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Numero do processo: 13005.001867/2007-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/08/2006 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). VALIDADE. INOCORRÊNCIA DE NULIDADE. O Mandado de procedimento fiscal (MPF) é ordem específica para que a fiscalização, por meio do auditor fiscal, inicie Fiscalização em determinada entidade, devendo a mesma tomar ciência deste documento no início da ação fiscal. O MPF deve estar válido quando o sujeito passivo teve conhecimento de sua existência, seja realizada pessoalmente, seja realizada por intermédio de correspondência postal com comprovante de Aviso de Recebimento (AR). NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara, não há que se falar em nulidade em decorrência de uma suposta presunção dos valores lançados na NFLD. VÍCIOS NO LANÇAMENTO FISCAL. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em vícios no lançamento fiscal, eis que as peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara. DECADÊNCIA TRIBUTÁRIA. INOCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA VINCULANTE 08 DO STF. APLICAÇÃO ART 173, INCISO I, CTN. De acordo com o enunciado no 08 da Súmula Vinculante do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). No caso de lançamento por homologação, restando caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, bem como estando caracterizado que a Recorrente não efetuou qualquer antecipação de pagamento, deixa de ser aplicado o § 4º do art. 150, para a aplicação da regra geral contida no art. 173, inciso I, ambos do CTN. O lançamento foi efetuado em 24/12/2007, data da ciência do sujeito passivo (fls. 01 e 1.010), e os fatos geradores, que ensejaram a autuação pelo descumprimento da obrigação tributária principal, ocorreram no período compreendido entre 01/1999 a 08/2006, e, posteriormente, os valores apurados até a competência 11/2001 e também a competência 13/2001 foram devidamente excluídos. Com isso, a competência 12/2001 e posteriores não foram abrangidas pela decadência, permitindo o direito do fisco de constituir o lançamento. AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-001.755
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em rejeitar a preliminar de nulidade em decorrência de irregularidades no mandado de procedimento fiscal, vencidos os conselheiros Tiago Gomes de Carvalho Pinto e Nereu Miguel Ribeiro Domingues que votaram por converter o julgamento em diligência. Por unanimidade de votos rejeitar as demais preliminares e negar provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO

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PATRONAL, SAT/GILRAT E TERCEIROS. BASE CÁLCULO AFERIÇÃO  INDIRETA  Recorrente  CONE SUL SOLUÇÕES AMBIENTAIS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/1999 a 31/08/2006  MANDADO  DE  PROCEDIMENTO  FISCAL  (MPF).  VALIDADE.  INOCORRÊNCIA DE NULIDADE.  O Mandado  de  procedimento  fiscal  (MPF)  é  ordem  específica  para  que  a  fiscalização, por meio do  auditor  fiscal,  inicie Fiscalização em determinada  entidade, devendo a mesma tomar ciência deste documento no início da ação  fiscal.  O MPF deve estar válido quando o sujeito passivo teve conhecimento de sua  existência,  seja  realizada  pessoalmente,  seja  realizada  por  intermédio  de  correspondência postal com comprovante de Aviso de Recebimento (AR).  NULIDADE. INOCORRÊNCIA.  Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara  e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara, não  há que se  falar  em nulidade  em decorrência de uma  suposta presunção dos  valores lançados na NFLD.  VÍCIOS NO LANÇAMENTO FISCAL. INOCORRÊNCIA.  Não  há  que  se  falar  em  vícios  no  lançamento  fiscal,  eis  que  as  peças  dos  autos  demonstram  de  forma  clara  e  precisa  a  origem  do  lançamento  e  a  fundamentação legal que o ampara.  DECADÊNCIA  TRIBUTÁRIA.  INOCORRÊNCIA.  APLICAÇÃO  DA  SÚMULA VINCULANTE 08 DO STF. APLICAÇÃO ART 173, INCISO I,  CTN.  De acordo com o enunciado no 08 da Súmula Vinculante do STF, os artigos  45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são  inconstitucionais, devendo prevalecer,  no     Fl. 638DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 20/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA     2 que  tange  à  decadência  e  prescrição,  as  disposições  do  Código  Tributário  Nacional (CTN).  No caso de lançamento por homologação, restando caracterizada a ocorrência  de  dolo,  fraude  ou  simulação,  bem  como  estando  caracterizado  que  a  Recorrente  não  efetuou  qualquer  antecipação  de  pagamento,  deixa  de  ser  aplicado o § 4º do art. 150, para a aplicação da regra geral contida no art. 173,  inciso I, ambos do CTN.  O lançamento foi efetuado em 24/12/2007, data da ciência do sujeito passivo  (fls.  01  e  1.010),  e  os  fatos  geradores,  que  ensejaram  a  autuação  pelo  descumprimento  da  obrigação  tributária  principal,  ocorreram  no  período  compreendido  entre  01/1999  a  08/2006,  e,  posteriormente,  os  valores  apurados até a competência 11/2001 e também a competência 13/2001 foram  devidamente excluídos. Com  isso, a competência 12/2001 e posteriores não  foram abrangidas pela decadência, permitindo o direito do fisco de constituir  o lançamento.  AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL.  Ocorrendo  recusa  ou  sonegação  de  qualquer  documento  ou  informação,  ou  sua  apresentação  deficiente,  o  Fisco  pode,  sem  prejuízo  da  penalidade  cabível,  inscrever  de  ofício  importância  que  reputar  devida,  cabendo  à  empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário.  Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos  em  rejeitar  a  preliminar de nulidade em decorrência de irregularidades no mandado de procedimento fiscal,  vencidos os conselheiros Tiago Gomes de Carvalho Pinto e Nereu Miguel Ribeiro Domingues  que votaram por converter o  julgamento  em diligência. Por unanimidade de votos  rejeitar as  demais preliminares e negar provimento ao recurso.    Ana Maria Bandeira – Presidente em exercício.    Ronaldo de Lima Macedo ­ Relator.    Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros: Ana Maria  Bandeira,  Lourenço  Ferreira  do  Prado,  Ronaldo  de  Lima Macedo,  Nereu Miguel  Ribeiro  Domingues,  Leôncio Nobre de Medeiros e Tiago Gomes de Carvalho Pinto. Ausente o Conselheiro Julio  Cesar Vieira Gomes.  Fl. 639DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 20/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 13005.001867/2007­69  Acórdão n.º 2402­001.755  S2­C4T2  Fl. 1.178          3   Relatório  Trata­se  de  Notificação  Fiscal  de  Lançamento  de  Débito  (NFLD)  lançada  pelo Fisco em face da sociedade empresária Cone Sul Soluções Ambientas Ltda, referente às  contribuições  devidas  à  Seguridade  Social,  incidentes  sobre  a  remuneração  dos  segurados  empregados e contribuintes individuais, relativas às contribuições dos segurados não retidas, da  parte patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  e  de  Terceiros  (FNDE/Salário­ Educação, INCRA, SESC/SENAC e SEBRAE), para as competências 01/1999 a 08/2006.  O Relatório Fiscal da notificação (fls. 969/1006 – Volume VI) informa que o  fato gerador decorre da remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, em  que a base de cálculo foi apurada por intermédio de aferição indireta, consoante art. 33, §§ 3o e  6o, da Lei n° 8.212/1991 e demais dispositivos  legais  citados no Anexo FLD ­ Fundamentos  Legais do Débito, às fls. 86 a 91.  O  Relatório  Fiscal  registra  que  os  fatos  geradores  de  contribuição  previdenciária encontrados no desenvolvimento da ação fiscal foram classificados por tipo de  levantamento, a saber: (i) “Levantamento 010 – AFERIÇÃO INDIRETA EMPREGADO” (não  declarado em GFIP – sem redução de multa): apuração de salário­de­contribuição por aferição  indireta com base no faturamento; e  (ii) “Levantamento 011 – AFERIÇÃO INDIRETA PRO  LABORE” (não declarado em (GFIP – sem redução de multa): pró­labore indireto. Para cada  levantamento  o  auditor  fiscal  apresenta  planilhas  em  separado  contemplando  matriz  e  filial  com descrição detalhada dos fatos geradores e planilhas auxiliares (fls. 95/384 – Volume I).  Esse Relatório Fiscal informa ainda que as características da empresa (título  I),  cuja denominação  anterior  era Cone Sul Serviços  de Limpeza Ltda.,  e o  objeto  social  se  refere  basicamente  à  prestação  de  serviços  de  limpeza  e  conservação;  portaria;  zeladoria  e  leitura de medidores de energia elétrica; coleta, transporte e destinação final de lixo domiciliar,  industrial  e  ambulatorial;  conservação  e  limpeza  de  parques,  jardins,  praças  e  vias  públicas;  serviços  de  hidrojateamento;  manutenção  de  usina  de  reciclagem  e  compostagem  de  lixo;  operação e manutenção de aterro sanitário; transporte de passageiros e transporte escolar.  No título II, descreve a natureza da ação fiscal que teve início em 25/11/2004,  quando a empresa tomou ciência do Termo de Intimação para Apresentação dos Documentos  (TIAD,  fl.  914)  e  do Mandado  de  Procedimento  Fiscal  (MPF)  Fiscalização  n°  09200825  na  pessoa do sócio gerente Geferson Paulo Tolotti, tendo sido auditado integralmente o período de  01/1997  a  12/2005  e  com  ressalvas  o  período  de  01/2006  a  08/2006  em  que  não  houve  a  apresentação  da  contabilidade.  No  título  III,  cita,  de  modo  geral,  os  fatos  geradores  de  contribuição previdenciária lançados nas notificações fiscais lavradas contra a empresa.  No  título  IV –  “Da  Situação  Fática Relativamente  aos  Fatos Geradores”,  a  auditoria  fiscal  relata  que  na  condução  dos  trabalhos,  e  especialmente  na  análise  das  informações  contábeis,  percebeu  inicialmente  a  existência  de  saldo  de  caixa  em  valores  bastante  elevados,  incompatíveis  com  o  fluxo  financeiro  mensal.  Esclarece  que  o  saldo  se  elevava principalmente quando o recebimento do faturamento se dava via caixa, não sendo os  recursos depositados na rede bancária ou ainda, pela emissão de cheques de contas bancárias  Fl. 640DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 20/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA     4 da própria empresa sem lançamentos contábeis que justificassem tais retiradas. Que apesar do  saldo elevado da conta caixa, continuava a empresa a emitir cheques para o custeio diário de  seus  custos  e despesas  operacionais,  numa demonstração  inequívoca  que  se  tratava  de  saldo  apenas  escritural  e  que  tais  recursos  já  tinham  tomado outro  destino. A  baixa  daquele  saldo  acumulado  se  dava  normalmente  por  saídas,  também  elevadas,  e  na  maioria  das  vezes,  destinados a um reduzido número de empresas, em retribuição a “supostos serviços prestados”.  Relata  também  que  em  face  do  exposto,  e  após  uma  análise  por  amostragem,  todos  os  documentos encontrados em situação suspeita foram requisitados mediante o TIAD datado de  27/10/2006 (fls. 918/931).  A auditoria fiscal relata que diante de tantas evidências de que se tratavam de  documentos  fiscais  inidôneos,  efetuou  diligências  junto  aos  estabelecimentos  emitentes  das  notas  fiscais  e  nos  órgãos  fazendários  competentes,  ficando  comprovado  que  a  maioria  das  empresas já haviam paralisado as atividades bem antes da data de emissão consignada naqueles  documentos  fiscais,  encontrando­se,  inclusive,  com  inscrição  baixada  nas  Secretarias  de  Fazenda. Em dois outros casos encontrados, simplesmente  tratava­se de “empresa­fantasma”,  sendo o endereço falso, os números da inscrição estadual e o CNPJ  também falsos, o que se  aplicava  inclusive  ao  próprio  estabelecimento  gráfico  que  supostamente  teria  efetuado  a  confecção  do  respectivo  talonário.  Foi  efetuada  a  apreensão  dos  referidos  documentos,  conforme cópia do processo (fls. 720/891).  A  seguir  passa  a  relatar  as  irregularidades  encontradas  em  relação  a  cada  empresa diligenciada: empresa EDGAR JOSE UMANN (AREIA DO VALE), às fls. 972/974;  empresa  ERMIL  ASSESSORIA  EMPRESARIAL  LTDA,  às  fls.  974/978;  empresa  ENC  EMPREITEIRA DE OBRAS LTDA, às fls. 978/982; empresa ROGERIO G. CELARO & CIA  LTDA,  às  fls.  982/986;  empresa  ESTOFARIA  LEOCAR  LTDA,  à  fls.  986/987;  empresa  HILARIO  SCHULTZ,  às  fls.  987/989;  empresa  KASPER'  S  REPRESENTAÇÕES  ASSESSORIA E PLANEJAMENTO FINANCEIRO LTDA; empresa OFICINA MECÂNICA  GONÇALVES LTDA, às fls. 990; empresa SOLEIVAN MARTINS LOPES LTDA – ME, às  fls.  991;  empresa  VIVIANE  ELIETE  DREHER  CIA  LTDA,  às  fls.  991/993;  empresa  TRAILER TUR AUTO LOCADORA, às fls. 993/994; empresa VISUAL SINALIZAÇÃO, às  fls. 994.  No  título  V  –  Das  Conclusões  sobre  os  documentos  Fiscais  Analisados,  a  auditoria fiscal, diante das evidências apontadas, o resultado obtido nas diligências efetuadas e  ainda  o  desatendimento  de  prestar  informação  e  esclarecimentos  a  respeito  dos  documentos  Fiscais, apesar de formalmente intimada, nos termos dos documentos arrolados, concluiu que  se tratavam de documentos inidôneos caracterizados como: nota residual (emitida em nome de  empresa  já desativada ao  tempo de sua emissão), nota de favor  (emitida por estabelecimento  regular  cujo  conteúdo  não  corresponde  à  qualquer  operação  comercial)  e  nota  fantasma  (emitida em nome de estabelecimento inexistente). Considerando ainda que no aspecto visual a  maioria das notas fiscais, apesar de constarem em nome de deferentes empresas, inclusive com  sede em municípios distintos,  se  apresenta  com a mesma caligrafia,  envolvendo mais de um  emitente,  e,  considerando  que  nesse  conjunto  de  documentos  estão  contidos  os  de  duas  empresas (Ambientare e Locazione) estabelecidas no mesmo prédio e pertencentes aos mesmos  sócios da empresa Cone Sul, foi atribuído a esta a condição de responsável pela execução da  fraude praticada.  A auditoria  fiscal  relata  ainda, no  título VI – Da Dissimulação de Vínculos  Empregatícios em Nome de Terceiros, que a empresa mantém empregados a seu serviço com  registro do vínculo em nome de outras empresas (registradas em nome de parentes e até mesmo  de empregados), visando a redução dos encargos sociais incidentes sobre a folha de pagamento  Fl. 641DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 20/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 13005.001867/2007­69  Acórdão n.º 2402­001.755  S2­C4T2  Fl. 1.179          5 de salários, haja vista que essas empresas são optantes do Sistema integrado de Pagamento de  Impostos e Contribuições ­ SIMPLES.  Análise dos fatos com relato pormenorizado das condições de trabalho e das  empresas  envolvidas,  relativo  aos  segurados  empregados:  Jovaina  Vieira  de  Souza  Santos,  Cristiano André Machado, Zildo Francisco Rabuske e Ricardo Muradas.  As cópias dos documentos que embasaram as afirmações acima se encontram  anexas às fls. 385/891.  O  auditor  conclui  que  considerando  tudo  que  foi  exposto  e  as  conclusões  exaradas em relação aos documentos fiscais analisados e em relação aos contratos de trabalho  dissimulados,  declara  com  amparo  no  art.  142,  §  único  e  art.  148  do  Código  Tributário  Nacional  (CTN),  que  a  contabilidade  da  empresa  Cone  Sul  Soluções  Ambientais  Ltda.  não  registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, nem do faturamento e  do lucro, o que impõe a inarredável aplicação dos §§ 3° e 6o do art. 33 da Lei n° 8.212/1991.  Assim  a  apuração  do  salário­de­contribuição  dos  empregados  foi  feita  mediante aferição indireta com base no faturamento. Desse modo, para a apuração da mão­de­ obra contida nas notas fiscais de serviço foram utilizados os valores do serviço destacado nas  notas fiscais da empresa e, utilizados os percentuais mínimos previstos na Instrução Normativa  (IN) SRP no 03/2005, quando aqueles se demonstraram inferiores a estes. Apresenta planilha  com  os  percentuais  mínimos  de  acordo  com  o  serviço  prestado  pela  empresa  e  a  fundamentação da IN SRP n° 03/2005. No item 63 (fl. 1.001) informa como foram deduzidos  os valores dos custos de destinação  final do  lixo  (valores pagos a empresa SIL­SOLUÇÕES  AMBIENTAIS LTDA).  No  título X – Dos Documentos  de Crédito Apresentados,  a  auditoria  fiscal  informa como as retenções efetuadas por terceiros e os pagamentos feitos pela empresa foram  deduzidos. Tais créditos constam do Discriminativo Analítico de Débito (DAD), fls. 04/22.  No título XII – Outras Informações (itens 73 a 80), a auditoria fiscal relata os  documentos  examinados;  que  a  fundamentação  legal  encontra­se  no  anexo  Fundamentos  Legais do Débito  (FLD); que foram emitidos o Termo de Arrolamento de Bens e Direitos, o  Auto de Apreensão, Guarda e Devolução de Documentos (AGD) e a Representação Fiscal para  Fins Penais;  quais  pessoas  atenderam a  fiscalização  e  discrimina  os  relatórios  e  documentos  entregues ao contribuinte.  Às  fls.  1007/1009  é  apresentado  um  sumário  com  o  conteúdo  dos  seis  volumes.  A  ciência  do  lançamento  fiscal  ao  sujeito  passivo  deu­se  em  24/12/2007  (fls.01 e 1.010 – Volume VI), por meio de correspondência postal com Aviso de Recebimento  (AR).  A Notificada  apresentou  impugnação  tempestiva  (fls.  1014/1043  – Volume  VI) – acompanhada de anexos de fls. 1044/1088 –, alegando, em síntese, que:  1.  o auditor usou expressões como “teoricamente”, “supostamente”. Que  nada mais  são  do  que  conclusões  pessoais  desprovidas  de  qualquer  Fl. 642DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 20/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA     6 prova  ou  previsão  legal  e  que  a  fiscalização  foi  conduzida  por  suposições quando deveria ser desenvolvida por provas contundentes;  2.  o  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  (MPF)  como  Pressuposto  de  Existência Válida  da  Ação  Fiscal  e  Irregularidades  do Mandado  de  Procedimento Fiscal (MPF­F) n° 09200825 (04/11/2004) – situações  que conduzem à sua nulidade, este último com subtítulo Mandado de  Procedimento  Fiscal  Complementar  (MPF­C)  expedido  quando  o  Mandado Originário  já  havia  expirado,  tece  extenso  arrazoado  para  concluir  que  a  atividade  administrativa  está  jungida  ao  princípio  da  vinculação do ato, impondo aos agentes o rigoroso cumprimento das  prescrições legais sob pena de nulidade. Que se o sujeito passivo não  é  cientificado,  por  meio  de MPF,  da  ação  fiscal  que  dá  suporte  ao  lançamento, este não pode persistir. Que o servidor responsável pela  execução do MPF deixou de realizar as prorrogações dentro do prazo  legal  e  que  uma  vez  expirado  o  MPF  deverá  ser  expedido  novo  Mandado, devendo  ser designado outro  servidor,  não podendo  ser o  mesmo  responsável  pela  execução  do  MPF  extinto  (que,  no  caso,  praticou atos desprovido de competência concreta);  3.  no  título,  “Cumprimento  de  diligências  em Contribuintes  Diversos”  para a coleta de Informações para subsidiar o Procedimento Fiscal da  Impugnante  sem  a  emissão  do  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  Extensivo  (MPF­EX),  afronta  ao  art.  579  da  IN  ­  SRP  n°  03/2005,  aduz  que  foram  lavrados  termos  de  depoimento,  coletados  documentos,  dentre  outros.  Tudo  sem  que  houvesse  um  ato  precedente que legitimasse a diligência;  4.  também alega que todos os fatos geradores anteriores a dezembro de  2002  estão  acobertados  pela  decadência  do  direito  de  constituir  a  obrigação principal e tece considerações sobre o art. 150 e o art. 173,  I do CTN;  5.  quanto às razões de mérito, demonstra seu inconformismo em relação  aos  percentuais  utilizados  para  o  arbitramento  do  salário­de­ contribuição  por  aferição  indireta.  A  empresa  transcreve  os  artigos  600 a 604 e art. 605 da Instrução Normativa SRP 03/2005 alegando  que: “o legislador prevê como regra geral que a remuneração da mão­ de­obra  utilizada  na  prestação  de  serviços  corresponde  a  40%  (quarenta  por  cento)  do  valor  dos  serviços  constantes  na  nota  fiscal  respectiva;  porém  ressalta  que  nos  casos  de  serviços  de  limpeza,  transporte  de  cargas  e  de  passageiros  e  nos  de  construção  civil  que  envolvam utilização de equipamentos deveremos observar o disposto  nos  arts.  602,  603  e  605”  (fls.  1034/1035).  Alega  que  o  legislador  prevê a possibilidade de a empresa,  antes de aplicar o percentual de  40%  (quarenta  por  cento)  como  remuneração  sobre  o  valor  dos  serviços, abater do mesmo as despesas com materiais e equipamentos  (mais uma situação não observada pelo auditor) e prevê também que  existem duas possibilidades de abater a base de cálculo (serviço): ou  se utiliza o valor do material e equipamento discriminado no contrato  ou,  na  falta  de  discriminação  dos  valores,  aplica­se  o  percentual  de  50% (cinqüenta por cento) aplicando sobre este os percentuais do art.  600  (40%).  Que  a  remuneração  no  caso  de  limpeza  hospitalar  Fl. 643DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 20/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 13005.001867/2007­69  Acórdão n.º 2402­001.755  S2­C4T2  Fl. 1.180          7 corresponde a 26% (vinte e seis por cento) sobre o valor bruto da nota  fiscal  de  prestação  de  serviços  e  32%  (trinta  e  dois  por  cento)  nos  demais casos. Que no caso de transporte de cargas ou de passageiros,  a base de cálculo  será 20%  (vinte por cento)  sobre  a nota  fiscal,  ou  seja, primeiro deve ser apurado o valor do serviço (20%) para depois  aplicar o percentual da apuração da remuneração. E, por último, que  na  atividade  de  hidrojateamento,  além  de  ser  serviço  da  área  da  construção  civil,  utiliza  equipamentos  pesados,  sendo  inaceitável  a  aplicação  do  percentual  de  80%  (oitenta  por  cento)  como  sendo  serviço quando o correto seria utilizar o percentual do parágrafo único  do  art.  605  da  IN  SRP  n°  03/2005.  Traz  aos  autos  fotos  do  equipamento  utilizado  para  a  atividade  (fl.  1.038).  Anexa  planilha  contendo os percentuais que entende deveriam ser aplicados e Tabela  da Aferição Indireta Corrigida Utilizando os Percentuais Corretos;  6.  protesta,  nos  termos  do  art.  16,  inciso  IV,  do  Decreto  Federal  n°  70.235/72,  pela  realização  de  perícia  contábil  para  a  revisão  da  presente NFLD,  indicando nome e  qualificação  do  profissional  para  realizar o  trabalho  (fl. 1.040) e apresentando os quesitos  formulados  no  Anexo  Único  (fls.  1044/1045)  a  fim  de  demonstrar  os  erros  na  apuração das bases de cálculo da aferição indireta pelo faturamento;  7.  quanto ao Pró­Labore Indireto aduz que não restou demonstrado pela  auditoria  que  os  valores  dos  “supostos”  pagamentos  fictícios  se  reverteram  em  proveito  dos  sócios,  condição  indispensável  para  a  configuração  de  pró­labore  e  que  a  intitulação  pró­labore  indireto  utilizada  como  fundamento  da  presente  peça  fiscal  carece  de  total  amparo jurídico e axiológico;  8.  ao  final  requer  seja  reconhecida  a  nulidade  do  Procedimento  Administrativo Fiscal tendo em conta as prorrogações fora do prazo e  a ausência de prorrogação até 21/12/2007,  fato que culminou com a  lavratura  do  presente  auto  por  servidor  que  não  dispõe  de  competência concreta para tanto; ou a prescrição do crédito tributário  constituído,  em  relação  às  competências  e/ou  infrações  cometidas  anteriormente  a  31/12/2002,  declarando,  em  qualquer  das  situações  prejudiciais  narradas,  inexigível  o  respectivo  crédito  tributário  constituído;  ou  requer  seja  reconhecida  a  insubsistência  do  crédito  tributário  constituído,  considerando  que  os  valores  apurados  por  aferição  indireta  não  observaram  as  bases  legais,  conforme  demonstrado pelo cálculo da  impugnante, assim como desconsiderar  como pró­labore  indireto  os  valores  dos  pagamentos  realizados  pela  impugnante  a  fornecedores,  posto  que,  ainda  que  assim  fosse,  não  restou  comprovada  pela  auditoria  a  destinação  dos  referidos  valores  em  proveito  dos  Sócios  da  impugnante,  para,  assim,  serem  considerados pró­labore;  9.  Anexa: a) histórico do Correio para confirmar o recebimento do Auto  de  Infração,  em  24/12/2007;  b)cópia  do Contrato Administrativo N'  003/2004 e anexos; e) cópia de nova proposta financeira. planilhas de  Fl. 644DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 20/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA     8 custos e declarações e Anexo VII para a Concorrência n° 53/2002 e,  d)  cópias  de  Alterações  e  Consolidação  do  Contrato  Social  da  empresa, às fls. 1046/1088.  A  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  (DRJ)  em  Santa  Maria­RS  –  por  meio  do  Acórdão  18­09.456  da  4a  Turma  da  DRJ/STM  (fls.  1112/1127  –  Volume VI) – considerou o lançamento fiscal procedente em parte, eis que houve a decadência  tributária  para  os  fatos  geradores  ocorridos  até  a  competência  11/2001,  inclusive,  em  atendimento à Súmula Vinculante no 08 do Supremo Tribunal Federal (STF).  A Notificada apresentou recurso (fls. 1131/1153 – Volume VI), manifestando  seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados na notificação e  no mais efetua repetição das alegações de defesa.  A Seção de Controle e Acompanhamento Tributário (SACAT) da Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  em  Santa  Cruz  do  Sul­RS  informa  que  o  recurso  interposto  é  tempestivo  e  encaminha  os  autos  ao  Conselho  de  Contribuintes  para  processamento  e  julgamento (fls. 1162 e 1163).  É o relatório.  Fl. 645DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 20/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 13005.001867/2007­69  Acórdão n.º 2402­001.755  S2­C4T2  Fl. 1.181          9   Voto             Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator  Sendo tempestivo (fl. 1163 – Volume VI), CONHEÇO DO RECURSO e passo  ao exame de seus argumentos.  DAS PRELIMINARES:  Inicialmente, cumpre­nos avaliar as nulidades argüidas pela Recorrente  no  que  diz  respeito  a  falta  de  cobertura  do  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  (MPF)  durante a realização do procedimento de auditoria fiscal.  Entendo  que,  no  âmbito  da  fiscalização  Previdenciária,  o MPF  foi  criado  no  intuito  de  legitimar  o  procedimento  fiscal. Além  disso, MPF  válido  para  fins  de  autuação  é  aquele  em  que  o  sujeito  passivo  teve  conhecimento  de  sua  existência,  seja  realizada  pessoalmente,  seja  realizada  por  intermédio  de  correspondência  postal  com  comprovante  de  Aviso de Recebimento (AR).  Esclarecemos  ainda  que  a  legislação  tributária  dispõe  que,  na  instauração  de  procedimento fiscal, é obrigatória a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), nos  termos do art. 2o do Decreto n° 3.969/2001 – diploma que estabeleceu as normas gerais para a  execução de ações fiscais com vistas à apuração e cobrança de créditos previdenciários –,  in  verbis:  Art.  2° Os  procedimentos  fiscais  relativos  aos  tributos  federais  previdenciários  serão  executados  por  Auditores  Fiscais  da  Previdência  Social  habilitados  e  instaurados  mediante  ordem  especifica  denominada  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  –  MPF. (redação dada pelo Decreto n° 4.058/01).  Parágrafo  único.  Para  o  procedimento  de  fiscalização,  será  emitido Mandado de Procedimento Fiscal ­ Fiscalização (MPF­ F) e, no caso de diligência, Mandado de Procedimento Fiscal ­  Diligência (MPF­D).  Art. 3° Para os fins deste Decreto, entende­se por procedimento  fiscal:  I  –  de  fiscalização,  as  ações  que  objetivam  a  verificação  cumprimento  das  obrigações  tributárias,  por  parte  do  sujeito  passivo, relativas aos tributos federais previdenciário.s, podendo  resultar em constituição de crédito tributário;  (...)  Art.  4o  O MPF  será  emitido  na  forma  de  modelos  adotados  e  divulgados pelos órgãos competentes, do qual será dada ciência  ao sujeito passivo, nos termos do art. 23 do Decreto n° 70.235,  de 6 de março de 1972, com a redação dada pelo art. 67 da Lei  Fl. 646DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 20/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA     10 n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, por ocasião do  início do  procedimento fiscal.  Art.  10.  As  alterações  no  MPF,  decorrentes  de  substituição,  inclusão ou exclusão e servidor responsável pela sua execução,  bem assim as relativas a tributos a serem examinados e período  de  apuração,  serão  procedidas  mediante  emissão  de Mandado  de  Procedimento  Fiscal  Complementar  (MPF­C),  pela  autoridade  outorgante  do  MPF  originário,  do  qual  será  dada  ciência ao sujeito passivo.  Art.  13. A prorrogação do prazo de que  trata a art. 12 poderá  ser  efetuada  pela  autoridade  outorgante  tantas  vezes  quantas  necessárias,  observados  a  cada  ato,  os  limites  estabelecidos  naquele artigo.  Parágrafo único. A prorrogação do prazo de validade do MPF  será formalizada mediante a emissão do MPF – C.  Art. 15. O MPF se extingue:  I – pela conclusão do procedimento  fiscal, registrado em termo  próprio;  II – pelo decurso dos prazos a que se referem os arts. 12 e 13.  Art. 16. A hipótese de que trata o inciso II do art. 15 não implica  nulidade dos atos praticados; podendo a autoridade responsável  pela emissão do Mandado extinto determinar a emissão de novo  MPF para a conclusão do procedimento fiscal.  Assim, o MPF é a ordem específica dirigida ao auditor fiscal para que, no uso de  suas atribuições privativas, instaure os procedimentos fiscais, assim conceituados como ações  que objetivam a verificação do cumprimento das obrigações previdenciárias, podendo, dessas  ações, resultar a constituição do crédito previdenciário.  Devidamente instaurado o procedimento fiscal, o MPF terá validade até o final  do  prazo  por  ele  estabelecido  ou  na  data  em  que  houver  conclusão  do  procedimento  fiscal,  registrado por meio do Termo de Encerramento da Ação Fiscal (TEAF), conforme disposto no  artigo  15  do  Decreto  n°  3.969/2001.  A  prorrogação  do  prazo  de  validade  do  MPF  será  formalizada  mediante  a  emissão  de  MPF­C  (art.  13,  parágrafo  único,  do  Decreto  n°  3.969/2001). Ambos acima transcritos.  Verifica­se que o procedimento fiscal foi iniciado regularmente com a emissão  do Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização  (MPF­F) n° 09200825  (fl.  898),  emitido  em  04/11/2004,  e  sua  ciência  ocorreu  em  25/11/2004,  sendo  que  o  mesmo  tinha  prazo  de  execução até 04/03/2005.  Posteriormente,  conforme  ficou  registrado  na  decisão  de primeira  instância  de  fls. 1.112 a 1.127 – Volume VI, foram emitidos regularmente os Mandados de Procedimento  Fiscal  Complementares  (MPF­C),  quais  sejam: MPF­C  01,  emitido  em  30/11/2004  para  ser  executado  até  04/03/2005;  MPF­C  02  emitido  em  03/03/2005  para  ser  executado  até  01/07/2005; MPF­C 03 emitido em 01/07/2005 para ser executado até 29/10/2005; MPF­C 04  emitido em 27/10/2005 para ser executado até 26/12/2005; MPF­C 05 emitido em 23/12/2005  para ser executado até 21/02/2006; MPF­C 06 emitido em 21/02/2006 para ser executado até  22/04/2006; MPF­C 07 emitido em 20/04/2006 para ser executado até 19/06/2006; MPF­C 08  emitido em 19/06/2006 para ser executado até 18/08/2006; MPF­C 09 emitido em 18/08/2006  Fl. 647DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 20/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 13005.001867/2007­69  Acórdão n.º 2402­001.755  S2­C4T2  Fl. 1.182          11 para  ser executado até 17/10/2006; MPF­C 10 emitido em 16/102006 para  ser  executado até  15/12/2006; MPF­C 11 emitido em 13/12/2006 para ser executado até 11/02/2007; MPF­C 12  emitido  em  09/02/2007  para  ser  executado  até  10/04/2007;  e  MPF­C  13  emitido  em  10/04/2007 para  ser  executado  até  09/06/2007.  Esses MPF­ C  têm  ciência  do  sócio  gerente,  antes do encerramento da ação fiscal, com exceção dos MPF­C 11 no qual foi lavrado termo de  que  foi  deixado  com  a  contadora Sra.  Jovaina Vieira  de Souza Santos  (nas  dependências  da  empresa); MPF­C 12 que foi enviado pelo Correio com Aviso de Recebimento (recebido em  16/02/2007) e MPF­C 13 no qual foi lavrado termo de que o sócio administrador encontrava­se  ausente  e  a  contadora  Sra.  Jovaina  Vieira  de  Souza  Santos  recusou­se  a  assinar  e  que  foi  deixado cópia com a mesma.  A empresa alega que não consta dos autos nenhum MPF­C posterior ao MPF­C  13,  a  fim  de  demonstrar  a  continuação  (prorrogação)  da  ação  fiscal.  Contudo,  há  que  se  esclarecer  que  em  02/05/2007  entrou  em  vigor  o  Decreto  n°  6.104/2007,  que  revogou  o  Decreto  n°  3.969/2001,  transcrito  acima,  e  alterou  a  sistemática  de  emissão  dos  MPF  Complementares, a saber:  Art.  2o  Os  procedimentos  fiscais  relativos  a  tributos  e  contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal  do  Brasil  serão  executados,  em  nome  desta,  pelos  Auditores­ Fiscais da Receita Federal do Brasil e somente terão início por  força  de  ordem  especifica  denominada  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  (MPF),  instituído  mediante  ato  da  Secretaria da Receita Federal do Brasil.  (...)  § 4o O Secretário da Receita Federal do Brasil estabelecerá os  modelos  e  as  informações  constantes  do MPF,  os  prazos  para  sua  execução,  as  autoridades  fiscais  competentes  para  sua  expedição, bem como demais hipóteses de dispensa ou situações  em  que  seja  necessário  o  início  do  procedimento  antes  da  expedição do MPF, nos casos em que haja  risco aos  interesses  da Fazenda Nacional.  E,  na mesma  data,  em  02/05/2007,  o  Secretário  da Receita Federal  do Brasil,  disciplinou  a  execução  dos  procedimentos  fiscais  relativos  a  tributos  e  contribuições  administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), por meio da Portaria RFB n°  4.066, a saber:  Art. 13. A prorrogação do prazo de que  trata o artigo anterior  poderá  ser  efetuada  pela  autoridade  outorgante,  tantas  vezes  quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de  sessenta  dias,  para  procedimentos  de  fiscalização,  e  de  trinta  dias, para procedimentos de diligência.  §  1o  A  prorrogação  de  que  trata  o Caput  poderá  ser  feita  por  intermédio  de  registro  eletrônico  efetuado  pela  respectiva  autoridade  outorgante,  cuja  informação  estará  disponível  na  Internet nos termos do art. 72, inciso VIII.  §  2o  Na  hipótese  do  §  1o,  o  AFRFB  responsável  pelo  procedimento  fiscal  fornecerá  ao  sujeito  passivo,  quando  do  primeiro  ato  de  ofício  praticado  junto  ao  mesmo  após  cada  Fl. 648DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 20/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA     12 prorrogação,  o  Demonstrativo  de  Emissão  e  Prorrogação,  contendo  o  MPF  emitido  e  as  prorrogações  efetuadas,  reproduzido a partir das  informações apresentadas na  Internet,  conforme modelo constante do Anexo VI.  Dessa  forma o Demonstrativo  de Emissão  e Prorrogação  de MPF – Auditoria  Previdenciária,  cópia  anexa  à  fl.  913  dos  autos,  nos  informa  da  prorrogação  do  MPF  de  09/06/2007  com  validade  até  08/08/2007;  de  08/08/2007  até  07/10/2007;  de  07/10/2007  até  06/12/2007 e de 06/12/2007 até 21/12/2007.  Às  fls.  967/968,  consta  o  Termo  de  Encerramento  da  Ação  Fiscal  (TEAF),  datado de 18/12/2007, o qual foi postado no Correio, juntamente com as notificações e autos de  infrações  lavrados  contra  a  empresa,  em  21/12/2007,  conforme  correspondência  postal  com  Aviso de Recebimento (AR) anexo à fl. 1.010 – Volume VI.  Fica comprovado que em nenhum momento houve a extinção de qualquer MPF  emitido,  portanto,  se  todos  os  atos  foram  praticados  dentro  dos  prazos  de  validade  dos  Mandados de Procedimento Fiscal, como restou demonstrado, não há que se falar em nulidade  do lançamento ou do procedimento administrativo fiscal, que está correto, nos termos do art.  142 do Código Tributário Nacional (CTN).  Quanto  à  alegação  da  não  emissão  de  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  Extensivo  (MPF­Ex),  cabe  mencionar  que  os  mesmos  devem  ser  emitidos  para  o  contribuinte/responsável em que for instaurado o procedimento fiscal necessário para a coleta  de  informações  e  de  documentos  que  servirão  para  subsidiar  ação  fiscal  em  outro  sujeito  passivo. Assim, a emissão dos MPF (Extensivos ou de Diligência) deu­se para cada empresa  que ocorreram as diligências (cópias de alguns desses documentos às fls. 422, 518 e 527) e, por  consequência, a Cone Sul não teria motivo para receber qualquer MPF­Ex uma vez que para  ela já havia MPF­Fiscalização e MPF­Complementares perfeitamente válidos, como já citado  anteriormente.  Frisa­se ainda que o MPF é o instrumento que visa dar conhecimento ao sujeito  passivo quanto aos atos da ação/auditoria fiscal em si, cuja ciência deverá ser dada por ocasião  do início do procedimento fiscal, e durante o desenrolar do procedimento, e ainda que o mesmo  se  extingue  com  o  registro  no  termo  próprio  que  é  o TEAF,  lavrado  quando  do  término  da  auditoria para cientificar do sujeito passivo do término do procedimento.  O manual  do  contencioso,  aprovado  pela  OI  nº  04,  de  25/03/2004,  dispõe  na  letra “c” do item 9.5.5 – VÍCIOS PROCESSUAIS COM RELAÇÃO AO MPF:  O  MPF  complementar  emitido  após  o  vencimento  do  MPF  original  –  embora  o  art.  15  do Decreto  3.696/2001  enumere  a  expiração  de  seu  prazo  de  cumprimento  como  hipótese  de  extinção do MPF, o art. 16 do mesmo Decreto enuncia que  tal  expiração não  implica nulidade dos atos praticados, podendo a  autoridade responsável pela emissão do MPF extinto determinar  a emissão de novo MPF para conclusão do procedimento fiscal.  Assim,  o MPF  complementar  emitido  no  curso  da  ação  fiscal,  mesmo  que  após  o  vencimento  do  MPF  original  ou  dos  complementares  já  emitidos,  não  invalida  os  atos  praticados,  inclusive os lançamentos, desde que exista MPF válido na data  da lavratura da NFLD ou AI pelo AFPS. Dessa forma, havendo  ciência  prévia  deste  MPF  complementar  ao  sujeito  passivo  antes do encerramento da ação fiscal, não deverá ser nulificado  o lançamento.” (grifo nosso)  Fl. 649DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 20/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 13005.001867/2007­69  Acórdão n.º 2402­001.755  S2­C4T2  Fl. 1.183          13 Face ao exposto, entendo que não existe qualquer nulidade quanto a emissão dos  MPF­Complementares.  Quanto  à  preliminar  de  nulidade  da  NFLD,  em  decorrência  de  uma  suposta  presunção  na  apuração  da  base  de  cálculo  dos  valores  lançados  na NFLD,  tal  argumentação  não  merece  ser  acatada,  uma  vez  que  os  valores  lançados  nessa  NFLD,  conforme Relatório Fiscal de fls. 969 a 1.009, foram decorrentes da remuneração da mão­de­ obra  utilizada  na  execução  dos  serviços  contratados,  aferidos  indiretamente,  corresponde  no  mínimo  a 40%  (quarenta por  cento)  do  valor  dos  serviços  contidos  na  nota  fiscal,  fatura ou  recibo de prestação de serviços (art. 427 da IN SRP n° 03/2005).  Além  dos  esclarecimentos  constantes  do  Relatório  Fiscal  (fls.  969/1009  –  Volume  VI),  verifica­se  que  o  lançamento  fiscal  ora  analisado  atende  aos  pressupostos  essenciais  para  sua  lavratura,  já  que,  na  NFLD  com  seus  anexos,  consta  de  forma  clara  os  elementos  necessários  para  a  sua  configuração.  Logo,  não  há que  se  falar  em nulidade,  pois  estão  estabelecidos  de  forma  transparente  nos  autos  (fls.  01/1009)  todos  os  seus  requisitos  legais, conforme preconiza o art. 142 do CTN, arts. 33 e 37, ambos da Lei n.° 8.212/1991, e  art.  10  do  Decreto  n°  70.235/1972,  tais  como:  local  e  data  da  lavratura;  caracterização  da  ocorrência da  situação  fática  da obrigação  tributária  (fato  gerador);  determinação  da matéria  tributável;  montante  da  contribuição  previdenciária  devida;  identificação  do  sujeito  passivo;  determinação da exigência tributária e intimação para cumpri­la ou impugná­la no prazo de 30  dias; disposição legal infringida e aplicação das penalidades cabíveis; dentre outros.  Assim,  o  art.  142  do  CTN  e  o  art.  37  da  Lei  n.°  8.212/1991  dispõem,  respectivamente:  Art.  142.  Compete  privativamente  à  autoridade  administrativa  constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido  o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante  do  tributo  devido,  identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da  penalidade cabível.  Art.  37.  Constatado  o  não­recolhimento  total  ou  parcial  das  contribuições  tratadas  nesta  Lei,  não  declaradas  na  forma  do  art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado  ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto  de infração ou notificação de lançamento.  Nesse mesmo sentido dispõe o art. 10 do Decreto n° 70.235/1972:  Art.  10.  O  auto  de  infração  será  lavrado  por  servidor  competente,  no  local  da  verificação  da  falta,  e  conterá  obrigatoriamente:  I ­ a qualificação do autuado;  II ­ o local, a data e a hora da lavratura;  III ­ a descrição do fato;  IV ­ a disposição legal infringida e a penalidade aplicável;  Fl. 650DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 20/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA     14 V  ­ a determinação da exigência  e a  intimação para cumpri­la  ou impugná­la no prazo de trinta dias;  VI  ­  a  assinatura  do  autuante  e  a  indicação  de  seu  cargo  ou  função e o número de matrícula.  Vê­se  que  os  valores  do  presente  lançamento  fiscal  não  foram  constituídos  com base em meras presunções, como quer fazer crer a Recorrente, mas sim nos dados e nas  informações constantes no Relatório Fiscal com seus anexos (fls. 01/1009). Disso decorre que  a  auditoria  fiscal  utilizou­se  dos  percentuais  mínimos  estabelecidos  na  Instrução  Normativa  (IN)  da  SRP  no  03/2005  para  definir  o  valor  dos  serviços  (art.  150  e  incisos)  e  sobre  esses  valores aplica 40% (quarenta por cento) para encontrar o salário­de­contribuição. Desse cálculo  resultam  os  percentuais  de:  (a)  40%  (quarenta  por  cento)  para  os  serviços  de  telefonista/portaria, usina de triagem e varrição manual; (b) 32% (trinta e dois por cento) para  os  serviços  de  limpeza  em  geral,  coleta  de  lixo  residencial/industrial,  limpeza  com  hidrojateamento (porque se trata de limpeza das vias públicas como confirma a foto acostada  aos  autos pela  empresa  e não  serviços de  construção  civil  como pretende seja  enquadrado o  serviço);  (c)  26%  (vinte  e  seis  por  cento)  para  os  serviços  de  coleta  de  lixo  ambulatorial  e  hospitalar;  (d) 20% (vinte por cento) para os  serviços de destinação  final do  lixo, pintura de  meio­fio  e  transportes  (de  lixo,  de  passageiros  e  escolar);  e  (e)  6%  (seis  por  cento)  para  o  serviço de manutenção de aterro sanitário.  Portanto, rejeito a preliminar de nulidade retromencionado.  A  Recorrente  alega  também  que  seja  declarada  a  extinção  do  crédito  tributário  ora  analisado,  pois  os  supostos  créditos  levantados  pela  fiscalização  foram  fulminados  pelo  instituto  jurídico  da  decadência  até  a  competência  12/2002  (dezembro/2002), nos termos do art. 150, parágrafo 4o, do Código Tributário Nacional (CTN).  Tal alegação não será acatada pelos motivos a seguir delineados.  Inicialmente,  registramos  que  o  Supremo  Tribunal  Federal,  ao  julgar  os  Recursos  Extraordinários  nº  556664,  559882,  559943  e  560626,  negou  provimento  aos  mesmos por unanimidade, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos  45 e 46, ambos da Lei nº 8212/1991.  Na oportunidade, os ministros  ainda  editaram a Súmula Vinculante nº  08  a  respeito do tema, a qual transcrevo abaixo:  Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais o parágrafo único  do artigo 5º do Decreto­lei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei  8.212/91,  que  tratam  de  prescrição  e  decadência  de  crédito  tributário”.  É  necessário  observar  os  efeitos  da  súmula  vinculante,  conforme  se  depreende  do  art.  103­A,  caput,  da  Constituição  Federal  que  foi  inserido  pela  Emenda  Constitucional nº 45/2004. in verbis:  Art.  103­A.  O  Supremo  Tribunal  Federal  poderá,  de  ofício  ou  por  provocação,  mediante  decisão  de  dois  terços  dos  seus  membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional,  aprovar  súmula  que,  a  partir  de  sua  publicação  na  imprensa  oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do  Poder  Judiciário  e  à  administração  pública  direta  e  indireta,  nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à  Fl. 651DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 20/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 13005.001867/2007­69  Acórdão n.º 2402­001.755  S2­C4T2  Fl. 1.184          15 sua  revisão  ou  cancelamento,  na  forma  estabelecida  em  lei.  (g.n.)  Da leitura do dispositivo constitucional, pode­se concluir que, a vinculação à  súmula  alcança  a  administração  pública  e,  por  conseqüência,  os  julgadores  no  âmbito  do  contencioso administrativo fiscal.  O  Código  Tributário  Nacional  trata  da  decadência  no  artigo  173,  abaixo  transcrito:  Art.173  ­  O  direito  de  a  Fazenda  Pública  constituir  o  crédito  tributário extingue­se após 5 (cinco) anos, contados:  I  ­  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento poderia ter sido efetuado;  II  ­  da  data  em  que  se  tornar  definitiva  à  decisão  que  houver  anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.  Parágrafo Único ­ O direito a que se refere este artigo extingue­ se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado  da  data  em  que  tenha  sido  iniciada  a  constituição  do  crédito  tributário  pela  notificação,  ao  sujeito  passivo,  de  qualquer  medida preparatória indispensável ao lançamento.  Por outro lado, ao tratar do lançamento por homologação, o Códex Tributário  definiu no art. 150, § 4º o seguinte:  “Art.150  ­ O  lançamento por  homologação,  que  ocorre quanto  aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de  antecipar  o  pagamento  sem  prévio  exame  da  autoridade  administrativa, opera­se pelo ato em que a referida autoridade,  tomando  conhecimento  da  atividade  assim  exercida  pelo  obrigado, expressamente a homologa.  (...)  § 4º ­ Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco  anos  a  contar  da  ocorrência  do  fato  gerador;  expirado  esse  prazo  sem  que  a  Fazenda  Pública  se  tenha  pronunciado,  considera­se homologado o lançamento e definitivamente extinto  o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou  simulação.”  Entretanto,  tem  sido  entendimento  constante  em  julgados  do  Superior  Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do  pagamento da contribuição, aplica­se o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o  prazo  de  cinco  anos  passa  a  contar  da  ocorrência  do  fato  gerador,  uma  vez  que  resta  caracterizado o lançamento por homologação.  Se, no entanto, o sujeito passivo não efetuar pagamento algum, nada há a ser  homologado e, por conseqüência, aplica­se o disposto no art. 173 do CTN, em que o prazo de  cinco  anos  passa  a  ser  contado  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento poderia ter sido efetuado.  Fl. 652DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 20/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA     16 Para corroborar o entendimento acima, colaciono alguns julgados no mesmo  sentido:  "TRIBUTÁRIO.  EXECUÇÃO  FISCAL.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  PRAZO  DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO  INICIAL.  INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 173,  I, E 150, § 4º, DO  CTN.  1. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é,  em regra, o do art. 173, I, do CTN, segundo o qual 'o direito de a  Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue­se após  5  (cinco)  anos,  contados:  I  ­  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado'.  2.  Todavia,  para  os  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação —que, segundo o art. 150 do CTN, 'ocorre quanto  aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de  antecipar  o  pagamento  sem  prévio  exame  da  autoridade  administrativa'  e  'opera­se  pelo  ato  em  que  a  referida  autoridade,  tomando conhecimento da atividade assim exercida  pelo  obrigado,  expressamente  a  homologa'  —,há  regra  específica.  Relativamente  a  eles,  ocorrendo  o  pagamento  antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para  o  lançamento de  eventuais diferenças  é de  cinco anos a  contar  do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN.  Precedentes jurisprudenciais.  3.  No  caso  concreto,  o  débito  é  referente  à  contribuição  previdenciária, tributo sujeito a lançamento por homologação, e  não  houve  qualquer  antecipação  de  pagamento.  É  aplicável,  portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art.  173, I, do CTN.  4. Agravo regimental a que se dá parcial provimento."  (AgRg nos EREsp 216.758/SP, 1ª Seção, Rel. Min. Teori Albino  Zavascki, DJ de 10.4.2006)  "TRIBUTÁRIO.  EMBARGOS  DE  DIVERGÊNCIA.  LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.  DECADÊNCIA.  PRAZO  QÜINQÜENAL.  MANDADO  DE  SEGURANÇA. MEDIDA LIMINAR.  SUSPENSÃO DO PRAZO. IMPOSSIBILIDADE.  1.  Nas  exações  cujo  lançamento  se  faz  por  homologação,  havendo pagamento antecipado, conta­se o prazo decadencial a  partir  da  ocorrência  do  fato  gerador  (art.  150,  §  4º,  do CTN),  que é de cinco anos.  2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova  de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art.  173, I, do CTN.  Omissis.  4. Embargos de divergência providos."  Fl. 653DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 20/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 13005.001867/2007­69  Acórdão n.º 2402­001.755  S2­C4T2  Fl. 1.185          17 (EREsp  572.603/PR,  1ª  Seção,  Rel.  Min.  Castro Meira,  DJ  de  5.9.2005)  Verifica­se que o lançamento fiscal em tela refere­se a período compreendido  entre 01/1999 a 08/2006 e foi efetuado em 24/12/2007, data da intimação e ciência do sujeito  passivo (fls. 01 e 1.010 – Volume VI).  No  caso  em  tela,  trata­se  do  lançamento  de  contribuições,  cujos  fatos  geradores não  são  reconhecidos  como  tal  pela  empresa,  restando  claro que,  com  relação aos  mesmos, a recorrente não efetuou qualquer antecipação de pagamento. Nesse sentido, aplica­se  o art. 173, inciso I, do CTN, para considerar que estão abrangidos pela decadência os créditos  correspondentes aos fatos geradores ocorridos até 11/2001, inclusive, e também a competência  13/2001.  Por  outra  regra  estabelecida  pelo  arcabouço  jurídico­tributário,  ainda  que  existam recolhimentos, trata­se de situação em que se caracteriza a conduta dolosa, fraudulenta  ou simulada da notificada, eis que a auditoria fiscal declarou, com amparo no art. 142, § único,  e  art.  148  do Código Tributário Nacional  (CTN),  que  a  contabilidade  da  empresa Cone Sul  Soluções Ambientais Ltda não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu  serviço, nem do faturamento nem do lucro, conforme Relatório Fiscal de fls. 969/1009.  Com isso, resta afastada a aplicação do art. 150, § 4º, para a aplicação do art.  173, inciso I, ambos do CTN.  Logo, a recorrente não poderia ter sido autuada pelas competências anteriores  a  12/2001,  pois  o  direito  potestativo  do  Fisco  –  nas  competências  até  11/2001,  inclusive,  e  competência 13/2001 – já estava extinto pelo instituto da decadência tributária.  Esclarecemos que  a competência 12/2001 não deve  ser excluída do  cálculo  do  lançamento fiscal ora analisado, porquanto a sua exigibilidade e a sua hipótese imponível  (situação  fática  da  hipótese  de  incidência  da  contribuição)  somente  ocorrerão  a  partir  de  01/2002, com a remuneração paga, devida ou creditada a qualquer  título, durante o mês, aos  segurados obrigatórios do RGPS, quando poderia ter sido efetuado o lançamento fiscal.  Posteriormente,  a  decisão  de  primeira  instância,  veiculada  por  meio  do  Acórdão 18­09.456 da 4a Turma da DRJ/STM (fls.  1112/1127 – Volume VI),  considerou  as  premissas acima delineadas nos seus argumentos e determinou a extinção dos valores apurados  que  foram  abarcados  pela  decadência  tributária  no  presente  lançamento  fiscal  (competências  01/1999 a 11/2001).  Os  valores  apurados  até  a  competência  11/2001,  inclusive,  foram  devidamente  excluídos  do  presente  lançamento  fiscal,  conforme  emissão  do  Discriminativo  Analítico do Débito Retificado (DADR) de fls. 1093/1111 – Volume VI.  Assim,  não  acato  a  preliminar  de  decadência  tributária,  eis  que  já  houve  a  aplicação do enunciado no 08 da Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal na decisão  de primeira instância.  Diante  disso,  rejeito  as  preliminares  ora  examinadas,  e  passo  ao  exame  de  mérito.  Fl. 654DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 20/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA     18 DO MÉRITO:  Com  relação  ao  procedimento  de  aferição  indireta  utilizado  para  a  apuração  da  base  de  cálculo  das  contribuições  sociais  lançadas,  incidentes  sobre  a  remuneração da mão­de­obra decorrente da prestação de serviço, a Recorrente alega que  não houve cumprimento da legislação vigente.  Tal  alegação  também é  infundada,  eis  que o Fisco  cumpriu  a  legislação  de  regência, ensejando o lançamento de ofício, com a utilização da base de cálculo decorrente de  aferição  indireta.  Esta  decorre  de  um  ato  necessário  e  devidamente  motivado,  conforme  registro  no Relatório Fiscal  –  itens  “32”  a  “58”  –  (fls.  969/1009 – Volume VI),  visto  que  a  auditoria fiscal demonstrou que a contabilidade da empresa não registra o movimento real da  remuneração dos segurados a seu serviço, nem do faturamento nem do seu lucro. Além disso,  ficou  caracterizado  nesse  Relatório  Fiscal  (itens  “11”  a  “31”)  que  houve  dissimulação  do  vínculo  empregatício  dos  segurados  obrigatórios  da  Recorrente  com  várias  outras  empresas  supostamente contratadas para prestação de serviços.  Pela  leitura  do  Relatório  Fiscal  de  fls.  969/1009,  verifica­se  que  a  fundamentação legal que embasou o lançamento fiscal é justamente o art. 33, parágrafos 3° e  6°,  da  Lei  n°  8.212/1991.  Essa  fundamentação  legal  também  está  registrada  no  anexo  Fundamentos  Legais  do Débito  (FLD)  de  fls.  86/91.  Logo,  a  forma de  apuração  da  base  de  cálculo, mediante critério de aferição indireta, encontra­se devidamente demonstrada nas peças  que  integram  a  notificação,  tais  como:  Relatório  Fiscal  (fls.  969/1009  –  Volume  VI);  Fundamentos  Legais  do Débito  ­  FLD  (fls.  86/91  – Volume  I); Discriminativo Analítico  de  Débito ­ DAD (fls. 04/25 – Volume I); Relatório de Lançamentos ­ RL (fls. 44/57 – Volume I);  dentre outros.  Nesse sentido, dispõem o art. 148 do CTN e o art. 33, parágrafos 3° e 6°, da  Lei no 8.212/1991:  Art. 148. Quando o cálculo do  tributo tenha por base, ou  tome  em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços  ou  atos  jurídicos,  a  autoridade  lançadora,  mediante  processo  regular,  arbitrará  aquele  valor  ou  preço,  sempre  que  sejam  omissos  ou  não  mereçam  fé  as  declarações  ou  os  esclarecimentos  prestados,  ou  os  documentos  expedidos  pelo  sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada,  em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa  ou judicial.  Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete  arrecadar,  fiscalizar,  lançar  e  normatizar  o  recolhimento  das  contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo  único do art. 11, bem como as contribuições  incidentes a  título  de  substituição;  e  à  Secretaria  da  Receita  Federal  –  SRF  compete  arrecadar,  fiscalizar,  lançar  e  normatizar  o  recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e  e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na  esfera  de  sua  competência,  promover  a  respectiva  cobrança  e  aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei  nº 10.256, de 2001).  (...)  §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou  informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional  Fl. 655DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 20/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 13005.001867/2007­69  Acórdão n.º 2402­001.755  S2­C4T2  Fl. 1.186          19 do  Seguro  Social­INSS  e  o  Departamento  da  Receita  Federal­ DRF  podem,  sem  prejuízo  da  penalidade  cabível,  inscrever  de  ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou  ao segurado o ônus da prova em contrário.  (...)  § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro  documento  da  empresa,  a  fiscalização  constatar  que  a  contabilidade  não  registra  o  movimento  real  de  remuneração  dos  segurados  a  seu  serviço,  do  faturamento  e  do  lucro,  serão  apuradas,  por  aferição  indireta,  as  contribuições  efetivamente  devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.  Assim, o lançamento fiscal ora analisado está amparado no art. 33, parágrafos  3°  e  6°,  da  Lei  no  8.212/1991  e  no  art.  148  do  CTN,  encontrando­se  lavrado  dentro  da  legalidade.  Portanto, o procedimento de aferição  indireta utilizado pela auditoria  fiscal,  para a apuração da base de cálculo dos valores lançados no presente processo, foi corretamente  aplicado, pois a auditoria  fiscal demonstrou que a contabilidade da Recorrente não registra o  movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, nem do faturamento nem do seu  lucro.  Por  fim,  não  verificamos  a  existência  de  qualquer  fato  novo que  possa  ensejar a revisão do lançamento em questão nas alegações registradas na peça recursal da  Recorrente.  Assim, passarei a utilizar os fundamentos registrados na decisão de primeira  instância  (fls. 1112/1127 – Volume VI) para explicitar os elementos  fáticos e  jurídicos desta  decisão, bem como eles  serão parte  integrante deste Voto.  Isso está em conformidade ao art.  50,  §1o,  da Lei no  9.784/1999 – diploma que  regula o processo  administrativo no  âmbito da  Administração Pública Federal –, transcrito abaixo:  Art.  50.  Os  atos  administrativos  deverão  ser  motivados,  com  indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando:  (...)  §1o.  A  motivação  deve  ser  explícita,  clara  e  congruente,  podendo  consistir  em  declaração  de  concordância  com  fundamentos de anteriores pareceres,  informações, decisões ou  propostas, que, neste caso, serão integrante do ato. (g.n.)  Com  isso,  esclarecemos  que  a  decisão  de  primeira  instância  abordou  de  forma  suficiente  todas  as  argumentações  de  mérito  registradas  na  peça  recursal  de  fls.  1131/1153 – Volume VI, nos seguintes termos:  “Quanto às razões de mérito suscitadas, não procede a alegação  da impugnante de que os valores apurados por aferição indireta  não observaram as bases legais como a seguir demonstraremos.  Primeiramente cabe ressaltar que diferentemente da alegação da  empresa  de  que  a  fiscalização  foi  conduzida  por  suposições  Fl. 656DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 20/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA     20 quando deveria ser desenvolvida por provas contundentes, temos  neste  processo  farta  documentação  (Volume  III,  Volume  IV  e  parte  do  Volume  V)  comprovando  que  a  contabilidade  não  registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu  serviço, da receita, do faturamento e do lucro. Que a omissão de  faturamento foi verificada por intermédio dos subsídios feitos em  forma de diligências junto às empresas em nome de quem foram  emitidas  notas  que  posteriormente  foram  classificadas  como  notas  residuais  (notas  emitidas  em  nome  de  empresa  já  desativada  ao  tempo  de  sua  emissão,  sem  que  os  órgãos  fazendários estaduais ou municipais competentes, tenham retido  ou  inutilizado os conjuntos  de documentos  sem utilização –  em  branco),  notas  de  favor  (emitidas  por  estabelecimento  regular  cujo conteúdo, entretanto, não corresponde a qualquer operação  comercial)  e  notas  fantasma  (notas  emitidas  em  nome  de  estabelecimentos inexistentes com inscrição estadual e no CNPJ  falsas,  inclusive  o  próprio  estabelecimento  gráfico  que  teria  efetuado a confecção do respectivo talonário).  Que  tais documentos  inidôneos  foram apreendidos por meio do  Auto  de  Apreensão,  Guarda  e  Devolução  de  Documentos  –  AGD),  às  fls.  720/722  e  que  foi  emitida  Representação  Fiscal  para Fins Penais para o Ministério Público Federal.  Por  todas  as  razões  expostas  o  auditor  fiscal  agiu  em  conformidade com o art.  148 do Código Tributário Nacional –  CTN, que dispõe:  Art. 148. Quando o cálculo do  tributo tenha por base, ou  tome  em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços  ou  atos  jurídicos,  a  autoridade  lançadora,  mediante  processo  regular,  arbitrará  aquele  valor  ou  preço,  sempre  que  sejam  omissos  ou  não  mereçam  fé  as  declarações  ou  os  esclarecimentos  prestados,  ou  os  documentos  expedidos  pelo  sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada,  em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa  ou judicial.  E neste contexto a Lei n° 8.212/91, assim determina:  Art. 33 (..)  § 3° Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou  informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional  do  Seguro  Social­INSS  e  o  Departamento  da  Receita  Federal­ DRF  podem,  sem  prejuízo  da  penalidade  cabível,  inscrever  de  ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou  ao segurado o ônus da prova em contrário.  (...)  § 6° Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro  documento  da  empresa,  a  fiscalização  constatar  que  a  contabilidade  não  registra  o  movimento  real  de  remuneração  dos  segurados  a  seu  serviço,  do  faturamento  e  do  lucro,  serão  apuradas,  por  aferição  indireta,  as  contribuições  efetivamente  devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.  Fl. 657DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 20/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 13005.001867/2007­69  Acórdão n.º 2402­001.755  S2­C4T2  Fl. 1.187          21 A  empresa  não  se  irresigna  com  a  aferição  indireta  e,  ao  demonstrar  os  percentuais  corretos  que  entende  deveriam  ser  utilizados admite a existência de uma ou mais hipóteses previstas  na  norma  previdenciária  que  prevê  o  arbitramento  da  remuneração  dos  segurados  empregados  ou  contribuintes  individuais.  O  auditor  fiscal  notificante  intimou  a  empresa  em  27/10/2006  para que apresentasse os contratos e aditamentos ,com todos os  tomadores  de  serviços  prestados  no  período  de  01/1997  a  08/2006  e  notas  fiscais  .próprias  e  de  terceiros  (TIAD  à  fl.  918/931);  em  06/12/2006  para  que  apresentasse  os  contratos,  aditivos  e  rescisões  firmadas  com  transportadores  escolares,  contrato com a empresa SIL Soluções Ambientais Ltda e outras  informações (T1AD à  fl. 935). A empresa solicitou maior prazo  para a apresentação dos documentos  e  informações em virtude  do volume dos mesmos e foi atendida em sua reivindicação. Na  nova  data  fixada  a  empresa  apresenta  o  Laudo  Técnico  de  Condições  Ambientais  de  Trabalho  e  informações  em  meio  digital até 2005, deixando de apresentar os demais documentos e  informações  solicitadas  sob  o  argumento  de  que  não  teriam  pertinência  ao  objeto  da  fiscalização  (cópia  do  documento  anexado às fls. 958/960).  Assim, o auditor aplicou a regra geral, inclusive pleiteada pela  empresa, onde o valor da remuneração da mão­de­obra utilizada  na  execução  dos  serviços  contratados,  aferidos  indiretamente,  corresponde  no  mínimo  a  quarenta  por  cento  do  valor  dos  serviços contidos na nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de  serviços (art. 427 da IN SRP n° 03/2005).  O  auditor  atribui  os  percentuais  mínimos  estabelecidos  na  norma acima citada para definir o valor dos serviços (art. 150 e  incisos)  e  sobre  esses  valores aplica 40%  (quarenta por cento)  para  encontrar  o  Salário­de­contribuição.  Desse  cálculo  resultam os percentuais de: a) 40% (quarenta por cento) para os  serviços  de  telefonista/portaria,  usina  de  triagem  e  varrição  manual;  b)  32%  (trinta  e  dois  por  cento)  para Os  serviços  de  limpeza  em  geral,  coleta  de  lixo  residencial/industrial,  limpeza  com  hidrojateamento  (porque  se  trata  de  limpeza  das  vias  públicas como confirma a foto acostada aos autos pela empresa  e  não  serviços  de  construção  civil  como  pretende  seja  enquadrado o  serviço); c) 26% (vinte e  seis por cento) para os  serviços  de  coleta  de  lixo  ambulatorial  e  hospitalar;  d)  20%  (vinte  por  cento)  para Os  serviços  de  destinação  final  do  lixo,  pintura  de  meio­fio  e  transportes  (de  lixo,  de  passageiros  e  escolar) e, e) 6% (seis por cento) para o serviço de manutenção  de aterro sanitário.  Pode­se confirmar a aplicação desses percentuais. que estão de  acordo com a fundamentação apresentada na tabela do item 62  do Relatório Fiscal, por meio dos Demonstrativos dos Salários­ de­Contribuição  Apurados  por  Aferição  com  Base  no  Faturamento elaborados para a matriz e a  filial  (onde constam  pormenorizadamente dados da nota fiscal, dados do lançamento  Fl. 658DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 20/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA     22 contábil,  dados  dos  contratos  ou  aditivos  apresentados,  percentuais  utilizados  e  valores  dos  salários­de­contribuição  aferidos) e das planilhas auxiliares. Volumes  I e II do presente  processo.  O  auditor  comete  um  pequeno  erro  de  cálculo  ao  aplicar  o  percentual de 32% (trinta e dois por cento) sobre o valor bruto  da  nota  fiscal,  no  serviço  de  leitura  de  medidores,  quando  o  correto seria 40% (quarenta por cento), mas esse erro é benéfico  para  a  empresa  que  assim  teve  o  valor  da  contribuição  devida  calculado a menor.  Confirma­se  que  foram  deduzidos  os  salários­de­contribuição  constantes da folhas de pagamento e/ou GFIP, e os lançamentos  suplementares  de  outras  notificações  emitidas  na  mesma  ação  fiscal  conforme  planilhas M  11  (matriz),  às  fls.  117/119  e  F  5  (filial), às fls. 95/96 em cotejo com o Discriminativo Analítico de  Débito – DAD às fls. 04/25.  Também  correto  está  o  cálculo  da  contribuição  social  previdenciária  do  segurado  empregado  incidente  sobre  a  remuneração  da  mão­de­obra  indiretamente  aferida,  onde  foi  aplicada a alíquota mínima,  sem  limite  e  sem compensação da  Contribuição  Provisória  sobre  Movimentação  Financeira  CPMF,  como  determina  o  artigo  599  da  Instrução  Normativa  SRP n° 03/2005.  A apresentação cio Contrato Administrativo N° 03/2004 com a  Prefeitura Municipal de Venâncio Aires, na peça impugnatória,  em nada modifica o  lançamento fiscal uma vez que o mesmo já  havia sido apreciado e consta da linha 1031 da Planilha M12 (fl.  155)  em que  foi  considerado o  valor de R$ 35.989,42  (trinta  e  cinco mil e novecentos e oitenta e nove reais e quarenta e dois  centavos),  ou  seja,  50%  (cinqüenta  por  cento),  do  valor  da  cláusula terceira do contrato ora apresentado como sendo valor  do serviço e sobre este valor foi calculado 32% (trinta e dois por  cento) como salário­de­contribuição aferido R$ 11.516,61 (onze  mil e quinhentos e dezesseis reais e sessenta e um centavos). O  que está correto conforme previsão da norma previdenciária.  Quanto  às  tabelas  apresentadas  pela  empresa  na  peça  impugnatória, embora cite os artigos da Instrução Normativa em  que  se  fundamenta,  apresenta  percentuais  totalmente  desvirtuados  da  previsão  legal  e  não  traz  aos  autos  qualquer  prova  contundente  que  permita  a  retificação  dos  valores  lançados.  Quanto  à  perícia  requerida  entendemos  que  a  mesma  não  é  necessária  visto que o auditor  fiscal  trouxe aos autos  todos Os  elementos necessários à comprovação da correta aplicação das  normas  previdenciárias,  utilizando  as  bases  normatizadas  (perfeita  e  amplamente  demonstradas)  sobre  as  quais  aferiu  os  salários­de­contribuição  lançados  na  presente  notificação.  Quanto  ao  questionamento  sobre  bases  de  cálculo  para  a  aferição no caso de transportes de passageiros (serviço prestado  ao Município de Triunfo), a planilha M 12 (matriz) apresenta de  forma clara a aplicação de 20% sobre o total do valor bruto da  nota fiscal que nada mais é do que aplicar 40% sobre a metade  Fl. 659DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 20/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 13005.001867/2007­69  Acórdão n.º 2402­001.755  S2­C4T2  Fl. 1.188          23 do  valor  da  nota  considerando  que  houve  a  utilização  de  equipamento  (veiculo).  Exatamente  como  determina  o  art.  603  da IN SRP 03/2005. Exemplo nas linhas 115 a 119 e 143 a 146  da  planilha  M  12,  à  fl.  123/124.  Quanto  aos  demais  quesitos  relacionados  à  possibilidade  de  considerar  os  valores  discriminados nos contratos de prestação de serviço como base  para  o  cálculo  da  aferição  indireta  pelo  faturamento,  temos  o  artigo 601 da IN SRP n° 03/2005 trazido aos autos pela própria  impugnante que remete à norma geral do artigo 600 da mesma  instrução e que foi exatamente o que o auditor fiscal demonstrou  ter  feito  nas  planilhas  já  citadas M  12  e F  5,  ou  seja,  aplicou  40% (quarenta por cento) sobre a mão­obra mínima contida ern  cada tipo de serviço e que resultou nas alíquotas de 40%, 32%,  26%, 20% e 6% a serem aplicadas sobre o valor bruto da nota  fiscal, como anteriormente já exposto. Por esses motivos indefiro  a perícia pleiteada por considerá­la prescindível para o deslinde  das  questões,  conforme  previsão  do  Decreto  no  70.235/72,  a  saber:  Art.  18.  A  autoridade  julgadora  de  primeira  instância  determinará,  de  oficio  ou  a  requerimento  do  impugnante,  a  realização  de  diligências  ou  perícias,  quando  entendê­las  necessárias,  indeferindo  as  que  considerar  prescindíveis  ou  impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine.  Não  procede  a  alegação  de  que  não  restou  demonstrado  pela  auditoria que os valores dos “supostos” pagamentos fictícios se  reverteram em proveito dos sócios, condição indispensável para  a configuração do pró­labore como veremos a seguir.  As despesas  fictícias  totalizam R$ 5.281.214,89  (cinco milhões,  duzentos e oitenta e um mil e duzentos e quatorze reais e oitenta  e nove centavos) conforme Planilha M 20 (fl. 346), deduzindo­se  os valores arbitrados por aferição indireta como pagamentos cio  salários de segurados empregados (salário­de­contribuição) que  totalizaram na matriz R$ 3.758.088,50 (três milhões, setecentos e  cinqüenta e oito mil e oitenta e oito reais e cinqüenta centavos) e  R$ 814.422,97 (oitocentos e quatorze mil e quatrocentos e vinte e  dois  reais  e  noventa  e  sete  centavos)  na  filial,  obtém­se  R$  708.673,42  (setecentos  e  oito  mil  c  seiscentos  e  setenta  e  três  reais e quarenta e dois centavos).  Uma vez que este valor de R$ 708.673,42 (setecentos e oito mil e  seiscentos e setenta e três reais e quarenta e dois centavos) não  tem despesas comprovadas e  também não  foi considerado para  fins de pagamento de  salários aos  segurados empregados resta  somente atribuir sua distribuição aos sócios, ou seja, seriam os  únicos  beneficiários  da  situação  a  menos  que  demonstrassem  que não deram causa à situação e tivessem atribuído a terceiros  a fraude, mas não foi o caso, silenciaram.  Assim,  não  merece  acolhida  a  alegação  da  empresa  e  entendemos  correto  o  modo  de  aferição  adotado  pelo  auditor  fiscal  que  lançou  como  Pró­Labore,  nas  últimas  competências  Fl. 660DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 20/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA     24 em  que  houve  pagamentos  fictícios,  o  valor  correspondente  a  esses pagamentos até alcançar o valor acima citado.  Desse modo, lançou R$ 159.145,70 (cento e cinqüenta e nove mil  e  cento  e  quarenta  e.  cinco  reais  e  setenta  centavos)  na  competência  09/2005  (valor  total  dos  lançamentos  contábeis  para esta competência, letras “F” e “G” da planilha M 19, à fl.  342); lançou R$ 337.029,10 (trezentos e trinta e sete mil e vinte e  nove reais e dez centavos) na competência 08/2005 (valor total  dos lançamentos contábeis para a esta competência, letras "F" e  “G”  da  planilha  M  19,  à  fl.  342)  e  lançou  R$  212.498,62  (duzentos  e  doze  mil  e  quatrocentos  e  noventa  e  oito  reais  e  sessenta  e  dois  centavos)  na  competência  07/2005  (valor  que  corresponde ao saldo do valor  total embora nesta  competência  até houvesse  lançamento  contábil  de  valor maior,  letras “F” e  “G” da Planilha M 19, à 11. 341).  Essa  metodologia  beneficia  a  empresa  na  medida  em  que  tomando  as  últimas  competências,  em  que  houve  despesa  não  comprovada,  para  lançamento  do  crédito  previdenciário,  a  incidência  dos  acréscimos  legais  é  muito  inferior  caso  tivesse  sido rateado o valor por todo o período em que foi constatada a  existência  de  documentos  inidôneos.  Planilha  M  19  (às  fls.  330/342).  Concluímos  que  a  essência  da  ação  fiscal  foi  detalhada,  na  medida  em  que  o  fato  gerador  foi  identificado,,  a  sua  fundamentação  legal  foi  esclarecida  e  foram  possibilitados  ao  contribuinte o contraditório e a ampla defesa, de acordo com a  estrita legalidade administrativa (Art. 37, caput, CF/88) e com o  mandamento  constitucional  previsto  no  Art.  5o  e  inciso  LV  da  Carta  Magna  de  1.988.”  (Decisão  de  primeira  instância:  Acórdão 18­09.456 da 4a Turma da DRJ/STM, fls. 1.112 a 1.127  – Volume VI)  Diante  disso,  o  lançamento  fiscal  foi  devidamente  motivado,  contendo  a  descrição das razões de fato e de direito.  Finalmente,  pela  análise  dos  autos,  chegamos  à  conclusão  de  que  o  lançamento  foi  lavrado  na  estrita  observância  das  determinações  legais  vigentes,  sendo  que  teve por base o que determina a Legislação de regência.  CONCLUSÃO  Pelo  exposto,  voto  pelo  CONHECIMENTO  do  recurso,  para  rejeitar  as  preliminares, e no mérito NEGAR­LHE PROVIMENTO, nos termos do voto.    Ronaldo de Lima Macedo.                Fl. 661DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 20/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 13005.001867/2007­69  Acórdão n.º 2402­001.755  S2­C4T2  Fl. 1.189          25               Fl. 662DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 20/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA

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Numero do processo: 13855.001187/2001-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1997, 1998, 1999 CONVERSÃO DE JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. DEMONSTRAÇÃO DA NECESSIDADE DA CONVERSÃO POR PARTE DO RECORRENTE. INOCORRÊNCIA. Não se demonstrou qualquer necessidade da conversão do julgamento em diligência, e, especificamente no tocante à omissão de rendimentos caracterizada pelos depósitos bancários de origem não comprovada no ano-calendário 1997, era ônus do contribuinte fazer a produção probatória de seu direito, visando comprovar a origem dos depósitos bancários. Ademais, os fatos geradores apontados em desfavor do contribuinte são de fácil apreensão, individualmente pouco numerosos, sendo descabido, passados 10 anos da autuação, vir aqui se falar em produção probatória adicional, quando o contribuinte, em essência, nada inovou em termos probatórios desde a protocolização da impugnação, em outubro de 2001. UTILIZAÇÃO DE PROCEDIMENTOS DIFERENTES EM ANOS SUCESSIVOS PARA APURAÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LEGISLAÇÃO DIVERSA. AUSÊNCIA DE NULIDADE. Não há qualquer nulidade a ser decretada no auto de infração pelo fato de a autoridade ter se valido da presunção de omissão de rendimentos a partir de uma variação patrimonial a descoberto, no ano-calendário 1996, com base no art. 3º, § 1º, in fine, da Lei nº 7.713/88 (Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados), e da presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no ano-calendário 1997, com base no art. 42 da Leiº 9.430/96. Ambas as presunções coexistem até os dias atuais, não se podendo, apenas, utilizar a presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada para períodos anteriores ao ano-calendário 1997. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ANO-CALENDÁRIO 1996. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NECESSIDADE DE VINCULAÇÃO DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM RENDA CONSUMIDA OU AUMENTO PATRIMONIAL SEM LASTRO EM RENDIMENTOS DECLARADOS. INOCORRÊNCIA. Na vigência da Lei nº 8.021/90, em períodos pretéritos ao AC 1997, a autoridade fiscal não podia se valer simplesmente dos depósitos bancários como rendimentos presumidamente omitidos. Deveria fazer um fluxo de caixa mensal, confrontando as origens de recursos com os dispêndios, no caso destes últimos, deveria comprovar como o contribuinte se beneficiou deles, na linha do cristalizado pela Súmula CARF nº 67 (Em apuração de acréscimo patrimonial a descoberto a partir de fluxo de caixa que confronta origens, aplicações de recursos, os saques ou transferências bancárias, quando não comprovada a destinação, efetividade da despesa, aplicação ou consumo, não podem lastrear lançamento fiscal). Somente os depósitos bancários que se traduzissem em sinais exteriores de riqueza, a partir de seu consumo, poderiam figurar no fluxo de caixa como dispêndios. Obviamente que, se os débitos nas contas bancárias deveriam estar ligados a aumentos patrimoniais (ou benefícios de outra ordem em prol do fiscalizado), a autoridade fiscal não poderia ultrapassar essa exigência simplesmente considerando os próprios depósitos como rendimentos omitidos. Os depósitos bancários, em si mesmos, jamais poderiam ser considerados como rendimentos omitidos, hipótese que somente foi permitida com o art. 42 da Lei nº 9.430/96, a partir do AC 1997. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. REGIME DA LEI Nº 9.430/96 A PARTIR DO ANO-CALENDÁRIO 1997. POSSIBILIDADE. A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA APRESENTADA NO CURSO DA AÇÃO FISCAL. AUSÊNCIA DOS SEUS REGULARES EFEITOS. A declaração de imposto de renda apresentada em cumprimento à intimação da autoridade autuante é peça meramente informativa no procedimento fiscal, não produzindo seus regulares efeitos, como se vê pela inteligência da Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DECORRENTE DE PRESUNÇÃO LEGAL. IMPUTAÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO DE 75% SOBRE O IMPOSTO APURADO. HIGIDEZ. Não há nada de inaudito em apenar o tributo decorrente de uma omissão de rendimento proveniente de presunção legal com a multa ordinária de 75%. O que não se autoriza é a aplicação da multa qualificada nesta hipótese, sem que reste comprovada a ocorrência da sonegação, fraude ou conluio, como se vê na Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária à comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Assim, hígida a aplicação da multa ordinária de ofício de 75% sobre o imposto apurado sobre a omissão de rendimentos decorrente de presunção legal. MULTA DE OFÍCIO VINCULADA AO IMPOSTO LANÇADO. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. APLICAÇÃO CUMULATIVA. INIDONEIDADE. A jurisprudência administrativa firmou-se no sentido de que o mesmo imposto devido não pode funcionar para a apuração da multa vinculada ao imposto lançado e da multa de ofício isolada por atraso na entrega da declaração, ou seja, não pode haver a cumulatividade da cobrança da multa de ofício vinculada e da multa isolada por atraso na entrega da declaração, a partir da mesma base de cálculo (o imposto devido). JUROS DE MORA. ATUALIZAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. A aplicação dos juros de mora, à taxa Selic, é matéria pacificada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, objeto, inclusive, do enunciado Sumular CARF nº 4 (DOU de 22/12/2009): “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2102-001.082
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares e, no mérito, DAR parcial provimento ao recurso para cancelar o lançamento referente ao acréscimo patrimonial a descoberto do ano-calendário 1996 e as multas isoladas pelo atraso na entrega das declarações de ajuste anual dos anos-calendário 1996 e 1997. Ausente justificadamente a Conselheira Vanessa Pereira Rodrigues Domene.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS

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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares e, no mérito, DAR parcial provimento ao recurso para cancelar o lançamento referente ao acréscimo patrimonial a descoberto do ano-calendário 1996 e as multas isoladas pelo atraso na entrega das declarações de ajuste anual dos anos-calendário 1996 e 1997. Ausente justificadamente a Conselheira Vanessa Pereira Rodrigues Domene.

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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1997, 1998, 1999 CONVERSÃO DE JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. DEMONSTRAÇÃO DA NECESSIDADE DA CONVERSÃO POR PARTE DO RECORRENTE. INOCORRÊNCIA. Não se demonstrou qualquer necessidade da conversão do julgamento em diligência, e, especificamente no tocante à omissão de rendimentos caracterizada pelos depósitos bancários de origem não comprovada no ano-calendário 1997, era ônus do contribuinte fazer a produção probatória de seu direito, visando comprovar a origem dos depósitos bancários. Ademais, os fatos geradores apontados em desfavor do contribuinte são de fácil apreensão, individualmente pouco numerosos, sendo descabido, passados 10 anos da autuação, vir aqui se falar em produção probatória adicional, quando o contribuinte, em essência, nada inovou em termos probatórios desde a protocolização da impugnação, em outubro de 2001. UTILIZAÇÃO DE PROCEDIMENTOS DIFERENTES EM ANOS SUCESSIVOS PARA APURAÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LEGISLAÇÃO DIVERSA. AUSÊNCIA DE NULIDADE. Não há qualquer nulidade a ser decretada no auto de infração pelo fato de a autoridade ter se valido da presunção de omissão de rendimentos a partir de uma variação patrimonial a descoberto, no ano-calendário 1996, com base no art. 3º, § 1º, in fine, da Lei nº 7.713/88 (Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados), e da presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no ano-calendário 1997, com base no art. 42 da Leiº 9.430/96. Ambas as presunções coexistem até os dias atuais, não se podendo, apenas, utilizar a presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada para períodos anteriores ao ano-calendário 1997. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ANO-CALENDÁRIO 1996. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NECESSIDADE DE VINCULAÇÃO DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM RENDA CONSUMIDA OU AUMENTO PATRIMONIAL SEM LASTRO EM RENDIMENTOS DECLARADOS. INOCORRÊNCIA. Na vigência da Lei nº 8.021/90, em períodos pretéritos ao AC 1997, a autoridade fiscal não podia se valer simplesmente dos depósitos bancários como rendimentos presumidamente omitidos. Deveria fazer um fluxo de caixa mensal, confrontando as origens de recursos com os dispêndios, no caso destes últimos, deveria comprovar como o contribuinte se beneficiou deles, na linha do cristalizado pela Súmula CARF nº 67 (Em apuração de acréscimo patrimonial a descoberto a partir de fluxo de caixa que confronta origens, aplicações de recursos, os saques ou transferências bancárias, quando não comprovada a destinação, efetividade da despesa, aplicação ou consumo, não podem lastrear lançamento fiscal). Somente os depósitos bancários que se traduzissem em sinais exteriores de riqueza, a partir de seu consumo, poderiam figurar no fluxo de caixa como dispêndios. Obviamente que, se os débitos nas contas bancárias deveriam estar ligados a aumentos patrimoniais (ou benefícios de outra ordem em prol do fiscalizado), a autoridade fiscal não poderia ultrapassar essa exigência simplesmente considerando os próprios depósitos como rendimentos omitidos. Os depósitos bancários, em si mesmos, jamais poderiam ser considerados como rendimentos omitidos, hipótese que somente foi permitida com o art. 42 da Lei nº 9.430/96, a partir do AC 1997. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. REGIME DA LEI Nº 9.430/96 A PARTIR DO ANO-CALENDÁRIO 1997. POSSIBILIDADE. A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA APRESENTADA NO CURSO DA AÇÃO FISCAL. AUSÊNCIA DOS SEUS REGULARES EFEITOS. A declaração de imposto de renda apresentada em cumprimento à intimação da autoridade autuante é peça meramente informativa no procedimento fiscal, não produzindo seus regulares efeitos, como se vê pela inteligência da Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DECORRENTE DE PRESUNÇÃO LEGAL. IMPUTAÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO DE 75% SOBRE O IMPOSTO APURADO. HIGIDEZ. Não há nada de inaudito em apenar o tributo decorrente de uma omissão de rendimento proveniente de presunção legal com a multa ordinária de 75%. O que não se autoriza é a aplicação da multa qualificada nesta hipótese, sem que reste comprovada a ocorrência da sonegação, fraude ou conluio, como se vê na Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária à comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Assim, hígida a aplicação da multa ordinária de ofício de 75% sobre o imposto apurado sobre a omissão de rendimentos decorrente de presunção legal. MULTA DE OFÍCIO VINCULADA AO IMPOSTO LANÇADO. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. APLICAÇÃO CUMULATIVA. INIDONEIDADE. A jurisprudência administrativa firmou-se no sentido de que o mesmo imposto devido não pode funcionar para a apuração da multa vinculada ao imposto lançado e da multa de ofício isolada por atraso na entrega da declaração, ou seja, não pode haver a cumulatividade da cobrança da multa de ofício vinculada e da multa isolada por atraso na entrega da declaração, a partir da mesma base de cálculo (o imposto devido). JUROS DE MORA. ATUALIZAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. A aplicação dos juros de mora, à taxa Selic, é matéria pacificada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, objeto, inclusive, do enunciado Sumular CARF nº 4 (DOU de 22/12/2009): “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Recurso provido em parte.

