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Numero do processo: 10680.010403/2007-93
Data da sessão: Wed Mar 24 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 01/09/1997
Ementa: DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. .
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2301-001.321
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 01/09/1997 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. . Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado.
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O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. . Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' Câmara / ia Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. No presente julgamento foi adotado o procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, regulamentado pela Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos recursos repetitivos. Ressalta-se que no campo "Data do fato gerador:" foi apresentada a competência de ocorrência fo fatperador mais recente do lançamento. A data de 20/12 i corresponde ao décimo terceir jailári . \ j \ • E ` ,s ,r---- JULIO C AR VIEIRA GOMES — Presidente e Relator \ Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Edgar Silva Vidal (suplente), Damião Cordeiro de Moraes e Julio Cesar Vieira Gomes (presidente). 1 • Relatório Adotou-se no julgamento do presente recurso o procedimento previsto na Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos recursos repetitivos. Dessa forma, a solução que foi adotada no julgamento do recurso-padrão, abaixo discriminado, foi aplicada a este recurso e a todos os demais repetitivos, conforme divulgado através da pauta de julgamento: Relator(a): Julio Cesar Vieira Gomes No julgamento dos itens 58 (recurso-padrão) e 59 a 107 (demais recursos repetitivos) será adotado o procedimento previsto na Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 DOU de 29/09/2009, tendo como idêntica questão de direito a aplicação da Súmula Vinculante n° 08 do STF, de 12/06/2008. 58 - Recurso: 241679 Tipo: RV Processo: 35564.001890/2006- 70 Recorrente: DROGARIA SÃO PAULO S/A Recorrida: SRP- SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA Matéria: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCL4.RIA por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). O julgamento do recurso-padrão acima resultou o Acórdão n° 2301-01.309. É o relatório. Voto Conselheiro JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Relator Sendo tempestivo, conheço do recurso. Confrontando-se a data da ciência do lançamento, 08/06/2005, com os relatórios preparados pela fiscalização, contata-se que todo o período objeto do lançamento está integralmente alcançado pela decadência, independentemente da regra aplicável, artigo 173, 1 ou artigo 150, §4° do CTN; motivo pelo qual adoto a decisão proferida no recurso- padrão, conforme relatório acima. Assim, voto pelo provimento do recurso. É como voto. f\, 1?sSala das ssT em 24 de março de 2010. \\ JULIO ESAR\- IEIRA GOMES - Relator \i 2
score : 1.0
Numero do processo: 10768.004340/2001-81
Data da sessão: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 1995
DECADÊNCIA. ITR - Exercício 1995. Tributo sujeito à sistemática do
lançamento de oficio, nos termos do art. 6° da Lei n° 8.847/1994. Prazo decadencial contado na forma do art. 173, I, do CTN. Notificação de lançamento retificativa emitida extemporaneamente. Lançamento decaído.
Recurso Voluntário Acolhido.
Numero da decisão: 3802-000.008
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de decadência, nos temos do voto do relator
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: LUIS ALBERTO PINHEIRO GOMES E ALCOFORADO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 1995 DECADÊNCIA. ITR - Exercício 1995. Tributo sujeito à sistemática do lançamento de oficio, nos termos do art. 6° da Lei n° 8.847/1994. Prazo decadencial contado na forma do art. 173, I, do CTN. Notificação de lançamento retificativa emitida extemporaneamente. Lançamento decaído. Recurso Voluntário Acolhido.
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ITR - Exercício 1995. Tributo sujeito à sistemática do lançamento de oficio, nos termos do art. 6° da Lei n° 8.847/1994. Prazo decadencial contado na forma do art. 173, I, do CTN. Notificação de lançamento retificativa emitida extemporaneamente. Lançamento decaído. Recurso Voluntário Acolhido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de decadência, nos temos do voto do relator. t, IA HELENA T JANO DAMORIM - Presidente LUIS ALBERTO PINUETRO GOMES E ALCOFORADO- Relator EDITADO EM: 24/09/2009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Mércia Helena Traj ano Damorim, Maria de Fátima Oliveira Silva e Luis Alberto Pinheiro Gomes e Alcoforado. Relatório Cuida o presente feito administrativo de SOLICITAÇÃO DE RETIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO (SRL), apresentada pela parte contribuinte em 26 de setembro de 1996 (fl. 05), na qual são postuladas correções cadastrais quanto ao nome do sujeito passivo e ao respectivo número de inscrito no CPF, bem como veicula impugnação ao lançamento do ITR relativo ao exercício fiscal de 1995. 0 crédito tributário apurado foi formalizado por meio de notificação que, ademais do imposto sobre a propriedade, concernente ao imóvel rural NIRF n° 4286428-3, situado na municipalidade de Casimiro de Abreu/RJ, também exigia importes a titulo da Contribuição Sindical Rural e da Contribuição ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR). Na divisão de tributos da DRF — Rio de Janeiro/RJ, a solicitação retificativa é acolhida pelo órgão fazendário, tendo sido mantida, todavia, o lançamento da exação em comento. Ao prosseguir com a cobrança, uma vez retificados os dados do contribuinte, foi exarada nova notificação (fl.10), emitida em 05 de abril de 2001. Cientificada do expediente, a parte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 12/13), argüindo a decadência do lançamento, a prescrição da cobrança e a ilegalidade da incidência das contribuições sindicais rurais na espécie, bem como suscitou a questão de o imóvel estar ocupado por posseiros, fato que, segundo seu entendimento, atrairia a responsabilidade dos invasores pelo pagamento dos tributos exigidos. Levada a questão para julgamento pela T. Turma da DRJ — Recife/PE, na data de 22 de março de 2002, os pleitos formulados pela parte foram indeferidos em acórdão ementado nos seguintes termos: "Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR Exercício: 1995 Ementa: DECADÊNCIA. 0 direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário só se extingue após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. PRESCRIÇÃO. As reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo suspendem a exigibilidade do crédito tributário, de acordo com o inciso III, art. 151, da Lei n° 5.172/1966 (CTN). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVAS. As provas devem ser apresentadas na forma e no tempo previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. CONTRIBUINTE DO ITR. 2 Processo n° 10768.004340/2001-81 S3-TE02 Acórdão n.° 3802-00.008 Fl. 35 0 Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer titulo, de acordo com o art. 31, da Lei n° 5.172/1966 (CTN). CONTRIBUIÇÃO SIND. EMPREGADOR. É empregador rural, quem, proprietário ou não e mesmo sem empregado, em regime de economia familiar, explore imóvel rural que lhe absorva toda a força de trabalho e lhe garanta a subsistência social e econômico em área igual ou superior dimensão do módulo rural da respectiva região. Sendo esta lançada e cobrada dos empregadores rurais sobre o valor adotado para o lançamento do imposto territorial rural, quando o empregador não é organizado em empresa ou firma, de acordo com o Decreto-lei n° 1.166/1971. Lançamento Procedente." Cientificado do julgado, o ente contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 23/25) tempestivo, tendo sido levantada a preliminar de nulidade da decisão, por violação dos princípios constitucionais, de matiz processual, do contraditório e da ampla defesa, encartados no art. 5°, inciso LV, da Carta Magna, além de reiterar os termos manifestados na peça defensiva. Os autos foram distribuídos a este Conselheiro, na data de 23 de setembro de 2008, constando numeração ate a fl. 33, última. É o relatório. Voto Conselheiro LUIS ALBERTO PINHEIRO GOMES E ALCOFORADO, Relator De inicio, registro ao colegiado que conheço plenamente do presente recurso voluntário por reunir, na integra, os requisitos processuais de admissibilidade, nos termos do Decreto n° 70.235/1972. Antes da análise meritória, cumpre ao órgão julgador analisar as questões preliminares suscitadas pela parte: (i) decadência, (ii) prescrição e (iii) nulidade do julgado a quo, por violação dos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa. Preliminar de Decadência Quanto A. argüição de decadência do lançamento, algumas considerações, pela oportunidade, devem ser feitas. O ITR, antes da vigência da lei n° 9.393/1996, estava inserido na sistemática de tributo submetido As balizas normativas do lançamento de oficio l , sujeito, por conseguinte, ao prazo extintivo previsto no art. 173, I, do CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN). 1 Vide Lei n° 8.847/1994, art. 6°. 3 In casu, o ato tributário refere-se ao exercício de 1995, cujo fato gerador, regido pela então Lei n° 8.847/1994, restou aperfeiçoado em 10 de janeiro daquele ano fiscal. É certo afirmar que a primeira notificação de lançamento, acostada à fl. 06, expedida em 19 de julho de 1996, não continha a identificação da autoridade fazendária que a expediu, fato esse que revela inequívoco vicio de nulidade, nos termos da legislação e da inteligência da Súmula n° 01, do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, verbis: "t nula, por vicio formal, a notificação de lançamento que não contenha a identificação da autoridade que a expediu". Uma vez eivada pelo apontado defeito jurídico, a nova notificação de lançamento (fl. 10), para ser considerada válida, teria de ter sido emitida dentro do lapso decadencial previsto no art. 173, I, do CTN. Como o prazo fatal, nos termos legais, findou em 10 de janeiro de 2001, percebe-se, sem sombra de dúvida, que o expediente notificatório foi emitido em desacordo com as regras legais, restando o lançamento, portanto, decaído. Inaplicável, portanto, as regras do art. 151 do CTN, visto se tratar de vicio sanável apenas se o novo lançamento tivesse sido veiculado em notificação expedida antes do prazo fatal extintivo. É o que se infere a partir do art. 149, parágrafo único, do CTN: "A revisão do lançamento s6 pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública". Nesse sentido, voto no sentido de acolher a preliminar de Decadência, DANDO PROVIMENTO ao presente recurso voluntário, prejudicada a análise das demais preliminares e do mérito da contenda. 1f LUIS ALBERT P t EIRO GOMES E ALCOFORADO 4
score : 1.0
Numero do processo: 12045.000401/2007-15
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 27/07/2006 RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE. REVOGAÇÃO DO ART. 41 DA LEI N° 8.212, de 24/07/91. EFEITOS - RETROATIVIDADE BENIGNA. RECONHECIMENTO A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei n° 8.212/91; entretanto, tal dispositivo foi revogado por meio do art. 65 da Medida Provisória n ° 449/2008, convertida na Lei n.° 11.941/2009, do que deixou de definir o ato como infração.
A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, omissiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). A exclusão por lei de algum desses elementos implica retroatividade benigna do artigo 106 do CTN. Recurso Voluntário Provido
Credito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2301-000.905
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
No presente julgamento foi adotado o procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, regulamentado pela Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos recursos repetitivos.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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REVOGAÇÃO DO ART. 41 DA LEI N° 8.212, de 24/07/91. EFEITOS - RETROATIVIDADE BENIGNA. RECONHECIMENTO A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei n° 8.212/91; entretanto, tal dispositivo foi revogado por meio do art. 65 da Medida Provisória n ° 449/2008, convertida na Lei n.° 11.941/2009, do que deixou de definir o ato como infração. A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, omissiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). A exclusão por lei de algum desses elementos implica retroatividade benigna do artigo 106 do CTN. Recurso Voluntário Provido ( Credito Tributário Exonerado. n Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. \/ ACORDAM os membros da 3° Câmara / 1' Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. • No presente julgamento foi adotado o procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, regulamentado pela Portaria CARF n° 83, de 4/09/2039 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos recursos repetitivos. ICàHlw JULIO FE AR VIEIRA GOMES Presidente e Relator Participaram do julgamento os conselheiros: Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Edgar Silva Vidal (suplente), Francisco de Assis de Oliveira Júnior, Julio César Vieira Gomes (presidente). Relatório Trata-se de auto-de-infração lavrado em desfavor de sujeito passivo na condição de responsável pessoal atribuida pelo art. 41 da Lei n "8.212/91, em virtude de infração à legislação previdenciária. Após impugnação e decisão desfavorável, interpôs recurso voluntário para que seja afastada a sua responsabilidade pessoal pela infração. Cabe ressaltar que se adotará no julgamento o procedimento previsto na Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos recursos repetitivos. Dessa forma, a solução que vier a ser adotada no julgamento do recurso- padrão, abaixo discriminado, será aplicada a todos os demais recursos repetitivos incluídos na mesma pauta de julgamento: 84 - Recurso n° 147.250 Processo n° 13558.000689/2007-01 Recorrente: WAGNER RAMOS DE MENDONÇA Recorrida: SRP-SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA Matéria: CONTRIBUIÇÃO PREWIDENCIÁRLA. É o relatório. Voto Conselheiro JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Relator Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame. Preliminarmente, há que ser observada a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso lido CTN. 2 Processo n°12045.000401/2007-15 52-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.905 Fl. 2 A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei n ° 8.212/91; entretanto, tal dispositivo foi revogado por meio do art. 65 da Medida Provisória n ° 449/2008, convertida na Lei n.° 11.941/2009. Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. (Revogado pela Medida Provisória n° 449, de 2008) Conforme previsto no art. 106, inciso II do Código Tributário Nacional - CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, no caso presente, aplica-se o art. 106, inciso II, alíneas "a" e "b" do CTN. A Medida Provisória n ° 449/2008, ao revogar o art. 41 da Lei n° 8.212/91, afastou a responsabilização do dirigente nas omissões e ações que geram o descumprimento de obrigações acessórias. A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, omissiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). Se em qualquer desses elementos houver algum beneficio para o infrator, a retroatividade deve ser reconhecida em função de ser cogente o caput do art. 106 do CTN. Em relação ao dirigente do órgão público, a Medida Provisória deixou de definir o ato como descumprimento de obrigação acessória, como ato infracional. Caso a fiscalização fosse autuar o prefeito municipal na data de hoje, por fatos pretéritos não poderia fazê-lo, em função da Mil' n ° 44912008. Assim, em relação ao dirigente, a MP é, sem dúvida, mais benéfica; se antes da MP a autuação era em nome do dirigente, com sua responsabilização pessoal, após, não cabe tal autuação. Pelo exposto, Voto pelo provimento do recurso. í . r Sala das Sessões, ;em 25 de janeiro de 2010. ' '*t JULIO CESAR VIEIRA GOMES - Relator 3 LA(40 de Re ....krza,S-fr zsoÍrVit.:, ff Fottta n° tÍ S. MINISTÉRIO DA FAZENDA '9'o CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 43;k7 SEGUNDA SEÇÃOSEÇÃO DE JULGAMENTO— TERCEIRA CÂMARA SCS — QD. 01 — BL. "J" — ED. ALVORADA — 12° ANDAR — CEP 70396-900 — BRASÍLIA — DF Home Page hups . //carf fazenda gov.br Recurso: 147.938 Processo: 12045.000401/2007-15 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3' do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, a tomar ciência do Acórdão n.° 2301-00.905. n Brasília, 15 (5L e\ram co de 2010 iç JULIO CESARNIEIRA GOMES Presidente da terceira Câmara 4 Ciente, com a observação abaixo: [ ] Sem Recurso [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 10108.000086/2001-15
Data da sessão: Wed Mar 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 1997
ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS
A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente em data anterior à ocorrência do fato gerador do imposto, o que não ocorreu no presente caso.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-000.617
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento ao recurso para restabelecer a tributação referente à área de Reserva Legal. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Relator), Gonçalo Bonet Allage, Rogério de Lellis Pinto (suplente convocado) e Moisés Giacomelli Nunes da Silva. A Conselheira Susy Gomes Hoffmann votou pelas conclusões, que apresentará declaração de voto. Designado o Conselheiro Elias Sampaio Freire para redigir o voto vencedor.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - valor terra nua
Nome do relator: Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 1997 ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente em data anterior à ocorrência do fato gerador do imposto, o que não ocorreu no presente caso. Recurso especial provido.
