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Numero do processo: 16327.002258/00-53
Data da sessão: Tue May 18 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IRPJ. RECOLHIMENTO DO TRIBUTO EM ATRASO
DESACOMPANHADO DE MULTA DE MORA, a partir da Lei n° 9.430/96, em caso de pagamento após o vencimento do prazo, desacompanhado de multa de mora, deve ser exigida, em procedimento de oficio, multa de 75% sobre o valor do tributo ou contribuição, não mais se
aplicando o método da imputação.
Numero da decisão: 9101-000.578
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional e prejudicado o recurso Especial da Fazenda quanto à decisão que negou provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILHO
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MINISTÉRIO DA FAZENDA • Çg: CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 4 -115,b' CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 16327,002258/00-53 Recurso n° 144„183 Especial do Procurador Acórdão n° 9101-00378 — 1° Turma Sessão de 18 de maio de 2010 Matéria !RN Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado UNIBANCO SEGUROS S/A (SUCESSORA DE SUL AMÉRICA UNIBANCO SEGURADORA S/A) Ementa: IRPJ. RECOLHIMENTO DO TRIBUTO EM ATRASO DESACOMPANHADO DE MULTA DE MORA, a partir da Lei n° 9,430/96, em caso de pagamento após o vencimento do prazo, desacompanhado de multa de mora, deve ser exigida, em procedimento de oficio, multa de 75% sobre o valor do tributo ou contribuição, não mais se aplicando o método da imputação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional e prejusicado o recurso Especial da Fazenda quanto á decisão que negou provimento .io recurso de ai cio, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. .4 4 CARLOS ALBERT, ' ITAS B RRETO Presidente, ,4010,00,11111" I • • - ...~• • P. ALEXANDRE AND DE LIMA A FONTE FILHO - Relator„ EDITADO EM: 17 I\30 2010 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Francisco Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Leonardo de Andrade Couto, João Carlos de Lima Junior, Claudemir Rodrigues Malaquias, Antonio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto, Relatório Em face do Acórdão n° 101-95.437, proferido pela Egrégia Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, a Fazenda Nacional, por seu ilustre representante, apresentou o Recurso Especial de fls. 846/865, devidamente admitido pelo ilustre Presidente daquela Câmara, pretendendo a reforma da decisão, com fundamento no art. 7 0, I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (redação vigente à época) e nas razões seguintes. Em 28,11.2000, a contribuinte foi cientificada do auto de infração de fls 465/468, por meio do qual foi constituído crédito tributário no valor de R$ 5,808.960,14, relativo ao ano-calendário 1995. O lançamento tem origem na insuficiência do recolhimento do IRPJ, em razão da inobservância do regime de escrituração. Segundo o Termo de Verificação, de fls. 463/464, a contribuinte é sucessora, por incorporação, da Sul América Unibanco Seguradora S/A ("SAU"). Afirmou que, em 31 .12.1995, a conta Provisão de Sinistros a Liquidar da "SAU" estava superestimada em R$ 8337.017,87 (cerca de 80%) quando cotejada com a sua real liquidação. O saldo a maior provisionado foi revertido no ano-calendário 1996, caracterizando, assim, a postergação do recolhimento do tributo. A Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por meio da decisão recorrida de fls, 801/818, por maioria de votos, negou provimento ao recurso de oficio e, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário. Em suas razões, negou provimento ao recurso de oficio, para afastar a aplicação da penalidade de oficio, sob o fundamento de que o sucessor não responde pela multa por infrações tributárias cometidas pela incorporada, se o lançamento foi realizado após a incorporação. Quanto ao recurso voluntário, afirmou que, a partir da vigência da Lei n" 9.430/96, no caso de pagamento do tributo, sem o recolhimento da multa de mora, deverá ser imputada a multa isolada de que trata o seu art., 44, não mais se aplicando o método da imputação. A Fazenda Nacional apresentou o recurso especial de fls. 846/865. Em suas razões, afirmou que a decisão recorrida, ao afastar a aplicação da penalidade de oficio, contrariou o disposto nos arts. 129 e 132 do CTN. O próprio STJ reconhece que a responsabilidade tributária dos sucessores estende-se às multas devidas pelo sucedido, sejam de caráter moratório ou punitivo, já que não se aplica às multas tributárias o princípio da personalização da pena. Quanto à postergação do recolhimento do tributo, inicialmente defendeu o método de amortização proporcional (em que há a repartição proporcional do valor pago pelo contribuinte entre as rubricas "principal", "juros" e "multa"), único admitido pelo CTN. Desse modo, não há que se falar em recolhimento do tributo sem acréscimo de multa de mora e, por conseguinte, aplicação de multa isolada, já que inexiste previsão legal para a amortização linear (em que o valor pago pelo contribuinte é repartido em conformidade com a vontade do contribuinte, manifestada no DARF correspondente), conforme Parecer PGFN/CDA n° 1.963/2005. Os créditos tributários submetidos ao método de amortização linear, inclusive, carecem de liquidez e certeza, não podendo ser encaminhados à Dívida Ativa da União. 2 Processo n° 16327 002258/00-53 CSRF-T1 Acórdão n 9101-00,578 Ft 2 A contribuinte apresentou contra-razões, às fls. 877/901. Em suas razões, a contribuinte defendeu o não conhecimento do recurso especial, por ausência de prequestionamento da matéria. Alega que a recorrente limitou-se a transcrever o Parecer PGFN/CDA n° 1.963/2005, sem enfrentar os fundamento da decisão recorrida. No mérito, afirmou que, embora a fiscalização tenha reconhecido que a maior parte do IRR1 supostamente recolhido a menor no ano 1995 foi efetivamente pago em 1996 (fis, 467), apenas de forma postergada, efetuou o lançamento do tributo, utilizando-se da sistemática de imputação proporcional. Contudo, referido método não é aplicável ao presente caso, haja vista que o Decreto-Lei n°1.598/77 estabelece tratamento específico aos casos de postergação do recolhimento de tributos. Segundo o referido Decreto-Lei, eventual crédito tributário a ser exigido por lançamento fiscal deverá resultar da diferença entre o imposto pago a maior no exercício posterior diminuído daquele devido no exercício anterior. Relativamente ao valor postergado, haverá a cobrança de correção monetária e juros de mora pelo prazo em que tiver ocorrido a postergação do pagamento. O Parecer PGFN/CDA n° L936/2005, que determina a aplicação da amortização proporcional por analogia, não é aplicável ao presente caso, uma vez que a analogia é forma de integração do direito apenas nos casos de ausência de disposição legal especifica. No presente caso, contudo, o Decreto-Lei n° 1.598/77 dispõe especificamente sobre o procedimento a ser adotado no caso de postergação do recolhimento do tributo. No caso de ser mantida a exigência, defendeu a improcedência do cômputo da multa de mora de 20%, sob o fundamento de que o Decreto-Lei n° 1.598/77 determina que, relativamente ao valor postergado, somente é exigível a correção monetária e juros de mora, não havendo previsão legal para cobrança de multa de mora. Defendeu a dedutibilidade da CSLL da base do IRPJ, apurada sob os mesmos fatos, no processo administrativo ri° 16.327.002259/0016. Ainda que procedente a exigência do imposto, deve ser cancelada a multa de mora de 20%, aplicada em substituição à multa de oficio de 75%, cancelada pela decisão recorrida, como constou no extrato de débito para fins de arrolamento. Quanto a parte relativa ao recurso de oficio negado, diz que a PFN expressamente concordou com a decisão de primeira instância, ao pedir na folha 865, a manutenção da decisão de primeira instância em sua totalidade, estando portando a PFN de acordo com a decisão, ficando prejudicada a suposta contrariedade no artigo 132 do CTN. Passa a enfrentar o mérito e com base nos argumentos da decisão recorrida diz que a multa na sucessão não pode ser exigida do sucessor a teor do que estabelece o artigo 132 do CTN que prevê a responsabilidade tão somente em relação aos tributos, jamais multas Cita diversos acórdãos dos Conselhos e da CSRF, Pede o não conhecimento do recurso e no caso de conhecimento que se negue provimento ao apelo da Fazenda Nacional, 3 A contribuinte apresentou petição às fis, 904, pleiteando o não conhecimento do recurso especial quanto à decisão que negou provimento ao recurso de oficio, conforme precedentes da CSRR É o relatório 4 Processo n° 16327002258/00-53 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00.578 Fl. 3 Voto Conselheiro ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILHO A matéria que deu origem ao presente lançamento de IRPJ é a mesma que originou o lançamento da CSLL, objeto do processo administrativo n° 16327002259/0016, que já foi apreciado e julgado por esta I a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que, por unanimidade de votos, em sessão da qual , participou o presente relator, negou provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, conforme Acórdão n° CSRF/01-05.765, cujas razões de decidir, de relatoria do ex-Conselheiro José Clóvis Alves, adoto integralmente neste processo, como segue: "Inicialmente trato da parte relativa ao recurso voluntário, pois a Câmara entendeu como improcedente a totalidade do lançamento, eis que não poderia a fiscalização realizar imputação, uma vez que para os casos de pagamento em atraso deveria lançar a multa isolada, conforme prevê o artigo 43/44 da Lei n° 9.430/96. Assim inverto o exame das matérias contidas no relatório INAPLICABILIDADE DA IMPUTAÇÃO A PARTIR DA LEI N° 9.430/96. Nas contra-razões a empresa diz que o recurso não pode ser conhecido eis que o PFN só transcreveu o Parecer PGFN/CDA 1.936/77. Não 7nerece ser acolhida a tese de não conhecimento na parte relativa ao recurso voluntário provido, eis que o PFN, ancorando-se no parecer fez competente arrazoado, e citou logo no preâmbulo como contrariado o artigo 44, 1, § 1°, li, da Lei n° 9.430/96. Conheço, portanto do recurso, em relação à parte que deu provimento ao recurso voluntário. Transcrevamos a legislação apontada pelo recorrente como contrariada pelo acórdão recorrido. LEI N° 9.430/96 Art, 44, Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição. 1- de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de .falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; 11 - cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos ara. 71, 72 e 73 da Lei n° 4 502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabiveis 5 § 1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: • I - .juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II - isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; iii - isoladamente, no caso de pessoa fisica sujeita ao pagamento mensal do imposto (camê-leão) na forma do art. 8' da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazê-lo, ainda que não tenha apurado imposta a pagar na declaração de ajuste; IV - isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art 2°, que deixar de fazê-lo, ainda que tenha apurado prejuízo .fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro liquido, no ano- calendário correspondente; Analisando o acórdão recorrido verifico que a interpretação realizada está correta e não contrariou a legislação apontada pelo recorrente, senão vejamos. Até a edição da Lei n° 9.430/96 não havia previsão para a formalização de auto de infração para exigir isoladamente os acréscimos legais — multa e juros. Com a edição da referida lei, seu artigo 43 previu essa possibilidade e o artigo 44 § 1 O inciso II previu exatamente para o fato relatado pelo ..fiscal, (Pagamento de tributo ou contribuição após o prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de nzora). O acórdão recorrido de maneira correta começou o julgamento com o teste de resistência da norma hipotética frente ao fato descrito pela fiscalização e verificou que para o .fato descrito a forma seria outra que não aquela realizada pela fiscalização, ou seja, o lançamento deveria ser feito na forma do artigo 43 combinado com o artigo 44 § 1° inciso H e não realizando a imputação como fez o fi,scal Aliás para chegar aos cálculos o fiscal teve que alterar até o código do recolhimento feito pelo contribuinte na medida em que tratou parte do valor recolhido como contribuição como se fosse multa de mora e juros, Havia norma especifica para o caso art. 6° do DL 1..598/77, combinado com os art. 43 e 44 ,sç' 1° inciso 11, porém não foi esse o caminho trilhado pelo autuante. E nem se diga que a forma de apuração não se aplica ao caso concreto, pois se aplica ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de .fiscalização. (CTN art. 144 . 1°), O artigo 57 da Lei 8.981/95, anotado como base legal para o lançamento não autoriza a imputação realizada. O Parecer PGFN/ CDA n° 1,936/200.5, trazido como razões de recorrer não pode ser aplicada ao caso. Primeiro porque não tratou especificamente de imputação de crédito tributário, forma utilizada pela fiscalização e não aceita pelo acórdão recorrido diante das previsões contidas no artigo 43 e 44 da Lei n° 9,430/96, mas de cálculos realizados pela SRF no momento de inscrição na divida ativa, ou seja tratou de outra .fase do processo já no 6 Processo n" 16327.002258/00-53 CSRF-T1 Acórdão n 9101-00378 Fl 4 momento de remessa à PFN, já no caso dos autos se trata do momento da formalização do crédito pelo lançamento. Segundo porque logo no preâmbulo do Parecer está escrito: "No silêncio do artigo 163 do Código Tributário Nacional, aplica-se o dispostos no artigo 167, por analogia e simetria. Ora sabemos que a analogia é uma das formas de interpretação do direito tributário prevista no artigo 108 do CTN, porém o seu ,s5' 1° veda o emprego da analogia para a exigência de tributo não previsto em lei. Pelas razões expostas nego provimento ao recurso na parte que ataca o provimento do recurso voluntário. Aprovado o voto não há necessidade de exame da multa na sucessão". Pelas razões descritas deixo de conhecer do recurso apresentado pelo Procurador da Fazenda Nacional, na parte que ataca a negativa de provimento do recurso de oficio, deixando, assim, de conhecer do recurso na parte que ataca o afastamento da multa de oficio na sucessão. Conheço o recurso na parte que ataca o provimento do recurso voluntário e, no mérito, nego-lhe provimento É como voto. ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILHO - Relator 7
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Numero do processo: 19515.006304/2009-55
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Não se toma conhecimento do recurso voluntário interposto após o prazo de trinta dias da ciência da decisão da DRJ.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3102-001.335
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não se tomar conhecimento do recurso voluntário, face a sua intempestividade.
