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Numero do processo: 15521.000177/2006-06
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2001, 2002
DIRF. PRESUNÇÃO. RETENÇÃO SEM RECOLHIMENTO. A apresentação da DIRF é confissão do sujeito passivo, que cria a presunção da retenção por ela retratada. Realizada a retenção, o responsável é obrigado ao recolhimento do tributo. MULTA. MOTIVOS DETERMINANTES. IMPOSSIBILIDADE DE MUDANÇA DO FUNDAMENTO. O julgador administrativo está adstrito à análise e à correção de incorreções materiais e jurídicas, não cabendo a ele reconstruir o auto de infração. Se o fundamento da multa está errado, ela deve ser excluída, não modificada. MULTA DE OFÍCIO. ART. 44, I, DA LEI 9430/96 A multa de ofício de 75% do art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 é de caráter objetivo e independe do dolo do agente, bastando ser verificada uma das causas descritas no artigo para que seja aplicada. MULTA. MAJORAÇÃO. §2º DO ART. 44 DA LEI 9430/96 A majoração da multa de ofício pelo descumprimento do dever de prestar informações á autoridade fiscal só é possível quando esta conduta omissiva resultar em prejuízo ao lançamento. Inexistente prejuízo, é inadequada a majoração da multa de ofício. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS VIOLADOS. PROCESSO ADMINISTRATIVO. SÚMULA CARF Nº 2 A análise de constitucionalidade de ato que ocorreu de acordo com as normas de direito tributário demanda a análise de constitucionalidade destas normas, o que é vetado neste Conselho. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4 Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso voluntário provido parcialmente.
Numero da decisão: 2202-001.978
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa isolada referente ao ano-calendário de 2001, bem como desagravar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75% no ano-calendário de 2002. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann - Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
Nome do relator: RAFAEL PANDOLFO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2001, 2002 DIRF. PRESUNÇÃO. RETENÇÃO SEM RECOLHIMENTO. A apresentação da DIRF é confissão do sujeito passivo, que cria a presunção da retenção por ela retratada. Realizada a retenção, o responsável é obrigado ao recolhimento do tributo. MULTA. MOTIVOS DETERMINANTES. IMPOSSIBILIDADE DE MUDANÇA DO FUNDAMENTO. O julgador administrativo está adstrito à análise e à correção de incorreções materiais e jurídicas, não cabendo a ele reconstruir o auto de infração. Se o fundamento da multa está errado, ela deve ser excluída, não modificada. MULTA DE OFÍCIO. ART. 44, I, DA LEI 9430/96 A multa de ofício de 75% do art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 é de caráter objetivo e independe do dolo do agente, bastando ser verificada uma das causas descritas no artigo para que seja aplicada. MULTA. MAJORAÇÃO. §2º DO ART. 44 DA LEI 9430/96 A majoração da multa de ofício pelo descumprimento do dever de prestar informações á autoridade fiscal só é possível quando esta conduta omissiva resultar em prejuízo ao lançamento. Inexistente prejuízo, é inadequada a majoração da multa de ofício. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS VIOLADOS. PROCESSO ADMINISTRATIVO. SÚMULA CARF Nº 2 A análise de constitucionalidade de ato que ocorreu de acordo com as normas de direito tributário demanda a análise de constitucionalidade destas normas, o que é vetado neste Conselho. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4 Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso voluntário provido parcialmente.
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PRESUNÇÃO. RETENÇÃO SEM RECOLHIMENTO. A apresentação da DIRF é confissão do sujeito passivo, que cria a presunção da retenção por ela retratada. Realizada a retenção, o responsável é obrigado ao recolhimento do tributo. MULTA. MOTIVOS DETERMINANTES. IMPOSSIBILIDADE DE MUDANÇA DO FUNDAMENTO. O julgador administrativo está adstrito à análise e à correção de incorreções materiais e jurídicas, não cabendo a ele reconstruir o auto de infração. Se o fundamento da multa está errado, ela deve ser excluída, não modificada. MULTA DE OFÍCIO. ART. 44, I, DA LEI 9430/96 A multa de ofício de 75% do art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 é de caráter objetivo e independe do dolo do agente, bastando ser verificada uma das causas descritas no artigo para que seja aplicada. MULTA. MAJORAÇÃO. §2º DO ART. 44 DA LEI 9430/96 A majoração da multa de ofício pelo descumprimento do dever de prestar informações á autoridade fiscal só é possível quando esta conduta omissiva resultar em prejuízo ao lançamento. Inexistente prejuízo, é inadequada a majoração da multa de ofício. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS VIOLADOS. PROCESSO ADMINISTRATIVO. SÚMULA CARF Nº 2 A análise de constitucionalidade de ato que ocorreu de acordo com as normas de direito tributário demanda a análise de constitucionalidade destas normas, o que é vetado neste Conselho. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 52 1. 00 01 77 /2 00 6- 06 Fl. 253DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO 2 TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4 Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso voluntário provido parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa isolada referente ao ano calendário de 2001, bem como desagravar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75% no anocalendário de 2002. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 15521.000177/200606 Acórdão n.º 2202001.978 S2C2T2 Fl. 254 3 Relatório 1 Procedimento de Fiscalização O Grupo Malha tentou intimar a recorrente, mas a intimação retornou, em 29/08/05, com a justificativa de que essa havia se mudado. Desta feita, tentouse novamente intimar a recorrente na pessoa de seu representante legal, Sergio Williams, com base nos dados presentes em sua DAA para o exercício de 2005, mas a intimação retornou pelo correio, sob a justificativa de que o número não existia. Em sua terceira tentativa, o Fisco foi exitoso em intimar a sócia Helena Lucia Ramos Ferreira, em 12/09/05. A intimação chamava a recorrente a apresentar diversos documentos, com destaque para (a) recibo de entrega da DIRF no anocalendário 2001, apresentando relatório total mensal por código extraído através do programa gerador da DIRF; (b) DARF de recolhimento dos códigos identificados na intimação (código de receita 0561) que não constassem na relação de pagamentos recuperada na internet. Essa intimação trouxe em seu corpo quadro comparativo entre o informado em DIRF (R$ 4.242,13), o recolhido via DARF (R$ 1.524,03) e o declarado em DCTF (R$ 0,00) para o anocalendário 2001. Frente à intimação, a recorrente efetuou o pagamento da diferença entre a DIRF e a DARF de 2001 (R$ 2.718,10), sem juros e multa, e com período de apuração errado (17/09/05). Foram realizadas novas tentativas de intimação, tanto por AR quanto por edital, sem que fossem recebidas quaisquer respostas. Nas intimações posteriores foi incluído o anocalendário de 2002 à fiscalização. Para este ano foi informada em DIRF retenção de R$ 4.746,76, sem correspondente recolhimento via DARF ou declaração em DCTF. 2 Auto de Infração Foi lavrado auto de infração (fls. 5161), em 22/11/06, através do qual foi constituído crédito tributário no montante de R$ 21.388,03, incluídos imposto, multa de 75% e juros de mora. O fundamento da autuação foi falta de recolhimento e de declaração, em DCTF, de débitos referentes ao IRRF. Os eventos jurídicotributários englobaram os anoscalendário de 2001 e 2002, com a autuada tomando ciência em 27/11/06 (fl. 62). 3 Impugnação A recorrente apresentou impugnação, tempestivamente, em 15/12/06, (fls. 6569), erigida sobre os seguintes argumentos: a) não ocorreu infração alguma, pois todos os valores foram recolhidos, conforme comprovam as DARF’s apresentadas; b) a multa cobrada é excessiva, desproporcional e significa enriquecimento sem causa do poder público; e Fl. 255DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO 4 c) é inconstitucional a aplicação d) da taxa SELIC como indexadora dos juros de mora. Em anexo à impugnação, foram juntadas cópias das DARF’s que comprovariam o efetivo recolhimento do IRRF dos anoscalendário em questão (fls. 84129). 4 Acórdão de Impugnação A 3ª Turma da DRJ/RJOI julgou a impugnação e acordou, por unanimidade, pela sua procedência parcial, mantendo o crédito tributário exigido (fls. 172186), alinhando os seguintes argumentos: a) o IRRF do anocalendário 2001 foi recolhido sem juros e multa após o início do procedimento fiscal, motivo pelo qual deve ser cancelado o principal e mantida a cobrança da multa de mora e dos juros de mora; b) a Medida Provisória nº 351/07 extinguiu a multa isolada, de 75%, nos casos de pagamento ou recolhimento fora de prazo, devendo ser aplicada a multa de mora para o anocalendário de 2001, em nome da retroatividade benigna, por força do art. 106, II, c, do CTN; c) as DARFs juntadas não foram localizadas no sistema, motivo pelo qual não foram consideradas como prova do recolhimento; e d) é devida a aplicação da taxa SELIC como indexador da mora, sendo que a análise de constitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa. 5 Recurso Voluntário A recorrente, tomando ciência do resultado do julgamento de sua impugnação em 18/07/07, interpondo recurso voluntário em 02/08/07, no qual repisa os argumentos da impugnação. É o relatório. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 15521.000177/200606 Acórdão n.º 2202001.978 S2C2T2 Fl. 255 5 Voto Conselheiro Relator Rafael Pandolfo O presente recurso atende aos requisitos legais de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. A recorrente insurgese contra a aplicação de multas e cobrança do tributo, pois, segundo alega, os valores apontados como devidos já teriam sido recolhidos, conforme comprovantes anexados ao processo pela recorrente (fls. 84129). Ocorre que os referidos Darfs não constam no relatórioSief (fls. 160/163), tampouco no relatório Sinal (fls. 165/171), constatação já alinhada pela decisão recorrida, conforme revela o trecho abaixo reproduzido (fls. 182183): 43 De fato o interessado junta cópia de 46 (quarenta e seis) darfs As fls.84/129: 7 (sete), referentes ao período de apuração de 2003 (fls.84/91); 5 (cinco), de 2001 (fls.1041108); 3 (três), de 2000 (fls.109/111); 18 (dezoito), de 1999 (fls.1121129) e 13 (treze) de 2002 (fls.91/103). [...] 45 Todavia, conforme se vê na planilha As fls.20, referida no Termo de Intimaçãode 02.10.2006 (fls.21), a autoridade fiscal não localizou os ditos darfs. 46 E, de fato, no relatórioSief, que relaciona os darfs sob o CNPJ do interessado, emitidos no período de 01.01.1999 a 31.12.2006, os sobreditos darfs não constam relacionados (fls.160/163), tampouco na consulta ao sistema Sinal (fls.165/171). 47 Sendo assim, não comprovadas as alegações do interessado, o lançamento relativo ao anocalendário de 2002 deve ser julgado procedente. A constatação acima apontada não foi infirmada pela peça recursal, que limitouse a repisar o caminho retórico já trilhado na impugnação: Sob este alpendre, a prova documental carreada nos autos evidencia que não pode esta Recorrente se conformar com a inscrição de vultuosa quantia lançada unilateralmente pela Receita Federal, haja vista que os DARFS em anexo comprovam que os valores eventualmente devidos foram recolhidos pela Recorrente nos exatos padrões e proporcionalmente à cada época própria decorrente dos anos calendários objeto do auto de infração. Destacase que foram computados, inclusive, a multa e os juros aplicados por este Fl. 257DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO 6 árgão. Logo, inexiste saldo remanescente capaz de motivar a aplicação de sanção tributária vinculada ao pagamento do crédito lhe exigido. Como conclusão, verificase que remanesce incólume o fundamento fático probatório sobre o qual foi erigida a decisão recorrida, qual seja: ausência de registro das DARF’s em qualquer um dos sistemas da Receita Federal do Brasil. À míngua de qualquer fundamento probatório ou retórico novo, tenho que remanesce imaculada, no ponto, a r. decisão da DRJ. 2 Da Multa Quanto à multa, a recorrente alega que esta deve ser revista, já que ele não sonegou imposto. Tal argumento, entretanto, não é suficiente para afastar a multa. A multa aplicada no auto de infração foi a de 112,5% do art. 44, §2º, da Lei nº 9.430/96, por falta de recolhimento do tributo, qualificada pelo não atendimento às intimações: Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; § 2º Se o contribuinte não atender, no prazo marcado, à intimação para prestar esclarecimentos, as multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e de duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente. Deve ser esclarecido que, em referência ao anocalendário de 2001, o acórdão recorrido reduziu a multa de 112,5% para 20%, por entender que, a partir da MP 303/06, foi retirada do sistema a multa de ofício isolada de 75% por recolhimento em atraso. Como o recolhimento para este ano foi efetuado antes do auto de infração, embora sem juros, entendeu se que o enquadramento correto seria de recolhimento do tributo em atraso sem juros de mora, ao invés de falta de recolhimento, motivo pelo qual “aplicada”, pela DRJ, a multa de mora, no montante de 20%. Não obstante, tal modificação não pode ser efetuada em sede de Delegacia da Receita Federal de Julgamento, pois a nova multa possui inusitado fundamento fáticojurídico — recolhimento em atraso — em relação ao auto de infração, que tinha como fundamento falta de recolhimento. A DRJ não possui competência para modificar o fundamento do lançamento, pois seu papel é corrigir o lançamento, não refazêlo a partir de esteio inaugural. Esse entendimento está cristalizado na jurisprudência deste Tribunal: VÍCIO DE COMPETÊNCIA. INOVAÇÃO DO FEITO. É vedado ao órgão julgador substituir, ao seu talante, a multa de ofício constante do auto de infração pela sanção moratória, usurpando a função lançadora que não está na esfera de suas atribuições. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 15521.000177/200606 Acórdão n.º 2202001.978 S2C2T2 Fl. 256 7 (Primeiro Conselho de Contribuintes. 3ª Câmara. Turma Ordinária. Acórdão nº 10322.836. Proc. nº 16327.001283 200234. Rel. Flávio Franco Corrêa. Julg. 07/12/06) Sendo assim, deve ser excluída a multa moratória (20%) para o ano calendário de 2001, devendo ser mantidos apenas os juros de mora para este ano calendário. Quanto ao anocalendário de 2002, devese prestigiar a convincente jurisprudência deste Conselho acerca da qualificação da multa de 75% para 112,5% em virtude da não apresentação de esclarecimentos. O entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é de que a qualificação da multa só é devida quando a ausência de esclarecimentos obstar ou prejudicar a constituição do crédito tributário. Para exemplificar tal posicionamento, trago voto da lavra da Conselheira, Dra. Maria Lúcia de Aragão Calomino Astorga: A jurisprudência deste Colegiado tem se firmado no sentido de que, para o agravamento da penalidade é necessário que à conduta do sujeito passivo esteja associado um prejuízo concreto ao curso da ação fiscal; não evidenciado tal prejuízo, não é razoável o agravamento, dado que não se podem equiparar condutas que sejam desproporcionalmente diferentes no que se refere ao seu potencial de obstaculizar os procedimentos de ofício. [...] Destarte, não restou evidenciada a situação de fato que daria ensejo à aplicação da multa de ofício de 112,5%, devendo a mesma ser reduzida para 75%.. (CARF. 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Segunda Sessão. Acórdão nº 220200.618. Processo nº 10835.002553/200551. Julg. em 26/07/10) No presente caso, como o recorrente já havia apresentando DIRF — que tem como efeito a confissão de retenção, mas não a constituição do crédito tributário — a falta de apresentação de esclarecimentos à fiscalização já resultou na lavratura do auto de infração e na cobrança de multa de ofício, sendo inadequada a qualificação da multa. Quanto ao afastamento da multa de ofício de 75%, a redação do dispositivo deixa claro que a multa se relaciona à falta de pagamento do tributo — o que ocorreu no caso —, sendo irrelevante a existência do dolo nessa conduta. Sendo assim, a multa de ofício deve ser reduzida para 75% para o ano calendário de 2002. 3 Da Aplicação da Taxa SELIC A recorrente defende que o emprego da taxa SELIC a título de juros de mora é ilegal e inconstitucional. Quanto à ilegalidade, a questão já foi decidida por este Conselho, conforme revela a Súmula CARF nº 4 abaixo reproduzida: Fl. 259DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO 8 Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Quanto à inconstitucionalidade da aplicação da Taxa SELIC, a própria jurisprudência do STF considera legítima sua aplicação: 2. Taxa Selic. Incidência para atualização de débitos tributários. Legitimidade. Inexistência de violação aos princípios da legalidade e da anterioridade. Necessidade de adoção de critério .isonômico. No julgamento da ADI 2.214, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o tema, esta Corte assentou que a medida traduz rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição tributária. (RE 582461, Relator: Min. Gilmar Mendes, Julg 18/05/2011, Divulg 17/08/2011, Public 18/08/2011) 4. A isonomia é resguardada, visto que a Lei estadual prevê a aplicação da taxa SELIC, que traduz rigorosa igualdade de tratamento entre o contribuinte e o Fisco. (ADI 2214, Relator: Min. Maurício Corrêa, Julg 06/02/2002, Publ 19/04/2002) Ademais, esse Conselho não possui competência para declarar a inconstitucionalidade de Lei que fundamenta o lançamento, conforme disposto pela Súmula abaixo reproduzida: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No mesmo sentido, demonstrase impossível a este Conselho analisar os argumentos de inconstitucionalidade da multa, vez que esta possui suporte legal não infirmado por decisão de inconstitucionalidade do STF. Com base no acima exposto, voto para que seja dado PARCIAL PROVIMENTO ao presente recurso voluntário, para que: a) seja excluída a multa de mora no anocalendário de 2001; e b) seja reduzida a multa punitiva, no anocalendário de 2002, para 75%. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Fl. 260DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 15521.000177/200606 Acórdão n.º 2202001.978 S2C2T2 Fl. 257 9 Fl. 261DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO
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Numero do processo: 13839.000917/2002-73
Data da sessão: Wed Sep 30 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Sep 30 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CSLL
COMPENSAÇÃO DE BASE NEGATIVA DE CSLL - LIMITE DE 30%
SOBRE 0 LUCRO TRIBUTÁVEL - Os tribunais administrativos não
tem competência para julgar questões relacionadas a constitucionalidade e ilegalidade de lei, principalmente no presente processo onde existe medida judicial do próprio contribuinte. Como a questão da postergação está diretamente relacionada à questão principal também não pode ser analisada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1801-000.092
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Cheryl Berno e Marcelo Cuba Netto (Suplente Convocado), acompanharam pelas conclusões. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (Suplente Convocado).
