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Numero do processo: 10670.001359/2004-05
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2000
IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO MEDIANTE AVERBAÇÃO INTEMPESTIVA ANTES
AÇÃO FISCAL.
Tratando-se de área de reserva legal, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente demonstrando a averbação junto à matrícula do imóvel, ainda que posteriormente ao fato gerador do tributo, mas antes ao início da ação fiscal, impõe-se o reconhecimento de aludida área, glosada pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em
observância ao princípio da verdade material.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. INSTRUÇÕES NORMATIVAS. LIMITAÇÃO LEGAL.
Às Instruções Normativas é defeso inovar, suplantar e/ou coarctar os ditames da lei regulamentada, sob pena de malferir o disposto no artigo 100, inciso I, do CTN, mormente tratando-se as IN’s de atos secundários e estritamente vinculados à lei decorrente.
IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. VTNm ARBITRADO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). POSSIBILIDADE. MODIFICAÇÃO. LAUDO TÉCNICO. OBSERVÂNCIA NORMAS MÍNIMAS ABNT. IMPRESCINDIBILIDADE.
Com fulcro nos dispositivos legais que regulamentam a matéria,
especialmente artigo 14 da Lei n° 9.393/1996, o Laudo Técnico de avaliação de imóvel rural somente tem o condão de alterar o Valor da Terra Nua VTN mínimo, arbitrado pela fiscalização com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), na hipótese de encontrar-se
revestido de todas as formalidades exigidas pela legislação de regência, impondo seja elaborado por profissional habilitado, com ART devidamente anotado no CREA, além da observância das normas formais mínimas contempladas na NBR 8.799 da Associação Brasileiras de Normas Técnicas ABNT.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-001.931
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer o VTN lançado. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (conselheiro convocado), Marcelo Oliveira e
Henrique Pinheiro Torres que davam provimento ao recurso
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2000 IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO MEDIANTE AVERBAÇÃO INTEMPESTIVA ANTES AÇÃO FISCAL. Tratandose de área de reserva legal, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente demonstrando a averbação junto à matrícula do imóvel, ainda que posteriormente ao fato gerador do tributo, mas antes ao início da ação fiscal, impõese o reconhecimento de aludida área, glosada pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. INSTRUÇÕES NORMATIVAS. LIMITAÇÃO LEGAL. Às Instruções Normativas é defeso inovar, suplantar e/ou coarctar os ditames da lei regulamentada, sob pena de malferir o disposto no artigo 100, inciso I, do CTN, mormente tratandose as IN’s de atos secundários e estritamente vinculados à lei decorrente. IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. VTNm ARBITRADO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). POSSIBILIDADE. MODIFICAÇÃO. LAUDO TÉCNICO. OBSERVÂNCIA NORMAS MÍNIMAS ABNT. IMPRESCINDIBILIDADE. Com fulcro nos dispositivos legais que regulamentam a matéria, especialmente artigo 14 da Lei n° 9.393/1996, o Laudo Técnico de avaliação de imóvel rural somente tem o condão de alterar o Valor da Terra Nua VTN mínimo, arbitrado pela fiscalização com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), na hipótese de encontrarse revestido de todas as formalidades exigidas pela legislação de regência, impondo seja elaborado por profissional habilitado, com ART devidamente anotado no CREA, além da observância Fl. 1DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2 011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES Processo nº 10670.001359/200405 Acórdão n.º 920201.931 CSRFT2 Fl. 279 2 das normas formais mínimas contempladas na NBR 8.799 da Associação Brasileiras de Normas Técnicas ABNT. Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer o VTN lançado. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (conselheiro convocado), Marcelo Oliveira e Henrique Pinheiro Torres que davam provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 02/12/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (conselheira convocada), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (conselheiro convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório AGRO ENERGÉTICA LUVIMAR LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já devidamente qualificada nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 17/12/2004, exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, em relação ao exercício de 2000, incidente sobre o imóvel rural denominado “Fazenda São Francisco”, localizado no Município de São Francisco/MG, inscrita na RFB (NIRF) sob nº 40581861, conforme peça inaugural do feito, às fls. 02/08, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário ao então Terceiro Conselho de Contribuintes contra Decisão da 1a Turma da DRJ em Brasília/DF, Acórdão nº 03 18.339/2006, às fls. 87/96, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 2ª Câmara, em 29/01/2008, por maioria de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO DA CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 30239.236, sintetizados na seguinte ementa: Fl. 2DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2 011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES Processo nº 10670.001359/200405 Acórdão n.º 920201.931 CSRFT2 Fl. 280 3 “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR Exercício: 2000 RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. Tendo sido comprovada a existência da Reserva Legal e o cumprimento dos requisitos legais, deve ser restabelecida a isenção correspondente. ITR AUTO DE INFRAÇÃO POR GLOSA DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. A ausência de comprovação hábil é motivo ensejador da não aceitação da área de preservação permanente como excluída da área tributável do imóvel rural. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.” Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 205/214, com arrimo no artigo 7º, inciso I, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, por entender ter contrariado a legislação de regência e as provas constantes dos autos, uma vez que não comprovam a averbação tempestiva da reserva legal junto a matrícula do imóvel, capaz de justificar a isenção do ITR na forma inscrita no decisum guerreado, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente. Sustenta que a Lei nº 4.771/1965 (Código Florestal), na redação dada pela Lei nº 7.803/1989, impõe que a comprovação da existência de área de reserva legal, para fins de não incidência do ITR, depende de prévia averbação à margem da matrícula do imóvel, ao contrário do que restou decidido pela Câmara recorrida. Em defesa de sua pretensão, assevera que a exigência encimada foi expressamente inserida no art. 10, § 4º, inciso I, da IN/SRF/nº 43/1997, (que disciplinou a Lei 9.363/96), com redação do art. 1º, inciso II, da IN/SRF nº 67/1997. Alega que a Medida Provisória nº 2.166/2001, a qual dispôs sobre a declaração das áreas na Lei nº 9.393/1996, utilizada como esteio ao Acórdão atacado, em nada alterou a necessidade da averbação tempestiva da reserva legal junto à matrícula do imóvel, eis que, igualmente, contemplou essa exigência, remetendo às disposições do Código Florestal, instituído pela Lei nº 4.771/1965. Tece comentários a propósito do conceito e finalidade da “Reserva Legal”, traçando histórico da legislação que regulamenta a matéria, notadamente Código Florestal, aprovado pela Lei nº 4.771/1965, bem como Lei nº 7.803/1989, a qual estabeleceu a necessidade da averbação ou registro da reserva legal à margem da inscrição da matrícula do imóvel, concluindo que aludida exigência visa justamente atender o fim precípuo da reserva legal, a partir da publicidade dessa situação de fato e de direito. Contrapõese ao entendimento da Câmara recorrida, aduzindo para tanto que áreas de reserva legal são aquelas definidas pelo citado Código Florestal em seu artigo 16 e que, para serem consideradas como tal não bastam apenas “existir” no mundo fático, mas devem “existir” também no mundo jurídico quando averbadas na matrícula do imóvel, Fl. 3DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2 011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES Processo nº 10670.001359/200405 Acórdão n.º 920201.931 CSRFT2 Fl. 281 4 mormente quando referida exigência decorre da legislação de regência, mais precisamente a Lei nº 4.771/65, que deverá ser interpretada literalmente, com arrimo no artigo 111 do Códex Tributário. Elucida, ainda, para fins de não incidência do ITR, que a averbação da reserva legal junto à matrícula do imóvel, deve ser procedida antes do fato gerador do tributo, somente passando a produzir efeitos a partir de tal providência, não retroagindo, portanto, a fatos geradores ocorridos anteriormente a esse ato, em observância ao disposto no artigo 144 do Código Tributário Nacional, com vistas a assegurar os interesses coletivos relativamente à proteção do meio ambiente. Assim, inexistindo na hipótese dos autos provas de que a contribuinte procedeu tempestivamente à averbação em comento, impõese à manutenção da glosa realizada pela fiscalização. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, a ilustre Presidente da então 2ª Câmara do 3º Conselho, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Fazenda Nacional, sob o argumento de terem sido observados os pressupostos para conhecimento do recurso, uma vez tempestivo e por tratarse de decisão não unânime, além da existência do pré questionamento da matéria e indício de contrariedade à lei, conforme Despacho nº 302.228/2008, às fls. 215/217. Devidamente intimada do Acórdão encimado, a contribuinte opôs Embargos de Declaração, às fls. 222/224, suscitando a ocorrência de omissão no julgado, sobretudo no que tange à análise das razões concernentes à pretensa ilegalidade do arbitramento levado a efeito, pelos fiscais autuantes, que reajustarem o VTN em mais de 70% (setenta por cento). Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, a contribuinte apresentou suas contrarrazões, às fls. 225/234, corroborando as razões de decidir do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção. Em análise dos Embargos de Declaração, a Câmara recorrida, por maioria de votos, acolheu o pleito da contribuinte, nos termos do Acórdão n° 310200.406, às fls. 238/243, com a finalidade de sanear a omissão apontada e DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, relativamente ao VTN pretendido pela autuada, afastando a aplicabilidade do SIPT para o exercício de 2000. Novamente inconformada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, arrimado no artigo 4º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pugnando pela reforma do Acórdão recorrido com fundamento a argumentação a seguir elencada. Opõese ao decisum recorrido, por entender ter contrariado os preceitos inscritos nos artigos 8º, § 1º; 10, § 1º; e 14, da Lei nº 9.393/1996 e, bem assim, a prova acostada aos autos, tendo em vista que o Laudo de fls. 56/59, apresentado pelo contribuinte, não serve para finas de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, vez que não atende aos requisitos das Normas da ABNT, notadamente no que diz respeito à NBR 8799/85, item 10.2. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2 011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES Processo nº 10670.001359/200405 Acórdão n.º 920201.931 CSRFT2 Fl. 282 5 Acrescenta não haver dúvidas de que o VTN de R$ 59,60 por hectare encontrase subestimado, por estar bem abaixo do VTN de R$ 470,00 por hectare adotado pela fiscalização. Notese que o VTN pretendido pelo contribuinte é inferior até mesmo ao VTN relativo ao ITR de 1996 que, conforme fls. 34, correspondia ao valor de R$ 70,58. Defende que o nobre subscritor do voto condutor deixou de observar que o Laudo de Avaliação colacionado aos autos pela contribuinte não demonstrou a escolha e justificativa dos métodos e critérios de avaliação; a homogeneização dos elementos pesquisados, de acordo com o nível de precisão da avaliação; a pesquisa de valores, abrangendo avaliações e/ou estimativas anteriores, produtividade das explorações, transações e ofertas, bem como outros fatores que implicariam em um Valor da Terra Nua diferente do adotado pela fiscalização. Quanto ao SIPT, alega que a jurisprudência administrativa vem reconhecendo sua utilização como critério de apuração de preço para exercícios anteriores a 2002, consoante se infere do Acórdão nº 30238.750, dentre outros, com ementas transcritas na peça recursal, da lavra da mesma Câmara recorrida. Arremata, sustentando não haver se falar em revogação da base legal para o SIPT em 2001, pois a MP nº 2.28356/2001 apenas modificou o lugar onde se encontravam os referencias técnicos para identificação do valor da terra. Apesar da redefinição da redação, em nenhuma de suas versões, houve prejuízo aos referenciais: na redação original, estavam previstos no inciso II do § 1º do art. 12 da Lei nº 8.629/93, após a alteração, passaram a ser tratados nos incisos do caput do referido artigo. Levado ao exame de admissibilidade, o Presidente da 1a Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF admitiu o Recurso Especial da Fazenda Nacional, em face da observância aos pressupostos para conhecimento, como se verifica do Despacho nº 2100 0028/2010, às fls. 254/255, o qual determinou a cientificação da contribuinte de maneira a oportunizarlhe apresentação de contrarrazões, assim o tendo feito, às fls. 261/267, propugnando pela manutenção do Acórdão recorrido, pelos seus próprios fundamentos. É o Relatório. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2 011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES Processo nº 10670.001359/200405 Acórdão n.º 920201.931 CSRFT2 Fl. 283 6 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pela ilustre Presidente da 2ª Câmara do 3º Conselho a contrariedade à provas/lei suscitada pela Fazenda Nacional, conheço do Recurso Especial e passo à análise das razões recursais. DA ÁREA DE RESERVA LEGAL Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende a recorrente a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram provas constantes dos autos, bem como os dispositivos legais que regulamentam a matéria, uma vez que não comprovam a averbação tempestiva da reserva legal à margem da matricula do imóvel, capaz de justificar a isenção do ITR na forma inscrita no decisum guerreado. Sustenta, ainda, a PFN que ao desconsiderar a exigência da prévia averbação da reserva legal para fins da benesse isentiva, a Câmara recorrida contrariou as normas insertas no Código Florestal Nacional (Lei nº 4.771/65 e atualizações) e, bem assim, as normatizações internas da SRF, notadamente o artigo 10, § 4º, inciso I, da IN SRF nº 43/1997, que disciplinou a Lei nº 9.393/1996, com redação do artigo 1º, inciso II, da Instrução Normativa SRF nº 67/1997. Como se observa, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos pela recorrente é a discussão a propósito da necessidade de averbação tempestiva da reserva legal junto à matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador do tributo, para fins de não incidência do Imposto Territorial Rural ITR. Consoante se infere dos autos, concluise que a pretensão da Fazenda Nacional não merece acolhimento, por não espelhar a melhor interpretação a respeito do tema, contrariando a farta e mansa jurisprudência administrativa. Do exame dos elementos que instruem o processo, constatase que o Acórdão recorrido apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, como passaremos a demonstrar. Antes mesmo de se adentrar ao mérito, cumpre trazer à baila a legislação tributária específica que regulamenta a matéria, mais precisamente artigo 10, § 1º, inciso II, e parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/1996, na redação dada pelo artigo 3º da Medida Provisória nº 2.166/2001, nos seguintes termos: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: Fl. 6DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2 011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES Processo nº 10670.001359/200405 Acórdão n.º 920201.931 CSRFT2 Fl. 284 7 I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; [...] § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001)” (grifamos) Como se verifica dos dispositivos legais encimados, a questão remonta a um só ponto, qual seja: a exigência de assentamento nos registros cartorários, de reserva legal em imóvel rural, não é, em si, condição eleita pela Lei para que o proprietário rural goze do direito de isenção do ITR relativo à gleba de terra destinada à proteção ambiental, ao revés do entendimento da recorrente. Melhor elucidando, a norma concessiva do beneficio fiscal em apreço, acima transcrita, sequer fala em necessidade de comprovação por parte do declarante, para fins de afastar a tributação do ITR da parcela destinada à reserva ambiental. Apenas reconhece que a simples declaração do contribuinte, no sentido de que determinada gleba destinase a proteção, é suficiente para assegurar o direito à isenção, sem prejuízo, é obvio, de eventual constatação contrária. Tratase, pois, do conhecido lançamento por homologação, promovido pelo contribuinte sujeito a posterior exame da autoridade fazendária. Com efeito, a partir do momento em que a norma isentiva não exige sequer a comprovação da existência da reserva legal propriamente dita, não há sentido lógico que sustente a exigência do prévio assentamento no Cartório de Registro de Imóveis – CRI, como condição para exclusão da incidência do ITR. Destarte, não sendo legalmente viável exigir a comprovação da existência da área destinada à proteção ambiental, muito menos poderá condicionar a isenção a prévio assentamento cartorário. É preciso reconhecer que ao desvincular a isenção em comento, da necessidade de comprovação da existência da área de reserva legal, a legislação de regência Fl. 7DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2 011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES Processo nº 10670.001359/200405 Acórdão n.º 920201.931 CSRFT2 Fl. 285 8 prestigia a destinação ambiental a ser dada à gleba destacada da propriedade rural, em clara preterição a procedimentos burocráticos, que apenas frustrariam o objetivo legal maior, consubstanciado no alcance da exploração consciente e adequada do meio rural, preservando se as condições mínimas para o saudável equilíbrio do meio ambiente. Sob o enfoque da análise de uma norma concessiva de isenção fiscal, a interpretação conferida pela autoridade lançadora, corroborada pela decisão da douta DRJ e defendida pela PFN, no sentido de condicionar a isenção do ITR a prévio registro em cartório da área de proteção ambiental, criando exigências onde a própria Lei instituidora não as criou, apenas limita o alcance da norma de isenção em apreço, mediante interpretação extensiva de uma condição não legalmente prevista, o que em letras frias significa clara afronta ao artigo 111, I e II do CTN, que exige uma interpretação literal de tais normas. Não se pode perder de vista ainda o fato de que a isenção, a teor do artigo 176 do CTN, e na esteira da previsão contida no § 6º do artigo 150 da Constituição Federal, decorre da lei que a instituiu, e que especificará, dentre outros aspectos, as condições e os requisitos exigidos para sua concessão, ou seja, a lei instituidora da isenção será especifica e trará todos os elementos necessários para o gozo do beneficio fiscal que está concedendo. Ao que nos parece, o texto codificado lança o alerta de que a isenção reporta se apenas a legislação que a contemplou, estando vinculada aos eventuais requisitos e condições nela expressamente delimitados, marcando sua natureza exclusiva. Tal alerta, vale lembrar, tem dois focos distintos, um direcionado ao sujeito passivo, assegurandolhe o benefício fiscal se comprovada à observância das condicionantes previstas na legislação que o concedeu, e outro voltado ao sujeito ativo, no sentido de reforçalhe a certeza de que apenas ao legislador especifico é outorgado o direito de condicionar a isenção por ele instituída. Essa natureza exclusiva da norma que concede a isenção fiscal é passo fundamental para bem compreendermos que leis diversas, reguladoras de matérias estranhas à isenção propriamente dita, tais como Direito Civil, Penal, Florestal, etc., não podem servir de fundamento legal nem para o seu gozo, assim como para criar obrigação ou condição que frustre o usufruto do seu direito1. A Lei que concede a isenção, e apenas ela, pode condicionar a sua fruição. Por essas razões, não merece ressalvas o voto condutor do Acórdão ora guerreado, ao rechaçar o entendimento do Fisco/Fazenda Nacional, escorado no Código Florestal, para se exigir prévio registro da área de reserva ambiental no competente CRI, como condição para isenção do ITR, porquanto tal exigência não se reporta à legislação que instituiu o favor fiscal, mas outra que lhe é entranha. Somente a título elucidativo, não sendo o prévio assentamento da reserva legal em Cartório condição legal para obtenção do beneficio isentivo que ora cuidamos, e na linha do que fora exposto no julgado recorrido, nos parece coerente reconhecer que a ausência de tais elementos apenas confere a auditoria fiscal à possibilidade de presumir a inexistência da parcela de proteção ambiental e assim considerála como sendo área passível de aproveitamento, e, portanto, tributável. Contudo, ainda que a legislação exigisse a comprovação por parte do contribuinte, ad argumentandum tantum, o reconhecimento da inexistência de reserva legal 1 Misabel Derzi, Comentários de atualização da 11ª Edição da Obra Direito Tributário Brasileiro, do mestre Aliomar Baleeiro, a sua pág. 932. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2 011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES Processo nº 10670.001359/200405 Acórdão n.º 920201.931 CSRFT2 Fl. 286 9 decorrente de um raciocínio presuntivo, não torna essa condição absoluta, sendo perfeitamente possível que outros elementos probatórios demonstrem a efetiva destinação de gleba de terra para fins de proteção ambiental. Em outras palavras, a mera inscrição em Cartório ou ainda o requerimento do ADA, não se perfazem nos únicos meios de se comprovar a existência ou não de reserva legal. Assim, realizado o lançamento de ITR decorrente da glosa de reserva legal, a partir de um enfoque meramente formal, ou seja, pelo não assentamento prévio em cartório ou requisição do ADA, e demonstrada, por outros meios de prova, a existência da destinação de área para fins de proteção ambiental, deverá ser restabelecida a declaração do contribuinte, e lhe ser assegurado o direito de excluir do cálculo do ITR à parte da sua propriedade rural correspondente à reserva legal. Aliás, a jurisprudência Judicial que se ocupou do tema, oferece proteção ao pleito da contribuinte, reforçando, inclusive, a tese da aplicabilidade retroativa da MP n° 2.166/2001, fazendo prevalecer, assim, a verdade material. Ou seja, ainda que não averbada a área de reserva legal, à margem da matrícula do imóvel, conquanto que o contribuinte comprove a existência de aludidas áreas declaradas em sua DITR, mediante documentação hábil e idônea, quando intimado para tanto ou mesmo autuado, devese admitilas para fins de apuração do ITR, consoante se extrai do julgado assim ementado: “EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. ÁREAS DE RESERVA LEGAL. APRESENTAÇÃO ADA. AVERBAÇÃO MATRÍCULA. DESNECESSIDADE. ÁREAS DE PASTAGENS. DIAT DOCUMENTO DE INFORMAÇÃO E APURAÇÃO. DEMOSTRAÇÃO DE EQUÍVICO. ÔNUS DO FISCO. 1. Não se faz mais necessária a apresentação do ADA para a configuração de áreas de reserva legal e consequente exclusão do ITR incidente sobre tais áreas, a teor do § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393/96 (redação da MP 2.16667/01). Tal regra, por ter cunho interpretativo (art. 106, I, CTN), retroage para beneficiar os contribuintes. 2. A isenção decorrente do reconhecimento da área não tributável pelo ITR não fica condicionada à averbação, a qual possui tão somente o condão de declarar uma situação jurídica já existente, não possuindo caráter constitutivo. 3. A falta de averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel, ou a averbação feita alguns meses após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo art. 16 da Lei nº 4.771/65. 4. Cabe ao Fisco demonstrar que houve equívoco no DIAT Documento de Informação e Apuração do ITR, passível de fundamentar o lançamento do débito de ofício, de conformidade com o art. 14, caput, da Lei nº 9.393/96, o que não restou evidenciado na hipótese dos autos. 5. Apelação e remessa oficial desprovidas.” (2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região APELAÇÃO CÍVEL Nº 2008.70.00.0062742/PR 28 de junho de 2011) Como se observa, em face da legislação posterior (MP n° 2.166/2001) mais benéfica, dispensando o contribuinte de comprovação prévia das áreas declaradas em sua Fl. 9DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2 011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES Processo nº 10670.001359/200405 Acórdão n.º 920201.931 CSRFT2 Fl. 287 10 DITR, não se pode exigir a tempestiva averbação da reserva legal junto matrícula do imóvel para fins do benefício fiscal em epígrafe, mormente em homenagem ao princípio da retroatividade benigna da referida norma. Mais a mais, com esteio no princípio da verdade material, o formalismo não deve sobrepor à verdade real, notadamente quando a lei disciplinadora da isenção assim não estabelece. In casu, o que torna ainda mais digno de realce, relativamente à área de reserva legal, e que fora determinante para os demais Conselheiros que acompanharam o presente voto pelas conclusões é que o contribuinte trouxe à colação documentos comprobatórios de sua existência, dando conta, inclusive, que a averbação fora procedida, ainda que intempestivamente (posteriormente ao fato gerador), mas antes do início da ação fiscal, consoante se infere do Termo de Responsabilidade de Preservação Florestal, às fls. 64, datado de 15/01/2002 e da Averbação à margem da matrícula do imóvel, às fls. 60/61, datada de 05/03/2002, afastando qualquer dúvida quanto à materialidade de referida área. Nesse sentido, a averbação à margem da escritura do imóvel, ainda que posterior ao fato gerador (mas antes do início da ação fiscal), associada aos documentos acima elencados, notadamente o Termo de Responsabilidade, se prestam a comprovar a existência da área de reserva legal, rechaçando de uma vez por todas a pretensão da Fazenda Nacional. Por derradeiro, no que tange às determinações inseridas nas Instruções Normativas nºs 43 e 67, de 1997, esteios do entendimento da Fazenda Nacional, uma vez demonstrado que a legislação tributária específica não condiciona a isenção em comento à averbação tempestiva da reserva legal junto à matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador do tributo, não podem aludidas normas complementares/secundárias, por sua própria natureza, inovar, suplantar e/ou cingir os ditames contidos nas leis regulamentadas. Perfunctória leitura do artigo 100, inciso I, do Códex Tributário, fulmina de uma vez por todas a pretensão fiscal, senão vejamos: “Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I – os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas;[...] Na esteira desse entendimento, cabe invocar os ensinamentos do renomado doutrinador Antonio Carlos Rodrigues do Amaral, na obra “Comentários ao Código Tributário Nacional”, volume 2, coord. Ives Gandra da Silva Martins, Editora Saraiva, 1998, págs. 40/41, que ao tratar do artigo 100 do Código Tributário Nacional, assim preleciona: “ Atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas. São as instruções ministeriais, as portarias ministeriais e atos expedidos pelos chefes de órgãos ou repartições; as instruções normativas expedidas pelo Secretário da Receita Federal; as circulares e demais atos normativos internos da Administração Pública, que são vinculantes para os agentes públicos, mas não podem criar obrigações para os contribuintes que já não estejam previstas na lei ou no decreto dela decorrente. Também não vinculam o Poder Judiciário, que não está obrigado a acatar a Fl. 10DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2 011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES Processo nº 10670.001359/200405 Acórdão n.º 920201.931 CSRFT2 Fl. 288 11 interpretação dada pelas autoridades públicas através de tais atos normativos.” Outro não é o entendimento do eminente jurista Leandro Paulsen, ao comentar o Código Tributário Nacional, adotando posicionamento do Supremo Tribunal Federal, nos seguintes termos: “Vinculação absoluta dos atos normativos à lei. “... As instruções normativas editadas por órgão competente da administração tributária, constituem espécies jurídicas de caráter secundário, cuja validade e eficácia resultam, imediatamente, de sua estrita observância dos limites impostos pelas leis, tratados, convenções internacionais, ou decretos presidenciais, de que devem constituir normas complementares. Essas instruções nada mais são, em sua configuração jurídico formal, do que provimentos executivos cuja normatividade está diretamente subordinada aos atos de natureza primária, como as leis e as medidas provisórias a que se vinculam por um claro nexo de acessoriedade e de dependência. Se a instrução normativa, editada com fundamento no art. 100, I, do Código Tributário Nacional, vem a positivar em seu texto, em decorrência de má interpretação de lei ou medida provisória, uma exegese que possa romper a hierarquia normativa que deve manter com estes atos primários, viciarseá de ilegalidade...” (STF, Plenário, AGRADI 365/DF, rel. Min. Celso de Mello, nov/1990)” (DIREITO TRIBUTÁRIO – Constituição e Código Tributário Nacional à luz da Doutrina e da Jurisprudência” – 5ª edição, Porto Alegre: Livraria do Advogado:ESMAFE, 2003, pág. 740) DA UTILIZAÇÃO DO SIPT – VALOR DA TERRA NUA Consoante se positiva dos autos, afora as glosas procedidas pela fiscalização relativamente às áreas de preservação permanente e reserva legal constantes da DITR, a contribuinte fora autuada em razão da revisão do VTNm em face da constatação de sua subavaliação, como se verifica do Termo de Verificação de Infração, às fls. 09/12. Interposta impugnação, com apresentação de Laudo Técnico, às fls. 56/59, a 1a Turma da DRJ em Brasília/DF julgou procedente o lançamento, mantendo as glosas procedidas e, bem assim, o Valor da Terra Nua lançado. Em face do Acórdão de 1a instância, a contribuinte interpôs recurso voluntário, o qual fora provido em parte pela Câmara recorrida para admitir a reserva legal elencada no Termo de Responsabilidade de Preservação de Floresta lavrado perante o Instituto Estadual de Florestas, de fl. 64, mantendo, entretanto, a exigência em relação à área de preservação permanente. Ainda irresignada, a contribuinte opôs Embargos, às fls. 222/224, arguindo a ocorrência de omissão no julgado, especialmente no que tange à análise das razões concernentes à pretensa ilegalidade do arbitramento levado a efeito, pelos fiscais autuantes, que reajustarem o VTN em mais de 70% (setenta por cento). Fl. 11DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2 011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES Processo nº 10670.001359/200405 Acórdão n.º 920201.931 CSRFT2 Fl. 289 12 Em análise dos Embargos de Declaração, a Câmara recorrida, por maioria de votos, acolheu o pleito da contribuinte, nos termos do Acórdão n° 310200.406, às fls. 238/243, com a finalidade de sanear a omissão apontada e DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, relativamente ao VTN pretendido pela autuada, afastando a aplicabilidade do SIPT para o exercício de 2000. Por sua vez, em seu Recurso Especial, pretende a Procuradoria da Fazenda Nacional a reforma do decisum recorrido, por entender ter contrariado os preceitos inscritos nos artigos 8º, § 1º; 10, § 1º; e 14, da Lei nº 9.393/1996 e, bem assim, a prova acostada aos autos, tendo em vista que o Laudo de fls. 56/59, apresentado pelo contribuinte, não serve para finas de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, vez que não atende aos requisitos das Normas da ABNT, notadamente no que diz respeito à NBR 8799/85, item 10.2. Em defesa de sua pretensão, infere que o nobre subscritor do voto condutor deixou de observar que o Laudo de Avaliação colacionado aos autos pela contribuinte não demonstrou a escolha e justificativa dos métodos e critérios de avaliação; a homogeneização dos elementos pesquisados, de acordo com o nível de precisão da avaliação; a pesquisa de valores, abrangendo avaliações e/ou estimativas anteriores, produtividade das explorações, transações e ofertas, bem como outros fatores que implicariam em um Valor da Terra Nua diferente do adotado pela fiscalização. Relativamente ao SIPT, sustenta que a jurisprudência administrativa vem reconhecendo sua utilização como critério de apuração de VTN para exercícios anteriores a 2002, consoante se infere do Acórdão nº 30238.750, dentre outros, com ementas transcritas na peça recursal, da lavra da mesma Câmara recorrida, não havendo que se falar em revogação da base legal para o SIPT em 2001, pois a MP nº 2.28356/2001 apenas modificou o lugar onde se encontravam os referencias técnicos para identificação do valor da terra. Apesar da redefinição da redação, em nenhuma de suas versões, houve prejuízo aos referenciais: na redação original, estavam previstos no inciso II do § 1º do art. 12 da Lei nº 8.629/93, após a alteração, passaram a ser tratados nos incisos do caput do referido artigo. Extraise das razões de decidir e do recurso interposto pela Procuradoria que a controvérsia posta em debate nesta assentada se fixa em definir se o SIPT pode ser utilizado para apuração do Valor da Terra Nua mínimo, mormente em relação aos exercícios posteriores a 2001, os quais, no entendimento da Câmara recorrida, não possuem base legal para o SIPT, pois esta foi revogada pela Medida Provisória n° 2.18356/2001. Não obstante as substanciosas razões inseridas no bojo do Acórdão recorrido, constatase que a pretensão da Procuradoria da Fazenda Nacional merece acolhimento, estando consonância com a legislação de regência e a farta e mansa jurisprudência deste Eg. Conselho, como passaremos a demonstrar. Com efeito, a adoção do SIPT para fins de apuração do Imposto Territorial Rural encontra sustentáculo no artigo 14 da Lei n° 9.393/1996, que assim preceitua: “Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área Fl. 12DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2 011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES Processo nº 10670.001359/200405 Acórdão n.º 920201.931 CSRFT2 Fl. 290 13 tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. § 2º As multas cobradas em virtude do disposto neste artigo serão aquelas aplicáveis aos demais tributos federais.” Com mais especificidade, contemplando a matéria, o artigo 12 da Lei nº 8.629/1993, em sua redação original, é por demais enfático ao estabelecer, in verbis: “Art. 12. Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. § 1º A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacidade potencial da terra; c) dimensão do imóvel. § 2º Os dados referentes ao preço das benfeitorias e do hectare da terra nua a serem indenizados serão levantados junto às Prefeituras Municipais, órgãos estaduais encarregados de avaliação imobiliária, quando houver, Tabelionatos e Cartórios de Registro de Imóveis, e através de pesquisa de mercado.” Com a edição da Medida Provisória n° 2.18356, de 24 de agosto de 2001, a redação do dispositivo legal supratranscrito fora alterada, passando a dispor o seguinte: “Art. 12. Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: (Redação dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) I localização do imóvel; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) II aptidão agrícola; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) III dimensão do imóvel; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) Fl. 13DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2 011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES Processo nº 10670.001359/200405 Acórdão n.º 920201.931 CSRFT2 Fl. 291 14 IV área ocupada e ancianidade das posses; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) § 1o Verificado o preço atual de mercado da totalidade do imóvel, procederseá à dedução do valor das benfeitorias indenizáveis a serem pagas em dinheiro, obtendose o preço da terra a ser indenizado em TDA. (Redação dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) § 2o Integram o preço da terra as florestas naturais, matas nativas e qualquer outro tipo de vegetação natural, não podendo o preço apurado superar, em qualquer hipótese, o preço de mercado do imóvel. (Redação dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) § 3o O Laudo de Avaliação será subscrito por Engenheiro Agrônomo com registro de Anotação de Responsabilidade Técnica ART, respondendo o subscritor, civil, penal e administrativamente, pela superavaliação comprovada ou fraude na identificação das informações. (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) É exatamente nesta alteração legislativa que se funda o Acórdão recorrido para negar aplicabilidade ao SIPT a partir do exercício de 2001, a pretexto dos argumentos abaixo transcritos: “[...] Observese que os critérios que antes eram tratados no inciso II passaram a constar do próprio caput do artigo, entretanto, foram modificados (aparentamente para melhor adequar tal comando às necessidades da desapropriação e sua justa indenização). Portanto, não existindo mais na lei os critérios objetivos para apuração do preço da terra, que vem sendo aplicado como sinônimo de VTN, não me parece ser possível a utilização do SIPT para contestar o VTN declarado pelo contribuinte. Depois de 2001, não há base legal para o SIPT, pois esta foi revogada pela Medida Provisória n° 2.18356/2001, conforme visto acima, o que pode inclusive ser conhecido de ofício por este relator. Como o SIPT só foi regulamentado em 2002, através da Portaria SRF n° 447, de 28 de março de 2002, nunca houve a indispensável base legal que autorizasse a coleta e o armazenamento dos dados que o compõem, sua utilização como critério de seleção de contribuintes para fiscalização ou como base para o questionamento dos valores declarados por estes mesmos contribuintes ou ainda como base para o arbitramento do VTN, como ocorreu no presente caso. [...]” Fl. 14DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2 011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES Processo nº 10670.001359/200405 Acórdão n.º 920201.931 CSRFT2 Fl. 292 15 Entrementes, com a devida vênia ao entendimento do nobre Relator subscritor do voto vencedor do decisório combatido, ousamos não compartilhar com sua conclusão. Em verdade, os fundamentos utilizados para escorar o decisum recorrido oferecem guarida ao pleito da Fazenda Nacional e, bem assim, à manutenção do VTNm arbitrado pela fiscalização. Isto porque, como restou consignado no próprio voto recorrido, os critérios antigos de valoração da terra nua (localização do imóvel, capacidade e potencial da terra, dimensão do imóvel) estão contidos nos atuais prescritos pela nova norma (localização do imóvel, aptidão agrícola, dimensão do imóvel, área ocupada e ancianidade das posses, funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias), não nos parecendo razoável a tese da revogação da base normativa do SIPT. Neste sentido, muito bem asseverou a nobre Procuradora em seu recurso: “[...] Ademais, não há que se falar em revogação da base legal para o SIPT em 2001, pois a MP n° 2.18356/2001 apenas modificou o lugar onde se encontravam os referenciais técnicos para identificação do valor da terra. Apesar da redefinição da redação, em nenhuma das versões, houve prejuízo aos referenciais: na redação original, estavam previstos no inciso II do § 1° do art. 12 da Lei n° 8.629/93, após a alteração, passaram a ser tratados nos incisos do caput do referido artigo. [...]” Não bastassem os argumentos acima elencados, em relação aos presentes autos, ainda que considerássemos a ausência de fundamento legal para o SIPT a partir de 2001, somente poderíamos adotar tal conclusão para o exercício de 2002, uma vez que o fato gerador do ITR ocorre em 1o de janeiro do respectivo ano e a Medida Provisória n° 2.18356/2001, somente fora publicada em 24 de agosto de 2001, posteriormente, portanto, ao fato gerador do exercício 2001, que estaria abarcado pela redação original do Diploma legal alterado. Partindo dessas premissas, extraise da legislação de regência que o Valor da Terra Nua mínimo – VTNm será estabelecido pela Receita Federal do Brasil, após os devidos procedimentos e pesquisas para se aferir aludida importância. Por sua vez, o contribuinte poderá se insurgir ao valor arbitrado pelo Fisco, devendo, porém, apresentar os documentos necessários a comprovar os valores por ele pretendidos. No entanto, a revisão do VTN por parte da autoridade fiscal fica condicionada à apresentação de Laudo emitido por profissional habilitado e acompanhado da respectiva Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, além da necessidade de alinhavarse com as normas procedimentais mínimas ditadas pela ABNT, mais especificadamente aquelas relativas à avaliação de imóveis rurais. Outro não é o entendimento levado a efeito por este Colendo Conselho Administrativo, ao tratar da matéria, como se extrai dos julgados, inclusive contemplando a possibilidade de utilização do SIPT para o exercício de 2001, com suas ementas abaixo transcritas: Fl. 15DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2 011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES Processo nº 10670.001359/200405 Acórdão n.º 920201.931 CSRFT2 Fl. 293 16 “Assunto: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR Exercício: 2001 [...] VALOR DA TERRA NUA (VTN). SUBA VALIAÇÃO. ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO POR APTIDÃO AGRÍCOLA FORNECIDO PELA SECRETARIA ESTADUAL DE AGRICULTURA. Deve ser mantido o Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SEPT), cujo levantamento foi realizado mediante a utilização dos VTN médios por aptidão agrícola, fornecidos pela Secretaria Estadual de Agricultura, mormente, quando o contribuinte não comprova e nem demonstra, de maneira inequívoca, através da apresentação de documentação hábil e idônea, o valor fundiário do imóvel e a existência de características particulares desfavoráveis, que pudessem justificar a revisão do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado. [...]” (2a Turma Ordinária da 2a Câmara da 2a SJ do CARF – Processo n° 10935.003009/200506 – Acórdão n° 2202000.747, Sessão de 20/09/2010) (Grifamos) “Assunto: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR Exercício: 2001 [...] VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO.O arbitramento do VTN, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve prevalecer sempre que o contribuinte deixar de comprovar o V'TN informado na Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR), por meio de laudo de avaliação, elaborado nos termos da NBRABNT 146533. [...]” (2a Turma Ordinária da 1a Câmara da 2a SJ do CARF – Processo n° 10840.002316/200511 – Acórdão n° 2102000.773, Sessão de 30/07/2010) (Grifamos) Constatamse da legislação de regência e da jurisprudência administrativa acima transcrita, as formalidades necessárias à validade do Laudo Técnico a ser emitido com a finalidade de revisar o VTNm presumido para cada região. É bem verdade que os dispositivos legais que tratam da matéria não trazem em seu bojo a exigência expressa da observância às normas da ABNT para elaboração de Laudos Técnicos tendentes a revisar o VTNm. No entanto, os julgadores deste Colegiado vêm exigindo o atendimento das normas mínimas da ABNT, por ser da própria essência da elaboração de Laudos Técnicos, sobretudo com a finalidade de se estabelecer parâmetros com o fito de conferir maior robustez ao conteúdo do documento em epígrafe. Fl. 16DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2 011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES Processo nº 10670.001359/200405 Acórdão n.º 920201.931 CSRFT2 Fl. 294 17 Na hipótese dos autos, da detida análise do Laudo de Avaliação apresentado pelo contribuinte, às fls. 56/59 e 78/81, constatase que o documento não faz menção a escolha e justificativa dos métodos e critérios de avaliação; a homogeneização dos elementos pesquisados, de acordo com o nível de precisão da avaliação; a pesquisa de valores, abrangendo avaliações e/ou estimativas anteriores, produtividade das explorações, e transações e ofertas. Destarte, o laudo apesar de descrever as dimensões do imóvel, os seus aspectos físicos e nível de manejo pela análise da vegetação, hidrografia, solos, relevo, tipo de exploração, clima, conservação do solo e recursos hídricos, quais as áreas são destinadas a pastagens, culturas, a preservação ambiental, inclusive as inaproveitáveis, pecou no sentido de trazer elementos imprescindíveis quanto à avaliação do VTN. Relativamente a este ponto, o laudo ofertado pelo contribuinte não justifica os motivos pelo qual deixou de levar em consideração em sua avaliação os fatores mercadológicos de comercialização e avaliação de outras propriedades da área para concluir que o correto seria a adoção do VTN pretendido/declarado, valor este abaixo daquele da região admitido pela fiscalização. Para tanto, objetivando estabelecer um parâmetro mínimo, poderia ter observado as normas constantes da NBR 8.799, especialmente o disposto nos itens 2 e 3, de modo que restasse devidamente comprovada a justificativa da fixação do VTN de forma individualizada e específica para a propriedade do contribuinte, confirase: “ 2 – Pesquisa de valores, com identificação das fontes pesquisadas, abrangendo: 2.1 – avaliação e/ou estimativas anteriores; 2.2 – valores fiscais; 2.3 – transações e ofertas; 2.4 – valor dos frutos; 2.5 – produtividade das explorações; 2.6 – formas de arrendamento, locação e parcerias; 2.7 – informações (bancos, cooperativas, órgãos oficiais e de assistência técnica); 3 – Escolha e justificativa dos métodos e critérios de avaliação; 4 – Homogeneização dos elementos pesquisados, de acordo com o nível de precisão da avaliação; 5 – Determinação do valor final com indicação da data de referência; 6 – Conclusões com os fundamentos resultantes da análise final; e 7 – Data da vistoria;” Fl. 17DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2 011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES Processo nº 10670.001359/200405 Acórdão n.º 920201.931 CSRFT2 Fl. 295 18 Ademais, referido laudo, igualmente, não fez menção à metodologia utilizada, seja para a coleta ou mesmo para a homogeneização dos dados levantados, com o fito de justificar a conclusão levada a efeito pelo perito, sobretudo em relação ao procedimento adotado para a demonstração do valor da terra nua que, de fato, deveria ser aplicável à propriedade rural do autuado. Não se sabe, portanto, como o conjunto de dados coletados e as verificações procedidas foram analisadas, pois em face da falta de demonstração da metodologia dos trabalhos não há como fixarse um parâmetro de verificação dos procedimentos utilizados para uma correta avaliação do imóvel. Ressaltese, que a metodologia dos trabalhos do perito engenheiro agrônomo é o ponto de partida para que terceiros, no caso a Receita Federal e este próprio Conselho Administrativo, faça uma correta valoração do laudo apresentado pelo contribuinte, porquanto é deste ponto que se extrai a forma de análise do conjunto fático das características da propriedade de maneira a se compreender como acertada ou não a conclusão do perito. Em outras palavras, inobstante o esforço despendido, o contribuinte não logrou se desincumbir do ônus de comprovar o contrário presumido, em contraposição ao Valor da Terra Nua mínimo arbitrado pelo Fisco para Região do imóvel rural, merecendo, portanto, a reforma do Acórdão recorrido, de maneira a restabelecer a possibilidade de utilização do SIPT para fins de apuração do VTNm de cada região, bem como a manutenção do Valor da Terra Nua arbitrado pela fiscalização por ocasião do lançamento. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado parcialmente em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, somente para restabelecer o VTNm arbitrado pela fiscalização, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 18DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2 011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES
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Numero do processo: 13603.002275/2005-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 11 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Mar 11 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício. 2001, 2002, 2003
Ementa:
PRECLUSÃO - A luz do que dispõe o artigo 17 do Decreto n° 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei n° 9.532, de 1997, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerar-se-á não impugnada. Decorre dai que, não tendo sido objeto de impugnação, carece competência à autoridade de segunda instância para dela tomar conhecimento em sede de recurso voluntário.
