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Numero do processo: 10320.900312/2006-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CONSTATAÇÃO DE UTILIZAÇÃO INTEGRAL DO CRÉDITO EM MOMENTO ANTERIOR. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ.
Carece de certeza e liquidez o crédito tributário cuja utilização já tenha ocorrido em momento anterior.
Numero da decisão: 1301-000.680
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2000 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CONSTATAÇÃO DE UTILIZAÇÃO INTEGRAL DO CRÉDITO EM MOMENTO ANTERIOR. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ. Carece de certeza e liquidez o crédito tributário cuja utilização já tenha ocorrido em momento anterior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada contra decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ de Fortaleza/CE. Observase dos autos que orginalmente a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fl. 01) contra Despacho Decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza (fls. 13) que assentando a falta de disponibilidade de crédito, não homologou a compensação declarada na DCOMP n° 10105.24738.151003.1.3.045679 (fls. 20 24). Depreendese ainda, pela descrição dos fatos, que o crédito original informado pelo contribuinte teve como origem pagamento indevido de tributo (SIMPLES) mediante o DARF discriminado na referida DCOMP, consignando a autoridade administrativa, que o aludido DARF, apesar de localizado, não pôde ser aproveitado, tendo em vista que já havia sido integralmente restituído ao contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado na DCOMP sob análise. Regularmente notificada do indeferimento, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade alegando em síntese, que foram apresentadas duas DCOMP's para fins de se compensar o mesmo débito e em virtude da duplicidade de declarações, requereu que as DCOMP's fossem reanalisadas considerando um único débito, ou seja, desconsiderando uma das declarações em virtude do equívoco cometido no envio de duas DCOMP's com o mesmo débito. A 3ª Turma da DRJ de Fortaleza/CE, nos termos do acórdão e voto de folhas 25 a 27, indeferiu a solicitação, fundamentando para tanto, que de início deveria ser demarcado o objeto do litígio, uma vez que não houve contestação por parte da recorrente em relação a não homologação de crédito originado por pagamento a maior de SIMPLES, informado na DCOMP n° 10105.24738.151003.1.3.045679, conforme Manifestação de Inconformidade à folha 01 do presente processo. Diante disso, assentou a decisão recorrida que se deveria considerar como matérias nãolitigiosas, nos termos dos artigo 16 e 17 do Decreto n°70.235/72, as matérias que não foram versadas pelo contribuinte, destacando que na situação analisada a peça impugnatória não atende às normas disciplinadoras do Processo Administrativo Fiscal, pois a defesa alega unicamente o fato de ter enviado DCOMP's em duplicidade e em momento algum contesta o fato do crédito informado não ter sido homologado, tampouco rechaça a informação de inexistência de saldo do crédito pleiteado (ver tela de consulta ao sistema SINCOR,TRATAPAGTO,CONSPAGTO anexada à fl. 26). Sendo assim, considerando que o crédito que deu origem a tal demanda já fora restituído/utilizado integralmente, e não tendo sido objeto de inconformidade por parte do interessado, entendeu a decisão recorrida que descaberia qualquer reforma no Despacho Decisório prolatado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza. Devidamente notificada (fl. 31), a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fl. 32), aduzindo que em 10 de agosto de 2009, foi pedido a reanálise dos referidos PER/DCOMPS, para que fosse considerado apenas um débito, em virtude de constar em duplicidade. Fl. 47DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 10320.900312/200650 Acórdão n.º 130100.680 S1C3T1 Fl. 2 3 Afirmou ainda, que analisando os despachos decisórios dos referidos PER/DCOMP, constatou a cobrança em duplicidade, por isso é pediu a reanálise, pretendendo fosse considerado apenas um débito. Mencionandose que o despacho decisório informa que foram localizados os créditos, mas usados integralmente para quitar os débitos, e diante disso, requereu fosse informado para qual mês foi alocado esse débito, bem como fosse feito um confronto com todos os arquivos que constam na Receita Federal do Brasil, para que seja comprovado a duplicidade desse débito. É o relatório. Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. Fl. 48DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES 4 O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. Como se observa no relatório acima minudenciado, a ora recorrente apresentou declaração de compensação cujo direito creditório, reputou a autoridade administrativa, fora consumido em sua integralidade em momento anterior. Manifestando seu inconformismo contra o primitivo Despacho Decisório, a recorrente limitouse a aduzir que apresentara as compensações em duplicidade requerendo que as DCOMPs fossem analisadas conjuntamente. A 3ª Turma da DRJ de Fortaleza/CE, por seu turno, considerou que a recorrente não refutou as constatações da autoridade administrativa, consagradora de que o crédito indicado já havia sido utilizado, indeferindo, portanto, a solicitação da contribuinte. Observase que em sede de Recurso Voluntário, apresentado pela contribuinte à folha 32, voltouse a afirmar unicamente que as compensações foram apresentadas em duplicidade. Cuidando de deslindar o caso concreto, é oportuno revisitar o Despacho Decisório emitido pela Delegacia da Receita Federal em Fortaleza/CE, bem como a DCOMP apresentada pela recorrente, conferindose assim, se acham presentes os requisitos de certeza e liquidez do crédito indicado para compensação. Nesse mister, ao analisar o Despacho Decisório de folha 13, colhese do item “3” a seguinte fundamentação: (...) Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: (...). A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) (meus os destaques) Tem razão a decisão recorrida ao afirmar que a recorrente não refuta as constatações da autoridade administrativa. Com efeito, não reputouse que o crédito da recorrente não tenha existido em algum momento, contrário disso, verificouse que a integralidade do tributo recolhido a maior/indevidamente fora utilizado em sua integralidade. Diante dessas constatações e ausente qualquer demonstração por parte da recorrente que de que ainda dispõe de direito creditório, carece a declaração de compensação dos inafastáveis requisitos de certeza e liquidez para homologação da compensação. Diante desses fatos, encaminho meu voto no sentido de NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 29 de setembro de 2011 Fl. 49DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 10320.900312/200650 Acórdão n.º 130100.680 S1C3T1 Fl. 3 5 (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10384.000048/2008-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Aug 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997
PREVIDENCIÁRIO. NFLD. CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE
SOCIAL.PRAZO DECADENCIAL.
A teor da Súmula Vinculante n.º 08, o prazo para constituição de crédito relativo às contribuições para a Seguridade Social segue a sistemática do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-001.976
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declarar a decadência do lançamento.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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NFLD. CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL.PRAZO DECADENCIAL. A teor da Súmula Vinculante n.º 08, o prazo para constituição de crédito relativo às contribuições para a Seguridade Social segue a sistemática do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declarar a decadência do lançamento. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 184DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/09 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado pelo ente público acima identificado contra decisão da Delegacia de Julgamento em Fortaleza (CE), fls. 150/161, que declarou procedente a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD n.º 37.133.4977. No recurso, fls. 155/160, é requerido o reconhecimento do transcurso do prazo decadencial para todas o período do lançamento. É o relatório. Fl. 185DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/09 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10384.000048/200870 Acórdão n.º 240101.976 S2C4T1 Fl. 165 3 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Decadência Na data da lavratura, o fisco previdenciário aplicava, para fins de aferição da decadência do direito de constituir o crédito, as disposições contidas no art. 45 da Lei n.º 8.212/1991, todavia, tal dispositivo foi declarado inconstitucional com a aprovação da Súmula Vinculante n.º 08, de 12/06/2008 (DJ 20/06/2008), que carrega a seguinte redação: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do decreto lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. É cediço que essas súmulas são de observância obrigatória, inclusive para a Administração Pública, conforme se deflui do comando constitucional abaixo: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (...) Então, uma vez afastada pela Corte Maior a aplicação do prazo de dez anos previsto na Lei n.º 8.212/1991, aplicase às contribuições a decadência qüinqüenal do Código Tributário Nacional – CTN. Para a contagem do lapso de tempo, a jurisprudência vem lançando mão do art. 150, § 4.º, para os casos em que há antecipação do pagamento (mesmo que parcial) e do art. 173, I, para as situações em que não ocorreu pagamento antecipado. É o que se observa da ementa abaixo reproduzida (EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL nº 674497/PR, Relator: Ministro Mauro Campbell Marques, julgamento em 05/11/2009, DJ de 13/11/2009): PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA CONSUMADA. MATÉRIA SUBMETIDA AO REGIME DO ART. 543C DO CPC (RECURSOS REPETITIVOS).OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. Fl. 186DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/09 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 REDISCUSSÃO DO MÉRITO. CARÁTER PROTELATÓRIO. MULTA. 1. O aresto embargado foi absolutamente claro e inequívoco ao consignar que "em se tratando de constituição do crédito tributário, em que não houve o recolhimento do tributo, como o caso dos autos, o fisco dispõe de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Somente nos casos de tributo sujeito a lançamento por homologação, em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN)". 2. Devem ser repelidos os embargos declaratórios manejados com o nítido propósito de rediscutir matéria já decidida. 3. Embargos de declaração rejeitados com aplicação de multa de 1% (um por cento) sobre o valor da causa atualizado. No caso vertente, a ciência do lançamento deuse em 03/01/2008 e o período do crédito é 01/1997 a 12/1997. Assim, por quaisquer das regras de contagem do prazo decadencial, estariam decadentes todas as contribuições lançadas Conclusão Diante do exposto, voto pelo provimento do recurso, ao reconhecer a decadência para a totalidade das contribuições lançadas. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 187DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/09 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 16098.000114/2007-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO DE TRIBUTO A MAIOR. DIREITO À COMPENSAÇÃO RECONHECIDO.
Provado nos autos o recolhimento do tributo pelo valor maior que o devido, considerando que o contribuinte no mês de dezembro realizou a apuração e recolhimento da estimativa utilizando-se
do valor demonstrado em balancete suspensão, o crédito apurado é passível de compensação.
O contribuinte apurou ainda base negativa da CSLL no ano de 2004, o que permite o creditamento do imposto, sob pena de impor ao contribuinte pena severa, visto que ao invés de devedor, este seria credor da Fazenda.
Ainda que considere o pagamento indevido de estimativas de CSLL, por erro do contribuinte, que não foi convertido em saldo negativo, a compensação é direito a ser reconhecido.
Recurso voluntário conhecido e provido.
Numero da decisão: 1201-000.591
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em
CONHECER do recurso, em NEGAR o pedido de baixa em diligência e no mérito em DAR provimento ao recurso. O conselheiro Marcelo Cuba Neto acompanhou o Relator pelas conclusões. O conselheiro Diniz Raposo e Silva declarou impedido.
