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Numero do processo: 10650.000312/2001-10
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 21 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Feb 21 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das
Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples
Exercício: 2000
Ementa: Posterior regularização dos débitos não suspensos apontados no ato declaratório de exclusão do Simples não tem o condão de tornar inválida a exclusão, subsistindo ao contribuinte o direito de pleitear nova inclusão, pela via adequada, a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao da regularização, desde que presentes todos os requisitos legais e afastadas outras hipóteses de exclusão.
Numero da decisão: 9101-000.821
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencida a conselheira Susy Gomes Hoffmann, que declarava a nulidade do ADE.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Exercício: 2000 Ementa: Posterior regularização dos débitos não suspensos apontados no ato declaratório de exclusão do Simples não tem o condão de tornar inválida a exclusão, subsistindo ao contribuinte o direito de pleitear nova inclusão, pela via adequada, a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao da regularização, desde que presentes todos os requisitos legais e afastadas outras hipóteses de exclusão.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1699; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10650.000312/200110 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 910100821 – 1ª Turma Sessão de 21/02/2011 Matéria Simples exclusão Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado EMPRESA MINEIRA DE HOSPEDAGEM LTDA Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Exercício: 2000 Ementa: Posterior regularização dos débitos não suspensos apontados no ato declaratório de exclusão do Simples não tem o condão de tornar inválida a exclusão, subsistindo ao contribuinte o direito de pleitear nova inclusão, pela via adequada, a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao da regularização, desde que presentes todos os requisitos legais e afastadas outras hipóteses de exclusão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencida a conselheira Susy Gomes Hoffmann, que declarava a nulidade do ADE. (assinado digitalmente) Caio Marcos Cândido Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Marcos Cândido, Francisco Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Leonardo de Fl. 292DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Assinado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO 2 Andrade Couto, Karem Jureidini Dias, Claudemir Rodrigues Malaquias, Antônio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri e Susy Gomes Hoffmann. Fl. 293DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Assinado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 10650.000312/200110 Acórdão n.º 910100821 CSRFT1 Fl. 2 3 Relatório Tratase de recurso especial em face de acórdão no. 30237359, prolatado pela antiga Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, em procedimento decorrente de solicitação de revisão da exclusão da opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples, gerada pelo Ato Declaratório de Exclusão nº 245.955, de 2.10.2000, em razão de “pendências da empresa e/ou sócios junto a PGFN”. O despacho decisório da DRF negou a revisão, registrando que o sistema SIVEX apontou pendências da empresa e do sócio Silvio Rodrigues da Cunha e que não foi juntada prova de regularidade fiscal da empresa nem do referido sócio perante a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. Na impugnação dirigida à DRJ, foi apresentada a Certidão Negativa de Débito em Dívida Ativa da União, emitida pela PGFN, em relação à empresa. Alegouse que os débitos do sócio seriam referentes a outra empresa da qual também participava e estavam sendo objeto de compensação com créditos pleiteados judicialmente. Em primeira instância, foi mantida a exclusão, por não ter sido possível verificar a regularização da situação fiscal do sócio perante a PGFN até a data daquele julgamento. Após a apresentação do recurso voluntário, o contribuinte fez juntar aos autos as certidões negativas da pessoa jurídica e dos sócios (fls. 205209). A Câmara recorrida determinou diligência e, após seu o retorno, em que se constatou que os débitos existentes e sem exigibilidade suspensa no momento da edição do ato declaratório da exclusão foram extintos no curso do processo administrativo, deu provimento ao recurso voluntário, sob o fundamento de que, diante da prova da quitação, a manutenção da exclusão contrariaria os princípios que regem a atividade econômica escoimados no art. 170 da Constituição Federal. O acórdão recorrido restou assim ementado: SIMPLES. EXCLUSÃO. Quando o contribuinte, no curso do processo, faz prova da quitação do débito apontado no ato declaratório deve ser mantido no regime. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Fl. 294DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Assinado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO 4 Inconformada, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial com fulcro no art. 5º, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria n° 55, de 16.03.98, alegando contrariedade à legislação tributária, vez que a interessada não demonstrou sua regularidade fiscal junto à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), cujas pendências motivaram o ato de exclusão do SIMPLES. Acrescenta que a exclusão obedeceu o disposto no art. 9o, inciso XV, da Lei no 9317/96, sendo plenamente válida e legítima. Reconhece a possibilidade de nova adesão do contribuinte ao SIMPLES, todavia pede a manutenção da exclusão da opção efetivada pelo Ato Declaratório de Exclusão, uma vez confirmada a existência de débitos inscritos em Dívida Ativa da União quando de sua edição. Admitido o recurso especial, não houve contrarrazões. É o relatório. Fl. 295DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Assinado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 10650.000312/200110 Acórdão n.º 910100821 CSRFT1 Fl. 3 5 Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora Presentes os pressupostos recursais, admitese o recurso. Quanto à sistemática do SIMPLES, cabe tecer breves considerações iniciais. Atualmente, evidenciase cada vez mais a correlação entre o direito e a economia. Ao operador do direito cabe interpretar as normas jurídicas sem dissociálas da realidade econômica do País. Assim, a análise das situações de enquadramento na sistemática do SIMPLES deve sempre se pautar nos parâmetros definidos pela Constituição Federal de 1988, em seus arts. 170, inciso IX, e 179, ao estabelecer um tratamento não isonômico às micro e pequenas empresas, dado seu caráter fundamental no desenvolvimento da economia brasileira. O tratamento não isonômico dado às micro e pequenas empresas reflete o princípio maior da isonomia, que propugna o dever de tratar os iguais com igualdade e os desiguais com desigualdade, na medida de suas desigualdades. Todavia, o incentivo concedido pela Constituição Federal às microempresas e empresas de pequeno porte, não deve, permissa venia, ser utilizado como argumento de deliberada desconstituição das normas vigentes, pela relevação de violações às regras da sistemática do SIMPLES em determinados casos, gerando uma desigualdade interna no sistema. A Lei nº 9.317/96, atualmente revogada pela Lei Complementar nº 123/06, ao dispor sobre o regime tributário das microempresas e empresas de pequeno porte, instituiu o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, e estabeleceu os requisitos para o enquadramento naquela sistemática, assim como as hipóteses em que este seria vedado. No que pertine ao litígio em exame, interessam os seguintes dispositivos: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: [...] XV que tenha débito inscrito em Divida Ativa da União ou do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, cuja exigibilidade não esteja suspensa; [...] Fl. 296DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Assinado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO 6 Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: I por opção. II obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9º; [...] Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: [...] II a partir do mês subseqüente ao em que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XVIII do art. 9º; [...] Em 2005, a Lei nº 9.317/96 sofreu alterações quanto à disciplina dos efeitos da exclusão no caso de existência de débitos da pessoa jurídica ou dos sócios. Eis os dispositivos com a redação alterada: Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: [...] II a partir do mês subseqüente ao que for incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIV e XVII a XIX do caput do art. 9o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] VI (Vide Medida Provisória nº 252, de 2005 Sem eficácia) VI a partir do anocalendário subseqüente ao da ciência do ato declaratório de exclusão, nos casos dos incisos XV e XVI do caput do art. 9o desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] § 5o (Vide Medida Provisória nº 252, de 2005 Sem eficácia) § 5o Na hipótese do inciso VI do caput deste artigo, será permitida a permanência da pessoa jurídica como optante pelo Simples mediante a comprovação, na unidade da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o seu domicílio fiscal, da quitação do débito inscrito no prazo de até 30 (trinta) dias contado a partir da ciência do ato declaratório de exclusão. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 297DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Assinado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 10650.000312/200110 Acórdão n.º 910100821 CSRFT1 Fl. 4 7 Como se vê, a partir da alteração legislativa, buscou o legislador esclarecer o momento em que a quitação poderia ser aceita para fins de revogação do ato declaratório de exclusão, prevendo que a quitação do débito no prazo de 30 (trinta) dias da ciência do ato declaratório de exclusão permite a manutenção na sistemática do SIMPLES, exatamente o prazo de apresentação da solicitação de revisão da exclusão da opção pelo SIMPLES – SRS. A própria Administração Tributária já permitia a regularização dos débitos dentro daquele prazo, mantendo suspensa a exclusão até a ciência do despacho decisório sobre a SRS. Ademais, o prazo para apresentação da SRS referente a atos declaratórios expedidos em 02.10.2000 foi prorrogado até 31.01.2001, pela Instrução Normativa SRF nº 100, de 26.10.2000. Tudo isso se mostra insuficiente para solucionar o presente recurso, visto que a decisão de primeira instância consignou a permanência da pendência de regularidade fiscal do sócio na data daquele julgamento. O procedimento administrativo fiscal, em que pese informado pelo princípio do formalismo moderado, deve obedecer aos estritos limites da lei, observado o princípio do devido processo legal, de modo a assegurar as garantias do contraditório e da ampla defesa. O que se discute no presente recurso é a validade ou não do ato de exclusão da sistemática do SIMPLES – ADE nº 245.955. Para fins de revisão administrativa instaurada pela SRS, é ônus do contribuinte demonstrar a inexistência da causa da exclusão, no momento da edição do ato declaratório ou até 30 (trinta) dias após sua ciência, o que não ocorreu no presente caso. Aceitar a quitação dos débitos em qualquer momento processual, além de ferir a sistemática prevista pelo legislador, provoca concorrência injusta. Nessa medida, uma empresa que utiliza seus recursos financeiros para arcar com suas obrigações tributárias e faz corretamente a opção pelo SIMPLES, estará competindo de forma desequilibrada com outra que mantém débitos em aberto e utiliza seus recursos financeiros com a finalidade de desenvolver diretamente a empresa, ganhando espaço no mercado durante o tempo em que discute a exclusão. Desigualdade dentro da desigualdade não é o que prevê a Constituição Federal. Assim, no período compreendido entre a data em que a exclusão passou a produzir efeitos, até o ano subsequente ao da regularização fiscal, não pode o contribuinte aproveitarse dos benefícios da sistemática do SIMPLES, por expressa vedação legal. Sem embargo, uma vez afastada a causa de exclusão aqui discutida, com a quitação da dívida, o contribuinte pode optar novamente pela sistemática do SIMPLES, a partir do ano calendário subsequente, seguindo os procedimentos administrativos adequados, desde que presentes todos os requisitos legais e afastadas outras hipóteses de exclusão. Fl. 298DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Assinado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO 8 Isto posto, voto no sentido de dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para manter a exclusão da opção pelo Simples gerada pelo ato declaratório executivo em litígio. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 299DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Assinado digitalmente em 23/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO
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Numero do processo: 13808.002353/00-00
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário: 1995
RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL.
Não se revela presente a divergência jurisprudencial suscitada no acórdão recorrido, se, em relação a um dos acórdãos, não há similitude fática entre os casos comparados.
A divergência também não se encontra presente, relativamente ao segundo acórdão paradigma, se ambos versam sobre a avaliação e valoração do conjunto probatório apresentado em cada processo, concernente à comprovação do efetivo repasse de dinheiro oriundo do contrato de mútuo, sobretudo em face do princípio do livre convencimento motivado.
Numero da decisão: 9202-001.837
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos
FISCAIS, por maioria de votos, não conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Francisco Assis de Oliveira Júnior, Elias Sampaio Freire e Henrique Pinheiro Torres.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Ac.Patrim.Descoberto/Sinais Ext.Riqueza
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 1995 RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. Não se revela presente a divergência jurisprudencial suscitada no acórdão recorrido, se, em relação a um dos acórdãos, não há similitude fática entre os casos comparados. A divergência também não se encontra presente, relativamente ao segundo acórdão paradigma, se ambos versam sobre a avaliação e valoração do conjunto probatório apresentado em cada processo, concernente à comprovação do efetivo repasse de dinheiro oriundo do contrato de mútuo, sobretudo em face do princípio do livre convencimento motivado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1687; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13808.002353/0000 Recurso nº 166.139 Especial do Procurador Acórdão nº 9202001.837 – 2ª Turma Sessão de 25 de outubro de 2011 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MAURÍCIO DE PAULA JACINTO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICAIRPF Anocalendário: 1995 RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. Não se revela presente a divergência jurisprudencial suscitada no acórdão recorrido, se, em relação a um dos acórdãos, não há similitude fática entre os casos comparados. A divergência também não se encontra presente, relativamente ao segundo acórdão paradigma, se ambos versam sobre a avaliação e valoração do conjunto probatório apresentado em cada processo, concernente à comprovação do efetivo repasse de dinheiro oriundo do contrato de mútuo, sobretudo em face do princípio do livre convencimento motivado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por maioria de votos, não conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Francisco Assis de Oliveira Júnior, Elias Sampaio Freire e Henrique Pinheiro Torres. (assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente (assinado digitalmente) Fl. 191DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13808.002353/0000 Acórdão n.º 9202001.837 CSRFT2 Fl. 2 2 Susy Gomes Hoffmann Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Susy Gomes Hoffmann, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Marcelo Freitas de Souza Costa, Francisco Assis de Oliveira Júnior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, com fundamento em divergência jurisprudencial. O contribuinte foi autuado, com fundamento em “omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, onde verificouse excesso de aplicações sobre origens, não respaldo por rendimentos declarados/comprovados (...)”. O contribuinte apresentou impugnação às fls. 79/87 dos autos. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento julgou o lançamento procedente, nos termos da seguinte ementa (fls. 111/116): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1995 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. PROVAS. O acréscimo patrimonial não justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis ou isentos e tributados exclusivamente na fonte s6 é elidido mediante a apresentação de documentação hábil que no deixe margem a dúvida. A comprovação de recebimento de empréstimos rurais ou pessoais requer, além da apresentação dos documentos de formalização, a demonstração do ingresso dos recursos no patrimônio do beneficiário. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. RESULTADO DA ATIVIDADE RURAL A análise de evolução patrimonial deve reportarse aos períodos mensais para coadunarse com as normas de incidência do imposto sobre a renda de pessoas físicas. Assim, a inclusão, nessa análise, das receitas e despesas relativas A atividade rural também deve levar em consideração os períodos mensais. Lançamento Procedente Fl. 192DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13808.002353/0000 Acórdão n.º 9202001.837 CSRFT2 Fl. 3 3 O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 121/129). A 2° Câmara da 1° Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento do CARF, deu provimento ao recurso do contribuinte. Eis a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1996 ATIVIDADE RURAL CONTRATO DE MÚTUO 0 contrato de mútuo, perfeito e acabado, registrado no livro fiscal, comprova o ingresso de numerário e só pode ser desconsiderado diante de provas contrárias e não apenas indícios ou argumentos subjetivos. Recurso provido. Considerouse, no acórdão recorrido, que: A questão principal deste processo é essencialmente de prova. Conforme documentos acostados aos autos, o contribuinte apresentou contrato de mútuo (fls.29/30), com firma reconhecida na mesma data, no cartório de Novo Horizonte. Tal contrato foi firmado em 04 de abril de 1995 e consta no Livro Diário, no mesmo mês, a entrada de R$ 700.000,00, conforme documentos de fls. 32. No mês de dezembro, conforme diário fiscal, observase a saída dos recursos, também como preleciona o contrato. Segundo o artigo 923 do decreto 3000/1999, citado na decisão de primeira instância, a escrituração contábil serve de prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados, desde que sejam comprovados por documentação hábil. Ressaltouse que num processo judicial ou administrativo, todos os meios de prova admitidos em direito podem servir à formação do convencimento do juiz, de sorte que: “(...) não pode ser desconsiderado empréstimo entre pessoas físicas quando há elementos suficientes para sua a comprovação, que no caso em tela foi feito por contrato devidamente assinado, com firma reconhecida e lançando no livro fiscal competente. No que se refere aos empréstimos pessoais recebidos nos meses de maio, outubro e novembro de 1995 do Banco Bamerindus S/A, os mesmos não foram acolhidos pela decisão de primeira instância por falta de prova. Novamente, em seu recurso voluntário o recorrente não colecionou provas que pudessem levar ao convencimento da autoridade julgadora. Nos autos há apenas um documento emitido pelo Banco Bamerindus S/A, tratase do extrato da conta bancária do mês de junho de 1995 (fls.56), sendo inclusive, portanto diferente do mês referido pelo recorrente. Assim, não a como acolher referido argumento. Fl. 193DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13808.002353/0000 Acórdão n.º 9202001.837 CSRFT2 Fl. 4 4 No entanto, acolhido o valor do contrato de mútuo de R$700.000,00, como origem no demonstrativo de variação patrimonial no mês de abril de 1995, fica afastado todo o acréscimo verificado naquele ano calendário” Portanto, considerado o contrato de mútuo apresentado como comprovação de entrada e saída de capital e restando afastado o acréscimo patrimonial a descoberto, tem se por conseguinte o provimento do recurso. O contrato de mútuo em questão encontrase presente às fls. 29/30 dos autos. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial, com fundamento em divergência jurisprudencial (fls. 154/160). Argumentou, citando os acórdãos paradigmas coligidos aos autos, que: “(...)para que seja considerada uma operação de mútuo e, conseqüentemente, sejam dedutiveis os encargos financeiros dela oriundos, são tidas como indispensáveis as seguintes condições: documentação idônea sobre os negócios de mútuo, comprovação de sua necessidade e a efetividade dos ingressos de recursos. Discorreu sobre a aplicabilidade do artigo 229 do RIR/94 ao caso, que tem a seguinte redação: "Art. 229. Provada, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a omissão de receita, a autoridade tributária poderá arbitrála com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas (DecretoLei n2 1.598, de 1977, art. 12, § 32, e 1.648, art. 1 2, II)". Neste passo, alegou que: Ultrapassada esta questão, constatase que o presente comando legal aborda uma presunção de omissão de receitas que somente pode ser elidida mediante a entrega de documentos hábeis à comprovação da origem dos recursos, assim entendidos aqueles coincidentes em datas e valores, bem como à comprovação da efetividade da entrega das importâncias, de modo a não se duvidar da transferência delas do patrimônio de uma pessoa para a outra. A simples apresentação de suposto contrato de mútuo e o registro contábil não estão aptos a elidir a prova indiciária do Fisco, posto que não demonstram a efetiva entrega do dinheiro à empresa autuada. Postulouse, neste passo, pela reforma do acórdão recorrido. O contribuinte apresentou suas contrarrazões às fls. 169/172 dos autos. Fl. 194DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13808.002353/0000 Acórdão n.º 9202001.837 CSRFT2 Fl. 5 5 Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso especial é tempestivo. Não preenche, contudo, os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que a divergência jurisprudencial suscitada, em verdade, não restou configurada. No presente caso, o contribuinte foi autuado, tendo em vista a omissão de rendimentos decorrente de variação patrimonial a descoberto. No acórdão recorrido, considerouse que o contrato de mútuo apresentado pelo contribuinte, para comprovar a variação patrimonial, com firma reconhecida, no valor de R$ 700.000,00, é suficiente à comprovação do recebimento do dinheiro, especialmente em face da ausência de qualquer prova por parte do Fisco. A recorrente, por sua vez, apresentou duas ementas, para comprovar a divergência jurisprudencial. No primeiro acórdão, de n° 10246.104, entendeuse, conforme se depreende da sua ementa, expressamente, que: “A nota promissória, por ser representativa de um negócio jurídico abstrato, em oposição aos causais, por ela mesma é válida para determinar a obrigação do pagamento, porém não revela a causa do negócio jurídico. Logo, não é prova efetiva de mútuo, por não se prestar somente a esta finalidade, qual seja a de garantir um empréstimo” Em seguida, o acorda paradigma, determina que “cabe ao contribuinte a comprovação do efetivo ingresso dos recursos resultantes de empréstimos recebidos. Inaceitável a prova do empréstimo feita exclusivamente com a consignação na declaração de rendimentos de um dos mutuantes, ainda que apresentada no prazo legal, sem quaisquer outros subsídios, como instrumento particular de contrato (...)”. Ora, no caso do acórdão paradigma, não houve apresentação do contrato de mútuo, o que, aliás, na ementa apresentada, é reputada como meio de prova da entrada do numerário. No presente caso, a comprovação deuse justamente pelo contrato de mútuo, de sorte que não se verifica a necessária similitude fática entre os dois casos. E mais, no que tange à comprovação por meio do contrato de mútuo, ambos os acórdãos, em última instância, convergem para o mesmo entendimento. No outro acórdão paradigma (acórdão n° 10513920), por outro lado, relativamente ao mútuo, entendeuse que: Fl. 195DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13808.002353/0000 Acórdão n.º 9202001.837 CSRFT2 Fl. 6 6 “A documentação idônea sobre os negócios de mútuo, a comprovação de sua necessidade e a efetividade dos ingressos de recursos, são condições indispensáveis para a sua consideração”. A documentação apresentada pelo contribuinte, no presente caso, foi julgada idônea no acórdão recorrido, de modo que não se vislumbra, neste ponto, a divergência suscitada. Tal documentação, segundo o acórdão recorrido, aliás, por si só, já serviu para a atestar a efetividade dos ingressos de recursos. A divergência jurisprudencial, ademais, não se revela presente, porque a questão discutida no presente processo, e sobre a qual se pretende demonstrar o dissídio, diz respeito à comprovação da efetiva entrada do dinheiro pelo mútuo. Ora, como se sabe, vigora no direito brasileiro o princípio do livre convencimento do julgador, em contraposição ao sistema legal de provas. Querse dizer, com isto, que, em cada caso concreto, o julgador, ao analisar as provas constantes dos autos, forma o seu convencimento de forma pessoal, válida desde que fundamentada. Na hipótese, a consideração, pelo acórdão recorrido, no sentido da efetiva comprovação do mútuo pelas provas constantes dos autos, não exclui nem é excluída, por eventual entendimento, fixado em outro acórdão, no sentido de que para tal comprovação, outras provas são necessárias. Não há com efeito, uma divergência de entendimentos, não há um choque de soluções jurídicas, sobretudo porque a lei não fixa, previamente, quais os documentos devem ser apresentados e quais provas devem ser produzidas para a comprovação do efetivo repasse do dinheiro, com base no contrato de mútuo. Desde que devidamente fundamentado, não se pode questionar o entendimento do julgador a respeito da avaliação por ele perpetrada das provas constantes dos autos. Isto porque, ressaltese mais uma vez, vigora no ordenamento brasileiro, o sistema do livre convencimento motivado ou da persuasão racional. Matéria de prova que é, e portanto fática, já que não se refere a eventuais normas legais que versem mesmo sobre a prova, não há como se reconhecer a divergência jurisprudencial suscitada. Outro panorama seria se a lei estabelecesse as provas necessárias, e houvesse sobre a respectiva disposição divergência de entendimentos entre os acórdãos comparados. Não é o que ocorre no presente caso. Diante do exposto, não conheço do recurso especial da Fazenda Nacional. Sala das Sessões, em 25 de outubro de 2011 (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 196DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13808.002353/0000 Acórdão n.º 9202001.837 CSRFT2 Fl. 7 7 Fl. 197DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10183.005185/2005-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR
Exercício: 2001
ÁREA CONTÍNUA. UNIDADE PARA TRIBUTAÇÃO. SOMATÓRIO.
