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Numero do processo: 10860.000745/2009-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2006
Ementa: IRPF. DESPESAS MÉDICAS. GLOSA.
As despesas médicas são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda, desde que comprovadas e justificadas.
Hipótese em que a prova produzida pela Recorrente é suficiente para
comprová-las.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2101-001.191
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
1.0 = *:*
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DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. As despesas médicas são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda, desde que comprovadas e justificadas. Hipótese em que a prova produzida pela Recorrente é suficiente para comproválas. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente Substituto (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 56DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/08/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10860.000745/200949 Acórdão n.º 2101001.191 S2C1T1 Fl. 51 2 Participaram do julgamento os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos (Presidente Substituto), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Celia Maria de Souza Murphy, José Evande Carvalho Araujo (convocado), Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fl. 45) interposto em 30 de novembro de 2010 contra o acórdão de fls. 37/40, do qual a Recorrente teve ciência em 23 de novembro de 2010 (fl. 44), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP), que, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente o auto de infração de fls. 11/13, lavrado em 29 de junho de 2009, em decorrência de deduções indevidas de despesas médicas, verificadas no anocalendário de 2005. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 Ementa: DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. A comprovação por documentação hábil e idônea de parte dos valores informados a título de dedução de despesas médicas na Declaração do Imposto de Renda importa no restabelecimento das despesas até o valor comprovado. O direito a dedução é condicionado a comprovação dos requisitos exigidos na legislação. Restabelecese a dedução na parte comprovada. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” (fl. 37). Não se conformando, a Recorrente interpôs recurso voluntário, pedindo a reforma do acórdão recorrido, para exonerar o crédito tributário, apresentando o documento de fl. 46, consistente na declaração da prestadora de serviço acerca de seu endereço profissional. É o relatório. Fl. 57DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/08/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10860.000745/200949 Acórdão n.º 2101001.191 S2C1T1 Fl. 52 3 Voto Conselheiro ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. A presente controvérsia é relativa à glosa de despesas médicas, girando em torno da necessidade ou não da comprovação da efetiva prestação de serviços, bem como do respectivo pagamento, no caso, efetuado em dinheiro, conforme afirma a Recorrente. Em relação à glosa dessas despesas, a norma aplicável ao caso (Lei n. 9.250/95) determina o seguinte: “Art. 8º. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; ... §2º. O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: I – aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II – restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III – limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou Cadastro Geral de Contribuintes – CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” Já o Decreto 3.000/99, ao regulamentar o imposto de renda, introduziu o seguinte comando normativo: “Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n.º 5.844, de 1.943, art. 11, § 3º). Fl. 58DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/08/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10860.000745/200949 Acórdão n.º 2101001.191 S2C1T1 Fl. 53 4 § 1º. Se foram pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei n.º 5.844, de 1943, art. 11, § 4º).” No presente caso, discutese apenas despesas realizadas com a profissional Juliana Cristina Pinto (fls. 08/10), no valor de R$ 3.000,00. De acordo com a DRJ, todos os recibos foram emitidos em nome da Recorrente sem atendimento dos requisitos acima elencados, ou seja, sem a menção do endereço profissional da prestadora de serviço. Diante de tal decisão, a Recorrente instruiu seu recurso com declaração da aludida profissional (fl. 46), em que afirma, respectivamente, ter prestado serviços terapêuticos à Recorrente contribuinte, informando ainda o endereço em que se situa. Tendo em vista o cumprimento do único requisito questionado pela Recorrida, a declaração da profissional Juliana Cristina Pinto deve ser aceita, cancelandose a glosa no valor de R$ 3.000,00, relativa aos serviços por ela prestados, em atenção ao princípio da verdade material que norteia o processo administrativo fiscal. Cabe mencionar ainda que deve a autoridade fiscalizadora fazer a prova necessária para infirmar o recibo de despesas dedutíveis acostado aos autos pela fiscalizada, comprovando a não prestação do serviço ou o não pagamento. Não se pode, simplesmente, glosar as despesas pelo fato de a fiscalizada não comprovar documentalmente o pagamento, já que a contribuinte, em relação a este ponto, não está obrigada a liquidar as obrigações representativas dos serviços por títulos de créditos, podendo fazer a liquidação em espécie. Salvo em casos excepcionais, quando a autoria do recibo for atribuída a profissional que tenha contra si súmula administrativa de documentação tributariamente ineficaz, devidamente homologada e com cópia nos autos para que o contribuinte possa exercer seu direito de defesa ou, quando efetivamente existirem nos autos elementos que possam afastar a presunção de veracidade de recibo, não se pode recusar recibo que preenche os requisitos legais e vem acompanhado de declaração do prestador de serviços confirmando a prestação dos serviços, o respectivo recebimento, o beneficiário do tratamento e os dados completos do prestador. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso. ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 59DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/08/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10860.000745/200949 Acórdão n.º 2101001.191 S2C1T1 Fl. 54 5 Fl. 60DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/08/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
score : 1.0
Numero do processo: 11516.006165/2007-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/07/2006 a 31/07/2006
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. VÍCIOS QUE NÃO
ACARRETAM A NULIDADE DO LANÇAMENTO.
A existência de quaisquer vícios em relação ao Mandado de Procedimento
Fiscal (MPF) não gera efeitos quanto à relação jurídica fisco x contribuinte
estabelecida com o ato administrativo do lançamento, podendo aqueles
ensejar, se for o caso, apuração de responsabilidade administrativa dos
envolvidos, mas sem afetar a relação jurídica fisco x contribuinte.
DEVERES INSTRUMENTAIS. PREVISÃO NA LEGISLAÇÃO
TRIBUTÁRIA. LEGALIDADE.
Atende perfeitamente ao princípio da legalidade a previsão de deveres
instrumentais por meio de norma infralegais.
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
GRADAÇÃO POR NORMA INFRALEGAL AUTORIZADA PELA
LEI.
O art. 92 da Lei 8.212/91 prevê a graduação da multa conforme previsão em
Decreto.
OBRIGAÇÃO DE APRESENTAR LIVROS E DOCUMENTOS.
PREVISÃO LEGAL.
O art. 33 da Lei 8.212/91 estabelece a obrigação de serem apresentar todos os
livros e documentos relacionados às contribuições previdenciárias.
DOCUMENTOS RELATIVOS AOS RISCOS AMBIENTAIS.
PREVISÃO EM NORMAS INFRALEGAIS.
Os documentos obrigatórios relacionados à constatação e tratamento dos
riscos ambientais estão previstos nas normas do Ministério do Trabalho e, por
se relacionarem às contribuições previdenciárias compõem a legislação
tributária.
PRAZO PARA GUARDA DE DOCUMENTOS. APLICAÇÃO DO
ART. 195 DO CTN. OBRIGAÇÃO QUE PERSISTE ATÉ O
TRANSCURSO DO PRAZO PRESCRICIONAL.
Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes
dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a
prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2301-001.910
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Mauro Jose Silva
1.0 = *:*
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/07/2006 a 31/07/2006 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. VÍCIOS QUE NÃO ACARRETAM A NULIDADE DO LANÇAMENTO. A existência de quaisquer vícios em relação ao Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não gera efeitos quanto à relação jurídica fisco x contribuinte estabelecida com o ato administrativo do lançamento, podendo aqueles ensejar, se for o caso, apuração de responsabilidade administrativa dos envolvidos, mas sem afetar a relação jurídica fisco x contribuinte. DEVERES INSTRUMENTAIS. PREVISÃO NA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEGALIDADE. Atende perfeitamente ao princípio da legalidade a previsão de deveres instrumentais por meio de norma infralegais. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GRADAÇÃO POR NORMA INFRALEGAL AUTORIZADA PELA LEI. O art. 92 da Lei 8.212/91 prevê a graduação da multa conforme previsão em Decreto. OBRIGAÇÃO DE APRESENTAR LIVROS E DOCUMENTOS. PREVISÃO LEGAL. O art. 33 da Lei 8.212/91 estabelece a obrigação de serem apresentar todos os livros e documentos relacionados às contribuições previdenciárias. DOCUMENTOS RELATIVOS AOS RISCOS AMBIENTAIS. PREVISÃO EM NORMAS INFRALEGAIS. Os documentos obrigatórios relacionados à constatação e tratamento dos riscos ambientais estão previstos nas normas do Ministério do Trabalho e, por se relacionarem às contribuições previdenciárias compõem a legislação tributária. PRAZO PARA GUARDA DE DOCUMENTOS. APLICAÇÃO DO ART. 195 DO CTN. OBRIGAÇÃO QUE PERSISTE ATÉ O TRANSCURSO DO PRAZO PRESCRICIONAL. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Recurso Voluntário Negado.
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PREV AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente SANTA CATARINA TURISMO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/07/2006 a 31/07/2006 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. VÍCIOS QUE NÃO ACARRETAM A NULIDADE DO LANÇAMENTO. A existência de quaisquer vícios em relação ao Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não gera efeitos quanto à relação jurídica fisco x contribuinte estabelecida com o ato administrativo do lançamento, podendo aqueles ensejar, se for o caso, apuração de responsabilidade administrativa dos envolvidos, mas sem afetar a relação jurídica fisco x contribuinte. DEVERES INSTRUMENTAIS. PREVISÃO NA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEGALIDADE. Atende perfeitamente ao princípio da legalidade a previsão de deveres instrumentais por meio de norma infralegais. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GRADAÇÃO POR NORMA INFRALEGAL AUTORIZADA PELA LEI. O art. 92 da Lei 8.212/91 prevê a graduação da multa conforme previsão em Decreto. OBRIGAÇÃO DE APRESENTAR LIVROS E DOCUMENTOS. PREVISÃO LEGAL. O art. 33 da Lei 8.212/91 estabelece a obrigação de serem apresentar todos os livros e documentos relacionados às contribuições previdenciárias. DOCUMENTOS RELATIVOS AOS RISCOS AMBIENTAIS. PREVISÃO EM NORMAS INFRALEGAIS. Os documentos obrigatórios relacionados à constatação e tratamento dos riscos ambientais estão previstos nas normas do Ministério do Trabalho e, por Fl. 1DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por MAURO JOSE SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 05/04/2011 por MAURO JOSE SILVA 2 se relacionarem às contribuições previdenciárias compõem a legislação tributária. PRAZO PARA GUARDA DE DOCUMENTOS. APLICAÇÃO DO ART. 195 DO CTN. OBRIGAÇÃO QUE PERSISTE ATÉ O TRANSCURSO DO PRAZO PRESCRICIONAL. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Leôncio Nobre de Medeiros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por MAURO JOSE SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 05/04/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11516.006165/200786 Acórdão n.º 230101.910 S2C3T1 Fl. 339 3 Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 31/07/2006, por ter a empresa acima identificada, deixado de apresentar documentos solicitados pela fiscalização, o que estaria em ofensa à obrigação acessória prevista no art. 32, inciso III da Lei 8.212/91, segundo Relatório Fiscal da Infração, fls. 24/32, nas competências 07/2006, tendo resultado na aplicação de multa de R$ 11.568,83. A fiscalização registrou, fls. 24/25, que os seguintes documentos deixaram de ser fornecidos: Notas Fiscais de Produtor Rural Pessoa Física, relativas ao ano de 1996; PPRA — Programas de Prevenção de Riscos Ambientais, relativos aos períodos de SETEMBRO de 1998 a OUTUBRO de 2000; NOVEMBRO de 2001 a ABRIL de 2002; MAIO de 2003 a OUTUBRO de 2003 e DEZEMBRO de 2005 a JANEIRO de 2006; PCMSO — Programas de Controle Médico e Saúde Ocupacional, relativos aos anos de 1999, 2000, 2001 e 2005; bem como dos Relatórios Anuais, relativos ao período de JANEIRO de 1999 a JANEIRO de 2006. Fichas de controle de entrega de EPI — Equipamentos de Proteção Individual, dos empregados que recebem o adicional de insalubridade; e Atestados de Saúde Ocupacional — ASO, dos empregados que recebem Adicional de Insalubridade. Outros foram fornecidos em desacordo com as formalidades legais, fls. 25: PPRA — Programas de Prevenção de Riscos Ambientais, e PCMSO — Programas de Controle Médico de Saúde Ocupacional. Após tomar ciência postal da autuação em 02/08/2006, fls. 276, a recorrente apresentou impugnação, fls. 277/284, na qual alegou: arbitrariedade na exigência de documentos, falta de base legal para imposição de sanções, decadência e nulidade do lançamento por extrapolação do prazo de fiscalização. Na DecisãoNotificação de fls. 302/311, a DRP/Florianópolis concluiu pela procedência integral do lançamento, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 17/07/2007, fls. 313. O recurso voluntário, apresentado em 16/08/2007, fls. 316/325, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por MAURO JOSE SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 05/04/2011 por MAURO JOSE SILVA 4 Pleiteia a exclusão do lançamento de fatos geradores atingidos pela decadência, tendo este prazo de cinco anos e dies a quo aquele do art. 173, inciso I do CTN. Reclama de irregularidades no procedimento de fiscalização quanto ao Mandado de Procedimento Fiscal. Aponta que houve extrapolação do prazo da fiscalização previsto inicialmente: O procedimento de fiscalização da recorrente teve início no dia 1210812005, quando lhe foi entregue o mandado de procedimento fiscal — fiscalização n° 09255471, ficando consignado que os trabalhos deveriam ser encerrados no dia 03/12/2005. O prazo para que o Sr. Fiscal concluísse os trabalhos, por determinação legal, se encerrou no dia 13/10/2006. O referido procedimento não teve andamento, não sendo encerrado. No dia 01/02/2006 a recorrente recebeu novo mandão de procedimento fiscal — fiscalização — sob o n° 09284423 — 00, ficando consignado que os trabalhos teriam fim no dia 18/05/2006. Por determinação legal, esse novo procedimento de fiscalização, que não poderia ter sido iniciado sem a conclusão do anterior, teve termo final no dia 03/04/2006, apesar de ter data diversa no ato de inicio dos trabalhos. Porém, devese observar que o prazo informado no próprio termo de início não foi cumprido, pois expirou sem que os trabalhos de fiscalização fossem concluídos. No dia 23/05/2006, portanto extemporaneamente, a recorrente recebeu o mandado de procedimento fiscal — complementar — n° 09284423C01, dando conta de que a fiscalização foi prorrogada até o dia 09/07/2006, sendo que no dia 07/07/2006 novamente a fiscalização foi prorrogada até o dia 04/09/2006, pelo mandado de procedimento de fiscalização — complementar — no 09284423CO2. Como não houve prorrogação dentro do prazo hábil, entende que a autuação deve ser declarada nula. Alega que só não apresentou documentos para os quais não havia causa legal para sua emissão. Cita o art. 5º, inciso II da Constituição e , genericamente, suscita o princípio da legalidade para contestar a imposição de deveres tributários por meio de portarias. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por MAURO JOSE SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 05/04/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11516.006165/200786 Acórdão n.º 230101.910 S2C3T1 Fl. 340 5 Voto Conselheiro Mauro José Silva, Relator Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. Não apreciamos os argumentos relativos à decadência, pois a infração de não apresentação de documentos ocorre no momento em que é solicitada pela fiscalização e não na data correspondente aos conteúdos dos documentos. Sendo documentos relativos a períodos não atingidos Obrigações acessórias ou deveres instrumentais. Previsão em normas infralegais. As obrigações acessórias ou deveres instrumentais decorrem da legislação tributária tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos (art. 113, §2º do CTN). Na expressão legislação tributária temos compreendido as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes (art. 96 do CTN). Entre as normas complementares, encontramos os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas (art. 100, inciso II do CTN), o que inclui as instruções normativas e as portarias. Assim, atende perfeitamente ao princípio da legalidade a previsão de deveres instrumentais por meio de norma infralegais. Possibilidade de definição do valor da multa por meio de normas infralegais dentro de parâmetros estabelecidos por lei. O valor a ser aplicado como sanção tributária deve estar previsto em lei, em obediência ao art. 5º, inciso II da Constituição Federal (legalidade geral) e ao art. 97, inciso V do CTN. Porém, é admitido que a lei estipule uma gradação da multa que será detalhada em norma infralegal, como no caso dos autos, pois o art. 92 da Lei 8.212/91 prevê a graduação da multa conforme previsão em Decreto. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por MAURO JOSE SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 05/04/2011 por MAURO JOSE SILVA 6 Obrigação de apresentar documentos sobre riscos ambientais A Lei 8.213/91 estabelece a obrigação da empresa de manter em perfeita ordem os documentos relativos a riscos ambientais, in verbis: Art. 58. A relação dos agentes nocivos químicos, físicos e biológicos ou associação de agentes prejudiciais à saúde ou à integridade física considerados para fins de concessão da aposentadoria especial de que trata o artigo anterior será definida pelo Poder Executivo. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) § 1º A comprovação da efetiva exposição do segurado aos agentes nocivos será feita mediante formulário, na forma estabelecida pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS, emitido pela empresa ou seu preposto, com base em laudo técnico de condições ambientais do trabalho expedido por médico do trabalho ou engenheiro de segurança do trabalho nos termos da legislação trabalhista. (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11.12.98) § 2º Do laudo técnico referido no parágrafo anterior deverão constar informação sobre a existência de tecnologia de proteção coletiva ou individual que diminua a intensidade do agente agressivo a limites de tolerância e recomendação sobre a sua adoção pelo estabelecimento respectivo. (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11.12.98) § 3º A empresa que não mantiver laudo técnico atualizado com referência aos agentes nocivos existentes no ambiente de trabalho de seus trabalhadores ou que emitir documento de comprovação de efetiva exposição em desacordo com o respectivo laudo estará sujeita à penalidade prevista no art. 133 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 9.528, de 1997) § 4º A empresa deverá elaborar e manter atualizado perfil profissiográfico abrangendo as atividades desenvolvidas pelo trabalhador e fornecer a este, quando da rescisão do contrato de trabalho, cópia autêntica desse documento.(Incluído pela Lei nº 9.528, de 1997) Além do laudo técnico e do perfil profissiográfico, há outros documentos obrigatórios previstos na legislação tributária. O art. 68 do Regulamento da Previdência Social (RPS) assim determina: Art. 68. A relação dos agentes nocivos químicos, físicos, biológicos ou associação de agentes prejudiciais à saúde ou à integridade física, considerados para fins de concessão de aposentadoria especial, consta do Anexo IV. (...) Fl. 6DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por MAURO JOSE SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 05/04/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11516.006165/200786 Acórdão n.