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Numero do processo: 14485.000209/2007-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2000 a 31/08/2006
DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A
QUO NO CASO CONCRETO.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei
nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à
decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional
(CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do
referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN
(primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter
sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º
do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação
nos quais haja pagamento antecipado em relação aos fatos geradores
considerados no lançamento. Constatandose
dolo, fraude ou simulação, a
regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. Na ausência
de pagamentos relativos ao fato gerador em discussão, é de ser aplicada esta
última regra.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA SEM
OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. INCIDÊNCIA DA
CONTRIBUIÇÃO. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA MULTA COM
PERCENTUAL LIMITADO A VINTE POR CENTO, SE MAIS BENÉFICA AO
CONTRIBUINTE.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou
inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo,
portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
No presente caso, aplicase
a regra do artigo 150, §4º, do CTN, haja vista a
existência de pagamento parcial do tributo, considerada a totalidade da folha
de salários da empresa recorrente.
A não incidência da contribuição social previdenciária está adstrita aos
pagamentos realizados a título de participação nos lucros ou resultados da
empresa, pressupondo a observância requisitos mínimos estabelecidos pela
Lei nº 10.101/2000.
As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na
hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova
redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei
nº 9.430/1996.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2301-002.402
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para, no que tange à decadência, utilizar a regra expressa no I, Art. 173 do CTN, nos termos do voto do Redator(a) designado. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em utilizar a regra expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; II) Por maioria de votos: a) em excluir, devido à regra decadencial decidida, as contribuições apuradas até a competência 12/2001, anteriores a 01/2002, nos termos do voto do Redator(a) Designado(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em excluir, devido à regra decadencial decidida, as contribuições apuradas até a competência 11/2001, anteriores a 12/2001; b) em manter a aplicação da multa. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou em excluir a multa presente no lançamento; c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento às demais alegações apresentadas pela Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator Designado(a): Mauro José Silva. Defesa Oral: Rodrigo Simoneti Lodi - OAB: 210.249 / DF.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2000 a 31/08/2006 DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado em relação aos fatos geradores considerados no lançamento. Constatandose dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. Na ausência de pagamentos relativos ao fato gerador em discussão, é de ser aplicada esta última regra. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA SEM OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA MULTA COM PERCENTUAL LIMITADO A VINTE POR CENTO, SE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. No presente caso, aplicase a regra do artigo 150, §4º, do CTN, haja vista a existência de pagamento parcial do tributo, considerada a totalidade da folha de salários da empresa recorrente. A não incidência da contribuição social previdenciária está adstrita aos pagamentos realizados a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, pressupondo a observância requisitos mínimos estabelecidos pela Lei nº 10.101/2000. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
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PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado em relação aos fatos geradores considerados no lançamento. Constatandose dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. Na ausência de pagamentos relativos ao fato gerador em discussão, é de ser aplicada esta última regra. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA SEM OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA MULTA COM PERCENTUAL LIMITADO A VINTE POR CENTO, SE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. No presente caso, aplicase a regra do artigo 150, §4º, do CTN, haja vista a existência de pagamento parcial do tributo, considerada a totalidade da folha de salários da empresa recorrente. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 2 A não incidência da contribuição social previdenciária está adstrita aos pagamentos realizados a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, pressupondo a observância requisitos mínimos estabelecidos pela Lei nº 10.101/2000. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para, no que tange à decadência, utilizar a regra expressa no I, Art. 173 do CTN, nos termos do voto do Redator(a) designado. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em utilizar a regra expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; II) Por maioria de votos: a) em excluir, devido à regra decadencial decidida, as contribuições apuradas até a competência 12/2001, anteriores a 01/2002, nos termos do voto do Redator(a) Designado(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em excluir, devido à regra decadencial decidida, as contribuições apuradas até a competência 11/2001, anteriores a 12/2001; b) em manter a aplicação da multa. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou em excluir a multa presente no lançamento; c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento às demais alegações apresentadas pela Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator Designado(a): Mauro José Silva. Defesa Oral: Rodrigo Simoneti Lodi OAB: 210.249 / DF. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. (assinado digitalmente) Mauro Jose Silva Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Fl. 6DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 14485.000209/200767 Acórdão n.º 230102.402 S2C3T1 Fl. 2 3 Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes, ausente o conselheiro Wilson Antonio de Souza Correa. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 4 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela contribuinte COMPANHIA DE SEGUROS ALIANÇA BRASIL, contra decisão que julgou procedente o lançamento referente às contribuições devidas à Seguridade Social – quais sejam, a contribuição dos segurados empregados, as contribuições da empresa devidas ao FPAS (incisos I e III, do art. 22, da Lei 8.212/91), a contribuição para o financiamento dos benefícios em razão da incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e as contribuições devidas a terceiras entidades –, em decorrência da falta de recolhimento no período de 3/2000 a 8/2006. 2. Segundo o relatório fiscal, as contribuições tem como base de cálculo a distribuição de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) aos segurados empregados e diretores da sociedade, em desacordo com a Lei 10.101/2000, que trata da forma de distribuição de PLR (ff. 26 a 30). 3. O julgamento administrativo de origem recebeu a ementa que se transcreve abaixo: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2000 a 30/06/2006 Processo origem: NFLD DEBACD 37.063.9200 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DECADÊNCIA – PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS EM DESACORDO COM A LEI – SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. JUROS. MULTA 1.. O prazo de decadência para a constituição do crédito previdenciário é de 10 (dez) anos, conforme dispõe o art. 45 da Lei 8.212/91. 2.Considerase saláriodecontribuição a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades. Art. 28, inc. I da Lei 8.212/91. 3. A empresa é obrigada a recolher à Seguridade Social a contribuição a seu cargo e sob sua responsabilidade, incidente sobre as remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuinte individuais que lhe prestem serviços. 4. Integra o saláriode contribuição pelo seu valor total o pagamento de verbas a título de participação nos lucros ou resultados, quando em desacordo com a legislação correlata. Art. 28, § 9º, da Lei 8.212/91 e Art. 241, I, § 10, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.040/99. Lançamento Procedente” Fl. 8DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 14485.000209/200767 Acórdão n.º 230102.402 S2C3T1 Fl. 3 5 4. O contribuinte, por sua vez, nas razões recursais, insurgese contra os seguintes pontos da decisão: a) desnecessidade de depósito recursal para análise do presente recurso voluntário; b) nulidade da notificação pela falta de especificidade da base de cálculo apurada e lançada, o que teria impossibilitado a defesa dos valores lançados; c) decadência dos períodos de 3/2000 a 8/2002; d) desvinculação constitucional da verba recebida como PLR do salário do empregado, bem como a imunidade de tais verbas; e) provimento do recurso voluntário para anular o débito fiscal lançado. 5. Sem contrarrazões, os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação do recurso voluntário. É o relatório. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 6 Voto Vencido Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso de ofício, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DA IRREGULARIDADE NA NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO 2. O contribuinte alega que o lançamento do débito deve ser considerado nulo, tendo em vista que “as informações registradas na NFLD contestada não permitiram à Recorrente exercer de forma plena seu direito de defesa garantido constitucionalmente, vez que os valores ali apontados não evidenciaram a origem dos créditos [...]” (f. 167) 3. Contudo, não há que se falar, na hipótese, de cerceamento de defesa, visto que houve o devido apontamento dos dispositivos legais que fundamentaram o lançamento. Da mesma forma, a autoridade julgadora enfrentou as principais alegações que nortearam a defesa do contribuinte (ff. 13 a 15). 4. Além disso, cumpre ressaltar que o lançamento encontrase devidamente fundamentado e motivado, em consonância com o que determina a legislação que rege o processo administrativo fiscal, notadamente o art. 50, da Lei n.º 9.784/99. 5. Nesse sentido, entendo que a decisão de primeira instância não deve ser retificada nesse ponto. Assim, rejeito a alegação de irregularidade. DA DECADÊNCIA 6. Preliminarmente, tendo em vista o período de apuração da exação objeto do presente recurso, se faz necessária a verificação da matéria relativa aos débitos atingidos pela decadência, nos termos do Código Tributário Nacional. 7. Sobre essa questão, cumpre dizer que o Supremo Tribunal Federal, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08, verbis: Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 14485.000209/200767 Acórdão n.º 230102.402 S2C3T1 Fl. 4 7 8. Os efeitos da Súmula Vinculante estão previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentados pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.” 9. Ainda sobre o assunto, a Lei n° 11.417, de 19 de dezembro de 2006, dispõe o que segue: “Art. 2º O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1º O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão.” 10. Assim, como demonstrado, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Dessa forma, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência, prevista no Código Tributário Nacional – CTN, se aplica ao caso concreto. 11. Acerca das regras de verificação da decadência do crédito tributário, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça está consolidada no seguinte sentido: “[...] 1. Está assentado na jurisprudência desta Corte que, nos casos em que não tiver havido o pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação, é de se aplicar o art. 173, inc. I, do Código Tributário Nacional (CTN). Isso porque a disciplina do art. 150, § 4º, do CTN estabelece a necessidade de antecipação do pagamento para fins de contagem do prazo decadencial. Precedente em recurso representativo de controvérsia (REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 18.9.2009). [...] 3. Recurso especial parcialmente provido”. (REsp 1015907/RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe 10/09/2010) “[...] 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp Fl. 11DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 8 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelam se caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008”. (REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 18/09/2009). 12. Compulsando os autos, verificase que não houve prova do recolhimento parcial sobre os valores tributados, em face da totalidade das folhas de salários da empresa. A recorrente não juntou os comprovantes de pagamento da exação no período lançado, nem tampouco há notícias de que o Fisco analisou ou teve acesso a tais documentos. 13. Uma vez que consta nos autos documento capaz de atestar o recolhimento parcial antecipado da exação, segundo a jurisprudência do STJ supracitada, atrai a aplicação da regra do art. 150, § 4º do CTN. 14. Considerando que o contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal em 12/9/2007, referente às contribuições do período de 01/03/2000 a 30/06/2006, fica alcançado pela decadência quinquenal parte do período correspondente ao lançamento do crédito tributário, no período compreendido até 8/2002. DO MÉRITO A PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS 15. Cingese a controvérsia principal, nos presentes autos, à incidência de contribuições previdenciárias sobre os pagamentos efetuados pela empresa recorrente a seus empregados sob a rubrica de Participação nos Lucros ou Resultados (PLR). Fl. 12DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 14485.000209/200767 Acórdão n.º 230102.402 S2C3T1 Fl. 5 9 16. A fiscalização desconsiderou a distribuição dos resultados aos empregados feita por meio de decisão das Assembleias Gerais Ordinárias (AGO) e Extraordinárias (AGE). Resta saber se, no caso concreto, os valores pagos pelo empregador a título de PLR tem natureza salarial ou não. 17. A Constituição Federal de 1988, no inc. XI do art. 7º, incluiu entre os direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, a participação nos lucros ou resultados dos seus empregadores. O texto constitucional, neste ponto, é enfático ao assegurar a sua desvinculação da remuneração percebida pelo empregado, de acordo com os critérios legais. Eis o teor do dispositivo: “Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visam à melhoria de sua condição social: XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei.” 18. Nesse sentido, a Lei de Custeio da Seguridade Social em seu artigo 28, § 9º, "j"`, condicionou a não incidência de contribuição previdenciária ao atendimento dos critérios fixados em lei específica: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica;” 19. Deste modo, para que uma empresa possa efetuar pagamentos aos seus funcionários do referido benefício, são necessários que se preencham alguns requisitos mínimos dispostos no artigo 2°, da Lei nº 10.101/2000: “Art.2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; Fl. 13DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 10 II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente.” 20. Posta a norma resta saber se o procedimento adotado pela empresa afrontou ou não tal regulamentação. 21. Consoante entendimento do Supremo Tribunal Federal, o exercício do direito assegurado pelo referido artigo começaria “com a edição da lei prevista no dispositivo para regulamentálo, diante da imperativa necessidade de integração”. (RE 398284, Relator Min. Menezes Direito, Primeira Turma, julgado em 23/09/2008). A seu turno, a regulamentação do dispositivo “somente ocorreu com a edição da Medida Provisória 794/94”, posteriormente convertida na Lei 10.101/00. (RE 393764 AgR, Rel. Min. Ellen Gracie, Segunda Turma, julgado em 25/11/2008) 22. É dizer: a não incidência da contribuição social previdenciária está adstrita aos pagamentos realizados a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, pressupondo a observância de requisitos mínimos estabelecidos pela Lei nº 10.101/2000. Uma vez descaracterizado o benefício, as quantias em comento pagas pelo empregador a seus empregados ostentam a natureza de remuneração, passíveis, pois, de serem tributadas. 23. Não obstante o arrazoado pelo recorrente, considerase que os documentos carreados aos autos demonstram que não havia na empresa um programa de participação nos lucros ou resultados com o acompanhamento dos trabalhadores (ff. 4477). A base procedimental trazida pelo contribuinte na distribuição dos lucros não é suficiente para o cumprimento das formalidades legais. 24. A estrutura montada pela empresa – com a deliberação em assembleia de acionistas – não é satisfatória para determinar a natureza dos pagamentos como sendo excluídas da base de cálculo do tributo. A preocupação do legislador, constante na Lei 10.101/00, é no sentido de salvaguardar o direito do trabalhador. 25. Urge ressaltar que a regulamentação normativa tem o escopo de proteger o trabalhador, para que sua participação nos lucros se efetive. Assim, podese concluir que os documentos trazidos aos autos não indicam que houve uma negociação prévia entre as partes e nem possuem o condão de retificar a autuação fiscal. 26. Diante desses elementos, deve ser mantida a tributação das contribuições provisórias incidentes sobre a distribuição dos lucros e resultados para os empregados da recorrente. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. 27. Ressaltase que, em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte. No caso em apreço, esse cotejo deve ser promovido em virtude das alterações trazidas pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que instituiu mudanças à penalidade cominada pela conduta da Recorrente à época dos fatos geradores. 28. Assim, identificando o Fisco benefício ao contribuinte na penalidade nova, essa deve retroagir em seus efeitos, conforme ocorre com a nova redação dada ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991 que assim dispõe: Fl. 14DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 14485.000209/200767 Acórdão n.º 230102.402 S2C3T1 Fl. 6 11 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 29. Por sua vez, o art. 61 da Lei nº 9.430/96 reza: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. 30. Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia que a multa atingisse o patamar de 100%, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. 31. Sendo assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, se for mais benéfica para o contribuinte. CONCLUSÃO 32. Dado o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, apenas para decotar a parte decaída do crédito relativa às competências anteriores a 8/2002, da mesma forma, para que seja aplicada a multa prevista no art. 61, § 2º da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica ao contribuinte, nos termos acima delineados. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 15DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 12 Voto Vencedor Conselheiro Mauro José Silva, Redator Designado Apresentamos nossas considerações em sintonia com os aspectos do Acórdão para os quais fomos designados como Redator do voto vencedor. Decadência. Prazo de cinco anos e dies a quo tomando a regra do art. 173, inciso I ou art. 150, §4º, conforme detalhes do caso A aplicação da decadência suscita o esclarecimento de duas questões essenciais: o prazo e o dies a quo ou termo de início. O prazo decadencial para as contribuições sociais especiais para a seguridade social, que era objeto de disputa com relação à aplicação do que dispunha a Lei 8.212/1991 – dez anos ou o CTN – cinco anos, suscitou o surgimento de súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal (STF). Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: Fl. 16DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 14485.000209/200767 Acórdão n.º 230102.402 S2C3T1 Fl. 7 13 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos devem acatar o conteúdo da Súmula Vinculante n°. 08. Temos, então, que a partir da edição da Súmula Vinculante nº 08 o prazo decadencial das contribuições sociais especiais destinadas para a seguridade social é de cinco anos. Definido o prazo decadencial, resta o esclarecimento sobre o seu dies a quo. Como podemos extrair dos trechos citados acima, a referida súmula trata, no que se refere â decadência, da definição de seu prazo – 05 anos – em harmonia com o previsto no CTN , deixando o dies a quo do prazo decadencial para ser definido segundo as regras constantes do art. 150,§4º ou do art. 173, inciso I do CTN. Fl. 17DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 14 A regra geral para aplicação dos termos iniciais da decadência encontrase disciplinada no art. 173 CTN: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Quis o legislador dispensar tratamento diferenciado para os contribuintes que antecipassem seus pagamentos, cumprindo suas obrigações tributárias corretamente junto a Fazenda Pública, fixando o termo inicial do prazo decadencial anterior ao do aplicado na regra geral, no dispositivo legal do §4o do art. 150 do CTN, in verbis : "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Observese, pois que, da definição do termo inicial do prazo de decadência, há de se considerar o cumprimento pelo sujeito passivo do dever de interpretar a legislação aplicável para apurar o montante devido e efetuar o pagamento ou o recolhimento do tributo ou contribuição correspondente a determinados fatos jurídicos tributários. Nesta mesma linha transcrevemos algumas posições doutrinárias: Misabel Abreu Machado Derzi, Comentários ao Código Tributário Nacional, coordenado por Carlos Valder do Nascimento, Ed. Forense, 1997, pág. 160 e 404: “A inexistência do pagamento devido ou a eventual discordância da Administração com as operações realizadas pelo sujeito passivo, nos tributos lançados por homologação, darão ensejo ao lançamento de ofício, na forma disciplinada Fl. 18DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 14485.000209/200767 Acórdão n.º 230102.402 S2C3T1 Fl. 8 15 pelo art. 149 do CTN, e eventual imposição de sanção.” (auto de infração). “O prazo para homologação do pagamento, em regra, é de cinco anos, contados a partir da data da ocorrência do fato gerador da obrigação. Portanto a forma de contagem é diferente daquela estabelecida no art. 173, própria para os demais procedimentos, inerentes ao lançamento com base em declaração ou de ofício. Tratase de prazo mais curto, menos favorável a Administração, em razão de ter o contribuinte cumprido com seu dever tributário e realizado o pagamento do tributo.”