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MINISTÉRIO DA FAZENDA • CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 10108.000086/2001-15 Recurso n° 331.396 Especial do Procurador Acórdão n° 9202-00.617 - 2a Turma Sessão de 10 de março de 2010 Matéria ITR Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ANTÔNIO ALBUQUERQUE DOS SANTOS ASSUNTO IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 1997 ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente em data anterior à ocorrência do fato gerador do imposto, o que não ocorreu no presente caso. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para restabelecer a tributação referente à área de Reserva Legal. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Relator), Gonçalo Bonet Allage, Rogério de Lellis Pinto (suplente convocado) e Moisés Giacomelli Nunes da Silva. A Conselheira Susy Gomes Hoffinann votou pelas conclusões, que apresentará declaração de voto. Designado o Conselheiro Elias Sampaio Freire para redigir o voto vencedor. _ t CARLOS • : lk 11_ •• . :ARkETO - Presidente ../ 431" so.,/.4% .,, ,i . _1/ • 1..g1 RYC •I DO J i 1.- G .P.t.IL-MAGALHÂLES DE OLIVEIRA - Relatoriii ELIAS , '10 ; el.: FREIRE - Relator-Designado EDITADO EM: 23 ABR 2110 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Rogério de Lellis Pinto (suplente convocado), Moises Giacomelli Nunes da Silva, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.Ausente, justificadamente, o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior. 2 Processo n° 10108.00008612001-15 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.617 Fl. 2 Relatório ANTÔNIO ALBUQUERQUE DOS SANTOS, contribuinte, pessoa fisica, já devidamente qualificado nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 21/03/2001, exigindo-lhe crédito tributário concernente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, em relação ao exercício de 1997, incidente sobre o imóvel rural denorniiado "Fazenda Capim Gordura", localizado no município de Corumbá-MS, cadastrado ria -RRS-sob'n° 2657594-9, conforme peça inaugural do feito, às fls. 22/29, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário ao então Terceiro Conselho de- Contribuintes contra Decisão da 1' Turma da DRJ em Campo Grande/MS, Acórdão n° 03.075/2003, às fls. 52/57, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 3' Câmara, em 21/06/2006, por maioria de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão n°303-33.279, sintetizados na seguinte ementa: "ITI1I997. Auto de Infração lavrado por glosa da área de reserva legal. Tendo sido trazido aos Autos documentos hábeis, revestidos das formalidades legais, como o ADA, mesmo entregue a destempo, e as devidas averbaçães em cartório efetivadas à margem do registro, que comprovam a isenção informada pelo recorrenstandO as terras totalmente inseridas no pantanal matogrossense, é de se reformar o lançamento como efetivado pela fiscalização, para que seja dado provimento ao Recurso. Recurso voluntário provido." Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 86/95, com arrimo no artigo 5 0, inciso I, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases processuais ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurge-se contra o Acórdão atacado, por entender ter contrariado os preceitos da legislação de regência, especialmente o artigo 10, § 4°, inciso I, da IN SRF 43/1997, que disciplinou a Lei n° 9.393/1996, com redação do artigo 1°, inciso II, da Instrução Normativa SRF n° 67/1997, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente uma vez comprovada a contrariedade à lei argüida. Sustenta que a Lei n° 4.771/1965 (Código Florestal), na redação dada pela Lei n°7.803/1989, impõe que a comprovação da existência de área de reserva legal, para fins de não incidência do ITR, depende de prévia averbação tempestiva à margem da matrícula do imóvel, ao contrário do que restou decidido pela Câmara recorrida. 3 Em defesa de sua pretensão, assevera que a exigência encimada foi expressamente inserida no art. 10, § 4 0, inciso I, da IN/SRF/n° 43/1997, (que disciplinou a Lei 9.363/96), com redação do art. 1°, inciso II, da IN/SRF n°67/1997. Infere que a Medida Provisória n° 2.166/2001, a qual dispôs sobre a declaração das áreas na Lei n° 9.393/1996, utilizada como esteio ao Acórdão atacado, em nada alterou a necessidade da averbação tempestiva da reserva legal junto à matricula do imóvel, eis que, igualmente, contemplou essa exigência, remetendo às disposições do Código Florestal, instituído pela Lei n°4.771/1965. Tece comentários a propósito do conceito e finalidade da "Reserva Legal", traçando histórico da legislação que regulamenta a matéria, notadamente Código Florestal, aprovado pela Lei n° 4.771/1965, bem como Lei n° 7.803/1989, a qual estabeleceu a necessidade da averbação ou registro da reserva legal à margem da inscrição da matrícula do imóvel concluindo que aludida exigência visa justamente atender o fim precipuo da reserva legal, a partir da publicidade dessa situação de fato e de direito. Contrapõe-se ao entendimento da Câmara recorrida, aduzindo para tanto que Áreas de reserva legal são aquelas definidas pelo citado Código Florestal em seu artigo 16 e que, para serem consideradas como tal não bastam apenas "existir" no mundo fático, mas devem "existir" também no mundo jurídico quando averbadas na matrícula do imóvel, mormente quando referida exigência decorre da legislação de regência, mais precisamente a Lei n°4.771/65. Elucida, ainda, para fins de não incidência do ITR, que a averbação da reserva legal junto à matrícula do imóvel, deve ser procedida antes do fato gerador do tributo, somente passando a produzir efeitos a partir de tal providência, não retroagindo, portanto, à fatos geradores ocorridos anteriormente à esse ato, em observância ao disposto no artigo 144 do Código Tributário Nacional, com vistas à assegurar os interesses coletivos relativamente à proteção do meio ambiente. Assim, inexistindo na hipótese dos autos provas de que a contribuinte procedeu tempestivamente a averbação em comento, impõe-se à manutenção da glosa realizada pela fiscalização. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, a ilustre Presidente da 3' Câmara do 3° Conselho, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Fazenda Nacional, sob o argumento de terem sido observados os pressupostos para conhecimento do recurso uma vez tempestivo e por tratar-se de decisão não unânime, além da existência do pré-questionamento da matéria, conforme Despacho n° 345/2006, às fls. 97/99. Instado a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, o contribuinte apresentou suas contrarrazões, às fls. 104/105, corroborando as razões de decidir do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção. É o Relatório. 4 Processo n° 10108.000086/2001-15 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.617 Fl. 3 Voto Vencido Conselheiro RYCARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA, Relator Com a devida vênia a ilustre então Presidente da 3° Câmara do 3° Conselho de Contribuintes, ouso divergir do despacho que deu seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, por não vislumbrar na hipótese vertente requisito regimental amparando a pretensão da recorrente, não merecendo ser conhecida sua peça recursal, como passaremos a demonstrar. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende a Procuradoria a reforma do Acórdão recorrido, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram os preceitos contidos no artigo 10, § 4°, inciso I, da IN SRF n° 43/1997, que disciplinou a Lei n° 9.393/1996, com redação do artigo 1°, inciso II, da Instrução Normativa SRF n°67/1997. Por sua vez, em análise preliminar de admissibilidade, a Presidente da Câmara recorrida acolheu o pleito da recorrente, sob o argumento de terem sido observados os pressupostos para conhecimento do recurso uma vez tempestivo e por tratar-se de decisão não unânime, além da existência do pré-questionamento da matéria. Observe-se, que não houve um aprofundamento no exame da contrariedade à lei propriamente dita, constando do Despacho que deu seguimento ao Recurso Especial da Procuradoria simplesmente que: "2. quanto à contrariedade à lei tributária, o recurso merece acolhimento, haja vista que a decisão foi prolatada por maioria de votos." Ora, nos termos dos artigos 5°, inciso I, e 7°, § 1 0, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 55/1998, vigente à época, a decisão tomada por maioria de votos é um dos pressupostos de admissibilidade do Recurso Especial em comento, não se confundido com a contrariedade à lei e/ou evidência de prova, que deverá (ão) ser comprovada (s) cabalmente, senão vejamos: "Art. 5 Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais julgar recurso especial interposto contra: I — decisão não unânime de Câmara de Conselho de Contribuintes, quando for contrária it lei ou à evidência da prova; e 11— decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara de Conselho de Contribuintes ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. ri Art. 7 ° O recurso especial deverá ser formalizado em petição dirigida ao Presidente da Câmara que houver prolatado a decisão recorrida e deverá ser apresentado por Procurador da 5 Fazenda Nacional, no prazo de quinze dias, contando da vista oficial do acórdão, ou pelo sujeito passivo, em igual prazo, contado da data da ciência da decisão. § I° Na hipótese de que trata o inciso 1 do art 5 ° deste Regimento o recurso deverá demonstrar, fundamentadamente, a contrariedade à lei ou à evidência da prova e, havendo matérias autônomas o recurso especial alcançará apenas a pane da decisão não unânime contrária à Fazenda Nacional." (grifamos) A jurisprudência desta Colenda Corte Administrativa não discrepa desse entendimento, impondo a comprovação cabal da contrariedade à lei e/ou evidência de prova para efeito de conhecimento do Recurso Especial do Procurador, como se extrai dos julgados com as seguintes ementas: CONHECIMENTO DO RECURSO - ACÓRDÃO PROFERIDO POR MAIORIA DE VOTOS. Para que seja conhecido o recurso especial interposto Fazenda Nacional contra acórdão não-unânime, deve restar demonstrada a contrariedade à lei ou à evidência de prova. Providência adotada no caso em tela. [..J' (4' Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais - Recurso n° 102-146640 - Acórdão n° CSRF/04-00.958, Sessão de 04/08/2008) (grifamos) "RECURSOS. ADMISSIBILIDADE. - A falta de demonstrarão fundamentada da contrariedade à lei ou à evidência da prova rende ensejo ao não conhecimento do recurso. Recurso especial não conhecido." (r Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais - Recurso n° 203-124521 - Acórdão n° CSRF/02-02.291, Sessão de 25/04/2006) (grifamos) "RECURSO ESPECIAL — CONHECIMENTO — Não pode ser conhecido. por falta de objeto, o recurso que não demonstra contrariedade a Lei e, portanto, desatende os pressupostos regimentais de admissibilidade. Recurso Especial Não Conhecido." (l a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais - Recurso rt° 102-128213 - Acórdão n° CSRF/01-04.489, Sessão de 14/04/2003) (grifamos) Na hipótese dos autos, constata-se que, muito embora a recorrente procure demonstrar a Subsistência do Acórdão recorrido utilizando-se dos mais variados argumentos, a bem da verdade discute-se, novamente, o mérito da questão (necessidade de averbação tempestiva da reserva legal junto à matricula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador do tributo, para fins de não incidência do Imposto Territorial Rural), o qual já foi objeto da análise desta Câmara recorrida, suscitando a "contrariedade à lei com base em preceitos de Instruções Normativas. Assim, em que pesem as razões lançadas em seu Recurso Especial, argüindo a existência de contrariedade à lei, em momento algum a contribuinte logrou comprovar seu argumento, eis que as Instruções Normativas não se revestem das características e/ou natureza de lei propriamente dita. Como se verifica, a Fazenda Nacional ao formular seu Recurso Especial utilizou como fundamento à sua empreitada o artigo 5°, inciso I, do Regimento Interno da 6 Processo n° 10108.000086/2001-15 CSRF-T2 Acórdão o.° 9202-00.617 Fl. 4 Câmara Superior de Recursos Fiscais, sem conquanto demonstrar que a tese sustentada no Acórdão atacado foi contrária à lei ou à evidência da prova capaz de ensejar a reforma do r. decisório da Câmara recorrida. Destarte no que tange às determinações insertas nas Instruções Normativas n's 43 e 67, de 1997, esteios do entendimento da Fazenda Nacional, não são capazes de oferecer proteção ao seu pleito, porquanto são normas complementares/secundárias, não podendo ser equiparadas/confundidas como "leis" para efeito de conhecimento do presente recurso, sendo defeso, por essa própria natureza, inovar, suplantar e/ou cingir os ditames contidos nas leis regulamentadas. Perfunctória leitura do artigo 100, inciso I, do Códex Tributário, fulmina de uma vez por todas a pretensão fiscal, senão vejamos: "Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: 1 — os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas J...] Na esteira desse entendimento, cabe invocar os ensinamentos do renomado doutrinador Antonio Carlos Rodrigues do Amaral, na obra "Comentários ao Código Tributário Nacional", volume 2, coord. Ives Gandra da Silva Martins, Editora Saraiva, 1998, págs. 40/41, que ao tratar do artigo 100 do Código Tributário Nacional, assim preleciona: " Atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas. São as instruções ministeriais, as portarias ministeriais e atos expedidos pelos chefes de órgãos ou repartições; as instruções normativas expedidas pelo Secretário da Receita Federal; as circulares e demais atos normativos internos da Administração Pública, que são vinculantes para os agentes públicos, mas não podem criar obrigações para os contribuintes que já não estejam previstas na lei ou no decreto dela decorrente. Também não vinculam o Poder Judiciário, que não está obrigado a acatar a interpretação dada pelas autoridades públicas através de tais atos normativos." Outro não é o entendimento do eminente jurista Leandro Paulsen, ao comentar o Código Tributário Nacional, adotando posicionamento do Supremo Tribunal Federal, nos seguintes termos: "Vinculactio absoluta dos atos normativos à lei. "... As instruções normativas editadas por órgão competente da administração tributária, constituem espówies jurídicas de caráter secundário, cuja validade e eficácia resultam, imediatamente, de sua estrita observância dos limites impostos pelas leis, tratados, convenções internacionais, ou decretos presidenciais, de que devem constituir normas complementares. Essas instruções nada mais são, em sua configuração jurídico- formal, do que provimentos executivos cuja normatividade está diretamente subordinada aos atos de natureza primária, como as leis e as medidas provisórias a que se vinculam por um claro nexo de acessoriedade e de dependência. Se a instrução normativa, editada com fundamento no art. 100, 1, do Código Tributário Nacional, vem a _positivar em seu texto, em decorrência de má interpretação de lei ou medida provisória, 7 uma exegese que possa romper a hierarquia normativa que deve manter com estes atos primários, viciar-se-á de ilegalidade.." (STF, Plenário, AGRADI 365/DF, rel. Min. Celso de Mello, nov/I990)" (DIREITO TRIBUTÁRIO — Constituição e Código Tributário Nacional à luz da Doutrina e da Jurisprudência" — 5' edição, Porto Alegre: Livraria do Advogado:ESMAFE, 2003, pág. 740) Dessa forma, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento ao recurso voluntário do contribuinte, na forma decidida pela 3' Câmara do 3° Conselho de Contribuintes, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Recurso Especial da Procuradoria em dissonância com as normas r- entais vigentes à época de sua protocolização, VOTO NO SENTIDO DE Nek0 CONHEC -LO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. dg ak Rycardo 'V!' que Magalhães de O weira — Relator Processo n° unos.0000sanool . is CSRF-T2 Acórdão n.