º 230101.910 S2C3T1 Fl. 341 7 § 7o O laudo técnico de que tratam os §§ 2o e 3o deverá ser elaborado com observância das normas editadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego e dos atos normativos expedidos pelo INSS. (Redação dada pelo Decreto nº 4.882, de 2003) (...) A partir dessa determinação, decorre a necessidade de a empresa manter outros documentos como o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO), o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) e a ficha de controle de entrega de Equipamento de Proteção Individual (EPI), tendo em conta o conteúdo das Normas Regulamentadoras 6, 7 e 9(NR6, 7 e 9) emitidas pelo Ministério do Trabalho: NR6 6.3 A empresa é obrigada a fornecer aos empregados, gratuitamente, EPI adequado ao risco, em perfeito estado de conservação e funcionamento, nas seguintes circunstâncias: a) sempre que as medidas de ordem geral não ofereçam completa proteção contra os riscos de acidentes do trabalho ou de doenças profissionais e do trabalho; b) enquanto as medidas de proteção coletiva estiverem sendo implantadas; e, c) para atender a situações de emergência. NR7 7.1.1 Esta Norma Regulamentadora NR estabelece a obrigatoriedade de elaboração e implementação, por parte de todos os empregadores e instituições que admitam trabalhadores como empregados, do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional PCMSO, com o objetivo de promoção e preservação da saúde do conjunto dos seus trabalhadores. NR9 9.1.1 Esta Norma Regulamentadora NR estabelece a obrigatoriedade da elaboração e implementação, por parte de todos os empregadores e instituições que admitam trabalhadores como empregados, do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais PPRA, visando à preservação da saúde e da integridade dos trabalhadores, através da antecipação, reconhecimento, avaliação e conseqüente controle da ocorrência de riscos ambientais existentes ou que venham a existir no ambiente de trabalho, tendo em consideração a proteção do meio ambiente e dos recursos naturais. Havendo a obrigação de elaborar e manter tais documentos, a obrigação de apresentálos à fiscalização decorre do art. 33 da Lei 8.212/91: Fl. 7DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por MAURO JOSE SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 05/04/2011 por MAURO JOSE SILVA 8 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009) § 1o É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009) § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009) § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009) (...) Assim, a exigência de a empresa apresentar tais documentos é perfeitamente legal, sendo que a não exibição implicará na aplicação da multa prevista no art. 92 da Lei 8.212/91 e no art. 283 do RPS. O caso suscita a definição do prazo durante o qual o sujeito passivo deve guardar livros e documentos contábeis. O CTN possui dispositivo que trata do assunto em seu art. 195, in verbis: Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por MAURO JOSE SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 05/04/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11516.006165/200786 Acórdão n.º 230101.910 S2C3T1 Fl. 342 9 Segundo o CTN, portanto, o sujeito passivo deve guardar os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Parecenos claro que pretende o texto legal preservar os meios de prova daqueles créditos tributários que estão em litígio. Ainda sobre a mesma questão, mas especificamente em relação às contribuições previdenciárias, existe norma do Decreto 3.048/99 (RPS) que estatui que o prazo seria de dez anos, conforme texto que transcrevemos: Art. 225. A empresa é também obrigada a: ... § 5º A empresa deverá manter à disposição da fiscalização, durante dez anos, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações referidas neste artigo, observadas as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. No entanto, tratase de dispositivo do RPS que estava em harmonia com o conteúdo do art. 45 da Lei 8.212/1991 que estabelecia que o prazo decadencial e prescricional era de dez anos. A partir da edição da Súmula Vinculante 08 do STF, entretanto, ficou esclarecido que tais prazos eram de cinco anos. Mas esse fato é apenas supletivo na nossa conclusão, pois o que consideramos para concluir pela não aplicação dessa norma do RPS é o evidente conflito dessa norma com o que determina o art. 195 do CTN. Nesses casos deve prevalecer o conteúdo da norma de maior hierarquia, mormente quando tratamos de diploma legal com status de Lei Complementar estatuidora de normas gerais sobre direito tributário. Assim, as empresas estão obrigadas a manter à disposição da fiscalização seus documentos fiscais e contábeis até que ocorra o prazo prescricional dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram para que fiquem preservados os respectivos meios de prova. No caso em análise, não se pode falar em prazo prescricional, pois o lançamento de ofício das contribuições foi realizado concomitantemente com o lançamento de ofício por descumprimento de obrigações acessórias depois de transcorrido o prazo decadencial. Assim, temos que para as obrigações principais relativas aos fatos geradores ocorridos, na hipótese mais favorável de decadência, entre 03/08/2001 e 2006 remanesceria a obrigação de a recorrente guardar e apresentar os documentos. Portanto, como entre a data a que se referem vários documentos e o lançamento não transcorreram mais de cinco anos, não há dúvidas quanto à existência de obrigação da recorrente de guardar o que foi requisitado pela fiscalização. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 9DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por MAURO JOSE SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 05/04/2011 por MAURO JOSE SILVA 10 Fl. 10DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por MAURO JOSE SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 05/04/2011 por MAURO JOSE SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 19647.014432/2007-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO GUARDA DOCUMENTOS E LIVROS FISCAIS. SÚMULA N° 08 STF. LEGISLAÇÃO POSTERIOR MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO RETROATIVA. A partir da aprovação da Súmula Vinculante n° 08 pelo STF, decretando a inconstitucionalidade dos prazos prescricional e decadencial de 10 (dez) anos, insculpidos nos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, inexiste razão para se exigir a guarda de documentos fiscais previdenciários pelo prazo decenal, entendimento que encontra sustentáculo na harmonização da legislação previdenciária e tributária introduzida em face
da criação da Receita Federal do Brasil, com a unificação das Secretarias da Receita Federal e Previdenciária, inclusive, observado pelo legislador que alterou o disposto no artigo 32, § 11°, da Lei n° 8.212/91, para contemplar tal obrigação até que ocorra a prescrição no lapso temporal de 05 (cinco) anos, o
qual deverá retroagir para alcançar fatos pretéritos, em virtude de ser mais benéfico ao contribuinte, nos termos do artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-001.888
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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PRAZO GUARDA DOCUMENTOS E LIVROS FISCAIS. SÚMULA N° 08 STF. LEGISLAÇÃO POSTERIOR MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO RETROATIVA. A partir da aprovação da Súmula Vinculante n° 08 pelo STF, decretando a inconstitucionalidade dos prazos prescricional e decadencial de 10 (dez) anos, insculpidos nos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, inexiste razão para se exigir a guarda de documentos fiscais previdenciários pelo prazo decenal, entendimento que encontra sustentáculo na harmonização da legislação previdenciária e tributária introduzida em face da criação da Receita Federal do Brasil, com a unificação das Secretarias da Receita Federal e Previdenciária, inclusive, observado pelo legislador que alterou o disposto no artigo 32, § 11°, da Lei n° 8.212/91, para contemplar tal obrigação até que ocorra a prescrição no lapso temporal de 05 (cinco) anos, o qual deverá retroagir para alcançar fatos pretéritos, em virtude de ser mais benéfico ao contribuinte, nos termos do artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Fl. 159DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Elias Sampaio Freire Presidente. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 160DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19647.014432/200713 Acórdão n.º 2401001.888 S2C4T1 Fl. 150 3 Relatório KRONORTE S/A IMPLEMENTOS RODOVIÁRIOS, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 7a Turma da DRJ em Recife/PE, Acórdão n° 11 24.641/2008, às fls. 101/105, que julgou procedente em parte a autuação fiscal lavrada contra a empresa, com fulcro no artigo 33, §§ 2º e 3º, da Lei nº 8.212/91, c/c artigos 232 e 233 do RPS, por ter deixado de apresentar à fiscalização documentos relacionados com as contribuições previdenciárias inscritos nos autos na forma que legislação de regência determina, muito embora devidamente intimada para tanto mediante TIAD’s, em relação ao período de 01/1997 a 12/1997, conforme Relatório Fiscal da Infração, às fls. 16/17, e demais elementos que instruem o processo. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 04/12/2007, nos termos do artigo 293 do RPS, contra a contribuinte acima identificada, constituindose multa no valor de R$ 11.951,21 (Onze mil, novecentos e cinqüenta e um reais e vinte e um centavos), com base nos artigos 283, inciso II, alínea “j”, e 373, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. A autoridade julgadora de primeira instância achou por bem acolher em parte a decadência, relativamente ao período de 01/1997 a 10/1997, mantendo, porém, a integralidade da multa (por ser fixa), adotando o prazo decenal para guarda de documentos, por entender ainda vigente, em que pese à aprovação da Súmula Vinculante n° 08 do STF. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 109/124, procurando demonstrar a improcedência do lançamento, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Preliminarmente, pretende seja acolhido o prazo decadencial de 05 (cinco) anos, aventado na peça de defesa inaugural com arrimo no Código Tributário Nacional, sob o argumento que a Lei nº 8.212/91 não poderia definir prazo decadencial diverso do estipulado no Código Tributário Nacional, de cinco anos, sob pena de incorrer em vício insanável de ilegalidade e inconstitucionalidade, ao conflitar com normatização de hierarquia superior, violando o artigo 146, III, “b”, da Constituição Federal. Em defesa de seu pleito ressalta que o Supremo Tribunal Federal decretou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, aprovando a Súmula n° 08 de observância obrigatória pelos julgadores, o que rechaça de uma vez por todas a pretensão fiscal. Ainda em sede de preliminar, pugna pela decretação da nulidade do lançamento, por entender que o fiscal autuante, ao constituir o presente crédito previdenciário, não logrou motivar/comprovar os fatos alegados de forma clara e precisa na legislação de regência, contrariando o disposto no artigo 142 do CTN, em total preterição do direito de defesa e do contraditório da notificada, conforme se extrai da doutrina e jurisprudência. Fl. 161DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a autuação, tornandoa sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 162DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19647.014432/200713 Acórdão n.º 2401001.888 S2C4T1 Fl. 151 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Preliminarmente, vindica a contribuinte seja acolhida a decadência de 05 (cinco) anos do Código Tributário Nacional, em detrimento do prazo decenal insculpido no artigo 45 da Lei nº 8.212/91, por considerálo inconstitucional, restando maculada a exigência cujo fato gerador tenha ocorrido fora do prazo encimado, hipótese que se amolda ao presente caso, mormente após a aprovação da Súmula n° 08 do STF decretando a inconstitucionalidade da norma legal retro. Verificase, que a querela posta nos autos recai, basicamente, em definir se o prazo de 10 (dez) anos para guarda de documentos fiscais, insculpido no artigo 32, § 11º, da Lei nº 8.212/91, remanesce legítimo diante da inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 daquele Diploma Legal, decretada pelo STF nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que aprovou a Súmula Vinculante nº 08, contemplando a matéria. Antes mesmo de adentrar as razões meritórias propriamente ditas, impõe transcrever os preceitos do artigo 32, § 11°, da Lei n° 8.212/91, com suas alterações o até o texto atual, senão vejamos: “Art. 32 [...] § 11. Os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Incluído pela Lei nº 9.528, de 1997). § 11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 11 Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Extraise da evolução do dispositivo legal encimado que, inicialmente, o legislador contemplou o prazo de 10 (dez) anos para a guarda de documentos relativos às obrigações tributárias pertinentes. Fl. 163DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Entrementes, após a aprovação da Súmula Vinculante n° 08, a norma legal em epígrafe fora alterada, com a exclusão do prazo de 10 (dez anos), passando a dispor praticamente os mesmos termos do artigo 195, parágrafo único, do CTN, que assim estabelece: “Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram.” Como se observa, com a decretação da inconstitucionalidade dos prazos decadencial e prescricional de 10 (dez) anos, inexistiria razão para a Lei n° 8.212/91 continuar a determinar a guarda de documentos fiscais naquele lapso temporal, sobretudo em homenagem à harmonização da legislação previdenciária e tributária necessária à implementação da Receita Federal do Brasil, fruto da unificação das Secretarias da Receita Federal e Previdenciária. Neste sentido, não se pode cogitar na manutenção da decisão recorrida ao arrimar sua argumentação em dispositivo legal alterado para se adequar a nova ordem legal, mormente em virtude de a legislação posterior retroagir para alcançar fatos pretéritos, quando mais benéfico ao contribuinte, consoante se infere do artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN. Destarte, uma vez adequada a Lei n° 8.212/91 a Sumula Vinculante n° 08 do STF e, bem assim, à legislação tributária (CTN), ao determinar que o prazo para guarda de documentos perdura até a ocorrência da prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram, impõese reconhecer que o prazo decadencial também para tal fim é aquele inscrito no Código Tributário Nacional, de 05 (cinco) anos, não havendo que se falar, igualmente, em afronta ao RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, o qual, ao regulamentar a Lei n° 8.212/91, deve observância aos seus ditames. É bem verdade que o prazo em epigrafe (para guarda de documentos fiscais), por somente expirar com a prescrição, poderá alcançar lapso temporal extenso, como muito bem delineado por alguns julgadores deste Colegiado. No entanto, não podemos olvidar que a prescrição somente ocorrerá quando houver lançamento exigindo tributos em face de descumprimento de obrigações acessória ou principal. Ou seja, a decadência é prejudicial à própria prescrição e, uma vez constatada, sequer faz florescer a possibilidade da ocorrência da prescrição. Assim, não realizado o lançamento no prazo de 05 (cinco) anos, contados nos termos do CTN, expira a obrigação da guarda de documentos de interesse da fiscalização fazendária. Em outra via, não é demais lembrar que a legislação previdenciária que contemplava a manutenção de documentação fiscal por 10 (dez) anos, vigente à época da lavratura do presente Auto de Infração, também se aplicava aos casos de descumprimento de obrigações principais, as quais atualmente devem observância ao prazo decadencial de 05 (cinco) anos, inclusive, com efeitos retroativos. Fl. 164DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19647.014432/200713 Acórdão n.º 2401001.888 S2C4T1 Fl. 152 7 Nesta linha de raciocínio, com a devida vênia, não vislumbramos sentido lógico na afirmação que à época da ocorrência da infração o contribuinte era obrigado a manter seus livros fiscais por 10 (dez) anos, o que justificaria a manutenção da presente autuação. Mais a mais, ainda que se pretendesse separar as duas obrigações tributárias, para fins de aplicação do prazo decadencial, ad argumentandum tantum, igualmente, tal conclusão não seria capaz de oferecer guarida a interpretação pretendida pelo julgador recorrido, porquanto a própria legislação de regência, notadamente o § 3°, do artigo 113, do CTN, é por demais enfática ao afirmar que a obrigação acessória, quando inobservada, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária, atraindo, assim, os mesmos efeitos da decadência da principal, no que tange aos pressupostos para constituição do crédito tributário. A propósito da matéria, o Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo dissertou com muita propriedade, nos autos do processo n° 11330.001082/200779, Recurso n° 264.062, senão vejamos: “[...] Esse posicionamento da Corte Maior traz impacto não só em relação às exigência fiscais decorrentes do inadimplemento da obrigação principal, mas interfere também nos lançamentos das multas por desobediência a deveres instrumentais vinculados à fiscalização das contribuições. Por conta disso, uma vez ocorrida a infração teria o fisco o prazo de cinco anos para efetuar o lançamento da multa correspondente. Porém, para a infração sob desvelo – deixar de apresentar os documentos solicitados é necessário que se perquira acerca da efetiva ocorrência da infração, tomandose como critério o prazo decadencial de cinco anos previsto no CTN. A data da solicitação documental que deu ensejo ao AI foi 13/06/2007 (vide fl. 09) e a documentação tida como não apresentada é relativa ao período 01/1997 a 12/2000, portanto, houve a exigência de documentos concernentes a fatos geradores ocorridos a mais de cinco anos do momento da solicitação dos documentos. Entendo que a infração somente restaria configurada, caso o fisco ainda pudesse exigir os papéis daquele período. O prazo para a guarda documental aparece previsto no art. 32, § 11, da Lei n.º 8.219/1991, nos seguintes termos: § 11. Os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa durante dez anos, à disposição da fiscalização. A constatação de que esse dispositivo não teve a sua inconstitucionalidade declarada pelo STF poderia levarnos a fixar o entendimento de que, embora o fisco somente possa lançar contribuições dentro do prazo de cinco anos, a obrigação dos contribuintes de guardar os documentos e livros por dez anos persiste e, por conseguinte, a autuação em tela, pelo menos com relação a esse aspecto, seria legítima. Fl. 165DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Todavia, imagino não ser a melhor exegese. A norma que prescreve a obrigação de guardar os documentos, por veicular um dever tributário do tipo instrumental, deve ser interpretada a luz do art. 113 do CTN, in verbis: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária.(grifei) Está estampado no § 2.º acima que a obrigação acessória deve necessariamente vincularse a um interesse da arrecadação ou fiscalização, o que nos leva ao entendimento, a contario sensu, de que não é legítima uma obrigação que não apresente a finalidade de favorecer a atividade da máquina do fisco, qual seja a arrecadação de tributos ou outra situação que o caso concreto possa fazer surgir. Posso concluir, então, que a obrigação de guardar livros e documentos por prazo superior aquele que a auditoria dispõe para lançar a contribuição não deve subsistir, posto que desprovida de razoabilidade, dito de outro modo, não se pode instituir um ônus ao sujeito passivo sem que se justifique a serventia de tal medida como necessária ao fisco para cumprir o seu mister. [...]” Nesta esteira de entendimento, impõese o restabelecimento da ordem legal no sentido de acolher o prazo decadencial do Código Tributário Nacional, de 05 (cinco) anos, igualmente, em relação ao lapso temporal exigido para a guarda de documentos fiscais pelo contribuinte. Na hipótese dos autos, tendo a fiscalização constituído o crédito previdenciário em 04/12/2007, com a devida ciência da contribuinte constante da folha de rosto do Auto de Infração, a exigência fiscal resta totalmente fulminada pela decadência, uma vez que os fatos geradores ocorreram (os documentos solicitados) durante o período de 01/1997 a 12/1997, fora, portanto, do prazo decadencial de 05 (cinco) anos do artigo 173, inciso I, do CTN, aplicado nos casos de autuação por descumprimento de obrigação acessória, devendo ser decretada a improcedência do feito. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em dissonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E DARLHE PROVIMENTO, acolhendo a decadência total do crédito tributário, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 166DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19647.014432/200713 Acórdão n.º 2401001.888 S2C4T1 Fl. 153 9 Fl. 167DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 11516.000385/2007-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2002
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO. RECURSO VOLUNTÁRIO.