Os imóveis rurais confrontantes entre si, do mesmo proprietário (áreas
contíguas), serão objeto de apenas uma declaração para o somatório das
áreas, pois, nestes casos, para efeito do ITR, essas áreas formam apenas um
imóvel.
DIREITO DO TITULAR À PROPRIEDADE. NÃO IMISSÃO DE POSSE
OU TRANSFERÊNCIA.
O ITR incide sobre o imóvel declarado de interesse social para fins de
reforma agrária enquanto não transferida a propriedade, exceto se houver
imissão prévia na posse.
VTN. ARBITRAMENTO. SUBAVALIAÇÃO. INFORMAÇÕES
PRESTADAS NA DECLARAÇÃO.
Cabe ao fisco verificar a exatidão das informações prestadas pelo sujeito
passivo na declaração do tributo, sendo que os meios utilizados para tal
aferição devem ser aqueles determinados pela lei, no sentido de que o
declarante, quando solicitado, apresente os documentos de suporte aos dados
declarados.
A subavaliação materializa-se
pela constatação de diferença considerável
entre o VTN declarado pelo sujeito passivo e aquele veiculado na tabela SIPT
para as terras da área em que se encontra o imóvel rural, não necessitando o
fisco de outros meios de prova que o autorize o arbitramento do VTN.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXIGÊNCIA DE ATO
DECLARATÓRIO AMBIENTAL. (ADA) POR LEI. EXCLUSÃO DA
BASE DE CÁLCULO.
A partir do exercício de 2001, com a introdução do art. 17 na Lei nº 6.938, de
1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) passou a ser obrigatório para fins de exclusão da área de preservação
permanente da base de cálculo do ITR.
ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO
DA BASE DE CÁLCULO.
A área de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, se
fez necessária ser reconhecida como de interesse ambiental pelo
IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a
protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente Ato
Declaratório Ambiental (ADA), fazendo-se,
também, necessária a sua
averbação à margem da matrícula do imóvel até a data de início da ação
fiscal.
MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO.
Nos casos de falta de pagamento ou recolhimento e declaração, será aplicada
no lançamento de oficio multa calculada sobre a totalidade ou diferença de
tributo ou contribuição, no percentual de 75% (setenta e cinco por cento),
excetuadas as hipóteses de dolo, fraude ou simulação.
TAXA SELIC. JUROS DEVIDOS NO PERÍODO DE INADIMPLÊNCIA.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos
tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no
período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de
Liquidação e Custódia - SELIC
para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-001.663
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR
provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Atilio Pitarelli que reconheciam uma área de reserva legal de 50% e 80% da área do imóvel, respectivamente
Nome do relator: Francisco Marconi de Oliveira
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR Exercício: 2001 ÁREA CONTÍNUA. UNIDADE PARA TRIBUTAÇÃO. SOMATÓRIO. Os imóveis rurais confrontantes entre si, do mesmo proprietário (áreas contíguas), serão objeto de apenas uma declaração para o somatório das áreas, pois, nestes casos, para efeito do ITR, essas áreas formam apenas um imóvel. DIREITO DO TITULAR À PROPRIEDADE. NÃO IMISSÃO DE POSSE OU TRANSFERÊNCIA. O ITR incide sobre o imóvel declarado de interesse social para fins de reforma agrária enquanto não transferida a propriedade, exceto se houver imissão prévia na posse. VTN. ARBITRAMENTO. SUBAVALIAÇÃO. INFORMAÇÕES PRESTADAS NA DECLARAÇÃO. Cabe ao fisco verificar a exatidão das informações prestadas pelo sujeito passivo na declaração do tributo, sendo que os meios utilizados para tal aferição devem ser aqueles determinados pela lei, no sentido de que o declarante, quando solicitado, apresente os documentos de suporte aos dados declarados. A subavaliação materializa-se pela constatação de diferença considerável entre o VTN declarado pelo sujeito passivo e aquele veiculado na tabela SIPT para as terras da área em que se encontra o imóvel rural, não necessitando o fisco de outros meios de prova que o autorize o arbitramento do VTN. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXIGÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. (ADA) POR LEI. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A partir do exercício de 2001, com a introdução do art. 17 na Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) passou a ser obrigatório para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A área de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, se fez necessária ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental (ADA), fazendo-se, também, necessária a sua averbação à margem da matrícula do imóvel até a data de início da ação fiscal. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. Nos casos de falta de pagamento ou recolhimento e declaração, será aplicada no lançamento de oficio multa calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição, no percentual de 75% (setenta e cinco por cento), excetuadas as hipóteses de dolo, fraude ou simulação. TAXA SELIC. JUROS DEVIDOS NO PERÍODO DE INADIMPLÊNCIA. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Recurso Voluntário Negado.
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UNIDADE PARA TRIBUTAÇÃO. SOMATÓRIO. Os imóveis rurais confrontantes entre si, do mesmo proprietário (áreas contíguas), serão objeto de apenas uma declaração para o somatório das áreas, pois, nestes casos, para efeito do ITR, essas áreas formam apenas um imóvel. DIREITO DO TITULAR À PROPRIEDADE. NÃO IMISSÃO DE POSSE OU TRANSFERÊNCIA. O ITR incide sobre o imóvel declarado de interesse social para fins de reforma agrária enquanto não transferida a propriedade, exceto se houver imissão prévia na posse. VTN. ARBITRAMENTO. SUBAVALIAÇÃO. INFORMAÇÕES PRESTADAS NA DECLARAÇÃO. Cabe ao fisco verificar a exatidão das informações prestadas pelo sujeito passivo na declaração do tributo, sendo que os meios utilizados para tal aferição devem ser aqueles determinados pela lei, no sentido de que o declarante, quando solicitado, apresente os documentos de suporte aos dados declarados. A subavaliação materializase pela constatação de diferença considerável entre o VTN declarado pelo sujeito passivo e aquele veiculado na tabela SIPT para as terras da área em que se encontra o imóvel rural, não necessitando o fisco de outros meios de prova que o autorize o arbitramento do VTN. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXIGÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. (ADA) POR LEI. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A partir do exercício de 2001, com a introdução do art. 17 na Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental Fl. 463DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 2 (ADA) passou a ser obrigatório para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A área de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, se fez necessária ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental (ADA), fazendose, também, necessária a sua averbação à margem da matrícula do imóvel até a data de início da ação fiscal. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. Nos casos de falta de pagamento ou recolhimento e declaração, será aplicada no lançamento de oficio multa calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição, no percentual de 75% (setenta e cinco por cento), excetuadas as hipóteses de dolo, fraude ou simulação. TAXA SELIC. JUROS DEVIDOS NO PERÍODO DE INADIMPLÊNCIA. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Atilio Pitarelli que reconheciam uma área de reserva legal de 50% e 80% da área do imóvel, respectivamente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira – Relator EDITADO EM: 15/03/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Atilio Pitarelli, Francisco Marconi de Oliveira, Núbia Matos Moura, Acácia Sayuri Wakasugi e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Fl. 464DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.005185/200514 Acórdão n.º 210201.663 S2C1T2 Fl. 380 3 Relatório Contra a empresa Colniza – Colonização Comércio e Indústria Ltda., CNPJ/MF Nº 43.424.134/000142, já qualificada neste processo, foi lavrado, em 21 de outubro de 2005, auto de infração de Imposto sobre a propriedade Territorial Rural (ITR), exercício 2001 (fls. 1 a 10), por divergência nas informações declaradas no imóvel “Gleba Colniza”, número do imóvel – NIRF 1.595.6571, localizado no município de Colniza – MT. O crédito tributário constituído, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do seu vencimento, foi de R$ 602.200,23 (seiscentos e dois mil e duzentos reais e vinte e três centavos) de imposto e R$ 451.650,17 (quatrocentos e cinquenta e um mil, seiscentos e cinquenta reais e dezessete centavos) de multa. A fiscalização, conforme o demonstrativo “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” (fl. 6 a 8), apurou que houve redução indevida da área total do imóvel na DITR apresentada e não foram comprovados os requisitos legais para a redução do imposto das áreas de utilização limitada. Também desconsiderou o Valor da Terra Nua declarado. Cientificada e inconformada com a autuação, a requerente impugnou o lançamento, alegando que: a) não procede a autuação sobre as áreas de 19.572 ha, 3.400 ha e 44.023,7 ha, referente às matrículas 31904, 58520 e 58491, haja vista que foram desapropriadas ou recolhem o ITR de forma isolada; b) somente há necessidade da especialização da reserva legal no registro imobiliário quando há a pretensão do proprietário explorar o imóvel. E que, estando a área de reserva legal averbada ou não à margem da matricula, é “incontroverso que o proprietário, por imposição da lei, não poderá explorar 80% (oitenta por cento) do imóvel”; c) a apresentação do ADA à RFB estaria suspensa por decisão judicial concessiva de liminar proferida no processo nº 1998.36.00.0040920; d) o laudo técnico atenderia às exigências prescritas na NBR, que fora elaborado de acordo com as peculiaridades regionais, e que não há preço de mercado na região; e e) são insubsistentes os valores do VTN atribuídos pela RFB. A 1ª Turma de julgamento da DRJ/CGE, por unanimidade de votos, julgou o lançamento procedente em parte, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 0410.209, de 25 de agosto de 2006 (fls. 271 a 298), alterando a área total do imóvel, de 131.473,7 ha para 84.048,6 ha e, consequentemente, o valor da terra nua tributável de R$ 3.023.896,48 para R$ 1.933.117,80. Assim, restou apurado, na linha 19 do demonstrativo de folha 2, o imposto devido de R$ 386.623,56, reduzindo a diferença de imposto lançado de R$ 602.200,23 para R$ 384.044,50. Fl. 465DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 4 A contribuinte foi intimada da decisão acima em 25 de setembro de 2006 (fl. 304) e interpôs recurso voluntário no dia 18 do mês seguinte (fls. 306 a 330), representado em procuração por terceiro, alegando, em síntese: a) Dimensão da área total do imóvel. • a área total remanescente do imóvel é de 64.476,6 hectares, registrado na matrícula 30.722; • as áreas dos lotes não são contíguas à área de 64.476,6 hectares, confrontando com as áreas pertencentes ao Incra (projeto Perseverança, Pacutinga, Colniza I e Colniza II; • por ser uma empresa particular de colonização, está sujeita ao regramento que lhe é peculiar e que os lotes foram cadastrados individualmente por exigência do Incra. b) Área de utilização limitada. • a área de reserva legal, como limitação administrativa à propriedade, independe de averbação no registro de Imóveis, uma vez que a sua publicidade é conferida pela lei; • a averbação da reserva legal à margem da matrícula do imóvel “foi cancelada por autorização do Ibama, ao entendimento que as averbações, no caso da colonizadora, deveriam ser efetuadas individualmente por cada um dos adquirentes dos lotes de colonização”; • a reserva legal é de 80% do imóvel, por imposição expressa da MP 2.16667, de 2001 e está comprovada por laudo técnico. c) Ato Declaratório Ambiental (ADA) • a Delegacia da Receita Federal não pode exigir dos contribuintes do ITR no Estado de Mato Grosso o ADA, por força de decisão judicial concessiva em liminar; • a jurisprudência do STJ definiu ser desnecessária a apresentação do ADA para fins de isenção de ITR referente a áreas de preservação permanente e reserva legal, seria desnecessária, conforme jurisprudência do STJ e do Conselho de Contribuintes. d) Laudo técnico de constatação do VTN. • é conclusivo, aponta os fatores considerados para a avaliação do imóvel e atendeu aos requisitos da ABNT e da NRB 8799; • as terras estariam invadidas e o impedimento do cumprimento da ordem judicial de desocupação pela ingerência do Incra na reintegração de posse não permite que a propriedade possua valor de mercado; e) Insubsistência dos valores atribuídos pela Receita Federal. Fl. 466DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.005185/200514 Acórdão n.º 210201.663 S2C1T2 Fl. 381 5 • a RFB não cumpriu os dispositivos legais para fixação do VTN, por não ter efetuado o levantamento de preços mínimos de terra nua para os municípios do Estado de Mato Grosso; • incoerência e inconsistência de valores ao fixar para o VTN. Solicita, ainda, que seja reconhecida a ilegalidade da inclusão de acréscimos penais e moratórios no lançamento reformulado pela Delegacia de Julgamento de Campo Grande. Em 13 de novembro de 2008, por meio da Resolução nº 3013.078 (fl. 349 a 353 a 423), os membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho converteram o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora, retornando os autos à unidade de origem. Foram juntados documentos às folhas 356 a 373 e o relatório “Informação Fiscal” às folhas 374 a 376. É o relatório. Fl. 467DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 6 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira – Relator O recurso voluntário é tempestivo e, atendidas as demais formalidades, dele tomo conhecimento. Da análise da descrição dos fatos do auto de infração, verificase que o lançamento foi motivado pela redução, na declaração, da área total do imóvel, pela glosa da área de utilização limitada e pelo arbitramento do Valor da Terra Nua. Entretanto, o julgamento em primeira instancia reduziu essa diferença, sendo considerada a área de 84.048,6 ha. O auditorfiscal relatou que o lançamento, fundamentado no art. 14 da Lei nº 9.393/96, foi realizado por falta de comprovação das informações contidas na Declaração do ITR. O ITR é um dos tributos em que o sujeito passivo presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à efetivação do lançamento, e antecipa o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa, chamado de lançamento por homologação. Para isso, o legislador atribuiu ao contribuinte de ITR a responsabilidade prevista nos artigos 8º e 10 da Lei nº 9.393, de 1996: Art. 8º O contribuinte do ITR entregará, obrigatoriamente, em cada ano, o Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT, correspondente a cada imóvel, observadas data e condições fixadas pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O contribuinte declarará, no DIAT, o Valor da Terra Nua VTN correspondente ao imóvel. § 2º O VTN refletirá o preço de mercado de terras, apurado em 1º de janeiro do ano a que se referir o DIAT, e será considerado autoavaliação da terra nua a preço de mercado. § 3º O contribuinte cujo imóvel se enquadre nas hipóteses estabelecidas nos arts. 2º e 3º fica dispensado da apresentação do DIAT. Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. Entretanto, a sistemática do lançamento por homologação não dispensa o contribuinte de fazer prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei. Com base no recurso da recorrente, analisase os tópicos listados a seguir: Dimensionamento do imóvel. Alega a contribuinte que a área remanescente da propriedade é de apenas 66.476,60 ha, registrada na matrícula nº 30.722, e que os lotes citados no lançamento, pertencem ao Incra (projeto Perseverança, Pacutinga, Colniza I e Colniza II), não sendo áreas contíguas a esse imóvel e não podendo ser a ele anexados. E que, por ser uma empresa Fl. 468DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.005185/200514 Acórdão n.º 210201.663 S2C1T2 Fl. 382 7 particular de colonização, está sujeita ao regramento que lhe é peculiar, e, ainda, que os lotes foram cadastrados individualmente por exigência do Incra. As áreas tratadas nos autos são: 1 Área declarada na DITR 64.476,60ha 2 Diferença lançada pela fiscalização 66.997,10ha 3 Área objeto do lançamento (1 + 2) 131.473,70ha 4 Imissão Gleba Colniza II (fl. 237), excluída p/ DRJ 3.400,6433ha 5 Imissão Gleba Colniza I (fl. 243), excluída p/ DRJ 44.023,70ha 6 Projeto aprovado pelo INCRA, ainda não transferidos. 19.572,00 ha 4 Áreas após julgamento DRJ (1 + 6) ou (131.473,70 – 3.400,64 – 44.023,79) 84.048,36ha Na decisão de primeira instância o julgado discorre sobre as áreas: Da análise dos documentos apresentados, concluiu a autoridade fiscal que a área total do imóvel seria de 131.473,7 ha, em lugar dos 64.476,6 ha declarados, posto que a transferência de propriedade de áreas desmembradas, de 3.400,6 ha e 44.023,7 ha, da matrícula original, de 180.000,0 ha, somente foi registrada no ano de 2003, e, ainda, a área de 19.572,0 ha, correspondentes a projeto de colonização contendo 329 lotes, formaria uma área contínua com a matrícula de origem, constituindo, assim, um único imóvel rural, conforme § 2°, do art. 1°, da Lei n° 9.393/96. [...] De acordo com os autos de imissão de fls. 237 e 243, verificase que a razão assiste à interessada, posto que ali fica consignada a situação jurídica prevista no § 1°, do art. 1°, da Lei n° 9.393/96. Realmente a imissão na posse se deu em 28 de janeiro de 1999, não devendo mais as áreas correspondentes serem tributadas em nome da interessada. Contudo, com relação à área de 19.572,0 ha, desmembrada da matrícula original, correspondentes aos lotes remanescentes do projeto de colonização, devese notar que não é porque foram cadastrados individualmente no INCRA e na Receita Federal é que deixaram de ser considerados como um único imóvel, enquanto pertencerem à interessada, nos termos do § 2°, art. 1º, da Lei n° 9.393/96. Apesar de contestar, a contribuinte não juntou aos autos novas provas para contrapor a afirmação de folha 194 de que a área de 19.572 ha estava “ainda não transferida”. E, neste caso, as parcelas desmembradas continuam a ser de propriedade da contribuinte e devem a ser submetidas à tributação do ITR como um só imóvel. De acordo com o § 1°, do art. 1º, da Lei n° 9.393/96, o ITR incide sobre o imóvel declarado de interesse social para fins de reforma agrária enquanto não transferida a propriedade, exceto se houver imissão prévia na posse. Assim, se não houver comprovação da imissão prévia na posse, ocorre a incidência do imposto sobre a propriedade de 84.048,36 ha, correspondente à soma da área declarada mais a não desmembrada (64.476,36 ha + 19.572 ha). Fl. 469DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 8 Área de utilização limitada. Alega o sujeito passivo que a área de reserva legal, como limitação administrativa à propriedade, independe de averbação no registro de Imóveis, uma vez que a sua publicidade é conferida pela lei. Falta a averbação da reserva legal do imóvel. A lei determina a averbação da área de reserva legal à margem da inscrição de matrícula do imóvel no registro de imóveis competente. O disposto foi inserido no § 8°, do artigo 16 da Lei n° 4.771, de 15/09/1965 – o chamado Código Florestal –, pelo artigo 1º da Medida Provisória n° 2.16667, de 24/08/2001: Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: [...] § 8º A área de reserva local deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. A requerente informa que a averbação da reserva legal à margem da matrícula do imóvel “foi cancelada por autorização do Ibama, ao entendimento que as averbações, no caso da colonizadora, deveriam ser efetuadas individualmente por cada um dos adquirentes dos lotes de colonização”. Também, que a reserva legal, de 80% do imóvel, por imposição expressa da MP 2.16667/2001, está comprovada por laudo técnico. De fato, vêse que, para atender a demanda do Ibama no Processo nº 001836187MT, notadamente à vista do Parecer n 460187–PG 87/MT (fl. 244/245), as averbações foram canceladas para que fossem feitas individualmente, por cada um dos futuros adquirentes dos lotes. E nas folhas 78verso e 79 verificase o cancelamento da averbação. Entretanto, para fins de isenção do ITR é necessário que as áreas de reserva legal estejam averbadas. Laudo técnico para constatação do VTN O laudo técnico constante das folhas 45 a 65, elaborado pelo engenheiro agrônomo Deonésio Moreira da Silva, CREA 4901DMT, é insatisfatório, limitandose a repetir a informação posta acima sobre o cancelamento da averbação. Não é conclusivo e não atende aos requisito da ABNT. A contribuinte alega que as terras estariam invadidas e o impedimento do cumprimento da ordem judicial de desocupação pela ingerência do Incra na reintegração de posse não permite que a propriedade possua valor de mercado. Entretanto, pesquisando nos autos, os relatos sobre “reintegração de posse” e as demandas judiciais (fls. 81 a 85) remetem as Glebas do Projeto Colniza I e II, conforme transcrevese da folha 85: 2. Conforme é do conhecimento desse Juízo (OFÍCIO/INCRA/SR13/J/N° 086/97), o imóvel objeto da referida Ação Reintegratória, está sendo desapropriado por interesse social, para fins de Reforma Agrária, através dos processos administrativos n° 21.540.00.001570/9504, 54.240/4.959/97 e 54.240/4.957/97, com a denominação de Fazenda Colniza 1 e II, situada no município de Aripuanã MT, (doc. incluso). Fl. 470DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.005185/200514 Acórdão n.º 210201.663 S2C1T2 Fl. 383 9 3. Douta magistrada, a expropriação desse imóvel é um fato consumado, estando esta Superintendência ocupandose diuturnamente dessa incumbência, com vistas ao ajuizamento da componente Ação de Desapropriação por interesse Social, para fins de Reforma Agrária. Essas áreas já foram desmembradas e foram excluídas, pela DRJ, da área total objeto da autuação. Exigência do Declaratório Ambiental (ADA) De acordo com a requerente, por força de decisão judicial concessiva em liminar, a Delegacia da Receita Federal não pode exigir dos contribuintes de ITR no Estado de Mato Grosso a apresentação do ADA para fins de isenção de ITR das áreas de preservação permanente e reserva legal. Essa exigência também seria desnecessária em função da jurisprudência do STJ e do Conselho de Contribuintes. Não há qualquer evidência nos autos que o requerente seja parte na ação citada, que foi obtido pela Federação de Agricultura. Porém, por ser mandado de segurança coletivo, somente pode alcançar os associados da entidade de classe impetrante. Como a requerente não fez essa prova, não pode ser beneficiada do provável provimento jurisdicional. No que diz respeito à obrigatoriedade de apresentação do ADA para fins de redução do imposto a pagar, temse que, a partir da vigência da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, que deu nova redação à Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, tal exigência passou a ter expressa disposição legal. Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000). [...] § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000). Do artigo acima transcrito, resta claro que, a partir do exercício 2001, a obtenção do ADA é condição necessária e obrigatória para que a contribuinte usufrua a redução do valor a pagar do ITR quanto às áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal. Não há a exigência prévia para apresentação dos documentos definidos em lei, no caso o ADA, como necessários à fruição da isenção do ITR quanto às áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal. Contudo, inarredável é a competência da autoridade fiscal para solicitálo posteriormente, dentro do prazo decadencial, visando à verificação do correto cumprimento da obrigação tributária por parte da contribuinte. Não foi apresentado ADA para a área glosada, objeto do lançamento, o que implica em descumprimento dos requisitos necessários para a concessão da isenção, de tal forma que o lançamento, nesse item, deve prosperar nos termos em que foi consubstanciado no Auto de Infração. Insubsistência dos valores atribuídos pela Receita Federal e laudo técnico de constatação do VTN. Fl. 471DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 10 A requerente alega que a Receita Federal SRF não cumpriu os dispositivos legais para fixação do VTN, por não ter efetuado o levantamento de preços mínimos de terra nua para os municípios do Estado de Mato Grosso, e que o laudo técnico apresentado é conclusivo e aponta os fatores considerados à avaliação do imóvel. Nos termos do § 2° do artigo 8º da Lei n° 9.393, de 1996, o VTN refletirá o preço de mercado de terras apurado em 1º de janeiro do ano a que se referir a declaração do ITR e será considerado autoavaliação da terra nua a preço de mercado. Conforme o artigo 14 da mesma lei, o VTN declarado será submetido à apreciação da RFB que, verificando subavaliação, com arrimo nas informações veiculadas pela tabela do Sistema de Preços de Terras (SIPT), procederá a correção do valor. A informação pode ser contradita com a apresentação de laudo técnico de avaliação em que reste comprovado haver características peculiares na propriedade que a distingam das demais da região, à vista do qual, poderá a autoridade administrativa rever o VTN que fora atribuído ao imóvel rural. Porém, o laudo de avaliação apresentado não trás preços e, portanto, não se presta como documento hábil para contrapor os valores adotados pelo Fisco. Em decorrência do pedido de diligência, o Serviço de Fiscalização da Delegacia de Cuiabá, informou: No procedimento fiscal que resultou na autuação ora em julgamento, o contribuinte, para comprovar o valor da terra nua declarado, foi intimado a apresentar laudo técnico de avaliação, elaborado de acordo com os requisitos estabelecidos na NBR 8799 da Associação Brasileira de Normas Técnicas — ABNT, eis que o VTN por ele informado (R$ 1,00/ha) destoava sobremaneira da média dos valores declarados naquele exercício por outros contribuintes relativamente a imóveis localizados no mesmo município (cerca de 4% do VTN médio). É oportuno salientar que, para se definir o real valor de um imóvel rural, é imperativo e imprescindível que este valor seja pautado em laudo de avaliação que atenda os requisitos estipulados pela ABNT, norma que regula a forma, o modo e os profissionais habilitados para a sua elaboração. Por meio do termo de intimação fiscal, acostado às fls. 17 a 19, verificase que foram estabelecidos requisitos mínimos, pautados na norma, para elaboração e apresentação do laudo de avaliação, com objetivo de se estabelecer o real valor do bem, e informado ao contribuinte que a falta de apresentação desse laudo ensejaria o arbitramento do valor da terra nua, com base nas informações do Sistema de Preços de Terras – SIPT da então SRF. No entanto, conforme informado na descrição dos fatos do auto de infração, às fls. 7, o laudo de avaliação de imóvel rural, apresentado pelo contribuinte – não contém itens essenciais à sua análise, tais como identificação das fontes de informação, número de dados efetivamente utilizados maior ou igual a cinco, homogeneização dos resultados obtidos com o comparativo das características dos imóveis, cálculo da média com expurgo dos dados além do desvio padrão. Por esse motivo, adotouse a medida excepcional de arbitrar o VTN com base nos valores registrados no SIPT, correspondentes ao preço médio do hectare obtido a partir dos valores informados nas declarações do imposto sobre a propriedade territorial rural (DITR) apresentadas para os imóveis localizados no município de Colniza/MT no exercício de 2001 [...] Insta repisar que o valor constante do SIPT só é utilizado quando, depois de intimado, o contribuinte não apresenta elementos suficientes para comprovar o valor por ele declarado, o que de fato ocorreu no presente caso, uma vez que o contribuinte sequer apresentou laudo de avaliação com os requisitos estabelecidos na norma da ABNT. Fl. 472DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.005185/200514 Acórdão n.