Nome do relator: Rafael Correia Fuso
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO DE TRIBUTO A MAIOR. DIREITO À COMPENSAÇÃO RECONHECIDO. Provado nos autos o recolhimento do tributo pelo valor maior que o devido, considerando que o contribuinte no mês de dezembro realizou a apuração e recolhimento da estimativa utilizando-se do valor demonstrado em balancete suspensão, o crédito apurado é passível de compensação. O contribuinte apurou ainda base negativa da CSLL no ano de 2004, o que permite o creditamento do imposto, sob pena de impor ao contribuinte pena severa, visto que ao invés de devedor, este seria credor da Fazenda. Ainda que considere o pagamento indevido de estimativas de CSLL, por erro do contribuinte, que não foi convertido em saldo negativo, a compensação é direito a ser reconhecido. Recurso voluntário conhecido e provido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO DE TRIBUTO A MAIOR. DIREITO À COMPENSAÇÃO RECONHECIDO. Provado nos autos o recolhimento do tributo pelo valor maior que o devido, considerando que o contribuinte no mês de dezembro realizou a apuração e recolhimento da estimativa utilizandose do valor demonstrado em balancete suspensão, o crédito apurado é passível de compensação. O contribuinte apurou ainda base negativa da CSLL no ano de 2004, o que permite o creditamento do imposto, sob pena de impor ao contribuinte pena severa, visto que ao invés de devedor, este seria credor da Fazenda. Ainda que considere o pagamento indevido de estimativas de CSLL, por erro do contribuinte, que não foi convertido em saldo negativo, a compensação é direito a ser reconhecido. Recurso voluntário conhecido e provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER do recurso, em NEGAR o pedido de baixa em diligência e no mérito em DAR provimento ao recurso. O conselheiro Marcelo Cuba Neto acompanhou o Relator pelas conclusões. O conselheiro Diniz Raposo e Silva declarou impedido. (documento assinado digitalmente) CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Presidente. (documento assinado digitalmente) Fl. 1DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 16098.000114/200732 Acórdão n.º 120100.591 S1C2T1 Fl. 3 2 RAFAEL CORREIA FUSO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Diniz Raposo E Silva, Rafael Correia Fuso, Antonio Carlos Guidoni Filho, Marcelo Cuba Netto e Viviane Vidal Wagner. Relatório Tratamse de pedidos de compensação de crédito de CSLL recolhido a maior relativo à estimativa devida em dezembro de 2004, com débitos de tributos federais, no valor histórico de R$ 891.764,24. O demonstrativo de saldo a pagar do débito de CSLL de dezembro de 2004 era de R$ 3.743.851,18, conforme informado em DCTF, sendo recolhido pelo contribuinte o valor de R$ 4.635.615,42, conforme comprovante de pagamento à fl. 24 e 96 dos autos. O contribuinte entendeu que a diferença daquilo que seria devido a título de estimativa e aquilo que fora pago relativo ao mês de dezembro de 2004 seria recolhimento a maior, utilizandose dessa diferença para pagar débitos federais em compensação no valor de R$ 891.764,24. Na DIPJ o contribuinte não informou o saldo negativo na ficha 17, sendo informado apenas o valor recolhido por estimativa de CSLL, bem como não foi informado na Ficha 16 da DIPJ o recolhimento no valor de R$ 4.635.615,42, sendo apenas mencionado em DCTF o valor correto devido em dezembro de 2004. A DRF de Guarulhos não homologou as compensações sob o fundamento de que deveria ter sido obedecido o disposto na IN n° 460/2004, artigo 10, sendo que o contribuinte deveria ter informado o saldo negativo de R$ 891.764,24 na Ficha 17 da DIPJ Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. (grifamos) Outra informação importante que se traz nos autos é o contribuinte apurou prejuízo fiscal em 2004, conforme ficha 17 da DIPJ, sendo que em quase todos os meses do ano de 2004 a CSLL apresentou base na apuração do tributo, salvo fevereiro e dezembro de 2004 quando apurouse lucro. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 16098.000114/200732 Acórdão n.º 120100.591 S1C2T1 Fl. 4 3 O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, que não fora acolhida pela decisão da DRJ. Vejamos os fundamentos do órgão julgador de primeira instância: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 Provas, Diligências e Perícias. O Contencioso Administrativo Fiscal foi especificamente disciplinado no Decreto n° 70.235, de 1972, diploma legal também aplicável aos processos de pedido de restituição/declaração de compensação. A prova documental deve ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, a menos que demonstrado, justificadamente, o preenchimento de um dos requisitos constantes do art. 16, § 4°, do Decreto n° 70.235, de 1972, o que não se logrou atender no presente caso. É incabível a realização de diligência e perícia em se tratando de matéria passível de prova documental a ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade, bem como quando não atendidos os requisitos para a sua formulação. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 Declaração de Compensação. Pagamento Indevido ou a Maior que o devido de estimativa de CSLL. Nos pedidos de repetição de indébitos e de compensação é da contribuinte o ônus de demonstrar de forma cabal e específica seu direito creditório. Incabível se falar em presunção quando a análise do direito creditório se fundamenta no processamento das informações prestadas nas declarações apresentadas pela própria contribuinte. As estimativas efetivamente recolhidas são antecipações da contribuição devida ao final do anocalendário. Em conseqüência, passível de restituição é o saldo negativo de CSLL apurado na Declaração de Ajuste Anual. A modificação da natureza do direito creditório apontado em Declaração de Compensação, de pagamento indevido ou a maior que o devido a título de CSLL, para saldo negativo de CSLL, configura inovação, sujeita ao rito processual cabível, segundo o qual a apreciação inicial se dá pela DRF de origem. Indeferido o direito creditório, não se homologam as compensações a ele vinculadas. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 16098.000114/200732 Acórdão n.º 120100.591 S1C2T1 Fl. 5 4 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte foi intimada da decisão da DRJ em 27.03.2010, apresentou Recurso Voluntário em 22.04.2010, alegando: A E. 4 a. Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Campinas/SP indeferiu o pedido de realização de diligência e perícia, baseandose na assertiva de que é incabível a realização de diligência e perícia em se tratando de matéria passível de prova documental. Entretanto, é necessário esclarecer que a Recorrente produziu prova documental (fls. 41 a 96) e requereu a conversão do julgamento em diligência como o intuito tão somente de ser constatado que o crédito identificado equivocadamente por ela como oriundo de pagamento indevido ou a maior era, na verdade, saldo negativo de CSLL. Aliás, a própria fiscalização reconheceu o equívoco cometido pela Recorrente ao dizer que pagamento indevido ou a maior realizado pelo contribuinte seria melhor identificado nos PER/DCOMP como saldo negativo. Não se pode admitir que a fiscalização realizou uma "análise superficial dos dados apresentados" já que foram analisados todos os documentos fiscais apresentados pela Recorrente (DARF, DCTF, DIPJ e PER/DCOMP). Além disso, a fiscalização tinha total conhecimento de que o crédito pretendido pela Recorrente era na verdade saldo negativo de CSLL, já que o pagamento mensal de CSLL por estimativa em valor superior ao devido seria transformado automaticamente ao final do exercício em saldo negativo passível de compensação futura, nos termos do artigo 10 da IN SRF n. 460/2004, abaixo transcrita: (...) Conforme informado em sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica DIPJ referente ao anocalendário de 2004, no mês de dezembro de 2004, a Recorrente apurou CSLL por estimativa no valor de R$ 3.743.851,18 (Três Milhões, Setecentos e Quarenta e Três Mil, Oitocentos e Cinquenta e Um Reais e Dezoito Centavos). Entretanto, conforme demonstram os DARFs anexos recolheu em janeiro de 2005 o valor de R$ 4.635.615,42 (Quatro Milhões, Seiscentos e Trinta e Cinco Mil, Seiscentos e Quinze Reais e Quarenta e Dois Centavos) gerando um pagamento a maior, portanto, indevido de R$ 891.764,24 (Oitocentos e Noventa e Um Mil, Setecentos e Sessenta e Quatro Reais e Vinte e Quatro Centavos) passível de compensação em exercícios futuros. Em fevereiro de 2005 a Recorrente efetuou a compensação do pagamento a maior de CSL referente ao mês de dezembro de 2004, no valor original de R$ 891.764,24 (Oitocentos e Noventa e Um Mil, Setecentos e Sessenta e Quatro Reais e Vinte e Quatro Fl. 4DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 16098.000114/200732 Acórdão n.º 120100.591 S1C2T1 Fl. 6 5 Centavos) com a CSL apurada no mês de janeiro de 2005 no valor de R$ 320.430,15 (Trezentos e Vinte Mil, Quatrocentos e Trinta Reais e Quinze Centavos). Posteriormente, também compensou o saldo restante do crédito de CSL no valor de R$ 574.506,66 (Quinhentos e Setenta e Quatro Mil, Quinhentos e Seis Reais e Sessenta e Seis Centavos) com o débito da COFINS apurada em março de 2005 no valor de R$ 596.050,66 (Quinhentos e Noventa e Seis Mil e Cinquenta Reais e Sessenta e Seis Centavos) Entretanto, ao preencher os respectivos PER/DCOMP identificou a origem dos créditos como sendo de pagamento a maior ou indevido e não como base negativa de CSLL. Notese que a própria Delegacia de Julgamento reconheceu que Recorrente especificou nas PER/DCOMP analisadas que o crédito original apurado correspondia a pagamento indevido ou maior que o devido de CSLL, correspondente à estimativa de dezembro/2004, recolhida em janeiro/2005, em coerência com o preenchimento da DIPJ/2005, onde não aponta saldo negativo de CSLL. Ocorre que, de fato a Recorrente também se equivocou na prestação de informações na DIPJ2005, uma vez que não informou o saldo negativo de CSLL apurado em 2004, apenas os pagamentos mensais por estimativa. Porém, a Recorrente apenas tomou conhecimento de seu equívoco quando do indeferimento das compensações realizadas, ocasião em que somente lhe foi permitido apresentar manifestação de inconformidade. Aliás, como reconhece a Autoridade Fiscal Julgadora "não se pode admitir a retificação da declaração de compensação em sede de manifestação de inconformidade, na medida em que todos os pedidos dever ser apreciados em primeira vez, pela autoridade competente da DRF jurisdicionante da contribuinte. Sendo assim, verificada a existência de erro de fato no preenchimento de documentos fiscais, a autoridade fiscal deveria ter determinado a realização de diligência fiscal no estabelecimento do sujeito passivo a fim de verificar, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas, nos termos da IN SRF 600/2005 e não simplesmente presumir que as declarações da Recorrente estavam corretas e indeferir pedido legítimo de compensação. Posteriormente, a própria Recorrente solicitou a realização de diligencia fiscal, que foi sumariamente indeferida, sob o argumento de que a matéria era passível de prova documental. Seja como for, o erro de fato no preenchimento da DIPJ e da PER/DCOMP não retira o direito da Recorrente à compensação do pagamento a maior de CSLL ocorrido em dezembro de 2004, que deu origem ao saldo negativo de CSLL do período. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 16098.000114/200732 Acórdão n.º 120100.591 S1C2T1 Fl. 7 6 Desta forma, erros ou equívocos não tem, perante a legislação tributária, o condão de transformarse em fatos geradores de impostos. Com efeito, a convergência do fato imponível à hipótese de incidência descrita em lei deve ser analisada à luz dos princípios da legalidade e da tipicidade cerrada, que demandam interpretação estrita. Da combinação de ambos os princípios, resulta que os fatos erigidos, em tese, como suporte de obrigações tributárias, somente, se irradiam sobre as situações concretas ocorridas no universo dos fenômenos, quando vierem descritos em lei e corresponderem estritamente a esta descrição. Sendo assim, toda matéria útil pode ser acostada ou levantada na defesa, como também é direito do contribuinte ver apreciada essa matéria, sob pena de restringir o alcance do julgamento. Como a obrigação tributária é uma obrigação ex lege, e como não há lugar para atividade discricionária ou arbitrária da administração que está vinculada à lei, devese sempre procurar a verdade real à cerca da imputação. Não basta a probabilidade da existência de um fato para dizerse haver ou não haver obrigação tributária. Desta forma, conjugandose as posições acima descritas, com os argumentos, fatos e provas do processo, não restam dúvidas, que no caso em pauta, se está na presença de uma falha, decorrente de erro humano, que não tem o condão de subverter a verdadeira natureza das coisas, ainda que, frente à letra fria da lei, se incorreu em falha pela não retificação do erro pelo processo legal. Não é justo que se tome, para fins de compensação, a natureza do crédito constante apenas das declarações apresentadas (DIPJ e PER/DCOMP) pela Recorrente, já que há evidência cristalina de que houve falha na apresentação destas declarações, falha esta comprovada através dos demais documentos analisados pela autoridade fiscal, razão pela qual não teria sentido se atribuir natureza diversa daquela sabiamente reconhecida. Como se pode observar a jurisprudência é unânime em admitir o reconhecimento de erro de fato, de modo a afastar qualquer exigência ilegal aos contribuintes. Em face de tais argumentos, a Recorrente requer o CONHECIMENTO e o INTEGRAL PROVIMENTO do presente Recurso Voluntário, para que seja reconhecido seu direito creditório e homologadas as compensações efetuadas. O Recorrente apresentou memoriais com documentos por email, que os documentos apresentados já constam dos autos, apresentando planilha que reporto como útil para entender o erro de informação na DIPJ, bem como o destaque da base negativa da CSLL apurada no exercício. Este é relatório. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 16098.000114/200732 Acórdão n.º 120100.591 S1C2T1 Fl. 8 7 Voto Conselheiro RAFAEL CORREIA FUSO O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. Quanto à preliminar de diligência, entendo desnecessária, visto que todos os documentos e informações para o julgamento do Recurso encontramse nos autos. Observo que a matéria ora analisada é típica de constatação de erro de preenchimento de DIPJ quanto ao recolhimento do valor de estimativa de dezembro de 2004, nas fichas 16 e 17, tendo sido comprovado pelo contribuinte o recolhimento a maior, quando se analisa as provas trazidas às fls. 24 e 96 (comprovantes de recolhimento) dos autos. Com isso, entendo que a decisão da DRJ merece total reforma, pelas seguintes razões. Inicialmente, não vislumbro razoabilidade, proporcionalidade e coerência em exigir não se reconhecer o direito creditório, tão somente o contribuinte preencheu o DCOMP com a informação pagamento a maior, ao invés de saldo negativo de CSLL, considerando o fato de que o fisco recebera a maior valores, que quando do ajuste seria passível de ressarcimento como saldo negativo. Seria o mesmo que impor uma condição muito severa ao contribuinte o formalismo trazido pelo artigo 10 da IN ° 460/2004, visto que o devedor, na verdade, seria credor do fisco, pois apurou saldo negativo de tributos no fim do anocalendário. O fato de apurar base de cálculo negativa após o ajuste é o fundamento essencial que leva a esse julgador afirmar que o fisco federal não teve nenhum prejuízo, o que permite o reconhecimento do crédito. O excesso de formalismo exigido pela referida IN sobrepõese à sua função regulatória, destacando o fato de que o crédito, sob o ponto de vista das provas trazidas nos autos, é inquestionável, sendo direito do Recorrente o seu reconhecimento, ainda mais quando se está diante de uma regra (IN 460/2004), que foi inclusive revogada, sendo que a exigência da constituição do saldo credor na DIPJ para depois servir de crédito em compensações desapareceu do nosso ordenamento, não sendo restabelecida na IN que a substituiu. E mais, o contribuinte no mês de dezembro/2004 realizou a apuração do débito com base em balancete suspensão ou redução, o que convalida a natureza jurídica do recolhimento como pagamento a maior, sendo passível de compensação. Com isso, aquilo que fora recolhido a mais não poderia servir de saldo negativo para depois ser compensado, como pretendeu a Fazenda. Pelo contrário, nos termos do artigo 2° da Lei n° 9.430/96 deveria ser compensado diretamente, como bem fez o contribuinte, pois o valor real do tributo de dezembro o contribuinte declarou e recolheu, porém pelo valor maior, legitimando seu crédito. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 16098.000114/200732 Acórdão n.º 120100.591 S1C2T1 Fl. 9 8 Sobre a matéria vejamos o entendimento da jurisprudência desse E. Tribunal: Ementa ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 Estimativa.O pagamento indevido de estimativas de IRPJ ou CSLL, por erro do contribuinte, que não foi convertido em saldo negativo pode ser restituído/compensado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Recurso 511076, Processo n° 10768.909769/200671, Rel. Conselheiro Marcos Rodrigues de Mello, julgado em 26/05/2011) Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso para no mérito DARLHE provimento, de forma a reconhecer o direito creditória da Recorrente, homologandose as compensações efetuadas. É como voto! (documento assinado digitalmente) RAFAEL CORREIA FUSO Relator Fl. 8DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS
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Numero do processo: 19647.003049/2003-06
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF.
Exercício: 2002.
APLICAÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA SIMULTANEAMENTE. CARACTERIZAÇÃO DE “BIS IN IDEM”. IMPOSSIBILIDADE.
