Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,886)
- Primeira Turma Ordinária (16,420)
- Primeira Turma Ordinária (16,227)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,219)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,909)
- Segunda Turma Ordinária d (14,490)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,514)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,492)
- Quarta Câmara (85,208)
- Terceira Câmara (67,880)
- Segunda Câmara (56,645)
- Primeira Câmara (20,759)
- 3ª SEÇÃO (16,219)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,732)
- Segunda Seção de Julgamen (115,217)
- Primeira Seção de Julgame (77,090)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,975)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,488)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,906)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,234)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,931)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,803)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,628)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,711)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 18471.004107/2008-10
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO
Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando identificada omissão no acórdão embargado capaz de, ao ser submetida ao colegiado, atribuir resultado diverso do proferido.
IRPF. SONEGAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. INCIDÊNCIA.
A demonstração, pela Fiscalização, da efetiva ocorrência de sonegação dolosa de tributos constitui-se circunstância justa, bastante, suficiente e determinante para a qualificação da multa de ofício prevista no §1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96.
IRPF. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. EXISTÊNCIA DE DOLO. ART. 173, I, DO CTN.
O lançamento do IRPF classifica-se na modalidade de lançamento por homologação, de maneira que o direito da Fazenda Pública de constituir o seu Crédito Tributário decai após cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, desde que o Obrigado não tenha agido com dolo, fraude ou simulação. Caso contrário, a contagem terá início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, do CTN.
Embargos de Declaração Acolhidos
Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9202-004.288
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os Embargos da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra, que não o acolhiam. Por voto de qualidade, prover os Embargos com efeitos infringentes passando o resultado do julgamento para: "por voto de qualidade, conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional com retorno dos autos a turma a quo para análise das demais questões trazidas no recurso voluntário relativas ao período cuja decadência foi revertida, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra, que negaram provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. Apresentarão declaração de voto as conselheiras Ana Paula Fernandes e Maria Helena Cotta Cardozo.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(Assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201607
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando identificada omissão no acórdão embargado capaz de, ao ser submetida ao colegiado, atribuir resultado diverso do proferido. IRPF. SONEGAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. INCIDÊNCIA. A demonstração, pela Fiscalização, da efetiva ocorrência de sonegação dolosa de tributos constitui-se circunstância justa, bastante, suficiente e determinante para a qualificação da multa de ofício prevista no §1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96. IRPF. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. EXISTÊNCIA DE DOLO. ART. 173, I, DO CTN. O lançamento do IRPF classifica-se na modalidade de lançamento por homologação, de maneira que o direito da Fazenda Pública de constituir o seu Crédito Tributário decai após cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, desde que o Obrigado não tenha agido com dolo, fraude ou simulação. Caso contrário, a contagem terá início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, do CTN. Embargos de Declaração Acolhidos Recurso Especial do Procurador Provido
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 12 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 18471.004107/2008-10
anomes_publicacao_s : 201609
conteudo_id_s : 5632966
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9202-004.288
nome_arquivo_s : Decisao_18471004107200810.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 18471004107200810_5632966.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os Embargos da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra, que não o acolhiam. Por voto de qualidade, prover os Embargos com efeitos infringentes passando o resultado do julgamento para: "por voto de qualidade, conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional com retorno dos autos a turma a quo para análise das demais questões trazidas no recurso voluntário relativas ao período cuja decadência foi revertida, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra, que negaram provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. Apresentarão declaração de voto as conselheiras Ana Paula Fernandes e Maria Helena Cotta Cardozo. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 19 00:00:00 UTC 2016
id : 6490005
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:52:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048692567572480
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 30; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2155; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF‐T2 Fl. 363 1 362 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 18471.004107/200810 Recurso nº Embargos Acórdão nº 9202004.288 – 2ª Turma Sessão de 19 de julho de 2016 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado CLARK SETTON ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando identificada omissão no acórdão embargado capaz de, ao ser submetida ao colegiado, atribuir resultado diverso do proferido. IRPF. SONEGAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. INCIDÊNCIA. A demonstração, pela Fiscalização, da efetiva ocorrência de sonegação dolosa de tributos constituise circunstância justa, bastante, suficiente e determinante para a qualificação da multa de ofício prevista no §1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96. IRPF. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. EXISTÊNCIA DE DOLO. ART. 173, I, DO CTN. O lançamento do IRPF classificase na modalidade de lançamento por homologação, de maneira que o direito da Fazenda Pública de constituir o seu Crédito Tributário decai após cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, desde que o Obrigado não tenha agido com dolo, fraude ou simulação. Caso contrário, a contagem terá início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, do CTN. Embargos de Declaração Acolhidos Recurso Especial do Procurador Provido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 41 07 /2 00 8- 10 Fl. 363DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, A ssinado digitalmente em 29/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os Embargos da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra, que não o acolhiam. Por voto de qualidade, prover os Embargos com efeitos infringentes passando o resultado do julgamento para: "por voto de qualidade, conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional com retorno dos autos a turma a quo para análise das demais questões trazidas no recurso voluntário relativas ao período cuja decadência foi revertida, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra, que negaram provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. Apresentarão declaração de voto as conselheiras Ana Paula Fernandes e Maria Helena Cotta Cardozo.” (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Fl. 364DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, A ssinado digitalmente em 29/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 18471.004107/200810 Acórdão n.º 9202004.288 CSRF‐T2 Fl. 364 3 Relatório Temse em pauta Embargos de Declaração, a efls. 354/355, opostos pela Fazenda Nacional em face do Acórdão de Recurso Especial nº 9202003.108 – 2ª Turma da CSRF, de 26 de março de 2014, a efls. 343/352, que, por maioria de votos, não conheceram do Recurso Especial do Procurador, a efls. 243/255, consoante ementa que se vos segue: Acórdão nº 9202003.108 – 2ª Turma da CSRF ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. CABIMENTO. É cabível recurso especial quando o acórdão recorrido tenha dado interpretação divergente da que tenha adotado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Há divergência quando os fatos que deram origem aos arestos recorrido e paradigma são idênticos. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Relator), Elias Sampaio Freire e Marcos Aurélio Pereira Valadão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka. Tratase de lançamento de ofício lavrado mediante Auto de Infração, a efls. 135/141, em desfavor do contribuinte CLARK SETTON, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2003, no valor total de R$ 31.531.835,39 (trinta e um milhões, quinhentos e trinta e um mil, oitocentos e trinta e cinco reais e oitenta e trinta e nove centavos). De acordo com o Termo de Constatação Fiscal, a efls. 125/134, a presente autuação decorreu da movimentação, por parte do Contribuinte, de valores no exterior, à margem das normas reguladoras do Sistema Financeiro Nacional. Inconformado com a exigência tributária, o Contribuinte ofereceu Impugnação Administrativa a fls. 116/143. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão nº 13024.859 – 1ª Turma da DRJ/RJOII, de 22/05/2009, a efls. 182/194, julgando procedente o lançamento tributário, e mantendo o Crédito Tributário em sua integralidade. Devidamente intimado da Decisão de 1ª Instância, porém inconformado, o Sujeito Passivo interpôs Recurso Voluntário, a efls. 202/225, requerendo, ao fim, a reforma integral da decisão recorrida. Fl. 365DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, A ssinado digitalmente em 29/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 O Colegiado da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª SEJUL/CARF proferiu o Acórdão nº 2202001.307 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 23/08/2011, a efls. 229/240, dando provimento ao Recurso Voluntário, por unanimidade de votos, para desqualificar a multa de lançamento de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%, e para acolher a arguição de decadência suscitada pelo Recorrente, para declarar extinto o direito da Fazenda Nacional de constituir o crédito tributário lançado, nos termos do voto do Relator, consoante ementa que se vos segue: Acórdão nº 2202001.307 – 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária “Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Exercício: 2003 Ementa: MULTA QUALIFICADA DEPÓSITOS BANCÁRIOS A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 14) DECADÊNCIA DO DIREITO DA FAZENDA NACIONAL CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita ao ajuste na declaração anual, em 31 de dezembro do anocalendário, e independente de exame prévio da autoridade administrativa o lançamento é por homologação. Havendo pagamento antecipado o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos contados de 31 de dezembro de cada anocalendário questionado, entretanto, na inexistência de pagamento antecipado a contagem dos cinco anos deve ser a partir do primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, exceto nos casos de constatação do evidente intuito de fraude. Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do Código Tributário Nacional. Arguição de decadência acolhida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, desqualificando a multa de lançamento de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%, acolher a arguição de decadência suscitada pelo Recorrente, para declarar extinto o direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário lançado, nos termos do voto do Relator” Em desfavor do Acórdão nº 2202001.307 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 23/08/2011, insurgiuse a Fazenda Nacional interpondo o Recurso Especial, a efls. 243/255, argumentando que a Decisão ora recorrida, ao desqualificar a multa de ofício, teria contrariado o disposto no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/1996 (atual art. 44, I, c/c §1º, da Lei nº 9.430/96, conforme nova redação conferida pela Lei nº 11.488/2007, resultante da conversão da MP nº 351/2007). O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional houvese por plenamente admitido, consoante Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial a efls. 274/278. Fl. 366DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, A ssinado digitalmente em 29/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 18471.004107/200810 Acórdão n.º 9202004.288 CSRF‐T2 Fl. 365 5 Contrarrazões pelo Contribuinte, a efls. 286/299, pugnando pelo não provimento do Recurso Especial. Acórdão de Recurso Especial do Procurador nº 9202003.108 – 2ª Turma da CSRF, de 26/03/2014, a efls. 343/352, por maioria de votos, não conheceu do Recurso Especial em apreço, ao argumento de que as situações fáticas retratadas nos Acórdãos Recorrido e Paradigma não seriam idênticas. Em face do Acórdão de Recurso Especial do Procurador nº 9202003.108 – 2ª Turma da CSRF, de 26/03/2014, apresentou a Fazenda Pública opondo Embargos de Declaração a efls. 354/355, o qual houvese por admitido consoante Despacho de Admissibilidade de Embargos de Declaração, a efls. 358/359. É o relatório. Fl. 367DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, A ssinado digitalmente em 29/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OPOSTOS PELA FAZENDA NACIONAL PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Os Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional, inicialmente, atendem aos pressupostos de admissibilidade, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Embargos de Declaração a efls. 358/359. Assim, passemos a apreciálo para em concordando com os termos do despacho proferido, passar a apreciar o mérito da questão. DA ANÁLISE DOS EMBARGOS DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL A Embargante alega omissão no Acórdão de Recurso Especial do Procurador nº 9202003.108 2ª Turma da CSRF, de 26/03/2014, sob o argumento de que a divergência suscitada pela Fazenda Nacional se referia ao fato de haver discrepância de magnitude relevante entre os valores recebidos e declarados, ao passo que, no voto vencedor, foi utilizado como fundamento para refutar a existência da divergência alegada o fato de que, nos acórdãos paradigmas apresentados discutiase o caso de pessoas jurídicas que não teriam contabilizado recursos por ela recebidos. Senão, vejamos os termos do embargo: A 2ª Turma da CSRF, por meio do acórdão nº 9202003.108, negou conhecimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, sustentando que não ficou demonstrada a divergência jurisprudencial. Segue trecho da fundamentação apresentada pelo voto vencedor: Verificase da descrição dos fatos que ensejaram os acórdãos paradigmas e o acórdão recorrido que estes são distintos, pois, no caso dos paradigmas, houve falta de escrituração contábil por parte das pessoas jurídicas, enquanto que, no caso do acórdão recorrido, pessoa física teria omitido rendimento na movimentação de conta corrente no exterior, da qual era responsável. Esta conta corrente era usada para receber e remeter recursos para o exterior à margem do mercado de câmbio oficial, no contexto da operação “Farol da Neblina” (“Beacon Hill”). Concluise, portanto, que os acórdãos não são divergentes, uma vez que os fatos que lhes deram origem não são idênticos, motivo pelo qual o recurso não preenche os requisitos de admissibilidade. (Destaque nosso) Contudo, convém notar que o voto vencedor não analisou a divergência arguida no Recurso. Explicase: O Recurso Especial buscou demonstrar que a magnitude da diferença entre valores recebidos e declarados afastava qualquer possibilidade de erro e revelava a conduta dolosa do contribuinte. Fl. 368DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, A ssinado digitalmente em 29/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 18471.004107/200810 Acórdão n.º 9202004.288 CSRF‐T2 Fl. 366 7 Os paradigmas, nesse mesmo sentido, manteve a qualificação da multa quando o contribuinte omitia parcela significativa de seus rendimentos. O Recurso Especial, amparado nos acórdãos nºs 10196.668 e 10196.757, sustentou que deve ser mantida a multa qualificada quando a divergência entre a verdade real e a declarada for discrepante. O voto vencedor, data venia, não se manifestou sobre esse enfoque, razão pela qual requer a União o conhecimento e o provimento do presente recurso para seja sanada a omissão. Argumenta ainda a Fazenda Pública que a diferença fática existente entre os casos tratados no acórdão recorrido e nos paradigmas apresentados seria acidental, não servindo para afastar a divergência alegada, visto que em todos os casos havia diferença significativa entre o montante recebido e os valores declarados ao fisco. Compulsando os autos, mais especificamente o voto vencedor do Acórdão de Recurso Especial do Procurador nº 9202003.108 2ª Turma da CSRF, realmente não logramos encontrar manifestação expressa por parte do Redator Designado, acerca do enfoque por ele adotado a respeito da divergência discrepante entre as situações retratadas nos Acórdãos Recorrido e Paradigma, tampouco a relevância de tal dissimilitude para descaracterizar a divergência jurisprudencial arguida pelo Embargante no que se refere a qualificação da multa. Merece ser destacado ab initio que o apelo questionado consubstanciase em Recurso Especial de Divergência, previsto nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, tendo por objetivo precípuo a uniformização de dissídio jurisprudencial eventualmente verificado entre as diversas Turmas do CARF, assim entendido a diversidade de interpretações conferidas à lei tributária e adotadas por outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF em situações fáticas similares. Para que tal divergência jurisprudencial seja reconhecida, tornase necessário que as situações fáticas em que proferiu as decisões recorrida e paradigma sejam semelhantes, não necessariamente idênticas, de maneira que tal semelhança seja suficiente para se assegurar que a diversidades de decisões tenha decorrido, tão somente, da interpretação da legislação tributária, sem influência de eventuais dissemelhanças fáticas entre as situações retratadas nos Acórdãos Recorrido e Paradigmas. Assim, em um lançamento de Imposto de Renda por omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, com fundamento no art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fato de no Acórdão Recorrido tais depósitos haverem sido apurados no Banco do Brasil e, no Acórdão Paradigma, no Citibank, mostrase suficiente para asseverar que os casos não são idênticos. Todavia, tal dissimilitude (instituições financeiras diferentes) não é relevante para de per se motivar a prolação de decisões diversas. De fato, no voto vencedor do Acórdão de Recurso Especial do Procurador nº 9202003.108 2ª Turma da CSRF, de 26/03/2014, o redator designado defendeu que os casos retratados nos Acórdãos Recorrido e Paradigmas não eram idênticos. Todavia, conforme denunciado pelo Embargante, o redator não adentrou ao detalhamento das dissimilitudes fáticas alegadas com relação as discrepâncias de maneira que se tornou inviável a sindicância da Fl. 369DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, A ssinado digitalmente em 29/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 relevância e da influência de tais diferenças na prolação de decisões conflitantes. Vale destacar, para o não conhecimento do recurso o acórdão recorrido deveria ter enfrentado os argumentos capazes de apresentar a diverGência entre os julgados. Assim, entendo restar omisso o acórdão, razão pela qual passo a apreciar a questão dos fundamentos para o conhecimento ou não do recurso especial. Dessa forma, apenas identificando o recurso especial poderemos identicar com propriedade o seguimento ou não do resp. Tendo a procuradoria feito o cotejamento que demonstraria a divergência entre os acórdãos paradigmas e recorrido, fato esse ratificado pelo despacho de admissibilidade que deu seguimento ao recurso, o não conhecimento por parte do colegiado, deve deixar claro em que ponto as situações são distintas, para os argumentos trazidos no Resp. DO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL No caso sob apreciação, a 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária/2ª SEJUL/CARF deu provimento ao Recurso Voluntário por entender que a desproporcionalidade entre os valores declarados e a movimentação bancária, por si só, não seria suficientes a caracterizar o “evidente intuito de fraude”, para fins de imputação da multa de ofício qualificada, sendo necessária, para tanto, a comprovação, por parte da autoridade lançadora, de procedimentos adotados pelo Contribuinte com inquestionável intuito fraudulento. Acórdão nº 2202001.307 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária “No que toca a qualificação da multa, embora reconheça a desproporcionalidade entre os valores declarados e a movimentação bancária. Devese reconhecer que no caso concreto, o que se verificou foi uma omissão de rendimentos presumida fundamentalmente a partir de depósitos bancários. Desse modo esses fatos, por si só, não são suficientes a caracterizar evidente intuito de fraude, a que se refere o artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96. Para tanto, seria necessária a comprovação, por parte da autoridade lançadora, de procedimentos adotados pelo Contribuinte com inquestionável intuito fraudulento, o que, porém, não se vislumbrou. Em situações como a presente, aplicável a Súmula nº 14, deste Primeiro Conselho de Contribuintes: “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.” Por isso, dou provimento nesse item, a fim de desqualificar a multa de 150%, reduzindoa para a multa de ofício de 75%. “ Em seu Recurso Especial, a PGFN contesta tal entendimento do Colegiado de 2ª Instância, defendendo a tese de que “A magnitude da diferença afasta qualquer possibilidade de erro, revelando a conduta intencional do contribuinte de deixar de oferecer tal numerário à tributação e justifica a aplicação da multa qualificada.” E traz a divergência jurisprudencial quanto a esse tema, ao afirmar, ad litteris et verbis: Recurso Especial do Procurador, a efls. 246/248 Fl. 370DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, A ssinado digitalmente em 29/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 18471.004107/200810 Acórdão n.º 9202004.288 CSRF‐T2 Fl. 367 9 “Nesse sentido, analisando caso concreto similar, em que o contribuinte omitiu parcela significativa de seus rendimentos, já se manifestou pela manutenção da multa qualificada a Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, no âmbito do Acórdão nº 10196.668 (Doc. 1), paradigma ora suscitado para demonstrar a divergência de interpretação dada à lei tributária. Por oportuno, transcrevese trecho do referido acórdão paradigma, na parte que interessa ao presente recurso, in verbis: EMENTA: MULTA QUALIFICADA. Caracterizado o evidente intuito de fraudar o Fisco, correta a aplicação da multa no percentual de 150% e correta a elaboração da representação fiscal para fins penais. VOTO: A jurisprudência recente deste Conselho consagrou se no sentido de que o comportamento consistente do contribuinte de deixar de escriturar parcela significativa dos seus rendimentos, torna notório o intuito de retardar o conhecimento, por parte da autoridade fiscal, das circunstâncias materiais da obrigação tributária, justificando a aplicação da multa majorada (...).” O acórdão paradigma acima evidenciado foi claro, em caso análogo ao presente, em manter a multa de 150%, por aplicação do art. 44, II, da Lei n.º 9.430/96, uma vez constatado o evidente intuito de fraude, em hipótese, igualmente, de omissão significativa de rendimentos. No mesmo sentido, decidiu a Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes por ocasião da prolação do acórdão nº 10196.757. Entendeu o Colegiado que quando a divergência entre a verdade real e a verdade declarada é discrepante, a multa qualificada deve ser aplicada, senão vejamos o que diz a ementa e um pequeno trecho do voto condutor do acórdão (Doc. 2): EMENTA Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2003 a 2005 DECADÊNCIA O direito da Fazenda Pública de realizar o lançamento, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, está previsto no art. 150 do CTN, sendo de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Se caracterizada a conduta dolosa da contribuinte, o prazo decadencial deve ser contado em conformidade com o art. 173, I, do CTN. OMISSÃO DE RECEITAS Caracterizam omissão de Fl. 371DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, A ssinado digitalmente em 29/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 receitas os valores depositados em conta corrente mantidas à margem da contabilidade. MULTA QUALIFICADA A multa de ofício qualificada deve ser mantida se comprovada a fraude realizada pelo Contribuinte, constatados a divergência entre a verdade real e a verdade declarada pelo Contribuinte, e seus motivos simulatórios. Recurso Voluntário Negado. VOTO: (...) O lançamento efetuouse com base na presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta corrente, estabelecida pelo art. 42 da Lei 9430/96. No presente caso, observase que a pessoa jurídica fiscalizada sequer registrou a existência das contas bancárias sob exame, deixando à margem da contabilidade depósitos bancários em montante superior a R$ 20.052.558,71, nos anos de 2002 a 2004. A própria contribuinte, em petição de fls. 1660/1664, admite que as contas bancárias estavam à margem da contabilidade. De acordo com as planilhas de fls. 1761 e 1762, os valores contabilizados não chegam a 10% dos valores movimentados em instituições financeiras de titularidade da contribuinte, caracterizando, dessa maneira, a intenção fraudulenta da contribuinte. Dessa maneira, caracterizada a conduta dolosa da contribuinte, o prazo decadencial deve ser contado em conformidade com o art. 173, I do CTN, que prevê o prazo de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Assim, considerando que o fato gerador mais remoto ocorreu no ano calendário de 2002. No presente caso, os contribuintes foram cientificados do lançamento em 24.05.2007, dentro do prazo previsto para a constituição do crédito tributário pela Fazenda, razão pela qual deve ser afastada a preliminar de decadência. (...) Vêse, pois, que o caso dos autos em tudo se enluva aos paradigmas suscitados, o que demonstra estar perfeitamente adequada a autuação da auditoria fiscal. Considerando ter o contribuinte deixado de declarar parte significativa de seus rendimentos, no importe de 99%, merece ser restabelecida a qualificação da multa. (grifos nossos) Avulta, de todo o exposto, que a questão que se encontra em xeque é se a discrepância entre os valores oferecidos pelo Contribuinte à tributação e os montantes por ele omitidos são suficientes para caracterizar a conduta intencional do Sujeito Passivo de sonegar tributo, independentemente se no contexto fático de omissão de fatos geradores tributários em escrituração contábil ou de omissão de receita na DAA. Ambos se configuram como documentos idealizados para o registro de fatos geradores tributários. A similitude das situações fáticas, naquilo que é relevante para fins de sindicância de eventual diversidade de interpretação da Legislação Tributária, exsurge do fato de que, em todos os casos aqui retratados, houve omissão de fatos tributários, por parte do Contribuinte, em documentos fiscais concebidos pela legislação, de maneira específica, para o registro da matéria tributável correspondente, omissão essa tendente a impedir ou retardar, total Fl. 372DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, A ssinado digitalmente em 29/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 18471.004107/200810 Acórdão n.º 9202004.288 CSRF‐T2 Fl. 368 11 ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. Nesse contexto, o Acórdão Recorrido entendeu que a desproporcionalidade entre os valores declarados e os rendimentos omitidos não seria suficiente para caracterizar o “evidente intuito de fraude”, in casu, a sonegação, enquanto que os Acórdãos Paradigmas interpretaram que a discrepância entre os valores oferecidos à tributação e os montantes omitidos são suficientes para caracterizar a “intenção fraudulenta da Contribuinte”, restando, portanto, devidamente demonstrada a divergência jurisprudencial suscitada pela PGFN. Destarte, resta precisamente demonstrada a divergência jurisprudencial quanto à caracterização da conduta dolosa do Contribuinte de sonegar tributo, manifestada pela magnitude da discrepância entre os valores oferecidos à tributação e os montantes omitidos em documentos declaratórios concebidos pela legislação tributária para o registro compulsório de fatos geradores do Imposto de Renda, motivo pelo qual pugnamos pelo ACOLHIMENTO dos Embargos para, reconhecendo que se houve por demonstrado o dissídio jurisprudencial suscitado, CONHECER do Recurso Especial do Procurador. Superada a questão do conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional, passo a análise do caso concreto. DA ANÁLISE DO CASO CONCRETO O caso em apreço cuida de Auto de Infração de Imposto de Renda decorrente de omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, referente a fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2002, tendo sido imputada multa de ofício qualificada no percentual de 150%, em virtude do “evidente intuito de fraude”, conforme inciso II do art. 957 do RIR/99. Regulamento do Imposto de Renda/99 Art. 957. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de imposto: I de setenta e cinco por cento nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II de cento e cinquenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago; II isoladamente, quando o imposto houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto na forma do art. 106, que deixar de fazêlo, Fl. 373DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, A ssinado digitalmente em 29/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 12 ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto, na forma do art. 222, que deixar de fazê lo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal, no anocalendário correspondente. A aplicação da multa de oficio em sua forma qualificada foi devidamente fundamentada tanto no Termo de Constatação Fiscal a efls. 125, quanto no Acórdão nº 13 024.859 – 1ª Turma da DRJ/RJOII, de 22/05/2009, a efls. 182/194, como nos documentos constantes dos inquéritos judiciais. Conforme devidamente fundamentado no Auto de Infração, na terminologia adotada pelo art. 975 do RIR/99, caracterizase “evidente intuito de fraude” as ocorrências fáticas definidas nos artigos 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/64, tecnicamente falando, sonegação, fraude ou conluio, respectivamente. Colhemos, igualmente, das provas dos autos que o Autuado informou, em sua Declaração de Ajuste Anual – DAA de 2002, a efl. 04, como rendimentos tributáveis, tão somente a quantia de R$ 43.000,00 e como saldo em conta corrente no BankBoston, o montante de R$ 2.469,00 (efl. 05). Todavia, a Fiscalização apurou omissão de receitas no total de R$ 34.602.590,88, consoante Auto de Infração a efl. 139. Tais operações e contas bancárias não foram declaradas ao Fisco federal, omissão essa que motivou a aplicação da multa de ofício em sua forma qualificada, conforme esclarecido no Termo de Constatação Fiscal a efl. 125, in fine. Conforme devidamente fundamentado no Auto de Infração, na terminologia adotada pelo art. 975 do RIR/99, caracterizase “evidente intuito de fraude”, para os fins de apenação com a multa de ofício qualificada, as ocorrências fáticas definidas nos artigos 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/64, tecnicamente falando, sonegação, fraude ou conluio, respectivamente. Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Notese que nos termos do art. 71 da Lei nº 4.502/64, a sonegação tributária, uma das condutas ensejadoras da qualificação da multa de ofício, a teor do art. 957, II, do RIR/99, se caracteriza pela prática de conduta comissiva ou omissiva tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária (i) da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias Fl. 374DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, A ssinado digitalmente em 29/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 18471.004107/200810 Acórdão n.