Nome do relator: Winderley Morais Pereira
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Não se toma conhecimento do recurso voluntário interposto após o prazo de trinta dias da ciência da decisão da DRJ. Recurso Voluntário Não Conhecido
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1431; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 1 1 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.006304/200955 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3102 001.335 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de janeiro de 2012 Matéria PIS Recorrente EDITORA PESQUISA E INDUSTRIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Não se toma conhecimento do recurso voluntário interposto após o prazo de trinta dias da ciência da decisão da DRJ. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não se tomar conhecimento do recurso voluntário, face a sua intempestividade. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Relatório Fl. 576DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP22.0420.09127.OUCS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Por bem descrever os fatos adoto o relatório da primeira instância, que passo a transcrever. “4. Trata o presente processo de Auto de Infração (fls. 346 a 354), lavrado contra o sujeito passivo em epígrafe, ciência em 31.12.2010 (fls. 356), constituindo crédito tributário no valor total de R$ 3.653.472,75, incluindose tributo, multa proporcional e juros de mora, estes calculados até 30.11.2009, referente ao PIS cumulativo dos meses de janeiro de 2005 a dezembro de 2007 e à COFINS não cumulativa dos meses de janeiro de 2005 a dezembro de 2007, com enquadramento legal exposto às fls. 344, 345, 350, 353 e 354. 5. No Termo de Verificação e Constatação Fiscal de fls. 321 a 328 a autoridade fiscal autuante informa, em síntese, que: i) No curso do procedimento fiscal foi determinado, inicialmente, que o contribuinte apresentasse esclarecimentos e documentos acerca da existência de medidas judiciais que justificassem a ausência de declaração e de recolhimentos de COFINS no período de junho de 2005 a dezembro de 2007; ii) Em 18/11/2009 o sujeito passivo protocolizou manifestação na qual, de forma genérica informa que suas receitas decorrem da atividade descrita no item "a" de seu estatuto social, qual seja: "a edição e respectivos trabalhos de confecção, impressão, publicação e distribuição de listas telefônicas e outros livros, guias e obras periódicas congêneres, bem como a exploração das obras produzidas.". Na mesma peça ainda constou que as receitas "encontramse discriminadas no artigo 10, inciso XVII, da Lei nº 10.833/2003". A citada norma segue transcrita abaixo: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: XVII as receitas auferidas por pessoas jurídicas, decorrentes da edição de periódicos e de informações neles contidas, que sejam relativas aos assinantes dos serviços públicos de telefonia; (Incluído pela Lei n° 10.865, de 2004) iii) Em 24/11/2009 o sujeito passivo foi cientificado do Termo de Intimação n° 003 para que, no prazo de 5 dias úteis, apresentasse os livros Razão relativamente a 2007; para que discriminasse as receitas relativamente ao período de julho de 2005 a dezembro de 2007; para esclarecer o fato de os livros Razão não discriminarem nenhum faturamento durante o ano calendário de 2006 e para apresentar documentos; iv) Em 07/12/2009 e em 09/12/2009 foram feitas diligências na empresa com a finalidade de examinar documentos e foram esclarecidos alguns pontos: 1) O faturamento de 2006 não teria Fl. 577DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP22.0420.09127.OUCS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.006304/200955 Acórdão n.º 3102 001.335 S3C1T2 Fl. 2 3 constado do livro Razão por erro de impressão foi apresentada nova impressão das folhas do citado livro e subscrita pelo contador os valores totais são coincidentes com aqueles informados em DIPJ 2007; 2) Não foram apresentadas as discriminações de receitas por período e origem, mas foi concedido novo prazo para apresentação desses esclarecimentos até 16/12/2009; 3) Foram apresentados os livros Razão de 2007 e modelo de contrato de prestação de serviço de publicidade, porém não foram apresentadas as notas fiscais discriminadas no termo não tendo sido requerida durante a diligência; v) Segundo declarado em DIPJ, todas as receitas do sujeito passivo decorrem de prestação de serviços. De fato, o negócio da sociedade é a venda de espaços publicitários em listas telefônicas e outras obras editoriais de distribuição gratuita. Essa venda de espaços publicitários configura prestação de serviços e a distribuição gratuita das listas telefônicas decorre de imposição legal e de disposição contratual entre a Editora Pesquisa e Indústria Ltda. e empresas operadoras de telefonia fixa. Segundo prescreve o artigo 213 da Lei n° 9.472/1997, é obrigação das prestadoras de serviço de telefonia fixa distribuição gratuita da chamada Lista Telefônica Obrigatória Gratuita — LTOG. Assim as receitas do sujeito passivo não podem decorrer da comercialização das listas telefônicas, mas sim da receita com veiculação de publicidade nessas edições; vi) Conforme prescrito no artigo 10, inciso XVII, da Lei n° 10.833/2003 e no artigo 15, inciso V, da Lei n° 10.833/2003 com a redação dada pela Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004, o PIS e a COFINS sobre as RECEITAS DECORRENTES DA EDIÇÃO DE PERIÓDICOS E DE INFORMAÇÕES NELES CONTIDAS DESTINADOS A ASSINANTES DE TELEFONIA deve ser tributada com base no que dispõe a Lei n° 9.718/1998, entretanto, nem todas as receitas auferidas pelo sujeito passivo estão relacionadas à distribuição de periódicos relativos a assinantes de telefonia. A expressão "destinados a assinantes de telefonia" deve ser entendida de forma restritiva, pois, do contrário, todas as edições entregues a assinantes de telefonia fixa estariam obrigadas ao regime da cumulatividade, portanto, a regra disposta no artigo 10, inciso XVII, da Lei n° 10.833/2003 e aplicável às listas telefônicas cuja finalidade primordial é permitir que os assinantes de telefonia possam identificar os telefones de outros assinantes; vii) Assim, os periódicos de interesse de assinantes hão de ser aqueles destinados a todos os assinantes e na lista telefônica deve constar a relação de todos os assinantes que autorizarem a divulgação. Quando se segrega parte da informação (rol de assinantes) para criação de um produto cuja única finalidade seja a divulgação empresarial ou de marcas, resta descaracterizada a finalidade da edição, que é a divulgação dos telefones de assinantes; viii) O sujeito passivo edita Anuário das Indústrias (ASP), que abrange todo Estado de São Paulo, e o Guia Empresarial, que Fl. 578DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP22.0420.09127.OUCS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 abrange, em cinco livros, Capital e Grande São Paulo. Em visita ao sítio da empresa na "internet" é possível constatar que a finalidade de ambas as edições não é relativa aos assinantes dos serviços públicos de telefonia, mas sim ao fomento de negócios mediante a divulgação de empresas e suas marcas. Evidentemente, como sói ocorrer nos anúncios, existem também a divulgação de endereços e telefones, mas é relevante notar que a finalidade de divulgação de números de telefones de assinantes no Anuário e no Guia é feita mediante remuneração, abrangendo, portanto, parte dos assinantes; ix) Diante do exposto, a tributação das receitas auferidas com a prestação de serviços de publicidade em listas telefônicas será tributada com base na Lei n° 9.718/1998 e as demais receitas cuja origem não tenha sido esclarecida pelo sujeito passivo ou que esteja relacionada a outros serviços que não a divulgação publicitária em periódicos relativos a assinantes de serviços telefônicos serão tributadas de acordo com o previsto nas Leis n° 10.637/2002 (PIS) e 10.833/2003 (COFINS); x) Além das edições 'de Listas Telefônicas e dos títulos acima mencionados, o sujeito passivo ainda apurou receitas de prestação de serviços descritas como PE1 e EP1 nos documentos apresentados em atendimento ao Termo de Intimação n° 003. As receitas correspondentes serão tributadas pelo regime das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003; xi) Examinando o DACON e a DCTF do período de julho de 2005 a dezembro de 2007, verificouse que não existem informações acerca do faturamento e dos débitos relativos a contribuições de PIS e COFINS. Durante os trabalhos dc auditoria o sujeito passivo foi intimado a informar a origem de suas receitas bem como se ele está discutindo a existência desses tributos no âmbito judicial. Não houve resposta sobre a existência de ações judiciais e sobre o faturamento limitouse a dizer que suas receitas estão relacionadas às atividades da empresa; xii) Em consulta aos sítios do Tribunal Regional Federal da 3ª Região e Fórum Federais da capital do Estado de São Paulo, constatei que o sujeito passivo possui diversas ações judiciais que discutem a incidência do PIS e da COFINS: 1) Mandado de Segurança 2007.61.00.188744 Ação na qual discute a incidência da Lei n° 9.718/1998 na apuração do PIS. Foi prolatada sentença que determina a aplicação das regras da Lei Complementar n° 7/1970, com redação da Lei Complementar 17/1973. Consta que houve apresentação de apelação por parte da autora recebido apenas no efeito devolutivo. Não consta que há questionamento em relação à Lei n° 10.637/2002 (a discussão objeto da ação é a base de cálculo da contribuição); 2) Mandado de Segurança 2007.61.00.0188732 Ação na qual é reconhecido o direito de compensar parcialmente os valores recolhidos a título de COFINS decorrente da edição de periódico incidente sobre a edição e publicados para assinantes de telefonia. Ação com sentença favorável ao sujeito passivo e com apelação da União recebida apenas no efeito devolutivo; 3) Apelação em Mandado de Segurança 98.03.0338749 Ação cuja origem é o Mandado de Segurança 97.00049892, no qual Fl. 579DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP22.0420.09127.OUCS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.006304/200955 Acórdão n.º 3102 001.335 S3C1T2 Fl. 3 5 se questiona a incidência das contribuições sociais (PIS e COFINS) em face da imunidade constitucional. Sentença e acórdão desfavoráveis ao impetrante; xiii) Por todo exposto, concluise que não há razão para que os créditos de PIS e de COFINS não sejam constituídos mediante lançamento de ofício, observando os seguintes critérios: Período de janeiro a junho de 2005 o sujeito passivo declarou em DCTF débitos de COFINS apurada segundo o regime da cumulatividade (cód. 2172) dessa contribuição (regime da Lei n° 9.718/1998 cuja base de cálculo é a receita bruta ou, por força de medida judicial, conforme Lei Complementar n° 70/1991 cuja base de cálculo é faturamento). Os valores declarados sob o código 2172 são superiores aos apurados na ação fiscal, portanto, não serão objeto de lançamento a COFINS apurada segundo o regime cumulativo. No entanto, o sujeito apurou receitas sujeitas às Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003 e sobre elas serão lançados PIS e COFINS. Outrossim, serão constituídos créditos relativos ao PIS devido segundo a sistemática da cumulatividade (Lei Complementar n° 7/1970, alterada pela Lei Complementam0 17/1973 e pela Medida Provisórian0 1.212/1995 e Lei n°9.718/1998 exceto em relação à base de cálculo); Período de julho de 2005 a dezembro de 2007 relativamente a esse período o sujeito passivo não informou em DCTF débitos de PIS ou de COFINS. Em 30/10/2009, quando já havia perdido a espontaneidade em razão do início da ação fiscal, o sujeito passivo apresentou diversas declarações de compensação para extinguir débitos de COFLNS. Essas declarações de compensação, vinculadas a crédito pleiteado em processo administrativo, serão desconsideradas na apuração do tributo devido. xiv) Em atendimento aos Termos de Intimação n° 003 e 004 o sujeito passivo apresentou o seu "Livro de Faturamento", onde foi possível apurar as receitas mensais relacionadas a cada um dos títulos que edita e outras receitas. Considerando que nos livros Razão as informações obtidas são de receitas decorrentes de FATURAMENTO e considerando ainda a existência de divergências entre os valores informados na escrita contábil e nos "Livros de Faturamento", a constituição do crédito tributário será feita observando o seguinte critério: a) Valores informados no "Livro de Faturamento" relacionados a receitas de comercialização de anúncios em listas telefônicas – tributados pelo regime cumulativo Lei Complementar n° 7/1970, com redação dada pela Lei Complementar n° 17/1973, Lei n° 9.715/1998, Lei n° 9.718/1998 e art. 15, inciso V, da Lei n° 10.637/2002 com redação dada pela Lei n° 10.865/2004 (PIS) e Lei Complementar n° 70/1991, Lei n° 9.715/1998, Lei n° 9.718/1999 e art. 10, inciso XVII, da Lei n° 10.833/2003 com redação dada pela Lei n° 10.865/2004 (COFINS); Fl. 580DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP22.0420.09127.OUCS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 b) Valores informados no "Livro de Faturamento" não relacionadas a receitas decorrentes da comercialização de anúncios em listas telefônicas tributado pelo regime não cumulativo Lei Complementar n° 7/1970, Lei n° 10.637/2002 e Lei n° 10.833/2003, com redação dada pela Lei n° 10.865/2004 (PIS) e Lei Complementar 70/1991, Lei n°10.833/2003, com redação dada pela Lei n°l0.865/2004 (COFINS); c) Valores das diferenças mensais positivas entre o que constou da escrita contábil e do total informado no "Livro de Faturamento" tributado pelo regime nãocumulativo com os mesmos fundamentos do item acima. 6. Inconformada com o lançamento, a interessada interpôs impugnação em 02.02.2010 (fls. 358 a 386), acompanhada de documentos de fls. 387 a 456, em que alega, em síntese, o que se segue: 6.1. A impugnante, tempestivamente, apresentou a documentação solicitada e informou onde ela estava localizada, sendo de competência da autoridade administrativa investigar tais documentos, sob pena de responsabilidade. A impugnante fica isento do pagamento da multa de ofício, bom como caracterizado está a nulidade do lançamento; 6.2. Todos os atos expedidos unilateralmente pela Secretaria da Receita Federal, por meio de seus agentes competentes, devem subsumirse aos princípios constantes do artigo 37 da Carta Magna, sob pena de serem entendidos nulos por expressa inconstitucionalidade de forma e matéria; 6.3. O ato administrativo deverá ser regido por princípios inscritos explicitamente na Constituição Federal, e outros decorrentes do regime político, inscritos no artigo 2o, da Lei Federal n° 9.784/99; 6.4. Os requisitos para a formação do ato administrativo perfeito são: a competência, a finalidade, a forma, o motivo e o objeto. Na falta de qualquer dos requisitos anteriormente arrolados, não há como se reputar válido o ato em estudo; 6.5. No caso em tela, temos que a I. Autoridade Fiscal, ao expedir o ato administrativo no Termo de Verificação Fiscal n° 003, nos tópicos "Apuração das bases de cálculos" e "Do Lançamento", é possível identificar valores apresentados no quadro de base de cálculos relativos aos tributos regidos pelo "regime cumulativo", porém, não obstante em relação aos valores apresentados por base de cálculo regidos pelo "regime nãocumulativo", o I. Agente Fiscal não demonstrou qualquer motivação e clareza para a efetivação do ato, devendo o presente lançamento ser julgado integralmente insubsistente, ante a ação discricionária do agente fiscal; 6.6 Ainda do Termo de Verificação, o I. Agente Fiscal, sem qualquer motivação ou prova, afirma que a Impugnante era proprietária da GUIA EMPRESARIAL, nos exercícios de 2005 e 2006, o que não prospera tal afirmativa, tendo em vista que a Impugnação era patrocinadora; Fl. 581DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP22.0420.09127.OUCS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.006304/200955 Acórdão n.º 3102 001.335 S3C1T2 Fl. 4 7 6.7 Os dispositivos legais citados no Auto de Infração são genéricos e não oferecem uma motivação jurídica específica que justifique a prática do ato impugnado. Como conseqüência, os dispositivos legais invocados não dão amparo à exigência fiscal que estão sendo feitas e consequentemente FALTA AO AUTO DE INFRAÇÃO EM QUESTÃO A NECESSÁRIA E ADEQUADA MOTIVAÇÃO LEGAL, porque aquela invocada não se subsume aos fatos descritos, acarretando assim em nulidade. O douto Agente Fiscal por diversas vezes no Termo de Verificação Fiscal n° 003, faz afirmações sem qualquer meio de prova, baseandose em meras presunções. Dessa forma, quer por vício de motivação de direitos equívoca em si mesma, ou por vício na motivação de fato, que não guarda correlação com qualquer das previsões mencionadas no Auto de Infração e Imposição de Multa AIIM o mesmo não deve prosperar; 6.8 O material gráfico produzido pela Impugnante "O GUIA EMPRESARIAL" pertencente a Impugnante a partir de 2007 e o "ANUÁRIO DAS INDÚSTRIAS DO ESTADO DE SÃO PAULO" tratamse de verdadeiras listas, pois relacionam todos os telefones dc todas as empresas e segmentos que possuem telefone fixo devidamente cadastrado pela agência (ANATEL); 6.9 Apesar dos destaques publicitários de assinantes, não é vedado nenhum direito aos demais, tendo em vista que no rol do guia encontramse todos os demais concorrentes, estando a critério do consumidor a escolha do anúncio como bem entender. Desta forma, demonstrase ser verdadeira e inegável prestação de serviço de utilidade pública. Na jurisprudência, prevalece ainda o entendimento de que a publicidade paga, veiculada em jornais, livros, jornais, periódicos, listas telefônicas, está abrangida pela imunidade em relação aos impostos, de forma ampla, pois prestam serviços essenciais de informação à coletividade; 6.10 É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS veiculada pela Lei n° 9.718/98. E inconstitucional a exigência da contribuição ao PIS por qualquer outra base de cálculo que não a prevista na LC n° 7/70. Não existem razões justificáveis e fundamentadas que dêem base ao lançamento do auditor, ao passo que tanto a base de cálculo auferida bem como a alíquota não tem respaldo na legislação vigente, maculando desta forma o presente auto de infração; 6.11 Na apuração da base de cálculo deve respeitar os princípios da finalidade da lei, razão pela qual não há discricionariedade total na escolha das bases de cálculo alternativas, estando o agente público sempre vinculado, pelo menos, aos princípios constitucionais informadores da função administrativa. Para que o r. Agente Fiscal possa proceder a desconsideração das declarações, alegações e documentos apresentados pelo contribuinte, devese demonstrar cabalmente que tais informações encontramse viciadas e que não servem para demonstrar a verdade material. No caso concreto observamos que tais preceitos não foram exercidos pelo r. Fl. 582DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP22.0420.09127.OUCS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 agente fiscal, haja visto que não restou comprovado que as declarações e documentos emitidos pelo contribuinte estão viciados, sendo certo, portanto, que a lavratura em comento é nula de pleno direito, por cabal desrespeito ao princípio da legalidade e da busca pela verdade material; 6.12 A Impugnante, tempestivamente, apresentou a documentação e informou onde ela estava localizada, sendo competência da autoridade administrativa investigar documentos, sob pena de responsabilidade. De acordo com o art. 142 do CTN, é função do Auditor da Receita constituir o crédito tributário pelo lançamento, competindo à ele fiscalizar/investigar todo o procedimento administrativo tendente a verificar o fato gerador. Desse modo, requer seja descaracterizada a aplicação da multa de ofício, pois a Impugnante, tempestivamente, se prontificou a colaborar com as investigações do Fisco, tendo o Auditor a seu alcance todos os documentos para proceder com a sua função de fiscalizador; 6.13 Verificase do auto de infração lavrado que estão sendo exigidos juros de mora calculados com base na denominada taxa SELIC. Ocorre, porém, que jamais seriam devidos juros moratórios na dimensão pretendida pela ilustre autoridade autuante, porque referida taxa, além de ser figura híbrida, composta de correção monetária, juros e valores correspondentes a remuneração de serviços das instituições financeiras, é fixada uni lateralmente por órgão do Poder Executivo e, ainda, extrapola em muito o percentual de 1% previsto no artigo 161 do CTN; 6.14 O contribuinte foi apenado com multa no montante máximo (150%). O dolo e caracterizado pela vontade do agente em praticar o ato, o que aqui não ocorre, posto que o contribuinte, nos meandros de todo o procedimento de fiscalização sempre mostrouse solicito em prestar todas as informações requisitadas pelo Agente Fiscal, trazendo os documentos pertinentes à elucidação dos fatos; 6.15 Por todo o exposto e, por tudo o mais que dos autos consta, resta demonstrado de forma clara e inequívoca que os lançamentos efetuados são totalmente improcedentes, no que se refere ao COFINS, bem como da flagrante natureza confiscatória da multa aplicada, razão pela qual, pede e espera a Impugnante seja julgada procedente a presente impugnação para o fim de anular o auto de infração ora guerreado, se antes não for reconhecida sua nulidade, como medida de Justiça; 6.16 Finalmente, requer que as intimações relativas ao presente feito sejam realizadas em nome dos advogados Dr. KLEBER DE NICOLA BISSOLATTI e EDGAR DE NICOLA BECHARA, ambos com escritório na Praça Dom José Gaspar, n° 134 cj. 142 CEP 01047010. ” No julgamento da impugnação, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento manteve integralmente o lançamento. A decisão foi assim ementada. “ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Fl. 583DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP22.0420.09127.OUCS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.006304/200955 Acórdão n.