A aplicação de multa isolada e de multa de ofício, uma com base na falta de recolhimento antecipado pelo carnê-leão, e a outra pela omissão de rendimentos apurada no final do ano-calendário,
constitui-se em indevido bis in idem, por importar em dupla punição incidente sobre o mesmo substrato fático
Numero da decisão: 9202-001.319
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos
FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: Susy Gomes Hoffmann
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Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SANDRA LÚCIA DE FREITAS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF. Exercício: 2002. APLICAÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA SIMULTANEAMENTE. CARACTERIZAÇÃO DE “BIS IN IDEM”. IMPOSSIBILIDADE. A aplicação de multa isolada e de multa de ofício, uma com base na falta de recolhimento antecipado pelo carnêleão, e a outra pela omissão de rendimentos apurada no final do anocalendário, constituise em indevido bis in idem, por importar em dupla punição incidente sobre o mesmo substrato fático. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Caio Marcos Cândido Presidente (assinado digitalmente) Fl. 267DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 19647.003049/200306 Acórdão n.º 9202001.319 CSRFT2 Fl. 2 2 Susy Gomes Hoffmann Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros Caio Marcos Candido, Giovanni Christian Nunes Campos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de oliveira Júnior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire, e Susy Gomes Hoffmann. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, com base na violação à legislação tributária. Lavrouse auto de infração contra o contribuinte, para a cobrança de IRPF, relativamente ao anocalendário de 2001, no valor de R$ 4.976,39, acrescido de multa de ofício de 75%, de multa isolada e de juros de mora. Constatouse a ocorrência de omissão de rendimentos recebidos de organismos internacionais, bem como falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê leão. O contribuinte apresentou impugnação às fls. 29/57 dos autos. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. 158/172) julgou procedente o lançamento, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF. Anocalendário: 2001. Ementa: Isenção de Imposto de Renda Pessoa Física. A Isenção do Imposto de Renda sobre rendimentos pagos a pessoas contratadas no Brasil, pelo Banco Mundial, está condicionada à especificação dessas pessoas, pelas Agências Especializadas da ONU como funcionários aos quais se aplicará o gozo dessa isenção, por força do disposto no art. 6° da 18° Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, em face da inexistência de lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual seus julgados Fl. 268DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 19647.003049/200306 Acórdão n.º 9202001.319 CSRFT2 Fl. 3 3 não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Lançamento Procedente. A contribuinte interpôs recurso voluntário às fls. 180/204 dos autos. A antiga Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, às fls. 214/225, deu provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir a multa isolada do carnê leão. Eis a ementa; “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF. Exercício: 2002. Ementa: RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS ISENÇÃO ALCANCE A isenção de imposto sobre rendimentos pagos pelo PNUD/ONU é restrita aos salários e emolumentos recebidos pelos funcionários internacionais, assim considerados aqueles que possuem vínculo estatutário com a Organização e foram incluídos nas categorias determinadas pelo seu SecretárioGeral, aprovadas pela Assembléia Geral. Não estão albergados pela isenção os rendimentos recebidos pelos técnicos a serviços da Organização, residentes no Brasil, sejam eles contratados por hora, por tarefa ou mesmo com vínculo contratual permanente. MULTA ISOLADA DE OFÍCIO CARNÊLEÃO INCIDÊNCIA CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFÍCIO CONSECTÁRIA DO IMPOSTO LANÇADO NO AJUSTE ANUAL EM DECORRÊNCIA DA COLAÇÃO DO RENDIMENTO QUE NÃO FOI OBJETO DO RECOLHIMENTO MENSAL OBRIGATÓRIO IMPOSSIBILIDADE Mansamente assentada na jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais que a multa isolada do carnêleão não pode ser cobrada concomitantemente com a multa de ofício que incidiu sobre o imposto lançado, em decorrência da colação no ajuste anual do rendimento que deveria ter sido submetido ao recolhimento mensal obrigatório, pois ambas têm a mesma base de cálculo. Recurso voluntário parcialmente provido”. A Procuradoria da Fazenda Nacional, então, interpôs o presente recurso especial (fls. 230/239), com base em violação ao artigo 44, §1°, inciso III, da Lei n° 9.430/96. Discorreu no sentido da possibilidade de aplicação simultânea de multa isolada e de multa de ofício. Defendeu que se trata, na hipótese, de duas infrações diferentes, ensejadoras, cada qual, da respectiva multa, ainda que se tenha por fundamento a mesma base de cálculo. Segundo a recorrente: “O que a proibição do bis in idem pretende evitar é a dupla penalização por um mesmo ato ilícito, e não, propriamente, a Fl. 269DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 19647.003049/200306 Acórdão n.º 9202001.319 CSRFT2 Fl. 4 4 utilização de uma mesma medida de quantificação para penalidades diferentes, decorrentes do cometimento de atos ilícitos também diferentes”. Neste passo, aduziu que o não recolhimento antecipado do IRPF, pelo carnê leão, constituise em infração diversa da omissão de rendimentos apurada ao final do ano calendário. A contribuinte apresentou suas contrarazões às fls. 245/248 dos autos. Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O recurso especial é tempestivo. Preenche, também, os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que a recorrente especificou o dispositivo legal que reputa violado, qual seja o artigo 44, §1°, inciso III, da Lei n° 9.430/96. A questão é: admitese a imposição simultânea de multa de ofício e de multa isolada, uma com base na omissão de rendimentos apurada no final do anocalendário e outra com fundamente na falta de recolhimento antecipado pelo carnêleão? Tal fato constitui bis in idem? O bis in idem, conceitualmente, consiste na imposição de mais de uma punição pela prática de um mesmo fato por parte da pessoa punida. É vedada no sistema brasileiro, ainda que o fato afigurese enquadrável pelas normas prescritivas das duas punições. Diante disso, não há dúvida de que a hipótese dos autos, ao contrário do que postula a recorrente, configura a ocorrência de bis in idem. A base fática para a imposição de ambas as multas é a mesma. O não recolhimento antecipado do IRPF pelo carnêleão é infração que se consubstancia, em última análise, quando apurada a omissão de rendimentos, pela ocorrência dessa omissão. Se houve omissão de rendimentos, significa, conseguintemente, que não houve o respectivo recolhimento antecipado do IRPF. Não há que se impor, ao mesmo fato, duas punições diferentes, ainda que aquele mesmo fato, em tese, aparentemente, venha a subsumir se nas duas infrações. É nesse sentido que tem entendido esta Câmara Superior de Recurso Fiscais, quando enfrenta o tema: Fl. 270DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 19647.003049/200306 Acórdão n.º 9202001.319 CSRFT2 Fl. 5 5 “Câmara Superior de Recursos FiscaisCSRF/ Primeira Turma/ Acórdão CSRF/ 0105.503 em 18.09.2006. PENALIDADE MULTA ISOLADA LANÇAMENTO DE OFÍCIO FALTA DE RECOLHIMENTO PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. Não comporta a cobrança de multa isolada por falta de recolhimento de tributo por estimativa concomitante com a multa de lançamento de ofício, ambas calculadas sobre os mesmos valores apurados em procedimento fiscal. Recurso especial provido. Por maioria de votos, DAR provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros José Henrique Longo, Mário Junqueira Franco Júnior e Manoel Antônio Gadelha Dias que deram provimento parcial ao recurso para reduzir o percentual da multa isolada para 50%. Manoel Antônio Gadelha DiasPresidente. Publicado no DOU em 07.08.2007. Relator José Clóvis Alves. Recorrente: COPENE PETROQUÍMICA DO NORDESTE S.A (nova denominação BRASKEM S.A.). Interessado: FAZENDA NACIONAL. Diante disso, em face da inequívoca configuração do bis in idem, nego provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, a fim de que se mantenha a decisão recorrida em todos os seus termos. Sala das Sessões, em 08 de fevereiro de 2011 08 de fevereiro de 2011. (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 271DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 19647.003049/200306 Acórdão n.º 9202001.319 CSRFT2 Fl. 6 6 Fl. 272DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO
score : 1.0
Numero do processo: 13501.000165/2004-14
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 31 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES.
O incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção "juris et de jure", não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo Fisco, seja pelo contribuinte.
Os valores correspondentes às aquisições de matérias primas,
produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da Cofins (pessoas físicas e cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei n° 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez.
Recurso Especial do Contribuinte Provido
Numero da decisão: 9303-001.463
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. O incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção "juris et de jure", não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo Fisco, seja pelo contribuinte. Os valores correspondentes às aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da Cofins (pessoas físicas e cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei n° 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. Recurso Especial do Contribuinte Provido
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CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. O incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção "juris et de jure", não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo Fisco, seja pelo contribuinte. Os valores correspondentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da Cofins (pessoas físicas e cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei n° 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. Recurso Especial do Contribuinte Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. Rodrigo Cardozo Miranda Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 04/08/2 011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/06/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA 2 EDITADO EM: 30/06/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Marcos Tranchesi Ortiz, Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Cuidase de recurso especial interposto por Brespel Companhia Industrial Brasil Espanha (fls. 340 a 357) contra o v. acórdão proferido pela Colenda Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção do CARF (fls. 327 a 332) que, pelo voto de qualidade, negou provimento ao recurso voluntário. A ementa do v. acórdão recorrido, que bem resume os seus fundamentos, é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Referindose a lei a contribuições , "incidentes" sobre as "respectivas" aquisições, somente se admite, para efeito de cálculo do crédito presumido do IPI, as aquisições sobre as quais efetivamente incidiu o PIS/Pasep e a Cofins e que foram suportadas pelo produtor/exportador que pretende se beneficiar do crédito. Recurso Voluntário Negado. (grifos nossos) O recurso especial foi admitido através do r. despacho de fls. 377 a 380. Contrarrazões às fls. 383 a 394. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, entendo que o recurso especial merece ser conhecido. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 04/08/2 011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/06/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 13501.000165/200414 Acórdão n.º 930301.463 CSRFT3 Fl. 396 3 Conforme se depreende dos autos, a questão a ser dirimida diz respeito à inclusão dos gastos com insumos adquiridos de pessoas físicas aos contribuintes do PIS/COFINS na base de cálculo do crédito presumido previsto na Lei nº 9.363/96. Meu entendimento, no caso, coincide com o do seguinte precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais: Processo n° 13974.0001221200391 Recurso n° 228.637 Especial do Contribuinte Acórdão n° 930300.682 — 3' Turma Sessão de 2 de fevereiro de 2010 Matéria IPI Crédito Presumido Aquisições de não contribuintes Recorrente CEREAGRO S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. O incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção "juris et de jure", não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo Fisco, seja pelo contribuinte. Os valores correspondentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da Cofins (pessoas físicas e cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei n° 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas e Carlos Alberto Freitas Barreto, que negavam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator (grifos nossos) Fl. 3DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 04/08/2 011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/06/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA 4 Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso especial do contribuinte. Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 4DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 04/08/2 011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/06/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA
score : 1.0
Numero do processo: 13807.008462/00-41
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Período de apuração: 01/07/1990 a 31/03/1992
FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA.
O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5), a partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. Para pedidos de restituição protocolado em 30 de agosto
de 2000, aplica-se, portanto, a tese dos 5 + 5.
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-001.756
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso especial, para declarar prescrito o direito à repetição de créditos relativos a indébitos cujos fatos geradores ocorreram até 30 de agosto de 1990.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/07/1990 a 31/03/1992 FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5), a partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. Para pedidos de restituição protocolado em 30 de agosto de 2000, aplicase, portanto, a tese dos 5 + 5. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial, para declarar prescrito o direito à repetição de créditos relativos a indébitos cujos fatos geradores ocorreram até 30 de agosto de 1990. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Fl. 213DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Relatório A decisão a quo assim descreveu os fatos: Adoto o relatório de primeira instância por bem traduzir os fatos da presente lide até aquela decisão. A contribuinte acima identificada requer, por meio do presente processo administrativo, a restituição/compensação de valores recolhidos a título de FINSOCIAL, para os períodos de apuração de julho de 1990 a março de 1992 (DARF às fls. 04 18), alegando que os recolhimentos foram efetuados com base nas inconstitucionais majorações de alíquotas, já que a exação era devida tãosomente à alíquota de 0,5%. 2. Mediante o Despacho Decisório datado de 22/06/2005 (fls. 58 a 64), a autoridade competente da Delegacia da Receita Federal em São Paulo indeferiu a restituição pretendida, concluindo, com base no disposto no Ato Declaratório SRF nº 96, de 26/11/1999, que o prazo para pleitear a restituição é de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário, inclusive para as hipóteses nas quais o pagamento foi efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional. Destarte, tendo em vista que o presente pedido foi protocolizado em 30/08/2000, e que o último recolhimento indevido foi efetuado em 20/04/1992 conforme planilha à fl. 02, o prazo para pleitear a restituição/compensação já se havia escoado. 3. Inconformada com o Despacho Decisório, do qual foi devidamente cientificada em 08/07/2005 (fl. 65verso), a contribuinte protocolizou, em 25/07/2005, a manifestação de inconformidade de fls. 66 a 69, na qual deduz, em síntese, as alegações a seguir discriminadas: 3.1. A solução do problema deve ser buscada no CTN, porém, sem a distorção perpetrada pela nobre PGFN. Essa solução, aliás, já foi adotada pelo Egrégio Conselho de Contribuintes. Cita o Acórdão nº 10805.791, publicado no DOU de 17/10/1999, da lavra do culto José Antonio Minatel, da qual reproduz ementa. 3.2. No rigor dessa interpretação, o pagamento indevido, diante da inconstitucionalidade da lei que havia criado o tributo, em última análise, materializase na data da edição da MP 1.110, de 30/08/1995 onde, em seu art. 17 é reconhecida a impertinência tributária, com eficácia “erga omnes”. 3.3. A solução deve ser buscada nos Princípios do Direito Adquirido e da Irretroatividade das Leis, tendo em vista que os créditos compensáveis foram apurados anteriormente à Lei 10.833/2003, ou seja, na eficácia da legislação anterior (IN SRF 21/97). 3.4. O entendimento do STJ cujo julgamento explica aos Senhores Delegados da Receita Federal como deveria ser a Fl. 214DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13807.008462/0041 Acórdão n.º 930301.756 CSRFT3 Fl. 207 3 aplicação do § 2º do art. 49 de L. nº 9.430/96 e, mantida pelas Leis posteriores, Lei nº 10.637/2002 e pela Lei nº 10.833/2003. Reproduz o referido parágrafo. 3.5. Corroborando tal entendimento, juntamos o ofício Ilustríssima Delegada da Receita Federal, que em resposta a quesitos formulados pela Excelentíssima Senhora Doutora Juíza da 16ª Vara Cível Federal em São Paulo, confirmou tal entendimento (doc 3). 3.6. Apesar de não existir tal afirmação no AD SRF 096/99, este é o entendimento equivocado do Sr. Chefe da Diort de DRF de São Paulo. Reproduz a decisão da Diort. 4. Por fim, pede a reforma da decisão. A decisão de primeira instância foi assim ementada: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/07/1990 a 31/03/1992 Ementa: FINSOCIAL RESTITUIÇÃO DECADÊNCIA O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data da extinção do crédito tributário. Solicitação indeferida. No seu recurso, o contribuinte repisa os argumentos trazidos com a impugnação. Julgando o feito, a câmara recorrida deu provimento ao recurso voluntário apresentado pelo sujeito passivo, em acórdão assim ementado. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/07/1990 a 31/03/1992 Ementa: FINSOCIAL – RESTITUIÇÃO – COMPENSAÇÃO – DECADÊNCIA. No caso de lançamento por homologação, sendo esta tácita, na forma da lei, o prazo decadencial só se inicia após decorridos cinco anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, a partir da homologação tácita do lançamento. Estando o tributo em tela sujeito a lançamento por homologação, aplicamse a decadência e a prescrição nos moldes acima delineados. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Fl. 215DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Irresignada, a Douta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, com arrimo no inciso II do art. 7º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, à época vigente, apresentou recurso especial de divergência pugnando pelo restabelecimento da decisão de primeira instância, por entender que o termo inicial para repetição do indébito é a data de extinção do crédito tributário pelo pagamento. O apelo fazendário foi admitido, conforme despacho de fls. 178/179. Regularmente intimado do despacho de admissibilidade do apelo fazendário, o sujeito passivo apresentou contrarrazões às fls. 186 a 191 É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. A teor do relatado, a questão que se apresenta a debate diz respeito ao termo inicial do prazo para repetição de indébito. De um lado, a câmara a quo aplicou a denominada tese dos 5 mais 5, então vigente no superior Tribunal de Justiça, de outro lado, a Fazenda Nacional defende os 5 anos contados da extinção do crédito pelo pagamento. Nesta matéria, já me pronunciei inúmeras vezes, entendendo que o termo inicial para repetir indébito é o previsto no artigo 168 do CTN, com a interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar 118/2005, ou seja, o da extinção do crédito pelo pagamento indevido. Esse entendimento vinha prevalecendo neste Colegiado, quando se resolveu sobrestar a matéria até que o Supremo Tribunal Federal se pronunciasse sobre a constitucionalidade do art. 4º da Lei Complementar suso mencionada, que determinava a aplicação retroativa da interpretação autêntica dada pelo citado artigo 3º. A decisão do STF foi no sentido de que o termo inicial do prazo para repetição de indébito, a partir de 09/06/2005, vigência da Lei Complementar 118/2005, era a data da extinção do crédito pelo pagamento; já para as ações de restituição ingressadas até a vigência dessa lei, deverseia aplicar o prazo dos 10 anos, consubstanciado na tese dos 5 mais 5 (cinco anos para homologar e mais 5 para repetir), prevalente no Superior Tribunal de Justiça. Para melhor clareza do aqui exposto, transcrevese a ementa do acórdão pretoriano que decidiu a questão. 04/08/2011 PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621 Rio GRANDE DO Sul. RELATORA : MIN. ELLEN GRACIE DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA Fl. 216DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13807.008462/0041 Acórdão n.º 930301.756 CSRFT3 Fl. 208 5 REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE '9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, 1, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer Outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao Principio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vatatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. lnaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Fl. 217DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 Aplicação do art. 54343, § 3, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. AC0RDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, sob a RE 66.621 / RS Presidência do Senhor Ministro Cezar Peluso, na conformidade da ata de julgamento e das notas taquigráficas, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso extraordinário, nos termos do voto da relatora. Essa decisão não deixa margem a dúvida de que o artigo 3º da Lei Complementar nº 118/2005 só produziram efeitos a partir de 9 de junho de 2005, com isso, quem ajuizou ação judicial de repetição de indébito, em período anterior a essa data, gozava do prazo decenal (tese dos 5 + 5) para repetição de indébito, contado a partir do fato gerador da obrigação tributária. Ademais, não se pode olvidar que a Constituição é aquilo que o Supremo Tribunal Federal diz que ela é, com isso, em matéria de controle de constitucionalidade, a última palavra é do STF, por conseguinte, deve todos os demais tribunais e órgãos administrativos observarem suas decisões. Doutro lado, não se alegue que predita decisão seria inaplicável ao CARF já que o acórdão do STF teria vedado a aplicação retroativa da lei aos casos de ação judicial impetradas até o início da vigência da lei interpretativa, pois o fundamento para declarar a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4º acima citado, foi justamente a ofensa ao princípio da segurança jurídica e da confiança, o que se aplica, de igual modo, aos pedidos administrativos, não havendo qualquer motivo, nesse quesito – segurança jurídica – para diferenciálos dos pedidos judiciais. Com isso, no caso dos autos, devese reconhecer a prescrição do direito aos créditos relativos a fatos geradores ocorridos até 31 de julho de 1990, visto que o pedido de restituição fora protocolado em 30 de agosto de 2000, nessa data já havia transcorrido o prazo decenal para da prescrição. No tocante ao mês de agosto de 1990, como o fato gerador da contribuição era mensal, ocorria no último dia do mês de competência, in casu, 31 de agosto, portanto, antes de exaurido o prazo prescricional. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso da fazenda nacional para reconhecer a prescrição do direito à repetição de créditos relativos a indébitos cujos fatos geradores ocorreram no mês de julho de 1990. Henrique Pinheiro Torres Fl. 218DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13807.008462/0041 Acórdão n.º 930301.756 CSRFT3 Fl. 209 7 Fl. 219DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 19515.000883/2005-07
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Data do fato gerador: 31/07/2002, 31/10/2002, 31/01/2003,
30/04/2003,31/07/2003, 31/10/2003, 30/01/2004, 30/04/2004, 31/07/2004, 31/10/2004, 31/01/2005
DIF-PAPEL IMUNE. FALTA OU ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. MULTA REGULAMENTAR.
A falta e/ou o atraso na apresentação da Declaração Especial de Informações relativas ao controle de papel imune a tributo DIF-
Papel Imune, pela pessoa jurídica obrigada, sujeita o infrator à multa regulamentar prevista na segunda parte do inciso II do art. 588 do RIPI/2010, cuja matriz legal é inciso II do § 4º do art. 1º da Lei 11.945/2009.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-001.674
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso especial.
Matéria: IPI- ação fiscal - penalidades (multas isoladas)
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 31/07/2002, 31/10/2002, 31/01/2003, 30/04/2003,31/07/2003, 31/10/2003, 30/01/2004, 30/04/2004, 31/07/2004, 31/10/2004, 31/01/2005 DIFPAPEL IMUNE. FALTA OU ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. MULTA REGULAMENTAR. A falta e/ou o atraso na apresentação da Declaração Especial de Informações relativas ao controle de papel imune a tributo DIF. Papel Imune, pela pessoa jurídica obrigada, sujeita o infrator à multa regulamentar prevista na segunda parte do inciso II do art. 588 do RIPI/2010, cuja matriz legal é inciso II do § 4º do art. 1º da Lei 11.945/2009. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Rodrigo Cardozo Miranda, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Otacílio Dantas Cartaxo. Fl. 207DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/ 2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Relatório Os fatos foram assim narrados no acórdão recorrido: Trata o presente processo de multa isolada lançada por auto de infração (fls.13/15), lavrado por falta de apresentação a Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle de Papel Imune (DIF — Papel Imune) do 4° trimestre de 2002 ao 1° trimestre de 2005. A contribuinte impugnou o auto de infração (fls.17/30) com as seguintes alegações: 1 O auto de infração tem como base o art. 10 da IN SRF n° 71/01, a multa pelo não cumprimento do disposto nesse artigo está culminada no art. 12 da mesma instrução c/c com o inciso I e parágrafo único art. 57 da Medida Provisória n° 2.158 35/2001. Ocorre que o objeto dessa medida provisória não atende aos requisitos de relevância e urgência exigidos pela Constituição Federal; 2 A multa culminada no art. 57, inciso I da Medida Provisória n° 2.158/01 tem caráter confiscatória; 3 A posição pacífica e reiterada do STF é no sentido de anular ou reduzir as multas com caráter confiscatório; 4 A Administração Pública deve observar as decisões do STF quando se tratar de interpretação do texto constitucional, conforme art. 1° do Decreto n° 2.346/97. O DRJ em Ribeirão PretoSP julgou, em síntese, da seguinte forma (fls.86/90): 1 A penalidade aplicada no caso de descumprimento da obrigação acessória não instituída pela IN SRF 74/2001, mas sim pelo art. 58 da Medida Provisória 2.15834, que vigora até hoje por força da Emenda Constitucional n° 32/2001; 2 A penalidade aplicada está em conformidade com as normas legais; 3 • As esferas administrativas não podem fazer análise constitucional das normas; 4 As decisões judiciais que não têm efeito erga omnes nem Resolução do Senado não são consideradas normas tributárias. Assim a DRJ julgou o lançamento procedente. A contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 14/11/2007 (fl.97) e interpôs Recurso Voluntário em 11/12/2007 (fls.100/113), apenas reforçando . as alegações utilizadas na impugnação e pedindo a nulidade do acórdão recorrido por ser, segundo a recorrente, arbitrário e ilegal, pois deixa de aplicar a Constituição Federal. Alternativamente, a contribuinte pediu que Fl. 208DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/ 2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 19515.000883/200507 Acórdão n.º 930301.674 CSRFT3 Fl. 200 3 multa aplicada seja substituída pela multa do art. 507 do Decreto n° 4.544/02. Julgando o feito, a turma recorrida manteve parcialmente o lançamento fiscal, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 31/07/2002, 31/10/2002, 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 30/01/2004, 30/04/2004, 31/07/2004, 31/10/2004, 31/01/2005 MATÉRIA DE CONSTITUCIONALIDADE. As esferas administrativas não têm competência para apreciar matéria de constitucionalidade de normas, conforme sua Súmula n° 02: "Súmula N° 2. O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária". PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NÃO VINCULAÇÃO DAS DECISÕES ADMINISTRATIVAS ÀS DECISÕES JUDICIAIS. EXCEÇÕES. No Processo Administrativo Fiscal deve ser respeitado livre convencimento do julgador administrativo, não sendo obrigatória a vinculação entre a decisão das esferas administrativas com as decisões do Poder Judiciário, exceto, em caso de pronunciamento de inconstitucionalidade de norma pelo STF, em Ação Direta de Inconstitucionalidade; em pronunciamento de inconstitucionalidade de norma pelo STF, em ação incidental, desde que o Senado Federal suspenda a execução da norma; ou em caso de súmula vinculante. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. A lei deve retroagir quando cominar penalidade menos gravosa, em respeito à retroatividade benigna disposta no art. 106, inciso II, alínea "c" do CTN. Recurso provido em parte. Regularmente intimada, a autuada apresentou recurso especial, pugnando pelo cancelamento da exigência fiscal, para tanto, alude que no caso dos autos, a penalidade aplicável seria a prevista no art. 507 do RIPI/2002, já que a DIF papel enquadrarseia como o documento previsto no art. 368 do RIPI/2002, que sujeitava o infrator à multa regulamentar de R$ 31,65 aplicável a cada falta. O presidente da Câmara recorrida, por meio do despacho de fl. 183, admitiu o especial do sujeito passivo. Fl. 209DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/ 2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 Regularmente intimada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, fls. 186 a 190. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. A questão posta em debate cingese à da multa regulamentar pertinente à DIFPAPEL IMUNE. O sujeito passivo requer o cancelado do lançamento fiscal, posto que ao caso, aplicarseia, a multa prevista no art. 507 do RIPI/2002, e não a exigida pela Fiscalização, com base no inciso I da Medida Provisória nº 2.15835, de 26/08/2001 – art. 505 do RIPI/2002. Com a edição da MP nº 451, de 15/12/2008, convertida na Lei nº 11.945, de 04/11/2009, essa conduta ganhou tratamento diferenciado, migrando da tipificação geral, prevista na MP nº 2.15832 de 2001, para tipificação específica para a conduta. O conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis dissertou com sua habitual argúcia sobre o tema, de sorte que trago suas linhas como forma de elucidar a evolução ocorrida com a penalidade em questão: A obrigação acessória referida no inc. II do § 3º do art.1º da Lei nº 11.945/2009 é exatamente a DIFPapel Imune, criada por meio da IN SRF nº 71/2001, alterada pelas IN SRF nºs 101/2001 e 134/2002. Conforme as referidas Instruções Normativas, a multa pelo atraso na entrega da DIF era devida nos valores preconizados pelo art. 57 da Lei da MP nº 2.15835/20091, suporte legal da penalidade em questão. Como a penalidade estabelecida pelos §§ 4º e 5º acima é inferior à exigida com base no art. 57 da MP nº 2.15835/2001, o lançamento deve ser reduzido aos valores estabelecidos na Lei nº 11.945/2009, em obediência ao art. 106, II, “c’, do CTN. Antes, consoante uma interpretação literal do art. 57 da MP nº 2.15835/2001, o valor da penalidade era aumentado conforme a quantidade de meses do atraso. Assim, quanto mais demorava a entrega, maior o valor. Ou, quanto mais demorava a Receita Federal do Brasil para efetuar o lançamento, maior a penalidade. E como o valor era de R$ 5.000,00 por mês calendário de atraso (reduzido para R$ 1.500,00 na hipótese de 1 Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; II cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Parágrafo único. Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, os valores e o percentual referidos neste artigo serão reduzidos em setenta por cento. Fl. 210DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/ 2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 19515.000883/200507 Acórdão n.º 930301.674 CSRFT3 Fl. 201 5 pessoa jurídica optante pelo SIMPLES), a multa podia atingir um montante alto demais, de forma nada razoável. Afinal, “o taxímetro ficava rodando”, na expressão mui bem empregada pelo julgador Celso Lopes Pereira Neto, por ocasião do julgamento do Acórdão DRJ/REC nº 13.624, de 27 de outubro de 2005. Agora, após a Lei nº 11.945/2009, a penalidade é exigida levandose em conta cada obrigação acessória isolada – no caso, cada DIFPapel Imune trimestral , de modo que se a Administração Tributária demora mais para efetuar o lançamento, a multa não aumenta a cada mês. A salientar, por oportuno, que a Receita Federal do Brasil tem meios eletrônicos de detectar o descumprimento da obrigação acessória, tão logo vencido o prazo de sua entrega. Daí ser mais razoável a fixação da penalidade proporcional ao número de DIFPapel Imune (ou trimestre) em atraso, em vez do “taxímetro” anterior. Os valores máximos para a hipótese de a DIFPapel Imune não ser entregue passaram a ser, independentemente do número de meses em atraso, de R$ 2.500,00 para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 para as demais empresas (inc. II do § 4º do art. 1º da Lei nº 11.945/2009). A confirmar a redução, cabe mencionar as razões do veto ao art. 3º da Lei nº 11.945/2009. Conforme a Mensagem nº 392, de 04/06/2009, da Presidência da República ao Presidente do Congresso Nacional, o Ministério da Fazenda manifestouse pelo veto do citado art. 3º assim: Não se mostra razoável a concessão de anistia de multas a fatos ocorridos há muito tempo e para contribuintes já fartamente beneficiados. Esclareçase que a própria Medida Provisória n°. 451, de 15 de dezembro de 2008, que deu origem ao presente Projeto de Lei de Conversão, já reduziu significativamente a multa pelo atraso na apresentação da DIF Papel Imune (art. 2º, § 4º, I e II). Ademais, a IN SRF n°. 71, de 2001, já concedeu, excepcionalmente, dilatação do prazo para apresentação da DIF Papel Imune por período maior do que o ordinariamente admitido." É pertinente também observar que, no âmbito da Receita Federal do Brasil, o Ato Declaratório Executivo nº 73, de 13/08/2009, editado pela CoordenaçãoGeral de Arrecadação e Cobrança (Codac) e escorado exatamente no art. 1º da Lei nº 11.945/2009, já estabeleceu o código de receita 1376, para o recolhimento da penalidade “Multa por Falta ou Atraso na Entrega da DIF Papel Imune”. Após essa breve explicação, afluem razões jurídicas para afirmar que o art. 57, I, da MP nº 2.15835 de 2001, não mais aplicase aos casos de falta ou atraso na entrega de DIF – Papel Imune. A regra a ser aplicada é a prevista no inciso II do art. 588 do RIPI 2010, cuja matriz legal é o inciso II do § do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, assim redigida: Fl. 211DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/ 2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 Art. 588. O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 2º do art. 328 sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades (Lei nº 11.945, de 2009, art. 1º, § 4º): I cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta (Lei nº 11.945, de 2009, art. 1º, § 4º, inciso I); e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido (Lei nº 11.945, de 2009, art. 1º, § 4º, inciso II). Ressaltese, por oportuno, que norma versando sobre sanção, quando mais benéfica, pelo princípio da retroatividade benigna consagrado no art. 1062 do CTN, aplicase a fatos pretéritos, ainda não definitivamente julgados, ou quando lhe comine penalidade menos severa da lei vigente ao tempo de sua prática. De outro lado, o caso dos autos, ao contrário do alegado pelo sujeito passivo, não se amolda às hipóteses previstas no art. 5073 do RIPI/2002, posto que a infração ali tratada referese à falta de apresentação da DIPI, prevista no 4art. 1º do DecretoLei 1.680/1979, que em nada tinha a ver com a DIFPAPEL IMUNE. Assim, como demonstrado linhas acima, a multa a ser aplicada ao caso concreto deve ser a prevista na segunda parte do inciso II do art. 588 do RIPI/2010, cuja matriz legal é inciso II do § 4º do art. 1º da Lei 11.945/2009. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo, para manter o acórdão recorrido, nos termos em que prolatado. Henrique Pinheiro Torres 2 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. 3 Art. 507. Serão punidos com a multa de R$ 31,65 (trinta e um reais e sessenta e cinco centavos), aplicável a cada falta, os contribuintes que deixarem de apresentar, no prazo estabelecido, o documento de prestação de informações a que se refere o art. 368 (DecretoLei nº1.680, de 1979, art. 4º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30). 4 Art. 1º Os estabelecimentos industriais ou equiparados deverão declarar à Secretaria da Receita Federal, periodicamente, o valor do imposto sobre produtos industrializados a pagar, ou do saldo credor a transportar, relativo a cada período de apuração, acompanhado do valor das operações correspondentes regularmente escrituradas nos livros fiscais próprios. § 1º O documento de arrecadação do imposto será preenchido de acordo com os dados constantes de declaração. § 2º O Ministro da Fazenda expedirá instruções sobre prazos de apresentação, forma e conteúdo da declaração a que se refere este artigo, podendo determinar a prestação de informações adicionais de interesse da administração tributária. Fl. 212DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/ 2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 19515.000883/200507 Acórdão n.º 930301.674 CSRFT3 Fl. 202 7 Fl. 213DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/ 2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10380.006766/2007-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/11/2005 a 31/11/2005
RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO
Inadmissível o processamento de recurso que não atende o requisito da tempestividade.