º 9202004.288 CSRF‐T2 Fl. 369 13 materiais, ou ainda, (ii) das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. E é exatamente isso o que ocorre no caso presente, em que o dolo de sonegar tributos encontrase plasmado nos autos ora em exame. Vejam que a importância declarada pelo Contribuinte em sua DAA de 2002, como rendimento tributável recebido de pessoa jurídica corresponde a meros 0,124% do total dos rendimentos por ele omitidos no mesmo anocalendário, circunstância que afasta qualquer eventual alegação de erro de declaração ou de esquecimento. DO MÉRITO Mostrase relevante lembrar, que o art. 3º do DecretoLei nº 4.657/42 excluiu do âmbito de defesa de qualquer pessoa a escusa do descumprimento da lei sob a alegação de que não a conhece. De outro eito, no art. 9º da Lei nº 8.134/90 estatui, de maneira clara e objetiva, que os rendimentos percebidos pelas Pessoas Físicas em cada anocalendário devem ser, obrigatoriamente, declarados na DAA – Declaração de Ajuste Anual correspondente, para fins de determinação do eventual o saldo do imposto a pagar ou a restituir. Merece ser ressaltado, ainda, que a sonegação tributária se caracteriza pela prática de conduta comissiva ou omissiva tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária (i) da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, ou ainda, (ii) das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Por óbvio, a caracterização da fraude/sonegação não se dá pelo assentamento de tal conduta em um registro formal ou documento adrede, inexistindo, em regra, provas diretas de tal transgressão legal, as quais se possam acostar aos autos como bastantes e inequívocas quanto à sua ocorrência, na medida em que as partes comitentes de tais comportamentos procuram sempre se furtar aos olhares indiscretos das Autoridades Fazendárias. Ao revés, a fraude e a sonegação se descortinam por elementos indiciários que evidenciam a sua efetiva ocorrência objetiva, bem como revelam a vontade consciente do infrator em praticálas. Dessarte, a efetiva ocorrência de fraude/sonegação tem que ser provada de maneira indireta, através de presunções e de provas indiciárias, colhidas dos rastros e vestígios que os atos increpados vão deixando pelo caminho, revelandoos. Com efeito, os atos censurados ora em tela quase sempre deixam vestígios que os denunciam aos olhos mais atentos. Deles exsurgem fatos e avultam circunstâncias que a experiência aponta como sintomas ou reflexos diretos do caráter fraudulento do ato praticado, que extrapola à lógica e à coerência que deles se espera. Em razão de tal acobertamento, a efetiva ocorrência de fraude/sonegação, assim como o dolo de praticála, têm que ser provados através do conjunto de indícios, rastros Fl. 375DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, A ssinado digitalmente em 29/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 14 e evidências que as circunstâncias pessoais e as operações realizadas na execução de tais esquemas vão deixando por onde passam. Assim, pelos meios admissíveis em direito, nomeadamente, através de testemunhas, documentos, a experiência, etc., a Fiscalização tem por encargo colher todos os meios de prova relativos a esses fatos, indícios ou circunstâncias, reunindoos num ordenamento lógico e concatenado, e o Julgador, apreciandoos segundo o seu livre convencimento e prudente critério, conjugandoos com os fins pretendidos pelo Acusado, formar o seu juízo de convicção. No caso em apreço, o art. 3º da Lei nº 7.713/88 dispõe, de maneira clara e objetiva, que o Imposto de Renda de Pessoa Física incidirá sobre o rendimento bruto do Contribuinte, sem qualquer dedução (ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 dessa Lei), assim compreendido o rendimento bruto como todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados, dele integrando também, na condição de rendimento bruto, na qualidade de ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente. Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. § 2º Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei. § 3º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. § 5º Ficam revogados todos os dispositivos legais concessivos de isenção ou exclusão, da base de cálculo do imposto de renda das pessoas físicas, de rendimentos e proventos de qualquer natureza, bem como os que autorizam redução do imposto por investimento de interesse econômico ou social. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, A ssinado digitalmente em 29/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 18471.004107/200810 Acórdão n.º 9202004.288 CSRF‐T2 Fl. 370 15 § 6º Ficam revogados todos os dispositivos legais que autorizam deduções cedulares ou abatimentos da renda bruta do contribuinte, para efeito de incidência do imposto de renda. De outro canto, os artigos 2º e 9º da Lei nº 8.134/90 estatuem que o imposto de renda das pessoas físicas será devido à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, sem prejuízo do ajuste estabelecido no artigo 11 dessa mesma lei, e que, também, as pessoas físicas devem apresentar anualmente, no prazo legal, declaração de todos os rendimentos auferidos no anocalendário ao qual se refere, na qual se determinará o saldo do imposto a pagar ou a restituir. No caso dos autos, de acordo com o TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL, a fls. 125/134, a Fiscalização apurou diversas omissões de receitas por parte do Contribuinte, consubstanciadas em depósitos bancários creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituições financeiras de titularidade do Autuado, sendo que este, regularmente intimado, não logrou comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a sua origem, tampouco que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertenciam a terceiros. Assim, dos rastros e evidências deixados pelo Sujeito Passivo no ano calendário de 2002, concluiu a Fiscalização que o Autuado volitivamente deixou de declarar tais fatos geradores em suas Declarações de Ajuste Anual visando a, tão somente, deixar de recolher o tributo devido incidente sobre tais fatos tributários, conforme se depreende dos seguintes arestos: TERMO DE CONSTATAÇÃO FISCAL “Tal ação fiscal resultou de amplo trabalho investigativo desenvolvido na Defis/RJO, a partir da analise das Representações Fiscais recebidas da Equipe Especial de Fiscalização constituída pela Portaria SRF n° 1061/2006. Da referida análise constatouse que o contribuinte: remeteu divisas ao exterior à margem das normas reguladoras do Sistema Financeiro Nacional; ordenou a remessa de divisas ao exterior à margem das normas reguladoras do Sistema Financeiro Nacional; é beneficiário de divisas Ordenadas/remetidas ao exterior à margem das normas reguladoras do Sistema Financeiro Nacional. Assim sendo, fazse necessários apresentar um histórico do levantamento de informações efetivado na fase anterior ao desenvolvimento da ação fiscal em face do contribuinte CLARK SETTON, o que está devidamente circunstanciado em seguida. Investigação desenvolvida pela Equipe Especial de Fiscalização detectou, com base em midia eletrônica, a movimentação da conta COMPRIMIDO n° 9406656 e documentos cadastrais da respectiva conta, que, segundo Laudo Pericial da Policia Federal, constituemse verdadeiras e representativas das operações realizadas, que o contribuinte ordenou a remessa de Fl. 377DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, A ssinado digitalmente em 29/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 16 divisas ao exterior à margem das normas reguladoras do Sistema Financeiro Nacional. Departamento da Policia Federal solicitou ao Juízo da 2 & Vara Criminal Federal de Curitiba, a quebra de sigilo bancário no exterior e a autorização para utilização da documentação referente a , entre outras, contas mantidas no Israel Discount Bank, em virtude da constatação pelo Banco Central e pelo Ministério Público Federal a remessa de quantias milionárias para o exterior através de contas CC5 mantidas em instituições financeiras em Foz do Iguaçu. A fim de proceder ao exame dos fatos e documentos mencionados, a Equipe Especial de Fiscalização de que trata a Portaria SRF n° 1061/2006, realizou o exame da documentação disponibilizada, de forma a qualificar os responsáveis brasileiros pelas diversas contas mantidas nas instituições referidas, bem assim coletando a documentação necessária para encaminhamento às Regiões Fiscais. Entre estes, encontramse CLARK SETTON e JACQUES RAPHAEL ABOULAFIA, que através da documentação que fora enviada pelas autoridades nortes americanas, constatase que os mesmos eram responsáveis pela seguinte conta no ISRAEL DISCOUNT BANK OF NEW YORK: COMPRIMIDO, CONTA N°. 9406656, tendo como responsáveis CLARK SETTON e JACQUES RAPHAEL ABOULAFIA. Em razão de contas de depósito mantidas em conjunto com JACQUES RAPHAEL ABOULAFIA, CPF 530.979.71734, cuja declaração de rendimentos dos titulares foram apresentadas em separado, e, pela falta de comprovação da origem dos recursos, a valor está sendo imputado na proporção de 50% (cinquenta) para cada titular, dado a cotitularidade em conta corrente, consoante parag.6° do art.58 da Lei n°10637 de 30/12/2002. Observamos que os valores em moeda estrangeira, dolar, foram convertidos em Reais pela cotação do dolar "compra" na data do depósito/crédito, conforme IN SRF 246 de 20/11/2002. Em procedimento da verificação e análise com base na documentação obtida e pela não manifestação do contribuinte, verificase que: 1. Não comprovou, através de documento hábil e idôneo, a origem dos depósitos/créditos bancários, Conforme relação anexa, sendo lavrado auto de infração para constituição da crédito tributário com a seguinte infração: DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA omissão de rendimentos caracterizada por depósito bancário com origem não comprovada. Enquadramento Legal conforme Auto de Infração. Vide demonstrativo anexo. Com base nos elementos apurados acima, o Auto de Infração lavrado para constituição do crédito tributário totaliza os seguintes valores expressos em reais: IMPOSTO MULTA JUROS TOTAL 9.515.597,49 14.273.396,23 7.742A41;67 31.531.835,39 Fl. 378DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, A ssinado digitalmente em 29/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 18471.004107/200810 Acórdão n.º 9202004.288 CSRF‐T2 Fl. 371 17 Também foi feita "Representação Fiscal para Fins Penais", conforme legislação da regência, e atendendo particularmente à Portaria SRF n° 665, de 24/04/2008, considerando que o contribuinte agiu deliberadamente no sentido de não pagar o IRPF no Exercício de 2003, AnoCalendário da 2002, praticando, em tese, o ilícito por infringir o Inciso I do Art. 1° da Lei n° 8.137/90. A multa "ex officio" foi devidamente qualificada para 150% em virtude de "evidente intuito de fraude", (beneficiário de divisas ordenadas/remetidas ao exterior à margem das normas reguladoras do Sistema Financeiro Nacional, e a margem da Fisco Federal, não declarando em sua DIRPF respectivas operações e conta) conforme Inciso II do Artigo 957 do RIR (Dec. 3.000, da 26/03/1999). E, para constar e surtir os efeitos legais, lavramos o presente Termo, em 03 (três) vias de igual forma e teor, assinado pelo(s) Auditor(es)Fiscal(is) da Receita Federal do Brasil, cuja ciência e cópia do contribuinte se dará via postal, por Aviso de Recebimento(AR)” Exsurge dos autos que, mesmo ciente de que (i) caracterizamse como omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações; (ii) todos os rendimentos percebidos durante o anobase, exceto os isentos, os não tributáveis e os tributados exclusivamente na fonte, configuramse como bases de incidência do imposto de renda, e (iii) nessa condição, deveriam ter sido necessariamente declarados na Declaração de Ajuste Anual correspondente, ainda assim o Autuado deixou de oferecer tais fatos geradores à tributação federal, mediante declaração de tais receitas/rendimentos omitidos nas DAA correspondentes, inexistindo nos autos qualquer elemento de convicção com aptidão de inequivocamente demonstrar que não o fez por mero equívoco ou por erro material, de onde avulta, de maneira insofismável o elemento subjetivo da conduta do Autuado. Das constatações apuradas pela Fiscalização, em cotejo com as circunstâncias do caso concreto e com os ditames legais assentados, de maneira clara, objetiva e direta, na legislação tributária que rege a matéria em apreço, consolidase a convicção desta Conselheira quanto à ocorrência de sonegação tributária dolosa, nas condições de contorno fixadas no art. 957, II, do RIR/99 c.c. art. 71 da Lei nº 4.502/64. O dolo de sonegar se manifesta, no caso presente, exatamente pela volitiva e consciente não declaração na DAA do anocalendário de 2002 de fatos geradores de Imposto de Renda de Pessoa Física, consistentes em Depósitos bancários de origem não comprovada, ação omissiva dolosa esta tendente a impedir o conhecimento por parte da Autoridade Fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. Corrobora o convencimento desta Julgadora quanto à ocorrência de sonegação dolosa a magnitude do montante que deixou de ser declarado espontaneamente pelo Contribuinte ao Fisco, no prazo legal, no anocalendário em questão R$ 34.602.590,88 , bem como a discrepância do valor omitido em relação aos rendimentos tributáveis recebidos de Fl. 379DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, A ssinado digitalmente em 29/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 18 pessoa jurídica – R$ 43.000,00 , circunstância que afasta, definitivamente, qualquer alegação de esquecimento, equívoco ou erro de declaração, sendo certo que o Autuado não logrou comprovar que tais valores não eram de sua propriedade. Reforça a convicção quanto à existência de dolo na conduta perpetrada pelo Contribuinte o fato de este não ter procedido ao recolhimento antecipado de qualquer parcela, ínfima que fosse, incidente sobre os valores objeto do vertente lançamento, resultando, portanto, em supressão de tributo mediante a omissão de informação obrigatória à Autoridade Fazendária, conduta que, em tese, se ajusta ao tipo penal previsto no art. 1º, I, da Lei nº 8.137/90, fato que motivou a lavratura da competente "Representação Fiscal para Fins Penais". Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990 Art. 1° Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: I omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias; II fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal; III falsificar ou alterar nota fiscal, fatura, duplicata, nota de venda, ou qualquer outro documento relativo à operação tributável; IV elaborar, distribuir, fornecer, emitir ou utilizar documento que saiba ou deva saber falso ou inexato; V negar ou deixar de fornecer, quando obrigatório, nota fiscal ou documento equivalente, relativa a venda de mercadoria ou prestação de serviço, efetivamente realizada, ou fornecêla em desacordo com a legislação. Pena reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. Parágrafo único. A falta de atendimento da exigência da autoridade, no prazo de 10 (dez) dias, que poderá ser convertido em horas em razão da maior ou menor complexidade da matéria ou da dificuldade quanto ao atendimento da exigência, caracteriza a infração prevista no inciso V. Merece ser citado, por relevante, que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça tem decidido que a mera presença do dolo genérico, consistente na omissão voluntária do recolhimento, no prazo legal, do valor devido aos cofres públicos, já se mostra suficiente para a tipificação do delito de Sonegação Fiscal descrito no art. 1º da Lei nº 8.137/1990, conforme se extrai do seguinte julgado, cuja ementa reproduzimos adiante. AgRg no REsp 1370302 / SC Rel. Min. SEBASTIÃO REIS JÚNIOR DJe 27/09/2013 AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. DIREITO PENAL. CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. IRPF. ART. 1º DA LEI N. 8.137/1990. OMISSÃO DE RENDIMENTO. ART. 400, §1º, DO CPP. ART. 1º DA LEI N. 8.137/1990. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ELEMENTOS DO DELITO DEMONSTRADOS PELO ACÓRDÃO REGIONAL. FUNDAMENTAÇÃO ADEQUADA. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. REVOLVIMENTO FÁTICO Fl. 380DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, A ssinado digitalmente em 29/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 18471.004107/200810 Acórdão n.º 9202004.288 CSRF‐T2 Fl. 372 19 PROBATÓRIO. ACÓRDÃO A QUO EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DESTE TRIBUNAL. SÚMULAS 7 E 83/STJ. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. STF. 1. O indeferimento fundamentado de pedido de perícia não caracteriza constrangimento ilegal, pois cabe ao juiz, na esfera de sua discricionariedade, negar motivadamente às diligências que considerar desnecessárias ou protelatórias (art. 400, § 1º, do CPP). 2. O acervo documental existente nos autos representação fiscal para fins penais e declarações de rendimentos de pessoa física e pessoa jurídica constitui prova robusta acerca da materialidade delitiva relativa ao crime contra a ordem tributária, e a produção de prova pericial somente procrastinaria o andamento da ação penal (art. 1º da Lei n. 8.137/1990). 3. A pretensão, na via especial, firmada em revolvimento fático probatório disposto no autos fazse inadequada em razão da do óbice da Súmula 7/STJ. 4. Não identificados os valores creditados na conta bancária do contribuinte, há presunção legal no sentido de que estes valores lhe pertencem, sujeitos, portanto, à incidência do Imposto de Renda da Pessoa Física (art. 42 da Lei n. 9.430/1996). 5. A jurisprudência deste Superior Tribunal considera suficiente, para a tipificação do delito descrito no art. 1º da Lei nº 8.137/1990 crime contra a ordem tributária , a presença do dolo genérico, consistente na omissão voluntária do recolhimento, no prazo legal, do valor devido aos cofres públicos (Súmula 83/STJ). 6. O agravo regimental não merece prosperar, porquanto as razões reunidas na insurgência são incapazes de infirmar o entendimento assentado na decisão agravada. 7. A violação de preceitos, dispositivos ou princípios constitucionais revelase quaestio afeta à competência do Supremo Tribunal Federal, provocado pela via do extraordinário; motivo pelo qual não se pode conhecer do recurso especial nesse aspecto, em função do disposto no art. 105, III, da Constituição Federal. 8. Agravo regimental improvido. (grifos nossos) Agrava a situação do Contribuinte quanto à caracterização do dolo de sonegação o fato de o vertente lançamento ter sido decorrente das investigações levadas a efeito pelo Departamento da Policia Federal, que solicitou ao Juízo da 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba a quebra de sigilo bancário no exterior e a autorização para utilização da documentação referente à, entre outras, contas mantidas no Israel Discount Bank, em virtude da constatação pelo Banco Central e pelo Ministério Público Federal da remessa de quantias milionárias para o exterior através de contas CC5 mantidas em instituições financeiras em Foz do Iguaçu. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, A ssinado digitalmente em 29/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 20 Em decorrência das investigações promovidas, verificouse que diversos contribuintes nacionais enviaram e/ou movimentaram divisas no exterior, ordenando, remetendo ou se beneficiando desses recursos, em seu nome ou de terceiros, utilizandose, para tanto, de contas mantidas no Israel Discount Bank of New York, A Equipe Especial de Fiscalização da Receita Federal procedeu ao exame da documentação disponibilizada pelas autoridades nortes americanas,, de forma a qualificar os responsáveis brasileiros pelas diversas contas mantidas nas instituições referidas, constatando que, dentre elas, encontravase a Conta COMPRIMIDO, N°. 9406656, de titularidade de CLARK SETTON e JACQUES RAPHAEL ABOULAFIA. Contribui ainda na formação da convicção desta Conselheira o fato de a omissão de receita e a não declaração dos fatos geradores correspondentes na DAA daremse de maneira reiterada, repetida sistematicamente ano a ano, conforme ilustrado a fls. 86/122, demonstrando de maneira inequívoca o total desprezo do Contribuinte quanto ao cumprimento da obrigação tributária principal, prevista de maneira clara e precisa, na Legislação Tributária, apostando quiçá o Autuado em uma eventual ineficiência do Fisco Federal na apuração do seu crédito. Tais circunstâncias encontramse devidamente descritas e demonstradas, pela Fiscalização, nos autos do presente processo, de onde exsurge, de maneira insofismável, o dolo do Contribuinte. Mostrase valioso, neste momento, trazer a lume que os atos administrativos, assim como seu conteúdo, gozam de presunção legal iuris tantum de legalidade, legitimidade e veracidade. Na arguta visão de Maria Sylvia Zanella Di Pietro, a presunção de veracidade e legitimidade consiste na "conformidade do ato à lei. Em decorrência desse atributo, presumemse, até prova em contrário, que os atos administrativos foram emitidos com observância da lei" (Direito Administrativo, 18ª Edição, 2005, Atlas, São Paulo). Ainda de acordo com a citada autora, "A presunção de veracidade diz respeito aos fatos. Em decorrência desse atributo, presumemse verdadeiros os fatos alegados pela Administração." (op. cit. pág. 191). Dessarte, a aplicação da presunção de veracidade tem o condão de inverter o ônus da prova, cabendo ao particular comprovar de forma cabal a inocorrência dos fatos descritos pelo agente público no Ato Administrativo trazido aos autos, nos termos dos art. 334, inciso IV, do Código de Processo Civil. Deflui da interpretação sistemática dos dispositivos encartados nos artigos 19, II, da CF/88 e 364 do CPC que os fatos consignados em documentos públicos carregam consigo a presunção de veracidade atávica aos atos administrativos, ostentando estes fé pública, a qual não pode ser recusada pela Administração Pública, devendo ser admitidos como verdadeiros até que se produza prova válida em contrário. Constituição Federal de 1988 Art. 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) II recusar fé aos documentos públicos; (...) Código de Processo Civil Fl. 382DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, A ssinado digitalmente em 29/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 18471.004107/200810 Acórdão n.º 9202004.288 CSRF‐T2 Fl. 373 21 Art. 364. O documento público faz prova não só da sua formação, mas também dos fatos que o escrivão, o tabelião, ou o funcionário declarar que ocorreram em sua presença. Nessa prumada, existindo no mundo jurídico um ato administrativo comprovado por documento público, passa a militar em favor do ente público a presunção de legitimidade e veracidade das informações nele assentadas. Como prerrogativa inerente ao Poder Público, presente em todos os atos de Estado, a presunção de veracidade subsistirá no processo administrativo fiscal como meio de prova hábil a comprovar as alegações do Órgão Tributário, cabendo à parte adversa demonstrar, ante a sua natureza relativa, por meio de documentos idôneos, a desconformidade com a realidade dos assentamentos em realce. Configurandose o Auto de Infração em debate, assim como o Termo de Verificação Fiscal, como documentos públicos representativos de Ato Administrativo formado a partir da manifestação da Administração Tributária, levada a efeito através de agentes públicos, não há como se negar a veracidade do seu conteúdo. Ostentando, todavia, tal presunção eficácia relativa, esta admite prova em sentido contrário a ônus da parte interessada, encargo este que deve ser adimplido pelo Contribuinte, mediante documentos idôneos, de molde a se afastar a presumida fidedignidade do teor do Ato Administrativo em xeque, encargo este não efetivado a contento pelo Autuado. Conforme demonstrado, a Fiscalização logrou trazer aos autos elementos de convicção que bem demonstram a ocorrência de dolo, por parte do Contribuinte, na supressão de recolhimento de tributo, mediante conduta que se ajusta taylor made àquela tipificada no art. 71 da Lei nº 4.502/64 e, em tese, àquela prevista no inciso I do art. 1º da Lei nº 8.137/90. DA APRECIAÇÃO DA DECADÊNCIA A efetiva constatação de conduta dolosa visando à supressão de tributo afasta, por expressa determinação legal, a incidência do preceito inscrito no §4º do art. 150 do CTN, devendo, portanto, prevalecer o critério de decadência previsto no art. 173, I, do Código Tributário Nacional. Código Tributário Nacional Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. §1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. §2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. Fl. 383DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, A ssinado digitalmente em 29/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 22 §3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. §4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifos nossos) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Como já antes citado, o eventual IRPF suplementar, não antes recolhido de forma antecipada pelo Contribuinte, em relação aos fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2002, somente poderia deste ser exigido a partir do exercício de 2003, inclusive, o que implica que lançamento referente ao IRPF suplementar somente poderia ter sido efetuado a contar do exercício de 2003. Nesse sentido caminha a jurisprudência remansa do STF, através da Súmula 584, que considera que a hipótese tributária do imposto sobre a renda ocorre no 1° momento do ano da declaração, ou seja, no 1° momento do ano em que ocorre a cobrança do tributo, abstraindo o período em que os eventos importantes para a tributação ocorreram. “O fato gerador do imposto de renda é complexivo ou periódico, porque abrange a disponibilidade econômica ou jurídica adquirida em determinado ciclo. No caso das pessoas físicas, esse ciclo termina no último dia do ano civil, considerandose nascida a obrigação tributária no dia imediatamente seguinte, 1º de janeiro. Para as pessoas jurídicas, o ciclo se completaria com o encerramento de seu balanço e a apuração do resultado: todavia, como lhes é facultado estabelecer seu exercício social com duração e termo final diversos do ano civil e do ano financeiro, a legislação do imposto de renda considera ocorrido o fato gerador no primeiro dia do exercício financeiro e civil seguinte, como permite a ressalva do art. 116 do Código Tributário Nacional.” (RE 187572 PR, Rel. Min. Carlos Veloso, DJ 07/08/2002, p. 058) Diante desse quadro, o dies a quo do prazo decadencial do direito da Fazenda Pública de constituir o Crédito Tributário decorrente das Obrigações Tributárias ocorridas durante todo o anocalendário de 2002 recai, nos termos do inciso I do art. 173 do CTN, no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (2003), digase, exatamente, no dia 01 de janeiro de 2004. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, A ssinado digitalmente em 29/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 18471.004107/200810 Acórdão n.º 9202004.288 CSRF‐T2 Fl. 374 23 Nesse panorama, tendo sido o Auto de Infração em litígio levado à ciência do Sujeito Passivo no dia 21/11/2008, ante a inexistência de recolhimentos antecipados e restando caracterizado o dolo do Contribuinte, concluise que os efeitos do lançamento em questão alcançam com a mesma eficácia constitutiva todas as obrigações tributárias exigíveis a contar da 1º de janeiro de 2002, inclusive, nos termos do Inciso I do art. 173 do CTN. Assim delimitadas as nuances materiais do lançamento, nesse específico particular, sendo o período de apuração do crédito tributário de 01/01/2002 a 31/12/2002, há que se reconhecer que todas as Obrigações Tributárias Principais das quais decorrem o Crédito Tributário objeto do vertente lançamento tem por origem fatos geradores ocorridos em horizonte temporal ainda não atingido pela decadência tributária, razão pela qual pugnamos pela reforma, nesse específico particular, da decisão aviada no Acórdão nº 2202001.307 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária/2ª SEJUL/CARF, restabelecendose assim o Crédito Tributário decorrente dos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2002. É pacífico na Doutrina e Jurisprudência que a Administração pode e deve, a qualquer tempo, rever seus atos quando estes encontramse em desacordo com a lei de regência. Tratase do princípio da autotutela, matéria de ordem pública que pode, inclusive, ter iniciativa de ofício, independentemente da interferência das partes. Nessa vertente, consectário direto da constatação de prática reiterada de sonegação dolosa de tributos, a multa de ofício tem que ser aplicada em sua forma qualificada, por força do disposto no art. 44, I e §1º, da Lei nº 9.430/96, que não concedeu ao órgão julgador, tampouco à Fiscalização tributária, qualquer margem de discricionariedade, como se segue: Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou Fl. 385DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, A ssinado digitalmente em 29/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 24 criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) (grifos nossos) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I prestar esclarecimentos; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) § 3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. § 4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. § 5o Aplicase também, no caso de que seja comprovadamente constatado dolo ou máfé do contribuinte, a multa de que trata o inciso I do caput sobre: (Redação dada pela Lei nº 12.249/2010) I a parcela do imposto a restituir informado pelo contribuinte pessoa física, na Declaração de Ajuste Anual, que deixar de ser restituída por infração à legislação tributária; e (Redação dada pela Lei nº 12.249/2010) II – (VETADO). (Redação dada pela Lei nº 12.249/2010) Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964 Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, A ssinado digitalmente em 29/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 18471.004107/200810 Acórdão n.