Matéria: CSL- glosa compens. bases negativas de períodos anteriores
Nome do relator: Rogério Garcia Peres
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13839.000917/2002-73 Recurso n° 154.846 Voluntário Acórdão n° 1801-00.092 — la Turma Especial Sessão de 30 de setembro de 2009 Matéria CSLL Recorrente MAXISHOP ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S.A. Recorrida 3a TURMA / DRJ CAMPINAS / SP ASSUNTO: CSLL COMPENSAÇÃO DE BASE NEGATIVA DE CSLL - LIMITE DE 30% SOBRE 0 LUCRO TRIBUTÁVEL - Os tribunais administrativos não tem competência para julgar questões relacionadas a constitucionalidade e ilegalidade de lei, principalmente no presente processo onde existe medida judicial do próprio contribuinte. Como a questão da postergação está diretamente relacionada à questão principal também não pode ser analisada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Cheryl Berno e Marcelo Cuba Netto (Suplente Convocado), acompanharam pelas conclusões. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (Suplente Convocado). t> AN DE BAR OS FERNANDES - Presidente. ARCIA PERES - Relator. A-60 EM: 26 OUT 2011 -7Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Suplente Convocado), Cheryl Berno, Marcelo Cuba Netto (Suplente Convocado), Rogério Garcia Peres e Ana de Barros Fernandes. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcos Vinícius Barros Ottoni. Relatório Com a finalidade de privilegiar o principio da celeridade processual adoto o relatório proferido pela 3 a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas - SP: "Trata-se de impugnação a exigência fiscal formalizada no auto de infração de fls. 105/108, relativa a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL). 0 feito, relativo ao ano-calendário encerrado em 31/12/1998, constituiu crédito tributário no valor de R$ 183.031,21, incluídos principal e juros de mora calculados até 27/03/2002. Não houve a imposição de multa de oficio tendo em vista haver a fiscalização considerado a suspensão do correspondente crédito tributário por força de provimento judicial. No Termo de Constatação de fls. 103/104, a autoridade autuante assim relata os fatos que cuhninaram com a lavratura do auto de infração: No exercício das funções de auditor fiscal da Receita Federal, verificando o Processo de Acompanhamento de Processo Judicial n° 10830.001155/98-95, constatamos que a contribuinte impetrou o Mandado de Segurança n" 97.0615455-8, junto a 3" Vara da Justiça Federal de Campinas — SP, com o fito de compensar integralmente os prejuízos acumulados até 31/12/1994, na determinação da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro, com o lucro dos exercícios financeiros seguintes, sem a limitação de 30% imposta pelos arts. 42 e 58 da Lei n" 8.981, com as alterações dadas pelos arts. 15 e 16 da Lei n°9.065/95. A liminar solicitada foi denegada em Primeira Instancia, sendo a decisão reformada, através do Agravo de Instrumento n" 98.03.024483-3, pelo Tribunal Regional Federal da 3" Regido. A segurança foi concedida no julgamento de mérito do Mandado de Segurança, permitindo a compensação dos resultados negativos apurados até 1994 com os resultados positivos de exercícios subseqüentes, sem a limitação de 30%, sentença esta sujeita a reexame. Foi interposto Recurso de Apelação pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Verificamos, também, por meio da Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica do exercício de 1999, ano-calendário de 1998, anexa, que a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro montou em R$ 5.336.081,44 e que foi deduzida da aludida base, a titulo de base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro de períodos anteriores, com suporte na decisão judicial referida, R$ Processo n° 13839.000917/2002-73 SI-TE01 Acórdão n.° 1801-00.092 Fl. 2 3.055.670,07, e que 30% da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro equivale a R$ 1.600.824,43. Diante do exposto, constatamos, ainda que, face à legislação fiscal ern vigor mencionada, a contribuinte compensou indevidamente da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro a importância de R$ 1.454.845,64, ou seja, R$ 3.055.670,87 menos R$ 1.600.824,43. CIENTIFICADA DA EXIGÊNCIA EM 08/04/2002, EM 25/04/2002 A CONTRIBUINTE INTERPÔS A IMPUGNAÇÃO DE FLS. 118 A 120, INSTRUIDA COMA DOCUMENTAÇÃO DE FLS. 121 A 361, RELATANDO HAVER SOFRIDO SEGUIDOS RESULTADOS NEGATIVOS, ACUMULANDO PREJUÍZOS FISCAIS ATÉ 0 FINAL DO ANO-CALENDÁRIO DE 1994, TENDO-SE REVERTIDO ESSA SITUAÇÃO A PARTIR DE 1995 COM A APURAÇÃO DE LUCRO. PRETENDENDO COMPENSAR INTEGRALMENTE OS SEUS RESULTADOS NEGATIVOS COM OS LUCROS APURADOS A PARTIR DO ANO- CALENDÁRIO DE 1995 SEM AS LIMITAÇÕES INTRODUZIDAS PELA LEI N" 8.981, DE 1995, INGRESSOU COM AÇÃO DE MANDADO DE SEGURANÇA, TENDO OBTIDO DECISÃO FAVORÁVEL. AINDA QUE NÃO TIVESSE 0 AMPARO JUDICIAL, CONTUDO, ALEGA QUE 0 AUDITOR FISCAL DEVERIA TER CONSIDERADO QUE A COMPENSAÇÃO INTEGRAL DO SALDO DE PREJUÍZOS FISCAIS NO ANO-CALENDÁRIO OBJETO DA AUTUAÇÃO IMPLICOU A IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO DA BASE POSITIVA APURADA NOS PERÍODOS SUBSEQÜENTES POR INEXISTÊNCIA DE VALORES COMPENSÁVEIS. ASSIM, 0 VALOR PAGO A MAIOR NOS EXERCÍCIOS SEGUINTES DEVERIA REDUZIR 0 TRIBUTO A PAGAR NO PERÍODO DA COMPENSAÇÃO, RACIOCÍNIO QUE NÃO FOI EMPREGADO PELO AUTUANTE. AFIRMA QUE DOCUMENTAÇÃO ANEXA Á IMPUGNAÇÃO CONFIRMA A APURAÇÃO DE BASES POSITIVAS, SEM QUE TENHA HAVIDO QUALQUER COMPENSAÇÃO DE BASES NEGATIVAS." Ao analisar a Impugnação do Recorrente, a 3' Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas - SP, julgou procedente o lançamento do credito tributário nos seguintes termos: "Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL Data do fato gerador: 31/12/1998 Ementa: POSTERGAÇÃO. COMPENSAÇÃO DE BASES NEGATIVAS. NÃO OCORRÊNCIA. Não se aplica a compensação de bases negativas o tratamento de posterga cão, pois não há inexatidão contábil quanto ao período-base de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou reconhecimento de lucro. p.... .-_\-- .. Lançamento Procedente" Inconformada com a decisão acima, o Recorrente, interpôs recurso voluntário, reiterando os termos da Impugnação e requerendo o provimento do recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro ROGÉRIO GARCIA PERES, Relator Conheço do Recurso por ser tempestivo, por atender aos requisitos de admissibilidade e por conter matéria de competência deste Conselho. Compulsando os autos, verifica-se que o cerne da questão está pautado na limitação à compensação de base negativa (limite de 30%), estabelecido no art. 42 e 58 da Lei 8.981/95. Para tanto, a Recorrente alega que possui decisão judicial que lhe assegura o direito a compensação de base negativa sem a referida limitação. Vale esclarecer que o provimento judicial favorável à contribuinte relativamente a determinada relação jurídico-tributária não impede a formalização do correspondente crédito tributário, tendo em vista o caráter obrigatório do lançamento e o instituto da decadência que corre contra o direito de a Fazenda Pública formalizar a respectiva exação. Nos termos do art. 63 da Lei n° 9.430, de 1996, a autoridade autuante constituiu o crédito discutido sem a multa de oficio havendo considerado a proteção jurídica obtida pela empresa. A leitura da impugnação revela que a contribuinte não contesta o mérito do lançamento, qual seja a limitação h. compensação de prejuízos fiscais. Tal atitude é acertada tendo em vista os termos do Ato Declaratório Normativo COSIT n.° 3, de 14 de fevereiro de 1996, segundo o qual a impetração pelo contribuinte de ação judicial contra a autoridade fazenddria, antes ou posteriormente à autuação, desde que ambas tenham o mesmo objeto, importa em renúncia à discussão nas instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. Não obstante, trouxe a contribuinte na esfera administrativa a questão da postergação de pagamento de tributo que alega não estar contestando na esfera judicial. Imperioso destacar que os efeitos da postergação são decorrentes do resultado da medida judicial. Assim, no caso de vitória do contribuinte na referida medida judicial o valor cobrado na referida ação deve ser cancelado. Assim, como o referido processo trata do limite de 30% do lucro tributável para compensação de base negativa de CSLL, e seu reflexo (efeitos de postergação), que está sendo discutido judicialmente, e que não foi objeto de impugnação na esfera administrativa, não resta prevalecer o pleito do contribuinte. ROGE CI PERES - Relator Processo n° 13839.000917/2002-73 SI-TE01 Acórdão n.° 1801-00.092 Fl. 3 Pelas razões explanadas, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. 5
score : 1.0
Numero do processo: 13884.003573/98-15
Data da sessão: Mon Feb 12 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Mon Feb 12 00:00:00 UTC 2007
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992
FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO.
O direito de pleitear o reconhecimento de credito com o conseqüente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que tenha sido declarada inconstitucional, somente surge com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta. Ante à inexistência de ato especifico do Senado Federal, o Parecer COSIT n° 58, de 2710/98, firmou entendimento de que o termo a quo para o pedido de restituição começa a contar a partir da edição da Medida Provisória n° 1.110, em 31/08/95, primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do recolhimento do Finsocial à alíquota superior a 0,5%, expirando em 31/08/00. O pedido de restituição da contribuinte foi formulado em 11/12/98.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: CSRF/03-05.193
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
Nome do relator: Otacílio Dantas Cartaxo - Ad Hoc
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. O direito de pleitear o reconhecimento de credito com o conseqüente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que tenha sido declarada inconstitucional, somente surge com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta. Ante à inexistência de ato especifico do Senado Federal, o Parecer COSIT n° 58, de 2710/98, firmou entendimento de que o termo a quo para o pedido de restituição começa a contar a partir da edição da Medida Provisória n° 1.110, em 31/08/95, primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do recolhimento do Finsocial à alíquota superior a 0,5%, expirando em 31/08/00. O pedido de restituição da contribuinte foi formulado em 11/12/98. Recurso Especial do Procurador Negado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-11-11T14:23:38Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-11-11T14:23:38Z; Last-Modified: 2011-11-11T14:23:38Z; dcterms:modified: 2011-11-11T14:23:38Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:af8e449c-3b52-4f16-b3d1-8e410a6a6b13; Last-Save-Date: 2011-11-11T14:23:38Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-11-11T14:23:38Z; meta:save-date: 2011-11-11T14:23:38Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-11-11T14:23:38Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-11-11T14:23:38Z; created: 2011-11-11T14:23:38Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2011-11-11T14:23:38Z; pdf:charsPerPage: 1612; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-11-11T14:23:38Z | Conteúdo => CSRFTIT6 Fls. 253 MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA TURMA Processo n° 13884.003573/98-15 Recurso n° 303-128.005 Especial do Procurador Matéria FIN SOCIAL - RESTITUIÇÃO Acórdão n° 03 -05.193 Sessão de 12 de fevereiro de 2007 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado JOSÉ ALEXANDRE ALVES E CIA. LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 FINS OCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. 0 direito de pleitear o reconhecimento de credito corn o conseqüente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que tenha sido declarada inconstitucional, somente surge com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta. Ante A. inexistência de ato especifico do Senado Federal, o Parecer COSIT n° 58, de 2710/98, firmou entendimento de que o termo a quo para o pedido de restituição começa a contar a partir da edição da Medida Provisória n° 1.110, em 31/08/95, primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o earater indevido do recolhimento do Finsocial à aliquota superior a 0,5%, expirando em 31/08/00. 0 pedido de restituição da contribuinte foi formulado em 11/12/98. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. C - Manoel Antônio Gadelha Dias - Presidente Otacilio Danli't• artaxo - Relator ad hoc EDITADO EM: 28/03/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Manoel Antônio Gadelha Dias, Otacilio Dantas Cartaxo, Carlos Henrique Klaser Filho, Judith do Amaral Marcondes, Luis Antonio Flora, Anelise Daudt Prieto, Nilton Luiz Bartoli e Mario Junqueira Franco Júnior. Relatório o seguinte o relatório concernente ao Acórdão acima prolatado: Trata-se de pedido, proposto pelo contribuinte em 11/12/1998, de Restituição/Compensação, à titulo de pagamento a maior e indevido do tributo FINSOCIAL, no período de 09/89 a 03/92, .fundamentado na declaração de inconstitucionalidade de sua cobrança pelo Supremo Tribunal Federal, no que se refere a aliquota superior a 0,5% (meio por cento). O pedido foi indeferido, sem análise do mérito, pela Delegacia da Receita Federal em São Paulo/SP, pelo Despacho Decisório de ,fls. 75/78, sob a alegação dc que o direito do contribuinte pleitear a restituição ou compensação do indébito estaria decaido, pois o prazo para repetição de indébitos relativo a tributo ou contribuição pagos com base en/ lei posteriormente declarada inconstitucional pelo STF, 110 exercício do controle difuso de constitucionalidade das leis, seria de cinco anos, contados da data da extinção do crédito, nos termos do disposto no Ato Declaratório SRF n" 96/99. Ciente desta decisão, o contribuinte apresentou tempestiva Impugnação (qtr. fls. 80/100), alegcmclo, em suma, que, (I)conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça, no caso em tela a extinção do crédito tributário opera-se em um prazo de dez anos, dos quais, 05 referem-se a homologação tácita do lançamento e 05 para o exercício do direito a restituição do recolhimento indevido; (2)o Decreto-lei n°2.049/83 ent seu artigo 9" estabelece o prazo de dez anos para prescrição do F1NSOCIAL, estando o mesmo prazo previsto no artigo 122, do Decreto n" 92.698/86 - que dispõe sobre repetição de indébito; (3)0 Parecer PGFN n" 1538/99 é posterior ao seu pedido, havendo portanto, direito adquirido à restituição e à contagem do prazo c/c acordo com o Parecer COSIT n" 58/98, fixado como inicio do prazo c/a edição da MP n" 1.110/95. Por seus fundamentos requer a reforma do despacho decisório, pleiteando pelo reconhecimento da tempestividade de seu pedido de compensação de tributos de acordo com a discriminação e noticia cio pedido administrativo inicialmente protocolado. Remetidos os autos a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Sao Paulo/SP, foi exarada decisão indeferindo a pretensão do contribuinte, conforme ementa: 2 CS RF/T03 Fls, 259 Processo n° 13884.003573/98-15 Acórdão n.