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Numero do processo: 13836.000335/2001-36
Data da sessão: Thu Apr 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 1996, 1997, 1998, 1999, 2000
PEDIDO DE RESTUIÇÃO. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO COM BASE
NO MESMO CRÉDITO. PROCESSO ÚNICO. Nos termos do disposto no
art. 1° da Portaria n° 6.129, de 2005, os pedidos de restituição e as Declarações de Compensação (Dcomp) que tenham por base o mesmo
crédito, ainda que apresentados em datas distintas, devem ser objeto de um único processo administrativo.
Processo Anulado.
Numero da decisão: 1302-000.235
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular o
processo desde o despacho decisório, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Wilson Fernandes Guimarães
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Recorrida r TURMA/DRJ-CAMPINAS/SP ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 1996, 1997, 1998, 1999, 2000 PEDIDO DE RESTUIÇÃO. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO COM BASE NO MESMO CRÉDITO. PROCESSO ÚNICO. Nos termos do disposto no art. 1° da Portaria n° 6.129, de 2005, os pedidos de restituição e as Declarações de Compensação (Dcomp) que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, devem ser objeto de um único processo administrativo. Processo Anulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular o processo desde o despacho decisório, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MARCOS RODRIGUES DE MELLO - Presidente WILSO FERNAN 11 ,1,>1 4 xeARÃES - Relator EDITADO EM: r, iJ Participaram - - - 'ulgamento, os Conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Guilherme Pallastri Gomes da Silva, Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Eduardo de Andrade, Irineu Bianchi e Marcos Rodrigues de Mello. — — _ Relatório CORSI MATERIAIS PARA CONSTRUÇÃO- LTDA., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 2' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas, São Paulo, que deferiu, em parte, os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da Delegacia da Receita Federal em Jundiaí, também em São Paulo. Trata o processo de pedido de restituição de Imposto de Renda (fls. 01 - R$ 268.245,13) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (fls. 02 - R$ 226.040,41), decorrente de saldos negativos relativos aos anos de 1995 a 1999, cumulado com pedidos de compensação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Jundiaí/SP, por meio do despacho decisório n° 151/2005 (fls. 378/382), deferiu parcialmente os pedidos formulados, reconhecendo direitos creditorios nos seguintes montantes: IRPJ (2000/1999): R$140.994,78 CSLL (2000/1999): R$ 96.245,49 Diante do deferimento parcial dos pedidos foimulados, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 386/398), momento em que ofereceu, em apertada síntese, os seguintes argumentos: - que teve o seu direito de defesa cerceado por não ter tido acesso aos autos em virtude de greve noticiada dos funcionários da Receita, ficando impossibilitada de tomar conhecimento do conteúdo de diversas folhas do processo, mencionadas na fundamentação da decisão recorrida (requereu, caso a nulidade não fosse reconhecida, o aditamento de razões à manifestação de inconformidade); - que, por não dispor dos elementos referenciados no despacho decisório, refez a apuração obtendo novos valores a restituir, inferiores àqueles indicados no pedido, porém superiores àqueles constantes na declaração de rendimentos do ano-calendário de 1999; - que causava surpresa a afi_filiação contida no despacho decisório de que ela não teria prestado os esclarecimentos solicitados, visto que em atendimento à Intimação n° 213/2002, o representante legal da empresa compareceu pessoalmente em 17/07/2002 na repartição fiscal, ocasião em que esclareceu as dúvidas remanescentes acerca dos cálculos efetuados nos demonstrativos juntados à petição e o agente se disse satisfeito com as explicações; - que, mesmo assim, foi novamente até a Delegacia da Receita Federal em Jundiá e conversou mais uma vez com o agente, momento em que esclareceu que as compensações dos saldos negativos de IRPJ e CSLL com as estimativas dos mesmos tributos não haviam consumido completamente o crédito, ao contrário do que se alegava na intimação de 11/12/2003; - que apurou novo valor de crédito de IRPJ a ser atualizado a partir de 01/01/2000 em decorrência de correção do saldo do ano de 19 de R$ 140.994,78 para R$ 2 • Processo n° 13836.000335/2001-36 S1-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.235 Fl. 2 164.910,48, consideradas as atualizações dos créditos da empresa no período de 1995/1999 (em razão disso, requereu a retificação do pedido inicial que apontava total de crédito de IRPJ no valor de R$ 268.245,13 na data do pedido - 22/08/2001 - para o total de R$ 208.446,84, que corresponderia ao novo saldo em 31/12/1999, de R$ 164.910,48, atualizado pela SELIC acumulada de 01/01/2000 a 07/2001, mais 1% em 08/2001, totalizando 26,40% de taxa); - que apurou novo valor de crédito de CSLL a ser atualizado a partir de 01/01/2000 em decorrência de correção do saldo do ano de 1999 de R$ 96.245,49 para R$ 115.023,66, consideradas as atualizações dos créditos da empresa no período de 1995 a 1999 (em razão disso, requereu a retificação do pedido inicial que apontava total de crédito de CSLL no valor de R$ 226.040,41 na data do pedido - 22/08/2001 - para o total de R$ 145.389,90, que corresponderia ao novo saldo atualizado em 31/12/1999, de R$ 115.023,66, atualizado pela SELIC acumulada de 01/01/2000 a 07/2001, mais 1% em 08/2001, totalizando 26,40% de taxa). A 2' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas, apreciando os argumentos expendidos pela contribuinte, decidiu, por meio do acórdão n° 05- 21.052, de 11 de fevereiro de 2008, pela procedência parcial dos pedidos, conforme ementa a seguir transcrita. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não há que se falar em nulidade do despacho decisório prolatado por pessoa competente, nem há que se cogitar de cerceamento do direito de defesa quando não se vislumbra nos autos que o sujeito passivo tenha sido tolhido no direito que a lei lhe confere para se defender. IRPJ SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS PAGAS/COMPENSADAS, CONFIRMAÇÃO PARCIAL. SALDO DISPONÍVEL. LIMITES DO PEDIDO. • Validados parcialmente os saldos negativos apontados nas declarações de ajuste da contribuinte, mediante certificação de pagamento de apenas parte das estimativas declaradas no • período, o reconhecimento do direito creditório pela autoridade administrativa condiciona-se, ainda, à disponibilidade do crédito e ao valor pleiteado nos autos. CSLL SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS PAGAS/COMPENSADAS. CONFIRMAÇÃO PARCIAL. SALDO DISPONÍVEL. LIMITES DO PEDIDO. Validados parcialmente os saldos negativos apontados nas declarações de ajuste da contribuinte, mediante certificação de pagamento de apenas parte das estimativas declaradas no período, o reconhecimento do direito creditó rio pela autoridade administrativa condiciona-se, ainda, à disponibilidade do crédito e ao valor pleiteado nos autos. 3 CRÉDITO RECONHECIDO. COMPENSAÇÃO. PIS. COFINS. HOMOLOGAÇÃO. Reconhecido direito creditório em favor da contribuinte, impõe-se, por decorrência, a homologação da compensação dos débitos até o limite do crédito reconhecido. Inconformada, a contribuinte impetrou recurso voluntário, por meio do qual renova os argumentos expendidos na peça impugnatória acerca do cerceamento do direito de defesa e, adiante, assinala, in verbis: Ao iniciar a parte dispositiva do voto, a i. Relatora registra a conversão dos pedidos de compensação em Declarações de Compensação, fazendo-o nos seguintes termos Ul. 674): "Registre-se, de plano, a conversão dos pedidos de compensação, pendentes de apreciação pela autoridade administrativa em I° de outubro de 2002, em declarações de compensação — DCOMP, desde o seu protocolo, conforme preceitos contidos no art. 74, § 40 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (incluido pela Lei n°10.637, de 2002)". A partir de então, a C. 2a Turma da DRJ - Campinas passa a apreciar as compensações efetuadas pela Recorrente — via formulário impresso de "Pedido de Compensação" — como se Declarações de Compensação fossem, atribuindo para tanto o tratamento previsto na Instrução Normativa SRF n° 600, de 28.12.2005. É o que se depreende da leitura do r. acórdão recorrido, em especial nas fls. 674 e 676. No entanto, a aplicação do aludido ato normativo por parte do órgão julgador de primeira instância é notoriamente parcial e equivocada, tendo em vista que os dispositivos que estabelecem que a ordem de "compensação dos débitos indicados pela Recorrente" foram cabalmente ignorados. Vejamos. Nos últimos parágrafos do "relatório" do r. acórdão (verso da fl. 673), a i.Relatora menciona a implementação da compensação homologada no despacho decisório SAORT n° 151/2005, levada a efeito pela DRF Jundiai/SP, e ao mesmo tempo noticia a juntada aos autos do processo administrativo do "novo extrato PROFISC" (fls. 626/638), emitido pela Administração após a implementação da compensação, verbis: "Em atendimento ao solicitado, foi juntado novo extrato • PROFISC às fls. 626/638, com redução dos débitos cadastrados para o total de 60, dos quais remanescem apenas 25 débitos em aberto após a implementação da compensação, sendo também providenciada ciência à interessada em 20/12/2007 (AR à fl. • 640) por meio da Comunicação SEORT/EQRES n° 560/2007, de fls. 639, não tendo apresentado a contribuinte qualquer complementação de suas razões de defesa". Com efeito, a assertiva acima reproduzida comprova que o órgão julgador de primeira instância tomou conhecimento da implementação da compensação ultimada pela DRF Jundiai/SP e a referendou. • 4 Processo n° 13836.000335/2001-36 S1-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.235 Fl. 3 No entanto, ao agir desta forma, a C. 2a Turma da DRI Campinas consentiu coln o erro perpetrado pela DRF Jundiai, haja vista que na implementação da compensação, este órgão da Administração Tributária - deixou de observar a ordem dos débitos indicada pela Recorrente dos Pedidos de Compensação (convertidos em Declarações de Compensação), desrespeitando expressamente o disposto no § 70 do artigo 26 da. IN SRF n° 600/05, que assim estabelece: Compensação efetuada pelo sujeito passivo Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. § 7° Os débitos do sujeito passivo serão compensados na ordem por ele indicada na Declaração de Compensação. Ora, da simples leitura dos Pedidos de Compensação formalizados pela Recorrente, observa-se que os débitos por ela indicados para compensação estão compreendidos, ininterruptamente, entre os meses de abril de 2000 a julho de 2001, tanto para o P1S (código 8109) como para a COFINS (código 2172). Entretanto, ao implementar a compensação, a DRF Jundiai/SP adotou critério absolutamente aleatório e avesso ao regra mento estabelecido pela própria Receita Federal do Brasil, pois conforme evidencia o "Extrato de Processo" SINCOR — PROFISC, emitido em 13.12.2007, cuja cópia já foi anexada pela Administração aos autos do presente processo administrativo (fis. 626/638), diversos débitos de PIS e de COFINS indicados nos Pedidos de Compensação não foram liquidados pela Administração, que simplesmente ignorou a ordem indicada pela Recorrente, realizando de forma aleatória a compensação dos débitos. Neste sentido, observa-se que a DRF Jundiai liquidou débitos de COFINS referentes aos meses de outubro (R$ 13.817,81) e novembro do ano de 2000 (R$ 14.712,91), deixando em aberto débitos referentes aos meses de julho(R$ 11.915,60), agosto (R$ 15.425,93) e setembro (R$ 12.867,04) do mesmo ano. O mesmo erro se verifica na compensação de débitos de PIS, tendo em vista que diversos débitos apurados no ano de 2001 foram liquidados antes mesmo de a Administração efetuar a extinção de débitos relativos a alguns meses do ano de 2000. De fato, o procedimento realizado pela DRF Jundiai/SP e referendado pelo órgão julgador de primeira instância contrai-- 5 totalmente o disposto no art. 26, § 7°, da IN SRF n° 600/05, e ainda, atribui tratamento gravoso à Recorrente, vez que a compensaçã o de débitos de períodos mais recentes em detrimento da ordem indicada nos Pedidos de Compensaçã o resulta na maior incidência de juros nzorató rios sobre os débitos de períodos mais distantes, realidade esta que por si só traz prejuízo econômico à Recorrente. Assim, partilhando dos mesmos argumentos relacionados no presente Recurso, a C. Primeira Câmara do E. Segundo Conselho de Contribuintes enfrentou com acerto situação idêntica à discutida nos presentes autos, manifestando-se da seguinte forma: Vale dizer, portanto, que em respeito ao principio da legalidade, ao qual a Administração Pública deve obediência por força dos artigos 5°, II, 37 e 150, I, da Constituição Federal, • expressamente contemplados nos artigos 97 e 142 do Código Tributário Nacional, e reiterados especificamente para a Administração Tributária Federal nos artigos 2° da Lei n° 9.784/99, e 116, III, da Lei n° 8.112/91, não deveria a autoridade administrativa da DRF Jundiai/SP ter desrespeitado a ordem de indicação dos débitos realizada pela Recorrente nos Pedidos de Compensação. Da mesma forma, ao tomar conhecimento da compensação ultimada pela unidade de origem, o órgão julgador de primeira instância deveria ter determinado de pronto a correção da ordem de compensação dos débitos relacionados pela Recorrente nos Pedidos de Compensação, também em obediência ao principio da legalidade. Vale ressaltar, por relevante, que este é o momento processual oportuno para que a Recorrente possa manifestar sua discordância em relação à implementação da compensação realizada pela DRF Jundial, vez que, conforme relatado na própria Comunicação n° 560/2007 — SEORT/EQRES, que acompanhou o extrato do processo encaminhado à Recorrente em 17.12.2007 (data posterior à apresentação da Manifestação de Inconformidade), ao tomar ciência do procedimento realizado pela Administração, o processo ainda encontrava-se pendente de julgamento pela DRJ Campinas/SP. 3.2. DO RECONHECIMENTO TOTAL DO VALOR DO CRÉDITO PLEITEADO PELA RECORRENTE Nas alegações de defesa argüidas na Manifestação de Inconformidade, a Recorrente pugnou pela alteração dos valores correspondentes aos créditos indicados nos Pedidos de Restituição, reduzindo-os de R$ 268.245,13 para R$ 208.446,84, em relação ao saldo negativo de IRPJ, e de R$ 226.040,41 para R$ 145.389,90, no tocante ao saldo negativo de CSLL. Para tanto, a Recorrente recalculou o valor dos saldos negativos apurados e compensados nos anos-calendário de 1995 a 1999, e demonstrou na defesa a composição dos créditos em planilhas individualizadas, ano a ano. 411.1111010 6 . _ Processo n° 13836.000335/2001-36 S1-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.235 Fl. 4 Ao apreciar as aludidas planilhas, o órgão julgador de primeira instância confrontou as informações prestadas pela Recorrente com as informações disponibilizadas no sistema SIEF, e praticamente reconheceu novos direitos creditários em-favor da Recorrente nos valores originais de R$ 20.620,57 (IRP.1) e de R$ 16.155,96 (CSLL), além dos créditos já reconhecidos pela Delegacia da Receita Federal Jundiai, nos valores originais de R$ 140.994,78 (IRPJ) e de R$ 96.245,49 (CSLL). É o que se depreende da leitura do r. acórdão recorrido, in verbis: "Saldos Negativos de IRPJ Compensados com estimativas de 1996a 1999 Com a utilização de todos os saldos negativos de IRPJ ora confirmados nos anos-calendário de 1995 a 1999, com as estimativas de IRPJ apuradas nos períodos subseqüentes, verifica-se no demonstrativo juntado ás fls. 653/658 que restaram disponíveis os valores de RS 77.862,28 em 31/12/1998 e de R$ 140.994,78 em 31/1211999 este último já reconhecido pelo despacho decisório recorrido. Por outro lado, cabe também considerar o esclarecimento da manifestante à fl. 397 de que o total de crédito foi registrado incorretamente no pedido pelo valor de R$ 268.245,13, pelo que solicitou a redução do pleito relativo ao crédito de IRPJ decorrente dos saldos negativos do período (anos de 1995 a .1999) para o total de R$ 208.446,84, já atualizado pela SELIC até a data do pedido (22/08/2001). Considerando que o despacho decisório recorrido já reconheceu o crédito em 31/12/1999 no valor de R$ 140.994,78, equivalente em 22/08/2001 a R$ 177.709,82 (Selic de 01/2000 a 08/2001 mais I% - 1,2604), o litígio instaurado restringe-se à diferença no valor de R$ 30.737,02 (R$ 208.446,84 menos R$ 177.709,82), referente ao saldo negativo de IRPJ apurado em 31/12/1998 atualizado até a data do pedido. Assim, tendo em conta que a autoridade administrativa não pode conceder além do pedido devidamente formalizado pela contribuinte, cumpre no presente voto reconhecer o direito creditório referente à diferença pleiteada, relativa ao saldo negativo de IRPJ apurado em 31/12/1998 pela diferença original de R$ 20.620,57, que em 22/08/2001 totaliza R$ 30.737,02 pela aplicação da taxa Selic de 01/1999 a 08/2001 mais 1% (1,4906)". (grifos acrescidos). No tocante à diferença pleiteada a título de saldo negativo de CSLL, o entendimento é o mesmo: "Saldos Negativos de CSLL Compensados com estimativas de 1996a 1999 Procedendo-se a compensação de todos os saldos negativos de CSLL ora confirmados nos anos-calendário de 1995 a 1999 C077 7 as estimativas de CSLL apuradas nos períodos subseqüentes, verifica-se no demonstrativo juntado às fls. 659/669 que restaram disponíveis os valores de R$ 60.165,15 em 31/12/1998 e de R$ 96.245,49 em 31/12/1999 este último já reconhecido pelo despacho decisório recorrido. Por outro lado, á fl. 394 a manifestante esclarece que o total de crédito foi registrado incorretamente no valor de R$ 226.040,41, que representaria o montante de crédito em valores atualizados na data do pedido, pelo que solicitou a redução do pleito relativo ao crédito de CSLL decorrente dos saldos negativos do período (anos de 1995 a 1999) para o total de R$ 145.389,90, já atualizado pela SELIC até a data do pedido (22/08/2001). Considerando que o despacho decisório recorrido já reconheceu o crédito de CSLL em 31/12/1999 no valor de R$ 96.245,49, que em 22/08/2001 corresponderia a R$ 121.307,82 (Selic de 01/2000 a 08/2001 mais 1% - 1,2604), remanesce em litígio o valor de R$ 24.082,08 (R$ 145.389,90 menos R$ 121.709,82), referente ao saldo negativo de CSLL apurado em 31/12/1998 atualizado até a data do pedido. Logo, não podendo a autoridade administrativa conceder além do pedido devidamente formalizado pela contribuinte, no presente voto há que se reconhecer o direito creditó rio referente à diferença pleiteada relativa ao saldo negativo de CSLL apurado em 31/12/1998, no valor original de R$ 16.155,96 que na data do pedido (22/08/2001) totaliza R$ 24.082,08, pela aplicação da taxa Selic de 01/1999 a 08/2001 mais 1% (1,4906)". (grifas acrescidos) Neste contexto, partindo do pressuposto de que na Manifestação de Inconformidade a Recorrente reduziu o montante dos créditos informados nos Pedidos de Restituição, redução esta reconhecida pelo órgão julgador de primeira instância, nos termos acima reproduzidos, constata-se que o direito creditó rio em litígio foi TOTALMENTE RECONHECIDO pela C. 2" Turma da DRJ Campinas, tendo em vista que o aludido órgão manteve o crédito inicia/mente reconhecido pela DRF Jundiai, e adicionalmente, reconheceu o direito creditório referente as diferenças pleiteadas, nos valores originais de R$ 20.620,57 (IRPJ) e de R$ 16.155,96 (CSLL). Assim, diferentemente do que restou consignado na Conclusão do r. acórdão recorrido, não há que se falar em "reconhecimento parcial do direito creditório em litígio", pois conforme restou demonstrado, o direito creditório foi totalmente reconhecido pelo órgão julgador de primeira instância, partindo-se dos valores dos créditos corrigidos pela Recorrente na Manifestação de Inconformidade. • 8 Processo n° 13836.00033512001-36 SI-CM Acórdão n.° 1302-00.235 Fl. 5 Como se vê, o r. acórdão recorrido merece ser reformado, ante à incompatibilidade existente entre o teor de decisão constante no voto e o desfecho proferido na conclusão. É o Relatóri• 11111 • • 9 Voto • Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães - • Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Trata a lide de pedido de restituição de Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, decorrente de saldos negativos relativos aos anos de 1995 a 1999, cumulado com pedidos de compensação. Irresignada com a decisão proferida em primeira instância, que manteve o reconhecimento parcial do direito creditório promovido pela Delegacia da Receita Federal, a contribuinte impetrou recurso voluntário. Não obstante, destaco que a controvérsia a ser enfrentada no presente processo administrativo tem vinculação com a apreciada no de n° 13836.000644/2002-97. Diante de tal fato, releva reproduzir os seguintes excertos do voto condutor da decisão ali exarada. Todavia, não encontro sustentação legal para o fato de a autoridade julgadora de primeira instância não ter empreendido a apreciação conjunta dos pedidos formulados por meio do presente processo com os que foram objeto do de 13836.000335/2001-36, ainda que "dificuldade operacional" tenha impossibilitado o atendimento das determinações da Portaria SRF n° 6.129, de 2005. • Observo que as declarações de compensação foram protocolizadas nos meses de outubro, novembro e dezembro de . 2002, o despacho decisório da Delegacia da Receita Federal em Jundiaí foi efetivado em agosto de 2007, enquanto que a decisão de primeira instância no processo administrativo n° 13836.000335/2001-36 só foi prolatada em 11 de fevereiro de 2008. • Discordo, também, do argumento da autoridade julgadora recorrida de que, caso os processos tivessem sido juntados conforme determinara a Portaria antes referenciada, o procedimento a ser adotado seria o mesmo, vez que, considerado o disposto no parágrafo 11 do art. 74 da Lei n° 9.430/96, os débitos apontados nas declarações de compensação de fls. 01, 30 e 31 teriam ficado com a sua exigibilidade suspensa. • , A Portaria SRF n° 6.129, de 02 de dezembro de 2005, ato administrativo vigente à época em que os pedidos de compensação foram apreciados pela Delegacia da Receita Federal em Jundiaí, estabelecia: Art. 1° Serão objeto de uni único processo adininistrativo: •" 10 Processo II' 13836.000335/2001-36 S1-C3T2 Acórdão n.^ 1302-00.235 Fl. 6 III - aos Pedidos de Restituição ou de Ressarcimento e às Declarações de Compensação (Dcomp) que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas; • Art. 2' Os processos em andamento, que não tenham sido formalizados de acordo com o disposto no art. 1°, serão juntados por anexação na unidade da SRF em que se encontrem. A Portaria RFB n° 666, de 24 de abril de 2008, que revogou o ato administrativo acima, nada alterou em relação ao que aqui importa apreciai-. A afirmação de que a Portaria SRF n° 6.129 encontrava-se vigente à época da apreciação dos pedidos de compensação formalizados pela Recorrente decorre do fato de que, apesar de o despacho decisório exarado no processo administrativo n° 13836.000335/2001-36 ter sido datado de 08 de julho de 2005 (fls. 378/382 do referido processo), em virtude de despacho de Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. 