º 9202004.288 CSRF‐T2 Fl. 375 25 Avulta da prova dos autos que a Fiscalização, constatando a presença de sonegação dolosa, de fato aplicou a multa de ofício em sua forma qualificada, nos termos acima expostos. Se nos antolha, no caso em estudo, haver sido comprovada e demonstrada pela Fiscalização a efetiva ocorrência de sonegação dolosa de tributos, fato que se revela bastante, suficiente e determinante para atrair ao feito a incidência da qualificadora plasmada no §1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Dessarte, considerando haver sido verificada a presença dos elementos objetivos e subjetivos de conduta que se qualifica legalmente como sonegação tributária, tipificada no artigo 71 da Lei nº 4.502/64, resulta que a multa de ofício a ser aplicada no presente caso deve ser apurada na forma prevista no art. 44, I e §1º, da Lei no 9.430/96 c.c. art. 71, I, da Lei nº 4.502/64. Por tais razões, pugnamos pela reforma, nesse específico particular, da decisão aviada no Acórdão nº 2202001.307 – 2ª Câmara/ ª Turma Ordinária/2ª SEJUL/CARF, restabelecendose assim, no computo do valor do Crédito Tributário lançado, a aplicação da multa de ofício em sua forma qualificada, em razão da prática de sonegação dolosa, em atenção ao disposto no art. 44, I e §1º, da Lei nº 9.430/96 c.c. art. 71, I, da Lei nº 4.502/64. Considerando ter sido afastada a decadência entendo deva o processo retornar a turma a quo para análise das demais questões não apreciadas do recurso voluntário relativas ao período cuja decadência foi revertida. CONCLUSÃO Face o exposto, voto por ACOLHER os Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional, para atribuilhe efeitos infringentes, passando o resultado do julgamento para: "CONHECER do Recurso Especial do Procurador e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO com retorno dos autos a turma a quo para análise das demais questões trazidas no recurso voluntário relativas ao período cuja decadência foi revertida". É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, A ssinado digitalmente em 29/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 26 Declaração de Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Sirvome da presente declaração de voto para justificar a alteração de meu posicionamento, relativamente ao conhecimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Na sessão de 26/03/2014, em que foi prolatado o Acórdão de Recurso Especial nº 9202003.108, ora embargado, as discussões travadas em plenário levaram esta Conselheira a entender que efetivamente não haveria liame entre o caso concreto tratado no acórdão recorrido e os paradigmas. Isso porque a caracterização da divergência jurisprudencial exige que os acórdãos recorrido e paradigmas tenham enfrentado a mesma motivação para a aplicação da multa qualificada, chegando a conclusões diferentes. Nesse passo, a motivação para a qualificadora, que deveria estar presente nos votos condutores dos acórdãos recorrido e paradigmas, não ficou clara se seria a relevância dos valores envolvidos ou a reiteração da conduta do Contribuinte. Essa ambiguidade encontra se presente inclusive no voto vencido (o voto vencedor obviamente ainda não fora disponibilizado, já que, àquele momento, sequer havia sido designado um Redator). Confirase: "No caso, foi trazido pelo recorrente, a título de paradigma, caso semelhante (tratase ali também de hipótese de relevantes recursos movimentados à margem do conhecimento da autoridade fazendária, irrelevante aqui tratarse de pessoa física ou jurídica) onde, ainda que se considere ser tal paradigma anterior à edição da Súmula 14, não restaria aplicável a súmula (dado que ali se entende como caracterizada a realização de conduta comissiva pelo contribuinte). Em casos semelhantes, de divergência sensível entre os rendimentos declarados e omitidos, enquanto no recorrido entende ter havido mera omissão de receita, o paradigma entende que, pelos valores envolvidos não teria havido essa mera omissão, porém dolo. Assim, entendo que a divergência esteja devidamente comprovada e conheço do recurso. Uma vez conhecido o recurso, faço notar, quanto à matéria da multa qualificada, que a jurisprudência da 2ª Turma da CSRF é pacífica em não considerar a reiteração como sendo motivo de qualificação da multa quando da inocorrência de conduta comissiva do sujeito passivo no sentido de impedir a ciência, por parte da autoridade fiscal, da ocorrência do fato gerador. Aqui, a comprovação do dolo (requisito para qualificação da multa) demanda prova de uma ação, um facere, por parte do autuado que prejudique o conhecimento, por parte da autoridade fiscal, da infração cometida. Consequentemente, a mera omissão de informações não seria condição suficiente para caracterizar o dolo." (grifei) A ambiguidade acima referida, relativamente à motivação da qualificadora que deveria integrar tanto o acórdão recorrido como os paradigmas, para que se caracterizasse Fl. 388DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, A ssinado digitalmente em 29/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 18471.004107/200810 Acórdão n.º 9202004.288 CSRF‐T2 Fl. 376 27 o dissídio interpretativo também se fez presente no voto vencedor do acórdão ora embargado, que, quando formalizado, após a sessão de julgamento originária, assim registrou: "O que ensejou a qualificação da multa foi “a prática reiterada, por anos consecutivos, de movimentação de recursos em instituições financeiras estrangeiras, à margem do sistema oficial, sendo objeto de outra ação fiscal, processo n. 18471.001259/200771, no montante de R$ 75.438.040,84” (fl. 144)." (grifei) Constatase, assim, que o motivo da exacerbação da penalidade, constante do voto vencedor, passou a ser a reiteração da conduta, o que sequer consta do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Em face de tal premissa, o Redator Designado concluiu que as situações fáticas não seriam idênticas, o que, a propósito, nunca foi exigência regimental, bastando que haja similitude entre os julgados em confronto. Confirase o voto vencedor do acórdão embargado: "Verificase da descrição dos fatos que ensejaram os acórdãos paradigmas e o acórdão recorrido que estes são distintos, pois, no caso dos paradigmas, houve falta de escrituração contábil por parte das pessoas jurídicas, enquanto que, no caso do acórdão recorrido, pessoa física teria omitido rendimento na movimentação de conta corrente no exterior, da qual era responsável. Esta conta corrente era usada para receber e remeter recursos para o exterior à margem do mercado de câmbio oficial, no contexto da operação “Farol da Neblina” (“Beacon Hill”). Concluise, portanto, que os acórdãos não são divergentes, uma vez que os fatos que lhes deram origem não são idênticos, motivo pelo qual o recurso não preenche os requisitos de admissibilidade." Nesse contexto, entendendo que a principal motivação da autuação para qualificar a penalidade teria sido a conduta de movimentar recursos por meio de doleiro, à margem do sistema legal e oficial (e não a simples reiteração ou constatação de valores relevantes), e uma vez que os paradigmas não trataram desse tipo de conduta, concluiu esta Conselheira que não havia sido demonstrada a alegada divergência interpretativa. Afinal, no relatório do Acórdão de Recurso Voluntário recorrido (fls. 229 a 240), assim constou expressamente: "Por entender que houve dolo na conduta do contribuinte de movimentar recursos em instituições estrangeiras à margem de qualquer informação às autoridades brasileiras, foi aplicada multa de oficio no percentual de 150% sobre o imposto apurado." (grifei) Entretanto, revisitando os autos por ocasião do julgamento dos Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional, constatou esta Conselheira que, a despeito de restar plenamente comprovada a conduta do Contribuinte de remeter recursos ao exterior por meio de Fl. 389DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, A ssinado digitalmente em 29/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 28 procedimento ilegal, o que foi inclusive registrado no relatório do acórdão recorrido, como acima colacionado, o voto condutor do julgado guerreado vaza o entendimento no sentido de que a qualificadora teria como principal motivação a relevância dos valores envolvidos. Confirase: "No que toca a qualificação da multa, embora reconheça a desproporcionalidade entre os valores declarados e a movimentação bancária. Devese reconhecer que no caso concreto, o que se verificou foi uma omissão de rendimentos presumida fundamentalmente a partir de depósitos bancários. Desse modo esses fatos, por si só, não são suficientes a caracterizar evidente intuito de fraude, a que se refere o artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96. Para tanto, seria necessária a comprovação, por parte da autoridade lançadora, de procedimentos adotados pelo Contribuinte com inquestionável intuito fraudulento, o que, porém, não se vislumbrou." (grifei) Destarte, tendo o acórdão recorrido restringido a motivação da qualificadora à relevância dos valores envolvidos, e uma vez que tal motivação consta dos paradigmas, resta clara a divergência arguida, sendo irrelevante que os paradigmas tratem de Pessoa Jurídica e não de Pessoa Física, como é o caso do recorrido. E esta foi a razão que ancorou o não conhecimento do apelo no julgamento originário que, aliás, não tratou da relevância de valores, que fora o objeto da demonstração de divergência por parte da Fazenda Nacional, e sim de reiteração de conduta. Assim, entendendo que tanto o acórdão recorrido como os paradigmas vazam entendimento divergente no que tange à relevância de valores como motivação para a qualificadora, considero demonstrado o alegado dissídio interpretativo, razão pela qual revejo meu posicionamento anterior e conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Quanto ao mérito, concordo com os fundamentos da Ilustre Relatora. Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 390DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, A ssinado digitalmente em 29/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 18471.004107/200810 Acórdão n.º 9202004.288 CSRF‐T2 Fl. 377 29 Declaração de Voto Conselheira Ana Paula Fernandes. Em que pese o brilhante voto da ilustre relatora, discordo quanto a extensão dos efeitos infringentes advindos da interposição de embargos de declaração visto a impossibilidade da revisão de mérito dada no voto por ela proferido. Observese que os embargos de declaração consistem em uma figura recursal de espectro restrito: contradição, omissão, contrariedade e erro material. No caso em tela a Fazenda Nacional se utilizou da alegação de omissão para rebater as alegações do acórdão recorrido que não albergou suas razões levando assim a vitória do contribuinte. A relatora ao conhecer do recurso alega que “devem ser acolhidos os embargos de declaração quando identificada omissão no acórdão embargado capaz de ao ser submetida ao colegiado atribuir resultado diverso do proferido”. Contudo não há qualquer omissão aqui. Por uma questão de lógica dos fatos e principalmente lealdade processual, é preciso apontar para o fato de que o voto do relator restou vencido. E que neste voto trazido pelo relator houve a ponderação expressa do que resta apontado pela Fazenda Nacional como omitido. Pois bem. Se o voto do relator restou vencido, logicamente este foi lido e debatido durante a sessão de julgamento em sua integralidade. Contudo a maioria do colegiado, optou por não acompanhálo havendo a propositura de um voto vencedor contrário as razões expostas no voto do relator e consequentemente aos objetivos do Fisco. Aceitar agora a alegação de que o colegiado, que expressamente não acompanhou o relator, foi omisso quanto aos pontos de discordância é uma falta de respeito a decisão daquela composição de julgamento, pois o simples fato de não terem votado com relator já denuncia que não concordavam com suas razões, apontando através das razões expostas no voto vencedor, as ponderações que achavam (maioria dos conselheiros) ser suficientes para julgamento da causa. Portanto, a meu ver, é inaceitável que os efeitos infringentes possíveis de aplicação à embargos de declaração possam ser elastecidos a ponto de possibilitar a uma das partes revisar um mérito já transitado em julgado, uma vez que da decisão exarada pela Câmara Superior não cabem mais recursos de mérito. Não se fala aqui de preclusão consumativa temporal, pois o prazo de embargos foi respeitado, mas sim de uma preclusão recursal estrutural, pois não havendo mais possibilidade de recurso de mérito, tentase por meio de embargos de declaração, via transversa, a revisão do julgado. O resultado de tal situação não poderia ser mais desastroso e desleal entre as partes. Observese que, temos um colegiado que por maioria refutou o voto do relator designando um redator para o voto vencedor com razões divergentes daquele. Contudo, através Fl. 391DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, A ssinado digitalmente em 29/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 30 da interposição de embargos a Fazenda Nacional, que alega omissão no julgado consegue a reversão do acórdão na exata redação do voto que naquela sessão de julgamento restou vencido. E aqui está o ponto a ser observado. Se a alegada omissão foi ventilada no voto vencido do relator, depreendese por questão de lógica processual, que restou este ponto refutado tacitamente pelo colegiado que expressamente não o acompanhou. Ainda, os embargos voltaram para ser julgados por composição diversa daquele colegiado, deste modo não nos cabe analisar se concordamos ou não com o voto exarado por eles, isso por que naquele momento eles detinham a legitimidade para tanto, a qual só nos seria concedida caso houvesse um verdadeiro requisito ensejador da aplicação de embargos de declaração, o que não foi comprovado no caso em tela. Em tempo cumpre salientar, que o voto vencedor que compõe o acordão recorrido foi claro em identificar suas razões de convencimento, e que o ponto alegado como omisso já havia sido debatido quando não endossado pelo colegiado. Portanto, não se trata de omissão, mas de tema considerado superado no debate pelo voto vencedor. O fato desta nova composição da câmara Superior adotar posicionamento contrário ao posicionamento da composição anterior, nos obriga a tomar um cuidado ainda maior quanto ao alargamento dos efeitos dos embargos de declaração, para evitar que haja supressão do direito de defesa da parte ou utilização equivocada das partes no manejo dos embargos de declaração. Diante do exposto, não conheço dos Embargos de Declaração da Fazenda Nacional, por não haver qualquer aspecto do acordão recorrido a ser revisto. É como voto. (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 392DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, A ssinado digitalmente em 29/08/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 10630.000207/2004-53
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 12 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das
Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano calendário: 1999
Ementa: EXCLUSÃO DE OFICIO DO SIMPLES — Incorrendo a pessoa
jurídica em situação excludente do Simples estabelecida em lei, resta legítima a sua exclusão de oficio pela autoridade administrativa competente.
NORMAS PROCESSUAIS — EXCLUSÃO DO SIMPLES - No processo de
exclusão do Simples, o contraditório e a ampla defesa estão assegurados à pessoa jurídica com a observância do rito legalmente estabelecido ao processo tributário administrativo, ou seja, com observância ao rito do Decreto n° 70.235/72.
Numero da decisão: 1802-000.401
Decisão: Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Ester Marques Lins de Sousa
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201003
ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano calendário: 1999 Ementa: EXCLUSÃO DE OFICIO DO SIMPLES — Incorrendo a pessoa jurídica em situação excludente do Simples estabelecida em lei, resta legítima a sua exclusão de oficio pela autoridade administrativa competente. NORMAS PROCESSUAIS — EXCLUSÃO DO SIMPLES - No processo de exclusão do Simples, o contraditório e a ampla defesa estão assegurados à pessoa jurídica com a observância do rito legalmente estabelecido ao processo tributário administrativo, ou seja, com observância ao rito do Decreto n° 70.235/72.
turma_s : Segunda Turma Especial da Primeira Seção
numero_processo_s : 10630.000207/2004-53
conteudo_id_s : 5640568
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 11 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1802-000.401
nome_arquivo_s : Decisao_10630000207200453.pdf
nome_relator_s : Ester Marques Lins de Sousa
nome_arquivo_pdf_s : 10630000207200453_5640568.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Fri Mar 12 00:00:00 UTC 2010
id : 6506609
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:52:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048692586446848
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-05-03T12:40:57Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-05-03T12:40:56Z; Last-Modified: 2010-05-03T12:40:57Z; dcterms:modified: 2010-05-03T12:40:57Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-05-03T12:40:57Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-05-03T12:40:57Z; meta:save-date: 2010-05-03T12:40:57Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-05-03T12:40:57Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-05-03T12:40:56Z; created: 2010-05-03T12:40:56Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2010-05-03T12:40:56Z; pdf:charsPerPage: 1230; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-05-03T12:40:56Z | Conteúdo => S1-TE02 Fl. I .4" MINISTÉRIO DA FAZENDA , •9n;, -; CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 4-40:71- PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO • - Processo n° 10630.000207/2004-53 Recurso n° 332.698 Voluntário Acórdão n° 1802-00.401 — r Turma Especial Sessão de 12 de março de 2010 Matéria SIMPLES Recorrente GV SERVIÇOS LTDA Recorrida la.Turma/DRJ/Juiz de Fora/MG Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano calendário: 1999 Ementa: EXCLUSÃO DE OFICIO DO SIMPLES — Incorrendo a pessoa jurídica em situação excludente do Simples estabelecida em lei, resta legítima a sua exclusão de oficio pela autoridade administrativa competente. NORMAS PROCESSUAIS — EXCLUSÃO DO SIMPLES - No processo de exclusão do Simples, o contraditório e a ampla defesa estão assegurados à pessoa jurídica com a observância do rito legalmente estabelecido ao processo tributário administrativo, ou seja, com observância ao rito do Decreto n°70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a inte 2resente julgado. ESTCíMJ&ØÜES 1145 DE e SAI Pr- • ente e Relatora. EDITADO EM: rp 8 ABR 2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente de Turma), José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Sérgio Luiz Bezerra Presta (Suplente Convocado), Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior, João Francisco Bianco (Vice Presidente de Turma). 2 Processo n°10630.000207/2004-53 81-TE02 Acórdão n.° 1802-00.401 Fl. 2 Relatório Trata-se de exclusão do contribuinte do SIMPLES, com efeitos a partir de 01/01/1999, mediante o Ato Declaratório Executivo n° 17, de 19/03/2004, de fl. 26, publicado no Diário Oficial da União (f1.27) em razão de constatação decorrente de verificação fiscal, onde se apurou situação incluída em hipótese de vedação à opção pelo SIMPLES, na condição de microempresa ou de empresa de pequeno porte, uma vez ter-se enquadrado "na condição explicitado no art. 23, inc. L c/c o art. 20, incida Instrução Normativa SRF n°355/03, em face do que consta no processo no 10630.000207/2004-53". A empresa GV SERVIÇOS LTDA, já qualificada nos autos, recorre a este colegiado da decisão de primeira instância, que manteve a exclusão do SIMPLES tal como operada no Ato Declaratório Executivo n° 17, de 19/03/2004. De acordo com a Representação Fiscal (fl.01) que deu origem ao referido Ato Declaratório, instruída com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 03/24, foi procedido Auto de Infração para o ano calendário de 1998, controlado no PAF n° 10630.000982/2002-47, no qual foi verificado que o contribuinte movimentou vultosas quantias, e que, levando-se em consideração somente os valores apurados nas infrações, a sua receita bruta anual em 1998 montou em RS 7.928.783,10. A empresa foi cientificada da decisão de primeiro grau proferida mediante o Acórdão n° 8-269, de 30/09/2004, fls.89/102, DRI/Juiz de Fora/MG, conforme o Aviso de Recebimento (AR), fl.I 08, em 08/12/2004, e interpôs o recurso ao Conselho de Contribuintes, fls.126/169, em 09/12/2004 (despacho, fl.170). A recorrente combatendo o Ato Declaratório em comento, reitera os fundamentos e pedidos de sua impugnação (fls.38/68), alegando que o referido ato é acometido de vícios insuperáveis, tais como: 1. utilização indevida da base de cálculo do Auto de Infração como fundamento para a exclusão requerida, tendo em vista que a administração utilizou, na apuração da receita valores irreais; 2. ferimento aos princípios da ampla defesa, contraditório e irretroatividade; 3. utilização indevida da Lei n°9.311/1996 como subsídio à exclusão; 4. afastamento do sigilo bancário sem prévia autorização judicial; 5. consideração indevida dos Extratos Bancários e, 6. negativa de vigência da legislação regulamentadora dos efeitos da exclusão. Como reforço aos seus argumentos, a recorrente transcreve e ertos de julgamentos administrativos e judiciais sobre variados temas. 3 • Ao fim requer seja declarado nulo o Ato Declaratório para todos os efeitos de direito e, invocando os princípios da ampla defesa e do contraditório roga pelo direito de apresentar outros documentos e provas necessárias ao deslinde da questão. É o relatório. 4 Processo e 10630.000207/2004-53 81-TE02 Acórdão n.° 1802-00.401 Fl. 3 Voto Conselheira Relatora ESTER MARQUES LINS DE SOUSA O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n°70235/72, dele conheço. Preliminarmente, a recorrente alega que a Lei n° 9.317/96 (art.15), ao garantir a ampla defesa e o contraditório, não autoriza seja a exclusão do Simples realizada de forma imediata, sem antes ouvir o contribuinte. Entende o contribuinte que antes de se expedir o ato administrativo seja o mesmo precedido do contraditório e assim, garantido a ampla defesa sob pena de ofensa ao principio do devido processo legal. A Lei n°9.317/96 que rege a exclusão do Simples, assim dispõe: Art. 90 Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: 1 - na condição de microempresa que tenha auferido, no ano- calendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 240.000,00 (duzentos e quarenta mil reais); (Vide Medida 13/4vi.jria n°275, cf.. 2005) (Redação dada pela Lei n°11307. de 2006) TI - na condição de empresa de pequeno porte que tenha auferido, no ano-calendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais); (Vide AL,Eda Provisória ,," 275, de 2005) (Redação dada pela Lei n°11.307, de 2006) Art. 12. A exclusão do SIMPLES será feita mediante comunicação pela pessoa jurídica ou de oficio. Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica dar-se-á: 1 - por opção; II - obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 90; b) ultrapassado, no ano-calendário de inicio de atividades, o limite de receita bruta correspondente a R$ 200.000,00 (duzentos mil reais) multiplicados pelo número de meses de funcionamento nesse período. (Vide Medida P,. vis ', ,z° 275, dc 2005) (Redação dada pela Lei n°11.307, de 2006) § I° A exclusão na forma deste artigo será formalizada mediante alteração cadastral § i A microempresa que ultrapassar, no ano-calendário imediatamente anterior, o limite de receita bruta correspondente a R$ 240.000,00 (duzentos e quarenta mil reais) estará excluída do Simples nessa condição, podendo, mediante alteração cadastral, inscrever-se na condição de empresa de pequeno porte.(ndc Medida Provisória n°275, dc 2005) (Redação dada pela Lei n°11.307, de 2006) An. 14. A exclusão dar-se-á de oficio quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: - 1- exclusão obrigatória, nas formas do inciso fie § 2° do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica; Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: IV - a partir do ano-calendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, nas hipóteses dos incisos 1 e II do art. 9°; § 3. A exclusão de oficio dar-se-á mediante ato declaratório da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo. (Incluído pela Lei n° 9.732, de 11.12.1998) O § 3 0 acima transcrito não deixa dúvidas que, no processo de exclusão do Simples, o contraditório e a ampla defesa estão assegurados â pessoa jurídica com a observância do rito legalmente estabelecido ao processo tributário administrativo, ou seja, com observância ao rito do Decreto n° 70.235/72. Com efeito, não merece qualquer reparo â decisão recorrida que sobre tal matéria assim concluiu (fl.92/93), cujo fundamento legal adoto como razão de decidir: Como se vê, os direitos ao contraditório e à ampla defesa estão ali contemplados, condicionando-se o seu exercício apenas ao rito processual próprio, qual seja, aquele regido pelo Decreto n° 70.235/72. Nesse sentido, somente com a tempestiva manifestação de inconformidade instaura-se o litígio nos termos do 'artigo 14 daqui le . decreto. Antes dela predomina a fase procedimental , investigativa, prescindível a ciência da contribuinte. Somente com o surgimento da fase processual estabeleceu-se o direito e a garantia fundamentais insculpidos 6 Processo n°10630.000207/2004-53 S1-TE02 Acórdão n.° 1802-00.401 Fl. 4 expressamente no artigo 5° inciso LV da Carta maior, de que aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. Assim, com a realização do processo administrativo para a apuração dos fatos a configurar a exclusão do Simples, e, assegurado no Ato Declaratório Executivo n° 17, de 19/03/2004, de fl. 26, publicado no Diário Oficial da União (f1.27), o prazo de 30 (trinta) contados a partir da ciência, para a manifestação de inconformidade da pessoa jurídica que, apresentou a peça impugnatoria à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG e, em segunda instância apresentou recurso ao Conselho de Contribuintes, restou assegurado o contraditório e a ampla defesa ao interessado. Portanto, não se verifica qualquer ferimento ao devido processo legal. Quanto ao mérito, a recorrente alega utilização indevida da base de cálculo do Auto de Infração como fundamento para a exclusão do Simples, tendo em vista que a administração utilizou, na apuração da receita "valores irreais". A Representação Fiscal (f1.01) descreve que, contra a empresa foi lavrado o Auto de Infração que faz parte integrante do processo administrativo n° 10630.000982/2002- 47, em que se apurou infrações relativas ao ano calendário de 1998. Ao final, levando-se em consideração somente os valores apurados nas infrações, a receita bruta anual em 1998 montou em R$ 7.928.783,10, valor muito superior ao limite estabelecido tanto para microempresa quanto para empresa de pequeno porte, o que autoriza a exclusão de oficio da pessoa jurídica do Simples. Depreende-se dos artigos 9°, 13 e 14 da Lei n°9.317/96, transcritos acima, que, a exclusão do Simples dar-se-á de oficio quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: • na condição de microempresa que tenha auferido, no ano-calendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 240.000,00 (duzentos e quarenta mil reais); ou, • na condição de empresa de pequeno porte que tenha auferido, no ano-calendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais). Como se vê, a receita bruta superior a R$ 2.400.000,00, em relação ao ano calendário de 1998, portanto, imediatamente anterior ao ano calendário de 1999, foi apurada no processo administrativo n° 10630.000982/2002-47. Colhe-se da decisão de primeira instância (f1.95196) os seguintes fatos em relação ao mencionado processo administrativo n° 10630.000982/2002-47: 1) Os extratos do sistema PROFISC de fls. 81/87 dão conta de que foi prolatado o Acórdão DRJ/JFAJMG n° 1-03.481 em 06/05/2003 do qual não houve interposição de recurso voluntário. Nesse aspecto, o inciso I do artigo 42 do Decreto n° 70.235/72, dispõe que são definitivas as decisões "(.) de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; Gr. Portanto, o juízo firmado naquele acórdão fez coisa julgada material sob a lide que então se instaurou naqueles autos. 7 2) Que o débito foi parcelado, conforme opção feita pelo parcelamento especial do correspondente crédito tributário de que trata a Lei n°10.684, de 30/05/2003 (PAES), sob a Declaração Paes n°0000077539. Com efeito, havendo o contribuinte concordado com a exigência tributária esta se considera definitiva, no âmbito administrativo, e como tal prevalecem os dados da Representação Fiscal (101), de que a receita bruta anual em 1998 apurada, no processo administrativo n° 10630.000982t2002-47, montou em R$ 7.928.783.10. De sorte que, o contribuinte incorreu na hipótese excludente do Simples para o ano calendário de 1999, data a partir da qual surtem os efeitos do Ato Declaratório Executivo n° 17, de 19/03/2004, tendo em vista que no ano-calendário imediatamente anterior,ou seja em 1998, sua receita bruta foi superior a R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais). . Assim, não se pode negar vigência à legislação que regulamenta os efeitos da exclusão do Simples, tendo em vista que os fatos demonstram haver o contribuinte incorrido na hipótese excludente do Simples prescrita em lei, razão pela qual deve ser mantido o Ato Declaratório Executivo n° 17, de 19/03/2004, fl.26 e 27, em todos os seus termos. Destarte, incorrendo a pessoa jurídica em situação excludente do Simples, estabelecida em lei, resta legítima a sua exclusão de oficio pela autoridade administrativa competente. Feitas as considerações acima, restam prejudicados os argumentos trazidos pela recorrente quanto: a utilização indevida da Lei n° 9.311/1996 (que instituiu a CPMF); afastamento do sigilo bancário sem prévia autorização judicial, e, consideração indevida dos Extratos Bancários, visto que tais manifestações dizem respeito ao lançamento de oficio com base nos depósitos feitos em suas contas correntes que não tiveram sua origem comprovada, constantes do processo administrativo n° 10630.000982/2002-47, com decisão transitada em julgado desfavorável ao contribuinte, e, débito confessado no PAES. Portanto, não há comprovação que possa desconfigurar o valor da receita bruta apurada no ano calendário de 1998. Sobre a possível juntada posterior de documentos como garantia dos princípios da ampla defesa e do contraditório, vale esclarecer que as provas juntadas aos autos são suficientes ao deslinde da questão. Nesse passo, há de se concluir, serem os elementos acostados aos autos suficientes para a análise conclusiva da lide, conforme se verificou acima na análise do mérito em relação ao Ato Declaratório Executivo em comento. Os documentos trazidos aos autos pela fiscalização revelam, com clareza meridiana, a presença dos elementos e dos requisitos necessários à sua validade, de maneira que a alegação de cerceamento ao direito de defesa falece de consistência, não havendo qualquer comprometimento ao exercício inarredável do direito à ampla defesa, gravado no artigo 50, inciso XV da Constituição Federal vigente. Diante do exposto, voto no s í de rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso. ti a
score : 1.0
Numero do processo: 10880.915962/2008-16
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/07/1999
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.981
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201606
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/07/1999 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10880.915962/2008-16
anomes_publicacao_s : 201608
conteudo_id_s : 5621116
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 18 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9303-003.981
nome_arquivo_s : Decisao_10880915962200816.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
nome_arquivo_pdf_s : 10880915962200816_5621116.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
id : 6468297
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:51:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048692592738304
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1920; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10880.915962/200816 Recurso nº 1 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303003.981 – 3ª Turma Sessão de 07 de junho de 2016 Matéria PIS/COFINS. Incidência sobre receitas de vendas a empresas sediadas na ZFM. Recorrente SPECTRUM BRANDS BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO DE BENS DE CONSUMO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/07/1999 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 59 62 /2 00 8- 16 Fl. 251DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915962/200816 Acórdão n.º 9303003.981 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3801003.864, que negou provimento ao recurso voluntário. Decidiu o colegiado a quo pela incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Cientificado do mencionado acórdão o sujeito passivo apresentou recurso especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à isenção das contribuições sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços para empresas com domicílio na Zona Franca de Manaus. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10650.902444/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.934): "A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Fl. 252DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915962/200816 Acórdão n.º 9303003.981 CSRFT3 Fl. 4 3 Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 da MP nº 2.03724/00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais,. nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915962/200816 Acórdão n.º 9303003.981 CSRFT3 Fl. 5 4 Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia – pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915962/200816 Acórdão n.º 9303003.981 CSRFT3 Fl. 6 5 Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal Fl. 255DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915962/200816 Acórdão n.º 9303003.981 CSRFT3 Fl. 7 6 que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915962/200816 Acórdão n.º 9303003.981 CSRFT3 Fl. 8 7 Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo. Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915962/200816 Acórdão n.º 9303003.981 CSRFT3 Fl. 9 8 O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte. Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial do contribuinte, em razão da incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas efetuadas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 258DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 13433.000386/2004-43
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício:1999,2000
IRPF. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. ART. 173, I DO
CTN. CONTAGEM DO PRAZO.