º 210201.663 S2C1T2 Fl. 384 11 [...] E, nos casos em que as Secretarias de Agricultura não forneçam os preços de terra de determinado município, a RFB disporá do preço médio do hectare obtido a partir dos valores informados nas DITRs apresentadas para imóveis rurais localizados naquele município. Assim, como o laudo não contém os requisitos necessários para apuração do valor da terra nua e a declaração apresenta preço irrisório, corroboro com a decisão de primeira instância para manter o valor lançado com base no preço médio apurado nas DITRs daquele município. Ilegalidade dos acréscimos legais Alega a contribuinte a ilegalidade da inclusão de acréscimos penais e moratórios. Em relação à multa de ofício, assim está fundamentado no art. 44, inciso I, § 2º, da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I – de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; [...] O percentual de 75% é aplicado aos casos em que não há intenção de dolo, fraude, sonegação ou conluio. Caso restassem comprovadas essas práticas, a multa de ofício seria agravada, passando para 150%, nos termos do inciso II do art. 44 da 9.430, de 1996. Em relação aos juros, aplicado com base na taxa Selic, a questão está superada no âmbito do CARF com a edição da Súmula CARF nº 4: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (SELIC) para títulos federais”. Não há possibilidade de a turma divergir do enunciado da súmula editada, pois, nos termos do artigo 72 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, “As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF.” Isto posto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira Fl. 473DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 12 Fl. 474DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 10380.720316/2007-22
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins
Período de apuração: 01/04/2006 a 31/06/2006
Ementa: PEDIDO DE RESSARCIMENTO. SALDO DE CRÉDITO DE PIS
E COFINS NÃOCUMULATIVOS.
ATUALIZAÇÃO ENTRE O PEDIDO
E O DEFERIMENTO. CABIMENTO.
O direito à atualização no período compreendido entre a data do protocolo do
pedido de ressarcimento e a data em que se concretiza o ressarcimento ao
contribuinte, decorre da demora a que dá causa a própria Administração
Tributária em reconhecer o direito do contribuinte.
Entendimento judicial consolidado a respeito do ressarcimento de IPI (STJ,
EREsp 468926/SC, DJ 02/05/2005), inclusive em caráter de recurso
repetitivo (STJ, REsp 1035847/RS, DJe 03/08/2009), que deve ser
transportado para o PIS/Cofins nãocumulativo.
Recurso provido.
Numero da decisão: 3403-001.292
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos
Atulim. Declarouse
impedida de participar do julgamento a Conselheira Liduína Maria Alves
Macambira. Sustentou pela recorrente o Dr. Francisco Feitosa. OAB/CE nº 16.049.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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SALDO DE CRÉDITO DE PIS E COFINS NÃOCUMULATIVOS. ATUALIZAÇÃO ENTRE O PEDIDO E O DEFERIMENTO. CABIMENTO. O direito à atualização no período compreendido entre a data do protocolo do pedido de ressarcimento e a data em que se concretiza o ressarcimento ao contribuinte, decorre da demora a que dá causa a própria Administração Tributária em reconhecer o direito do contribuinte. Entendimento judicial consolidado a respeito do ressarcimento de IPI (STJ, EREsp 468926/SC, DJ 02/05/2005), inclusive em caráter de recurso repetitivo (STJ, REsp 1035847/RS, DJe 03/08/2009), que deve ser transportado para o PIS/Cofins nãocumulativo. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim. Declarouse impedida de participar do julgamento a Conselheira Liduína Maria Alves Macambira. Sustentou pela recorrente o Dr. Francisco Feitosa. OAB/CE nº 16.049. Antonio Carlos Atulim – Presidente Ivan Allegretti – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Winderley Morais Pereira, Liduína Maria Alves Macambira , Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Ressarcimento de Créditos da Contribuição para o PIS/Pasep transmitido pelo contribuinte em 14/05/2007, correspondente ao saldo de créditos acumulado no 2º trimestre de 2006 (fl. 1). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fortaleza/CE (DRF), por meio do Despacho Decisório de fls. 69, que ratificou as conclusões da Informação Fiscal de fls. 67/68, reconheceu o direito de crédito, destacando, no entanto, que “sem a incidência de juros na forma SELIC, por se tratar de ressarcimento, em conformidade com o artigo 39, § 4º da Lei nº 9.250, de 26/12/95” (fl. 68). O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 71/85) alegando, em síntese, que não existiria nenhuma disposição vedando a incidência da atualização monetária ou de juros sobre os créditos da contribuição, que a taxa Selic teria o fim de recompor o valor real do numerário a ser ressarcido para o contribuinte, e sua não concessão caracterizaria enriquecimento ilícito em razão de que a inflação do período teria corroído o valor real a que teria direito o contribuinte; que a correção não constituem acréscimo mas apenas a manutenção do poder econômico da moeda, conforme já teria reconhecido a AGU no Parecer nº 1/1996; que não pode haver diferenciação entre ressarcimento e restituição, aplicandose a correção para ambos indistintamente; e, por fim, que a vedação prevista no art. 52, § 5º da IN 600/2005, ao vedar a aplicação de juros, não teria impedido a aplicação da SELIC porque a SELIC neste caso seria um índice de correção e não propriamente juros. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Fortaleza/CE (DRJ), por meio do Acórdão nº 0818.679, de 4 de agosto de 2010 (fls. 114/115), manteve a decisão da DRF, resumindo seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 RESSARCIMENTO. PIS E COFINS NÃOCUMULATIVA. JUROS SELIC. INAPLICABILIDADE. Ao ressarcimento não se aplicam os juros Selic, inconfundível que é com a restituição, sendo que, no caso do PIS e da Cofins não cumulativos, os artigos 13 e 15, VI, da Lei n° 10.833, de 2003, vedam expressamente tal aplicação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido No voto do relator, o acórdão da DRJ desdobra as seguintes razões: 6. Os artigos 13 e 15 da Lei n° 10.833, de 2003, vedam expressamente a incidência da taxa Selic sobre crédito oriundo de ressarcimento de PIS e Cofins nãocumulativa, na medida em que estabelecem que o aproveitamento dessa modalidade de crédito não ensejará atualização monetária ou incidência de juros. (…) 7. Por sua vez, Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil reiteradamente têm rechaçado a atualização mediante Selic de crédito oriundo de ressarcimento das contribuições nãocumulativas. Com efeito, o art. 51, § 5º, da IN SRF n.° 460/2004, o qual contém a mesma determinação do art. 72, § 5 0, I, da IN SRF n° Fl. 198DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10380.720316/200722 Acórdão n.º 3403001.292 S3C4T3 Fl. 2 3 900, de 30.12.2008, que, por sua vez, revogou a sucessora da IN SRF n° 460/2004, IN SRF n° 600/2005, vedam expressamente a incidência de juros compensatórios no ressarcimento de créditos de PIS e de Cofins, bem como na compensação de referidos créditos: (…) 8. Por fim, jurisprudência pacificada do então Conselho de Contribuintes não reconhece a ,incidência da taxa Selic para fins de correção monetária e para os pleitos de ressarcimento, a exemplo do seguinte julgado: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 RESSARCIMENTO. PIS E COFINS NÃOCUMULATIVA.JUROS SELIC. INAPLICABILIDADE. Ao ressarcimento não se aplicam os juros Selic, inconfundível que é com a restituição ou compensação, sendo que no caso do PIS e Cofins nãocumulativos os arts. 13 e 15, VI, da Lei n° 10833/2003, vedam expressamente tal aplicação. (Segundo Conselho de Contribuintes, Acórdão n° 20313.354, de 7 de outubro de 2008) 9. Semelhantemente, a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais entendeu ser indevida a aplicação da Selic sobre crédito originário de ressarcimento de IPI, em julgado lavrado com a seguinte ementa: IPI. CREDITO PRESUMIDO. TAXA SELIC. NÃOINCIDÊNCIA. A taxa Selic é imprestável como instrumento de correção monetária, não justificando a sua adoção, por analogia, em processos de ressarcimento de créditos incentivados, por implicar a concessão de um "plus", sem expressa previsão legal. Recurso negado. (Câmara Superior de Recursos Fiscais, Acórdão 202 130025) O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 118/132) reiterando as mesmas alegações de sua manifestação de inconformidade, argumentando ainda que os arts. 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833/2003 possuiriam uma eficácia limitada, impedindo a incidência de atualização monetária ou juros entre a data da geração dos créditos e a data do protocolo do pedido de ressarcimento, mas não depois do pedido, quando então se torna obrigação da Administração emitir a decisão do pedido. Reitera, para tanto, a referência ao precedente do STF no RE 282.120 (Rel. Min. Maurício Corrêa, DJ 06/12/2002), que trata de ICMS. É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator. O recurso é tempestivo (fls. 117 e 118), motivo pelo qual dele conheço. O recorrente pleiteia a atualização, pela Taxa Selic, no período decorrido entre o pedido de ressarcimento e o efetivo pagamento, em relação a saldo de créditos não utilizados de PIS/Cofins nãocumulativo. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 A discussão quanto à atualização nos pedidos de ressarcimento já vinha sendo travada em relação ao IPI, embora neste caso se tenha que considerar a legislação específica aplicável ao PIS/Cofins nãocumulativo. Em relação ao IPI, a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, e deste Tribunal Administrativo como um todo, vem oscilando ao longo do tempo entre a possibilidade ou não da atualização no pedido de ressarcimento. Os precedentes que negavam o direito de atualizar, faziamno sob o fundamento de que não existia previsão legal que autorizasse a correção, ou seja, que diante da falta de autorização expressa, não poderia ser aplicada a taxa Selic na atualização do ressarcimento do IPI (Acórdão 20313764, Processo 11020.003151/200278, j. 03/02/2009, Rel. Cons. Odassi Guerzoni Filho; Acórdão 380300223, Processo 10830.006870/9616, j. 19/11/2009, Rel. Cons. Belchior Melo de Souza). Os precedentes que autorizavam o direito de atualizar, por sua vez, assim o faziam apenas em relação ao período decorrido entre o protocolo do pedido e o pagamento do valor do ressarcimento, pelo fundamento de que a demora foi ocasionada pela Administração Tributária, com o objetivo de recompor a perda do valor real do direito do contribuinte, que não poderia ser reduzido pela demora da Administração. É neste último sentido que este Relator veio firmar convencimento (Acórdão 20312.003, Processo 13054.000278/200192, j. 25/04/2007). Aliás, a lógica deste raciocínio é a mesma do entendimento adotado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do seguinte caso de ICMS, em que o direito do contribuinte foi postergado pela Administração e pelo próprio Poder Judiciário: EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. PREQUESTIONAMENTO. EXPORTAÇÃO. PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. ICMS. MATÉRIAPRIMA E OUTROS INSUMOS. COMPENSAÇÃO. AUTORIZAÇÃO LEGAL. SUSPENSÃO LIMINAR. CRÉDITO IMPOSSIBILITADO. CONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA POSTERIORMENTE. RETORNO DA SITUAÇÃO AO STATUS QUO ANTE. CORREÇÃO MONETÁRIA. CABIMENTO. 1. Prequestionamento. Ausente o interesse de recorrer, por falta de sucumbência, basta para o atendimento do requisito que a tese jurídica suscitada como causa de pedir tenha sido objeto das contrarazões apresentadas pela parte por ocasião dos recursos de apelação e extraordinário, e também tratada nos embargos de declaração. 2. ICMS. Compensação autorizada pelo artigo 3º da Lei Complementar federal 65/91. Regra legal suspensa liminarmente. Julgamento de mérito superveniente que reconheceu a constitucionalidade do dispositivo (ADI 600, DJ 30/06/95). Efeitos extunc da decisão. 3. Créditos escriturais não realizados no momento adequado por óbice do Fisco, em observância à suspensão cautelar da norma autorizadora. Retorno da situação ao status quo anterior. Garantia de eficácia da lei desde sua edição. Correção monetária devida, sob pena de enriquecimento sem causa da Fazenda Pública. 4. Atualização monetária que não advém da permissão legal de compensação, mas do impedimento causado pelo Estado para o lançamento na época própria. Hipótese diversa da mera pretensão de corrigirse, sem previsão legal, créditos escriturais do ICMS. Acórdão mantido por fundamentos diversos. Recurso extraordinário não conhecido. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10380.720316/200722 Acórdão n.º 3403001.292 S3C4T3 Fl. 3 5 (RE 282120, Relator(a): Min. MAURÍCIO CORRÊA, Segunda Turma, julgado em 15/10/2002, DJ 06122002 PP00075 EMENT VOL 0209402 PP00418) Esta mesma lógica levou o Superior Tribunal de Justiça (STJ) a adotar o mesmo entendimento em relação ao IPI, conforme se confere do seguinte precedente, proferido pela Primeira Seção em caráter de uniformização da jurisprudência das duas Turmas de direito público: TRIBUTÁRIO. IPI. MATERIAIS UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DE PRODUTO ISENTO, NÃO TRIBUTADO OU SUJEITO À ALÍQUOTA ZERO. CRÉDITOS ESCRITURAIS. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA, JÁ QUE O APROVEITAMENTO DOS CRÉDITOS NA ÉPOCA PRÓPRIA FOI IMPEDIDO PELO FISCO. 1. A jurisprudência do STJ e do STF é no sentido de ser indevida a correção monetária dos créditos escriturais de IPI, relativos operações de compra de matériasprimas e insumos empregados na fabricação de produto isento ou beneficiado com alíquota zero. 2. Todavia, é devida a correção monetária de tais créditos quando o seu aproveitamento, pelo contribuinte, sofre demora em virtude resistência oposta por ilegítimo ato administrativo ou normativo do Fisco. É forma de se evitar o enriquecimento sem causa e de dar integral cumprimento ao princípio da nãocumulatividade. Não teria sentido, ademais, carregar ao contribuinte os ônus que a demora do processo acarreta sobre o valor real do seu crédito escritural. Precedentes do STJ e do STF. 3. Embargos de divergência a que se dá provimento, para autorizar a correção monetária dos créditos escriturais durante o período compreendido entre (a) a data em que o crédito poderia ter sido aproveitado e não o foi por óbice estatal e (b) a data do trânsito em julgado da decisão judicial, que afasta o referido óbice. (EREsp 468926/SC, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/04/2005, DJ 02/05/2005, p. 150) Ocorreu, ainda, em relação especificamente ao IPI, o pronunciamento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) em regime de recurso repetitivo, cujo entendimento foi resumido na seguinte ementa: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) O mesmo entendimento foi reiterado no contexto dos créditos presumidos de IPI, também em recurso repetitivo, do qual se transcreve apenas o trecho pertinente da ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. (...) 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). Fl. 202DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10380.720316/200722 Acórdão n.º 3403001.292 S3C4T3 Fl. 4 7 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). (...) 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 993164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010) No âmbito do IPI, portanto, a aplicação da correção pela taxa Selic em razão da demora causada pelo Fisco no ressarcimento do direito do contribuinte é matéria definida em recurso repetitivo, pelo STJ, o que exige a reprodução deste mesmo entendimento no âmbito do CARF, por força do art. 62A RICARF, introduzido pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, que estabelece o seguinte: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF Os julgamentos acima, no entanto, referemse ao IPI. Os referidos julgados não tratam da situação específica dos créditos de PIS/Cofins nãocumulativos, exigindo, assim, a análise da legislação específica para este caso. Conforme destacado pelo acórdão da DRJ, em relação aos créditos de PIS/Cofins existe previsão legal expressa de que não pode haver a correção dos créditos. Assim determinam os arts. 13 e 15 da Lei nº 10.833/2003, na sua redação vigente: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. .............. Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: VI no art. 13 desta Lei. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 Percebese, assim, que enquanto no IPI não existe previsão legal que autorizasse a atualização, no caso de PIS/Cofins existe previsão expressa de que não pode haver atualização ou incidência de juros. Mas não parece que isto seja razão suficiente para impedir a transposição do entendimento jurisprudencial construído em relação ao IPI, pois a base deste entendimento é a demora do Fisco, que exigiria a atualização como meio para impedir o enriquecimento indevido do Estado. Por isso, nada obstante o fato de que em um caso não há autorização para atualizar e de que no outro caso há vedação para atualizar, ambos se referem à impossibilidade da atualização em razão da própria natureza do crédito escritural, o que, no entanto, não parece surtir implicações diferentes em relação à atualização necessária em razão da demora da Administração. Com efeito, a vedação legal de correção parece apontar sempre para a natureza dos créditos escriturais, inclusive parecendo referirse aos momentos anteriores ao levantamento do saldo a ressarcir. Vale a pena conferir os outros dispositivos da Lei, a que se refere o art. 13. A primeira referência é o § 4º do art. 3º, que diz que “O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes”, deixando claro que a transposição dos créditos de um mês para o outro, para o seu aproveitamento, não permite a atualização. A segunda é o art. 4º (“A pessoa jurídica que adquirir imóvel para venda ou promover empreendimento de desmembramento ou loteamento de terrenos, incorporação imobiliária ou construção de prédio destinado a venda, utilizará o crédito referente aos custos vinculados à unidade construída ou em construção, a ser descontado na forma do art. 3º, somente a partir da efetivação da venda”), que apenas detalha a aplicação do regime não cumulativo às atividades imobiliárias. A quarta também se refere a esta situação das atividades imobiliárias, mas tratando em perspectiva mais ampla dos “estoques”: Art. 12. A pessoa jurídica contribuinte da COFINS, submetida à apuração do valor devido na forma do art. 3º, terá direito a desconto correspondente ao estoque de abertura dos bens de que tratam os incisos I e II daquele mesmo artigo, adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, existentes na data de início da incidência desta contribuição de acordo com esta Lei. ..................... § 2º O crédito presumido calculado segundo os §§ 1º, 9º e 10 deste artigo será utilizado em 12 (doze) parcelas mensais, iguais e sucessivas, a partir da data a que se refere o caput deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) (Vide Lei nº 10.925, de 2004) ..................... § 4º A pessoa jurídica referida no art. 4º que, antes da data de início da vigência da incidência nãocumulativa da COFINS, tenha incorrido em custos com unidade imobiliária construída Fl. 204DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10380.720316/200722 Acórdão n.º 3403001.292 S3C4T3 Fl. 5 9 ou em construção poderá calcular crédito presumido, naquela data, observado: II o valor do crédito presumido apurado na forma deste parágrafo deverá ser utilizado na proporção da receita relativa à venda da unidade imobiliária, à medida do recebimento. § 5º A pessoa jurídica que, tributada com base no lucro presumido ou optante pelo SIMPLES, passar a ser tributada com base no lucro real, na hipótese de sujeitarse à incidência não cumulativa da COFINS, terá direito ao aproveitamento do crédito presumido na forma prevista neste artigo, calculado sobre o estoque de abertura, devidamente comprovado, na data da mudança do regime de tributação adotado para fins do imposto de renda. Talvez a terceira referência, do art. 6º, §§ 1º e 2º, embora tratando exclusivamente das receitas de exportação, seja a que mais se aproxime do tema: Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Este dispositivo, como visto, trata da possibilidade de utilização dos créditos gerados com a exportação tanto para a finalidade de abater os débitos da mesma contribuição, devida nos períodos subseqüentes, como também autoriza sua utilização para o pagamento de outros tributos e, se o contribuinte não conseguir aproveitar os créditos gerados em determinado trimestre, autoriza ao contribuinte pedir o ressarcimento. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 Não parece que a vedação da atualização quisesse se referir ao momento posterior à apresentação do pedido de ressarcimento, nem que leve em conta o fundamento da demora da Administração para o reconhecimento do direito e efetivo ressarcimento ao contribuinte. Por isso de se dizer que a vedação da atualização é feita no contexto da natureza do crédito, em si mesmo considerado. Mas que tal vedação não traz qualquer implicação quando o fundamento da atualização encontra suporte na demora da própria Administração em reconhecer o direito do contribuinte. Com efeito, não parece que o art. 13 da Lei nº 10.833/2003 pretendesse em relação aos créditos de PIS/Cofins algo mais do que o tratamento que já se dava aos créditos de IPI. Por isso mesmo, estes tributos são tratados em conjunto pela IN RFB nº 900/2008, da seguinte forma: Art. 72. O crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou reembolso, será restituído, reembolsado ou compensado com o acréscimo de juros Selic para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros de 1% (um por cento) no mês em que: § 5º Não incidirão juros compensatórios de que trata o caput: I no ressarcimento de créditos do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, bem como na compensação de referidos créditos; e Este dispositivo, portanto, deve ser interpretado no contexto da jurisprudência já existente em relação ao IPI, no sentido de que é vedada a atualização dos créditos escriturais de IPI, PIS e Cofins, no que se refere ao que é peculiar à sua natureza de créditos escriturais. Isto, no entanto, não exclui nem interfere na possibilidade de reconhecer o direito à atualização em decorrência do óbice ou da demora do Estado em reconhecer e efetivamente ressarcir ao contribuinte os créditos a que tem direito. Por isso, igualmente em relação aos três tributos, devese reconhecer a possibilidade de atualização decorrente da demora da Administração em reconhecer o direito do contribuinte. Voto, portanto, pelo provimento do recurso do contribuinte para, na linha do entendimento jurisprudencial consolidado em relação ao IPI, reconhecer ao contribuinte o direito à atualização, pela aplicação da taxa Selic, correspondente ao período transcorrido entre a data do protocolo do pedido e a data em que se concretizou o ressarcimento do principal, incidente sobre o valor do direito que foi reconhecido ao contribuinte. Ivan Allegretti Fl. 206DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10380.720316/200722 Acórdão n.º 3403001.292 S3C4T3 Fl. 6 11 Fl. 207DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 35043.002969/2006-05
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Sep 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Sep 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.
Inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º).
No caso dos autos, verifica-se que o lançamento refere-se
a contribuição incidente sobre auxílio alimentação pago em desconformidade com a legislação.
Para fins de averiguação da antecipação de pagamento, as contribuições previdenciárias a cargo da empresa incidentes
sobre a remuneração dos segurados do Regime Geral da Previdência Social RGPS devem ser apreciadas como um todo. Segregando-se,
entretanto, a contribuição a cargo do próprio segurado e as contribuições para terceiros.
Os documentos constantes nos autos, especificamente no Relatório de Documentos Apresentados – RDA (fls. 69), possibilitam concluir que houve antecipação de pagamento de contribuições previdenciárias por parte do sujeito passivo no período em discussão.
Assim, na data em que o sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 31/03/2006, as contribuições com fatos geradores ocorridos até a competência 02/2001 encontravam-se fulminados pela decadência.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.736
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: Elias Sampaio Freire
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). No caso dos autos, verificase que o lançamento referese a contribuição incidente sobre auxílio alimentação pago em desconformidade com a legislação. Para fins de averiguação da antecipação de pagamento, as contribuições previdenciárias a cargo da empresa incidentes sobre a remuneração dos segurados do Regime Geral da Previdência Social RGPS devem ser apreciadas como um todo. Segregandose, entretanto, a contribuição a cargo do próprio segurado e as contribuições para terceiros. Os documentos constantes nos autos, especificamente no Relatório de Documentos Apresentados – RDA (fls. 69), possibilitam concluir que houve antecipação de pagamento de contribuições previdenciárias por parte do sujeito passivo no período em discussão. Assim, na data em que o sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 31/03/2006, as contribuições com fatos geradores ocorridos até a competência 02/2001 encontravamse fulminados pela decadência. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres PresidenteSubstituto (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Relator EDITADO EM: 17/10/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (PresidenteSubstituto), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente substituto), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (Conselheiro Convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão nº 2401 00.246, proferido 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção em 08/05/2009 (fls. 215/232), interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de contrariedade à Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 203/224). O acórdão recorrido, por maioria de votos, declarou a decadência das contribuições apuradas até a competência 02/2001. Segue abaixo sua ementa: “CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos dó artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ou do 173 do mesmo Diploma Legal,. no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8212/91 pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nos 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, entendeuse ter havido antecipação de pagamento, fato relevante para aqueles que entendem ser determinante a, aplicação do instituto. (...) RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.” A recorrente afirma que a conclusão estampada no aresto em foco, quanto à decadência, na parte decidida por maioria, está a merecer reforma, uma vez que aplicou o art. 150, §4º do CTN, quando não houve recolhimento antecipado do tributo objeto de lançamento (contribuições incidentes sobre o fornecimento de alimentos pela empresa aos seus empregados). Verifica que, ao contrário do que foi reconhecido pela e. Câmara a quo, o contribuinte não efetuou qualquer antecipação de pagamento das contribuições lançadas, referentes às contribuições previdenciárias incidentes sobre as parcelas pagas a titulo de Fl. 2DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35043.002969/200605 Acórdão n.º 920201.736 CSRFT2 Fl. 2 3 alimentação, já que não considerava ter esta obrigação de recolhimento, razão pela qual a regra, a ser utilizada para a contagem do prazo decadencial é a constante do artigo 173, I, do CTN. Ressalta que não há que se falar em recolhimento das contribuições previdenciárias devidas como um todo, de modo que qualquer recolhimento efetuado, ainda que não se refira ao objeto do lançamento, possa influir na contagem do prazo decadencial deste de forma a ensejar a aplicação do art. 150, § 4º, do CTN. Prossegue explicando que, para a ocorrência de pagamento antecipado parcial, para os fins ora colimados, afigurase óbvia a necessidade de verificar se o contribuinte pagou parte do débito tributário objeto da cobrança, e não daqueles afetos a outros fatos. Cita jurisprudência do STJ segundo a qual, não se verificando recolhimento de exação e montante a homologar, o prazo decadencial para o lançamento dos tributos sujeitos a lançamento por homologação segue, respectivamente, a disciplina normativa do art. 173 do CTN. Do exposto acima, entende que o aresto ora atacado deve ser reformado de forma que seja aplicado o entendimento esposado pelas Conselheiras vencidas que aplicaram corretamente o art. 173, I, do CTN, ao considerar decaídas as competências apenas até 11/2000, uma vez que não houve recolhimento antecipado do tributo objeto de cobrança. Ao final, requer seja conhecido e provido o presente recurso. Nos termos do Despacho n.º 2400408/2009 (fls. 245/246), foi dado seguimento ao pedido em análise. O contribuinte ofereceu, tempestivamente, contrarazões às fls. 253/259. Inicialmente, destaca que o recurso especial interposto pela Fazenda não deve ser conhecido, na medida em que por ocasião da publicação da Portaria do Ministro de Estado da Fazenda MF n° 256/99, somente cabe recurso especial por divergência jurisprudencial, não mais cabendo sua interposição contra decisão proferida por maioria. Ademais, explica que o presente caso trata de tributo sujeito a lançamento por homologação em que ocorreu a antecipação do pagamento, na medida em que foi recolhida a contribuição incidente sobre a folha de salários. Esclarece que, como o fisco não efetuou no prazo de (05) cinco anos a sua atividade privativa de lançamento, contados da ocorrência do fato gerador, decaiu o seu direito de constituir o crédito tributário, não lhe cabendo mais o direito de exigir o tributo em tela. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Ao final, requer o improvimento do recurso especial em análise. Eis o breve relatório. Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator Salientese que, não obstante o aludido recurso não encontrar previsão no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a Portaria Ministerial MF nº. 256, de 22 de junho de 2009, em suas disposições transitórias, prevê que os recursos com base no inciso I do art. 7° e do art. 9° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, interpostos em face de acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior à 1° de julho de 2009, serão processados de acordo com o rito previsto nos arts. 15 e 16 e nos arts. 43 e 44 daquele Regimento. Por seu turno o inciso I do art. 7° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, fazia previsão de interposição de recurso especial na hipótese de contrariedade à lei e à evidência das provas. Examinandose o recurso especial apresentado com supedâneo no inciso I do art. 7° do RICSRF, verificase que ele demonstrou, fundamentadamente, em que a decisão recorrida seria contrária à lei, no entendimento da Fazenda Nacional, consoante o disposto no inciso I do artigo 7º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Assim, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, por preencher os requisitos formais de admissibilidade. No que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação temos o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do Fl. 4DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35043.002969/200605 Acórdão n.º 920201.736 CSRFT2 Fl. 3 5 débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Fl. 5DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). Em suma, inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). No caso dos autos, verificase que o lançamento referese a contribuição incidente sobre auxílio alimentação pago em desconformidade com a legislação. Para fins de averiguação da antecipação de pagamento, as contribuições previdenciárias a cargo da empresa incidentes sobre a remuneração dos segurados do Regime Geral da Previdência Social RGPS devem ser apreciadas como um todo. Segregando se, entretanto, a contribuição a cargo do próprio segurado e as contribuições para terceiros. Os documentos constantes nos autos, especificamente no Relatório de Documentos Apresentados – RDA (fls. 69), possibilitam concluir que houve antecipação de pagamento de contribuições previdenciárias por parte do sujeito passivo no período em discussão. Assim, na data em que o sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 31/03/2006, as contribuições com fatos geradores ocorridos até a competência 02/2001 encontravamse fulminados pela decadência. Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial Da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 6DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 13827.003144/2008-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO – OBRIGAÇÃO PRINCIPAL AFERIÇÃO INDIRETA AUSÊNCIA DE REGISTRO DE DOCUMENTOS QUE DESCREVEM MÃO DE OBRA BEM
COMO IDENTIFICAÇÃO DE VALORES NÃO CONTABILIZADOS INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos do AI. Não compete a empresa apenas alegar, mas demonstrar por meio de prova suas alegações.
Aferição indireta é o procedimento de que dispõe a RFB para apuração indireta da base de cálculo das contribuições sociais. Será a aferição indireta utilizada, quando no exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento do sujeito passivo, a auditoria fiscal constatar que a contabilidade
não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, da receita, ou do faturamento e do lucro.
No caso em questão a ausência de contrato com a empresa prestadora de serviços, a ausência de contabilização do movimento bancário, de entrada e saída de matéria prima para industrialização, do valor do frete da saída das mercadorias, justificam a aplicação da aferição.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL SEGURADOS EMPREGADOS AFERIÇÃO INDIRETA NULIDADE DA AUTUAÇÃO CERCEAMENTO DE DEFESA FALTA DE DEFINIÇÃO DOS FATOS GERADORES.
Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente não só no relatório de lançamentos, no DAD, bem como no relatório fiscal.
Ao deixar de contabilizar documentos e movimentação financeira, provocou a empresa o descrédito de sua contabilidade, passando a presumir a utilização de mão de obra, cabendo a parte contrária a apresentação de provas para desconstituir o lançamento.
TRABALHO DO AUDITOR ATIVIDADE VINCULADA
Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes.
REQUERIMENTO DE PERÍCIA AFERIÇÃO INDIRETA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA NECESSIDADE INDEFERIMENTO.
Deverá restar demonstrada nos autos, a necessidade de perícia para o deslinde da questão, nos moldes estabelecidos pela legislação de regência. Não se verifica cerceamento de defesa pelo indeferimento de perícia, cuja necessidade não se comprova
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-002.075
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar as preliminares suscitadas; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO – OBRIGAÇÃO PRINCIPAL AFERIÇÃO INDIRETA AUSÊNCIA DE REGISTRO DE DOCUMENTOS QUE DESCREVEM MÃO DE OBRA BEM COMO IDENTIFICAÇÃO DE VALORES NÃO CONTABILIZADOS INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos do AI. Não compete a empresa apenas alegar, mas demonstrar por meio de prova suas alegações. Aferição indireta é o procedimento de que dispõe a RFB para apuração indireta da base de cálculo das contribuições sociais. Será a aferição indireta utilizada, quando no exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento do sujeito passivo, a auditoria fiscal constatar que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, da receita, ou do faturamento e do lucro. No caso em questão a ausência de contrato com a empresa prestadora de serviços, a ausência de contabilização do movimento bancário, de entrada e saída de matéria prima para industrialização, do valor do frete da saída das mercadorias, justificam a aplicação da aferição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL SEGURADOS EMPREGADOS AFERIÇÃO INDIRETA NULIDADE DA AUTUAÇÃO CERCEAMENTO DE DEFESA FALTA DE DEFINIÇÃO DOS FATOS GERADORES. Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente não só no relatório de lançamentos, no DAD, bem como no relatório fiscal. Ao deixar de contabilizar documentos e movimentação financeira, provocou a empresa o descrédito de sua contabilidade, passando a presumir a utilização de mão de obra, cabendo a parte contrária a apresentação de provas para desconstituir o lançamento. TRABALHO DO AUDITOR ATIVIDADE VINCULADA Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. REQUERIMENTO DE PERÍCIA AFERIÇÃO INDIRETA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA NECESSIDADE INDEFERIMENTO. Deverá restar demonstrada nos autos, a necessidade de perícia para o deslinde da questão, nos moldes estabelecidos pela legislação de regência. Não se verifica cerceamento de defesa pelo indeferimento de perícia, cuja necessidade não se comprova Recurso Voluntário Negado
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A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos do AI. Não compete a empresa apenas alegar, mas demonstrar por meio de prova suas alegações. Aferição indireta é o procedimento de que dispõe a RFB para apuração indireta da base de cálculo das contribuições sociais. Será a aferição indireta utilizada, quando no exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento do sujeito passivo, a auditoria fiscal constatar que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, da receita, ou do faturamento e do lucro. No caso em questão a ausência de contrato com a empresa prestadora de serviços, a ausência de contabilização do movimento bancário, de entrada e saída de matéria prima para industrialização, do valor do frete da saída das mercadorias, justificam a aplicação da aferição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL SEGURADOS EMPREGADOS AFERIÇÃO INDIRETA NULIDADE DA AUTUAÇÃO CERCEAMENTO DE DEFESA FALTA DE DEFINIÇÃO DOS FATOS GERADORES. Fl. 213DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente não só no relatório de lançamentos, no DAD, bem como no relatório fiscal. Ao deixar de contabilizar documentos e movimentação financeira, provocou a empresa o descrédito de sua contabilidade, passando a presumir a utilização de mão de obra, cabendo a parte contrária a apresentação de provas para desconstituir o lançamento. TRABALHO DO AUDITOR ATIVIDADE VINCULADA Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. REQUERIMENTO DE PERÍCIA AFERIÇÃO INDIRETA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA NECESSIDADE INDEFERIMENTO. Deverá restar demonstrada nos autos, a necessidade de perícia para o deslinde da questão, nos moldes estabelecidos pela legislação de regência. Não se verifica cerceamento de defesa pelo indeferimento de perícia, cuja necessidade não se comprova Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar as preliminares suscitadas; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 214DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13827.003144/200810 Acórdão n.º 240102.075 S2C4T1 Fl. 213 3 Relatório O presente NFLD, lavrado sob o n. 37.083.7053, em desfavor da recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, no período de 01/2004 a 12/2004. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 46 a 53, considerando que a empresa não possui nenhum empregado para o ano 2004 e somente as notas fiscais de serviço da empresa Lazaro Hailton Foganholo Junior ME conforme demonstrado na planilha anexo II do REFISC, e considerando, outrossim, que no exame da escrituração contábil a mesma não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro nos termos do art. 3 Lei 8212 de 24/07/91 combinado com o art. 235 do Regulamento da Previdência Social — RPS aprovado pelo Decreto 3048 de 06/05/99, foi a massa salarial apurada em função da receita bruta e a massa salarial de empregados declarada em GFIP, cujos dados foram extraídos dos sistemas Fazendários SIF 4 e DW PESSOA JURÍDICA 14/08/2008, para o segmento Fabricação de Calçados de Couro do ano calendário 2004 do município de Jaú, cujos dados encontramse na planilhas anexo III do referido relatório. Esclarece a autoridade fiscal, que a apuração do percentual a ser aplicado sobre o faturamento encontrase demonstrado na planilha anexo IV e dos percentuais apurados de 90,92% (desvio padrão), 51,88% (média) e 26,65% (mediana) foi adotado como critério razoável e proporcional para a aferição indireta da massa salarial a partir do faturamento, o percentual de 26,65% que representa a MEDIANA, que aplicado sobre o faturamento do sujeito passivo fornece a massa salarial. Cabe esclarecer que do valor da mão de obra aferida apurado na aplicação do percentual de 26,65% sobre o faturamento demonstrado na planilha anexo I foi deduzido os valores da mão de obra contido nas notas fiscais de serviços emitidas pela empresa Lazaro Hailton Foganholo ME demonstrado na planilha anexo II, cujos valores foram apurados com base no $ 30 do art. 601 da INSTRUÇÃO NORMATIVA MPS/SRP N° 3, DE 14 DE JULHO DE 2005 aplicandose 50% para a apuração do valor dos serviços contido nas notas fiscais, uma vez que a utilização de equipamento é inerente à execução dos serviços contratados, ainda que não esteja previsto em contrato e para fins de aferição da remuneração da mão de obra utilizada na prestação de serviços, foi aplicado 40% conforme previsto no inciso I do art. 600 IN 03 citada acima. Ainda conforme o relatório fiscal, restou detectado que a empresa não contabilizou: todas movimentações financeiras, perfazendo a movimentação anual de todos os bancos um total de R$8.438.194,53 conforme relatório do banco de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil e cópia do balanço patrimonial 2004; notas fiscais referente a serviços prestados pela empresa Lazaro Hailton Foganholo Junior ME, pagamentos de fretes a cargo da empresa, uma vez que na contabilidade não consta nenhum pagamento de frete tanto na compra como nas vendas de mercadorias. Fl. 215DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 24/10/2008, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia. Inconformado com a NFLD, a notificada apresentou defesa, conforme fls. 133 a 153. Foi exarada a DecisãoNotificação DN que confirmou a procedência do lançamento, fls. 164 a 173. Indicou a autoridade julgadora, que considerando a conexão entre os diversos auto de infração lavrados durante o mesmo procedimento, procedeu a apensação do processos: 13827.003143/200867, 13827.003145/200856, 13827.003146/200809 e 13827.003148/200890, por entenderem que encontramse vinculados ao crédito apurado. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 180 a 209 , onde, em síntese a recorrente traz as mesmas alegações da impugnação, quais sejam: 1. O relatório fiscal não demonstra os motivos que ensejaram a autuação, por não comprovar a efetiva existência de empregados e, não mencionar a respectiva fundamentação jurídica, desrespeitando o contraditório e a ampla defesa, bem como o art. 661 da IN 03/2005, causando a nulidade do ato administrativo face a ausência de motivação. 2. Os dados informados pelo agente fiscal são genéricos, apenas registrando de quais documentos partiram suas conclusões, sem, ao menos, explicitar, de fato, o motivo que deu ensejo à cobrança das Contribuições Previdenciárias supostamente fundamentadas na omissão dos fatos geradores em GFIP, referentes ao ano calendário 2004. 3. A recorrente não realiza a industrialização de seus produtos, ficando apenas com os encargos de laboração, criação e venda, sendo que a efetiva "produção" da mercadoria fica a cargo da terceirizada que atualmente é a empresa Lázaro Hamilton Foganholo Júnior ME, por isso não há valores declarados em GFIP. 4. No tocante às vendas, por tratarse de mercadorias com comercialização reflexa em modas temporais, suas coleções eram extremamente limitadas e os produtos diretamente remetidos a uma lista de clientes, em especial grandes varejistas do mercado nacional, ficando tudo a encargo da empresa recorrente. 5. O agente fiscal ao dirigirse ao estabelecimento da recorrente, só encontrou um escritório administrativo, e descreve que ao procurar os maquinários não os encontrou. Entretanto estes se encontravam nos fundos do estabelecimento, sem utilização. 6. O fato de não ter sido comprovada a origem da mãodeobra utilizada na consecução de suas atividades, impossibilita a imputação de pagamentos de valores baseados em mera presunção. 7. São inúmeras as razões determinantes da impropriedade da conclusão de que não ter mãodeobra própria é fato indiciário da aludida omissão de contratações e registros contábeis obrigatórios. 8. Nesse desiderato, a fundamentação do ato administrativo constituise em exigência intransponível no cenário jurídico vigente, em especial quando se tratar de matéria intrínseca ao direito tributário, vez que viabiliza a aferição por parte do contribuinte da sua legalidade, onde a omissão ou contradição do dispositivo legal que motiva a ação Fl. 216DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13827.003144/200810 Acórdão n.º 240102.075 S2C4T1 Fl. 214 5 Estatal, implicará em verdadeira supressão oblíqua do devido processo legal, da ampla defesa e contraditório. 9. Notase, ainda, que ao contrário das afirmações externadas na r. decisão de que a ora recorrente valeuse do direito de impugnar o Auto de Infração o que por si só afasta a afronta aos princípios constitucionais supra aduzidos, necessário reafirmar que da singela análise do auto compelido verificase a impossibilidade de efetivamente identificar quais foram os motivos e fundamentos utilizados pelo nobre fiscal para configurar a soidisant exigência fiscal. 10. Nessa vereda, como é impossível para o contribuinte ou para qualquer outra pessoa que não seja o próprio fiscal autuante sabermos os verdadeiros motivos, como se deu, as razões e os fundamentos da autuação, é de rigor que seja rechaçada a NFLD ora altercada, haja vista que o vício macula o lançamento de forma integral. 11. No tocante a elaboração das mercadorias da recorrente, conclui não ter sido comprovada a origem da mãodeobra utilizada na consecução de suas atividades, impossibilitando, assim, à autoridade fiscal, a imputação à empresa ao pagamento de valores, baseandose em mera presunção. 