530/532 do processo n" 13836.000335/2001-36), as compensações, requeridas no período de agosto de 2001 a setembro de 2002, só foram implementadas em dezembro de 2007 ffl.s. 639 do processo n°13836.000335/2001-36). Não obstante, ainda que se admita que à época em que a Delegacia da Receita Federal em Jundiai apreciou o pedido de restituição formalizado pela Recorrente não se encontrava em vigor a norma que determinou que a aná use fosse feita de forma conjunta com os pedidos de compensação, resta fora de dúvida que no momento em que a decisão de primeira instância foi prolatada no processo administrativo n° 13836.000335/2001-36 (11 de fevereiro de 2008) tal providência era exigida. Releva destacar que, em conformidade com o art. 2° da Portaria SRF n° 6.129, os processos em andamento que não haviam sido formalizados na forma determinada pelo ato administrativo deveriam ter sido juntados por anexação pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Observo, ainda, que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas, ao prolatar a decisão no processo administrativo n° 13836.000335/2001-36, identificando existência de crédito superior ao requerido pela contribuinte naquele processo, assinalou: Saldos Negativos de IRPJ Compensados com estimativas de 1996 a 1999 • Com a utilização de todos os saldos negativos de IRPJ, ora confirmados nos anos-calendário de 1995 a 1999, com as estimativas de IRPJ apuradas nos períodos subseqüentes, verifica-se no demonstrativo -juntado às fls. 653/658 oue 11 restaram disponíveis os valores de R$ 77.862,28 em 31/12/1998 e de R$ 140.994,78 em 31/12/1999, este último já reconhecido pelo despacho decisório recorrido. Por outro lado, cabe também considerar o esclarecimento da manifestante à fl. 397 de que o total de crédito foi registrado incorretamente no pedido pelo valor de R$ 268.245,13, pelo que - solicitou a redução do - pleito relativo ao crédito de IRPJ decorrente dos saldos negativos do período (anos de 1995 a 1999) para o total de R$ 208.446,84, já atualizado pela SELIC até a data do pedido (22/08/2001). Considerando que o despacho decisório recorrido já reconheceu o crédito em 31/12/1999 no valor de R$ 140.994,78, equivalente em 22/08/2001 a R$ 177.709,82 (Selic de 01/2000 a 08/2001 mais 1%, - 1,2604), o litígio instaurado restringe-se à diferença no valor de R$ 30.737,02 (R$ 208.446,84 menos R$ 177.709,82), referente ao saldo negativo de IRPJ apurado em 31/12/1998 atualizado até a data do pedido. Assim, tendo em conta que a autoridade administrativa não pode conceder além do pedido devidamente formalizado pela contribuinte, cumpre no presente voto reconhecer o direito creditó rio referente à diferença pleiteada, relativa ao saldo . negativo de IRPJ apurado em 31/12/1998 pela diferença original de R$ 20.620,57, que em 22/08/2001 totaliza R$ 30.737,02, pela aplicação da taxa Selic de 01/1999 a 08/2001 mais I% (1,4906). — Saldos Negativos de CSLL Compensados com estimativas de 1996a 1999 Procedendo-se a compensação de todos os saldos negativos de CSLL ora confirmados nos anos-calendário de 1995 a 1999 com. as estimativas de CSLL apuradas nos períodos subseqüentes, verifica-se no demonstrativo juntado às fls. 659/669 que restaram disponíveis os valores de R$ 60.165,15 em 31/12/1998 e de R$ 96.245,49 em 31/12/1999, este último já reconhecido pelo despacho decisório recorrido. Por outro lado, à fl. 394 a manifestante esclarece que o total de crédito foi registrado incorretamente no valor de R$ 226.040,41, que representaria o montante de crédito em valores atualizados na data do pedido, pelo que solicitou a redução do pleito relativo ao crédito de CSLL decorrente dos saldos negativos do período (anos de 1995 a 1999) para o total de R$ 145.389,90, já atualizado pela SELIC até a data do pedido (2210812001). - Considerando que o despacho decisório recorrido já reconheceu o crédito de CSLL em 31/12/1999 no valor de R$ 96.245,49, que em 22/08/2001 corresponderia a R$ 121.307,82 (Selic de 01/2000 a 08/2001 mais 1 0 - 1,2604), remanesce em litígio o valor de R$ 24.082,08 (R$ 145.389,90 menos R$ 121.709,82), referente ao saldo negativo de CSLL apurado em 31/12/1998 atualizado até a data do pedido. Logo, não podendo a autoridade adnzinistrativa conceder além do pedido devidamenteformalizado pela contribuinte, no 12 • Processo n° 13836.000335/2001-36 S1-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.235 Fl. 7 presente voto há que se reconhecer o direito creditório referente à diferença pleiteada, relativa ao saldo negativo de CSLL apurado em 31/12/1998, no valor original de R$ 16.155,96, que na data do pedido (22/08/2001) totaliza R$- 24.082,08, pela aplicação da taxa Selic de 01/1999 a 08/2001 mais 1% (1,4906). • (GRIFEI) Depreende-se, pois, que a autoridade julgadora de primeira instância identificou crédito em montante superior ao que ali houvera sido pleiteado. Logo, se os pedidos de compensação tivessem sido apreciados de forma conjunta, ainda que restassem débitos cujos compensações não fossem homologadas, a extinção, por compensação, teria se dado em patamar superior ao que efetivamente foi realizada. Isto demonstra, mais uma vez, que a não reunião dos pedidos, nos termos dó estabelecido pela Portaria SRF n" 6.129/2005, resultou em prejuízo para a Recorrente. Assim, considerado tudo que do processo consta, conduzo meu voto no sentido de ANULAR o processo a partir do despacho decisório de fls. 378/382, para que outro seja exarado, observando-se as disposições da Portaria SRF n° 6.129/2005 (anexação do presente processo com o de n° 13836.000644/2002-97, de modo que a análise dos pedidos de compensação correspondentes possa ser feita de forma conjunta) e da IN SRF n° 600/2005, em especial a prevista no parágrafo 7° do art. 26 da referida instrução. 1 WILSON r ERNAND AKAES - Relator 13
score : 1.0
Numero do processo: 16561.000027/2007-61
Data da sessão: Wed Sep 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 2003, 2004, 2005
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E OBSCURIDADE. INOCORRÊNCIA.
Há que se manter a decisão embargada nos termos em que foi prolatada se o contribuinte, com fundamento na alegação de ocorrência de omissão e obscuridade, traz como suporte matérias não suscitadas no recurso voluntário ou que não concorreram para a solução da controvérsia.
Numero da decisão: 1302-000.355
Decisão: ACORDAM os membros da3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, NÃO ACOLHER dos embargos.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARÃES
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OMISSÃO E OBSCURIDADE. INOCORRÊNCIA. Há que se manter a decisão embargada nos termos em que foi prolatada se o contribuinte, com fundamento na alegação de ocorrência de omissão e obscuridade, traz como suporte matérias não suscitadas no recurso voluntário ou que não concorreram para a solução da controvérsia. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, NÃO ACOLHER dos embargos. Marcos Rodrigues de Mello Presidente Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Irineu Bianchi, Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade e Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junior. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.000027/2007-61 Acórdão n.º 1302-00.355 S1-C3T2 Fl. 2 2 Fl. 2DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.000027/2007-61 Acórdão n.º 1302-00.355 S1-C3T2 Fl. 3 3 Relatório Trata o presente de embargos de declaração interpostos por ACHÉ LABORATÓRIOS FARMACÊUTICOS S/A. Em conformidade com o aludido pela embargante na peça de fls. 1.305/1.324, a Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ao prolatar o acórdão nº 1.301-00.058 (sessão de 13 de maio de 2009), teria incorrido em omissões e obscuridades, relativamente à fundamentação da decisão que manteve a tributação sobre a variação cambial e a glosa dos dispêndios com ágio. Aduz ter havido erro de cálculo no auto de infração lavrado, devendo a correspondente retificação ser feita de ofício. Nesse contexto, sustenta: VARIAÇÃO CAMBIAL - que, em obediência ao disposto no artigo 25 da Lei nº 9.249/95, artigos 22 e 23 do Decreto-Lei nº 1.598/77 e art. 427 do RIR/99, deu à variação cambial o tratamento de neutralidade da equivalência patrimonial; - que os embargos visam postular o exame da fundamentação acima referenciada, em especial a aplicação do art. 25, par. 6º, da Lei nº 9.249/95 e o art. 427 do RIR/99; - que tal fundamentação não foi apreciada pela Turma Julgadora, de modo a esclarecer se ela deveria ou não proceder de acordo com o disposto no art. 427 do RIR/99, realizando a equivalência patrimonial previamente à baixa do investimento com o consequente tratamento previsto pelos artigos 22 e 23 do Decreto-Lei nº 1.598/77, em atenção ao disposto no art. 25, par. 6º, da Lei nº 9.249/95, o que implicaria a exclusão da parcela da equivalência patrimonial; - que o Acórdão busca tributar os valores autuados como se fossem ganhos na alienação de investimento, olvidando-se que as contribuições ao PIS e a COFINS não incidem sobre a alienação de bens do ativo permanente nos termos do art. 3º, par. 2º, IV, da Lei nº 9.718/98, art. 1º, par. 3º, II, da Lei nº 10.833/2003, art. 1º, par. 3º, VI, da Lei nº 10.637/2002 e art. 15, I, da Lei nº 10.833/03; - que não procede o entendimento do acórdão recorrido no sentido de tratar os valores autuados como ganhos na alienação de ativo permanente, mas que, ainda que assim fosse, haveria de se enfrentar os dispositivos acima citados; - que, ao prevalecer o entendimento de que se aplica o regime do art. 375 do RIR/99 e da MP nº 1.858/99 para o resgate do investimento no exterior, requer que a Turma Julgadora esclareça: a) se está aplicando retroativamente o disposto no art. 30 da MP nº 1.858, para alcançar a variação cambial registrada anualmente até janeiro de 2000, quando ainda Fl. 3DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.000027/2007-61 Acórdão n.º 1302-00.355 S1-C3T2 Fl. 4 4 vigorava o regime de competência (art. 375 do RIR/99); ou b) se a aplicação do referido dispositivo deve colher somente as variações cambiais registradas a partir de janeiro de 2000; - que se esclareça se para a parcela resgatada em 2004 a tributação da variação cambial referente ao ano de 2003 deveria ser tributada conforme o art. 7º da IN 213/02. DESPESAS DE ÁGIO - que o voto condutor da decisão embargada deixou de se manifestar sobre fundamentos apresentados no Recurso, introduzindo ainda um novo fundamento para a manutenção da autuação (alega que o RELATOR entendeu que a despesa de ágio seria indedutível porque decorreu de mais valia do patrimônio da própria empresa que se beneficiou de sua dedução, causa que, para ela, não havia sido invocada nem pela autuação nem pela decisão de primeira instância); - que os fundamentos que demonstram a obrigatoriedade do registro do ágio quando a aquisição se dá por subscrição de capital não foram analisadas pela decisão embargada; - que, apesar de conferir extrema importância ao relatório de avaliação econômica produzido pela empresa Ernst & Young (Laudo), o Acórdão embargado se omitiu em relação aos fundamentos de defesa apresentados a esse respeito, “acatando o alegado unilateralmente pelo auto de infração”; - que os fundamentos de defesa relativos ao Laudo não foram, até o momento, apreciados; - que se vale dos embargos para postular o exame dos fundamentos de fato e de direito apresentados na peça impugnatória; - que a decisão recorrida omitiu-se em relação ao fundamento econômico da reestruturação empreendida por ela; - que a alegação de que após a reestruturação societária a participação no Aché retornou aos mesmos donos originais corresponde a um erro de fato. É o Relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.000027/2007-61 Acórdão n.º 1302-00.355 S1-C3T2 Fl. 5 5 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Trata a lide de embargos declaratórios, interpostos com base no pressuposto de ocorrência de dúvidas, omissões e obscuridades no acórdão nº 1.301-00.058 (sessão de 13 de maio de 2009), prolatado pela Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção deste Colegiado. No presente processo foram formalizadas exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e reflexos, relativas aos anos-calendário de 2002 a 2004, em razão da imputação das seguintes infrações: a) subavaliação de estoque final; b) ausência de oferecimento à tributação de variações monetárias ativas (variações cambiais); e c) glosa de despesas com ágio. A infração descrita na letra “a” acima foi excluída pela decisão de primeiro grau, não tendo havido interposição de recurso de ofício, vez que o crédito tributário exonerado não ultrapassou o limite para tal. Assim, o acórdão ora embargado tratou, apenas, das irregularidades descritas nas letras “b” (variação cambial) e “c” (despesa de ágio). O acórdão nº 1.301-00.058, em que a já referida Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara decidiu, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário interposto, foi assim ementado: RESGATE DE AÇÕES. VARIAÇÃO CAMBIAL – A variação cambial apurada em resgate de ações não se confunde com a flutuação cambial decorrente de ajuste de equivalência patrimonial, devendo, por expressa disposição de lei, ser submetida à incidência do imposto de renda e das contribuições sociais lançadas por via reflexa. Não obstante, a identificação de erro na determinação da matéria tributável impõe a devida correção por parte da autoridade julgadora. DESPESA DE ÁGIO. DESCARACTERIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE – Não há que se falar em despesas de ágio na situação em que os montantes correspondentes decorrem de expectativas de rentabilidade daquele que se beneficiou da redução do lucro tributável. JUROS SELIC – A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. Em sede de embargos, a contribuinte argumenta que procura esclarecer dúvidas, omissões e obscuridades relacionadas a (in verbis): Fl. 5DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.000027/2007-61 Acórdão n.º 1302-00.355 S1-C3T2 Fl. 6 6 i) fundamentação da decisão que manteve a tributação sobre a variação cambial na equivalência patrimonial na baixa de investimento no exterior; e ii) fundamentação da decisão que manteve a glosa das despesas de ágio. Sustenta, ainda, a embargante, ter havido erro de cálculo no auto de infração. Pelas razões adiante expostas, o apelo não deve ser acolhido. Em primeiro lugar, releva destacar que o remédio jurídico pretendido pela contribuinte (embargos declaratórios) constitui via estreita, cuja admissibilidade é condicionada à observância dos pressupostos indicados no artigo 65 da Portaria MF nº 256, de 2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nessa linha, a impetração de embargos limita-se às circunstâncias em que fique demonstrado que o acórdão: a) contém obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos; e b) omitiu ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma. Assim, ressalto que deve ser afastado todo e qualquer argumento trazido pela embargante com o intuito de rediscutir o mérito do pronunciamento feito pela Turma Julgadora, eis que inexistente, juridicamente, o dever de apreciação. Passo, agora, a demonstrar a insubsistência das alegações da embargante. VARIAÇÃO CAMBIAL Alega a embargante: ... 4. O presente tópico trata do lançamento buscando a tributação da equivalência patrimonial correspondente à variação cambial em investimento no exterior. Nesse sentido, na fundamentação da DRJ, para manter a tributação sobre os aludidos ganhos, encontra-se no item 61, o seguinte: ... 5. Em razões de recurso, a embargante postulou o tratamento da matéria segundo o regime do artigo 25 da Lei 9249, observando o disposto no parágrafo 6º do referido dispositivo. ... 8. A decisão ora embargada manteve o lançamento, ao entendimento de que o fato de se tratar de resgate de ações ensejaria a tributação da variação cambial decorrente da equivalência patrimonial. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.000027/2007-61 Acórdão n.º 1302-00.355 S1-C3T2 Fl. 7 7 II.1. Da omissão do acórdão 9. Os presentes embargos se prestam a postular o exame da fundamentação contida nos itens acima, em especial a aplicação do artigo 25, parágrafo 6º, da Lei 9249 e o artigo 427 do RIR/99. Na medida em (que) o resgate de ações acarretou a baixa do investimento (e não direito de crédito), o artigo 427 deveria ser obedecido, o que foi feito pela Recorrida. 10. Este fundamento, data máxima vênia, não foi apreciado por essa Turma Julgadora... 11. Finalmente, há que se ressaltar que o Acórdão busca tributar os valores autuados como se fossem ganhos na alienação de investimento, olvidando-se que as contribuições ao PIS e a COFINS não incidem sobre alienação de bens do ativo permanente nos termos do... Aqui, como se vê, o que efetivamente a embargante pretende é que a matéria seja reapreciada segundo os fundamentos esposados no recurso voluntário, que, é bom que se ressalte, não guarda relação com os que serviram de suporte para os lançamentos tributários. Revela-se equivocada, também, como a seguir será demonstrado, a afirmação de que o acórdão embargado manteve o lançamento ao entendimento de que o fato de se tratar de resgate de ações ensejaria a tributação da variação cambial decorrente da equivalência patrimonial. No que tange às considerações acerca do PIS e da COFINS, tratam-se de argumentos só agora trazidos ao processo, não cabendo, assim, qualquer apreciação em sede de embargos. O voto condutor da decisão embargada, relativamente à tributação da variação cambial, assinalou: Em que pese uma certa variação na linha de argumentação, a contribuinte, em sede de recurso voluntário, basicamente renova as alegações oferecidas por ocasião da interposição da peça impugnatória. O argumento central da Recorrente é de que a tributação da variação cambial, no caso vertente, não encontra respaldo na legislação de regência. Nessa linha, sustentando que as variações cambiais geradas pela conversão para reais do patrimônio da controlada são capturadas no patrimônio da investidora por meio dos ajustes decorrentes da aplicação do método da equivalência patrimonial, afirma que referidos ajustes são neutros para fins fiscais por força do disposto no parágrafo 6º, do art. 25, da Lei nº 9.249/95. A partir de tal assertiva, a Recorrente discorre sobre a legislação que disciplina a tributação dos lucros auferidos no exterior, reproduzindo, inclusive, manifestações do Primeiro Conselho de Contribuintes no sentido da intributabilidade da variação cambial relacionada a investimentos permanentes detidos no exterior. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.000027/2007-61 Acórdão n.º 1302-00.355 S1-C3T2 Fl. 8 8 Creio que os argumentos expendidos pela Recorrente não podem ser recepcionados. Com efeito, ainda que se possa fazer algum reparo às considerações feitas pela Recorrente acerca da tributação da variação cambial atrelada aos ajustes decorrentes de equivalência patrimonial, a situação retratada nos autos é absolutamente distinta. Em consonância com o Termo de Verificação de fls. 813/830, a infração imputada à contribuinte está representada pelo não oferecimento à tributação dos ganhos cambiais auferidos em resgates de ações. Tratando-se, pois, de realização do investimento, em consonância com a legislação tributária, torna-se necessário determinar o ganho ou a perda cambial correspondente, fazendo-se transitar pelo resultado fiscal a receita (ganho) ou a despesa (perda) apurada. Releva observar que as flutuações cambiais derivadas dos ajustes de equivalência patrimonial, por não configurarem realização efetiva do investimento, têm sido objeto de ampla discussão neste Colegiado, vez que, com fundamento nas disposições da Instrução Normativa SRF nº 213/2002, as autoridades fiscais as tem submetido à incidência do Imposto de Renda (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Neste particular, amparado em pronunciamento do Ministério da Fazenda no veto parcial ao Projeto de Lei de Conversão nº 30, de 2003 (art. 46 da Medida Provisória nº 135/03), tenho me manifestado pela exoneração dos créditos tributários constituídos (IRPJ e CSLL). No caso ora submetido a exame, entretanto, o lançamento tributário teve por base, entre outras, as disposições do art. 375 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99) e do art. 30 da MP nº 1.858-10/99 e reedições. O artigo 375 do RIR/99, por sua vez, tem por fundamento o preconizado pelo art. 18 do Decreto-Lei nº 1.598/77, art. 8º da Lei nº 9.249/95, art. 9º da Lei nº 9.718/98 e art. 30 da MP nº 1.858-10/99 e reedições. Em conformidade com a citada legislação, as variações cambiais: a) devem ser incluídas no lucro operacional; b) quando negativas (perdas cambiais), podem ser deduzidas para efeito de determinar o lucro operacional; c) são consideradas, para efeitos da legislação do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição PIS/PASEP e da COFINS, como receitas ou despesas financeiras, conforme o caso; e d) devem ser consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda, da contribuição social sobre o Fl. 8DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.000027/2007-61 Acórdão n.º 1302-00.355 S1-C3T2 Fl. 9 9 lucro líquido, da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, quando da liquidação da correspondente operação. Observo, assim, que a situação tratada na peça acusatória, qual seja, variação cambial apurada em resgate de ações, é absolutamente distinta das flutuações cambiais determinadas em decorrência dos ajustes de equivalência patrimonial que, por pronunciamento advindo do próprio Ministério da Fazenda, dependeria de expressa previsão legal. Apesar de entender que os diplomas legais antes citados, na hipótese da efetiva disponibilização de lucros auferidos no exterior e da ocorrência de variação cambial positiva, são aptos a servir de suporte para a incidência dos tributos e contribuições aqui tratados, sendo admissível a subtração do resultado negativo na determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, tenho me curvado ao pronunciamento do Ministério da Fazenda acerca da matéria, única e exclusivamente em razão da necessária observância dos ditames do poder hierárquico. ... Adiante, naquilo que denominou OBSCURIDADE DO ACÓRDÃO, a embargante, trazendo premissa ausente no voto condutor da decisão combatida, vez que nenhuma alusão foi feita aos critérios utilizados pela autoridade autuante para determinar o montante tributável, tenta, mais uma vez, inovar em questões de mérito, trazendo argumentos contra a legislação que serviu de suporte para os lançamentos tributários. No que diz respeito a tais argumentos, a exemplo das considerações acerca do PIS e da COFINS, cabe apenas observar que eles deveriam ter sido apresentados por ocasião da interposição das defesas anteriores (impugnação e recurso), não se podendo admitir que se possa alegar OBSCURIDADE em relação ao fundamento legal da autuação, quando em relação a esse mesmo fundamento, claramente descrito na peça acusatória, a contribuinte adotou linha argumentativa que em nada se assemelha a que agora traz por meio dos embargos interpostos. Trata-se, pois, de inovação de argumento de defesa, que, atacando os critérios jurídicos considerados pela autoridade fiscal para determinar o montante tributável, busca tornar ilíquido e incerto esse mesmo montante. À evidência, considerando a via eleita, inexiste espaço para que tais alegações possam ser apreciadas. DESPESAS DE ÁGIO Relativamente a esse item, desconsiderada a descrição tendenciosa e inadequada da estrutura do voto condutor da decisão embargada e a reiteração de argumento de defesa apreciado e afastado pelo citado voto condutor (a de que a decisão de primeiro grau teria alterado o fundamento do lançamento), a embargante afirma: ... Fl. 9DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.000027/2007-61 Acórdão n.