. Luciano Amaro , Direito Tributário Brasileiro, Ed. Saraiva, 4a Ed., 1999, pág. 352: “Se porém o devedor se omite no cumprimento do dever de recolher o tributo, ou efetua recolhimento incorreto, cabe a autoridade administrativa proceder ao lançamento de ofício (em substituição ao lançamento por homologação, que se frustrou em razão da omissão do devedor), para que possa exigir o pagamento do tributo ou da diferença do tributo devido.”. Sob o mesmo enfoque, no Acórdão CSRF/0101.994, manifestouse o Relator: “O lançamento por homologação pressupõe o pagamento do crédito tributário apurado pelo contribuinte, prévio de qualquer exame da autoridade lançadora. Segundo preceitua o art. 150 do Código Tributário Nacional, o direito de homologar o pagamento decai em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, exceto nos casos de fraude, dolo ou simulação, situações previstas no § 4º do referido artigo 150. O que se homologa é o pagamento efetuado pelo contribuinte, consoante dessumese do referido dispositivo legal. O que não foi pago não se homologa, porque nada há a ser homologado. Se o contribuinte nada recolheu, se houve insuficiência de recolhimento e estas situações são identificadas pelo Fisco, estamos diante de uma hipótese de lançamento de ofício. Tratase de lançamento ex officio cujo termo inicial da contagem do prazo de decadência é aquele definido pelo artigo 173 do Código Tributário Nacional, ou seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.” (negrito da transcrição). O Superior Tribunal de Justiça (STJ), que durante anos foi bastante criticado pela doutrina por adotar a tese jurídica da aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, julgou em maio de 2009 o Recurso Especial 973.733 – SC (transitado em julgado em outubro de 2009) como recurso repetitivo e definiu sua posição mais recente sobre o assunto, conforme podemos conferir na ementa a seguir transcrita: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO Fl. 19DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 16 CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadência regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Extraise do julgado acima transcrito que o STJ, além de afastar a aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, definiu que o dies a quo para a decadência nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação somente será aquele da data do fato gerador quando o contribuinte tiver realizado o pagamento antecipado. Nos demais casos, deve ser aplicado o dispositivo do art. 173, inciso I. Fl. 20DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 14485.000209/200767 Acórdão n.º 230102.402 S2C3T1 Fl. 9 17 Apesar de contribuir para clarificar a aplicação da decadência, tal julgado não eliminou por completo as possíveis dúvidas do aplicador da lei. Entre elas, a que nos interessa no momento é a seguinte: qualquer pagamento feito pelo contribuinte relativo ao tributo e ao período analisado desloca a regra do dies a quo da decadência do art. 173, inciso I para o art. 150, § 4º? Nossa resposta é: não. O pagamento antecipado realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4º em relação aos fatos geradores considerados pelo contribuinte para efetuar o cálculo do montante a ser pago antecipadamente. Fatos não considerados no cálculo, seja por omissão dolosa ou culposa, se identificados pelo fisco durante procedimento fiscal que antecede o lançamento, permanecem com o dies a quo do prazo decadencial regido pelo art. 173, inciso I. Vale dizer que a aplicação da regra decadencial do art. 150, §4º referese aos aspectos materiais dos fatos geradores já admitidos pelo contribuinte. Afinal, não se homologa, não se confirma o que não existiu. Assim, mesmo estando obrigados à reproduzir as decisões definitivas de mérito do STJ, por conta da alteração do Regimento do CARF pela Portaria 586 de 26/12/2010, manteremos nossa posição quanto a esse aspecto, uma vez que a decisão daquele Tribunal Superior não esclarece a dúvida quanto à abrangência do pagamento antecipado. Definida a aplicação da regra decadencial do art. 173, inciso I, precisamos tomar seu conteúdo para prosseguirmos: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Da leitura do dispositivo, extraímos que este define o dies a quo do prazo decadencial como o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”. Mas ainda precisamos definir a partir de quando o lançamento pode ser efetuado. No Resp 973.733SC, o STJ entendeu que o lançamento poderia ser efetuado a partir da ocorrência do fato gerador, mas não partilhamos desse entendimento. Aqui tratamos de lançamento de ofício e sabemos que este só pode ser realizado após a constatação da omissão do contribuinte em relação ao seu dever de calcular o montante do tributo a ser antecipado e realizar o pagamento. Seria possível, no dia seguinte ao fato gerador, a fiscalização efetuar lançamento de ofício, com aplicação de penalidades, sabendo que o contribuinte ainda dispõe de prazo legal para efetuar o pagamento? Evidentemente que não, pois, insistimos, o lançamento de ofício só pode ser realizado após transcorrido o prazo para o contribuinte efetuar o pagamento. Não pode passar sem ser notado que para fatos geradores ocorridos no último mês do ano essa circunstância pode ser relevante. No caso das contribuições regidas pela Lei 8.212/91, por exemplo, o prazo para pagamento, desde outubro de 2008 conforme estabelecido pela Lei 11.733/2009, é o 20º dia do mês subseqüente ao da competência. Logo, os fatos geradores ocorridos em dezembro de 20XX ensejam crédito tributário que deve ser adimplido em janeiro de 20(XX+1), o que resulta em considerar que o lançamento somente poderia ser realizado em 20(XX+1) e o dies a quo da decadência somente ocorre no primeiro dia de janeiro de 20(XX+2). Não obstante nossa posição sobre os fatos geradores ocorridos em dezembro de cada ano, deixamos de aplicála a partir de janeiro de 2011 em virtude do conteúdo do art. 62 A do Regimento deste CARF que obriga a todos os Conselheiros a reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STJ julgados na sistemática do art. 543C. Assim, mesmo Fl. 21DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 18 para fatos geradores ocorridos em dezembro de cada ano, consideraremos o dies a quo em primeiro de janeiro do ano subseqüente, no caso de aplicação do art. 173, inciso I. Ainda sobre o assunto, estamos cientes que após o trânsito em julgado do Resp 973.733, em 22/10/2009, a Segunda Turma do STJ já se manifestou no sentido de admitir que os fatos geradores ocorridos em dezembro de 200X só tem seu dies a quo em relação à decadência em 01 de janeiro de 20(X+2), conforme podemos conferir na ementa a seguir: EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782) Julgado em 09/02/2010. PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. No entanto, como a vinculação imposta aos Conselheiros pelo art. 62A do RICARF só abrange o teor do que foi decidido em Recursos Repetitivos, o julgado da Segunda Turma não tem tal status e não se refere à composição de toda a Primeira Seção como o Resp 973.733, concluímos que não podemos tomar o referido ED como interpretativo do Resp 973.733. Logo, não estamos desvinculados de acompanhar o conteúdo do Resp 973.733, notadamente o item da ementa daquele Acórdão, o que resulta em mantermos nossa posição de considerar que mesmo para fatos geradores ocorridos em dezembro de cada ano, adotaremos o dies a quo em primeiro de janeiro do ano subseqüente, no caso de aplicação do art. 173, inciso I. Então, para o lançamento do crédito tributário de contribuições sociais especiais destinadas à seguridade social, seja este oriundo de tributo ou de penalidade pelo não pagamento da obrigação principal, o prazo decadencial é de cinco anos contados a partir do primeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso dos fatos geradores para os quais não houve qualquer pagamento por parte do contribuinte, em atendimento ao disposto no art. 173, inciso I do CTN. Para o lançamento de ofício em relação aos aspectos materiais dos fatos geradores relacionados a pagamentos efetuados pelo contribuinte nas situações em que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação, o dies a quo da decadência é a data da ocorrência do fato gerador, conforme preceitua o art. 150, §4º do CTN. Fl. 22DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 14485.000209/200767 Acórdão n.º 230102.402 S2C3T1 Fl. 10 19 Para a aplicação do art. 150, § 4º, entretanto, temos que atentar para o texto do referido dispositivo: § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Notamos que o texto legal referese a uma homologação tácita por parte da Fazenda Pública – “considerase homologado” é a expressão utilizada no caso de expirado o prazo de cinco anos do fato gerador sem que o fisco “se tenha pronunciado”. A interpretação mais comum desse trecho conclui que o pronunciamento a que se refere o dispositivo deve ser entendido como a homologação expressa ou a conclusão do lançamento de ofício com a ciência do sujeito passivo. Discordamos de tal entendimento. A expressão “pronunciado” não conduz a uma interpretação inequívoca de que equivale a homologação expressa ou lançamento de ofício. O verbo pronunciar, no dicionário Michaelis, é associado a diversos sentidos possíveis, entre eles, “emitir a sua opinião, manifestar o que pensa ou sente “. Quando a Fazenda Pública inicia fiscalização sobre um tributo em um período, está se manifestando, se pronunciando no sentido de que irá realizar a atividade prevista no art. 142 do CTN. Caso o §4º do art. 150 quisesse exigir a homologação expressa e não um simples pronunciamento, teria feito referência ao conteúdo do caput do mesmo artigo que define os contornos de tal atividade, mas preferiu a expressão ”pronunciado”. Com esse entendimento concluímos que, iniciada a fiscalização, a decadência em relação a todos os fatos geradores ainda não atingidos pela homologação tácita, passa a ser submetida à regra geral de tal instituto, ou seja, passa a ser regida pelo art. 173, inciso I. Ressaltamos que não se trata de interrupção ou suspensão do prazo decadencial, mas de um deslocamento da regra aplicável. Vejamos um exemplo. Considerando que uma fiscalização tenha sido iniciada em 06/20XX em relação a um tributo para o qual o sujeito passivo exerceu a atividade dele exigida pela lei, ou seja, o sujeito passivo realizou sua escrituração, prestou as informações ao fisco e antecipou, se foi o caso, algum pagamento. Nesse caso teria ocorrido a homologação tácita em relação aos fatos geradores ocorridos até 05/20(XX5). Os fatos geradores ocorridos depois de 05/20(XX5) poderão ser objeto de lançamento de ofício válido, desde que este seja cientificado ao sujeito passivo antes de transcorrido o prazo previsto no art. 173, inciso I. Feitas tais considerações jurídicas gerais sobre a decadência, passamos a analisar o caso concreto. Observamos a inexistência de pagamentos relativos aos fatos geradores que interessam para a discussão sobre a decadência, logo, conforme acima explanado, é de ser aplicada a regra do art. 173, inciso I do CTN. Tendo sido o lançamento cientificado em 12/09/2007, o fisco poderia efetuar o lançamento para fatos geradores posteriores a 12/2001. Todos ao fatos geradores anteriores a tal competência, inclusive esta, estão atingidos pelo prazo de caducidade. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Redator Designado Fl. 23DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 20 Fl. 24DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 27/06/2012 por MAURO JOSE SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 13819.002864/2002-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/10/1997 a 31/12/1997
COFINS. LANÇAMENTO. REVISÃO DE DCTF. VINCULAÇÕES.
PROCESSO JUDICIAL NÃO COMPROVADO. FUNDAMENTAÇÃO
SUPERADA.
No caso de lançamento efetuado a partir da revisão das declarações de
créditos e débitos federais DCTF,
a prova da existência de ação judicial cuja
não comprovação tenha fundamentado o auto de infração implica a
improcedência do lançamento.
Recurso Voluntário Provido
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 3302-001.392
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/1997 a 31/12/1997 COFINS. LANÇAMENTO. REVISÃO DE DCTF. VINCULAÇÕES. PROCESSO JUDICIAL NÃO COMPROVADO. FUNDAMENTAÇÃO SUPERADA. No caso de lançamento efetuado a partir da revisão das declarações de créditos e débitos federais DCTF, a prova da existência de ação judicial cuja não comprovação tenha fundamentado o auto de infração implica a improcedência do lançamento. Recurso Voluntário Provido Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Gileno Gurjão Barreto. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 2 José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz e Helio Eduardo de Paiva Araújo. Relatório Tratase de recurso de ofício e voluntário (fls. 678 a 687) apresentado em 06 de maio de 2010 contra o Acórdão no 0528.335, de 10 de março de 2010, da 5ª Turma da DRJ/CPS (fls. 619 a 621), cientificado em 13 de abril de 2010, que, relativamente a auto de infração de PIS dos períodos de outubro a dezembro de 1997, considerou procedente em parte o lançamento, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1997 DCTF. REVISÃO INTERNA. COMPENSAÇÃO. AMPARO JUDICIAL CONFIRMADO. LANÇAMENTO. A propositura de ação judicial antes da lavratura do auto de infração, com o mesmo objeto, não obstaculiza a formalização do lançamento. LIMINAR OBTIDA EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. SEGURANÇA CONCEDIDA EM SENTENÇA. MULTA DE OFÍCIO. Não cabe a aplicação de multa de ofício na constituição do crédito tributário de períodos para os quais não foi infirmado o amparo judicial à compensação pretendida. Impugnação Procedente em Parte O auto de infração foi lavrado em 09 de maio de 2002 e, de acordo com o termo de fls. 5 a 7, o processo judicial n. 97.00194817, informado em vinculação a compensação com Darf, não teria sido comprovado. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Trata o presente processo do Auto de Infração relativo à Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, lavrado em 09/05/2002 (fls. 04) e cientificado ao contribuinte por via postal em 13/06/2002 (fls. 69 e 74), formalizando crédito tributário no valor total de R$ 10.810.610,49, em virtude da não confirmação do processo judicial informado para fins de compensação do débito declarado para outubro a dezembro/97. Impugnando a presente exigência, foi apresentada em 10/07/2002 a peça de defesa de fls. 01/03, acompanhada dos documentos de fls. 04/68, alegando o interessado, em síntese, que: com a declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, dos Decretosleis 2445 e 2449/88, impetrou Mandado de Segurança de nº 97.00194817 para compensação de créditos consistentes Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13819.002864/200263 Acórdão n.º 330201.392 S3C3T2 Fl. 718 3 de recolhimentos realizados sob as normas dos referidos Decretosleis (doc 5, fls. 17/30) com tributos de mesma espécie; o pedido de concessão de liminar foi denegado, ensejando a propositura de agravos regimental (doc. 6, fls. 31/36) e de instrumento (doc. 7, fls. 37/43) ao Tribunal Regional Federal, sendo, conforme publicação de 26/12/97 (doc. 08, fls. 44), o primeiro declarado prejudicado e o segundo distribuído sob nº 97.0389147, acolhido nos termos do voto da Juíza Relatora, pelo que foi concedida a liminar (doc. 09, fls. 45/48); a segurança foi concedida por sentença de primeiro grau publicada em 14/11/97, mantendo o direito da autora de proceder as compensações (doc. 10 e 11, fls. 48/57); foi interposto Recurso de Apelação pela União em 11/12/97 (doc. 12, fls. 59/62), e oferecidas contrarazões pela impetrante em 15/01/98 (doc. 13, fls. 63/68), tendo sido os autos encaminhados ao TRF da 3ª Região. Finaliza requerendo o reconhecimento da insubsistência da autuação. Em razão das alegações apresentadas, foi o processo encaminhado em diligência por meio da Resolução nº 982, de 09/05/2006 (fls. 78/79), da qual, além dos fatos acima relatados, constou: “Pesquisa junto ao sistema de acompanhamento judicial do TRF 3ª Região, juntada às fls. 75/76, indica que foi exarado acórdão, transitado em julgado em 13/04/2005, dando “parcial provimento à apelação e à remessa oficial, nos termos do voto do Relator, sendo que o Desembargador Federal MARCIO MORAES dava parcial provimento à remessa oficial em menor extensão para garantir a correção monetária plena.” “Ocorre que, para decidir quanto à exigibilidade dos débitos declarados e o conseqüente fundamento de exoneração da multa, impõese determinar se a compensação foi de fato autorizada judicialmente e se é suportada pelo crédito calculado segundo os parâmetros estabelecidos na ação judicial. “Assim, para garantir o bom julgamento da lide, SOLICITO o encaminhamento do presente processo à Delegacia da Receita Federal em São Bernardo do Campo/SP para que, confirmando o amparo judicial às compensações alegadas, informe se o crédito reconhecido na ação proposta é suficiente para afastar a exigibilidade dos débitos declarados. “Ao final, caso remanesça, no presente processo, crédito tributário devido, o contribuinte deverá ser cientificado do resultado dos trabalhos fiscais, reabrindose prazo para complementação de sua defesa, se for de seu interesse.” Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Em resposta, a autoridade fiscal, após realização de diligência, exarou o Termo de Verificação, Constatação e de Encerramento de Ação Fiscal de fls. 614/615, do qual se extrai: “... “A presente ação fiscal tem por objeto a análise do Crédito excedente de PIS, alegado pelo contribuinte, do período maio de 1992 a agosto de 1995, no Processo administrativo nº 13819.002864/200263. “Através de Planilha apresentada pelo contribuinte, confrontada com o Livro fiscal (Livro de Registro de IPI), verificamos que os débitos supostamente alegados pelo contribuinte não procedem, pois a semestralidade preconizada pela Lei nº 07/70 não foi respeitada. “Em relação aos créditos de PIS do período de maio de 1992 a agosto de 1995, ressaltamos que não foram apresentados elementos contábeis que demonstrem a composição da base de cálculo utilizada para os recolhimentos efetuados no período de maio de 1992 a agosto de 1995. “Desta forma, extraímos dos sistemas da Receita Federal do Brasil a Receita de Vendas declarada em sua Declaração de Informações da Pessoa Jurídica (DIPJ), do período em análise e efetuamos Planilha com a semestralidade prevista na Lei 07/70, para verificar o saldo excedente de PIS (fls. 612). “Assim sendo, verificamos que o excedente de recolhimento do PIS do período foi de R$ 3.721.318,73 (...), em 31/12/2005, sendo que de sua atualização através da “Selic”, verificamos valor suficiente para quitar os débitos constituídos mediante o Auto de Infração nº 0002793 (fls. 613). “...” Cientificado das conclusões fiscais em 29/12/2009, não há notícia de manifestação do contribuinte. Conforme ementa reproduzida anteriormente, a DRJ concluiu que, “Assim, como se depreende dos elementos que instruem os autos, à época da formalização da presente exigência (junho de 2002) o contribuinte possuía amparo em sentença proferida em Mandado de Segurança para compensação de crédito de PIS com débitos de PIS.” No recurso, alegou a Interessada que “apresentou Impugnação ao lançamento, demonstrando que as compensações foram efetuadas com amparo em provimento jurisdicional obtido no Mandado de Segurança n° 97.00194817, que tramitou na 17 Vara da Justiça Federal de São Paulo”. Acrescentou que “comprovou que, em sede de Agravo de Instrumento, foi concedida a liminar autorizando a referida compensação e, após, foi proferida sentença de concessão da segurança pleiteada. Àquela época, aguardavase julgamento do Recurso de Apelação interposto pela União Federal perante o E. Tribunal Regional Federal da 3 a Região.” Esclareceu que o MS transitou em julgado em 13 de abril de 2005 e que, em diligência, a DRF em São Bernardo do Campo “concluiu que o montante do indébito de "PIS Decretos" reconhecido judicialmente é suficiente para quitar os débitos de PIS (out. a dez.197) constituídos no presente processo administrativo.” Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13819.002864/200263 Acórdão n.º 330201.392 S3C3T2 Fl. 719 5 Na sequência, contestou a conclusão do acórdão de que o lançamento seria permitido. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso voluntário é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Conforme se verifica do relatório, à época da autuação a Interessada detinha permissão judicial para efetuar a compensação declarada e, além disso, foi reconhecida, em diligência, a suficiência dos créditos. A DRJ excluiu a multa de ofício, mas manteve o lançamento, sob o argumento de que não seria vedado. Entretanto, a acusação constante do auto de infração foi a suposta inexistência (não localização) do processo judicial vinculado na DCTF. A existência do processo é inequívoca, como é inequívoco ter sido permitida a compensação. Diante do exposto, temse que, primeiramente, o lançamento decorreu de o sistema eletrônico que analisou a DCTF simplesmente não ter localizado o processo; em segundo lugar, o processo efetivamente existia e não foi imputada a acusação deduzida no acórdão de primeira instância. Nesse contexto, a decisão de primeira instância alterou completamente a fundamentação da autuação. Portanto, o procedimento que deveria ter sido adotado seria o de lavrar outro auto de infração, para prevenir a decadência (isso, anteriormente ao trânsito em julgado da ação), mas o que ocorreu foi uma tentativa de manter o auto de infração originalmente lavrado por outras razões. Dessa forma, o lançamento revelase improcedente. Quanto ao recurso de ofício, à vista de descaber completamente o lançamento, nos termos da fundamentação acima exposta, também deve ser improvido. Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 6 À vista do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário e por negar provimento ao recurso de ofício. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 11384.000334/2008-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1996 a 28/02/2005 Ementa: : DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. Havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4 o, do CTN. LANÇAMENTO DE OFÍCIO – AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. Nas competências em que não houve recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida incidente sobre a remuneração paga pela empresa aos segurados a seu serviço, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN, pois trata-se de lançamento de ofício. PARCELAMENTO DE PARTE DO DÉBITO - DESISTÊNCIA PARCIAL DO RECURSO O pedido de desistência formulado pelo contribuinte é direito potestativo, contra o qual não cabe oposição pelo julgador, sobretudo quando é condição imposta pela Lei 1.941/2009 para adesão ao parcelamento dos créditos tributários. A renúncia à utilização da via administrativa por desistência, para inclusão de parte do débito lançado em parcelamento, é razão para não conhecimento do recurso interposto relativamente à essa parte, objeto da desistência. AQUISIÇÃO DE PRODUTO RURAL DE PESSOA FÍSICA É devida, pelo produtor rural pessoa física, contribuição previdenciária incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção. RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE A empresa adquirente da produção de produtores rurais pessoas físicas fica sub-rogada nas obrigações de tais produtores e está obrigada a arrecadar, mediante desconto, a contribuição previdenciária por ele devida.