° 920240.617 Fl. 5 Voto Vencedor Conselheiro ELIAS SAMPAIO FREIRE, Designado Ouso divergir do ilustre relator no que diz respeito à exigência da averbação da área de reserva legal para fins de isenção do 1TR. A decisão recorrida partiu da premissa de que o Código Florestal ao tratar da averbação da área de reserva legal o fez com finalidade diversa da tributária, ao concluir que a exigência de averbação como pré-condição para o gozo de isenção do ITR. não encontra amparo na lei ambiental. Para o deslinde da questão vale repassar as normas legais regedoras da isenção de 1TR incidente sobre a área de reserva legal e, conseqüentemente, do próprio conceito de área de reserva legal. O art. 10, § 1°, inciso II, que trata da área tributável do imóvel para fins de ITR, exclui da incidência do imposto a áreas de preservação permanente e de reserva legal previstas no Código Florestal Brasileiro, in verbis: Art. 10 § 1° Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: II - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n°7.803, de 18 de julho de 1989; Por seu turno, a Lei n° Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n°7.803, de 18 de julho de 1989 (Código Florestal Brasileiro), portanto, à época dos fatos geradores, previa a obrigatoriedade de averbação da área de reserva legal no registro de imóveis competente, nos seguintes termos: Art. 16. As florestas de domínio privado, não sujeitas ao regime de utilização limitada e ressalvadas as de preservação permanente, previstas nos artigos 2° e 3° desta lei, seio suscetíveis de exploração, obedecidas as seguintes restrições: § 2°A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matricula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer titulo, ou de desmembramento da área. (Incluído pela Lei n° 7.803 de 18.7.1989). (1)( 9 No meu entender a averbação da área de reserva legal à margem da inscrição de matricula do imóvel no registro de imóveis competente é condição para que a referida área seja, efetivamente, considerada como área de reserva legal. Precedente do Supremo Tribunal Federal (Mandado de Segurança n° 22.688/PB) é explicito no sentido de que determinada área somente pode ser considerada como área de reserva legal após a averbação desta situação no registro de imóveis assim ementado: EMENTA Mandado de segurança. Desapropriação de imóvel rural para fins de reforma agrária. Preliminar de perda de objeto da segurança que se rejeita. - No mérito, não fizerem os impetrantes prova da averbação da área de reserva legal anteriormente à vistoria do imóvel, cujo laudo (fls. 71) é de 09.05.96, ao passo que a averbação existente nos autos data de 26.11.96 ars• 73-verso), posterior inclusive ao Decreto em causa, que é de 06.09.96.('GRIFEH Mandado de segurança indeferido. Por relevante, transcrevo excerto voto vista do Ministro Sepúlveda Pertence proferido no julgado do Mandado de Segurança acima ementado, em que afirma peremptoriamente que sem a averbação determinada pelo §2° do art. 16 da lei n° 4.771/1965 não existe reserva legal: A questão, portanto, é saber, a despeito de não averbada se a área correspondente à reserva legal deveria ser excluída da área aproveitável total do imóvel para fins de apuração da sua produtividade (..) A reserva legal não é uma abstração matemática. Há de ser entendida como uma pane determinada do imóvel. Sem que esteja determinada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe. Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel o que dos novos proprietários só estaria obrigado a preservar vinte por cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserva, proporcional à diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada a proibição da mudança de sua destinação nos casos de transmissão a qualquer titulo ou de desmembramento, que a lei florestal prescreve. Estou assim em que, sêm a averbação determinada pelo §2° do art 16 da lei n°4.771/1965 não existe reserva legal. (GRIFEI) Portanto, a averbação no registro de imóveis não se trata tão somente de matéria de prova acerca da configuração da área de reserva legal ou, ainda, de obrigação acessória a ser cumprida pelo contribuinte, pelo contrário, trata-se de ato constitutivo da própria área de reserva legal. io Processo ? 10108.000086/200145 CSR1?-T2 Acórdão n.°9202-00.617 Fl. 6 Destarte, a área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registo de Imóveis competente em data anterior à ocorrência do fato gerador do imposto, o que não ocorreu no presente caso. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial da 014 Fazenda Nacional, para mant, i:butação da área declarada como de reserva legal. Elias Sampaio F li ire - Relator-Designado ' II Declaração de Voto Conselheira SUSY GOMES HOFFMANN O objetivo desta Declaração de Voto é tão somente de externar o meu entendimento sobre a interpretação do parágrafo 7°. do artigo 10 da Lei 9393/96. O referido dispositivo legal possui o seguinte texto: "Art. 10. A apuração e o pagamento do IIR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a - homologação posterior. § 1° Para os efeitos de apuração do 1TR, considerar-se-á: 1- VIN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c)pastagens cultivadas e melhoradas; dElorestas plantadas; II - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n°4771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; § 7° A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "e e "d" do inciso II, § 1°, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória n° 2.166-67, de 2001)" Entendo que a inteligência do referido parágrafo 7°, introduzido pela Medida Provisória 2.166-67 de 2001 teve por fim trazer ao Contribuinte do ITR a condição de excluir as áreas referidas (reserva legal e preservação permanente) do calculo da área tributável para fins de ITR, sem que tenha que fazer qualquer prova pré-constituída. Todavia, entendo, diversamente do Conselheiro Relator, que uma vez instado a trazer tal prova, isto é, a prova da 12 Processo n° lows.0000ssnoot-ls CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.617 Fl. 7 existência da área de reserva legal e da área de preservação permanente, cabe ao contribuinte, efetivamente, trazê-la. Portanto, não basta apenas a declaração do contribuinte, posto que no caso de fiscalização, quando o contribuinte é chamado a provar a existência e caracterização ou qualificação da área o ônus desta prova é dele. Pois bem. Diante destas considerações, passemos a analisar a questão do ônus da prova no processo administrativo. Segundo Hugo de Brito Machado', pode-se dizer que o ônus da prova é dividido entre as partes, veja-se: "O desconhecimento da teoria da prova, ou a ideologia autoritária, tem levado alguns a afirmarem que no processo administrativo fiscal o ônus da prova é do contribuinte. Isto não é, nem poderia ser correto em um Estado de Direito democrático. O ônus da prova no processo administrativo fiscal é regulado pelos princípios fundamentais da teoria da prova, expressos, aliás, pelo Código de Processo Civil, cujos normas são aplicáveis ao processo administrativo fiscal. No processo tributário fiscal para apuração e exigência do crédito tributário, ou procedimento administrativo de lançamento tributário, autor é o Fisco. A ele, portanto, incumbe o ônus de provar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária que serve de suporte à exigência do crédito que está a constituir. Na linguagem do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus do fato constitutivo de seu direito (Código de Processo Civil, art.333 I). Se o contribuinte, ao impugnar a exigência, em vez de negar o fato gerador do tributo ateia ser imune ou isento ou haver sido no todo ou em corte desconstituída a situação de fato geradora da obrigação tributária, ou ainda, já haver pago o tributo, é seu ônus de provar o que alegou. A imunidade, como isenção, impedem o nascimento da obrigação tributária. São, na linguagem do Código de Processo Civil, fatos impeditivos do direito do Fisco. A desconstituicão, parcial ou total, do fato erador do tributo é fato modificativo ou extintivo, e o pagamento é fato extintivo do direito do Fisco. Deve ser comprovado _portanto pelo contribuinte, que assume no processo administrativo de determinação e exigênc ia lo tributo POsiCãO equivalente a do réu no processo civil". (grifo nosso) Depreende-se da leitura do texto acima transcrito que a alegação de fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do crédito tributário deve ser comprovada pelo contribuinte. Dessa forma, caberia ao contribuinte comprovar as suas alegações, o que no presente caso poderia ter ocorrido por meio de laudo para comprovação da existência da área de reserva legal. A palavra ônus, do latim onus, significa carga, peso, encargo, obrigação. Quando se indaga — a quem cabe o ônus da prova? —, quer se saber, a quem cabe a necessidade de prover os elementos probatórios suficientes para a formação do convencimento do julgador. No processo administrativo fiscal federal tem-se como regra que aquele que alega algum fato é quem deve provar. Nesse sentido, o ônus da prova recai a quem dela se aproveita. 1 Machado, Hugo de Brito; Mandado de Segurança em Matéria Tributaria, 5. ed., São Paulo: Dialética, 2003, p273 13 • Por outro lado, o meu entendimento ê que a prova da existência da área de reserva legal não exige a averbação da existência desta área junto ao Cartório de Registro de Imóveis. Basta um laudo técnico que se refira a época do fato jurídico tributário e que ateste a existência e a extensão da área de reserva legal. Realmente, e sem maiores delongas jurídicos, pode-se considerar de plano, que a legislação concedeu isenção para a área localizada em Reserva Legal, não podendo recair tributação de ITR. E não poderia ser outro o entendimento, visto que o interesse defendido é o ecológico, pertinente a toda coletividade, que impede a incidência tributária sobre patrimônio de utilidade pública, cujo destino é dado no interesse exclusivo da Administração Pública, não mais do particular. Desta feita, da questão supracitada para o caso em apreço, tem-se que a área de Reserva Legal limita era muito o direito de propriedade do contribuinte, vez que fora destinado para finalidade específica de proteção integral do Meio Ambiente ecologicamente equilibrado. Assim, ainda que o contribuinte não tenha averbado a existência de tal área a— - margem da matrícula do imóvel, ele pode e deve provar a existência de tal área por meio de laudo técnico, pois o que importa para o Direito, sob o meu ponto de vista, é a efetiva proteção ao Meio-Ambiente por meio da preservação da área de reserva legal, e se ha prova de que a área está preservada, este fato ê o relevante, sendo a averbação da existência da área, ato declaratório da existência e preservação da referida área. Portanto, a minha declaração de voto é para externar o meu posicionamento de que: a) para provar a existência da área de reserva legal para fins de exclusão desta área para fins de ITR não é condição a averbação da área junto â matrícula do imóvel, podendo tal prova ocorrer por meio de laudo; b) cabe ao contribuinte a realização da prova da existência da área de reserva legal pelos meios de prova admitidos em direito. Susy Gomes ann 14
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Numero do processo: 13896.000846/2007-39
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003, 2004, 2005 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CAPITULAÇÃO LEGAL. DESCRIÇÃO DOS FATOS. LOCAL DA LAVRATURA. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabem a proposição de cerceamento do direito de defesa. NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. MOMENTO DA INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendose, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARTIGO 42, DA LEI Nº 9.430, DE 1996. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CARACTERIZAÇÃO. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PERÍODOBASE DE INCIDÊNCIA. APURAÇÃO MENSAL. TRIBUTAÇÃO NO AJUSTE ANUAL. Os valores dos depósitos bancários não justificados, a partir de 1º de janeiro de 1997, serão apurados, mensalmente, à medida que forem creditados em conta bancária e tributados como rendimentos sujeitos à tabela progressiva anual (ajuste anual). PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. RENDIMENTOS TRIBUTADOS NA DECLARAÇÃO AJUSTE ANUAL. JUSTIFICATIVA DE ORIGEM. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. É de se aceitar como origem de recursos, justificando a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento, os valores dos rendimentos tributados na Declaração de Ajuste Anual não considerados no levantamento de ofício realizado pela autoridade fiscal responsável pela constituição do crédito tributário. LIVRO CAIXA. DESPESAS. CONDIÇÃO DE DEDUTIBILIDADE. NECESSIDADE E COMPROVAÇÃO. Somente são admissíveis, em tese, como dedutíveis, despesas que, além de preencherem os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade, apresentaremse com a devida comprovação, por meio de documentos hábeis e idôneos, devidamente escriturados no respectivo Livro Caixa e que sejam necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. O simples lançamento na escrituração e/ou Declaração de Ajuste Anual pode ser contestado pela autoridade lançadora. DESPESAS LANÇADAS EM LIVRO CAIXA. COMPROVAÇÃO ATRAVÉS DE NOTA FISCAL SIMPLIFICADA, CUPOM FISCAL, TICKETS. DOCUMENTAÇÃO FISCAL INÁBIL A nota fiscal simplificada, assim como o cupom fiscal não são documentos hábeis para comprovação de despesas dedutíveis lançadas em Livro Caixa, pelo fato de não reunirem elementos capazes de identificar o comprador, os bens adquiridos, o valor da operação, bem como a sua efetividade e necessidade à fonte produtora dos rendimentos. INFORMAÇÃO E COMPROVAÇÃO DOS DADOS CONSTANTES DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. DEVER DO CONTRIBUINTE. CONFERÊNCIA DOS DADOS INFORMADOS. DEVER DA AUTORIDADE FISCAL. É dever do contribuinte informar e, se for o caso, comprovar os dados nos campos próprios das correspondentes declarações de rendimentos e, conseqüentemente, calcular e pagar o montante do imposto apurado, por outro lado, cabe a autoridade fiscal o dever da conferência destes dados. Assim, na ausência de comprovação, por meio de documentação hábil e idônea, das deduções realizadas na base de cálculo do imposto de renda, é dever da autoridade fiscal efetuar a sua glosa.
MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE. PESSOA FÍSICA SUJEITA AO PAGAMENTO MENSAL DE IMPOSTO. IMPOSTO DECLARADO. FALTA DE RECOLHIMENTO DE CARNÊLEÃO. É cabível, a partir de 1º de janeiro de 1997, a multa de ofício prevista no artigo 44, § 1º, III, da Lei nº 9.430, de 1996, exigida isoladamente, sob o argumento do nãorecolhimento do imposto mensal (carnêleão), previsto no artigo 8º da Lei nº 7.713, de 1988, informado na Declaração de Ajuste Anual. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. É incabível, por expressa disposição legal, a aplicação concomitante de multa de lançamento de ofício exigida com o tributo ou contribuição, com multa de lançamento de ofício exigida isoladamente. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver máfé do contribuinte não descaracteriza o poderdever da Administração de lançar com multa de oficio rendimentos omitidos na declaração de ajuste. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa ao lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Preliminares rejeitadas. Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2202-001.649
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pela Recorrente e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência os valores de R$ 94.125,04 (totalidade do item depósitos bancários remanescente) e R$ 96.570,00 (do total do item dos Fl. 965 DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓPIA Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN 4 depósitos bancários remanescentes), correspondentes aos anos-calendário de 2002 e 2003, respectivamente, bem como excluir da exigência a multa isolada do carnê-leão aplicada de forma concomitante com a multa de ofício, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino, que negava provimento ao recurso e Antonio Lopo Martinez, que provia parcialmente o recurso para excluir da exigência fiscal, tão somente, a multa isolada aplicada de forma concomitante com a multa de ofício.