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CLOVIS ANTÔNIO SANCHES  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 1997, 1998, 1999  CONVERSÃO  DE  JULGAMENTO  EM  DILIGÊNCIA.  DEMONSTRAÇÃO DA NECESSIDADE DA CONVERSÃO POR PARTE  DO  RECORRENTE.  INOCORRÊNCIA.  Não  se  demonstrou  qualquer  necessidade da conversão do julgamento em diligência, e, especificamente no  tocante à omissão de rendimentos caracterizada pelos depósitos bancários de  origem  não  comprovada  no  ano­calendário  1997,  era  ônus  do  contribuinte  fazer a produção probatória de seu direito, visando comprovar a origem dos  depósitos bancários. Ademais, os fatos geradores apontados em desfavor do  contribuinte são de fácil apreensão, individualmente pouco numerosos, sendo  descabido,  passados  10  anos  da  autuação,  vir  aqui  se  falar  em  produção  probatória  adicional,  quando  o  contribuinte,  em  essência,  nada  inovou  em  termos  probatórios  desde  a  protocolização  da  impugnação,  em  outubro  de  2001.  UTILIZAÇÃO  DE  PROCEDIMENTOS  DIFERENTES  EM  ANOS  SUCESSIVOS  PARA APURAÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS.  LEGISLAÇÃO DIVERSA. AUSÊNCIA DE NULIDADE. Não há qualquer  nulidade a ser decretada no auto de infração pelo fato de a autoridade ter se  valido  da  presunção  de  omissão  de  rendimentos  a  partir  de  uma  variação  patrimonial a descoberto, no ano­calendário 1996, com base no art. 3º, § 1º,  in fine, da Lei nº 7.713/88 (Constituem rendimento bruto todo o produto do  capital,  do  trabalho  ou  da  combinação  de  ambos,  os  alimentos  e  pensões  percebidos  em dinheiro,  e  ainda  os  proventos  de qualquer  natureza, assim  também  entendidos  os  acréscimos  patrimoniais  não  correspondentes  aos  rendimentos  declarados),  e  da  presunção  da  omissão  de  rendimentos  caracterizada  por  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada,  no  ano­ calendário 1997, com base no art. 42 da Leiº 9.430/96. Ambas as presunções  coexistem até os dias atuais, não se podendo, apenas, utilizar a presunção de  omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não  comprovada para períodos anteriores ao ano­calendário 1997.     Fl. 1DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 23/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO   2 ACRÉSCIMO  PATRIMONIAL  A  DESCOBERTO.  ANO­CALENDÁRIO  1996.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  NECESSIDADE  DE  VINCULAÇÃO  DOS  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  COM  RENDA  CONSUMIDA  OU  AUMENTO  PATRIMONIAL  SEM  LASTRO  EM  RENDIMENTOS  DECLARADOS.  INOCORRÊNCIA.  Na  vigência  da  Lei  nº  8.021/90,  em  períodos  pretéritos  ao  AC  1997,  a  autoridade  fiscal  não  podia  se  valer  simplesmente  dos  depósitos  bancários  como  rendimentos  presumidamente  omitidos. Deveria  fazer um fluxo de caixa mensal,  confrontando as origens  de  recursos  com  os  dispêndios,  no  caso  destes  últimos,  deveria  comprovar  como o contribuinte se beneficiou deles, na linha do cristalizado pela Súmula  CARF nº 67 (Em apuração de acréscimo patrimonial a descoberto a partir  de fluxo de caixa que confronta origens, aplicações de recursos, os saques ou  transferências bancárias, quando não comprovada a destinação, efetividade  da despesa, aplicação ou consumo, não podem  lastrear  lançamento  fiscal).  Somente os  depósitos  bancários  que  se  traduzissem  em  sinais  exteriores  de  riqueza, a partir de  seu  consumo, poderiam figurar no  fluxo de caixa como  dispêndios.  Obviamente  que,  se  os  débitos  nas  contas  bancárias  deveriam  estar ligados a aumentos patrimoniais (ou benefícios de outra ordem em prol  do  fiscalizado),  a  autoridade  fiscal  não  poderia  ultrapassar  essa  exigência  simplesmente  considerando  os  próprios  depósitos  como  rendimentos  omitidos.  Os  depósitos  bancários,  em  si  mesmos,  jamais  poderiam  ser  considerados  como  rendimentos  omitidos,  hipótese  que  somente  foi  permitida com o art. 42 da Lei nº 9.430/96, a partir do AC 1997.  IMPOSTO  DE  RENDA.  TRIBUTAÇÃO  EXCLUSIVAMENTE  COM  BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.  REGIME DA  LEI Nº  9.430/96 A  PARTIR  DO  ANO­CALENDÁRIO  1997.  POSSIBILIDADE.  A  partir  da  vigência  do  art.  42  da  Lei  nº  9.430/96,  o  fisco  não mais  ficou  obrigado  a  comprovar  o  consumo  da  renda  representado  pelos  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada,  a  transparecer  sinais  exteriores  de  riqueza  (acréscimo  patrimonial  ou  dispêndio),  incompatíveis  com  os  rendimentos  declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei  nº 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos  bancários,  sob  pena  de  se  presumir  que  estes  são  rendimentos  omitidos,  sujeitos à aplicação da tabela progressiva.  DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA APRESENTADA NO CURSO  DA AÇÃO FISCAL. AUSÊNCIA DOS SEUS REGULARES EFEITOS. A  declaração de imposto de renda apresentada em cumprimento à intimação da  autoridade  autuante  é  peça meramente  informativa  no  procedimento  fiscal,  não  produzindo  seus  regulares  efeitos,  como  se  vê  pela  inteligência  da  Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento  fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício.  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS  DECORRENTE  DE  PRESUNÇÃO  LEGAL.  IMPUTAÇÃO  DE  MULTA  DE  OFÍCIO  DE  75%  SOBRE  O  IMPOSTO APURADO. HIGIDEZ.  Não há nada de inaudito em apenar o tributo decorrente de uma omissão de  rendimento proveniente de presunção legal com a multa ordinária de 75%. O  que  não  se  autoriza  é  a  aplicação  da multa  qualificada  nesta  hipótese,  sem  que reste comprovada a ocorrência da sonegação, fraude ou conluio, como se  vê na Súmula CARF nº 25: A presunção  legal de omissão de receita ou de  rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo  necessária à comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei  Fl. 2DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 23/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13855.001187/2001­49  Acórdão n.º 2102­01.082  S2­C1T2  Fl. 2          3 n° 4.502/64. Assim, hígida a aplicação da multa ordinária de ofício de 75%  sobre  o  imposto  apurado  sobre  a  omissão  de  rendimentos  decorrente  de  presunção legal.  MULTA DE OFÍCIO VINCULADA AO  IMPOSTO LANÇADO. MULTA  DE  OFÍCIO  ISOLADA  POR  ATRASO  NA  ENTREGA  DE  DECLARAÇÃO.  APLICAÇÃO  CUMULATIVA.  INIDONEIDADE.  A  jurisprudência administrativa firmou­se no sentido de que o mesmo imposto  devido  não  pode  funcionar para  a  apuração  da multa vinculada  ao  imposto  lançado e da multa de ofício isolada por atraso na entrega da declaração, ou  seja,  não  pode  haver  a  cumulatividade  da  cobrança  da  multa  de  ofício  vinculada e da multa isolada por atraso na entrega da declaração, a partir da  mesma base de cálculo (o imposto devido).  JUROS  DE  MORA.  ATUALIZAÇÃO  DE  CRÉDITOS  TRIBUTÁRIOS  PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. A aplicação dos  juros de mora, à  taxa  Selic,  é matéria  pacificada  no  âmbito  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos Fiscais ­ CARF, objeto, inclusive, do enunciado Sumular CARF nº  4  (DOU  de  22/12/2009):  “A  partir  de  1º  de  abril  de  1995,  os  juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria da Receita Federal  são devidos, no período de  inadimplência, à  taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia ­ SELIC para  títulos federais”.   Recurso provido em parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR  as preliminares e, no mérito, DAR parcial provimento ao recurso para cancelar o lançamento  referente ao acréscimo patrimonial a descoberto do ano­calendário 1996 e as multas  isoladas  pelo  atraso  na  entrega  das  declarações  de  ajuste  anual  dos  anos­calendário  1996  e  1997.  Ausente justificadamente a Conselheira Vanessa Pereira Rodrigues Domene.    Assinado digitalmente  GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS ­ Relator e Presidente.   EDITADO EM: 23/03/2011  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Núbia Matos Moura,  Rubens Maurício Carvalho, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Acácia Sayuri Wakasugi e  Giovanni Christian Nunes Campos.    Relatório  Fl. 3DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 23/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO   4 Em  face  do  contribuinte  CLOVIS  ANTÔNIO  SANCHES,  CPF/MF  nº  467.263.148­68,  já  qualificado  neste  processo,  foi  lavrado,  em  14/09/2001,  auto  de  infração  (fls. 08 a 17), com ciência pessoal (procurador) em 17/09/2001 (fl. 09), a partir de ação fiscal  iniciada em 19/03/2001 (fl. 01). Abaixo, discrimina­se o crédito tributário constituído pelo auto  de infração antes informado, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte  ao do vencimento do crédito:  IMPOSTO  R$ 89.179,27  MULTA DE OFÍCIO  R$ 66.884,44  MULTA  ISOLADA  (ATRASO  NA  ENTREGA DE DECLARAÇÃO)  R$ 17.957,57  Ao contribuinte foram imputadas as seguintes infrações:  001 ­ ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO  Omissão  de  rendimentos,  em  face  de  variação  patrimonial  a  descoberto,  no  valor  de  R$  67.844,06,  tendo  em  vista  que,  da  quantia  de  R$  70.000,00,  depositada  em  15/07/1996,  R$  35.000,00 depositada em 16/07/1996 e R$ 10.000,00, depositada  em  25/11/1996,  na  conta  bancária  mantida  pelo  contribuinte  fiscalizado no Banco Mercantil de São Paulo S.A. ­ agência 085  (Franca),  e  que  foram  integralmente  destinados  à  aplicações  financeiras  em  títulos  CDB/RDB/LC,  conforme  extratos  bancários,  foi  devidamente  comprovado  apenas  o montante  de  R$  47.155,94,  que  corresponde  à  quantia  líquida  dos  valores  informados  nas  DIRF  dos  anos­calendários  de  1994  e  1995,  conforme  arquivos  da  SRF,  menos  R$  880,32,  relativos  à  despesa  com  dependente,  informada  na  DIRPF/96,  restando  a  diferença  de  R$  68.724,38,  não  respaldada  por  outros  rendimentos  devidamente  comprovados,  conforme  demonstrado  abaixo:  1­Valor  total  dos  depósitos  bancários  efetuados  1996  =  115.000,00   2­Valor  líquido  dos  rendimentos  comprovados  em 1994  e  1995  (DIRF) = 46.275,62   3­Valor depositado a descoberto = 68.724,38   Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa%()  31/07/1996 R$ 58.724,38 75,00   30/11/1996 R$ 10.000,00 75,00  002  ­  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS  PROVENIENTES  DE  DEPÓSITOS BANCÁRIOS   Omissão  de  rendimentos  provenientes  de  valores  creditados  na  conta­corrente  e  na  conta  de  poupança,  mantidas  pelo  contribuinte fiscalizado no Banco Mercantil de São Paulo S.A. ­  agência  085  (Franca),  durante  o  ano­calendário  de 1997,  cuja  origem  dos  recursos  utilizados  nestas  operações  não  foram  Fl. 4DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 23/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13855.001187/2001­49  Acórdão n.º 2102­01.082  S2­C1T2  Fl. 3          5 devidamente  comprovados  através  de  documentação,  hábil  e  idônea.  Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa(%)  31/01/1997 R$ 10.695,00 75,00   31/03/1997 R$ 7.579,51 75,00   31/05/1997 R$ 134.700,00 75,00   30/06/1997 R$ 2.840,00 75,00   31/07/1997 R$ 130.000,00 75,00   30/09/1997 R$ 13.800,00 75,00  003  ­  DEMAIS  INFRAÇÕES  SUJEITAS  A  MULTAS  NÃO  PASSÍVEIS  DE  REDUÇÃO  ­  PESSOA  FÍSICA  ATRASO  NA  ENTREGA  DA  DECLARAÇÃO  (COM  IMPOSTO  DEVIDO)  –  EXERCÍCIOS 1997 E 1998  004  ­  DEMAIS  INFRAÇÕES  SUJEITAS  A  MULTAS  NÃO  PASSÍVEIS  DE  REDUÇÃO  ­  PESSOA  FÍSICA  ATRASO  NA  ENTREGA  DA  DECLARAÇÃO  (SEM  IMPOSTO  DEVIDO)  –  EXERCÍCIO 1999 (MULTA MÍNIMA)  Aos  autos  foram  juntadas  cópias  das  DIRPFs  dos  exercícios  1996,  1997,  1998 e 1999, entregues pelo fiscalizado em 06/04/2001 (fls. 72 a 91, 102 a 109).  Inconformado  com  a  autuação,  o  contribuinte  apresentou  impugnação  ao  lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, em 15/10/2001 (fl. 228).   Como relevante na impugnação, para afastar a parte principal da omissão de  rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, o contribuinte  acostou  aos  autos  cópias  dos  depósitos  de  R$  130.000,00  e  R$  132.000,00,  oriundos  de  cheques sacados contra o Sr. Orlando Augusto Montovani, trazendo também cópia dos extratos  bancários deste último (fls. 233 a 236).  A 5ª Turma de Julgamento  da DRJ­São Paulo  II  (SP),  por unanimidade  de  votos,  julgou procedente em parte o  lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n°  17­28.967, de 26 de novembro de 2008 (fls. 239 a 250).  A  decisão  acima  excluiu  os  depósitos  bancários  de  valor  inferior  a  R$  12.000,00, cuja soma não excedeu R$ 80.000,00, no ano­calendário 1997, na forma do art. 42,  §  3º,  II,  da  Lei  nº  9.430/96.  Neste  ano­calendário,  somente  permaneceu  a  omissão  de  rendimentos  referente  a  dois  depósitos  bancários,  nos  valores  de  R$  130.000,00  e  R$  132.000,00, com a fundamentação abaixo (fls. 247 e 248), verbis:  Em sua defesa, o contribuinte alega que os depósitos efetuados  no  Banco  Mercantil  de  São  Paulo  S/A,  no  valor  de  R$  132.000,00 e R$ 130.000,00 são oriundos de sobra do dinheiro  em caixa que se encontrava em poder de terceiros.  Fl. 5DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 23/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO   6 Da análise  dos  documentos  apresentados  pelo  impugnante  (fls.  233 e 335 não permitem formar convicção a seu favor, uma vez  que o interessado reconhece que os referidos recursos estavam­ se em pode de terceiros, o que é corroborado pelos documentos  de  fls.  34  e  236,  os  quais  embora  indiquem  a  ocorrência  de  valores debitados na conta corrente do titular Orlando Augusto  Montovani,  tais  documentos  não  comprovam  a  natureza  dos  depósitos  bancários  por  não  indicar  a  que  títulos  tais  valores  foram obtidos.  No caso em tela, a fiscalização identificou tratar­se de depósitos  bancários  incomprovados  correspondentes  a  rendimentos  tributáveis não oferecidos à  tributação do  imposto de  renda de  pessoa física no ano­calendário 1997, que pertencem ao autuado  e  titular  das  contas  correntes  mantidas  em  instituições  financeiras, uma vez que o contribuinte foi intimado a justificar  a origem dos depósitos efetuados nas citadas contas bancárias e  não comprovou suficientemente nem no decorrer da ação  fiscal  nem na fase impugnatória, co o exige a norma de regência.  Assim,  os  documentos  de  fls.  233  e  335  apresentados  pelo  impugnante não são suficientes para a comprovação da natureza  dos depósitos bancários, não havendo como dar guarida ao seu  pleito de ver comprovada a natureza da origem de recursos dos  depósitos,  respectivamente,  nos  valores  de R$ 132.000,00  e R$  130.000,00.  (...)  O  contribuinte  foi  intimado  da  decisão  a  quo  em  24/03/2009  (fl.  255).  Irresignado, interpôs recurso voluntário em 17/04/2009 (fl. 256).  No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que:  I.  deve  ser  decretada  a  nulidade  do  auto  de  infração,  pois  não  foi  comprovado  qualquer  acréscimo  patrimonial  em  prol  do  recorrente,  que tem seus recursos originados a partir de empréstimos de terceiros  (amigos e parentes),  sendo certo que a autoridade fiscal  tributou ora  um acréscimo patrimonial a descoberto, ora depósitos bancários não  identificados, não sendo possível utilizar legislações díspares para os  mesmos fatos;  II.  no tocante ao acréscimo patrimonial a descoberto, a autoridade fiscal  não  investigou  as  informações  deduzidas  pelo  contribuinte,  escudando­se  apenas  na  inversão  do  ônus  probatório,  porém  a  autoridade  teria  que  investigar  os  fatos  deduzidos.  Ademais,  “Nos  quadros  demonstrativos  de  VARIAÇÃO  PATRIMONIAL  A  DESCOBERTO  não  está  computado  os  valores  disponíveis  em  "CAIXA" constante de suas declarações, os quais foram reduzidos de  R$ 270.000,00 para R$ 190.000,00, ou seja, ocorreu um recebimento  da quantia de R$ 90.000,00, no decorrer do ano calendário de 1.996,  valor  este  suficiente  para  cobertura  do  alegado  ACRÉSCIMO  PATRIMONIAL A DESCOBERTO” (fl. 264 –  transcrição do  recurso  voluntário);  Fl. 6DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 23/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13855.001187/2001­49  Acórdão n.º 2102­01.082  S2­C1T2  Fl. 4          7 III.  no  tocante  à  tributação  dos  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada,  houve  tributação  dos  meros  depósitos  bancários,  sem  qualquer  identificação  do  efetivo  fato  gerador  do  imposto,  pois  é  cediço  que  a  autuação  não  pode  se  alicerçar  apenas  nos  depósitos  bancários,  conforme  remansosa  jurisprudência,  administrativa  e  judicial,  o  que  levaria  à  vulneração  dos  princípios  da  capacidade  contributiva  e  da  igualdade.  Ademais,  “O  R.  ACÓRDÃO  ORA  RECORRIDO,  manteve  a  tributação  somente  sobre  os  2  (dois)  depósitos, nos valores de R$ 130.000,00 e R$ 132.000,00, cancelando  os  demais  valores  tendo  em  vista  que  os  mesmos  estavam  sendo  exigidos  contra o princípio  legal. No  tocante a estes dois depósitos,  foram acostados aos autos prova material de que os valores  tinham  origem em débitos do sr. ORLANDO AUGUSTO MANTOVANI ­ PF  15.587.878­20  para  com  o  recorrente,  os  quais  foram  quitados  no  decorrer  do  ano  calendário  de  2.007,  conforme  comprovados  pelos  documentos  fornecidos  pela  INSTITUIÇÃO  FINANCEIRA  e  acostados  aos  autos,  bem  como  pela  anexa  cópia  da  DIRPF  ­  Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física, referente ao citado  ano calendário, na qual está inserida a verdade material do fato” (fl.  265 – transcrição do recurso voluntário);  IV.  foi tributado a partir de presunções relativas, não sendo plausível que  uma  multa  de  ofício  de  75%  pudesse  incidir  sobre  fatos  geradores  presumidos, o que foge da razoabilidade e da proporcionalidade, pois  não  se  comprovou  a  efetiva  ocorrência  dos  fatos  tributários,  mas  apenas  indícios  deles. Ademais,  o  contribuinte  também  foi  apenado  com  multa  por  atraso  na  entrega  das  declarações  de  ajuste  anual,  quando  é  de  conhecimento  geral  que  a multa  vinculada  ao  imposto  obsta  a  aplicação  da  multa  por  atraso,  conforme  pacífica  jurisprudência  administrativa,  que  não  permite  que  ambas  as multas  citadas incidam sobre a mesma base de cálculo. “Destaque­se, ainda,  que  o  RECORRENTE  havia  perdido  a  espontaneidade  e  somente  apresentou as DIRPF a pedido da fiscalização, ou seja, reconheceu o  aferimento de  rendimentos os quais deveriam  ter  sido  tributados no  AUTO DE  INFRAÇÃO  para  a  aplicação  da  multa  de  ofício  e  não  exigir a multa pelo atraso da entrega, a qual foi paga após a entrega,  conforme  comprovam  os  documentos  em  anexo”  (fls.  274  e  275  –  transcrição do recurso voluntário);  V.  aponta  ilegalidade  na  utilização  dos  juros  de mora  à  taxa  selic,  que  não  poderia  exceder  o  percentual  de  1%  do  Código  Tributário  Nacional;  VI.  “A  IMPUGNANTE  protesta  provar,  além das  provas  acostadas  aos  autos,  por  realização de  diligência  a  ser  determinada pelos Nobres  Conselheiros,  deste  Egrégio  Conselho  de  Contribuintes,  a  fim  de  através  de  uma  resolução  comprovar  junto  ao  UNIBANCO  que  o  valor retirado da conta do devedor é o mesmo depositado na conta do  RECORRENTE.  Ressalte­se  que  o  RECORRENTE  tomou  as  providência  junto  ao  citado Banco,  conforme comprovam as  cópias  Fl. 7DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 23/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO   8 da  solicitações  em  anexo,  entretanto,  até  a  presente  data  não  foi  possível,  ainda,  obter  junto  a  INSTITUIÇÃO  FINANCEIRA  um  documento que comprove ter sido o cheque emitido pago com o valor  descontado,  cheque no mesmo valor,  da  conta  corrente do devedor.  Entretanto, data máxima vênia, os documentos já acostados aos autos  demonstram  e  comprovam  esta  verdade  material  dos  fatos.  Informamos,  ainda,  e  caso  o  documento  seja  obtido  antes  do  julgamento,  será  nos  termos  do  "PAF"  anexado  aos  autos.  Diante  destes  fatos  está  fartamente  caracterizado  o  cerceamento  de  defesa  da  recorrente,  entretanto,  por  economia  processual,  requer­se  se  dignem os Eméritos Julgadores deste Egrégio Primeiro Conselho de  Contribuintes,  caso  não  tenham  o  mesmo  convencimento  acima  expressado,  determinarem  à  realização  de  uma  DILIGÊNCIA  para  apurar a verdade material”  (fls. 277 e 278 –  transcrição do  recurso  voluntário).  O recorrente acostou ao recurso a seguinte documentação:  §  cópias dos DARFs pagos com o valor da multa mínima referente ao  atraso na entrega das declarações de ajuste anual dos anos­calendário  1996 e 1997  (fls. 281 e 282),  ambas entregues em 10/10/2001,  tudo  secundado com os autos de infrações emitidos automaticamente (fls.  292, 293, 301 e 302);  §  cópia  do  DARF  pago  com  o  valor  do  imposto  a  pagar  apurado  na  declaração de ajuste do ano­calendário 1995 (código 0211 ­ fl. 283);  §  cópia da declaração de ajuste do ano­calendário 1996, sem indicação  da data da entrega da declaração (fls. 284 a 286)  §  documentos escritos à mão e extratos bancários (fls. 287 a 291);  §  ofícios a bancos  solicitando cópias dos cheques de R$ 140.000,00 e  R$ 132.000,00 (fls. 303 a 305).  É o relatório.    Voto             Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator  Declara­se a  tempestividade do apelo,  já que o contribuinte  foi  intimado da  decisão  recorrida  em  24/03/2009  (fl.  255),  terça­feira,  e  interpôs  o  recurso  voluntário  em  17/04/2009  (fl.  256),  dentro  do  trintídio  legal,  este  que  teve  seu  termo  final  em 23/04/2009,  quinta­feira. Dessa  forma,  atendidos os demais  requisitos  legais,  passa­se  a  apreciar o  apelo,  como discriminado no relatório.  De  plano,  aqui  se  indefere  o  pedido  de  conversão  do  julgamento  em  diligência  (item  VI  do  relatório),  pois  não  se  demonstrou  qualquer  necessidade  desse  procedimento,  e,  especificamente  no  tocante  a  omissão  de  rendimentos  caracterizada  pelos  Fl. 8DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 23/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13855.001187/2001­49  Acórdão n.º 2102­01.082  S2­C1T2  Fl. 5          9 depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada  no  ano­calendário  1997,  era  ônus  do  contribuinte  fazer  a  produção  probatória  de  seu  direito,  visando  comprovar  a  origem  dos  depósitos  bancários.  Ademais,  observem­se,  os  fatos  geradores  apontados  em  desfavor  do  contribuinte  são  de  fácil  apreensão,  individualmente  pouco  numerosos,  sendo  descabido,  passados 10  anos da  autuação, vir  aqui  se  falar  em produção probatória  adicional,  quando o  contribuinte,  em  essência,  nada  inovou  em  termos  probatórios  desde  a  protocolização  da  impugnação, em outubro de 2001.  Rejeita­se, assim, o pedido de conversão do julgamento em diligência.  Inicialmente, não há a qualquer nulidade a ser decretada no auto de infração  pelo fato de a autoridade ter se valido da presunção de omissão de rendimentos a partir uma  variação patrimonial a descoberto, no ano­calendário 1996, com base no art. 3º, § 1º, in fine, da  Lei nº 7.713/88 (Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da  combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de  qualquer  natureza,  assim  também  entendidos  os  acréscimos  patrimoniais  não  correspondentes  aos  rendimentos  declarados),  e  da  presunção  da  omissão  de  rendimentos  caracterizada  por  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada,  no  ano­calendário  1997,  com  base  no  art.  42  da  Leiº  9.430/96,  como  pretendeu  o  recorrente  na  defesa  do  item  I  do  relatório.  A  primeira  das  presunções  acima,  quando  se  confrontam  as  aplicações  de  recursos em face das origens declaradas, continua vigente até os dias atuais, operacionalizada  pelas autoridades fiscais em fluxos de caixas mensais, sendo apontado o acréscimo patrimonial  tributável  toda  vez  que  as  aplicações,  em determinado mês,  excedem as  origens  de  recursos  declarados.  Não  por  outra  razão,  o  CARF  fez  editar  em  dezembro  último  verbete  sumular,  definindo procedimento para essa presunção, com o seguinte enunciado:  Súmula CARF nº 67: Em apuração de acréscimo patrimonial a  descoberto  a  partir  de  fluxo  de  caixa  que  confronta  origens  e  aplicações  de  recursos,  os  saques  ou  transferências  bancárias,  quando  não  comprovada  a  destinação,  efetividade  da  despesa,  aplicação ou consumo, não podem lastrear lançamento fiscal.  E  já  quanto  à  presunção  de  omissão  de  rendimentos  do  art.  42  da  Lei  nº  9.430/96, essa vem sendo aplicada desde o ano­calendário 1997, sem qualquer empeço, como  também  se  vê  pelos  múltiplos  enunciados  sumulares  do  CARF,  abaixo,  que  disciplinam  a  utilização dessa presunção legal:  Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei  nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda  representada  pelos  depósitos  bancários  sem  origem  comprovada.  Súmula  CARF  nº  29:  Todos  os  co­titulares  da  conta  bancária  devem  ser  intimados  para  comprovar  a  origem  dos  depósitos  nela  efetuados,  na  fase  que  precede  à  lavratura  do  auto  de  infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou  rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento.  Súmula CARF nº 30: Na tributação da omissão de rendimentos  ou  receitas  caracterizada  por  depósitos  bancários  com  origem  não  comprovada,  os  depósitos  de  um  mês  não  servem  para  Fl. 9DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 23/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO   10 comprovar  a  origem  de  depósitos  havidos  em  meses  subseqüentes.  Súmula  CARF  nº  32:  A  titularidade  dos  depósitos  bancários  pertence  às  pessoas  indicadas  nos  dados  cadastrais,  salvo  quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da  conta por terceiros.  Súmula CARF nº 34: Nos lançamentos em que se apura omissão  de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de  origem  não  comprovada,  é  cabível  a  qualificação  da multa  de  ofício,  quando  constatada  a  movimentação  de  recursos  em  contas bancárias de interpostas pessoas.  Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores  a R$ 12.000,00  (doze mil reais),  cujo  somatório não ultrapasse  R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano­calendário, não podem  ser  considerados  na  presunção  da  omissão  de  rendimentos  caracterizada  por  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada, no caso de pessoa física.  Agora se passa a defesa do item II, quando o contribuinte ataca o acréscimo  patrimonial não suportado por rendimentos declarados no ano­calendário 1996, ao argumento  de que há recursos declarados a suportar tal variação patrimonial.  De plano, aqui não se apreciará a defesa trazida pelo recorrente, de que teria  rendimentos  a  suportar  o  excesso  patrimonial,  porque  houve  um  equívoco  procedimental  (e  legal) por parte da autoridade autuante.  Vê­se  que  a  autoridade  simplesmente  somou  depósitos  efetuados  no  ano­ calendário 1996, daí excluindo os rendimentos declarados e comprovados dos anos­calendário  1994  e  1995,  inferindo  então  que  haveria  um  montante  de  rendimentos  de  origem  não  comprovada e, portanto, não declarados e passível de tributação (fls. 223 e 224). Ora, não havia  base legal para tal procedimento no ano­calendário 1996, como se explica a seguir.  Anteriormente à Lei nº 8.021/90, ficou assentado que os depósitos bancários,  unicamente,  não  representavam  rendimentos  a  sofrer  a  incidência  do  imposto  de  renda.  Inclusive,  o  Tribunal  Federal  de  Recursos  tinha  sumulado  um  entendimento  com  tal  interpretação  (Súmula  182  do  TFR),  bem  como  o  art.  9º,  VII,  do  Decreto­Lei  nº  2.471/88  determinou o arquivamento de processos administrativos que controlassem débitos de imposto  de  renda  arbitrado  com  base  exclusivamente  em  valores  de  extratos  ou  comprovantes  de  depósitos bancários.  Veio  o  art.  6º,  §  5º,  da  Lei  nº  8.021/90  e,  expressamente,  permitiu  o  arbitramento de rendimentos com base em depósitos ou aplicações em instituições financeiras,  mediante  utilização  dos  sinais  exteriores  de  riqueza,  quando  o  contribuinte  não  pudesse  comprovar  a  origem  dos  recursos  utilizados  nessas  operações.  Porém,  para  incidência  do  imposto de renda sobre essa hipótese, a  jurisprudência administrativa passou a obrigar que a  fiscalização comprovasse o consumo da renda pelo contribuinte, representada pelos depósitos  bancários  de  origem não  comprovada,  a  transparecer  sinais  exteriores  de  riqueza  (acréscimo  patrimonial, dispêndio ou qualquer outro benefício em prol do fiscalizado), incompatíveis com  os rendimentos declarados. Eis a dicção do art. 6º da Lei nº 8.021/90, verbis:  Art. 6° O lançamento de ofício, além dos casos já especificados  em lei, far­se­á arbitrando­se os rendimentos com base na renda  presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza.  Fl. 10DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 23/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13855.001187/2001­49  Acórdão n.º 2102­01.082  S2­C1T2  Fl. 6          11 §  1°  Considera­se  sinal  exterior  de  riqueza  a  realização  de  gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte.  §  2°  Constitui  renda  disponível  a  receita  auferida  pelo  contribuinte,  diminuída  dos  abatimentos  e  deduções  admitidos  pela legislação do Imposto de Renda em vigor e do Imposto de  Renda pago pelo contribuinte.  § 3° Ocorrendo a hipótese prevista neste artigo, o  contribuinte  será  notificado  para  o  devido  procedimento  fiscal  de  arbitramento.  §  4°  No  arbitramento  tomar­se­ão  como  base  os  preços  de  mercado  vigentes  à  época  da  ocorrência  dos  fatos  ou  eventos,  podendo,  para  tanto,  ser  adotados  índices  ou  indicadores  econômicos oficiais ou publicações técnicas especializadas.  §  5°  O  arbitramento  poderá  ainda  ser  efetuado  com  base  em  depósitos  ou  aplicações  realizadas  junto  a  instituições  financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos  recursos  utilizados  nessas  operações.  (Revogado  pela  lei  nº  9.430, de 1996)   §  6°  Qualquer  que  seja  a  modalidade  escolhida  para  o  arbitramento,  será  sempre  levada  a  efeito  aquela  que  mais  favorecer o contribuinte.  No  caso  aqui  em  debate,  não  houve  qualquer  comprovação  de  como  os  recursos  depositados  na  conta  bancária  do  fiscalizado  foram  consumidos.  Necessariamente,  inclusive como se pode ver pela Súmula CARF nº 67, antes transcrita, a autoridade deveria ter  feito um fluxo de caixa mensal, confrontando as origens de recursos com os dispêndios, e, no  caso destes últimos, deveria comprovar como o contribuinte se beneficiou deles. Somente os  depósitos  bancários  que  se  traduzissem  em  sinais  exteriores  de  riqueza,  a  partir  de  seu  consumo, poderiam figurar no fluxo de caixa como dispêndios. Obviamente que, se os débitos  nas  contas bancárias deveriam estar  ligados  a  aumentos patrimoniais  (ou benefícios de outra  ordem  em  prol  do  fiscalizado),  a  autoridade  fiscal  não  poderia  burlar  essa  exigência  simplesmente  considerando  os  próprios  depósitos  como  rendimentos  omitidos. Os  depósitos  bancários,  em  si  mesmos,  jamais  poderiam  ser  considerados  como  rendimentos  omitidos,  hipótese que somente foi permitida com o art. 42 da Lei nº 9.430/96, a partir do ano­calendário  1997.  Dessa  forma,  o  procedimento  da  autoridade  fiscal,  no  ano­calendário  1996,  que  somou os  depósitos  bancários,  daí  deduzindo  rendimentos  de  anos  anteriores,  apurando,  em  conseqüência,  uma  pretensa  omissão  de  rendimentos,  não  tem  amparo  na  legislação  de  regência da matéria, tendo sido rechaçado há muito tempo pela jurisprudência administrativa,  como se pode ver pela inteligência da Súmula CARF nº 67.   Por tudo, deve­se cancelar o lançamento no tocante ao acréscimo patrimonial  a descoberto do ano­calendário 1996.  Já  no  item  III  da  defesa  que  consta  do  relatório,  o  contribuinte  vergasta  a  omissão  de  rendimentos  caracterizada  por  dois  depósitos  bancários  que  remanescerem  da  decisão a quo, nos valores individuais de R$ 130.000,00 e R$ 132.000,00, que seriam oriundos  Fl. 11DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 23/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO   12 de cheques sacados contra o Sr. Orlando Augusto Montovani, como comprovaria as cópias dos  depósitos juntados aos autos, bem como a cópia de sua DIRPF, sendo, em essência, recursos do  contribuinte que estariam na posse de terceiros e que retornaram ao seu real proprietário.  O  regime  da  presunção  de  omissão  de  rendimentos  a  partir  de  depósitos  bancários de origem não comprovada foi profundamente alterado a partir dos arts. 42 e 88 da  Lei nº 9.430/96, que inclusive revogou expressamente o art. 6º, § 5º, da Lei nº 8.021/90, verbis:  Art.42.Caracterizam­se  também  omissão  de  receita  ou  de  rendimento  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento mantida  junto a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea,  a origem dos recursos utilizados nessas operações.  (...)  Art. 88.Revogam­se:   XVIII ­ o § 5º do art. 6º da Lei nº 8.021, de 1990;  A partir dessa inovação legislativa, os valores mantidos em conta de depósito  sem  comprovação  de  sua  origem  passaram  a  ser  rendimentos  presumidos.  Trata­se  de  presunção  iuris  tantum, passível de prova em contrário por parte do contribuinte. Entretanto,  caso o contribuinte, regularmente intimado, não comprove a origem dos valores mantidos em  conta  de  depósito  ou  investimento,  é  de  se  presumir  que  tais  valores  foram  omitidos  da  tributação.  Observe­se que o art. 6º, § 5º, da Lei nº 8.021/90 tratava do arbitramento dos  rendimentos  com  base  em  depósitos  bancários  e  foi  expressamente  revogado  pelo  art.  88,  XVIII, da Lei nº 9.430/96. Dessa forma, para fatos geradores a partir de 1º/01/1997, no tocante  à omissão de rendimentos com base em depósitos bancários com origem não comprovada, tem  vigência  única  e  plena  o  art.  42  da  Lei  nº  9.430/96.  Com  esse  novo  estatuto,  como  já  assinalado, o depósito bancário com origem não comprovada é presumido rendimento omitido,  com incidência da tabela progressiva do imposto de renda.   Nesse  novo  cenário  normativo,  não  há  que  se  falar  em  sinais  exteriores  de  riqueza  ou  prova  do  consumo  da  renda  para  tributar  depósitos  bancários  com  origem  não  comprovada  pelo  contribuinte.  Esta  é  a  hipótese  dos  autos,  no  tocante  ao  lançamento  referente ao ano­calendário 1997. Por uma presunção legal relativa, o depósito com origem  não comprovada é rendimento tributável pelo imposto de renda.  Esse  entendimento  encontra­se  pacificado  no  âmbito  do  Conselho  de  Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Como exemplo, por todos, veja­se o  Acórdão nº CSRF/04­00.164, sessão de 13 de dezembro de 2005, relatora a conselheira Maria  Helena Cotta Cardozo, que restou assim ementado:  IRPF  ­  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  ­  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS ­ Presume­se a omissão de rendimentos sempre  que  o  titular  de  conta  bancária,  regularmente  intimado,  não  comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos  recursos  creditados  em  suas  contas  de  depósito  ou  de  investimento (art. 42 da Lei nº. 9.430, de 1996).  Assim,  na  hipótese  em  debate,  escorreito  o  lançamento  que  utilizou  a  presunção estatuída no art. 42 da Lei nº 9.430/96.  Fl. 12DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 23/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13855.001187/2001­49  Acórdão n.º 2102­01.082  S2­C1T2  Fl. 7          13 Na  forma  acima,  necessariamente  o  contribuinte  deveria  ter  comprovado  a  origem  dos  depósitos  bancários  de  R$  130.000,00  e  R$  132.000,00,  sendo  absolutamente  insuficiente a versão trazida apenas na impugnação de que os depósitos eram provenientes da  conta bancária do Sr. Orlando Augusto Montovani. Obrigatoriamente, para elidir a tributação,  o contribuinte deveria comprovar qual a efetiva origem de tais recursos, demonstrando que já  foram  tributados  ou  que  seriam  não  tributáveis.  Não  basta,  unicamente,  já  em  grau  de  impugnação, trazer a cópia do depósito, a demonstrar que os recursos provinham da conta de  terceira pessoa, pretensamente que seria o repositório dos recursos do contribuinte.  Ora, como já dito, a partir do art. 42 da Lei nº 9.430/96, cabe ao contribuinte  demonstrar  a  origem  dos  recursos  de  forma minudente  e,  sendo  em  grau  de  impugnação  ou  recurso, para afastar a tributação, deve­se comprovar que tais recursos já foram tributados ou  que seriam de uma fonte isenta ou não tributável. E isso não se demonstrou nesses autos.  Ainda,  aqui  se  afasta  qualquer  argumentação  de  que  a  forma  de  tributação  acima  viola  princípios  constitucionais,  pois,  acaso  se  acatasse  tal  argumentação,  estar­se­ia  declarando de modo  incidental  a  inconstitucionalidade  do  art.  42  da Lei  nº  9.430/96,  o  que,  como  é  cediço,  é  vedado  ao  julgador  administrativo,  como  se  vê  na  Súmula CARF  nº  2: O  CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.  Por fim, registre­se que as informações trazidas pelo contribuinte nas DIRPFs  não têm o condão de fazer qualquer prova nestes autos, pois foram apresentadas após o início  do procedimento fiscal. Essa, inclusive, é a inteligência da Súmula CARF nº 33: A declaração  entregue  após  o  início  do  procedimento  fiscal  não  produz  quaisquer  efeitos  sobre  o  lançamento de ofício.  Por tudo, sem razão, no ponto, o recorrente, devendo ser mantida a omissão  de  rendimentos  caracterizada  pelos  depósitos  bancários  de  origem não  comprovada,  no  ano­ calendário 1997.  Agora se passa a apreciar a irresignação do contribuinte no tocante às multas  de ofício (item IV do relatório).  Inicialmente, não há nada de inaudito em apenar o tributo decorrente de uma  omissão de rendimento proveniente de presunção legal com a multa ordinária de 75%. O que  não se autoriza é a aplicação da multa qualificada nesta hipótese, sem que reste comprovada a  ocorrência da sonegação, fraude ou conluio, como se vê na Súmula CARF nº 25: A presunção  legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa  de ofício, sendo necessária à comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei  n° 4.502/64.  Dessa forma, hígida a aplicação da multa ordinária de ofício de 75%, sobre o  imposto  apurado  sobre  a  omissão  de  rendimentos  caracterizada  por  depósitos  bancários  de  origem não comprovada, no ano­calendário 1997.  De  outra  banda,  assiste  razão  à  irresignação  do  contribuinte  no  tocante  a  concomitância da multa de ofício de 75% e da multa por atraso na entrega da declaração de  ajuste anual.  A jurisprudência administrativa firmou­se no entendimento de que o mesmo  imposto devido não pode funcionar para a apuração da multa vinculada ao imposto e da multa  Fl. 13DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 23/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO   14 de ofício isolada por atraso na entrega da declaração, ou seja, não pode haver a cumulatividade  da  cobrança  da  multa  de  ofício  vinculada  e  da  multa  isolada  por  atraso  na  entrega  da  declaração, como ocorreu no caso vertente. Para tanto, vejam­se os arestos abaixo:  Acórdão  nº:  101­93.925,  sessão  de  22/08/2002,  relatora  a  Conselheira Sandra Maria Faroni:  IMPOSTO  DE  RENDA  PESSOA  JURÍDICA  OMISSÃO  DE  RECEITAS  ­ PASSIVO FICTÍCIO­  (...). MULTA POR ATRASO  NA  ENTREGA  DA  DECLARAÇÃO  ­  A  jurisprudência  deste  Conselho  é  pacífica  no  sentido  de  não  caber  a  cobrança  cumulativa da multa por lançamento de oficio com a multa por  atraso na entrega da declaração. Além disso, no caso, a entrega  foi tempestiva. (...)  Acórdão  nº  102­49.008,  sessão  de  12/06/2003,  relator  o  Conselheiro José Oleskovicz:  (...) MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO  DE RENDIMENTOS CUMULADA COM MULTA DE OFíCIO ­  Consoante  iterativa  jurisprudência  do  Conselho  de  Contribuintes, em se tratando de lançamento de ofício, somente  deve ser aplicada a multa de ofício, sendo indevida a cobrança  cumulativa  da  multa  por  atraso  na  entrega  da  declaração,  devendo esta ser cancelada. (...). Recurso parcialmente provido.  Acórdão  nº  102­46.055,  sessão  de  23/04/2008,  relator  o  Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva:  DECADÊNCIA  ­  IMPOSTO  DE  RENDA  ­  EXTINÇÃO  DO  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO  –  (...)  MULTA  DE  OFÍCIO  CUMULADA COM MULTA PELO ATRASO NA ENTREGA DA  DECLARAÇÃO  ­  MESMA  BASE  DE  CÁLCULO  ­  IMPOSSIBILIDADE  DE  APLICAÇÃO  CONCOMITANTE  ­  Apurado por meio de auto de infração a existência de imposto a  pagar,  sobre  o  valor  da  exigência  aplica­se  a multa  de  ofício.  Aplicada  a multa  prevista  no  artigo  44,  I,  da  Lei  n°  9.430,  de  1996,  não  pode  incidir  a  multa  pelo  atraso  na  entrega  da  Declaração  do  Ajuste  Anual,  sob  pena  de  dupla  penalidade  incidente  sobre  a  mesma  base  de  cálculo.  Preliminar  de  decadência acolhida. Recurso provido.  Acórdão  nº  104­23.061,  sessão  de  06/03/2008,  relator  o  Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa:  Assunto:  Imposto  sobre  a  Renda  de  Pessoa  Física  ­  IRPF  Exercício:  1996,  1997,  1998,  1999,  2000  (...)  MULTA  POR  ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO ­ Em se tratando de  lançamento de ofício,  a multa a  ser  cobrada é a de ofício,  não  cabendo a cobrança cumulada  também da multa por atraso na  entrega da declaração. MULTA ISOLADA DO CARNÊ­LEÃO E  MULTA DE OFÍCIO  ­  Incabível  a  aplicação  da multa  isolada  (art. 44, § 1º, inciso III, da Lei nº. 9.430, de 1996), quando em  concomitância  com  a  multa  de  ofício  (inciso  II  do  mesmo  dispositivo  legal),  ambas  incidindo  sobre  a  mesma  base  de  cálculo. (...).  Acórdão  nº  108­04.865,  sessão  de  06/01/1998,  relator  a  Conselheira Márcia Maria Lória Meira:  Fl. 14DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 23/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13855.001187/2001­49  Acórdão n.º 2102­01.082  S2­C1T2  Fl. 8          15 IMPOSTO  DE  RENDA  ­PESSOA  JURÍDICA.­  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL  –  (...)  MULTA  POR  ATRASO  NA  ENTREGA  DA  DECLARAÇÃO  ­  Não  cabe  a  cobrança  cumulativa da multa de ofício e de multa por atraso na entrega  de declaração. (...).  Acórdão  nº  2102­00.813,  sessão  de  19/08/2010,  relator  o  Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos:  MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE  RENDIMENTOS  CUMULADA  COM  MULTA  DE  OFÍCIO  VINCULADA  AO  IMPOSTO  DEVIDO.  MESMA  BASE  DE  CÁLCULO.  IMPOSSIBILIDADE.  Consoante  iterativa  jurisprudência  do  Primeiro  Conselho  de  Contribuintes,  em  se  tratando de  lançamento  de ofício,  somente  deve  ser aplicada a  multa  de  ofício  vinculada  ao  imposto  devido,  descabendo  o  lançamento  cumulativo  da  multa  por  atraso  na  entrega  da  declaração,  já  que  ambas  têm  a  mesma  base  de  cálculo.  Na  espécie,  a  conduta  de  não  pagar  o  imposto  devido  absorve  o  descumprimento da obrigação acessória.  Assim, em linha com a  jurisprudência acima citada, não pode remanescer a  multa isolada lançada concomitante com a multa de ofício de 75% nos anos­calendário 1996 e  1997.  Ainda, o recorrente interpõe sua insurgência contra a utilização dos juros de  mora à taxa Selic (item V do relatório).  A aplicação dos  juros de mora, à taxa Selic, é matéria pacificada no âmbito  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  ­  CARF,  objeto,  inclusive,  do  enunciado  Sumular  CARF  nº  4  (DOU  de  22/12/2009):  “A  partir  de  1º  de  abril  de  1995,  os  juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de  Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais”. Ainda, com espeque no art. 72, caput e §  4º,  do Regimento  Interno  do Conselho Administrativo  de Recursos  Fiscais  do Ministério  da  Fazenda, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (DOU de 23 de junho de  2009),  deve­se  ressaltar  que  os  enunciados  sumulares  dos  Conselhos  de  Contribuintes  e  do  CARF são de aplicação obrigatória nos julgamentos de 2º grau.     Ante o exposto, voto no sentido de REJEITAR as preliminares e, no mérito,  DAR  parcial  provimento  ao  recurso  para  cancelar  o  lançamento  referente  ao  acréscimo  patrimonial  a descoberto do  ano­calendário 1996 e as multas  isoladas pelo  atraso na  entrega  das declarações de ajuste anual dos anos­calendário 1996 e 1997.  Assinado digitalmente  Giovanni Christian Nunes Campos              Fl. 15DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 23/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO   16                   Fl. 16DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 23/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO

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Numero do processo: 10865.004281/2008-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2006 SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão “serviços hospitalares” para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas em ambientes externos ou por outras pessoas, como laboratórios.
Numero da decisão: 1201-000.552
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. O conselheiro Antônio Carlos Guidoni acompanhou o Relator pelas conclusões.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES

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Recorrida  Fazenda Nacional    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Exercício: 2006  SERVIÇOS HOSPITALARES ­ CARACTERIZAÇÃO  À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de  recurso  repetitivo,  a  expressão  “serviços  hospitalares”  para  fins  de  quantificação  do  lucro  presumido  por meio  do  percentual mitigado  de  8%,  inferior  àquele  de  32%  dispensado  aos  serviços  em  geral,  deve  ser  objetivamente  interpretado  e  alcança  todas  as  atividades  tipicamente  promovidas  em  hospitais,  mesmo  eventualmente  prestadas  em  ambientes  externos ou por outras pessoas, como laboratórios.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  DAR  provimento  ao  recurso.  O  conselheiro Antônio  Carlos Guidoni  acompanhou  o Relator  pelas  conclusões.     (assinado digitalmente)  Claudemir Rodrigues Malaquias ­ Presidente.     (assinado digitalmente)  Guilherme Adolfo dos Santos Mendes ­ Relator.       Fl. 182DF CARF MF Impresso em 31/08/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10865.004281/2008­19  Acórdão n.º 1201­00.552  S1­C2T1  Fl. 172          2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudemir Rodrigues  Malaquias  (Presidente),  Guilherme  Adolfo  dos  Santos  Mendes,  Rafael  Correia  Fuso,  João  Bellini Junior, Antonio Carlos Guidoni Filho e Regis Magalhães Soares de Queiroz .    Relatório  DA AUTUAÇÃO   Em ação fiscal direta em face do contribuinte em epígrafe, foi lavrado auto de  infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, acrescido de juros e multa de 75%.  Foi  alcançado  pela  fiscalização  o  exercício  de  2006,  no  qual  se  constatou  como  irregularidade,  conforme  termo  de  verificação,  a  aplicação  de  percentual  do  lucro  presumido inferior ao devido pela legislação tributária.  Conforme  a  acusação  fiscal,  a  autuada,  ao  revés  de  aplicar  o  percentual  de  32% relativo às prestações de serviço em geral, determinou seu lucro presumido por meio do  percentual  de  8%  destinado  às  atividades  hospitalares  e,  no  curso  da  ação  fiscal,  não  comprovou  ter  exercido  atividades  passíveis  desta  qualificação.  A  autuação,  desse  modo,  resumiu­se à constituição do crédito relativo à diferença de percentual.    DA IMPUGNAÇÃO  O sujeito passivo  apresentou  impugnação às  fls.  66  a 88, por meio da qual  aduz o que se segue.  Preliminarmente,  requer  a  nulidade  do  auto  de  infração  por  ausência  de  motivação,  descrição  insuficiente  dos  fatos  e  do  direito,  cerceamento  do  direito  de  defesa  e  violação do devido processo  legal. A autoridade  fiscal não  teria apresentado os  fundamentos  fáticos e de direito para a autuação; e só teria encaminhado o auto de infração desacompanhado  do  termo de verificação  fiscal. Reproduz acórdão com antigo Conselho de Contribuintes que  teria anulado a autuação em razão de não ter sido dada ciência o termo de verificação fiscal.  Aduz  ainda  que,  no  procedimento  de  lançamento,  a  autoridade  fiscal  teria  desconsiderado  declarações  apresentadas  em  obrigação  acessória,  esclarecimentos  e  outros  documentos,  como  o  contrato  social  e  relatórios  de  atendimento,  para  constituir  o  crédito  tributário  em  seu  desfavor  com  o  singelo  argumento  de  “ausência  de  provas”.  Ademais,  o  excesso de rapidez com que realizou o procedimento não primaria pela legalidade ao deixar de  empreender seus deveres de efetiva comprovação dos fatos alegados, pois não poderia inverter  o  ônus  contra  o  contribuinte.  O  lançamento  teria,  assim,  sido  realizado  indevidamente  com  base em mera presunção.  O  lançamento  não  poderia  prevalecer,  pois  estaria  pautado  em  equivocada  interpretação  da  legislação  tributária  e  dos  fatos  que  dizem  respeito  ao  contribuinte,  cuja  atividade se enquadraria como serviço médico hospitalar, para fins de aplicação do disposto no  art.  15,  §1°,  inciso  III,  letra  "a"  da  Lei  n°  9.249/95.  Literalmente,  “o  serviço  efetivamente  Fl. 183DF CARF MF Impresso em 31/08/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10865.004281/2008­19  Acórdão n.º 1201­00.552  S1­C2T1  Fl. 173          3 prestado pela  impugnante pode perfeitamente ser considerado como complementação médico  hospitalar”.  Afirma que  (...)  se  juntou  perante  a  fiscalização,  além  das  devidas  informações,  contrato  social  cujo  objeto  laboratórios  de  anatomia  patológica  e  citológica  (serviço  médico  hospitalar),  bem como relatório de atendimento em diversos hospitais. Cabe  esclarecer  que  juntamente  com  a  impugnação  junta­se  novamente relatório dos serviços médicos prestados em diversos  hospitais  no  ano  de  2005,  o  que  demonstra  claramente  a  natureza de serviço hospitalar do contribuinte (...)  Aduz ainda que, apesar de que a autoridade fiscal não ter citado qualquer ato  infralegal,  estes  eventuais  atos  não  teriam  aptidão  para  legitimar  o  lançamento,  porque  violariam o princípio da legalidade.  Afirma  que  o  cerne  da  questão  se  refere  à  interpretação  da  expressão  “serviços hospitalares”, a qual teria sido adotada pelo STJ como “diretamente atrelada à saúde  humana”,  o  que  teria  sido  confirmado  inclusive  pela  própria  Secretaria  da  Receita  Federal  mediante soluções de consulta reproduzidas na peça de defesa.  Por fim, contesta a aplicação dos juros à taxa SELIC por lhe faltar “respaldo  jurídico”  e  o  percentual  de  75%  da  multa  de  ofício  por  violação  da  razoabilidade,  proporcionalidade e proibição de confisco.    DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU  A  decisão  recorrida  (fls.  136  a  145)  negou  provimento  à  impugnação  nos  termos que se seguem.  Não haveria razões para anulação do lançamento, uma vez que, in verbis:  (...)  na  peça  impositiva  e  nos  respectivos  anexos  a  autoridade  fiscal  descreve  detalhadamente  o  suporte  fático  e  documental  que  embasaram  o  lançamento,  bem  assim  os  praticados  na  apuração  da  base  imponível,  com  intimação  endereçada  A.  fiscalizada  para  que  comprovasse  a  prestação  dos  serviços  hospitalares, com abertura de prazo para instrução probatória.  Do  que  consta  dos  autos  verifica­se  que  a  autoridade  fiscal  discriminou  no  relatório  correspondente  o  objeto  do  auto  de  infração, a saber, apuração indevida do coeficiente de 8% para  determinação  da  base  de  cálculo  do  IRPJ  sobre  receitas  da  atividade médica quando o correto seria 32%, valores apurados  com base nas receitas declaradas pela contribuinte.  Ademais,   todas as informações por ela prestadas foram levadas em conta  para  a  imposição  tributária. Ocorre  que  ela  não  comprovou  a  Fl. 184DF CARF MF Impresso em 31/08/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10865.004281/2008­19  Acórdão n.º 1201­00.552  S1­C2T1  Fl. 174          4 realização de serviços hospitalares referidos no art. 15 da Lei n.  9.249,  de  1995,  regulamentado  pelo  art.  27  da  Instrução  Normativa SRF n. 480, de 15/12/2004, e pelo Ato Declaratório  Interpretativo  SRF  n.  18,  de  23/10/2003,  que  lhe  permitiriam  submeter à tributação base de cálculo correspondente a 8% do  resultado.  De  fato,  além  do  contrato  social  e  das  alegações  vertidas  no  expediente  de  fls.  12/14  não  há  qualquer  elemento  que  comprove  ter  efetivamente  praticado  serviços  de  natureza  hospitalar tal como preceitua a legislação antes citada.  Ressalte­se que os  formulários que apresentou (fls. 24/58) além  de  se  referirem  a  valores  pagos  aos  sócios  da  contribuinte,  descrevem  resultado  obtido  no  decorrer  do  ano­calendário  de  2008.  Quanto  ao  mérito,  a  discussão,  inclusive  à  luz  do  ônus  probatório,  diria  respeito à interpretação do que são “serviços hospitalares” e, portanto, a quais atividades seria  dispensado o percentual diferenciado para aferição do lucro presumido.  Na época dos fatos, essa interpretação estaria fixada pela IN/SRF nº 480/04,  com  a  redação  dada  pela  IN/SRF  539/05.  Para  fins  de  enquadramento  como  prestadora  de  serviço  hospitalar,  o  dispositivo  pertinente  (art.  27)  teria  previsto  três  tipos  de  exigência,  in  verbis: “a) caráter empresarial da pessoa jurídica; b) natureza das atividades desenvolvidas; e  c) estrutura física do estabelecimento”, os quais deveriam ser cumpridos cumulativamente.  Todavia, o contribuinte não provou cumprir nenhum deles.   Com relação à contestação relativa ao percentual da multa e da taxa de juros,  em síntese, asseverou que a autoridade administrativa não é competente para afastar aplicação  de disposição expressa de lei.    DO RECURSO VOLUNTÁRIO  O sujeito passivo apresentou recurso voluntário, às fls. 149 a 169, mediante o  qual  repisou  (na  verdade,  reproduziu  literalmente)  exatamente  os  argumentos  já  trazidos  na  impugnação.  Só inovou ao contestar a incidência de juros sobre a multa de ofício. Alegou  ausência  de  previsão  legal  e  citou  jurisprudência  do  antigo  Conselho  de  Contribuintes  que  corroboraria sua posição.  É o relatório do essencial.    Voto             Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes  Fl. 185DF CARF MF Impresso em 31/08/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10865.004281/2008­19  Acórdão n.º 1201­00.552  S1­C2T1  Fl. 175          5 Antes de nos debruçarmos sobre o objeto da lide, cumpre­me reafirmar o que  já destaquei no relatório. O recurso voluntário é, na verdade, uma cópia praticamente exata da  impugnação.  A  defesa,  em  momento  algum,  combateu  qualquer  dos  fundamentos  da  decisão recorrida. Resumiu­se apenas a reproduzir  ipsis  litteris o que já havia apresentado na  reclamação inicial.     Preliminar de nulidade   O procedimento de fiscalização está para o inquérito policial, assim como o  contencioso tributário para a ação penal, vale dizer, o primeiro é inquisitivo. O contraditório é  exercido  durante  o  julgamento  administrativo.  Ao  contribuinte  é  dada  a  oportunidade  de  apresentar suas razões na impugnação e não antes. Desde que o auto de infração contenha os  elementos necessários para que o sujeito passivo possa exercer com plenitude a sua defesa na  fase contenciosa – como é o presente caso –, não há que se falar em nulidade. O lançamento  pode ser realizado até por procedimento interno sem prévia publicidade ao sujeito passivo.  O cerne do presente feito está na interpretação de “serviços hospitalares”, o  que  foi  identificado  desde  a defesa  inaugural  pelo  sujeito  passivo,  inclusive  com  referências  expressas na sua peça de defesa à jurisprudência específica.   Com relação ao suposto não encaminhamento do termo de verificação, ainda  que  isso  tivesse  ocorrido,  em  nada  macularia  o  direito  de  defesa  do  sujeito  passivo.  A  autoridade não está obrigada a encaminhar ao autuado todos os elementos do feito acusatório,  mas  apenas  dar­lhe  ciência  da  sua  existência.  Do  contrário,  não  faria  sentido  a  ciência  via  edital, a menos, é claro, que no edital, documento exposto ao público, devesse constar todos os  elementos da acusação, o que seria um absurdo.  Com relação à jurisprudência do Conselho de Contribuintes, reproduzida pela  recorrente,  esta  só  declarou  nulo  o  procedimento  fiscal  em  razão  de  o  termo de verificação,  naquele  caso,  ter  sido  produzido  após  a  ciência  da  autuação,  ou  seja,  o  referido  documento  acusatório não constava do processo durante o prazo para a defesa, o que,  indiscutivelmente,  prejudicou o seu exercício.  Não foi o ocorrido nestes autos.   Não há, desse modo, qualquer razão para declarar a nulidade da autuação.    Mérito – percentual do lucro presumido  Como asseverado nas preliminares, a questão central do presente lançamento  está assentada na qualificação  jurídica da atividade desempenhada pelo contribuinte, em face  da  dicção  legal  que  estabelece  uma  exceção  relativa  ao  percentual  de  aferição  do  lucro  presumido  para  os  serviços  hospitales  mais  branda  (8%)  em  relação  àquele  fixado  para  os  serviços em geral (32%).  Fl. 186DF CARF MF Impresso em 31/08/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10865.004281/2008­19  Acórdão n.º 1201­00.552  S1­C2T1  Fl. 176          6 Abaixo, reproduzimos a legislação vigente à época dos fatos:  Lei nº 9.249/95  Art.  15.  A  base  de  cálculo  do  imposto,  em  cada  mês,  será  determinada  mediante  a  aplicação  do  percentual  de  oito  por  cento  sobre a  receita bruta auferida mensalmente,  observado o  disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de  janeiro de  1995.  §  1º  Nas  seguintes  atividades,  o  percentual  de  que  trata  este  artigo será de:  (...)  III ­ trinta e dois por cento, para as atividades de:   a)  prestação  de  serviços  em  geral,  exceto  a  de  serviços  hospitalares;    O  conceito  de  serviços  hospitalares  foi  questão  já  enfrentada  pela  antiga  Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, a qual foi sucedida por esta turma de  julgamento.  Naquela  oportunidade,  negamos  provimento  à  defesa  por  unanimidade,  conforme  ementa  abaixo  transcrita  da  lavra  do  Ilustre  Conselheiro  Antonio  Carlos  Guidoni  Filho:  SERVIÇOS HOSPITALARES. CARACTERIZAÇÃO. A presunção  de  lucratividade  reduzida  prevista  na  Lei  n.  9.249/95  está  intimamente  ligada  à  existência  de  custos  relevantes  com  instalações, equipamentos e mão­de­obra qualificada inerente a  um hospital, compreendendo tanto a parte médica especializada  quanto  os  serviços  de  hotelaria  e  fornecimento  de  produtos.  A  prestação  pessoal  de  serviços  médicos,  por  si  só,  não  corresponde  ao  conjunto  de  serviços  e  custos  inerentes  a  um  centro hospitalar,  traduzindo­se meramente em um exercício de  profissão  regulamentada.  (Acórdão  nº  103­23236;  de  30/11/2007)    Ao  reexaminarmos  a  questão  posteriormente,  na  oportunidade  em  que  fui  relator, mantivemos o mesmo posicionamento, estampado no acórdão 1201­00.321, de 01 de  setembro de 2010, cuja ementa abaixo transcrevo:  SERVIÇOS  LABORATORIAIS  ­  LUCRO  PRESUMIDO  ­  PERCENTUAL ­ a razão teleológica para a diferenciação entre  os  percentuais  de  aferição  do  lucro  presumido  está  na  pressuposta diversidade da margem de lucro entre as atividades  empresariais.  O  que  justifica  um  percentual  significativamente  menor  e  determina  os  contornos  semânticos  da  própria  expressão “serviços hospitalares” são seus elevados custos, cujo  Fl. 187DF CARF MF Impresso em 31/08/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10865.004281/2008­19  Acórdão n.º 1201­00.552  S1­C2T1  Fl. 177          7 principal  e  mais  significativo  componente  são  os  valores  investidos  nos  equipamentos  hospitalares,  dentre  os  quais,  os  laboratoriais.  Em  razão  disso,  as  atividades  de  exames  laboratoriais  devem  também  ser  tributadas  pelo  percentual  mitigado relativo aos serviços hospitalares.    Naquela oportunidade, teci os seguintes fundamentos de decidir:  Pela  leitura  da  ementa,  sem  necessidade  de  adentramos  às  minúcias  do  voto,  a  razão  de  decidir  busca  identificar  a  teleologia da diferenciação entre os percentuais de aferição do  lucro  presumido.  No  caso,  entendeu­se  que  a  legislação  fixa  o  percentual  em  razão  da  presumível  margem  de  lucro  de  cada  atividade.  Nesse  caso,  a  prestação  de  serviços  hospitalares  se  diferenciaria  das  demais  prestações  de  serviço  em  razão  dos  seus  elevados  custos,  o  que  justificaria  um  percentual  significativamente menor e determinaria os contornos do próprio  conceito  de  “serviços  hospitalares”  para  fins  de  incidência  tributária.  Desse  modo,  como  a  prestação  pessoal  de  serviços  médicos não impõe gastos superiores aos dos serviços em geral,  também  não  poderia  ser  enquadrada  na  denominação  legal  “serviços hospitalares” para fins tributários.    Essa razão de decidir se coaduna com provimentos recentes do STJ. Naquela  oportunidade,  transcrevi  em  meu  voto  a  seguinte  decisão  (AgRg  nos  EREsp  883537  /  RS,  publicado em 01/07/2010:  PROCESSO  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  AGRAVO  REGIMENTAL.  IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA E CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  SOBRE  O  LUCRO  LÍQUIDO.  ART.  15,  §  1º,  III,  ALÍNEA  "A",  DA  LEI  N.  9.249/95.  CONCEITO DE  SERVIÇO  HOSPITALAR.  MATÉRIA  DECIDIDA  PELA  1ª  SEÇÃO,  NO  RESP  1116399/BA,  JULGADO  EM  28/10/2009,  SOB  O  REGIME DO ART. 543­C DO CPC.  1.  A  redução  das  bases  de  cálculo  do  IRPJ  e  da  CSSL,  nos  termos  dos  arts.  15  e  20  da  Lei  nº  9.249/95,  é  benefício  fiscal  concedido  de  forma  objetiva,  com  foco  nos  serviços  que  são  prestados, e não no contribuinte que os executa.  2.  A  Primeira  Seção  deste  Tribunal  Superior  pacificou  o  entendimento  acerca  da  matéria,  no  julgamento  do  RESP  1116399/BA,  sob  o  regime  do  art.  543­C,  do  CPC,  em  28/10/2009, que restou assim ementado:  DIREITO  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  RECURSO  ESPECIAL.  VIOLAÇÃO AOS  ARTIGOS  535  e  468  DO  CPC.  VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95.  IRPJ  E  CSLL  COM  BASE  DE  CÁLCULO  REDUZIDA.  DEFINIÇÃO  DA  EXPRESSÃO  "SERVIÇOS  HOSPITALARES".  INTERPRETAÇÃO  OBJETIVA.  Fl. 188DF CARF MF Impresso em 31/08/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10865.004281/2008­19  Acórdão n.º 1201­00.552  S1­C2T1  Fl. 178          8 DESNECESSIDADE  DE  ESTRUTURA  DISPONIBILIZADA  PARA  INTERNAÇÃO.  ENTENDIMENTO  RECENTE  DA  PRIMEIRA  SEÇÃO.  RECURSO  SUBMETIDO  AO  REGIME  PREVISTO NO ARTIGO 543­C DO CPC.  1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão  "serviços  hospitalares"  prevista  na  Lei  9.429/95,  para  fins  de  obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discute­se a  possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida  na lei, poder­se restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito  de  "serviços  hospitalares"  apenas  aqueles  estabelecimentos  destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação  e assistência médica integral.  2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251­PR, da relatoria do  eminente  Ministro  Castro  Meira,  a  1ª  Seção,  modificando  a  orientação  anterior,  decidiu  que,  para  fins  do  pagamento  dos  tributos  com  as  alíquotas  reduzidas,  a  expressão  "serviços  hospitalares",  constante  do  artigo  15,  §  1º,  inciso  III,  da  Lei  9.249/95, deve  ser  interpretada de  forma objetiva  (ou  seja,  sob  a  perspectiva da atividade  realizada pelo  contribuinte), porquanto a  lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica  ou  a  estrutura  do  contribuinte  em  si  (critério  subjetivo),  mas  a  natureza  do  próprio  serviço  prestado  (assistência  à  saúde).  Na  mesma  oportunidade,  ficou  consignado  que  os  regulamentos  emanados  da  Receita  Federal  referentes  aos  dispositivos  legais  acima  mencionados  não  poderiam  exigir  que  os  contribuintes  cumprissem  requisitos  não  previstos  em  lei  (a  exemplo  da  necessidade  de  manter  estrutura  que  permita  a  internação  de  pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a  dispensa  da  capacidade  de  internação  hospitalar  tem  supedâneo  diretamente  na Lei  9.249/95,  pelo  que  se mostra  irrelevante  para  tal intento as disposições constantes em atos regulamentares".  3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles  que  se  vinculam  às  atividades  desenvolvidas  pelos  hospitais,  voltados  diretamente  à  promoção  da  saúde",  de  sorte  que,  "em  regra,  mas  não  necessariamente,  são  prestados  no  interior  do  estabelecimento  hospitalar,  excluindo­se  as  simples  consultas  médicas,  atividade  que  não  se  identifica  com  as  prestadas  no  âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos".  4.  Ressalva  de  que  as  modificações  introduzidas  pela  Lei  11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à  sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na  Lei  9.249/95  não  se  refere  a  toda  a  receita  bruta  da  empresa  contribuinte  genericamente  considerada,  mas  sim  àquela  parcela  da  receita  proveniente  unicamente  da  atividade  específica  sujeita  ao  benefício  fiscal,  desenvolvida  pelo  contribuinte,  nos  exatos  termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95.  5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa  recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade  diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário  específico,  podendo  ser  realizada  em  ambientes  hospitalares  ou  similares,  não  se  assemelhando  a  simples  consultas  médicas,  motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte,  faz  jus  ao  benefício  em discussão  (incidência dos percentuais de 8%  (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no  Fl. 189DF CARF MF Impresso em 31/08/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10865.004281/2008­19  Acórdão n.º 1201­00.552  S1­C2T1  Fl. 179          9 caso  de  CSLL,  sobre  a  receita  bruta  auferida  pela  atividade  específica de prestação de serviços médicos laboratoriais).  6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia,  submetido  ao  regime  do  artigo  543­C  do  CPC  e  da  Resolução  8/STJ.  7. Recurso especial não provido.  3.  Destarte,  restou  assentado,  àquela  ocasião  que:  "Assim,  devem  ser  considerados  serviços  hospitalares  "aqueles  que  se  vinculam  às  atividades  desenvolvidas  pelos  hospitais,  voltados  diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas  não  necessariamente,  são  prestados  no  interior  do  estabelecimento  hospitalar,  excluindo­se  as  simples  consultas  médicas,  atividade  que  não  se  identifica  com  as  prestadas  no  âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos".  4.  In  casu,  o  Tribunal  a  quo,  com  ampla  cognição  fático­ probatória, assentou que a empresa recorrida presta serviços de  diagnóstico por imagem, compreendendo a radiologia em geral,  ultra­sonografia,  tomografia  computadorizada,  ressonância  magnética,  densitometria  óssea  e  mamografia,  os  quais,  consoante fundamentação expendida, enquadram­se no conceito  legal  de  serviços  médico­hospitalares,  estabelecido  pela  Lei  9.249/95.  5.  Agravo  regimental  provido  para  dar  parcial  provimento  ao  recurso  especial,  excluindo­se  da  base  de  cálculo  reduzida  as  simples  consultas  médicas,  consoante  a  fundamentação  expendida, mantendo­se, no mais, a decisão de fls. 308/323.  Naquela época, não havia destacado que essa decisão nada mais  fez do que  seguir  provimento  do  próprio  STJ  em  recurso  repetitivo,  o  qual  atualmente  vincula  nossas  decisões por determinação regimental. Abaixo, transcrevo sua ementa (RECURSO ESPECIAL  Nº 1.116.399 – BA):  DIREITO  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  RECURSO  ESPECIAL.  VIOLAÇÃO  AOS  ARTIGOS  535  e  468  DO  CPC.  VÍCIOS  NÃO  CONFIGURADOS.  LEI  9.249∕95.  IRPJ  E  CSLL  COM  BASE  DE  CÁLCULO  REDUZIDA.  DEFINIÇÃO  DA  EXPRESSÃO  "SERVIÇOS  HOSPITALARES".  INTERPRETAÇÃO  OBJETIVA.  DESNECESSIDADE  DE  ESTRUTURA  DISPONIBILIZADA  PARA  INTERNAÇÃO.  ENTENDIMENTO  RECENTE  DA  PRIMEIRA  SEÇÃO.  RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO  543­C DO CPC.   1.  Controvérsia  envolvendo  a  forma  de  interpretação  da  expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429∕95, para  fins  de  obtenção  da  redução  de  alíquota  do  IRPJ  e  da  CSLL.  Discute­se  a  possibilidade  de,  a  despeito  da  generalidade  da  expressão  contida  na  lei,  poder­se  restringir  o  benefício  fiscal,  incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles  estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente,  mediante internação e assistência médica integral.   Fl. 190DF CARF MF Impresso em 31/08/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10865.004281/2008­19  Acórdão n.º 1201­00.552  S1­C2T1  Fl. 180          10 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251­PR, da relatoria  do  eminente Ministro Castro Meira,  a  1ª  Seção, modificando a  orientação  anterior,  decidiu  que,  para  fins  do  pagamento  dos  tributos  com  as  alíquotas  reduzidas,  a  expressão  "serviços  hospitalares",  constante  do  artigo  15,  §  1º,  inciso  III,  da  Lei  9.249∕95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a  perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto  a  lei,  ao  conceder  o  benefício  fiscal,  não  considerou  a  característica  ou  a  estrutura  do  contribuinte  em  si  (critério  subjetivo),  mas  a  natureza  do  próprio  serviço  prestado  (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado  que  os  regulamentos  emanados  da  Receita  Federal  referentes  aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir  que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei  (a  exemplo  da  necessidade  de  manter  estrutura  que  permita  a  internação  de  pacientes)  para  a  obtenção  do  benefício.  Daí  a  conclusão  de  que  "a  dispensa  da  capacidade  de  internação  hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249∕95, pelo que  se mostra  irrelevante para  tal  intento as disposições constantes  em atos regulamentares".  3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles  que  se  vinculam  às  atividades  desenvolvidas  pelos  hospitais,  voltados diretamente à promoção da  saúde",  de  sorte que,  "em  regra,  mas  não  necessariamente,  são  prestados  no  interior  do  estabelecimento  hospitalar,  excluindo­se  as  simples  consultas  médicas,  atividade  que  não  se  identifica  com  as  prestadas  no  âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos".  4.  Ressalva  de  que  as  modificações  introduzidas  pela  Lei  11.727∕08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente  à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista  na Lei 9.249∕95 não se refere a toda a receita bruta da empresa  contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela  da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita  ao  benefício  fiscal,  desenvolvida  pelo  contribuinte,  nos  exatos  termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249∕95.   5.  Hipótese  em  que  o  Tribunal  de  origem  consignou  que  a  empresa  recorrida  presta  serviços  médicos  laboratoriais  (fl.  389),  atividade  diretamente  ligada  à  promoção  da  saúde,  que  demanda  maquinário  específico,  podendo  ser  realizada  em  ambientes  hospitalares  ou  similares,  não  se  assemelhando  a  simples  consultas  médicas,  motivo  pelo  qual,  segundo  o  novel  entendimento  desta  Corte,  faz  jus  ao  benefício  em  discussão  (incidência dos percentuais de 8%  (oito por cento), no caso do  IRPJ,  e  de  12%  (doze  por  cento),  no  caso  de  CSLL,  sobre  a  receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de  serviços médicos laboratoriais).   6.  Recurso  afetado  à  Seção,  por  ser  representativo  de  controvérsia, submetido ao regime do artigo 543­C do CPC e da  Resolução 8∕STJ.   7. Recurso especial não provido.   Fl. 191DF CARF MF Impresso em 31/08/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10865.004281/2008­19  Acórdão n.º 1201­00.552  S1­C2T1  Fl. 181          11 Tanto a minha posição, quanto a do STJ fixada em recurso repetitivo, chegam  à  mesma  conclusão  em  diversas  situações;  por  exemplo,  as  atividades  laboratoriais  se  submetem  ao  percentual  de  8%,  ao  passo  que  as  simples  consultas  médicas  devem  ser  tributadas  pele  percentual  de  32%.  Todavia,  elas  partem  de  pressupostos  distintos,  os  quais  conduzem a conclusões distintas para outras situações.  Entendo que o percentual mitigado para os serviços hospitalares decorre do  fato  de  que  essa  atividade  opera  concretamente  com  margens  significativamente  inferiores  àquelas praticadas na prestação de serviços em geral, uma vez que necessitam de investimentos  em  equipamentos  caros  e  que  depreciam  rapidamente  em  razão  do  acelerado  avanço  da  medicina. Não  há,  desse modo,  uma  concessão  de  benefício, mas  sim  a  adequação  da  lei  à  específica capacidade contributiva manifestada nesse tipo de atividade.  Já  o  STJ  entende  que  a  diferenciação  é  um  benefício  fiscal,  ou  seja,  o  legislador teria estabelecido a diferença tributária, não em razão de considerar a existência de  signos  contributivos  diversos,  mas  sim  para  atingir  escopos  de  cunho  social,  no  caso,  de  fomentar atividades de saúde.  Todavia, ainda assim, não interpretou o dispositivo com margens totalmente  dilatadas. No entender da Corte Superior, não são  todas as atividades  ligadas à promoção da  saúde,  que  teriam  sido  beneficiadas  pelo  percentual  mitigado,  nem  sequer  àquelas  exclusivamente  prestadas  pela  classe  médica,  como  as  consultas,  mas  apenas  aquelas  tipicamente  promovidas  em  hospitais,  ainda  que  possam  eventualmente  ser  prestadas  em  ambiente externos, como as UTIs móveis e os exames laboratoriais.  Desse  modo,  meu  entendimento  não  é  mais  nem  menos  restritivo  àquele  estampado pelo STJ. Em atividades ligadas à saúde, com custos elevados e margens estreitas  de  lucro,  ainda  que  não  fossem  típicas  do  ambiente  hospitalar,  decidiria  pela  aplicação  do  percentual  de  8%,  enquanto  o  STJ  aplicaria  o  de  32%.  Já  para  as  atividades  com  elevada  margem de lucro, mesmo típicas do ambiente hospitalar, decidiria pelo percentual de 32%, ao  passo que o STJ entende que o percentual aplicável é o de 8%. Neste último caso, podemos  citar  o  valor  que  uma  clínica  recebe  diretamente  do  paciente  em  razão  de  o  médico  ter  realizado  uma  intervenção  cirúrgica  num  hospital.  Note­se,  nesse  caso,  que  o  valor  chega  “limpo” à clínica, uma vez que o paciente paga outra parcela diretamente ao hospital em razão  do uso de suas instalações e equipamentos.  O  recurso  repetitivo  julgou  o  caso  de  um  laboratório,  o  qual,  independentemente do critério adotado, deve ser tributado pelo percentual de 8%, uma vez que  é atividade típica de ambiente hospitalar e de elevado custo. Entendo, todavia, que essa decisão  é paradigmática e deve ser aplicada de forma vinculante a todas as situações em que se discute  a sua qualificação como serviço hospitalar para fins de aplicação do percentual mitigado, uma  vez que o STJ deixou bem claro que esta era a sua intenção ao julgar o caso, ou seja, não visou  exclusivamente definir a tributação dos laboratórios, mas sim de todos os serviços executados  tipicamente em hospitais.  No  “Instrumento  particular  de  alteração  contratual” de  fls.  16  consta  que  a  atividade da recorrente é de “Prestação de Serviços Médicos de Complementação Diagnóstica  em  Anatomia  Patológica,  Citopatologia  e  Imunohistoquímica”,  a  qual,  apesar  de  não  necessariamente  se  enquadrar  como  um  laboratório  (poderia,  em  tese,  exercer  apenas  a  atividade  de  elaborar  laudos  com  base  em  exames  realizados  por  outras  sociedades),  seguramente executa atividades típicas de ambientes hospitalares diversas das meras consultas.  Fl. 192DF CARF MF Impresso em 31/08/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10865.004281/2008­19  Acórdão n.º 1201­00.552  S1­C2T1  Fl. 182          12 A  eventualidade  de  prestar  serviços  clínicos  em  dissonância  do  seu  objeto  social,  neste  caso,  é  prova  que  deveria  ter  sido  formada  pela  autoridade  fiscal  em momento  oportuno, que não fez.  Isso posto, voto por dar provimento ao recurso voluntário.    (assinado digitalmente)  Guilherme Adolfo dos Santos Mendes ­ Relator                                Fl. 193DF CARF MF Impresso em 31/08/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME

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4738935 #
Numero do processo: 11040.001440/2003-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1999, 2000, 2001 Ementa: NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento. FATO GERADOR. MOMENTO DA OCORRÊNCIA. DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. TERMO INICIAL. O fato gerador do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, sujeito ao ajuste anual, completa-se apenas em 31 de dezembro de cada ano. Sendo assim, considerando-se como termo inicial de contagem do prazo decadencial a regra do art. 150, § 4º ou a do art. 173, I do CTN, em qualquer caso, não há falar em decadência em relação a lançamento referente ao ano de 1998, cuja ciência do auto de infração ocorreu até 31/12/2003. IRRF. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. Sujeitam-se á incidência do imposto os valores recebidos a título de honorários advocatícios, sendo o contribuinte o beneficiário dos rencimentos. Preliminares rejeitadas Recurso negado.
Numero da decisão: 2201-000.946
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, Por unanimidade rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, por unanimidade, negar provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA

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4ª TURMA/DRJ­PORTO ALEGRE/RS    Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física ­ IRPF  Exercício: 1999, 2000, 2001  Ementa: NULIDADE DO AUTO DE  INFRAÇÃO ­ Não provada violação  das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59  do  Decreto  nº.  70.235,  de  1972  e  não  se  identificando  no  instrumento  de  autuação  nenhum  vício  prejudicial,  não  há  que  se  falar  em  nulidade  do  lançamento.  FATO  GERADOR.  MOMENTO  DA  OCORRÊNCIA.  DECADÊNCIA.  CONTAGEM  DO  PRAZO  DECADENCIAL.  TERMO  INICIAL.  O  fato  gerador do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, sujeito ao ajuste anual,  completa­se  apenas  em  31  de  dezembro  de  cada  ano.  Sendo  assim,  considerando­se  como  termo  inicial  de  contagem  do  prazo  decadencial  a  regra do art. 150, § 4º ou a do art. 173, I do CTN, em qualquer caso, não há  falar em decadência em relação a lançamento referente ao ano de 1998, cuja  ciência do auto de infração ocorreu até 31/12/2003.  IRRF.  INCIDÊNCIA  DO  IMPOSTO.  HONORÁRIOS  ADVOCATÍCIOS.  Sujeitam­se  á  incidência  do  imposto  os  valores  recebidos  a  título  de  honorários advocatícios, sendo o contribuinte o beneficiário dos rencimentos.  Preliminares rejeitadas  Recurso negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade,  Por  unanimidade  rejeitar  as  preliminares  arguidas  e,  no mérito,  por unanimidade, negar provimento  ao  recurso. Ausente,  justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza.      Assinatura digital     Fl. 1DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU     2 Francisco Assis de Oliveira Júnior – Presidente     Assinatura digital  Pedro Paulo Pereira Barbosa ­ Relator    EDITADO EM: 14/02/2011  Participaram da  sessão:  Francisco Assis Oliveira  Júnior  (Presidente),  Pedro  Paulo  Pereira  Barbosa  (Relator),  Gustavo  Lian  Haddad,  Eduardo  Tadeu  Farah,  Guilherme  Barranco  de  Souza  (Suplente  convocado)  e  Rayana  Alves  de  Oliveira  França.  Ausente,  justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza.    Relatório  ELIAS  JOÃO  BAYNE  interpôs  recurso  voluntário  contra  acórdão  da  4ª  TURMA/DRJ­PORTO ALEGRE/RS que julgou procedente lançamento formalizado por meio  do auto de  infração de  fls. 1009 a 1012. Trata­se de exigência de  Imposto  sobre a Renda de  Pessoa Física – IRPF no valor de R$ 2.422.067,80, acrescido de multa de ofício (qualificada),  de  multa,  exigida  isoladamente,  (parte  qualificada  e  parte  regular)  e  de  juros  de  mora,  perfazendo um crédito tributário lançado total de R$ 11.444.404,29.  A  infração apontada na  autuação  foi  a omissão  de  rendimentos  do  trabalho  sem  vínculo  empregatício,  recebidos  de  pessoas  físicas,  sujeito  ao  carnê­leão,  tendo  sido  exigido,  além  do  imposto,  com  a  multa  de  ofício  vinculada,  multa  isolada  pela  falta  do  recolhimento do carnê­leão.  O Contribuinte impugnou a exigência, aduzindo, inicialmente, que o relatório  fiscal  foi  omisso  quanto  à  informação  de  que  foi  descontado  imposto  na  fonte  pela  SPH,  incidente  sobre  o  valor  bruto  recebido,  incluindo­se  aí  os  reclamantes  e  os  honorários  advocatícios pagos pela reclamada. Afirma que, sobre o valor pago ao Impugnante pela Suc. A.  G. Mariano, por força contratual, foi recolhido o IR via Darf.  Sustenta  que  a  documentação  por  ele  apresentada  durante  a  ação  fiscal  e  reapresentada na Impugnação demonstra que o imposto deveria ter sido exigido dos sucessores  do  Dr.  Alfredo  Gonçalves  Mariano,  que  teriam  recebido  os  honorários.  Insiste  que  foram  descontados pela reclamada (SPH), na fonte, o IR sobre o valor bruto, incluindo o principal e  os  honorários  advocatícios,  inclusive  do  processo  principal  da  ação  rescisório,  pagos  pela  Reclamada.  Argumenta  que  houve  bi­tributação  e  que  esta  deveria  ser  arguida  pelo  seu  contratante  (seus  sucessores)  e  não  pelo  Impugnante,  que  era  seu  contratado,  e que  não  tem  procuração para tanto.  Argúi preliminar de nulidade do auto de infração por violação de princípios  constitucionais como os do contraditório e da ampla defesa.  Afirma  que  o  lançamento  está  fundamentado  na  ocorrência  de  simulação,  mas que não há prova nos autos da ocorrência de simulação.  Fl. 2DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 11040.001440/2003­85  Acórdão n.º 2201­00.946  S2­C2T1  Fl. 2          3 Diz que o lançamento está eivado de erro formal; que não foram observadas  as regras do processo administrativo tributário, em especial o art. 15 do Decreto nº 70.235, de  1972, pois não se deu ciência ao Fiscalizado da prorrogação da auditoria.  Reafirma  que  houve  erro  na  identificação  do  sujeito  passivo,  pois  teria  repassado  aos  herdeiros  do  Dr.  Alfredo  Gonçalves  Mariano  os  valores  constantes  da  liquidação. Alegar que houve prescrição da exigência fiscal em relação ao ano de 198 e que a  autuação representa um confisco, violando o princípio constitucional do não confisco.  A  DRJ­PORTO  ALEGRE/RS  julgou  procedente  o  lançamento.  Rejeitou  a  preliminar  de  nulidade  da  autuação,  anotando  que  foram  observadas  as  regras  processuais  pertinentes,  não  se  verificando  o  alegado  cerceamento  do  direito  de  defesa;  que,  quanto  ao  MPF, todas as prorrogações da ação fiscal foram realizadas nos prazos. Não enfrentou o mérito  da alegação da violação ao princípio do não confisco por se  trata de matéria de competência  exclusiva do Poder Judiciário e, quanto à alegada prescrição, anota que o prazo prescricional  somente se conta da constituição definitiva do crédito tributário e, analisando a alegação como  se de decadência fosse, conclui pela tempestividade do lançamento.  Sobre  o  alegado  erro  na  identificação  do  sujeito  passivo,  destaca  que  o  fundamento  da  exigência  é  a  omissão  de  rendimentos  recebidos  de  pessoa  física  referente  a  parcela  de  honorários  advocatícios  amealhados  em  ação  reclamatória  trabalhista  movia  por  vários  reclamantes;  que  a  tese  da  Fiscalização  é  a  de  que  o  Contribuinte  realizou  uma  simulação para eximir­se do pagamento do imposto; que o Contribuinte, por sua vez, alega que  realizou  um  contrato  com  um  certo  Dr.  Mariano  pelo  qual  este  receberia  a  quantia  correspondente  a  1500  salários  mínimos  para  acompanhar  os  trâmites  do  processo  e  que  repassou os honorários aos sucessores deste; que, a partir desse resumo dos fatos, a questão do  processo é saber­se quem se beneficiou dos honorários advocatícios que foram deduzidos das  parcelas entregues aos reclamantes das ações trabalhistas.  Anota  que  os  documentos  apresentados  pelo  Contribuinte  não  são  prova  conclusiva do repasse dos numerários; que a simulação é evidente quando se verifica que o Dr.  Elias,  a  quem  teria  sido  substabelecido  poderes  para  acompanhar  as  ações  sob  a  responsabilidade do Doutor Mariano não identifica os beneficiários dos alegados repasses; que  não  cabe  ao  Fisco  comprova  que  o  contribuinte  não  repassou  os  valores  recebidos, mas  ao  autuado provar que fez os repasses.  Cientificado  da  decisão  de  primeira  instância  em  13/05/2004  (fls.  1149),  o  Contribuinte interpôs, em 11/06/2004, o recurso de fls. 1152/1169 no qual reitera, em síntese,  as alegações e argumentos da impugnação.  O  processo  foi  incluído  na  pauta  de  julgamento  da  Quarta  Câmara  deste  Conselho,  em  06/07/2005,  ocasião  em  que  foi  proferido  o  acórdão  nº  104­20.828,  com  a  seguinte ementa:  ACORDAM  os  Membros  da  Quarta  Câmara  do  Primeiro  Conselho  de  Contribuintes,  por  unanimidade  de  votos,  REJEITAR  as  preliminares  arguidas  pelo  Recorrente  e,  no  mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório  e voto que passam a integrar o presente julgado.  Fl. 3DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU     4 O  Contribuinte  interpôs  embargos  inominados  em  face  do  acórdão  acima,  apontando inconsistências entre as matérias em discussão no processo e os termos do relatório  e voto (fls. 1281/1286).  Após juízo prévio de admissibilidade dos embargos pela Presidente da Quarta  Câmara,  o  processo  foi  distribuído  para  inclusão  em  pauta,  o  que  ocorreu  na  sessão  do  dia  25/06/2008, ocasião em que foram acolhidos os embargos  inominados para anular o acórdão  embargado e determinar a realização de novo julgamento.  Tiveram  ciência  deste  acórdão  os  sucessores  do  autuado,  retornando  o  processo para inclusão em pauta e novo julgamento.  O  processo  foi  novamente  incluído  na  pauta  da  sessão  de  06/05/2009  e  se  decidiu  converter  o  julgamento  em  diligência  para  que  fossem  tomadas  as  seguintes  providências:  1) Intimar José Gonçalves Mariano Enchecoien, identificado às  fls. 1182 a confirmar o recebimento dos repasses de honorários,  na qualidade de representante do espólio de Alfredo Gonçalves  Mariano;  2) Apresentar documentos  referentes ao processo de  inventário  de  José  Gonçalves  Mariano  que  confirme  sua  condição  de  representante do espólio;  3) Verificar se o espólio declarou esses rendimentos;  4)  Outras  diligências  que  entender  necessárias  ao  esclarecimento dos fatos.  5)  Por  fim,  elaborar  relatório  circunstanciado  dos  fatos  apurados,  do  qual  deve  ser  dado  ciência  ao  Autuado  (seu  representante), assinando­lhe prazo de 10 dias para manifestar­ se.  A Delegacia  da  Receita  Federal  em  Pelotas/RS  cumpriu  a  diligência  cujas  conclusões constam da Informação de Fiscal de fls. 1408/1411, a seguir resumida.  Inicialmente, a autoridade fiscal concluiu pela presença de “fortes indícios de  falsidade dos documentos  às  fls.  1181 como  identificação do Sr.  José Gonçalves Etchecoien  (cédula  de  identidade  e  CPF)”;  relatou  que  intimou  os  cartórios  de  Belo  Horizonte  a  fornecerem  cópias  da  certidão  de  nascimento  da  referida  pessoa  e  os  Cartórios  não  a  localizaram, tendo concluído que não existe certidão de nascimento dessa pessoa. A autoridade  Fiscal  apontou,  ainda,  “outras  incongruências  em  relação  a  este”,  nos  termos  a  seguir  reproduzidos:  ­ Elias  João Bayne  afirma nunca  ter  tido  contado pessoal  com  Etchecoien,  porém  os  dois  teriam  assinado  juntamente  as  prestações de contas entregues aos reclamantes;  ­  As  empresas  Etchecoien  Representações  e  J.F.  Mariano  Etchecoien Cia. Ltda. não constam no cadastro CNPJ, ou seja,  não existem e nunca existiram;  ­ Os nomes dos pais Luiz Carlos Etchecoien e Maria das Graças  Etchecoien não constam no cadastro CPF;  Fl. 4DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 11040.001440/2003­85  Acórdão n.º 2201­00.946  S2­C2T1  Fl. 3          5 ­ O único “Etchecoien” constante no cadastro CPF é o próprio  José Gonçalves Mariano Etchecoien”  ­  CPF  suspenso  –  motivo:  título  de  eleitor  inexistente  na  base  TSE;  ­  Base  TSE: Os  dados  informados  (nome,  data  de  nascimento)  não conferem com aqueles constantes no Cadastro Eleitoral;  ­  Para  comprovar  talvez  sua  existência  ou  a  falta  de  manifestação do mesmo neste processo,  foi apresentado recorte  do  Jornal  Folha  de  Londrina  do  dia  03²03²2005  com  dois  agradecimentos e convites para missa de 7º dia, indicando que o  mesmo teria falecido. Um dos convites teria sido publicado pela  esposa, filhos, nora e demais familiares, sem citar nenhum nome,  e o outro teria sido publicado por Nei José Assis, Erly Andrade,  João  Antunes  e  demais  funcionários  das  firmas  Etchecoien  Representações  e  J.F. Mariano  Etchecoien  Cia.  Ltda,  empresa  esta que já constatamos não existirem;  ­  Um  dos  reclamantes  apresentou  envelope  dentro  do  qual  recebeu  correspondência  que  teria  sido  enviada  por  José  Gonçalves Mariano Etchecoien, porém o mesmo foi postado no  correio da cidade de Pelotas;  ­ Contribuinte não CIAT (não existem dados em nenhum sistema  da RFB,  além  do CPF);  inclusive  não  há  registro  de  nenhuma  entrega de Declaração de Ajuste Anual de IRPF;  ­  Não  há  nenhum  documento  assinado  por  ele  com  a  firma  reconhecida em cartório.  Sobre  o  advogado Alfredo Gonçalves Mariano,  a  autoridade  fiscal  informa  que o seu CPF foi cancelado (sem espólio) por óbito em 17/11/1983; que não foi encontrado  registro do processo de  inventário nem em São Paulo,  nem no Rio Grande do Sul  e não  foi  apresentado nenhum documento comprobatório da existência do inventário; que não consta a  entrega  de  Declarações  de  Ajuste  Anual  dos  exercícios  de  2000,  2001  e  2002  do  CPF  de  Alfredo Gonçalves Mariano, que seria o espólio. Observa que o Sr. Elias Bayne, intimado, não  soube declinar os nomes dos herdeiros de Alfredo Gonçalves Mariano. Por  fim,  informa que  tentou  localizar  o  registro  de  óbito  de Alfredo Gonçalves Mariano  e  de  sua  “mãe  adotiva”,  Nilza Gonçalves Mariano, sem êxito.  Com  relação  a  Nei  José  Assis,  que  seria  um  “caixeiro  viajante”  que  se  apresentou  como  representante  de  José  Francisco  Gonçalves Mariano  Etchecoien,  informou  que não existem dados sobre ele nos cadastros da SRF, além do CPF; que os dados informados  no cadastro do TSE não conferem com os do CPF; que o mesmo é nascido em 26/11/1964 e  que a certidão de nascimento foi registrada em 28/12/1989, pelo próprio Nei José Assis, sem a  apresentação de testemunhas; inscrição no CPF em 09/04/1991; não consta na base de dados da  CNIS  (Cadastro  Nacional  de  Informações  Sociais)  e  consta  Certificado  de  Dispensa  de  Incorporação  8ª  CSM  –  RA  nº  08087200139  3,  com  indicação  de  data  de  nascimento  em  26/11/1964 e dispensa do serviço militar em 05/02/1991.  O espólio de Elias  João Bayne  foi  cientificado  da  Informação Fiscal  acima  resumida  em  06/09/2010  (fls.  1413)  e,  em  07/10/2010,  apresentou  a  manifestação  de  fls.  Fl. 5DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU     6 1416/1419, assinada por Rudy Augusto Theodoro Timm (procurador) na qual reitera alegações  feitas  na  impugnação  e,  quanto  à  informação  fiscal,  diz  discordar  de  seu  conteúdo;  que  “os  fatos descritos na  informação  fiscal configuram cerceamento de defesa”. Reafirma que não é  sujeito passivo da obrigação tributária e lembra que o acórdão nº 104­20.828 foi anulado pelo  Conselho de Contribuintes.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade.  Dele conheço.  Fundamentação  Como se vê, a matéria tributária, em síntese, diz respeito a valores que teriam  sido  recebidos  pelo  Contribuinte,  na  qualidade  de  advogado  que  patrocinou  ações  judiciais,  como  honorários  advocatícios.  Em  razão  do  sucesso  dessas  ações,  o Autuado  teria  recebido  valores  referentes  a  precatórios  que  repassou  aos  beneficiários  das  ações,  deduzidos  os  honorários,  conforme  está  demonstrado  nas  planilhas  de  fls.  1026/1047  que  apontam,  detalhadamente, os valores recebidos referentes a cada precatórios, os beneficiários, os valores  repassados e os honorários calculados em cada caso.  O Contribuinte  defende­se  dizendo  que  repassou  os  valores  dos  honorários  aos sucessores de Alfredo Gonçalves Mariano Etchecoien que seria o advogado titular da ação  e que o contratou mediante remuneração fixa equivalente a 1500 salários mínimos.  O  Contribuinte  argúi  preliminar  de  nulidade  por  violação  de  princípios  constitucionais  como  o  do  contraditório  e  da  ampla  defesa.  O  exame  dos  fatos,  todavia,  mostram,  ao  contrário,  que  foram  observadas  todas  as  possibilidades  de  exercício  do  contraditório e da ampla defesa por parte do Autuado.  Registre­se  que  só  se  cogita  de  contraditório  e  ampla  defesa  após  a  formalização da  exigência, quando encerrada a  fase  inquisitorial do procedimento. Ciente da  autuação,  abre­se  prazos  para  o  Contribuinte  interpor  razões  de  defesa,  apresentar  provas,  enfim, contestar a exigência. Esse procedimento foi observado, inclusive com a interposição de  recurso em face da decisão de primeira instância.  Portanto, diferentemente do que afirmado,  foram observadas as normas que  regem  o  processo  administrativo  tributário,  oportunizando  ao  Contribuinte  a  possibilidade  exercer o contraditório e a ampla defesa.  O Recorrente menciona também outros princípios constitucionais que teriam  sido  violados  como  da  legalidade,  oficialidade,  formalismo,  do  não  confisco,  razoabilidade,  proporcionalidade.   Cumpre  reafirmar,  todavia,  que  não  vislumbro  nos  presentes  autos  onde  estaria  a  violação  desses  princípios  ou  direito  que  pudesse  contaminar  a  validade  do  lançamento.  A  autoridade  lançadora  formalizou  a  exigência  do  imposto,  entendendo,  pela  Fl. 6DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 11040.001440/2003­85  Acórdão n.º 2201­00.946  S2­C2T1  Fl. 4          7 apreciação  dos  fatos  que  apurou,  que  o  Contribuinte  recebeu  rendimentos  e  que  não  os  ofereceu à tributação. Aplicou a legislação que entendia cabível ao caso. Ao Contribuinte foi  dada  oportunidade  de  contraditar  as  conclusões  da  fiscalização  mediante  apresentação  de  impugnação  e  posteriormente  de  recurso.  Observaram­se,  portanto,  os  ditames  que  regem  o  lançamento tributário e o processo administrativo fiscal.  Quanto ao mérito do lançamento, a efetividade da dívida tributária, a correta  identificação  do  sujeito  passivo,  a  penalidade  aplicável,  a  correta  quantificação  do  imposto  devido,  entre  outros  aspectos  do  lançamento,  são  questões  a  serem  apreciadas  no  exame do  próprio  mérito  do  lançamento,  levando  à  conclusão  da  procedência,  total  ou  parcial,  ou  improcedência deste. Não são casos de nulidade.  Rejeito, pois, a preliminar de nulidade do lançamento.  Quanto  à alegação de  erro na  identificação do  sujeito passivo,  a questão  se  confunde com o próprio mérito do lançamento e será examinada como tal.  O Contribuinte se refere, ainda a erros  formais, pois  intimações  teriam sido  feitas quando já vencido o prazo do MPF. Ainda que se considerasse como verdadeiro o fato  alegado,  o  que  não  se  verifica,  já  que,  conforme  se  verifica  do  demonstrativo  de  emissão  e  prorrogação  de MPF  às  fls.  05,  os MPF  foram  prorrogados  sucessivamente,  sendo  a  última  prorrogação até 27 de  janeiro de 2004, e o auto de infração  foi  lavrado em 15/12/2003, com  ciência  em  23  de  dezembro  de  2003,  o  vício  apontado  pelo  Recorrente  decorre  de  uma  interpretação equivocada, data vênia, das normas que regem o procedimento de fiscalização e  que dão a essas normas uma extensão que elas não têm. Primeiramente, cumpre ressaltar que a  Portaria  SRF  nº  3.007,  de  2001  e  outras  normas  a  elas  correlatas,  visam  o  planejamento  e  controle administrativo da atividade fiscal não gerando efeitos além desses mesmos controles,  de  modo  que  eventuais  falhas  formais  na  execução  desses  procedimentos,  não  invalidam  o  lançamento dele decorrente. Mas, no caso concreto, sequer se configura o alegado vício.  O Mandado de Procedimento Fiscal foi instituído pela Portaria SRF nº 1.265,  de  22  de  novembro  de  1999  com  o  objetivo  de  disciplinar  os  procedimentos  fiscais  relativamente  aos  tributos  e  contribuições  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal.  Esta portaria  foi posteriormente  revogada pela Portaria SRF nº 3.007, de 26 de novembro de  2001, que disciplinou a mesma matéria, com algumas alterações:  O art. 2º da portaria nº 3.007, de 2001 assim dispõe:  Art.  2º  ­  Os  procedimentos  fiscais  relativos  aos  tributos  e  contribuições  administrados  pela  SRF  serão  executados,  em  nome desta, pelos Auditores Fiscais da Receita Federal – AFRF  e  instaurados mediante ordem específica denominada Mandado  de Procedimento Fiscal – MPF.  Parágrafo  único.  Para  o  procedimento  de  fiscalização  será  emitido Mandado de Procedimento Fiscal ­ Fiscalização (MPF­ F),  no  caso  de  diligência,  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  ­  Diligência (MPF­D).  Segue­se  a  este  dispositivo  uma  série  de  outros  que  tratam,  entre  outros  assuntos,  da  competência  para  emissão  do  MPF,  forma,  conteúdo,  prazos,  hipóteses  de  dispensa de sua emissão, etc.  Fl. 7DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU     8 Nos  artigos  7º,  12  e  13,  a  Portaria  trata  do  conteúdo  das  informações  constantes  do MPF,  dos  prazos  de  validades  e  as  condições de sua renovação, verbis:  Art. 7º O MPF­F, o MPF­D e o MPF­E conterão:  I  ­  a  numeração  de  identificação  e  controle,  composta  de  dezessete dígitos;  II ­ os dados identificadores do sujeito passivo;  III  ­  a  natureza  do  procedimento  fiscal  a  ser  executado  (fiscalização ou diligência);  IV ­ o prazo para a realização do procedimento fiscal;  V ­ o nome e a matrícula do AFRF responsável pela execução do  mandado;  VI  ­  o  nome,  o  número  do  telefone  e  o  endereço  funcional  do  chefe do AFRF a que se refere o inciso anterior;  VII  ­  o  nome,  a  matrícula  e  a  assinatura  da  autoridade  outorgante  e,  na  hipótese  de  delegação  de  competência,  a  indicação do respectivo ato;  VIII  ­  o  código  de  acesso  à  Internet  que  permitirá  ao  sujeito  passivo, objeto do procedimento fiscal, identificar o MPF.  Art. 12. Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade:  I ­ cento e vinte dias, nos casos de MPF­F e de MPF­E;  II ­ sessenta dias, no caso de MPF­D.  Art. 13. A prorrogação do prazo de que  trata o artigo anterior  poderá  ser  efetuada  pela  autoridade  outorgante,  tantas  vezes  quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de  trinta dias.  § 1º A prorrogação de que trata o caput far­se­á por intermédio  de  registro  eletrônico  efetuado  pela  respectiva  autoridade  outorgante,  cuja  informação  estará  disponível  na  Internet,  nos  termos do art. 7º, inciso VIII.  §  2º  Após  cada  prorrogação,  o  AFRF  responsável  pelo  procedimento  fiscal  fornecerá  ao  sujeito  passivo,  quando  do  primeiro  ato  de  ofício  praticado  junto  ao  mesmo,  o  Demonstrativo  de  Emissão  e  Prorrogação,  contendo  o  MPF  emitido  e  as  prorrogações  efetuadas,  reproduzido  a  partir  das  informações  apresentadas  na  Internet,  conforme  modelo  constante do Anexo VI.  Já os artigos 15 e 16 cuidam da extinção do MPF e seus efeitos, a saber:  Art. 15. O MPF se extingue:  I  ­ pela conclusão do procedimento  fiscal, registrado em termo  próprio;  II ­ pelo decurso dos prazos a que se referem os arts. 12 e 13;  Fl. 8DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 11040.001440/2003­85  Acórdão n.º 2201­00.946  S2­C2T1  Fl. 5          9 Art. 16. A hipótese de que trata o inciso II do artigo anterior não  implica  nulidade  dos  atos  praticados,  podendo  a  autoridade  responsável  pela  emissão  do  Mandado  extinto  determinar  a  emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal.  Parágrafo  único.  Na  emissão  do  novo  MPF  de  que  trata  este  artigo, não poderá ser indicado o mesmo AFRF responsável pela  execução do Mandado extinto.  O  prazo  de  que  trata  o  art.  13  foi  posteriormente  aumentado  para  sessenta  dias, pela Portaria SRF nº 1.432, de 23 de setembro de 2003.  Pois  bem,  como  resta  claro  do  exame  dos  dispositivos  acima  transcritos,  a  prorrogação do MPF não se dá com a entrega ao Fiscalizado do Demonstrativo de Emissão e  Prorrogação, mas com o registro feito na internet, pela autoridade competente, de cada uma das  prorrogações. Somente numa etapa posterior, quando do primeiro ato de ofício da autoridade  administrativa,  esta  deve  entregar  ao  Fiscalizado  um  extrato  desse  relatório,  extraído  da  internet, extrato esse a que o Contribuinte já tinha acesso, bastando utilizar­se do número que  lhe foi fornecido quando a ciência do MPF original.   Portanto, a prorrogação não se constitui com a entrega do referido extrato e,  assim, ainda que tal entrega não  tivesse ocorrido, não haveria vício no procedimento fiscal a  ensejar sua nulidade.   Assim, não há nenhum vício na obtenção de documentos e informações por  parte  da  Fiscalização.  A  um,  porque  os  Auditores  Fiscais  são  servidores  competentes  para  proceder  a  ação  fiscal  e  podem  intimar  o Contribuinte  a  apresentar  os  documentos  fiscais  e  contábeis necessários à verificação da regularidade na apuração e recolhimento dos impostos; a  dois, porque estavam devidamente autorizados a proceder à ação fiscal com base em Mandado  de Procedimento Fiscal – MPF.  Rejeito, pois, a preliminar.  O Recorrente argúi também preliminar de decadência. Embora sem explicitar  a tese, afirma que não ocorreu dolo, fraude ou simulação.  Pois bem, a ciência do lançamento ocorreu em 23/12/2003 (fls. 1062v) e se  refere a fatos geradores ocorridos no ano de 1998, 1999 e 2000. Portanto, entre as datas dos  fatos  geradores  e  a  ciência  do  lançamento,  transcorreu  menos  de  05  (cinco)  anos.  Na  sua  argumentação, o Contribuinte sustenta, todavia, que o lançamento (definitivo) deveria ocorrer  no  prazo  de  cinco  anos  do  início  do  procedimento,  entendendo  que  o  lançamento  definitivo  ocorreria com o julgamento do processo e a manutenção da exigência.  Esta  interpretação,  todavia,  não  tem  respaldo  nem  na  doutrina,  nem  na  jurisprudência. Com a devida vênia, a tese sustentada pelo Contribuinte carece de o mínimo de  consistência  teórica.  Segundo  o  art.  142  do  CTN,  o  crédito  tributário  é  constituído  pelo  lançamento,  definido  pelo  próprio  artigo  42  como  sendo  “o  procedimento  administrativo  tendente  a  verificar  a  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo  o  caso,  propor  a  aplicação  da  penalidade  cabível”.  Já  o  art.  145  prevê  que  o  lançamento  regularmente  notificado  somente  pode  ser  alterado  em  virtude  de  impugnação,  recurso  de  ofício  ou  por  iniciativa  da  própria  autoridade  administrativa.  Portanto,  não  há  margem  a  Fl. 9DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU     10 dúvidas de que é com a ciência do auto de infração que se constitui o crédito  tributário pelo  lançamento e que este o ato que deve ocorrer antes dos cinco anos a que se refere o art. 173 do  CTN.  No presente caso, considerando­se a data do termo de início de fiscalização,  como quer o  recorrente, ou a data do  fato gerador, como defendem muitos neste conselho, o  primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, como  penso, como sendo o termo inicial de contagem do prazo decadencial, em qualquer hipótese,  não se cogita de decadência.  Rejeito, portanto, a preliminar.  Quanto ao mérito, o cerne da questão diz respeito ao efetivo beneficiário dos  rendimentos. Os autos não deixam dúvidas quanto ao fato de foi o ora Recorrente que recebeu  os valores referentes aos precatórios e que os repassou aos beneficiários das ações. Por outro  lado, a alegação de que o advogado da ação era o tal Sr. José Gonçalves Mariano Etchecoien e  que  o Recorrente  foi  por  ele  contratado  não  se  confirma. A  diligência  revela  sérias  dúvidas  quanto  à  existência  efetiva  dessa  pessoa  ou  de  que  ela,  como  alegado,  contratou  o  ora  Recorrente. De qualquer  forma, o Recorrente, durante  toda a ação fiscal e mesmo durante as  discussões  no  contencioso  administrativo,  foi  repetidamente  instado  a  trazer  elementos  comprobatórios da veracidade dos fatos alegados e os poucos elementos que apresentou nesses  sentido revelaram­se inidôneos.  Além de não ter sido comprovada a efetividade da transferência dos recursos  para o tal José Gonçalves Mariano Etchecoien, o resultado da diligência, determinada para que  se  apurassem  os  fatos  alegados,  revelaram  fortes  indícios  de  falsidade  dos  documentos  apresentados,  conforme  relatado  acima,  relato  este  do  qual  foi  dado  oportunidade  ao  Recorrente de contraditar, nada tendo sido apresentado. O que se extrai do referido relatório é  que  a  tal  pessoa  a  quem  o  Recorrente  diz  ser  o  patrono  original  das  ações  e  a  quem  teria  transferido os honorários não existe de rato, ou, se existe, tem um perfil pouco compatível com  a de alguém que atua como advogado de uma ação tão importante, a se julgar pelo montante de  recursos envolvidos.   Note­se,  ademais,  que,  embora  o  Recorrente  apresente  contrato  pelo  qual  teria  sido  contratado  pelo  tal  José  Gonçalves  Mariano  Etchecoien,  não  traz  nenhum  outro  documento que vincule esta pessoa à ação  judicial ou mesmo o numero de  inscrição dela na  Ordem dos Advogados do Brasil  Assim, como o beneficiários dos honorários, segundo os elementos carreados  aos autos referentes às ações é o ora Recorrente e este não logrou comprovar a efetividade da  transferência  destes  para  o  tal  José  Gonçalves Mariano  Etchecoien,  não  há  como  acolher  a  alegação.  Rejeito,  portanto,  a  alegação  de  que  os  honorários  recebidos  foram  repassados a terceiros.  Finalmente,  sobre  a  alegação  de  bi­tributação,  afirma  o  Recorrente  que  a  fonte pagadora reteve o imposto na fonte, inclusive sobre os honorários. Tal alegação, todavia  não procede. O que a fonte retém é o valor referente ao imposto devido pelos beneficiários dos  rendimentos. E a fonte pagadora do advogado, no caso, são os reclamantes.  Conclusão  Fl. 10DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 11040.001440/2003­85  Acórdão n.º 2201­00.946  S2­C2T1  Fl. 6          11 Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de rejeitar as preliminares e,  no mérito, negar provimento ao recurso.    Assinatura digital  Pedro Paulo Pereira Barbosa                                    Fl. 11DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU

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Numero do processo: 11060.000950/2001-35
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1996 PROGRAMA DE INCENTIVO À APOSENTADORIA. Com o advento do Ato Declaratório n° 95, de 26 de novembro de 1999, o Programa de Incentivo à Aposentaria (PIA) equipara-se ao Programa de Demissão Voluntária PDV. As verbas indenizatórias decorrentes de adesões ao Programa de Incentivo à Aposentadoria (PIA) devem ter o mesmo tratamento jurídico/tributário dispensado ao PDV. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-001.512
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo lançada o valor de R$33.822,31, nos termos do voto da Relatora
Nome do relator: AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES RESENDE

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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 1996  PROGRAMA DE INCENTIVO À APOSENTADORIA.   Com o  advento  do Ato Declaratório  n°  95,  de  26  de novembro  de 1999,  o  Programa  de  Incentivo  à  Aposentaria  (PIA)  equipara­se  ao  Programa  de  Demissão Voluntária ­ PDV. As verbas indenizatórias decorrentes de adesões  ao  Programa  de  Incentivo  à  Aposentadoria  (PIA)  devem  ter  o  mesmo  tratamento jurídico/tributário dispensado ao PDV.  Recurso Voluntário Provido em Parte       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  dar  provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo lançada o valor de R$33.822,31,  nos termos do voto da Relatora.     Assinado digitalmente  Amarylles Reinaldi e Henriques Resende ­ Presidente em Exercício e Relatora.    Participaram  do  presente  julgamento  os Conselheiros Amarylles Reinaldi  e  Henriques Resende, Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis e Ewan Teles Aguiar.         Fl. 324DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Assinado digitalmente em 26/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES   2 Relatório  AUTUAÇÃO  Contra o  contribuinte  acima  identificado  foi  lavrado  o Auto  de  Infração  de  fls.  03  e  04,  referente  a  Imposto  de Renda  Pessoa  Física,  exercício  1996,  consubstanciando  saldo de imposto a restituir no valor de R$2.442,11.   A autuação foi assim resumida no relatório do acórdão de primeira instância  (fls. 76):  Contra  o  contribuinte  acima  qualificado  foi  lavrado  auto  de  infração  (fls.  03  a  09),  referente  a  imposto  sobre  a  renda  de  pessoa  física  do  ano­calendário  1995,  exigindo­lhe  o  crédito  tributário no valor de R$ 18.675,00, o que resultou na redução  do  imposto  a  restituir  para  R$  2.442,11  devido  à  omissão  de  rendimentos  recebidos  do  Programa  de  Incentivo  ao  Afastamento Voluntário instituído pelo BANRISUL.  IMPUGNAÇÃO  Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 42 a  58),  acatada  como  tempestiva. Alegou,  consoante  relatório  do  acórdão  de  primeira  instância  (fls. 76):  1. Recebeu uma notificação de lançamento, onde é incluido nos  valores tributáveis justamente os valores relativos ao imposto de  renda  incidente  sobre  as  verbas  indenizatórias  recebidas  em  razão da adesão ao PIAV do BANRISUL.  2. Impugnou a notificação, sendo que essa foi declarada nula, ou  seja,  sem  nenhum  efeito  no  mundo  do  direito,  devendo,  pois,  restituir­se  as  partes  ao  estado  em  que  antes  dela  se  encontravam (art. 158 do CC). Tem­se como plenamente válidos  e eficazes os dados apostos na declaração, gerando um imposto  a restituir de R$ 21.117,11.  3.  No  entanto,  foi  lavrado  auto  de  infração  visando  reduzir  o  saldo  do  imposto  a  restituir,  por  omissão  de  rendimentos  do  trabalho com vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica.  4.  No  Relatório  da  ação  fiscal  consta  que  o  contribuinte  por  aposentar­se  não  faz  jus  ao  que  entende  seja  uma  isenção  de  imposto. Não poderia ser mais absurdo esse entendimento.  5.  Consoante  depreende­se  da  leitura  dos  atos  normativos  citados  pela  própria  fiscalização,  somente  é  possível  concluir  que pelo Ato Declaratório n° 03, de 08/01/1999, expedido pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  os  valores  pagos  por  pessoa  jurídica  a  seus  empregados,  a  título  de  incentivo  à  adesão  a  Programas  de  Desligamento  Voluntário,  são  verbas  indenizatórias — na esteira do quanto  reiteradamente decidido  pelo  Poder  Judiciário  (Súmula  STJ  n°  215)  e  ratificado  pelo  Parecer  PGFN/CRJ  n°  1278/98  —  não  se  sujeitando  à  incidência  do  imposto  de  renda  na  fonte,  nem  integrando  os  Fl. 325DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Assinado digitalmente em 26/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Processo nº 11060.000950/2001­35  Acórdão n.º 2801­01.512  S2­TE01  Fl. 207          3 rendimentos  tributáveis  pelo  imposto  na  Declaração  de  Ajuste  Anual.  6.  Em  31/10/1995,  aderiu  ao  PIAV  do  BANRISUL,  vindo  desligar­se dos quadros daquela instituição em 20/12/1995.  7.  Na  oportunidade,  ao  aderir  ao  programa  de  demissão  do  Banco,  teve direito a receber um  incentivo a  este  título,  o qual  vinha  composto  das  parcelas  Incentivo  PIAV  e  Devolução  IR  PIAV,  restando,  pois,  acrescentado  ao  montante  bruto  por  si  percebido não  só o PIAV, mas  também o montante equivalente  ao  imposto  de  renda  a  incidir  sobre  dito  incentivo  à  demissão  consensual  comprovando  haver  suportado  o  ônus  fiscal  em  questão.  8.  A  fiscalização  entendeu  tratar  a  questão  não  de  incentivo  á  demissão  voluntária,  mas  sim  de  aposentadoria  incentivada,  procedimento  este  que,  à  luz  do  art.  111  do  CTN,  não  se  sujeitaria ao benefício da isenção do imposto de renda.  9.  É  de  se  atentar  que  não  se  trata  de  matéria  que  cuida  de  isenção, mas sim de clara não­incidência.  10.  Basta  examinar  o  teor  do  Ato  Declaratório  n°  03,  de  07/01/1999, que diz com todas as letras que os valores pagos por  pessoa jurídica a seus empregados, a título de incentivo à adesão  a  Programas  de  Desligamento  Voluntário  —  PDV...  não  se  sujeitam  à  incidência  do  imposto  de  renda  na  fonte  nem  na  Declaração de Ajuste Anual.  11.  Seja  por  demissão,  seja  por  aposentadoria,  certo  é  que  foi  desligado  da  instituição  única  e  exclusivamente  em  virtude  de  indenização prevista em Programa de Demissão Voluntária, fato  inegável  e  que  o  qualifica  a  requerer  a  restituição  do  imposto  que lhe foi indevidamente retido.  12.  A  Súmula  215  do  STJ  diz  que  a  indenização  recebida  pela  adesão  a programa de  incentivo  à demissão  voluntária  não  está  sujeita  à  incidência  do  imposto  de  renda.  Nessa  linha  tem­se  reiterada jurisprudência.  13. Não obstante, o Ato Declaratório n° 95, de 26/11/1999, firma  com todas as letras que as verbas indenizatórias recebidas pelo  empregado a título de incentivo à adesão a PDV não se sujeitam  à incidência do Imposto de Renda na Fonte, nem na Declaração  de  Ajuste  Anual,  independentemente  de  o  mesmo  já  estar  aposentado  pela  Previdência  Social,  ou  possuir  o  tempo  necessário  para  requerer  a  aposentadoria  pela  Previdência  Oficial ou Privada.  ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA  A 2ª Turma DRJ Santa Maria/RS, conforme Acórdão de fls. 75 a 81, julgou  procedente  o  lançamento.  Os  fundamentos  da  decisão  de  primeira  instância  estão  consubstanciados na seguinte ementa:  Fl. 326DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Assinado digitalmente em 26/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES   4 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física ­ IRPF   Ano­calendário: 1995   Ementa:  PROGRAMA  DE  DESLIGAMENTO  VOLUNTÁRIO­  PDV.  Mantém­se  a  tributação  das  verbas  rescisórias  auferidas  em  decorrência de aposentadoria por tempo de serviço, as quais não  se  enquadram  como  incentivo  à  adesão  a  Plano  de  Demissão  Voluntária — PDV.  Lançamento Procedente  RECURSO  AO  CONSELHO  ADMINISTRATIVO  DE  RECURSOS  FISCAIS (CARF)  Cientificado  da  decisão  de  primeira  instância  em  27/02/2003  (fls.  85),  o  contribuinte  apresentou,  em  17/03/2003,  o  Recurso  de  fls.  86  a  110,  argumentando,  em  apertada síntese, que participou de PDV e faz jus à restituição pleiteada.  O  recurso  foi  julgado  pela  Segunda  Câmara  do  Primeiro  Conselho  de  Contribuintes,  Acórdão  102­47.110,  fls.  113  a  116,  que  por  maioria  de  votos,  acolheu  a  preliminar de decadência e cancelou a exigência.  Cientificada, a Fazenda Nacional interpôs embargos de declaração (fls. 118 a  124) para discutir a interpretação do instituto da decadência.   Os embargos foram rejeitados porque não restou demonstrado que houvesse  obscuridade, dúvida ou  contradição entre a decisão  e os  seus  fundamentos,  ou que houvesse  sido omitido ponto sobre o qual devia pronunciar­se a Câmara (fls. 125 a 127).  Cientificada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial (fls. 129 a 133),  requerendo, em síntese, a aplicação do art. 173, inciso I, do CTN.   Foi dado seguimento ao Recurso Especial (despacho de fls. 134 e 135).  A 4ª Turma da CSRF, após  ter convertido o  julgamento em diligência para  aferir o motivo da nulidade do primeiro  lançamento (Resolução de fls. 177 a 182),  afastou a  decadência  e  determinou  o  retorno  dos  autos  à  Colenda  Segunda  Câmara,  para  exame  das  demais questões constantes do Recurso Voluntário. O Acórdão está assim ementado (fls. 190 a  193):  DECADÊNCIA — DECLARAÇÃO DE NULIDADE POR VÍCIO  FORMAL  —  TERMO  INICIAL  —  PRAZO  —  O  direito  de  a  Fazenda Nacional constituir o crédito tributário extingue­se no.  prazo de cinco anos, contados da data em que se torna definitiva  a  decisão  que  tenha  anulado,  por  vício  formal,  o  lançamento  anteriormente efetuado (art. 173, inciso II, do CTN).  Recurso Especial do Procurador Provido  Cientificado, o contribuinte protesta pela aceitação da declaração retificadora  referente  ao  IRPF  exercício  1996,  entregue  em  22/06/1999.  Reafirma  os  argumentos  anteriormente expendidos e, invocando o Estatuto do Idoso, solicita prioridade no julgamento.  Fl. 327DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Assinado digitalmente em 26/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Processo nº 11060.000950/2001­35  Acórdão n.º 2801­01.512  S2­TE01  Fl. 208          5 Consta  como  apenso  o  processo  de  nº  13047.000118/00­07,  juntado  em  decorrência  da  diligência  solicitada  pela  4ª  Turma  da  CSRF,  referente  à  impugnação  à  Notificação  de  Lançamento  IRPF,  exercício  1996,  de  fls.  14,  emitida  em  17/08/2000,  consubstanciando saldo de imposto a restituir no valor de R$2.442,10.  O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até as fls. 205, que  também trata do envio dos autos ao Primeiro Conselho de Contribuintes.  É o Relatório.      Voto             Conselheira Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Relatora.   O  recurso  é  tempestivo  e  atende  às  demais  condições  de  admissibilidade,  portanto merece ser conhecido.  No  caso,  o  interessado  participou,  em  1995,  de  Programa  de  Incentivo  à  Aposentadoria  Voluntária.  Entenderam  as  autoridades  lançadora  e  julgadoras  de  primeira  instância  que  as  verbas  recebidas  a  título  de  adesão  a  PIA  não  estão  isentas  do  imposto  de  renda.  Embora,  a  rigor,  a  adesão  a  PIA  não  esteja  contemplada  na  IN  nº  165,  de  1998, o fato é que este Conselho desde longa data vem entendendo que a partir da edição do  Ato Declaratório SRF n º 95, de 30 de novembro de 1999, mais abaixo transcrito, tal questão  restou resolvida, e que aplica­se a PIA o mesmo tratamento jurídico/tributário que ao PDV.  O  SECRETÁRIO  DA  RECEITA  FEDERAL,  no  uso  de  suas  atribuições  e,  tendo  em  vista  o  disposto  nas  Instruções  Normativas SRF nº 165, de 31 de dezembro de 1998, e nº 04, de  13 de janeiro de 1999, e no Ato Declaratório SRF nº 03, de 07 de  janeiro de 1999, declara que as verbas indenizatórias recebidas  pelo  empregado  a  título  de  incentivo  à  adesão  a Programa  de  Demissão Voluntária não se sujeitam à incidência do imposto de  renda  na  fonte  nem  na  Declaração  de  Ajuste  Anual,  independente de o mesmo já estar aposentado pela Previdência  Oficial,  ou  possuir  o  tempo  necessário  para  requerer  a  aposentadoria  pela  Previdência  Oficial  ou  Privada.(grifos  acrescidos)  Portanto,  devem  ser  excluídos  da  base  de  cálculo  lançada  os  valores  recebidos  a  título  de  Incentivo  PIAV  (R$29.902,95),  bem  como  de  férias  indenizadas  (R$3.919,36), destacadas no Termo de Rescisão Contratual (fls. 29).  Insta  frisar que outros prêmios recebidos por ocasião da rescisão contratual,  bem  como  verbas  referentes  a  ordenado,  anuênio,  gratificações,  devoluções  de  imposto  de  Fl. 328DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Assinado digitalmente em 26/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES   6 renda,  são  tributáveis,  não  sendo  possível  excluí­los  da  base  de  cálculo  lançada,  eis  que  efetivamente o contribuinte não os incluiu em sua declaração de ajuste anual.  Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para excluir da  base de cálculo lançada o valor de R$33.822,31.    Assinado digitalmente  Amarylles Reinaldi e Henriques Resende                                  Fl. 329DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Assinado digitalmente em 26/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES

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Numero do processo: 19515.003167/2005-73
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004 DECADÊNCIA. Descabe a alegação de decadência quando o lançamento se deu dentro do prazo decadencial, qualquer que seja a regra aplicável que se invoque. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA. INTIMAÇÃO. AUSÊNCIA. NULIDADE. Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Preliminar rejeitada. Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2801-001.502
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Ewan Teles Aguiar.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN

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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004  DECADÊNCIA.  Descabe  a  alegação  de  decadência  quando  o  lançamento  se  deu  dentro  do  prazo decadencial, qualquer que seja a regra aplicável que se invoque.  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  CONTA  CONJUNTA. INTIMAÇÃO. AUSÊNCIA. NULIDADE.  Todos os co­titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar  a  origem  dos  depósitos  nela  efetuados,  na  fase  que  precede  à  lavratura  do  auto  de  infração  com  base  na  presunção  legal  de  omissão  de  receitas  ou  rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento.  Preliminar rejeitada.  Recurso voluntário provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  dar  provimento  ao  recurso,  nos  termos  do  voto  da  Relatora.  Ausente,  momentaneamente,  o  Conselheiro Ewan Teles Aguiar.   Assinado digitalmente  Amarylles Reinaldi e Henriques Resende ­ Presidente     Assinado digitalmente  Tânia Mara Paschoalin ­ Relatora  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Amarylles Reinaldi e  Henriques Resende, Tania Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, Jose Evande Carvalho  Araujo e Ewan Teles Aguiar.     Fl. 1DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/04/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 25/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, 24/04/2011 por TANIA MARA PA SCHOALIN     2 Relatório  Trata o presente processo de auto de infração que diz respeito a Imposto de  Renda Pessoa Física (IRPF), por meio do qual se exige do sujeito passivo acima identificado o  montante de R$ 90.950,23,  referente  aos  exercícios de 2001, 2002, 2003 e 2004,  a  título de  imposto (R$ 29.830,00), acrescido da multa de ofício qualificada equivalente a 150% do valor  do tributo apurado (R$ 44.744,99), além de juros de mora (R$ 16.375,00).   O  lançamento  é  decorrente  da  apuração  de  omissão  de  rendimentos  caracterizada  por  valores  creditados  em  contas  de  depósitos,  mantidas  em  instituição  financeira, em relação às quais o titular (contribuinte), regularmente intimado, não comprovou  mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações.  Em sua impugnação, o contribuinte alegou, em síntese, que:  •  Não  há movimentação  financeira  de  origem  não  declarada,  e  que  a  análise  dos  depósitos  em  contas  correntes  bancárias  não  pode  ser  condição única para análise da regularidade fiscal, sem levar em conta  outras  informações  relevantes  que  fazem  parte  da  vida  do  contribuinte;  •  Utiliza suas contas correntes bancárias para pagamentos de contas de  terceiros  em  diversas  ocasiões,  por motivos  distintos  (por  exemplo,  foi  e  é  dirigente  de  diversas  entidades,  clubes  de  serviço,  condomínios, associações, sindicatos, congressos internacionais, etc.);  •  A própria empresa da qual é responsável pode, alguma vez, estar em  defasagem  monetária  para  com  o  cumprimento  de  obrigações  inadiáveis,  daí  decorrendo  o  desembolso  de  diversos  gastos  em  sua  conta  corrente,  o  que  não  quer  dizer  que  se  trata  de  dinheiro  já  declarado ou tributado;  •  Suas  declarações  de  rendimentos  informam  o  seu  "estado  de  sobrevivência"  durante  estes  anos,  durante  os  quais  utilizou­se  dos  seguintes  recursos:  empréstimos  de  pessoas  físicas,  doação  de  numerário por parte de seu pai, proveniente de locação de imóvel de  propriedade deste, venda de dois  imóveis de  sua propriedade, venda  de veículos, e venda de bens móveis de pequeno valor;  •  Os depósitos de pequeno valor têm a origem devidamente justificada,  sem  o menor  "dolo"  à Receita  Federal  e  sem  o menor  beneficio  ao  contribuinte, sendo desprezível a sua análise;  •  A  forma  utilizada  pela  Fiscalização  para  tentar  ver  a  origem  dos  depósitos, de forma individualizada, item por item, é "discordante" da  realidade  de  quem  movimenta  a  conta  (como  é  o  caso  dele,  impugnante, que utiliza as contas bancárias para facilitar as atividades  diretivas todas que desempenha); as explicações dos depósitos, um a  um,  são muito  trabalhosas,  tomam muito  tempo,  e  ele,  impugnante,  tem que continuar as atividades do dia­a­dia;  Fl. 2DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/04/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 25/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, 24/04/2011 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19515.003167/2005­73  Acórdão n.º 2801­01.502  S2­TE01  Fl. 674          3 •  Não cabe a aplicação da multa qualificada, pois não houve qualquer  desrespeito  à  legislação  brasileira  no  que  tange  à  sonegação  ou  qualquer outra irregularidade;  •  Entregou  aos  Auditores  Fiscais  as  justificativas  correspondentes,  especificando  os  cheques,  DOC  e  TED  que  deram  origem  aos  depósitos  listados  no  "Anexo  3"  (à  fl.  345);  naquela  oportunidade,  forneceu  cópias  de  três  cheques  que  foram  aceitos  como  prova  de  origem pela Fiscalização;  •  Apresenta,  então,  em  anexo  à  impugnação  os  demais  documentos  bancários concernentes ao referido "Anexo 3", conforme já informado  aos Auditores Autuantes.  A  7ª  Turma  da  DRJ/São  Paulo  II/SP,  conforme  Acórdão  de  fls.  565/578,  julgou  procedente  em  parte  o  lançamento  para  acatar  como  créditos/depósitos  com  origem  comprovada  os  valores  de  R$  3.373,74,  R$  5.778,64,  R$  9.800O,  R$  8.383,50,  referentes,  respectivamente, aos anos­calendários de 2000, 2001, 2002 e 2003, mas manteve a multa de  ofício qualificada.  Regularmente  cientificado  daquele  Acórdão  em  13/10/2008  (fl.  584),  o  interessado,  representado  por  seus  advogados  (fl.  621),  interpôs  recurso  voluntário  de  fls.  587/617, em 11/11/2008, cujas razões serão a seguir sintetizadas.  Preliminarmente, requer seja reconhecida a decadência em relação aos fatos  ocorridos antes de dezembro de 2000, já que o Auto de Infração foi lavrado em 14/12/2005, e  considerando  que  os  créditos  tributários  exigidos  nos  presentes  autos  são  apurados  mensalmente,  nos  termos  do  §  4°,  do  artigo  42,  da  Lei  n°  9.430/96,  que  prevê  que  os  respectivos fatos geradores serão considerados mês a mês.  No mérito, defende que somente poderão ser considerados como omissão de  rendimentos  os  valores,  sem  origem  comprovada,  inferiores  ou  iguais  a  R$  12.000,00  que  somados no ano­base superem a quantia de R$ 80.000,00, bem como aqueles que superem o  valor  individual de R$ 12.000,00. Nesse sentido, afirma que, no presente caso, somente seria  passível  de  tributação  um  único  depósito  que  supera  o  montante  de  R$  12.000,00,  que  foi  efetuado  em  agosto  de  2002,  na  conta  n°  14.729­1,  mantida  perante  o  Banco  Banespa,  no  montante de R$ 25.000,00 (vinte e cinco mil reais). Aduz, contudo, que tal depósito não poderá  ser considerado como omissão de rendimentos, pois possui origem absolutamente comprovada,  eis  que  representa  crédito  efetuado  pelo  Sr.  Leonetto  Pugliesi  Tosselli,  por  meio  de  conta  mantida  perante  o  Banco BCN S/A,  conforme  atesta  a  declaração  anexa  (Doc.  03),  emitida  pelo Banco Banespa em 17/03/2006. Ainda  ressalta que os R$ 25.000,00 creditados pelo Sr.  Leonetto  Pugliesi  Tosselli  em  agosto  de  2002,  na  conta mantida  perante  o  Banco  Banespa,  representa empréstimo tomado por ele Recorrente, devidamente declarado na DIRPF exercício  2003, ano­base 2002. Ademais, aduz que a co­titular das contas bancárias (Sra. Valéria) não foi  intimada a prestar qualquer esclarecimento sobre os créditos havidos nas mencionadas contas,  o  que,  por  si  só,  já  é  suficiente  para  a  anulação  do  auto  de  infração.  Também  alega  que  a  fiscalização  não  logrou  êxito  em  configurar  a  hipótese  de  aplicação  da multa  qualificada  de  150%,  tampouco a D. Turma Julgadora o  fez na  fundamentação da decisão. Por  fim, diz  ser  ilegal/inconstitucional a cobrança de juros com base na taxa Selic.   Fl. 3DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/04/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 25/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, 24/04/2011 por TANIA MARA PA SCHOALIN     4 É o relatório.  Voto             Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  às  demais  condições  de  admissibilidade,  portanto merece ser conhecido.  Preliminarmente,  o  recorrente  requer  seja  reconhecida  a  decadência  em  relação aos fatos ocorridos antes de dezembro de 2000, considerando que os créditos tributários  exigidos nos presentes autos são apurados mensalmente, nos termos do § 4°, do artigo 42, da  Lei n° 9.430/96.  Quanto à suscitada decadência, destaque­se que a ciência do  lançamento se  deu  em 15/12/2005  (fl.  404)  e  os  aludidos  depósitos  considerados  no  lançamento  ocorreram  durante os meses de janeiro a novembro de 2000. Assim, qualquer que seja a regra aplicável  que  se  invoque  (art.  150,  §4o,  do  CTN,  ou  art.  173,  I,  do  CTN),  descabe  a  alegação  de  decadência para o presente caso.  Aliás,  o  entendimento  deste  Conselho  acerca  da  contagem  de  prazo  decandencial em se tratando de omissão de rendimentos caracterizada por depósito bancário de  origem não comprovada já se encontra pacificada na Súmula CARF nº 38, a saber:  O  fato  gerador  do  Imposto  sobre  a  Renda  da  Pessoa  Física,  relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada,  ocorre  no  dia  31  de  dezembro do ano­calendário.  No mérito, a discussão cinge­se à aplicação do artigo 42 da Lei nº 9.430, de  1996, que prevê a possibilidade de se efetuar lançamentos tributários por presunção de omissão  de rendimentos, tendo por base os depósitos bancários de origem não comprovada.   Antes, porém, de analisar o mérito da matéria versada nestes autos, é preciso  analisar uma questão preliminar. Trata­se do fato de que a documentação constante dos autos  demonstra que  as  duas  contas  que  deram  ensejo  ao  lançamento  (conta­corrente  n°  25.835­0,  Agência  0423­5, mantida  no  Banco Bradesco  S/A,  e  conta­corrente  14.729­1, Agência  319,  mantida no antigo Banco Banespa S/A (atual Santander) não eram de titularidade somente do  Recorrente   Os  documentos  acostados  ao  auto  pelo  recorrente  (fls.  643/652)  e  alguns  extratos  anexados  durante  o  procedimento  fiscal  (fls.  218/222)  demonstram  que  as  referidas  contas eram do tipo conjunta com Valeria Helena Pimenta Arroyo – esposa do contribuinte.  No entanto, não  consta de nenhum dos Termos de  Intimação acostados  aos  autos  a  intimação  do  outro  titular  para  que  comprovasse  a  origem  dos  depósitos  efetuados  naquela conta, sendo certo que o recorrente foi o único intimado a fazê­lo.   Desta  forma,  fica  claro  que  a  autoridade  fiscal  deixou  de  respeitar  o  que  determina o art. 42 da Lei nº 9.430, verbis:  Art.42.Caracterizam­se  também  omissão  de  receita  ou  de  rendimento  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  Fl. 4DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/04/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 25/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, 24/04/2011 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 19515.003167/2005­73  Acórdão n.º 2801­01.502  S2­TE01  Fl. 675          5 investimento mantida  junto a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado,  não  comprove,  mediante  documentação  hábil  e  idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.  (...)  Isto porque, sendo conjunta a referida conta­corrente, deveria os co­titulares  da  mesma  ter  a  oportunidade  de  apresentar  documentos  que  comprovassem  a  origem  dos  valores lá depositados, previamente à efetivação do lançamento ­ o que não ocorreu na hipótese  em exame, sob pena de não estar configurada a presunção legal de omissão.   Neste sentido é o entendimento deste Conselho de Contribuintes a respeito da  matéria, como se vê dos seguintes julgados:  DEPÓSITO  BANCÁRIO  DE  ORIGEM  NÃO  CONHECIDA.  CONTA  CONJUNTA.  ARTIGO  42,  §  6º  DA  LEI  9.430,  DE  1.996.  Ausência  de  intimação  do  co­titular  da  mesma  conta  corrente  bancária.  Lançamento  realizado  sem  a  devida  intimação  do(s)  co(s)­titular(es)  da  conta  corrente  bancária  contém  erro material.  A  construção  do  lançamento  é  incorreta  porque não identifica a quem pertenciam efetivamente os valores  creditados. Ausência de segurança quanto à base de cálculo e o  valor do  tributo cobrado. Hipótese de nulidade do  lançamento.  Embargos de Declaração acolhidos.  (Ac. nº 102­48.844, Rel. Cons. Silvana Mancini Karam)  DEPÓSITOS BANCÁRIOS ­ LEI Nº. 9.430, DE 1996, ART. 42 ­  CONTA  CONJUNTA  ­  INTIMAÇÃO  ­  A  prévia  intimação  aos  titulares  de  contas  conjuntas,  uma  vez  que  apresentem  declaração  anual  de  ajuste  em  separado,  constitui  inafastável  exigência de lei, por influenciar diretamente a base material da  presunção  legal.  A  intimação  a  apenas  um  titular,  ainda  que  todos  sob  procedimento  fiscal,  fragiliza  o  lançamento  por  ancorá­lo  em  presunção  de  não  justificativa,  por  todos,  da  origem dos  créditos bancários,  sendo que a própria  renda  já  é  presumida.  (...)  (Ac. nº 104­21.906, Rel. Cons. Remis Almeida Estol)  Por  este  motivo,  foi  editada  a  Sumula  nº  29  deste  CARF,  segundo  a  qual  “Todos  os  co­titulares  da  conta  bancária  devem  ser  intimados  para  comprovar  a  origem dos  depósitos  nela  efetuados,  na  fase  que  precede  à  lavratura  do  auto  de  infração  com  base  na  presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento.”.  Em  obediência  ao  art.  72  do  Regimento  Interno  deste  CARF,  tal  enunciado  é  de  aplicação  obrigatória.  Exatamente  esta  é  a  hipótese  dos  autos,  eis  que  ficou  comprovado  que  o  Recorrente não era o único titular da conta­corrente n° 25.835­0, Agência 0423­5, mantida no  Banco Bradesco S/A, e da conta­corrente nº 14.729­1, Agência 319, mantida no antigo Banco  Banespa S/A ­atual Santander, cujos valores integrais dos depósitos lhe foram imputados pelo  Fl. 5DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/04/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 25/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, 24/04/2011 por TANIA MARA PA SCHOALIN     6 fisco, o que torna, de fato, nulo o correspondente lançamento, por não ter obedecido à norma  legal que estabelece a presunção em comento.  Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, dar  provimento ao recurso para cancelar o crédito tributário.  Assinado digitalmente  Tânia Mara Paschoalin                                Fl. 6DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/04/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 25/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, 24/04/2011 por TANIA MARA PA SCHOALIN

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Numero do processo: 16349.000407/2009-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 MATÉRIA CONSTITUCIONAL. APRECIAÇÃO IMPOSSIBILIDADE. Descabe ao Carf manifestarse, originalmente, em relação à matéria constitucional, como pressuposto a afastar a aplicação da lei. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA E TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. PRODUTOS. A tributação monofásica é específica e distinta da incidência não cumulativa, que é geral, não havendo que se falar em créditos para a segunda decorrentes de entradas sujeitas à primeira. ALÍQUOTA ZERO E OUTRAS HIPÓTESES DESONERATIVAS. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. LEI No 11.033, DE 2004. A manutenção de créditos, que não se confunde com exclusões da base de cálculo, prevista na Lei no 11.033, de 2004, referese às hipóteses desonerativas criadas pela própria Lei e não alteram o regime de tributação monofásico previsto em legislação anterior. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-000.946
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto apresentaram declaração de voto. Fez sustentação oral em abril de 2011, pela recorrente, o Dr. Rodrigo da Rocha Costa, OAB/SP no 203.988. Esteve presente ao julgamento em maio de 2011 o Dr. Rodrigo da Rocha Costa, OAB/SP no 203988.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO

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AUTOSTAR COMERCIAL E IMPORTADORA LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006  MATÉRIA CONSTITUCIONAL. APRECIAÇÃO IMPOSSIBILIDADE.  Descabe  ao  Carf  manifestar­se,  originalmente,  em  relação  à  matéria  constitucional, como pressuposto a afastar a aplicação da lei.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006  INCIDÊNCIA  NÃO  CUMULATIVA  E  TRIBUTAÇÃO  MONOFÁSICA.  PRODUTOS.  A tributação monofásica é específica e distinta da incidência não cumulativa,  que é geral, não havendo que se falar em créditos para a segunda decorrentes  de entradas sujeitas à primeira.  ALÍQUOTA  ZERO  E  OUTRAS  HIPÓTESES  DESONERATIVAS.  MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. LEI No 11.033, DE 2004.  A manutenção  de  créditos,  que  não  se  confunde  com exclusões  da  base  de  cálculo,  prevista  na  Lei  no  11.033,  de  2004,  refere­se  às  hipóteses  desonerativas criadas pela própria Lei e não alteram o  regime de  tributação  monofásico previsto em legislação anterior.  Recurso Voluntário Negado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  pelo  voto  de  qualidade,  em  negar  provimento  ao  recurso  voluntário,  nos  termos  do  voto  do  relator.  Vencidos  os  conselheiros  Fabiola  Cassiano  Keramidas,  Alexandre  Gomes  e  Gileno  Gurjão  Barreto.  Os  conselheiros     Fl. 123DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO     2 Fabiola  Cassiano Keramidas  e Gileno Gurjão Barreto  apresentaram  declaração  de  voto.  Fez  sustentação oral em abril de 2011, pela recorrente, o Dr. Rodrigo da Rocha Costa, OAB/SP no  203.988.  Esteve  presente  ao  julgamento  em  maio  de  2011  o  Dr.  Rodrigo  da  Rocha  Costa,  OAB/SP no 203988.    (Assinado digitalmente)  Walber José da Silva ­ Presidente    (Assinado digitalmente)  José Antonio Francisco ­ Relator    Participaram do presente  julgamento os Conselheiros Walber  José da Silva,  José Antonio Francisco, Alan Fialho Gandra, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e  Gileno Gurjão Barreto.  Relatório  Trata­se de recurso voluntário (fls. 57 a 77) apresentado em 26 de março de  20100 contra o Acórdão no 16­24.065, de 26 de janeiro de   2010, da 6ª Turma da DRJ / SP1  (fls.  45  a  55),  cientificado  em  02  de  março  de  2010,  que,  relativamente  a  Declaração  de  Compensação sobre créditos de Cofins do segundo trimestre de 2006, considerou improcedente  a  manifestação  de  inconformidade  da  Interessada,  nos  termos  de  sua  ementa,  a  seguir  reproduzida:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006  CONCESSIONÁRIA  DE  VEÍCULOS.  PEDIDO  ELETRÔNICO  DE  RESSARCIMENTO.  INCIDÊNCIA  NÃO  CUMULATIVA.  AQUISIÇÃO  DE  PRODUTOS  MONOFÁSICOS  PARA  REVENDA.  INEXISTÊNCIA  DE  DIREITO  A  CRÉDITO.  A  aquisição  de  produtos  monofásicos  para  revenda  constitui  exceção  à  regra  geral  da  não  cumulatividade,  não  gerando  créditos  por  força  da  vedação  contida  no  art.  3  ,  I,  da  lei  nº  10.833/2003. Em razão disso, não se aplica a esses produtos —  notadamente  aos  veículos  automotores  e  autopeças  comercializados  pela  recorrente  —  o  art.  17  da  lei  nº  11.033/2004.  DESPACHO  DECISÓRIO.  PRELIMINAR  DE  NULIDADE.  DESCABIMENTO. Somente se reputa nulo o despacho decisório  nas hipóteses previstas no art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72.  ALEGAÇÕES  DE  INCONSTITUCIONALIDADE.  COMPETÊNCIA  DA  AUTORIDADE  ADMINISTRATIVA.  Não  Fl. 124DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16349.000407/2009­82  Acórdão n.º 3302­00.946  S3­C3T2  Fl. 0          3 compete  ao  julgador  da  esfera  administrativa  a  análise  de  questões que versem sobre a constitucionalidade de norma legal  regularmente editada.  ANTINOMIA  JURÍDICA.  PREVALÊNCIA  DO  PRINCÍPIO DA  ESPECIALIDADE  SOBRE  O  CRITÉRIO  CRONOLÓGICO.  Segundo a regra de interpretação contida no brocardo latino lex  posterior generalis non derogat  legi priori  speciali, o princípio  da especialidade sempre prevalece sobre o critério cronológico.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  A Primeira Instância assim resumiu o litígio:  4.  O  processo  em  exame  versa  sobre  pedido  eletrônico  de  ressarcimento formulado nas fls. 1/2, relativo a supostos créditos  de Cofins apurados no 2o trimestre de 2006.  5. Em despacho decisório de 25/05/2009 (fls. 6/8), a Divisão de  Orientação  e  Análise  Tributária  (DIORT)  da  DERAT/SPO  indeferiu  o  pleito,  o  que  levou  a  recorrente  a  apresentar  a  manifestação  de  inconformidade  anexa  às  fls.  13/33,  cujo  teor  resumo a seguir.  5.1)  Observa  inicialmente  que,  com  o  advento  da  lei  nº  10.485/2002,  a  receita  proveniente  da  venda  de  veículos  automotores passou a sujeitar­se à incidência monofásica do Pis  e  da  Cofins,  recaindo  sobre  o  montador  ou  importador  a  responsabilidade pelo recolhimento dessas contribuições.  5.2)  Afirma  que  a  lei  nº  10.865/2004,  ao  alterar  a  lei  nº  10.485/2002 — com reflexos nas  leis  nº 10.637/2002  (Pis)  e nº  10.833/2003 (Cofins) — se por um lado reduziu a zero a alíquota  de  ambas  as  contribuições  relativamente  às  receitas  auferidas  pelas  concessionárias  com  a  comercialização  dos  produtos  sujeitos  ao  regime  monofásico,  por  outro  lado  vetou  o  aproveitamento dos créditos correspondentes a essas operações.  5.3) Depreende daí que as alterações  introduzidas pelas  leis nº  10.485/2002  e  nº  10.865/2004,  a  par  de  criar  “exação  muito  superior ao usual” e vetar a não cumulatividade (regime a que  faz  jus),  criaram  “carga  tributária  além  da  capacidade  contributiva  do  recorrente,  em  verdadeiro  confisco  tributário,  exigência portanto inconstitucional”(fl. 16).  5.4) Ressalta que, procurando corrigir a distorção, o art. 17 da  lei  nº  11.033/2004,  oriunda  da  MP  nº  206/2004,  autorizou  de  forma  expressa  o  aproveitamento  dos  créditos  vinculados  a  operações comerciais de venda realizadas com alíquota zero.  5.5)  Alega  que  a  Fazenda  Pública,  ao  indeferir  o  pedido  de  ressarcimento,  negou  vigência  ao  referido  dispositivo  legal,  “que  alterou  a  Legislação  atinente  a  espécie,  negando  coercitivamente  o  DIREITO  do  recorrente  de  utilizar  seus  créditos  vinculados a  suas  vendas  com alíquota  ‘ZERO’,  razão  Fl. 125DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO     4 do  inconformismo  que  traz  o  recorrente  a  esta  Delegacia  de  Julgamento” (fl. 17).  5.6)  Passando  a  discorrer  sobre  o  princípio  da  não  cumulatividade,  reafirma  que  o  entendimento  da  DIORT  a  impede de exercer “DIREITO LÍQUIDO E CERTO de creditar­ se dos valores recolhidos nas fases anteriores, sob pena de ver­ se autuado e cobrado judicialmente” (fl. 20).  5.7)  Invocando  o  art.  195  da  Constituição  Federal  e  alegando  que  o  sistema  monofásico  de  tributação  teria  instituído  novo  imposto  sem  amparo  legal,  assevera  que  a  lei  nº  10.865/2004,  embora determine que a recorrente promova os fatos geradores  relativos  ao  Pis  e  à  Cofins,  não  lhe  permite  aproveitar  os  créditos  advindos  dos  produtos  a  serem vendidos  com alíquota  zero.  Acrescenta  que  tal  vedação  —  sobre  ser  ilegal  e  inconstitucional — constitui  grave ofensa aos ditames da  lei  nº  11.033/2004.  5.8)  Afirmando  que  a  exclusão  das  operações  de  venda  com  alíquota  zero  do  regime  não  cumulativo  implica  tributação  excessiva ou confisco e que o art. 17 da lei nº 11.033/2004 teria  por  objetivo  precisamente  afastar  a  ilegalidade  e  a  inconstitucionalidade  ínsitas  a  essa  sistemática,  declara  que  o  indeferimento do pedido de ressarcimento representa “flagrante  afronta ao princípio da capacidade contributiva, da isonomia, da  estrita  legalidade  e  o  desrespeito  a  vinculação  dos  atos  públicos” (fl. 29).  5.9)  Assinala  ainda  que,  em  face  da  recusa  do  recorrido  em  atender  à  determinação  legal,  não  lhe  restou  alternativa  senão  recorrer  ao  Poder  Judiciário  para  que  este  determine  que  a  Delegacia  de  Arrecadação  de  São  Paulo  respeite  a  lei,  vale  dizer, o art. 17 da lei nº 11.033/2004, reconhecendo­lhe o direito  líquido e certo ao crédito vinculado.  5.10)  Discorrendo  ligeiramente  acerca  dos  princípios  da  capacidade contributiva, da isonomia e da legalidade, afirma ser  “ilegal  e  nula  a  exigência”  (fl.  31),  uma  vez  que  a  autoridade  administrativa  age  em  desacordo  com  a  lei,  que  permite  à  recorrente  aproveitar  integralmente  seu  crédito  vinculado,  inclusive os créditos vinculados a vendas com alíquota zero.  5.11)  Acrescenta  que,  ao  afirmar  que  o  pedido  da  requerente,  fundado  no  art.  17  da  lei  nº  11.033/2004,  não  se  aplica,  excepcionalmente,  à  revenda  de  veículos  e  peças,  o  chefe  da  DIORT pretende “fazer legislação anterior modificar a posterior  em absoluto descompasso com a Lei natural”(fl. 32).  5.12)  Rematando  o  arrazoado,  requer  que  este  órgão  julgador  lhe  assegure  o  direito  de  apurar  os  débitos  de  Pis  e  Cofins  vincendos  mercê  do  aproveitamento  dos  créditos  vinculados  à  compra  de  veículos  “zero”,  peças  e  acessórios,  nos moldes  do  art.  17  da  lei  nº  11.033/2004,  bem  como  a  autorize,  para  determinar tais créditos, a aplicar as alíquotas de 1,65% para o  Pis e 7,60% para a Cofins, segundo prevêem respectivamente as  leis  nº  10.637/2002  e  nº  10.833/2003.  Requer,  em  suma,  a  reforma  do  despacho  decisório  impugnado,  bem  como  o  Fl. 126DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16349.000407/2009­82  Acórdão n.º 3302­00.946  S3­C3T2  Fl. 0          5 ressarcimento “dos valores relativos ao crédito vinculado de PIS  e COFINS nos termos do art. 17 da Lei 11.033” (fl. 33).  No  recurso,  a  Interessada  alegou  que  “vedação  ao  aproveitamento  do  crédito  vinculado  ao  faturamento  relativo  aos  bens  vendidos  com  alíquota  zero  fere  a  o  art.  17  da  Lei  11.033/2004 além do principio da igualdade tributária.”  Após  esclarecer  que,  “Anteriormente  já  havia  previsão  legal,  Lei  10.485/2002,  que  determinava  que  a  exigências,  relativas  ao  PIS  e  a  Cofins,  fossem  recolhidas  por  expressa  responsabilidade  do  montador  ou  importador,  ao  que  se  denominou  recolhimento  por  substituição  tributária,  monofásico,  no  entendimento  do  Fisco”,  acrescentou  que,  “Com  a  transformação  das  exações, razão do inconformismo, em tributos não cumulativos, a Lei 10.865/04, inovou, determinando  que o recorrente (concessionário de veículos) promovesse o fato gerador das contribuições, contudo,  determinou que o PIS e a Cofins fossem tributados a alíquota ‘0’, uma vez recolhidos, em porcentagem  superior a usual, pelo importador ou montador.”  De acordo com a Interessada, “[...] hodiernamente, de forma geral, a exigência  quanto  ao  recolhimento  das  exações  ao  PIS  e  a  COFINS  é  calculada  pelo  resultado  dos  custos  e  despesas subtraídos da receita a que deu origem [...]”.  Na sequência, aborda a questão principal do litígio, esclarecendo o seguinte:  Ocorre que a mesma Lei 10.865/04, alterou a Lei 10.485/02 com  reflexo nas Leis 10.637/02 e 10.833/03, determinando a alíquota  zero para a venda de carros zero e vetando o aproveitamento do  crédito  vinculado,  o  que  leva  ao  recorrente  sofrer  tratamento  desigual.  Tal tratamento desigual ocorreria, no entendimento da Recorrente, pelo fato  de não poder utilizar o crédito em relação ao que dispôs as Leis nos 10.865, de 2004, e 10.485,  de 2002, que “vetou a não cumulatividade, ainda que determinando o calculo da alíquota do PIS e da  COFINS  em  ‘zero’  criando  carga  tributária  além  da  capacidade  contributiva  do  recorrente,  em  verdadeiro confisco tributário, exigência portanto inconstitucional.”  Entretanto, segundo a Interessada, somente a partir de agosto de 2004, com a  Medida Provisória no 206, foi autorizado o aproveitamento dos créditos vinculados a operações  de alíquota zero.  A  seguir,  analisou  o  princípio  da  não  cumulatividade,  citando  doutrina  e  jurisprudência,  que  lhe  daria  o  direito  de  “de  somar  todas  os  custos  e  despesas,  quaisquer  que  seja[m],  desde  que  vinculados  ao  seu  faturamento,  e  diminuir  de  seu  faturamento  ou  receita,  o  resultado apurado é a base de cálculo dessas exações incluindo nos valores agregados como despesas  vinculadas ao faturamento, aquelas relativas às vendas com alíquota ‘zero’, assim determina a Lei [no  11.033, de 2004]”.  Defendeu  a  tese  de  que  a  tributação  monofásica  seria  uma  substituição  tributária disfarçada e que, continuando a ser tributada sobre o faturamento por determinação  constitucional  “e  ainda  em  parte  pelo  valor  de  venda  do  veículo  ao  concessionário”,  haveria  a  “inegável instituição de novo imposto, sem amparo legal.”  Analisou,  então,  a  legislação  e  reafirmou  que  o  entendimento  da  primeira  instância afrontaria vários princípios constitucionais.  Fl. 127DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO     6 É o relatório.  Voto             Conselheiro José Antonio Francisco, Relator  O  recurso  é  tempestivo  e  satisfaz  os  demais  requisitos  de  admissibilidade,  dele devendo­se tomar conhecimento.  A Interessada não repetiu no recurso as alegações sobre nulidade do despacho  decisório, cabendo, portanto, apenas a análise do mérito da matéria.  Pretende excluir da base de cálculo da contribuição não cumulativa os custos  decorrentes  de  aquisição  de  produtos  sujeitos  à  alíquota  zero  em  face  de  sujeitarem­se  ao  regime monofásico.  Primeiramente,  há  que  se  esclarecer  que  a  não  cumulatividade  não  é  uma  regra geral constitucional. A simples consulta ao texto constitucional e suas alterações permite  concluir que a não cumulatividade aplicar­se­ia  irrestritamente apenas aos tributos criados na  competência residual da União (art. 154, I).  Em  relação  aos  tributos  originalmente  previstos  na  Constituição,  apenas  o  ICMS e o IPI eram sujeitos à não cumulatividade, que, segundo José Souto Maior Borges, seria  uma  “simples  regra”  e  não  um  princípio  como  pretendido  pela maioria  da  doutrina  (Teoria  Geral da Isenção Tributária. 3ª ed. São Paulo: Editora Malheiro, 2001, ps. 341­2).  Portanto,  a  regra  (ou,  se  se  preferir,  o  princípio)  constitucional  da  não  cumulatividade  simplesmente  não  se  aplicava  às  contribuições  sociais  no  texto  original  da  Constituição.  Com  a  Emenda  Constitucional  no  47,  de  2005,  a  Constituição  passou  a  prever, no art. 195, § 9º, a possibilidade de diferenciação de alíquota e base de cálculo.  Entretanto,  à  vista  de  matéria  constitucional,  o  Carf  não  pode  deixar  de  afastar a aplicação de lei, conforme sua Súmula no 2 (Portaria Carf no 106, de 2009):  Súmula Carf nº 2:  O  Carf  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária.  Ademais, tal impossibilidade é reforçada pelas disposições do art. 62 do seu  Regimento Interno (Portaria MF no 256, de 2009).  Dessa  forma,  somente  é  possível,  em  sede  do  presente  recurso  voluntário,  apreciar  as  alegações  da  Interessada  em  relação  ao  que  determina  a  lei,  uma  vez  que  sua  aplicação não pode ser afastada.  Entretanto,  antes  cabe  esclarecer  que,  em  alguns  pontos,  as  alegações  da  Interessada são contraditórias, como nos exemplos a seguir.  1.  Violação à não cumulatividade  Fl. 128DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16349.000407/2009­82  Acórdão n.º 3302­00.946  S3­C3T2  Fl. 0          7 Parte  dos  produtos  vendidos  pela  Interessada  sujeita­se  ao  regime  monofásico, que, pelas próprias disposições legais, como se verá adiante, é um regime distinto  do não cumulativo. Dessa  forma,  tratando­se de um  regime diverso,  paralelo  e  específico de  incidência da contribuição, não há como haver violação de regra aplicável a outro regime.  2.  Violação ao princípio da isonomia  Isonomia  implica  tratamento  igual  aos  que  estejam  em  igual  situação.  Portanto,  não  faz  sentido  argumentar  violação  à  isonomia  se  a  regra  é  aplicável  não  só  à  Recorrente como a todos os contribuintes que se encontram na mesma situação.  3.  Violação à capacidade contributiva  No caso em questão, não é possível violação à capacidade contributiva, uma  vez  que  os  produtos  vendidos  sujeitos  à  alíquota  zero  já  foram  tributados  pelo  regime  monofásico  anteriormente. Dessa  forma, o valor  da contribuição devida pela Recorrente,  em  relação a tais produtos, é zero.  O que a Interessada pretende é, na realidade, ao incluir na dedução da base de  cálculo  da  contribuição  devida  em  relação  aos  demais  produtos,  reduzir  a  base  de  cálculo  destes últimos, cuja contribuição devida nada tem a ver com daqueles.  4.  Sugestão de bitributação  Em suas alegações, a  Interessada sugere aparentemente que estaria sujeita a  duas tributações. De fato, está, mas, além de os produtos sujeitos à incidência monofásica não  estarem sujeitos à incidência não cumulativa (inexiste bitributação), tais produtos sujeitam­se à  alíquota zero.  De fato, para concluir que a  forma de  tributação por  incidência monofásica  seria  tão  injusta  a  ponto  de  exigir  deduções  das  bases  de  cálculo  do  revendor,  seria  preciso  demonstrar que o resultado dessa tributação, no geral, seria injustificadamente maior do que a  dos demais produtos sujeitos à não cumulatividade, o que sequer foi abordado adequadamente  pela Interessada.  Feitas as observações acima, passa­se à análise da legislação.  Conforme bem observado pela primeira  instância,  as  leis que  instituíram as  contribuições não cumulativas previram expressamente que suas disposições não se aplicariam  às  receitas “decorrentes de saídas  isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero” e ainda  aos casos de substituição tributária.  Vale dizer, o  regime de não cumulatividade é geral, enquanto que o regime  de tributação concentrada ou monofásico é específico e apurado paralelamente àquele.  O que se discute, a seguir, é a aplicação do art. 17 da Lei no 11.033, de 2004,  ao caso dos autos:  Art.  17.  As  vendas  efetuadas  com  suspensão,  isenção,  alíquota  ‘0’ (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP  e  da COFINS  não  impedem  a manutenção,  pelo  vendedor,  dos  créditos vinculados a essas operações.  Tal dispositivo deve ser lido atentamente.  Fl. 129DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO     8 Em  primeiro  lugar,  por  que  não  é  uma  disposição  legal  generalista  como  pretende a Interessada. Vale dizer, não se aplica à toda a legislação de PIS/Pasep e Cofins, por  dizer  respeito  somente às hipóteses previstas na própria  lei,  que  trata do  “Regime Tributário  para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária”.  Nesse  contexto,  a própria  lei  prevê  a  incidência  de “suspensão”,  “isenção”,  “não incidência” e especificamente de alíquota zero no art. 14, § 2º.  Por isso, no art. 17, prevê a manutenção de créditos.  Aí reside a segunda atenção que se deve ter ao ler o dispositivo, uma vez que,  especificamente,  prevê  a  “manutenção”  dos  créditos  vinculados  às  vendas  de  produtos  de  alíquota zero.  Vale  dizer,  não  trata  de  exclusões  de  base  de  cálculo, mas  de  créditos  que  tenham  sido  escriturados  e  que,  em  função  da  incidência  de  alíquota  zero  e  das  demais  hipóteses previstas na própria lei, poderiam ser objeto de uma eventual interpretação restritiva,  como a que ocorre no IPI, quanto a seu aproveitamento. Então, a própria lei já previu, para que  não  houvesse  dúvidas  sobre  a  matéria,  que  a  incidência  das  hipóteses  desonerativas  não  implicaria glosa de créditos.  Portanto,  as  alegações  da  Interessada  fundam­se  em  equívocos  de  interpretação  da  legislação,  uma  vez  que  as  duas  modalidades  de  apuração  da  contribuição  coexistem mas não se comunicam.  Por  fim,  observe­se  que  as  referências  posteriores  da  legislação  ao  referido  dispositivo  legal  não  têm  o  condão  de  estender  sua  abrangência. Na  realidade,  limitam­se  a  regular  o  crédito  do  “Regime  Tributário  para  Incentivo  à Modernização  e  à  Ampliação  da  Estrutura Portuária”, conforme esclarecido acima.  À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário.    (Assinado digitalmente)  José Antonio Francisco                Declaração de Voto  Conselheiro Gileno Gurjão Barreto  Da atual possibilidade de tomada de créditos – Lei nº 11.727/08  Primeiramente, cabe relembrar que foi com o advento das Leis nº 10.637/02 e  nº  10.833/03  (conversões  das  MP’s  nº  66/02  e  nº  135/03)  que  as  contribuições  para  o  PIS/PASEP  e COFINS  passaram  a  ter  como  regime  geral  o  sistema de  não­cumulatividade,  entretanto, esse dispositivo foi além da aplicação desse regime e também admitiu o direito de  Fl. 130DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16349.000407/2009­82  Acórdão n.º 3302­00.946  S3­C3T2  Fl. 0          9 descontar créditos calculados a partir das etapas anteriores de bens adquiridos para revenda, a  saber, independentemente do sujeito detentor do crédito:  “Art.  3º.  Do  valor  apurado  na  forma  do  art.  2º,  a  pessoa  jurídica  poderá  descontar créditos calculados em ralação a:  I  –  bens  adquiridos  para  revenda,  exceto  em  relação às mercadorias  e  aos  produtos referidos:  a) – nos incisos III e IV do § 3º do art. 1º desta Lei (...)  (...)§ 2º Não dará direito a crédito o valor:   I ­ de mão­de­obra paga a pessoa física; e  II  ­  da  aquisição  de  bens  ou  serviços  não  sujeitos  ao  pagamento  da  contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou  utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero),  isentos ou não alcançados pela contribuição.  (Redação do § 2º dada pela Lei nº 10.865/04)(...)  (...)   § 7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitar­se à incidência não­cumulativa  da COFINS, em relação apenas à parte  de  suas  receitas,  o  crédito  será   apurado,    exclusivamente,    em  relação   aos    custos,    despesas    e    encargos  vinculados a essas receitas.  §  8º  Observadas  as  normas  a  serem  editadas  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  no  caso  de  custos,  despesas  e  encargos  vinculados  às  receitas  referidas  no  §  7º  e  àquelas  submetidas  ao  regime de  incidência  cumulativa  dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica,  pelo método de:  I ­ apropriação direta,  inclusive em relação aos custos, por meio de sistema  de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou  II ­ rateio proporcional, aplicando­se aos custos, despesas e encargos comuns  a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não­ cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês.  § 9º O método  eleito  pela  pessoa  jurídica  para  determinação  do  crédito,   na    forma    do    §    8º,    será    aplicado  consistentemente  por  todo  o  ano­ calendário  e,  igualmente,  adotado  na  apuração  do  crédito  relativo  à  contribuição  para  o  PIS/PASEP  não­cumulativa,  observadas  as  normas  a  serem editadas pela Secretaria da Receita Federal.(...)”  “Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes  anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos art. 1 a 8.  VII – as receitas decorrentes das operações:   Fl. 131DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO     10 a) referidas no inciso IV do § 3 do art. 1.  b) sujeitas à substituição tributária da COFINS”.  Tais  dispositivos  legais  vedavam,  entretanto,  a  tomada  de  crédito  de  PIS  e  COFINS pelas pessoas  jurídicas  revendedoras,  nas operações de  revenda de mercadorias  em  relação às quais a contribuição fosse exigida da empresa vendedora, na condição de substituta  tributária e também em relação à venda de álcool para fins carburantes.  No  entanto,  essa  situação  perdurou  até  a  edição  da  Lei  nº  10.865/04  que  alterou  consideravelmente  as  Leis  nº  10.637/02  e  nº  10.833/03.  Aquela  lei,  dentre  outras  alterações,  ampliou  o  regime  não  cumulativo  para  que  esse  alcançasse  também  as  receitas  sujeitas  à  incidência  monofásica  do  PIS  e  da  COFINS,  manteve  as  alíquotas  diferenciadas  dispersas na legislação do PIS/COFINS, inseriu as alíneas a e b nos incisos I dos arts. 3º das  Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 e por fim, alterou os parágrafos 2º dos arts. 3º das mencionadas  leis,  no  sentido  de  indicar  a  impossibilidade  da  tomada  de  crédito  relativamente  a  bens  e  serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição.  Posteriormente,  em  2004  ainda,  foi  adicionado  à  MP  nº  206/04,  posteriormente convertida na Lei nº 11.033, o art. 16 (quando da conversão passou a ser o art.  17)  que  tratava  sobre  a manutenção  de  créditos  nas  vendas  efetuadas  com  isenção,  alíquota  zero, suspensão e não­incidência do PIS e COFINS. Esse dispositivo veio assim redigido:  “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou  não  incidência  da  Contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  da  COFINS  não  impedem  a  manutenção,  pelo  vendedor,  dos  créditos  vinculados  a  essas  operações.(...)”  Importantíssimo  ressaltar  que  a  partir  desse  momento,  duas  normas  aparentemente  contraditórias  passaram  a  vigorar  no  ordenamento  jurídico  relativo  às  contribuições  mencionadas.  Porém,  por  regra  geral  de  hermenêutica,  norma  específica  sobrepõe­se  à  norma  geral,  e  assim  esses  dispositivos  deverão  ser  interpretados  a  partir  da  inserção do fato concreto à norma, dentro de suas especificidades.   O dispositivo retro estendeu o alcance do direito de manutenção de crédito de  PIS e COFINS, alcançando o vendedor, atacadista ou até mesmo varejista, que viesse a efetuar  vendas  com suspensão,  isenção,  alíquota zero ou não  incidência do PIS  e da COFINS como  regra geral, exceto quanto a operação porventura estiver sob a égide de norma específica que  disponha em contrário.  Posteriormente, em janeiro de 2008, foi editada a MP nº 413, que resultou em  sua  conversão  na  Lei  nº  11.727/08,  cujo  objetivo  precípuo  fora  adotar medidas  de  natureza  tributária  destinadas  a  estimular  os  investimentos  e  a  modernização  do  setor  de  turismo,  reforçar  o  sistema  de  proteção  tarifária  brasileiro  e  estabelecer  a  incidência  de  forma  concentrada da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS na produção e comercialização  de álcool.   Por  meio  dessa  Medida  Provisória,  o  Poder  Executivo  tentou  inserir  dispositivo alheio às operações inicialmente objeto da Medida, para obstar a tomada de créditos  relativa às operações ora em comento, ao literalmente tentar aprovar o texto dos artigos 14 e 15  em que vedava a apropriação de créditos de PIS/COFINS sobre os custos, encargos e despesas  relativos  às  vendas  de  produtos  onde  incidiam  o  regime  monofásico,  apropriação  antes  Fl. 132DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16349.000407/2009­82  Acórdão n.º 3302­00.946  S3­C3T2  Fl. 0          11 permitida, por meio da inserção do § 14 ao art. 3º das Leis nº 10.637 e § 15 ao art. 3º da Lei nº  10.833/03:  “Art.  14.  Os  arts.  2o  e  3o  da  Lei  no  10.637,  de  30  de  dezembro  de  2002,  passam avigorar com a seguinte redação:  ....................................................................................  §  14.  Excetuam­se  do  disposto  neste  artigo  os  distribuidores  e  os  comerciantes atacadistas e varejistas das mercadorias e produtos referidos no  §  1o  do  art.  2o  desta  Lei,  em  relação  aos  custos,  despesas  e  encargos  vinculados  a  essas  receitas,  não  se  aplicando  a manutenção  de  créditos  de  que trata o art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004.” (NR)  Art. 15. Os arts. 2o e 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passam  avigorar com a seguinte redação:  “Art. 2o ....................................................................  (...)..................................................................................  §  22.  Excetuam­se  do  disposto  neste  artigo  os  distribuidores  e  os  comerciantes atacadistas e varejistas das mercadorias e produtos referidos no  §  1o  do  art.  2o  desta  Lei,  em  relação  aos  custos,  despesas  e  encargos  vinculados  a  essas  receitas,  não  se  aplicando  a manutenção  de  créditos  de  que trata o art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004.” (NR)”  Tal  pretensa  vedação  simplesmente  foi  retirada  da MP  nº  413  durante  seu  tramite legislativo, ao qual foram interpostas 185 emendas, de modo que sua conversão em lei  (Lei  nº  11.727/08)  não  contém  tal  vedação.  Importante observar  o  reconhecimento  pleno  do  direito ao crédito pela aplicação do art. 17 da lei nº 11.033/04.  Outrossim, consideramos que a pretensa vedação à  tomada dos créditos ora  em  discussão,  prevista  nos  art.  3º,  I,  b,  das  Leis  nº  10.637/2002  e  nº  10.833/2003  restou  totalmente superada com a nova redação conferida ao art. 24 da mencionada Lei nº 11.727/08.  Previu esse dispositivo a possibilidade de os revendedores de produtos monofásicos tomarem  créditos  sobre  a  aquisição de produtos  sujeitos  à  alíquota monofásica,  pelos mesmos valores  aos quais elas foram destacadas na etapa anterior, litteris:  “Art. 24. A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins,  produtora  ou  fabricante  dos  produtos relacionados no § 1º do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro  de  2003,  pode  descontar  créditos  relativos  à  aquisição  desses  produtos  de  outra pessoa jurídica importadora, produtora ou fabricante, para revenda no  mercado interno ou para exportação.  § 1º Os créditos de que trata o caput deste artigo correspondem aos valores  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins  devidos  pelo  vendedor  em  decorrência da operação.  Fl. 133DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO     12 § 2º Não se aplica às aquisições de que trata o caput deste artigo o disposto  na  alínea  b  do  inciso  I  do  caput  do  art.  3º  da  Lei  nº  10.637,  de  30  de  dezembro  de  2002,  e  na  alínea  b  do  inciso  I  do  caput  do  art.  3º  da  Lei  nº  10.833, de 29 de dezembro de 2003.”  Ademais, corrobora com todo esse entendimento o disposto no art. 16 da Lei  nº 11.116/05, ao disciplinar a compensação e o  ressarcimento de créditos de PIS e COFINS,  referindo­se expressamente ao art. 17 da Lei nº 11.033/2004, sendo oportuna sua transcrição:  “Art.  16.  O  saldo  credor  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins  apurado na forma do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002,  e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de  abril  de 2004,  acumulado ao  final  de  cada  trimestre do  ano­calendário  em  virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004,  poderá ser objeto de:  I  ­  compensação  com  débitos  próprios,  vencidos  ou  vincendos,  relativos  a  tributos  e  contribuições  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  observada a legislação específica aplicável à matéria; ou  II  ­ pedido de  ressarcimento em dinheiro, observada a  legislação específica  aplicável à matéria.  Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de  agosto de 2004 até o último  trimestre­calendário anterior ao de publicação  desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a  partir da promulgação desta Lei.”  Nesse sentido, o entendimento atual é de que há o direito de crédito para as  pessoas jurídicas que auferem receitas de vendas de produtos sobre os quais incide a alíquota  zero, em sendo intrínseca ao regime de não­cumulatividade o direito desse. Ademais, inexiste  qualquer vedação legal, prevalecendo o direito subjetivo das pessoas jurídicas à compensação  ou  recuperação  dos  créditos,  mediante  a  aplicação  das  alíquotas  pertinentes  ao  regime  não­ cumulativo, previsto no art. 16 da Lei nº 11.116/2005.  Cabe  ressaltar  que  em  15  de  dezembro  de  2008  foi  publicada  a  Medida  Provisória nº 451,  tratando­se de mais uma tentativa do Governo em restringir os créditos de  PIS  e COFINS  das  distribuidoras  e  varejistas  que  comercializam  produtos monofásicos.  Tal  MP em seus artigos 8 e 9 retirava a possibilidade de descontar créditos de PIS e COFINS dos  distribuidores,  dos  comerciantes  atacadistas  e  varejistas  das  mercadorias  e  produtos  (produzidos e importados), quanto aos custos, despesas e encargos vinculados às receitas com a  venda destes produtos.  Dentre as 64 emendas apresentadas ressalta­se a emenda supressiva número  09, apresentada pelo Deputado Eduardo Gomes, cuja justificativa:  “Os  artigos  8º  e  9º  da  supracitada  Medida  Provisória  inseriram  novos  parágrafos  aos  artigos  3º  das  Leis  nº  10.637/02  e  10.833/03,  vedando  aos  distribuidores e aos comerciantes varejistas e atacadistas de produtos sujeitos  às  alíquotas  monofásicas  o  reconhecimento  de  créditos  de  PIS  e  COFINS  sobre fretes, armazenagem, aluguéis, energia elétrica, dentre outros.  Frise­se que dispositivos semelhantes haviam sido também incluídos quando  da edição da Medida Provisória nº 413, de 03 de janeiro de 2008, tendo sido  Fl. 134DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16349.000407/2009­82  Acórdão n.º 3302­00.946  S3­C3T2  Fl. 0          13 suprimidos pelo Legislativo Federal quando de sua votação para conversão  da MP na Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008.  As alterações previstas na MP 451 resultariam em injustificado aumento da  PIS/COFINS  incidente  na  gasolina,  diesel  e  querosene  de  aviação,  que  tem  toda a carga tributária concentrada de forma monofásica na refinaria.  A vedação dos créditos de PIS/COFINS incidente sobre esses custos inerentes  a  comercialização  destes  combustíveis,  caracteriza­se  como  aumento  da  carga tributária, com impactos nos preços, e prejuízos para os consumidores  finais.”  Em parecer  proferido  em plenário,  o Deputado­relator Sr.  João Leão  votou  pela admissibilidade da MP nº 451, acolhendo a emenda nº 09. Por conseguinte, apresentou o  Projeto de Lei de Conversão nº 04/2009 como substitutivo à Medida Provisória nº 451/08, que  altera a  legislação tributária federal, e dá outras providências. Esse Projeto foi aprovado pelo  Plenário  da Câmara  dos Deputados  em  07/04/2009  e  convertida  na  Lei  nº  11.945  em  05  de  junho  de  2009.  Até  que  ocorra  alguma  alteração  nos  dispositivos  retromencionados,  entendemos que permanece o direito ao crédito sobre o qual discorremos.  Nesse sentido, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário    (Assinado digitalmente)  Gileno Gurjão Barreto  Fl. 135DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO

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Numero do processo: 13839.002128/2007-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do Fato Gerador: 30/06/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES. Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de GFIP com omissão de informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. CERCEAMENTO DE DEFESA. RELATÓRIOS FISCAIS. INEXISTÊNCIA. Não incorre em cerceamento do direito de defesa o Auto de Infração cujos relatórios típicos, incluindo o Relatório Fiscal e seus anexos, descreverem de forma clara, discriminada e detalhada a tipificação infracional, a descrição da conduta infratora perpetrada, os critérios adotados para a quantificação da penalidade pecuniária aplicada, as circunstâncias atenuantes e agravantes da infração, assim como, os fundamentos legais que lhe dão amparo jurídico, permitindo dessarte a perfeita identificação dos motivos e fundamentos da autuação. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS E PRINCIPAIS. INDEPENDÊNCIA. AUTONOMIA. O simples fato da inobservância da obrigação acessória é condição bastante, suficiente e determinante para a conversão de sua natureza de obrigação acessória em principal, relativamente à penalidade pecuniária. Dessarte, nos termos da lei, ainda que não tenha ocorrido a obrigação principal ou esta, mesmo tendo ocorrido, já tenha sido adimplida, tais fatos não são suficientes para afastar a observância e/ou os efeitos das obrigações acessórias correlatas impostas pela legislação tributária. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA COM EFEITO DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA. Não constitui confisco a imputação de penalidade pecuniária em razão de descumprimento de obrigação acessória de natureza tributária. Foge à competência deste colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88. AUTO DE INFRAÇÃO. RELEVAÇÃO DA MULTA. REQUISITOS ESSENCIAIS. Constituemse requisitos essenciais para a concessão do benefício da relevação da multa, previstos no §1º do art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, ser o infrator primário, não ter incorrido em circunstância agravante e ter efetivamente corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32A à Lei nº 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘c’ do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS. A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-001.163
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei nº 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei nº 8.212 de 1991.
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva

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COIFE ODONTO SERVICOS E PLANOS ODONTOLOGICOS LTDA  Recorrida  FAZENDA  NACIONAL    ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Data do Fato Gerador: 30/06/2006  AUTO DE  INFRAÇÃO. CFL 68. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES  OU INCORREÇÕES.   Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de GFIP com omissão  de informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias.  OBRIGAÇÕES  ACESSÓRIAS.  CERCEAMENTO  DE  DEFESA.  RELATÓRIOS FISCAIS. INEXISTÊNCIA.  Não  incorre  em cerceamento do direito de defesa o Auto de  Infração  cujos  relatórios típicos, incluindo o Relatório Fiscal e seus anexos, descreverem de  forma clara, discriminada e detalhada a tipificação infracional, a descrição da  conduta  infratora  perpetrada,  os  critérios  adotados  para  a  quantificação  da  penalidade pecuniária aplicada, as circunstâncias atenuantes e agravantes da  infração,  assim  como,  os  fundamentos  legais  que  lhe  dão  amparo  jurídico,  permitindo  dessarte  a  perfeita  identificação  dos  motivos  e  fundamentos  da  autuação.  OBRIGAÇÕES  ACESSÓRIAS  E  PRINCIPAIS.  INDEPENDÊNCIA.  AUTONOMIA.  O simples fato da inobservância da obrigação acessória é condição bastante,  suficiente  e  determinante  para  a  conversão  de  sua  natureza  de  obrigação  acessória em principal, relativamente à penalidade pecuniária.   Dessarte,  nos  termos  da  lei,  ainda  que  não  tenha  ocorrido  a  obrigação  principal ou esta, mesmo  tendo ocorrido,  já  tenha sido adimplida,  tais  fatos  não são suficientes para afastar a observância e/ou os efeitos das obrigações  acessórias correlatas impostas pela legislação tributária.   AUTO  DE  INFRAÇÃO.  MULTA  COM  EFEITO  DE  CONFISCO.  INOCORRÊNCIA.     Fl. 956DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA     2 Não  constitui  confisco  a  imputação  de  penalidade  pecuniária  em  razão  de  descumprimento de obrigação acessória de natureza tributária.  Foge  à  competência  deste  colegiado  a  análise  da  adequação  das  normas  tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder  de tributar previstas no art. 150 da CF/88.  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  RELEVAÇÃO  DA  MULTA.  REQUISITOS  ESSENCIAIS.  Constituem­se  requisitos  essenciais  para  a  concessão  do  benefício  da  relevação  da  multa,  previstos  no  §1º  do  art.  291  do  Regulamento  da  Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, ser o  infrator primário,  não  ter  incorrido  em  circunstância  agravante  e  ter  efetivamente  corrigido  a  falta até o termo final do prazo para impugnação.  AUTO DE  INFRAÇÃO. GFIP.  CFL  68. ART.  32­A DA LEI Nº  8212/91.  RETROATIVIDADE BENIGNA.  As  multas  decorrentes  de  entrega  de  GFIP  com  incorreções  ou  omissões  foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o  art. 32­A à Lei nº 8.212/91.   Incidência  da  retroatividade benigna  encartada no  art.  106,  II,  ‘c’  do CTN,  sempre que a norma posterior cominar ao  infrator penalidade menos severa  que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada.  PRODUÇÃO  DE  PROVAS.  MOMENTO  PRÓPRIO.  REQUISITOS  OBRIGATÓRIOS.  A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de  fato  e  de  direito  em  que  se  fundamentar,  bem  como  os  pontos  de  discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir,  precluindo o direito de o impugnante fazê­lo em outro momento processual,  salvo  nas  hipóteses  taxativamente  previstas  na  legislação  previdenciária,  sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo.  Recurso Voluntário Provido em Parte      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conceder  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário,  nos  termos  do  relatório  e  voto  que  integram  o  presente  julgado.  A  multa  deve  ser  calculada  considerando  as  disposições  da  Medida  Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32­A, inciso II, que na conversão pela Lei  nº 11.941 foi renumerado para o art. 32­A, inciso I da Lei nº 8.212 de 1991.      Marco André Ramos Vieira ­ Presidente.       Arlindo da Costa e Silva ­ Relator.    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos  Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vice­presidente de turma), Liége  Fl. 957DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13839.002128/2007­81  Acórdão n.º 2302­01.163  S2­C3T2  Fl. 946          3 Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Wilson Antonio de Souza Correa, Vera Kempers de Moraes  Abreu e Arlindo da Costa e Silva.   Ausência momentânea : Manoel Coelho Arruda Junior    Fl. 958DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA     4   Relatório  Período de apuração: 01/04/2002 a 30/09/2005  Data de lavratura do Auto de Infração : 26/05/2006.  Data da Ciência do Auto de Infração : 30/05/2006.    Trata­se  de  auto  de  infração  decorrente  do  descumprimento  de  obrigações  acessórias previstas no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, lavrado em  desfavor do Recorrente,  em razão da apresentação de GFIP com omissão de valores pagos a  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais  que  lhe  prestaram  serviços,  conforme  descrito no Relatório Fiscal a fls. 06/07, e anexos a fls. 13/54.  CFL ­ 68  Apresentar  a  empresa  GFIP/GRFP  com  dados  não  correspondentes  aos  fatos  geradores  de  todas  as  contribuições  previdenciárias,  seja  em  ralação  às  bases  de  cálculo,  seja  em  relação  às  informações  que  alterem  o  valor  das  contribuições,  ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade  Beneficente)  ou  substituição  (SIMPLES,  Clube  de  Futebol,  produção  rural)  –  Art.  284,  II  na  redação  do  Dec.4.729,  de  09/06/2003.    A  multa  aplicada  corresponde  a  100  %  do  valor  das  contribuições  previdenciárias devidas e não declaradas em GFIP,  relativas aos  fatos geradores descritos no  parágrafo precedente, apurados pela fiscalização, havendo sido respeitado, no presente caso, o  limite estabelecido pela Portaria MPS GM nº 119/2006.    Irresignado  com  o  supracitado  lançamento  tributário,  o  sujeito  passivo  apresentou impugnação a fls. 60/79 e documentos a fls. 80/194 e a fls. 208/867.  A Delegacia  da Receita  Federal  do Brasil  de  Julgamento  em Campinas/SP  baixou  o  feito  em  diligência  para  que  fossem  esclarecidos  pontos  controvertidos  no  lançamento, conforme Despacho a fl. 871.  Informação fiscal a fl. 879/882.  Promovida a ciência da referida Informação Fiscal ao sujeito passivo, este se  manifestou mediante aditamento à impugnação a fls. 893/896.  A Delegacia  da Receita  Federal  do Brasil  de  Julgamento  em Campinas/SP  lavrou Decisão Administrativa materializada no Acórdão a  fls. 900/905,  julgando procedente  em parte  a presente  autuação,  retificando o  valor  da  penalidade  pecuniária  a  ser  aplicada  ao  contribuinte.  Fl. 959DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13839.002128/2007­81  Acórdão n.º 2302­01.163  S2­C3T2  Fl. 947          5 O  Sujeito  Passivo  foi  cientificado  da  decisão  de  1ª  Instância  no  dia  25/09/2009, conforme Aviso de Recebimento a fl. 908.  Inconformado  com  a  decisão  exarada  pelo  órgão  administrativo  julgador  a  quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 909/929, deduzindo seu inconformismo  em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem:  •  Que  foi  cerceado  o  seu  direito  constitucional  à  ampla  defesa,  pois  os  fundamentos  do  lançamento  são  um  amontoado  de  leis,  decretos,  etc.,  faltando a objetividade e clareza determinadas pela lei;  •  Que haveria bis  in idem, eis que os lançamentos referentes a autônomos,  na  competência  de  2002,  já  foram  objetos  de  cobrança  na  NFLD  nº  35.456.828­0, de 28 de outubro de 2003;  •  Que o artigo 150,  inciso  IV da CF/88 proíbe a utilização de  tributo com  efeito de confisco;  •  Que  o  lançamento  referente  à  Nota  Fiscal  nº  14  deve  ser  excluído  do  quadro  de  contribuintes  individuais,  por  não  caracterizar  salário  de  contribuição;  •  Que  houve,  no  prazo  legal,  a  juntada  das  GFIP  originais  referentes  às  competências fiscalizadas, o que implicaria a improcedência da autuação;  •  Que  a  quantificação  da  multa  imposta  lastreou­se  no  art.  284,  II  do  Decreto nº 3.048/99 que, por sua vez, regulamenta o art. 32, §5º da Lei nº  8.212/91,  o  qual  foi  revogado  expressamente  pela  Lei  nº  11.941/2009,  motivo pelo qual a autuação não deve prevalecer;  •  Requer  a  incidência  da  retroatividade  benigna  para  fazer  incidir  as  alterações introduzidas pela MP nº 449/2008;    Ao  fim,  requer  a  declaração  de  improcedência  do  presente  lançamento.  Requer  ainda  a  produção  de  prova  pericial,  testemunhal  e  todas  em  direitos  admitidas,  diligências, e juntada de documentos.    Relatados sumariamente os fatos relevantes.  Fl. 960DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA     6   Voto             Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator.    1.   DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE   1.1.  DA TEMPESTIVIDADE  O sujeito passivo  foi  válida  e eficazmente  cientificado da decisão  recorrida  no dia 25/09/2009. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 27/10/2009, há que  se reconhecer a tempestividade do recurso interposto.    Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço.    2.  DAS QUESTÕES PRELIMINARES AO MÉRITO.  2.1.  DO CERCEAMENTO DE DEFESA  Alega o recorrente haver sido cerceado o seu direito constitucional à ampla  defesa, em razão de os fundamentos do lançamento serem um amontoado de leis, decretos, etc.,  faltando a objetividade e clareza determinadas pela lei.  A rogativa do Recorrente não merece acolhida.    A Constituição Federal de 1988 outorgou à Lei Complementar a competência  para  estabelecer  normas  gerais  em  matéria  de  legislação  tributária,  especialmente  sobre  obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários.   Constituição Federal de 1988   Art. 146. Cabe à lei complementar:  III  ­  estabelecer  normas  gerais  em  matéria  de  legislação  tributária, especialmente sobre:  a)  definição  de  tributos  e  de  suas  espécies,  bem  como,  em  relação  aos  impostos  discriminados  nesta  Constituição,  a  dos  respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes;  b)  obrigação,  lançamento,  crédito,  prescrição  e  decadência  tributários;    Imerso nessa ordem constitucional, ao tratar das obrigações tributárias, já no  âmbito  infraconstitucional,  o  art.  113  do  Código  Tributário  Nacional  ­  CTN  estabeleceu  o  discrimen  entre  as  obrigações  definidas  como  principais  e  aquelas  conceituadas  como  acessórias, estas decorrentes da legislação tributária, assim entendidas as leis, os tratados e as  Fl. 961DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13839.002128/2007­81  Acórdão n.º 2302­01.163  S2­C3T2  Fl. 948          7 convenções  internacionais,  os decretos  e as normas  complementares  que versem, no  todo ou  em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes, ostentando por objeto tal espécie  de  obrigação  tributária  as  prestações,  positivas  ou  negativas,  fixadas  no  interesse  da  arrecadação ou da fiscalização dos tributos.  Código Tributário Nacional ­ CTN   Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória.  §1º  A  obrigação  principal  surge  com  a  ocorrência  do  fato  gerador,  tem por  objeto  o  pagamento  de  tributo  ou penalidade  pecuniária  e  extingue­se  juntamente  com  o  crédito  dela  decorrente.  §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem  por  objeto as  prestações,  positivas ou  negativas,  nela  previstas  no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos.  §3º  A  obrigação  acessória,  pelo  simples  fato  da  sua  inobservância, converte­se em obrigação principal relativamente  à penalidade pecuniária.    Art.  115.  Fato  gerador  da  obrigação  acessória  é  qualquer  situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática  ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal.    O  marco  primitivo  da  fundamentação  legal  em  que  se  sustentam  as  obrigações tributárias estabelece, outrossim, que a ocorrência de violação a qualquer obrigação  acessória  tem natureza objetiva,  sendo bastante e  suficiente para  a  sua caracterização a mera  inobservância de seus preceitos.  Com efeito, o art. 37 da Lei nº 8.212/91, com a redação vigente à época da  lavratura do presente Auto de Infração, estabeleceu que, sendo constatado pela fiscalização o  atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições previdenciárias, ou em caso de falta de  pagamento  de  benefício  reembolsado,  a  fiscalização  lavrará  notificação  de  débito,  com  discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a  que se referem.   Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de  contribuições  tratadas  nesta  Lei,  ou  em  caso  de  falta  de  pagamento  de  benefício  reembolsado,  a  fiscalização  lavrará  notificação  de  débito,  com  discriminação  clara  e  precisa  dos  fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que  se referem, conforme dispuser o regulamento.    Malgrado  a  norma  legal  acima  transcrita  se  refira  expressamente  ao  descumprimento de obrigação principal, o mesmo esmero na discriminação clara e precisa dos  fatos  geradores  e  dos  períodos  a  que  se  referem  deve  ser  observado  em  relação  ao  descumprimento de obrigação acessória, em atenção ao princípio do devido processo legal, do  contraditório e da ampla defesa.  Fl. 962DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA     8 No  presente  caso,  durante  ação  fiscal  promovida  na  empresa  autuada  foi  constatada violação a obrigação tributária acessória prevista no inciso IV do art. 32 da Lei nº  8.212/91,  consubstanciada  na  entrega  de  GFIP  com  omissão  de  fatos  geradores  de  contribuições  previdenciárias,  consistentes  em  valores  pagos  a  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais que  lhe prestaram serviços, conforme descrito no Relatório Fiscal  a  fls. 06/07.   Os  valores  acima  referidos,  referentes  às  remunerações  de  segurados  empregados, encontram­se dispostos na tabela a fls. 13/17, discriminados por estabelecimento,  competência, base de cálculo, valor da contribuição previdenciária a cargo da empresa e dos  segurados, limite superior da multa e o valor da multa aplicada em cada competência.  No  que  pertine  aos  segurados  contribuintes  individuais,  os  fatos  geradores  correspondentes são apresentados nos discriminativos a fls. 18/54, exibindo, mutatis mutandis,  discriminação semelhante à desenvolvida para os segurados empregados, em cumprimento aos  requisitos de precisão e clareza da descrição dos fatos geradores e do período a que se referem.  Os motivos ensejadores da presente autuação foram devidamente registrados  pela  Autoridade  Lançadora,  no  Relatório  Fiscal  da  Infração  a  fl.  06,  enquanto  que  as  informações pertinentes ao cálculo da multa aplicada encontram dispostas no Relatório Fiscal  de Aplicação da Multa, a fl. 07.  De  forma  idêntica,  guardadas  as  devidas  particularidades,  os  preceitos  normativos  que  fornecem  sustentação  jurídica  ao  lançamento  então  operado,  foram  devidamente  especificados  no  corpo  dos  relatórios  fiscais  acima desfraldados,  permitindo  ao  autuado  a  perfeita  compreensão  dos  fundamentos  e  razões  da  autuação,  sendo­lhe  dessarte  garantido o exercício do contraditório e da ampla defesa.  Malgrado  as  alegações  apostas  nesta  preliminar  de  mérito,  a  empresa  demonstrou, tanto em sua impugnação ao lançamento como no recurso em face da decisão de  primeira  instância,  ter  compreendido  com  perfeição  os  motivos  ensejadores  da  vertente  autuação.  Com  efeito,  os  Diplomas  Jurídicos  e  os  preceitos  normativos  sobre  os  quais  se  alicerça  o  Auto  de  Infração  ora  atacado  foram  enfrentados  pelo  Recorrente  com  precisão  cirúrgica,  da mesma  forma que o  fora a descrição das  condutas  típicas  infracionais  apuradas  pelo  fisco,  não  se  notabilizando  nos  instrumentos  de  bloqueio  acima  delineados  qualquer  argumentação  desvinculada ou  alheia  à  autuação  que  tornasse verossímil  a  alegação  de  que,  concretamente, houve por cerceado o direito de defesa do sujeito passivo recorrente, fato que  revela  terem  os  relatórios  fiscais  integrantes  deste  Processo Administrativo  Fiscal  cumprido  fielmente o papel que lhe fora atribuído pela lei.  Como  visto,  verifica­se  que  o  Auto  de  Infração  em  relevo  foi  lavrado  em  harmonia com os dispositivos  legais e normativos que disciplinam a matéria,  tendo o agente  fiscal  demonstrado,  de  forma  clara  e  precisa,  a  tipificação  da  obrigação  acessória  violada,  a  conduta  omissiva  que  profanou  a  obrigação  tributária  em  apreço,  fazendo  constar,  nos  relatórios que compõem o presente Processo Fiscal os critérios adotados para quantificação da  penalidade pecuniária aplicada.  O lançamento encontra­se revestido de todas as formalidades exigidas por lei,  dele constando, além dos relatórios já citados, os MPF, TIAF e TEAF, dentre outros, havendo  sido o Sujeito Passivo cientificado de todas as decisões de relevo exaradas no curso do presente  feito,  restando  garantido  dessarte  o  pleno  exercício  do  contraditório  e  da  ampla  defesa  ao  autuado.   Fl. 963DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13839.002128/2007­81  Acórdão n.º 2302­01.163  S2­C3T2  Fl. 949          9 Não vislumbramos, portanto, qualquer obscuridade ou vício na formalização  do presente Auto de Infração a amparar a alegação de cerceamento de defesa, razão pela qual  impende  repelir  peremptoriamente  tal  preliminar,  tão  veementemente  sustentada  pelo  Recorrente.    Vencidas as preliminares, passamos ao exame do mérito.    3.  DO MÉRITO  Cumpre,  de  plano,  assentar  que  não  serão  objeto  de  apreciação  por  este  Colegiado as matérias não expressamente contestadas pelo Recorrente, as quais se presumirão  verdadeiras.    3.1.   DO ALEGADO BIS IN IDEM  Pondera o Recorrente ter incorrido a autuação em apreço em bis in idem, eis  que  os  lançamentos  referentes  a  autônomos,  na  competência  de  2002,  já  foram  objetos  de  cobrança na NFLD nº 35.456.828­0, de 28 de outubro de 2003.  As alegações assim propaladas não merecem acolhida.    A  Constituição  Federal  de  1988  fixou  a  competência  da  lei  complementar  para  o  estabelecimento  de normas gerais  em matéria  de  legislação  tributária,  especialmente  sobre obrigação, lançamento e crédito tributários, a teor do art. 146, III, ‘b’ da CF/88, in verbis:  Constituição Federal de 1988   Art. 146. Cabe à lei complementar:  (...)  III  ­  estabelecer  normas  gerais  em  matéria  de  legislação  tributária, especialmente sobre:  (...)  b)  obrigação,  lançamento,  crédito,  prescrição  e  decadência  tributários;    Atendendo  ao  comando  constitucional,  estatuindo  normas  gerais  sobre  obrigações  tributárias,  o  113  do Código Tributário Nacional  ­ CTN  estabeleceu  o  discrimen  entre obrigações tributárias principal e acessórias, assim conformando seus traços definidores:   Código Tributário Nacional  Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória.  §1º  A  obrigação  principal  surge  com  a  ocorrência  do  fato  gerador,  tem por  objeto  o  pagamento  de  tributo  ou penalidade  Fl. 964DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA     10 pecuniária  e  extingue­se  juntamente  com  o  crédito  dela  decorrente.  §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem  por  objeto as  prestações,  positivas ou  negativas,  nela  previstas  no  interesse  da  arrecadação  ou  da  fiscalização  dos  tributos.  (grifos nossos)   §3º  A  obrigação  acessória,  pelo  simples  fato  da  sua  inobservância, converte­se em obrigação principal relativamente  à penalidade pecuniária.    Nessa  perspectiva,  não  carece  de  elevada  mestria  a  interpretação  do  texto  inscrito no §2º do supratranscrito dispositivo legal a qual aponta para a total  independência e  autonomia entre as obrigações ditas principais e aquelas denominadas como acessórias. Estas,  no  dizer  cristalino  da Lei,  decorrem diretamente  da  legislação  tributária,  não  das  obrigações  principais,  e  tem  por  objeto  prestações  positivas  ou  negativas  fixadas  no  interesse  da  arrecadação ou da fiscalização dos tributos.   Nesse  contexto,  cabe­nos  registrar,  que  são  cabíveis  de  serem  estatuídas  obrigações  acessórias  as  quais  não  se  encontram  vinculadas  a  nenhuma  obrigação  principal.  Exemplo emblemático do que findou de ser dito é o caso das obrigações acessórias previstas no  art.  68  da  Lei  nº  8.212/91,  que  impõe  ao  Titular  do  Cartório  de  Registro  Civil  de  Pessoas  Naturais a obrigação acessória de comunicar ao INSS, até o dia 10 de cada mês, o registro dos  óbitos ocorridos no mês imediatamente anterior, devendo da relação constar a filiação, a data e  o local de nascimento da pessoa falecida, sob pena de sujeição à penalidade prevista no art. 92  do mesmo Diploma Legal.  Corrobora o entendimento acima esposado as disposições insculpidas no §3º  do  art.  113  do  citado  codex,  o  qual  reza  que,  o  simples  fato  da  inobservância  da  obrigação  acessória  é condição bastante,  suficiente e determinante para a conversão de sua natureza de  obrigação  acessória  em  principal,  relativamente  à  penalidade  pecuniária,  de  onde  se  conclui  que a aplicação de Auto de Infração tem natureza objetiva.   Tal compreensão caminha em perfeita sintonia com as disposições expressas  no  art.  136  do  reverenciado  código  tributário,  o  qual  declara  que  a  responsabilidade  por  infrações  à  legislação  tributária  independe  da  intenção  do  agente  ou  do  responsável  e  da  efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, revelando assim, através de uma outra lente,  o caráter objetivo e independente da imputação em realce.   Código Tributário Nacional ­ CTN   Art.  136.  Salvo  disposição  de  lei  em  contrário,  a  responsabilidade  por  infrações  da  legislação  tributária  independe  da  intenção  do  agente  ou  do  responsável  e  da  efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.    Dessarte,  nos  termos  da  lei,  ainda  que  não  tenha  ocorrido  a  obrigação  principal ou esta, mesmo tendo ocorrido, já tenha sido adimplida, tais fatos não são suficientes  para  afastar  a  observância  e/ou  os  efeitos  das  obrigações  acessórias  correlatas  impostas  pela  legislação tributária.   Fl. 965DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13839.002128/2007­81  Acórdão n.º 2302­01.163  S2­C3T2  Fl. 950          11 No caso vertente, alega o Recorrente ter havido bis in idem, em virtude de os  lançamentos  referentes  a  autônomos,  nas  competências  de  2002,  já  terem  sido  objeto  de  cobrança na NFLD nº 35.456.828­0, de 28 de outubro de 2003.  Tal  argumentação  se mostra  totalmente  improcedente  e  descompassada dos  preceitos normativos acima revisitados. Isso porque, na notificação fiscal aludida no parágrafo  antecedente,  foi  efetuado  o  lançamento  de  obrigação  tributária  principal,  consistente  no  pagamento de tributo devido e não recolhido aos cofres do fisco em suas épocas próprias. Na  presente autuação, houve­se por lavrado um Auto de Infração, decorrente da não observância  de  obrigação  acessória,  motivada  pela  omissão  de  fatos  geradores  de  contribuições  previdenciárias nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social.  Cite­se,  por  relevante,  que  a  lavratura  do  Auto  de  Infração  tem  natureza  objetiva,  autônoma  e  independente,  de  molde  que,  mesmo  que  o  Recorrente  houvesse  recolhido,  tempestivamente,  o  tributo  em  questão,  a  mera  omissão  dos  fatos  geradores  em  apreço nas citadas GFIP consubstanciar­se­ia em motivo  justo, bastante e determinante par a  lavratura de Auto de Infração, nos mesmos termos que o presente.  Conforme  demonstrado,  os  dois  lançamentos  em  realce  ostentam  naturezas  jurídicas distintas, fundamentação e motivação totalmente diversas, não havendo que se falar,  dessarte, em bis in idem.    3.2.  DA MULTA COM EFEITO DE CONFISCO  Argumenta  o  Recorrente  que  o  artigo  150,  inciso  IV  da  CF/88  proíbe  a  utilização de tributo com efeito de confisco.  O clamor do Recorrente não merece o abrigo pretendido.    Com efeito,  a Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988, no Capítulo  reservado ao Sistema Tributário Nacional assentou, em relação aos impostos, os princípios da  pessoalidade e da capacidade contributiva do contribuinte. Nessa mesma prumada, ao tratar das  limitações do poder do Estado de tributar, o inciso IV do art. 150 da Carta obstou, igualmente,  a utilização de tributos com efeito de confisco, estatuindo ipsis litteris:   Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988  Art.  145.  A  União,  os  Estados,  o  Distrito  Federal  e  os  Municípios poderão instituir os seguintes tributos:  (...)  §1º  ­  Sempre que possível, os  impostos  terão caráter pessoal  e  serão  graduados  segundo  a  capacidade  econômica  do  contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente  para  conferir  efetividade  a  esses  objetivos,  identificar,  respeitados  os  direitos  individuais  e  nos  termos  da  lei,  o  patrimônio,  os  rendimentos  e  as  atividades  econômicas  do  contribuinte. (grifos nossos)     Fl. 966DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA     12 Art.  150.  Sem  prejuízo  de  outras  garantias  asseguradas  ao  contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal  e aos Municípios:  IV ­ utilizar tributo com efeito de confisco;    Olhando com os olhos de ver, avulta que os Princípios Constitucionais suso  realçados são dirigidos, sem sombra de dúvida, aos membros políticos do Congresso Nacional,  como  vetores  a  serem  seguidos  no  processo  de  gestação  de  normas  matrizes  de  cunho  tributário, não ecoando nos corredores do Poder Executivo, cujos servidores auditores  fiscais  subordinam­se  cegamente  ao  principio  da  atividade  vinculada  aos  ditames  da  lei,  dele  não  podendo se descuidar, sob pena de responsabilidade funcional.  Imerso  na  Ordem  Constitucional  positiva  e  eficaz,  a  disciplina  atinente  à  aplicação de penalidades pecuniárias decorrentes do descumprimento de obrigações tributárias  acessórias de cunho previdenciário ficou a cargo da Lei nº 8.212/91, cujo art. 92 estatuiu, de  forma  objetiva,  que  a  infração  a  qualquer  dispositivo  encartado  na  citada  lei  de  custeio  implicaria a cominação de multa, nos seguintes termos:   Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual  não  haja  penalidade  expressamente  cominada  sujeita  o  responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável  de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez  milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento.    Art.  102.  Os  valores  expressos  em  moeda  corrente  nesta  Lei  serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices  utilizados  para  o  reajustamento  dos  benefícios  de  prestação  continuada da Previdência Social.    Se nos parece de bom auspício destacar que as diretivas ora enunciadas não  colidem com as normas aventadas nos artigos 113, §3º e 136, ambos do CTN, ao contrário, lhe  realizam.   Código Tributário Nacional  Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória.  §1º  A  obrigação  principal  surge  com  a  ocorrência  do  fato  gerador,  tem por  objeto  o  pagamento  de  tributo  ou penalidade  pecuniária  e  extingue­se  juntamente  com  o  crédito  dela  decorrente.  §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem  por  objeto as  prestações,  positivas ou  negativas,  nela  previstas  no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos.  §3º  A  obrigação  acessória,  pelo  simples  fato  da  sua  inobservância,  converte­se  em  obrigação  principal  relativamente à penalidade pecuniária. (grifos nossos)     Art.  136.  Salvo  disposição  de  lei  em  contrário,  a  responsabilidade  por  infrações  da  legislação  tributária  independe  da  intenção  do  agente  ou  do  responsável  e  da  Fl. 967DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13839.002128/2007­81  Acórdão n.º 2302­01.163  S2­C3T2  Fl. 951          13 efetividade,  natureza  e  extensão  dos  efeitos  do  ato.  (grifos  nossos)     Conforme  articulado,  escapa  da  competência  deste  Colegiado  a  análise  da  adequação das normas tributárias introduzidas pela Lei nº 8.212/91 ao Ordenamento Jurídico às  vedações e princípios constitucionais aviados nos artigos 145 e 150 da Lei Maior.  Revela­se mais do que  sabido que a declaração  de  inconstitucionalidade de  leis  ou  a  ilegalidade  de  atos  administrativos  constitui­se  prerrogativa  outorgada  pela  Constituição  Federal  exclusivamente  ao  Poder  Judiciário,  não  podendo  os  agentes  da  Administração Pública imiscuírem­se ex proprio motu nas funções reservadas pelo Constituinte  Originário ao Poder Togado, sob pena de usurpação da competência exclusiva deste.  Ademais,  perfilhando  idêntico  entendimento  como  o  acima  esposado,  a  Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para  se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária.  Súmula CARF nº 2:   O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária.    Cumpre ainda salientar, por relevante, ser vedado aos membros das turmas de  julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de  observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com  a  Constituição  Federal,  conforme  determinado  pelo  art.  62  Regimento  Interno  do  CARF,  aprovado pela PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministério da Fazenda.  PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009  Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar  de  observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento de inconstitucionalidade.  Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de  tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:  I  ­  que  já  tenha  sido  declarado  inconstitucional  por  decisão  plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou  II ­ que fundamente crédito tributário objeto de:  a)  dispensa  legal  de  constituição  ou  de  ato  declaratório  do  Procurador­Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e  19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002;  b) súmula da Advocacia­Geral da União, na forma do art. 43 da  Lei Complementar n° 73, de 1993; ou  c)  parecer  do  Advogado­Geral  da  União  aprovado  pelo  Presidente  da  República,  na  forma  do  art.  40  da  Lei  Complementar n° 73, de 1993.    Fl. 968DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA     14 Igualmente,  sendo  a  atuação  da  Administração  Tributária  inteiramente  vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pelas leis que regem as contribuições ora  em  apreciação  plenamente  vigentes  e  eficazes,  a  inobservância  desses  comandos  legais  implicaria  negativa  de  vigência  por  parte  do Auditor  Fiscal Notificante,  fato  que  desaguaria  inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal.  Cumpre­nos chamar a atenção para o fato de que as disposições introduzidas  pela  legislação  tributária  em  apreço,  até  o  presente momento,  não  foram  ainda  vitimadas  de  qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa seja na  via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo portanto todos os efeitos  jurídicos que lhe são típicos.  Desbastada  nesses  talhes  a  escultura  jurídica,  impedido  se  encontra  este  Colegiado de apreciar tais alegações e afastar a multa aplicada nos trilhos mandamentais da lei,  sob alegação de inconstitucionalidade por violação ao princípio previsto no artigo 150, IV da  Constituição Federal, atividade essa que somente poderia emergir do Poder Judiciário.    3.3.  DA EXCLUSÃO DE FATOS GERADORES  Pondera o Recorrente que o lançamento referente à Nota Fiscal nº 14 deve ser  excluído do quadro de contribuintes individuais, por não caracterizar salário de contribuição.  Tal pedido, no entanto, não reúne condições para ser atendido.    Refere­se  o  Recorrente  a  uma  suposta  Nota  Fiscal  nº  14,  referente  à  competência  abril  de  2004,  sem  citar  a  empresa  prestadora  emissora,  tampouco  a  folha  do  processo onde tal documento teria sido coligido.  Compulsando  as  provas  dos  autos,  máxime  as  cópias  das  notas  fiscais  de  serviços acostadas as fls. 140/179, não logramos localizar qualquer nota fiscal que atendesse à  descrição delineada pelo Recorrente. Registre­se que a única nota fiscal de nº 14 localizada nos  autos  refere­se  à  competência  novembro/2003,  em  relação  à  qual  não  se  operou  qualquer  lançamento.  Cite­se que a decisão de 1ª  instância,  a  fl. 902, honrou alertar o Recorrente  sobre tal incongruência, quedando­se este inerte em solucionar a falha.  Nessas circunstâncias, não havendo o Recorrente produzido provas materiais  de  suas  alegações,  nem apresentado,  em momento  algum,  a nota  fiscal  emitida  em 03/2004,  impossibilitado fica este Colegiado de reformar a decisão guerreada.    3.4.   DA RELEVAÇÃO DA MULTA  Pondera  a  empresa  ter  promovido,  no  prazo  legal,  a  juntada  das  GFIP  originais  referentes  às  competências  fiscalizadas,  o  que  implicaria  a  improcedência  da  autuação.  Tal cantilena não corresponde à realidade dos fatos.  Fl. 969DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13839.002128/2007­81  Acórdão n.º 2302­01.163  S2­C3T2  Fl. 952          15 A Lei nº 8.212/91 foi editada com o propósito de disciplinar a organização da  Seguridade  Social,  bem  como  o  seu  Plano  de Custeio, mediante  a  instituição  de  obrigações  tributárias ditas principais e acessórias, na estruturação engendrada pelo art. 113 do CTN.  No que pertine aos deveres tributários adjetivos, estabelece o art. 92 da Lei de  Custeio da Seguridade Social que a infração de qualquer dispositivo dessa Lei, para a qual não  haja penalidade  expressamente  cominada,  sujeita  o  responsável  ao  pagamento  de  penalidade  pecuniária, de caráter variável em função da gravidade da  infração, conforme dispuser o  seu  regulamento.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual  não  haja  penalidade  expressamente  cominada  sujeita  o  responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável  de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez  milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento.    Ao tratar das circunstâncias atenuantes da infração, no capítulo reservado às  infrações,  o  Regulamento  da  Previdência  Social,  por  seu  art.  291,  estabeleceu  que  a  multa  aplicada por infração à legislação previdenciária poderia ser relevada se o infrator, no prazo de  impugnação, houvesse corrigido a falta e formulasse pedido para tanto, desde que satisfizesse,  cumulativamente,  as  condições  de  ser  infrator  primário  e  não  ter  incorrido  em  nenhuma  circunstância agravante.  Regulamento da Previdência Social   Art.  291.  Constitui  circunstância  atenuante  da  penalidade  aplicada  ter  o  infrator  corrigido  a  falta  até  o  termo  final  do  prazo para  impugnação.  (Redação dada pelo Decreto nº 6.032,  de 1º de fevereiro de 2007)  §1º  A  multa  será  relevada  se  o  infrator  formular  pedido  e  corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não  contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não  tenha  ocorrido  nenhuma  circunstância  agravante.  (Redação  dada pelo Decreto nº 6.032, de 1º de fevereiro de 2007)  §2º  O  disposto  no  parágrafo  anterior  não  se  aplica  à  multa  prevista no art. 286 e nos casos em que a multa decorrer de falta  ou insuficiência de recolhimento tempestivo de contribuições ou  outras importâncias devidas nos termos deste Regulamento.   §3º  A  autoridade  que  atenuar  ou  relevar  multa  recorrerá  de  ofício  para  a  autoridade  hierarquicamente  superior,  de  acordo  com o disposto no art. 366.    As  diretivas  enunciadas  no  Regulamento  da  Previdência  Social  não  discrepam daquelas dispostas na  Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de  julho de 2005, sob  cuja égide se deu a autuação em apreço, cujo art. 656 dispõe que haverá relevação da multa,  ainda  que  não  contestada  a  infração,  se  o  infrator  for  primário;  não  houver  incorrido  em  circunstância  agravante;  formular  pedido  para  tanto  no  prazo  de  impugnação  e,  antes  de  escoado esse mesmo prazo, houver corrigido a falta que deu ensejo à autuação.  Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005.   Fl. 970DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA     16 Art.  656.  Constitui  circunstância  atenuante  da  penalidade  aplicada  ter  o  infrator  corrigido  a  falta  até  o  termo  final  do  prazo  para  impugnação  do  Auto  de  Infração.  (Redação  dada  pela IN SRP nº 23, de 30/04/2007)    §1º A multa será relevada, ainda que não contestada a infração,  se o infrator:  I  ­  formular  pedido  dentro  do  prazo  de  defesa  e  comprovar  a  correção  da  falta  no  prazo  referido  no  caput;  (Redação  dada  pela IN SRP Nº 6, DE 11/08/2005)  II ­ for primário; e  III ­ não tiver incorrido em circunstância agravante.    Constata­se  que,  entre  os  requisitos  essenciais  elencados  pelo  RPS  para  a  relevação da multa, está a necessidade de a empresa ser "primária" e de haver corrigido a falta  até o termo final do prazo para impugnação.   Verifica­se, no entanto, conforme destacado no Relatório Fiscal de Aplicação  da  multa,  a  fl.  07,  que  a  empresa  não  é  primária,  havendo  sido  emitidos,  em  face  do  Recorrente,  em  fiscalização encerrada em 27/09/2002, os Autos  de  Infração nº 35.386.479­0  (Fund. Legal 81), 35.386.480­3 (Fund. Legal 38) e 35.386.481­1 (Fund. Legal 54), e na ação  fiscal finalizada em 28/10/2003, o Auto de Infração nº 35.543.303­6 (Fund. Legal 68).  Tais circunstâncias agravantes, previstas no inciso V do art. 290 do RPS, já  se mostram, de per si, impeditivas da concessão do benefício da relevação da multa.  Além  disso,  o  conjunto  probatório  acostado  aos  autos  não  se  mostrou  suficiente  para  comprovar  que  o  infrator  tenha  corrigido  integralmente,  no  prazo  normativo,  falta que deu ensejo à lavratura do presente Auto de Infração.  Por  tais motivos,  a  relevação  pretendida  pelo  Recorrente  não  lhe  pode  ser  agraciada, em virtude da carência de requisitos essenciais.     3.5.  DA LEGISLAÇÃO APLICÁVEL  Alega o Recorrente que a quantificação da multa imposta lastreou­se no art.  284, II do Decreto nº 3.048/99 que, por sua vez, regulamenta o art. 32, §5º da Lei nº 8.212/91,  o qual foi revogado expressamente pela Lei nº 11.941/2009, motivo pelo qual a autuação não  deve prevalecer.  O apelo  acima esposado demonstra uma necessidade urgente de  reciclagem  nos institutos de direito tributário.    Conforme já salientado em tópicos anteriores, a Constituição Federal de 1988  outorgou  à  Lei  Complementar  a  competência  para  estabelecer  normas  gerais  em matéria  de  legislação  tributária,  especialmente  sobre  obrigação,  lançamento,  crédito,  prescrição  e  decadência tributários.   Constituição Federal de 1988   Fl. 971DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13839.002128/2007­81  Acórdão n.º 2302­01.163  S2­C3T2  Fl. 953          17 Art. 146. Cabe à lei complementar:  III  ­  estabelecer  normas  gerais  em  matéria  de  legislação  tributária, especialmente sobre:  a)  definição  de  tributos  e  de  suas  espécies,  bem  como,  em  relação  aos  impostos  discriminados  nesta  Constituição,  a  dos  respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes;  b)  obrigação,  lançamento,  crédito,  prescrição  e  decadência  tributários;    Ao tratar de normas gerais em matéria de legislação tributária, já no âmbito  infraconstitucional, o art. 113 do Código Tributário Nacional  ­ CTN estabeleceu o discrimen  entre  as  obrigações  definidas  como  principais  e  aquelas  conceituadas  como  acessórias,  destacando  que  a  mera  observância  objetiva  destas  se  converte  naquela  relativamente  à  penalidade pecuniária infligida ao infrator.  Código Tributário Nacional ­ CTN   Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória.  §1º  A  obrigação  principal  surge  com  a  ocorrência  do  fato  gerador,  tem por  objeto  o  pagamento  de  tributo  ou penalidade  pecuniária  e  extingue­se  juntamente  com  o  crédito  dela  decorrente.  §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem  por  objeto as  prestações,  positivas ou  negativas,  nela  previstas  no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos.  §3º  A  obrigação  acessória,  pelo  simples  fato  da  sua  inobservância, converte­se em obrigação principal relativamente  à penalidade pecuniária.    Mais  adiante,  estatuiu  de  forma  expressa  o  art.  144  do  CTN,  imerso  na  competência que lhe fora outorgada pelo Constituinte Originário, que o lançamento tributário  reger­se­á  pela  lei  vigente  à  data  de  ocorrência  do  fato  gerador,  ainda  que  posteriormente  modificada ou revogada, honrando assim o consagrado princípio tempus regit actum.  Código Tributário Nacional ­ CTN   Art. 144. O lançamento reporta­se à data da ocorrência do fato  gerador da obrigação e rege­se pela lei então vigente, ainda que  posteriormente modificada ou revogada.  §1º Aplica­se ao lançamento a legislação que, posteriormente à  ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos  critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os  poderes  de  investigação  das  autoridades  administrativas,  ou  outorgado  ao  crédito  maiores  garantias  ou  privilégios,  exceto,  neste  último  caso,  para  o  efeito  de  atribuir  responsabilidade  tributária a terceiros.  §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados  por  períodos  certos  de  tempo,  desde  que  a  respectiva  lei  fixe  expressamente  a  data  em  que  o  fato  gerador  se  considera  ocorrido.  Fl. 972DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA     18 Nessa  perspectiva,  dispõe  o  código  tributário,  ad  litteram,  que  o  fato  de  a  norma  tributária  haver  sido  revogada,  ou  modificada,  após  a  ocorrência  concreta  do  fato  jurígeno imponível, não se constitui motivo legitimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o  crédito tributário correspondente, como assim demonstra acreditar o Recorrente.  O  principio  jurídico  suso  invocado,  no  entanto,  não  é  absoluto,  sendo  excepcionado  pela  superveniência  de  lei  nova,  nas  estritas  hipóteses  em  que  o  ato  jurídico  tributário, ainda não definitivamente julgado, deixar de ser definido como infração ou deixar de  ser considerado como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha  sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a  novel legislação lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo  da sua prática.    3.6.  DA RETROATIVIDADE BENIGNA  As  normas  jurídicas  que  disciplinavam  a  cominação  de  penalidades  decorrentes da não entrega de GFIP ou de sua entrega contendo  incorreções,  foram alteradas  pela  Lei  nº  11.941/2009,  produto  da  conversão  da  Medida  Provisória  nº  449/2008.  Tais  modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas  ao infrator que aquelas então derrogadas.   Nesse panorama, a supracitada Lei federal revogou os §§ 4º e 5º do art. 32 da  Lei nº 8.212/91, fazendo introduzir no bojo desse mesmo Diploma Legal o art. 32­A, ad litteris  et verbis:  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art. 32­A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração  de que trata o  inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo  fixado  ou  que  a  apresentar  com  incorreções  ou  omissões  será  intimado a apresentá­la ou a prestar esclarecimentos e sujeitar­ se­á às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009).  I  –  de  R$  20,00  (vinte  reais)  para  cada  grupo  de  10  (dez)  informações  incorretas  ou  omitidas;  e  (Incluído  pela  Lei  nº  11.941/2009).  II  –  de  2%  (dois  por  cento)  ao  mês­calendário  ou  fração,  incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda  que  integralmente  pagas,  no  caso  de  falta  de  entrega  da  declaração ou entrega após o prazo,  limitada a 20% (vinte por  cento), observado o disposto no §3º deste artigo.  (Incluído pela  Lei nº 11.941/2009). (grifos nossos)   §1º Para  efeito  de  aplicação  da multa  prevista  no  inciso  II  do  caput  deste  artigo,  será  considerado  como  termo  inicial  o  dia  seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração  e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não  apresentação,  a  data  da  lavratura  do  auto  de  infração  ou  da  notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009).  §2º Observado  o  disposto  no  §3º  deste  artigo,  as multas  serão  reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009).  I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo,  mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela  Lei nº 11.941/2009).  Fl. 973DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13839.002128/2007­81  Acórdão n.º 2302­01.163  S2­C3T2  Fl. 954          19 II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação  da declaração no prazo  fixado em  intimação.(Incluído pela Lei  nº 11.941/2009).  §3 A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº  11.941/2009).  I  –  R$  200,00  (duzentos  reais),  tratando­se  de  omissão  de  declaração  sem  ocorrência  de  fatos  geradores  de  contribuição  previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941/2009).  II  –  R$  500,00  (quinhentos  reais),  nos  demais  casos.  (Incluído  pela Lei nº 11.941/2009).    Originariamente, a conduta  infracional consistente em apresentar GFIP com  dados  não  correspondentes  aos  fatos  geradores  era  punível  com  pena  pecuniária  correspondente a cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada  aos valores previstos no parágrafo 4º do artigo 32 da Lei n º 8.212/91. A Medida Provisória nº  449/2009, convertida na Lei n º 11.941/2009, alterou a memória de cálculo da penalidade em  tela, passando a impor a multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações  incorretas ou omissas, mantendo inalterada a tipificação legal da conduta punível.  A multa acima delineada será aplicada ao infrator independentemente de este  ter promovido ou não o recolhimento das contribuições previdenciárias correspondentes, a teor  do inciso I do art. 32­A acima transcrito, fato que demonstra tratar­se a ora discutida imputação  de  penalidade  pelo  descumprimento  de  obrigação  instrumental  acessória. Assim,  a  sua mera  inobservância  consubstancia­se  infração  e  implica  a  imposição  de  penalidade pecuniária,  em  atenção às disposições estampadas no art. 113, §3º do CTN.  A Secretaria  da Receita  Federal  do Brasil  editou  a  IN RFB  nº  1.027/2010,  que assim dispôs em seu artigo 4º:  Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 22 de abril de 2010  Art.  4º  A  Instrução  Normativa  RFB  nº  971,  de  2009,  passa  a  vigorar acrescida do art. 476­A:  Art. 476­A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos  geradores ocorridos:  I  ­  até  30  de  novembro  de  2008,  deverá  ser  aplicada  a  penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do  inciso  II  do  art.  106  da  Lei  nº  5.172,  de  1966  (CTN),  cuja  análise  será  realizada  pela  comparação  entre  os  seguintes  valores:  a)  somatório  das  multas  aplicadas  por  descumprimento  de  obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de  1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das  aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos  moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991,  em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e  b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35­A da Lei nº  8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009.  Fl. 974DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA     20   II ­ a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicam­se as multas  previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996.  § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da  Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela  Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente,  sem  a  imposição  de  penalidade  pecuniária  pelo  descumprimento  de  obrigação  principal,  deverão  ser  comparadas com as penalidades previstas no art. 32­A da Lei  nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de  2009.  §2º A comparação de que trata este artigo não será feita no  caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta  para a qual não havia antes penalidade prevista.    Mostra­se flagrante que a citada IN RFN nº 1.027/2010 extrapolou os limites  da lei, inovando o ordenamento jurídico. Nos termos do art. 97 do CTN, somente a lei formal  pode  dispor  sobre  a  cominação  de  penalidades  para  as  ações  ou  omissões  contrárias  a  seus  dispositivos, e tratar de hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou  de dispensa ou redução de penalidades.  Código Tributário Nacional ­ CTN   Art. 97. Somente a lei pode estabelecer:  I ­ a instituição de tributos, ou a sua extinção;  II  ­  a  majoração  de  tributos,  ou  sua  redução,  ressalvado  o  disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65;  III  ­  a  definição  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal, ressalvado o disposto no inciso I do §3º do artigo 52, e  do seu sujeito passivo;  IV  ­  a  fixação de alíquota do  tributo  e da sua base de  cálculo,  ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65;  V  ­  a  cominação  de  penalidades  para  as  ações  ou  omissões  contrárias  a  seus  dispositivos,  ou  para  outras  infrações  nela  definidas;  VI  ­ as hipóteses de exclusão,  suspensão e extinção de créditos  tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades.    Art. 106. A lei aplica­se a ato ou fato pretérito:  I ­ em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa,  excluída  a  aplicação de  penalidade  à  infração dos dispositivos  interpretados;  II ­ tratando­se de ato não definitivamente julgado:  a) quando deixe de defini­lo como infração;  b) quando deixe de tratá­lo como contrário a qualquer exigência  de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não  tenha implicado em falta de pagamento de tributo;  c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na  lei vigente ao tempo da sua prática.    Fl. 975DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13839.002128/2007­81  Acórdão n.º 2302­01.163  S2­C3T2  Fl. 955          21 A  alínea  ‘a’  do  inciso  I  do  art.  476­A  da  Instrução  Normativa  RFB  nº  971/2009, acrescentado pela IN RFB nº 1.027/2010, é tendente a excluir, sem previsão de lei  formal, penalidade pecuniária imposta pelo descumprimento de obrigação acessória nos casos  em  que  a  multa  de  ofício  aplicada  pelo  descumprimento  de  obrigação  principal  for  mais  benéfica  ao  infrator.  Tal  hipótese  não  se  enquadra,  de  forma  alguma,  na  situação  de  retroatividade benigna prevista pelo art. 106, II, ‘c’ do CTN, pois emprega como parâmetros de  comparação penalidades de natureza jurídica diversa, uma pelo descumprimento de obrigação  principal e a outra, pelo de obrigação acessória.  Como  é  de  sabença  universal,  a  incidência  de  ambas  as  penalidades  são  independentes  entre  si,  pois que a  aplicação de uma não afasta  a  incidência da outra  e vice­ versa. Nesse contexto, não se trata de retroatividade da lei mais benéfica, mas, sim, de dispensa  de  penalidade  pecuniária  estabelecida  mediante  Instrução  Normativa,  favor  tributário  que  somente poderia emergir da lei formal, a teor do inciso VI, in fine, do art. 97 do CTN.   Vislumbra­se inaplicável, portanto, a referida IN RFB nº 1.027/2010, por ser  flagrantemente  ilegal. Como demonstrado, é possível a aplicação da multa  isolada em GFIP,  independentemente de o contribuinte ter promovido o recolhimento do tributo correspondente,  conforme assentado no art. 32­A da Lei n º 8.212/91.   Uma  vez  que  a  penalidade  pelo  descumprimento  de  obrigação  acessória  encontra­se  prevista  em  lei,  somente  o  Poder  Legislativo  dispõe  de  competência  para  dela  dispor.  A  legislação  complementar,  na  forma  de  Instrução  Normativa,  emanada  do  Poder  Executivo,  extrapola  os  limites  de  sua  competência  concedendo  anistia  para  exclusão  de  crédito tributário, em violação às disposições insculpidas no §6º do art. 150 da CF/88, o qual  exige lei em sentido estrito.  Nesse  contexto,  afastada  por  ilegalidade  a norma  estatuída  pela  IN RFB  nº  1.027/2010, por  representar a novel  legislação encartada no art. 32­A da Lei nº 8.212/91 um  benefício ao contribuinte, verifica­se a incidência do preceito encartado na alínea ‘c’ do inciso  II  do  art.  106 do CTN, devendo  ser observada a  retroatividade benigna,  sempre que  a multa  decorrente da sistemática de cálculo realizada na forma prevista no art. 32­A da Lei nº 8.212/91  cominar  ao  Sujeito  Passivo  uma  penalidade  menos  severa  que  a  prevista  na  lei  vigente  ao  tempo da ocorrência da infração.  Assim, tratando­se o presente caso de hipótese de entrega de GFIP contendo  informações  incorretas  ou  com  omissão  de  informações,  deverá  ser  aplicada  a  penalidade  prevista  no  inciso  I  do  art.  32­A  da  Lei  nº  8.212/91,  se  esta  se  mostrar  mais  benéfica  ao  Recorrente.    3.7.  DA PRODUÇÃO DE PROVAS  Requer ainda o Recorrente a produção de prova pericial, testemunhal e todas  em direitos admitidas, diligências, e juntada de documentos.  Tal pedido não pode ser agraciado.  A legislação tributária que rege o Processo Administrativo Fiscal aponta que  o foro apropriado para a contradita aos termos do lançamento concentra­se na fase processual  da impugnação, cujo oferecimento instaura a fase litigiosa do procedimento.   Fl. 976DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA     22 No âmbito do Ministério da Previdência Social a disciplina do rito processual  em tela, à época da lavratura da NFLD em estudo, restou a cargo da Portaria MPS n° 520, de  19 de maio de 2004, cujo art. 9º assinala, categoricamente, que o instrumento de bloqueio deve  consignar  os  motivos  de  fato  e  de  direito  em  que  se  fundamenta  a  defesa,  os  pontos  de  discordância, as razões e as provas que possuir. Mas não pára por aí: Impõe ao impugnante o  ônus de instruir a peça de defesa com todas as provas documentais, sob pena de preclusão do  direito  de  fazê­lo  em  momento  futuro,  ressalvadas,  excepcionalmente,  as  hipóteses  taxativamente arroladas em seu parágrafo primeiro.  Portaria MPS n° 520, de 19 de maio de 2004.    Art. 9 A impugnação mencionará:  I ­ a autoridade julgadora a quem é dirigida;   II ­ a qualificação do impugnante;   III  ­ os motivos de fato e de direito em que se  fundamenta, os  pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (grifos  nossos)   IV ­ as diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam  efetuadas,  expostos  os  motivos  que  as  justifiquem,  com  a  formulação de  quesitos  referentes aos  exames  desejados,  assim  como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação  profissional de seu perito.   §1°  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluindo  o  direito  de  o  impugnante  fazê­lo  em  outro  momento processual, a menos que: (grifos nossos)   a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação  oportuna, por motivo de força maior;   b) refira­se a fato ou a direito superveniente;  c)  destine­se  a  contrapor  fatos  ou  razões  posteriormente  trazidas aos autos  §2º A  juntada  de  documentos  após  a  impugnação  deverá  ser  requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se  demonstre,  com  fundamentos,  a  ocorrência  de  uma  das  condições  previstas  nas  alíneas  do  parágrafo  anterior.  (grifos  nossos)   §3º  Caso  já  tenha  sido  proferida  a  decisão,  os  documentos  apresentados  permanecerão  nos  autos  para,  se  for  interposto  recurso,  serem  apreciados  pelo  Conselho  de  Recursos  da  Previdência Social.   §4º  A  matéria  de  fato,  se  impertinente,  será  apreciada  pela  autoridade  competente  por  meio  de  Despacho  ou  nas  contrarrazões, se houver recurso.   §5º A decisão deverá ser reformada quando a matéria de fato for  pertinente.   §6º Considerar­se­á não  impugnada a matéria  que não  tenha  sido expressamente contestada. (grifos nossos)   §7º  As  provas  documentais,  quando  em  cópias,  deverão  ser  autenticadas,  por  servidor  da  Previdência  Social,  mediante  conferência com os originais ou em cartório.   §8º  Em  caso  de  discussão  judicial  que  tenha  relação  com  os  fatos geradores incluídos em Notificação Fiscal de Lançamento  de  Débito  ou  Auto  de  Infração,  o  contribuinte  deverá  juntar  Fl. 977DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13839.002128/2007­81  Acórdão n.º 2302­01.163  S2­C3T2  Fl. 956          23 cópia  da  petição  inicial,  do  agravo,  da  liminar,  da  tutela  antecipada, da sentença e do acórdão proferidos.     Registre­se,  a  título  de mera  reflexão,  se  que  os  preceptivos  encartados  na  norma  de  regência  aqui  enunciada  não  se  contrapõem  às  normas  estampadas  no Decreto  nº  70.235/72,  que  hoje  rege  o  Processo  Administrativo  Fiscal  nas  ordens  do  Ministério  da  Fazenda, antes, sendo, destas, espelho.  Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972   Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com  os  documentos  em  que  se  fundamentar,  será  apresentada  ao  órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em  que for feita a intimação da exigência.    Art. 16. A impugnação mencionará:  I ­ a autoridade julgadora a quem é dirigida;  II ­ a qualificação do impugnante;  III  ­  os motivos  de  fato  e  de  direito  em  que  se  fundamenta,  os  pontos  de  discordância  e  as  razões  e  provas  que  possuir;  (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos)   IV ­ as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam  efetuadas,  expostos  os  motivos  que  as  justifiquem,  com  a  formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim  como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação  profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de  1993)  V ­ se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial,  devendo  ser  juntada  cópia  da  petição.  (Incluído  pela  Lei  nº  11.196, de 2005)  §1º  Considerar­se­á  não  formulado  o  pedido  de  diligência  ou  perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no  inciso  IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993)  §2º  É  defeso  ao  impugnante,  ou  a  seu  representante  legal,  empregar  expressões  injuriosas  nos  escritos  apresentados  no  processo, cabendo ao  julgador, de ofício ou a  requerimento do  ofendido, mandar riscá­las. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993)  §3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou  estrangeiro,  provar­lhe­á  o  teor  e  a  vigência,  se  assim  o  determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993)  §4º  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluindo  o  direito  de  o  impugnante  fazê­lo  em  outro  momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532,  de 1997) (grifos nossos)   a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação  oportuna,  por  motivo  de  força  maior;(Incluído  pela  Lei  nº  9.532, de 1997)  Fl. 978DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA     24 b)  refira­se  a  fato  ou  a  direito  superveniente;(Incluído  pela  Lei nº 9.532, de 1997)  c)  destine­se  a  contrapor  fatos  ou  razões  posteriormente  trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)  §5º A  juntada  de  documentos  após  a  impugnação  deverá  ser  requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se  demonstre,  com  fundamentos,  a  ocorrência  de  uma  das  condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído  pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos)   §6º  Caso  já  tenha  sido  proferida  a  decisão,  os  documentos  apresentados  permanecerão  nos  autos  para,  se  for  interposto  recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda  instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)    Art.  17.  Considerar­se­á  não  impugnada  a  matéria  que  não  tenha  sido  expressamente  contestada  pelo  impugnante.  (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos)     Art.  18.  A  autoridade  julgadora  de  primeira  instância  determinará,  de  ofício  ou  a  requerimento  do  impugnante,  a  realização  de  diligências  ou  perícias,  quando  entendê­las  necessárias,  indeferindo  as  que  considerar  prescindíveis  ou  impraticáveis,  observando  o  disposto  no  art.  28,  in  fine.  (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos)     Avulta, nesse panorama jurídico, que o Recorrente não tem que protestar pela  produção de provas documentais no processo  administrativo, mas,  sim, por disposição  legal,  que produzi­las, de forma concentrada, já em sede de impugnação, colacionadas juntamente na  peça de defesa, sob pena de preclusão.    Da  análise  de  tudo  o  quanto  se  considerou  no  presente  julgado,  pode­se  asselar  categoricamente  que  a  decisão  de  primeira  instância  não  demanda,  alfim,  qualquer  reparo.    4.   CONCLUSÃO:  Pelos  motivos  expendidos,  CONHEÇO  do  Recurso  Voluntário  para,  no  mérito,  DAR­LHE  PROVIMENTO  PARCIAL,  devendo  a  penalidade  ser  recalculada  tomando­se  em  consideração  as  disposições  inscritas  no  art.  32­A,  I  da  Lei  nº  8.212/91,  inserido  pela Medida  Provisória  nº  449/2008,  somente  na  estrita  hipótese  de  o  valor  multa  assim  calculado  se  mostrar  menos  gravoso  ao  Recorrente,  em  atenção  ao  princípio  da  retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN.    É como voto.    Fl. 979DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13839.002128/2007­81  Acórdão n.º 2302­01.163  S2­C3T2  Fl. 957          25 Arlindo da Costa e Silva                                 Fl. 980DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA

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Numero do processo: 10166.722855/2009-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2005 MULTA DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Mantido o auto de infração principal, há de ser mantida a presente autuação, eis que reflexa àquele lançamento.
Numero da decisão: 2301-002.141
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: a) em não conhecer do recurso em relação à diferença verificada em DIRF´s, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao Recurso nas demais questões, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Adriano González Silvério