Numero da decisão: 2301-002.645
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em conhecer parcialmente do recurso, nos termos do voto da Relatora; b) na parte conhecida, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. Havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4o, do CTN. LANÇAMENTO DE OFÍCIO – AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. Nas competências em que não houve recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida incidente sobre a remuneração paga pela empresa aos segurados a seu serviço, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN, pois tratase de lançamento de ofício. PARCELAMENTO DE PARTE DO DÉBITO DESISTÊNCIA PARCIAL DO RECURSO O pedido de desistência formulado pelo contribuinte é direito potestativo, contra o qual não cabe oposição pelo julgador, sobretudo quando é condição imposta pela Lei 1.941/2009 para adesão ao parcelamento dos créditos tributários. Fl. 928DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 22 /05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA 2 A renúncia à utilização da via administrativa por desistência, para inclusão de parte do débito lançado em parcelamento, é razão para não conhecimento do recurso interposto relativamente à essa parte, objeto da desistência. AQUISIÇÃO DE PRODUTO RURAL DE PESSOA FÍSICA É devida, pelo produtor rural pessoa física, contribuição previdenciária incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção. RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE A empresa adquirente da produção de produtores rurais pessoas físicas fica subrogada nas obrigações de tais produtores e está obrigada a arrecadar, mediante desconto, a contribuição previdenciária por ele devida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em conhecer parcialmente do recurso, nos termos do voto da Relatora; b) na parte conhecida, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 929DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 22 /05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11384.000334/200806 Acórdão n.º 2301002.645 S2C3T1 Fl. 2 3 Relatório Tratase de recurso interposto contra a decisão que julgou procedente o débito lançado contra a empresa acima identificada. O crédito previdenciário lançado por intermédio da NFLD se refere a contribuições devidas à Seguridade Social pelo produtor rural, pessoa física, e segurado especial, incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção rural, bem como da contribuição destinada ao SENAR e ao SAT/RAT. Segundo Relatório Fiscal (fls. 241), a notificada, pessoa jurídica, adquiriu produção rural de pessoas físicas, ficando, portanto, subrogada nas obrigações de tais produtores, declarando os valores da contribuição devida decorrente dessa operação em GFIP. A autoridade lançadora informa que a notificada efetuou os descontos das contribuições devidas pelo produtor rural, em decorrência da comercialização de suas produções, mas não repassou as contribuições descontadas aos cofres da Previdência Social, o que caracterizou, em tese, crime de apropriação indébita para todo o período fiscalizado, motivo pelo qual foi lavrado documento Representação Fiscal para Fins Penais – RFFP. Esclarece que a notificada teria informado que deixou de repassar as contribuições previdenciárias na condição de subrogado das obrigações dos produtores rurais, em virtude de ter efetuado dação em pagamento com Títulos Públicos, sem, no entanto, comprovar a veracidade de tal afirmação. A empresa notificada impugnou o débito e a Secretaria da Receita Previdenciária, por meio da DN nº 14.422.4/0163/2006 (fls. 375), julgou o lançamento procedente. A notificada, inconformada com a decisão, apresentou recurso tempestivo (fls. 400), alegando, em síntese, o que se segue. Preliminarmente, alega que o presente recurso centrase na verdade da existência do procedimento anterior, argumentando que o que se discute basicamente é se houve ou não procedimento fiscal anterior à NFLD em tela, que poderia impedir ou modificar os termos da Autuação, já que de um lado a Autoridade Recorrida nega sua existência e, de outro, a Recorrente prova, documentalmente, que existe e sempre existiu o procedimento administrativo anterior. No mérito, sustenta que o crédito tributário constante do processo 35000.000289/200564, para o pagamento da divida, à época confessada, informa direito creditório, transitado em julgado contra a União Federal, fruto de declaração de inconstitucionalidade, emanada do Excelso Pretório e, embora não seja aqui o lugar para se questionar sua validade ou não, já que matéria atinente ao processo anterior, que segundo da Fl. 930DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 22 /05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA 4 Douta Julgadora de Primeiro Grau, nunca existiu, tratase de crédito reconhecido, também, pela Lei 10522, 2002, em seu artigo 18. Observa que o art. 19 do mesmo diploma legal, introduzido em 2004, fica vedado à Procuradoria da Fazenda Nacional opor qualquer obstáculo ao pagamento ou a restituição pretendida pela Recorrente. Assevera que o crédito oferecido em garantia, conjuntamente à denúncia espontânea, possui natureza tributária, é liquido e certo, atendendo também a Lei Complementar 104, vez que transitou em julgado a decisão que reconheceu os valores devidos à Recorrente, restando, então, perquirir sobre a existência ou não do processo anterior, para que a peça fiscal seja, de plano, arquivada, por medida até de conforto com a verdade, e informa que faz a recorrente a juntada do Extrato do processo anterior , emitido pela Secretaria da Receita Previdenciária, com data de 07.07.2006, por onde se comprova que o feito se acha em tramitação, aguardando as diligências de praxe. Conclui que, provada a existência da denúncia espontânea, pelos documentos mencionados e juntados, bem como a apresentação da garantia, com conversão de renda a favor do INSS, totalmente impertinente e improcedente a NFLD, bem como a decisão recorrida. Junta, a seguir, cópias de escrituras públicas, sequer autenticadas, para fins de comprovar o suposto crédito. Tendo em vista que a recorrente não efetivou o depósito prévio, foi lavrado Termo(s) de Transito em Julgado, uma vez que, em um primeiro instante, a Justiça Federal julgou o pedido improcedente e denegou a segurança pleiteada, nos autos do Mandado de Segurança 2006.70.10.0023063/PR, impetrado pela recorrente, entendendo que não houve comprovação de que os créditos oferecidos como depósito recursal sejam líquidos, certos e exigíveis, destacando que a parte autora juntou apenas cópias de escrituras públicas, sequer autenticadas, para fins de comprovar o suposto crédito, não tendo sido juntado informação fidedigna acerca da situação das ações que originaram referidos créditos, ou seja, não há nenhuma informação nos autos de que referidos créditos, cedidos à recorrente, efetivamente correspondam ao valor atribuído nas escrituras apresentadas. Posteriormente, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade da exigência do depósito prévio, foi dado prosseguimento ao processo e a recorrente, por meio da manifestação de fls.716, requereu a aplicação da Súmula nº 08 e o reconhecimento da decadência para o período de 02/1996 a 12/2000, informando que requereu parcelamento das contribuições previdenciárias referente às competências não abrangidas pelo instituto da decadência, nos moldes da Lei n 2 11.941/2009, tendo sido efetuado o pagamento da primeira parcela, conforme comprovante anexo. Por meio Despacho Decisório/SACAT/DRF/MGA n.° 375/2010, a Secretaria da Receita Federal do Brasil, acatando a solicitação de análise do requerimento da notificada, elaborou demonstrativo de fls. 803, indicando quais competências estariam decadentes, nos termos dos artigos 150, § 4o, e 173, I, do CTN. Cientificada do Despacho Decisório, a recorrente se manifestou (fls. 810), reiterando os argumentos trazidos em sede de Impugnação e de Recurso, e defendendo o entendimento de que deve ser aplicada a decadência prevista no art. 150, do CTN, para os Fl. 931DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 22 /05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11384.000334/200806 Acórdão n.º 2301002.645 S2C3T1 Fl. 3 5 tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa Requer, ainda, que seja julgada improcedente, em seu mérito, a lavratura da NFLD em tela, tendo em vista que a mais alta Corte do país declarou, por unanimidade, a inconstitucionalidade do art. 1o da Lei 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, V e VII, 25, I e II, e 30, IV, da Lei 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional 20/98, venha a instituir a contribuição. É o relatório. Fl. 932DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 22 /05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA 6 Voto Conselheiro Bernadete De Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. A recorrente alega, preliminarmente, decadência de parte do débito, em face da Súmula Vinculante n° 8, do Supremo Tribunal Federal. Verificase que a fiscalização lavrou a NFLD discutida com amparo na Lei 8.212/91 que, em seu art. 45, dispõe que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. No entanto, o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, ‘b’ da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91,. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Cumpre ressaltar que o art. 62, da Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. Fl. 933DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 22 /05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11384.000334/200806 Acórdão n.º 2301002.645 S2C3T1 Fl. 4 7 É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” O STJ pacificou o entendimento de que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Nos casos em que não houve antecipação do tributo, aplicase o disposto no art. 173 do Código Tributário Nacional, transcrito a seguir: Fl. 934DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 22 /05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA 8 Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Verificase que a NFLD foi lavrada em 30/01/2006, e sua ciência pelo sujeito passivo se deu em 02/02/2006, sendo o débito referente às competências compreendidas entre 02/1996 a 02/2005. Constatase, da análise do DAD, que houve pagamento antecipado até a competência 01/2001 para todas as filiais, caso em que se aplicou a regra contida no art. 150, § 4o, do CTN, com exceção da filial 000899, para a qual não houve recolhimento no mês 12/2000, aplicandose, portanto, o disposto no art. 173, transcrito acima. Dessa forma, considerando o exposto acima, constatase que se operara a decadência do direito de constituição do crédito lançado até a competência 11/00, inclusive, para a filial 000899, e até a competência 01/2001, inclusive, para os demais estabelecimentos incluídos no presente lançamento fiscal. Assim, acato parcialmente a preliminar de decadência. Relativamente à competência 12/2000, da filial 000899, não incluído no parcelamento e, no entendimento desta Conselheira, não atingida pela decadência, cumpre observar que, no recurso especial 363856, trazido pela recorrente para reforçar seu entendimento, o Relator Ministro Marco Aurélio deixa claro que é inconstitucional o art. 1o, da Lei n° 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com redação atualização até a Lei n° 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional n° 20/98, venha a instituir a contribuição. Assim, como o débito lançado na referida competência está fundamentado em norma declarada inconstitucional pelo STF, entendo que também esse valor deve ser excluído do lançamento. Com relação às demais competências não atingidas pela decadência, verifica se que a empresa recorrente desistiu parcialmente do recurso, confessando o débito em pedido de parcelamento, com cláusula de renuncia do direito de discussão da parte do débito, objeto de parcelamento. O artigo 78, da Portaria 256/2009, que aprova o Regimento Interno do CARF, estabelece que: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. Fl. 935DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 22 /05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11384.000334/200806 Acórdão n.º 2301002.645 S2C3T1 Fl. 5 9 § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º Na hipótese de acórdão passível de recurso pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, a desistência de recurso deverá ser precedida de renúncia do requerente ao direito sobre o qual se funda o recurso por ele anteriormente interposto Dessa forma, a empresa notificada apresentou pedido de desistência parcial, a fim de viabilizar o parcelamento do valor devido, e não atingido pela decadência, renunciando a quaisquer alegações de fato ou de direito sobre as quais se fundamenta a parte do recurso relativa a tal período. Entendo que a renúncia à utilização da via administrativa por desistência é motivo para o não conhecimento do recurso. Nesse sentido, voto por não conhecer do recurso voluntário, em relação ao débito lançado a partir da competência 01/2001, inclusive, tendo em vista a perda de objeto por desistência. Nesse sentido, CONSIDERANDO que a recorrente apresentou pedido de desistência parcial do recurso, CONSIDERANDO tudo mais que dos autos consta; Voto no sentido de CONHECER PARCIALMENTE DO RECURSO e, na parte conhecida, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. Bernadete De Oliveira Barros Relatora Fl. 936DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 22 /05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 10166.003091/2004-38
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2001
IRPF ALIENAÇÃO
DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS DIREITO ADQUIRIDO DECRETO-LEI
N° 1.510/76.
Não incide imposto de renda quando da alienação de participações societárias adquiridas há mais de cinco anos contados do início de vigência da Lei n° 7.713/88, nos termos do artigo 4º, alínea “d”, do Decreto-lei n° 1.510/76, em razão do direito adquirido. Precedentes da CSRF e da Primeira Seção do STJ.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.266
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Maria Helena Cotta Cardozo.
Matéria: IRPF- ação fiscal (AF) - ganho de capital ou renda variavel
Nome do relator: GONCALO BONET ALLAGE
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Não incide imposto de renda quando da alienação de participações societárias adquiridas há mais de cinco anos contados do início de vigência da Lei n° 7.713/88, nos termos do artigo 4º, alínea “d”, do Decretolei n° 1.510/76, em razão do direito adquirido. Precedentes da CSRF e da Primeira Seção do STJ. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Maria Helena Cotta Cardozo. Fl. 524DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10166.003091/200438 Acórdão n.º 920202.266 CSRFT2 Fl. 351 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage – Relator EDITADO EM: 14/08/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Osório Adriano Filho foi lavrado o auto de infração de fls. 124 134, para a exigência de imposto de renda pessoa física, exercício 2001, em razão da omissão de ganho de capital na alienação de ações da empresa Brasal – Brasília Serviços Automotores S.A., CNPJ n° 00.000.885/000129, ocorrido em junho de 2000. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) considerou o lançamento procedente (fls. 164171). Por sua vez, a Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, apreciando o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, proferiu o acórdão n° 220200.604, que se encontra às fls. 307312, cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001 PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS AQUISIÇÃO SOBRE OS EFEITOS DA HIPÓTESE DE NÃO INCIDÊNCIA PREVISTOS NO ART. 4°, ALÍNEA "D" DO DECRETOLEI N° 1.510, DE 1976 – DIREITO ADQUIRIDO A ALIENAÇÃO SEM TRIBUTAÇÃO MESMO NA VIGÊNCIA DE LEGISLAÇÃO POSTERIOR ESTABELECENDO A HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA (LEI N° 7.713, DE 1988). Se a pessoa física titular da participação societária, sob a égide do artigo 4°, "d", do DecretoLei n° 1.510, de 1976, subseqüente ao período de 5 (cinco) anos da aquisição da participação, Fl. 525DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10166.003091/200438 Acórdão n.º 920202.266 CSRFT2 Fl. 352 3 alienoua, ainda que legislação posterior ao decurso do prazo de 5 (cinco) anos tenha transformado a hipótese de não incidência em hipótese de incidência, não torna aquela alienação tributável, prevalecendo, sob o manto constitucional do direito adquirido o regime tributário completado na vigência da legislação anterior que afastava qualquer hipótese de tributação. Recurso provido. A decisão recorrida, por maioria de votos, deu provimento ao recurso, vencida a Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, que negou provimento. Intimada do acórdão em 30/09/2010 (fls. 3132), a Fazenda Nacional interpôs recurso especial às fls. 316325, acompanhado dos documentos de fls. 326331, cujas razões podem ser assim sintetizadas: a) Insurgese a Fazenda Nacional contra o r. acórdão proferido pela e. Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário, para determinar a isenção do imposto de renda devido em função do ganho de capital na alienação de participação societária; b) Entretanto, o acórdão recorrido diverge da jurisprudência mantida por este e. Conselho de Contribuintes, representada pelo Acórdão paradigma n° 10422.220, merecendo ser reformado; c) A decisão ora impugnada não merece prosperar, visto que, quanto à matéria "aquisição de participação societária sob a égide do DecretoLei n° 1510, de 1976 e alienação na vigência da nova lei revogadora do benefício (Lei n° 7713/1988)”, deu à lei tributária interpretação diversa da conferida, em caso análogo, pela Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (Acórdão paradigma n° 10422.220); d) A divergência, destarte, entre acórdão recorrido e paradigma, afigurase clara, visto que, enquanto o primeiro (acórdão recorrido), analisando a questão da alienação de participação societária adquirida sob a égide do art. 4°, alínea "d", do Decretolei n° 1.510, de 1976, após decorridos cinco anos da aquisição, assevera não constituir operação tributável, ainda que realizada sob a vigência de nova lei revogadora do benefício, sob o argumento de direito adquirido, o último (acórdão paradigma), a seu turno, a respeito da mesma situação fática, afirma não haver direito à isenção, visto que esta pode ser modificada ou revogada, por lei, aplicandose a lei vigente na data da alienação, quando ocorre o fato gerador da obrigação tributária; e) A isenção reconhecida foi instituída pelo Decretolei n° 1.510/76 e tinha por objeto excluir da tributação os ganhos auferidos quando da alienação de participações societárias, após decorrido o prazo de cinco anos da aquisição ou subscrição das participações; Fl. 526DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10166.003091/200438 Acórdão n.º 920202.266 CSRFT2 Fl. 353 4 f) Tal benefício foi revogado pelo artigo 58 da Lei n° 7.713/88; g) Com a revogação dessa isenção, praticado o fato gerador do imposto, qual seja, o auferimento de ganho de capital com a alienação de participação societária, é devido o imposto de renda incidente; h) Verificase dos autos que o contribuinte adquiriu as ações da Pardelli S.A. Indústria e Comercio em dois momentos: parte em 1979 e o restante em 83, e as alienou em 14/05/1996, portanto, após cinco anos de suas aquisições (sic); i) Entretanto, à época em que o contribuinte vendeu sua participação acionária junho de 2000, a isenção instituída pelo DecretoLei 1.510/76 já havia sido revogada pelo art. 58 da Lei 7.713/88; j) Em se tratando de isenção, prevalece a regra da revogabilidade a qualquer tempo, salvo nos casos de isenção condicional ou concedida a prazo certo. Dessa forma, a ressalva contida no artigo 178 do CTN é inaplicável à isenção ora discutida, pois se trata de benefício fiscal concedido de forma genérica e por prazo indeterminado; k) A isenção pleiteada pelo contribuinte, além de não ser concedida a termo, também não guarda relação com aquelas outorgadas em função de determinadas condições, amoldandose, por conseguinte, à regra geral da revogabilidade a qualquer tempo; l) Só haveria direito à isenção em tela se ocorressem, durante a vigência da lei que a veiculou, a posse de participação societária por mais de cinco anos e a alienação dessas ações; m) Na hipótese dos autos não foi satisfeito o segundo requisito; n) Ante o exposto, a União (Fazenda Nacional) requer seja conhecido e provido o presente recurso para reformar o acórdão exarado, restabelecendose a decisão de primeira instância administrativa, nos termos do acórdão paradigma. Admitido o recurso através do despacho n° 220200.282 (fls. 332333), o contribuinte foi intimado e apresentou contrarrazões às fls. 342348, onde defendeu, fundamentalmente, a necessidade de manutenção da decisão recorrida. É o Relatório. Fl. 527DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10166.003091/200438 Acórdão n.º 920202.266 CSRFT2 Fl. 354 5 Voto Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator O Recurso Especial da Fazenda Nacional cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Reitero que o acórdão proferido pela Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do CARF, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte. Segundo a recorrente, como a alienação ocorreu após a revogação da isenção prevista pelo Decretolei n° 1.510/76 e inexiste direito adquirido no caso, houve omissão de ganho de capital e o lançamento é procedente. Eis a matéria em litígio. Pois bem, o artigo 4°, alínea “d”, do Decretolei n° 1.510/76, que tratou, entre outros temas, da tributação de resultados obtidos na venda de participações societárias por pessoas físicas, estabeleceu o seguinte: Art. 4°. Não incidirá o imposto de que trata o art. 1°: (...) d) nas alienações efetivadas após decorrido o período de 5 (cinco) anos da data da subscrição ou aquisição da participação. Este benefício fiscal foi revogado pelo artigo 58 da Lei n° 7.713/88. No caso, é incontroverso que o contribuinte era proprietário das participações societárias alienadas em junho de 2000 desde a década de sessenta (1961 e 1963). Com isso, ele faz jus a tal benefício? Penso que sim, de modo que a decisão recorrida merece ser confirmada. Sob minha ótica, o benefício fiscal previsto no Decretolei n° 1.510/76 tinha por objetivo excluir da tributação os ganhos auferidos quando da alienação de participações societárias, após decorrido o prazo de cinco anos da aquisição ou subscrição das participações. Salvo melhor juízo, esta foi a intenção do legislador. Nesse sentido, não se pode olvidar que ao tempo da edição da Lei n° 7.713/88, o interessado já havia cumprido a exigência prevista no artigo 4°, alínea “d”, do Decretolei n° 1.510/76, pois era proprietário das ações da empresa Brasal – Brasília Serviços Automotores S.A. desde 1963, pelo menos. Fl. 528DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10166.003091/200438 Acórdão n.