Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,871)
- Primeira Turma Ordinária (16,379)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,197)
- Primeira Turma Ordinária (16,160)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,511)
- Segunda Turma Ordinária d (12,428)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,468)
- Quarta Câmara (85,170)
- Terceira Câmara (67,786)
- Segunda Câmara (56,453)
- Primeira Câmara (20,645)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,453)
- Segunda Seção de Julgamen (115,046)
- Primeira Seção de Julgame (76,951)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,607)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,899)
- HELCIO LAFETA REIS (3,843)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,781)
- WILDERSON BOTTO (2,640)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,493)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,600)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2026 (16,157)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10945.000303/2009-62
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das
Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES
Ano calendário:2003 a 2007
EXCLUSÃO AO SIMPLES. RECEITA BRUTA DECLARADA EM LIVRO DIÁRIO OU LIVRO RAZÃO.
Não tendo o contribuinte usufruído da opção estabelecida pela Lei n° 9.317/96, art. 7°, § 1°, no que concerne à dispensa da escrituração comercial, não se vislumbra qualquer transgressão ao comando contido no art. 18 da mesma lei o fato de a auditoria ter se baseado em informações contidas no Livro Razão, fornecido pelo contribuinte, para apurar a receita bruta auferida no período de 2003 a 2007.
EXCLUSÃO DO SIMPLES. DECADÊNCIA
A alegação de que já teria ocorrido a preclusão do direito de a Fazenda Pública exigir eventuais créditos tributários, que poderiam ser lançados em razão da exclusão do SIMPLES, não tem o condão de invalidar o ato declaratório de exclusão, posto que tal instituto se aplica a questões probatórias. Eventuais alegações de decadência devem ser opostas no processo administrativo que tenha por objeto o lançamento destes créditos, caso tenham sido constituídos de oficio.
CORREÇÃO DOS VALORES DE RECEITA BRUTA PREVISTOS NA LEI QUE REGE O SIMPLES. INCOMPETÊNCIA.
A autoridade administrativa é incompetente para manifestar-se
acerca de necessidade de correção dos valores estipulados como limite de receita bruta para efeitos de permanência no SIMPLES, sendo sua revisão atribuição exclusiva do Poder Legislativo.
Numero da decisão: 1802-001.101
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em
REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso nos termos
do voto do relator.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201201
ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES Ano calendário:2003 a 2007 EXCLUSÃO AO SIMPLES. RECEITA BRUTA DECLARADA EM LIVRO DIÁRIO OU LIVRO RAZÃO. Não tendo o contribuinte usufruído da opção estabelecida pela Lei n° 9.317/96, art. 7°, § 1°, no que concerne à dispensa da escrituração comercial, não se vislumbra qualquer transgressão ao comando contido no art. 18 da mesma lei o fato de a auditoria ter se baseado em informações contidas no Livro Razão, fornecido pelo contribuinte, para apurar a receita bruta auferida no período de 2003 a 2007. EXCLUSÃO DO SIMPLES. DECADÊNCIA A alegação de que já teria ocorrido a preclusão do direito de a Fazenda Pública exigir eventuais créditos tributários, que poderiam ser lançados em razão da exclusão do SIMPLES, não tem o condão de invalidar o ato declaratório de exclusão, posto que tal instituto se aplica a questões probatórias. Eventuais alegações de decadência devem ser opostas no processo administrativo que tenha por objeto o lançamento destes créditos, caso tenham sido constituídos de oficio. CORREÇÃO DOS VALORES DE RECEITA BRUTA PREVISTOS NA LEI QUE REGE O SIMPLES. INCOMPETÊNCIA. A autoridade administrativa é incompetente para manifestar-se acerca de necessidade de correção dos valores estipulados como limite de receita bruta para efeitos de permanência no SIMPLES, sendo sua revisão atribuição exclusiva do Poder Legislativo.
turma_s : Segunda Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 10945.000303/2009-62
anomes_publicacao_s : 201201
conteudo_id_s : 4855535
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1802-001.101
nome_arquivo_s : 1802001101_10945000303200962_201201.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
nome_arquivo_pdf_s : 10945000303200962_4855535.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
id : 4748924
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:44:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044358697058304
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2246; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 36 1 35 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10945.000303/200962 Recurso nº 885.942 Voluntário Acórdão nº 1802001.101 – 2ª Turma Especial Sessão de 18 de janeiro de 2012 Matéria SIMPLES EXCLUSÃO Recorrente KAGIVA INDÚSTRIA DE BOLAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES Anocalendário: 2003 a 2007 EXCLUSÃO AO SIMPLES. RECEITA BRUTA DECLARADA EM LIVRO DIÁRIO OU LIVRO RAZÃO. Não tendo o contribuinte usufruído da opção estabelecida pela Lei n° 9.317/96, art. 7°, § 1°, no que concerne à dispensa da escrituração comercial, não se vislumbra qualquer transgressão ao comando contido no art. 18 da mesma lei o fato de a auditoria ter se baseado em informações contidas no Livro Razão, fornecido pelo contribuinte, para apurar a receita bruta auferida no período de 2003 a 2007. EXCLUSÃO DO SIMPLES. DECADÊNCIA A alegação de que já teria ocorrido a preclusão do direito de a Fazenda Pública exigir eventuais créditos tributários, que poderiam ser lançados em razão da exclusão do SIMPLES, não tem o condão de invalidar o ato declaratório de exclusão, posto que tal instituto se aplica a questões probatórias. Eventuais alegações de decadência devem ser opostas no processo administrativo que tenha por objeto o lançamento destes créditos, caso tenham sido constituídos de oficio. CORREÇÃO DOS VALORES DE RECEITA BRUTA PREVISTOS NA LEI QUE REGE O SIMPLES. INCOMPETÊNCIA. A autoridade administrativa é incompetente para manifestarse acerca de necessidade de correção dos valores estipulados como limite de receita bruta para efeitos de permanência no SIMPLES, sendo sua revisão atribuição exclusiva do Poder Legislativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10945.000303/200962 Acórdão n.º 1802001.101 S1TE02 Fl. 37 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10945.000303/200962 Acórdão n.º 1802001.101 S1TE02 Fl. 38 3 Relatório Trata o presente processo de contestação pela contribuinte ao ato de sua exclusão do SIMPLES, pela DRF de Foz do Iguaçu, com efeitos retroativos à 1/1/2004, por excesso de receitas auferidas nos anoscalendários de 2003 a 2006 e no primeiro semestre de 2007. Concomitante ao ato de exclusão foi lavrado o auto de infração de fls. 61 a 66, onde se exige R$ 1.469,44 de multa isolada, com base no disposto na Lei n° 9.317/96, art. 13, II, “a”, ao argumento de que a interessada deixou de comunicar sua exclusão ao SIMPLES, o que segundo a norma é obrigatório. Regularmente cientificada, apresentou impugnação de fls. 74 e 75, onde alega em sede de preliminar que os fatos ocorridos no ano calendário de 2003 já teriam sido alcançados pela decadência o que torna impossível sua exclusão ao beneficio a partir de 01/01/2004. Em relação ao mérito alega que por ser optante do SIMPLES estava obrigada a manter apenas o Livro Caixa, de modo que os valores supostamente lançados a maior nos registros contábeis da empresa com base nos livros Diário/Razão, torna improcedente o ato declaratório de exclusão. Para isso argumenta que seria imprescindível que houvesse uma auditoria para este fim. Entende que os livros Diário/Razão são inexistentes perante a legislação do SIMPLES e que tais registros sem outros documentos são tidos como não escriturados, não se podendo falar em faturamento superior ao permitido na legislação. Aduz ainda a necessária correção dos valores de receita bruta previstos na Lei nº 9.317/96 e, mais uma vez pede que seja declarado improcedente o ato atacado. A DRJ de CuritibaPR, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, através do acórdão nº 0626.036 (fls. 80 a 82v), em 1/04/2010, mantendo a integralidade do crédito tributário. Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 25/05/2010, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário de fls. 87 a 94, onde reitera as mesmas razões de sua impugnação. Este é o Relatório. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10945.000303/200962 Acórdão n.º 1802001.101 S1TE02 Fl. 39 4 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. A Recorrente aderiu a sistemática de apuração do SIMPLES em 01/01/2000, tendo sido excluida posteriormente por ter auferido receitas em montante superior àquele previsto na legislação que rege o benefício nos anoscalendários de 2003 a 2006 e no primeiro semestre de 2007. Em sua defesa a contribuinte afirma que os fatos ocorridos no ano de 2003 já teriam sido afetados pela decadência; que por estar desobrigada de manter Livro Razão os registros ali efetuado não poderiam dar suporte à sua exclusão da sistemática de apuração; que seria necessária a realização de uma auditoria; e, por fim, que os valores estipulados na norma como limite de receita anual deveriam ser corrigidos para contemplar os efeitos inflacionários. Com base nesta argumentação pediram pela improcedência do ato e pelo afastamento da exigência da multa isolada. A) PRELIMINAR DE DECADÊNCIA O argumento de que o direito de a Fazenda Pública em efetuar sua exclusão do SIMPLES estava precluso, uma vez que já havia se passado mais de cinco anos do fato gerador quando o ato foi emitido, não pode e nem deve prosperar. Tratase de argumento totalmente infundado. Em primeiro lugar, a preclusão invocada pela Recorrente com fundamento no Decreto n° 70.235/72, art. 16, como já atacado pela DRJ, é impertinente matéria. Tal dispositivo é aplicável a questões probatórias e só diz respeito à forma como o contribuinte deve formular sua defesa por ocasião da impugnação. Não há relação alguma entre o direito, ou poderdever, do Fisco executar ato de oficio, que digase de passagem são irrenunciáveis, tendo em vista do principio da indisponibilidade e da legalidade que revestem os atos administrativos em geral e a alegação da contribuinte. Assim, uma vez que a lei tributária prevê o ato de exclusão de oficio na Lei n° 9.317/96, art. 14, não pode a autoridade renunciar ao ato, tendo sua atividade administrativa plenamente vinculada. Em sentido contrário temos a constituição do crédito tributário, dada através do lançamento, que tem previsão legal de extinção quando passados os cinco anos, em conformidade com o que dispõem os artigos 156 e 173 do CTN, in verbis: “Art. 156. Extinguem o crédito tributário: V a prescrição e a decadência;”, e, Fl. 106DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10945.000303/200962 Acórdão n.º 1802001.101 S1TE02 Fl. 40 5 “Art. 173. 0 direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado.” Pelo exposto, decadência constituise num óbice à autoridade fiscal para efetuar o lançamento do tributo, eis que se refere à perda do direito de o Fisco constituir o crédito tributário. Não pode este instituto, como quer a Reclamante, ser suscitado para afastar constatação de situações configuradoras de vedação à permanência no SIMPLES. Sendo assim, julgo pelo afastamento da preliminar suscitada pela Reclamante. B) MÉRITO B.1) AUSÊNCIA DE PROVAS PARA A EXCLUSÃO O contribuinte argumenta que, não estando obrigada a manter escrituração regular, a autoridade fiscal não poderia tomar os valores escriturados no Livro Diário / Razão para apurar o montante da receita bruta auferida no período. Nesse aspecto a Lei n° 9.317/96 que dispõe sobre o regime tributário de microempresas e empresas de pequeno porte em seu artigo 7° determina que: Art. 7° A microempresa e a empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES apresentarão, anualmente, declaração simplificada que será entregue até o último dia útil do mês de maio do ano calendário subsequ ente ao da ocorrência dos fatos geradores dos impostos e contribuições de que tratam os arts. 3° e 4º. § 1º A microempresa e a empresa de pequeno porte ficam dispensadas de escrituração comercial desde que mantenham, em boa ordem e guarda e enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes: a) Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária; b) Livro de Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término de cada ano calendário; c) todos os documentos e demais papéis que serviram de base para a escrituração dos livros referidos nas alíneas anteriores. § 2° 0 disposto neste artigo não dispensa o cumprimento, por parte da microempresa e empresa de pequeno porte, das Fl. 107DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10945.000303/200962 Acórdão n.º 1802001.101 S1TE02 Fl. 41 6 obrigações acessórias previstas na legislação previdenciária e trabalhista. Assim, de acordo com a Recorrente, a empresa de pequeno porte inscrita no Simples não estaria obrigada a escriturar o Livro Diário desde que escriturasse o Livro Caixa com toda a sua movimentação financeira. No caso em tela, após ser intimado a apresentar o Livro Diário ou o Livro Caixa, o contribuinte apresentou o Livro Diário, cuja cópia encontrase anexada às fls. 07 21 e 4160, o que não pode, nem deve, ser desconsiderado pela autoridade fiscal. Cabia a Recorrente se utilizar de sua faculdade de não escriturar o Livro, ou escriturando, não tratálo como documento oficial. Uma vez que foram apresentados os Livros Diários devidamente registrados na Junta Comercial do Paraná, a contribuinte constituiu espontaneamente prova contra si, documento este que não pode ser desconsiderado. B.2) NECESSIDADE DE AUDITORIA PARA FINS DE EXCLUSÃO Descabe a alegação da Recorrente que sua receita bruta deveria estar amparada por uma auditoria posto que as informações foram obtidas através da escrituração em livro oficial. A auditoria só seria pertinente e necessária caso houvesse alguma argumentação, por parte do sujeito passivo, que trouxesse indícios de que as informações lá contidas não seriam exatas. B.3) ATUALIZAÇÃO DOS VALORES DA RECEITA BRUTA CONTIDAS NA NORMA LEGAL Por fim, quanto a necessidade de revisão dos valores previsto na Lei nº 9.317/96, relativamente ao montante de receita bruta admitida para a permanência do contribuinte no SIMPLES, entendo que foge a competência do julgador administrativo, devendo este estar restrito aos limites ali previstos. É atribuição do Poder Legislativo a revisão dos valores estabelecidos através de lei em sentido estrito. C) CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por afastar a preliminar de decadência e no mérito julgar improcedente o recurso voluntário contra o ato de exclusão emitido pela DRF e, por via de conseqüência, manter a exigência da multa isolada. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 108DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10945.000303/200962 Acórdão n.º 1802001.101 S1TE02 Fl. 42 7 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001681/2006-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF
Ano-calendário: 2001
NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. O lançamento contém todos os requisitos legais para sua plena
validade e eficácia, conforme dispõe o artigo 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, de modo a proporcionar ao autuado seu regular exercício do direito de defesa.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, quando
esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva.
GANHO DE CAPITAL. RESGATE OU LIQUIDAÇÃO DE APLICAÇÕES EM MOEDA ESTRANGEIRA. A base de cálculo da tributação do ganho de
capital decorrente da liquidação ou resgate de aplicações financeiras em moeda estrangeira é dada pela diferença positiva, em reais, entre o valor de liquidação ou resgate e o valor original da aplicação financeira.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2101-001.509
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para incluir como origem de recursos o montante de R$25.743,00.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201203
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano-calendário: 2001 NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. O lançamento contém todos os requisitos legais para sua plena validade e eficácia, conforme dispõe o artigo 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, de modo a proporcionar ao autuado seu regular exercício do direito de defesa. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. GANHO DE CAPITAL. RESGATE OU LIQUIDAÇÃO DE APLICAÇÕES EM MOEDA ESTRANGEIRA. A base de cálculo da tributação do ganho de capital decorrente da liquidação ou resgate de aplicações financeiras em moeda estrangeira é dada pela diferença positiva, em reais, entre o valor de liquidação ou resgate e o valor original da aplicação financeira. Recurso Voluntário Provido em Parte
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 18471.001681/2006-46
anomes_publicacao_s : 201203
conteudo_id_s : 5027732
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2101-001.509
nome_arquivo_s : 210101509_18471001681200646_201203.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
nome_arquivo_pdf_s : 18471001681200646_5027732.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para incluir como origem de recursos o montante de R$25.743,00.
dt_sessao_tdt : Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
id : 4750228
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:45:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044358700204032
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2113; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 360 1 359 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.001681/200646 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 210101.509 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de março de 2012 Matéria IRPF Recorrente EVANGELISTA PINTO DA SILVA PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2001 NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. O lançamento contém todos os requisitos legais para sua plena validade e eficácia, conforme dispõe o artigo 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, de modo a proporcionar ao autuado seu regular exercício do direito de defesa. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. GANHO DE CAPITAL. RESGATE OU LIQUIDAÇÃO DE APLICAÇÕES EM MOEDA ESTRANGEIRA. A base de cálculo da tributação do ganho de capital decorrente da liquidação ou resgate de aplicações financeiras em moeda estrangeira é dada pela diferença positiva, em reais, entre o valor de liquidação ou resgate e o valor original da aplicação financeira. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para incluir como origem de recursos o montante de R$25.743,00. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente Fl. 371DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 4/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 2 (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Eivanice Canário da Silva (Suplente), Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Ausente o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka. Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 1327.449 – 3ª Turma da DRJ/RJ2 (fl. 329), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação. As infrações indicadas no lançamento e os argumentos de defesa suscitados na impugnação foram sintetizados pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: DA AUTUAÇÃO Trata o presente processo de lançamento de oficio de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), referente ao anocalendário de 2001, consubstanciado no Auto de Infração às fls. 280 a 282 e fls. 295 a 299. 2 O valor lançado inclui imposto suplementar de R$8.458,18, multa de oficio de 75%, no valor de R$6.343,63, e juros moratórios cabíveis. 3 A descrição dos fatos e o enquadramento legal encontramse detalhados no Auto de Infração e Termo de Verificação Fiscal As fls. 283 a 294, versando sobre as seguintes infrações: 001 — ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO; 002 — GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE MOEDA ESTRANGEIRA. OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL DECORRENTES DA LIQUIDAÇÃO/CRÉDITO DE JUROS DE APLICAÇÃO FINANCEIRA EM MOEDA ESTRANGEIRA. 4 O acréscimo patrimonial a descoberto foi apurado mediante fluxo financeiro mensal, tendo sido verificado excesso de dispêndios/aplicações em relação aos recursos/origens nos mês de dezembro de 2001 no valor de R$31.220,23, que após revisão e ajuste resultou em omissão de rendimentos de R$27.029,58. 5 A omissão de ganhos de capital decorrente da liquidação/crédito de juros de aplicação financeira em moeda estrangeira foi apurada com base nas cópias de extratos de conta corrente mantidas no exterior no Citibank — Miami, as quais foram apresentadas pelo contribuinte para o período de 07/03/2001, de 06/04 a 08/07/2001 e de 07/12/2001 a 07/01/2002, tendo sido elaborada planilha na qual demonstramse ganhos de capital nos meses de junho, no valor de 235,38, e de julho, no valor de R$789,67. Segundo a fiscalização, tais valores não foram declarados nem foi recolhido o respectivo imposto devido sobre os ganhos. DA IMPUGNAÇÃO Fl. 372DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 4/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 18471.001681/200646 Acórdão n.º 210101.509 S2C1T1 Fl. 361 3 6 Cientificado do Auto de Infração em 11/12/2006 (fl. 280; procuração A fl. 297), o contribuinte protocolizou impugnação em 09/01/2007 (fls. 301 a 319), em que apresenta as seguintes razões. 7 Ressalta, inicialmente, que é tempestiva a impugnação e que está impugnando a totalidade do Auto de Infração, estando, portanto, suspenso todo o crédito tributário dele decorrente nos termos do art. 151, inc. III do Código Tributário Nacional — CTN. 8 Com base nos ensinamentos de Hely Lopes Meireles, Hugo de Brito Machado, Geraldo Ataliba e Luiz Henrique de Barros Arruda, art. 52, inc. LV, e art. 37 da Constituição Federal de 1988 (CF/88), art. 32 e art. 142 do CTN, art. 92 do Decreto nº 70.235 (PAF), de 6 de março de 1972, e princípios que o balizam, arts. 52 e 62 da Instrução Normativa SRF n 294/97 e acórdãos do 1º Conselho de Contribuintes (CC), disserta acerca da necessidade da prova dos fatos geradores da obrigação, da determinação legal de as provas serem apresentadas juntamente com o Auto de Infração e da conseqüente nulidade por não observância das normas legais cogentes e por afronta ao principio da ampla defesa, concluindo pela nulidade do Auto de Infração impugnado. 9 Citando decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais e do 1º CC, reclama que o Fisco simplesmente inverteu ônus da prova, procurando lançar valores sem ter logrado comprovar e evidenciar sua natureza, nem mesmo diligenciar, ou levar em conta as reiteradas declarações do contribuinte e de seu representante. Conclui, assim, que o Fisco baseouse numa suposição e, em conseqüência, presumiu a ocorrência do fato gerador sem base legal, posto que, no seu entender, não haveria base legal para tal. 10 Partindo de ensinamentos de L. Eduardo Schoueri, Moacir Amaral Santos e Paulo Celso Bonilha, bem como princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade e publicidade (art. 37 da CF/88), discorre sobre conceitos de indícios e presunções simples e legais, conclui que, se a Fiscalização não comprova de modo inconteste sua pretensão tributante e o contribuinte demonstra que o processo carece de prova que embase o lançamento, devese determinar o cancelamento do Auto de Infração. Do acréscimo patrimonial a descoberto 11 Especificamente tratando do Acréscimo patrimonial a descoberto, assevera que a imposição foi unilateralmente efetuada, carente de fundamentação dos elementos de convencimento da autoridade lançadora, sem a essencial prova ou evidência de motivo e sem base legal, como transpareceria na desconsideração dos recursos obtidos e declarados com a venda de objetos de arte de pequeno valor, por constarem de recibos da própria emissão do impugnante e que os valores foram recebidos em espécie. 12 Sobre a questão, afirma que, no mercado de arte, é praxe a comercialização em dinheiro de bens de pequeno valor, como foi no caso em questão que totalizou um lucro de R$19.957,63 no ano pela comercialização de seis peças, e questiona qual seria o seu interesse em declarar estas operações, quando apresentou um saldo em espécie muito superior em sua declaração de bens, posto que bastaria tãosomente ter lançado menor valor em espécie, que não haveria a suposta infração apontada. 13 Tratando da alegação do Fisco de que a única prova das vendas dos bens seriam recibos do próprio contribuinte e que as aquisições não foram declaradas pelos cinco adquirentes, alega que os bens poderiam ter sido revendidos no mesmo ano, ou serem isentos em suas declarações, não lhe competindo nenhuma participação ou responsabilidade. Caberia, assim, A autoridade lançadora, intimar os compradores a fim de colher a verdade dos fatos. 14 Nesse sentido, afirma que o 1º CC já decidiu que "a falta de entrega ao contribuinte de todos os demonstrativos, termos e esclarecimentos mencionados no lançamento, Fl. 373DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 4/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 4 que o impeça de conhecer o inteiro teor do ilícito que lhe é imputado, inclusive os valores e cálculos considerados para determinar a matéria tributada, caracteriza cerceamento do direito de defesa e implica na nulidade da decisão de primeira instância" (acórdão nº 104 12917/96 — DOU de 02/04/1997). Dos ganhos de capital em moeda estrangeira 15 O contribuinte alega que incorre novamente em equivoco o Fisco, pois os juros foram declarados e somaram o total de US$377,00. Nesse aspecto, reclama que estaria sendo computado englobadamente a variação cambial no período, a qual seria, todavia, isenta por força do disposto no art. 4' § único, art. 11, § 1 2, e art. 14 da Instrução Normativa SRF 118/2000 (Perguntas e Respostas SRF 2002, n" 409— Perguntas e Respostas 2005, n". 419, 516 e 566). 16 Afirma, ainda, com base nos arts. 3 2, 112, 142 e 204 do CTN, Decreto n" 70.235/72, arts. 923, 924 e 925do RIR199, Principio da Tipicidade em matéria tributária e ensinamentos de Paulo de Barros Carvalho, que, sendo a atividade do lançamento plenamente vinculada, não comporta incerteza, portanto, inexistindo outros elementos de convicção e certeza indispensáveis à constituição do crédito tributário impugnado, o lançamento não pode prosperar; que todos os critérios necessários à descrição tanto do fato tributável como da relação jurídico tributária reclamam uma manifesta e esgotante previsão legal, de modo a assegurar ao crédito tributário a presunção de liquidez e certeza; que o lançamento não pode se valer de sua própria dúvida, já que a certeza e segurança jurídicas alcançadas pelo principio da reserva legal não comportam deslealdades nos lançamentos fiscais; que tendo à sua disposição todos os meios de instrução, não tem sentido haver dúvidas sobre a veracidade dos fatos, sendo, por isso, o Fisco responsável pela apresentação e produção das provas que deram ensejo ao lançamento; e que a prova constituise em elemento que não pode ser descuidado no processo administrativo fiscal. 17 Nesse aspecto, fazendo referência a decisões do 1º CC, alega que o Fisco não empreendeu os exames no nível de profundidade recomendado para uma ação fiscal, posto que deixou, por exemplo, de efetuar circularizações para o confronto dos rendimentos declarados, e não produziu a prova da inveracidade dos documentos apresentados, simplesmente glosando e lançando valores a seu talante, com justificativa desprovida de base legal ou fundamento jurídico. 18 Por fim, destaca que a ação fiscal se prolongou por meio ano e, mesmo assim, o Fisco não encontrou tempo para embasar suas conclusões de forma técnica e justa. Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador de primeiro grau manteve integralmente o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. 0 acréscimo patrimonial da pessoa fisica está sujeito h tributação quando a autoridade lançadora comprovar, à vista das declarações de rendimentos e de bens, não corresponder esse aumento aos rendimentos declarados, salvo se o contribuinte provar, mediante documentação hábil e idônea, que aquele acréscimo teve origem em rendimentos não tributáveis, sujeitos tributação definitiva ou já tributados exclusivamente na fonte. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 4/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 18471.001681/200646 Acórdão n.º 210101.509 S2C1T1 Fl. 362 5 GANHO DE CAPITAL. RESGATE OU LIQUIDAÇÃO DE APLICAÇÕES EM MOEDA ESTRANGEIRA. A base de cálculo da tributação do ganho de capital decorrente da liquidação ou resgate de aplicações financeiras em moeda estrangeira é dada pela diferença positiva, em Reais, entre o valor de liquidação ou resgate e o valor original da aplicação financeira. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em seu apelo ao CARF, às fls. 337/355, o recorrente rediscute questões suscitadas perante o Órgão julgador a quo. