e 1 slot de expansão disponível para interface WAN (modelo Cisco 1605R), fabricante Cisco Systems. Correta, portanto, a reclassificação do produto para o código 8517.30.69. 2.3 Módulos A discussão acerca da correta classificação dos módulos WS X5225R, WS X2841, WS G5484 e VIP2 50 concentrase na identificação de sua aplicação. A partir dessa investigação, será possível concluir se está diante de partes e acessórios para máquinas e equipamentos das posições 8469 a 8472, classificadas nas posições 8473.30.49, como afirma o sujeito passivo, ou 8517.90.99, como pretende o Fisco, ou ainda em terceira posição diversa da adotada pelo sujeito passivo 8517.90.10. Com relação a esse ponto, como bem destacado pela decisão a quo, há que se considerar as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado, quando tratam da posição 8473: 84.73 PARTES E ACESSÓRIOS (EXCETO ESTOJOS, CAPAS E SEMELHANTES) RECONHECÍVEIS COMO EXCLUSIVA OU 44 Fls. 258 e seguintes. Fl. 2769DF CARF MF Impresso em 25/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10314.005814/200310 Acórdão n.º 3102001.542 S3C1T2 Fl. 2.756 23 PRINCIPALMENTE DESTINADOS ÀS MÁQUINAS E APARELHOS DAS POSIÇÕES 84.69 A 84.72. Ressalvadas as disposições gerais relativas à classificação das partes (ver as Considerações Gerais da Seção), a presente posição compreende as partes e acessórios que se destinam exclusiva ou principalmente às máquinas ou aparelhos das posições 84.69 a 84.72. Os acessórios desta posição podem consistir quer em órgãos de equipamentos intercambiáveis que permitam adaptar as máquinas a um trabalho determinado, quer em mecanismos que lhes confiram possibilidades suplementares, quer ainda em dispositivos que assegurem um serviço determinado relacionado com a função principal da máquina. Classificamse, entre outros, aqui: (...) 9)Os módulos de memória eletrônicos (por exemplo, os módulos SIMM (Single Inline Memory Modules) e os módulos DIMM (Dual Inline Memory Modules), reconhecidos como exclusiva ou principalmente destinados às máquinas automáticas para processamento de dados, que não sejam constituídos por componentes discretos, tal como é requerido pela Nota 5 B) c) do Capítulo 85, e que não tenham uma função própria. 2.3.1 Recurso de Ofício a) Módulo WSG5484 Módulo WSG5484 O módulo WSG5484 tratase de uma interface conversora para rede óptica para ser utilizada em switches, roteadores e dispositivos de transferência óptica. Consoante tabela às fls. 213 e seguintes, mais especificamente no trecho à fl. 240, consigna a autoridade fiscal, o produto em análise deveria ser classificado como Switch, código 8471.80.19. Ocorre que, como se viu, ex vi das NESH da posição 8473, os produtos intercambiáveis devem ser classificados naquela posição. Surgindo uma terceira classificação, andou bem o órgão recorrido em afastar essa parcela da exigência, sob pena de se violar o § 3º do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 197245. b) Módulo VIP25046 45 § 3º Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. 46 Trecho à fl. 2482. Fl. 2770DF CARF MF Impresso em 25/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10314.005814/200310 Acórdão n.º 3102001.542 S3C1T2 Fl. 2.757 24 O módulo VIP250 tratase de uma interface de processamento para ser utilizada em roteadores e switches. Segue trecho do manual técnico. Consoante tabela à fl. 243, a autoridade autuante opinou pela reclassificação do produto para o código 8517.90.99, própria para outras partes de produtos da posição 8517. Ora, se como se, como se viu, os módulos intercambiáveis devem ser classificados na posição 8473, mais uma vez, andou bem o órgão a quo em afastar essa parcela da exigência. 