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Numero do processo: 13603.000902/2001-98
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2005
Numero da decisão: 303-01.042
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: SERGIO DE CASTRO NEVES
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Numero do processo: 13639.000119/2003-89
Turma: Terceira Turma Especial
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon May 04 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon May 04 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002
IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE BENS QUE NÃO SE SUBSUMEM AO CONCEITO DE MATÉRIA-PRIMA (MP) E PRODUTO INTERMEDIÁRIO (PI) E DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO. IMPOSSIBILIDADE.
As aquisições de bens destinados ao ativo fixo e que não se subsumem ao conceito de matéria-prima ou produto intermediário esposado pela legislação do imposto não ensejam direito a crédito.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2803-000.073
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da SEGUNDA SEÇÃO DE
JULGAMENTO DO CARF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE BENS QUE NÃO SE SUBSUMEM AO CONCEITO DE MATÉRIA-PRIMA (MP) E PRODUTO INTERMEDIÁRIO (PI) E DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO. IMPOSSIBILIDADE. As aquisições de bens destinados ao ativo fixo e que não se subsumem ao conceito de matéria-prima ou produto intermediário esposado pela legislação do imposto não ensejam direito a crédito. Recurso negado.
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V71 MINISTÉRIO DA FAZENDA l.: `---1 1 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS ...e; SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13639.000119/2003-89 Recurso n" 140.958 Voluntário Acórdão n° 2803-00.073 — 3' Turma Especial Sessão de 04 de maio de 2009 Matéria IPI - PEDIDO DE RESSARCIMENTO - SALDO CREDOR TRIMESTRAL Recorrente COMPANHIA MANUFATORA DE TECIDOS DE ALGODÃO Recorrida DRJ - JUIZ DE FORA - MG ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 IP,. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE BENS QUE NÃO SE SUBSUMEM AO CONCEITO DE MATÉRIA- PRIMA (MP) E PRODUTO INTERMEDIÁRIO (PI) E DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO. IMPOSSIBILIDADE. As aquisições de bens destinados ao ativo fixo e que não se subsumem ao conceito de matéria-prima ou produto intermediário esposado pela legislação do imposto não ensejam direito a crédito. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' Turma Especial da SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO DO C7. , por una imidade de votos, em negar provimento ao recurso."1. ILSON M EDO ROSENBURG FILHO Presidente C LIVV-4". ALEXANDRE KERN Relator Participaram ainda do presente julgamento os Conselheiros Luis Guilherme Queiroz Vivácqua e Andréia Dantas Lacerda Moneta. i Processo n°13639.000119/2003-89 S2-1" E03 Acórdão n.° 2803-00.073 Fl, 172 Relatório Cuida-se de recurso (fls. 150 a 166) interposto pelo recorrente acima qualificado, contra o Acórdão n2 09-15.434, de 31 de janeiro de 2007, da DRJBFA, fls. 132 a 147, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 31/12/2002 CRÉDITO PASSÍVEL DE RESSARCIMENTO. Apenas são passíveis de ressarcimento os créditos oriundos de aquisições de insumos compreendidos nos conceitos de matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem estabelecidos no Parecer Normativo CST n° 65, de 1979. O relativo a bens que integram o ativo permanente não deve ser aproveitado como crédito na escrita fiscal nem ser objeto de ressarcimento (arts. 25 da Lei n" 4.502, de 1964: 147, inciso I, do RIP1/98; 164, inciso I, do RIPI/2002). Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2002 a 31/12/2002 LEGISLAÇÃO 1RIBUTÁRL4. LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE As normas e determinações previstas na legislação tributária presumem-se revestidas do caráter de legalidade e constitucionalidade, contando com validade e eficácia, não cabendo à esfera administrativa questioná-las ou negar-lhes aplicação. Assim, não merece reparos a decisão proferida em despacho decisório cuja análise do pleito da interessada realizou-se em consomincia com os ditames da legislação tributária. PERÍCIA. DESCABIMENTO. Desconsidera-se o pedido de perícia que, além de não observar todos os requisitos normativos, revela-se prescindível na hipótese. Após protestar pela tempestividade de sua manifestação, informar que se entende dispensado do arrolamento de bens e sintetizar os fatos relacionados com o julgamento, em primeira instância administrativa, de seu pedido de ressarcimento do saldo credor básico, trimestralmente acumulado, autorizado pelo art. 11 da Lei n 2 9.779, de 19 de janeiro de 1999, o recorrente, em sede de preliminar, alega que a 3" Turma da DRJ/JFA ofendeu o contraditório e cerceou-lhe o direito de defesa, ao indeferir o pedido de peia, sem fundamentar sua decisão. Reitera o seu pedido nesse sentido, para provar que lu 'cantes, drogas, peças e acessórios se enquadram no conceito de matéria-prima (mp) e d roduto intermediário (pi). çk 2 Processo n° 13639.000119/2003-89 52-TE03 Acórdão n.° 2803-00.073 Fl. 173 No mérito, alega que o deferimento apenas parcial de seu pedido de ressarcimento fere a legalidade e configura-se em confisco. Disserta sobre o principio constitucional da não-cumulativida, inserto no inc. II do § 3' do art. 153 da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 — CRFB, entendendo que o texto constitcional não impôs qualquer restrição ao princípio e que a não-cumulatividade é absoluta. Menciona a existência de decisão no AMS n 2 1998.04.0! .070080-0/PR do TRF da 4" Região que corrobora sua tese. Aduz que a Lei n 2 9.779, de 1999, possui caráter meramente declaratório e ratifica a não-cumulatividade absoluta do IPI. Na continuação, descreve o processo produtivo de fiação, para argumentar que todos os bens classificados pelo Fisco como sendo de uso e consumo configuram-se, na realidade, em insumos e fazem parte do processo produtivo. Da mesma forma, reinvindica o direito de se creditar do IPI incidente na aquisição de bens destinados ao Ativo Permanente, posto tratar-se de meios de produção, com os quais a sociedade realiza seu objetivo social. Transcrevendo decisão da Superintendência de Legislação e Tributação do Estado de Minas Gerais, clama também pelo direito ao creditamento. nas aquisições do que chama de produtos intermediários, muito embora não se integrem ao produto final, sob pena de afronta ao principio constitucional da não-cumulatividade. Repetindo as alegações de sua Manifestação de Inconformidade, rechaça a imputação de prescrição do direito de pedir ressarcimento e reitera seu direito ao ressarcimento do Crédito-Prêmio de IP1, previsto no art. 1" do Decreto-Lei n 2 491, de 5 de março de 1969. Conclui, repetindo o pedido de perícia técnica, preliminarmente ao julgamento, como forma de provar seu direito ao crédito, para o fim de se deferir a integralidade do ressarcimento solicitado e homologar as compensações declaradas. É o Relatório para o que interessa ao julgamento. Voto Conselheiro ALEXANDRE KERN, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 150 a 166 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ-JFA n 2 09-15.434, de 31 de janeiro de 2007. Matéria litigiosa Circunscreva-se o litígio à preliminar de nulidade, por preterição do contraditório e cerceamento do direito de defesa, alegadamente praticado pelo cole2iado judicante de primeira instância, ao desconsiderar o pedido de perícia técnica e, no mérito da decisão fustigada, pelo não reconhecimento do direito de crédito nas aqui ões de lubrificantes, drogas, peças e acessórios e de bens destinados ao Ativo Permanei t . Nesse sentido, não se conhecerá das digressões recursais a respeito da prescrição e do . reito a 3 Processo n°13639.000119/2003-89 S2-TE03 Acórdão n.° 2803-00.073 Fl. 174 ressarcimento de crédito ao amparo do sã. 1' do DL n 2 491, de 1969. Trata-se de matéria que, embora controvertida na Manifestação de Inconformidade, não foi conhecida pela 3' Turma da DRJ/JFA por ausência do pressuposto recursal interesse. Preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa e de preterição do contraditório A argüição é descabida. Basta que se leia o excerto do Acórdão n 2 09-15.434 pinçado pelo recorrente à fl. 154 e se constatará que o não-conhecimento do pedido de perícia técnica foi fundamentado, concisamente, como convém às decisões administrativas que pugnam pela objetividade e pela celeridade processual. Ali se lê que a providência requerida foi "desconsiderada" (i.é, foi considerada como não formulada) porque o manifestante não observou os requisitos estipulados no inc. IV do art. 16 do Decreto n 2 70.235, de 6 de março de 1972, fato que acarretou a conseqüência jurídica positivada no § 1" do mesmo artigo. Aliás, o interessado cometeu o mesmo descuido quando, em sede de recurso voluntário, renovou seu pedido de perícia que, pelas mesmas razões, será considerado não formulado. Adernais, saiba o recorrente que a perícia técnica não se presta à produção de provas que toca ao interessado diligenciar. Mérito: direito de crédito nas aquisições de lubrificantes, drogas, peças e acessórios e de bens destinados ao Ativo Permanente A matéria não é nova neste Colegiado. Em síntese, o interessado pretende ver-se ressarcido do IPI incidente nas aquisições de lubrificantes, drogas, peças e acessórios e de bens confessadamente destinados a integrar o ativo fixo do estabelecimento. Fundamenta sua pretensão numa particular interpretação do princípio da não-cumulatividade, segundo a qual tudo é permitido em matéria de creditamento! Quanto ao perfeito entendimento do principio da não-cumulatividade e suas repercussões em matéria do direito ao crédito do IPI, deve-se esclarecer que o citado princípio não é amplo e irrestrito, como quer o Recorrente, que se acha no direito de se creditar, independentemente das disposições infraconstitucionais que regem a matéria e vinculam o julgador administrativo. É sabido que tal tributo rege-se pelo principio da não-cumulatividade, previsto constitucionalmente no art. 153, § 3 0, II, da CRFB/88, normatizado por disposições constantes do art. 49 do Código Tributário Nacional (CTN — Lei n°5.172, de 25 de outubro de 1966) e exercido por meio de uma sistemática de apuração denominada "sistema de créditos", disciplinada pelo Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI). Nos termos do art. 153, § 30, inc. II, da CRFB/88: "Art. 153 (...) II - será não cumulativo, compensando-se o que for devido en cada operação com o montante cobrado nas anteriores;" 4 Processo n° 13639.000119/2003-89 52-TE03 Acórdão n.° 2803-00.073 Fl. 175 Constata-se, na redação do dispositivo constitucional, a inexistência de qualquer regramento a respeito principio da não-cumulatividade, cabendo então esta tarefa ao legislador ordinário, conforme estabelecido no art. 49 do CTN), que preceitua: "Art. 49 O imposto é não cumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados." (negritos acrescidos) Desta forma, o principio constitucional da não-cumulatividade teve sua sistemática regulada por lei ordinária, qual seja, o art. 25 da Lei n" 4.502, de 30 de novembro de 1964, que ganhou notoriedade corno a "lei básica do IPI", e alterações posteriores, que assim estabelecia: "An. 25 A importância a recolher será o montante do imposto relativo aos produtos saídos do estabelecimento, em cada mês, diminuído do imposto relativo aos produtos nele entrados. no mesmo período, obedecidas as especificações e normas que o regulamento estabelecer. § I" O direito de dedução só é aplicável aos casos CM que os produtos entrados se destinem à comercialização, industrialização ou acondicionamento e desde que os mesmos produtos ou os que resultarem do processo industrial sejam tributados na saída do estabelecimento." ("negritos acrescidos) Do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados aprovado pelo Decreto n2 87.981, de 23 de dezembro de 1982 (RIPI 1 1982), há os seguintes preceitos acerca do mencionado principioH "Art. 81 A não-cumulatividade do imposto é exercida pelo sistema de crédito, atribuído ao contribuinte, do imposto relativo a produtos entrados no seu estabelecimento, para ser abatido cio que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período. conforme estabelecido neste capítulo.'' "Artigo 82. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes Ibrem equiparados, poderão creditar-se: Ou ainda, consoante as palavras de Hugo de Brito Machado, em seu livro "Curso de Direito Tributário", 12' Edição, Malheiros Editores, tem-se: "Por força de dispositivo constitucional (CF, art. 153, § 3°, inc. II), o IPI 'será não cumulativo, compensado-se o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores'. Nos termos do CTN, 'o imposto é não cumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente a produtos nele entrados' (art. 49). Explicita, outrossim, o Código que 'o saldo verificado, em determinado período, em favor do contribuinte, transfere-se para o período ou períodos seguintes' (CTN, art. 49, parágrafo único). Em uma empresa industrial, por exemplo, isto significa dizer o seguinte: a) faz-se o registro, como crédito, do valor do 111 relativo às entradas de matérias-primas, produtos intermediários, materiais de embalagem, e outros insumos, que tenham sofrido a incidência do imposto ao saírem do estabelecimento de onde vieram; b) faz-se o registro, co o débito, do valor do IPI calculado sobre os produtos que saírem. No fim do mês é feita a apuração. Se o débito aior, o saldo devedor corresponde ao valor a ser recolhido. Se o crédito é maior, o saldo é transferido pa mês seguinte." ck 5 Processo n° 13639.000119/2003-89 82-TE03 Acórdão n.° 2803-00.073 Fl. 176 — do imposto relativo a matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, exceto as de &iguala zero e os isentos, incluindo-se, entre as matérias-primas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente (Lei n°4502/64, artigo 25); ("negrito acrescido) A disposição do art. 82 do RIPE/82 se repetiu no art. 147, 1, do Regulamento do IPI aprovado pelo Decreto n 2 2.637, de 25 de Junho de 1998 (RIM/98) e ao art. 164, I, do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, aprovado pelo Decreto n2 4.544, de 26 de dezembro de 2002 - RIPI/2002. Note-se que o dispositivo regulador do crédito básico de IPI define que o direito ao créditamento se limita a matérias-primas e produtos intermediários que passam a compor o produto final. A limitação negritada acima, antiga, continua em vigor e evidencia a improcedência do direito alegado pela recorrente, relativamente abens com esse tipo de destinação. A legislação do IPI garante ao industrial também o direito de se creditar do imposto relativo a bens que, sem compor o produto final, sejam consumidos durante o processo produtivo e não se classifiquem contabilmente no ativo permanente, valendo aqui invocar a dicção do Parecer Normativo CST 112 65, de 1979 (DOU de 6/11/1979), norma já alçada à condição de complementar das leis tributárias, em face de seu caráter normativo e por ser reiteradamente observada pela administração tributária há quase quarenta anos. Alerte-se ao Recorrente que é passível de utilização como crédito o IPI destacado nas notas fiscais referentes aos insumos, somente se nos termos do Parecer Normativo CST n° 65, de 1979, estes se enquadrarem no conceito de matéria-prima, produto intermediário ou de material de embalagem, segundo a legislação do IPI. Sobre o artigo 147, inciso I, do RIPI/1998, a Coordenação do Sistema de Tributação assim se manifestou: "Parecer Normativo CST n r 65, de 1979 (DOU de 06.11.79)": 4 - Note-se que o dispositivo está subdividido em duas partes, a primeira referindo-se às matérias-primas, aos produtos intermediários e ao material de embalagem; a segunda relacionada às matérias-primas e aos produtos intermediários que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização. 4.1 - Observe-se, ainda, que enquanto na primeira parte da norma "matérias-primas" e "produtos intermediários" são empregados "stricto sensu", a segunda usa tais expressões em seu sentido lato: quaisquer bens que, embora não se integrando ao produto em fabricação se consumam na operação de industrialização. 4.2 - Assim, somente geram direito ao crédito os produtos que se integrem ao novo produto fabricado e os que, embora não se integrando, sejam consumidos no processo de fabricação, .ficando definitivamente excluídos aqueles que não se integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização. 5 - No que diz respeito à primeira parte da norma, que se refere gina, a matérias-primas e produtos intermediários "stricto senstt",ou !ti 6 Processo n° 13639.000119/2003-89 82-TE03 Acórdão n.° 2803-00.073 FI. 177 seja, bem dos quais, através de quaisquer das operações de industrialização enumeradas no Regulamento, resulta diretamente um novo produto, tais como, exemphficadamente, a madeira com relação a um móvel ou o papel com referência a uni livro, nada há que se comentar de vez que o direito ao crédito, diferentemente do que ocorre com os referidos na segunda parte, além de não se vincular a qualquer requisito, não sofreu alteração com relação aos dispositivos constantes dos regulamentos anteriores2. 6 - Todavia, relativamente aos produtos referidos na segunda parte, matérias-primas e produtos intermediários entendidos em sentido amplo, ou seja, aqueles que embora não sofram as referidas operações são nelas utilizados, se consumindo em virtude cio contato físico com o produto em fabricação, tais como lixas, lâminas de serra e catalisadores, além da ressalva de não gerarem o direito se compreendidos no ativo permanente, exige- se uma série de considerações. 6.1 - Há quem entenda, tendo em vista tal ressalva (não gerarem direito ao crédito os produtos compreendidos entre os bens do ativo permanente), que automaticamente gerariam o direito ao crédito os produtos não inseridos naquele grupo de contas, ou seja, que a norma em questão teria adotado como critério distintivo, para efeito de admitir ou não o crédito, o tratamento contábil emprestado ao benz. 6.2 - Entretanto, uma simples exegese lógica do dispositivo já demonstra a improcedência do argumento, uma vez que, consoante regra fundamental de lógica formal, de uma premissa negativa (os produtos ativados permanentemente não geram o direito) somente conclui-se por uma negativa, não podendo, portanto, em função de tal premissa, ser afirmativa a conclusão, ou seja, no caso, a de que os bens não ativados permanentemente geram o direito de crédito. 7 - Outrossim, aceita, em que pese a contradição lógico-formal, a tese de que para os produtos que não sejam matérias-primas nem produtos intermediários "stricto sensu", vigente o RIP1/79, o direito ou não ao crédito deve ser deduzido exclusivamente em função do critério contábil ali estatuído, estar-se-ia considerando inócuas diversas palavras constantes do texto legal, de vez que bastaria que o referido comando, em sua segunda parte, rezasse " e os demais produtos que forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens ao ativo permanente". para o mesmo resultado. 7.1 - Tal opção, todavia, equivaleria a pôr de lado o principio geral de direito consoante o qual "a lei não deve conter palavras inúteis", o que só é licito fazer na hipótese de não se encontrar explicação para as expressões inúteis. 2 Nota do Relatar: referência aos regramentos anteriores ao Regulamento do IPI aprovado pelo 1sreto n" 83.263/79 (RIP1/79). 7 Processo n° I 3639.000119/2003-89 82-TE03 Acórdão n.° 2803-00.073 Fl. I 78• 8 - No caso, entretanto, a própria exegese histórica da norma desmente esta acepção, de vez que a expressão "incluindo-se, entre as matérias-primas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando no novo produto forem consumidos no processo de industrialização" é justamente a única que consta de todos os dispositivos anteriores (inciso 1 do artigo 27 de Decreto 56.791/65, inciso 1 do artigo 30 do Decreto n°61.5/4/67 e inciso Ido artigo 32 do Decreto tf' 70.162/72), o que equivale a dizer que foi sempre em ignição dela que se fez a distinção entre os bens que, não sendo matérias-primas nem produtos intermediários "stricto sensu" , geram ou não direito ao crédito, isto é, segundo todos estes dispositivos, geravam o direito os produtos que embora não se integrando no novo produto, fossem consumidos no processo de industrialização. 