ARGUIÇÃO DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA - Afasta-se a preliminar
de nulidade arguida se fica demonstrado nos autos que os fatos apontados não efetivam as hipóteses legais autorizadoras da decretação.
MULTA DE OFÍCIO. AFASTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
ESPONTANEIDADE. INEXISTÊNCIA - Descabe falar em afastamento ou
redução da multa lançada com base no argumento de que os valores exigidos foram espontaneamente confessados em pedido de parcelamento se, analisados os documentos aportados ao processo, constata-se que o pedido em referência não alcançou os débitos indicados nas peças acusatórias.
PARCELAMENTO ESPECIAL. PEDIDO. IMPROCEDÊNCIA - Não restando comprovado nos autos que a contribuinte requereu parcelamento dos
débitos apontados nas peças acusatórias antes de iniciado o procedimento fiscal, descabe apreciar o pedido na fase de julgamento, eis que as autoridades julgadoras administrativas não detém competência para tanto.
INCONSTITUCIONALIDADES - Em conformidade com o disposto na
súmula n° 2 do Primeiro Conselho de Contribuintes de adoção obrigatória por força do disposto no art. 72 do Regimento Interno aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de
lei tributária.
MULTA QUALIFICADA - Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal
permitem caracterizar o intuito deliberado da contribuinte de, juntamente com outras pessoas, subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação, sobre os valores apurados, da multa de oficio qualificada de 150%, prevista no inciso II do artigo 44 da Lei n°9.430, de 1996.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. PROCEDÊNCIA - Se as provas
carreadas aos autos deixam foram de dúvida a participação de variado número de pessoas nos fatos que redundaram em evasão fiscal, tais pessoas devem ser mantidas no polo passivo das obrigações tributárias correspondentes, vez que presente hipótese legal autorizadora. Nos termos do art. 135 do Código Tributário Nacional, os mandatários, prepostos, empregados, diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de
direito privado, são pessoalmente responsáveis pelos créditos
correspondentes a obrigações tributárias resultante de atos praticados com infração de lei.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1302-000.168
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Participou do julgamento o Conselheiro Marcelo de Assis guerra (Suplente). Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Paulo Jacinto do Nascimento.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício. 2001, 2002, 2003 Ementa: PRECLUSÃO - A luz do que dispõe o artigo 17 do Decreto n° 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei n° 9.532, de 1997, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerar-se-á não impugnada. Decorre dai que, não tendo sido objeto de impugnação, carece competência à autoridade de segunda instância para dela tomar conhecimento em sede de recurso voluntário. ARGUIÇÃO DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA - Afasta-se a preliminar de nulidade arguida se fica demonstrado nos autos que os fatos apontados não efetivam as hipóteses legais autorizadoras da decretação. MULTA DE OFÍCIO. AFASTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. ESPONTANEIDADE. INEXISTÊNCIA - Descabe falar em afastamento ou redução da multa lançada com base no argumento de que os valores exigidos foram espontaneamente confessados em pedido de parcelamento se, analisados os documentos aportados ao processo, constata-se que o pedido em referência não alcançou os débitos indicados nas peças acusatórias. PARCELAMENTO ESPECIAL. PEDIDO. IMPROCEDÊNCIA - Não restando comprovado nos autos que a contribuinte requereu parcelamento dos débitos apontados nas peças acusatórias antes de iniciado o procedimento fiscal, descabe apreciar o pedido na fase de julgamento, eis que as autoridades julgadoras administrativas não detém competência para tanto. INCONSTITUCIONALIDADES - Em conformidade com o disposto na súmula n° 2 do Primeiro Conselho de Contribuintes de adoção obrigatória por força do disposto no art. 72 do Regimento Interno aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA QUALIFICADA - Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado da contribuinte de, juntamente com outras pessoas, subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação, sobre os valores apurados, da multa de oficio qualificada de 150%, prevista no inciso II do artigo 44 da Lei n°9.430, de 1996. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. PROCEDÊNCIA - Se as provas carreadas aos autos deixam foram de dúvida a participação de variado número de pessoas nos fatos que redundaram em evasão fiscal, tais pessoas devem ser mantidas no polo passivo das obrigações tributárias correspondentes, vez que presente hipótese legal autorizadora. Nos termos do art. 135 do Código Tributário Nacional, os mandatários, prepostos, empregados, diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultante de atos praticados com infração de lei. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-06-16T11:57:47Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-06-16T11:57:46Z; Last-Modified: 2010-06-16T11:57:47Z; dcterms:modified: 2010-06-16T11:57:47Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-06-16T11:57:47Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-06-16T11:57:47Z; meta:save-date: 2010-06-16T11:57:47Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-06-16T11:57:47Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-06-16T11:57:46Z; created: 2010-06-16T11:57:46Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 71; Creation-Date: 2010-06-16T11:57:46Z; pdf:charsPerPage: 2138; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-06-16T11:57:46Z | Conteúdo => S1-C3T2 Fl. 1 f MINISTÉRIO DA FAZENDA )**. -"'11- CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS- tist.31 PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13603.002275/2005-53 Recurso n° 155.389 Voluntário Acórdão n° 1302-00.168 — Câmara / r Turma Ordinária Sessão de 11 de março de 2010 Matéria IRPJ- Ex(s): 2001 a 2003 Recorrente FRIGORÍFICO CRISTAL LTDA. — EPP Recorrida 23 TURMA/DRJ-BELO HORIZONTE/MG ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício. 2001, 2002, 2003 Ementa: PRECLUSÃO - A luz do que dispõe o artigo 17 do Decreto n° 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei n° 9.532, de 1997, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerar-se-á não impugnada. Decorre dai que, não tendo sido objeto de impugnação, carece competência à autoridade de segunda instância para dela tomar conhecimento em sede de recurso voluntário. ARGUIÇÃO DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA - Afasta-se a preliminar de nulidade arguida se fica demonstrado nos autos que os fatos apontados não efetivam as hipóteses legais autorizadoras da decretação. MULTA DE OFÍCIO. AFASTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. ESPONTANEIDADE. INEXISTÊNCIA - Descabe falar em afastamento ou redução da multa lançada com base no argumento de que os valores exigidos foram espontaneamente confessados em pedido de parcelamento se, analisados os documentos aportados ao processo, constata-se que o pedido em referência não alcançou os débitos indicados nas peças acusatórias. PARCELAMENTO ESPECIAL. PEDIDO. IMPROCEDÊNCIA - Não restando comprovado nos autos que a contribuinte requereu parcelamento dos débitos apontados nas peças acusatórias antes de iniciado o procedimento fiscal, descabe apreciar o pedido na fase de julgamento, eis que as autoridades julgadoras administrativas não detém competência para tanto. INCONSTITUCIONALIDADES - Em conformidade com o disposto na súmula n° 2 do Primeiro Conselho de Contribuintes de adoção obrigatória por força do disposto no art. 72 do Regimento Interno aprovado pela Portaria MF nc) 256, de 22 de junho de 2009, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ,os``G MULTA QUALIFICADA - Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado da contribuinte de, juntamente com outras pessoas, subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação, sobre os valores apurados, da multa de oficio qualificada de 150%, prevista no inciso II do artigo 44 da Lei n°9.430, de 1996. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. PROCEDÊNCIA - Se as provas carreadas aos autos deixam foram de dúvida a participação de variado número de pessoas nos fatos que redundaram em evasão fiscal, tais pessoas devem ser mantidas no polo passivo das obrigações tributárias correspondentes, vez que presente hipótese legal autorizadora. Nos termos do art. 135 do Código Tributário Nacional, os mandatários, prepostos, empregados, diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultante de atos praticados com infração de lei. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Participou do julgamento o Conselheiro Marcelo de Assis guerra (Suplente). Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Paulo Jacinto do Nascimento. MARCOS RODRIGUES DE MELLO - Presidente WILSO ' FERNA ' • • S - Relator ri AEDITADO EM: L. n o, R 2,-.§ Participaram e bresente julgamento os Conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jacinto do Nascimento, Marcelo de Assis guerra (Suplente), Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira Eduardo de Andrade, Irineu Bianchi e Marcos Rodrigues de Mello 2 Processo n° 13603.002275/2005-53 S1-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.168 Fl. 2 Relatório FRIGORÍFICOS CRISTAL LTDA, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão n° 10.834, de 18 de abril de 2006, da r Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte, Minas Gerais, que manteve, na íntegra, os lançamentos tributários efetivados, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo das exigências de IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL Contribuição para Financiamento da Seguridade Social — Cofins e Programa de Integração Social — PIS, relativas ao exercícios de 2001 a 2003, formalizadas em decorrência da imputação das seguintes irregularidades: 1. omissão de receitas, decorrente de suprimento de numerário em relação ao qual não restaram comprovadas a origem e/ou a efetividade da entrega dos recursos; 2. falta de recolhimento do imposto de renda e demais contribuições, consoante relatado no Termo de Verificação Fiscal e apontado nos demonstrativos anexados aos autos; 3. arbitramento do lucro em razão da falta de apresentação da totalidade dos livros que obrigatoriamente deveriam compor a sua escrituração, conforme detalhado no Teimo de Verificação Fiscal (fatos geradores: 30/09/2001, 31/12/2001, 31/03/2002, 30/06/2002); Entendendo que teria ficado configurada a prática, em tese, de crime contra a ordem tributária, os agentes fiscais qualificaram a multa de oficio aplicada. Reproduzo, a seguir, relato promovido pela autoridade de primeira instância acerca dos fatos apurados, bem como das razões oferecidas em sede de impugnação pela contribuinte e demais responsáveis. / - DOS FATOS PRELIMINARES O presente procedimento de fiscalização foi iniciado em 07/03/2002, a partir da retenção de diversos documentos na sede da empresa Plena Alimentos do Brasil Ltda. e da própria empresa fiscalizada, levada a efeito no transcorrer da fiscalização que ocorria na empresa 1/ema Alimentos Ltda. Por ocasião do encerramento da fiscalização da empresa Nema Alimentos Ltda. foi lavrado o Termo de Verificação Fiscal constante do ANEXO 2, cujo conteúdo, em síntese, revela a existência de um grupo empresarial formado por diversas empresas (e do qual é integrante a empresa acima qualificada), onde em regra figuram na condição de sócios interpostas pessoas, sem capacidade financeira para ocupar tal posição, ocultando os efetivos titulares dos negócios e reais beneficiários. 3 1.1 -DO GRUPO FRIGO NEMA Considerando que desde o início do procedimento de fiscalização a empresa 1/ema Alimentos Ltda, encontrava-se omissa, inadimplente e com as atividades extintas irregularmente; que no decorrer do procedimento de fiscalização foram apresentadas cópias de livros fiscais incompletos em substituição aos originais da empresa com o claro intuito de reduzir os tributos e contribuições devidos pela mesma; que sua escrituração estava incompleta e impedia a identificação de todas operações realizadas; que foram levantados evidentes indicias apontando como responsáveis pelas operações da empresa e beneficiários dos recursos os Srs. Cláudio Ney de Faria Maia, Marcos António de Faria Maia, Geraldo Heleno de Faria e Dênio Altivo de Oliveira, além de empresas por eles controladas, especialmente a Gene Alimentos Ltda. e, finalmente, que também foi verificado que esta última empresa, além de possuir recolhimentos de tributos muito inferiores ao esperado em relação às receitas conhecidas através do fisco estadual e de apresentar situação de omissa quanto às declarações devidas ao fisco federal, também estava constituída em nome de pessoas que aparentavam não possuir capacidade para estar a frente do negócio, foram, portanto, solicitadas e efetuadas diligências em outras empresas relacionadas com esses senhores e seus negócios, com o objetivo de colher informações sobre a real extensão dos negócios e identificar seus reais beneficiários. 1.2 - DOS FATOS APURADOS EM DILIGÊNCIAS E OUTROS DOCUMENTOS DO GRUPO FRIGO NEVA Assim, conforme relatado no TVF lavrado relativo aos fatos apurados no decorrer da fiscalização da empresa Nema Alimentos Ltda., quando da diligência efetuada na empresa Plena Alimentos Ltda., foram encontrados diversos documentos, que revelavam a existência de um grupo empresarial atuando no ramo de industrialização e comércio de carne. Os documentos coletados evidenciavam que integravam esse grupo diversas empresas, inclusive as empresas Nema Alimentos Ltda., Gene Alimentos Ltda., Frigo Adoro Indústria e Comércio Ltda., Bandeirante Comércio e Distribuição Ltda. e FRIGORÍFICO CRISTAL LTDA., além de comprovarem que estavam no comando desse empreendimento, inicialmente, os Srs. Cláudio Ney de Faria Mala, Marcos António de Faria Maia, Paulo César de Faria Maia, Geraldo Heleno de Faria e Dênio Altivo de Oliveira. Os documentos também revelaram que esses empresários, inicialmente responsáveis pela gerência financeira, administrativa e comercial do empreendimento, dirigiam seus negócios através de diversas empresas que foram colocadas em nome de seus empregados ou de terceiros, especialmente aquelas com maior faturamento, para a prática de evasão fiscaL Dentre os documentos apreendidos na empresa Plena Alimentos Ltda., foram destacados os seguintes: 1) aqueles que comprovam a existência de um único grupo empresarial; 2) aqueles que comprovam a unicidade de comando administrativo, comercial e financeiro; 3) aqueles que comprovam a intima ligação da 4 Processo n° 13603.002275/2005-53 SI-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.168 Fl. 3 empresa Nema com o grupo empresarial; 9) aqueles que comprovam que a empresa Gene também pertence a esse grupo empresarial, e 5) aqueles que comprovam que figuram na condição de sócios de diversas empresas do grupo seus próprios empregados, conforme constou do Termo de Verificação anteriormente lavrado por ocasião do encerramento da fiscalização da empresa Nema. 2 -DOS DEMAIS FATOS APURADOS Com as diligências efetuadas em 07/03/2002, foram solicitados e abertos os procedimentos de fiscalização das empresas do grupo Plena Alimentos do Brasil Ltda., Frigo Adoro Indústria e Comércio Ltda., Bandeirante Comércio e Distribuição Ltda. e FRIGORIFICO CRISTAL LTDA. 2.1 — DOS DEMAIS FATOS APURADOS EM DILIGÊNCIAS E DOCUMENTOS DO GRUPO MIGO NEMA Neste tópico, dando seqüência ao que foi apurado e relatado no TVF lavrado em 30/06/2003, procedeu-se à análise dos demais documentos apreendidos em 07/03/2002, quando da diligência efetuada na empresa Plena Alimentos do Brasil Ltda, consoante os seguintes itens: 6) os demais documentos que confirmam que as empresas Frigo Adoro, Bandeirante e CRISTAL também pertencem ao grupo empresarial FRIGO NEMA; 7) aqueles que comprovam a fusão das atividades das empresas do grupo PERRELLA do ramo frigorifico e de transportes com o grupo FRIGO NEMA. 2.2 — DOS FATOS APURADOS ATRAVÉS DA MOVIMEIVTAÇÃO FINANCEIRA DAS EMPRESAS DO GRUPO FRIGO NEMA Com a abertura do procedimento de fiscalização das empresas do grupo Plena Alimentos do Brasil Ltda., Frigo Adoro Indústria e Comércio Ltda., Bandeirante Comércio e Distribuição Ltda. e FRIGORIFICO CRISTAL LTDA., foi solicitada a apresentação dos extratos bancários e demais documentos relativos à movimentação financeira que embasariam a escrituração contábil. Não apresentados todos os documentos solicitados e presentes veementes indícios de interposição de pessoas na figura dos sócios das pessoas jurídicas, esses documentos foram solicitados às instituições financeiras com base na legislação de regência da matéria. Da análise dos dados da movimentação financeira das empresas, foram evidenciados diversos documentos que confirmam a existência de conjugação de esforços e participação financeira do GRUPO FRIGO NEMA nos negócios das empresas Frigo Adoro, CRISTAL, Bandeirante e Plena. Igualmente destacaram-se diversos documentos que comprovam a utilização de interpostas pessoas na figura dos sócios das pessoas jurídicas, sendo verificado nesses documentos que apenas os sócios ou gerentes do grupo efetuavam a movimentação financeira das empresas. Esses documentos também comprovam que os efetivos titulares eram os beneficiários financeiros de recursos provenientes dos• la7 negócios dessas empresas. Além disso, foram selecionados documentos que informam a fusão das atividades das empresas do grupo Perrella com o grupo FRIGO NEW. Assim, além das procurações e documentos encontrados na sede do grupo, inclusive na tesouraria e no setor de contas a pagar, também as fichas cadastrais, os cartões de autógrafos, os contratos de crédito, os avais, os cheques, as autorizações de débitos e os DOCS analisados, que compõem a movimentação financeira das empresas realizada via instituições bancárias, comprovam que a gerência financeira do empreendimento era exclusivamente efetuada pelos diretores e gerentes do grupo FRIGO NEMA e confirmam a existência de um caixa centralizado para o grupo empresarial, a partir do qual eram quitadas as obrigações do grupo. Esses documentos atestam ainda que eram beneficiários dos recursos gerados pelos negócios perpetrados através dessas empresas os efetivos titulares do empreendimento, conforme neles apontados. Os documentos relacionados fazem prova inequívoca de que pertencem ao mesmo grupo empresarial as empresas Frigo Adoro, Bandeirante, FRIGORIFICO CRISTAL, Plena e Gene, e que a esse grupo se aliaram as empresas Frigorifico Perrella e Transportadora Contorno. Além disso, comprovam que são os efetivos titulares do empreendimento e reais beneficiários dos negócios perpetrados através dessas empresas os senhores Cláudio Ney de Faria Mala, Marcos António de Faria Mata, Geraldo Heleno de Faria, Paulo César de Faria, Dênio Altivo de Oliveira, Alvimar de Oliveira Costa, José Perrella de Oliveira Costa. Os fatos e documentos analisados revelam a comunhão de interesses e bens entre as pessoas fisicas dos IRÁ/LiOS FARIA MALA dos IRMÃOS PERRELLA e do Sr. DEMO ALTIVO DE OLIVEIRA e as empresas PLENA, FRIGO ADORO, BANDEIRANTE E FRIGORÍFICO CRISTAL, inclusive através de outras empresas do seu grupo empresarial, notadamente a empresa GENE ALIMENTOS LTDA, bem como a conjugação de esforços dessas pessoas fisicas e jurídicas, objetivando um fim comum. 3 - DO LANÇAMENTO Preliminarmente, esclareça-se que não foram considerados como dedução do devido os débitos de tributos e contribuições federais informados pelo sujeito passivo nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) relativas a períodos anteriores ao inicio da ação fiscal e entregues intempestivamente após o inicio dos procedimentos de oficio, que ocorreu em 06/03/2002. A documentação correspondente a esse item consta do Anexo VII 3.1 - DIFERENÇA APURADA ENTRE VALORES DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL (PIS) DEVIDOS E OS DECLALIDOS E PAGOS- PERÍODOS-BASE DE JANEIRO A MARÇO 2001, JULHO A DEZEMBRO DE 2001, JANEIRO Á MAIO DE 2002 No curso dos trabalhos de fiscalização, foi constatado que os valores da Contribuição para o PIS efetivamente devidos, 6 Processe n° 13601002275/2005-53 S1-C3T2 Acórdão n.° 1302-00168 Fl. 4 calculados com base nos valores das receitas menos os valores das exclusões permitidas, consignados pelo contribuinte nos Livros Registro de Apuração do ICMS e nos Livros Registro de Entradas e Livro Registro de Saídas são superiores aos valores da contribuição para o PIS recolhidos e declarados nas DCTF. Frise-se que o contribuinte não efetuou quaisquer recolhimentos a titulo de PIS nos períodos indicados, consoante consulta ao sistema de controle de arrecadação da Secretaria da Receita Federal (SRF). Os valores das diferenças apuradas encontram- se detalhados em demonstrativos especificas. 3.2 - DIFERENÇA APURADA ENTRE VALORES DA CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COTINS) DEVIDOS E OS DECLARADOS E PAGOS - DE JANEIRO A MARÇO 2001, JULHO A DEZEMBRO DE 2001, JANEIRO A MAIO DE 2002 Ficou constatado que os valores efetivamente devidos a titulo de Cotins, calculados com base nos valores das receitas menos os valores das exclusões permitidas, consignados pelo contribuinte nos Livros Registro de Apuração do ICMS e nos Livros Registro de Entradas e Livro Registro de Saldas são superiores aos valores da contribuição para a Cotins recolhidos e declarados nas DCTF. Frise-se que o contribuinte não efetuou quaisquer recolhimentos a titulo de Cofins nos períodos indicados, consoante consulta ao sistema de controle de arrecadação da SRF. Os valores das diferenças apuradas encontram-se detalhados em demonstrativos próprios. 3.3 - Diferença Apurada entre Valores DO IMPOSTO DE RENDA SOBRE O LUCRO real DEVIDOS e os Declaradas e Pagos - 1, 2° e 4° TRIMESTRES DE 2000E 1° TRIMESTRE DE 2001 No curso dos trabalhos de fiscalização, verificou-se que, relativamente aos anos-calendário de 2000 e 2001, o contribuinte efetuou a tributação com base no lucro real e que este fez a opção pela apuração trimestral do imposto, conforme Declarações de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) apresentadas. Entretanto, verifica-se que os valores recolhidos ou confessados pelo contribuinte nas DCTF apresentadas são inferiores aos valores do imposto de renda efetivamente devido. Ressalte-se que o contribuinte não efetuou quaisquer recolhimentos a título de IRPJ devidos trimestralmente nos períodos indicados, consoante consulta ao sistema de controle de arrecadação da SR?. Demonstrativos especificas, confeccionados com base nas Demonstrações de Resultado elaboradas pelo contribuinte - partes integrantes dos Livros Diário pertinentes ao ano- calendário de 2001 - pormenorizam os valores lançados. Destaque-se que não houve adições e exclusões ao lucro liquido antes do IRPJ, tudo consoante Livros de Apuração do Lucro Real (Lalur). 7 3.4 - Diferença Apurada entre Valores DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO DEVIDOS e os Declarados e Pagos - I 2" e 4° TRIMESTRES DE 2000 El ° TRIMESTRE DE 2001 A fiscalização constatou que, relativamente aos anos-calendário de 2000 e 2001, o contribuinte efetuou a tributação com base no lucro real e que este fez a opção pela apuração trimestral da CSLL, conforme DIR1 apresentadas. Entretanto, verifica-se que os valores recolhidos ou confessados pelo contribuinte nas DCTF sao inferiores aos valores da CSLL efetivamente devidos. Ressalte-se que o contribuinte não efetuou quaisquer recolhimentos a titulo de CSLL devidos trimestralmente nos períodos indicados, consoante consulta ao sistema de controle de arrecadação da SRE Os demonstrativos fiscais, confeccionados com base nas Demonstrações de Resultado elaboradas pelo contribuinte - partes integrantes dos Livros Diário, pertinentes ao ano- calendário de 2001 - pormenorizam os valores lançados. Destaque-se que não houve adições e exclusões ao lucro liquido antes da CSLL, tudo consoante o Lalur. 3.5 - IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - RECEITA DA REVENDA DE MERCADORIAS - LUCRO ARBITRADO - PERÍODO: 3° E 40 TRIMESTRES DE 2001 E I° E 2° TRIMESTRES DE 2002 Foram relatadas pela fiscalização as tentativas no sentido de ter acesso à integralidade da escrita contábil e fiscal da empresa no período em referência. Relativamente ao ano-calendário de 2002, a empresa FRIGORÍFICO CRISTAL LTDA. limitou-se a apresentar um Livro Diário em folhas soltas, não assinado e não registrado, conforme assinalado, e os seguintes livros fiscais: Livros Registro de Entrada e Saídas, relativos ao período de janeiro a abril, e Livro Registro de Apuração do 1CMS relativo a janeiro a dezembro. Assim, nos períodos de apuração supramencionados, o contribuinte ainda deixou de apresentar o Lalur, o Livro Registro de Inventário e as demonstrações financeiras a que estava obrigado, quais sejam: Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados, Demonstrações de Resultado do Período e Balanço PatrimoniaL Ademais, a falta de autenticação do livro do Diário referente ao ano-calendário de 2002 configura grave descumprimento de formalidade extrínseca que visa justamente resguardar a segurança e inviolabilidade da escrituração na qual deve ser apoiada a apuração do lucro real. Em síntese das irregularidades apontadas e das faltas cometidas, em especial as relativas à falta de apresentação de livros contábeis e fiscais de manutenção obrigatória, conclui-se que não há como valorar a evolução patrimonial, o fluxo financeiro, as despesas pagas e as incorridas, as receitas havidas e os ingressos de caixa. Este fato, aliado à não apresentação dos 41p, 8 rtd Processo e 13603.002275/2005-53 SI-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.168 A. 5 Livros Registro de Inventário impede a aferição do lucro, pois também não é possível determinar o CUSTO DAS MERCADORIAS VENDIDAS, em função de não se conhecer o valor real dos estoques iniciais e finais de mercadorias. Como decorrência, em estando impedida de ter acesso a totalidade dos os livros e documentos da escrita contábil e fiscal e todos os documentos da escrituração contábil da empresa, impõe-se, como Ultima alternativa possível, o arbitramento do lucro para fins de determinação da base de cálculo do Imposto de Renda e da Contribuição Social Sobre o Lucro devidos pela empresa no período em referência. Foi feita menção também à legislação pertinente e à jurisprudência do Conselho de Contribuintes. • Assim, pelas razões apontadas, foi efetuado o lançamento do IRPJ e da CSLL, calculados sobre o lucro arbitrado, determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados em lei sobre a receita conhecida, consignada pela empresa: no 3 0 e 4° trimestres de 2001, no Livro Registro de Apuração do ICMS e nos Livros Registro de Saídas e Registro de Entradas; no 1° e 20 trimestres de 2002, no Livro Registro de Apuração do ICMS Em demonstrativos especificas, foram detalhados os valores do IRPJ e da CSLL apurados. 3.6 - OMISSÃO DE RECEITA - FALTA DE COMPROVAÇÃO DE SUPRIMENTO DE CAIXA Intimado a comprovar, mediante apresentação de documentação hábil e idónea, a origem (responsabilidade do sócio) e a efetiva entrega (responsabilidade da empresa) do empréstimo de recursos efetuado pelo sócio Rodrigo Rezende Soares, CPF 901.423.306-04, em 03/01/2000, no valor de R$3.000.000,00, conforme lançamento efetuado nos livros contábeis, o contribuinte não apresentou nenhum documento comprobatório da efetiva realização da operação. Assim, a falta de comprovação do suprimento de caixa em comento caracteriza omissão de receita, nos termos da legislação de regência. 4 - DA RESPONSABILIDADE PELO CRÉDITO TRIBUTÁRIO 4.1 - DA INTERPOSIÇÃO FICTÍCIA DE PESSOAS NA FIGURA DOS SÓCIOS DAS EMPRESAS DO GRUPO FRIGO NEM4 De acordo com a fiscalização, afora os contratos sociais e respectivas alterações das empresas, não existem quaisquer elementos que comprovem a constituição ou a aquisição de cotas das empresas que o grupo utiliza no desenvolvimento de suas atividades empresariais, pelos terceiros que figuram(ram) como sócios das empresas: Gene Alimentos Ltda (incmporadora da Plena Alimentos dos Brasil Ltda), Frigo Adoro, Bandeirante, CRISTAL, OU demais empresas integrantes desse grupo 9 empresarial, que trazem em seus quadros societários pessoas distintas dos efetivos titulares. Constatou-se, portanto, que para consecução de seus fins, o grupo empresarial organizou suas atividades através de diversas empresas em cujos quadros societários figuravam interpostas pessoas, em regra seus empregados. Avolumam-se, no presente caso, indícios de que os efetivos titulares permaneceram a frente dos negócios perpetrados sob o manto jurídico dessas empresas, bem como provas cabais de que dele se beneficiaram, conforme destacamos no decorrer da descrição dos fatos. Portanto, no presente caso, o estratagema utilizado corresponde à FRAUDE. Desse modo, os contribuintes tinham interesse na apresentação da organização societária como se aparenta, era seu objetivo colocar terceiros no quadro societário das empresas, que uma vez inadimplentes, não ofereceriam risco de uma execução envolvendo a riqueza patrimonial do grupo, sendo seu desiderato deixar de recolher os tributos gerados pela atividade, com evidente intuito defraude. Por conseguinte, trata-se na hipótese de infração qualificada, por conformarem-se os fatos à descrição de fraude contida no art. 72 da Lei 4.502, de 30/11/1964. Foram encontrados ainda diversos documentos que fazem a comprovação da gerência e representação social das empresas pelos efetivos titulares do empreendimento, tanto das empresas já constituídas em nome de terceiros como daquelas que somente posteriormente foram transferidas para terceiros. Ademais, verificou-se a conjugação dos negócios das empresas que são objeto da ação fiscal com os negócios efetuados através das demais empresas de seu grupo empresarial, bem como o fato de que os sócios efetivos auferiram beneficios dos negócios efetuados através dessas empresas, diretamente ou através de outras empresas de seu grupo. 4.2 — DOS EFETIVOS TITULARES E REAIS BENEFICIÁRIOS DOS • NEGÓCIOS DO GRUPO ERMO NE.VIA Pelos fatos expostos no TVF, comprova-se que o grupo empresarial capitaneado pelas empresas Plena Alimentos do Brasil Ltda. e Frigorifico Perrella Ltda., e seus representantes, tinham interesse comum na situa 00 que constitui o fato gerador dos tributos lançados, dada a abundância de evidências de que conjugavam os negócios das diversas empresas componentes do grupo, e de que havia comunhão de interesses e de bens dessas empresas e seus sócios para a consecução das atividades comerciais. Portanto, impende concluir que BT Carnes Ltda., Comercial Paranan Ltda., Adoro Alimentos Ltda., Nova Carnes Ltda., FRIGORIFICO CRISTAL LTDA., Gene Alimentos Ltda., Plena Alimentos do Brasil Ltda., Betim Carnes Ltda., Barraquinha Carnes Ltda., Vista Carnes Comércio Ltda., Frigo Jóia Ltda., Bandeirante Comércio e Distribuição Ltda., Rajest Participações e Empreendimentos Ltda., Frigonfico Pen-ella Ltda., Transportadora Contorno Ltda. Transquali Transportes de Qualidade Ltda., e LTnifngo Indústria e Comércio Ltda., Frigo Adoro Indústria e Comércio Ltda., além da empresa Nem Processo n° 13603.002275/2005-53 81-C3T2 Acórdão n.°1302-00.168 Fl. 6 Alimentos Ltda.„ formavam o grupo societário encabeçado pelas empresas Plena Alimentos do Brasil Ltda. e Frigorífico Perrella Ltda., atuando no comércio varejista e atacadista de carne. Também conforme ficou inequivocamente evidenciado na descrição dos fatos, pode-se concluir que as empresas Frigo Adoro Indústria e Comércio Lida, FRIGORIFICO CRISTAL LTDA e .Bandeirante Comércio e Distribuição Lida, além das empresas Plena Alimentos do Brasil Lida e sua sucessora Gene Alimentos Ltda, cuja representação societária hoje está formalmente constituída em nome dos Srs. Nivaldo Augusto da Silva e Luiz Carlos Silveira (Trigo Adoro), do Sr. Wellington Alves Pereira (Bandeirante), dos Srs. Rodrigo Rezende Soares e José Fábio Araújo Simão (FRIGORIFICO CRISTAL), e dos Srs. Normano Avelar da Silva e Giovanni de Almeida Teixeira (Gene, sucessora da Plena), como sócios de fachada, na realidade, tem como proprietários os Srs. Cláudio Ney de Faria Maia, Marcos António de Faria Maia, Geraldo Heleno de Faria, Dénio Altivo de Oliveira, Paulo Afonso de Faria Maia, Paulo Cezar de Faria, Alvimar de Oliveira Costa e José Perrella de Oliveira Costa e as empresas de seu grupo, na pessoa de seus sócios, investidos que estavam (aqueles que atuavam como diretores do grupo) de amplos e gerais poderes para realizarem em nome das empresas fiscalizadas, todos os atos negociais e de gerenciamento que são inerentes aos efetivos titulares de uma pessoa jurídica, ou ainda, porque eram simplesmente sócios no empreendimento e se beneficiaram de seus negócios. Igualmente têm interesse comum nos fatos gerados apontados nos Autos de Infração ora lavrados as pessoas fisicas que integram o quadro societário das demais empresas que compõem o empreendimento do grupo FRIGO NEMA e receberam recursos gerados por seus negócios, Eva Ionélia de Jesus Maia, Silvana Regina Alves Guimarães, Paulo Afonso de Faria Maia, Maria da Conceição Rezende Soares, Maria José de Faria Maia, Maria da Conceição Teodora Guimarães, Paulo Cezar de Faria e José Perrella de Oliveira Costa. Assim, comprovou-se pela farta documentação analisada, que essas pessoas fisicas, com participação societária em diversas empresas do grupo empresarial, são os efetivos titulares dos negócios efetuados diretamente ou através de empresas de seu grupo empresarial sob a razão social das empresas Frigo Adoro Indústria e Comércio Ltda, FRIGORIFICO CRISTAL LTDA, Bandeirante Comércio e Distribuição Lida, Plena Alimentos do Brasil Ltda e sucessora Gene Alimentos Ltda. Certo também é que se beneficiaram de recursos das empresas, conforme os documentos amplamente analisados. 5— CONCLUSÃO Pelo exposto, no presente caso, ficaram amplamente demonstrados veementes indícios de que as pessoas físicas acima identificadas eram os verdadeiros donos do negócio que se se 11 operou sob a razão social das empresas Frigo Adoro Indústria e Comércio Ltda, FRIGORÍFICO CRISTAL LTDA, Bandeirante Comércio e Distribuição Ltda, Plena Alimentos do Brasil Ltda e sucessora Gene Alimentos Ltda, além de inequivocamente comprovado que dele se beneficiaram, diretamente ou através das demais empresas integrantes do seu grupo empresariaL Além disso, demonstrou-se que a estratégia utilizada por esses contribuintes não tinha simplesmente como objeto o próprio tributo, devido e parcialmente declarado, mas não recolhido, porém o próprio conhecimento dos fatos relevantes para o exercício do poder-dever de lançamento pelo fisco, pois os contratos sociais, as alterações contratuais e demais documentos aqui analisados que informam a participação de terceiros no capital social das empresas constituídas por esses contribuintes retratam situação irreal, distanciada da verdade fática. Portanto, o estratagema utilizado pelos contribuintes, efetivos titulares do empreendimento, configura claramente a fraude, conforme definida no art. 72 da Lei n° 4.502, de 1964. Diante desses fatos, estando caracterizado o evidente intuito de fraude, impõem-se a exigência de multa qualificada no lançamento ora efetuado, nos termos da legislação de regência. Dessarte, pela prática regular de todos os atos típicos da sociedade comercial, inclusive com participação financeira, os diretores de fato do grupo empresarial e os demais beneficiários dos negócios são solidariamente responsáveis pelos créditos tributários ora constituídos, nos termos da legislação de regência, mormente o artigo 124, inciso L do C77V. Igualmente, por conjugar esforços, estando todas as empresas interligadas em suas operações, desde o fornecimento de produtos, o transporte, a comercialização, até o recebimento dos recursos gerados pelas operações, e por participar dos resultados financeiros das empresas autuadas Frigo Adoro, Bandeirante, FRIGORIFICO CRISTAL e Plena, demonstrando interesse comum na situação que constitui o fato gerador dos tributos ora lançados, são solidariamente obrigadas as empresas Plena Alimentos do Brasil Ltda., sucedida pela Gene Alimentos Ltda., e essa própria empresa, Frigorifico Perrella Ltda., sucedida pela Frigorifico Meireles Ltda., Transquali Transportes de Qualidade Ltda., Transportadora Contorno Ltda., Rajest Participações e Empreendimentos Ltda, Unifrigo Indústria e Comércio Ltda, Multicarnes Assessoria e Consultoria, Betim Carnes Ltda., BT Carnes Ltda., Nova Carnes Ltda., Barra quinha Carnes Ltda. e Vista Carnes Comércio Ltda., estas três últimas sucedidas pela Nema Alimentos Ltda., e também a própria empresa Nema Alimentos Ltda. Por derradeiro, comprovado o inadimplemento das obrigações tributárias e que, inclusive, os tributos se encontravam apenas parcialmente confessados em DCTF ou na própria declaração PAES, bem como a transferência sucessiva das atividades das empresas autuadas para outros integrantes do grupo empresarial, mantendo-se, de forma ardilosa, as empresas autuadas ainda com alguma atividade, apenas para evitar a caracterização do encerramento irregular das atividades, além da prática defraude, consubstanciada na interposição fictícia de , ir\ 12 207 Processo n°13603.002275/2005-53 S1-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.168 Fl. 7 pessoas na figura dos sócios das pessoas jurídicas, mediante contratos sociais e alterações inveridicas, objetivando impedir a satisfação do crédito tributário, os efetivos titulares do grupo empresarial, respondem pelos créditos constituídos, conforme mandamento contido no artigo 135, incisos II el.!! do CTN. Findo o relato do TVF, registre-se que às fls. 315/325 foi anexada a "Relação dos Elementos Comprobatórios", na qual constam identificados os documentos que compõem os Anexos numerados de 1 a 8. O FRIGORIFICO CRISTAL LTDA. tomou ciência dos Autos de Infração, Termos de Encerramento e TVF em 21/12/2005, conforme consignado nos mencionados documentos. Por sua vez, os termos de intimação expedidos para as pessoas físicas e pessoas jurídicas, na qualidade de responsáveis tributários, os respectivos Avisos de Recebimento (AR) e editais afixados foram juntados às fls. 326/381, 405/425, 1116/1126, 1131/1137. O despacho de fl. 426 dá conta da formalização do competente processo de Representação Fiscal para Fins Penais, protocolado sob o n°13603002305/2005-21 (em apenso). Consta ainda do processo documentação pertinente à solicitação de cópia de documentos (doc. fls. 427/431). As impugnações apresentadas foram anexadas às fls. 432/1114, distribuídas nos Volumes 3, 4 e 5, conforme relação abaixo. Não consta dos autos a impugnação da empresa Gene Alimentos Ltda. (doc. fls. 1128/1130). Data da apresentação da Documentação Sujeito passivo e responsáveis tributários impugnação Frigorifico Meireles Ltda. — EPP 23/01/2006 Vol. 3 - fls. 432/471 FRIGORIFICO CRISTAL LTDA. 18/01/2006 Vol. 3 - fls. 472/561 Marcos Antônio de Faria Maia 20/01/2006 Vol. 3- fls. 562/585 Eva Ionélia de Jesus Maia 20/01/2006 Vol. 3 - fls. 586/619 Silvana Regina Alves Guimarães 20/01/2006 Vol. 3- fls. 586/619 Maria da Conceição Rezende Soares 20101/2006 Vol. 3- fls. 586/619 Maria da Conceição Teodora Guimarães 20/01/2006 Vol. 3- fls. 586/619 Maria José de Faria Maia 20/01/2006 Vol. 3 - fls. 586/619 Alvimar de Oliveira Costa 20/01/2006 Vol. 3 - fls. 620/658 Unifrigo Indústria e Comércio Imp. e Exp Ltda. 20/01/2006 Vol. 4- fls. 661/700 Multicames Assessoria e Consultoria 20/01/2006 Vol. 4 - fls. 701/728 Paulo Cezar de Faria 20/01/2006 Vol. 4- fls. 729/769 Cláudio Ney de Faria Maia 20/01/2006 Vol. 4- fls. 770/794 Geraldo Heleno de Faria 20/01/2006 Vol. 4- lis. 795/819 Paulo Afonso de Faria Maia 20/01/2006 Vol. 4- fls. 820/844 Dênio Altivo de Oliveira 20/01/2006 VoL 4 - fls. 845/868 Rajest Participações e Empreendimentos Ltda. - EPP 20/01/2006 Vol. 4- fls. 869/903 Nema Alimentos Ltda. — EPP 20/01/2006 Vol. 4- fls. 904/936 Betim Carnes Ltda — EPP 20/01/2006 VoL 5 - fls. 939/966 BT Carnes Ltda. 20/01/2006 Vol. 5- fls. 967/990 Transquali Transportes de Qualidade Ltda. - ME 20/01/2006 Vol. 5- fls. 991/1025 13 Transportadora Contorno Ltda. 20/01/2006 Vol. 5 - fls. 1026/1061 José Perrella de Oliveira Costa 20/01/2006 Vol. 5- fls. 1062/1114 Em seguida, procede-se ao resumo das impugnações, a começar pelo sujeito passivo, prosseguindo com aquelas apresentadas pelas pessoas fisicas e jurídicas apontadas como responsáveis tributários. I) Frigorífico Cristal Ltda. 1— Considerações iniciais Inverídica a afirmação de que a impugnante e as várias empresas autuadas como devedoras principais e solidárias formavam um único grupo econômico Não assiste razão aos fiscais, quando afirmaram que sucedeu uma fusão da ora impugnante com as várias outras empresas nominadas. Na realidade, ocorreu apenas um curto período de aproximação entre empresas para averiguar a viabilidade do negócio. Essa situação não caracteriza a formação de um "grupo econômico" para justificar a solidariedade tributária, pois as empresas têm personalidade jurídica própria e estavam sob direção individual de seus sócios e administradores, sem qualquer subordinação entre as sociedades. Não houve uma atuação econômica concentrada nem unidade de poder diretivo, mantendo-se as empresas com seus respectivos comandos. As atividades comerciais da impugnante com as demais empresas deram-se com as formalidades legais. Nem mesmo a participação societária de uma empresa na outra restou demonstrado. Desvela-se do auto de infração um exercício inaceitável de inúmeras suposições, hipóteses e conjeturas. Transformam-se fatos isolados para justificar a constituição de um pseudogrupo económico, sem ao menos identificar o início e o fim desse alegado agrupamento. Indaga-se se houve o alegado agrupamento, "quando começou e terminou...ou ainda persiste ???". Essa indagação passou ao largo e seria indispensável para que o impugnante pudesse exercer na plenitude seu direito de defesa, vez omissa e insegura - a autuação nesse sentido. Não se apresentou um documento que registrasse essa convenção, indispensável para demonstrar a vontade das partes. Fusão não houve, pois nenhuma nova empresa foi constituída com a extinção de outras. E a fusão não se supõe, ela só ganha corpo jurídico se registrada na Junta Comercial (art. 1119 do Código Civil). Mero vínculo familiar entre os sócios das empresas não pode atuar como fundamento para a declaração de grupo econômico, pois necessária a verificação de uma relação entre as empresas, na qual urna exerça influência dominante (cita julgado do Poder Judiciário). 14ft- o((21) Processo n° 13603.002275i2005-53 SI-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.168 Fl. 8 Não se constata nenhuma dominação de urna empresa sobre a outra, nem ao menos é apontado objetivamente quais seriam a empresa controladora e as controladas. Ao contrário, cada qual tem administrações distintas e independentes, inclusive com objetos sociais em certas passagens completamente diversos. 