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Numero do processo: 13820.000400/2003-64
Data da sessão: Wed May 19 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/12/1999 a 31/03/2003
ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO.
A isenção prevista no art. 14 da Medida Provisória nº 2.037-25 de 2000, quando se tratar de vendas à Zona Franca de Manaus, aplica-se tão somente às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do citado artigo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3803-000.456
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Carlos Henrique Martins de Lima, que votou pelo reconhecimento da isenção Cofins das mercadorias destinadas à ZFM. O Conselheiro Alexandre Kern votou pelas conclusões.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: DANIEL MAURÍCIO FEDATO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/12/1999 a 31/03/2003 ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. A isenção prevista no art. 14 da Medida Provisória nº 2.037-25 de 2000, quando se tratar de vendas à Zona Franca de Manaus, aplica-se tão somente às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do citado artigo. Recurso Voluntário Negado.
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S3-TE03 F 1 194 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 13820.00040012003-64 Recurso n" 251.902 Voluntário Acórdão n" 3803-00.456 — 3" Turma Especial Sessão de 19 de maio de 2010 Matéria RESTITUIÇÃO/COMP COFINS Recorrente ÁPICE ARTES GRÁFICAS LTDA Recorrida DR.) - CAMPINAS/SP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/12/1999 a 31/03/2003 ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. A isenção prevista no art. 14 da Medida Provisória if 2,037-25 de 2000, quando se tratar de vendas à Zona Franca de Manaus, aplica-se tão somente às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do citado artigo, Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Carlos Henrique Martins de Lima, que votou pelo reconhecimento da isenção Cofins das mercadorias destinadas à ZEM, O Conselheiro Alexandre Kern voto.-elas conclusões,. Daniel Mauricio Fedato — Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Carlos Henrique Martins de Lima, Rangel PC1TUCCi Fiorin, Daniel Mauricio Fedato (Relator) e Hélcio Lafetá Reis. Relatório Trata o presente Recurso voluntário contra o Acórdão proferido pela D.R.1 de Campinas/SP, que não reconheceu a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente. Conforme descrito nos Autos, verifica-se que a DR.! não acatou o pleito pelas seguintes considerações, Ementa da decisão: "Zona Franca de Manaus. Isenção, A isenção prevista no art. 14 da Medida Provisória n" 2,037-25 de 2000, quando se tratar de vendas à Zona Franca de Manaus, aplica-se tão somente às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX do citado artigo," Cientificada e não satisfeita a Recorrida, em suma, apresenta a este Conselho suas alegações: a) o objetivo do art. 4' do Decreto-Lei n" 288, de 1967, foi atribuir às operações com a Zona Franca de Manaus as mesmas regras jurídicas relativas aos tributos que atingem exportações de mercadorias O art. 40 do ADCT manteve a intenção do legislador ordinário de incrementar a produção e comercialização daquela região; b) a expressão "constantes da legislação em vigor", prevista no art. 4 0 do Decreto-Lei ir 288, de 1967, nada quer dizer além de que a equiparação das operações de exportação de mercadoria ou serviços com as da Zona Franca de Manaus abrangem qualquer espécie de tributos, ou seja, é universal; e) O Supremo Tribunal Federal suspendeu a eficácia da expressão "Zona Franca de Manaus" contida no inciso I, do § 2" do art. 14 da Medida Provisória n" 2.037-24, de 23 de novembro de 2000. Em síntese, é o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mauricio Feclato, Relator O Recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A controvérsia estabelecida neste processo, cinge-se na inclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins das receitas relativas às vendas da Zona Franca de Manaus. A cronologia dos fatos, conforme pode ser constatado nos autos, registra que a DRF de Santo André/SP, detém o raciocínio de que, somente estarão isentas da exigência do PIS e da Cotins as receitas de vendas à Zona Franca de Manaus, posteriores a 18.12.2000, e mesmo assim apenas em relação às receitas discriminadas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do art. 14 da Medida Provisória n°2.158-35, de 2001. 2 Processo n" 13820 000400/2003-64 S3-TE03 Acórdão n.." 3803-00456 Fl. 195 A DR.' acatou o mesma decisão de não reconhecer a busca da Interessada, com as mesmas alegações da DRF, Solução de Divergência Cosit n° 22, de 19 de agosto de 2002, in verbis: "A argumentação no sentido de que para fins de isenção do PIS/Pasep e da Coibis, teria o art.. 4" do Decreto-lei n" 288, de 28 de . fevereiro de 1967, equiparado a venda de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro à exportação brasileira para o exterior, não prospera, de acordo com a inteligência do próprio dispositivo, como pode ser observado de sua transcrição a seguir: Art. 4° A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro. (GO/Ou-se) 16. Ressalte-se que a expressão "constante da legislação em vigor" comida no texto do art.. 4° do Decreto-lei n° .288, de 1967, pela sua incontestável clareza, já é suficiente para afastar qualquer dúvida quanto ao seu alcance no sentido temporal.. Não se pode afirmar, portanto, que o referido dispositivo teria o condão de modificar a legislação superveniente que tenha instituído qualquer tributo ou contribuição social.. Ao contrário, não resiste à InellOr análise, a afirmação de que as contribuições sociais PIS/Pasep e Cotins instituídas em 1970 e 1991, teriam sido alcançadas pelos efeitos da citada equiparação. 16.1. Por outro lado, se o legislador pretendesse contemplar, indistintamente, com a isenção dessas contribuições, todas as receitas de vendas efetuadas para quaisquer empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, teria feito constar expressamente na legislação especifica do PIS/Pasep e da Cotins. 16..2. Logo, é correto concluir que o próprio dispositivo legal (ar! 4 0 do Decreto-lei n° 288, de 1967) restringiu a aplicabilidade da equiparação mencionada, para os efeitos dos impostos e contribuições constantes da legislação vigente em .28 de fevereiro de 1967. Até porque não poderia projetar os efeitos da legislação isencional para o futuro indiscriminadamente, 16.3. A propósito das conclusões mencionadas nos itens 3 anteriores sobre o alcance do dispositivo referido, deve ser ressaltada a restrição procedida pelo legislador ordinário, ao tratar inclusive de impostos já existentes à data de edição daquele Decreto-lei, evidenciando a intenção, no sentido de evitar que se acumulasse outras .formas de incentivos, além da nele efetivamente prevista, nos termos constantes do art.. r do Decreto-lei n° 1,435, de 1 7 de dezembro de 1975, in verbis: Art. 7" A equiparação de que trata o artigo 4" do Decreto- lei n" 288, de 28 de fevereiro de 1967, não compreende os inceniivos fiscais previstos nos Decretos-leis n" 491, de 5 de março "de 1969; 1 158, de 16 de março de 1971, 1,189, de 24 de setembro de 1971,' 1 219, de 15 de maio de 1972, e 1,248, de 29 de novembro de 1972, nem os decourntes do regime de "draw back". 17. Por meio da Nota/Cosit/Cotex n" 151, de 14 de maio de 2002, a Secretaria da Receita Federal (SRF) submeteu ao exame da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), o seu entendimento sobre essa matéria, para que .fosse ratificado ou retificado. A PGFN, por intermédio do PARECER/PGFN/CAT/N° 1,769, de 23 de maio de2002, ratificou o entendimento da SRF referente ao assunto, inclusive quanto à manutenção da proibição das isenções para as receitas de vendas efetuadas a empresas estabelecidas nas localidades e estabelecimentos listados nos incisos 1, II e III do § 2° do art, 14 da Medida Provisória n" 2. 158-35, de 2001, mesmo que as receitas de vendas se enquadrem nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX do art. 14, da citada Medida Provisória. Neste particular, a PGFN diz que é sabido que as pessoas jurídicas situadas nas áreas mencionadas, tradicionalmente, vêm sendo contempladas com toda a sorte de benefícios de natureza . fiscal, há algumas décadas, o que .faz crer ter sido a vontade do legislador deixá-las de fbra de mais esse beneficio fiscal. CONCLUSÃO 18. Diante do exposto, soluciona-se a presente divergência respondendo à recorrente que a isenção da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória n° 2..03 7-25, de 2000, atual Medida Provisória 2.158-35, de 2001, e considerada a medida liminar deferido pelo STF', na AD1N n° 2.348-9, publicado no Diário da Justiça e no Diário Oficial da União de 18 de dezembro de 2000, suspendendo ex nunc a eficácia da expressão "na Zona Franca de Manaus" do inciso 1 do § 2' do artigo 14 da Medida Provisória n° 2.037-24, de 2000, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidos na Zona Franca de Manaus, aplica-se, exclusivamente, para as receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas - 4 Processo n" 13820.0004100/2003-6 41 S3-TE03 Acórdão " 3803-00„456 Fl. 196 nos incisos IV, V1, VIII e i do referido artigo 14, ou seja: a) receitas do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o paganiento )(Or efetuado em moeda conversível; b) receitas auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações pré-registradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei n°9.432, de 8 de janeiro de 1997; ç) receitas de vendas realizadas pelo produtor-vendedor às empresas comerciais exportadoras de que trata o Decreto-lei n" 1.248, de 1972, destinada ao fim especifico de exportação; e d) receitas de vendas efetuadas com fim especifico de exportação para o exterior, às empresas comerciais exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior cio Ministério do Desenvolvimento, Indústria e C0171érCi0 Exterior. 181, A isenção da Cotins não alcança os fatos geradores ocorridos entre r de fevereiro de 1999 e 17 de dezembro de .2000, período em que produziu eleitos a vedação contida no inciso I do § 2' do art. 14 da Medida Provisória n° 1,858-6, de 1999, e reedições, até a Medida Provisória n° 2.037-24, de 2000. 19, Somente a partir de 18 de dezembro de 2000, estão isentas do PIS/Pasep, as receita,s de vendas relacionadas nas alíneas "a ", "b ","c" e "d" do item 18, tendo em vista a medida liminar concedida pelo STF, na ADI nQ 2.348-9, publicada no Diário da Justiça e no Diário Oficial da União de 18 de dezembro de .2000, e edição da Medida Provisória n" 2.037-25, de 2000, e reedições, atual Medida Provisória n.2.2.158-35, de 2001, .20, Ressalvadas as hipóteses previstas nos itens 18 e 19, sujeitam-se à incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, sem o beneficio da isenção, todas as demais receitas de vendas efetuadas às pessoas .jurídicas, mesmo que estabelecidas na Zona Franca de Manaus, independentemente de sua destinação ou finalidade.. (destaques do original)" E com esse entendimento, concluiu com as seguintes considerações: "Destarte, como bem concluiu o despacho da DRF, a pretensão da contribuinte não tem fundamento, pois 5 , somente a partir de 18/12/2000 as receitas de vendas à Zona Franca de Manaus estão isentas da exigência do .PIS e da Cotins, e mesmo assim apenas em relação às receitas discriminadas nos incisos IV, PI, VIII e /X, do art. 14 da Medida Provisória n° 2,15835, de 2001, o que a contribuinte não comprovou ser o caso, Em face do exposto, voto pelo não reconhecimento do direito crediário em litígio e pela não-homologação de todas as declaraçâes de compensação a ele vinculadas." Diante do exposto, e com as argumentações de defesa apresentadas, que não são suficientes para desestruturar a legislação vigente, não me resta outra alternativa, senão n negar provimento ao Recurso, Daniel Mauricio Fedato 6
score : 1.0
Numero do processo: 10860.000677/2009-18
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2006
ALUGUEIS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DIMOB RETIFICADA.
Não se mantém omissão de rendimentos, a titulo de alugueis, quando a DIMOB que embasou o lançamento foi retificada.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-002.492
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: CARLOS CÉSAR QUADROS PIERRE
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 ALUGUEIS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DIMOB RETIFICADA. Não se mantém omissão de rendimentos, a titulo de alugueis, quando a DIMOB que embasou o lançamento foi retificada. Recurso Voluntário Provido.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DIMOB RETIFICADA. Não se mantém omissão de rendimentos, a titulo de alugueis, quando a DIMOB que embasou o lançamento foi retificada. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antônio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, e Walter Reinaldo Falcão Lima. Relatório Fl. 102DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 07/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por CARLOS CESAR Q UADROS PIERRE Processo nº 10860.000677/200918 Acórdão n.º 280102.492 S2TE01 Fl. 82 2 Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 10ª Turma da DRJ/SP2 (Fls. 28), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Em procedimento de revisão interna da Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física DIRPF do contribuinte supra citado, referente ao Exercício de 2006, Ano Calendário 2005, a Auditoria Fiscal efetuou o presente lançamento de ofício, nos termos do Decreto 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, tendo em vista a apuração de: a) Dedução Indevida de Dependentes, no valor de R$ 8.424,00, por não comprovação da relação de dependência do sogro e da sogra, não apresentação da certidão de nascimento de três filhos e não apresentação da certidão de casamento; b) Dedução Indevida de Despesas com Instrução, no valor de R$ 4.396,00, por falta de comprovação; c) Dedução Indevida de Despesas Médicas, no valor de R$ 360,00, por falta de comprovação da despesa com a médica Lisete V Caricatti; d) Omissão de Rendimentos de Aluguéis Recebidos de Pessoa Física Informados em Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias DIMOB pela administradora de imóveis, no valor de R$ 30.502,30, já deduzido da comissão correspondente. O enquadramento legal, descrição, demonstrativo do fato gerador e valor tributável foram registrados no lançamento, de fls. 08/11. O contribuinte apresenta impugnação parcial, às fls.01/05, alegando, em síntese: 1) Descabida a glosa de dedução com dependentes no valor de R$ 5.216,00 referente aos filhos e cônjuge, conforme certidões que anexa; 2) Indevida a glosa no valor limite de R$ 3.458,00, referente a dedução com instrução dos filhos Fabrício Andrade Lopes e Tatianne Lopes, ambos universitários á época, com gasto total no valor de R$ 1.260,00 e R$ 3.780,00, respectivamente, conforme recibos que anexa; , 3) Adquiriu o imóvel em 04/04/2005 e os rendimentos auferidos declarados pela administradora de imóveis foram erroneamente informados como pagos ao impugnante, quando o correto seria para o locador e exproprietário do imóvel Sr. Jaime Fabro CPF 010.568.75968. Junta cópia de escritura de venda e compra e contrato de locação; 4) Apresenta novo cálculo do imposto suplementar e requer revisão do débito fiscal reclamado pugnando pela posterior juntada do DARF pago no montante declarado dentro do prazo Fl. 103DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 07/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por CARLOS CESAR Q UADROS PIERRE Processo nº 10860.000677/200918 Acórdão n.º 280102.492 S2TE01 Fl. 83 3 legal para o desconto de 50% da multa de ofício, extinguindose o débito fiscal. O contribuinte impugnou parcialmente o lançamento recolhendo a parte incontroversa, referente à dedução indevida dos dependentes Elvidio Rodrigues de Almeida e Maria Solidade Pires de Almeida, sogro e sogra do impugnante respectivamente, no valor de R$ 2.808,00, bem como dedução indevida de despesas com instrução no valor de R$ 938,00 e dedução indevida de despesa médica no valor de R$ 360,00. As fls. 53/54, consta extrato do processo com indicação do valor de pagamento não utilizado de R$ 1.129,15 de imposto suplementar, multa de ofício com redução de 50% e juros de mora, com data de arrecadação em 08/07/2009 e n° do pagamento 5813723781. Portanto, o contribuinte impugna o valor referente a dedução com quatro dependentes que correspondem a três filhos e esposa, dedução de despesa com instrução no valor de R$ 3.458,00 e omissão de rendimento de aluguel no valor de R$ 30.502,30. Passo adiante, a 10ª Turma da DRJ/SP2 entendeu por bem julgar o lançamento procedente em parte, em decisão que restou assim ementada: DEDUÇÃO INDEVIDA DE DEPENDENTE. Comprovada a relação de dependência, restabelecese a dedução pleiteada. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO. Comprovadas as despesas de instrução com dependente, restabelecese a dedução pleiteada. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Tributamse os rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas físicas informados em DIMOB e omitidos na declaração de ajuste anual. Cientificado em 12/05/2011 (Fls. 66), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 31/05/2011 (fls. 67), reiterando os argumentos expostos quando da apresentação da impugnação, e anexando: CÓPIA DOS DOCUMENTOS DO RECORRENTE PROCURAÇÃO CÓPIA DO RECIBO DE ENTREGA n° 24.49.99.45.9254 DA RETIFICADORA DA DIMOB DO ANOCALENDÁRIO 2005. DA DECLARANTE IMOBILIÁRIA NOVA SÃO JOSÉ (CNPJ n° 48.974.513/000120) Fl. 104DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 07/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por CARLOS CESAR Q UADROS PIERRE Processo nº 10860.000677/200918 Acórdão n.º 280102.492 S2TE01 Fl. 84 4 CÓPIA DA PARTE DA DECLARAÇÃO ONDE CONSTA A IDENTIFICAÇÃO CORRETA DO LOCADOR DO IMÓVEL E O RESPECTIVO VALOR POR ELE RECEBIDO. CÓPIA DE ESCRITURA DE VENDA E COMPRA DO IMÓVEL CÓPIA DO CONTRATO DE LOCAÇÃO Diante do caso exposto, aprouve a 1ª Turma do CARF– Sessão Especial, em novembro de 2011, converter o julgamento em diligência, com o retorno dos autos à DRFB de origem para que a autoridade preparadora confirmasse a apresentação de DIMOB(S) retificadora(s). A diligência foi realizada, onde a DRFB de origem confirmou a apresentação da DIMOB retificadora. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Consta no acórdão recorrido que: Importante esclarecer ao contribuinte que, caso haja erro nos valores e/ou na indicação do beneficiário dos rendimentos informados na DIMOB, será necessária a sua retificação, pela Administradora do Imóvel, nos termos da legislação vigente. (...) Consulta aos sistemas da Receita Federal do Brasil, constatase que não houve retificação da Dimob para regularização dos apontamentos de erros declarados pela Imobiliária Nova São José Ltda., bem como tais rendimentos de aluguéis não foram oferecidos à tributação. Buscando produzir provas em seu favor, o recorrente tratou de anexar a DIMOB retificadora solicitada pela DRJ, que foi apresentada pela imobiliária Nova São José Ltda. Em tal DIMOB retificadora não consta a existência de pagamento de aluguéis para o recorrente. Tal retificação foi confirmada pela DRFB de origem em resposta a solicitação de diligências. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 07/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por CARLOS CESAR Q UADROS PIERRE Processo nº 10860.000677/200918 Acórdão n.º 280102.492 S2TE01 Fl. 85 5 Assim, havendo prova de retificação da DIMOB, é dever não manter o lançamento, visto que não restou caracterizada a omissão de rendimentos. Ante tudo acima exposto, voto por dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 106DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 07/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por CARLOS CESAR Q UADROS PIERRE
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Numero do processo: 10768.013392/2001-48
Data da sessão: Tue May 18 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Data do fato gerador: 31/10/2000, 30/11/2000, 31/12/2000
COOPERATIVAS DE CRÉDITO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO
PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA EXIGIBILIDADE SUSPENSA.