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Inicialmente, rejeito a preliminar de nulidade do lançamento, pois este contém todos os requisitos legais para sua plena validade e eficácia, conforme dispõe o artigo 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, e também porque não ocorreram as hipóteses indicadas no artigo 59, do mesmo diploma legal, a conspurcar de nulidade o Auto de Infração. Com efeito, o Termo de Verificação Fiscal e os Demonstrativos que integram o Auto de Infração descrevem minuciosamente a matéria tributável, de modo a proporcionar ao autuado seu regular exercício do direito de defesa, sendo evidente a sua discordância do quanto às conclusões do trabalho fiscal. De fato, a substanciosa defesa apresentada pelo sujeito passivo evidencia claramente a plena compreensão das infrações que lhe foram imputadas. A omissão de rendimentos caracterizada pela ocorrência de acréscimo patrimonial a descoberto está prevista na Lei n°7.713/88, abaixo transcrito: Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Art.3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 4/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 6 [..] § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o beneficio do contribuinte por qualquer forma e a qualquer titulo. Em consonância com o preceito legal citado, o Regulamento do Imposto sobre a Renda, editado pelo Decreto n.º 3.000/99, assim dispõe: Art. 55. São também tributáveis (...): XIII as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva; (...). Concluise, portanto, o acréscimo patrimonial a descoberto deve ser apurado através de demonstrativo de evolução patrimonial que indique, mensalmente, tanto as origens de recursos como os dispêndios e aplicações. Este é o ônus probatório do fisco. Ao contribuinte cabe o ônus de demonstrar que o referido acréscimo patrimonial a descoberto encontra justificativa em rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou de tributação definitiva não considerados no demonstrativo. Diferentemente do entendimento esposado pela defesa, o lançamento tem suporte em presunção legal regularmente instituída pelo legislador ordinário, e não decorre do arbítrio da fiscalização. Com efeito, tratase de uma presunção legal do tipo juris tantum (relativa), pois, demonstrada pelo fisco a existência de acréscimos patrimoniais a descoberto presumese a ocorrência de omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte justificar a origem de tais acréscimos com rendimentos já tributados, isentos, não tributáveis ou de tributação exclusiva. Permanecendo injustificados tais acréscimos, prevalece a presunção juris tantum de que provêm de fonte ou atividade não declaradas. Após esse breve intróito, analisando os elementos de prova nos autos, entendo que o Fluxo Financeiro Mensal, à fl. 292, deve sofrer o aporte dos recursos decorrentes das alienações das obras de arte, no valor total de R$25.743,00. Referidos valores foram regularmente informados na DIRPF do exercício de 2002 (fls. 04/10), conforme reconhece o Termo de Verificação Fiscal às fls. 287/289; foram apresentados tempestivamente, juntamente com a DIRPF, os respectivos Demonstrativos de Apuração dos Ganhos de Capital (fls. 11/16), que identificam os objetos, datas, valores e adquirentes, e os recibos emitidos pelo autuado para quitação dos pagamentos recebidos (fls. 51/56). Tratase de um conjunto probatório amplamente favorável às alegações do sujeito passivo, que não foram infirmados pela fiscalização através de circularizações nos adquirentes ou na instituição em que estavam expostos os objetos, mas se ateve apenas aos recibos de venda na sua avaliação. No que tange ao item 002 do lançamento, a isenção mencionada pelo recorrente não se aplica ao caso em exame, pois o ganho de capital referese a aplicações financeiras realizadas em moeda estrangeira com rendimentos auferidos originariamente em reais. A isenção alcança apenas a variação cambial decorrente das alienações de bens e direitos adquiridos e das liquidações ou resgates de aplicações financeiras realizadas com rendimentos auferidos originariamente em moeda estrangeira (IN SRF nº 118/00, art. 14, II) ou o resgate Fl. 376DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 4/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 18471.001681/200646 Acórdão n.º 210101.509 S2C1T1 Fl. 363 7 de aplicações financeiras, adquiridos a qualquer título, na condição de nãoresidente (MP nº 2.15835, de 2001, art. 24, § 6º, I; IN SRF nº 118/00, art. 14, I). Com efeito, para fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/2000, as operações que importem na alienação, a qualquer título, de bens ou direitos adquiridos em moeda estrangeira, ações e outros ativos financeiros em bolsa de valores, de mercadorias, de futuros ou assemelhadas, ou em qualquer mercado do exterior e na liquidação ou resgate de aplicações financeiras realizadas em moeda estrangeira, por pessoa física na condição de residente no Brasil estão sujeitas à apuração de ganho de capital tributável, à alíquota de 15%. Na hipótese de bens e direitos adquiridos e aplicações financeiras realizadas em moeda estrangeira com rendimentos auferidos originariamente em reais, o ganho de capital corresponde à diferença positiva, em reais, entre o valor de alienação, liquidação ou resgate e o custo de aquisição do bem ou direito ou o valor original da aplicação financeira. Diferentemente do que aduz a defesa, os rendimentos produzidos por aplicações financeiras em moeda estrangeira, bem como o ganho de capital obtido na alienação de bens e direitos adquiridos em moeda estrangeira, ainda que decorrentes de rendimentos auferidos originariamente em reais, serão considerados rendimentos auferidos originariamente em moeda estrangeira. Esta hipótese não alberga o pleito do recorrente, pois determina que mesmo havendo variação cambial negativa do dólar para o real, como o investimento foi feito originalmente em dólar, o rendimento será sempre tributado. Nas aplicações financeiras realizadas em moeda estrangeira com rendimentos auferidos originalmente em reais, a variação cambial do período que decorrer entre a data aquisição/aplicação e a data da alienação/resgate integra o ganho de capital para fins de apuração da base de cálculo do IRPF. A isenção refere se ao acréscimo patrimonial decorrente da variação cambial ocorrida durante o anocalendário. Ou seja, o acréscimo patrimonial referente ao aumento do saldo em 31 de dezembro, dos depósitos em moeda estrangeira, informados na DIPF, não serão tributados. Quando houver o resgate, a variação cambial integrará o ganho de capital. Neste sentido é a jurisprudência colacionada pelo recorrente. A tributação deste ganho de capital é autônoma e definitiva. Os ganhos de capital decorrentes de liquidação ou resgate de aplicação financeira no exterior devem ser apurados no mês em que forem auferidos e tributados em separado, não integrando a base de cálculo do imposto na declaração de rendimentos, e o valor do imposto pago não poderá ser deduzido do devido na declaração. O recorrente alega, mas não há prova nos autos, quanto à tributação e inclusão dos rendimentos auferidos na DIRPF do anocalendário de 2001, como rendimentos de tributação exclusiva na fonte. A esse respeito, nada foi informado no item 3, quadro 4, da DIRPF do anocalendário de 2001 (fl. 05). Desta forma, inaplicável o prazo decadencial previsto no artigo 150 do CTN. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. Em face ao exposto, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, dou provimento parcial ao recurso, para incluir como origem de recursos, o montante de R$25.743,00. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 377DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 4/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 8 Fl. 378DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 4/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10980.009572/2004-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Ano calendário:2012
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INOCORRÊNCIA. Conforme decidido pelo
Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, é cabível a exigência da multa de mora quando ocorre o recolhimento extemporâneo de tributo cujos débitos foram antes declarados à Receita Federal. Nesse contexto, não há que se falar em denúncia espontânea.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 1402-001.052
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Antonio José Praga de Souza
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - restituição e compensação
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201206
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano calendário:2012 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INOCORRÊNCIA. Conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, é cabível a exigência da multa de mora quando ocorre o recolhimento extemporâneo de tributo cujos débitos foram antes declarados à Receita Federal. Nesse contexto, não há que se falar em denúncia espontânea. Recurso voluntário negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 10980.009572/2004-53
anomes_publicacao_s : 201206
conteudo_id_s : 5135533
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1402-001.052
nome_arquivo_s : 140201052_10980009572200453_201206.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : Antonio José Praga de Souza
nome_arquivo_pdf_s : 10980009572200453_5135533.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2012
id : 4753178
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:46:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044358741098496
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1762; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1 1 0 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.009572/200453 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 140201.052 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de junho de 2012 Matéria IRPJ. DCOMP. RECONHECIMENTO DIREITO CREDITORIO. Recorrente MATESC MATERIAL ESCOLAR LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2012 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INOCORRÊNCIA. Conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, é cabível a exigência da multa de mora quando ocorre o recolhimento extemporâneo de tributo cujos débitos foram antes declarados à Receita Federal. Nesse contexto, não há que se falar em denúncia espontânea. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/ 07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10980.009572/200453 Acórdão n.º 140201.052 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório MATESC MATERIAL ESCOLAR LTDA com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que confirmou o despacho decisório da Delegacia da Receita Federal de origem e indeferiu seu pleito. Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: Versa o presente litígio sobre manifestação de inconformidade em face do indeferimento do pedido de restituição protocolizado em 30/04/2004 (fls. 03 a 06) e referente a valores recolhidos pelo interessado no montante de R$ 26.139,30, a título de multa de mora sobre parcelas da IRPJ, que, conforme planilha de fl. 10, teriam sido pagas no período entre 31/01/1995 e 31/10/2003. 2. Conforme se verifica às fls. 29/30, o pedido, apreciado pelo Seort da DRF em Curitiba, foi indeferido em 11/08/2004, com base nos seguintes fundamentos: 1) o dispositivo contido no art. 138 do CTN não exime o contribuinte da multa de mora prevista nos termos do art. 61 da Lei n.º 9.430, de 1996, visto que referida multa não apresenta caráter punitivo, mas sim indenizatório; 2) ademais disso, verificase prejudicado o pedido, na parte referente a pagamentos efetuados antes de 30/04/1999, tendo em vista o transcurso do prazo decadencial concernente ao direito de o interessado pleitear a restituição. 3. Regularmente cientificado (por AR – fl. 32) em 17/08/2004, o contribuinte, por meio de seus procuradores legalmente constituídos (fl. 12), juntou aos autos os documentos de fls. 43 a 47 (DARF de IRRF) e impugnou o despacho decisório em 01/09/2004, conforme fls. 33 a 42, apresentando contrarazões onde, em síntese: 1) relativamente à decadência que teria prejudicado parte do pedido de restituição em exame, alega que os dispositivos legais aplicáveis à espécie são aqueles contidos no § 4º do art. 150 e no inciso VII do art. 156 ambos do CTN que, combinados com o disposto pelo inciso I do art. 168 do precitado diploma, esteiam o entendimento de que o contribuinte dispõe de um prazo de dez anos para requerer o reconhecimento do indébito. 2) em apoio à supracitada exegese, transcreve arestos coligidos junto aos Tribunais Regionais Federais da 1a. e da 4a. Regiões, e argumenta que a extinção do crédito tributário ocorre cinco anos após o pagamento do tributo ou contribuição com a respectiva homologação tácita, sendo que só a partir desta data é que, então, se inicia a contagem do prazo decadencial de cinco anos para que o contribuinte pleiteie a restituição do tributo recolhido indevidamente. 3) quanto ao direito creditório vindicado, sustenta que os pagamentos feitos com atraso foram, todavia, efetuados antes de qualquer iniciativa do Fisco, acrescidos de juros de mora, razão pela qual entende estarem preenchidos, na espécie, os requisitos exigidos pelo art. 138 do CTN para que se exclua a responsabilidade do contribuinte pelo pagamento das multas moratórias incidentes sobre os valores pagos “à vista”. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/ 07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10980.009572/200453 Acórdão n.º 140201.052 S1C4T2 Fl. 0 3 4) argumenta que o propósito do referido art. 138 é justamente incentivar os contribuintes inadimplentes a regularizarem, por vontade própria, sua situação perante o Fisco, o que se concretiza pela exclusão da responsabilidade pela infração cometida pelo denunciante e, conseqüentemente, pela (não) imposição de qualquer tipo de penalidade. 5) em apoio à sua argumentação, transcreve arestos coligidos junto ao Superior Tribunal de Justiça, da qual extrai a conclusão de que, uma vez efetuada a denúncia espontânea, não pode o Fisco aplicar ao contribuinte denunciante qualquer espécie de penalidade. 6) por último, traz à colação cópias de DARF de fls. 44 a 47, para contestar o despacho decisório ora hostilizado, também na parte referente à não confirmação pelos sistemas informatizados da Receita Federal (SINAL09) de pagamentos de multas moratórias alusivas a recolhimentos realizados a título de IRRF. Após a impugnação, dado o fato de que o pedido de restituição originalmente formalizado pelo contribuinte era referente a multas de mora pagas sobre diferentes tributos e contribuições federais, a matéria pertinente aos pagamentos realizados sobre o valor do IRPJ foi apartada do PAF n.º 10980.002777/200416, de molde a propiciar o seu adequado julgamento, razão pela qual foi constituído o presente processo administrativo. A decisão recorrida está assim ementada: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1994, 1995 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. MULTA DE MORA. DECADÊNCIA. A decadência do direito de pleitear a restituição ocorre em cinco anos contados da extinção do crédito pelo pagamento. Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2002, 2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Indeferese o pedido de restituição de multa de mora paga juntamente com o tributo ou contribuição, uma vez que a sanção moratória está fundada em legislação tributária em plena vigência, não se podendo alegar, no caso, a denúncia espontânea. Solicitação indeferida. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/ 07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10980.009572/200453 Acórdão n.º 140201.052 S1C4T2 Fl. 0 4 Mediante resolução 140200.082 de 5/8/2011, o julgamento foi convertido em diligência para os seguintes fins: “(...) No recurso voluntário, fls. 62 e seguintes, o contribuinte repisa as alegações da peça impugnatória. Pois bem, não consta nos autos se os valores que o contribuinte pleiteia restituição foram objeto de declarações/confissões anteriores ao recolhimento. Em face da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso repetitivo, que deve ser aplicada neste Conselho, à luz do artigo 62A do Regimento Interno em vigor, proponho a conversão do julgamento em diligência para verificar se os tributos sobre os quais incidiram a multa moratório foram objeto de declaração em DCTF ou DIPJ. (...)” Consoante Informação Fiscal de fl. 101 foi verificado que o contribuinte informou os débitos nas DCTF de fls. 86 a 92. Ato continuo, o processo retornou ao CARF para prosseguimento. É o relatório. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/ 07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10980.009572/200453 Acórdão n.º 140201.052 S1C4T2 Fl. 0 5 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado, tratase de pedido de restituição de multas de mora recolhidas pelo contribuinte nos pagamentos de tributos federais em atraso, discriminadas no relatório de fls. 8 a 10, que foi indeferido pela DRJ e DRF, com base nos seguintes fundamentos: 1) o dispositivo contido no art. 138 do CTN não exime o contribuinte da multa de mora prevista nos termos do art. 61 da Lei n.º 9.430, de 1996, visto que referida multa não apresenta caráter punitivo, mas sim indenizatório; 2) ademais disso, verificase prejudicado o pedido, na parte referente a pagamentos efetuados antes de 30/04/1999, tendo em vista o transcurso do prazo decadencial concernente ao direito de o interessado pleitear a restituição. No recurso voluntário, o contribuinte repisa as alegações da peça impugnatória. Uma vez que não consta nos autos se os valores que o contribuinte pleiteia restituição foram objeto de declarações/confissões anteriores ao recolhimento e considerando a face da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso repetitivo, que deve ser aplicada neste Conselho, à luz do artigo 62A do Regimento Interno em vigor, o julgamento foi conversão do julgamento em diligência para verificar se os tributos sobre os quais incidiram a multa moratório foram objeto de declaração em DCTF ou DIPJ. Pois bem, consoante apurado na diligência fiscal, os valores pagos em atraso foram declarados pelo contribuinte tanto em DCTF quanto em DIPJ, conforme documentos de fls. 86 a 95, sendo assim, não há que se falar em denúncia espontânea, sendo cabível a exigência da multa de mora. Consultando os julgados do STJ em matéria repetitiva, verificase a seguinte decisão: RECURSO ESPECIAL Nº 1.149.022 SP (2009/01341424) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : BANCO PECÚNIA S/A ADVOGADO : SERGIO FARINA FILHO E OUTRO(S) RECORRIDO : UNIÃO FEDERAL (FAZENDA NACIONAL) PROCURADOR : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO Fl. 108DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/ 07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10980.009572/200453 Acórdão n.º 140201.052 S1C4T2 Fl. 0 6 PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). (...) 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (Grifei). Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 109DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/ 07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.003126/2007-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/03/2003 a 30/04/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO.
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente
contestada na impugnação, não competindo ao CARF apreciála.
DENUNCIA ESPONTÂNEA. DÉBITO DECLARADO REGULARMENTE E PAGO FORA DO PRAZO DE VENCIMENTO. MULTA DE MORA. EXIGÊNCIA.
A denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão
da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por
homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de
vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer
procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.608
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto acompanharam o relator pelas conclusões.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201205
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/03/2003 a 30/04/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na impugnação, não competindo ao CARF apreciála. DENUNCIA ESPONTÂNEA. DÉBITO DECLARADO REGULARMENTE E PAGO FORA DO PRAZO DE VENCIMENTO. MULTA DE MORA. EXIGÊNCIA. A denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ). Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 11080.003126/2007-94
anomes_publicacao_s : 201205
conteudo_id_s : 5171988
dt_registro_atualizacao_tdt : Sun May 05 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3302-001.608
nome_arquivo_s : 3302001608_11080003126200794_201205.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : WALBER JOSE DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 11080003126200794_5171988.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto acompanharam o relator pelas conclusões.
dt_sessao_tdt : Thu May 24 00:00:00 UTC 2012
id : 4752684
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:46:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044358766264320
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1824; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.003126/200794 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 330201.608 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de maio de 2012 Matéria MULTA DE MORA AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente VENEZA COMÉRCIO E TRANSPORTES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2003 a 30/04/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na impugnação, não competindo ao CARF apreciála. DENUNCIA ESPONTÂNEA. DÉBITO DECLARADO REGULARMENTE E PAGO FORA DO PRAZO DE VENCIMENTO. MULTA DE MORA. EXIGÊNCIA. A denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto acompanharam o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 31/05/2012 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Contra a empresa VENEZA COMÉRCIO E TRANSPORTES LTDA foi lavrado auto de infração para exigir o pagamento de Multa de Mora Isolada incidente sobre o valor de débitos de Cofins, referente aos períodos de apuração de março e abril de 2003, declarados regularmente em DCTF e pagos após o prazo de vencimento sem a referida multa de mora. Tempestivamente a contribuinte insurgese contra a exigência fiscal, alegando, em síntese, que a exigência de multa de mora no pagamento espontâneo em atraso de tributos e de contribuições já declarados em DCTF é descabida com base no artigo 138 do Código Tributário Nacional, e jurisprudência anexada nesse sentido, estando, dessa forma, excluída a sua responsabilidade. A DRJ em Porto alegre RS manteve o lançamento, nos termos do Acórdão no 1033.161, de 20/07/2011, cuja ementa apresenta o seguinte teor: É DEVIDA MULTA E JUROS DE MORA RELATIVOS A PAGAMENTO APÓS O VENCIMENTO DO PRAZO, MESMO QUE JÁ DECLARADOS EM DCTF. São devidos a multa e os juros de mora cujo pagamento foi feito após o vencimento, ainda que já tenha ocorrido a denúncia espontânea do crédito tributário através de DCTF, não se aplicando a hipótese do art. 138 do Código Tributário Nacional Ciente da decisão de primeira instância em 15/08/11, conforme AR de fle. 24, a empresa autuada interpôs recurso voluntário em 23/08/11, no qual repisa o argumento da impugnação sobre a improcedência da multa em razão de ter ocorrido pagamento espontânea e, inovando nas razões do recurso, alega que o débito está remido por força do que dispõe o art. 14 da Lei nº 11.941/09, cuja aplicação é automática e independe de qualquer procedimento por parte do contribuinte. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este Conselheiro Relator. É o Relatório. Voto Conselheiro Walber José da Silva, Relator. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11080.003126/200794 Acórdão n.º 330201.608 S3C3T2 Fl. 2 3 O recurso voluntário é tempestivo e, pelas razões abaixo, deve ser conhecido em parte. A empresa recorrente foi autuada para a Fazenda Nacional exigir o pagamento de multa de mora que deixou de ser paga em março de 2007 junto com o débito principal da Cofins, regularmente declarados em DCTF nos meses de maio e agosto de 2003. Na impugnação a empresa autuada defende, em síntese, que a multa de mora é indevida porque ocorreu denuncia espontânea (art. 138 do CTN). No recurso voluntário a empresa inova seus argumentos para acrescentar a preliminar de remissão do débito lançado, nos termos do art. 14 da Lei nº 11.941/09. A impugnação estabelece a fase litigiosa do procedimento e o momento de sua apresentação é aquele estabelecido no art. 15 do Decreto no 70.235/72. Estabelece, também, o art. 17 deste mesmo diploma legal, que “considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. A preliminar de remissão do débito suscitada no recurso voluntário não constava da impugnação. Conseqüentemente, sobre esta matéria não há litígio. Sem litígio, não há apreciação pelo julgador de primeira instância. Não tendo sido objeto de julgamento na primeira instância, por não constar como razão da impugnação, não há como este Conselho apreciar esta matéria, posto que preclusa. O préquestionamento, entendido como a necessidade de o tema objeto do recurso haver sido examinado pela decisão atacada, constitui exigência do Decreto nº 70.235/72 (arts. 17 e 37 c/c art. 1º do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009), impondose como requisito inafastável ao conhecimento do recurso voluntário. Mais uma vez, não tendo sido contestada e examinada explicitamente pela instância ordinária a preliminar de remissão suscitada no presente recurso voluntário, dela não se conhece. Isto posto, voto no sentido de não conhecer da preliminar suscitada pela recorrente. Quanto ao mérito, não assiste razão à recorrente. O argumento da recorrente de que ocorreu a denúncia espontânea no presente caso está superado no âmbito do Poder Judiciário com a edição, pelo STJ, da Súmula nº 360, abaixo reproduzida: SÚMULA 360 O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Para que não exista nenhuma dúvida sobre o alcance da referido Súmula nº 360, no dia 09/06/2010 o STJ julgou o REsp 1.149.022/SP, pelo rito do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008 (Recurso Repetitivo), para decidir que é devido a multa de mora quando o débito de tributo sujeito a lançamento por homologação for declarado regularmente e pago em data posterior à do vencimento, confirme ementa do respectivo acórdão, abaixo reproduzida. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 4 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a Fl. 57DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11080.003126/200794 Acórdão n.º 330201.608 S3C3T2 Fl. 3 5 denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (os grifos são do original) No presente caso os débitos de Cofins pagos sem a multa de mora, que ensejou o presente lançamento de ofício, foram regularmente declarados em DCTF nos dias 14/05/2003 e 14/08/2003 e os pagamentos dos mesmos foram realizados no dia 30/03/2007. Portanto, na data em que a recorrente efetuou os pagamentos os débitos estavam regularmente declarados em DCTF. Considerando que as decisões proferidas pelo STJ em recursos repetitivos são de aplicação obrigatória por este Colegiado (art. 62A do RICARF), deve ser negado provimento ao recurso voluntário do contribuinte, na parte conhecida. No mais, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/19991, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, na parte conhecida. (assinado digitalmente) Walber José da Silva 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 6 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10980.006839/2009-65
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008
Ementa:
EXCLUSÃO DO SIMPLES – INÍCIO DOS EFEITOS
Além de as notas fiscais serem emitidas pelo tomador com retenção de 11% à
guisa de cessão de mão de obra, o instrumento contratual prevê também o
fornecimento de mão de obra. Hipótese vedatória ao Simples federal. A
norma legal aplicável que prevê o início dos efeitos da exclusão do Simples é
a em vigor no momento da consecução do pressuposto de fato para a
exclusão. Exclusão com efeitos a partir de 1º de fevereiro de 2004.
IRPJ, CSLL – ARBITRAMENTO DO LUCRO
A recorrente não apresentara a escrituração contábil, mesmo após reiteradas
intimações, o que impõe o arbitramento do lucro. Lucro arbitrado que se deu
com base na receita conhecida, no caso, sobre as receitas omitidas
correspondentes aos valores das notas fiscais emitidas pela recorrente, contra os quais ela não controverteu.
ARBITRAMENTO DO LUCRO – COEFICIENTE DE 38,4%
Como a atividade da recorrente foi a de prestação de serviços, correto o
coeficiente de 38,4%, para fins de IRPJ, e de 32%, para efeitos de CSLL.
Haveria tributação do que não é renda, se as exigência de IRPJ e de CSLL
recaíssem simplesmente sobre as receitas omitidas, aplicando-se sobre elas as
alíquotas desses tributos. Trata-se, no arbitramento do lucro com aplicação
dos coeficientes sobre as receitas, de medida presuntiva legal diante da
inexistência de escrituração contábil regular (a consagrar as despesas, no caso
de lucro real).
PIS, COFINS
Tendo o mesmo suporte fático em dissídio, cabem as conclusões deduzidas
sobre receitas omitidas para IRPJ.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DAS DEMAIS SOCIEDADES DO GRUPO
A rigor, o caso nem seria de responsabilidade solidária das demais sociedades do grupo Schade, pois se trata de apenas uma empresa e uma sociedade, incluindo-se
a recorrente, sendo as demais sociedades simuladas.
Mas, como os autos de infração se deram somente em relação aos fatos econômicos juridicamente relevantes “afetados” à recorrente, e contra ela lavrados, cabível a manutenção da sujeição passiva das demais sociedades, mesmo que sob título de responsáveis solidárias.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DE JOSÉ CARLOS SCHADE
Sócio administrador que esteve à frente da constituição de todas as sociedades simuladas, e como administrador “de todas elas”, ou da única sociedade existente. Responsabilidade evidenciada com tipificação do art. 135, III, do CTN.