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previdenciária  Recorrente  COOPERFORTE ­ COOP. DE ECON. E CRED. MUTUO DE INST. FINANC  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2005  MULTA ­ DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA  Mantido o auto de infração principal, há de ser mantida a presente autuação,  eis que reflexa àquele lançamento.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos:  a)  em  não  conhecer  do  recurso  em  relação  à  diferença  verificada  em  DIRF´s,  nos  termos  do  voto  do  Relator;  b)  em  negar  provimento  ao  Recurso  nas  demais  questões,  nos  termos  do  voto  do  Relator.     Marcelo Oliveira ­ Presidente.     Adriano Gonzales Silvério ­ Relator.      EDITADO EM:   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Marcelo  Oliveira  (Presidente), Damião Cordeiro de Moraes, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique  Pires Lopes, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério.     Fl. 473DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 11/08 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO     2     Relatório  Trata­se de Auto de Infração nº 37.143.556­0, o qual exige multa pelo fato de  o  contribuinte  deixar  de  arrecadar, mediante  desconto,  a  retenção  de  11%  incidente  sobre  a  remuneração  de  contribuintes  individuais  e  a  contribuição  dos  segurados  empregados,  constantes dos levantamentos CCF, CPA, DEL, DI1, DI2 e Z1, lançada no AI nº 37.143.551­0.  A empresa autuada apresentou sua  impugnação alegando, em breve síntese,  os argumentos a seguir:  i) o lançamento tem efeito confiscatório, sendo nulo o lançamento em virtude  de agressão ao inciso IV do artigo 150 da Constituição Federal;  ii) que o  lançamento contraria o artigo 142 do Código Tributário Nacional,  pois  foi  lavrado  sem a  clareza  e precisão dos  fatos geradores, motivo pela qual  está  criando  dificuldades para o exercício da defesa;  iii)  não  incide  contribuição previdenciária  sobre os pagamentos  efetuados  a  membros de Conselho Fiscal, Conselho Administrativo  e Delegados,  uma vez que esses não  são vinculados obrigatório ao RGPS;  iv) que os diretores e os presidentes não podem figurar como co­responsáveis  pelo débito;  v)  que  é  inaplicável  a  multa  haja  vista  que  os  pagamentos  efetuados  a  membros  de  Conselho  Fiscal,  Conselho  Administrativo  e  Delegados  não  constituem  fato  gerador das contribuições previdenciárias;  vi)  que  é  impossível  gerar  a  GFIP,  pois  não  houve  a  ocorrência  do  fato  gerador;  vii) que a representação fiscal para fins penais ofende o princípio da verdade  material.    A DRJ de Brasília manteve integralmente o presente AI, conforme se extrai  da ementa transcrita:  “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS   Data do fato gerador: 07/12/2009   AIOA no 37.143.556­0   MULTA POR INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA.   Deixar  a  empresa  de  arrecadar,  mediante  desconto  das  remunerações,  as  contribuições  dos  segurados  empregados  e  trabalhadores  avulsos  e  do  contribuinte  individual  a  seu  serviço.CFL 59.”  Fl. 474DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 11/08 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10166.722855/2009­01  Acórdão n.º 2301­02.141  S2­C3T1  Fl. 3          3   A  autuada,  devidamente  intimada  em  interpôs  recurso  voluntário  alegando  que devem ser considerados os argumentos suscitados nos autos do processo administrativo nº  10166.722850/2009­70,  que  se  acolhidos,  ensejarão  o  cancelamento  da  multa.  São  esses  os  argumentos argüidos naqueles autos:  “i)  que  o  crédito  tributário  aqui  versado  está  conectado  com  aquele apurado no processo 10166.722849/2009­45, razão pela  qual transcreve os argumentos sustentados naquele processo no  sentido  de  que  em  relação  à  diferença  verificada  em  DIRF,  trata­se  de  adiantamento  de  férias  pagas,  havendo,  na  legislação, um desencontro de  fato gerador. Para o  imposto de  renda  ocorre  quando  do  pagamento  e  para  as  contribuições  previdenciárias, apenas quando do efetivo gozo das férias;  ii) não  incide contribuição previdenciária sobre os pagamentos  efetuados  a  membros  de  Conselho  Fiscal,  Conselho  Administrativo  e  Delegados,  uma  vez  que  esses  não  são  vinculados obrigatório ao RGPS; e  ii)  o  auto  de  infração  incorreu  em erro,  pois  tributou  despesas  com  passagens  aéreas;  abono  produtividade  de  conselheiros,  etc.”  É o relatório.    Voto             Conselheiro Adriano Gonzales Silvério  Tendo  em vista  que  a multa  aqui  aplicada  é  reflexo  da  autuação  procedida  nos autos do processo nº 10166.722850/2009­70, peço vênia a meus pares para transcrever o  voto que proferi naqueles autos:  O recurso  há  de  ser  conhecido em parte,  uma  vez  que  no meu  entender a recorrente suscitou questões não levadas em sede de  impugnação e, portanto, ao conhecimento do órgão colegiado de  primeira instância.  Como visto no relatório acima, a recorrente suscita equívoco no  lançamento  das  contribuições  previdenciárias,  uma  vez  que  os  fatos  geradores  para  o  imposto  de  renda  ocorre  em  momento  diverso  do  das  contribuições,  não  podendo  a  fiscalização  ter  considerado a DIRF como prova para efetuar o lançamento.  Ora  essa  questão  não  foi  suscitada  quando  da  impugnação  e,  assim,  creio  que  houve  preclusão  processual.  Conhecer  dessa  matéria  nessa  segunda  instância  administrativa  ensejaria  a  supressão  da  primeira  instância  como  órgão  que  primeiro  analisa e decide sobre a matéria impugnada.  Fl. 475DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 11/08 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO     4 Outro  ponto  que  merece  não  ser  conhecido  diz  respeito  à  tributação  sobre  despesas  com  passagens  aéreas  ou  abono  produtividade de  conselheiros da autuada,  eis que  também não  foi sustentada em sede de impugnação.   Assim,  o  recurso  merece  ser  analisado  apenas  no  que  diz  respeito  à  caracterização  dos  membros  de  Conselho  Fiscal,  Conselho  Administrativo  e  Delegados  como  contribuintes  individuais do RGPS.  Segundo o artigo 12, inciso V, alínea f da Lei nº 8.212, de 24 de  julho de 1991, são segurados obrigatórios do RGPS na condição  de  contribuinte  individual  o  “associado  eleito  para  o  cargo  de  direção em cooperativa”.  A Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971, ao definir a Política  Nacional  de  Cooperativismo  e  instituir  o  regime  jurídico  das  sociedades  cooperativas,  estabelece  em  seu  artigo  47  que  a  cooperativa  “será  administrada  por  uma Diretoria  ou Conselho  de  Administração,  composto  exclusivamente  de  associados  eleitos pela Assembléia Geral”.  Já em seu artigo 56 assinala que a “administração da sociedade  será  fiscalizada,  assídua  e  minuciosamente,  por  um  Conselho  Fiscal”.  No tocante aos Delegados, esses representarão os associados na  Assembléia  Geral  da  cooperativa,  conforme  o  artigo  27  do  estatuto  da  autuada.  A  Assembléia,  por  sua  vez,  é  o  “órgão  deliberativo  supremo”  da  cooperativa,  de  acordo  com  o  artigo  24 do Estatuto.  A  assembléia  geral,  o  conselho  fiscal  e  o  conselho  de  administração,  de  acordo  com  o  artigo  23  do  Estatuto  da  autuada  são  os  seus  órgãos  sociais,  isto  é,  os  órgãos  responsáveis pela direção da cooperativa.  Ao  contrário  do  que  sustenta  a  recorrente,  penso  que  a  legislação  previdenciária  ao  versar  sobre  “cargo  de  direção”  não restringiu a obrigatoriedade de filiação ao regime geral da  Previdência  Social,  como contribuinte  individual,  aos membros  do  conselho  de  administração.  A  meu  ver  a  lei  é  mais  ampla,  caracterizando  como  contribuinte  individual  todo  aquele  cooperado que  exerça qualquer  cargo que  implique na direção  da cooperativa.  E  essa  direção,  como  visto,  não  é  realizada  apenas  pelos  membros  do  conselho  de  administração,  mas  também  pelos  membros da Assembléia Geral e do Conselho Fiscal.  Nesse sentido destaco julgado do Egrégio Superior Tribunal de  Justiça, o qual se alinha ao entendimento ora manifestado:  “TRIBUTÁRIO – ART. 22 DA LEI N. 8.212/91 – MEMBROS DO  CONSELHO  FISCAL  E  ADMINISTRATIVO  –  COMPARECIMENTO  A  REUNIÕES  –  INCIDÊNCIA  DE  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA  INDEPENDENTE  DE  VÍNCULO EMPREGATÍCIO.  Fl. 476DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 11/08 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10166.722855/2009­01  Acórdão n.º 2301­02.141  S2­C3T1  Fl. 4          5 1. Cinge­se a controvérsia à  incidência ou não da contribuição  previdenciária  sobre  a  remuneração  paga  aos  membros  do  conselho  fiscal  e  de  administração  pelo  comparecimento  em  reuniões.  2. Os cargos de direção existentes nas  cooperativas,  desde que  pelo seu exercício venham a ser remunerados, qualquer que seja  o nome dado a essa remuneração, se pro­labore ou honorários,  estão  sujeitos  à  incidência  de  contribuições  previdenciárias,  mesmo que essa função, nessas circunstâncias, seja exercida por  cooperados, pois o exercício de atividade remunerada vem a ser  a condição preponderante, no direito previdenciário, da filiação  do regime de que trata o caso.  3.  As  funções  de  Diretor  e  de  Conselheiro  Fiscal,  por  serem  remuneradas,  in  casu,  são  consideradas  como  integrantes  do  salário­de­contribuição;  estão  incluídas  do  regime  previdenciário urbano.  Agravo regimental improvido.”  (AgRg  no  REsp  1117023/RS,  Rel.  Ministro  HUMBERTO  MARTINS,  SEGUNDA  TURMA,  julgado  em  05/08/2010,  DJe  19/08/2010)  Outrossim,  há  de  se  registrar  que  o  dispositivo  legal  da multa  aplicada  foi  alterado  pela  Lei  11.941,  de  27  de maio  de  2009,  merecendo verificar a questão relativa à retroatividade benigna  prevista  na  alínea  “c”,  do  inciso  II,  do  artigo  106,  da  Lei  nº  5.172, de 25 de outubro de 1966.  Segundo as novas disposições legais, a multa de mora que antes  respeitava a gradação prevista na redação original do artigo 35,  da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, passou a ser prevista no  caput desse mesmo artigo, mas agora limitada a 20% (vinte por  cento), uma vez que submetida às disposições do artigo 61 da Lei  nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.  Em princípio houve beneficiamento da situação do contribuinte,  motivo  pelo  qual  incide  na  espécie  a  retroatividade  benigna  prevista  na  alínea  “c”,  do  inciso  II,  do  artigo  106,  da  Lei  nº  5.172,  de  25  de  outubro  de  1966, Código  Tributário Nacional,  devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos  termos  do  artigo  35  caput  da  Lei  nº  8.212,  de  24  de  julho  de  1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de  2009.  Como se pode notar, o recurso foi conhecido em parte e, na parte conhecida,  foi provido apenas para aplicar a multa mais benéfica. Anoto que a alteração na quantificação  das multas, procedidas pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, não alterou a aplicada no  caso concreto, razão pela qual não há que se falar em aplicação da alínea “c”, do inciso II, do  artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional.  Ante  o  exposto,  voto  no  sentido  de CONHECER  PARCIALMENTE  O  RECURSO e, na parte conhecida NEGAR­LHE PROVIMENTO.  Fl. 477DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 11/08 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO     6   Adriano  Gonzales  Silvério  ­  Relator                               Fl. 478DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 11/08 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO

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Numero do processo: 15582.000341/2007-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/05/2000 a 30/11/2005 DECADÊNCIA De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Para os lançamentos de ofício, como é o caso do Auto de Infração, aplica-se, a regra contida no art. 173 do Código Tributário Nacional. APRESENTAÇÃO DE GFIP/GRFP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS . Toda empresa está obrigada a informar, por intermédio de GFIP/GRFP, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária. SALÁRIO INDIRETO PRÊMIO O prêmio fornecido pela empresa a seus empregados a título de incentivo pelas vendas, integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial. REMUNERAÇÃO CONCEITO Remuneração é o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo empregado pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador ou de terceiros, decorrentes do contrato de trabalho. HABITUALIDADE. O conhecimento prévio de que tal pagamento será realizado quando implementada a condição para seu recebimento retira-lhe o caráter da eventualidade, tornando-o habitual. GRADAÇÃO DA MULTA POR DOLO, FRAUDE OU MÁ FÉ INOCORRÊNCIA. Não cabe a gradação da multa com fundamento no art. 290, II, do RPS quando não restar comprovado, nos autos, que o contribuinte tenha agido com dolo, fraude ou má fé. O entendimento da empresa de que a verba paga não possui natureza salarial não configura dolo ou fraude. RETROATIVIDADE BENIGNA. OMISSÕES E INEXATIDÕES NA GFIP. LEI 11.941/2009. REDUÇÃO DA MULTA. As multas por omissões ou inexatidões na GFIP foram alteradas pela Lei 11.949/2009 de modo a, possivelmente, beneficiar o infrator, conforme consta do art. 32A da Lei n º 8.212/1991. Conforme previsto no art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-001.945
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do Redator Designado. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir devido á regra decadencial do I, Art. 173 do CTN os fatos que ensejaram o cálculo da multa até 12/2000, anteriores a 01/2001, nos termos do voto da Relatora; e b) em negar provimento ao recurso, nas demais questões argüidas pela Recorrente, nos termos do voto da Relatora. Redator Designado: Mauro José Silva.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS

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Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS  Período de apuração: 01/05/2000 a 30/11/2005  DECADÊNCIA  De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei  nº  8.212/1991  são  inconstitucionais,  devendo  prevalecer,  no  que  tange  à  decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.  Nos  termos do  art.  103­A da Constituição Federal,  as Súmulas Vinculantes  aprovadas  pelo  Supremo  Tribunal  Federal,  a  partir  de  sua  publicação  na  imprensa  oficial,  terão  efeito  vinculante  em  relação  aos  demais  órgãos  do  Poder  Judiciário  e  à  administração  pública  direta  e  indireta,  nas  esferas  federal, estadual e municipal.  Para os lançamentos de ofício, como é o caso do Auto de Infração, aplica­se,  a regra contida no art. 173 do Código Tributário Nacional.  APRESENTAÇÃO  DE  GFIP/GRFP  COM  DADOS  NÃO  CORRESPONDENTES  AOS  FATOS  GERADORES  DE  TODAS  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS .   Toda empresa está obrigada a informar, por intermédio de GFIP/GRFP, todos  os fatos geradores de contribuição previdenciária.  SALÁRIO INDIRETO ­ PRÊMIO  O  prêmio  fornecido  pela  empresa  a  seus  empregados  a  título  de  incentivo  pelas vendas, integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial.  REMUNERAÇÃO ­ CONCEITO  Remuneração  é  o  conjunto  de  prestações  recebidas  habitualmente  pelo  empregado  pela  prestação  de  serviços,  seja  em  dinheiro  ou  em  utilidades,  provenientes  do  empregador  ou  de  terceiros,  decorrentes  do  contrato  de  trabalho.  HABITUALIDADE     Fl. 1DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 05/04/2011 por MAURO JOSE SILVA     2 O  conhecimento  prévio  de  que  tal  pagamento  será  realizado  quando  implementada  a  condição  para  seu  recebimento  retira­lhe  o  caráter  da  eventualidade, tornando­o habitual.   GRADAÇÃO  DA  MULTA  POR  DOLO,  FRAUDE  OU  MÁ­FÉ  ­  INOCORRÊNCIA.  Não  cabe  a  gradação  da  multa  com  fundamento  no  art.  290,  II,  do  RPS  quando  não  restar  comprovado,  nos  autos,  que  o  contribuinte  tenha  agido  com dolo, fraude ou má­fé.  O entendimento da empresa de que a verba paga não possui natureza salarial  não configura dolo ou fraude.  RETROATIVIDADE BENIGNA. OMISSÕES E INEXATIDÕES NA GFIP.  LEI 11.941/2009. REDUÇÃO DA MULTA.  As  multas  por  omissões  ou  inexatidões  na  GFIP  foram  alteradas  pela  Lei  11.949/2009  de  modo  a,  possivelmente,  beneficiar  o  infrator,  conforme  consta  do  art.  32­A  da  Lei  n  º  8.212/1991. Conforme  previsto  no  art.  106,  inciso II, alínea “c” do CTN, a lei aplica­se a ato ou fato pretérito, tratando­se  de  ato  não  definitivamente  julgado:  quando  lhe  comine  penalidade  menos  severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.  Recurso Provido em Parte      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,    I)  Por  maioria  de  votos:  a)  em  dar  provimento parcial ao recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32­A, da Lei  8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do Redator Designado.  Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em  dar provimento parcial ao recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos  termos do  I,  art.  44,  da Lei n.º  9.430/1996,  como determina o Art.  35­A da Lei 8.212/1991,  deduzindo­se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso  seja mais benéfico à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao  recurso, nas preliminares, para excluir ­ devido á regra decadencial do I, Art. 173 do CTN ­ os  fatos que ensejaram o cálculo da multa até 12/2000, anteriores a 01/2001, nos termos do voto  da  Relatora;  e  b)  em  negar  provimento  ao  recurso,  nas  demais  questões  argüidas  pela  Recorrente, nos termos do voto da Relatora. Redator Designado: Mauro José Silva.  Marcelo Oliveira ­ Presidente.     Bernadete de Oliveira Barros­ Relator.    Mauro Jose Silva ­ Redator designado.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros:  Marcelo  Oliveira  (Presidente), Adriano Gonzales  Silverio,  Bernadete De Oliveira  Barros, Wilson Antonio De  Souza Correa, Mauro Jose Silva, Edgar Silva Vidal.  Fl. 2DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 05/04/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15582.000341/2007­33  Acórdão n.º 2301­01.945  S2­C3T1  Fl. 259          3 Fl. 3DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 05/04/2011 por MAURO JOSE SILVA     4   Relatório  Trata­se  de  Auto  de  Infração,  lavrado  em  25/10/2006,  por  ter  a  empresa  acima  identificada  apresentado  GFIP/GRFP  com  dados  não  correspondentes  aos  fatos  geradores de todas as contribuições previdenciárias, infringindo, dessa forma, o inciso IV, § 5º,  do art. 32, da Lei 8.212/91, c/c o art. 225, IV e § 4o, do Regulamento da Previdência Social –  RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99.  Conforme  Relatório  Fiscal  da  Infração  (fls.  13/14),  a  empresa  deixou  de  incluir, em GFIPs, parte das remunerações de segurados que lhe prestaram serviços.  A autoridade  autuante  informa que  a empresa  remunera os  segurados  a  seu  serviço  por  meio  da  entrega  de  cartões  de  premiação,  intermediada  pela  empresa  administradora do programa, Incentive House S/A, e não registrou tal remuneração nas GFIPs.  Conforme  Relatório  Fiscal  da  Multa  Aplicada  (fls.  15/16),  foi  aplicada  a  penalidade prevista no 32, §5°, da Lei n° 8.212, de 1991, e nos arts. 284, II, e 373, do Decreto  n°3.048/99, combinados com o art. 7° da Portaria MPS n° 342/06.  O  agente  fiscal  registra  que,  mesmo  tendo  ocorrido  as  circunstâncias  agravantes de que trata o art. 290, II e V, parágrafo único, do Decreto n° 3.048/99, a penalidade  não sofreu a gradação prevista no art. 292 do mesmo Decreto, tendo em vista o que prescreve o  art. 655, §4°, da IN/SRP n° 03/05.  A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Previdenciária, por  meio da DN 07.401.4/0542 /2006 (fls. 179 a 187), julgou a autuação procedente.  Inconformada com a decisão, a autuada, apresentou recurso  tempestivo (fls.  191), repetindo basicamente as alegações já apresentadas na impugnação.  Inicialmente,  reitera  o  entendimento  de  que  não  incide  contribuição  social  sobre o creditamento de remuneração não habitual aos segurados empregados.  Assevera que o quanto creditado a título de incentivo as vendas não compõe a  grandeza dimensível da hipótese de incidência da contribuição social, uma vez que tal parcela,  muito  embora  remuneratória,  não  é  creditada  habitualmente  aos  segurados  empregados  da  recorrente.  Traz o conceito de habitualidade para concluir que o creditamento de valores  por produção em comento não se  trata de remuneração habitual,  justamente pelo fato de não  integrarem as cláusulas do contrato individual de trabalho, já que constitui­se fruto de situação  eventual (campanha de venda), e desde que diante da ocorrência do cumprimento de situação  sujeita a evento incerto (alcance de metas).  Esclarece  que  os  prêmios  por  produções  somente  são  instituídos  por  liberalidade da recorrente e de seus fornecedores, não atendendo qualquer habitualidade anual  ou observada qualquer outra periodicidade específica.  Detalha  a  regra  matriz  de  incidência  tributária  das  contribuições  sobre  o  creditamento  de  remuneração  aos  contribuintes  individuais  que  prestam  serviços  a  empresa,  Fl. 4DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 05/04/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15582.000341/2007­33  Acórdão n.º 2301­01.945  S2­C3T1  Fl. 260          5 para  afirmar que a  recorrente não pode  figurar  como  tomadora dos  serviços dos  contribuintes  individuais  justamente pelo fato de que a  recorrente  toma serviços da sociedades empresariais  que atuam no ramo de representação comercial.  Informa  que  a  sociedade  INCENTIVE  HOUSE,  ao  invés  de  creditar  os  prêmios  às  sociedades  representantes  comerciais,  regulamente  constituídas,  fazia  o  creditamento dos valores em nome dos gerentes dessas sociedades, em que pese o fato de tal  parcela remuneratória ser devida à empresa representante comercial, e não aos seus gerentes,  motivo  pelo  qual,  muito  embora  se  afigure  contabilmente  como  creditamento  de  valores  a  contribuintes individuais, deveras significa creditamento de valores às sociedades empresariais  representantes comerciais da ora recorrente.  Afirma que tanto o texto constitucional como a lei são categóricos em afirmar  que  a  empresa,  sujeito  passivo  da  contribuição  previdenciária,  só  pode  figurar  como  contribuinte quando toma os serviços de pessoas físicas, o que não ocorreu no presente caso, já  que a recorrente não contrata a prestação dos serviços de representação com qualquer gerente  de sociedade empresarial, mas, em verdade, tal acordo é celebrado com a própria sociedade de  representação comercial.  Entende  que  não  é  devida  qualquer  contribuição  pela  recorrente,  seja  na  qualidade de contribuinte por  tomar serviços de contribuinte  individual,  seja na qualidade de  responsável  tributário  pela  retenção  da  contribuição  devida  na  contratação  de  serviços  com  cessão de mão de obra.  Alega ilegalidade e inconstitucionalidade da contribuição ao SAT, ao Salário  Educação, ao INCRA, e da utilização da taxa SELIC para fins tributários.  Insurge­se  contra  a  multa  aplicada,  argumentando  que  a  recorrente  não  infringiu a legislação previdenciária, ressaltando que não agiu com qual quer dolo ou no intuito  de fraudar a arrecadação da. Previdência Social.  Requer, por fim, que o recurso seja admitido e que seja declarado, ao final, a  improcedência da autuação, cancelando­se o AI em debate.  É o relatório.  Fl. 5DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 05/04/2011 por MAURO JOSE SILVA     6   Voto Vencido  Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, Relatora.  O recurso é tempestivo e não há óbice para seu conhecimento.  Inicialmente,  impõe  suscitar  questão  relativa  ao  prazo  decadencial,  não  trazida pelas recorrentes em seus recursos, mas que, por ser matéria de ordem pública, deve ser  reconhecida de ofício.  Verifica­se  que  a  fiscalização  lavrou  o  AI  discutido  com  amparo  na  Lei  8.212/91 que, em seu art. 45, dispõe que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus  créditos extingue­se após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele  em que o crédito poderia ter sido constituído.  No  entanto,  o  Supremo  Tribunal  Federal,  entendendo  que  apenas  lei  complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do  artigo 146, III, ‘b’ da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos  Extraordinários  nº  556664,  559882,  559943  e  560626,  em  decisão  plenária  que  declarou  a  inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91,.  Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema,  publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo:  Súmula  Vinculante  8 “São  inconstitucionais  os  parágrafo  único  do artigo 5º do Decreto­lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei  8.212/91,  que  tratam  de  prescrição  e  decadência  de  crédito  tributário”  Cumpre  ressaltar  que  o  art.  62,  da  Portaria  256/2009,  que  aprovou  o  Regimento  Interno  do Conselho Administrativo  de Recursos  Fiscais,  veda  o  afastamento  de  aplicação  ou  inobservância  de  legislação  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade.  Porém,  determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha  sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal:  Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do  CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade.  Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de  tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:  I  ­  que  já  tenha  sido  declarado  inconstitucional  por  decisão  plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou  Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da  Lei nº 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após  o  prazo  decadencial  e  prescricional  previsto  nos  artigos  173  e  150  do  Código  Tributário  Nacional.   Fl. 6DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 05/04/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15582.000341/2007­33  Acórdão n.º 2301­01.945  S2­C3T1  Fl. 261          7 É  necessário  observar  ainda  que  as  súmulas  aprovadas  pelo  STF  possuem  efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103­A e parágrafos da Constituição Federal,  que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis:  “Art.  103­A.  O  Supremo  Tribunal  Federal  poderá,  de  ofício  ou  por  provocação,  mediante  decisão  de  dois  terços  dos  seus  membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional,  aprovar  súmula  que,  a  partir  de  sua  publicação  na  imprensa  oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do  Poder  Judiciário  e  à  administração  pública  direta  e  indireta,  nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à  sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.  § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a  eficácia  de  normas  determinadas,  acerca  das  quais  haja  controvérsia  atual  entre  órgãos  judiciários  ou  entre  esses  e  a  administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e  relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica.   §  2º  Sem  prejuízo  do  que  vier  a  ser  estabelecido  em  lei,  a  aprovação,  revisão  ou  cancelamento  de  súmula  poderá  ser  provocada  por  aqueles  que  podem  propor  a  ação  direta  de  inconstitucionalidade.  § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a  súmula  aplicável  ou  que  indevidamente  a  aplicar,  caberá  reclamação  ao  Supremo  Tribunal  Federal  que,  julgando­a  procedente,  anulará  o  ato  administrativo  ou  cassará  a  decisão  judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com  ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)."  Da leitura do dispositivo constitucional acima, conclui­se que a vinculação à  súmula  alcança  a  administração  pública  e,  por  conseqüência,  os  julgadores  no  âmbito  do  contencioso administrativo fiscal.  Ademais, no termos do artigo 64­B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela  Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob  pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal.  “Art.  64­B.  Acolhida  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  a  reclamação  fundada  em  violação  de  enunciado  da  súmula  vinculante,  dar­se­á  ciência  à  autoridade  prolatora  e  ao  órgão  competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar  as  futuras  decisões  administrativas  em  casos  semelhantes,  sob  pena  de  responsabilização  pessoal  nas  esferas  cível,  administrativa e penal”  O STJ pacificou o entendimento de que nos casos de  lançamento em que o  sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplica­se o prazo previsto no § 4º  do  art.  150  do  CTN,  ou  seja,  o  prazo  de  cinco  anos  passa  a  contar  da  ocorrência  do  fato  gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação.  Fl. 7DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 05/04/2011 por MAURO JOSE SILVA     8 Entretanto,  o  caso  em  tela  se  trata  de  Auto  de  Infração,  ou  seja,  de  lançamento  de  ofício,  para  o  qual  se  a  aplica  o  disposto  no  art.  173  do  Código  Tributário  Nacional, transcrito a seguir:  Art.173  ­  O  direito  de  a  Fazenda  Pública  constituir  o  crédito  tributário extingue­se após 5 (cinco) anos, contados:  I  ­  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento poderia ter sido efetuado;  II  ­  da  data  em  que  se  tornar  definitiva  à  decisão  que  houver  anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.  Parágrafo Único ­ O direito a que se refere este artigo extingue­ se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado  da  data  em  que  tenha  sido  iniciada  a  constituição  do  crédito  tributário  pela  notificação,  ao  sujeito  passivo,  de  qualquer  medida preparatória indispensável ao lançamento.  O Auto de Infração foi lavrado em 25/10/2006, e sua cientificação ao sujeito  passivo se deu em 27/10/2006.  Dessa  forma,  considerando  o  exposto  acima,  constata­se  que  se  operara  a  decadência do direito de constituição do crédito para as competências até 12/2000.   Constata­se que o auto objeto da discussão administrativa foi lavrado por ter  a empresa deixado de informar, por meio de GFIPS, os pagamentos efetuados a segurados por  meio campanhas de incentivo administradas pela empresa Incentive House S/A.  No mérito,  verifica­se que  a  recorrente não nega que deixou de  incluir,  em  GFIP, os valores referentes à concessão dos referidos prêmios.  Ela apenas tenta demonstrar que os valores relativos à premiação concedida  por  meio  de  empresa  contratada,  administradora  do  programa,  não  integram  o  salário  de  contribuição.  No entanto, o conceito de salário de contribuição expresso no art. 28, incisos  I  e  III  da  Lei  8.212/91  é  “...a  totalidade  dos  rendimentos  pagos,  devidos  ou  creditados  a  qualquer  título,  durante  o  mês,  destinados  a  retribuir  o  trabalho,  qualquer  que  seja  a  sua  forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades...” e “a remuneração  auferida  em  uma  ou  mais  empresas  ou  pelo  exercício  de  sua  atividade  por  conta  própria,  durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o” (grifei).  A própria Constituição  Federal,  preceitua,  no  §  4º  do  art.  201,  renumerado  para o § 11, com a redação dada pela Emenda Constitucional nº 20/98, o seguinte:  §  11.  Os  ganhos  habituais  do  empregado,  a  qualquer  título,  serão  incorporados  ao  salário  para  efeito  de  contribuição  previdenciária  e  conseqüentemente  repercussão  em  benefícios,  nos casos e na forma da lei. (grifei)  Restou  claro,  nos  autos,  que  a  concessão  de  prêmio  aos  empregados  em  função  de  desempenho  como  incentivo  para  as  vendas  não  é  eventual  e  esporádica,  e  sim  habitual.  Fl. 8DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 05/04/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15582.000341/2007­33  Acórdão n.º 2301­01.945  S2­C3T1  Fl. 262          9 Tais  verbas  possuem  a  natureza  de  prêmio.  E,  segundo  Amauri  Mascaro  Nascimento: "A natureza jurídica do prêmio não sofre, praticamente, contestações. É uma forma de  salário vinculado a um fator de ordem pessoal do empregado ou geral de muitos empregados, via de  regra  a  sua  produção.  Daí  falar­se,  também,  em  salário  por  rendimento  ou  salário  por  produção.  Caracteriza­se, também, pelo seu aspecto condicional. Uma vez verificada a condição de que resultam,  devem ser pagos". (In “Teoria Jurídica do Salário”, Editora LTR, 1994, pg. 256).  Assim, prêmio é remuneração. Esse também é o entendimento do TST:  “Prêmio  é  gratificação,  e  gratificação  é  salário,  se  ajustada  expressa  ou  tacitamente,  porque  a  CLT  não  exige  o  ajuste  expresso"  TST  pleno  E­RR  1943/82  ­  DJU  06/12/85  ­  pág.  22644” .  E a CLT discrimina as parcelas que compõem a remuneração do empregado,  conforme seu art. 457:  Art. 457. Compreendem­se na remuneração do empregado, para  todos  os  efeitos  legais,  além  do  salário  devido  e  pago  diretamente pelo empregador como contraprestação do serviço,  as gorjetas que receber.  §  1º  Integram  o  salário,  não  só  a  importância  fixa  estipulada,  como  também  as  comissões,  percentagens,  gratificações  ajustadas, diárias para viagem e abonos pagos pelo empregador.  Portanto, as gratificações e comissões, que podem ser eventuais,  integram a  remuneração do empregado por expressa previsão legal.  A fiscalização constatou, o que não foi negado pela  recorrente em sua peça  recursal, que tais valores são pagos por meio de empresa interposta para premiar alguns de seus  empregados.   Dessa  forma,  os  valores  referentes  aos  prêmios  concedidos  pela  recorrente  aos segurados que lhe prestam serviços integram o salário de contribuição, conforme incisos I e  III,  art  28,  da  Lei  8.212/91,  com  a  redação  dada  pela Medida  Provisória  nº  1.596­14/1997,  convertida na Lei 9.528/97.  Ademais,  é  oportuno  lembrar  que,  conforme  art.  176  do  CTN,  “a  isenção,  ainda que prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos  exigidos para a sua concessão...”.   No presente caso, não  resta dúvida que os prêmios concedidos por meio da  empresa  prestadora  citada  no  Relatório  Fiscal,  não  estão  incluídos  nas  hipóteses  legais  de  isenção previdenciária, previstas no § 9º, art. 28, da Lei 8.212/91.  Resta  claro  que  o  pagamento  feito  pela  recorrente  a  título  de  programa  de  incentivo  em  favor  dos  segurados  que  lhe  prestam  serviços  não  se  trata  de  fornecimento  de  meio  para  que  esses  trabalhadores  possam  exercer  suas  funções,  e  sim  uma  vantagem  que  representa um acréscimo  indireto à  sua  remuneração, devendo, portanto,  sofrer  incidência de  contribuição previdenciária.  Fl. 9DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 05/04/2011 por MAURO JOSE SILVA     10 É inegável, no caso presente, o acréscimo patrimonial do segurado ao receber  as quantias correspondentes aos prêmios de incentivo.  Em  que  pese  o  esforço  argumentativo  da  recorrente,  verifica­se  que  os  pagamentos em tela realmente se a amoldam ao figurino legal que delimita a base­de­cálculo  da  contribuição  previdenciária,  como  bem  entendeu  a  fiscalização  e  o  julgador  de  primeira  instância.  Cumpre  esclarecer  que  a  condição  de  se  tratar  ou  não  de  remuneração  não  está vinculada ao  interesse da fonte pagadora ou do empregador em, com aquele pagamento,  remunerar ou não o trabalhador. Ou seja, não é o nome do pagamento ou a vontade da empresa  em si que vai determinar sua natureza jurídica.   O que irá afastar a verba paga da incidência tributária é a estreita observância  à legislação a que trata da matéria.   Cumpre  observar  que  tais  prêmios,  oferecidos  por mera  liberalidade,  ainda  que de forma condicionada, pela empresa aos segurados que lhe prestam serviços, não nega sua  característica remuneratória, já que é decorrência única e exclusiva do contrato existente entre  ambos, e mais, representa ganho obtido da empresa, o que nos mostra uma vinculação entre seu  fornecimento e o labor do seu beneficiário, indicadora da sua natureza contraprestativa, numa  forma indireta.   Da  mesma  forma,  constata­se  que  não  estamos  diante  de  um  pagamento  eventual,  como  veementemente  sustenta  a  recorrente,  já  que  o  ganho  habitual  passível  de  exação  não  é  necessariamente  aquele  valor  auferido mês  a mês,  trimestralmente  ou mesmo  bimestralmente etc. Há verbas pagas no decorrer do contrato de trabalho, ainda que não sejam  auferidas nessas condições, e que não podem ser vistas como meramente eventuais.  Ademais, o conhecimento prévio de que tal pagamento será realizado quando  implementada a condição para seu recebimento retira­lhe o caráter da eventualidade, tornando­ o habitual.   Há,  portanto,  uma  expectativa  criada  que  se  sobrepõe  ao  fato  de  não  ser  seqüencial a continuidade a liberalidade; a continuidade existe por todo o tempo que perdurar o  contrato, o recebimento é que depende acontecer a condição estabelecida pelo empregador, que  concede o prêmio.  A expectativa criada, o costume e a certeza do benefício em se caracterizando  a situação pré­definida pela empresa empregadora gera a habitualidade, afasta por completo a  eventualidade  que  poderia  enquadrar  o  pagamento  no  item  7  da  letra  “e”  do  §  9º  da  Lei  8.213/91.   Dessa forma, tendo a verba paga a título de premiação natureza salarial, a sua  não  inclusão em GFIP constitui  infração à  legislação previdenciária,  consoante determinação  expressa no art. 32, inciso IV, e § 1o, da Lei 8.212/91, transcrito a seguir:  Art. 32. A empresa é também obrigada a:   (...)  IV  ­  informar  mensalmente  ao  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social  INSS,  por  intermédio  de  documento  a  ser  definido  em  regulamento,  dados  relacionados  aos  fatos  geradores  de  contribuição previdenciária e outras informações de interesse do  Fl. 10DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 05/04/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15582.000341/2007­33  Acórdão n.º 2301­01.945  S2­C3T1  Fl. 263          11 INSS.  (Acrescentado  pela  MP  nº  1.596­14,  de  10/11/97,  de  10/11/97, convertida na Lei nº 9.528, de 10/12/97)  §  1°  O  Poder  Executivo  poderá  estabelecer  critérios  diferenciados de periodicidade, de  formalização ou de dispensa  de apresentação do documento a que se refere o inciso IV, para  segmentos de  empresas  ou  situações  especificas.  (Acrescentado  pela MP nº 1.596­14, de 10/11/97, convertida na Lei nº 9.528, de  10/12/97)  Assim, conforme exposto acima, houve infração à legislação previdenciária,  uma  vez  que  a  fiscalização  constatou  que  a  empresa  concedeu  prêmios  a  seus  segurados  empregados e contribuintes individuais e deixou de informar esses pagamentos em GFIP.   E, como não é facultado ao servidor público eximir­se de aplicar uma lei, a  Autoridade Fiscal, ao constatar o descumprimento de obrigação acessória, lavrou corretamente  o  presente  auto,  em  observância  ao  art.  33  da  Lei  8212/99  e  art.  293  do  Regulamento  da  Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99:  Art.293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste  Regulamento,  a  fiscalização  do  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social lavrará, de imediato, auto­de­infração com discriminação  clara  e  precisa  da  infração  e  das  circunstâncias  em  que  foi  praticada, dispositivo legal infringido e a penalidade aplicada e  os critérios de sua gradação,  indicando  local, dia, hora de  sua  lavratura,  observadas  as  normas  fixadas  pelos  órgãos  competentes.  A  autuada  afirma  que  não  pode  figurar  como  tomadora  dos  serviços  dos  contribuintes individuais justamente pelo fato de que a  recorrente toma serviços da sociedades  empresariais  que  atuam  no  ramo  de  representação  comercial,  informando  que  a  empresa  administradora  do  programa,  a  INCENTIVE  HOUSE,  ao  invés  de  creditar  os  prêmios  às  sociedades representantes comerciais, o fazia em nome dos gerentes dessas sociedades, e que  por esse motivo a recorrente registrava em sua contabilidade como sendo pagamento de valores  a contribuintes individuais, mas que na verdade trata­se de pagamento de valores às sociedades  empresariais representantes comerciais da ora recorrente.  Porém,  a  fiscalização  deixou  claro,  no  item 08  do Relatório Fiscal  (fl.  14),  que  os  representantes  comerciais  considerados  para  efeito  do AI  atuavam  como  vendedores  autônomos,  pessoas  físicas,  recebendo  os  valores  relativos  aos  cartões  de  premiação  sem  a  emissão formal de nota fiscal de prestação de serviços.  Cumpre  ressaltar  que  a  própria  empresa  reconhece  que  a  premiação  concedida  aos  segurados  empregados  é  remuneração,  pois  afirma,  no  item  21  de  sua  peça  recursal  (fls.  203),  que  “tal  parcela, muito  embora  remuneratória,  não é  creditada  habitualmente  aos segurados empregados da defendente” (grifei).  Ou  seja,  ela  apenas  defende  que,  por  não  ser  habitual  a  remuneração,  não  incide contribuições previdenciárias.  A recorrente alega, ainda, ilegalidade e inconstitucionalidade da contribuição  ao SAT, ao Salário Educação, ao INCRA, e da utilização da taxa SELIC para fins tributários.  Fl. 11DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 05/04/2011 por MAURO JOSE SILVA     12 Todavia, não é objeto do presente processo administrativo fiscal lançamento  de contribuições ao SAT ou aos Terceiros, e nem foi utilizada, no presente AI, a taxa SELIC.  Portanto,  tais  matérias  são  estranhas  ao  processo  sob  análise  e  totalmente  impertinentes ao objeto do AI em discussão, motivo pelo qual não conheço de tais argumentos.  A autuada alega que não infringiu a legislação previdenciária, ressaltando que  não agiu com qual quer dolo ou no intuito de fraudar a arrecadação da. Previdência Social.  Contudo, a infração foi cometida e o auto não pode ser cancelado, como quer  a  recorrente, pois conforme estabelecido pelo CTN em seu art. 136, “Salvo disposição de  lei  em contrário, a responsabilidade por infração da legislação tributária independe da intenção  do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato”.   Mister  lembrar  que  o  descumprimento  de  obrigações  legais,  sejam  elas  acessórias  ou  principais,  sempre  prejudica  o  erário.  E  é  com  o  objetivo  do  melhor  funcionamento da administração tributária, para que não se faça letra morta à  lei e se evite a  sonegação fiscal em massa é que o legislador impôs a penalidade pecuniária ao sujeito passivo  que vilipendia obrigação legal a todos imposta.  E,  conforme  demonstrado  acima,  a  recorrente  infringiu  a  norma  previdenciária ao deixar de informar, por meio de instrumento próprio, qual seja, a GFIP, toda  a remuneração paga a todos os segurados a seu serviço.  Com  relação  à  multa  aplicada,  entendo  que  não  restou  comprovado,  nos  autos, a ocorrência da circunstância agravante prevista no inciso II, do art. 290, do RPS.  Verifica­se  que  a  empresa  não  informou  os  valores  relativos  à  premiação  concedida aos segurados a seu serviço em GFIP por entender que o pagamento de tais valores  não é  fato gerador da contribuição previdenciária, não  restando demonstrado que  tal  conduta  configura dolo, fraude ou má­fé.  Mesmo ciente de que a penalidade não foi agravada em razão do disposto na  IN  03/06,  gostaria  de  deixar  consignado,  no  voto,  o  entendimento  de  que  não  ocorreu,  no  presente caso, o dolo, a fraude ou a má­fé.  E ainda, não obstante a correção do auditor fiscal em proceder ao lançamento  nos termos dos normativos vigentes à época da lavratura do AI, foi editada a Medida Provisória  MP 449/08, que revogou o art. 32, § 6o, da Lei 8.212/91.  E, conforme disposto no art. 106, inciso II, alínea “c”:  Art.106 ­ A lei aplica­se a ato ou fato pretérito:  (...)  II ­ tratando­se de ato não definitivamente julgado:  (...)  c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na  lei vigente ao tempo da sua prática.  Assim, tratando­se o presente lançamento de ato ainda não julgado quando da  edição  da  MP  449/08,  conclui­se  que  os  critérios  por  ela  estabelecidos,  caso  sejam  mais  benéficos ao contribuinte, se aplicam ao AI em tela,.  Fl. 12DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 05/04/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15582.000341/2007­33  Acórdão n.º 2301­01.945  S2­C3T1  Fl. 264          13 Dessa forma, caso se constate, no recálculo da multa com a observância do  disposto no artigo 35 A, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09, que o novo valor  da penalidade aplicada é mais benéfico ao contribuinte, não há como se ignorar o disposto no  art. 106, II, “c”, do CTN, privando a empresa do benefício legal.  A autuada requer, por  fim, que seja  recolhido o pedido de encaminhamento  de representação por inexistência de crime contra a ordem tributária ou que seja sobrestado o  encaminhamento  da  representação  ao  Ministério  Público  Federal,  por  crime  fiscal,  até  o  trânsito em julgado administrativo.  Entretanto,  não  cabe  manifestação  a  respeito  da  oportunidade  em  que  a  auditoria fiscal deveria efetuar a citada representação, pois o lançamento não guarda qualquer  relação de dependência com o possível ilícito praticado.  Ademais,  a  auditoria  fiscal  agiu  no  estrito  dever  funcional,  uma  vez  que  tomou  ciência  da  ocorrência,  em  tese,  de  crime  de  apropriação  indébita  previdenciária  tipificado no art. 168­A, § 1º, I do Código Penal.  Também não cabe nesta instância administrativa discutir a ocorrência ou não  de crime, devendo a  recorrente  apresentar  suas alegações perante o órgão competente para  a  apuração do ilícito.   Nesse sentido e  Considerando tudo o mais que dos autos consta;  Voto no sentido de CONHECER DO RECURSO e, no mérito, DAR­LHE  PROVIMENTO PARCIAL, para  reconhecer a decadência do valor da multa aplicada até a  competência  12/00,  inclusive,  e  para  que  se  aplique,  caso  seja  mais  benéfico  para  o  contribuinte, o artigo 35 A, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09.  É como voto.  Bernadete de Oliveira Barros ­ Relatora    Fl. 13DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 05/04/2011 por MAURO JOSE SILVA     14 Voto Vencedor  Conselheiro Mauro José Silva ­ Redator designado  Divergimos da relatora quanto à aplicação da multa, nos termos que seguem.  Multa por não apresentação da GFIP. Adequação ao art. 32­A.    O  valor  da  multa  por  apresentação  da  GFIP  com  incorreções  ou  omissões  sofreu  modificações  com  o  advento  da  Lei  11.941/09  que  introduziu  o  art.  32­A  na  Lei  8.212/91, in verbis:  "Art. 32­A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração  de que trata o  inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo  fixado  ou  que  a  apresentar  com  incorreções  ou  omissões  será  intimado a apresentá­la ou a prestar esclarecimentos e sujeitar­ se­á às seguintes multas:   I  ­  de  R$  20,00  (vinte  reais)  para  cada  grupo  de  10  (dez)  informações incorretas ou omitidas; e   II  ­  de  2%  (dois  por  cento)  ao  mês­calendário  ou  fração,  incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda  que  integralmente  pagas,  no  caso  de  falta  de  entrega  da  declaração ou entrega após o prazo,  limitada a 20% (vinte por  cento), observado o disposto no § 3o deste artigo.”    Com relação ao  tema, o Código Tributário Nacional, em seu at. 106, alínea  “c”,  afirma  expressamente  que  a  Lei  nova  deverá  retroagir  quando  lhe  comine  penalidade  menos severa que a prevista na Lei vigente anterior, verbis:  Art. 106. A lei aplica­se a ato ou fato pretérito:  I ­ em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa,  excluída  a  aplicação de  penalidade  à  infração dos dispositivos  interpretados;   II ­ tratando­se de ato não definitivamente julgado:  a) quando deixe de defini­lo como infração;  b) quando deixe de tratá­lo como contrário a qualquer exigência  de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não  tenha implicado em falta de pagamento de tributo;  c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na  lei vigente ao tempo da sua prática.    Fl. 14DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 05/04/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15582.000341/2007­33  Acórdão n.º 2301­01.945  S2­C3T1  Fl. 265          15 Logo,  a  perfeita  adequação  do  lançamento  à  legalidade  exige  que  a  multa  aplicada  seja  confrontada  com  a  multa  prevista  no  art.  32­A  da  Lei  8.212/91,  devendo  prevalecer aquela que resultar em menor ônus para a recorrente.  Nos demais aspectos do recursos, acompanhamos a relatora.    Mauro José Silva ­ Redator designado                  Fl. 15DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 05/04/2011 por MAURO JOSE SILVA

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