º 920202.266 CSRFT2 Fl. 355 6 Entendo que a incidência do imposto de renda pessoa física sobre o ganho de capital apurado na alienação de participações societárias não se aplica quando tais ações foram adquiridas há mais de cinco anos contados do início de vigência da Lei n° 7.713/88, como ocorre no caso em tela. Devese respeitar o direito adquirido, previsto no artigo 5°, inciso XXXVI, da Constituição Federal e no artigo 6° da Lei de Introdução ao Código Civil – LICC. Segundo De Plácido e Silva1,: ... direito adquirido quer significar o direito que já se incorporou ao patrimônio da pessoa, já é de sua propriedade, já constitui um bem, que deve ser judicialmente protegido contra qualquer ataque exterior, que ouse ofendêlo ou turbálo. (...) O direito adquirido tira a sua existência dos fatos jurídicos passados e definitivos, quando o seu titular os pode exercer. No entanto, não deixa de ser adquirido o direito, mesmo quando o seu exercício depende de um termo prefixado ou de uma condição preestabelecida, inalterável a arbítrio de outrem. Por isso, sob o ponto de vista da retroatividade das leis, não somente se consideram adquiridos os direitos aperfeiçoados ao tempo em que se promulga a lei nova, como os que estejam subordinados a condições ainda não verificadas, desde que não se indiquem alteráveis ao arbítrio de outrem. Sob minha ótica, a edição da Lei n° 7.713/88 não pode prejudicar o direito do contribuinte previsto no artigo 4°, alínea “d”, do Decretolei n° 1.512/76, apenas pelo fato de a alienação da participação societária não ter ocorrido anteriormente, ou seja, antes da revogação do benefício fiscal. A posição defendida por este julgador é corroborada pela jurisprudência amplamente majoritária do extinto e Egrégio Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme ilustram as ementas dos seguintes acórdãos: IRPF – PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS – DIREITO ADQUIRIDO – DECRETOLEI 1.510/76 – Não incide imposto de renda na alienação de participações societárias integrantes do patrimônio do contribuinte há mais de cinco anos, nos termos do art. 4º, alínea d, do DecretoLei 1.510/76 a época da publicação da Lei de nº 7.713, em decorrência do direito adquirido. Recurso especial negado. (CSRF, Quarta Turma, Recurso n° 102134.080, Acórdão CSRF/0400.215, Relator Conselheiro Wilfrido Augusto Marques, julgado em 14/03/2006) 1 Vocabulário Jurídico / atualizadores: Nagib Slaibi Filho e Gláucio Carvalho Rio de Janeiro, 27. ed., 2008, p. 464. Fl. 529DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10166.003091/200438 Acórdão n.º 920202.266 CSRFT2 Fl. 356 7 IRPF – PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS – AQUISIÇÃO SOBRE OS EFEITOS DA HIPÓTESE DE NÃO INCIDÊNCIA PREVISTOS NO ART. 4º, ALÍNEA "d" DO DECRETOLEI 1.510/76 – DIREITO ADQUIRIDO A ALIENAÇÃO SEM TRIBUTAÇÃO MESMO NA VIGÊNCIA DE LEGISLAÇÃO POSTERIOR ESTABELECENDO A HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA (LEI 7.713/88) – Se a pessoa Física titular da participação societária, sob a égide do artigo 4º "d", do DecretoLei 1.510/76, subsequentemente ao período de 5 (cinco) anos da aquisição da participação, alienoua, ainda que legislação posterior ao decurso do prazo de 5 (cinco) anos tenha transformado a hipótese de não incidência em hipótese de incidência, não torna aquela alienação tributável, prevalecendo, sob o manto constitucional do direito adquirido o regime tributário completado na vigência da legislação anterior que afastava qualquer hipótese de tributação. (CSRF, Primeira Turma, Recurso n° 106013.824, Acórdão CSRF/0103.725, Redator Designado Conselheiro Victor Luís de Salles Freire, julgado em 18/02/2002) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2003 Ementa: ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ISENÇÃO CONDICIONADA. OBSERVÂNCIA DE CONDIÇÃO IMPLEMENTADA PELO DECRETOLEI N.° 1.510/1976 NO PERÍODO DE SUA VIGÊNCIA. POSTERIOR REVOGAÇÃO. DIREITO ADQUIRIDO. A observância, sob a égide do art. 4°, alínea "d", do Decretolei n.° 1.510, de 1976, da condição de isenção por ele implementada, de manutenção das ações pelo período mínimo de cinco anos, ainda que a alienação da participação societária tenha sido realizada sob a vigência de nova lei que revogou o beneficio, não perfaz a hipótese de incidência do imposto de renda sobre o ganho de capital. Direito adquirido do contribuinte, devendo ser reconhecida a isenção do ato de alienação da participação societária perpetrado pelo Recorrente (art. 5º, XXXVI, da Constituição; art. 6º, caput e §2°, da LINDB; e art. 178 do Código Tributário Nacional). Recurso provido. (CARF, 1ª TO da 1ª Câmara da Segunda Seção, Acórdão n° 2101000.966, Relator Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, julgado em 10/02/2011) IMPOSTO SOBRE GANHO DE CAPITAL PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS ISENÇÃO Participações societárias com mais de cinco anos sob a titularidade de uma mesma pessoa, completados até 31.12.88, trazem a marca de bens exonerados do pagamento do imposto sobre ganho de capital, na forma do Fl. 530DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10166.003091/200438 Acórdão n.º 920202.266 CSRFT2 Fl. 357 8 art. 4º letra d, do DL 1.510/76, sendo irrelevante que a alienação tenha ocorrido já na vigência da Lei nº. 7.713/88. IRPF PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS DIREITO ADQUIRIDO DECRETOLEI 1.510/76 Não incide imposto de renda na alienação de participações societárias integrantes do patrimônio do contribuinte há mais de cinco anos, nos termos do art. 4º, alínea d, do Decretolei 1.510/76 a época da publicação da Lei de nº. 7.713, em decorrência do direito adquirido. DISPONIBILIDADE ECONÔMICA. De ser afastada a alegação de que parte dos valores foram recebidos e posteriormente depositados em conta especial, sem permitir ao contribuinte a disponibilidade econômica e jurídica sobre o valor tributado, já que a estipulação efetuada entre as partes, comprador e vendedor das ações, não modificou a natureza da forma de pagamento. Recurso provido. (Primeiro Conselho, Segunda Câmara, Recurso Voluntário n° 158.393, Acórdão n° 10249.306, Relatora Conselheira Vanessa Pereira Rodrigues, julgado em 08/10/2008) AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA SOB A ÉGIDE DO DECRETOLEI Nº. 1510, DE 1976 ALIENAÇÃO NA VIGÊNCIA DE NOVA LEI REVOGADORA DO BENEFÍCIO DIREITO ADQUIRIDO PAGAMENTO INDEVIDO RESTITUIÇÃO A alienação de participação societária adquirida sob a égide do art. 4°, alínea "d", do Decretolei nº. 1.510, de 1976, após decorridos cinco anos da aquisição, não constitui operação tributável, ainda que realizada sob a vigência de nova lei revogadora do benefício, tendo em vista o direito adquirido, constitucionalmente previsto. Implementada a condição antes da revogação da lei que concedia o benefício, os pagamentos porventura efetuados são indevidos, portanto passíveis de restituição. Recurso provido. (Primeiro Conselho, Quarta Câmara, Recurso Voluntário n° 147.557, Acórdão n° 10421.519, Relator Conselheiro Nelson Mallmann, julgado em 26/04/2006) No âmbito do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, inclusive perante a Primeira Seção, a matéria encontrase pacificada, o que se comprova com a transcrição das ementas dos seguintes julgados: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ISENÇÃO ONEROSA POR PRAZO INDETERMINADO. DECRETOLEI 1.510/76. DIREITO ADQUIRIDO. REVOGAÇÃO. ART. 178 DO CTN. 1. Os recorrentes impugnam acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, o qual entendeu não persistir a isenção conferida pelo art. 4º, alínea "d", do DecretoLei nº Fl. 531DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10166.003091/200438 Acórdão n.º 920202.266 CSRFT2 Fl. 358 9 1.510/76 ao acréscimo patrimonial decorrente da alienação de participação societária realizada após a entrada em vigor da Lei nº 7.713/88. 2. Não obstante as ponderáveis razões do voto apresentado pelo Sr. Ministro Relator, reconheço o direito adquirido do contribuinte que alienou a participação societária após o decurso de cinco anos, ainda que essa alienação tenha ocorrido na vigência da Lei nº 7.713/88, tendo em vista os reiterados pronunciamentos da Fazenda Nacional, pelo órgão máximo de sua instância administrativa, o Conselho Superior de Recursos Fiscais nesse sentido. 3. Recurso especial provido. (STJ, Primeira Seção, REsp n° 1.133.032/PR, Redator Designado Ministro Castro Meira, DJE de 26/05/2011) DIREITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. ALIENAÇÃO DE AÇÕES SOCIETÁRIAS. ISENÇÃO CONDICIONADA OU ONEROSA. DECRETOLEI 1.510/1976. REVOGAÇÃO PELA LEI 7.713/1988. DIREITO ADQUIRIDO AO BENEFÍCIO FISCAL. 1. A discussão nos autos consiste na caracterização ou não de direito adquirido de isenção de Imposto de Renda sobre lucro auferido na alienação de ações societárias, isenção esta instituída pelo DecretoLei 1.510/1976 e revogada pela Lei 7.713/1988, tendo em vista que a venda das ações ocorreu em janeiro de 2007, ou seja, após a revogação. 2. A legislação em regência (arts. 1º e 4º, "d", do DecretoLei 1.510/76) concede isenção de Imposto de Renda sobre lucro auferido por pessoa física em virtude de venda de ações mediante o cumprimento de determinado requisito (condição), qual seja, o de a alienação ocorrer somente após decorridos cinco anos da subscrição ou da aquisição da participação societária. Tratase, portanto, de isenção sob condição onerosa. 3. A isenção onerosa ou condicionada não pode ser revogada ou modificada por lei. Acerca do tema, o Supremo Tribunal Federal editou a Súmula 544, que dispõe: "Isenções tributárias concedidas, sob condição onerosa, não podem ser livremente suprimidas". 4. Em minuciosa leitura do art. 4º, "d", do DecretoLei 1.510/1976, constatase que o referido dispositivo legal estabelecia isenção do Imposto de Renda sobre lucro auferido por pessoa física pela venda de ações, se a alienação ocorresse após cinco anos da subscrição ou da aquisição da participação societária. 5. In casu, o contribuinte cumpriu os requisitos para o gozo da isenção do Imposto de Renda, nos termos da referida lei, antes mesmo da revogação da norma, tendo direito adquirido ao benefício fiscal. Fl. 532DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10166.003091/200438 Acórdão n.º 920202.266 CSRFT2 Fl. 359 10 6. A Primeira Seção passou a adotar orientação em sentido contrário à que foi acolhida pelo Tribunal local, entendendo ser isento do Imposto de Renda o ganho de capital decorrente da alienação de ações societárias após cinco anos da respectiva aquisição, ainda que transacionadas após a vigência da Lei 7.713/1988, conforme previsão do DecretoLei 1.510/1976. 7. Agravo Regimental não provido. (STJ, Segunda Turma, AgRg no AgRg no REsp n° 1.137.701/RS, Relator Ministro Herman Benjamin, DJE de 08/09/2011) TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. ALIENAÇÃO DE AÇÕES. DECRETOLEI 1.510/76. ISENÇÃO CONCEDIDA SOB DETERMINADAS CONDIÇÕES. REVOGAÇÃO. ART. 58 DA LEI N. 7.713/88. SÚMULA N. 544/STF. DIREITO ADQUIRIDO À ISENÇÃO. 1. A controvérsia da presente demanda está alicerçada na eventual lesão ao direito do contribuinte em face da isenção do imposto de renda de pessoa física, veiculada nos arts. 1º e 4º, "d", do DecretoLei n. 1.510, de 27 de dezembro de 1976, e revogada pela Lei n. 7.713/88. 2. Da leitura do art. 4º, alínea "d", do DecretoLei n. 1.510/76, constatase que o referido dispositivo legal estabelecia isenção do imposto de renda sobre o lucro auferido por pessoa física pela venda de cotas de participação societária se a alienação ocorresse após cinco anos da sua subscrição ou aquisição. Essa foi a condição onerosa imposta pela lei ao contribuinte para a fruição da isenção tributária. 3. Implementada a condição onerosa exigida para a concessão da isenção antes da vigência da norma revogadora, ou seja, feita a alienação após transcorridos cinco anos da subscrição ou da aquisição da participação societária, não há falar em incidência do imposto de renda. Inteligência da Súmula 544/STF: "Isenções tributárias concedidas, sob condição onerosa, não podem ser livremente suprimidas". Dentre os precedentes mais recentes: REsp 1.136.122RS, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 10.5.2011, Dje 12.5.2011). 4. Agravo regimental não provido (STJ, Primeira Turma, AgRg no REsp n° 1.164.768/RS, Relator Ministro Benedito Gonçalves, DJE de 01/06/2011) Com tais singelas considerações, entendo que a decisão recorrida merece ser confirmada. Fl. 533DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10166.003091/200438 Acórdão n.º 920202.266 CSRFT2 Fl. 360 11 Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Fl. 534DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE
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Numero do processo: 19515.002790/2005-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA -IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS ESSENCIAIS. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de nulidade do auto de infração e do procedimento Fiscal. RECURSO DE OFÍCIO. PRAZO PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. HOMOLOGAÇÃO. Na hipótese de tributo sujeito ao lançamento por homologação, verificado o pagamento antecipado e ausente o evidente intuito de dolo, fraude ou simulação, o prazo de que dispõe o Fisco para a constituição do credito tributário é regido pelo disposto no artigo 150, § 4o, do CTN. Não pode prevalecer o lançamento formalizado após esse prazo. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão- somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
de lei tributária. (Súmula CARF nº 2)
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS COFINS
– CSLL. Estendese
aos
lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento
matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1401-000.817
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao RECURSO DE OFÍCIO e, quanto ao RECURSO VOLUNTÁRIO, REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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ementa_s : IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA -IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS ESSENCIAIS. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de nulidade do auto de infração e do procedimento Fiscal. RECURSO DE OFÍCIO. PRAZO PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. HOMOLOGAÇÃO. Na hipótese de tributo sujeito ao lançamento por homologação, verificado o pagamento antecipado e ausente o evidente intuito de dolo, fraude ou simulação, o prazo de que dispõe o Fisco para a constituição do credito tributário é regido pelo disposto no artigo 150, § 4o, do CTN. Não pode prevalecer o lançamento formalizado após esse prazo. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão- somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS COFINS – CSLL. Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS ESSENCIAIS. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de nulidade do auto de infração e do procedimento Fiscal. RECURSO DE OFÍCIO. PRAZO PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. HOMOLOGAÇÃO. Na hipótese de tributo sujeito ao lançamento por homologação, verificado o pagamento antecipado e ausente o evidente intuito de dolo, fraude ou simulação, o prazo de que dispõe o Fisco para a constituição do credito tributário é regido pelo disposto no artigo 150, § 4o, do CTN. Não pode prevalecer o lançamento formalizado após esse prazo. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Fl. 2138DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.002790/200517 Acórdão n.º 1401000.817 S1C4T1 Fl. 2.139 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS COFINS – CSLL. Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Fl. 2139DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.002790/200517 Acórdão n.º 1401000.817 S1C4T1 Fl. 2.140 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao RECURSO DE OFÍCIO e, quanto ao RECURSO VOLUNTÁRIO, REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Maurício Pereira Faro, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Gilberto Baptista, Sergio Luiz Bezerra Presta e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 2140DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.002790/200517 Acórdão n.º 1401000.817 S1C4T1 Fl. 2.141 4 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 1624.303, da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo ISP. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: Trata o presente feito de autos de infração (AI) de IRPJ e reflexos, relativos aos anoscalendário de 2000 a 2003 (AI e demonstrativos de apuração às Os. 1.507/1.561). De acordo com o Termo de Constatação Fiscal (fls. 1.406/1.408) com a descrição de fatos contida nos citados autos de infração, a contribuinte não contabilizou e nem comprovou a origem dos depósitos efetuados em conta corrente bancária. As disposições legais que embasaram o lançamento encontramse descritas nos referidos termo e autos de infração. Em 04/10/2005, a interessada tomou ciência dos autos de infração (fls. 1.517, 1.530, 1.543 e 1.557) e, em 26/12/2006, a Procuradoria da Fazenda Nacional São Paulo lavrou os Termos de Inscrição de Dívida Ativa de fls. 1.604/1.738. No processo de execução fiscal, a interessada alegou (fls. 1.739/1.745) que a exigibilidade do crédito tributário estava suspensa, por ter sido apresentada impugnação tempestiva. O processo administrativo foi devolvido à EQCOB/DICAT/DERAT/SPO em 09/02/2009 (fl. 1.776). A impugnação apresentada pela contribuinte em 03/11/2005 foi juntada aos autos às fls. 1.779/1.808 e contém, resumidamente, as seguintes alegações: Tendo transcorrido mais de cinco anos a contar da data da ocorrência do fato gerador, a pretensão fiscal não podia alcançar o período de janeiro a outubro de 2000, consoante regra inserta no artigo 150, § 4o, do Código Tributário Nacional. O auto de infração tomou por base de cálculo dos tributos em questão o total da movimentação financeira da impugnante, olvidandose de levar em consideração que tal movimentação não corresponde, nem de longe, ao seu real acréscimo patrimonial ou lucro contábil. A impugnante é administradora de jogo de bingo. Tal atividade é fundamentada em dispositivo constitucional e parte de suas receitas são destinadas às entidades desportivas. As verbas que adentram nos caixas da empresa, apesar de circularem pela conta bancária, são repassadas a terceiros, por determinação legal. Grande parte das aquisições de carteia ou crédito para máquinas se faz em cheques, que são depositados nas contas bancárias da impugnante. Por outro Fl. 2141DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.002790/200517 Acórdão n.º 1401000.817 S1C4T1 Fl. 2.142 5 lado, no momento do término de cada rodada, a impugnante deve estar com numerário em mãos para pagamentos de prêmios em espécie, ainda que posteriormente o valor investido pelo ganhador vá circular na conta bancária da empresa. Tal raciocínio já foi acolhido pelo Município de São Paulo, conforme § 8o do artigo 14 da Lei 13.701/2003, que determina o desconto dos prêmios da base tributável do ISS para bingos de carteias. Houve evidente afronta aos princípios da capacidade contributiva e do não confisco. O procedimento fiscal não atende às exigências do processo administrativo fiscal, o qual regese pela busca da verdade material, sendo absolutamente nulo, seja por ter ignorado o quanto recolhido, seja por ter se utilizado de base de cálculo equivocada. No que tange ao IRPJ, verificase ainda erro no cálculo do adicional nos períodos de 2000 a 2002, pois ignorouse o quanto foi declarado e pago, bem como não se subtraiu a parcela de R$ 60.000,00 (artigo 3º, § 1ª, da Lei 9249/1995). Em que pesem as inconstitucionalidades, tanto formais como materiais, da Lei 9.718/1998, devemos nos ater, nesta seara, à análise do texto legal. O artigo 3o, § 2°, III, reconhece a possibilidade de exclusão da receita transferida a outra pessoa jurídica da base de cálculo, sendo essa a exata hipótese da impugnante, que é obrigada a proceder repasse à entidade desportiva e ao Comitê Olímpico Brasileiro. O § 1º desse mesmo artigo prevê a exclusão de tudo que não se caracterize como receita, sendo este o caso dos valores pagos como prêmio. É patente a ilegalidade da utilização de dados informativos relativos a movimentações financeiras anteriores à Lei 10.174, publicada em 10/01/2001. Em 26/01/2009, os autos foram remetidos à DIDAU/PFN/SP para o cancelamento do ajuizamento da referida dívida e de suas respectivas inscrições em dívida ativa da União (fl. 1.895). Após tomadas as devidas providências pela Procuradoria da Fazenda Nacional, o processo foi encaminhado a esta Delegacia de Julgamento em 17/07/2009 (fl. 1.908). A DRJ , por unanimidade de votos, julgou procedentes em parte os lançamentos, acolhendo parcialmente a decadência, nos termos da ementa que se transcreve: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003 PRELIMINAR DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Incabível cogitar sobre nulidade do Auto de Infração, se o lançamento foi efetuado com observância dos pressupostos legais. PRAZO PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. HOMOLOGAÇÃO. Fl. 2142DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.002790/200517 Acórdão n.º 1401000.817 S1C4T1 Fl. 2.143 6 Na hipótese de tributo sujeito ao lançamento por homologação, verificado o pagamento antecipado e ausente o evidente intuito de dolo, fraude ou simulação, o prazo de que dispõe o Fisco para a constituição do credito tributário é regido pelo disposto no artigo 150, § 4o, do CTN. Não pode prevalecer o lançamento formalizado após esse prazo. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. Caracterizamse como omissão de receita os valores creditados em conta corrente mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular da conta não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem desses recursos. AUTOS REFLEXOS A decisão relativa ao lançamento principal se aplica, no que couber, às exigências de PIS, COFINS e CSLL, por serem fundamentadas nos mesmos elementos de prova.. A DRJ recorreu de ofício da parte cancelada. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário ao CARF, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação, com a exceção da Decadência já acolhida parcialmente pela DRJ e o suposto erro no cálculo do Adicional do IRPJ devidamente esclarecido pela DRJ. Porém inova sua defesa no seguinte sentido: Houve revogação do artigo 42 da lei 9.430/96 em face da antinomia com o parágrafo 4° do artigo 5° da Lei Complementar 105/2001. Isso porque, segundo o § 4º do artigo 5º da Lei Complementar 105/2001:"se detectados indícios de falhas, incorreções ou omissões, ou de cometimento de ilícito fiscal, a autoridade interessada poderá requisitar as informações e os documentos de que necessitar, bem como realizar fiscalização ou auditoria para a adequada apuração dos fatos". Diante do tratamento a ser dado pela autoridade administrativa às informações recebidas das instituições financeiras, introduzido pelo § 4o do artigo 5o da Lei Complementar 105/2001, mostrase que não é mais possível a utilização do arbitramento da base de cálculo sob a presunção juris tantum de omissão de receita a que se refere o artigo 42 da Lei 9.430/96 baseada na soma dos depósitos bancários. É o relatório. Fl. 2143DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.002790/200517 Acórdão n.º 1401000.817 S1C4T1 Fl. 2.144 7 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. RECURSO DE OFÍCIO A DRJ acolheu parcialmente a decadência tanto para o IRPJ e contribuições nos termos da ementa abaixo: “ Na hipótese de tributo sujeito ao lançamento por homologação, verificado o pagamento antecipado e ausente o evidente intuito de dolo, fraude ou simulação, o prazo de que dispõe o Fisco para a constituição do credito tributário é regido pelo disposto no artigo 150, § 4o, do CTN. Não pode prevalecer o lançamento formalizado após esse prazo.” No que interessa, eis abaixo as razões de decidir da DRJ; No caso em estudo, o período questionado pela defesa se restringe aos fatos geradores de janeiro a outubro de 2000. Sobre o período de apuração de 31/10/2000, e posteriores, notese que mesmo aplicando a regra mais favorável à contribuinte, ou seja, cinco anos após a ocorrência do fato gerador, não haveria que se falar em decadência, porquanto a formalização do lançamento se deu em 04/10/2005. Cabe analisar os períodos de janeiro a setembro de 2000. Conforme mostra a pesquisa no sistema SINAL08 (fl. 1.909), houve o recolhimento dos tributos (códigos de receita 8109 PIS, 2089 IRPJ/Lucro Presumido, 2172 COFINS e 2372 CSLL/Lucro Presumido) relativos a esses períodos. Como não se constatou qualquer uma das hipóteses de dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial a ser aplicada em relação aos fatos geradores em exame é aquela contida no artigo 150, § 4o, do CTN. Destarte, concluise que na data em que a interessada tomou ciência do lançamento, estava caracterizada a decadência em relação aos fatos geradores do Io ao 3o trimestre de 2000, no tocante ao IRPJ e à CSLL, e de 31/01/2000 a 30/09/2000, quanto ao PIS c à COFINS. Devese, portanto, cancelar o lançamento correspondente. Nada a reparar no Recurso de Ofício tanto na questão de direito quanto em relação à aplicação da regra de direito aos fatos. É que “curveime” à jurisprudência atual do STJ, no sentido de entender que a aplicação do art.150, §4º, do CTN atrai a realização de um pagamento. Porém, na ausência de pagamentos, que não é o caso, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese também após 5 (cinco) anos, mas, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art.173, I, do CTN). No caso concreto, como houve pagamento a DRJ acertadamente aplicou a regra do art.150, §4º, do CTN. Fl. 2144DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.002790/200517 Acórdão n.