º 3102 001.335 S3C1T2 Fl. 5 9 Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 NULIDADE DO LANÇAMENTO. DESCABIMENTO. Somente será considerado nulo o lançamento se presente quaisquer das situações previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não ocorre cerceamento do direito de defesa quando o Auto de Infração descreve corretamente a infração cometida e o sujeito passivo impugna a exigência demonstrando que entendeu a imputação. INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 3°,§1° DA LEI 9.718/98. Somente foi considerado inconstitucional o §1° do art. 3 da lei 9.718/98, ou seja, o alargamento da base de cálculo. Neste contexto, somente é devida a exclusão das exigências de contribuição incidentes sobre as receitas que não se enquadrem no conceito de faturamento adotado na Lei Complementar n° 7/70 c/c lei n° 9.715/98. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. A imunidade relativa aos livros, jornais, periódicos e ao papel destinado a sua impressão (art. 150, VI, "d" da CF/88) alcança apenas os impostos, não abrangendo outras espécies tributárias. PIS. EMPRESAS EDITORAS. LISTAS TELEFÔNICAS. REGIME DE COBRANÇA. Nos termos do art. 10, XVII e do art. 15, V da lei n° 10.833/2003, as receitas auferidas por pessoas jurídicas, decorrentes da edição de listas telefônicas, serão submetidas ao regime de cobrança cumulativa, permanecendo as demais receitas no regime de cobrança nãocumulativa. LISTAS TELEFÔNICAS. Os periódicos a que se refere o art. 10, XVII e o art. 15, V da lei n° 10.833/2003 são as listas telefônicas destinadas a todos os assinantes, e destas devem constar a relação de todos os assinantes da prestadora do serviço de telefonia que autorizarem a divulgação. MULTA DE OFICIO. Nos casos de lançamento de ofício, onde restou comprovada a insuficiência do recolhimento da contribuição é exigível a multa de ofício ao percentual de 75%, por expressa determinação legal (art. 44,1 da Lei n° 9.430/96). TAXA SELIC. Fl. 584DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP22.0420.09127.OUCS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 10 Procede a cobrança de encargos de juros com base na Taxa SELIC, porque se encontra amparada em lei (art. 13 da Lei n° 9.065/95, e no art. 61, § 3o, da Lei n° 9.430/96). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Cientificada da decisão da DRJ, a empresa apresentou recurso voluntário, repisando as alegações já apresentadas na impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Preliminarmente há de se verificar a tempestividade do recurso voluntário apresentado. Conforme consta dos autos, a comprovação da ciência da decisão da DRJ foi realizada por meio do Aviso de Recebimento – AR, com data de recebimento no dia 27/10/2010, uma quartafeira. Cientificada da decisão de primeira instância. O Recurso Voluntário deverá ocorrer no prazo de 30 (trinta) dias, conforme previsto no parágrafo 2°, do artigo 33, do Decreto n° 70.235/1972, verbis: “Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão”. A forma de contagem do prazo estabelecido pelo art. 33 foi previsto no art. 5º do mesmo decreto. “Art. 5°. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato.” Fl. 585DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP22.0420.09127.OUCS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.006304/200955 Acórdão n.º 3102 001.335 S3C1T2 Fl. 6 11 A fruição do prazo, tendo em vista que a ciência ocorreu em uma quarta feira, teve seu termo de início sobrestado para o próximo dia de expediente normal da repartição que seria dia 28/10/2010 uma quintafeira, extinguindose o prazo para interposição do recurso em 26/11/2010. O Recurso Voluntário foi apresentado em 29/11/2010, após a data limite para interposição de recurso, sendo desta forma, intempestivo, não atendendo os pressupostos de admissibilidade. O fato de existir um feriado previsto para comemoração do dia do servidor público que comemorase em regra no dia 28 de outubro, não interfere na contagem do prazo, pois, no ano de 2010, o feriado do dia do Servidor Público foi transferido para o dia 01/11/2010, conforme Portaria MPOG nº 834, de 6 de novembro de 2009. “PORTARIA MPOG Nº 834, DE 06 DE NOVEMBRO DE 2009 DOU DE 09/11/2009 O SECRETÁRIO EXECUTIVO DO MINISTÉRIO DO PLANEJAMENTO, ORÇAMENTO E GESTÃO, no uso de suas atribuições e considerando o que consta da Nota Técnica nº 464/COGES/ DENOP/SRH/MP, de 28 de outubro de 2009, resolve: Art. 1º Divulgar os dias de feriados nacionais e de pontos facultativos no ano de 2010, para cumprimento pelos órgãos e entidades da Administração Pública Federal direta, autárquica e fundacional do Poder Executivo, sem prejuízo da prestação dos serviços considerados essenciais: I 1º de janeiro, Confraternização Universal (feriado nacional); II 15 de fevereiro, Carnaval (ponto facultativo); III 16 de fevereiro, Carnaval (ponto facultativo); IV 17 de fevereiro, quartafeira de Cinzas (ponto facultativo até às 14 horas); V 2 de abril, Paixão de Cristo (ponto facultativo); VI 21 de abril, Tiradentes (feriado nacional); VII 1º de maio, Dia Mundial do Trabalho (feriado nacional); VIII 3 de junho, Corpus Christi (ponto facultativo); IX 7 de setembro, Independência do Brasil (feriado nacional); X 12 de outubro, Nossa Senhora Aparecida (feriado nacional); XI 1º de novembro, Dia do Servidor Público art. 236 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990 (ponto facultativo) comemoração do dia 28 de outubro;(grifo nosso) XII 2 de novembro, Finados (feriado nacional); XIII 15 de novembro, Proclamação da República (feriado nacional); Fl. 586DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP22.0420.09127.OUCS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 12 XIV 24 de dezembro, véspera do Natal (ponto facultativo após as 14 horas); XV 25 de dezembro, Natal (feriado nacional); e XVI 31 de dezembro, véspera de Ano Novo (ponto facultativo após as 14 horas). Art. 2º Os feriados declarados em lei estadual ou municipal, de que trata a Lei nº 9.093, de 12 de setembro de 1995, serão observados pelas repartições da Administração Pública Federal direta, autárquica e fundacional nas respectivas localidades. Art. 3º Os dias de guarda dos credos e religiões, não relacionados nesta Portaria, poderão ser compensados na forma do inciso II do art. 44 da Lei nº 8.112, de 1990, desde que previamente autorizado pelo responsável pela unidade administrativa de exercício do servidor. Art. 4º Caberá aos dirigentes dos órgãos e entidades a preservação e o funcionamento dos serviços essenciais afetos às respectivas áreas de competência. Art. 5º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. JOÃO BERNARDO DE AZEVEDO BRINGEL” Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso por apresentarse intempestivo. Winderley Morais Pereira Fl. 587DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP22.0420.09127.OUCS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por WINDERLEY MORAIS PEREIRA em 26/03/2012 17:18:39. Documento autenticado digitalmente por WINDERLEY MORAIS PEREIRA em 26/03/2012. Documento assinado digitalmente por: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO em 27/03/2012 e WINDERLEY MORAIS PEREIRA em 26/03/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 22/04/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP22.0420.09127.OUCS Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: D1EADAC39F17AC9EE63F68A5C0442ED65F77E40C Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 19515.006304/2009-55. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10580.728318/2009-75
Data da sessão: Tue Aug 24 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Oct 07 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2006
RECURSO ESPECIAL. ART. 67 DO RICARF. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA.
Deve ser conhecido o Recurso Especial de Divergência quando restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência foi aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados.
PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. NÃO INCIDÊNCIA. REQUISITOS.
Com o advento da Lei Complementar n° 109/2001, no caso de plano de previdência complementar em regime aberto, poderá o empregador eleger como beneficiários grupos de empregados e dirigentes pertencentes a determinada categoria, desde que a vantagem não seja caracterizada como instrumento de incentivo ao trabalho e não esteja vinculada a produtividade.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. NOTA SEI Nº 27/2019/CRJ/PGACET/PGFN-ME.
A jurisprudência do STJ acolhe, de forma pacífica, a retroatividade benigna da regra do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, que fixa o percentual máximo de multa moratória em 20%, em relação aos lançamentos de ofício. Afasta-se a aplicação do art. 35-A da Lei nº 8.212/91, que prevê a multa de 75% para os casos de lançamento de ofício das contribuições previdenciárias, por considerá-la mais gravosa ao contribuinte.
O art. 35-A da Lei 8.212, de 1991, incide apenas em relação aos lançamentos de ofício realizados após a vigência da referida Lei nº 11.941, de 2009, sob pena de afronta ao disposto no art. 144 do CTN.
Numero da decisão: 9202-009.738
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Pedro Paulo Pereira Barbosa, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Marcelo Milton da Silva Risso, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício).
Nome do relator: Não informado
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ART. 67 DO RICARF. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. Deve ser conhecido o Recurso Especial de Divergência quando restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência foi aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. NÃO INCIDÊNCIA. REQUISITOS. Com o advento da Lei Complementar n° 109/2001, no caso de plano de previdência complementar em regime aberto, poderá o empregador eleger como beneficiários grupos de empregados e dirigentes pertencentes a determinada categoria, desde que a vantagem não seja caracterizada como instrumento de incentivo ao trabalho e não esteja vinculada a produtividade. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. NOTA SEI Nº 27/2019/CRJ/PGACET/PGFN-ME. A jurisprudência do STJ acolhe, de forma pacífica, a retroatividade benigna da regra do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, que fixa o percentual máximo de multa moratória em 20%, em relação aos lançamentos de ofício. Afasta-se a aplicação do art. 35-A da Lei nº 8.212/91, que prevê a multa de 75% para os casos de lançamento de ofício das contribuições previdenciárias, por considerá-la mais gravosa ao contribuinte. O art. 35-A da Lei 8.212, de 1991, incide apenas em relação aos lançamentos de ofício realizados após a vigência da referida Lei nº 11.941, de 2009, sob pena de afronta ao disposto no art. 144 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 83 18 /2 00 9- 75 Fl. 1672DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9202-009.738 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10580.728318/2009-75 (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Pedro Paulo Pereira Barbosa, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Marcelo Milton da Silva Risso, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício). Relatório Trata-se de Auto de Infração (DEBCAD: 37.259.783-1) corresponde às contribuições dos trabalhadores que não foram arrecadadas pela empresa mediante desconto, incidente sobre a remuneração, atinentes ao período compreendido entre dezembro/2004 e dezembro/2006. O crédito tributário lançado se refere aos levantamentos: 7.2.1 SE – O levantamento SE engloba as contribuições dos segurados incidentes sobre os valores pagos a título de bolsas de estudos, cesta básica, diferença de desconto de vale-transporte, plano de saúde e salário-família pago em desacordo com a legislação. Para cálculo da contribuição dos segurados foram levadas em conta as remunerações referentes aos levantamentos CE (Cesta Básica), CM (Bolsas de estudos – companheiros), CN (Bolsas de estudos – cônjuges), DS(Diferença de valores gastos com plano de saúde Sul América), DV (Diferença de desconto de vale-transporte), EN (Bolsas de estudos para enteados), FI (Bolsas de estudos para filhos), FU(Bolsas de estudos para funcionários), GU (Bolsas de estudos para tutelados), MA (Bolsas de estudos para mães), NT (Bolsas de estudos para netos), SF (salário-família pago em desacordo com a legislação), SO (Bolsas de estudos para sobrinhos) e SU (Plano de Saúde Sul América); a remuneração recebida através de outros vínculos; a base de cálculo referente à folha de pagamento; a contribuição descontada em folha de pagamento e o teto máximo de contribuição. ... 7.2.2 TK – O levantamento TK se refere às contribuições dos segurados, destinadas ao financiamento da Seguridade Social, incidentes sobre o valor dos cupons de alimentação comprados junto à Ticket Serviços S/A,... ... 7.2.3 DS – O levantamento DS diz respeito às contribuições dos segurados empregados incidentes sobre a diferença encontrada entre os valores lançados a débito na conta 3.2.1.002.024 – “Sulamerica saúde serv” e os valores apresentados pela empresa nas planilhas de individualização do benefício do Plano de Saúde (Anexo XIII do Auto de Fl. 1673DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9202-009.738 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10580.728318/2009-75 Infração n° 37.259.767-0), levando-se em conta os valores descontados dos trabalhadores. ... 7.2.4 BR – O levantamento BR engloba as contribuições dos segurados empregados incidentes sobre os valores desembolsados pela UCSal à empresa Bradesco Previdência e Seguros S/A para o custeio de Plano de Previdência Privada em favor de parte do seu quadro funcional. ... 7.2.5 IT – O levantamento IT engloba a contribuição do trabalhador sem vínculo empregatício ... 7.2.6 FA – O levantamento FA se refere às contribuições dos contribuintes individuais incidentes sobre a remuneração paga às pessoas físicas denominadas “estudantes- facilitadores”. ... 7.2.7 MO – Os valores pagos a pessoas físicas a título de bolsas de monitoria também foram considerados salário-de-contribuição de contribuintes individuais, tendo em vista as mesmas justificativas citadas na apresentação do levantamento FA, ou seja, não é bolsa decorrente de estágio, de acordo com a legislação específica; nem bolsa de aprendizagem para menores de 14 anos; nem são as mesmas pessoas denominadas “estagiários” pela UCSal. ... 7.2.8 JE – O levantamento JE diz respeito às contribuições sociais destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre os valores pagos a pessoas físicas, alunos da UCSal, a título de “jeton” , em virtude de participação em reuniões convocadas pela instituição. Tais pessoas físicas foram consideradas como contribuintes individuais, o que enseja o pagamento da contribuição social de que trata o art. 21, da lei n° 8.212/91. ... 7.2.9 OC – Trata-se de levantamento referente às contribuições destinadas ao financiamento da Seguridade Social, nos termos dos arts. 21 e 30 da Lei n° 8.212/91, incidentes sobre os valores pagos às contribuintes individuais ... 7.2.10 Levantamento FV – Levantamento referente à contribuição social conforme arts. 21 e 30 da lei n° 8.212/91, incidente sobre os valores despendidos a título de pagamento de remuneração a pessoas físicas que atuaram como fiscais nos concursos vestibulares patrocinados pela UCSal. Os valores levantados foram encontrados na conta 3.3.1.002.001 (“Vestibular”). Após o trâmite processual, a 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária deu provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento os valores referentes ao vale transporte, ao auxílio alimentação in natura, à previdência privada, ao auxílio educação a servidores e funcionários, e ainda para determinar a aplicação da multa prevista no art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica ao contribuinte à Recorrente. O Acórdão 2301-003.540 recebeu a seguinte ementa: Fl. 1674DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9202-009.738 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10580.728318/2009-75 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2006 REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. Matéria sumulada no CARF onde diz que a Casa não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. VALE TRANSPORTE Esta matéria é sumulada pelo CARF, onde não incide contribuição previdenciária sobre valores pagos a título de vale transporte, ainda que pago em pecúnia, conforme inteligência da Súmula 89. No caso em tela quer a Fiscalização que componha a base de cálculo a diferença existente 1,8%, que deixou de pagar Recorrente em vale transporte. Impossibilidade em razão de sumula autorizadora de pagamento, não mencionando diferença não paga. Sendo, dispositivo autorizador que pode mais, não será o menos que determinará a incidência. MULTA Retroatividade benéfica do artigo 106. II, C, do CTN, onde deve ser aplicado, como no caso em tela e há de ser culminada na aplicação do artigo 61, da Lei 9.430/96, por ser a mais benéfica, eis que o débito é decorrente de contribuições previdenciárias administradas pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagas no prazo legal. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO ‘IN NATURA’ CESTA BÁSICA/VALOR DE CUMPONS PAGOS COM TICKETS RESTAURANTE A ausência de inscrição no PAT não gera salário contribuição à Previdência Social, quando do pagamento de cesta básica aos funcionários. A Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) em não considerar como parte do salário o pagamento ‘in natura’ de auxílio alimentação quando a refeição é fornecida pela empresa, não incide salário contribuição. O entendimento é válido independentemente de o empregador estar inscrito do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) ou não. No caso em tela, ao invés de se registrar no PAT, a Recorrente deu cesta básica ou ticket restaurante aos seus empregados, fato que por si só não gera a incidência da contribuição social previdenciária. PREVIDÊNCIA PRIVADA. Plano de Previdência Privada não extensivo a todos os funcionários não incide contribuição previdenciária, segundo a Lei complementar nº 109/2001, artigo 69, que dispõe sobre o Regime de Previdência Complementar e dá outras providências, em seu artigo 69, § 1° não admite a incidência. No caso em tela, o plano não era extensivo a todos os funcionários, mas por ser destinadas ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária, são dedutíveis para fins de incidência sobre as contribuições de qualquer natureza. Fl. 1675DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 9202-009.738 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10580.728318/2009-75 DAS DIFERENÇAS DA REMUNERAÇÃO DECLARADA EM GFIP COM AS FOLHAS DE PAGAMENTOS No caso em tela, alega a Recorrente adotou o caminho correto para declarar as GFIP’s, e que parte das diferenças dos recolhimentos da contribuição social previdenciária estão no fato de ela ter considerado as férias dos funcionários, rescisões de contrato de trabalho retroativa, e outros quejandos. Todavia, valores da base de cálculo obtida através da folha de pagamento, nos meses em que aquela foi superior ao valor declarado em GFIP estão no Anexo XXXIII, onde se lê Remuneração Folha de Pagamento X Remuneração GFIP. E, de fato, num atendo olhar pormenorizado, vê-se estas diferenças e não se conclui da mesma forma que explicita a Recorrente. AUXÍLIO EDUCAÇÃO BOLSAS DE ESTUDOS Os pressupostos básicos para a não incidência de contribuição previdenciária da alínea "t" do §9º do art. 28 da Lei 8.212/91 são necessariamente os seguintes: a) que o plano educacional vise à educação básica ou o curso de capacitação e qualificação profissional se vincule às atividades desenvolvidas pela empresa; e b) todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao plano educacional básico ou ao curso de capacitação e qualificação vinculado às atividades desenvolvidas pela empresa. A educação superior está protegida da incidência da contribuição previdenciária, pois, caso o legislador quisesse excluir do conceito de salário de contribuição o valor destinado ao pagamento do custeio da educação superior de empregados, utilizaria a expressão EDUCAÇÃO BÁSICA. O que não é o caso. Ademais a bolsa de estudo não incide contribuição social, pois, não se trata de salário e por isto mesmo não tem caráter remuneratório. Trata-se de incentivo de cunho social. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. REQUISITOS LEGAIS DESCUMPRIMENTO A Entidade deve cumprir os requisitos legais para ter o direito de usufruir o benefício de isenção das contribuições sociais. REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS A empresa está obrigada a recolher a contribuição devida sobre a remuneração paga aos segurados que lhe prestam serviços. REMUNERAÇÃO CONCEITO Remuneração é o conjunto de prestações recebidas pela pessoa física pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador . SALÁRIO INDIRETO AUXÍLIO SAÚDE. Para ocorrer a isenção fiscal sobre as despesas com assistência médica concedida aos trabalhadores, a empresa deverá observar a legislação sobre a matéria. Ao ocorrer o descumprimento da Lei 8.212/91, as quantias despendidas pela empresa com a assistência médica de seus empregados passa a ter natureza de remuneração, sujeitas, portanto, à incidência da contribuição previdenciária. AUXÍLIO EDUCAÇÃO Incide contribuição previdenciária sobre as despesas com educação dos dependentes e demais parentes dos empregados. Fl. 1676DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 9202-009.738 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10580.728318/2009-75 ESTUDANTES FACILITADORES BOLSAS DE MONITORIA JETON FISCAIS DOS VESTIBULARES SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. A pessoa física que exerce atividade laboral, sem vínculo de emprego com a empresa, é enquadrada como contribuinte individual pela legislação previdenciária, incidindo contribuições sobre os valores pagos pelos serviços prestados. GLOSA DAS DEDUÇÕES DE SALÁRIO FAMÍLIA A apresentação deficiente da documentação prevista na legislação para o pagamento do salário família do segurado empregado enseja a glosa da dedução efetuada pela empresa. REDUÇÃO DA MULTA EM 50% EM RELAÇÃO ÀS REMUNERAÇÕES DOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS DECLARADAS EM GFIP DESCABIMENTO. Ao se declarar indevidamente como entidade isenta , a recorrente deixou de recolher e informar as contribuições patronais devidas, não cabendo, portanto, a aplicação da redução da multa. Contra o acórdão a Fazenda Nacional apresentou recurso especial de divergência visando rediscutir duas matérias: 1) Incidência de contribuição previdenciária sobre valores pagos a título de previdência complementar não extensível à totalidade dos empregados, cita como paradigma o acórdão 2302-00.074; e 2) Critério de aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN (paradigma 2401-002.453 e 9202- 02.086). Para Recorrente a aferição da multa mais benéfica ao sujeito passivo deve levar em consideração: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35-A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. Intimado, o contribuinte apresentou embargos de declaração os quais foram rejeitados pelo despacho de fls. 1346/1354. Contribuinte apresenta ainda contrarrazões pugnando pelo não conhecido do recurso e no mérito pelo seu não provimento. Ato contínuo apresentou seu próprio recurso especial o qual não foi admitido nos termos dos despachos de fls. 1534/1549. Petição juntada às fls. 1559 e seguintes por meio da qual o Contribuinte apresenta Agravo cuja argumentação passa pelas consequências para o lançamento da decisão proferida pelo Supremo tribunal Federal no Recurso Extraordinário nº 566.622, que trata da imunidade tributária concedida às entidades beneficentes de assistência social e educacionais, previstas no artigo 195, §7º da Constituição Federal e nos artigos 9º e 14 do Código Tributário Nacional (CTN). Pede a extinção do lançamento. Agravo rejeitado nos termos do despacho de fls. 1608/1611 e 1665/1666, confirmando o não conhecimento do recurso especial do contribuinte. Fl. 1677DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 9202-009.738 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10580.728318/2009-75 Em tempo, por meio do DESPACHO GAJ/SECAT/DRF/SDR 0621/2019, em 09/08/2019, é esclarecido que o presente lançamento não está vinculado à ação judicial interposta pelo Contribuinte: Assim, os créditos tributários 37.259.774-2 e 37.259.783-1 não estão englobados pela ação judicial 0036820-85.2016.4.01.3300, eis que não seriam afastados no caso de eventual reconhecimento da imunidade do art. 195, §7º da Constituição Federal. ... Por fim, os DEBCADs nºs 37.115.388-3 e 37.158.823-5 tratam de multa por descumprimento de obrigações acessórias, respectivamente, a não inclusão em GFIP da totalidade dos fatos geradores de contribuições previdenciárias e entrega da GFIP com inclusão de informações inexatas e com erros de preenchimento. As referidas obrigações acessórias não são afastadas em caso de imunidade, haja vista que a declaração de todos os fatos geradores e o preenchimento correto dos campos da GFIP não são afastados pelo art. 195, §7º, razão pela qual não vislumbramos causa de suspensão de exigibilidade quanto aos créditos nºs 37.115.388-3 e 37.158.823-5. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri – Relatora Conforme descrito no relatório o presente recurso versa sobre a incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores aportados pela empresa em plano de previdência privada complementar na modalidade aberta e o qual não foi disponibilizado a totalidade dos funcionários e discute, ainda, o critério de aplicação da retroatividade benigna para a multa aplicada. Ressaltamos que a argumentação acerca da necessidade de conhecimento de ofício – por ser matéria de ordem pública – do debate acerca da decisão proferida pelo Supremo tribunal Federal no Recurso Extraordinário nº 566.622, que trata da imunidade tributária concedida às entidades beneficentes de assistência social e educacionais, previstas no artigo 195, §7º da Constituição Federal e nos artigos 9º e 14 do Código Tributário Nacional (CTN), foi devidamente analisada e rechaçada pelo despacho de fls. 1608/1611 e 1665/1666, o qual confirmou o não conhecimento do recurso especial do contribuinte. Do conhecimento: Em sede de contrarrazões pugna o contribuinte pelo não conhecimento do recurso sob o argumento de ausência de demonstração da divergência, haja vista que o acórdão indicado como paradigma - para divergência afeta ao plano de previdência privada - não representa o atual entendimento deste E. Conselho e ainda por ausência de prequestionamento. Fl. 1678DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 9202-009.738 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10580.728318/2009-75 Quanto a este ponto, em que pese o fundamento apresentado, não há reparos a serem feitos no exame de admissibilidade. E para tanto vejamos a redação do art. 67, §12 do RICARF: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. ... § 12. Não servirá como paradigma o acórdão que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar: I - Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103-A da Constituição Federal; II - decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543-B e 543- C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil; e (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) III - Súmula ou Resolução do Pleno do CARF O contribuinte ao mencionar que haveria decisão favorável da Câmara Superior em sentido diverso ao recurso não traz motivo suficiente para o seu não conhecimento, pois a vedação se aplica apenas aos casos de teses superadas nos termos de decisões vinculantes, ou seja, somente nos casos previstos nos incisos do §12 do citado art. 67 do RICAR. Ora, não há até a presente data qualquer decisão sumulada deste Conselho ou de qualquer tribunal judiciário sobre o tema devolvido, o qual foi muito bem delimitado pela Recorrente: O acórdão paradigma deixa claro que para se afastar a incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores relativos ao benefício de previdência privada, é necessária a abrangência da totalidade dos empregados e dirigentes, em cumprimento estrito da norma prevista no art. 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91, cuja interpretação deve ser literal. Neste ponto, transcreve-se o voto condutor do acórdão divergente apontado: “É também de se atentar que a norma isentiva é clara ao dizer que o beneficio deve ser concedido a todos os funcionários para não integrar o conceito de salário, o que deve ser interpretado de forma literal (art. 111, II do CTN), pois "as regras de isenção não comportam interpretações ampliativas". (Hugo de Brito Machado. Curso de Direito Tributário. 25 Ed. Pág. 226). Por fim, entendo que o plano de previdência privado ofertado aos diretores não empregados, gerentes e chefes de departamento se configurou em parcela remuneratória, passível de incidência contributiva previdenciária porque a cobertura relativa ao mesmo não foi estendida a todos os demais empregados da notificada, revertendo-se num ganho salarial para os beneficiários.” Verifica-se divergência entre os acórdãos confrontados, porquanto o acórdão paradigma afirma que a isenção somente seria possível se o plano de previdência for disponibilizado à totalidade dos empregados, enquanto o acórdão recorrido simplesmente entende que não incidem contribuições previdenciárias sobre valores pagos a título de previdência complementar. Fl. 1679DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 9202-009.738 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10580.728318/2009-75 Sendo assim, diante das teses firmadas nos acórdãos recorrido e paradigma, fica patente a divergência jurisprudencial, encontrando-se presentes, portanto, os requisitos de admissibilidade do recurso especial, nos termos da legislação de regência (Decreto nº 70.235/72, art. 37, § 2º, II, c/c art. 67 e §§, do RI-CARF). Quanto ao argumento de ausência de pré-questionamento devemos destacar que tanto o art. 17 do Decreto nº 70.235/72 que trata do Processo Administrativo Fiscal - PAF, quanto o §5º do art. 67 do Regimento Interno do CARF são expressos no sentido de que tal regra se aplica ao contribuinte, e não poderia ser diferente, pois via de regra, salvo a necessidade de oposição de embargos contra a decisão proferida, a primeira oportunidade de a Fazenda Nacional se manifestar nos autos se dá com a interposição do Recurso Especial. Vale citar os dispositivos legais mencionados: "Art. 17.Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante." "Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. ... § 5º O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais." Assim, diante do exposto, ratifico o despacho de admissibilidade e conheço do recurso. Do mérito: Quanto ao mérito da primeira divergência, é relevante destacar que após a edição da Lei Complementar nº 109/2001, nos termos do caput do art. 68 e § 1º do art. 69, este Colegiado ao longo dos anos consolidou entendimento no sentido de que tratando-se de previdência complementar aberta, admite-se a contratação de planos não extensível à totalidade dos empregados do Contribuintes. Nesta condição, desde que o benefício não se caracterize como incentivo ao trabalho, gratificação ou prêmio, devem os valores serem excluídos da incidência de contribuição previdenciária por força da alínea “p”, do § 9º, do art. 28, da Lei nº 8.212/1991. Para ilustrar o entendimento desta Câmara Superior, transcrevo as razões de decidir expostas pelo Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, no acórdão 9202-005.242 o qual menciona o acórdão 9202-003.193, este último citado pelo Contribuinte em sede de contrarrazões: A discussão cinge-se à possibilidade do contribuinte excluir, do salário-de-contribuição, os valores pagos a título de previdência complementar a seus funcionários, por ser este um plano de benefício de entidade aberta; essa é a linha de argumentação do paradigma. Esta matéria já foi debatida por esta 2ª Turma da CSRF, no acórdão 9202-003.193, que justamente é indicado como um dos acórdãos paradigma pela ora recorrente. Naquela oportunidade acompanhei o entendimento do então relator, Dr. Gustavo Lian Haddad, Fl. 1680DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 9202-009.738 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10580.728318/2009-75 que, no voto condutor argumentou que o advento da Lei Complementar n° 109, de 2001, dando tratamento novo e completo ao caso de planos de previdência privada abertos, teria derrogado o art. 28 da Lei n° 8.212, de 1991, no tocante à condição de oferecimento do plano a todos os empregados e diretores para fins de exclusão de seu valor da base de cálculo das contribuições previdenciárias. A seguir, para fins de ilustração, reproduzo as razões de decidir do referido acórdão 9202-003.193, que na época acompanhei e que agora utilizo para fundamentar meu voto. No mérito, a discussão nos presentes autos se refere à obrigatoriedade de se disponibilizar programa de previdência privada complementar (em regime aberto) à totalidade dos empregados e dirigentes para que tais valores não integrem o salário de - contribuição e, consequentemente, não estejam sujeitos à incidência de contribuições previdenciárias. A fiscalização aplicou à espécie o art. 28, §9°, p, da Lei 8.212/91, segundo o qual contribuições da empresa para planos de previdência privada de seus empregados e dirigentes somente não estão sujeitas a contribuições previdenciárias se estiverem disponíveis à totalidade de seus empregados e dirigentes. In verbis: “Art.28. Entende-se por salário-de-contribuição: (...) § 9º Não integram o salário-de-contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT;” (Destaquei) Referido dispositivo foi incluído na Lei 8.212/91 no âmbito das alterações promovidaspelaLei9.528,de dezembrode1997. Nada obstante o dispositivo acima transcrito não tenha sido expressamente revogado, a regulação da matéria foi substancialmente alterada pela Emenda Constitucional 20/1998 e pela Lei Complementar 109/2001. Com o advento da Emenda Constitucional 20/1998, que alterou o art. 202 da Constituição Federal, a previsão de que as contribuições pagas pelo empregador a título de previdência privada para seus empregados não integram a remuneração do empregado ganhou status constitucional, in verbis: “Art. 202. O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado deforma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, será facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício contratado, e regulado por lei complementar. (...) § 2° As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstas nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência privada não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes, nos termos da lei.”(Destaquei) A Lei Complementar 109/2001 foi aprovada para regulamentar o referido dispositivo constitucional e previu, no mesmo sentido da Constituição Federal, que as contribuições do empregador feitas a entidades de previdência privada não estão sujeitas a tributação e contribuições de qualquer natureza: “Art. 68. As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstos nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de Fl. 1681DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 9202-009.738 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10580.728318/2009-75 previdência complementar não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes. (...) Art. 69. As contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar, destinadas ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária,são dedutíveis para fins de incidência de imposto sobre a renda, nos limites e nas condições fixadas em lei. § 1o Sobre as contribuições de que trata o caput não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. (...)” (Destaquei) Da leitura dos dispositivos acima se constata que eles não contêm a condição antes prevista no art. 28, §9°, p, da Lei8.212/91. Isto é, nos termos dos arts. 68 e 69 acima citados, as contribuições que o empregador faz ao plano de previdência complementar do empregado não devem ser consideradas parte de sua remuneração e, especificamente, sobre elas não devem incidir quaisquer tributos ou contribuições. Especificamente em relação aos planos abertos de previdência complementar, como é o caso dos presentes autos (conforme item 4.6 do Relatório fiscal da NFLD, fls. 549), a Lei Complementar 109/2001 permite de forma expressa que sejam disponibilizados pelo empregador a grupos de uma ou mais categorias específicas dos seus empregados: Dos Planos de Benefícios de Entidades Abertas Art. 26. Os planos de benefícios instituídos por entidades abertas poderão ser: I - individuais, quando acessíveis a quaisquer pessoas físicas; ou II - coletivos, quando tenham por objetivo garantir benefícios previdenciários a pessoas físicas vinculadas, direta ou indiretamente, a uma pessoa jurídica contratante. §1o O plano coletivo poderá ser contratado por uma ou várias pessoas jurídicas. § 2o O vínculo indireto de que trata o inciso II deste artigo refere-se aos casos em que uma entidade representativa de pessoas jurídicas contrate plano previdenciário coletivo para grupos de pessoas físicas vinculadas a suas filiadas. § 3o Os grupos de pessoas de que trata o parágrafo anterior poderão ser constituídos por uma ou mais categorias específicas de empregados de um mesmo empregador, podendo abranger empresas coligadas, controladas ou subsidiárias, e por membros de associações legalmente constituídas, de caráter profissional ou classista, e seus cônjuges ou companheiros e dependentes econômicos.