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Numero do processo: 18471.001439/2005-91
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999, 2000
Ementa: LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇAO - DECADÊNCIA - FATO GERADOR.
No lançamento por homologação, conforme o disposto no art. 150, § 4°, do CTN, se a lei não fixar prazo para a homologação será ele de cinco anos a contar do fato gerador, exceto se comprovada a ocorrência de dolo, fraude c simulação, que não corresponde à situação dos autos.
GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS — COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO PASSIVO — OPERAÇÕES COM T-BILLS.
Os contratos relativos às operações com T-bills, desacompanhados da prova da transferência da titularidade desses títulos para a autuada, são insuficientes para comprovar a existência do passivo e justificam a glosa das variações cambiais e de juros.
PENALIDADE - MULTA DE OFICIO — QUALIFICAÇÃO.
Por se tratar de insuficiência probatória da titularidade dos títulos e não restar caracterizado nos autos, o evidente intuito de fraude, a multa de oficio deve ser desqualificado.
JUROS DEMORA— TAXA SELIC — SÚMULA N°4 DO CARF.
Conforme súmula n° 4 do CARF, a partir de 1° de abril de 1995, os juros moratorios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para
títulos federais.
-Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CS LL
Ano-calendário: 1999, 2000
Ementa: CSLL - TRIBUTAÇÃO DECORRENTE.
Tratando-se de tributação decorrente da mesma matéria relativa ao IRPJ, aplica-se ao lançamento da CSLL, o mesmo entendimento dado ao lançamento relativo ao tributo principal.
Numero da decisão: 1402-000.101
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado;por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso para acatar a preliminar de decadência para o ano-calendário de 1999 e, no mérito, em reduzir a multa de oficio de 150% (cento e cinqüenta por cento) para
75% (setenta e cinco por cento), nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - glosa de compensação de prejuízos fiscais
Nome do relator: Albertina Silva Santos de Lima
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999, 2000 Ementa: LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇAO - DECADÊNCIA - FATO GERADOR. No lançamento por homologação, conforme o disposto no art. 150, § 4°, do CTN, se a lei não fixar prazo para a homologação será ele de cinco anos a contar do fato gerador, exceto se comprovada a ocorrência de dolo, fraude c simulação, que não corresponde à situação dos autos. GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS — COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO PASSIVO — OPERAÇÕES COM T-BILLS. Os contratos relativos às operações com T-bills, desacompanhados da prova da transferência da titularidade desses títulos para a autuada, são insuficientes para comprovar a existência do passivo e justificam a glosa das variações cambiais e de juros. PENALIDADE - MULTA DE OFICIO — QUALIFICAÇÃO. Por se tratar de insuficiência probatória da titularidade dos títulos e não restar caracterizado nos autos, o evidente intuito de fraude, a multa de oficio deve ser desqualificado. JUROS DEMORA— TAXA SELIC — SÚMULA N°4 DO CARF. Conforme súmula n° 4 do CARF, a partir de 1° de abril de 1995, os juros moratorios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. -Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CS LL Ano-calendário: 1999, 2000 Ementa: CSLL - TRIBUTAÇÃO DECORRENTE. Tratando-se de tributação decorrente da mesma matéria relativa ao IRPJ, aplica-se ao lançamento da CSLL, o mesmo entendimento dado ao lançamento relativo ao tributo principal.
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I c!tXIR*4 MINISTÉRIO DA FAZENDA1 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS tn:.41:A4e, PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 18471.001439/2005-91 Recurso n° 155.242 Voluntário Acórdão n° 1402-00.101 — 4° Câmara / 2' Turma Ordinária Sessão de 26 de janeiro de 2009 Matéria IRPI e OUTRO - ANOS-CALENDÁRO: 2000 a 2001 Recorrente MARCHON DO BRASIL LTDA. Recorrida 4° TURMA/DR3-RIO DE JANEIRO/RJ I Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999, 2000 Ementa: LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇAO - DECADÊNCIA - FATO GERADOR. No lançamento por homologação, conforme o disposto no art. 150, § 4°, do CTN, se a lei não fixar prazo para a homologação será ele de cinco anos a contar do fato gerador, exceto se comprovada a ocorrência de dolo, fraude c simulação, que não corresponde à situação dos autos. GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS — COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO PASSIVO — OPERAÇÕES COM T-BILLS. Os contratos relativos às operações com T-bills, desacompanhados da prova da transferência da titularidade desses títulos para a autuada, são insuficientes para comprovar a existência do passivo e justificam a glosa das variações cambiais e de juros. PENALIDADE - MULTA DE OFICIO — QUALIFICAÇÃO. Por se tratar de insuficiência probatória da titularidade dos títulos e não restar caracterizado nos autos, o evidente intuito de fraude, a multa de oficio deve ser desqualificado. JUROS DEMORA— TAXA SELIC — SÚMULA N°4 DO CARF. Conforme súmula n° 4 do CARF, a partir de 1° de abril de 1995, os juros moratorios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inachmplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. -Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CS LL Ano-calendário: 1999, 2000 / / Ementa: CSLL - TRIBUTAÇÃO DECORRENTE. Tratando-se de tributação decorrente da mesma matéria relativa ao IRPJ, aplica-se ao lançamento da CSLL, o mesmo entendimento dado ao lançamento relativo ao tributo principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado;por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para acatar a preliminar de decadência para o ano-calendário de 1999 e, no mérito, em reduzir a multa de oficio de 150% (cento e cinqüenta por cento) para 75% (setenta e cinco por cento), nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. fi i— ALBERTINA ML SANTOS E LIMA - Presidente e Relatora EDITADO EM: , 0 MAR 20 10 Participaram, da presente sessão de julgamento os Conselheiros Albertina Silva Santos de Lima, Antônio Bezerra Neto, Marcos Shigueo Takata, Carmen Peneira da Silva, Carlos Pelá e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 Processo n° 18471.001439/2005-91 S1-C4T2 Acórdão ziY 1402-00.101 Fl. 2 Relatório Trata-se de lançamento do IRPJ e da CSLL relativo a glosa de despesas financeiras relativas a variações cambiais e aos juros decorrentes de T-bills dos anos-calendário de 1999 e 2000, com enquadramento legal nos artigos 299 e 300 do RIR199. Ciência dos autos em 30.09.2005. Os tributos foram apurados com base no regime de apuração do lucro real anual. O valor tributável é de R$ 4456.017,58 para o ano-calendário de 1999 e de R$ 635.726,27 para o ano-calendário de 2000. Consta no TVF de fis 223/225 que a contribuinte comercializa óculos de sol entre outros produtos que são importados da Marchou Eyewear localizadas em diversos países, sendo que a Marchou situada em New York é seu sócio com 50% do capital social e tendo os outros 50% o sr. Marcos Feldman. Entre os anos de 1997 e 1998, a contribuinte efetuou contratos de mútuo com seu sócio em nulos do Tesouro Americano (T-Bills), sendo que a entrada desses títulos em território brasileiro não se deu por meio do Banco Central do Brasil e, esses títulos foram negociados posteriormente pela Marchon do Brasil, que os vendeu para empresas brasileiras. De posse da cópia dos contratos de venda, do canhoto dos depósitos efetuados pelas empresas compradoras e dos extratos bancários comprovando a entrada do numerário na conta da Marchou Brasil pela venda dos T-Bills, a fiscalização consultou os sistemas da SRF e constatou que as empresas compradoras não possuíam recursos que lhes permitissem comprar esses títulos. Foram feitas circularizações. A seguir se descreve cada operação e o problema identificado pela fiscalização. Processo 1 (13.03.97 — R$ 155.100,00): No contrato de compra dos títulos pela Marchou Eyewear há as assinaturas dos compradores e vendedores, mas não consta o nome dos mesmos, o mesmo acontecendo na compra desses títulos pela FC-18 e na venda dos mesmos para a Parkwood-Orgepar negócios e participações Ltda. A FC-18 transfere para a Marchou do Brasil o valor a pagar a Marchon Eyewear, conforme registros contábeis. Processo 2 (25.04.97 — R$ 207.851,00): Os títulos também foram negociados entre a Marchou Eyewear e a FC-I8 que transferiu para a Marchon Brasil o valor a pagar, conforme registros contábeis. Processo 3 (04.09.97 — R$ 107.000,00): O contrato de compra dos T-Bills pela Marchon Eyewear não possui a assinatura do sr. lgnácio Rospide de Leon — corretor de Bolsa, que foi a pessoa que alienou os títulos. A Marchon Brasil à época chamava-se Buzz Mil Distribuidora Óptica Ltda. Afirma que há outro fato estranho, na cópia do contrato de depósito que em tese teria sido efetuado pela Labotron — Lab. Farmacêutico Ltda, aparece como depositante o sr. Roberto G. Bianchini, que na verdade é o responsável pela empresa Crescente Construtora (proc. 6). A empresa Labotron foi intimada para esclarecer os fatos, mas a intimação foi devolvida com a infonnação de endereço desconhecido. Foi intimado o Sr. Marcos Medeiros de Almeida, administrador da Labotron, mas, apesar de ser novamente 3 intimado não respondeu. De acordo com os sistemas da SRF essa empresa foi declarada inapta e não possui informações sobre sua declaração de IRPJ. Processo 4 (16.05.97 - R$ 415.093,00): No contrato de compra dos T-Bills pela Marchou Eyewear não existe a assinatura do sr. Otávio F.° Silva do Credit Lyonnais S/A (Uruguai). Os valores a serem pagos pela FC-18 a Marchon eyewear também foram transferidos para a Marchou Brasil Ltda. Processo 5 (02.10.97 —RS 395.020,00): O vendedor dos títulos americanos, o Trade and Commerce Bank não assinou o contrato. A Padamaq Mercantil, Importação e Exportação Ltda, compradora dos títulos da Buzz Mil Distribuidora Óptica Ltda (atual Marchon Brasil) também não assinou o contrato de compra e venda. A Padamaq encerrou suas atividades em 03/98 e não informou nenhum valor em sua declaração de IRPJ, confomie extrato dos sistemas da SRF. Processo 6 (12.05.98, R$ 395.010,00): Apesar de não haver irregularidades na assinatura dos contratos entre as partes, foi circularizada a empresa compradora dos T-Bills no Brasil, a Crescente Construtora Ltda. Como a intimação à Crescente retomou por motivo de mudança de endereço, foi intimado o Sr. Roberto Gentil Bianchini, seu sócio administrador, mesma pessoa que efetuou o depósito para a Labroton, conforme cópia do comprovante de depósito do Banco Safra. A primeira intimação enviada foi recusada pelo próprio sr. Bianchini. Efetuada reintimação e foi obtida como resposta que só T-Bills haviam sido negociados e que o contrato apresentado pela Marchon Brasil correspondia ao titulo negociado. Também respondeu que possuíam disponibilidade financeira â época para comprar os referidos títulos pelo valor de R$ 395.010,00, porém conforme sistema SRF — Consulta declaração IRPJ o total de suas receitas foi de R$ 3.369,50 no ano em que a Crescente Construtora efetuou a compra dos títulos americanos da Marchou Brasil. Diante da resposta do sr. Roberto e os dados constantes na SRF, a fiscalização solicitou que fosse esclarecido como conseguiu adquirir esses títulos, mas não houve resposta. Processos 7 (14.05.98 — R$ 452.430,00) e 8 (08.06.93 — R$ 450.750,00): Neste processo também não foi encontrada a assinatura do sr. Ignácio Rospide de Leon no contrato de compra dos T-Bills pela Marchon Eyewear Inc. sócia da Marchou Brasil. Ao iniciar a circularização na empresa Wells do Brasil Empreend. e Participações Ltda, constatou-se que o CNPJ pertencia a outra empresa, Laosur do Brasil, Consultoria, Empreend. e Participações Ltda. Assim, foram intimadas as duas empresas obtendo-se como resposta: a) Laosur do Brasil: Informou que o sr. Ricardo Simões Granito, sócio- administrador da empresa Wells Brasil, também teria sido sócio da Laosur até 26 de outubro de 1998 conforme registro na JUCESP e que o mesmo teria se equivocado na hora de preencher o contrato de compra e venda dos T-Bills, porém os representantes da Laosur entendem que houve má fé por parte do sr. Ricardo Granito. A fiscalização consignou que a empresa Laosur está inativa desde a sua constituição, conforme sistemas da SRF. b) Wells do Brasil: O sr. Ricardo Simões Granito, sócio administrador da empresa Wells informou que foi contatado para intermediar a compra e venda de Títulos do Tesouro Americano e que somente aceitou fazer porque iria intemiediar o negócio e não participar, pois, não tinha recursos. Para isto precisaria pertencer a uma empresa (Wells do Brasil) como sócio estrangeiro. Nessa época alguns contratos enviados para ele foram assinados, porém nunca concretizados. Destaca a fiscalização que o mais importante em seu relato refere-se ao fato de que nenhum dinheiro passou por conta corrente ligada ao seu CPF e de que a empresa Wells do Brasil, da qual possuía 1% de participação nunca teve unia conta corrente aberta. 4 (: \\(0 Processo n°18471001439/2005-91 S1-C4T2 Acórdão n."1402-00.101 Fl. 3 Processo 9 (13.10.98, R$ 832.650,00): Não foi encontrado o nome da pessoa que assina em nome de Tagus Finance Ltda, na venda dos títulos americanos para a Marchon Eyewear. No contrato de venda da Marchou Brasil para a empresa Rhytmus Comunicações também não se sabe quem está assinando pela empresa compradora, ou seja a Rhytmus Comunicações. Essa empresa ficou inativa durante o ano de 1999 até à data de sua extinção, conforme sistemas da SRE. A contribuinte Marchon do Brasil Lida apresentou instrumento particular de novação (02.01.2001), onde em sua cláusula primeira ficou determinado que as dividas contraídas, por meio dos contratos de empréstimos em com a Marchou Eyewear Internacional Inc., referentes aos exercícios encenados em 31.12.97 e 31.12.98, no valor de US$ 3.009.618,00 são extintas e substituidas por uma nova dívida no valor de R$ 5.512.698,94, que corresponde ao montante atualizado un moeda nacional de cada contrato de mútuo. Em sua cláusula segunda fica acordado que a dívida deveria ser paga dentro de 3 anos a contar da assinatura do contrato, sendo que a contribuinte não quitou a dívida e nem foi apresentado acordo para adiamento do vencimento. Em 02.02.2005 a contribuinte foi intimada a informar qual foi a instituição financeira que custodiou os T-Bills, apresentando a documentação comprobatória. Foi solicitada a prorrogação de prazo até 18.03.2005, e após essa data nada foi informado à fiscalização. Em virtude do exposto foram glosadas as despesas financeiras para os anos- calendário de 1999 e 2000, relativas a variações cambiais e aos juros decorrentes dos T-Bills. A fiscalização destaca que considerando esses fatos, as informações obtidas pelas cireularizações e os dados constantes dos sistemas da SRE, a contribuinte utilizou-se de meios não idôneos para justificar a entrada de receita em sua escrita contábil. Assim, aplicou a multa prevista no inciso II, do art. 957 do RIR/99 de 150% e por conseqüência foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais. Destacou ainda a fiscalização, que com relação a questão dos prazos dentro do qual o fisco poderia (demonstrado que teria havido dolo, fraude ou simulação) recusar a homologação e efetuar o lançamento de oficio, a solução foi aplicar a rega geral do art. 173, I do CTN. Acrescentou: "Pode não ser uma boa solução, mas não vendo outra, de lege lata". Citou a Nota MF/COSIT no 577, de 24.08.2000. Os autos foram cientificados à contribuinte em 30.09.2005. Apresentada impugnação, A Turma Julgadora rejeitou a preliminar de decadência, e no mérito, considerou o lançamento procedente. As principais ementas proferidas são as seguintes: IREI. GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS. Se o contribuinte não logra comprovar, com documentos hábeis e idóneos, a efetividade das obrigações registradas em seu passivo, correta é a glosa das despesas financeiras decorrentes das referidas obrigações. AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFICIO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A redução do lucro tributável mediante p emprego de artificios dolosos, envolvendo negociação fictícia de ativos financeiros, evidencia intuito de fraude, que justifica o agravamento da multa de oficio. A ciência da decisão de primeira instância foi dada em 16.05.2006 e o recurso foi apresentado em 14.06.2006. Argüiu a preliminar de decadência para o IRPJ e para a CSLL. Afirma que quando da lavratura dos autos, os débitos tributários já se encontravam abrangidos pela decadência, em razão de ser aplicável a regra prevista no § 4° do art. 150 do CTN, independentemente de ter havido pagamento ou não e também porque não teria havido qualquer dolo, fraude ou simulação por parte da contribuinte que justificasse a aplicação do art. 173 do CTN. Acrescentou que, ainda que o art. 173 do CTN fosse aplicável, o que admite apenas para argumentar, o § único desse artigo e a jurisprudência administrativa dexaria claro que o prazo decadencial teria iniciado, na pior hipótese, na data da apresentação da DIN, que se deu em 28.06.2000, em relação ao ano-calendário de 1999. Assim, estaria encerrado o prazo (28.06.2005) do fisco exigir qualquer tributo em relação ao ano-calendário de 1999 e até os fatos geradores ocorridos até 29.09.2000, porque a lavratura dos autos se deu em 30.092005. Após aprofundou sua argumentação. Discordou da aplicação do prazo de 10 anos de que trata a Lei 8.212/91 para a exigência da CSLL Também argüiu a preliminar de impossibilidade de dupla tributação de uma única operação (operações realizadas com títulos estrangeiros). Argumenta que este processo está relacionado e decorre do processo administrativo n° 18471.001933/2002-11. Seis operações relacionadas nestes autos foram analisadas nesse processo, o qual teria tratado como receita omitida os valores ingressados na conta-corrente da recorrente, que segundo a fiscalização, não seriam contrapartida pela venda dos títulos estrangeiros, mas sim, receitas omitidas. Afirma que as demais autuações foram objeto de outra autuação fiscal que estava pendente de julgamento. Cita acórdãos 103-18893/97 e CSRF 01-2.649/99. Dessa forma, o reconhecimento da receita omitida naquele processo implicaria na legitimação das despesas financeiras relativas aos recursos financeiros que permaneceram com a recorrente, razão pela qual este processo deveria ser cancelado. Aduz que, se por outro lado, o processo for cancelado, tendo em vista a legitimidade das operações realizadas, então os presentes autos também deveriam ser cancelados. A seguir, a recorrente faz urna exposição, que engloba a descrição empresarial e econômica dos fatos e a descrição das operações com T-Bills realizadas e documentos comprobatórios. Argumenta que o sócio estrangeiro decidiu emprestar recursos para a empresa brasileira, e que por razões empresariais, as partes decidiram por utilizar a estrutura com T-Bills, conhecida no mercado como blue chip swap. A empresa Marchon-US, sócia da requerente, adquirira os títulos no exterior que eram posteriormente transferidos onerosamente para a recorrente, que revendia esses títulos para uma sociedade no Brasil. Dessa forma, a recorrente recebeu os recursos de que precisava para sua operação, enquanto que a sócia no exterior permaneceu credora da recorrente. Processo n° 18471.001439/2005-91 Sl-C4T2 Acórdão n." 1402-00.101 Fl. 4 Entende que a existência da dívida é inquestionável, pois, foi objeto de diversos documentos, tais como, declaração, instrumento de novação e aditivos, e que foi devidamente contabilizada, e que as despesas financeiras relativas à variação cambial e juros foram efetivamente incorridas pela recorrente, bem corno, que o valor mutuado foi imprescindível, para que a recorrente pudesse fazer frente às importações de produtos que seriam, posteriormente, revendidos e distribuídos no mercado brasileiro, gerando a receita operacional da empresa. Ressalta que não tinha qualquer relação com as empresas adquirentes dos títulos. Entende haver farta documentação nos autos e que a autoridade fiscal não pode negar a existência de empréstimo e desconsiderar a dedutibilidade das despesas dele decorrentes e que a autoridade julgadora não trouxe fatos, provas ou sequer indícios de que os contratos de mútuo não existiam. Aduz que a efetividade das despesas não é um requisito previsto literalmente na legislação, mas decorre de uma análise lógica, pois quaisquer despesas antes de serem necessárias, precisam ser efetivamente pagas ou incorridas, para que sejam dedutíveis; e que o argumento central da glosa foi a alegada falta de evidências que comprovem a existência da dívida em moeda estrangeira. Assim se ficar comprovado que a obrigação em moeda estrangeira existe, todo o valor das despesas de variação cambial e de juros será automaticamente considerado como dedutível da base de cálculo do IRPJ. Salienta que o ponto central que fez com que a autoridade julgadora mantivesse o auto de infração foi o fato de que os contratos, por si só, não provam a titularidade e transferência dos títulos estrangeiros. Argumenta que a legislação fiscal não condiciona a validade das operações de transferência de títulos financeiros à apresentação dos comprovantes de mudança de titularidade junto ao custodiante e que o conceito de documentos hábeis e idôneos permite que a contribuinte possa utilizar-se de todos os meios de prova cabíveis para justificar os atos praticados. A seguir aborda os argumentos utilizados pela fiscalização para questionar a validade das operações: (i) falta de apresentação dos originais, (ii) falta de registro público desses contratos, e (iii) falta de identificação precisa das partes nos contratos de compra e venda de T-Bills. Com relação ao argumento de falta de apresentação do original, consigna que as cópias de documentos são meio legitimo de prova e apresenta, com o recurso, cópias autenticadas dos contratos de compra e venda dos títulos estrangeiros originais relativas às nove operações questionadas (docs. 66 a 74). A respeito da falta de registro público, argumenta que este não é condição de validade de documentos a