Numero da decisão: 1103-000.604
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR
provimento parcial para reconhecer o início da eficácia da exclusão do Simples federal, a partir de 1º de fevereiro de 2004, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201201
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008 Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES – INÍCIO DOS EFEITOS Além de as notas fiscais serem emitidas pelo tomador com retenção de 11% à guisa de cessão de mão de obra, o instrumento contratual prevê também o fornecimento de mão de obra. Hipótese vedatória ao Simples federal. A norma legal aplicável que prevê o início dos efeitos da exclusão do Simples é a em vigor no momento da consecução do pressuposto de fato para a exclusão. Exclusão com efeitos a partir de 1º de fevereiro de 2004. IRPJ, CSLL – ARBITRAMENTO DO LUCRO A recorrente não apresentara a escrituração contábil, mesmo após reiteradas intimações, o que impõe o arbitramento do lucro. Lucro arbitrado que se deu com base na receita conhecida, no caso, sobre as receitas omitidas correspondentes aos valores das notas fiscais emitidas pela recorrente, contra os quais ela não controverteu. ARBITRAMENTO DO LUCRO – COEFICIENTE DE 38,4% Como a atividade da recorrente foi a de prestação de serviços, correto o coeficiente de 38,4%, para fins de IRPJ, e de 32%, para efeitos de CSLL. Haveria tributação do que não é renda, se as exigência de IRPJ e de CSLL recaíssem simplesmente sobre as receitas omitidas, aplicando-se sobre elas as alíquotas desses tributos. Trata-se, no arbitramento do lucro com aplicação dos coeficientes sobre as receitas, de medida presuntiva legal diante da inexistência de escrituração contábil regular (a consagrar as despesas, no caso de lucro real). PIS, COFINS Tendo o mesmo suporte fático em dissídio, cabem as conclusões deduzidas sobre receitas omitidas para IRPJ. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DAS DEMAIS SOCIEDADES DO GRUPO A rigor, o caso nem seria de responsabilidade solidária das demais sociedades do grupo Schade, pois se trata de apenas uma empresa e uma sociedade, incluindo-se a recorrente, sendo as demais sociedades simuladas. Mas, como os autos de infração se deram somente em relação aos fatos econômicos juridicamente relevantes “afetados” à recorrente, e contra ela lavrados, cabível a manutenção da sujeição passiva das demais sociedades, mesmo que sob título de responsáveis solidárias. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DE JOSÉ CARLOS SCHADE Sócio administrador que esteve à frente da constituição de todas as sociedades simuladas, e como administrador “de todas elas”, ou da única sociedade existente. Responsabilidade evidenciada com tipificação do art. 135, III, do CTN.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 10980.006839/2009-65
anomes_publicacao_s : 201201
conteudo_id_s : 5005472
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1103-000.604
nome_arquivo_s : 110300604_10980006839200965_201201.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : MARCOS SHIGUEO TAKATA
nome_arquivo_pdf_s : 10980006839200965_5005472.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento parcial para reconhecer o início da eficácia da exclusão do Simples federal, a partir de 1º de fevereiro de 2004, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
id : 4749358
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:45:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044358827081728
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2402; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T3 Fl. 416 1 415 S1C1T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.006839/200965 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 110300.604 – 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 16 de janeiro de 2012 Matéria IRPJ, CSLL, PIS, COFINS Recorrente LOCOMAQ MANUTENÇÃO DE VEÍCULOS FERROVIÁRIOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES – INÍCIO DOS EFEITOS Além de as notas fiscais serem emitidas pelo tomador com retenção de 11% à guisa de cessão de mão de obra, o instrumento contratual prevê também o fornecimento de mão de obra. Hipótese vedatória ao Simples federal. A norma legal aplicável que prevê o início dos efeitos da exclusão do Simples é a em vigor no momento da consecução do pressuposto de fato para a exclusão. Exclusão com efeitos a partir de 1º de fevereiro de 2004. IRPJ, CSLL – ARBITRAMENTO DO LUCRO A recorrente não apresentara a escrituração contábil, mesmo após reiteradas intimações, o que impõe o arbitramento do lucro. Lucro arbitrado que se deu com base na receita conhecida, no caso, sobre as receitas omitidas correspondentes aos valores das notas fiscais emitidas pela recorrente, contra os quais ela não controverteu. ARBITRAMENTO DO LUCRO – COEFICIENTE DE 38,4% Como a atividade da recorrente foi a de prestação de serviços, correto o coeficiente de 38,4%, para fins de IRPJ, e de 32%, para efeitos de CSLL. Haveria tributação do que não é renda, se as exigência de IRPJ e de CSLL recaíssem simplesmente sobre as receitas omitidas, aplicandose sobre elas as alíquotas desses tributos. Tratase, no arbitramento do lucro com aplicação dos coeficientes sobre as receitas, de medida presuntiva legal diante da inexistência de escrituração contábil regular (a consagrar as despesas, no caso de lucro real). PIS, COFINS Tendo o mesmo suporte fático em dissídio, cabem as conclusões deduzidas sobre receitas omitidas para IRPJ. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/02/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.006839/200965 Acórdão n.º 110300.604 S1C1T3 Fl. 417 2 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DAS DEMAIS SOCIEDADES DO GRUPO A rigor, o caso nem seria de responsabilidade solidária das demais sociedades do grupo Schade, pois se trata de apenas uma empresa e uma sociedade, incluindose a recorrente, sendo as demais sociedades simuladas. Mas, como os autos de infração se deram somente em relação aos fatos econômicos juridicamente relevantes “afetados” à recorrente, e contra ela lavrados, cabível a manutenção da sujeição passiva das demais sociedades, mesmo que sob título de responsáveis solidárias. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DE JOSÉ CARLOS SCHADE Sócio administrador que esteve à frente da constituição de todas as sociedades simuladas, e como administrador “de todas elas”, ou da única sociedade existente. Responsabilidade evidenciada com tipificação do art. 135, III, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento parcial para reconhecer o início da eficácia da exclusão do Simples federal, a partir de 1º de fevereiro de 2004, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aloysio José Percínio da Silva (Presidente), Hugo Correia Sotero, Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata (Relator), José Sérgio Gomes, Eric Moraes de Castro e Silva. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/02/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.006839/200965 Acórdão n.º 110300.604 S1C1T3 Fl. 418 3 Relatório DO LANÇAMENTO Trata o presente processo do Ato Declaratório Executivo nº 292 (fl. 46), de 23/11/2009, que determinou a exclusão da recorrente ao sistema do Simples, desde 1º/12/2003; e dos autos de infração lavrados na sistemática do lucro arbitrado, relativo aos fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2005, 2006, 2007 e 2008, fls. 54 a 124, onde se exige o crédito tributário de IRPJ (fls. 54 a 59) no valor de R$ 1.086.974,46; CSL (fls. 75 a 81) no valor de R$ 289.666,85; COFINS (fls. 93 a 98) no valor de R$ 185.855,45; e PIS (fls. 109 a 114) no valor de R$ 40.483,08, além de juros e multa de 75%. O ADE nº 292, de 23/11/2009 foi expedido em face da Representação Fiscal de fls. 4 e 5, quando restou comprovado o desempenho de atividades vedadas ao Simples, aliado ao fato de possuir sócio com participação superior a 10% em outras empresas, sendo que a soma da receita bruta global teria ultrapassado o limite estabelecido pela legislação de regência. Dentre as atividades vedadas exercidas pela recorrente estão a locação de mão de obra e a prestação de serviços que dependem de profissional legalmente habilitado. A fundamentação para a emissão do ato foi afronta ao art. 9º, incisos IX, XII, alínea “f” e XIII, da Lei 9.317/96, com efeitos a partir de 1º/12/2003. Foi detectado que o sócioadministrador José Carlos Schade abriu diversas empresas com o mesmo objeto social a fim de burlar o sistema tributário do Simples. Na verdade, tratase de apenas uma empresa, denominada de “Grupo Schade”, atuando com seis CNPJ diferentes. A confusão pode ser claramente evidenciada, pois, quando uma das empresas necessitava de recursos financeiros, era rapidamente providenciada uma transferência de outra empresa que dispusesse de recursos em conta bancária, sem formalidade, sem contrato e nem devolução de dinheiro. Diante deste quadro, são todas as empresas solidárias em relação aos autos de infração lavrados nesse procedimento fiscal, motivo pelo qual foi lavrado o Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 1, de fls. 256 e 257 para as empresas: Schade Manutenção Mecânica Ltda ME – CNPJ 05.242.075/000100; SPR Manutenção de Veículos Ferroviários Ltda – CNPJ 05.673.216/0001 31; JRS Manutenção Mecânica Ltda ME – CNPJ 05.863.502/000160; Laci Manutenção Mecânica Ltda – CNPJ 07.494.082/000117; e Allu Manutenção Mecânica Ltda – CNPJ 08.937.381/000141. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/02/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.006839/200965 Acórdão n.º 110300.604 S1C1T3 Fl. 419 4 Foi constatada também a responsabilidade solidária pessoal do sócio administrador, pois abriu empresas fictícias para burlar o sistema tributário, onde não há diferenças entre os serviços prestados pelas mesmas, onde nunca houve integralização das cotas da sociedade pelos sócios “laranjas”, bem como nunca houve pagamentos quando saíram das sociedades. Os percentuais de cotas de José Carlos Schade nas empresas criadas foi mantido abaixo de 10%, para não violar o art. 9º da Lei 9.317/96. Apesar desses percentuais, José Carlos Schade foi instituído como único administrador de todas as empresas e os demais sócios à exceção de Mario Celso Richter nunca participaram das atividades do “Grupo Schade” e não receberam os frutos do negócio, mesmo possuindo a maioria das cotas. Podese dizer que a divisão de cotas a partir da criação da segunda empresa não passou de mera simulação. Ainda, quando o sócio administrador necessitou de valores maiores para compra de imóveis, utilizavase de artifício de dividir as despesas entre as empresas. A partir das constatações, foi lavrado o Termo de Sujeição Passiva Solidária, nº 2, de fls. 258 a 260, para José Carlos Schade. A infração imputada nos autos de infração foi a omissão de receitas de prestação de serviços gerais, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 125 a 141. Para os anoscalendário 2004 e 2005, todas as empresas do “Grupo Schade” declararamse inativas. De acordo com as declarações, o início das atividades terseia dado apenas em 2006, na condição de optante pelo Simples. No anocalendário de 2007, desobedecendo aos ditames legais, não houve apresentação de declaração relativa ao IRPJ. Entretanto, de acordo com as Notas Fiscais de Prestação de Serviços analisadas, estavam sendo prestados serviços desde 2004. Na condição de optante pelo Simples, estaria a recorrente dispensada de manter escrituração comercial, desde que mantivesse Livro Caixa. A recorrente foi intimada diversas vezes a apresentar Livro Caixa ou Livro Diário, mas nada foi apresentado. Diante deste quadro, o regime de tributação adotado em todo o período foi o lucro arbitrado, que foi feito com base nas Notas Fiscais de Prestação de Serviços apresentadas. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE E DA IMPUGNAÇÃO Cientificada da exclusão do Simples e dos lançamentos, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade de fls. 282 a 302, e impugnação de fls. 309 a 321, ambas em 3/03/2010, alegando, em síntese, o que segue. Na manifestação de inconformidade, é arguido que a RFB presumiu, pelo recolhimento do percentual de 11% a título de antecipação de contribuição previdenciária, que teria existido locação de mão de obra. Porém, porém presumiu equivocadamente, pois o que houve foi excesso de zelo da contratante, embora tenha recolhido indevidamente. Ademais, o fisco não juntou qualquer prova ou indício material da alegada locação, e não se exclui contribuinte do Simples apenas por presunção. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/02/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.006839/200965 Acórdão n.º 110300.604 S1C1T3 Fl. 420 5 Da mesma forma, equivocouse a RFB ao presumir que, tendo a recorrente prestado serviços de manutenção ou conserto, houve prestação de serviços regulamentados, e que haveria necessidade de habilitação profissional em curso superior dos seus empregados. Isso, pois a manutenção e conservação de locomotivas nada mais são do que serviços mecânicos, não sendo necessário formação universitária e muito menos ser engenheiro. Sobre a participação superior a 10% no capital social de outra empresa, aduz a recorrente que a Constituição Federal, em seus arts. 170 e 179, assegurou às empresas de pequeno porte – EPP e às microempresas – ME, tratamento privilegiado por parte do Poder Público. Que a definição dessas entidades encontrase na Lei 9.317/96. Entretanto, embora tenha a CF autorizado a lei ordinária a definir o contorno das entidades, não permitiu que tal definição acabasse por negar a elas, expressamente inseridas no conceito, o próprio incentivo. O que o art. 9º, IX da Lei 9.317/96 fez, em contrariedade à CF, foi vedar o benefício que estava obrigada a conceder, utilizando como fundamento a condição pessoal do titular ou sócio, pessoa essa que tem personalidade jurídica distinta das sociedades empresárias e não pode com elas se confundir. Alega que a RFB interpretou de forma equivocada o art. 9º, IX, da Lei 9.317/96. A norma é transparente ao estabelecer, na primeira parte, que o titular ou sócio da empresa não pode participar com mais de 10% do capital de outra empresa. Por óbvio, a lei admitiu, ao fazer referência à “outra empresa”, que a pessoa física seja sócia de uma empresa com mais de 10% e de outras quantas com participação menor. Posto isso, considerando que até 14/07/2006 nenhum dos sócios da recorrente participava de outra pessoa jurídica com mais de 10% do capital social, não cabe a efetuada soma das receitas brutas das empresas para fins de exclusão do Simples. Relativamente à data de início dos efeitos da exclusão de ofício do Simples, pondera o seguinte. A requerente foi notificada do ADE nº 292 apenas em 1º/02/2010. Entretanto, os efeitos da exclusão do Simples, segundo a RFB, retroagiriam a 1º/12/2003, residindo aí grave equívoco. Tais efeitos somente poderiam ocorrer a partir do novo exercício financeiro, ou seja, 1º/01/2011. Em última hipótese, por apego ao texto legal, devese acatar o disposto no art. 3º da Lei 9.732/98, que determinou sejam os efeitos iniciados a partir do mês seguinte ao da exclusão, no caso concreto, a partir de 1º/03/2010. Requer que o ADE seja anulado por cerceamento de defesa. Alega que todo o procedimento para excluir a recorrente do Simples transcorreu sem que ela fosse cientificada de qualquer ato a respeito. Não consta em nenhuma das folhas do processo qualquer ciência ou solicitação de informações ou esclarecimento, em evidente ofensa ao sagrado princípio do direito de defesa. Na impugnação, em preliminar, alega a nulidade dos autos de infração, pois o art. 3º, caput e § 1º, alínea “a”, da Lei 9.317/96, reproduzido no art. 187 do RIR/99, determina que as pessoas jurídicas optantes pelo Simples ficarão sujeitas ao pagamento mensal unificado dos impostos e contribuições federais. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/02/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.006839/200965 Acórdão n.º 110300.604 S1C1T3 Fl. 421 6 Por conseguinte, a Fazenda Nacional não poderia ter constituído o crédito tributário isoladamente, por imposto e contribuição, dada absoluta falta de previsão legal. Deveria efetuar um único lançamento e constituir o crédito tributário unificado, a título de Simples, respeitando a opção do contribuinte e as normas que regulam a matéria. No mérito, aduz que o arbitramento do lucro e a tributação do patrimônio são ilegais. Que as normas tributárias não autorizam o sujeito ativo da obrigação arbitrar o lucro do contribuinte sem antes lhe dar a opção para decidir a respeito de uma das formas de tributação previstas pela legislação. Como a RFB sabia do extravio dos livros e documentos da recorrente, deveria primeiro perquirir a mesma a respeito da opção que pretendia adotar para a apuração da base de cálculo do tributo, e abrir prazo razoável para que pudesse reconstituir a escrituração contábil ou o Livro Caixa, e não simplesmente intimar e reintimar para apresentar os livros. Para o lucro arbitrado, a fiscalização utilizou o percentual de 38,40% sobre a receita bruta da pessoa jurídica. As despesas com a folha de pagamento, os encargos trabalhistas e sociais e os tributos, por si só considerados e sem levar em conta as demais despesas, bastam para demonstrar que a rentabilidade da recorrente está bem longe do que pretende a RFB. Em face do vulto da exação, a RFB deixou de tributar a renda, e passou a tributar em 100% o patrimônio da pessoa jurídica e em 100% o patrimônio dos sócios, uma vez que mesmo a soma do patrimônio da pessoa jurídica e das pessoas físicas dos sócios não é suficiente para honrar os tributos exigidos. A fiscalização afirma que a autuada pagou despesas de sócios bem como pagou bens diversos por eles adquiridos. Defende que não há nenhuma ilegalidade nessa prática. Que também não há ilegalidade no que tange ao empréstimo de valores por transferências entre pessoas jurídicas, pois se trata de sociedades que pertencem a mesma família, que isso seria demonstração de união familiar. Aduz que os tributos deveriam ter sido exigidos segundo as normas do próprio Simples, e não arbitrar o lucro, como fez. Sobre as exigências de CSL, COFINS e PIS, requer, por brevidade e economia processual, que nelas se façam refletir, no que couber, todo os fundamentos já demonstrados, excluindose a totalidade ou parcialmente as exigências. Requer o cancelamento ou revogação da sujeição passiva tanto das pessoas jurídicas relacionadas no “Termo de Sujeição Passiva nº 1”, quanto da pessoa física citada no “Termo de Sujeição Passiva nº 2”, pois não existe máfé ou dolo: ao contrário, as sociedades empresárias foram legalmente constituídas e os sócios são pessoas físicas que existem e estão devidamente inscritas no CPF. Que a constituição de mais de uma pessoa jurídica com o mesmo sócio não ofende as normas legais e nem autoriza presumir tratarse de procedimento visando fraudar o fisco. Requer apresentar no futuro todas as demais espécies de provas admitidas em direito. Fl. 447DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/02/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.006839/200965 Acórdão n.º 110300.604 S1C1T3 Fl. 422 7 DA DECISÃO DA DRJ Em 2/02/2011 acordaram os membros da 2ª Turma de Julgamento da DRJ/Curitiba, por unanimidade de votos confirmar o ADE de Exclusão do Simples nº 292/2009; não acatar as preliminares de nulidade e de cerceamento ao direito de defesa; considerar não formulado o pedido de produção de novas provas e, no mérito: julgar procedente em parte o lançamento, mantendo de R$ 989.574,46 a título de IRPJ, R$ 40.483,08 de PIS, R$ 185.775,86 de COFINS, e R$ 289.666,85 de CSL, além das respectivas multas de lançamento de ofício e dos acréscimos legais; julgar procedente a atribuição de responsabilidade solidária às empresas do Grupo Schade; e julgar definitiva a atribuição de responsabilidade pessoal pelos tributos exigidos no presente processo ao sócio José Carlos Schade. Seguem os fundamentos, sintetizados. Inicialmente não houve preterição ao direito de defesa, visto que a recorrente foi regularmente notificada da exclusão do Simples através do Ato Declaratório com sua motivação claramente identificada. Restou caracterizada a cessão de mão de obra, pois pelo “Contrato de Prestação de Serviços” realizado entre a recorrente e a contratante houve a colocação de funcionários da contratada à disposição da contratante nas dependências que esta determinar e a prestação de serviços contínuos. As notas fiscais constituem prova direta da locação de mão de obra ao descrever que se referem a serviços prestados de recuperação de freios, compressores, limpeza de valas, montagem de conjunto de força, etc. A própria empresa classificou seus empregados como mecânicos de manutenção metroviária, seguindo a Classificação Brasileira de Operações. Constatase, ainda, pela GFIP acostada às fls. 24 a 26, que a empresa fez recolhimentos com o código 150 que é típico de empresa prestadora de serviços com cessão de mão de obra, em relação aos empregados cedidos, onde informa, dentre outras coisas, o valor da retenção sobre as Notas Fiscais/Faturas de Serviços. Com relação à atividade de manutenção de locomotivas, o argumento de que esta atividade é mera atividade mecânica, que não é atividade de engenheiro, não deve prosperar. Em atenção às regras hermenêuticas elementares, em se tratando de dispositivo excepcional, que limita o alcance da regra geral de vedação estipulada pelo art. 9º, XIII, da Lei do Simples, sua leitura deve ser feita restritivamente. Nesse sentido, a melhor interpretação que deve ser dada é aquela que afasta o enquadramento do trem em categoria dos “outros veículos pesados” de que trata a lei em comento. Ao focalizar a análise no caso típico dessa classe (oficinas mecânicas de automóveis), percebese que se trata de atividade massificada, padronizada e impessoal, que é o objetivo do Simples, pois sua execução é menos complexa. Já o caso de trens não versa produto massificado; a execução do trabalho não é feita de modo rotineira; e a recorrente presta Fl. 448DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/02/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.006839/200965 Acórdão n.º 110300.604 S1C1T3 Fl. 423 8 serviços quase que exclusivamente a apenas uma contratante, seguindo determinações dela. Sendo assim, o trabalho passa a ser executado de forma pessoal, com mais complexidade. Quanto à alegação de que teria havido afronta ao disposto no art. 179 da CF, descabe razão à recorrente, pois se trata de norma de eficácia limitada, e o art. 9º, inciso IX, da Lei 9.317/96 veio trazer eficácia jurídica ao art. 179 da CF. Por outro lado, assiste razão à recorrente quanto à inocorrência da outra hipótese vedatória ao regime simplificado, i.e., a assertiva de que o sócio não teria participação de outra empresa em percentual igual ou superior a 10%. No anocalendário de 2005, José Carlos Schade tinha somente participação de 3%. Somente em 2008, passou a ter percentuais de participações entre 97% e 99% dentre as empresas do grupo. Entretanto, em face dos dois outros motivos, prevalece a exclusão conformada pelo ADE nº 292/09. Sobre a data dos efeitos do ADE, nas hipóteses que a recorrente restou enquadrado não houve qualquer alteração que pudesse modificar o início dos efeitos do ADE. Portanto, tendo optado pelo Simples à data de sua constituição, 18/11/2003, sua exclusão deveria surtir efeitos a partir de 1º/12/2003, em obediência ao texto legal, como de fato ocorreu. O art. 187 do RIR/99 não foi violado como argumenta a recorrente, pois o dispositivo em nenhum momento estabelece que no lançamento de ofício, pela sistemática do Simples, os valores tem que constar num mesmo auto de infração. No arbitramento do lucro, a recorrente foi intimada diversas vezes a apresentar o Livro Caixa ou o Diário, mas não o fez. Assim, por conta da ausência total de escrituração contábil, seu lucro foi arbitrado com base no art. 47, III, da Lei 8.981/95. O percentual para determinação do lucro arbitrado, no caso de prestação de serviços em geral, é de 32%, não cabendo qualquer reparo aos autos. Sobre a contestação a afirmação do fisco sobre os pagamentos de contas dos sócios, aquisição de bens para os sócios, a autoridade fiscal utilizouse não só das transferências numerárias entre as contas correntes das empresas do grupo, como de outras operações estranhas ao objeto social da recorrente, para demonstrar a intensa ligação entre as diversas pessoas jurídicas que compõe o Grupo Schade. Diante da confusão patrimonial e financeira existente entre as empresas pertencentes ao grupo, que atuavam como se fosse uma única entidade, restou caracterizada a intenção de burlar a ação do fisco para que elas usufruíssem dos benefícios do Simples, demonstrando o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Desta forma, reputamse solidárias todas as empresas do Grupo Schade em relação aos autos de infração. Entretanto não cabe, em sede de julgamento, apreciar oposição à imputação de responsabilidade ao sócio da pessoa jurídica, na medida em que esta não detém legitimidade, e nem interesse para tanto. Assim, nesta parte, não se conhece da impugnação. No que tange ao pedido de produção de provas, de acordo com o art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto 70.235/72, o momento para apresentação de documentos comprobatórios é o da impugnação. Transcorrido este, apenas será possível a juntada de tais elementos ao Fl. 449DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/02/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.006839/200965 Acórdão n.º 110300.604 S1C1T3 Fl. 424 9 processo administrativo se ocorrer algum dos eventos descritos na normal legal, o que não é o caso da recorrente. De acordo com o aproveitamento dos valores retidos na fonte e/ou recolhidos tempestivamente, a DRJ elaborou planilhas com os acertos a serem feitos. Com tais ajustes, retificase o lançamento para reduzir a exigência de IRPJ de R$ 1.086.974,46 para R$ 989.574,46; reduzir a exigência de COFINS de R$ 185.855,85 para R$ 185.775,86, e manter integralmente a exigência de PIS no importe de R$ 40.483.08 e de CSL de R$ 289.666,85. DO RECURSO VOLUNTÁRIO A recorrente e o sujeito passivo solidário José Carlos Schade foram cientificados da decisão em 18/02/2011, conforme fls. 377 e 378. Foram apresentados dois recursos voluntários pela Locomaq, ambos em 21/03/2011, de fls. 380 a 393 e fls. 396 a 413. Nos dois recursos, foram reiteradas, em sua maioria, as alegações contidas na manifestação de inconformidade e na impugnação. Entretanto, não desafiou recurso contra omissão de receitas por pagamento de despesas pessoais do sócio José Carlos Schade, da empresa de seu cônjuge (Lulan Comércio de Produtos Alimentícios Ltda.) e decorrentes de outros operações estranhas ao objeto da recorrente (como recebimento de recursos de Luciano Luzzi). É o relatório. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/02/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.006839/200965 Acórdão n.º 110300.604 S1C1T3 Fl. 425 10 Voto Conselheiro Marcos Takata Os recursos são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade. Deles, pois, conheço. A recorrente fora excluída do Simples federal por tríplice motivo: a) consecução de atividade de cessão de mão de obra (art. 9º, XII, “f”, da Lei 9.317/96); b) participação do sócio da recorrente com mais de 10% do capital de outra sociedade, com receita brutal global superior ao estabelecido na lei do regime simplificado (art. 9º, IX, da Lei 9.317/96) c) exercício de atividade dependente de habilitação profissional legalmente exigida (art. 9º, XIII, da Lei 9.317/96). Como se constata do Relatório Fiscal dos Autos de Infração, foram relacionadas mais de 2.000 notas fiscais emitidas pelo tomador de serviços com retenção de contribuição previdenciária à alíquota de 11% (anexo 2 do Relatório Fiscal). E se vê que tal retenção se deu por conta da atividade de cessão de mão de obra (fl. 9). No instrumento contratual de prestação de serviços GS4600001970 (fls. 6 a 8, e Anexo I descritivo do escopo dos serviços nas fls. 10 e 11) são previstas como obrigações da recorrente (contratada) “planejar, conduzir e executar os serviços com integral observância das disposições deste contrato” (item 6.1), e também a responsabilização da contratada por qualquer dano material ou pessoal (item 6.5). A recorrente argui que as atividades de planejar e conduzir são incompatíveis com a cessão de mão de obra, e ainda mais a responsabilização por danos. Entretanto, o item 6.3 do mesmo instrumento contratual prevê o fornecimento de mão de obra pela contratada. Mais. A responsabilidade da contratada por dano material ou pessoal é preceituada não só em relação aos bens e interesses da contratante, mas também quanto aos equipamentos e instalações da contratada. Ora, seria despicienda tal previsão contratual de responsabilidade em relação aos próprios equipamentos e instalações da contratada, a não ser que eles sejam manuseados pela contratante direta ou indiretamente, neste caso, por ser cessionária da mão de obra da contratada. Enfim, diante do quadro posto, há elementos suficientes para a conclusão de que a recorrente desenvolvia atividade vedada à opção pelo regime simplificado federal, especificamente, a cessão de mão de obra. E a recorrente não trouxe aos autos elementos outros que infirmem a caracterização da cessão de mão de obra. Fl. 451DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/02/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.006839/200965 Acórdão n.