Nome do relator: Nelson Mallmann
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003, 2004, 2005 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CAPITULAÇÃO LEGAL. DESCRIÇÃO DOS FATOS. LOCAL DA LAVRATURA. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabem a proposição de cerceamento do direito de defesa. NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. MOMENTO DA INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendose, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARTIGO 42, DA LEI Nº 9.430, DE 1996. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CARACTERIZAÇÃO. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PERÍODOBASE DE INCIDÊNCIA. APURAÇÃO MENSAL. TRIBUTAÇÃO NO AJUSTE ANUAL. Os valores dos depósitos bancários não justificados, a partir de 1º de janeiro de 1997, serão apurados, mensalmente, à medida que forem creditados em conta bancária e tributados como rendimentos sujeitos à tabela progressiva anual (ajuste anual). PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. RENDIMENTOS TRIBUTADOS NA DECLARAÇÃO AJUSTE ANUAL. JUSTIFICATIVA DE ORIGEM. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. É de se aceitar como origem de recursos, justificando a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento, os valores dos rendimentos tributados na Declaração de Ajuste Anual não considerados no levantamento de ofício realizado pela autoridade fiscal responsável pela constituição do crédito tributário. LIVRO CAIXA. DESPESAS. CONDIÇÃO DE DEDUTIBILIDADE. NECESSIDADE E COMPROVAÇÃO. Somente são admissíveis, em tese, como dedutíveis, despesas que, além de preencherem os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade, apresentaremse com a devida comprovação, por meio de documentos hábeis e idôneos, devidamente escriturados no respectivo Livro Caixa e que sejam necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. O simples lançamento na escrituração e/ou Declaração de Ajuste Anual pode ser contestado pela autoridade lançadora. DESPESAS LANÇADAS EM LIVRO CAIXA. COMPROVAÇÃO ATRAVÉS DE NOTA FISCAL SIMPLIFICADA, CUPOM FISCAL, TICKETS. DOCUMENTAÇÃO FISCAL INÁBIL A nota fiscal simplificada, assim como o cupom fiscal não são documentos hábeis para comprovação de despesas dedutíveis lançadas em Livro Caixa, pelo fato de não reunirem elementos capazes de identificar o comprador, os bens adquiridos, o valor da operação, bem como a sua efetividade e necessidade à fonte produtora dos rendimentos. INFORMAÇÃO E COMPROVAÇÃO DOS DADOS CONSTANTES DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. DEVER DO CONTRIBUINTE. CONFERÊNCIA DOS DADOS INFORMADOS. DEVER DA AUTORIDADE FISCAL. É dever do contribuinte informar e, se for o caso, comprovar os dados nos campos próprios das correspondentes declarações de rendimentos e, conseqüentemente, calcular e pagar o montante do imposto apurado, por outro lado, cabe a autoridade fiscal o dever da conferência destes dados. Assim, na ausência de comprovação, por meio de documentação hábil e idônea, das deduções realizadas na base de cálculo do imposto de renda, é dever da autoridade fiscal efetuar a sua glosa. MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE. PESSOA FÍSICA SUJEITA AO PAGAMENTO MENSAL DE IMPOSTO. IMPOSTO DECLARADO. FALTA DE RECOLHIMENTO DE CARNÊLEÃO. É cabível, a partir de 1º de janeiro de 1997, a multa de ofício prevista no artigo 44, § 1º, III, da Lei nº 9.430, de 1996, exigida isoladamente, sob o argumento do nãorecolhimento do imposto mensal (carnêleão), previsto no artigo 8º da Lei nº 7.713, de 1988, informado na Declaração de Ajuste Anual. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. É incabível, por expressa disposição legal, a aplicação concomitante de multa de lançamento de ofício exigida com o tributo ou contribuição, com multa de lançamento de ofício exigida isoladamente. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver máfé do contribuinte não descaracteriza o poderdever da Administração de lançar com multa de oficio rendimentos omitidos na declaração de ajuste. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa ao lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Preliminares rejeitadas. Recurso parcialmente provido.
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CAPITULAÇÃO LEGAL. DESCRIÇÃO DOS FATOS. LOCAL DA LAVRATURA. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabem a proposição de cerceamento do direito de defesa. NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. MOMENTO DA INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendose, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARTIGO 42, DA LEI Nº 9.430, DE 1996. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CARACTERIZAÇÃO. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 963DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN 2 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PERÍODOBASE DE INCIDÊNCIA. APURAÇÃO MENSAL. TRIBUTAÇÃO NO AJUSTE ANUAL. Os valores dos depósitos bancários não justificados, a partir de 1º de janeiro de 1997, serão apurados, mensalmente, à medida que forem creditados em conta bancária e tributados como rendimentos sujeitos à tabela progressiva anual (ajuste anual). PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. RENDIMENTOS TRIBUTADOS NA DECLARAÇÃO AJUSTE ANUAL. JUSTIFICATIVA DE ORIGEM. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. É de se aceitar como origem de recursos, justificando a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento, os valores dos rendimentos tributados na Declaração de Ajuste Anual não considerados no levantamento de ofício realizado pela autoridade fiscal responsável pela constituição do crédito tributário. LIVRO CAIXA. DESPESAS. CONDIÇÃO DE DEDUTIBILIDADE. NECESSIDADE E COMPROVAÇÃO. Somente são admissíveis, em tese, como dedutíveis, despesas que, além de preencherem os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade, apresentaremse com a devida comprovação, por meio de documentos hábeis e idôneos, devidamente escriturados no respectivo Livro Caixa e que sejam necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. O simples lançamento na escrituração e/ou Declaração de Ajuste Anual pode ser contestado pela autoridade lançadora. DESPESAS LANÇADAS EM LIVRO CAIXA. COMPROVAÇÃO ATRAVÉS DE NOTA FISCAL SIMPLIFICADA, CUPOM FISCAL, TICKETS. DOCUMENTAÇÃO FISCAL INÁBIL A nota fiscal simplificada, assim como o cupom fiscal não são documentos hábeis para comprovação de despesas dedutíveis lançadas em Livro Caixa, pelo fato de não reunirem elementos capazes de identificar o comprador, os bens adquiridos, o valor da operação, bem como a sua efetividade e necessidade à fonte produtora dos rendimentos. INFORMAÇÃO E COMPROVAÇÃO DOS DADOS CONSTANTES DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. DEVER DO CONTRIBUINTE. CONFERÊNCIA DOS DADOS INFORMADOS. DEVER DA AUTORIDADE FISCAL. É dever do contribuinte informar e, se for o caso, comprovar os dados nos campos próprios das correspondentes declarações de rendimentos e, conseqüentemente, calcular e pagar o montante do imposto apurado, por outro lado, cabe a autoridade fiscal o dever da conferência destes dados. Assim, na ausência de comprovação, por meio de documentação hábil e idônea, das deduções realizadas na base de cálculo do imposto de renda, é dever da autoridade fiscal efetuar a sua glosa. Fl. 964DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13896.000846/200739 Acórdão n.º 220201.649 S2C2T2 Fl. 2 3 MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE. PESSOA FÍSICA SUJEITA AO PAGAMENTO MENSAL DE IMPOSTO. IMPOSTO DECLARADO. FALTA DE RECOLHIMENTO DE CARNÊLEÃO. É cabível, a partir de 1º de janeiro de 1997, a multa de ofício prevista no artigo 44, § 1º, III, da Lei nº 9.430, de 1996, exigida isoladamente, sob o argumento do nãorecolhimento do imposto mensal (carnêleão), previsto no artigo 8º da Lei nº 7.713, de 1988, informado na Declaração de Ajuste Anual. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. É incabível, por expressa disposição legal, a aplicação concomitante de multa de lançamento de ofício exigida com o tributo ou contribuição, com multa de lançamento de ofício exigida isoladamente. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver máfé do contribuinte não descaracteriza o poderdever da Administração de lançar com multa de oficio rendimentos omitidos na declaração de ajuste. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa ao lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Preliminares rejeitadas. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pela Recorrente e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência os valores de R$ 94.125,04 (totalidade do item depósitos bancários remanescente) e R$ 96.570,00 (do total do item dos Fl. 965DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN 4 depósitos bancários remanescentes), correspondentes aos anoscalendário de 2002 e 2003, respectivamente, bem como excluir da exigência a multa isolada do carnêleão aplicada de forma concomitante com a multa de ofício, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino, que negava provimento ao recurso e Antonio Lopo Martinez, que provia parcialmente o recurso para excluir da exigência fiscal, tão somente, a multa isolada aplicada de forma concomitante com a multa de ofício. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 966DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13896.000846/200739 Acórdão n.º 220201.649 S2C2T2 Fl. 3 5 Relatório ADRIANA DE OLIVEIRA GOMES, contribuinte inscrita no CPF/MF sob o nº 128.234.58859, com domicílio fiscal na cidade de São Paulo, Estado de São Paulo, à Avenida Nossa Senhora de Assunção, 647, apartamento 166C, Bairro Butantã, jurisdicionada a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo SP, inconformada com a decisão de Primeira Instância de fls. 732/752, prolatada pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo – SP II, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 765/790. Contra a contribuinte acima mencionada foi lavrado, em 17/07/2007, o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 332/350), com ciência através de AR, em 30/07/2007 (fls. 353), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 354.813,34 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescidos da multa de lançamento de ofício normal de 75%, da multa isolada por falta de recolhimento do carnêleão de 50% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculado sobre o valor do imposto de renda relativo aos exercícios de 2003 a 2005, correspondente aos anoscalendário de 2002 a 2004, respectivamente. Da ação fiscal resultou a constatação das seguintes irregularidades: 1 DEDUÇÃO DA BASE DE CALCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE (AJUSTE ANUAL). DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS DE LIVRO CAIXA: Redução indevida da Base de Cálculo com despesas escrituradas em Livro Caixa, pleiteadas indevidamente, conforme descrito no Termo de Verificação e Constatação Fiscal anexo, que faz parte integrante e inseparável do presente Auto de Infração. Infração capitulada nos artigos 8º, inciso II, alínea “g”, da Lei nº 9.250, de 1995. 2 DEDUÇÃO DA BASE DE CALCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE (CARNÊLEÃO). DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS DE LIVRO CAIXA: Glosa de despesas escrituradas em Livro Caixa, conforme descrito no Termo de Verificação e Constatação Fiscal em anexo, que faz parte integrante e inseparável do presente Auto de Infração. Infração capitulada nos artigo 4º, inciso I e 34, da Lei nº 9.250, de 1995. 3 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA: Omissão de rendimentos caracterizada rendimentos caracterizada por valores creditados em contas bancárias mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais a contribuinte, apesar de regularmente intimada e reintimada, não logrou comprovar, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme descrito no Termo de Verificação e Constatação Fiscal anexo, que faz parte integrante e inseparável do presente Auto de Infração. Infração capitulada no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996; art. 4º da Lei nº 9.481, de 1997 e artigo 21 da Lei n° 9.532, de 1997. Fl. 967DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN 6 4 MULTAS ISOLADAS FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPF DEVIDO A TÍTULO DE CARN2LEÃO: Falta de recolhimento do Imposto de Renda da Pessoa Física devido a titulo de carnê leão, apurada conforme descrito no Termo de Verificação e Constatação Fiscal anexo, que faz parte integrante e inseparável do presente Auto de Infração. Infração capitulada no artigo 8º da Lei nº 7.713, de 1988 c/c os artigos 43 e 44, inciso III, da Lei nº 9.430, de 1996. O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela constituição do crédito tributário lançado esclarece, ainda, através do Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 325/331), entre outros, os seguintes aspectos: que os documentos e extratos de movimentação financeira apresentados pela contribuinte, relativos aos anoscalendário 2002, 2003 e 2004 encontramse juntados As fls. 91/261; que analisados os extratos de movimentação financeira da contribuinte no anoscalendário 2002 e 2003, referentes às contas mantidas junto ao Banco Itaú S/A e Bradesco S/A, foram apurados os valores creditados e/ou depositados nos anoscalendário 2002 e 2003 em suas contas bancárias, nos montantes de, respectivamente, R$ 168.925,44 e R$ 310.282,16; que é oportuno ressaltar que nos demonstrativos acima mencionados já foram excluídos os créditos/depósitos decorrentes de resgates de aplicações financeiras, estornos de lançamentos e cheques devolvidos, que foi possível identificar; que, portanto, a contribuinte foi intimada (Termo de Intimação Fiscal de 08/11/2006, fls. 262/263) a comprovar a origem mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores , dos créditos/depósitos realizados em suas contas bancárias, conforme os Demonstrativos Extratos de Créditos a Comprovar de fls. 264/271; que A contribuinte foi ainda intimada a apresentar os Livros Caixa dos anos calendário 2003 e 2004, juntamente com todos os comprovantes de despesas registradas, bem como a esclarecer se efetuou o recolhimento do carnêleão referente aos rendimentos recebidos de pessoas físicas, nos anos calendário 2002 a 2004, apresentando, em caso positivo, cópia das guias de recolhimento; que a contribuinte informa que vários créditos são devidos a recebimentos de prólabore ou de honorários de pessoa física, os quais já teriam sido informados na declaração de ajuste, mas não apresenta a devida documentação comprobatória, coincidente em datas e valores, que justifique tais alegações; que a contribuinte alega ainda que vários valores recebidos seriam doações ou valores recebidos para repasse A terceiros, mas não junta a documentação que demonstrasse a ocorrência de tais operações, mas tãosomente alguns recibos e/ou declarações extemporâneas; que, portanto, os valores cuja origem foi comprovada, relativos às transferência da conta de seu esposo, Alex Sandro Oliveira Todão, conforme os esclarecimentos apresentados em 14/12/2006 serão desconsiderados. Em relação aos demais créditos, para os quais não foi apresentada documentação hábil e idônea que comprovasse a origem dos recursos envolvidos nestas operações, foi dado prosseguimento à ação fiscal com as informações disponíveis; Fl. 968DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13896.000846/200739 Acórdão n.