Numero da decisão: 2301-002.255
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: a) em não conhecer do Recurso, devido à sua intempestividade, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Adriano González Silvério
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2005 a 31/11/2005 RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO Inadmissível o processamento de recurso que não atende o requisito da tempestividade.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
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Recorrente MAESIO CANDIDO VIEIRA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2005 a 31/11/2005 RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO Inadmissível o processamento de recurso que não atende o requisito da tempestividade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: a) em não conhecer do Recurso, devido à sua intempestividade, nos termos do voto do Relator. Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano Gonzales Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira (Presidente). Relatório Fl. 1DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 13/10 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito nº 35.926.7831, a qual exige contribuições previdenciárias sobre as remunerações pagas ou creditadas a qualquer título no decorrer do mês aos segurados empregados que participaram da construção da obra. De acordo com o relatório fiscal “o objeto do lançamento são as contribuições devidas destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre a mãodeobra dos trabalhadores das obras de construção civil efetuada pelo contribuinte, aferida pela área quadrada com base no CUB Custo Unitário Básico, baseado no m2 da área construída e no padrão da mesma. A devida Aferição se deu em vista que o mesmo não apresentou à auditoria a contabilização dos gastos e remunerações pagas com as devidas contribuições.” O contribuinte apresentou impugnação alegando, em síntese, o seguinte: i) o auto de infração é nulo, eis que não há a descrição clara e precisa dos fatos; ii) o auto de infração é improcedente, já que não traz nenhuma prova do alegado; iii) o contribuinte não é reincidente, devendo ser observada a gradação das penalidades; e iv) a penalidade aplicada deve observar o princípio do não confisco. As fl. 222 foi determinada diligência fiscal, a fim de que fosse emitido o ARO — Aviso de Regularização de Obra. Às fls. 223/231 a Fiscalização manifestouse no sentido de que fosse retificado o lançamento à luz dos demonstrativos (Aviso de Regularização de obra — ARO), fls.228/231, esclarecendo que o motivo da retificação do lançamento decorreu da dedução de algumas guias de recolhimentos não computadas no valor original do débito. A empresa autuada foi devidamente intimada para se manifestar sobre a diligência fiscal e peticionou ratificando os termos da impugnação. A DRJ de Fortaleza acolheu parcialmente a impugnação apenas para exonerar o valor de R$ 8.934,78 (oito mil, novecentos e trinta e quatro reais e setenta e oito centavos) em razão da informação fiscal prestada nos autos. A autuada apresentou recurso voluntário repisando os argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério, Relator Fl. 2DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 13/10 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10380.006766/200717 Acórdão n.º 230102.255 S2C3T1 Fl. 285 3 O recurso não reúne uma das condições de admissibilidade, qual seja, a tempestividade e, portanto, dele não conheço. Isto porque, conforme se extrai dos autos o contribuinte foi intimado da decisão da DRJ em 21 de dezembro de 2007. Contandose o prazo, nos termos dos artigos 5º e 33 do Decreto nº 70.235/72, verificase que o dies a quo se deu em 22 de janeiro de 2008, fato esse também atestado na informação de fl. 283 dos autos. Ocorre que o recurso somente foi protocolado na repartição competente em 31 de janeiro de 2008, conforme fl. 274 dos autos. Ainda que a esse documento não credite a força probante de protocolo, isto é, de chancela mecânica ou manual deflagrada na página inicial do recurso voluntário, notase que esse apelo somente foi firmado pelo seu patrono em 30 de janeiro daquele ano, momento esse também além do prazo previsto em lei. Diante dessas considerações, voto no sentido de NÃO CONHECER o recurso voluntário, mantendose a autuação na sua integralidade. Adriano Gonzales Silvério Conselheiro Fl. 3DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 13/10 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
score : 1.0
Numero do processo: 11516.004653/2007-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2002, 2005
Ementa:
PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. MPF ASSINADO PELO DELEGADO DA RECEITA FEDERAL SUBSTITUTO. DESCABIMENTO.
Não merece acolhida a alegação de nulidade do lançamento decorrente de fiscalização iniciada através de Mandado de Procedimento Fiscal assinado pelo Delegado da Receita Federal Substituto, já que, na ausência do titular, este assume todas as suas funções, razão pela qual integra o rol de pessoas
competentes para tanto, conforme elencado no art. 6º da Portaria SRF nº 6087/05.
PRELIMINAR. REUNIÃO DE PROCESSOS. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO APURADO EM UM EXERCÍCIO COM SALDO DE RESTITUIÇÃO DO IRPF APURADO EM OUTROS EXERCÍCIOS. IMPOSSIBILIDADE.
Diante da falta de previsão legal para tanto, não merece acolhida o pedido de compensação entre o crédito tributário apurado em nome de um contribuinte com o saldo do imposto a restituir que o mesmo tenha direito em relação a outro Exercício. Da mesma forma, também não há obrigatoriedade de que os processos decorrentes de um mesmo procedimento fiscal sejam reunidos em um só, sendo que a apreciação de ambos em apartado não traz qualquer prejuízo a este contribuinte.
IRPF. DECADÊNCIA. ENTENDIMENTO STJ. APLICAÇÃO DO ART. 62-A
DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
A questão da decadência nos tributos sujeitos ao lançamento por
homologação teve sua repercussão geral reconhecida pelo Eg. STJ, que, utilizando-se da sistemática prevista no art. 543-C do CPC, ao julgar o REsp 973.733/SC (Rel Min. Luiz Fux, julgado em 12.8.2009), reiterou o entendimento no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação não declarado e inadimplido, o Fisco dispõe de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado para a constituição do crédito tributário, nos termos do art. 173, I, do CTN. Obrigatoriedade de aplicação deste entendimento, nos termos do art. 62-A do Regimento Interno deste Conselho.
IRPF. DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA.
Nos termos do art. 8º, § 2º, inc. III da Lei nº 9.250/95, somente podem ser deduzidas as despesas médicas comprovadas por meio de recibo que preencha os requisitos da lei (com indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de quem os recebeu). Em alguns casos, porém, pode a autoridade fiscal solicitar que o contribuinte apresente outros elementos comprobatórios da efetividade da despesa e do serviço prestado.
Quando estes outros elementos não são apresentados, deve prevalecer a glosa da referida despesa.
MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. APLICAÇÃO. AO CASO CONCRETO
É justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº. 4.502,
de 1964, e conforme minuciosamente apurado pela autoridade fiscal.