11— Preliminarmente 11.1 —Nulidade absoluta e insanável do processo fiscal Fazendo remissão ao Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, e ao art. 5 0 , LV e LVI da Constituição Federal, assevera que a validade do início do procedimento de fiscalização depende de prorrogação sucessiva, de sessenta em sessenta dias, por intermédio de um "ato escrito" indicando essa pretensão e dela tomando conhecimento o contribuinte. Pelo que se denota da leitura do termo de autuação, o exame teve inicio há quase quatro anos atrás e o fisco não cuidou de comunicar a prorrogação do procedimento fiscal ao impugnante, no prazo legal de sessenta dias. Também não cuidou o fisco de cientificar o impugnante de que o objeto do procedimento fiscal alterou, ou seja, ampliou o objeto investigado, tanto em relação à natureza dos tributos quanto aos períodos de apuração. Aqui se fez letra morta os Princípios do Contraditório e da Ampla Defesa e do Devido Processo Legai Não se encontrou nos autos, não só a falta de intimação para si (impugnante) da prorrogação prevista no § I° do art. 7°, como também quaisquer atos administrativos internos nesse sentido, dentro do prazo de prorrogação. Nesse passo, translúcida a ilegalidade patenteada no processo administrativo, trouxe, com isso, para dentro de si, insanável vicio, condutor de inarredável nulidade. Foi feita menção à doutrina e jurisprudência. 112 —Afastamento e redução da multa de oficio Os fatos geradores da autuação foram espontaneamente informados pelo impugnante quando aderiu ao Paes, o que afasta o intuito defraude. Inaplicável a multa de oficio de 150% pelo seu caráter confiscatório. Procedentes na doutrina e jurisprudência. Não há como prevalecer a multa de oficio no percentual de 1504 pois o impugnante confessou quase a totalidade dos seus débitos tributários no Paes (denúncia espontânea — art. 138 do CTA), conforme documentação anexa. LZfl is Assim, se sucedeu a informação espontânea do débito por parte do próprio contribuinte, não se há de falar em intuito defraude, ressaltando-se ainda que os valores obtidos pelo fisco para apurar o crédito fiscal basearam-se nos livros contábeis do impugnante, o que revela que não agiu com propósito nocivo. Evidente que a multa punitiva de 150% sobre a totalidade do tributo, corrigida por acumulação, tem a feição nítida de um tributo confiscatório em todas as suas características. Rompe também com os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, arranhando com isso ao apresso no art. 150, IV da Constituição Federal. O impugnante requer o afastamento da multa de 150%, reduzindo-a para 20%, em consonância com a doutrina e jurisprudência, aplicando-se concomitantem ente a benesse legal prevista no art. 1°, § 7° da Lei n° 10.684, de 30 de maio de 2003, daqueles tributos integrantes do Paes. III — Impugnante optante do Paes dos créditos tributários relacionados no auto de infração Requerimento expresso nessa oportunidade para a inclusão dos créditos tributários não relacionados conforme permissão legal. Recalculo do valor do crédito fiscal para cientificação do contribuinte impugnante. 1111 — Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) A empresa é optante pelo Parcelamento Especial (Paes) instituído pela Lei n°10.684, de 2003, conforme comprovante em anexo. Parte dos valores autuados já se encontra declarada junto ao Paes, conforme relação de fl. 495. Quanto aos juros Selic sobre os valores declarados no Paes, já se encontram inclusos no valor consolidado, passando os juros a serem calculados com base na TJLP após a data determinada para a consolidação do parcelamento, de acordo com a mencionada lei. A multa de oficio de 150% deverá ser desconsiderada sobre os valores já declarados/consolidados no Paes, com base no art. 90 da Medida Provisória n°2.158-35, que determina que somente serão objeto de lançamento de oficio as diferenças apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela SRE Em relação as diferenças existentes da Cofins entre o declarado para o Paes e o levantado para a fiscalização, requer o impugnante a sua inclusão no Paes, em observância ao art. I° da Lei n° 10.684, de 2003. Foi salientado que a fiscalização foi iniciada em 06/03/2002, mantendo-se a posse da documentação da empresa necessária 16 Processo n° 13603.002275/2005-53 SI-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.168 Fl. 9 aos levantamentos realizados até a ciência do auto, em 21/12/2005, o que impediu o contribuinte de realizar qualquer levantamento ou confissão complementar junto à SRF. O contribuinte dispôs para os fiscais todos os livros e documentos existentes, a exceção daqueles extraviados quando da realização da fiscalização do INSS. Analisando o trabalho fiscal, seria necessário, ao resultado encontrado, prazo bem inferior ao demandado, o que permitiria ao contribuinte incluir os créditos complementares levantados no auto de infração no Paes à época. Assim, requer o impugnante: 1°) a extinção dos valores autuados que já se encontram declarados no Paes, sob pena de lançamento em duplicidade do crédito tributário; 2') a exclusão da multa de oficio dos valores declarados no Paes, em obediência ao art. 90 da MP n° 2.158-35; 3°) conseqüente, a exclusão dos juros Sella sobre os valores declarados no Paes, pelo fato de já se encontrarem inclusos nos valores consolidados; 4°) a inclusão dos demais créditos encontrados pela fiscalização no Paes, com o beneficio da redução de 50% da multa e aplicação dos juros pela TJLP a partir da data da consolidação, com base no art. I° da Lei n° 10.684, de 2003. 1112 — Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) Neste tópico, o contribuinte apresenta a impugnação nos mesmos moldes do item anterior que cuidou da Cojins. 111.3. Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) 111.3.1 — Diferença apurada entre valores do imposto de renda sobre o lucro real devido e os declarados e pagos — 1°, 2 0 e 4° trimestres de 2000 e I° trimestre de 2001 A empresa é optante pelo Parcelamento Especial (Paes) instituído pela Lei n°10.684, de 2003, conforme comprovante em anexo. Sobre o crédito tributário levantado, o contribuinte requer a sua inclusão no Paes, em obediência ao art. 1° da Lei n°10.684, de 2003. Quanto à multa e aos juros, faz referência às disposições contidas nos §§ 6' e T' do referido artigo. Salientou-se que a fiscalização foi iniciada em 06/03/2002, mantendo-se a posse da documentação da empresa necessária aos levantamentos realizados até a ciência do auto, em 21/12/2005, o que impediu o contribuinte de realizar qualquer levantamento ou confissão complementar junto à SRF. 17 O contribuinte dispôs para os fiscais todos os livros e documentos existentes, a exceção daqueles extraviados quando da realização da fiscalização do INSS. Analisando o trabalho fiscal, seria necessário, ao resultado encontrado, prazo bem inferior ao demandado, o que permitiria ao contribuinte incluir os créditos complementares levantados no auto de infração no Paes à época. Assim, requer o impugnante: - a inclusão dos demais créditos encontrados pela fiscalização no Paes, com o beneficio da redução de 50% da multa e aplicação dos juros pela TJLP a partir da data da consolidação, com base no art. I° da Lei n° 10.684, de 2003. 111.3.2 — Imposto de renda pessoa jurídica — receita de revenda de mercadorias- lucro arbitrado — período 3° e 4° trimestres de 2001 e 1° e 2° trimestres de 2002. Os termos da impugnação correspondem àqueles apresentados no item anterior. 111.4 — Contribuição Social sobre o Lucro (CSLL) 1114.1 - Diferença apurada entre valores da contribuição social sobre o lucro líquido devido e os declarados e pagos — 2° e 4° trimestres de 2000 e 1° trimestre de 2001 1114.2 — Contribuição social sobre o lucro liquido — receita de revenda de mercadorias- lucro arbitrado — período 30 e 4° trimestres de 2001 e 1° e 2° trimestres de 2002. Neste item, a impugnante fez sua defesa nos moldes dos argumentos apresentados quanto ao IRPJ IV - Pedidos O impugnante requer: - o acolhimento da preliminar para decretar a nulidade do auto de infração; - acaso superada a prefaciai, reitera todos os pedidos para exclusão dos valores autuados que já se encontram no Paes; exclusão da multa de oficio dos valores declarados no Paes e a conseqüente exclusão dos juros Selic; e a inclusão no Paes dos demais créditos encontrados pela fiscalização, com o beneficio da redução de 50% da multa e aplicação dos juros pela TJLP a partir da data da consolidação, com base no art. I° da Lei n° 10.684, de 2003 (cc. art. 1° da Portaria Conjunta PGFN/SRF na 3, de 26/08/2004); - o afastamento da multa de 150% reduzindo-a para 20%, aplicando-se, concomitantemente, a benesse legal prevista no art. 1°, § T' da Lei n° 10.684, de 2003 daqueles tributos integrantes do Paes; - seja recalculado o valor de débito, em respeito aos princípios legais de direito do impugnante, em virtude das assertivas granjeadas nessa peça de resistência; 18 Processo n° 13603.00227512005-53 SI-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.168 Fl. 10 - a indispensável produção de provas documental e pericial- contábil, caso o fisco discorde dos valores e documentos que acompanham essa defesa; indica como perito o Dr. Ademilson Cláudio da Silva; - a intimação do signatário em seu escritório, no endereço constante do instrumento de procuração; - a tramitação em segredo de justiça desse processo, por envolver matéria protegida pelo sigilo fiscal. V— Documentos anexados Doc. n. 01 —procuração e alteração contratual —fls. 515/517; Doc. n. 02— docs. comprobatórios Paes —fls. 518/561. • 2) Frigorifico Meireles Ltda. - EPP 1 — Preliminarmente 11 —Nulidade absoluta e insanável do processo fiscal A impugnação, nesta parte reproduz os termos do contraditório apresentado pelo FRIGORIFICO CRISTAL LTDA. 1.2 — Ilegitimidade passiva do impugnante O impugnante não responde como devedor solidário se não participou para o fato gerador da obrigação tributária. Responsabilidade tributária é subjetiva Precedentes jurisprudenciais Neste item, o impugnante reproduziu os termos das "considerações iniciais" contidas na impugnação apresentada pelo FRIGORIFICO CRISTAL LTDA., tendo ainda acrescido argumentos específicos consoante os seguintes registros. Assim, alegou o impugmante que não se apresenta identificável o punctum dolens da solidariedade fiscal prevista no art. 124, Ido CTINR o interesse comum. O impugnante atua e sempre teve como objetivo o comércio de carnes e a incorporação realizada do Frigorífico Perrella Ltda. se tratou de uma operação interessante no aspecto comercial, coincidindo com as benesses do Paes. Essa generalização promovida pelo fisco de que todas as empresas que mantinham relacionamento comercial com os devedores principais ou que alguns dos seus sócios participaram de uma "sociedade de fato" desencontra escora na lei, pois não satisfeitos os requisitos essenciais da constituição de qualquer sociedade: obrigações reciprocas e partilha, entre si, dos resultados. 19 Indispensável para o contribuinte saber, individualmente, por qual obrigação é solidariamente responsável, qual o valor e o motivo, quando surgiu e qual o fato gerador, pois só assim poderá exercer na plenitude seu direito de defesa. Uma autuação genérica não permite a correta compreensão de seu alcance e inibi a ampla defesa, tingindo de nulidade a autuação fiscal. Exige o art. 121 do CTN que o sujeito passivo da obrigação tributária tenha "relação direta com o fato gerador" Noutro norte, expresso o comando do art. 134 do CTIV que a responsabilidade tributária de terceiros para o cumprimento da obrigação principal devida pelo contribuinte só é possível "nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis". Devem ser demonstrados quais os atos e quando foram praticados e o resultado, pois a quadra jurídica rejeita a teoria da responsabilidade objetiva, exigindo do fisco a identificação precisa da ação praticada pelo contribuinte. Ausente o elemento probatório identificador do ato em si, afigura-se na espécie a ilegitimidade passiva para responder pelo suposto crédito tributário. Foi ainda feita referência à jurisprudência sobre o assunto em comento. Ante o exposto, requer a exclusão do ora impugnante, por não se enquadrar, nos limites da lei, à condição de devedor solidário. 11 — Suspensão pelo parcelamento junto ao Paes O impugnante tem o conhecimento que as empresas Gene Alimentos Ltda, Frigo Adoro Indústria e Comércio Ltda. e FRIGORÍFICO CRISTAL LTDA. encontram-se sob a benesse do parcelamento especial previsto na Lei n°10.684, de 2003. Assim, os débitos consolidados no Paes, vencidos até 28 de fevereiro de 2003, não podem ser cobrados dos impugnantes, por força da norma legal esculpida no art. 151, inciso YI do CIN. Ante o exposto, acaso superadas as preliminares, os créditos fiscais objeto da presente autuação, açambarcados pelo Paes das empresas acima, haverão de ser excluídos da exação, evitando-se a cobrança dúplice e ilegal. 111 — Afastamento e redução da multa de oficio Foram expendidos os mesmos argumentos apresentados pelo FRIGORIFICO CRISTAL LTDA. relativamente à exigência da multa de oficio de 150% IV- Pedidos O impugnante requer: - o acolhimento da preliminar para decretar a nulidade do auto de infração; 1-`). 20 Processo n° 13603.002275/2005-53 S1-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.168 Fl. 11 - se superada a premissa anterior, proceda-se à exclusão do ora impugnante, por não ter legitimidade passiva aos olhos da lei para responder solidariamente pelos pagamentos dos créditos fiscais levantados nesse processo administrativo; - transpostas as assertivas acima, seja suspenso o presente processo fiscal quanto aos valores açambarcados pelo Paes, através de procedimento legal promovido pelos devedores principais; - cumuladamente, o afastamento da multa de 150Y4 reduzindo-a para 200% aplicando-se, concomitantemente, a benesse legal prevista no art. 1°, § 70 da Lei n° 10.684, de 2003 daqueles tributos integrantes do Paes. A impugnação, foram juntadas a procuração e cópia de alteração contratual. 3) Marcos António de Faria Maia A impugnação apresentada reproduz em linhas gerais os termos dos contraditórios resumidos nos itens precedentes no que atine à nulidade do processo fiscal, suspensão pelo parcelamento junto ao Paes, redução da multa de oficio e aos pedidos finais. Particularmente, quanto ao item que cuidou da "ilegitimidade passiva do impugnante", foram trazidas algumas considerações adicionais, conforme se passa a explicitar. É descabida a conclusão do fisco de que o impugnante tem a obrigação solidária com débitos das empresas principais autuadas pelo fato isolado e distante de que integrava ou participava do quadro societário de terceiras empresas e/ou das principais mencionadas. As terceiras empresas que o impugnante integrava o quadro societário tinham atuação autônoma quanto ao seu objeto e não contribuíram direta ou indiretamente para o fato gerador do tributo tido como devido. O fato de o impugnante ser ex-sócio não traz para si a responsabilidade tributário-fiscal por períodos posteriores à sua retirada do quadro social. Exige o art. 121 do CTN que o sujeito passivo da obrigação tributária tenha "relação direta com o fato gerador". Expresso o comando do art. 134 do CTN que a responsabilidade tributária de terceiros para o cumprimento da obrigação principal devida pelo contribuinte só é possível "nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis". Incontroverso que o impugnante não passou de mero procurador das empresas, com poderes limitados ao estabelecido nos respectivos instrumentos. Mas nunca se portou como o dono da empresa. 04. 21 E dentro dos poderes que lhe foram conferidos pelos efetivos sócios, apenas os representou comercialmente, tendo, eventualmente, assinado alguns cheques e preenchido documentos bancários. Uns poucos pagamentos de despesas pessoais ou depósito em contas (de valores 'por demais modestos ') fazia parte do acerto firmado para com os sócios das empresas que era procurador. O relatório repete a todo . o tempo uma suposta posição de empresário do impugnante, mas não traz nenhum elemento sério de convicção nesse sentido. A substituição tributária de terceiros ou mesmo dos sócios e ex- sócios pela simples circunstância da sociedade achar-se em débito com o fisco só prevalece se "apurada a prática individual de ato ou fato eivado de excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto... Não é responsável tributário pelas dividas da sociedade o sócio-gerente que transferiu regularmente suas cotas a terceiros, continuando, com estes, a empresa". A amplitude do art. 135, III do CTIV só recai nas pessoas dos sócios, diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado se demonstrado cabalmente que tenha agido com dolo ou contra o estatuto da lei. Ausente o elemento probatório identificador do ato em si, afigura-se na espécie a ilegitimidade passiva para responder pelo suposto crédito tributário. Requer a exclusão do ora impugnante, por não se enquadrar, nos limites da lei, à condição de devedor solidário. 4) Eva lonélia de Jesus Maia, Silvana Regina Alves Guimarães, Maria da Conceição Rezende Soares, Maria da Conceição Teodora Guimarães e Maria José de Faria Mata Em relação ao item que tratou da "nulidade absoluta e insanável do processo fiscal", acrescentaram as impugnantes que também não cuidou o fisco de cientificar o devedor principal de que o objeto do procedimento fiscal alterou, ou seja, ampliou o objeto investigado, tanto em relação à natureza dos tributos quanto aos períodos de apuração. No que atine às "considerações preliminares" e "ilegitimidade passiva dos impugnantes", acresceram as impugnantes que a alegada existência de "fusão" entre empresas não ocorreu na época em que integravam seu quadro societário, tendo sido ressaltado que jamais ocuparam qualquer cargo de direção, gerência ou administração. Não é crz'vel que a pessoa física das impugnantes, que nunca exerceram qualquer cargo de gerência ou administração das sociedades — fatos reconhecidos a todo instante pelo fisco —, venha a responder por tributos de várias empresas. Mister sempre avivar que não se pode raciocinar que as j empresas das quais as impugnantes foram sócias coristas ri 1 22 Processo n° 13603.002275/2005-53 S1-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.168 Fl. 12 sucederam as sociedades devedoras principais. E isso é certo, pois ausentes as figuras jurídicas da fusão, transformação e incorporação, exigências legais trazidas no art. 132 do CTN para caracterizar a sucessão empresarial. No mais, o arrazoado segue os termos das impugnações anteriores. 5)Alvimar de Oliveira Costa Também neste caso, cabe salientar somente algumas particularidades contidas no item "ilegitimidade passiva do impugnante", sendo que os demais argumentos seguem os termos das impugnações anteriores. Assim, assevera o impugnante que o fato de ser ex-sócio do Frigorifico Permita Ltda. não traz para si a responsabilidade tributário-fiscal por períodos posteriores à sua retirada do quadro social. Os dois recibos de pagamentos de contas pessoais do impugnante não podem traduzir no reconhecimento de cargo diretivo dessa ficção jungida pelo fisco e simulações fadadas de uma possível, mas não efetivada, atividade comum. Inverídica e falsa a junção do nome do impugnante ao de seu irmão, José Perrella de Oliveira Costa, pois embora próximos na administração comum do Cruzeiro Esporte Clube, após as suas retiradas do quadro societário do Frigorifico Perrella Ltda. não mais tiveram negócio comum em relação ao mercado de carne objeto da presente investigação. A indigitada ocupação do impugnante como "diretor de suprimentos" não é verdade, desconhecendo-se a origem desse cargo que nunca existiu. O impugnante nunca se apresentou como procurador, comandante, dono ou sócio da devedora principal e jamais ofereceu a visão pública de qualquer parceria ou sociedade com as pessoas integrantes da família "Maia". 6) Unifrigo Indústria e Comércio Importação e Exportação Ltda. A impugnação constitui reprodução, em linhas gerais, daquela apresentada pela empresa Frigorífico Meireles Ltda. — EPP, cumprindo salientar pontos especificas acerca da "ilegitimidade passiva do impugnante". Neste sentido, foi ressaltado que, em instante algum foi flagrada qualquer atitude isolada do impugnante que caracterizasse sua subordinação ao fantasioso grupo econômico, que desse causa ao fato gerador da exação fiscal. A participação societária dos sócios da Unifrigo nas empresas devedoras principais não significa por si arrastar a responsabilidade solidária do impugnante, uma vez que não se 23 vislumbrou nenhuma atividade ilegal ou desvio de recursos para a empresa. Em nenhuma linha sequer é tangenciado ato ou procedimento que revele um interesse comum e, mais uma vez, nem ao menos se sabe quando foi o inicio, meio e fim dessa pseudo-sociedade. Os documentos particulares sem conotação fiscal ou validade jurídica, sem qualquer relação com o fato gerador dos tributos cobrados, não têm o poder de transmudar uma situação jurídica de solidariedade fiscal. 7)Multicarnes Assessoria e Consultoria A peça de defesa segue os termos das impugnações resumidas anteriormente, tendo sido destacado pelo impugnante que nunca exerceu cargos de gerência e administração das sociedades autuadas. 8) Paulo Cezar de Faria Destaca-se, neste caso, algumas ponderações especificas acerca da "ilegitimidade passiva do impugnante", mantendo-se, no mais, os argumentos dos demais impugnantes. Assim, alegou o impugnante que o recibo de pagamento da escola "Greenwich Curso Especial" no valor de R$140,00 de sua filha não tem o condão de o sobrelevar à condição de sócio de várias empresas que sequer conhece. Inverídica e falsa a junção do nome do impugnante ao Sr. José Perrella de Oliveira Costa, pois embora ex-sócios do Frigorifico Perrella Ltda., não mais tiveram negócio comum em relação ao mercado de carne objeto da presente investigaÇãO O impugnante nunca se apresentou corno procurador, comandante, dono ou sócio da devedora principal e jamais ofereceu a visão pública de qualquer parceria ou sociedade com as pessoas integrantes da familia "Maia". 9) Cláudio Ney de Faria Maia 10) Geraldo Heleno de Faria *faia Nestes casos, remete-se ao resumo feito em relação à •impugnação apresentada por Marcos Antônio de Faria Maia, dada a semelhança de seu conteúdo. 11) Paulo Afonso de Faria Maia Os termos da impugnação é semelhante à apresentação feita pelos demais defendentes, tendo enfatizado o impugnante que nunca exerceu nenhum cargo de gerência ou administração, mesmo no período em que figurava como sócio das empresas. 12) Dênio Altivo de Oliveira A impugnação traz em seu bojo os mesmos argumentos apresentados por Marcos Antônio de Faria Maia. 13) Rajest Participações e Empreendimentos Ltda.' 24 • Processo n°13603.00227512005-53 SI -C3T2 •Acórdão n/' 1302-00.168 Fl. 13 14)Nema Alimentos Ltda. - EPP 15) Betim Carnes Ltda. 16) ET Carnes Ltda. 17) Transquali Transportes de Qualidade Ltda. 18) Transportadora Contorno Lula. Ás impugnações apresentadas são similares aos contraditórios feitos pela empresa Multicarnes Assessoria e Consultoria ou pelo Frigorífico Meireles Ltda. 19) José Perrella de Oliveira Costa Destacam-se em seguida os pontos específicos da impugnação quanto à "ilegitimidade passiva do impugnante", na medida em que os demais argumentos são semelhantes àqueles apresentados pelos demais impugnantes. Assim, refuta o impugnante a afirmação contida no auto de infração de que figurava como "sócio oculto" da empresa Frigorifico Perrella Lula, posteriormente incorporada por outra sociedade. Conforme contrato social juntado ao processo, o impugnante retirou-se da sociedade em 29/09/1997, tendo em seguida exercido mandato de Deputado Federal e eleito presidente do Cruzeiro Esporte Clube. Mesmo o fisco pesquisando, nenhuma anotação restou apontada para identificar qualquer ato de gerência ou administração do • impugnante. Nenhuma assinatura, nenhum cargo, depósito em seu favor, presença no local, visto em documento, procuração, enfim, nenhum gerenciamento, administração e coordenação foram atribuídos ao impugnante. O documento intitulado "adiantamento" nada mais foi do que uma carne comprada pelo impugnante para promover um chio-rasco aos funcionários de um colégio estadual, que não se sabe por qual motivo teria sido expedido esse documento (a propósito, completamente fora da regularidade formal). A prova cabal dessa aquisição é a nota fiscal n° 132.702, emitida pelo FRIGORIFICO CRISTAL LTDA. em 06/05/2002, no valor de R$2.993,90 (doc. n. 04). No tocante ao empréstimo tomado pelo impugnante e pago ao Sr. Djalma Ferreira Lima, este se encontra regularmente registrado na sua declaração de imposto de renda e na do credor, o que por si só nada evidencia em relação a qualquer vínculo com o suposto grupo empresarial. A cópia de papeluchos aleatórios fazendo referências ao nome do impugnante nada sugere com o rigor que a prova cabal exige (2:7 25 para retratar a existência de relação negocial. Necessitaria provar por documentos a correlação do texto sugerido com a realidade. Quanto à suposta participação da Transportadora Contorno Ltda. nessa -fusão", como já ressaltado na impugnação individual da aludida empresa, nunca houve qualquer associação com nenhum outro grupo empresarial, subordinação, unicidade de comando ou interesse comum. A circunstância isolada de ex-sócio em período anterior a exação fiscal não redunda na responsabilidade tributária do impugnante, por ausente de amparo legal. ••• A 2' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte, analisando os feitos fiscais e as peças de defesa, prolatou o Acórdão n° 10.834, de 18 de abril de 2006, conforme ementa abaixo transcrita. PRELIMINAR DE NULIDADE Há de se rejeitar a preliminar de nulidade quando nos autos está comprovado que a fiscalização cumpriu todos os requisitos legais pertinentes ao Mandado de Procedimento Fiscal e à lavratura dos autos de infração. ESPONTANEIDADE Excluída a espontaneidade do sujeito passivo, esta somente é readquirida se, transcorridos sessenta dias, não for praticado pela autoridade fiscal qualquer ato escrito que indique o prosseguimento dos seus trabalhos. Nesta hipótese, para se beneficiar do direito readquirido e eximir-se das penalidades inerentes ao lançamento de oficio, deve o sujeito passivo promover a regularização de sua situação perante o fisco, antes de retomada a ação fiscal. PARCELAMENTO ESPECIAL - PAES A adesão do contribuinte ao Paes produz efeitos legais somente em relação aos débitos efetivamente incluídos na opção, observado o cumprimento das formalidades e dos prazos estabelecidos na legislação de regência. A apreciação de pedidos de inclusão, exclusão ou retificação de débitos dos optantes pelo Paes não é da competência das Delegacias de Julgamento. RESPONSABILIDADE PELO CRÉDITO TRIBUTÁRIO As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador são solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apurado. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. 26 Processo rd 13603.002275/2005-53 SI-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.168 EL 14 MULTA DE OFÍCIO A multa de oficio qualificada, no percentual de 150%, será aplicada sempre que houver o evidente intuito de fraude, caracterizado em procedimento fiscal, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Renovando razões expendidas na peça impugnatória, a Recorrente trouxe, em sede de recurso, os seguintes argumentos (em apertada síntese): - nulidade do lançamento, vez que quando intimada do início da ação fiscal o auto de infração já estava pronto, pois datado e assinado desde o dia 16 de dezembro de 2005; - nulidade do lançamento, eis que não houve comunicação do prosseguimento da fiscalização dentro do prazo de sessenta dias previsto no art. 7° do Decreto n° 70.235, de 1972; - afastamento e redução (sic) da multa de oficio em razão de: a) os fatos geradores da autuação foram espontaneamente informados por ocasião da adesão ao PAES, o que afastaria o intuito de fraude; b) inaplicabilidade da multa de 150% em virtude do seu caráter confiscatório. A contribuinte requereu, ainda, a inclusão dos demais débitos identificados pela Fiscalização no PAES, com o beneficio de redução de 50% da multa e aplicação dos juros pela "EMP. Os intimados como responsáveis tributários se restringiram a sustentar a ilegitimidade passiva. Diante da constatação de que a matéria tratada no presente processo guardava relação com a contida nos processos administrativos das 13603.002292/2005-91 e 13603.000800/2006-87, o presente processo foi restituído à secretaria da Quinta Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes, conforme despacho de fls. 1.749. Às fls. 1.753/1.755, identifica-se petição da contribuinte, datada de 09 de julho de 2007, por meio da qual ela requereu, com base na alegação de adesão parcial ao parcelamento instituído pela MP n° 303, de 2006, extinção do recurso voluntário quanto a parte parcelada. Solicitou também, a contribuinte, o envio dos autos à instância a quo para que fosse precisado o montante que ainda não havia sido objeto de parcelamento, de modo que ficasse delimitada a matéria objeto de litígio. Às fls. 1.760/1.764, constam requerimentos em nome da contribuinte e da empresa GENE ALIMENTOS, datados de 09 de julho de 2007, por meios dos quais as signatárias solicitam a suspensão da pretensão punitiva até o julgamento definitivo do processo administrativo. A contribuinte autuada, em seu requerimento, sustenta, ainda, que, na medida em que parte do crédito tributário discutido foi incluído no denominado PAEX não se poderia falar em crime tributário. Releva esclarecer que a contribuinte, por meio de diversas outras correspondências, reiterou solicitações no sentido de que a pretensão punitiva fosse suspensa e que o cálculo do débito objeto de exigência fosse refeito em razão da sua adesão ao PAEX. ___C(? ) 27 • Às fls.1.839, a contribuinte, em correspondência datada de 10 de abril de 2008, requereu cópia digitalizada do processo. A Quinta Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes, por meio da Resolução n° 105-1.439, de 17 de dezembro de 2008, converteu o julgamento em diligência para que fossem adotadas as seguintes providências por parte da unidade administrativa de jurisdição da contribuinte: a) fossem apartados os autos relativos às exigências de PIS e COFINS (autos de infração de fls. 44162), encaminhando-os para o Segundo Conselho de Contribuintes, vez que, no caso, as exigências não representavam tributações reflexas do imposto de renda pessoa jurídica; e b) que fosse prestada informação acerca de eventual pedido de parcelamento impetrado pela contribuinte e, sendo o caso, fosse apresentado demonstrativo do crédito tributário tratado no presente processo que havia sido objeto do citado parcelamento. Em atendimento, a Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte prestou as seguintes informações (fls. 2.031/2.036): a) que a contribuinte mantém um parcelamento ativo no denominado PAEX — 130, em que o único processo administrativo consolidado foi o de n° 10680.458911/2004-14 (foram anexadas cópia do extrato do processo e de telas do PAEX); e b) que os créditos tributários relativos ao PIS e à COTINS foram transferidos para outro processo. É o Relatório. 1:52 • 28 Processo n° 13603.002275/2005-53 SI-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.168 Fl. 15 Voto Conselheiro WILSON FERNANDES GUIMARÃES Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço dos apelos. Trata a lide de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social — Cofms, Programa de Integração Social — PIS e multa isolada, relativas ao exercícios de 2001 a 2003, formalizadas em decorrência da imputação das seguintes irregularidades: a) omissão de receitas, decorrente de suprimento de numerário em relação ao qual não restaram comprovadas a origem e/ou a efetividade da entrega dos recursos; b) falta de recolhimento do imposto de renda e demais contribuições, consoante relatado no Termo de Verificação Fiscal e apontado nos demonstrativos anexados aos autos; e c) arbitramento do lucro em razão da falta de apresentação da totalidade dos livros que obrigatoriamente deveriam compor a sua escrituração, conforme detalhado no Termo de Verificação Fiscal (fatos geradores: 30/09/2001, 31/12/2001, 31/03/2002, 30/06/2002). No que diz respeito à COFINS e ao PIS, as exigências representadas pelos autos de infração de fls. 44 a 62 foram transferidas para Outro processo administrativo, visto que os créditos tributários correspondentes não constituíram reflexos das infrações apuradas relativamente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica. Assim, relativamente ao PIS e à COFINS, remanesceram no presente processo os feitos de fls. 16 a 25, que representam reflexos da omissão de receitas apurada no Imposto de Renda Pessoa Jurídica. Em sede de recurso voluntário, a contribuinte e as pessoas físicas e jurídicas apontadas como responsáveis solidárias, trazem razões, as quais passo a apreciar. Antes, porém, assinalo que, como será possível verificar adiante, a pessoa jurídica submetida à ação fiscal bem como os demais recorrentes não apresentaram contestação específica contra as infrações apuradas, isto é, não foram oferecidos argumentos questionando a imputação de omissão de receita caracterizada por suprimentos não comprovados, a falta de recolhimento do imposto e contribuições e o arbitramento do lucro nos períodos de apuração encerrados em setembro e dezembro de 2001 e março e junho de 2002. FRIGORIFICO CRISTAL LTDA NULIDADE DO LANÇAMENTO A Recorrente suscita nulidade do lançamento com base no argumento de que, quando foi intimada do inicio da ação fiscal, o auto de infração já estava pronto, pois datado e assinado desde o dia 16 de dezembro de 2005. Sustenta nulidade dos feitos, também, alegando que não houve comunicação do prosseguimento da fiscalização dentro do prazo de sessenta dias previsto no art. 7° do Decreto n°70.235, de 1972. Não merece guarid_ko arguido pela contribuint Como detalhadamente historiado pelas autoridades fiscais no Termo de Verificação Fiscal de fls. 81/313, a ação fiscal levado a efeito na Recorrente originou-se de procedimento efetuado na empresa NEMA ALIMENTOS LTDA, momento em que foram retidos diversos documentos na sede da empresa PLENA ALIMENTOS DO BRASIL LTDA. Depreende-se, pois, que a ação fiscal objeto do presente processo decorreu de averiguações empreendidas em outras empresas, tidas como pertencentes a um mesmo grupo empresarial. Portanto, não guarda correspondência com os elementos carreados aos autos a afirmação da Recorrente no sentido de que, por ocasião da ciência do inicio da ação fiscal, os autos de infração já estavam prontos, visto que, como bem ressaltou a autoridade julgadora de primeira instância, o procedimento de fiscalização foi iniciado em 07 de março de 2002 por meio de retenção de diversos documentos, tendo sido firmados inúmeros Termos a partir dai sendo a maior parte deles apontados na RELAÇÃO DOS ELEMENTOS COMPROBATÓRIOS (fls. 315/325). Cabe destacar, ainda, que a Recorrente, ao questionar de forma específica o IRPJ (fls. 1307/1312 do processo, subitem 111.3 da peça recursal), revela contradição, eis que assinala: Salientamos que a Fiscalização iniciou-se em 06/03/2002, tendo a mesma a posse da documentação da empresa necessária aos levantamentos realizados até a ciência do Auto, em 21/12/2005, o que impediu o contribuinte de realizar qualquer levantamento ou confissão complementar junto a Secretaria da Receita Federal. Analisando os cálculos realizados e a documentação apresentada, têm-se que o prazo de fiscalização foi extremamente longo, pois o Contribuinte dispôs para os Fiscais todos os livros e documentos existentes, sendo que os não apresentados foram extraviados na realização da fiscalização com o INSS o que também não impediu o trabalho da fiscalização, já que o Contribuinte apresentou elementos suficientes (livros auxiliares) para o levantamento das bases de cálculo e os créditos tributários, mesmos os realizados através de arbitramento. Portanto, analisando o trabalho fiscal, seria necessário ao resultado encontrado um prazo bem inferior ao demandado, o que permitiria ao Contribuinte incluir os créditos complementares levantados no Auto de Infração junto ao Parcelamento Especial — PAES, instituído pela lei 10.684/2003, na época da mesma. Outra sorte não merece o argumento da Recorrente de que não houve comunicação do prosseguimento da fiscalização dentro do prazo de sessenta dias previsto no art. 7° do Decreto n° 70.235, de 1972, eis que, ainda que se desconsidere o fato de não ter sido trazidos ao processo elementos capazes de identificar os períodos em que a ocorrência alegada se efetivou, o único efeito que se extrai dessa suposta ausência de comunicação seria a recuperação da espontaneidade por parte da contribuinte, o que lhe possibilitaria cumprir com as obrigações tributárias até então inadimplidas com redução dos encargos legais pertinentes. Entretanto, não encontro nos autos qualquer evidência de que a Recorrente tenha usufruído da recuperação da espontaneidade para denunciar as infrações até então apuradas. nyrr 3D Processo n° 13603.002275/2005-53 Sl-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.168 Fl, 16 Vê-se, pois, que não estamos diante de fatos que possam implicar nulidade dos feitos fiscais. AFASTAMENTO DA MULTA A Recorrente requer o afastamento da multa de oficio, ou sua redução, em razão de: a) os fatos geradores da autuação terem sido supostamente informados, de forma espontânea, por ocasião da adesão a parcelamento especial (PAES), o que, para ela afastaria o intuito de fraude; b) inaplicabilidade da multa de 150% em virtude do seu caráter confiscatório. Repiso, em primeiro lugar, que a lide ora em julgamento refere-se tão- somente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e às exigências reflexas de PIS e COFINS. Nesse diapasão, descabe falar em afastamento ou redução da multa lançada com base no argumento de que os valores exigidos foram espontaneamente confessados em pedido de parcelamento, visto que, em conformidade com as informações e documentos trazidos aos autos pela Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte (fls. 2.031/2.036), a contribuinte mantém um único parcelamento ativo no denominado PAEX — 130, em que o único processo administrativo consolidado foi o de no 10680.458911/2004-14. Por relevante, transcrevo excertos do voto condutor da decisão exarada em primeira instância que demonstram que, relativamente aos tributos e contribuições aqui apreciados (ÍAPS, CSLL e PIS/COFINS reflexas), a contribuinte não aportou aos autos elementos capazes de comprovar o alegado. O FRIGORÍFICO CRISTAL LTDA. afirmou que é optante do Paes. Em relação à Cofins e ao PIS, argumentou o impugn ante que parte dos valores autuados já se encontra declarada junto ao Paes, conforme documentos anexados (fls. 518/561). Postulou ainda a inclusão no Paes das diferenças apuradas entre os valores declarados e o levantado na autuação, tendo salientado que a fiscalização estava de posse da documentação da empresa, o que impediu o contribuinte de realizar qualquer levantamento ou confissão complementar. No que diz respeito ao IRPJ e à CSLL, requereu o impugnante a inclusão dos débitos no Paes, em obediência ao art. F da Lei n° 10.684, de 2003. Pediu ainda o cancelamento da multa de oficio e dos juros Selic correspondentes aos valores declarados no Paes. No caso particular, conforme atesta a documentação anexada na impugnação (fls. 519/561), o contribuinte firmou o pedido de Parcelamento Especial no ano de 2003, exclusivamente em relação a débitos de PIS e Cofins, quando já se encontrava sob procedimento fiscal, contudo antes da lavratura dos autos de infração (débitos não constituídos). 31 Nestas circunstâncias, a adesão do contribuinte ao Paes produz efeitos legais em relação aos débitos efetivamente incluidos na opção, observado o cumprimento das formalidades e dos prazos estabelecidos na legislação de regência. É bom lembrar que a fiscalização, no que atine ao levantamento do PIS e da Cotins, excluiu das diferenças apuradas nos demonstrativos de fls. 77/80 os valores da "contribuição declarada", em coluna especifica, cujos dados foram extraídos das Declarações de Contribuições e Tributos Federais, consoante registro feito nas notas explicativas, sendo relevante notar que em outra coluna dessas tabelas ("contribuição recolhida'), não consta que o contribuinte tenha efetuado os recolhimentos devidos. -- Quanto à inclusão no Paes de diferenças de PIS e Cotins e dos valores lançados pertinentes ao IRPJ e à Contribuição Social, saliente-se que, de acordo com a Portaria Conjunta PGFN/SRF n° 3, de 25 de agosto de 2004, com as alterações da Portaria Conjunta PGFN/SRF n° 4, de 20 de setembro de 2004, é da competência do chefe da Divisão, Serviço ou da Seção de Orientação e Análise Tributária, ou do chefe do Setor de Administração Tributária, da unidade da SRF com jurisdição sobre o domicilio fiscal do sujeito passivo a apreciação de pedidos de inclusão, exclusão ou retificação de débitos dos optantes pelo Parcelamento Especial (Paes), de que trata a Lei n°10.684, de 2003. (GRIFEI). No que tange ao alegado efeito confiscatório da multa lançada, cumpre, apenas, lembrar que a súmula n° 2 do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, de adoção obrigatória por força do disposto no parágrafo 4° do artigo 72 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, estabelece que o órgão administrativo julgador de segunda instância não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PARCELAMENTO ESPECIAL A Recorrente solicita que os demais débitos identificados pela Fiscalização sejam incluídos no PAES, com o beneficio de redução de 50% da multa e aplicação dos juros pela TIL!'