serem apresentados à Receita Federal, por não existir na lei qualquer obrigação para que o contrato seja registrado. Assim, os contratos de compra e venda de T- Bills não precisam estar registrados em cartório. Além disso, em todos os contratos de compra e venda de títulos estrangeiros há a indicação de que houve o reconhecimento da firma de uma das partes, portanto, possuem um registro público. Sobre a falta de identificação precisa das partes que assinam os contratos subseqüentes de venda dos títulos pela recorrente para as demais empresas, alega que esse argumento não é verdadeiro em relação a todos os contratos. Destaca que em relação aos contratos que geraram as obrigações em moeda estrangeira, todos eles possuem as assinaturas py 7 relevantes (com firma reconhecida da parte brasileira) e todas as cópias autenticadas dos originais foram acostadas. Apenas em relação aos contratos subseqüentes, que a seu ver, são irrelevantes para este processo, é que poderia haver alguma falta de identificação precisa das partes. Argumenta que no contrato celebrado em 04.09.97 entre a recorrente e a Labotron, há a assinatura do gerente geral da empresa (Marcos Medeiros de Almeida), cuja assinatura está reconhecida pelo 22° Tabelionato de Notas; no contrato entre a recorrente e a Crescente (12.05.98) há a identificação do gerente geral da empresa (Roberto G Bianchini), tendo a sua assinatura sido reconhecida em cartório; nos dois contratos firmados entre a recorrente e a Wells (14.05.98 e 08.06.98) há a assinatura do representante legal da empresa (Sr. Ricardo Simões Granito), tendo a mesma sido inclusive reconhecida pelo 16 0 Tabelião; no contrato celegrado entre a recorrente e a Rhytus (13.10.98) consta o reconhecimento da firma do representante legal da empresa adquirente, aposto pelo 23° Tabelionato de Notas; o único contrato em que não consta a assinatura da empresa comprovadora foi o contrato celebrado com a Padamak, sendo que, nesse contrato há a assinatura do representante legal da recorrente, com fuma reconhecida pelo 10° Cartório de Ofício. Também aborda a efetividade das obrigações em moeda estrangeira. Aborda aspectos da legislação e também aspectos materiais. Sobre estes, argumenta que contratos foram firmados pela recorrente com a Marchon-US e que alguns foram firmados entre essa empresa e a FC18, tendo a dívida resultante desses contratos sido posteriormente transferida para a recorrente. Ressalta que esses são os contratos que geraram as obrigações em moeda estrangeira para a recorrente. Relaciona os contratos e afirma que possuem todas as assinaturas necessárias, foram firmados por partes capazes, tratam de objeto possível (a cessão de títulos) e por forma não vedada por lei, conseqüentemente, apresentam os requisitos mínimos para sua aceitação. Menciona que em relação ao objeto dos contratos, as cláusulas 3.1 (b) desses contratos formalizam a garantia dada pela Marchon-US de que os títulos existiam e que estavam livres e desembaraçados para negociação. Argumenta que os contratos entre a empresa no exterior e a fiscalizada, nunca tiveram sua validade questionada, e que de fato e de direito, esses contratos existiram no mundo jurídico e produziram efeitos, sendo uma obrigação eM moeda estrangeira legitima, que não pode ter sua despesa de variação cambial e juros questionada. Destaca que o meio utilizado foi normal e usual para o tipo de transação realizada, nos anos 90. Aduz que todas as nove operações relevantes para os autos foram realizadas de forma semelhante: (i) A Marchon-US adquire títulos estrangeiros de partes não vinculadas (diz que há cópias autenticadas dos contratos de compra e venda desses títulos), 00 A Marcho- US vende (ou empresta) a prazo esses títulos para a recorrente (diz que esses são os contratos relevantes para o caso e que preenchem todos os requisitos de validade, (iii) a recorrente vende esses títulos para terceiras empresas não vinculadas, contra o pagamento do preço à vista, no Brasil. Ressalta que a sócia espera receber esses empréstimos e que essa expectativa está documentada, pois há uma declaração (doc. 10) da sócia estrangeira confirmando sua expectativa em receber os recursos em pagamento, bem como, há um instrumento de novação (doc. 7), que, confirmando a dívida anterior, renova aspectos importantes como data de vencimento e moeda de -pagamento. Esse- instrumento de novação_ foi posteriormente, prorrogado em duas oportunidades (doc. 8 e 9). Ou seja, pretende comprovar que a intenção das partes era transferir recursos da sócia estrangeira para a recorrente, com uma razão 8 Processo n" 18471.001439;2005-91 S1-0211"2 Acórdão n.° 1402-00.101 Fl. 5 econômica, ou seja, o financiamento das suas atividades. Destaca que com a entrada da nova sócia, a recorrente teve acesso a novos nichos de mercado, o que aumenta as despesas com propaganda e marketing, além disso, o aumento das vendas passa necessariamente pelo aumento das importações realizadas pela empresa. Ressalta que a fiscalização nunca questionou a utilização dos recursos recebidos e que os recursos foram utilizados para pagar dividas operacionais da sociedade. Tais recursos financeiros foram transferidos para a recorrente para que esta tivesse o necessário capital de giro para suas operações. Entende que assim prova os fins econômicos das operações. Aborda ainda aspectos lógicos. Lembra que a autoridade fiscal sustenta que os depósitos feitos na conta corrente derivaram de receitas omitidas (processo 18471.001933/2002-11). Ainda que tivesse havido omissão de receitas, o art. 537 de RIR/99 detennina que, uma vez verificada a omissão de receita, o lucro tributável pode ser apurado com base nos percentuais aplicáveis à apuração da base de cálculo estimada, acrescida de 20%. Dessa forma, a margem de lucro arbitrada seria de apenas 9,6% das receitas operacionais. Assim, 89,4% dos valores recebidos representariam custos ou despesas arbitrados. Diz que é razoável supor que pelo menos 80% do valor da receita constitua custo de importação. Conseqüentemente, ainda que de receita omitida se tratasse ao menos 80% da divida em moeda estrangeira registrada pela fiscalização deveria ser tida como válida e efetiva. Ou seja, mesmo nessa hipótese, sempre haveria uma obrigação em moeda estrangeira contraída nos anos de 1997 e 1998, cuias despesas de variação cambial e de juros precisariam ser computadas nos anos de 1999 e 2000. No pior cenário, as médias de margem bruta da empresa deveriam ser consideradas, seguindo seu histórico contábil, o que indica custos de importação de aproximadamente 50% da sua receita operacional, sendo pelo menos 50% de sua receita bruta equivalente ao custo decorrente de importação. Explica ainda que no ano de 2001, o grupo Marchon no Brasil passou por uma reorganização societária. Nessa reorganização, parte dos créditos detidos pela Marchou- US contra a empresa FC18 (em decorrência das operações realizadas com títulos em moda estrangeira) foram utilizados para aumentar o capital social daquela sociedade. Essa operação teria sido efetivamente realizada, tendo sido levada a registro na Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro (doc. 75). Ressalta que embora a capitalização tenha sido feita em uma outra empresa do grupo e com relação a outras operações com T-Bills (realizadas diretamente pela FC18), certo é que teria ficado provado que os créditos efetivamente existem e foram utilizados para aumentar o capital social de uma das empresas do grupo. Aduz que essa evidência documental comprovaria o raciocínio lógico explicitado de que o sentido lógico é o empréstimo. Não haveria outra razão para empresas não vinculadas realizarem depósitos na conta-corrente da recorrente. Destaca ainda haver várias evidências que reforçam seus argumentos. Um deles é que a operação de venda dos titulos se deu para empresas não vinculadas, outro elemento é o fato de sempre ter havido o pagamento do preço estipulado para a venda com terceiros. Houve efetiva transferência de numerário entre as partes nas nove operações de venda de títulos estrangeiros, com o efetivo depósito do preço na conta-corrente detida pela recorrente, conforme comprova a cópia dos extratos bancários da empresa. (9 Ressalta que a obrigação em moeda estrangeira não nasceu com base nos contratos de venda para terceiros, mas sim, nasceu dos contratos celebrados entre a Marchon- US e a recorrente, sendo que a validade dos contratos não foi questionada. Também destaca que a fiscalização não obteve resposta às intimações feitas, por exemplo, à Labotron, para esclarecer sua participação nessas operações, bem como ao fato de que, de acordo com os registros internos da Receita Federal, a Labotron não havia apresentado as D1PJ. Entende que essas informações não podem ser utilizadas para desqualificar qualquer operação realizada pela fiscalizada com a Labotron, porque essas informações não são disponíveis a todos os contribuintes, sendo uma informação restrita e sigilosa, de acesso apenas para a fiscalização e porque tal fato, não impede que essa empresa realize negócios comerciais. Junta impressão do CNPJ datada de 14.06.2006 e diz que foi emitido seul qualquer ressalva (doc. 76-A, de fls. 986) continuando como uma inscrição válida (consta no mesmo que a contribuinte encontra-se na situação "inapta" desde 17.07.2004). Ademais, essas informações não estavam disponíveis ao tempo dos fatos. Conclui que quando os fatos ocorreram, nada impedia a recorrente de realizar negócios com a Labotron. Assinala qe o contrato com a Labotron possui todas as assinaturas necessárias, havendo mesmo o reconhecimento das firmas das partes envolvidas. Ressalta que há cópia de cartas enviadas à instituição custodiante solicitando alteração da titularidade dos títulos estrangeiros da Marchon para a recorrente e da recorrente para a Labotron. Afirma que juntou cópia autenticada da Declaração feita pela Marchon-US de que espera receber os recursos de volta. Também acostou os documentos de novação da divida, que comprovariam também a existência da dívida Aduz que a eventual fragilidade de qualquer documento não pode ser utilizada como fundamento de uma autuação, mormente quando todos os fatos e evidências materiais confirmam o alegado pela recorrente. Cita jurisprudência administrativa: acórdão 101-76.532/86, CSRF 01/2609/99, 101-90.025/96, 107-206/93, de 7.1.97, 105-4624/90, 103-12.386/92, CSRF 01- 900/89, 105-6.846/92, 105-6.786/92, Destaca que há pelo menos fortes indícios de que a recorrente realizou as operações com T-Bills. Primeiro, essas operações são consideradas como legitimas e aceitas na prática do mercado; segundo, há documentos firmados ao tempo da operação que p‘unitem a clara identificação da estrutura realizada entre as partes para realizar os empréstimos; terceiro, houve efetiva movimentação de numerário em valores que coincidem com todos os documentos apresentados, o que toma os fatos alegados verossímeis; quarto, os apectos materiais, lógicos e econômicos confirmam todos os fatos alegados. Conclui, que resta evidente que há, pelo menos, fortes indícios que comprovam a efetividade dos empréstimos em moeda estrangeira. Ressalta que as operações foram documentadas e contabilizadas e que os registros contábeis fazem prova a favor da recorrente. Aduz que a fiscalização não comprovou a veracidade de suas alegações nem muito menos questionou a veracidade dos nove contratos que geraram a obrigação em moeda estrangeira, e que o fisco não pode se basear em meras presunções, sem comprovação dos fatos, a fim de exigir os tributos. Sobre a exigência da multa, destaca que a suposta alegação de que teria ocorrido fraude, dolo ou simulação não foi comprovada, e que os institutos jurídicos utilizados io Processo n° 18471.001439/2005-91 SI-C4T2 Acórdão n.° 1402-00.101 Fl. 6 foram lícitos e não ocorreu qualquer ato contrário à legislação, não havendo qualquer falsificação de documentos, estorno de lançamentos contábeis ou omissão de informações, bem como, não estão presentes as características de fraude, tendo em vista que as despesas foram geradas antes de qualquer incidência tributária. Entende que não houve prova alguma de que as operações de mútuo foram realizadas com a intenção de criar despesas financeiras de modo artificial. Menciona que o I' CC, mesmo nos casos de simulação, tem decidido que quando o contribuinte é transparente com seus atos e efetivamente faz todos os lançamentos contábeis pertinentes, a multa deve ser reduzida de 150% para 75%. Cita o acórdão 101-93.701. Diz que nenhum ato foi praticado com o intuito de modificar, desfazer ou até ocultar o fato gerador já ocorrido ou os seus efeitos, obstar ou de algum modo afetar o crédito tributário, não havendo que se falar em fraude, no caso em tela. Afirma que o que esta em discussão, nestes autos, quando muito, é o juizo de valor sobre a suficiência dos documentos apresentados pela recorrente, o que se distancia da dicussão sobre fraude, dolo e evidente intuito de fraude. Acrescenta que sendo o presente processo decorrente de autuação anterior e não tendo sido exigida nesse lançamento, a multa de 150%, também não poderia ser exigida a qualificação da multa nestes autos. Também discute o efeito confiscatório da multa de 150%, vedado pela CF, no art. 150, IV. Cita decisão do STF, nos autos da ação direta de inconstitucionalidade n° 551- 11600-RJ e mais outras duas decisões. Discute a exigência dos juros de mora calculados com base na Selic, por entender que contrariam a lei e a jurisprudência. Estende seus argumentos à CSLL Na sessão de julho de 2009,0 recurso foi retirado de pauta, dada a existência de processos que poderiam, em tese, ter relação com este. A contribuinte procolizou requerimento (cuja ciência foi dada à PFN) onde pretende comprovar que as 9 operações objeto dos presentes autos já são discutidas cm outros processos administrativos e comprovação de que a existência do passivo decorrente dessas mesmas 9 operações foi expressamente reconhecida pela fiscalização nos autos de outro processo administrativo. Esclarece que conforme já informado no recurso, 6 das 9 operações de mútuo objeto da lide são discutidas no processo 18471.001933/2002-11 (doc. I) e que as outras três operações são objeto de discussão nos autos 18471.002739/2002-45 (doc. 2). Acrescenta que as 9 operações de mútuo ora discutidas são as mesmas tratados nos autos do processo 18471.001932/2002-69 e que nesse processo, a fiscalização reconheceu expressamente a existência, no passivo da recorrente das nove operações ora discutidas, no intuito de tributar sua variação cambial positiva pela COF1NS e ao PIS (doe 3). Argui que se nos autos do processo 18471.001932/2002-69, a fiscalização reconheceu a existência da divida recorrente das 9 operações de mútuo no passivo da recorrente, para fins de tributação da variação cambial positiva da divida, restaria claro que f:fl 11 esse passivo também deve ser reconhecido nos presentes autos, legitimando a dedutibilidade das despesas de variação cambial negativa e juros correspondentes. Requer o cancelamento da exigência fiscal. Nesta data, a contribuinte apresenta petição onde comunica que renunciou ao seu direito de defesa quanto às alegações sobre as quais se fundam os processos administrativos 18471.002739/2002-45 e 18471.001933/2002-11. Apresenta o protocolo da desistência dos mesmos. É o relatório. Voto Conselheira ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Relatora O recurso atende às condições de admissibilidade e deve ser conhecido. Entre os anos de 1997 e 1998, a contribuinte efetuou contratos de mútuo com seu sócio em Títulos do Tesouro Americano (T-Bills), sendo que a entrada desses titulos em território brasileiro não se deu por meio do Banco Central do Brasil e, esses títulos foram negociados posteriormente pela Marchon do Brasil, que os vendeu para empresas brasileiras. Foram glosadas as despesas financeiras para os anos-calendário de 1999 e 2000, relativas a variações cambiais e aos juros decorrentes dos T-Bills. A contribuinte defende que as operações praticadas em 1997 e 1998 são válidas. Foi aplicada a multa de oficio de 150%. Deixo para apreciar a questão da decadência após a apreciação da multa qualificada. A contribuinte informa que 6 das operações correspondem ao processo n° 18471.001933/2002-11, e que as demais integram o processo 18471.002739/2002-45. O primeiro processo mencionado foi distribuído para a 5' Câmara do extinto I° CC e na sessão de 11.03.2009 os membros da l aTumia Ordinária da 3' Câmara do CARF, da Primeira Seção de Julgamento, resolveram converter o julgamento em diligência. Transcrevo trecho da decisão: Diante do exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que autoridade preparadora intime os supostos compradores ou seus responsáveis, sócios ou quem detenha sua documentação contábil para que demonstre se manifeste sobre as operações de compra de T-Bills alegada pela recorrente, instruindo suas respostas com documentação hábil para demonstrar tais operações, inclusive cheque, transferência bancária ou outro meio utilizado para pagamento Esses supostos compradores, conforme o voto condutor da Resolução (n° 1301-00.001) são: Rhythmus Comunicações Lida, Labotron, Padamaq, Crescente Construtora c Wells do Brasil. Estes compradores também são mencionados neste processo. Comparando- . 12 ()-(2 Processo n° 18471.001439/2005-91 SI-C4T2 Acórdão n.° 1402-00301 Fl. 7 se o texto do voto da resolução com as informações contidas neste processo, conclui-se que as operações com T-Bills referem-se aos processos n° 3, 5, 6, 7, 8 e 9. Verificando a razão da autuação nesse processo, consta no relatório da resolução que a contribuinte foi intimada a comprovar o saldo da conta do passivo exigível a longo prazo. Concluiu a fiscalização que: Os fatos acima exposto evidenciam créditos em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quaá a fiscalizada, regularmente intimada, não comprovou, mediante documentação hábil e idónea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, situação que caracteriza omissão de receita, em conformidade com o disposto no artigo 42 da Lei 9.430/96. Essas operações corresponderiam aos valores que ingressaram na conta da recorrente em razão da suposta venda de T-Bills. Neste processo se discute a glosa das variações cambiais e de juros, decorrente da acusação de falta de comprovação do passivo, enquanto que no processo mencionado se discute a infração de omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada em razão da acusação de falta de comprovação da venda das T- Bills. Ou seja, apesar das infrações serem diferentes, em tese, as mesmas podem coexistir simultaneamente, entretanto, derivam do mesmo fato, "operações com T-Bills". Se 6 das operações de T-bills cujo passivo a fiscalização acusa de inexistente também são questionadas em outro processo e se no outro processo houve lançamento de omissão de receitas, caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, por não ter sido aceita a justificativa de que os valores dos depósitos correspondem à venda dos T- bills, temos que há fatos tratados neste lançamento que também estão em discussão no outro processo. Se o lançamento relativo ao outro processo fosse cancelado em razão dc aceitação de que a origem dos recursos corresponde à venda dos T-bills, teria que se decidir se o presente lançamento deveria ser cancelado, porque esse fato contribuiria, em tese, para validar a existência do passivo, o que denota a conexão entre os processos. Em relação às outras 3 operações, a contribuinte informou que refere-se a parte das operações com t'bills de que trata o processo n" 18471.002739/2002-45, recurso ré' 156844, da contribuinte PC 18 Comércio e Representações Ltda, que já foi julgado pela la Turma Ordinária da 3' Câmara, na sessão de 14.05.2009. O lançamento refere-se aos anos de 1997 e 1998. Em primeira instância, a 2' Turma Julgadora da DRJ Rio de Janeiro I, conforme acórdão 9647, de 09.022006, deu provimento à impugnação em relação à infração de depósitos bancários de origem não comprovada e glosa de variação cambial dos contratos de mútuo (não foram lançados os juros). No julgamento do recurso 156844, pela 1' Turma Ordinária da 3 Câmara da Seção do CARF, foi dado provimento parcial a recurso de oficio, mantendo-se afastado o agravamento da multa. Portanto, há uma conexão entre estes autos e os processos mencionados, entretanto, a contribuinte comunicou a este colegiado, que renunciou ao seu direito de defesa 13 quanto às alegações sobre as quais se fundam aqueles dois processos. Assim, não há óbice em 'relação a se prosseguir no julgamento do recurso. A empresa também argumenta que se nos autos do processo 18471.001932/2002-69, a fiscalização reconheceu a existência da dívida recorrente das 9 operações de mútuo no passivo da recorrente, para fins de tributação da variação cambial positiva da divida, restaria claro que esse passivo também deve ser reconhecido nos presentes • autos, legitimando a dedutibilidade das despesas de variação cambial negativa e juros correspondentes. Depreende-se da cópia da decisão de primeira instância que a base de cálculo das contribuições para os meses de janeiro de 1998 a janeiro de 1999, a fiscalização considerou apenas as receitas de vendas e suas devidas exclusões, ou seja, não se refere a variação cambial ativa. Em relação a esse processo, no Termo de Constatação (FM 2002-00.029-0), consta que em fiscalização que tinha como objetivo verificar a correta apuração e recolhimento das contribuições para o PIS e COFINS, foi intimada a empresa a justificar divergências entre as bases de cálculo levantadas pela fiscalização e valores declarados em DCTF, e que a empresa se limitou a apresentar justificativas para a não inclusão da variação cambial ativa originárias dos contratos de mútuo de T-bills, na base de cálculo das contribuições nos períodos de março a abril de 1999, e que segundo a empresa, o procedimento está de acordo com o art. 31 da MP 2158-35. A fiscalização explica que do texto desse dispositivo legal verifica-se que a parcela da receita financeira originária de variação monetária ativa poderá ser excluída da base de cálculo das contribuições para o PIS e a COFINS, desde que a mesma tenha sido submetida à tributação e efetivamente realizada e que o caso em tela não apresenta nenhuma destas características. Conclui que as aludidas variações cambiais ativas decorrentes de mútuos de títulos denominados T-bills devem ser adicionadas à base de cálculo dessas contribuições ante o disposto nos arts. 2', 3° e 9° da Lei 9.718/98. Ou seja, as variações cambiais ativas foram objeto de lançamento de oficio, para efeito da apuração da contribuição para o PIS e da COFINS, porque as mesmas não foram submetidas à tributação e efetivamente realizadas, nas palavras da fiscalização. Na impugnação, a discussão se refere à ampliação da base de cálculo dessas contribuições de que trata a Lei 9.718/98. Ainda que os valores lançados fossem variações monetárias ativas, decorrentes das operações com T-bills, esse fato, a meu ver, não legitima o passivo, a ponto de se considerar serem legítimas as variações monetárias passivas e juros que se discute neste processo. Em relação ao mérito, os contratos anexados aos autos, por si só, não provam que os títulos tenham sido efetivamente transferidos da Marchon Eywear Inc. para as empresas apontadas como mutuárias. Os T-Bills são ativos escriturais mantidos em conta de depósito, em nome de seus titulares, em instituições financeiras autorizadas. A negociação desses ativos em mercado de balcão é possível, mas só produz os efeitos transmissivos pretendidos quando registrada junto à instituição custodiante. Daí a necessidade de a contribuinte fazer prova da existência dos ativos, bem assim da transferência de sua titularidade. Entretanto, a prova da transferência da titularidade dos títulos não foi feita pela autuada. Entendo que essa é razão mais do que suficiente para manter o lançamento. Os demais argumentos da recorrente, citados no relatório, não são suficientes para validar a existência do passivo. - Passo à apreciação da multa qualificada. 