º 110300.604 S1C1T3 Fl. 426 11 Ressalto que, conforme o próprio Relatório Fiscal, as notas fiscais relacionadas iniciamse em 2004, ano do início de fato das atividades da recorrente. É em 2004, pois, que se consuma o pressuposto de fato vedatório em discussão ao Simples federal e, assim, a situação excludente em questão. Em relação ao segundo motivo, observo o seguinte. A recorrente compõe um suposto grupo de seis sociedades, chamado de Grupo Schade, todas elas dedicadas ao mesmo ramo de atividade, que é relativa à manutenção e reparação de veículos ferroviários e de ferrovias. A alegação do autuante é de que as seis sociedades não existem efetivamente. Só há uma sociedade, sendo as cinco demais apenas aparentes. Ou seja, tratase sociedades simuladas. Em 2002 fora criada a Schade Manutenção Mecânica Ltda. Posteriormente, em 2003, foram constituídas a recorrente, a SPR Manutenção de Veículos Ferroviários Ltda. e a JRS Manutenção Mecânica Ltda. ME. Em 2005, foi criada a Laci Manutenção Mecânica Ltda. e em 2007 a Allu Manutenção Mecânica Ltda. Segundo o autuante, as novas empresas vieram à lume para se procurar manter a empresa sob o tratamento simplificado. Para tanto, o sócio administrador José Carlos Schade, que participava com 50% do capital da Schade Manutenção, criara as outras sociedades aparentes, mantendo percentual inferior a 10% nelas, e para as quais foram colocadas como sócios seus parentes que nunca trabalharam nas supostas empresas: Ivani Maria Pereira (cônjuge), Aldo Schade (irmão), Maria Dalila Ricardo (irmã), entre outros. Todas as supostas empresas prestavam os mesmos tipos de serviços para as empresas do grupo ALL – América Latina Logística S.A., com cessão de mão de obra. Elas se encontravam sediadas em endereços diversos, mas, durante a fiscalização, suas sedes foram alteradas para um único endereço, onde se encontra a administração, e também as participações societárias foram modificadas, passando o sócio administrador José Carlos Schade a possuir pelo menos 95% de participação em todas as supostas sociedades. Em 2009, todas as supostas sociedades passaram a ter como sócia minoritária somente Maria Dalila Ribeiro, a irmã de José Carlos Schade. O fato de terem sido criadas sociedades, posteriormente à primeira, prestando os mesmos tipos de serviços, inclusive ao mesmo tomador, e de todas elas ostentarem o mesmo sócio administrador, com participação que não superasse os 10%, isso conforma indícios significativos de que as cinco sociedades eram aparentes, simuladas. Tais indícios, ainda que significativos, podem ser insuficientes para se ter como comprovada a simulação das cinco sociedades. Por outro lado, a constatação da confusão patrimonial entre as sociedades, associada aos já referidos indícios, faz prova cabal de que as cinco sociedades eram aparentes, havendo efetivamente somente uma. Tratase casos de simulações absolutas, e não relativas. Fl. 452DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/02/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.006839/200965 Acórdão n.º 110300.604 S1C1T3 Fl. 427 12 Como destacado pelo autuante, era prática comum a transferência de recursos entre as contas das supostas empresas, para solver obrigações, mas não havia devolução dos valores, nem contrato de empréstimo entre elas. Entre 2004 e 2008, mais de 4 milhões de reais foram transferidos dessa forma, sob mais de 500 operações bancárias. É citado o exemplo em que a recorrente recebera nesse período cerca de 300 mil reais das outras supostas empresas do grupo, mas fora debitada em cerca de 1,6 milhão de reais, nesse período. Diante disso tudo, sem provas que infirmem as postas, não tenho dúvidas de que só existia efetivamente uma sociedade e uma empresa, sendo simulações absolutas as outras sociedades. Em face dessa conclusão, revelase adequado o segundo motivo para a exclusão do regime simplificado? Entendo que não. Se não há mais de uma sociedade, não há como se falar de sócio que participe com mais de 10% do capital de outra. Portanto, rejeito o segundo dos motivos para a exclusão do Simples federal. Desnecessário se analisar a adequação do outro motivo conducente à exclusão do Simples federal, porquanto o primeiro deles já revela juridicidade a tal exclusão. Sob o manto dessas considerações, nego provimento ao recurso quanto à questão da exclusão do regime simplificado federal. O ADE de exclusão consignou seu efeito para 1º de dezembro de 2003 (fl. 46). A recorrente alega que a exclusão só pode irradiar efeitos a partir de 1º de janeiro de 2011, porquanto o ADE de exclusão fora publicizado somente em 1º/02/10. Ou, quanto muito, a exclusão só produz efeitos a partir do mês seguinte ao do ato de exclusão, i.e., a partir de 1º de março de 2010, na conformidade do art. 15, II, da Lei 9.317/96 com a redação da Lei 9.732/97. Aduz que o art. 15, II, da Lei 9.317/96, na redação atual dada pelo art. 33 da Lei 11.196/05 só tem eficácia para períodos incorridos a partir de 14/10/05, data do início da vigência do art. 33 da última lei. O art. 15, II, da Lei 9.317/96 com a redação dada pela Lei 9.732/97 ostentava a seguinte dicção: Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: (...) II a partir do mês subseqüente àquele em que se proceder à exclusão, ainda que de ofício, em virtude de constatação de situação excludente prevista nos incisos III a XVIII do art. 9o; (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11.12.1998) Fl. 453DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/02/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.006839/200965 Acórdão n.º 110300.604 S1C1T3 Fl. 428 13 A redação atual do art. 15, II, da Lei 9.317/96 conforme o art. 33 da Lei 11.196/05 é: Art. 33. Os arts. 2º e 15 da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, passam a vigorar com a seguinte redação: (...) "Art. 15. ........................................................................................ ........................................................................................ II a partir do mês subseqüente ao que for incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIV e XVII a XIX do caput do art. 9º desta Lei; Questão que se põe é de direito intertemporal (vez que não há normas de disposição transitória, que regulem o conflito aparente de normas, para o caso em exame). Se a lei aplicável é a em vigor na data do ato de exclusão do Simples federal, ou a que vigorava ao tempo da consecução do pressuposto de fato para a exclusão, i.e., da concreção da situação excludente (no caso, correspondente à da hipótese vedatória ao regime simplificado federal). Caso a conclusão seja pela aplicabilidade da lei em vigor ao tempo do ato excludente do Simples federal, conformase o efeito prescrito pela Lei 11.196/05 (nova redação do art. 15, II, da Lei 9.317/96). Do contrário, será aplicável o art. 15, II, da Lei 9.317/96 segundo a preceituação dada pela lei em vigor ao tempo da concreção da situação excludente. Não tenho dúvidas de que a norma legal aplicável é aquela em vigor no momento da consecução do pressuposto de fato para a exclusão (situação excludente), i.e., no momento do aperfeiçoamento da fattispecie de vedação ao regime do Simples federal – hipótese eleita como pressuposto fático de exclusão (art. 13, II, “a”, da Lei 9.317/96). Dito analiticamente. A norma legal prescritora dos efeitos da concreção da hipótese vedatória ao Simples federal aplicável é a vigente ao tempo em que se consuma o pressuposto de vedação ao Simples federal, que, por sua vez, é eleito como hipótese de exclusão. Mas há duas normas legais prescritoras desses efeitos: uma a que prescreve a exclusão (art. 13, II, “a”, da Lei 9.317/96); outra, a que prescreve o início desse efeito (exclusão) – art. 15, II, da Lei 9.317/96. Não há lugar para discussão quanto a ser aplicável a hipótese legal de vedação ao Simples federal que esteja em vigor no momento em que se concretiza a situação vedatória: não pode ser a norma legal posterior à concretização do suporte fático. O mesmo se diga quanto à norma legal aplicável que prevê a hipótese vedatória como de exclusão do regime. É a norma que prescreve o efeito de exclusão do regime simplificado. Ora, de igual modo, a norma legal que prescreve o início desse efeito (exclusão) tem de ser a que esteja em vigor ao tempo em que a hipótese vedatória ao regime fora concretizada. Tanto a norma que impõe a exclusão do Simples federal, como a que prevê o momento dessa exclusão, são prescritoras dos efeitos pela concreção da hipótese legal vedatória ao regime. A exclusão do Simples federal é efeito prescrito por realização de hipótese vedatória ao regime. O início dos efeitos da exclusão também é efeito prescrito por Fl. 454DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/02/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.006839/200965 Acórdão n.º 110300.604 S1C1T3 Fl. 429 14 realização de hipótese vedatória ao regime, mesmo que no plano da lógica jurídica o último efeito seja prescrição pela realização da norma que prevê a exclusão (“primeiro” efeito). Portanto, a regra legal que determina o início dos efeitos da exclusão do Simples federal aplicável ao caso é a vigente no ano de 2004. Foi para esse ano que se constatou o aperfeiçoamento da hipótese vedatória do art. 9º, XII, “f”, da Lei 9.317/96, alhures examinado. Mas, entre a Lei 11.196/05, que alterou o art. 15, II, da Lei 9.317/96, e a Lei 9.732/97, que igualmente havia alterado o referido dispositivo legal, a Medida Provisória (MP) 2.15834, publicada no DOU de 28/07/01, também alterou o preceito em questão. O art. 73 da MP 2.15834, de 28/07/01, trouxe nova redação ao art. 15, II, da Lei 9.317/96, nos seguintes termos: Art. 73. O inciso II do art. 15 da Lei nº 9.317, de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: "II a partir do mês subseqüente ao que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIX do art. 9º;" O art. 133 da Lei 11.196/05 revogou o art. 73 da MP 2.12835/01 (última reedição da MP), com efeitos a partir de 22/11/05 (data da publicação da referida lei): Art. 132. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: (...) VIII a partir da data da publicação desta Lei, em relação aos demais dispositivos. Art. 133. Ficam revogados: (...) II o art. 73 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001; Logo, a regra legal que prescreve o início dos efeitos da exclusão do Simples federal vigente na época da concreção da hipótese vedatória a tal regime é a contida no art. 73 da MP 2.15835/01 (reedição da MP 2.15834/01). E, pela regra em questão, a exclusão do regime simplificado se dá a partir do mês subsequente ao da consecução da hipótese vedatória do art. 9º, IX, da Lei 9.317/96. Posto isso, dou provimento parcial sobre a questão do início da eficácia da exclusão do Simples federal, para reconhecer o efeito excludente a partir de 1º de fevereiro de 2004. Isso, em que pese tal juízo não verter efeito prático, vez que os lançamentos se deram somente em relação a fatos geradores ocorridos a partir de 2005. Prossigo com o exame dos lançamentos de IRPJ, CSL, PIS e COFINS relativos a 2005, 2006, 2007 e 2008. Fl. 455DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/02/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.006839/200965 Acórdão n.º 110300.604 S1C1T3 Fl. 430 15 A recorrente se insurge arguindo que a exigência tributária deveria darse sob o regime simplificado. Irresignase também quanto ao arbitramento do lucro, porquanto lhe foi oportunizada a opção do regime tributário nem aberto prazo para reconstituição de sua escrituração contábil. Rejeito de plano o primeiro dos inconformismos, que dispensa digressões, porquanto já quanto ao anocalendário de 2005 a recorrente se encontrava excluída do Simples federal. Evidentemente a pessoa não pode “estar” e “não estar” ao mesmo tempo sob determinado regime de tributação. A recorrente não possuía ou ao menos não apresentou sequer o Livro Caixa, apesar de intimada reiteradamente. Descabido falar em opção a regime se a recorrente não possui nem ao menos o Livro Caixa – para cogitar do lucro presumido. Aliás, a faculdade por regime deve ser exercida mediante o pagamento do IRPJ e CSL trimestrais, para o lucro presumido, ou por pagamento da estimativa mensal de IRPJ e de CSL, para o lucro real anual, na conformidade dos arts. 2º, 3º, 26, § 1º e 28, da Lei 9.430/96. Sem o exercício da opção, a regra geral é o regime do lucro real trimestral, nos termos do art. 1º da Lei 9.430/96. Sem dúvida, o arbitramento do lucro é medida extrema. Mas, no caso vertente, a recorrente não possuía ou não apresentara nenhuma escrituração contábil. Nem o Livro Caixa, quanto menos os Livros Diário e Razão. Bem verdade que a recorrente declarara sua DIPJ/09 como sujeita ao regime do lucro presumido, conquanto zerada. Mas a opção pelo lucro presumido se opera conforme descrevi acima, além de reclamar, se não a escrituração contábil regular através dos Livros Diário e Razão, ao menos com o Livro Caixa contendo toda a movimentação financeira. Notese que na impugnação a recorrente ainda assevera que está providenciando a escrituração contábil. Quer dizer, sequer ao tempo da impugnação havia a escrita contábil. Na peça recursiva, ela reitera que ainda está providenciando a escrituração contábil. No quadro posto, reputo cabível o arbitramento do lucro, na conformidade do art. 530, I e III, do RIR/99: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; (...) III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; Fl. 456DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/02/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.006839/200965 Acórdão n.º 110300.604 S1C1T3 Fl. 431 16 O arbitramento do lucro se deu com base na receita conhecida. In casu, sobre as receitas omitidas correspondentes aos valores das notas fiscais emitidas pela recorrente. E contra tais valores das notas fiscais ela não controverteu. Combate a recorrente a aplicação do coeficiente de 38,4% para o arbitramento do lucro sob argumento de que não se estaria a tributar a renda. De início, cabe ponderar que tributação do que não é renda haveria certamente se a exigência de IRPJ e de CSL recaísse simplesmente sobre as receitas omitidas, aplicandose sobre elas as alíquotas desses tributos. O arbitramento do lucro, ainda que medida extrema, não é penalidade. Tratase de medida presuntiva legal, diante da inexistência de escrituração contábil regular (a consagrar as despesas, no caso de lucro real), em que se aplica o coeficiente previsto para determinação do lucro presumido acrescido de 20%, no caso de IRPJ. Para a CSL não há esse acréscimo de 20% sobre o coeficiente previsto para o lucro presumido. No caso vertente, como a atividade desenvolvida foi a de prestação de serviços, correto o arbitramento do lucro para fins de IRPJ, ao coeficiente de 38,4% (32% acrescidos de 20%) sobre a receita bruta conhecida. Aplicação do art. 532 c/c o art. 519, § 1º, III, “a”, do RIR/99. Igualmente correto o arbitramento do lucro para efeito de CSL, com aplicação do coeficiente de 32%, nos termos do art. 20 da Lei 9.249/95 com a redação da Lei 10.684/03 c/c o art. 29 da Lei 9.430/96. Nesses moldes, nego provimento ao recurso sobre a questão do arbitramento do lucro, para fins de IRPJ e de CSL. A recorrente articula os mesmos fundamentos deduzidos contra a exigência de IRPJ, no que cabível, para o PIS e a COFINS. Ora, o único fundamento cabível é a sujeição ao regime simplificado para os tributos em questão. E este, como já apreciado, ficou derruído de plano. Outrossim, nego provimento ao recurso quanto ao PIS e à COFINS. Apesar de não ter sido articulada pela recorrente, enfrento a questão da decadência quanto às obrigações tributárias conseqüentes aos fatos geradores de IRPJ, CSL, PIS e COFINS, ocorridos no anocalendário de 2005, porquanto os lançamentos se aperfeiçoaram em 1º/02/10 (fls. 55, 76, 94 e 110). Ponto fundamental é o de que não houve pagamento de nenhum desses tributos no anocalendário de 2005, inclusive porque a recorrente se declarara inativa. Constatado isso, fazse necessário reconhecer o entendimento veiculado pelo STJ, em sede de procedimento repetitivo. Sucede que, em face do art. 62A, caput, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria MF 256/09, com a alteração da Portaria MF 586/10), o julgamento no CARF se subordina ao proferido pelo STJ, em procedimento repetitivo, Fl. 457DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/02/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.006839/200965 Acórdão n.º 110300.604 S1C1T3 Fl. 432 17 conforme o art. 543C do CPC – bem como ao emanado pelo STF, em julgamento de RE sob repercussão geral, nos termos do art. 543B do CPC. Em matéria de decadência de lançamento, o julgamento do REsp 973.733/SC foi afetado ao procedimento repetitivo, tendo como relator o Ministro Luiz Fux. No acórdão a esse REsp, o STJ consagrou a exegese de que o art. 150, § 4º, do CTN só é aplicável caso haja algum pagamento de tributo sujeito a lançamento por homologação; do contrário, o prazo decadencial é o do art. 173, I, do CTN. Entretanto, o mesmo acórdão do STJ, em seu dispositivo, embora faça remissão ao art. 173, I, do CTN, proclama que o termo a quo do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte ao do fato gerador! Ora, este prazo não condiz com o do art. 173, I, do CTN, pelo qual o termo inicial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado, nem com o do art. 150, § 4º, do CTN. Sobre esse problema, já me manifestei recentemente, no Acórdão nº 1103 00.587, de 2011, do qual fui relator: Em que pese o dislate redacional contido no referido acórdão do STJ, em sede de procedimento repetitivo, diante da expressa referência ao art. 173, I, do CTN, inclusive com citações doutrinárias, pareceme que a melhor interpretação do dispositivo do acórdão é o de reconhecer a aplicabilidade do art. 173, I, nos termos do CTN, pois a literalidade redacional do contido no mesmo dispositivo não tem ponto nenhum com termo inicial previsto no CTN. Acolhido, por conseguinte, o prazo decadencial do art. 173, I, do CTN para hipóteses em que não tenha havido algum pagamento de tributo, vêse que o termo inicial do referido prazo é 1º/01/07 (primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido realizado) em relação aos fatos geradores ocorridos em 2005. Tivesse havido algum pagamento de tributo quanto às obrigações tributárias decorrentes de fatos geradores consumados em 2005, terseia aperfeiçoado a decadência do “direito” de lançar os créditos tributários de 2005 e de janeiro de 2006 (para PIS e COFINS), vez que os lançamentos ocorreram em 1º/02/10. Como o primeiro termo a quo do prazo decadencial é 1º/01/07, não houve concreção da decadência. Por fim, restam as questões da responsabilização solidária das demais sociedades do grupo Schade e do sócio administrador de todas as sociedades, José Carlos Schade. A rigor, o caso nem seria de responsabilidade solidária das demais sociedades do grupo Schade, pois, como ficou deduzido, tratase de apenas uma empresa e uma sociedade, incluindose a recorrente. Quer dizer, todas as sociedades, que são uma, são, no rigor jurídico, contribuintes. Fl. 458DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/02/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.006839/200965 Acórdão n.º 110300.604 S1C1T3 Fl. 433 18 Como, entretanto, os autos de infração em causa foram aperfeiçoados somente em relação aos fatos econômicos juridicamente relevantes “afetados” à recorrente, e contra ela lavrados, reputo cabível a manutenção da sujeição passiva das demais sociedades, mesmo que sob título de responsáveis solidárias, ao invés de aquela se dar como contribuinte. No que concerne ao sócio administrador José Carlos Schade, de tudo quanto já foi deduzido referentemente à constituição das sociedades aparentes, resulta claramente evidenciada sua responsabilidade, com suporte no art. 135, III, do CTN1. Em tais termos, nego provimento ao recurso no que pertine às questões da responsabilidade tributária. Sob essa ordem de considerações e juízo, dou provimento parcial para reconhecer o início da eficácia da exclusão do Simples federal, a partir de 1º de fevereiro de 2004. É o meu voto. Sala das Sessões, em 16 de janeiro de 2012 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator 1 Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Fl. 459DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/02/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 13116.000896/2006-75
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 19 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Oct 20 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2000
BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. PRESCINDIBILIDADE.
Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR. somente após a vigência da Lei n° 10.165, de 28/12/2000 é que se tornou imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal.
ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. ATO CONSTITUTIVO.
A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá exclui-la da base de cálculo para apuração do ITR.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.179
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso relativo h. área de reserva legal. Por maioria de votos, em conhecer do recurso em relação à área de preservação permanente. Vencidos os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann, Gustavo Lian Haddad e Carlos Alberto Freitas Barreto que dele não conheciam. Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso na parte que foi conhecida.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: Julio Cesar Vieira Gomes
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201010
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2000 BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. PRESCINDIBILIDADE. Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR. somente após a vigência da Lei n° 10.165, de 28/12/2000 é que se tornou imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. ATO CONSTITUTIVO. A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá exclui-la da base de cálculo para apuração do ITR. Recurso especial negado.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 20 00:00:00 UTC 2010
numero_processo_s : 13116.000896/2006-75
anomes_publicacao_s : 201010
conteudo_id_s : 4907584
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 06 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 9202-001.179
nome_arquivo_s : 920201179_13116000896200675_201010.PDF
ano_publicacao_s : 2010
nome_relator_s : Julio Cesar Vieira Gomes
nome_arquivo_pdf_s : 13116000896200675_4907584.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso relativo h. área de reserva legal. Por maioria de votos, em conhecer do recurso em relação à área de preservação permanente. Vencidos os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann, Gustavo Lian Haddad e Carlos Alberto Freitas Barreto que dele não conheciam. Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso na parte que foi conhecida.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 19 00:00:00 UTC 2010
id : 4751926
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:46:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044358906773504
conteudo_txt : Metadados => date: 2011-09-14T14:21:29Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 8; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-09-14T14:21:29Z; Last-Modified: 2011-09-14T14:21:29Z; dcterms:modified: 2011-09-14T14:21:29Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:c15122d0-cde2-4682-9107-95bb08caac8f; Last-Save-Date: 2011-09-14T14:21:29Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-09-14T14:21:29Z; meta:save-date: 2011-09-14T14:21:29Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-09-14T14:21:29Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-09-14T14:21:29Z; created: 2011-09-14T14:21:29Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; Creation-Date: 2011-09-14T14:21:29Z; pdf:charsPerPage: 1574; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-09-14T14:21:29Z | Conteúdo => CSRF-T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 1.3116.000896/2006-75 Recurso n" 337.784 Especial do Proem ador Acórdão IV 9202-01.179 — 2" Turma Sessão de 19 de outubro de 2010 Matéria ITR Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SOL VERMELHO - AGROPECUÁRIA E PARTICIPAÇÕES S/A ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2000 BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO,. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. PRESCINDIBILIDADE. Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR. somente após a vigência da Lei n° 10.165, de 28/12/2000 é que se tornou imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. ATO CONSTITUTIVO. A averbação no registro de imóveis da area eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá exclui-la da base de cálculo para apuração do 1TR. Recurso especial negado. Vistas, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso relativo h. área de reserva legal. Por maioria de votos, em conhecer do recurso em relação à área de preservação permanente . Vencidos os Conselheiros Susy Gornes Hoffinann, Gustavo Lian Haddad e Carlos Alberto Freitas Barreto que dele não conheciam. Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurs o na parte que foi conhecida. , Jena Gom s - Relator Julio\ Carlo Al T eitas B rreto — Presidente EDITADO EM: 7 0E2 20 10 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffinann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Affuda Coelho Júnior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Trata-se de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra Acórdão no qual decidiu-se pela isenção correspondente as ét :eas do imóvel de preservação permanente e de reserva legal, em razão da dispensa do ato declaratório ambiental protocolado tempestivamente e pelo reconhecimento de que parte da area de reserva legal declarada através da DITR já havia sido averbada quando do fato gerador. Seguem transcrições do acórdão recorrido e do recursb especial, respectivamente: ITR/2000. ADA. AREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Incabível a incidência do 1TR quando houver comprovação da referida área mesmo que fora do prazo de seis meses pretendido pelo fisco com base na IN-SRF /I ° 43 de 07/0511997 com a redação dada pelo art. I° da IN-SRF n° 67 de 01/09/1997. A declaração do recorrente, para fins de isenção do ITR, relativa ei área de preservação permanente, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, conforme dispõe o art, 10, parágrafo 1 Q, da Lei II. 9_393/96, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a .sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. AREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA RESERVA LEGAL. A falta de averbação da área de reserva legal na matricula do imóvel, ou a averbação ,feita após a data de ocorrência do fato gerador, não 6, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do TTR. 2 Processo n" 13116.000896/2006-75 CSRF-T2 Acórdao n 9202-01.179 Fl 2 Divergindo deste entendimento, a co/cada Segunda câmara do Terceira Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda exige a apresentação tempestiva do ato especifico do órgão competente, para o reconhecimento das áreas de preservação permanente e utilização limitada (ADA), bem como a averbação, em data anterior ao fato gerador da obrigação tributária, da área de reserva legal junto ao. Cartório de Registry de hnóveis. A ementa abaixo transcrita consagra a exigência tanto do ato do IBAMA, ou órgão delegado, quanto da averba cão, no caso de reserva legal Confira-se (cópia anexa); "IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR EXERCICIO DE 1997. AREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. A existência de área de preservação permanente deve ser reconhecida mediante ato declaratório do IBAMA, ou órgão delegado através de convinio. As áreas de reserva legal devem ser averbadas à margem da inscrição da matricula do imóvel no registro de imeiveis competente. NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE." (Ac,;02- 6 278, Relator Walber José da Silva) Relativamente à reserva legal, traz-se à colação outro julgado da Colenda Segunda câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes em que restou reiterada a necessidade, para fins exclusão da incidência do ITR, da averbagio anterior ao .fato gerador da respectiva obrigação tributária, Anote-se "IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR, ilREA DE RESERVA LEGAL. A área de reserva legal somente será considerada para efeito de exclusão tributada e aproveitável do imóvel rural quando devidamente averbada à margem da inscrição de matricula do referido imóvel , junto ao Registro de Imóveis competente, em data anterior h da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos da legislação pertinente. Nos casos de "posse", o Termo de Compromisso de Averbação e Preservação de Florestas, celebrado com órgão ambiental estadual, substitui a aVerbagdo daquela área, nos termos supra-indicados, sujeitando-se, contudo, ao mesmo limite temporal da referida averbação. No caso das áreas declaradas como de RESERVA LEGAL, além do contribuinte não ter apresentado tempestivamente o ADA, a . fiscalização constatou que as áreas não ,foram tempestivamente averbadas HO Registra de Imóveis '/7s 91/94). Como se constata, duas são as matérias divergentes: necessidade ou não de protocolização tempestiva do ADA para fins de isenção do ITR e, no caso da reserva 3 legal/utilização limitada, necessidade de averbação no registro de imóvel em data anterior ao fato gerador. No primeiro exame de admissibilidade, somente havia sido reconhecida a divergência para a area de preservação permanente, mas ern sede de agravo se decidiu pela comprovação também quanta a area de utilização limitada. Segue transcrição do primeiro despacho: Quanto á área de reserva legal, entendo que não houve divergência entre os julgados, pois o paradigma qfirma que aquela área somente será considerada para efeito de exclusão da tributação, quando estiver devidamente aver bada à margem da matricula do imóvel em data anterior ir ocorrência do fato gerador. No acórdão recorrido, conforme explicitado no voto, ficou comprovado que a área de 1.501,3680 ha estava averbada desde 22/08/94, portanto bem antes da ocorrência do fato gerador. 0 interessado apresentou contra-razões, onde reitera as alegações trazidas no recurso voluntário e ainda que: a) quanto a area de preservação permanente, lembra que se trata do exercício de 2000, antes da vigência da Lei n 10.165/2000; e b) quanto a área de reserva legal: conforme efetivamente comprovado nos autos, a Reserve Legal da propriedade encontra-se averbada desde o ano de 1994, e as áreas legalmente definidas como sendo de Preservação Permanente, conforme Laudo Técnico aos autos colacionado, estão efetivamente mantidas no imóvel, restando teminativamente cumpridas as exigências legais vigentes na data do fato gerador. È o relatório. 