8.1 - A norma constante do direito anterior (inciso 1(10 artigo 32 do Decreto n" 70.162/72), todavia restringia o alcance do dispositivo, dispondo que o consumo do produto, para que se aperfeiçoasse o direito do crédito, deveria se dar imediata e integralmente. 8.2 - O dispositivo vigente inciso 1 do artigo 66 do RIPI/79 por sua vez, deixou de registrar tal restrição, acrescentando, a titulo de inovação, a parte final referente à contabilização no ativo permanente. 9 - Como se vê, o que mudou não foi o critério, que continua sendo o do consumo do bem no processo industrial, mas a restrição a este. 10- Resume-se, portanto, o problema na determinação do que se deve entender como produtos "que embora não se integrando no novo produto, forem consumidos no processo de industrialização'', para efeito de reconhecimento ou não do direito ao crédito. 10.1 - Como o texto fala em "incluindo-se entre as matérias- primas e os produtos intermediários", é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matérias-primas e os produtos intermediários "stricto sensu - , semelhança esta que reside no .fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato fisico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto et n .fabricação, ou por este diretamente sofrida. 10.2 - A expressão "consumidos - sobretudo levando-se em conta que as restrições "imediata e integralmente'', constantes do dispositivo correspondente do Regulamento anterior, foram omitidas, há de ser entendida em sentido amplo, abrangendo, exemplificativamente, o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades fisicas ou químicas. desde que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre o insumo. (4." 8 Processo n° 13639.000119/2003-89 s2-TE03 • Acórdão n.° 2803-00.073 Fl. 179 A leitura do Parecer acima reproduzido em parte demonstra seu objetivo de esclarecer a equivocada interpretação de que qualquer elemento consumido nas instalações da contribuinte, certamente necessário ao desenvolvimento de suas atividades, ainda que indiretamente, seja considerado matéria-prima ou produto intermediário com o fim de gerar o respectivo direito ao crédito. Torna-se claro, assim, que nem tudo que se consome ou se utiliza na produção pode ser conceituado como matérias-primas ou produtos intermediários, de acordo com a legislação do IPI. Nesse mesmo sentido já havia se pronunciado a Coordenação do Sistema de Tributação através do Parecer Normativo CST t :12 181, de 1974, publicado no DOU de 23.10.74, que dispunha no seu item 13: 13 - Por outro lado, ressalvados os casos de incentivos expressamente previstos em lei, não geram direito ao crédito do imposto os produtos incorporados às instalações industriais, as partes, peças e acessórios de máquinas equipamentos e ferramentas, mesmo que se desgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização, bem como os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos, inclusive lubrificantes e combustíveis necessários ao seu acionamento. Entre outros, são produtos dessa natureza: limas, rebolos, lâmina de serra, mandris, brocas, tijolos refratários usados em fornos de fusão de metais, tintas e lubrificantes empregados na manutenção de máquinas e equipamentos, etc.-. Assim sendo, nos termos dos Pareceres retrocitados e em consonância com o inciso Ido art. 147 do RIPI/1998, vigente à época dos fatos, geram direito ao crédito, além das matérias-primas, produtos intermediários siricto-sensu e material de embalagem que se integram ao produto final, quaisquer outros bens — desde que não contabilizados pela contribuinte em seu ativo permanente — que se consumam por decorrência de um contato fisico, ou melhor dizendo, que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação ou deste sobre o insumo, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, restando definitivamente excluídos aqueles que não se integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização. Ou seja, deve-se considerar no conceito de MP e PI, em sentido amplo, os bens que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização, guardando semelhança com as MP e os PI em sentido estrito, semelhança esta que reside no fato de exercerem, na operação de industrialização, função análoga à das MP e PI, ou seja, se consumirem, em decorrência de um contato fisico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação ou desse sobre o insumo. Desta forma e como o próprio Recorrente admite que os bens "lubrificantes, drogas, peças e acessórios", objeto da glosa, não se desgastam em contato direto com o produto liem industrialização, embora possam ser indispensáveis no processo industr . 1 do estabelecimento, como alega, suas aquisições não ensejam direito a crédito do imposto. ("k 9 Processo n" 13639.000119/2003-89 S2-TE03 • Acórdão n.° 2803-00.073 Fl. 180 Conclusões Em face do recém-exposto, voto por que se negue provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 04 de maio de 2009 • CreriCALE NDRE EIRN 10 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1
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Numero do processo: 13841.720236/2015-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 11 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Tue Oct 27 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2011
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DSPJ-INATIVA. EXCLUSÃO DE OFÍCIO DO SIMPLES NACIONAL.
Para além da impropriedade da relação entre o atraso na entrega da DSPJ-Inativa e a existência de processo de exclusão do regime do Simples Nacional, mantém-se a multa aplicada quando constatado que a premissa recursal da pendência de decisão definitiva naquele processo foi superada.
Numero da decisão: 1302-004.696
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregorio, Flávio Machado Vilhena Dias, Andréia Lúcia Machado Mourão, Cléucio Santos Nunes, Mauritania Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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Numero do processo: 44023.000050/2006-06
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 27/10/2006
ARTIGO 32, II DA LEI N.º 8.212/1991 C/C ARTIGO 283 II, “a” DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99. CONTABILIZAÇÃO EM
TÍTULOS PRÓPRIOS.
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária.
Inobservância do artigo 32, III da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “b” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-000.478
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JÚNIOR
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 27/10/2006 ARTIGO 32, II DA LEI N.º 8.212/1991 C/C ARTIGO 283 II, “a” DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99. CONTABILIZAÇÃO EM TÍTULOS PRÓPRIOS. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do artigo 32, III da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “b” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1595; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 126 1 125 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 44023.000050/200606 Recurso nº 258.405 Voluntário Acórdão nº 280300.478 – 3ª Turma Especial Sessão de 08 de fevereiro de 2011 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS EM GERAL Recorrente ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EMPRESAS DE LIMPEZA PÚBLICA E RESÍDUOS ESPECIAIS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 27/10/2006 ARTIGO 32, II DA LEI N.º 8.212/1991 C/C ARTIGO 283 II, “a” DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99. CONTABILIZAÇÃO EM TÍTULOS PRÓPRIOS. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do artigo 32, III da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “b” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 21/03/2011 por AMILCAR BARCA TE IXEIRA JUNIOR 2 (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Carolina Siqueira Monteiro de Andrade e Amílcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 21/03/2011 por AMILCAR BARCA TE IXEIRA JUNIOR Processo nº 44023.000050/200606 Acórdão n.º 280300.478 S2TE03 Fl. 127 3 Relatório Trata o presente auto de infração, lavrado em desfavor da recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, II da Lei n ° 8.212/1991 c/c art. 225, II, e parágrafos 13 a 17, do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, a recorrente deixou de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. O Contribuinte, devidamente notificado, apresentou defesa tempestiva em 14 de novembro de 2007 (fls. 52). A impugnação foi julgada em 16 de agosto de 2007 (fls. 55), ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 10/2006 a 10/2006 AI DEBCAD n° 37.035.4834 OMISSÃO DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NA CONTABILIDADE. Constitui infração deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; art. 32, II, da Lei 8.212/91, c/c art. 225, II, §§ 13 a 17, do Decreto 3.048/99. PRÊMIO. PRODUTIVIDADE. BASE DE CÁLCULO O prêmio, a título de incentivo ao incremento da produtividade, constitui base de cálculo de contribuição previdenciária e deve ser pago ao empregado todas as vezes que este implementa as condições previamente estabelecidas. Lançamento Procedente Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Fl. 3DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 21/03/2011 por AMILCAR BARCA TE IXEIRA JUNIOR 4 Que não houve infração ao disposto no artigo 32, II, da Lei n° 8.212/91, porque, na espécie, não há que se falar em fato gerador das contribuições, haja vista que os valores pagos por meio dos cartões eletrônicos não integram a remuneração, para fins previdenciários; A aplicação de penalidade que é totalmente improcedente e que se impõe ao arrepio da legalidade, contrariando o primado da reserva legal; Foi impetrado Mandado de Segurança preventivo perante a Justiça Federal da Seção Judiciária em São Paulo, contra ato do Ilmo. Delegado da Receita Previdenciária da Secretaria da Receita Federal do Brasil em São Paulo, visando afastar a exigência de comprovação do depósito prévio equivalente à no mínimo 30% do valor do crédito previdenciário (doc. 03); Se não há contribuição devida em decorrência da distribuição de valores por meio dos cartões eletrônicos fornecidos pela "Incentive House S/A.", uma vez que não compõem a remuneração para efeitos previdenciários, é forçoso concluir que o contribuinte lançou na sua contabilidade de forma correta os fatos geradores e valores de todas as contribuições, em cumprimento à norma do artigo 32, II, da Lei n° 8.212/91; Que o recurso seja provido para que, diante dos equívocos do julgamento de 1ª instância que, deixou de reconhecer a inexistência de infração ao art. 32, II, da Lei n° 8.212/91, vez que a suposta obrigação principal é improcedente, seja reformado o acórdão da 13ª Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo, com a conseqüente declaração de improcedência da autuação, haja vista que não houve infração à Lei de Custeio da Previdência Social e a sanção fixada por Decreto é ilegal e inconstitucional, pois viola o primado da reserva legal. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 21/03/2011 por AMILCAR BARCA TE IXEIRA JUNIOR Processo nº 44023.000050/200606 Acórdão n.º 280300.478 S2TE03 Fl. 128 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame. O contribuinte foi penalizado por deixar de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, conforme estabelece o inciso II do art. 32 da Lei nº 8.212/91 c/c o inciso II e §§ 13 A 17 do art. 225 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Vêse, pois, da descrição sumária da infração, bem como dos dispositivos legais infringidos, o auto de infração foi lavrado em razão de o sujeito passivo ter deixado de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Como se pode observar dos comandos legais mencionados, os lançamentos que deveriam ter sido realizados em títulos próprios da contabilidade independem de serem decorrentes de obrigações próprias ou de terceiros, notadamente aquelas recolhidas na condição de responsável. A discussão em tela deve se restringir ao cumprimento ou não das regras previstas no II do art. 32 da Lei nº 8.212/91 c/c o inciso II e §§ 13 A 17 do art. 225 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Neste ponto, não resta qualquer dúvida de que o contribuinte descumpriu as previsões contidas na legislação previdenciária. Pelo que se denota do Relatório Fiscal da Infração (fls. 11), a discussão a respeito da legalidade dos programas de estímulo ao aumento de produtividade, como é o caso Incentive House, perde sua relevância, porquanto durante a ação fiscal, a empresa reconheceu o débito, optando pelo parcelamento da dívida, por intermédio do Lançamento de Débito Confessado – LDC nº 37.035.4869. Apesar do parcelamento noticiado no parágrafo anterior, o auto de infração não perde sua validade. De outra parte, não se pode perder de vista que a responsabilidade pela infração é objetiva, independe da culpa ou da intenção do agente para que surja a imposição do auto de infração. Assim, o fato de trazer ou não prejuízo ao Fisco é irrelevante, pois a obrigação sendo instrumental, qualquer descumprimento por presunção legal, acarreta dificuldade na ação fiscal. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 21/03/2011 por AMILCAR BARCA TE IXEIRA JUNIOR 6 Conforme disposto no art. 136 do CTN, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, a não ser que haja disposição em contrário. Deve ficar claro, portanto, que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. No que diz respeito à obrigação principal ou acessória, dispõe o art. 113 do CTN que: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. A legislação engloba as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes, conforme dispõe o art. 96 do CTN. Desse modo, a Lei n 8.212 não conceitua títulos próprios, pois tal expressão não precisa de conceituação legal, por traduzir um conceito contábil. Os títulos próprios são as rubricas das contas utilizadas na contabilidade da empresa, sendo a denominação da conta. O que a Lei nº. 8.212/91 impõe é que todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias devem ser contabilizados em títulos próprios. Assim, se todos os fatos geradores forem lançados em títulos próprios, somente analisando os lançamentos contábeis a fiscalização conseguirá verificar se todos os valores devidos pela empresa foram recolhidos. Relativamente à aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória, me reporto ao preceito contido no artigo 92 da Lei n.º 8.212/91, de que infração a qualquer dispositivo daquela lei, para a qual não haja penalidade expressamente cominada, sujeitará o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável conforme dispuser o regulamento. A multa referente ao descumprimento da obrigação acessória, que originou este auto de infração está contida no artigo 225, inciso II, e §§ 13 a 17, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. O artigo 373, por sua vez, determina que os valores expressos em moeda corrente referidos no Regulamento serão reajustados nas mesmas épocas e nos mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Frente à disposição legal, a multa foi aplicada de acordo com os valores vigentes à época da autuação e que reajustou o valor da multa prevista no artigo 283, do Regulamento da Previdência Social. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 21/03/2011 por AMILCAR BARCA TE IXEIRA JUNIOR Processo nº 44023.000050/200606 Acórdão n.º 280300.478 S2TE03 Fl. 129 7 A aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória constante da Lei n.º 8.212/91, está dentro dos pressupostos legais e constitucionais, não foi inquinada de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, estando totalmente válida e devendo ser obedecida pela via administrativa. Por fim, a autuação objeto do presente recurso, foi executada de acordo com os preceitos legais e o Auto de Infração lavrado, contém todos os elementos essenciais à sua validade, descritos no art. 10 do Decreto n.º 70.235, de 06/03/1972, devendo ser mantido na sua integralidade, já que a recorrente não comprovou a correção da falta. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator Fl. 7DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 21/03/2011 por AMILCAR BARCA TE IXEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10831.007012/2001-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2009
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 10/12/1993
Responsabilidade Tributária
O adquirente de bens que foram alvo de isenção subjetiva do Imposto de Importação ou do Imposto sobre Produtos Industrializados incidente na importação é responsável solidário pelo recolhimento dos tributos desonerados no momento do despacho. Inteligência do parágrafo único, do art. 32 do Decreto-lei n°37, de 1966, segundo a redação que lhe foi dada pelo Decreto-lei n°2.472, de 1988.
Procedimento de Suspensão de Imunidade ou Isenção Subjetiva.
lnaplicabilidade.
O procedimento previsto art. 32 da Lei n° 9.430, de 1996, não é condição para a revogação de isenção decorrente da transferência dos bens sem prévia autorização da autoridade aduaneira.
Verificação Fiscal Sobre Devedores Solidários. lnexigência.
Não se revela viciado o procedimento fiscal que, após regularmente instaurado sobre o responsável tributário, apura infrações que geram obrigação que une solidariamente, aquela pessoa jurídica e o contribuinte original, no caso, o importador o fiscalizado e o proprietário original dos bens, salvo se não oferecida oportunidade para aquele terceiro produzir sua regular defesa.
Decadência do Direito de Lançar. Isenção sob Condição Resolutória. Termo Inicial da Contagem de Prazo.
Enquanto a modificação de condição resolutória for capaz de dar causa à cobrança, ao menos parcial, dos impostos que deixaram de ser pagos no momento do despacho de importação, não se poderia falar em inicio do prazo decadencial sobre aquela parcela.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Data do fato gerador: 10/12/1993
Transferência de Bens Alvo de Isenção Sem Prévia Autorização da
Autoridade Aduaneira. Efeitos.
A transferência de bens sem a prévia autorização da autoridade aduaneira implica recolhimento dos tributos que deixaram de ser recolhidos no despacho, acrescidos da multa estabelecida no inciso II do art. 106 do DL n° 37, de 1966, independentemente do titulo jurídico sob o qual tal transferência se opera.
" Redução da Base de Cálculo Compete ao Fisco aplicar o correspondente percentual de redução do imposto devido em razão decurso de prazo entre a importação e a transferência do
bem alvo de isenção.
Multa de oficio. Descabimento.
A revogação de isenção concedida em caráter especial, quando o beneficiário deixa de cumprir os requisitos para a concessão do favor implica cobrança do crédito que deixou de ser recolhido, sem imposição de penalidade, desde que não se revele a presença de dolo fraude ou simulação. Inteligência dos artigos 179 e 155 do CTN.
RECURSO DE OFÍCIO NEGADO E RECURSO VOLUNTÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO.
Numero da decisão: 3201-000.005
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara /1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, afastar as preliminares de nulidade do auto de infração e, pelo voto de qualidade, a preliminar de ilegitimidade passiva, bem como a
prejudicial de decadência. No mérito, também pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir as multas de oficio de 75%, incidentes sobre o II e o IPI, e negar provimento ao recurso de oficio, vencidos os Conselheiros Nilton Luiz Bartoli, Heroldes Bahr Neto, Vanessa Albuquerque Valente e Nanci Gama, que acolhiam a preliminar de
ilegitimidade passiva e a prejudicial de decadência. Fez sustentação oral o advogado Gustavo Froner Minatel, OAB/SP 210198.