º 1302-00.355 S1-C3T2 Fl. 10 10 33. Nesse contexto, o voto deixou de se manifestar sobre fundamentos apresentados no Recurso, cuja apreciação é fundamental ao deslinde do feito, introduzindo ainda um novo fundamento para a manutenção da autuação, que não havia sido ventilado no processo até o momento. Adiante, tece considerações acerca dos seguintes aspectos: - que o Relator teria entendido que a despesa de ágio seria indedutível por decorrer da chamada incorporação invertida; - que o acórdão teria sido omisso quanto ao conteúdo e alcance da expressão “aquisição” constante do artigo 385 do RIR/99 (aqui, a contribuinte faz referência aos itens 187 e seguintes da IMPUGNAÇÃO); - que o acórdão embargado teria sido omisso em relação ao Relatório da ERNST & YOUNG (mais uma vez, a contribuinte faz referência aos argumentos esposados na peça de IMPUGNAÇÃO acerca da matéria, admitindo, de forma expressa, que não tratou do assunto do recurso por entender que a decisão de primeira instância havia consentido com o que ela havia alegado na impugnação); - que o acórdão embargado teria se omitido em relação ao propósito negocial da operação; - que teria havido erro de fato, vez que a participação transferida em 27 de março de 2003 não teria retornado aos antigos acionistas. Apesar de não vislumbrar nos presentes autos a ocorrência das omissões apontadas, trago, como mero subsídio, a jurisprudência (pacífica) do Superior Tribunal de Justiça no sentido de que não viola o art. 535 do Código de Processo Civil o acórdão que, mesmo sem ter examinado individualmente cada um dos argumentos trazidos pelo vencido, adota, entretanto, fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. Não obstante, fazendo uso da mesma metodologia adotada pela embargante, esclareço que o recurso voluntário por ela apresentado foi estruturado da seguinte forma: I – SÍNTESE DA AUTUAÇÃO: por meio de seis tópicos, a contribuinte descreveu as infrações que lhe foram imputadas; II – REFORMA DA R. DECISÃO PROFERIDA (i – RESULTADOS POSITIVOS DE VARIAÇÃO CAMBIAL) : por meio de quarenta e seis tópicos, a contribuinte trouxe argumentos relacionados à tributação da variação cambial, cujas alegações trazidas em sede de embargos já foram apreciadas; II – REFORMA DA R. DECISÃO PROFERIDA (ii – ÁGIO): no presente item e subitem, constituídos por sessenta e dois tópicos, a contribuinte tratou, em vinte e um deles, de descrever os fatos, em outros seis, de descrever a autuação fiscal e as razões expendidas na peça impugnatória, em trinta e cinco, da decisão da qual recorria (em que, basicamente, sustentou que tal decisão tinha inovado na fundamentação da autuação, que inexistiria motivo para simular, e, em comentários finais, sintetizou os argumentos anteriormente expendidos); Fl. 10DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.000027/2007-61 Acórdão n.º 1302-00.355 S1-C3T2 Fl. 11 11 II – REFORMA DA R. DECISÃO PROFERIDA (iii – A INAPLICABILIDADE DA TAXA SELIC PARA CÔMPUTO DOS JUROS MORATÓRIOS); III – DOS LANÇAMENTOS REFLEXOS; e IV – PEDIDO O voto condutor da decisão combatida, por sua vez, assinalou (relativamente ao ÁGIO): DESPESA DE ÁGIO No que diz respeito a esse item, a argumentação básica da Recorrente é de que empreendeu reestruturação visando segregação de ativos, inexistindo artificialismo na apuração do ágio, mas, sim, fiel observância das disposições da Lei nº 9.532, de 1997. Nesse diapasão, pode-se destacar os seguintes pontos da peça recursal apresentada pela contribuinte: - o crescimento e desenvolvimento de atividades desvinculadas do negócio central da empresa demandaram mudança na sua estrutura organizacional; - o ingresso de sucessores nos quadros administrativos da empresa, a não profissionalização da administração e a concentração de negócios afeitos aos investimentos familiares, passaram a ser fonte permanente de conflitos e desentendimentos entre os sócios, colocando em risco a própria sobrevivência da empresa; - para segregar o negócio farmacêutico dos que a ele não se vinculavam (em especial, atividades imobiliárias), foi eleita a empresa MAGENTA, que até hoje representa o braço imobiliário do Grupo; - tendo sido conferida à MAGENTA participação integral no capital social da empresa, ela deveria receber em pagamento de dividendos os imóveis que lhe permitiriam dar curso às atividades imobiliárias; - o ACHÉ foi conferido à MAGENTA pelo valor registrado nas três holdings familiares, que já contemplava ágio, de forma que não há que se falar que essa operação foi realizada com o objetivo de “criar” ágio; - o valor pago pela MAGENTA, como a respectiva emissão de ações, estava de acordo com a avaliação do ACHÉ, realizada pela ERNST & YOUNG com base na perspectiva de rentabilidade futura; - após a aquisição, a MAGENTA desdobrou o custo de aquisição em valor patrimonial e ágio, nos exatos termos do art. 385 do Regulamento do Imposto de Renda; Fl. 11DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.000027/2007-61 Acórdão n.º 1302-00.355 S1-C3T2 Fl. 12 12 - subseqüentemente, tendo recebido os imóveis em pagamento de dividendos, a MAGENTA foi cindida, segregando-se os imóveis do investimento na atividade farmacêutica, enquanto a parcela relativa à participação na atividade farmacêutica foi incorporada ao ACHÉ; - após a incorporação, o ACHÉ registrou o ágio que teve por fundamento econômico as perspectivas de rentabilidade futura (R$ 583.247.482,99) em conta de ativo diferido para futura amortização e a parcela do ágio correspondente ao investimento na PRODOME (R$ 30.010.000,00) à conta do referido investimento, conforme determina o art. 386, incisos I e III respectivamente; - a insurgência fiscal contra a observância das regras da CVM é inócua, pois as regras e procedimentos seguidos pela empresa são também determinados pela própria legislação fiscal; - o entendimento da Fiscalização no sentido de que a conferência do ACHÉ em integralização do capital social da MAGENTA não seria uma forma de aquisição não procede, pois, aquisição é qualquer forma translativa de propriedade e domínio, e a integralização de capital é uma forma de transferir a propriedade. No que tange especificamente à decisão prolatada em primeira instância, a Recorrente sustenta que a autoridade julgadora houve por bem manter a autuação, abandonando as alegações constantes na peça impositiva e invocando a prática de simulação, que não havia sido cogitada em nenhum momento pela autuação (adita que o auto de infração sequer aplicou multa qualificada ao caso). Argumenta que a adoção de fundamentos jurídicos diferentes, pelo auto de infração e pela decisão recorrida, acarreta nulidade, além de violação ao art. 146 do CTN. Afirma que a decisão recorrida alega que houve simulação mas não a comprova, ao argumento de que poderia presumir a ocorrência de simulação, já que sua comprovação seria muito difícil. Aduz que nenhum dos atos praticados na reestruturação seria necessário para a alegada “criação do ágio”, pois este já existia antes mesmo de se dar a reestruturação societária. Relativamente a esse item, a imputação da infração foi feita a título de ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL, tendo sido consideradas as seguintes matérias tributáveis: FG: 31.12.2003 – R$ 17.250.000,00 FG: 31.12.2004 – R$ 89.520.000,00 Como fundamento legal foram utilizados os arts. 249, 385, 386, 387 e 391, todos do RIR/99. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.000027/2007-61 Acórdão n.º 1302-00.355 S1-C3T2 Fl. 13 13 A controvérsia aqui, como se vê, cinge-se à possibilidade, frente à legislação do imposto de renda, da dedutibilidade da despesa de ágio promovida pela Recorrente. Observo, de início, que, diante dos termos da imputação promovida pela autoridade fiscal, não se encontra em discussão nos presentes autos a legalidade ou legitimidade das operações realizadas pela contribuinte, mas, sim, se os efeitos fiscais delas decorrentes podem ser admitidos. Para a solução da lide, creio que mereçam ser destacadas as seguintes considerações trazidas pela autoridade autuante (Termo de Verificação Fiscal – fls. 813/830): 1. Através da empresa ERNST & YOUNG foi procedida uma avaliação do patrimônio da Recorrente, em 04 de março de 2003. Referida avaliação, efetuada em razão de pedido formulado pela contribuinte, foi efetuada com base em informações contábeis e gerenciais fornecidas pela própria Recorrente, ou seja, os elementos colhidos e que seviram de base para avaliação foram tidos como verídicos a partir de informações prestadas pela contribuinte sem que fosse efetuada uma auditoria; 2. A empresa avaliadora (ERNST & YOUNG), diante da metodologia adotada, consignou, de forma expressa, que não assumia qualquer responsabilidade futura em relação à precisão dos dados utilizados; 3. Dos denominados ATIVOS NÃO OPERACIONAIS considerados pela avaliadora, o único investimento reavaliado foi concernente à empresa PRODOME LTDA., reavaliação essa promovida com base em laudo de avaliação emitido pela empresa RICHARD ELLIS e pelo valor de realização dos estoques; 4. Os sócios da Recorrente (VENTURA LTDA, PARTAGE EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA e MARVIC’S EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA) transferiram, cada um, 4.500.000 ações, em 27 de março de 2003, para a empresa MAGENTA PARTICIPAÇÕES S/A (sediada no mesmo endereço da Recorrente e tendo os mesmos administradores), sendo que essas mesmas ações retornaram, em 1º de abril de 2003, isto é, após cinco dias, aos mesmos proprietários anteriores (VENTURA, PARTAGE e MARVIC’S); 5. No período em que ações ficaram em seu poder (de 27 de março a 1º de abril de 2003), a MAGENTA, com base no relatório elaborado pela empresa ERNST & YOUNG, promoveu os lançamentos contábeis absorvendo o resultado da avaliação patrimonial efetuada; 6. Em 1º de abril de 2003, os administradores da Recorrente e da empresa MAGENTA deliberam no sentido de verter, por meio de cisão parcial, parte do patrimônio desta última para a Fl. 13DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.000027/2007-61 Acórdão n.º 1302-00.355 S1-C3T2 Fl. 14 14 Recorrente, tomando por base os valores patrimoniais retratados no relatório elaborado pela ERNST & YOUNG; 7. No documento PROTOCOLO DE CISÃO PARCIAL E INCORPORAÇÃO E INSTRUMENTO DE JUSTIFICAÇÃO ENTRE MAGENTA PARTICIPAÇÕES E ACHÉ, consta, entre as justificativas e considerações registradas, a seguinte informação: “que a Magenta, após a conferência de ações ordinárias nominativas, sem valor nominal, emitidas pelo ACHÉ ao seu capital social, conforme AGE da Magenta, realizada em 27/03/2003, passou a deter o ágio existente no Aché”; 8. Restou consigado ainda no referido documento: “que a cisão parcial da Magenta com a incorporação do acervo cindido pelo Aché, possibilitará a segregação final das atividades do Aché, bem como levará a este ágio referido que se justifica, na medida em que permitirá: 1) segregação das atividades atualmente exercidas pelo Aché, melhorando seu gerenciamento, administração e eficiência; e II) a melhoria das condições de capitalização e do fluxo de caixa do Aché, através do aproveitamento por parte deste, do benefício fiscal gerado pela amortização do mencionado ágio, motivo pela qual firma, o presente nos seguintes termos:”(GRIFEI); 9. O ágio acima referenciado decorreu da avaliação promovida pela empresa ERNST & YOUNG; 10. Após 1º de abril de 2003, isto é, promovida a reorganização societária que possibilitou a criação do ÁGIO, a MAGENTA cede as ações para as proprietárias anteriores da Recorrente (VENTURA, PARTAGE e MARVIC’S), de modo que, após cinco dias, tudo volta ao estado anterior; 11. A empresa MAGENTA apresentou nos anos-calendário de 2001 e de 2002 declarações como INATIVA, e, após esses anos, se submeteu à incidência do imposto com base no lucro presumido; O que se observa é que os administradores da Recorrente e de outras empresas a ela ligadas, em um prazo de cinco dias, tomando por base uma avaliação discutível do seu patrimônio, aproveitaram-se de uma reorganização societária para fazer surgir uma despesa vultosa, classificada como ÁGIO, e, a partir daí, reduzir o lucro tributável. O planejamento tributário engendrado pela Recorrente, que ao menos no que tange aos seus efeitos fiscais revela o lado perverso das práticas adotadas sob esse manto, representou, em síntese, a criação de uma despesa que tem por base a própria mais valia do seu patrimônio, isto é, a contribuinte, a partir de uma avaliação encomendada por ela própria, fez refletir no seu ativo os resultados de uma suposta rentabilidade futura e, por meio de uma reorganização societária, sem despender um único centavo, transformou essa mais valia em uma despesa. Fl. 14DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.000027/2007-61 Acórdão n.º 1302-00.355 S1-C3T2 Fl. 15 15 Como salientado pela autoridade fiscal, o ágio objeto de amortização por parte da Recorrente, na forma como foi criado, representa a sua própria expectativa de lucro, nascida em decorrência da avaliação solicitada à empresa ERNST & YOUNG. O que salta aos olhos é que, como bem ressaltou a autoridade fiscal, a intenção da Recorrente foi, paralelamente aos interesses estritamente societários, forjar a existência de um ágio para, a partir da conseqüente redução da incidência tributária, propiciar ganhos para os seus acionistas. Note-se que a autoridade fiscal, ainda que tenha tratado o ágio apropriado como fruto de artificialismo, não questionou os motivos alegados pela Recorrente para promover as operações aqui tratadas, ou seja, diferentemente do arguido por ela, não se imiscuiu em seus negócios, declarando-os ilegais ou ilegítimos. Apenas e tão-somente demonstrou que os efeitos fiscais buscados pela empresa, a luz da legislação do imposto de renda, não poderiam ser admitidos. A meu ver, outra não poderia ser a conclusão, pois, no caso vertente, em que a despesa apropriada decorreu de mais valia do patrimônio daquela que almeja beneficiar-se de sua dedutibilidade, não há que se falar em ágio decorrente de aquisição de participação societária. O argumento da Recorrente no sentido de que a autoridade julgadora de primeira instância teria mudado o fundamento jurídico do lançamento, a meu ver, merece reparo, pois, como se demonstrará adiante, tal ilação é apresentada fora do contexto em que os argumentos foram trazidos aos autos. Com efeito, a referida autoridade, após explicitar de forma minuciosa os fatos que, segundo sua análise, demonstravam a absoluta impossibilidade de se admitir a deduditibilidade da despesa, fez considerações acerca dos institutos da elisão, evasão e simulação para retrucar afirmações apresentadas pela contribuinte em sua peça impugnatória, senão vejamos: ... Adições não computadas na apuração do lucro real Para se entender as operações que foram feitas e que resultaram na produção de ágio nas operações de transferência da totalidade das ações da Aché dos três sócios originais para a Magenta e, cinco dias depois, a nova transferência dessas mesmas ações novamente para os três sócios originais, deve-se fazer um cronograma das operações realizadas: Em 04/03/2003 é feito relatório de avaliação econômica financeira da contribuinte pela empresa Ernst&Young (fls. 405 a 437). Dessa avaliação destaca-se, dentre todas empresas controladas pela Aché, a única a sofrer alteração de valor foi a empresa Prodome Farmacêutica. Esse investimento teve seu Fl. 15DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.000027/2007-61 Acórdão n.º 1302-00.355 S1-C3T2 Fl. 16 16 valor aumentado com base no laudo efetuado pela empresa Richard Ellis, laudo esse que reavaliou o ativo imobilizado dessa empresa e o valor da realização dos estoques, concluindo pela valoração desse ativo em R$ 30.010.000,00. Esse relatório da Ernst&Young considerou também os resultados obtidos pela Prodome no primeiro trimestre de 2003. Em 27/03/2003 as três empresas sócias,Ventura Ltda, Partage Empreendimentos e Participações Ltda e Marvic´s Empreendimentos e Participações S/A que detinham o controle acionário da Aché, passam a ser sócias da empresa Magenta Participações S.A com os mesmos 33,3% de participação e a Magenta passa a ter 100% das ações da Aché pela capitalização da Magenta com as ações da Aché. Em, 01/04/2003, cinco dias depois, a empresa Magenta foi cindida parcialmente, retornando o controle acionário da empresa Aché para os mesmos sócios anteriores e nas mesmas proporções do controle que detinham antes da primeira transferência. O ágio obtido na primeira transação foi transferido junto com a Aché que, ao efetuar sua amortização, reduziu os lucros e, conseqüentemente, diminuiu o valor a ser tributado. Desse modo, deve-se analisar nesse momento a questão da operação de transferência de ações para a empresa Magenta cujos sócios, cinco dias após a suposta aquisição, resolveram cindir a empresa Magenta de maneira tal que cada um dos antigos sócios da Aché recebeu de volta a mesma cota de ações que detinha na empresa Aché e, junto com essa “devolução” veio para a contabilidade da empresa Aché o conveniente bônus de R$ 613.257.482,99, identificado pela contribuinte como ágio resultante da operação. Dessa operação cabe apontar alguns aspectos relevantes. A empresa Magenta tem os mesmos administradores - diretores que a empresa Aché, fato evidenciado pelo Protocolo de Cisão Parcial e Incorporação (fls. 448 a 456), firmado entre as duas empresas, cinco dias após a transferência da totalidade das ações da Aché para a empresa Magenta, cujos signatários do acordo são os mesmos para as duas empresas. A alegada divergência entre sócios para a cisão da empresa Magenta não seria resolvida, se real fosse, com a cisão da empresa pois como já visto os diretores das duas empresas são os mesmos. A empresa Magenta até 2003 apresentou DIPJ como inativa. Mesmo assim foi aceita como sócia das três empresas sócias da Aché, que transferiram a totalidade do capital votante da Aché para essa empresa que, embora tenha sido intimada pela Fiscalização, nunca esclareceu de onde retirou o dinheiro necessário para aquisição das ações da Aché, detalhe bastante relevante visto que, se as ações foram transferidas, somente com a contrapartida da emissão de ações da Magenta, cujos Fl. 16DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.000027/2007-61 Acórdão n.º 1302-00.355 S1-C3T2 Fl. 17 17 diretores são os mesmos da Aché, não deveria haver ágio pois não haveria justificativa de “vender” para si mesmo um bem com ágio, a não ser que se visasse a produção de benefícios fiscais, como de fato aconteceu no caso presente. Além desses fatos, no brevíssimo tempo que deteve a totalidade das ações da Aché, a Magenta ainda recebeu dividendos da Aché, que foram “pagos” em imóveis, tendo passado à propriedade da Magenta os ativos imobiliários que a Aché detinha, segundo as palavras da própria impetrante. Claro que nas operações feitas nada foi realmente adquirido, havendo tão somente a emissão de ações com ágio, por parte de uma empresa (Magenta), até então inativa, cujo valor de mercado somente teve alguma expressão após a brevíssima detenção durante 5 dias das ações da Aché, conforme se observa nas DIPJ apresentadas por ela (fls.465 a 495). Ainda que a empresa vocifere contra a ação fiscal, querendo forçar a ocorrência uma venda efetiva, geradora de ágio, a realidade dos fatos contradiz sua versão. A operação de emissão de ações da Magenta contra a entrega da totalidade de ações da Aché nunca poderia ser caracterizada como venda, e sim como integralização de capital mediante entrega de ações aos fornecedores do capital, representado pela Aché. Esses fornecedores representados pelas três empresas: Ventura, Partage e Marvic, continuam sendo donas da Aché, via Magenta, através das ações emitidas a cada uma delas. Ora, se venda houvesse, as três empresas vendedoras deixariam de possuir a empresa Aché , o que não ocorreu, pois continuaram sendo sócias e acionárias da Magenta. Com a cisão parcial, a participaçõ de cada sócia anterior no controle acionário da Aché voltou ao estado anterior nas mesmas exatas proporções no que tange o laboratório Aché, com a diferença que a parte imobiliária ficou com a Magenta à título de “dividendos pagos”. Observa-se também que não houve apresentação de qualquer contrato de compra e venda pertinente à operação realizada. Quanto ao argumento da empresa que a operação efetuada poderia ser considerada, não como entendeu a Fiscalização, uma simulação, mas na realidade, um planejamento fiscal, ou seja, elisão e não evasão fiscal, aborda-se a seguir alguns aspectos de tal tema. As definições de elisão e evasão fiscal não são unânimes na doutrina, porém, existe consenso no sentido de que elisão fiscal corresponde à economia lícita de tributos e evasão fiscal à sonegação ou simulação, que pode ser absoluta ou relativa, esta última denominada dissimulação. Assim, existem características que diferenciam elisão de evasão. Conforme entendimento dominante, elisão fiscal corresponde à prática de atos lícitos, anteriores à incidência tributária, de Fl. 17DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.000027/2007-61 Acórdão n.º 1302-00.355 S1-C3T2 Fl. 18 18 modo a obter-se legítima economia de tributos, seja impedindo- se a ocorrência do fato gerador, seja retirando o contribuinte do campo de abrangência da lei ou simplesmente reduzindo o montante do tributo a pagar. Já a evasão fiscal constitui a prática, concomitante ou posterior à incidência tributária, com utilização de meios ilícitos (fraude, sonegação, simulação) para se furtar ao pagamento de tributos. ... (GRIFEI) É certo que a autoridade julgadora de primeira instância viu, a partir dos fatos trazidos aos autos, muito além do que foi imputado pela autoridade responsável pelo lançamento, porém, isto em nada prejudicou o exercício do direito de defesa da Recorrente e, o que é mais importante, não invalida a fundamentação legal explicitada na peça acusatória. Alega ainda a Recorrente que o ágio em discussão já se encontrava registrado nas empresas que controlavam o seu capital. Para comprovar tal afirmação, junta aos autos os documentos de fls. 1.245/1.247, representados por: a) correspondência encaminhada à empresa VENTURA HOLDING, por meio da qual foi solicitada a posição patrimonial relativa ao investimento mantido na Recorrente; b) correspondência em que a empresa VENTURA HOLDING informa que o valor detido por ela, em 25 de março de 2003, era de R$ 328.500.093, 08, assim desdobrados: Valor Patrimonial – R$ 154.080.932,08; Ágio a Valor de Mercado – R$ 10.309.293,00; Ágio por Rentabilidade Futura – R$ 194.109.868,00; c) cópia da página do Livro Razão onde tais valores foram contabilizados; e d) cópia da ficha 38A (BALANÇO PATRIMONIAL) da DIPJ referente ao ano- calendário de 2002. Referida documentação, a meu ver, não conduz à conclusão diversa da que se desenha no presente julgamento, vez que inexistente elementos complementares capazes de confirmar a origem dos ágios ali consignados. Ademais, a Recorrente não trouxe ao processo documentos que possibilitem averiguar os desdobramentos contábeis de tais montantes a partir do processo de reorganização que resultou na elevação do dispêndio que se pretendeu amortizar. Com o devido respeito, a simples comparação do recurso voluntário com o voto condutor da decisão embargada é capaz de cristalizar a idéia de que a pretensão da contribuinte ao opor embargos não foi outra senão a de requerer, a partir do ingresso de novos argumentos, reconsideração do decisum, pretensão que não encontra sustentação nas normas processuais que disciplinam o contraditório administrativo. Colaboram para tal conclusão os seguintes fatos: Fl. 18DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.000027/2007-61 Acórdão n.º 1302-00.355 S1-C3T2 Fl. 19 19 a) a ilação de que o “Relator” entendeu que a despesa de ágio seria indedutível por decorrer da chamada incorporação invertida, não tem qualquer respaldo nos autos; e b) as omissões apontadas (a exemplo do denominado ERRO DE FATO) não podem ser consideradas como tal, eis que as matérias referenciadas nos embargos, ou não representaram item relevante para a solução do litígio, ou simplesmente não foram trazidas em sede de recurso voluntário; Assim, considerado todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de NÃO ACOLHER os embargos declaratórios. Sala das Sessões, em 01 de setembro de 2010 Relator Wilson Fernandes Guimarães Fl. 19DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
score : 1.0
Numero do processo: 11610.009811/2003-65
Data da sessão: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/07/1989 a 30/09/1995
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA.