Nos termos da Constituição Federal e da legislação de regência, as cooperativas de crédito equiparam-se às instituições financeiras, aplicando-se-lhes o mesmo regime de tributação Não constatado o trânsito em julgado da ação judicial em que se discute o mérito, escorreito o lançamento de oficio operado para fins de prevenção da decadência, sem exigência de multa de oficio e com exigibilidade suspensa.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3803-000.426
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: HÉLCIO LAFETÁ REIS
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MINISTER10 DA FAZENDA ..:.'.!;`;::::..,:.:.•:-.-:.: CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. . .. . ,..,..... .. 41.Á'.:::::: i.:' ...:.-1::," TERCE IRA SEÇÃO DE IJIGA \UNTO Processo n'' 10768 013392/2001-48 Recurso n" 238 261 Voluntário Acórdão n" 3803-00.426 — 3" Turma Especial Sessão de 18 de maio de 2010 Ni atéria PIS - COOPERATIVA DE CRÉDÍTO Recorrente COOPERAI IVA 1)1 , , l'CONOMIA E CRÉDITO MUI T110 DOS FMPRUGADOS DO GRUPO CVRD - COOPVALE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBliIÇÃO PARA O P1S/PASEP Data do tato gerador: .31/10/2000, 30/11/2000, 31/12/2000 COOPERA 1 IVAS DE CRÉDITO, LANÇAM KNTO DE OFICIO PREVENÇÃO DA DECADENCIA UXIGIBILIDADE SUSPENSA. Nos termos da Constituição Federal e da legislação de regência, as cooperativas de crédito equiparam-se às instituições financeiras, aplicando- se- lhes o mesmo regime de tributaçao Não constatado o trânsito em julgado da ação judicial em que se discute o mérito, escorreito o lançamento de oficio operado para fins de prevenção da decadência, sem exigência de multa de oficio e com exigibilidade suspensa. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do Colcgiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recluso , Mexa dre Kern - PresidenteC \\ /' I 27\i(f---)-1-- lidei ° I afeta Reis - Relator Participaram ainda do piesente . julgamento os Conselheiros Belchior Melo de Sousa, [Ideio 1. ,aferá Reis (Rei ator), Carlos Henrique Martins de Lima, Daniel Mauricio 1 , edato e Rangel Perrucei V ioi in. i Relatório Em 12 de novembro de 2001, a Delegacia Especial de Instituições Financeiras do Rio de Janeiro/RI lavrou auto de infração com exigibilidade suspensa em desfavoi do contribuinte supra identificado (11s. 150 a 156), relativo t) Contribuição para O Programa de Integração Social (PIS), em face da constatação de ausên.cia de declaração dos créditos tributários dos meses de outubro, novembro e dezembro de 2000, em relação aos quais pendia ação judicial em que, em sentença de primeiro grau, obteve-se decisão favorável à suspensão da exigibilidade da contribuição devida a partir de novembro de 1999. Não se conformando, o contribuinte apresentou Impugnação (fls. 162 a 186) e requereu a anulação do auto de infração, alegando, em síntese, o seguinte: a) a contribuição exigida no auto de inflação se refere a atos cooperativos, que não se confundem com receitas, mas se referem a despesas atribuídas aos cooperados, nos termos da Lei n" 5..764/ .1971, abrangendo todo o complexo de atividades exercidas pela sociedade no cumprimento de suas finalidades; b) as sociedades cooperativas exercem atividades econômicas de proveito comum dos sócios, sein fins lucrativos, sendo que as chamadas coopeiativas de crédito têm como objetivo especifico organizar, orientar e fiscalizar os serviços administrativos, financeiros, econômicos e crediticios em beneficio de seus filiados; e) nas sociedades empresárias de uma forma geral, os sócios atuam em nome da pessoa jurídica, enquanto que nas sociedades cooperativas, por se configurarem em sociedades de representação, a sua atuação se dá coletivamente em nome dos cooperados; d) a .sociedade não possui receita, eis que arrec..ada em nome dos sócios e lhes destina o produto dessa arrecadação, depois de lhes deduzi,' a 12arcda da participação de cada um nas despesas da .sociedade (ti. 172); e) a atividade da impugnante é puramente instrumental e limita-se à prática de atos coopertitivos, operando exclusivamente com seus associados, a quem são transferidos os resultados positivos decorrentes de sua atuação; 1) as cooperativas devem contribuir para a seguridade social somente em relação aos atos não cooperativos, unia vez que os atos cooperativos se referem a urna base de cálculo não pertencente à sociedade, mas a seus sócios; g) o texto do art 60 , inciso 1, da Lei Complementar a' 70/991, que estipulou a isenção das cooperativas, é inócuo, pois não se truta de isenção, em lace da inexistência de resultados econômicos próprios, e que a sua revogação por meio da Medida Provisória a' 1..858/1999 deve ser entendida como unia correção dessa impropriedade legislativa. A DM Rio de Janeiro II/RI julgou o lançamento procedente (fls. 207 a 217), decidindo pela aplicabilidade da legislação concernente à contribuição paia o PIS às Plocesso o" 10768 017,392/2001-15 S3-TE.03 Acórdão 0. 3803-00,426 1'1 262 cooperativas de crédito, independentemente da natultZa. dos atos praticados, Se cooperativos 01.1 não, em decorrência de sua equiparação às instituições fim-meei' as. Considerou a autoridade,.jul gadora a quo que a própria Constituição federal, em seu art. 192, define que lei complementar regulará o sistema financeiro nacional, abrangendo, -inclusive, o funciona-mento e a estruturação das cooperativas de crédilo, às quais deveria ser dispensado o mesmo tratamento dado às instituições financ.ei tas. Ainda segundo o relator, outra não é a conclusão que se extrai do contido na n" 4.595/1964, que criou o Conselho Monetário Nacional, que em seu art. 7' prevê o funcionamento de comissão consultiva própria das cooperativas que opetain em crédito, e nos artigos 17 e 18 a equiparação das cooperativas de crédito às instituições financeiras Na mesma esteira, ressaltou-se que o art. 40 daquela lei restringe a concessão de empréstimos pelas cooperativas de ciédito apenas aos sócios cooperados com mais de 30 dias de inscrição. Quanto à obrigação das cooperativas de crédito em contribuir para o P18, a autoridade j-ulgadora registrou que a Lei Complementar n° 7/1970, art. 3', § .20 , definiu participação específica das instituições financeiras no Programa de Integração Social (P18), tendo o art. 72 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (A .DC1) caminhado tio mesmo sentido relativamente ao f undo Social de l''..mergência. Referido art. 72 do ADCT laz referência ao art. 22, § I, da Lei n" 8.21.2/1991, em que SC define que as cooperativas de crédito são consideradas instituições financeiras para fins de tr i b ri fação . Após proc,eder a um levantamento histórico da legislação aplicável ao P15 em relação aos resultad()s das cooperativas de crédito - Lei n" 9.701/1998, Lei n" 9.718/1998 e Medida Provisória n" 1..807/1999 —, concluiu o relator a quo que (.....) a ,sociedade cooperativa de crédito, na condição de instituição financeira, é contribuinte da contribuição para o PIS (d. 216), em razão do que considerou prejudicadas as demais questões de máito suscitadas pelo contribuinte quanto à não tributação dos atos cooperativos. Por fim, salientou que (i) a isenção de que trata o art. 60 da. Lei Complementar 70/1991 citado pelo Impugnar te se aplicaria apenas à Cotins, não alcançando a contribuição para o PIS, (ii) que à autoridade administrativa ser-ia defeso apreciar alegações de inconstitucionalidade e que, (iii) em consulta ao sítio do Tribunal Regional -f ederal da 4" Região, constatou-se o trânsito em julgado da ação impetrada pelo contribuinte, aleitando-se a Repartição de origem sobre esse fato. Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho (fls. 224 a 257), requer o reconheci incuto da não incidência do PIS sobre os atos cooperativos, junta cópias de acórdãos do Tribunal, colaciona ementas de decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e afirma que laipe-sw- de as cooperativas de créditos estarem inseridas no artigo 792 da CE„ cm função da atividade que exe;- cem, a sua ti ibutação deve se dar em cirna de receitas pi óprias, se houve, cai (si,ü), o que não é o caso dos autos (11. 229). É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis, Relator O recurso é tempestivo, preenche as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Trata-se de contrariedade ao -lançamento de oficio da contribuição para o PLS, com exigibilidade suspensa, decorrente da constatação de ausência de declaração dos créditos tributários dos meses de outubro, novembro e dezembro de 2000, eia relação aos quais pendia ação judicial em que, em sentença de primeiro grau, obteve-se decisão favorável à suspensão da exigibilidade da contribuição devida a partir- de novembro de 1999. De plano, registre-se que, não obstante a afirmação da relatora do acórdão de piso de que a ação judicial teria transitado em julgado em 21/09/2001 (11.217), a consulta processual ao sino do -Tribunal Regional Federal da 4" Região presente às fls. 205 a 206 se refere ao recurso de agravo de if 70360, não abarcando, portanto, todo o processo instaurado, conforme bem demonstram as cópias de acórdãos do mesmo tribunal exarados em 2006 trazidos aos autos pelo Recoirente. Saliente-se que não constam dos autos a comprovação inequívoca do trânsito em julgado da ação .judicial que acarretara a suspensão da exigibilidade do lançamento de oficio. 1. Cooperativas de crédito. Regime jurídico. As sociedades cooperativas receberalIl. tratamento especifico pela Constituição Federal de 1988, que, em seu art 146, Hl, "c", definiu que lei complementar disciplinaria o adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas .5 ociedades cooper.atiyas. A Lei n' 5.764/71, que "define a Politica Nacional de Cooperativismo" e "institui o regime jurídico das sociedades cooperativas", ibi recepcionado em parte, com status de lei complementar, pela Constituição Federal de 1988, naquilo em que com esta era C011.diZelltC En. outros dispositivos, a (.1oristituição Federal versou sobre o assunto, ia vei bis: Art. 5" ( - a cliaçiio de associaç'ões e, na liu. ina da lei, a de cooperativas independem de autorização, sendo vedada a inter)Wricia e.slatal em seu funcionamento. ) 411. 174. Como agente normativo regulador da atividade ec-omnnica, o Estado exercerá, na fOirna da lei, as funçirc ['roces%) n' 1076S 013302/2001 45 S3- I . F.03 Acórfflo n " 3803-00.426 Fl. 263 fiscalização, incentivo e planejamento, _s'cndo este determinante pata o setor público ,2 indicativo pata o setor piivado ( 2" - A lei apoiará e (..srintulará o cooperativismo e ma! as fortnas de (.1.S.,ociativiwn0 O Estado filvon:.'cé.lé a oilgailLaÇao da atividade garimpeira CM cooperativas, ievand0 eni conta a proteção do meio ambiente e a pionioção econômico-social dos grtrimpeiros 4"- As cooperativas a que .se clire o parágrafo anterior lerão prioridade na antoriZação eonees.são pa.ra pesquisa e lavra dos recursos e ja:idas minei ais garimpaw .?is, nas áreas onde estejam aluando, e naquelas fixadas de acordo com o ar! 21, .VAT, na forma da lei (gri rei) Contbrine registrou o parecerista João IRni Júnior' acerca da natureza .juridica das sociedades cooperativas em geral., estas são criadas para a prestação de ,serviços aos scus associados, sendo estas ua caracierl,stica básica. ia Pontes de .Alitanda2 doutrinava que "a _sociedade cooperativa é sociedade em que a pessoa do ,s-ócio passa à /rente do elemento econômico e as- conseqüências da pe_.s.soalidadê,' da participação são profundas, a ponto de torna-la espécie.'. de -sociedade (. Sua firmação parte do princípio que é mais vantajoso, a pessoas com 0 mesmo interesse comum, as•.s-ociarem--se e cooperarem mutuamente I/O COnseettÇãO deS ses 00C/iV0.5 Em relação especificamente às cooperativas de ei édito, a Constituição Federal dedicou-lhes tratamento difcTenciado, conforme se depreende dos dispositivos a seguir transcritos: Art. .14.)—(-)..s-i,srsit ria :1-i-ium-c-eiro nacional, esíniturado-de fiewma aos interesses-da- c.,oletividade; • será . re-,,,ulado em lei (..omplementar- qu( dispolt-c4u~ttbr,e,- (...) lATI-- o funcionamento das cooperativas--de—crédito e os requisitos paia que lY • - . • ' kfti-e-e estrmuração-pré/ylos-das institirk.,„,õe,sjinaneeira.s. (.) t 192 O sistema financeiro nacional, estruturado de forma a promover o ries envo/virnertio equilibrado do País e a servir aos inte.resss da eoletividade, em todas as parles que o compõem, abrangendo as cooperativas de crédito, será regulado por leis complementares que disporão, inclusive, .sol» e a participação do SOCIEDADE.S COOPERAI I VÁS - 1tI1GIME. I I) IdDICO E ASPR1 OS IMBUI ÁRIOS (Publicado na Revista de l/sludcrs 1 Libuiátios no 4, p.5) Inaneiseo Cavalcanie Pontes de Miranda in - I raiado de Direito Piivado, ed "R ío de Janeiro, Horsoi, -fomo XLIX, § 5 247, p 429 capital csnaiweiro nas instituições que o iniegiam (Redação dada pela »anemia. Constitucional n" 40, de 200,31- Grifei Verilica•se que as cooperativas de credito iroram inseridas pelo Poder Constituinte na estrutura do sistema financeiro nacional, sendo equiparadas às instituições financeiras, cujo fineionamento depende de autorização prévia do Banco Central do Brasil, a quem cabe a fiscalização de suas atividades, nos termos dos artigos 17 e 1.8 da Lei n' 2.595/1964, que assim dispõem: Ai 17 Consideram-se instituições . financeiras, para os efeitos da Ic'gislação as pessoas nu idicas publicas ou pilvadas, que tenham como atividade principal ou f/Ce.S.Vinio. a coleta, intermediação nu aplicação de recurso.s financeiros próprios mi de terceiros, em mocila nacional on estiangeira, e (i CU,SiÓdia de valor rie propriedade de terceiro S ParcigrUlit Unte°. Para o.s desta lei c da legislação em vigor-, equipai am-se às inslituiçõe.s ,financeiras as pC5.50aNJfsicas que exerçam qualquer das atividades refe'ridas neste ai taro, de forma permanente ou eventual. Ari. 18 As instituições financeiras somente poderão funcionar no Pais mediante prévia autorização do Banw Central da .kcpública rio Brasil Ou decreto do Poder h.vecutivo, quando /Orem estrangeiras. 1" Além do.s estabelecimento.s brim:alias oficiais ou privados, das sociedades de crédito, financiamento e investiniento.s, das caixas econdmicas e das cooperativas de crédito on O .seção crédito dris cooperativas que a tenham, lambem se subordinam às disposições e disciplina desta lei no que for aplicável, as bolsas de vatOfe.S . , companhias de .5 (.?,5.:i1/-01 e (11:' Capi1aliZ1/ç40, Weledad(N que cji-litain distribuição de mêmios co) imóveis, 177(.7'eaciOt - taS 0u dinheiro, mediante .sorteio de tindos de sua emissão ou por qualquer jCiriria, e Os pessori.s físicas OU Ittridtects. que eyetçwn, por conta própria OU de terecii os, atividade elacionada com a compra e venda de (1.(:!