. Aqui, sirvo-me do fragmento do voto condutor da decisão de primeiro grau, reproduzido na parte final do item anterior, para esclarecer que órgão julgador de segunda instância não detém competência para se pronunciar sobre o pedido em referência. RESPONSÁVEIS TRIBUTÁRIOS ILEGITIMIDADE PASSIVA As pessoas jurídicas arroladas pela autoridade fiscal como responsáveis solidários pelo crédito tributário constituído, sustentam: a ilegitimidade passiva; Jr 32 • Processo n° 13603.002275/2005-53 SI-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.168 Fl. 17 a ausência de caracterização de Grupo Empresarial; a impossibilidade de responderem como devedores solidários, vez que, segundo alegam, não concorreram para o surgimento da obrigação tributária; e a natureza subjetiva da Responsabilidade Tributária. As pessoas fisicas, sustentam: a ilegitimidade passiva; a impossibilidade de responderem como devedores solidários, vez que, segundo alegam, a Responsabilidade tributária é subjetiva; e a ausência de demonstração acerca da participação em cargo gerencial ou de administração. Foram intimados como responsáveis pelos créditos tributários constituídos: fls. 326/327 — CLÁUDIO NEY DE FARIA MAIA fls. 328/329 — EVA IONÉLIA DE JESUS MAIA fls. 330/331 — MARCOS ANTÔNIO DE FARIA MAIA fls. 332/333 — SILVANA REGINA ALVES GUIMARÃES fls. 334/335 — PAULO AFONSO DE FARIA MAIA fls. 336/337 —DENTO ALTIVO DE OLINVEIRA fls. 338/339 — GERALDO HELENO DE FARIA fls. 340/341 —MARIA DA CONCEIÇÃO REZENDE SOARES fls. 342/343 — MARIA DA CONCEIÇÃO TEODORA GUIMARÃES fls. 344/345 — PAULO CEZAR DE FARIA fls. 346/347 — MARIA JOSÉ DE FARIA MATA fls. 348/349 — ALVIMAR DE OLIVEIRA COSTA fls. 350/351 — JOSÉ PERRELA DE OLIVEIRA COSTA fls. 352/354 — GENE ALIMENTOS LTDA fls. 355/357 —FRIGORÍFICO MEIRELES LTDA; fls. 358/360 — TRANSQUALI TRANSPORTES DE QUALIDADE LTDA fls. 361/363 —TRANSPORTADORA CONTORNO LTDA fls. 364/366 — RAJEST PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS fls. 367/3 69 — UNIFRIGO INDÚSTRIA COMÉRCIO IMP. EXP. LTDA fls. 370/372 — MULTICARNES ASSESSORIA E CONSULTORIA fls. 373/375 — BETIM CARNES LTDA fls. 376/378 — BT CARNES LTDA fls. 379/381 — NEMA ALIMENTOS LTDA Preliminarmente, esclareço que a autoridade julgadora de primeira instância excluiu do pólo passivo das obrigações constituídas a Sra. SILVANA REGINA ALVES GUIMARÃES. A empresa GENE ALIMENTOS LTDA, apesar de ter impetrado recurso voluntário, não apresentou impugnação. Diante disso, inexistindo previsão na norma processual para revisar, no caso, o decidido em primeiro grau, a responsabilidade tributária da Sra. Silvana Regina Alves encontra-se, no âmbito do processo administrativo fiscal, definitivamente excluída, enquanto a correspondente à pessoa jurídica Gene Alimentos Lida fica, também de forma definitiva e no mesmo âmbito (processo administrativo fiscal), mantida, eis que não foi instaurada, nos termos do disposto no art. 14 do Decreto n° 70235, de 1972, a fase litigiosa do procedimento. Para fins de análise da responsabilidade tributária imputada pelas autoridades autuantes, releva extrair do Termo de Verificação Fiscal os seguintes elementos: VERIFICAÇÕES NA EMPRESA NEMA ALIMENTOS LTDA I. a ação fiscal deflagrada na contribuinte FRIGORÍFICOS CRISTAL LTDA decorreu de procedimento fiscalizatório na empresa NEMA ALIMENTOS LTDA, cujo estabelecimento encontrava-se fechado; 2. informações colhidas junto a proprietária do imóvel alugado pela empresa NEMA ALIMENTOS indicaram que a referida pessoa jurídica funcionou no local por dois meses no ano de 1999, enquanto que de acordo com o seu sócio, Sr. CARLOS ROBERTO DA SILVA, a empresa funcionou até o final do ano de 1998; 3. a informação prestada pelo sócio da empresa NEMA ALIMENTOS LTDA revelou os seguintes atos infracionais: a) a prestação de informação falsa à Administração Tributária, visto que a empresa apresentou DECLARAÇÃO DE NATIVA para o ano- calendário de 1998; b) extinção irregular da pessoa jurídica urna vez que não foi requisitada baixa e não foram apresentadas as declarações exigidas pela legislação tributária federal; 4. o Sr. CARLOS ROBERTO DA SILVA, apesar de intimado não comprovou a aquisição das quotas da empresa NEMA ALIMENTOS, tendo apresentado declaração de isento para o ano-calendário de 1999, contradizendo, com isso, informação prestada pelo contador da empresa no sentido de que ele recebeu, como sócio-gerente da empresa, rendimento mensal de R$ 1.200,00; 5. pesquisas efetuadas nos sistemas da Receita Federal e da Fazenda Estadual, além de indicarem significativas divergências entre os valores informados aos citados órgãos e comprovarem que a empresa encontrava-se em atividade até o ano-calendário de 1999, apontaram para uma ligação entre a NEMA ALIMENTOS e as empresas PLENA ALIMENTOS DO BRASIL LTDA e TRANSQUALI TRANSPORTES DE QUALIDADE 34 Processo n° 13603.002275/2005-53 SI-C3T2 Acórdão ri•° 1302-00.168 A. IS LTDA, visto que mercadorias pertencentes a primeira haviam sido transportadas por essas empresas; 6. de acordo com documentos arquivados na Junta Comercial, a empresa NEMA ALIMENTOS tinha como sócios os Srs. CLÁUDIO NEY DE FARIA MAIA, MARCOS ANTÔNIO DE FARIA MAIA, PAULO AFONSO DE FARIA MAIA e DEMO ALTIVO DE OLIVEIRA, tendo experimentado, até o ano de 1995, significativa expansão; 7. os Srs. CLÁUDIO NEY DE FARIA MAIA, MARCOS ANTÔNIO DE FARIA MAIA, PAULO AFONSO DE FARIA MALA e DENTO ALTIVO DE OLIVEIRA tinham participação societária nas empresas RAJEST PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS LTDA, TRANSQUALI TRANSPORTES DE QUALIDADE LTDA, GENE ALIMENTOS LTDA, PLENA ALIMENTOS DO BRASIL LTDA, BANDEIRANTE COMÉRCIO E DISTRIBUIÇÃO LTDA e UNIFRIGO INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA; S. contrapondo-se ao patrimônio dos sócios que ingressaram posteriormente na empresa (Srs. Daniel Altivo de Paula, Rogério Ramon Soares, Carlos Roberto da Silva e Irone Izidro dos Anjos), os bens e rendas informados pelos Srs. CLÁUDIO NEY DE FARIA 1MAIA, MARCOS ANTÔNIO DE FARIA MATA, PAULO AFONSO DE FARIA MAIA e DÊNIO ALTIVO DE OLIVEIRA revelaram condição financeira condizente com a condição de sócio da empresa (NEMA ALIMENTOS); 9. a empresa GENE ALIMENTOS LTDA foi constituída pelo Sr. GERALDO HELENO DE FARIA, irmão dos Srs. CLÁUDIO NEY DE FARIA MAIA, MARCOS ANTÔNIO DE FARIA MAIA e PAULO AFONSO DE FARIA MAIA, e pela Sra. EVA IONÉLIA DE JESUS MAIA, esposa do Sr. CLÁUDIO NEY DE FARIA MAIA; 10. o Sr. GERALDO HELENO DE FARIA também tinha participação nas empresas PLENA ALIMENTOS LTDA, CASA DE CARNES G M LTDA, PERRELA ATACADISTA LTDA, ALTEROSA ADITIVOS LTDA, FRIGO JÓIA LTDA, UNIFICO INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, RAJEST PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS LTDA, FRIGORIFICO BOM LTDA, TRANSQUALI TRANSPORTES DE QUALIDADE LTDA, FRIGOALPHA COMÉRCIO DE GÊNEROS ALIMENTÍCIOS LTDA e ADORO ALIMENTOS LTDA, além de diversas outras participações conjuntas em outras empresas com seus irmãos, tendo sido constatada cessão de cotas entre eles e com o Sr. DÊNIO ALTIVO DE OLIVEIRA (UNIFRIGO); 11. a Sra. EVA IONÉLIA DE JESUS MAIA, conforme documentos anexados, tinha participação nas empresas GENE ALIMENTOS LTDA e ADORO ALIMENTOS LTDA, tendo sido apurado, ainda, empréstimos concedidos ao Sr. DÊNIO ALTIVO DE OLIVEIRA e para seu marido (Sr. CLÁUDIO NEY DE FARIA MAIA) ; 12. filiais criadas na empresa GENE ALIMENTOS LTDA tinham o mesmo• endereço das -filiais extintas pela empresa NEMA ALIMENTOS, e os fatos (criação e extinção), se deram, ou na mesma data, ou em data muito próxima; 13. a empresa GENE ALIMENTOS sucedeu a empresa NEMA AUMENTOS na designação comercial FRIGO NEMA e na maioria dos seus pontos comerciais, tendo instalado uma filial em local em que foi construído um entreposto de carnes e derivados pela empresa RAJEST EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇOES, e ficava a sede da empresa PLENA ALIMENTOS; L.fl J7 35 14. os Srs. CLÁUDIO NEY DE FARIA MAIA e MARCOS ANTÔNIO DE FARIA MAIA, após encerrarem suas participações na empresa NEMA ALIMENTOS, ingressaram por meio de cessão de cotas de GERALDO HELENO DE FARIA e EVA IONÉLIA DE JESUS MAIA, na empresa GENE ALIMENTOS LTDA, continuando esta com a denominação FRIGO NEMA e com a maioria dos pontos comercias; 15. posteriormente, a empresa GENE ALIMENTOS foi transferida para terceiros, fechou suas filiais e restringiu sua atividade ao comércio varejista; 16. diligências efetuadas junto a clientes da empresa NEMA ALIMENTOS permitiram identificar produtos cuja origem eram das empresas UNIFRIGO INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, RAJEST PARTICIPAÇÃO E EMPREENDIMENTOS LTDA e PLENA ALIMENTOS LTDA, sendo os correspondentes pagamentos feitos (em sua maior parte), apesar da cobrança bancária ser em nome da NEMA ALIMENTOS, por meio de depósitos bancários em conta bancária titularizada pela empresa GENE ALIMENTOS; 17. determinado cliente da NEMA ALIMENTOS identificou o Sr. MARCOS ANTÔNIO DE FARIA MATA como responsável pelas transações, informando que o contato com o referido senhor era feito por meio de telefones instalados nas empresas PLENA ALIMENTOS e FRIGORÍFICO PERRELA LTDA; 18. diligências efetuadas junto ao escritório de contabilidade responsável pela escrituração da empresa permitiu constatar: a) que a contratação foi feita pelo Sr. MARCOS ANTÔNIO DE FARIA MAIA; b) que a escrita e respectivos documentos haviam sido devolvidos ao Sr. Carlos Roberto da Silva em decorrência da falta de pagamento dos honorários e da falta de apresentação regular da documentação; c) a existência de PROTOCOLO indicando a entrega de declarações (IRPJ e DCTF) ao Sr. Carlos Roberto da Silva e outros documentos (notas fiscais, folhas de pagamento, comprovantes de despesas, etc.) que, além de atestar que a empresa estava em atividade até julho de 1999, demonstraram que os documentos fiscais (declarações) foram elaborados mas não foram entregues à Receita Federal; d) ser inverfdica a informação prestada pelo Sr. Carlos Roberto da Silva de que a documentação da empresa havia sido extraviada; e) ser inexata a informação do escritório de contabilidade de que não haviam sido prestados outros serviços para o Sr. CLÁUDIO NEY DE FARIA MAIA, vez que o referido escritório foi o responsável pela elaboração das alterações contratuais promovidas em empresas do citado senhor (RAJEST, TRANSQUALI e GENE); 19. a partir de REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA, foram analisados documentos encaminhados pelas instituições financeiras, resultando dai as •seguintes constatações: a) os Srs. CLÁUDIO NEY DE FARIA MA1A, MARCOS ANTÔNIO DE FARIA MAIA e DENTO ALTIVO DE OLIVEIRA, não obstante as alterações contratuais realizadas e as informações prestadas à Fiscalização, efetivamente não deixaram de estar a frente dos negócios da empresa NEMA ALIMENTOS, vez que mantiveram controle exclusivo dos seus recursos financeiros; b) a informação prestada via declaração de que a empresa encontrava-se INATIVA no ano-calendário de 1998 era inveridica, pois ela manteve movimentação financeira até o início de 1999; c) foram identificados bens que não haviam sido consignados no balanço patrimonial da empresa e nas declarações de rendimentos dos seus sócios; d) não foram identificados documentos que atestassem a participação de outras pessoas fisicas na empresa, após a suposta salda dos Srs. CLÁUDIO NEY DE FARIA MALA, MARCOS ANTÔNIO DE FARIA MAIA e DÊNIO ALTIVO DE OLIVEIRA (os referidos senhores, apesar do desligamento formal, continuavam constando como sócios da empresa); e) o Sr. MARCOS ANTÔNIO DE FARIA MAIA detinha, por meio de procuração pública sem prazo de validade, amplos poderes para movimentar as contas bancárias da empresa; e I) o total da movimentação financeira realizada pela empresa NEMA ALIMENTOS representava apenas 36 Processo n° 13603.002275/2005-53 51-C3T2 Acórdão n." 1302-00.168 Fl. 19 metade do faturamento declarado pela empresa ao Fisco Estadual, o que, para a Fiscalização, indicava que nem toda a movimentação financeira era efetuada por meio das contas abertas em nome da empresa (restou constatado, ainda, por meio de resposta apresentada por cliente da empresa que parte do faturamento era depositado em conta bancária da Recorrente); 20. documentos disponibilizados pelo Ministério Público relativo a contas movimentadas pela empresa no Banco Real, no banco Bradesco e no BICBANCO, permitiram constatar: a) que todos os cheques e transferências bancárias foram assinados pelo Sr. CLÁUDIO NEY DE FARIA MAIA; b) diversos cheques e documentos de crédito (DOC) foram destinados para a GENE ALIMENTOS, para os Srs. CLÁUDIO NEY DE FARIA MAIA, MARCOS ANTÔNIO DE FARIA MAIA, DEMO ALTIVO DE OLIVEIRA e GERALDO HELENO DE FARIA, para as empresas UNIFRIGO, PLENA AUMENTOS, FRIGOALPHA, RAJEST; 21. após a análise dos documentos encaminhados pelas instituições financeiras, concluiu-se, diferentemente da suposição anterior, não ter havido a venda da empresa, visto que os seus sócios primitivos continuaram a frente dos negócios, mantendo todo controle da empresa, inobstante terem promovido a exclusão dos seus nomes da sociedade por meio de alterações contratuais (as alterações contratuais em referência foram efetuadas no momento em que a empresa já apresentava um elevado passivo tributário e patrimônio liquido negativo, inexistindo bens de valor siginificativo em seu ativo perrnanente); 22. diante do quadro patrimonial da empresa, a conclusão inafastável dirigiu- se no sentido da inexistência de negócio lucrativo que pudesse dar azo a urna alienação, em especial pelo fato de o passivo suplantar, por completo, a capacidade de a empresa gerar lucros, assim, como havia interesse em continuar usufruindo do elevado faturamento obtido pela empresa, seus verdadeiros donos, ao invés de liquidar a empresa, passaram a se apropriar de todo esse faturamento, inclusive da parcela que deveria ser carreada para os cofres públicos; 23. os fatos apurados e a documentação obtida por meio das instituições financeiras levaram a conclusão de que não se estava diante de simulação por interposição de pessoas, visto que não havia dissimulação de terceiro beneficiário da transferência de negócio, mas, sim, de venda fictícia, com o intuito de proprocionar aos verdadeiros proprietários da empresa a maximização dos resultados pelo maior tempo possível, permitindo, depois, o desaparecimento do negócio, sem que fosse possível atribuir responsabilidade de qualquer natureza a eles (aos verdadeiros proprietários); 24. em suma, restou constatado que: a) a venda da empresa NEMA ALIMENTOS foi fictícia, não tendo havido qualquer transferência do negócio para outras pessoas, vez que os sócios primitivos continuaram na gerência da empresa; b) apesar do volume crescente de vendas, o passivo da empresa assumiu magnitude incontrolável, decorrente, em especial, da falta de pagamento dos tributos e contribuições devidos, o que inviabilizou a sua própria alienação; c) os sócios primitivos da empresa passaram a se locupletar do não pagamento dos tributos e contribuições devidos, eis que se apropriaram do faturamento da empresa. 25. as autoridades autuantes assinalam: 37 Ora, a utilização desse ardil, a venda fictícia da empresa, visou proporcionar aos seus sócios a maximização de seus resultados no negócio pelo maior tempo possível, além de permitir a extinção irregular da atividade sem que pudessem ser responsabilizados pelo passivo que ficaria após o sumiço da empresa. Tanto foi assim que, conforme os documentos bancários recebidos, confirmava-se que esses senhores mantiveram o controle das contas bancárias e aplicações financeiras até que fosse resgatado o Ultimo centavo da empresa, em 1999. Tratava-se, pelo estratagema montado, de simulação absoluta, com evidente intuito defraude. 26. diante desse rol de elementos e visando prevenir a ocorrência de caducidade do direito, foram promovidos lançamentos tributários relativos ao período-base de 1996 (processos administrativos' n os 13603.001861/2001-57, 13603.001862/2001-00, 13603.00186312001-46); 27. a partir da constatação de que os livros e documentos de suporte apresentados não contemplavam a totalidade das operações, a Fiscalização, diligenciando em escritório de contabilidade, promoveu a retenção de diversos livros e documentos da empresa, tendo sido constatado: a) a existência de versões distintas de livros fiscais e do Livro Diário; b) cópia de Livros Registro de Apuração de ICMS e de Registro de Saídas sem que contemplassem a totalidade das operações da empresa (total inferior ao somatório das notas fiscais); c) ausência de escrituração da totalidade dos fatos contábeis (falta de contabilização de conta bancária e, apesar da GENE ALIMENTOS, os Srs. CLÁUDIO NEY DE FARIA MATA, MARCOS ANTÔNIO DE FARIA MATA, DENTO ALTIVO DE OLIVEIRA e GERALDO HELENO DE FARIA, e as empresas UNIFRIGO, PLENA ALIMENTOS, FRIGOALPHA, RAJEST, terem sido beneficiários de cheques da empresa, os Livros Diário e Razão apreendidos não consignaram tais pagamentos); 28. a empresa PRODUTORA DE CHARQUE ROSARIAL LTDA identificou como responsável pelas transações com a NEMA ALIMENTOS o Sr. MARCOS ANTÔNIO DE FARIA MAIA, fornecendo, também, cópias dos comprovantes de pagamentos efetuados, que, em sua maior parte, eram constituídos de depósitos efetuados em conta bancária titularizada pela GENE ALIMENTOS; 29. registros nos Livros Diário apreendidos pela Fiscalização permitiram identificar histórico de lançamento fazendo referência ao Sr. ALÍRIO JOSINO DA SILVA, antigo sócio da GENE ALIMENTOS, no sentido de ter ele feito parte da folha de pagamento da empresa; 30. registros nos Livros Diário apreendidos pela Fiscalização permitiram identificar, também, histórico de lançamento fazendo referência ao Sr. JOSÉ FÁBIO ARAÚJO SliVIÂO, que veio a ser sócio da empresa FRIGORÍFICOS CRISTAL LTDA, no sentido de também ter feito parte da folha de pagamento da empresa; VERIFICAÇÕES ASSOCIADAS À RECORRENTE 1. a empresa encontrava-se omissa, não tendo entregue nenhuma declaração à Receita Federal; f21 •De acordo com o sistema de controle de processos do Ministério da Fazenda, os referido processos encontram-se na Procuradoria da Fazenda Nacional em Minas Gerais. ry 38 Processo n° 13603.002275/2005-53 S1-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.168 Fl. 20 2. a contribuinte efetuou, apenas, cinco recolhimentos por meio de DARF, no valor total de R$ 678,13, não tendo sido identificado qualquer recolhimento a titulo de Imposto de Renda e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido; 3. os totais de saídas informados pela contribuinte ao Fisco estadual foram os seguintes: 1999: R$ 0,00 2000: R$ 55.822.206,71 2001: R$ 82.848.213,09 4. o escritório CONTABILIDADE UNISSANTOS foi o responsável pela escrituração da empresa no período de 02.12.2009 a 31.07.2001; 5. o quadro societário da empresa era formado, desde a sua constituição, pelos senhores RODRIGO REZENDE SOARES e JOSÉ FÁBIO ARAÚJO SIMÃO; 6. em diligência efetuada na empresa apurou-se: a) que a empresa funcionava em uma loja no endereço citado; b) que a empresa possuía apenas três funcionárias; c) que no local não foi encontrado o CAIXA e nenhum documento relativo à movimentação financeira da empresa; d) que as funcionárias não prestaram qualquer esclarecimento, informando, apenas, que a gerência da empresa era feita pelõ Sr. Rodrigo Rezende Soares; e) que a funcionária que assinou o Termo de Constatação (Sra. Débora Mattos) constava da lista de funcionários da PLENA ALIMENTOS. No Termo de Verificação Fiscal em referência, composto por duzentas e trinta e três páginas, as autoridades autuantes, a partir da ação fiscal empreendida na empresa NEMA ALIMENTOS LTDA e da diligência efetuada na empresa PLENA ALIMENTOS LTDA, identificou diversos documentos para embasar a conclusão de que a Recorrente, em conjunto com outras diversas empresas, integrava um GRUPO EMPRESARIAL dedicado a exploração de atividades relacionadas à industrialização e comércio de carne, e que o comando dessas atividades, que abrangia desde o comércio de animais vivos até a venda a varejo de produtos de açougue era realizado, inicialmente, pelos senhores CLÁUDIO NEY DE FARIA MATA, MARCOS ANTÔNIO DE FARIA MAIA, PAULO CÉSAR DE FARIA MATA, DÊNIO ALTIVO DE OLIVEIRA e GERALDO HELENO DE FAMA. Nessa linha, trouxe aos autos, entre outros, os seguintes documentos: a) INVENTÁRIO SOCIETÁRIO EMPRESAS DO GRUPO PLENA ALIMENTOS LTDA e RELAÇÃO DE PROVIDÊNCIAS — documentos que revelaram que a atividade empresarial foi desenvolvida a partir da constituição de diversas empresas, vez que refletiu as alterações contratuais registradas, as pendentes de registro e as procurações utilizadas, demonstrando, com isso, a interposição de terceiros nos contratos sociais com o intuito de dissimular os verdadeiros sócios; b) RELAÇÃO DE RAMAIS — em que foram registrados os telefones com os meMbros da diretoria do grupo, identificados como sendo os senhores CLÁUDIO NEY DE FARIA MAIA, GERALDO HELENO DE FARIA, PAULO CÉSAR DE FARIA MAIA e ALVIMAR DE OLIVEIRA COSTA, de pessoas integrantes de diversos departamentos, de LL-- 39 gerentes de vinte lojas e das empresas BANDEIRANTES COMÉRCIO E DISTRIBUIÇÃO LTDA e FRIGORIFICO CRISTAL LTDA; c) correspondência dirigida à empresa responsável pela escrituração do Grupo, na qual foi identificada mensagem solicitando "o envio dos Contratos Sociais e devidas alterações, Balanços, Balanceies e Declarações de Imposto de Renda das empresas e dos sócios listados abaixo" (PLENA RAJEST, TRANSQUALI, FRIGORÍFICO CRISTAL, GENE, BANDEIRANTE, BETIM CARNES, BT CARNES, VISTA CARNES, NOVA CARNES, BARRAQUINFIA CARNES, COMERCIAL PARANAN, HUGO JÓIA, ADORO ALIMENTOS), constando, ainda, a informação de que a solicitação era motivada pela necessidade dos documentos serem analisados em reunião após o almoço"; d) correspondência dirigida à empresa responsável pela escrituração do grupo acusando pendência de documentação relativa à GENE, VISTA CARNES, BARRAQUINHA CARNES e NOVA CARNES, tendo sido anexada cópia de duas notificações do serviço de vigilância sanitária para a empresa NOVA CARNES, cujo nome fantasia seria FRIGO NEMA; e) cópias de contratos de prestação de serviços e de locação de bens entre empresas do Grupo, que, a partir da constatação de anotações neles registradas (observações para alterar dados da empresa ou dos representantes envolvidos), revelaram que tais documentos eram produzidos de forma centralizada; O relatórios contendo posição do estoque de mercadorias de empresas integrantes do Grupo; g) cópia de Termo de Apreensão lavrado pela Fazenda Estadual, em que restou demonstrado que foram retidos na empresa FRIGO ADORO diversos documentos das empresas PLENA ALIMENTOS GENE ALIMENTOS e ADORO ALIMENTOS; h) demonstrativos de apuração do ICMS, encontrados nas dependências da empresa PLENA ALIMENTOS, referentes a diversas empresas do Grupo; i) cópia de alteração contratual da empresa FRIGO JÓIA em que as pessoas que assinam como testemunhas são as mesmas que constam da alteração contratual na empresa FRIGO ADORO, Srs. João Batista Tavares e Irone Izidro dos Anjos, sendo este último sócio não localizado da empresa NEMA ALIMENTOS; j) notas fiscais de diversas empresas integrantes do Grupo, localizadas nas dependências da PLENA ALIMENTOS; k) protocolos de encaminhamento de documentos de diversas empresas do Grupo, localizados nas dependências da empresa PLENA ALIMENTOS; Além de juntar diversos outros documentos que demonstram a existência de um único Grupo empresarial (relativos à comprovação da unicidade de comando administrativo, comercial e financeiro; à ligação de cada uma das empresas com o Grupo empresarial; à comprovação de que os "sócios" de diversas empresas eram seus próprios empregados), foram identificadas anotações do tipo: Falta mandar despesas ref 07 a 09/00, pois está dando lucro e imposto de renda e contribuição social, como a seguir MesesIRPJ a PagarC. S. a Pagar 0710014.443,89 8.666,33 f (7? nQR 40 Processo n° 13603.002275/2005-53 SI-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.168 Fl. 21 08/0028.430,3015.162,83 09/0039.134,6623.480,80 OBS: Os impostos estão calculados sem juros e multas, caso forem pagar será recalculado. • •• Conforme solicitado segue relação de bancos que estão sendo contabilizados para verificação se realmente são para serem contabilizados. Plena — banco Cidade, Brasil, Baú, Real, Rural, Santander / Gene — banco Cidade / Frigorifico Cristal — banco Bradesco contas 11. 197408/204005/1122312, Real, Rural / Rajest — banco Cidade. A Fiscalização confirmou que os valores indicados no primeiro quadro não foram recolhidos. As autoridades autuantes identificaram documentos que comprovaram a realização de pagamentos de despesas pessoais dos senhores PAULO CÉSAR DE FARIA, ALVIMAR OLIVEIRA COSTA, MARCOS ANTÔNIO DE FARIA MALA, GERALDO HELENO DE FARIA e CLÁUDIO NEY DE FARIA MAIA, o que motivou o seguinte registro: Todos os documentos listados nestes cinco itens, seja pelo seu conteúdo ou pelo fato de terem sido encontrados no estabelecimento da Rua Hum, n° 100, Distrito Industrial Riacho das Pedras, em Contagem/MG, confirmam a existência de uma verdadeira conjugação de diversos atos negociais, sob uma comunhão de interesse e de bens entre essas pessoas, formando um único grupo empresarial. Tendo em vista o grande volume de documentos de diversas empresas encontrados nesse imóvel, inclusive aqueles relacionados nos Termos de Retenção e não anexados a este processo, confirma-se que a sede do grupo e o comando das atividades encontra-se nesse local. Verifica-se ainda, pelo exame dos documentos apreendidos anexados a este processo, a ocorrência de unicidade de gerência administrativa, financeira e comercial para todas as empresas, estando interligadas em uma soma de negócios, do qual se beneficiam seus verdadeiros sócios, como também constatado nos termos a seguir, lavrados na oportunidade. Amparando-me no voto condutor da decisão exarada em primeira instância e no Termo de Verificação Fiscal lavrado pelas autoridades autuantes, sintetizo, a seguir, os fatos apurados que tem relação com a formação do denominado GRUPO EMPRESARIAL e com a imputação de responsabilidade tributária solidária a pessoas fisicas e jurídicas investigadas, fatos esses que me levam ao entendimento do que o que foi decidido em primeira instância não merece reparo. Nessa linha, destaco: 2 2Í71 41 1. restou claro o processo de criação e extinção de empresas em que os verdadeiros proprietários dos negócios, por meio de interposição de pessoas (a maior parte constituída por empregados de empresas integrantes do Grupo), deixaram de integrar o quadro societário das sociedades depois que essas se apresentavam com significativos passivos tributários e elevados indícios de prática contumaz de infrações à legislação tributária; 2. relativo ao descrito no item anterior, cabe a destacar o seguinte excerto da decisão de primeira instância: 5) Documentos que comprovam que figuram na condição de sócios de diversas empresas do grupo seus próprios empregados: - foram identificados empregados de empresas do grupo que figuraram como sócios de outras empresas desse mesmo grupo empresarial; - comprovantes de pagamento de despesas pessoais dos efetivos titulares do empreendimento, todos encontrados na Plena Alimentos do Brasil Ltda. 3. os senhores CLÁUDIO NEY DE FARIA MAIA, MARCOS ANTÔNIO DE FARIA MAIA, GERALDO HELENO DE FARIA e DÊNIO ALTIVO DE OLIVEIRA, juntamente com a empresa GENE ALIMENTOS, foram beneficiários de recursos provenientes de empresa integrante do Grupo (NEMA ALIMENTOS), sendo que tais operações, além de, na sua maior parte, não terem sido contabilizadas, considerada a foram como foram contabilizadas (históricos genéricos e tendo como contrapartida a conta CAIXA) não permitiram a identificação da sua causa; 4. os documentos reunidos pelas autoridades autuantes para comprovar a existência de um GRUPO EMPRESARIAL tornam inafastável tal conclusão, vez que foram carreados aos autos informações e comprovações da existência de um controle centralizado das empresas, representado por documentos dos mais diversos tipos (controle de providências; alterações contratuais; prestação de serviços; locação de bens; controles de estoque; livros contábeis; livros fiscais diversos; extratos bancários; documentos de arrecadação — DARF; relatórios gerenciais; relatórios contábeis; relatório consolidado dos resultados das empresas; correspondências diversas; ), cabendo ressaltar: a) que boa parte desses documentos diziam respeito a empresas que não tinham estabelecimento no local da sua apreensão; b) a existência de anotações manuscritas em determinados documentos sugerindo a alteração de dados neles contidos; e c) a existência de protocolos que apontam para a existência de uru controle contábil centralizado; 5. funcionários registrados na Recorrente eram designados para trabalhar em dependências (lojas ou pontos de comércio varejista) de outras empresas; 6. o controle centralizado das empresas apontadas como integrantes do GRUPO EMPRESARIAL toma-se evidente pela documentação arrolada no voto condutor da decisão exarada em primeira instância e a seguir reproduzida, in verbis: 42 Processo n° 13603.002275/2005-53 S1-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.168 Fl. 22 - correspondência de Janir Moreira & Contadores Associados para Plena Alimentos do Brasil, em atenção do Sr. Cesamir, informando quanto ao IRPJ das empresas Plena e Rajest, tendo anexos cópia de quatro Darf da empresa Plena; - dez correspondências do Sr. Cesamir Lopes Tavares, Gerente Administrativo, enviadas à empresa MEMOVIP BELO HORIZONTE, tratando da guarda e manuseio de documentos das empresas Plena Alimentos, Frigo Adoro, Gene Alimentos, Vista Carnes, Barraquinha Carnes, Nova Carnes, Frigo Jóia e Adoro Alimentos; - protocolos da Contabilidade Unisantos Ltda, datados de 2001, enviando livros e documentos contábeis e fiscais, para a empresa Frigorífico Cristal, Rajest Participações e Empreendimentos, Bandeirante Comércio e Distribuição Lida; observe-se nesses documentos que a Contabilidade Unisantos devolvia para os empresários boa parte da escrituração contábil e fiscal dessas empresas, inclusive extratos bancários; - "LISTA PARAMETRIZADA DE NOTAS — SAÚDAS" emitido pelo programa REGENTE90, local: PERRELLA FUSÃO", relacionando oito notas fiscais emitidas pela empresa Frigorifico Cristal Ltda para a empresa Plena Alimentos do Brasil Ltda no dia 05/03/2002, tendo em anexo a terceira via• dessas notas fiscais; - documento de trinta páginas, encaminhado do Sr. Aliomar — Unifrigo para o Dr. Luiz Alberto, contendo modelos e orientações para emissão de notas fiscais pelas empresas Unifrigo, Gene, Frigo Adoro e Plena; - relatório de controle de estoque do período de agosto a dezembro de 2000. - ata manuscrita de reunião dos departamentos fiscais ocorrida em 13/02/2001; nesse documento são tratados problemas comuns ao grupo empresarial, sendo citados os representantes dos departamentos fiscais: Gene/Elaine, Bandeirante/Cida, Unifrigo/Rosa e Cristal/Patricia; - conjunto de 25 documentos para acobertar transporte de carnes, constituindo-se em: um termo de responsabilidade identificando o transportador por "PERRELLA FUSÃO" e impresso no verso de formulário da empresa PLENA, acompanhado de um documento da empresa PLENA ALIMENTOS DO BRASIL LTDA intitulado "acompanhamento do pedido, carregamento e faturamento" e com relação de notas fiscais impressa no verso, além de doze pedidos que identificam -o vendedor e a forma de cobrança, bem como de onze notas fiscais (5' via — contabilidade) de emissão da empresa Frigorifico Cristal Lula; observa-se nesses documentos como se dá o processamento das vendas do grupo, começando pelo pedido do cliente, em seguida o faturamento, até chegar ao despacho da mercadoria; 43 - relatórios "MOVIMENTO DIÁRIO SINTÉTICO" de mercadorias, do período de 16/02/2002 a 06/03/2002, gerados pelo programa REGENTE90, para PERRELA FUSÃO, estando anexado o relatório do dia 06/03/2002; - relatórios "MOVIMENTO DIÁRIO SINTÉTICO de mercadorias, dos períodos de 31/12/1999 a 03/01/2000 e de 01/02/2000 a 02/02/2000, gerados pelo programa REGENTE90, para PLENA ALIMENTOS DO BRASIL, "LOCAL: FRIGO ADORO", estando anexado o relatório do dia 02/02/2000; - correspondência de Dênio Áldo Leal para "LUCIENE — SETOR PESSOAL", datada de 26/09/2001, relativa ao envio de documentos para a contabilidade das empresas PLENA ALIMENTOS DO BRASIL LIDÁ e FRIGORIFICO CRISTAL LTDA. 7. a conclusão de que se estava diante de um GRUPO EMPRESARIAL é fortalecida, ainda, pela documentação levantada pelas autoridades autuantes e que foi arrolada no voto condutor da decisão exarada em primeira instância, conforme reprodução abaixo, in verbis: - protocolo datado de 21/09/2000, da Contabilidade Unisantos Ltda para a empresa Plena Alimentos do Brasil Ltda, enviando documentos de diversas empresas do grupo, inclusive a Nema Alimentos Lida; - diversos outros documentos atinentes à Nema Alimentos Ltda. (recibo de aluguel, contrato de locação). dentre outros, podem ser destacados os seguintes documentos da empresa GENE ALIMENTOS LTDA. - EPP: relatórios contendo o levantamento dos débitos; contrato social e alterações contratuais; correspondências; cópia do cartão de inscrição estadual; documentos pertinente à Secretaria de Estado da Fazenda de Minas Gerais; Notas Fiscais avulsas tendo como destinatário das mercadorias a empresa Gene, acompanhadas de Termo de Apreensão de bois para abate; balanceies mensais da empresa; relatórios da empresa Gene Alimentos Ltda, todos encontrados na Plena Alimentos do Brasil Ltda. 8. a documentação referenciada nos itens precedentes foi toda encontrada no estabelecimento da empresa PLENA ALIMENTOS DO BRAISL LTDA, confirmando, assim, a existência de empresas submetidas a um controle centralizado, integrantes de um mesmo GRUPO EMPRESARIAL; 9. releva reproduzir excertos do voto condutor da decisão de primeiro grau, nos quais encontram-se identificados outros elementos que comprovam a formação do GRUPO em referência; Foram ainda arrolados diversos outros documentos e registros que atestariam a formação do grupo empresarial: 44 Processo n° 13603.002275/2005-53 SI-C312 Acórdão n.° 1302-00.168 Fl. 23 - foi constatado que as atividades financeiras do grupo, relativas ao pagamento de fornecedores e recebimento de clientes são desenvolvidas na sede do Distrito Industrial Riacho das Pedras, estando unificado seu controle financeiro; - constatou-se também que no mesmo local são efetuados pagamentos para os sócios; - também, confirmando o controle financeiro unificado dos negócios, foi lavrado ainda, na Plena Alimentos do Brasil Ltda, Termo de Constatação atestando a existência de vários cheques não preenchidos da Frigorifico Cristal Ltda., Frigorifico Perrella Ltda., além da própria Plena, encontrados no interior do cofre da tesouraria; cadernos revelando a rotina do controle financeiro das empresas; - a existência de um caixa único para as empresas é igualmente confirmada pelo que foi constatado nas diligências efetuadas nas empresas Frigorifico Cristal Lida e Bandeirante Comércio e Distribuição Lida; nos termos que foram lavrados nas sedes dessas empresas, quando da realização das diligências, foi verificado que inexistia um caixa nesses locais, apesar do vultoso faturamento das empresas; - quanto à empresa Frigo Adoro Indústria e Comércio Ltda, foi constatado que a empresa havia desaparecido do local de sua sede, extinguindo irregularmente suas atividades, em concordância também com os esclarecimentos obtidos na empresa instalada no imóvel ao lado, há cerca de 8 anos; - foi constatado que nas próprias embalagens utilizadas atualmente pelo grupo, estão identificados em conjunto as empresa Plena Alimentos do Brasil Lida, SIF 4060, e Frigorifico Perrella Lida, SIF 920; além disso, as próprias pessoas encarregadas de representar as empresas sob fiscalização, confirmam a existência do grupo ao adotarem postura de apresentar em conjunto as respostas às intimações das diversas empresas; - dados os fatos constatados nas diligências e o conteúdo dos documentos encontrados nas empresas PLENA ALIMENTOS DO BRASIL LTDA, BANDEIRANTE COMÉRCIO E DISTRIBUIÇÃO LTDA E FRIGORIFICO CRISTAL LTDA, foram efetuadas novas intimações para cartórios, clientes e fornecedores, além de diligências nos imóveis anteriormente ocupados pela NEMA ALIMENTOS LTDA; - nas diligências efetuadas no mês de agosto de 2002 em alguns dos imóveis ocupados por antigos estabelecimentos, filiais ou matrizes, da Nema Alimentos Lida, verificou-se que atualmente funcionam açougues ostentando o nome de fantasia "FRIGONEMA", marca utilizada pelo grupo empresarial, também já utilizada pela Nema Alimentos Ltda, atualmente pertencente à Gene Alimentos Ltda, conforme visto nas alterações dos contratos sociais dessas empresas; também deram continuidade às mesmas operações e no mesmo local, 45 sucedendo a empresa Nema Alimentos Ltda nos pontos comerciais, empresas interligadas no mesmo grupo empresarial da Plena Alimentos do Brasil Ltda, todas relacionadas em seu "INVENTÁRIO SOCIETÁRIO"; - a empresa Frigoalpha apresentou documentos relativos a pagamentos de compras efetuadas junto à empresa Nema Alimentos Ltda, que são cheques depositados em contas bancárias da empresa Gene Alimentos Lida; - foram localizadas em cartórios diversas procurações por instrumento público, que confirmam que os Srs. Cláudio Ney de Faria Mata, Marcos António de Faria Maia e Dênio Altivo de Oliveira continuaram a representar as empresas Nema Alimentos Ltda e Gene Alimentos Ltda, com poderes para gerenciar, negociar e receber valores em nome dessas empresas, mesmo após sua salda formal dessas sociedades; - o Sr. Cláudio Ney de Faria Moia comprovadamente estava investido de amplos e gerais poderes para realizar, no nome da empresa Nema Alimentos Ltda, todos os atos negociais e de gerenciamento que são inerentes aos efetivos titulares de uma pessoa jurídica, mesmo após a sua salda da sociedade, inclusive a movimentação financeira; - da mesma forma, constata-se que também a Gene Alimentos Ltda. outorgou procurações aos seus antigos sócios para gerência dos negócios e para movimentação de recursos junto a instituições financeiras; assim, torna-se manifesto que esses senhores se mantiveram no comando dos negócios, apesar de formalmente excluídos do quadro societário das empresas Nema Alimentos Ltda e Gene Alimentos Ltda, pois constituídos que estavam de amplos e gerais poderes para a gerência comercial e financeira das empresas. 6) Os demais documentos que confirmam que as empresas Frigo Adoro, Bandeirante e CRISTAL também pertencem ao grupo empresarial FRIGO NEMA. Foram listados diversos documentos que atestaram que as citadas empresas também integram o grupo empresarial FRIGO NEMA, encabeçado pela Plena Alimentos do Brasil Ltda., merecendo destaque aqueles relacionados ao FRIGORÍFICO CRISTAL LTDA.: cópia da I' via de duas notas fiscais de devolução de mercadorias, primeira via emitida pelas empresas Novasoc Comercial Ltda e Frigon, tendo como destinatário o Frigorifico Cristal Ltda.; o fato de ter sido encontrado esse documento, entre outros relacionados na Plena, comprova que os documentos fiscais das empresas Frigo Adoro e Frigorifico Cristal eram emitidos, recebidos e registrados de maneira unificada na sede do grupo; relatório "Frigorifico Cristal Ltda — Saídas Maio — Vendas fora do Estado CFOP 612"; relatório "NBs. EMITIDAS EM ABRIL/2001 — PLENA/CRISTAL"; relatório Frigorifico Cristal — Faturamento maio/2001; relatório "Balancete Sintético — Período de 12/00 — Empresa: 235 Frigorífico Cristal Lida"- 46 .-1 Processo If 13603.002275/2005-53 S1-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.168 Fl. 24 relatório "Balancete Sintético - Período de 01/01 a 05/01 - Empresa: 235 Frigorifico Cristal Ltda"; relatório "Operação: 38 Carteira Indústria", escrita a lápis "Cristal" na folha 01 e "Plena" na 06; manuscrito, com confirmação de mensagem de fax em anexo, de (Cátia para Débora/Cristal, solicitando "emitir NF com os itens abaixo"; balancete de verificação da empresa Frigorifico Cristal Ltda, levantado em 31/12/2000; relatório "Registro de Saídas" da empresa com CNPJ numero 03.537.558/0001-07, referente ao período março a abril de 2001; relatórios de abate Cristal e Plena, em 22 (vinte e dois) folhas:. relatório da empresa Cristal, referente ao mês de dezembro de 2001; esses documentos (entre outros relacionados), que tratam do controle do faturamento e do valor dos estoques de mercadorias, inclusive para informação ao fisco estadual, além de balanceies para verificação dos saldos de ativos, passivos, receitas e despesas, comprovam que as operações realizadas também sob o manto jurídico das empresas Bandeirante e Frigorifico Cristal, pertenciam ao grupo e eram controladas em sua sede; Ressaltou a fiscalização que, conforme diligências efetuadas para as empresas Plena, CRISTAL, Bandeirante e Frigo Adoro (esta não localizada no endereço que consta do CNPJ), apenas na Plena Alimentos do Brasil Ltda. é que foram encontrados os documentos de caixa e cheques das empresas Bandeirante e FRIGORÍFICO CRISTAL, comprovando, do mesmo modo, que essas empresas eram gerenciadas a partir da sede do grupo, na Plena Alimentos do Brasil Ltda. 7) Documentos que comprovam a fusão das atividades das empresas do grupo PERRELLA do ramo frigorifico e de transportes com o grupo FRIGO NEMA: - relatórios "MOVIMENTO DIÁRIO SINTÉTICO" de mercadorias, do período de 16/02/2002 a 06/03/2002, gerados pelo programa REGENTE90, para "Local: PERRELA FUSÃO - 301"; - diversos documentos (notas fiscais, bloco de recibos, listagem de pagamento, relação de valores, registro de empregados, balanços) relativos ao Frigorífico Perrella Ltda. e à Transportadora Contorno Ltda.; - verificou-se a apuração de balanço financeiro consolidado para o grupo, elaborado pelo confronto do somatório de contas a receber e contas a pagar das empresas (Cristal, Perrella e Plena) e transferência de numerários com os sócios (Alvimar Oliveira, Geraldo Heleno, José Perrella), com pessoas ligadas e com a GENE (que representa os interesses dos demais sócios: os irmãos Faria Maia e Dênio Altivo de Oliveira); - essa consolidação de resultados e a transferência de numerário dentro do grupo também podem ser observadas em diversos relatórios listados no TVF, a exemplo da "Lista Parametrizada de Notas - Saídas - local PLENA FUSA0"; relatório "Fusão", L1/4-1-71" 47 contendo a expressão "Vendas p/Cristal"; "RESUMO DESPESAS BANCÁRIAS MÊS NOYEMBRO/2001", contendo, entre outras, as expressões "Brasil Plena", "Real Cristal", "Real Perrella", "Rural Plena"; relação de contas correntes movimentadas pelas empresas Cristal, Plena, Peirella, Rajest; "Balanço Semanal — Data 01/11/01 até 04/11/01", contendo as expressões Plena, Adoro, Cristal, NB, NB Perrella; relatório contendo a expressão "Cliente — Frigorifico Perrella Ltda", com datas de vencimento de 01/02/2002 a 04/03/2002; - documentos relacionados que tratam do controle do faturamento do grupo, inclusive através do "LOCAL — PERRELLA FUSÃO", comprovam a fusão das atividades das empresas, que eram controladas na sede do grupo; igualmente as despesas e o próprio caixa das empresas era controlado de forma unificada, como comprovam outros documentos relacionados; - excertos dos documentos do movimento financeiro (contas a pagar das empresas PLENA ALIMENTOS DO BRASIL LTDA, FRIGORIFICO PERRELLA LTDA e FRIGORIFICO CRISTAL Irai); - listagens anexadas, que correspondem aos demonstrativos de movimento diário intitulados 'extrato bancário (todos identificados com o subtítulo "Banco/Agência: 999/01000 PLENA / PERRELL4'9 e aos relatórios de despesas ("Regime..:CALYA"), observa-se: ingressos diários de recursos, provenientes da liquidação de créditos, caracterizados como "transferências para o caixa fusão"; trânsito constante de recursos com a empresa GENE, sob a denominação de empréstimos que são concedidos e quitados diariamente; além de lançamentos com históricos que caracterizam essa consolidação do caixa das empresas, bem como transações com os demais sócios e terceiros; - comprovantes de despesas diversas, quitadas, de várias - empresas e pessoas fisicas, encontrados no setor de Contas a Pagar, na sede do grupo em Contagem; - relatórios nos quais constam lançamentos com históricos que caracterizam, além da consolidação do resultado das empresas, diversas transações com os sócios, terceiros e empregados; - relatórios que trazem observações quanto aos diferentes percentuais das despesas sobre as receitas obtidos com e sem o PIS/COFINS, e quanto à dedução da receita de vendas Perrella/Cristal e Cristal/Perrella. Concluiu a fiscalização, ampliando a conclusão anterior, que, pela análise dos documentos listados nestes dois últimos itens (6 e 7), quer seja pelo seu conteúdo ou pelo fato de terem sido encontrados no estabelecimento da Rua Hum, n° 100, Distrito Industrial Riacho das Pedras, em Contagem/MG, estes documentos igualmente confirmam a existência de uma verdadeira conjugação de diversos atos negociais, sob uma comunhão de interesse e de bens entre essas pessoas, formando um único grupo empresariaL 48 • Processo n° 13603.002275/2005-53 S1-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.168 Fl. 25 A existência do grupo empresarial foi também provada pela documentação bancária e pela movimentação financeira das empresas envolvidas. Neste sentido, consoante consta do TYF, da análise dos dados da movimentação financeira das empresas foram evidenciados diversos documentos que confirmam a existência de conjugação de esforços e participação financeira do GRUPO FRIGO NEMA nos negócios das empresas Frigo Adoro, Cristal, Bandeirante e Plena. Igualmente foram destacados documentos que comprovam a utilização de interpostas pessoas na figura dos sócios das pessoas jurídicas, sendo verificado nesses documentos que apenas os sócios ou gerentes do grupo efetuavam a movimentação financeira das empresas. Esses documentos também comprovam que os efetivos titulares eram os beneficiários financeiros de recursos provenientes dos negócios dessas empresas. Além disso, foram selecionados dentre os documentos apresentados pelas instituições financeiras aqueles que informam a fusão das atividades das empresas do grupo Perrella com o grupo FM-GO NEW Particularmente em relação ao FRIGORIFICO CRISTAL LTDA., analisando as fichas cadastrais bancárias da empresa e das pessoas físicas responsáveis pela movimentação das contas bancárias foi constatado o seguinte: - na proposta de abertura de conta corrente enviada pelo Banco Real S/A consta no campo "endereço eletrônico" do cliente o sitio da PLENA ALIMENTOS, www.plenaalimentos.com.br, e no campo de "pessoas autorizadas a movimentar a conta" os nomes dos diretores e gerentes da PLENA ALIMENTOS, Cláudio Ney de Faria Maia, Cesamir Lopes Tavares, Marlene Aparecida Pereira Fortunato e Dênio Altivo de Oliveira; - foram também enviadas pelo Banco Real, além das fichas cadastrais dos sócios, as fichas cadastrais dos diretores e gerentes da PLENA, inclusive do Sr. Geraldo Heleno de Faria (qualyicado como Diretor Industrial da Plena). Nessas fichas o Sr. Cláudio Ney é sócio da Transquali, o Sr. Cesamir é Gerente Administrativo da Plena, a Sra. Marlene Fortunato é Gerente - Financeira da Plena e o Sr. Dênio é qualificado como sócio da Unifrigo. Também foram apresentadas, por cópia, as procurações em nome desses diretores e gerentes da PLENA ALIMENTOS, onde lhe foram outorgados amplos poderes para abrir e movimentar contas bancárias em nome da empresa FRIGORIFICO CRISTAL, em quaisquer órgãos bancários, podendo para tanto emitir e endossar cheques, requisitar saldos, extratos de contas e talões de cheques. Verifica-se ainda que a referência comercial utilizada para a abertura da conta e confirmada pela instituição financeira foi o Frigorífico Perrella, onde foram contatados os senhores Alvimar e Rogério; - o Banco Mercantil do Brasil enviou cópia dos cartões de assinatura da conta corrente do FRIGORIFICO CRISTAL em nome dos sócios e também em nome dos procuradores da empresa, os 49 Srs. Cesamir Lopes Tavares e Geraldo Heleno de Faria. Foi também fornecida, por cópia, uma procuração em que esses senhores receberam amplos poderes para abrir e movimentar contas bancárias em nome da empresa FRIGORIFICO CRISTAL, em quaisquer órgãos bancários, podendo para tanto emitir e endossar cheques, requisitar saldos, extratos de contas e talões de cheques; - o Banco Bradesco enviou dois documentos, intitulados "Consulta de Negócio para Análise — Reestudo" e "Relatório de Consulta Ficha Cadastral", que trazem um retrato panorâmico da empresa FRIGORIFICO CRISTAL e do grupo empresarial onde se encaixa, demonstrando essa relação da empresa com o grupo liderado pela Plena, e que ainda informam o nascimento da parceria com o grupo Perrella (páginas 104 a 106 do TVF); - observou-se ainda, na ficha cadastral apresentada em nome da CRISTAL em 24/02/2000, que está informado que a empresa conta com um faturamento mensal em junho de 2000 no valor de R$ 4.000.000,00, e faturamento anual no montante de R$ 30.000.000,00. Portanto, verifica-se nas fichas cadastrais, contratos de abertura de contas correntes e cartões de autógrafos analisados que apenas efetuavam a movimentação das empresas, em cujo quadro societário encontravam terceiros figurando como sócios, os diretores e gerentes do grupo empresarial, em regra através de procurações outorgadas para esse fim. Além da documentação relativa ao cadastro bancário, contratos de abertura de contas e cartões de autógrafos, das empresas Frigo Adoro Indústria e Comércio Ltda, Frigorifico Cristal Lida, Bandeirante Comércio e Distribuição Ltda e Plena Alimentos do Brasil Ltda, também foram enviados pelos bancos todos os documentos representativos de débitos nas contas movimento dessas empresas. Da análise e do rastreamento de alguns desses documentos, constatou-se a existência de comunhão de interesses entre as referidas empresas, sendo encontrados vários cheques dessas empresas ou remessas de recursos através de DOC (documento de ordem de crédito) que comprovam que foram destinados recursos para a aquisição e manutenção de bens ou serviços das demais empresas do grupo (Transquali, Rajest, Frigorifico Perrella, Barra quinha Carnes, Transportadora Contorno, dentre outras), ou ainda, para a aquisição de bens e serviços das pessoas que gerenciavam este grupo de empresas, conforme foi detalhado no TVF. Foi identificado ainda outro meio de pagamento utilizado pelo grupo empresarial, que é o débito em conta corrente do valor total referente ao pagamento de um conjunto de títulos, boletos bancários e outras obrigações. Nos casos relatados também se comprova a administração centralizada dos recursos financeiros do grupo empresarial, que organizava suas disponibilidades em um caixa geral, a partir do qual eram quitadas diversas obrigações, tanto das pessoas físicas (despesas pessoais dos sócios e de sua família) quanto das pessoas jurídicas (fornecedores e demais despesas operacionais) integrantes do grupo empresarial, neste caso através do débito na conta 1 50 Processo n°13603.002275/2005-53 SI-C3T2 Acórdão n.