° 03-05.193 "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Periodo de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 Ementa: FinsociaL Restituição de indébito. Extinção do Direito. Precedentes do STJ e STF. Consoante precedentes do Superior Tribunal de Justiça, o prazo de prescrição da repetição de indébito do Finsocial extingue-se com o transcurso do qüinqüênio legal a partir de 02/04/1993, data da publicação da decisão do Supremo Tribunal Federal — RE 150.764 — que . julgou inconstitucional a majora cão da aliquota. Pedidos apresentados após essa data não podem ser atendidos, tanto pela interpretação do STJ, quanto pela posição da Administração, que, seguindo precedentes do STF sobre o prazo de extinção do direito a pleitear restituição, considera-se como sendo de cinco anos a contar do pagamento, inclusive para os tributos sujeitos et homologação. Interpretação Fixada por Ato Declarató rio. Direito Adquirido e Mudança de Critério Jurídico. Inocorrencia. Afixação, por Ato Declaratório, da interpretação a ser dada ei norma que trata de prazo de extinção do direito à repetição de indébito não veicula mudança de critério jurídico, por não alterar elementos normativos postos a escolha da Administração, já que tais prazos são cogentes, não estando na esfera de disponibilidade das partes. Parecer anterior em sentido contrário, por ser meramente opinativo, não gera direito adquirido, o qual apenas se configura com a decisão definitivamente preclusa. Solicitação Indeferida" 0 contribuinte apresenta tempestivo Recurso Voluntário onde vém cl'reiterar os fundamentos e pedidos apresentados em sua peça impugnatórid. O Acórdão n.° 303-31508 (fls. 147/176) prolatou a decisão proferida na Sessão de Julgamento pela Terceira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, em 08/07/2004, cujo entendimento encontra-se sintetizado na ementa adiante transcrita: FINSOCIAL — PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO - POSSIBILIDADE DE EXAME POR ESTE CONSELHO - Inconstitucionalidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal — Prescrição do direito de Restituição/Compensação — Inicio da contagem de prazo — Medida Provisória n' 1.110/95, publicada em 31/08/95. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO In casu, o pedido ocorreu em data de 11/12/98, quando ainda existia o direito de o contribuinte de pleitear a compensação. Cientificada do acórdão retromencionado contra o mesmo insurge-se a Fazenda Nacional (fls. 178/210), aviando o seu recurso, com fulcro no art. 7°- II do RICSRF, oferecendo como paradigma de divergência o acórdão n° 302-35782. Aduz o d. Procurador: çJ 3 • A questão central que se discute no feito é saber qual o termo inicial e o final para a contagem do prazo que o contribuinte possui para pleitear a restituição do FINSOCIAL, que veio a ser declarado inconstitucional pelo STF. • 0 v. acórdão recorrido entendeu que o direito de pleitear a restituição ou compensação do Finsocial somente começa a ser contada a partir da edição da MP n° 1.110/95, expedida em 30/08/95., • Pronuncia-se em favor da tese contida, nos arts. 165-1 e 1684, ambos do CTN que reconhece o direito ao crédito .tributdrio, entretanto, argüi que o mesmo se extingue após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data da sua extinção pelo pagamento (art. 1564, CTN), ocorrendo o inicio da contagem do prazo decadencial de cinco anos no dia do pagamento espontâneo do tributo devido. • 0 art. 3° da LC n° 118 deixa claro que para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 do CTN, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1 0 do art., 150 do mesmo mandamus, devendo o mesmo ser aplicado retroativamente a teor do art. 106-1 do CTN. • Complementa a sua fundamentação com o ADN/SRF n° 96/99, como norma integrante da legislação tributária, de caráter vinculante para a administração tributária (arts. 1004 e 1034, CTN), sobre o seu entendimento concernente ao prazo decadencial. • Não há na lei qualquer autorização que justifique ser considerada a data da publicação da MP n° 1.110/95, o termo inicial da contagem do prazo para se pleitear a restituição do Finsocial, por conseguinte para se considerar esse termo inicial da contagem do prazo para restituição do indébito mais favorável para o contribuinte, em detrimento do erário público. • Requer a reforma da decisão hostilizada' para que seja restituida a decisão de primeira instância. O REsp da PFN foi admitido em 10/02/2005, conforme Despacho exarado pelo Presidente da Terceira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes (fl. 248), mediante o reconhecimento da existência de tempestividade e de divergência entre o julgado e o acórdão paradigma apresentado. ;. Intimado a apresentar suas contra-razões (vide Edital Saort n.° 010/2006) em 25/01/2006, não consta dos autos protocolização de contra-razões. o relatório. 4 Processo n° 13884.003573 198-15 Acórdão n. ° 03-05.193 CSRF/T03 Fls. 260 Voto Conselheiro Otacilio Dantas Cartaxo, Relator ad hoc 0 recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional preenche os quesitos necessários à sua admissibilidade quanto aos critérios de tempestividade e de divergência. Versa a matéria trazida à apreciação desta Corte sobre o indébito tributário, em decorrência da inconstitucionalidade da majoração da aliquota do FINSOCIAL cima de 0,5%, declarada pelo Supremo Tribunal Federal através do RE n° 150.764-1, DJU de 02/03/93, especificamente quanto ao marco inicial para a contagem do prazo prescricional para a restituição do indébito. A tese esposada pela decisão de primeira instância, em relação à matéria em foco, adotou o entendimento contido no AD/SRF n° 96/99 para, reconhecendo o direito do contribuinte ao crédito tributário (art. 165-1 cm), argüir que o mesmo prescreve após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data da sua extinção (art. 168-1, CTN) pelo pagamento (alt 156-1, CTN). De modo diverso, a decisão recorrida afastou a preliminar de decadência, argüindo que o prazo de cinco anos para a restituição de indébito deve ser contado a partir da publicação da Medida Provisória n.° 1.110/95, devendo os autos serem remetidos A. instância a quo para exame de mérito. A Fazenda Nacional enfatizou os mesmos argumentos expendidos na decisão de primeira instância, postulando pela sua restauração e pela reforma do acórdão recorrido. Observou-se, também, que a autoridade fiscal se manteve inerte por um lapso temporal de cinco anos, não se pronunciando quanto à restituição do indébito (art. 165-I, CTN). Desde logo depreende-se que o cerne da querela restringe-se a contagem do prazo prescricional de cinco anos distinguindo-se quanto ao acerto do seu marco inicial, ou seja, de restituição do indébito tributário, sob a égide dos arts. 165-1 e 168-1 do CTN, não havendo que se falar em decadência. Inicialmente, tem-se que, com o advento da MP n.° 1.110, publicada no DOU de 31 de agosto de 1995, o Poder Executivo admitiu a inconstitucionalidade da fixação do termo a quo para contagem do prazo prescricional para fins de exigência do FINSOCIAL em percentual superior a 0,5%. Com isso, o tributo indevido ou pago a maior (art. 165-I, do CTN), relativamente ao Finsocial, passou a ser a ser assim considerado. Nesse mesmo sentido, o Parecer Cosit n.° 58, de 27/10/98, dispôs em seu item 27 que o prazo para o contribuinte não-participe de ação judicial possa pleitear a restituição/compensação se iniciou com a data da publicação da MP n.° 1.110/95, para os casos dos incisos II a VII, do art. 17, de acordo com as hipóteses previstas no art. 18 da MP n.° 1.699-40/98, in verbis: 5 Art. 18. Ficam dispensados a constituição de créditos da Fazenda Nacional, a inscrição como Divida Ativa da União, o ajuizamento da respectiva execução fiscal, bem assim cancelados o lançamento e inscrição, relativamente: I — . . .1 iii - à contribuição ao Fundo de Investimento Social — FINSOCIAL, exigida das empresas exclusivamente vendedoras de mercadorias e mistas, com fundamento no art 9. 0 da Lei n.° 7.689, de 1988, na aliquota superior a zero virgula cinco por cento, conforme Leis n.'s 7.787, de 30 de junho de 1989, 7.894, de 24 de novembro de 1989, e 8.147, de 28 de dezembro de 1990, acrescida * do adicional de zero virgula um por cento sobre os fatos geradores relativos ao exercício de 1988, nos termos do art. 22 do Decreto=Lei n.° 2.397, de 21 de dezembro de 1987. cediço que o texto contido nas MP n.° 1.110/95 e 1.621-40/98, além de suas reedições sucessivas ate o advento da lei n.° 1.522, de 19/07/01, não alude expressamente h. hipótese de restituição de tributos, bem assim que restou estabelecido consoante o § 3 • 0 , do artigo 18 dessa lei, que o disposto neste artigo não implicará restituição ex officio. Entretanto, não se pode olvidar do permissivo oficial contido no Parecer Cosit n.° 58/98, o qual estabeleceu o marco inicial para o prazo de restituição fixado a partir da data da publicação da MP n.° 1.110/95, em 31/08/95, quando efetivamente nasceu o direito de o contribuinte postular perante a Administração Tributária a restituição/compensação de indébitos tributários. Inobstante o entendimento vazado pela Administração Tributária no Parecer Cosit n.° 58/98, foi publicado em 30/11/99 o Ato Declaratório n.° 96, arrimado no Parecer PGFN n.° 1.538/99, que pretendeu mudar o posicionamento acerca da matéria, ao dispor que o prazo para o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pagos indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo STF em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extingue-se após o transcurso de prazo de cinco anos, contado da data da extinção do crédito tributário (art. 165-1 e 168-I, do CTN). A posição emanada pela SRF em relação à repetição de indébito nos termos do art. 165-1 do CTN é ambígua uma vez que inicialmente adotou o entendimento contido no Parecer COSIT n° 58/98, de 27/10/98, cujo reconhecimento expresso naquele Parecer referenda como dies a quo pra o contribuinte requerer a restituição dos valores pagos a maior que o devido, em caso de declaração de inconstitucionalidade de lei pelo STF, pela via incidental, é a data da publicação da MP n° 1.110/95, DOU de 31/08/95, sendo essa orientação seguida pelos seus órgãos até a edição do AD/SRF n° 96/99, de 30/11/99, ocasião em que passa a esposar o novo entendimento a se contrapor Aquele adotado anteriormente. Decerto a SRF, em momentos distintos, adotou entendimentos diversos sobre a mesma matéria, desde a edição da MP n° 1.110/95. Com isso muitos contribuintes obtiveram êxito em seus pleitos no que concerne ao reconhecimento ao direito creditório do Finsocial pelo simples fato de aviarem seus pedidos de restituição/compensação até a data de 30/11/99, enquanto outros tantos foram prejudicados por protocolarem seus pedidos após aquela data. Resta claro que a conduta adotada pelo Fisco atenta não apenas contra a isonomia tributária, mas contra os princípios da segurança jurídica e do interesse público. 6 CSRF/T03 Fls. 261 Processo n° 13884.003573/98-15 Acórdão n.° 03-05.193 Logo, depreende-se não ser esse o parâmetro adequado para a aferição do prazo ora questionado. Ao contrário do que expôs o juizo a quo, é importante registrar que para que se cogite de um pleito da envergadura do ora analisado, faz-se necessário que o direito do contribuinte possa ser exercitável em sua plenitude. Nesse sentido, até que fosse julgada a inconstitucionalidade das majorações da aliquota do FINSOCIAL pelo STF, os recolhimentos efetuados mês-a-mês pelo contribuinte, gozavam da presunção de legalidade. Logo, não haveria como se questionar a existência de indébito tributário, não haveria como se falar em prescrição, nem mesmo em marco inicial para contagem de prazo para restituição de valores, uma vez que o seu direito de ação ainda não podia ser exercido. Não havia, ainda, a liquidez e a certeza do direito ao crédito do sujeito passivo, pressuposto este autorizativo para a realização da compensação de seus créditos com débitos próprios junto à Fazenda Nacional (art. 170, CTN). Apenas após a publicação do trânsito em julgado da decisão judicial no DJ, ou seja, a partir dessa data é que se pode falar em contagem de prazo de cinco anos em relação prescrição, análise esta pela qual a decisão de primeira instancia passou ao largo. Mediante esse raciocínio, em não se pronunciando a autoridade fiscal, materializou-se o direito subjetivo de ação de o contribuinte (arts. 174 e 168-1 do CTN), para promover a ação de cobrança do crédito, ou seja, para se ressarcir do indébito tributário. Note-se que a Secretaria da Receita Federal através da IN/SRF n.° 32, de 09/04/97, em seu artigo 2.° já havia convalidado a compensação efetivada pelo contribuinte de seus créditos de Finsocial com os débitos reconhecidos e não recolhidos da Confins, com fundamento no art. 9.° da Lei n.° 7.689/88, na aliquota superior a 0,5%. Significa dizer que a Administração Tributária por meio desse ato administrativo também reconheceu o caráter indevido do já mencionado recolhimento. Com esse entendimento também se coaduna a manifestação do jurista e tributarista Ives Gandra Martins, adiante: "Acredito que, quando o contribuinte é levado, por uma lei inconstitucional, a recolher aos cofres públicos determinados valores a titulo de tributo; a questão refoge do âmbito da mera repetição de indébito, prevista no CTN, para assumir os contornos de direito plena recomposição dos danos que lhe foram causados pelo ato legislativo inválido, nos moldes do que estabelece o art. 37, § 6°, da CF." (Repetição do Indébito e Compensação no Direito Tributário, p. 178) Considerando que o posicionamento adotado pela SRF, em todos os pedidos protocolados até 30/11/99 deu-se com base na IN/SRF n.° 32/97 e no Parecer Cosit 58/98, sob pena de se estabelecer tratamento desigual entre contribuintes em situação absolutamente igual, deve ser mantido esse entendimento para os casos ocorridos mesmo após a publicação do AD/SRF n.° 96/99, uma vez que reside na MP n.° 1.110/95 o reconhecimento do Poder Executivo, ao admitir que a exigência do Finsocial com a aliquota majorada acima de 0,5% era inconstitucional, de acordo com os dispositivos contidos no seu art. 17-111. 7 Insubsistentes, portanto, os argumentos do d. Procurador com relação a lide. Finalmente, tem-se que o pedido de compensação de Finsocial formulado em 11/12/98 (fls. 01/02) e que o término da contagem do prazo prescricional, sob a égide do raciocínio aqui desenvolvido, dá-se em 31/08/00, não havendo que se falar em decadência. Ante o exposto, não havendo preliminar a ser apreciada, no mérito, nego-lhe provimento, retornando os autos à DIU para exame das demais matérias. assim que voto. Otacilio Dantas Cartaxo 8
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Numero do processo: 10945.011220/2003-11
Data da sessão: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Sun Dec 14 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Ano-calendário: 1996, 1997
CSLL/PIS/COFINS. DECADÊNCIA. PRAZO. SÚMULA Nº 8 DO STF.
Ano-calendário: 1996, 1997
Nos termos do art. 2°, da Lei n° 11.417/2006, devem submissão
obrigatória aos enunciados vinculantes da súmula do Supremo
Tribunal Federal todos os órgãos e entes da Administração
Pública direta e indireta dos entes federativos municipal, estadual e federal, bem como todos os órgãos do Poder Constituído
Judiciário.
Recurso Extraordinário Conhecido e, no mérito Negado.