º 1401000.817 S1C4T1 Fl. 2.145 8 Pelo exposto, NEGO provimento ao RECURSO DE OFÍCIO. RECURSO VOLUNTÁRIO Conforme relatado, a autuação envolveu omissão de receitas por presunção legal, nos anoscalendários de 2000 a 2003, encontrada a partir de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, ex vi art. 42 da Lei n. 9.430/96. Preliminar de nulidade Preliminarmente, a recorrente imputa o presente AI com o vício da nulidade, pois não foi demonstrada a efetiva omissão de receita e o acréscimo patrimonial suscitados pela Fiscalização, bem assim os lançamentos tiveram como base prova colhida para fins de CPMF, uma vez que o procedimento fiscal estaria amparado na Lei n° 10.174, de 09/01/2001. Apenas para um melhor esclarecimento sobre o assunto, transcrevese o dispositivo que rege a matéria no processo administrativo fiscal. Prescreve o art. 59 do Decreto 70235/72 com a nova redação dada pela Lei 8748/93: Art. 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; Por conseguinte, considerase nulo o ato, se praticado por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, não tendo se caracterizado quaisquer das situações, pois não se põe em dúvida a competência do autor, nem há que se falar em preterição do direito de defesa, vez que os fatos apurados foram descritos com o respectivo enquadramento legal, e levados ao conhecimento, da autuada, levando a mesma a defenderse plenamente através da peça impugnatória acostada aos autos. A Recorrente afirma que os lançamentos tiveram como base prova colhida para fins de CPMF, afirmando que a utilização de dados informativos relativos a movimentações anteriores à vigência do § 3o do artigo 11 da Lei n° 9.311/1996 (com redação dada pelo artigo Io da Lei 10.174/2001) é ilegal. Desarrazoada a alegação da Recorrente por ser impertinente ao caso concreto. É que as alíneas '"b" e "c" do Termo de Constatação Fiscal, dá conta de que os dados da movimentação financeira foram obtidos por meio dos extratos bancários fornecidos pela própria fiscalizada, em atendimento às intimações feitas no decorrer desta ação fiscal, fato este reconhecido em sua própria peça impugnatória (fls. 1785): O suposto débito, conforme mencionado, foi apurado a partir de demonstrativos de extratos bancários os quais a empresa foi obrigada apresentar em atendimento à intimação conforme descrito no Termo de Constatação Fiscal anexo ao Auto de Infração ora combatido Portanto, inválida a alegação de que o procedimento fiscal estaria pretensamente amparado na Lei n° 10.174, de 09/01/2001. Fl. 2145DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.002790/200517 Acórdão n.º 1401000.817 S1C4T1 Fl. 2.146 9 Acrescentese que, quando muito, em se admitindo o fato da autoridade lançadora ter cometido algum engano com relação à matéria de fato, enquadramento legal e a sua subsunção à norma, tratarseia então de questão de mérito e não de preliminar de nulidade. E como ficará bem demonstrado mais adiante, nem mesmo isso aconteceu. Assim, rejeito a preliminar de nulidade suscitada MÉRITO PRESUNÇÃO LEGAL Depósitos Bancários sem comprovação da origem dos recursos O art. 42, da Lei nº 9.430/1996 é cristalino ao determinar que a omissão de receitas pode ser caracterizada por meio de valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Ora, como se vê da descrição dos fatos, a empresa não apresentou documentação que comprovasse a origem dos recursos daqueles diversos depósitos. Com efeito, sequer os contabilizou ou os declarou. A recorrente não logrou comprovar, através de documentação hábil e idônea, coincidentes em datas e valores, a ligação dos recursos recebidos em conta bancária e o seu discurso apresentado. Na verdade, a interessada ao invés de tentar provar os fatos alegados, se limita a tecer considerações de direito, no sentido de enfraquecer o lançamento por ter sido lastreado apenas em presunções. Cabe também dizer que mera alegação de que parte dos depósitos que transitou em sua conta correspondia teoricamente a valores a serem repassados à entidade desportiva e ao Comitê Olímpico Brasileiro e a montantes destinados ao pagamento de prêmios não pode ser levada em consideração, pelo simples fato de que não está respaldada em documentos hábeis e idôneos, identificando, individualmente, cada operação alegada. Assim, uma vez que a peça de defesa rebate a acusação fiscal sem qualquer apresentação de prova, prevalece a presunção de omissão de receita. Em verdade, a argumentação da recorrente denota um total desconhecimento da existência do art. 42 da Lei nº 9.43096 que representa um verdadeiro marco em termos de presunção legal de omissão de receitas, verbis: LEI n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 DOU de 30.12.96 “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tratandose de uma presunção legal de omissão de rendimentos, o ônus da prova fica invertido, a autoridade lançadora eximese de provar no caso concreto a sua Fl. 2146DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.002790/200517 Acórdão n.º 1401000.817 S1C4T1 Fl. 2.147 10 ocorrência, transferindo o ônus da prova à contribuinte. O contribuinte, por sua vez, não logrando êxito nessa tarefa que se lhe impunha, como ocorre no caso presente, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, por presunção legal se toma como verdadeiro que os recursos depositados representam rendimentos do contribuinte. Por se tratar de uma presunção relativa juris tantum, somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. Feitas tais digressões e, evidenciada a absoluta licitude do estabelecimento das presunções legais, cumpre dizer que, em relação aos anoscalendário 2000 a 2003, as alegações trazidas pelo contribuinte mostramse despropositadas, visto que, o simples fato da existência de depósitos bancários com origem não comprovada é, por si só, hipótese presuntiva de omissão de receitas, cabendo ao sujeito passivo a prova em contrário que, conforme dito, não as apresentou. Insurgese também a Recorrente no sentido que deveria ter sido deduzido o montante já declarado e pago, em relação a cada um dos tributos. Como já se disse, ao fisco cabe provar o fato constitutivo do seu direito, no caso em questão, a existência de depósito bancário sem origem comprovada. À recorrente, comprovar a origem desses depósitos. Ocorre que a legislação tributária expressamente determina, consoante texto legal acima reproduzido, que a totalidade dos valores creditados em conta bancária, cuja origem não seja comprovada, deve ser considerada como receita omitida. Caberia à Recorrente a comprovação de que os valores representativos das receitas declaradas haviam sido depositados nas contas bancárias cm tela e que, faziam parte das receitas apuradas pela fiscalização. Não feito essa prova, não cabe a dedução pretendida. Outrossim, o dispositivo legal acima citado supramencionado é válido e vigente em nosso ordenamento jurídico, dando respaldo à autuação praticada pela Autoridade Fiscal. Por diversas vezes em seu recurso, a Recorrente aponta ilegalidades e inconstitucionalidades no auto de infração guerreado que gravitariam em torno do art. 42 da Lei n. 9.430/96, bem assim o caráter confiscatório de tal dispositivo. Quanto à esse aspecto reiterese, a autoridade administrativa é vinculada a lei válida e vigente, não cabendo a este órgão do Poder Executivo deixar de aplicálas, encontrando óbice, inclusive na Súmula nº 2 deste Conselho (atual Primeira Sessão do CARF), in verbis: Súmula 1ºCC nº 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (DOU, Seção 1, dos dias 26, 27 e 28/06/2006, vigorando a partir de 28/07/2006). Outrossim, descabida sua alegação de que houve revogação do artigo 42 da lei 9.430/96 em face da antinomia com o parágrafo 4° do artigo 5° da Lei Complementar 105/2001. Tal afirmativa não encontra guarida na doutrina e na jurisprudência mansa e pacífica que se manifesta em sentido contrário. Fl. 2147DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.002790/200517 Acórdão n.º 1401000.817 S1C4T1 Fl. 2.148 11 Portanto, mantenho a autuação. Lançamentos Reflexos (CSLL, PIS e COFINS) Por estarem sustentados na mesma matéria fática, os mesmos fundamentos devem nortear a manutenção das exigências lançadas por via reflexa, restando enfrentar apenas a argumentação específica de que sejam canceladas as exigências reflexas do PIS e COFINS que estariam incidindo sobre receitas outras que não faturamento. Como visto, a autuação em questão foi efetuado levandose em conta as receitas apuradas a partir uma presunção legal. Tratandose de uma presunção legal de omissão de rendimentos, o contribuinte não tendo logrado êxito nessa tarefa de provar a origem dos recursos, como ocorre no caso presente, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, por presunção legal se toma como verdadeiro que os recursos depositados representam rendimentos do contribuinte. Porém, esses rendimentos surgidos na forma de presunção representam a “Receita bruta da empresa”, base de cálculo das contribuições, de forma que não se pode alegar que aí também estariam inseridas receitas outras. Por todo o exposto, em relação ao recurso de ofício, nego provimento , em relação ao recurso voluntário, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGO provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 2148DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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Numero do processo: 19706.000079/2007-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/09/1999 a 31/07/2005
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RETENÇÃO. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO.
O instituto da retenção de que trata o art. 31 da lei nº 8.212/91, na redação dada pela lei nº 9.711/98, configurase
como hipótese legal de substituição tributária, na qual a empresa contratante assume o papel do responsável tributário pela arrecadação e recolhimento antecipados do tributo, não lhe
sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou que tenha arrecadado em desacordo com a lei.
JUROS/SELIC
As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91, e à multa moratória, artigo 35 da mesma Lei.
CO RESPONSÁVEIS. IMPOSSIBILIDADE DA EXCLUSÃO.
Os relatórios de Co-Responsáveis e de Vínculos são partes integrantes dos processos de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, para esclarecer quais os representantes legais da empresa (entidade/associação) no período do débito e subsidiar futuras ações executórias de cobrança.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2302-001.656
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o julgado.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ADRIANA SATO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/1999 a 31/07/2005 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RETENÇÃO. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO. O instituto da retenção de que trata o art. 31 da lei nº 8.212/91, na redação dada pela lei nº 9.711/98, configurase como hipótese legal de substituição tributária, na qual a empresa contratante assume o papel do responsável tributário pela arrecadação e recolhimento antecipados do tributo, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou que tenha arrecadado em desacordo com a lei. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91, e à multa moratória, artigo 35 da mesma Lei. CO RESPONSÁVEIS. IMPOSSIBILIDADE DA EXCLUSÃO. Os relatórios de Co-Responsáveis e de Vínculos são partes integrantes dos processos de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, para esclarecer quais os representantes legais da empresa (entidade/associação) no período do débito e subsidiar futuras ações executórias de cobrança. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
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Empresas em geral Recorrente TELEVISÃO MORENA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/1999 a 31/07/2005 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RETENÇÃO. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO. O instituto da retenção de que trata o art. 31 da lei nº 8.212/91, na redação dada pela lei nº 9.711/98, configurase como hipótese legal de substituição tributária, na qual a empresa contratante assume o papel do responsável tributário pela arrecadação e recolhimento antecipados do tributo, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou que tenha arrecadado em desacordo com a lei. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91, e à multa moratória, artigo 35 da mesma Lei. CO RESPONSÁVEIS. IMPOSSIBILIDADE DA EXCLUSÃO. Os relatórios de CoResponsáveis e de Vínculos são partes integrantes dos processos de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, para esclarecer quais os representantes legais da empresa (entidade/associação) no período do débito e subsidiar futuras ações executórias de cobrança. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 500DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 19/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente. Adriana Sato Relator. EDITADO EM: 16/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Eduardo Augusto Marcondes De Freitas, Manoel Coelho Arruda Junior e Adriana Sato Fl. 501DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 19/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19706.000079/200734 Acórdão n.º 230201.656 S2C3T2 Fl. 495 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito lavrada em 29/03/2006, cuja ciência do recorrente ocorreu em 03/404/22006. De acordo com o relatório Fiscal de fls.73 e seguintes, constituem os fatos geradores da presente NFLD: Lev R11: Retenção NF Ari Domingos da Silva: A empresa Televisão Morena LTDA contratou serviços executados mediante cessão de mão obra da empresa Ari Domingos da Silva, CNPJ 00.916.036/000110 e deixou de reter e recolher a importância correspondente a 11% sobre o valor das notas fiscais de serviços, conforme determina o art. 31 da Lei n°. 8.212/91, na redação dada pela Lei n°. 9.711/98. Foram executados serviços de construção civil com fornecimento de material pela contratante, tais como reforma/ pintura de edificações/ abertura de valas/ etc. Os serviços de construção civil executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, realizados no período de 09/1999 a 11/2004, estão sujeitos A. retenção de 11%. Não foram apresentados contratos de prestação de serviço com relação a essa empresa. Das notas fiscais consta a informação de que os valores pagos referemse tão somente ao pagamento pelos serviços realizados. Lev R12: Ret. Canadá Serviços Empresariais: A empresa Televisão Morena LTDA contratou serviços executados mediante cessão de mão de obra da empresa Canadá Serviços Empresariais — CNPJ 37.550.928/0001/ 50 e deixou de reter e recolher a importância correspondente a 11% sobre o valor da nota fiscal de serviços, conforme determina o art. 31 da Lei n°. 8.212/91, na redação dada pela Lei n°. 9.711/98. Na nota fiscal consta a informação da cessão de mãodeobra para realização de serviços temporários (conservação ). Não foram apresentados contratos de prestação de serviço com relação a essa empresa. Da nota fiscal consta a informação de que os valores pagos referemse tão somente ao pagamento pelos serviços realizados. Lev R13: Ret. NF Jacqueline B. Gonçalves: A empresa Televisão Morena LTDA contratou serviços executados mediante cessão de mão de obra da empresa Jacqueline B. Gonçalves ME , CNPJ 02.464.743/00148 e deixou de reter e recolher a importância correspondente a 11% sobre o valor das notas fiscais de serviços, conforme determina o art. 31 da Lei n°. 8.212/91, na redação dada pela Lei n°. 9.711/98. Foram executados serviços de Segurança e Vigilância em eventos produzidos pela empresa contratante. Os serviços de segurança executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, realizados no período de 0• 5/2001 a 12/2001, estão sujeitos a retenção de 11%. Não foram apresentados contratos de prestação de serviço com relação a essa empresa. Das notas fiscais consta a informação de que os valores pagos referemse tão somente ao pagamento pelos serviços realizados. Lev R14: Ret. NF EMBRASHOW: Fl. 502DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 19/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 A empresa Televisão Morena LTDA contratou serviços executados mediante cessão de mão de obra da empresa EMBRASHOW Prod. Prom. e Representação – CNPJ 0253.495.891/000241 e deixou de reter e recolher a importância correspondente a 11% sobre o valor das notas fiscais de serviços, conforme determina o art. 31 da Lei e. 8.212/91, na redação dada pela Lei n°. 9.711/98. Foram executados serviços de realização de show apresentação do conjunto Fat. Family. Os serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, realizados em 03/2005, estão sujeitos à retenção de 11%. Não foram apresentados contratos de prestação de serviço com relação a essa empresa. Das notas fiscais consta a informação de que os valores pagos referemse tão somente ao pagamento pelos serviços realizados. Lev R16: Ret. NF ICOM A empresa Televisão Morena LTDA contratou serviços executados mediante cessão de mão de obra da empresa ICOM Imagens e Comunicação LTDA CNPJ 00.422.859/000199 e deixou de reter e recolher dimportância correspondente a 11% sobre o valor das notas fiscais de serviços, conforme determina o art. 31 da Lei n°. 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.711/98. Foram executados serviços de realização de shows e eventos conforme discriminado no anexo 16. Os serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, realizados no período de 02/1999 a 04/2000, estão sujeitos à retenção de 11%. Lev R17: Ret. NF Josimar Promoções. A empresa Televisão Morena LTDA contratou serviços executados mediante cessão de mão de obra da empresa Josimar promoções artísticas LTDA CNN 01.092.550/000140 e deixou de reter e recolher a importância correspondente a 11% sobre o valor das notas fiscais de serviços, conforme determina o art. 31 da Lei n°. 8.212/91, na redação dada pela Lei n°. 9.711/98. Foram executados serviços de realização de shows e eventos conforme discriminado no anexo 17. Os serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, realizados no período de 04/2004 e 12/2004, estão sujeitos à retenção de 11%. Não foram apresentados contratos de prestação de serviço com relação a essa empresa. Das notas fiscais consta a informação de que os valores pagos referemse tão somente ao pagamento pelos serviços realizados. Lev R18: Ret. NF Luiz Batista. A empresa Televisão Morena LTDA contratou serviços executados mediante cessão de mão de obra da empresa Luiz Dias Batista — CNPJ 01.595.433.0001/08 e deixou de reter e recolher a importância correspondente a 11% sobre o valor das notas fiscais de serviços, conforme determina o art. 31 da Lei n°. 8.212/91, na redação dada pela Lei n°. 9.711/98. Foram executados serviços de construção civil com fornecimento de material pela contratante, tais como instalações hidráulicas/ Elétricas, reforma/ de edificações/ etc. Os serviços de construção civil executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, realizados no período de 02/1999 a 09/2003, estão sujeitos a. retenção de 11%. Não foram apresentados contratos de prestação de serviço com relação a essa empresa. Das notas fiscais consta a informação de que os valores pagos referemse tão somente ao pagamento pelos serviços realizados. Lev R19: Ret. NF Luart . A empresa Televisão Morena LTDA contratou serviços executados mediante cessão de mão de obra da empresa Luart Prod. e eventos CNPJ 01.518.209/000104 e deixou de reter e recolher a importância correspondente a 11% sobre o valor das notas fiscais de serviços, Fl. 503DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 19/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19706.000079/200734 Acórdão n.º 230201.656 S2C3T2 Fl. 496 5 conforme determina o art. 31 da Lei n°. 8.212/91, na redação dada pela Lei n°. 9.711/98. Foram executados serviços de realização de show apresentação da Cantora Sandra de Sá. Os serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, realizados em 11/2004, estão sujeitos à retenção de 11%. Não foram apresentados contratos de prestação de serviço com relação a essa empresa. Da nota fiscal consta a informação de que os valores pagos referese tão somente ao pagamento pelos serviços realizados. Lev R20: Ret. NF OPEC A empresa Televisão Morena LTDA contratou serviços executados mediante cessão de mão de obra da empresa OPEC — Organização, promoção de eventos e congresso LTDA CNPJ 02.175.267000145 e deixou de reter e recolher a importância correspondente a 11% sobre o valor das notas fiscais de serviços, conforme determina o art. 31 da Lei n°. 8.212/91, na redação dada pela Lei n°. 9.711/98. Foram executados serviços de realização de eventos conforme discriminado no anexo 20. Os serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, realizados no período de 11/2004 A 07/2005, estão sujeitos à retenção de 11%.Não foram apresentados contratos de prestação de serviço com relação a essa empresa. Das notas fiscais consta a informação de que os valores pagos referemse tão somente ao pagamento pelos serviços prestados. Lev R21: Ret. NF ENOKADI A empresa Televisão Morena LTDA contratou serviços executados mediante cessão de mão de obra da empresa INST. ENOKADI Org. Plan. De Proj. Sociais – CNPJ 03.112.560/000126 e deixou de reter e recolher a importância correspondente a 11% sobre o valor das notas fiscais de serviços, conforme determina o art. 31 da Lei n°. 8.212/91, na redação dada pela Lei n°. 9.711/98. Foram executados serviços de produção, coordenação do evento — Concurso Beleza MS2004, conforme discriminado no anexo 21. Os serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, realizados no período de 11/2004 A 07/2005, estão sujeitos à retenção de 11%. Não foram apresentados contratos de prestação de serviço com relação a essa empresa. Das notas fiscais consta a informação de que os valores pagos referemse tão somente ao pagamento pelos serviços prestados. Lev R23: Ret. NF Projeto 2001 A empresa Televisão Morena LTDA contratou serviços executados mediante cessão de mão de obra da empresa Projeto 2001 Com. e Prestação Serviços — CNPJ 05.274.546/000154 e deixou de reter e recolher a importância correspondente a 11% sobre o valor das notas fiscais de serviços, conforme determina o art. 31 da Lei n°. 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.711/98. Foram executados serviços de construção civil Reforma e Manutenção da Praça Ary Coelho em Campo Grande/MS, com fornecimento de material pela contratante. Os serviços de construção civil executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, realizados em 08/2003, estão sujeitos à retenção de 11%. Não foram apresentados contratos de prestação de serviço com relação a essa empresa. Das notas fiscais consta a informação de que os valores pagos referemse tão somente ao pagamento pelos serviços realizados. Lev R24: Ret. NF R.A. Brandão. A empresa Televisão Morena LTDA contratou serviços executados mediante cessão de mão de obra da empresa R.A. Brandão Produções Artísticas CNPJ 05.772.756/0001 Fl. 504DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 19/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 72 e deixou de reter e recolher a importância correspondente a 11% sobre o valor das notas fiscais de serviços, conforme determina o art. 31 da Lei n°. 