°1302-00.168 Fl. 26 corrente n° 06.001478-0 da empresa PLENA ALIMENTOS DO BRASIL LTDA, na agência 031 do Banco Rural S/A. Apurou-se também a transferência de recursos das contas das empresas pertencentes ao (grupo empresarial, através de DOC ou de depósito de cheques nas contas de alguns dos responsáveis de fato por estas empresas, conforme relação feita por amostragem. Além disso, foi constatada a transferência de valores entre as contas das diversas empresas pertencentes ao grupo empresarial, através de DOC ou de depósito de cheques nas respectivas contas dos favorecidos, consoante relação também representativa de pequena amostragem. Assim, concluiu a fiscalização que, além das procurações e documentos encontrados na sede do grupo, inclusive na tesouraria e no setor de contas a pagar, também as fichas cadastrais, os cartões de autógrafos, os contratos de crédito, os avais, os cheques, as autorizações de débitos e os DOCS analisados, que compõem a movimentação financeira das empresas efetuada via instituições bancárias, comprovam que a gerência financeira do empreendimento era exclusivamente efetuada pelos diretores e gerentes do grupo FRIGO NEMA e confirmam a existência de um caixa centralizado para o grupo empresarial, a partir do qual eram quitadas as obrigações do grupo. Esses documentos atestam ainda que eram beneficiários dos recursos gerados pelos negócios perpetrados através dessas empresas os efetivos titulares do empreendimento, conforme neles apontados. Ressaltou a autoridade fiscal que os documentos relacionados faziam prova inequívoca de que pertencem ao mesmo grupo empresarial as empresas Frigo Adoro, Bandeirante, Frigorifico Cristal, Plena e Gene, e que a esse grupo se aliaram as empresas Frigon'fico Perrella e Transportadora Contorno. Além disso, comprovariam que eram os efetivos titulares do empreendimento e reais beneficiários dos negócios perpetrados através dessas empresas os senhores Cláudio Ney de Faria Mala, Marcos Antônio de Faria Maia, Geraldo Heleno de Faria, Paulo César de Faria, Dênio Altivo de Oliveira, Alvimar de Oliveira Costa, José Perrella de Oliveira Costa. Registrou finalmente a fiscalização que esses fatos e documentos analisados revelaram a comunhão de interesses e bens entre as pessoas fisicas dos irmãos Faria Maia, dos irmãos Perrella e do Sr Dénio Altivo de Oliveira e as empresas PLENA, FRIGO ADORO, BANDEIRANTE E FRIGORÍFICO CRISTAL, inclusive através de outras empresas do seu grupo empresarial, notadamente a empresa GENE ALIMENTOS LTDA., bem como a conjugação de esforços dessas pessoas fisicas e jurídicas, objetivando um fim comum. 51 10. no que diz respeito à responsabilização das pessoas fisicas e jurídicas empreendida pelas autoridades fiscais, releva destacar, mais uma vez, as sintetizações trazidas pelo voto condutor da decisão de primeira instância; "... Conforme foi enfatizado no item anterior, as provas da existência do grupo empresarial, de sua atuação no período abrangido pela ação fiscal e da interposição de pessoas nos contratos sociais, a comprovação dos verdadeiros sócios e dos beneficiários (pessoas físicas e jurídicas) dos resultados das atividades desenvolvidas pelas empresas do grupo serviram principalmente para identificar os responsáveis pelo crédito tributário relativamente às infrações apuradas no lançamento contra a GENE ALIMENTOS LTDA. - EPP e as demais empresas do grupo (Frigo Adoro Indústria e Comércio Ltda., Frigorifico Cristal Ltda., Bandeirante Comércio e Distribuição Ltda.). Mais uma vez, também neste caso, as impugnações apresentadas pelas pessoas físicas e jurídicas arroladas como responsáveis tributários não respondem aos questionamentos que surgiram do levantamento amplo empreendido pela autoridade fiscal. Neste sentido, vale destacar alguns registros feitos no TVF, cujos documentos correspondentes fazem parte dos oito anexos que compõem o presente processo, que evidenciaram os elementos caracterizadores da responsabilização tributária, ao demonstrarem a interposição fictícia de pessoas na figura dos sócios das empresas do grupo e os efetivos titulares e reais beneficiários dos negócios realizados, conforme se passa a explicitar. Conforme foi registrado no TVF, a interposição de pessoas na figura dos sócios está sobejamente demonstrada nos documentos analisados. Assim, a teor das procurações relacionadas nas páginas 75 a 78 do TVF e dos documentos apreendidos na Plena Alimentos, especialmente o inventário societário do grupo, o relatório de visitas das "lojas FRIGONEMA", o quadro de pessoal da empresa Plena Alimentos e a relação de ramais, verifica-se o comando unificado do grupo e a prática da gerência por procuração, bem como é confirmado que quem participa da administração não são as interpostas pessoas que figuram no quadro societário das diversas empresas do grupo. Do exame do conteúdo dos documentos encontrados na Plena Alimentos, no Termo de Constatação lavrado no setor de contas a pagar na sede do grupo em 07/03/2002 e documentos a ele anexados — página 56 do TVF; no Termo de Constatação relativo ao conteúdo do cofre encontrado na tesouraria da empresa e documentos a ele anexados —página 57 e seguintes; e no Termo citado na página 60 (lavrado em decorrência de diligências realizadas no Frigorifico Cristal e na Bandeirante), documentos a ele anexados — estes relativos à rotina do controle financeiro das empresas, e do exame do conteúdo dos documentos que compreendem a movimentação de recursos dessas empresas através de instituições financeiras (fichas de cadastro, cartões de autógrafos, contratos de abertura de conta corrente e de financiamentos, copia de cheques e de documentos P52Q7 Processo n° 13603.00227512005-53 S1-C3T2 Acórdão n.° 1302-00./68 Fl. 27 de ordem de crédito — DOC, dentre outros), nos quais observa-se as atividades de gerência administrativa, inclusive das áreas contábil e fiscal, de gerência financeira, além da organização e comando da própria atividade empresarial, igualmente fica evidenciado quem são os responsáveis pelas atividades, demonstrando-se que desses se excluem diversas daquelas pessoas que integram o quadro societário das empresas, caracterizando a situação de interposição de pessoas na figura dos sócios. É direta essa demonstração à evidência de que, nos diversos documentos analisados (que formam um conjunto próprio de documentos que compõem a efetiva atividade empresarial e que, portanto, vão além dos contratos sociais e suas alterações), consta assinatura dos responsáveis pela atividade, a exemplo dos documentos de caixa relacionados na página 100 do TYF, para os quais observamos que o Sr. Alvimar de Oliveira Costa assinava diversos documentos (compromissos de compra) na qualidade de Diretor. Nos documentos encontrados na Plena Alimentos e demais documentos relacionados no TV? (conforme páginas indicadas), a seguir listados resumidamente, está substancialmente demonstrado quem são os reais beneficiários dos negócios do grupo empresarial, estando novamente excluídos aqueles que apenas figuram no quadro societário das diversas empresas, na situação de interpostas pessoas: - comprovantes de pagamentos de despesas dos sócios, item 5, letra g, página 55: recibo de quitação do condomínio do Minas Tênis Clube em nome do Sr. Paulo César Faria; carnê de pagamento de seguro em nome do Frigorifico Perrela Ltda. (com observação manuscrita "Vale Paulo Faria'); fatura de cartão de crédito e guia de IPTU quitadas em nome do Sr. Alvimar Oliveira Costa; boleta bancária referente a condomínio residencial e fatura de cartão de crédito quitadas em nome do Sr. Marcos Antônio de Faria Metia; boletas bancárias quitadas em nome do Sr. Geraldo Heleno de Faria referentes a condomínio e a pagamento à D Rossi Engenharia Ltda.; carnê de pagamento em nome da Plena Alimentos, com observação manuscrita "Vale Geraldo Heleno", referente a contrato de leasing e outro com observação "Dakota Ney" relativo à quitação de seguro; duas boletas bancárias quitadas em nome do Sr. Cláudio Ney de Faria Maia referente a condomínio residencial; - Termo de Constatação lavrado no setor de contas a pagar na sede do grupo em 07/03/2002 e comprovantes de pagamentos de despesas dos sócios a ele anexados, página 57 do WF, referentes aos senhores Cláudio Ney de Faria Maio, Geraldo Heleno de Faria, Paulo César Faria, Dênio Altivo de Oliveira, José Perrela de Oliveira Costa e Alvimar de Oliveira Costa; - diversos relatórios em que constam transações que implicam em transferências de numerários entre as empresas do grupo e seus sócios (TVF - subitens 'ak' e 'ar, página 90; subitem 'aw', 53 página 91; subitem 'bi', página 93; subitens 'ble e páginas 96 e 97); - documentos listados nos subitens vah a 'ai' (páginas 89 e 90 do TVF), verifica-se a apuração de balanço financeiro consolidado para o grupo, elaborado pelo confronto do somatório de contas a receber e contas a pagar das empresas (Cristal, Perrella e Plena) e transferência de numerários com os sócios (Alvimar Oliveira, Geraldo Heleno, José Ferre/Ia), com pessoas ligadas e com a GENE (que representa os interesses dos demais sócios: os irmãos Faria Maia e Dênio Altivo de Oliveira); - comprovantes de pagamento de despesas de várias empresas e pessoas físicas, encontrados no setor de Contas a Pagar, na sede do grupo (Plena Alimentos), relacionados no subitem 'bj páginas 93 e 94 do TVF, incluindo, dentre outros, os seguintes pagamentos: contas telefônicas e diversas boleias bancárias em nome da Transportadora Contorno Ltda.; boleias bancária, nota fiscal fatura da Telemar e da Embratel, fatura do Bradesco Saúde, nota fiscal de conta de energia elétrica relativos ao Frigorifico Perrela Ltda.; faturas de cartão de crédito em nome do Sr. Paulo César Faria e Geraldo H. Faria; nota fiscal fatura da Telemar quitada em nome de Maria da Conceição Rezende Soares; fatura Intelig e Telemar da Rajest Participações e Empreendimentos; guias de FGTS quitadas em nome do Frigorifico Perrela, Transportadora Contorno, Transquali e Plena; notas fiscais quitadas em nome do Frigorifico Cristal; fatura da Telemar em nome de Cláudio Ney de Faria Metia; - relatórios do caixa geral diário dos dias 04/02/2002 a 01/03/2002, em 43 (quarenta e três) folhas rubricadas e numeradas pela fiscalização e pelo representante do contribuinte ('bm' — página 97 do TV): correspondem aos demonstrativos de movimento diário intitulados 'extrato bancário' (todos identificados com o subtítulo "Banco/Agência: 999/01000 PLENA / PERRELLA"); neles também se pode observar ingressos diários de recursos, provenientes da liquidação de créditos, caracterizados como "transferências para o caixa fusão"; o ingresso e a saída de recursos em transações efetuadas diariamente com a empresa GENE, sob a denominação de empréstimos concedidos e quitados, no mesmo dia; além de lançamentos com históricos que caracterizam essa consolidação do caixa das empresas, bem corno transações com os demais sócios e terceiros, a exemplo, "pgto Máfia Azul" dia 04/02/02; "empréstimo Zezé Parreira", "emprestáno Alvimar" e "empréstimo José Maria / Frigão" dia 05/02/02; "crédito Geraldo Heleno" e "pgto Alimentação — Pendia" dia 07/02/02; "pgto GPS / Rajest" e "ch 00000704 h-uns! Brad. Cristal fu " dia 08/02/02; "vales Transp. Contorno/transferência" dia 14/02/02; "empréstimo José Maria" dia 18/02/02; "dep. c/c Perrella/pagto cta grtda" e "pgto passagem onibus — Perrella" dia 19/02/02; "pgto Frig Perrella — Tributos" dia 21/02/02; "juros cheque Alvimar" e"pgto Cruzeiro Esporte Clube" dia 22/02/02; "pgto táxi — Frig Perrella" e Pgto Taxa de Expediente — Ferrei/a" dia 26/02/02; "unimed Transp Contorno" e "pgto parcelamento ICMS — Perrella" dia 28/02/02; 54 Processo n° 13603.002275/2005-53 SI-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.168 Fl. 28 - relatório e documentos citados no subitem 'cf (página 100 do TVF) que também revelam transações dos sócios com as empresas do grupo, tendo sido observado que a quitação do empréstimo Zezé Ferrei/a, no valor de R$ 46.131,85, identificada no relatório de caixa e na ficha de entradas de caixa, coincide com o valor lançado no relatório de caixa como -pgto empréstimo — Mendherson", que também foi lançado no relatório de despesas com o histórico de quitação de empréstimo e juros em favor de Mendherson Souza Lima, cujo somatório das parcelas totaliza a quantia de R$ 46.131,85; também foi constatado que, além das transações de empréstimos para o Sr. Alvimar de Oliveira Costa, este também aparece assinando diversos documentos (compromissos de compra) na qualidade de Diretor; - cheques sacados contra conta da empresa Frigorífico Cristal no Banco Rural e que foram utilizados para quitação de dividas pessoais dos sócios Paulo Cezar de Faria, José de Oliveira Costa e Alvimar de Oliveira Costa, página 119; - débitos em conta bancária da empresa Plena para quitação de despesas pessoais de Cláudio Ney de Faria Mala, Alvimar de Oliveira Costa, Paulo Cezar de Faria, Geraldo Heleno de Faria, Maria C. R. Soares, Eva lonélia de Jesus Mala e de seus familiares, além de quitação de débitos referentes a todas as pessoas jurídicas arroladas como responsáveis tributários, incluindo sucedidas ou sucessoras (nos casos de incorporação) - páginas 126 a 143 do TVF; - cheques sacados contra as empresas Frigorifico Cristal e Frigo Adoro e destinados aos sócios Alvimar de Oliveira Costa, Paulo Cezar de Faria, Cláudio Ney de Faria Mala e sua esposa Eva lonélia de Jesus Maia, Marcos António de Faria Mala, Dênio Altivo de Oliveira, e Maria da Conceição Rezende Soares, esposa de Geraldo Heleno de Faria -páginas 143 e 144; - documentos relativos à construção e ocupação do entreposto frigorifico de carnes e derivados implantado pelo grupo empresarial no Distrito Industrial do Riacho das Pedras em Contagem/MG, sede de sua administração e das atividades industriais; verificou-se que através da RAJEST PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS LIDA, foi efetuada a aquisição de bens imóveis que, entretanto, não guardam correspondência com os valores declarados pela empresa, ou mesmo, não foram declarados, como é o caso da Fazenda Canoas; o entreposto de carnes é avaliado pelos próprios donos em R$ 3.200.000,00, valor este que constou da apólice de seguro junto ao Banca Rural, informada pelos Srs. Marcos Antônio de Faria Main e Dênio Altivo de Oliveira; além disso, para a distribuição de remuneração aos dirigentes, pode-se ver que foi utilizado o expediente de confeccionar contratos de locação entre as pessoas ligadas, inclusive com data retroativa, como no caso da empresa Plena Alimentos do Brasil Ltda.; ademais, verifica-se que a empresa possui atualmente como sócios as senhoras Maria da Conceição Teodora e Maria José de Faria c& 53 Maia, esta Ultima a mãe dos senhores Cláudio Ney de Faria Mala, Marcos António de Faria Maia, Paulo Afonso de Faria Mala e Geraldo Heleno de Faria; - sra. Maria José de Faria Maia assina os recibos de quitação de aluguel, referentes ao imóvel que teria sido locado pela Rajest para a Plena (o frigorifico na Rua Hum, n° 100, Riacho das Pedras, em Contagem/MG). Além disso, foram encontrados no exame dos documentos contábeis e fiscais das empresas do grupo e daqueles documentos citados no TU', diversas operações que revelam indícios de que apenas objetivavam facilitar a transferência de recursos entre o grupo e seus efetivos titulares e reais beneficiários, mesmo que por via obliqua, como por exemplo, as operações retratadas nas fichas do controle de contas a pagar que trazem a indicação de dois pagamentos fictícios: "ALUGUEL TRANSQUALI - PAGTO FICTÍCIO" e "CONTRATO LOCAÇÃO RAJEST PARTC LTDA". Com essas características alinham-se outras operações que constam dos documentos apreendidos na sede do grupo, especificamente nos contratos e nos documentos de caixa (relatórios intitulados extratos bancários) que se referem ao movimento do caixa geral do grupo, tendo a eles anexados os papéis utilizados como comprovantes das operações escrituradas), como: os contratos entre as empresas do grupo, especialmente aqueles de prestação de serviço de industrialização por encomenda pela Plena e de aluguel, a exemplo do contrato para aluguel de veículo da Transportadora Contorno (nos quais um dos contratantes é beneficiário dos resultados do outro contratante); o pagamento de aluguel da marca Perrella (com recibo de terceiro, pessoa física); os empréstimos diários de recursos da GENE ao caixa do grupo, concedidos e quitados diariamente (sem comprovação da efetiva origem e destinação dos recursos nos comprovantes de caixa, servindo portanto, para acobertar qualquer entrada ou saída de recursos do caixa do grupo empresarial); e os empréstimos (e correspondentes quitações de empréstimos) de sócios ou de terceiros ao caixa do grupo (sem comprovação da efetiva entrega ou origem dos recursos nos comprovantes de caixa, servindo também para acobertar qualquer transação entre os sócios e empresas do grupo). No caso do contrato firmado entre a empresa Plena e a Rajest, ao pagamento fictício se segue a distribuição de lucros desta empresa para a mãe dos diretores do grupo, que finalmente doa para os seus filhos os recursos assim recebidos. Em diversos relatórios apreendidos na sede do grupo empresarial foram consignadas transações de transferência de numerários entre as empresas do grupo e com os próprios sócios efetivos, sem correlação com a escrituração contábil e fiscal e com as declarações de rendimentos das pessoas físicas, permitindo acobertar qualquer entrada de recursos ao caixa geral do grupo, mesmo oriundos das vendas com notas brancas referenciadas nos próprios relatórios, e a conseguinte salda de recursos, a qualquer titulo, para as próprias empresas e para os efetivos sócios e reais beneficiários. 56 Processo n° 13603.00227512005-53 51-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.168 A. 29 A interposiçâo de pessoas na figura dos sócios está igualmente demonstrada nos documentos analisados pela caracterização das pessoas físicas que figuram ou figuravam como sócios das pessoas jurídicas, no respectivo quadro societário, como empregados das empresas do grupo, conforme visto nos documentos encontrados em diligência realizada na sede do grupo. Conforme visto, nenhuma das pessoas fisicas envolvidas logrou comprovar documentalmente as aquisições e transferências de partimPações societárias. As respostas apresentadas remetem aos contratos sociais (que são os documentos que noticiam as transferências de participação societária), às próprias declarações de rendimentos da pessoa física ou a escrita das empresas (sendo estas duas últimas a forma como se aparentam essas operações). Portanto, restaram incomprovadas ditas operações. Além disso, ficou constatada a falta de capacidade económica e financeira das interpostas pessoas para figurarem como sócios das empresas. Além da situação patrimonial desses sócios das empresas, examinadas em suas declarações de rendimentos, destacamos as atividades efetivamente exercidas por essas pessoas, muitas das quais eram empregados do próprio grupo empresarial. Igualmente, não há comprovação da origem dos recursos utilizados na aquisição de participação societária nas empresas. Como restou demonstrado, empresas com expressivo faturamento foram constituídas ou alienadas, em regra por valores simbólicos, por pessoas que não detinham recursos para constituí-las ou para adquiri-las, muito menos para figurar na posição de sócios, mas que passaram, a partir do oportuno ato societário, a assumir todo o passivo da empresa, decorrente de atividades comerciais do grupo empresarial. Ademais, observou-se que os efetivos titulares constituíram ou transferiram essas empresas para o nome de terceiros, mediante documentos públicos arquivados pela Jucemg, porém, consoante as procurações públicas apresentadas por cartórios e anexadas ao processo, mantiveram amplos e gerais poderes de representação e gerência nestas empresas, inclusive poderes para efetuar toda a movimentação financeira. Avolumam-se, no presente caso, indícios de que os efetivos titulares permaneceram à frente dos negócios perpetrados sob o manto jurídico dessas empresas, bem como provas cabais de que dele se beneficiaram, conforme já foi destacado. Concluiu a fiscalização que, pelos fatos expostos no TVFF, comprova-se que o grupo empresarial capitaneado pelas empresas Plena Alimentos do Brasil Ltda. e Frigorifico Perrella Ltda. e seus representantes tinham interesse comum na situação que constitui o fato gerador dos tributos ora lançados, dada a abundância de evidências de que conjugavam os negócios das diversas empresas componentes do grupo, e de que havia C)), 5? comunhão de interesses e de bens dessas empresas e seus sócios para a consecução das atividades comerciais. O grupo mantém, conforme foi verificado, centralizada e única gerência financeira, comercial e administrativa, funcionando no estabelecimento da Rua Hum, n' 100, no Distrito Industrial Riacho das Pedras, em Contagem/MG (Plena Alimentos do Brasil Ltda). Com os documentos indicados no TVF, comprova- se que os atos de gerência administrativa, financeira e comercial das empresas Plena Alimentos do Brasil Ltda e sua sucessora Gene Alimentos Ltda., além das empresas Frigo Adoro Indústria e Comércio Ltda., Frigorifico Cristal Ltda. e Bandeirante Comércio e Distribuição Ltda. eram praticados pelos mesmos diretores e gerentes desse grupo empresariaL Diversos imóveis (em Belo Horizonte/MG e algumas cidades próximas) eram ocupados por antigas empresas do grupo, inclusive a Nema Alimentos Ltda. e a Gene Alimentos Ltda., e continuam, ainda hoje, ocupados por estabelecimentos varejistas do grupo ou a própria Gene. Portanto, impende concluir que BT Carnes Ltda., Comercial Paranan Ltda., Adoro Alimentos Ltda., Nova Carnes Ltda., Frigorifico Cristal Ltda., Gene Alimentos Ltda., Plena Alimentos do Brasil Ltda., Betim Carnes Ltda., Barra quinha Carnes Ltda., Vista Carnes Comércio Ltda., Frigo Jóia Ltda., Bandeirante Comércio e Distribuição Ltda., Rajest Participações e Empreendimentos Ltda., Frigorifico Perrella Ltda., Transportadora Contorno Ltda. Transquali Transportes de Qualidade Ltda., e Unifrigo Indústria e Comércio Ltda.„ Fngo Adoro Indústria e Comércio Ltda., além da empresa Nema Alimentos Ltda., formavam o grupo societário encabeçado pelas empresas Plena Alimentos do Brasil Ltda. e Frigorifico Perrella Ltda., atuando no comércio varejista e atacadista de carne. Afirma-se isto não apenas pelo "Inventário Societário" encontrado na Plena Alimentos do Brasil Ltda., mas também pela variedade de documentos dessas empresas conjuntamente encontrados na sede do grupo empresarial, tais como: documentos contábeis; cadastro fiscal; notas e livros fiscais; termos de apreensão e intimações; documentos referentes à movimentação financeira, inclusive extratos bancários, cheques e DOCs; propostas comerciais; documentos relativos a cobrança; correspondências diversas; autos de multa do IMA (Instituto Mineiro de Agropecuária); controle de pagamentos; folhas de pagamento; documentos trabalhistas e previdenciários; relatórios de caixa; certificados sanitários; guias de trânsito; contratos sociais; protocolos diversos encaminhando documentos entre as empresas e os setores contábil, fiscal e administrativo do grupo; relatórios gerenciais os mais variados, como de contas a receber, balanços, de caixa, despesas bancárias e estoques; contratos de promessa de compra e venda, e locação; ordens para que a Cristal emitisse notas fiscais com os itens indicados, dentre muitos outros. Corrobora também esta assertiva o fato de que nos estabelecimentos das empresas Bandeirante e Cristal não havia 58 Processo n" 13603.002275/2005-53 SI-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.168 Fl. 30 movimentação mercantil nem financeira, apenas emissão de notas fiscais. Além disso, foram encontrados diversos documentos que confirmam a fusão dos grupos Perra& e Frigo Nema, como a exemplo os relatórios intitulados "Plena Fusão" e "Perrella Fusão", consolidando algum item especifico relacionado às atividades do grupo, como as despesas ou as cobranças, ou ainda, demonstrando o resultado do grupo a partir da consolidação dos resultados das empresas. Constataram-se ainda, atuando lado a lado, pessoas egressas dos dois grupos. Conforme comprovam os documentos analisados na descrição dos fatos e anexados ao TVF, restou comprovado que quem efetivamente exercia a representação comercial das empresas e movimentava recursos junto às instituições financeiras eram os diretores e gerentes do grupo empresarial FRIGO NEMA. Os diretores Cláudio Ney de Faria Maia, Marcos Antônio de Faria Maia, Dênio Altivo de Oliveira, Geraldo Heleno de Faria e Alvimar de Oliveira Costa, diretamente ou através dos gerentes Wellington Alves Pereira, Casam& Lopes Tavares e Ivan Costa Sander, inclusive mediante procurações públicas, praticaram atos de gerência administrativa, financeira e comercial das empresas Frigo Adoro Indústria e Comércio Ltda., Frigorifico Cristal Ltda., Bandeirante Comércio e Distribuição Ltda. e Plena Alimentos do Brasil Ltda. (e sua sucessora Gene Alimentos Ltda.), negociaram e receberam valores em nome dessas empresas, inclusive junto a instituições financeiras. Essas pessoas fisicas, além dos senhores Paulo Afonso de Faria Mata, Paulo Cezar de Faria e José Perrella de Oliveira Costa (em nome próprio ou das esposas e filhos), bem como as demais pessoas jurídicas que integram o grupo empresarial, notadamente as empresas Plena Alimentos do Brasil Ltda., Frigorzfico Perrella Ltda, Transquali Transportes de Qualidade Ltda., Transportadora Contorno Ltda., Rajest Participações e Empreendimentos lida., Unifrigo Indústria e Comércio Ltda., Multicarnes Assessoria e Consultoria, Betim Carnes Ltda., Nova Carnes Ltda., Barraquinha Carnes Ltda., BT Carnes Ltda. e Vista Carnes Comércio Ltda., a própria Gene Alimentos Lula, e, até mesmo, a Nema Alimentos Ltda., são também beneficiárias dos recursos das empresas onde ocorria o maior volume de faturamento de vendas do grupo, as empresas Frigo Adoro, Bandeirante e Cristal, conforme comprovam as cópias de cheques e DOCs recebidas dos bancos onde as empresas efetuavam sua movimentação financeira, ou dos recursos da Plena, conforme comprovam os comprovantes de débitos em conta dessa empresa e respectivos comprovantes de pagamentos de despesas, ou ainda, dos recursos do caixa geral do grupo, como também comprovam os comprovantes de pagamentos de despesas encontrados na sede da Plena, relacionados no TVF. Assim, a farta documentação anexada ao TYF comprova que essas pessoas operavam comercialmente, sob o nome das pessoas jurídicas constituídas em nome de terceiros de reduzida 221 59 capacidade financeira. As pessoas citadas investidas nas fruições de diretores do grupo empresarial detinham todo o poder de administração da empresas, efetuavam transações comerciais em nome destas e movimentavam recursos das empresas junto a rede bancária. (GRIFOS DO ORIGINAL) 11. Irretocável também, a meu ver, o fundamento legal apontado pela Fiscalização para dar suporte à responsabilidade das pessoas flsicas e jurídicas envolvidas na formação e operacionalização das atividades do GRUPO EMPRESARIAL (arts. 124, I e 135, II e III do Código Tributário Nacional, cabendo, aqui, mais uma vez, tomar por empréstimo a análise empreendida pela Turma Julgadora de primeiro grau, in verbis: No que tange aos aspectos legais da imputação de responsabilidade pelo crédito tributário, primeiramente ressalte- se que, de acordo com o TVF, o fundamento legal eleito pela fiscalização se prende às disposições do art. 124, 1 e art. 135, 11 e Hl do CTN, que assim prescrevem: ••• Primeiramente, cumpre analisar a questão da responsabilidade tributária a teor das disposições do art. 124, Ido CTN. Em conformidade com os fatos relatados neste voto, extraídos do TVF, está-se diante de um caso típico de responsabilidade solidária passiva, fundamentado no art. 124, Ido CTN. Ou seja, pela prática regular de todos os atos típicos da sociedade comercial, inclusive com participação financeira, os diretores de fato do grupo empresarial, Cláudio Ney de Faria Maia, Marcos Antônio de Faria Maia, Dênio Altivo de Oliveira, Geraldo Heleno de Faria e Alvimar de Oliveira Costa, demonstram interesse comum nas atividades das empresas autuadas (Plena Alimentos do Brasil Lida e sucessora Gene Alimentos Ltda., Frigo Adoro Indústria e Comércio Ltda., Frigorífico Cristal Ltda. e Bandeirante Comércio e Distribuição Ltda.), agindo através da estrutura organizacional de seu empreendimento ou mediante simples procurações, negociando e recebendo valores em nome das empresas fiscalizadas, tendo participação direta e incontestável na ocorrência dos fatos geradores dos tributos lançados, além de serem beneficiários de recursos gerados por essas empresas. Particularmente em relação às pessoas fisicas acima citadas, na impugnação apresentada, os defendentes procuraram desqualificar os registros feitos pela fiscalização por meio de expressões, tais como: "mero procurador", "dois recibos de contas pessoais", "uns poucos pagamentos de despesas pessoais ou depósito em contas (de valores 'por demais modestos )", sem que objetivamente justificassem a existência de procurações conferindo amplos poderes de gerência financeira, comercial e administrativa, incluindo movimentação bancária, nem esclarecessem a existência de pagamentos de contas pessoais ou de seus familiares (cartão de crédito, condomínio residencial, impostos, contas telefônicas, empréstimos, entre outras), e a t • 60 Processo n° 13601002275/2005-53 SI-C3T2 Acórdão n.° I302-00.168 Fl. 31 movimentação de recursos financeiros evidenciada por documentos, relatórios e balanços confeccionados relativamente aos controles internos das empresas do grupo, e tudo mais conforme foi detalhado no TVF e resumido no item IV.2 deste Voto. No que respeita aos demais sócios com participação nas sociedades que compõem o grupo empresarial, especialmente os senhores Paulo Cezar de Faria, José Ferreira de Oliveira Costa, Eva Ionélia de Jesus Maia, Paulo Afonso de Faria Meia, Maria da Conceição Rezende Soares, Maria José de Faria Maia, Maria da Conceição Teodora Guimarães, conquanto aleguem em suas impugnações que não praticaram atos de gestão relativamente às empresas autuadas, também ficou demonstrado que estas pessoas tinhant interesse comum na atividade comercial desenvolvida sob a razão social da Plena Alimentos do Brasil Ltda. e sucessora Gene Alimentos Ltda., Frigo Adoro Indústria e Comércio Ltda., Frigorifko Cristal Ltda. e Bandeirante Comércio e Distribuição Ltda., pois foram beneficiários de recursos provenientes dos negócios dessas empresas (conforme visto no item IV2), o que expôs de forma nítida o vinculo econômico ai existente. Também nestes casos, nas impugnações apresentadas, tais fatos não foram explicados nem justificados, na maioria das vezes foram simplesmente ignoradas. Alguns casos especificas merecem destaque, uma vez que os interessados procuraram justificar, ainda que pontualmente, recebimentos ou documentos que os vincularam ao grupo empresarial, do qual fazem parte as empresas autuadas. Assim, o Sr. Paulo Cezar de Faria fez referência a um único recibo de pagamento no valor de R$140,00, tendo ressaltado que este não teria o condão de o sobrelevar à condição de sócio de várias empresas que sequer conhecia. Entretanto, basta verificar no resumo feito no item IV2 do Voto (e em maiores detalhes no TVF), a existência de diversos outros documentos que atestam a vincula ção apontada no lançamento e justificam a responsabilização tributária, como por exemplo.' quitação de condomínio do Minas Tênis Clube; no setor de compras a pagar/tesouraria foram encontrados boleta bancária do FISBC e nota de controle de adiantamento de pró-labore; quitação de faturas de cartão de crédito, cheques sacados contra o Frigorifico Cristal e débitos em conta bancária da empresa Plena para quitação de dividas pessoais, entre outros, No caso do Sr. José Perrella de Oliveira Costa, procurou o interessado explicar o documento intitulado "adiantamento", referindo-se à aquisição de carne amparada pela nota fiscal n° 132.702 (doc. fi. 1750). Também argumentou, no tocante a empréstimo tomado e pago ao Sr. Djalma Ferreira Lima, que a operação se encontra registrada nas declarações de rendimentos das partes envolvidas. Ainda salientou que "cópia de papeluchos aleatórios" fazendo referência ao seu nome não constitui prova cabal que a situação exige. 