Numero da decisão: PLENO//00-00.044
Decisão: Acordam os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais: 1) por maioria de votos, em conhecer do recurso extraordinário. Vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias, Jose Clóvis Alves, Josefa Maria Coelho Marques, Susy Gomes Hoffmann, Maria Helena Cotta Cardozo, Gonçalo Bonet Allage, Marcos Vinicius Neder de Lima. Ana Maria Ribeiro dos Reis, Mario Sergio Fernandes Barroso. Antonio Carlos Guidoni Filho. Ivete
Malaquias Pessoa Monteiro, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior e Antonio Praga, que não conheciam do recurso extraordinário; 2) por maioria de votos, em rejeitar a
proposição proposta pela Conselheira Karem Jureidini Dias, de aprofundar a análise do mérito. para apreciar o termo de inicio da contagem do prazo decadencial, vencidos também os Conselheiros Marcos Vinicius Neder de Lima, Mário Sergio Fernandes Barroso e Gileno Gurjão Barreto que a acompanharam; e 3) no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso extraordinário.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 1996, 1997 CSLL/PIS/COFINS. DECADÊNCIA. PRAZO. SÚMULA Nº 8 DO STF. Ano-calendário: 1996, 1997 Nos termos do art. 2°, da Lei n° 11.417/2006, devem submissão obrigatória aos enunciados vinculantes da súmula do Supremo Tribunal Federal todos os órgãos e entes da Administração Pública direta e indireta dos entes federativos municipal, estadual e federal, bem como todos os órgãos do Poder Constituído Judiciário. Recurso Extraordinário Conhecido e, no mérito Negado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2012-12-19T15:44:54Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2012-12-19T15:44:54Z; Last-Modified: 2012-12-19T15:44:54Z; dcterms:modified: 2012-12-19T15:44:54Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:b3dd30e1-9ab4-44fc-9dd2-54fb89832fcf; Last-Save-Date: 2012-12-19T15:44:54Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2012-12-19T15:44:54Z; meta:save-date: 2012-12-19T15:44:54Z; pdf:encrypted: false; modified: 2012-12-19T15:44:54Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2012-12-19T15:44:54Z; created: 2012-12-19T15:44:54Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2012-12-19T15:44:54Z; pdf:charsPerPage: 1768; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2012-12-19T15:44:54Z | Conteúdo => CSRPTOO Hs. 709 MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PLENO 10945.011220/2003-11 105-143.104 Extraordinário CSLL-PIS-COFINS-DECADÊNCIA 1-00.044 15 de dezembro de 2008 FAZENDA NACIONAL COMERCIAL DESTRO LTDA. Recurso n° Matéria Acórdão n° Sessão de Recorrente Recorrida ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 1996, 1997 CSLL/PIS/COFINS. DECADÊNCIA. PRAZO. SÚMULA IV' 8 DO STF. Ano-calendário: 1996, 1997 Nos termos do art. 2°, da Lei n° 11.417/2006, devem submissão obrigatória aos enunciados vinculantes da súmula do Supremo Tribunal Federal todos os órgãos e entes da Administração Pública direta e indireta dos entes federativos municipal, estadual e federal, bem como todos os órgãos do Poder Constituído Judiciário. Recurso Extraordinário Conhecido e, no mérito Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Pleno da Camara Superior de Recursos Fiscais: 1) por maioria de votos, em conhecer do recurso extraordinário. Vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias, Jose Clóvis Alves, Josefa Maria Coelho Marques, Susy Gomes Hollinann, Maria Helena Cotta Cardozo, Gonçalo Bonet Allage, Marcos Vinicius Neder de Lima. Ana Maria Ribeiro dos Reis, Mario Sergio Fernandes Barroso. Antonio Carlos Guidoni Filho. Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Gustavo Lian I laddad, Manoel Coelho Arruda Junior c Antonio Praga, que não conheciam do recurso extraordinário; 2) por maioria de votos, em rejeitar a proposição proposta pela Conselheira Karem Jureidini Dias, de aprofundar a análise do mérito. para apreciar o termo de inicio da contagem do prazo decadcricial, vencidos lambent os Conselheiros Marcos Vinicius Neder de Lima, Mário Sergio Fernandes Barroso e Gileno Gurjão Barreto que a acompanharam; e 3) no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso extraordinário. Antoni4 - Presidente (0 k2 , Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro - Relatora / Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, José Clovis Alves, Carlos Alberto Gonçalves Nunes, Josefa Maria Coelho Marques, Dalton Cesar Cordeiro de Miranda, Anelise Daudt Prieto, Judith do Amaral Marcondes Armando, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini, Marcos Vinicius Neder de Lima, Maria Helena Cotta Cardozo, Gonçalo Bonet Allage Dias, Henrique Pinheiro Torres, Maria Teresa Martinez López, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro, Ana Maria Ribeiro dos Reis, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Mario Sérgio Fernandes Barroso, Antonio Carlos Guidoni Filho, Antonio Carlos Atulim, Gileno Guttão Barreto, Maria Cristina Roza da Costa, Nanci Gama, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Gustavo Lian Haddad, Antonio Bezerra Neto, Júlio Cesar Vieira Gomes, Leonardo Siade Manzaqn, Elias Sampaio Freire. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Manoel Coelho Arruda Junior, Sandra Maria Faroni, Valmir Sandri, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. Eduardo Tadeu Farah, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho e Antonio Praga. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Paulo Jacinto do Nascimento. Relatório 0 presente julgamento decorre de Recurso Extraordinário 657/663) apresentado pela i. Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN), sob amparo do art. 5°. II e § 4° de Regimento Interno da CSRF, aprovado pela Portaria n.° 55/98. A questão de mérito tratada, exclusivamente, do prazo decadencial aplicável a lançamentos de oficio de CSLUPIS/COFINS, referentes a fatos geradores ocorridos entre: (i) novembro de 1996 e julho de 1997 e cientificado ao contribuinte em 28 de outubro de 2003. O acórdão recorrido exarado pela CSRF considerou, com respaldo no art. 146. 111, b, da CRFB/88, que à contribuição em comento se aplicaria a disposição insita no art. 150, § 4°. do CTN. A i. PFN, para amparar suas pretensões. anexou acórdão CSRF/02-01.665, no qual ficou decidido que deveria aplicar-se o prazo decadencial estabelecido no art. 45 da Lei IV 8212/91 para as contribuições destinadas a seguridade social, comprovando-se assim a divergência j urisprudencial. 2 Processo n" 10945.011220/2003-11 Acórdão n." 1-00,044 ('S1:11100 Fls. 710 A i. PFN alegou também que o Conselho de Contribuintes não seria competente para deixar de aplicar o art. 45 da Lei n° 8212/91, eis que estaria decretando a sua inconstitucionalidade. Portanto resta evidenciado dissídio jurisprudencial, de modo a permitir o seguimento do recurso interposto pela PFN. Regularmente intimado para apresentar contra-razões ao recurso(mandado de intimação às fls. fl.685), a Interessada apresentou a peça de fls. 687/706. Em sua defesa, a Interessada defende, em síntese. o que segue: 1) Frente aos ditames da Constituição de 1988, a decadência e prescrição somente poderiam ser objeto de Lei Complementar, e não de lei ordinária. 2) Com relação ao art. 45 da Lei n° 8.212/91, este trataria apenas do chamado lançamento de oficio, e o caso sob análise trata de lançamento por homologação, previsto no art. 150, § 4 0 do CTN. 3) Mesmo que assim não fosse, em face do disposto no art. 146, III. b da CRFB/88, a referida lei não encontraria guarida, tendo em vista que a Constituição prevê que somente lei Complementar poderia regular a matéria de decadência. 4) A Recorrente estaria misturando os institutos de lançamento dc oficio a que se referem os artigos 142 e 173 do CTN, corn o lançamento por homologação, a que se refere o artigo 150 e seu § 4°, para pretender lançar de oficio sobre lançamento já homologado. 5) A decisão recorrida não está decretando a inconstitucionalidade do art. 45. da Lei n° 8.212/91, que trata do lançamento de oficio, pelo contrário, estaria aplicando o § 40 do art. 150 do CTN, que trata de lançamento por homologação. É o relatório. Voto Conselheira Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro, Relatora 0 recurso preenche os requisitos de admissibilidade e, por isso, deve ser conhecido. Conforme relatado, os presentes autos tratam, exclusivamente, do prazo decadencial aplicável aos lançamentos de CSSL/PIS/COFINS. A matéria sob análise foi, durante anos, objeto de milhares de recursos (nas esferas administrativa e judicial) por parte tanto dos contribuintes quanto do Erário. Nada obstante, entendo que a mesma perdeu o objeto a partir da publicaçâo da Súmula vinculante rf 08, do Supremo Tribunal Federal, abaixo transcrita: Siam(la Vinculante nO 8 São inconstitucionais O parágrafo tinico do artigo 5" do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que !ratan, de preset-lea() decadência de crédito tributário. Como é cediço, nos termos do art. 2°, da Lei n° 11.417/2006, devem submissão obrigatória aos enunciados vinculantes da súmula do Supremo Tribunal Federal todos os órgãos do Poder Constituído Judiciário, bem como todos os órgãos e entes da Administração Pública direta e indireta dos entes federativos municipal, estadual e federal. Nesse esteio, a própria Procuradoria da Fazenda Nacional editou o Parecer PGFN/CAT n° 1.617/2008, no qual conclui que pretender exigir valores em dissonância com os ditames contidos na supra mencionada súmula constitui uma atitude imoral e repudiada pelo ordenamento jurídico. Leiam-se alguns trechos desse parecer : A Súmula Vinculante n° 8 do Supremo Tribunal Federal decrelou a inconstilucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, bem como do parágrafo finico do art. 5° do Decreto-Lei n" 1.569, de 8 de agosto de 1977. (...) 2. 0 comando da súnuda vinculante exige imediata adequação e cumprimento, por parte da Administração, nos termas do art. I03-A, da Constituição Federal, redação dada pela Emenda Constitucional n°45, de 8 de dezembro de 2004 ( ..) 3. A engenharia instilucional da sinnula vincuhune é explicitada pela Lei n° 11.417, de 19 c/c dezembro de 2006. Esta, no que se refere ao cumprimento do verbete sumulado, determiner que da clecisao judicial ou do ato achninistrativo que C01111"ClriCIF enunciado da aludida stimula, negar-lhe vigência ou aplicá-lo indevidamente caberci reclamacao ao Supremo Tribunal Federal, sem prejuLo dos recursos ou outros meios achnissiveis de impugnacao (cwt. 75. 4. 0 papel do Poder Executivo no implement() da dicção constitucional das stimulus vinculantes realiza-se na rápida adesão 110 comando, sem mais delongas ou nmItiplicação de instiincias procedimentais que obstaculizem o decidido pelo Supremo Tribunal Federal. (..) 6. De la! moda no caso presente, qualquer resposta da Administração, no sentido de esvaziar o conteúdo do sumulado de modo vinculante, suscita, de plano, repúdio institucional, com as conseqiiências imediatas, de responsabilidade, e (le respons-abilizacdo. Movimentação contrária à súmula, em principio, e em tese, qualifica 4 Processo n° 10945.011220/2003-11 Acórdao o.' 1-00.044 csRrtioo 1:Is.711 litigancia de má-fé. Isto é, construções jurídicas temerarias e ilações cavilosas que atentem C011inl o sumulado justificcnn a reclamação imediata, insista-se, coin as conseqüências inerentes. 7. (...) A slimula vinculante exige rápido implement(); não se presta para potencializar a litigancia. É por isso que foi criada. E se assim for realizada perde sua razão de ser. 10. Assim, ndo se autoriza que o afastamento das normas plasmadas pela inconstitucionalidade possa redundar em exegese alternativa, que amplie contrariamente o alcance fálico do decidido. Não se permite que eventual construção aponte para decisão que agrave a condição de quem quer que se beneficie com a declaração de inconslitucionalidade, ent nicho de sfinntla vinculanle. 17. De modo mais objetivo: o moi/elo institucional que a stimula vincztlante persegue resiste peremploriameme a contendos discursivos que focalizem soluções que se afastem do decidido. Repudia-se, assim. invocação de lacuna normativa que aponte (ainda que transitoriamente) para questões de ,sofisticação analilica, e de pobreza pragmalica e funcional. Cumpre-se a sfiniuht vinculame, na concretização da denominada vontade da Constituição (Wilk zur Verfassztng); expressão que remonta a Konrad Hesse e a teoria constitucional alemã. 13. Exemplifico COM a invocação de supostos e imaginários e temerários direitos pré-constitucionais que apontem para uso de regras de fixação de prazos Inuit() maiores do que os upon/ui/os pelo Supremo Tribunal Federal. Ter-se-ia o desprezo. em desfavor de defesa séria que a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional possa eventualmente contar. Não bastasse, multiplicar-se-ia a litigancia, realizando-se pet-versa e inversamente o que se pretende C0171 a edição de sfinntla vinculante. No entanto, deve ser feita reserva c/c sentido para circunstancias inusiladas. (..) 15. De igual modo, em relação a problemas que emergent do caso presente, a sã/nula vinculante n0 8 repele o uso de teses que encampem valor ulna vez esposado pelo superior tribunal de justiça, e fic-se referência especial a chamada lese dos 5 111CliS 5, inclusive no que se refere à contribuição devida a terceiros. Conseqüentemente, a Stimulct Vinculante n° 8 afasia peremploriamenle dois entendimentos pretcWtos da Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência, plasmados nos pareceres C1170 2.291/2000 e CJ 11 0 2.521/2001. 16. Fincada, pois. a primeira conclusão: a Shillala Vinca/ante 110 8 não autoriza interpretação e aplica cão que prejudiquem o que determinado pelo verbete. Veda-se interpretação que lhe reduza o alcance. 5 Em função de todo o acima exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso interposto. E meu voto. Rosa Maria de esus da Silva Costa de Castro 6
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Numero do processo: 10283.720264/2007-92
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
Ementa:
OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL. INFORMAÇÕES OBTIDAS A PARTIR DE CIRCULARIZAÇÃO DOS COMPRADORES DOS PRODUTOS AGRÍCOLAS.
Deve ser afastada a exigência, quando os valores das notas fiscais de entrada informada pela empresa compradora de produtos agrícolas, estiverem contempladas no total da receita da atividade rural informada pelo contribuinte na Declaração de Ajuste.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Numero da decisão: 2201-001.891
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência o item 1 do Auto de Infração (Omissão de Rendimentos da Atividade Rural).
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Relator.
EDITADO EM: 04/02/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Santos Masset Lacombe, Ewan Teles Aguiar (Suplente convocado), Eduardo Tadeu Farah, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Rayana Alves de Oliveira França. Ausente momentaneamente o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 Ementa: OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL. INFORMAÇÕES OBTIDAS A PARTIR DE CIRCULARIZAÇÃO DOS COMPRADORES DOS PRODUTOS AGRÍCOLAS. Deve ser afastada a exigência, quando os valores das notas fiscais de entrada informada pela empresa compradora de produtos agrícolas, estiverem contempladas no total da receita da atividade rural informada pelo contribuinte na Declaração de Ajuste. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência o item 1 do Auto de Infração (Omissão de Rendimentos da Atividade Rural). Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah - Relator. EDITADO EM: 04/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Santos Masset Lacombe, Ewan Teles Aguiar (Suplente convocado), Eduardo Tadeu Farah, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Rayana Alves de Oliveira França. Ausente momentaneamente o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
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INFORMAÇÕES OBTIDAS A PARTIR DE CIRCULARIZAÇÃO DOS COMPRADORES DOS PRODUTOS AGRÍCOLAS. Deve ser afastada a exigência, quando os valores das notas fiscais de entrada informada pela empresa compradora de produtos agrícolas, estiverem contempladas no total da receita da atividade rural informada pelo contribuinte na Declaração de Ajuste. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência o item 1 do Auto de Infração (Omissão de Rendimentos da Atividade Rural). Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 02 64 /2 00 7- 92 Fl. 261DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 2 EDITADO EM: 04/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Santos Masset Lacombe, Ewan Teles Aguiar (Suplente convocado), Eduardo Tadeu Farah, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Rayana Alves de Oliveira França. Ausente momentaneamente o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2003, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 140/149, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 269.548,28, calculados até 31/05/2007. A fiscalização apurou omissão de rendimentos da atividade rural e omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem comprovação de origem. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, que: 1. Não resta dúvida que a escrituração do Livro Caixa é de competência da empresa fiscalizada, mas sua inexistência ou existência de registros de forma inadequada não faz presumir, por si só, a existência de débito em favor da Receita; 2. Embora, em verdade, o contribuinte, por motivos de força maior, não tenha em data anterior apresentado a Vossa Senhoria o Livro Caixa, o faz em momento ainda oportuno, em que poderá demonstrar de forma inequívoca suas receitas e despesas, descaracterizando o respectivo auto, que baseouse em informações esparsas e equivocadas, justamente por falta destes esclarecimentos que somente o livro Caixa poderá fornecer, alcançandose assim a primazia da realidade; 3. Esclarece, desde já, o equívoco na destinação auferida pelo fiscal dos valores existentes na conta do contribuinte como verbas tributáveis, posto que, como já mencionado, a procedência dos valores de responsabilidade da empresa BUNGE ALIMENTOS, os quais deram origem ao auto de infração, tratamse de pagamentos e adiantamentos/empréstimo, cujo seguro seria a futura safra de soja, já que o contribuinte é fornecedor daquela empresa; 4. A empresa BUNGE ALIMENTOS antecipa, como forma de empréstimos os valores das safras do contribuinte, mas o real contrato somente se efetua quando da colheita, momento no qual a produção, havendo, serlheá entregue, e emitida a respectiva nota fiscal, caso contrário será o negócio desfeito, por se tratar de contrato de coisa futura. Tratase de empréstimo de consecução da safra, objeto de base não tributável. Em Fl. 262DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10283.720264/200792 Acórdão n.º 2201001.891 S2C2T1 Fl. 3 3 evidência, o depósito efetuado em 30/09/2002 em conta poupança do banco Bradesco S/A, no valor de R$ 867.082,50, que somente nos anos posteriores foram quitados com a devida safra; 5. Quanto aos demais valores depositados através de cheques, tratase de vendas de menor valor recebidas em caixa e depositadas em conta poupança também no banco Bradesco, as quais estão devidamente registradas em livro Caixa; 6. Desta feita, encontramse anexos ao presente recurso, o livro Caixa do contribuinte e a retificadora do imposto de renda, e demais documentos que comprovam o alegado; 7. Requer seja o auto de infração cancelado. A 2ª Turma da DRJ em Belém/PA julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997. A Lei nº 9430/1996 estabeleceu em seu art. 42 presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito. ATIVIDADE RURAL. LIVRO CAIXA. A simples apresentação do livro Caixa, sem documentação que dê suporte aos valores lançados, não tem o condão de comprovar a atividade rural do contribuinte. O livro Caixa apresenta inconsistências quando confrontado com documentação da empresa adquirente dos produtos da atividade rural do contribuinte. Lançamento Procedente Intimado da decisão de primeira instância em 13/08/2008 (fl. 186), Valdir Santo Andrelino apresenta Recurso Voluntário em 04/09/2008 (fls. 191/192), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Como se colhe do relatório, o lançamento referese à omissão de rendimentos da atividade rural e omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem comprovação de origem, relativamente a fatos ocorridos no anocalendário de 2002. Em sua peça recursal solicita o suplicante provimento ao seu recurso alegando, basicamente, que o valor de R$ 1.220.959,19, recebidos da Bunge Alimentos, foi incluído na receita da atividade rural informada em sua Declaração Ajuste. Por fim, afirma que “a receita auferida no ano calendário de 2002, está devidamente comprovada através do extrato bancário, das NF e na DIRPF2003, atendendo dessa forma ao item de documentos hábeis e idôneos necessários à prova dos fatos ...”. Pois bem, em relação ao item 1 do Auto de Infração, omissão de rendimentos da atividade rural, assiste razão ao Recorrente. Analisando detidamente o livro caixa, fls. 02/50 – Anexo I, verifico, pois, que o valor de R$ 1.220.959,19, informado pela Bunge alimentos como sendo relativo à venda de soja no anocalendário 2002, foi de fato incluído no livro caixa do recorrente e, consequentemente, está contemplado no montante de R$ 1.433.687,63, informado pelo contribuinte em sua DIRPF/2003, a título de receita bruta da atividade rural. Com efeito, a entrada dos valores não ocorreu conforme informação prestada pela Bunge Alimentos. Exemplificando, constatase um crédito no extrato bancário do recorrente no valor de R$ 70.000,00, efetuado pela Bunge Alimentos no dia 07/05/2002 (fl. 14), contudo, na informação prestada pela própria Bunge Alimentos à fiscalização, fls. 35, não consta o referido crédito e tampouco emissão da Nota Fiscal de Entrada. Ressaltese que os valores creditados na conta corrente do recorrente, proveniente da empresa Bunge Alimentos, foram discriminados pelo contribuinte no livro caixa às fls. 02/50 – Anexo I. Portanto, tem razão o recorrente quando afirma que “... não se podem encontrar valores exatos de depósitos mensais comparados às Notas Fiscais emitidas em determinado mês, pois o fato de haver emissão de NF não caracteriza o efetivo recebimento da receita, pois a NF é documento que acoberta a circulação do produto, suas características e informações de seu valor; no entanto não significa que este valor já tenha sido recebido, ou ainda, que tenha sido recebido exatamente no mesmo período de emissão da NF”. No caso de atividade rural a coincidência de datas e valores com as importâncias creditadas em conta bancária deve ser relativizada, pois essa atividade econômica possui inúmeras particularidades. Em relação ao tema, reproduzo as observações do Conselheiro Moisés Giacomelli, quando dissertou sobre o funcionamento da atividade rural (Acórdão n° 220100.399): Quando se fiscaliza a movimentação financeira das pessoas que exercem atividade rural é necessário que se compreenda o funcionamento deste segmento econômico. Na compra de bovinos, por exemplo, os animais saem do campo e são transportados até o frigorífico com preço de pauta, especificado na nota fiscal. Contase a quantidade de animais e multiplicase pelo preço fixado pela autoridade fiscal do Estado. No entanto, quem conhece o setor sabe que animais para o abate são comercializados não por quantidade, mas sim por peso. A pesagem, em geral, se dá no frigorífico. Desta forma, nunca haverá coincidência entre o valor pago em razão do peso com o valor especificado na nota fiscal do produtor ou da nota avulsa fornecida pelo Posto de Fiscalização do ICMS. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10283.720264/200792 Acórdão n.º 2201001.891 S2C2T1 Fl. 4 5 Na sequência dos exemplos, destaco o comércio de soja onde ocorrem inúmeras variáveis, a saber: a) pagamento antecipado para entrega futura; b) adiantamento para custeio, por parte da empresa compradora, cujo valor antecipado é descontado quando da entrega da mercadoria; c) fornecimento de insumos pela empresa compradora, cujo preço dos Sumos é descontado quando da entrega da mercadoria; d) grau de umidade do produto que é fator de variável no preço; e) condições das estadas de onde sai o produto; 1) distância existente entre a lavoura e a empresa compradora; g) desconto do FUNRURAL; h) entrega para venda finura; i) prazos de pagamento etc. etc. No comércio de soja, como de outros produtos, a nota fiscal é emitida quando da entrega da mercadoria. Assim, se houve antecipação para custeio ou venda para entrega finura, para citar apenas dois exemplos, não há como imaginar que seja possível utilizar as notas fiscais para buscar coincidência de datas e valores das importâncias creditadas em conta bancária. Não há nem proximidade. Não são raros os casos em que produtor vende antecipadamente determinada quantidade de produto e depois, em razão de variáveis climáticas, sanitárias ou ataque de pragas' só vai conseguir entregar a produção na safra seguinte àquela que inicialmente foi ajustada. Tudo o que se disse em relação ao comércio de bovinos e de soja vale para os demais produtos agrícolas. Também é necessário que se tenha presente que a produção agrícola não se dá no asfalto, mas sim em fazendas cujas condições de acesso, em épocas de chuva, é quase que impraticável. Desta forma, em condições normais, um caminhão transporta determinado número de toneladas e em períodos de chuva esta quantidade diminui consideravelmente, sem que isto implique na obrigatoriedade de alteração do valor da nota fiscal, até porque a pesagem, em regra, ocorre no ato da entrega da mercadoria e não quanto esta sai da lavoura. No caso em apreço, se a própria informação prestada pela Bunge Alimentos diverge dos valores creditados na conta corrente do autuado, não se pode exigir do contribuinte coincidência de datas e valores. Destarte, devese excluir da exigência o item 01 do Auto de Infração omissão de rendimentos da atividade rural. Quanto à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, penso que a apresentação do livro caixa da atividade rural, desacompanhado da documentação probatória, é absolutamente insuficiente para comprovar a origem. Para fins de comprovação desta modalidade de lançamento deve o recorrente estabelecer uma relação entre cada crédito em conta e a origem que se deseja comprovar, com razoável coincidência de data e valor, não cabendo, desta feita, a comprovação de forma genérica com indicação da receita da atividade rural a justificar um ou vários créditos em conta. Além do mais, o fato de a quase totalidade dos rendimentos e recursos declarados pelo contribuinte serem oriundos da atividade rural não é fator determinante, por si Fl. 265DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 6 só, para que às omissões de rendimentos apuradas com base nos depósitos bancários sejam aplicadas às normas da tributação da atividade rural. Para tanto, é necessário que o contribuinte faça prova de que tais valores são oriundos da comercialização de produtos agrícolas omitidos em sua DIRPF. Aliás, a atividade declarada pelo contribuinte foi de “dirigente, presidente e diretor de empresa industrial, comercial ou prestadora de serviços” (fl. 04). Além do mais, consta na Declaração de Ajuste rendimentos recebidos de outras atividades (fl. 05). Destarte, sem a comprovação da origem dos créditos, correto o procedimento do Fisco em considerar os valores declarados como receitas de outras atividades, sujeitas à tributação pelo regime geral das pessoas físicas. Ante a todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência o item 01 do Auto de Infração. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 266DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10283.720264/200792 Acórdão n.º 2201001.891 S2C2T1 Fl. 5 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10283.720264/200792 Recurso nº: TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201001.891. Brasília/DF, 20 de novembro de 2012 Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 267DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 8 Fl. 268DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10660.001151/99-32
Data da sessão: Thu May 21 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu May 21 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992
FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. COMERCIALIZAÇÃO DE COMBUSTÍVEL. INVIABILIDADE, SALVO QUANDO DEMONSTRAR QUE NÃO HOUVE REPASSE DO ENCARGO AO CONTRIBUINTE DE FATO.