14 Processo n°18471.001439/2005-91 SI-C4T2 Acórdão n.° 1402-09.101 El. 8 A fiscalização concluiu que a contribuinte utilizou-se de meios não idôneos para justificar a entrada de receita em sua escrita contábil. Assim, aplicou a multa prevista no inciso II, do art. 957 do RIR/99 de 150%. Destacou ainda a fiscalização, que com relação a questão dos prazos dentro do qual o fisco poderia recusar a homologação e efetuar o lançamento de oficio, a solução foi aplicar a regra geral do art. 173, Ido CTN. Acrescentou: "Pode não ser uma boa solução, mas não vendo outra, de lege lata". Citou a Nota MF/COSIT n°577, de 24.08.2000. Conforme se denota, a fiscalização não fundamentou a qualificação da multa de oficio. Tratando-se apenas de insuficiência probatória da titularidade dos títulos, deve ser aplicada a multa de oficio de 75% e não a de 150%, por não estar caracterizado, nos autos, o evidente intuito de fraude. Passo a apreciar a preliminar de decadência. Os autos foram cientificados à interessada, em 30.09.2005, enquanto que o lançamento se refere aos anos-calendário de 1999 e 2000; os tributos foram apurados pelo regime de tributação do lucro real anual. Conforme o caput do art. 38 e §1° da Lei n° 8.383/91, a partir do mês de janeiro de 1992, o imposto de renda das pessoas jurídicas passou a ser devido mensalmente, na medida em que, os lucros forem auferidos, devendo as pessoas jurídicas apurar mensalmente, a base de cálculo do imposto e o imposto devido. Por esse diploma legal, houve alteração da modalidade de lançamento do IRPJ, de declaração, para homologação. A contribuinte apurou o resultado pelo regime do lucro real anual, conseqüentemente, o fato gerador relativo ao IRPJ do ano-calendário de 1999 ocorreu em 31.12.99. O lançamento foi cientificado à interessada em 30.09.2005. No lançamento por homologação, conforme o disposto no art. 150, § 4', do CTN, se a lei não fixar prazo para a homologação será ele de cinco anos a contar do fato gerador, exceto se comprovada a ocorrência de dolo, fraude e simulação, que não corresponde à situação dos autos. Conseqüentemente, decaiu o direito de a Fazenda Nacional efetuar o lançamento do IRPJ e da CSLL do ano-calendário de 1999, uma vez que o mesmo foi cientificado à contribuinte após o prazo previsto no diploma legal mencionado. Há quem defenda que somente aplica-se o disposto nesse dispositivo legal, se tiver ocorrido pagamento, caso contrário, deveria ser aplicado o disposto no art. 173, I, do CTN, que disciplina que o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue- se apôs cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Consta na DIRJ relativa ao ano-calendário de 1999, que a empresa declarou imposto de renda retido na fonte, conforme fls. 18. Assim, tendo ocorrido retençües na fonte, conforme DIPJ do ano-calendário de 1999, também por essa razão, deve ser reconhecida a decadência do direito de o fisco realizar o lançamento, nos termos do disposto no art. 150, § 40 do CTN. fje( /5 Quanto à discussão sobre a aplicação dos juros de mora calculados com base na taxa selic, aplica-se a sUmula n° 4 do CARF, a seguir transcrita: A partir de 1 2 de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Não havendo matérias especificas em relação à CSLL, e tratando-se de tributação decorrente da mesma matéria relativa ao IRRJ, aplica-se ao lançamento dessa contribuição, o mesmo entendimento dado ao lançamento relativo à exigência principal. Do exposto, oriento meu voto para acatar a preliminar de decadência para o ano-calendário de 1999 e no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de oficio de 150% para 75%. e...- ALBERTINA SILfiANTOS E LIMA , .: , 16 8114; MINISTÉRIO DA FAZENDA f..Z..114I CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 4111021P 4:11g. ri>" QUARTA CÂMARA - PRIMEIRA SEÇÃO Processo n° : 18471.001439/2005-91 Acórdão n° : 1402-00.101 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3 0, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009. Brasília, em 10 de março de 2010 rMRodrig -s - Secretária da Câmara Ciência Data: / Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: f] apenas com ciência, [ ] com Recurso Especial; [ ] com Embargos de Declaração.
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Numero do processo: 11030.000913/2002-65
Data da sessão: Wed Nov 04 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Nov 04 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto de Renda Pessoa Jurídica
Ano-calendário: 1997
IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA - SOCIEDADES COOPERATIVAS - APLICAÇÕES FINANCEIRAS - ALIENAÇÃO DE BENS DO ATIVO PERMANENTE - Situam-se fora do campo de incidência do imposto de renda os resultados obtidos pelas cooperativas nos atos cooperados, conforme definidos no artigo 79 da Lei n° 5.764/71. As
aplicações financeiras não se caracterizam como atos cooperados, naquela definição, sujeitando-se A. incidência da norma tributária os resultados positivos nelas obtidos.
SALDO NEGATIVO DO IMPOSTO. RESTITUIÇÃO.
COMPRO VAÇÃO.Se o imposto retido na fonte sobre aplicações financeiras foi utilizado na apuração do saldo negativo de imposto de renda objeto do pedido de restituição/compensação, o deferimento do pleito fica condicionado a comprovação de que as receitas correspondentes àquela retenção na fonte estão devidamente apropriadas e tributadas.
JUROS SELIC - A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais
(Súmula 1° CC n°. 4).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1801-000.124
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Rogério Garcia Peres
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 11030.000913/2002-65 Recurso n° 160.319 Voluntário Acórdão n° 1801-00.124 — la Turma Especial Sessão de 04 de novembro de 2009 Matéria IRPJ Recorrente COOPERATIVA DE ENERGIA E DESENVOLVIMENTO RURAIS FONTOURA XAVIER LTDA. Recorrida i a TURMA/DRJ-SANTA MARIA/RS Assunto: Imposto de Renda Pessoa Jurídica Ano-calendário: 1997 IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA - SOCIEDADES COOPERATIVAS - APLICAÇÕES FINANCEIRAS - ALIENAÇÃO DE BENS DO ATIVO PERMANENTE - Situam-se fora do campo de incidência do imposto de renda os resultados obtidos pelas cooperativas nos atos cooperados, conforme definidos no artigo 79 da Lei n° 5.764/71. As aplicações financeiras não se caracterizam como atos cooperados, naquela definição, sujeitando-se A. incidência da norma tributária os resultados positivos nelas obtidos. SALDO NEGATIVO DO IMPOSTO. RESTITUIÇÃO. COMPRO VAÇÃO.Se o imposto retido na fonte sobre aplicações financeiras foi utilizado na apuração do saldo negativo de imposto de renda objeto do pedido de restituição/compensação, o deferimento do pleito fica condicionado a comprovação de que as receitas correspondentes àquela retenção na fonte estão devidamente apropriadas e tributadas. JUROS SELIC - A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula 1° CC n°. 4). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. ANA DE B A RROS FERNANDES - Presidente. ROGEaTe GARCIA PERES - Relator EDITADO EM: 2SOU T 2°11- Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Suplente Convocado), Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (Suplente Convocado), Marcos Antônio Pires (Suplente Convocado), Rogerio Garcia Peres, Marcos Vinicius Barros Ottoni e Ana de Barros Fernandes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Cheryl Berno. Relatório Com a finalidade de privilegiar o principio da celeridade processual adoto o relatório proferido pela l a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Santa Maria - RS: "Trata o presente processo de Auto de Infração de n2 297 para exigência de Imposto de Renda sobre a Pessoa Jurídica — IRPJ, multa de lançamento de oficio e juros de mora pela falta de recolhimento de principal, infração apurada com base nos dados da Declaraoão de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) do 2 trimestre(s) de 1997, totalizando R$ 6.769,61, com base nos seguintes dispositivos legais: Do principal: art. 103, do Decreto-Lei n2 5.844, de 23 de setembro de 1943; arts. 43, inc. I, e 45 e parágrafo único, da Lei n2 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Lei n." 5.172, de 25 de outubro de 1966 - CTN; art. 7 0, inc. I e § I", da Lei n." 7.713, de 22 de dezembro de 1988; art. 83, inc. I, alínea "d", da Lei 8.981, de 20 de janeiro de 1995; art. 1" da lei n." 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e; arts. 3", parágrafo único, e 5" da Lei n." 9.250, de 26 de dezembro de 1995; Dos acréscimos legais: arts. 160 da Lei n." 5.172, de 25 de outubro de 1966— CT1V; 1" da Lei n.° 9.249, de 26 de dezembro de 1995; 43 e 44, inc. II, § 1 0, inc. II, e § 2°, e 61, §,sç 1°, 2°c 3 0, da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is) da folha 2 e com os demonstrativos das folhas 3 A 7, o contribuinte não teria recolhido o(s) débito(s) de Imposto de Renda sobre a Pessoa Jurídica — IRPJ de n2 3862090, 3862091 e 3862092 - cód. 5993. Intimado da exigência, em 22/03/2002 (cópia cio AR na folha 69), o interessado apresentou, em 18/04/2002, a impugnação da(s) folha(s) 4, subscrita por seu presidente (cópia do 2 Processo n° 11030.000913/2002-65 SI-TE01 Acórdão n.° 1801-00.124 Fl. 2 instrumento de mandato nas folhas 13 a 22 e 41 a 64), instruída com o(s) documento(s) da(s) folha(s) 3 a 22 e 41 a 64. Em síntese, alega que se equivocou no preenchimento da DCTF, informando que os referidos débitos foram compensados com DARF, quando a compensação, efetivamente, se deu com saldos negativos do imposto apurados em períodos anteriores, sem DARF portanto. Anexa cópia das DCTFs (folhas 41 A 64) e cópia de informe de rendimentos financeiros, com retenção de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF (folhas 146 a 122). Diante da carência de elementos, nos autos, bastantes para o deslinde do litígio, o processo foi baixado a DRF de origem, em diligência, para que fosse verificada a disponibilidade do crédito alegado, tudo conforme termo das folhas 71 e 72. A prestimosa DRF-Passo Fundo empreendeu a diligência solicitada e, nos termos do relatório das folhas 162 e 163, concluindo que o autuado não tinha disponibilidade do crédito alegado em face das seguintes considerações: que o saldo negativo, utilizado para compensar os débitos de IRPJ, é proveniente do IRRF sobre aplicações financeiras, retido nos anos de 1993 e seguintes, cf demonstrativo elaborado pelo próprio interessado (folhas 81 e 82), declarando-o na DIRPJ/95 ff I. 115a 146); na DIPJ/94, o contribuinte deixou de tributar resultados positivos de operações estranhas as suas finalidades (receitas financeiras e receitas não-operacionais), no momento em que excluiu todo o resultado positivo (lucro/sobra) como resultado não-tributável da sociedade cooperativa (ft. 109); no exercício de 1995, AC 1994, apurou resultado negativo (perdas), mas não discriminou as receitas financeiras, sujeitas a tributação em separado dos resultados não-tributáveis da sociedade cooperativa, repetindo tal procedimento nos anos- calendário de 1996, 1997 e 1998, conforme cópia do LALUR, folhas 108a 114, e; em 31/07/1998, solicitou restituição do IRRF sobre aplicações financeiras, período 09/1995 — 12/1997, processo n2 11030.001344/98-19, indeferido (cf Decisão-DRF/PFU n2 033/199 (fls. 158 a 114), por se tratar de imposto retido sobre receitas não oferecidas, ou parcialmente oferecidas, a tributação e que não estão abrangidas pelo conceito de não-incidência esposado pela legislação regente da tributação dos resultados das sociedades cooperativas). Regularmente intimado do referido relatório (A.R. na folha 165), o autuado contra-arrazoou-o, nos termos da petição das folhas 166 a 171, subscrita por seu Presidente e instruída com os documentos das folhas 172 a 180 Sinteticamente, manifesta sua inconformidade com as conclusões da diligência, dizendo que os créditos de IRRF sobre aplicações 3 financeiras, opostos em compensação aos débitos de IRPJ, objeto do AI de que se trata, foram atualizados pela UFIR até 31/12/1995 e, após essa data, pela taxa Selic, e que, de acordo com suas demonstrações contábeis e com o LALUR, se encontravam disponíveis para utilização nas referidas compensações, porque, nos períodos em que foram constituídos os créditos tributários (saldo negativo de IRE1), não foi apurado resultado tributável que os absorvesse. Repisa o art. 76 da Lei n2 8.981, de 1995, que ad:rite a compensação do IRRF do resultado apurado no encerramento do período, e o art. 33 da Instrução Normativa SRF n 2 25, de 6 de mat-0 de 2001, que regulamenta o tal direito. Ainda, discorrendo sobre o resultado financeiro liquido, no ano- calendário de 1993, argumenta que, por ser sociedade cooperativa, não pode ser tributado somente pela receita, sem que se lhe possibilite a dedução das respectivas despesas. Discorre ainda sobre a multa aplicada e sobre a utilização da taxa Selic, para, novamente, pedir a improcedência do lançamento. É o Relatório." Ao analisar a Impugnação da Recorrente, a P Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Santa Maria - RS, deciciu por julgar parcialmente procedente o lançamento realizado, mantendo a exigência da IRPJ, cancelando apenas a multa de oficio. 0 principal argumento adotado pela DRJ, que seguiu o relatório da diligência, foi de que o contribuinte não tributou as receitas financeiras que geraram o IRRF. Inconformada com a decisão acima, o Recorrente, interpôs recurso voluntário (fls. 151 a 155), sustentando, em síntese, que: a) Que o contribuinte se habilitou ao crédito do imposto de renda na fonte nos períodos citados de 1993 a 1996, tal crédito é direito liquido e certo, independentemente do lucro tributável apurado; b) No caso exercícios (1993 a 1996) onde o saldo credor de IRPJ foi apurado a empresa apurou resultado negativo em operações financeiras; e A taxa Selic é inconstitucional. É o Relatório. Voto Conselheiro ROGÉRIO GARCIA PERES, Relator 0 recurso preenche os pressupostos de admissibilidade e dele conheço. Processo n° 11030.000913/2002-65 SI-TE01 Acórdão n.° 1801-00.124 Fl. 3 0 presente processo administrativo discorre sobre a cobrança de IRPJ de abril, maio e junho de 1997 no montante de R$ 6.789,61. Tal montante foi reduzido pela decisão de 1° instância em R$ 1.874,35 que corresponde a multa de oficio que foi devidamente cancelada. 0 motivo da cobrança foi a não homologação de compensação efetuada pela Recorrente dos débitos de IRPJ de abril a maio de 1997. As informações sobre tais compensações estão declaradas em DCTF (fls. 43 a 45). Por sua vez, o crédito utilizado tem origem em saldo credor de IRPJ gerado pelas retenções de IR sobre aplicações financeiras efetuadas nos exercícios compreendidos entre 1993 a 1996. Segundo o relatório da diligência, que foi utilizado na decisão de 1° instância, as receitas financeiras que geraram o IRRF não foram oferecidas a tributação e por isso as compensações efetuadas com o saldo credor de IRPJ não devem ser homologadas. A Recorrente no recurso voluntário alega que: a) Que o contribuinte se habilitou ao crédito do imposto de renda na fonte nos períodos citados de 1993 a 1996, tal credito é direito liquido e certo, independentemente do lucro tributável apurado; b) No caso exercícios (1993 a 1996) onde o saldo credor de IRPJ foi apurado a empresa apurou resultado negativo em operações financeiras; c) A taxa Selic é inconstitucional. Para iniciar a análise dos argumentos da Recorrente é importante discorrer acerca da incidência de IRPJ para as sociedades cooperativas que está disposta nos artigos 182 e 183 do Regulamento de Imposto de Renda: "Art. 182. As sociedades cooperativas que obedecerem ao disposto na legislação especifica não terão incidência do imposto sobre suas atividades econômicas, de proveito comum, sem objetivo de lucro (Lei n 2 5.764, de 16 de dezembro de 1971, art. 32, e Lei n 2 9.532, de 1997, art. 69). § 12 É vedado eis cooperativas distribuirem qualquer espécie de beneficio as quotas-partes do capital ou estabelecer outras vantagens ou privilégios, financeiros ou não, em favor de quaisquer associados ou terceiros, excetuados os juros até o máximo de doze por cento ao ano atribuídos ao capital integralizado (Lei n2 5.764, de 1971, art. 24, § 32). § 22 A inobservância do disposto no parágrafo anterior importará tributação dos resultados, na forma prevista neste Decreto. Art. 183. As sociedades cooperativas que obedecerem ao disposto na legislação especifica pagarão o imposto calculado sobre os resultados positivos das operações e atividades estranhas à sua finalidade, tais como (Lei n2 5.764, de 1971, arts. 85, 86, 88 e 111, e Lei n 2 9.430, de 1996, arts. Pc 22): I - de comercialização ou industrialização, pelas cooperativas agropecuárias ou de pesca, de produtos adquiridos de não associados, agricultores, pecuaristas ou pescadores, para completar lotes destinados ao cumprimento de contratos ou para suprir capacidade ociosa de suas instalações industriais; II- de fornecimento de bens ou serviços a não associados, para atender aos objetivos sociais; III - de participação em sociedades não cooperativas, públicas ou privadas, para atendimento de objetivos acessórios ou complementares." Portanto, a incidência de IRPJ para as sociedades cooperativas somente recai sobre os resultados positivos das operações estranhas a sua atividade. Analisando o Estatuto Social (fi s. 207 a 216) da Recorrente verifica-se que os resultados financeiros são operações estranhas a sua atividade. Assim, os resultados positivos apurados em operações financeiras devem tributados pelo IRPJ. A jurisprudência administrativa segue essa opinião, já que foi decidida anteriormente (CSRF/01-05.109, 18 de outubro de 2004): "SOCIEDADES COOPERATIVAS — RENDIMENTOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS — TRIBUTAÇÃO: Os rendimentos de aplicações financeiras, em quaisquer de suas modalidades, obtidos pelas sociedades cooperativas, são atos não cooperados, praticados com não associados, sujeitando-se ao imposto de renda e CSLL. Nas pessoas jurídicas que apuram seus resultados con tabilmente e, optam pelo lucro real a correção monetária ou, variação monetária, esta englobada na apuração do lucro pelo confronto de receitas financeiras e despesas financeiras não podendo portanto a correção monetária ter tratamento isolado." Diante dessa premissa, é importante verificar se a Recorrente ofereceu a tributação as receitas financeiras que geraram o IRRF que foi objeto de compensação. Tal determinação já foi analisado por este colegiado. "SALDO NEGATIVO DO IMPOSTO. RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO. Se o imposto retido na fonte sobre aplicações financeiras foi utilizado na apuração do saldo negativo de imposto de renda trimestral objeto do pedido de restituição, o deferimento do pleito fica condicionado a comprovação de que as receitas correspondentes aquela retenção na fonte estão devidamente apropriadas no trimestre. (Acórdão n" 103-23629)" Compulsando os autos, a Recorrente apresentou os extratos das aplicações financeiras, bem como informe de rendimentos (fls. 86 a 107) a totalidade do IRRF pleiteado. Ademais, os valores informados pela Recorrente sobre o IRRF não foram questionados pela fiscalização. Contudo, ressalto que a Recorrente não comprovou de forma inequívoca, com documentos hábeis, o oferecimento das receitas financeiras que acarretaram nas retenções de IR. 0 contribuinte deveria demonstrar os lançamentos contábeis que correspondem a I PERES - Relator 1 Processo n° 11030.000913/2002-65 SI-TE01 Acórdão n.° 1801-00.124 Fl. 4 contabilização das receitas financeiras pelo regime de competência, bem como que ofereceu tais receitas à tributação do imposto de renda. Assim, com relação a esse item o lançamento deve subsistir. Por fim, com relação à impossibilidade da exigência de juros de mora corn base na taxa Se lic, por ilegalidade e inconstitucionalidade, tal argumento não prosperará e já está inclusive sumulado no extinto Conselho de Contribuintes. A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custodia - SELIC para títulos federais (Súmula 1° CC n'. 4 1 ). Diante do exposto nego provimento ao recurso. Súmula 1° CC n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplencia, á. taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. 7
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Numero do processo: 10140.000045/2001-22
Data da sessão: Thu Nov 05 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Nov 05 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-Calendário: 2000
Ementa: RESTITUIÇÃO DE JUROS E MULTA MORATÓRIA — Não cabe
a restituição de juros de tributos recolhidos extemporaneamente, posto ter caráter compensatório para recompor o patrimônio lesado do Estado.