(Destaquei). A Lei Complementar 109/2001 não apenas omitiu a condição antes prevista no art. 28, § 9°, p, da Lei 8.212/91 (isto é, estabeleceu que as contribuições do empregador a plano de previdência privada ou complementar dos empregados não devem ser consideradas como remuneração destes e não se submetem à incidência de qualquer imposto ou contribuição) como também expressamente permitiu o estabelecimento de planos de previdência complementar abertos coletivos, os quais podem ser compostos por grupos de uma ou mais categorias específicas de um mesmo empregador. A ratio motivadora do legislador complementar parece ter sido o de estimular a poupança privada pelos vários meios possíveis, inclusive a instituição de programas pelos empregadores em benefício de categorias específicas de empregados quando se tratar de plano aberto, oferecido pelo mercado, evitando o “engessamento” que por certo desestimularia a concessão de planos se houvesse rigidez exagerada quanto no público alvo do plano. Neste ponto, ainda que se entenda que a regulamentação do art.202,§2º,da Constituição Federal deveria ter sido veiculada por lei formalmente ordinária, em vista do previsto na parte final do dispositivo, a conclusão seria que, nesta Fl. 1682DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 9202-009.738 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10580.728318/2009-75 parte, a Lei Complementar 109/2001 atua materialmente como lei ordinária, regulando a matéria de modo diferente da regulamentação anterior da Lei 8.212/91, com as alterações da Lei 9.528/97. A noção de que as leis complementares em sua forma também o são em sua substância ou matéria apenas e tão somente quando regulam matérias reservadas a esta espécie legislativa pela Constituição é assente na moderna doutrina e na jurisprudência do E. Supremo Tribunal Federal, consagrada no julgamento da ADIN 4.0715 (que tratou da COFINS de sociedades civis). Neste caso, o plenário do E. STF entendeu que lei ordinária poderia revogar previsão de lei complementar anterior que tratava de matéria não reservada especificamente à lei complementar pela Constituição Federal já que, neste ponto a previsão contida em lei complementar tem status de lei ordinária (é materialmente lei ordinária). Deste modo, entendo que a condição estabelecida pelo artigo 28, §9º, p, da Lei 8.212/91, isto é, a cláusula “desde que o programa de previdência complementar, aberto ou fechado, esteja disponível à totalidade de empregados e dirigentes” para que a contribuição do empregador a plano de previdência complementar não sofra incidência de contribuição previdenciária não é aplicável aos casos de previdência privada complementar em regime aberto coletivo, uma vez que legislação posterior (arts 68 e 69 c/c art. 26, §§2º e 3º, todos da Lei Complementar 109/2001 e transcritos acima) deixou de prever tal condição e, além disto, expressamente previu a possibilidade de o empregador contratar a previdência privada para grupos ou categorias específicas de empregados. Por óbvio que tal faculdade não pode servir de propósito a transmudar remuneração ou prêmio em contribuição a previdência privada não tributável, aspecto que deve ser aferido considerando as circunstâncias fáticas do caso. ... A meu ver, as exclusões de elegibilidade em questão se aplicam a categorias específicas de empregados, estando dentro dos limites da faculdade conferida ao empregador pelo art. 26, §3º da Lei Complementar 109/2001, não constituindo discriminação ou escolha aleatória ou subjetiva de pessoas pelo empregador que pudesse transmudar a contribuição para a previdência privada em prêmio, mas eleição de uma ou mais classes ou categorias de empregados a serem beneficiados. No caso concreto o plano contratado pela empresa junto à instituição Bradesco Previdência e Seguros S.A. era destinado a atender os empregados admitidos até agosto de 2004, tendo a fiscalização reclassificado sua natureza como de remuneração exclusivamente por este fato, ou seja, diante da limitação temporal o plano não era ofertado a totalidade do empregados. Ora, a limitação eleita pelo Contribuinte possui critério objetivo, nos exatos termos da fundamentação acima e, neste sentido, deve-se aplicar a não incidência prevista pela norma do art. 28, §9º, 'p' da Lei nº 8.212/91. Passamos à análise da segunda matéria devolvida para apreciação: retroatividade benigna relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. Embora este Colegiado em algumas ocasiões já tenha entendido da forma como apresentado pela Recorrente, é relevante destacar que a própria Procuradoria da Fazenda Nacional, acolhendo a jurisprudência firmada pelo Superior Tribunal de Justiça, já abriu mão da Fl. 1683DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 9202-009.738 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10580.728318/2009-75 tese ora discutida acolhendo o entendimento pela inaplicabilidade do art. 35-A da Lei nº 8.212/91, o qual prevê a multa de 75% para os casos de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias relativas a fatos geradores ocorridos antes da vigência da Lei nº 11.941/09. Vejamos o que consta na Nota SEI nº 27/2019/CRJ/PGACET/PGFN-ME, que fez incluir na “Lista de Dispensa de Contestar e Recorrer – a que se refere o art.2º, V, VII e §§ 3º a 8º, da Portaria PGFN Nº 502/2016 - o item o item 1.26.’c’: c) Retroatividade benéfica da multa moratória prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, no tocante aos lançamentos de ofício relativos a fatos geradores anteriores ao advento do art. 35- A, da Lei nº 8.212/1991. Resumo: A jurisprudência do STJ acolhe, de forma pacífica, a retroatividade benigna da regra do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, que fixa o percentual máximo de multa moratória em 20%, em relação aos lançamentos de ofício. Nessas hipóteses, a Corte afasta a aplicação do art. 35-A da Lei nº 8.212, de 1991, que prevê a multa de 75% para os casos de lançamento de ofício das contribuições previdenciárias, por considerá-la mais gravosa ao contribuinte. O art. 35- A da Lei 8.212, de 1991, incide apenas em relação aos lançamentos de ofício (rectius: fatos geradores) realizados após a vigência da referida Lei nº 11.941, de 2009, sob pena de afronta ao disposto no art. 144 do CTN. Precedentes: AgInt no REsp 1341738/SC; REsp 1585929/SP, AgInt no AREsp 941.577/SP, AgInt no REsp 1234071/PR, AgRg no REsp 1319947/SC, EDcl no AgRg no REsp 1275297/SC, REsp 1696975/SP, REsp 1648280/SP, AgRg no REsp 576.696/PR, AgRg no REsp 1216186/RS. Referência: Nota SEI nº 27/2019/CRJ/PGACET/PGFN-ME *Data da inclusão:12/06/2018 5. A controvérsia em enfoque gravita em torno do percentual de multa aplicável às contribuições previdenciárias objeto de lançamento de ofício, em razão do advento das disposições da Lei nº 11.941, de 2009. Discute-se, nessa toada, se deveriam incidir os percentuais previstos no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, na redação anterior àquela alteração legislativa; se o índice aplicável seria o do atual art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação da Lei 11.941, de 2009; ou, por fim, se caberia aplicar o art. 35-A da Lei nº 8.212, de 1991, incluído pela nova Lei já mencionada. 6. A respeito da questão, a Fazenda Nacional vem defendendo judicialmente a tese de que, para a definição do percentual aplicável a cada caso, indispensável discernir se se trata de multa moratória, devida no caso de atraso no pagamento independente do lançamento de ofício, ou de multa de ofício, cuja incidência pressupõe a realização do lançamento pelo Fisco para a constituição do crédito tributário, diante do não recolhimento do tributo e/ou falta de declaração ou declaração inexata por parte do contribuinte. 7. Na perspectiva da Fazenda Nacional, havendo lançamento de ofício, incidiria a regra do art. 35 anterior à Lei nº 11.941, de 2009 (que previa multa para a NFLD e a escalonava até 100% do débito) ou aplicar-se-ia retroativamente o art. 35-A da Lei nº 8.212, de 1991 (que estipula multa de ofício em 75%), quando mais benéfico ao contribuinte. Tais regras, conforme defendido, diriam respeito à multa de ofício. Noutras palavras, na linha advogada pela União, restaria afastada a incidência da atual redação do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991 (de acordo com a Lei nº 11.941, de 2009), Fl. 1684DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 9202-009.738 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10580.728318/2009-75 porquanto aplicável apenas à multa moratória, não havendo que se falar em redução da multa de ofício imposta pelo Fisco para o patamar de 20% do débito. 8. Sucede que, analisando a jurisprudência do Egrégio Superior Tribunal de Justiça - STJ, é possível constatar a orientação pacífica de ambas as Turmas de Direito Público no sentido de admitir a retroatividade benigna do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, que fixa o percentual máximo de multa moratória em 20%, inclusive nas hipóteses de lançamento de ofício. É o que bem revelam as ementas dos arestos adiante transcritos, in verbis: ... 9. Vê-se que a Fazenda Nacional buscou diferenciar o regime jurídico das multas de mora e de ofício para, a partir disso, evidenciar a possibilidade ou não de retroação benigna (CTN, art. 106. II, “c”) conforme as regras incidentes a cada espécie de penalidade. 10. Contudo, o STJ vem entendendo que, anteriormente à inclusão do art. 35-A pela Lei nº 11.941, de 2009, não havia previsão de multa de ofício no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991 (apenas de multa de mora), nem na redação primeva, nem na decorrente da Lei nº 11.941, de 2009 (fruto da conversão da Medida Provisória nº 449, de 2008). Consequentemente, a Corte tem afirmado a incidência da redação do art. 35 da Lei 8.212/1991, conferida pela Lei 11.941, de 2009, que fixa o percentual máximo de 20% para a multa moratória, por caracterizar-se como norma superveniente mais benéfica em matéria de penalidades na seara tributária, a teor do art. 106, II, "c", do CTN. 11. Nessas hipóteses, a jurisprudência pacífica do STJ afasta a aplicação do art. 35-A da Lei nº 8.212, de 1991, que prevê a multa de 75% para os casos de lançamento de ofício das contribuições previdenciárias, por considerá-la mais gravosa ao contribuinte. Assim, o art. 35-A da Lei 8.212, de 1991, incidiria apenas sobre os lançamentos de ofício (rectius: fatos geradores) realizados após a vigência da referida Lei nº 11.941, de 2009, sob pena de afronta ao disposto no art. 144 do CTN (“ O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada”). A Procuradoria da Fazenda Nacional editou ainda o PARECER SEI Nº 11315/2020/ME, no qual ratifica a aplicação do entendimento acima mesmo diante das considerações em contrário apresentadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Quanto a este ponto, fazemos os seguintes destaques: 1. Trata-se da Nota Cosit nº 189, de 28 de junho de 2019, da Coordenação-Geral de Tributação da Secretaria da Receita Federal do Brasil – COSIT/RFB e do e-mail s/n, de 13 de maio de 2020, da Procuradoria-Regional da Fazenda Nacional na 3ª Região – PRFN 3ª Região, os quais contestam a Nota SEI nº 27/2019/CRJ/PGACET/PGFN-ME, que analisou proposta de inclusão de tema em lista de dispensa de contestar e de recorrer, nos termos da Portaria PGFN nº 502, de 12 de maio de 2016[1]. ... 10. Nesse contexto, em que pese a força das argumentações tecidas pela RFB, a tese de mérito explicitada já fora submetida ao Poder Judiciário, sendo por ele reiteradamente rechaçada, de modo que manter a impugnação em casos tais expõe a Fazenda Nacional aos riscos da litigância contra jurisprudência firmada, sobretudo à condenação ao pagamento de multa. 11. Ao examinar a viabilidade da presente dispensa recursal, a CRJ lavrou a Nota SEI nº 27/2019/CRJ/PGACET/PGFN-ME, relatando que a PGFN já defendeu, em juízo, a diferenciação do regime jurídico das multas de mora e de ofício para, a partir disso, Fl. 1685DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 9202-009.738 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10580.728318/2009-75 evidenciar a possibilidade ou não de retroação benigna, conforme as regras incidentes a cada espécie de penalidade: 6. A respeito da questão, a Fazenda Nacional vem defendendo judicialmente a tese de que, para a definição do percentual aplicável a cada caso, indispensável discernir se se trata de multa moratória, devida no caso de atraso no pagamento independente do lançamento de ofício, ou de multa de ofício, cuja incidência pressupõe a realização do lançamento pelo Fisco para a constituição do crédito tributário, diante do não recolhimento do tributo e/ou falta de declaração ou declaração inexata por parte do contribuinte. 7. Na perspectiva da Fazenda Nacional, havendo lançamento de ofício, incidiria a regra do art. 35 anterior à Lei nº 11.941, de 2009 (que previa multa para a NFLD e a escalonava até 100% do débito) ou aplicar-se-ia retroativamente o art. 35-A da Lei nº 8.212, de 1991 (que estipula multa de ofício em 75%), quando mais benéfico ao contribuinte. Tais regras, conforme defendido, diriam respeito à multa de ofício. Noutras palavras, na linha advogada pela União, restaria afastada a incidência da atual redação do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991 (de acordo com a Lei nº 11.941, de 2009), porquanto aplicável apenas à multa moratória, não havendo que se falar em redução da multa de ofício imposta pelo Fisco para o patamar de 20% do débito. (grifos no original) 12. Entretanto, o STJ, guardião da legislação infraconstitucional, em ambas as suas turmas de Direito Público, assentou a retroatividade benigna do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação da Lei nº 11.941, de 2009, que fixa o percentual máximo de multa moratória em 20%, inclusive nas hipóteses de lançamento de ofício. Importante registrar que pelas mesmas razões, na reunião do Pleno realizada em 06/08/2021 foi aprovada a revogação da Súmula CARF nº 119. Conclusão: Diante do exposto, conheço e nego provimento ao recurso, destacando quando da execução do julgado devem ser observados eventuais consequências da decisão do Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário nº 566.622, que trata da imunidade tributária concedida às entidades beneficentes de assistência social e educacionais, previstas no artigo 195, §7º da Constituição Federal e nos artigos 9º e 14 do Código Tributário Nacional (CTN). (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 1686DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 16 do Acórdão n.º 9202-009.738 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10580.728318/2009-75 Fl. 1687DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10580.013375/2004-41
Data da sessão: Mon Mar 15 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONIRIBUICÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/09/1999 a 31/12/1999, 01/01/2000 a 31/12/2000, 01/01/2001 a .31/12/2001, 01/01/2002 :à 31/12/2002, 01/01/2003 a 31/12/2003, 01/01/2004 a 30/09/2004
DIFERENÇAS VALORES DECLARADOS, VALORES DEVIDOS
As diferenças apuradas entre os valores da contribuição declarados e/ ou pagos e os efetivamente devidos com base nas receitas escrituradas estão sujeitas a lançamento de ofício, acrescidas das cominações legais, juros de mora e multa de ofício.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuraçao: 01/09/1999 a 30/11/1999
DECADÊNCIA CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS
O prazo para a Fazenda Nacional exigir diferenças de crédito tributário, inclusive, referente a conn ibuições sociais, em face da Súmula nº 08, de 2008, editada pelo Supremo Tribunal Federal, passou a ser de 05 (cinco) anos contados dos respectivos fatos geradores.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 3301-000.430
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para que se exclua do crédito tributário as parcelas e respectivas cominações legais lançadas para os meses de competência de setembro a novembro de 1999, inclusive, mantendo-se a exigência para os demais períodos, acrescidas das com inações legais, juros de mora e multa de oficio, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: JOSÉ ADÃO VITORINO DE MORAIS