2.3.2 Recurso Voluntário a) Módulo WSX5225R Com relação ao módulo WS 5225R, afirma o perito47 O módulo WSX5225R tratase de um módulo de comutação Fast Ethernet para ser utilizado em switch, que oferece 24 portas comutadas 10/100 Mbps. Segue trecho retirado do manual. b) Módulo WSX2841 Afirma o perito48 O módulo WSX2841 tratase de módulo de expansão para switch, sendo um distribuidor de dados por fibra com taxa de transferência de 10Mbps por meio de cabeamento de fibra óptica. O texto da posição 8517 e seus desdobramentos é claro: 8517 APARELHOS ELÉTRICOS PARA TELEFONIA OU TELEGRAFIA, POR FIO, INCLUÍDOS OS APARELHOS TELEFÔNICOS POR FIO CONJUGADO COM APARELHO TELEFÔNICO PORTÁTIL SEM FIO E OS APARELHOS DE TELECOMUNICAÇÃO POR CORRENTE PORTADORA OU DE TELECOMUNICAÇÃO DIGITAL; VIDEOFONES 8517.90 Partes 8517.90.10 Circuitos impressos com componentes elétricos ou eletrônicos, montados 8517.90.9 Outras 8517.90.9 Outras 8517.90.91 Mecanismos de impressão por sistema térmico ou a "laser", para aparelhos de facsímile 8517.90.92 Bastidores e armações 47 Trecho à fl. 2480. 48 Trecho à fl. 2481. Fl. 2771DF CARF MF Impresso em 25/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10314.005814/200310 Acórdão n.º 3102001.542 S3C1T2 Fl. 2.758 25 8517.90.93 Registradores e seletores para centrais automáticas 8517.90.94 Transdutores piezoelétricos próprios para aparelhos telefônicos 8517.90.99 Outras A partir do laudo técnico, dúvida não há, em primeiro lugar, que os produtos cuja reclassificação foi ratificada pelo acórdão recorrido são partes das máquinas da posição 8517. Correto, portanto, o emprego da subposição 8517.90. Igualmente extreme de dúvidas é o fato de os módulos não são meros circuitos impressos, máxime em razão da nota 4 do capítulo 8549, pois representam equipamentos com uma agregação de funcionalidades não admitidas na nota, o que inviabiliza sua classificação no item 8517.90.10. Assim, não havendo, dentre os subitens do item 8517.90.9 qualquer descrição que ampare os produtos identificados, correta é a classificação no subitem 8517.90.99. 2.4 – Mudança de Critério Jurídico Demonstrado que alguns produtos devem ser reclassificados, cabe registrar a higidez de tal reclassificação. Como já destacado anteriormente, aduz o sujeito passivo que a classificação empregada não poderia ser revista. Tal insurreição está concentrada na alegação de que o lançamento promovido, decorrente da reclassificação da mercadoria promovida de ofício, alegadamente fundada em “erro de direito” por parte do Fisco, representaria alteração de critério jurídico e, consequentemente, violação ao art. 146 do Código Tributário Nacional50. Invocase, para tanto, a dicção da Súmula 227 do extinto Tribunal Federal de Recursos51. Penso que tal pleito não pode prosperar. Há que se recordar, incialmente, que a melhor doutrina já se manifestou acerca da impossibilidade de se isolar o chamado “erro de direito”. Vejase, à guisa de exemplo, a lição de Souto Maior Borges52 “[...} rigorosamente falando, a distinção entre o direito e o fato não é realizável, porque só é relevante o fato qualquer fato natural enquanto juridicamente qualificado, ou seja, enquanto corresponde ao conceito de fato jurídico, algo inteiramente diverso do fato natural “bruto”. Os fatos naturais são, pois, 49 4. (...) A expressão circuitos impressos não compreende os circuitos combinados com elementos diferentes dos obtidos no decurso do processo de impressão, nem as resistências, condensadores ou indutâncias discretos. Todavia, os circuitos impressos podem estar providos de elementos de conexão não impressos. 50 Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. 51 "A mudança de critério jurídico adotado pelo fisco não autoriza a revisão de lançamento". 52 Borges, José Souto Maior. Lançamento Tributário. São Paulo. Malheiros, 2ª ed., p. 274. Fl. 2772DF CARF MF Impresso em 25/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10314.005814/200310 Acórdão n.