8.212/91, na redação dada pela Lei n°.9.711/98. Foram executados serviços de realização de show apresentação da Cantora Sandra de SA. Os serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, realizados em 11/2004, estão sujeitos à retenção de 11%. Não foram apresentados contratos de prestação de serviço com relação a essa empresa. Da nota fiscal consta a informação de que os valores pagos referese tão somente ao pagamento pelos serviços realizados. Lev R26: Ret. NF UNIMED A empresa Televisão Morena LTDA contratou serviços executados mediante cessão de mão de obra da empresa Unimed Cuiabá CNPJ 03.533.726/000188 e deixou de reter e recolher a importância correspondente a 11% sobre o valor das notas fiscais de serviços, conforme determina o art. 31 da Lei n°. 8.212/91, na redação dada pela Lei n°. 9.711/98. Foram executados serviços médicos intermediados por cooperativa de trabalhos médicos. Os serviços executados mediante cessão de mãodeobra, realizados no período de 01/2000 a 02/2000, estão sujeitos à retenção de 11%, Lev R 27: Ret. NF JM AMORINI ME. A empresa Televisão Morena LTDA contratou serviços executados mediante cessão de mão de obra da empresa JM AMORIM —ME — CNPJ 04. 167.387/000126 e deixou de reter e recolher a importância correspondente a 11% sobre o valor das notas fiscais de serviços, conforme determina o art. 31 da Lei n°. 8.212/91, na redação dada pela Lei n°. 9.711/98. Foram executados serviços de construção civil com fornecimento de material pela contratante, tais como instalações Elétricas. Os serviços de construção civil executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, realizados no período de 01/2003 a 06/2004, estão sujeitos à retenção de 11%. Não foram apresentados contratos de prestação de serviço com relação a essa empresa. Das notas fiscais consta a informação de que os valores pagos referemse tão somente ao pagamento pelos serviços realizados. Lev R28: Ret. NF MEGA SEGURANÇA LTDA . A empresa Televisão Morena LTDA contratou serviços executados mediante cessão de mão de obra da empresa Mega Segurança LTDA — CNPJ 04. 951. 122/000114 e deixou de reter e recolher a importância correspondente a 11% sobre o valor das notas fiscais de serviços, conforme determina o art. 31 da Lei n°. 8.212/91, na redação dada pela Lei n°. 9.711/98. Foram executados serviços de Segurança e Vigilância em eventos produzidos pela empresa contratante. Os serviços de segurança executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, realizados no período de 05/2002 a 04/2004, estão sujeitos à retenção de 11%. Não foram apresentados contratos de prestação de serviço com relação a essa empresa. Das notas fiscais consta a informação de que os valores pagos ,referemse tão somente ao pagamento pelos serviços realizados. Lev R31: Ret. Cardoso e Cardoso. A empresa Televisão Morena LTDA contratou serviços executados mediante cessão de mão de obra da empresa Cardoso e Cardoso Ltda. CNPJ 03.953.111/000100 e deixou de reter e recolher a importância correspondente a 11% sobre o valor das notas fiscais de serviços, conforme determina o art. 31 da Lei n°. 8.212/91, na redação dada pela Lei n°. 9.711/98. Foram executados serviços médicos. Os serviços executados mediante cessão de mãodeobra, realizados no período de 01/2003 a 07/2005, estão sujeitos à retenção de 11%. Fl. 505DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 19/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19706.000079/200734 Acórdão n.º 230201.656 S2C3T2 Fl. 497 7 A Recorrente apresentou impugnação juntada às fls.121/352, juntando documentos que não foram apresentados a fiscalização, e, alegando em síntese: ilegitimidade dos co responsáveis; decadência; inexigência da retenção de 11% pelos seguintes motivos: ARI DOMINGOS BATISTA E LUIZ BATISTA: Tratamse de serviços de pintura e reparos realizados por empreitadas prestadas pessoalmente pelos sócios das empresas, que sequer possuem funcionários (Docs. 05/07) e, além disso, alguns deles não atingem o limite mínimo estabelecido pelo INSS para recolhimento em documento de arrecadação, hipóteses em que a IMPUGNANTE fica dispensada de efetuar a retenção de 11%, conforme estabelecido pelo art. 157 da referida IN; CANADÁ SERVIÇOS EMPRESARIAIS: se tratam de serviços de conservação, mas, sim, de serviços realizados por um Orgão Gestor de mãodeobra (Doc. 05), por conseguinte, não estava a IMPUGNANTE obrigada a realizar a respectiva retenção de acordo com o artigo 185 da IN 100/2003. ICOM IMAGENS E COMUNICAÇÃO: Os serviços prestados pela ICOM — Imagens e Comunicação Ltda. consistem em assessoria organizacional, planejamento administrativo e financeiro, incluindo a elaboração da estrutura logística de eventos (Docs. 09111), além de assessoria empresarial administrativa e financeira perante a Rede Globo (Docs.12/13). Para que não restem dúvidas a esse respeito, a IMPUGNANTE apresenta os respectivos Contratos de Prestação de Serviços. Logo, tratamse de serviços prestados mediante empreitada e não mediante cessão de mãodeobra, tendo em vista que não são continuos e os empregados da contratada não são colocados à disposição da IMPUGNANTE. EMBRASHOW PRODUÇÕES, PROMOÇÕES E REPRESENTAÇÕES ARTÍSTICAS S/C LTDA., JOSIMAR PRODUÇÕES ARTÍSTICAS LTDA. ENOKADI, LUART PRODUÇÕES E EVENTOS e R.A. BRANDÃO PRODUÇÕES ARTÍSTICAS: conforme contrato (Doc. 14), os serviços prestados pela empresa EMBRASHOW consistem na apresentação de dois shows com o conjunto "FAT FAMILY", com datas e duração estabelecidas no contrato (cláusula 1), sendo os pagamentos da equipe de trabalho da contratada de responsabilidade do artista e desta contratada (cláusula 6). Da mesma forma, os serviços prestados pela empresa JOSIMAR PRODUÇÕES ARTÍSTICAS LTDA (Docs. 15) consistem na organização de toda a estrutura para o evento denominado "SHOW DE VERÃO", com data única fixada no contrato (cláusula 1). Os serviços prestados pela empresa ENOKADI (Doc. 16), referemse à prestação de serviços de seleção e direção artística de candidatas para o evento denominado "BELEZA MS", com data única fixada no contrato (cláusula 1). Já os serviços prestados pelas empresas LUART PRODUÇÕES E EVENTOS e R.A. BRANDÃO PRODUÇÕES ARTÍSTICAS (Docs. 17) dizem respeito à realização de show da cantora Sandra de Sá, com datas préestabelecidas (cláusula 1.1). A cessão de mãodeobra envolve interesse da contratante nos empregados da empresa prestadora do serviço (a terceirização da mãodeobra), enquanto a empreitada pressupõe interesse, única e tão somente, no serviço concluído, ou seja, há um fim contratualmente estabelecido. Desta forma, resta comprovado que os serviços examinados neste tópico também são serviços prestados mediante empreitada e não cessão de mãodeobra, tendo em vista que não são continuos e os empregados da contratada não são colocados à disposição da IMPUGNANTE. Fl. 506DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 19/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 CARDOSO & CARDOSO: trataremse de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão regulamentada que estão dispensados da retenção, conforme art. 157, da IN INSS 100/03. JACQUELINE B. GONÇALVES, MEGA SEGURANÇA LTDA., OPEC ORGANIZAÇÃO E PROMOÇÃO DE EVENTOS E CONGRESSO LTDA., UNIMED CUIABÁ Projeto 2001 COM. e PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS LTDA. E JM AMORIM ME.: Tendo em vista que a retenção previdenciária constitui uma obrigação acessória, a suposta falta desse procedimento pela IMPUGNANTE ensejaria, apenas e tãosomente, a aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória e jamais a cobrança da Contribuição Previdenciária devidamente paga pelas prestadoras de serviço. da impossibilidade de se utilizar a selic como taxa de juros moratórios; Após a apresentação da impugnação com documentos, o Setor de Contencioso administrativo retornou os autos à fiscalização para manifestarse sobre os documentos juntados. Ás fls.356/361 consta uma informação fiscal, onde o fiscal apresenta uma planilha com suas sugestões de exclusão dos levantamentos R14, R16, R17, R19, R20, R21, R23 e R24 e das competências 06/99 e 01/2003 do levantamento R18. Após a informação fiscal, o processo foi encaminhado ao auditor fiscal que realização a fiscalização para se pronunciar. Ás fls.372/379 o Auditor Fiscal apresentou sua informação fiscal no sentido de excluir os levantamentos R19, R21 e as competências 06/99 e 01/2003 do levantamento R18. A Recorrente foi cientificada da segunda informação fiscal e apresentou manifestação. Após a manifestação sobre a informação fiscal a recorrente interpôs uma petição pleiteando a aplicação da Súmula Vinculante n° 8, no que tange a decadência das contribuições anteriores a 29/03/2001. A 4ª Turma da DRFBJ julgou o lançamento procedente em parte, para excluir do lançamento: Lev . R 11 — Ret. NF Ari Domingos da Silva — período de 09/1999 a 11/00 e 13/2000; Lev. R14 Ret. NF EMBRASHOW — período de 05/2003; Lev. R16 Ret. NF ICOM — período de 02/1999 a 04/2000; Lev. R17 Ret. NF Josimar Promoções — período de 04/2004 a 12/2004; Lev. R 18— Ret. NF Luiz Batista — período de 02/1999 a 01/2003; Lev. R19 Ret. NF Luart — período de 11/2004; Lev. R 21 Ret. NF ENOKADI — período de 06/2004; Lev. R24 Ret. NF R. A. Brandão — período de 12/2004; Fl. 507DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 19/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19706.000079/200734 Acórdão n.º 230201.656 S2C3T2 Fl. 498 9 Lev. R26 Ret. NF UNIMED CUIABÁ — período de 01/2000 a 02/2000; Lev. R31 Ret. Cardoso & Cardoso Ltda. — no período de 01/2003 a 07/2005. Inconformada, a Recorrente interpôs recurso voluntário, alegando em síntese: exclusão dos sócios da NFLD; ARI DOMINGOS DA SILVA ME – Lev. R 11: se referem a serviços de pintura e reparos realizados por empreitada e pelo próprio sócio. LUIZ DIAS BATISTA – Lev R18: os valores não atingiram o limite mínimo do documento de arrecadação, os serviços prestados foram de manutenção e prestados pelo próprio sócio; Lev. R13, R20, R23, R27 e R28: a NFLD atribuiu, de forma indiscriminada, responsabilidade pelo recolhimento das contribuições, que foram devidamente recolhidas; taxa selic sem previsão legal. Após o recurso voluntário a Recorrente interpôs uma petição requerendo o conhecimento da mesma como aditamento ao recurso voluntário. É o relatório. Fl. 508DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 19/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 Voto Conselheiro Adriana Sato Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo a análise das questões suscitadas no Recurso Voluntário, não sendo matéria de análise o aditamento ao recurso voluntário. O período de autuação dos gestores está claramente delimitado na CORESP – RELAÇÃO DE CORESPONSÁVEIS, que acompanha a notificação. Tal relação de coresponsáveis, anexadas aos autos pela Fiscalização, não tem como escopo incluir os dirigentes no pólo passivo da obrigação tributária, mas sim listar todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa, pois o chamamento dos responsáveis só ocorre em fase de execução fiscal, em consonância com o parágrafo 3o do artigo 4o da Lei no 6.830/80, e após se verificarem infrutíferas as tentativas de localização de bens da própria empresa. A NFLD foi lavrada somente contra a pessoa jurídica e no momento, não se fala em coresponsabilidade pelo crédito constituído. Tratase apenas de uma informação que poderá ser utilizada futuramente pela própria Administração ou pelo Judiciário, nos limites impostos pela lei . Assim, esta discussão é inócua na esfera administrativa, sendo mais apropriada na via da execução judicial, na hipótese dos responsáveis serem convocados, por decisão judicial, para o pagamento do crédito. Ademais, os relatórios de CoResponsáveis e de Vínculos fazem parte de todos processos de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito e Auto de Infração e servem para relacionar todas as pessoas físicas e jurídicas, representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação. O art. 660 da Instrução Normativa SRP n° 03 de 14/07/2005 determina a inclusão dos referidos relatórios nos processos administrativofiscais e esclarece: Art. 660. Constituem peças de instrução do processo administrativofiscal previdenciário, os seguintes relatórios e documentos: (...) X Relação de CoResponsáveis CORESP, que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação; XI Relação de Vínculos VÍNCULOS, que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente; Fl. 509DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 19/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19706.000079/200734 Acórdão n.º 230201.656 S2C3T2 Fl. 499 11 No que tange ao levantamento R11 (Ari Domingos Silva), os documentos apresentados não comprovaram em todas as competências que a empresa contratada não possuiu empregados e que o faturamento no mês anterior foi inferior a duas vezes o limite máximo da salário de contribuição. No mais, a retenção estava acima do limite em todas as NF levantadas, e, sendo empreitada ou cessão de mãodeobra, o serviço de construção civil estará sujeito a retenção, não assistindo razão a Recorrente. Quanto as competências mantidas do levantamento R18, melhor sorte também não assiste a Recorrente haja vista que não houve a comprovação, em todas as competências de que o trabalho foi executado pelo sócio da empresa contratada e que o faturamento no mês anterior foi inferior a duas vezes o limite máximo da salário de contribuição. No mais, a retenção estava acima do limite em todas as NF levantadas, e, sendo empreitada ou cessão de mãodeobra, o serviço de construção civil estará sujeito a retenção. No que tange aos levantamentos R13 (Jacqueline B. Gonçalves Me – serviços de segurança e vigilância), R20 (Opec – eventos), R23 (Projeto 2001 construção civil/ conserto e manutenção de praça), R27 (JM Amorim construção civil/ elétrica), R28 (Mega Segurança – segurança e vigilância) os mesmos também devem ser mantidos haja vista que nestes tipos de prestação de serviço, a retenção se presume feita, ficando a empresa contratante diretamente responsável pela importância que deixou de arrecadar, conforme disposto no § 5° do art. 33 da Lei n°8.212/91. No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2º Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de n 3, nestas palavras: Súmula N º 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais Por todo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Adriana Sato Relator Fl. 510DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 19/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10283.002989/2004-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 10/02/2004 a 10/04/2004 INFRAÇÃO. BASE LEGAL. ERRO DE ENQUADRAMENTO. PRETERIÇÃO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O erro na indicação da base legal da infração cometida pela autuada, quando da impugnação depreende-se não ter prejudicado a defesa, não constitui preterição ao direito de defesa, não ensejando, por conseguinte, a decretação de nulidade do ato praticado pela Fiscalização. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. PRAZO. FIXAÇÃO. ATO NORMATIVO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. DESRESPEITO. INOCORRÊNCIA. Não há desrespeito ao princípio da legalidade quando o prazo para prestação de informações é fixado em instrução normativa expedida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, desde que se trate de competência outorgada por lei e que a infração e a penalidade aplicáveis também de lei decorram. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-001.419
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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BASE LEGAL. ERRO DE ENQUADRAMENTO. PRETERIÇÃO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O erro na indicação da base legal da infração cometida pela autuada, quando da impugnação depreendese não ter prejudicado a defesa, não constitui preterição ao direito de defesa, não ensejando, por conseguinte, a decretação de nulidade do ato praticado pela Fiscalização. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. PRAZO. FIXAÇÃO. ATO NORMATIVO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. DESRESPEITO. INOCORRÊNCIA. Não há desrespeito ao princípio da legalidade quando o prazo para prestação de informações é fixado em instrução normativa expedida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, desde que se trate de competência outorgada por lei e que a infração e a penalidade aplicáveis também de lei decorram. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Ricardo Paulo Rosa – Presidente Substituto e Relator. EDITADO EM: 07/06/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, Winderley Morais Pereira, Luciano Pontes de Maya Gomes, Mara Cristina Sifuentes, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or RICARDO PAULO ROSA 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o presente processo do Auto de Infração de fls. 01 a 05, por meio do qual foi formalizada a exigência do crédito tributário no valor de R$ 96.000,00, em razão, segundo a descrição dos fatos (fl. 03), de a empresa Elgin Componentes da Amazônia Ltda ter apresentado a Declaração para Controle de Internação Mensal (DCIMensal), referente aos meses de janeiro, fevereiro e março de 2004, após o prazo definido na legislação, ou seja, em desacordo com a regras expressas na Instrução Normativa no 242, de 06/11/02. Em síntese, a fiscalização alega que o prazo para entrega da DCIMensal termina no décimo dia do mês subseqüente ao mês no qual ocorreram as internações. No entanto, no caso ora apreciado, as declarações foram transmitidas pelo contribuinte a, então, Secretaria da Receita Federal em data posterior, conforme quadro a seguir, o que ensejou a aplicação da multa prevista no art. 107, do Decreto Lei no 37/66, com redação dada pelo art. 77, da Lei no 10.833/03. Mês de referência Prazo de entrega Data de entrega Dias em atraso jan/04 10/02/2004 14/02/2004 4 fev/04 10/03/2004 10/05/2004 61 mar/04 10/04/2004 11/05/2004 31 Cientificado do lançamento em 14/06/04 (fl.02), o contribuinte apresentou sua impugnação em 09/07/2004 (fls. 17/27), onde alega que: “A fundamentação do Auto de Infração não respeita o princípio da legalidade, previsto na Constituição Federal, artigo 37, na lei 9.784/99, art.2o, no Decreto 70.235/72, art. 10 e no Código Tributário Nacional, art. 97; O auto de Infração não atende requisito essencial para sua validade,qual seja, o correto enquadramento entre o fato e a norma posta em lei, especialmente a penalidade, conforme preceituado pelo art. 10 do PAF e entendimento maciço dos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda; O art. 107 da lei 10.833/03 não existe, já que referida lei termina em seu artigo 94, acarretando num lançamento eivado de erro injustificável e insanável e impossibilitando a dedução correta de defesa, afrontando assim a ampla defesa, o contraditório e conseqüentemente a segurança jurídica, sem falar na afronta expressa do disposto no artigo 10, IV do PAF e na lei 9784/99, VIII; O art. 456 do Decreto 4.543/02, base legal elencada para motivar o Auto em apreço, além de afrontar a legalidade, é completamente estranha ao objeto e descrição do fato constante da peça inicial do processo administrativo, eis que referido preceito apenas conceitua o que é internação, sem nunca fazer menção a qualquer obrigatoriedade e prazo e entrega de qualquer tipo de declaração; A IN 242/02, também suscitada para motivar a lavratura do Auto, além e não ser lei, ferindose assim a legalidade, não prevê penalidade pecuniária para o não atendimento do prazo nela inserto, já que quando faz menção à MP 75, tal Fl. 98DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10283.002989/200452 Acórdão n.º 310201.419 S3C1T2 Fl. 3 3 dispositivo tornouse inócuo, visto referida MP ter sido rejeitada pelo Congresso Nacional; A única penalidade possível e aceitável, o que se admite apenas por hipótese, é a prevista no artigo 7o da IN 242/02, transformando o procedimento aduaneiro simplificado em procedimento aduaneiro ordinário, com relação a desembaraço posterior a eventual falta de entrega ou entrega fora do prazo da DCI mensal.(sic)” Por fim, requer o cancelamento do Auto de Infração. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 10/02/2004 a 10/04/2004 PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Não caracteriza cerceamento do direito de defesa a alegação de erro ou ausência da indicação dos dispositivos legais infringidos, quando os autos revelam que tais irregularidades inexistem e que a contribuinte se defendeu amplamente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 10/02/2004 a 10/04/2004 TIPIFICAÇÃO. PROCEDIMENTO ADUANEIRO SIMPLIFICADO O registro da Declaração para Controle de Internação Mensal pelas pessoas jurídicas que enviam produtos da Zona Franca de Manaus para o restante do Território Nacional, quando intempestiva, enseja a aplicação da multa pelo descumprimento de condição estabelecida na legislação para utilização de procedimento aduaneiro simplificado. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na impugnação ao lançamento. Repisa questão suscitada na impugnação quanto ao incorreto enquadramento do auto de infração no artigo 107, na Lei no 10.833/2003. Entende que “esta fundamentação equivocada, sem nenhuma origem fática ou legal, impossibilitou a Recorrente de deduzir uma defesa a contento, prejudicando o contraditório, a ampla defesa e a segurança jurídica”. Questiona se “o desenvolvimento da atividade pública deve ser pautado por deduções” como, segundo entende, sugere a Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Considera não ter sido observado o princípio da legalidade, pela indicação do artigo 456, do Decreto 4.543/02 como base da autuação. Ainda mais inconcebível por tratarse de cominação de penalidade e que a exigência de entrega da DCI mensalmente não decorre de lei, “mas sim de uma instrução normativa, sendo ferido mais uma vez o principio da legalidade”. É o relatório. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or RICARDO PAULO ROSA 4 Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. De se destacar, desde logo, não haver controvérsia quanto ao mérito do litígio. O atraso na prestação das informações exigidas pela Secretaria da Receita Federal para o procedimento simplificado na internação das mercadorias provenientes da Zona Franca de Manaus de fato ocorreu, uma vez que nem mesmo a recorrente contesta esse fato. Embora isso, a empresa entende terem sido desrespeitados importantes princípios norteadores da atividade pública, razão pela qual requer a decretação de insubsistência do auto de infração. Principia por alegar preterição ao direito de defesa, pela equivocada indicação da base legal da autuação. Tal como se depreende dos autos, e isso também não é controverso, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal enquadrou a infração no inexistente artigo 107 da Lei 10.833/03, quando deveria têlo enquadrado no artigo 107 do DecretoLei 37/66, com redação introduzida pelo artigo 77 da Lei 10.833/03. Reconhecido o erro, a avaliação de suas consequências não me parece conduzir ao entendimento de que tenha ocorrido a alegada preterição ao direito de defesa ou que procedimento fiscal tenhase baseado ou exigido da recorrente conclusão com base em deduções, como alegado. Ao longo da impugnação e também do recurso voluntário apresentado a este Colegiado, a contribuinte faz menção a toda a legislação que regulamenta a matéria, desde a Instrução Normativa 242/02 à Lei 10.833/03, passando pelo Decreto 4.543/02, demonstrando conhecer bem toda a base legal da obrigação cujo prazo deixou de observar. Não me parece que em nenhum momento a recorrente tenhase confundido com o teor da imposição contida nos autos, razão por que não vejo prejuízo à defesa. No que diz respeito ao termo deduzir utilizado no julgamento de piso, vejo que a intenção do i. Relator da decisão recorrida foi de demonstrar que a compreensão do objeto do lançamento não requer mais do que um esforço cognitivo simples, por meio do qual podese, sem dificuldade, ultrapassar o lapso ocorrido na formalização da exigência. A meu ver, não há razão para que se fale em exercício da atividade pública pautada em deduções. O trabalho fiscal, ao contrário de como entende a autuada, foi regularmente conduzido, tendo sido criteriosamente observada toda a legislação de regência. Ainda assim, a fiscalização cometeu um equívoco no momento de indicar a base legal da autuação, circunstância que exige manifestação da autoridade julgadora, que, ao desincumbirse dessa função, entendeu perfeitamente possível deduzir, compreender, chegar à conclusão de que a disposição legal infringida era outra, o que não autoriza, segundo entendo, a conclusão de que o trabalho da fiscalização desenvolvese com base em deduções. Também não houve agressão ao princípio da legalidade, por que as penalidades aplicadas não o foram com base em Decreto, como quer fazer crer a recorrente. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10283.002989/200452 Acórdão n.º 310201.419 S3C1T2 Fl. 4 5 Como fica claro dos autos e das próprias considerações acima, a penalidade está prevista no artigo 77 da Lei 10.833/03 que deu nova redação ao artigo 107 do DecretoLei 37/66, tendo este último status de Lei Ordinária. Neste mesmo diapasão, temse que a própria Lei referese ao descumprimento de condição estabelecida, se não vejamos. Art. 77. Os arts. 1o, 17, 36, 37, 50, 104, 107 e 169 do DecretoLei no 37, de 18 de novembro de 1966, passam a vigorar com as seguintes alterações: (...) "Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) VII de R$ 1.000,00 (mil reais): (...) g) por dia, pelo descumprimento de condição estabelecida para utilização de procedimento aduaneiro simplificado; Sendo de competência da Secretaria da Receita Federal estabelecer as condições para utilização de procedimento aduaneiro simplificado, não merece acolhimento a reclamação de que ela tenha sido feita por meio de Instrução Normativa, instrumento legal amplamente utilizado pelo Órgão para este fim. De todo o exposto, não vejo qualquer irregularidade na autuação em litígio, devendo o atraso ser apenado da forma prescrita em Lei, razão pela qual VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Sala de Sessões, 22 de março de 2012. Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 13502.000458/2009-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ementa: SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO. PROGRAMA QUE VISA INSTALAÇÃO DE NOVAS INDÚSTRIAS E EXPANSÃO DAS JÁ EXISTENTES, CONDICIONADO A INVESTIMENTOS PELO PARTICULAR, AUMENTO DA PRODUÇÃO E DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO. Os incentivos concedidos pelo Governo do Estado da Bahia, por meio da Lei nº 7.980, de 2001, que instituiu o Programa DESENVOLVE, com o objetivo de estimular a instalação de novas indústrias e a expansão, reativação ou a modernização de empreendimentos industriais já instalados se constituem em subvenções para investimentos, pois condicionadas, a novos investimentos visando aumento da produção, desenvolvimento tecnológico, competitividade, geração de empregos e integração de cadeias produtivas e de comercialização. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1402-000.994