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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CPQD - CENTRO DE PESQ. E DESENV. EM TELECOMUNICAÇÕES/COMUNICAÇÕES BRASILEIRAS S/A - TELEBRÁS Recorrida DRJ-SÃO PAULO/SP ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 10/12/1993 Responsabilidade Tributária O adquirente de bens que foram alvo de isenção subjetiva do Imposto de Importação ou do Imposto sobre Produtos Industrializados incidente na importação é responsável solidário pelo recolhimento dos tributos desonerados no momento do despacho. Inteligência do parágrafo único, do art. 32 do Decreto-lei n°37, de 1966, segundo a redação que lhe foi dada pelo Decreto-lei n°2.472, de 1988. Procedimento de Suspensão de Imunidade ou Isenção Subjetiva. lnaplicabilidade. O procedimento previsto art. 32 da Lei n° 9.430, de 1996, não é condição para a revogação de isenção decorrente da transferência dos bens sem prévia autorização da autoridade aduaneira. Verificação Fiscal Sobre Devedores Solidários. lnexigência. Não se revela viciado o procedimento fiscal que, após regularmente instaurado sobre o responsável tributário, apura infrações que geram obrigação que une solidariamente, aquela pessoa jurídica e o contribuinte original, no caso, o importador o fiscalizado e o proprietário original dos bens, salvo se não oferecida oportunidade para aquele terceiro produzir sua regular defesa. Decadência do Direito de Lançar. Isenção sob Condição Resolutória. Termo Inicial da Contagem de Prazo. Enquanto a modificação de condição resolutória for capaz de dar causa à cobrança, ao menos parcial, dos impostos que deixaram de ser pagos no aft Processo n°10831.007012/2001-25 53-C2T1 Acórdão n.°3201-00.005 Fl. 3.955 momento do despacho de importação, não se poderia falar em inicio do prazo decadencial sobre aquela parcela. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - 11 Data do fato gerador: 10/12/1993 Transferência de Bens Alvo de Isenção Sem Prévia Autorização da Autoridade Aduaneira. Efeitos. A transferência de bens sem a prévia autorização da autoridade aduaneira implica recolhimento dos tributos que deixaram de ser recolhidos no despacho, acrescidos da multa estabelecida no inciso II do art. 106 do DL n° 37, de 1966, independentemente do titulo jurídico sob o qual tal transferência se opera. " Redução da Base de Cálculo Compete ao Fisco aplicar o correspondente percentual de redução do imposto devido em razão decurso de prazo entre a importação e a transferência do bem alvo de isenção. Multa de oficio. Descabimento. A revogação de isenção concedida em caráter especial, quando o beneficiário deixa de cumprir os requisitos para a concessão do favor implica cobrança do crédito que deixou de ser recolhido, sem imposição de penalidade, desde que não se revele a presença de dolo fraude ou simulação. Inteligência dos artigos 179 e 155 do CTN. RECURSO DE OFÍCIO NEGADO E RECURSO VOLUNTÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2. Câmara / P Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, afastar as preliminares de nulidade do auto de infração e, pelo voto de qualidade, a preliminar de ilegitimidade passiva, bem como a prejudicial de decadência. No mérito, também pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir as multas de oficio de 75%, incidentes sobre o 11 e o IPI, e negar provimento ao recurso de oficio, vencidos os Conselheiros Nilton Luiz Bartoli, Heroldes Bahr Neto, Vanessa Albuquerque Valente e Nanci Gama, que acolhiam a preliminar de ilegitimidade passiva e a prejudicial de decadência. Fez sustentação oral o advogado Gustavo Froner Mi natel, OAB/SP 210198. LUIS RCELO GUERRA DE CASTRO Presidente e Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Anelise Daudt Prieto, Irene Souza da Trindade Torres e Celso Lopes Pereira Neto. 2 Processo n° 10831.007012/2001-25 S3-C2T1 Acórdão n° 3201-00.005 Fl. 3.956 Relatório Trata-se de recurso de oficio cumulado com voluntário manejado contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo, que manteve parte da exigência fiscal formulada por meio do Auto de Infração de fls. 66/629. No sentir do autuante, tratando-se de uma isenção vinculada à qualidade do importador e à destinação dos bens, deveriam ser observados, simultaneamente os dispositivos legais e regulamentares inerentes a essas duas modalidades. Nesse contexto, a exigência fiscal estaria fundada essencialmente na convicção de que a Telebrás, beneficiária da isenção prevista na lei n o 8.010/90, teria transferido mercadorias sem a observância da condição elencada no inciso I do parágrafo único do art. 11 do Decreto-lei n°37, de 1966: ou seja, prévia autorização da autoridade aduaneira. Sem o cumprimento dessa condição, aplicar-se-ia o caput do mesmo art. 11, fazendo ressurgir integralmente o crédito tributário dispensado por ocasião do despacho de importação, acrescido das multas que sancionariam a conduta descrita. Irresignadas, as pessoas jurídicas Telebrás e CPqD - Fundação Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações, indicadas COMO solidárias na exigência, a primeira como importadora e a segunda como adquirente dos bens desonerados por isenção subjetiva, apresentaram suas respectivas impugnações, onde, sinteticamente, se alega: a) falha na indicação do sujeito passivo: - o autuante identificou no Auto de Infração, corno contribuinte a Fundação CPqD e no Termo de Constatação Fiscal reconheceu como contribuinte-importador a Telebrás; - que a Fundação CPqD não poderia figurar no auto de infração como contribuinte, por não ter promovido nenhuma importação; - que a Telebrás, a partir da dotação, passou a não ter mais controle sobre os bens ou sua destinação, interesse comum ou participação capaz de configurar responsabilidade solidária; b) vicio procedimental: - que a Telebrás não fora alvo de verificação fiscal a fim de apurar as ocorrências relacionadas à dotação de bens à Fundação CPqD; - que não fora observado o rito definido no art. 32 da Lei n° 9.430, de 1996, que disciplina o procedimento de suspensão de imunidade e de isenção subjetiva; c) saneamento: antes da conclusão da ação fiscal, fora protocolado pedido de homologação da transferência dos bens e que o AD (N) tf 9/84, teria admitido expressamente a homologação posterior da transferência; 3 Processo n° 10831.007012/2001-25 S3-C2T1 Acórdão n°3201-00.005 Fl. 3.957 d) autorização prévia: - a legislação que disciplinou a criação da Fundação CPqD traria no seu bojo, implicitamente, a autorização do Poder Executivo para a transferência dos bens por dotação; - alteração do procedimento de autorização de transferência em razão da edição do ADN n" 9/84. e) decadência: na data da ciência da exigência (17/08/2001), passavam-se mais de 05 anos do registro das respectivas declarações de importação; O cumprimento das exigências de natureza objetiva (vinculada à destinação dos bens): mesmo quando o CPqD fazia parte da estrutura da Telebrás, já exercia atividades típicas de pesquisas e desenvolvimento tecnológico; g) que antes de obter personalidade jurídica não poderia pleitear o seu credenciarnento junto ao CNPq e essa personalização só ocorreria após a correspondente dotação patrimonial; h) que a instituição de uma fundação reclama a dotação de bens livres de gravames, dentre os quais se inseriria a incidência tributária; i) que a dotação de patrimônio para criação de fundação não é um instituto através do qual se opera a transferência de bens e renda; j) que não fora aplicado o principio da proporcionalidade na cobrança do montante do crédito tributário, dogmatizado nos art. 148 e 139 do RA; Requereu, ainda, pericia, sob a alegação de que o lançamento do crédito tributário foi baseado no Laudo de Avaliação dos Bens elaborado pela Instituidora, sem observar as disposições legais que disciplinam a matéria, com relação à redução proporcional à depreciação dos bens. As autoridades recorridas deferiram a perícia pleiteada e, como resultado, promoveu-se uma redução na exigência proporcional à depreciação dos bens transferidos, bem assim à exclusão de determinado equipamento que não fora alvo de transferência. Reunindo os elementos carreados aos autos, proferiu-se a decisão recorrida, da qual se extrai a seguinte ementa: Ementa: DECADÊNCIA. ISENÇÃO. Decadência A contagem do prazo decadencial, na hipótese da isenção condicionada, tem como termo inicial, com amparo no art. /73, inciso 1 da Lei n° 5.172/66 — CTN, o prin2eiro dia do exercido seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, por descomprimem° dos reqieisitos que amparavam a concessão daquele beneficio, Isenção Processo n° 10831.007012/2001-25 S3-C2T1 Acórdão n.°3201-00.005 VI. 3.958 Bens importados e despachados sob o beneficio da isenção (Lei n" 8.010/90 e 8.032/9Q), quando transferidos para terceiro não credenciado junto ao CNPq e sem a prévia autorização da SRF, caberá a exigência dos tributos devidos pelo descumprimento dos requisitos previstos na legislação de regência. Multa de Oficio - Tipificada a falta de pagamento dos impostos, cabível a multa de oficio do II e do IPI, conforme legislação de regência. Multa Fiscal - Ocorrendo a transferência, a terceiro, a qualquer titulo, de bens importados com isenção de tributos, sem prévia autorização da autoridade fiscal, cabível a aplicação da multa do art. 106 do DL n" 37/66, regulamentado pelo art. 521, II. 'a ' do Decreto n" 91.030/85. Lançamento procedente em parte Após o acórdão recorrido, a exigência fiscal, inicialmente fixada em RS 13.953.210,88, foi reduzida para R$ 5.744.219,43. Tal desoneração corresponde à motivação do recurso de oficio que está sendo analisado juntamente com o presente recurso voluntário. Ciente de tal decisão, apresentou a Fundação CPqD o correspondente recurso voluntário, onde pleiteia sua reforma, sinteticamente, pelos mesmos os argumentos expendidos por ocasião da apresentação da impugnação. Observado que a Telebrás não foi regularmente intimada da decisão a quo, foram os autos devolvidos à autoridade preparadora para saneamento dessa omissão e comunicação dessa providência à recorrente que havia sido regularmente intimada. Em resposta a intimação, tal qual a Fundação CPqD, comparece a Telebrás aos autos, pleiteando a reforma do decimoi de primeira instância, sinteticamente, pelos mesmos fundamentos que deram espeque à impugnação Considerando que a Fundação CPqD não fora comunicada do saneamento do processo, retomaram os autos à autoridade preparadora a fim de fosse dado cumprimento à já mencionada determinação deste Colegiada. Suprida tal providência, retornam os autos para julgamento. pg É o Relat9ório. 5 Processo n° 10831.007012/2001-25 53-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.005 Fl. 3.959 Voto Conselheiro LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Presidente e Relator O recurso trata de matéria afeta à competência deste Terceiro Conselho e é tempestivo. Dele se deve tomar conhecimento, portanto. Em nome da clareza, analiso separadamente os fundamentos trazidos à apreciação deste Colegiado. 1- Preliminarmente: 1.1 - Ilegitimidade passiva Sustentam, tanto a Fundação CPqD quanto à Telebrás, que não estão legitimadas a figurar no pólo passivo da exigência. Acerca da solidariedade passiva, motivo aduzido pelo Fisco para imputar a exigência a ambos, diz o art. 124 do Códi go Tributário Nacional (Lei n°5.172/66) Art. 124. São solidariamente obrigadas: I - as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II - as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta beneficio de ordem. Cotejando tal dispositivo com os fatos carreados aos autos, penso que não pode subsistir a pretensão aduzida. Ainda que se alegasse a ausência de interesse comum entre as pessoas jurídicas (evidente a meu ver), hipótese prevista no inciso I, por força da regra gizada no art. 32 do Decreto-lei n°37, de 1966, confi gurar-se-ia a hipótese elencada no inciso De fato, diz o art. 32, após sua alteração pelo DL n°2.472, de 1988: Art . 32. É responsável pelo imposto: Parágrafo único. É responsável solidário: a) o adquirente ou cessionário de mercadoria beneficiada CO!)? isenção ou redução do imposto; Não vislumbro, portanto, a alegada falha na identificação do sujeito passivo. A Telebrás, efetivamente realizou a importação dos bens que usufruíram de isenção subjetiva e (9r. Processo n° T0831.007012/2001-25 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.005 Fl. 3.960 pode ser chamada a responder por exigências que decorram da sua condição de contribuinte. A Fundação CPqD, a seu turno, passou a ser proprietária daqueles mesmos bens. Noutro giro, a ordem com que os sujeitos passivos foram indicados no auto de infração, s.m.j, não provoca o alegado vício procedimental. Como bem ressaltou o órgão julgador a quo, a eleição da Fundação CPqD e da Telebrás como sujeitos passivos está albergada no instituto da solidariedade, como, aliás, restou frisado no momento da fixação da exigência, conforme se observa na leitura do tópico 4 do relatório fiscal, intitulado "Contribuinte e Responsável Solidário", onde são transcritos os dispositivos regulamentares que dariam espeque a tal raciocínio, com a expressa indicação da lei ou decreto-lei regulamentado. Note-se, ademais, que responsabilidade tributária, na modalidade solidária, não comporta beneficio de ordem. Ou seja, pouco importa a seqüência empregada quando da identificação dos contribuintes: ambos estão ligados a uma obrigação indivisível. Nesse sentido, com a habitual clareza, ressalta Maria Rita Ferragutl São, assim, características fundamentais da solidariedade: (i) pluralidade subjetiva (de credores, de devedores, ou de uns e outros simultaneamente); e (ii) unidade objetiva (ou seja, cada devedor responde pela totalidade da prestação, e cada credor tem direito à totalidade do crédito); A exigência fiscal, portanto, é uma só. Se cabível, obriga os dois, se indevida, desonera-os na mesma medida. Apenas para ilustrar, trago à colação manifestação do e. Superior Tribunal de Justiça nos autos do REsp n°761.246 - RS (Ministra Eliana Calmon, DJ de 29/06/2007): TRIBUTÁRIO — CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁ RIA — RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. TOMADOR E PRESTADOR DE SERVIÇOS DE MÃO-DE-OBRA NA CONSTRUÇÃO CIVIL. I. A divida tributária, quando há solidariedade passiva, pode ser cobrada de qualquer dos sujeitos passivos, não comportando beneficio de ordem, exceto quando houver dispositivo legal permitindo. Hipótese dos autos em que a cobrança da contribuição previdenciária pode ser cobrada tanto do tomador quanto do prestador de serviços de mão-de-obra na construção civil. 2.Precedentes desta Corte. 3.Recurso especial provido. Acerca da convivência das figuras do contribuinte e do responsável, pondera Maria Rita Ferragut em outra obra2: 'Responsabilidade Tributária e o Código Civil de 2002. São Paulo. Noeses, 2005, p. 68. 427 7 Processo n° 10831.007012/2001-25 53-C2TI Acórdão n.° 3201-00.005 Fl. 3.961 "São dois aspectos distintos. O primeiro diz respeito ao sujeito realizador do fato previsto no antecedente da regra-matriz de incidência tributária, fato este que, como regra, se encontra indicado na Constituição. Já o segundo refere-se ao sujeito obrigado a cumprir com a prestação objeto da relação jurídica, ou seja, aquela pessoa que integra o pólo passivo da obrigação. Essa pessoa é a única obrigada ao pagamento do tributo, e pode ou não coincidir com o sujeito que realizou o fato jurídico revelador de capacidade contribuam: se realizou, será contribuinte; se não, responsável. Não identificamos qualquer inconstitucionalidade nessa regra. Os incisos 1 e II do parágrafo étnico do artigo 121 do CTN elegem duas espécies de sujeitos passivos para a relação jurídica tributária: o contribuinte, identificado como sendo a pessoa que tem relação direta e pessoal com o fito jurídico, e o responsável, como sendo a pessoa que, embora não tendo relação direta e pessoal com o , fato, é eleita pela lei para satisfizer a obrigação tributária. Também não vejo como o fato da Telebrás deixar de ter o domínio dos bens, em função da sua dotação, afaste a sua condição de contribuinte. Corno já se viu, tal pessoa jurídica promoveu a importação e, segundo acusa o Fisco, justamente em função dessa transferência, tornou-se devedora do imposto excluído pela aplicação de isenção condicional. Nessa esteira, não há que se cogitar de vicio do lançamento. 1.2 - Inobservância do Rito para Suspensão de Isenção ou Imunidade O art. 32 da Lei nY 9.430/96 estabelece os procedimentos de fiscalização que deverão ser adotados para verificação do cumprimento dos requisitos legais, por parte das entidades beneficiárias da imunidade constitucional definida na alínea "c", do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal ou da isenção subjetiva prevista no inciso IV do capta do art. 9' do CTN3. Dispõe o referido artigo: Art. 32. A suspensão da imunidade tributária, em virtude de falta de observáncia de requisitos legais, deve ser procedida de confirmidade com o disposto neste artigo. § I" Constatado que entidade beneficiária cie imunidade de tributos federais de que trata a alínea c do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal não está observando requisito ou condição previsto nos arts. 9", § I". e 14, da Lei n°5.172, de 25 2 Responsabilidade Tributária:Conceitos Fundamentais, in Responsabilidade Tributária, Coordenação: Maria Rita Ferragut e Marcos Vinicius Neder. São Paulo. Dialética, 2007 pp. 9 e seguintes 3 Art. 90 É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municipios: (...) IV - cobrar imposto sobre: a) o patrimônio, a renda ou os serviços uns dos outros; ti) templos de qualquer culto; c) o patrimônio, a renda ou serviços dos partidos políticos. inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadora, das instituições de educação e de assistencia social, sem fins lucrativos, observados os requisitos fixados na Seção II deste Capitulo; (Redação dada pela Lep n" 104, de I 0.1.2001) d) papel destinado exclusivamente à impressão de jornais, periódicos e livros. Processo n° 10831.007012/2001-25 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.005 Fl. 3.962 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional, a fiscalização tributária expedirá notificação fiscal, na qual relatará os fatos que determinam a suspensão do beneficio, indicando inclusive a data da ocorrência da infração. § 10. Os procedimentos estabelecidos neste artigo aplicam-se, também, às hipóteses de suspensão de isenções condicionadas quando a entidade beneficiária estiver descumprindo as condições ou requisitos impostos pela legislação de regência." O rito definido nos termos da reclamada legislação, como é possível concluir, está adstrito às hipóteses de suspensão da imunidade ou isenção, decorrente do descumprimento das exigências fixadas nos art. 9 0, § 1°4 e 14 5 , do mesmo CTN ou de outra legislação especifica que imponha condições de igual natureza. No caso do vertente processo, conforme sobejamente narrado, não se discute da suspensão temporal dos beneficios outorgados à Fundação CPqD em razão da sua qualidade de pessoa jurídica sem fins lucrativos. Aliás, pelo que consta dos autos, é possível admitir exatamente o contrário, ou seja, que aquele sujeito passivo preencheria as condições subjetivas aferíveis por meio do procedimento em questão. Dai porque não vejo como anular o procedimento fiscal em função da não realização dos procedimentos enumerados no art. 32 da Lei n°9.430, de 1996. 