4 Processo n" 13116 000896/2006-75 AcárcIdo 9202-01.179 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Devolve-se a esta Camara Superior de Recursos Fiscais o exame quanto essencialidade ou não do cumprimento de determinadas exigências ou formalidades para fins de inclusão na base de cálculo do imposto territorial rural - ITR das Leas rurais de proteção ambiental, conforme artigo 11 da Lei n° 8.847/94, verbis: Art. 11. Sao isentas do impo.sto as áreas I — de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n" 4,771, de 196.5, com a nova redação dada pela Lei n" 7.803, de 1989. Embora ambas as Areas sejam protegidas, há distinção na legislação no que se refere ao tratamento fiscal a elas dispensado, especialmente quanto as exigências a serem cumpridas. Exigência de averbação Para a área conceituada corno reserva legal pelo artigo 16, §2° do Código Florestal, com a redação trazida pela Lei IV 7,803/89, a exigência e a averbação no órgão competente de registro da destinação para preservação ambiental de area não inferior a 20% do total do imóvel. E o que se conclui da combinação corn a parte final do artigo 11 inciso I da Lei n° 8,847/94, acima transcrito. Tem-se que a, ao alterar o art. 16 da Lei n" 4.771/65, acrescentou-lhe dois parágrafos, sendo que, na hipótese dos autos, interessa-nos o § 2", com a seguinte redação, in verbis: "Art. 16 ,,,,,,, § 2". A reserva legal, assim entendida a circa de, no minim, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não á permitido o corte raso, deverá ser averbada a margem da inscrição de matricula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer titulo, ou de desmembramento da área , Alem da definição, merecem ressaltos os efeitos da averbação de determinada área imobiliária como reserva legal. Não se trata de formalidade, mas sim de ato constitutivo. Ela modifica o direito real sobre o imóvel e para tanto deve ser adotada a mesma forma, que é o registro no órgão competente, nos termos do artigo 1.227 do Código Civil, verbis: CSRF-T2 Fl 3 5 Art 1.227 Os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou tiansmitidos pot atos entre vivos, só se adquirent com o regisiro no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos (arts. 1.245 a 1.247), salvo os casos expressos neste Código Por essa razão é que o Código Florestal passou a exigir a averbação no registro de propriedade do imóvel, fazendo corn que a partir de então sobre aquela Area o proprietário se submeta As limitações administrativas que lhe são impostas pela lei. Nesse sentido, transcrevo voto do Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro (Acórdão n° 303- 34883 de 07/11/2007, da Terceira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes): Consoante pródiga jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, v,g. os EDcl no AgRg no REsp 255170 / SP, Min. Luiz Fax e o RMS 18301 / MG, Min, Ado Otávio de Noronha, a reserva legal representa uma modalidade de limitação adminisnativa a propriedade rui al Como tal, tanto pode sujeitar o proprietário a obrigações de não finer (o corte raso) quanto de fazer ('e delimitar a (ilea de reserva e averbá-la junto ao órgão competente), Veja-se a lição Maria Silvia di Pietro (Direito Administrativo São Paulo Atlas . 2003. 15" ed , p. 128) As limitações podem, portanto, ser definidas como medidas de caráter geral, impostas coin fundamento no poder de policia do Estado, gerando para os proprietários obrigafiies positivas ou negativas, coin o fin; de condicionar o exercício do direito de propriedade ao bem-estar social ('destaquei) De se notar, que, pant a solução da lide, interessa definir em que momento se considera constituída tal restriçâo administrativa, pois somente após a sua constituição é que se configura a debatida hipótese de incidência "negativa", que exclui as áreas submetidas Li restrição do pagamento do ITR Com as devidas vênias, portanto, não me filio ao entendimento de que a averbação seda apenas uma mera formalidade, cujo descumprimento implicada multa administrativa, e só: Não se admite que o Fisco qfirme sustentação legal no Código Florestal para exigir averbagão das áreas como condição ao seu reconhecimento como isentas de tributação pelo ITR. Esse tipo de infração ao Código Flare.«tal pode e deve acarretam- sanção punitiva, mas que não atinge em nada o direito de isenção do 17'R quanto a essas areas se elas fojem de fato de preservação permanente, de reserva legal ou de servidão federal, conforme definidas na Lei 4.771/65 (Código Florestal, (• • •.) De fato agredii ia a lógica elementiv estabelecer como condição prévia à isenção de área sob reserva legal, o mero • ato de averbagão, acessório, complementar na tarefa cent, al de buscar a preservação da álea, e que cumpre a finalidade especifica de dar conhecimento erga °nines, de forma a que qualquer adquirente posterior esteja ciente e possa set responsabilizado 6 Process° n° 13116.000896/2006-75 Ac6r(15o n.° 9202 -01.179 Fl 4 polo des-cumprimento da limitação de utilização imposta por lei, para áreas corn certas características geográficas, ecológicas, históricas, de interesse ambiental, que constituem patrimônio nacional a ser obrigatoriamente preservado, independentemente de qualquer ato declaratório do fisco ou de qualquer outro órgão administrativo. A definição de área de reserva legal 6 estabelecida no Código Florestal, a existência de áreas conforme a definição caracteriza a obrigação imposta não apenas ao proprietário, mas a todos, inclusive ci administração pública, de preservação de tal área (Recurso Voluntário n" 127,562, de lavra do i. Conselheiro Zenaldo Loibman) urna peculiaridade da reserva legal a eleição pelo próprio proprietário ou possuidor de qual parte da propriedade, não inferior a 20%, será reservada para a proteção ambiental. E a única modalidade que apresenta essa característica, nas demais, por exemplo a Area de preservação permanente, a própria lei cuida de delimitá-la. Repito: somente se constitui reserva legal com a averbação da area eleita pelo proprietário/possuidor. 'A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal pacificou-se nesse mesmo sentido. Embora no caso apreciado pela Corte Constitucional a finalidade era a desapropriação para fins de reforma agrária, restou claro que a averbação é ato constitutivo da reserva legal. Transcrevo o resultado de pesquisa realizada pelo Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro (Acórdão n° 303-34.88.3 de 07/11/2007, da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes): No Pretório Excelso, tal posição .firmou-se .a partir do julgamento do Mandado de Segurança n" 22688-9/PB (Tribunal Pleno, relatado pelo Ministro Moreira Alves, DJ de 28/04/2000) em que se discutia os efeitos da constituição de reserva legal sobre o cálculo da produtividade de imóvel em processo de desapropriação para fins de reforma agrária. A questão, portanto, é saber; a despeito de não averbada se a área correspondente a reserva legal deveria ter sido excluída da área aproveitável total do imóvel para ,fins de apuração da sua produtividade nos termos do art. 6°, caput, parágrafo, da Lei 8,629/93, tendo em vista o disposto no art.. 10, IV dessa Lei de Reforma Agrária. Diz o art 10: Art, 10. Para efeito do que dispõe esta lei, consideram-se não aproveitáveis: (.. .) IV - as áreas c/c efetiva preservação permanente e demais áreas protegidas por legislação relativa ã conservação dos recursos naturais e ci preservação do meio ambiente Entendo que esse dispositivo não se refere a tuna fração ideal do imóvel, mas as áreas identificadas ou identificáveis. Desde que sejam conhecidas as áreas de efetiva preservação permanente e as protegidas pela legislação ambiental devem ser tidas como aproveitadas. Assim, por exempla, as matas ciliares, as 7 nascentes, as margens de cursos de água, as áreas de encosta, os manguezais. A reserva legal não é unia abstração matemática Há de se] entendida coma uma parte determinada do imóvel. Sem que esteja identificada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe. Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não. fbi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel, o que dos novos proprietcir ias só eslaria obrigado por a preservar vinte cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserver, proporcional diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada a proibição da mudança de sua destinação nos casos de ti ansmissão a qualquer titulo ou de desmembramento, que a lei florestal prescreve. Estou assim em que, sem a averba cão determinada pelo § 20 do art 16 da Lei n° 4.771/65 não existe a resenfa legal. (os destaques não constam do original) Nessa mesma linha, o MS 23.370-2/GO, Tribunal Pleno, Relator designado Min Sepálveda Pertence, DJ de 28/04/2000: EMENTA. 1 - Reforma agrária: apuração da produtividade do imóvel e reserve legal . A "reserva legal", prevista no art. 16, § 20 do Código Florestal, não é quota ideal que possa ser subtraida da área total do inióvel rural, para o fim do cálculo de sua produtividade (cf, L. 8.629/93, art. 10, II1),sem que esteja identificada na sua averbagão (v.g MS 22,688) Apenas para demonstrar a manutenção desse entendimento jurisprudencial na Excelsa Corte, trago ci colação o MS 25186 / DF; Tribunal Pleno, de relataria do Ministro Carlos Brito, publicado no DJ de 02/03/2007.. Segundo a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, a circa de reserva florestal não identificada no registro imobiliário não é de ser subtraida da área total do imóvel pa/-a o fim de cálculo da produtividade Precedente: MS 22.688. Peço licença para transcrever- novamente outro ti echo do voto condutor onde tal entendimento fica consignado. Relembrando o que observou o Ministro Pertence, uma diferença essencial entre as áreas de reserva legal e de preservação permanente, é exatamente a ausência de pré-definição de quais são as áreas efetivamente sujeitas a proteção diferenciada. S Processo n° 13116000896/2006-75 CSRF-T2 AcOrdao n " 9202-01.179 F1 $ Antes da demcncação, portanto, o efeito invocado no voto condutor resta esvaziado, pois inexiste área a proteger, apenas a obrigação de se constituir 1111I percentual sujeito a proteção. Quanto As exigências relacionadas A reserva legal, portanto, conclui-se que a averbação junto ao registro de imóveis competente é essencial para a sua constituição corno tal, o que implica a inclusão na base de cálculo do ITR da Area ainda não averbada quando da ocorrência do fato gerador do tributo. No caso em comento, a Area declarada de reserva legal foi parcialmente averbada antes da ocorrência do fato gerador. Verifico nos documentos .juntados aos autos e no voto vencedor que 1.501,3680 hectares foram averbados em 22/08/1994: No presente caso, está devidamente averbada desde .22.08.1994 na matricula do imóvel a área de 1.501,3680 hectares correspondente it Reserva Legal (certiddo de matricula de ils,91- 94), que também restou corroborado pelo Laudo Técnico de fir. 70-78 elaborado por profissional habilitado acompanhado da devida Anotação de Responsabilidade Técnica — ART e pelo ADA de .f1.86. Parece inconteste, então, que uma área de Reserva Legal, estipulada em 1,501,3680 hectares, existia e estava preservada a época do fato gerador do tributo que aqui se discute, No acórdão recorrido venceu a tese da dispensa de averbação quando comprovada a existência da reserva legal por outros meios idóneos; no entanto, somente se reconheceu como isenta do ITR a área averbada anteriormente aos fatos geradores. E também se esclarece que o contribuinte não recorreu quanto A área remanescente no lançamento. Concluindo, quanto à área de reserva legal/utilização limitada, entendo que assiste razão à recorrente; no entanto, em que pese a fundamentação em outro sentido, a conclusão no acórdão recorrido foi pela exclusão somente da Area averbada anteriormente ao fato gerador. E, portanto, a Fazenda Nacional não possuía interesse em recorrer dessa matéria, devendo assim não ser conhecida essa parte do recurso. Exigência de ADA Ern complemento ao Código Florestal e ao artigo 11 da Lei n° 8.847/94, abaixo transcrita, tem-se o artigo 10, ccíput, da Lei n°9.393, de 19/12/1996, in vet -bis: Art. 11. Sao isentas do imposto as áreas: 1 – de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n" 4,771, de 196.5, com a nova redação dada pela Lei n° 7.803, de 1989. Art. 10. A apuração e o pagamento do 1TR serão efetuados pelo contribuinte independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior 9 § 1"Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á — área tributável, a álea total do imóvel menos as tit eas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n" 4,771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n" 7.803, de 18 de julho de 1989, Mas, a exigência é encontrada no artigo 10 da Instrução Normativa SU' n° 43, de 07/05/1997, corn a redação dada pelo art. 1' da Instrução Normativa SRF n° 67, de 01/09/1997, verbis: Art. JO. Área tributável é a circa total do imóvel excluídas as áleas: I - de preset vação permanente,' - de utilização § 1"A área total do imóvel deve se referir à situação existente época da entrega do DIAT, e a distribuição das áreas, à situação existente em z I" de janeiro de cada exercício, de acordo com os incisos I e II ( .) § 3" são áreas de utilização limitada: 4" As áreas de preservação permanente e as de utilização limitada serão reconhecidas mediante ato declaratário do IBAIVIA, ou &giro delegado através de convênio, para fins da apuração do ITR, observado o seguinte. II - o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado da data da entrega da declaração do IT]?, para protocolar requerimento do ato declaratório,junto ao IBAMA, III - se o contribuinte não requerer, ou se o requerimento não for reconhecido pelo IBAMA, a Secretaria da Receita Federal fará lançamento suplementar recalculando o I'TR devido. Nos termos acima está claro que o contribuinte tern o prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR, para protocolizar requerimento do ato declaratOrio junto ao IBAMA. A questão é saber se tal regra, veiculada por instrução normativa, encontra guarida no ordenamento jurídico. Entendo que não. De fato, não recebeu a autoridade administrativa delegação legal para criar exigências necessárias ao gozo da isenção: Constituição Federal. Art 84. Compete privativamente ao Presidente da República. 1 0 Processo n° 13116 000896/2006-75 CSRF-T2 AcOrdrio n.° 9202-01,179 r. I G IV - sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bent coma expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução;. Art. 49, É da competência exclusiva do Congresso -Nacional .: V sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos. limites de delegação legislativa; Isto porque o artigo 10, caput, da Lei n° 9.393, de 19/12/1996, cuidou somente de adotar corno modalidade o lançamento por homologação, conforme artigo 150, §4° do CTN, o que implica, necessariamente; a ulterior verificação do pagamento realizado pelo sujeito passivo. Contraria o disposto no artigo 150, §6° da Constituição Federal e o artigo 97, inciso IV do CTN o entendimento de que criar exigências por instrução normativa para o gozo do beneficio de redução da base de cálculo estaria em consonância corn a expressão "nos plazas e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal". Art, 10. A apuração e o pagamento do 17R serão efetuadas pelo contribuinte independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. Art. 150. 0 lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4" Se a lei não ,fixar prazo a homologação, seta ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador,. eXpirado esse prazo sent que a Fazenda Ptiblica se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação Art, 150 ( .) § 6." Qualquer subsidio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivantente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuizo do disposto no art. 155, § 2 .", XII, g. (Redação ciada pela Emenda constitucional n°3, de 1993). Art. 97. Somente a lei pode estabelecer. 1 1 Julio leira Gomes IV - a fixação de aliquot(' do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; Reitero que a delegação através da expressão "nos plazas e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal" cinge-se As verificações necessárias para a homologação do pagamento realizado pelo contribuinte, não alcançando, muito menos, os procedimentos praticados junto aos órgãos de proteção do meio ambiente, no caso o IBAMA. E, em arremate, traz-se também as disposições dos artigos 176 e 179 do urN que reservam apenas à lei a competência para especificar as condições e requisitos necessários ao gozo da isenção, seja ela especifica ou geral: Art. 176 A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua din ação. Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em coda caso, por despacho da autoridade administrative, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condiçães e do cumprimento dos requisitos previstos cm i lei ou contrato para concessão. Concluindo, entendo que para o penado lançado a al:séncia do Ato de Declaração Ambiental — ADA não é impeditivo para o gozo da isenção. Em razão do exposto, voto no sentido de conhecer em parte do recurso para na parte conhecida negar pi imento ao recurso interposto. 12
score : 1.0
Numero do processo: 10880.920505/2009-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 15/04/2005
CIDE. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF
RETIFICADORA. EFEITOS.
A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação,
substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, sendo
consequência de sua apresentação, após a não homologação de compensação
por ausência de saldo de créditos na DCTF original, a desconstituição da
causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por
meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito
do sujeito passivo.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-001.406
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201201
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/04/2005 CIDE. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, sendo consequência de sua apresentação, após a não homologação de compensação por ausência de saldo de créditos na DCTF original, a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 10880.920505/2009-24
anomes_publicacao_s : 201201
conteudo_id_s : 4830332
dt_registro_atualizacao_tdt : Sun May 05 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3302-001.406
nome_arquivo_s : 330201406_10880920505200924_201201.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : JOSE ANTONIO FRANCISCO
nome_arquivo_pdf_s : 10880920505200924_4830332.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
id : 4749162
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:45:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044358961299456
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1646; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 87 1 86 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.920505/200924 Recurso nº 902.501 Voluntário Acórdão nº 330201.406 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de janeiro de 2012 Matéria CIDE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente TIM CELULAR S. A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/04/2005 CIDE. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, sendo consequência de sua apresentação, após a não homologação de compensação por ausência de saldo de créditos na DCTF original, a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) Fl. 97DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 2 José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Helio Eduardo de Paiva Araújo e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 43 a 59) apresentado em 27 de dezembro de 2010 contra o Acórdão no 1627.142, de 20 de outubro de 2010, da 5ª Turma da DRJ/SP 1 (fls. 35 a 41), cientificado em 25 de novembro de 2010, que, relativamente a declaração de compensação de CIDE do período de 15 de abril de 2005, considerou improcedente a manifestação de inconformidade da Interessada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Data do fato gerador: 15/04/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP ALTERAÇÃO DE DCTF APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida, uma vez que tanto as DRJ como o CARF limitamse a analisar a correção do despacho decisório, efetuado com bases nas declarações e registros constantes nos sistemas da RFB na data da decisão. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL NÃO OFENSA CORREÇÃO DE ALTERAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos, no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior. Não há ofensa ao principio da verdade matéria se não é apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF. Mantémse a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito creditório, com a conseqüente nãohomologação das compensações pleiteadas. Manifestação de Inconformidade Improcedente A declaração de compensação foi transmitida em 18 de junho de 2007. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Fl. 98DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.920505/200924 Acórdão n.º 330201.406 S3C3T2 Fl. 88 3 TIM CELULAR S/A, manifesta inconformidade com Despacho Decisório eletrônico, emitido pela Delegacia de Administração Tributária em São Paulo – DERAT 06 que não homologou as compensações declaradas com pagamento indevido de CIDE, código de arrecadação 8741, recolhido em 15/04/2005. 2 O citado despacho informa que as compensações não foram homologadas por não ter havido apuração de pagamento indevido pois o pagamento citado foi utilizado para quitar débitos declarados em DCTF. 3 Cientificada, a contribuinte apresentou, manifestação de inconformidade de fls. 8 a 22, apresentando suas razoes, em síntese a seguir: 3.1 Faz breve relato dos fatos. 3.2 Alega possuir “elevada quantia creditícia” perante a RFB, a título de IRRF, CIDE, Pis importação e COFINSexportação, que teria utilizado para quitar débitos de COFINS, referentes ao período de apuração dos anocalendário 2006 e 2007, mediante PER/DCOMP. 3.3 Alega que juntamente com o Despacho Eletrônico em comento, foram emitidos outros cento e quarenta e sete Despachos Decisórios , todos decorrentes da falta de homologação de PER/DCOMP, apresentados pela contribuinte. 3.4 Reconhece que deixou de retificar as DCTF relativas aos períodos que entende ter havido recolhimentos a maior de IRRF, CIDE, Pis importação e COFINS exportação, entendendo ser esta a razão do indeferimento das compensações. 3.5 Alega que mero equívoco no preenchimento das DCTF não poderia gerar débitos fiscais e que o fato deveria ser reconhecido de plano pela RFB. 3.6 Discorre a respeito do efeito suspensivo dos débitos declarados em compensações, citando dispositivos legais para defender sua tese. 3.7 Alega carência de fundamentação do despacho decisório, violação ao princípio do contraditório e ampla defesa, alegando que não foram atendidas as garantias constitucionais na decisão proferida no despacho decisório, entendendo ser nulo o ato impugnado. 3.8 Discorre sobre o principio da verdade material para alegar que o mero erro de preenchimento da DCTF não geraria crédito em favor da Fazenda Nacional, reclamando que “ se fosse dado ao contribuinte a chance de apresentar explicações antes de sofrer a autuação, certamente a Fazenda Nacional pouparia preciso tempo desta Delegacia de Julgamento com cobranças infundadas como esta.” (sic). 3.9 Alega que qualquer agente fiscal que “ ...”analisasse com a mínima cautela a situação apresentada nos fatos, notaria que houve tãosomente um erro no preenchimento da declaração, o que não justifica a glosa ora Impugnada.” (sic). 3.10 Alega ter declarado em DCTF débito que foi pago em DARF que, após revisão interna teria constatado que os cálculos estavam sendo feitos de maneira incorreta, restando inegável a existência de créditos de IRRF após a correção do montante efetivamente devido. 3.11 Cita os princípios da capacidade contributiva e da busca da verdade material para afirmar que não se admite cobrança de tributo decorrente de erro na Fl. 99DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 4 prestação de informações ao Fisco, citando decisão do TRF da 1ª Região que embasaria o que alega, além de acórdão do Conselho de Contribuintes e tributarias. 3.12 Reclama do exíguo prazo para apresentar cento e quarenta e oito defesas em apenas trinta dias e informa que já estaria levantando toda a documentação comprobatória de seu direito, mormente a DCTF retificadora que comprovaria a existência do crédito. 3.13 Por fim requer a suspensão da cobrança dos débitos declarados em PER/DCOMP, a nulidade do despacho decisório e a conversão do julgamento em diligencia para ser comprovado o que alega. No recurso, a Interessada repetiu as alegações da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. O acórdão de primeira instância indeferiu o pedido, considerando que, embora houvesse efetuado a retificação da DCTF, seria necessária a comprovação da liquidez e certeza dos indébitos, o que a Interessada não teria efetuado. Ocorre que a retificação de DCTF tem efeitos desconsiderados pelo acórdão de primeira instância. É certo que, anteriormente à atual sistemática, a DCTF retificadora somente se prestava a reduzir o montante do tributo declarado, sujeitandose a um processo tributário de análise de mérito por parte da autoridade fiscal, de forma que o valor inicialmente declarado somente seria alterado para o menor se houvesse prova antecipada do erro. Atualmente, entretanto, desde as alterações introduzidas pela Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001, art. 18, a DCTF retificadora, quando admitida, tem os mesmos efeitos da original (art. 9º, I, da IN RFB no 1.110, de 2010). De acordo com a IN citada acima, que é a mais recente, somente não seriam admitidas para reduzir o tributo declarado as DCTF retificadoras relativas a tributos cuja cobrança tenha sido enviada à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional ou que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. Obviamente, não foi o que ocorreu nos presentes autos, uma vez que o procedimento eletrônico referiuse à declaração de compensação e não à DCTF. Portanto, o despacho que não homologou a compensação não impedia a DCTF retificadora, que, por sua vez, substituiu completamente a original. Para que não houvesse tal situação, a Receita Federal teria que prever que o despacho de não homologação da declaração de compensação, baseado na inexistência de Fl. 100DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.920505/200924 Acórdão n.º 330201.406 S3C3T2 Fl. 89 5 saldo de crédito pela sua alocação a débito declarado em DCTF, fosse causa de não admissão da DCTF. Como não é, a DCTF retificadora apresentada alterou a situação jurídica anteriormente constatada pelo despacho decisório, de que inexistiria indébito pela ausência de saldo de crédito. Diante do quadro acima exposto, concluise que, primeiramente, as compensações foram não homologadas corretamente, de acordo com os fatos existentes à época do despacho decisório. O acórdão de primeira instância considerou não demonstrado o direito de crédito, no que tem razão, mas, com a retificadora, o ônus de prova não era mais do sujeito passivo. Dessa forma, tal indébito tem que ser devidamente apurado pela autoridade fiscal, quanto à sua liquidez e certeza. Somente após tal providência é que eventualmente poderá ser denegada a compensação. Assim, os autos devem retornar à delegacia de origem, para que o fisco apure os indébitos, mediante procedimento de diligência, para, então, o parecer ser submetido ao exame da seção competente da delegacia de origem, que deve novamente apreciar a compensação. À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para determinar a apuração da liquidez e certeza do crédito da Interessada pela autoridade fiscal, submetendose a homologação das compensações a novo despacho decisório. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 101DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 19740.000414/2008-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/05/1995 a 31/01/1999
CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO RELATIVO A CONTRIBUIÇÕES NÃO ADIMPLIDAS. AUTO DE INFRAÇÃO. INSTRUMENTO IDÔNEO.
A partir da aplicação das normas procedimentais e processuais do Decreto n.º 70.235/1972 às contribuições sociais, o Auto de Infração é instrumento idôneo a constituir o crédito tributário decorrente da falta de recolhimento das mesmas.
LANÇAMENTO CONTENDO CONTRIBUIÇÕES INDEVIDAS. SANEAMENTO PELO ÓRGÃO DE JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE DE NULIFICAÇÃO DO CRÉDITO.
Verificando-se a exigência de contribuições improcedentes, deve o órgão de julgamento afastá-las, mantendo o crédito na parte cobrada regularmente, não havendo necessidade de nulificação integral do crédito.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/05/1995 a 31/01/1999
LANÇAMENTO NULIFICADO POR VÍCIO FORMAL. PRAZO DE DECADÊNCIA.
Declarada a nulidade do crédito por vício formal, a Fazenda dispõe de cinco anos para reconstituí-lo, prazo esse contado da data da decisão anulatória, não tendo o mesmo qualquer relação com a ocorrência dos fatos geradores.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/1995 a 31/01/1999
DÉBITO LANÇADO POR RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DECORRENTE DE EXECUÇÃO DE SERVIÇO POR CESSÃO DE MÃO DE OBRA. DESNECESSIDADE DE FISCALIZAÇÃO PRÉVIA NO PRESTADOR.
A falta de apresentação pelo contratante dos documentos necessários à elisão da responsabilidade solidária, autorizam o Fisco a lançar as contribuições independentemente de fiscalização prévia na empresa prestadora.
LANÇAMENTO POR RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. GUIAS DE RECOLHIMENTO. APROPRIAÇÃO.NECESSIDADE DE VINCULAÇÃO ESPECÍFICA.