61 Em relação aos adiantamentos tendo como beneficiário o Sr. José Perrella de Oliveira Costa (doc. fls. 104 7/1 048 e 1062/1063 do Anexo 4), a documentação foi encontrada no estabelecimento da Plena Alimentos do Brasil Ltda. (sucedida pela GENE ALIMENTOS LTDA. — EPP), contendo os seguintes registros: R$857,50, em 11/02/2002 - "ref Bradesco Saúde"; R82.993,91, em 06/03/2002 — "Ref. NB'S 017397 017401" (note- se que a nota fiscal, anexada pelo interessado somente viria a ser emitida em 06/05/2002, pelo Frigorifico Cristal Ltda., dando conta de pagamento por ele efetuado coincidente com o mesmo valor do adiantamento efetuado em data anterior, cujo documento foi encontrado na Plena). Quanto ao empréstimo relativo ao Sr. Djalma Ferreira Lima, cumpre transcrever trecho do TVF em que a informação é registrada, atestando a quitação de dividas pessoais dos sócios com cheques sacados contra conta do Frigorifico Cristal Ltda., empresa autuada em processo especifico, também pertencente ao grupo empresarial, confonne já foi enfatizado: Conforme documentos de fis. 276 e 277 do ANEXO 6, foram emitidos pela empresa Frigorifico Cristal Leda dois cheques em favor da Sra. Virginia Meire Mata Ferreira Lima, CPF: 280.151.936-72, a seguir descritos. O cheque n° 915658, conta n° 6001595-7, agência 0031 do Banco Rural S/A, com data de 24/07/2001, no valor de R$ 79.000,00, com carimbo de cruzamento para depósito do Banco do Brasil S/A, agência 1229; e anotação no verso do cheque da conta de depósito n°43525-2, agência: 1229. O cheque n° 915657, conta n° 6001595-7, agência 0031 do Banco Rural S/A, com data de 24/07/2001, no valor de R$ 21.000,00, com carimbo de cruzamento para depósito do Banco do Brasil S/A, agência 1229; e anotação no verso do cheque da conta de depósito n°43.525-2, agência: 1229. Intimada a esclarecer a natureza da operação que ensejou o - recebimento dos referidos cheques, através do Tertno de Intimação n° 124/2005, a Sra. Virgínia Meire Maia Ferreira Lima prestou o seguinte esclarecimento (fls. a do ANEXO 6): "... Os recursos depositados em minha conta corrente se referem a créditos oriundos de empréstimos efetuados por meu marido DJALMA FERREIRA LIMA, CPF: 011.143.366-53, falecido em 27/06/1997 aos Srs. Paulo César de Faria, CPF: 398.910.386- 53; Alvimar de Oliveira Costa, CPF: 356.535.076-87 e José de Oliveira Costa CPF: 269986.456-00." Consultando as declarações de rendimentos da Sra. Virgínia Meire Maia Ferreira Lima e do Sr. Djalma Ferreira Lima, constatamos no quadro 07 a ocorrência do direito aos créditos junto aos Srs. Paulo Cezar de Faria, Alvimar de Oliveira Costa, e José de Oliveira Costa. Essa dívida pessoal também é reconhecida nas declarações de rendimentos desses senhores, fis 794 a 884 do ANEXO 8. Portanto, mais uma vez verifica-se que 62 Processo n° 13603.002275/2005-53 S1-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.168 Fl. 32 esses senhores também são beneficiários dos recursos da empresa, que integrava seu grupo empresarial. Além desse empréstimo, consta outra quitação, agora em favor do Sr. Mendherson Souza Lima, conforme foi anotado no item IV.2 do Voto, também não esclarecida pelo interessado, uma vez que registrada no caixa geral do grupo empresarial, conforme o seguinte trecho extraído do TVF: Conforme documentos de fls. 885 a 907 do ANEXO 8, o Sr. Mendherson Souza Lima, CPF: 054.928.666-72, concomitantemente com o Sr. José Perrella de Oliveira Costa, transacionou empréstimos com o caixa geral do grupo FRIGO NEMA no dia 05/02/2002, coincidentemente pelo mesmo valor (conforme visto na página 100 deste Termo - item 7, subitem e)". dos documentos apreendidos na Plena Alimentos -, no extrato bancário do dia 05/02/2002, do banco/agência 999/0100, onde constam as expressões "empréstimo Zezé Perrella — 46.131,85 D", "Pgto Empréstimo/Mendherson - 46.131,85 C). Ou seja, teriam ocorrido concomitantemente um empréstimo do Sr. José Perrella para a empresa que em seguida quitou um empréstimo no mesmo valor com o Sr. Mendherson. Também ficou sem explicação a existência de documentos listados no TVF, nos quais se verificou a apuração de balanço financeiro consolidado do grupo e relatórios de caixa, entre outros, que identificaram o Sr. José Perrella de Oliveira Costa como beneficiário de recursos provenientes do grupo empresarial, conforme foi destacado resumidamente no item 1V2 do Voto e em exposição minuciosa no TVF. Nestas condições, em relação a todas as pessoas físicas acima citadas, foram produzidas provas suficientes para qualificá-las como responsáveis tributários nos termos do art. 124, Ido CTN, consoante exposição feita nos itens IV.] e IV.2 deste Voto e de acordo com o detalhamento apresentado no TVF e com documentação que o fundamenta. Relativamente às pessoas jurídicas implicadas no lançamento, conforme foi ressaltado no TVF, por conjugar esforços, estando todas as empresas interligadas em suas operações, desde o fornecimento de produtos, o transporte, a comercialização, até o recebimento dos recursos gerados pelas operações, e por participar dos resultados financeiros das empresas autuadas Frigo Adoro, Bandeirante, Frigorifico Cristal e Plena, demonstrando interesse comum na situação que constitui o fato gerador dos tributos ora lançados, está correta a fiscalização ao concluir que são solidariamente obrigadas as empresas Plena Alimentos do Brasil Ltda., sucedida pela Gene Alimentos Ltda., e essa própria empresa, Frigorifico Perrella Ltda., sucedida pela Frigorifico Meireles Ltda., Transquali Transportes de Qualidade Ltda., Transportadora Contorno Ltda., Rajest Participações e Empreendimentos Ltda., Unifrigo Indústria e Comércio Ltda., Multicarnes Assessoria e Consultoria, Betim 63 Carnes Ltda., BT Carnes Ltda., Nova Carnes Ltda., Barraquinha Carnes Ltda. e Vista Carnes Comércio Ltda., estas três últimas sucedidas pela Nema Alimentos Ltda., e também a própria empresa Nema Alimentos Ltda. No caso em questão, vale enfatizar que o interesse comum na situação que constitui o fato gerador dos tributos ora lançados também foi evidenciado pelos elementos caracterizadores da formação do grupo empresarial (item 1V.1 do Voto) e, consoante abordagem feita no item 1V.2, pela identificação dos lançamentos em conta bancária das empresas FRIGORÍFICO CRISTAL, Frigo Adoro, Bandeirante e Plena para quitação de débitos envolvendo todas as pessoas jurídicas arroladas como responsáveis tributários, incluindo sucedidas ou sucessoras (nos casos de incorporação), consoante detalhado nas páginas 109 a 143 do TVF, entre outros fatos expostos. Conforme foi registrado no TVF e de acordo com a documentação juntada aos autos, figuraram conjugando seus negócios com as empresas autuadas, possuindo comunhão de interesses e bens para um mesmo fim, além de serem beneficiários do movimento de recursos dessas empresas, todas as pessoas jurídicas citadas, assim como as pessoas físicas, as quais possuem, pessoal e diretamente, vínculo com a situação que constitui o respectivo fato gerador da obrigação tributária. E inequívoca a participação dessas pessoas com as irregularidades descritas, ficando configurada a utilização de uma situação aparentemente regular, empresa regularmente constituída, porém em nome de terceiros, chamados "laranjas", para a realização de operações mercantis, com a finalidade de lucro, sem o recolhimento dos tributos devidos. Portanto, uma vez que de fato e efetivamente executaram e auferiram benefícios das operações das empresas autuadas, são responsáveis solidariamente pelo crédito tributário apurado. Argumentaram os impugnantes arrolados corno responsáveis tributários, que era indispensável que o contribuinte soubesse, individualmente, por qual obrigação é solidariamente responsável, qual o valor e o motivo, quando surgiu o fato gerador, afim de que pudesse exercer na plenitude seu direito de defesa. Neste particular, cumpre salientar que a fiscalização, com vistas a garantir o crédito lançado de oficio, apontou objetivamente os responsáveis tributários, identificando os verdadeiros dirigentes do grupo empresarial e as pessoas físicas e jurídicas, que juntamente com estes efetivos dirigentes, tiveram interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal (art. 124, Ido CTN), concorrendo pela realização dos negócios ou se beneficiando dos recursos gerados pelas empresas autuadas, mantidos à margem da tributação. Nestas condições, estas pessoas físicas e jurídicas respondem, na qualidade de responsáveis solidários, pelo crédito tributário apurado em relação á empresa GENE ALIMENTOS LTDA. - EPP (incorporadora da Plena Alimentos do Brasil Ltda), perfeitamente identificado e quantificado, nos termos do art. 10 do Decreto n°70.235, de 1972. r Processo n° 13601002275/2005-53 SI-C3T2 Acórdão o. 1302-00.168 Fl. 33 Portanto, o procedimento fiscal está pautado rigorosamente na legislação que rege a matéria, não havendo porque se falar em cerceamento do direito de defesa, quando este direito está sendo plenamente exercitado pelo sujeito passivo e pelos responsáveis pelo crédito tributário nas impugnações apresentadas, ora examinadas. Ainda sobre o assunto em pauta, não é demais salientar que, na definição do art. 981 do novo Código Civil Brasileiro, existe sociedade quando duas ou mais pessoas combinam a conjugação de seus esforços ou recursos, para obtenção de um fim comum. Ordinariamente a sociedade constitui-se por escrito. Se não existir contrato escrito, a sociedade denomina-se irregular ou de fato. A existência da sociedade de fato ou irregular pode ser exteriorizada por meio de múltiplas situações, hábeis a caracterizá-las, como, por exemplo: a exploração de negócio comum entre duas ou mais pessoas com a formação de um capital, com objetivo de lucro e participação dos sócios nos resultados, faltando, no entanto, contrato escrito; a existência de instrumento escrito, mas não levado a registro; a existência de contratos simulados, como o de trabalho ou de prestação de serviços, com a participação do empregado ou prestador de serviços nos lucros do empreendimento. Verifica-se, no presente caso, que o órgão da pessoa jurídica, ou seja, o conjunto de pessoas naturais que exprime a sua vontade, não agiu dentro das formas que preconizam as normas tributárias, pois utilizaram a pessoa jurídica com o intuito de obtenção de lucros à margem da incidência tributária. Nesse sentido, a situação que constituiu o fato gerador consubstanciou-se nos negócios realizados conjuntamente por um grupo de pessoas físicas e jurídicas, negócios esses que resultaram em disponibilidade de renda, a ser tributada (art. 43 do C1711). Todas essas pessoas tinham interesse comum nesses negócios, uma vez que, em maior ou menor grau, deles se beneficiaram. Portanto, os impugnantes, efetivamente, não rebateram de forma eficaz as evidências expostas no trabalho fiscal, deixando sem respostas os questionamentos que surgiram das provas coletadas pela fiscalização denunciando • o envolvimento das pessoas arroladas como responsáveis pelo crédito tributário, nos estritos termos do art. 124, 1 do CIN. Analisando a questão da responsabilidade tributária, agora sob o enfoque do art. 135, II e III do C77V, também está correto o procedimento fiscal considerando, conforme foi ressaltado no TVF, notadamente em relação aos senhores Cláudio Ney de Faria Mala, Marcos Antônio de Faria Mala, Dênio Altivo de 65 Oliveira, Geraldo Heleno de Faria e Alvimar de Oliveira Costa que, na condição de efetivos dirigentes do grupo empresarial, permaneceram vinculados de forma irregular às empresas autuadas (Plena, sucedida pela Gene, Frigo Adoro) Frigorifico Cristal e Bandeirante), aparentemente como mandatários, por terem simulado sua constituição em nome de interpostas pessoas ou sua posterior saída do negócio, mediante venda das participações societárias ou sucessão empresarial, mas reservando para si os poderes de gerência e representação, permanecendo de fato nas sociedades, conforme foi destacado nos itens IV.! e IV.1. Cabe, ainda, discorrer brevemente acerca do que se deve entender da expressão "infração de lei" do caput do art. 135 do CTN. Ora, o CTN não adjetiva a lei que deve ser infringida para que se responsabilize aquelas pessoas elencadas em seu art. 135. É indubitável que a falta de recolhimento do tributo constitui, por si só, uma ilicitude, porquanto configura o descumprimento de um dever jurídico decorrente de leis tributárias. Constitui também infração à lei, conforme foi anotado no TVF, a prática de sonegação fiscal, consubstanciada na tentativa do contribuinte de impedir o conhecimento por parte da autoridade fiscal da identidade dos verdadeiros sócios da empresa autuada, mediante a interposição fictícia de pessoas na figura do sócio da pessoa jurídica, fatos estes que suscitaram inclusive a qualificação da multa de oficio e a formalização do competente processo de representação fiscal para fins penais, matéria a ser vista em maiores detalhes em tópico especifico. Tem-se ainda que são várias as decisões do Poder Judiciário que reafirmam tal entendimento, tais quais: Tributário — Execução Fiscal — Responsabilidade pessoal dos sócios — CTN, art. 135, III. I. Na sistemática do CTN vigente (art. 135, III), a infração à lei tributária é pressuposto suficiente para determinar a responsabilidade do sócio-gerente. 2. O não recolhimento de tributos é infração à lei tributária, e, como tal, determina a responsabilidade pessoal do gerente da sociedade de capital. 3. Aspectos relacionados ao direito comercial (integralização de capital e origem dos recursos sob constrição) são irrelevantes para o direito tributário, autônomo cientificamente. 4. Apelação improvida. Sentença confirmada" (7RP P Região, AC 13749-93/1IG, rel. Juiz Cândido Ribeiro, DJU 19.12.1997, p. 111.547) Tributário — Execução Fiscal — Embargos de devedor — Responsabilidade tributária do sócio-gerente — C7N/66, art. 135 — Lei 8.009/90 — Linha telefônica. 1. A omissão no pagamento dos tributos ou contribuições significa, por si só, infração à lei que os instituiu, disto resultando a responsabilidade pessoal dos diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica. 1. A Lei 8.009/90 protege o bem de família de penhora a título de cobrança de contribuições relativas ao FGTS e retroage, a fim de alcançar constrição feita antes de sua vigência. 3. É penhorável o uso de linha telefônica, visto que a Lei 8.009/90 LCLL" 66 Processo n° 13603.002275/2005-53 SI-C3T2 Acórdão nA 1302-00.168 Fl. 34 não impõe vedação genérica (TRF, 4" Região, I° Turma, AC 27564-96/12S, rel. Juiz Vladimir Passos de Freitas, DJU 08.10.1997, p. 83.279) ...A falta de recolhimento de contribuições sociais constitui, por si só, infração de lei, pelo que o sócio-gerente pode responder pessoalmente pelos débitos fiscais da empresa (art. 135, III, do CEV). (TRF, e Região, 2° Turma, REO 94.04..45456-7/RS, rel. Juiza Tânia Escobar) Portanto) seja em razão das disposições do art. 124, I ou do art. 135, H e III do CEV, e diante das evidências expostas no trabalho fiscal, a caracterização da responsabilidade pelo crédito tributário das pessoas fisicas (exceto em relação a Sra. Silvana Regina Alves Guimarães) e das pessoas jurídicas arroladas pela fiscalização encontra sólido amparo legal. ••• Diante de todo o exposto, não merecem guarida os argumentos expendidos pela contribuinte e pelas demais pessoas físicas e jurídicas apontadas corno responsáveis solidários pelos créditos tributários constituídos de que, no caso, não estão presentes os pressupostos legais autorizadores da imputação de responsabilidade solidária, vez que as provas colacionadas aos autos pelas autoridades autuantes deixam foram de dúvida a conduta dolosa de tais pessoas na prática das infrações apontadas nas peças acusatórias. Ademais, como bem ressaltou a autoridade julgadora da instância a quo, os fatos e documentos carreados aos autos pelas autoridades fiscais autuantes não foram contraditados dieretamente pelos recorrentes. O quadro antes retratado, a meu ver, autoriza a qualificação da multa. Com efeito, a transferência fictícia de participações societárias, a interposição de pessoas no quadro societário de empresas e a acumulação intencional de dívidas tributárias em nome dessas interpostas pessoas, revelam ânimo deliberado de subtrair da incidência tributária rendas auferidas no curso da exploração da atividade econômica. • Nessa mesma linha, assinala a autoridade julgadora de primeira instância: Esse mesmo ânimo está representado no relatório apreendido na Plena, tendo sido ressaltado que, além de confirmar a existência de "operações que correm por fora da Contabilidade (NB etc. também demonstrava a preocupação em ocultá-las, conforme o trecho destacado: " arquivar as NE em ordem de N° e colocar em lugar de fácil acesso para localização (caixas box e arquivo separado), no caso de haver fiscalização ele irá direto para onde houver este arquivo e não ficará fuçamio outras coisas.". Ainda com relação ao citado relatório, a fiscalização destacou a mesma preocupação nos seguintes trechos: "3. O computador da empresa contem o Sistema da 90 onde a senha dá acesso a todas as operações que a empresa executa 67 (contábeis e não contábeis), expliquei a ela que deve ser incluída outra senha limitando o acesso para o caso de algum fiscal quiser ver o sistema de emissão de NF." (sic) "6. Perto do Natal, um Fiscal da Receita Federal foi comprar carnes e fez um comentário sobre o movimento da loja, que no dia era grande, perguntou se havia o equipamento emissor de cupom fiscal lacrado e disse que ali estava precisando do mesmo (ver como vai ficar esta questão para este e para outros açougues). 7. A partir disso o Wellington começou a fazer mais retiradas nos caixas, para evitar que algum fiscal pegue os valores corretos das vendas."" Consta ainda do TYF que essa forma de organização especialíssima do grupo engendra consecutivamente outros atos simulados, como a produção de contratos entre as diversas empresas do grupo, relativos ao abate, industrialização e armazenagem dos produtos, ou seja, contratos prevendo a prestação de serviços entre as empresas de um mesmo grupo empresarial, tendo sido constatado por inúmeras vezes que o contratante também se beneficia dos resultados do prestador do serviço. Para as diversas transações entre as empresas, que geram inúmeros documentos e efeitos fiscais, foi visto inclusive, do consultor tributário do grupo, um estudo comparativo, datado de 10/04/2001, entre as vantagens e desvantagens advindas da adoção de dois métodos distintos para redução da carga tributária com o 1CMS: um deles seria o lançamento de notas fiscais de compra fictícias, o outro seria a adoção irregular do regime do crédito presumido para todas as saídas da empresa, independentemente da origem do produto, deixando de aplicar essa sistemática apenas àquelas operações legalmente alcançadas pelo crédito presumido, ou seja, operações com mercadorias originárias de abate próprio. Com a mesma natureza dissimulatória, a fiscalização atestou a existência de contratos de aluguéis entre as empresas do grupo, a exemplo daquele referente à locação do frigorifico firmado entre a empresa Plena e a empresa Rajest, demonstrando que, ao pagamento fictício da Plena para a Rajest, se segue a distribuição de lucros desta empresa para a mãe dos diretores do grupo, que finalmente doa para os seus filhos os recursos assim recebidos. Em diversos relatórios apreendidos na sede do grupo empresarial foram consignadas transações de transferência de numerários entre as empresas do grupo e com os próprios sócios efetivos, sem correlação com a escrituração contábil e fiscal e com as declarações de rendimentos das pessoas fisicas, permitindo acobertar qualquer entrada de recursos ao caixa geral do grupo, mesmo oriundos das vendas com notas brancas referenciadas nos próprios relatórios, e a conseguinte salda de recursos, a qualquer título, para as próprias empresas e para os efetivos sócios e reais beneficiários. Concluiu a fiscalização que os contribuintes tinham interesse na apresentação da organização societária como se aparenta, era seu objetivo colocar terceiros no quadro societário das empresas, que uma vez inadimplentes, não ofereceriam risco de uma execução envolvendo a riqueza patrimonial do grupo, sendo seu desiderato deixar de recolher os tributos gerados pela 68 Processo if 13603.002275/2005-53 SI-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.168 Fl. 35 atividade, com evidente intuito defraude. Por conseguinte, trata- se na hipótese de infração qualificada, por conformarem-se os fatos à descrição de fraude contida no art. 72 da Lei 4.502, de 1964. Acentuou ainda a autoridade fiscal que, pelos fatos já descritos no TPT, no caso das empresas Frigo Adoro, Bandeirante, FRIGORIFICO CRISTAL e Gene (incorporadora da Plena Alimentos) houve interposição fictícia de pessoas na figura dos sócios, isto é, as empresas foram colocadas em nome de terceiros que não tinham capacidade financeira para ocupar tal posição. Conforme visto, a operação de constituição das empresas ou de transferência de quotas para as interpostas pessoas, em regra empregados do grupo, não se confirmam ou foram feitas em valores ilusórios. Conforme visto anteriormente, nenhuma das pessoas físicas envolvidas logrou comprovar documentalmente as aquisições e transferências de participações societárias. As respostas apresentadas remetem aos contratos sociais (que são os documentos que noticiam as transferências de participação societária), às próprias declarações de rendimentos da pessoa física ou a escrita das empresas (sendo estas duas últimas a forma como se aparentam essas operações). Portanto, restaram incomprovadas ditas operações. Além disso, ficou constatada a falta de capacidade económica e financeira das interpostas pessoas para figurarem como sócios das empresas. Além da situação patrimonial desses sócios das empresas, examinadas em suas declarações de rendimentos, foram destacadas as atividades efetivamente exercidas por essas pessoas, muitas das quais eram empregados do próprio grupo empresarial. Igualmente, não há comprovação da origem dos recursos utilizados na aquisição de par. ticipação societária nas empresas. Em contraposição, a fiscalização atestou a existência de diversos documentos que fazem a comprovação da gerência e representação social das empresas pelos efetivos titulares do empreendimento, tanto das empresas já constituídas em nome de terceiros como daquelas que somente posteriormente foram transferidas para terceiros. Ademais, verificou-se a conjugação dos negócios das empresas que são objeto da ação fiscal com os negócios efetuados através das demais empresas de seu grupo empresarial, bem como o fato de que os sócios efetivos auferiram benefícios dos negócios efetuados através dessas empresas, diretamente ou por intermédio de outras empresas de seu grupo. Portanto, vê-se que aqui não se trata da simulação de venda de uma empresa para determinadas pessoas com o objetivo de dissimular seus verdadeiros adquirentes. Na realidade não houve venda alguma, apenas os verdadeiros sócios retiraram seus nomes do negócio, quando as empresas estavam em seu nome, ou constituíram empresas sob o nome de terceiros, • mediante alterações contratuais inveridicas, visando inviabilizar a cobrança do crédito tributário, tendo em vista inclusive que as 69 empresas permanecem com resultados operacionais insignificantes e sem património. A empresa Plena Alimentos do Brasil foi extinta por incolporação pela empresa Gene Alimentos Ltda., que foi transferida para o nome de terceiros. A empresa Frigo Adoro também foi transferida para terceiros e as empresas FRIGORIFICO CRISTAL e Bandeirante encontram-se constituídas em nome de terceiros, á exceção do Sr. Marcos António de Faria Maia, que integra o quadro societário da Bandeirante. Todas as empresas são optantes do PAES, efetuando recolhimentos mensais de parcelas com valores próximos ao mínimo de R$ 200,00. Desse modo, os contratos sociais e alterações contratuais foram levadas a registro na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais para informar falsamente sobre a constituição ou a transmissão de quotas de participação societária, em nome de terceiros, objetivando impedir ao fisco a responsabilização dos efetivos titulares do negócio pelo crédito tributário, haja vista inclusive a situação de inadimplemento das obrigações tributárias pelas empresas, conforme valores apurados nos Autos de Infração ora lançados. Há nesses documentos uma divergência entre a vontade real e a vontade declarada, sendo falsos os negócios neles simulados, pois inexistiu a subscrição e integralização de capital das empresas pelas interpostas pessoas ou transferência das quotas das empresas para essas interpostas pessoas, houve somente a troca dos nomes dos titulares dessas quotas. São, portanto, alterações contratuais inveridicas. Salientou a fiscalização que houve evidente intuito de fraude para evitar o pagamento dos tributos devidos, haja vista que o elevado passivo tributário foi isolado em empresas sem patrimônio que o suportem, em nome de terceiros também sem capacidade financeira para estarem ocupando essa posição, protegendo-se a riqueza patrimonial do grupo empresarial FRIGO NEMA. Avolumam-se indícios de que os senhores que constituíram ou transferiram as quotas das empresas estavam à frente dos negócios, bem como provas cabais de que são os reais beneficiários desses negócios, conforme foi destacado no TVF, tendo colocado as empresas em nome de terceiros, com o objetivo de proteger-se, tornando inalcançável seu patrimônio pessoal. Também destacou a fiscalização que a documentação anexada ao processo comprova que as empresas serviram para a prática de atos negociais em seu nome, mas que na realidade, beneficiaram-se dos mesmos, terceiras pessoas, de forma ardilosa, através de artifícios empregados pelos agentes, com vistas à obtenção de lucros sem o devido recolhimento do tributo. Portanto, são atos praticados através de condutas que objetivaram falsear documentos com o fim direto de prejudicara direito da Fazenda Pública. Conforme aposto, no TVF foi apresentado um rol de justificativas para a qualificação da multa de oficio lançada, sem que os impugnantes tenham efetivamente obtido êxito em rebater os fatos constatados, deixando sem respostas os questionamentos que surgiram do apurado trabalho de investigação levado a efeito pela autoridadefiscal. 727 70 Processo á 13603.002275/2005-53 SI-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.168 Fl. 36 Nestas circunstâncias, em momento algum os defendentes conseguiram enfraquecer o trabalho fiscal expresso no TVF, que consubstancia com clareza todos os procedimentos fiscais, desde as intimações iniciais dirigidas às empresas autuadas, seus sócios e ex-sócios contratuais, passando pelas provas juntadas em relação às pessoas físicas e jurídicas implicadas como responsáveis pelo crédito tributário, ficando demonstrada a intenção do contribuinte de impedir o conhecimento por parte da autoridade fiscal da identidade dos verdadeiros sócios, mediante a utilização de interpostas pessoas no contrato social e respectivas alterações, impedindo ainda a responsabilização pelo significativo passivo tributário deixado pelas empresas autuadas. Procedente, pois, a meu ver, os procedimentos da autoridade fiscalizadora no sentido de caracterizar a Recorrente como pertencente a GRUPO EMPRESARIAL dirigido por um conjunto de pessoas que, deliberadamente, engendraram mecanismos para evitar o pagamento de tributos e contribuições, motivo pelo qual considero também procedentes a qualificação da multa e a responsabilização dessas mesmas pessoas, de forma solidária, para fins de cumprimento das obrigações tributárias constituídas. Creio que mereça ser destacado, ainda, que as infrações apontadas no presente processo administrativo não podem ser apreciadas sem que se leve em consideração todo o conjunto de irregularidades levantado no curso das ações fiscais empreendidas nas empresas pertencentes ao Grupo do qual a Recorrente faz parte. Nesse diapasão, em que pese o fato de a apuração falta de recolhimento, de omissão de receitas e de o arbitramento do lucro não se apresentarem, isoladamente, como situações passíveis de aplicação de multa qualificada, tais infrações não podem ser dissociadas das que foram apuradas nas demais empresas integrantes do GRUPO EMPRESARIAL aqui caracterizado. Assim, considerado tudo que do processo consta, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO aos recursos voluntários interpostos. WILSOPERNA itkr.t, . - RelatorA000010000e • 71
score : 1.0
Numero do processo: 11030.000667/2004-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Apr 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Apr 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2000
ITR ILEGALIDADE QUANTO À EXIGÊNCIA DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL ADA.
De acordo com o Enunciado de Súmula CARF n° 41 “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000”. Tal posicionamento deve ser observado por este julgador, conforme determina o artigo 72, § 4°, combinado com o artigo 45, inciso VI, ambos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
ITR ÁREA DE RESERVA LEGAL NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 10 DA LEI N° 9.393/96.
Para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR, ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal). A
averbação pode se dar, conforme se verifica no caso em apreço, após a ocorrência do fato gerador.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.515
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, negar
provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Eivanice Canário da Silva e Damião Cordeiro de Moraes, que entendem ser desnecessária a averbação da área de reserva legal. Vencido o Conselheiro Elias Sampaio Freire, que dava provimento.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: Gonçalo Bonet Allage
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De acordo com o Enunciado de Súmula CARF n° 41 “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000”. Tal posicionamento deve ser observado por este julgador, conforme determina o artigo 72, § 4°, combinado com o artigo 45, inciso VI, ambos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. ITR ÁREA DE RESERVA LEGAL NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 10 DA LEI N° 9.393/96. Para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR, ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal). A averbação pode se dar, conforme se verifica no caso em apreço, após a ocorrência do fato gerador. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Eivanice Canário da Silva e Damião Cordeiro de Moraes, que entendem ser desnecessária a averbação da área de reserva legal. Vencido o Conselheiro Elias Sampaio Freire, que dava provimento. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11030.000667/200411 Acórdão n.º 920201.515 CSRFT2 Fl. 188 2 ELIAS SAMPAIO FREIRE – Presidente em Exercício Gonçalo Bonet Allage Relator EDITADO EM: 18/04/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Francisco Assis de Oliveira Junior, Gustavo Lian Haddad, Elias Sampaio Freire, Eivanice Canário da Silva, Damião Cordeiro de Moraes, Marcelo Freitas de Souza Costa e Ronaldo Lima de Macedo. Relatório Em face do Espólio de Lucy Dutra Martins foi lavrado o auto de infração de fls. 0207, para a exigência de imposto sobre a propriedade territorial rural, exercício 2000, em razão da glosa de área declarada como sendo de reserva legal, pela ausência de apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental – ADA e da respectiva averbação à margem da matrícula do imóvel, relativamente ao imóvel denominado Fazenda Fortaleza, situado no município de Boa Vista das Missões (RS). A área de utilização limitada foi reduzida de 287,4 ha para 0,0 ha (fls. 06). A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande (MS) considerou o lançamento procedente (fls. 8995). Por sua vez, a Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, apreciando o recurso voluntário interposto pela contribuinte, proferiu o acórdão n° 30134.748, que se encontra às fls. 127142, cuja ementa é a seguinte: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2000 A averbação da reserva legal e a protocolização do Ato Declaratório ambiental são meios de prova e publicidade da existência jurídica da reserva legal, permitindo, ainda que intempestivos, a exclusão da área de reserva legal da área tributável. Inexiste, na legislação de regência, comando que determine a averbação da reserva legal até a data da ocorrência do fato gerador, bem como a protocolização do Ato Declaratório Ambiental ADA em prazo marcado após a entrega da Declaração de ITR. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11030.000667/200411 Acórdão n.º 920201.515 CSRFT2 Fl. 189 3 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE A decisão recorrida, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para considerar 256,77 hectares como área de reserva legal. Intimada do acórdão em 26/03/2009 (fls. 144), a Fazenda Nacional interpôs, com fundamento no artigo 7°, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais então vigente, recurso especial às fls. 146158, acompanhado do documento de fls. 159, cujas razões podem ser assim sintetizadas: a) O acórdão recorrido entendeu por desconstituir o auto de infração, no tocante ao ITR correspondente à área declarada pelo contribuinte como de Reserva Legal, não obstante não tenha havido a averbação dessa área na matrícula do imóvel, nem a comprovação de apresentação tempestiva de ADA; b) Divergindo deste entendimento, a Colenda Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, no acórdão n° 30239.233), exige a apresentação tempestiva do ato específico do órgão ambiental competente (ADA) para o reconhecimento da isenção no que tange à área de reserva legal, como também determina a averbação tempestiva como requisito ao reconhecimento da isenção; c) Não tem como prosperar o entendimento adotado pela D. Câmara que, ao desconstituir parte do auto de infração, contrariou os dispositivos legais de regência da matéria, quais sejam, art. 16, §8°, do Código Florestal c/c art. 110, do CTN; art. 144 e 150 do CTN; art. 10, §1°, inciso II, da Lei n° 9.393/96 c/c art. 1°, da Lei n° 10.165/2000; d) As áreas de preservação permanente e as áreas de reserva legal constituem restrições à propriedade privada com a finalidade proteger o interesse público a um meio ambiente ecologicamente equilibrado, art. 225, CF; e) Nesse sentido, tanto o Código Florestal, quanto a legislação tributária vêm sofrendo inúmeras alterações, por meio de leis e medidas provisórias, que demonstram a busca dos legisladores em conciliar os interesses dos diversos atores envolvidos na questão; f) A fim de contrabalançar as restrições legais relativas às áreas necessárias à proteção ambiental com os anseios do setor produtivo rural, é que se criou a isenção do Imposto Territorial Rural sobre estas áreas reconhecidas como de interesse ecológico; g) Com efeito, após declaração do contribuinte de estar isento de recolher o ITR sobre determinada área, por ele declarada como de preservação permanente ou de reserva legal, a fiscalização glosou tal isenção, considerando não haver direito ao gozo do benefício, ante a ausência de ADA e de averbação dessa área junto à matrícula do imóvel; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11030.000667/200411 Acórdão n.º 920201.515 CSRFT2 Fl. 190 4 h) Tal glosa deve ser mantida, eis que para o gozo da isenção do ITR é necessária a comprovação da existência, à época do fato gerador, da parte da propriedade rural declarada como reserva legal, o que não ocorreu no caso; i) No caso dos autos, constatase que as áreas declaradas isentas não foram averbadas no Registro de Imóveis em data anterior à ocorrência do fato gerador, consoante determinam os art. 16, §8°, do Código Florestal c/c art. 110, art. 144 e art. 150 do Código Tributário Nacional; j) A Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989, disciplinou o instituto da reserva legal e consagrou a exigência de sua averbação ou registro à margem da inscrição da matrícula do imóvel, vedada "a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou desmembramento da área" (Art. 16 § 2°); k) Inconteste que a finalidade da averbação da reserva legal na matrícula do imóvel é a de lhe dar publicidade, para que futuros adquirentes saibam identificar onde está localizada, seus limites e confrontações. Mais ainda, visa a imputar aos proprietários a responsabilidade de preservar tais áreas, já que o interesse na manutenção das mesmas é público; l) Não basta a declaração do contribuinte de que determinada fração de sua terra corresponde a reserva legal, essa porção informada há de estar delimitada, determinada, a fim de que possa existir; m) Pela mesma razão, a mera declaração de existência da área de reserva legal não pode ter o condão de excluíla quando da apuração do ITR. Para a constituição do direito ao benefício, a área deve estar devidamente averbada à margem da matrícula do imóvel à época do fato gerador do tributo; n) De fato, o conceito de reserva legal não pode ser modificado pela lei tributária. Se a lei tributária, art. 10, da Lei n° 9.363/96, tomou emprestado o conceito legalmente existente de "reserva legal" para a produção de efeitos tributários, por óbvio, está proibida de modificar o desenho do instituto, nos termos do art. 110, do CTN; o) Ora, se tanto a lei ambiental, art. 16, do Código Florestal, quanto toda a jurisprudência, somente consideram a existência de "reserva legal" após a averbação, também para efeitos tributários a "reserva legal" somente poderá ser reconhecida após averbada. O instituto jurídico é o mesmo. Dever ser interpretado do mesmo modo tanto para gerar efeitos ambientais quanto tributários. A legislação tributária está obrigada a utilizar o instituto nos mesmos moldes empregados pelo diploma legal que lhe serviu como fonte.; p) O direito à isenção deve ser comprovado pelo contribuinte e não pela Administração. Nos termos do art. 333, do CPC, o ônus da prova compete a quem alega. O natural é que toda a área da propriedade seja tributável. A exclusão do tributo é exceção que deve ser comprovada Fl. 4DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11030.000667/200411 Acórdão n.º 920201.515 CSRFT2 Fl. 191 5 pelo interessado. Não se pode inverter o ônus da prova e obrigar a Administração a comprovar fato negativo, qual seja, a inexistência de reserva legal; q) Portanto, pela ausência de averbação tempestiva e diante da natureza constitutiva de tal ato, merece ser integralmente reformada a decisão recorrida. Admitido o recurso por intermédio do Despacho n° 920200.314 (fls. 162 164), o contribuinte foi intimado e, devidamente representado, apresentou contrarrazões às fls. 180184, onde defendeu, fundamentalmente, a necessidade de manutenção do acórdão de segunda instância. É o Relatório. Voto Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator O Recurso Especial da Fazenda Nacional cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Reitero que o acórdão proferido pela Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para considerar 256,77 hectares como área de reserva legal (o lançamento reduziu esta área de 287,4 ha para 0,0 ha). A recorrente insurgiuse contra a exclusão da base de cálculo do ITR da área de reserva legal, suscitando que só faz jus a este benefício o contribuinte que tiver apresentado tempestivamente o ADA e promovido a averbação da respectiva área à margem da matrícula do imóvel, antes da ocorrência do fato gerador do tributo, o que não ocorre no caso em tela, invocando como paradigma o acórdão n° 30239.233. Eis as matérias em litígio. Inicio a análise de recurso pela questão da apresentação intempestiva do ADA. Muito se poderia escrever sobre a ausência de amparo legal para a exigência do ADA em momento anterior à alteração promovida no artigo 17O da Lei n° 6.938/81 pela Lei n° 10.165, de 27/12/2000. Até então, apenas Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal veiculavam tal obrigação (IN/SRF n° 43/97, com redação dada pela IN/SRF n° 67/97). Fl. 5DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11030.000667/200411 Acórdão n.º 920201.515 CSRFT2 Fl. 192 6 No entanto, atualmente, no âmbito do Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF a matéria não comporta maiores digressões. Isso porque no mês de dezembro de 2009, este Tribunal Administrativo aprovou diversas Súmulas e consolidou aquelas aplicáveis no âmbito do extinto e Egrégio Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, sendo que o Enunciado CARF n° 41 tem o seguinte conteúdo: “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000”. No caso, cumpre reiterar, a exigência envolve o exercício 2000. Por força do que dispõe o artigo 72, § 4°, combinado com o artigo 45, inciso VI, ambos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tal enunciado é de adoção obrigatória por este julgador. Nessa ordem de juízos, concluo que a decisão recorrida merece ser confirmada quanto à ausência de amparo legal para exigência do ADA. Resta para apreciação, ainda, a matéria relativa à necessidade ou não de averbação da área de reserva legal. Pois bem, o artigo 10 da Lei n° 9.393/96 tem a seguinte redação: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1°. Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; Portanto, de acordo com tal regra, as áreas de preservação permanente e de reserva legal, previstas no Código Florestal (Lei n° 4.771/65), estão excluídas da base de cálculo do ITR. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11030.000667/200411 Acórdão n.º 920201.515 CSRFT2 Fl. 193 7 A chamada área de reserva legal ou de utilização limitada tem contornos estabelecidos pelo artigo 16 do Código Florestal, atualmente com a redação que lhe foi dada pela Medida Provisória n° 2.16667/2001, da seguinte forma: Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: I oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; III vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e IV vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. § 1°. O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo. § 2°. A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. § 3°. Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. § 4°. A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: I o plano de bacia hidrográfica; II o plano diretor municipal; Fl. 7DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11030.000667/200411 Acórdão n.º 920201.515 CSRFT2 Fl. 194 8 III o zoneamento ecológicoeconômico; IV outras categorias de zoneamento ambiental; e V a proximidade com outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. § 5°. O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico ZEE e pelo Zoneamento Agrícola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: I reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas de Preservação Permanente, os ecótonos, os sítios e ecossistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e II ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos índices previstos neste Código, em todo o território nacional. § 6°. Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: I oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; II cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do País; e III vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso I do § 2o do art. 1o. § 7°. O regime de uso da área de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § 6o. § 8°. A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. § 9°. A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. § 10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título Fl. 8DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11030.000667/200411 Acórdão n.º 920201.515 CSRFT2 Fl. 195 9 executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicandose, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. § 11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. A necessidade ou não de averbação da referida área no cartório de registro de imóveis, para fins de apuração da base de cálculo do ITR, é matéria bastante controvertida, tanto nos Tribunais Judiciais quanto no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Este julgador, inclusive, chegou a votar no sentido de que, comprovada a existência da área de reserva legal de alguma forma, inexistia o dever de averbála à margem da matrícula do imóvel. Contudo, após profundos debates, principalmente no âmbito da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção, da qual faço parte, alterei meu posicionamento para entender que a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel é, como regra geral, condição para sua exclusão da base de cálculo do ITR. Acabei convencido de que a necessidade de averbação da área de reserva legal, embora com função declaratória e não constitutiva, decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal), conforme acima destacado. Atualmente, a infringência a tal mandamento, inclusive, dá ensejo à aplicação de multas pecuniárias, conforme determina o artigo 55 do Decreto n° 6.514/2008. O ITR é tributo de natureza eminentemente extrafiscal, sendo que a obrigatoriedade da averbação da reserva legal está relacionada, muito além do direito tributário, à garantia de preservação de um meio ambiente ecologicamente equilibrado. Salvo melhor juízo, o benefício tributário consistente na exclusão da base de cálculo do ITR da área de reserva legal só pode ser reconhecido se estiverem cumpridas as exigências da legislação ambiental. E, no caso, penso que o lançamento não pode prosperar, pois o contribuinte atendeu a todas as exigências legais, na medida em que, embora após a ocorrência do fato gerador, que se deu em 01/01/2000, promoveu a averbação de 256,77 hectares como área de utilização limitada, em 16/09/2004, conforme Certidão de fls. 114, do Cartório de Registro de Imóveis da Comarca de Palmeira das Missões (RS). Fl. 9DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11030.000667/200411 Acórdão n.º 920201.515 CSRFT2 Fl. 196 10 É de se destacar, ainda, que em 25/03/2002, há na referida matrícula a averbação de 256,77 hectares como área de preservação permanente, de acordo com termo de preservação de floresta firmado em 04/02/1984. A averbação de 2004 corrige aquela ocorrida em 2002, para constar que trata se de área de reserva legal e não de preservação permanente. Sob minha ótica, a averbação da área de utilização limitada pode se dar em momento posterior à ocorrência do fato gerador. Conforme asseverou o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, no julgamento do recurso voluntário n° 342.455, “...havendo uma área de reserva legal preservada e comprovada por laudos técnicos ou termos do poder público, mesmo com averbação posterior ao fato gerador, não me parece razoável arrostar o benefício tributário, quando se sabe que áreas ambientais preservadas levam longo tempo para sua recomposição, ou seja, uma área averbada e comprovada em exercício posterior, certamente existia nos exercícios logo precedentes, como redutora da área total do imóvel passível de tributação, não podendo ter sido utilizada diretamente nas atividades agrícolas, pecuárias ou extrativistas. Ademais, nem a Lei tributária nem o Código Florestal definem a data de averbação, como condicionante à isenção do ITR.” Nesse sentido, ainda, trago à colação a ementa do seguinte julgado proferido pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça – STJ: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. ITR. ISENÇÃO. LEI Nº 9.393/96. AVERBAÇÃO PRÉVIA DA RESERVA LEGAL. DESNECESSIDADE. AGRAVO IMPROVIDO. 1. "A falta de averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel, ou a averbação feita após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965." (REsp nº 1.060.886/PR, Relator Ministro Luiz Fux, in DJe 18/12/2009). 2. Agravo regimental improvido. (STJ, Primeira Turma, AgRg no REsp n° 1.157.239/DF, Relator Ministro Hamilton Carvalhido, DJE de 04/06/2010) Considerando a averbação da área de reserva legal de 256,77 hectares, ainda que em momento posterior à ocorrência do fato gerador, entendo que a decisão recorrida deve ser confirmada. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11030.000667/200411 Acórdão n.º 920201.515 CSRFT2 Fl. 197 11 Gonçalo Bonet Allage Fl. 11DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE Assinado digitalmente em 27/04/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 14333.000284/2007-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 11/12/2006
AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO
ACESSÓRIA. Constitui infração, sujeita à aplicação de multa, deixar a empresa de exibir à Fiscalização quaisquer documentos e/ou livros contábeis relacionados com as contribuições para a Seguridade Social, ou apresentá-los desprovidos das formalidades legais exigidas, com informações diversas da realidade ou com omissão de informações verdadeira, nos termos do artigo
33, §§ 2º e 3°, da Lei nº 8.212/91.
CONTABILIDADE. LIVRO DIÁRIO/RAZÃO. PRAZO ESCRITURAÇÃO DOS FATOS GERADORES. De conformidade com o artigo 225, inciso II, e
§ 13º, do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, os fatos geradores das contribuições previdenciárias deverão estar devidamente escriturados nos Livros Diários e Razão 90 (noventa) dias após a sua ocorrência, devendo ser observadas, ainda, as formalidades legais extrínsecas e intrínsecas da escrituração contábil.