1.3 - Ausência de Verificação Fiscal sobre a Telebrás Questiona-se, ainda, a validade do lançamento em razão da inexistência de ação fiscalizadora realizada na pessoa jurídica que promoveu a importação dos bens. Conforme narrado, tal procedimento fiscal teve como foco a apuração de irregularidade na transferência, pela Telebrás, dos bens que passaram a fazer parte do patrimônio da Fundação CPqD. Ora, se a análise fiscal sobre a destinatária recolheu informações que revelariam a co-responsabilidade de um terceiro que não fora alvo de verificação fiscal, cabe ao agente aplicar a norma incidente sobre tais fatos. Somente se cogitaria de nulidade se a lei expressamente o previsse ou se não fosse oferecida oportunidade para, como se verificou, a Telebrás apresentar suas razões de inconformidade e coligir os documentos que entendesse respaldar tais razões. 4 § 1 0 0 disposto no inciso IV não exclui a atribuição. por lei, às entidades nele referidas, da condição de responsáveis pelos tributos que lhes caiba reter na fonte, c não as dispensa da pratica de atos, previstos em lei. assecuratorios do cumprimento de obrigações tributárias por terceiros. 5 Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9° é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas; 1 — não distribuirem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer titulo; (Redação dada pela Lcp n° 104, de 10.1.2001) 11 - aplicarem integralmente, no Pais, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; 111 - manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de fonnalidades capazes de assegurar sua exatidão. § I° Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § I° do artigo 9°, a autoridade competente pode suspender a aplicação do beneficio. § 2° Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9° são exclusivamente, os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previstos nos respectivos estatutos Ou atos constitutivos. Processo n° 10831.007012/2001-25 83-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.005 Fl, 3.963 Também não cogita, apenas para argumentar, de falha de Mandado de Procedimento Fiscal. Independentemente da discussão dos efeitos de tal vicio, desnecessária para o julgamento do presente recurso, somente se configuraria descumprimento das regras que disciplinam aquele instrumento de controle do procedimento fiscal se a Telebrás tivesse sido fiscalizada sem a emissão do respectivo mandato. Finalmente, não vejo como cogitar de nulidade sem que se demonstre o prejuízo eventualmente perpetrado. 2- Mérito 2,1 - Decadência Tanto a Fundação CPqD quando a Telebrás pugnam para que se reconheça a decadência do direito de promover o lançamento objeto da lide. Pedindo a devida vênia, penso que tal argumento não pode prosperar. Com efeito, sem a antecipação do pagamento do imposto, não há que se falar em inicio da contagem do prazo para homologação do pagamento, nos termos da regra gizada no § 4(2 do art. 150 do CTN6. Sendo certo que, nas importações objeto do presente recurso não ocorreu qualquer antecipação de pagamento, já haveria motivo suficiente para deslocar o dies a alto da contagem do prazo decadencial para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ex vi do art. 173, e do mesmo CTN. Entendo, entretanto, não ser necessário adentrar nesse debate, pois, no presente recurso voluntário, o deslocamento desse dies a quo se verificou em função do próprio fundamento jurídico da isenção, concedida sob condição resolutória. Como é cediço, a isenção debatida no presente processo está atrelada a pelo menos duas condições: que o bem permaneça empregado nas atividades de pesquisa que motivaram a concessão do beneficio e no domínio da pessoa jurídica beneficiária. Veja-se o que dizem os artigos 11 e 12 do Decreto-lei n°37, de 1966: Art. 11 - Quando a isençáo ou redução for vinculada à qualidade do importador, a transferéncia de propriedade ou uso, a qualquer título, dos bens obriga, na forma do regulamento, ao prévio recolhimento dos tributos e gravames cambiais, inclusive quando tenham sido dispensados apenas estes gravames. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos bens transferidos a qualquer titulo: 6 * 4" Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorre:leia do fato gerador, expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitiva/mine extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo. fraude ou simulação. 7 Art. 173. O direito de a Fazenda Publica constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; 0 Processo n° 10831.007012/2001-25 53-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.005 H. 3.964 • 1 - a pessoa ou entidades que gozem de igual tratamento ,fiscal, mediante prévia decisão da autoridade aduaneira; II - após o decurso do prazo de 5 (cinco,) anos da data da outorga da isenção ou redução. Ari. 12 - A isenção ou redução, quando vinculada à destinação dos bens, ficará condicionada ao cumprimento das exigências regulamentares, e, quando for o caso, à comprovação posterior do seu efetivo emprego nas finalidades que motivarem a concessão. Enquanto a alteração de uma dessas condições for capaz de motivar a cobrança, ao menos parcial, dos impostos que deixaram de ser pagos no momento do despacho de importação, penso que não se poderia falar em início do prazo decadeneial sobre aquela parcela. Ou seja, a par de conferir o direito de ver reduzida a base de cálculo da exigência proporcionalmente à depreciação dos bens, a ser calculada nos termos do § 2" do art. 139 8 do Regulamento Aduaneiro que vigia à época da transferência (Decreto n° 91.030, de 1985), o dispositivo em questão desloca o início do prazo deeadencial, que não se complementa enquanto pendentes as condições resolutórias fixadas no ato normativo que concede isenção. Ante ao exposto, voto no sentido de rejeitar a prejudicial de decadência. 2.2 - Ausência de Personalidade Jurídica por Parte da Fundação CPqD Sinteticamente, no sentir da fundação CPqD, faltar-lhe-ia personalidade jurídica no momento do ato jurídico tido pelo Fisco como apto a materializar a transferência dos bens (dotação). Sem tal atributo, não se poderia considerá-la adquirente dos bens importados com beneficio, condição exigida uni ato de vontade de quem os recebera. Partiriam as conclusões do fisco, portanto, da equivocada aplicação da analogia para equiparar dotação e doação. Trago à colação trecho que resume tais ponderações: É óbvio, portanto, que a Recorrente não é, e nunca foi, adquirente do acervo patrimonial da Telebrós, pela simples razão de que a Recorrente, além de não existir ao tempo da dotação, só mi legalmente criada a partir do registro da escritura pública de dotação. Ou seja, segundo aduzido, sem que complementassem as formalidades que confeririam personalidade à Fundação CPqD, não se poderia falar em transferência, ato que teria como condição essencial a bilateralidade, ou seja, a presença de pessoas juridicamente reconhecidas. Traz à colação trechos da doutrina de Tomáz de Aquino Rezende e Gustavo Saad Diniz. R Art. 139. Na transferencia de propriedade ou uso de bens objeto de isenção ou redução, o imposto será reajustado pela aplicação dos índices de correção monetária, lixados pelo órgão competente, e reduzido proporcionalmente à depreciação do valor dos bens em função do tempo decorrido (Decreto-lei n^ 37/66, art. 26). (...) § 2" A depreciação para os demais bens, inclusive os automóveis de que trata o artigo 237, obedecerá aos seguintes percentuais (Decreto-lei n" 1.435/76. art. 2", §§ 1°c 3"): De mais de 12 e até 24 meses -25%: - De mais de 24 e até 36 meses - 50%; De mais de 36 e até 48 meses - 75%; De mais de 48 e menos de 60 meses - 90% #2 Processo n° 10831.007012/2001-25 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201 -00.005 Fl. 3.965 Tal conclusão teria espeque, essencialmente, em uma suposta divisão do surgimento de uma fundação em duas etapas: instituição e constituição, sendo o primeiro responsável pela afetação do patrimônio e o último, pelo surgimento da pessoa jurídica. Se quando da afetação do patrimônio, a fundação CPqD não era capaz de ser proprietária dos bens, não seria possível qualificá-la como adquirente. Penso, com a máxima vênia, que esse debate acerca da delimitação da natureza e, conseqüentemente, dos efeitos do ato de instituição, apesar de extremamente rico sob o ponto de vista doutrinário, não é capaz de afastar a aplicação da legislação que fundamentou a exigência ora debatida. Com efeito, o art. 11 do Decreto-Lei n" 37, de 1966 9 não faz restrição à natureza do ato ou negócio jurídico que motivou a transferência da propriedade ou do uso. Somente exige a cumulação de dois elementos: a transferência e a ausência de autorização anterior. Ora, se a escritura pública de instituição da Fundação CPqD foi registrada no 12" Registro Privativo de Pessoas Jurídicas de Campinas no dia seguinte à sua lavratura, ou seja, em 23/07/1998, é absolutamente certo que, qualquer que seja a corrente civilista que se tome como paradigma, pelo menos a partir desta última data, já estaria definitivamente configurada a transferência dos bens sem a anuência do Fisco. Aliás, acerca do momento em que se aperfeiçoa a transferência do bem, com particular felicidade, sintetiza Gustavo Saad Diniz i°, autor cujas ponderações foram igualmente trazidas ao processo pela recorrente CPqD: Verificando-se a regularidade em todo o negócio, ele será reconhecido pelo Estado e então, após o registro dos estatutos, o patrimônio passa para a esfera jurídica da fundação instituída, através de registro que importará em transferencia de domínio. Nessa esteira, se a transferência do bem não tivessem se aperfeiçoado no momento da dotação, certamente tais efeitos jurídicos se verificaram quando de registro da escritura. O essencial é que a propriedade ou o uso de parte dos bens antes pertenciam à Telebrás passou a pertencer à fundação CPqD. Admitindo, apenas para argumentar, que a dotação não se revele apta a transferir a propriedade, qual seria a forma por meio da qual ela passaria a fazer parte do acervo patrimonial da Fundação CPqD? Ora, ainda que se equiparasse a dotação aos meios de aquisição que a doutrina" classifica como originários, onde não haveria relação de causalidade entre o 9Art. 11 - Quando a isenção ou redução for vinculada à qualidade do importador, a transferência de propriedade ou uso, a qualquer título, dos bens obriga, na forma do regulamento, ao prévio recolhimento dos tributos e gravames cambiais, inclusive quando tenham sido dispensados apenas estes gravames.(grifei) Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos bens transferidos a qualquer titulo; 1 - a pessoa ou entidades que gozem de igual tratamento fiscal, mediante prévia decisão da autoridade aduaneira; 11 - após o decurso do prazo de 5 (cinco) anos da data da outorga da isenção ou redução. I ° Direito das Fundações Privadas. São Paulo, Lemos Cruz, 2006, p 245. H Vide Rodrigues, Silvio. Direito Civil — Direito das Coisas — Volume V. São Paulo. Saraiva, 1991, 19a ed., p.p. 90 e 91. a:12 Processo n° 10831.007012/2001-25 S3-C2TI Acórdão n.° 3201-00.005 Fl. 3.966 domínio atual e o anterior, a exemplo do usucapião l2 e da acessão 13 , a propriedade é sempre adquirida. Como se observa no Código Civil, independentemente da intervenção do proprietário anterior, quem passa a deter o domínio da coisa, adquire sua propriedade, mesmo quando, como se verifica na maioria das hipóteses da acessão, o adquirente não toma qualquer iniciativa. De tal sorte, o que delimita a aquisição não é a existência de um negócio jurídico, mas a passagem de um bem para o domínio do seu novo proprietário. Assim, se é certo que a Telebrás, antes ou depois do registro da escritura de instituição, transferiu a propriedade ou o uso de parte do seu patrimônio à Fundação CPqD, e esses bens gozaram de isenção subjetiva, é igualmente certo que: a) as mesmas são solidariamente responsáveis desde 22 de julho de 1998, se considerarmos que a transferência operou-se no momento da dotação, ou de 23 de julho de 1998, se considerarmos o momento do registro da escritura de instituição. Não custa relembrar que a incompletude do ato de inscrição não é suficiente para afastar a sujeição passiva da Fundação CPqD, a teor do comando inserido no art. 126, III do Código Tributário Nacional 14; b) incidiu a hipótese abstratamente prevista no eaput do art. II do Decreto- lei n°37, de 1966; Verificada uma das hipóteses capazes de fazer surgir a incidência dos tributos que deixaram de ser pagos no momento da importação, somente se poderia afastar a tributação ora litigiosa se verificada ao menos uma das exceções estabelecidas no já transcrito parágrafo único do art. 11 do mesmo DL 37/66, não configuradas no presente recurso. 2.3 - Prévia Autorização de Transferência por Ato do Presidente da República- Decreto n°2.546, de 1998 Sendo certo que, quando da transferência, não se passavam cinco anos da importação dos bens, caberia investigar se, na esteira do arguido pelas recorrentes, ao invés da autoridade aduaneira, tal autorização teria sido implicitamente outorgada pelo chefe do Poder Executivo, que no art. 4' do Anexo 1 do Decreto 2.546, de 1998, que aprovou o "modelo de reestruturação e desestatização do Sistema Telebrás" Diz o art. 4°: 12 Art. 1.238. Aquele que, por quinze anos, sem interrupção, nem oposição, possuir como seu um imóvel, adquire-lhe a propriedade, independentemente de titulo e boa-fé; podendo requerer ao juiz que assim o declare por sentença, a qual servirá de titulo para o registro no Cartório de Registro de Imóveis. (grifei) 13 Seção III Da Aquisição por Acessão Art. 1.248. A acessão pode dar-se: 1 - por formação de ilhas; 11 - por aluvião; III - por avulsão; IV - por abandono de álveo; V - por plantações ou construções. 14 Art. 126. A capacidade tributária passiva independe: III - de estar a pessoa jurídica regularmente constituída, bastando que configure uma unidade econômica ou profissional. (9,13 Processo n°10831.007012/2001-25 S3-C2TI Acórdão n.° 3201-00.005 Fl. 3.967 Art. 4° Fica a Telecomunicações Brasileiras S.A. -TELEBRÁS autorizada a instituir uma fundação privada, para incorporar o seu Centro de Pesquisa e Desenvolvimento, nos termos aprovados pela Comissão Especial de Supervisão instituída pelo Ministro de Estado das Comunicações, em conformidade com o disposto no art. 195 da Lei n°9.472/97. Parágrafo único - Poderá ser exigido das empresas resultantes da reestruturação societária da TELEBRAS, no edital de desestatização, o compromisso de participar financeiramente da manutenção das atividades da fundação, por um prazo de até três anos, a contar de sua instituição. Peço licença para discordar dos argumentos das recorrentes, pois penso que o dispositivo invocado não tem o condão de substituir a autorização reclamada pelo inciso 1 do parágrafo único do Decreto-lei n°37, de 1966. Veja-se o que diz o art. 11 da Lei n° 9.784,de 1999: Art. 11. A competência é irrenunciável e se exerce pelos órgãos administrativos a que foi atribuída como própria, salvo os casos de delegação e avocação legalmente admitidos. Na mesma linha, segue Celso Antonio Bandeira de Mello 15 , quando trata da intransfetibilidade da competência. Segundo afirma o mestre, as competências são: "c) intransferíveis, vale dizer não podem ser objeto de transação, de tal sorte que descaberia repassá-las a outrem, cabendo, tão-somente, nos casos previstos em lei, delegação do seu exercício, sem que o delegante, portanto, perca, com isto, a possibilidade de retomar-lhe o exercício, retirando-o do delegado; Nessa linha, salvo melhor juizo, para que o dispositivo regulamentar atingisse o fim alegado seria necessário que o fizesse expressamente ou que, pelo menos, transferisse à comissão instituída pelo Ministro das Comunicações a competência conferida pelo Decreto-lei n°37, de 1966. Note-se que o dispositivo regulamentar sequer traz qualquer menção ao tratamento tributário a ser dispensado ao universo dos bens que formariam a futura fundação cuja criação estava sendo autorizada. Ausente norma especial, permanece válida a geral: a transferência, para que não seja objeto de tributação, não poderia prescindir da prévia autorização da autoridade aduaneira. 2.4 — Relevação da Exigência de Autorização Prévia - ADN 9/84 Previu o ADN 09/84: Curso de Direito Administrativo. São Paulo. Malheiros, 2008,2? cd. pp 145 c 146 (2:74 Processo n° 10831.007012/2001-25 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.005 Fl. 3.968 "1 - As hipóteses de integralização de capital social, por pessoa fisica ou jurídica, incorporação, fusão, cisão, sucessão de sociedades comerciais ou civis e outras operações análogas, que configurem transferência de propriedade ou cessão de uso de bens importados com benefícios fiscais, antes de decorridos 5 (cinco) anos do seu reconhecimento, sujeitam-se às disposições da Instrução Normativa SRF n° 02/79: II - Verificada, nesses casos, a impossibilidade real de obtenção da decisão prévia da autoridade fiscal, a transferência de bens, com manutenção dos benefícios, poderá ser objeto de homologação posterior, mediante expressa concordância do órgão coneedente, se for o caso, e observados os demais procedimentos previstos na referida instrução normativa." (destaquei) Acerca do alcance desse ato administrativo, diz o Parecer Cosit if 22, de 20 de maio de 2003: "O Ato Declaratório Normativo (ADN) CST n" 9/84 .firma o entendimento de que as hipóteses de integralização de capital social, por pessoa fisica ou jurídica, incorporação, fusão, cisão, sucessão de sociedades comerciais ou civis e em outras operações análogas que configurem transferência de propriedade ou cessão de uso de bens importados com isenção ou com redução de impostos sujeitam-se às disposições da Instrução Normativa S'RF n" 02/79... - Malgrado a veemência com que se discorda da aplicação analógica do o ADN em questão à transferência de propriedade em decorrência de dotação orçamentária, estender tal ato à tal hipótese, em verdade, representa uma extensão benéfica. Com efeito, se a dotação não se inserisse no conjunto de operações societárias previsto no ato declaratório, ser-lhe-ia aplicada a regra geral, onde não se admite sequer a homologação posterior. Ocorre que, independentemente de tal enquadramento, para que não se configure a infração objeto do presente processo, é imperioso que, pelo menos antes da conclusão do ato jurídico que culminará com a transferência dos bens, a autoridade concorde com a aplicação dessa rega diferenciada. 