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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PROGRAMA QUE VISA INSTALAÇÃO DE NOVAS INDÚSTRIAS E EXPANSÃO DAS JÁ EXISTENTES, CONDICIONADO A INVESTIMENTOS PELO PARTICULAR, AUMENTO DA PRODUÇÃO E DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO. Os incentivos concedidos pelo Governo do Estado da Bahia, por meio da Lei nº 7.980, de 2001, que instituiu o Programa DESENVOLVE, com o objetivo de estimular a instalação de novas indústrias e a expansão, reativação ou a modernização de empreendimentos industriais já instalados se constituem em subvenções para investimentos, pois condicionadas, a novos investimentos visando aumento da produção, desenvolvimento tecnológico, competitividade, geração de empregos e integração de cadeias produtivas e de comercialização. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Fl. 442DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 13502.000458/200904 Acórdão n.º 1402000.994 S1C4T2 Fl. 0 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 13502.000458/200904 Acórdão n.º 1402000.994 S1C4T2 Fl. 0 3 Relatório Inal Nordeste S/A, já qualificada nos autos, com fundamento no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre da decisão de primeira instância, que julgou procedente a exigência. Pelo que se extrai do recurso, a contribuinte somente recorre da infração que nos itens 7 e 8 da fl. 243 assim está descrita: 7 O Contribuinte é beneficiário de subvenção fiscal concedida pelo governo do Estado da Bahia, instituída pela Lei Estadual no 7.980/2001, e regulada pelo Decreto Estadual n° 8.205/2002, posteriormente alterado pelo Decreto n° 8.435/2003, intitulado de Programa de Desenvolvimento Industrial e de Integração Econômica do Estado da Bahia DESENVOLVE. O programa oferece os seguintes incentivos: 7.1 Dilação do prazo de pagamento do saldo devedor do ICMS por até 72 meses, incidindo encargos financeiros sobre a parcela financiada calculados pela taxa de juros de longo prazo; 7.2 Caso o contribuinte antecipe o pagamento da parcela devedora, terá direito a desconto de até 90% sobre a parcela do ICMS com prazo dilatado e dos encargos financeiros, conforme enquadramento na tabela do regulamento do programa. 8 A empresa fiscalizada foi habilitada no programa DESENVOLVE por meio da Resolução n° 134/2005, fls. 57/58, sendolhe concedidos os seguintes benefícios: 8.1 dilação de prazo de 72 meses para pagamento do saldo devedor do ICMS relativos às operações próprias; 8.2 fixação da parcela do saldo devedor mensal do ICMS passível do incentivo, em o que exceder a R$ 121.662,71, corrigido este valor a cada 12 meses, pela variação do IGPM; 8.3 concessão do prazo de 12 anos para a fruição dos benefícios; 8.4 sobre cada parcela do ICMS com prazo de pagamento dilatado incidirá taxa de juros de 100% da TJLP ao ano. Segundo a autoridade fiscal, a empresa contabilizou os valores correspondentes ao benefício fiscal como subvenção para investimentos, em conta de reserva de capital no grupo patrimônio líquido, em observância do disposto no artigo 443 do Decreto no 3.000/99. Porém, dito procedimento vai de encontro à definição de subvenção para investimento determinada pela Receita Federal do Brasil. Intimada, a contribuinte apresentou impugnação e a DRJ julgou procedente o lançamento por meio do acórdão de fls. que, na parte que diz respeito à matéria impugnada e objeto do recurso contém a seguinte ementa: SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. FALTA DE RECONHECIMENTO DA RECEITA. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 13502.000458/200904 Acórdão n.º 1402000.994 S1C4T2 Fl. 0 4 Os recursos fornecidos às pessoas jurídicas pela Administração Pública, quando não comprovados ao efetivo investimento na implantação ou expansão do empreendimento projetado, é estímulo fiscal que se reveste das características próprias das subvenções para custeio, não se confundindo com as subvenções para investimento, e deve ser computado no lucro operacional das pessoas jurídicas, sujeitandose, portanto, à incidência do imposto sobre a renda. Dos fundamentos do acórdão recorrido O acórdão recorrido está alicerçado nos seguintes fundamentos: (...) “Subvenção é um auxílio financeiro concedido pelo Estado tendo em vista o interesse público. A norma do art. 182, § 1º, “d”, da Lei nº 6.404/1976 utilizou o termo qualificandoo por meio da expressão “para investimento”. A qualificação não foi efetivada em vão. O legislador desejou distinguir, dentre as diversas subvenções, aquelas cujas verbas seriam carreadas diretamente ao Patrimônio Líquido: somente aquelas para investimento. Confirase, a respeito, o entendimento de Modesto Carvalhosa e Nílton Latorraca (“Comentários à Lei de Sociedades Anônimas”, Volume 3, Editora Saraiva, São Paulo, SP, 1998, pág. 603): Subvenções para investimento Considerada como instituto do direito financeiro, as subvenções são ajudas ou auxílios pecuniários, concedidos pelo Estado, nos termos da legislação específica, em favor de instituições que prestam serviços ou realizam obras de interesse público. A subvenção para investimento é a contribuição pecuniária destinada à capitalização em empresas privadas, e se distingue da subvenção corrente, para custeio ou operação. No âmbito do IRPJ, a tributação das subvenções encontrase disciplinada pelos arts. 392, I, e 443 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999), in verbis: Art. 392. Serão computadas na determinação do lucro operacional: I as subvenções correntes para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, inciso IV); (...) Art. 443. Não serão computadas na determinação do lucro real as subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, desde que (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 38, § 2º, e Decreto Lei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso VIII): Fl. 445DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 13502.000458/200904 Acórdão n.º 1402000.994 S1C4T2 Fl. 0 5 I registradas como reserva de capital que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto no art. 545 e seus parágrafos; ou II feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas. Conforme se depreende dos dispositivos acima, as subvenções para custeio não se confundem com as subvenções para investimento. As primeiras são normalmente tributadas pelo IRPJ e CSLL, situação prevista no artigo 392 do RIR/1999, que determina a inclusão desses valores no lucro operacional. As segundas, porém, deverão ser excluídas das respectivas bases de cálculo, desde que atendam aos requisitos estipulados nos incisos I e II do artigo 443 do mesmo diploma legal. Dessa forma, somente as subvenções para investimento terão suas verbas registradas diretamente nas contas do Patrimônio Líquido, não afetando o resultado do exercício. Por via de conseqüência, as verbas atinentes às demais subvenções (aquelas que não são para investimento) transitarão pelas contas de resultado, ou seja, serão receitas para fins da legislação societária. Do acórdão acima referido a contribuinte foi intimada em 14/04/10 (fl. 417) e em 05/05/10 (fl. 410), ingressou com recurso de fls. 411 e seguintes transcrevendo as disposições dos artigos 1º e 3º da Lei nº 7.980, de 2001, por meio da qual o Estado da Bahia institui o Programa de Desenvolvimento Industrial e de Integração Econômica – DESENVOLVE, destacando que o texto legal é claro ao estabelecer que a finalidade do Programa DESENVOLVE é "estimular a instalação de novas indústrias e a expansão, a reativação ou a modernização de empreendimentos industriais já instalados", sendo certo que a "geração de novos produtos ou processos, aperfeiçoamento das características tecnológicas e redução de custos de produtos ou processos já existentes" representam nada mais do que os efeitos decorrentes da instalação, expansão, reativação ou modernização incentivada do parque industrial do contribuinte. (grifos no original). É o relatório. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 13502.000458/200904 Acórdão n.º 1402000.994 S1C4T2 Fl. 0 6 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33, do Decreto nº. 70.235 de 06/03/1972, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado e preenche os requisitos de admissibilidade. Assim, conheçoo e passo ao exame da matéria. Não se questionam os argumentos da recorrente de que, no caso concreto, o projeto habilitado junto ao Estado da Bahia foi o de expansão do parque industrial da INAL Nordeste S/A, que vem se ultimando no decorrer dos anos e que, só no período fiscalizado (2006 e 2007), elevou suas contas ativas de "Terrenos" de R$ 100.000,00 para R$ 1.773.752,00, de “Edifícios e Construções" de R$ 7.036.027,69 para R$ 17.540.934,20, e de "Equipamentos, Máquinas e Instalações Industriais", conforme demonstrado em suas declarações de fls. 130 a 170. Interessa definir, para o presente julgamento, é se o Programa de Desenvolvimento Industrial e de Integração Econômica – DESENVOLVE, editado pelo Governo do Estado da Bahia, procurou estimular a instalação de novos investimentos e expansão e modernização dos já existentes, situação em que os benefícios concedidos constituiriamse em subvenções para o investimento ou se se constituem em subvenções correntes para o custeio. Neste sentido, necessário que se analise as finalidades e eventuais encargos ou obrigações determinados na Lei nº 7.980, de 2001, do Estado da Bahia, e pelo Decreto nº 8.025, de 2002, que regulamentou a referida lei. Nestes sentido, destacamse os seguintes dispositivos da lei referida: Art. 1º Fica instituído o Programa de Desenvolvimento Industrial e de Integração Econômica do Estado da Bahia DESENVOLVE, com o objetivo de fomentar e diversificar a matriz industrial e agroindustrial, com formação de adensamentos industriais nas regiões econômicas e integração das cadeias produtivas essenciais ao desenvolvimento econômico e social e à geração de emprego e renda no Estado. Art. 2º Fica o Poder Executivo autorizado a conceder, em função do potencial de contribuição do projeto para o desenvolvimento econômico e social do Estado, os seguintes incentivos: I dilação do prazo de pagamento, de até 90% (noventa por cento) do saldo devedor mensal do ICMS normal, limitada a 72 (setenta e dois) meses; II diferimento do lançamento e pagamento do Imposto sobre Operações Relativas a Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) devido. Parágrafo único Para efeito de cálculo do valor a ser incentivado com a dilação do prazo de pagamento, deverá ser excluída a parcela do imposto resultante da adição de dois pontos percentuais às alíquotas do ICMS, prevista no art. 16A da Lei nº 7.014/96 para constituir o Fundo Estadual de Combate e Erradicação da Pobreza. (Parágrafo único acrescido ao art. 2º pelo art. 7 da Lei nº 8.967, de 29 de dezembro de 2003). Art. 3º Os incentivos a que se refere o artigo anterior têm por finalidade estimular a instalação de novas indústrias e a expansão, a reativação ou a modernização de Fl. 447DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 13502.000458/200904 Acórdão n.º 1402000.994 S1C4T2 Fl. 0 7 empreendimentos industriais já instalados, com geração de novos produtos ou processos, aperfeiçoamento das características tecnológicas e redução de custos de produtos ou processos já existentes. § 1º Para os efeitos deste Programa, considerase: I nova indústria, a que não resulte de transferência de ativos de outro estabelecimento da mesma empresa ou de terceiros, oriundos da Região Nordeste; II expansão industrial, o aumento resultante de investimentos permanentes de, no mínimo, 35% (trinta e cinco por cento) na produção física em relação à produção obtida nos 12 meses anteriores ao pedido; III reativação, a retomada de produção de estabelecimento industrial cujas atividades estejam paralisadas há mais de 12 meses; IV modernização, a incorporação de novos métodos e processos de produção ou inovação tecnológica dos quais resultem aumento significativo da competitividade do produto final e melhoria da relação insumo/produto ou menor impacto ambiental. (grifei) ... Art. 4º O Poder Executivo constituirá o Conselho Deliberativo do DESENVOLVE, vinculado à Secretaria de Indústria Comércio e Mineração, que examinará e aprovará os projetos, estabelecendo as condições de enquadramento para fins de fruição dos benefícios. § 1º O deferimento do pedido de enquadramento ao Programa deverá observar a conveniência e a oportunidade do projeto para o desenvolvimento econômico, social ou tecnológico do Estado, bem assim o cumprimento de todas as suas exigências (sublinhei). ... § 3º A Secretaria Executiva do DESENVOLVE acompanhará a execução do cronograma de implantação, expansão, reativação ou dos investimentos em pesquisa e tecnologia, a evolução dos níveis de produção e do seu respectivo nível de emprego, até a completa implantação do projeto base do Programa. Art. 5º O estabelecimento enquadrado no Programa deverá observar os seguintes procedimentos, para fins de apuração e recolhimento do ICMS devido: Art. 8º O Regulamento estabelecerá, observadas as diretrizes do Plano Plurianual, critérios e condições para enquadramento no Programa e fruição de seus benefícios, com base em ponderação dos seguintes indicadores: I geração de empregos; II desconcentração espacial dos adensamentos industriais; III integração de cadeias produtivas e de comercialização; IV vocação regional e subregional; V desenvolvimento tecnológico; VI responsabilidade social; VII impacto ambiental. Fl. 448DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 13502.000458/200904 Acórdão n.º 1402000.994 S1C4T2 Fl. 0 8 Pelo que se extrai da conjugação dos arts. 1º, 3º e 8º, acima transcritos, o benefício concedido pelo Estado da Bahia tem por objetivo fomentar e diversificar a matriz industrial e agroindustrial do Estado da Bahia, assim compreendido pela instalação de novas indústrias, expansão das já existentes com aumento de investimentos permanentes de, no mínimo, 30% na produção física em relação a produção obtida nos 12 meses anteriores, retomada de estabelecimento industrial cujas atividades estejam paralisadas há mais 12 meses, modernização com incorporação de novas tecnologias que resultem aumento significativo de competitividade, além da geração de empregos, desconcentração espacial dos adensamentos industriais e integração de cadeias produtivas e de comercialização, conforme previsto no artigo 8º, incisos I, II, e III, antes transcritos. Ao se analisar o Decreto nº 8.205, de 2002, que aprovou o regulamento do Programa de Desenvolvimento Industrial e de Integração Econômica do Estado da Bahia – DESENVOLVE, instituído pela Lei nº 7.980, de 12 de dezembro de 2001, do Estado da Bahia, verificase que cabe ao Conselho Deliberativo do citado programa aprovar os projetos propostos, estabelecendo condições e acompanhar a execução, implantação, expansão reativação e evolução dos níveis de produção e emprego. Neste sentido, destaco o que consta do artigo 7º, I e II, do referido Regulamento: Art. 7º O Conselho Deliberativo, órgão de orientação e deliberação superior do DESENVOLVE, terá as seguintes atribuições: I examinar e aprovar os projetos propostos, estabelecendo as condições de enquadramento para fins de fruição dos benefícios, observando a conveniência e a oportunidade do projeto para o desenvolvimento econômico, social ou tecnológico do Estado, bem assim sua compatibilidade com os objetivos fundamentais do programa e o cumprimento de todas as suas exigências; II acompanhar, por sua Secretaria Executiva, a execução do cronograma de implantação, expansão, reativação ou dos investimentos em pesquisa e tecnologia, a evolução dos níveis de produção e do seu respectivo nível de emprego, até o fim do prazo de fruição dos benefícios concedidos; Verifico, ainda, que nos termos dos artigos 8º e 9º do citado regulamento, a empresa interessada em participar do programa deve apresentar Carta Consulta com informações básicas do projeto e, se acolhido, após esta deverá apresentar projeto completo do empreendimento. Mais, pelo disposto no artigo 16 do Regulamento, a manutenção dos incentivos é condicionada à comprovação contábil e física do investimento projetado, comprovado por laudo de inspeção da Secretaria Executiva do Programa. Neste sentido destaco os artigos 16 e 17, da norma antes referida, a seguir transcritos: Art. 16 A manutenção dos incentivos é condicionada à comprovação contábil e física da integral realização do investimento projetado, comprovada por laudo de inspeção emitido pela Secretaria Executiva do DESENVOLVE, e, quando necessária, com assistência do DESENBAHIA. Art. 17 A empresa beneficiada com incentivos do DESENVOLVE obrigase, a: I encaminhar à Secretaria Executiva, anualmente, o balanço geral e, até 31 de julho de cada ano, a previsão do recolhimento do ICMS para o ano seguinte; Fl. 449DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 13502.000458/200904 Acórdão n.º 1402000.994 S1C4T2 Fl. 0 9 II remeter à Secretaria da Fazenda, trimestralmente, a previsão do ICMS a recolher; III permitir aos técnicos credenciados pela Secretaria Executiva do Conselho, eventual fiscalização na empresa e inspeção em suas instalações físicas, bem como remeter todas as informações e documentos que lhe forem solicitados Por fim, ainda observo que, a teor do artigo 21 do citado regulamento, qualquer alteração no projeto que implique em modificação dos critérios inicialmente estabelecidos deverá ser comunicado à autoridade competente, para avaliação. Da análise que faço do caso concreto, os incentivos concedidos pelo Governo do Estado da Bahia, por meio da Lei nº 7.980, de 2001, que instituiu o Programa DESENVOLVE, não se tratam de subvenções correntes para custeio e sim subvenções para investimentos, pois condicionadas, de forma expressa, a novos investimentos visando aumento da produção, competitividade, geração de empregos e integração de cadeias produtivas e de comercialização. ISSO POSTO, voto no sentido de dar provimento ao recurso para cancelar o lançamento. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 450DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA
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Numero do processo: 16095.000270/2006-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF
Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
PRESUNÇÃO LEGAL RELATIVA ESTABELECIDA PELO ART. 42 DA LEI 9.430 DE 1.996. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. É válido o lançamento por presunção legal, quando o contribuinte não logra êxito em
comprovar a origem dos depósitos ou investimentos, quando intimado.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. LIMITE DE R$ 80.000,00. Para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, não será
considerado o crédito de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o somatório desses créditos não comprovados não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00, dentro do ano-calendário.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2201-001.481
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria dar provimento parcial ao recurso para reduzir a base de cálculo do lançamento R$ 28.000,00 para o ano-calendário 2001, R$ 131.600,00 ano-calendário 2003 e 22.600,00, ano-calendário 2004, referente à exclusão dos