A discussão concomitante de matérias nas esferas judicial e
administrativa enseja a renúncia nesta, pelo princípio da
inafastabilidade e unicidade da jurisdição, salvo nos casos em que a matéria suscitada na impugnação ou recurso administrativo se prenda a competências privativamente atribuídas pela lei à
autoridade administrativa, como é da compensação, que,
consubstanciando forma de extinção da obrigação tributária, é
matéria examinável na esfera administrativa, eis que somente a
autoridade administrativa (e não a judicial) detém competência,
quer para homologar o lançamento do crédito compensado em
declaração do contribuinte, extinguindo a obrigação tributária,
quer para efetuar o lançamento de eventuais diferenças, tenha a
compensação sido determinada por ordem judicial ou
administrativa (arts. 142, 145, 147, 149 e 150 do CTN).
PIS. RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL.
O prazo decadencial de 5 (cinco) anos previsto no art. 168 do
CTN para pedidos de restituição do PIS recolhido a maior com
base nos Decretos-Leis nºs 2.445/88 e 2.449/88 e devido com
base na Lei Complementar nº 7/70 conta-se a partir da data do ato
que definitivamente reconheceu ao contribuinte o direito à
restituição, assim entendida a data da publicação da Resolução do
Senado Federal n2 49/95, de 09/10/95, extinguindo-se, portanto,
em 10/10/2000.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS CONTRA A FAZENDA EXTINTOS PELA DECADÊNCIA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA.
Assim como não se confundem o direito à repetição do indébito
tributário (arts. 165 a 168 do CTN) com as formas de sua execução, que se pode dar mediante compensação (arts. 170 e
170-A do CTN; 66 da Lei n2 8.383/91; e 74 da Lei nº 9.430/96),
não se confundem os prazos para pleitear o direito à repetição do
indébito (art. 168 do CTN) com os prazos para a homologação de
compensação ou para a ulterior verificação de sua regularidade
(arts. 156, inciso II, parágrafo único, do CTN; e 74, § 5º, da Lei 9.430/96, com redação dada pela Lei nº 10.833, de 29/12/2003
DOU de 30/12/2003). Ao pressupor a existência de créditos
líquidos e certos, vencidos ou vincendos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN), a lei desautoriza a
homologação de compensação em pedidos que tenham por objeto
créditos contra a Fazenda, cujo direito à restituição ou ao
ressarcimento já se ache extinto pela decadência (art. 168 do
CTN).
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 201-81.674
Decisão: ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao
recurso.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça
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materia_s : PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/1989 a 30/09/1995 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA. A discussão concomitante de matérias nas esferas judicial e administrativa enseja a renúncia nesta, pelo princípio da inafastabilidade e unicidade da jurisdição, salvo nos casos em que a matéria suscitada na impugnação ou recurso administrativo se prenda a competências privativamente atribuídas pela lei à autoridade administrativa, como é da compensação, que, consubstanciando forma de extinção da obrigação tributária, é matéria examinável na esfera administrativa, eis que somente a autoridade administrativa (e não a judicial) detém competência, quer para homologar o lançamento do crédito compensado em declaração do contribuinte, extinguindo a obrigação tributária, quer para efetuar o lançamento de eventuais diferenças, tenha a compensação sido determinada por ordem judicial ou administrativa (arts. 142, 145, 147, 149 e 150 do CTN). PIS. RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. O prazo decadencial de 5 (cinco) anos previsto no art. 168 do CTN para pedidos de restituição do PIS recolhido a maior com base nos Decretos-Leis nºs 2.445/88 e 2.449/88 e devido com base na Lei Complementar nº 7/70 conta-se a partir da data do ato que definitivamente reconheceu ao contribuinte o direito à restituição, assim entendida a data da publicação da Resolução do Senado Federal n2 49/95, de 09/10/95, extinguindo-se, portanto, em 10/10/2000. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS CONTRA A FAZENDA EXTINTOS PELA DECADÊNCIA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Assim como não se confundem o direito à repetição do indébito tributário (arts. 165 a 168 do CTN) com as formas de sua execução, que se pode dar mediante compensação (arts. 170 e 170-A do CTN; 66 da Lei n2 8.383/91; e 74 da Lei nº 9.430/96), não se confundem os prazos para pleitear o direito à repetição do indébito (art. 168 do CTN) com os prazos para a homologação de compensação ou para a ulterior verificação de sua regularidade (arts. 156, inciso II, parágrafo único, do CTN; e 74, § 5º, da Lei 9.430/96, com redação dada pela Lei nº 10.833, de 29/12/2003 DOU de 30/12/2003). Ao pressupor a existência de créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN), a lei desautoriza a homologação de compensação em pedidos que tenham por objeto créditos contra a Fazenda, cujo direito à restituição ou ao ressarcimento já se ache extinto pela decadência (art. 168 do CTN). Recurso voluntário negado.
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Numero do processo: 13804.000699/98-36
Data da sessão: Mon May 17 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 1994
EXCESSO DE BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO. VÍCIO MATERIAL
SANÁVEL. AJUSTE DE OFÍCIO.
O ajuste da base de cálculo do imposto pelo julgador é possível e não representa inovação, mas tão-somente mera recomposição do valor tributável da infração, cujo auto de infração apresenta descrição correta da infração, dos fatos e pertinente enquadramento legal. Trata-se de vício material sanável, ou
seja, que pode ser corrigido de oficio pelo próprio julgador.
MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA DE OFÍCIO. PAGAMENTO INTEMPESTIVO. ACRÉSCIMO DE JUROS DE MORA -TAXA SELIC.
Em relação aos débitos de que tratam os arts. 29 e 30 da Lei n° 10.522/2002, a partir de 01/01/1997 passam a incidir juros de mora pela Taxa SELIC.
Numero da decisão: 1802-000.452
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de• votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: NELSON KICHEL
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 1994 EXCESSO DE BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO. VÍCIO MATERIAL SANÁVEL. AJUSTE DE OFÍCIO. O ajuste da base de cálculo do imposto pelo julgador é possível e não representa inovação, mas tão-somente mera recomposição do valor tributável da infração, cujo auto de infração apresenta descrição correta da infração, dos fatos e pertinente enquadramento legal. Trata-se de vício material sanável, ou seja, que pode ser corrigido de oficio pelo próprio julgador. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA DE OFÍCIO. PAGAMENTO INTEMPESTIVO. ACRÉSCIMO DE JUROS DE MORA -TAXA SELIC. Em relação aos débitos de que tratam os arts. 29 e 30 da Lei n° 10.522/2002, a partir de 01/01/1997 passam a incidir juros de mora pela Taxa SELIC.
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VÍCIO MATERIAL SANÁVEL. AJUSTE DE OFÍCIO. O ajuste da base de cálculo do imposto pelo julgador é possível e não representa inovação, mas tão-somente mera recomposição do valor tributável da infração, cujo auto de infração apresenta descrição correta da infração, dos fatos e pertinente enquadramento legal. Trata-se de vício material sanável, ou seja, que pode ser corrigido de oficio pelo próprio julgador. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA DE OFÍCIO. PAGAMENTO INTEMPESTIVO. ACRÉSCIMO DE JUROS DE MORA -TAXA SELIC. Em relação aos débitos de que tratam os arts. 29 e 30 da Lei n° 10.522/2002, a partir de 01/01/1997 passam a incidir juros de mora pela Taxa SELIC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de• votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. 1 • er Marques Lins deS-ousa - Pre—sT: - • e Nelso Kichel- Relator EDITADO EM: I (e JUL pr Participaram da sessão de julgam- to os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), José de Oliveira Ferraz Corrê r., Nelso Kichel, Gilberto Baptista (Suplente Convocado), Gabriela Maria Hilu da Rocha Pinto (Suplente Convocada) e João Francisco Bianco (Vice-Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto pela recorrente contra decisão da DRJ/São Paulo I de 01/10/2003 que julgou parcialmente procedente o lançamento fiscal, reduzindo o IRPJ de R$ 266.799,83 para R$ 139.685,48 bem assim a multa de ofício e os respectivos juros de mora (fls. 195/200). Compulsando os autos, constata-se que o lançamento de oficio — Auto de Infração do IRPJ-, atinente ao ano-calendário 1993, fora lavrado em 03/03/98, em procedimento de revisão interna de declaração - malha fiscal, por falta de pagamento do imposto em virtude de prejuízo fiscal indevidamente compensado na demonstração do lucro real, com imposição de multa de 75% (fls. 167/171), cujo demonstrativo do imposto lançado é o seguinte (fl. 171): PA Diferença Imposto (UFIR) Imposto (R$) 06/93 — vencimento: 30/07/93 94.927,57 09/93 — vencimento: 29/10/93 116.245,41 10/93 — vencimento: 30/11/93 81.756,13 TOTAL 292.929,11 266.799,83 (UFIR x 0,9108) Obs: Multa de 75%- Art. 44, inciso 1, da Lei n° 9.430/96, c/c Art. 106, inciso II, alínea 'c', da Lei n° 5.172/66. Quanto aos fatos que determinaram a lavratura do auto de infração do IRPJ, e os argumentos expendidos pela autuada na primeira instância de julgamento, por estarem devidamente resumidos no relatório da decisão recorrida (fl. 197), transcrevo — nessa parte o citado relatório-, ipsis litteris: Em decorrência de revisão sumária da declaração de rendimentos correspondente ao ano calendário de 1993, exercício 1994, a empresa acima qualificada foi autuada e notificada a recolher o crédito tributário no valor de R$ 639.554,10, sendo R$ 266.799,83 a título de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), e o restante a titulo de multa 2 Processo n° 13804.000699/98-36 S1-TE02 Acórdão n.° 1802-00.452 Fl. Z de oficio e juros de mora calculados até 28/02/1998 (fls. 49 a 56). 2. As irregularidades verificadas estão descritas na folha de continuação do auto de infração (fl. 50), como sendo: 2.1. Prejuízo fiscal indevidamente compensado na demonstração do Lucro Real. Artigos 154, 382 e 388, inciso III do RIR11980, aprovado pelo Decreto n° 85.450/1980, artigo 14 da Lei n° 8.023/1990, artigo 38, parágrafos 7 e 8 da Lei 8.383/1991 e artigo 12 da Lei n°8.541/1992. 3. Cientificada da autuação, a interessada, por meio de seus procuradores «is. 10 e 11), apresentou em 23/04/1998, a impugnação delis. 01 a 09, alegando em síntese o seguinte: 3.1 que não houve compensação de prejuízo a maior, mas, sim, preenchimento errôneo da declaração, no que tange ao aproveitamento do prejuízo fiscal parcela IPC/90 (sic); 3.2. que o lançamento promovido não considerou que a impugnante promoveu a retificação da Declaração do ano- - calendário de 1993, cujo protocolo se deu em 04/08/95 (fls. 57 a 75); 3.3 que o artigo 40, do Decreto n° 332/91, autorizou a dedução da parcela resultante da correção monetária pelo IPC/90 dos prejuízos fiscais pendentes de compensação em 31/12/90; 3.4 que a parcela do prejuízo fiscal do período-base 1989 da Impugnante, correspondente à correção monetária pelo IPC/90 é de 2.062.075,61 UFIR.. Logo, em junho/93 a Impugnante promoveu à dedução de 25% desse valor, ou seja, 515.518,90 UFIR; 3.5. que em virtude de um equívoco, a citada dedução foi realizada no Quadro 04, Anexo 02, linha 43 (compensação de prejuízo fiscal do período-base 1993), ao invés da linha 37 (Outras Exclusões conforme LALUR); 3.6. que esse equívoco, representando mero erro de fato, não causou nenhum prejuízo do Erário Federal, vez que não implicou falta ou insuficiência de recolhimento do imposto devido; e, • 3.7. que à vista do exposto, solicita o cancelamento do auto de infração. A recorrente tomou ciência da decisão da DRJ/São Paulo I em 24/01/2007 (fl.205); apresentou Recurso Voluntário em 22/02/2007 (fls. 206/217), juntando, ainda, os documentos de fl. 228. Em síntese, constam do Recurso Voluntário os seguintes argumentos da. recorrente: 3 1) - Cancelamento do auto de infração — lançamento efetuado com base em DIRPJ original, e que já havia retificadora: - que o fisco não levou em conta a DIRPJ Retificadora apresentada antes do início do procedimento de fiscalização; que a decisão recorrida reconheceu essa situação, no voto do relator - Acórdão (fl. 198), nos seguintes termos: (-) 7. De fato, o auto de infração reporta-se à declaração de número 91597-32 entregue em 29/04/1994 (lis. 166), e conforme extrato de fls. 194, consta dos arquivos da SRF que a impugnante entregou em 04/08/1995 outra Declaração de Rendimentos correspondente ao ano calendário de 1993. (-) 11. Conforme cópia da DIRPJ/94 (Retificadora) arquivada sob o n° 0061102 (fls. 161 a 165), a interessada retificou o lucro real apurado nos meses de junho e agosto mediante a exclusão de parcelas da diferença da correção monetária IPC/BINF. (.) - que, em sendo assim, há entendimento do então 1° Conselho de Contribuintes (atual CARF) que o respectivo AI, que tomou por base declaração de ajuste anual já retificada pelo sujeito passivo, deve ser cancelado. A propósito, a recorrente transcreveu as seguintes ementas de Acórdãos: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — LANÇAMENTO EFETUADO COM BASE EM DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL QUE JÁ HOUVERA SIDO MODIFICADA PELO SUJEITO PASSIVO -NULIDADE — Deve ser cancelado o auto de infração que tomou por base declaração de ajuste anual já retificada pelo sujeito passivo, trazendo lhe prejuízos. O ato administrativo ilegal não produz qualquer efeito válido entre as partes, pela evidente razão de que não se pode adquirir direitos contra a lei. A nulidade reconhecida, seja pela Administração Pública ou pelo Poder Judiciário, opera-se ex tunc, isto é retroage às suas origens e alcança todos os seus efeitos passados, presentes e futuros em relação às partes, só se admitindo exceção para com os terceiros de boa-fé, sujeitos às suas conseqüências reflexas. Recurso provido." (Acórdão 106- 14437, Datada Sessão: 24/02/05) COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZOS. Comprovado nos autos que o contribuinte apresentou declaração retificadora, antes do início da ação fiscal, alterando o resultado do período, de Lucro Real tributável para Prejuízo Fiscal, e que o lançamento cinge-se a glosa de compensação de prejuízos efetuada indevidamente na declaração retificada, há que ser cancelado o lançamento, portanto, analisadas as questões postas em discussão à luz das provas constantes dos autos e da legislação de regência, há que se manter a decisão monocrática inalterada. "(Acórdão 103-21323, Data da Sessão:13/08/03). - que pelas razões expostas, o lançamento deve ser cancelado. 4 Processo n° 13804.000699/98-36 S1-TED2 Acórdão n.° 1802-00.452 Fl. 3 1.1) — Do erro no preenchimento da DIRPJ 1994, ano-calendário 1993. Aqui, reproduzo o texto constante do recurso (fls 212/213): 9.A RECORRENTE, conforme pode-se verificar através da Declaração de Rendimentos referente ao período-base de 1989 (Doc.04, da Impugnação), apurou prejuízo fiscal na ordem de NCz$ 22.476.295,00, correspondente a 2.052.292,32 UFIR. 10.Em virtude do reconhecimento pelo artigo 40, 3Ç 1°, da Lei n ° 8.200/91 e pelo Decreto n ° 332/91, do expurgo inflacionário atribuível à clifèrença de correção monetária BTNF-IPC/90, as pessoas jurídicas, além de adquirirem o direito à dedução do saldo devedor de correção monetária de balanço, também foram autorizadas a deduzir a parcela resultante da correção monetária pelo IPC/90 dos prejuízos fiscais pendentes de compensação em 31/12/90. 11 .No caso da RECORRENTE, a parcela do prejuízo fiscal do período-base de 1989 correspondente à correção monetária pelo IPC/90 é de 2.062.075,61 UFIR.. Assim, como lhe era de direito, no mês de junho de 1993 promoveu à dedução de 25% desde montante, ou seja, 515.518,90 UFIR. 12. Ocorre, no entanto, que ao promover a dedução deste valor, o fez no Quadro 04, Anexo 2, Linha 43 (compensação de prejuízo fiscal do período-base de 1993) em vez de fazê-lo na Linha 37 (outras exclusões conforme LALUR). 13.Este erro no preenchimento provocou uma discrepância entre os valores dos prejuízos fiscais efetivamente declarados pela RECORRENTE e aqueles compensados no ano- calendário de 1993, causando a diferença apontada no Auto de Infração. (..) 15. Portanto, I. Conselheiros, não houve compensação de prejuízo a maior, mas preenchimento errôneo da declaração, no que tange ao aproveitamento do prejuízo fiscal da parcela IPC/90. 16. Ora, a impropriedade contida na DIR 93(94), a qual, diga-se de passagem, foi retificada, antes do início do processo fiscal, com a apresentação da DIR retificadora, trata-se de mero erro de fato, uma vez que tal equívoco cometido pela RECORRENTE, quando do preenchimento da referida Declaração, não acarretou prejuízo ao Fisco, conforme claramente demonstrado. 17. Aliás, se a Autoridade Fiscal considerasse a DIR 93 (94) retificadora certamente não efetuaria a presente autuação. 18.Logo, uma vez comprovado o erro e que o Erário não foi prejudicado, a pretensão fiscal é manifestamente insubsistente, face à inexistência de fundamento jurídico. 5 2) - Da inaplicabilidade da Taxa de Juros Selic sobre a Multa de Oficio: - que ainda que se mantenha a exigência fiscal, no presente caso, está sendo exigido da recorrente a Taxa de Juros SELIC sobre a multa de oficio, com fundamento na MP n° 1.621-31/98, atualmente convertida na Lei n°10.522/02 (artigos 29 e 30); - que artigo 161, do CTN, o qual dispõe que somente "o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis", ou seja, apenas e tão somente o valor principal deve ser atualizado pelos juros, ressalvado o direito do Fisco exigir a multa correspondente, sem que a mesma seja atualizada. Isso porque a atual redação dos artigos 29 e 30, da Lei n° 10.522/02, somente foi incluída no texto da MP n° 1.621-31/98 em abril de 1997, razão pela qual não pode retroagir para aumentar ou cobrar tributos e penalidades sobre fatos geradores ocorridos antes da sua edição, ou seja, em 1988 e 1989. Isso porque, tal penalidade (juros sobre multa de oficio) não foi lançada pela Autoridade Administrativa quando da lavratura do Auto de Infração, e sua cobrança violaria o princípio da contraditório e da ampla defesa. - que, a título de argumentação, caso esse E. Conselho decida pela procedência da cobrança de juros sobre a multa de oficio, a respectiva cobrança deve se limitar a juros de 1% ao mês, consoante precedente desse Conselho (Processo n° 16327.000112/2005- 31, Acórdão 101-95802, 1° Câmara, data da Sessão 19/10/2006). - que, por fim, no que diz respeito à multa de oficio, caso mantida a autuação — o que mais uma vez se considera apenas para argumentar — está deverá ter seu percentual reduzido, cabendo destacar que o E. TRF-5a Região, fundamentado em decisões do E. STF, tem manifestado seu entendimento de que a multa não pode superar percentual de 30% (entendimento este extensivo à multa proporcional). Ante o exposto, em suma, a recorrente pede e espera que o recurso seja conhecido e provido, pelos seus próprios e jurídicos fundamentos, para o fim de ser: a) cancelar totalmente a exigência a título do IRPJ, multa de oficio, juros e demais encargos, determinando-se, por conseguinte, o arquivamento do processo administrativo instaurado; ou b) alternativamente, seja reformada a r. decisão em relação à exclusão da Taxa SELIC sobre a multa de oficio lançada, bem como a sua redução para o percentual de até 30%; ou c) no mínimo, seja observado o limite de 1% para a incidência de juros sobre a multa de oficio. É o relatório. 6 Processo n° 13804.000699/98-36 S1-TE02 Acórdão n.° 1802-00.452 Fl. 4 Voto Conselheiro NELSO KICHEL, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade; portanto, dele conheço. A lide versa acerca da imputação da infração falta de pagamento do imposto, em face de compensação a maior de prejuízos de períodos de apuração anteriores com Lucro Real dos meses de junho/93, setembro/93 e outubro/93. EXCESSO DE BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO. VÍCIO MATERIAL SANÁVEL. AJUSTE DE OFÍCIO. Lançamento fiscal efetuado com base em DIRPJ (declaração original). A recorrente alega que já havia uma DIRPJ retificadora entregue antes do início do procedimento fiscal corrigindo o erro de preenchimento da DIRPJ original e que o Fisco, quando da lavratura do Auto de Infração, não teria considerado esse fato; que, por conseguinte, não haveria infração tributária ou matéria tributável a exigir via lançamento fiscal. Pediu, então, o cancelamento do lançamento fiscal. Não tem razão a recorrente em sua irresignação, pois o lançamento já foi corrigido pela decisão recorrida. Vale dizer, essa questão, de forma correta, já foi enfrentada pela decisão recorrida que sanou o lançamento fiscal, ajustando a base de cálculo do imposto, expurgando o excesso de base de cálculo, considerando os dados constantes da DIRPJ Retificadora. Entretanto, a recorrente, sem razão, quer a revisão da decisão recorrida, para que o lançamento seja cancelado in totum, pois defende a tese de que - em face da declaração retificadora — não haveria a infração imputada. Diversamente do entendimento da recorrente, consta da decisão recorrida, de forma clara, objetiva e insofismável, que — embora considerando os ajustes da declaração retificadora quanto ao saldo de prejuízo fiscal - ainda sobejou valor tributável da infração imputada, pois o saldo prejuízo fiscal disponível foi insuficiente para neutralizar o Lucro Real apurado, inicialmente compensado. Nesse sentido, convém reproduzir excertos do voto do Relaor - Acórdão recorrido (fls. 198/199), in verbis: (.) 5. Em procedimento de revisão sumária da declaração de rendimentos, correspondente ao ano-calendário de 1993 7 (D1RPJ/1994), foi verificado que a interessada, nos meses de junho, setembro e outubro procedeu à compensação indevida do prejuízo fiscal referente a períodos anteriores do ano-calendário objeto da declaração. 6. A Impugnante alega que as diferenças encontradas pela fiscalização tiveram como origem Declaração de rendimentos que foi objeto de retificação. 