ÕCS e outros quaisquer títulos, realizando nos. mercados financeiros e de capitais operações ou se/ viços de nattil'eza (MS eX(.:'(.71/adO pdU.S instituições. financeiras Nesse contexto, tem-se que a abordagem da natureza jurídica das cooperativas de crédito passa inexoravelmente pelo regime próprio das instituições financeiras, Se a Constituição Federal, de um lado, tratou das cooperativas de forma abrangente, por outro, no capítulo do Sistema Financeiro Nacional, definiu o disciplinamento aplicável às cooperativas de crédito de forma especifica e apartada, O que a Constituição diferenciou não pode ser objeto do arbítrio do legislador infraconstitucional, cuja atividade, também disciplinada pela Constituição Federal, deve se circunscrever nos limites definidos pelo constituinte A Constituição de um país deve ser compreendida como marco limdador de um ordenamento sistemático e unitário", cuja permanência e elicá.eia não podem se apartar da 1 BARACI 10, José Alfredo de Oliveita. Direito processual constitucional: aspectos contemporâneos Belo Horizonte: Fórum, 2008, p. 528. ocess()Ii" 10765 017>392/2001-1S 53-1 E03 Acci-cUioi 3803-00,426 F I 261 coerência e nem fugir das decisões constitucionais subjacentes ao sistema como um todo. Ela é o alicerce e o fundamento de validade de iodo o ordenamento jurídico.. Fm um Estado Democrático de Direito, a primazia da normatividade da Constituição é patente; é ela que dá unidade de sentido ao sistema jurídico, irradiando seus plincípios e valores num conjunto que se pretenda coerente, significativo e consistente4, A Constituição é formada de verdadeiras normas jurídicas con formadoras de fatos e situações da vida, não podendo mais ser concebida como um mero rol de boas intenções Seus comandos, não havendo disposição em contrario, são de aplicação imediata, sendo normas preceptivas - contém preceitos — e auto-exequíveis'>. As normas constitucionais contêm pressupostos realizáveis, (lotados de eficácia, que asseguram sua f:(:)rça normativa, orientando as condutas segundo a ordem nela estabelecida, ou seja, de acordo com a vontade da Constituição''. A normatividade Constituição submete-se à realidade .fática, pois a norma. nela inserida não tem existência. autônoma em face dos fatos da vida 7 ; seus pressupostos guardam estreita. correlação com as situações reguladas, num movimento de simbiose e de retroalimentação entre a realidade cambiante e a interpretação evolutiva, [A] Constituição é vida que se renova a cada instante 00 axis da sociedade e do Ela/o, na inferiu-et:ação aplicadora que fazem, reforçando os direitos' Se a (-lonstitut iça° delimita suas normas princípios e regras --, distinguindo- as de acordo com as situações regidas, o faz tendo como foco os fins econômicos Ou sociais a que aspira na busca por unia sociedade mais .justa e legítima. Objetiva-se a promoção da ordem, da estabilidade e da unidade por meio de estruturas norrnativas condizentes com a real idade`). Se as cooperativas de crédito foram inseridas na Ordem Econômica e Financeira, isso se deu cru razão de sua natureza jurídica encontrar-se amalgamada pelo valores aí preservados, e deve ser a partir desse núcleo axiol.ógico que se deve interpretar a sua natureza e vislumbrar o regime .juridico aplicável a essas sociedades.. Se a Cionstituição V odorai as equiparou às instituições financeiras, será nessa condição que elas deverão ser encaradas; e a partir daí, identificar a legislação de regência que, no presente caso, determinará ou não a tributação relativa à contribuição para o PIS. II. A contribuição para o PIS devida pelas cooperativas de crédito. Assim como féz a Constituição Federal, a legislação infraconstitucional também discriminou as cooperativas em geral das cooperativas de crédito, .A Lei n" 5.764/1971, que definiu a Política Nacional de Cooperativismo e instituiu o regime _jurídico das sociedades cooperativas, distinguiu as cooperativas (Te crédito MIRANDA, lorge l'eolia do Estado e da e'onstiluição 2 ed. Rio de .1aneiro: Forense, 2009, pp 244,27, 297 idem, p .31g. 6 HESSF, Konnid A força normai iv;:i da eonsi MIO() Podo Alegre: Sérgio Antônio 1-'..thris Editor, 1991, p 5. 7 idem, pp 9 a 14 SAMPAR..), José Adércio Leite Crises e desatios da constituição. Belo Horizonte.: Del Rey, 2004, inlrodução. 9 idem, p 17 7 em. relação às demais eia diferentes momentos do seu texto, corno ocorreu nos artigos 78, 92, inciso 1, 97, paratn .afb único e 103, merecendo destaque os dois últimos que assim dispõem: Ai 1. 97. r‘lo (.'onselho Nacional de (.:ooperativismo compete - 1 - editar atos normativos para a atividade cooperativista nacional,. II - baixar normas regulamentadows, complementares e interpreialivas, da legislação cooperativista, ) Parágrafo único As atribuicóes do Conselho Nacional de Cooperativismo Mio .se estendem às t..woperativas de habitação, às de c.Tédito e às seções de crédito das cooperativas agrícolas mistas, no que forem regidas por legislação piópria Ari 103 As cooperativas permanecerão subordinadas. na pai te normativa, ao Conselho Nacional de Cooperativismo, com exceção das de crédito, das seções de c:rédito das agrícolas mistos e das de habitação, cuias normas continuarão a ser baixadas pulo Conselho Monetário Nacional, relativanuane às chias primeiras, e Banco Nacional de Habitação, coiii relação à última, observado o disposto no artigo 92 desta Lei (grifei) () legulamento da Contribuição para o PfS/Pasep e da Coniís devidas pelas pessoas jurídicas cru geral, aprovado pelo Decreto n" 4..524, de 17 de dezembro de 2002, aparta de forma expressa a tributação das cooperativas de crédito, equiparando-as — como não poderia deixar de ser em face do comando expresso da Constituição Federal -- às instituições financeiras, in verbis: A rt. 26. Os bancos comerciais, bancos de investimento, bancos de de..senvolvimento„ caixas eco admiras, .sociedades de crédito, .finánciamento e investimento. .sociedades de crédito imobiliário, .sociedades corretoras, distribuidor (IS- de titulo S. e valores 1110bi i0S, ('111/11 ('5(15 de arrendamento meicantil, cooperativos de crédito e as. socirayie.s de poupança e empr.sturio, para (feito da apuração da base de cálculo das contribuições, podem deduzir da receita bruta o valor- (Lei n" 9.701, de 17 de novembro de 1998. art. 1" , inciso 111, e Lei n" .9 718, de 1998, art 3", ,0 4"e 5" e inciso I do 6", com a redação da Medida Provisória n" 2 158-35, de 2001, art 2") • .Art. .59. A ai/quota do PIN/Pas-cp não-cumulativo incidente .5-ohi-e a receita aufirida pelas pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do imposto de renda, tributadas com base no lucro real, será de 1,65% (ruo inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento), a partir de 1" de dezembro de 2002 (Lei n" 9.715, de 1998, art. 2" , inciso 1, e Medida Provisória n" 66, de 2002, ar ts 2" e 8") ParcU2sraló único. O dispo.sto no capul não se aplica 1 - a cooperativas, • 8 rrocess:o n" 10168 (II 3302/2001-4 53-1 LO3 Acólao n 3803-00426 ii 265 _ /1 ha us. comeN.3a7.5, hanc.:05 banC0-5 de dewnvolvimento, caixas cúonómic:E.s. , Y)( I(fÜ/c deçtédito, financiamento c investimento, sociL-Wade eredito imobiliat to, :ledatte. coTreloraN, distfibuidoras de títulos c vatofcs 11-1.0h1JOS mp1ects. de afrendamento met cantil, cooperativos de crédito., empresi“ w,_,;(fras- [)rivados. c de capitalização, agentés aniónorno de se,),'n.ros- privados e de crédito, entidades de previriència COUwlementar abeffits e . /ecluídas. e assoeiaçães de poupança e empréstimo: Nos termos do art. 26 supra, a apuração da base de cálculo das contribuições Cotins e para o PIS das cooperativas de credito coincide com aquela própria das instituições financeiras, devendo se dar dessa mesma tOrma. a apuração dos tributos devidos. Já o art. 59 evidencia que a legislação mantém-se coerente, discriminando as cooperativas de crédito em relação às demais, mesmo quando se refere a dispositivos a elas irão aplicáveis. Dessa forma, como bem agiu a Fiscalização, ao proceder ao lançamento de ofício com exigibilidade suspensa da contribuição para o PIS, cujo mérito encontra-se em. discussão na esfera judicial, tendo por limdamento legal os mesmos dispositivos aplicáveis às instituições financeiras e não aqu.eles destinados às cooperativas em geral. Corno o auto de infração se Lefere a fatos geradores ocorridos =nos meses de outubro a dezembro de 2000, naquele momento, para fins de cálculo da contribuição para o PIS devido pelas instituições financeiras, vigia a I,ei n" 9.718/1998, com redação dada pela Medida .Provisoria. n" 14158-9, de 24 de sete ,,,, . bro de 1999, bem como no art. 3', §§ 2" e 3' da Lei Complementar n" 7/1970. Registre-se que a controvérsia judicial acerca do alargamento do conceito de Iáturamento operado pelo art.. :, § 1", da Lei n' 9..718/1998 não alcança o presente caso, pois que, como demonstram as plandhas que =bastiram o lançamento (fls.. 31 a 147), as bases de cálculo foram apuradas tendo por base apenas as receitas operacionais da cooperativa de ei édito. Porlanto, não -há o que reparar no lançamento de oficio operado em. confim-ri-idade com o sistema jurídico pátrio.. Coftelusão Nesse contexto, voto por "NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, uma vez que o auto de infração refei ente à contribuição para o PiS fora elaborado para fins de prevenção da decadência, com exigibilidade suspensa. em face d.e ação . judicial em tramitação, tendo como fundamento legal as normas que regem a tributação das cooperativas de crédito, equiparadas constitucional e infraconstitucionalmente às instituições financeiras. çlà\2„, como voto.. Hélcio Laferá Reis 9
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Numero do processo: 13501.000476/2007-26
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2004
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA Nº 63 DO CARF.
Conforme se denota do teor da súmula vinculante nº 63, havendo laudo médico pericial, elaborado por peritos oficiais, reconhecendo a moléstia grave a decorrendo o provento de pensão ou aposentadoria, faz jus o contribuinte à isenção do Imposto sobre a Renda.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-002.440
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: SANDRO MACHADO DOS REIS
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MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA Nº 63 DO CARF. Conforme se denota do teor da súmula vinculante nº 63, havendo laudo médico pericial, elaborado por peritos oficiais, reconhecendo a moléstia grave a decorrendo o provento de pensão ou aposentadoria, faz jus o contribuinte à isenção do Imposto sobre a Renda. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Sandro Machado dos Reis – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães (Presidente), Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre, Walter Reinaldo Falcão Lima e Sandro Machado dos Reis. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHA Processo nº 13501.000476/200726 Acórdão n.º 2801002.440 S2TE01 Fl. 78 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: “O interessado contesta auto de infração do imposto de renda lavrado rendimentos omitidos em sua declaração do exercício 2005. Argumenta, em síntese, que tem direito à isenção dos seus rendimentos de aposentadoria, pois seria portador em 2004 de moléstia prevista em lei. Anexa laudo emitido pelo Hospital Regional Dantas Bião em 05/11/2007 e diversos exames para comprovar o alegado (fls. 01/09).” Ao analisar o pedido do contribuinte, a DRJ decidiu conforme a ementa abaixo: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO MÉDICO OFICIAL. DESCARACTERIZAÇÃO. Não se caracteriza como laudo pericial oficial o documento emitido por hospital, ainda que integrante da rede pública, quando a informação não houver sido prestada em caráter oficial. Lançamento Procedente” Irresignado, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário, reiterando os argumentos de sua impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Sandro Machado dos Reis, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, razão pela qual merece ser conhecido. Como relatado, tratase de auto de infração do imposto de renda lavrado rendimentos omitidos em sua declaração do exercício 2005. O contribuinte alega que seria isento da tributação por moléstia grave. Em relação à matéria, cumpre destacar a legislação que trata do assunto, de acordo os requisitos do art. 6° da Lei 7.713/88, com a redação dada pelo art. 47 da Lei n° 8.541/92, in verbis: "Art. 47 No art. 6° da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, dêse ao inciso XIV nova redação e acrescentese um novo inciso de número XXL tudo nos seguintes termos: Fl. 78DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHA Processo nº 13501.000476/200726 Acórdão n.º 2801002.440 S2TE01 Fl. 79 3 Art. 6° Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço, e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma;) (...) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão." A partir do anocalendário de 1996, devese aplicar, para o reconhecimento de isenções, as disposições sobre o assunto trazidas pela Lei n° 9.250/95. Vejase: O artigo 30 da Lei n° 9.250, de 26 de dezembro de 1995 dispõe: "Art. 30 A partir de 1 0 de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e JOU do art. 6° da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei n°8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios." A decisão ora recorrida negou provimento à impugnação, baseada nos seguintes argumentos: “De acordo com a Lei 9.250/1995, art. 30 e § 1°, para o beneficio da isenção para os portadores de moléstias graves é necessário que a condição seja comprovada através de laudo pericial emitido por órgão oficial dos municípios, estados ou da União. O laudo apresentado pelo impugnante foi emitido pelo Hospital Regional Dantas Bião, em Alagoinhas (BA). Apesar de integrar a rede pública de saúde do Governo do Estado da Bahia, esta entidade não tem a natureza de um órgão público, com a competência para emissão de laudos oficiais, especialmente quando se trata de hospital administrado por pessoa jurídica de direito privado, neste caso a Monte Tabor, Centro haloBrasileiro de Promoção Sanitária. Cumpre observar ainda que o laudo apresentado não fixa expressamente a data em que se deve considerar diagnosticada a moléstia, nem indica se a mesma foi debelada após a intervenção que menciona. Tecemse comentários técnicos sob a matéria, porém de forma inconclusiva, não se cumprindo o requerido nos parágrafos 40 e 5° do artigo 39 do Decreto n° 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda)” Fl. 79DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHA Processo nº 13501.000476/200726 Acórdão n.º 2801002.440 S2TE01 Fl. 80 4 Ocorre que, posteriormente, o contribuinte juntou Laudo Pericial emitido pelo Perito Médico da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia. (fl. 65). Desta forma, foi suprida a questão levantada na decisão recorrida quanto ao caráter oficial do laudo pericial. Em relação aà data da contração da doença, o novo documento informa expressamente que o contribuinte é portador da moléstia grave desde 08/1999. Acerca da matéria, mister se salientar que o CARF, recentemente, editou a súmula nº 63, que dispõe: “Súmula nº 63 – “Para gozo de isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada pro laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios” Tendo em vista que, no caso concreto, foram preenchidos os requisitos colacionados acima, deve ser reconhecida a isenção do Recorrente. Isto posto, dou provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Sandro Machado dos Reis Fl. 80DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHA
score : 1.0
Numero do processo: 10218.720352/2007-78
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO.