12. Os dados fornecidos durante a fiscalização e que fazem parte da autuação (respostas às intimações) demonstraram cabalmente a origem da mãodeobra executora dos serviços e a real responsabilidade da contratação dos trabalhadores. Não tem sentido, portanto, tributar pela via das contribuições sociais previdenciárias a utilização de mãodeobra originada em acordo pactuado entre empresas, mesmo que esse acordo tenha sido celebrado verbalmente. 13. No presente caso não é válida a apuração por aferição indireta, efetuada nos moldes do artigo 597 da IN 03/2005 e art. 33, § 6° da Lei n 8.212/1991, vez que as inconsistências encontradas na escrituração contábil não estão relacionadas à remuneração de empregados, citando vasta jurisprudência para corroborar suas alegações; 14. O próprio agente fiscal, ao lavrar o auto de Infração elucida que as inconsistências apontadas na escrituração contábil se referem à inobservâncias de obrigações acessórias, não podendo, com base nesses argumentos atribuir ao contribuinte a restrita aferição indireta. 15. Ademais, em outro espeque, o artigo 33, 5 6°, da Lei n° 8.212/91 é firme ao prever que a as contribuições efetivamente devidas somente serão apuradas por aferição indireta caso a contabilidade da empresa não se preste a informar o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro. 16. Todavia, no presente AIIM, o Sr. Auditor Fiscal não comprovou todos os pressupostos legais de caracterização de uma relação trabalhista, simplesmente lançando argumentos e suposições, aguardando a comprovação de licitude do requerente, isto é, não provou com documentos e outras provas idôneas os fatos "in concreto" que respaldam a sua autuação. 17. Discorda, ainda, do índice de 26,65% para o cálculo da massa salarial, alegando parâmetros superiores à sua receita bruta, já que o fisco utilizou dados empresariais de outras pessoas jurídicas, as quais sequer fazem parte da mesma atividade profissional desenvolvida pelo recorrente. Fl. 217DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 18. Para fins de arbitramento foi utilizado o malfadado percentual de 26,65%, contudo, para os descontos relativos às notas fiscais emitidas pela empresa Lazaro Hamilton Foganholo Junior ME, a autoridade fiscal utilizou apenas o percentual de 20%, sendo creditado à recorrente apenas R$ 24.193,20, quando na verdade deveria ser R$ 32.073,79 . 19. Não foi excluído da receita bruta, os valores de faturamento, gerados pela venda dos produtos, fabricados pela empresa prestadora de mãodeobra. 20. Para a fixação do índice em comento, o agente fiscal estabeleceu como parâmetro dados empresariais de pessoas jurídicas outras, além das fabricantes de calçados, as quais sequer fazem parte da mesma atividade profissional desenvolvida pela ora recorrente, o, que definitivamente não se pode asilar! 21. O Sr. Fiscal não se utilizou de base de cálculo "pura" para aferição dos tributos supostamente devidos, o que vicia todo o cálculo da apuração. 22. A busca da verdade material e a tentativa de inversão do ônus da prova almejado pelo Sr. Fiscal, apenas ocorre em casos extremamente específicos e, da forma como vem empregando as autoridades fiscais, além de ferir o artigo 142 do CTN, torna impossível a defesa do contribuinte, ao passo que necessita fazer prova negativa de suposições. 23. O Sr. Fiscal não comprovou todos os pressupostos legais de caracterização de uma relação trabalhista, simplesmente lançando argumentos e suposições, aguardando a comprovação de licitude do requerente, não provando com documentos e outras provas idôneas os fatos "in concreto" que respaldam a autuação; 24. Frisase que a fundamentação adotada pelos julgadores para o indeferimento do pedido da recorrente se perfez à luz dos artigos 16, 18 e 28 do Decreto n°. 70.235/72. 25. No entanto, em sentido diverso, identificamse na doutrina e na jurisprudência posicionandose pela admissibilidade de produção de prova documental em fase seguinte à impugnação. 26. Neles, existe expressa referência ao comando da Lei 9784/99, e aos princípios da legalidade, da oficialidade e da verdade material, dentre outros. 27. De todo o exposto, a recorrente requer a este E. Conselho seja dado provimento ao presente recurso, para o fim de modificar o , Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Rio de Janeiro/RJ, anulando o lançamento fiscal ou, assim não entendendo, que seja anulada a decisão, convertendose o julgamento de mérito em diligência para que seja dada a oportunidade à recorrente de produzir as provas necessárias. A DRFB encaminhou o recurso a este Conselho para Julgamento. É o Relatório. Fl. 218DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13827.003144/200810 Acórdão n.º 240102.075 S2C4T1 Fl. 215 7 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 210. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: DA NULIDADE PELA FALTA DE MOTIVAÇÃO NULIDADE PELA NÃO DISCRIMINAÇÃO CORRETA DOS FATOS GERADORES O cerne do recurso apresentado referese a falta de motivação para realização de aferição indireta, e apuração de contribuição de segurados, sendo que a empresa alega que não realizava qualquer industrialização. Entendeu que o auditor não descrveu de forma adequada os motivos que respaldaram a aferição, nem tampouco apreciaram o julgadores os pontos trazidos em fase de impugnação que comprovariam a nulidade do lançamento. Quanto as ditas alegações, em primeiro lugar cumprenos destacar que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento de defesa, conforme alegado pela recorrente. Destacase como passos necessários a realização do procedimento: Ø autorização por meio da emissão do Mandato de Procedimento Fiscal – MPF F e complementares, com a competente designação do auditor fiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; Ø intimação para a apresentação dos documentos conforme Termos de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária, inclusive solicitando esclarecimentos sobre diversos pontos apurados durante o procedimento quanto a não contabilização de valores. Ø autuação dentro do prazo autorizado pelo referido mandato, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes. Neste sentido, as alegações de que o procedimento não poderia prosperar por não ter a autoridade realizado a devida indicação dos motivos que ensejaram a autuação, valendose do critério da aferição indireta, entendo que razão não assiste ao recorrente. Fl. 219DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Observamos que o relatório DAD descreve por competência os valores das contribuições apuradas, tendo o relatório fiscal detalhado de forma satisfatória todos os motivos que levaram a autoridade fiscal a valerse da aferição. Assim, primeiramente descreveu a autoridade as irregularidades quanto a contabilização de valores bancários, bem como de contrato com a empresa prestadora de mão de obra, que segundo a recorrente era quem efetivamente realizava a mão de obra. Ditos fatos, associado a ausência de contratos com a prestadora, ausência de pagamentos a contador, além de outros, levaram a autoridade a lançar valores de mão de obra por aferição, considerando que a contabilidade não apresentava todos os registros para comprovação da regularidade fiscal. Ao contrário do entendimento do recorrente, a falta de contabilização de valores, enseja o descrédito da contabilidade da empresa, levando a autoridade fiscal, a considerar parâmetros para que se apure a mão de obra, capaz de refletir o movimento real da empresa. Neste caso, perfeitamente aceitável não apenas a aferição, como também entendo plenamente cabível a inversão do ônus da prova. Notese que não se trata de contabilização de valore pela empresa, que acabaram desconstituídos pela autoridade fiscal. Pelo contrário, a autoridade fiscal constatou diversas omissões contábeis da empresa, solicitando esclarecimentos, contudo, simplesmente apresentou a empresa defesa e recurso, sem demonstrar com elementos probatórios suas alegações. Entendo que competiria a empresa demonstrar que efetivamente não industrializava os produtos, mas apenas promoveu alegações, sem qualquer elemento de prova. Entendo que para comprovar a não utilização de mão de obra, competiria a empresa demonstrar qual o teor do contrato com a empresa Lázaro, e não simplesmente alegar que o mesmo era verbal. Como aceitar que um contrato de utilização de mão de obra, para fabricação de calçados é feito de forma verbal. Ademais, também não demonstrou o recorrente que entregava a matéria prima para execução dos serviços pela prestadora, deixando em aberto dito fato, resumindose a alegar que a nota era emitida de forma genérica. Pelas alegações da empresa, a mesma agia como mera compradora e vendedora, passando a terceiro toda a sua industrialização. Pois bem, neste caso, competiria a empresa demonstrar a entrada da matéria prima comprada, a saída da mesma para a empresa prestadora de mão de obra, com a apresentação de contrato, indicando de forma detalhado, o custo dos produtos fabricados, o retorno dos mesmos a empresa e sua efetiva venda. Não há como se admitir que a empresa não contabilizava e registrava de forma detalhada, seus custos, a entrada e saída da mercadoria. O custo do frete na saída, já que conforme descrito pelo auditor fiscal, na próprias nota constava que o custo do mesmo era do emitente. Entendo que em demonstrando tais fatos de forma detalhada, poderia a empresa comprovar que toda sua industrialização competiria a terceiros. Oras, o registro contábil dos fatos da empresa, é que servirá como meio hábil a comprovar o fiel cumprimento da legislação previdenciária. Não se trata aqui de mera obrigação acessória, posto que o desrespeito a contabilização de todos os fato geradores, ou mesmo a falta do registro da entrada e saída de matéria prima, de mercadorias prontas até sua venda final, é quelevou ao descrédito de todo o procedimento da empresa. Assim, por ser a atividade do auditor vinculada e havendo indícios de ausência de contabilização de mão de obra, compete a autoridade fiscal, lançar o que entende devido, é claro que dentro de parâmetros descritos pelas normas da previdência social. Assim, prescreve o artigo 33, §§ 1°c 6° da Lei n°8.212/1991: " Art. 33. (.) Fl. 220DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13827.003144/200810 Acórdão n.º 240102.075 S2C4T1 Fl. 216 9 § I° É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei n°11.941, de 2009). § 6° Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova, em contrário." (grifei). Simplesmente alegar, sem demonstrar a ausência de movimento com documentos relacionados a desconstituição da empresa, ou encontrarse paralisada não é suficiente para refutar o lançamento. Caso a empresa tivesse apresentados os documentos e registro, poderseia cabalmente identificar a pertinência dos mesmos com os fato geradores aqui elencados. Neste caso, a inversão do ônus é bem aplicável, passando para empresa comprovar a inexistência dos fatos geradores, o que não restou provado. Ademais, não compete ao auditor fiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, ou a auência de contabilização do movimento real da empresa, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. DA DECISÃO NOTIFICAÇÃO Com relação a alegação de que a autoridade julgadora, não apreciou devidamente o feito, ignorando provas, ressalto que a Decisão Notificação enfrentou as alegações, sendo desnecessário apreciar uma a uma, quando afastadas as alegações em conjunto. O fato de não ter a autoridade julgadora acatado as alegações do impugnante, de forma alguma, descreve a nulidade da decisão, quando se identifica a apreciação dos fatos e questões de direito suscitadas. DA PERÍCIA Fl. 221DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Por fim, quanto ao indeferimento da perícia, entendo que razão também não assiste ao recorrente. Assim, como já demonstrado pela autoridade julgadora, de acordo com o disposto no art. 9º, IV da Portaria MPAS n ° 520/2004, são requisitos da perícia, nestas palavras: Art. 9º A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito. § 1º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 2º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 3º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pelo Conselho de Recursos da Previdência Social. § 4º A matéria de fato, se impertinente, será apreciada pela autoridade competente por meio de Despacho ou nas contra razões, se houver recurso. § 5º A decisão deverá ser reformada quando a matéria de fato for pertinente. § 6º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. § 7º As provas documentais, quando em cópias, deverão ser autenticadas, por servidor da Previdência Social, mediante conferência com os originais ou em cartório. § 8º Em caso de discussão judicial que tenha relação com os fatos geradores incluídos em Notificação Fiscal de Lançamento de Débito ou Auto de Infração, o contribuinte deverá juntar Fl. 222DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13827.003144/200810 Acórdão n.º 240102.075 S2C4T1 Fl. 217 11 cópia da petição inicial, do agravo, da liminar, da tutela antecipada, da sentença e do acórdão proferidos. No presente caso, não houve o preenchimento dos requisitos exigidos para realização da perícia, assim considerase não formulado tal pedido. Desse modo, pode a autoridade julgadora indeferir o pleito da recorrente, sem ferir o princípio da ampla defesa. Nesse sentido, segue o teor do art. 11º da Portaria MPAS n ° 520/2004: Art. 11 A autoridade julgadora determinará de ofício ou a requerimento do interessado, a realização de diligência ou perícia, quando as entender necessárias, indeferindo, mediante despacho fundamentado ou na respectiva DecisãoNotificação, aquelas que considerar prescindíveis, protelatórias ou impraticáveis. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 9º. § 2º O interessado será cientificado da determinação para realização da perícia por meio de Despacho, que indicará o procedimento a ser observado. No mesmo sentido dispõe o Decreto n ° 70.235/1972 sobre o processo administrativo fiscal, sendo aplicado subsidiariamente no processo administrativo no âmbito do INSS, nestas palavras: Art. 17. A autoridade preparadora determinará, de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, a realização de diligência, inclusive perícias quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Parágrafo único. O sujeito passivo apresentará os pontos de discordância e as razões e provas que tiver e indicará, no caso de perícia, o nome e o endereço do seu perito. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligência ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93) (...) A Portaria MPAS n ° 520/2004 é a que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito do INSS, conforme autorização expressa no art. 304 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999 e alterações, nestas palavras: Art.304. Compete ao Ministro da Previdência e Assistência Social aprovar o Regimento Interno do Conselho de Recursos da Previdência Social, bem como estabelecer as normas de procedimento do contencioso administrativo, aplicandose, no Fl. 223DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 que couber, o disposto no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e suas alterações. Como se percebe, a Portaria n ° 520 surgiu em virtude da previsão expressa no Regulamento da Previdência Social, que transferiu a competência para o Ministério da Previdência Social regulamentar a matéria. Dessa forma, está perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico. E como demonstrado, o assunto acerca de perícias e diligencias está tratado da mesma maneira no Decreto n ° 70.235/1972. No presente caso, a perícia é despicienda; pois toda a matéria probatória suscitada pelo recorrente deveria constar dos autos. E com principio basilar do direito processual, cabe à parte provar fato modificativo, extintivo ou impeditivo do direito do Fisco. O lançamento foi realizado por aferição, considerando que a documentação apresentada pelo recorrente, e os registros contábeis não registravam em sua totalidade a movimentação da empresa, seguindo a autoridade fiscal o procedimento previsto na legislação. Superadas as preliminares, passo ao exame do mérito DO MÉRITO As questões alusivas ao mérito, trazidas pelo recorrente possuem pertinência direta com a preliminar de nulidade apreciada, visto tratarse de alegação de impropriedade na aferição executada. Conforme descrito anteriormente, considerando que a contabilidade da empresa não espelhava o movimento real da empresa, e que as explicações apresentadas pelo recorrente vieram desprovidas de provas, correto a utilização da aferição indireta. Aferição Indireta Art. 596. Aferição indireta é o procedimento de que dispõe a SRP para apuração indireta da base de cálculo das contribuições sociais. Art. 596. Aferição indireta é o procedimento de que dispõe a RFB para apuração indireta da base de cálculo das contribuições sociais. Art. 597. A aferição indireta será utilizada, se: I no exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento do sujeito passivo, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, da receita, ou do faturamento e do lucro; (...) IV as informações prestadas ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo não merecerem fé em face de outras informações, ou outros documentos de que disponha a fiscalização, como por exemplo: a) omissão de receita ou de faturamento verificada por intermédio de subsídio à fiscalização; b) dados coletados na Justiça do Trabalho, Delegacia Regional do Trabalho, Secretaria da Receita Federal ou junto a outros Fl. 224DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13827.003144/200810 Acórdão n.º 240102.075 S2C4T1 Fl. 218 13 órgãos, em confronto com a escrituração contábil, livro de registro de empregados ou outros elementos em poder do sujeito passivo; c) constatação da impossibilidade de execução do serviço contratado, tendo em vista o número de segurados constantes em GFIP ou folha de pagamento específicas, mediante confronto desses documentos com as respectivas notas fiscais, faturas, recibos ou contratos. § 1º Considerase deficiente o documento apresentado ou a informação prestada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele documento que contenha informação diversa da realidade ou, ainda, que omita informação verdadeira. § 2º Para o fim do inciso III do caput, considerase prova regular e formalizada a escrituração contábil em livro Diário e Razão, conforme previsto no § 13 do art. 225 do RPS e no inciso IV do art. 60 desta IN. Novamente, ao contrário do alegado pelo recorrente, entendo que os parâmetros trazidos pelo auditor para apuração foram perfeitamente razoáveis, posto que foi apurada base de cálculo em empresas com atividades semelhantes a da autuada. Se entende a empresa, que a mesma não pertence ao segmento, deveria identificar por documentos e não simplesmente alegar, qual a atividade exercida e como se dava a execução da mesma, quais as justificativas para não contabilização das notas, do movimento financeiros e do valores devidos ao contador (que mesmo que fossem pagos a posteriori deveriam ser contabilizados, posto que o fato gerador surge com o valor pago, devido ou creditado. Assim, esclareceu na forma devida, quais os valores seriam utilizados para aferir a base, entendo os mesmos em perfeita consonância com a legislação, nos termos do art. 601 da IN n. 03/2005. Aferição Indireta da Remuneração da MãodeObra com Base na Nota Fiscal, na Fatura ou no Recibo de Prestação de Serviços Art. 600. Para fins de aferição, a remuneração da mãodeobra utilizada na prestação de serviços por empresa corresponde ao mínimo de: I quarenta por cento do valor dos serviços constantes da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços; II cinqüenta por cento do valor dos serviços constantes da nota fiscal, da fatura ou do recibo, no caso de trabalho temporário. Parágrafo único. Nos serviços de limpeza, de transporte de cargas e de passageiros e nos de construção civil, que envolvam utilização de equipamentos, a remuneração da mãodeobra utilizada na execução dos serviços não poderá ser inferior aos respectivos percentuais previstos nos arts. 602, 603 e 605. Art. 601. Caso haja previsão contratual de fornecimento de material ou de utilização de equipamento próprio ou de Fl. 225DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 terceiros, exceto os equipamentos manuais, para a execução dos serviços, se os valores de material ou equipamento estiverem estabelecidos no contrato, ainda que não discriminados na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, o valor da remuneração da mãodeobra utilizada na prestação de serviços será apurado na forma do art. 600. § 1º Caso haja previsão contratual de fornecimento de material ou de utilização de equipamento próprio ou de terceiros, exceto os equipamentos manuais, e os valores de material ou de utilização de equipamento não estiverem estabelecidos no contrato, nem discriminados na nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços, o valor do serviço corresponde, no mínimo, a cinqüenta por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo, aplicandose para fins de aferição da remuneração da mãodeobra utilizada o disposto no art. 600. § 2º Caso haja discriminação de valores de material ou de utilização de equipamento na nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços, mas não existindo previsão contratual de seu fornecimento, o valor dos serviços será o valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo, aplicandose, para fins de aferição da remuneração da mãodeobra, o disposto no art. 600. § 3º Se a utilização de equipamento for inerente à execução dos serviços contratados, ainda que não esteja previsto em contrato, o valor do serviço corresponderá a cinqüenta por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços, aplicandose, para fins de aferição da remuneração da mãode obra utilizada na prestação de serviços, o disposto no art. 600 e observado, no caso da construção civil, o previsto no art. 605. Assim, Notese que mesmo depois de ter suas alegações de impugnação sido afastadas, não fez o recorrente, qualquer prova do alegado, trazendo qualquer novo documento para demonstrar as ditas inconsistências. Assim, entendo que a fiscalização seguiu o trâmite correto, sendo que as alegações da recorrente em sua totalidade foram incapazes de desconstituir o lançamento. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para rejeitar as preliminares de nulidade e no mérito NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 226DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13827.003144/200810 Acórdão n.º 240102.075 S2C4T1 Fl. 219 15 Fl. 227DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10640.004624/2008-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
SÚMULA CARF Nº 2
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
DEDUÇÕES. DEPENDENTE COM DECLARAÇÃO EM SEPARADO. DESPESAS MÉDICAS. IMPOSSIBILIDADE.