7. De fato, o auto de infração reporta-se à declaração de número 91597-32 entregue em 29/04/1994 (fls.166), e conforme extrato de fls. 194, consta dos arquivos da SRF que a impugnante entregou em 04/08/1995 outra Declaração de Rendimentos correspondente ao ano calendário de 1993. 11. Conforme cópia da DIRPJ/94 (Retificadora) arquivada sob n° 0061102 (fis. 161 a 165), a interessada retificou o lucro real apurado nos meses de junho e agosto mediante a exclusão de parcelas da diferença da correção monetária IPC/BTNF. 12. O Auto de Infração de fls. 49 e 50 se restringe à compensação indevida de prejuízos. Assim em face da apresentação tempestiva da Declaração Retificadora, não compete à autoridade julgadora verificar a procedência do ajuste efetuado pelo contribuinte. 13. No entanto, conforme demonstrado a seguir, a falta apurada pela fiscalização não foi totalmente sanada pela Declaração Retificadora. (.) 14. Conforme pode ser verificado o saldo dos prejuízos acumulados nos meses de junho, setembro e outubro, não é suficiente para amortização da totalidade do lucro real apurado. Assim, o lançamento em tela deve ser mantido em relação ao lucro real remanescente, demonstrado a seguir: JUN/93 SET/93 OUT/93 Lucro Real (linha CR$ 35.582.662,00 CR$ 38490.394,00 CR$ 24.696 679,00 39) Prejuízo CR$ 31.034.564,0 CR$ 32.661952,00 0,00 Compensado Lucro Real CR$ 4.548.098,00 CR$ 5828.442,00 R$ 24.696.679,00 Lucro Real em 140.839,07 UFIR 78.045,55 UFIR 240.731,83 UFIR UFIR IR Devido 46.793,66 UFIR 24.815,93 UFIR 81.756,13. UFIR IR Devido em R$ RS 42.619,66 R$ 22.602,34 R$ 74.463,48 8 Processo n° 13804.000699198-36 S1-TE02 Acórdão n.° 1802-00.452 Fl. 5 DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO VALORES EM RS IMPOSTO MULTA EXIGIDO 266.799,83 200.099,87 EXONERADO 127.114,35 95.335,76 MANTIDO 139.685,48 104.464,11 Obs.: Acréscimos legais de acordo com a legislação vigente A recorrente, em seu recurso, em nenhum momento questionou os valores e cálculos constantes da decisão recorrida; simplesmente, tenciona o cancelamento total do lançamento fiscal, sem razão plausível. Porém, como demonstrado, a pretensão da recorrente não tem respaldo, pois„ mesmo levando-se em consideração a DIRPJ Retificadora, ainda assim o saldo de prejuízos foi insuficente para amortizar ou zerar o Lucro Real do período, quanto aos meses objeto do auto de infração. No caso, o ajuste da base de cálculo do imposto pelo julgador é possível, pois não representa inovação, mas tão-somente mera recomposição do valor tributável da infração, para afastar o excesso de base cálculo. Trata-se de vício material sanável, ou seja, que pode ser corrigido de oficio pelo próprio julgador. Ademais, como o auto de infração tem precisa descrição dos fatos e adequado enquadramento legal inexiste vício algum, ou seja, não há razão alguma para seu cancelamento. JUROS DE MORA — TAXA SELIC: A recorrente, ainda, argumenta que, caso reste vencida ao final na instância administrativa, não devem ser exigidos juros de mora pela Taxa SELIC sobre a parcela do crédito tributário atinente à multa de oficio, a partir de 01/01/1997. A recorrente pretende não pagar juros de mora sobre a multa de oficio sob alegação de que a Lei n° 10.522/02 (art. 29 e 30) é posterior à data do fato gerador e não pode ser aplicada retroativamente, pois a cobrança de juros de mora — sobre essa parcela do crédito tributário — não foram objeto de lançamento fiscal, situação que violaria os princípios do contraditório e da ampla defesa, além de violação ao princípio da irretroatividade de lei, pois os juros de mora teriam caráter de penalidade. Os juros de mora não têm natureza de penalidade, mas sim caráterl compensatório, em face do contribuinte moroso ter ficado na posse de bem público. Ademais, os juros de mora por terem natureza acessória, a cobrança independe de lançamento expresso no auto de infração, seguem a sorte da obrigação principal. Logo, não há que se cogitar das citadas objeções. Para débitos de fatos geradores ocorridos até 31/12/1994, há sim incidência de juros de mora - Taxa SELIC a partir de 01/01/1997, mormente sobre a multa de oficio (fatos geradores até 31/12/1994), desde que atendidas as condições dos arts. 29 e 30 da Lei n° 10.522/2002. Assim, prejudicada a pretensão de aplicação dos juros de mora de 1% ao mês na vigência da Lei , pois a lei regula a aplicação dos juros de mora de forma diversa quanto ao percentual previsto no Código Tributário Nacional — CTN, a partir de 01/01/1997. Quanta à suposta violação do princípio da irretroatividade de lei, também, não se configourou pois a insituição da Taxa SELIC para cobrança de tributos e contribuições deu-se pela Lei n° 9.065/95 (art. 13). Já, a Lei n° 10.522/2002 (arts. 29 e 20) tem caráter interpretativo quanto à aplicação da taxa SELIC desde 01/01/1997, sob pena de violação ao princípio da isonomia (todos os débitos em aberto sujeitam-se à taxa SELIC). Assim, não há que se falar em violação ao princípio da irretroatividade de lei. Ademais, a máteria atinente a juros de mora — Taxa SELIC - está pacificada neste Conselho, conforme as seguintes Súmulas: 1) - Súmula CARF n° 4: A partir de 10 de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. 2) - Súmula CARF n° 5 São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Na órbita judicial a matéria, também, já está uniformizada, no sentido da legalidade da aplicação da Taxa SELIC na cobrança de tributos e contribuições não recolhidos tempestivamente. Neste sentido, no âmbito do Superior Tribunal de Justiça — STJ, guardião da norma infraconstitucional, cabe citar o Acórdão prolatado por unanimidade votos pela Primeira Turma, no Agravo Regimental no Agravo de Instrumento n° 836.829-RS, em sede de Recurso Especial (Diário da Justiça de 16/04/2007), cuja ementa é a seguinte: "PROCESSUAL CIVIL.AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO ESPECIAL. ACÓRDÃO RECORRIDO. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO. TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. .NÃO-OCORRÊNCIA DE PAGAMENTO INTERGRAL. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. LEGALIDADE. io Processo n° 13804.000699/98-36 81-11112: Acórdão n.° 1802-00.452 EL eá I. É descabida a alegação de ofensa ao art. 535 do CPC quando evidente a inexistência de omissão no acórdão recorrido. 2. A simples confissão de dívida, acompanahada de seu pedido de parcelamento, não configura a denúncia espontânea. 3. Esta Corte já uniformizou o entendimento no sentido de que a aplicação da taxa SELIC em débitos tributários é plenamente cabível, porquanto fundada no art. 13 da Lei 9.065/95. 4. Agravo regimental desprovido." (negritei) MULTA DE OFÍCIO No que concerne à multa de oficio, quando do lançamento fiscal, já houve a aplicação da penalidade mais branda do que a vigente na data do fato gerador (aplicação de multa de oficio de 75% - Art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, c/c Art. 106, inciso II, alínea da Lei n° 5.172/66). É entendimento prevalente que - em matéria de penalidade adminstrativw- tributária - é inaplicável o princípio da capacidade contributiva, pois tal sanção deve ser graduada, sim, no patamar mais alto possível para inibir a prática da infração tributária (efeito pedagógico). Incide na penalidade administrativo-tributária apenas o infrator, o qual conhece a legislação de regência. Não obstante, se o infrator cometeu a infração tributária, então deve — antes — ter sopesado que valeria a pena assumir o risco (relação custo x beneficio). E, ainda, presente risco baixo de ser fiscalizado. Logo, o valor da multa de oficio não foi suficiente para demover a prática da infração. Como o dispositivo legal tem vigência plena, não sendo objeto de declaração de insconstitucionalidade com efeito erga omnes ou inter partes em processo judicial em que eventualmente a recorrente fizesse parte, não se pode negar vigência e aplicação ao caso concreto. Este Colegiado não tem competência para enfrentar, no mérito, a pretensa inconstitucionalidade de lei (caráter confiscatório), cuja matéria está assim sumulada: Súmula GARP' n° 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por tudo que foi exposto, voto para NEGAR provimento ao recurso. Sala nsões em 1 maio de 2010. Nelso Kic 13/1
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Numero do processo: 16327.000544/2003-80
Data da sessão: Thu Mar 11 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Ano-calendário: 1999
COMPENSAÇÃO DE BASE NEGATIVA DE SUCEDIDA - PROIBIÇÃO -
INCORPORAÇÃO OCORRIDA ANTES DA VIGÊNCIA DA MEDIDA
PROVISÓRIA Nº 1.858-6, DE 30/06/1999.
No que toca à compensação de prejuízos fiscais ou de bases negativas de exercícios anteriores, até que encerrado o exercício fiscal ao longo do qual se forma o fato gerador do tributo, o Contribuinte possui mera expectativa de direito quanto à manutenção das regras que regiam os exercícios anteriores. A lei aplicável é a vigente na data do encerramento do exercício fiscal (ocorrência do fato gerador), e o abatimento de prejuízos ou de base negativa, mais além do exercício social em que constatados, configura benesse da política fiscal. Precedentes do STF. Na ocorrência do fato gerador anual da
CSLL - 31/12/1999, já havia transcorrido o prazo nonagesimal para a MP n° 1.858-6, que se encontrava em plena vigência. Nesta data, portanto, não mais era permitida compensação de base negativa de empresa sucedida por incorporação.
Numero da decisão: 1802-000.362
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado por unanimidade de votos negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: CSL - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: José de Oliveira Ferraz Corrêa
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I Processo nO Recurso nO Acórdão n° Sessão de Matéria Recorrente Recorrida MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 16327.000544/2003-80 158.422 Voluntário 1802-00.362 - 2a Turma Especial 11 de março de 2010 CSLL SUL AMÉRICA SEGURO SAÚDE S.A. 8" TURMA/DRJ-SÃO PAULO/SP I ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 1999 COMPENSAÇÃO DE BASE NEGATIVA DE SUCEDIDA - PROIBIÇÃO - INCORPORAÇÃO OCORRIDA ANTES DA VIGÊNCIA DA MEDIDA PROVISÓRIA N" 1.858-6, DE 30/06/1999. No que toca à compensação de prejuízos fiscais ou de bases negativas de exerCÍcios anteriores, até que encerrado o exerCÍcio fiscal ao longo do qual se forma o fato gerador do tributo, o Contribuinte possui mera expectativa de direito quanto à manutenção das regras que regiam os exerCÍcios anteriores. A lei aplicável é a vigente na data do encerramento do exerCÍcio fiscal (ocorrência do fato gerador), e o abatimento de prejuízos ou de base negativa, mais além do exerCÍcio social em que constatados, configura benesse da política fiscal. Precedentes do STF. Na ocorrência do fato gerador anual da CSLL - 31/12/1999, já havia transcorrido o prazo nonagesimal para a MP n° 1.858-6, que se encontrava em plena vigência. Nesta data, portanto, não mais _. .-- . -m..permitida . .a.~pensaçãG. -de--~-..negati¥a-~pr-estl. "llleeclicla""P0r---" incorporação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. CORRÊA - Relator. EDITADO EM: 1 9 MAl 2010 -, Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente da Turma), João Francisco Bianco (Vice-Presidente), José de Oliveira Ferraz Corrêa,.Edwal Casom de Paula Fernandes Junior, Nelso Kichel e Sérgio Luiz Bezerra Presta (Suplente Convocado). Ausente justificadamente o conselheiro Leonardo Lobo de Almeida. Processo nO 16327.00054412003-80 Acórdão n.01802-00.362 Relatório SI-TE02 FI. 2 Trata-se de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP I, que considerou procedente o lançamento realizado para a constituição de crédito tributário relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL (fls. 1 a 8), no valor de R$ 129.538,06, estando incluído nesse montante a multa de oficio de 75% e os juros moratórios. De acordo com a Fiscalização, a Contribuinte promoveu em 31/12/1999 a compensação indevida de base de cálculo negativa de CSLL de períodos anteriores. Por muito bem descrever os fatos, reproduzo as informações abaixo, que constam do relatório da decisão de primeira instância, Acórdão n° 16-12.748, às fls. 66 a 70: 4. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 09 e 10), a autoridade noticia que: i) o autuado procedeu à compensação, em 31/12/99, de base de cálculo negativa de penodos anteriores, no montante de R$ 718.251,48, sem dispor de tal direito, conforme consta dos controles da SRF; li) incorporou o contribuinte CNPJ 28.850.483/0001-78, que possuía exatamente o saldo a compensar acima referido, contribuinte esse que cessou atividades em 30/06/99; iii) a incorporação e a edição da MP 1.858, cujo artigo 33 impede a compensação de prejuízos fiscais de sucedida, teriam ocorrido simultaneamente, não dispondo, portanto, o autuado do direito de compensar a base negativa de CSLL da incorporada; iv) o referido saldo a compensar do incorporado foi anteriormente revertido pela fiscalização, consoante consta do processo 16327.002694/2001-66. 5=£ientificado:doíancamento-em 1O!.03/2.o.o3-(fls.131 o-autu.afio impugnou O Auto de Infração em 09/04/2003 (fls. 14), oferecendo, em resumo, os seguintes questionamentos: i) o presente processo deveria ser julgado em conjunto com O PAF 16327.002694/2001-66, com O qual tem relação de causa e efeito,-pois-que-a-aut91oidade-apoiou-suas-<:onclusões-no..aute-.de .---infmção-dele-obj eto;- , _ Jlj-D:G'SPOSlOcTlu- -o' , . ~""O~O-UI'77,. .. .. : '. ,- . sujeito ao princípio da anterioridade nonagesimal, e, portanto, a restrição à compensação de prejuízos fiscais somente alcançaria pessoas jurídicas que tenham realizado incorporação após 30/09/99, não atingindo a incorporação do presente caso, --- ocorrida em-30/06/99.----- ... ---. ~3 Conforme mencionado, a DRJ São Paulo/SP I considerou procedente o lançamento, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1999 AUTO.DE INFRAÇÃO..CaMPENSAçÃa INDEVIDA DE BASE DE cALcuLa NEGATiVA DE PERÍaDas ANTERiaREs. PRELIMINAR. JULGAMENTO CaNJUNTo. DESNECESSiDADE. 1nexistindoprevisão legal para sobrestamento de processo para aguardar decisão definitiva em outro que contenha matéria prejudicial, deve o feito dependente seguir seu curso normal, senão por outra razão, para que se previna a decadência do direito do Fisco de constituir O crédito tributário a ele pertinente. MÉRiTO.. VIaLAçÃa AO. PRINCÍPiO DA ANTERiaRIDADE NaNAGESIMAL. INacaRRÊNCIA. Efetuada a compensação, por empresa incorporadora, de bases negativas de períodos anteriores de titularidade de empresa incorporada, no último dia do Ano-calendário, in casu, 31/12/99, improcede a alegação de violação doprincipio da anterioridade nonagesimal por glosa da autoridade fiscal realizada com base em diploma legal, cuja vigência se iniciou em 30/06/99. Lançamento Procedente Como fundamento de sua decisão, a Delegacia de Julgamento destacou também que a lO" Turma da mesma DRJ São Paulo considerou procedente o lançamento constante do processo nO 16327.002694/2001-66, confirmando, assim, a reversão do saldo negativo de CSLL detido pela empresa incorpor,!da, e utilizado aqui, em compensação, na data de 31/12/1999, pela incorporadora (autuada). Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 10/04/2007, a Contribuinte apresentou em 09/05/2007 o recurso voluntário de fls. 76 a 83, onde reitera os mesmos argumentos de sua impugnação, conforme descrito nos parágrafos anteriores. Em seu recurso, ela também esclarece que nestes autos está enfrentando apenas a suposta impossibilidade de compensação da base de cálculo negativa da CSLL acumulada em anos anteriores pela incorporada, face ao disposto no art. 20 da MP n° 1.858- 6/99, ressaltando que o processo n° 16327.002694/2001-66 aguarda julgamento de recurso voluntário na 5' Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. Afirma ainda que a referida MP somente começou a vigorar em 01/10/99, noventa dias após sua publicação, e que a incorporação se deu em 30/06/99, momento em que teria nascido o direito da Recorrente à compensação da base negativa da CSLL auferida pela sua sucedida. De acordo com o seu entendimento, admitir o contrário implicaria em fazer tabula rasa do princípio da irretroatividade das leis, consagrado na Carta Magna, no inciso XXXVI de seu art. 5°. Este é o Relatório. . ' " " Processo n' 16327.000544/2003-80 Acórdão n.' 1802-00.362 Voto Conselheiro JOSÉ DE OLNElRA FERRAZ CORRÊA, Relator SI-TE02 FI. 3 O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme o relatório, a Contribuinte teria promovido em 31/12/1999 a compensação indevida de base de cálculo negativa de CSLL de periodos anteriores. Essa base negativa de CSLL adveio de uma outra empresa, que foi incorporada pela autuada em 30/06/99. A questão a ser aqui examinada é se a restrição introduzida pela MP n° 1.858- 6, de 30/06/99, proibindo a compensação, na sucessora, da base negativa que veio da sucedida, alcançaria ou não incorporações ocorridas antes da vigência da MP. Em razão da chamada anterioridade nonagesimal, prevista no S 6° do art. 195 da Constituição Federal, não há dúvidas de que a incorporação ocorreu antes da vigência da referida MP, e que, portanto, a base negativa da sucedida passou a fazer parte do patrimônio da incorporadora (autuada) antes também da vigência da norma restritiva. Isso não implica dizer, entretanto, que o prejuízo fiscal ou a base negativa acumulados no patrimônio de uma determinada empresa gere direito adquírido à compensação futura destes valores. Tanto é assim, que, ao analisar o estabelecimento da chamada trava de 30% para a compensação de prejuízos fiscais, o Supremo Tribunal Federal entendeu que prejuízos havidos em exercícios anteriores à vigência da Lei 8.981/1995 configuravam meras deduções, cuja projeção para exercícios futuros era autorizada nos termos da lei, a qual poderia, contudo, ampliar ou reduzir a proporção de seu aproveitamento (RE 344.944 e 545.308). Ainda de acordo com o STF, no que toca à compensação de prejuízos de exercícios anteriores, até que encerrado o exercício fiscal, ao longo do qual se forma e se ____ . . _confonna _o fato gerador do imposto de renda, o Contribuinte possui mera expectativa de ~~--d'i'-r~eim qaantoâ manu1irt~ão~os patamareS:iiXadO'S""pela4egi-Slação-que"l'egia--es-=-~xerc-4e-u __ ~_ anteriores. Nestes termos, a limitação introduzida pela Lei 8.981/1995, a chamada trava de 30%, mesmo alcançando prejuízos fiscais apurados em exercícios anteriores à sua vigência, ---~f.ei-G0nsider-ada-Goostitucional.- ----- Nos julgados acima referidos, o STF concluiu que a lei aplicável é a vigente naããta do encerram-ema o exercclO 'sca;-e que-o-a a Imen o e-pre]UIZOS,--mal exercício social em que constatados, configura benesse da política fiscal. Penso que todas essas considerações vêm no sentido de afirmar o princípio da independência entre os exercícios, com o qual me alio, posto que ainda não vi Doutrinadores defendendo a possibilidade de compensação de prejuízos futuros com lucros anteriores, dando margem a repetição de indébitos (com base nos pagamentos anteriores que passariam a ser ~ considerados indevidos em razão dos prejuízos futuros). Tal hipótese, a qual o senso comum da prática tributária repele prontamente, evidencia a correção do mencionado princípio. Retomando ao caso concreto, cabe observar que na data de ocorrência do fato gerador anual da CSLL - 31/12/1999, já havia transcorrido o prazo nonagesimal, estando em plena vigência as normas introduzidas pela MP n° 1.858-6. Nesta data, portanto, não mais era permitida a compensação de base negativa de sucedida; pelo que entendo correto o lançamento. Não bastasse toda essa digressão, registro ainda que a 53 Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, ao proferir o Acórdão n° 105-16.618 no Processo n° 16327.002694/2001-66, abaixo transcrito, confirmou o lançamento que reverteu a base negativa apurada pela incorporada: i • ACORDAM oS Membros da QUINTA CAMARA do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Irineu Bianchi (Relator), Eduardo da Rocha Schmidt e Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado) que davam provimento parcial pará afastar a multa em relação aos ocorridos antes da sucessão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro WilsonFernandes Guimarães. Assim, por mais esse motivo, não caberia a compensação engendrada pela Recorrente. Deste modo, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 11 de março de 2010 a-. ~c:.~~ E OLIVEIRA FERRAZ CORREA 6 ..• -., •.~., 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006
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Numero do processo: 10830.912944/2012-54
Data da sessão: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 25 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.481