RELEVAÇÃO DA MULTA. INAPLICABILIDADE. CORREÇÃO PARCIAL INFRAÇÃO. Com fulcro no artigo 291, § 1º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99 (redação
original), somente será relevada a multa aplicada quando corrigida a infração, com pedido dentro do prazo de defesa, sendo o contribuinte primário e inexistindo circunstância agravante. Tratando-se de auto de infração cuja existência de uma única inobservância de obrigação acessória enseja a manutenção da autuação em sua integralidade, o fato de o contribuinte ter
corrigido parcialmente a infração não tem o condão de afastar a penalidade aplicada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-001.991
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 11/12/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração, sujeita à aplicação de multa, deixar a empresa de exibir à Fiscalização quaisquer documentos e/ou livros contábeis relacionados com as contribuições para a Seguridade Social, ou apresentá-los desprovidos das formalidades legais exigidas, com informações diversas da realidade ou com omissão de informações verdadeira, nos termos do artigo 33, §§ 2º e 3°, da Lei nº 8.212/91. CONTABILIDADE. LIVRO DIÁRIO/RAZÃO. PRAZO ESCRITURAÇÃO DOS FATOS GERADORES. De conformidade com o artigo 225, inciso II, e § 13º, do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, os fatos geradores das contribuições previdenciárias deverão estar devidamente escriturados nos Livros Diários e Razão 90 (noventa) dias após a sua ocorrência, devendo ser observadas, ainda, as formalidades legais extrínsecas e intrínsecas da escrituração contábil. RELEVAÇÃO DA MULTA. INAPLICABILIDADE. CORREÇÃO PARCIAL INFRAÇÃO. Com fulcro no artigo 291, § 1º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99 (redação original), somente será relevada a multa aplicada quando corrigida a infração, com pedido dentro do prazo de defesa, sendo o contribuinte primário e inexistindo circunstância agravante. Tratando-se de auto de infração cuja existência de uma única inobservância de obrigação acessória enseja a manutenção da autuação em sua integralidade, o fato de o contribuinte ter corrigido parcialmente a infração não tem o condão de afastar a penalidade aplicada. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 11/12/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração, sujeita à aplicação de multa, deixar a empresa de exibir à Fiscalização quaisquer documentos e/ou livros contábeis relacionados com as contribuições para a Seguridade Social, ou apresentálos desprovidos das formalidades legais exigidas, com informações diversas da realidade ou com omissão de informações verdadeira, nos termos do artigo 33, §§ 2º e 3°, da Lei nº 8.212/91. CONTABILIDADE. LIVRO DIÁRIO/RAZÃO. PRAZO ESCRITURAÇÃO DOS FATOS GERADORES. De conformidade com o artigo 225, inciso II, e § 13º, do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, os fatos geradores das contribuições previdenciárias deverão estar devidamente escriturados nos Livros Diários e Razão 90 (noventa) dias após a sua ocorrência, devendo ser observadas, ainda, as formalidades legais extrínsecas e intrínsecas da escrituração contábil. RELEVAÇÃO DA MULTA. INAPLICABILIDADE. CORREÇÃO PARCIAL INFRAÇÃO. Com fulcro no artigo 291, § 1º, do Regulamento da Previdência SocialRPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99 (redação original), somente será relevada a multa aplicada quando corrigida a infração, com pedido dentro do prazo de defesa, sendo o contribuinte primário e inexistindo circunstância agravante. Tratandose de auto de infração cuja existência de uma única inobservância de obrigação acessória enseja a manutenção da autuação em sua integralidade, o fato de o contribuinte ter corrigido parcialmente a infração não tem o condão de afastar a penalidade aplicada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 153DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/09/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 154DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/09/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 14333.000284/200761 Acórdão n.º 240101.991 S2C4T1 Fl. 154 3 Relatório LIDER DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 15a Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ I, Acórdão n° 1219.087/2008, às fls. 50/53, que julgou procedente a autuação fiscal lavrada contra a empresa, com fulcro no artigo 33, §§ 2º e 3º, da Lei nº 8.212/91, c/c artigos 232 e 233, parágrafo único, do RPS, por ter deixado de apresentar os documentos solicitados pela fiscalização mediante TIAD, mais precisamente os Livros Diário relativos ao período de 06/2002 a 03/2006, conforme Relatório Fiscal da Infração, às fls. 10/11, e demais elementos que instruem o processo. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 11/12/2006, nos termos do artigo 293 do RPS, contra a contribuinte acima identificada, constituindose multa no valor de R$ 11.569,50 (Onze mil, quinhentos e sessenta e nove reais e cinquenta centavos), com base nos artigos 283, inciso II, alínea “j”, e 373, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 57/63, procurando demonstrar a improcedência do lançamento, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra a exigência consubstanciada na peça vestibular do feito, por entender que a infração imputada não ocorrera da forma inscrita no Auto de Infração, sobretudo em razão do exíguo prazo concedido pelo fiscal autuante para apresentação dos documentos solicitados. Assevera que, inobstante o diminuto prazo, a contribuinte conseguiu fornecer toda a documentação requisitada pelo Fisco, inclusive os Livros Diário do período objeto da fiscalização, sem constar, porém, a autenticação da Junta Comercial do Estado, razão pela qual fora requerida dilação do prazo, não deferida pela autoridade lançadora. Contrapõese à multa aplicada, requerendo a sua relevação nos termos do artigo 291, § 1°, do Regulamento da Previdência Social, tendo em vista a observância de todos os requisitos para tanto, ressaltando que a apresentação do Livro Diário de 01/2006 a 03/2006 não era possível quando da ação fiscal ou mesmo no prazo de defesa, em razão da ocorrência dos fatos contábeis no decorrer do próprio ano de 2006, ou seja, sem o devido término do período para consolidação/encerramento da escrituração contábil. Colaciona aos autos cópia autenticada do Livro Diário do ano de 2006, pugnando pela relevação da multa aplicada, a qual fora atribuída em contrariedade ao princípio da razoabilidade e proporcionalidade. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a autuação, tornandoa sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 155DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/09/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 4 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Em suas razões de recurso, em síntese, pretende a contribuinte a reforma da decisão recorrida, a qual manteve a exigência fiscal em sua plenitude, aduzindo para tanto que a infração constatada somente ocorrera em face do exíguo prazo para apresentação da documentação solicitada, a qual fora devidamente ofertada ao Fisco por ocasião da interposição da impugnação. Sustenta que, na verdade, a documentação fora apresentada à fiscalização, mas sem a autenticação/registro na Junta Comercial, o que ensejou, inclusive, pedido de dilação do prazo para cumprimento de tal formalidade, não tendo, porém, o fiscal autuante acolhido referido pedido. Acrescenta que somente o Livro Diário referente ao período de 01/2006 a 03/2006 não fora apresentado por ocasião da ação fiscal ou mesmo no prazo de defesa, tendo em vista que referido anocalendário ainda não havia terminado, impossibilitando, assim, o encerramento de referido Livro Diário. A corroborar seu entendimento, traz à colação termo de abertura e encerramento do Livro Diário de 2006, requerendo seja relevada a multa com arrimo no artigo 291, § 1°, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, sob pena de manutenção de multa desarrazoada e desproporcional. Em que pesem as substanciosas razões ofertadas pela contribuinte, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que o lançamento, corroborado pela decisão recorrida, apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude. Com efeito, a lavratura do presente auto de infração se deu em virtude da contribuinte ter deixado de apresentar os Livros Diários relativos ao período de 06/2002 a 03/2006, muito embora devidamente intimada para tanto mediante TIAD, infringindo o disposto no artigo 33, §§ 2º e 3°, da Lei nº 8.212/91, constituindose crédito previdenciário decorrente de multa aplicada nos termos do artigo 283, inciso II, alínea “j”, do RPS, nos seguintes termos: “ Lei nº 8.212/91 Art. 33. [...] § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade Fl. 156DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/09/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 14333.000284/200761 Acórdão n.º 240101.991 S2C4T1 Fl. 155 5 cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). “Regulamento da Previdência Social – Aprovado pelo Decreto 3.048/99. Art. 283. Por infração a quaisquer dispositivos das Leis 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 08 de mais de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável [...], conforme gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: [...] II – a partir de R$ 6.361,73 nas seguintes infrações: j) deixar a empresa, o servidor [...], de exibir os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento ou apresentalos sem atender às formalidades legais exigidas ou contendo informação diversa da realidade ou, ainda, com omissão de informação verdadeira.” Verificase, que a recorrente não apresentou a documentação exigida pela Fiscalização na forma que determina a legislação previdenciária, incorrendo na infração prevista nos dispositivos legais supratranscritos, o que ensejou a aplicação da multa, nos termos do Regulamento da Previdência Social. Em sua impugnação, a contribuinte asseverou que apresentou durante a ação fiscal os Livros Diários solicitados, com exceção do ano de 2006, sem conquanto estarem devidamente autenticados/registrados na Junta Comercial, o que teria ensejado, inclusive, pedido de dilação de prazo, não deferido pela autoridade lançadora. Após a lavratura do Auto de Infração, colacionou aos autos junto à sua defesa inaugural os termos de abertura e encerramento dos Livros Diário de 06/2002 a 12/2005, deixando, porém, de apresentar a escrituração em relação à 01/2006 a 03/2006 a pretexto de sua impossibilidade, em face do não encerramento de referido ano. Mais uma vez, os argumentos da contribuinte não têm o condão de macular a multa aplicada. No intuito de verificar da melhor forma o cumprimento das obrigações previdenciárias, cabe ao Auditor Fiscal do INSS (atualmente da Receita Federal do Brasil), revestido da competência legal de fiscalizar, solicitar, nos precisos termos do artigo 33, § 2º, da Lei nº 8.212/91, “[...] documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.”, sendo obrigação da contribuinte atender referida exigência, sob pena de incorrer na infração objeto desta autuação. No entanto, essa documentação só se prestará a eximir a obrigação acessória da contribuinte quando revestida de todas as formalidades legais intrínsecas e extrínsecas, no presente caso, o registro na Junta Comercial. Assim, para que a contabilidade da contribuinte possa produzir efeitos legais deve estar em consonância com a legislação de regência e devidamente registrada no órgão competente. Caso contrário, é como se não existisse, e sua apresentação não tem validade alguma, representando, igualmente, a sua não exibição à fiscalização. Fl. 157DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/09/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 6 Dessa forma, ainda que a contabilidade da recorrente representasse efetivamente a realidade dos fatos, na forma inscrita nos Livros Diários pretensamente apresentados durante a ação fiscal, somente serviria para controle da empresa, mas nunca para efeitos fiscais, como forma de cumprimento de obrigações acessórias, uma vez que desprovido de uma de suas formalidades legais, qual seja, o respectivo registro. Nesse diapasão, não há como negar que o documento fornecido à fiscalização, Livro Diário sem o registro na Junta Comercial, estava maculado por vício formal (deficiente), infringindo de forma flagrante o disposto nos artigos 33, §§ 2º e 3°, da Lei 8.212/91 c/c 232 e 233, parágrafo único, do RPS, impondo a aplicação da penalidade insculpida no artigo 283, inciso II, alínea “j”, do RPS, na forma que procedeu acertadamente o ilustre fiscal autuante, estando o fato gerador da infração em perfeita consonância com os fundamentos legais utilizados no lançamento, ao contrário do que sustenta a recorrente. Somente a título elucidativo, para rechaçar de plano a pretensão da contribuinte, vejamos o que determina o parágrafo único, do artigo 233, do RPS, in verbis: “Art. 233. [...] parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira.” (grifamos) A propósito do tema, impende transcrever, ainda, os preceitos contidos no artigo 225, inciso II, e § 13º, do RPS, o qual determina a obrigação e prazos para o lançamento dos fatos geradores em título próprio da contabilidade da contribuinte, senão vejamos: “Art. 225. A empresa é também obrigada a: [...] II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos [...] § 13. Os lançamentos de que trata o inciso II do caput, devidamente escriturados nos livros Diário e Razão, serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições, devendo, obrigatoriamente: I atender ao princípio contábil do regime de competência; e II registrar, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do saláriodecontribuição, bem como as contribuições descontadas do segurado, as da empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços.” Fl. 158DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/09/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 14333.000284/200761 Acórdão n.º 240101.991 S2C4T1 Fl. 156 7 Conforme se depreende dos dispositivos legais encimados, a fiscalização poderá exigir da contribuinte o Livro Diário ou Razão 90 (noventa) dias após a ocorrência dos fatos geradores. Na hipótese dos autos, como se extrai do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos, constantes do processo, às fls. 08/09, a fiscalização exigiu da contribuinte os documentos ali inseridos, inclusive Livros Diário, em relação ao período de 06/2002 a 03/2006. Observese que na data da intimação para apresentação de documentos (05/10/2006 – TIAD específico), já havia transcorrido 90 (noventa) dias do último fato gerador solicitado, qual seja, 03/2006, sem que a recorrente apresentasse referida documentação. De igual forma, quando da lavratura do presente Auto de Infração, em 11/12/2006, o prazo de 90 (noventa) dias estipulado na norma legal acima transcrita, também já havia se passado em relação ao período de 01 a 03/2006, não tendo a contribuinte em nenhum momento da ação fiscal apresentado tal documento, devendo ser mantida autuação em sua integralidade. Mais a mais, como é de conhecimento daqueles que lidam com o direito tributário, é obrigação dos contribuintes a manutenção da escrita contábil de forma regular, de modo a fazer prova contra ou a seu favor, e não somente corrigila ou mesmo proceder à devida escrituração quando intimada pelo Fisco para tanto, o que afasta a tese do pretenso exíguo prazo para apresentação dos documentos solicitados. DA RELEVAÇÃO DA MULTA Alfim, reitera a contribuinte o pedido de relevação da multa aplicada, com esteio no artigo 291, do RPS, §1 , do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Não obstante o esforço da contribuinte, sua pretensão, novamente, não é capaz de determinar a reforma da decisão recorrida. Destarte, a relevação da multa, ocorrendo efetivamente à correção da falta, darseá nos precisos termos do artigo 291, § 1º, do RPS, na sua redação original, vigente à época da infração, que assim estabelece: “Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. § 1º A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante.” Na hipótese dos autos, constatase que a contribuinte não corrigiu integralmente a falta incorrida, não havendo que se falar em relevação da multa aplicada, por absoluto descumprimento dos requisitos para tanto. Destarte, como a própria contribuinte reconhece e restou circunstanciadamente demonstrado no Acórdão recorrido, em relação ao período de 06/2002 a 12/2005 a então impugnante apresentou os Livros Diários dentro do prazo para relevação da multa. Entrementes, no que tange às competências 01/2006 a 03/2006, somente por ocasião da interposição do recurso voluntário a empresa colacionou aos autos cópia do Livro Diário devidamente registrado, fora, portanto, do prazo legal, não se cogitando, assim, no acolhimento Fl. 159DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/09/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 8 do benefício da relevação da multa, ainda que parcialmente, uma vez que a multa objeto do presente auto de infração é fixa. Em outras palavras, tratandose de auto de infração cuja a existência de uma única inobservância de obrigação acessória enseja a manutenção da autuação em sua integralidade, o fato de o contribuinte corrigir a falta parcialmente não tem o condão de afastar a penalidade aplicada, como se vislumbra no caso vertente. No que tange às demais alegações da contribuinte, não cabe aqui tecer maiores considerações, porquanto não são capazes de rechaçar a exigência fiscal em comento, eis que desprovidas de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente refutadas na decisão de primeira instância. Assim, escorreita a decisão recorrida devendo nesse sentido ser mantido o lançamento, uma vez que a contribuinte não logrou infirmar os elementos colhidos pela fiscalização que serviram de base à penalidade aplicada, não fazendo uso nem mesmo do benefício da relevação da multa, inscrito no artigo 291, § 1º, do RPS. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo incólume a decisão de primeira instância, pelos seus próprios fundamentos. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 160DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/09/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE
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Numero do processo: 11051.000734/2005-22
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jul 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Jul 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2000
APRESENTAÇÃO DE PROVAS APÓS A IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO PROCESSUAL E PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL.
Nos processos de determinação e exigência de crédito tributário, a impugnação fixará os limites da controvérsia, sendo considerada como não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.
No entanto, a noção de preclusão não pode ser levada às últimas conseqüências, devendo o julgador ponderar sua aplicação no caso concreto à luz dos elementos constantes dos autos e que conduzem à identificação plena da matéria tributável, em homenagem ao princípio da verdade material.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.633
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Gustavo Lian Hadad
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camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000 APRESENTAÇÃO DE PROVAS APÓS A IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO PROCESSUAL E PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos processos de determinação e exigência de crédito tributário, a impugnação fixará os limites da controvérsia, sendo considerada como não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. No entanto, a noção de preclusão não pode ser levada às últimas conseqüências, devendo o julgador ponderar sua aplicação no caso concreto à luz dos elementos constantes dos autos e que conduzem à identificação plena da matéria tributável, em homenagem ao princípio da verdade material. Recurso especial negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1462; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11051.000734/200522 Recurso nº 151.005 Especial do Procurador Acórdão nº 920201.633 – 2ª Turma Sessão de 25 de julho de 2011 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ADROALDO GONZALEZ MARTINEZ ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000 APRESENTAÇÃO DE PROVAS APÓS A IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO PROCESSUAL E PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos processos de determinação e exigência de crédito tributário, a impugnação fixará os limites da controvérsia, sendo considerada como não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. No entanto, a noção de preclusão não pode ser levada às últimas conseqüências, devendo o julgador ponderar sua aplicação no caso concreto à luz dos elementos constantes dos autos e que conduzem à identificação plena da matéria tributável, em homenagem ao princípio da verdade material. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/08/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 (Assinado digitalmente) Otacilio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Relator EDITADO EM: 04/08/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Oliveira. Relatório Em face de Adroaldo Gonzalez Martinez foi lavrado o auto de infração de fls. 03/06, objetivando a exigência de Imposto de Renda Pessoa Física em decorrência da identificação, pela autoridade fiscal, da omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito, mantidas em instituição financeira, em relação aos quais o contribuinte não comprovou a origem, relativamente ao exercício de 2001. A Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário interposto pela contribuinte, exarou o acórdão n° 10422.424, que se encontra às fls. 169/175 e cuja ementa é a seguinte: “LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS COMPROVAÇÃO Comprovada a origem do depósito, elidida estará a presunção do art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS LIMITES Para efeito de determinação da receita omitida, devem ser excluídos, no caso de pessoa física, os depósitos de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, cujo somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00, sendo incabível a autuação no caso de valores que não alcancem ditos limites (art. 42, § 3 0, II, da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação da Lei n° 9.481, de 1997). Recurso parcialmente provido.” A anotação do resultado do julgamento indica que a Câmara, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo os depósitos de valor igual ou inferior a R$12.000,00. Intimada pessoalmente do acórdão em 13/12/2007 (fls. 176) a Procuradoria da Fazenda Nacional opôs os Embargos de Declaração de fls. 178/179 que foram rejeitados conforme despacho de fls. 182/183. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/08/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11051.000734/200522 Acórdão n.º 920201.633 CSRFT2 Fl. 2 3 Devidamente intimada da rejeição de seus embargos em 04/09/2008 (fls. 183) a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial de fls. 185/188, em que sustenta divergência entre o v. acórdão, que acolheu as provas apresentadas em sede recursal, e o entendimento manifestado no acórdão 10247.140. Ao Recurso Especial foi dado parcial seguimento, conforme Despacho nº 920200.038, de 28/09/2009 (fls. 193 e vº). Intimado sobre a admissão do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional o contribuinte apresentou as contrarazões de fls. 198/202. É o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator Analiso, inicialmente, se o recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional preenche os requisitos de admissibilidade. A matéria em discussão no presente recurso é a possibilidade do Colegiado de segunda instância conhecer de provas apresentadas pelo contribuinte após a sua impugnação. O acórdão recorrido (Acórdão nº 10422.424), exarado pela C. 4ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, houve por bem cancelar lançamento com base em provas apresentadas pelo contribuinte juntamente com seu recurso voluntário. Visando à rediscussão da matéria a Procuradoria da Fazenda Nacional indicou como paradigma para demonstrar a divergência de interpretação o Acórdão nº 102 47.140. O acórdão indicado como paradigma analisou situação semelhante ao presente caso, qual seja a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de provas apresentadas após a impugnação, como se verifica da ementa abaixo transcrita: Acórdão 10247.140 “PAF — JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS É preclusa juntada de provas, laudos ou outros documentos pelo contribuinte em momento posterior à apresentação da peça impugnatória, ressalvadas as hipóteses de impossibilidade de fazêlo ou de força maior, que devem ser devidamente provadas. Recurso parcialmente provido.” O acórdão citado como paradigma concluiu que a não apresentação de todas as provas juntamente com a impugnação, a menos que fique demonstrada a impossibilidade técnica ou prática, motivo de força maior ou referência a fato ou direito superveniente, levaria à preclusão, não podendo tais provas serem conhecidas pela autoridade julgadora. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/08/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Nesse sentido, entendo sim caracterizada a divergência de interpretação em relação ao entendimento consagrado no acórdão apontado como paradigma, razão pela qual conheço do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Assim sendo, passo ao exame do mérito do referido recurso especial. Discutese nos presentes autos a possibilidade do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ao julgar determinado recurso voluntário, formar sua convicção com base em provas trazidas aos autos pelo contribuinte após a sua impugnação. O Decreto nº 70.235/1972, que regula o processo administrativo fiscal federal, em seu artigo 16, parágrafo 4º, assim determina: “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância.” Verificase, assim, que nos processos de determinação e exigência de crédito tributário a impugnação tem como função fixar e delimitar os limites da controvérsia, sendo considerada como não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Nessa linha de raciocínio, não sendo apresentada determinada prova juntamente com a impugnação, terseia a preclusão do direito do contribuinte. No entanto, é certo que a administração pública está adstrita ao princípio da legalidade, que, em última instância, requer da autoridade julgadora a busca pela verdade material no processo administrativo fiscal a partir dos elementos trazidos aos autos pelas partes. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/08/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11051.000734/200522 Acórdão n.º 920201.633 CSRFT2 Fl. 3 5 Verificada a ocorrência de determinada hipótese de incidência tributária, a autoridade fiscal procede ao lançamento formal do crédito tributário que o contribuinte, em não concordando, poderá impugnar. Uma vez instalado o contraditório, o julgador deve empreender no sentido de comprovar se a hipótese abstratamente prevista na norma efetivamente ocorreu, sem limitarse ao alegado e apresentado como prova, sob pena de tributarse determinado fato não correspondente àquele descrito na hipótese de incidência. Por força do princípio da legalidade não vejo como a autoridade julgadora deixaria de analisar as provas apresentadas, ainda que apenas na fase recursal, deixando de buscar a verdade material e limitandose a apreciar somente o alegado ou apresentado como prova. Adicionalmente, ao não analisar tais provas sob a alegação de preclusão, a autoridade julgadora, a meu ver, estaria afrontando os princípios da eficiência e da instrumentalidade do processo. Isso porque, em sendo mantido o lançamento com base na preclusão do direito de apresentação de provas, poderia ele ser posteriormente submetido ao crivo do Poder Judiciário quando, então, a análise dessas mesmas provas levaria ao cancelamento do crédito tributário e ao ônus de sucumbência da Fazenda Nacional. Destaco que outro não tem sido o entendimento deste Colegiado, como se verifica na ementa abaixo transcritas: ACÓRDÃO 920200.818 Câmara Superior de Recursos Fiscais 2a. Turma “PRINCÍPIO DA PRECLUSÃO PROCESSUAL X PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Tanto o princípio da verdade material como o princípio da preclusão são princípios aplicáveis ao processo administrativo fiscal. Nos processos de determinação e exigência de crédito tributário, a impugnação fixará os limites da controvérsia, sendo considerada como não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. A aplicação do princípio da preclusão não pode ser levado às últimas conseqüências, por força do princípio da verdade material. Pois o Princípio da Verdade Material está em permanente tensão com o da Preclusão e toca ao julgador ponderálos adequadamente. Constatada a ocorrência do fato gerador do tributo, a autoridade fiscal procede ao lançamento formal do crédito tributário que o contribuinte, não concordando com a imputação poderá impugnála. Instalado o contraditório, o julgador deve empreender no sentido de comprovar se a hipótese abstratamente prevista na norma ocorreu de verdade, sem limitarse ao alegado e apresentado como prova. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/08/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 Não há verdadeira hierarquia entre os princípios, uma vez que ora poderá prevalecer um ora outro, devendo ser feito o teste de proporcionalidade, para decidir qual regerá o caso concreto. Há, pois, uma hierarquização em função do caso concreto. Não merece reparo o acórdão recorrido no ponto em que norteado pelo princípio da verdade material concluiu inexistir valor a ser tributado a titulo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto no ano calendário de 1998.” Acresçase ainda a circunstância de que, no caso presente, a exigência fiscal se baseia em presunção legal (omissão de rendimentos por depósito de origem não comprovada), que por natureza exige do julgador ainda mais equilíbrio e atenção ao direito do contribuinte de apresentar provas e afastar a presunção relativa estabelecida em lei e que amparou a autuação. Nesse sentido, conheço do recurso especial para, no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 6DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/08/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 15374.901970/2008-19
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Assunto: DCOMP ELETRÔNICA. COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO.
PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO.
Período de Apuração: 01.07.2001 a 31.07.2001
Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis,
da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda
Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade
administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária,
conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 3403-001.318
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso. Sustentou pela recorrente o Dr. Rodrigo Leporace Farret. OAB/DF nº
13.841.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. Período de Apuração: 01.07.2001 a 31.07.2001 Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Sustentou pela recorrente o Dr. Rodrigo Leporace Farret. OAB/DF nº 13.841. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Domingos de Sá Filho, Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Liduina Maria Alves Macambira, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Inconformada com a r. decisão que deixou de homologar compensação, a empresa Telemar Norte Leste S/A, interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, visando modificar o julgado que lhe teria sido desfavorável. Trata o presente processo de apreciação de compensação declarada em PER/DCOMP de crédito referente a valor que teria sido recolhido a maior ou indevidamente, a título de Contribuição para PIS/PASEP, atinente ao período de apuração de 01.07.2001 a 31.07.2001, com débito da Contribuição para a COFINS. Por meio do Despacho Decisório, emitido eletronicamente, não homologou a compensação declarada, alegando não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da Contribuinte. Sustenta, em síntese, a recorrente, que merece reforma a r. decisão que indeferiu o direito de compensação pelas razões: 1) que a questão discutida neste processo está retratada em DCTF retificadora, recepcionada pela RFB; 2) na DCTF, o contribuinte deve fazer constar informações relativas a seus débitos apurados, bem como aos créditos a eles vinculados. Com sua entrega, o FISCO deverá verificar: (i) se todos os débitos estão vinculados a pagamentos; (ii) se o valor do débito é maior do que o valor do crédito tributo em aberto; (iii) se existem mais créditos vinculados do que débitos apuradoscrédito disponível; 3) que no presente caso, a simples análise da DCTF retificadora não é capaz de demonstrar de forma clara a existência de crédito disponível à compensação; 4) entendem não ser suficiente apenas o confronto da DCTF retificadora (transmitida e recebida pelo FISCO) com a declaração de compensação apresentada, para que se confirme a existência de crédito, sendo regular a compensação; 5) o crédito efetivo decorre da apuração contábil, não podendo obstar o direito à compensação, meros erros formais no preenchimento da PER/DCOMP; 6) ao preencher suas obrigações acessórias, a Requerente cometeu impropriedades que, de fato, impossibilitam a identificação do crédito em análise parametrizada, mas que não fazem decair seu direito material ao crédito; 7) um erro material no preenchimento de uma DCTF não pode prevalecer sobre o direito ao crédito, decorrente de pagamento indevidamente efetuado, muito mais porque os próprios lançamentos contábeis da empresa registram a compensação no limite do que efetivamente ocorreu. A Interessada prostetou por perícia, indicando o assistente técnico, o que foi rechaçado. Na fase recursal manteve as mesmas razões demonstradas em sua peça de inconformidade. É o relatório. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 15374.901970/200819 Acórdão n.º 3403001.318 S3C4T3 Fl. 2 3 Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho Relator. Tratase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de conhecimento. Cuidase de Recurso Voluntário com o objetivo de modificar a decisão que manteve o indeferimento de aproveitamento de crédito tributário decorrente de pagamento a maior ou indevido com débito de COFINS. No caso sub examine tratase de matéria de fato, razão pela qual precisa identificar a origem do crédito que se pretende ver restituído ou compensado. O relato da peça de Inconformidade, bem como, as razões recursais são de uma clareza impar, informa que o direito é oriundo de pagamento a maior, se assim é, o motivo encontra diretamente vinculado à base de cálculo do contribuinte, que é o valor do faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica independentemente da sua denominação ou classificação contábil, excluindose deste contexto as receitas permitidas pela legislação vigente. A simples demonstração do faturamento é o bastante a possibilitar a Autoridade Administrativa aferir se os valores lançados em DCTF, DARF, compensação e parcelamento ultrapassam o valor do crédito declarado a favor da Fazenda. Precisase, ter certeza que o pagamento a maior ou indevido ocorreu, para tanto, impõe a comprovação, no caso a informação da base de cálculo se revela indispensável. No entanto, compulsando os autos não se vislumbra qualquer documento nesse sentido. De modo que, se há uma afirmativa do contribuinte de que possui o direito a restituição/compensação de um determinado crédito e, do outro lado a negativa da Administração de que não teve êxito em saber a origem do crédito que se pretende compensar, impõe, no caso concreto, aquele que deseja proceder à compensação ou ser restituído o ônus da prova. Assevera a recorrente que não basta o confronto entre a DCTF retificadora com a declaração de compensação, motivo pelo qual cabia a Interessada demonstrar a origem do crédito. “Entretanto, conforme demonstrado, não bastará apenas o confronto da DCTF retificadora (transmitida e recebida pelo FISCO em 17.03.2006), com a declaração de compensação apresentada, para que se confirme a existência de crédito, sendo regular a compensação realizada. O crédito efetivo decorre da apuração contábil, não podendo obstar o direito à compensação, meros erros formais no preenchimento da PER/DCOMP”. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 Portanto, andou bem o julgador de piso quando afirma a inexistência demonstração da base de cálculo que poderia ter levado o contribuinte a recolher valor superior ao devido, para o sucesso do pedido fazse necessário que esse venha devidamente instruído com os documentos capazes por si só de comprovar o direito que se pretende, em sendo assim, a sustentação de que trata de empresa de grande porte daí a dificuldade de reunir documentos em decorrência do prazo ser exíguo não pode servir de argumento capaz de convencer o julgador do direito pleiteado. No caso deste caderno, a demonstração da base de cálculo se revela requisito indispensável. É de toda sabença que o fato deve ser provado, e, a regra do ônus de provar é do interessado. Cabe ao julgador valorizar e apreciar as provas dos autos no sentido de formar seu convencimento. Assim, a meu sentir, bastava a demonstração da base de cálculo onde pudesse extrair a certeza em relação ao argumento aduzido pela recorrente, sem o qual, tenho como mera presunção da existência do direito do crédito tributário. O direito consagrado pelo dispositivo do art. 170 do Código Tributário Nacional exigese que apure previamente, por via administrativa ou judicial, a liquidez e certeza do crédito tributário, a Fazenda Nacional não pode dispensar esse exame. Segundo a doutrina, o crédito das pessoas físicas e jurídicas se revela um direito oponível contra a Fazenda Pública, é como ensina Plínio Gustavo Prado Garcia: “A imputação de crédito de pessoa física ou de pessoa jurídica diante do fisco, para fins de compensação tributária, é um direito de seu titular oponível contra a Fazenda Pública, no contexto do exercício de um direito potestativo. Não tem o Poder Público o direito de reter parcelas do patrimônio alheio, sem justa causa. Inexiste justa causa nas hipóteses de recebimento de crédito indevido ou maior do que o devido, ou de tributo ilegal ou inconstitucional”. (Compensação e Imputação de Crédito, em Revista Dialética de Direito Tributário nº 41, 1999, p.64). Entretanto, inexistindo prova cabal da existência do crédito, não pode o fisco realizar o encontro do crédito do contribuinte e o débito que se pretende extinguir. Em sendo assim, não vislumbro a possibilidade de acudir o pleito. Diante do exposto, conheço do recurso e nego provimento. É como voto Domingos de Sá Filho Fl. 131DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 15374.901970/200819 Acórdão n.º 3403001.318 S3C4T3 Fl. 3 5 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO
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Numero do processo: 10840.002339/2003-63
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS RECURSO DE DIVERGÊNCIA O acórdão
vergastado não manifestou entendimento de que as atividades
complementares à construção civil não são excludentes da opção, porém entendeu ter restado demonstrado no processo que as atividades pela empresa se caracterizam como tal. A divergência jurisprudencial, necessária à admissibilidade do recurso especial não se estabelece em matéria de prova, e sim na interpretação das normas.
Numero da decisão: 9101-001.070
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos
Fiscais, por unanimidade de votos, NÃO conhecer do recurso da Fazenda Nacional
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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EPP NORMAS PROCESSUAIS RECURSO DE DIVERGÊNCIA O acórdão vergastado não manifestou entendimento de que as atividades complementares à construção civil não são excludentes da opção, porém entendeu ter restado demonstrado no processo que as atividades pela empresa se caracterizam como tal. A divergência jurisprudencial, necessária à admissibilidade do recurso especial não se estabelece em matéria de prova, e sim na interpretação das normas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NÃO conhecer do recurso da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Francisco Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Claudemir Rodrigues Malaquias, Antonio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Karem Jureidini Dias, Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri e Suzy Gomes Hoffmann. Fl. 245DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/07/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 10840.002339/200363 Acórdão n.º 9101001.070 CSRFT1 Fl. 2 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência foi interposto pela D. Procuradoria da Fazenda Nacional, contra a decisão da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 30335.043, cuja ementa transcrevo: "Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2004 Ementa: SIMPLES / EXCLUSÃO RETROATIVA. Comprovado que a recorrente, pequena sociedade empresária, se dedicando ao ramo de comercialização no varejo e instalações de materiais elétricos em geral, prestados por técnico de nível médio, e que este ramo não se confunde com a prestação de serviços privativos de engenheiros, assemelhados e profissões legalmente regulamentadas de engenharia elétrica ou ramo de construção de imóveis, sendo essa atividade exercida pela recorrente perfeitamente permitida pela legislação vigente aplicável, é de incluir retroativamente a recorrente no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES. A lide versa sobre a permanência da empresa no Simples, em vista de sua exclusão por meio de ato declaratório, que considerou que ela exercia atividade vedada para optar, pela sistemática. Postula a Procuradoria da Fazenda Nacional a não permanência da empresa no Simples, e requer a reforma da decisão recorrida, alegando que incorreu em erro de julgamento, porque os argumentos ali utilizados são próprios da discussão em tomo da vedação do inciso XIII do artigo 9º da Lei n° 9.317/96, quando a exclusão da empresa do Simples se deu com base no inciso V do mesmo artigo. Alega a Recorrente interpretação divergente da legislação tributária da que foi dada pela Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, mediante Acórdãos n° 20213.007, e 20212.635, que se encontram assim ementados: "SIMPLES EXCLUSÃO A pessoa jurídica que tenha por exercício a atividade de construção civil ou atividades consideradas serviços auxiliares, tais como a instalação elétrica, hidráulica ou sanitária, na forma do artigo 9°, § 4°, da Lei n° 9.317/96, explicitada pelo Ato Declaratório COSIT n° 30/99, está impedida de optar pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES" A Presidente da Câmara recorrida deu seguimento ao recurso, por entender atendidos os pressupostos que o legitimam. Fl. 246DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/07/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 10840.002339/200363 Acórdão n.º 9101001.070 CSRFT1 Fl. 3 3 A pessoa jurídica apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 247DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/07/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 10840.002339/200363 Acórdão n.º 9101001.070 CSRFT1 Fl. 4 4 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator O presente recurso preenche os requisitos legais para a sua admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. Conforme se depreende do relatório, o recurso tem por objeto alegação de interpretações divergentes da norma contida no art. 9º, inciso V e seu §4º, da Lei nº 9.317/96, bem como do Ato Declaratório Normativo COSIT 30/99, que dispõe: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) V que se dedique à compra e à venda, ao loteamento, à incorporação ou à construção de imóveis; (...) § 4º Compreendese na atividade de construção de imóveis, de que trata o inciso V deste artigo, a execução de obra de construção civil, própria ou de terceiros, como a construção, demolição, reforma, ampliação de edificação ou outras benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo. Lembra ainda o ilustre representante da Fazenda Nacional, que o Ato Declaratório Normativo COSIT n° 30, de 14.10.1999, declara, em caráter normativo, que a vedação ao exercício da opção pelo SIMPLES, aplicável à atividade de construção de imóveis, abrange as obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil, tais como: (i) a construção, demolição, reforma e ampliação de edificações; (ii) sondagens, fundações e escavações; (iii) construção de estradas e logradouros públicos; (iv) construção de pontes, viadutos e monumentos; (v) terraplenagem e pavimentação; (vi) pintura, carpintaria, instalações elétricas e hidráulicas, aplicação de tacos e azulejos, colocação de vidros e esquadrias; e (7) quaisquer outras benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo. Chama atenção, ainda, para o fato de que a empresa, à época exclusão, tinha como objetivo social "a exploração do ramo de 'Comércio de materiais elétricos em geral com pronta entrega e prestação de serviços de instalação efetuada fora do estabelecimento", e que as diversas notas fiscais e declarações colacionadas aos autos também confirmam que a contribuinte, efetivamente, prestava serviços de instalação elétrica. O Acórdão guerreado decidiu nos termos do voto do Relator, que assim assentou: “(...) que a exclusão retroativa da recorrente no SIMPLES se deu, pelo motivo de que a mesma se enquadraria no inciso V, art. 9° da Lei 9.317 de 05/12/1996, por pretensamente exercer as atividades de construção de imóveis (obras auxiliares da construção civil). Fl. 248DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/07/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 10840.002339/200363 Acórdão n.º 9101001.070 CSRFT1 Fl. 5 5 Em princípio, o que ficou devidamente comprovado no processo ora vergastado, sem embargos, é que a empresa recorrente, pequena sociedade empresária, se dedicava ao ramo de comercialização no varejo e instalações de materiais elétricos em geral, prestados por seu proprietário, técnico de nível médio, e que este ramo não se confunde com a prestação de serviços privativos de engenheiros, assemelhados e profissões legalmente regulamentadas de engenharia elétrica, ou de construção civil e assemelhados, sendo essa atividade exercida pela recorrente perfeitamente permitida pela legislação vigente aplicável. De plano, é dever se concluir que as atividades privativas do engenheiro são somente as Atividades listadas de 01 a 08, na Resolução CONFEA N° 218, pois as demais, de 09 a 18, são concorrentes com os Tecnólogos e os Técnicos de Grau Médio, ou seja, (...) Observase, ainda, que não há exigência ou prérequisito legal algum para que sejam executados os serviços propostos e que vinham sendo exercidos pela recorrente, como seja, a de comercialização no varejo e a prestação de serviços de instalações de materiais elétricos em geral, prestados por técnico de nível médio, não havendo necessidade de profissão legalmente habilitada para exercer tal atividade. Destarte, entendemos que este tipo de serviços da Recorrente, prestados por técnicos de nível médio, não representa serviço profissional de engenharia elétrica, nem tão pouco, obras de construção civil ou assemelhada, nem há necessidade de exercício por profissão legalmente regulamentada. Não sendo, portanto, no nosso entendimento, atividade vedada para opção pelo SIMPLES’ (negritos acrescidos) Ou seja, do exame das provas contidas nos autos, concluiu a Câmara recorrida que, no caso concreto, as atividades desempenhadas pela empresa não se confundiam nem com serviços de engenheiro ou assemelhados, nem com obras de construção civil. O recurso especial de divergência busca uniformizar divergência de interpretação da legislação, e não de apreciação da prova. Assim já se manifestou a Câmara Superior de Recursos Fiscais, por meio do Acórdão CSRF 0104.592, CSRF, assim ementado:: "GLOSA DE DESPESAS COM VEÍCULOS. COMBUSTÍVEIS. MATÉRIA DE PROVA. A divergência jurisprudencial, necessária à admissibilidade do recurso especial de que trata o artigo 5°, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, não se estabelece em matéria de prova e sim na interpretação das normas. Recurso especial não conhecido." No presente caso, para configurar interpretações divergentes seria necessário avaliar a prova, o que não cabe em recurso de divergência. Os argumentos da douta PFN se Fl. 249DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/07/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 10840.002339/200363 Acórdão n.º 9101001.070 CSRFT1 Fl. 6 6 prestariam a fundamentar recurso especial com base em contrariedade à prova dos autos, o que era admissível apenas em casos de decisões não unânimes. Não conheço do recurso. (assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 250DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/07/2011 por VALMIR SANDRI
score : 1.0
Numero do processo: 16707.007000/2008-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 2005
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é instrumento interno, de controle gerencial da
Administração Tributária.
SUJEITO PASSIVO. CONTRIBUINTE.
Revelando possuir relação direta e pessoal com a situação que constitui o fato gerador o sujeito passivo reveste a condição de contribuinte.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Alegações de direito não expressamente impugnadas devem ser rechaçadas com base no art. 17 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-000.748
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano-calendário: 2005 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é instrumento interno, de controle gerencial da Administração Tributária. SUJEITO PASSIVO. CONTRIBUINTE. Revelando possuir relação direta e pessoal com a situação que constitui o fato gerador o sujeito passivo reveste a condição de contribuinte. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Alegações de direito não expressamente impugnadas devem ser rechaçadas com base no art. 17 do Decreto nº 70.235/72.