Numero da decisão: 1803-000.215
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. O Conselheiro Luciano Inocêncio dos Santos acompanhou a relatora pelas conclusões. Ausente, justificada e momentaneamente o Conselheiro Walter Adolfo Maresch.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira
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'Cf. CONSELHO ADIVLINISIRATIVO DE RECURSOS FISCAIS t. PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO -Zr Processo n° 10140.000045/2001-22 Recurso n° 168.837 Voluntário Acórdão n° 1803-00.215 — 3* Turma Especial Sessão de 05 de novembro de 2009 Matéria IRPJ - ANO-CALENDÁRIO: 2000 _ Recorrente TELEMS CELULAR-StA (INCORPORADA POR-VIVOS/A) Recorrida P TURMA/DRJ-CURITIBAJPR Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-Calendário: 2000 Ementa: RESTITUIÇÃO DE JUROS E MULTA MORATÓRIA — Não cabe a restituição de juros de tributos recolhidos extemporaneamente, posto ter caráter compensatório para recompor o patrimônio lesado do Estado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. O Conselheiro Luciano Inocêncio dos Santos acompanhou a relatora pelas conclusões. Ausente, justificada e momentaneamente o Conselheiro Walter Adolfo Marsch. — RREIRA DE MORAES - Presidente iplyMORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA — Relator ED ADO EM: 09 ABR 2010 Participaram, da presente sessão de julgamento os Conselheiros: Selene Ferreira de Moraes, Walter Adolfo Maresch, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Benedicto Celso Benicio Júnior, Luciano Inocêncio dos Santos e Marcos Antônio Pires. Processo n° 10140.000045/2001-22 S1-TE03 Acórdão n.° 1803-00115 Fl. 2 Relatório Como bem relatado pela P Turma da DRJ de Curitiba/PR, in verbis: "A interessada anteriormente identificada, por meio de petição de fls. 1/2, datada de 11/01/2001, solicitou a restituição dos acréscimos legais recolhidos em 02/01/2001, no importe de R$ 8.896,22, relativamente ao pagamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica — LRPJ, e da Contribuição Social Sobre O Lucro Líquido — CSLL, pertinentes ao período de apuração novembro de 2000 e vencido no último dia útil de dezembro de 2000. Por meio do despacho decisório de fl. 12 da DRF em Londrina — PR, o pedido foi indeferido considerando os fundamentos do Parecer DRF/LON/Saort n° 305/2008, fls. 10/12, que argumentos que os recolhimentos foram efetuados após a data de seus vencimentos, e que os acréscimos legais são devidos por expressa disposição legal. Cientificada do Despacho Decisório, por via postal em 29/05/2008 (AR fl. 15), a interessada, por meio de seu representante legal (mandato às fls. 23/26), ingressa com a reclamação de fls. 16/17, instruída_ com os . documentos de fls. 18/36, cujo teor é resumido a seguir. Inicialmente relata que tentou efetuar o pagamento dos tributos via SL4FI, não tendo conseguido acessar o sistema. Que após freqüentes tentativas frustradas optou pelo recolhimento por meio da rede bancária, em 02/01/2008, mas estes já se encontravam vencidos, tendo que recolher juros e multa. Diz que irresignada com tais pagamentos, já que mencionado atraso se deu por razões alheias à sua vontade, e não por sua desídia, via processo administrativo pediu a restituição dos juros e da multa pagos indevidamente, que foi indeferida pela Delegacia da Receita Federal de Londrina — PR. Alega que não pode arcar com um ónus a que não tenha dado causa. Isso porque, ao disponibilizar um sistema para que o contribuinte realize o pagamento de tributos, a Receita Federal do Brasil tem o dever de monitorar o seu bom funcionamento, arcando com eventuais falhas que ele venha a provocar." Em julgamento proferido em 16.09.2008, a P Turma da DRJ de Curitiba/PR (fls. 38 a 40), julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2000 1) zkI\ Processo n° 10140.000045/2001-22 81-TE03 Acórdão n.° 1803-00.215 Fl. 2 Relatório Com bem relatado pela 1' Turma da DRJ de Curitiba/PR, in verbis: "A interessada anteriormente identificada, por meio de petição de fls. 1/2, datada de 11/01/2001, solicitou a restituição dos acréscimos legais recolhidos em 02/01/2001, no importe de R$ 8.896,22, relativamente ao pagamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ, e da Contribuição Social Sobre O Lucro Líquido — CSLL, pertinentes ao período de apuração novembro de 2000 e vencido no último dia útil de dezembro de 2000. Por meio do despacho decisório de ft 12 da DRF em Londrina — PR, o pedido foi indeferido, considerando os fundamentos do Parecer DRF/LON/Saort n° 305/2008, fls. 10/12, que argumentos que os recolhimentos foram efetuados após a data de seus vencimentos, e que os acréscimos legais são devidos por expressa disposição legal. Cientificada do Despacho Decisório, por via postal em 29/05/2008 (AR fl. 15), a interessada, por meio de seu representante legal (mandato às fls. 23/26), ingressa com a reclamação de fls. 16/17, instruída com os documentos delir. 18/36, cujo teor é resumido a seguir. Inicialmente relata que tentou efetuar o pagamento dos tributos via SIAM, não tendo conseguido acessar o sistema. Que após freqüentes tentativas frustradas optou pelo recolhimento por meio da rede bancária, em 02/01/2008, mas estes já se encontravam vencidos, tendo que recolher juros e multa. Diz que irresignada com tais pagamentos, já que mencionado atraso se deu por razões alheias à sua vontade, e não por sua desídia, via processo administrativo pediu a restituição dos juros e da multa pagos indevidamente, que foi indeferida pela Delegacia da Receita Federal de Londrina — PR. Alega que não pode arcar com um ônus a que não tenha dado causa. Isso porque, ao disponibilizar um sistema para que o contribuinte realize o pagamento de tributos, a Receita Federal do Brasil tem o dever de monitorar o seu bom funcionamento, arcando com eventuais falhas que ele venha a provocar" Em julgamento proferido em 16.09.2008, a P Turma da DRJ de Curitiba/PR (fls. 38 a 40), julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTA ' RIO Ano-calendário: 2000 •• ti) Processo n° 10140.000045/2001-22 81-TE03 Acórdão n.° 1803-00.215 Fl. 3 DÉBITO CONFESSADO. AUDITORL4 INTERNA NA DCTF. Ementa: RESTITUIÇÃO DE JUROS E MULTA DEMORA. O pagamento do crédito tributário fora do vencimento enseja a cobrança dos • acréscimos moratórias. Solicitação indeferida." Da ementa acima reproduzida, cabe consignar o quanto está discorrido à fl. 40, in verbis: "Na manifestação de inconformidade apresentada a reclamante se limita a alegar que não teria conseguido acessar o sistema SL4FI, e assim realizar o pagamento. Que não pode arcar -com um ónus ri que- não deu causa, porque, -- - --- . ao disponibilizar um sistema para que o contribuinte realize o pagamento de tributos, a Receita Federal do Brasil tem o dever de monitorar o seu bom funcionamento, arcando com eventuais falhas que ele venha a provocar. Como se verifica, trata-se apenas de alegações, sem qualquer outro elemento que pudesse corroborar tal afirmativa" Ciente da decisão de primeira instância em 20.10.2008 (fl. 42), o Recorrente interpôs recurso voluntário em 18.11.08 (fls. 43 a 48), juntando documentos de fls. 49 a 72, alegando em apertada síntese: 1) No caso não há que se falar em recomposição de patrimônio estatal lesado e, muito menos, em punição ao descumpritnento de qualquer obrigação tributária, visto que o atraso no pagamento do tributo ocorreu por uma falha no SIAFI, o que impossibilitou que o Recorrente efetuasse o pagamento dentro do prazo legal; 2) Cumpre à Administração Pública zelar pela continuidade da prestação dos serviços por ela colocados à disposição dos administrados, não podendo imputar aos mesmos os ônus decorrentes de eventuais falhas técnicas em seu funcionamento. A contribuinte reproduziu, para tanto, as telas do SIAFI demonstrando a indisponibilidade do sistema; É o relatório. Voto Conselheira LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA, Relatora O recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade, sendo que dele tomo conhecimento. Em suma, o Recorrente pretende ver restituídos os encargos legais (multa e juros), visto que só recolheu o tributo devido no aludido ano-calendário _ de forma ()(1) • Processo n° 10140.000045/2001-22 S1-TE03 Acórdão n.° 1803-00.215 Fl. 4 extemporânea, em virtude de o sistema SIAF da Receita Federal do Brasil ter ficado indisponível na data do vencimento respectivo, de modo que entende o Recorrente que, como não deu causa ao recolhimento fora do prazo, não pode ser penalizado pelos encargos decorrentes da mora. Inicialmente, entendo que quanto aos juros decorrentes da mora não cabe a restituição. Isso porque, o juro surge em decorrência de atos ou omissões, ilícitos ou não, que, causando danos ao patrimônio alheio, ligam o agente à obrigação de indenizar. Essa indenização tem fins compensatórios, sendo aplicada pelo não cumprimento de dever legal ou contratual (v.g. obrigação de pagar tributo). Vale aduzir, na esteira de Sacha Calmon Navarro Coelho, in "Comentários ao Código Tributário Nacional", Ed. Forense, pg. 336, que: "em - direito-tributário é o juro que-recompõe o patrimônio lesado pelo _tributo não recebido a tempo". Portanto, não constituindo os juros de mora uma penalidade, mas sim uma compensação ao patrimônio estatal pelo tributo pago de forma extemporânea, tem-se que utilizando tais premissas, in casu, o Fisco não causou prejuízo ao Recorrente em virtude de o sistema de pagamento da RFB ter ficado indisponível na data do vencimento do tributo devido, visto que os juros, em verdade, servem como uma medida impositiva para assegurar o cumprimento das normas e, por conseqüência, proteger o patrimônio estatal decorrente da mora. Vale dizer que nos dias em que o tributo deixou de ser pago os correspondentes recursos ficaram em mãos do contribuinte que poderia deles haver rendimentos de juros. Então, o contribuinte, que ficou com os recursos por esse período, deve os juros ao fisco, por disposição legal. Quanto à multa de mora de natureza tributária, que ao contrário dos juros de mora, possui caráter de penalidade, conforme entendimento há tempos pacificado pela jurisprudência do E. Superior Tribunal de Justiça, deve ser vista como uma sanção atrelada a uma conduta culposa (negligência, imprudência e/ou imperícia) do agente. Com efeito, conforme consagrado pela doutrina penalista, especificamente a de Julio Fabbrini Mirabete, citando Sebastien Soler, in Manual de Direito Penal. 17. ed. rev. e atual. São Paulo: Atlas, 2001. p. 246: "pena é uma sanção aflitiva imposta pelo Estado, através da ação penal, ao autor de uma infração, como retribuição de seu ilícito, consistente na diminuição de um bem jurídico e cujo fim é evitar novos delitos". Assim, por ser a multa uma espécie de pena imposta ao agente que praticou a conduta irregular decorrente da culpa, na esfera tributária tem-se que a mesma é aplicada quando o contribuinte se exime do pagamento de determinado tributo, ou mesmo deixa de apresentar alguma declaração, desrespeitando a lei. Estabelecidas tais premissas, verifica-se que in casu não é possível afastar a culpa do Recorrente. Isso porque há mais de uma forma de efetuar o pagamento do tributo devido: pelo sistema SIEF, DARF com código de barra, via bankline ou na agência bancária. A indisponibilidade de um meio de pagamento então não afasta a obrigação do contribuinte de ser diligente e buscar outros meios disponíveis de pagamento, até porque a data do vencimento do tributo é a data limite de pagamento, sendo que o pagamento pode ser feito antes ou de manhã' - do dia do vencimento, por exemplo. Se assim fosse feito, na indisponibilidade do SIEF, seria Processo n° 10140.000045/2001-22 31-TE03 Acórdão n.° 1803-00.215 Fl. 5 possível fazer o pagamento pelos outros meios. Isso é a expressão da diligência que, no caso, não foi verificada. Ainda que a indisponibilidade do SIEF fosse causa para afastamento da multa, diante da alegada surpresa do contribuinte pela interrupção de seu funcionamento e da obrigação do setor público de zelar pela sua continuidade, o que no caso se discute apenas por hipótese, o afastamento da multa só seria efetivo por um dia. No entanto, a partir do 2° dia, ao ter verificado que o sistema SIAF continuava indisponível, situação esta que perdurou nos dias seguintes, conforme verificado às fls. 70 a 72, de qualquer maneira o Recorrente deveria ter se cercado das diligências necessárias para o cumprimento da obrigação tributária pelos outros meios de pagamento disponíveis, posto que a partir de então não mais havia a imprevisibilidade quanto à interrupção do sistema SIEF. Por todas as formas de enxergar a realidade, como_ha .vários meios _de cumprir a obrigação tributária, com notório e fatal vencimento legal, não há como afastar a falta de diligência do contribuinte em questão. O fato de o Estado não ter deixado o SIEF disponível por alguns dias de maneira nenhuma afasta a culpa do contribuinte por sua falta de diligência em procurar os demais meios para saciar sua obrigação tributária. O pagamento do tributo só foi feito pelo recorrente 4 dias depois do vencimento legal do tributo. Assim sendo, não cabe nem a restituição de juros e sequer a restituição de multa de mora neste caso, já que ambos são obrigação legal. Nestes termos, nego provimento ao recurso voluntário. arre irrieri .0 • ORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA 7à7-
score : 1.0
Numero do processo: 10680.008193/00-44
Data da sessão: Mon Sep 01 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Mon Sep 01 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS EMPREGADOS EM PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS.
A exportação de produtos não tributados não confere direito ao crédito presumido de IPI, relativamente aos insumos empregados em sua fabricação.
ATUALIZAÇÃO DE CRÉDITO PELA SELIC.
Em razão da inexistência de crédito presumido pleiteado, prejudicada está a discussão, objeto de recurso especial, por ausência de litígio.
Recursos especiais da Fazenda Nacional provido e do Contribuinte não conhecido.
Numero da decisão: CSRF/02-03.434
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: 1) pelo voto de qualidade, DAR provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martínez Lopez (Relatora), Dalton César Cordeiro de Miranda, Gileno Gurjão Barreto, Leonardo Siade Manzan, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior (Substituto convocado) e Antonio Carlos Guidoni Filho que negaram provimento ao recurso. 2) por unanimidade de votos, CONSIDERAR prejudicado o recurso especial do contribuinte, relativo a incidência da Taxa SELIC, tendo em vista que não restou crédito reconhecido. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Josefa Maria Coelho Marques.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: Maria Teresa Martínez Lopez
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ementa_s : CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS EMPREGADOS EM PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS. A exportação de produtos não tributados não confere direito ao crédito presumido de IPI, relativamente aos insumos empregados em sua fabricação. ATUALIZAÇÃO DE CRÉDITO PELA SELIC. Em razão da inexistência de crédito presumido pleiteado, prejudicada está a discussão, objeto de recurso especial, por ausência de litígio. Recursos especiais da Fazenda Nacional provido e do Contribuinte não conhecido.
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decisao_txt : ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: 1) pelo voto de qualidade, DAR provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martínez Lopez (Relatora), Dalton César Cordeiro de Miranda, Gileno Gurjão Barreto, Leonardo Siade Manzan, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior (Substituto convocado) e Antonio Carlos Guidoni Filho que negaram provimento ao recurso. 2) por unanimidade de votos, CONSIDERAR prejudicado o recurso especial do contribuinte, relativo a incidência da Taxa SELIC, tendo em vista que não restou crédito reconhecido. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Josefa Maria Coelho Marques.
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Numero do processo: 10845.000487/2002-12
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Data da publicação: Thu Jul 30 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 1992, 1993
ILL - PEDIDO RESTITUIÇÃO - EMPRESA LTDA - CONTRATO SOCIAL PREVENDO DISTRIBUIÇÃO DOS LUCROS SEM NECESSIDADE DE REUNIÃO OU ATO SUBSEQÜENTE PARA DELIBERAÇÃO - RESTITUIÇÃO INDEVIDA
Nas hipóteses em que, apurado o balanço, o contrato social prevê a disponibilidade dos resultados aos sócios, sem a necessidade de deliberação subseqüente, é legítima a exigência do imposto de renda sobre o lucro liquido previsto no artigo 35 da Lei n°7713, de 1988.