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II,LECOMUNICAÇÕES ,IDA Recorrida PROCURADORIA GERAL DA FAV.E.;NDA NACIONAL ASSUNTO: CONIRIBUICÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/09/1999 a 31/12/1999, 01/01/2000 a 31/12/2000, 01/01/2001 a .31/12/2001, 01/01/2002 :à 31/12/2002, 01/01/2003 a .31/12/2003, 01/01/2004 a 30/09/2004 DIFERENÇAS VALORES DECLARADOS, VALORES DEVIDOS As diferenças apuradas entre os valores da contribuição declarados e/ ou pagos e os efetivamente devidos com base nas receitas escrituradas estão sujeitas a lançamento de ofício, acrescidas das comi nações legais, juros de mora e multa de ofício.. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREI -FT) TRIBUTÁRIO Período de apuraçao: 01/09/1999 a 30/11/1999 DECADÊNCIA CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS O prazo para a Fazenda Nacional exigir diferenças de crédito tributário, inclusive, referente a conn ibuições sociais, em face da Súmula n" 08, de 2008, editada pelo Supremo Tribunal Federal, passou a ser de 05 (cinco) anos contados dos respectivos fatos geradores. Recurso Voluntário Parcialmente Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recuiso, para que se exclua do crédito tributário as parcelas e respectivas com inações legais lançadas para os meses de competência de setembro a novembro de 1999, inclusive, mantendo-se a exigência para os demais períodos, acrescidas das com inações legais, juros de mora e multa de oficio, nos termos do voto do Relator.. /2 n , p• , ;LA Rádri o-o ( .. (Vosta Pôssas - Presidentee, %----. ..... 11 . José Ad . 1 ) -ilr.rino de Mor ais - Relator Participaram, ainda, do -presente julgarnento, os Conselheiros Rodrigo da Costa Possas (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez, .Jose Adão Vitoilno de .Morais (Relator), Gustavo Kelly Alencar, Mauricio `faveira. da Silva e Antônio Lisboa Cardoso. Rela todo Irrita-se de recurso voluntário (fls. 341/3(6) interposto pela recorrente contra. a decisão proferida pela DRJ em Salvador, BA, acórdão n" 15.12.264, às lls. 329/336, que julgou procedente o lançamento da contribuição para o Finan.ciamento da Seguridade Social (Cotins) cumulativa, referente aos tatos geradores dos meses de competência de setembro de 1999 a janeiro de 2004, e não-cumulativa, correspondente aos meses de competência de tévereire a setembro de 2004. O lançamento decorreu de diferenças entre os valores da contribuição pagos e/ ou declarados nas respectivas DC -ITs e os apurados pelo autuante com base na escrituração contábil e fiscal da recorrente. A decisão recorrida -foi assim ementada: "BASE DE CALCULO Os vatores recebidos diiN concesiondrias pelo.- „serviços acessório.s de lelecomunieações prestados pelas- empresas tercediradas', a título de `co-prestação de s. er viços', não pod,:.,.111 ser excluídos do firturamento mensal, ha ye de cálculo da contribukiio da ("gfins. Lançar-nela° Procedente Inconformada com essa decisão, a recorrente -interpôs o recurso voluntário ás fls. 341/366, requerendo a sua. reforma, a fim de que se .julgue improcedente o lançamento, alegando, em síntese, duplicidade de tributação. Para fundamentar seu recurso, expendeu extenso arrazoado sobre: a) rernuneraêão de serviços de telecomunicações; b) a possibilidade de teiceirização dos serviços de telecomunicações; c) os serviços prestados por ela (recorrente); (1) a remuneração recebida 1 pela concessionária; e) a remuneração paga a ela (recorrente); t) a impossibilidade de 2 Ploces.,;0 ri" 105 ,;() 013375/2(101-11 S3-C311 Acórdâo ti " 3301-00A30 Fl. 350 tributação em duplicidade; e, g) a violação ao espirito da lei da Cotins, concluindo, ao final, que o lançamento em discussão é improcedente. .-1r, O relatório. Voto (1..o.nselbeiro José Adão Vitorino de Morais, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n" 70.2.35, de 06 de março de 1972.. Assim, dele conheço.. Preliminarmente, a análise e .julgamento das alegações de violação às leis que instituíram a (.-..oli ns e de duplicidade de tributação das receitas, objeto do lançamento contestado, ficaram prejudicados porque a recorrente não identificou nem demonstrou quaisquer violações, hen.] como a alegada tributação em duplicidade. Ainda, era preliminar, embora não suscitada pela recorrente, por se tratar de matéria dc ordem pública, verilica-se que, na data. de constituição do crédito tributário, em 28/12/2004, o direito de a Uazenda Nacional constituir parte do crédito tributário contestado, correspondente ao período de competência de setembro a novembro de 1999 já havia decaído. Naquela data, vigia a "Lei n'' 8.212, de 24 de julho de 1991, que estabelecia o prazo dc 10 (dez) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído, para a l'azenda Pública constituir crédito tributário refbrente a contribuições destinadas à seguridade social, como no presente caso.. No entanto, em julgamento ocorrido em 11 de junho de 2008, o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou inconstitucional o art. 45 daquela lei e, ainda, aprovou na sessão plenária realizada em [2/06/2008 a Súmula Vineulante n" 08, que assim estabelece, in vcibis: "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5" do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Assim sendo e considerando que houve pagamentos parciais, aplica-se ao presente caso, em relação à decadência, o disposto no Código Tributário Nacional (CTN), art. I 50, § 4', que assim determina, in vot-bis: 'Art. 1.50 O lançamento por homologação, que ocot-te quanto aos tributo.s cuja legislação atribua ao sujeito passivo O dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autot-idade administrativa, opera-se pelo ato em que a t-divida autoridad)7 7 -- 3 lornando conhecimento da atividade a,SSitn exercida pelo obr igado, e.vp, essamonto a homologa 4" Se ct lei não fixai' prazo O hornolore[ro, scrá do 111700 WW" contar da ocorrèneia do fato g-orador, expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública Se lenha pronunciado, considera-se homologado O lançamento e definitivamente extinto o Ci. é(1110, SaIVO compíovada a oeort enchi d0 dolo, fraudo ou sitnuhtç.iio Portanto, de conformidade com este dispositivo legal, as parcelas lançadas e exigidas para os .meses de competência de setembro a novembro de 1999, inclusive, deveu] ser excluídas do lançamento Quanto ao mérito, no iccurso voluntálio, a 'et:oriente discorreu sobre a) remuneração de serviços de telecomunicações; b) a possibilidade de terceirização dos serviços de telecomunicações; e) os serviços prestados por ela (recorrente); d) a remuneração recebida pela concessionária; e, e) a remuneração paga a ela (recorrente).. As alegações sobre serviços de telecomunicações são estranhas ao lançamento em discussão A proplia reeoriente informa, ein. seu recurso voluntário, mas precisamente, tis. 353R54, que os serviços prestados por ela foram, ipsis litteris: " i) serriço.s relativos a inwalação, retirada, mudança inferna e manutenção de acesso 1)I11 11)igital Joice Image' (Obra n'' /N9), ii) .ser te/a/ivo,s. do implantação de rede acesso de telecomunicações (Obra n" 193), iii) obras e serviços de implantação do cabos de fibras ópticas, (01ilarl 0. 187), i v) serviços de instalação, retirada, mudança de endereço, alteração do características e meios e manutergiro. relativos a ac.:es. s.o de comunicação de dados (511)4, 1141-114P4C), acessos .11),51„ Digifionco (Obra n`" 188), v) serviços relativas a implantação c manute.uição de rede de acesso de telecomunicações (Obra n". 185); ri) serviços relativos a implantação e manutenção de rede do cabos ópticos de telecomunicações (Obra ri". 182); rii) .serviços relativo.s a implantação o manutonção do rodo do acosso do telecomunicações (Obra ri", 184); viii) serviços relativos a implantação e manutenção de rede de acesso de telecomunicações (Obra n". 174); ix) serviços relativos a detalhamento e desenho projcío.s de implantação do rede de acesso de telecomunicações (Obra n" 173); ..x) serviços relativos a manutenção do rede de acesso do telecomunicações (Obra n" 172); o xi) sor viço relativos a detalhamento de desenho do projetos e implantação de rede de acesso do telecomunicações (Obra n'i 170" (.)ra, tais serviços, ao contrátio do seu entendimento, não constituem serviços de telecomunicações, mas sim de construção civil e engenharia. A icconente confundiu serviços prestados a empiesas de telecomunicações com serviços de telecomunicações.. Assim, as alegações, quanto a serviços de telecomunicações e à remuneração recebida pelas concessionárias de tais serviços, também ficaram prejudicadas. Conforme demonstrado, as receitas, objeto do lançamento em discussão, correspondem a prestação de serviços de construção civil e de engenharia De acordo com a legislação da Cotins cumulativa e não-cumulativa, ambas as receitas estão sujeita a essa corai ibuição, Para o período em que a recorrente estava sujeita à Cofins cumulativa, ou seja, para os meses de competência de novembro de .1999 a janeiro de 2004, a .Leir Complementar (LC) n" 70, de 1991, assim dispunha: 4 Proceso n" 1 05 SO .01 3375/2004-4 I 53-C3 II AcAn dão n 3301-00A30 1 1 351 ``..4r 1" - Sem prOuízo da cobrança das contribuições para O P1 °grama dc Integração Social -- PIS e para o ProcTama de Formação do Patrimônio do ,.S'ervidor Público - PASLP, fica instituída contribuição social para financiamento da Seguridade Social, 1/OS. tomos do inciso I do ar! 195 da Constituição devida pelas pessoas jurídicas, inclusive os a elas equiparadas pela legislação do InipOslo sobre a Renda, destinadas exclusivamente ás despesas com atividades:firrs das áreas de sat'ide, previdência e assistência social Ai 2"- .4 contribuição de que trata o artigo anterior será de 2% (dois por cento) e incidirá sobre o . firturamerno mensal, assim CO)? siderado a f&:-.eita bruto das VeildaS de mercadorias, de 111(..Trifdüril IS e -Sel de serViÇO de qualquer natureza Posteriormente, a Lei n" 9,718, de 1998, que introduziu algumas alterações na. sistemática de apuração dessa contribuição, determina: "Ari 2" AN contribuições- para o PIS/PASEP e a COHNS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu . faturamento, observadas a legislação vigente e as ahu ações introduzidas por esta ler ) .3" (..) /aturamento a que .se r-c*re O artigo anterior CO; responde à receita bruta da pessoa jurídica ) Art 8" fica elevada para três por cento a a//quota Já para o período de vigência da C.'ofins não-cumulativa, ou seja, para os meses de competência de fevereiro a setembro de 2004, a lei o.' 10,833, de 29/12/2003, determina: "Ar! 1" A Contribuição para o Financiamento da Seguridade - COFIN,S, Com (.1 incidência não-cumulativa, tú,un como fato g-,(!rador- o faturamento mensal, assim. entendido o total das reeeiras aufiwidas pela pessoa .1nd:dica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil 1" Para efil'ito tio disposto neste artigo, o total tias receitas compieende a receita bruta do venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auftridas pela pessoa jurídica ) Art 2". Para determinação do valor da COHNS aplicar-se-á, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no a7 a a//quota de 7,6% (sete inteiros e seis- décimos- por cento) r- Ora, de confOrmidade com esses dispositivos legais, cm reta a tributação das receitas de prestação de serviços decorrentes de construção civil e de engenhai ia, tanto no regime cumulativo como no não-cumulativo Em lace do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, voto pelo provimento parcial ao presente recurso, paru que se exclua do crédito tributário as parcelas e iespectivas cominações legais lançadas para os meses de competência de setembio a novembro de 1999, inclusive, mantendo-se a exigência para os dentais periodos, acrescidas das comi nações legais, juros de ri ora e multa dc oficio. o 'lirsc g /1 tori no de .Morai s G
score : 1.0
Numero do processo: 44021.000173/2007-30
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 2401-000.097
Decisão: RESOLVEM os membros da Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara
do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Repartição de Origem.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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Ausente justificadamente a Conselheira Cleusa Vieira de Souza. Processo n° 44021.000173/2007-30 S2-C4T1 Resolução a° 2401-00.097 Fl. 165 RELATÓRIO Trata—se de Auto de Infração lavrado contra o sujeito passivo acima identificado por descumprimento da obrigação acessória prevista no art. 32, inciso I, da Lei n.° 8.212, de 24/07/1991, combinado com o art. 225, inciso I, § 9° do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048, de 06/05/1999, em substituição ao AI DF,BCAD n.° 37.011.369-1 anulado pela decisão de notificação 21.401/0830/2006. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 03/38, a empresa deixou de incluir nas folhas de pagamentos as remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados aos seus serviços, os valores pagos através dos cartões administrados pela empresa Incentive House no período de 11/2000 a 11/2005, conforme discriminado no próprio Relatório de Fiscalização. Inconformada com a Decisão Notificação de fls. 119/124, a empresa apresentou recurso a este conselho alegando em síntese: Violação ao art. 146 do Código Tributário Nacional, que veda a realização de novo lançamento, com base nos critérios jurídicos fixados em decisão administrativa, em relação a fatos geradores pretéritos. O cerceamento do direito de defesa, tendo em vista a insuficiência de informações que deram origem à multa imposta. Que é ilegal a inclusão de co-responsáveis pelo suposto debito do contribuinte, vez que não houve comprovação da responsabilidade pessoal pelo débito exigido, contrariando o art. 135 do CTN. A impossibilidade de lançamento da multa antes de confirmada a exigência da obrigação principal. Que os valores pagos não deveriam constar das folhas de salário, vez que não constituem remuneração, são pagos de forma não habitual e que os ganhos eventuais e abonos espontâneos detém caráter de verba indenizatória, noi termos do art. 28, § 9, alínea "e", da Lei de Custeio, não integrando assim a base de calculo das contribuições previdenciárias. Requer o provimento do recurso com a anulação do Auto de Infração. A Secretaria da Receita Previdenciária — SRP apresentou contra razões pugnando pela manutenção da autuação. É o relatório6y 2 Processo n°44021.000173/2007-30 92-C4T1 Resolução n.° 2401-00.097 a 166 VOTO Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa, Relator O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: Apesar de terem sido apresentados e rebatidos diversos argumentos em sede de recurso, entendo haver uma questão _prejudicial ao presente- julgamento. A decimo da procedência ou não do presente Auto de Infração está ligado à sorte da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito lavrada sob fatos geradores de mesmo fundamento, a qual segundo o Relatório Fiscal às fis.36 informa ter recebido o n°37.011.367-5. No presente caso, não foi possível identificar decisão final a respeito da mesma. Assim, para evitar decisões discordantes faz-se imprescindível a análise conjunta com as referidas Notificações Fiscais. Dessa forma, este Auto de Infração deve ficar sobrestado aguardando o julgamento das NFLD conexa. Caso a referida NFLD já tenha sido quitada, parcelada ou julgada, deve ser colacionada tal informação aos presentes autos. No caso, requer seja realizado detalhamento acerca do resultado, do período do crédito e da matéria objeto da NFLD, para que se possa identificar corretamente a correlação e proceder ao julgamento do auto em questão. CONCLUSÃO: Voto pela CONVERSÃO do julgamento EM DILIGÊNCIA, devendo ser sobrestado este Auto de Infração até o que sejam prestadas as informações nos termos acima descritos. Do resultado da diligência, antes de os autos retomarem a este Colegiado deve ser conferida vistas ao recorrente, abrindo-se prazo normativo para manifestação. Sala das Sessões, em 24 de fevereiro de 2010 MARC —dr 41-G . i _E -nr ‘ D&S laA COSTA - Relator 3
score : 1.0
Numero do processo: 35588.002462/2007-77
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 01/06/2000
Ementa: DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2301-001.147
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
No presente julgamento foi adotado o procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, regulamentado pela Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos recursos repetitivos. Ressalta-se que no campo "Data do fato gerador:" foi apresentada a competência de ocorrência do fato gerador mais recente do lançamento. A data de 20/12 correspondente ao décimo terceiro salário.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 01/06/2000 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-07-13T13:39:06Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-07-13T13:39:06Z; Last-Modified: 2010-07-13T13:39:06Z; dcterms:modified: 2010-07-13T13:39:06Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:47692a9b-46da-40f1-83e0-aef569cfcdf8; Last-Save-Date: 2010-07-13T13:39:06Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-07-13T13:39:06Z; meta:save-date: 2010-07-13T13:39:06Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-07-13T13:39:06Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-07-13T13:39:06Z; created: 2010-07-13T13:39:06Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 2; Creation-Date: 2010-07-13T13:39:06Z; pdf:charsPerPage: 1842; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-07-13T13:39:06Z | Conteúdo => S2-C3T1 Fl. 1 ,tt,,41,AM 4ç'il.• ,: .,à.%)- .‘ MINISTÉRIO DA FAZENDA ,"‘ CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS„' I"- e4 ,!', SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO , Processo n° 35588.002462/2007-77 Recurso n° 150.364 Voluntário Acórdão n° 2301-01.147 — 3' Câmara / i a Turma Ordinária Sessão de 24 de fevereiro de 2010 Matéria DECADÊNCIA Recorrente PROFARMA DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS FARMACÊUTICOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 01/06/2000 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' Câmara / ia Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. No presente julgamento foi adotado o procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, regulamentado pela Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos recursos repetitivos. Ressalta-sp que no campo "Data do fato gerador:" foi apresentada a \icompetência de ocorrência doi fatoito !jer\ dor mais recente do lançamento. A data de 20/12 corresponde ao décimo terce-oisadrio. N , I , JULIO CEAR VIEiRA GOMES — Presidente e Relator N Participaram'do presente julgamento, os Conselheiros Bemadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Edgar Silva Vidal (suplente), Damião Cordeiro de Moraes e Julio Cesar Vieira Gomes (presidente). / Relatório • Adotou-se no julgamento do presente recurso o procedimento previsto na Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos recursos repetitivos. Dessa forma, a solução que foi adotada no julgamento do recurso-padrão, abaixo discriminado, foi aplicada a este recurso e a todos os demais repetitivos, conforme divulgado através da pauta de julgamento: No julgamento dos itens 28 (recurso-padrão) e 29 a 325 (demais recursos repetitivos) será adotado o procedimento previsto na Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 DOU de 29/09/2009, tendo como idêntica questão de direito a aplicação da Súmula Vinculante n° 08 do STF, de 12/06/2008. ACÓRDÃO N° 2301-01.05728 - Recurso: 150240 Tipo: RV Processo: 37311,009749/2005-31 Recorrente: HOPI HARI S/A Recorrida: SRP-SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA Matéria: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). É o relatório. Voto Conselheiro JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Relator Sendo tempestivo, conheço do recurso. Confrontando-se a data da ciência do lançamento, 21/11/2006, com os relatórios preparados pela fiscalização, contata-se que todo o período objeto do lançamento está integralmente alcançado pela decadência, independentemente da regra aplicável, artigo 173, I ou artigo 150, §4° do CTN; motivo pelo qual adoto a decisão proferida no recurso- padrão, conforme relatório acima. Assim, voto pelo provimento do recurso. É como voto. Sala das Sessões, em 24 de fevereiro de 2010. i1 ) r\ / , I/ 1 ) I JULIO C SAR VIEIRA GOMES - Relator \ I 2
score : 1.0
Numero do processo: 10680.013952/2005-58
Data da sessão: Wed Feb 03 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 2202-000.055