º 3102001.542 S3C1T2 Fl. 2.759 26 selecionados e subsumidos às normas jurídicas que lhes forem aplicáveis. E estas, de sua vez, para sua aplicação, também são selecionadas em função da estrutura do caso concreto. Por isso, averbouse, elegantemente, que ao se considerar a questão de fato está presente e relevante a questão de direito; ao se considerar a questão de direito não se pode prescindir da solidária influência da questão de fato. Há, pois, nesse sentido, não só uma solidariedade, mas também uma indivisibilidade entre a questão de fato e a questão de direito. (os destaques não constam do original) Para outros autores, ainda que se admita a distinção entre erro de fato e de direito, o art. 146 não produz o efeito almejado. Acerca desta segunda corrente, confirase: Hugo de Brito Machado53: O art. 146 do CTN, que veda a revisão do lançamento tributário em razão de mudança de critérios jurídicos, não se aplica ao erro de direito, porquanto se tratam de fenômenos distintos: o erro de direito ocorre quando não seja aplicada a lei ou quando a má aplicação desta seja notória e indiscutível, enquanto a mudança de critério jurídico ocorre, basicamente, com a substituição, pelo órgão de aplicação do direito, de uma interpretação por outra, sem que se possa dizer que qualquer delas seja incorreta. Napoleão Nunes Maia Filho54: Não importa ao exercício da atividade administrativa de revisão do lançamento a circunstância de se tratar de lançamento eivado de erro de fato ou de direito, porque em qualquer hipótese sempre deverá prevalecer a supremacia da lei sobre o ato administrativo viciado. Ou seja, ainda que caracterizado como erro de direito, este autorizaria revisão do ato viciado, não se confundindo, portanto, com mudança de critério jurídico. De qualquer forma, há que se reconhecer que o lançamento dos tributos devidos na importação, principalmente após o advento do Sistema Integrado do Comércio Exterior, se insere na modalidade “por homologação”, onde todas as informações são transmitidas pelo sujeito passivo e homologadas tacitamente por decurso de prazo ou expressamente, após a realização da competente revisão aduaneira. Confirase, nessa linha, a redação da Seção II, do Capítulo II, do Título II, do Decretolei nº 37, de 1966, segundo a redação fornecida pelo Decretolei nº 2.472, de 1988: Seção II Conclusão do Despacho Art.54 A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo 53 Temas de direito tributário. São Paulo: Ed. Revista dos Tribunais, 1993, p. 107. 54 Competência para retificação do lançamento tributário. Revista Dialética de Direito Tributário, no 43, São Paulo: Dialética, julho de 1999, p. 59. Fl. 2773DF CARF MF Impresso em 25/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10314.005814/200310 Acórdão n.º 3102001.542 S3C1T2 Fl. 2.760 27 importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art.44 deste Decreto Lei. Não se pode confundir, portanto, o desembaraço aduaneiro com a homologação do lançamento, promovida em sede de revisão aduaneira ou por decurso de prazo, se superado o prazo para realização desse procedimento fiscal. De fato, após a implantação do Siscomex, resta claro dever atribuído ao sujeito passivo de promover o autolançamento, o que inclui a informação a classificação fiscal, quando da formulação da declaração que servirá de base para o despacho. Ou seja, diferentemente do que se verifica quando o lançamento se opera na modalidade “por declaração” onde, nos termos do art. 147 do CTN55 o sujeito passivo fornece informações ao Fisco e este promove o lançamento, a partir desse novo contexto, o sujeito passivo passa a ser responsável pela formulação do lançamento e antecipação do recolhimento. O lançamento, portanto, ocorre na modalidade “por homologação”. Nessa linha, tornase evidente que a classificação fiscal se situa no plano das informações passíveis de revisão, ex vi do art. 149, V do Código Tributário Nacional56. De qualquer forma, não se pode deixar de registrar que o sujeito passivo deixou igualmente de fornecer ao Fisco os elementos que lhe dariam a conhecer a mercadoria importada, descrevendo como Hub, produtos que, após sua identificação por meio perícia técnica, revelaramse switches; ou que atestou que determinado modelo de roteador possuía uma velocidade que, após a realização dos competentes exames técnicos, não seria alcançada; e, finalmente, descreveu como “módulos”, produtos que, dependendo da sua aplicação deveriam ser classificados como partes da posição 8517 ou da posição 8443. Nesse caso, resta ainda mais evidente que o que se detectou, no presente processo, inserese no contexto do erro “de fato”, onde a jurisprudência nunca deixou de admitir a revisão do lançamento. Vejase, acerca do tema, recente manifestação da Segunda Turma do E. Superior Tribunal de Justiça nos autos do AgRg no REsp 942539/SP57: TRIBUTÁRIO. GUIAS DE IMPORTAÇÃO VENCIDAS E UTILIZADAS PELO CONTRIBUINTE. DESEMBARAÇO ADUANEIRO AUTORIZADO PELA AUTORIDADE FISCAL. POSTERIOR REVISÃO DO LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. ERRO DE FATO VERIFICADO DENTRO DO PRAZO DECADENCIAL PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. 