Recurso negado
Numero da decisão: 2201-000.357
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Matéria: IRF- penalidades (isoladas), inclusive multa por atraso DIRF
Nome do relator: Moisés Giacomelli Nunes da Silva
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 1992, 1993 ILL - PEDIDO RESTITUIÇÃO - EMPRESA LTDA - CONTRATO SOCIAL PREVENDO DISTRIBUIÇÃO DOS LUCROS SEM NECESSIDADE DE REUNIÃO OU ATO SUBSEQÜENTE PARA DELIBERAÇÃO - RESTITUIÇÃO INDEVIDA Nas hipóteses em que, apurado o balanço, o contrato social prevê a disponibilidade dos resultados aos sócios, sem a necessidade de deliberação subseqüente, é legítima a exigência do imposto de renda sobre o lucro liquido previsto no artigo 35 da Lei n°7713, de 1988. Recurso negado
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10845.000487/2002-12 Recurso n° 136.294 Voluntário Acórdão n° 2201-00.357 — r Câmara / 1° Turma Ordinária Sessão de 30 de julho de 2009 Matéria ILL Recorrente BECHARA IMÓVEIS E ADMINISTRAÇÃO LTDA Recorrida 5' Turma DRJ/SÃO PAULO/SP I Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 1992, 1993 ILL - PEDIDO RESTITUIÇÃO - EMPRESA LTDA - CONTRATO SOCIAL PREVENDO DISTRIBUIÇÃO DOS LUCROS SEM NECESSIDADE DE REUNIÃO OU ATO SUBSEQÜENTE PARA DELIBERAÇÃO - RESTITUIÇÃO INDEVIDA Nas hipóteses em que, apurado o balanço, o contrato social prevê a disponibilidade dos resultados aos sócios, sem a necessidade de deliberação subseqüente, é legítima a exigência do imposto de renda sobre o lucro liquido previsto no artigo 35 da Lei n°7713, de 1988. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. • 1 , Moisés Giacomelli Nunes da Silva —1teIutorsidente em exercício EDITADO EM:' Mi ABE 2019 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Manoel Coelho Arruda Júnior (Suplente convocado), Eduardo Tadeu Farah, Renato Coelho Borelli (Suplente convocado), Núbia Moreira Barros Mana (Suplente convocada) e Moisés Giacomelli Nunes da Silva (Presidente em exercício). Ausentes, justificadamente, as Conselheiros Rayana Alves de Oliveira França e Janaína Mequita Lourenço de Souza. Relatório Em 30-01-2002 a empresa recorrente protocolizou pedido de restituição do Imposto Sobre o Lucro Liquido ILL, que lhe foi exigido nos anos de 1992 e 1993, conforme DARFs cujos originais constam das fls 16 a 19. Na origem a solicitação de restituição em face da decadência, decisão esta confirmada pela DRJ e afastada no Conselho de Contribuintes por meio do acórdão de fls. 114/125. No mérito, a DRF indeferiu o pedido (fls. 203/207). Tal decisão foi atacada por meio da manifestação de fls. 209/213. A DFtJ, no acórdão de fls. 226/234 confirmou decisão anterior que havia indeferido o pedido de restituição. Desta decisão, o contribuinte ingressou com o recuso de fls. 236/244. Este processo esteve em pauta na sessão de julgamento de 25/04/2008, oportunidade em que Câmara converteu o julgamento em diligência para que viesse aos autos os atos sociais vigentes em 31/12/1991 e 31/12/1992. Intimada, a interessada foi juntar aos autos os documentos de fls. 270/311, que se constituem do ato constitutivo da empresa e alterações contratuais subseqüentes. É o relatório. • 2 Processo n°10845.000487/2002-12 S2-C1T1 Acórdão n.° 2201-00357 FL 2 VOTO Conselhetro oises a me unes da Silva, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Assim, dele tomo conhecimento e passo ao exame do mérito. Trata-se de pedido de restituição/compensação de Imposto sobre o Lucro Líquido, recolhido em 1992 e 1993, referente aos anos-calendário de 1991 e 1992. No Recurso Extraordinário n°. R.E. n°. 172.058/SC, em que foi relator o Ministro Marco Aurélio, cuja ação tinha por objeto a inconstitucionalidade do artigo 35 da Lei n° 7.713, de 1988, que determinava que o sócio quotista, o acionista ou o titular da empresa individual ficava sujeito ao Imposto sobre a Renda na fonte, à aliquota de 8% (oito por cento), calculado com base no lucro líquido apurado pelas pessoas jurídicas na data do encerramento do período-base, o STF decidiu a matéria nos seguintes termos: RECURSO EXTRAORDINÁRIO - ATO NORMATIVO DECLARADO LNCONSTITUCIONAL - LIMITES. Alicercado o extraordinário na alínea b do inciso III do artigo 102 da Constituição Federal, a atuação do Supremo Tribunal Federal faz-se na extensão do provimento judicial atacado. Os limites da Lide não a balizam, no que verificada declaração de inconstitucionalido.de que os excederam. Alcance da atividade precipua do Supremo Tribunal Federal - de guarda maior da Carta Política da República TRIBUTO - RELAÇÃO JURÍDICA ESTADO/CONTRIBUINTE - PEDRA DE TOQUE. No embate diário Estado/contribuinte, a Carta Política da República exsurge com insuplantável valia, no que, em prol do segundo, impõe parâmetros a serem respeitados pelo primeiro. Dentre as garantias constitucionais explicitas, e a constatação não exclui o reconhecimento de outras decorrentes do próprio sistema adotado, exsurge a de que somente a lei complementar cabe "a definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes" - alínea "a" do inciso III do artigo 146 do Diploma Maior de 1988. IMPOSTO DE RENDA - RETENÇÃO NA FONTE - SOCIO COTISTA A norma insculpida no artigo 35 da Lei n° 7313/88 mostra-se harmónica com a Constituição Federal quando o contrato social prevê a disponibilidade económica ou jurídica imediata, pelos sócios, do lucro liquido apurado, na data do encerramento do pericdo-base. Nesse caso o citado artigo exsurge como explicitação do fato gerador estabelecido no artigo 43 do Código Tributário Nacional, não cabendo dizer da disciplina, de tal elemento do tributo, via legislação ordinária_ Interpretação da norma conforme o Texto Maior. IMPOSTO DE RENDA - RETENÇÃO NA FONTE - ACIONISTA. O artigo 35 da Lei n° 7.713/88 e inconstitucional, ao revelar como fato gerador do imposto de renda na modalidade "desconto na fonte", relativamente aos acionistas, a simples apuração, pela sociedade e na data do encerramento do período-base, do lucro liquido, já que o fenômeno não implica qualquer das espécies de disponibilidade versadas no artigo 43 do Código Tributário Nacional, isto diante da Lei n° 6.404/76. IMPOSTO DE RENDA - RETIENÇA0 NA FONTE - TITULAR DE EMPRESA INDIVIDUAL. O artigo 35 da Lei n" 7313/88 encerra explicitação do fato gerador, alusivo ao imposto de renda, fixado no artigo 43 do Código Tributário Nacional, mostrando-se harmônico, no particular, com a Constituição Federal. Apurado o lucro liquido da empresa, a destinação fica ao sabor de manifestação de vontade única, ou seja, do titular, fato a demonstrar a dispunibilidade jurídica. Situação tática a conduzir a pertinência do principio da despersonalização. RECURSO EXTRAORDINÁRIO - CONHECIMENTO - JULGAMENTO DA CAUSA. A observância da jurisprudência sedimentada no sentido de que o Supremo Tribunal Federal, conhecendo do recurso extraordinário, julgara a causa aplicando o direito a espécie (verbete n°456 da Súmula), pressupõe decisão formalizada, a respeito, na instância de 3 origem. Declarada a inconstitucionalidade linear de um cetto artigo, uma vez restringida a pecha a uma das normas nele insanas ou a um enfoque determinado, impõe-se a baixa dos autos para que, na origem, seja julgada a lide com apreciação das peculiaridades. InteligCncia da ordem constitucional, no que homenageante do devido processo legal, avesso, a mais não poder, as soluções que, embora práticas, resultem no desprezo a organicidade do Direito. (j. 30/06/1995. DJ 13-10-1995) Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 35 da Lei n o 7.713, de 1988, o STF, conforme ementa já transcrita, o fez destacando que em relação às sociedades por quotas de responsabilidade limitada, faz-se necessário verificar, qaso a caso, se o contrato social prevê a disponibilidade imediata, pelo sócio-quotista, do lucro líquido apurado na data do encerramento do período-base, pois somente em tal hipótese haverá incidência do imposto de renda. Em não havendo disposição no contrato social quanto à imediata distribuição dos lucros, não haverá a incidência do imposto de renda. O contrato social a ser analisado é o que se encontrava em vigor nas datas dos respectivos fatos geradores, no caso concreto em 31/12/1991 e 31/12/1992. O documento de fls. 271/273 demonstra que a requerente foi constituída no ano de 1995, sendo que a cláusula décima de seu contrato social assim dispõe: "CLAUSULA DÉCIMA: O ano social coincidirá com o ano civil, e, a 31 de dezembro de cada ano, será procedido ao levantamento de um balanço geral, e o resultado apurado, depois de observadas as formalidades legais, será dividido ou suportado pelos sócios, proporcionalmente as suas cotas de capital. Do exame das alterações contratuais existentes nos autos se verifica que a cláusula acima transcrita permaneceu inalterada, razão pela qual é com base nela que deve ser analisado a legalidade da exigência tributária. A simples apuração, pela sociedade e na data do encerramento do período- base, do lucro liquido não implica qualquer das espécies de disponibilidade versadas no artigo 43 do Código Tributário Nacional. Assim, nas hipóteses em que além da apuração do lucro era necessário reunião ou ato subseqüente dos sócios quotistas para deliberarem acerca do destino dos lucros, isto é, se seriam ou não distribuídos, em 31 de dezembro de cada ano não havia fato gerador, pois ainda era necessário condição futura, isto é, deliberação dos sócios, que podia ou não resultar em distribuição dos lucros. No caso dos autos, ao mencionar que o ano social coincidirá com o ano civil e, a 31 de dezembro de cada ano, seria feito balanço geral e o resultado apurado, depois de observadas as formalidades legais, dividido ou suportado pelos sócios, o contrato social deixa claro que a distribuição dos lucros não dependia de deliberação subseqüente. Nenhum sócio, ainda que tivesse maioria do capital social, podia impedir a distribuição dos lucros. O fato da cláusula décima conter as expressões "precedido das formalidades legais" não quer dizer que em 31 de dezembro de cada ano-calendário, além da apuração dos 1 resultados, seria necessário outro ato para decidir acerca dos lucros. As expressões antes referidas devem ser compreendida corno formalidades administrativo-contábeis, isto é, os respectivos registros, mas não reunião para deliberação acerca dos lucros. • Em síntese, se apurado lucro, ainda era necessário reunião dos sócios quotistas para deliberarem acerca do destino a ser dado aos lucros, que poderiam ser usados para aumento de capital, reservas ou distribuição, não exigência do tributo não era devida. No \404\." 4 Processo n° 10845.000487/200242 S2-CI•I Acórdão n.° 2201-00357 Fl. 3 entanto, no caso em que o contrato, como no caso concreto, não condicionava a distribuição dos lucros a nenhum outro ato de vontade subseqüente, a exigência do ILL era devida. No caso dos atos, nenhum ato de vontade subseqüente era necessário para que os lucros fossem distribuídos. Assim, legitima a exigência. ISSO POSTO, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. É o voto. MOISE r 1 • 1 S DA SILVA.
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Numero do processo: 37216.000893/2007-52
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2002 a 31/01/2006
DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL - SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO - LANÇAMENTO - POSSÍVEL
O depósito do montante integral suspende a exigibilidade do crédito e deve ser observado competência a competência. A ocorrência de depósito a menor numa única competência descaracteriza a integralidade apenas nesta competência e não nas demais em que o depósito judicial foi feito na integralidade e na data do vencimento do tributo.
Embora o depósito o montante integral impeça a cobrança do crédito tributário não é óbice à sua constituição pelo lançamento.
AÇÃO JUDICIAL. DEPÓSITO. INOCORRÊNCIA DE MORA.
O depósito judicial descaracteriza a inadimplência, não sendo devidos os acréscimos decorrentes da mora a partir da sua efetivação, observados os valores depositados/devidos e as datas dos depósitos/vencimentos das contribuições.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2402-003.139
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para exclusão dos valores correspondentes aos juros e multa lançados em todas as competências, com exceção de 12/2005. Vencidos os conselheiros Walter Murilo Melo de Andrade, Jhonatan Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues que também excluíam os juros e a multa correspondentes ao mês de 12/2005.
Ana Maria Bandeira- Relatora.
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Walter Murilo Melo Andrade, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2002 a 31/01/2006 DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL - SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO - LANÇAMENTO - POSSÍVEL O depósito do montante integral suspende a exigibilidade do crédito e deve ser observado competência a competência. A ocorrência de depósito a menor numa única competência descaracteriza a integralidade apenas nesta competência e não nas demais em que o depósito judicial foi feito na integralidade e na data do vencimento do tributo. Embora o depósito o montante integral impeça a cobrança do crédito tributário não é óbice à sua constituição pelo lançamento. AÇÃO JUDICIAL. DEPÓSITO. INOCORRÊNCIA DE MORA. O depósito judicial descaracteriza a inadimplência, não sendo devidos os acréscimos decorrentes da mora a partir da sua efetivação, observados os valores depositados/devidos e as datas dos depósitos/vencimentos das contribuições. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para exclusão dos valores correspondentes aos juros e multa lançados em todas as competências, com exceção de 12/2005. Vencidos os conselheiros Walter Murilo Melo de Andrade, Jhonatan Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues que também excluíam os juros e a multa correspondentes ao mês de 12/2005. Ana Maria Bandeira- Relatora. Júlio César Vieira Gomes Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Walter Murilo Melo Andrade, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
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A ocorrência de depósito a menor numa única competência descaracteriza a integralidade apenas nesta competência e não nas demais em que o depósito judicial foi feito na integralidade e na data do vencimento do tributo. Embora o depósito o montante integral impeça a cobrança do crédito tributário não é óbice à sua constituição pelo lançamento. AÇÃO JUDICIAL. DEPÓSITO. INOCORRÊNCIA DE MORA. O depósito judicial descaracteriza a inadimplência, não sendo devidos os acréscimos decorrentes da mora a partir da sua efetivação, observados os valores depositados/devidos e as datas dos depósitos/vencimentos das contribuições. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 21 6. 00 08 93 /2 00 7- 52 Fl. 688DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para exclusão dos valores correspondentes aos juros e multa lançados em todas as competências, com exceção de 12/2005. Vencidos os conselheiros Walter Murilo Melo de Andrade, Jhonatan Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues que também excluíam os juros e a multa correspondentes ao mês de 12/2005. Ana Maria Bandeira Relatora. Júlio César Vieira Gomes – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Walter Murilo Melo Andrade, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 689DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 37216.000893/200752 Acórdão n.º 2402003.139 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento de contribuições devidas à Seguridade Social, destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. Segundo o Relatório Fiscal (fls. 273/279), o contribuinte foi enquadrado na sua atividade preponderante de código 22.110 — Edição; edição e impressão de jornais, grau de risco médio, com alíquota de 2% (dois por cento). No entanto, o contribuinte vem se enquadrando em risco leve e, com amparo em ação judicial, vem depositando em juízo a diferença entre os dois graus de riscos (20ª VFRJ 2002.51.01.0084016). O contribuinte assume como risco médio apenas o seu estabelecimento de CNPJ 00.396.253/000630, denominado Parque Gráfico, para o qual recolhe integralmente os 2%. Assim, o lançamento abrange apenas a diferença de 1% (um por cento) que vem sendo contestada na ação citada e o contribuinte realizou o depósito judicial dos valores relativos ao período em tela. A auditoria fiscal apresenta os procedimentos utilizados para realizar o reenquadramento da empresa no grau de risco. A autuada teve ciência do lançamento em 30/11/2006 e apresentou defesa (fls. 292/300), onde alega que os valores exigidos estariam integralmente depositados nos autos da Ação Ordinária n° 2002.51.01.0084016 com a exigibilidade suspensa, nos moldes do artigo 151, II do Código Tributário Nacional, motivo pelo qual não caberia o lançamento de multa, a qual deverá ser excluída da exigência. Entende que a autuação deve permanecer suspensa até o desfecho do processo judicial. Foi solicitada diligência fiscal para que fosse esclarecido porque as contribuições declaradas nas — GFIPs, ou seja, reconhecidas pela Interessada, estariam integrando a Notificação n°. 37.025.793 6 de valores contestados judicialmente e que fosse informado se os valores do depósito judicial constante nos autos da Ação Ordinária n°. 2002.51.01.008401 6 relativo ao período desta NFLD, 37.025.792 8, e das NFLDs; 37.025.793 6 e 37.025.794 4 corresponderiam ao montante integral do crédito, repartido nas três notificações. Também foi pedida a elaboração de um demonstrativo contendo o valores apurados e o depositado judicialmente. Em resposta (fls. 357), a auditoria fiscal informa que foi elaborado o demonstrativo solicitado (fl. 355), do qual se depreende que, no período desta NFLD 7928, Fl. 690DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 não houve indícios de depósitos de quaisquer acréscimos nas cópias das guias que o contribuinte juntou para comprovação da sua defesa, que na competência 12/2005 o lançamento foi maior que o depósito em R$ 232,42, com ocorrência de diferenças centesimais nas outras competências. Pela DecisãoNotificação nº 17.401.4/0217/2007 (fls. 369/375), o lançamento foi considerado procedente. Na referida decisão é informado que o depósito judicial realizado pela Notificada não poderia suspender a exigibilidade do crédito por sua incompletude. Segundo a decisão recorrida na competência 12/2005 o lançamento teria superado o depósito judicial em R$ 232,42. Além disso, a guia da competência 06/2002, preenchida pelo Contribuinte, onde consta como data de vencimento 03/07/2002, foi depositada nessa data, ou seja, fora do prazo previsto. Ciente da decisão, a autuada apresentou recurso (fls. 408/421), alegando que ainda que uma ínfima parcela do débito, apurada somente quando do lançamento, não se encontre depositada, não se pode pretender que a outra parte do débito (quase a sua integralidade) não esteja com a exigibilidade suspensa e justifique a exigência de multa de mora sobre a totalidade do débito. No mais, repete as alegações de defesa. Os autos foram encaminhados a este Conselho e pelo Acórdão nº 2302 00.122 (fls. 437/440), a 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara entendeu por anular a decisão de primeira instância tendo em vista o fato de o contribuinte não ter tomado ciência do resultado da diligência anterior à decisão. Devidamente intimada do resultado da diligência, a autuada manifestouse informando que quanto à diferença de R$ 232,42, esta não decorre de valor depositado a menor, mas sim de ajuste realizado pela Requerente ao final da competência de 12/2005. Isto porque, ao final do mês de dezembro, quando efetuou o recálculo do SAT referente à competência 13/2005, a Requerente constatou que, para essa competência, foi realizado um depósito a maior, no montante de R$ 233,03. Como o vencimento das contribuições sobre o 13º salário é até o dia 20 de dezembro, no momento em que a autuada foi apurar o valor do depósito para a competência 12/2005, verificou a existência do depósito a maior relativo à competência 13/2005 e, assim, abateu tal valor do depósito relativo à competência 12/2005. No que se refere às demais diferenças apuradas, a autuada entende que se trata de valores centesimais insignificantes e que em alguns casos tais diferenças referemse a valores depositados a maior. Mantém o argumento de que a exigibilidade do crédito estaria suspensa e que a multa aplicada seria indevida. Pelo Acórdão nº 1238.524 (fls. 551/560), a 12ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I manteve a procedência da autuação. Fl. 691DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 37216.000893/200752 Acórdão n.º 2402003.139 S2C4T2 Fl. 4 5 A decisão salienta que quanto aos acréscimos legais relativos à competência 06/2002 estes foram recolhidos em 27/04/2007, quase 5 anos após o vencimento, e somente depois da decisão anulada. A autuada apresentou recurso tempestivo e efetua a repetição das alegações já apresentadas. É o relatório. Fl. 692DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. A recorrente manifesta seu inconformismo pelo fato de a decisão recorrida não ter considerado que o crédito tributário estaria com sua exigibilidade suspensa em face de uma ínfima diferença no depósito judicial. A diferença mencionada corresponderia ao valor de R$ 232,42 e seria decorrente de ajuste realizado pela recorrente ao final da final da competência de 12/2005. Isto porque, ao final do mês de dezembro, quando efetuou o recálculo do SAT referente à competência 13/2005, a Requerente constatou que, para essa competência, foi realizado um depósito a maior, no montante de R$ 233,03. Como o vencimento das contribuições sobre o 13º salário é até o dia 20 de dezembro, no momento em que a autuada foi apurar o valor do depósito para a competência 12/2005, verificou a existência do depósito a maior relativo à competência 13/2005 e, assim, abateu tal valor do depósito relativo à competência 12/2005. Além disso, a recorrente havia efetuado o recolhimento da competência 06/2002 em atraso e sem os acréscimos legais devidos, os quais só foram recolhidos após o lançamento, em 27/04/2007. O depósito do montante integral é uma das causas de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, segundo dispõe o art. 151, inciso II, do Código Tributário Nacional. A expressão montante integral do crédito tributário corresponde ao valor exigido pela Fazenda Pública, e não o reconhecido pelo sujeito passivo da obrigação tributária. No regime do lançamento por homologação, onde é o contribuinte quem informa a base de cálculo, a integralidade do depósito dependerá da coincidência entre os valores reconhecidos pelo contribuinte e aqueles apurados pela fazenda pública. Para que o montante seja considerado integral, além de se atentar para o quantum estabelecido pela Fazenda Pública, o contribuinte deve observar a data limite do pagamento do tributo ao realizar o depósito, sob pena de se sujeitar aos juros e multa. No caso em tela, não se pode dizer que houve o depósito do montante integral em todas as competências. Quanto à competência 12/2005, a recorrente ao perceber que recolhera a maior na competência 13/2005, cujo vencimento é 20/12/2005, anterior ao vencimento da competência 12/2005, promoveu, por conta própria e sem qualquer amparo legal, uma compensação de valores, efetuando o depósito da competência 12/2005 a menor. Fl. 693DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 37216.000893/200752 Acórdão n.º 2402003.139 S2C4T2 Fl. 5 7 O procedimento utilizado pela recorrente foi irregular, uma vez que a constatação de depósito a maior possibilitaria ao contribuinte o levantamento da diferença. Em relação à competência 06/2002, observase que, embora tenha sido verificado o atraso em um dia no depósito judicial, a auditoria fiscal não considerou tal atraso ao efetuar o lançamento, uma vez que não há lançamento de acréscimos legais e na tabela elaborada (fls. 355) não consta diferença em tal competência. Embora o atraso tenha sido detectado pelo julgador de primeira instância, o depósito correspondente ao total lançado foi efetuado, já que a auditoria fiscal não se atentou para o fato de o depósito ter sido efetuado fora do vencimento e lançado a diferença. O lançamento da diferença nem poderia mais ocorrer uma vez que, posteriormente ao lançamento, a recorrente efetuou o depósito judicial dos acréscimos legais, em relação à competência 06/2002, restando realizado o depósito integral do montante devido. De acordo com o entendimento da decisão recorrida a existência de diferença em uma única competência seja suficiente para descaracterizar a integralidade do depósito em todo o período. A meu ver, o entendimento está equivocado. A contribuição previdenciária é tributo apurado e recolhido mensalmente e a recorrente efetuou a apuração do montante devido nas competências e efetuou o depósito judicial no dia do vencimento. Portanto, à exceção da competência 12/2005, o crédito tributário nas demais competências está com a exigibilidade suspensa em face do depósito do montante integral. A recorrente questiona que a autoridade fiscal tenha efetuado o lançamento sob o argumento de que o crédito estaria com a exigibilidade suspensa. O depósito apenas suspende a exigibilidade do crédito, não alcançando o seu procedimento de constituição (lançamento). Assim, a propositura, pelo contribuinte, de ação judicial para afastar a cobrança de determinada contribuição, não impede a Fazenda Pública de proceder ao lançamento, pois este, segundo o parágrafo único do artigo 142 do CTN, constitui atividade vinculada e obrigatória da autoridade administrativa, sob pena de responsabilidade funcional. O lançamento tem como objetivo resguardar o crédito tributário. Não efetuado o lançamento no curso do prazo de decadência, o Fisco não mais poderá fazêlo, ainda que obtenha decisão judicial favorável, pelo fato de o crédito acharse fulminado pela decadência. É que o prazo decadencial não se interrompe nem se suspende com a interposição de medida judicial, fluindo a partir da ocorrência do fato gerador ou da data prevista em lei. A recorrente questiona a incidência de encargos uma vez que as contribuições haviam sido depositadas judicialmente. Além disso, rebate a alegação contida na decisão recorrida de que como a competência para conversão em renda seria do juiz, a autoridade administrativa não poderia supor que o depósito seria convertido em renda ainda que a Fazenda Nacional obtivesse sentença favorável. Assiste razão à recorrente. Fl. 694DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 O depósito judicial do seu montante integral, nos termos do artigo 151, II do CTN, é uma das formas de suspensão da exigibilidade do crédito tributário e, como conseqüência, descaracterizase a mora e afastase a incidência dos acréscimos legais sobre o crédito tributário depositado. Portanto, indevida a cobrança dos encargos moratórios, multa e juros, sobretudo se considerarmos que a partir da edição da Lei nº 9.703/1998, as quantias depositadas judicialmente são repassadas para a conta única do tesouro nacional, o que se consubstancia em verdadeiro pagamento. No mesmo sentido manifestase a doutrina, conforme se verifica nos dizeres de Sacha Calmon Navarro Coelho1 : “Feito o depósito judicial e integral da quantia litiganda, ficam excluídas as multas e os juros, se inexistente ato de lançamento, e incluídas, se já houver.......a mora, por outro lado, não prospera porque o depósito integral do crédito elide a aplicação dos juros pela demora de pagar, bem como das penalidades dirigidas a sancionar o inadimplemento da obrigação tributária na data fixada em lei”. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para reconhecer que, à exceção da competência 12/2005, os juros e a multa das demais competências devem ser excluídos em face do depósito do montante integral que também suspende a exigibilidade do crédito nestas competências. É como voto. Ana Maria Bandeira Relatora 1 Manual de Direito Tributário, 2a ed., Editora Forense, pág. 446 Fl. 695DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10510.000537/2005-96
Data da sessão: Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003
APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFICIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA.
Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano-calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. (Acórdão nº CSRF 401-05838).
Numero da decisão: 9101-000.987
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, conhecer do recurso, vencidos os conselheiros Antônio Carlos Guidoni Filho, Valmir Sandri e Susy Gomes Hoffmann, que não o conhecia e, no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Alberto Pinto Souza Junior (Relator) e Viviane Vidal Wagner. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz.
(documento assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo Presidente
(documento assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior Relator
(documento assinado digitalmente)
Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Claudemir Rodrigues Malaquias, Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner, Susy Gomes Hoffmann, Alberto Pinto Souza Junior, Karem Jureidini Dias, João Carlos de Lima Junior, Antonio Carlos Guidoni Filho e Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. (Acórdão nº CSRF 40105838). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, conhecer do recurso, vencidos os conselheiros Antônio Carlos Guidoni Filho, Valmir Sandri e Susy Gomes Hoffmann, que não o conhecia e, no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Alberto Pinto Souza Junior (Relator) e Viviane Vidal Wagner. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. (documento assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (documento assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 05 37 /2 00 5- 96 Fl. 266DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 13/12/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 (documento assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Claudemir Rodrigues Malaquias, Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner, Susy Gomes Hoffmann, Alberto Pinto Souza Junior, Karem Jureidini Dias, João Carlos de Lima Junior, Antonio Carlos Guidoni Filho e Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Relatório Tratase de Recurso Especial do Procurador por contrariedade à legislação tributária, interposto em face do acórdão nº 10709.385, de 28 de maio de 2008 (fls. 3.629/388), proferido pela 7ª Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, que, por maioria, deu provimento ao recurso voluntário cancelando o lançamento da multa isolada por falta de recolhimento do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ e da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido – CSLL sobre bases estimadas que deixaram de ser recolhidas em decorrência de omissão de receita, a qual foi também objeto do lançamento de ofício. A recorrente tomou ciência do referido acórdão em 10/10/2008 (fls. 3667), tendo interposto o recurso especial em 13/10/2008 (fls. 3670/3687), no qual pede que o acórdão recorrido seja reformado em parte, para se restaurar a exigência da multa isolada sobre as estimativas, em razão dos seguintes argumentos expendidos: a) que a exclusão da multa isolada pelo acórdão recorrido viola o disposto no art. 44, § 1º, inc. IV da Lei nº 9.430/96; b) que o indigitado inciso IV, quando preceitua que a multa isolada é devida ainda que o contribuinte tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa, significa que a multa é exigida tanto na hipótese de apuração de lucro real e base de cálculo positiva da CSLL, como no caso da apuração de prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL, pois, não fosse assim, o termo "ainda" seria desnecessário e, como se sabe, a lei não contém palavras inúteis ou desnecessárias; c) que a lei não restringiu a aplicação da multa isolada ao lançamento efetuado antes do término do anocalendário, pelo contrário, a expressão "ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição, social sobre o lucro líquido, no anocalendário" leva à conclusão de que o lançamento pode ser efetuado após o seu encerramento, uma vez que antes não se sabe qual será o resultado do período anual e, portanto, se o lançamento apenas pudesse ser realizado durante o anocalendário, a expressão não teria razão de existir; d) que a multa isolada é cabível mesmo após o encerramento do ano calendário e nada tem a ver com a multa devida pela falta de recolhimento do imposto apurado com base no lucro real anual ou trimestral. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 13/12/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10510.000537/200596 Acórdão n.º 9101000.987 CSRFT1 Fl. 12 3 O recurso especial foi admitido, conforme despacho da Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção deste CARF, às fls. 3.689 a 3693, e, posteriormente, em 13/05/2010, foi dada ciência ao contribuinte do acórdão recorrido e do recurso especial do Procurador (vide AR à fls. 3.710). É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior – Relator. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e, portanto, deve ser conhecido. Antes de adentrar no cerne da questão posta, cabe delimitar os contornos da lide em julgamento. No acórdão recorrido, foi cancelada parte do lançamento feito com base em omissão. Ora, não tendo a Fazenda Nacional recorrido contra o cancelamento de parte do lançamento com base em omissão de receita, há que se entender que, ao pedir a restauração da exigência da multa isolada por falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL sobre bases estimadas que deixaram de ser recolhidas em decorrência de omissão de receita, limitase apenas aos valores das omissões de receita mantidas no acórdão recorrido (faturamento sobre o fornecimento de energia e Recomposição Tarifária Extraordinária RTE cobrada nas contas de energia). Com relação ao fulcro da questão, ou seja, sobre a possibilidade de exigência concomitante de multa isolada devida por falta de recolhimento de estimativas do IRPJ e da CSLL e multa de ofício por falta de recolhimento ao final do exercício, o acórdão recorrido cingese, em sua fundamentação, a sustentar que: “Levandose em conta que é o bem público que deve ser protegido, aplicar a multa proporcional cumulativamente com a multa isolada, por falta de recolhimento de estimativas, sobre os valores apurados em procedimento fiscal, implicaria admitir que sobre o imposto apurado de oficio, aplicarseia duas punições, o que significaria em relação à falta, a imposição de penalidade desproporcional ao proveito obtido.” Não obstante a econômica fundamentação do acórdão recorrido na abordagem deste ponto, peço vênia à Turma para analisar, neste voto, as principais teses que, na minha opinião, têm equivocadamente levado ao cancelamento da multa isolada por falta de Fl. 268DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 13/12/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 recolhimento da estimativa, quais sejam: a aplicação do princípio da consunção e a tese de que as multas isolada e de ofício estariam incidindo sobre a mesma base. Da aplicação do princípio da consunção O princípio da consunção é princípio específico do Direito Penal, aplicável para solução de conflitos aparentes de normas penais, ou seja, situações em que duas ou mais normas penais podem aparentemente incidir sobre um mesmo fato. Primeiramente, há que se ressaltar que a norma sancionatória tributária não é norma penal stricto sensu. Vale aqui a lembrança que o parágrafo único do art. 273 do anteprojeto do CTN (hoje, art. 112 do CTN), elaborado por Rubens Gomes de Sousa, previa que os princípios gerais do Direito Penal se aplicassem como métodos ou processos supletivos de interpretação da lei tributária, especialmente da lei tributária que definia infrações. Esse dispositivo foi rechaçado pela Comissão Especial de 1954 que elaborou o texto final do anteprojeto, sendo que tal dispositivo não retornou ao texto do CTN que veio a ser aprovado pelo Congresso Nacional. À época, a Comissão Especial do CTN acolheu os fundamentos de que o direito penal tributário não tem semelhança absoluta com o direito penal (sugestão no 789, p. 513 dos Trabalhos da Comissão Especial do CTN) e que o direito penal tributário não é autônomo ao direito tributário, pois a pena fiscal mais se assemelha a pena cível do que a criminal (sugestão no 787, p.512, idem). Não é difícil, assim, verificar que, na sua gênese, o CTN afastou a possibilidade de aplicação supletiva dos princípios do direito penal na interpretação da norma tributária, logicamente, salvo aqueles expressamente previstos no seu texto, como por exemplo, a retroatividade benigna do art. 106 ou o in dubio pro reo do art. 112. Ainda que aplicável fosse o princípio da consunção para solucionar conflitos aparentes de norma tributárias, não há no caso em tela qualquer conflito que justificasse a sua aplicação. Conforme já asseverado, o conflito aparente de normas ocorre quando duas ou mais normas podem aparentemente incidir sobre um mesmo fato, o que não ocorre in casu, já que temos duas situações fáticas diferentes: a primeira, o não recolhimento do tributo devido; a segunda, a não observância das normas do regime de recolhimento sobre bases estimadas. Ressaltese que o simples fato de alguém, optante pelo lucro real anual, deixar de recolher o IRPJ e a CSLL mensais sobre a base estimada não enseja per se a aplicação da multa isolada, pois esta multa só é aplicável quando, além de não recolher os tributos mensais sobre a base estimada, o contribuinte deixar de levantar balanço de suspensão, conforme dispõe o art. 35 da Lei no 8.981/95. Assim, a multa isolada não decorre unicamente da falta de recolhimento do tributo mensal, mas da inobservância das normas que regem o recolhimento sobre bases estimadas, ou seja, do regime. Temos, então, duas situações fáticas diferentes, sob as quais incidem normas também diferentes. O art. 44 da Lei no 9.430/96 (na sua redação vigente à época do lançamento) já albergava várias normas, das quais vale pinçar as duas sub examine: a decorrente da combinação do inciso I do caput com o inciso I do § 1o aplicável por falta de pagamento do tributo; e a decorrente da combinação do inciso I do caput com o inciso IV do § 1o – aplicável pela não observância das normas do regime de recolhimento por estimativa. Ora, a norma prevista da combinação do inciso I do caput com o inciso I do § 1o do art. 44 jamais poderia ser aplicada pela falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL sobre a base estimada, então, como se falar em consunção, para que esta absorva a norma prevista da combinação do inciso I do caput com o inciso IV do mesmo § 1o. Assim, demonstrado que temos duas situações fáticas diferentes, sob as quais incidem normas diferentes, resta irrefutável que não há unidade de conduta, logo não existe Fl. 269DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 13/12/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10510.000537/200596 Acórdão n.º 9101000.987 CSRFT1 Fl. 13 5 qualquer conflito aparente entre as normas dos incisos I e IV do § 1º do art. 44 e, consequentemente, indevida a aplicação do princípio da consunção no caso em tela. Noutro ponto, refuto a tese de que a falta de recolhimento da estimativa mensal seria uma conduta menos grave, por atingir um bem jurídico secundário – que seria a antecipação do fluxo de caixa do governo. Conforme já demonstrado, a multa isolada é aplicável pela não observância do regime de recolhimento pela estimativa e a conduta que ofende tal regime jamais poderia ser tida como menos grave, já que põe em risco todo o sistema de recolhimento do IRPJ sobre o lucro real anual – pelo menos no formato desenhado pelo legislador. Em verdade, a sistemática de antecipação dos impostos ocorre por diversos meios previstos na legislação tributária, sendo exemplos disto, alem dos recolhimentos por estimativa, as retenções feitas pelas fontes pagadoras e o recolhimento mensal obrigatório (carnêleão), feitos pelos contribuintes pessoas físicas. O que se tem, na verdade são diferentes formas e momentos de exigência da obrigação tributária. Todos esses instrumentos visam ao mesmo tempo assegurar a efetividade da arrecadação tributária e o fluxo de caixa para a execução do orçamento fiscal pelo governo, impondose igualmente a sua proteção (como bens jurídicos). Portanto, não há um bem menor, nem uma conduta menos grave que possa ser englobada pela outra, neste caso. Ademais, é um equívoco dizer que o não recolhimento do IRPJ e da CSLL sobre a base estimada é uma ação preparatória para a realização da “conduta mais grave” – não recolhimento do tributo efetivamente devido no ajuste. O não pagamento de todo o tributo devido ao final do exercício pode ocorrer independente do fato de terem sido recolhidas as estimativas, pois o resultado final apurado não guarda necessariamente proporção com os valores devidos por estimativa. Ainda que o contribuinte recolha as antecipações, ao final pode ser apurado um saldo de tributo a pagar, com base no resultado do exercício. As infrações tributárias que ensejam a multa isolada e a multa de ofício nos casos em tela são autônomas. A ocorrência de uma delas não pressupõe necessariamente a existência da outra, logo inaplicável o princípio da consunção, já que não existe conflito aparente de normas. Das bases para os cálculos das multas A tese de que as multas isolada e de ofício estariam incidindo sobre a mesma base, também, não deve prosperar, seja porque as bases não são idênticas, seja porque, ainda que idênticas, o bis in idem só ocorreria se as duas sanções fossem aplicadas pela ocorrência da mesma conduta, o que já ficou demonstrado que não ocorre, senão vejamos. A multa isolada corresponde a um percentual do IRPJ ou da CSLL calculada sobre a base estimada, na qual o valor das despesas e custos decorrem de uma estimativa legal, ou seja, o legislador quando determina a aplicação de um percentual sobre a receita bruta, para o cálculo da base estimada, está, em verdade, estimando custos e despesas. A multa de ofício, in casu, corresponde a um percentual sobre o IRPJ ou CSLL calculada, respectivamente, sobre o lucro real ou base ajustada, na qual se leva em conta as despesas e custos efetivamente incorridos. Em suma, se a base estimada difere da base ajustada, se são valores distintos, inclusive com previsões legais distintas, as contribuições delas resultantes são também valores distintos e, consequentemente, as multas ad valorem que incidem sobre elas, também, são valores que não se confundem. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 13/12/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 Todavia, ainda que as multas isolada e de ofício fossem calculadas sobre o IRPJ ou a CSLL incidente sobre a mesma base de cálculo, isso não significaria um bis in idem, pois, como já asseverado acima, a ocorrência de uma infração não importa necessariamente na ocorrência da outra, o que torna irrefutável que as infrações decorrem de condutas diversas. O contribuinte pode ter recolhido todo o IRPJ e CSLL devidos sobre a base estimada em cada mês do anocalendário e não recolher a diferença calculada ao final do período, ficando sujeito assim a multa de ofíco, mas não a multa isolada. Ao contrário, pode deixar de recolher o IRPJ e a CSLL sobre a base estimada, mas pagar, ao final do ano, todo o IRPJ sobre o lucro real anual e a CSLL sobre a base ajustada, hipótese na qual só ficará sujeito à multa isolada. A definição da infração, da base de cálculo e do percentual da multa aplicável é matéria exclusiva de lei, nos termos do art. 97, V do CTN, não cabendo ao intérprete questionar se a dosimetria aplicada é adequada ou excessiva, a não ser que adentre a seara da sua constitucionalidade, o que está expressamente vedado pela Súmula CARF no 2. Da negativa de vigência de lei federal Peço vênia aos meus pares, para expressar minha profunda discordância com tal exegese desenvolvida pelo acórdão recorrido e por outros, na mesma linha, os quais têm decidido incabível a multa isolada: a) quando for apurado prejuizo fiscal ou base de cálculo negativa ao final do ano, ainda que o contribuinte não tenha levantado balanço de suspensão mensais (ac. no 105 17.072); b) sobre eventuais diferenças, quando o tributo recolhido antecipadamente supera o tributo efetivamente devido no ajuste (ac. no 0105.376/2005), e c) quando houver a cobrança da multa de ofício sobre o tributo efetivamente devido no ajuste (ac. no 10321.275/03 e o acórdão recorrido ora em análise). Tais decisões têm, em verdade, por via oblíqua, negado vigência a uma lei federal, pois afrontam literalmente o disposto nos art. 2o e 44, § 1o, IV, da Lei no 9.430/96 e no art. 35 da Lei no 8.981/95. É demais imaginar que se coaduna com os mais comezinhos princípios do direito a permissão dada ao contribuinte, por tais decisões, para, em janeiro de um determinado ano calendário, decidir se obedece ou não o art. 2o e segs. da Lei no 9.430/96. Em outras palavras a decisão recorrida e as demas citadas desnaturam a norma tributária tornandoa uma norma facultativa, já que a sua não observância não traz, à luz de tais decisões, qualquer consequência jurídica. Aditese ainda, que o legislador dispôs expressamente, no inciso IV do § 1o do art. 44, que é devida a multa isolada ainda que o contribuinte apure prejuízo fiscal ou base negativa de CSLL ao final do ano, deixando claro, assim, que o valor apurado como base de cálculo do tributo ao final do ano é irrelevante para se saber devida ou não a multa isolada. Vê se, assim, que o acórdão recorrido incorreu em rotundo equívoco exegético, ao tornar inócua a norma contida no inciso IV do § 1o do art. 44 da Lei no 9.430/96. Tornar inócua a norma federal vigente é, por meio oblíquo, um descumprimento da Súmula CARF no 2. Da retroatividade benigna Por força do disposto no art. 106, II, c, do CTN, o art. 44 da Lei no 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007 deve ser aplicado retroativamente, para reduzir o Fl. 271DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 13/12/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10510.000537/200596 Acórdão n.