No âmbito do regime de substituição tributária, o comerciante varejista de combustível, substituído tributário, detém legitimidade ativa para questionar a exigência do FINSOCIAL incidente no comércio de derivados de petróleo e álcool etílico hidratado para fins carburantes. Todavia, o direito de pleitear a repetição do indébito, mediante restituição ou compensação, depende da demonstração de que o substituído suportou o encargo, não repassando para o preço cobrado do consumidor final.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-000.277
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Ribeiro Nogueira, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Beatriz Veríssimo de Sena.
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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Recorrida DRJ - JUIZ DE FORA/MG ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. COMERCIALIZAÇÃO DE COMBUSTÍVEL. INVIABILIDADE, SALVO QUANDO DEMONSTRAR QUE NÃO HOUVE REPASSE DO ENCARGO AO CONTRIBUINTE DE FATO. No âmbito do regime de substituição tributária, o comerciante varejista de combustível, substituído tributário, detém legitimidade ativa para questionar a exigência do FINSOCIAL incidente no comércio de derivados de petróleo e I álcool etílico hidratado para fins carburantes. Todavia, o direito de pleitear a repetição do indébito, mediante restituição ou compensação, depende da demonstração de que o substituído suportou o encargo, não repassando para o preço cobrado do consumidor final. Recurso Voluntário Negado. I , Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pá maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Ribeiro Nogueira, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Beatriz Veríssimo de Sena. M 01A. k41_, 'tf i ÁrAfV51-4ADA --------MORIM - Presidente ,-- LUCIANO LOPESp i E ALMEIDA MORAES - Relator EDITADO EM: 14 de outubro de 2009 1 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim, Ricardo Paulo Rosa, Corintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Veríssimo de Sena, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes Armando. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Trata o presente processo de pedido de restituição de valores recolhidos a titulo de Contribuição para o Fundo de Investimento Social (FINSOCIAL), referentes aos pagamentos das quantias excedentes à alíquota de 0,5% (meio por cento). A Delegacia da Receita Federal em Divinópolis por meio da decisão SAS1T n° 10665.00172/00 (fls.40/45), indeferiu a solicitação da requerente apontando como razões para tanto o decurso do prazo decadencial previsto no artigo 168 da Lei n° 5.172/66 (CT1V) e que no caso de restituição de tributos que comportem a transferência do respectivo encargo financeiro somente pode ser a quem fizer prova de ter assumido o referido encargo financeiro. A interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 47/49, com as seguintes alegações: — Quanto à caracterização do contribuinte tem-se o comerciante varejista é na verdade o contribuinte, o preço de venda a varejo é a base de cálculo da contribuição, que é recolhida pelo distribuidor (responsável), o varejista recolhe tão somente a contribuição devida sobre outras receitas, o encargo financeiro é assumido pelo comerciante varejista e os clientes não são caracterizados como contribuintes, de acordo com o artigo 3 0 do Regulamento do FINSOCIAL; II — Quanto ao prazo decadencial, apresenta ementas de acórdãos e citações doutrinárias para concluir que a homologação tácita do recolhimento referente ao primeiro fato gerador considerado inconstitucional se deu em outubro de 1994 e portanto o prazo para se pleitear a restituição se extinguiu em outubro de 1999, que o direito do contribuinte de pleitear a restituição iniciou-se em 30/08/95, data da publicação da MP n° 1.110, começando nesta data a contagem de 5(cinco) anos, extinguindo-se portanto somente em agosto de 2000 e que o contribuinte pleiteante da restituição é o comerciante varejista e não o distribuidor. Esta Delegacia da Receita Federal de Julgamento apreciando a manifestação de inconformidade apresentada, a indeferiu, por intermédio da Decisão DRJ/JFA N° 347, de 16 de março de 2001, uma vez que já havia decaído o direito de pleitear a restituição à época em que foi protocolado o pedido em questão,nos termos do Ato Declarató rio SRF n°96/99. 2 Processo n° 10660.001151/99-32 S3-CIT2 Acórdão n.° 3102-00.277 Fl. 149 Não resignada com a decisão proferida em primeira instância, a recorrente apresentou em 17/04/2001 (fls. 55) recurso voluntário com as mesmas alegações da peça impugnató ria quanto ao prazo decadencial para o pedido de restituição. Os membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuinte, por meio do Acórdão n° 201-75.249, decidiram, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos da ementa de fls. 59, que se transcreve: "FINSOCIAL — REPETIÇÃO DE INDÉBITO — O Parecer COSIT n° 58, de 27/10/98, em relação ao FINSOCIAL, vazou entendimento de que o termo a quo para o pedido de restituição do valor pago com alíquota excedente a 0,5%, começa a contar da data da edição da MP n° 1.110, ou seja, em 31/05/95. Desta forma, considerando que até 30/11/99 esse era o entendimento da SRF, todos os pedidos protocolados até tal data, estão no mínimo, albergados por ele. Recurso que se dá provimento". A interessada foi cientificada do acórdão acima em 25/06/2003 e em 10/08/2005 informou, conforme documentos de fls. 82 e 86, o aproveitamento de parte do crédito reconhecido nas Declarações de Compensação n" 35209.65729.220705.1.3.04- 5855 e 40509.36876.300106.1.3.04-7883. No despacho de fls.123, ficou consignado que em cumprimento ao decido no Acórdão n°201-75.249, de 21/08/2001 apurou-se o crédito a que faz jus o contribuinte em decorrência de recolhimentos a maior do FINSOCIAL do período de set/89 a mar/92. O crédito em questão, atualizado nos termos da NE COSAR/COSIT n" 08/97 (fis. 106), foi utilizado na compensação dos débitos objetos das declarações de compensação baixadas para tratamento manual neste processo. Após operacionalização da compensação, conforme intimação de fls. 126, verificou-se ser o crédito insuficiente para liquidação da totalidade dos débitos, intimando-se a requerente a efetuar o pagamento do saldo devedor remanescente. Às fls. 127/128, a requerente apresenta impugnação face à intimação recebida argumentando o seguinte: 1) Em manifestação de inconformidade contra o indeferimento do seu pleito pela DRF discordou da preliminar de decadência e do mérito ao demonstrar que: o regulamento do FINSOCIAL determina que a mencionada contribuição devida pelos contribuintes deve ser recolhida pelos distribuidores, os distribuidores são os responsáveis pelo recolhimento enquanto o comerciante varejista é o contribuinte e no preço de custo dos combustíveis está embutida a contribuição; 2) Continua sua explanação alegando que uma vez que o Delegado da Receita Federal de Julgamento indeferiu o pedido sob a alegação única de ter sido o mesmo alcançado pela 3 decadência, infere-se que as alegações da empresa foram acatadas e quanto ao mérito o crédito foi reconhecido; 3) A empresa apresentou então recurso ao Conselho de Contribuintes no qual demonstra que o pedido não foi alcançado pela decadência. No mesmo recurso a empresa ratifica as razões apresentadas no recurso dirigido à DRJ em Juiz de Fora. 4) Aduz que os membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes acordam por unanimidade, em dar provimento ao recurso, discorrendo longamente sobre o instituto da decadência, considerando reconhecido o direito quanto ao mérito na primeira instância. 5) Aduz ainda que o crédito solicitado está implicitamente reconhecido pelo fato de que o Conselho de Contribuintes quando dá provimento negando preliminar de decadência sem que a autoridade de primeira instância tenha examinado o mérito, sistematicamente encaminha o processo para análise do referido mérito, fato que não ocorreu com o presente. No despacho da SAORT/Divinópolis de fls. 130/131, após breve relato do ocorrido, informa-se que foi providenciada a compensação conforme demonstrativo de fls. 120/122, levando em consideração apenas os créditos apurados em recolhimentos próprios (comprovantes de pagamentos fls. 91/96) e em função das alegações já relatadas do contribuinte o processo é encaminhado a esta Delegacia de Julgamento para que se pronuncie quanto ao mérito. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Juiz de Fora/MG indeferiu o pleito da recorrente, conforme Decisão DRJ/JFA n.° 15.256, DE 17/01/2007, fls. 132/137: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de tê-lo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebê-la Solicitação Indeferida Às fls. 137/v o contribuinte foi intimado da decisão supra, motivo pelo qual apresenta Recurso Voluntário de fls. 138142, tendo sido dado, então, seguimento ao recurso interposto. É o Relatório. 4 Processo n° 10660.001151/99-32 S3-CIT2 Acórdão n.° 3102-00.277 Fl. 150 Voto Conselheiro LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Relator O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. O presente caso trata da repetição dos pagamentos do Finsocial. Afastada a decadência, novamente foi indeferido o pedido do recorrente, já que alegado que, em casos de substituição tributária, não é possível acatar a repetição em face da não comprovação do repasse. O Decreto n. 92.698/86, que aprovou o regulamento do FINSOCIAL, previa a substituição tributária no recolhimento da exação exigível dos varejistas de combustíveis, que passou à responsabilidade dos distribuidores, na condição de substituto tributário: Art. 10. Os distribuidores de derivados de petróleo e álcool etílico hidratado para fins carburantes são responsáveis pela contribuição devida pelos varejistas desses produtos. Parágrafo único: O disposto neste artigo alcança somente os produtos cujo preço de venda no varejo seja fixado pelo órgão competente. A legislação vigente à época dos recolhimentos do extinto FINSOCIAL, quanto ao caso em tela, comércio de combustíveis, previa o regime de substituição tributária para frente, impondo ao distribuidor de combustíveis a responsabilidade pelo pagamento do tributo. Porém, ao repassar o produto ao varejista, o distribuidor embute no preço a contribuição que antecipadamente recolheu, no mesmo sentido em que, normalmente, o varejista faz. Assim, embora não figure na relação tributária como responsável pelo recolhimento do FINSOCIAL, o comerciante varejista, substituído tributário, ao adquirir o combustível para posterior revenda, desembolsa, além do preço do produto, o montante equivalente ao ônus da imposição fiscal, passando a deter, também, legitimidade para pleitear a repetição. Entretanto, o CTN dispõe em seu art. 166 que nos casos de tributo que comporte, por sua natureza, a transferência do respectivo encargo financeiro, a repetição somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de tê-lo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebê-la. A Súmula 546 do STF é no mesmo sentido, ao dispor que "cabe a restituição do tributo pago indevidamente, quando reconhecido por decisão, que o contribuinte de jure não recuperou do contribuinte de facto o quantum respectivo". 5 Neste sentido bem ensina Hugo de Brito Machado in substituição Tributária e realidades afins - legitimidade ativa "ad causam", in Revista Dialética de Direito Tributário n" 68, maio de 2001, p. 68/69: Tanto o substituto como o substituído, portanto, possuem legitimidade ativa ad causam para a propositura de ações questionando a validade de aspectos do regime, ou mesmo a sua totalidade. Ambos integram a relação jurídica tributária. O substituto tem o direito subjetivo de não pagar tributo indevido e de não ter de reter ou descontar tributo indevido, e o substituído tem o direito de não ter retido ou descontado tributo indevido. A única restrição que se faz diz respeito à ação de restituição do indébito, para a qual terá legitimidade quem provar haver efetivamente arcado com o ônus do tributo. Note-se que nessa hipótese será viável a prova, e aquele que tiver arcado com o tributo terá todo o interesse (de fato) em pleitear a sua restituição. Aplica-se, portanto, o art. 166 do Código Tributário Nacional, não para cercear o acesso ao judiciário, amesquinhando direitos fundamentais, mas para assegurar o acesso a quem teve direito violado. (.) Não é razoável admitir- se que alguém possua o dever de juridicamente arcar com o ônus do tributo, realize o fato gerador respectivo e não seja dotado de legitimidade para discutir essa exigência. Se o contribuinte substituído realiza o fato gerador, e se tem o dever de arcar com o ônus do tributo, que pelo substituto é em princípio apenas 1 retido e entregue aos cofres públicos, é evidente que integra o pólo passivo da relação jurídica tributária, tendo todo o interesse em questionar sua validade. No caso, como o recorrente, substituído tributário (comerciante varejista), não comprovou o não repasse do encargo tributário ao consumidor final, correta a decisão proferida pela DRJ. O STJ já unificou este entendimento recentemente: TRIBUTÁRIO. FINSOCIAL INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DE COMBUSTÍVEL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO, MEDIANTE COMPENSAÇÃO, FORMULADO POR COMERCIANTE VAREJISTA. INVIABILIDADE, SALVO QUANDO DEMONSTRAR QUE NÃO HOUVE REPASSE DO ENCARGO AO CONTRIBUINTE DE FATO. I. No âmbito do regime de substituição tributária, o comerciante varejista de combustível, substituído tributário, detém legitimidade ativa para questionar a exigência do FINSOCIAL incidente no comércio de derivados de petróleo e álcool etílico hidratado para fins carburantes. Todavia, o direito de pleitear a repetição do indébito, mediante restituição ou compensação, depende da demonstração de que o substituído suportou o encargo, não repassando para o preço cobrado do consumidor final. 2. Embargos de divergência a que se nega provimento. , (STJ — 1" Seção - EREsp 648288 / PE — Rel. Min. Teori Albino Zavascki — DJU 11/09/2006) No voto, o Relator é claro: 6 Processo n° 10660.001151/99-32 S3-CIT2 Acórdão n.° 3102-00.277 Fl. 151 Irrepreensível também o acórdão embargado que explicitou não ter o comerciante varejista de combustíveis legitimidade para pleitear a compensação de valores indevidamente recolhidos, indicando jurisprudência desta Corte, segundo a qual "o valor referente ao FINSOCIAL encontra-se embutido no preço pago pelo comerciante quando da aquisição do combustível ou lubrificante, o qual r 'passa-o totalmente para o consumidor final" OZ. 498). No vinco do expo . to, voto no sentido de negar provimento ao recurso interposto, prejudicados os demais ar! mentos. LUCIANO LOP. D MEIDA MORAE. 7
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Numero do processo: 10825.001764/2005-95
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
Ementa:
PRELIMINAR. NULIDADE DO LANÇAMENTO POR FALTA DE MOTIVAÇÃO. DESCABIMENTO.