55 Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. 56 Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. 57 Ministro HUMBERTO MARTINS, Julgado em 02/09/2010 (DJe de 13/10/2010) Fl. 2774DF CARF MF Impresso em 25/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10314.005814/200310 Acórdão n.º 3102001.542 S3C1T2 Fl. 2.761 28 1. Se a autoridade fiscal procede ao desembaraço aduaneiro à vista de guias de importação vencidas, circunstância dela desconhecida e ocultada pelo contribuinte, caracterizase erro de fato, e não erro de direito. 2. Por erro de fato devese entender aquele relacionado ao conhecimento da existência de determinada situação. 3. Dizse erro de direito aquele que decorre do conhecimento e da aplicação incorreta da norma. 4. Se o desembaraço aduaneiro é realizado sob o pálio de erro de fato, é possível sua revisão dentro do prazo decadencial, à luz do art. 149, IV, do CTN. Precedentes desta Corte. Agravo regimental provido. 2.5 Multa de Ofício Só não vejo como afastar a imposição de multa de 75% sobre o valor dos impostos que deixaram de ser recolhidos em função de erro na indicação da classificação. Em primeiro lugar, a multa em questão não reclama a presença de dolo ou máfe para sua imposição. Confirase o texto legal, na versão que vigia quando dos fatos geradores litigiosos: Art.44.Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; Dita infração, portanto, se insere no plano da responsabilidade objetiva, delineada pelo art. 136 do Código Tributário Nacional: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Noutro giro, não há fundamento para a aplicação do Ato Declaratório (normativo) Cosit nº 10, de 199758. A excludente de penalidade gizada em tal ato, como é cediço, exige precisão e completude da descrição e, como já se adiantou acima, ou os produtos 58 Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que não constitui infração punível com as multas previstas no art. 4º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho aduaneiro, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a classificação tarifária errônea ou a indicação indevida de destaque (ex), desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. Fl. 2775DF CARF MF Impresso em 25/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10314.005814/200310 Acórdão n.º 3102001.542 S3C1T2 Fl. 2.762 29 reclassificados estavam descritos de maneira inexata, ou estavam descritos de maneira incompleta. Da mesma forma, é igualmente inaplicável o Ato Declaratório Interpretativo SRF no 13, de 10/09/200259, que é taxativo quando enumera as hipóteses de infração excluídas em razão da completude da descrição da mercadoria: reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a indicação indevida de destaque ex. Ora, se o erro de classificação não se enquadra dentre as hipóteses de aplicação do referido ato declaratório (primeira condição para exclusão da penalidade), evidentemente não se cogita da investigação da presença de dolo ou máfé (segunda condição). 