Equivoco na contagem do inicio do prazo decadencial. Incidência do art. 173, I do CTN e necessário retorno a Turma a quo para deliberação sobre o período não decaído.
Recurso especial conhecido e provido em parte.
Numero da decisão: 9202-004.524
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial para afastar a decadência do ano de 1998, com retorno ao colegiado a quo para exame do mérito relativamente ao período em que a decadência foi afastada
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201610
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício:1999,2000 IRPF. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. ART. 173, I DO CTN. CONTAGEM DO PRAZO. Equivoco na contagem do inicio do prazo decadencial. Incidência do art. 173, I do CTN e necessário retorno a Turma a quo para deliberação sobre o período não decaído. Recurso especial conhecido e provido em parte.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 13433.000386/2004-43
conteudo_id_s : 5659216
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9202-004.524
nome_arquivo_s : Decisao_13433000386200443.pdf
nome_relator_s : PATRICIA DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 13433000386200443_5659216.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial para afastar a decadência do ano de 1998, com retorno ao colegiado a quo para exame do mérito relativamente ao período em que a decadência foi afastada
dt_sessao_tdt : Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
id : 6570839
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:54:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048692630487040
conteudo_txt : Metadados => date: 2016-11-16T00:06:54Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: 9202004524_13433000386200443_201610.pdf; xmp:CreatorTool: PDFCreator Version 1.4.2; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CARF; dcterms:created: 2016-11-16T00:06:54Z; Last-Modified: 2016-11-16T00:06:54Z; dcterms:modified: 2016-11-16T00:06:54Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: 9202004524_13433000386200443_201610.pdf; xmpMM:DocumentID: uuid:166ef864-adec-11e6-0000-843edcd5976b; Last-Save-Date: 2016-11-16T00:06:54Z; pdf:docinfo:creator_tool: PDFCreator Version 1.4.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2016-11-16T00:06:54Z; meta:save-date: 2016-11-16T00:06:54Z; pdf:encrypted: true; dc:title: 9202004524_13433000386200443_201610.pdf; modified: 2016-11-16T00:06:54Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CARF; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CARF; meta:author: CARF; dc:subject: ; meta:creation-date: 2016-11-16T00:06:54Z; created: 2016-11-16T00:06:54Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2016-11-16T00:06:54Z; pdf:charsPerPage: 1726; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CARF; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2016-11-16T00:06:54Z | Conteúdo => CSRF-T2 Fl. 10 1 9 CSRF-T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13433.000386/2004-43 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202-004.524 – 2ª Turma Sessão de 26 de outubro de 2016 Matéria IRPF – ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ANTÔNIO RICARTE DE FREITAS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício:1999,2000 IRPF. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. ART. 173, I DO CTN. CONTAGEM DO PRAZO. Equivoco na contagem do inicio do prazo decadencial. Incidência do art. 173, I do CTN e necessário retorno a Turma a quo para deliberação sobre o período não decaído. Recurso especial conhecido e provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial para afastar a decadência do ano de 1998, com retorno ao colegiado a quo para exame do mérito relativamente ao período em que a decadência foi afastada. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Patrícia da Silva – Relatora CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Especial do Procurador Especial do Procurador 2ª Turma 2ª Turma ubro de 2016 ubro de 2016 IRPF – ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO IRPF – ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL ANTÔNIO RICARTE DE FREITAS ANTÔNIO RICARTE DE FREITAS AA Fl. 446DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Trata-se de Recurso Especial, de fls. 340/358 do e-processo, interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão nº 2802-01.307, julgado na sessão do dia 18 de janeiro de 2012, pela 2ª Turma Especial da 2ª Seção, o qual deu provimento ao Recurso Voluntário. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999, 2000 DECADÊNCIA. Nos termos do artigo 173, I do CTN, passado o transcurso do qüinqüênio legal, extinto se encontra o direito de constituição do crédito tributário, nos termos do artigo 156, V, do CTN. Precedentes da 1ª Seção deste E. Conselho e do C. STJ (Resp. n. 973.73). ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Justificados e comprovados os valores que deram origem à variação patrimonial positiva, é de se afastar a acusação fiscal. Na origem, trata o presente processo de Auto de Infração, de fls. 68/75 e- processo, para exigência de IRPF referente aos anos-calendário de 1998 e 1999, multa de ofício e juros de mora. A autuação decorreu em razão de terem sido verificadas as seguintes infrações: (a) omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, pelo fornecimento de bens (fato gerador 31/12/1999); (b) omissão de rendimentos, em razão da variação patrimonial a descoberto (fato gerador 31/12/1999); (c) compensação indevida de imposto de renda retido na fonte (fato gerador 31/12/1998) e; (d) classificação indevida de rendimentos na declaração de ajuste anual do imposto de renda pessoa física (fato gerador 31/12/1998). Diante de tal lançamento, o Contribuinte apresentou impugnação de fls. 79/126 do e-processo, alegando decadência do lançamento em relação ao ano-calendário 1998, conforme art. 150, §4º do CTN, que houve falhas relativas ao procedimento adotado pela fiscalização, que os rendimentos pagos pela prefeitura constam do comprovante de rendimentos relativo ao ano-calendário de 1998, requer a desconsideração do rendimento no valor de R$ 3.038,00, em relação ao ano-calendário de 1999, por já tributados no ano- calendário de 1999, dentre outro pontos. A 1ª Turma da DRJ de Recife/PE, conforme acórdão nº 11-18.746, de fls. 248/278, julgou procedente em parte o lançamento, para excluir da base de cálculo o valor de R$ 3.038,00, estabelecer o desconto simplificado, no percentual de 20% do total dos rendimentos tributáveis, até o limite de R$ 8.000,00. Intimado de tal decisão, houve a interposição de Recurso Voluntário, fls. 292/326, que foi julgado pela 2ª Turma Especial da 2ª Seção, na sessão do dia 18 de janeiro de Fl. 447DF CARF MF Processo nº 13433.000386/2004-43 Acórdão n.º 9202-004.524 CSRF-T2 Fl. 11 3 2012, sendo dado provimento ao recurso, com fundamento de que justificados e comprovados os valores que deram origem à variação patrimonial positiva, é de se afastar a acusação fiscal. Após a decisão que deu provimento ao Recurso Voluntário, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de fls. 340/358, em relação às seguintes matérias: (i) termo inicial do prazo decadencial, aplicação do art. 173, I do CTN e; (ii) acréscimo patrimonial a descoberto – aceitação de disponibilidades em espécie. Em relação ao primeiro ponto, a Recorrente apresenta como paradigmas os Acórdãos ns. 102-49.395 e 2401-01.759, cujas ementas transcrevo abaixo: Acórdão nº 102-49.395 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: DECADÊNCIA. O Imposto de Renda configura-se tributo sujeito a lançamento por homologação, nos termos do caput do art. 150 do CTN, a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Contudo, quando não ocorre o pagamento antecipado, não há que se falar em fato homologável, passando o lançamento a ser direto ou de oficio, deslocando a norma de contagem do prazo decadencial para a regra geral prevista no art. 173, inciso I, do mesmo diploma. DENÚNCIA ESPONTÂNEA - ART. 138 CTN - MULTA DE MORA — A denúncia espontânea de infração fiscal/tributária, estabelecida no art. 138 do CTN, alcança todas as penalidades, punitivas ou compensatórias, decorrentes de descumprimento de obrigações principais e/ou acessórias, sem distinção. A multa de mora, por conseguinte, é excluída pela denúncia espontânea, desde que efetuado o pagamento do tributo devido, se for o caso, acompanhado dos juros de mora incidentes. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DECLARAÇÃO EM CONJUNTO - Feita a opção pela declaração em conjunto, os rendimentos não declarados relativos a qualquer um dos cônjuges serão tributados como omitidos, adicionando-os à base de cálculo informada pelo cônjuge declarante. DESPESAS MÉDICAS - COMPROVAÇÃO - A validade da dedução de despesas médicas depende da comprovação do efetivo dispêndio do contribuinte. IRPF - GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS - À luz do artigo 29, do Decreto 70.235, de 1972, na apreciação de provas a autoridade julgadora tem a prerrogativa de formar livremente sua convicção. Correta a glosa de valores deduzidos a titulo de despesas médicas cujos serviços não foram comprovados. IRPF - DEDUÇÃO DE DESPESAS COM DEPENDENTES E INSTRUÇÃO DE DEPENDENTES - São considerados como Fl. 448DF CARF MF 4 dependentes aqueles cuja dependência restar devidamente comprovada através de documentos hábeis. JUROS DE MORA - TAXA SELIC - A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula 1° CC n° 4). MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO QUALIFICADA - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA - Cabível a exigência da multa qualificada, prevista no art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73, da Lei n° 4.502, de 1964. A realização de operações tendentes a não pagar ou reduzir o tributo, representadas pela utilização de recibos médicos, os quais, comprovadamente, não se referem a pagamentos efetuados pelo contribuinte, com o seu próprio tratamento ou de seus dependentes, caracteriza simulação e, conseqüentemente, o evidente intuito de fraude, ensejando a exasperação da penalidade. Preliminares afastadas. Recurso negado. Acórdão nº 2401-01.759 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2000 a 30/09/2003 PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DO PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO QUE O LANÇAMENTO PODERIA TER SIDO REALIZADO. Não se verificando antecipação de pagamento das contribuições, aplicase, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no inciso I do art. 173 do CTN. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2000 a 30/09/2003 SALÁRIO MATERNIDADE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Por expressa determinação legal o salário maternidade é considerado saláriodecontribuição. AUDITORIA FISCAL. COMPETÊNCIA PARA VERIFICAÇÃO DOS REQUISITOS NECESSÁRIOS A ISENÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Os então Auditores Fiscais da Previdência Social detinham competência para verificação do cumprimento por parte das entidades beneficentes de assistência social dos requisitos necessários à fruição da isenção da cota patronal previdenciária. Fl. 449DF CARF MF Processo nº 13433.000386/2004-43 Acórdão n.º 9202-004.524 CSRF-T2 Fl. 12 5 ISENÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DIREITO ADQUIRIDO. As entidades que gozavam da isenção da cota patronal previdenciária na vigência da Lei n. 3.577/1959, estavam desobrigadas de requererem esse benefício ao INSS, nos termos do § 1. do art. 55 da Lei n. 8.212/1991. Recurso Voluntário Provido Em relação ao segundo ponto, acréscimo patrimonial a descoberto – aceitação de disponibilidades em espécie, foram apresentados os Acórdãos ns. 102-45.383 e 106-12.604 como paradigmas, conforme ementas transcritas abaixo: Acórdão nº 102-45.383 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO — DINHEIRO EM CAIXA — Para que os recursos disponíveis em moeda ao final de cada ano-calendário constituam-se lastro para eventuais acréscimos patrimoniais no mês, imediatamente, subseqüente, devem estar incluídos na respectiva declaração de bens, e, como todos os dados declarados, ter sua origem comprovada e justificativa para a permanência em caixa sem remuneração. Não se prestam para esse fim eventuais sobras decorrentes da confrontação entre rendimentos e aplicações declaradas, mesmo aquelas apuradas em levantamentos fiscais para constatação do fato gerador do Imposto de Renda, pois não expressam a efetiva posse do bem no último dia do período. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO — MÚTUO. — A contratação de empréstimo entre particulares despida de comprovação da transferência do correspondente numerário, ainda que constante das declarações de ajuste anuais dos contratantes apresentadas a destempo e após o início do procedimento de ofício, não constitui origem para eventuais aplicações, uma vez contrato unilateral que se perfaz com a tradição de seu objeto. PROVA — APLICAÇÕES FINANCEIRAS — Em face da tributação mensal do Imposto de Renda, os rendimentos decorrentes de aplicações financeiras devem ser revestidos de comprovação de seu efetivo recebimento no mês de referência Recurso negado. Acórdão nº 106-12.604 PRELIMINAR — NULIDADE DO LANÇAMENTO — Cumpridos os pressupostos necessários e adequados para a elaboração do Auto de Infração, assim como inexistindo elementos factuais que se enquadrem na situação prevista no art. 59, do Decreto nº 70.235/72, o lançamento deve prevalecer por ser válido e eficaz. IRPF — ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO — Tributa-se o valor correspondente ao acréscimo do patrimônio Fl. 450DF CARF MF 6 da pessoa física, quando este acréscimo não for justificado por rendimentos tributáveis, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO — EMPRÉSTIMO — O empréstimo tomado pelo contribuinte e comprovado nos autos se prestam para justificar o acréscimo patrimonial correspondente. TRIBUTAÇÃO MENSAL DO IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FISICA — O imposto de renda da pessoa física é devido mensalmente, à medida em que os rendimentos forem percebidos. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO — DINHEIRO EM ESPÉCIE — Os recursos disponíveis no final do ano- calendário só podem ser aproveitados no ano seguinte mediante prova inconteste de sua existência. O dinheiro em espécie, portanto, segue esta mesma regra, nada provando pelo simples fato de constar de Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física retificadora, agravado pelo fato de ter sido esta apresentada quando o contribuinte já estava sob procedimento de fiscalização. ESPONTANEIDADE — REAQUISIÇÃO — A reaquisição da espontaneidade prevista no § 26, do art. 7°, do Decreto n° 70.235/72, somente se concretiza enquanto a fiscalização não proceder a novo ato de ofício por escrito, cientificando o sujeito passivo do prosseguimento dos procedimentos fiscais. Recurso parcialmente provido. Conforme despacho de fls. 427/432, o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional foi admitido, sendo o processo encaminhado à origem para intimação do Contribuinte. O Contribuinte intimado, conforme AR de fls. 435 - apresentou contrarrazões alegando não haver distinção entre “pagamento antecipado” e “retenção na fonte”, vez que, em ambas as situações, houve transferência de recurso do contribuinte para o Fisco, assim, requer que seja mantida a aplicação do art. 150, §4º do CTN. É o relatório. Fl. 451DF CARF MF Processo nº 13433.000386/2004-43 Acórdão n.º 9202-004.524 CSRF-T2 Fl. 13 7 Voto Conselheira Patrícia da Silva – Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A presente discussão diz respeito a dois pontos (i) termo inicial do prazo decadencial, aplicação do art. 173, I do CTN e; (ii) acréscimo patrimonial a descoberto – aceitação de disponibilidades em espécie. Passo a analise sobre tais pontos. a) Termo inicial do prazo decadencial Neste ponto não está em discussão à aplicação do art. 173, I do CTN em sim, mas, o dies a quo para fins de contagem do prazo decadencial do fato gerador ocorrido em 31/12/1998. A Turma de origem entendeu que o dies a quo se deu em 01/01/1999, por outro lado, a Fazenda Nacional se insurge alegando que o dies a quo é 01/01/2000, com a aplicação do disposto no art. 173, I do CTN em sua literalidade, não tendo que se falar em decadência. Em relação a esse ponto, a decisão recorrida apresenta o seguinte trecho: Acolho a alegação de decadência referente ao IRPF, ano- calendário 1998, por se tratar de situação abrangida pelo decidido em sede recurso repetitivo, pelo STJ, Resp n. 973.733, cuja diretriz indica a aplicação da regra de contagem prevista no artigo 173, I do CTN. Por se tratar de fato gerador referente ao ano-calendário 1998, sem que tenha ocorrido qualquer antecipação de pagamento, o dies a quo se deu em 1/1/1999, sendo o dies ad quem em 1/1/2004. Por sua vez, a intimação do Auto somente se deu em 13/9/2004. Logo, é de se reconhecer a caducidade dos créditos referente ao ano-calendário 1998. (Destaquei) Diante de tal situação, verifico que assiste razão a Fazenda Nacional. Neste sentido o STJ, ao analisar o REsp nº 674.497/PR, na sistemática do art. 543-C do CPC/73, assim decidiu: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, do CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. Fl. 452DF CARF MF 8 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. (EDcl nos EDcl no AgRg no REsp 674.497/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 09/02/2010, DJ 26/02/2010 - Destaquei) Assim, seguindo o entendimento do STJ, essa. E. CSRF se pronunciou nos autos do processo administrativo nº 35013.002092/2006-00, conforme transcrevo abaixo: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ART. 62A DO RICARF. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. APLICAÇÃO DO ART. 173, I, DO CTN. Na aferição da decadência, quando aplicável o art. 173, I, do CTN, o prazo se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Tratando-se da competência de dezembro de 2000, somente seria possível o lançamento em janeiro de 2001, portanto o dies a quo do prazo decadencial é 1º de janeiro de 2002 (entendimento do STJ nos EDcl no AgRg no REsp 674.497/PR, de 09/02/2010, DJ de 26/02/2010, com efeito repetitivo). Recurso especial provido. Corroborando com esse entendimento, destaco a Súmula/CARF nº 101, que apresenta a seguinte redação: Súmula CARF nº 101: Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. b) APD Análise do outro ponto levantado pela Fazenda Nacional, ou seja com relação ao APD, entendo, como o recorrido que: A alegação de que o Recorrente não mantinha conta bancária e que os valores se encontravam guardados em espécie, merece acolhida. Isso porque, é mais do que plausível que os valores apurados nos Demonstrativos de fls. 56 e 57, não caracterizem Fl. 453DF CARF MF Processo nº 13433.000386/2004-43 Acórdão n.º 9202-004.524 CSRF-T2 Fl. 14 9 acréscimo patrimonial a descoberto e tenham origem nos pagamentos feitos pela própria Prefeitura de Pau dos Ferros, por se referirem a suposto IRRF não retido pela Prefeitura e “cobrado” do Recorrente, conforme documentos de fls. 33 a 37. O recolhimento a destempo tem o mesmo efeito de ter sofrido a retenção à época, uma vez que o Contribuinte pagou com os acréscimos legais, teve a guarda temporária dos valores. Assim, não há que se falar em APD em 1999. Assim, os autos devem retornar a Câmara a quo, para exame de mérito em relação aos fatos geradores ocorridos em 31/12/1998, com posterior retorno a esta CSRF para demais análise de mérito. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para afastar a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos em 31/12/1998, com retorno a Câmara a quo para análise de mérito deste período. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 454DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.940211/2011-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF. ÔNUS DA PROVA.
No que se refere à comprovação do imposto de renda na fonte, o meio probatório adequado, por expressa disposição legal, é o comprovante de retenção emitido pelo responsável por substituição. A ausência de informações essenciais no documento impede o reconhecimento do direito creditório pleiteado pela interessada.
COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Cabe ao contribuinte efetivamente comprovar, nos termos e prazos da legislação de regência, a liquidez e certeza dos créditos que pretende compensar, mediante documentos hábeis e idôneos.
Numero da decisão: 1201-001.476
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Ronaldo Apelbaum acompanhou o Relator pela conclusões.