Não se conhece de recurso voluntário apresentado após o prazo de trinta dias, contados da ciência da decisão de primeira instância.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2801-002.552
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: TÂNIA MARA PASCHOALIN
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RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece de recurso voluntário apresentado após o prazo de trinta dias, contados da ciência da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Sandro Machado dos Reis, Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre, Walter Reinaldo Falcão Lima e Eivanice Canário da Silva. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Claudio Farina Ventrilho. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJBSB/DF. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A Processo nº 10218.720352/200778 Acórdão n.º 280102.552 S2TE01 Fl. 67 2 Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “Da Autuação Contra a contribuinte interessada foi lavrado, em 15/10/2007, a Notificação de Lançamento nº 02103/00318/2007 (às fls. 01/05), pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário no montante de R$ 35.628,30, a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, do exercício de 2005, acrescido de multa de ofício (75,0%) e juros legais, tendo como objeto o imóvel rural denominado “Fazenda Terra Roxa”, cadastrado na RFB, sob o nº 4.475.9363, com área declarada de 4.356,0 ha, localizado no Município de São Félix do Xingu/PA. A ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão das DITR/2005 incidentes em malha valor, iniciouse com a intimação de fls. 08/09 exigindose a apresentação de Laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecida na NBR 14.653 da ABNT, com fundamentação e grau de precisão II, com ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) registrado no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados.A falta de apresentação do laudo de avaliação ensejará o arbitramento do valor da terra nua, com base nas informações do SIPT da RFB. Em resposta, foram apresentados os documentos/extratos de fls. 17/23. No procedimento de análise e verificação da documentação apresentada pelo Contribuinte, e das informações constantes das DITR/2005, decidiuse pela alteração do VTN de R$ 27.500,00 para R$ 435.600,00, com base no valor de R$ 100,00/ha indicado no SIPT (terras de florestas), exercício de 2005, para o município de localização do imóvel, com conseqüente aumento do VTN tributável, disto resultando imposto suplementar de R$ 17.548,30, conforme demonstrado às fls.04. A descrição dos fatos e os enquadramentos legais da infração, da multa de ofício e dos juros de mora, encontramse descritos às folhas 03 e 05. Da Impugnação Cientificada do lançamento em 17/10/2007 (fls. 06), a Impugnante protocolou em 05/11/2007 data da protocolização do processo 13854.000389/200779, às fls. 27 , a impugnação de fls. 28, lida nesta Sessão e instruída com os documentos de fls. 29/42. Em síntese, alegou e requereu o seguinte: • informa que as terras que originaram tal lançamento encontramse com bloqueio judicial provisório da matrícula do imóvel, datado de 16 de março de 2001, até decisão final da ação de tramitação, de acordo com o oficio nº 022/01 – CJSFX expedido pelo Exmo. Sr. Juiz de Direito da 12ª Vara Penal da Fl. 67DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A Processo nº 10218.720352/200778 Acórdão n.º 280102.552 S2TE01 Fl. 68 3 Capital, respondendo pela Comarca de São Félix do Xingu – Estado do Pará, Dr. José Torquato Araújo de Alencar, extraída pela Exma. Desa. Osmarina Onadir Sampaio Nery – Corregedora Geral da Justiça do Estado do Pará, em exercício; • as matriculas não possuem qualquer valor comercial, ou extrativista, uma vez que não podemos se quer tomar posse ou trabalhar com as mesmas.” A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 49/54, que restou assim ementado: DO SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. Não comprovada a perda da propriedade do imóvel, por Ação de Nulidade e Cancelamento de Registro, em período anterior à ocorrência do fato gerador do ITR/2005 (1º.01.2005), deve ser mantida a contribuinte no pólo passivo da relação jurídico tributária. DO REGISTRO IMOBILIÁRIO. Enquanto não cancelado, o registro imobiliário continua produzindo todos os seus efeitos, nos termos da Lei de Registros Públicos. Regularmente cientificada daquele Acórdão em 17/05/2011 (fl. 57), a interessada interpôs o recurso de fls. 58/61, em 20/06/2011. Em sua defesa, alega que, em 05/10/2010, o Cartório de Registro de Imóveis da Comarca de São Felix do Xingu, Estado do Pará, em cumprimento ao que fora determinado pelo Exmo. Juiz Corregedor Nacional de Justiça efetivou o cancelamento da matricula nº 1681, conforme sentença extraída dos autos de Pedido de Providencias nº 000194367.2009.02.000.0000, devidamente averbada junto à matrícula, conforme documento em anexo. Aduz, assim, que não havendo o domínio, eis que a Escritura/Registro foi cancelada, a multa, objeto do presente recurso, perde seu efeito de causa, inclusive retroagindo a época do bloqueio e posterior cancelamento da matrícula. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. Inicialmente, cabe examinar a tempestividade do recurso interposto. O Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, assim estabelece: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A Processo nº 10218.720352/200778 Acórdão n.º 280102.552 S2TE01 Fl. 69 4 (...) Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. No caso, a ciência da decisão de primeira instância, consoante AR de fl. 57, se deu em 17/05/2011, portanto, a contribuinte poderia apresentar o recurso até 16/06/2011. Entretanto, somente o fez em 20/06/2011, conforme se comprova pelo carimbo aposto no documento de fls. 58/61. Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso, por intempestivo. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 69DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/08/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A
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Numero do processo: 13881.000062/2009-31
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2006
IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA.
A instauração do litígio administrativo sob o amparo do Decreto 70.235 de 1972 é condicionada à impugnação tempestiva do lançamento.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2801-002.575
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: TÂNIA MARA PASCHOALIN
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A instauração do litígio administrativo sob o amparo do Decreto 70.235 de 1972 é condicionada à impugnação tempestiva do lançamento. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Sandro Machado dos Reis, Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Eivanice Canário da Silva. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Claudio Farina Ventrilho. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ/SP2/SP. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/08/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A Processo nº 13881.000062/200931 Acórdão n.º 2801002.575 S2TE01 Fl. 54 2 Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “Contra o contribuinte em epígrafe foi emitida a Notificação de Lançamento de fls. 07/09, que exige crédito tributário referente ao anocalendário de 2005, no montante de R$ 3.407,42, sendo R$ 1.637,24, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, R$ 1.227,93, de multa de ofício, e R$ 542,25, de juros de mora, calculados até 30/01/2009. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 08), o procedimento resultou na apuração da seguinte infração: Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vínculo e/ou sem Vínculo Empregatício. Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse a omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício, no valor de R$ 69.071,52, recebidos do Ministério da Justiça, CNPJ n° 00.394.494/011251. Cientificado da autuação em 09/01/2009 (fls. 15 e 32), o interessado apresentou, em 12/02/2009, a impugnação de fls. 01/06, trazendo, em síntese, as seguintes alegações: 1. o requerente se ativa como funcionário público federal no Departamento de Polícia Rodoviária Federal, recebendo seus vencimentos já com as deduções na fonte do Imposto de renda, deduções estas calculadas sobre a somatória das verbas contidas em sue demonstrativo de pagamentos; 2. com o advento da Lei n° 8.852, de 04 de fevereiro de 1994, ficou disciplinado que não entrariam no cômputo da remuneração parcelas tidas como indenizatórias (art. 1º , inciso III, alínea "r"); 3. no caso em tela, o servidor possui as seguintes parcelas indenizatórias: Gratificação por Atividade Executiva, Gratificação de Atividade de Polícia Rodoviária Federal, Gratificação por Desgaste Físico e Mental, Gratificação de Atividade de Risco, Gratificação de Operações Especiais e Adicional por Tempo de Serviço; 4. não há fato gerador a justificar a incidência de imposto de renda sobre parcelas pagas a título de indenizações especiais com a finalidade única de minorar os efeitos das condições de trabalho a que estavam sujeitos tais obreiros, posto que pagas para compensar danos, inclusive aos já aposentados; 5. tais parcelas estariam isentas de tributação por não se caracterizarem, ao teor da lei, como remuneração, o que, de per si, já está a justificar a Declaração Retificadora, não havendo porque se falar em omissão de rendimentos, posto que estes Fl. 54DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/08/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A Processo nº 13881.000062/200931 Acórdão n.º 2801002.575 S2TE01 Fl. 55 3 estão revestidos de caráter indenizatório, uma vez que não são produto do trabalho; 6. desse modo, o requerente teve sua base de cálculo de Imposto de Renda Pessoa Física, para efeito de retenção na fonte, alterada, o que lhe causou uma cobrança de imposto maior do que a efetivamente devida e, por conseguinte, uma restituição, menor da que deveria acontecer; 7. traz à colação jurisprudência sobre o assunto; 8. em face do princípio da igualdade expresso no art. 5º da Constituição Federal, requer o mesmo tratamento dado aos parlamentares com relação a suas verbas indenizatórias, as quais, como sobejamente sabido, encontramse absolutamente isentas de tributação por se tratar de valores necessários ao desempenho de sua atividade parlamentar; 9. requer o cancelamento da Notificação de Lançamento por ser medida de imperiosa Justiça pelo todo demonstrado, ex vi da Súmula 473 do Supremo Tribunal Federal, segundo a qual a Administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais. Consoante o despacho de fls. 14, a Agência da Receita Federal em Cruzeiro/SP considerou intempestiva a impugnação apresentada, remetendo o processo à SAFIS/DRF Taubaté/SP para que fosse verificada a possibilidade de revisão de ofício. Efetuada a revisão de ofício, conforme o despacho de fls. 17/19, foi mantido integralmente o lançamento. Em 26/05/2009, o interessado teve ciência do supracitado despacho consoante a Comunicação n° 97/2009 (fls. 22verso e anverso), protocolando, em 23/06/2009, o arrazoado de fls. 23/25, com as seguintes alegações: 1. "ao serem analisadas por este órgão regional teve negado tal reconhecimento, sendo certo que, tempestivamente, apresentou para a Retificação de Lançamento de número 2006/608450719534060 (13881000062/200931) Impugnação junto a Delegacia da Receita Federal de Julgamento."; 2. imperioso ressaltar que ainda não foi julgada e que ainda não se esgotaram as instâncias recursais administrativas; 3. "esta unidade fazendária, em pareceres anteriores, reconheceu que tais verbas não fazem parte da remuneração destes servidores. Citamos in verbis: "a Lei 8.852/94 não isenta rendimentos, apenas exclui alguns rendimentos da composição da remuneração". Se exclui, os mesmos se tomam não tributáveis, por não se tratarem de contraprestação pelos serviços prestados. "; 4. "assim, se o parecer exarado nesta oportunidade fala e grifa o termo remuneração, não está se referindo a estas parcelas já exaustivamente reconhecidas como indenizatórias pelas próprias Fl. 55DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/08/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A Processo nº 13881.000062/200931 Acórdão n.º 2801002.575 S2TE01 Fl. 56 4 argumentações anteriores exaradas deste posto da Receita Federal."; 5. "a correspondência encontrase eivada de vícios posto que, se descaracterizadas as causas que deram origem as declarações retificadoras, as mesmas serão anuladas e deste modo prevaleceria o status quo anterior. Insta esclarecer que os impostos apurados quando das declarações originárias foram correta e integralmente pagos. "; 6. "concluise que, a determinação contida na correspondência em epígrafe revestese de flagrante ilegalidade, posto que não esgotadas as possibilidades de defesa dos interesses do requerente e por não existirem quaisquer débitos deste junto a SRF. "; 7. isto posto, requerse de Vossa Senhoria a imediata anulação e o competente cancelamento da Comunicação em epígrafe, por ser medida de imperiosa Justiça pelo todo demonstrado, ex vi da Súmula 473 do Supremo Tribunal Federal, segundo a qual a Administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais. Visando instruir o presente processo, foram juntados os documentos de fls. 32/33, extraídos dos sistemas de informação da RFB.” A impugnação não foi conhecida, conforme Acórdão de fls. 35/41, que restou assim ementado: IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. Considerase intempestiva a peça impugnatória ofertada após o decurso do prazo estabelecido na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Assim, a defesa apresentada não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do processo e nem comporta julgamento) de primeira instância quanto às alegações de mérito. Regularmente cientificado daquele acórdão em 28/05/2011 (AR, fl. 46), o interessado interpôs recurso voluntário de fls. 47/50, em 21/06/2011. Em sua defesa, repete os argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. Conforme relatado, a autoridade julgadora de 1ª instância confirmou a intempestividade da impugnação apresentada pelo contribuinte. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/08/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A Processo nº 13881.000062/200931 Acórdão n.º 2801002.575 S2TE01 Fl. 57 5 Em sede de recurso, o interessado limitase a defender que os rendimentos tidos como omitidos referemse a parcelas indenizatórias e isentas do impostos de renda, sem contudo apresentar qualquer justificativa que tivesse o condão de afastar a perda do prazo para impugnar. Assim, não tendo sido superada a intempestividade da interposição da peça impugnatória, falece competência tanto a DRJ quanto a este Conselho para apreciação do mérito, haja vista que o litígio administrativo não foi instaurado à luz do artigo 15 do Decreto nº. 70.235 de 1972. Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 57DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/08/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A
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Numero do processo: 10120.721464/2009-97
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR
Exercício: 2006
ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA DO ADA OU DE RECONHECIMENTO DA ÁREA POR ÓRGÃO AMBIENTAL ATÉ A DATA DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR.
A partir do exercício de 2001 é indispensável a protocolização do Ato Declaratório Ambiental ADA no Ibama no prazo de seis meses, contado a partir da data final da entrega da DITR, como condição para exclusão da área de reserva legal da base de cálculo do ITR. A dispensa dessa exigência somente pode ocorrer se a área de reserva legal tiver sido assim reconhecida pelos órgãos ambientais competentes, à época do fato gerador.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO AVERBAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. PRAZO.
Para fins de redução no cálculo do ITR, a área de reserva legal deve estar averbada no Registro de Imóveis competente até a data de ocorrência do fato gerador.
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO.
O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer.
DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS.
Com exceção das decisões judiciais transitadas em julgado, proferidas no rito do recurso repetitivo e da repercussão geral, as demais decisões administrativas e judiciais não vinculam os julgamentos deste Conselho, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-002.605
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o Valor da Terra Nua (VTN) declarado e o montante de 172,4 ha a título de Área de Reserva Legal, nos termos do voto do Relator. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Sandro Machado dos Reis e Carlos César Quadros Pierre.