º 220201.649 S2C2T2 Fl. 4 7 que no Termo de Comparecimento de 14/12/2006, a contribuinte declarou ainda ter alterado seu domicilio para: RUA ALVORADA, 298, APTO. 14, VILA OLÍMPIA, SÃO PAULO SP, CEP 04550001. Na oportunidade, a contribuinte foi, portanto, cientificada que seu domicilio fiscal no Cadastro de Pessoas Físicas CPF da SRF seria alterado de oficio para o seu novo endereço; que, em 29/12/2006, a contribuinte foi cientificada da lavratura de auto de infração do IRPF relativo ao ano calendário 2001, formalizado no processo administrativo n° 13899.001357/200693. Na ocasião, a contribuinte foi ainda cientificada do prosseguimento da ação fiscal em relação aos anos – calendário 2002, 2003 e 2004; que a contribuinte pleiteou, em suas Declarações de Ajuste Anual dos exercícios 2004 e 2005, anos calendário 2003 e 2004, a dedução de R$ 38.695,28 e R$ 15.126,85, respectivamente. Contudo, apesar de intimada e reintimada diversas vezes a faze 1o, não foi capaz de apresentar os Livros Caixa e nem os comprovantes das despesas registradas; que, portanto, serão glosadas as deduções relativas As despesas de Livro – Caixa pleiteadas em suas DIRPFs dos anos calendário 2003 e 2004, constituindose de oficio o crédito tributário o IRPF correspondente às deduções indevidas, com os acréscimos legais de multa de oficio e juros de mora; que, além disso, tendo em vista que a contribuinte reduziu indevidamente a base de cálculo mensal do carnê leão nos anos calendário 2003 e 2004, no valor das deduções lançadas mês a mês a titulo do Livro Caixa, será lançada de oficio a multa isolada de 50% sobre os valores devidos a titulo de carne leão, apurada como apresentado nos Demonstrativos de Apuração da Multa Exigida Isoladamente (CarneLeão) constantes do Auto de Infração; que como já apontado acima, somente em relação às transferências de valores de conta de titularidade do esposo da contribuinte, Alex Sandro Oliveira Todão (em que consta no extrato o n° da conta de origem dos recursos), os documentos apresentados conseguem demonstrar a origem dos valores creditados. Tais transferências seriam as efetuadas em 25/02/2002, 08/04/2002 e 08/05/2002, nos valores de R$ 500,00, R$ 1.000,00 e R$ 1.000,00, respectivamente, todas efetuadas para a conta corrente n° 327171; que em relação aos demais esclarecimentos, verificase que estes não passam de meras alegações, tendo em vista que a documentação apresentada não atende os requisitos exigidos, isto é, sem hábil e idônea, bem como coincidente em datas e valores, para comprovar a origem dos recursos depositados; que, assim, a contribuinte informa que vários créditos são devidos a recebimentos de prólabore ou de honorários de pessoa física, os quais já teriam sido informados na declaração de ajuste, mas não apresenta a devida documentação comprobatória, coincidente em datas e valores, que justifique tais alegações; que a contribuinte alega ainda que vários valores recebidos seriam doações ou valores recebidos para repasse á terceiros, mas não junta a documentação que demonstrasse a ocorrência de tais operações, mas tãosomente alguns recibos e/ou declarações extemporâneas; Fl. 969DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN 8 que a contribuinte informou em suas Declarações de Ajuste Anual dos exercícios 2003, 2004 e 2005, anoscalendário 2002, 2003 e 2004 (cópias de fls. 09/18), haver recebido rendimentos de pessoa física, nos totais de, respectivamente, R$ 100.800,00, R$ 96.570,00 e R$ 37.273,00. Entretanto, deixou de efetuar o recolhimento do carnêleão devido mensalmente sobre tais rendimentos; que, portanto, será lançada de oficio a multa isolada de 50% sobre os valores devidos a titulo de carnêleão, apurada como apresentado nos Demonstrativos de Apuração da Multa Exigida Isoladamente (CarnêLeão) constantes do Auto de Infração. Irresignada com o lançamento a autuada apresenta, tempestivamente, em 29/08/2007, a sua peça impugnatória de fls. 732/752, instruído pelos documentos de fls. 758/760, solicitando que seja acolhida a impugnação e determinado o cancelamento do crédito tributário amparado, em síntese, nos seguintes argumentos: que o referido Auto de Infração é inteiramente nulo, por cerceamento do direito de defesa, visto que durante os trabalhos de fiscalização a contribuinte jamais se negou a prestar os esclarecimentos solicitados, tendo entregue espontaneamente os extratos bancários. Os pedidos de prorrogação de prazo para cumprir as intimações se deveu à demora dos bancos para entregarem as cópias de diversos cheques que comprovariam as origem de vários depósitos. Houve precipitação do auditor fiscal, tributando a totalidade dos depósitos bancários, impedindo que a autuada apresentasse a documentação necessária, numa atitude clara e insofismável de cerceamento do direito de defesa; que inicialmente a alegada falta de comprovação das despesas lançadas no LivroCaixa, nos anoscalendários de 2003 e 2004, nos valores de R$ 38.695,28 e R$ 15.126,85 não se sustenta, pois anexamos a presente, toda a documentação comprobatória dos assentamentos efetuados, o que ilide de pronto a autuação referente a este tópico, inclusive a multa pela falta de recolhimento do CarnêLeão; que quanto à multa pela falta de recolhimento do CarnêLeão, dos rendimentos declarados nos anoscalendário de 2002, 2003 e 2004 é totalmente incabível, conforme diversos acórdãos do Conselho de Contribuintes; que quanto à falta de comprovação das origens dos depósitos bancários, jamais poderemos concordar com o critério adotado pela fiscalização, tributando a totalidade de todos os depósitos, inclusive os de pequena monta, desprezando inclusive, os rendimentos declarados e a disponibilidade constante nas declarações de rendimentos apresentadas; que concluise, portanto, que a presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei 9.430/96 colide com as diretrizes do processo de criação das presunções legais, pois a experiência haurida com os casos anteriores evidenciou que entre esses dois fatos não havia nexo causal, vale dizer, constatouse não haver liame absoluto entre o depósito bancário e o rendimento omitido; que ainda na apuração não foram considerados os rendimentos líquidos declarados nos anoscalendário de 2002 e 2003, respectivamente, de R$ 99.735,84 e R$ 56.554,82, conforme declarações de IRPF apresentadas e anexadas ao processo, como se tais valores não pudessem transitar nas contascorrentes, entretanto, foram tributados e o imposto devidamente pago, o que significa que considerados em duplicidade pela fiscalização; que, finalmente, apresentei nas declarações de bens, dos anoscalendário de 2002 e 2003, disponibilidade em espécie, nos valores de R$ 100.000,00 e R$ 75.000,00, que Fl. 970DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13896.000846/200739 Acórdão n.º 220201.649 S2C2T2 Fl. 5 9 poderia movimentar, como desejasse nas contasbancárias, pois, foram devidamente tributados e a fiscalização não apurou nenhum acréscimo patrimonial a descoberto, tendo optado pelo caminho menos trabalhoso, ou seja, somou todos os depósitos e os tributou, o que por justiça fiscal não pode prosperar. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pela impugnante, os membros da Terceira Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em São Paulo – SP II concluíram pela procedência parcial da ação fiscal e pela manutenção em parte do crédito tributário, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que é uma falácia da fiscalizada em pretender tornar nula a exigência tributária, por cerceamento do direito de defesa. Devese destacar que, de acordo com o artigo 14 do Decreto n° 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei n° 8.748, de 9 de dezembro de 1993, a fase litigiosa do procedimento somente se instaura com a impugnação do contribuinte ao ato administrativo do lançamento; que atendese, assim, ao que dispõe o artigo 5°, inciso LV, da Contribuição Federal de 1988, que assegura aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral, o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. E nesse sentido que o artigo 50 do citado Decreto somente admite a caracterização de cerceamento do direito de defesa como causa de nulidade quando se tratar de decisões e despachos e não contra atos administrativos, como a lavratura do auto de infração; que apresentada a impugnação na Delegacia da Receita Federal de Julgamento — primeira instância administrativa — ela será apreciada pela autoridade julgadora, que verificará os fatos, as provas produzidas e o direito aplicável, proferindo decisão e solucionando a lide instaurada. A autuada, no presente caso, consciente do seu direito, utilizouse desse expediente, apresentando sua impugnação ao feito fiscal, não se verificando, pois, qualquer ofensa ao principio da ampla defesa; que sobre a glosa das despesas do Livro Caixa, digase que são dedutíveis a titulo de livro caixa as despesas incorridas pelo sujeito passivo, desde que indispensáveis à percepção da renda e à manutenção da fonte produtora são dedutíveis, desde que comprovadas por intermédio de documentação idônea e que sejam devidamente escrituradas mês a mês; que o mandamento veiculado pela norma citada determina a imprescindibilidade do aludido Livro Caixa, inclusive para informação da data do pagamento das despesas, verificação do excesso de deduções em relação aos rendimentos auferidos e informação de dados/históricos das despesas realizadas em face da necessidade à percepção e manutenção da fonte produtora; que a apresentação do Livro Caixa, portanto, é requisito indispensável à dedução de suas despesas da base de cálculo do Imposto de Renda; que a contribuinte apresentou o Livro Caixa escriturado as fls. 444/461 e 602/618, juntando farta documentação as fls. 462/599 e 619/656 e, que após análise das despesas efetuadas, devem ser consideradas as seguintes, afastandose a glosa no mesmo valor; Fl. 971DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN 10 que cumpre informar que não foram aceitas as despesas que não estavam comprovadas por meio de documentos fiscais ou por cupons fiscais com a identificação do CPF da contribuinte, nos termos do art. 61 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997; que quanto à omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários, há de aduzir que é notório que, no passado os lançamentos de crédito tributário baseado exclusivamente em cheques emitidos, depósitos bancários e/ou de extratos bancários, sempre tiveram sérias restrições, seja na esfera administrativa, seja no judiciário. Para por um fim nestas discussões o legislador introduziu o artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, caracterizando como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantido junto A. instituição financeira, em relação as quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, estipulando limites de valores para a sua aplicação, ou seja, estipulou que não devem ser considerados créditos de valor individual igual ou inferior a doze mil reais, desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de oitenta mil reais; que na seqüência da peça impugnatória, a contribuinte tenta afastar a tributação e sustenta sua ilegitimidade em face da Súmula n° 182 do Tribunal Federal de Recursos e acórdãos administrativos por ela transcritos; que ocorre que tanto a Súmula n° 182, editada anteriormente A Constituição Federal de 1988, como as decisões por ele coligidas, referemse a lançamentos relativos a fatos ocorridos quando vigentes legislações pretéritas. Nesse particular, cumpre recordar que, segundo o art. 144 do CTN, o lançamento reportase A data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada; que, assim sendo, aqueles julgados somente podem ser tomados como parâmetro de decisões relativas a lançamentos regidos pelas mesmas legislações que os nortearam; que se o lançamento está fundamentado em uma presunção legal que somente veio a ser instituída por meio do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, não existe o menor propósito em pretender que sejam aplicadas ao caso concreto decisões judiciais ou administrativas proferidas em julgamentos de lançamentos relativos a fatos geradores anteriores Aquela lei e formulados com fundamento em outros diplomas legais; que cabe aqui acatar as alegações da contribuinte, no que se refere ao recebimento de valores relativos à venda de imóvel e o estorno de cheques depositados e devolvidos, devendo ser desconsiderados os seguintes depósitos bancários; que cabe aduzir que, com relação aos depósitos bancários relacionados à fl. 370, cujos comprovantes dos depósitos a litigante junta cópia As fls. 429/431, não basta apenas a apresentação do comprovante do depósito; é mister que a litigante comprove a sua origem, o que não ocorreu; que com relação à devolução de valores emprestados pela contribuinte à empresa RGM Locadora de Veículos, há de se informar que a impugnante comprovou tão somente a concessão do empréstimo, mediante os cheques de fls. 425/428; mas não comprovou que os dois valores depositados em sua conta bancária em 28/02/2003, no valor de R$ 30.000,00 cada, tiveram origem da aludida pessoa jurídica; Fl. 972DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13896.000846/200739 Acórdão n.º 220201.649 S2C2T2 Fl. 6 11 que é inócua também a alegação de que a fiscalização não considerou os rendimentos informados em sua Declaração de Ajuste Anual, bem como a venda de sua participação societária em 26/11/2003 da empresa Dalystone do Brasil Investimentos Ltda., posto que não ficou demonstrado/comprovado nos autos a efetiva interligação do depósito individualizado com tais montantes, com coincidência de datas e valores; que, por fim, a tentativa de justificar depósitos bancários com valores em espécie supostamente existentes em seu poder ao final dos anoscalendário de 2002 e 2003 é improfícua, posto que deveria a contribuinte comprovar também a origem desses valores em dinheiro que foram informados nas Declarações de Ajuste Anual correspondentes. Não se pode deixar de mencionar aqui que há uma discrepância dos valores em espécie declarados com o montante dos rendimentos tributáveis, isentos e não tributáveis e sujeitos à tributação exclusiva informados nas aludidas Declarações. A decisão de Primeira Instância está consubstanciada nas seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003, 2004, 2005 LIVRO CAIXA. Dedução. Restabelecese a dedução de despesas do Livro Caixa, na parte em que o sujeito passivo apresenta o referido Livro devidamente escriturado e a comprovação das despesas que preencham os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade e que correspondam a bens ou serviços efetivamente recebidos e pagos ao fornecedor/prestador. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997 A Lei n° 9430/96, vigente a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu artigo 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito ou investimento. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 05/03/2010, conforme Termo constante às fls. 758/760, e, com ela não se conformando, a recorrente interpôs, em tempo hábil (05/04/2010), o recurso voluntário de fls. 765/790, instruído dos documentos de fls. 791/805, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória. É o Relatório. Fl. 973DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN 12 Voto Conselheiro Nelson Mallmann, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Da análise dos autos do processo se verifica que a ação fiscal em discussão teve início em razão da movimentação financeira da recorrente e que pela análise dos extratos bancários apurouse a omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta de depósito, mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprovou mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações já na vigência do artigo 42, da Lei 9.430, de 1996. Discutese, ainda, glosa de despesas de Livro Caixa e multa isolada por falta de recolhimento de carnêleão (lançado de forma isolada e concomitante com a multa de ofício). Notase, ainda, que foi a própria contribuinte quem forneceu os extratos bancários que envolvem a constituição do crédito tributário reclamado. Inconformada, em virtude de não ter logrando êxito total na instância inicial, a contribuinte apresenta a sua peça recursal a este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pleiteando a reforma da decisão prolatada na Primeira Instância onde, em sua defesa, suscita preliminares de nulidade do lançamento, bem como apresenta razões de mérito sobre lançamentos efetuados sobre depósitos bancários, glosa de despesas do LivroCaixa e multa isolada. Desta forma, a discussão neste colegiado se prende, tãosomente, a argüição de preliminares de nulidade do lançamento e, no mérito, a discussão se prende sobre o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que prevê a possibilidade de se efetuar lançamentos tributários por presunção de omissão de rendimentos, tendo por base os depósitos bancários de origem não comprovada, glosa de despesas de LivroCaixa e multa isolada. Quanto às preliminares de nulidade do lançamento argüidas pela suplicante, sob o entendimento de que tenha ocorrido ofensa aos princípios constitucionais do devido processo legal, entendendo que a autoridade lançadora feriu diversos princípios fundamentais, não devem ser acolhidas pelos motivos abaixo. Entendo, que o procedimento fiscal realizado pelos agentes do fisco foi efetuado dentro da estrita legalidade, com total observância ao Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, não se vislumbrando, no caso sob análise, qualquer ato ou procedimento que tenha violado ou subvertido o princípio do devido processo legal. O princípio da verdade material tem por escopo, como a própria expressão indica, a busca da verdade real, verdadeira, e consagra, na realidade, a liberdade da prova, no sentido de que a Administração possa valerse de qualquer meio de prova que a autoridade processante ou julgadora tome conhecimento, levandoas aos autos, naturalmente, e desde que, obviamente dela dê conhecimento às partes; ao mesmo tempo em que deva reconhecer ao contribuinte o direito de juntar provas ao processo até a fase de interposição do recurso voluntário. Fl. 974DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13896.000846/200739 Acórdão n.º 220201.649 S2C2T2 Fl. 7 13 O Decreto n.