Numero da decisão: 2102-001.740
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em
REJEITAR as preliminares e, no mérito, em DAR parcial provimento ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento o valor de R$ 5.560,00 em relação ao ano-calendário 2001.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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MPF ASSINADO PELO DELEGADO DA RECEITA FEDERAL SUBSTITUTO. DESCABIMENTO. Não merece acolhida a alegação de nulidade do lançamento decorrente de fiscalização iniciada através de Mandado de Procedimento Fiscal assinado pelo Delegado da Receita Federal Substituto, já que, na ausência do titular, este assume todas as suas funções, razão pela qual integra o rol de pessoas competentes para tanto, conforme elencado no art. 6º da Portaria SRF nº 6087/05. PRELIMINAR. REUNIÃO DE PROCESSOS. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO APURADO EM UM EXERCÍCIO COM SALDO DE RESTITUIÇÃO DO IRPF APURADO EM OUTROS EXERCÍCIOS. IMPOSSIBILIDADE. Diante da falta de previsão legal para tanto, não merece acolhida o pedido de compensação entre o crédito tributário apurado em nome de um contribuinte com o saldo do imposto a restituir que o mesmo tenha direito em relação a outro Exercício. Da mesma forma, também não há obrigatoriedade de que os processos decorrentes de um mesmo procedimento fiscal sejam reunidos em um só, sendo que a apreciação de ambos em apartado não traz qualquer prejuízo a este contribuinte. IRPF. DECADÊNCIA. ENTENDIMENTO STJ. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. A questão da decadência nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação teve sua repercussão geral reconhecida pelo Eg. STJ, que, utilizandose da sistemática prevista no art. 543C do CPC, ao julgar o REsp Fl. 483DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 973.733/SC (Rel Min. Luiz Fux, julgado em 12.8.2009), reiterou o entendimento no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação não declarado e inadimplido, o Fisco dispõe de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado para a constituição do crédito tributário, nos termos do art. 173, I, do CTN. Obrigatoriedade de aplicação deste entendimento, nos termos do art. 62A do Regimento Interno deste Conselho. IRPF. DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. Nos termos do art. 8º, § 2º, inc. III da Lei nº 9.250/95, somente podem ser deduzidas as despesas médicas comprovadas por meio de recibo que preencha os requisitos da lei (com indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de quem os recebeu). Em alguns casos, porém, pode a autoridade fiscal solicitar que o contribuinte apresente outros elementos comprobatórios da efetividade da despesa e do serviço prestado. 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Assinado Digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 19/01/2012 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Nubia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Em face do contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 324/332 para exigência de IRPF em razão da glosa das despesas deduzidas por ele a título Fl. 484DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 11516.004653/200759 Acórdão n.º 210201.740 S2C1T2 Fl. 466 3 de: a) despesas com dependente, no Exercício 2002; b) despesas médicas, nos Exercícios 2002 e 2005; e c) despesas com instrução, no Exercício 2002. Sobre parte do lançamento (especificamente as despesas médicas) foi exigida a multa qualificada de 150%. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação (parcial) de fls. 340/379. Parte das despesas médicas objeto de glosa não foi objeto de Impugnação, mas somente a exigência da multa qualificada sobre as mesmas. Alegou, em preliminar, a nulidade do lançamento em razão de vício na emissão do MPF (que teria sido assinado por autoridade incompetente), e ainda requereu que o processo fosse anexado ao outro processo administrativo decorrente do mesmo procedimento fiscal, em razão da necessidade de compensação entre os valores constantes de ambos. Quanto ao mérito, o relatório da decisão recorrida bem resumiu os extensos argumentos trazidos pelo contribuinte, como se depreende do seguinte trecho: No mérito o impugnante alega, no item (d) — Da glosa da despesa com dependente, que é indevida a glosa feita pela autoridade fiscal, considerando que se aplica ao caso o entendimento exarado na resposta a pergunta n° 320 (contida no "Perguntas e Respostas Sumário" publicado pela Receita Federal em seu site) de que "...no ano em que se iniciar o pagamento da pensão, o contribuinte pode efetuar a dedução correspondente ao valor anual, caso os filhos tenham sido considerados seus dependentes nos meses que antecederam o pagamento da pensão naquele ano.". No item (e) — Da Glosa da despesa com instrução no ano calendário 2001, alega: que existe a possibilidade de dedução com instrução mesmo estando os filhos recebendo pensão alimentícia, nos termos do entendimento exarado através da resposta a pergunta n° 334 (contida no "Perguntas e Respostas Sumário" publicado pela Receita Federal em seu site) de que "...As quantias pagas decorrentes de sentença judicial para cobertura de despesas médicas e com instrução, destacadas da pensão, são dedutiveis sob a forma de despesas médicas e despesas com instrução dos alimentandos, desde que obedecidos os requisitos e limites legais....". Por fim no item (1) — Das glosas relativas as despesas médicas, o impugnante inicialmente informa que somente parte das glosas esta sendo contestada, para as quais além dos recibos, hi a confirmação dos profissionais intimados da prestação dos serviços e recebimentos dos valores. Assevera que no caso específicos das despesas médicas, cumpridos os requisitos do art. 11 da Lei n° 8.383/91, surge a presunção em favor do contribuinte da dedutibilidade das despesas pleiteadas, devendo o fiscal comprovar a invalidade das deduções. Alega que, no caso dos autos, cabe a fiscalização demonstrar a impossibilidade da utilização dos recibos apresentados e das respostas As intimações firmadas por cada um dos profissionais confirmando a prestação dos serviços e o recebimento dos Fl. 485DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 valores informados; ao desconsiderar tais documentos e declarações está se dando "peso diferente A mesma prova no momento em que se aceita como verdadeira a afirmação de um profissional que não prestou serviço ao contribuinte e ignorase quando outro confirma a realização do trabalho". Para corroborar sua tese, traz acórdão do Conselho de Contribuintes. Na seqüência o impugnante passa a abordar especificamente as glosas que contesta. Em relação aos valores declarados como pagos a Arilton Trevisol Bittencourt (que inicialmente declarou não ter emitido nota fiscal ou recibo para o contribuinte e que posteriormente, confrontado com a cópia da nota fiscal trazida pelo contribuinte, confirmou a emissão desta), o contribuinte argumenta que o engano do profissional é justificável, considerando que os fatos ocorreram a mais de seis anos, e que reforça a ocorrência de um mero engano a existência do documento fiscal; aduz ainda que não há provas que justifique a glosa e que a exigência de prova do pagamento, além do recibo, não tem respaldo legal. Ainda, nesse tópico, o impugnante insurgese contra o agravamento da multa argumentando que a exposição de motivos relacionados ao dolo e ao "evidente intuito de fraude" devem ser abordados especifica e individualmente para cada caso e que, ainda que houvesse, neste caso, dúvida quanto A prestação do serviço, esta dúvida já seria suficiente para demonstrar a inexistência de evidente intenção de fraude. Assim defende que no presente caso resta irrefutável que houve a prestação do serviço, não havendo motivos para glosa da dedução e muito menos para o agravamento da multa. Quanto As deduções das despesas com Leando Magri, o impugnante alega que ao contrário do que afirma a autoridade fiscal, na folha 67 consta cópia do recibo emitido pelo profissional. No mais, argumenta que há que se desconsiderar as referências aos outros profissionais cujas glosas de dedução não são objeto da impugnação. Em relação ao fato de ter tomado serviços odontológicos de outros profissionais durante o ano, explica que o tratamento de raspagem é um procedimento de limpeza que deve ser realizado trimestralmente, motivo pelo qual não há "incompatibilidade ou excesso". Aqui novamente refuta a qualificação da multa de oficio, com base nos mesmos motivos arguidos no parágrafo anterior. Em relação a Marcelo Heidemann Perin, o impugnante inicialmente defende que "os motivos da glosa devem estar individualizados, razão pela qual será desprezada a referência do fiscal aos 'outros [fatos] já expostos neste Termo'. Aduz que mesma providência deve ser tomada pela autoridade julgadora, visto que de forma diversa haveria cerceamento do direito de defesa do contribuinte". Argumenta ainda que as considerações relativas aos profissionais Roberto Davi Trevisol e Werynto Bonelli não influenciam a análise da dedução das despesas ora em comento, haja vista não fazerem parte da presente impugnação. Na seqüência, o impugnante argumenta: que a prova de pagamento através do sistema bancário não encontra respaldo Fl. 486DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 11516.004653/200759 Acórdão n.º 210201.740 S2C1T2 Fl. 467 5 da legislação fiscal e reafirma a impossibilidade da produção desse tipo de prova quando o próprio profissional afirma que recebeu o montante em moeda corrente; que a prestação de serviços odontológico juntamente com outro profissional não implica na inexistência de nenhum dos dois tratamentos, estes que são diversos e coexistem sem problemas; que o conjunto de provas (folhas 109, 110, 112, 113, 123, 122, 124 a 132) carreado aos autos é suficiente a comprovar a dedutibilidade das despesas. Aqui novamente refuta a qualificação da multa de oficio, com base nos mesmos motivos arguidos no parágrafo anterior. Quanto as despesas supostamente pagas ao fisioterapeuta Juliano Cargnin o impugnante novamente traz o argumento de que a comprovação do pagamento através do sistema bancário não encontra respaldo da legislação fiscal e reafirma a impossibilidade da produção desse tipo de prova quando o próprio profissional informa que recebeu o montante em moeda corrente. Argumenta ainda: que a inexistência da anotação do nome do médico que indicou a realização do tratamento é irrelevante; que o argumento de que o prazo de duração de três anos para o tratamento ser estranho não justifica a glosa da dedução, pois o tratamento de dores crônicas é necessário para manter a qualidade de vida do paciente; que o serviço foi prestado em Tubarão/SC e Braço do Norte/SC, pois apesar de seu domicilio fiscal ser Florianópolis/SC, trabalha a semana inteira em Tubarão, conforme faz prova o documento folhas 45 e 46; que apesar de seu plano de saúde cobrir o tratamento em tela, a escolha do profissional é de cunho subjetivo e não meramente econômico; não houve reembolso, pois somente há previsão em contrato para tal em não havendo nenhum outro profissional da área credenciado. Por fim insurgese contra o agravamento da multa de oficio, considerando que não hi prova da ocorrência da hipótese legal para tanto. Em favor da dedutibilidade das despesas com Adriana Dela Giustina Perin, argumenta: que não há elementos de prova que desqualifique a dedutibilidade dessas despesas; que as referências em relação à Maria Cristina Corbeta Jung não devem ser consideradas na análise da dedutibilidade das despesas em questão, haja vista não serem objeto de impugnação; a conclusão da fiscalização de que os serviços não ocorreram em face de ter havido dois profissionais tratando o contribuinte é mera especulação; que a profissional trouxe as cópias dos recibos; que deve ser cancelada a glosa. Por fim insurgese contra o agravamento da multa de oficio, considerando que não há prova da ocorrência da hipótese legal para tanto. A última glosa de deduções contestada referese As despesas supostamente pagas ao profissional Eurico de Miranda Gomes Neto. A esse respeito o impugnante contesta a exigência de comprovação da despesa através do sistema bancário pela Fl. 487DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 6 impossibilidade de comprovar tal movimentação financeira e aduz que mesmo sem esse instrumento de prova há nos altos documentos suficientes a favor da dedutibilidade da despesa em tela. Por fim insurgese contra o agravamento da multa de oficio, considerando que não há prova da ocorrência da hipótese legal para tanto. Por fim, o impugnante contesta a legalidade da inserção dos juros previstos na Lei n° 8.981/95 e da Taxa SELIC. 0 contribuinte requer a anulação do lançamento, reunido dos processos 11516.4653/200759 e 11516.4545/200786, restabelecimento das deduções glosadas, análise individual das deduções pleiteadas e, alternativamente, o afastamento do agravamento da multa e dos juros SELIC e posterior juntada da cópia do cheque n°001547 do BESC. Na análise destas alegações, os membros da DRJ em Florianópolis decidiram pela manutenção integral do lançamento, rejeitando as preliminares de nulidade do MPF, necessidade de reunião de processos conexos e de decadência (quanto ao anocalendário 2001). O contribuinte teve ciência de tal decisão e contra ela interpôs o Recurso Voluntário de fls. 415/460, por meio do qual reiterou os argumentos expostos em sua Impugnação. Requereu a posterior juntada, nos termos do Decreto 70.235/72, da cópia do cheque n° 001547, do Besc, indicado no canhoto do recibo apresentado Eurico de Miranda Gomes Neto (“parágrafo 111 da impugnação”). Pugnou ainda pelo afastamento da aplicação da taxa Selic ao crédito tributário exigido. Os autos então foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora O contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 14.08.2008, como atesta o AR de fls. 412. O Recurso Voluntário foi interposto em 15.09.2008, segundafeira (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de lançamento para exigência de IRPF em razão da glosa de diversas despesas pleiteadas pelo Recorrente em suas Declarações de Ajuste Anual apresentadas para os Exercícios 2002 e 2005. A fiscalização que gerou este lançamento, porém, abrangera também os fatos geradores dos anos de 2002 e 2003 (Exercícios 2003 e 2004 – objeto de lançamento diverso), o que levou o Recorrente a pleitear uma espécie de compensação entre os lançamentos. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 11516.004653/200759 Acórdão n.