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Ronaldo Apelbaum.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201609
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF. ÔNUS DA PROVA. No que se refere à comprovação do imposto de renda na fonte, o meio probatório adequado, por expressa disposição legal, é o comprovante de retenção emitido pelo responsável por substituição. A ausência de informações essenciais no documento impede o reconhecimento do direito creditório pleiteado pela interessada. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Cabe ao contribuinte efetivamente comprovar, nos termos e prazos da legislação de regência, a liquidez e certeza dos créditos que pretende compensar, mediante documentos hábeis e idôneos.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 13 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10880.940211/2011-33
anomes_publicacao_s : 201610
conteudo_id_s : 5646851
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Oct 14 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1201-001.476
nome_arquivo_s : Decisao_10880940211201133.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
nome_arquivo_pdf_s : 10880940211201133_5646851.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Ronaldo Apelbaum acompanhou o Relator pela conclusões. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Ronaldo Apelbaum.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
id : 6526002
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:53:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048692644118528
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1724; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.940211/201133 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201001.476 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de setembro de 2016 Matéria Compensação Recorrente PROMON ENGENHARIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF. ÔNUS DA PROVA. No que se refere à comprovação do imposto de renda na fonte, o meio probatório adequado, por expressa disposição legal, é o comprovante de retenção emitido pelo responsável por substituição. A ausência de informações essenciais no documento impede o reconhecimento do direito creditório pleiteado pela interessada. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Cabe ao contribuinte efetivamente comprovar, nos termos e prazos da legislação de regência, a liquidez e certeza dos créditos que pretende compensar, mediante documentos hábeis e idôneos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Ronaldo Apelbaum acompanhou o Relator pela conclusões. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator e Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 94 02 11 /2 01 1- 33 Fl. 255DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10880.940211/201133 Acórdão n.º 1201001.476 S1C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Ronaldo Apelbaum. Relatório Como os fatos e a matéria jurídica foram bem relatados pela decisão de primeira instância, reproduzoa a seguir: Tratase de manifestação de inconformidade apresentada em face do despacho decisório de fl. 13, pelo qual a DERAT/SPO reconheceu parcialmente crédito relativo a saldo negativo de IRPJ apurado na DIPJ do anocalendário de 2003 e, consequentemente, homologou parcialmente as compensações com o crédito informado no PER/DCOMP nº 00856.98428.240507.1.7.026606: “Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação do imposto devido e a apuração do saldo negativo, verificouse: Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 1.210.702,16. Valor na DIPJ: R$ 1.210.702,16. Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ R$ 1.210.702,16. IRPJ devido: R$ 0,00 Valor do saldo negativo disponível = (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) (IRPJ devido) limitado ao menor valor entre saldo negativo DIPJ e PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. Valor do saldo disponível: R$ 309.741,19. O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP acima identificado. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 19/21) e anexos, em 16/08/2011, alegando, em síntese, que: Fl. 256DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10880.940211/201133 Acórdão n.º 1201001.476 S1C2T1 Fl. 4 3 do crédito original pleiteado, de R$ 1.210.702,17, foi admitida a compensação de apenas uma parte, no valor de R$ 309.741,19, restando assim um débito a pagar de R$ 900.960,98; as retenções não confirmadas referemse à participação da requerente em 3 consórcios: UTE Norte Fluminense (doc 2), UTE de Três Lagoas (doc 3) e UTE de Termopernambuco (doc 4); a requerente está anexando uma planilha (doc 1) demonstrando o consórcio, o banco, o rendimento, o IRRF sobre a aplicação e a respectiva parcela a que faz jus a requerente, bem como a referência ao informe de rendimento da respectiva instituição; para os casos em que não foram anexados os informes, relacionou uma planilha (docs 6 e 7) demonstrando todas as notas fiscais que tiveram a retenção na fonte, bem como cópia do livro Razão Analítico e relatório de recebimento dos valores em questão, demonstrando assim a totalidade das retenções; comprovado um saldo negativo de IR muito superior ao reconhecido pelo despacho decisório, pede seja reformado o despacho decisório, homologandose a compensação de créditos consistentes de saldo negativo de IRPJ. Em sessão de 28 de maio de 2015 a 5a Turma da Delegacia de Julgamento de São Paulo, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade, para reconhecer a importância de R$ 314.407,13 (trezentos e quatorze mil, quatrocentos e sete reais e treze centavos), que corresponde às retenções confirmadas nas DIRFs em que os consórcios de que a requerente participou constaram como beneficiários, ou aos informes de rendimentos apresentados pela interessada. Com a ciência da decisão, a interessada interpôs Recurso Voluntário, no qual repetiu, basicamente, os argumentos da impugnação, aliados à tese de que a DRJ teria incorrido em erro. Juntou documentos que, em tese, comprovariam integralmente seu direito creditório. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele conheço. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10880.940211/201133 Acórdão n.º 1201001.476 S1C2T1 Fl. 5 4 A decisão de primeira instância analisou individualmente todas as retenções efetuadas em favor da Recorrente, inclusive aquelas relativas a consórcios nos quais a interessada mantinha participação, e elaborou a seguinte tabela, com os valores efetivamente confirmados, valendose de todos os documentos acostados aos autos e de pesquisas a sistemas da Receita Federal: Despacho decisório julgamento CNPJ da Fonte Pagadora Código de Receita Valor PER/DCOMP Valor confirmado não confirmado Pesquisa DIRF informes apresentados efetivamente confirmado 00.000.000/493449 3426 117.310,70 0,00 117.310,70 0,00 0,00 03.231.999/000178 1708 42.441,13 0,00 42.441,13 0,00 0,00 04.611.818/000100 1708 10.860,89 0,00 10.860,89 0,00 0,00 33.000.167/000101 1708 83.202,27 69.227,75 13.974,52 0,00 69.227,75 33.066.408/000115 3426 163.796,58 0,00 163.796,58 200.458,85 163.796,58 163.796,58 45.050.663/000159 1708 2.527,50 2.227,50 300,00 0,00 300,00 2.527,50 60.746.948/000112 3426 320.545,34 0,00 320.545,34 320.545,23 320.545,23 320.545,23 60.746.948/000112 6800 8.984,08 0,00 8.984,08 8.984,08 8.984,08 8.984,08 61.472.676/000172 3426 222.747,74 0,00 222.747,74 222.747,70 222.747,70 222.747,70 Total 972.416,23 71.455,25 900.960,98 752.735,85 716.373,59 787.828,84 Os critérios para o reconhecimento creditório, contudo, exigem o preenchimento cumulativo de três condições, já indicadas pela decisão de piso, a saber: a) a participação percentual da consorciada, mediante certidão ou contrato social registrado na JUCESP; b) a retenção dos impostos, mediante informes ou comprovantes de rendimentos em nome da entidade consorcial; c) o oferecimento à tributação das receitas financeiras, na medida da participação da requerente nos mesmos consórcios. O quadro elaborado levou em consideração a participação da interessada em três consórcios e baseouse na pesquisa individual das DIRF e nos documentos presentes nos autos. Nesse contexto, os requisitos a) e b) acima foram preenchidos em relação ao montante de R$ 787.828,84, mas cabe ainda a análise acerca dos valores que foram efetivamente oferecidos à tributação, como determina o artigo 231, III, do Regulamento do Imposto de Renda: Art. 231. Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor (Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º, §4º): (...) III do imposto pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; Com base na premissa legal, a decisão da DRJ verificou para quais os valores das retenções que foram oferecidos à tributação e assim se manifestou: Considerando que as parcelas de IRF objetivadas pela contribuinte devem estar justificadas pelas receitas oferecidas à tributação, cumpre calcular quais os montantes mínimos de Fl. 258DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10880.940211/201133 Acórdão n.º 1201001.476 S1C2T1 Fl. 6 5 rendimentos relativos aos códigos de retenção 3426 e 1708 que devem ter sido oferecidos à tributação: No tocante ao oferecimento das receitas correspondentes ao IRF confirmado em consulta às DIRFs ou pela apresentação de informes de rendimentos, analisando a DIPJ 2004 retificadora, ND 1239806, em anexo, constatase que: 1) a contribuinte ofereceu à tributação receitas financeiras no montante de R$ 1.570.535,66, conforme informado na linha 24 da Ficha 06 (Outras Receitas Financeiras). Mesmo considerando que essas receitas sejam relativas a rendimentos auferidos em aplicações de renda fixa (códigos 6800 e 3426), e considerando a alíquota aplicável de 20%, justificase o creditamento de IRF de no máximo R$ 314.107,13; 2) na linha 08 da mesma Ficha 06 (Receitas de Prestação de Serviços), foram oferecidas receitas no valor de R$ 116.776.530,60, que justifica o IRF sob código 1708 já confirmado no despacho recorrido (R$ 71.455,25) e também o IRF confirmado na presente análise (R$ 300,00). Assim, além do crédito já reconhecido no despacho decisório, cumpre confirmar, no cômputo do Saldo Negativo de IRPJ do anocalendário de 2003, o IRF abaixo discriminado: Contudo, a Recorrente entende que houve equívoco nesse raciocínio e pugna pelo reconhecimento integral do direito creditório, nos seguintes termos: A decisão recorrida reconhece a existência de retenções no valor global de R$ 787.828,84, além das já reconhecidas pelo despacho decisório. Cometeu, contudo, dois erros, cuja correção se impõe, a saber: Não reconheceu retenções, no valor de R$ 117.310,70, efetuadas pelo BANCO DO BRASIL sobre a parte correspondente à Recorrente de aplicações financeiras do Consórcio AG PROMON CNO, encarregado das obras de terraplenagem da UTE Norte Fluminense; Afirmou que nem todas as receitas alcançadas pelas retenções teriam sido oferecidas à tributação, glosando o respectivo crédito e reduzindo, com base nisso, o saldo negativo do IRPJ. As retenções efetuadas pelo BANCO DO BRASIL talvez não apareçam no sistema da Receita por não indicarem o CNPJ do Fl. 259DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10880.940211/201133 Acórdão n.º 1201001.476 S1C2T1 Fl. 7 6 beneficiário, como acontece no informe anexo (doc. 1). Essa falha, pela qual não cabe à Recorrente qualquer responsabilidade, não pode ter como consequência a desconsideração das retenções, pois não há dúvida alguma de que elas ocorreram, já que conhecidas até mesmo as contas bancárias que receberam rendimentos. Portanto, o direito ao crédito de tais retenções há de ser reconhecido e estas devem ser computadas no saldo negativo de IRPJ. Este comprovante de rendimentos emitido pelo BANCO DO BRASIL (doc. 1) demonstra rendimentos no valor total de R$ 1.759.727,68 e imposto de renda retido no valor de R$ 351.932,09. Como a participação da Requerente no Consórcio AG PROMON CNO foi de 33,33%, tal comprovante representa créditos no valor de R$ 117.310,70 a favor da Requerente porém desconsiderados pela decisão recorrida. No tocante ao oferecimento à tributação das receitas atingidas pelas retenções, há um erro na DIPJ da Recorrida, facilmente identificável. O total das receitas financeiras não foi apenas de R$ 1.570.535,66, como diz a decisão recorrida e está na DIPJ, mas de R$ 3.455.571,81, como se verifica pela cópia do balancete ora anexado (doc.2). É fácil demonstrar que tal receita foi integralmente submetida à tributação, a despeito do erro de preenchimento da DIPJ. Nessa folha do balancete, na conta 9, está indicado o resultado do exercício no valor de R$ 41.432.827,46, que é exatamente igual ao que consta da DIPJ. Se o total de rendimentos financeiros submetidos à tributação fosse de apenas R$ 1.570.535,66, chegarseia a uma base de cálculo muito inferior ao resultado do exercício, o que mostra estar inteiramente equivocada a decisão recorrida. Chegase ao resultado do exercício de R$ 41.432.827,46somente se os rendimentos financeiros submetidos à tributação forem de R$ 3.455.571,81, tal como o saldo da conta de receitas financeiras está demonstrado no balancete, mas não na DIPJ. A fim de não pairar dúvida, além do balancete estamos anexando às contas do razão 5101.5.001 (doc. 3) e 5101.5.003 (doc. 4) referente às receitas financeiras. O que houve, portanto, foi que na demonstração das receitas financeiras na DIPJ foram agrupadas outras contas com saldo devedor, fato que em nada alterou o valor tributado. Foi submetido à tributação o resultado de R$ 41.432.827,46, saldo que somente se constitui se consideradas receitas financeiras no valor de R$ 3.455.571,81. Concluise inequivocamente que estas receitas financeiras foram tributadas na sua totalidade. Pois bem. Em relação ao primeiro argumento, de que não foi considerada a retenção de R$ 117.310,70, efetuada pelo Banco do Brasil, a análise do documento acostado às fls. 211 não nos permite concluir pela procedência do pedido da interessada. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10880.940211/201133 Acórdão n.º 1201001.476 S1C2T1 Fl. 8 7 Conquanto a Recorrente diga que a falta de indicação do CNPJ no extrato não é de sua responsabilidade, no mesmo sentido podemos argumentar que tal omissão não lhe confere qualquer direito, pois não se pode presumir direitos creditórios, que, de acordo com a legislação, devem ser líquidos e certos. Nesse sentido, caberia à própria interessada, que promoveu a compensação dos créditos, obter documentos hábeis e idôneos para corroborar sua pretensão. Se as informações não constam dos sistemas da Receita Federal nem tampouco do documento acostado aos autos (digase, de passagem, somente ao tempo do Recurso Voluntário) não há como este Colegiado suprir lacuna cujo ônus pertence à empresa. O extrato acostado aos autos, que parece um print de tela do sistema do Banco do Brasil, menciona a existência de extrato impresso, com informações mensais que, contudo, não foi apresentado pela Recorrente, de sorte que não lhe assiste razão quanto a este tópico, por evidente falta de comprovação do direito creditório pleiteado. Em relação ao segundo argumento, de que houve erro no preenchimento da DIPJ e que os documentos trazidos aos autos junto com o Recurso Voluntário demonstrariam tal situação, também não merece melhor sorte. Ressaltese que os referidos documentos são apenas textos e não possuem qualquer assinatura ou formalidade inerente ao Livro Razão. Não atendem, portanto, aos requisitos exigidos pela Resolução CFC n. 1330/2001: 9. Os livros contábeis obrigatórios, entre eles o Livro Diário e o Livro Razão, em forma não digital, devem revestirse de formalidades extrínsecas, tais como: serem encadernados; terem suas folhas numeradas sequencialmente; conterem termo de abertura e de encerramento assinados pelo titular ou representante legal da entidade e pelo profissional da contabilidade regularmente habilitado no Conselho Regional de Contabilidade. 10. Os livros contábeis obrigatórios, entre eles o Livro Diário e o Livro Razão, em forma digital, devem revestirse de formalidades extrínsecas, tais como: serem assinados digitalmente pela entidade e pelo profissional da contabilidade regularmente habilitado; serem autenticados no registro público competente. Percebese, portanto, que os documentos acostados aos autos, além de extemporâneos, não preenchem os requisitos formais de validade, motivo pelo qual não podem ser considerados hábeis para comprovar as alegações da Recorrente. Tratase, apenas, de texto sem qualquer formalidade, assinatura ou identificação do responsável pelas informações. Entendo, portanto, que não merece reparos a decisão de primeira instância. Ante o exposto CONHEÇO do Recurso e, no mérito, voto por NEGARLHE provimento. É como voto. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10880.940211/201133 Acórdão n.º 1201001.476 S1C2T1 Fl. 9 8 (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 262DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
score : 1.0
Numero do processo: 10140.721759/2013-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010, 2011, 2012, 2013
ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ISENÇÃO CONDICIONADA. OBSERVÂNCIA DE CONDIÇÃO IMPLEMENTADA PELO DECRETO-LEI N.º 1.510/1976 NO PERÍODO DE SUA VIGÊNCIA. POSTERIOR REVOGAÇÃO. DIREITO ADQUIRIDO.
A observância, sob a égide do art. 4°, alínea "d", do Decreto-lei n.º 1.510, de 1976, da condição de manutenção das ações pelo período mínimo de cinco anos, ainda que a alienação da participação societária tenha sido realizada sob a vigência de nova lei que revogou o benefício, perfaz a hipótese de isenção imposto de renda.
Direito adquirido do contribuinte, sendo reconhecida a isenção do ato de alienação da participação societária.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INTERESSE COMUM.
Correta a imputação de responsabilidade tributária solidária, com fulcro no art. 124, I, do CTN, ao restar demonstrado nos autos o interesse comum na situação que constitui o fato gerador, consubstanciado, inclusive, na participação ativa e direta nos atos que conduziram à alienação da participação societária.
Numero da decisão: 2201-003.213
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer o direito à isenção prevista no Decreto nº 1.510/76. Votou pelas Conclusões Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado). Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto Mess Stringari, Carlos Henrique de Oliveira e Eduardo Tadeu Farah (Presidente). Quanto ao recurso dos responsáveis solidários, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Carlos César Quadros Pierre e Carlos Henrique de Oliveira. Fará declaração de voto o Conselheiro José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado). Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Aires Gonçalves OAB nº 1342.
Assinado digitalmente.
EDUARDO TADEU FARAH - Presidente.
Assinado digitalmente.
ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora
EDITADO EM: 19/07/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201606
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010, 2011, 2012, 2013 ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ISENÇÃO CONDICIONADA. OBSERVÂNCIA DE CONDIÇÃO IMPLEMENTADA PELO DECRETO-LEI N.º 1.510/1976 NO PERÍODO DE SUA VIGÊNCIA. POSTERIOR REVOGAÇÃO. DIREITO ADQUIRIDO. A observância, sob a égide do art. 4°, alínea "d", do Decreto-lei n.º 1.510, de 1976, da condição de manutenção das ações pelo período mínimo de cinco anos, ainda que a alienação da participação societária tenha sido realizada sob a vigência de nova lei que revogou o benefício, perfaz a hipótese de isenção imposto de renda. Direito adquirido do contribuinte, sendo reconhecida a isenção do ato de alienação da participação societária. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INTERESSE COMUM. Correta a imputação de responsabilidade tributária solidária, com fulcro no art. 124, I, do CTN, ao restar demonstrado nos autos o interesse comum na situação que constitui o fato gerador, consubstanciado, inclusive, na participação ativa e direta nos atos que conduziram à alienação da participação societária.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10140.721759/2013-10
anomes_publicacao_s : 201608
conteudo_id_s : 5624275
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2201-003.213
nome_arquivo_s : Decisao_10140721759201310.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
nome_arquivo_pdf_s : 10140721759201310_5624275.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer o direito à isenção prevista no Decreto nº 1.510/76. Votou pelas Conclusões Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado). Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto Mess Stringari, Carlos Henrique de Oliveira e Eduardo Tadeu Farah (Presidente). Quanto ao recurso dos responsáveis solidários, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Carlos César Quadros Pierre e Carlos Henrique de Oliveira. Fará declaração de voto o Conselheiro José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado). Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Aires Gonçalves OAB nº 1342. Assinado digitalmente. EDUARDO TADEU FARAH - Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora EDITADO EM: 19/07/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
id : 6473976
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:51:50 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048692710178816
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2465; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2.922 1 2.921 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10140.721759/201310 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201003.213 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de junho de 2016 Matéria IRPF Recorrente DANIEL REIS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010, 2011, 2012, 2013 ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ISENÇÃO CONDICIONADA. OBSERVÂNCIA DE CONDIÇÃO IMPLEMENTADA PELO DECRETOLEI N.º 1.510/1976 NO PERÍODO DE SUA VIGÊNCIA. POSTERIOR REVOGAÇÃO. DIREITO ADQUIRIDO. A observância, sob a égide do art. 4°, alínea "d", do Decretolei n.º 1.510, de 1976, da condição de manutenção das ações pelo período mínimo de cinco anos, ainda que a alienação da participação societária tenha sido realizada sob a vigência de nova lei que revogou o benefício, perfaz a hipótese de isenção imposto de renda. Direito adquirido do contribuinte, sendo reconhecida a isenção do ato de alienação da participação societária. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INTERESSE COMUM. Correta a imputação de responsabilidade tributária solidária, com fulcro no art. 124, I, do CTN, ao restar demonstrado nos autos o interesse comum na situação que constitui o fato gerador, consubstanciado, inclusive, na participação ativa e direta nos atos que conduziram à alienação da participação societária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer o direito à isenção prevista no Decreto nº 1.510/76. Votou pelas Conclusões Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado). Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto Mess Stringari, Carlos Henrique de Oliveira e Eduardo Tadeu Farah (Presidente). Quanto ao recurso dos responsáveis solidários, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros José Alfredo Duarte Filho (Suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 17 59 /2 01 3- 10 Fl. 2938DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 22/ 08/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/08/2016 por JOSE ALFREDO DUARTE FILHO, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ 2 convocado), Carlos César Quadros Pierre e Carlos Henrique de Oliveira. Fará declaração de voto o Conselheiro José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado). Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Aires Gonçalves OAB nº 1342. Assinado digitalmente. EDUARDO TADEU FARAH Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ Relatora EDITADO EM: 19/07/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou procedente em parte da impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Em 07/11/2013, foi lavrado auto de infração referente ao exercícios de 2010, 2011, 2012 e 2013, decorrente da omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica juros sujeitos à tabela progressiva e ganhos de capital na alienação de bens e direitos. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, o sujeito passivo alienou participações nas empresas SEBIVAL SEGURANÇA BANCÁRIA INDUSTRIA E DE VALORES LTDA, CNPJ 03.269.974/000163 E SETAL SERVIÇOS ESPECIALIZADOS TÉCNICOS E AUXILIARES LTDA, CNPJ 03.915.345/000163, e deixou de apurar e recolher o imposto sobre o ganho de capital correspondente, bem como o imposto sobre os juros relativos às parcelas do preço postergadas. Conforme narrado no acórdão de piso, auditoria lavrou termos de solidariedade passiva, com fundamento no art. 121, inc. I, do Código Tributário Nacional CTN, atribuindo responsabilidade a Cláudio Dódero Reis, CPF: 859.096.61787, Eraldo Dódero Reis, CPF: 201.656.50125, Ernane Dódero Reis, CPF: 230.400.50125, e Lúcio Dódero Reis, CPF: 481.244.43149, em relação ao crédito tributário constituído. As multas aplicadas foram qualificadas, conforme consta da Subseção VII.c, do Termo de Verificação, f. 54: A falta de pagamento ou recolhimento concomitante com a incursão nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502 implica na duplicação da multa de 75% prevista no inciso I, o que redunda em multa de 150% (inciso I do caput e § 1º do Art. 44). Fl. 2939DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 22/ 08/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/08/2016 por JOSE ALFREDO DUARTE FILHO, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ Processo nº 10140.721759/201310 Acórdão n.º 2201003.213 S2C2T1 Fl. 2.923 3 Inconformada com a notificação apresentada, a contribuinte protocolizou impugnação, fl. 2.750, alegando o que segue: a) não houve recebimento de juros, posto que somente foi recebido 94,54% do preço total de venda; b) todas as informações necessárias ao procedimento de fiscalização estavam disponíveis na declaração de ajuste e também na Junta Comercial do Estado de Mato Grosso do Sul, na Brink’s Segurança e Transporte de Valores S/A e na BGS Agenciamento de Cargas e Despacho Aduaneiro Ltda; c) não há incidência de imposto sobre o ganho de capital na alienação das quotas de capital, ao amparo do que dispunha o DecretoLei n° 1.510/1976, conforme jurisprudência administrativa e judicial; d) há erro, por parte da Auditoria, na análise das alterações no quadro social e do capital social, o que leva à nulidade total do lançamento; e) não houve intenção de ocultar ou sonegar, visto que foi declarado o valor de 81,82% da alienação, o restante correspondia a garantia para contingências e tal fato nenhuma dificuldade causou ao Fisco; f) inexistiu fraude ou sonegação posto que as informações relativas à alienação constaram da declaração de bens e não havia necessidade de preenchimento do demonstrativo de ganho de capital haja vista a isenção aplicável. Por essas razões, incabível a qualificação das multas e a representação fiscal para fins penais; g) não cabe a sujeição passiva de Cláudio Dodero Reis, Eraldo Dodero Reis, Ernane Dodero Reis e Lucio Dodero Reis, posto que o contribuinte sempre exerceu por si só o direito de propriedade de suas quotas, nem se verificou qualquer das hipóteses legais que autorizariam essa atribuição. Requerem os sujeitos passivos solidários: a) afastamento da sujeição passiva solidária, por não se submeter à previsão legal correspondente; b) exclusão dos bens não sujeitos a registro público do Termo de Arrolamento de Bens e Direitos. Por fim, requerem, conjuntamente: a) a improcedência da exigência, considerada a isenção de que trata o art. 4°, “d” do DecretoLei n° 1510/1976; e a nulidade do auto de infração, dada a impossibilidade de sua nulidade parcial, haja vista as impropriedades do demonstrativo fiscal que permitiria identificar as parcelas tributáveis no entendimento fiscal; Fl. 2940DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 22/ 08/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/08/2016 por JOSE ALFREDO DUARTE FILHO, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ 4 b) afastamento da multa qualificada, visto não terem ocorrido as hipóteses legais para tanto. Foi juntado à impugnação adendo, fl. 2.816, no qual constam mais argumentos que corroboram o exposto pelo contribuinte. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande/MS julgou procedente em parte a impugnação, restando mantido o auto de infração, com as seguintes considerações: a) observese que a isenção do art. 4°, alínea “d”, do Decreto Lei nº 1.510, de 1976, não foi concedida por prazo determinado, há apenas a fixação de um termo inicial do benefício fiscal (após cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação), mas no referido decretolei não há, nem em qualquer outro dispositivo legal, qualquer determinação quanto ao termo final desse benefício. Desta forma, tratandose de isenção por prazo indeterminado pode ser revogada, a qualquer tempo, por lei posterior; b) não se pode considerar que haja direito adquirido à isenção prevista no art. 4°, alínea “d”, do DecretoLei nº 1.510, de 1976, ainda que o lapso temporal de cinco anos da aquisição ou subscrição da participação tenho ocorrido até 31 de dezembro de 1988, pois o referido art. 4º foi expressamente revogado pela Lei nº 7.713, de 1988, e a tributação deve se reportar à legislação vigente na data da ocorrência do fato gerador (data da alienação), na forma do art. 144 do CTN; c) quanto às decisões judiciais e administrativas mencionadas em favor do entendimento oposto, esclareçase que elas somente alcançam a quem faz parte da lide. Em outras palavras, não possuem eficácia normativa, tampouco efeito geral, sendo despidas de eficácia erga omnes; d) não admitida a referida isenção, não há necessidade de se apurar as referidas frações, nem incorreção em sua apuração tem qualquer efeito sobre o crédito tributário constituído; e) os valores recebidos a título de rendimento do valor depositado a título de garantia não compõe o valor da alienação e devem ser tributados como juros, independentemente do recebimento do valor total do pagamento parcelado; f) verificase ser incabível a qualificação da multa de ofício aplicada ao lançamento, devendo esta ser reduzida para 75%, nos termos do disposto no art. 44, inciso I da Lei nº 9.430, de 1996; g) se, por um lado, a possibilidade de administrar a empresa ou o recebimento, sob a forma de doação, do produto da alienação, isoladamente, poderiam não ter força suficiente para concluir pela existência da solidariedade, a conjunção desses fatos mostra, de forma indubitável, que efetivamente há o interesse comum necessário para caracterizála; h) quanto à exigência da multa de ofício dos sujeitos passivos solidários, fundamentase no artigo 136 do CTN, segundo o qual Fl. 2941DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 22/ 08/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/08/2016 por JOSE ALFREDO DUARTE FILHO, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ Processo nº 10140.721759/201310 Acórdão n.º 2201003.213 S2C2T1 Fl. 2.924 5 a responsabilidade pelas multas é objetiva – independe de culpa ou intenção do agente ou responsável e da existência de prejuízo, diferente do que acontece nas infrações penais; i)os questionamentos relativos ao Termo de Arrolamento de Bens e à Representação Fiscal para Fins Penais não são passíveis de apreciação pela presente instância, por não se inserir na competência das Delegacias de Julgamento, conforme consta do art. 233 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 203/2012. Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário, no qual a contribuinte sustenta, em síntese: a) pacificouse o entendimento, inclusive da CSRF dessa Colenda Corte, que a isenção, quando concedida por prazo certo, não pode ser revogada e que, implementada a condição pelo contribuinte antes da revogação, ainda que a alienação tenha ocorrido na vigência da lei revogadora, há que se manter a norma isentiva; b) a decisão que deixa de apurar as referidas frações do capital social anterior e posterior ao fim da vigência da isenção descrita no art. 4 o do DecretoLei n° 1.510/1976, merece inteiro reparo; c) fundamental que se leve em conta as respectivas datas que deram origem a esse saldo. Se, na vigência do DL n° 1.510/1976, os valores apropriados para aumento de capital, mesmo após a 31.12.1988, data da alienação, devem ser considerados como fator anterior; d) todo o montante recebido, inclusive o valor dos depósitos, correspondem exatamente ao preço da alienação. Os recebimentos, somados, não ultrapassam o valor da operação; e) a simples soma dos recebimentos comprovam que em momento algum o impugnante recebeu os juros tributados e aqui impugnados, mas tão somente as parcelas relativas ao depósito em garantia, componentes do preço da alienação. Também dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário pelos responsáveis solidários, com as seguintes alegações: a) insubsistência da imputação de solidariedade em razão das procurações outorgadas pelas pessoas jurídicas SEBIVAL e SETAL aos recorrentes; b) temse assim, de forma incontroversa, visto ter sido afirmado pelo próprio autor do procedimento, que as procurações outorgadas pela SEBIVAL e pela SETAL aos recorrentes, resultou da oposição que se formou entre os dois grupos societários, os quais, por disposição contratual, passaram a se fazer representar por procuradores indicados por cada uma das partes; Fl. 2942DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 22/ 08/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/08/2016 por JOSE ALFREDO DUARTE FILHO, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ 6 c) Cláudio, Eraldo e Lúcio, nunca representaram Daniel Reis, mas tão somente as pessoas jurídicas, em razão de disposições contratuais e sempre em conjunto com os demais procuradores da outra parte; d) não consta dos autos, uma única prova de que Cláudio, Eraldo, Lúcio e Emane tenham participado de algum ato como representantes ou procuradores de Daniel Reis; e) é certo que Cláudio, Eraldo e Lúcio, nos anoscalendários 2007, 2008 e 2009, prestaram seus serviços a SEBIVAL e a SETAL na condição de assalariados ou como contratado, sem vínculo empregando; f) Ernane, embora incluído no pólo passivo da exigência de imposto de renda sobre ganho de capital, em momento algum atuou como procurador das empresas SEBIVAL e SETAL, sequer como empregado ou prestador de serviços; g) as procurações outorgadas por Daniel Reis e Tereza Dódero Reis a Lúcio e Emane, isso em 23.09.2008, nunca foi utilizada, não constando dos autos a comprovação de um único ato praticado pelos outorgados, que possa autorizar o entendimento de interesse comum na realização do fato gerador do imposto de renda sobre ganho de capital, de cuja alienação e respectivo fato gerador, não participaram; h) muito antes da outorga das procurações pelas pessoas jurídicas a Cláudio, Eraldo e Lúcio, aqui recorrentes, os sócios da SEBIVAL, em 06 de abril de 2004 firmaram o documento denominado "Compromisso Societário", através do qual deliberaram a negociação com um grupo empresarial, qualificado tão somente como "interessado" também do ramo de segurança, mediante as condições constantes de seus itens 1 (hum) a 6 (seis); i) não há, pois, como se sustentar a imputação de solidariedade em exigência de imposto de renda de pessoa física, ainda que sócia das pessoas jurídicas, por conta das procurações referidas no Termo de Verificação Fiscal, tendo em vista que, como já acentuado, tais procurações foram outorgadas em razão de expressa previsão contratual, resultantes da oposição entre os sócios ocorrida após a abertura da sucessão, cujo convívio só se tomou possível pela fórmula encontrada de se fazerem representar por procuradores; j) no entendimento já pacificado pelo STJ, para a configuração da solidariedade de que trata o art. 124,1, do CTN " é imprescindível que as pessoas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador", o que não restou demonstrado nos presentes autos, pela simples e óbvia razão da inexistência absoluta daquela indigitada solidariedade, que não se presume, nos exatos termos do art. 265 do Código Civil Brasileiro; k) ato de recebimento da doação, por ser superveniente ao alegado fato gerador, não há como subsumirse à hipótese do Fl. 2943DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 22/ 08/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/08/2016 por JOSE ALFREDO DUARTE FILHO, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ Processo nº 10140.721759/201310 Acórdão n.