Na apuração da responsabilidade solidária do tomador para com o prestador de serviços executados mediante cessão de mão de obra,
somente são admitidas, para efeito de aproveitamento, as guias de recolhimento inequivocamente vinculadas ao serviço prestado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.487
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; II) rejeitar a arguição de decadência; e III) no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201206
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/1995 a 31/01/1999 CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO RELATIVO A CONTRIBUIÇÕES NÃO ADIMPLIDAS. AUTO DE INFRAÇÃO. INSTRUMENTO IDÔNEO. A partir da aplicação das normas procedimentais e processuais do Decreto n.º 70.235/1972 às contribuições sociais, o Auto de Infração é instrumento idôneo a constituir o crédito tributário decorrente da falta de recolhimento das mesmas. LANÇAMENTO CONTENDO CONTRIBUIÇÕES INDEVIDAS. SANEAMENTO PELO ÓRGÃO DE JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE DE NULIFICAÇÃO DO CRÉDITO. Verificando-se a exigência de contribuições improcedentes, deve o órgão de julgamento afastá-las, mantendo o crédito na parte cobrada regularmente, não havendo necessidade de nulificação integral do crédito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/1995 a 31/01/1999 LANÇAMENTO NULIFICADO POR VÍCIO FORMAL. PRAZO DE DECADÊNCIA. Declarada a nulidade do crédito por vício formal, a Fazenda dispõe de cinco anos para reconstituí-lo, prazo esse contado da data da decisão anulatória, não tendo o mesmo qualquer relação com a ocorrência dos fatos geradores. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1995 a 31/01/1999 DÉBITO LANÇADO POR RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DECORRENTE DE EXECUÇÃO DE SERVIÇO POR CESSÃO DE MÃO DE OBRA. DESNECESSIDADE DE FISCALIZAÇÃO PRÉVIA NO PRESTADOR. A falta de apresentação pelo contratante dos documentos necessários à elisão da responsabilidade solidária, autorizam o Fisco a lançar as contribuições independentemente de fiscalização prévia na empresa prestadora. LANÇAMENTO POR RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. GUIAS DE RECOLHIMENTO. APROPRIAÇÃO.NECESSIDADE DE VINCULAÇÃO ESPECÍFICA. Na apuração da responsabilidade solidária do tomador para com o prestador de serviços executados mediante cessão de mão de obra, somente são admitidas, para efeito de aproveitamento, as guias de recolhimento inequivocamente vinculadas ao serviço prestado. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 19740.000414/2008-69
anomes_publicacao_s : 201206
conteudo_id_s : 5150820
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 11 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2401-002.487
nome_arquivo_s : 2401002487_19740000414200869_201206.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 19740000414200869_5150820.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; II) rejeitar a arguição de decadência; e III) no mérito, negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
id : 4753315
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:46:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044358975979520
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2152; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 298 1 297 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19740.000414/200869 Recurso nº 000.000 Voluntário Acórdão nº 2401002.487 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de junho de 2012 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente BOLSA DE VALORES DO RIO DE JANEIRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/1995 a 31/01/1999 CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO RELATIVO A CONTRIBUIÇÕES NÃO ADIMPLIDAS. AUTO DE INFRAÇÃO. INSTRUMENTO IDÔNEO. A partir da aplicação das normas procedimentais e processuais do Decreto n.º 70.235/1972 às contribuições sociais, o Auto de Infração é instrumento idôneo a constituir o crédito tributário decorrente da falta de recolhimento das mesmas. LANÇAMENTO CONTENDO CONTRIBUIÇÕES INDEVIDAS. SANEAMENTO PELO ÓRGÃO DE JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE DE NULIFICAÇÃO DO CRÉDITO. Verificandose a exigência de contribuições improcedentes, deve o órgão de julgamento afastálas, mantendo o crédito na parte cobrada regularmente, não havendo necessidade de nulificação integral do crédito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/1995 a 31/01/1999 LANÇAMENTO NULIFICADO POR VÍCIO FORMAL. PRAZO DE DECADÊNCIA. Declarada a nulidade do crédito por vício formal, a Fazenda dispõe de cinco anos para reconstituílo, prazo esse contado da data da decisão anulatória, não tendo o mesmo qualquer relação com a ocorrência dos fatos geradores. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1995 a 31/01/1999 DÉBITO LANÇADO POR RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DECORRENTE DE EXECUÇÃO DE SERVIÇO POR CESSÃO DE MÃO DEOBRA. DESNECESSIDADE DE FISCALIZAÇÃO PRÉVIA NO PRESTADOR. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 A falta de apresentação pelo contratante dos documentos necessários à elisão da responsabilidade solidária, autorizam o Fisco a lançar as contribuições independentemente de fiscalização prévia na empresa prestadora. LANÇAMENTO POR RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. GUIAS DE RECOLHIMENTO. APROPRIAÇÃO.NECESSIDADE DE VINCULAÇÃO ESPECÍFICA. Na apuração da responsabilidade solidária do tomador para com o prestador de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, somente são admitidas, para efeito de aproveitamento, as guias de recolhimento inequivocamente vinculadas ao serviço prestado. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; II) rejeitar a arguição de decadência; e III) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19740.000414/200869 Acórdão n.º 2401002.487 S2C4T1 Fl. 299 3 Relatório Tratase do Auto de Infração – AI n.º 37.179.5648, lavrado contra o sujeito passivo acima identificado, na condição de devedor solidário, pelas contribuições decorrentes da remuneração paga aos trabalhadores que laboraram para a empresa Sintonia Assessoria em Recursos Humanos LTDA., CNPJ 36.171.999/000189, que prestou serviço à autuada mediante cessão de mãodeobra no período do levantamento. O AI em questão contempla a contribuição dos segurados. Afirma o fisco que o sujeito passivo não foram apresentadas as guias de recolhimento específicas para as competências de 05/95 a 07197, 11/98 a 01/99; nem tampouco as folhas de pagamento específicas para as competências de 05/95, 08/95 a 07/97 e 11/98. O que teria impossibilitado verificar se foi realizado o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos empregados cedidos. Continuando, asseverase que, para as competências 06/95 e 07/95, as folhas de pagamento apresentadas não registram todos os empregados que prestaram o serviço, como verificado nos demonstrativos que discriminam os trabalhadores nesses meses. O fisco acrescenta que foram apresentados recolhimentos, em guias que não apresentam vinculação a prestação de serviços, para as competências 07/95, 10/95, 06/96 e 12/96. Como as guias não são específicas, não foram consideradas para dedução das contribuições apuradas. Informase que a empresa tomadora foi intimada mais de uma vez a exibir os documentos que afastariam a responsabilidade solidária, todavia, não os apresentou. A base de cálculo, afirma o fisco, foi obtida por aferição indireta, equivalendo a cinquenta por cento do valor das notas fiscais de prestação de serviço apresentadas. Segundo a Auditoria, o presente auto de infração é composto pelos levantamentos "SIN — SINTONIA" e "SIG —SINTONIA", onde estão lançadas as contribuição dos segurados, quando possível apurálas, e as bases de cálculo sobre as quais foram calculadas as contribuições dos segurados, estas apuradas por aferição indireta. Para as competências 12/98 e 01/99, afirmase, foram consideradas como contribuição dos segurados os valores apurados nas folhas de pagamento apresentadas (12/98 — R$ 28,66 e 01/99 — R$ 75,37). O fisco mencionou que, em pesquisas sobre a regularidade fiscal da prestadora, verificouse que a mesma nunca houvera sido fiscalizada, nem havia débitos em seu nome. Afirmase ainda que o lançamento foi efetuado em substituição à NFLD n.º 35.005.8423, nulificada por vício formal em decisão proferida pela 4.ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social, datada de 25/10/2005. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Mencionase no relato que a análise do contrato de prestação de serviço evidenciou que se tratava de execução mediante cessão de mãodeobra. Apresentada impugnação apenas pela Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ no Rio de Janeiro I decidiu pela procedência parcial do lançamento. Foram afastadas as competências que não estavam incluídas no lançamento substituído (NFLD n.º 35.005.8423), assim como, foram excluídas as bases de cálculo que excederam aquelas originariamente lançadas. A utilização de Auto de Infração para constituição do crédito, rechaçada na defesa, foi tida como regular pela DRJ, que também não acolheu o argumento relativo à falta de precisão na fundamentação legal da contribuição ao RAT, haja vista que o lançamento em questão diz respeito à contribuição dos segurados. Por fim, argumentouse que a apresentação de prova de que supostamente a contabilidade da prestadora dos serviços seria regular não serve para elisão da responsabilidade solidária. Afirmou o relator que tal comprovação serviria apenas para que se aceitasse recolhimento específico em valor inferior aos previstos na legislação que trata dos critérios de aferição indireta. Inconformada com a notificação, a tomadora apresentou recurso, no qual, em apertada síntese, alegou que: a) o lançamento está viciado, posto que, nos termos dos artigos 243, 244 e 293 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999, o instrumento hábil para constituir o crédito tributário decorrente do inadimplemento da obrigação principal é a Notificação de Lançamento e não o Auto de Infração, este reservado para aplicação de multa em razão do descumprimento da obrigação tributária acessória; b) o crédito de que se cuida não decorreu de um lançamento substitutivo, haja vista que foram acrescentadas competências diversas e bases de cálculo majoradas em relação à NFLD anulada por vício formal; c) o fisco, em obediência aos manuais de procedimento da Administração Tributária, estaria limitado a unicamente corrigir os vícios que deram ensejo a nulidade da NFLD substituída. Como houve inovação nos critérios de apuração, não cabe a aplicação do prazo decadencial fixado do art. 173, II, do CTN, estando todas as competências lançadas fulminadas pela decadência, seja pela contagem do art. 150, § 4.º, ou do 173, I, ambos também do Codex Tributário; d) considerandose que anulação da NFLD n.º 35.005.8423 ocorreu em 2005, o lançamento substitutivo somente poderia alcançar fatos geradores ocorridos do ano de 2000 em diante; e) a decisão recorrida ao tentar manter o lançamento, utilizouse da argumentação de que o AI contemplaria crédito substitutivo e revisão de valores, todavia, essa linha argumentativa sequer foi utilizada no relatório fiscal, portanto, há de se concluir que a DRJ inovou nos próprios fundamentos do lançamento, o que é inadmissível; f) o fisco deveria diligenciar no sentido de verificar no Cadastro Nacional de Informações Sociais – CNIS a existência de compatibilidade entre os dados ali lançados e os Fl. 301DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19740.000414/200869 Acórdão n.º 2401002.487 S2C4T1 Fl. 300 5 recolhimentos efetuados pela empresa prestadora. Esse argumento da defesa, inclusive, deixou de ser apreciado pelo órgão recorrido; g) ostentando o prestador de serviços regularidade contábil adequadamente comprovada, é certo que as GRPS existentes em com vinculação expressa ao seu CNPJ/MF, mesmo que não específicas, devem ser reconhecidas como hábeis para fins de elisão da solidariedade ora debelada. Ao final pede que se dê efeito suspensivo ao presente recurso e que no seu julgamento se cancele o crédito fiscal consubstanciado no presente AI. É o relatório. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. O efeito suspensivo do mesmo é decorrência da lei, não havendo necessidade de requerêlo. Da inadequação do instrumento de constituição do crédito Alega a recorrente que o AI seria nulo, por não ser instrumento hábil a constituir crédito tributário decorrente do inadimplemento da obrigação principal, conforme preceituam os artigos 243, 244 e 293 do RPS. Sobre essa questão há de se ter em conta que, quando da ciência do AI pelo sujeito passivo, em 02/09/2008, já eram aplicadas às contribuições sociais as disposições procedimentais e processuais do Decreto n.º 70.235/1972. Tal alteração decorreu da fusão das Secretarias da Receita Federal e da Receita Previdenciária na atual Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB. A inovação legislativa que criou a nova estrutura da Administração Tributária da União foi a Lei n.º 11.457, de 16/03/2007. Esta determinou em seu art. 25 que, a partir de abril de 2008, os procedimentos fiscais e os processos administrativofiscais de exigência das contribuições previdenciárias passariam a ser regidos pelo Decreto n.º 70.235/1972. Eis o dispositivo: Art. 25. Passam a ser regidos pelo Decreto n 70.235, de 6 de março de 1972: 1 a partir da data fixada no § 1.º art. 16 desta Lei, os procedimentos fiscais e os processos administrativofiscais de determinação e exigência de créditos tributários referentes às contribuições de que tratam os arts. 2.º e 3.º desta Lei; O referido Decreto, por sua vez, determina: Art. 9º A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993, vigente na data da lavratura) Assim, não há de se querer aplicar à situação sob enfoque as regras do RPS invocadas pelo sujeito passivo, uma vez que houve revogação tácita de todos os dispositivos incompatíveis com a novel legislação, conforme prevê o § 1.º do art. 2.º do DecretoLei n.º 4.657/1942 (Lei de Introdução ao Código Civil): Fl. 303DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19740.000414/200869 Acórdão n.º 2401002.487 S2C4T1 Fl. 301 7 Art.2o Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue. § 1o A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior. Nesse sentido, a utilização de Auto de Infração para constituição de crédito decorrente de contribuições não recolhidas encontra amparo na legislação atualmente em vigor, não devendo ser acatada a tese de nulidade do lançamento por essa razão. Da inovação do lançamento substitutivo Outra alegação do recorrente é que o lançamento, por haver inovado no período e nas bases de cálculo em relação à NFLD que fora anulada por vício formal, encontra se viciado não podendo ser aproveitado, mesmo com as correções procedidas pelo órgão de primeira instância. A DRJ, ao contrário, defende que o presente AI contempla uma parte substitutiva e outra concernente à revisão de lançamento, não sendo esta cabível posto que estariam decadentes todas as contribuições que não foram lançadas na NFLD anulada, devendo remanescer, todavia, os valores originariamente constituídos, uma vez que aos mesmos seria aplicado o inciso II do art. 173 do CTN. A meu ver, a inclusão em determinado lançamento de contribuições indevidas, seja por decadência ou mesmo por improcedência não é causa de sua nulidade integral, devendo serem expurgadas apenas os valores exigidos ao arrepio da legislação. A principal função dos órgãos de julgamento administrativo é garantir a higidez do crédito tributário, afastando do mesmo valores que indevidamente cobrados, ou sendo o caso de ocorrência de prejuízo ao direito de defesa do sujeito passivo, mediante a nulificação do ato, que pode vir a ser refeito, respeitado, é claro, o prazo decadencial para constituição do crédito. O princípio da eficiência, ao qual está jungida a Administração Pública (art. 37, “caput”, da Constituição Federal), não admite que se repita um ato administrativo quando é possível, mediante o seu saneamento, que o mesmo venha a surtir os efeitos que lhes são próprios. É o caso do lançamento em questão, no qual a DRJ, ao verificar que o fisco extrapolou as balizas legais, resgatou a legalidade do ato administrativo, ao expurgar do crédito as competências e os valores de base de cálculo que não constavam no lançamento substituído. Não vislumbro na espécie prejuízo ao direito do defesa do sujeito passivo ou mesmo preterição de formalidade essencial no lançamento. Os fatos geradores estão descritos a contento, a base imponível encontrase bem delineada e as contribuições devidas foram devidamente apresentadas no AI e anexos, não se verificando atropelo aos ditames do art. 142 do CTN, verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência Fl. 304DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. As causas de nulidade previstas no art. 59 do Decreto n.º 70.235/1972 também não se fazem presentes, como se pode ver: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. No momento em que foram pinçados do ato administrativo os vícios de legalidade já comentados, há a possibilidade de convalidação do lançamento pela Administração, conforme prevê a Lei n.º 9.784/1999, em seu art. 55: Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administra Pois bem, não encontro na espécie motivo suficiente para que se decrete a nulidade do lançamento se, após a retificação de valores indevidamente exigidos, o mesmo encontrase apto a produzir os efeitos que lhe fizeram vir ao mundo. Não hei de acatar o pedido de nulificação do AI, quando a recorrente não consegue demonstrar a ocorrência de prejuízo aos seus direitos, posto que não há o que se falar em nulidade de ato administrativo se inexistiu prejuízo explícito ou aparente para o administrado. Não há nulidade sem prejuízo. É desnecessário, do ponto de vista prático, anular se ou se decretar a nulidade de um ato, não tendo havido prejuízo da parte. A doutrina tem chamado de princípio da transcendência àquele de que se origina a regra de que, para que a nulidade seja declarada, é necessário que esta produza prejuízo. Do contrário, não se deve nulificar o ato. Assim, por entender que o fisco demonstrou a contento os elementos essências do lançamento, possibilitando à empresa o exercício do seu amplo direito de defesa e que a alegação de nulidade não se funda em provas convincentes, afasto essa preliminar. Devo reconhecer também que a DRJ enfrentou a contento os argumentos defensórios relativas a inovação no lançamento substitutivo, posto que afastou as contribuições que não estavam lançadas na NFLD n.º 35.005.8423 e justificou a manutenção da parte coincidente. Não se vislumbra, assim, motivos para a nulificação da decisão guerreada. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19740.000414/200869 Acórdão n.º 2401002.487 S2C4T1 Fl. 302 9 Decadência Conforme já exposto, o órgão a quo afastou a exigência de contribuições não incluídas no lançamento substituído, eliminando assim a ilegalidade perpetrada pela Auditoria. Por outro lado, não há dúvida quanto à natureza do vício que ensejou a declaração de nulidade da NFLD n.º 35.005.8423 pelo CRPS, basta ver a ementa da decisão: EMENTA CUSTEIO PREVIDENCIÁRIO RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA AFERIÇÃO INDIRETA VÍCIO FORMAL. A omissão, no Relatório de Fundamentos Legais do Débito, quanto ao fundamento de direito que autoriza o procedimento de aferição indireta das contribuições previdenciárias, vicia o procedimento fiscal. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, nos termos do art. 53, da Lei n o 9.784, de 29/01/99. ANULADA A NFLD, N.º do(a) Acórdão: 2492/2005. Pois bem, anulado o crédito por vício formal, a contagem do prazo decadencial se dá pela norma inserta no art. 173, II, do CTN, verbis: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: (...) II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) Ao contrário do que defende a recorrente, o dies a quo para definição do lapso de decadência se baseia, nesse caso, não em marco relacionado à ocorrência do fato gerador, mas se vincula diretamente à data em que houve a declaração de nulidade. Não se tendo constatado no lançamento original o transcurso do prazo decadencial para quaisquer das competências, posto que o período lançado é 05/1995 a 01/1999 e a ciência da NFLD n.º 35.005.8423 ocorreu em 25/02/2000, verificase que o prazo para que o fisco pudesse reconstituir este lançamento não houvera transcorrido em 02/09/2008, uma vez que a decisão anulatória do CRPS foi de 25/10/2005. A tese da empresa de que, a partir da decisão que declarou a nulidade do crédito, o fisco teria que respeitar o prazo de cinco anos, contados dos fatos geradores, para efetuar a substituição do mesmo, não deve subsistir. É que o art. 173, II, do CTN, representa interrupção do prazo de decadência, contandose, a partir da decisão anulatória, integralmente o lustro para todo o período lançado, o que faz com que a Fazenda Pública, passe a dispor de cinco anos, da nulificação do crédito, para reconstituir a integralidade do lançamento declarado nulo por vício formal. Afasto, assim, a suscitada decadência. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Necessidade de fiscalização prévia no prestador de serviço Um primeiro aspecto a ser examinado neste tópico é a possível ocorrência de fiscalização prévia na empresa prestadora. Sobre essa questão o fisco assim se pronunciou: 17. Buscando evitar o lançamento de crédito tributário já extinto ou devidamente constituído, e assim conferir maior certeza e liquidez ao ora lançado, foram realizadas consultas aos sistemas informatizados do Fisco a fim de verificar a possibilidade de existência de débitos já registrados e de ocorrência de ações fiscais com exame de contabilidade. No Sistema de Cobrança SICOB não há débito registrado para o prestador no período abrangido pelo lançamento; e no Cadastro Nacional de Ações Fiscais CNAF, não consta qualquer ação de fiscalização desenvolvida no prestador. Outra questão apontada pela empresa autuada é que a Autoridade Fiscal deveria, antes de constituir o crédito na tomadora, verificar, mediante consulta ao CNIS, se os recolhimentos efetuados pela prestadora eram compatíveis com as remunerações informadas. A bem da verdade, no período do débito, as informações prestadas através da RAIS – Relação Anual de Informações Sociais, do CAGED – Cadastro Geral de Empregados e Desempregados e do FGTS – Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, disponíveis no banco de dados do CNIS, não seriam úteis para verificar se a empresa prestadora teria efetuado o recolhimento relativo à mão de obra disponibilizada à recorrente. É que os dados de remuneração constantes no cadastro do CNIS eram precários, haja vista não conterem as informações individualizadas por tomador de serviço, como hoje ocorre, após o advento da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. Quanto essa questão, vou mais além. De acordo com a legislação tributária e previdenciária a Administração tem o direito de escolher e de exigir o valor total das contribuições devidas de quaisquer dos devedores solidários, sem que estes tenham qualquer benefício de ordem, considerando a determinação contida no parágrafo único do artigo 124 do Código Tributário Nacional – CTN: Art. 124. São solidariamente obrigadas: (...) II – as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Nesse sentido, pode o débito ser exigido de qualquer dos coobrigados, ressalvado o direito regressivo do tomador dos serviços e admitida a retenção das importâncias devidas para garantia do cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social. Sobre o argumento de que a falta de fiscalização prévia no prestador de serviço invalidaria o lançamento, tenho a dizer que o entendimento reinante nesse colegiado é contrário ao mesmo. Percebese que nem sempre é possível essa verificação, até porque em muitos casos a empresa contratada nem mais existe. A prevalecer essa exigência, criarseia mais uma dificuldade para recuperação de contribuições em um seguimento em que, sabidamente, a evasão tributária era considerável. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19740.000414/200869 Acórdão n.º 2401002.487 S2C4T1 Fl. 303 11 Sensível a essa problemática, esse tribunal administrativo sedimentou o entendimento de que é válido o lançamento por solidariedade com base na documentação apresentada pelo contratante de obra realizada por empreitada total, sem que seja necessária uma verificação prévia na empresa prestadora. Trago à colação ementa de recentes julgados que abonam a tese acima expressa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/1999 a 31/01/1999 EMENTA. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONSTRUÇÃO CIVIL. Em se tratando de responsabilidade solidária o Fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços. Recurso Voluntário Negado. (Recurso n.º 254368, Segundo Conselho de Contribuintes, 5.ª Câmara, Rel. Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, Seção 03/12/2008, Negado Provimento por Maioria) Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/06/1997 a 30/06/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, entendeuse ter havido antecipação de pagamento, fato relevante para aqueles que defendem ser determinante à aplicação do instituto. LANÇAMENTO DE CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO SOLIDARIEDADE CONSTRUÇÃO CIVIL ELISÃO NÃO OCORRÊNCIA O proprietário de obra, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, conforme dispõe o inciso VI do art. 30 da Lei nº 8.212/91, se não comprovar com documentação hábil a elisão da responsabilidade solidária APURAÇÃO PRÉVIA JUNTO AO PRESTADOR DESNECESSIDADE Em se tratando de responsabilidade solidária o Fisco tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviço INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da Fl. 308DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais ou afrontariam legislação hierarquicamente superior. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. (Recurso n.º 255769, Segunda Seção do CARF, 4.ª Câmara, 1.ª Turma, Rel. Conselheiro Ana Maria Bandeira, Seção 08/05/2009, Provimento Parcial por Unanimidade) Esses julgados bem demonstram que não havendo a elisão da responsabilidade solidária pela empresa tomadora, tem o Fisco a prerrogativa de constituir o crédito independentemente de fiscalização na empresa contratada. Das guias de recolhimento apresentadas O próprio sujeito passivo admite em seu recurso que as guias de recolhimento apresentadas não eram específicas para a mãodeobra que lhe fora cedida pela prestadora. Todavia, argumenta que o fato de haver comprovado que a contratada possuía contabilidade regular elidiria a responsabilidade solidária. Não é esse o melhor entendimento. O § 4.º do art. 31 da Lei n.º 8.212/1991, vigente no período do lançamento, assim prescrevia: § 4º Para efeito do parágrafo anterior, o cedente da mãode obra deverá elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28.4.95). Para que todos os pagamentos pudessem vir a ser aproveitados na presente apuração, haveria de ser feito uma fiscalização prévia na empresa tomadora, o que contraria frontalmente a técnica de arrecadação baseada na responsabilidade solidária do tomador para com as contribuições devidas em razão da prestação de serviço por cessão de mãodeobra. Assim, por haver deixado de exigir, para todo o período fiscalizado, as guias de recolhimento específicas para o serviço que lhe foi prestado, quando da quitação das notas fiscais de prestação de serviço, a recorrente deve ser responsabilizada pelas contribuições, haja vista que o seu adimplemento não foi comprovado. É bom que se ressalte que o fato da prestadora possuir regularidade contábil, por si só não faz com que as guias genéricas possam ser aceitas para afastar a responsabilidade solidária, apenas teriam serventia para que o fisco aceitasse guias genéricas em valores inferiores aqueles prescritos pela legislação que regula a aferição indireta. Dizendo melhor, as instruções da Administração Tributária prevêem um percentual mínimo de remuneração que deve estar contido nas guias específicas relacionadas a prestação de serviço mediante cessão de mãodeobra, todavia, comprovandose que a prestadora possui contabilidade regular, aceitase, para elisão da responsabilidade solidária, guias com valores inferiores aos determinados nas citadas normas. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19740.000414/200869 Acórdão n.º 2401002.487 S2C4T1 Fl. 304 13 Conclusão Diante do exposto, voto por afastar as preliminares e a decadências suscitadas e, no mérito, por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 310DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 15586.000016/2006-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:2003
REDUÇÃO DO IRPJ SOBRE O LUCRO DE EXPLORAÇÃO.
INCENTIVO SUDENE. É incabível a utilização do benefício regional se o interessado não satisfaz as condições iniciais de localização geográfica para sua fruição.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-001.038
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passa a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Carlos Pelá. Esteve presente ao julgamento o Conselheiro Sérgio Luiz Ferreira Presta.