depósitos cujos valores sejam iguais ou inferiores ao limite legal. Vencido o conselheiro Eduardo Tadeu Farah (relator). Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Rayana Alves de Oliveira França. Fez sustentação oral o advogado Adalberto Calil OAB/SP 36250.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL RELATIVA ESTABELECIDA PELO ART. 42 DA LEI 9.430 DE 1.996. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. É válido o lançamento por presunção legal, quando o contribuinte não logra êxito em comprovar a origem dos depósitos ou investimentos, quando intimado. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. LIMITE DE R$ 80.000,00. Para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, não será considerado o crédito de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o somatório desses créditos não comprovados não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00, dentro do anocalendário. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria dar provimento parcial ao recurso para reduzir a base de cálculo do lançamento R$ 28.000,00 para o anocalendário 2001, R$ 131.600,00 anocalendário 2003 e 22.600,00, anocalendário 2004, referente à exclusão dos depósitos cujos valores sejam iguais ou inferiores ao limite legal. Vencido o conselheiro Eduardo Tadeu Farah (relator). Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Rayana Alves de Oliveira França. Fez sustentação oral o advogado Adalberto Calil OAB/SP 36250. (Assinado Digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente (Assinado Digitalmente) EDUARDO TADEU FARAH – Relator (Assinado Digitalmente) Fl. 263DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por EDUARDO TAD EU FARAH, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA – Redatora designada EDITADO EM: 14/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente á época do julgamento). Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios de 2002, 2003, 2004 e 2005, consubstanciado no Auto de Infração de fls. 793/796, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 295.180,03, calculados até 31/08/2006. A fiscalização apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, conforme detalhado no Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades Fiscais de fls. 781/787. Cientificado do lançamento, o autuado apresentou tempestivamente Impugnação (fls. 803/812), alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, que: Das centenas e centenas de movimentações financeiras, apenas 43 delas tiveram sua origem recusada pela fiscalização, sem qualquer justificativa minimamente plausível. Em relação aos 43 depósitos considerados como omissão de receita e que estão discriminados no Anexo ao Termo de Constatação de Irregularidades Fiscais, o impugnante comprovou que seus valores tiveram origem em saques que ele próprio havia anteriormente realizado, no mesmo exercício, nas apontadas contas, através de cheques nominais a si próprio. Visando demonstrar a origem de todos os recursos que circularam por suas contas bancárias nos anos de 2001 a 2004, o impugnante apresentou à fiscalização os demonstrativos de fls. 220/230 (anobase 2001); 391/404 (anobase 2002); 531/542 (anobase 2003) e 663/670 (anobase 2004), nos quais estão lançados, um a um, os depósitos/créditos realizados em suas contas bancárias, com a indicação das respectivas fontes. Instruindo esses demonstrativos, o impugnante apresentou os documentos correspondentes a cada uma das origens indicadas, como se vê às fls. 231 e seguintes. Através dessa documentação, restou comprovado que todos os depósitos e créditos tinham origem lícita, tendo sido as receitas tributáveis corretamente declaradas, com o recolhimento do imposto de renda devido. Em relação aos 43 depósitos que deram causa ao lançamento, o impugnante apresentou a relação de fls. 313 (anobase 2001); 485 (anobase 2002); 606 (anobase 2003) e 776 (anobase 2004), na qual apontou, para cada um desses depósitos, a Fl. 264DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por EDUARDO TAD EU FARAH, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 16095.000270/200642 Acórdão n.º 220101.481 S2C2T1 Fl. 2 3 respectiva origem do numerário, consistente em saques que anteriormente havia realizado, através de cheques de sua emissão (nominais a si mesmo), cujas cópias, através de microfilme, foram juntados às fls. 314/363 (anobase 2001); 486/523 (anobase 2002); 607/626 (anobase 2003) e 777/780 (anobase 2004). Apesar dessa prova documental, idônea e inquestionável, a fiscalização, sem qualquer explicação, simplesmente ignorou e desconsiderou os saques anteriores como origem dos posteriores depósitos, presumivelmente, sob premissa de que neste país ninguém pode depositar num banco recursos próprios, que tenha em sua guarda pessoal, mesmo quando, comprovadamente, tais recursos tenham sido sacados de sua própria conta bancária. Vale dizer, quem saca dinheiro de sua conta bancária, é obrigado a gastálo, pois, se não o fizer, estará impedido de depositálos novamente no Banco, sob pena de a Receita Federal considerar que se trata de omissão de receita. O impugnante apresentou cópias dos cheques por ele emitidos, nominais a si mesmo, através dos quais sacou de suas contas bancárias os valores que deram origem aos 43 depósitos objeto da autuação. Como dizer que o impugnante não apresentou a origem dos depósitos? Por que estaria o impugnante impedido de reconduzir às suas contas bancárias valores que lhe pertenciam e que, comprovadamente, haviam sido por ele anteriormente sacados de suas próprias contas? A autuação, em nenhum momento, dá resposta a essa pergunta. O impugnante comprovou, através de microfilmes fornecidos pelos bancos, os referidos saques, ao mesmo tempo em que, com farta documentação não contestada, comprovou que os valores sacados decorriam de ingressos legítimos (subsídios como deputado, reembolso de despesas pelo Congresso Nacional, aluguéis, etc), devidamente declarados. Nada justifica a posição adotada pela fiscalização, porque efetivamente o impugnante comprovou, com documentação hábil e idônea, a origem dos 43 depósitos que constituem o objeto da autuação. Registrese que o impugnante normalmente manteve a guarda própria de valores em dinheiro, mediante saques realizados de suas contas bancárias, porque sua atividade parlamentar exigiu que ficasse distante, a maior parte dos dias da semana, da cidade em que reside, e na qual mantém sua família e suas atividades pessoais (Mogi das Cruzes/SP). Em função de sua vida política, o impugnante precisou confiar a funcionários a realização de pagamentos de seus encargos familiares e pessoais. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por EDUARDO TAD EU FARAH, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 Para evitar que tivesse que deixar cheques assinados em branco com estes terceiros, o impugnante preferiu proverlhes dos recursos necessários em dinheiro. Por isso, e na medida das necessidades, eram feitos os saques e também os depósitos dos valores excedentes ou não utilizados. A movimentação de valores em dinheiro sempre foi uma rotina na vida do impugnante, o que se comprova pelo fato de que em suas declarações de renda, não só do anocalendário de 2001, como nos anos anteriores e posteriores a este, sempre constou, no último dia de cada ano, determinadas quantias em dinheiro sob guarda própria. Simples depósitos bancários não fazem prova de receita Embora os créditos bancários, em tese, possam identificar indícios de receitas omitidas, tais operações não caracterizam, por si só, rendimento tributável. Uma mesma quantidade de dinheiro pode circular pela corrente de uma pessoa seguidas vezes, por força de saques e depósitos, sem que tenha havido qualquer rendimento adicional. Ademais, comparandose o período em foco (de 2001 a 2004) com o imediatamente anterior (2000), constatase pelas respectivas declarações de imposto de renda, que o impugnante, efetivamente, não teve qualquer acréscimo patrimonial que pudesse legitimar a presunção de omissão de receita. Depósito bancário não caracteriza renda nem rendimentos auferidos O CTN, em seu art. 43, incisos I e II, define a hipótese de incidência do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. Daí se infere que a expressão renda e proventos de qualquer natureza só abrange os fatos que possam ser considerados como acréscimo patrimonial, crescimento do patrimônio particular ou social, mas nunca tudo aquilo que tenha sido depositado na conta do contribuinte, pois os mesmos valores, em momento imediato, poderão ser objeto de saque, e novamente depositados em conta distinta, e novamente sacados. Não se pode confundir mera movimentação de valores com acréscimo patrimonial, que são fatos absolutamente distintos. O art. 42 da Lei nº 9.430 não pode ser interpretado literal e isoladamente, mas de forma sistemática e em harmonia com a regra do art. 43 do CTN. A única interpretação que se pode admitir em face do citado art. 42 é no sentido de que, ali, o legislador admitiu que o depósito bancário seja considerado indício de receita auferida, cabendo ao Fisco a tarefa de, a partir desse elemento indiciário, desenvolver a fiscalização, apurando outros elementos seguros (aquisição de bens, variação patrimonial em geral, etc) com vistas à efetiva identificação do fato gerador do IRPF. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por EDUARDO TAD EU FARAH, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 16095.000270/200642 Acórdão n.º 220101.481 S2C2T1 Fl. 3 5 A presunção de renda estabelecida por uma lei ordinária não pode afetar o conceito de renda delimitado por outra norma que tem força de lei complementar, o CTN. Transcreve o conceito de renda e proventos de qualquer natureza do Pleno do STF expressa no RE 1178876SP – Rel Min. Carlos Velloso, inclusive de trecho do voto condutor desse julgamento combatendo a hipótese de se estabelecer, como renda, uma ficção legal. Nesse contexto, deveria a fiscalização, em obediência à legislação tributária vigente, apurar a ocorrência de eventual acréscimo patrimonial, determinando o fato gerador da obrigação e não como procedeu no presente feito, em que, valendose do somatório de meros depósitos, conferiulhes o caráter de rendimento tributável. É firme a jurisprudência da CSRF no sentido de que a tributação, com base nos valores de depósitos bancários, somente é possível se a fiscalização lograr vinculálos a operações caracterizadoras de fontes de rendimentos. Não tem sido outro o entendimento de nossos Tribunais, conforme ementa que transcreve. A matéria, aliás, por ser pacífica, chegou a ser objeto da Súmula nº 182 do TFR. Não há, pois, como negar que depósito bancário, por si só, não caracteriza renda nem rendimento tributável. A 7ª Turma da DRJ – São Paulo/SPOII julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado na ementa abaixo transcrita: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizam omissão de rendimentos, sujeitos ao lançamento de ofício, os valores creditados em contas de depósito mantidas junto às instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Invocando uma presunção legal de omissão de rendimentos, fica a autoridade lançadora dispensada de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo ao contribuinte o ônus da prova. Lançamento Procedente. Intimado da decisão de primeira instância, Valdemar Costa Neto apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por EDUARDO TAD EU FARAH, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 Voto Vencido Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, relativamente a fatos ocorridos nos anoscalendário 2001, 2002, 2003 e 2004. Em sua peça recursal insiste o recorrente em sua tese de que o simples depósito bancário não faz prova de receita e tampouco caracteriza renda ou rendimentos auferidos. Além do mais, assevera o recorrente que “... Em relação aos quarenta e três depósitos considerados como omissão de receita, e que estão discriminados no Anexo ao Termo de Constatação de Irregularidades Fiscais, o Recorrente comprovou que seus valores tiveram origem em saques que ele próprio havia anteriormente realizado, no mesmo exercício nas apontadas contas, através de cheques nominais a si próprio”. Pois bem, importa destacar que a presente omissão de rendimentos está sendo exigida da pessoa física do contribuinte tendo em vista a existência de depósitos bancários de origem não comprovada com base na presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, a seguir transcrito: Art.42 Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. De acordo com o dispositivo acima basta ao Fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origens não comprovadas para que se presuma, até prova em contrário, a ocorrência de omissão de rendimentos. Tratase de uma presunção legal do tipo juris tantum (relativa), e, portanto, cabe ao Fisco comprovar apenas o fato definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique evidenciada a omissão de rendimentos. Como visto anteriormente, o recorrente alega que como efetuou saques e ulteriores depósitos de importâncias idênticas, ou mesmo semelhantes, provenientes de suas contas bancárias, jamais poderia ser configurado como hipótese de fato gerador de qualquer exação, listando quarenta e três depósitos que pretende verem excluídos. De pronto, penso que não é possível considerar como comprovada a origem dos depósitos com base nos argumentos supracitados. Em verdade, quando existem diversos depósitos para os quais o recorrente alega que a origem provém de saques feitos de outras contas de sua titularidade, é ônus do contribuinte comprovar que houve de fato a entrada e a saída do mesmo recurso. Cabe aqui lembrar, que o ônus da prova da origem dos recursos depositados em suas contas bancárias é do contribuinte e que não havendo coincidência entre datas e valores nos documentos apresentados, deve ele apresentar outros elementos de prova que Fl. 268DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por EDUARDO TAD EU FARAH, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 16095.000270/200642 Acórdão n.º 220101.481 S2C2T1 Fl. 4 7 permitam estabelecer uma relação entre as operações que alega terem ocorrido para comprovar a origem dos depósitos que pretende justificar. Portanto, no caso de saques para justificar futuros depósitos em contas de mesma titularidade, a coincidência entre datas é fator determinante e quando não ocorre torna praticamente impossível a sua aceitação. Alegar simplesmente que os valores advêm de numerário em seu poder, não basta para afastar o ônus que a presunção legal prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, impõe ao contribuinte. Além do mais, não é crível o depósito de numerário, de forma gratuita e indiscriminada, na conta bancária de qualquer pessoa. Como corolário dessa afirmativa temse que, até prova em contrário, o que se deposita na conta de determinado titular a ele pertence e, se não há prova, tratase de rendimentos tributáveis. O entendimento foi exposto com lucidez por Antônio da Silva Cabral, in “Processo Administrativo Fiscal” (Editora Saraiva, 1993, pág. 311): O fato de alguém depositar em banco uma quantia superior à declarada é indício de que provavelmente depositou um valor relativo a rendimentos não oferecidos à tributação. Se o depositante não logra explicar que esse dinheiro é de outrem, ou tem origem em valores não sujeitos à tributação, este indício levará à presunção de omissão de rendimentos à tributação. Portanto, na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os saques em dinheiro de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subseqüentes. Destarte, pelos fundamentos expostos entendo que a exigência tributária em exame deve ser mantida. Ante ao exposto, voto por negar provimento. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Voto Vencedor Conselheira Rayana Alves de Oliveira França, Redatora designada Com todo respeito às considerações do nobre Relator, divergi das suas conclusões no que se refere a falta de exclusão da base de cálculo do lançamento dos créditos não comprovados de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, cujo somatório não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 dentro do anocalendário, conforme expressamente previsto no art.42, §3º, I da Lei n. 9430/96, in verbis: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por EDUARDO TAD EU FARAH, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 (..) § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: II – no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). (Valores alterados pela Lei n.º 9.481, de 13 de agosto de 1997)” (Grifei). Verificando as planilhas de fls. 781/787 que serviu de base para autuação, esse entendimento se aplica ao caso concreto. Se não vejamos o resumo dos depósitos por ano calendário: Ano Calendário Total de Depósitos de origem não comprovada Depósitos com Valor superior a R$12.000,00 Total de Depósitos com valor igual ou inferior a R$12.000,00 Somatório inferior a R$80.000,00 que deve ser excluído da base de cálculo Base de Cálculo Mantida 2001 R$93.197,00 R$13.000,00 R$65.197,00 R$15.000,00 Total 2001 R$28.000,00 R$65.197,00 R$65.197,00 R$28.000,00 2002 R$143.400,00 R$30.000,00 R$113.400,00 Total 2002 R$30.000,00 R$ 113.400,00 R$143.400,00 2003 R$159.488,37 R$40.000,00 R$27.888,37 R$61.600,00 R$30.000,00 Total 2003 R$131.600,00 R$27.888,37 R$27.888,37 R$131.600,00 2004 R$34.600,00 R$22.600,00 R$12.000,00 Total 2004 R$22.600,00 R$12.000,00 R$12.000,00 R$22.600,00 Total Geral R$430.685,37 R$ 212.200,00 R$218.485,37 R$105.085,37 R$325.600,00 Dessa forma, entendo que nos anoscalendário de 2001, 2003 e 2004, nos quais o total de depósitos com valor até R$12.000,00 não ultrapassa o limite de R$80.000,00, esses devem ser excluídos da base de cálculo, mantendo no lançamento apenas os valores maiores de R$12.000,00, cuja origem não foi comprovada. No anocalendário de 2002, como a soma dos depósitos com valor até R$12.000,00 alcança o montante R$131.600,00, acima do limite legal de R$80.000,00, não há reparos a fazer o lançamento. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para reduzir a base de cálculo do lançamento a R$ 28.000,00 para o anocalendário 2001, R$ 131.600,00 anocalendário 2003 e 22.600,00 anocalendário 2004. (assinado digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França Fl. 270DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por EDUARDO TAD EU FARAH, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 16095.000270/200642 Acórdão n.º 220101.481 S2C2T1 Fl. 5 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência da decisão consubstanciada no acórdão supra. Brasília/DF, 14/05/2012 __________(assinado digitalmente)_____________ MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 271DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por EDUARDO TAD EU FARAH, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 13674.000270/2008-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2007
Ementa: IRPF. CONTRIBUINTE PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE.
ISENÇÃO. Estão isentos do imposto de renda os proventos de aposentadoria e pensão recebidos por contribuintes portadores de moléstia grave, especificada em lei e comprovada por meio de laudo médico expedido por serviço médico oficial da União, dos Estados ou dos Municípios.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2201-001.651
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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CONTRIBUINTE PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. Estão isentos do imposto de renda os proventos de aposentadoria e pensão recebidos por contribuintes portadores de moléstia grave, especificada em lei e comprovada por meio de laudo médico expedido por serviço médico oficial da União, dos Estados ou dos Municípios. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 12/07/2012 Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Eivanice Canário da Silva (Suplente Convocada). Fl. 92DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/ 08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Relatório JOAQUIM ALVES interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJ BELO HORIZONTE/MG (fls. 26) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio da notigficação de lançamento de fls. 11/14, para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF suplementar, referente ao exercício de 2007, no valor de R$ 5.415,50, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 10.020,83. A infração que ensejou o lançamento foi a omissão de rendimentos redcebidos de pessoas jurídicas, apurado com base nas informações das fontes pagadoras Instituto Nacional de Seguro Social – INSS e Real Grandeza Fundação de Previdêncdia e Assistência Social, nos valores, respectivamente, de R$ 20.359,54, com IRRF de R$ 130,06, e R$ 51.825,52, com IRRF de R$ 6.498,10. O Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, que os rendimentos em questão são isentos, com amparo no art. 39 do Decreto nº 2000, de 1999. Informa que sua aposentadoria foi requerida e concedida com base em informações fornecidas por Furnas Centrais Elétricas S/A, empresa onde trabalhava, de que era exposto a agentes agressivos, conforme laudo; que é portador de moléstia grave, conforme laudo que anexa à defesa. A DRJBELO HOPRIZONTE/MG julgou procedente o lançamento com base, em síntese, na consideração de que o Contribuinte não apresentou laudo comprovando a moléstia grave; que a declaração apresenta e assinada pelo médico Joel Moraes Caetano refere se a laudo anexo o qual, todavia, não foi juntado ao autos. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 14/05/2011 (fls. 31) e, em 07/06/2011, interpôs o recurso voluntário de fls. 32/34, que ora se examina e no qual reitera que é portador de moléstia grave e que os seus rendimentos são isentos, e apresenta laudo médico atestando a moléstia, bem como outros elementos que confirmariam o alegado. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Fl. 93DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/ 08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13674.000270/200803 Acórdão n.º 220101.651 S2C2T1 Fl. 2 3 Como se colhe do relatório, o cerne da questão a ser aqui examinada é se o Contribuinte comprova ser portador de moléstia grave que lhe daria o direito à isenção dos proventos de aposentadoria e, consequentemente, se os rendimentos objetos da autuação eram, como alegado, isentos. A DRJ considerou procedente o lançamento porque não identificou nos autos laudo médico atestando a doença, como exige a legislação. Pois bem, no recurso, o Contribuinte junta o laudo de fls. 49, emitido por serviço médico oficial da Prefeitura Municipal de Passos, que atesta que o Contribuinte é portador de moléstia profissional desde 04/1996. O Contribuinte apresenta também um despacho decisório (fls. 66/67) em que a própria autoridade administrativa da Receita Federal, em revisão de ofício de lançamento em face do mesmo contribuinte, referente ao exercício de 2005, reconheceu a isenção dos rendimentos recebidos como proventos de aposentadoria e complementação, conforme o seguinte trecho: Considerando que os documentos apresentados pelo interessado atendem aos requisitos exigidos pela legislação pertinente, e que os rendimentos percebidos são provenientes de aposentadoria e sua complementação, esses devem ser considerados isentos. Portanto, os rendimentos apurados pela fiscalização como omitidos (R$ 69.215,90) foram devidamente declarados pelo interessado como isentos e indevidamente autuados. Ora, é inequívoco neste caso que os rendimentos objeto da autuação referem se a proventos de aposentadoria e a complementação de aposentadoria. Comprovado que o Contribuinte era portador de moléstia profissional, tais rendimentos são isentos, conforme inciso XXXIII do art. 39 do RIR/99, a saber: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: [...] XXXIII. os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tubérculos ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida e fibrose cística (mucoviviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei n° 7.713, de 1998, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); [...] § 6º. As isenções de que tratam os incisoc XXXI e XXXIII também se aplicam à complementação de aposentadoria, reforma ou pensão. Nessas condições, portanto, deve ser reconhecido o direito à isenção e, consequentemente, a improcedência do lançamento. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/ 08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de dar provimento ao recurso. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2ª CAMARA/2ª SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 13674. 000271/200840 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/ 08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13674.000270/200803 Acórdão n.º 220101.651 S2C2T1 Fl. 3 5 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº. 220101.652. Brasília/DF, 12 de julho de 2012. ______________________________________ Maria Helena Cotta Cardozo Presidente da Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Data da ciência: // Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 96DF CARF MF Impresso em 13/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/ 08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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