º 2201003.213 S2C2T1 Fl. 2.925 7 art. 124, I, do CTN, que pressupõe a realização conjunta da situação configuradora do fato gerador; l) quanto ao mérito da pretensão fiscal, embora entendendo ilegítima a imputação de solidariedade, mas tão somente para argumentar, adotam como razões recursais aquelas deduzidas pelo contribuinte Daniel Reis. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz 1) RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. A autuação em análise, conforme relatado, teve como origem a alienação realizada pelo sujeito passivo das participações nas empresas SEBIVAL SEGURANÇA BANCÁRIA INDUSTRIA E DE VALORES LTDA, CNPJ 03.269.974/000163 E SETAL SERVIÇOS ESPECIALIZADOS TÉCNICOS E AUXILIARES LTDA, CNPJ 03.915.345/000163, deixando de apurar e recolher o imposto sobre o ganho de capital correspondente, bem como o imposto sobre os juros relativos às parcelas do preço postergadas. Conforme se verifica dos autos, a questão fática é incontroversa, estando a discussão limitada aos efeitos jurídicos referentes à existência ou não de direito adquirido à isenção do IRPF instituída pelo Decretolei 1.510/76 e revogada pela Lei n.º 7.713/88, tendo em vista que a venda das ações ocorreu após a revogação. Acerca da matéria, observase a disposição do artigo 4°, alínea "d", do DecretoLei n° 1.510/1976, in verbis: “Art 1º O lucro auferido por pessoas físicas na alienação de quaisquer participações societárias está sujeito à incidência do imposto de renda, na cédula "H" da declaração de rendimentos. (...) Art 4º Não incidirá o imposto de que trata o artigo 1º: (...) d) nas alienações efetivadas após decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação.” A regra descrita no citado Decreto estabelecia o direito à isenção do IRPF nas alienações efetivadas após cinco anos da subscrição ou aquisição da participação societária. Fl. 2944DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 22/ 08/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/08/2016 por JOSE ALFREDO DUARTE FILHO, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ 8 Sobre a matéria, o Superior Tribunal de Justiça firmou orientação no sentido de que há direito adquirido à isenção do imposto de renda sobre o lucro auferido na alienação de ações societárias, benefício concedido pelo DecretoLei n.º 1.510/76, que restou revogado pela Lei n.º 7.713/88, desde que cumpridos os 5 (cinco) anos estabelecidos como condição,consoante ementas abaixo transcritas: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. ISENÇÃO ONEROSA POR PRAZO INDETERMINADO. DECRETOLEI 1.510/76. DIREITO ADQUIRIDO. REVOGAÇÃO. ART. 178 DO CTN. 1. É isento do imposto de renda o ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias adquiridas sob a égide do DL 1.510/76 e negociadas após cinco anos da data da aquisição, ainda que a transação tenha ocorrido já na vigência da Lei 7.713/88. 2. Precedentes de ambas as Turmas de Direito Público desta Corte e do Conselho de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda. 3. Recurso especial provido. (REsp 1.148.820/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/08/2010, DJe 26/08/2010) TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. ALIENAÇÃO DE AÇÕES SOCIETÁRIAS. ISENÇÃO CONDICIONADA OU ONEROSA. DECRETOLEI N. 1.510/76. REVOGAÇÃO PELA LEI N. 7.713/88. DIREITO ADQUIRIDO À ISENÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE REVOGAÇÃO. SÚMULA N. 544/STF. 1. Inserese no conceito de isenção condicionada ou onerosa a isenção do imposto de renda sobre lucro auferido por pessoa física em virtude de venda de ações (art. 4º, "d" do DecretoLei n. 1.510/76), pois concedida mediante o cumprimento de determinado requisito (condição), qual seja, o de a alienação ocorrer somente depois de decorridos cinco anos da subscrição ou da aquisição da participação societária. 2. Cumpridos os requisitos para o gozo da isenção condicionada, tem o contribuinte direito adquirido ao benefício fiscal. 3. "Isenções tributárias concedidas, sob condição onerosa, não podem ser livremente suprimidas" (Súmula n. 544/STF). 4. Recurso especial não provido." Recurso Especial nº 656.222, Rel. Min. João Otávio de Noronha, Sessão de 25/10/2005. "RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. LUCRO DECORRENTE DE ALIENAÇÃO DE AÇÕES SOCIETÁRIAS. ISENÇÃO CONCEDIDA PELO DECRETOLEI N. 1.510/76, REVOGADA PELA LEI N. 7.713/88. HIPÓTESE DE ISENÇÃO ONEROSA CUJA CONDIÇÃO FOI IMPLEMENTADA ANTES DO ADVENTO DA LEI REVOGADORA. ARTIGO 178 DO CTN. SÚMULA 544/STF. NULIDADE TOTAL DO LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. Cingese a controvérsia acerca do reconhecimento de direito adquirido sobre a isenção de imposto de renda sobre lucro auferido na alienação de ações societárias, isenção esta instituída pelo DecretoLei n. 1.510/76 e revogada Fl. 2945DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 22/ 08/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/08/2016 por JOSE ALFREDO DUARTE FILHO, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ Processo nº 10140.721759/201310 Acórdão n.º 2201003.213 S2C2T1 Fl. 2.926 9 pela Lei n. 7.713/88, tendo em vista que a venda das ações ocorreu em 1991, após a revogação. Implementada a condição pelo contribuinte antes mesmo da norma ser revogada, ainda que a alienação tenha ocorrido na vigência da lei revogadora, há que se manter a norma isentiva. Incidência do enunciado da Súmula 544/STF. O fato do Fisco tributar os lucros auferidos pela alienação das ações albergadas pela isenção, juntamente com outras tributáveis, por si só, possui a virtude de comprometer todo o lançamento e afasta a possibilidade de nulidade parcial, relativamente a parcelas identificáveis e destacáveis do débito. Reconhecida a isenção do imposto de renda sobre o lucro auferido na alienação de ações societárias e a necessidade de se anular o lançamento fiscal, resta prejudicada análise do questionamento relativo à forma de apuração dos valores lançados. Recurso especial improvido. (...)” Recurso Especial nº 723.508, Rel. Min. Franciulli Netto, Sessão de 15/03/2005. Tal entendimento, durante muitos anos, foi seguido pela 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Todavia, em julgamento recente, foi proferida decisão em sentido contrário, no Acórdão n.º 9202003.769 2ª Turma, na sessão de 16 de fevereiro de 2016. A relatora do citado Acórdão expôs o seguinte entendimento: Em que pese decisões em sentido contrário, compartilho do entendimento de que a isenção do extinto art. 4º, alínea 'd' do Decreto lei nº 1.510/76 não é espécie de isenção condicionada com prazo certo. Até entendo existir a condicionante (manutenção da titularidade da participação societária pelo período mínimo de cinco anos), entretanto, não vislumbro tratar se de isenção por prazo determinado. Diante disto adoto os ensinamentos do Jurista Roque Antônio Carrazza (Curso de Direito Constitucional Tributário 24ª edição) para o qual "sendo com prazo indeterminado a isenção, a pessoa política que a concede pode revogála, total ou parcialmente, a qualquer tempo, a seu inteiro alvedrio, desde que, naturalmente, o faço por meio de lei, respeitando, quando for o caso o princípio da anterioridade". E acrescenta: 'A revogação de isenção com prazo indeterminado, ainda que onerosa (condicional), não gera, para o contribuinte, nem direito de ser indenizado, nem, muito menos, o de continuar fruindo, pura e simplesmente, do benefício. O contribuinte tem, apenas, o direito de ver respeitado o princípio da anterioridade (em relação, obviamente, aos tributos sobre os quais ele incide)'. Assim, observase que a relatora entende pela existência da condição onerosa, mas se baseia no jurista Carrazza para negar o recurso, o qual considera que a isenção, ainda que onerosa (condicional), pode ser revogada, quando for com prazo indeterminado. Nesse contexto, cabe transcrever o entendimento dominante da Câmara Superior, anterior a decisão do mencionado Acórdão (n.º 9202003.769): Fl. 2946DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 22/ 08/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/08/2016 por JOSE ALFREDO DUARTE FILHO, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ 10 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1995 ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ISENÇÃO CONDICIONADA. OBSERVÂNCIA DE CONDIÇÃO IMPLEMENTADA PELO DECRETOLEI N.º 1.510/1976 NO PERÍODO DE SUA VIGÊNCIA. POSTERIOR REVOGAÇÃO. DIREITO ADQUIRIDO. A observância, sob a égide do art. 4°, alínea "d", do Decretolei n.º 1.510, de 1976, da condição de isenção por ele implementada, de manutenção das ações pelo período mínimo de cinco anos, ainda que a alienação da participação societária tenha sido realizada sob a vigência de nova lei que revogou o benefício, não perfaz a hipótese de incidência do imposto de renda sobre o ganho de capital. Direito adquirido do contribuinte, devendo ser reconhecida a isenção do ato de alienação da participação societária perpetrado pelo Recorrente (art. 5º, XXXVI, da Constituição; art. 6º, caput e §2º, da LINDB; e art. 178 do Código Tributário Nacional). (Acórdão nº 9202002.805, 2ª Turma da CSRF, sessão de 07 de agosto de 2013). Observase que a matéria é controvertida no âmbito do CARF, pois, apesar da jurisprudência sedimentada da Câmara Superior em sentido favorável ao contribuinte, houve decisão superveniente da Câmara, que ainda não pode ser considerada como jurisprudência, mas que perfilha posição em sentido contrário. Por oportuno, destacase o Enunciado de Súmula n.º 544/STF, que não foi revogado, de observância obrigatória pelos Conselheiros do CARF, nos termos seguintes: Isenções tributárias concedidas, sob condição onerosa, não podem ser livremente suprimidas. Em uma análise sistêmica das normas, verificase que, implementada a condição pelo contribuinte, antes da revogação da norma, ainda que a alienação tenha ocorrido na vigência da lei revogadora, deve ser mantida a norma isentiva, em obediência ao Enunciado de Súmula 544 do Supremo Tribunal Federal, pois as isenções tributárias, sob condição onerosa, não podem ser livremente suprimidas. Assim, existe direito adquirido à isenção, a despeito da revogação do art. 4º do DL n.º 1.510/76, nos casos em que já transcorridos os cinco anos estabelecidos como condição para se obter o benefício, haja vista tratarse de isenção condicionada (onerosa). A lei isentiva condicional tem a capacidade de gerar efeitos para além de sua vigência, a chamada ultratividade, isto porque a fruição da isenção constituise em direito adquirido do contribuinte, que poderá ser exercido mesmo após a revogação da lei. Desse modo, admitir a exigência do imposto de renda, quando cumprida a condição estabelecida no Decreto, importa em negativa de vigência ao art. 4º, "d", do Decreto Lei 1.510/76, bem como em violação ao direito adquirido, conforme se depreende do art. 6º, § 2º, da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro: Fl. 2947DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 22/ 08/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/08/2016 por JOSE ALFREDO DUARTE FILHO, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ Processo nº 10140.721759/201310 Acórdão n.º 2201003.213 S2C2T1 Fl. 2.927 11 Art. 6º A Lei em vigor terá efeito imediato e geral, respeitados o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada. (Redação dada pela Lei nº 3.238, de 1957)(...). § 2º Consideramse adquiridos assim os direitos que o seu titular, ou alguém por êle, possa exercer, como aquêles cujo comêço do exercício tenha têrmo préfixo, ou condição pré estabelecida inalterável, a arbítrio de outrem. Cabe esclarecer que o Enunciado de Súmula 544 do STF (aprovado em 1969) e o citado dispositivo da Lei de Introdução às Normas de Direito Brasileiro não confrontam com o disposto no art. 178 do Código Nacional, que foi alterado pela Lei Complementar n.º 24/1975, pois a ressalva atinente às isenções por prazo certo e em função de determinadas condições têm relação com o poder legiferante e não com o direito adquirido. Nesse sentido, Paulo de Barros Carvalho (Curso de Direito Tributário, 24ª edição, pg. 577) assim dispõe: Como criatura da lei que a isenção é, a qual quer momento, ao alvedrio do legislador, pode ser abrogada ou revogada parcialmente (derrogada), o que implica sua modificação redutiva. Visa o artigo 178 a preservar aquelas que foram concedidas por prazo certo e em função de determinadas condições, ressalvandoas dessa prerrogativa de liberdade legiferante de que os parlamentos são portadores, dentro dos limites constitucionais. Tais isenções, de conformidade com o texto escrito do Código Tributário Nacional, estariam a salvo de abrogações ou derrogações da lei. (...). Dessa forma, a isenção condicionada e por prazo indeterminado pode ser revogada por lei, o que significa dizer que cessa o direito do contribuinte de continuar adquirindo a fruição do benefício. Portanto, apenas tem direito à isenção o contribuinte que, quando da vigência da norma isentiva, cumpriu os requisitos concessivos do direito e, dessa forma, o adquiriu, não podendo o contribuinte, diante da vigência da lei revogadora, continuar adquirindo o direito que não mais existe no ordenamento jurídico. Cabe mencionar, nesse sentido, a Ricardo Alexandre (2010, pg. 491): Quem, durante a vigência da lei concessória, cumpre os requisitos para o gozo do benefício, tem direito adquirido ao mesmo, pelo prazo previsto na lei, mesmo que esta venha a ser revogada. Em contrapartida, os contribuintes que estavam se estruturando para cumprir os requisitos previstos da lei e, antes de ultimadas as providências, são surpreendidos pela revogação, não tem direito à isenção, sendo prejudicados pela inovação legislativa. Em resumo, a revogação da lei concessiva de isenção onerosa não tem o condão de prejudicar quem já cumprira os requisitos para o gozo do benefício legal, mas impede o gozo daqueles que não tinham cumprido tais requisitos na data da revogação da lei. Fl. 2948DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 22/ 08/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/08/2016 por JOSE ALFREDO DUARTE FILHO, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ 12 A interpretação ora realizada atende à segurança jurídica, que se consubstancia em pilar do Estado Democrático de Direito, cujo o fim é garantir a estabilidade das relações jurídicas. Diante do exposto, devem ser devidamente apuradas as frações do capital social anterior e posterior ao fim da vigência do artigo 4º do decretoLei n.º 1510/1976, a fim de que seja conferido o direito à isenção relativo às ações mantidas pelo período mínimo de cinco anos, sob a égide do citado DecretoLei, ainda que a alienação da participação societária tenha sido realizada sob a vigência da lei revogadora do benefício. No que se referem à tributação dos supostos juros recebidos, assiste razão ao contribuinte, pois o valor das transferências a título de "depósito em garantia" compõem o valor da alienação, não se tratando de juros. Observase que o valor do montante recebido, inclusive o valor dos depósitos, correspondem ao preço de alienação, conforme se observa do próprio Termo de Verificação Fiscal: 104. Nas cláusulas 2.4(ii) e 2.5 do CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE QUOTAS (doc. 005) foi prevista a constituição, por meio de CONTRATO DE DEPÓSITO, de Contas de Depósito em Garantia com valor inicial de R$ 20.000.000,00, valor este que, somado ao pagamento à vista de R$ 90.000.000,00 feito em 08/01/2009, totalizou o “Preço de Compra” de R$ 110.000.000,00 (cláusula 2.2). Assim, CONHEÇO do recurso voluntário do contribuinte e DOU PROVIMENTO. 2. RECURSO VOLUNTÁRIO DOS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS Aduzem os responsáveis solidários, em síntese, a insubsistência da imputação de solidariedade em razão das procurações outorgadas pelas pessoas jurídicas SEBIVAL e SETAL aos recorrentes. Não obstante os argumentos destacados pelos responsáveis solidários, conforme se observa do Termo de Verificação Fiscal, houve ativa participação de Cláudio, Eraldo e Lúcio na SEBIVAL e na SETAL, inclusive restando comprovadas suas assinaturas na aceitação da proposta da Deloitte, o que evidencia a participação no processo de alienação, além do claro interesse comum na situação constitutiva do fato gerador, pois beneficiários dos ganhos. Correta, portanto, a imputação de responsabilidade tributária solidária, com fulcro no art. 124, I, do CTN, ao restar demonstrado nos autos o interesse comum na situação que constitui o fato gerador, consubstanciado, inclusive, na participação ativa e direta nos atos que conduziram à alienação da participação societária. Quanto ao mérito, os recorrentes reiteraram os argumentos do contribuinte. Diante do exposto, CONHEÇO do recurso voluntário dos responsáveis solidários e DOU PROVIMENTO PARCIAL para que seja: a) conferido o direito à isenção relativo às ações mantidas pelo período mínimo de cinco anos, sob a égide do artigo 4º do decretoLei n.º 1510/1976, ainda que a alienação da Fl. 2949DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 22/ 08/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/08/2016 por JOSE ALFREDO DUARTE FILHO, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ Processo nº 10140.721759/201310 Acórdão n.º 2201003.213 S2C2T1 Fl. 2.928 13 participação societária tenha sido realizada sob a vigência da lei revogadora do benefício; b) excluído da tributação o valor descrito como correspondente a juros. Assinado digitalmente. Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora DECLARAÇÃO DE VOTO Conselheiro José Alfredo Duarte Filho Acompanho o voto da Relatora, agregando os argumentos contidos na Declaração de Voto do Acórdão nº 2202.003.319, de 19/05/2016, “conferido o direito à isenção relativo às ações mantidas pelo período mínimo de cinco anos, sob a égide do art. 4º do DecretoLei n.º 1510/1976, ainda que a alienação da participação societária tenha sido realizada sob a vigência da lei revogadora do benefício”, contudo, em maior extensão, dando provimento integral aos recursos da Recorrente contribuinte e dos solidários, pelas razões a seguir esposadas. Em primeira, porque não há que se falar em responsabilidade solidária nesse julgamento em vista de que a decisão foi no sentido de reconhecer o direito à isenção na alienação da participação societária ao abrigo do disposto no art. 4º do DecretoLei nº 1510/1976. Incabível, portanto, a manutenção de responsabilidade solidária de sujeição passiva sobre fato gerador com isenção reconhecida na pessoa do contribuinte de fato e de direito, titular da participação societária objeto dessa lide. Neste sentido, se a decisão foi do reconhecimento da isenção, há que aplicar o que dispõe o art. 125, II do CTN, nos seguintes termos: “Art. 125. Salvo disposição de lei em contrário, são os seguintes os efeitos da solidariedade: (...) II – a isenção ou remissão de crédito exonera todos os obrigados, salvo se outorgada pessoalmente a um deles, subsistindo nesse caso, a solidariedade quanto aos demais pelo saldo;” Em segunda, o tributo deve ser cobrado primeiramente de quem pratica o fato gerador diretamente ou é seu beneficiário, no caso presente, o titular da participação societária alienada, sendo ele o sujeito passivo direto, o contribuinte. Em certos casos, no entanto, o Estado pode ter necessidade de cobrar o tributo de uma terceira pessoa, que não o contribuinte, oportunidade que faz surgir o sujeito passivo indireto, o responsável tributário, observando que a isenção ou remissão do crédito desonera a todos. Fl. 2950DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 22/ 08/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/08/2016 por JOSE ALFREDO DUARTE FILHO, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ 14 Em terceira, porque a responsabilidade tributária solidária fulcrada do art. 124, I, do CTN, diz que a ocorrência se dá quando há interesse comum na situação que constitui o fato gerador. “Art. 124. São solidariamente obrigadas: I – as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal;” O que corresponde a interesse comum na ocorrência do fato gerador da obrigação tributária? No entendimento do STJ, em suas decisões, para a configuração da solidariedade tributária é imprescindível que as pessoas participem conjuntamente na situação configuradora do fato gerador. Ou seja, que o solidário participe materialmente com objetivo interesse, e esteja na condição de beneficiário direto no resultante do evento. Com efeito, denominase responsável solidário o sujeito passivo da obrigação tributária que, sem revestir a condição de contribuinte e sem ter relação pessoal e direta com o fato gerador respectivo, tendo, porém, vínculo com a obrigação decorrente de dispositivo expresso em lei. Neste caso o vínculo com o fato gerador restringe se ao legítimo detentor da participação societária, o contribuinte Daniel Reis. Frisese que o objetivo do legislador ao instituir a responsabilidade tributária, foi assegurar à Fazenda Pública a possibilidade do efetivo recebimento dos créditos devidos, em situações que o contribuinte possa apresentar dificuldades para o pagamento do crédito ou que se apresente qualquer dificuldade para a realização da cobrança. Este não é o caso, porquanto não se apresenta nenhuma das impossibilidades ou dificuldades para, se fosse o caso, realizar a cobrança de eventual crédito tributário. Em quarta, porque consta do lançamento fiscal que alguns dos Recorrentes identificados como responsáveis solidários detinham procurações para representar a pessoa jurídica cuja participação acionária foi alienada, porém, não ficou comprovada a prática de atos que identifiquem o interesse comum na realização do fato gerador do imposto de renda sobre o ganho de capital. Além disso, atos administrativos eventualmente realizados pelos outorgados não permite entender enquadrados na responsabilidade como administradores ou gerentes porque não consta que teriam sido praticados com omissão ou máfé que justificasse responsabilidade residual ou subsidiária. Acrescentese que três dos Recorrentes detinham procurações da pessoa jurídica e cujos mandados não incluíam a representação da pessoa física do contribuinte Daniel Reis, legítimo titular da participação societária alienada e objeto do lançamento fiscal. Somese a isso que o documento que deu origem a alienação da participação societária foi assinado pelos sócios da empresa em data anterior a outorga das procurações apontadas como elemento identificador do interesse comum na ocorrência do fato gerador. O outro Recorrente colocado na condição de responsável solidário sequer teve procuração da pessoa jurídica ou física do contribuinte. Em quinta, descabe a imputação de solidariedade passiva dos arrolados em vista de posterior configuração de reais recebedores da doação de parte do produto que resultou da ocorrência do fato gerador apontado no lançamento, porque o contribuinte de fato e de direito sempre foi unicamente o Recorrente, Sr. Daniel Reis. O fato de figurarem os Recorrentes como administradores da empresa em determinado período, assim como o fato de terem recebido, sob a forma de doação, parte do produto da alienação da participação societária não constituem elementos suficientemente fortes legalmente para se concluir pela existência de solidariedade tributária, sequer identificação de interesse comum na ocorrência do fato gerador. Fl. 2951DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 22/ 08/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/08/2016 por JOSE ALFREDO DUARTE FILHO, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ Processo nº 10140.721759/201310 Acórdão n.º 2201003.213 S2C2T1 Fl. 2.929 15 Assim, é insustentável a sujeição passiva por responsabilidade solidária dos Recorrentes porque o contribuinte que é sócio da pessoa jurídica exerceu diretamente o direito de propriedade de sua participação societária, além de não se verificar hipótese de enquadramento legal como solidários na operação. Diante do exposto, DOU PROVIMENTO INTEGRAL aos recursos voluntários no seu conjunto, tanto do Recorrente titular quanto dos Recorrentes que constam como responsáveis solidários na operação de alienação de participação societária com direito à isenção relação às ações mantidas pelo período mínimo de cinco anos, sob a égide do art. 4º do DecretoLei n.º 1510/1976, ainda que a alienação da participação societária tenha sido realizada sob a vigência da lei revogadora do benefício, com respaldo na vasta jurisprudência nos tribunais a começar pelas decisões TRFs de todas as regiões, passando pelas decisões do STJ e concluindo com a Súmula 544 do STF, sempre favoráveis ao contribuinte, conforme citadas na Declaração de Voto do Acórdão nº 2202.003.319, de 19/05/2016. É como voto. Assinado digitalmente José Alfredo Duarte Filho Conselheiro Substituto Convocado Fl. 2952DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 22/ 08/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/08/2016 por JOSE ALFREDO DUARTE FILHO, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
score : 1.0
Numero do processo: 14751.000095/2005-04
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - DRPJ
Ano-calendário: 2000, 2001
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS — MATÉRIA NÃO CONTESTADA
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante
Numero da decisão: 1802-000.345
Decisão: Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Ester Marques Lins de Sousa
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - AF - lucro arbitrado
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201001
ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - DRPJ Ano-calendário: 2000, 2001 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS — MATÉRIA NÃO CONTESTADA Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante
turma_s : Segunda Turma Especial da Primeira Seção
numero_processo_s : 14751.000095/2005-04
conteudo_id_s : 5639504
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1802-000.345
nome_arquivo_s : Decisao_14751000095200504.pdf
nome_relator_s : Ester Marques Lins de Sousa
nome_arquivo_pdf_s : 14751000095200504_5639504.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2010
id : 6503830
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:52:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048692715421696
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-03-30T22:53:55Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-03-30T22:53:55Z; Last-Modified: 2010-03-30T22:53:55Z; dcterms:modified: 2010-03-30T22:53:55Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-03-30T22:53:55Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-03-30T22:53:55Z; meta:save-date: 2010-03-30T22:53:55Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-03-30T22:53:55Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-03-30T22:53:55Z; created: 2010-03-30T22:53:55Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2010-03-30T22:53:55Z; pdf:charsPerPage: 1213; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-03-30T22:53:55Z | Conteúdo => S1-TE02 RI.] _ MINISTÉRIO DA FAZENDA - CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 14751.000095/2005-04 Recurso n° 164.795 Voluntário Acórdão n° 1802-00.345 — 2. Turma Especial Sessão de 26 de janeiro de 2010 Matéria IRPJ E OUTROS Recorrente JEOVÁ DE MELO COLAÇO FERNANDES ME Recorrida 3a Turma/DRI/RecifeRE Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - DRPJ Ano-calendário: 2000, 2001 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS — MATÉRIA NÃO CONTESTADA Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiada por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ---- ES LINS DE SOUSA — Presidente eRelatora. EDITADO EM: 1 O MAR 2010 Participaram da sesso de julgamento os conselheiros: Esta Marques Lins de Sousa (Presidente da Turma), Jose De Oliveira Ferraz Corrêa, Natanael Vieira dos Santos (Suplente Convocado), Nelso ICichel (Suplente Convocado), Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior e João Francisco Bianco (Vice Presidente da Turma). Ausente justificadamente o conselheiro Leonardo Lobo de Almeida. Relatório Por economia processual e bem resumir a lide adoto o Relatório da decisão recorrida que transcrevo a seguir: Contra a contribuinte acima qualificada foi lavrado o auto de infração de fls. 05/14, através do qual foi constituído o crédito tributário referente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRAI no valor de R$ 54.771,43, incluídos juros de mora e multa proporcional de 75% O lançamento reporta-se aos anos- calendário de 2000 e 2001. 2.0 lançamento do IRPJ decorreu da omissão de receitas em face de depósitos bancários de origem não comprovada. Em depoimento reduzido a termo, o Sr. Jeová de Melo Colaço esclareceu que utilizava conta bancária de sua mãe para movimentar recursos que pertenciam à sua empresa individual. O lucro foi arbitrado ante a não-apresentação dos livros obrigatórios. 3.Em conseqüência da omissão de receitas, foram lavrados os autos de infração reflexos concernentes à Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS (fls. 15/24), no valor de R$ 24.895,43, à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins (fls. 25/34), no valor de R$ 114.903,99, e à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL (fls. 35/43), no valor de R$ 41.818,21. 4.0 crédito tributário total importa em R$ 236.389,06, conforme demonstrativo consolidado de fl. 04. 5.0 enquadramento legal das infrações, bem assim os demonstrativos de apuração, encontram-se estampados nos autos de infração e em seus anexos. 6.A contribuinte apresentou impugnação (fls. 82/83), alegando, em síntese, que: 6.1 — em razão de dificuldades financeiras, que a impediam de manter conta bancária, passou a utilizar conta em nome da mãe do titular da empresa individual ora impugnante; 6.2 - para saldar dividas com fornecedores, a empresa vendia seus produtos e repassava-lhes o valor das vendas deduzido das comissões. Os extratos que serviram de base ao lançamento mostram valores que pertencem a esses fornecedores, e não a ela, autuada; 6.3 — o auto de infração deve ser anulado, pois faz menção a (.....„\. folhas que Mo estão numeradas, além de não explicitar a que imposto e a que cálculo o auditor está se referindo 7.Ao final, requereu o arquivamento do auto de infração. / 2 Processo n° 14751.000095/2005-04 SI-TE02 Acórdão n.° 1802 -00.345 Fl, 2 A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Recife/PE) julgou o lançamento procedente em decisão proferida no venerando Acórdão n° 11-20.468, de 05/10/2007, (fis.1541158). A empresa foi cientificada da referida decisão em 30/11/2007, conforme Aviso de Recebimento (AR) â fi.162, e, interpôs Recurso ao Conselho de Contribuintes em 27/12/2007, (11.164). O recurso foi apresentado nos seguintes termos: Para o I° Conselho de Contribuintes, reportando-se às razões de defesa e demais elementos constantes dos autos, para o fim de requerer a reforma da decisão a quo, com decretação da procedência total deste recurso. Tendo em vista o preenchimento dos pressupostos ensejadores do juizo da admissibilidade, pede, a signatária, seja o presente apelo voluntário recebido para, após regular processamento, • serem os autos encaminhados a Superior Insta. ncia, para a prefação do novo decisório. É o relatório. 3 Voto Conselheira Relatora ESTER MARQUES LINS DE SOUSA O recurso voluntário é tempestivo. Dele conheço. A peça recursal possui característica de clara protelação processual haja vista que a Recorrente não apresenta qualquer contestação á matéria tributável. Apenas requer a prolação de novo decisório. De acordo com o art.17 do Decreto n° 70.235/72, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Diante do exposto, voto n.sçjiti4o de NEGAR provimento ao recurso. ___ -----.__ ---------- 7elatora E TER MARQ . SOE SOU)SA 4
score : 1.0
Numero do processo: 10930.903666/2012-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 27/04/2006
PIS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA.
Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazê-lo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas.
PIS - IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO.
Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.634
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(Assinado com certificado digital)
Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201612
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do Fato Gerador: 27/04/2006 PIS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazê-lo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. PIS - IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jan 12 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10930.903666/2012-16
anomes_publicacao_s : 201701
conteudo_id_s : 5671730
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jan 12 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3402-003.634
nome_arquivo_s : Decisao_10930903666201216.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ANTONIO CARLOS ATULIM
nome_arquivo_pdf_s : 10930903666201216_5671730.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
dt_sessao_tdt : Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
id : 6609757
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:55:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048692747927552
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1823; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10930.903666/201216 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402003.634 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de dezembro de 2016 Matéria PIS PEDIDO DE RESTITUIÇÃO Recorrente WYNY DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO DE COUROS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do Fato Gerador: 27/04/2006 PIS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. PIS IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 36 66 /2 01 2- 16 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10930.903666/201216 Acórdão n.º 3402003.634 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata os presentes autos de Pedido de Restituição (PER), por meio do qual a Recorrente solicita a restituição do crédito decorrente do pagamento de PIS/PASEP IMPORTAÇÃO. No Despacho Decisório, a autoridade competente da DRF em Londrina/PR, indeferiu o pleito da interessada, uma vez que o DARF informado como origem do crédito estava integralmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, "não restando crédito disponível para restituição". Inconformada com a decisão proferida, a empresa apresentou manifestação de inconformidade na qual esclarece tratarse de pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi. Consigna que a Lei nº 10.865/2004 instituiu as contribuições do PIS e da COFINS sobre a importação de bens e serviços, mas não foi clara em relação à incidência sobre as quantias remetidas ao exterior a representantes comerciais a título de comissões sobre vendas, o que fez com que a Recorrente optasse por recolher as contribuições sobre essas operações. Entretanto, a Receita Federal do Brasil, em resposta a diversas consultas (cita duas), passou a vazar o entendimento de que as comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior, não estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS Importação. Isso porque, anota a Recorrente, essas operações não configuram hipótese de serviços prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Assim, uma vez ter efetuado o pagamento de tributo indevido, tem o direito à restituição na forma prevista no art. 165 do Código Tributário Nacional CTN, devidamente corrigido pela taxa SELIC, conforme prescreve a Lei nº 9.250, de 1995, "ainda que informado o débito em DCTF". Sobreveio, então, o Acórdão nº 06046.007, da DRJ em Curitiba (PR), negando provimento à Manifestação de Inconformidade. Irresignada com a referida decisão, foi interposto o presente recurso voluntário, cujas razões, em suma, são as seguintes: (i) diferente do que entendeu a autoridade julgadora, a empresa recorrente comprovou ser pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi; (ii) que demonstrou que a Lei n° 10.865, de 2004, que instituiu as contribuições ao PIS/Pasep e COFINS sobre a importação de bens e serviços, não foi clara ao determinar a incidência sobre as quantias pagas, ou remetidas ao exterior, a representantes comerciais domiciliados no exterior a título de comissões sobre vendas; Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10930.903666/201216 Acórdão n.º 3402003.634 S3C4T2 Fl. 4 3 (iii) para não sofrer sanções, optou por recolher as contribuições sobre as quantias remetidas ao exterior (para representantes domiciliados no exterior) incidentes sobre comissões sobre vendas, conforme (DARF's) apresentados; (iv) ocorre que, posteriormente, a própria RFB, através de inúmeras respostas a Soluções de Consultas, passou a definir que as "comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior não estão sujeitas à incidência da COFINS/PISImportação", por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Reproduz algumas dessas Solução de Consulta. (v) que o processo administrativo sempre deve buscar a verdade real ou material relativa aos fatos tributários, em decorrência da estrita legalidade tributária, que devem nortear todos os atos da administração fiscal. Com isto, não basta simplesmente argumentar que "prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido", para negar a existência do direito creditório; (vi) frisa que os erros contidos em declaração podem e devem ser retificados de ofício, por força da estrita legalidade tributária e nos moldes do art. 147, § 2º do CTN. (vii) que seja reconhecido que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis em valores devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95; (viii) requer que seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova ou esclarecimento de dúvidas relativas aos fatos trazidos neste processo. À vista do exposto, espera e requer seja julgado integralmente procedente o presente recurso, a fim de que seja reconhecido o direito creditório e assegurada a restituição das quantias recolhidas indevidamente. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.529, de 13 de dezembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10930.903656/201281, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.529): Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10930.903666/201216 Acórdão n.º 3402003.634 S3C4T2 Fl. 5 4 Emerge do relatado, que o objeto do pedido de ressarcimento tem como fundamento o indébito de PIS/Pasep sobre comissão de venda paga a representantes comerciais residentes/domiciliados no exterior. No referido Despacho Decisório restou consignado que, "(...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição". Consta dos autos que o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. Ou seja, ao que tudo indica, o contribuinte não retificou a DCTF no que pertine ao pleito em questão, por isso a conclusão do despacho decisório vestibular que o valor sob pedido de ressarcimento foi "integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte". Por outro lado, a Recorrente tenta demonstrar em seu recurso, que não há incidência de contribuições para o PIS Importação sobre remessas realizadas para o exterior para pagamento de comissões à agentes no exterior a título de comissões ali realizadas, por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique, e que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis e em montantes devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95. Tudo com base na Lei nº 10.865, de 2004 e Soluções de Consultas emitidas pela RFB que cita. Contudo, se de um lado a decisão recorrida tenha asseverado que "(...) como se vê uma das hipóteses de ocorrência do fato gerador das contribuições ao PIS e a COFINS, sobre importação de serviços, é a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação pelo serviço prestado", como alega a peticionante, por outro giro, deixou patente que o ônus da prova quanto ao indébito seria da ora Recorrente, nos seguintes termos: "(...) Mas, para a verificação se os valores remetidos ao exterior atendem às condições estabelecidas em lei para a incidência das contribuições sobre a importação de serviços ou, não se caracterizando o fato gerador da obrigação tributária, há, de fato, o indébito reclamado pela interessada, é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. Ocorre que, no presente caso, prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido. Nesse sentido, é bom lembrar que não se permite, depois de iniciado qualquer procedimento fiscal, que seja retificada declaração quando vise a reduzir ou a excluir tributo, a não ser mediante a comprovação do erro em que se funde. É o que Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10930.903666/201216 Acórdão n.º 3402003.634 S3C4T2 Fl. 6 5 determina o art. 147, § 1º, da Lei nº 5.172, de 25/10/1966. E, como visto, o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. (sublinhei) E conclui a decisão a quo: "(...) Assim, instaurado o contencioso administrativo, as alegações quanto ao suposto crédito decorrente de recolhimento indevido ou a maior, como no caso em análise, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da contribuinte. Dessa forma, uma vez que a conclusão emitida pela autoridade administrativa teve como pressuposto as informações prestadas pela própria interessada em declarações fiscais válidas a produzir efeitos na data da emissão do Despacho Decisório e não havendo prova hábil que contrarie as informações prestadas espontaneamente, demonstrando o pagamento indevido do tributo, é de se manter o indeferimento da restituição pleiteada". Portanto, a lide se resume na questão de atendimento de condições estabelecidas em lei e provas documentais trazidos aos autos, pois para o deslinde do litígio é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, mormente quando o pedido versa sobre suposto pagamento indevido. No caso em análise, por se tratar de pedido de restituição, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da recorrente. Documentação essa, frisese, de posse da recorrente por determinação legal, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. É de conhecimento que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo legislador nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 373 do novo Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para o Fisco quando realiza o lançamento tributário e para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10930.903666/201216 Acórdão n.º 3402003.634 S3C4T2 Fl. 7 6 E, no presente caso, é fato que prova alguma foi trazida aos autos pela Recorrente que comprovem que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora ela tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, quer na impugnação, quer agora na fase recursal. Demais disso, o fundamento da decisão recorrida foi justamente este, qual seja, a falta de prova. Mas, contrariando os ditames do ônus da distribuição da prova para provar fato constitutivo de seu direito, insiste que "seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova". Ora, se toda a documentação para provar o direito que alega está em seu poder, deveria ter a Recorrente produzido tal prova quando da manifestação de inconformidade, ou mesmo em sede de recurso voluntário, o que não ocorreu. Diante desse quadro, entendo que a decisão da DRJ é merecedora de ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Conclusão Assim, concluo que por falta de prova hábil acostadas nos autos, ônus seu de produzir, deve ser negado seu pleito. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 61DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.725709/2009-38
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DIFERENÇAS DE URV. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL
Sujeitam-se à incidência do Imposto de Renda, conforme o regime de competência, as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", inclusive os juros remuneratórios sobre elas incidentes, por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação.
Recurso Especial do Contribuinte conhecido e provido parcialmente.
Numero da decisão: 9202-004.151
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator
EDITADO EM: 18/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201606
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DIFERENÇAS DE URV. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL Sujeitam-se à incidência do Imposto de Renda, conforme o regime de competência, as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", inclusive os juros remuneratórios sobre elas incidentes, por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação. Recurso Especial do Contribuinte conhecido e provido parcialmente.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 26 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10580.725709/2009-38
anomes_publicacao_s : 201608
conteudo_id_s : 5626343
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Aug 27 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9202-004.151
nome_arquivo_s : Decisao_10580725709200938.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
nome_arquivo_pdf_s : 10580725709200938_5626343.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator EDITADO EM: 18/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
id : 6477023
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:51:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048692776239104
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1846; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 415 1 414 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10580.725709/200938 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9202004.151 – 2ª Turma Sessão de 21 de junho de 2016 Matéria IRPF Recorrente WELLINGTON CESAR LIMA E SILVA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DIFERENÇAS DE URV. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL Sujeitamse à incidência do Imposto de Renda, conforme o regime de competência, as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", inclusive os juros remuneratórios sobre elas incidentes, por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação. Recurso Especial do Contribuinte conhecido e provido parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 57 09 /2 00 9- 38 Fl. 375DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente e Relator EDITADO EM: 18/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10580.720843/200942. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto vencedor proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.124): Tratase de Auto de infração lavrado contra o contribuinte em epígrafe para cobrança de IRPF sobre rendimentos auferidos do Ministério Público da Bahia, a título de valores indenizatórios de URV. Tais rendimentos decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor (URV) em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Complementar nº 20/2003, do Estado da Bahia. Importante destacar, ainda que referida Lei dispôs serem de natureza indenizatória as verbas em questão. No entendimento da autoridade fiscal, as diferenças recebidas pelo contribuinte têm natureza salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994 e, portanto, são tributáveis pelo IRPF, sendo irrelevante a denominação dada pela Lei do Estado da Bahia. Para a apuração do imposto devido foi considerado os valores das diferenças salariais, incluindo atualização e juros. Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação, que fora julgada procedente em parte, para excluir da base de cálculo do imposto valores recebidos a título de URV sobre férias indenizadas e 13º salário. Ato seguinte, tempestivamente foi apresentado Recurso Voluntário, onde, por unanimidade de votos, foi dado provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.725709/200938 Acórdão n.º 9202004.151 CSRFT2 Fl. 416 3 Inconformado com essa decisão o contribuinte, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência, alegando, em resumo: a) Os rendimentos previstos na Lei Complementar 20/2003 tem a mesma natureza daqueles mencionados pela Lei Federal nº 10.477/2002, que trata do pagamento de diferenças de URV a membros do Ministério Público Federal; b) É nítida a natureza remuneratória das diferenças de URV, na medida em que representam ressarcimento pelo erro de cálculo da remuneração; c) É aplicável ao caso a mesma interpretação dada pelo STF através da Resolução 245/2002, que reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV pagas aos membros da magistratura federal; d) Quebra da isonomia quando se dispensa tratamento tributário diverso em relação às diferenças de URV pagas aos membros da magistratura Federal e aos membros do MPF em relação aos membros do Ministério Público Estadual; e) Vicio material na formação da base de cálculo do IRPF, na medida em que não foi observado o regime de competência em relação aos rendimentos recebidos acumuladamente; f) Não incidência do IRPF sobre juros moratórios Na análise de admissibilidade, foi dado parcial seguimento ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte para que fosse reapreciada a questão da não incidência do Imposto de Renda sobre diferenças de URV, que teriam natureza indenizatória e para que fosse rediscutida a não incidência de Imposto de Renda sobre rendimentos correspondentes a juros de mora. Regularmente intimada o a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 377DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.124, de 21/06/2016, proferido no julgamento do processo 10580.720843/200942, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e visa rediscutir as seguintes matérias: não incidência do Imposto de Renda sobre diferenças de URV, que teriam natureza indenizatória e, caso assim não se entenda, não incidência de Imposto de Renda sobre a rubrica correspondente a juros de mora. A matéria não é nova neste Colegiado. Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física dos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, acrescido de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora, tendo em vista a reclassificação, como tributáveis, de rendimentos declarados como isentos, recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em trinta e seis parcelas, no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08/09/2003, editada em virtude do objeto da Ação Ordinária de nº 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nºs 613 e 614. As verbas ora analisadas constituem diferenças salariais verificadas na conversão da remuneração do servidor público, quando da implantação do Plano Real, portanto tais valores referemse a salários (vencimentos) não recebidos ao longo dos anos. Nesse passo, o objetivo da ação judicial e/ou da lei do estado da Bahia foi simplesmente pagar à Contribuinte aquilo que antes deixou de ser pago, que nada mais é que salário, portanto de natureza tributável. Assim, o recebimento da verba ora tratada configura acréscimo patrimonial e, consequentemente, sujeitase à incidência do Imposto de Renda, consoante dispõe o art. 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: Fl. 378DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.725709/200938 Acórdão n.º 9202004.151 CSRFT2 Fl. 417 5 I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. O dispositivo legal acima não deixa dúvidas acerca da abrangência da tributação do Imposto de Renda, abarcando qualquer evento que se traduza em aumento patrimonial, independentemente da denominação que seja dada ao ganho. Seguindo esta linha, a Lei nº 7.713, de 1988, assim dispõe: Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. (...) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. (...) § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. (...)” (grifei) Quanto à alegação de violação ao princípio da isonomia, a Contribuinte traz à baila o fato de que o Supremo Tribunal Federal, em sessão administrativa, atribuiu natureza indenizatória ao Abono Variável concedido aos membros da Magistratura da União pela Lei nº 10.474, de 2002. Ademais, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN nº 529, de 2003, manifestou entendimento no sentido de que a verba em tela não estaria sujeita à tributação. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 Entretanto, a Resolução nº 245, do STF, bem como o Parecer da PGFN, se referem especificamente ao abono concedido aos Magistrados da União pela Lei nº 10.474, de 2002; e o que se discute no presente processo é se tal entendimento deve ser aplicado à verba recebida pelos membros da Ministério Público do Estado da Bahia. Primeiramente, verificase que a posição do Supremo Tribunal Federal – STF sobre a natureza do Abono Variável atribuído aos Magistrados da União foi definida em sessão administrativa e expedida por meio de Resolução, e não em sessão de julgamento daquela Corte e, assim, não se trata de uma decisão judicial, cujos efeitos são bem distintos dos de uma resolução administrativa. Destarte, obviamente que a Resolução do STF nunca vinculou a Administração Tributária da União. Com o advento do Parecer PGFN/Nº 529, de 2003, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro da Fazenda, portanto com força vinculante em relação aos Órgãos da Administração Tributária, concluiuse que o Abono Variável de que trata o art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002, teria natureza indenizatória. Entretanto, dito parecer é claro quanto aos limites desse entendimento, conforme será demonstrado na seqüência. O parecer destaca que o Superior Tribunal de Justiça – STJ consolidou entendimento no sentido de que abonos recebidos em substituição a aumentos salariais sofrem a incidência do Imposto de Renda. Após, faz a ressalva de que, segundo entendimento dessa mesma Corte, nos casos de abono concedido como reparação pela supressão ou perda de direito, ele tem natureza indenizatória. Ainda segundo o parecer da PGFN, seria este o entendimento do STF, manifestado por meio da Resolução nº 245, de 2002, relativamente ao abono variável e provisório previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Assim, claro está que o Parecer da PGFN somente reconheceu a natureza indenizatória do Abono Variável, previsto nas Leis nºs 9.655, de 1998, e 10.474, de 2002, acolhendo entendimento do STF, no sentido de que tal verba destinarseia a reparar direito. Destarte, a Resolução nº 245, do STF, não possui efeitos de decisão judicial, e o Parecer PGFN/Nº 529, de 2003, apenas reconhece a natureza indenizatória do abono concedido aos Magistrados da União, acatando interpretação do STF quanto à natureza reparatória, especificamente para esse abono. Portanto, ambos os atos alcançam apenas o abono previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Ademais, a Resolução nº 245, do STF, excluiu do abono a verba referente à diferença de URV, o que evidencia que esta não tem natureza indenizatória, mas sim de recomposição salarial. Confirase a manifestação Superior Tribunal de Justiça, por meio de voto da Ministra Eliana Calmon, reconhecendo a falta e identidade entre o abono salarial tratado na Resolução e as diferenças de URV: Fl. 380DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.725709/200938 Acórdão n.º 9202004.151 CSRFT2 Fl. 418 7 “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E também o Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão no Recurso Extraordinário n.º 471.115: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Assim, não há como estenderse o alcance dos atos legais acima referidos para verbas distintas, concedidas para outro grupo de servidores, por meio de ato específico, diverso daqueles referidos na Resolução do STF e no Parecer da PGFN. Com efeito, a norma que concede isenção deve ser interpretada sempre literalmente, conforme inciso II, do art. 111, do CTN. Ademais, o mesmo código veda o emprego da analogia ou de interpretações extensivas para alcançar sujeitos passivos em situação supostamente semelhante, o que implicaria concessão de isenção sem lei federal própria, o que ofenderia o § 6º, do art. 150, da Constituição Federal, e o art. 176, do CTN. Destarte, a verba em exame deve ser efetivamente tributada. Quanto à alegada inexigibilidade de Imposto de Renda incidente sobre a verba recebida pela contribuinte a título de juros de mora, a decisão do STJ, no julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C, do CPC, é no sentido de que estaria restrita aos casos de pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, por força da norma isentiva prevista no inciso V, do art. 6º, da Lei nº 7.713, de 1988. Confirase: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. JUROS DE MORA. CARÁTER REMUNERATÓRIO. TEMA JULGADO PELO STJ SOB A SISTEMÁTICA DO ART. 543 C DO CPC. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 1. Por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, pelo regime do art. 543C do CPC (recursos repetitivos), consolidouse o entendimento no sentido de que 'não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla.' Todavia, após o julgamento dos embargos de declaração da Fazenda Nacional, esse entendimento sofreu profunda alteração, e passou a prevalecer entendimento menos abrangente. Concluiuse neste julgamento que 'os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do art. 6º, V, da Lei 7.713/88, até o limite da lei'. 2. Na hipótese, não sendo as verbas trabalhistas decorrentes de despedida ou rescisão contratual de trabalho, assim como por terem referidas verbas (horas extras) natureza remuneratória, deve incidir o imposto de renda sobre os juros de mora. Agravo regimental improvido.(AgRg no REsp 1235772 RS – julgado em 26/06/2012) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. JUROS DE MORA DECORRENTES DO PAGAMENTO EM ATRASO DE VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA. MATÉRIA JÁ PACIFICADA PELA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO 1.227.133/RS. 1. A Primeira Seção, por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, fixou orientação no sentido de que é inexigível o imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial. 2. Agravo regimental não provido.” (AgRg nos REsp 1163490 SC – julgado em 14/03/2012) Da análise do julgamento do Recurso Repetitivo 1.227.133/RS, verificase que são isentos do imposto de renda os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, conforme a regra do “accessorium sequitur suum principale”. Assim, não sendo as verbas trabalhistas de natureza indenizatória, o imposto de renda deve incidir também sobre os juros de mora. Ressaltese que as verbas ora analisadas já foram objeto de julgamento pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, oportunidade em que se deu provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, por meio do Acórdão nº 9202003.585, de 03/03/2015, assim ementado: Fl. 382DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.725709/200938 Acórdão n.º 9202004.151 CSRFT2 Fl. 419 9 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua natureza remuneratória. Precedentes do STF e do STJ. Recurso especial provido." A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda, determinando o retorno dos autos à turma a quo, para analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário do contribuinte. Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou por negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Marcio Pinto Teixeira, OAB/BA nº 23.911, patrono da recorrida. Defendeu a Fazenda Nacional a Procuradora Dra. Patrícia de Amorim Gomes Macedo." Assentada a natureza tributável dos rendimentos objeto da autuação, resta esclarecer que o tributo devido deve ser calculado de acordo com as tabelas vigentes à época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos ao Contribuinte. Saliente se que a questão já foi decidida pelo STF, no RE 614.406/RS, com trânsito em julgado em 11/12/2014, e repercussão geral previamente reconhecida, em 20/10/2010, na sistemática do art. 543B, do Código de Processo Civil. Destarte, os Conselheiros do CARF devem reproduzir o entendimento do citado julgado, prolatado pelo STF em 23/10/2014, conforme determina o art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015. Nesse passo, a decisão vinculante é no sentido de aplicarse o regime de competência, vedada a aplicação do regime de caixa. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte e, no mérito, doulhe provimento parcial, para que o cálculo do Imposto de Renda seja efetuado com base no regime de competência. Em face do acima exposto, voto no sentido de conhecer o Recurso Especial do Contribuinte para, no mérito, darlhe provimento parcial, para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 383DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 Fl. 384DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 13971.002409/2005-48
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2001
ARL-ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. DISPENSA DO ADA-ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL.
Incabível a manutenção da glosa da ARL-Área de Reserva Legal, por falta de apresentação de ADA-Ato Declaratório Ambiental, quando consta a respectiva averbação na matrícula do imóvel, efetuada antes da ocorrência do fato gerador.