º 70.235, de 1972, em seu artigo 9º, define o auto de infração e a notificação de lançamento como instrumentos de formalização da exigência do crédito tributário, quando afirma: A exigência do crédito tributário será formalizado em auto de infração ou notificação de lançamento distinto para cada tributo. Com nova redação dada pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 1993: A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. O auto de infração e a notificação de lançamento por constituírem peças básicas na sistemática processual tributária, a lei estabeleceu requisitos específicos para a sua lavratura e expedição, sendo que a sua lavratura tem por fim deixar consignado a ocorrência de uma ou mais infrações à legislação tributária, seja para o fim de apuração de um crédito fiscal, seja com o objetivo de neutralizar, no todo ou em parte, os efeitos da compensação de prejuízos a que o contribuinte tenha direito, e a falta do cumprimento de forma estabelecida em lei torna inexistente o ato, sejam os atos formais ou solenes. Se houver vício na forma, o ato pode invalidarse. Ademais, a jurisprudência é mansa e pacífica no sentido de que quando o contribuinte revela conhecer as acusações que lhe foram impostas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa impugnação, abrangendo não só as questões preliminares como também as razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. Da mesma forma, não procede à nulidade do lançamento argüida sob os argumentos de que o auto de infração não foi lavrado dentro dos parâmetros exigidos pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, ou seja, erro de capitulação legal, descrição confusa dos fatos, falta de autenticidade, bem como não houve a devida descrição e capitulação da infração cometida pelo recorrente. Inicialmente, verificase que para o contribuinte foi concedido o prazo legal de 30(trinta) dias, a contar da ciência do auto de infração, para apresentar a impugnação, sendolhe assegurado vistas ao processo, bem como a extração de cópias das peças necessárias a sua defesa, caso quisesse, garantindose desta forma o contraditório e a ampla defesa. Quanto ao procedimento fiscal realizado pela agente do fisco, verificase que foi efetuado dentro da estrita legalidade, com total observância ao Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, não se vislumbrando, no caso sob análise, qualquer ato ou procedimento que tenha violado ou subvertido o princípio do devido processo legal. Verificase, ainda, que o Auto de Infração às fls. 332/350 e o Termo de Verificação e Constatação Fiscal de fls. 325/331, identifica por nome e CPF a autuada, esclarece que foi lavrado na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Barueri SP, cuja ciência foi através de AR e descreve as irregularidades praticadas, bem como o seu Fl. 975DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN 14 enquadramento legal assinado pelo AuditorFiscal da Receita Federal, cumprindo o disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, ou seja, o ato é próprio do agente administrativo investido no cargo de AuditorFiscal. Não restam dúvidas de que o lançamento se deu em razão da constatação de depósitos bancários sem que o recorrente comprovasse a respectiva origem destes recursos. Constam dos autos diversos chamados ao sujeito passivo para que esse apresentasse as justificativas acerca das movimentações financeiras pesquisadas. O enquadramento legal e a narrativa dos fatos envolvidos permitem a perfeita compreensão do procedimento adotado, da base tributável apurada e do cálculo do imposto resultante, permitindo ao interessado o pleno exercício do seu direito de defesa. Ora, o lançamento, como ato administrativo vinculado, celebrase com estrita observância dos pressupostos estabelecidos pelo art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, cuja motivação deve estar apoiada estritamente na lei, sem a possibilidade de realização de um juízo de oportunidade e conveniência pela autoridade fiscal. O ato administrativo deve estar consubstanciado por instrumentos capazes de demonstrar, com segurança e certeza, os legítimos fundamentos reveladores da ocorrência do fato jurídico tributário. Isso tudo foi observado quando da determinação do tributo devido, através do Auto de Infração lavrado. Assim, não há como pretender premissas de nulidade do auto de infração, nas formas propostas pelo recorrente, neste processo, já que o mesmo preenche todos os requisitos legais necessários. Da análise dos autos, constatase que a autuação é plenamente válida. Fazse necessário esclarecer, que a Secretaria da Receita Federal é um órgão apolítico, destinada a prestar serviços ao Estado, na condição de Instituição e não a um Governo específico dando conta de seus trabalhos à população em geral na forma prescrita na legislação. Neste diapasão, deve agir com imparcialidade e justiça, mas, também, com absoluto rigor, buscando e exigindo o cumprimento das normas por parte daqueles que faltam com seu dever de participação. Ademais, o Processo Administrativo Fiscal Decreto n.º 70.235, de 1972 manifestase da seguinte forma: Art. 59 São nulos: I Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II Os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Como se verifica do dispositivo legal, não ocorreu, no caso do presente processo, a nulidade. O auto de infração foi lavrado e a decisão foi proferida por funcionários ocupantes de cargo no Ministério da Fazenda, que são as pessoas, legalmente, instituídas para lavrar e para decidir sobre o lançamento. Igualmente, todos os atos e termos foram lavrados por funcionários com competência para tal. Ora, a autoridade lançadora cumpriu todos os preceitos estabelecidos na legislação em vigor e o lançamento foi efetuado com base em dados reais sobre a suplicante, conforme se constata nos autos, com perfeito embasamento legal e tipificação da infração cometida. Como se vê, não procede à situação conflitante alegada pelo recorrente, ou seja, não se verificam, por isso, os pressupostos exigidos que permitam a declaração de nulidade do Auto de Infração. Fl. 976DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13896.000846/200739 Acórdão n.º 220201.649 S2C2T2 Fl. 8 15 Haveria possibilidade de se admitir a nulidade por falta de conteúdo ou objeto, quando o lançamento que, embora tenha sido efetuado com atenção aos requisitos de forma e às formalidades requeridas para a sua feitura, ainda assim, quer pela insuficiência na descrição dos fatos, quer pela contradição entre seus elementos, efetivamente não permitir ao sujeito passivo conhecer com nitidez a acusação que lhe é imputada, ou seja, não restou provada a materialização da hipótese de incidência e/ou o ilícito cometido. Entretanto, não é o caso em questão, pois a discussão se prende a interpretação de normas legais de regência sobre o assunto. É de se esclarecer, que os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. Por outro lado, quando a descrição defeituosa dos fatos impede a compreensão dos mesmos, e, por conseqüência, das infrações correspondentes, temse o vício material. No presente caso, houve o perfeito conhecimento dos fatos descritos e das infrações imputadas. Além disso, o Art. 60 do Decreto n.º 70.235, de 1972, prevê que as irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no art. 59 do mesmo Decreto não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. No mérito, através de sua peça recursal, a suplicante solicita o provimento ao seu recurso, alegando, em síntese, que todos os depósitos bancários que transitaram em suas contas correntes tem origem justificada. Entende, ainda, que o lançamento não tem sustentação legal por ter sido realizado exclusivamente sobre depósitos bancários e não restou comprovado os sinais exteriores de riqueza. Ao contrário do pretendido pela defesa, o legislador federal pela redação do inciso XXI, do artigo 88, da Lei nº 9.430, de 1996, excluiu expressamente da ordem jurídica o § 5º do artigo 6º, da Lei nº 8.021, de 1990, até porque o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, não deu nova redação ao referido parágrafo, bem como soterrou de vez o malfadado artigo 9° do Decretolei n° 2.471, de 1988. Desta forma, a partir dos fatos geradores de 01/01/97, quando se tratar de lançamentos tendo por base valores constantes em extratos bancários, não há como se falar em Lei nº 8.021, de 1990, ou Decretolei n° 2.471, de 1988, já que os mesmos não produzem mais seus efeitos legais. É notório, que no passado os lançamentos de crédito tributário baseado exclusivamente em cheques emitidos, depósitos bancários e/ou de extratos bancários, sempre tiveram sérias restrições, seja na esfera administrativa, seja no judiciário. Para por um fim nestas discussões o legislador introduziu o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizando como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantido junto à instituição financeira, em relação às quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, estipulando limites de valores para a sua aplicação, ou seja, estipulou que não devem ser considerados créditos de valor individual igual ou inferior a doze mil reais, desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de oitenta mil reais. Fl. 977DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN 16 Apesar das restrições, no passado, com relação aos lançamentos de crédito tributário baseado exclusivamente em depósitos bancários (extratos bancários), como já exposto no item inicial deste voto, não posso deixar de concordar com a decisão singular, que a partir do ano de 1997, com o advento da Lei n. 9.430, de 1996, existe o permissivo legal para tributação de depósitos bancários não justificados como se “omissão de rendimentos” fossem. Como se vê, a lei instituiu uma presunção legal de omissão de rendimentos. É conclusivo, que a razão está com a decisão de Primeira Instância, já que no nosso sistema tributário tem o princípio da legalidade como elemento fundamental para que flore o fato gerador de uma obrigação tributária. Ou seja, ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. Seria por demais mencionar, que a Lei Complementar não pode ser conflitada ou contraditada por legislação ordinária. E que, ante o princípio da reserva legal (CTN, art. 97), e o pressuposto da estrita legalidade, ínsito em qualquer processo de determinação e exigência de crédito tributário em favor da Fazenda Nacional, insustentável o procedimento administrativo que, ao arrepio do objetivo, finalidade e alcance de dispositivo legal, imponha ou venha impor exação. Assim, o fornecimento e manutenção da segurança jurídica pelo Estado de Direito no campo dos tributos assume posição fundamental, razão pela qual o princípio da Legalidade se configura como uma reserva absoluta de lei, de modo que para efeitos de criação ou majoração de tributo é indispensável que a lei tributária exista e encerre todos os elementos da obrigação tributária. À Administração Tributária está reservado pela lei o direito de questionar a matéria, mediante processo regular, mas sem sobra de dúvida deve se atrelar à lei existente. Com efeito, a convergência do fato imponível à hipótese de incidência descrita em lei deve ser analisada à luz dos princípios da legalidade e da tipicidade cerrada, que demandam interpretação estrita. Da combinação de ambos os princípios, resulta que os fatos erigidos, em tese, como suporte de obrigações tributárias, somente, se irradiam sobre as situações concretas ocorridas no universo dos fenômenos, quando vierem descritos em lei e corresponderem estritamente a esta descrição. Como a obrigação tributária é uma obrigação ex lege, e como não há lugar para atividade discricionária ou arbitrária da administração que está vinculada à lei, devese sempre procurar a verdade real à cerca da imputação, desde que a obrigação tributária esteja prevista em lei. Não basta a probabilidade da existência de um fato para dizerse haver ou não haver obrigação tributária. Neste aspecto, apesar das intermináveis discussões, não pode prosperaros argumentos do recorrente, já que, a princípio, o ônus da prova em contrário é da defesa, sendo a legislação de regência cristalina, conforme o transcrito abaixo: Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 978DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13896.000846/200739 Acórdão n.º 220201.649 S2C2T2 Fl. 9 17 § 1º O valor das receitas ou rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I – os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II – no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Lei n.º 9.481, de 13 de agosto de 1997: Art. 4° Os valores a que se refere o inciso II do § 3° do art. 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passam a ser R$ 12.000,00 (doze mil reais) e R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), respectivamente. Lei n.º 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 58. O art. 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar acrescido dos seguintes §§ 5° e 6°: Art. 42. (...) § 5° Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem à terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6° Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será Fl. 979DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN 18 imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titular. Instrução Normativa SRF nº 246, 20 de novembro de 2002: Dispõe sobre a tributação dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira em relação aos quais o contribuinte pessoa física, regularmente intimado, não comprove a origem dos recursos. Art. 1º Considerase omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, cuja origem dos recursos o contribuinte, regularmente intimado, não comprove mediante documentação hábil e idônea. § 1º Quando comprovado que os valores creditados em conta de depósito ou de investimento pertencem à terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos é efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 2º Caracterizada a omissão de rendimentos decorrente de créditos em conta de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos dos titulares tenha sido apresentada em separado, o valor dos rendimentos é imputado a cada titular mediante divisão do total dos rendimentos pela quantidade de titulares. Art. 2º Os rendimentos omitidos serão considerados recebidos no mês em que for efetuado o crédito pela instituição financeira. Art. 3º Para efeito de determinação dos rendimentos omitidos, os créditos serão analisados individualizadamente. § 1º Para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, não será considerado o crédito de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o somatório desses créditos não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), dentro do anocalendário. § 2º Os créditos decorrentes de transferência entre contas de mesmo titular não serão considerados para efeito de determinação dos rendimentos omitidos. Da interpretação dos dispositivos legais acima transcritos podemos afirmar, que para a determinação da omissão de rendimentos na pessoa física, a fiscalização deverá proceder a uma análise preliminar dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, onde devem ser observados os seguintes critérios/formalidades: I – não serão considerados os créditos em conta de depósito ou investimento decorrentes de transferências de outras contas de titularidade da própria pessoa física sob fiscalização; II – os créditos serão analisados individualizadamente, ou seja, a análise dos créditos deverá ser procedida de forma individual (um por um); Fl. 980DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13896.000846/200739 Acórdão n.º 220201.649 S2C2T2 Fl. 10 19 III – nesta análise não serão considerados os créditos de valor igual ou inferior a doze mil reais, desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de oitenta mil reais (com a exclusão das transferências entre contas do mesmo titular); IV – todos os créditos de valor superior a doze mil reais integrarão a análise individual, exceto os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física fiscalizada; V – no caso de contas em conjunto cuja declaração de rendimentos tenham sido apresentadas em separado, os lançamentos de constituição de créditos tributários efetuados a partir da entrada em vigor da Lei n° 10.637, de 2002, ou seja, a partir 31/12/02, deverão obedecer ao critério de divisão do total da omissão de rendimentos apurada pela quantidade de titulares, sendo que todos os titulares deverão ser intimados para prestarem esclarecimentos; VI – quando comprovado que os valores creditados em conta de depósito ou de investimento pertencem à terceiro evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos é efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento; VII – os rendimentos omitidos, de origem não comprovada, serão apurados no mês em que forem recebidos e estarão sujeitos, com multa de ofício, na declaração de ajuste anual, conforme tabela progressiva vigente à época. Podese concluir, ainda, que: I na pessoa jurídica os créditos serão analisados de forma individual, com exclusão apenas dos valores relativos a transferências entre as suas próprias contas bancárias, não sendo aplicável o limite individual de crédito igual ou inferior a doze mil reais e oitenta mil reais no anocalendário; II – caracteriza omissão de receita ou rendimento, desde que obedecidos os critérios acima relacionados, todos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações, desde que regularmente intimada a prestar esclarecimentos e comprovações; III – na pessoa física a única hipótese de anistia de valores é a existência de créditos não comprovados que individualmente não sejam superiores a doze mil reais, limitado ao somatório, dentro do anocalendário, a oitenta mil reais; IV – na hipótese de créditos que individualmente superem o limite de doze mil reais, sem a devida comprovação da origem, ou seja, sem a comprovação, mediante apresentação de documentação hábil e idônea que estes créditos (recursos) tem origem em rendimentos já tributados, não tributáveis ou que estão sujeitos a normas específicas de tributação, cabe a constituição de crédito tributário como se omissão de rendimentos fossem, desde que regularmente intimado a prestar esclarecimentos e comprovações; V – na hipótese de créditos não comprovados que individualmente não superem o limite de doze mil reais, entretanto, estes créditos superam, dentro do ano calendário, o limite de oitenta mil reais, todos os créditos sem a devida comprovação da origem, ou seja, sem a comprovação, mediante apresentação de documentação hábil e idônea Fl. 981DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN 20 que estes créditos (recursos) tem origem em rendimentos já tributados, não tributáveis ou que estão sujeitos a normas específicas de tributação, cabe a constituição de crédito tributário como se omissão de rendimentos fossem, desde que regularmente intimado a prestar esclarecimentos e comprovações; VI os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específica previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos; VII para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, não será considerado o crédito de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o somatório desses créditos não comprovados não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00, dentro do anocalendário. Como se vê, nos dispositivos legais retromencionados, o legislador estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos. Não logrando o titular comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, temse a autorização legal para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, para presumir que os recursos depositados traduzem rendimentos do contribuinte. É evidente que nestes casos existe a inversão do ônus da prova, característica das presunções legais o contribuinte é quem deve demonstrar que o numerário creditado não é renda tributável. É incontroverso, que é função do fisco, entre outras, comprovar o crédito dos valores em contas de depósito ou de investimento, examinar a correspondente declaração de rendimentos e intimar o titular da conta bancária a apresentar os documentos/informações/esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência de omissão de rendimentos de que trata o artigo 42 da lei nº 9.430, de 1996. Contudo, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte. Não comprovada a origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o poder/dever de considerar os valores depositados como rendimentos tributáveis e omitidos na declaração de ajuste anual, efetuando o lançamento do imposto correspondente. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do Princípio da Legalidade que rege a Administração Pública, cabendo ao agente tãosomente a inquestionável observância da legislação. Por outro lado, também é verdadeiro, como visto anteriormente, que dos valores constantes dos extratos bancários do contribuinte, devem ser excluídos os valores dos depósitos decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física, os referentes a proventos, resgates de aplicações financeiras, estornos, cheques devolvidos, empréstimos bancários etc., e ainda os depósitos de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o somatório dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00. Por fim, após efetuar a conciliação bancária e constatada a possibilidade de tributação com base nos depósitos/créditos, em virtude de se verificar que o somatório anual dos depósitos realizados em todas as contas bancárias mantidas pelo contribuinte é superior a R$ 80.000,00, ou que o contribuinte teve depósitos em valor superior a R$ 12.000,00, deve o contribuinte ser intimado para comprovar a origem dos recursos utilizados nas operações. Esta comprovação deverá ser feita com documentação hábil e idônea, devendo ser indicada à origem de cada depósito individualmente, não servindo, a princípio, como comprovação de origem de depósito os rendimentos anteriormente auferidos ou já Fl. 982DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13896.000846/200739 Acórdão n.º 220201.649 S2C2T2 Fl. 11 21 tributados, se não for comprovada a vinculação da percepção dos rendimentos com os depósitos realizados. Assim, os valores cuja origem não houver sido comprovada serão oferecidos à tributação, submetendose aos limites individual e anual para os depósitos, como omissão de rendimentos, utilizandose a tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela Instituição Financeira. Não há dúvidas, que na presunção de omissão de rendimentos de que trata o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, o sujeito passivo é o titular da conta bancária que, regularmente intimado, não comprove a origem dos depósitos bancários. Assim sendo, resta claro de que o legislador atribuiu ao titular da disponibilidade financeira, e não à Administração Tributária, o ônus de identificar os negócios jurídicos que proporcionaram os depósitos. Não poderia ser mais ponderado. Afinal, é ele, contribuinte, que participa diretamente do negócio, o qual, na quase totalidade dos casos, se exterioriza pela produção de um instrumento formal que se constitui em prova documental da sua realização (recibo, contrato, escritura, nota fiscal, etc.). Em suma, a norma estabeleceu a obrigatoriedade de o contribuinte manter documentação probatória da origem dos valores que deposita em sua conta bancária. Fazse necessário reforçar, que a presunção criada pelo art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, é uma presunção relativa passível de prova em contrário. Ou seja, está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do contribuinte, em instituições bancárias. A simples prova em contrário, ônus que cabe ao contribuinte, faz desaparecer a presunção de omissão de rendimentos. Por outro lado, a falta de justificação faz nascer à obrigação do contribuinte para com a Fazenda Nacional de pagar o tributo com os devidos acréscimos previstos na legislação de regência, já que a principal obrigação em matéria tributária é o recolhimento do valor correspondente ao tributo na data aprazada. A falta de recolhimento no vencimento acarreta em novas obrigações de juros e multa que se convertem também em obrigação principal. Assim, desde que o procedimento fiscal esteja lastreado nas condições imposta pelo permissivo legal, entendo que seja do recorrente o ônus de provar a origem dos recursos depositados em sua conta corrente. Ou seja, de provar que há depósitos, devidamente especificados, que representam ou não aquisição de disponibilidade financeira tributável ou não tributável, ou que já foi tributado. Desta forma, para que se proceda à exclusão da base de cálculo de algum valor considerado, indevidamente, pela fiscalização, se faz necessário que o contribuinte apresente elemento probatório que seja hábil e idôneo para comprovar a origem do valor depositado (créditos), independentemente, se tratar rendimentos tributáveis ou não. Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributações específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. É evidente, que depósitos bancários de origem não comprovada se traduzem em renda presumida, por presunção legal “júris tantum”. Isto é, ante o fato material constatado, qual seja depósitos/créditos em conta bancária, sobre os quais o contribuinte, devidamente intimado, não apresentou comprovação de origem, a legislação ordinária autoriza a presunção de renda relativamente a tais valores (Lei n° 9.430, de 1996, art. 42). Fl. 983DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN 22 Indiscutivelmente, esta presunção em favor do fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação da origem dos recursos questionados. Pelo exame dos autos verificase que o recorrente, embora intimado a comprovar, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em suas contas bancárias, não conseguiu equacionar, de forma razoável, os depósitos questionados com os pretensos valores recebidos e é isso que importa, justificar a origem dos depósitos de forma individualizada, coincidentes em datas e valores. Não há dúvidas, que a Lei nº 9.430, de 1996, definiu, portanto, que os depósitos bancários, de origem não comprovada, efetuados a partir do anocalendário de 1997, caracteriza omissão de rendimentos e não meros indícios de omissão, estando, por conseguinte, sujeito à tributação pelo Imposto de Renda nos termos do art. 3º, § 4º, da Lei nº 7.713, de 1988. Ora, no presente processo, a constituição do crédito tributário decorreu em face do contribuinte não ter provado com documentação hábil ou idônea a origem dos recursos que dariam respaldo aos referidos depósitos/créditos, dando ensejo à omissão de receita ou rendimento (Lei nº 9.430/1996, art. 42) e, refletindo, conseqüentemente, na lavratura do instrumento de autuação em causa. Ademais, à luz da Lei nº 9.430, de 1996, cabe ao suplicante, demonstrar o nexo causal entre os depósitos existentes e o benefício que tais créditos tenham lhe trazido, pois somente ele pode discriminar que recursos já foram tributados e quais se derivam de meras transferências entre contas. Em outras palavras, como destacado nas citadas leis, cabe a ele comprovar a origem de tais depósitos bancários de forma tão substancial quanto o é a presunção legal autorizadora do lançamento. Além do mais, é cristalino na legislação de regência (§ 3º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996), a necessidade de identificação individualizada dos depósitos, sendo necessário coincidir valor, data e até mesmo depositante, com os respectivos documentos probantes, não podendo ser tratadas de forma genérica e nem por médias. A legislação é bastante clara, quando determina que a pessoa física está obrigada a guardar os documentos das operações ocorridas ao logo do anocalendário, até que se expire o direito de a Fazenda Nacional realizar ações fiscais relativas ao período, ou seja, até que ocorra a decadência do direito de lançar, significando com isto dizer que o contribuinte tem que ter um mínimo de controle de suas transações, para possíveis futuras solicitações de comprovação, ainda mais em se tratando de depósitos de quantias vultosas. Nos autos ficou evidenciado, através de indícios e provas, que o suplicante recebeu os valores questionados neste auto de infração. Sendo, que, neste caso, está clara a existência de indícios de omissão de rendimentos, situação que se inverte o ônus da prova do fisco para o sujeito passivo. Isto é, ao invés de a Fazenda Pública ter de provar que a recorrente possuía fontes de recursos para receber estes valores ou que os valores são outros, já que a base arbitrada não corresponderia ao valor real recebido, competirá a suplicante produzir a prova da improcedência da presunção, ou seja, que os valores recebidos estão lastreados em documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores. A presunção legal júris tantum inverte o ônus da prova. Neste caso, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado (fato indiciário) corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimento (fato jurídico tributário), nos termos do art. 334, IV, do Código de Processo Civil. Cabe ao contribuinte provar que o fato presumido não existiu na situação concreta. Fl. 984DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13896.000846/200739 Acórdão n.º 220201.649 S2C2T2 Fl. 12 23 Não tenho dúvidas, que o efeito da presunção “júris tantum” é de inversão do ônus da prova. Portanto, cabia ao sujeito passivo, se o quisesse, apresentar provas de origem de tais rendimentos presumidos. Oportunidade que lhe foi proporcionado tanto durante o procedimento administrativo, através de intimação, como na impugnação, quer na fase ora recursal. Nada foi acostado que afastasse a totalidade da presunção legal autorizada. É transparente que o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, definiu que os depósitos bancários, de origem não comprovada, caracterizam omissão de rendimentos e não meros indícios de omissão, razão pela qual não há que se estabelecer o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão de receita, ou mesmo restringir a hipótese fática à ocorrência de variação patrimonial ou a indícios de sinais exteriores de riqueza, como previa a Lei nº 8.021, de 1990. Por outro lado, quero ressaltar que independentemente do teor da peça impugnatória e da peça recursal incumbe a este colegiado verificar o controle interno da legalidade do lançamento, bem como, observar a jurisprudência dominante na Câmara, para que as decisões tomadas sejam as mais justas possíveis, dando o direito de igualdade para todos os contribuintes. Não tenho dúvidas, que quando se trata de questões preliminares, tais como: nulidade do lançamento, decadência, erro na identificação do sujeito passivo, intempestividade da petição, erro na base de cálculo, aplicação de multa, etc., são passíveis de serem levantadas e apreciadas pela autoridade julgadora independentemente de argumentação das partes litigantes. Faz se necessário esclarecer, que o julgador independe de provocação da parte para examinar a regularidade processual e questões de ordem pública aí compreendido o princípio da estrita legalidade que deve nortear a constituição do crédito tributário. Assim, em especial, neste processo, entendo que por uma questão de justiça fiscal existe necessidade de se estabelecer uma relação harmoniosa entre o fisco e o contribuinte. Ou seja, parece ser possível concluir por uma questão de coerência, que o tratamento a ser dado nestas circunstâncias deva ser mesmo a exclusão do valor oferecido à tributação através da Declaração de Ajuste Anual apresentada, sob pena de se lhe dar tratamento tributário mais gravoso do que se o contribuinte estivesse ficado inerte (não apresentar a respectiva declaração). Por outro lado, tal aspecto não chega a se constituir em prova absoluta de que o valor declarado de fato tem origem nestes depósitos bancários não justificados. Embora não abandone a idéia de que a comprovação de origem, nos termos do disposto no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, deva ser interpretada como a apresentação pelo contribuinte de documentação hábil e idônea que possa identificar a fonte do crédito, o valor, a data e, principalmente, que demonstre de forma inequívoca a que título os créditos foram efetuados na conta corrente, sou forçado a reconhecer que a jurisprudência neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem avançado no sentido de reconhecer a necessidade de se excluir da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários não comprovados, os rendimentos declarados / lançados / receitas da atividade rural ou utilizou critérios que não considerem a totalidade, nos casos em que a autoridade fiscal lançadora deixou de considerálos. Fl. 985DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN 24 Ora, se a recorrente apresentou as Declarações de Ajuste Anual, tempestivamente, não vejo como deixar de reconhecer o direito de reduzir em igual montante o valor dos rendimentos tributados do item de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários, para efeito de cálculo do imposto devido. É de se registrar, que em situações análogas esse conselho já se manifestou no sentido de excluir da tributação dos rendimentos omitidos por decorrência de depósito bancário, uma vez que tais valores ou já foram objeto de lançamento por receita omitida na atividade rural ou porque constam nas Declarações de Ajuste Anual, conforme podemos observar nos julgados abaixo, cujas ementas se transcreve na parte que interessa: Acórdão 10419.984 DEPÓSITOS BANCÁRIOS ATIVIDADE RURAL A interpretação harmônica da Lei n.º 9.430, de 1996 com a Lei n.º 8.023, de 1990 que regula a atividade rural, induz ao entendimento de que os rendimentos totais da atividade se prestam como origem para justificar os depósitos bancários, independentemente de coincidência de data e valores. Acórdão 10419.845 DEPÓSITOS BANCÁRIOS – LEI Nº. 9.430, DE 1996 – COMPROVAÇÃO Estando as pessoas físicas desobrigadas de escrituração, os recursos com origem comprovada bem como outros rendimentos já tributados, inclusive aqueles objetos da mesma acusação, servem para justificar os valores depositados posteriormente em contas bancárias, independentemente de coincidência de datas e valores. No mesmo sentido se manifesta a jurisprudência nos casos de rendimentos tributáveis declarados da Declaração de Ajuste Anual: Acórdão nº 220200.415 RENDIMENTOS TRIBUTADOS NA DECLARAÇÃO AJUSTE ANUAL JUSTIFICATIVA DE ORIGEM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. É de se aceitar como origem de recursos, justificando a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento, os valores dos rendimentos tributados na Declaração de Ajuste Anual. Acórdão nº 220200.422 DEPÓSITOS BANCÁRIOS IDENTIFICAÇÃO DOS DEPOSITANTES/JUSTIFICATIVA DO DEPÓSITO COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS Incabível o lançamento tributário tendo por base de cálculo depósitos bancários, na pessoa física do titular de conta bancária, quando restar identificado e justificado, por meio de documentação anexada aos autos, o conjunto de pessoas físicas e jurídicas depositantes dos valores questionados, bem como a sua motivação. Os valores assim apurados, quando for o caso, submeterseão às normas de tributação específica prevista na Fl. 986DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13896.000846/200739 Acórdão n.º 220201.649 S2C2T2 Fl. 13 25 legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos (art. 42, § 2º, da Lei nº 9.430, de 1996). RENDIMENTOS TRIBUTADOS NA DECLARAÇÃO AJUSTE ANUAL JUSTIFICATIVA DE ORIGEM DEPÓSITOS BANCÁRIOS É de se aceitar como origem de recursos, justificando a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento, os valores dos rendimentos tributados na Declaração de Ajuste Anual. Acórdão nº 220200.170 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS Com o advento da Lei n° 9.430/96, caracterizase também omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimentos mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular não comprove a origem dos recursos utilizados, observadas as exclusões previstas no § 3°, do citado diploma legal. Devendo ser excluídos os valores dos rendimentos declarados na DIRPF. Assim sendo, entendo que deva ser excluído da base de cálculo da exigência relativo a depósitos bancários de origem não identificada os rendimentos tributados na Declaração de Ajuste Anual, referente aos anoscalendário de 2002 e 2003. Observase às fls. 09/12 e 13/15), que a recorrente declarou como rendimentos tributados na Declaração de Ajuste Anual relativo aos anoscalendário de 2002 e 2003 os valores de R$ 110.800,00 e R$ 96.570,00, respectivamente. Assim sendo, é de se excluir estes valores do item omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários não justificados. Como se vê do relatório, cingese, ainda, a discussão em torno de glosa de despesas lançadas em Livro Caixa, em relação aos quais insiste a contribuinte em afirmar que se tratam de dispêndios efetuados passíveis de serem deduzidos na apuração do imposto de renda. No intuito de corroborar tal alegação, anexou a defesa diversos documentos e relações. Tais elementos, na maioria, foram reconsiderados, pela decisão de Primeira Instância. Entretanto restou, ainda, documentos inábeis para comprovar o alegado, vez que houve glosas por questões legais. Ou seja, não há previsão legal para o procedimento adotada pela contribuinte ou os documentos fiscais apresentados não são aptos para realizar a comprovação das despesas lançadas no Livro Caixa. A jurisprudência é mansa e pacifica neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais acerca da questão, fundamentada nos dispositivos legais de regência, se entende, que somente são admissíveis, como dedutíveis, despesas que, além de preencherem os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade, apresentaremse com a devida comprovação, com documentos hábeis e idôneos e que sejam necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. É de se observar, que a escrituração mensal do livro caixa deverá conter toda a movimentação financeira, inclusive a bancária, de forma a demonstrar as receitas e despesas relativas à prestação de serviços sem vínculo empregatício. Está dispensado o seu registro na