Nome do relator: WALTER REINALDO FALCÃO LIMA
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EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA DO ADA OU DE RECONHECIMENTO DA ÁREA POR ÓRGÃO AMBIENTAL ATÉ A DATA DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. A partir do exercício de 2001 é indispensável a protocolização do Ato Declaratório Ambiental ADA no Ibama no prazo de seis meses, contado a partir da data final da entrega da DITR, como condição para exclusão da área de reserva legal da base de cálculo do ITR. A dispensa dessa exigência somente pode ocorrer se a área de reserva legal tiver sido assim reconhecida pelos órgãos ambientais competentes, à época do fato gerador. ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO AVERBAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. PRAZO. Para fins de redução no cálculo do ITR, a área de reserva legal deve estar averbada no Registro de Imóveis competente até a data de ocorrência do fato gerador. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 08/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10120.721464/200997 Acórdão n.º 2801002.605 S2TE01 Fl. 210 2 Com exceção das decisões judiciais transitadas em julgado, proferidas no rito do recurso repetitivo e da repercussão geral, as demais decisões administrativas e judiciais não vinculam os julgamentos deste Conselho, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o Valor da Terra Nua (VTN) declarado e o montante de 172,4 ha a título de Área de Reserva Legal, nos termos do voto do Relator. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Sandro Machado dos Reis e Carlos César Quadros Pierre. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Carlos César Quadros Pierre, Sandro Machado dos Reis, Tânia Mara Paschoalin e Walter Reinaldo Falcão Lima. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Por descrever bem os fatos, adoto o relatório do acórdão de primeira instância (fls. 176/178), reproduzido a seguir: “Contra o contribuinte interessado foi emitida, em 19.10.2009, a Notificação de Lançamento nº 01201/00087/2009 de fls. 01/04, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário no montante de R$ 181.234,94, a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, do exercício de 2006, acrescido de multa de ofício (75,0%) e juros legais, incidentes sobre o imóvel rural denominado “Fazenda Beira da Jacuba”, cadastrado na RFB, sob o nº 2.423.2998, com área declarada de 1.722,1 ha, localizado no Município de Chapadão do Céu/GO. A ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão das DITR/2006 incidentes em malha valor, iniciouse com a intimação de fls. 10, para o contribuinte apresentar os seguintes documentos de prova: Fl. 276DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 08/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10120.721464/200997 Acórdão n.º 2801002.605 S2TE01 Fl. 211 3 1º Identificação do contribuinte; 2º matrícula atualizada do registro imobiliário ou, em caso de posse, documento que comprove a posse e a inexistência de registro de imóvel rural; 3º Certificado de Cadastro de Imóvel Rural – CCIR – do INCRA; 4º Ato Declaratório Ambiental – ADA requerido dentro do prazo legal junto ao IBAMA; 5º matrícula atualizada do registro imobiliário, com a averbação da área de reserva legal, caso o imóvel possua matrícula ou cópia do Termo de Responsabilidade/Compromisso de Averbação da Reserva Legal ou Termo de Ajustamento de Conduta da Reserva Legal, acompanhada de certidão emitida pelo Cartório de Registro de Imóveis comprovando que o imóvel não possui matrícula no registro imobiliário; 6º documento que comprove a localização da área de reserva legal, nos termos do § 4º do art. 16 do Código Florestal, introduzido pela Medida Provisória 2.16667, de 24 de agosto de 2001; 7º Laudo de avaliação do Valor da Terra Nua emitido por engenheiro agrônomo/florestal, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT com fundamentação e grau de precisão II, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados e planilhas de cálculo e preferivelmente pelo método comparativo direto de dados do mercado. Alternativamente, o contribuinte poderá se valer de avaliação efetuada pelas Fazendas Públicas Estaduais (exatorias) ou Municipais, assim como aquelas efetuadas pela Emater, apresentando os métodos de avaliação e as fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel. Tais documentos devem comprovar o VTN na data de 1º de janeiro de 2006, a preço de mercado. A falta de comprovação do VTN declarado ensejará o arbitramento do VTN, com base nas informações do SIPT, nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96, pelo VTN/ha do município de localização do imóvel para 1º de janeiro de 2006 no valor de R$: Valor do VTN para o Município R$5.914,27. Em resposta, foi apresentada a correspondência de fls. 12, acompanhada dos documentos de fls. 13 e14. Nessa correspondência, o contribuinte requereu prorrogação de prazo para a entrega da documentação exigida no Termo de Intimação Fiscal. Posteriormente, protocolou, em 23.06.2009, correspondência, às fls. 15/16, encaminhando Certidão, às fls. 17/34, de divisão amigável da Fazenda Beira da Jacuba, realizada em 02.04.2004. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 08/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10120.721464/200997 Acórdão n.º 2801002.605 S2TE01 Fl. 212 4 Em 23.09.2009, a fiscalização emitiu o Termo de Intimação Fiscal nº 522/2009, às fls. 108, intimando o 1º Tabelionato de Notas e Ofício do Registro de Imóveis para a apresentação das certidões, de inteiro teor, das matrículas dos imóveis existentes, bem como as transferidas em nome do contribuinte. Em resposta, o Tabelionato de Notas, de Protesto de Títulos encaminhou a correspondência de fls. 111, acompanhada das certidões de fls. 112/140. O contribuinte apresentou correspondência de fls. 35, protocolada em 01.10.2009, para apresentação de documentos solicitados no Termo de Intimação. Esses documentos foram juntados aos autos às fls. 36/37, 38, 39/41, 42/50, 51/61, 62, 63/66, 67/68, 69/74, 75/76, 77/82, 83/84, 85/90, 91/92, 93/98, 99/100, 101/106 e 109. No procedimento de análise e verificação da documentação apresentada e das informações constantes da DITR/2006, a fiscalização resolveu reduzir a área total originariamente declarada, de 1.722,1 ha para 862,0 ha, glosar integralmente a área declarada de reserva legal de 1.722,1 ha, e alterar, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), instituído pela então SRF, o Valor da Terra Nua (VTN) do imóvel, que entendeu subavaliado, que passou de R$ 947.155,00 (R$ 550,00 por hectare) para R$ 1.840.025,20 (R$ 2.134,60 por hectare), com conseqüentes aumentos da área tributável/área aproveitável e do VTN tributável/alíquota de cálculo, e disto resultando o imposto suplementar de R$86.471,18, conforme demonstrativo às fls. 03 verso. A descrição dos fatos e os enquadramentos legais das infrações, da multa de ofício e dos juros de mora constam às fls. 01verso, 02, 02verso, 03 e 04. Da Impugnação Cientificado do lançamento em 03.11.2009, às fls. 142, ingressou o contribuinte, em 25.11.2009, com sua impugnação de fls. 145/146, instruída com os documentos de fls. 147/150, 151/170 e 171, alega e solicita o seguinte, em síntese: apresenta os anexos dos Laudos Técnicos de Avaliação, referentes aos anos de 2005 e 2006, elaborados de acordo com as normas da NBR 146533 da ABNT; informa que, além da avaliação, foi feito o levantamento do uso do imóvel para os anos de 2005 e 2006, pois os números lançados de ofício são aleatórios e não condizem com a realidade que existia na data da apuração; esclarece que a fazenda, no período, era explorada com pecuária de corte e possuía área de pastagem plantada e nativa, conforme números apresentados e que manteve apascentado, entre animais de sua propriedade e de terceiros, um quantitativo médio de 270 bovinos de grande porte; Fl. 278DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 08/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10120.721464/200997 Acórdão n.º 2801002.605 S2TE01 Fl. 213 5 solicita que estas informações sejam consideradas e seja feita uma reavaliação do lançamento de ofício para que este retrate fielmente a realidade do período considerado.” A 1a Turma da DRJ/Brasília julgou a impugnação improcedente (fls. 175/185), nos termos da ementa transcrita a seguir: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2006 ERRO DE FATO POSSIBILIDADE DE REVISÃO DE OFÍCIO A revisão de ofício de dados informados pelo contribuinte na sua DITR somente cabe ser acatada quando comprovada nos autos, com documentos hábeis, a hipótese de erro de fato. No caso, observada a legislação aplicada à matéria, cabia ser comprovada a existência de animais de grande e/ou médio porte apascentados no imóvel, no anobase de 2005, em quantidade suficiente para justificar a pretendida área de pastagem, observado o índice de lotação mínima fixado para a região de localização do imóvel (0,50 cab/hec). DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL As áreas de preservação permanente e de reserva legal, para fins de exclusão da tributação do ITR, devem estar incluídas no Ato Declaratório Ambiental (ADA) protocolado tempestivamente junto ao IBAMA. DO VALOR DA TERRA NUA SUBAVALIAÇÃO Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base em valor apontado no SIPT, após rejeição pela autoridade fiscal do Laudo de Avaliação apresentado pelo contribuinte, exigese que o novo Laudo apresentado, emitido pelo mesmo profissional, atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT (NBR 14.6533), demonstrando, de forma convincente, o valor fundiário do imóvel, a preços da data do fato gerador do imposto. No caso, além de não atender às exigências das Normas da ABNT, se acatado, o novo laudo iria aumentar o valor do crédito tributário, o que não é permitido à autoridade julgadora, não podendo proceder ao lançamento desta constatação, por não ser sua atribuição. Cientificado da decisão de primeira instância em 30/03/10, conforme Aviso de Recepção de fls. 189, o interessado, por intermédio de sua advogada, interpôs, em 26/04/10, o recurso voluntário de fls. 190/194, juntamente com os documentos de fls. 195/200, alegando, em suma, que: a) não asiste razão ao acórdão recorrido, por não possuir qualquer embasamento legal, tampouco foram analisados os documentos anexados pelo contribuinte no decorrer da persecução processual administrativa; Fl. 279DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 08/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10120.721464/200997 Acórdão n.º 2801002.605 S2TE01 Fl. 214 6 b) o VTN declarado foi obtido com base em laudos técnicos emitidos por profissionais capacitados, devidamente registrados nos órgãos competentes, sendo legal, portanto, para produzir efeitos no mundo jurídico; c) o imóvel fiscalizado não foi adquirido com o propósito de produção, mas sim de averbação de reserva legal, sendo esta a razão de não se conseguir provar documentalmente sua produção específica, já que somente foi utilizada para caráter de remanejamento. A produção remanejada consta da produção da fazenda remanejante, não havendo necessidade de aqui constar, já que permaneceu somente enquanto persistiu a queda de capacidade de suporte de apascentamento da Fazenda que realmente o produz; d) quando adquiriu o imóvel fiscalizado, teve como intuito utilizálo como reserva legal extra propriedade de outras fazendas e que, mesmo tendo desistido de tal propósito, realizou as averbações devidas, conforme Anexos I da Secretaria do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos; e) a apresentação do Ato Declaratório Ambiental – ADA junto à Secretaria da Fazenda Nacional (sic) não constitui condição para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da base de cálculo do ITR, pois possui outros meios de comprovar a realidade fática da área de reserva legal; f) mesmo que não tivessem outras maneiras para provar a realidade fática de seu imóvel rural, ainda assim o Decreto n° 4.382/02 não pode ser aplicado para a concessão da isenção do imposto ITR, pois efetivamente, em se tratando de isenção instituída por lei, somente a própria norma que cria o beneficio fiscal tem o condão de indicar quais os requisitos devem ser cumpridos pelo contribuinte para alcançar aquele beneficio. E isso não ocorreu; g) de acordo com o art. 225, § 10, III , da Constituição Federal as áreas de reserva legal florestal encontramse protegidas, sendo sua alteração e supressão permitidas somente através de lei. Assim, após a promulgação da CF em outubro de 1988, a citada reserva adquiriu caráter de inalterabilidade; h) a própria Medida Provisória n° 2.16667/2001 ao inserir o § 7° ao artigo 10, da Lei 9.393/96, dispôs que a apresentação do ADA não é requisito para configuração das áreas de preservação permanente e reserva legal e consequente exclusão/isenção do ITR. Afirma que a jurisprudência do STJ e do Conselho de Contribuintes trilha esse entendimento; i) a situação fática do imóvel quanto às áreas de reserva legal florestal não foi alterada desde o registro do imóvel; Diante do exposto acima requer o provimento de seu recurso. É o Relatório. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 08/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10120.721464/200997 Acórdão n.º 2801002.605 S2TE01 Fl. 215 7 Voto Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima, Relator O recurso é tempestivo e atende as demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Cumpre esclarecer, inicialmente, que foram demonstrados no acórdão recorrido todos os fundamentos legais que embasaram a decisão proferida, especificamente aqueles que estabelecem a obrigatoriedade da entrega do ADA tempestivo e da averbação da área de reserva legal até a data de ocorrência do fato gerador, para fins de sua exclusão da base de cálculo do ITR, assim como aqueles atinentes ao arbitramento do VTN. No tocante à glosa da área de reserva legal, como sua motivação ocorreu devido ao descumprimento das obrigações acima mencionadas, tornase despicienda a análise de documentos que não estejam relacionados à comprovação do preenchimento de tais requisitos, como, por exemplo, o laudo técnico apresentado. Quanto ao pedido de retificação das áreas de pastagem e de benfeitorias, foi devidamente esclarecido na decisão atacada as razões que determinaram o indeferimento da solicitação, tendo sido mencionadas as informações contidas no laudo apresentado, o que constitui prova de que esse documento foi analisado. Por fim, no que diz respeito ao arbitramento do VTN, o laudo anexado aos autos para fins de restabelecimento do VTN declarado, foi apreciado pelo órgão julgador de primeira instância, tendo sido demonstrado o porquê de não servir para o fim pretendido pelo interessado. A 1a Turma da DRJ/Brasília, em seu julgamento, considerou a possibilidade de retificação de erro de fato no preenchimento da DITR na fase impugnatória, desde que devidamente comprovado por meio de provas documentais hábeis e idôneas, previstas na Norma de Execução Cofis nº 003/2006, de 29/05/2006, aplicada ao ITR/2006. Nesse sentido concluiu que a documentação apresentada não é suficiente para comprovar a existência de erro relativo à informação das áreas de pastagem e de benfeitorias. Sobre o assunto, possuo entendimento diverso, posto que considero que retificação de declaração que vise a reduzir ou excluir tributo somente pode ocorrer antes de iniciado o procedimento de ofício, de acordo com o disposto no art. 147, § 1º, do CTN, e no art. 832 do Regulamento do Imposto Sobre a Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000/99– RIR/99, abaixo transcritos, e este requisito não se encontra preenchido neste caso. Código Tributário Nacional Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 08/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10120.721464/200997 Acórdão n.º 2801002.605 S2TE01 Fl. 216 8 (...) RIR/99 Art. 832. A autoridade administrativa poderá autorizar a retificação da declaração de rendimentos, quando comprovado erro nela contido, desde que sem interrupção do pagamento do saldo do imposto e antes de iniciado o processo de lançamento de ofício (DecretoLei nº 1.967, de 1982, art. 21, e DecretoLei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982, art. 6º). Parágrafo único. A retificação prevista neste artigo será feita por processo sumário, mediante a apresentação de nova declaração de rendimentos, mantidos os mesmos prazos de vencimento do imposto. Não obstante o acima exposto, apreciarei a matéria em conformidade com o entendimento proferido no acórdão recorrido, para que seja mantida a coerência no julgamento do tema. Em seu recurso, o interessado reconhece que não possui documentação para comprovar a produtividade do imóvel, devido a este ter sido adquirido exclusivamente para utilizálo como reserva legal extra propriedade de outras fazendas. Por conseguinte, diante da ausência de provas que comprovem a existência da área de pastagem pretendida pelo contribuinte, sendo que os documentos hábeis e idôneos aceitos como prova desse fato foram especificados no acórdão recorrido, não há como acatar a alegação de erro de fato no preenchimento da DITR. Acerca da área de benfeitorias informada no laudo apresentado, também não há como acatála, devido aos elementos apresentados não serem suficientes para comprovar a sua existência, como bem demonstrado na decisão recorrida, razão pela qual peço vênia para adotar como razões de decidir os fundamentos expostos naquele acórdão, reproduzidos a seguir: “Com relação à área de benfeitoria pretendida de 5,0 ha, verificase que o referido Laudo, às fls. 156, somente cita que haveria cercas, aceiros e estradas internas de forma estimada, não constando a descrição analítica dessas benfeitorias e nem a existência de qualquer outra que fosse destinada a uma possível atividade rural existente no imóvel. No Laudo, ainda, consta que as cercas (internas e externas) totalizariam 10,03 Km. Mesmo que admitíssemos que essas cercas/aceiros possuíssem 1,0 metro de largura, essas benfeitorias totalizariam apenas 1,0 ha, medida essa bem inferior àquela pleiteada. Mesmo admitindose, o acatamento de uma área ocupada benfeitorias úteis e necessárias destinadas à atividade rural de 5,0 ha, caso fosse comprovada, o que em meu entendimento não ocorreu, esse fato não seria suficiente para alterar o próprio GU, que permaneceria 0,0%, e não haveria, portanto, alteração da alíquota do imposto aplicada pela fiscalização, em nada beneficiando o contribuinte. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 08/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10120.721464/200997 Acórdão n.º 2801002.605 S2TE01 Fl. 217 9 Desta forma, também, não cabe acatar a área pretendida com benfeitorias de 5,0 ha.” A área de reserva legal foi glosada em virtude da documentação apresentada pelo contribuinte não cumprir, cumulativamente, as condições necessárias para sua exclusão da base de cálculo do ITR. A partir do exercício 2001, a protocolização tempestiva do ADA é um dos requisitos legais para que a referida área não seja tributada pelo ITR, conforme disposto no art. 17O, § 1º, da Lei 10.165, de 27 de dezembro de 2000, in verbis: "Art. 170. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria (Redação dada pela Lei n° 10.165. de 2000) § 1ºA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA (incluído nela Lei n° 10.165. de 2000) §1º. A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (Redação dada pela Lei n°10.165, de 2000)" (destaques meus) Vale dizer que a protocolização do ADA marca a data em que a interessada comunica ao órgão oficial de fiscalização ambiental a existência de áreas de interesse ambiental em seu imóvel rural e, em última análise, solicita que tais áreas sejam reconhecidas como tais pelo Poder Público, inclusive para fins de redução do valor do ITR. Nesse contexto, por óbvio, deve haver prazo para a protocolização do formulário do ADA. Se tal prazo não for expressamente estabelecido em Lei, a rigor, ele expiraria na data de ocorrência do fato gerador, no caso do ITR, 1º de janeiro de cada exercício. Para o exercício 2006, além do disposto nos atos já mencionados anteriormente, tal prazo estava estabelecido no art. 9º, § 3º, II, da IN SRF nº 256, de 11/12/02, in verbis: IN SRF nº 256, de 11/12/02 Art. 9º Área tributável é a área total do imóvel rural, excluídas as áreas: I de preservação permanente; (...) § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: Fl. 283DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 08/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10120.721464/200997 Acórdão n.º 2801002.605 S2TE01 Fl. 218 10 I – ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), no prazo de até seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da DITR.. (destaque meu) Entendo que a dispensa da exigência da protocolização tempestiva do ADA somente poderia ocorrer se a área de reserva legal tiver sido assim reconhecida pelos órgãos ambientais competentes, à época do fato gerador. Nesse sentido consta nos autos (fls. 67/102) Certidões de averbação em cartório de 172,4 ha, a título de área de reserva legal, juntamente com os respectivos Termos de Responsabilidade de Averbação da Reserva Legal firmados entre o recorrente e a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos e da Habitação, todos datados anteriormente à ocorrência do fato gerador. Como constam nos citados Termos que tais documentos têm o valor do licenciamento, por terem sido aprovados pela análise técnica e jurídica do respectivo órgão, não há como negar que isso representa o reconhecimento de tais áreas como sendo de reserva legal. Por conseguinte, em relação à área de reserva legal de 172,4 ha, a exigência da entrega tempestiva do ADA encontrase suprida. Quanto aos documentos de fls. 196/200, não se tratam de Termos de Responsabilidade de Averbação da Reserva Legal relativos ao imóvel fiscalizado, razão pela qual não foram considerados na análise descrita no parágrafo anterior. A exigência da averbação da área de reserva legal até a data da ocorrência do fato gerador, para fins de redução da base de cálculo do ITR, constitui matéria bastante controversa no âmbito deste Conselho, sendo objeto de distintos entendimentos, sendo que me alinho àquele que considera tal exigência imprescindível para exclusão da aludida área da base de cálculo daquele tributo, por se tratar de ato constitutivo e não mera formalidade, haja vista o disposto no art. 16, § 8º, da Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela MP nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, que é o dispositivo legal que determina a averbação da respectiva área, e também ao disposto no art. 1.227, do Código Civil, que trata sobre os direitos reais sobre imóveis, abaixo transcritos: Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965 Art.16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (...) §8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001)” (destaque meu) Fl. 284DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 08/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10120.721464/200997 Acórdão n.º 2801002.605 S2TE01 Fl. 219 11 Código Civil Art. 1.227. Os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com o registro no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos (arts. 1.245 a 1.247), salvo os casos expressos neste Código”. Diante do exposto acima entendo que, para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, a área de reserva legal deve ter sido averbada à margem da matrícula do imóvel até a data de ocorrência do fato gerador, sendo que a partir do exercício de 2001 constitui, também, requisito indispensável à fruição do benefício Ato Declaratório Ambiental – ADA tempestivamente protocolizado no IBAMA, declarando a existência da respectiva área, conforme esclarecido anteriormente. Como esclarecido neste voto, os documentos carreados aos autos comprovam a averbação em cartório somente de 172,4 ha, a título de área de reserva legal, cabendo destacar que tais averbações foram realizadas antes da ocorrência do fato gerador. Portanto este requisito se encontra preenchido em relação à citada área, para fins de seu reconhecimento como área de reserva legal. Quanto à exigência de documento comprobatório da localização da área de reserva legal no referido imóvel, as Certidões de fls. 67/102, que comprovam a averbação de 172,4 ha, identificam os limites e confrontações das áreas averbadas, sendo, portanto, documentos hábeis e idôneos para comprovar a localização de tais áreas no imóvel fiscalizado. Quanto ao disposto no § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, incluído pelo art. 3º da Medida Provisória nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, registrese que sua redação apenas determina que não se exige do declarante a prévia comprovação das informações prestadas na DITR em relação às áreas de preservação permanente e de utilização limitada. Ou seja, o declarante não é obrigado a anexar quaisquer documentos comprobatórios das informações prestadas na DITR, quando de sua entrega, todavia, se intimado a apresentar a respectiva documentação, deve atender, sob pena de glosa das referidas áreas, como no caso em pauta. Vejamos abaixo o conteúdo do dispositivo legal citado: Lei nº 9.393, de 1996 Art. 10 (...) § 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1º, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (destaque meu) Acerca das decisões administrativas e judiciais citadas, cumpre informar que, com exceção das decisões judiciais transitadas em julgado, proferidas no rito do recurso repetitivo e da repercussão geral, as demais decisões administrativas e judiciais não vinculam os julgamentos deste Conselho, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão Fl. 285DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 08/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10120.721464/200997 Acórdão n.º 2801002.605 S2TE01 Fl. 220 12 pela qual só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Em relação à alteração do VTN pelo Fisco, importante trazer à colação o disposto na Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, art. 14, § 1º, in verbis: Lei nº 9.393/96 Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Por sua vez, à época da edição da Lei nº 9.393, de 1996, a Lei nº 8.629, de 1993, art. 12, §1º, inciso II estabelecia: Lei nº 8.629/93 Art. 12. Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. § 1º A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacidade potencial da terra; c) dimensão do imóvel. § 2º Os dados referentes ao preço das benfeitorias e do hectare da terra nua a serem indenizados serão levantados junto às Prefeituras Municipais, órgãos estaduais encarregados de avaliação imobiliária, quando houver, Tabelionatos e Cartórios de Registro de Imóveis, e através de pesquisa de mercado. Registrese que a partir de 2001, a redação do art. 12 da Lei nº 8.629 passou a ser a seguinte: Fl. 286DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 08/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10120.721464/200997 Acórdão n.º 2801002.605 S2TE01 Fl. 221 13 Lei nº 8.629/93 Art.12.Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: (Redação dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) Ilocalização do imóvel; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) IIaptidão agrícola; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) IIIdimensão do imóvel; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) IVárea ocupada e ancianidade das posses; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) Vfuncionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) §1oVerificado o preço atual de mercado da totalidade do imóvel, procederseá à dedução do valor das benfeitorias indenizáveis a serem pagas em dinheiro, obtendose o preço da terra a ser indenizado em TDA. (Redação dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) §2oIntegram o preço da terra as florestas naturais, matas nativas e qualquer outro tipo de vegetação natural, não podendo o preço apurado superar, em qualquer hipótese, o preço de mercado do imóvel. (Redação dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) §3oO Laudo de Avaliação será subscrito por Engenheiro Agrônomo com registro de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, respondendo o subscritor, civil, penal e administrativamente, pela super avaliação comprovada ou fraude na identificação das informações. (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) Ante à legislação acima transcrita, depreendese que, nos casos de subavaliação do VTN, o lançamento de ofício deve considerar as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Ocorre que, no caso em apreço, o VTN extraído do SIPT para o exercício em análise e o município de localização do imóvel não decorre de levantamentos efetuados pelas Secretarias de Agriculturas. Limitase ao VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas, haja vista a consulta reproduzida no extrato de fls. 05 Tal valor não permite a generalização no tocante ao critério da capacidade potencial da terra, não sendo apto a Fl. 287DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 08/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10120.721464/200997 Acórdão n.º 2801002.605 S2TE01 Fl. 222 14 justificar o arbitramento. Portanto, em relação a esta matéria, não pode prevalecer o lançamento. Por tais razões voto por DAR provimento parcial ao recurso para restabelecer o VTN declarado e o montante de 172,4 ha da área de reserva legal. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima – Relator Fl. 288DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 08/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA
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Numero do processo: 10920.002938/2009-82
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2005, 2006
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO DA ÁREA TRIBUTÁVEL. REQUISITOS.
Considera-se área de preservação permanente as florestas e demais formas de vegetação situadas nas regiões definidas no art. 2º do Código Florestal comprovadas por meio de Laudo Técnico de Constatação, elaborado por engenheiro agrônomo ou florestal, em que sejam descritas e quantificadas as áreas que a compõem de acordo com a classificação prevista no referido código, ou documento equivalente, assim como aquelas florestas e demais
formas de vegetação natural previstas no art. 3º da mesma lei, para as quais exista ato do Poder Público declarando-as
como de preservação permanente.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
As áreas de reserva legal, para fins de redução no cálculo do ITR, devem estar averbadas no Registro de Imóveis competente até a data de ocorrência do fato gerador.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.596
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: TÂNIA MARA PASCHOALIN
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LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005, 2006 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO DA ÁREA TRIBUTÁVEL. REQUISITOS. Considerase área de preservação permanente as florestas e demais formas de vegetação situadas nas regiões definidas no art. 2º do Código Florestal comprovadas por meio de Laudo Técnico de Constatação, elaborado por engenheiro agrônomo ou florestal, em que sejam descritas e quantificadas as áreas que a compõem de acordo com a classificação prevista no referido código, ou documento equivalente, assim como aquelas florestas e demais formas de vegetação natural previstas no art. 3º da mesma lei, para as quais exista ato do Poder Público declarandoas como de preservação permanente. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. As áreas de reserva legal, para fins de redução no cálculo do ITR, devem estar averbadas no Registro de Imóveis competente até a data de ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Fl. 213DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/08/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A Processo nº 10920.002938/200982 Acórdão n.º 2801002.596 S2TE01 Fl. 214 2 Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Sandro Machado dos Reis, Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre e Walter Reinaldo Falcão Lima. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Claudio Farina Ventrilho. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ/CGE/MS. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “Exigese da interessada o pagamento do crédito tributário lançado em procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, relativamente ao 1TR, aos juros de mora e à multa por informações inexatas nas Declarações do ITR DITR/2004 a 2006, no valor total de R$ 236.397,43, referente ao imóvel rural denominado Fazenda Parolin, com Número na Receita Federal NIRF 3.593.1116, localizado no município de Itaiopolis SC, com Área Total ATI de 1.210,0 ha conforme Auto de Infração AI de fls. 01 e 64 a 78, cuja descrição dos fatos e enquadramentos legais constam das fls. 66 e 74 a 77. 2. Inicialmente, com a finalidade de viabilizar a análise dos dados declarados nos exercícios de 2003 a 2006, especificamente as áreas isentas de Preservação Permanente APP, Área de Reserva Legal ARL e o Valor da Terra Nua VTN, a declarante foi intimada a apresentar diversos documentos comprobatórios, os quais, com base na legislação pertinente, foram listados, detalhadamente, no Termo de Intimação de fls. 02 a 04. Entre os mesmos constam: cópia do Ato Declaratório Ambiental ADA, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA; Laudo Técnico emitido por profissional habilitado, relativamente à demonstração de existência da APP conforme enquadramento legal (art. 2º, da lei n° 4.771/1965 Código Florestal), acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica ART; Certidão do Órgão Público competente, caso o imóvel ou parte dele esteja inserido em área declarada como de Preservação Permanente nos termos do art. 3º, do Código Florestal, acompanhado do Ato do Poder Público que assim a declarou; cópia da Matrícula do Imóvel, com averbação da ARL, ou outro tipo de Área de Utilização Limitada AUL; cópia do Termo de Responsabilidade/Compromisso de Averbação da ARL ou Termo de Ajustamento de Conduta; Ato específico do Órgão competente federal ou estadual, caso o imóvel ou parte dele tenha sido declarado como Área de Interesse Ecológico AIE e; Laudo Fl. 214DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/08/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A Processo nº 10920.002938/200982 Acórdão n.º 2801002.596 S2TE01 Fl. 215 3 Técnico de Avaliação, elaborado com atendimento aos requisitos das Normas Técnicas NBR 14.6533, da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica ART, demonstrando os métodos de avaliação e fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel, com Grau 2 de fundamentação mínima, entre outros. 3. Foi informado, inclusive, que a não apresentação do laudo propiciaria o lançamento de ofício do VTN, conforme a legislação, substituindose o valor informado na DITR pelo VTN constante do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal SIPT. 4. Com a carta de fl. 06 foi encaminhada a documentação de fls. 07 a 27, composta por laudo de avaliação, laudo técnico florestal e matrícula do imóvel referentes a outra propriedade, com NIRF 3.593.1108. 5. A interessada foi reintimada, fls. 28 a 30, e após requerer dilação de prazo para atendimento, com a carta de fl. 33 apresentou a documentação de fls. 34 a 51, composta por laudo técnico de caracterização e uso do solo, ART, cadastro da interessada no IBAMA, matrícula do imóvel e, ADA/1997, todos referentes ao imóvel em fiscalização. 6. No Termo de Verificação Fiscal, foi explicado da intimação, dos documentos encaminhados e da análise dos mesmos. Com relação a AUL, a averbação presente na matrícula do imóvel, juntamente com as informações constantes no laudo técnico, indicaram uma área de 242,0 ha, menor do que a declarada. Ocorreu de maneira diversa com relação a APP, onde tal trabalho técnico confirmou o valor declarado de 265,0 ha. Quanto ao VTN, foi aceito o valor de R$ 587,00 p/ha, evidenciado no laudo de avaliação apresentado para o imóvel de NIRF n° 3.593.1108, mas que pertence à mesma empresa autuada, uma vez que tanto esse imóvel quanto o que está em análise, se localizam na mesma região e a interessada já declarou nas DIAC/DIAT do imóvel, ora fiscalizado, aquele mesmo valor. As áreas de benfeitorias não constam no laudo técnico apresentado. 7. Com base nessas constatações a APP foi mantida como declarada, a ARL ajustada na dimensão comprovada, a área de benfeitorias glosada e o VTN aceito. 8. Procedidas as mencionadas alterações, bem como dos demais dados conseqüentes, foi lavrado o AI, cuja ciência foi dada à interessada em 13/07/2009, fl. 81. 9. Na impugnação, protocolada em 12/08/2009, fls. 94 a 110, a interessada apresentou seus argumentos de discordância alegando, em resumo, o seguinte: 9.1. Dos fatos em breve retrospecção. Mencionou da re intimação fiscal e da apresentação equivocada de documentos Fl. 215DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/08/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A Processo nº 10920.002938/200982 Acórdão n.º 2801002.596 S2TE01 Fl. 216 4 referentes à área adjacente ao imóvel ora analisado. Afirmou que a glosa efetuada na lavratura do AI se refere a APP, nos termos do Código Florestal, e que o fato da AUL não estar averbada na matrícula do imóvel não afasta o direito à isenção. Alegou a decadência do direito de lançamento para o Exercício de 2004. 9.2. Do Direito. Em prejudicial do mérito — Da decadência. Tratou, longamente, em quase cinco laudas, a respeito da ocorrência de decadência para lançamento do crédito tributário referente ao Exercício de 2004. Destacou a forma de lançamento do ITR, que se opera por homologação, e considerando o prazo decadencial de 5 anos, contados a partir da data de ocorrência do fato gerador do tributo e tendo em vista que a ciência do lançamento ocorreu em 13/07/2009 e que o fato gerador se deu em 01/01/2004 aquele prazo já teria se exaurido quando da data ciência, conforme prevê o art. 150, § 4o , do Código Tributário Nacional CTN, as lições doutrinárias e as jurisprudências pacificadas do Superior Tribunal de Justiça e do Conselho de Contribuintes. 9.3. Do Direito à isenção — Área nãotributável. Da área de preservação permanente. Defendeu a isenção de 703,0 ha caracterizados como APP, por se localizarem em área de Mata Atlântica, região protegida pela Constituição Federal nos termos do § 4º , art. 225, e pelo Decreto n° 750/1993 que regula o uso e a exploração desse bioma. O art. 3º, do Código Florestal considera como APP as áreas declaradas por ato do Poder Público para garantir o bemestar público e aquelas destinadas à proteção de sítios de excepcional beleza, valor científico ou histórico, o que condiz com a área em questão. Reproduziu jurisprudência do Conselho de Contribuintes que considera isentas tais áreas, independentemente de ADA. 9.4. Da Averbação da Reserva Legal. Como pedido subsidiário, se por ventura não for acatada a caracterização dos 703,0 ha como sendo APP, requereu a ampliação da AUL para 919 ha, considerando os 677,0 ha de Floresta Ombrófila Densa, e afastandose a glosa dessa área pela razão da não averbação, por ser ato meramente declaratório e não constitutivo do direito à isenção. Reproduziu, novamente, jurisprudência do Conselho que considera isenta a ARL, independentemente de sua averbação. 