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância por cerceamento de direito de defesa e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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LUCRO PRESUMIDO. ATIVIDADES HOSPITALARES. Recorrente OCC ONCOLOGIA CLINICA DE CAMPINAS SOCIEDADE EMPRESÁRIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO LUCRO PRESUMIDO ATIVIDADES HOSPITALARES ANOCALENDÁRIO 2004 DIPJ RETIFICADORA. A DIPJ retificadora, por si só, não se constitui em instrumento hábil para a exigência dos valores nela informados A DCTF é que se constitui, de fato, em confissão de dívida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância por cerceamento de direito de defesa e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 29 44 /2 01 2- 54 Fl. 1099DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília, que por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente, não reconhecendo o seu direito creditório. Por economia processual passo a adotar o suscinto relatório elaborado pela DRJ, in verbis: “Trata o presente processo de despacho decisório eletrônico (fl. 29), no qual a compensação realizada no Per/Dcomp nº 09247.72741.260209.1.2.048041, pela empresa acima identificada, não foi homologada por inexistência/insuficiência do crédito compensado, haja vista o pagamento relativo ao DARF ali discriminado, foi integralmente utilizado para quitar débito do CSLL, PA31/12/2004, não restando saldo disponível. A contribuinte tomou ciência do despacho decisório em 18/12/2012 (AR fl. 35). Inconformada, por intermédio de seu procurador (Gustavo Froner Minatel), apresentou manifestação de inconformidade (fls. 2 a 9) em 16/01/2013, na qual transcreve os fatos, dispositivos da legislação tributária e, em síntese, argumenta o seguinte: inicialmente no trimestre em análise apurou débito de CSLL, quitado da seguinte forma: (i) parte por retenções sofridas; e (ii) parte com DARF; revendo a apuração da CSLL, constatou que estava aplicando o percentual incorreto de presunção do lucro (32%), tendo em vista sua atividade ser enquadrada como serviços hospitalares, previsto no art. 15, §1°, III, combinado com o art. 20 da Lei n° 9.249/95. Diante do equívoco, aplicou o percentual correto (12%), e apurou CSLL devida de no trimestre, resultando pagamento a maior, e retificou a DIPJ do período para demonstrar o valor correto da CSLL; do valor pago, parte foi utilizada para liquidar a CSLL devida no trimestre e o restante pago a maior, pediu a restituição. No entanto, a DRF/Campinas indeferiu o pedido de restituição no despacho decisório, em flagrante desrespeito à legislação tributária, especialmente a que trata de necessidade de lançamento e de restituição (Arts. 142 e 165 do CTN) devendo ser reformado, porque não foi considerado a DIPJ retificadora apresentada antes da emissão do despacho decisório; a autoridade fiscal não pode, a seu critério, efetuar lançamento ou deixar de fazêlo, porque sua atividade é vinculada e obrigatória. Com efeito, o artigo 15, parágrafo 1º, Inciso III, alínea "a" da Lei n° 9.249/951, vigente à época dos fatos, determinava que os prestadores de serviços hospitalares poderiam utilizar na apuração da CSLL na sistemática do lucro presumido percentual de 12% sobre a receita bruta (art. 20 da Lei 9.249/95); apesar da clareza na redação no que concerne à aplicação do percentual de 12% sobre a receita bruta na prestação de serviços hospitalares, o legislador não definiu o que seriam considerados serviços hospitalares para fins de aplicação do Fl. 1100DF CARF MF Processo nº 10830.912944/201254 Acórdão n.º 1001000.481 S1C0T1 Fl. 3 3 aludido percentual, questão essa central para o deslinde da controvérsia ora analisada; na busca de uma interpretação do alcance da norma, foram editados pela Receita Federal do Brasil uma série de atos normativos para regulamentar a questão e tentar definir o que seriam "serviços hospitalares", sendo o primeiro deles a IN SRF n° 306/2003 que em seu artigo 23 conceituou "serviços hospitalares" para fins do disposto no artigo 15, § 1º, inciso III, alínea "a", da Lei nº 9.249/95; a sua atividade estava expressamente listada no artigo 23, inciso V, alíneas "i" e "k", da IN SRF n° 306/2003, vigente à época dos fatos, e atendia a todos os requisitos mencionados no referido dispositivo, vez que os serviços eram prestados por pessoa jurídica que possuía estrutura física condizente para a execução e desenvolvimento das atividades de radioterapia e quimioterapia, tanto que autorizado seu funcionamento pela ANV1SA, o que confirma a aplicação do percentual de 12% na apuração da base de cálculo da CSLL apurado no ano calendário de 2004; assim, com base no artigo 15, § 1o, inciso III, alínea "a", da Lei n° 9.249/95 (redação original), confirmada pela IN SRF n° 306/03, refez o cálculo da CSLL de 2004, aplicando o percentual de 12% e constatou recolhimento a maior, devendo assim o crédito ser reconhecido e o pedido de restituição integralmente deferido; diante de apuração, não desconstituída pelo Fisco, os valores de CSLL recolhidos a maior caracterizamse indébitos tributários, pois extrapolam o critério quantitativo da sua base de cálculo. Nesse sentido, são esclarecedoras as palavras do ilustre professor Paulo de Barros Carvalho. No PEDIDO, requer seja conhecida a Manifestação de Inconformidade, declarandose a ineficácia da decisão, a fim de que seja reconhecido integralmente o direito creditório com a consequentemente restituição do valor pleiteado, acrescido de juros SELIC, nos termos da legislação de regência. É o breve relatório.” A DRJ de Brasília (DF) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 PRESTADOR DE SERVIÇOS HOSPITALARES. PERCENTUAL DE LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS. Para serem considerados serviços hospitalares, as atividades dos contribuintes que desejem usufruir do benefício legal de redução de alíquota, em face da legislação tributária de Fl. 1101DF CARF MF 4 regência e orientação traçada pela Administração tributária, devem atender cumulativamente todas às exigências e/ou requisitos previstos nos normativos, devidamente comprovada mediante documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” No Recurso faz extenso arrazoado sobre os motivos pelo qual o acórdão exarado pela DRJ não deve prosperar, reiterando em seguida as alegações feitas por ocasião da sua manifestação de inconformidade e, no fim, pugnando pelo provimento do seu Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator O presente processo tratase de retorno de diligência, conforme decisão deste egrégio Conselho, em 27/11/2014. Por economia processual reproduzo parcialmente o voto do relator: A presente lide consiste na interpretação da Delegacia da Receita Federal que entendeu que a contribuinte, optante pelo lucro presumido, deveria utilizar o percentual de lucro de 32% sobre sua receita bruta de prestação de serviços hospitalares, portanto divergente do percentual de 12%, o qual a contribuinte utilizou entendendo ser pertinente às suas atividades. De acordo com o entendimento da fiscalização, a Lei nº 10.684/2003 criou a alíquota de 32% para a apuração da CSLL para as pessoas jurídicas optantes pelo Lucro Presumido, enquadradas na mesma situação da contribuinte, embora a mesma tenha continuado a utilizar a alíquota de 12%. Vejamos o diploma legal em questionamento: “Art. 22. O art. 20 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do ano calendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. Fl. 1102DF CARF MF Processo nº 10830.912944/201254 Acórdão n.º 1001000.481 S1C0T1 Fl. 4 5 Parágrafo único. A pessoa jurídica submetida ao lucro presumido poderá, excepcionalmente, em relação ao quarto trimestrecalendário de 2003, optar pelo lucro real, sendo definitiva a tributação pelo lucro presumido relativa aos três primeiros trimestres." (NR) Passo portanto a análise do mérito. Para tanto colaciono o dispositivo questionado, constante da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995: “Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. (Redação dada Lei nº 10.684, de 2003) (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) (Vide Lei nº 11.119, de 205) (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vigência)” Reproduzindo também o dispositivo referente ao IRPJ, o qual ampara a CSLL: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: [...] III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) [...] Como de plano se observa, a Lei n° 11.727, de 23 de junho de 2008, promoveu alteração no sentido de adicionar atividades específicas no rol de exceções à aplicação da alíquota de 32%, sem adicionar contudo, os serviços radiológicos. Ocorre que tal alteração não afeta o caso em tela em virtude de: Fl. 1103DF CARF MF 6 (I) não servir de caráter expressamente interpretativo para o termo “serviços hospitalares”, fato que poderia ensejar a retroatividade nos termos do art. 106, I, do Código Tributário Nacional; e (II) vir após a ocorrência dos fatos geradores que lhe deram causa (anoscalendário de 2003, 2004, 2005 e 2006). Portanto, da análise devese verificar o texto legal vigente à época dos fatos geradores, que era “prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares”. Neste prisma, a Recorrente entende prestar serviços hospitalares e, nesta condição, entende que nos fatos geradores supra estaria na regra de exceção à aplicação da alíquota de presunção de lucro a 32%. Confrontada com idêntica situação, o STJ através do REsp n° 859.574, de relatoria do Ministro Castro Meira, julgado em 23/06/2009 se pronunciou no sentido de se interpretar o termo “serviços hospitalares” objetivamente. No voto do Ilustre Ministro, que também citou precedente do decidido no REsp 951.251/PR, concluiuse o seguinte: ... a Seção decidiu que o benefício fiscal de redução de base de cálculo foi concedido de modo objetivo, pois leva em consideração o serviço prestado e não a natureza ou estrutura do prestador. Nesses termos, definiuse que a alíquota reduzida beneficia todos os prestadores de serviços tipicamente hospitalares – que são aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde , independentemente da complexidade ou da estrutura para internação de pacientes. A mens legis da norma em debate busca, através de um objetivo extrafiscal, minorar os custos tributários de serviços que são essenciais à população, não vinculando a prestação desses a determinada qualidade do prestador capacidade de realizar internação de pacientes , mas, sim, à natureza da atividade desempenhada. No julgamento citado, excetuaramse, apenas, as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. Na oportunidade foram fixadas duas situações que convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por instituição que, no desenvolvimento de sua atividade, possuía custos diferenciados do simples atendimento médico, sem, contudo, decorrerem estes necessariamente da internação de pacientes. No caso, tratase de entidade que presta serviços de radiologia, ultrassonografia e diagnóstico por imagens dentro do Hospital Geral pertencente à Associação de Caridade Santa Casa do Rio Grande, que não possui esses serviços e, portanto, os terceiriza à recorrente. Fl. 1104DF CARF MF Processo nº 10830.912944/201254 Acórdão n.º 1001000.481 S1C0T1 Fl. 5 7 Não se trata de simples consulta médica, mas de atividade que se insere, indubitavelmente, no conceito de “serviços hospitalares, já que demanda maquinário específico, geralmente adquirido por hospitais ou clínicas de grande porte.” É importante deixar consignado – por sugestão do Min. Teori Zavascki no julgamento do REsp 951.251/PR – que a redução da base de cálculo somente deve favorecer a atividade tipicamente hospitalar desempenhada pela recorrente – especificamente a prestação de serviços de radiologia, ultrassonografia e diagnóstico de imagens – excluídas as simples consultas e outras atividades de cunho administrativo. [...] (Grifouse) Retornando a matéria ao pleito do STJ, decidiu este pacificar seu entendimento no julgamento do REsp n° 1.116.399/BA, quando aplicou o regime do art. 543C do Código de Processo Civil, representativo da controvérsia, assim ementado: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir Fl. 1105DF CARF MF 8 que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl.. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. (REsp 1116399/BA, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/10/2009, DJe 24/02/2010) Tal decisão ainda foi consolidada pelo julgamento de Embargos Declaratórios, cuja ementa também transcrevo a seguir, por adicionar elementos interessantes, em especial, a inaplicação do conceito de “serviços hospitalares” para “consultas médicas”, vejamos: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. Fl. 1106DF CARF MF Processo nº 10830.912944/201254 Acórdão n.º 1001000.481 S1C0T1 Fl. 6 9 ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO.OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. 1. Os embargos de declaração são cabíveis quando o provimento jurisdicional padece de omissão, contradição ou obscuridade nos ditames do art. 535, I e II, do CPC, bem como para sanar a ocorrência de erro material. 2. A parte embargante aduz que há no acórdão embargado, basicamente, três questões a serem esclarecidas, quais sejam: (i) a atividade de consulta médica realizada no interior dos hospitais por profissionais com vínculo com a instituição deve ser conceituada como serviços hospitalares para efeito de beneficiarse da redução da base de cálculo?; (ii) estão (ou não) abrangidas pelo benefício fiscal as consultas médicas prestadas em consultório médico não localizado no interior do hospital, mas com prestação de serviços que não a simples consulta médica?; e (iii) as consultas médicas prestadas em consultório médico de forma exclusiva se incluem no benefício? 3. No caso dos autos, o Colegiado foi claro e preciso ao afirmar que são excluídas dos benefícios tendentes à redução das alíquotas ora pleiteadas as atividades destinadas unicamente à realização de consultas médicas, de sorte que a conclusão ora buscada pela embargante decorre da simples leitura do acórdão embargado. 4. Não obstante, a fim de dirimir quaisquer dúvidas sobre o que foi efetivamente decidido pelo colegiado, prevenir interpretações errôneas do julgado, bem como o manejo de novos aclaratórios, devese esclarecer que a redução da base de cálculo de IRPJ na hipótese de prestação de serviços hospitalares prevista no artigo 15, § 1º, III, "a",da Lei 9.249/95, efetivamente, não abrange as simples atividades de consulta médica realizada por profissional liberal, ainda que no interior do estabelecimento hospitalar. Por conseguinte, também é certo que o benefício em questão não se aplica aos consultórios médicos situados dentro dos hospitais que só prestem consultas médicas. 5. Ademais, por ocasião do julgamento dos embargos declaratórios opostos pela Fazenda Nacional em face do acórdão proferido no REsp 951.251PR, o eminente Ministro Relator afirmou que: "Não há que se estender o benefício aos consultórios médicos somente pelo fato de estarem localizados dentro de um hospital, onde apenas sejam realizadas consultas médicas que não envolvam qualquer outro procedimento médico." 6. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no REsp 1116399/BA, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/09/2010, DJe 29/09/2010) Como se observa, o entendimento jurisprudencial de “serviços hospitalares” ficou consolidado em sentido amplo, Fl. 1107DF CARF MF 10 relacionandose ao serviço prestado, e não à natureza ou a estrutura do prestador. A interpretação do dispositivo, portanto, é objetiva. Ressaltese que o CARF se sujeita ao definido nos termos do art. 543C do Código de Processo Civil, nos termos da Portaria CARF n° 256, de 22 de junho de 2009: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. A contrario sensu, a DRJ havia entendido pela aplicação temporã dos fatos geradores, à luz das Instruções Normativas vigentes a cada tempo, que vinham restringindo o conceito de serviços hospitalares. “Seguindo este raciocínio, pacificouse no âmbito da administração tributária federal o entendimento de que serviços hospitalares são aqueles prestados em decorrência da internação e tratamento de doentes ou aqueles que necessitam de intervenções cirúrgicas em hospitais. Não se consideram como tais, para os fins específicos da tributação pelo imposto de renda e CSLL das pessoas jurídicas, mormente no regime do lucro presumido, os serviços ambulatoriais, os meros serviços de clínica médica, de exames clínicos, de análises clínicas (laboratoriais, radiológicas, ecográficas, de ressonância magnética, de tomografia computadorizada, etc.), de clínica odontológica que não necessitam de um complexo hospitalar, ou seja, dos recursos materiais e humanos próprios de um hospital, inclusive para promover a internação dos pacientes. Não bastassem estes argumentos, outra justificativa que aponta a intenção do legislador em distinguir, para fins tributários, os serviços profissionais de médico dos serviços hospitalares encontrase no custo suportado pelas pessoas jurídicas que atuam no ramo da saúde. Com efeito, os custos e despesas operacionais dos hospitais são bem superiores aos de outros serviços médicos/odontológicos/psicológicos prestados em clínicas, consultórios médicos e laboratórios, o que fundamenta a diferenciação de percentual adotada pela lei para fixação do lucro presumido da pessoa jurídica. De fato, aos custos dos serviços prestados por hospitais, além dos gastos dos profissionais especializados e dos materiais empregados no atendimento, somamse, permanentemente, os custos de hotelaria, alimentação, enfermagem, lavanderia e pesquisa, além do que devem abranger o estado de prontidão para o atendimento a possíveis situações de emergência (atendimento 24 horas). Este, pois, é o sentido teleológico da norma: considerar como base de cálculo do imposto de renda uma porcentagem menor da receita bruta para quem atua no ramo de serviços hospitalares Fl. 1108DF CARF MF Processo nº 10830.912944/201254 Acórdão n.º 1001000.481 S1C0T1 Fl. 7 11 em relação aos serviços médicos ou odontológicos em geral, uma vez que seus custos são bem superiores aos serviços prestados em clínicas, ambulatórios, consultórios médicos ou laboratórios. Claro está, mais uma vez, a especificidade do conceito de serviços hospitalares para fins do artigo 15, III, a, in fine, da Lei nº 9.249/95. A INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº 306/2003 E A PORTARIA GM Nº 1.884/1994 À época dos fatos, a Coordenação Geral do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal do Brasil solicitou parecer ao Ministério da Saúde a respeito do conceito de “serviços hospitalares” com o desiderato de esclarecer caso concreto em solução de consulta a ela formulada, cuja resposta consubstanciada na Nota Técnica CGPI/DP/SIS/MS nº 020, de 18 de fevereiro de 2002, assim concluiu a questão: Conforme exposto acima podemos concluir que as definições sobre serviços hospitalares e serviços préhospitalares devem ser elaboradas a partir da normatização atualmente vigente, podendose resumir da seguinte forma: SERVIÇOS HOSPITALARES: para a verificação de serviços hospitalares, devese avaliar se no caso concreto a pessoa jurídica exerce uma das seguintes atribuições: i) promoção, prevenção e vigilância à saúde da comunidade; atendimento eletivo de assistência à saúde em regime ambulatorial; ii) atendimento imediato de assistência à saúde: prestação de atendimento de assistência à saúde em regime de internação por período superior a 24 horas; iii) atendimento a pacientes internos e externos em ações de apoio direto ao reconhecimento e recuperação do estado da saúde. Em face dessas conclusões, a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Instrução Normativa SRF nº 306/2003, acolheu o posicionamento externado na Nota Técnica CGPI/DP/SIS/MS nº 020/2002, ao estabelecer em seu art. 23, as hipóteses em que os serviços prestados por determinadas pessoas jurídicas poderão ser considerados como serviços hospitalares, para os fins previstos no art. 15, § 1º, inciso III, alínea "a", da Lei nº 9.249/95. Eis o teor do dispositivo: Art. 23. Para os fins previstos no art. 15, § 1º inciso III, alínea "a", da Lei nº 9.249, de 1995, poderão ser considerados serviços hospitalares aqueles prestados por pessoas jurídicas, diretamente ligadas à atenção e assistência à saúde, que possuam estrutura física condizente para a execução de uma das atividades ou a combinação de uma ou mais das atribuições de que trata a Parte II, Capítulo 2, da Portaria GM nº 1.884, de 11 de novembro de 1994, do Ministério da Saúde, relacionadas nos incisos seguintes: Fl. 1109DF CARF MF 12 I – realização de ações básicas de saúde, compreendendo as seguintes atividades: (...) II – prestação de atendimento eletivo de assistência à saúde em regime ambulatorial, compreendendo as seguintes atividades: (...) III – prestação de atendimento imediato de assistência à saúde, compreendendo as seguintes atividades: (...) IV – prestação de atendimento de assistência a saúde em regime de internação, compreendendo as seguintes atividades: (...) V – prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia, compreendendo as seguintes atividades: (...) Frisese: para que sejam considerados hospitalares, exigese que os serviços descritos nos incisos do art. 23 da IN SRF 306/2003 sejam prestados por estabelecimentos que possuam estrutura física condizente com as atividades que desempenha. Para que se verifique isso, fazse necessária a apresentação de provas que demonstrem que os estabelecimentos cumprem as condições exigidas em lei para ser considerado como estabelecimento assistencial de saúde (EAS). Neste ponto, a Portaria GM nº 1.884/94 disciplinou sobre a organização físicofuncional dos estabelecimentos assistenciais de saúde, determinando quais as condições necessárias exigidas para que um estabelecimento possa prestar serviço hospitalar. Lembrese, ainda, que o caput do art. 23 da IN SRF nº 306/2003, exige que o estabelecimento assistencial de saúde possua estrutura física condizente com as atividades que desempenha, sendo obrigatório, portanto, oferecer os seus serviços de maneira plena e integral. Além disso, é imprescindível a pessoa jurídica contar com todas as instalações e os equipamentos adequados para a prestação do serviço hospitalar equiparado, devendo estar apta a prestar os serviços necessários para os quais foi criada e executálos em local onde se encontram seus equipamentos, materiais, mãodeobra especializada, etc., os quais justificam os custos assemelhados à atividade hospitalar. Se, porventura, o contribuinte tãosomente dispensa atendimentos superficiais, sendo incapaz de propiciar o efetivo diagnóstico e tratamento de seus pacientes, concluise que ela não possui uma estrutura capaz de usufruir os proveitos fiscais em análise. Aduziu, portanto, que a definição de empresário e sociedade empresária não se coaduna como elemento de empresa pela simples prestação de serviços profissionais na área médica, Fl. 1110DF CARF MF Processo nº 10830.912944/201254 Acórdão n.