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-09-22T11:48:28Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 6; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-09-22T11:48:28Z; Last-Modified: 2011-09-22T11:48:28Z; dcterms:modified: 2011-09-22T11:48:28Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:3ad010f6-61e1-4d21-9b39-285cffe986a8; Last-Save-Date: 2011-09-22T11:48:28Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-09-22T11:48:28Z; meta:save-date: 2011-09-22T11:48:28Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-09-22T11:48:28Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-09-22T11:48:28Z; created: 2011-09-22T11:48:28Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2011-09-22T11:48:28Z; pdf:charsPerPage: 868; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-09-22T11:48:28Z | Conteúdo => S2-C2T2 Fl I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 10680.013952/2005-58 Recurso n" 155.174 Resolução n" 2202-00.055 — 2" Cfimara / 2" Turma Ordinária Data 03 de fevereiro de 2010 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente RICARDO AFFONSO JUNQUEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.. Resolvem os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator. MANN - Presidente Nkti\ GUSTAVO LIAN HADDAD - Relator EDITADO EM: 63DEZ ?WO Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Pedio Anan Júnior, Maria Lúcia Moniz de Aragiio Calomino Astorga, Helenilson Cunha Pontes, Gustavo Lian Haddad e Nelson Mallmann (Presidente), Relatório Contra o contribuinte acima quali fi cado foi lavrado, em 28/09/200.5, o Auto de Infração de fls. 06/10, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2001 e 2002, anos-calendário de 2000 e 2001, por intermédio do qual lhe é exigido credito tributário no montante de R$610.112,37, dos quais R$245.264,58 correspondem a imposto, RS193.333,38 a multa de oficio, e R$ 171,514,41, a juros de mora calculados até 31/08/2005. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais (fis. 07/09), a autoridade fiscal apurou as seguintes infrações: "001 — RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS SUJEITOS A CARNE-LEÃO OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE TRABALHO SEM VINCULO EMPREGATICIO RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS Omissão de rendimentos recebidos de pessoa fisica, decorrentes de trabalho sem vinculo empregaticio, conforme descrito no Teimo de Verificação Fiscal, que 6 parte integrante do Auto de Infração. 002 — DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NAG COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA Omissão de rendimentos caracterizada pot valores creditados em conta(s) de depósito ou de investimento, mantida(s) em instituição(ções) financeira(s), em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme descrito no Termo de Verificação que é parte integrante do Auto de Infração. 003 — MULTAS ISOLADAS FALTA DE RECOLFIIMENTO DOIRPF A TÍTULO DE CARNE-LEÃO Falta de recolhimento do Imposto de Renda da Pessoa Física devido a titulo de camê-leão, apurada conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, que é parte integrante do Auto de Infração." Cientificado do Auto de Infração em .11/10/2005 (termo de fls. 06), o contribuinte apresentou, em 08/11/2005, a impugnação de us. 1.237/1.265 e documentos de fls. 1.266/1.483, cujas alegações foram assim sintetizadas pela autoridade julgadora de primeira instancia: "1) cm preliminar, reclama a nulidade do lançamento poi entender ter sido feito em desacordo corn a legislação, visto que: a) por ser a exploração agrícola a única atividade do declarante, a tributação dos rendimentos considerados omitidos deveria ser feita como preconiza o §2" do art. 60 do RIR/1999, "a falta da escrituração prevista neste artigo implicará arbitramento da base de cálculo à razão de vinte por cento da receita bruta do ano-calendário"; b) os depósitos bancários, por si sós, são insu ficientes para caracterizar fato gerador do 2 Process° n" 10650.013952/2005-514 S2-C212 Resoluy:io n " 2202-00.055 Fl imposto, afirmando ser imprescindível a comprovação de que a utilização dos valores depositados geraram sinais exteriores de riqueza, consoante entendimento nesse sentido estampado nas ementas citadas de Acórdãos do Primeiro Conselho de Contribuintes; c) com relação à multa isolada pelo não recolhimento de carne-leão, foi deixado de observar o estabelecido pelo art. 138 do CTN, isto 6, o instituto da denúncia espontânea, visto que fez constar de sua declaração, mês a mês, os recebimentos sujeitos a tal recolhimento, sobre os quais, após o ajuste anual, recolheu o tributo devido; sobre este tema também transcreve algumas ementas de Acórdãos do Primeiro Conselho de Contribuintes; 2) no mérito, esclarece, inicialmente, que: a) os depósitos bancários efetuados tiveram, na sua maioria, origem na atividade rural desenvolvida, isto 6, de receitas dessa atividade (operações de vendas) e de financiamentos agrícola (empréstimos e/ou adiantamentos de vendas); além disso, decorreram também de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas e de pessoas fisicas, de aposentadoria e de valores declarados a titulo de dinheiro em caixa; b) de pessoas jurídicas recebeu valores de Ricardo Affonso Junqueira - Minérios e de Agropecuária e Granja Sete Quedas Ltda; as receitas dessa segunda empresa, relativas a vendas de produtos rurais e a aluguéis de imóveis, transitaram nas contas bancárias do impugnante, isso porque se trata de uma empresa familiar; sobre valores declarados como dinheiro em caixa, é de sua política manter urn certo volume de numerário em seu poder para eventuais coberturas de saldos negativos em suas contas correntes e para pagamentos de despesas pessoais e/ou de sua atividade agrícola; c) grande parte dos depósitos questionados esta comprovada por documentos; os demais ou tiveram origem no dinheiro mantido em seu poder ou foram provenientes de receitas de vendas das citadas empresas; d) muito embora a Coop. Reg. dos Cafeicultores de Poços de Caldas não tenha comprovado, quando solicitado pela SRF, toda a movimentação efetuada corn o fiscalizado, o faz agora nesta impugnação; e) após, em extenso detalhamento, a fls. 1239/1262, o qual passo a ler em sessão e que sera analisado no voto, o contribuinte indica como comprovadas as origens dos depósitos bancários questionados pela Fiscalização." A zla Turma da DRJ em Juiz de Fora, por unanimidade de votos, considerou procedente em parte o lançamento, em decisão assim ementada: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001, 2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Comprovado que o procedimento fiscal foi efetuado regularmente, não se apresentando nos autos as causas apontadas no art. 59 do Decreto n 70.235, de 1972, não há o que se cogitar em nulidade do lançamento. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO CARNt' -LEA.O. Relativamente aos rendimentos recebidos a partir de 1 de janeiro de 1997, é cabível a exigência da multa isolada incidente sobre o valor do imposto mensal devido a titulo de came-leão e não recolhido, inclusive na hipótese de os rendimentos terem sido incluídos na declaração de ajuste anual e de não ter sido apurado imposto a pagar. S»d 3 MULTA ISOLADA SOBRE A FALTA DE RECOLHIMENTO DO CARNÊ- LEÀO, RETROATIVIDADE BENIGNA A edição de lei nova que comine penalidade menos severa do que aquela prevista na lei vigente ao tempo da pratica de ato ou tato pretérito caracterizado como infração legislação tributária, ha que ser aplicada na posterior solução das lides ainda não definitivamente julgadas. OMISSSÃO DE RENDIMENTOS , DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de receitas, ptevista no art. 42, da Lei no 9.430, de 1996, autoriza o lançamento, como omissão de rendimentos, dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, de forma inconteste, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Contudo, hão que ser excluidos do lançamento aqueles depósitos bancários, cuja origem dos recursos ficar devidamente comprovada, mediante documentação hábil e idônea para tanto." A decisão proferida pela DR.J excluiu do lançamento os depósitos bancários cuja origem fbi comprovada pelo contribuinte, tendo sido exonerado o montante de R$51.112,66, bem como reduziu a multa isolada para 50%, nos termos da nova redação da Lei n° 9.430/1996 dada pela Lei n° 11.488/2007 Cientificado da decisão de primeira instância em 13/10/2006, conforme AR de us.. 1.515, e COM ela não se conformando, o recorrente interpôs, em 14/11/2006, o recurso voluntário de fls. 1.516/1.532, por meio do qual reitera suas razões apresentadas na impugnação. o Relatório. 4 Process() n" 10680 013952/2005-58 52-C212 ResoluOn n." 2202-00.055 Fl 3 Voto Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD, Relator O recta so preenche os pressupostos de admissibilidade. Dele conheço.. Trata-se de autuação com base no artigo 42 da L,ei n" 9.430/1996, sendo que em sua defesa o Recorrente apresenta diversas justificativas para os depósitos bancários considerados no lançamento. Alega o Recorrente que um deposito no valor de R$70.000,00, recebido em 26/12/2000, teria sido efetuado pela Cooperativa Regional dos Cafeicultores de Poços de Cairias a titulo de adiantamento de valores, bem como que um depósito no valor de R$21,000,00 teria sido efetuado pela empresa Máster — Alimentação Animal L,tda a titulo de venda de produtos agi icolas. Em ambas as situações o Recorrente apresenta determinados elementos de prova que, no entender deste Relator, colocam em dúvida a legitimidade do lançamento. Neste sentido, em relação aos valores recebidos da Cooperativa o Recorrente apresentou a Nota Promissória de fls. 1046, o cheque, de sua emissão, utilizado para guitar a divida (fis. 1544/1545) e o extrato bancário comprovando o desconto do cheque (fls. 1546). Tais indícios sugerem, dc fato, a ocorrência de operação de crédito entre o Recorrente e a Cooperativa, mas contradizem a declaração apresentada pela Cooperativa as fls. 1111 e seguintes, em que esta lista as operações de crédito praticadas com o Recorrente nos anos envolvidos na autuação mas não inclui esta. Merecem, assim, verificação adicional em Em relação à empresa Máster — Alimentação Animal, a declaração de fls. 1567, aliada à atividade do Recorrente de venda de produtos agrícolas, também sugere que tal depósito possa ter como origem a venda de produtos. Não obstante, não há indicação na declaração de que quem a prestou tem poderes para representar a empresa. Em vista do exposto e com amparo no disposto nos artigos 18 e 29 do Decreto n" 70.235/1972, voto por converter o julgamento em diligência para que a autoridade eparadora: (i) intime a Cooperativa Regional dos Cafeicultores de Poços de Caldas (CNRJ n" 23.641.822/0001-57) a confirmar se efetivou o depósito no valor de R$70,000,00 em 26/12/2000 na conta do Recorrente, a titulo de adiantamento de valores, acostando à intimação documentação apresentada pelo Recorrente (lis. 1046, 1544 e 1545); e, intime a empresa Meister — Alimentação Animal Ltda a informal se efetivou o depósito no valor de R$21.000,00 em agosto de 2001 na conta do Recorrente, a titulo de compra de produtos agrícolas, trazendo aos autos a documentação comprobatória da compra. 5 Posteriormente, o Recorr ente deverá ser cientiticulo do resultado da diligência para sobre ele se manifestar no prazo de 20 dias. GUST' ADDAD 6
score : 1.0
Numero do processo: 17460.000260/2007-45
Data da sessão: Wed Sep 22 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004
Ementa: CESSÃO DE MÃODEOBRA
– RETENÇÃO 11%.
A Prefeitura Municipal, como contratante de serviços executados mediante
cessão de mãodeobra,
fica obrigada a reter e recolher onze por cento sobre
o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço.
EMPRESA OPTANTE PELO SIMPLES. CESSÃO DE MÃODEOBRA
OU EMPREITADA – RETENÇÃO
A empresa optante pelo SIMPLES, que prestar serviços mediante cessão de
mãodeobra
ou empreitada, está sujeita à retenção sobre o valor bruto da
nota fiscal de prestação de serviços, com exceção do período compreendido
entre 01/01/2000 e 31/08/2002.
Numero da decisão: 2301-001.650
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Bernadete De Oliveira Barros
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 Ementa: CESSÃO DE MÃODEOBRA – RETENÇÃO 11%. A Prefeitura Municipal, como contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, fica obrigada a reter e recolher onze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço. EMPRESA OPTANTE PELO SIMPLES. CESSÃO DE MÃODEOBRA OU EMPREITADA – RETENÇÃO A empresa optante pelo SIMPLES, que prestar serviços mediante cessão de mãodeobra ou empreitada, está sujeita à retenção sobre o valor bruto da nota fiscal de prestação de serviços, com exceção do período compreendido entre 01/01/2000 e 31/08/2002.
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ÓRGÃO PÚBLICOS Recorrente MUNICÍPIO JOSÉ BONIFÁCIO PREFEITURA MUNICIPAL Recorrida DRJRIBEIRÃO PRETO/SP Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 Ementa: CESSÃO DE MÃODEOBRA – RETENÇÃO 11%. A Prefeitura Municipal, como contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, fica obrigada a reter e recolher onze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço. EMPRESA OPTANTE PELO SIMPLES. CESSÃO DE MÃODEOBRA OU EMPREITADA – RETENÇÃO A empresa optante pelo SIMPLES, que prestar serviços mediante cessão de mãodeobra ou empreitada, está sujeita à retenção sobre o valor bruto da nota fiscal de prestação de serviços, com exceção do período compreendido entre 01/01/2000 e 31/08/2002. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Bernadete De Oliveira Barros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio Cesar Vieira Gomes (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 1DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 07 /12/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por JULIO CESAR VIEIR A GOMES 2 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra o município acima identificado, referente à obrigação do contratante de serviço mediante cessão de mãodeobra reter 11% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura emitida pelo prestador de serviço. Conforme Relatório Fiscal (fls. 20), a notificada foi contratante de serviços de Promoção de Eventos prestados pela empresa José Roberto de Faria Promoção de Eventos ME, executados mediante cessão de mãodeobra e deixou de reter e recolher, em época própria, as contribuições incidentes sobre o valor bruto dos serviços, em desacordo com o que estabelece o art. 31 da Lei 8.212/91. A recorrente impugnou o lançamento e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 1417.582, da 9a Turma da DRJ/RPO, (fls. 81), julgou o lançamento procedente. Inconformada com a decisão, a notificada apresentou recurso voluntário tempestivo (fls. 93), alegando, em síntese, o que se segue. Preliminarmente, alega inconstitucionalidade do depósito recursal prévio e ilegitimidade passiva da recorrente, uma vez que os Estados, o Distrito Federal e os Municípios não podem ser sujeitos passivos diretos das contribuições sociais instituídas para financiar a seguridade social, tendo em vista tais entes já a financiarem através de recursos previstos em seus orçamentos, e por serem imunes por força do disposto no § 7° do art. 195 da Constituição. Destaca que os Estados, o Distrito Federal e os Municípios não poderão ser responsabilizados pelo inadimplemento de obrigações tributárias que deveriam ter sido cumpridas por qualquer pessoa que hajam contratado para lhes prestar serviços. Sustenta que o advento das normas gerais previstas no inciso VI do art. 30 e no art. 31 da Lei 8.212/91, em sua redação original, não exerceu qualquer influência sobre a norma especial inserta no art. 61 do DL 2.300/86, que continuou em pleno vigor não só em razão do comando encontrado no § 6° do art. 37 da Constituição, segundo o qual a Administração Pública não pode ser responsabilizada por atos de terceiros, só podendo responder pelos atos praticados diretamente pelos seus agentes, mas também pelo fato de aquelas disposições não serem incompatíveis, podendo, assim, coexistir harmoniosamente. Alega inconstitucionalidade do § 2° do art. 71 da Lei 8.666/93 com a modificação introduzida pela Lei 9.032/95, e defende que a Administração Pública só poderia ser chamada a responder, em caráter subsidiário, pelos encargos previdenciários dos contratados, que se encontram na Lei 8.213/91, não podendo, em hipótese alguma, ser responsabilizada pelo inadimplemento dos encargos fiscais ou tributários das empresas contratadas, entre os quais se inclui o pagamento das contribuições sociais previstas no art. 11 da Lei 8.212/91. Frisa que a redação original do art. 31 da Lei 8.212/91 faz parte integrante da norma excepcional inserta no § 2° do art. 71 da Lei 8.666/93 com a redação da Lei 9.032/95. Assevera que os Estados, o Distrito Federal e os Municípios não são contribuintes (sujeitos passivos diretos ou devedores primários) da contribuição social Fl. 2DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 07 /12/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por JULIO CESAR VIEIR A GOMES Processo nº 17460.000260/200745 Acórdão n.º 230101.650 S2C3T1 Fl. 2 3 incidente sobre as folhas de pagamentos das empresas que contrata para executar obras de construção ou para lhe prestar serviços que envolvam cessão de mãodeobra, por isso que o contribuinte daquele tributo é a empresa prestadora daqueles serviços, devendo os auditores fiscais daquela autarquia federal se dirigir ao estabelecimento das prestadoras de serviços para verificar a regularidade de sua situação tributária. No mérito, alega bitributação e afirma que a prestadora de serviços é optante do SIMPLES, não lhe sendo aplicável, portanto, as disposições da Lei n° 8.212, porquanto há lei especial que rege o recolhimento das contribuições previdenciárias das empresas optantes desse sistema. Discorre sobre o SIMPLES, ressaltando a existência da incompatibilidade entre o instituto da retenção estabelecido no art. 31 da Lei n° 8.212 e o sistema SIMPLES, pois se assim se fizesse, haveria típico caso de bi tributação. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 07 /12/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por JULIO CESAR VIEIR A GOMES 4 Voto Conselheiro Bernadete De Oliveira Barros O recurso é tempestivo e não há óbice para seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, registro o que se segue. Preliminarmente, a recorrente traz um extenso arrazoado tentando demonstrar ausência de responsabilidade solidária dos Órgãos Públicos e que a redação original do art. 31 da Lei 8.212/91 faz parte integrante da norma excepcional inserta no § 2° do art. 71 da Lei 8.666/93 com a redação da Lei 9.032/95. Contudo, a notificação discutida por meio do presente processo administrativo fiscal não foi lavrada com fundamento no instituto da solidariedade, conforme entendeu de forma equivocada a recorrente, e sim na obrigatoriedade do Município de, ao contratar serviços com cessão de mão de obra, reter 11% sobre o valor bruto da Nota Fiscal . Da mesma forma, a autoridade notificante não fundamentou o débito no art. 31, da lei 8.212/91 em sua redação original, e sim na redação dada pela Lei 9.711/98, uma vez que o fato gerador da contribuição lançada se deu em 06/2004, ou seja, após a vigência da Lei 9.711/98. E, ao contrário do que afirma a recorrente, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios são, sim, contribuintes da Previdência Social Verificase que a recorrente não nega tomou serviços com cessão de mãode obra da empresa apontada no Relatório Fiscal. Ela apenas insiste em afirmar que não é contribuinte da contribuição social incidente sobre as folhas de pagamentos da empresa que contrata para executar obras de construção ou para lhe prestar serviços que envolvam cessão de mãodeobra, e que o contribuinte daquele tributo é a empresa prestadora daqueles serviços, devendo os auditores fiscais daquela autarquia federal se dirigir ao estabelecimento das prestadoras de serviços para verificar a regularidade de sua situação tributária. Todavia, em que pese tal afirmação, vale reiterar que o presente lançamento não foi efetuado em virtude de solidariedade. A retenção é uma obrigação principal legal imposta à empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra. Portanto, a recorrente descumpriu obrigação a ela dirigida, não podendo se falar em solidariedade. O entendimento defendido pela recorrente de que o INSS deveria verificar inicialmente se o tributo foi recolhido pela prestadora antes de exigilo do responsável tributário está desprovido de amparo legal. A Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei 9.711/98, obriga diretamente o contratante dos serviços a efetuar a retenção. O seu art. 31 assim dispõe: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho Fl. 4DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 07 /12/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por JULIO CESAR VIEIR A GOMES Processo nº 17460.000260/200745 Acórdão n.