º 9101000.987 CSRFT1 Fl. 14 7 percentual da multa isolada constiuída em lançamentos ainda não definitivemente julgados. Logo, o percentual da multa isolada aplicada pela falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL sobre a base estimada nos anoscalendários ora em julgamento, deve ser reduzido para 50%. Assim, por todo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso da Fazenda Nacional, para restabelecer a cobrança da multa isolada aplicada pela falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL sobre bases estimadas que deixaram de ser recolhidas em decorrência das omissões de receita confirmadas no Acórdão nº 10709.385 (faturamento sobre o fornecimento de energia e Recomposição Tarifária Extraordinária RTE cobrada nas contas de energia) e, de ofício, reduzir o percentual da referida multa de 75% para 50%. É como voto. (documento assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Voto Vencedor Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, redator designado. Designado que fui para redigir o voto vencedor da presente decisão majoritária deste Colegiado, passo a discorrer sobre o porquê do meu posicionamento, com todas as vênias do i. relator, ora vencido. A matéria em causa diz respeito exclusivamente à exclusão da multa isolada que fora aplicada cumulativamente com a multa de ofício, conforme decisão prolatada, por maioria de votos, pela extinta Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, no acórdão nº 10709.385, de 28/05/2008 (fls. 3.629 e seguintes). Sem embargo, o tema tem sido discutido com grande freqüência nesta instância especial de julgamento, tendo prevalecido a tese de que a imposição da multa isolada concomitantemente com a multa de ofício seria indevida, aplicandose ao caso o princípio da consunção, trazido do Direito Penal, considerando que ambas as multas são aplicadas sobre a mesma base, sendo esse o entendimento com o qual me identifico. E o faço trazendo como fundamentos o bem lançado voto condutor da decisão proferida por este Colegiado no Acórdão CSRF nº 40105833, na sessão de 15/04/2008, no processo administrativo nº 13626.000292/200304, da lavra do i. Conselheiro Marcos Vinicius Néder de Lima, que a seguir transcrevo e adoto como razões de decidir: Fl. 272DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 13/12/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 “(...). Após a edição desse dispositivo legal, inúmeros debates instalaramse no âmbito desse Conselho de Contribuintes, sobretudo acerca da aplicação cumulativa das sanções neles previstas. Na verdade, a leitura isolada dos enunciados do artigo 44 da Lei n° 9.430 tem levado alguns dos meus pares a sustentar a aplicação da multa isolada em todos os casos em que não houver recolhimento da estimativa. Sustentam que a sanção foi concebida justamente para assegurar efetividade ao regime da estimativa e preservar o interesse público. Ressalto, inicialmente, que a divergência não se situa na necessidade de dar efetividade ao regime de estimativa, porquanto o intérprete deve atribuir a lei o sentido que lhe permita a realização de suas finalidades. Mas, a pretexto de concretizálo, não se pode menosprezar o sentido mínimo do texto legal. Por força da segurança jurídica, a interpretação de normas que imponham penalidades deve ser atenta ao que dispõe os textos normativos e esses oferecem limites à construção de sentidos. Na verdade, Kelsen já dizia que toda norma legal deriva de uma vontade pré jurídica (um querer), mas a dificuldade do intérprete repousa na identificação de o que se reputará como sendo essa vontade. No dizer de Marçal Justen Filho, não há qualquer caráter predeterminado apto a qualificar o interesse como público. Sustenta que "o processo de democratização conduz à necessidade de verificar, em cada oportunidade, como se configura o interesse público. Sempre e em todos os casos, tal se dá por meio da intangibilidade dos valores relacionados aos direitos fundamentais1". Nessa trilha de raciocínio, iniciaremos pelo exame das formulações literais, isolando os enunciados prescritivos e sua estrutura lógica, para depois alcançar as significações normativas e, como produto final, a regra jurídica. Norma não são textos nem o conjunto deles, mas os sentidos construídos a partir da interpretação sistemática dos textos2. Nesse sentido, o artigo 44 da Lei n° 9.430/96 prescreve, de forma sintética, o seguinte: HIPÓTESE CONSEQÜÊNCIA Dado que houve falta de pagamento ou recolhimento, recolhimento após o vencimento do prazo, sem acréscimo de multa moratória Pagar multa de 75% ou 150%3, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição (art. 44, caput, inciso I e II) Dado que pessoa jurídica está sujeita ao pagamento do IR de forma estimada, ainda que tenha apurado base de cálculo negativa no ano correspondente. Pagar multa isolada de 75% calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição (caput, art. 44, §1º, IV) Dado que a pessoa jurídica prova, por meio de balanço ou balancetes mensais, que o valor acumulado excede o valor do imposto calculado com base no lucro real do período. Dispensar recolhimento por estimativa (art. 44, §1º, IV c/c art. 35, §2º, da Lei 8981/95). 1 MARÇAL, Justen Filho. Curso de Direito Administrativo. São Paulo: Saraiva, 2005, p.43/44. 2 Ricardo Guastini citado por Humberto Asila em Teoria dos Princípios, São Paulo: Malheiros, 2005, p.22. 3 A hipótese de majoração da multa de oficio para 150% está prevista no inciso lido art. 44 da Lei n°9.430/96 caso identificado verdadeiro intuito de fraude. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 13/12/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10510.000537/200596 Acórdão n.º 9101000.987 CSRFT1 Fl. 15 9 O exame literal dos textos legais acima transcritos evidencia que o caput do artigo 44 da Lei n° 9.430/96 determina que a multa seja calculada "sobre a totalidade ou diferença de tributo". Ou seja, as penalidades previstas nos incisos I e II, e no §1°, IV, referemse todas à falta de pagamento de tributo. Assim, ambas as penalidades discutidas nesse processo, por força da previsão legal, incidem sobre a mesma base de cálculo, ao contrário, do que quer fazer crer a Procuradoria da Fazenda Nacional. Importante firmar que o valor pago a título de estimativa não tem a natureza de tributo, eis que, juridicamente, o fato gerador do tributo só será tido por ocorrido ao final do período anual (31/12). O valor do lucro — base de cálculo do tributo só será apurado por ocasião do balanço no encerramento do exercício, momento em que são compensados os valores pagos antecipadamente em cada mês sob bases estimadas e realizadas outras deduções desautorizadas no cálculo estimado. O aplicador, diante dessas proposições extraídas do texto legal, deve buscar a interpretação que alcance a coerência interna do conjunto, por isso a construção lógica da regra jurídica não pode levar ao cumprimento de um enunciado prescritivo e ao necessário descumprimento de outro do mesmo dispositivo legal. O intérprete deve buscar o sentido do conjunto que afaste contradições, afinal, dentre a moldura de significações possíveis de um texto de direito positivo a escolha do intérprete deve ser feita em consonância com todo ordenamento jurídico. Nesse sentido, vale lembrar que o rigor é maior em se tratando de normas sancionatórias, não se devendo estender a punição além das hipóteses figuradas no texto. Além da obediência genérica ao princípio da legalidade, devem também atender a exigência de objetividade, identificando com clareza e precisão, os elementos definidores da conduta delituosa. Para que seja tida como infração, a ocorrência da vida real, descrita no suposto da norma individual e concreta expedida pelo órgão competente, tem de satisfazer a todos os critérios identificadores tipificados na hipótese da norma geral e abstrata. A insegurança, sobretudo no campo de aplicação de penalidades, é absolutamente incompatível com a essência dos princípios que estruturam os sistemas jurídicos no contexto dos regimes democráticos. Reportandome a doutrina de Paulo de Barros Carvalho, a base de cálculo da regra sancionatória, à semelhança da regra de incidência tributária, apresenta três funções: (i) compor a específica determinação da multa; (ii) medir a dimensão econômica do ato delituoso, e (iii) confirmar, infirmar ou afirmar o critério material da infração. A primeira função permite apurar o montante da sanção. Na segunda, o valor adotado como base de cálculo busca aferir o quanto o sujeito ativo foi prejudicado (função reparadora) e para garantir eficácia a norma (função desestimuladora da conduta ilícita). Por fim, a última função da base de cálculo atende a exigência de proporcionalidade entre o delito e a sanção. Se a conduta visa coibir falta de pagamento de tributo, a base de cálculo apropriada é o montante não pago. Se, por outro lado, a conduta ilícita referese ao descumprimento de um dever instrumental não relacionado à falta de recolhimento de tributo, não seria razoável adotar essa grandeza como base de cálculo. Nessa mesma linha, a adoção de bases de cálculo e percentuais idênticos em duas regras sancionadoras faz pressupor a identidade ou, pelo menos, a proximidade da materialidade dessas condutas ilícitas. Ou seja, sanções que têm a mesma base de cálculo devem, em princípio, corresponder a idêntica conduta ilícita. Essas conclusões aplicadas à legislação tributária evidenciam o desarranjo na adequação das regras sancionadoras atualmente vigentes no imposto sobre a renda, em que ofensas a bens jurídicos de distintos graus de importância para o Direito são atribuídas penas equivalentes, sem que se atente ao princípio da proporcionalidade punitiva. A Fl. 274DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 13/12/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 10 punição prevista no artigo 44 da Lei n° 9.430/96 pelo nãorecolhimento do tributo (75% do imposto devido) é equivalente a punição prevista no mesmo artigo pelo descumprimento do dever de antecipar o mesmo tributo (75% do valor da estimativa). Em certos casos, a penalidade isolada chega a ser superior a multa de oficio aplicada pelo não recolhimento do tributo no fim do ano. Quando várias normas punitivas concorrem entre si na disciplina jurídica de determinada conduta, é importante identificar o bem jurídico tutelado pelo Direito. Nesse sentido, para a solução do conflito normativo, devese investigar se uma das sanções previstas para punir determinada conduta pode absorver a outra, desde que o fato tipificado constitui passagem obrigatória de lesão, menor, de um bem de mesma natureza para a prática da infração maior. No caso sob exame, o não recolhimento da estimativa mensal pode ser visto como etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é, portanto, meio de execução da segunda. Com efeito, o bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Assim, a interpretação do conflito de normas deve prestigiar a relevância do bem jurídico e não exclusivamente a grandeza da pena cominada, pois o ilícito de passagem não deve ser penalizado de forma mais gravosa que o ilícito principal. É o que os penalistas denominam "princípio da consunção". Segundo as lições de Miguel Reale Junior: "pelo critério da consunção, se ao desenrolar da ação se vem a violar uma pluralidade de normas passandose de uma violação menos grave para outra mais grave, que é o que sucede no crime progressivo, prevalece a norma relativa ao crime em estágio mais grave..." E prossegue "no crime progressivo, portanto, o crime mais grave engloba o menos grave, que não é senão um momento a ser ultrapassado, uma passagem obrigatória para se alcançar uma realização mais grave".4 Assim, não pode ser exigida concomitantemente a multa isolada e a multa de oficio na hipótese de falta de recolhimento de tributo apurado ao final do exercício e também pela falta de antecipação sob a forma estimada. Cobrase apenas a multa de oficio por falta de recolhimento de tributo. Essa mesma conduta ocorre, por exemplo, quando o contribuinte atrasa o pagamento do tributo não declarado e é posteriormente fiscalizado. Embora haja previsão de multa de mora pelo atraso de pagamento (20%), essa penalidade é absorvida pela aplicação da multa de oficio de 75%. É pacífico na própria Administração Tributária, que não é possível exigir concomitantemente as duas penalidades — de mora e de oficio — na mesma autuação por falta de recolhimento do tributo. Na dossimetria da pena mais gravosa, já está considerado o fato de o contribuinte estar em mora no pagamento. Nesse sentido, cabe ressaltar que a Medida Provisória 351, de 22 de janeiro de 2007, convertida na Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007, veio a disciplinar posteriormente a aplicação de multas nos casos de lançamento de oficio pela Administração Pública Federal. Esse dispositivo legal veio a reconhecer a correção da jurisprudência desta Câmara, estabelecendo (que) a penalidade isolada não deve mais incidir "sobre a totalidade ou diferença de tributo", mas apenas sobre "valor do pagamento mensal" a título de recolhimento de estimativa. Além disso, para compatibilizar as penalidades ao efetivo dano que a conduta ilícita proporciona, ajustou o percentual da multa por falta de recolhimento de estimativas para 50%, passível de redução a 25% no caso de o contribuinte, notificado, efetuar o pagamento do débito no prazo legal de impugnação (Lei 4 Instituições de Direito Penal, Pane Geral. Rio de Janeiro: Forense, 2002, págs. 276 e 277 Fl. 275DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 13/12/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10510.000537/200596 Acórdão n.º 9101000.987 CSRFT1 Fl. 16 11 no 8.218/91, art. 6°). Assim, a penalidade isolada aplicada em procedimento de oficio em função da não antecipação no curso do exercício se aproxima da multa de mora cobrada nos casos de atraso de pagamento de tributo (20%). Providência que se fazia necessária para tornar a punição proporcional ao dano causado pelo descumprimento do dever de antecipar o tributo. (...).” Na esteira dessas bem lançadas razões de decidir é que neguei provimento ao Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, mantendo, consequentemente, a decisão exarada no acórdão recorrido. É como voto. (documento assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Fl. 276DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 13/12/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 11080.008483/2005-87
Data da sessão: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Dec 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
Ementa:
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INOVAÇÃO. PRECLUSÃO QUANTO A MATÉRIA DE FATO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DO ACÓRDÃO RECORRIDO
O contribuinte não pode inovar no litígio em sede de recurso voluntário quando se trata de matéria que poderia ter sido deduzida em sua impugnação, não existindo qualquer justificativa para a apresentação de argumento e documento novo. No mesmo sentido, deve o contribuinte impugnar os fundamentos da decisão recorrida, sob pena de sua manutenção. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2802-001.319
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Relator.
EDITADO EM: 18/12/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Lucia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martín Fernández.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INOVAÇÃO. PRECLUSÃO QUANTO A MATÉRIA DE FATO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DO ACÓRDÃO RECORRIDO O contribuinte não pode inovar no litígio em sede de recurso voluntário quando se trata de matéria que poderia ter sido deduzida em sua impugnação, não existindo qualquer justificativa para a apresentação de argumento e documento novo. No mesmo sentido, deve o contribuinte impugnar os fundamentos da decisão recorrida, sob pena de sua manutenção. Recurso Voluntário Negado.