São dedutíveis, na apuração do imposto devido na declaração de ajuste anual, as despesas médicas efetuadas com o próprio declarante e com seus dependentes. O filho dependente que consta em declaração de um cônjuge não pode ser considerado dependente do outro.
IRPF. DESPESAS MÉDICAS ODONTOLÓGICAS.
FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Em conformidade com a legislação regente, todas as deduções estarão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, sendo devida a glosa quando há elementos concretos e suficientes para afastar a presunção de veracidade dos recibos, sem que o contribuinte prove a realização das despesas deduzidas da base do cálculo do imposto.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-001.676
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR
provimento ao recurso.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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DEDUÇÕES. DEPENDENTE COM DECLARAÇÃO EM SEPARADO. DESPESAS MÉDICAS. IMPOSSIBILIDADE. São dedutíveis, na apuração do imposto devido na declaração de ajuste anual, as despesas médicas efetuadas com o próprio declarante e com seus dependentes. O filho dependente que consta em declaração de um cônjuge não pode ser considerado dependente do outro. IRPF. DESPESAS MÉDICASODONTOLÓGICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Em conformidade com a legislação regente, todas as deduções estarão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, sendo devida a glosa quando há elementos concretos e suficientes para afastar a presunção de veracidade dos recibos, sem que o contribuinte prove a realização das despesas deduzidas da base do cálculo do imposto. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 21/02/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10640.004624/200880 Acórdão n.º 210201.676 S2C1T2 Fl. 99 2 Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 21/02/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Atilio Pitarelli, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto o relatório do acórdão de fls. 79 a 83 da instância a quo, in verbis: Para o(a) contribuinte retro qualificado(a) foi emitida a Notificação de Lançamento — IRPF de fl(s). 13/16, que lhe exige o recolhimento do crédito tributário no montante de R$18.106,59, consoante ali discriminado. 0 lançamento decorreu do procedimento de revisão da DIRPF/2004, a fl(s). 17/19, apresentada à RF pelo(a) contribuinte. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fl. (s). 14/15 nesse procedimento a autoridade fiscal verificou terem ocorrido deduções indevidas de: 1) dependentes, no valor de R$3.816,00: os dependentes/filhos foram incluídos na declaração do cônjuge, CPF n° 281.833.39620; 2) despesas com instrução, no valor de R$3.996,00, pois tal valor já fora utilizado como dedução na declaração do cônjuge; e 3) despesas médicas, no valor de R$20.020,00, por falta de comprovação da efetividade dos pagamentos correspondentes. Cientificado(a) do lançamento, o(a) interessado(a), por meio de seu(sua) procurador(a) nomeado(a) conforme instrumento de fl. 11, apresentou a peça impugnatória de fl(s). 1/10. Nessa oportunidade, contestando o feito fiscal alega, em apertada síntese, que: 1) quanto a seus dependentes, em resposta à intimação recebida, apresentou documentos que comprovam a relação de dependência de seus filhos legítimos, todos em idade escolar; 2) quanto às despesas médicas, os pagamentos foram efetuados em moeda corrente e a efetividade dos tratamentos foi comprovada via recibos, declarações e por extratos bancários juntados à resposta à intimação; cabe considerar ainda que os profissionais declararam os rendimentos recebidos, portanto, foram devidamente tributados; os valores glosados referemse a tratamentos dos dependentes e da própria impugnante; 3) os recibos são provas de boafé, até que a fiscalização prove o contrário; ao invés disso, o lançamento efetuado se baseou em suposições; as presunções legais permitidas estão descritas na lei, o que não é o caso; se houve dúvidas deveria Fl. 111DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 21/02/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10640.004624/200880 Acórdão n.º 210201.676 S2C1T2 Fl. 100 3 ter analisado as outras partes, como assim não procedeu, deverá o processo ser baixado em diligência aos profissionais que emitiram os recibos; 4) após a apresentação dos recibos, deve a fiscalização aceitálos ou demonstrar suas inidoneidades; não pode se basear, comodamente, em "achismos" do tipo, caligrafia que não confere, descrição genérica, quantidade de tratamento, pagamentos em sábados e domingos, profissionais de outras cidades, etc; 5) por fim, afirma que foram violados os princípios constitucionais da legalidade e da segurança jurídica; transcreve ementas de decisórios de DRJ, inclusive desta, e do Conselho de Contribuintes. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, afastou as preliminares argüidas e julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que os argumentos da recorrente não foram acompanhadas de provas suficientes e fundamentos legais, para desconstituir os fatos postos nos autos que embasaram o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Falece competência à autoridade administrativa para se manifestar quanto inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. DEDUÇÕES. DEPENDENTES. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. Caracterizada a concomitância na dedução de dependentes, relativa a filhos comuns, entre a contribuinte e seu cônjuge, é de se manter o feito fiscal referente ao pleito dessa dedução na DIRPF da contribuinte, bem como àquele realizado para as demais deduções a eles vinculadas. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Firmase plena convicção de que resta indevida a dedução de despesas médicas pleiteada pelo sujeito passivo, quando esse não demonstra os efetivos pagamentos. DILIGÊNCIAS OU PERÍCIAS. A autoridade julgadora de primeira instância somente determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e as judiciais não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão àquela objeto da decisão, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 84 a 96, requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, repisando os mesmos argumentos trazidos na sua impugnação dirigida à DRJ, cujo conteúdo se resume nos seguintes excertos: I. Os pagamentos foram realizados em moeda corrente, e a efetividade dos tratamentos foi comprovada através de declarações dos próprios profissionais, o que não pode suscitar dúvidas ao Fisco. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 21/02/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10640.004624/200880 Acórdão n.º 210201.676 S2C1T2 Fl. 101 4 II. Os recibos emitidos por profissionais de saúde, nos quais conste o nome do beneficiário do tratamento, nome do profissional, CPF deste e o número do seu registro no respectivo órgão profissional, devem ser considerados idôneos até prova em contrário. III. Uma vez que o AuditorFiscal desconfie da veracidade das informações veiculadas nesses documentos, cabe a ele a prova da falsidade. IV. Não é licito exigir do contribuinte comprovações outras que não as exigidas em lei. V. Assim, não existente prova da inidoneidade dos recibos, concluise pelo cancelamento da glosa das despesas médicas. VI. No entanto, da forma como foram glosadas as deduções tributárias, foi parcialmente violado o Principio basilar do Estado Democrático de Direito, em especial o PRINCÍPIO DA LEGALIDADE e DA SEGURANÇA JURÍDICA. VII. Nada, neste caso, retira a razão do Recorrente por uma única razão: a Lei não obriga o contribuinte a investigar a regularidade tributária e fiscal daquele que lhe fornece, licitamente, recibo de quitação de serviços profissionais, efetivamente realizados, nem conhecer da situação cadastral do emissor, muito menos sobre o cumprimento de obrigações de natureza acessória ou principal. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. INCONSTITUCIONALIDADE. PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE E DA SEGURANÇA JURÍDICA. Acerca da violação pelo processo administrativo fiscal dos Princípios Constitucionais indicados, informo que tais matérias trazidas com o presente Recurso não mais suscita dissídio jurisprudencial, tratadas em súmula deste Conselho: SÚMULA CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dessa forma, não há como prosperar nesse julgamento as referidas alegações. AUTUAÇÃO E OBJETO DO RECURSO Fl. 113DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 21/02/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10640.004624/200880 Acórdão n.º 210201.676 S2C1T2 Fl. 102 5 A autuação de fls. 13 a 16 trata de glosas de abatimentos indevidos da base de cálculo do imposto de renda pelas seguintes razões: a) Abatimento de dependentes, filhos, e respectivas despesas cuja dependência destes filhos já constava na declaração do cônjuge do IRPF no mesmo exercício e b) Glosa de despesas médicasodontológicas por falta de comprovação da efetividade na prestação dos serviços. No Recurso a contribuinte se limita a insistir que os documentos apresentados das despesas médicasodontológicas são suficientes para que sejam consideradas os devidos abatimentos da base de cálculo do IRPF. O Recurso não contempla de forma alguma a questão da glosa dos dependentes já incluídos na declaração do cônjuge. Assim, considero que a glosa dos dependentes está definitivamente exigível no âmbito do processo administrativo fiscal. GLOSA DAS DESPESAS MÉDICASODONTOLÓGICAS DOS DEPENDENTES De acordo com os esclarecimentos da própria contribuinte, fls. 02/03, as despesas referentes aos profissionais Tatiana Ciuffo Yasbeck e Cynthia Cavalieri Miguel foram realizados nos dependentes. Às fls. 66 a 68, as declarações de Maria Cecília de Barros Cazarim indicam que os serviços na totalidade da glosa, R$ 8.000,00 também foram prestados aos dependentes. Em relação as glosas das despesas médicasodontológicas dos dependentes, o artigo 80, inciso II do Regulamento do Imposto de Renda determina que as despesas dedutíveis restringemse aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Assim, estando definitiva a exigibilidade da glosa dos dependentes, conforme indicado acima, qualquer questão de prova acerca da efetividade na prestação dos serviços é desnecessária e devem ser mantidas estas glosas das despesas de instrução e médicasodontológicas dos dependentes glosados por falta de previsão legal. GLOSA DAS DESPESAS MÉDICASODONTOLÓGICAS DO SUJEITO PASSIVO Dessa forma, resta para análise somente a glosa de R$ 5.000,00 das despesas referentes ao tratamento Odontológico prestados por Welerson Márcio de Oliveira. Para o exame da questão transcrevemse a seguir os dispositivos que regulam a matéria: Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995 Art.8º – A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: Fl. 114DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 21/02/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10640.004624/200880 Acórdão n.º 210201.676 S2C1T2 Fl. 103 6 a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Conforme se depreende dos dispositivos acima, cabe ao contribuinte que pleiteou a dedução provar a efetividade da despesa passível de dedução, no período assinalado nos comprovantes. Em princípio, admitese como prova idônea de pagamentos, os recibos fornecidos por profissional competente, legalmente habilitado. Entretanto, existindo dúvida quanto à idoneidade do documento por parte do Fisco, pode este solicitar provas não só da efetividade do pagamento, mas também da efetividade dos serviços prestados pelos profissionais. Nesse caso há razões incontestes para isso como bem assentou a autoridade julgadora anterior: Sobre a ter oferecido extratos bancários, isso não se confirmou nos autos, ainda que o fosse, pelo documento de fl. 65, podese notar que faria referência ao ano calendário de 2006 e não ao de 2003, cujas informações são prestadas na DIRPF/2004, objeto do lançamento em lide. Ressaltese, ainda, a titulo argumentativo, que a situação constante da DIRPF/2004 revisada não se revela factível com a situação que, de forma mediana, poderia se esperar, pois o(a) declarante pleiteou, para fins de dedução, despesas médicas no montante de R$25.926,07, ou seja, 75% (setenta e cinco por cento) de suas disponibilidades no ano calendário de 2003, R$34.621,50 (renda liquida declarada, sem considerar as despesas médicas, isto é, R$97.338,75, total rendimentos tributáveis — R$15.132,28, outras deduções —R$6.692,58, IRRF R$43.000,00, variação patrimonial + R$2.107,61, outros rendimentos), ou 50% (cinquenta por cento) das disponibilidades do casal, R$52.034,62 (R$34.621,50 + R$17.413,12, rendimento liquido do cônjuge). Isso é de causar espécie, mesmo porque, nessa comparação não foram levados em conta gastos com moradia, alimentação, vestuário, lazer, etc. Para comprovar a efetividade das despesas o contribuinte juntou os recibos de fls. 32 a 34 e a declaração de fl. 69. Ora, somente a apresentação destas declarações e recibos não solidificam uma contraposição minimamente suficiente para rebater as provas e razões que embasaram o lançamento, não reforçando em matéria de prova a substância que se procura. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 21/02/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10640.004624/200880 Acórdão n.º 210201.676 S2C1T2 Fl. 104 7 A opção não usual pelo pagamento em espécie, de todas as despesas glosadas, embora lícita e permitida, implica na ampliação da dificuldade da contribuinte provar o pagamento, com os riscos inerentes ao exercício da vontade individual. A tentativa de prova do pagamento alegando que os pagamentos foram feitos com valores recebidos pela atividade rural é genérica demais para que se possa criar um liame entre despesas e desembolsos, assim, não socorre o contribuinte. Nesse sentido, devese observar que, no âmbito do direito tributário, vige o princípio da estrita legalidade. Para que determinada situação exerça influência na apuração do tributo, é necessário que esteja expressamente definida essa circunstância na legislação e não sendo não há como considerar este argumento na apreciação do litígio. A responsabilidade dessa prova requerida é integralmente do contribuinte que se beneficiou da dedução e não pode socorrer o sujeito passivo o argumento expendido de transferir a sua responsabilidade de prova a terceiro. A comprovação citada no Decreto acima deve ser feita com a apresentação de documentos auxiliares para formar um conjunto probante convincente, como a apresentação de cópias de cheque e/ou extratos bancários ou, ainda, exames, fichas de atendimento e laudos médicos atestando e justificando o serviço prestado, o que até este ponto do processo não foi feito. Cumpre, ainda, ressaltar que o imposto de renda tem relação direta com os fatos econômicos. Quando a um ato jurídico se segue a tributação, não quer dizer que se tribute aquele, mas sim o fenômeno econômico que está por detrás dele. Não pode o contribuinte alegar simples forma jurídica se o fato econômico não ficar provado. É oportuno citar o art. 333 do Código de Processo Civil: Art. 333 O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Concluise, portanto, que o ônus da prova recai sobre aquele que aproveita o reconhecimento do fato. Desta forma, temse que no caso de deduções da base de cálculo do imposto de renda, que é o caso das despesas médicas, o ônus da prova da efetividade de tais despesas é do contribuinte, que se beneficia da dedução. Não pode, portanto, prevalecer a tese do contribuinte de que o Fisco deveria comprovar, p.ex., o nãopagamento dos valores consignados nos recibos e a nãoefetivação dos serviços, ou ainda, verificar se os prestadores declararam os valores recebidos. Além disso, menciono a seguir julgado do Conselho de Contribuintes relativas à matéria, para reforçar o entendimento aqui manifestado: IRPF – DESPESAS MÉDICAS – DEDUÇÃO – Inadmissível a dedução de despesas médicas, da declaração de ajuste anual, cujos comprovantes não correspondam a uma efetiva prestação de serviços profissionais, nem comprovado os desembolsos. Tais comprovantes são inaptos a darem suporte à dedução pleiteada. Legítima, portanto, a glosa dos valores correspondentes, por se Fl. 116DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 21/02/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10640.004624/200880 Acórdão n.º 210201.676 S2C1T2 Fl. 105 8 respaldar em recibo imprestável para o fim a que se propõe (Ac. 1o CC 104 – 16647/1998) Pelo exposto, não merecendo reparos da decisão recorrida, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 21/02/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
score : 1.0
Numero do processo: 10680.006743/2001-24
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OPÇÃO PELO SIMPLES — EXCLUSÃO. Empresa cuja atividade principal
é a venda e instalação de equipamentos de ar condicionado, ventilação, refrigeração, exaustão, aquecimento solar, eletricidade e geração de vapor, além da reforma e locação de aparelhos afins, não se caracteriza como locação de mão-de-obra, e nem como atividade de construção de imóveis. Tal atividade não se encontra entre as vedações do art. 9º da Lei n° 9.317/96.