º 230101.650 S2C3T1 Fl. 3 5 temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância devida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente de mãodeobra, observado o disposto no parágrafo 5. º do art. 33. Nesse sentido, após o advento da retenção não há mais que se falar em responsabilidade solidária do tomador para com o contratante de serviços mediante cessão de mãodeobra, pois aquele passa a ter como obrigação reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal de serviços. Assim, a Prefeitura Municipal, na condição de tomadora de serviços com cessão de mãodeobra, está obrigada a tal procedimento, independente do fato de a prestadora ter efetuado ou não o recolhimento das contribuições. E o agente fiscal, ao constatar a prestação de serviço com cessão de mãode obra e a falta da retenção, lavrou corretamente a presente NFLD, em observância ao disposto no § 5º do art. 33, da Lei 8.212/1991: Art. 33. (...) §5ºO desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. A Lei 8.212/91 estabelece, no art. 31, na redação transcrita acima, que empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância devida aos cofres da Previdência Social e, conforme o seu art. 15: Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; (grifei) Portanto, ao contrário do que entende a recorrente, a Prefeitura Municipal de José Bonifácio está, sim, obrigada a recolher as contribuições de que trata a Lei 8.212/91. Quanto à legalidade da exação discutida, cumpre informar que o próprio Supremo Tribunal Federal já reconheceu que a obrigação de efetuar a retenção introduzida no art. 31 da Lei 8.212/91 pela Lei 9.711/98 não se configura em criação de um novo tributo e sim em alteração na forma de recolhimento da contribuição, conforme voto do Min. Relator CARLOS VELLOSO, cujo trecho transcrevo abaixo: RE 393946/MG Relatório: A 3ª Turma do Eg. Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em mandado de segurança, deu Fl. 5DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 07 /12/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por JULIO CESAR VIEIR A GOMES 6 provimento à apelação e à remessa oficial decidindo pela legitimidade da retenção de 11% (onze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou da fatura de prestação de serviços, introduzida pelo art. 31 da Lei 8.212/91, redação dada pela Lei 9.711/98, uma vez que a citada retenção objetivou facilitar a arrecadação e a fiscalização do recolhimento das contribuições para a Previdência Social, bem como prevenir a sonegação, sendo certo que ela não institui empréstimo compulsório, aumento de alíquota ou confisco, tampouco viola a capacidade contributiva ou qualquer princípio constitucional. O acórdão restou assim ementado: "CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. RETENÇÃO DE 11% (ONZE POR CENTO) SOBRE O VALOR BRUTO DA NOTA FISCAL OU DA FATURA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. ARTIGO 31 DA LEI Nº 8.212/91, COM A REDAÇÃO DA LEI Nº 9.711/98. LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. DECISÕES TRIBUTÁRIAS DO PLENO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL "CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. RETENÇÃO DE 11% (ONZE POR CENTO) SOBRE O VALOR BRUTO DA NOTA FISCAL OU DA FATURA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. ARTIGO 31 DA LEI Nº 8.212/91, COM A REDAÇÃO DA LEI Nº 9.711/98. LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. 1. As modificações introduzidas pela referida Lei 9.711/98 visam, apenas e tãosomente, facilitar a arrecadação e a fiscalização do recolhimento das contribuições para a Previdência Social, prevenindo a sonegação, não havendo nisso nenhuma ilegalidade ou inconstitucionalidade. 2. Com efeito, não se cuida de uma nova fonte de custeio para a Seguridade Social (C.F., art. 195, § 4º), nem, tampouco, de imposto criado na área da competência residual da União (C.F., art. 154, I) ou instituição de empréstimo compulsório (C.F., art. 148). O que houve, não faz mal repetir, foi uma alteração na forma de recolhimento da contribuição previdenciária, sem nenhuma afronta à Constituição, atribuindo responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, o que é permitido não só pelo Código Tributário Nacional (art. 128), como, também, pela atual Carta Magna, que prevê, inclusive, o pagamento antecipado do imposto ou contribuição, com possibilidade de compensação e/ou restituição (C.F., art. 150, § 7º), exatamente como previsto na Lei 9.711/98, ora impugnada, pelo que não há que se falar ou sustentar em, repito, empréstimo compulsório, aumento de alíquota, confisco ou transgressão a qualquer princípio constitucional, muito menos o da capacidade contributiva. (...) No caso, entretanto, registra Fábio Zambitte Ibrahim, com propriedade, que, "mutatis mutantis, é possível comparar a obrigatoriedade da retenção dos 11% com o desconto do imposto de renda na fonte. Em ambas as situações, a fonte pagadora tem dever legal de efetuar determinada retenção, diminuindo o valor pago. É um facere, isto é, uma prestação positiva imposta a determinada pessoa, no interesse da Fl. 6DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 07 /12/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por JULIO CESAR VIEIR A GOMES Processo nº 17460.000260/200745 Acórdão n.º 230101.650 S2C3T1 Fl. 4 7 arrecadação de exações devidas." (Fábio Zambitte Ibrahim, "A Retenção de 11% Sobre a MãodeObra", LTr Editora, 2000, pág. 23). Não se tem, portanto, contribuição nova. Temse, sim, "mera obrigação acessória." (Fábio Zambitte Ibrahim, ob. cit., pág. 32). Aqui, repetese, o tomador do serviço, ou o contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, fica obrigado a reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente. Não há falar, portanto, vale repetir, em contribuição nova, ou contribuição decorrente de outras fontes C.F., art. 195, § 4º.(grifos meus) Assim, o Supremo concluiu que a Lei 9.711/98 não introduziu nova contribuição e sim nova obrigação acessória, que é a de reter 11% sobre o valor dos serviços prestados contidos na nota fiscal ou fatura. E o agente fiscal, ao constatar a prestação de serviço e a falta da retenção, lavrou corretamente a presente NFLD, em observância ao disposto no § 5º do art. 33, da Lei 8.212/1991: Art. 33. (...) §5ºO desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. No mérito, a recorrente alega bitributação e afirma que a prestadora de serviços é optante do SIMPLES, não lhe sendo aplicável, portanto, as disposições da Lei n° 8.212, porquanto há lei especial que rege o recolhimento das contribuições previdenciárias das empresas optantes desse sistema. Contudo, o art. 151 da IN 100/2003, vigente à época da ocorrência do fato gerador, assim dispõe: Art. 151. A empresa optante pelo SIMPLES que prestar serviços mediante cessão de mãodeobra ou empreitada, está sujeita à retenção sobre o valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços emitido. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica no período de 1º de janeiro de 2000 a 31 de agosto de 2002. Cumpre destacar que a atividade administrativa é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais. Nesse sentido, o ilustre jurista Alexandre de Moraes ( curso de direito constitucional, 17ª ed. São Paulo. Editora Atlas 2004.314) colaciona valorosa lição: “o tradicional princípio da legalidade, previsto no art. 5º, II, da CF, aplicase normalmente na administração pública, porém de forma mais rigorosa e especial, pois o administrador público somente poderá fazer o que estiver expressamente autorizado em lei e nas demais espécies normativas, inexistindo, pois, incidência de vontade subjetiva. Esse principio coadunase com a própria função Fl. 7DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 07 /12/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por JULIO CESAR VIEIR A GOMES 8 administrativa, de executor do direito, que atua sem finalidade própria, mas sem em respeito à finalidade imposta pela lei, e com a necessidade de preservarse a ordem jurídica”. (grifei) Nesse sentido e, Considerando tudo mais que dos autos consta Voto no sentido de CONHECER do recurso e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Bernadete De Oliveira Barros Relatora Fl. 8DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 07 /12/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por JULIO CESAR VIEIR A GOMES
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Numero do processo: 11618.003037/2007-32
Data da sessão: Tue Jul 06 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/1998 a 30/09/1998
NORMAS REGIMENTAIS. CONCOMITÂNCIA DISCUSSÃO JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. NÃO CONHECIMENTO RECURSO. De conformidade o artigo 78, § 2°, do Regimento Interno do Conselho
Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, a propositura de ação judicial com o mesmo objeto do recurso voluntário representa desistência da discussão de aludida matéria na esfera administrativa, ensejando o não conhecimento da peça recursal.
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Numero da decisão: 2401-001.301
Decisão: ACORDAM os Membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, em razão da opção pela via judicial.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA
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CONCOMITÂNCIA DISCUSSÃO JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. NÃO CONHECIMENTO RECURSO. De conformidade o artigo 78, § 2°, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, aprovado pela Portaria MF n° . 256/2009, a propositura de ação judicial com o mesmo objeto do recurso voluntário representa desistência da discussão de aludida matéria na esfera administrativa, ensejando o não conhecimento da peça recursal. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM...os Membros da 4' Câmara / 1' Tuiina Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por urianNidade de votos, em não conhecer do recurso, em razão da opção pela via judicial. , ELIAS SAM1)\AIO FREIRE - Presidente A "P.4 balá -thà- RYCARDO • RIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA - Relator • Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Viehta de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa, • Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Núbia Moreira Barros Mazza (Suplente). Ausente a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. • 2 \dk Processo n° 11618.003037/2007-32 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01301 Fl. 135 Relatório VOTORANTIM CIMENTOS N/NE S/A (Sucessora de Cimento Poty S/A), contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, recorre a este Conselho da decisão da então Secretaria da Receita Previdenciária em João Pessoa/PB, DN n° 13.401.4/0035/2007, que julgou procedente o lançamento fiscal referente às contribuições sociais devidas pela empresa ao INSS, com fundamento na Responsabilidade Solidária do artigo 31 da Lei n° 8.212/91 (redação original), correspondentes à parte dos empregados, da empresa e as destinadas ao financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a remuneração da mão-de-obra cedida pela empresa A TERCEIRIZAÇÃO JATEAMENTOS E PINTURAS LTDA., em relação ao período de 04/1998 a 09/1998, conforme Relatório Fiscal, às fls. 29/31. Trata-se de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD, lavrada em 31/03/2006, contra a contribuinte acima identificada, constituindo-se crédito no valor de R$ 23.897,99 (Vinte e três mil, oitocentos e noventa e sete reais e noventa e nove centavos). De acordo com Relatório Fiscal, o crédito foi constituído por responsabilidade solidária, em razão da recorrente não ter apresentado à fiscalização as cópias autenticadas das guias de recolhimento quitadas e respectivas Folhas de Pagamento vinculadas aos serviços prestados pela empresa A TERCEIRIZAÇÃO JATEAMENTOS E PINTURAS LTDA., que seriam capazes de comprovar o recolhimento das contribuições previdenciárias relativas aos empregados da prestadora colocados a seu serviço. Tendo em vista a não apresentação da documentação solicitada pela fiscalização, o presente crédito previdenciário fora constituído por aferição indireta, com arrimo no artigo 33, § 3°, da Lei 8.212/91. Cumpre observar que a empresa prestadora de serviços fora devidamente intimada da lavratura da presente notificação fiscal, conforme se depreende do Edital de fls. 40, não tendo apresentado impugnação ou recurso voluntário. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 93/111, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Preliminarmente, pretende seja reconhecida a decadência pleiteada em sua _ impugnação, sob o argumento que a Lei n° 8.212/91 não poderia definir prazo decadencial diverso do estipulado no Código Tributário Nacional, de cinco anos, sob pena de incorrer em vício insanável de ilegalidade e inConstitucionalidade, ao conflitar com normatização de hierarquia superior, violando o artigo 146, III, "b", da Constituição Federal, restando decaído ó crédito previdenciário lançado fora do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, nos moldes do artigo 150, § 4', do CTN, sobretudo tratando-se de lançamento fundado na ausência de documentos aptos a elisão de responsabilidade de terceiro. 3 • • Insurge-se contra a exigência consubstanciada na peça vestibular do feito, por entender que a fiscalização ao constituir o crédito previdenciário com base no instituto da responsabilidade solidária, deixou de comprovar que os serviços foram prestados efetivamente por cessão de mão-de-obra, na forma que exige a legislação de regência, não trazendo à colação contrato de prestação de serviço, notas fiscais ou quaisquer outros elementos capazes de amparar a pretensão fiscal. Assim, pugna pela decretação da nulidade do lançamento, aduzindo para tanto que o fiscal autuante não logrou motivar/comprovar os fatos alegados de forma clara e precisa, deixando de comprovar a efetiva prestação de serviços por cessão de mão-de-obra, contrariando o disposto na legislação de regência, em total preterição do direito de defesa da notificada, conforme se extrai da doutrina e jurisprudência administrativa transcritas em sua peça recursal. Alega inexistir no contrato celebrado com a empresa encimada, a continuidade dos serviços prestados, requisito essencial à configuração da cessão de mão-de- obra, não se cogitando da responsabilidade da recorrente no recolhimento das contribuições previdenciárias. Requer a nulidade do lançamento, alegando que a fiscalização deixou de verificar primeiramente, junto à prestadora dos serviços, a existência dos créditos previdenciários ora lançados. Aduz que o crédito previdenciário deveria ter sido lançado contra a empresa prestadora de serviços, contribuinte originário e responsável pelo cumprimento da obrigação tributária acessória, respondendo a recorrente tão somente pela dívida tributária já constituída. Após tecer comentários a respeito do responsável solidário e do devedor, entendendo por distintos os dois, infere que a responsabilidade da recorrente é subsidiária. Assim, somente poderia responsabilizar o contratante dos serviços se e quando o pagamento da contribuição previdenciária não houver sido efetuado pelo prestador, sujeito passivo direto do tributo em comento, impondo seja declarada a nulidade do feito. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação Fiscal de Lançamento de Débitos, tornando-a sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. A autoridade fazendária apresentou "contrarrazões", às fls., em defesa do não conhecimento do recurso voluntário da contribuinte, tendo em vista a propositura de ação judicial com pedido idêntico ao presente, confoune Ação Anulatória de Débito Fiscal e Decisão liminar, acostadas aos autos. É o relatório. 4 Processo n° 11618.003037/2007-32 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.301 Fl. 136 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator O recurso não merece ser conhecido. Conforme se depreende dos autos, a discussão da presente demanda, em síntese, diz respeito a procedência da notificação lavrada contra a contribuinte com arrimo na Responsabilidade Solidária, insculpida no artigo 31 da Lei n° 8.212/91 (redação original). Em suas razões recursais, pretende a contribuinte a reforma da decisão recorrida, a qual manteve a exigência fiscal em sua plenitude, aduzindo que o lançamento encontra-se maculado por vícios decorrentes de erros materiais procedidos por ocasião da apuração do crédito previdenciário. Suscita, ainda, em sede de preliminar a decadência da exigência fiscal em comento, impondo a observância ao prazo contemplado no artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, em detrimento aos preceitos do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, em face de sua inconstitucionalidade. Em que pesem as substanciosas razões ofertadas pela contribuinte, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, conclui-se que o lançamento, corroborado pela decisão recorrida, apresenta-se incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, como passaremos a demonstrar. Com efeito, olvidou-se a contribuinte que todas as argumentações trazidas à colação em seu recurso voluntário nada mais são do que a reprodução de sua tese aventada em Ação Anulatória de Débito Fiscal, às fls. 02/34, do Volume 02, com decisão liminar proferida suspendendo a exigibilidade do crédito previdenciário, como se observa do decisum de fls. 37/39, do mesmo volume. Na esteira desse entendimento, torna-se defeso à este Colegiado se manifestar a propósito das razões de fato e de direito suscitadas pela contribuinte opondo-se a notificação fiscal em comento, uma vez que tais questões encontram-se sob o tutela do Poder Judiciário em processo judicial próprio/específico. Alias, o Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscal — CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, em seu artigo 78, § 2°, prescreve que a propositura de ação judicial contemplando a mesma matéria submetida a análise deste Colendo Tribunal, representa desistência do recurso administrativo, determinante, portanto, ao não conhecimento do peça recursal, senão vejamos: "Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. 1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. 5 § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de divida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso." (grifamos) Assim, escorreita a decisão recorrida devendo nesse sentido ser mantido o lançamento, uma vez que a contribuinte não logrou infirmar os elementos colhidos pela Fiscalização que serviram de base para constituição do crédito previdenciário, atraindo para si o ônus probandi dos fatos alegados. Não o fazendo razoavelmente, não há como se acolher a sua pretensão, mormente quando inobservados os pressupostos legais para conhecimento de sua peça recursal. Por todo o exposto, estando o Recurso Voluntário em dissonância com os dispositivos legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NÃO CONHECÊ- LO, em virtude da concomitância de discussão nas vias administrativa e judicial, mantendo incólume a decisão de primeira instância, pelos seus próprios fundamentos. 11Sala das Sess es\, em 6 de julho de 2010 , . ___,4‘,„' aula_ nitaffit 1. RYCARDO .4 RIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA — Relator / _ . - 6
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Numero do processo: 18184.000949/2007-49
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 01/01/1999
Ementa: DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2301-001.215
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
No presente julgamento foi adotado o procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, regulamentado pela Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos recursos repetitivos. Ressalta-se que no campo "Data do fato gerador:" foi apresentada a competência de ocorrência do fato gerador mais recente do lançamento. A data de 20/12 correspondente ao décimo terceiro salário.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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