PRAZO.
É de 30 (trinta) dias o prazo de interposição do recurso voluntário, nos termos do artigo 33 do Decreto n. 70.235/72.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 2101-001.209
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não
tomar conhecimento do recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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Numero do processo: 13888.003094/2006-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2001
APLICAÇÃO DE MULTA. NECESIDADE DE PREVISÃO LEGAL.
NULIDADE DO LANÇAMENTO. - É nulo o auto de infração que formaliza
multa de mora, por falta de previsão legal para a aplicação de oficio desta.
Numero da decisão: 1101-000.460
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ANULAR o
lançamento por vicio material, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: DCTF_CSL - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (CSL)
Nome do relator: Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2001 APLICAÇÃO DE MULTA. NECESIDADE DE PREVISÃO LEGAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. - É nulo o auto de infração que formaliza multa de mora, por falta de previsão legal para a aplicação de oficio desta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ANULAR o lançamento por vicio material, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. FRANCI I DE SA RIBEIRO DE QUEIROZ - Presidente CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO - Relator EDITADO EM: 2 8 -J N 2011. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente da Turma), Benedict° Celso Benicio Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa e José Ricardo da Silva (Vice-Presidente). Ausente a Conselheira Nara Cristina Takeda Taga. Relatório Trata-se de recurso voluntário contra decisão que considerou improcedente impugnação apresentada em razão de auto de infração. Em 06 de dezembro de 2006, o contribuinte apresentou impugnação (proc. tls. 1 a 7) em razão do auto de infração IV 0002580 (proc. fls. 8 a 16). Diz que a empresa foi autuada por insuficiencia de acréscimos legais de recolhimento de CSLL após o vencimento. Alega que a aplicação de multa de mora para pagamento em atraso fere o art. 138 do CTN. Junta jurisprudência contrária a cobrança de multa de mora. Em 25/11/2008, a 5' Turma da DRJ em Ribeirão Preto julgou que a impugnação era improcedente e manteve a exigência (proc. fls. 34 a 37). A DRJ explica que o lançamento decorre do cotejo dos débitos declarados em DCTF relativas a 2001 e os pagamentos, parcelamentos, compensações e suspensões de exigibilidade. Explica que foi lançada multa de mora quando constatado o pagamento a destempo. Informa que o litígio versa apenas sobre a multa de mora, pois o contribuinte recolheu o juros de mora. A DRJ diz que, no mérito, adota as mesmas razões de acórdão anterior da DRJ que restringe a espontaneidade aos casos onde o débito não está nem declarado e nem registrado nos livros comerciais c fiscais, adotando mesma linha de julgamento no STJ. O contribuinte foi cientificado (pro. fl. 40), em 16/01/2009, e apresentou recurso voluntário (proc. fls. 41 a 59), em 10/02/2009. No seu recurso, repete seu argumento e junta cópia de acórdão de caso que diz ser análogo, no qual o CARF determinou o cancelamento da multa de mora. Diz que na data aprazada a empresa no apresentava recursos financeiros, mas confessou e reconheceu o débito, voluntariamente. Também, cita jurisprudência favorável a sua tese e diz que está depositando o valor da multa lançada. 2 tj Processo n° 13888.003094/2006-86 S1-C1T1 Acórciao n.' 1101-00.460 Fl. 92 Voto Conselheiro CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO 0 recurso é tempestivo e dele torno conhecimento. O recorrente não contesta os fatos (pagamento após o vencimento sem os acréscimos legais), mas discute o direito aplicado, visando afastar o lançamento de oficio da multa de mora. Diz que, por força do art. 138 do CTN, fica afastada a aplicação da multa de mora, pois efetuou o pagamento após o vencimento, mas antes de qualquer procedimento de oficio. Não obstante a solução proposta ao presente caso prescinda da análise do art. 138 do CTN, abaixo transcrito, vale tecer breves comentários sobre o mesmo: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infraçâo, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou tio deposito da importáncia arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o inicio de qualquer procedimento administrativo ou medida de .fiscalização, relacionados com a infra cão. Conforme se verifica no texto legal, a interpretação defendida pelo recorrente tem origem na leitura imediata do texto legal, que declara estar excluída a responsabilidade pela denúncia da infração acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora. Com base nisso, alguns entendem que a multa de mora estaria dispensada, por não ter sido literalmente mencionada. No entanto, essa não parece ser a leitura adequada por diversas razões. A primeira delas é por estar baseada apenas na literalidade do texto. Com isso, há uma perda da visão do conjunto normativo e esta perda colocaria a interpretação em conflito com diversas regras, inclusive de cunho constitucional. Nessa linha, é preciso considerar que o CTN não mantem urn rigor técnico em todos os seus dispositivos ao definir pelo o que se responde, se ao tributo, ao tributo e multas, ao tributo e demais acréscimos, etc. A leitura dos arts. 129 a 138, bem demonstra esta imprecisão. Em decorrência desta imprecisão, em cada artigo, é preciso efetuar urna construção interpretativa, que assegure o máximo de integração do texto corn todas as demais regras do sistema. Assim, ao contrário do que entende o recorrente, é de se notar, na leitura do art. 138, do CTN, que ele exige do contribuinte em mora, que pretenda isentar-se da responsabilidade pela infração, a purgação da mora. Ou seja, ao exigir os juros de mora, longe de afastar a multa de mora, o dispositivo estabelece a necessidade de purgar a mora e esta purgação deve ser feita nos termos da legislação do ente tributante. preciso relembrar que o CTN é regra nacional, voltada a padronização da tributação pelos diversos entes tributantes por meio de regras gerais. Assim, não é de se esperar que sua linguagem esteja de acordo com a legislação especifica de cada pessoa política sobre a forma do adimplemento a destempo de débitos tributários. Por isso, o ponto relevante do art. 138, ao mencionar a necessidade de se pagar os juros de mora, não é afastar a multa de mora, mas sim reconhecer a necessidade de se purgar a mora, o que deve ser feito levando em conta a legislação especifica de cada ente tributante. Como a legislação da Unido prevê a multa de mora, ela deve ser paga. Ainda sobre a questão, vale a transcrição da regra constitucional que permite a União legislar sobre normas gerais sobre direito tributário: Art. 24. Compete a União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre: I - direito tributário, .financeiro, penitenciário, econômico e urbanistico; § I" - No âmbito da legislação concorrente, a competência da União limitar-se-á a estabelecer normas gerais. § 2" - A competência da Unido para legislar sobre normas gerais não exclui a competência suplementar dos Estados. § 3" - Inexistindo lei federal sobre normas gerais, os Estados exercerão a competência legislativa plena, para atender a suas peculiaridades. 4" - A superveniência de lei federal sobre normas gerais suspende a eficácia da lei estadual, no clue lime for contrário. Do texto constitucional, se destaca que as regras gerais da Unido (CTN) se limitam a estabelecer padronização, sem ferir a liberdade legislativa dos entes da federação. Portanto, é com esse entendimento que o art. 138, do CTN, deve ser lido. Por isso, não deve ser buscada no seu texto urna interpretação que reduza, sem razão de ser, a liberdade legislativa dos entes da federação, sob pena de violar, dentre outros, o principio federativo. Cada ente, pode regular como o contribuinte deve resolver espontaneamente suas inadimplências tributárias. Se a legislação deste ente exige juros e multa, é preciso respeitar tal determinação, salvo se houvesse regra constitucional determinando que a mora tributária se purgaria de outra forma, o que não é o caso. Portanto, pretender que o art. 138 afaste a multa de mora, não é a melhor leitura do dispositivo. Ao contrário, a leitura adequada é que ele reconhece que o pagamento a destempo, para afastar a responsabilidade pela infração, deve ser feito de modo a purgar a mora nos termos da legislação especifica. Mas, também é preciso ler o dispositivo inserindo-o no sistema da administração fiscal dos entes tributantes. Conforme este sistema, se o contribuinte cumpre suas obrigações, não há porque puni-lo com multa de oficio. Por outro lado, se o contribuinte cumpre espontanemente suas obrigações, mas tardiamente, não há porque dispensá-lo de purgar a mora nos termos legais, embora sobrem razões para afastar a multa de oficio. Processo n° 13888.003094/2006-86 SI-CI TI Ac6r(I5o n.° 1101-00.460 Fl. 93 0 estimulo ao saneamento espontaneo das infrações é feito, no art. 138, do CTN, afastando as multas de oficios. Isso está de acordo corn a razão de ser das multas de oficio, que são impostas quando o Fisco precisa ir a campo para fazer o contribuinte cumprir aquilo que não cumpriu espontaneamente. Ora, se o contribuinte já cumpriu espontaneamente, mesmo que a destempo, não há porque tratá-lo como dquele contribuinte que obrigou ao Fisco descobrir e lançar a infração, sem falar em ter de eventualmente tentar cobra-la. De outra banda, não há razão para se supor ser necessário afastar a multa de mora para que o saneamento espontaneo das infrações seja estimulado. E verdade que o quanto mais se desonere o pagamento espontaneo a destempo, mas se estimula tal conduta. Porém, o excesso de estimulo tem efeito exatamente ao contrário e, inclusive, é contrário ao direito e aos interesses da administração pública. A bem da verdade, acaso a multa de mora fosse afastada, o que se estimularia seria a inadimplencia e não o adimplemento tardio. Ou seja, pretender afastar a multa de mora é um estimulo à ilicitude, pois estimula que o pagamento seja feito após seu vencimento, já que não há qualquer consequencia maior, visto que o juros de mora são meramente de reposição. Também por isso, por estimular o inadimplemento e por conduzir a condutas contrárias ao direito, a interpretação defendida pelo contribuinte deve set' rechaçada. Ademais, existe artigo especifico no CTN informando sobre o pagamento fora do prazo. Tal artigo reconhece que além do juros morat6rio, cabe a cobrança de multa prevista na legislação do ente tributante. Cabe a transcrição (grifos não são do original): Art. 161. 0 crédito nth) integralmente pago no vencimento acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da . falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. 1" Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao 111éS. 2" 0 disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Ora, se em artigo especifico (voltado para regrar o pagamento em atraso) o CTN reconhece a possibilidade de aplicação de outras penas previstas na legislação do ente tributante, não há a menor razão para supor que o art. 138, do CTN, que versa sobre os efeitos da espontaneidade, pretendesse afastar a multa de mora. Como visto, o art. 138, do CTN, apenas orienta os entes federados a não aplicar a multa de oficio no caso de pagamento espontâneo atrasado, desde que tal pagamento seja feito na forma da legislação do tributo. Ademais, pretender que o art. 138, do CTN, afastasse a multa de mora, além de não fazer qualquer sentido em termos de administração tributária, longe de estimular o adimplemento, estimularia a mora, o que é o mesmo de estimular o ilícito. Também cabe verificar na Constituição os limites estabelecidos ao legislador das normas gerais em matéria tributária: Art. 146. Cabe a lei complementar: I - dispor sobre conflitos de competência, em matéria tributária, entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios; II - regular as limitações constitucionais ao poder de tributar,. III - estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos. impostos diSCrilifinados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes,. b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tribittários; c) adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas. d) definição de tratamento diferenciado e favorecido para as microempresas e para as empresas de pequeno porte, inclusive regimes especiais ou simplificados no caso do imposto previsto 710 art. 155, IL das contribuições previstas no art. 195, I e §§ 12 e 13, e da contribuição a que se refere o art. 239. Parágrafo único. A lei complementar de que trata o inciso III, d, também poderá instituir 11111 regime único de arrecadação dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, observado que: 1- sera opcional para o contribuinte II - poderão ser estabelecidas condições de enquadramento diferenciadas por Estado; III - o recolhimento sera unificado e centralizado e a distribuição da parcela de recursos pertencentes aos respectivos entes federados será imediata, vedada qualquer retenção ou condicionamento; ,._ IV - a arrecadação, a .fiscalização e a cobrança poderão ser compartilhadas pelos entes federados, adotado cadastro nacional único de contribuintes. Art. 146-A. Lei complementar poderá estabelecer critérios especiais de tributação, com o objetivo de prevenir desequilíbrios da concorrência, sem prejuízo da competência de a União, por lei, estabelecer normas de igual objetivo. A leitura dessas normas, apenas demonstra qua a Constituição limita as normas gerais a uma intervenção minima na autonomia tributária das pessoas políticas. Via de regra, a permissão de intervenção na legislação dos entes é apenas para questões de interesse nacional. Por isso, pretender que o art. 138, do CTN, afaste a legislação do ente federado sobre a forma como deve ser feito o pagamento a destempo, além de estimular o ilícito, de ser contrária a regra especifica do próprio CTN, de não fazer qualquer sentido, quer Processo n° 13888.003094/2006-86 Sl-C1T1 Ac6rd3o n.° 1101-00.460 Fl. 94 para os contribuintes e quer para o fisco, seria uma invasão não autorizada na competencia legislativa dos entes politicos. Por estas razões, entendo que o art. 138 não tern o condão de afastar a multa de mora. Não obstante a possibilidade hen-neneutica acima mencionada, é preciso considerar nova disposição do Regimento Interno do CARF, posta pela Portaria MF no 586/2010. A nova regra determina a reprodução no CARF das decisões definitivas do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em determinadas circustâncias. Portanto, é preciso analisar as decisões do STJ que estabeleçam interpretações diferentes da exposta. A determinação do Regimento do Interno do CARF é a seguinte: Art. 62-A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543- B e 543-C da Lei n" 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No que tange a espontaneidade prevista no art. 138 do CTN existem recentes decisões do STJ, nos REsp 962.379 e REsp 1.149.022, capazes de afetar a interpretação propugnada, em razão do art. 62-A do regimento interno. Porém, como dito inicialmente, no caso concreto existe uma questão prévia ao debate do alcance do art. 138 do CTN que precisa ser examinada, por ser definitiva ao deslinde da questão. Trata-se de analisar se o sistema legal admite ou não o lançamento de oficio da multa de mora, pois em caso de impossibilidade o auto de infração será nulo. Nessa linha, o primeiro passo é observar as regras sobre lançamento de oficio de multa. 0 art. 142 do CTN define lançamento e refere-se ã. aplicação de penalidade no lançamento, da seguinte forma (grifei): Art. 142. Compete privativamente ã autoridade achninistrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato zerador da obrização correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da msalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. 0 art. 149 do CTN indica as situações onde o lançamento é feito de oficio. Dentre elas, está prevista o lançamento de multa quando comprovada conduta que de margem a sua aplicação. 0 texto é o seguinte (grifei): Art. 149. 0 lançamento é efetuado e revisto de oficio pela autoridade administrativa nos seeuintes casos: I - quando a lei assim o determine; II - quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; 8 IV - não *Mar ou efetuar com inexatidão o pagamento ou recolhimento do imposto devido, inclusive na fonte; III - quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributória, a pedido de esclarecimento fOrandado pela autoridade achninistrativa, recuse-se a prestá-lo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV - quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributaria como sendo de declaração obrigatória; V - quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI - quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro lealtitente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII - quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em beneficio daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII - quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; a - quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu . fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. 0 art. 841 do Regulamento do Importo de Renda (RIR11999), aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 1999, indica as situações onde pode ser feito o lançamento de oficio. 0 inciso V trata do lançamento de multa. Conforme o texto legal, o lançamento de oficio de multa e pennitido se existir previsão legal de aplicação da multa por parte do Fisco, in verbis (grifei): Art. 841. 0 lançamento será efetuado de oficio quando o sujeito passivo (Decreto-Lei n2 5.844, de 1943, art. 77, Lei n 2 2.862, de 1956, art. 28, Lei n2 5.172, de 1966, art. 149, Lei n2 8.541, de 1992, art. 40, Lei n 2 9.249, de 1995, art. 24, Lei n 2 9.317, de 1996, art. 18, e Lei n 2 9.430, de 1996, art. 42): I - não apresentar declaração de rendimentos; II - deixar de atender ao pedido de esclarecimentos que lhe for dirigido, recusar-se a prestá-los ou não os prestar satisfatoriamentc; -fizer declaração inexata, considerando-se como tal a que contiver OH omitir, inclusive em relação a incentivos fiscais, qualquer elemento que implique redução do imposto a pagar ou restituição indevida; Processo 0 0 13888.003094/2006-86 SI-CITI Acórclao n.