º 1001000.481 S1C0T1 Fl. 8 13 afastando pelas características estruturais o contribuinte da condição de estabelecimento hospitalar de que trata a lei. Ora, como já abordado, o STJ decidiu que o termo “serviços hospitalares” deve ser analisado objetivamente. No caso, houve uma interpretação subjetiva, levandose em conta outros fatores que não se relacionam à prestação do serviço, mas à estrutura e outras condições do estabelecimento, restringindo sua aplicação ao caso. Neste estigma, é oportuno ressaltar que este Conselho não se submete aos atos da Secretaria da Receita Federal, que é parte interessada na arrecadação, mas deve atenção ao conteúdo estabelecido por leis, decretos, tratados ou acordos internacionais, nos termos da Portaria CARF n° 256, de 22 de junho de 2009: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: [...] Assim, é de se afastar a interpretação restritiva emanada através do Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF n° 18, de 23 de outubro de 2003, bem como, as Instruções Normativas SRF n° 306, de 12 de março de 2003, n° 480, de 15 de dezembro de 2004 e n° 539, de 25 de abril de 2005, que não se coadunam ao conceito objetivo de “serviços hospitalares” e se apegar ao precedente jurisprudencial representativo da controvérsia emanado pelo STJ supracitado. Por derradeiro, ainda que possam haver discussões, vale colacionar decisões deste Conselho já levadas a efeito nesta matéria que consolidam a interpretação esposada: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 SERVIÇOS HOSPITALARES. ESPÉCIE DE SOCIEDADE. HIPÓTESE NÃO PREVISTA EM LEI. PERCENTUAL DE APURAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO. A expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva, ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte, porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Para a empresa que presta “serviços hospitalares”, o percentual de apuração do lucro presumido sobre as receitas da atividade, para os anos de 2002 a 2005, é de Fl. 1111DF CARF MF 14 8% para o IRPJ e de 12% para a CSLL, consoante arts. 15 e 20 da Lei nº 9.249/95. (Acórdão n° 1202000.584, Relator Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Segunda Câmara, Primeira Seção, julgado em 04/10/2011) IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 LUCRO PRESUMIDO. CLÍNICA DE DIAGNÓSTICOS. DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COEFICIENTE No julgamento do Recurso Especial nº 1.116.399BA (2009/00064810), havido na sistemática dos recursos especiais repetitivos, o STJ decidiu, com a ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727 de 2008 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, que a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde), excluindose, contudo, as simples consultasmédicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004, 2005, 2006 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Subsistindo o lançamento principal, na seara do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica, igual sorte colhe o lançamento que tenha sido formalizado em legislação que toma por empréstimo a sistemática de apuração daquele. (Acórdão n° 1103000.552, Relator Conselheiro Jose Sergio Gomes, Primeira Câmara, Primeira Seção, julgado em 04/10/2011) Assim a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei nº 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva, ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte, porquanto a lei, ao conceder o menor percentual estimado de lucro, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Para a empresa que presta “serviços hospitalares”, o percentual de apuração do lucro presumido sobre as receitas da atividade é de 12% para a CSLL, consoante o art. 20 do mesmo diploma legal. Apesar de tudo o que foi dito o julgamento do presente processo necessita de uma instrução complementar para que se verifique a natureza do serviço prestados no período em que os créditos foram apurados. Isto posto, voto pela conversão do presente Fl. 1112DF CARF MF Processo nº 10830.912944/201254 Acórdão n.º 1001000.481 S1C0T1 Fl. 9 15 processo em diligência para que a Delegacia de origem verifique: a) através das notas fiscais de saída a natureza dos serviços que estão sendo faturados; b) a existência de ativos, próprios ou alugados de terceiros, condizentes com a prestação de serviços que tenham custos diferenciados em relação à simples consultas; c) demais elementos julgados pertinentes que possam esclarecer a natureza das receitas auferidas pela ora Recorrente, bem como o coeficiente para presunção do lucro. Reproduzo a seguir, resumidamente, o relatório da diligência realizada pela unidade de origem: Portanto à luz da interpretação da forma objetiva, qual seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte, conclui se que, de acordo com os documentos e informações disponibilizadas referente ao período diligenciado (2003 a 2006), há fortes indícios que a mesma tenha prestado serviços relacionados ao tratamento de quimioterapia, com equipamentos específicos (de quimioterapia), possuindo custos diferenciados do simples atendimento médico, e os indícios também apontam que a mesma exerceu (no período) atividade tipicamente hospitalar. A análise da rubrica “Honorários Médicos” não foi conclusiva devido a especificidade e a natureza da prestação de serviços de quimioterapia, ficando a cargo do julgador o que entender ser correto. Embora, em sua conclusão, o agente tenha mencionado que a análise da rubrica “honorários médicos” não tenha sido conclusiva e que ficaria a cargo do julgador o que “entender ser o correto”, no próprio relatório da diligência efetuada há a menção de que os honorários são uma parte pequena do faturamento da clínica, conforme reproduzo: Das informações e documentos coletados não temos como estabelecer se os “Honorários Médicos” teriam sido consultas médicas dissociadas ou não do tratamento de quimioterapia. O que é cediço é que os “Honorários Médicos” constituem uma parcela menor do faturamento da clínica, e que devido as características e as especificidades da prestação de serviços de quimioterapia, é bem plausível que estejam relacionados com o tratamento como um todo. Em seu recurso voluntário, a recorrente alegou, além das questões relativas à sua atividade, já tratadas acima, que houve cerceamento do direito de defesa, posto que: Fl. 1113DF CARF MF 16 · · Alega com base na PER, acostada aos autos é possível verificar que não há compensação, mas, pedido de restituição, que o equívoco é inadmissível de quem, pelo visto, não analisou os documentos acostados aos autos com o devido cuidado. Portanto, é patente o cerceamento do direito de defesa da Recorrente perpetrado pela decisão recorrida, vez que traz argumentos relacionados a fatos que a recorrente sequer consegue identificar a origem. De imediato, afasto o pedido de cerceamento do direito de defesa, pois, a recorrente foi capaz de identificar, claramente, do que se tratava a lide, posto que mencionado o número do pedido (identificado no acórdão) e os argumentos para o indeferimento, ou seja, não retificação da DCTF e o enquadramento da atividade da Recorrente. Subsequentemente, em uma petição, anexada aos autos , a recorrente alega de acordo com o Parecer Normativo COSIT 2/2015 "a não retificação da DCTF não impede que o crédito informado seja comprovado por outros meios". Na verdade, o referido parecer normativo indica o contrário, como veremos mais adiante. Por todo o exposto, como indica, visivelmente, o resultado da diligência, fica evidente que os serviços prestados pela recorrente foram de natureza hospitalar. Entretanto, observase que na correspondente sessão de julgamento, cujo processo foi convertido em diligência, não foi tratado o fato de a Recorrente apenas ter retificado a DIPJ, originalmente, entregue, sem ter efetuado a correspondente retificação da DCTF que, como bem afirmou a autoridade julgadora de primeira instância. Fl. 1114DF CARF MF Processo nº 10830.912944/201254 Acórdão n.º 1001000.481 S1C0T1 Fl. 10 17 No entanto, é cediço que a DCTF constituise, de fato, em confissão de dívida (constitui o crédito tributário) e não a DIPJ, como já decidido em outras sessões nesta turma.. De acordo com o art. 1º da IN SRF 077/98: Art. 1º Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas físicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União. (grifei) Assim temos que a DIPJ é uma declaração meramente informativa, enquanto a DCTF constituise em confissão de dívida, o que torna sem efeito a alegação da necessidade de lançamento tributário. O Parecer Normativo COSIT n° 2/2015, assim dispõe: 3 É possível o reconhecimento do crédito com base em provas ou indícios sem a retificação da DCTF? Não. A DCTF é confissão de dívida, portanto sua retificação é imprescindível para o reconhecimento do crédito. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). A divergência entre os valores informados na DCTF afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para o indeferimento do pedido. A súmula 436 do Superior Tribunal de Justiça STJ assim enunciou: A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal constitui crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do fisco. Assim, rejeito a preliminar de nulidade pelo cerceamento do direito defesa para, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 1115DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.001546/98-81
Data da sessão: Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2001
Numero da decisão: 201-00.174
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator
Nome do relator: José Roberto Vieira
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RESOLUÇÃO N° 201-00.174 11065.001546/98-81 201-00.174 116.115 20 de agosto de 2001 ~CALçADOS MAIDE LTDA. DRJ em Porto Alegre - RS SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES MIINISTÉRIO DA FAZ.ENDA 1 Sala das. Sessões, em 20 de agosto de 2001 ~Jorge Freire Preside e EaaVcf RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos .termos do voto do Relator. ~. Sessão Recorrente : Recorrida Processo Resolução: Recurso Vistos, relatados e discutidos os presentes autos do. recurso interposto por: \ CALçADOS MAIDE LTDA. . I ProceSso Resolução: Recurso, Recorrente : MIINISTÉR10 DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 11065.00 1546/98-81 201-00.174 116.115 . CALçADOS MAIDE LIDA. " .,I I [ i ~ r. . RELATÓRIO, O sujeito passivo apresentou,-em 09.07.98, Pedido de Ressarcimento de Crédito Presumido do IPI de fls. 01, relativo às exportações (Lei nO9.363/96), acompanhado .da respectiva Documentação .de fls. 02 a 33, e, posteriormente, seguido dos Pedidos de Compensação de fls. 51., , Como fruto das investigações promovidas pela: fiscalização da DRF em Novo Hamburgo _,RS, .foi lavrado o Relatório 'de Verificação Fiscal de 23.10.98 (fls. 47/48), sugerindo a redução do valor do ressarcimento., solicitado, de R$251.i93,42 para R$203.504,21, pela inclusão. I dita indevida, na sua bàse de'cálculo,de beneficiamento é rrião-de~obra realizados por terceiros. I' ' No Despacho Decisório de fls. 49, a Delegada da DRF em Novo Hamburgo - RS acatou a sugestão da fiscalização, reconhecendo parcialmente o direito credité>rio; decisão da qual ~ peticionária foi cientificada em 26.10.98 (fls. 48). . . Inconformada, a contribuinte impugnou tal despachO por. instrumento apresentado em 18.11.98 (fl~. 72 a 77), alegando que o beneficio legal não diz respeito ao IPI, mas ao PIS, e à COFINS; e alegando que, 'com a interpretação assumida, li ••• o esforço govemamen.tal, de incentivo às exportações, está sendo obstaculizado pelo erário" (fls. 75). , A decisão de primeira instância da Delegacia da Receita Federal d~ Julgamento em Porto Alegre,:, RS, datada de 25.09.2000~ tomou conhecimento da impugn4ção para, na seqüência, indeferir o pleito do sujeito passivo, confirmando o entendimento da DRF em Novo, Hamburgo - RS (fls. 79 a 82). ' , '.. Cientificada da decisão monocrática em 10.10.2000 (fls. 82, verso), o sujeito' passivo interpÔs Recurso Voluntário para este Conselho em 3'0.10',2000 (fls. 83 a 89), reiterando .seus~argumentos e acrescentando, quanto à apuração do crédito piesumido, que descabe ao Fisco impor o método PEPS, uma vez que ele constitui alternativa ao méto~o da média ponderada móvel, tendo, a DRJ em Porto Alegre - RS encaminhado o processo, com o mencionado recurso, em 13.11.2000, a este Conselho (fls. 91). ' . É o relatório. ' 2 3 Trata-se de Pedido de Ressarcimento de Crédito Presumido do IPI de fls. 01, relativo às exportações (Lei nO 9.363/96), em que 9 valor originalmente solicitado' foi reduzido pela inclusão, dita indevida, na sua base de cálculo, do valor de beneficiamento e d~ mão-de-obra realizados por terceiros. VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR JOSÉ ROBERTO VIEIRA 11065.001546/98-81 201-00.174 116.115 SEGUNDO CONSELHÇ) DE CONTRIBUINTES ." MIINISTÉRIO DA FAZENDA Nessa linha, também, a orientação constante.da resposta à Pergunta nO 723 da obra "Imposto de Renda 2001 - Perguntas e Respostas" (Ministério da Fazenda - Secretaria da Receita Federal, 200l"p. 382): "No caso em que o encomendcmte remete os insumos com suspensão do IPI ao executor da encomenda ... e o executor da encomenda remete os produtos com suspensão, não há que se ~ falar em irz.clusãodo valor cobrado pelo encomendante na base de cálculo do crédito presumido. Trata- '. sede merq prestação de serviços e não.de aquisição de matéria-prima, material de embalagem e produto intermediário".' Parece que a administração tributária está aqui a raciocinar que, não tendo havido tributação do IPI no retorno da industrialização por encomenda; o executor da industrialização não utilizou produtos de sua fabr~cação QU importação, hipótese em que se estaria diante de ".. ; mera prestação, de serviços ... ". Recorde-se. o tratamento dispensado' pela legi.slação do IPI à industrialização por encomenda, em que o encomendante pode remeter ao industrializador por encomenda, com suspensão do IPI,matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem destinados à industrialização, desde que os produtos' industri,alizados devam ser enviados ao estabelecimento remetente daquelés insumos (Regulamento do IPI, Decreto nO 2.637, de 25.06.98, artigo 40, VII), "bem como o executor' dá industrialização por encomenda pode remeter ao estabelecimento erícomendante, igualmente, com suspensão do IPI, os produtos dessa forma industrializados, desde que não tenha u~ilizado, na operação, produtos de sua industrialização ou. importação, e desde que os produtos industrializados por encomenda sejam destinadospelo encomendante a comércio ou industrialização (Regulamento do IPI, artigo 40, VIII). Processo Resolução R-ecurso Tantô o despacho decisório da DRF em Novo Hamburgo - RS quanto a decisão de ,primeira instância da DRJ em Porto Alegre - RS, tomaram em consideração orientação constante de um Boletim Central da Secretaria <fu. Receita Federal, segundo o qual o critério de admissão do valor da' industrialização por encomenda na base de cálculo do crédito presumido é a tributação pelo IPI, seja da operação de' remessa dos insumos para industrialização,' seja da operação de remessa do produto pelo e~ecutor da industrialização, que devem permanecer sem o "beneficio da suspensão. Havendo tributação do IPI, o valor da industrialização por éncomenda integra a base de cálculo' do crédito' presumido; inexistindo tal tributação, o valor da industrialização por encomenda não integraria essa base de cálculo. Processo Resolução Recurso MIINISTÉRIO DA FAZENDA. SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 11065.001546/98-81 201-00.174 . 116.115 Pensamos que o critério para a' admissão do valor da industrialização por encomenda na base de cálculo do crédito presumido não pode ser, exclusivamente, a tributação ou não pelo IPI das remessas relativas a tal industrializaç~o. Considere-se que a Lei nO9.363, de 13.12.96, instituiu o "... crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados", concedido à "... empresa produtora e exportadora de mercadori~s nacionais", como ressarcimento, das Contribuições. ao PIS/PASEP e da COFINS, "... incidentes' sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas;,produtos intermediários e material de embalagem, para utilizaçãO no processo produtivo" (artigo 1°), elegendo como base de cálculo do crédito presumido o valor obtido "... mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem..., do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a' receita' operacional bruta do produtor exportador" (artigo 2°). Logo, entendemos que, se a base de cálculo do crédito presumido resulta da aplicação do referido percentual sobre Ç> valor total das aquisições de insumos, o critério de ádmissão do valor .da industrialização po~ encomenda na base de cálculo desse crédito só pode ser o da adequação ou não do produto obtido via industrialização por encomenda aos conceitos de matérias-primas, produtos intermediários ou material de émbalagem. o ~ritério da. tributação ou não pelo IPI, adotado pela. administração tributaria no presente caso, embora constitua indicativo no sentido desejado, por si só, não é o bastante para o deslinde da questão. Veja-se, por exemplo, que o executor de uma industrialização por encomenda pode remeter ao encomendante produtos dessa forma fabt1cados, que serão por este destinados a comércio ou industrialização, e em cuja industrialização não tenha utilizado produtos de sua fabricação ou importação, ou seja: atendendo a todos os requisitos legais para a aplicação do beneficio da suspensão, contudo,' agregou, na industrialização por. encomenda, produtos intermediários adquiridos de terceiro, de tão grande relevância que fazem do produto assim industrializado, indubitavelmente, uma nova matéria-prima, muito . diferente daquela originalmente enviada pelo encomendante da industrialização, caracterizando a remessa do executor da industrialização, irrecusavelmeríte, como' uma aquisição de matéria-prima, hipótese em que, entendemos, 'não poderá a industrialização por encomenda ser excluída da base de cálculo do crédito presumido. Eis que necessano, portanto, o conhecimento, em suas mlOUClas e detalhes,. do conteúdo da chamada "industrialização por encomenda" para determinai se o encomendante, ao receber o produto desse modo industrializado, está efetivamente '''adquirindo uma maténa-prima, produto intermediário ou material de embalagem'.'. . (. E que informações temos acerca do processo de industrialização por encomenda' no presente caso? Pouquíssimas. O Relatório de Verificação Fiscal menciona a "... industrialização por encomenda... " e "... a industrialização efetuadapor outras empresas ... " (fls.' 47); a Impugnação refere. o "... beneficiamento e mão de obra realizados por terceiros .1•• " (fls. 72-73), "... o beneficiamento da matéria-prima(couro no estado wet-blue ...), remetida pelo encomendante ... " (fls. 7il), bem como "... a matéria-prima ... no estado wet blue, mandando acabá-~a por terceiros ..:" (fls. 74); o Recurso 4 5 . , ( em 20 de agosto de 2001 . . 11065.001546/98-81 201-00.174 q6.11::i . SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES MIINISTÉRIO DA F~ENDA Processo Resolução .. Recurso Isso posto, entendemos d~va este julgamento ser convertjdo em diligência para que a repartição de origem promova as investigações necessárias, junto ao estabelecimento da contribuinte, com a devida ciência a ela, de fQrmá a trazer ao processo, com o detalhamento necessário, as informações aqui referidas, cuja ausência foi acima diagnosticada, para instruir .convenientemente o presente processo administrativo, peimitindo a 'sua justa e legal decisão. . .' . . . { Cumprida a diligência, devem os presentes autos retomar a.esta Câmara. É o meu ~oto. Voluntário faz menção ao ":.. beneficiamento do couro principal matéria-prima do calçado que a recorrente industria~iza e exporta ... " (fls. 85), e ao " beneficiamento da matéria-prima (couro no es'tadowet-blue), remetida pelo encomendante ... " (fls. 85); \:: muito emborá a' decisão de primeira "instância tenha feito r~ferências a "... serviços prestados por terceirps ... " e a "... valor dó serviço prestado ... " (fls." 81), com o que se mostrou razoavelmente de' acordo a recorrente, ao utilizar, em sua Impugnação, a expressão "... encomendante do serviço .... " (fls: 74), que voltou a usar no Recurso Voiuntárip (fls. 85); em nenhum momento do processo fica' esclarecido em detalhes o conteúdo da industrialização' por encómenda. Ora, depois de obtido o .couro no estado "wet blue ", ele pode ainda ser .submetido a diversos processos, tais como os de molhagem, secagem, estreitamento, tingidura etc. Quais os efetivamente ocorridos neste caso? . E em que grau? O preserite processo simplesmente carece dessas: informações. . . I 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005
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Numero do processo: 14041.000500/2008-35
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.872
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 05 00 /2 00 8- 35 Fl. 3221DF CARF MF Processo nº 14041.000500/200835 Acórdão n.º 9202005.872 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 15979.000274/200701. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 3222DF CARF MF Processo nº 14041.000500/200835 Acórdão n.º 9202005.872 CSRFT2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202005.782, de 26/09/2017, proferido no julgamento do processo 15979.000274/200701, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202005.782): Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade Fl. 3223DF CARF MF Processo nº 14041.000500/200835 Acórdão n.º 9202005.872 CSRFT2 Fl. 0 4 benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262 (Sessão de23dejunhode2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 3224DF CARF MF Processo nº 14041.000500/200835 Acórdão n.º 9202005.872 CSRFT2 Fl. 0 5 A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdãonº9202004.499 (Sessão de 29desetembrode2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 3225DF CARF MF Processo nº 14041.000500/200835 Acórdão n.º 9202005.872 CSRFT2 Fl. 0 6 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao Fl. 3226DF CARF MF Processo nº 14041.000500/200835 Acórdão n.º 9202005.872 CSRFT2 Fl. 0 7 raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na Fl. 3227DF CARF MF Processo nº 14041.000500/200835 Acórdão n.º 9202005.872 CSRFT2 Fl. 0 8 NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 3228DF CARF MF Processo nº 14041.000500/200835 Acórdão n.º 9202005.872 CSRFT2 Fl. 0 9 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de Fl. 3229DF CARF MF Processo nº 14041.000500/200835 Acórdão n.º 9202005.872 CSRFT2 Fl. 0 10 ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 3230DF CARF MF Processo nº 14041.000500/200835 Acórdão n.º 9202005.872 CSRFT2 Fl. 0 11 Fl. 3231DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10768.010418/98-76
Data da sessão: Wed Jan 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1995
Ementa: COMPENSAÇÃO
Uma vez comprovado o saldo negativo de IRPJ, deve se conceder a
compensação.