2.5 - Impossibilidade de Imposição de Gravames aos Bens Dotados Outro ponto que fundamentaria o recurso seria a impossibilidade de se estabelecer gravames (inclusive tributários), sobre os bens objeto de dotação. De fato, previa o Código Civil vigente à época da constituição da Fundação CPqD, em seu art. 24: Art. 24. Para criar uma fundação, far-lhe-á o seu instituidor, por escritura pública ou testamento, dotação especial de bens livres, especificando o fim a que se destina, e declarando, se quiser, a maneira de administrá-la. (°:? Processo n° 10831.007012/2001-25 53-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.005 Fl. 3.969 Entretanto, com a devida licença, discordo que esse dispositivo possua reflexos sobre a possibilidade de se tributar algum bem objeto de dotação. De acordo com a lei que disciplina o procedimento de criação de fundações, a ausência de bens livres em volume suficiente reclama a complementação dessa dotação especial ou, em situações extremas, impede a constituição da fundação. Veja-se, em primeiro lugar, a redação do art. 1.200 do Código de Processo Civil: Art. 1.200. O interessado submeterá o estatuto ao órgão do Ministério Público, que verificará se foram observadas as bases da 'Undação e se os bens são suficientes ao fim a que ela se destina. (grifei) Por outro lado, reza o art. 25 do Código Civil: Art. 25. Quando insuficientes para constituir a fundação, os bens doados serão convertidos em duelos da divida pública, se outra coisa não dispuser o instituiclor, até que, aumentados com os rendimentos ou novas dotações, perfaçam capital bastante. Ou seja, a exigência de dotação por meio de bens livres não tem o condão de impedir a incidência tributária, ou qualquer outra forma de gravação, mas, em situações extremas, a criação da própria fundação, se não lhe restarem bens livres suficientes para o atingimento de suas finalidades. Em segundo, como de todos sabido, o CTN, em seu art. 123, proíbe que aspectos relativos a contratos ou declarações unilaterais de vontade possuam reflexos sobre a definição do sujeito passivo, ai incluídos o contribuinte ou o responsável. Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Ou seja, eventual lapso do instituidor que deixou de considerar incidência tributária sobre os bens dotados não produz efeitos sobre a tributação do patrimônio. No máximo, atinge o ato de dotação e, por via obliqua a própria fundação. A forma pela qual esse patrimônio será ou não ressarcido à fundação deve ser discutida entre as partes (fundação e instituidor). 2.6 - Ausência de Desvio de Finalidade Sustenta-se ainda que a manutenção da aplicação dos bens na atividade para a qual foram importados afastaria a imposição de gravames. A Lei 8.010/90, como se sabe, concede isenção do Imposto de Importação, do Imposto sobre Produtos Industrializados e do Adicional ao Frete Para Renovação da Marinha Mercante, às importações de máquinas, equipamentos, aparelhos e instrumentos, bem 6como suas partes e peças de reposição, acessórios, matérias-primas e produtos intermediários,2,. 16 Processo n° !083L007012/2001-25 53-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.005 Fl. 3.970 destinados à pesquisa cientifica e tecnológica, realizadas pelo Conselho Nacional de Pesquisa Científica e Tecnológica - CNPq, e por entidades sem fins lucrativos ativas no fomento, na coordenação ou na execução de programas de pesquisa cientifica e tecnológica ou de ensino, devidamente credenciadas pelo CNPq. Trata-se, portanto, de isenções vinculadas tanto à qualidade do importador quanto à destinação dos bens. À qualidade do importador, porque estabelece quem são as pessoas que poderão usufruir de seus beneficios, ou seja: o Conselho Nacional de Pesquisa Científica e Tecnológica - CNPq e as entidades sem fins lucrativos ativas no fomento, na coordenação ou na execução de programas de pesquisa cientifica e tecnológica ou de ensino, devidamente credenciadas pelo CNPq, no caso da Lei 8.010/90, e as instituições científicas e tecnológicas, no caso da Lei 8.032/90. À destinação dos bens, porque definem previamente para o que eles deverão estar destinados: à pesquisa cientifica e tecnológica. Com efeito, a ausência de qualquer consideração acerca de eventual desvio de finalidade, aliada à notoriedade da fundação que surgiu a partir da "personificação "de parte do patrimônio da Telebrás levam à convicção de que, efetivamente, os bens em questão continuaram sendo utilizados nas finalidades para as quais foram importados. Ocorre que, como já visto, essa é apenas uma das condições para que a transferência dos bens que foram alvo de beneficio antes do prazo de 5 anos não implique em recolhimento dos tributos em montante proporcional à depreciação. A outra é exatamente a prévia autorização da autoridade competente. 2.7- Multa de Oficio Questiona-se, ainda, a imposição de multa de oficio de 75%, tipificada no art. 44, I da Lei n° 9.430, de 1996, juntamente com a multa especifica pela transferência de bens sem prévia autorização, prevista no art. 106, II, "a" do Decreto-lei n°37, de 1966: Sem adentrar na discussão acerca da aplicação dessa norma especial, em detrimento daquela que pune indistintamente a declaração inexata, desnecessária no julgamento do presente recurso, entendo que, efetivamente, a multa de 75% é inaplicável ao caso concreto, tanto no que se refere ao Imposto de Importação, quando no que tange ao Imposto sobre Produtos Industrializados. Com efeito, tratando-se de isenção condicionada, no caso, ao cumprimento dos já falados requisitos fixados na legislação de regência, a verificação do descumprimento de uma dessas condições restaura ipso facto, a incidência do II e do IP I. A esse respeito, leciona Souto Maior Borges:I6 Se a isenção é dada sob condição resolutiva, cessada essa condição para a sua outorga, não se há de considerar conto revogada a lei de isenção, mas simplesmente que a pessoa ou 16 Teoria Geral da Isenção Tributária. Sào Paulo, 3 0 ed, 2001, p. 194 a 196. Processo n° 10831.007012/2001-25 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.005 Fl. 3.971 fato isento passou do campo da não-incidência para o da incidência. De se aplicar, portanto, os artigos 179, capta e parágrafo 20, e 155, II, cio Código Tributário Nacional, que estabelecem: Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. § 2" O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicando-se, quando cabível, o disposto no artigo 155. (grifei) Art. 155. A concessão da moratória em caráter individual não gera direito adquirido e será revogado de oficio, sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do favor, cobrando-se o crédito acrescido de juros de mora: 1 - com imposição da penalidade cabivel, nos casos de dolo ou simulação do beneficiado, ou de terceiro em beneficio daquele; II - sem imposição de penalidade, nos demais casos. (os grifos não constam do original) Admitindo que não existem nos autos elementos que revelem a presença de dolo, fraude ou simulação na conduta dos sujeitos passivos, afastada está a aplicação de penalidades sobre os impostos objeto de cobrança. De se reforçar, que essa interpretação foi endossada pela própria Secretaria da Receita Federal que, através do Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF 13, de 10/09/2002 (DOU de 11/09/02), estabeleceu: "Art 1 0. Não constitui infração punível com a multa prevista no art. 44 da Lei n" 9.430, de 27 de dezembro de 1996. a solicitação, feita no despacho de importação, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis. bem assim a indicação indevida de destaque (e4, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou niá fé por parte do declarante". Além do apoio de sólida doutrina, esta interpretação é também ratificada por aresto do Superior Tribunal de Justiça: s‘::?) Processo n° 10831.007012/2001-25 53-C2T 1 Acórdào n.° 3201-00.005 Fl. 3.972 RECURSO ESPECIAL hl' 437.560 - RJ (2002/0060960-7), Ministro Luiz Fax (DJ 10.10.2005 p. 230) TRIBUTÁRIO - LANÇAMENTO RETROATIVO DO IMPOSTO PREDIAL E TERRITORIAL URBANO - 1PTU - ISENÇÃO - CONSELHO DE CONTRIBUINTES LOCAL - REVOGAÇÃO POSTERIOR DO BENEFÍCIO ISENCIONAL - AUSÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO - EFEITOS RETROATIVOS PARA FINS DE INCIDÊNCIA DO TRIBUTO. 3. Decisão do Conselho de Contribuintes local. concedendo beneficio revogado posteriormente. A regra é a revogabilidade das isenções e a isenção concedida sob condição resohttiva pode ser cassada acaso verificada a auséncia de preenchimento das condições exigidas à data de sua própria concessão. 4.Aplicação dos artigos 155, 178 e 179 cio CTN. O desfazimento do ato administrativo que reconhece o direito à isenção não é a revogação, pois o ato não é discricionário, não decorre de simples conveniência da Administração. É anulatnento, ou cancelamento. É imprópria a terminologia do Código. Anulado, ou cancelado, o despacho que reconhece o direito à isenção, a Fazenda Pública providenciará a constituição do crédito tributário respectivo, que será acrescido dos juros de mora. (os grifos não constam do original) Afasto, portanto, a incidência de multa 75% sobre o II e IPI cobrados em razão do afastamento da isenção. 2.8- Multa Regulamentar Observada a subsunção do fato à norma, cabível é a aplicação da multa prevista no art. 521, II, "a" do Regulamento Aduaneiro de 1985, que regulamentou o art. 106, 11, a do DL 37, de 1966. Veja-se a sua redação: Art. 521. Aplicam-se as seguintes multas, proporcionais ao valor do imposto incidente sobre a importação da mercadoria ou o que incidiria se não houvesse isenção ou redução (Decreto-lei No 37/66, art. 106, I, II, IV e V): 11- de cinqüenta por cento (50%): a) pela transferência, a terceiro, a qualquer titulo, de bens importados com isenção de tributos, sem prévia autorização da repartição aduaneira, ressalvado o caso previsto no inciso XIII do artigo 5/4; 3- Recurso de Oficio 19 Processo n° 1083 I .007012/2001-25 S3-C2T 1 Acórdão n.° 3201-00.005 Fl. 3,973 Desnecessário tecer qualquer consideração adicional às elencadas pelos i. julgadores a quo. Acertadamente, aplicou-se o correspondente percentual de redução em razão decurso de prazo entre a importação e a transferência, bem assim corrigiu-se o rol dos bens que deveriam ser incluídos no presente processo. 4- Conclusão Com essas considerações, afasto as preliminares de nulidade do lançamento, a prejudicial de decadência e, no mérito, dou parcial provimento ao recurso voluntário, exonerando os sujeitos passivos do pagamento da multa de 75% sobre os impostos lançados, negando, ainda, provimento ao recurso de oficio. Sala das Sessões, em 25 de março de 2009. LUI • • GELO GdERRA DE CASTRO — Presidente e Relator 20 : ih .4 MINISTÉRIO DA FAZENDA 4114357)., CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Oro .97 TERCEIRA SEÇÃO Processo n°: 10831.007012/2001-25 Recurso n.°: 130322 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3° do art. 81 anexo 11 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n°. 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, a tomar ciência do Acórdão n.° 3201-00.005. Brasília, 18 - agos I e e 21: LUIZ HU larfik • NANDES Chefe . 2'. C.la . Ter eira Seção Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1 _0001400.PDF Page 1 _0001500.PDF Page 1 _0001600.PDF Page 1 _0001700.PDF Page 1 _0001800.PDF Page 1 _0001900.PDF Page 1 _0002000.PDF Page 1 _0002100.PDF Page 1
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Numero do processo: 14033.000343/2005-14
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/04/1990 a 31/12/1995
Ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO. JULGAMENTO. COMPETÊNCIA
Cabe às turmas ordinárias processar e julgar recurso voluntário de decisão de primeira instância em processos que excedem o valor de alçada das turmas especiais.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3803-002.790
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Fez sustentação oral: Drª Leliana Maria Rolim de Pontes Vieira, OAB/DF nº 12059.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1990 a 31/12/1995 Ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO. JULGAMENTO. COMPETÊNCIA Cabe às turmas ordinárias processar e julgar recurso voluntário de decisão de primeira instância em processos que excedem o valor de alçada das turmas especiais. Recurso Voluntário Não Conhecido. Direito Creditório Não Reconhecido.
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JULGAMENTO. COMPETÊNCIA Cabe às turmas ordinárias processar e julgar recurso voluntário de decisão de primeira instância em processos que excedem o valor de alçada das turmas especiais. Recurso Voluntário Não Conhecido. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Fez sustentação oral: Drª Leliana Maria Rolim de Pontes Vieira, OAB/DF nº 12059. [assinado digitalmente] Alexandre Kern Presidente. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Fl. 651DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 16/ 05/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Trata o presente processo dos PER/DCOMP listados à fl. 395 por meio do qual busca a contribuinte a compensação de crédito de IOF oriundo de ação judicial com débitos de diversos tributos e restituição. Consta que dos Per/Dcomps transmitidos pela interessada, o crédito de menor valor é o que ora se analisa, no importe de R$ 1.753.566,06 (fls. 03). O crédito pleiteado é oriundo da ação judicial 1997.340001652700, a qual foi impetrada após a restituição objeto do processo nº 10166.004779/9004 no valor de NCz$ 44.754.601,00 em 30/07/1992, no qual o valor de NCz$ 10.614.260,11, recolhido a maior e corrigido monetariamente pela variação da UFIR, foi restituído. O contribuinte recorreu ao Poder Judiciário pleiteando a atualização monetária integral da quantia restituída, incluindo os expurgos inflacionários, e recebeu decisão favorável, conforme consta das fls. 404 e 405. A habilitação do crédito foi realizada no processo nº 10166.005936/200519 (fls. 6/8), tendo sido o pedido considerado procedente. A DRF em Brasília, revisou de ofício os despachos decisórios às fls. 490/497, reconhecendo o montante de R$ 340.915,83 e concluindo pela insuficiência de crédito para compensar todos os débitos declarados pelo sujeito passivo, conforme tabela de fls. 459/489. Quanto ao pedido de restituição, este foi indeferido tendo em vista que do direito creditório reconhecido, não restou saldo a restituir após as compensações. Cientificada da decisão em 09/07/2010 (AR à fl. 563), a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade na qual, em apertada síntese, insurgese contra o cálculo efetuado pela autoridade administrativa para atualização do direito creditório e verificação das compensações realizadas. Contesta especificamente o valor obtido, uma vez que entende que a quantia já havia sido reconhecida anteriormente pela administração tributária, sendo suficiente para abranger todas as compensações declaradas, e também a possibilidade de se alterar o valor informado no pedido de habilitação, uma vez que já teria transcorrido o prazo decadencial. Em análise do mérito, a DRJ/BSB entendeu pela improcedência da manifestação de inconformidade e pelo não conhecimento do direito creditório, conforme se observa da ementa trasladada a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Período de apuração: 01/04/1990 a 31/12/1995 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA SOBRE CRÉDITOS. Inexistindo pronunciamento judicial em sentido contrário, o crédito relativo a pagamento efetuado pelo contribuinte será atualizado monetariamente conforme os índices determinados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Cientificada em 05/07/2011, apresentou recurso voluntário por meio do qual busca a reforma do julgado hostilizado, adotando, em apertada síntese, a mesma tese de defesa da manifestação de inconformidade e pleiteia ao final pela homologação das compensações declaradas e deferimento da restituição pleiteada. É o relatório. Fl. 652DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 16/ 05/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 14033.000343/200514 Acórdão n.º 380302.790 S3TE03 Fl. 2 3 Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira O recurso é tempestivo, entretanto, dele não tomarei conhecimento pelo que explano a seguir: Considerando (i) que a competência das turmas especiais fica restrita ao julgamento de recursos em processos de valor inferior ao limite fixado para interposição de recurso de oficio pela autoridade julgadora de primeira instância, nos termos do § 2º do art. 2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF; (ii) que esse valor está fixado atualmente em R$ 1.000.000,00, e (iii) que o valor original atualizado do crédito declarado na Dcomp deste processo é de R$ 1.753.566,06, voto pelo não conhecimento do recurso voluntário, declinando se a competência para seu julgamento às turmas ordinárias desta 3ª Seção. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 653DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 16/ 05/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por ALEXANDRE KERN 4 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 14033.000343/200514 Interessada: BOK ADMINISTRACAO E PARTICIPACOES S/A À SEJUL da 3ª Seção, para formação de lote de sorteio para as turmas ordinárias, haja vista que o valor do processo supera a alçada desta TE, estabelecida no § 2º do art. 2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF. Brasília DF, em 16 de maio de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 654DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 16/ 05/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 11065.101015/2006-50
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO
PARA O PIS. COMPENSAÇÃO. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS.
A cessão de créditos escriturais não se caracteriza como receita, sendo mero ressarcimento de custo tributário, inexistindo acréscimo patrimonial para as sociedades empresárias industriais ou repasse dos valores aos produtos ou aos consumidores finais. Os créditos de ICMS repassados a terceiros não se referem a valores anteriormente deduzidos no resultado da pessoa jurídica e
posteriormente recuperados, configurando-se, no contexto da técnica da não cumulatividade, numa forma de absorção de créditos não compensados com impostos de mesma natureza incidentes sobre vendas no mercado interno.