° 1101-00.460 H. 95 V- estiver sujeito, por ação ou omissão, a aplicação de penalidade pecuniária, VI - mnitir receitas ou rendimentos. Parágrafo Aplicar-se-á o lançamento de oficio, além dos casos enumerados neste artigo, aqueles em que o sujeito passivo, beneficiado com isenções ou reduções do imposto, deixar de cumprir os requisitos a que se subordinar o favor fiscal. Em todos os artigos acima citados, o lançamento de oficio da multa condicionado a haver previsão de sua aplicação, por parte do Fisco. Portanto, cabe verificar se a base legal citada no auto de infração ern tela permite a aplicação da multa de mora pela fiscalização. Consta do auto de infração os seguintes dispositivos, como fundamento do lançamento de oficio de multa de mora: art. 160, da Lei n°5.172, de 1966; arts. 43 e 61 da Lei n° 9.430, de 1996; e art. 9, parágrafo único, da Lei no 10.426, de 2002. Estes dispositivos são abaixo transcritos na mesma ordem em que estão mencionados no auto de infração. Conforme o CTN: Art. 160. Quando a legislação tributária não fixar o tempo do pagamento, o vencimento do crédito ocorre trinta dias depois da data em que se considera o sujeito passivo notificado do lançamento. Parágrafo único. A legislação tributária pode conceder desconto pela antecipação do pagamento, nas condições que estabeleça. Conforme a Lei n° 9.430, de 1996 (grifei): Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, ca/cu/ac/os à taxa a que se refere o f 3" do art. 5', a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o 171éS anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos .fatos geradores ocorrerem a partir de 1" de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação especifica, serão acrescidos de multa de mora, calculada a taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. I° A multa de clue trata este artigo sera calculada partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto pat-a o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. 9 § 2" 0 percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3" Sobre Os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se rd-ere o§ 3" do art. 5", a partir do primeiro dia do mês subseqiiente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no més de pagamento. Conforme a Lei n° 10.426, de 2002: Art. 9' Sujeita-se à multa de que trata o inciso I do caplet do art. 44 da Lei te- 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicada na forma de seu § quando for o caso, a .fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão calculadas sobre a totaliclade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida ou recolhida, ou que for recolhida após o prazo fixado. Inicialmente, cabe registrar não haver conexão entre o lançamento em discussão e os arts. 160, do CTN, e 9", parágrafo único, da Lei n" 10.426, de 2002. Afinal, o art. 160 do CTN estabelece um prazo de vencimento para os casos em que a legislação do tributo seja omissa quanto ao vencimento e o art. 9° e seu parágrafo único, da Lei n° 10.426, de 2002, trata de multa aplicável à fonte pagadora por omissão de seus deveres de retenção e/ou recolhimento. Portanto, não são essas disposições legais que dariam fundamento a exigência de multa de mora veiculada no auto de infração. Dessarte, sobram para análise os arts. 43 e 61 da Lei ri° 9.430, de 1996. 0 art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, cria, para o sujeito passivo em mora, o dever de pagar o tributo devido acrescido da multa de mora. Mas, é preciso notar que o artigo nada fala sobre o descumprimento deste dever. 0 artigo nada fala sobre o que deve acontecer caso o contribuinte pague o tributo após o vencimento sem recolher a multa de mora prevista legalmente. Ele não prevê o que deve acontecer se a multa de mora não for paga espontaneamente e em conjunto ao pagamento do tributo vencido. Muito menos ele estabelece que esta multa de mora deva/possa ser aplicada pelo Fisco. Ou seja, o art. 61 da Lei IV 9.430, de 1996, estabelece o dever para o contribuinte em mora, com o correspondente direito para o Fisco, e assim cria uma obrigação principal correspondente a multa de mora. Tal obrigação (com seus correlatos direito e dever) surge quando algum tributo não é pago no vencimento (nasce após o vencimento). Mas, o art. 61 da Lei n" 9.430, de 1996, não estabelece qual será a reação à violação do dever de pagamento da multa de mora e nem prevê corno o direito não satisfeito pode ser formalizado e exigido. Enfim, o artigo não regula eventual descumprimento. Também, não estipula a aplicação da multa, o que permitiria a sua formalização de ofício para torná-la exigível. Inclusive, a leitura do § 10 do art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, sugere que o dispositivo legal considera que o pagamento da multa de mora seja feito espontaneamente. 10 Processo n° 13888.003094/2006-86 SI-CIT1 Acórdilo n.° 1101-00.460 Fl. 96 que está em linha com a ausência de tratamento ao descumprimento do dever estabelecido no captit. Em resumo, a multa de mora é prevista pelo o art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, mas o dispositivo não prevê a sua aplicação (de oficio), apenas menciona seu pagamento espontâneo. Deste modo, o art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, por si só é insuficiente para respaldar o auto de infração em análise. Porem, nada obsta que a reação ao não pagamento espontâneo da multa de mora, nos casos de pagamento de tributo após o vencimento, desacompanhado da multa, esteja descrita em outra disposição legal. Deste modo, é possível que exista regra posta ern outro dispositivo, quer para a formalização da exigência, por aplicação da multa, quer para outro modo de satisfação do credor, como por exemplo a imputação de parte do pagamento efetuado a multa de mora devida. O que conduz a analise do último dispositivo mencionado no auto de infração. Conforme transcrito acima, o art. 43 da Lei n° 9.430, de 1996, apenas estipula que "poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente". Ou seja, apenas admite a hipótese de se formalizar exclusivamente: ou multa; ou juros de mora; ou multa e juros de mora. Mas, não informa nada sobre a formalização desses créditos, cuja possibilidade admite. As regras atinentes 5. formalização prevista no art. 43 da Lei IV 9.430, de 1996, precisam estar postas por outros dispositivos. Portanto, também não é no art. 43 da Lei n° 9.430, de 1996, que repousa a possibilidade de aplicação da multa de mora (lançamento de o fi cio de multa de mora). Deste modo, a base legal citada no auto de infração (art. 160, da Lei IV 5.172, de 1966; arts. 43 e 61 da Lei n° 9.430, de 1996; e art. 9, parágrafo único, da Lei n° 10.426, de 2002) não dá sustentação ao ato, pois nenhum dos artigos mencionados prevê a possibilidade do Fisco aplicar a multa de mora. Além do mais, a observação do art. 44 da Lei IV 9.430, de 1996, na sua redação original, reforça a procedência da tese defendida (de ser necessária a previsão legal de aplicação de multa, para que esta possa ser lançada de oficio). Já a redação atual do mesmo dispositivo, demonstra não haver ao tempo do lançamento ern exame previsão legal de aplicação da multa de mora ou de qualquer outra, para punir o pagamento a destempo sem a multa de mora. No seu texto original, o art. 44 da Lei n" 9.430, de 1996, estabelecia claramente que no caso de pagamento de tributo após o vencimento, sem a multa de mora, seria possível a aplicação de multa de 75% em lançamento de oficio. Isso confirma a necessidade de haver previsão legal para a aplicação de multa. Cabe a transcrição (grifei): Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seviintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I - de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pazamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de 11 falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada hipótese do inciso seguinte; I" As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente coin o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos;. - isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III — isoladamente ... V— isolaclaii2ente V— isolackmiente... Na redação atual, não ha mais a possibilidade de aplicação de multa 75%, ou de qualquer outra, na hipótese de pagamentos após o vencimento sem a multa de mora. Portanto, não ha base legal para lançar a multa de mora em procedimento de oficio. Vale transcrever a redação atual: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de .falta de declaração c nos de declaração inexata; II - de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: na forma do art. 8' da Lei n 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2' desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de calculo negativa para a contribuição social sobre o lucro liquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Em conclusão, a base legal relacionada no auto de infração não permite o lançamento de oficio da multa de mora. Além disso, considerando as alterações de texto do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, ao tempo do lançamento, não havia previsão legal para lançamento de oficio de qualquer multa nos caso de pagamento a destempo desacompanhado da multa de mora. Por estas razões, voto por anular o auto de infração, por vicio material. CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO
score : 1.0
Numero do processo: 11543.002546/2004-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2000
IRPF RENDIMENTOS
RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA RECLAMATÓRIA TRABALHISTA Sujeita-se
à tributação o montante recebido pelo contribuinte em virtude de ação trabalhista que determine o pagamento de diferenças de horas extras e seus reflexos, tais como juros, correção monetária, gratificações e adicionais. Afastada a possibilidade de
classificação dos referidos rendimentos como isentos ou não tributáveis.
Numero da decisão: 2201-001.025
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade negar provimento ao recurso. Ausência justificada da conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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Afastada a possibilidade de classificação dos referidos rendimentos como isentos ou não tributáveis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade negar provimento ao recurso. Ausência justificada da conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. (Assinado Digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Júnior Presidente. (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza, Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 18/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 06/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado Auto de Infração (fls. 06/10), relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2000, na qual se apurou crédito tributário no valor total de R$ 38.833,15, calculados até maio de 2005. A fiscalização, por meio de revisão da Declaração de Ajuste Anual, apurou dedução omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica ou física, decorrentes de trabalho com vínculo empregatício; dedução indevida de contribuição à previdência privada/fapi; dedução indevida de dependentes; alteração do imposto de renda retido na fonte e alteração dos rendimentos sujeitos à tributação exclusiva. Cientificado do lançamento, o autuado apresentou tempestivamente Impugnação (fls. 01/04), alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, que: O interessado, por intermédio de procurador habilitado (instrumento de fl. 5), apresentou a impugnação de fls. 1/4, na qual aduziu, em síntese, que a composição do valor levado à tributação requer melhor análise, porquanto o imposto recolhido judicialmente foi calculado sobre o montante abrangendo “depósitos, juros e correção monetária, o percentual relativo à multa de 40% creditados a título de FGTS”, sendo tais parcelas isentas a teor do art. 6º da Lei n. 7.713/1988, e alega, diante disso, que não omitiu rendimentos. Expõe o interessado, em fragmento extraído da fl. 3, que: “Observase que diferença do cálculo do imposto de renda retido na fonte, em quatro anos e cinco meses, é de somente R$ 1.550,59 (...)”. Quanto à multa de ofício, entende o sujeito passivo que não deva prevalecer, porquanto a base de cálculo é incorreta e não houve a caracterização de nenhum prejuízo à Fazenda, sendo, de igual sorte, indevidos os juros de mora, pois o imposto fora apurado sobre valores isentos de tributação. Reclamou, ainda, do enquadramento legal assentado em fundamentos tais como os insculpidos nos arts. 5º e 6º da Lei n. 9.250/95 que refletem situações alheias aos dos pagamentos percebidos pelo contribuinte. Para amparo de suas alegações, o interessado fez anexar os documentos de fls. 11/32. Por sua vez, a 4ª Turma de Julgamento da DRJ em Juiz de Fora/MG julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado na ementa abaixo transcrita: RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. AÇÃO TRABALHISTA. DISCRIMINAÇÃO DAS PARCELAS. NATUREZA DOS RENDIMENTOS. Os documentos acostados aos autos pelo impugnante não são relativos à data na qual se deu o pagamento de rendimentos obtidos em ação trabalhista, contudo, pelos valores constantes nas planilhas apresentadas, inferese que não houve incidência do imposto sobre as parcelas indenizatórias relativas ao FGTS. Lançamento Procedente Fl. 2DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 18/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 06/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11543.002546/200416 Acórdão n.º 220101.025 S2C2T1 Fl. 2 3 Intimado da decisão de primeira instância em 19/01/2008 (fl. 61), Renato Galeota apresenta Recurso Voluntário em 18/02/2008 (fls. 62/65), alegando, exatamente, os mesmos argumentos postos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Impende inicialmente ressaltar que a controvérsia essencial, nesta segunda instância, cingese em saber qual é o montante de deveria ter sido declarado pelo contribuinte, relativamente à reclamatória trabalhista (RT n. 345/966 JCJV) movida por este contra o Banco do Brasil S.A. Em seu instrumento recursal alega o suplicante, em apertada síntese, que “... o imposto recolhido judicialmente foi calculado sobre o montante abrangendo “depósitos, juros e correção monetária, o percentual relativo à multa de 40% creditados a título de FGTS”, sendo tais parcelas isentas a teor do art. 6º da Lei n. 7.713/1988” Por sua vez, a autoridade recorrida manteve integralmente a exigência sob o argumento de que, “... a participação de FGTS, envolvendo tanto as parcelas de contribuição de 8% da reclamada (R$ 18.647,29) quanto à de multa de 40% dessas (R$ 7.458,93) correspondiam apenas a 9,82% do subtotal apontado à fl. 28 (R$ 265.821,63)” Asseverando, ainda, que “Diante disso e por nada ter demonstrado o interessado em contrário, considerase que os valores expressos no lançamento não contêm as parcelas indenizatórias, relativas ao FGTS, nos termos que dispõe o art. 39, XX, do RIR/1999”. Pois bem, compulsando os autos, mais precisamente a “Planilha de Cálculo – Diferenças de Horas Extras” (fl. 28), verifico, pois, que o valor do FGTS relativo às parcelas de contribuição de 8%, representa R$ 18.647,29 e a correspondente multa de 40%, o montante de R$ 7.458,93. Assim sendo, o valor total pago a título de FGTS pela reclamada corresponde a R$ 26.106,22, ou seja, 9,82% do valor total pago, qual seja, R$ 265.821,63. Ressaltese que o valor relativo ao FGTS foi destacado na “Planilha de Cálculo – Diferenças de Horas Extras” (fl. 28). Neste mesmo sentido, cumpri reproduzir as observações do relator de primeira instância em relação à matéria: Os reclamos firmados pelo interessado tomam por mote a composição dos valores levados à tributação pela autoridade revisora, sob a argumentação que não foram consideradas parcelas alusivas à multa de 40% do FGTS e suas atualizações. Contudo, a documentação oferecida pelo impugnante não contempla a discriminação de valores efetivamente percebidos quando da liberação do pagamento decorrente da ação Fl. 3DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 18/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 06/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 4 trabalhista (processo n. 345/96 – 6ª JCJ de Vitória/ES), ocorrida em 1999. As planilhas acostadas aos autos, às fls. 14/30, têm por data de atualização mais recente a de 01/07/1998, conforme fls. 28/30; mesmo assim, mediante essas, observase que a participação de FGTS, envolvendo tanto as parcelas de contribuição de 8% da reclamada (R$ 18.647,29) quanto à de multa de 40% dessas (R$ 7.458,93) correspondiam apenas a 9,82% do subtotal apontado à fl. 28 (R$ 265.821,63). Vale lembrar que essas verbas de FGTS foram calculadas já levando em consideração os valores atualizados das diferenças de horas extras, objeto daquela ação trabalhista. Também daquele valor firmado, à fl. 28, subtendese que o dimensionamento da omissão de rendimentos apurado pela autoridade revisora, de R$ 259.252,29, é até modesto, já que pelo período relativo ao IRRF (28/12/1999, DARF de fl. 13), haveria a atualização de valores de julho/1998 a dezembro/1999. Diante disso e por nada ter demonstrado o interessado em contrário, considerase que os valores expressos no lançamento não contêm as parcelas indenizatórias, relativas ao FGTS, nos termos que dispõe o art. 39, XX, do RIR/1999. (...) Incidiu em equívoco o impugnante quando contestou (fl. 3) o fato de que o IRRF foi “atualizado” apenas de R$ 57.224,57 para R$ 58.775,16, quando do lançamento, depois de “quatro anos e meio”. Na realidade, no que se refere aos valores daquela ação trabalhista, o IRRF adotado foi o de R$ 54.949,61, de acordo com o que constou da comunicação do Banco do Brasil (fonte pagadora – reclamada), à fl. 12; o valor de R$ 58.775,16, consistente no total indicado a esse título no auto de infração, corresponde ao somatório dos R$ 54.949,61 com a parcela de R$ 3.825,55, retida pela PREVI, de acordo com o que fora declarado pelo interessado (DIRPF/2000, à fl. 43). Salientese, nesse sentido, que, de igual sorte, os rendimentos tributáveis foram mensurados de acordo com à época de sua percepção (anocalendário de 1999). Frisese, ainda, que conforme se extrai da planilha de “Cálculo de Horas Extras” (24/25) e “Planilha de Cálculo de Repouso Semanal Remunerado” (fl. 26) a reclamatória trabalhista referese, essencialmente, a verbas efetivamente tributadas na forma do art. 43 do Decreto nº. 3000/1999. Portanto, como não consta dos autos qualquer comprovação capaz de elidir a tributação em tela não há como acolher a pretensão do recorrente quando afirma que do montante total recebido o imposto foi recolhido sobre as verbas relativas ao FGTS. Deste modo, sujeitase à tributação o montante recebido pelo contribuinte em virtude de ação trabalhista que determine o pagamento de diferenças de horas extras e seus reflexos, tais como juros, correção monetária, gratificações e adicionais. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 18/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 06/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11543.002546/200416 Acórdão n.º 220101.025 S2C2T1 Fl. 3 5 Isto posto, com as presentes considerações e diante da insuficiência da prova documental trazida aos autos, encaminho meu voto no sentido NEGAR provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Fl. 5DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 18/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 06/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000154/2007-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF
Data do fato gerador: 29/11/2002
INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS EM ATRASO. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL.
O crédito tributário somente se extingue na mesma proporção em que o pagamento o alcança. Quando o pagamento é feito com insuficiência, decorrente da falta de inclusão da multa de mora nos termos previstos em lei, a diferença se cobra por meio de imputação proporcional de pagamento.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL.