2.5 Multa por Falta de LI Passando ao julgamento da matéria sobre a qual deve este Colegiado se manifestar, entendo que, com relação a este ponto, razão assiste ao sujeito passivo. Como é cediço, o regime de licenciamento de importações é regido pelo Acordo sobre Procedimentos para o Licenciamento de Importações (APLI), negociado no âmbito da Rodada do Uruguai, aprovado pelo Decreto Legislativo nº 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgado pelo Decreto nº 1.355, de 30 de dezembro de 1994, em cujo artigo 1 se lê: Artigo 1 Disposições Gerais 1. Para os fins do presente Acordo, o licenciamento de importações será definido como os procedimentos administrativos utilizados na operação de regimes de licenciamento de importações que envolvem a apresentação de um pedido ou de outra documentação (diferente daquela necessária para fins aduaneiros) ao órgão administrativo competente, como condição prévia para a autorização de importações para o território aduaneiro do Membro importador. (destaquei) Pois bem, na vigência do APLI, parte significativa das operações de comércio exterior deixa de ser alvo de licenciamento prévio, que somente passa a ser exigido de maneira residual Com efeito, analisando os artigos 2 e 3 do já citado acordo, responsáveis, respectivamente, pelo disciplinamento do Licenciamento Automático e NãoAutomático, vêse que, em verdade, ambas as modalidades definidas naquele ato negocial alcançam o universo de mercadorias que estão sujeitas a alguma modalidade de controle administrativo. Nas hipóteses em que esse controle não é exercido não há que se falar em licenciamento. 59 Art. 1º Não constitui infração punível com a multa prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho de importação, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a indicação indevida de destaque ex, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. Fl. 2776DF CARF MF Impresso em 25/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10314.005814/200310 Acórdão n.º 3102001.542 S3C1T2 Fl. 2.763 30 Vejase a redação da alínea “b”, do item 2 do art. 2 do Acordo: (b) os Membros reconhecem que o licenciamento automático de importações poderá ser necessário sempre que outros procedimentos adequados não estiverem disponíveis. O licenciamento automático de importações poderá ser mantido na medida em que as circunstâncias que o originaram continuarem a existir e seus propósitos administrativos básicos não possam ser alcançados de outra maneira. Por outro lado, esclarece o art. 3: Artigo 3 Licenciamento Não Automático de Importações 1. Além do disposto nos parágrafos 1 a 11 do Artigo 1, as seguintes disposições aplicarseão a procedimentos não automáticos para o licenciamento de importações. Os procedimentos nãoautomáticos para licenciamento de importações serão definidos como o licenciamento de importações que não se enquadre na definição prevista no parágrafo 1 do Artigo 2. Segundo a definição do parágrafo 1 do art. 2: 1. O licenciamento automático de importações será definido como o licenciamento de importações cujo pedido de licença é aprovado em todos os casos e de acordo com o disposto no parágrafo 2(a). Ou seja, o licenciamento automático é sempre concedido, desde que cumpridos os ritos definidos pela legislação do Estadoparte. O nãoautomático, normalmente utilizado para controle de cotas, pode ser concedido ou não. Comparando esses dispositivos com o contexto do licenciamento realizado no âmbito do Siscomex, disciplinado pela Portaria Secex nº 21, de 1996, cujos procedimentos foram alvo do Comunicado Decex nº 12, de 1997, chegase à conclusão de que o regime que se convencionou denominar licenciamento automático, em verdade, representa a dispensa desse controle administrativo, o qual relembrese, segundo o art 1 do APLI, alcança exclusivamente controles que envolvem “a apresentação de um pedido ou de outra documentação diferente daquela necessária para fins aduaneiros”. Nesse aspecto, é importante trazer à colação o que dispõe o art. 4º da Portaria Interministerial nº 109, de 12 de dezembro de 1996, que trata do processamento das operações de importação no Sistema Integrado de Comércio Exterior Siscomex. Art. 4º Para efeito de licenciamento da importação, na forma estabelecida pela SECEX, o importador deverá prestar as informações específicas constantes do Anexo II. § 1º No caso de licenciamento automático, as informações serão prestadas por ocasião da formulação da declaração para fins do despacho aduaneiro da mercadoria. Fl. 2777DF CARF MF Impresso em 25/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10314.005814/200310 Acórdão n.