O lançamento é ato administrativo vinculado à lei e obrigatório, toda vez que a autoridade fiscal apurar que um determinado contribuinte cometeu infração à legislação tributária - nos termos do art. 142 do CTN. Desde que o lançamento contenha todos os elementos necessários ao entendimento do lançamento, abre-se, com a Impugnação, a oportunidade do contribuinte demonstrar que o mesmo deve ou não prosperar.
PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Somente podem ser consideradas nulas as decisões proferidas com preterição do direito de defesa da parte, nos termos do art. 59, inc. II do Decreto nº 70.235/72.
IRPF. DEDUÇÕES. DESPESA MÉDICA.
Comprovadas, através de recibos idôneos trazidos aos autos - e ainda de declarações firmadas pelos prestadores de serviços - a efetividade das despesas médicas efetuadas, devem as mesmas ser restabelecidas.
IRPF. DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA.
Nos termos do art. 8º, § 2º, inc. III da Lei nº 9.250/95, somente podem ser deduzidas as despesas médicas comprovadas por meio de recibo que preencha os requisitos da lei (com indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de quem os recebeu). Quando, porém, os recibos não forem suficientes à comprovação da despesa, cabe ao contribuinte fazer prova - por quaisquer outros meios - de que os recibos correspondem a serviços efetivamente prestados e pagos, sob pena de prevalecer a glosa das referidas despesas.
LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. EXAME DA LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 02.
Não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do Poder Judiciário.
Numero da decisão: 2102-002.397
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares de nulidade e, no mérito, por maioria, em DAR parcial provimento ao recurso para restabelecer a dedução com despesa médica no valor de R$ 10.000,00 no Exercício de 2003. Vencidos os Conselheiros Núbia Matos Moura e Giovanni Christian Nunes Campos que negavam provimento.
Assinado Digitalmente
Giovanni Christian Nunes Campos - Presidente
Assinado Digitalmente
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora
EDITADO EM: 05/12/2012
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, NÚBIA MATOS MOURA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, EIVANICE CANÁRIO DA SILVA.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 Ementa: PRELIMINAR. NULIDADE DO LANÇAMENTO POR FALTA DE MOTIVAÇÃO. DESCABIMENTO. O lançamento é ato administrativo vinculado à lei e obrigatório, toda vez que a autoridade fiscal apurar que um determinado contribuinte cometeu infração à legislação tributária - nos termos do art. 142 do CTN. Desde que o lançamento contenha todos os elementos necessários ao entendimento do lançamento, abre-se, com a Impugnação, a oportunidade do contribuinte demonstrar que o mesmo deve ou não prosperar. PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Somente podem ser consideradas nulas as decisões proferidas com preterição do direito de defesa da parte, nos termos do art. 59, inc. II do Decreto nº 70.235/72. IRPF. DEDUÇÕES. DESPESA MÉDICA. Comprovadas, através de recibos idôneos trazidos aos autos - e ainda de declarações firmadas pelos prestadores de serviços - a efetividade das despesas médicas efetuadas, devem as mesmas ser restabelecidas. IRPF. DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. Nos termos do art. 8º, § 2º, inc. III da Lei nº 9.250/95, somente podem ser deduzidas as despesas médicas comprovadas por meio de recibo que preencha os requisitos da lei (com indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de quem os recebeu). Quando, porém, os recibos não forem suficientes à comprovação da despesa, cabe ao contribuinte fazer prova - por quaisquer outros meios - de que os recibos correspondem a serviços efetivamente prestados e pagos, sob pena de prevalecer a glosa das referidas despesas. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. EXAME DA LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 02. Não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do Poder Judiciário.
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NULIDADE DO LANÇAMENTO POR FALTA DE MOTIVAÇÃO. DESCABIMENTO. O lançamento é ato administrativo vinculado à lei e obrigatório, toda vez que a autoridade fiscal apurar que um determinado contribuinte cometeu infração à legislação tributária nos termos do art. 142 do CTN. Desde que o lançamento contenha todos os elementos necessários ao entendimento do lançamento, abrese, com a Impugnação, a oportunidade do contribuinte demonstrar que o mesmo deve ou não prosperar. PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Somente podem ser consideradas nulas as decisões proferidas com preterição do direito de defesa da parte, nos termos do art. 59, inc. II do Decreto nº 70.235/72. IRPF. DEDUÇÕES. DESPESA MÉDICA. Comprovadas, através de recibos idôneos trazidos aos autos e ainda de declarações firmadas pelos prestadores de serviços a efetividade das despesas médicas efetuadas, devem as mesmas ser restabelecidas. IRPF. DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. Nos termos do art. 8º, § 2º, inc. III da Lei nº 9.250/95, somente podem ser deduzidas as despesas médicas comprovadas por meio de recibo que preencha os requisitos da lei (com indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de quem os recebeu). Quando, porém, os recibos não forem suficientes à comprovação da despesa, cabe ao contribuinte fazer prova por quaisquer outros meios de que os recibos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 00 17 64 /2 00 5- 95 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 12/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 17/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 correspondem a serviços efetivamente prestados e pagos, sob pena de prevalecer a glosa das referidas despesas. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. EXAME DA LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 02. Não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares de nulidade e, no mérito, por maioria, em DAR parcial provimento ao recurso para restabelecer a dedução com despesa médica no valor de R$ 10.000,00 no Exercício de 2003. Vencidos os Conselheiros Núbia Matos Moura e Giovanni Christian Nunes Campos que negavam provimento. Assinado Digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 05/12/2012 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, NÚBIA MATOS MOURA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, EIVANICE CANÁRIO DA SILVA. Relatório Em face da contribuinte acima identificada foi lavrado o Auto de Infração de fls. 10/15 para exigência de IRPF em razão da glosa das médicas deduzidas por ela no Exercício de 2003. Foram glosadas as despesas com os seguintes profissionais (e respectivos valores): Mariana de Carvalho Bini: R$ 10.000,00 (dentista) Juliana Volpato: R$ 10.000,00 (fonoaudióloga) Ana Claudia S. Ribeiro: R$ 5.000,00 (psicóloga) Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01/08, por meio da qual requereu: a) a anulação do lançamento, diante da falta de motivação da autoridade fiscal para efetuar as glosas em questão; b) ocorrência de bis in idem, na hipótese de se exigir ao mesmo tempo o IR do tomador do serviço e do seu prestador; c) ausência de solidariedade entre o profissional de saúde e o contribuinte; d) idoneidade dos recibos, que Fl. 79DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 12/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 17/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10825.001764/200595 Acórdão n.º 2102002.397 S2C1T2 Fl. 79 3 pode ser ratificada por meio de declarações anexadas à Impugnação; e e) acaso mantido o lançamento, deveria ser excluída a multa punitiva de 75% aplicada ao mesmo. Na análise de suas alegações, os integrantes da DRJ em Brasília decidiram pela manutenção integral do lançamento, em decisão da qual se extrai a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS. Mantémse a glosa das despesas médicas por falta de comprovação hábil e idônea da prestação dos serviços, e do efetivo pagamento ao profissional habilitado. Lançamento Procedente A contribuinte teve ciência de tal decisão e contra ela interpôs o Recurso Voluntário de fls. 51/62, por meio do qual reiterou os argumentos expostos em sua Impugnação, ressaltando que a decisão recorrida deixara de motivar a recusa na aceitação dos recibos e declarações firmados pelos profissionais emitentes dos recibos cuja dedução foi pleiteada, e ainda que a mesma fora contraditória ao afirmar que não se estaria inquinando de falsidade os documentos apresentados, quando ao mesmo tempo não os estava acolhendo. Os autos então foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora A contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 08.08.2008, como atesta o AR de fls. 50. O Recurso Voluntário foi interposto em 03.09.2008 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de lançamento por meio do qual foram glosadas despesas médicas efetuadas pelo Recorrente ao longo do anocalendário 2002. Como preliminar ao seu recurso, a Recorrente reitera uma questão suscitada em sede de Impugnação, que diz respeito a uma nulidade no lançamento por não ter o mesmo sido motivado, pela ausência de justificativa da decisão recorrida para rejeitar a documentação acostada por ela aos autos. Tal pretensão não merece acolhida. O fundamento legal para o lançamento está devidamente elencado no Auto de Infração, tanto é assim que a Recorrente teve chance de se defender, e menciona a norma que fundamenta o lançamento em sua Impugnação, de forma que não houve qualquer violação ao seu direito de ampla defesa. Da mesma forma, o lançamento não carece de motivação, pois esta motivação está contida no Código Tributário Nacional, que assim determina: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a Fl. 80DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 12/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 17/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Assim é que toda vez que a autoridade fiscal apurar uma infração à lei tributário (no caso, o art. 8º da Lei nº 9.250/95) deverá ela efetuar o lançamento de ofício, exatamente como ocorreu no caso vertente. Por fim, também não merece acolhida a alegação de que a decisão recorrida teria deixado de demonstrar as razões pelas quais não foram aceitas as declarações e recibos trazidos pela Recorrente aos autos, pois estas razões foram sim explicitadas, como demonstra o seguinte trecho, extraído da decisão recorrida: O impugnante juntou aos autos diversos recibos e declarações com o fim de comprovar os serviços prestados. Entretanto, como bem esclarecido acima, quando pleiteadas deduções em relação aos rendimentos tributáveis, como é o caso do contribuinte, simples recibos ou declarações emitidas pelos profissionais não 'são suficientes para comprovar, primeiramente, o serviço prestado, e, principalmente, o efetivo desembolso dos valores declarados como pagos a ditos profissionais, como bem o contribuinte poderia ter feito, mediante apresentação de documentos tais como cheques, saques, transferências e/ou extratos bancários, etc, que fossem capazes de vincular os recibos apresentados aos dispêndios efetuados com os respectivos pagamentos pelos serviços prestados. Dessa forma, o impugnante não apresentou documentos hábeis que comprovassem a prestação de serviços relativos ao próprio tratamento e nem comprovou o efetivo desembolso de tais valores efetuados aos profissionais informados na declaração de imposto de renda, assim, mantenho a glosa de despesas médicas. Quanto ao pedido de verificação das declarações de imposto de renda dos profissionais médicos para confrontação com a declaração original de imposto de renda da 1 contribuinte, cabe primeiramente salientar que os profissionais médicos estão desobrigados de informar nominalmente os usuários de seus serviços, bastando declarar de forma globalizada os rendimentos auferidos no anocalendário. \. Ademais, a prova da efetividade do pagamento das despesas médicas no!presente caso, claramente, não depende de declaração de rendimentos dos profissionais médicos. A própria impugnante poderia ter apresentado os elementos necessários para 'comprovar que, além de ter realizado os tratamentos médicos e odontológicos, efetuou os pagamentos declarados. Por estes motivos, as preliminares suscitadas pela Recorrente não merecem acolhida. Quanto ao mérito do Recurso Voluntário, a Recorrente insiste que as despesas glosadas seriam comprovadas através de recibos acostados às fls. 19/35. Tais despesas foram glosadas pela autoridade fiscal pelos seguintes motivos: Fl. 81DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 12/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 17/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10825.001764/200595 Acórdão n.º 2102002.397 S2C1T2 Fl. 80 5 Dedução indevida a título de despesas médicas. Glosa fde despesas médicas cujo efetivo pagamento não foi comprovado. Para se gozar do abatimentopleiteado com base em despesas médicas, !não basta a disponibilidade de um simples recibo, sem vinculação do pagamento ou a efetiva prestação de serviços. Essas condições devem ser comprovadas quando restar dúvida quanto à_ idoneidade do documento (Ac. n° 10243935/19991° C.C): (...) Em sua Impugnação, a Recorrente acostou aos autos as declarações de fls. 16/18, firmadas pelas profissionais emitentes dos recibos, e através das quais as mesmas ratificam o conteúdo dos recibos, confirmando que prestaram serviços médicos ou odontológicos à Recorrente, e que receberam os montantes consignados nos recibos em espécie. Diante de tal documentação, e analisando os argumentos então expendidos pela Recorrente, a decisão recorrida deixou de acolher tais documentos como comprobatórios das referidas despesas, ao entendimento de que os mesmos não seriam hábeis a comprovar a efetividade do serviço prestado e tampouco a efetividade do seu pagamento, verbis: (...) Assim sendo e considerando o disposto no já transcrito art. 73, do Decreto n° 3.000, de 1999, cuja matriz legal é o § 3 0 do art. 11 do Decretolei n° 5.844, de 1943, compete ao sujeito passivo o ônus de prova, no caso de deduções de despesas médicas. Registrese, ainda, que em defesa do interesse público, para ter direito às deduções com despesas médicas, não basta ao contribuinte apresentar simples recibos e/ou declarações dos profissionais, cabendo a esse, se questionado pela autoridade administrativa, comprovar, de forma objetiva, a vinculação da prestação do serviço médico com o pagamento efetivamente realizado. O impugnante juntou aos autos diversos recibos e declarações com o fim de comprovar os serviços prestados. Entretanto, como bem esclarecido acima, quando pleiteadas deduções em relação aos rendimentos tributáveis, como é o caso do contribuinte, simples recibos ou declarações emitidas pelos profissionais não 'são suficientes para comprovar, primeiramente, o serviço prestado, e, principalmente, o efetivo desembolso dos valores declarados como pagos a ditos profissionais, como bem o contribuinte poderia ter feito, mediante apresentação de documentos tais como cheques, saques, transferências e/ou extratos bancários, etc, que fossem capazes de vincular os recibos apresentados aos dispêndios efetuados com os respectivos pagamentos pelos serviços prestados. Dessa forma, o impugnante não apresentou documentos hábeis que comprovassem a prestação de serviços relativos ao próprio tratamento e nem comprovou o efetivo desembolso de tais valores efetuados aos profissionais informados na declaração de imposto de renda, assim, mantenho a glosa de despesas médicas. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 12/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 17/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 6 Em sede de recurso, e visando contraditar o entendimento esposado na decisão recorrida, a Recorrente trouxe jurisprudência do Conselho de Contribuintes acerca desta matéria, insistindo que a apresentação dos recibos em conjunto com as declarações firmadas pelos prestadores de serviço seriam suficientes a comprovar a efetiva prestação, e deveriam implicar no acolhimento das referidas despesas como dedutíveis. De fato, a legislação fiscal prevê que para que o contribuinte possa se beneficiar da dedução de suas despesas médicas do Imposto de Renda, deverá ele ter em mãos, além dos recibos competentes (que devem preencher os requisitos da lei), quaisquer outros documentos que demonstrem, ainda que minimamente, a efetividade dos serviços prestados, bem como o seu pagamento. Sem que tais provas sejam feitas, está correta a glosa das despesas médicas não comprovadas. É o que determina o art. 8º da Lei nº 9.250/95: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...) II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; (...) No caso em exame, a Recorrente trouxe aos autos os recibos emitidos pela profissionais em comento (fls. 19/35). Ocorre que dos recibos emitidos por Mariana de Carvalho Bini e por Ana Claudia S. Ribeiro não constam os seus endereços profissionais, razão pela qual tais recibos, de fato, não preenchem os requisitos da lei para que possam ser aceitos na comprovação de despesas médicas dedutíveis do IR. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 12/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 17/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10825.001764/200595 Acórdão n.º 2102002.397 S2C1T2 Fl. 81 7 Somente os recibos firmados pela profissional Juliana Volpato é que preenchem todos os requisitos da lei para que possam ser aceitos. Assim, deve ser restabelecida a dedução do valor de R$ 10.000,00 pagos à referida profissional no Exercício 2003. Outrossim, vale ressaltar que a simples declaração firmada pelas referidas profissionais não é apta a produzir os efeitos da lei em relação à necessidade de apresentar os recibos comprobatórios dos serviços prestados. Ademais, a Recorrente poderia ter trazido aos autos outros documentos que demonstrassem a efetividade dos serviços prestados, sendo certo que deixou até mesmo de descrever quais teriam sido tais serviços. Sem a produção destas provas, não há como acolher a pretensão da Recorrente no que diz respeito às profissionais Mariana e Ana Claudia. Por fim, a Recorrente pugna pela exclusão da multa de ofício aplicada ao lançamento (de 75%). A alegação de que a multa de ofício aplicada ao lançamento teria caráter confiscatório, porém, esbarra em um enunciado da Súmula deste Conselho, este o de nº 2, segundo o qual: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.”. Neste caso, apesar do enunciado não tratar diretamente da questão da multa, deve ele ser aplicado ao caso vertente, pois, sendo a multa de ofício uma determinação legal – devidamente prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96, não cabe ao julgador administrativo avaliar sobre o seu acerto ou sua tecnicidade, mas somente aplicála. A Recorrente pugna pela redução da multa para 20% no entanto, não há previsão legal para que se opere tal redução na multa de ofício, não podendo sua pretensão ser acolhida. Como se vê, esta questão esbarra no enunciado acima transcrito. Sendo assim, deve ser aplicado aqui o caput art. 72 do Regimento Interno deste Conselho de Contribuintes, que assim determina: Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF Diante do exposto, VOTO no sentido de REJEITAR as preliminares suscitadas para, no mérito, DAR PARCIAL provimento ao Recurso para restabelecer a dedução com despesa médica no valor de R$ 10.000,00 no Exercício de 2003. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 84DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 12/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 17/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 8 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 12/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 17/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 10283.901908/2008-22