9.4.1. Afirmou que a isenção do ITR não cabe apenas a área averbada na matrícula do imóvel como sendo AUL, mas toda a área na propriedade que é protegida a esse título, bastando que seja realizada a prova de que a extensão declarada como AUL não esteja sendo suprimida. Informou que o ADA indica que na propriedade é preservada uma área maior de reserva legal do que a de 20,0% prevista no Código Florestal. 9.4.2. Discriminou, se apoiando no laudo técnico apresentado, que o imóvel possui 265,0 ha de APP e 919,0 ha de AUL, dos quais 242,0 ha estão averbados e 677,0 ha não possuem Fl. 216DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/08/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A Processo nº 10920.002938/200982 Acórdão n.º 2801002.596 S2TE01 Fl. 217 5 averbação, ambas cobertas por Floresta Ombrófila Densa, devidamente preservada, fazendo jus, portanto, a isenção do ITR. 9.5. Do Pedido. Requereu o reconhecimento e o provimento da presente impugnação, julgandose insubsistente o lançamento fiscal, tendo em vista a decadência do lançamento fiscal, pertinente ao Exercício de 2004, o que se torna prejudicial ao mérito, e a isenção das áreas consideradas tributáveis pela autoridade fiscal. Requereu, também, a produção de todas as provas em direito admitidas. 10. Instruiu a impugnação com a documentação de fls. 111 a 165, composta por: cópia da procuração, cópia de contrato social da empresa, cópia do auto de infração e das declarações dos Exercícios de 2004 a 2006.” A impugnação foi julgada procedente em parte, conforme Acórdão de fls. 176/188, para acolher a decadência do lançamento relativamente ao exercício 2004. Os fundamentos da referida decisão encontramse consubstanciados nas seguintes ementas: Homologação Tácita Exercício 2004 O lançamento do ITR é o procedimento da autoridade administrativa que se opera de ofício ou por homologação da atividade do sujeito passivo, especialmente da declaração e do pagamento do imposto. Se no prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, a Fazenda Pública não tenha se pronunciado, consideramse homologadas tais atividades e extinto o crédito tributário, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Áreas de Florestas Preservadas Requisitos de Isenção A concessão de isenção de ITR para as Áreas de Preservação Permanente APP ou de Utilização Limitada AUL, como Área de Reserva Legal ARL, está vinculada à comprovação de sua existência, como laudo técnico específico e averbação na matrícula até a data do fato gerador, respectivamente, e de sua regularização através do Ato Declaratório Ambiental ADA, cujo requerimento deve ser protocolado no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA em até seis meses após o prazo final para entrega da Declaração do ITR. A prova de uma não exclui a da outra. Isenção – Hermenêutica A legislação tributária para concessão de benefício fiscal deve ser interpretada literalmente, assim, se não atendidos os requisitos legais para a isenção, a mesma não deve ser concedida. Regularmente cientificada daquele Acórdão em 16/08/2011 (AR, fl. 199), a interessada, representada por seu advogados (fl. 115), interpôs o recurso de fls. 202/209, em Fl. 217DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/08/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A Processo nº 10920.002938/200982 Acórdão n.º 2801002.596 S2TE01 Fl. 218 6 13/09/2011. Em sua defesa, alega, em síntese, que as áreas glosadas encontramse isentas do pagamento do tributo ora em comento, pois esse espaço territorial é considerado área de preservação permanente, nos termos do art. 3º da Lei nº 4.771/65. Aduz que merece atenção o Laudo Técnico Florestal realizado (fls. 38 e 50/51), o qual apurou a existência de área de preservação permanente equivalente a 265 hectares, bem como um perímetro de Mata Atlântica, no total de 703,0 hectares, dos quais 677,0 ha são de Floresta Ombrófila Densa e 26,0 ha de Floresta Nativa em Estágio Médio de Regeneração, sendo assim áreas de preservação permanente. Ressalta que os 677,0 ha da propriedade rural coberta pela Floresta Ombrófila Densa também podem ser considerado como área de reserva legal nos termos do art. 2º do Código Florestal. Sustenta que as áreas de preservação permanente e reserva legal de Mata Atlântica devem ser assim consideradas independentemente de qualquer ato adicional declaratório do Poder Executivo. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O lançamento cuida de glosa da Área de Reserva Legal/Utilização Limitada de 677,0 ha e da Área Ocupada com Benfeitoria de 26,00 ha, conforme laudo técnico apresentado pelo contribuinte, que assim classifica as seguintes áreas do imóvel: • Área de floresta nativa em estágios de regeneração destinada a Reserva Legal (art. 16 da Lei n°4.771/65) 242,0 ha, averbada matricula. N° 1.4748; • Área de floresta nativa Preservação Permanente (Art. 2º da Lei 4.771/65 Código Florestal, alíneas "a", b", "c", "d", "e" e "g") 265,0 ha; • Floresta Ombrófila densa Mata Atlântica 677,0 ha; • Floresta Nativa (estagio médio de regeneração) Mata Atlântica 26,00 ha. Observese que a área declarada em DIAC/DIAT, como de preservação permanente é de 265,00 ha, portanto, está de acordo com o Laudo Técnico. Já a área declarada em DIAC/DIAT, de Reserva Legal é de 919,00 ha, enquanto que no Laudo Técnico e na Matricula do Imóvel essa área é de 242,00 ha. O recorrente pretende seja considerada como área de preservação permanente um perímetro de Mata Atlântica, no total de 703,0 ha, dos quais 677,0 ha são de Floresta Ombrófila Densa e 26,0 ha de Floresta Nativa em Estágio Médio de Regeneração. Alternativamente, defende que os 677,0 ha da propriedade rural coberta pela Floresta Ombrófila Densa também podem ser considerados como área de reserva legal nos termos do art. 2º do Código Florestal. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/08/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A Processo nº 10920.002938/200982 Acórdão n.º 2801002.596 S2TE01 Fl. 219 7 Relativamente à área de preservação permanente, importa registrar que já foi considerada, na espécie, a área de preservação permanente de 265,0 ha correspondente às florestas e demais formas de vegetação situadas nas regiões definidas no art. 2º da Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965 (Código Florestal), consoante o mencionado laudo técnico. Quanto àquelas florestas e demais formas de vegetação natural previstas no art. 3º da mesma lei, para as quais é requisito ato do Poder Público declarandoas como de preservação permanente, verificase que não há nos autos qualquer ato do Poder Público declarando as áreas em discussão como de preservação permanente. Portanto, concluise que as áreas glosadas não se enquadram como área de preservação permanente. No tocante à aceitação de Área de Reserva Legal, é necessário comprovar a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel. A exigência em questão está prevista em lei, mais precisamente no Código Florestal, Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, art. 16, § 8º, com a redação dada pela MP nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001: “Art.16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (Regulamento) (...) §8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001)” (grifos acrescidos) Vale destacar que, consoante art. 1.227 do Código Civil, “os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com o registro no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos (arts. 1.245 a 1.247), salvo os casos expressos neste Código”. Quer dizer, somente a partir da averbação da área de reserva legal é que as limitações administrativas impostos pela lei a tais áreas, a exemplo da proibição do corte raso, se operam em sua plenitude, tendo efeito erga omnes. Vêse, portanto, que a exigência em questão não é uma mera formalidade, mas verdadeiro ato constitutivo. Tal entendimento, inclusive, vem prevalecendo na Câmara Superior de Recursos Fiscais deste Conselho. Por oportuno, confirase a ementa da Ac. 920200.159, da 2ª Turma, proferido em sessão de 18 de agosto de 2009, o qual teve o ilustre Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes como redatordesignado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 Fl. 219DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/08/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A Processo nº 10920.002938/200982 Acórdão n.º 2801002.596 S2TE01 Fl. 220 8 ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. ATO CONSTITUTIVO. A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá excluíla da base de cálculo para apuração do ITR. Recurso especial provido.” Como se vê, os argumentos do contribuinte não afastam o acerto do lançamento, visto que para que se tenha direito à isenção, a área de Reserva Legal deve estar averbada à margem da matrícula de registro de imóveis até a data da ocorrência do fato gerador do ITR, nos termos do art. 44 da Lei nº 4.771, de 15/09/1965, com a redação dada pelo art. 1o da Medida Provisória nº 1.511, de 25/07/1996, o que não restou comprovado relativamente à área glosada. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 220DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/08/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A
score : 1.0
Numero do processo: 10730.003978/2007-17
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO DESPESAS MÉDICAS.
Não havendo sido comprovadas, de forma hábil e idônea, a realização das despesas médicas, deve ser mantida a glosa fiscal, com seus consectários legais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.485
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: LUIZ CLÁUDIO FARINA VENTRILHO
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COMPROVAÇÃO DESPESAS MÉDICAS. Não havendo sido comprovadas, de forma hábil e idônea, a realização das despesas médicas, deve ser mantida a glosa fiscal, com seus consectários legais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente Assinado digitalmente Luiz Cláudio Farina Ventrilho – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Carlos César Quadros Pierre, Sandro Machado dos Reis e Walter Reinaldo Falcão Lima. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF, na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Fl. 80DF CARF MF Impresso em 21/10/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 2 0/09/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por ANTONIO DE PADU A ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 10730.003978/200717 Acórdão n.º 2801002.485 S2TE01 Fl. 69 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado por auditor fiscal da DRF Niteroi/RJ, auto de infração (fls. 03/08) referente ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2003, ano calendário 2002. 0 contribuinte foi cientificado do lançamento em 11/05/2007, conforme Aviso de Recebimento de fls. 43/44. 0 valor do crédito tributário apurado está assim constituído, conforme Demonstrativo do Crédito Tributário (fls. 03): Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar 5.679,81 Multa de Oficio (passível de redução) 4.259,85 Juros de Mora (cálculo até fev/2007) 3.556,69 Crédito Tributário Apurado 13.496,35 Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte supracitado, foi efetuado lançamento de oficio, tendo em vista que foi apurada a seguinte infração: DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS Dedução indevida de despesas medicas, por não atendimento a intimação. Valor glosado: R$ 20.653,84. O Enquadramento Legal encontrase as fls. 07. Em 05/06/2007, no pedido de impugnação, o contribuinte informa que: de acordo com o item n° 02 da Intimação, "os documentos devem ser apresentados em envelope com informação do CPF e tel p/contato junto com uma cópia desta intimação" e questionou que não recebeu comprovação da entrega dos documentos; comprova, novamente, as despesas medicas. Requer a nulidade do auto de infração. É o relatório” Passo adiante, em 18 de novembro de 2009, através do Acórdão 0334.374, a 3a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília entendeu por bem julgar procedente em parte a impugnação, mantendo em parte o crédito tributário, em decisão que restou assim ementada: Ementa: DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO PARCIAL. DESPESAS MÉDICAS. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 21/10/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 2 0/09/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por ANTONIO DE PADU A ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 10730.003978/200717 Acórdão n.º 2801002.485 S2TE01 Fl. 70 3 Comprovada, parcialmente, de forma hábil e idônea, a realização da despesa, restabelecese o valor correspondente na Declaração de Ajuste Anual. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Cientificada em 05/02/2010 (fls. 55), a Recorrente, interpôs Recurso Voluntário em 24//02/2010 (fls. 56 a 57), reiterando os argumentos expostos quando da apresentação da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Relator: Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Inexistem preliminares postas para análise. I ) Glosa de Deduções Indevidas com Despesas Médicas Neste sentido de se destacar que o artigo 8° da Lei n° 9.250, de 26 de dezembro de 1995, assim dispõe: "Art. 8°A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário,exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiálogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias;(g.n) Sobre a forma de apresentação dos referidos documentos comprobatórios de tais despesas assim delimita o artigo 80 do RIR, verbis: Fl. 82DF CARF MF Impresso em 21/10/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 2 0/09/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por ANTONIO DE PADU A ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 10730.003978/200717 Acórdão n.º 2801002.485 S2TE01 Fl. 71 4 Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bent como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei n2 9.250, de 1995, art. 82, inciso II, alínea "a"). §1º. O disposto neste artigo (Lei n2 9.250, de 1995, art. 8º., §2º.): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no Pais, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento;” No presente caso, o recorrente teve contra si glosado o valor de R$ 20.653,84 à título de despesas médicas, com exigência de crédito tributário no valor de R$ 13.496,35. Quanto às documentações comprobatórias de parte das despesas médicas, estas foram consideradas, mantendose contudo inatacadas todas as despesas não comprovadas, que embasaram por seu turno o lançamento fiscal. O contribuinte, apesar de intimado, não apresentou provas da efetividade dos serviços prestados, bem como do efetivo desembolso, tais como “cópia de cheques, ordens de pagamento, transferências bancárias, saques coincidentes em datas e valores com a prestação dos serviços, entre outros”, se limitando o contribuinte ora recorrente a apresentar recibos que sequer preenchem os requisitos legais exigidos. No processo administrativo fiscal, em especial quanto as comprovações de deduções de despesas médicas é o contribuinte quem deve comprovar perante a Autoridade Fiscal, por documentação idônea e inequívoca, a realização de tais despesas, bem como da efetividade dos pagamentos. Ademais as exigências fiscais têm em todos os casos embasamento legal constante do art. 8° da Lei n 9.250, de 26 de dezembro de 1995, que assim determina, in verbis: “Art. 8° A base de cálculo do imposto devido no ano calendário será a diferença entre as somas: Fl. 83DF CARF MF Impresso em 21/10/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 2 0/09/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por ANTONIO DE PADU A ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 10730.003978/200717 Acórdão n.º 2801002.485 S2TE01 Fl. 72 5 I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos a tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais,bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos,aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2° O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no Pais, destinados a cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem Como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV omissis; V omissis” Ora, o normativo legal acima é por demais claro e aplicável a todos os contribuintes, devendo ser seguido in litteris por todos aqueles que, a exemplo do recorrente, pretenderem efetuar deduções de despesas médicas da base de cálculo do imposto de renda a ser recolhido a Receita Federal do Brasil. Este procedimento não foi observado pelo contribuinte, que não comprovou perante a Autoridade Fiscal o efetivo pagamento, tampouco a efetiva realização de tais procedimentos. Por esta razão, a fim de explicitar perante a Autoridade Fiscal, que já havia apontado as falhas desde os primórdios do processo, caberia ao contribuinte comprovar de forma esmiuçada e através de documentos hábeis e inequívocos, o efetivo desembolso e a efetiva realização de tais procedimentos, que se presumem serem importantes, até mesmo pelos valores envolvidos face a renda tributável apresentada pelo recorrente. Desta forma, a míngua do cumprimento pelo recorrente dos requisitos legais constantes do art. 8° da Lei nº. 9.250, de 26 de dezembro de 1995, entende este Relator, por devidas e corretas as glosas referentes as deduções de despesas médicas, eis que efetivamente não comprovados seu efetivo pagamento pelo contribuinte, devendo portanto ser mantidas as glosas com despesas médicas neste tocante. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 21/10/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 2 0/09/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por ANTONIO DE PADU A ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 10730.003978/200717 Acórdão n.º 2801002.485 S2TE01 Fl. 73 6 De se esclarecer que a fiscalização é livre para formar seu convencimento, podendo ou não necessitar de provas adicionais. Em síntese, da análise das referidas documentações, se comprova que os recibos não apresentam os elementos determinados em Lei para seu aceite (falta de CNPJ do emitente, falta de identificação do beneficiário dos tratamentos),bem como a prova o efetivo pagamento, o que impede sua aceitação. Por consectário lógico, devida é a multa de ofício. Conclusão Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. Assinado digitalmente Luiz Cláudio Farina Ventrilho Fl. 85DF CARF MF Impresso em 21/10/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 2 0/09/2012 por LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por ANTONIO DE PADU A ATHAYDE MAGALHAES
score : 1.0
Numero do processo: 13816.000023/2002-41
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 29 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Fatos geradores: 01/01/1997, 01/02/1997, 01/03/1997
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MEDIDA JUDICIAL. ERRO NO
PREENCHIMENTO DA DCTF. COMPENSAÇÃO. MATERIALIDADE
Constatados o erro no preenchimento da DCTF e a regularidade do
lançamento, não há que se acolher o pleito do contribuinte em sua pretensão de ter anulado o auto de infração, pois no momento da declaração em DCTF, o contribuinte não tinha a seu favor nenhuma decisão judicial que amparasse a compensação pleiteada. Ressalva-se, contudo, o direito à compensação do crédito tributário com indébitos cuja materialidade já restou comprovada pela própria Administração Fazendária na realização de diligência fiscal.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3803-000.482
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, para cancelar o lançamento. Vencido o Hélcio Lafetá Reis (Relator) e o Conselheiro Daniel Maurício Fedato, que votaram pelo improvimento do recurso. Designado o Conselheiro Belchior Melo de Sousa para a redação do voto vencedor.