A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. Aplicação da Súmula CARF nº 1.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.076
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ALAN FIALHO GANDRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Data do fato gerador: 29/11/2002 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS EM ATRASO. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL. O crédito tributário somente se extingue na mesma proporção em que o pagamento o alcança. Quando o pagamento é feito com insuficiência, decorrente da falta de inclusão da multa de mora nos termos previstos em lei, a diferença se cobra por meio de imputação proporcional de pagamento. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. Aplicação da Súmula CARF nº 1. Recurso Voluntário Negado
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DE SEGUROS GERAIS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Data do fato gerador: 29/11/2002 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS EM ATRASO. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL. O crédito tributário somente se extingue na mesma proporção em que o pagamento o alcança. Quando o pagamento é feito com insuficiência, decorrente da falta de inclusão da multa de mora nos termos previstos em lei, a diferença se cobra por meio de imputação proporcional de pagamento. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial por qualquer modalidade processual , antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. Aplicação da Súmula CARF nº 1. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 13/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 2 (assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra Relator. EDITADO EM: 12/08/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Alan Fialho Gandra, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Por bem descrever os fatos até a apresentação da impugnação, reproduzo o relatório da decisão de primeira instância, na íntegra: “Tratase de Auto de Infração (fls. 91/95) lavrado contra a contribuinte acima identificada, que pretende a cobrança da Contribuição sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira — CPMF por insuficiência de recolhimento. A contribuinte ingressou com o Mandado de Segurança n° 1999.61.00.0269666, da 8a Vara Federal de São Paulo. Em função de liminar inicialmente deferida, os recolhimentos não foram efetuados no prazo legalmente estabelecido. Posteriormente, com a revogação da liminar, a contribuinte efetuou pagamentos sem a inclusão de todos os acréscimos que a fiscalização entendeu devidos. O feito, referente ao período de vigência da liminar, resultou na constituição de crédito tributário no total de R$ 4.217.475,80, somados o principal, multa de ofício e juros de mora incorridos até o mês anterior ao da lavratura. O lançamento foi realizado com suspensão da exigibilidade do crédito tributário em função de liminar deferida nos autos do Mandado de Segurança n° 2007.61.00.0009631. Consta do TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL, fls. 80/85: (1) ... o contribuinte epigrafado ingressou com o Mandado de Segurança n° 1999.61.00.0269666 visando à suspensão da exigibilidade da CPMF; (2) A referida medida judicial foi impetrada perante a 8ª Vara Cível Federal de São Paulo, que concedeu em 17.06.1999 a Medida Liminar pretendida, confirmada pela Sentença proferida em 03.12.1999; (4) Submetido a julgamento o Recurso de Apelação interposto, o TRF (...) afastou as argüições de inconstitucionalidade reformando integralmente a sentença proferida, conforme acórdão publicado em 18.04.2001; (5) O contribuinte interpôs Embargos de Declaração junto ao TRF alegando que a decisão proferida pecava pela falta de manifestação expressa quanto à aplicabilidade do art. 2° da Fl. 2DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 13/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 16327.000154/200733 Acórdão n.º 330201.076 S3C3T2 Fl. 2 3 LICC e do préquestionamento da matéria em discussão, culminando no não conhecimento do feito por aquele Pretório, conforme acórdão publicado em 11.11.2002; (6) Em decorrência, em 29.11.2002, o contribuinte procedeu ao recolhimento, sem o acréscimo da multa de mora, da CPMF no montante de R$ 16.606.055,48 (Principal = R$ 13.150.495,31 e SELIC = R$ 3.455.560,17), a qual se encontrava suspensa no período de 17.06.1999 a 12.11.2002; (7) Analisando o procedimento adotado, foi verificado que o contribuinte detinha o direito à dispensa de retenção da CPMF até 18.04.2001, ocasião em que foi publicado o Acórdão proferido pelo TRF revogando a sentença de 1º Grau e tornando exigível a Contribuição sob comento; (8) Dali em diante iniciarseia a contagem do prazo de 30 (trinta) dias para o recolhimento da CPMF que se encontrava sub judice sem o acréscimo da multa de mora, nos termos do § 2° do art. 63 da Lei n° 9.430/96 (.); (9) Entretanto, tal evento somente se consumou em 29.11.2002, fora, portanto, do prazo disposto no § 2° do Art. 63 da Lei n°9.430/96; (...) (13) No curso da presente Ação Fiscal, foi interposto perante a 14ª Vara Cível da Justiça Federal de São Paulo o Mandado de Segurança n° 2007.61.00.000963 1, pleiteando a suspensão da exigibilidade da multa moratória não incluída nos pagamentos efetuados em 29.11.2002, com a sustentação de que os Embargos de Declaração teriam, em tese, o condão de suspender os efeitos da decisão do acórdão publicado em 18.04.2001; (...) (15)Levada a julgamento, a referida medida judicial redundou em 24.01.2007 no deferimento da liminar (...); (17) Ademais, é importante destacar as alterações introduzidas pela Medida Provisória n° 351/2007, que dá nova redação ao art. 44 da Lei n° 9430/96, não mais prevendo a exigência de multa isolada nos casos de pagamento ou recolhimento de tributos e contribuições fora dos prazos e sem o acréscimo da multa de mora: (18) Nesses casos, tornase imperativa a aplicação da sistemática de imputação proporcional ao valor consolidado da CPMF, com acréscimo de multa de mora e juros, visto que restou não satisfeita por inteiro a obrigação tributária por ocasião do pagamento efetuado, sendo o que ocorre no caso em tela, conforme o anexo "Demonstrativo de Imputação de Pagamentos e (19) Em razão de se encontrar sob o pálio da Medida Liminar concedida nos autos do Mandado de Segurança n° Fl. 3DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 13/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 4 2007.61.00.0009631, o valor da CPMF resultante da imputação proporcional ao valor consolidado permanecerá com sua exigibilidade suspensa consoante previsto no Inciso V do artigo 151 da Lei n° 5.172/66 (CTN), com as alterações introduzidas pela Lei Complementar n° 104, de 10.01.2001, enquanto perdurarem os efeitos da medida judicial. A contribuinte foi cientificada em 13/02/2007 (fl. 91/92) do teor do Auto de Infração, tendo apresentado, em 14/03/2007, impugnação, fls. 97/108, na qual: Em preliminar, alega a necessidade do conhecimento da impugnação por esta instância julgadora, asseverando a distinção entre o objeto aqui tratado e aquele do Mandado de Segurança n° 2007.61.00.0009631, no qual discute o descabimento da multa de mora posto que, afirma, efetuou recolhimentos após a definitividade do acórdão do Tribunal Regional Federal na Apelação Cível no Mandado de Segurança n° 1999.61.00.0269666. Assim, sustenta, não cabe falar em renúncia à instancia administrativa, sendo inaplicáveis ao caso os ditames do artigo 1° do DecretoLei n° 1.737, de 20 de dezembro de 1979, e do artigo 38 da Lei n° 6.830, de 22 de setembro de 1980; Sobre a imputação proporcional dos pagamentos efetuados, a impugnante afirma: 15. Assim, aplicando referida sistemática [de imputação proporcional], a D. Autoridade Fiscal optou por considerar que, do valor recolhido pela Impugnante, parte seria relativa a principal e parte relativa a encargos moratórios juros e multa). Dessa forma, entendeu por bem considerar que parte do principal ainda seria devida, com todos os consectários legais. (...) 18. A alegação da Fiscalização de que tal procedimento fora utilizado em virtude das alterações introduzidas pela Medida Provisória n.° 351/2007, que dá nova redação ao artigo 44 da Lei n.° 9.430/96, não mais prevendo a exigência de multa isolada nos casos de pagamento ou recolhimento de tributos fora dos prazos e sem o acréscimo de multa de mora, não pode subsistir, posto que, em nenhum momento o citado normativo permite a imputação proporcional. No que tange à multa por falta de recolhimento, argumenta que, por força da medida liminar deferida nos autos do Mandado de Segurança n° 2007.61.00.0009631, a teor do artigo 63 da Lei n° 9.430, de 1996, não poderia a autoridade constituir o crédito com a aplicação da penalidade pecuniária”. A DRJ não acolheu as alegações do contribuinte, em acórdão com a seguinte ementa: “INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS EM ATRASO. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL. O crédito tributário somente se extingue na mesma proporção em que o pagamento o alcança. Quando o pagamento é feito com Fl. 4DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 13/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 16327.000154/200733 Acórdão n.º 330201.076 S3C3T2 Fl. 3 5 insuficiência, decorrente da falta de inclusão da multa de mora nos termos previstos em lei, a diferença se cobra por meio de imputação proporcional de pagamento. MULTA DE OFICIO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. MEDIDA JUDICIAL. PROCEDIMENTO FISCAL INICIADO. A concessão de medida judicial suspendendo a exigibilidade do crédito tributário não elide a aplicação da multa de oficio se já se encontrava em curso procedimento fiscal com vistas à apuração da correspondente falta de recolhimento. Lançamento Procedente”. Cientificada do acórdão, a interessada insurgese contra seus termos interpondo recurso voluntário a este Eg. Conselho, aduzindo, em síntese: i) inaplicabilidade da imputação proporcional do pagamento; ii) que quando da lavratura do auto de infração, em 13/02/2007, os valores cobrados estavam com a exigibilidade suspensa por força de medida liminar, nos termos do artigo 151, inciso IV do Código Tributário Nacional, descabendo, portanto, a multa por falta de pagamento. O processo foi distribuído a este relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Alan Fialho Gandra, Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Imputação Proporcional O que se discute nos autos é a forma de calcular a amortização do valor principal devido em decorrência de pagamento insuficiente e efetuado em atraso. A autoridade autuante utilizou o sistema de imputação proporcional, no qual o pagamento efetuado é alocado proporcionalmente entre principal, juros e multa de mora. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 13/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 6 Esse critério de imputação está previsto no artigo 1671, do Código Tributário Nacional, que, ao tratar de restituição de valores pagos a maior pelo contribuinte, estabelece a proporcionalidade, entre tributo e encargos acessórios, na restituição do indébito tributário. Por questão de coerência devese aplicar esse critério de proporcionalidade tanto para restituição quanto para o pagamento. Não é demais lembrar do aforismo “o acessório acompanha o principal” que, ao presente caso, entendo ser perfeitamente aplicável vez que ao se efetuar um pagamento incompleto esse valor corresponde a todos os componentes do débito (principal, multa e juros). Ademais, o Superior Tribunal de Justiça, no REsp 960239/SC, Recurso Especial nº 2007/01349940, publicado no Dje de 25/06/2010, de relatoria do Ministro Luiz Fux, assim decidiu: “(...) A imputação do pagamento na seara tributária tem regime diverso àquele do direito privado (artigo 354 do Código Civil), inexistindo regra segundo a qual o pagamento parcial imputar seá primeiro sobre os juros para, só depois de findos estes, amortizarse o capital. (...)”. Portanto, nesse particular, nenhum reparo merece a decisão de primeiro grau. Suspensão da exigibilidade, aplicação da multa por falta de recolhimento No tocante a alegação de que, quando da lavratura do auto de infração, os valores cobrados estavam com a exigibilidade suspensa por força de medida liminar, nos termos do artigo 151, inciso IV do Código Tributário Nacional, descabendo a aplicação da multa por falta de recolhimento, entendo que não se deve tomar conhecimento desta matéria, em atendimento a súmula CARF nº 1, in verbis: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Conclusão Sendo o que basta para o deslinde do contencioso e em vista do exposto, voto, quanto a aplicação da imputação proporcional, por negar provimento ao recurso 1 Art. 167. A restituição total ou parcial do tributo dá lugar à restituição, na mesma proporção, dos juros de mora e das penalidades pecuniárias, salvo as referentes a infrações de caráter formal não prejudicadas pela causa da restituição. Parágrafo único. A restituição vence juros não capitalizáveis, a partir do trânsito em julgado da decisão definitiva que a determinar. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 13/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 16327.000154/200733 Acórdão n.º 330201.076 S3C3T2 Fl. 4 7 voluntário, e, quanto a multa aplicada, por não apreciar tal matéria eis que objeto de ação judicial. (assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra Relator Fl. 7DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 13/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA
score : 1.0
Numero do processo: 11030.001916/2005-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 20/02/2003 a 31/01/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA ENTRE
PROCESSOS ADMINISTRATIVOS.
Não há que se falar em concomitância de processos, quando o pedido de um é
diverso do pedido de outro processo. O presente auto de infração visa a
desconstituição de lançamentos referente à créditos presumidos de IPI. Já o
processo nº 11030.002842/200405,
referese
a pedido de
compensação/restituição.
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. REGIME ALTERNATIVO DA LEI Nº
10.248/02. MUDANÇA DE CRITÉRIO DE APURAÇÃO DENTRO DO
ANO E RETROATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
Inadmissível a retroatividade da opção pelo regime alternativo e a mudança
de critério de apuração dentro de um mesmo anocalendário.
MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE CARÁTER CONFISCATÓRIO.
INCOMPETÊNCIA DO CONSELHO PARA AFASTAR APLICAÇÃO DA
MULTA.
Multa não é tributo, é penalidade. A aplicação da multa ao autor do ilícito
fiscal , é lícita. Incompetência do Conselho para afastar a aplicação da multa.
JUROS DE MORA. SELIC
Aplicase
a taxa SELIC, a partir de 01/01/1996, na atualização monetária do
indébito, não podendo ser cumulada, porém com qualquer outro índice.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO.
ALEGAÇÕES CONFLITANTES COM A MATÉRIA OBJETO DO
LITÍGIO. Recurso voluntário não é sede para inovação em questões de fato,
conflitantes com alegações anteriormente efetuadas e que poderiam ter sido
feitas à época própria.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-000.915
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os
conselheiros Gileno Gurjão Barreto (relator) e Fabiola Cassiano Keramidas. Designado o
conselheiro Alan Fialho Gandra para redigir o voto vencedor.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 20/02/2003 a 31/01/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSOS ADMINISTRATIVOS. Não há que se falar em concomitância de processos, quando o pedido de um é diverso do pedido de outro processo. O presente auto de infração visa a desconstituição de lançamentos referente à créditos presumidos de IPI. Já o processo nº 11030.002842/200405, referese a pedido de compensação/restituição. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. REGIME ALTERNATIVO DA LEI Nº 10.248/02. MUDANÇA DE CRITÉRIO DE APURAÇÃO DENTRO DO ANO E RETROATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Inadmissível a retroatividade da opção pelo regime alternativo e a mudança de critério de apuração dentro de um mesmo anocalendário. MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE CARÁTER CONFISCATÓRIO. INCOMPETÊNCIA DO CONSELHO PARA AFASTAR APLICAÇÃO DA MULTA. Multa não é tributo, é penalidade. A aplicação da multa ao autor do ilícito fiscal , é lícita. Incompetência do Conselho para afastar a aplicação da multa. JUROS DE MORA. SELIC Aplicase a taxa SELIC, a partir de 01/01/1996, na atualização monetária do indébito, não podendo ser cumulada, porém com qualquer outro índice. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. ALEGAÇÕES CONFLITANTES COM A MATÉRIA OBJETO DO LITÍGIO. Recurso voluntário não é sede para inovação em questões de fato, conflitantes com alegações anteriormente efetuadas e que poderiam ter sido feitas à época própria. Recurso Voluntário Negado.
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CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSOS ADMINISTRATIVOS. Não há que se falar em concomitância de processos, quando o pedido de um é diverso do pedido de outro processo. O presente auto de infração visa a desconstituição de lançamentos referente à créditos presumidos de IPI. Já o processo nº 11030.002842/200405, referese a pedido de compensação/restituição. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. REGIME ALTERNATIVO DA LEI Nº 10.248/02. MUDANÇA DE CRITÉRIO DE APURAÇÃO DENTRO DO ANO E RETROATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Inadmissível a retroatividade da opção pelo regime alternativo e a mudança de critério de apuração dentro de um mesmo anocalendário. MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE CARÁTER CONFISCATÓRIO. INCOMPETÊNCIA DO CONSELHO PARA AFASTAR APLICAÇÃO DA MULTA. Multa não é tributo, é penalidade. A aplicação da multa ao autor do ilícito fiscal , é lícita. Incompetência do Conselho para afastar a aplicação da multa. JUROS DE MORA. SELIC Aplicase a taxa SELIC, a partir de 01/01/1996, na atualização monetária do indébito, não podendo ser cumulada, porém com qualquer outro índice. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. ALEGAÇÕES CONFLITANTES COM A MATÉRIA OBJETO DO LITÍGIO. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 07/07/2011 p or GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado dig italmente em 06/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 2 Recurso voluntário não é sede para inovação em questões de fato, conflitantes com alegações anteriormente efetuadas e que poderiam ter sido feitas à época própria. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os conselheiros Gileno Gurjão Barreto (relator) e Fabiola Cassiano Keramidas. Designado o conselheiro Alan Fialho Gandra para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) Gileno Gurjão Barreto Relator. (assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra Redator designado. EDITADO EM: 06/07/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra e Gileno Gurjão Barreto. Ausente o conselheiro Alexandre Gomes. Relatório Adotase o relatório: “Tratase de Auto de Infração lavrado em 24/08/2005, referente ao período de 20/02/2003 a 31/01/2004, no valor total de R$ 556.694,75, fls. 08/10, por insuficiência de recolhimento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Os enquadramentos legais das irregularidades apuradas, bem assim dos acréscimos legais, estão discriminados nos dispositivos das fls. 09/10 e 13/14. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 07/07/2011 p or GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado dig italmente em 06/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 11030.001916/200569 Acórdão n.º 330200.915 S3C3T2 Fl. 2 3 Conforme Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal, fls. 17/25, a fiscalização, após análise da legitimidade do Pedido de Ressarcimento do Crédito de IPI, solicitado pelo PER/DCOMP relativo ao 2° trimestre de 2001 ao 4º trimestre de 2003, constatou que o contribuinte escriturou e declarou em DCTFs créditos presumidos de IPI no período de março de 2001 a setembro de 2003, com amparo na Portaria n° 38/97, com base na Lei 9.363/96. No quarto trimestre de 2003, passou a escriturar seus créditos presumidos na modalidade alternativa instituída pela Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001, regulamentada pela Instrução Normativa SRF nº 69, 6 de agosto de 2001, retificando as DCTFs e as DCP, retroagindo a modalidade alternativa de apuração de crédito para janeiro de 2003, alteração esta realizada em desconformidade com os atos normativos vigentes. Em decorrência das constatações acima elencadas, a fiscalização reconstituiu a escrita fiscal do IPI no ano de 2003, considerando nesta reconstituição valores escriturados a menor pelo contribuinte dos anos de 2001 e 2002, apurando o crédito presumido com base na Lei n° 9.363/96, IN/SRF n° 23/97, constatando que o contribuinte deixou de declarar e recolher o montante de R$ 556.694,75, diferenças esta que estão lançadas no presente Auto de Infração. Regularmente cientificado, em 31/08/2005, conforme consta do auto de infração, fl. 08, o autuado apresentou impugnação tempestiva em 28/09/2005, fls. 54/73, na qual, após síntese dos fatos relacionados à demanda, alega, resumidamente: a) que não poderia a fiscalização glosar créditos referentes ao 1° trimestre de 2004, já que com relação a este anocalendário a opção pela sistemática da Lei n° 10.276/01,se deu no 4° trimestre de 2003 e não foi retificada; b) que não há na Lei n° 9.363/96, nem na Lei n° 10.276/01, ou qualquer outra, disposição legal que vede a migração e/ou retificação da sistemática de apuração do crédito presumido de IPI, razão pela qual entende estar tacitamente autorizado a alterar e posteriormente retificar a opção de apuração do crédito presumido do IPI; c) que, à exceção da IN n° 420/04, que não se aplica ao caso concreto, não há dispositivo que proíba a retificação do regime de cálculo do crédito presumido. Concluindo, requereu que fosse julgada procedente a impugnação com a consequente desconstituição do Auto de Infração”. Vistos, relatados e discutidos os autos, acordaram os membros da 3ª Turma de Julgamento da DRJ de Porto Alegre, por unanimidade de votos julgar improcedente a impugnação, para manter o crédito tributário exigido no auto de infração. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 07/07/2011 p or GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado dig italmente em 06/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 4 Intimada em 08/09/2009, inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário em 08/10/2009. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Gileno Gurjão Barreto, Relator O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. 1. Processo administrativo fiscal. Concomitância entre processos administrativos. A Recorrente alega que, concomitantemente ao presente Auto de Infração, lavrado exigindo os valores referente à créditos presumidos de IPI, relativos aos períodos de apuração entre 20/02/2003 a 31/01/2004, está em curso recurso do Recorrente referente ao processo nº 11030.002842/200405, que trata de pedido de ressarcimento/compensação. Neste sentido, não há que se falar em concomitância de ações uma vez que o presente processo discutese o lançamento efetuado, através do Auto de Infração lavrado, a título de créditos presumidos de IPI que foram escriturados a menor pelo Recorrente nos anos de 2001 e 2002, face à mudança na sistemática de apuração da Lei nº 9.363/96 para a Lei nº 10.276/2001, cuja alteração não é permitida em Lei, uma vez que feita a opção, esta é definitiva para o anocalendário a que se refira. Portanto, o presente lançamento não tem natureza repetitória, mas sim de cobrança de valores que não foram apurados de forma correta. Já o outro processo, que tratase de pedido de compensação/restituição, a natureza é diversa, uma vez que referese a um pedido de ressarcimento de supostos valores pagos e que não seriam devidos, o que o difere do presente processo, onde se objetiva o cancelamento de valores lançados a título de créditos presumidos de IPI. Além disso, no que tange ao processo administrativo n° 11030.002842/2004 05, mencionado pela recorrente em seu recurso, consulta ao sistema de acompanhamento processual do Ministério da Fazenda (COMPROT) revelou que nunca esteve anexado ao presente processo. Toda a sua tramitação se deu independentemente dos presente autos. Assim, resta evidenciado que o processo administrativo nº 11030.002842/200405, nenhuma relação tem com o processo ora sob análise. Assim, nesse particular, nego provimento à pretensão da recorrente. 