Numero da decisão: 3803-002.448
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Vencido o relator. Designado para redação do voto vencedor o Conselheiro Hélcio Lafetá Reis.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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Recorrente RITZEL COUROS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. COMPENSAÇÃO. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. A cessão de créditos escriturais não se caracteriza como receita, sendo mero ressarcimento de custo tributário, inexistindo acréscimo patrimonial para as sociedades empresárias industriais ou repasse dos valores aos produtos ou aos consumidores finais. Os créditos de ICMS repassados a terceiros não se referem a valores anteriormente deduzidos no resultado da pessoa jurídica e posteriormente recuperados, configurandose, no contexto da técnica da não cumulatividade, numa forma de absorção de créditos não compensados com impostos de mesma natureza incidentes sobre vendas no mercado interno. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido o relator. Designado para redação do voto vencedor o Conselheiro Hélcio Lafetá Reis. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente e Relator (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis– Redator designado Participaram ainda do presente julgamento os conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS 2 Relatório Cuidase de pedido de ressarcimento do saldo credor mensal de Contribuição para o PIS/Pasep, cumulado com declaração de compensação desse direito creditório com débitos próprios do requerente. A DRF de jurisdição deferiu parcialmente o ressarcimento, no montante de R$ 13.049,56, nos termos do Despacho Decisório de fls. 51. Segundo o Relatório Fiscal de fls. 44 a 47, a glosa de R$ 1.311,75 deveuse à não inclusão, na base de cálculo da contribuição, das receitas decorrentes da cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS. Sobreveio a reclamação de fls. 59 a 68, por meio da qual o requerente explica atuar no ramo de beneficiamento, importação e exportação de couros, peles e derivados e que a exportação de couro corresponde a mais de 80% do seu faturamento. Argumenta que não há incidência da contribuição sobre os produtos destinados ao mercado exterior, tendo acumulado créditos no decorrer de 2004 que são passíveis de ressarcimento e compensação.Discorre acerca da origem e formação do saldo credor de ICMS, aduzindo que o encargo é um ônus que deve suportar quando da compra da matériaprima, pois tal imposto não pode ser repassado ao seu cliente no exterior, restando apenas a alternativa de transferilo a terceiros, contribuintes do tributo estadual. Entende que, assim sendo, a recuperação desse crédito acumulado não pode ser considerada receita para fins de tributação. Pontua tratarse de recuperação de custos, rechaçando sua equiparação a alienação de direitos a título oneroso. Pede reforma do Despacho Decisório, a suspensão da exigibilidade dos débitos cuja compensação não foi homologada e que a autoridade administrativa abstenhase de inscrevêla no CADIN. A 2ª Turma da DRJPorto Alegre negou provimento à Manifestação de Inconformidade. O Acórdão no 1013.269, de 12 de setembro de 2007, fls. 102 e 103, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 Ementa: Incide Pis e Cofins na cessão de créditos de ICMS, ante a existência da alienação de direitos classificados no ativo circulante. Solicitação Indeferida Cuidase adora de recurso voluntário contra a decisão da DRJ/POA2ª Turma. O arrazoado de fls. 109 a 114, após resumo dos fatos relacionados com a lide, repisa os argumentos já apresentados por ocasião da Manifestação de Inconformidade, acrescentando que o crédito de ICMS decorrente da operação de exportação nada mais é que receita proveniente de operação de exportações de mercadorias para o exterior, portanto, imune à incidência do PIS e da COFINS. Assim, o resultado da transferência do crédito de ICMS proveniente de produtos exportados é decorrente de operações de exportações de mercadorias para o exterior, estando assim, excluído da base de cálculo do PIS e da COFINS. Insiste em caracterizar a cessão de créditos de ICMS como mera recuperação de custos. Pede provimento. É o Relatório. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11065.101015/200650 Acórdão n.º 380302.448 S3TE03 Fl. 1.172 3 Voto Vencido Conselheiro Alexandre Kern Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 109 a 114 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJPOA2ª Turma nº 1013.269, de 12 de setembro de 2007. O Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira, ao apreciar o Recurso Voluntário nº 876.372, deu conta de que RITZEL COUROS LTDA. ajuizou ação ordinária com pedido de liminar, sob o registro de n° 2007.71.08.0122114, que tramita perante a 2ª Vara Federal, objetivando a determinação para que a Fazenda Nacional se abstenha de efetuar a glosa, tal qual ocorreu no presente processo, e retenção dos valores a título de tributação pelo PIS e COFINS sobre as transferências de créditos de ICMS para terceiros e, no mérito, ver reconhecido o direito de não ser onerada pela incidência das referidas contribuições a partir do terceiro trimestre de 2007, bem como seja condenada a União a devolução dos respectivos valores. (Acórdão 3803002.414, de 13 de fevereiro de 2012). Diante dessa constatação, a Turma, por unanimidade de votos, decidiu não conhecer do recurso, em face da dicção da Súmula CARF nº 1. Todavia, no presente caso, tratase de períodos de apuração anteriores ao 3º trimestre de 2007, razão pela qual o recurso merece seguimento. A questão posta cingese a decidir se os valores recebidos pelo recorrente em decorrência da cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS integram a base de cálculo da Contribuição depois da entrada em vigor da Lei no. 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Primeiramente, fazse necessário definir a natureza desses ingressos, se configuram ou não receita. Geraldo Ataliba1 conceituou receita e a diferenciou de meros ingressos, nos termos seguintes “O conceito de receita referese a uma espécie de entrada. Entrada é todo dinheiro que ingressa nos cofres de determinada entidade. Nem toda entrada é receita. Receita é entrada que passa a pertencer à entidade.Assim, só se considera receita o ingresso de dinheiro que venha integrar o patrimônio da entidade que a recebe. As receitas devem ser escrituradas separadamente das meras entradas. É que estas não pertencem à entidade que as recebe. Têm caráter eminentemente transitório.Ingressam a título provisório, para saírem, com destinação certa, em breve lapso de tempo.” 1 ATALIBA, Geraldo. ISS – Base Imponível. Estudos e pareceres de Direito Tributário, v. 1. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1978, p. 88. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS 4 Desse excerto, concluise que todos os ingressos que sejam incorporados ao patrimônio de determinada pessoa, jurídica ou física, são considerados como receita; já os valores que são recebidos, a título transitório, que não pertencem ao recebedor, e, em breve lapso tempo, devem sair, com destinação certa, não são receitas, mas meros ingressos. Aliomar Baleeiro, ao analisar o que devese entender por receitas, assim concluiu: Receita pública é a entrada que, integrandose no patrimônio público sem quaisquer reservas, condições ou correspondência no passivo,vem acrescer o seu vulto, como elemento novo e positivo. Adaptando tal conceito ao Direito Tributário, temse que receita não é, a priori, todo e qualquer ingresso, mas tãosomente aquele que, efetivamente, se incorpora ao patrimônio do sujeito passivo, sem contrapartida, reserva, condições ou correspondência no passivo da pessoa. O recorrente pugna pela caracterização da cessão de créditos de ICMS como mera recuperação de custos. No caso de créditos de ICMS adquiridos quando da compra de matéria prima, dizse que os mesmos são "recuperáveis". Tal denominação pode ter contribuído para que se entenda que o seu eventual aproveitamento futuro, por parte da sociedade empresária que os detém, configuraria uma "recuperação de custos." Contudo, tal entendimento é equivocado. No momento da aquisição, o adquirente registra em seu ativo dois valores distintos: o valor da matériaprima estocada e o valor do ICMS incidente sobre a referida compra. Neste sentido é que dispõe o art. 289 do RIR/99, quando estabelece que "não se incluem no custo os impostos recuperáveis através de créditos na escrita fiscal." Portanto, o assim chamado "ICMS Recuperável" não representa qualquer tipo de perda ou custo para a entidade, tanto é assim que ela o registra no seu ativo, pois é um direito. Ainda que, teratologicamente,se admitisse tal operação como recuperação de custos, os valores dela advindos classificarseíam como receita bruta operacional, a teor do que dispõe o art. 44, inc. III, da Lei no 4.506, de 30 de novembro de 1964: Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. A forma mais usual de aproveitamento deste direito é na forma de compensação com o ICMS devido em razão das vendas da entidade. Nesta hipótese, não há que se falar em "recuperação de custo", conforme acima exposto, nem tampouco em qualquer espécie de receita auferida por conta deste aproveitamento. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11065.101015/200650 Acórdão n.º 380302.448 S3TE03 Fl. 1.173 5 A este respeito, confirase o ensinamento de Sérgio de Iudícibus, Eliseu Martins e Ernesto Rubens Gelbcke2 "7.3.5 O ICMS e os estoques Já mencionamos diversas vezes que a base elementar para a avaliação dos estoques é o custo. Considerando que o Imposto sobre Circulação de Mercadorias — ICMS está incluído no preço das mercadorias, constante das Notas Fiscais, teremos de excluílo dos estoques para efeito de avaliação e principalmente para que o resultado do período esteja de acordo com os princípios contábeis geralmente aceitos (regime de competência). O ICMS é um imposto diferencial, isto é, provoca um valor a recolher pelo valor obtido pela diferença entre os preços de venda e o preço de compra dos itens. Todavia, a sistemática fiscal de recolhimento permite que o imposto sobre as compras de um período seja recuperado em função das vendas do mesmo período, mesmo que as mercadorias vendidas não sejam as mesmas que foram compradas nesse período, e com isso, se o ICMS fosse registrado como parte do custo, os estoques ,ficariam superavaliados e o resultado, distorcido. Como decorrência, devese registrar a receita bruta de vendas pelo seu valor total, inclusive o ICMS, e o ICMS contido nas vendas deve ser contabilizado como dedução da receita bruta, a título de "impostos incidentes sobre vendas", ou seja, a receita líquida já deve ,figurar sem o ICMS, da mesma forma que o custo de vendas e os estoques." Portanto, a expressão "recuperável" referese a uma questão financeira, e não patrimonial, pois o patrimônio da sociedade, conforme visto, não foi reduzido em função do gasto com o ICMS incidente sobre a compra da matériaprima. Apenas financeiramente é possível falarse em recuperação, no sentido de que, uma vez perdida a disponibilidade monetária do valor, esta será recuperada por ocasião da compensação daquele crédito com o ICMS devido em função das vendas, uma vez que, neste segundo momento, a entidade precisará desembolsar somente a diferença entre o ICMS incidente sobre as vendas e o "ICMS Recuperável", e não a integralidade do ICMS incidente sobre as vendas, este sim o verdadeiro "custo" da entidade (tecnicamente, "dedução da receita bruta"). Situação ligeiramente distinta ocorre quando, em lugar de compensar o crédito de ICMS relativo às aquisições com o ICMS devido em função das suas vendas, a entidade, por qualquer forma, o aliena, porque, neste caso, é insofismável que houve o nascimento de uma receita. Para que não pairem dúvidas a respeito, confirase o que determina o Conselho Federal de Contabilidade, na Resolução CFC no 774, de 16 de dezembro de 1994, DOU de 18.01.1995, quanto ao que se deve entender por "receita": "2.6.3 Alguns detalhes sobre as receitas e seu reconhecimento A receita é considerada realizada no momento em que há a venda de bens e direitos da Entidade — entendida a palavra "bem" em sentido amplo, incluindo toda sorte de mercadoria, 2 Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações, 3a. Edição, Editora Atlas, 1990, página 165. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS 6 produtos, serviços, inclusive equipamentos e imóveis —, com a transferência da sua propriedade para terceiros, efetuando estes o pagamento em dinheiro ou assumindo compromisso ,firme de fazêlo num prazo qualquer. Normalmente, a transação é formalizada mediante a emissão de nota fiscal ou documento equivalente, em que consta a quantificação e a formalização do valor de venda, pressupostamente o valor de mercado da coisa ou do serviço. Embora esta seja a forma mais usual de geração de receita, também há uma segunda possibilidade, materializada na extinção parcial ou total de uma exigibilidade, como no caso do perdão de multa fiscal, da anistia total ou parcial de uma dívida, da eliminação de passivo pelo desaparecimento do credor, pelo ganho de causa em ação em que se discutia uma dívida ou o seu montante, já devidamente provisionado, ou outras circunstâncias semelhantes. Finalmente, há ainda uma terceira possibilidade: a de geração de novos ativos sem a interveniência de terceiros, como ocorre correntemente no setor pecuário, quando do nascimento de novos animais. A última possibilidade está também representada pela geração de receitas por doações recebidas, já comentada anteriormente. Mas as diversas fontes de receitas citadas no parágrafo anterior representam a negativa do reconhecimento da formação destas por valorização dos ativos, porque, na sua essência, o conceito de receita está indissoluvelmente ligado à existência de transação com terceiros, exceção feita à situação referida no final do parágrafo anterior, na qual ela existe, mas de forma indireta." Ou seja, quando há transferência de bens ou direitos de sua propriedade para terceiros, há receita da entidade. Pouco importa se há pagamento em dinheiro ou compromisso de fazêlo num prazo qualquer, ou se há extinção parcial ou total de uma exigibilidade, que é a forma mais comumente adotada no caso da cessão de créditos do ICMS. Vejase também o que preleciona Silvio Rodrigues 3, especificamente acerca da cessão de créditos: "169. Conceito, — A cessão de crédito é o negócio jurídico, em geral de caráter oneroso, através do qual o sujeito ativo de uma obrigação a transfere a terceiro, estranho ao negócio original, independentemente da anuência do devedor. O alienante toma o nome de cedente, o adquirente de cessionário, e o devedor, sujeito passivo da obrigação, o de cedido. Esta espécie de cessão encontra justificativa no fato de o crédito se apresentar como um bem de caráter patrimonial e capaz, portanto, de ser negociado. Da mesma maneira que os bens materiais, móveis ou imóveis, têm valor de mercado onde alcançam um preço, assim também os créditos, que representam promessa de pagamento Muro, podem ser objeto de negócio, pois sempre haverá quem por eles ofereça certo valor. A cessão 3 Direito Civil, Editora Saraiva, 29a. edição, 2001, pág. 291. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11065.101015/200650 Acórdão n.º 380302.448 S3TE03 Fl. 1.174 7 desempenha, quanto aos créditos, papel idêntico ao da compra e venda, quanto aos bens corpóreos." (sublinhado na transcrição) A par dessa caracterização contábil, os créditos dessa natureza são, legalmente, considerados receita, a teor do exposto no inciso VII4 do § 3º do art. 1º da Lei no 10.637, de 2002, com a redação dada pelo art. 16 da Lei no 11.945, de 4 de junho de 2009, que determinou a exclusão da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep das receitas decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação. Portanto, ao contrário do que sustenta o recorrente e a jurisprudência marginal do CARF, a cessão onerosa de créditos do ICMS é receita. Uma vez demonstrado que houve receita, no caso, e tendose em conta que se está diante de contribuição social apurada não cumulativamente, resta agora verificar se esta receita é tributável ou não. Até o advento da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, a base de cálculo da contribuição era a receita bruta decorrente da venda de bens, de serviços ou de bens e serviços (conceito de faturamento). Todavia, o §5 1º do art. 3º dessa Lei alterou o campo de incidência das contribuições sociais, alargandoo, de modo a alcançar toda e qualquer receita auferida pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade por ela exercida e da classificação contábil das receitas. Desta forma, sob a égide desse dispositivo legal, dúvida não havia de que as receitas oriundas da cessão de créditos de ICMS comporiam a base de cálculo da contribuição. Acontece porém, que o STF, em controle difuso, julgou inconstitucional esse dispositivo legal. Cabe então verificar os efeitos dessa decisão pretoriana sobre a tributação ora em exame, tendose notícia de que a própria PGFN já emitiu parecer no sentido de autorizar seus procuradores a não mais recorrerem das decisões judiciais que reconheçam a inconstitucionalidade do denominado alargamento da base de cálculo das contribuições sociais. Todavia, a partir de 1º de dezembro de 2002, por força do disposto no inciso II, do art. 68 da Lei nº 10.637, de 2002, passou a viger os artigos 1º a 6º e 8º a 11 dessa lei, sendo que, justamente, o artigo primeiro desse diploma legal restabelece a base alargada do PIS/Pasep, nos termos seguintes: Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas 4 VII. decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” (NR) 5 Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS 8 operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. De todo o exposto, podese concluir que, anteriormente a 1º de dezembro de 2002, data de vigência dos arts. 1º a 6 e 8º a 11 da Lei nº 10.637, de 2002, a base de cálculo do PIS/Pasep era o faturamento, assim entendido a receita bruta correspondente ao produto da venda de bens, serviços ou de bens e de serviços relacionados à atividade operacional da pessoa jurídica. Neste período as receitas oriundas da cessão onerosa de créditos de ICMS não eram alcançadas pela incidência dessa contribuição. A partir dessa data, por força do art. 1º desse diploma legal, as sociedades empresárias sujeitas à incidência nãocumulativa do PIS/Pasep sujeitaramse ao pagamento da contribuição em comento sobre o total das receitas auferidas (receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica), independentemente de sua denominação ou classificação contábil, as oriundas da cessão de créditos de ICMS. Importante sublinhar, neste ponto, que com a edição da Lei no 11.945, de 2009, art. 16, que deu nova redação ao art. 1º da Lei no. 10.637, de 30 de dezembro de 2002, com produção de efeitos a partir de 1º de janeiro de 2009, as receitas de cessão onerosa de créditos de ICMS para terceiros deixaram de integrar base de cálculo da contribuição. Tratandose, no presente processo, de períodos de apuração anteriores a tal data, inexistia amparo legal para excluir as receitas da base de cálculo da contribuição. Cabe ainda refutar o argumento recursal de imunidade da operação. Ao contrário do entendimento da recorrente, as receitas de cessão onerosa de créditos de ICMS para terceiros, ainda que decorrentes de beneficias fiscais por exportações de produtos para o exterior, não gozam de imunidade tributária. No que pertine às contribuições sociais, a imunidade sobre receitas de exportações está prevista na Constituição Federal, art. 149, que assim dispõe: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como Instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, 1 e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. ( .) § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: (Incluído pela Emenda Constitucional n° 33, de 2001) I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação, (Incluído pela Emenda Constitucional n° 33, de 2001) (..)." Ora, segundo este dispositivo, apenas as receitas decorrentes de exportações são imunes às contribuições sociais. Receitas de cessão onerosa de créditos de ICMS não constituem receitas de exportação. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11065.101015/200650 Acórdão n.º 380302.448 S3TE03 Fl. 1.175 9 Por fim, destaco que o entendimento defendido neste voto vai ao encontro da jurisprudência da 3ª Turma da CSRF, esboçado no Acórdão no 930301.178, de 25 de outubro de 2010, assim ementado: Assunto: Contribuição para o PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2001 a 31/03/2003 Base de Cálculo Alargamento Aplicação de Decisão Inequívoca do STF Possibilidade. Nos termos regimentais, podese afastar aplicação de dispositivo de lei que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária do Supremo Tribunal Federal. Afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, com trânsito em julgado, a base de cálculo da contribuição para o Pis/Pasep, até a vigência da Lei 10.637/2002, voltou a ser o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e de mercadorias e de serviços. A partir da vigência dessa lei, a base de cálculo do PIS/Pasep, é o faturamento, mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Recurso parcialmente provido. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Com essas considerações, voto por negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 14 de fevereiro de 2012 Alexandre Kern Voto Vencedor Conselheiro Hélcio Lafetá Reis – Redator designado. Conforme acima relatado, trata o presente processo de indeferimento parcial de pedido de ressarcimento e compensação, tendo havido glosa parcial do saldo credor da contribuição para o PIS não cumulativo em razão do não oferecimento à tributação das receitas decorrentes de transferências de créditos do ICMS a terceiros. No Recurso Extraordinário (RE) nº 606.107/RS, que trata da matéria sobre a qual se controverte nos presentes autos, o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a existência de repercussão geral, mas não se pronunciou acerca do sobrestamento dos processos em andamento versando sobre a mesma matéria. Dessa forma, nos termos do § 1º do art.1º e do art. 4º da Portaria CARF nº 001, de 3 de janeiro de 2012, por inexistir determinação do STF no sentido de sobrestar todos Fl. 133DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS 10 os processos em andamento que versem sobre a matéria, independentemente da existência de repercussão geral, o presente processo deve ser submetido a julgamento, não se lhe aplicando a regra prevista no § 1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Nesse sentido, uma vez que este Colegiado se encontra desobrigado de sobrestar o julgamento do processo, passase à apreciação do mérito do recurso voluntário. A Fiscalização constatou a não inclusão na base da cálculo da contribuição de valores relativos à cessão de créditos do ICMS a terceiros, em razão do que houve redução do saldo do tributo passível de ressarcimento. O cerne da controvérsia, portanto, é a inclusão ou não da cessão de créditos de ICMS na base de cálculo da Cofins, tanto na modalidade cumulativa quanto na apuração não cumulativa. A partir da edição da Lei n° 11.945/2009, com efeitos a partir de 1° de janeiro de 2009, a transferência onerosa de créditos de ICMS originados de operações de exportação passou a ser uma das hipóteses de exclusão da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins. Essa alteração, contudo, por não se inserir em nenhuma das hipóteses de retroatividade da lei previstas no art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), não alcança os créditos de ICMS ora analisados que se reportam ao anocalendário 2004. Contudo, essa alteração do texto da lei pode corroborar com o entendimento a seguir esposado. A não cumulatividade é uma técnica cujo objetivo maior é evitar o chamado “efeito cascata” da tributação em face de um processo produtivo que se opera em várias etapas, deduzindose do imposto incidente sobre a saída de mercadorias o imposto já cobrado nas operações anteriores relativamente à circulação daquelas mesmas mercadorias ou às matérias primas necessárias à sua industrialização. Tratase, portanto, de lançamentos contábeis que não transitam pela demonstração de resultados da pessoa jurídica, restringindose à apuração do saldo do imposto a recolher após a compensação dos créditos decorrentes das aquisições anteriores. Não se trata de reversão de custos ou despesas deduzidos do resultado da pessoa jurídica em momentos anteriores e posteriormente recuperados. Tal crédito tem sua abrangência circunscrita à apuração de um eventual saldo devedor a ser recolhido aos cofres públicos que, uma vez não configurado, faz gerar o direito de ressarcimento do crédito não recuperável pela técnica da não cumulatividade. Conforme salientado (...), o denominado crédito de ICMS é crédito puramente escritural, e guarda essa característica tanto para apuração do saldo mensal quanto no caso de haver saldo a seu favor, passando este, ainda como crédito escritural, para o mês seguinte. Daí, (...) esse crédito não é, ao contrário do que ocorre com o crédito tributário cujo pagamento pode o Estado exigir, um crédito na expressão total do termo jurídico, mas existe apenas para fazer valer o princípio da não Fl. 134DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11065.101015/200650 Acórdão n.