Numero da decisão: 9101-001.028
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª TURMA DA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS
FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: Karem Jureidini Dias
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Empresa cuja atividade principal é a venda e instalação de equipamentos de ar condicionado, ventilação, refrigeração, exaustão, aquecimento solar, eletricidade e geração de vapor, além da reforma e locação de aparelhos afins, não se caracteriza como locação de mãodeobra, e nem como atividade de construção de imóveis. Tal atividade não se encontra entre as vedações do art. 9º da Lei n° 9.317/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 11ªª TTUURRMMAA DDAA CCÂÂMMAARRAA SSUUPPEERRIIOORR DDEE RREECCUURRSSOOSS FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente. (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Claudemir Rodrigues Malaquias, Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner, Susy Gomes Hoffmann, Alberto Pinto Souza Júnior, Karem Jureidini Dias, João Carlos de Lima Júnior, Antonio Carlos Guidoni Filho e Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Relatório Fl. 85DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10680.006743/200124 Acórdão n.º 910101.028 CSRF‐T1 Fl. 2 2 Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional (fls. 52/57), contra o Acórdão nº. 30236.310 (fls. 46/50), proferido pela então Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes. O processo se refere ao Ato Declaratório Executivo nº. 63, de 26 de abril de 2001 (fls. 10), por meio do qual o contribuinte DAMPHER COMÉRCIO E SERMOS LTDA., ora Recorrido, foi excluído do programa SIMPLES de recolhimento de tributos federais, nos termos do artigo 9º, inciso XII, alínea “f” e do artigo 9º, inciso V; ambos da Lei n°. 9.317, de 05.12.1996, bem como do artigo 4°, da Lei n°. 9.528 de 10.12.1997. Em síntese, o contribuinte foi excluído do SIMPLES, por meio do referido Ato Declaratório, sob o argumento de exercer as atividades de locação de mãodeobra, bem como se dedicar à compra e venda, ao loteamento, à incorporação ou à construção de imóveis. O contribuinte foi cientificado da sua exclusão do SIMPLES no dia 07.06.2001 (fls. 11). Apresentou Impugnação em 04.07.2001 (fls. 01), argumentando que apesar de constarem as atividades no objeto social da empresa, o contribuinte não exerce as atividades impeditivas descritas nas hipóteses dos artigos acima citados. Foi proferido acórdão pela Delegacia Regional de Julgamento em Belo Horizonte – MG sob o nº. 01.406, no dia 27.06.2002, com a seguinte ementa, in verbis: “Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples Anocalendário: 2001 Ementa: EXCLUSÃO MOTIVADA PELA ATIVIDADE ECONÔMICA EXERCIDA A atividade econômica de prestação de serviços de instalações hidráulicas e telefônicas e instrumentação industrial caracteriza construção de imóveis. Restando evidenciada a subsunção do fato à hipótese legal descrita no ato administrativo de exclusão do SIMPLES, é inadmissível a manutenção no mencionado sistema. Solicitação Indeferida” A ciência do Acórdão nº. 01.406 se deu em 25.09.2002 (fls. 28). O contribuinte apresentou Recurso em 25.10.2002 (fls. 33/36), ao Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. Em síntese, reafirmou que não exerce nenhuma atividade vedada pela Lei nº. 9.317 de 05.12.1996, e, inclusive, para corroborar seu argumento, juntou a 3ª alteração de seu Contrato Social, na qual foi retirada a parte que estaria alcançada pela vedação. Sobreveio o Acórdão nº. 302.310 da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, com a seguinte ementa, in verbis: “OPÇÃO PELO SIMPLES — EXCLUSÃO. Empresa cuja atividade principal é a venda e instalação de equipamentos de ar condicionado, ventilação, refrigeração, Fl. 86DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10680.006743/200124 Acórdão n.º 910101.028 CSRF‐T1 Fl. 3 3 exaustão, aquecimento solar, eletricidade e geração de vapor, além da reforma e locação de aparelhos afins, não se caracteriza como locação de mãodeobra, e nem como atividade de construção de imóveis. Tal atividade não se encontra entre as vedações do art. 9º da Lei n° 9.317/96. RECURSO PROVIDO POR MAIORIA.” Contra esse acórdão, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, no qual alega que a decisão da DRJ de Belo Horizonte é contraditória com o Acórdão recorrido sob o aspecto fático das atividades descritas no objeto social do contribuinte. Além disso, alega que a posterior juntada de alteração do contrato social não tem efeito retroativo, não podendo, assim, incluir o contribuinte no SIMPLES. O Despacho de admissibilidade de fls. 62 deu seguimento ao Recurso Especial e o contribuinte apresentou suas contrarrazões às fls. 67. É relatório. Voto Fl. 87DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10680.006743/200124 Acórdão n.º 910101.028 CSRF‐T1 Fl. 4 4 Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora O Recurso Especial reúne todos os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação de regência e lhe foi dado seguimento em despacho de admissibilidade, pelo que dele conheço. No tocante ao mérito, a questão cingese em saber se a atividade do contribuinte é considerada atividade vedada para a opção do SIMPLES. Nesse sentido, de um lado, argumenta o contribuinte que a atividade exercida, qual seja: prestação de serviços de engenharia de ar condicionado, ventilação, exaustão, refrigeração, aquecimento solar, eletricidade, geração de vapor, reforma e locação de aparelhos afins; manutenção eletromecânica industrial e predial, instalações hidráulicas e telefônicas, instrumentação industrial, bem como o comércio varejista de peças, componentes e equipamentos, não exige profissional de engenharia (sic), nem mesmo é praticada por meio de locação de mão de obra. Desse modo, entende o contribuinte que sua atividade não se enquadra nas atividades descritas no artigo 9º, inciso V, da Lei nº. 9.317/96, relativa à compra e à venda, ao loteamento, à incorporação ou à construção de imóveis; bem como não pratica atividades descritas no artigo 9º, inciso XII, alínea ‘f’, da mesma lei, como a locação de mão de obra. Nesse sentido, reproduzo a norma acima citada: Artigo 9°. Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: V que se dedique à compra e à venda, ao loteamento, à incorporação ou à construção de imóveis; XII que realize operações relativas a: f) prestação de serviço vigilância, limpeza, conservação e locação de mãodeobra; Por outro lado, a Fazenda Nacional argumenta que a atividade do contribuinte, no que tange ao inciso V do artigo 9º da Lei 9.317/96, é vedada para adesão ao SIMPLES. Além disso, argumenta que o contribuinte exerce locação de mão de obra, o que também é vedado para adesão ao SIMPLES, nos termos do trecho a seguir: “Nesse passo, a única constatação possível é que a contribuinte desempenha locação de mão de obra e atividade de construção de imóveis, assim considerada não só as atividades de execução de obra de construção civil, própria ou de terceiros, como a construção, demolição, reforma e ampliação de edificação ou outras benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo”. Ora, não há prova da atividade efetivamente prestada, seja por meio da juntada de Notas Fiscais ou recibos, seja por meio da juntada de contratos ou qualquer outro documento. O fisco não prova o que alega, tampouco prova o contribuinte. Se assim é, o ato administrativo só tem validade se o contrato vigente à época, que possui presunção de validade, tivesse descrição do objeto social, que efetivamente se subsumisse às hipóteses pretendidas pela acusação fiscal para exclusão do SIMPLES. Do contrário, ainda que o contribuinte não tenha anexado a comprovação do objeto que exerce no contrato social, fato é que não prova fiscal. Fl. 88DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10680.006743/200124 Acórdão n.º 910101.028 CSRF‐T1 Fl. 5 5 Primeiramente, a jurisprudência administrativa, inclusive da Câmara Superior de Recursos Fiscais, na sua antiga competência, entende que, para fins de exclusão do SIMPLES, cabe à fiscalização o ônus de configurar que o contribuinte exerce de fato a atividade vedada. “Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES Tratandose de empresa que exerça mais de uma atividade, cabe ao fisco a comprovação de que uma delas se enquadra nas vedações previstas no inciso XIII do art. 9° da Lei n. 9.317/96. Não havendo comprovação de que o contribuinte exercia atividade de engenheiro ou assemelhado, deve ser mantida a decisão proferida pela Terceira Câmara, cancelandose o Ato Declaratório de Exclusão. Recurso Especial do Procurador Negado.” (Acórdão CSRF/40306.183, sessão de 30/10/2008) Em nenhum momento a fiscalização comprovou que o contribuinte exerce atividade de locação de mão de obra. A descrição do objeto social também não induz a tal conclusão. Ao contrário, indica tratarse de venda e manutenção de equipamentos relacionados a ar condicionado, exaustão, dentre outros. Tal atividade não pressupõe locação de mão de obra, tampouco se assemelha a locação, loteamento ou construção de imóveis. Além disso, a jurisprudência deste Conselho tem caminhado no sentido de que é imprescindível a prova de que o contribuinte exerce a atividade vedada, o que de fato não ocorreu nos presentes autos, uma vez que a fiscalização, por mera interpretação do objeto social, entendeu que o contribuinte exerce locação de mão de obra. Nesse sentido, decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais, também na antiga competência: “SIMPLES LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA É imprescindível a verificação contábil e física da composição dos custos da empresa para fins de comprovação e, posteriormente, classificação da empresa como mera locadora de mãodeobra. Evidente cerceamento de defesa. Decisão favorável ao contribuinte. Recurso especial negado.” (Acórdão CSRF/0304.782, sessão de 21/02/2006) Adotando o entendimento acima referido, bem como analisando os autos, entendo que não restou comprovado pela fiscalização que a atividade de fato exercida pelo contribuinte é vedada. Aliás, embora o contribuinte tenha juntado novo contrato social (fls. 78) adaptando seu objeto social, o que não tem o condão de retroagir quanto à situação para a opção do SIMPLES, verifico que mesmo antes da 3ª alteração contratual, a par de constar atividade em excesso no contrato social, não existe prova do desenvolvimento das atividades que implicam em vedação à opção do SIMPLES. A fiscalização, sem qualquer lastro probatório, dá interpretação ao objeto social do contribuinte de modo a equiparar suas atividades às atividades vedadas pela Fl. 89DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10680.006743/200124 Acórdão n.º 910101.028 CSRF‐T1 Fl. 6 6 legislação do SIMPLES. Nesse sentido, peço vênia para transcrever as conclusões do voto condutor do Acórdão ora recorrido, e que corrobora meu entendimento: No caso em tela, tem razão o contribuinte e Recorrente quando alega que suas atividades em nada se assemelham às acima descritas. Conforme consta de seu Contrato Social, as suas atividades são vender o equipamento de ar condicionado, ventilação, refrigeração, exaustão, aquecimento solar, eletricidade e geração de vapor, além da reforma e locação de aparelhos afins, as quais não se caracterizam como atividades de construção de imóveis, conforme apontado pelo Ato Declaratório de Exclusão, pois que a empresa não exerce nenhuma atividade ligada a compra e venda, loteamento, incorporação ou construção de imóveis, demolição, reforma, etc., e nem atividades agregadas ao solo ou subsolo. Do mesmo modo, também não se configura a atividade de locação de mãodeobra, também apontada pelo Ato Declaratório de Exclusão, pois que a ida até determinado local para instalar equipamentos de ar condicionado, ventilação, refrigeração, exaustão, aquecimento solar, eletricidade e geração de vapor, além da reforma e locação de aparelhos afins, não se caracteriza como locação de mãodeobra. Justifica, ainda, que o fato de realizar serviços externos não significa a locação de mãodeobra, vez que a própria empresa é a responsável pela supervisão direta de todas as operações realizadas. Ainda, verificase das fls. 19/20, que o código de atividade do contribuinte (REPARAÇÃO E MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E DE APARELHOS CNAEFiscal: 52710/01 ELETRODOMÉSTICOS, EXCLUSIVE APARELHOS) comprova que a atividade não se caracteriza no artigo 9º, inciso V, da Lei nº. 9.317/96. Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias – Relatora. Fl. 90DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10680.006743/200124 Acórdão n.º 910101.028 CSRF‐T1 Fl. 7 7 Fl. 91DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS
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Numero do processo: 15504.001018/2007-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Aug 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/07/1998 a 31/10/2005
OMISSÃO DE FATOS GERADORES NA DECLARAÇÃO DE GFIP. INFRAÇÃO
Apresentar a GFIP sem a totalidade dos fatos geradores de contribuição previdenciária caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/07/1998 a 31/10/2005
DECISÃO PLENÁRIA DO STF. VINCULAÇÃO DO CARF.
O CARF somente encontra-se vinculado às decisões plenárias tomadas no Supremo Tribunal Federal, após o trânsito em julgado das mesmas.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA.
À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da
constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/07/1998 a 31/10/2005
PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO.
PRAZO DECADENCIAL.
O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.018
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a aplicação da regra decadencial do art. 150, § 4º do CTN; e II) por maioria de votos, no mérito, negar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Igor Araújo Soares, que dava parcial
provimento para aplicar no cálculo da multa a regra do art. 32A
da Lei nº 8.212/91.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/07/1998 a 31/10/2005 OMISSÃO DE FATOS GERADORES NA DECLARAÇÃO DE GFIP. INFRAÇÃO Apresentar a GFIP sem a totalidade dos fatos geradores de contribuição previdenciária caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/1998 a 31/10/2005 DECISÃO PLENÁRIA DO STF. VINCULAÇÃO DO CARF. O CARF somente encontra-se vinculado às decisões plenárias tomadas no Supremo Tribunal Federal, após o trânsito em julgado das mesmas. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA. À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/1998 a 31/10/2005 PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Recurso Voluntário Negado.
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INFRAÇÃO Apresentar a GFIP sem a totalidade dos fatos geradores de contribuição previdenciária caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/1998 a 31/10/2005 DECISÃO PLENÁRIA DO STF. VINCULAÇÃO DO CARF. O CARF somente encontrase vinculado às decisões plenárias tomadas no Supremo Tribunal Federal, após o trânsito em julgado das mesmas. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA. À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/1998 a 31/10/2005 PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Recurso Voluntário Negado Fl. 168DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/09 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a aplicação da regra decadencial do art. 150, § 4º do CTN; e II) por maioria de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.Vencido o conselheiro Igor Araújo Soares, que dava parcial provimento para aplicar no cálculo da multa a regra do art. 32A da Lei nº 8.212/91. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 169DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/09 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.001018/200718 Acórdão n.º 240102.018 S2C4T1 Fl. 169 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia de Julgamento em Belo Horizonte, fls. 484/496, que declarou procedente em parte o lançamento consubstanciado no Auto de Infração AI n.º 37.030.3725. A lavratura em questão diz respeito à aplicação de penalidade pelo descumprimento da obrigação acessória de declarar a totalidade dos fatos geradores de contribuições previdenciárias na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, fl. 04 , os fatos geradores que deram ensejo ao lançamento foram: a) fornecimento de valetransporte a empregados em desacordo com legislação própria; b) fornecimento de alimentação sem a devida inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT; c) remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais que resultaram em recolhimento a menor para a Seguridade Social; d) valores dispendidos pela empresa para pagamento de parcelas de imóveis de propriedade do sócio Isaac Chalub Aguiar, contidos em documentos de caixa verificados e contratos de Promessa de Compra e Venda, considerados como retirada prólabore, não incluídos em folhas de pagamentos e nem declarados nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP. No recurso, fls. 153/158, a empresa alegou, em apertada síntese, que: a) ocorreu a decadência da multa aplicada até a competência 10/2002; b) o comodismo estatal leva a edição de um amontoado de normas que o contribuinte se vê obrigado a cumprir, muitas das vezes criandose obrigações acessórias que se tornam mais onerosas de que o próprio pagamento do tributo, além que são impostas multas que, não raro, inviabilizam as empresas; c) a obrigação acessória prevista no art. 32 da Lei n.º 8.212/1991 é inconstitucional, posto que de acordo com a Norma Máxima deveria ter sido veiculada por lei complementar; d) inexistindo a infração, não há o que se falar na imposição de penalidade; e) a multa aplicada está incorreta, posto que, de acordo com a norma vigente, art. 32A, § 2.º, inciso II, da Lei n.º 8.212/1991, a mesma deveria corresponder ao patamar de 15% do montante das contribuições informadas. Fl. 170DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/09 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Ao final, requer o cancelamento da lavratura. É o relatório. Fl. 171DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/09 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.001018/200718 Acórdão n.º 240102.018 S2C4T1 Fl. 170 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Decadência A decadência do direito do fisco de lançar a multa deve ser reconhecida, embora que, parcialmente. É cediço que após a edição da Súmula Vinculante n.º 08, de 12/06/2008 (DJ 20/06/2008), o prazo de que dispõe o fisco para a constituição do crédito tributário relativo às contribuições previdenciárias passou a ser regido, com efeito retroativo, pelas disposições do Código Tributário Nacional – CTN, posto que o art. 45 da Lei n.º 8.219/1991 foi declarado inconstitucional. Esse posicionamento da Corte Maior traz impacto não só em relação às exigência fiscais decorrentes do inadimplemento da obrigação principal, mas interfere também nos lançamentos das multas por desobediência a deveres instrumentais vinculados à fiscalização das contribuições. Diante disso, fixouse a interpretação de que, uma vez ocorrida a infração, teria o fisco o prazo de cinco anos para efetuar o lançamento da multa correspondente. Assim, havendo o descumprimento da obrigação legal, o prazo de que o fisco disporia para constituir o crédito relativo à penalidade seria o prazo geral de decadência, fixado no art. 173, I, do CTN, in verbis: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...) Não há nessa situação o que se cogitar de aplicação do art. 150, § 4.º, uma vez que esse é dirigido apenas ao lançamento por homologação e o lançamento de multa por descumprimento de obrigação acessória é um típico caso de lançamento de ofício. Tendose em conta que a empresa tomou ciência da autuação em 22/11/2007, pelo critério acima, o período da autuação, 01/1999 a 10/2005, já estava parcialmente alcançado pela decadência. Nesse sentido, já não poderia mais ser lançada a multa relativa às infrações ocorridas no período de 01/1999 a 11/2001, o qual já foi excluído do AI no julgamento de primeira instância. Fl. 172DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/09 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Portanto, descabe a alegação de que a decadência houvera se operado até a competência 10/2002. Da infração Verificase que no recurso o sujeito passivo não refuta as afirmações do Fisco quanto à falta de declaração em GFIP dos fatos geradores listados, apenas faz uma negativa geral da inocorrência da infração. Por outro lado, o recurso contra a NFLD n.º 37.030.3679, conexa ao presente AI, teve o provimento negado por essa Turma de Julgamento minutos atrás, o que nos conduz à conclusão de que os fatos geradores, a exceção daqueles excluídos no julgamento da DRJ, eram de declaração obrigatória na GFIP, nos termos do art. 32, IV e § 5.º da Lei n.º 8.212/1991. Nessa toada, a omissão, na guia informativa, das remunerações apontadas pelo Fisco, que foram confirmadas pela DRJ, corresponde a descumprimento de dever instrumental, devendo tal conduta ser punida com a aplicação de penalidade administrativa. Da inconstitucionalidade da norma que instituiu a obrigação acessória Cabeme inicialmente afastar qualquer alegação atinente à possível injustiça do sistema tributário brasileiro, uma vez que a competência desse Tribunal Administrativo resumese a aferir a legalidade do procedimento de exigência do tributo e da aplicação de penalidade por descumprimento de obrigações acessórias. O fórum próprio para se tratar de questões relativas à adequação da política tributária é o Poder Legislativo, portanto, não pode esse órgão de julgamento pronunciarse sobre as mesmas. Para enfrentar a questão da inconstitucionalidade da norma que instituiu a obrigação acessória de declarar os fatos geradores de contribuição em GFIP é necessário uma análise da constitucionalidade de dispositivos legais aplicados pelo Fisco, daí, é curial que, a priori, façamos uma abordagem acerca da possibilidade de afastamento por órgão de julgamento administrativo de ato normativo por inconstitucionalidade. Sobre esse tema, notese que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A própria Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando, regra geral, o afastamento de tratado, acordo internacional, lei ou decreto, a pretexto de inconstitucionalidade, nos seguintes termos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 173DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/09 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.001018/200718 Acórdão n.º 240102.018 S2C4T1 Fl. 171 7 I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Observese que, somente nas hipóteses ressalvadas no parágrafo único e incisos do dispositivo legal encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência. Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n.º 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF1. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre as alegações de inconstitucionalidade de lei e decreto trazidas pela recorrente, como é o caso da norma que criou o dever de declarar os fatos geradores na GFIP. Da aplicação da multa De fato, como afirma a recorrente, com o advento da Medida Provisória MP n.º 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009, houve profunda alteração no cálculo das multas decorrentes de descumprimento das obrigações acessórias relacionadas à GFIP. Na sistemática anterior, a infração de omitir fatos geradores em GFIP era punida com a multa correspondente a cem por cento da contribuição não declarada, ficando a penalidade limita a um teto calculado em função do número de segurados da empresa. Quanto havia lançamento da obrigação principal relativo aos fatos geradores não declarados, o sujeito passivo ficava também sujeito à aplicação da multa de mora nos créditos lançados, num percentual do valor principal que variava de acordo com a fase processual do lançamento, ou seja, quanto mais cedo o contribuinte quitava o débito, menor era a multa imposta. 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 174DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/09 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Com a nova legislação, há duas sistemáticas de aplicação da multa. Inexistindo o lançamento das contribuições, aplicase apenas a multa de ofício prevista no art. 32A da Lei n. 8.212/1991, que é calculada a partir de um valor fixo para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas, nos seguintes termos: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (...) Todavia pelo art. 35A da mesma Lei, também introduzido pela Lei n. 11.941/2009, ocorrendo o lançamento da obrigação principal, a penalidade decorrente do erro ou omissão na GFIP fica incluída na multa de mora constante no crédito constituído. Deixa, assim, de haver cumulação de multa punitiva e multa moratória, condensandose ambas em valor único. Vejam o diz o dispositivo: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. É que o art. 44, I, da Lei n. 9.430/19962 prevê que, havendo declaração inexata ou omissa de tributo, acompanhado da falta de recolhimento do mesmo, devese aplicar a multa ali especificada. Como já exposto, nessas situações, a multa agora é una para ambas as infrações, descumprimento das obrigações principal e acessória. Diante das considerações acima expostas, não há como se aplicar na situação em tela o art. 32A da Lei n. 8.212/1991, como requer o sujeito passivo, posto que houve na espécie lançamento das contribuições correlatas. A situação sob enfoque pede a aplicação do art. 35A da mesma Lei, o qual pode ou não ser mais benéfico ao contribuinte, posto que, para os casos em que o teto para aplicação da multa previsto na legislação revogada fica muito abaixo do valor da contribuição não declarada, há a possibilidade do valor da penalidade aplicada com fulcro na sistemática legal anterior situarse num patamar inferior àquela calculada com base na norma atual. Nesse sentido, deve o órgão responsável pelo cumprimento da decisão recalcular o valor da penalidade, posto que o critério atual pode ser mais benéfico para o contribuinte, de forma a prestigiar o comando contido no art. 106, II, “c”, do CTN3. 2 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) 3 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 175DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/09 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.001018/200718 Acórdão n.º 240102.018 S2C4T1 Fl. 172 9 Verifico, todavia, que o órgão de primeira instância já se pronunciou sobre essa questão determinando que, quando da liquidação do crédito, seja verificada a aplicação da penalidade menos gravosa. Conclusão Diante do exposto, voto por afastar a preliminar de decadência e, no mérito, pelo desprovimento do recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 176DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/09 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10830.007414/2009-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
IRPF. LIVRO CAIXA. DESPESAS. COMPROVAÇÃO.
As despesas de livro caixa devem ser comprovadas por meio de
documentação hábil e idônea, que deve ser guardada pelo contribuinte durante o curso dos prazos de decadência e prescrição.
IRPF. GANHO DE CAPITAL AUFERIDO NA ALIENAÇÃO DE BEM IMÓVEL A PRAZO. FATO GERADOR. DATA DA OCORRÊNCIA.
Para efeitos do imposto de renda, o conceito de alienação abrange quaisquer contratos, particulares ou por instrumento público, de que decorra ganho de capital para o contribuinte. Assim, independentemente do registro, o fato gerador do imposto de renda ocorre no momento da venda do imóvel, posteriormente sujeita à averbação à margem da matrícula.
IRPF. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. NECESSIDADE
DE DEMONSTRAÇÃO PELO CONTRIBUINTE.
No tocante à consideração, no custo de aquisição do bem imóvel, dos juros e encargos financeiros pagos no momento da compra do bem, muito e ora admitida expressamente pela IN 84/2001, compete ao contribuinte trazer aos autos prova de que, de fato, incorreu em tais despesas.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
Comprovando-se o dolo, a fraude ou a simulação, impõe-se ao infrator a aplicação da multa qualificada no montante de 150% prevista na legislação de regência.
MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA.
IMPOSSIBILIDADE.