2. Da possibilidade do exercício extemporâneo da opção pela Lei nº 10.276/01 2.1. Da fundamentação legal e dos princípios atinentes ao crédito presumido de IPI 2.1.1. Do crédito presumido de IPI Fl. 4DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 07/07/2011 p or GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado dig italmente em 06/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 11030.001916/200569 Acórdão n.º 330200.915 S3C3T2 Fl. 3 5 O crédito presumido de IPI foi instituído originariamente em 1995, com a publicação da Medida Provisória nº 948, de 23 de março daquele ano. Posteriormente, tal norma foi convertida na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996. Tal incentivo fiscal foi instituído com o objetivo de ressarcir as contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/Pasep e para a Seguridade Social – COFINS, incidentes sobre as aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados no processo produtivo de produtos/bens destinados ao exterior. Tratase da aplicação prática do conceito de não exportar tributos, considerando que a legislação do PIS e da COFINS não previa hipóteses de mecanismos de crédito para afastar a cobrança em “cascata” destas contribuições. Em suma, “visa desonerar as mercadorias nacionais exportadas das incidências daquelas contribuições, dandolhes maior competitividade no mercado internacional”.1 Desta forma, dada a semelhança das possibilidades de crédito, podemos admitir que o crédito presumido do IPI para ressarcimento de PIS e COFINS precedeu a concepção da legislação do PIS e COFINS nãocumulativos, que consolidou a idéia de se eliminar o efeito em cascata destes tributos. 2.1.2. Da natureza do crédito presumido do IPI No direito tributário, o crédito presumido do IPI tem a natureza de restituição subsidiária de tributos. Essa modalidade de restituição ocorre através da concessão de crédito fiscal a título de incentivo. O crédito fiscal, como espécie de incentivo, é a quantia a ser abatida do débito do imposto e que corresponde a tributo anteriormente pago ao ente público. Aplica se diretamente ao caso, quando temos essa importância relativa a qualquer imposto incidente sobre a exportação, que sirva para o abatimento de outros tributos pagos internamente. Toda e qualquer restituição de tributos a título de incentivo é uma prestação de direito público idêntica a qualquer outra obrigação do Estado. Não se confunde com a obrigação tributária por ser o oposto dessa. Não é tributo, mas obrigação financeira criada por lei.2 Nesse sentido, importante ressaltar que, muito embora se trate de categoria de direito financeiro, isso não pode ser utilizado para negar as consequências próprias de direito tributário às restituições a título de incentivo. Inclusive porque indissociáveis ambos os são. Segundo Ricardo Lobo Torres, “a restituição a título de incentivo se atrela ao imposto que se restitui, tanto no que pertine à mecânica e a outros aspectos estruturais, quanto no que diz com a fonte legislativa”. (grifo nosso) O crédito fiscal decorrente da restituição é a importância que a lei permite que se deduza do débito do imposto. Coincide com a idéia de redução do imposto a título de incentivo. Esse “créditoincentivo”, concedido por lei, modifica qualquer das características do 1 Exposição de Motivos nº 536/MF, de 18 de novembro de 1996 2 TORRES, Ricardo Lobo. Restituição dos Tributos. Ed. Forense. São Paulo: 1983. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 07/07/2011 p or GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado dig italmente em 06/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 6 crédito básico. Dentro da tipologia dos créditosincentivo, podemos ter o crédito financeiro, o crédito autônomo e o crédito presumido onde, por óbvio, o objeto dessa análise se insere. Esse tipo de crédito é utilizado para instrumentalizar as isenções que, quando não são integradas e abrangentes de todo o processo de circulação, acabam por transferir o ônus financeiro às etapas subsequentes. O sujeito passivo da obrigação de restituir o tributo a título de incentivo é o ente público competente para administrálo, no caso, a Secretaria da Receita Federal, que não pode furtarse da obrigatoriedade estabelecida pelas Leis nº 9.363/96 e nº 10.276/01. 2.1.3. Da legislação aplicável Uma vez estabelecida a natureza do crédito tributário e sua indissociabilidade da legislação do tributo que o origina, o Imposto sobre Produtos Industrializados, partiremos então para analisar legal e temporalmente a restituição desse tributo, paralelo e concomitante à sua própria obrigação tributária original. Primeiramente, quanto ao objeto, as obrigações tributárias podem ser de dar e de fazer. A última, subdividese entre obrigação de fazer, de não fazer, e de tolerar.3 A obrigação tributária principal corresponde a uma obrigação de dar. Seu objeto é o pagamento do tributo, ou da penalidade pecuniária. A obrigação tributária principal, para ser exigível, depende de sua liquidação, da determinação do valor do seu objeto. Essa determinação decorre do lançamento. Ocorrido o lançamento, não mais podemos falar de obrigação tributária, mas sim de crédito tributário. As fontes da obrigação tributária são a lei e o fato gerador. A primeira é denominada pela doutrina como fonte formal, e a segunda tratase da fonte material. Ambas são indispensáveis. As obrigações, assim, decorrem de lei ou de ato ilícito, nunca da vontade. E isso nos permite excluir do trato das obrigações tributárias as normas relativas a obrigações contratuais ou de atos de vontade. Entre as normas aplicáveis às obrigações decorrentes de ato de vontade encontramse aquelas relativas aos efeitos da confissão. As normas segundo as quais a confissão da dívida afasta a possibilidade de seu questionamento não se aplicam às obrigações tributárias. Nesse momento importante abrir o parêntese sobre a ocorrência da manifestação de vontade do contribuinte entre as sistemáticas possíveis de apuração do crédito presumido, através da Declaração de Crédito Presumido DCP, o que trataremos doravante no capítulo referente à natureza jurídica da obrigação acessória. Outro aspecto a ser considerado a respeito da obrigação tributária é que essa é uma obrigação ex lege, ou seja, decorrente de lei. Toda e qualquer obrigação, em sentido jurídico, e em última análise, resulta de lei e nasce independentemente da manifestação de vontade. A obrigação, assim sendo, referese à relação obrigacional tributária desde o seu nascimento, com a ocorrência do respectivo fato gerador, e até o momento em que se consuma o lançamento. O crédito tributário, por seu turno, também guarda a mesma relação 3 MACHADO. Hugo de Britto. Comentários ao Código Tributário Nacional. Ed. Atlas. São Paulo: 2003 Fl. 6DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 07/07/2011 p or GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado dig italmente em 06/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 11030.001916/200569 Acórdão n.º 330200.915 S3C3T2 Fl. 4 7 obrigacional a partir do lançamento, mas surge quando são acrescidos à obrigação tributária a liquidez e consequentemente a exigibilidade. Ou seja, denominase obrigação tributária o momento da relação de tributação anterior ao lançamento tributário, ao acerto destinado a conferir liquidez, certeza e exigibilidade à relação obrigacional. No caso do Imposto sobre Produtos Industrializados, o crédito tributário, e consequentemente o direito à sua restituição surge apenas no momento de sua homologação. A homologação ocorre nos casos em que a lei atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa. Nestes casos, o pagamento antecipado pelo obrigado extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento4 A condição resolutória, por sua vez, é a cláusula posta no ato ou no negócio jurídico segundo a qual seus efeitos deixarão de existir se ocorrer o evento previsto como condicionante. De Plácido e Silva esclarece que essa condição é a que, quando ocorre, extingue a obrigação ou dissolve o contrato. Desse modo, ocorre quando a convenção ou o ato jurídico é puro e simples, exerce sua eficácia desde logo, mas fica sujeito a evento futuro e incerto que lhe pode tirar a eficácia, rompendo a relação jurídica anteriormente formada. Ou seja, o ato jurídico nasce perfeito e acabado desde logo, mas perde a eficácia se e quando se concretiza a condição resolutória. Surge então o questionamento da possibilidade de uma obrigação acessória ter o condão de homologar o lançamento do IPI, premissa base para a existência do crédito tributário e consequentemente para o benefício do crédito presumido sob análise, a ele relacionado. 2.1.4. Da natureza jurídica da obrigação acessória A obrigação acessória, como obrigação tributária de fazer, pode ser exercida pela ação positiva de fazer, negativa de não fazer ou omissiva de tolerar que se faça algo, diferentemente da conduta da obrigação tributária de dar, cujo objeto é suprir os cofres públicos. A obrigação acessória é um dever de natureza instrumental que tem por finalidade viabilizar o controle do adimplemento da obrigação principal. Segundo Hugo de Britto Machado, “esse caráter de acessoriedade é imprescindível para a análise dessa espécie de obrigação jurídica”. Quando falamos de acessoriedade, a temos no sentido de ser uma obrigação instrumento da outra, ou seja, que apenas existe para instrumentalizála. A obrigação acessória é instituída pela legislação, que é a lei em sentido amplo de acordo com o art. 96 do CTN. Ela sempre existe no interesse da arrecadação ou fiscalização dos tributos, de acordo com o seu art. 113, § 2º. Não implica para o sujeito ativo, no caso o fisco, o direito de exigir um comportamento do sujeito passivo, mas o poder jurídico 4 LATORRACA, Nilton. Direito Tributário. Ed. Atlas. São Paulo: 1992 Fl. 7DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 07/07/2011 p or GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado dig italmente em 06/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 8 de criar contra ele um crédito, correspondente à penalidade pecuniária. Por isso diz o código que a obrigação acessória, pela sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária (art. 113, § 3º). Tampouco se trata, no caso concreto, de um dever administrativo. Deveres administrativos, como o de escrituração fiscal, por exemplo, estão ligados à existência de obrigação tributária principal, mas não são necessários à fiel execução da lei tributária, pressuposto da obrigação acessória. Por isso, apenas podem ser instituídos em lei no sentido estrito, não por atos normativos ou regulamentares. Ora, no caso concreto temos um benefício fiscal decorrente de lei, que busca a desoneração do IPI, com o objetivo de compensar as pessoas jurídicas exportadoras pela exação implícita das contribuições ao PIS e a COFINS incidentes cumulativamente em todas as suas etapas de produção, o que vem a onerar as exportações pátrias por essas contribuições. A lei nº 10.276/01, então, estabeleceu a opção ao contribuinte por calcular tal crédito presumido com base em metodologia distinta que, a depender das características de sua atividade econômica, das margens de lucro e dos volumes de insumos adquiridos e de mercadorias exportadas, pode ou não ser benéfico. Mas, sempre o mas, para a fruição de tal benefício, a Secretaria da Receita Federal, responsável pela administração desse tributo, impôs por normativo específico, no caso a IN SRF nº 315/03, o exercício dessa opção através do preenchimento e entrega da obrigação acessória denominada Declaração de Crédito Presumido – DCP, em data anterior à ocorrência do fato gerador de três trimestres do anocalendário, logo da existência da obrigação tributária do próprio IPI que se deseja creditar o sujeito passivo. Obrigação tributária cuja mensuração dependerá inclusive do comportamento de variáveis exógenas à administração da empresa, dentre as quais podemos citar a variação dos preços do mercado internacional, da variação dos preços dos insumos (em alguns casos definidos pelo administrador público ou mesmo pelo próprio acréscimo de exação imposto pelo fisco), do nível de emprego, em suma, do comportamento dos agentes econômicos internos e internacionais. Assim obrigando o contribuinte a proceder, a autoridade fiscal macula a manifestação de vontade desse contribuinte, que por exercêla extemporâneamente e sem fundamentação econômica, pode ser induzido a erro. Nesse sentido, argumentação contrária poderá ser utilizado pelo fisco, no sentido de que a retificação da DCP só seria aplicável nos casos de preenchimento equivocado, ou seja, quando o contribuinte erra, ou em outras palavras quando manifesta vontade diversa da que de fato tinha. A retificação se daria apenas quando houvesse vício na manifestação de vontade. Assim procedendo o contribuinte, não seria o caso de erro, mas sim o de arrependimento. O contribuinte teria manifestado sua vontade corretamente, formalizado uma opção, e depois se arrependido e pretenderia, não retificála, mas refazêla. Adicionalmente, haveria o argumento de que a opção teria sido ratificada pelo registro do crédito no livro próprio e pelo recolhimento do imposto, o que prejudicaria a sustentação de erro, a ser retificado, quando da opção. Não nos parece ser o caso. No caso concreto, a obrigatoriedade de opção extemporânea pode levar o contribuinte ao erro substancial, que é a “noção inexata sobre um Fl. 8DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 07/07/2011 p or GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado dig italmente em 06/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 11030.001916/200569 Acórdão n.º 330200.915 S3C3T2 Fl. 5 9 objeto, que influencia a formação da vontade do declarante, que a emitirá de maneira diversa da que manifestaria se dele tivesse conhecimento exato”.5 Para que ocorra o vício de consentimento, o erro deverá ser escusável, substancial e real, e poderá abranger o erro de direito, relativo a norma jurídica dispositiva, desde que afete a manifestação de vontade, conforme disposto no art. 139 e incisos do Novo Código Civil. O crédito fiscal foi definido pelo legislador ordinário no exercício de sua competência. Não cabe ao Poder Executivo, por interposta pessoa, estabelecer impeditivos à plena fruição do benefício. Ao fisco cabe recolher o indébito, fiscalizar o cumprimento da lei. Nunca restringir a sua plena eficácia através de ato normativo, o obrigálo ao exercício de opção inexata por desconhecimento do futuro. 2.2. Da retificação da opção de sistemática de cálculo 2.2.1. Do cálculo alternativo De forma complementar à edição da Lei nº 9.363/96, foi publicada a Medida Provisória nº 2.202/01, convertida posteriormente na Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001, que determinou à Secretaria da Receita Federal – SRF estabelecer normas para a opção ao referido benefício, bem como introduziu, alternativamente, uma nova sistemática de apuração do crédito presumido. A inserção de uma nova sistemática de cálculo, a ser escolhida pelo contribuinte, traduzse na tentativa do legislador de prover uma nova alternativa para apuração do crédito presumido, no intuito de equalizar seus efeitos em detrimento das eventuais diferenças operacionais e econômicas de cada atividade. Desta forma, o contribuinte pode optar pelo cálculo que melhor se adequar às suas características de produção e de atuação no mercado. 2.2.2. Da opção pelo regime e sua retificação Ao apresentar a hipótese de opção a uma nova alternativa de cálculo para apuração do crédito presumido para apuração de PIS/COFINS, a Lei nº 10.276/01 encaminha o contribuinte a contemplar os atos normativos emanados pela autoridade administrativa, conforme redação do parágrafo 4o. de seu artigo 1º. “A opção pela alternativa constante deste artigo será exercida de conformidade com normas estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal (...)” Abordamos, portanto, o conteúdo da Instrução Normativa nº 315/03 que revogou as demais Instruções a este respeito e que encontrase vigente: "Art. 2º A opção pelo regime alternativo de que trata esta Instrução Normativa abrangerá: 5 DINIZ. Maria Helena. Código Civil Anotado. Ed. Saraiva. São Paulo: 2003 Fl. 9DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 07/07/2011 p or GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado dig italmente em 06/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 10 I – todo o anocalendário; II – o período remanescente do anocalendário, na hipótese de exercício da opção quando do início de atividades da pessoa jurídica. Art. 3º A opção será formalizada: I – no Demonstrativo do Crédito Presumido (DCP) correspondente ao último trimestrecalendário do ano anterior, na hipótese do inciso I do art. 2º; II – no DCP correspondente ao primeiro trimestrecalendário de atividades, na hipótese do inciso II do art. 2º.” Importante mencionar que tanto a IN SRF nº 313/03 em seu artigo 12 quanto a IN SRF nº 315/03 em seu artigo 16 dispõem que não será admitida a mudança de critério de apuração, tão somente dentro de um mesmo anocalendário. A hermenêutica da retromencionada norma nos apresenta cumulativamente duas condições para a manifestação da opção: a) o método de cálculo utilizado deverá permanecer constante durante o exercício; e b) a opção deve ser manifestada no DCP (obrigação acessória) referente ao trimestre imediatamente anterior ao do primeiro trimestre do exercício em que se exercerá a aplicação do critério de cálculo escolhido, ou seja, antes mesmo de existir a obrigação tributária vinculada. Ainda assim, da própria interpretação da norma, vemos a possibilidade de, satisfeitos os requisitos, ser possível alterar a opção anteriormente manifestada, retificando a DCP. Requisitos estes resultantes, como dito, do vício de consentimento na sua manifestação de vontade. A hipótese de retificação é prevista pelo artigo 2º da Instrução Normativa nº 314/03, que aprova o programa gerador e as instruções para preenchimento do Demonstrativo do Crédito Presumido (DCP): “O Programa destinase ao preenchimento do DCP original ou retificador, relativos a fatos geradores ocorridos a partir do 4º trimestre do anocalendário de 2002(...)” (grifamos) Além dos aspectos já abordados, é inevitável a observação de que não existe hipótese legal prevista de impossibilidade de retroação para retificação de informação de qualquer natureza na disciplina inerente ao assunto. Desta forma, não há impedimento legal em fazêla sob qualquer argumento. Qualquer restrição decorre de ato normativo que, como já visto, não poderia jamais obstaculizar o impositivo legal de restituir o tributo pago, principalmente considerando que ainda não houve a homologação do tributo que o origina. Em consonância com o parágrafo anterior, salientamos a necessidade de interpretação literal da norma, corroborada inclusive pela autoridade administrativa, como observamos no trecho abaixo transcrito do Parecer PGFN CAT nº 392, de 26 de setembro de 2002, que trata do crédito presumido do IPI para ressarcimento de PIS e COFINS: “(...) se trata de Lei (Lei nº 9.363/96) que prevê um incentivo fiscal, a qual, de acordo não só com o disposto no Código Fl. 10DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 07/07/2011 p or GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado dig italmente em 06/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 11030.001916/200569 Acórdão n.º 330200.915 S3C3T2 Fl. 6 11 Tributário Nacional, mas com a doutrina e a jurisprudência, deve ser interpretada restritivamente.” Em remissão ao Código Tributário Nacional, no intuito de consubstanciar o teor do Parecer retro, transcrevemos, também, o trecho do referido diploma acerca do assunto: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Uma vez que a autoridade administrativa deva interpretar literalmente a legislação tributária e tal implicação trará ressonância sobre o sujeito passivo, mais uma vez considerando que a restituição do tributo é análoga à obrigação tributária originária, é certo que o contribuinte também o faça quando da aplicação desta legislação. O argumento é endossado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais por ocasião do acórdão nº CSRF/0201.160, referente a recurso apresentado pela Fazenda Nacional por decisão anteriormente proferida pela Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, acerca da correção monetária do crédito presumido do IPI para ressarcimento de PIS e COFINS: “Ora, diante de tais considerações, por imposição dos princípios constitucionais da isonomia e da moralidade, nada mais justo que ao contribuinte titular do crédito incentivado de IPI, a quem, antes desta suposta extinção da correção monetária, se garanta, por aplicação analógica do art. 66, § 3º., da Lei 8.383/91, conforme autorizado pelo art. 108, I, do Código Tributário Nacional, direito à correção monetária (...)” Em um sentido mais amplo em relação ao tema abordado, o texto acima visa a possibilidade da correção monetária dos créditos do contribuinte, já que em se tratando dos créditos do erário, tal procedimento seria aplicado. Além do exposto quanto à interpretação da norma, entendemos que tal disposição redundaria em senso contrário aos parâmetros já consagrados quanto ao alcance da manutenção da apresentação das informações relativas, não somente a apuração do crédito presumido do IPI para ressarcimento de PIS e COFINS, como também a todas as outras que se operam da mesma forma. Dentre elas, o exemplo clássico da DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), que consigna informações de todos os tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal agrupadamente e que também apresenta o mecanismo de retificação. Uma vez contemplada a análise lógica e literal da legislação acerca da matéria, e uma vez considerados todos argumentos retro desfilados, que suportam o procedimento de retificação da opção de sistemática de cálculo do crédito presumido do IPI, por fim reportamonos novamente às razões econômicas que levaram o legislador a conceber tal benefício. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 07/07/2011 p or GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado dig italmente em 06/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 12 Considerando o fato de que a concepção geral (legislador e doutrina) acerca do referido crédito se reflete no sentido de que deve haver a desoneração do custo nas exportações, tornase imperioso o entendimento de que um possível impedimento da retroação na opção deste crédito esvaziaria o conceito empregado na confecção da norma. Isto implicaria na vedação à “melhor opção” do contribuinte para fazer valer o benefício que lhe fora concedido. Além disso, se caracterizaria como prática leviana, por penalizar aquele contribuinte que não consegue vislumbrar ou projetar sua situação financeira para o exercício seguinte, em função de não atuar em segmento econômico que apresenta condições estáveis e uniformes, naqueles submetidos a atividades sazonais ou, até mesmo naqueles que, em detrimento das políticas econômicas implementadas pelo governo, estejam vulneráveis a operar em ambiente econômico passível de mudanças que afetarão sua atividade. Buscamos endossar esta percepção por meio dos fatos históricos reportados no artigo da Revista dos Tribunais, no qual observamos uma análise embrionária do assunto, contemplando apenas a hipótese de cadeias comerciais dilatadas: “Destaquese que a comunidade empresarial, à época da edição da aludida regra, questionou o citado percentual, na medida em que, em diversos produtos, via de regra, para se alcançar à qualidade necessária para fins de exportação, ocorrem bem mais de duas etapas para produção. A COFINS e o PIS, por serem cumulativos, ao contrário do IPI e do ICMS, incidem em cada operação de transferência de produto, ocorrendo um acréscimo em cada etapa da produção.” Por fim, em remissão ao anteriormente mencionado, a apresentação de um método de cálculo alternativo introduziu a proposta de otimização da apuração do crédito em questão. Admitindo que só se saberá efetivamente o real impacto financeiro dos custos na exportação no final do exercício e considerando que o método deve ser uniforme, uma possível vedação à retroação da opção desvirtuaria a característica principal de desonerar o “custo Brasil” das exportações, em sentido diametralmente oposto ao pretendido pelo legislador. Conclusão Por todo o exposto, e considerando que a restituição a título de incentivo se atrela ao imposto que se restitui, cuja obrigação legal de procedêlo é da Secretaria da Receita Federal; Considerando que a restituição do tributo surge no momento de sua homologação, sua condição resolutória, que ainda está por ocorrer no caso concreto; Que a obrigação acessória existe no interesse da arrecadação e da fiscalização dos tributos, conforme estabelecido pelo Código Tributário Nacional; Considerando ainda que a autoridade fiscal, ao impor a opção pelo contribuinte entre as sistemáticas possíveis em momento anterior à própria ocorrência da obrigação, macula a manifestação de vontade do contribuinte exercida pela DCP por levar o contribuinte a erro substancial, pelo desconhecimento de objeto imprescindível à sua tomada de decisão, conforme estabelecido pela lei civil; Fl. 12DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 07/07/2011 p or GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado dig italmente em 06/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 11030.001916/200569 Acórdão n.º 330200.915 S3C3T2 Fl. 7 13 Que inexiste vedação legal por análise literal da norma tributária em vigor que obste a retificação dos referidos demonstrativos; e que Finalmente, ao impedir o contribuinte de optar pela sistemática mais vantajosa, estaria a autoridade fiscal indevidamente a impedir por ato de sua autoria a consecução do objetivo pretendido pelo legislador para a norma sob análise, qual seja, desonerar as exportações realizadas pelo contribuinte; Concluímos que não pode haver objeção ao cálculo e ao creditamento por parte do contribuinte do crédito presumido do IPI pela sistemática mais vantajosa, de forma extemporânea e mediante a retificação da sua declaração de vontade manifestada pelas DCP’s. 3. Multa de Ofício – Alegação de caráter confiscatório – Incompetência do Conselho para afastar aplicação da multa Caso vencido no mérito, passo a analisar as alegações da recorrente quanto à multa de ofício. A Recorrente alega que a multa de ofício aplicada no presente Auto de Infração se caracteriza como confiscatória, tendo em vista afrontar diversos Princípios Constitucionais, dentre eles o da proibição de tributo com efeito de confisco. Primeiramente, há de se salientar que multa não é tributo. É penalidade, ainda que esse valor integre o crédito tributário em sentido lato. Não existe vedação constitucional ao confisco do produto de atividade contrária à lei, como se vê ao ler o artigo 243 da Constituição Federal em vigor. Desta forma, a aplicação de multa ao autor do ilícito fiscal é lícita, pois a lei destinase a proteger a sociedade, não o patrimônio do autor do ilícito. O E. Superior Tribunal de justiça já decidiu pela inexistência de efeito de confisco na aplicação da multa de ofício, tendo em vista ter sido fixada por lei: “Tributário. Fraude. Notas Fiscais Paralelas. Parcelamento de Débito. Redução de Multa. Lei 8.218/91. Aplicabilidade. Inocorrência de Confisco. Taxa Selic. Lei nº 9.065/95. Incidência. 1. Recurso Especial contra v. Acórdão que considerou legal a cobrança de multa fixada no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento) e determinou a incidência da Taxa Selic sobre os débitos objeto do parcelamento. 2. A aplicação da Taxa Selic sobre débitos tributário objeto de parcelamento está prevista no art. 13 da Lei 9.065 de 20/07/95. 3. É legal a cobrança de multa, reduzida do percentual de 300% (trezentos por cento) para 150% (cento e cinqüenta por cento), ante a existência de fraude por meio de uso de notas fiscais paralelas, comprovada por documentos juntados aos autos. Inexiste na multa efeito de confisco, visto haver previsão legal (art. 4, II da Lei nº 8.218/91). Fl. 13DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 07/07/2011 p or GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado dig italmente em 06/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 14 4.Não se aplica o artigo 920 do Código Civil, ao caso, porquanto a multa possui natureza própria, não lhe sendo aplicáveis as restrições impostas no âmbito do direito privado. 5. A exclusão da multa ou a sua redução somente ocorrem com suporte na legislação tributária. 6. Recurso não provido.” (STJ. REsp 419.156. Rel Min. José Delgado. DJ 07/05/2002) Veja, portanto a ausência de efeito de confisco, uma vez que esse efeito é vedado pela Constituição Federal, na aplicação da multa. A referida multa tem caráter de penalidade. Outrossim, não é de competência desta Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento afastar aplicação de multa, sob o argumento de que essa seria confiscatória, uma vez que tratase de exigência legal. Neste sentido o Conselheiro José Henrique Longo reconheceu, no Acórdão nº 10806.571, da Oitava Câmara, a incompetência desta Câmara para afastar a aplicação da multa isolada, nos seguintes termos: “ Por fim, no tocante ao caráter confiscatório, não é permitido a este tribunal administrativo contrapor a escala de valores que o legislador ordinário aplicou, frente aos comandos da Constituição Federal. Cabe apenas ao Poder Judiciário essa prerrogativa de declarar ilegítima determinada norma, formalmente introduzida no sistema jurídico de modo válido. Desse modo nego seguimento ao recurso.” Sendo assim, nego provimento ao Recurso Voluntário quanto a esse mister. 4. Juros de Mora – SELIC No que tange a aplicação da Taxa Selic, também não assiste razão à Recorrente, na medida em que a partir de 01 de abril de 1995 os juros moratórios incidentes sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência à taxa referencial SELIC. Por todo exposto, dou provimento ao recurso voluntário. Caso vencido no mérito, nego provimento à pretensão de elidirse a contribuinte dos juros moratórios e da multa de ofício. (assinado digitalmente) Gileno Gurjão Barreto Relator Voto Vencedor Conselheiro Alan Fialho Gandra, Redator Designado Fl. 14DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 07/07/2011 p or GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado dig italmente em 06/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 11030.001916/200569 Acórdão n.º 330200.915 S3C3T2 Fl. 8 15 Data vênia o posicionamento defendido por outros julgadores deste Conselho, entendo que.a opção pelo regime alternativo do crédito presumido do IPI, de que trata a Lei nº 10.276/01, não pode ser feita retroativamente, bem como não pode ocorrer mudança de critério de apuração dentro de um mesmo anocalendário Conforme aventado no relatório acima, o auto de infração em apreço foi lavrado para cobrança de diferença IPI, a qual foi originada em virtude da Contribuinte ter aplicado retroativamente o regime alternativo do crédito presumido do IPI, instituído pela Lei nº 10.276/010 de setembro de 2001, e por ter mudado de critério de apuração dentro de um mesmo anocalendário. Vejamos o que reza a Lei nº 10.276/01 acerca da opção pelo regime alternativo do crédito presumido do IPI, verbis: Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 4o A opção pela alternativa constante deste artigo será exercida de conformidade com normas estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal e abrangerá, obrigatoriamente: I o último trimestrecalendário de 2001, quando exercida neste ano; II todo o anocalendário, quando exercida nos anos subseqüentes. Art. 3o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a contar de sua regulamentação pela Secretaria da Receita Federal. Regulamentando referida lei, a Receita Federal editou a Instrução Normativa nº 315/05 que, no que interessa, assim dispõe: Art. 2º A opção pelo regime alternativo de que trata esta Instrução Normativa abrangerá: I – todo o anocalendário; II – o período remanescente do anocalendário, na hipótese de exercício da opção quando do início de atividades da pessoa jurídica. Art. 3º A opção será formalizada: I – no Demonstrativo do Crédito Presumido (DCP) correspondente ao último trimestrecalendário do ano anterior, na hipótese do inciso I do art. 2º; Fl. 15DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 07/07/2011 p or GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado dig italmente em 06/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 16 II – no DCP correspondente ao primeiro trimestrecalendário de atividades, na hipótese do inciso II do art. 2º. Art. 16. Não será admitida a mudança de critério de apuração dentro de um mesmo anocalendário. Dos excertos normativos acima reproduzidos defluise que não é permitido a retroatividade da opção pelo regime alternativo, tampouco é permitido a mudança de critério de apuração dentro de um mesmo anocalendário. Sendo o que basta para o deslinde do contencioso e em vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra Fl. 16DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 07/07/2011 p or GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado dig italmente em 06/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA
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Numero do processo: 11050.001515/2009-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Datas dos Fatos Geradores: 09/09/2004; 16/09/2004; 24/09/2004
REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. MULTA DO ART. 107, IV, “E” DO DL 37/1966 (INs SRF 28/1994 E 510/2005). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE.
Em se tratando do descumprimento do prazo de registro dos dados de embarque na exportação estabelecido pelo art. 37 da IN SRF no 28/1994, a multa instituída no art. 107, IV, “e” do Decreto-lei
no 37/1966, na redação dada pela Lei no 10.833/2003, somente começou a ser passível de aplicação a partir de fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em vigor e fixou prazo certo para o registro desses dados no Siscomex.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3202-000.344
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência; no mérito, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Irene Souza da Trindade Torres.
Ausente momentaneamente o Conselheiro Octávio Carneiro Silva Corrêa.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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MULTA DO ART. 107, IV, “E” DO DL 37/1966 (INs SRF 28/1994 E 510/2005). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. Em se tratando do descumprimento do prazo de registro dos dados de embarque na exportação estabelecido pelo art. 37 da IN SRF no 28/1994, a multa instituída no art. 107, IV, “e” do Decretolei no 37/1966, na redação dada pela Lei no 10.833/2003, somente começou a ser passível de aplicação a partir de fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em vigor e fixou prazo certo para o registro desses dados no Siscomex. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência; no mérito, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Irene Souza da Trindade Torres. Ausente momentaneamente o Conselheiro Octávio Carneiro Silva Corrêa. Jose Luiz Novo Rossari Presidente. Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Júnior e Paulo Sergio Celani. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 2 Relatório Para fins de resumir a controvérsia, adoto o relatório do acórdão recorrido. “Trata o presente processo do auto de infração de fls. 02 a 06, por meio do qual encontrase formalizada a exigência do crédito tributário no valor de R$ 15.000,00 em decorrência do fato de a interessada, segunda a autuação, ter registrado intempestivamente os dados de embarque de mercadorias, relativos aos despachos de exportação indicados às fls. 04 e 05, descumprindo dessa forma a obrigação acessória prevista no art. 37 da Instrução Normativa SRF nº 28, de 27 de abril de 1994, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 510, de 14 de fevereiro de 2005, sujeitandose por essa infração à multa prevista na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pelo art. 61 da Medida Provisória nº 135, de 2003, publicada no DOU de 31/10/2003, e confirmada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Cientificada da exigência que lhe é imposta, a interessada apresenta a impugnação de fls. 11 a 22, argumentando, em síntese: a) a falta de proporcionalidade e razoabilidade da penalidade diante da infração acusada; b) que não pode ser punida de forma repetida pelo mesmo fato, sob pena de se caracterizar bis in idem; c) não houve prejuízo ao Erário Público; d) atendida a obrigação, mesmo que a destempo, mas acompanhada do pagamento integral do principal, ineficaz a aplicação da multa, já que o cumprimento do principal extingue o acessório.” A impugnação foi considerada improcedente pela unidade julgadora da RFB, nos termos do acórdão recorrido, cuja ementa está assim redigida: “Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2004 Registro dos dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação. Realização. Intempestiva. Infração. Penalidade. O registro dos dados de embarque, no Siscomex, relativo à mercadoria destinada à exportação realizado fora do prazo fixado constitui infração pelo descumprimento da obrigação acessória prevista no art. 37 da Instrução Normativa SRF nº 28, de 1994 sujeitando o transportador à multa prevista na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido.” Contra a decisão, a interessada ingressou com o recurso voluntário em análise, no qual afirma ter ocorrido a decadência antes de ter sido cientificada do auto de infração e repete os mesmos argumentos da impugnação. É o relatório. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 11050.001515/200902 Acórdão n.º 3202000.344 S3C2T2 Fl. 87 3 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo, atende aos demais requisitos de admissibilidade e é da competência da 3a. Seção de Julgamento. Logo, deve ser conhecido. Observo que a recorrente apenas apresenta argumentos de direito; ela não nega os fatos descritos no auto de infração, o que nos impõe considerálos verdadeiros. Quanto à alegação de decadência, que aprecio como preliminar, não deve ser aceita, pois a efetivação dos registros, cuja falta ocasionou a exigência em discussão, poderia ter ocorrido até as datas de 08/09/2004, para o navio LIBRA SANTOS 021N, 15/09/2004, para o navio CSAV MANZANILLO 4355N, e 23/09/2004, para o navio LIBRA RIO 014N, de modo que, a partir dos dias seguintes a estes, a fiscalização poderia e deveria formalizar a aplicação da multa, no prazo de cinco anos, à luz dos arts. 138 e 139 do DecretoLei n.º 37, de 18/11/1966. Vejamos os citados dispositivos: “Art.138 O direito de exigir o tributo extinguese em 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único. Tratandose de exigência de diferença de tributo, contarseá o prazo a partir do pagamento efetuado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Art.139 No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração.” Assim, o prazo decadencial extinguirseia, respectivamente, em 09/09/2009, 16/09/2009 e 24/09/2009. Conforme aviso de recebimento à folha 9 dos autos, a interessada foi cientificada do auto de infração em 27/08/2009, logo, antes de incidir a decadência. De acordo com o que já assentado pelo relator do acórdão recorrido, as infrações que ensejaram a lavratura do auto de infração que deu origem a este processo não dizem respeito a operações de importação, mas sim a exportações. Especificamente, a conduta atribuída à recorrente foi deixar de registrar nos sistemas informatizados de controle aduaneiro, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, os dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação. A recorrente não nega que procedeu aos registros somente após terem sido transcorridos sete dias do embarque. Afirma que, não obstante isto, tal intempestividade não seria suficiente para justificar a imposição da multa. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 4 A infração e a sanção em discussão estão definidas e fundamentadas na legislação aduaneira, em especial no DecretoLei n.º 37, de 18/11/1966, que possui status de lei. Vejamse alguns de seus dispositivos em vigor na data dos fatos e que fundamentaram a lavratura do auto de infração: “Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) ...” “Art.94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. § 1º O regulamento e demais atos administrativos não poderão estabelecer ou disciplinar obrigação, nem definir infração ou cominar penalidade que estejam autorizadas ou previstas em lei. § 2º Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.” “Art.96 As infrações estão sujeitas às seguintes penas, aplicáveis separada ou cumulativamente: ... III multa; ....” “Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) ... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) ... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e Fl. 90DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 11050.001515/200902 Acórdão n.º 3202000.344 S3C2T2 Fl. 88 5 ... § 2o As multas previstas neste artigo não prejudicam a exigência dos impostos incidentes, a aplicação de outras penalidades cabíveis e a representação fiscal para fins penais, quando for o caso. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003)” A autoridade fiscal fundamenta a aplicação da penalidade, também, no art. 37 da Instrução Normativa SRF n.º 28/94, de 27/04/1994, que com a redação dada pela IN SRF n.º 510/2005, de 14/02/2005, dispõe: "Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. § 1º Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no Siscomex, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos na unidade da SRF de despacho. § 2º Na hipótese de embarque marítimo, o transportador terá o prazo de sete dias para o registro no sistema dos dados mencionados no caput deste artigo.” Da leitura destes dispositivos, restaria claro que, ao deixar de registrar os dados de embarque de mercadorias objeto de declarações de exportação, no prazo de sete dias, contados da data do embarque, a recorrente não se conduziu do modo exigido no art.37 e na alínea “e” do inciso IV do art. 107, do DL n.º 37/66, fazendo incidir o comando do caput e do inciso IV deste artigo 107, ou seja, caracterizarseia infração, que, por força de lei, ensejaria aplicação da multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) ao infrator por infração. Há aqui, porém, um equívoco. É que, no caso, os embarques dos navios ocorreram no ano de 2004, quando ainda não havia sido editada a IN SRF n.º 510/2005. O artigo 37 da IN SRF n.º 28/94 possuía, então, a seguinte redação: “Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. Parágrafo único. Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no SISCOMEX, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos à unidade da SRF de despacho.” Logo, não se podia aplicar, na época dos fatos, o prazo de sete dias para o registro de dados de embarque de mercadoria, na via marítima, vez que a Secretaria da Receita Federal o estabeleceu apenas em 15/02/2005, por meio da IN SRF n.º 510/2005. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 6 Verificase, portanto, que o auto de infração está fundamentado em norma inadequada para aplicação da sanção, o que, por si só, não caracteriza cerceamento do direito de defesa, haja vista que a recorrente teve conhecimento dos fatos e da sanção que lhe foram imputados, tendo impugnado a exigência com argumentos que demonstram tal conhecimento. Por outro lado, verificase que a lei determina que a infração se dá com o descumprimento da obrigação de prestar informações na forma e no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal, de sorte que se estes não tiverem sido estabelecidos, não há que se falar em infração. Como vimos, conforme art. 37 da IN SRF n.º 28/94, com a redação vigente à data dos fatos, a forma estabelecida pela Receita Federal para a prestação de informações relativas ao embarque de mercadoria seria o registro dos seus dados no Sistema Integrado de Comércio ExteriorSiscomex. O momento para a efetivação destes registros era “imediatamente após realizado o embarque da mercadoria”. O termo “imediatamente”, no caso, pode levar à interpretação de que o prazo seria indeterminado ou que seria no instante seguinte ao do embarque. De uma ou de outra forma, não pode a imposição da penalidade se sustentar, pois se “imediatamente” implica um prazo indeterminado, não há como aplicar a pena sob a alegação de que o prazo de sete dias, ou qualquer outro, foi descumprido; e, se o termo “imediatamente” significa que o transportador ou o agente de carga deve proceder aos registros do embarque nos instantes seguintes a este, vale dizer, nos segundos ou minutos seguintes, então, este termo não define um prazo. Determinar que alguém deve fazer algo imediatamente não pode ser equiparado a dar um prazo a este alguém para fazêlo. Ora, o comando da norma é claro: deve haver um prazo para o cumprimento da obrigação. A própria RFB reconheceu a impropriedade de se exigir que o registro dos dados de embarque se fizesse nos instantes seguintes à sua efetivação que expediu a Notícia Siscomex no 105/1994, pela qual veiculou que o termo “imediatamente” deveria ser entendido como “em até 24 horas da data do efetivo embarque da mercadoria”. Por outro lado, uma vez que Notícia Siscomex não possui caráter normativo, nem sequer consta da Portaria SRF n.º 1, de 02/01/2001, que disciplina a edição de atos de natureza tributária e aduaneira, de atos administrativos, despachos e correspondência da Secretaria da Receita Federal, o prazo de 24 horas nela referido não pode ser considerado como o prazo a ser exigido do transportador ou agente de carga. Deste modo, o prazo somente foi estabelecido com a edição da IN SRF n.º 510/2005, portanto, só após a sua entrada em vigor se pode dizer que foi descumprido. Não vejo, pois, como manter a autuação nos termos em que formalizada, especialmente, porque à época dos fatos não havia um prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal para a efetivação dos registros dos dados de embarque de mercadoria destinada ao exterior, motivo pelo qual dou provimento ao recurso voluntário, consideradas prejudicadas as alegações da recorrente. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 11050.001515/200902 Acórdão n.º 3202000.344 S3C2T2 Fl. 89 7 Paulo Sergio Celani Fl. 93DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI
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Numero do processo: 35204.007243/2006-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/1999 a 31/05/2003
DECADÊNCIA. SEGURADO ESPECIAL. DIRIGENTE SINDICAL. REMUNERAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO INDEVIDA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
Sendo assim há que se observar o disposto no artigo 150, §4º, do CTN, considerada a totalidade de contribuições incidente sobre a folha de salário.