Numero da decisão: 9202-004.389
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201608
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2001 ARL-ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. DISPENSA DO ADA-ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Incabível a manutenção da glosa da ARL-Área de Reserva Legal, por falta de apresentação de ADA-Ato Declaratório Ambiental, quando consta a respectiva averbação na matrícula do imóvel, efetuada antes da ocorrência do fato gerador.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 12 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 13971.002409/2005-48
anomes_publicacao_s : 201609
conteudo_id_s : 5632969
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9202-004.389
nome_arquivo_s : Decisao_13971002409200548.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : MARIA HELENA COTTA CARDOZO
nome_arquivo_pdf_s : 13971002409200548_5632969.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
dt_sessao_tdt : Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2016
id : 6490011
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:52:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048692780433408
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1952; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 267 1 266 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13971.002409/200548 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202004.389 – 2ª Turma Sessão de 25 de agosto de 2016 Matéria ITR ÁREA DE RESERVA LEGAL AVERBAÇÃO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MAFRAS INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MADEIRAS LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 ARLÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. DISPENSA DO ADAATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Incabível a manutenção da glosa da ARLÁrea de Reserva Legal, por falta de apresentação de ADAAto Declaratório Ambiental, quando consta a respectiva averbação na matrícula do imóvel, efetuada antes da ocorrência do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 24 09 /2 00 5- 48 Fl. 267DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 09/0 9/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por MARIA HELENA COT TA CARDOZO 2 Tratase de exigência de ITR Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, do exercício de 2001. Dentre outras coisas, a fiscalização glosou 580,0 hectares de ARL Área de Reserva Legal, por falta de apresentação de ADA Ato Declaratório Ambiental, bem como falta de averbação de parte da área, conforme o Termo de Verificação Fiscal, às fls. 41: "Apenas a matrícula 9.177 possui averbação de área de Reserva Legal, no caso, a averbação AV39177 (f1.27), datada de 28/05/1986, classificando como Reserva legal somente uma área de 148,12 hectares, portanto inferior ao valor declarado. Os demais termos averbados tanto nesta quanto na outra matricula dizem respeito a Termos de Manutenção de Floresta Manejada, não fazendo tais áreas jus a isenção do ITR, à luz da legislação." No julgamento em Primeira Instância, a DRJ manteve o lançamento pela falta do ADA, embora tenha reconhecido a averbação total da ARL (fls. 143): "d. A averbação das áreas de reserva legal está prevista na lei 4.771165, com a alteração introduzida pela lei 7803/89, conforme indicado pelo próprio contribuinte c não há previsão na norma, de necessidade de regulamentação através de decreto, como quer sugerir o contribuinte, pois, a eficácia das leis via de regra tem sua aplicação imediata. A necessidade de averbação somente quando esta área for acima de 20% da área total como afirma, não tem previsão legal. Quanto à existência de averbação de floresta manejada, que pode ser considerada como de reserva legal, embora válida, de conformidade com o parágrafo 2º do artigo 16 da lei 9393/96, não pode ser excluída da tributação do ITR, porquanto não apresentado o requerimento do ADA ao IBAMA tempestivamente;" (grifei) Em sessão plenária de 1º/12/2011, foi julgado o Recurso Voluntário s/n, prolatandose o Acórdão nº 220101.388 (fls. 224 a 233), assim ementado: “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2001 Ementa: ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. O fisco pode exigir a comprovação da área de preservação permanente cuja exclusão o contribuinte pleiteou na DITR. Não comprovada a existência da área ambiental, mediante laudo técnico, é devida a glosa do valor declarado. ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. NECESSIDADE DO ADA. Por se tratar de áreas ambientais cuja existência independe da vontade do proprietário e de reconhecimento por parte do Poder Público, a apresentação do ADA ao Ibama não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam, respectivamente, os artigos 2º e 16 da Lei nº 4.771, de 1965, para fins de apuração da área tributável do imóvel. RESERVA LEGAL. NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO. O § 8º do art. 16 da lei nº 4.771, de 1965 (Código Florestal) traz a obrigatoriedade de averbação na matrícula do imóvel da área de reserva legal. Tal exigência fazse necessária para comprovar a Fl. 268DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 09/0 9/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por MARIA HELENA COT TA CARDOZO Processo nº 13971.002409/200548 Acórdão n.º 9202004.389 CSRFT2 Fl. 268 3 área de preservação destinada à reserva legal, condição indispensável para a exclusão dessas áreas na apuração da base de cálculo do ITR. Comprovada a averbação o contribuinte faz jus à exclusão da área averbada para fins de apuração do ITR. MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE CONFISCO. A multa de ofício por infração à legislação tributária tem previsão em disposição expressa de lei, devendo ser observada pela autoridade administrativa e pelos órgãos julgadores administrativos, por estarem a ela vinculados. Recurso parcialmente provido” A decisão foi assim resumida: “Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar parcial provimento ao recurso para restabelecer a área de reserva legal declarada de 580,00 hectares.” O voto assim registra: "Sobre a área de reserva legal, conforme reconheceu a própria DRJ, consta dos autos a prova da averbação de uma área de reserva legal de 585,97 hectares, assim distribuídas, por matrícula e averbação: Av. 3/9.178 – 33,862 há (fls. 23), Av. 3/9.177 – 148,120 (fls. 27) e Av.4/9.177 – 403,994ha (fls 28). Apesar disso, a DRJ manteve a glosa sob o fundamento de que a Contribuinte não comprovou a apresentação do Ato Declaratório Ambiental. Sobre este ponto, divirjo do entendimento da DRJ." O processo foi encaminhado à PGFN em 1º/02/2012 (Despacho de Encaminhamento de fls. 234) e, em 08/02/2012, a Fazenda Nacional interpôs o Recurso Especial de fls. 235 a 244 (Despacho de Encaminhamento de fls. 245), visando rediscutir o restabelecimento da ARL–Área de Reserva Legal declarada pela Contribuinte. Ao Recurso Especial foi dado seguimento conforme despacho de 07/02/2014 (fls. 247 a 249). No Recurso Especial, a Fazenda Nacional alega, em síntese: a Lei nº 9.393/96 prevê a exclusão das áreas de preservação permanente e reserva legal da incidência do ITR no art. 10, inciso II; o primeiro ponto que se deve destacar, no tocante às áreas de preservação permanente e reserva legal, é que o citado dispositivo legal trata de concessão de beneficio fiscal, razão pela qual deve ser interpretado literalmente, de acordo com o art. 111 da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional — CTN); assim, para efeito da exclusão das áreas de preservação permanente e reserva legal da incidência do ITR, é necessário que o contribuinte comprove o reconhecimento formal específica e individualmente da área como tal, apresentando o ADA respectivo ou protocolizando requerimento de ADA perante o IBAMA ou em órgãos ambientais delegados Fl. 269DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 09/0 9/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por MARIA HELENA COT TA CARDOZO 4 por meio de convênio, no prazo de seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da declaração; a exigência do ADA encontrase consagrada na Lei nº 6.938, de 1981, art. 170, § 1º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 2000; esse diploma reiterou os termos da Instrução Normativa nº 43/97 e atos posteriores, no que concerne ao meio de prova disponibilizado aos contribuintes para o reconhecimento das áreas de preservação permanente e de utilização limitada, com vista à redução da incidência do ITR; assim, a obrigatoriedade de apresentação do ADA ou do protocolo de requerimento para sua emissão é exigência que sempre decorreu da legislação tributária e, atualmente, encontra previsão expressa no art. 170, § 1º, da Lei nº 6.938/81, em vigor a partir de 27/12/2000, em tudo se aplicando ao ITR do exercício de 2001; da mesma forma, a Instrução Normativa SRF nº 60, de 2001, que revogou a Instrução Normativa SRF nº 73/2000, consolidou, em seu art. 17, caput e incisos, a exigência de lei; o Decreto n° 4.382, de 2002, por sua vez, regulamenta a tributação, fiscalização, arrecadação e administração do ITR (Regulamento do ITR), e consolidou toda a base legal deste tributo que se encontrava em vigência à data de sua edição em um único instrumento inclusive a Medida Provisória nº 2.16667/2001; a CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit), que tem a competência regimental de interpretar a legislação tributária no âmbito da Secretaria da Receita Federal, editou a Solução de Consulta Interna n° 12, de 21/05/2003, que ratifica o entendimento acima exposto, sendo oportuna a transcrição do trecho final do citado ato: "3.1. Diante do exposto, concluise que, para fins de exclusão das áreas não tributáveis da incidência do ITR, o sujeito passivo deverá,cumulativamente: a) atender a todas as condições exigidas para a caracterização de cada área declarada como não tributável; e b) informar, obrigatoriamente, as áreas mencionadas no item "a" em ADA, protocolado no Ibama no prazo de seis meses, contado a partir do termino do período de entrega da declaração, obrigatoriedade esta que foi imposta desde o exercício de 1997, com base na Instrução Normativa SRF nº 43/97, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 67/97, ambas de 1997; na Instrução Normativa SRF nº 73/00, de 2000, e a partir do exercício de 2001, com base na Lei nº 6.938, de 1981, com a redação dada pela Lei n2 10.165, de 2000, e Instruções Normativas SRF nº 60, de 2001, e nº 256, de 2002. 3.2. Portanto, respondendo às questões formuladas na Consulta Interna: a) a falta de ADA, protocolado no Ibama, implica o não reconhecimento pela SRF das áreas de preservação permanente ou de utilização limitada; Fl. 270DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 09/0 9/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por MARIA HELENA COT TA CARDOZO Processo nº 13971.002409/200548 Acórdão n.º 9202004.389 CSRFT2 Fl. 269 5 b) a SRF deve exigir toda a documentação comprobatória das áreas de preservação permanente ou de utilização limitada, inclusive o ADA protocolado tempestivamente no Ibama, sendo que este não substitui os demais documentos exigíveis; c) além de todos os demais documentos comprobatórios das áreas de preservação permanente ou de utilização limitada, deverá ser apresentada pelo contribuinte cópia do ADA entregue ao Ibama, não sendo suficiente a apresentação do protocolo de entrega, sendo que, na hipótese de descumprimento de tais exigências, ou se, após vistoria realizada pelo Ibama, seus técnicos verificarem que os dados constantes no Ato não coincidem com os efetivamente levantados e, por conseqüência, lavrarem, de oficio, novo ADA, contendo os dados reais, deverá ser apurado o 1TR efetivamente devido e efetuado, de ofício, o lançamento da diferença de imposto com os acréscimos legais cabíveis." nos termos da legislação retro, o contribuinte teria o prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR, para protocolizar requerimento do ato declaratório junto ao 1BAMA; logo, ao estabelecer a necessidade de reconhecimento pelo Poder Público, a Administração Tributária, por meio de ato normativo, fixou condição para a nãoincidência tributária sobre as áreas de preservação permanente e de utilização limitada, elencadas e definidas no Código Florestal e na legislação do ITR; a exigência do ADA não caracteriza obrigação acessória, visto que a sua exigência não está vinculada ao interesse da arrecadação ou da fiscalização de tributos, nem se converte, caso não apresentado ou não requerido a tempo, em penalidade pecuniária, definida no art. 113, §§ 2º e 3º, da Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário Nacional — CTN); ou seja: a ausência do ADA não enseja multa regulamentar o que ocorreria caso se tratasse de obrigação acessória – mas sim incidência do imposto; por outro lado, é inteiramente equivocado o entendimento, no sentido de que não existe mais a exigência de prazo para apresentação de ADA, em virtude do disposto no § 7° do art. 10 da Lei n° 9.393/1996, incluído pelo art. 3° da Medida Provisória nº 2.16667, de 24/08/2001, pelas razões expostas a seguir; referido dispositivo legal assim dispõe: "§ 7° A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e ''d" do inciso II, § 1°, deste artigo, não está sujeita a prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis." a literalidade do texto dispensa maiores comentários: o que não e exigido do declarante é a prévia comprovação das informações prestadas, assim o contribuinte preenche os dados relativos às áreas de preservação permanente e de utilização limitada, apura e recolhe Fl. 271DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 09/0 9/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por MARIA HELENA COT TA CARDOZO 6 o imposto devido, e apresenta a sua DITR, sem que lhe seja exigida qualquer comprovação naquele momento; no entanto, caso solicitado pela Secretaria da Receita Federal, o contribuinte deverá apresentar as provas das situações utilizadas para dispensar o pagamento do tributo; o "Manual de Perguntas e Respostas do ITR", editado no ano de 2002 – e, portanto, após a edição da Medida Provisória n° 2.16667/2001 – disponível no endereço eletrônico da Secretaria da Receita Federal na Internet, ratifica, em suas perguntas de n°s 66 e 67, o entendimento de que não houve qualquer alteração na legislação, no que tange existência de prazo para requerimento do ADA: "066 Qual e o prazo legal para requerimento do Ato Declaratório Ambiental (ADA)? O ADA deve ser protocolizado no Ibama no prazo de até 6 (seis) meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da declaração. Caso o ADA não seja requerido tempestivamente, ou seja denegado o requerimento, será efetuado lançamento de oficio com os acréscimos legais cabíveis. (Lei n° 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 170, § 1 °, com a redação dada pela Lei n° 10.165, de 27 de dezembro de 2000, art. 1°)" "067 Caso o Ato Declaratório Ambiental (ADA) não tenha sido requerido, quais as conseqüências? Caso não seja requerido o Ato Declaratório Ambiental (ADA) dentro do prazo legal, poderá ocorrer urna das situações seguintes: 1) o contribuinte poderá pagar a diferença de imposto, com os acréscimos relativos a mora (multa e juros), desde que o faça antes do início de qualquer procedimento fiscal tendente a verificar a infração tributária (pagamento espontâneo); ou 2) a Secretaria da Receita Federal (SRF) apurará o ITR efetivamente devido e efetuara, de ofício, o lançamento da diferença de imposto com os acréscimos legais cabíveis. (Lei n9 6.938, de 1981, art. 170, § 1 9, com redação dada pela Lei nº 10.165, art. 1 9, de 2000)" em resumo, convém assinalar alguns aspectos da exigência do ADA; primeiro, a obrigatoriedade da apresentação do ADA para o ITR — exercício 2002, registrese, determinação que decorre do art. 170, § 1 9, da Lei nº 6.938/1981, alinhandose com a norma que consagrou o beneficio tributário (art. 10, § 1º, II, da Lei n° 9.393/96) e apontando o meio para a comprovação da existência das áreas de preservação permanente e de utilização limitada; com esse desiderato, foi prevista a apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA; nos termos do art. 17 da IN SRF nº 60/2001 c/c art. 10 do Decreto nº 4.382/2002 para se valer do beneficio, o contribuinte deve PROTOCOLAR requerimento do ato declaratório junto ao IBAMA; Fl. 272DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 09/0 9/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por MARIA HELENA COT TA CARDOZO Processo nº 13971.002409/200548 Acórdão n.º 9202004.389 CSRFT2 Fl. 270 7 ora, o exercício do direito do contribuinte está atrelado uma simples declaração dirigida ao órgão ambiental competente; tratase, por evidente, de norma amplamente favorável ao contribuinte do ITR, que, na hipótese de sua ausência, estaria sujeito a meios de prova notadamente mais complexos e dispendiosos, como, por exemplo, os laudos técnicos elaborados por peritos; de posse da declaração (ADA), o IBAMA deverá, em momento oportuno, certificar a veracidade dos dados informados pelo proprietário do imóvel; a obrigatoriedade do ADA, portanto, não desborda da regulamentação dos dispositivos legais, porquanto não viola direitos do contribuinte, além de lhe ser claramente favorável; o que não se pode conceber é que o contribuinte queira se valer da exclusão das áreas tributáveis da incidência do ITR sem cumprir as exigências previstas na legislação; não e juridicamente sustentável a tese segundo a qual, diante da declaração do contribuinte de que sua propriedade está inserida em área de preservação permanente e/ou de utilização limitada, não possa a autoridade pública exigir a comprovação do alegado através da documentação competente; o direito ao beneficio legal deve estar documentalmente comprovado, e o ADA, apresentado tempestivamente, é o documento exigido para tal fim; registrese que, no presente processo, não se discute a materialidade, ou seja, a existência efetiva das áreas de preservação permanente e reserva legal, o que se busca é a comprovação do cumprimento, tempestivo, de uma obrigação prevista na legislação, referente à área de que se trata, para fins de exclusão da tributação; a condição supra referida está vinculada ao aspecto temporal, não sendo coerente nem prudente que a regularização junto ao IBAMA das áreas excluídas da tributação do ITR pudesse ser feita a qualquer tempo, de acordo com a conveniência do contribuinte. Ao final, a Fazenda Nacional pede seja conhecido e provido o Recurso Especial, mantendose o lançamento em sua integralidade. Cientificada do acórdão, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e dos despachos que lhe deram seguimento parcial em 26/03/2014 (AR de fls. 252), a Contribuinte ofereceu, em 03/04/2014, as Contrarazões de fls. 253 a 264, contendo os seguintes argumentos, em resumo: Preliminar de não conhecimento o Recurso Especial manejado pela Fazenda Nacional não merece ser conhecido, porquanto não foram preenchidos os pressupostos de admissibilidade; o recurso foi manejado com suporte na alegada divergência de interpretação jurisprudencial, em relação à necessidade de apresentação de Ato Declaratório Ambiental ADA emitido pelo IBAMA, para comprovar a existência da área de utilização limitada/reserva legal; Fl. 273DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 09/0 9/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por MARIA HELENA COT TA CARDOZO 8 no entanto, a Fazenda Nacional não cumpriu o pressuposto de admissibilidade, consistente na demonstração analítica da alegada divergência; assim, o conhecimento do Recurso Especial manejado pela recorrente sob alegação de divergência de interpretação jurisprudencial encontra óbice na deficiência técnica na demonstração da alegada divergência, haja vista que esta não cumpriu a exigência contida no § 6o do art. 67 do Regimento Interno do CARF; para a demonstração da divergência é necessário que o recorrente faça a demonstração analítica da divergência, isto é, que faça a transcrição, na petição do recurso, dos trechos que configurem o dissídio, mencionando as circunstâncias que identifiquem ou assemelhem os casos confrontados; porém, no caso presente, a recorrente se limitou a transcrever a ementa do acórdão paradigma, deixando de fazer o necessário cotejo analítico entre o acórdão paradigma e o recorrido, isto é, não transcreveu os trechos dos acórdãos que configurariam o suposto dissídio, com menção às circunstâncias que identifiquem ou assemelhem os casos confrontados; em nenhum momento a recorrente fez a demonstração da similitude fática entre o acórdão paradigma e a situação verificada no caso presente, portanto não há dúvida de que o recurso especial aviado pela recorrente é deficiente em sua formação; a mera transcrição de ementa de acórdão, como fez a recorrente, sem a efetiva demonstração analítica com as circunstâncias que identifiquem ou assemelhem os casos confrontados, não comprova a pretensa divergência, o que resulta na inadmissibilidade do recurso, a teor do que já decidiu esta CSRF (cita jurisprudência); com efeito, da peça recursal em exame não se vislumbra o cotejo analítico entre os acórdãos ditos divergentes, inexistindo, portanto, a demonstração da similitude entre o paradigma e o recorrido, razão pela qual o recurso especial interposto pelo recorrente não merece ser conhecido; Mérito não merece reparos o entendimento contido no r. acórdão recorrido, no sentido de que a não apresentação do ADA não seria um obstáculo para a admissibilidade da Área de Reserva Legal, já que foi comprovada a respectiva averbação; é fato incontroverso que a Contribuinte não só declarou a existência da Área de Reserva Legal, como também providenciou a averbação à margem da matrícula do imóvel, portanto o único fundamento encontrado pelo Fisco para a glosa foi a não apresentação de ADA; porém inexiste amparo legal para que o Fisco exija da contribuinte a apresentação de ADA para que a Área de Reserva Legal existente no imóvel seja excluída da tributação pelo ITR; tal exigência é baseada unicamente em Instrução Normativa da Receita Federal (es Normativas SRF n°s 73/2000 e 60/2001), a qual se trata de norma complementar, nos termos do art. 100, I, do Código Tributário Nacional, a seguir reproduzido: Fl. 274DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 09/0 9/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por MARIA HELENA COT TA CARDOZO Processo nº 13971.002409/200548 Acórdão n.º 9202004.389 CSRFT2 Fl. 271 9 como normas complementares das leis, os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas não podem cria exigências que a própria lei não faz, sob pena de violação do princípio insculpido no art. 5o, II, da Constituição Federal; portanto, é induvidoso que não se pode admitir a exigência do Fisco, de que o contribuinte apresente ADA para que a Área de Reserva Legal existente no imóvel não seja submetida à tributação do ITR (cita jurisprudência do Poder Judiciário); se o Judiciário já decidiu que não se pode exigir do contribuinte a apresentação de ADA para comprovar a existência de Área de Reserva Legal para fins de não incidência do ITR, por óbvio que o Fisco não pode proceder de maneira diversa; destarte, claramente se verifica a inexigibilidade da apresentação de ADA para comprovar a existência de área de reserva legal no imóvel de propriedade da recorrida, motivo pelo qual não merece reparo o acórdão neste aspecto, devendo, por consequência, ser negado provimento ao recurso especial manejado pela Fazenda Nacional. por fim, para fulminar completamente a pretensão recursal da Fazenda Nacional, importa registrar que, mesmo não havendo qualquer lei que faça tal exigência, e tendo o Judiciário reiteradamente decidido que não se pode condicionar a não tributação do ITR sobre a Área de Reserva Legal à apresentação de ADA, a Contribuinte apresentou Ato Declaratório Ambiental emitido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente IBAMA, no qual é reconhecida como de Utilização Limitada a área de 148 ha, e 441 ha como área com Plano de Manejo Florestal, declaradas na DITR/2001 como não sujeita à incidência do imposto. Portanto, sob qualquer ponto de vista, não merece provido o recurso especial manejado pela Fazenda Nacional; e mesmo que a recorrente não tenha apresentado o ADA juntamente com sua declaração de ITR, vindo a fazêlo somente por ocasião da impugnação do lançamento de ofício, deverá ser levado em consideração aquele documento, que atesta a existência das Áreas de Preservação Permanente, Reserva Legal e Utilização Limitada, para fins de serem os valores correspondentes excluídos da base de cálculo do ITR (cita jurisprudência administrativa). Ao final, a Contribuinte pede o não conhecimento do Recurso Especial ou, caso assim não se entenda, que a ele seja negado provimento. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Tratase de exigência do ITR Imposto Territorial Rural do exercício de 2001, tendo em vista glosa da ARL Área de Reserva Legal. O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir acerca do atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 09/0 9/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por MARIA HELENA COT TA CARDOZO 10 Em sede de Contrarrazões, a Contribuinte pede o não conhecimento do apelo, alegando que a Fazenda Nacional não teria efetuado cotejo analítico demonstrando a divergência arguida, conforme determinaria o art. 67, § 6º, do RICARF, limitandose a transcrever a ementa do acórdão paradigma. Em face de tal alegação, cabe esclarecer que não há qualquer dispositivo no RICARF, no sentido da obrigatoriedade de que o Recorrente efetue "cotejo analítico" entre os acórdãos recorrido e paradigma. O que o RICARF exige, e está bem claro no art. 67, § 8º, do Anexo II (§ 6º, no RICARF anterior), é a demonstração analítica da divergência arguida, com a indicação dos pontos do paradigma que divirjam do recorrido, evitandose assim que o Recorrente limitese a citar genericamente a matéria suscitada, sem a necessária vinculação com o conteúdo do julgado. Ademais, há recursos que abordam diversas matérias, de sorte que a designação genérica de divergência dificultaria sobremaneira a análise levada a cabo pelos Presidentes de Câmara. Confirase o texto regimental: "Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 8º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido." E foi exatamente o que a Fazenda Nacional fez, ou seja, indicou o ponto, no paradigma, que divergiu do acórdão recorrido. Confirase: "I Do cabimento do recurso especial por divergência O v. acórdão ora recorrido, por unanimidade de votos proveu o recurso voluntário do contribuinte para excluir do cálculo do ITR lançado os valores correspondentes a área de reserva legal, conforme se depreende da seguinte ementa: ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. NECESSIDADE DO ADA. Por se tratar de áreas ambientais cuja existência independe da vontade do proprietário e de reconhecimento por parte do Poder Público, a apresentação do ADA ao Ibama não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam, respectivamente os artigos 2º e 16 da Lei 4771/1965, para fins de apuração da área tributável do imóvel. Divergindo deste entendimento, a Colenda Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes exige a apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental ADA ou mesmo de requerimento do contribuinte para a emissão deste junto ao órgão ambiental competente. Confirase, a respeito, a ementa abaixo (integralmente transcrita, conforme exigência do RICARF):" (destaque da Recorrente) Fl. 276DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 09/0 9/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por MARIA HELENA COT TA CARDOZO Processo nº 13971.002409/200548 Acórdão n.º 9202004.389 CSRFT2 Fl. 272 11 Nesse passo, a Fazenda Nacional colacionou a ementa do paradigma, conforme se reproduz abaixo, de sorte que o dissídio jurisprudencial restou plenamente demonstrado, nos termos regimentais: "Acórdão 30239244 Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2002 ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA COMPROVAÇÃO/RESERVA LEGAL Para que as áreas de Utilização Limitada/Reserva Legal estejam isentas do ITR, é preciso que as mesmas estejam perfeitamente identificadas por documentos idôneos e que assim sejam reconhecidas pelo IBAMA ou por órgão estadual competente, mediante Ato Declaratório Ambiental ADA, ou que o contribuinte comprove ter requerido o referido ato àqueles órgãos, em tempo hábil, fazendose, também, necessária, a sua averbação à margem da matrícula do imóvel, até a data do fato gerador do imposto. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO." Mesmo restando clara a divergência arguida, a Fazenda Nacional ainda concluiu, arrematando a demonstração do dissídio: "De fato, os acórdãos recorrido e paradigma partem de premissas fáticas idênticas, tendo em vista que todos discutem lançamentos relativos ao ITR, para chegar a conclusões distintas. Enquanto o acórdão impugnado (voto vencedor) dispensa a comprovação por meio de ADA ou do protocolo de requerimento deste pelo contribuinte junto ao IBAMA ou órgão ambiental conveniado, o acórdão paradigma não prescinde da referida exigência." Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e passo a examinarlhe o mérito. Sobre a matéria, o acórdão recorrido assim se manifestou: "Sobre a área de reserva legal, conforme reconheceu a própria DRJ, consta dos autos a prova da averbação de uma área de reserva legal de 585,97 hectares, assim distribuídas, por matrícula e averbação: Av. 3/9.178 – 33,862 há (fls. 23), Av. 3/9.177 – 148,120 (fls. 27) e Av.4/9.177 – 403,994ha (fls 28). Apesar disso, a DRJ manteve a glosa sob o fundamento de que a Contribuinte não comprovou a apresentação do Ato Declaratório Ambiental. Sobre este ponto, divirjo do entendimento da DRJ." (grifei) Com efeito, a averbação das citadas áreas, bem como suas respectivas datas, podem ser confirmadas, conforme a seguir: Fl. 277DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 09/0 9/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por MARIA HELENA COT TA CARDOZO 12 1º/08/1991 33,862 (fls. 23) + 403,994 (fls. 28) 28/05/1986 95,770 + 52,350 (fls. 27/28) Assim, resta claro que a motivação da glosa da ARL Área de Reserva Legal foi falta de apresentação do ADA Ato Declaratório Ambiental. Da mesma forma, a Fazenda Nacional, em seu Recurso Especial, aborda tãosomente esse requisito como elemento impeditivo à exclusão da citada área ambiental da tributação do ITR. Nesse passo, filiome ao posicionamento adotado nesta Câmara Superior de Recursos Fiscais, no sentido de que a averbação da ARL à margem do registro do imóvel, antes da ocorrência do fato gerador, que no presente caso ocorreu em 1º/01/2001, supre a necessidade de apresentação do ADA. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 278DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 09/0 9/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por MARIA HELENA COT TA CARDOZO
score : 1.0