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002 ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO DO IMPOSTO POR ESTIMATIVA MENSAL. DIREITO CREDITÓRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O pagamento do imposto por estimativa mensal com base na receita bruta e acréscimos ou com base em balanço mensal de suspensão ou redução, no regime de tributação do lucro real anual, tem caráter de antecipação do devido em 31 de dezembro. Enquanto não encerrado o ano-calendário respectivo não há que se falar em pagamento indevido ou a maior de imposto pago por antecipação. Além disso, após encerrado o ano-calendário restitui-se o saldo negativo de imposto a pagar apurado com base no Lucro Real e informado na declaração de ajuste anual, e não o mero pagamento antecipado por estimativa mensal. As provas constantes dos autos não indicam que o pagamento indevido ou a maior foi desconsiderado na apuração anual do IRPJ. É vedada a utilização, em duplicidade, de crédito já computado na apuração do saldo negativo de imposto na declaração de ajuste anual. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis e idôneas, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua líquidez e certeza pela autoridade administrativa. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 1802-001.148
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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DIREITO CREDITÓRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O pagamento do imposto por estimativa mensal com base na receita bruta e acréscimos ou com base em balanço mensal de suspensão ou redução, no regime de tributação do lucro real anual, tem caráter de antecipação do devido em 31 de dezembro. Enquanto não encerrado o anocalendário respectivo não há que se falar em pagamento indevido ou a maior de imposto pago por antecipação. Além disso, após encerrado o anocalendário restituise o saldo negativo de imposto a pagar apurado com base no Lucro Real e informado na declaração de ajuste anual, e não o mero pagamento antecipado por estimativa mensal. As provas constantes dos autos não indicam que o pagamento indevido ou a maior foi desconsiderado na apuração anual do IRPJ. É vedada a utilização, em duplicidade, de crédito já computado na apuração do saldo negativo de imposto na declaração de ajuste anual. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis e idôneas, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua líquidez e certeza pela autoridade administrativa. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10283.901908/200822 Acórdão n.º 180201.148 S1TE02 Fl. 2 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Catilhos e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10283.901908/200822 Acórdão n.º 180201.148 S1TE02 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls.71/82 contra decisão da 1ª Turma da DRJ/Belém (fls.66/69) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, deixando de homologar a compensação tributária pela falta de certeza e liquidez do crédito informado/utilizado. Quanto aos fatos, versam os autos do processo acerca de declaração de compensação tributária, veiculada por meio do programa gerador PER/DCOMP n° 42574.41164.291004.1.3.045080, transmitida eletronicamente em 29/10/2004, na qual a contribuinte pretende aproveitar suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de IRPJ Estimativa mensal, código de receita 2362, valor original de R$ 1.352,15, período de apuração julho/2002, para quitação do débito de IRPJ estimativa, 2362, do período de apuração setembro/2004, de R$ 1.888,55 (fls.1/5). Ainda, consta do PER/DCOMP a informação que o suposto crédito teria sido originado de recolhimento via DARF, em 30/08/2002, no valor de R$ 2.272.077,23 para pagamento do IRPJ estimativa do período de apuração julho/2002 (fl. 3). Cópia do DARF do referido pagamento de R$ 2.272.077,23 (fl.61). Entretanto, na DIPJ Retificadora (exercício 2003, anocalendário 2002), transmitida eletronicamente em 15/11/2006, consta IRPJ estimativa a pagar do PA julho/2002 o valor de R$ 2.270.725,08 (fls. 56/60). Na unidade de origem da RFB, por intermédio do Despacho Decisório da DRF/Manaus de 18/07/2008, n° 775470789 e anexos (fls.6/8), o direito creditório não foi reconhecido e a compensação, por conseguinte, deixou de ser homologada, com base no seguinte fundamento (fl. 06), in verbis: (...) Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 1.352,15 A partir das caracteristicas do DARF discriminado no PER/DCOMP acima Identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo reladonados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Tendo tomado ciência do referido Despacho Decisório em 31/07/2008 (fl.16, verso), o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 20/08/2008 (fls.10/15), via procurador (fls.18/49), alegando em síntese: que o fisco, ao analisar o crédito pleiteado, entendeu por bem não homologar a compensação declarada; que da análise da DIPJ/2003 e do DARF temos: Fl. 98DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10283.901908/200822 Acórdão n.º 180201.148 S1TE02 Fl. 4 4 • valor recolhido = R$ 2.272.077,23; • valor apurado em DIPJ = débito a pagar = R$ 2.270.725,08; • saldo a compensar = R$ 1.352,15; que o valor do débito a pagar, em referência, não se subsume à DCTF, uma vez que foi erroneamente informado; que, diversamente do valor apurado na DIPJ, foi indicado na DCTF o valor do DARF recolhido, fato que gerou essa desconformidade; que o equívoco cometido não pode servir de supedâneo para a negativa da homologação da compensação; que, muito pelo contrário, face à sua singularidade, deve ser aplicado à hipótese o disposto no art.32 do Decreto 70.235/72, ou seja, as inexatidões materiais podem ser corrigidas de ofício; que, nesse sentido, entendese por lapso o erro cometido por descuido, distração, esquecimento ou engano involuntário; que o Ministro Leão de Abreu do STF, em relação a lapso manifesto, assim ponderou: "erro, engano, ou equívoco de caráter notório, patente, irrecusável, que se verifique ictu oculi, à primeira vista; esse caráter de evidência ou de irrecusabilidade tanto pode se verificar nas inexatidões materiais ou nos erros de escrita ou de cálculo" (RE nº 79.400 – GB); que o lapso cometido pela contribuinte não dá razão ao fisco para a não homologação da compensação, devendo aplicar o princípio administrativo da verdade material; que o procedimento adotado pela contribuitne está albergado pelos diplomas legais que tratam acerca da matéria, inexistindo qualquer prejuízo material à Fazenda Nacional; que resta inconteste a boafé da contribuinte. que o art. 10 da IN SRF nº 460/2004 não se aplica à hipótese, uma vez que o crédito utilizado tem origem no período de apuração de julho/2002, sob pena de violação do princípio da irretroatividade das leis; que, de acordo com o artigo 37 da Constituição Federal, a Administração Pública é regida, dentre outros, pelos princípios da moralidade e da eficiência, de modo que, comprovada a existência do direito creditório utilizado, deve ser conhecida a manifestação de inconformidade apresentada e deferida a compensação tributária. Diversamente do entendimento da contribuinte, a DRF/Belém, ao apreciar as razões constantes Manifestação de Inconformidade, não reconheceu o direito creditório pleiteado, mantendo a não homologação da compensação, conforme ementa do Acórdão que transcrevo (fl. 66), in verbis: (...) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JUIÚDICA IRPJ Fl. 99DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10283.901908/200822 Acórdão n.º 180201.148 S1TE02 Fl. 5 5 Data do fato gerador: 31/07/2002 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL. LIQUIDEZ DO CRÉDITO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. As provas constantes dos autos não indicam que o pagamento indevido ou a maior foi desconsiderado na apuração anual do IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL. UTILIZAÇÃO EM DCOMP. IMPOSSIBILIDADE. À época de transmissão da declaração de compensação era vedada a utilização, em DCOMP, de crédito referente a estimativa mensal IRPJ. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. NORMAS DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. No processo administrativo o julgador deve sempre buscar a verdade, ainda que, para isso, tenha que se valer de outros elementos além daqueles trazidos aos autos pelos interessados. A aplicação do princípio da verdade material deve se compatibilizar com os demais princípios processuais existentes e às determinações legais especificas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Inconformada com esse decisum do qual tomou ciência em 13/10/2010 (fl. 70), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 12/11/2010 (fls. 71/82), reiterando as razões já apresentadas na instância a quo, aduzindo ainda: que a liquidez e certeza/origem do crédito pleiteado restam comprovadas pelo simples cotejo do PER/DCOMP com a DIPJ/DARF de pagamento; que inexiste na hipótese qualquer prejuízo ao Erário Federal; que, segundo a melhor jurisprudência desse Egrégio Sodalício, quando comprovado o erro material, deve ser afastado e reconhecido o direito creditório pleiteado; que o artigo 10, da Instrução Normativa SRF nº 460/2004, não se aplica à hipótese, uma vez que o crédito compensado fora originado no período de apuração de julho de 2002, sob pena de malferir o princípio constitucional da irretroatividade das leis. Por fim, a recorrente pediu a reforma da decisão recorrida. É o relatório Fl. 100DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10283.901908/200822 Acórdão n.º 180201.148 S1TE02 Fl. 6 6 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, o litígio versa acerca de pretenso direito creditório no valor original de R$ 1.352,15, cuja origem seria decorrente de pagamento indevido ou a maior do IRPJ estimativa mensal do período de apuração julho/2002, código de receita 2362; que esse valor foi utilizado na declaração de compensação n° 42574.41164.291004.1.3.045080, transmitida eletronicamente em 29/10/2004, para quitação, sob condição resolutória, do débito do IRPJ estimativa, 2362, do período de apuração setembro/2004, no valor de R$ 1.888,55 (fls.1/5). Inexistindo preliminar a ser enfrentada, passo a analisar o mérito. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL. LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CRÉDITÓRIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O sujeito passivo têm direito de fazer compensação tributária para quitação de débitos de tributos com direito creditório líquido e certo de natureza tirubutária, nos termos do art. 170 do CTN c/c art. 74 da Lei nº 9.430/96. Consta dos autos cópia do DARF de pagamento do IRPJ estimativa, do período de apuração 31/07/2002, código de receita 2362, no valor R$ 2.272.077,23, data do pagamento 30/08/2002 (fl. 61). Na DCTF do 3º trimestre/2002, foi confessado débito do IRPJ estimativa do PA julho/2002 no valor de R$ 2.272.077,23. Por sua vez, na DIPJ 2003, anocalendário 2002 (declaração refificadora), transmitida eletronicamente em 15/11/2006, Ficha 11, consta que – para o mês de julho/2002 – com base em balanço de suspensão ou redução – foi apurado IRPJ a pagar no valor de R$ 2.270.725,08 (fls.56 e 59). A recorrente alegou que esse conflito de valores (conflito de informações) entre a DCTF e a DIPJ (retificadora) tratase de mera inexatidão material da DCTF, passível de correção, de ofício, pelo Julgador. Diversamente da tese da recorrente, a questão é mais ampla, pois não se trata de mera inexatidão material. Primeiramente, enfrentemos a questão do alegado erro material de preenchimento da respectiva DCTF. À vista dos elementos constantes dos autos, entendo que a DCTF deve, sim, ser retificada, de ofício, para redução do débito do IRPJ estimativa do P.A Julho/2002 de R$ 2.272.077,23 para R$ 2.270.725,08, pois a DIPJ retificadora, de 15/11/2006, foi apresentada Fl. 101DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10283.901908/200822 Acórdão n.º 180201.148 S1TE02 Fl. 7 7 espontaneamente (a contribuinte, na época, não estava sob procedimento de fiscalização) e o despacho decisório de 18/07/2008 que denegou o direito creditório pleiteado tem como fundamento unicamente a inexistência do direito creditório pleiteado, pelo fato de estar consumido ou integralmente alocado ao débito do período que fora confessado na DCTF respectiva. Não se objetou, não se questionou, no referido despacho a redução da base da cálculo e do imposto pela DIPJ retificadora, quanto ao citado período de apuração. Matéria preclusa. Não obstante, persiste a falta de certeza e liquidez do crédito pleiteado. A contribuinte, no anocalendário 2002, fez opção pelo Lucro Real anual, ficando sujeita à antecipação do imposto com base na receita bruta e acréscimos, ou com base em balancete de suspensão ou redução. O regime de apuração do Lucro Real anual, com obrigação de antecipação de pagamento do IRPJ por estimativa mensal ou com base em balancete mensal de suspensão ou redução, está insculpido na Lei nº 9.430/1996 (art. 2º, § 4º), regulamentado, em nível infralegal, pela IN SRF 94/1997 e IN ulteriores. No regime tributário do Lucro Real anual, os pagamentos mensais do IRPJ, por estimativa ou com base em balanço de suspensão ou redução, têm a natureza de mera antecipação do imposto devido, a ser apurado no encerramento do respectivo anocalendário, com base em balanço anual. Esses pagamentos mensais são meras antecipações do imposto ainda sem fato gerador, cujo fato imponível, anual, somente ocorre no final do respectivo anocalendário, no dia 31 de dezembro. Logo, pela lógica intrínsica do regime de tributação do Lucro Real anual, incabível cogitarse repetição do inbébito tributário do IRPJ antecipado, pago por estimativa mensal ou com base em balanço de suspensão ou redução, antes de findo o respectivo ano calendário, pois o que se restitui é o saldo negativo de imposto apurado com base no Lucro Real anual em 31 de dezembro (balanço anual) e informado na declaração de ajuste anual, e não mera antecipação de imposto pago por estimativa mensal. Após encerrado o respectivo anocalendário, por conseguinte, levantase o balanço anual para apuração do Lucro Real anual que apontará saldo do imposto a pagar ou saldo negativo de imposto a pagar. Se eventuialmente houver pagamentos a maior de imposto por estimativa mensal em relação ao imposto apurado, o saldo negativo do imposto a pagar (é direito creditório do contribuinte). Por conseguinte, não se devolve, não se restitui, mero pagamento antecipado de imposto por estimativa mensal (natureza de mera antecipação), mas sim saldo negativo de imposto apurado com base no Lucro Real anual no levantamento do balanço anual, e informado na declaração de ajuste anual. Essa restrição decorre da Lei nº 9.430/96 (art. 2º, §§ 3º e 4º), e não do art. 21, II, da IN SRF nº 94/97, do art. 6º, I, da IN SRF nº 210/2002, ou do art. 10 da IN SRF nº 460/2004, que apenas reproduzem a mens legis (espírito da lei). Fl. 102DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10283.901908/200822 Acórdão n.º 180201.148 S1TE02 Fl. 8 8 Portanto, como demonstrado, não tem nexo a alegação de que o art. 10 da IN SRF nº 460/2004 estaria ferindo o princípio da irretroatividade. Não obstante, entendo que se algum pagamento antecipado de imposto por estimativa mensal eventualmente não foi computado na declaração de ajuste anual (não foi computado no saldo negativo de imposto a restituir), e desde que pudesse restar, inequivocamente, comprovado nos autos mediante apresentação de sua escrituração comercial com documentos de suporte e dos balanços/balancetes mensais de suspenão/redução devidamente registrados no livro LALUR e transcritos no livro Diário na forma do art. 35 da Lei nº 8.981/95, caberia, sim, a restituição. A contribuinte não juntou aos autos cópia do livro LALUR (apuração do IRPJ), não juntou cópia dos balancetes mensais de suspensão/redução, e não juntou cópia do livro Diário onde pudessem estar escriturados os balancetes de suspensão/redução. Entretanto, com base na DIPJ retificadora (anocalendário 2002), cotejando as Fichas 11 e 12A, constatase que a contribuinte já computou integralmetne o crédito pleiteado no saldo negativo do IRPJ. A recorrente levantou o balanço anual no encerramento do anocalendário 2002, tendo apurado o lucro real anual. Em relação ao imposto apurado/informado na declaração de ajuste anual, após deduzidos os pagamentos por estimativa, restou, por fim, saldo negativo de imposto de R$ 816.915,24, conforme cópia da DIPJ 2003, anocalendário 2002, Ficha 12A (fl. 65). Resta, então, apurar, aquilatar, com os elementos constantes dos autos, se o valor do pagamento do IRPJ estimativa de Julho/2002, no valor de R$ 2.272.077,23 foi, ou não, integralmente computado na apuração desse saldo negativo de imposto. A recorrente informou na DIPJ Retificadora 2003, anocalendário 2002, na Ficha 12A– Cálculo do IR sobre o Lucro Real, que apurara imposto total no valor de R$ 41.638.962,49, informando pagamento total de IRPJ estimativa mensal no valor de R$ 42.455.877,73, gerando saldo negativo do imposto no valor de R$ 816.915,24 (fl. 65). Entretanto, computandose todas as estimativas informadas na DIPJ Retificadora – Ficha 11 (fls.57/60), ainda computandose todas as retenções de IRRF sofridas (de pessoas jurídicas privadas e públicas), obtémse pagamentos de IRPJ estimativa no montante de apenas R$ 41.638.962,49, e não R$ 42.455.877,73, o que geraria saldo zerado de imposto a pagar e não saldo negativo. Porém, computandose, ainda, o valor pleiteado de R$ 1.352,15 (crédito valor original), o saldo negativo de imposto seria tãosomente nesse valor e não o valor do saldo negativo de imposto de R$ 816.915,24 apurado pela contribuinte. Logo, o valor do crédito pleiteado já foi integralmente computado e utilizado pela contribuinte na declaração de ajuste anual do anocalendário 2002 quando da apuração do saldo negativo do imposto, e ainda a contribuinte teria computado/utilizado, em tese, crédito não comprovado nos autos no valor de R$ 815.563,09 (R$ 816.915,24 – R$ 1.352,15). Fl. 103DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10283.901908/200822 Acórdão n.º 180201.148 S1TE02 Fl. 9 9 Por conseguinte, constitui um contrasenso o pleito creditório de R$ 1.352,15, (valor original), pois, além de já estar computado esse valor na declaração de ajuste anual (saldo negativo), estaria, ainda, computando – no saldo negativo crédito não comprovado de R$ 815.563,09. Deferir o crédito pleiteado, no caso, seria permitir sua utilização em duplicidade, pois já foi incorporado, computado na declaração de ajuste anual, gerando saldo negativo de imposto a pagar. A propósito, ainda como razão de decidir, transcrevo, nessa parte, o fundamento do voto condutor do acordão recorrido, que corrobora esse entendimento (fl.67 verso): (...) Na DIPJ/2003 consta a informação de débito estimativa IRPJ julho/2002 de R$ 2.270.725,08. Todavia, não restou comprovado que foi esse o valor da estimativa IRPJ julho/2002 levado ao cálculo do IRPJ (Ficha 12A). Nesse sentido, verificamos que o somatório das estimativas IRPJ informadas na DIPJ (Ficha 11 — fls.57/60) perfaz R$ 32.934.556,53. Adicionandose a esse valor o IRRF (R$ 8.663.593,48) e o IRRF Órgãos Públicos (R$ 40.812,48) chegamos ao montante de R$ 41.638.962,49 a título de estimativas IRPJ efetivamente pagas, enquanto que à Ficha 12A temos "IRPJ Mensal Paga Por Estimativa" de R$ 42.455.877,73 (fl.65), donde podemos concluir que os pagamentos a maior de estimativas IRPJ, embora não constantes da Ficha 11, foram adicionados para fins de informação à Ficha 12A da DIPJ/2003, razão pela qual fica patente a inexistência do direito creditório pleiteado Por tudo que foi exposto, voto para NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 104DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL
score : 1.0
Numero do processo: 10980.005922/00-26
Data da sessão: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Sun Dec 14 00:00:00 UTC 2008
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 1993, 1994
PRELIMINARES DE NÃO CONHECIMENTO.