É indevido o recolhimento de contribuições sociais previdenciárias sobre os rendimentos pagos pela entidade sindical aos dirigentes que preservem a qualidade de segurado especial.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2301-002.078
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a).
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1999 a 31/05/2003 DECADÊNCIA. SEGURADO ESPECIAL. DIRIGENTE SINDICAL. REMUNERAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO INDEVIDA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. Sendo assim há que se observar o disposto no artigo 150, §4º, do CTN, considerada a totalidade de contribuições incidente sobre a folha de salário. É indevido o recolhimento de contribuições sociais previdenciárias sobre os rendimentos pagos pela entidade sindical aos dirigentes que preservem a qualidade de segurado especial. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado.
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SEGURADO ESPECIAL. DIRIGENTE SINDICAL. REMUNERAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO INDEVIDA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. Sendo assim há que se observar o disposto no artigo 150, §4º, do CTN, considerada a totalidade de contribuições incidente sobre a folha de salário. É indevido o recolhimento de contribuições sociais previdenciárias sobre os rendimentos pagos pela entidade sindical aos dirigentes que preservem a qualidade de segurado especial. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 07/06/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Damião Cordeiro de Moraes (VicePresidente), Bernadete de Oliveira Barros, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 07/06/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 35204.007243/200661 Acórdão n.º 230102.078 S2C3T1 Fl. 261 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário impetrado pela FEDERAÇÃO DOS TRABALHADORES NA AGRICULTURA DO ESTADO DO PERNAMBUCO – FETAPE em face do acórdão nº 1119.426, da 7ª Turma da DRJ/REC de Recife – PE, que julgou procedente o lançamento fiscal. 2. Segundo narra o relatório fiscal, “os fatos geradores são as remunerações devidas, creditadas ou pagas pela empresa aos Dirigentes Sindicais que mantiveram a qualidade de Segurados Especiais”. (fl. 29) 3. A decisão de primeira instância restou ementada nos termos que ora transcrevo abaixo: “PRELIMINAR. PRESCRIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A prescrição importa a perda do direito da Fazenda Pública de promover o ajuizamento da ação de execução. Não há que se falar em prescrição de créditos previdenciários que ainda não foram constituídos definitivamente. PRELIMINAR. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. O prazo decadencial para o lançamento de contribuições previdenciárias é de 10 anos. SEGURADO ESPECIAL. DIRIGENTE SINDICAL. CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA. A entidade sindical que remunera dirigente que mantém a qualidade de segurado especial é obrigada a recolher a contribuição a cargo da empresa incidente sobre os rendimentos pagos ao dirigente. JUROS DE MORA. As contribuições sociais pagas com atraso sujeitamse a juros equivalentes à taxa SELIC, de caráter irrelevável, por expressa determinação legal. O Código Tributário Nacional outorga a faculdade de estipular os juros de mora em percentual diverso de 1% , desde que previsto em lei. CONSTITUCIONALIDADE É vedado ao julgador administrativo afastar a aplicação, por inconstitucionalidade ou ilegalidade, de tratado, acordo internacional, lei, decreto ou ato normativo em vigor. (...) JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. REQUISITOS. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 07/06/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 A prova documental será apresentada na impugnação precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, por não terem sido demonstrados os requisitos legais exigidos. Lançamento Procedente.” 4. Em seu recurso voluntário, o contribuinte alegou, em apertada síntese, o que segue: a) a tempestividade do recurso administrativo apresentado, tendo em vista que foi intimado da decisão em 23/08/2007, sendo que a contagem de seu prazo iniciouse no dia 24/08/2007 e terminou em 22/09/2007 (sábado), sendo prorrogado, assim, para o dia 24/09/2007; b) inconstitucionalidade da exigência do depósito prévio, contidas no art. 126, § 1º da Lei n.º 8.213/91 e no art. 23 da Portaria 10.875, de 16/08/2007, da Secretaria da Receita Federal; c) que conforme consta do art. 12, inciso VII, da Lei 8.212/91, “o dirigente sindical mantém, durante o exercício do mandato eletivo, o mesmo enquadramento no Regime Geral de Previdência Social – RGPS de antes da investidura”; d) a impossibilidade de cobrança de contribuição social previdenciária sobre a retribuição financeira paga por entidade sindical a dirigente que se enquadra como segurado especial, diante da falta de previsão legal; e) a decadência quinquenal referente ao período de 07/1999 a 05/2003; f) inaplicabilidade da taxa referencial da SELIC como fator de correção dos tributos em atraso, posto que está em desacordo com o que preceitua a Constituição Federal; g) por fim, a natureza remuneratória da taxa de juros SELIC e a sua consequente inaplicabilidade aos débitos tributários, bem como a impossibilidade de sua cumulação. 5. Posteriormente a recorrente apresentou petição aos autos requerendo que fosse observado o Parecer PGFN/CAT/Nº 1645, de 30 de julho de 2008, em que o fisco reconhece que não deve incidir qualquer contribuição previdenciária sobre a remuneração percebida pelo dirigente sindical enquadrado como segurado especial da Previdência Social. (fls. 249/250) 6. Por fim, os autos foram encaminhados à análise deste Conselho. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 07/06/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 35204.007243/200661 Acórdão n.º 230102.078 S2C3T1 Fl. 262 5 Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes ADMISSIBILIDADE DO RECURSO 1. No que se refere à exigibilidade do depósito recursal, cumpre ressaltar que a garantia de instância para admissibilidade de recurso administrativo foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº. 1976, resultando na edição da súmula vinculante nº 21. 2. Consta da redação da súmula que “É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo.”. Dessa forma, não sendo mais exigível o depósito recursal, conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DECADÊNCIA 3. Preliminarmente, é importante que seja feita a análise da decadência, conforme requerido pelo contribuinte, tendo em vista que parte do crédito tributário constituído já se encontra decaída, segundo o prazo quinquenal previsto no Código Tributário Nacional. 4. Sobre essa questão, cumpre dizer que, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: “Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém se hígida a legislação anterior, com seus prazos quinquenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 07/06/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 É como voto. Súmula Vinculante n° 08: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. 5. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentados pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.” 6. Ainda sobre o assunto, a Lei n° 11.417, de 19 de dezembro de 2006, dispõe o que segue: “Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2º O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1º O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão.” 7. Assim, como demonstrado, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. 8. Dessa forma, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplicar ao caso concreto. 9. Compulsando os autos, constatase no Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal – TEAF (fls. 27/28) que houve o recolhimento de parte das contribuições sociais previdenciárias, considerada a totalidade da folha de salário da empresa, posto que foram analisados os Comprovantes de Recolhimento e GFIP’s. Sendo assim, há que se observar o disposto no artigo 150, §4º, do CTN. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 07/06/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 35204.007243/200661 Acórdão n.º 230102.078 S2C3T1 Fl. 263 7 10. Desta forma, tendo sido cientificada a recorrente do lançamento fiscal em 24/11/2006, referente às contribuições do período de 01/07/1999 a 31/05/2003, ficam alcançadas pela decadência quinquenal as competências 07/1999 a 10/2001, restando mantidas as competências 11/2001 a 05/2003. 11. E considerando a existência de débito remanescente, passo a examinar as demais questões recursais. DO LANÇAMENTO 12. Conforme narrado no relatório fiscal, os fatos geradores do lançamento são as remunerações devidas, creditadas ou pagas pelo recorrente aos Dirigentes Sindicais que mantiveram a qualidade de Segurados Especiais. (fl. 29) 13. De início, é importante frisar que, nos termos do anexo Fundamentos Legais do Débito – FLD (fls. 18/19), a notificação se deu com fulcro na Lei Complementar n.º 84/96. Ocorre que a LC 84/96 que instituiu fonte de custeio para a manutenção da Seguridade Social, na forma do § 4º, do artigo 195 da Constituição Federal, foi revogada pela Lei n.º 9.876, de 26 de novembro de 1999. 14. O que significa dizer que, como o débito referese ao período 07/1999 a 05/2003, parte do lançamento se deu com base em norma revogada. Não há dúvidas de que durante o período de 18 de janeiro de 1996 a 26 de novembro de 1999, vigência da LC 84/96, o contribuinte era obrigado a recolher contribuição previdenciária sobre o total das remunerações ou retribuições pagas ou creditadas no decorrer do mês pelos serviços que lhes prestem, sem vínculo empregatício, os segurados empresários, trabalhadores autônomos, avulsos e demais pessoas físicas, conforme dispunha o inciso I, do artigo 1º, da referida lei, in verbis: “Art. 1º Para a manutenção da Seguridade Social, ficam instituídas as seguintes contribuições sociais: I a cargo das empresas e pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, no valor de quinze por cento do total das remunerações ou retribuições por elas pagas ou creditadas no decorrer do mês, pelos serviços que lhes prestem, sem vínculo empregatício, os segurados empresários, trabalhadores autônomos, avulsos e demais pessoas físicas;” 15. Porém, com o advento da Lei 9.876/99, a Federação deixou de ser obrigada a recolher o valor de quinze por cento sobre o valor total de suas remunerações ou retribuições. 16. Não bastasse isso, a Lei 8.212/91, em seu artigo 12, § 5º, dispõe expressamente que “o dirigente sindical mantém, durante o exercício do mandado eletivo, o mesmo enquadramento no Regime Geral de Previdência Social – RGPS de antes da investidura”. O que significa que no caso em análise o contribuinte, mesmo estando exercendo a função de dirigente sindical, continuaria como segurado especial. 17. E o inciso VII, do referido dispositivo legal (artigo 12), vigente à época dos fatos, conceituava segurado especial como “o produtor, o parceiro, o meeiro e o arrendatário rurais, o pescador artesanal e o assemelhado, que exerçam essas atividades individualmente ou em regime de economia familiar, ainda que com auxílio eventual de Fl. 7DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 07/06/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 terceiros, bem como seus respectivos cônjuges ou companheiros e filhos maiores de quatorze anos ou a eles equiparados, desde que trabalhem, comprovadamente, com o grupo familiar respectivo”. 18. Com efeito, o relato fiscal aponta que a condição do Dirigente Sindical era de segurado especial conforme transcrito abaixo: “DIR — Dirigentes Sindicais Segurados Especiais Os fatos geradores são as_remunerações devidas creditadas ou pagas pela empresa aos Dirigentes Sindicais que mantiveram a qualidade de Segurados Especiais. Foram apurados através do exame das GFIP apresentadas pela empresa. Este levantamento é exclusivo para esses fatos geradores porque nestas competências o sindicato não efetuou nenhum recolhimento de contribuições previdenciárias referente a remunerações pagas a esses segurados, conforme declaração do sindicato, em anexo. Esses segurados são informados nas GFIP como categoria 13 de 07/1999 a 03/2003 e categoria 22 de 04/2003 a 05/2003.” (fl. 29) 19. E sobre segurado especial a Constituição Federal diz no §8º, do artigo 195, que “o produtor, o parceiro, o meeiro e o arrendatário rurais e o pescador artesanal, bem como os respectivos cônjuges, que exerçam suas atividades em regime de economia familiar, sem empregados permanentes, contribuirão para a seguridade social mediante a aplicação de uma alíquota sobre o resultado da comercialização da produção e farão jus aos benefícios nos termos da lei”. 20. Com base nesse contexto tenho como certo afirmar que o segurado especial somente está obrigado ao pagamento das contribuições incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção. Nesse mesmo sentido, sito o Parecer PGFN/CAT n.º 1645/2008, junto pelo contribuinte às fls. 252/259: “20... o segurado especial, quando assume mandato eletivo, continua a contribuir somente sobre o resultado da comercialização de sua produção, pois se cuida de categoria que teve tratamento diferenciado em relação às demais, ex vi do § 8º do art. 195 da CF. (...) 23. Isso não significa dizer que o segurado aposentado que continuar a produzir e comercializar a produção, deixa de contribuir para a previdência. Não se pode esquecer que a proteção é dada ao próprio segurado e à sua família, assim nada mais justo que a continuidade da incidência das alíquotas destinadas a essa categoria sobre a comercialização da produção, mesmo sendo o segurado aposentado.” 21. E a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, ao concluir seu Parecer, ressalta que o segurado especial, aposentado ou não, não se sujeita à cobrança da contribuição previdenciária sobre a remuneração que receber em razão de exercício de mandato: “25. Por conseguinte, é de se concluir: a) o tratamento previdenciário do dirigente sindical de qualquer categoria, à exceção do segurado especial, está adstrito aos termos do § 5º do art. 12 da Lei n.º 8.212, de 1991, ou seja, sempre será Fl. 8DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 07/06/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 35204.007243/200661 Acórdão n.º 230102.078 S2C3T1 Fl. 264 9 considerado, para fins de cobrança da contribuição, o enquadramento anterior à investidura; b) o segurado especial, aposentado ou não, está indene à cobrança da contribuição previdenciária sobre a remuneração percebida em razão de mandato, por força do tratamento específico que a Constituição confere a essa espécie de segurado.” 22. Assim, entendo que não há incidência de contribuição social sobre a remuneração percebida pelo segurado especial no exercício do mandato de dirigente sindical: CONCLUSÃO 23. Diante do exposto, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, nos termos acima expostos. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Fl. 9DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 07/06/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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