Nome do relator: Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201205
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário:2003 REDUÇÃO DO IRPJ SOBRE O LUCRO DE EXPLORAÇÃO. INCENTIVO SUDENE. É incabível a utilização do benefício regional se o interessado não satisfaz as condições iniciais de localização geográfica para sua fruição. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 15586.000016/2006-50
anomes_publicacao_s : 201205
conteudo_id_s : 5082613
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1402-001.038
nome_arquivo_s : 140201038_15586000016200650_201205.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira
nome_arquivo_pdf_s : 15586000016200650_5082613.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passa a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Carlos Pelá. Esteve presente ao julgamento o Conselheiro Sérgio Luiz Ferreira Presta.
dt_sessao_tdt : Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
id : 4751874
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:46:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044359020019712
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1779; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15586.000016/200650 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 140201.038 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 9 de maio de 2012 Matéria AUTO DE INFRACAOIRPJ Recorrente TORRES & CIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 REDUÇÃO DO IRPJ SOBRE O LUCRO DE EXPLORAÇÃO. INCENTIVO SUDENE. É incabível a utilização do benefício regional se o interessado não satisfaz as condições iniciais de localização geográfica para sua fruição. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passa a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Carlos Pelá. Esteve presente ao julgamento o Conselheiro Sérgio Luiz Ferreira Presta. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 0DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 15586.000016/200650 Acórdão n.º 140201.038 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório TORRES & CIA LTDA recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Adoto o relatório da decisão recorrida. Trata este processo de auto infração de IRPJ (fls. 157 a 164), lavrado pela SEFIS da DRF – VITÓRIA – ES, em função da redução indevida do imposto no ano calendário de 2003, no valor de R$ 365.968,25, acompanhado de juros de mora incidentes até a data do efetivo pagamento. O crédito foi lançado sem multa. A seguir, os pontos principais do Termo de Verificação de Infração constante das folhas 148 a 156. TERMO DE VERIFICAÇÃO Em 02/05/2003, o interessado requereu, nos termos do Decreto nº 4.213/2002, o reconhecimento do direito à redução do IRPJ e adicionais não restituíveis, calculados com base no lucro de exploração, conforme disposto na IN nº 267/2002, originando o processo administrativo nº 11543.001409/200383 (fls. 03 e 04). O pedido de reconhecimento do direito foi instruído com os Laudos Constitutivos nº 0135/2003 (original) e 0269/2003 (complementar), expedidos pelo Ministério da Integração Nacional, que atestavam que o interessado atendia à seguinte condição: modernização de empreendimento industrial na área da extinta SUDENE. Em 03/09/2003, emitiuse o Parecer SEORT nº 1.115/2003 e com base nesse parecer foi exarado pela Delegada da Receita Federal em Vitória um despacho decisório reconhecendo o direito do interessado, conforme MP nº 2.19914/2001. No entanto, em 23/12/2003, a Inventariança Extrajudicial da Extinta SUDENE, enviou o Ofício nº 1.438/2003 à Delegada de Vitória informando sobre o cancelamento dos Laudos Constitutivos nº 0135 e 0269/2003, por não terem amparo legal. A motivação do cancelamento dos laudos residiu no fato de que o interessado não se localizava em área de atuação da extinta SUDENE, delimitada pela lei nº 9.690/98. Tendo em vista que o interessado, estabelecido no município de Serra (ES), não está localizado em área de atuação da extinta SUDENE, em 15/03/2004, a Delegada da Receita Federal de Vitória emitiu um novo despacho decisório, com base no Parecer SEORT nº 388/2004, cancelando o despacho anterior, o que implicou no não reconhecimento do direito à redução. Ou seja, a concessão do benefício inicialmente concedido, foi anulada. Em 13/04/2004, o interessado apresentou manifestação de inconformidade junto à Delegacia de Julgamento do Rio de Janeiro. Em 23/12/2004, a ADENE emitiu o Ofício nº 1.189/2004, comunicando à Receita Federal que foi julgado improcedente, POR UNANIMIDADE, o recurso interposto pelo interessado Fl. 1DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 15586.000016/200650 Acórdão n.º 140201.038 S1C4T2 Fl. 4 3 junto àquele órgão e portanto, os Laudos Constitutivos nº 0135/2003 (original) e 0269/2003 (complementar) estavam definitivamente anulados. Em 11/08/2005, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) lavrou o Acórdão nº 8.221/2005, indeferindo, POR UNANIMIDADE, a manifestação de inconformidade do interessado, ou seja, manteve o decidido no Parecer SEORT nº 338/2004, que não reconheceu o direito à redução do IRPJ pleiteado pelo interessado. Em 08/09/2005, o interessado foi cientificado do indeferimento de sua manifestação de inconformidade, tornando definitiva, na esfera administrativa, a decisão que cancelou o benefício de redução do imposto de renda. A Lei nº 9.690/98 foi taxativa e exaustiva ao incluir apenas os municípios do norte do Estado do Espírito Santo na área de atuação da extinta SUDENE. Nenhum município ao sul do Rio Doce foi contemplado. Desse modo, para que fosse legítimo o gozo do incentivo, o interessado deveria cumprir o requisito de estar situado na área de atuação da extinta SUDENE, que não abrange o município de Serra, onde está localizado seu empreendimento. Não houve, entre o primeiro Despacho Decisório SEORT/DRF/VIT nº 1.115/2003 que reconhecia o benefício e o de nº 338/2004 que reviu (anulando o primeiro), qualquer mudança de critério jurídico de concessão, mas sim o acolhimento de situação de fato que não correspondia à verdade material quanto à localização do empreendimento na área da SUDENE. A rigor, o Despacho Decisório nº 1.115/2003, sobre violar a disposição legal, o fez, também, por ter se assentado em fatos que não foram corretamente descritos nos laudos constitutivos e no requerimento do interessado. Portanto, o primeiro despacho, o de nº 1.115/2003, que reconheceu, de forma indevida, o benefício fiscal, incorreu em nulidade por duas razões: a) Ilegalidade do objeto, por ter produzido resultado em violação de lei que limitava o incentivo à área da extinta SUDENE; b) Inexistência dos motivos, em razão de que a assertiva inserida no requerimento do interessado e nos laudos emitidos originariamente pelo Ministério da Integração Nacional, de que o empreendimento estava localizado em área da SUDENE, é materialmente inexistente. Destarte, por não ter havido alteração no critério jurídico por parte da Receita Federal, inaplicável o artigo 146 do CTN à matéria. Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Cumpre dizer ainda, que o despacho decisório que reconheceu indevidamente o benefício não é passível de convalidação, pois os defeitos são insanáveis, tendo acarretado provisória lesão ao interesse público (supressão na arrecadação de tributos) que pode e deve ser corrigida pelo competente lançamento tributário. Ademais, o ato de reconhecimento não poderia ser refeito para fins de garantir o gozo do benefício, pela simples razão de que ainda hoje ofenderia expressa disposição de lei. Além disso, é cediço que a administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornem ilegais, porque deles não se originam direitos. A anulação produz efeitos retroativos (ex tunc), portanto. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 15586.000016/200650 Acórdão n.º 140201.038 S1C4T2 Fl. 5 4 A corroborar a afirmativa temse o artigo 179 do CTN que estabelece, ainda, que o lançamento não deverá impor multa de mora ou de ofício, a não ser que se comprove dolo, fraude ou simulação por parte dos sujeitos passivos. Da fiscalização e das infrações verificadas. Em resposta ao Termo de Início de Fiscalização autorizada pelo MPF 0720100 2005005965, o interessado informou que: a) Não efetuou os recolhimentos dos valores de IRPJ relativos à redução indevida e que optou por utilizar o benefício fiscal apenas no ano de 2003; b) Em virtude do não recolhimento dos valores reduzidos do IRPJ, não foram realizados os lançamentos contábeis dos ajustes a que se refere; As parcelas, referentes ao benefício de redução do IRPJ com base no lucro de exploração, utilizadas pelo interessado no ano calendário de 2003, foram as seguintes: 1º Trimestre 2º Trimestre 3º Trimestre 4º Trimestre Total 62.453,74 3.379,63 88.746,11 211.388,77 R$ 365.968,25 Em função do interessado não ter procedido aos ajustes contábeis e aos recolhimentos das parcelas do IRPJ devidas em virtude do cancelamento do benefício de redução, efetuouse o lançamento de ofício do IRPJ reduzido indevidamente, acrescido de juros moratórios. O interessado tomou ciência do auto de infração e do Termo de Verificação em 30/01/2006 (fl. 156) e, em 1º/03/2006, apresentou a impugnação de folhas 166 a 187, a seguir resumida. IMPUGNAÇÃO. O interessado apresenta, ao início, os “destaques da defesa” que tem como pontos principais as seguintes ponderações. Destaques da Defesa. O interessado formalizou o pedido de redução do IRPJ em 08/05/2003. A Receita Federal ultrapassou o prazo de 120 dias previstos para deliberação sobre o mesmo, em conformidade com o art. 3º do Decreto nº 4.213/2002. Portanto, o direito ficou tacitamente consignado. Assim, a partir de 04/09/2003, o interessado passou a ter direito ao benefício até que a decisão da DRJ/RJO declarasse esse direito revogado em decisão irrecorrível na esfera administrativa (08/09/2005). Mesmo intempestivamente, a Receita Federal examinou todos os documentos e aprovou o Pedido de Redução de 75% do IRPJ e adicionais. A partir dessa concessão, tivemos uma série de contradições e modificações de opinião por parte da DRF de Vitória, da Inventariança Extrajudicial da Extinta SUDENE, da Procuradoria Federal junto à Inventariança da extinta SUDENE e da Consultoria Jurídica do Ministério da Integração Nacional. Todas as idas e vindas das Autoridades não interferiram no direito legal concedido ao interessado pelo § 2º do art. 3º do Decreto nº 4.213/2002, até o exato dia em que a empresa tomou ciência do Acórdão DRJ/RJI nº 8.221/2005 recebido em 08/09/2005. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 15586.000016/200650 Acórdão n.º 140201.038 S1C4T2 Fl. 6 5 Portanto, o inteiro gozo do benefício fiscal durou de 01/01/2003 até 07/09/2005, véspera da decisão irrecorrível, consoante artigo 3º, § 4º, do Decreto nº 4.213/2002. A partir daí, às folhas 168 e 169, o interessado tenta justificar que tem direito à redução do IRPJ, pelo fato de ser uma empresa considerada como de setor prioritário ao desenvolvimento regional. Em seguida, volta à questão do prazo de 120 dias para a Receita Federal se pronunciar. Do exame do mérito em relação à exigência fiscal. Da folha 175 à 186, o interessado volta a questionar seu direito à redução do IRPJ (já definitivamente negado no processo administrativo 11543.001409/200383), trazendo argumentos sobre as áreas geográficas de atuação da Extinta SUDENE e da ADENE. Argumenta que a seu favor está o fato de que a área de atuação da ADENE abrange todo o território do Estado do Espírito Santo. Afirma que a questão geográfica o fato de o município de Serra (ES) não estar incluído na área de atuação da Extinta SUDENE – é de completa responsabilidade dos órgãos federais, não podendo ser imputada ao interessado, que sempre mencionou seu endereço correto em seus requerimentos. Requer o cancelamento do auto de infração. A decisão recorrida está assim ementada: REDUÇÃO DO IRPJ SOBRE O LUCRO DE EXPLORAÇÃO. INCENTIVO SUDENE. É incabível a utilização do benefício regional se o interessado não satisfaz as condições iniciais de localização geográfica para sua fruição. MATÉRIA DEFINITIVAMENTE JULGADA. NOVO JULGAMENTO. Não cabe, por impedimento legal (Decreto nº 4.213, de 26/04/2002), reanalisar qualquer dos argumentos apresentados pelo interessado, quanto ao não reconhecimento, já definitivamente julgado na esfera administrativa, de seu direito à redução de 75% do IRPJ calculado com base no lucro de exploração. Lançamento Procedente. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual reforça as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 15586.000016/200650 Acórdão n.º 140201.038 S1C4T2 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade. Tratase de litígio quanto a isenção do imposto de renda sobre lucro da exploração de empreendimento na área da antiga SUDENE. A contribuinte reitera a alegação de que pleiteou o beneficio na forma correta e que os órgãos demoraram mais de 120 dias na apreciação, portanto, passou a fazer jus a redução até que fosse indeferida. Descabe razão à empresa. Isso porque após o indeferimento, o contribuinte teve prazo suficiente para recolher o tributo devido sem a multa de oficio, mas insistiu na tese que naquele período a isenção vigorou a seu favor. Pois bem, a meu ver não cabe razão à recorrente, conforme já fundamentado na decisão de 1a. instancia, a seguir transcrita: (...) QUANTO AO PRAZO PARA EMISSÃO DO PARECER SEORT Nº 1.115/2003. Vejamos, inicialmente, o que dispõe o Decreto nº 4.213/2002. Art. 3o O direito à redução do imposto sobre a renda das pessoas jurídicas e adicionais nãorestituíveis incidentes sobre o lucro da exploração, na área de atuação da extinta SUDENE será reconhecido pela unidade da Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda a que estiver jurisdicionada a pessoa jurídica, instruído com o laudo expedido pelo Ministério da Integração Nacional. § 1o O chefe da unidade da Secretaria da Receita Federal decidirá sobre o pedido em cento e vinte dias contados da respectiva apresentação do requerimento à repartição fiscal competente. § 2o Expirado o prazo indicado no § 1o, sem que a requerente tenha sido notificada da decisão contrária ao pedido e enquanto não sobrevier decisão irrecorrível, considerarseá a interessada automaticamente no pleno gozo da redução pretendida. § 3o Do despacho que denegar, parcial ou totalmente, o pedido da requerente, caberá impugnação para a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, dentro do prazo de trinta dias, a contar da ciência do despacho denegatório. § 4o Tornase irrecorrível, na esfera administrativa, a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento que denegar o pedido. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 15586.000016/200650 Acórdão n.º 140201.038 S1C4T2 Fl. 8 7 § 5o Na hipótese do § 4o, a repartição competente procederá ao lançamento das importâncias que, até então, tenham sido reduzidas do imposto devido, efetuandose a cobrança do débito. § 6o A cobrança prevista no § 5o não alcançará as parcelas correspondentes às reduções feitas durante o período em que a pessoa jurídica interessada esteja em pleno gozo da redução de que trata o § 2o. Já que o interessado afirma que a Delegacia da Receita Federal de Vitória demorou mais de 120 dias para analisar seu pedido de redução, vejamos, em primeiro lugar, o cronograma dos acontecimentos. O Pedido de Reconhecimento do Direito à Redução do IRPJ foi apresentado em 02/05/2003, acompanhado do Laudo Constitutivo nº 0135/2003 datado de 01/03/2003. Conforme exposto no Parecer SEORT nº 1.115/2003 (fl. 12), “em função do laudo apresentado pelo interessado não estar em conformidade com o contido no § 2º do art. 1º do DecretoLei nº 1.564/77, pois não esclarece por que tipo de modernização passou o empreendimento, se parcial ou total, e nem atesta o percentual de aumento da capacidade instalada do empreendimento, o interessado foi intimado a apresentar um NOVO LAUDO constitutivo, no qual fossem contempladas as demais informações necessárias à análise do pleito. O interessado, então, apresentou o Laudo Constitutivo Complementar nº 0269/2003 (fls. 09 a 11), emitido em 26/08/2003, o qual atesta a modernização total do empreendimento industrial e a equivalência percentual em relação à modernização em 100%”. A cópia da Solicitação de Documentos nº 166/2003, que comprova que antes do prazo de 120 dias para o parecer definitivo da Delegacia de Vitória, este órgão já havia analisado o pedido e verificado que o laudo constitutivo estava incompleto, foi juntada à folha 227. A solicitação em referência foi recebida em 28/07/2003 – portanto, menos de 90 dias do pedido de redução. O laudo complementar foi solicitado, pelo próprio interessado, à Inventariança Extrajudicial da SUDENE em 15/08/2003, conforme comprova a cópia de folha 11. Assim dispôs o laudo complementar em referência: Em face da solicitação dessa empresa datada de 15/08/2003, com vistas ao atendimento da Solicitação de Documentos da Delegacia da Receita Federal de nº 166/2003, o Grupo de Trabalho no preâmbulo qualificado considera o pleito procedente e com base legal e resolve: a) os itens 7 e 10 do Laudo Constitutivo nº 0135/2003, de 31/03/2003, passam a vigorar com a seguinte redação: (...) O Laudo Complementar nº 0269/2003 (fls. 09 a 11) foi emitido em 26/08/2003. Portanto, só em 26/08/2003, o interessado cumpriu as formalidades legais para solicitar a redução do IRPJ, já que o laudo inicialmente apresentado estava incompleto. O Parecer SEORT nº 1.115/2003, que analisou o pleito e os laudos, foi emitido em 16/09/2003, com ciência do interessado em 07/10/2003 (fl. 15), ou seja, menos de um mês após a apresentação do laudo complementar. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 15586.000016/200650 Acórdão n.º 140201.038 S1C4T2 Fl. 9 8 Dessa forma, vêse que o interessado tenta, utilizandose de uma omissão de acontecimentos, responsabilizar a Receita Federal pela emissão do parecer em mais de 120 dias do pedido de reconhecimento. Pelo que se relatou acima, vêse claramente que a Receita Federal se posicionou acerca da irregularidade do laudo inicialmente apresentado (nº 0135/2003) antes de 90 dias – prazo inferior ao determinado pelo Decreto nº 4.213/2002 e menos de 30 dias após a apresentação do laudo complementar. Assim, cai por terra a afirmação do interessado de que usufruía do direito de redução, em função do § 2º do art. 3º do Decreto nº 4.213/2002, pelo prazo de 01/01/2003 a 08/09/2005 (data da ciência do Acórdão DRJ/RJ 01 nº 8.221, de 11/08/2005). DO CANCELAMENTO DO DIREITO À REDUÇÃO DO IRPJ E ADICIONAL CALCULADO SOBRE O LUCRO DE EXPLORAÇÃO. O interessado efetuou reduções do IRPJ no ano calendário 2003, com base no direito que entendia possuir de reduzir o IRPJ e adicional concedido a empresas situadas na área da extinta SUDENE. O Auditor Fiscal glosou as exclusões, pelo fato de este direito, inicialmente concedido de forma indevida pela Receita Federal, ter sido cancelado, conforme decisão administrativa definitiva prolatada no processo 11543.001409/200383 (Acórdão DRJ/RJOI nº 8.221, de 11/08/2005). Da folha 175 à 186 o interessado se atém a levantar quesitos quanto à matéria definitivamente julgada no processo administrativo citado no parágrafo anterior através do acórdão prolatado pela 6ª Turma desta Delegacia de Julgamento no Rio de Janeiro. Conforme visto anteriormente, o Decreto nº 4.213/2002 dispõe que o direito à redução será reconhecido pela unidade da Receita federal de jurisdição do interessado e que é irrecorrível, na esfera administrativa, a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento que denegar o pedido. A IN SRF nº 267, de 23/12/2002, também dispõe em seu artigo 60: Art. 60. A competência para reconhecer o direito será da unidade da SRF a que estiver jurisdicionada a pessoa jurídica, devendo o pedido estar instruído com laudo expedido pelo MI. § 1º O titular da unidade da SRF decidirá sobre o pedido em cento e vinte dias contados da apresentação do requerimento à repartição fiscal competente. § 2º Expirado o prazo indicado no § 1º, sem que a requerente tenha sido notificada da decisão contrária ao pedido e enquanto não sobrevier decisão irrecorrível, considerarseá a interessada automaticamente no pleno gozo da redução pretendida, a partir da data de expiração do prazo. § 3º Do despacho que denegar, parcial ou totalmente, o pedido da requerente, caberá manifestação de inconformidade para a Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ), dentro do prazo de trinta dias, a contar da ciência do despacho denegatório. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 15586.000016/200650 Acórdão n.º 140201.038 S1C4T2 Fl. 10 9 § 4º Tornase irrecorrível, na esfera administrativa, a decisão da DRJ que denegar o pedido. § 5º Na hipótese do § 4º, a repartição competente procederá ao lançamento das importâncias que, até então, tenham sido reduzidas do imposto devido, efetuandose a cobrança do débito. Conforme se conclui da leitura dos textos legais acima, do Acórdão 8.221, prolatado em 11/08/2005, não cabe mais recurso administrativo. E, de fato, o interessado respeitou o dispositivo legal, não recorrendo do referido julgado. O processo 11543.001409/200383 encontrase parado, para consulta, na Delegacia da Receita Federal de Vitória. O que o interessado tenta fazer agora, através da impugnação apresentada, é burlar o impedimento legal de recorrer da decisão que lhe negou o direito à redução, apresentando alegações quanto às áreas de jurisdição da ADENE e da Extinta SUDENE. O benefício de redução do IRPJ, pleiteado pelo interessado, só é dirigido, conforme art. 1º da MP 2.19914, aos empreendimentos instalados na área da Extinta SUDENE e não nas áreas sob administração da ADENE, como tenta fazer entender o interessado. Art. 1o Sem prejuízo das demais normas em vigor aplicáveis à matéria, a partir do anocalendário de 2000 e até 31 de dezembro de 2013, as pessoas jurídicas que tenham projeto aprovado para instalação, ampliação, modernização ou diversificação enquadrado em setores da economia considerados, em ato do Poder Executivo, prioritários para o desenvolvimento regional, nas áreas de atuação das extintas Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste SUDENE e Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia SUDAM, terão direito à redução de setenta e cinco por cento do imposto sobre a renda e adicionais não restituíveis, calculados com base no lucro da exploração. Posteriormente à criação da SUDENE, a área de sua atuação foi ampliada pela Lei nº 9.690, de 15/07/1998, que listou, de forma taxativa, alguns municípios do Estado de Minas Gerais e da região norte do Estado do Espírito Santo. Entre eles, não se encontra o município de Serra (ES), onde está localizado o empreendimento do interessado. Senão, vejamos: Art. 1o Para os efeitos da Lei no 3.692, de 15 de dezembro de 1959, é o Poder Executivo autorizado a incluir na área de atuação da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste SUDENE, os Municípios de Almenara, Araçuaí, Bandeira, Berilo, Cachoeira do Pajeú, Capelinha, Caraí, Carbonita, Chapada do Norte, Comercinho, Coronel Murta, Couto Magalhães de Minas, Datas, Diamantina, Divisópolis, Felício dos Santos, Felisburgo, Francisco Badaró, Itamarandiba, Itaobim, Itinga, Jacinto, Jequitinhonha, Joaíma, Jordânia, Malacacheta, Mata Verde, Medina, Minas Novas, Montezuma, Novo Cruzeiro, Padre Paraíso, Palmópolis, Pedra Azul, Rio do Prado, Rio Vermelho, Rubim, Salto da Divisa, Santa Maria do Salto, Santo Antônio Jacinto, Senador Modestino Gonçalves, São Gonçalo do Rio Preto, Serro, Turmalina, Virgem da Lapa, da região do Vale do Jequitinhonha, no Estado Fl. 8DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 15586.000016/200650 Acórdão n.º 140201.038 S1C4T2 Fl. 11 10 de Minas Gerais; e os Municípios de Baixo Guandu, Colatina, Linhares, Marilândia, Rio Bananal, São Domingos do Norte, Pancas, Sooretama, Alto Rio Novo, Águia Branca, São Gabriel da Palha, Vila Valério, Jaguaré, Mantenópolis, Barra de São Francisco, Vila Pavão, Água Doce do Norte, Nova Venécia, São Mateus, Conceição da Barra, Boa Esperança, Pinheiros, Ecoporanga, Ponto Belo, Montanha, Mucurici e Pedro Canário, da região norte do Estado do Espírito Santo. Por meio da Medida Provisória 2.145, de 02/05/2001, e reedições, foi extinta a SUDENE (art. 41) e criada a ADENE, cuja área de jurisdição abrange todo o Estado do Espírito Santo (art. 31 e § 2º). No entanto, a legislação relativa ao benefício fiscal pleiteado pelo interessado, posterior à extinção da SUDENE, sempre deixou claro que os mesmos eram restritos à área de abrangência da extinta autarquia, conforme se vê do disposto no artigo 1º da MP 2.19914. Art. 1o Sem prejuízo das demais normas em vigor aplicáveis à matéria, a partir do anocalendário de 2000 e até 31 de dezembro de 2013, as pessoas jurídicas que tenham projeto aprovado para instalação, ampliação, modernização ou diversificação enquadrado em setores da economia considerados, em ato do Poder Executivo, prioritários para o desenvolvimento regional, nas áreas de atuação das extintas Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste SUDENE e Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia SUDAM, terão direito à redução de setenta e cinco por cento do imposto sobre a renda e adicionais não restituíveis, calculados com base no lucro da exploração. Além do mais, o benefício da redução questionado já não é mais passível de discussão neste processo, em virtude de o assunto, conforme esclarecido anteriormente, já estar definitivamente julgado na esfera administrativa. Os principais pontos do Acórdão 8.221/2005 que negou o pedido de redução do interessado (fls 50 a 56) são os seguintes. Ementa: INCENTIVO DE REDUÇÃO SUDENE. CANCELAMENTO. A todo tempo, a autoridade poderá cancelar de ofício o despacho concessivo se apurar que o beneficiário não satisfazia as condições iniciais ou deixou de satisfazêlas, não cumprindo os requisitos da lei. Solicitação Indeferida.......... Quando a Interessada apresentou a manifestação de inconformidade em relação ao Parecer SEORT nº 388/2004, a decisão administrativa do recurso a respeito da anulação dos Laudos Constitutivos nº 0135 e 0269/2003 ainda não tinha sido proferida pela Agência de Desenvolvimento do Nordeste – ADENE. No entanto, em 23/12/2004, este órgão, através do Ofício nº 1.189 (fl. 85), comunicou à DRF/Vitória/ES que o recurso da Interessada foi julgado improcedente, sendo então mantida a anulação dos Laudos Constitutivo nº 0135 e Constitutivo Complementar 0269/2003. .......... Fl. 9DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 15586.000016/200650 Acórdão n.º 140201.038 S1C4T2 Fl. 12 11 Ao ANULAR os Laudos Constitutivos nº 0135 e 0269/2003, a ADENE/MIN justificou o ato pelo não atendimento aos requisitos legais exigidos no que tange à abrangência espacial de concessão do benefício. Esta abrangência espacial está definida, relativamente ao Estado do Espírito Santo, onde está localizada a empresa, na Lei nº 9.690/98 que não inclui, na área da SUDENE, o município de Serra. Conforme o art. 60 da IN nº 267/2002 a competência para reconhecer o direito à redução do IRPJ será da unidade da SRF a que estiver jurisdicionada a pessoa jurídica, devendo o pedido estar instruído com laudo expedido pelo Ministério da Integração Nacional. Logicamente, a falta deste laudo impede a concessão do benefício. ... para obtenção de uma isenção individual (e não geral), há necessidade de prova, pelo interessado, de que preenche determinados requisitos e condições previstos em lei. No caso em discussão, uma das condições para auferir o benefício fiscal pleiteado seria a apresentação do Laudo repetidamente citado. O documento, inicialmente emitido, foi posteriormente anulado, exatamente porque a empresa não preenchia, desde a origem do pedido, um dos requisitos necessários – a localização. Por este motivo, as condições acessórias previstas em lei passaram a não ser atendidas. Conseqüentemente, o benefício fiscal deve ser também cancelado desde a data inicial de sua concessão, sem que haja qualquer obrigação da União para com o contribuinte. Face ao exposto e por tudo o mais que dos autos consta, INDEFIRO a solicitação efetuada, e mantenho o decidido no Parecer SEORT nº 388/2004 de 15/03/2004. O interessado perdeu nos recursos apresentados junto à ADENE (processo nº 59301.001847/200230 – fl. 49) e junto à Receita Federal (processo 11543.001409/200386 – acórdão acima) e agora tenta levantar outras questões sobre seu direito à obtenção do benefício fiscal, com a intenção clara de conseguir, através deste processo de auto de infração, chegar a um veredito do Conselho de Recursos Administrativos Fiscais que, no entanto, pelo Decreto nº 4.213/2002, está impedido de se pronunciar quanto a este assunto específico, em virtude do disposto no § 4º do art. 3º. Resumindo; o interessado teve seu direito à redução do IRPJ, originalmente concedido por engano, cancelado, tanto pela ADENE (através dos seus laudos constitutivos), quanto pela SRFB (através do processo 11543.001409/200383), pelo fato de sua modernização industrial ser efetuada em empreendimento localizado no município de Serra (ES), não localizado em área de atuação da extinta SUDENE, que só abrange os municípios do norte do Espírito Santo. Portanto, não cabe a esta DRJ/RJO 1, nesta oportunidade, por impedimento legal (Decreto nº 4.213, de 26/04/2002), reanalisar qualquer dos argumentos apresentados pelo interessado quanto à denegação, já definitivamente julgada em instâncias administrativas através do processo 11543.001409/200383, de seu pedido de redução de 75% do IRPJ calculado com base no lucro de exploração, conforme pretendido pelo mesmo. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 15586.000016/200650 Acórdão n.º 140201.038 S1C4T2 Fl. 13 12 Em função de todo o exposto, concluo que são indevidas as reduções do IRPJ efetuadas com base em benefícios fiscais indevidamente concedidos a empresas que não estão situadas na área da SUDENE, devendo ser mantido o lançamento de ofício destas diferenças de imposto relativas ao ano calendário de 2003. O lançamento do IRPJ, referente às glosas destas deduções, foi efetuado sem qualquer aplicação de multa, mas com juros moratórios. Sobre isso lembremos que o direito do interessado à redução do IRPJ foi definitivamente revogado em 2005 porque ele não satisfazia, desde o pedido inicial, as condições para a obtenção do benefício. Houve erros iniciais, por parte da Inventariança Extrajudicial da SUDENE e da Delegacia da Receita Federal de Vitória, ao emitirem os Laudos Constitutivos 0135/2003 e 0269/2003 e o Parecer SEORT 1.115/2003 concedendolhe ilegalmente o benefício da redução. Os erros foram corrigidos e os laudos e o parecer inicial foram cancelados, com efeitos extunc. No entanto, não houve dolo por parte do interessado. Ele não omitiu, ou mentiu, quanto à localização do seu empreendimento, com a finalidade de obter o benefício fiscal em questão, e é exatamente por isto que a multa de ofício de 75% (ou qualquer outra multa) não foi aplicada, em obediência ao disposto no inciso II do artigo 155 do CTN. (..) Conclusão Aos fundamentos acima transcritos nada mais merece ser acrescentado. Em verdade, a pretensão do contribuinte é beneficiarse temporariamente de uma isenção que jamais fez jus. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 11DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O
score : 1.0
Numero do processo: 13886.000663/2005-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Data do fato gerador: 08/08/2003
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA
A jurisprudência deste E. Conselho entende que não padece de nulidade o auto de infração cuja descrição fática permita ao contribuinte entender a autuação e exercitar seu direito de defesa.