A preliminar inexistência de divergência não merece prosperar,
uma vez que o acórdão paradigma, em que pese tratar da
decadência de outro tributo, cuidou do instituto relativo a uma
contribuição que também estava abrangida pela Lei n°8.212/91.
A preliminar de perda de objeto decorrente da superveniência da
Súmula n° 8, do Supremo Tribunal Federal, também deve ser
rejeitada, já que o recurso deve ser conhecido inclusive para que
reste claro se é ou não o caso de aplicação da referida Súmula.
Quanto ao dispositivo do CTN que deve ser aplicado, não foi
objeto do recurso e, portanto, não há que se adentrar na questão,
remanescendo o que foi decidido na decisão recorrida.
DECADÊNCIA.
Em face da declaração de inconstitucionalidade do artigo 45 da
Lei n°8.212/91, que redundou na Súmula vinculante n°8 do STF,
para a contagem do prazo decadencial do direito de lançar,
relativamente às contribuições sociais, devem ser obedecidas as
regras previstas no CTN.
Recurso extraordinário rejeitado e, no mérito, negado.
Numero da decisão: PLENO/00-00.020
Decisão: ACORDAM os membros do PLENO da câmara superior de recursos fiscais, 1) Por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de não conhecimento do recurso extraordinário, apresentada em contra-razões, pelo contribuinte; 2) Por maioria de votos,
REJEITAR a preliminar de não conhecimento do recurso extraordinário pela perda de objeto em função da Súmula n° 8 do STF, vencidos os Conselheiros José Clóvis Alves, Josefa Maria Coelho Marques, Susy Gomes Hoffmann, Maria Helena Cotta Cardozo, Gonçalo Bonet Allage, Marcos Vinícius Neder de Lima, Karem Jureidini Dias, Ana Maria Ribeiro dos Reis, Mário
Sergio Fernandes Barroso, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior (substituto convocado) e Antonio Praga;
3) Por maioria de votos, REJEITAR a proposição da Conselheira Karem Jureidini Dias, de aprofundar a analise do mérito, para apreciar o termo de inicio da contagem do prazo decadencial (art. 150 x 173 do CTN), vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias, Marcos Vinícius Neder de Lima, Mário Sergio Fernandes Barroso e Gileno Gurjão Barreto que a acompanharam; e, 4) No mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso extraordinário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: Anelise Daudt Prieto
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(NOVA RAZÃO SOCIAL DE CONSÓRCIO NACIONAL PROSDÓCIMO S/C LTDA) ASSUNTO: NOFtMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1993, 1994 PRELIMINARES DE NÃO CONHECIMENTO. A preliminar inexistência de divergência não merece prosperar, uma vez que o acórdão paradigma, em que pese tratar da decadência de outro tributo, cuidou do instituto relativo a uma contribuição que também estava abrangida pela Lei n°8.212/91. A preliminar de perda de objeto decorrente da superveniência da Súmula n° 8, do Supremo Tribunal Federal, também deve ser rejeitada, já que o recurso deve ser conhecido inclusive para que reste claro se é ou não o caso de aplicação da referida Súmula. Quanto ao dispositivo do CTN que deve ser aplicado, não foi objeto do recurso e, portanto, não há que se adentrar na questão, remanescendo o que foi decidido na decisão recorrida. DECADÊNCIA. Em face da declaração de inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n°8.212/91, que redundou na Súmula vinculante n°8 do STF, para a contagem do prazo decadencial do direito de lançar, relativamente às contribuições sociais, devem ser obedecidas as regras previstas no CTN. Recurso extraordinário rejeitado e, no mérito, negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do PLENO da câmara superior de recursos fiscais, 1) Por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de não conhecimento do recurso extraordinário, apresentada em contra-razões, pelo contribuinte; 2) Por maioria de votos, REJEITAR a preliminar de não conhecimento do recurso extraordinário pela perda de objeto em funçao da Súmula n° 8 do STF, vencidos os Conselheiros José Clóvis Alves, Josefa Maria "fter s Processo n° 10980.005922/00-26 CSRF/T00 Acórdão n.° 00-00.020 Fls. 3 Coelho Marques, Susy Gomes Hoffinann, Maria Helena Cotta Cardozo, Gonçalo Bonet Allage, Marcos Vinícius Neder de Lima, Karem Jureidini Dias, Ana Maria Ribeiro dos Reis, Mário Sergio Fernandes Barroso, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior (substituto convocado) e Antonio Praga; 3) Por maioria de votos, REJEITAR a proposição da Conselheira Karem Jureidini Dias, de aprofundar a analise do mérito, para apreciar o termo de inicio da contagem do prazo decadencial (art. 150 x 173 do CTN), vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias, Marcos Vinícius Neder de Lima, Mário Sergio Fernandes Barroso e Gileno Gurjão Barreto que a acompanharam; e, 4) No mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso extraordinário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ANTA 44 Presidente NELISE DAUDT PRIETO Relatora FORMALIZADO EM: 1 8 JUN 2009 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Antonio Praga (Presidente da CSRF), Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (vice-presidente da CSRF), José Clóvis Alves, Carlos Alberto Gonçalves Nunes, Josefa Maria Coelho Marques, Dalton César Cordeiro de Miranda, Anelise Daudt Prieto, Susy Gomes Hoffmann, Maria Helena Cotta Cardozo, Gonçalo Bonet Allage, Marcos Vinícius Neder de Lima, Karem Jureidini Dias, Henrique Pinheiro Torres, Maria Teresa Martínez Lopez, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rosa Maria de Jesus da Silva Cosa de Castro, Ana Maria Ribeiro dos Reis, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Mário Sergio Fernandes Barroso, Antonio Carlos Guidoni Filho, Antonio Carlos Atulim, Gileno Gurjão Barreto, Maria Cristina Roza da Costa, Nanci Gama, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Gustavo Lian Haddad, Antonio Bezerra Neto (Substituto Convocado), Júlio César Vieira Gomes, Leonardo Siade Manzan, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gilson Macedo Rosenburg Filhoe Manoel Coelho Arruda Junior (substituto convocado). Ausente momentaneamente o conselheiro Paulo Jacinto do Nascimento (Substituto Convocado). Relatório Trata o presente processo de recurso extraordinário ao Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, contra o Acórdão CSRF/01-05.452, de 19 de junho de 2006, que, por maioria de votos, negou provimento ao seu recurso especial, afastando a aplicação do artigo 45 da Lei n° 8.212/91. à. 2 .. . , Processo n° 10980.005922100-26 CSRF/T00 Acórdão n.° 00-00.020 Fls. 4 A decisão recorrida recebeu a seguinte ementa: "DECADÊNCIA — CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - DECADÊNCIA — TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SRF - A partir de janeiro de 1992, por força do artigo 38 da Lei n° 8.383/91, os tributos administrados pela SRF passaram a ser sujeitos ao lançamento pela modalidade homologação. O início da contagem do prazo decadencial é o da ocorrência do fato gerador do tributo, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do § 4° do artigo 150 do CIN. Na ocorrência de dolo fraude ou simulação, o início da contagem do prazo desloca-se do fato gerador para o primeiro dia do exercício seguinte àquele no qual o lançamento poderia ser realizado, antecipando para o dia da entrega da declaração se feita no ano seguinte ao da ocorrência dos fatos geradores. (Art. 150 § Ce 173-1 e § único do CTN). Recurso especial negado. A douta Procuradoria, às fls. 407/414, alega divergência entre as turmas da Câmara Superior e apresenta como paradigma o Acórdão CSRF/02-01.655, de 10 de maio de 2004, que decidiu pela aplicabilidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91. O Procurador argumenta que a divergência jurisprudencial está na interpretação do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, que dispõe sobre o prazo para a constituição dos créditos destinados à seguridade social. Uma vez que tanto a COFINS como a CSLL são contribuições destinadas à seguridade social, devem ser regidas por esse artigo, o qual estabelece que o prazo é de dez anos para o lançamento, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Aduz que o próprio artigo 150, § 4° do CTN prevê a edição de norma específica, que estipula prazo decadencial para homologação do pagamento, em caso de pagamento por homologação. Portanto, esse dispositivo do CTN apresenta-se claramente como norma geral, regulando de forma supletiva o prazo decadencial para homologação do pagamento e abrindo ao legislador a possibilidade de estipular prazos diferentes. Traz precedente do Superior Tribunal de Justiça que, analisando a aplicação do artigo 45 da Lei n°8.212/91 à CSLL, declarou que se aplica o prazo de dez anos. Por preencher os pressupostos de admissibilidade, foi dado seguimento ao recurso extraordinário para o Pleno da CSRF, por meio do Despacho n° CSRF n° 178/2007, de fls. 429/432. A interessada foi notificada e apresentou contra-razões em tempo hábil, alegando o não cabimento do novo recurso, uma vez que, segundo ela, não há identidade fática e jurídica entre o acórdão recorrido e o paradigma invocado. Aduz que o acórdão paradigma trata de COFINS e o acórdão recorrido diz respeito à CSLL e pugna pela manutenção do julgado. Alega, ainda, que não pode prevalecer o entendimento da Procuradoria, por estar baseado em jurisprudência completamente desatualizada e superada. itQrceÉ o relatório. 4 3 Processo n° 10980.005922/00-26 CSRFir00 Acórdão n.° 00-00.020 F. 5 Voto Conselheira ANELISE DAUDT PRIETO, Relatora O recurso da Fazenda Nacional preenche os requisitos de admissibilidade. Portanto, deve ser conhecido. A preliminar de não conhecimento do recurso extraordinário, trazida em contra- razões pela contribuinte não merece prosperar, uma vez que o acórdão paradigma, em que pese ter tratado da decadência de outro tributo, cuidou de uma contribuição que também estava abrangida pela Lei n 8.212/91. A outra preliminar de não conhecimento, suscitada em sessão, em face de perda de objeto decorrente da superveniência da Súmula n° 8, do Supremo Tribunal Federal, também deve ser rejeitada. Com efeito, o recurso deve ser conhecido inclusive para que reste claro se é ou não o caso de aplicação da referida Súmula. A lide versa em tomo da decadência do lançamento ex officio, referente à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, relativa a fatos geradores ocorridos nos exercícios de 1993 e 1994. O ponto central consiste em saber se a contagem do prazo decadencial para o lançamento das contribuições sociais, sujeitas ao chamado "lançamento por homologação", segue uma das regras previstas no Código Tributário Nacional ou a norma do artigo 45 da Lei n°8.212/91. Cabe traer, portanto, as decisões do plenário do Supremo Tribunal Federal, proferidas no julgamento do Recurso Extraordinário 559.882 [ 1 ]. Na primeira delas, do dia 11 de junho de 2008: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do relator, Ministro Gilmar Mendes (Presidente), conheceu do recurso extraordinário e a ele negou provimento, declarando a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n°8.212/1991, e do parágrafo único do artigo 5° do Decreto-Lei n° 1.569/1977. Em seguida, o Tribunal adiou a deliberação quanto aos efeitos da modulação, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio. Falou pela recorrente o Dr. Fabrício da Soller, Procurador da Fazenda Nacional. Ausentes, justificadamente, neste julgamento, os Senhores Ministros Carlos Britto e Eros Grau e, na modulação, a Senhora Ministra Ellen Gracie e o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. No dia 12/06/2008 ocorreu a deliberação sobre os efeitos da modulação, da seguinte forma: tra? Decisões disponíveis em: <http://wastf.gov.briportal/processoiverProcessoAndamento.asp?nurnero=559882&classe=RE&origem=AP &recurso=08ctipoJulgamentiy--M.>. Acesso em 30 jun. 2008, 18h. itT 4 . , Processo n°10980.005922/00-26 CSRF/T00 Acórdão n.° 00-00.020 Fls. 6 O Tribunal, por maioria, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, deliberou aplicar efeitos ex nunc à decisão, esclarecendo que a modulação aplica-se tão- somente em relação a eventuais repetições de indébitos ajuizadas após a decisão assentada na sessão do dia 11/06/2008, não abrangendo, portanto, os questionamentos e os processos já em curso, nos termos do voto do relator, Ministro Gilmar Mendes (Presidente). Ausente, justificadamente, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Finalmente, foi publicada, em 20/06/2008, no Diário Oficial da União, a Súmula Vinculante n° 8: SÃO INCONSTITUCIONAIS O PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 5° DO DECRETO-LEI N°1.569/1977 E OS ARTIGOS 45 E 46 DA LEI N° 8.212/1991, QUE TRATAM DE PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Assim, considerando as manifestações do Pretório Excelso, principalmente a modulação do julgado com efeitos ex tune nos casos de questionamentos em curso, devem ser aplicados os prazos decadenciais previstos no Código Tributário Nacional. Quanto ao dispositivo do CTN que deveria ser aplicado, não foi objeto do recurso e, portanto, não há que se adentrar na questão, remanescendo o que foi decidido na decisão recorrida. Em face do exposto, rejeito as preliminares suscitadas e, no mérito, nego provimento ao recurso extraordinário da Fazenda Nacional. Sala das Sessões, em 15 de zembro de 2008 ANELISE DAUDT PRIETO Page 1 _0014600.PDF Page 1 _0014700.PDF Page 1 _0014800.PDF Page 1 _0014900.PDF Page 1
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Numero do processo: 10380.008307/2003-36
Data da sessão: Thu May 14 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu May 14 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Ano-calendário: 1998
LANÇAMENTO. ESTIMATIVAS EXIGIDAS APÓS O
ENCERRAMENTO DO ANO-CALENDÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
Após o encerramento do ano-calendário, sendo possível a verificação do tributo efetivamente devido, não é mais cabível o lançamento por falta de recolhimento de estimativas.
Numero da decisão: 1401-000.050
Decisão: ACORDAM os membros da Quarta Câmara da Primeira Seção Ordinária do
Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF - por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos term e ratório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: DCTF - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada(TODOS)
Nome do relator: Albertina Silva Santos de Lima
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ESTIMATIVAS EXIGIDAS APÓS O ENCERRAMENTO DO ANO-CALENDÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. Após o encerramento do ano-calendário, sendo possível a verificação do tributo efetivamente devido, não é mais cabível o lançamento por falta de recolhimento de estimativas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Quarta Câmara da Primeira Seção Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF - por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos term e ratório e voto que passam a integrar o presente julgado. 1esid for7 i " p: VINICIUS NEDER DE LIMA en' te 0......- ALBERTINA IL A SANTO DE LIMA Relatora Formalizado em: F1 9 juN 2009 1 Processo n°10380.008307/2003-36 51-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.050 Fl. 66 1 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Hugo Correia Sotero, Valmar Fonseca de Menezes, Marcos Shigueo Takata, Selene Ferreira de Moraes (Suplente Convocada) e Carlos Alberto Gonçalves Nunes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Silvia Bessa Ribeiro Biar. Relatório Trata-se de lançamento da CSLL, código 2484, relativa ao 3° trimestre do ano-calendário de 1998, no valor de R$ 64.102,37, período de apuração de 09/98, e no valor de R$ 64.667,88, período de apuração de 10/98. A contribuinte preencheu a DCTF informando compensação com DARF sem processo. A fiscalização não localizou o pagamento, o que motivou o lançamento. Na impugnação informou que compensou esses débitos com créditos de estimativas pagas a maior ou indevidas, representados por DARFs que têm datas de arrecadação do ano de 1998. O acórdão recorrido concluiu pela procedência do lançamento, com o fundamento de que todos os pagamentos constantes nos DARFs colacionados aos autos já se encontravam vinculados, conforme tis. 24/27. A ciência da decisão se deu em 29.05.2006 e o recurso foi apresentado em 28.06.2006. No recurso repete os argumentos contidos na impugnação. É o relatório. Voto Conselheira — ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Relatora O recurso atende às condições de admissibilidade e deve ser conhecido. O lançamento da CSLL, código 2484 é decorrente de auto de infração eletrônico. Os pagamentos indicados para a quitação desses débitos por meio de compensação, segundo a contribuinte seriam indevidos ou a maior. Segundo a Turma Julgadora, esses pagamentos já haviam sido vinculados a outros débitos. 2 e Processo n° 10380.008307/2003-36 SI-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.050 Fl. 67 I Verifica-se que a CSLL lançada refere-se código de arrecadação 2484. Consultando o sítio da Receita Federal na internet, constata-se que esse código refere-se a "CSLL — DEMAIS PJ QUE APURAM O IRPJ COM BASE EM LUCRO REAL — ESTIMATIVA MENSAL". Entretanto, após o encerramento do ano-calendário, sendo possível a verificação do tributo efetivamente devido, não é mais cabível o lançamento por falta de recolhimento de estimativas. Apenas o valor do ajuste anual poderia ser exigido, bem como, a multa pelo não recolhimento de estimativas, se fosse o caso. Do exposto, oriento meu voto para DAR provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões - DF, em 14 de maio de 2009.. ic— ALBERTINAi ILNA SAN OS DE LIMA 3 Page 1 _0030000.PDF Page 1 _0030100.PDF Page 1
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