º 210201.740 S2C1T2 Fl. 468 7 Por isso, antes de analisar o mérito da discussão travada nestes autos (repita se, relacionada aos Exercícios de 2002 e 2005), é preciso delimitar a controvérsia aqui posta. Delimitação do Litígio No Recurso Voluntário, ao tratar da matéria impugnada e não impugnada, o Recorrente afirma: 7. No entanto, a DRJ declarou que parte do valor lançado (R$ 8.675,44) não havia sido impugnada. No entanto, tal decisão não leva em consideração o valor do crédito existente no processo 11516.004545/200786 quando do lançamento (ajustado para R$ 7.006,72 após a decisão da DRJ. Como se debate a reunião dos processos e a necessidade de compensação de oficio entre os créditos apurados na fiscalização (item "b"), tal valor foi impugnado. Como se vê, pretende ele que seja feita a compensação entre os débitos exigidos por meio do presente processo e o “crédito” a que ele faz jus (reconhecido através do outro processo, em que o lançamento não culminou na exigência de imposto, mas apenas na redução do saldo do imposto a restituir). Segundo ele, por conta deste pedido de compensação, teria sido impugnada a integralidade do crédito tributário aqui em discussão. Tal entendimento, porém, não merece acolhida, por dois motivos: i) porque a análise do pedido de compensação formulado não é de competência deste Conselho, devendo tal pedido ser formulado diretamente à autoridade competente, através dos meios próprios para tanto; e ii) o que está em discussão nos presentes autos é exclusivamente o crédito tributário nele originado, o qual deve ser devidamente combatido pelo Recorrente. Não tendo ele atacado uma parte do lançamento (quanto às despesas que reconheceu serem indevidas) é de se considerar realmente que a parcela em questão não foi impugnada. Correta, neste sentido, a decisão recorrida. Delimitado o litígio, passase à análise das alegações do Recorrente. Da nulidade por vícios no MPF Alega o Recorrente que seria nulo o lançamento pelo fato de o MPF ter sido assinado pelo Delegado da Receita Federal Substituto, o qual, segundo ele, não estaria “no rol de pessoas competentes para tanto”, conforme elencado no art. 6º da Portaria SRF nº 6087/05. Quanto a esta parte da defesa, a despeito dos esclarecimentos já prestados pela relatora da decisão recorrida, o Recorrente insiste em afirmar que não há nos autos o ato através do qual teria havido a “delegação de competência” ao Delegado Substituto para assinar o referido MPF. Entretanto, a decisão recorrida é irretocável neste particular, e merece ser mantida por seus próprios fundamentos, como se depreende do trecho a seguir transcrito: Salientese que a competência para a emissão dos Mandados de Procedimento Fiscal não é privativa de determinada pessoa natural, mas dos ocupantes dos cargos mencionados no inciso IV do art. 6° da Portaria SRF n° 6.087/2005; a competência, Fl. 489DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 8 portanto é conferida pela legislação ao cargo e não a uma pessoa especificamente. Assim é que, aos ocupantes dos mencionados cargos, sejam eles os titulares ou seus substitutos, cabe a competência para emissão do MPF. Logo, na ausência, por qualquer motivo, do Delegado da Receita Federal, o Delegado da Receita Federal Substituto, nomeado por portaria especifica, assume automaticamente o cargo, sendo investido, também automaticamente, com todas as competências do titular, inclusive a competência para a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal. Com efeito, afastandose ou ficando impedido o Delegado da Receita Federal titular, todas as atribuições inerentes ao cargo passam automaticamente a serem exercidas por seu substituto. Portanto, não há que se falar em delegação de competência, cuja transferência de poderes independe de afastamento temporário do titular dos mesmos. No mais das vezes, a delegação de competência é motivada para dar maior desenvoltura à execução das atividades administrativas, eximindo o titular a quem incumbe a prática dos atos, possibilitando a este maior disponibilidade para dedicarse a execução de outras atividades inerentes ao cargo. Como claramente se vê, não é este o caso que aqui se apresenta. Assim, não merece acolhida a preliminar de nulidade suscitada. Do pedido de reunião dos processos e de compensação Neste item do seu Recurso, o Recorrente sustenta que por serem decorrentes de uma mesma fiscalização (e de um mesmo MPF), deveriam estar reunidos os lançamentos efetuados em relação aos Exercícios de 2002 e 2005 (sobre os quais versa o presente processo) com aqueles efetuados para os Exercícios de 2003 e 2004 (objeto do processo nº 11516.004545/200786). Seu raciocínio é o de que se os processos estivessem reunidos em um só, ele poderia efetuar a compensação entre os débitos aqui apurados em seu nome, e os créditos a que faz jus naquele outro processo. Entretanto, conforme salientado acima, esta não é a sede própria para que seja analisado tal pedido de “compensação”, sendo certo que não há sequer previsão legal para tanto. Aliás, o raciocínio esposado pelo Recorrente implicaria em que o período de apuração do IRPF fosse um só para os quatro anos objeto da fiscalização em exame. Somente assim é que o raciocínio dele estaria correto, e somente assim poderseia viabilizar a compensação por ele pretendida. Como se trata de Exercícios distintos, ainda que o Auto de Infração lavrado fosse um só para os quatro anos fiscalizados, haveria a incidência de multa e juros sobre os Exercícios de 2002 e 2005, enquanto que o saldo em favor do Recorrente apurado para os anos de 2003 e 2004 seria corrigido com base na variação da taxa Selic – exatamente como foi feito em ambos os lançamentos. A divisão dos processos em dois se deu apenas a fim de facilitar a execução dos lançamentos. Neste sentido, é pertinente transcrever mais um trecho da decisão recorrida, verbis: Fl. 490DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 11516.004653/200759 Acórdão n.º 210201.740 S2C1T2 Fl. 469 9 Já o fato de os valores a restituir referentes aos anoscalendário 2002 e 2003 terem sido apurados (corrigidos) através de outro auto de infração, efetivamente em nada prejudicou o contribuinte. Isso porque, a apuração do valor do imposto, devido ou a restituir, realizado pelo próprio contribuinte ou por autoridade fiscal, é realizado considerando somente o ano de ocorrência dos fatos geradores, desconsiderando anos anteriores ou posteriores; assim é que mesmo que todo o período (anoscalendário 2001 a 2004) tivesse sido objeto de um s6 auto de infração, o imposto devido (ou a restituir) teria sido apurado separadamente por anocalendário, não havendo qualquer possibilidade de o contribuinte poder "compensar" os impostos devidos, relativos aos anos 2001 e 2004, com o valor a restituir, relativo a 2002 e 2003, conforme demonstra ser sua pretensão. Salientese, por oportuno, que eventuais compensações entre valores devidos e a restituir, referentes a anos distintos, somente podem ocorrer no momento da cobrança dos débitos, portanto em momento posterior a apuração destes momento este em que há a aplicação da multa e juros cabíveis, incidentes sobre o imposto devido em cada ano. Por tudo isso, diante da absoluta falta de previsão legal para o pedido de reunião dos processos, não merece acolhida a preliminar suscitada. No mérito Conforme relatado, através do lançamento que aqui se examina foram glosadas despesas declaradas pelo Recorrente com dependentes, instrução e médicos. Antes, porém, de analisar o mérito propriamente dito destas infrações e da defesa, há que se analisar uma questão prejudicial ao mérito, a da decadência suscitada pelo Recorrente para os fatos geradores ocorridos em 2001 (Exercício 2002). Decadência De acordo com o Recorrente, estariam extintas pela decadência as exigências cujo fato gerador ocorrera no anocalendário 2001, nos termos do art. 150, §4º do CTN. Afirma que, ainda que se considere que nos casos de agravamento da multa o prazo deve ser contado nos termos do art. 173 do mesmo diploma legal, devese reconhecer a decadência quanto à parcela do lançamento sobre a qual não houve a qualificação da multa (glosa de dedução de despesas com dependentes e com instrução). Com efeito, a questão da decadência nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação teve sua repercussão geral reconhecida pelo Eg. STJ, que, utilizandose da sistemática prevista no art. 543C do CPC, ao julgar o REsp 973.733/SC (Rel Min. Luiz Fux, julgado em 12.8.2009), reiterou o entendimento no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação não declarado e inadimplido, o Fisco dispõe de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado para a constituição do crédito tributário, nos termos do art. 173, I, do CTN. Fl. 491DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 10 De acordo com este entendimento, somente nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador, como determina o art. 150, § 4º, do CTN. O art. 62A do Regimento Interno deste Conselho estabelece que devem ser obedecidas pelas turmas julgadoras as decisões proferidas pelo Eg. STJ quando a matéria julgada o tiver sido com base na sistemática do art. 543 (‘B’ e ‘C’) do CPC, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Exatamente o caso da discussão em tela. Por isso, para que se possa analisar em cada caso concreto julgado por este Conselho a efetiva ocorrência, ou não, da decadência, é preciso que se analise antes de mais nada se houve o pagamento antecipado do imposto. Somente então é que se pode analisar qual a forma do cômputo do prazo decadencial: se com base no art. 150 ou 173 do CTN (considerando também a parcela do lançamento não sujeita à multa qualificada). No caso que ora se analisa, o Recorrente suscita a decadência do lançamento quanto aos fatos geradores ocorridos no anocalendário 2001, para os quais não houve qualificação da multa. Uma análise da DIRPF 2002 (acostada às fls. 05/07 dos autos) demonstra que o Recorrente sofreu, no anocalendário 2001, uma retenção de IRRF no valor total de R$ 13.024,22. Este valor, conforme entendimento esposado pelo Eg. STJ, deve ser considerado como antecipação do pagamento, e implica em que seja usado o art. 150 § 4º do CTN para fins de cômputo do prazo decadencial. Por isso, considerando que o fato gerador do IRPF em questão ocorreu em 31.12.2001, certo é que o Fisco teria até 31.12.2006 para efetuar o lançamento do respectivo imposto. Tendo em vista que a ciência do lançamento somente se deu em 31.10.2007, é imperioso que se reconheça a decadência do direito do Fisco de efetuar o referido lançamento. Ressaltese, porém, que este entendimento somente se aplica aos lançamentos para os quais não houve a qualificação da multa (glosa de dedução com dependentes e de despesas com instrução). Para a parcela relativa à glosa das despesas médicas, em razão da qualificação da multa (que será analisada em momento oportuno), não há que se falar na aplicação do art. 150, § 4º, mas sim do art. 173, I do CTN, exatamente como o fizeram a autoridade fiscal e a decisão recorrida. Assim, devese reconhecer a extinção parcial do crédito exigido, excluindose da base de cálculo do lançamento relativo ao Exercício 2002 os valores de R$ 2.160,00 (dedução com dependentes) e R$ 3.400,00 (dedução de despesas com instrução). Com o reconhecimento da decadência em exame, resta prejudicada a análise de mérito relativa à glosa da dedução com dependentes e com instrução. Por isso, passase à análise da parcela relativa à glosa com despesas médicas declaradas pelo Recorrente. Despesas médicas Fl. 492DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 11516.004653/200759 Acórdão n.º 210201.740 S2C1T2 Fl. 470 11 Conforme relatado, tratase de lançamento por meio do qual foram glosadas despesas médicas efetuadas pelo Recorrente ao longo dos anoscalendário 2001 e 2004. Instruindo o lançamento, o Termo de Verificação Fiscal descreve minuciosamente o trabalho realizado pela autoridade fiscal, e esclarece todos os motivos que levaram à glosa das despesas médicas e à qualificação da multa sobre esta parte do lançamento. Os profissionais cujos recibos foram objeto de glosa foram os seguintes: Anocalendário 2001 Ana Paula Maynart Neves Zanatta – R$ 1.060,00 Roberto David Bernardo da Silva – R$ 2.022,00 Nelson Luiz Rech – R$ 800,00 Marco Aurélio Rech – R$ 6.000,00 Lourenço Denning – R$ 4.445,00 Arilton Trevisol Bittencourt – R$ 1.270,00 Werynton Boneli R$ 3.650,00 Leandro Magri – R$ 500,00 Marcelo Heidemann Perin 2.204,00 Eduardo Paiya Godinho – R$ 4.020,00 VALOR TOTAL GLOSADO EM 2001: 25.971,00 Anocalendário 2004 Ana Graciela Sestren – R$ 750,00 Talita Cardoso de Souza – R$ 1.300,00 Werynton Boneli – R$ 3.900,00 Emerson Waldir Veronez – R$ 3.000,00 Maria Cristina Corbetta Jung R$ 600,00 Eurico de Miranda Gomes Neto – R$ 570,00 Marcelo Heidemann Perin – R$ 1.500,00 Adriana Della Giustina Perin – R$ 1.500,00 Juliano Cargnin – R$ 2.900,00 Fl. 493DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 12 VALOR TOTAL GLOSADO EM 2004: 16.020,00 De todos estes profissionais (cujas despesas foram incluídas em suas respectivas DIRPF dos Exercícios 2002 e 2005), o Recorrente acabou reconhecendo que a maior parte das despesas originalmente declaradas realmente não estava correta. Impugnou apenas R$ 3.974,00 das despesas médicas glosadas para o ano de 2001 e outros R$ 6.470,00 para as despesas médicas glosadas no ano de 2004. Assim, percebese que o Recorrente concordou, tão logo foi cientificado do lançamento, com o fato de que a maior parte das despesas médicas por ele declaradas como dedutíveis, na verdade não o eram. Vale ressaltar que não há, na Impugnação ou no Recurso, esclarecimentos sobre o que motivou esta concordância parcial com o lançamento. À época da fiscalização, o Recorrente não apresentou quaisquer recibos médicos ao atender à primeira intimação recebida. Apenas trouxe alguns deles aos autos depois de uma intimação específica para tanto. Para esclarecer melhor os fatos e as razões que levaram à glosa das referidas despesas, é pertinente transcrever aqui alguns comentários da autoridade lançadora, extraídos do Termo de Verificação Fiscal: Antes de iniciarmos a análise das respostas dos terceiros cabe salientar que entre estes profissionais, a grande maioria é de dentistas, com os quais o contribuinte efetua despesas bastante elevadas. Notese que em suas respostas os profissionais informaram que o paciente foi o próprio Sr. Luiz Alberto Martins. Os anexos 1, e 2 a este Termo contém planilhas que tem como objetivo apresentar uma visão global dos valores, datas e serviços que o contribuinte alega terem sido efetuados. Assim, podemos notar que : • Utilizando como exemplo o ano de 2001, o contribuinte inicia o tratamento com um profissional (Welynton Boneli — janeiro e fevereiro), em seguida utiliza os serviços de outro profissional (Marcelo Heidemann Perin — fevereiro a julho), paralelamente realiza tratamento com um terceiro dentista (Roberto D. Bernardo da Silva março), e retorna ao mesmo Welynton Boneli em março, abril, maio e junho, quando então se consulta e faz um tratamento com o Dr. Arylton Trevisol Bittencourt (junho). Em seguida, em 24 de julho, retorna ao primeiro profissional citado, Welynton Boneli. Em agosto faz tratamento odontológico com os profissionais Roberto D. Bernardo da Silva e Werynton Boneli para em setembro utilizar os serviços do quinto profissional, Dr. Leandro Magri, onde realiza tratamentos de raspagem. Em outubro mais um atendimento efetuado pelo profissional Roberto D. Bernardo da Silva. Para completar a extensa lista de profissionais utilizados existe ainda o Dr. Loureço Denning que, de acordo com sua resposta, realizou procedimentos em 2001. 0 Dr. Lourenço Oenning não pode precisar as datas dos atendimentos, tendo em vista não exercer mais a profissão e ter descartado seus arquivos. (fls. 136). Fl. 494DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 11516.004653/200759 Acórdão n.º 210201.740 S2C1T2 Fl. 471 13 A análise das despesas com dentistas que o contribuinte afirma terem sido pagas em 2004 revelam mais uma vez a utilização de vários profissionais, sete ao todo e uma situação semelhante a dos anos anteriores : No inicio do ano, em Janeiro, foram efetuadas várias restaurações pelo Dr. Eurico de Miranda Gomes Neto, de acordo 11/ com uma ficha apresentada pelo profissional (fls. 283). Em fevereiro o contribuinte, de acordo com os recibos de fls. 84, esteve no consultório do Dr. Werynton Boneli nos dias 16 e 27, onde realizou tratamentos odontológicos. A partir de março até maio, voltou a se tratar com o Dr. Eurico de Miranda Gomes Neto. Entre junho e setembro, realizou um tratamento de clareamento completo profilaxia com a profissional Maria Cristina Corbetta Jung (fls. 246). Paralelamente a este tratamento, o contribuinte tratouse com a Dra. Adriana Della Giustina Perin, onde, de acordo com a profissional (fls. 198) entre junho e agosto, foram feitos os seguintes procedimentos: profilaxia superior e inferior, controle de placa bacteriana, raspagem periodontal superior e inferior, aplicação de verniz fluoretado e laserterapia. No mesmo mês de agosto, voltou ao consultório do Dr. Eurico de Miranda Gomes Neto duas vezes nos das 19 e 20 (fls. 283). A partir de setembro, de acordo com a resposta do profissional (fls. 117), o contribuinte passou a se tratar com o Dr. Marcelo Heidemann Perin, onde, ainda de acordo com o dentista, realizou os seguintes procedimentos : clareamento total da arcada Superior, clareamento total da arcada inferior, restaurações, profilaxia, fluorterapia e laserterapia. Ainda no curso de 2004, o contribuinte afirma ter efetuado tratamentos com a Dra. Talita Cardoso e com o Dr. Emerson Waldir Veronez (fls. 10). Em relação a estes tratamentos, no curso da fiscalização, não foi possível estabelecer com precisão as datas em que teriam sido feitos os atendimentos. A estes fatos devem ser acrescentados os seguintes dados : • As elevadas despesas do contribuinte com tratamentos dentários, de acordo com suas respostas e com as informações contidas em suas Declarações de Ajuste Anual, somaram R$ 14.117,00 em 2001, R$ 14.079,99 em 2002 e R$ 12.370,00 em 2004, perfazendo um total de mais de R$ 40.000,00 em quatro anos. • Apesar da extensa lista de profissionais da área médica incluidos em suas Declarações de Ajuste Anual como despesas médicas, o contribuinte, intimado a comprovar o seu efetivo pagamento Termos de Intimação Fiscal n° 537/07 (fls. 97 e 98), n° 602/07 (fls. 100 e 101) e n° 718/07 (fls. 103 e 104), não apresentou sequer um documento que pudesse demonstrar que os gastos foram realmente efetuados. 