º 3102001.542 S3C1T2 Fl. 2.764 31 § 2º Tratandose de licenciamento não automático, as informações a que se refere este artigo devem ser prestadas antes do embarque da mercadoria no exterior ou do despacho aduaneiro, conforme estabelecido pela SECEX. § 3º As informações referidas neste artigo, independentemente do momento em que sejam prestadas, e uma vez aceitas pelo Sistema, serão aproveitadas para fins de processamento do despacho aduaneiro da mercadoria, de forma automática ou mediante a indicação, pelo importador, do respectivo número da licença de importação, no momento de formular a declaração de importação. Extraise do referido ato interministerial pelo menos três elementos que, a meu ver, corroboram com o entendimento ora defendido: a) no “controle” que os órgãos governamentais nacionais denominaram licenciamento automático, conforme consignado no § 1º, não se exige qualquer informação ou procedimento diverso da declaração de instrução do despacho de importação; b) quando necessárias, as providências inerentes ao controle administrativo, por definição, são sempre adotadas em data anterior ao embarque da mercadoria. Cabe aqui lembrar a multa especificada no art. 526, VI60 do regulamento aduaneiro vigente à época do fato. Se a LI automática tivesse realmente substituído a Guia de Importação todas as mercadorias sujeitas àquela modalidade de licenciamento estariam sujeitas à penalidade, já que a “LI” é “solicitada” juntamente com registro da Declaração de Importação que, regra geral, só ocorre após a chegada da carga; c) na hipótese do chamado licenciamento automático, não é gerado qualquer documento, físico ou informatizado, que o identifique, até porque, como se viu, nenhum órgão anuente intervém nesse processo. Dessa forma, forçoso é concluir que, sob a égide da Portaria Secex nº 21, de 1996, aquilo que os atos administrativos licenciamento automático, em verdade, alcança as hipóteses em que a mercadoria não está sujeita a licenciamento. Nesse diapasão, não vejo como imputar a multa em questão à importação de mercadorias sujeitas exclusivamente a controle tarifário. Se a mercadoria não estava sujeita a controle administrativo, salvo melhor juízo, seria um contrasenso aplicar uma penalidade própria do descumprimento deste último controle. Outra discussão comumente travada no âmbito deste Colegiado diz respeito aos efeitos do erro de classificação sobre o licenciamento da mercadoria. Uma tese recorrentemente trazida à baila é a de o erro de classificação não seria suficiente para caracterizar o descumprimento do regime de licenciamento e, nessa condição, não haveria como se considerar que a mercadoria importada não estava licenciada. 60Art. 526. Constituem infrações administrativas ao controle das importações, sujeitas às seguintes penas: (...) VI embarque da mercadoria antes de emitida a guia de importação ou documento equivalente: multa de trinta por cento (30%) do valor da mercadoria; Fl. 2778DF CARF MF Impresso em 25/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10314.005814/200310 Acórdão n.º 3102001.542 S3C1T2 Fl. 2.765 32 Na esteira do que se discutiu quando da diferenciação entre licenciamento automático e nãoautomático, em que se demonstrou que, a partir da Rodada do Uruguai, o Brasil passou a tratar o controle administrativo das importações de maneira seletiva, penso que essa interpretação, com o máximo respeito, não pode prosperar. Nesse novo contexto, o elemento que identifica se a mercadoria está ou não sujeita a licenciamento nãoautomático e, em caso afirmativo, quais os procedimentos que devem ser seguidos para sua obtenção dessa autorização, é a classificação fiscal. Vejase o que ditava o Comunicado Decex nº 12, de 06 de maio de 1997, vigente à época dos fatos: 2. Estão relacionados no Anexo II deste Comunicado os produtos sujeitos a condições ou procedimentos especiais no licenciamento automático, bem como os produtos sujeitos a licenciamento não automático. 