Nome do relator: HÉLCIO LAFETÁ REIS
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fatos geradores: 01/01/1997, 01/02/1997, 01/03/1997 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MEDIDA JUDICIAL. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. COMPENSAÇÃO. MATERIALIDADE Constatados o erro no preenchimento da DCTF e a regularidade do lançamento, não há que se acolher o pleito do contribuinte em sua pretensão de ter anulado o auto de infração, pois no momento da declaração em DCTF, o contribuinte não tinha a seu favor nenhuma decisão judicial que amparasse a compensação pleiteada. Ressalva-se, contudo, o direito à compensação do crédito tributário com indébitos cuja materialidade já restou comprovada pela própria Administração Fazendária na realização de diligência fiscal. Recurso Voluntário Provido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fatos geradores: 01/01/1997, 01/02/1997, 01/03/1997 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MEDIDA JUDICIAL. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. COMPENSAÇÃO. MATERIALIDADE Constatados o erro no preenchimento da DCTF e a regularidade do lançamento, não há que se acolher o pleito do contribuinte em sua pretensão de ter anulado o auto de infração, pois no momento da declaração em DCTF, o contribuinte não tinha a seu favor nenhuma decisão judicial que amparasse a compensação pleiteada. Ressalva-se, contudo, o direito à compensação do crédito tributário com indébitos cuja materialidade já restou comprovada pela própria Administração Fazendária na realização de diligência fiscal. Recurso Voluntário Provido, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, para cancelar o lançamento. Vencido o Hélcio Lafetá Reis (Relator) e o Conselheiro Daniel Maurício Fedato, que votaram pelo improvimento do recurso. Designado o Conselheiro Belchior Melo de Sousa para a redação do voto vencedor Bele ior Méló"..a-e Sousa — Redator Designado Partic aram ainda do presente julgamento os Conselheiros Hélcio Lafetá Reis (Relator), Carlos enrique Martins de Lima, Daniel Mauricio Fedato e Rangel Perneei Fiorin, 2 Relatório Em 3 de janeiro de 2002, o contribuinte supra identificado protocolizou junto à Receita Federal Impugnação ao auto de infração n° 0000355, datado de 30/10/2001, referente a lançamento de oficio de parcela da contribuição para o PIS relativa ao 1 0 trimestre de 1997, em razão da não confirmação dos créditos vinculados declarados em DCTF, em que se informara a compensação do débito com créditos decorrentes de medida judicial de número 92.0023475-5 (fis, 1 a 179). Em sua peça impugnatória, o contribuinte alegou obscuridade no relato e na capitulação da infração apontados no auto de infração, tendo em vista que inexistiria débito a recolher aos cofres públicos, em face da compensação efetuada com base em sentença obtida em mandado de segurança impetrado em 24/02/1992, em face da declaração de inconstitucionalidade proferida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em sede de Recurso Extraordinário, relativamente à legislação superveniente que alterara a tributação da contribuição para o PIS — Decretos-Lei ri' 2,445 e 2,449/1988. Informou ainda que, em 21 de agosto de 1998, ingressara com outro mandado de segurança, desta vez com objetivo de obter o reconhecimento do direito à compensação dos valores indevidamente recolhidos, tendo sido obtido segurança garantindo-lhe o direito pleiteado, resultado esse também confirmado em sede de Recursos Especial e Extraordinário, com a ressalva da necessidade de observância do prazo prescricional de cinco anos. Nesse contexto, ressaltou que, em razão da compensação ter sido autorizada judicialmente, encontrar-se-ia suspensa a exigibilidade dos créditos tributários respectivos, nos termos do art. 151, IV, do Código Tributário Nacional (CTN), o que afastaria qualquer exigência por parte da Administração Fazendária em sentido contrário, salvo para fins de prevenção da decadência, caso em que não caberia a exigência de multa de ofício,. Alternativamente, no caso das alegações supra não serem acolhidas e de se considerar não configurada a concomitância entre as vias judicial e administrativa, dever-se-ia assegurar-lhe o contraditório e a ampla defesa. No seu entender, a Fiscalização deixara de apresentar os fundamentos táticos e jurídicos que pudessem favorecer a sua defesa, prejudicada que restou pela ausência de demonstração dos motivos da autuação, em razão do que deveria o auto de infração ser considerado nulo de pleno direito. Apontou, também, que o Fisco deixara de observar a regra da semestralidade para fins de apuração dos valores devidos no período a título de contribuição para o PIS calculados com base na Lei Complementar n° 7/1970. Por fim, requereu a realização de perícia contábil e a anulação do auto de infração. Juntamente com sua peça impugnatória, o contribuinte trouxe aos autos cópia do auto de infração (fls. 19 a 26), de documentos constitutivos da sociedade (fls. 29 a 36), da DCTF relativa ao 1' trimestre de 1997 (fls. 38 a 53), de guias de recolhimento — DARF (fi, 55) e dos documentos relativos às medidas judiciais (fis, 57 a 166). Processo n" 38 I 6 000023/2002-4 S3-TE03 Acórdão o" 3803-00,482 Fl. 363 O Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário (Secai) da Delegacia da Receita Federal em São Bernardo do Campo/SP, ao receber a impugnação apresentada pelo contribuinte, decidiu pela necessidade de realização de diligência fiscal na escrita do contribuinte com vistas à verificação da efetiva existência do crédito pleiteado (fls. 186 a 187). Realizada a diligência requerida (fls. 188 a 206), a Fiscalização procedeu ao recalculo da contribuição para o PIS devida no período de apuração de janeiro de 1993 a setembro de 1995, respeitando-se o qüinqüênio retroativo a 23 de janeiro de 1998, data em que a ação fora proposta, observando-se a regra da semestralidade, tendo concluído que o crédito apurado pelo Fisco seria suficiente somente para as compensações efetuadas relativas a períodos de apuração até parte do mês de setembro de 1999, alcançando, portanto, os débitos de que trata o presente processo. Submetida a Impugnação à apreciação da DIU Campinas/SP, esta decidiu pela parcial procedência do lançamento (fls. 214 a 217), afastando as alegações de nulidade do auto de infração e decidindo pela concomitância da discussão do mérito nas vias judicial e na administrativa que impediria a sua apreciação, bem como pelo cancelamento da multa de oficio em face da suspensão da exigibilidade do crédito tributário decorrente da impetração de medida judicial. Não resignado, o contribuinte recorre a este Conselho (fls. 223 a 359) e requer a reforma da decisão a quo, bem como a declaração de improcedência do lançamento e o conseqüente cancelamento do auto de infração, alegando, em síntese, o seguinte: a) a concomitância da discussão da matéria nas vias judicial e administrativa não mais se justificaria em face do trânsito em julgado do processo judicial; b) os valores reclamados neste processo foram regularmente compensados com base em provimento judicial, configurando-se a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, com afastamento da exigência da multa de oficio e, com muito mais razão, da cobrança do principal; c) a única circunstância que poderia ter sido imputada à Recorrente reside no ,frito desta ter informado na DCTF relativa ao I' trimestre de 1997, que as compensações haviam sido realizadas com base no processo judicial n° 92.0023475-5, por ser este o processo em trâmite na época (fl. 230), em razão do que, pleiteia a retificação da declaração para constar o processo judicial correto, ou seja, aquele de n° 98.1500537-5; d) a própria autoridade administrativa já relatou ter havido a homologação dos valores compensados no período de janeiro a março de 1997. É o relatório. 3 Voto Vencido Conselheiro Hélcio Lafetá Reis, Relator O recurso é tempestivo, preenche as demais condições de admissibilidade e dele torno conhecimento. Para análise do recurso interposto, mister se toma destacar algumas constatações a partir do conteúdo dos autos, A sentença do Mandado de Segurança n° 92.0023475-5 (fl. 67), proferida em 8 de abril de 1992, declarou extinto o processo pela impossibilidade de obtenção de sentença preventiva diseplinadora de eventos futuros, incertos e genéricos, decisão essa anulada pelo Tribunal Regional Federal da 3" Região em 14/1111995 (fls. 69 a 75). Nova sentença foi exarada em agosto de 1999 (fls. 76 a 87), assegurando-se ao impetrante o direito de recolher a contribuição para o PIS na forma da Lei Complementar tf 7/1970. Em janeiro de 1998, impetrou-se novo Mandado de Segurança (fls. 89 a 103), desta vez pretendendo o reconhecimento do direito à compensação dos valores a maior da contribuição para o P15 recolhidos no período de julho de 1988 a setembro de 1995, tendo sido obtido sentença, em abril de 1998; vedando-se à Administração Fazendária a possibilidade de exigir os valores já compensados pela impetrante nos moldes do conteúdo da decisão (fls. 105 a 117). O Tribunal Regional Federal da 3" Região manteve a decisão de primeiro grau (fls. 154 a 161), mas ressalvando que o direito à compensação se restringiria aos indébitos inseridos no qüinqüênio imediatamente anterior à propositura da ação. O Superior Tribunal de Justiça (ST3), ao analisar o Recurso Especial interposto (fls. 176 a 177), garantiu ao contribuinte o direito de restituição de indébito no prazo de cinco anos contados da homologação do pagamento efetuado. O Recurso Extraordinário testou prejudicado, tendo a ação transitado em julgado em 11/02/2004 (fl. 178). Constata-se, portanto, que, na data da entrega da DCTF em que se informou a compensação sob análise — 30/09/1997 —, inexistia qualquer decisão judicial que autorizasse tal medida. Conforme acima demonstrado, naquela data, o processo judicial n° 92.0023475-5 encontrava-se extinto, numa situação em que a sentença original que assim declarara o processo havia sido anulada, pendente de nova apreciação, o que só veio a ocorrer em agosto de 1999, quase dois anos após a entrega da DCTF. Portanto, o lançamento de oficio se dera em conformidade com a realidade dos fatos. Quanto à análise do mérito do direito à compensação nos termos delineados, tem-se por sua consumação no Poder Judiciário, não sendo mais passível de apreciação por parte desta instância, seja por concomitância da discussão nas vias judicial e administrativa, Processo n" 13816 000023/2002-41 S3-T E03 Acórdão n." 3803-00..482 Fl .364 seja por já se ter o trânsito em julgado da decisão o que afasta a possibilidade de a Administração Pública se pronunciar sobre a mesma matéria. Por outro lado, há que se ressaltar que a própria Administração Fazendária, ao analisar o pleito do contribuinte a par da referida decisão judicial, já havia constatado a efetiva existência de indébito passível de utilização na extinção do crédito tributário discutido nos autos. Conforme consta do relatório supra, na realização da diligência requerida pela repartição de origem, a Fiscalização procedeu ao recálculo da contribuição para o PIS devida no período de apuração de janeiro de 1993 a setembro de 1995, observando-se a regra da sernestralidade, e concluiu pela existência de crédito suficiente para se compensar o débito de que trata o presente processo.. Ou seja, quanto à materialidade do direito à compensação do débito da contribuição para o PIS devida no primeiro trimestre de 1997 com indébitos do mesmo tributo, não se controverte, pois que reconhecido de forma inconteste pela própria Administração Fazendária. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo- se o auto de infração decorrente da insuficiência de recolhimento da contribuição para o PIS, uma vez inexistir na época do lançamento qualquer decisão judicial que amparasse o direito de compensação da forma declarada, sem prejuízo, conquanto, do direito à compensação do crédito tributário com indébitos cuja materialidade já restou comprovada em diligência fiscal realizada pela Delegacia da Receita Federal em São Bernardo do Campo/SP. É como voto. p ()(\ Hélcio Lafeta Reis Voto Vencedor Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Redator Designado Razão deve ser dada à recorrente. Esta Turma tem decidido reiteradamente, por unanimidade de votos, pelo provimento do recurso nas situações que envolvem auto de infração emitido em procedimento interno de auditoria de procedimentos cujo substrato fatie() seja "declaração inexata", consubstanciada na ocorrência "proc . jud não comprovad", prestada pelo contribuinte na feitura da DCTF transmitida, ante a constatação posterior da existência do processo indicado. O fundamento da decisão nessa linha é a falsidade do suporte fático que respalda o procedimento, com fulcro no art. 50, II, da Lei n° 9.784/99, que reza deverem "os atos administrativos [..] ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentas jurídicas, quando.- (*s- - imponham ou agravem deveres, encal gos ou sançôes; No caso, a contribuinte efetivamente manejara a AMS indicada na DCTF. A ação era de matéria tributária, envolvendo a mesma contribuição. Só isso já é o bastante pata tornar falso o motivo determinante do auto de infração e decidir pelo seu cancelamento.. A delegacia de origem emite o auto de infração ancorada no fato de não-comprovação (não existência) de processo judicial. No demais, à guisa de argumentação suplementar, registre-se que somente após a apresentação da manifestação de inconformidade é que o Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário (SECAI') toma conhecimento da ação judicial, do seu provimento e efetua o cálculo do crédito sob o prisma da decisão prolatada e atesta a sua suficiência para cobertura das compensações procedidas pela contribuinte. Não consta que a diligência efetuada tenha se estendido à escrituração contábil da pessoa jurídica para afirmar acerca da compensação provida internamente por esta, para que, por outra via, se inquinasse de declaração inexata a informação de compensação, na DCTF, sem respaldo na contabilidade fiscal. O provimento parcial dado pela decisão de primeira instância apenas concede a exclusãó da multa de oficio sobre o principal e no que mantém considera a inexistência de ação judicial ao tempo das compensações informadas na DCTF a autorizar a impetrante efetuá- las. Isso já denota a manutenção do lançamento por outro fundamento, distinto do que originariamente fora tomado pela fiscalização. No voto vencido o nobre relator considera, para a manutenção do lançamento a verdade do suporte fálico, e ter como inexistente o processo, ao consignar que ao tempo da transmissão da DCTF o processo encontrava-se extinto por decisão do TRF-3 a Região. Registre-se, entanto, que não é essa a circunstância do processo, mas que apenas teve a decisão de primeira instância anulada pelo .TRF, para que uma nova fosse proferida, o que ocorreu em agosto de 1999. Assim, por falta de motivo a que deve estar jungido todo ato administrativo, voto por dar provimento ao recurso para cancelar o auto de infração. • 6
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