0 contribuinte não apresentou qualquer justificativa para o fato de, apesar de possuir plano de saúde que cobre despesas com médicos e fisioterapeutas, ter utilizado profissionais não Fl. 495DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 14 credenciados e não ter solicitado qualquer reembolso das despesas efetuadas, apesar do alto valor das mesmas : entre 2002 e 2004 o contribuinte afirma ter pago ao fisioterapeuta Juliano Cargnin R$ 6.570,00 e ao médico Eduardo Paiva Godinho em 2001 e 2002 R$ 7.200,00. Esclarecendo ainda mais os fatos envolvidos no lançamento, cumpre transcrever aqui o seguinte quadro, constante no corpo da decisão recorrida, que demonstra de forma clara a situação de cada um dos profissionais para os quais o Recorrente declarou ter pago valores a título de despesas médicas nos anoscalendário 2001 e 2004: Da mesma decisão, constam também os seguintes argumentos para justificar a manutenção do lançamento: Destarte, ante o expressivo valor das despesas médicas, compete à autoridade fiscal, por imposição legal, verificar a regularidade das deduções pleiteadas nas Declarações de Ajuste Anual. 0 sujeito passivo tem o ônus de comprovar e justificar as deduções e, não o fazendo, deve assumir as conseqüências legais. Destacando que, quando a autoridade fiscal apura indícios, tantos e tão fortes, de que os pagamentos consignados nos recibos apresentados não ocorreram, neste caso, o ônus de provar implica trazer elementos que não deixem dúvida quanto ao fato questionado. Fl. 496DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 11516.004653/200759 Acórdão n.º 210201.740 S2C1T2 Fl. 472 15 As alegações de defesa, analisadas em conjunto com os documentos acostados pelos supostos prestadores dos serviços médicos, até poderiam vir a ser consideradas plausíveis e procedentes, se consideradas isoladamente fora do contexto no qual se inserem. Todavia, ao contrário do que pretende o contribuinte, a bem do correto e justo julgamento do lançamento, todos os fatos trazidos pela fiscalização, devem ser considerados em conjunto em busca da verdade que se afigura nos autos em relação à conduta do contribuinte. Assim é que, muito embora os fatos acima descritos não sejam suficientes, quando olhados cada um deles de forma isolada, para evidenciar conclusivamente a existência de recibos fornecidos de forma graciosa, verdade é que quando olhados de modo conjunto, formam um quadro indiciário que, aliado a conduta reiterada do contribuinte em informar valores significativos de despesas médicas para as quais não tinha comprovação idônea, evidencia a conduta fraudulenta do contribuinte, tendente a beneficiarse de deduções indevidas. Neste ponto, o lançamento e a decisão recorrida merecem ser prestigiados. A legislação fiscal prevê que para que o contribuinte possa se beneficiar da dedução de suas despesas médicas do Imposto de Renda, deverá ele ter em mãos, além dos recibos competentes (que devem preencher os requisitos da lei), quaisquer outros documentos que demonstrem, ainda que minimamente, a efetividade dos serviços prestados, bem como o seu pagamento. Sem que tais provas sejam feitas, está correta a glosa das despesas médicas não comprovadas. É o que determina o art. 8º da Lei nº 9.250/95: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...) II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: (...) III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (...) Fl. 497DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 16 No caso dos autos, o Recorrente pleiteou em suas Declarações de Ajuste Anual a dedução de despesas efetuadas com um total de 11 profissionais no ano de 2001 e outros 10 profissionais no ano de 2004. Após uma fiscalização bastante minuciosa e bem conduzida, o Recorrente acabou por concordar que destes 21 profissionais que lhe haviam prestado serviços (ou assim ele o declarou), apenas 7 correspondiam à realidade (3 profissionais em 2001 e 4 em 2004). Decorre daí que o contribuinte apresentou em suas DIRPF 2002 e 2005 despesas médicas com (em média) o triplo dos profissionais que efetivamente “contratara”. Este fato demonstra que não se tratou de mero equívoco do Recorrente ao preencher suas Declarações de Ajuste Anual. Ao contrário, este fato leva a crer que a intenção do mesmo ao majorar de forma tão grave as despesas efetivamente incorridas não tinha outra intenção senão a de se beneficiar com um menor pagamento do imposto (de Renda). Por isso, ao contrário do afirmado por ele, os indícios sugerem que a fiscalização realmente agiu corretamente, e que a prova da efetiva prestação dos serviços cuja dedução ele pleiteia deve ser feita de forma convincente e cabal. Pelo fato de todos os seus tratamentos médicos e odontológicos terem sido pagos em moeda corrente (de forma que o pagamento dos serviços não pode ser comprovado), caberia ao Recorrente ter trazidos aos autos outras provas conclusivas no sentido de que o serviço fora prestado. No entanto, as provas trazidas por ele para complementar suas alegações e os recibos trazidos, não são suficientes para tanto. Tomando como exemplo o profissional Marcelo Perin, consta dos autos (fls. 112 do vol. 1) um “odontograma” do tratamento por ele efetuado no Recorrente. Este odontograma, porém, era um “Orçamento” do qual consta a situação dos dentes do Recorrente, e dos “proc realizados em 2001, 2002 e 2004”. Tal documento não tem data ou a assinatura do profissional emitente (enquanto que o odontograma de fls. 148 tem data e assinatura do profissional emitente – apesar de se referir a tratamento efetuado em favor da Sra. Dulcinéia Martins), e teve sua autenticidade reconhecida em Cartório no ano de 2007, passados 6 anos do início do tratamento. Não fossem suficientes estes argumentos, releva ainda destacar que o Recorrente poderia ter trazido aos autos as fichas de paciente emitidas pelo referido profissional. Tais fichas são comumente encontradas em consultórios médicos e odontológicos, servindo sempre como um parâmetro e um histórico dos procedimentos realizados em cada paciente. Por isso, a documentação colacionada aos autos não pode ser considerada como suficiente para comprovar a efetiva prestação dos serviços em tela. Da mesma forma, o odontograma emitido pelo profissional Leandro Magri (fls. 186/187 do Vol. 1) não tem data de emissão. O mesmo se diga em relação ao odontograma emitido pela Dr. Adriana Perin, às fls. 195. As despesas efetuadas com o profissional Juliano Cargnin (fisioterapeuta) são “comprovadas” com recibos e pela justificativa de que o Recorrente sofria de “dores e desconforto musculares”, sem qualquer outro esclarecimento acerca da justificativa médica para a prestação de tais serviços. Fl. 498DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 11516.004653/200759 Acórdão n.º 210201.740 S2C1T2 Fl. 473 17 Neste sentido, estão corretas as conclusões tomadas pela autoridade fiscal e também pela decisão recorrida, ambas acima transcritas, e as quais tomo também como razão de decidir. De fato, os argumentos e documentos trazidos pelo Recorrente não são suficientes a refutar as motivações da autoridade fiscal para efetuar o lançamento, que deve permanecer da forma como foi efetuado, mantendose as glosas em questão – inclusive com a qualificação da multa de ofício. Em outras oportunidades, ao apreciar casos semelhantes, esta Turma julgadora vem assim decidindo, como se depreende do julgado a seguir transcrito, no qual são expostas, de maneira clara e precisa, as razões para a manutenção de lançamentos semelhantes ao que ora se analisa, inclusive com a qualificação da multa, verbis: DESPESAS MÉDICAS. HIPÓTESES QUE PERMITEM A EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO OU DA EFETIVA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO. OCORRÊNCIA NO CASO EM DEBATE. MANUTENÇÃO DAS DESPESAS GLOSADAS. Como tenho tido oportunidade de asseverar em julgados anteriores (Acórdãos nºs 2102001.351, 2102001.356 e 2102001.366, sessão de 09 de junho de 2011; Acórdão nº 210201.055, sessão de 09 de fevereiro de 2011; Acórdão nº 210200.824, sessão de 20 de agosto de 2010; acórdão nº 210200.697, sessão de 18 de junho de 2010), entendo que os recibos médicos, em si mesmos, não são uma prova absoluta para dedutibilidade das despesas médicas da base de cálculo do imposto de renda, mormente quando as despesas forem excessivas em face dos rendimentos declarados; houver o repetitivo argumento de que todas as despesas médicas de diferentes profissionais, vultosas, tenham sido pagas em espécie; o contribuinte fizer uso de recibos comprovadamente inidôneos; houver a negativa de prestação de serviço por parte de profissional que consta como prestador na declaração do fiscalizado; houver recibos médicos emitidos em dias não úteis, por profissionais ligados por vínculo de parentesco, tudo pago em espécie; ou houver múltiplas glosas de outras despesas (dependentes, previdência privada, pensão alimentícia, livro caixa e instrução), bem como outras infrações (omissão de rendimentos, de ganho de capital, da atividade rural), a levantar sombra de suspeição sobre todas as informações prestadas pelo contribuinte declarante. Recurso negado. (Acórdão nº 210201632, julgado em 26.10.2011) Por todos estes motivos, deve também ser mantida a qualificação da multa, na medida em que, como salientado anteriormente, não se trata de mero equívoco cometido no preenchimento da DIRPF, mas sim de contribuinte que teve a clara intenção de reduzir o valor do imposto devido, utilizandose de documentos relativos a tratamentos médicos não comprovados. Justificase, assim, a aplicação do disposto nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº Lei 4502/64, verbis: Fl. 499DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 18 Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Da leitura de tais artigos, é forçoso concluir que só pode ser exigida a multa de 150% (multa qualificada) aos lançamentos de ofício em que restar caracterizado o evidente intuito de fraude do contribuinte – como ocorreu aqui, com todos os esclarecimentos prestados pela autoridade lançadora. Da taxa SELIC Por fim, também não merece acolhida o pedido de exclusão da aplicação da taxa Selic sobre o crédito tributário em discussão. Quanto a este assunto, foi editada a Súmula nº 4 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, segundo a qual: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.”. Por isso, em obediência ao art. 72 do Regimento Interno deste Conselho, deixo de acolher o pedido de afastamento da referida taxa. Diante do exposto, VOTO no sentido de REJEITAR as preliminares suscitadas e, no mérito DAR PARCIAL provimento ao Recurso para excluir da base de cálculo do lançamento o valor de R$ 5.560,00 em relação ao anocalendário 2001. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 500DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 11516.004653/200759 Acórdão n.º 210201.740 S2C1T2 Fl. 474 19 Fl. 501DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 27/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 13618.000045/2003-29
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Aug 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: RESSARCIMENTO DE IPI. ACRÉSCIMO DE JUROS CALCULADOS COM BASE NA TAXA SELIC. APLICAÇÃO DAS DECISÕES DO STJ PROFERIDAS NO RITO DO ART. 543-C. Na forma de reiterada jurisprudência oriunda do STJ, é cabível a aplicação da taxa selic acumulada a partir da data de protocolização do pedido administrativo, a título de
“atualização monetária” do valor requerido quando o seu deferimento decorre de ilegítima resistência por parte da Administração tributária (RESP 993.164, RESP 1150188).
CRÉDITO ESCRITURAL. IMPOSSIBILIDADE DE CORREÇÃO OU ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. Nos temos de consolidada jurisprudência do STJ, de que é exemplo o Resp 1035847, não há direito de correção ou
atualização monetária sobre créditos escriturais do IPI.
Numero da decisão: 9303-001.629
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos do procurador e da interessada, nos termos dos relatório e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda declarou-se impedido.
Nome do relator: Julio Cesar Alves Ramos
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ACRÉSCIMO DE JUROS CALCULADOS COM BASE NA TAXA SELIC. APLICAÇÃO DAS DECISÕES DO STJ PROFERIDAS NO RITO DO ART. 543C. Na forma de reiterada jurisprudência oriunda do STJ, é cabível a aplicação da taxa selic acumulada a partir da data de protocolização do pedido administrativo, a título de “atualização monetária” do valor requerido quando o seu deferimento decorre de ilegítima resistência por parte da Administração tributária (RESP 993.164, RESP 1150188). CRÉDITO ESCRITURAL. IMPOSSIBILIDADE DE CORREÇÃO OU ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. Nos temos de consolidada jurisprudência do STJ, de que é exemplo o Resp 1035847, não há direito de correção ou atualização monetária sobre créditos escriturais do IPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos do procurador e da interessada, nos termos dos relatório e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda declarouse impedido. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. EDITADO EM: 15/12/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Rodrigo Fl. 1DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/12/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/01/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Cardozo Miranda, Francisco Maurício Albuquerque, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez López e Susy Gomes Hoffman Relatório Examinamse recursos especiais interpostos tanto pelo contribuinte quanto pela Fazenda Nacional sobre a mesma matéria: incidência da taxa selic sobre valores objeto de pedido de ressarcimento de saldo credor do IPI formulado com base no art. 11 da Lei 9.779. A decisão recorrida, proferida pela Terceira Câmara do então Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria a deferiu a partir do protocolo do pedido, na esteira da consolidada jurisprudência da casa. Não satisfeita, postula a contribuinte que a incidência se deva dar desde o registro escritural dos créditos, juntando acórdão da Primeira Câmara condizente com sua pretensão. Por seu turno, o recurso da PFN, lastreado na contrariedade à lei de que tratava o art. 7º, I do então vigente Regimento Interno da Câmara Superior baixado pela Portaria 147/2007 postula a não incidência dos referidos juros por falta de precisão legal, dada a diferença entre ressarcimento e restituição. O recurso comporta pedido supletivo para que, caso mantido o deferimento da selic, incida ela a partir de data posterior à do protocolo do pedido, sem especificar qual. Embora não tenha sido o fundamento do recurso, a PFN aponta também a existência de dissídio jurisprudencial consubstanciado em acórdãos oriundos da mesma Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes e também da Segunda Câmara do mesmo Conselho. Ambos os recursos foram admitidos pela Presidência da Terceira Câmara (despachos às fls. 318 e 366/370) Foram ofertadas contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Os requisitos de admissibilidade foram bem examinados, devendo os recursos ser apreciados. E eles podem ser desprovidos conjuntamente. Isso porque, o art. 62A recentemente incluído no Regimento Interno do CARF tornou obrigatória a adoção do entendimento expresso em decisão do STJ que tenha sido proferida na sistemática prevista no art. 543C do Código de Processo Civil. E naquele e. Tribunal Superior consolidouse o entendimento de que a Selic é devida exatamente na forma que foi concedida no julgamento contestado (REsp 993.164 e 1150188, ambos da relatoria do Ministro Luiz Fux). Fl. 2DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/12/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/01/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13618.000045/200329 Acórdão n.º 9303001.629 CSRFT3 Fl. 2 3 Destarte, com a ressalva de minha posição pessoal, que acolho todos os argumentos expendidos pela representação fazendária, nego provimento ao recurso fazendário. Na mesma linha, porém, descabe o atendimento do pleito do contribuinte. Até porque aquele mesmo Tribunal tem entendido que não cabe a correção monetária do crédito escritural (REsp 1035847). A única fundamentação para que “ela” seja concedida a partir do pedido – tanto no âmbito administrativo como no Judicial – é a resistência da Administração, o que, por óbvio, não ocorre enquanto o contribuinte ainda não esteja autorizado, por lei, a formalizar o pedido. Em outras palavras, descabe corrigir o crédito entre a data de seu registro na escrita e a data de formalização do pedido. Voto, pois, por negar provimento a ambos os recursos. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 3DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/12/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/01/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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