º 380302.448 S3TE03 Fl. 1.176 11 cumulatividade, em operações puramente matemáticas, não se incorporando ao patrimônio do contribuinte6. Uma vez encontrarse o princípio da não cumulatividade previsto no texto constitucional, temse a garantia outorgada ao contribuinte de fruição ampla do direito de abatimento de créditos escriturais sem reservas ou condições. Assim dispõe o art. 155, § 2°, X, “a” da Constituição Federal: § 2.º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) I será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas anteriores pelo mesmo ou outro Estado ou pelo Distrito Federal; (...) X não incidirá: a) sobre operações que destinem mercadorias para o exterior, nem sobre serviços prestados a destinatários no exterior, assegurada a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) A própria Constituição Federal assegura ao contribuinte do ICMS o direito à recuperação do imposto pago nas etapas anteriores, quando sua atividade é exclusiva ou preponderantemente exportadora. Ora, um direito assegurado constitucionalmente não pode sofrer restrições não autorizadas pelo constituinte. Tratase de norma cogente, de observância obrigatória pelo legislador ordinário, pelo administrador e pelos demais intérpretes. A Lei Complementar n° 87/1996 (Lei Kandir), em seu art. 25 e parágrafos, dispõe acerca da possibilidade de transferência de créditos acumulados de ICMS em relação às sociedades empresariais exportadoras, nos seguintes termos: Art. 25. Para efeito de aplicação do disposto no art. 24, os débitos e créditos devem ser apurados em cada estabelecimento, compensandose os saldos credores e devedores entre os estabelecimentos do mesmo sujeito passivo localizados no Estado. (Redação dada pela LCP nº 102, de 11.7.2000) § 1º Saldos credores acumulados a partir da data de publicação desta Lei Complementar por estabelecimentos que realizem operações e prestações de que tratam o inciso II do art. 3º e seu parágrafo único7 podem ser, na proporção que estas saídas representem do total das saídas realizadas pelo estabelecimento: 6 Acórdão unânime da 1ª Turma do STF no AgRg em Agravo 230.4780, DJU de 13/08/1999, p. 10 7 Art. 3º O imposto não incide sobre: (...) II operações e prestações que destinem ao exterior mercadorias, inclusive produtos primários e produtos industrializados semielaborados, ou serviços; Fl. 135DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS 12 I imputados pelo sujeito passivo a qualquer estabelecimento seu no Estado; II havendo saldo remanescente, transferidos pelo sujeito passivo a outros contribuintes do mesmo Estado, mediante a emissão pela autoridade competente de documento que reconheça o crédito. (grifei) Dessa forma, a lei nacional (Lei Complementar n° 87/1996) faculta ao contribuinte exportador a cessão de saldo remanescente de créditos de ICMS a terceiros domiciliados no mesmo Estado da Federação, não havendo previsão expressa de discricionariedade à Fazenda Pública estadual para a emissão do documento que reconheça esse direito. Não há, nessa situação, a estipulação de qualquer outra condição que onere ou condicione a faculdade atribuída ao contribuinte do imposto. O direito de transferir créditos acumulados em razão de exportação, de que está investido o contribuinte, não nasce do documento ou de qualquer manifestação de vontade da Administração Estadual. Seu direito nasce da simples existência do crédito acumulado decorrente de exportações. A manifestação estadual que afirma tal existência à vista de uma verificação material tem natureza meramente declaratória da sua existência e montante8 Por se tratar de imposto pago na etapa anterior do processo produtivo e que, em virtude da imunidade conferida às exportações, não são passíveis de compensação com débitos próprios do mesmo tributo, o crédito do ICMS transferido a terceiros não se caracteriza como receita, pois se refere tão somente à reversão de um custo tributário, cuja recuperação é assegurada constitucionalmente. Não são exigíveis as contribuições ao PIS e à Cofins sobre créditos de ICMS apurados na operação de exportação ou mesmo os valores decorrentes da sua transferência a terceiros, por constituir mera recuperação de custos tributários suportados. Ademais, entendimento contrário ofenderia o princípio federativo, na medida em que tributar crédito de ICMS implica em intervir na tributação estadual, afetando a eficácia das imunidades e incentivos e fazendo com que, à impossibilidade de tributação ou renúncia tributária dos Estados corresponda tributação pela União, em transferência de recursos absolutamente desarrazoada, contrária à finalidade das normas de imunidade ou de incentivos. 9 Outro não é o entendimento exarado nas seguintes decisões judiciais: CRÉDITOPRESUMIDO. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. BENEFÍCIO FISCAL. RESSARCIMENTO DE CUSTOS. (...) 8 GRECO, Marco Aurélio. ICMS; créditos acumulados por exportação; transferência a contribuinte do mesmo Estado. RFDT 09/67, junho de 2004 9 AMS 2005.71.08.0098243, 2ª T. TRF4, DE 16/05/2007 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11065.101015/200650 Acórdão n.º 380302.448 S3TE03 Fl. 1.177 13 III Verificase que, independentemente da classificação contábil que é dada, os referidos créditos escriturais não se caracterizam como receita, porquanto inexiste incorporação ao patrimônio das empresas industriais, não havendo repasse dos valores aos produtos e ao consumidor final, pois se trata de mero ressarcimento de custos que elas realizam com o transporte para a aquisição de matériaprima em outro estado federado. (grifei) IV Não se tratando de receita, não há que se falar em incidência dos aludidos créditospresumidos do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. V Recurso especial improvido. 10 TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO DE ICMS. PRINCÍPIO DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. RAZOABILIDADE. PRINCÍPIO FEDERATIVO. Nem tudo o que contabilmente é considerado receita pode sêlo para fins de tributação. A receita, na norma concessiva de competência tributária, denota uma revelação de riqueza. É preciso considerar a receita sob a perspectiva do princípio da capacidade contributiva. Não são exigíveis as contribuições ao PIS e à COFINS sobre créditos de ICMS apurados na operação de exportação ou mesmo os valores decorrentes da sua transferência a terceiros, por constituir mera recuperação de custos tributários suportados. Ademais, entendimento contrário ofenderia o princípio federativo, na medida em que tributar crédito de ICMS implica intervir na tributação estadual, afetando a eficácia das imunidades e incentivos e fazendo com que, à impossibilidade de tributação ou renúncia tributária dos Estados corresponda tributação pela União, em transferência de recursos absolutamente desarrazoada, contrária à finalidade das normas de imunidade ou de incentivos. 11 Além do mais, não se vislumbra a subsunção da cessão de créditos escriturais do ICMS em nenhuma das hipóteses de receitas definidas como base de cálculo da contribuição nas Leis n° 9.718/1998 e 10.833/2003. Não se trata de receita de venda de mercadorias ou serviços, nem receita financeira, nem outras quaisquer que se traduzam em entradas de elementos para o ativo da empresa com consequente aumento da situação líquida. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, considerando que a cessão de créditos escriturais não se caracteriza como receita, sendo mero ressarcimento de custo tributário, inexistindo acréscimo patrimonial para as sociedades empresárias industriais ou repasse dos valores aos produtos ou aos consumidores finais. Sala das Sessões, em 14 de fevereiro de 2012 10 REsp 1025833 / RS, T1 PRIMEIRA TURMA, 06/11/2008 11 AMS 2005.71.08.0098243/ RS Data da Decisão: 24/04/2007 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS 14 Hélcio Lafetá Reis Redator designado. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11065.101015/200650 Acórdão n.º 380302.448 S3TE03 Fl. 1.178 15 TERMO DE INTIMAÇÃO Intimese um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3°, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009. Brasília, 6 de fevereiro de 2007. [assinado digitalmente] Alexandre Kern 3ª Turma Especial 3ª Seção Presidente Ciência Data: ____/___________/________ _____________________________ Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ ] apenas com ciência; [ ] com Recurso Especial; [ ] com Embargos de Declaração. [ ] _________________________ Fl. 139DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 18108.000893/2007-35
Data da sessão: Tue Jul 28 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed Sep 16 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 17/10/2007
INCORREÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO. RELATÓRIO FISCAL COMPLEMENTAR. VALIDADE. AUSÊNCIA DE AGRAVAMENTO DA PENALIDADE INICIAL.
Em havendo incorreções, omissões ou inexatidões, no relatório fiscal, de que não resultem agravamento da exigência inicial, pode ser emitido validamente relatório fiscal complementar, desde que se dê ciência ao contribuinte, com reabertura do prazo para a apresentação de defesa.
Numero da decisão: 9202-008.886
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencido o conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci, que lhe negou provimento.
(documento assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício
(documento assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 17/10/2007 INCORREÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO. RELATÓRIO FISCAL COMPLEMENTAR. VALIDADE. AUSÊNCIA DE AGRAVAMENTO DA PENALIDADE INICIAL. Em havendo incorreções, omissões ou inexatidões, no relatório fiscal, de que não resultem agravamento da exigência inicial, pode ser emitido validamente relatório fiscal complementar, desde que se dê ciência ao contribuinte, com reabertura do prazo para a apresentação de defesa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencido o conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci, que lhe negou provimento. (documento assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício (documento assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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RELATÓRIO FISCAL COMPLEMENTAR. VALIDADE. AUSÊNCIA DE AGRAVAMENTO DA PENALIDADE INICIAL. Em havendo incorreções, omissões ou inexatidões, no relatório fiscal, de que não resultem agravamento da exigência inicial, pode ser emitido validamente relatório fiscal complementar, desde que se dê ciência ao contribuinte, com reabertura do prazo para a apresentação de defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencido o conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci, que lhe negou provimento. (documento assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em Exercício (documento assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Trata-se de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n.º 2403-001.322, proferido pela 3ªTurma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, em 16 de maio de 2012, no qual restou consignado o seguinte trecho da ementa, fls. 105: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 10 8. 00 08 93 /2 00 7- 35 Fl. 149DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9202-008.886 - CSRF/2ª Turma Processo nº 18108.000893/2007-35 VÍCIO MATERIAL Descrição equivocada dos fatos geradores constitui vício material. No que se refere ao Recurso Especial, fls. 118 e seguintes, houve sua admissão, por meio do Despacho de fls. 140 e seguintes, para rediscutir a existência de vício material do lançamento. Em seu recurso, aduz a Procuradoria, em síntese, que: a) vê‑se que os termos do procedimento fiscal contêm os elementos necessários e suficientes para o atendimento tanto do art. 10 quanto do art. 11 do Decreto n.º 70.235/72. O exercício amplo e efetivo do direito de defesa foi propiciado à contribuinte, que, inclusive, apresenta longo e detalhado arrazoado; b) segundo resulta da disciplina dos arts. 59 c/c 60 do Decreto n.º 70.235/72 o auto de infração e demais termos do processo administrativo fiscal somente serão declarados nulos na ocorrência de uma das seguintes hipóteses: i) quando se tratar de ato/decisão lavrado ou proferido por pessoa incompetente; ii) resultar em inequívoco cerceamento de defesa à parte; c) jurisprudência desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, de longa data, firmou orientação no sentido de que “Não existe prejuízo à defesa quando os fatos narrados e fartamente documentados nos autos amoldam‑se perfeitamente às infrações imputadas à empresa fiscalizada. Não há nulidade sem prejuízo”; d) deve ser conhecido e provido o presente recurso especial para reformar o acórdão recorrido, restabelecendo‑se o lançamento integralmente. Intimada, a Contribuinte não apresentou Contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz, Relatora. Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e presentes os demais pressupostos de admissibilidade. Trata o presente auto de infração de deixar a empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o sindico ou seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei n. 8.212, de 24.07.91, ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira, conforme previsto no art. 33, parágrafos 2. e 3. da referida Lei, combinado com os artigos 232 e 233, paragrafo único do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.0 4 8, de 06.05.99. Especificamente, o motivo da autuação foi a infração ao artigo 33, Parágrafo 2 o da Lei n. 8.212/91, uma vez que a mesma deixou de apresentar a esta fiscalização, embora notificada, os Livros Diários do período de 01/2000 a 12/2006 (2000 a 2006). A Fazenda Nacional, consoante narrado, insurge-se quanto ao vício material reconhecido pela decisão vergastada decorrente do equívoco do relato fiscal ao aplicar a multa Fl. 150DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9202-008.886 - CSRF/2ª Turma Processo nº 18108.000893/2007-35 por descumprimento de obrigação acessória devido a não apresentação do livro diário, quando, na verdade, o livro exigido seria o caixa. Sustenta a Recorrente a inexistência de vício, pois ausente cerceamento de defesa, inclusive considerando a reabertura de prazo para manifestação do Contribuinte, após a diligência realizada em atendimento à solicitação da DRJ. Sobre o tema, a Delegacia de origem assim dispôs: De acordo com a documentação juntada aos autos pela Fiscalização, verifica-se que, através de TIAD, a Autuada foi intimada a apresentar, em 26/04/2007, os Livros Diários do período 01/2000 a 12/2006 e, posteriormente, em 07/08/2007, foi novamente intimada a apresentar os Livros Diários, bem como a apresentar os Livros Caixas referentes ao mesmo período. A Autuada, ao impugnar a autuação, às fls. 19/22, alega que é optante pelo Lucro Presumido e que, portanto, está dispensada de escriturar o Livro Diário, bastando registrar suas operações no Livro Caixa. Por outro lado, de acordo com o que dispõe o art 225, II, § 16, II, do Decreto 3.048/99, a empresa optante pelo Lucro Presumido somente está dispensada de apresentar o Livro Diário se escriturar o Livro Caixa. (...). Ocorre que o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 6, não deixa claro se a Autuada deixou de apresentar o Livro Caixa. Vale ressaltar que pesquisas realizadas nos sistemas informatizados da RFB Receita Federal do Brasil, às fls. 51, denotam que a empresa apresentou declaração de Imposto de Renda pelo Lucro Presumido nos exercícios abrangidos pela autuação. Dessa forma, tendo em vista o que foi exposto, proponho o envio dos autos ao Auditor Fiscal autuante para que: a) informe se, de fato, a empresa não apresentou os Livros Caixas e, em caso contrário, em que períodos isso não ocorreu. b) cientifique o contribuinte do resultado da diligência, fornecendo-lhe cópia, bem como cópia do presente despacho, reabrindo o prazo de 10 (dez) dias para contestação. (...). Em resposta, foi emitido o Relatório de fls. 64: A fim de atender as solicitações contidas as fls.53 do Processo em epígrafe, informamos que: Item "a" Embora autuada por falta de apresentação do Livro Diário, à época, a empresa de fato não apresentou nenhum LIVRO CAIXA relativo ao período de 2000 a 2006, mesmo tendo sido notificada através de TIAD - Termo de Intimação de Apresentação de Documentos, datada de 07/08/2007 . Portanto, a falta de apresentação, na época, dos Livros Caixa relativo ao período da fiscalização, ou seja, de 2000 a 2006, motivou a lavratura do Auto de Infração em epígrafe. Item " b" Cientificado o contribuinte do resultado da diligência e encaminhado copia do presente, bem como a cópia do Despacho n. 156 da 13a . Turma da DRJ/SPOI, através de via postal, reabrindo prazo de 10 (dez) dias para contestação. Em seguida, após manifestação do Contribuinte, foi proferido o Acórdão da Delegacia de Origem, fls. 71 e seguintes, que assim tratou do tema: Fl. 151DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9202-008.886 - CSRF/2ª Turma Processo nº 18108.000893/2007-35 9.4. Conforme j á foi relatado, a presente autuação decorreu do fato de a empresa deixar de apresentar os Livros Diários do período 2000 a 2006, solicitados por meio do documento TIAD, às de fls. 10/11, e reiterados pelo TIAD, às fls. 12. Ressalte-se que os Livros Caixas referentes ao mesmo período também foram solicitados por meio do TIAD. 9.5. O exame desses livros era relevante para que a Fiscalização verificasse a regularidade fiscal do contribuinte perante a Seguridade Social. 9.6. Tal omissão levou a Fiscalização a apurar as contribuições devidas e não recolhidas, com base nas notas fiscais de serviços, ou seja, por aferição indireta das bases de cálculo, nos termos do art. 33, §§ 3 o e 6o , da Lei 8.212/91, e constituí-las através das NFLD 37.011.133-8 (período 01/2000 a 11/2001) e NFLD 37.011.134-6 (período 01/2002 a 11/2006). Posteriormente, após a interposição do Recurso Voluntário, o Colegiado a quo se manifestou da seguinte forma: O que motivou a autuação, segundo o Relatório Fiscal, foi a não apresentação dos Livros Diário. 1. Autuo a empresa por infração ao artigo 33, Parágrafo 2º da Lei n. 8 . 2 1 2 / 9 1 , uma vez que a mesma deixou de apresentar a esta fiscalização, embora notificada, os Livros Diários do período de 01/2000 a 12/2006 ( 2000 a 2006) A recorrente alega que é optante pelo Lucro Presumido e que, portanto, está dispensada de escriturar o Livro Diário, bastando registrar suas operações no Livro Caixa. Segundo informação contida no processo, folha 53, efetivamente a empresa apresentou Declaração de Imposto de Renda pelo lucro presumido. Vale ressaltar que pesquisas realizadas nos sistemas informatizados da RFB Receita Federal do Brasil, às fls. 51, denotam que a empresa apresentou declaração de Imposto de Renda pelo Lucro Presumido nos exercícios abrangidos pela autuação. A fiscalização, em resposta à diligência proposta pela DRJ, afirma que a falta de apresentação, na época, dos Livros Caixa relativo ao período da fiscalização, ou seja, de 2000 a 2006, motivou a lavratura do Auto de Infração. Embora autuada por falta de apresentação do Livro Diário, à época , a empresa de fato não apresentou nenhum LIVRO CAIXA relativo ao período de 2000 a 2006, mesmo tendo sido notificada através de TIAD Termo de Intimação de Apresentação de Documentos, datada de 07/08/2007 . Portanto, a falta de apresentação, na época, dos Livros Caixa relativo ao período da fiscalização, ou seja, de 2000 a 2006, motivou a lavratura do Auto de Infração em epígrafe. O artigo 142 do CTN obriga a administração tributária a constituir crédito tributário quando não cumpridas as obrigações tributárias. (...). Na constituição do crédito tributário é elemento fundamental a identificação correta do fato gerador. Isso vale tanto para a obrigação principal quanto para a acessória. No presente caso, o fato gerador foi equivocadamente identificado quando do lançamento. Isso caracteriza vício material e motiva a decretação da nulidade do lançamento. Nesse contexto, cabe salientar que o Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, de fls. 12 e de fls. 14, solicitou a apresentação, dentre outro documentos, do livro diário e do livro caixa. Fl. 152DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 9202-008.886 - CSRF/2ª Turma Processo nº 18108.000893/2007-35 Contudo, pelo que se extrai do TEAF, fls. 15, bem como da resposta à diligência realizada, não foram apresentados tais documentos. Assim, observa-se que o equívoco incorrido pela fiscalização não ocasionou cerceamento do direito de defesa do Contribuinte, que teve oportunidade de se manifestar novamente, após a diligência. Além disso, a própria documentação acostada aos autos é suficiente para demonstrar que o Recorrido não apresentou a documentação solicitada pelo fisco, seja, especificamente, o livro diário ou caixa mesmo havendo intimação para apresentação de tais documentos. Desse modo, não identifico a existência de nulidade, pois o lançamento se deu em consonância com o disposto no art. 142 do CTN. Além disso, pelo que preceitua o art. 18, § 3º, o Decreto nº 70.235/1972 é desnecessária eventual notificação de lançamento complementar quando verificadas incorreções que não acarretem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal, como se observa abaixo: Art. 18. [...] § 3º Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendo-se, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada.(Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Portanto, o lançamento em comento se mostra hígido. Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, e, no mérito, dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Fl. 153DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10830.006657/2007-46
Data da sessão: Mon Aug 16 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Aug 17 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/08/1998 a 31/12/1998
DECADÊNCIA - 0 Supremo Tribunal Federal, através da Súmula
Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I.