FINANCIAMENTO. JUROS. VALOR ADUANEIRO. INCLUSÃO
Não se vislumbra no art. 80 do Regulamento Aduaneiro vigente à época do fato gerador (Decreto n° 4.543/2002) qualquer comando no sentido de que o preço acordado entre as partes deve ser compatível com os preços praticados no mercado para permitir a exclusão dos juros do Valor Aduaneiro.
A norma em questão reza apenas que o importador seja capaz de comprovar que as mercadorias tenham sido vendidas pelo preço declarado como pago ou a pagar e que a taxa de juros acordada não exceda o nível usualmente aplicado em transações semelhantes no momento e no país em que tenha sido concedido o financiamento.
Deve prevalecer o princípio da livre iniciativa, a liberdade de preços fixados pelas práticas comerciais e a livre concorrência.
Preliminar de nulidade do auto de infração não acolhida.
No mérito, recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3202-000.450
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201202
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 08/08/2003 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA A jurisprudência deste E. Conselho entende que não padece de nulidade o auto de infração cuja descrição fática permita ao contribuinte entender a autuação e exercitar seu direito de defesa. FINANCIAMENTO. JUROS. VALOR ADUANEIRO. INCLUSÃO Não se vislumbra no art. 80 do Regulamento Aduaneiro vigente à época do fato gerador (Decreto n° 4.543/2002) qualquer comando no sentido de que o preço acordado entre as partes deve ser compatível com os preços praticados no mercado para permitir a exclusão dos juros do Valor Aduaneiro. A norma em questão reza apenas que o importador seja capaz de comprovar que as mercadorias tenham sido vendidas pelo preço declarado como pago ou a pagar e que a taxa de juros acordada não exceda o nível usualmente aplicado em transações semelhantes no momento e no país em que tenha sido concedido o financiamento. Deve prevalecer o princípio da livre iniciativa, a liberdade de preços fixados pelas práticas comerciais e a livre concorrência. Preliminar de nulidade do auto de infração não acolhida. No mérito, recurso voluntário provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 13886.000663/2005-71
anomes_publicacao_s : 201202
conteudo_id_s : 4944096
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 13 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 3202-000.450
nome_arquivo_s : 3202000450_13886000663200571_201202.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 13886000663200571_4944096.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 28 00:00:00 UTC 2012
id : 4749630
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:45:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044359028408320
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2099; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 221 1 220 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13886.000663/200571 Recurso nº 880.251 Voluntário Acórdão nº 3202000.450 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 15 de fevereiro de 2012 Matéria IPI Recorrente HUDTELFA TEXTILE TECHNOLOGY LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 08/08/2003 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA A jurisprudência deste E. Conselho entende que não padece de nulidade o auto de infração cuja descrição fática permita ao contribuinte entender a autuação e exercitar seu direito de defesa. FINANCIAMENTO. JUROS. VALOR ADUANEIRO. INCLUSÃO Não se vislumbra no art. 80 do Regulamento Aduaneiro vigente à época do fato gerador (Decreto n° 4.543/2002) qualquer comando no sentido de que o preço acordado entre as partes deve ser compatível com os preços praticados no mercado para permitir a exclusão dos juros do Valor Aduaneiro. A norma em questão reza apenas que o importador seja capaz de comprovar que as mercadorias tenham sido vendidas pelo preço declarado como pago ou a pagar e que a taxa de juros acordada não exceda o nível usualmente aplicado em transações semelhantes no momento e no país em que tenha sido concedido o financiamento. Deve prevalecer o princípio da livre iniciativa, a liberdade de preços fixados pelas práticas comerciais e a livre concorrência. Preliminar de nulidade do auto de infração não acolhida. No mérito, recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 20/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 13886.000663/200571 Acórdão n.º 3202000.450 S3C2T2 Fl. 222 2 José Luiz Novo Rossari Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jose Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Adriene Maria de Miranda Veras e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 200/216) interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II (“DRJSPOII”), que julgou improcedente a Impugnação (fls. 150/167) apresentada pela Hudtelfa Textile Technology Ltda. (doravante “Recorrente”). Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do Acórdão citado, verbis: “Em 08/08/2003, a interessada submeteu a despacho seis máquinas de tecer, com alíquota de IPI de 5% e de II de 0%, tendo sido intimada a apresentar documentos que comprovassem o valor aduaneiro utilizado para importação, apresentando declaração do fabricante (fls. 94 e 95) na qual é confirmado que os preços praticados são especiais (realmente baixos, bem abaixo dos valores apresentados no mercado para esse tipo de máquina) em razão de a importadora ser cliente há muitos anos. A transação comercial ocorreu com financiamento, havendo juros de mora, os quais a fiscalização fez compor o valor aduaneiro da mercadoria em razão do que preceitua o art. 80 do Dec. 4543/2002, especialmente o inciso III, letra a, relativamente à necessidade de comprovação pelo importador, para que os juros não sejam considerados, de que as mercadorias sejam vendidas ao preço declarado como o efetivamente pago ou a pagar. Havendo outro valor aduaneiro (fatura + juros de financiamento), diferença de IPI foi apurada, com lavratura de Auto de Infração onde são também exigidos juros de mora e multa de oficio prevista no art. 80, I da Lei 4502/64, com a redação do art. 45 da Lei 9430/96. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 20/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 13886.000663/200571 Acórdão n.º 3202000.450 S3C2T2 Fl. 223 3 Discordando sobre a composição do valor aduaneiro com os juros do financiamento, a interessada apresentou impugnação (fls. 150 a 167) onde alega, em síntese, que: o auto é nulo por não ter havido descrição detalhada das mercadorias sendo duas modelo GAMMAX 6J e quatro modelo GAMMAX 6R, o que impossibilitou individualizar o cálculo do valor aduaneiro para cada mercadoria; os juros foram destacados do preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias, o acordo de financiamento foi firmado por escrito e a taxa de juros não excedeu o nível usualmente praticado nesse tipo de transação; as mercadorias foram real e efetivamente vendidas pelo preço declarado, tendo o primeiro método de valoração sido aceito pela fiscalização; com a interpretação do auditor, a administração teria de aceitar outros aspectos que compõe a negociação comercial, internacional ou não, tais como habitualidade, idoneidade, risco, estratégia, etc, restando total desconsideração ao acordo de valoração aduaneira. É o Relatório.” Em sua decisão, a DRJSPOII houve por bem manter o lançamento. Referida decisão restou assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 08/08/2003 VALORAÇÃO ADUANEIRA. Os juros do contrato de financiamento entre importador e exportador são considerados parte do valor aduaneiro quando a negociação das mercadorias acontece por um preço inferior ao valor de mercado.” Inconformada, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário no qual aduz, em síntese, os mesmos argumentos já apresentados na Impugnação, requerendo a declaração de nulidade do Auto de Infração de fls. 02/10 e, no mérito, a improcedência do lançamento. É o relatório. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 20/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 13886.000663/200571 Acórdão n.º 3202000.450 S3C2T2 Fl. 224 4 Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento, passando a analisar os argumentos trazidos pela Recorrente. Preliminar. Nulidade do auto de infração. Em sede de preliminares, a Recorrente alega a nulidade do Auto de Infração em vista de supostas omissões e informações incorretas que teriam cerceado seu direito à ampla defesa. Isso teria ocorrido pois, na opinião da Recorrente, a Fiscalização descreveu o fato de forma genérica, fazendo menção à importação de “06 (seis) máquinas de tecer, a pinça, modelos GAMMAX 6J e 6R 190 cm, da marca Picanol, classificável na Tarifa Externa Comum no código 8446.30.40”, quando o correto seria o seguinte: “A02 (duas) unidades de máquinas de tecer a pinça modelo GAMMAX 6J 190 CM, de números de série 267.479 e 267.480, no valor unitário de EUR 26.000,00 B04 unidades de máquinas de tecer a pinça modelo GAMMAX 6 R 190 Cm da marca picanol, numero de série 267.481; 267.484; 267.485 e 267.486. no valor unitário de EUR 35.500,00” Como se vê, a descrição dada pelo Auto de Infração, ainda que não tão pormenorizada quanto a apresentada pela Recorrente, é clara o suficiente para permitir ao contribuinte o regular exercício de seu direito de defesa. Tanto isso é verdade que tanto a Impugnação quanto o Recurso Voluntário trazem extensa argumentação atacando todos os pontos do Auto de Infração com os quais a Recorrente não concorda, prova de que a mesma compreendeu perfeitamente o teor da autuação, motivo pelo qual a preliminar não deve ser acolhida. Friso também que este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“CARF”) possui extensa jurisprudência no sentido de que não padece de nulidade Auto de Infração, cuja descrição fática permita ao contribuinte entendimento pleno da autuação e o exercício regular do direito de defesa. Senão vejamos: Fl. 230DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 20/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 13886.000663/200571 Acórdão n.º 3202000.450 S3C2T2 Fl. 225 5 “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1997, 1998 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A simples contrariedade do recorrente com a motivação esposada na decisão de primeira instância não constitui qualquer vício capaz de incorrer em sua desconsideração, mormente quando o julgado a quo abordou todos os argumentos da impugnação e expôs seus motivos para acatar ou não as alegações da defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DEFESA. INOCORRÊNCIA. Descabida a arguição de cerceamento do direito de defesa, quando se constata que o auto de infração contém todos os elementos necessários à perfeita compreensão das razões de fato e de direito que fundamentaram o lançamento de oficio e o sujeito passivo teve conhecimento dos documentos que o embasaram. O litígio só se instaura com a apresentação tempestiva da impugnação, não se cogitando preterição ao direito de defesa antes de iniciada a fase contenciosa. MPF. PRORROGAÇÃO. As prorrogações de MPF serão feitas automaticamente por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação estará disponível na Internet. (…)” (grifamos) (AC n° 10617.186; 6ª Câmara do 1° CC; Relator Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos; Julgamento em 16/12/08) “EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO ENTRE FUNDAMENTAÇÃO E DISPOSITIVO. ADMISSÃO. Tendo o acórdão embargado reconhecido a semestralidade do PIS até fevereiro de 1996, relativamente a débitos de períodos posteriores, acolhem se os embargos para retificação do resultado do julgamento, passando a ementa a ser a seguinte: ‘PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DESCRIÇÃO DOS FATOS E FUNDAMENTOS. CERCEAMENTO DE DEFESA. Inexiste cerceamento de defesa, quando a descrição dos fatos seja suficiente para a compreensão dos fatos que deram origem ao lançamento. (…)’”(grifamos) (AC n° 20179.299; 1ª Câmara do 2° CC; Relator Conselheiro José Antônio Francisco; Julgamento em 24/05/06) “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — DESCRIÇÃO DOS FATOS E CAPITULAÇÃO LEGAL — IMPRECISÃO — CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA — NULIDADE: Tendo a peça impositiva procedido à perfeita descrição dos fatos, possibilita ao contribuinte seu amplo direito Fl. 231DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 20/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 13886.000663/200571 Acórdão n.º 3202000.450 S3C2T2 Fl. 226 6 de defesa, ainda mais que ele foi exercido em sua plenitude. A capitulação legal, cuja precisão foi prejudicada pela generalidade, tendo apresentado perfeito enquadramento do tipo fiscal, é suficiente para validar o lançamento” (grifamos) (AC n° CSRF/0 04.778; 1ª turma da CSRF; Relator Conselheiro José Carlos Passuelo; Julgado em 01/12/2003) Por último, ainda em sede de preliminares, a Recorrente alega que não lhe foi permitido utilizar o depósito em garantia, efetuado quando da parametrização da importação sob o canal cinza e comprovado às fls. 56, para quitar o valor exigido. Nesse sentido, ressalto que a própria Recorrente admite em seu Recurso Voluntário que tal alegação é feita apenas ad argumentandum, visto que não teria a intenção de se utilizar de tais valores, já que não concorda com a exigência fiscal. Ademais, como se verá adiante, o lançamento não merece ser mantido, fato que, consequentemente, permitirá à Recorrente proceder ao levantamento do depósito efetuado. Por este motivo, entendo que essa última alegação preliminar perde o objeto e, portanto, deixo de apreciála. Superadas as preliminares, passo agora ao exame do mérito. Juros. Valor Aduaneiro. IPI. A Recorrente foi autuada por uma suposta diferença entre o IPI recolhido e aquele que seria efetivamente devido. Tal diferença, que acrescida da multa de 75% e dos juros de mora totaliza o crédito de R$ 10.706,47 (dez mil, setecentos e seis reais e quarenta e sete centavos), se deve à incorporação do valor devido a título de juros do financiamento acordado entre a Picanol N.V. (doravante “Exportador”) e a Recorrente no Valor Aduaneiro, que é considerado como a base de cálculo do IPI. A inclusão dos juros no Valor Aduaneiro foi sustentada pela fiscalização com base no que dispunha o art. 80, III, a, do Regulamento Aduaneiro vigente à época do fato gerador (Decreto n°4.543/2002). O referido artigo encontrase reproduzido abaixo: “Art. 80. Os juros devidos em razão de contrato de financiamento firmado pelo importador e relativos à compra de mercadorias importadas não serão considerados como parte do valor aduaneiro, desde que (Acordo de Valoração Aduaneira, Artigo 18, parágrafo 1, aprovado pelo Decreto Legislativo nº 30, de 1994, e promulgado pelo Decreto nº 1.355, de 1994, e Fl. 232DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 20/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 13886.000663/200571 Acórdão n.º 3202000.450 S3C2T2 Fl. 227 7 Decisão 3.1 do Comitê de Valoração Aduaneira, aprovada em 12 de maio de 1995): I sejam destacados do preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias; II o contrato de financiamento tenha sido firmado por escrito; e III o importador possa comprovar que: a) as mercadorias sejam vendidas ao preço declarado como o efetivamente pago ou por pagar; e b) a taxa de juros negociada não exceda o nível usualmente praticado nesse tipo de transação no momento e no país em que tenha sido concedido o financiamento. Parágrafo único. O disposto no caput aplicase: I independentemente de o financiamento ter sido concedido pelo vendedor, por uma instituição bancária ou por outra pessoa física ou jurídica; e II ainda que a mercadoria seja valorada segundo um método diverso daquele baseado no valor de transação.” A argumentação utilizada pelo Fisco para a incorporação do valor dos juros no Valor Aduaneiro foi a seguinte: “Depreendese da leitura do artigo acima que as condições impostas são cumulativas, ou seja, não atendida qualquer uma das condições, os juros devidos em razão de financiamento firmado pelo importador deverão ser considerados como parte integrante do valor aduaneiro. Ora, conforme declaração do exportador/fabricante PICANOL N.V. os preços praticados na transação, relativa à importação das máquinas, efetivadas por meio da DI n° 03/06721354, são preços especiais para a HUDTELFA e que estão abaixo dos praticados no mercado. Portanto, essa situação especialíssima aniquila a condição IIIa) do artigo 80 do Regulamento Aduaneiro. Em condições normais, tais máquinas não são vendidas ao preço declarado pelo importador, pois este é um preço especial concedido pelo fornecedor diretamente à HUDTELFA, um cliente de muitos anos e que para não perdêla para a concorrência, concedeu esses preços que estão claramente abaixo do valor de mercado.” A Recorrente, de sua parte, alega que o valor pelo qual foram vendidas as mercadorias, não obstante ser o mesmo declaradamente inferior ao valor de mercado, consistiria no valor efetivamente pago ou a pagar. Nesse particular, entendo que assiste razão à Recorrente. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 20/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 13886.000663/200571 Acórdão n.º 3202000.450 S3C2T2 Fl. 228 8 Vejase que o art. 80 do antigo Regulamento Aduaneiro impõe três condições para que os juros devidos a título de financiamento não integrem o cálculo do Valor Aduaneiro, a saber: (i) que os juros venham destacados do preço das mercadorias na invoice; (ii) que o contrato de financiamento tenha sido firmado por escrito; e (iii) que o importador seja capaz de comprovar que as mercadorias tenham sido vendidas pelo preço declarado como pago ou, como é o caso da Recorrente, a pagar, e que a taxa de juros acordada não exceda o nível usualmente aplicado em transações semelhantes no momento e no país em que tenha sido concedido o financiamento. Quanto ao primeiro requisito, entendo que o mesmo foi cumprido pela Recorrente uma vez que, da Declaração de Importação (“DI”) de fls. 71 consta apenas o preço das mercadorias, sem estarem embutidos os juros. É bem verdade que esses juros poderiam estar demonstrados de forma explícita na DI. Mesmo assim, entendo que isso não chega a prejudicar a tese da Recorrente, pois os juros foram efetivamente demonstrados, como se verá no próximo parágrafo. Quanto ao segundo requisito, é certo que o mesmo foi cumprido, visto que as condições de pagamento acordadas entre o exportador e a Recorrente, incluindo a taxa de juros e seu valor base, podem ser vistos na invoice, às fls. 59. Finalmente, chegamos ao terceiro requisito, sobre o qual existe a controvérsia entre a Fiscalização e a Recorrente. De fato, no que tange ao nível da taxa de juros, fixada em 6,5% a.a., noto que a mesma encontrase de acordo com as taxas internacionalmente praticadas, ou seja, atendido está o comando legal. Quanto à questão da comprovação do preço pago/a pagar, entendo ser necessário esclarecer alguns pontos antes de entrar na análise do dispositivo legal. Em situações como a presente, onde o importador compra mercadoria por preço manifestamente menor do que aquele praticado no mercado, me parece razoável que seja feita uma análise mais cautelosa da operação do que o normal. Afirmo isso tomando como base o que dispõe o item 1 da Decisão 6.1 do Comitê de Valoração Aduaneira, que deve ser observada na apuração do Valor Aduaneiro, conforme a Instrução Normativa n° 318/03, verbis Fl. 234DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 20/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 13886.000663/200571 Acórdão n.º 3202000.450 S3C2T2 Fl. 229 9 “Instrução Normativa n° 318/03 Art. 1º Na apuração do valor aduaneiro serão observadas as Decisões 3.1, 4.1 e 6.1 do Comitê de Valoração Aduaneira, da Organização Mundial de Comércio (OMC); o parágrafo 8.3 das Questões e Interesses Relacionados à Implementação do Artigo VII do GATT de 1994, emanado da IV Conferência Ministerial da OMC; e as Notas Explicativas, Comentários, Opiniões Consultivas, Estudos e Estudos de Caso, emanados do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira, da Organização Mundial de Aduanas (OMA), constantes do Anexo a esta Instrução Normativa. (…)” (grifamos) “DECISÃO 6.1 CASOS EM QUE AS ADMINISTRAÇÕES ADUANEIRAS TENHAM MOTIVOS PARA DUVIDAR DA VERACIDADE OU EXATIDÃO DO VALOR DECLARADO O Comitê de Valoração Aduaneira, Reafirmando que o valor de transação é a base principal de valoração em conformidade com o Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do GATT 1994 (doravante denominado "Acordo"); Reconhecendo que a Administração Aduaneira pode ter que tratar casos em que tenha motivo para duvidar da veracidade ou exatidão das informações ou dos documentos apresentados pelos negociantes para justificar um valor declarado; Enfatizando que, ao atuar assim, a Administração Aduaneira não deve causar prejuízo aos interesses comerciais legítimos dos negociantes; Tendo em conta o Artigo 17 do Acordo, o parágrafo 6 do Anexo III ao Acordo e as decisões pertinentes do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira; DECIDE o seguinte: 1. Quando tiver sido apresentada uma declaração e a Administração Aduaneira tiver motivo para duvidar da veracidade ou exatidão das informações ou dos documentos apresentados para justificar essa declaração, a Administração Aduaneira poderá solicitar ao importador o Fl. 235DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 20/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 13886.000663/200571 Acórdão n.º 3202000.450 S3C2T2 Fl. 230 10 fornecimento de uma explicação adicional, bem assim documentos ou outras provas, de que o valor declarado representa o montante efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas, ajustado em conformidade com as disposições do Artigo 8. Se, após o recebimento de informação adicional, ou na falta de resposta, a Administração Aduaneira ainda tiver dúvidas razoáveis sobre a veracidade ou exatidão do valor declarado, poderá decidir, tendo em conta as disposições do Artigo 11, que o valor aduaneiro das mercadorias importadas não pode ser determinado com base nas disposições do Artigo 1. Antes de tomar uma decisão definitiva, a Administração Aduaneira comunicará ao importador, por escrito, quando solicitado, suas razões para duvidar da veracidade ou exatidão das informações ou dos documentos apresentados e lhe dará oportunidade razoável para responder. Quando for tomada uma decisão definitiva, a Administração Aduaneira comunicará ao importador, por escrito, os motivos que a embasaram. (…)” (grifamos) Entretanto, no caso em tela, percebese que a motivação por trás da expressiva diferença de preços se deveu a razões comerciais. Como se vê na Declaração de fls. 94/95, o Exportador afirma de forma clara que optou por vender as mercadorias a um preço inferior ao normalmente praticado em razão do risco de a Recorrente, que é um cliente antigo e de peso, optar por comprar os produtos de alguma empresa concorrente. A citada Declaração vai além, confirmando que os preços praticados, manifestamente incomuns, valem apenas para a Recorrente. Tratase de uma situação incomum, é verdade, mas lícita, não havendo razão para duvidar da lisura das partes, seja a Recorrente, seja o exportador. Tendo colocado esses pontos, passo agora à análise do art. 80, III, a, do antigo Regulamento Aduaneiro. Pela leitura do texto legal, notase que tal alínea condiciona a não consideração dos juros no cálculo do Valor Aduaneiro à capacidade do importador de comprovar que efetivamente pagou ou pagará o preço declarado na DI. Em vista disso, e com todo o respeito devido às autoridades fiscais, entendo que a interpretação da norma na qual se baseia o Auto de Infração ora combatido encontrase equivocada. Digo isso porque não vislumbro no art. 80 qualquer comando no sentido de que o preço acordado entre as partes deve ser compatível com os preços praticados no mercado para permitir a exclusão dos juros do Valor Aduaneiro. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 20/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 13886.000663/200571 Acórdão n.º 3202000.450 S3C2T2 Fl. 231 11 Além disso, lembro que, como bem pontuou a Decisão da DRJSPOII, o racional que baseava o art. 80 é o de se evitar que, a título de juros, seja cobrado parte do preço do produto, reduzindo, assim, o Valor Aduaneiro e, consequentemente, a tributação. Essa observação é relevante pois, analisando os valores da operação, não me parece que tenham as partes agido em conluio no sentido de lesar o fisco. Explico. Vejase que, conforme o Auto de Infração, o Valor Aduaneiro das mercadorias importadas, após a conversão para Reais, seria de R$ 684.216,56 (seiscentos e oitenta e quatro mil duzentos e dezesseis reais e cinquenta e seis centavos). Os juros, por sua vez, totalizaram a quantia de R$ 101.685,44 (cento e um mil seiscentos e oitenta e cinco reais e quarenta e quatro centavos), ou seja, aproximadamente 14% do Valor Aduaneiro. Por outro lado, de acordo com o Termo de Intimação de fls. 102/104, o preço praticado pelo exportador na transação com a Recorrente é aproximadamente 35% menor do que o praticado por ele em outra transação, envolvendo produto idêntico e importador diverso. Ora, pareceme que, caso a intenção das partes fosse a de fraudar o fisco, a taxa de juros acordada teria sido mais elevada, de forma a aproximar o preço praticado do preço de mercado. A diferença restante, de aproximadamente 20%, entre o valor da transação, acrescido dos juros, e o valor de mercado dos bens importados, acaba servindo para corroborar a tese da Recorrente de que o preço pago foi inferior àquele normalmente praticado por razões comerciais. Em caso similar, apesar de tratar de hipótese inversa (imputação de fraude na exportação), a Câmara Superior de Recursos Fiscais cancelou a autuação, prestigiando a aplicação do princípio da livre iniciativa e a liberdade de preços fixadas pelas práticas comerciais. Vide, a propósito, o seguinte trecho do voto do Relator Nilton Luiz Bartoli: “A Constituição Federal de 1988, consagrou o princípio da livre iniciativa econômica, em seu art. 170, e limitou a intervenção do Estado na economia, estabelecendo em seu art. 174 que: “Como agente normativo e regulador da atividade econômica, o Estado exercerá, na forma da lei, as funções de fiscalização, incentivo e planejamento, sendo este determinante para o setor público e indicativo para o setor privado.” A interpretação dos artigos do Pacto Social trazidos à baila, face ao caso em foco, é apropriada visto que, se de um lado a fiscalização encontra justificativa para seu ato de verificar o preço da mercadoria exportada, vez Fl. 237DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 20/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 13886.000663/200571 Acórdão n.º 3202000.450 S3C2T2 Fl. 232 12 que o Estado é agente regulador da atividade econômica, de outro lado, o exportador é protegido pela livre iniciativa, que a constituição lhe outorga. Ocorre que a fiscalização exercida pelo Estado, inclusive para verificar se a livre iniciativa não é exercida com abusos, tem regras que devem ser seguidas e princípios de direitos que devem ser respeitados. Do mesmo, a livre iniciativa está adstrita à livre concorrência, à soberania nacional, ao respeito ao consumidor, busca de pleno emprego e aos limites das normas que regem as relações comerciais, sejam elas nacionais ou internacionais. (...) O simples fato de vender uma mercadoria com valor diminuto ou com prejuízo, não caracteriza nenhuma infração comercial, salvo se acompanhada de outra vantagem que não se mostra a primeira vista. O exemplo característico que pode ser trazido é a liquidação de estoques no final da estação, cujo valor de venda das mercadorias pode ser menor, inclusive, que o valor da compra, sem que isso tipifique fraude ou concorrência desleal.” (CSRF, 3ª Turma, Acórdão nº 0302.738, Sessão de 13 de outubro de 1997). Assim, não vislumbro nos autos qualquer elemento capaz de autorizar a inclusão dos valores devidos pela Recorrente a título de juros no cálculo do Valor Aduaneiro, dado o cumprimento das condições elencadas pelo art. 80 do antigo Regulamento Aduaneiro. Em consequência, não há o que se falar em alteração da base de cálculo do IPI, não restando qualquer valor adicional a ser recolhido pela Recorrente. Diante de todo o exposto, NÃO ACOLHO a preliminar de nulidade do auto de infração e, no mérito, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, devendo ser reformada a Decisão proferida pela DRJSPOII. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 238DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 20/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI
score : 1.0