A multa isolada não pode ser exigida concomitantemente com a multa de ofício. Precedentes da 2ª Câmara e da Câmara Superior de Recursos Fiscais.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2101-001.376
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso para excluir a exigência da multa isolada sobre os rendimentos sujeitos ao carnê-leão. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que votou por negar provimento ao recurso. Foi realizada sustentação oral pela representante da Fazenda Nacional, Ana Paula Ferreira de Almeida Vieira. Foi pedida antecipação do julgamento.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. LIVRO CAIXA. DESPESAS. COMPROVAÇÃO. As despesas de livro caixa devem ser comprovadas por meio de documentação hábil e idônea, que deve ser guardada pelo contribuinte durante o curso dos prazos de decadência e prescrição. IRPF. GANHO DE CAPITAL AUFERIDO NA ALIENAÇÃO DE BEM IMÓVEL A PRAZO. FATO GERADOR. DATA DA OCORRÊNCIA. Para efeitos do imposto de renda, o conceito de alienação abrange quaisquer contratos, particulares ou por instrumento público, de que decorra ganho de capital para o contribuinte. Assim, independentemente do registro, o fato gerador do imposto de renda ocorre no momento da venda do imóvel, posteriormente sujeita à averbação à margem da matrícula. IRPF. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO PELO CONTRIBUINTE. No tocante à consideração, no custo de aquisição do bem imóvel, dos juros e encargos financeiros pagos no momento da compra do bem, muito e ora admitida expressamente pela IN 84/2001, compete ao contribuinte trazer aos autos prova de que, de fato, incorreu em tais despesas. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Comprovando-se o dolo, a fraude ou a simulação, impõe-se ao infrator a aplicação da multa qualificada no montante de 150% prevista na legislação de regência. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. A multa isolada não pode ser exigida concomitantemente com a multa de ofício. Precedentes da 2ª Câmara e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Recurso provido em parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2257; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 269 1 268 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.007414/200997 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 210101.376 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 01 de dezembro de 2011 Matéria IRPF Recorrente FRATERNO DE MELO ALMADA JUNIOR Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. LIVRO CAIXA. DESPESAS. COMPROVAÇÃO. As despesas de livro caixa devem ser comprovadas por meio de documentação hábil e idônea, que deve ser guardada pelo contribuinte durante o curso dos prazos de decadência e prescrição. IRPF. GANHO DE CAPITAL AUFERIDO NA ALIENAÇÃO DE BEM IMÓVEL A PRAZO. FATO GERADOR. DATA DA OCORRÊNCIA. Para efeitos do imposto de renda, o conceito de alienação abrange quaisquer contratos, particulares ou por instrumento público, de que decorra ganho de capital para o contribuinte. Assim, independentemente do registro, o fato gerador do imposto de renda ocorre no momento da venda do imóvel, posteriormente sujeita à averbação à margem da matrícula. IRPF. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO PELO CONTRIBUINTE. No tocante à consideração, no custo de aquisição do bem imóvel, dos juros e encargos financeiros pagos no momento da compra do bem, muito embora admitida expressamente pela IN 84/2001, compete ao contribuinte trazer aos autos prova de que, de fato, incorreu em tais despesas. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Comprovandose o dolo, a fraude ou a simulação, impõese ao infrator a aplicação da multa qualificada no montante de 150% prevista na legislação de regência. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. A multa isolada não pode ser exigida concomitantemente com a multa de ofício. Precedentes da 2ª Câmara e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.007414/200997 Acórdão n.º 210101.376 S2C1T1 Fl. 270 2 Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso para excluir a exigência da multa isolada sobre os rendimentos sujeitos ao carnêleão. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que votou por negar provimento ao recurso. Foi realizada sustentação oral pela representante da Fazenda Nacional, Ana Paula Ferreira de Almeida Vieira. Foi pedida antecipação do julgamento. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy e Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 240/245) interposto em 27 de janeiro de 2010 contra o acórdão de fls. 223/232, do qual o Recorrente teve ciência em 28 de dezembro de 2009 (fl. 236), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de fls. 02/11, lavrado em 22 de junho de 2009, em decorrência de (i) omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas físicas, (ii) omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos adquiridos em reais, (iii) dedução indevida de despesas de livro caixa, (iv) multas isoladas decorrentes da falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão, verificadas nos anoscalendário de 2004 a 2006. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 Fl. 312DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.007414/200997 Acórdão n.º 210101.376 S2C1T1 Fl. 271 3 PROCEDIMENTOS DE FISCALIZAÇÃO. INAPLICABILIDADE DO CONTRADITÓRIO. A fase de investigação e formalização da exigência, que antecede à fase litigiosa do procedimento, é de natureza inquisitorial, não prosperando a argüição de nulidade do auto de infração por não observância do princípio do contraditório ou por falta de apreciação de qualquer documento. NULIDADE POR CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Incabível a argüição de nulidade do procedimento fiscal quando este atender as formalidades legais e for efetuado por servidor competente. Estando o enquadramento legal e a descrição dos fatos aptos a permitir a identificação da infração imputada ao sujeito passivo, não há que se falar em nulidade do lançamento por cerceamento de defesa. O cerceamento do direito de defesa não prevalece quando todos os valores utilizados na autuação se originam de documentos e demonstrativos constantes nos autos do processo. LIVRO CAIXA. PESSOA RESPONSÁVEL POR CARTÓRIO. NECESSIDADE DE PROVAS PARA ALTERAR A INFORMAÇÃO CONSTANTE DA DECLARAÇÃO QUANTO À ORIGEM DOS PAGAMENTOS. Se o contribuinte responsável por cartório declara originalmente que só recebeu rendimentos de pessoas físicas, as omissões constatadas no curso da fiscalização podem ser atribuídas a fonte de mesma natureza na ausência de provas em sentido oposto. LIVRO CAIXA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DAS DESPESAS. A legislação exige que as despesas de livro caixa estejam acompanhadas de documentação que comprove sua efetividade. Tendo sido observado que houve aproveitamento no livro caixa de despesas que não adequadamente comprovadas e/ou não correspondem a gastos usuais e necessários à manutenção da fonte produtora da renda, concluise pela correção das glosas efetuadas. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. DESPESAS COM JUROS DE FINANCIAMENTO IMOBILIÁRIO. ADMISSIBILIDADE DE INCLUSÃO DESTES SOMENTE NA PRESENÇA DE PROVA DE SEU EFETIVO PAGAMENTO. A legislação que trata do ganho de capital autoriza a inclusão no custo de aquisição de imóveis adquiridos por meio de financiamento imobiliário dos juros pagos à entidade mutuante. O interessado em deduzir tais despesas financeiras deve fazer prova do pagamento das prestações que incluam os juros, o que não foi feito no caso. MULTA ISOLADA POR FALTA DO PAGAMENTO DO CARNÊ LEÃO. O contribuinte que deixa de fazer o recolhimento mensal obrigatório sujeitase à multa de 50% sobre o valor do imposto devido, não havendo previsão legal para excluíla caso haja aplicação conjunta da multa de oficio de 150%. MULTA OFÍCIO DE 150%. REQUISITOS APÓS O ADVENTO DA LEI 11.488/2007. ATUAÇÃO DOLOSA VISANDO SONEGAÇÃO, FRAUDE OU. CONLUIO. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.007414/200997 Acórdão n.º 210101.376 S2C1T1 Fl. 272 4 Com o advento da Lei 11.488/2007, o art. 44 da Lei 9.430/96 foi alterado afastando a necessidade de caracterização de evidente intuito de fraude como requisito par aplicação da multa qualificada de 150%. Com o texto atual, exigese a atuação dolosa visando, alternativamente, a sonegação, a fraude ou o conluio. Na presença de elementos que demonstrem que o contribuinte declarou reiteradamente por vários anos ao fisco federal valores inferiores aos que podem ser observados em seu livro caixa e inferiores aos que corresponderiam aos recolhimentos ao fisco estadual, temos caracterizado o dolo de sonegação, justificando a manutenção da multa de 150%. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” (fls. 223/224). Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso de fls. 240/245, pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o auto de infração. Por sua vez, a Fazenda Nacional apresentou contrarazões, pedindo a manutenção da decisão da DRJ. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Aduz o Recorrente, em breve síntese, que (i) o auto de infração é nulo, tendo em vista a ausência de manuseio de documentos relativos aos rendimentos percebidos pelo contribuinte no tocante aos anoscalendário de 2005 e 2006; (ii) a decisão recorrida deveria considerar as despesas de livro caixa declaradas pelo contribuinte; (iii) a tributação sobre o ganho de capital seria improcedente, seja em virtude da ausência de averbação da transferência junto à matrícula do imóvel, seja em razão da ausência de consideração, para efeitos de determinação do custo de aquisição, dos juros pagos no financiamento; (iv) seria indevida a qualificação da multa, eis que não haveria prova de sonegação na hipótese; (v) seria descabida a multa de 50% atinente à falta de recolhimento do carnêleão, na medida em que nem todos os clientes seriam pessoas físicas; e, finalmente, (vi) não seria admissível a cumulação das multas isolada e de ofício. Inicialmente, sustenta o Recorrente a nulidade do auto de infração, pois não teriam sido considerados pela fiscalização, na fase instrutória, documentos relativos aos rendimentos auferidos pelo contribuinte durante os anoscalendário de 2005 e 2006. Quanto à alegação do contribuinte, verificase sua total improcedência, na medida em que breve compulsar dos autos revela que existem diversas intimações voltadas, especificamente, ao esclarecimento de rendimentos auferidos nos citados anoscalendário, consoante se pode inferir das fls. 52, 57, 60, 63, 64, 67, 69, 72, 73, dentre outras intimações endereçadas ao contribuinte. Na realidade, o fato de haver o Recorrente deixado de entregar documentos oportunamente não pode servir de guarida para alegações de cerceamento de defesa, sob pena de violação à boafé, mais especificamente ao brocardo segundo o qual ninguém pode alegar a própria torpeza (nemo auditur propriam turpetudinem allegans). Fl. 314DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.007414/200997 Acórdão n.º 210101.376 S2C1T1 Fl. 273 5 Ainda que as alegações do contribuinte procedessem, no entanto, cabe relembrar que, consoante dispõe o art. 14 do Decreto 70.235/72, apenas com a intimação do contribuinte, por meio do auto de infração, é que se instaura a fase litigiosa do processo administrativo, sendo, portanto, incabível falarse em cerceamento de defesa. Nesse sentido, cumpre conferir o seguinte acórdão, da lavra do Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, cuja ementa segue transcrita: “DECADÊNCIA AJUSTE ANUAL LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita a ajuste na declaração anual e independentemente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação, hipótese em que o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos contados de 31 de dezembro de cada anocalendário questionado. VIOLAÇÃO DO SIGILO BANCÁRIO QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO DE FORMA PARCIAL PELO PODER JUDICIÁRIO LIMITAÇÃO DE ACESSO NULIDADE DO LANÇAMENTO Descabe a pretensão de nulidade do auto de infração, ainda que acostadas aos autos cópias integrais de extratos bancários, fornecidos pelas instituições financeiras, em decorrência de ordem judicial que autorizou a quebra do sigilo bancário envolvendo operações iguais ou superiores a R$ 50.000,00 (cinqüenta mil Reais), se no lançamento foram considerados apenas os valores determinados pela justiça. CERCEAMENTO DE DEFESA NULIDADE DO PROCESSO FISCAL Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendose, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentação de documentos e esclarecimentos” (Primeiro Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário n.º 141.595, relator Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, sessão de 18/05/2005). No mais, descabida a tentativa do Recorrente de alegar cerceamento de defesa. Da análise dos presentes autos, não se infere em nenhum momento qualquer prejuízo à sua defesa, não havendo que se falar em nulidade do auto de infração, aplicandose, pois, o brocardo pas de nullité sans grief. Cumpre frisar, por derradeiro, que o auditor fiscal, consoante se extrai dos autos, em que pese à relutância do contribuinte em entregar os documentos requeridos, lavrou o auto de infração com base nos valores lançados pelo contribuinte em seu Livro Caixa, razão pela qual não merecem prosperar as alegações. No tocante à escrituração das receitas no livro caixa, dispõe o Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n. 3.000/99), mais especificamente em seu art. 75, que é possível a sua dedução da base de cálculo do tributo, desde que relativas (i) à remuneração paga a terceiros com vínculo empregatício, (ii) emolumentos e (iii) despesas de custeio necessárias à percepção das receitas e à manutenção da fonte produtora. Nesse sentido, confira se: “Art. 75. O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade (Lei 8.134, de 1990 art. 6º, e Lei 9.250, de 1995, art. 4º, inciso I): Fl. 315DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.007414/200997 Acórdão n.º 210101.376 S2C1T1 Fl. 274 6 I – a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários; II – os emolumentos pagos a terceiros; III – as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Parágrafo único. O dispositivo neste artigo não se aplica (Lei 8.134, de 1990, art. 6º, § 1º, e Lei 9.520, de 1995, art. 34): I – a quotas de depreciação de instalações, máquinas e equipamentos, bem como as despesas de arrendamento; II – as despesas com locomoção e transporte, salvo no caso de representante comercial autônomo; III – em relação aos rendimentos a que se referem os arts. 47 e 48.” Em que pese à expressa dedutibilidade admitida pela legislação, cumpre salientar que é ônus do contribuinte manter em boa ordem os documentos comprobatórios das despesas incorridas enquanto não esgotado o prazo decadencial, sob pena de glosa, tal como ocorrido in casu. Sobre o assunto, o então Primeiro Conselho de Contribuintes vinha se pronunciando da seguinte forma: “ÔNUS DA PROVA O ônus de provar a inveracidade de informação por ela apresentada ao Fisco e que deu base ao lançamento, cabe à recorrente. OBRIGAÇÃO DE GUARDA DE LIVROS E DOCUMENTOS A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhe sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam a vir modificar sua situação patrimonial. Recurso Voluntário Negado.” (Primeiro Conselho de Contribuintes, 2ª. Câmara, Recurso Voluntário nº 144480, relatora Conselheira Silvana Mancini Karam, j. 29/05/2008) “IRPJ LUCRO REAL ANUAL PRELIMINAR DECADÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial é de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, que se dá, no caso de apuração anual do lucro real, no dia 31 de dezembro do anocalendário respectivo. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE Aplicação da Súmula 1CC Nº 02. ÔNUS DA PROVA O ônus de provar a inveracidade de informação por ela apresentada ao Fisco e que deu base ao lançamento, cabe à recorrente. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.007414/200997 Acórdão n.º 210101.376 S2C1T1 Fl. 275 7 OBRIGAÇÃO DE GUARDA DE LIVROS E DOCUMENTOS A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhe sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam a vir modificar sua situação patrimonial. Recurso Voluntário Negado” (Primeiro Conselho de Contribuintes, 1ª. Câmara, Recurso 152165, relator Conselheiro Caio Marcos Cândido, j. 14/09/2007). Nesse esteio, pois, não havendo o contribuinte mantido em boa ordem os documentos comprobatórios das despesas escrituradas no livro caixa, deixando de acostar quaisquer documentos aos autos que pudessem ensejar uma revisão da atividade fiscal, entendo que não merecem prosperar suas alegações. A este respeito, aliás, cumpre ressaltar que, ao contrário do quanto sustentado pelo contribuinte, no sentido de que os valores lançados a título de despesas no livro caixa seriam brutos, referida assertiva não passou de mera alegação absolutamente desacompanhada de qualquer comprovação capaz de desconstituir o minucioso trabalho de fiscalização realizado na espécie. Quanto à tributação do ganho de capital ocorrido in casu, igualmente infundadas as razões apontadas pelo contribuinte. Inicialmente, no que atine ao aspecto temporal da hipótese de incidência do imposto de renda, tenho adotado, constantemente, em outros votos, o entendimento de que não há que se restringir a interpretação do conceito de alienação de imóvel apenas ao momento da outorga da escritura definitiva, ainda que, para efeitos civis, a aquisição do imóvel requeira registro do título translativo no Registro de Imóveis (art. 1245 do Código Civil). Ao contrário, sendo o imposto incidente sobre a aquisição de disponibilidade jurídica e/ou econômica de renda, concernente ao próprio ganho de capital, sua incidência independe da averbação da transferência à margem da matrícula do imóvel, sendo imediata no momento em que se perfaz a própria alienação, seja por contrato particular ou por instrumento público. Nesse sentido, aliás, é o entendimento consolidado na Solução de Consulta emitida pela SRRF da 10ª Região Fiscal, in verbis: “IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF – ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS. IMÓVEL FINANCIADO. Para a legislação tributária ocorre a alienação e aquisição de imóveis em qualquer operação que importe a transmissão ou promessa de transmissão de imóveis, a qualquer título, ou a cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, ainda que efetuadas por meio de instrumento particular não inscrito em registro público. No caso de imóvel financiado, considerase consumada a sua alienação, para efeitos tributários, na data da assinatura do documento particular de cessão de direitos sobre ele.” (Processo de Consulta n.º 209/03, SRRF/10ª Região Fiscal, D.O.U. de 13/02/2004). Também o então Primeiro Conselho de Contribuintes já se manifestou no mesmo sentido, conforme se constata dos acórdãos assim ementados: “GANHO DE CAPITAL ALIENAÇÃO A QUALQUER TÍTULO PARA FINS FISCAIS Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e Fl. 317DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.007414/200997 Acórdão n.º 210101.376 S2C1T1 Fl. 276 8 venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, procuração em causa própria, promessa de compra e venda de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins.” (1º Conselho de Contribuintes, 4ª Câmara, Recurso Voluntário n.º 120.481, relator Conselheiro Nelson Mallmann, sessão de julgamento de 01/12/2004). “ALIENAÇÃO DE BENS OU DIREITOS APURAÇÃO DE GANHO DE CAPITAL O ganho de capital na alienação de bens ou direitos deve ser reconhecido e apurado por ocasião da celebração do negócio ou do contrato de cessão ou promessa de cessão, ainda que através de instrumento particular, mormente quando o referido instrumento é celebrado em caráter irrevogável e irretratável e o recolhimento do tributo deverá ocorrer no prazo ali fixado. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose da validade jurídica dos atos efetivamente praticados. Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins.” (1º Conselho de Contribuintes, 4ª Câmara, Recurso Voluntário n.º 133.926, relator Conselheiro Nelson Mallmann, sessão de julgamento de 13/05/2004). Por esta razão, descabido o entendimento do contribuinte de que não teria ocorrido a hipótese de incidência do imposto. Ainda no que atine ao ganho de capital apurado pelo Fisco, muito embora a legislação admita, para fins de determinação do custo de aquisição, a inclusão dos encargos financeiros pagos na compra do imóvel, tal como expressamente preconiza o art. 17 da IN 84/01, fato é que, na hipótese, não houve qualquer comprovação das alegações do Recorrente. No tocante à qualificação da multa, também entendo não assistir razão ao contribuinte. De fato, muito embora adote o entendimento, inclusive sumulado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (verbete n. 14), de que para a majoração da multa é insuficiente a mera omissão de rendimentos, entendo que, na hipótese, há provas suficientes no processo administrativo de que o Recorrente incorreu na figura do “dolo”, cujo intuito seria postergar ou mesmo impossibilitar o recolhimento do tributo devido. De fato, como é cediço, a noção de dolo, em direito tributário, resta caracterizada pela malícia do contribuinte em ludibriar o Fisco, ocultandolhe, de forma comissiva ou omissiva, aspectos relacionados com a real ocorrência do fato gerador. No caso vertente, um aspecto inicial salta aos olhos deste julgador: o Recorrente, no que toca aos últimos 10 anos fiscalizados, consoante informa o auditor fiscal e não rechaça o contribuinte, sofreu autuações fiscais, em virtude da ocultação ou sonegação de rendimentos, mantidos à margem de sua declaração de imposto de renda, justificando referidas omissões, pura e simplesmente, por um suposto desconhecimento jurídico de seus assessores responsáveis, segundo aduz, pela elaboração de sua DIRPF. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.007414/200997 Acórdão n.º 210101.376 S2C1T1 Fl. 277 9 Ora, em que pese às alegações de desconhecimento, interessante destacar que o contribuinte é tabelião no rico Município de Campinas, cargo de altíssimo padrão, e com elevado nível de exigência técnica, razão pela qual se afigura bastante improvável, se não impossível, o citado desconhecimento da legislação, em especial por um período extenso de 10 anos. Mais do que isso, verificase que o contribuinte, além de deixar receitas à margem de sua declaração, optou por declarar rendimentos em patamares mínimos, não recolhendo um centavo sequer à Receita Federal do Brasil, ao longo dos últimos 10 anos. Assim é que, com fulcro nos fatos e documentos acostados aos autos, entendo ser escorreita a aplicação da penalidade em referência. Por fim, no tocante à imposição de multa isolada, na hipótese, muito embora a legislação, de fato, exija o recolhimento de carnêleão pelos tabeliães, independentemente de os rendimentos serem oriundos de pessoas físicas ou jurídicas (Processo de Consulta n. 59/00, Superintendência Regional da Receita Federal da 1ª RF, 18/06/2009), entendo assistir razão ao contribuinte ao afirmar que seria incabível a cumulação das multas de ofício e isolada. Com efeito, diante do princípio da consunção, transposto dos lindes do direito penal, viola a necessária proporcionalidade das penas a interpretação de que seriam cumuláveis referidas multas sobre o mesmo ilícito, qual seja, deixar de recolher o tributo devido. Com efeito, sendo certo que a antecipação do recolhimento é iter procedimental lógico à omissão de rendimentos, não se faz possível cumular as multas de ofício e isolada, consoante já me manifestei em outras oportunidades: “MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA IMPOSSIBILIDADE A multa isolada não pode ser exigida concomitantemente com a multa de ofício. Precedentes da 2ª Câmara e da Câmara Superior de Recursos Fiscais.” (Primeiro Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso voluntário n.º 153.289, relator conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, sessão de 05/11/2008) Assim sendo, acolho a alegação de impossibilidade de cumulação das multas de ofício e isolada, excluindose do quantum debeatur o valor referente à multa isolada. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso para excluir a exigência da multa isolada sobre os rendimentos sujeitos ao carnêleão (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 319DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.007414/200997 Acórdão n.º 210101.376 S2C1T1 Fl. 278 10 Fl. 320DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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