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INOVAÇÃO. PRECLUSÃO QUANTO A MATÉRIA DE FATO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DO ACÓRDÃO RECORRIDO O contribuinte não pode inovar no litígio em sede de recurso voluntário quando se trata de matéria que poderia ter sido deduzida em sua impugnação, não existindo qualquer justificativa para a apresentação de argumento e documento novo. No mesmo sentido, deve o contribuinte impugnar os fundamentos da decisão recorrida, sob pena de sua manutenção. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. EDITADO EM: 18/12/2012 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 84 83 /2 00 5- 87 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 12/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Lucia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martín Fernández. Relatório Tratase de Auto de Infração (fls. 02/08) lavrado contra o contribuinte, referente a IRPF do exercício de 2001, decorrente de dedução indevida a título de despesas médicas, pleiteadas na declaração de ajuste anual. Devidamente cientificado (fl. 12), o Contribuinte apresentou, tempestivamente, Impugnação (fl. 01), alegando que jogou fora os recibos médicos, pois, segundo o seu entendimento, o crédito tributário não pode mais ser exigido pelo fisco, uma vez que decorrido o prazo de 05 anos do fato gerador. Ato contínuo, os autos foram remetidos para julgamento a 4ª Turma da DRJ/POA, em sessão realizada no dia 05/09/2007, resultando no Acórdão n.º 1013.250, que, por unanimidade, julgou procedente em parte o lançamento, por considerar que devem ser restabelecidas parcialmente as deduções pleiteadas pelo Recorrente no valor de R$1.817,00, mantendose as demais pela insuficiência de comprovação hábil a permitir as respectivas deduções, não acolhendo, ademais, a afirmação de que o crédito não poderia ser cobrado pelo fisco, haja vista que o Contribuinte tem o dever de guardar os documentos fiscais. Intimado da supramencionada decisão, conforme fl. 34, o Contribuinte apresentou, tempestivamente, Recurso Voluntário (fls. 35/36), pleiteando que seja realizado novo cálculo do IRPF, ante o documento acostado aos autos, que retifica o valor retido a esta rubrica, informando, ainda, que celebrou acordo com a Autoridade Fiscal para parcelamento de seus débitos. Por fim, o Recorrente também pleiteia a alteração das condições de pagamento do débito constante nos autos do processo n.º 11.080008.483/200587. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. O recurso é tempestivo, e dele tomo conhecimento. Preliminarmente, deve ser pontuado que o Recorrente não impugnou de forma específica a glosa das despesas médicas que se consubstanciou na base de cálculo para a apuração do IRPF impugnado, limitandose a apontar que teria ocorrido um erro na dedução do IRRF, e requerer uma espécie de “moratória”, ou prazo para pagamento do crédito tributário apurado nestes autos. Ora, não foi em nenhum momento impugnado o fundamento do lançamento, qual seja, a glosa da dedução de despesas médicas, e tudo o conteúdo do recurso voluntário ou não diz respeito ao litígio, como é o caso da alega existência de crédito de IRRF maior do que Fl. 61DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 12/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 11080.008483/200587 Acórdão n.º 2802001.319 S2TE02 Fl. 57 3 o declarado pelo Recorrente, ou não diz respeito à competência deste Órgão Judicante, pois não cabe ao CARF, por absoluta incompetência material, sequer se manifestar sobre prazo para o pagamento d crédito tributário em litígio. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 12/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
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Numero do processo: 10235.720214/2009-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3401-000.468
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator. JÚLIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente. FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE - Relator. EDITADO EM: 29/08/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio Cesar Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assisi, Odassi Guerzoni Filho, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte. Relatório A contribuinte apresentou Pedido de Ressarcimento de créditos da Cofins não cumulativa, referentes ao 2º Trimestre de 2008, no montante de R$ 844.676,45 A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Macapá, por meio do Parecer e do Despacho Decisório de fls. 85/96, deferiu parcialmente o pleito, no valor de R$ 554.717,84, sob os seguintes fundamentos: Fl. 571DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 9/10/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/08/2012 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 2 - Os dispêndios que originaram o pedido de ressarcimento podem ser agrupados em Florestamento e Reflorestamento, Transporte e Carregamento de Madeira, Serviço de Desgalho e Descasque, Energia Elétrica, Depreciação e Diesel e Lubrificantes; - no que tange ao Florestamento e Reflorestamento, os dispêndios não são originários de crédito de Cofins e PIS, pois devem compor o custo de formação de floresta contabilizável no Ativo Imobilizado e ser apropriado como custo na proporção da exaustão. Nesse sentido, nem mesmo a parcela de exaustão apurada para compor o custo de determinados períodos são geradores de créditos de Cofins e PIS, conforme dispõe o artigo 3º da Lei nº 10.833/2003 e artigo 30 da Lei nº 10.637/2002; - no que tange ao Transporte e Carregamento de Madeira, ficou evidenciada a realização do grupo de dispêndio com permissibilidade de geração de direito creditório de Cofins e PIS; - no que tange aos dispêndios relativos ao Serviço de Desgalho/Descasque, Energia Elétrica e Depreciação são procedentes e geram créditos da Cofins e PIS; - no que tange aos dispêndios de Diesel e Lubrificantes, observou-se que a empresa não possui um sistema contábil capaz de evidenciar de forma segregada os valores utilizados em Reflorestamento (que não geram créditos) e os utilizados nos setores produtivos da empresa (que geram créditos), em desatendimento à exigência prevista no art. 30 da Instrução Normativa SRF nº 387/04; A contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade, alegando em suma que: a) da análise do despacho proferido, constata-se que foram deferidos os créditos referentes aos insumos empregados no transporte e carregamento de madeira e serviço de desgalho/descasque energia elétrica e depreciação. De outra feita, foram indeferidos os créditos referentes às rúbricas “florestamento/reflorestamento” e “diesel e lubrificantes”; b) após traçar relato acerca da não cumulatividade da Cofins, afirma que todos os insumos que sofram alterações em função da ação direta exercida sobre o produto em fabricação são geradores de crédito de Cofins. Neste teor, está autorizada a aproveitar-se de créditos da Cofins na aquisição de insumos utilizados em todas as fases de seu processo produtivo; c) a fim de que se possa compreender todo o seu processo produtivo, junta laudo descritivo, o qual demonstra a existência de quatro fases: produção de mudas pelo método de mini estaquia, silvicultura (reflorestamento), colheita e processo fabril. A autoridade fiscal glosou todos os créditos oriundos dos insumos referentes à primeira e segunda fases do processo podutivo, bem como o dispêndio de Diesel e Lubrificantes dessa fase e de todo o processo produtivo, alegando , data máxima venia, a impossibilidade de segregação de valores; d) a legislação vigente define a agroindústria como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produçaõ própria e adquirida de terceiros. Assim, neste caso, a atividade agroindustrial representa a integração do processo produtivo do cavaco, jungindo a atividade rural e industrial. O processo produtivo do cavaco pode ser dividido em atividade rural e atividade industrial, cuja subsunção perfaz a atividade agroindustrial. A atividade rural compreendida nas fases 1 e 2 também integram o processo produtivo da empresa, posto que, sem a produção da matéria prima, o processo não se perfectibiliza. Todos os insumos relativos a esta fase são Fl. 572DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 9/10/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/08/2012 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10235.720214/2009-42 Acórdão n.º 3401-000.468 S3-C4T1 Fl. 2 3 consumidos na planta, pois o sucesso da floresta depende da aplicação de defensivos, adubos, inseticidas, ou seja, são determinantes para a qualidade do produto em sua fase de industrialização. Ademais, como os insumos e serviços adquiridos e contratados nesta fase produtiva correspondem às hipóteses do art. 9º da IN SRF nº 404/2004, não há razão plausível para a glosa dos créditos. Entendimento contrário viola o princípio da legalidade; - sem ater-se a tais detalhes, e por desconhecer a atividade agroindustrial da Manifestante, a r. Fiscalização, no presente processo administrativo, excluiu da base de cálculo da Cofins os insumos utilizados na produção de mudas e reflorestamento, os quais, em seu entendimento, devem compor o custo de formação da floresta contabilizável no Ativo Imobilizado e ser apropriado como custo na proporção de exaustão; e) repudia a glosa dos créditos de Cofins, referente à aquisição de diesel, óleo; graxa, frete, pneus, câmeras de ar, fertilizantes, mudas etc, utilizados na fase 1 e 2 do processo produtivo, eis que a mesma viola frontalmente o princípio da não cumulatividade da Cofins. Aduz que segundo processos de consulta exarados pela Receita Federal do Brasil, os quais refere, já se sedimentou o entendimento em casos análogos e que as despesas de exaustão geram direitos ao crédito da Cofins; f) quanto à alegação de ausência de segregação do diesel e lubrificantes utilizados tanto no reflorestamento quanto nos setores produtivos, a manifestante possui um relatório detalhado do “Consumo de Combustíveis”, no qual é perfeitamente possível chegar ao percentual médio dos gastos com combustíveis e lubrificantes dos anos 2007 e 2008, consumidos no processo de reflorestamento, e o restante, consequentemente atribuída a utilização nos setores industriais. Ora, se existe um meio seguro que permite a referida aferição, não pode o fisco desconsiderá-la, ainda mais se esta servir para beneficiar o contribuinte. g) superada a questão referente à suposta ausência de segregação das informações, tem-se a aquisição de diesel e lubrificantes utilizados na fase do reflorestamento é gerador de crédito da Cofins. Refere à solução de consulta acerca do conceito de insumos. Sustenta, ainda, que é inconsistente o seu direito ao aproveitamento dos créditos oriundos da aquisição de diesel e lubrificantes utilizados nos setores industriais. Laudo técnico comprova a efetiva utilização dos mesmos no processo fabril, sendo este inclusive o entendimento do CARF; h) a manifestante faz jus aos acréscimos de correção monetária e juros, sob pena de enriquecimento sem causa da Administração em prejuízo da contribuinte. Refere decisão judicial e aduz que o ressarcimento integral, com correção e juros compensatórios, não é faculdade, mas imposição legal. Admitir a escrituração/manutenção, para posterior ressarcimento em espécie, sem a devida correção monetária, é retornar aos tempos leoninos, é apropriação indébita, é enriquecimento ilícito. Refere e cita julgados judiciais e administrativos; Por fim apresenta decisões judiciais e administrativas que corroboram seu pedido. Em 9.11.2010 a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA) negou provimento à Manifestação de Inconformidade, conforme ementa reproduzida: Fl. 573DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 9/10/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/08/2012 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DE SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de Apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improficuos os julgados judiciais e administrativos trazidos pela contribuinte, por lhes falecer eficiência normativa, na forma do art. 100, II, do CTN. COFINS NÃO-CUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITO. Somente podem geram créditos da Cofins as despesas com matéria-prima, produto intermediário, material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas em função da ação diretamente exercida sobre o produto em frabricação, desde que não estejam incluidas no ativo imobilizado. COFINS NÃO-CUMULATIVA. INSUMOS. DIESEL E LUBRIFICANTES. NECESSIDADE DE LIQUIDEZ E CERTEZA. A apropriação dos créditos da Cofins só pode ser efetivada quando os mesmos se revestirem de atributos de certeza e liquidez necessários. JUROS COMPENSATÓRIOS. RESSARCIMENTO. Não incidirão juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, bem como na compensação dos referidos créditos. Em 10.3.2011 a contribuinte protocolou Recurso Voluntário, onde repisa os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade e finaliza, requerendo o ressarcimento dos créditos referentes às glosas. É o Relatório. Voto Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte Em suma, a contribuinte protocolou pedido de ressarcimento de créditos referentes à Cofins. Logrando êxito parcial em sua demanda, protocolou Recurso Voluntário onde defende a existência dos créditos glosados referentes às aquisições de diesel e lubrificantes, bem como aos insumos aplicados em seu processo de plantio e de reflorestamento. Neste caso, existe a necessidade de segregação quanto ao diesel e lubrificantes utilizados no processo efetivamente industrial efetuado pelo contribuinte daquele utilizado em seu processo pré-industrial, bem como quais gastos referentes ao plantio e ao reflorestamento são efetivamente agregados à matéria-prima que adentra o processo industrial da contribuinte, uma vez que caso a contribuinte, ao invés de produzir, adquirisse sua matéria- prima, esta aquisição geraria créditos. Fl. 574DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 9/10/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/08/2012 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10235.720214/2009-42 Acórdão n.º 3401-000.468 S3-C4T1 Fl. 3 5 Frente a todo o exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que sejam identificados e quantificados os valores referentes ao diesel e lubrificantes utilizados no processo efetivamente industrial, bem como quais gastos referentes ao plantio e ao reflorestamento são efetivamente agregados à matéria prima que adentra o processo industrial da contribuinte. Cientifique-se a requerente sobre o resultado da diligência, dando-lhe o prazo de 30 dias para sua manifestação. Fernando Marques Cleto Duarte – Relator. Fl. 575DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 9/10/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/08/2012 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE
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Numero do processo: 11020.000731/2001-22
Data da sessão: Mon Sep 18 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Mon Sep 18 00:00:00 UTC 2006
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Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Dorival Padovan
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conteudo_txt : Metadados => date: 2013-10-22T12:37:03Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2013-10-22T12:37:03Z; Last-Modified: 2013-10-22T12:37:03Z; dcterms:modified: 2013-10-22T12:37:03Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:c47fb2f3-3a1b-4dd1-804a-cbfaeefcc6f4; Last-Save-Date: 2013-10-22T12:37:03Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2013-10-22T12:37:03Z; meta:save-date: 2013-10-22T12:37:03Z; pdf:encrypted: false; modified: 2013-10-22T12:37:03Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2013-10-22T12:37:03Z; created: 2013-10-22T12:37:03Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2013-10-22T12:37:03Z; pdf:charsPerPage: 1087; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2013-10-22T12:37:03Z | Conteúdo => MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA TURMA Processo n°. : 11020.000731/2001-22 Recurso n°. : 101-134039 Matéria : IRPJ E OUTROS — Ex(s): 1996 a 2001 Recorrente : FAZENDA NACIONAL Interessada : ORGANIZAÇÕES R.A. OLIVEIRA LTDA. Recorrida : Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes Sessão de : 18 de setembro de 2006 RESOLUÇÃO N° CSRF/01-00.092 Vistas, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. RESOLVEM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. MANOEL ANTONIO GADELHA DIAS PRESIDENTE DORIV L PADOV REL 0 FORMALIZADO EM: 2 4 OUT 20% Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: CÂNDIDO RODRIGUES NEUBER, MARCIO CALDEIRA MACHADO (Substituto Convocado), JOSE CLÓVIS ALVES, JOSÉ CARLOS PASSUELLO, MARCOS VINICIUS NEDER DE LIMA, CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, JOSE HENRIQUE LONGO e MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JUNIOR. Processo n°. 11020.000731/2001-22 Resolução n°. . CSRF/01-00.092 Recurso n°. . 101-134039 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessada ORGANIZAÇÕES R.A. OLIVEIRA LTDA. RELATOR IO A Fazenda Nacional. por seu ilustre Procurador junto a Primeira Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes , com fundamento no art. 5 ° , I. do Regimento Interno da Camara Superior de Recursos Fiscais, recorre contra a decisão prolatada através do Acórdão 101-94.259, de 1° de julho de 2003. que, no particular. tem a seguinte ementa (f. 2220): MULTA DE OFICIO — PENALIDADE - RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES A LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA — A responsabilidade por infrações a legislação tributária é pessoal ao agente. não devendo atingir terceiras pessoas que não a do infrator. A Fazenda Nacional sustenta, em apertada sintese. o que segue - 0 Superior Tribunal de Justiça, o Supremo Tribunal Federal e demais tribunais pátrios já pacificaram a sua jurisprudência, no sentido de que a multa punitiva deve ser transferida ao sucessor. - Não se pode admitir uma interpretação literal do art. 132 do CTN. visto que estaria praticamente viabilizando fraudes contra o fisco, pois. para se afastar das penas, bastaria ao contribuinte pessoa jurídica realizar operações societárias em que o infrator seria sucedido por outras sociedades, reportando-se, neste sentido, a doutrinas e a jurisprudências do STJ e STF que entende favorável ao seu pedido. - O ''principio da personalização da pena' não poderia justificar uma suposta intransmissibilidade das multas fiscais a sociedade sucessora. Os motivos que levam a sociedade sucessora a ser responsabilizada pelo pagamento do tributo devido pelo sucedido são os mesmos motivos que permitem responsabilizá-la pela multa 2 Processo n°. Acórdão n°. 11020.000731/2001-22 CSRF/01-00.092 exigida em função do não recolhimento pelo sucedido. Tratam-se, ambas, de obrigações tributárias geradas antes do evento sucessório, que compõem o patrimônio do sucedido. e que. portanto, são transferidas ao sucessor. 0 pedido da Fazenda Nacional foi feito nos seguintes termos (f. 2255): (...) a interpretação literal do art. 132 do CTN, (...). estaria permitindo que uma grave fraude cometida contra o Fisco , não seja objeto da devida punição. em decorrência de um mero expediente. qual seja. a incorporação das empresas "Lojas Ruy Ltda. - e - Tykyta Malhas Finas Ltda. - pelo Recorrido, sendo que em todas as incorporações , não houve mudança no quadro de sócios. ou seja. os mesmos sócios de "Lojas Ruy Ltda. - e "Tykyta Ma/has Finas lido. - também são os sócios de Organizações R. A. de Oliveira Ltda. 0 recurso teve seguimento mediante despacho de f. 2256. Nas contra-razões (fls. 2261-70), o contribuinte pugnou pela manutenção do acordão recorrido , sustentando, em síntese: - Como já referido na impugnação e no Recurso Voluntário, ao efetuarem o lançamento os Srs. Fiscais, não obstante saberem que a autuada foi pela Recorrida, olvidaram integralmente o conteúdo do artigo 132, "caput". do CTN. - E como neste caso a Recorrida esta respondendo na condição de sucessora da dita empresa infratora, dela somente poderiam ser exigidos os tributos que. por força dos pretensos ilícitos cometidos, teriam sido deixados de recolher. - As multas e juros pelo cometimento destes ilicitos não poderiam, jamais, ser exigidos da empresa sucessora. 0 fato gerador da multa e dos juros não é um ato em si, mas a ilicitude. que não pode ser imputada a pessoa diversa da infratora, reportando-se a jurisprudências administrativa e judicial que considera favorável. 3 Processo n°. 11020.000731/2001-22 Resolução n°. : CSRF/01-00.092 - A doutrina e a jurisprudência colacionadas pela Recorrente se referem a multas já aplicadas por ocasião da sucessão de empresas o que. de forma alguma, reflete a realidade do caso em tela. - Quando da constituição do Auto de Infração, as empresas Lojas Ruy Ltda. e Tykyta Malhas Finas Ltda. já haviam sido incorporadas pela Recorrida , sendo. portanto, descabida a pretensão da Recorrente e ilegal o fim buscado pelo Recurso Especial interposto. - Tratando-se a multa de pena. esta não passa da pessoa do infrator. como determina o art 5°, inciso XLV, da Constituição Federal. Outrossim, este Relator entende pertinente destacar alguns fatos que podem auxiliar no encaminhamento da questão a ser decidida neste processo. Em 25/8/2003, isto 6, quando o acórdão recorrido já se achava formalizado, o contribuinte apresentou petição junto ao Senhor Delegado da Receita Federal em Caxias do Sul informando sua adesão do programa REFIS II. Tal petição está assim formulada (f. 2215): ORGANIZAÇÕES RA OLIVEIRA LTDA.. já qualificada nos autos em epigrafe, vem respeitosamente à presença de Vossa Senhoria , nos termos da Lei 10.684. que instituiu o programa "REPS //': de livre e espontânea vontade, por meio do presente termo, reconhecer. de forma irrevogável e irretratável, os débitos fiscais em discussão no presente processo administrativo e renunciar a quaisquer alegações de direito que se fundam as defesas ou recursos apresentados. nos termos do artigo 4°, inciso II. da Lei 10.684/2003, requerendo seja homologado por V. Sa o presente termo de confissão e renúncia. Outrossim, requer a juntada do comprovante de adesão ao REF1S II. bem como a guia de pagamento. Em 3/2/2004, quando da juntada das contra-razões do contribuinte, o Senhor Chefe da Seção de Controle e Acompanhamento Tributário da DRF de Caxias do Sul proferiu o despacho de f. 2271. do qual se destaca: 4 Processo no. Acórdão n°. : 11020.000731/2001-22 CSRF/01-00.092 Informamos que. de acordo com desistência de forma irrevogável processo por parte do contribuinte. definitivo o credito tributário. o documento de fls. 2215. houve e irretratável da discussão deste para ingressar no PAES. tornando Em 20/8/2004: em face do despacho acima mencionado, o Senhor Presidente da Camara Superior de Recursos Fiscais proferiu o despacho n° 194/2004, nos seguintes termos (f. 2272): De acordo com petição às fls. 2215 a 2217, ha, por parte do contribuinte, renúncia do presente processo em virtude de pedido de adesão ao REFIS Encaminhem-se os autos à DRF/CAXIAS DO SUL-RS para as providências de sua alçada. Caso os pagamentos estejam sendo efetuados conforme decisão da DRJ/PORTO ALEGRE-RS (fls. 2034 a 2068), o Acórdão n° 101-94.259 (fls. 2220 a 2242) resta prejudicado e torna sem objeto o recurso especial da Fazenda Nacional (fls. 2244 a 2255). Caso os pagamentos estejam sendo efetuados conforme decisão do Acórdão da 1' Câmara do 1° Conselho de Contribuintes. os autos devem retornar a esta CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS para prosseguimento do recurso especial da Fazenda Nacional Em 7/1012004. ao tomar conhecimento do despacho proferido pelo Senhor Presidente da CSRF : o contribuinte apresentou petição de fls. 2281-3. informando que: (...) os pagamentos do tributo — por força da adesão da Peticionaria ao programa denominado PAES — estão sendo feitos nos termos da decisão proferida pela 1a Câmara do 1° Conselho de Contribuintes. E disse ainda: Por cautela, entretanto para afastar qualquer dúvida que possa ensejar a exclusão da Peticionaria do PAES. em face de eventual reforma da decisão pelo fato do recurso àquela decisão do Conselho de Contribuintes , por parte da Fazenda Nacional. a multa em discussão e pendente de decisão final administrative está sendo paga através de guia distinta do valor do tributo consolidado no PAES, uma vez que. segundo entendimento da Peticionaria, o valor da multa não é devido. (fls. 2281-3). 5 Processo n° . 11020000731/2001-22 Resolução n°. CSRF/01-00.092 Após. em face desta última petição do contribuinte, a DRF de Caxias do Sul proferiu novo despacho em 7/3/2005. f. 2285 do qual se destaca. Por pertinente , cumpre retificar a informação prestada à fl. 2271 de que houve desistência de forma irrevogável e irretratável da discussão deste processo por parte do contribuinte , para inclusão do débito no PAES. Registra-se que o próprio contribuinte, em seu requerimento, confirma que está pagando no PAES o valor correspondente à multa em comento. Finalmente, em 11/4/2005 (f. 2289-90), desta feita em face deste Ultimo despacho DRF de Caxias do Sul de 7/3/2005 (f. 2285) consignando que houve desistência de forma irrevogável e irretratável da discussão deste processo por parte do contribuinte , para inclusão do débito no PAES. o contribuinte apresentou nova petição no processo, merecendo destaque as seguintes afirmações: (...) o recurso pendente de julgamento foi apresentado pela Fazenda Nacional, do que se conclui que não é possivel. por evidente ilegitimidade, à parte Recorrida, a ora Peticionaria. de apresentar qualquer manifestação que possa conduzir a desistência do recurso. Somente à Fazenda Nacional é possível desistir do recurso por ela própria oposto. Nesta mesma linha , ê de se dizer que a desistência sobre os direitos em que se funda a discussão. apresentada pela Peticionaria , refere-se unicamente ao débito mantido pela decisão da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. Desta forma, a multa excluída pela decisão deste Conselho não foi e nem poderia ser obleto de desistência por pane da Peticionaria. (destaques cf. original). Não é demais ratificar a manifestação anterior no sentido de que o objeto do recurso da Fazenda Nacional , que se encontra pendente de julgamento. permanece integro. não podendo se falar em perda de objeto. Pelo exposto. a Peticionaria, reiterando a sua manifestação anterior, requer que a presente seja recebida , para dar seguimento ao presente processo. apreciando e negando provimento ao recurso da Fazenda Nacional, salvo desistência expressa na Fazenda ao recurso por ela oposto. (negrito cf. original). É o Relatório. 6 Processo n°. Acórdão n°. : 11020.000731/2001-22 : CSRF/01-00.092 VOTO Conselheiro DORIVAL PADOVAN, Relator Conforme relatado, existe uma questão prejudicial que neste momento impede o exame do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, porquanto não se tem certeza se o contribuinte incluiu a multa lançada de oficio no programa de parcelamento denominado PAES. Com efeito, em que pese as duas manifestações da ORE de Caxias de Sul (fls. 2271 e 2285) no sentido que houve desistência de forma irrevogável e irretratável da discussão deste processo por parte do contribuinte, não se pode olvidar que tais manifestações estiveram centradas unicamente na petição apresentada pelo contribuinte em 2518/2003, a qual não esclarece se a multa também estava sendo incluída no PAES. Neste sentido, considero necessário converter o julgamento em diligência com objetivo de saber se a multa de que trata o recurso especial da Fazenda Nacional esta incluída no processo de parcelamento do PAES mantido junto à DRF de Caxias do Sul, devendo a referida unidade preparadora juntar a estes autos as peças principais que instruíram o processo de confissão da divida no PAES, de forma a esclarecer definitivamente a questão. Após as providências acima requeridas, o processo deverá retomar a este Colegiado da CSRF. É o voto Sala das Sessões - F, em 18 de setembro de 2006. 0.44 DORIV L PADO. 7
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