Numero da decisão: 1103-000.397
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª câmara / 3ª turma ordinária do primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso.
Matéria: IRF- que ñ versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.)
Nome do relator: MÁRIO SÉRGIO FERNANDES BARROSO
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª câmara / 3ª turma ordinária do primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA Presidente Mário Sérgio Fernandes Barroso Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros, Marcos Shigeo Takata, Gervásio Nicolau Recktenvald, Eric Moraes de Castro e Silva, Hugo Correa Sotero (vice-presidente). Relatório Fl. 1DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/02/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 01/02/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, 03/03/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA 2 Trata o processo de recurso voluntário da decisão da DRJ que indeferiu a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versa o processo sobre pedido de restituição para compensações futuras de valores relativos ao Imposto de Renda Retido na Fonte, IRRF, (fls.43), cujas retenções ocorreram no ano base de 1995, totalizando R$1.657.575,45, referentes a aplicações financeiras, (fls.03), cumulado com pedido de compensação de fls. 01, 45, 48, 63, 64, 70, 90, 107, 108, 109, 110, 111, 112, 137, 138, 140, 142, 149, 152, 154, 157, 160, 173 e 180. A Delegacia Especial de Instituições Financeiras no Rio de Janeiro, Deinf/RJO, às fls.68/69, indeferiu o pedido de restituição/compensação com o fundamento que o Banco Nacional de Investimentos S/A carecia de legitimidade para pleitear a compensação mediante a utilização de crédito pertencente à empresa diversa, Natrex Nacional Trading S. A. Comércio Exterior, encontrando-se esta ainda ativa perante a Secretaria da Receita Federal. O Acórdão DRJ/RJO nº.4.352 de 14 de outubro de 2003, (fls.204/210), anulou a referida decisão, determinando que a Deinf/Diort apreciasse o mérito do pedido de compensação/restituição. Em decorrência, a Deinf/Diort, produziu novo parecer e despacho decisório, (fls.238/243), no sentido de não homologar a compensação uma vez que a Natrex Nacional Trading S. A. Comércio Exterior, não entregou a DIRPJ de 1996, fato que retirou a certeza e liquidez do crédito, pois, a disponibilidade do mesmo só é aferida após a compensação do IRRF na DIRPJ do respectivo ano-calendário. Às fls.244/247, consta decisão judicial no sentido de conceder segurança para suspender a exigibilidade dos créditos tributários decorrentes da denegação do pedido de compensação oriundo do despacho decisório de fls.68/69 deste processo administrativo. A Interessada, em 04-06-2004, apresentou a impugnação de fls.251/262, instruída pelos documentos de fls.263/304, na qual alega que: - a DIRPJ de 1996 foi recepcionada pela ARF/Barueri no dia 20-12-1996, sob o número de protocolo 08113017/6213, conforme fls.263/279; - não é de sua responsabilidade qualquer falha no processamento da declaração ou o seu extravio no interior da repartição pública, ou ainda qualquer outro motivo para a sua não-localização; - o montante objeto da compensação, qual seja, R$1.657.575,45, compõe o valor de R$4.163.962,29, consignado na linha 14, ficha 08, da DIRPJ de 1996 da Natrex, conforme fls.270; - não operou a decadência do pedido de compensação; - são infundadas as diferenças apontadas pela Deinf às fls.239/240, em relação a DCTF e a DCOMP, uma vez que decorreram de balancetes feitos com lançamentos contábeis ainda não definitivos, dessa forma, apurou os valores em bases estimadas, sendo os mesmos superiores ao montante definitivo apurado posteriormente, gerando um crédito em seu favor. Às fls.260/261, apresentou exemplos que confirmariam esta afirmação. Finalizou requerendo prova pericial ou diligência, ou que desde já fosse reconhecido o seu direito creditório. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/02/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 01/02/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, 03/03/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10768.010418/98-76 Acórdão n.º 1103-00397 S1-C1T3 Fl. 2 3 Em decorrência, a Deinf/Diort, produziu o despacho de fls.306/307, em que registra que a cópia do recibo de entrega da DIRPJ de 1996 não está autenticada e que não consta na mesma a rubrica do servidor que a recepcionou. Quanto à alegação da decadência, informou a Deinf/Dicat que a informação constante no parecer/despacho decisório às fls.240, refere-se à decadência do direito do Fisco proceder ao lançamento tributário e não ao direito à compensação por parte do contribuinte, e que houve interpretação errônea por parte deste. Quanto à afirmação da Interessada de que a Natrex entregou a DIRPJ de 1996, a Deinf remeteu o presente processo ao Gabinete da DRF- Osasco, a cuja jurisdição pertence a ARF- Barueri, para que fosse feita diligência no sentido de se comprovar a referida alegação. Às fls.308/314, a Delegacia da Receita Federal de Osasco e a Agência da Receita Federal de Barueri informaram que não há o registro de entrega da DIRPJ de 1996 por parte da Natrex. Às fls.317, consta despacho da Deinf/Diort/RJ dando conta que os relatórios de fls.313/314 afirmam que não ocorreu a entrega da DIRPJ de 1996. A decisão da DRJ aceitou os doc. de fl. 263/279 (recibo de entrega de declaração de rendimentos). Entendeu, contudo, que o valor pleiteado fora devidamente compensado na DIRPJ de incorporação entregue em 28/05/97. Assim, o valor apontado como crédito já havia sido devidamente considerado pelo recorrente nas DIRPJ de 1996 e 1997. A recorrente, em síntese, afirma que a documentação para a comprovação da idoneidade do crédito fiscal nunca foi objeto de solicitação pela Secretaria da Receita (SRF) e a simples declaração de existência de retenção na fonte de IR pelo contribuinte, demonstra a legitimidade do crédito compensado. Junta cópias autenticadas dos comprovantes de retenção dos IRRF. Faz minucioso relatório apontando as diferenças entre a DCTF e a DCOMP. A quarta turma do antigo 1.º Conselho dos Contribuintes por meio de resolução (fl. 402/410) determinou uma diligência para constatar: “1. Se o crédito de R$ 4.163.962,29 é pertinente; 2. Em sendo pertinente o crédito de R$ 4.163.962,29, que seja realizada apreciação da compensação do crédito, ora pleiteado, de R$ 1.657.575,45 levando em conta as compensações já elaboradas, referindo, expressamente, se há possibilidade de englobar o valor deste feito, de R$ 1.657.575,45;” Do relatório de diligência fl. 730/736 temos: Primeiramente, a autoridade responsável pela diligência esclareceu que o valor apresentado na ficha 08 linha 14 (fl. 270), da declaração de rendimentos da Pessoa Jurídica, ano-calendário de 1995 referente ao Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) não Fl. 3DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/02/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 01/02/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, 03/03/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA 4 consiste por si só num crédito do contribuinte. É apenas uma das parcelas que pode ser deduzida do Imposto de Renda apurado, já que possui caráter de antecipação do Imposto. Assim, o valor de R$ 4.163.962,29 não se trata de crédito. Observa a autoridade da diligência que nos sistemas informatizados da SRF não há comprovação da entrega da Declaração IRPJ/1996. Em diligência realizada na unidade de Barueri (referente ao carimbo) não fora encontrado registro de entrega da Declaração IRPJ/1996. Mesmo assim, o julgador de primeira instância considerou válido o documento, nele se baseando como elemento de prova. Quanto as estimativas recolhidas (ficha 08, linha 15), conforme sistema de controle de pagamentos da SRF somam R$ 151.510,58 (fl. 377). Corrigido perfaz R$ 177.817,33 corretamente apresentado na declaração. Quanto ao IRRF apresentado na declaração ficha 08, linha 14, o valor de R$ 4.163.962,29 diverge do encontrado nos sistemas da SRF (R$ 3.860.237,55, fl. 457 a 469), que perfaz um total de R$ 4.047.57,19 (fl. 727). O Auditor responsável pela diligência concluiu fl. 736, após acurada análise das documentação de fl. 470 a 517, fl. 520 a 539 e 547 a 726, que ainda há saldo suficiente para as compensações pleiteadas. Voto Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso, Relator O recurso preenche o requisito de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. Do relatório da diligência extraio: Ficha 08 – Cálculo do Imposto de Renda – PJ em geral Valor em R$ 01.Alíquota de 25% 839.556,14 03.Adicional 536.080,42 14.Imposto de Renda Retido na Fonte (4.047.057,19) 15.Imposto devido com base na Rec.Bruta e Acréscimos/Bal. De Red./Susp. (177.817,33) 17.Imposto de Renda a Pagar (2.849.237,96) Assim, adotando o resultado da diligência o valor do saldo negativo do ano de 1995 a ser considerado e de (R$ 2.849.237,96) em 31 de dezembro de 1995. Este valor é suficiente para cobrir as compensações pleiteadas neste processo R$ 1.657.575,45. De todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso, para homologar a compensação de R$ 1.657.575,45. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/02/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 01/02/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, 03/03/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10768.010418/98-76 Acórdão n.º 1103-00397 S1-C1T3 Fl. 3 5 Sala das Sessões, em 26 de janeiro de 2011. Mário Sérgio Fernandes Barroso Fl. 5DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/02/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 01/02/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, 03/03/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10830.008112/2007-74
Data da sessão: Fri Sep 24 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2007
IRPF. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. OBRIGATORIEDADE POR SER SÓCIO DE EMPRESA, PERÍODO ,ANTERIOR AO INÍCIO DAS ATIVIDADES. DESCABIMENTO DA MULTA POR ATRASO.
Descabe a aplicação da multa por falta ou atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda das Pessoas Físicas, quando o sócio ou titular de pessoa jurídica que não tenha iniciado suas atividades não se enquadre nas demais hipóteses de obrigatoriedade de apresentação dessa declaração. Paralelo com a Súmula CARF n°44.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2101-000.795
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatado e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: José Evande Carvalho Araujo
1.0 = *:*
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2007 IRPF. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. OBRIGATORIEDADE POR SER SÓCIO DE EMPRESA, PERÍODO ,ANTERIOR AO INÍCIO DAS ATIVIDADES. DESCABIMENTO DA MULTA POR ATRASO. Descabe a aplicação da multa por falta ou atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda das Pessoas Físicas, quando o sócio ou titular de pessoa jurídica que não tenha iniciado suas atividades não se enquadre nas demais hipóteses de obrigatoriedade de apresentação dessa declaração. Paralelo com a Súmula CARF n°44. Recurso Voluntário Provido.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-11-18T19:19:16Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-11-18T19:19:16Z; Last-Modified: 2010-11-18T19:19:16Z; dcterms:modified: 2010-11-18T19:19:16Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:315f643a-0fc0-48aa-818c-69a1f1d3fc9e; Last-Save-Date: 2010-11-18T19:19:16Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-11-18T19:19:16Z; meta:save-date: 2010-11-18T19:19:16Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-11-18T19:19:16Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-11-18T19:19:16Z; created: 2010-11-18T19:19:16Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2010-11-18T19:19:16Z; pdf:charsPerPage: 1222; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-11-18T19:19:16Z | Conteúdo => 82-Ctil Fl 40 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE TULGAMENTO Processo n" 10830..008112/2007-74 Recurso n" 501.282 Voluntário Acórdão n" 2101-00.795 — I" Câmara / 1" Turma Ordinária Sessão de 24 de setembro de 2010 Matéria IRPF Recorrente JULIANA DA CONCEIÇÃO VALLER Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FISICA - IRPF Exercício: 2007 IRPF. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. OBRIGATORIEDADE POR SER SÓCIO DE EMPRESA, PERÍODO ,ANTERIOR AO INÍCIO DAS ATIVIDADES. DESCABIMENTO DA MULTA POR ATRASO. Descabe a aplicação da multa por falta ou atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda das Pessoas Físicas, quando o sócio ou titular de pessoa jurídica que não tenha iniciado suas atividades não se enquadre nas demais hipóteses de obrigatoriedade de apresentação dessa declaração. Paralelo com a Súmula CARF n°44. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatado e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Caio Marcos Candido Presidente. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo- Relatar. 1\11 EDITADO EM: 05/10/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Marcos Candido, Ana Neyle Olímpio Holanda, José Evande Carvalho Araujo, Alexandre Naoki Nishioka, Odmir Fernandes e Gonçalo Bonet Allage. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento de E. 10, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2007, relativa à multa por atraso na entrega da declaração de rendimentos, formalizando a exigência de multa no valor de R$165,74. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação (fls. 01 a 02), acatada como tempestiva. Alegou, consoante relatório do acórdão de primeira instância (fl. 21), que a multa aplicada se deveu ao fato de ter sido aberta uma empresa individual registrada na JUCESP em 18/10/2006. No entanto, devido a sucessivas exigências apresentadas no acompanhamento de solicitação de CNPJ, só lhe foi concedido o devido registro em 18/08/2007, retroagindo o Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica em 18/10/2006 Portanto, por ocasião do prazo de entrega da DIRPF/2007 — 30/04/2007 — o contribuinte sequer sabia se poderia ser aprovada a abertura da empresa e nesta ocasião, portanto, não tinha CNPJ e não estava obrigado à entrega da D1RPF/2007. ACÓRDÃO DE PRIIVIETRA INSTÂNCIA A 9 Turma da .DRJ/São Paulo II/SP julgou procedente o lançamento com base, em síntese, nas seguintes considerações (fls. 20 a 22): Pelo exame dos autos, verifica-se que o contribuinte encontrava-se obrigado a apresentar a declaração de rendimentos por ter participado, no ano-calendário em questão, de quadro societário de empresa corno titular ou sócio (fls. 18/19) Esta obrigatoriedade independe do valor dos rendimentos tributáveis recebidos no ano- calendário e de a empresa encontrar-se na condição de inativa, não ter tido faturamento ou de ter sido posteriormente cancelada. O não cumprimento desta determinação, segundo disposto no artigo 88, 1, da Lei 8_981, de 1995, enseja a aplicação da multa de um por cento ao mês ou fração sobre o imposto devido, ainda que o imposto tenha sido pago integralmente, limitada a vinte por cento do imposto devido (artigo 27 da lei 9.532, de 1997) e tendo como valor mínimo R$ 165,74. A alegação do contribuinte no sentido de que não apresentou a declaração tempestivamente porque só lhe foi concedido o registro no CNP]. em 18/08/2007 (retroagindo o cadastro a 18/10/2006) não pode ser aceita Os documentos .juntados às fls. 03 a 08 não provam o alegado. De acordo com nossos sistemas informatizados (Es, 18/19) a data de abertura da empresa foi 18/10/2006, estando o contribuinte, desta forma, obrigado a apresentar a DIRPF/2007 A legislação não prevê exclusões a esta regra Tendo sido a declaração apresentada com atraso e sendo o contribuinte obrigado a fazê-lo, a multa deve ser aplicada. Necessário, 2 tt;:() Processo o" 10830 0081 12/2007-74 S2-C1T1 Actiano o "2101-00,795 Ft. 41 ainda, enfatizar que ninguém pode se escusar de cumprir a lei, alegando que não a conhece, conforme disposto no artigo 3°da Lei de Introdução ao Código Civil, Ressalto, também, que é somente com a baixa da empresa efetuada na Junta Comercial que o contribuinte deixa de fazer parte da empresa e, portanto, poderá ficar na condição de desobrigado da entrega da DIRPF. Informo, ainda, que, nesta hipótese, o contribuinte deve apresentar todos os documentos da baixa à Unidade da SRF de seu domicilio para que se proceda ao cancelamento definitivo da pessoa jurídica nos sistemas internos da Receita. O mesmo vale para os casos em que o contribuinte alega ter deixado de fazer parte do quadro societário. RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 15/0612009 (fl. 25), o contribuinte apresentou, em 07/07/2009 (capa do processo 10830.008344/2009-94, que continha a impugnação e foi anexado aos autos, fl. 26), o recurso de fls. 27 a 28, repisando os argumentos da impugnação, em especial de que, apesar do CNPJ da empresa indicar sua abertura em 18/10/2006, isso só aconteceu, de fato, em 18/08/2007, quando recebeu o devido registro, e por isso apresentou a declaração de rendimentos após essa data. Por julgar que, por ocasião da entrega da D1RPF/2007, em 30/04/2007, não estava obrigada a declarar, pugnou pela exclusão da penalidades aplicada.. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl.. 39, que também trata do envio dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF. É o Relatório, Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator, O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido.. Não há argüição de qualquer preliminar, O contribuinte apresentou, no dia 03 de outubro de 2007, Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física - DIRPF do exercício de 2007 (fl. 11), A Instrução Normativa SRF if 716, de 5 de fevereiro de 2007, era o ato legal que regulamentava a declaração daquele exercício, e determinava, em seu art I°, inciso Dl, que estava obrigado a declarar quem participou do quadro societário de empresa como titular, sócio ou acionista, ou de cooperativa, e fixava o prazo de entrega para .30 de abril de 2007 (art. 3 0 ). Desta forma, por estar obrigado a apresentar declaração anual de ajuste por ser sócio da empresa JULIANA DA CONCEICAO VALLER - ME., CNP.I 08.981261/0001-66 (li. 18), e por fazê-lo em atraso, recebeu a multa no valor mínimo de R$165,74 O recorrente afirma que só recebeu seu CNPJ em 18 de agosto de 2007, mas com data retroativa de 18 de outubro de 2006, mas a Delegacia Regional de Julgamento considerou o fato não comprovado. Contudo, não posso concordar com o ilustre julgador de lu 3 4 (1 . 1.!\ Ri NAV instância, pois esse fato consta explicitamente do relatório "Acompanhamento da solicitação CNPJ via Internet", que é obtido diretamente do sítio da Receita Federal na Internet (fl. 3). Assim, apesar de ter assinado um Requerimento de Empresário em 01 de agosto de 2006, indicando que o início das atividades se deu naquela data (fi. 5), o outro Requerimento de Empresário para a Junta Comercial, datado de 17 de março de 2007 (fl. 4), o extrato da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, indicando o início das atividades em 17/08/2007 (fL 6), e o já citado relatório "Acompanhamento da solicitação CNPJ via Internet", comprovam que a empresa só começou a funcionar de fato em 2007. Desta forma, a questão de direito que se põe é se, comprovado que o início das atividades se deu em data posterior àquela constante no cadastro da empresa, seria possível se dispensar a multa aplicada exclusivamente pelo fato da pessoa física ser sócia daquela pessoa jurídica no período de pré-atividade. Creio que a resposta deve ser afirmativa. É inegável a semelhança do caso com a Sumula CARF n° 44: Descabe a aplicação da iludia por falta ou atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda das Pessoas Físicas, quando o sócio ou titular de pe.ssoa jurídica inapta não se enquadre nas demais hipóteses de obrigatoriedade de apresentação dessa declaração. A essa súmula foi atribuído efeito vinculante aos órgãos da administração tributária federal pela Portaria MF n°383, de 12 de julho de 2010. Sabe-se que esse enunciado surgiu da jurisprudência dos antigo 1° Conselho de Contribuintes em afastar a multa por atraso na entrega de declaração de ajuste anual da pessoa física em determinado ano-calendário, quando não comprovado que a pessoa física efetivamente tenha participado do quadro societário da empresa no ano em questão. Ora, se esse é o entendimento para os casos onde se presume que a empresa não mais funciona, pelo fato de ter sido declarada inapta, muito mais no caso presente, quando comprovadamente a pessoa jurídica não havia começado suas atividades. Desta forma, entendo que não se pode aplicar multa por falta ou atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda das Pessoas Físicas, quando o único motivo da obrigatoriedade de declarar seja o fato de ser sócio ou titular de pessoa jurídica, no período em que essa empresa ainda não tenha iniciado suas atividades, Assim, como a declaração que provocou a multa por atraso deste processo é referente ao ano de 2006, período em que a empresa não havia iniciado suas atividades, e como os rendimentos tributáveis declarados foram de R$11..355,00 (fL 11), valor inferior ao limite de isenção do período (R$ 14,992,32, IN 716/2007, art. 1` ), inciso 1), não se verificando outra hipótese de obrigatoriedade de apresentação de MU - , há que se considerar a multa aplicada como indevida. Diante do exposto, voto por DAR provimento ao recurso voluntário José Evande Carvalho Araujo H 11. S2-CMProcesso n" 10830 008112/2007-74 52-13 Acórao n " 2101-00,795 Fl 42 5
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