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O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é instrumento interno, de controle gerencial da Administração Tributária. SUJEITO PASSIVO. CONTRIBUINTE. Revelando possuir relação direta e pessoal com a situação que constitui o fato gerador o sujeito passivo reveste a condição de contribuinte. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Alegações de direito não expressamente impugnadas devem ser rechaçadas com base no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Relator. Fl. 761DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16707.007000/200889 Acórdão n.º 130200.748 S1C3T2 Fl. 762 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (presidente da turma), Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira (vicepresidente), Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 762DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16707.007000/200889 Acórdão n.º 130200.748 S1C3T2 Fl. 763 3 Relatório Tratase de apreciar Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido nestes autos pela 4ª Turma da DRJ/REC, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade, considerar procedentes os lançamentos, conforme ementa que abaixo reproduzo: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2005 NULIDADE DE LANÇAMENTO. MPF. O Mandado de procedimento fiscal consiste em mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da fiscalização, não implicando nulidade do lançamento as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRELIMINAR DE NULIDADE. Estando os atos administrativos, consubstanciadores do lançamento, revestidos de suas formalidades essenciais, não se há que falar em nulidade do procedimento fiscal. MATÉRIA NÃO CONTESTADA OMISSÃO DE RECEITA E INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante. Os eventos ocorridos até o julgamento na DRJ, foram assim relatados no acórdão recorrido: Contra a empresa acima qualificada foram lavrados os Autos de Infração às fls. 02 a 66, para exigência de crédito tributário referente ao ano calendário de 2005, adiante especificado: TRIBUTO FLS Imposto/ Contrib. Juros de Mora Multa Proporcional TOTAL Imposto de Renda Pessoa Jurídica Simples 02 52.406,52 22.366,48 78.163,08 153.936,08 Contribuição para o PIS Simples 26 52.406,52 22.366,48 78.163,08 153.936,08 Contribuição Social sobre o Lucro Simples 36 83.768,30 35.228,95 122.657,57 241.654,82 Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Simples 46 167.536,57 70.457,95 245.315,16 483.309,68 Fl. 763DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16707.007000/200889 Acórdão n.º 130200.748 S1C3T2 Fl. 764 4 Contribuição para Seguridade Social INSS Simples 56 349.487,70 146.041,40 511.387,13 1.006.916,23 TOTAL 2.039.752,88 Os referidos autos de infração são decorrentes de ação fiscal efetuada junto à contribuinte, na qual a fiscalização constatou infrações à legislação do SIMPLES descritas no Termo de Encerramento às fls. 663 e 664. Os enquadramentos legais encontramse discriminados nos autos de infração, que passam a integrar a presente decisão como se aqui transcritos fossem. As irregularidades constatadas e suas conseqüências podem ser assim resumidas: OMISSÃO DE RECEITA – RECEITAS NÃO ESCRITURADAS – FATOS GERADORES DE 31/01/2005 A 31/12/2005. Apurou a fiscalização a falta de registro de pagamentos de notas fiscais de compras de mercadorias. A Camisaria Ipanema comprou produtos para revenda nos seguintes montantes: a) GREDENE S/A – R$ 6.216.995,24; b) Calçados AZALÉIA Nordeste – R$ 182.310,16; c) Calçados AZALÉIA S/A – R$ 430.334,64. A empresa foi intimada, através do termo à fl. 84 a demonstrar a origem dos recursos utilizados para quitar as compras efetuadas, porém a contribuinte não apresentou qualquer resposta à intimação. A relação de notas fiscais de compras não escrituradas estão às fls. 70 a 78. O valor consolidado por cada mês do Ano Calendário 2005 está no demonstrativo da fl. 80. Foi aplicada multa qualificada, no percentual de 150% sobre o crédito tributário apurado, tendo em vista que os documentos trazidos ao processo indicam a prática reiterada e sistêmica do contribuinte , ao longo do ano calendário de 2005, de impedir o conhecimento da autoridade fazendária das compras de mercadorias efetuadas e pagas a margem dos registros contábeis. Decorrente da apuração da infração de diferença de base de cálculo também foi apurada a insuficiência de recolhimento do SIMPLES. Devidamente notificada, e não se conformando com o procedimento fiscal, a contribuinte apresentou, tempestivamente, as suas razões de defesa, às fls. 667 e 679, na qual questiona os autos de infração, alegando em síntese o seguinte: Afirma que recebeu os autos de infração do presente processo com espanto. Alega que em nenhum momento houve Termo de Início de Fiscalização em nome da empresa autuada e sim em nome de outra pessoa jurídica. Continua afirmando que caso a empresa tivesse sido intimada teria apresentado a documentação solicitada pela fiscalização, porém a autoridade fiscal insistiu em fiscalizar outra pessoa jurídica. Alega a contribuinte expressamente que: “... Nunca fez parte do quadro societário de tal empresa. PRATICAMENTE FOI FEITA POR PARTE DO FISCO UMA SUCESSÃO DE FISCALIZAÇÃO EM EMPRESAS DISTINTAS”. Na impugnação a contribuinte passa a tratar o caso como responsabilidade solidária dos sócios. Cita o art. 124 e 135 do Código Tributário Nacional. Analisa as determinações do art. 121 do Código tributário em especial os conceitos de contribuinte e responsável. Segue na fl. 671 analisando a responsabilidade solidária. Fl. 764DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16707.007000/200889 Acórdão n.º 130200.748 S1C3T2 Fl. 765 5 Novamente a contribuinte ressalta que não foi intimada a apresentar qualquer documentação ou mesmo apresentar sua defesa na fase de fiscalização. Em seguida a contribuinte requer a nulidade dos autos de infração do presente processo pelos seguintes motivos: a) Mandado de Procedimento Fiscal MPF sem lastro jurídico, pois foi iniciado em outra pessoa jurídica; b) os autos de infração não atenderam a forma especifica em lei, pois não distinguiu penalidade do tributo; c) cerceamento do direito de defesa, pois não foram colocados a disposição os fatos; d) Não ficou caracterizado o fato para enquadramento nos artigos 124 e 135 do Código Tributário Nacional; e) não houve distinção entre as operações que deram lucro e as que não. Volta, nas fls. 673 a 675, a se referir à responsabilidade da empresa pelo crédito tributário apurado. Também volta a enfatizar que não obteve lucro com as operações descritas pela fiscalização. Por fim, solicita à autuada que, caso não sejam acatados os pedidos de nulidade dos autos de infração do presente processo, possa ser reaberto o prazo para apresentação da documentação comprobatória. A recorrente, na peça recursal submetida à apreciação deste colegiado, alegou, em síntese, que: a aplicação de juros Selic caracteriza excesso de onerosidade, sendo incompatível com o CTN, pois tratase de taxa arbitrada exclusivamente pela União, não caracterizada por um percentual fixo, e portanto, distinguese dos juros de mora, tendo caráter punitivo. Tal aplicação ofende os princípios da isonomia e da separação de poderes e o art. 161, §1º do CTN. Além disso é também ofendido o preceito constitucional que reserva a matéria à lei complementar (art. 68, §1º); a base de cálculo da contribuição previdenciária deve tomar em conta as remunerações percebidas pelos segurados que prestem serviços à recorrente; a fiscalização foi iniciada junto à empresa MARIA DAS NEVES RICARDO – ME, pessoa jurídica distinta da recorrente. Alega que se tivesse sido notificada desde o início da fiscalização apresentaria a documentação pertinente. No entanto, o Fisco insistiu em fiscalizar outra pessoa jurídica da qual a requerente nunca integrou o quadro social. Não tem interesse comum no negócio alheio fiscalizado (art.124, CNT). O sócio somente pode ser responsabilizado se praticar uma das infrações do art. 137 do CTN. O procedimento, assim, é nulo, porque o MPF foi originalmente aberto para fiscalização de outra empresa. Há ilegitimidade passiva; não houve distinção entre as operações que deram lucro para a contribuinte e as que não eram de sua obrigação o recolhimento fiscal. Não obteve disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos, de acordo com os fatos narrados no MPF. É o relatório. Fl. 765DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16707.007000/200889 Acórdão n.º 130200.748 S1C3T2 Fl. 766 6 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. (a) MPF inicialmente aberto contra pessoa jurídica distinta. Inexistência de nulidade Sustenta a recorrente presença de nulidade porquanto teria o MPF sido aberto inicialmente para verificar irregularidades em outra empresa. Os fatos não seguem acompanhados dos elementos de prova. Demais disso, sobre o tema vale lembrar que o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é instrumento interno, de controle gerencial da Administração Tributária, não podendo gerar nulidade o fato de uma investigação inicial exercida sobre determinado contribuinte demonstrar a presença de indícios de sonegação praticada outro contribuinte e tal situação determinar abertura de fiscalização contra esse outro. Como é cediço, o MPF foi criado e é regulamentado pela própria Administração Tributária, que o faz no exercício de sua competência constitucional de fiscalizar e arrecadar os tributos federais. Assim sendo, é ilógico crer que ele próprio possa mitigar os poderes de fiscalização da Administração, os quais somente podem encontrar limites nas garantias constitucionais dos contribuintes. A jurisprudência pacífica do CARF se assenta no mesmo sentido, ainda que o MPF contivesse falhas, senão se veja: Acórdão 10807078 –2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara – Relator: Conselheiro Luiz Alberto Cava Maceira NULIDADE INOCORRÊNCIA – MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – O MPF constituise em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. Acórdão 10706797 –1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara – Relator: Conselheira Neycir de Almeida MPF.MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.POSTULADOS.INOBSERVÂNCIA. CAUSA DE NULIDADE. ARGÜIÇÃO RECURSAL. IMPROCEDÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) Fl. 766DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16707.007000/200889 Acórdão n.º 130200.748 S1C3T2 Fl. 767 7 fora concebido com o objetivo de disciplinar a execução dos procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições sociais administrados pela Secretaria da Receita Federal. Não atinge a competência impositiva dos seus Auditores Fiscais que, decorrente de ato político por outorga da sociedade democraticamente organizada e em benefício desta, há de subsistir em quaisquer atos de natureza restrita e especificamente voltados para as atividades de controle e planejamento das ações fiscais. A nãoobservância na instauração ou na amplitude do MPF poderá ser objeto de repreensão disciplinar, mas não terá fôlego jurídico para retirar a competência das autoridades fiscais na concreção plena de suas atividades legalmente próprias. A incompetência só ficará caracterizada quando o ato não se incluir nas atribuições legais do agente que o praticou. Acórdão 10706952 –1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara – Relator: Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz NORMAS PROCESSUAIS MPFMANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL NULIDADE DO LANÇAMENTO RECURSO EX OFFICIO. O pleno exercício da atividade fiscal não pode ser obstruído por força de um ato administrativo que deve ser entendido como sendo de caráter meramente gerencial. Tal instituto, por ser medida disciplinadora, visando a administração dos trabalhos de fiscalização, não pode se sobrepor ao que dispõe o Código Tributário Nacional acerca do lançamento tributário, e aos dispositivos do Decretolei nº 2.354/54, que trata da competência funcional para a lavratura do auto de infração. Recurso de ofício a que se dá provimento. Acórdão 10514096 – 5ª Câmara – Relator: Conselheiro Álvaro Barros Barbosa Lima AÇÃO FISCAL MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL CONTROLE ADMINISTRATIVO A manifestação do Poder Tributante por meio dos seus agentes fiscalizadores, em lançamento de ofício, aos quais conferiu a lei competência para praticar todos os atos próprios à exteriorização da sua vontade, não se confunde com as atividades específicas de controle administrativo daqueles atos praticados em seu nome. Acórdão CSRF/0105.330 – 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais – Relator: Marcus Vinicius Neder de Lima recurso "ex officio" – MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – MPF. O Mandado de Procedimento Fiscal instituído pela Port. SRF nº 1.265, de 22/11/99, é um instrumento de planejamento e controle das atividades de fiscalização, dispondo sobre a alocação da mãodeobra fiscal, segundo prioridades Fl. 767DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16707.007000/200889 Acórdão n.º 130200.748 S1C3T2 Fl. 768 8 estabelecidas pelo órgão central. Não constitui ato essencial à validade do procedimento fiscal de sorte que a sua ausência ou falta da prorrogação do prazo nele fixado não retira a competência do auditor fiscal que é estabelecida em lei (art. 7° da Lei n° 2.354/54 c/c o Dec.lei n° 2.225, de 10/01/85) para fiscalizar e lavrar os competentes termos. A inobservância da mencionada portaria pode acarretar sanções disciplinares, mas não a nulidade dos atos por ele praticados em cumprimento ao disposto nos arts 950, 951 e 960 do RIR/94. 142 do Código Tributário Nacional. O MPF, todavia, é essencial à validade do lançamento quando efetuado com fundamento na Lei Complementar nº 105/2001 Lei 9.311/96, art. 11, § 3º, nova redação dada pelo art. 1º da Lei 10.174, de 09.01.2001, e Decreto n º 3.724, de 10.01.2001, por se tratar de normas formais ou procedimentais que ampliam o poder de fiscalização com aplicação imediata, alçando fatos pretéritos, consoante o disposto no artigo 144, § 1º, do Código Tributário Nacional. Acórdão CSRF/0202.509 – 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais – Relator: Henrique Pinheiro Torres MPF É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário. Nestes termos, sou pela rejeição da preliminar de nulidade. (b) Alegação de responsabilização indevida Alega a recorrente que a fiscalização foi iniciada junto à empresa MARIA DAS NEVES RICARDO – ME, pessoa jurídica distinta da recorrente. Aduz que se tivesse sido notificada desde o início da fiscalização apresentaria a documentação pertinente. No entanto, o Fisco insistiu em fiscalizar outra pessoa jurídica da qual a requerente nunca integrou o quadro social. Não tem interesse comum no negócio alheio fiscalizado (art.124, CNT). O sócio somente pode ser responsabilizado se praticar uma das infrações do art. 137 do CTN. O procedimento, assim, é nulo, porque o MPF foi originalmente aberto para fiscalização de outra empresa. Há ilegitimidade passiva. Os fatos alegados não se sustentam em evidências coligidas. Os termos fiscais acostados estão dirigidos a recorrente, e inclusive, restaram em parte atendidos, posto que foi coligida cópia dos livros entrada, saída e registro de ICMS da recorrente. Por outro lado, as informações prestadas pelos fornecedores da fiscalizada (Grendene S/A, Calçados Azálea Nordeste S/A e Calçados Azálea S/A) dizem respeito às transações comerciais efetuadas com a recorrente, indicando as notas fiscais que lastrearam os negócios e os pagamentos feitos, informações estas que foram confrontadas com os livros da recorrente. Os documentos fiscais foram também juntados. Fl. 768DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16707.007000/200889 Acórdão n.º 130200.748 S1C3T2 Fl. 769 9 Assim, vêse que está inserida no pólo passivo da relação jurídicotributária vertente na condição de contribuinte e não como responsável tributária. Isto porque, de acordo com o CTN (in verbis) possui relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador. Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. De fato, o fundamento do lançamento recai na existência de compras efetuadas pela recorrente cujo pagamento não foi escriturado, e portanto, são presumidas como receita omitida, vez que o art. 18 da Lei nº 9.317/96 estendeu aos optantes do Simples as hipóteses de omissão de receita aplicáveis aos demais contribuintes do IRPJ. Art. 18. Aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições de que trata esta Lei, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas. Tendo em vista que as compras foram adquiridas pela recorrente, e que os pagamentos a elas relativos foram omitidos de sua própria escrita, inegável o liame pessoal e direto com a situação que constitui o fato gerador dos tributos cobrados. É daí também que exsurge sua aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda. Isto porque ao efetuar compras com pagamentos feitos à margem da contabilidade, a qual não os poderia suportar, demonstra ter auferido receitas também à margem da contabilidade, omitidas, portanto dos demonstrativos e da escrita a que estava obrigada a efetuar, e assim, demonstra também ter adquirido disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos, hipótese vazada na presunção legal aplicada pela autoridade fiscal. Não há fundamento, ainda, na alegação de erro quanto à base de cálculo da contribuição previdenciária, posto que ao optar pelo regime do Simples Federal, logrou incluir no regime simplificado a supracitada contribuição, nos termos do art. Art. 3° A pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e de empresa de pequeno porte, na forma do art. 2° , poderá optar pela inscrição no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. § 1° A inscrição no SIMPLES implica pagamento mensal unificado dos seguintes impostos e contribuições: Fl. 769DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16707.007000/200889 Acórdão n.º 130200.748 S1C3T2 Fl. 770 10 f) Contribuições para a Seguridade Social, a cargo da pessoa jurídica, de que tratam a Lei Complementar no 84, de 18 de janeiro de 1996, os arts. 22 e 22A da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991 e o art. 25 da Lei no 8.870, de 15 de abril de 1994. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 9.10.2001) (Vide Lei 10.034, de 24.10.2000) (c) Matéria não ventilada na impugnação (Juros Selic) As alegações que questionam a aplicação de Juros Selic somente foram apresentadas no Recurso Voluntário, não tendo sido ventiladas na impugnação. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, a matéria não expressamente contestada na impugnação é considerada não impugnada, não podendo dela conhecer o colegiado de segunda instância. Desta forma, deixo de apreciála. Assim, voto para rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, 19 de outubro de 2011. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 770DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
score : 1.0
Numero do processo: 10510.001059/2010-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
Ementa: NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO – INEXISTÊNCIA
A Autoridade Fazendária cumpriu os pressupostos legais, o que invalida qualquer tese contrária neste sentido.
CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 2. O controle de constitucionalidade da legislação que fundamenta o lançamento é de competência exclusiva do Poder Judiciário e não pode ser objeto de pronunciado pelo CARF.
IRPJ - OMISSÃO DE RENDIMENTOS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS – SÚMULA CARF 26.
Na ausência de comprovação da origem dos recursos depositados em
instituição financeira incide a presunção de omissão de rendimentos prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/96
Numero da decisão: 1202-000.595
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: GERALDO VALENTIM NETO
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ementa_s : Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 Ementa: NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO – INEXISTÊNCIA A Autoridade Fazendária cumpriu os pressupostos legais, o que invalida qualquer tese contrária neste sentido. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 2. O controle de constitucionalidade da legislação que fundamenta o lançamento é de competência exclusiva do Poder Judiciário e não pode ser objeto de pronunciado pelo CARF. IRPJ - OMISSÃO DE RENDIMENTOS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS – SÚMULA CARF 26. Na ausência de comprovação da origem dos recursos depositados em instituição financeira incide a presunção de omissão de rendimentos prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/96
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CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 2. O controle de constitucionalidade da legislação que fundamenta o lançamento é de competência exclusiva do Poder Judiciário e não pode ser objeto de pronunciado pelo CARF. IRPJ - OMISSÃO DE RENDIMENTOS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS – SÚMULA CARF 26. Na ausência de comprovação da origem dos recursos depositados em instituição financeira incide a presunção de omissão de rendimentos prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/96 . Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho - Presidente (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto - Relator Fl. 160DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 31/10/201 1 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10510.001059/2010-07 Acórdão n.º 1202-000.595 S1-C2T2 Fl. 161 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 31/10/201 1 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10510.001059/2010-07 Acórdão n.º 1202-000.595 S1-C2T2 Fl. 162 3 Relatório Em 25 de março de 2010, a contribuinte, ora Recorrente, foi cientificada da autuação fiscal, perpetrada em decorrência da falta de comprovação da origem de valores creditados, nos meses de janeiro a dezembro de 1996, em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira (Banco do Estado de Sergipe – BANESE). No decorrer do procedimento fiscalizatório, a Fiscalização intimou a Recorrente para apresentar os seus atos constitutivos e demais alterações posteriores, livros fiscais e contábeis, extratos bancários específicos, bem como documentação hábil e idônea que suportasse diversos lançamentos a crédito efetuados em conta corrente de sua titularidade (fls. 56 e 63). A Recorrente apresentou os documentos solicitados e resposta (fls. 64 a 79) alegando que os créditos em conta corrente seriam originados de conta garantida e, ainda, que existiriam depósitos bancários decorrentes de recebimentos advindos de atividade extra exercida pelo seu representante legal (representação comercial). Na mesma resposta foi apresentada planilha (fls. 66) com comprovação da origem de determinados valores e notas fiscais de serviços pagos, em sua maioria, serviços de hospedagem. Após a análise da resposta oferecida, a Fiscalização lavrou o auto de infração que constituiu crédito tributário de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (“IRPJ”), fundamentado nos artigos 25 e 42 da Lei 9.430/1996, bem como constituiu créditos decorrentes de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (“CSLL”), Contribuição para o Programa de Integração Social (“PIS”) e Contribuição ao Financiamento da Seguridade Social (“COFINS”). Na determinação dos valores tributáveis (fls. 04, 11, 19 e 27), a Fiscalização abateu os créditos em conta corrente considerados justificados pela contribuinte no curso do procedimento fiscalizatório (fls. 66). Regularmente cientificada da lavratura dos autos de infração, a Recorrente protocolizou impugnação, na qual informou que o seu sócio majoritário operava como representante comercial de madeiras e que recebia valores de seus clientes e os repassava para os fornecedores, ficando com apenas 1,8% (um por cento e oito décimos), correspondente à sua comissão. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 31/10/201 1 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10510.001059/2010-07 Acórdão n.º 1202-000.595 S1-C2T2 Fl. 163 4 Destacou que a fiscalização teria sido iniciada em virtude de análises dos valores pagos pela contribuinte a título de Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira (“CPMF”). Preliminarmente pleiteou pela anulação do auto de infração com base nos seguintes argumentos: A nulidade do auto de infração por vício formal insanável Alegou a Recorrente que: (i) o montante da suposta omissão de receita não estaria demonstrado; (ii) o Fisco deve comprovar que os valores creditados em conta corrente se referem a receita; (iii) nem toda a “entrada” de aporte econômico corresponde a receita; e (iv) o Fisco deve provar as suas alegações. Pré-questionamento de Inconstitucionalidade Alega: (i) violação ao Princípio da Intimidade e da Vida Privada; e (ii) a inconstitucionalidade do artigo 42 da Lei 9.430/1996. No mérito alegou que: (i) a Fiscalização teria desconsiderado valores que, comprovadamente, não constituem receita ou faturamento da empresa; (ii) existe uma extensa lista de lançamentos contabilizados, como receita, referentes à venda de mercadorias que foram indevidamente glosados pela Fiscalização; (iii) as folhas do Livro Razão apresentadas comprovariam a escrituração de determinadas receitas questionadas pela Fiscalização. Por fim, a contribuinte colocou-se à disposição do Fisco para nova verificação em diligência dos livros contábeis e fiscais (Livro Diário, Livro Razão, Balancetes, Livro do ISS) e requereu: - A declaração de nulidade dos autos de infração em virtude dos vícios formais apontados; - A declaração de nulidade dos autos de infração por violação ao Princípio da Intimidade, Vida Privada, do Sigilo Bancário e Fiscal; - A anulação dos autos de infração dado que tributos não poderiam ser exigidos com base em presunção, pois a administração deveria provar as suas alegações; - A exclusão da parcela cuja origem dos depósitos foi comprovada; - Que a escrita contábil e fiscal da empresa seja considerada pelo Fisco; e - Nova diligência aos documentos que comprovam a escrita contábil. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 31/10/201 1 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10510.001059/2010-07 Acórdão n.º 1202-000.595 S1-C2T2 Fl. 164 5 A 2ª Turma da DRJ em Salvador considerou a impugnação improcedente, mantendo os autos de infração. Mencionada decisão foi proferida com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2006 NULIDADE. O procedimento fiscal efetuado por servidor competente, no exercício de suas funções, contendo os demais requisitos exigidos pela legislação que rege o Processo Administrativo Fiscal, não pode ser considerado nulo. PROVA. EXTRATOS BANCÁRIOS. MEIO LICITO DE OBTENÇÃO. É válida a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. INCONSTITUCIONALIDADE. Deixa-se de examinar arguições de inconstitucionalidade dos dispositivos legais, por tratar-se de matéria da estrita competência do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Configura omissão de receitas a ocorrência de valores depositados em conta bancária para os quais a contribuinte, titular da conta, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Contribuição para o PIS/Pasep Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL Em se tratando de bases de cálculo originárias das infrações que motivaram o lançamento principal, deve ser observado para os lançamentos decorrentes o que foi decidido para o matriz, no que couber. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 31/10/201 1 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10510.001059/2010-07 Acórdão n.º 1202-000.595 S1-C2T2 Fl. 165 6 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Ciente da decisão em 20 de julho de 2010, a Contribuinte protocolizou o Recurso Voluntário em 17 de Agosto de 2010, no qual, apresenta os mesmos argumentos lançados na impugnação. Oportunamente, os autos foram enviados a este Colegiado. Tendo sido designado relator do caso, requisitei a inclusão em pauta para julgamento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator Como o recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. I - ALEGAÇÕES PRELIMINARES Cumpre observar, inicialmente, que a alegação da Recorrente de que a fiscalização não poderia ter se iniciado da análise dos extratos bancários de CPMF não tem o condão de decretar o Auto de Infração como nulo, na medida em que tal prática encontra fundamentação na Lei 9.311/96, tendo sido inclusive objeto de Súmula do CARF (de número 35), conforme transcrita abaixo, e também porque os extratos bancários foram disponibilizados ao Fisco pela própria Recorrente, não havendo que se falar em quebra do sigilo bancário e fiscal, e não se aplicando assim o sobrestamento de que trata o artigo 62-A do Regimento Interno do CARF (diante da repercussão geral dada à matéria pelo Supremo Tribunal Federal por conta do julgamento do Recurso Extraordinário 601314): “Súmula CARF n° 35: O art. 11, § 3°, da Lei n° 9.311/96, com a redação dada pela Lei n° 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente”. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 31/10/201 1 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10510.001059/2010-07 Acórdão n.º 1202-000.595 S1-C2T2 Fl. 166 7 A Recorrente alega ainda, em sede preliminar, que o montante da suposta omissão de receita não estaria demonstrado nos autos de infração. Entretanto, da análise da documentação constante no processo, pode-se verificar, com facilidade, a composição dos valores tributáveis pela Fiscalização. Exemplificativamente, pode-se citar os valores dos rendimentos obtidos no mês de janeiro de 2006. Na folha 34, constam os extratos bancários cujos valores foram questionados pelo Fisco (R$200.000,00; R$ 110.000,00; R$ 160.000,00; R$ 100.000,00; R$ 100.000,00; R$ 200.000,00; R$188.000,00; R$ 150.000,00; R$ 120.000,00; R$ 150.000,00; R$ 120.000,00; R$ 159.000,00; e R$ 150.000,00). Esses mesmos valores constam em planilhas elaboradas pelo Fisco e apresentadas à Recorrente para a comprovação das respectivas origens (fls. 57 a 62). Nos autos de infração (fls. 04, 11, 19 e 27), a Fiscalização demonstra detalhadamente a composição do valor tributável, que corresponde à somatória dos valores constantes nas planilhas utilizadas no curso do procedimento fiscalizatório (fls. 57 a 62). Logo, é de se observar que os autos de infração foram lavrados com a estrita observância do artigo 142 do Código Tributário Nacional (“CTN”), in verbis: “Art. 142 – Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação de penalidade cabível. Parágrafo único – A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional” Os lançamentos em discussão foram lavrados por auditor da Secretaria da Receita Federal do Brasil (“RFB”), com a demonstração da composição da matéria tributável e com os cálculos dos tributos devidos. É importante destacar, inclusive, que no curso do procedimento fiscalizatório, a Fiscalização apresentou para a contribuinte os valores cujas origens deveriam ser comprovadas. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 31/10/201 1 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10510.001059/2010-07 Acórdão n.º 1202-000.595 S1-C2T2 Fl. 167 8 Deste modo, não há que se falar em nulidade do auto de infração em virtude da falta de demonstração do montante da receita omitida, isto é, da base tributável. Embora a Recorrente também alegue – em sede preliminar - que o Fisco deveria comprovar que os valores creditados em conta corrente se referem a receita, bem como que nem toda a entrada de aporte econômico corresponde a receita, tal matéria é atinente ao mérito e como tal será adiante analisada. Ainda acerca da preliminar suscitada pela Recorrente acerca de eventual inconstitucionalidade da Lei 9.430/96, observa-se que a matéria já esta sumulada pelo CARF. Veja-se, neste sentido, o enunciado da Súmula 2: Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, da análise do presente processo verifica-se que os autos de infração foram lavrados com a estrita observância do Decreto 70.235/1972, razão pela qual rejeito as preliminares suscitadas. II - MÉRITO: OMISSÃO DE RECEITAS Quanto ao mérito, a contribuinte alega que: (i) a Fiscalização teria desconsiderado valores que, comprovadamente, não constituem receita ou faturamento da empresa; (ii) existe uma extensa lista de lançamentos contabilizados como receita, referentes à venda de mercadorias que foram indevidamente glosados pela Fiscalização; e que (iii) as folhas do Livro Razão apresentadas comprovariam a escrituração de determinadas receitas questionadas pela Fiscalização. De acordo com o caput do artigo 42 da Lei 9.430/1996, caracterizam-se como omissão de receita ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, em relação aos quais a pessoa titular, regularmente intimada, não comprove a origem dos recursos. Vejamos: “Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação Fl. 167DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 31/10/201 1 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10510.001059/2010-07 Acórdão n.º 1202-000.595 S1-C2T2 Fl. 168 9 aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações”. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. (...)” A Lei 9.430/1996 instituiu uma presunção relativa, ou seja, basta se verificar a ocorrência da hipótese prevista em lei para que a tributação seja exigida, salvo a comprovação, pelo contribuinte, de que tal hipótese não é passível de tributação. Essa matéria também já está sumulada pelo CARF. Vejamos: Súmula CARF n° 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Como já mencionado, a Recorrente foi intimada a comprovar as origens dos valores creditados. Do valor total questionado, a Recorrente apresentou justificativas para parte dos valores (fls. 66), os quais foram considerados comprovados pela Fiscalização e não autuados, enquanto que os valores não comprovados foram autuados pela Fiscalização. Logo, improcedente a alegação de que a Fiscalização teria desconsiderado valores que não constituiriam receita ou faturamento da empresa. No tocante à alegação da Recorrente de que existe uma extensa lista de lançamentos contabilizados como receitas de venda de mercadorias que foram indevidamente glosados pela Fiscalização, é importante ressaltar que a Recorrente foi intimada a apresentar a documentação suporte e não trouxe elementos de prova que pudessem afastar a presunção legal. Do mesmo modo, a Recorrente também não trouxe em sua impugnação e no recurso voluntário a documentação comprobatória de que as mencionadas receitas foram contabilizadas. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 31/10/201 1 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10510.001059/2010-07 Acórdão n.º 1202-000.595 S1-C2T2 Fl. 169 10 A alegação da Recorrente de que as folhas do Livro Razão apresentadas comprovariam a escrituração de determinadas receitas questionadas pela Fiscalização também não é correta, pois constam do processo (fls. 104 a 107) cópias de folhas do Livro Razão em que se demonstra os lançamentos contábeis na conta de bancos (conta de ativo) e não na conta de resultado, como por exemplo, a conta de receita com vendas. Ademais, as origens dos créditos em conta corrente não foram comprovadas. Por tais razões, resta claro que no mérito o recurso não deve ser provido. Por fim, quanto ao pedido genérico de diligência, entendo que além de não ter preenchido os requisitos impostos pelo Decreto 70.235/72 esta também é prescindível, dado que a contribuinte não apresentou documentação ou justificativa que pudesse por em dúvida a legalidade da exigência. Com a manutenção do auto de infração de IRPJ, os lançamentos decorrentes de CSLL, PIS e COFINS também devem ser mantidos. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. É como voto. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Fl. 169DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 31/10/201 1 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por NELSON LOSSO FILHO
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Numero do processo: 11610.004198/2001-28
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 14 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Dec 14 00:00:00 UTC 2010
Ementa: SIMPLES – INCLUSÃO - SERVIÇOS DE DECORAÇÃO DE INTERIORES - Conforme definido na Classificação Brasileira de Ocupações, a prestação de serviços relativa à ocupação 2629-05 (Decorador de interiores de nível superior), é assemelhada à prestação de serviços de arquiteto. Assim, a sociedade civil formada por arquitetos, cujo objetivo social seja a prestação de serviços de decoração, não pode optar pelo SIMPLES, a teor do inciso XIII do art. 9º da Lei 9.316/96.
Numero da decisão: 9101-000.787
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos
Fiscais, por maioria de votos, dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Karen Jureidini Dias, Antonio Carlos Guidoni Filho e Susy Gomes Hoffmann.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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Matéria Inclusão do SIMPLES Recorrente Procuradoria da Fazenda Nacional Interessado A I Decorações de Interiores Ltda. Microempresa. Ementa: SIMPLES – INCLUSÃO - SERVIÇOS DE DECORAÇÃO DE INTERIORES - Conforme definido na Classificação Brasileira de Ocupações, a prestação de serviços relativa à ocupação 2629- 05 (Decorador de interiores de nível superior), é assemelhada à prestação de serviços de arquiteto. Assim, a sociedade civil formada por arquitetos, cujo objetivo social seja a prestação de serviços de decoração, não pode optar pelo SIMPLES, a teor do inciso XIII do art. 9º da Lei 9.316/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Karen Jureidini Dias, Antonio Carlos Guidoni Filho e Susy Gomes Hoffmann. (assinado digitalmente) CAIO MARCOS CANDIDO Presidente Substituto (assinado digitalmente) VALMIR SANDRI Relator Fl. 85DF CARF MF Emitido em 16/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/02/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 15/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 03/02/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 11610.004198/2001-28 Acórdão n.º 9101-000.787 CSRF-T1 Fl. 2 2 Participaram do julgamento, os Conselheiros Francisco Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre de Lima da Fonte Filho, Leonardo de Andrade Couto, Karem Jureidini Dias, Claudemir Rodrigues Malaquias, Antonio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri e Suzy Gomes Hoffmann. Ausente momentaneamente o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barrerto. Relatório A Procuradoria da Fazenda Nacional, inconformada com a decisão consubstanciada no Acórdão n° 302-38.884 (sessão de 09/08/2007) que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso do contribuinte para mantê-lo no regime de tributação simplificada - SIMPLES, dentro do prazo regimental impetrou RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA, com fulcro no art. 7°, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25/06/2007. O litígio originou-se com a manifestação de inconformidade da empresa pelo indeferimento do seu pedido de inclusão retroativa no SIMPLES, manifestação essa indeferida pela Delegacia de Julgamento de São Paulo, aos argumentos de que: (i) a sociedade tem como objeto social a prestação de serviços técnicos profissionais, relacionados com a elaboração de projetos e assessoria técnica em arquitetura, interiores, paisagismo, urbanismo e serviços correlatos inerentes à atividade profissional, (ii), a atividade econômica indicada na declaração é a prestação de serviços de decoração de interiores; (iii) a prestação de serviços de decoração de interiores, embora não se encontre expressamente arrolada no inciso XIII do art. 9° da Lei 9.317/96, é de notória similaridade com os serviços prestados por arquitetos, cuja opção pelo sistema é literalmente vedada. A 2ª Câmara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes deu provimento ao recurso voluntário interposto e manteve a inclusão no sistema, ao argumento de que as profissões de arquiteto e de decorador, ou mesmo as atividades a elas inerentes não se confundem, até mesmo porque ao arquiteto é exigida formação em Arquitetura e registro no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia, enquanto ao decorador nada disso é exigido. Argumenta a PFN que a decisão proferida pela Segunda Câmara do Terceiro Conselho diverge da decisão dada na mesma questão pela Primeira Câmara do Segundo Conselho, expressada no Acórdão nº 201-75.461 (sessão de 17/10/2001), que para idêntica situação de fato, manteve a exclusão do contribuinte no SIMPLES. Analisando a petição recursal, a Presidência da Segunda Câmara do extinto Terceiro Conselho, concluiu pela existência de dissídio jurisprudencial a ser solucionado pela CSRF. Por isso, deu seguimento ao especial. O contribuinte não apresentou contra-razões. É o relatório. Fl. 86DF CARF MF Emitido em 16/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/02/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 15/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 03/02/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 11610.004198/2001-28 Acórdão n.º 9101-000.787 CSRF-T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator Conforme se depreende do relatório, a matéria em questão diz respeito à possibilidade de opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, de sociedade que exerça a atividade de prestação de serviços de decoração de interiores. O acórdão recorrido (Acórdão n° 302-38.884, de 09/08/2007), encontra-se assim ementado: "Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples. Ano-calendário: 2002 Ementa: SIMPLES EXCLUSÃO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE DECORAÇÃO DE INTERIORES. A atividade de decoração de interiores não consta do rol de atividades impeditivas para a opção pelo Simples, nem se assemelha à atividade de arquiteto. Não há, na espécie, fundamento para a exclusão da sistemática do Simples. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO." O acórdão trazido pela Recorrente como paradigma (Acórdão n° 201- 75.461), tem a seguinte ementa: "SIMPLES. EXCLUSÃO. SERVIÇOS DE DECORAÇÃO EM INTERIORES. É vedada a opção pelo SIMPLES às pessoas jurídicas que exercem atividade de decoração de interiores, visto que se enquadram na previsão do art. 9°, V e § 4°, da Lei n°9.317/96. Recurso negado" Comprovada a divergência jurisprudencial e atendidos os demais pressupostos para o especial, conheço do recurso. A pretensão da interessada de ser tributada pelo SIMPLES foi rejeitada por ter sido considerado que os serviços por ela prestados se assemelham aos de arquiteto e, por conseguinte, a opção é vedada pelo inciso XIII do art. 9º da Lei 9.316/96, que dispõe: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XIII - que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, Fl. 87DF CARF MF Emitido em 16/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/02/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 15/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 03/02/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 11610.004198/2001-28 Acórdão n.º 9101-000.787 CSRF-T1 Fl. 4 4 dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida A sociedade foi constituída em 1987 por quatro arquitetos, com a denominação social “A + I Arquitetura, Interiores e Paisagismo Limitada”, e com o objetivo social de prestação de serviços técnicos profissionais relacionados com a elaboração de projetos e assessoria técnica em arquitetura, interiores, paisagismo e urbanismo e serviços correlatos inerentes à atividade profissional. Pela terceira alteração contratual, um dos sócios se retirou, a denominação social foi alterada para “A + I Decoração de Interiores Ltda.” e o objeto social passou a ser “decoração de interiores”. Para motivar sua conclusão quanto à semelhança entre as profissões de decorador de interiores e arquiteto, a Delegacia de Julgamento transcreve a descrição das atividades daquele profissional, conforme consta da Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), aprovada pela Portaria do Ministério do Trabalho n° 1.334, de 21 de dezembro de 1994 (DOU. de 23.12.1994): Título: Decorador de interiores Descrição Detalhada: Estuda a finalidade do trabalho a realizar, consultando as anotações pertinentes, o cliente e outras fontes de informação, para determinar o estilo da decoração, as limitações de espaço e demais elementos de interesse; prepara os esboços, plantas e maquetas, indicando a decoração das paredes, as combinações de cores, o estilo e disposição dos móveis, cortinas e outros objetos de adorno ou funcionais, para possibilitar a apreciação de projetos e orientar os executores; submete o projeto aos interessados, esclarecendo seus aspectos relevantes, para receber a aprovação ou sugestão de reparos oportunos; determina o material necessário ao projeto, relacionando mobiliário, tapeçaria, luminárias e outros objetos decorativos, para permitir a aquisição dos elementos necessários à execução do mesmo; dirige o pessoal encarregado dos trabalhos, instruindo-os sobre a disposição dos móveis e demais elementos e fiscalizando suas tarefas, para assegurar os efeitos estéticos e funcionais pretendidos. Pode ele próprio executar a decoração de ambientes. Pode projetar, juntamente com arquitetos, a decoração completa de interiores, instalações e acessórios. Pode especializar-se em determinado campo da decoração e ser designado de acordo com a especialização." A Segunda Câmara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes, todavia, entendeu não haver fundamento para a exclusão da sociedade do SIMPLES, pontuando que a atividade de decoração de interiores não consta da relação das impeditivas de opção, nem se assemelha à de arquiteto. Fl. 88DF CARF MF Emitido em 16/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/02/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 15/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 03/02/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 11610.004198/2001-28 Acórdão n.º 9101-000.787 CSRF-T1 Fl. 5 5 É a seguinte a motivação explicitada no voto condutor: “ De acordo com o dicionário Houaiss, arquiteto é "o profissional da arte de construir, que idealiza, planeja, especifica materiais e elabora os desenhos de um espaço ou obra arquitetônica"; e decorador é "que tem por profissão a decoração de interiores, a confecção de cenários, etc". Portanto, não se confundem as profissões ou mesmo suas atividades, até mesmo porque ao arquiteto é exigida formação em Arquitetura e registro no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia, enquanto ao decorador nada disso é exigido.” De acordo com o inciso XIII do art. 9º da Lei nº 9.317/96, não pode optar pelo SIMPLES a pessoa jurídica que preste serviços profissionais, entre outros lá relacionados, de arquiteto, ou assemelhados, e de qualquer profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida. Sempre que a norma traz uma conceituação aberta, representada pela expressão “ou assemelhados”, a interpretação do seu alcance não resulta fácil. Não me parece, entretanto, que seu sentido possa ser definido apenas a partir da definição que o dicionário apresenta para os vocábulos “arquiteto” e “decorador”. Embora esse seja um elemento para a interpretação, não me parece suficiente, até porque o que deve ser pesquisado é se há semelhança entre a prestação de serviços de arquitetura e a prestação de serviços de decoração de interiores. Entendo mais consistente a análise a partir da Classificação Brasileira das Ocupações, tal como fez a Delegacia de Julgamento de São Paulo. Consulta à Classificação Brasileira das Ocupações, disponível no Portal do Ministério do Trabalho, na Internet, dá conta da existência de uma família de ocupações para “Arquitetos e urbanistas” (código 2141) e uma para “ “Designers de interiores de nível superior” (código 2629). A “Descrição Sumária” da família das ocupações 2141 (Arquitetos e Urbanistas) é a seguinte: Elaboram planos e projetos associados à arquitetura em todas as suas etapas, definindo materiais, acabamentos, técnicas, metodologias, analisando dados e informações. Fiscalizam e executam obras e serviços, desenvolvem estudos de viabilidade financeira, econômica, ambiental. Podem prestar serviços de consultoria e assessoramento, bem como estabelecer políticas de gestão. Por seu turno, na descrição da “característica de trabalho” da família de ocupações 2629 (Designers de interiores de nível superior) consta, como condições gerais de exercícios que: “O trabalho é exercido predominantemente por autônomos, em horário variável, de forma individual e em equipe, sem supervisão. O campo de atuação desse profissional tem Fl. 89DF CARF MF Emitido em 16/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/02/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 15/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 03/02/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 11610.004198/2001-28 Acórdão n.º 9101-000.787 CSRF-T1 Fl. 6 6 experimentado grande expansão nos anos recentes. Seus serviços vem sendo demandados na concepção e montagem de ambientes diversificados: residenciais, industriais, comerciais, serviços financeiros, serviços de saúde, serviços de educação, serviços culturais, administração municipais e estaduais, dentre outros.” Com respeito à “Formação e Experiência” relativa às ocupações 2629 (Designers de interiores de nível superior) tem- se que a ocupação é exercida por profissional de nível superior nas áreas de Arquitetura e Decoração”, e o “Relatório das atividades” a ela inerentes compreende: (a) analisar proposta de trabalho; (b) conceituar o projeto; (c) elaborar estudo preliminar; (d) elaborar anteprojeto; (e) elaborar projeto executivo; (f) executar projeto; (g) acompanhar a execução da obra; (h) pesquisar produtos, materiais e equipamentos. A família 2629 compreende o código 2629-05 -“ Decorador de interiores de nível superior”, cuja Descrição Sumária é a seguinte: Projetam e executam de forma criativa e científica soluções para espaços interiores residenciais, comerciais e institucionais, visando a estética, a eficiência, a segurança, a saúde e o conforto. Pesquisam produtos, materiais e equipamentos para elaboração e execução de projetos de interiores. Assim, embora as profissões ou as atividades de arquiteto não se confundam com a de decorador de interior de nível superior (como no caso específico, que trata de sociedade constituída por arquitetos), é inegável que constituem “prestações de serviços assemelhadas”. Ambas compreendem a elaboração de projetos de definições de espaços (com todas as atividades que a precedem: conceituação, estudo preliminar, anteprojeto), acompanhamento da execução da obra, definição de materiais, etc.. Portanto, entendo que não andou bem o Acórdão recorrido quando decidiu que a atividade de prestação de serviços de decoração de interiores exercida pela interessada não a impedem de optar pelo SIMPLES. Aliás, é de se notar que a sociedade não questionou seu desenquadramento, declarando expressamente tê-lo acatado ao receber o Ato Declaratório Executivo DERATSPO nº 484325, de 08/08/2003, alterando imediatamente seu regime tributário. Questionou apenas a retroatividade do ato, e requereu o reconhecimento da permanência no SIMPLES durante o período de janeiro de 1997 a agosto de 2003, a fim de se evitar enormes prejuízos financeiros. Portanto, pelas razões expostas, dou provimento ao recurso especial da D. Procuradoria. Sala das Sessões, em 14 de dezembro de 2010. (assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 90DF CARF MF Emitido em 16/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/02/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 15/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 03/02/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 11610.004198/2001-28 Acórdão n.º 9101-000.787 CSRF-T1 Fl. 7 7 Fl. 91DF CARF MF Emitido em 16/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/02/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 15/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 03/02/2011 por VALMIR SANDRI
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