2.1 Quando os procedimentos listados no Anexo II referiremse, genericamente, a Capítulo, posição ou subposição da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, deverá ser observado o tratamento administrativo específico por item tarifário consignado na tabela "Tratamento Administrativo" do Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, aplicável ao produto objeto do licenciamento.(grifei) Ou seja, o erro de classificação, por si só, de fato não é suficiente para caracterizar a conduta sujeita a multa, é necessário que tal erro prejudique o tratamento administrativo da mercadoria, como ocorreria, v.g., na hipótese do código tarifário original estava sujeito a LI automática e o corrigido, a nãoautomática. Neste caso, forçoso é concluir que a mercadoria não passou pelos controles próprios da etapa de licenciamento e, conseqüentemente, teria sido importada desamparada de documento equivalente à Guia de Importação. Por outro lado, se, tanto a classificação empregada pelo importador, quanto definida pela autoridade autuante não estiver sujeita a licenciamento ou, se sujeita, possuir o mesmo tratamento administrativo da classificação original, não há que se falar em falta de licenciamento por erro de classificação. Da mesma forma, sem ao menos saber se a mercadoria estava sujeita a licenciamento, não se pode assumir que a descrição inexata, por si, tenha prejudicado tal controle administrativo. Trazendo tal discussão para o presente litígio, estou convicto de que, de fato o Fisco não logrou êxito em demonstrar que a nova classificação estaria sujeita a algum tratamento administrativo diverso do empregado. A fim de demonstrar, transcrevo trecho da descrição dos fatos que trata da infração: Mercadoria importada ao desamparo de Licença de Importação ou documento equivalente devido ao desembaraço efetuado em classificação divergente da constante deste Auto, para a qual o importador não possui a referida Licença. Fl. 2779DF CARF MF Impresso em 25/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10314.005814/200310 Acórdão n.º 3102001.542 S3C1T2 Fl. 2.766 33 2.6 Taxa Selic Não vejo como afastar a sua incidência sobre exigência discutida nos autos do presente recurso Voluntário, nem muito menos como pretender dar as multas tributárias tratamento diverso. Com efeito, a matéria foi alvo do art. 161 do Código Tributário Nacional, que prevê: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantias previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (destaquei) Como se verifica, o limite de 1% ao mês somente é considerado se outra lei, ordinária, já que não se trata de matéria reservada a lei complementar, estipular outro percentual ou prazo para cálculo. O fato é que, como é cediço, fazendo uso dessa faculdade, o art. 61, caput e § 3º da Lei nº 9.430, de 1996 assim dispôs: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Assim sendo, penso que a pesquisa da natureza dessa cobrança pouca relevância assume para a solução do litígio. Tratase de exigência prevista em lei cuja constitucionalidade vem sendo pacificamente reconhecida por nossas cortes superiores. Importante frisar, ademais, que a presente discussão já encontrase pacificada nesta corte administrativa, sendo inclusive alvo da Súmula CARF nº 4, que diz: A partir de 1º de abril de 1995 é legítima a aplicação/utilização da taxa Selic no cálculo dos juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal. 3 Conclusão Fl. 2780DF CARF MF Impresso em 25/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10314.005814/200310 Acórdão n.º 3102001.542 S3C1T2 Fl. 2.767 34 Com essas considerações dou parcial provimento aos recursos de ofício e voluntário para: a) restabelecer a exigência de tributos e de multas de ofício e regulamentar de 1% sobre as mercadorias descritas como WS C3524 – XL, WS 3548 XL, WS C1924, WS 2924C, WS C1912C, WS C2828A; e b) afastar a fração da exigência fundada na aplicação da multa capitulada no art. 526, II do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 1985. Sala das Sessões, em 17 de julho de 2012 Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 2781DF CARF MF Impresso em 25/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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