Encontram-se atingidos pela decadência todos os fatos geradores apurados pela fiscalização.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2803-000.178
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Segunda Seção de
Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto dó(a) relator(a).
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
1.0 = *:*
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materia_s : Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/1998 a 31/12/1998 DECADÊNCIA - 0 Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. Encontram-se atingidos pela decadência todos os fatos geradores apurados pela fiscalização. Recurso Voluntário Provido.
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Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuiçaes previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. Encontram-se atingidos pela decadência todos os fatos geradores apurados pela fiscalização. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3" Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto dó(a) relator(a). I HELTO Presidente ZOSEAS CO! RA I IOR - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, Amilcar Barca Júnior, Gustavo Vettorato e Helton Carlos Praia de Lima (presidente). '1 1 .1 ' Relatório ' Trata-se de recurso voluntário interposto contra decisão que manteve a not ficação fiscal lavrada, referente a contribuiçaes devidas incidentes sobre a remuneração pat, l a r a empregados de empresas prestadoras de serviço. A presente notificação se refere as competências 01/08/1998 a 31/12/1998, tendo sido dado ciência ao contribuinte em 16/11/2006, E o relatório. oto Conselheiro OSEAS COIMBRA JUNIOR, Relator DAS QUESTÕES PRELIMINARES DA DECADÊNCIA A súmula vinculante do STF, IV 08 traz: "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5" do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrkiio e decadência de crédito tributário". nos artigos Com a decisão do Pretório Excelso, a questão passa a ser decidida com base art. 150, §4l. 2. e 173, ambos do Código Tributário Nacional — CTN. Trasncrevernos o artigo 173 : Art. 173. 0 direito de a Fazenda Pública constituir o crédito ti ibutátio extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio .formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parcigrafb (mica O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do credito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatária indispensável ao lançamento.. A jurisprudência pátria já assentou que a aplicabilidade deste artigo seria na • hipoteses de inexistência de pagamento antecipado ou na ocorrência de fraude ou dolo, corifOrme transcrevemos. "Ementa: Ii Somente quando não /id pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art 173, 1, do CTN. .," (STJ. REsp 2 I I Processo n° 10830.006657/2007-46 82-TE03 Acórd5o n.° 2803-00.178 Fl 2 395059/RS Rel.: Alin Diana Ca',non 2" Turnra. Decisão • 19/09/02. DJ c/c 21/10/0.2, p. 347.) "Ementa: .... Em se tratando de tributo sujello a lançamento par homologação, a lixa cão do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4 0 , e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) corn pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. ..., Somme ward° não há pagamento antecipado, ou há prova defrauda, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art 173, I, do CTN. ...." (ST1 EREsp 278727/DF Rei: Min Franciulli Netto, 1" Seção. Decisão. 27/08/03 D.1 de 28/10/03, p. 184,) Já o artigo 150, § 4', informa: Art.150 0 lançamento por homologação, que ocorre (panto am tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4"- Se a lei não fixar p1 azo a homologação, verá ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato geraclor, expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se turbo pronunciado, considera-se homologado o lançamento e delinitivamente extinto o crédito, salvo se comp ovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação„ (grifo nosso) Tal regra é aplicada quando temos antecipação parcial de inocorrência de fraude ou dolo. pagamento e Aplicando-se as regras dos arts.. 150 ou 173, ha que se decadência referente As competências anteriores a 11/2000, inclusive. Urna vez do debito foi em 16/11/2006 todos os fatos geradores constantes na presente decadentes, pois se referem a período até 12/1998. reconhecer a que a ciência NEW estão Ante o exposto, acato a preliminar de decadência, nos termos do voto proferido. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, dou -lhe provimento. OSEAS COIMBRA IOR - Relator 3
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Numero do processo: 11128.002949/2001-13
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2008
Numero da decisão: 303-01.406
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligencia à Repartição de Origem, nos termos do voto da relatora.
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Recorrida DRJ-SÃO PAULO/SP RESOLUÇÃO N2 303-01.406 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligencia à Repartição de Origem, nos termos do voto da relatora. ANEL E DAUDT PRIETO Presidente ;rA Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Heroldes Bahr Neto, Vanessa Albuquerque Valente e Celso Lopes Pereira Neto. Ausente o Conselheiro Nilton Luiz Bartoli. Ausente justificadamente o Conselheiro Tardsio Campelo Borges. CC03/CO3 Fls. 158 Processo n.° 11128.002949/2001-13 Resolução n.° 303-01.406 CC03/CO3 Fls. 159 RELATÓRIO Trata-se de Auto de Infração lavrado em 25 de maio de 2001 (fls. 01 a 09) exigindo o pagamento de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), no montante de R$ 5.010,29 (cinco mil, dez reais e vinte e nove centavos) incidentes sobre a importação de 2700 libras do produto Q-CEL 400 MICRO ESFERA OCA e 3240 libras do produto Q-CEL 6049S MICRO ESFERA OCA, Declaração de Importação (DI) n° 01/0361867-2, classificados como uma outra obra de vidro, em virtude da reclassificação de referida mercadoria determinada pelo Laudo Labor n° 974/2001, o qual constatou que os produtos importados não se tratavam de qualquer outro silicato e sim de microesferas ocas de vidro borossilicato, uma outra obra de vidro sendo corretamente classificados no código NCM/SH 7020.00.00 e não TAB-SH 2839.90.90 Intimado a se manifestar, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 33 a 45), alegando, em síntese, que: - com base no laudo técnico, a classificação tarifária proposta pela autoridade fiscal não encontra respaldo legal no código NCM/SH 7020.20.00, uma vez que, o mesmo é reservado somente para outras obras de vidro; - 0 laudo técnico emitido pelo LABANA, apesar de não identificar corretamente o produto, confirma tratar-se de Silicato de constituição química definida, ressaltando a presença de outros componentes, decorrentes do processo de síntese, impurezas que não excluem o produto do Capitulo 28 da TAB-SH conforme verificado na Nota I "a" desse Capitulo. Com base nesta disposição a mercadoria deve ser considerada urn composto orgânico de constituição química defmida, ainda que contenha impurezas, o que é confirmado pelo laudo técnico; - ainda que, por hipótese, a mercadoria não possa ser considerada um composto orgânico de constituição química definida, esclarecem as NESH no item c) do Capitulo 28 que, estão incluídos neste capitulo, ainda que não tenham constituição química definida, os Silicatos dos metais alcalinos comerciais; - o laudo técnico do LABANA confirma que a mercadoria trata-se de silicato, ressalvando de que não se trata somente de composto de constituição química definida, aplicando-se a Regra Geral 3.a. das RGI-SH, que determina que a posição mais especifica prevalece sobre a mais genérica. Desta forma, a correta classificação do produto seria no código TAB-SH 2839.90.90; - as conclusões de um parecer técnico, elaborado por um profissional da area de química, de fls.56 a 60, refutam totalmente o entendimento do LABANA no laudo técnico n°947/2001; informa o impugnante que anexou Ue2 Processo n.° 11128.002949/2001-13 Resolução n.° 303-01.406 CC03/CO3 Fls. 160 aos autos literatura técnica do fabricante de fis.73 a 79, devidamente traduzida de fls.66 a 72. - o auto de infração é nulo, por inobservância do artigo 10 do Decreto n° 70.235/72; acusa que o auto de infração carece de fundamentação legal, pois a autoridade lançadora afirma que a desclassificação tarifária do produto foi efetuada com base nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado, porém, sem especificar qual foi a Rega aplicável ao caso; - incabiveis as multas do II e IPI em face da inocorrência de qualquer fato que possa ser tipificado como Declaração Inexata, além de inexistir diferença de Impostos a ser recolhida; - Finalmente requer a improcedência da ação, mas caso seus argumentos não sejam aceitos; protesta pela conversão do julgamento em apresentando quesitos. Anexa os seguintes documentos: a)Decisdo DRJ/SP no 317/99, de fls. 80 a 83 b)Parecer Técnico, elaborada pela Sra. Elizabeth Sonoda Keiko, profissional da área química, de tis. 56 a 60. c)informação técnica do fabricante, original de fls. 73 a 79, traduzida de fls. 66 a 72. d)Laudo técnico n°0370/02, de 13/02/2001, do produto Q-Cel 6019s de fls.93 a93. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Sao Paulo (fls. 110 a 122) após analisar a impugnação do contribuinte, entendeu ser desnecessária a perícia requerida, uma vez que os questionamentos feitos pela impugnante estão respondidos e as informações que constam nos autos são suficientes para o deslinde da questão Justificando o caráter técnico da demanda, os julgadores reproduziram parte do Acórdão da DRJ/SPOII no 8628 de 23/09/2004, da R&D International Importadora e Exportadora Ltda., nos autos do processo 11128.006074/99-71, respondendo os quesitos formulados pela Recorrente, com base nas informações técnicas contidas no processo antes citado. Quanto ao mérito, o julgador da DRJ — SP consignou seu entendimento no sentido de que: "Analisando a informação do fabricante de que se trata de 'ulna solução de silicato de sódio e borato de sódio são misturados e essa mistura é submetida a um processo de secagem por pulverização, a 177°C, durante o qual são formadas as microesferas. Posteriormente, as microesferas são submetidas a uma pós-secagem a 315°C para remover a mais umidade. Assim,concluo que esses procedimentos de secagem devem conferir ao prod o ta 0/V 3 Processo n.° 11128.002949/2001-13 Resoluçio n.° 303-01.406 CC03/CO3 Fls. 161 resultante características de um vidro de borossilicato' , conclui-se que o produto um vidro trabalhando. Por falta de item mais especffico, incide o código 7020.0000. Intimado da mencionada decisão em 18/09/2006 (fls.124), o contribuinte apresentou o presente recurso Voluntário ern 18/10/2006 (fls. 127 a 151), insistindo nos pontos objeto de sua impugnação, aduzindo, em síntese, que: - deve ser declarada a nulidade do procedimento fiscal, por violação ao contraditório e "devido processo legal", vez que restou demonstrado, o cerceamento de defesa da Recorrente, visto que foi indeferido pelo julgador de primeira instancia pedido de nova diligência, tendo em vista os documentos anexados aos autos; - ressalta que, para fabricação de vidro é necessária utilização de temperaturas que variam entre 800°C a 1500°C. A temperatura máxima utilizada no processo de fabricação das mercadorias importadas gira em torno de 315°C, não sendo suficiente, portanto para a formação de vidro; - esclarece que as mercadorias importadas não podem ser utilizadas com produtos a base de Agua, pois se dissolvem, por conseguinte, não podem ser formadas de vidro. - solicita ao órgão colegiado seja dado provimento ao Recurso, reformando-se integralmente o Acórdão Recorrido, para o fim de tornar-se improcedente o Auto de Infração; - requer, ainda, a vista do principio constitucional do direito ao contraditório e a ampla defesa, convertendo o julgamento em Diligência ao LABANA/8aR.F., ou ao Instituto Nacional de Tecnologia — I.N.T — no Rio de Janeiro, a fim de que se manifeste sobre os pontos conflitante do processo; o relatório. • 4 Processo n.° 11128.002949/2001-13 Resolução n.° 303-01.406 CC03/CO3 Fls. 162 VOTO Conselheira NANCI GAMA, Relatora Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário por conter matéria de competência deste Terceiro Conselho de Contribuintes. A questão central cinge-se à exigência de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e Imposto de importação (II) incidente sobre a importação dos produtos químicos "Q-Cel 400 MICRO ESFERA OCA" e "Q-Cel 60495", em virtude da reclassificação de referida mercadoria determinada pela conclusão obtida no laudo LABANA. A meu ver, não existem elementos suficientes nos autos para esclarecer o caso em questão, merecendo o mesmo uma nova perícia. Não entendo, especificamente, no caso em exame, que a perícia realizada em outro processo, mesmo que afeto ao mesmo contribuinte, possa servir, de forma suficiente e eficaz, para a solução da causa, especialmente, quando não ha como obter a certeza que o produto a que se refere o outro processo é o mesmo dos presentes autos e ainda quando quesitos, a meu ver, essenciais não se encontram respondidos, tais como: i) se para obtenção de vidro e suas obras há necessidade de que seus componentes sejam submetidos a alta temperatura, e ii) se os produtos importados são ou não solúveis em água. Portanto, voto no sentido de converter o julgamento em diligencia para que os produtos importados, Q-CEL 400 MICRO ESFERA OCA e Q-CEL 6049S MICRO ESFERA OCA, sejam objeto de perícia pelo Instituto Nacional de Tecnologia - INT, para que o referido instituto responda aos quesitos da Recorrente apresentados em seu recurso voluntário, bem assim aos quesitos acima por mim formulados e, se assim desejar, aos da Fazenda Nacional, que deverá ser intimada para apresentar seus quesitos. Concluído o laudo respectivo à perícia ora determinada, as partes deverão ser intimadas para manifestações. Após, retornem os autos a essa Camara para julgamento. como voto. Sala das Sessões, em 25 de março de 2008. A I GA 5
score : 1.0