Receita Federal ou em cartórios, e os documentos e demais papéis que embasaram a Fl. 987DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN 26 escrituração deverão ser idôneos, mantidos em ordem e guardados pelo prazo de cinco anos. Na dedução da base de cálculo do imposto de renda, é condição indispensável que as despesas incorridas sejam necessárias à atividade exercida pelo profissional autônomo e à sua especialização, observandose, entre outras, as seguintes particularidades: 1 A pessoa física que receber rendimentos do trabalho não assalariado, incluindo os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o artigo 236 da Constituição Federal, não poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade, as quotas de depreciação de instalações, máquinas e equipamentos, bem como as despesas de arrendamento; 2 Despesa de custeio é aquela indispensável à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, como aluguel, água, luz, telefone, material de expediente ou de consumo. Por outro lado, os gastos com reforma de prédio, aquisição de móveis e utensílios e equipamentos eletrônicos, se referem a aplicação de capital e, portanto, não são dedutíveis da receita por expressa disposição legal; 3 As despesas com transporte, locomoção, combustível, estacionamento, manutenção de veículo, seguro e pagamento do IPVA, assim como as despesas de IPTU e demais taxas imobiliárias, cuja responsabilidade pelo seu pagamento independe da sua utilização ou de que tal utilização se preste ao auferimento de algum tipo determinado de receitas, não são dedutíveis no livro caixa; 4 Não servem como comprovação de despesas relacionadas no livro caixa os tíquetes de caixa, recibos não identificados e documentos semelhantes. Sendo que os documentos emitidos pelo Emissor de Cupom Fiscal (ECF) devem conter, no mínimo, a identificação da pessoa física compradora no CPFMF, a descrição dos bens ou serviços adquiridos, a data e o valor da operação. A inscrição da despesa utilizada no Livro Caixa é condição primordial para a admissibilidade de sua dedução dos rendimentos tributáveis, na declaração de ajuste anual, sem contar que não basta a sua comprovação por meio de documentação idônea, devendo ainda ficar comprovado, que as despesas de custeio pagas são necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte pagadora. Tais despesas devem estar devidamente discriminadas e identificadas em documentos hábeis e idôneos e em nome do contribuinte que efetuar os pagamentos. O artigo 75 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999, vigente na época do lançamento enumera, de forma cristalina, as deduções permitidas quando da percepção pelo contribuinte de rendimentos de trabalho não assalariado, da receita decorrente do exercício de sua atividade: a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários; os emolumentos pagos a terceiros e as despesas do custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Por outro lado, o artigo 76 do mesmo Regulamento disciplina que as deduções permitidas pela legislação e devidamente escrituradas em livro caixa, não poderão exceder à receita mensal da respectiva atividade, sendo permitido o cômputo do excesso de deduções nos meses seguintes, até, dezembro, mas o excedente de deduções porventura existente no final do anobase, não será transposto para o ano seguinte. Assim sendo, estou de pleno acordo com o posicionamento da decisão recorrida, tendo em vista que a reclamação da suplicante não tem guarida. Fl. 988DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13896.000846/200739 Acórdão n.º 220201.649 S2C2T2 Fl. 14 27 É de se observar, que no campo da legislação tributária qualquer redução da base de cálculo de um tributo precisa ser devidamente comprovada por documentação idônea que permita à autoridade lançadora e/ou julgadora o mínimo de segurança quanto a autoria e veracidade do documento apresentado pela parte beneficiada. Os documentos apresentados não trazem esse mínimo e a contribuinte não acrescentou mais nenhuma prova a respeito do assunto. Deve se ter em mente a previsão de que ao fisco interessa o que se passa nas pessoas jurídicas e nas pessoas físicas, na medida em que é interessado direto na apuração correta dos resultados, sobre o qual vai buscar sua cota, a título de imposto. Assim como, se faz necessário de se reiterar, mais uma vez, que não se trata de interpretação equivocada dos fatos como assevera a suplicante, mas de cumprimento ao determinado na lei, de que somente as despesas com previsão legal é que podem ser consideradas para efeito de dedução na apuração da base tributável do imposto de renda. Deve sempre ser lembrado, que a norma legal tributária carece de qualquer dependência em relação à lei comercial, sendo interpretada considerando sua autonomia, em relação aos outros ramos do direito e, bem assim, o caráter teleológico de sua interpretação, a qual deve sempre visar a realização das finalidades ou objetivos da lei; desta forma, os efeitos tributários dos atos, contratos ou negócios são os que decorrem da lei tributária e não podem ser modificados ou alterados pela vontade das partes. Convém, ainda, ressaltar que os tíquetes de caixa, recibos não identificados e documentos semelhantes, não podem comprovar despesas relacionadas no livro Caixa. As despesas devem estar discriminadas e identificadas para serem comprovadas como necessárias e indispensáveis à atividade profissional. Quando o assunto for tratar de cupom fiscal se faz necessário verificar o que diz a Lei nº 9.532, de 1997: Art.61 As empresas que exercem a atividade de venda ou revenda de bens a varejo e as empresas prestadoras de serviços estão obrigadas ao uso de equipamento Emissor de Cupom Fiscal (ECF). § 1º) Para efeito de comprovação de custos e despesas operacionais, no âmbito da legislação do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, os documentos emitidos pelo ECF devem conter, em relação à pessoa física ou jurídica compradora, no mínimo: a) a sua identificação mediante a indicação do número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF , se pessoa física, ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC, se pessoa jurídica, ambos do Ministério da Fazenda; b) a descrição dos bens ou serviços objeto da operação, ainda que resumida ou por códigos; c) a data e o valor da operação. Fl. 989DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN 28 Não basta que o documento comprove a efetivação do pagamento, é indispensável que a comprovação alcance a natureza do dispêndio. Por essa razão os documentos emitidos por máquinas registradoras ou simplificados não se prestam à comprovação de despesas lançadas em livro Caixa. Quando não se aceita um documento fiscal do tipo “cupom fiscal” e nota simplificada como lastro hábil de gastos dedutíveis, não se deve atribuir a recusa à habilidade ou inabilidade documental. Não se admite pela singela razão de que os mesmos não permitem, na maioria das vezes, aferir o bem ou o serviço prestado para que se possa consultar da sua necessidade ou de sua usualidade para a pessoa física ou jurídica adquirente. Como visto acima, são passíveis de serem aceitos como documentos fiscais hábeis os comprovantes emitidos por Equipamento Emissor de Cupom Fiscal ECF que contenham, em relação à pessoa física compradora, no mínimo (Lei nº 9.532, de 1997, art. 61): a) a sua identificação, mediante a indicação do número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF, se pessoa física, ou no Cadastro Geral de Contribuintes CNPJ, se pessoa jurídica, ambos do Ministério da Fazenda; b) a descrição dos bens ou serviços objeto da operação, ainda que resumida ou por códigos; c) a data e o valor da operação. Entretanto, não é o caso dos autos onde não existe nenhuma identificação do usuário dos serviços adquiridos, sabese, tão somente, se tratar de valores relativos a despesas com alimentação, escritório, limpeza etc. Como visto, a nota fiscal simplificada, assim como o cupom fiscal não são documentos hábeis para comprovação de despesas dedutíveis lançadas em Livro Caixa, pelo fato de não reunirem elementos capazes de identificar o comprador, os bens adquiridos, o valor da operação, bem como a sua efetividade e necessidade à fonte produtora dos rendimentos. Por fim devo lembrar, que é regra geral no direito tributário que o ônus da prova cabe a quem alega. A lei pode, entretanto, determinar a quem caiba a incumbência de provar determinado fato. É o que ocorre no caso das deduções. O art. 11, § 3º do DecretoLei nº 5.844, de 1943, estabeleceu expressamente que o contribuinte pode ser instado a comprová las ou justificálas, deslocando para ele o ônus probatório. Mesmo que a norma possa parecer, em tese, um tanto quanto discricionária, deixando ao talante da autoridade lançadora a iniciativa, esta agiu albergada no dispositivo acima mencionado. A inversão legal do ônus da prova, do fisco para o contribuinte, transfere para a suplicante a obrigação de comprovação e justificação das deduções, e, não o fazendo, implica nas conseqüências legais, ou seja, o não cabimento das deduções, por falta de comprovação e justificação. Também importa dizer que o ônus de provar implica trazer elementos que não deixem qualquer dúvida quanto ao fato questionado. Quanto à aplicação das multas de lançamento de ofício (multa de ofício mantida e multa isolada do carnêleão), se faz necessário ressaltar que a convergência do fato imponível à hipótese de incidência descrita em lei deve ser analisada à luz dos princípios da legalidade e da tipicidade cerrada, que demandam interpretação estrita. Da combinação de ambos os princípios, resulta que os fatos erigidos, em tese, como suporte de obrigações tributárias, somente, se irradiam sobre as situações concretas ocorridas no universo dos fenômenos, quando vierem descritos em lei e corresponderem estritamente a esta descrição. Fl. 990DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13896.000846/200739 Acórdão n.º 220201.649 S2C2T2 Fl. 15 29 Entendo, que toda matéria útil pode ser acostada ou levantada na defesa, como também é direito do contribuinte ver apreciada essa matéria, sob pena de restringir o alcance do julgamento. Como a obrigação tributária é uma obrigação ex lege, e como não há lugar para atividade discricionária ou arbitrária da administração que está vinculada à lei, deve se sempre procurar a verdade real à cerca da imputação. Não basta a probabilidade da existência de um fato para dizerse haver ou não haver obrigação tributária. Seguindo nesta linha de pensamento, é de se observar que independentemente do teor da peça impugnatória e da peça recursal, incumbe a este colegiado verificar o controle interno da legalidade do lançamento, bem como, observar a jurisprudência dominante na Câmara, para que as decisões tomadas sejam as mais justas possíveis, dando o direito de igualdade para todos os contribuintes. Neste contexto, é de se ressaltar, que a autoridade lançadora constituiu, através do auto de infração, dois tipos de multas de lançamento de ofício: a multa de ofício isolada, que foi lançada parte em concomitância com a multa de ofício e parte lançada sem a cobrança do imposto, ou seja, foi lançada com base nos valores informados nas Declarações de Ajuste Anual e houve o lançamento com multa de ofício sobre a matéria levantada de ofício. Assim, a matéria em discussão está restrita a: (1) – multa de lançamento de ofício exigida de forma isolada, cobrada em concomitância com a multa de lançamento de ofício normal de 75% e (2) multa de lançamento de ofício exigida de forma isolada pelo recolhimento em atraso do carnêleão, sobre valores recebidos de pessoas físicas (carnêleão), mensalmente, apurados e informados nas Declarações de Ajuste Anual, porém, os impostos não foram recolhidos na época oportuna. É de se observar, que a pessoa física ou jurídica que apura resultados positivos (rendimentos ou receitas tributáveis), sofre a incidência da alíquota normal. Se omitiu rendimentos, receitas ou apresentou declaração de rendimentos inexata, sujeitase à multa de lançamento de oficio. Parece tranqüilo o raciocínio de que o imposto cobrado em virtude desse lançamento continua sendo tributo e que a multa constitui sanção pelas irregularidades levantadas pelo fisco. Ora, o tributo cobrado através de procedimento de ofício do fisco segue tendo por origem fato gerador concretizado pela atividade do contribuinte, ainda que este, por ação ou omissão, tenha contribuído para o ocultamento, total ou parcial, do fato tributado. Não é o comportamento incorreto do contribuinte, eventualmente descoberto pelo fisco, que determina o fato gerador. O fato gerador preexistiu. O fisco apenas sancionou, com multa legal, esse comportamento. A Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996, ao tratar do Auto de Infração com tributo e sem tributo dispôs: Art. 43 – Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente à multa ou juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único – Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até Fl. 991DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN 30 o mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Art. 44 – Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I – de setenta e cinco por cento, nos casos de pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II – (omissis). § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I – juntamente com o tributo ou contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II – isoladamente quando o tributo ou contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III – isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei n.º 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazê lo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste. (...). Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Da análise dos dispositivos legais anteriormente transcritos é possível se concluir, que para aquele contribuinte, submetido à ação fiscal, após o encerramento do ano calendário, que deixou de recolher o “carnêleão” que estava obrigado, existe a aplicabilidade da multa de lançamento de ofício exigida de forma isolada. É cristalino o texto legal quando se refere às normas de constituição de crédito tributário, através de auto de infração sem a exigência de tributo. Do texto legal Fl. 992DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13896.000846/200739 Acórdão n.º 220201.649 S2C2T2 Fl. 16 31 concluise que não existe a possibilidade de cobrança concomitante de multa de lançamento de ofício juntamente com o tributo (normal) e multa de lançamento de ofício isolada sem tributo, ou seja, se o lançamento do tributo é de ofício deve ser cobrada a multa de lançamento de ofício juntamente com o tributo (multa de ofício normal), não havendo neste caso espaço legal para se incluir a cobrança da multa de lançamento de ofício isolada. Por outro lado, quando o lançamento de exigência tributária for aplicação de multa isolada, só há espaço legal para aquelas infrações que não foram levantadas de ofício, a exemplo da apresentação espontânea da declaração de ajuste anual com previsão de pagamento de imposto mensal (carnêleão) sem o devido recolhimento, caso típico da aplicação de multa de lançamento de ofício isolada sem a cobrança de tributo, cabendo neste além da multa isolada a cobrança de juros de mora de forma isolada, entre o vencimento do imposto até a data prevista para a entrega da declaração de ajuste anual, já que após esta data o imposto não recolhido está condensado na declaração de ajuste anual. No caso dos autos, parte da multa incidiu sobre as parcelas informadas nas Declarações de Ajuste Anual como sendo carnêleão sem o recolhimento do imposto, razão pela qual cabe a exigência da multa de ofício lançada de forma isolada sobre estes valores, já que cabível, a partir de 1º de janeiro de 1997, a multa de ofício prevista no art. 44, § 1º, inciso III, da Lei nº 9.430, de 1996, exigidos isoladamente, sob o argumento do não recolhimento do imposto mensal (carnêleão), previsto no artigo 8º, da Lei nº 7.713, de 1988, informado na Declaração de Ajuste Anual, ou seja, é cabível a exigência da multa isolada sobre o carnêleão apurado nas declarações do suplicante relativo aos anoscalendário de 2000 a 2003. Por outro lado, parte da multa isolada incidiu sobre infrações que foram levantadas de ofício, com aplicação da multa de ofício normal, nesta parte é incabível a multa isolada aplicada, por expressa disposição legal, a aplicação concomitante de multa de lançamento de ofício exigida com o tributo, com multa de lançamento de ofício exigida isoladamente. Desta forma, entendo cabível, a partir de 1º de janeiro de 1997, a multa de ofício prevista no art. 44, § 1º, inciso III, da Lei nº 9.430, de 1996, exigidos isoladamente, sob o argumento do não recolhimento do imposto mensal (carnêleão), previsto no artigo 8º, da Lei nº 7.713, de 1988, informado na Declaração de Ajuste Anual, ou seja, é cabível a exigência da multa isolada sobre o carnêleão apurado na declaração da suplicante relativo aos anos calendário de 2000 a 2003 (não objeto de lançamento de ofício do imposto). No que tange às alegações de ilegalidade / ofensas a princípios constitucionais (razoabilidade, capacidade contributiva, não confisco e juros abusivos), o exame das mesmas escapa à competência da autoridade administrativa julgadora, pelas razões alinhavadas na seqüência. Há que se destacar que à autoridade fiscal cabe verificar o fiel cumprimento da legislação em vigor, independentemente de questões de discordância, pelos contribuintes, acerca de alegadas ilegalidades/inconstitucionalidades, sendo a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, como previsto no art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Não há dúvidas de que se entende como procedimento fiscal à ação fiscal para apuração de infrações e que se concretize com a lavratura do ato cabível, assim considerado o termo de início de fiscalização, termo de apreensão, auto de infração, Fl. 993DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN 32 notificação, representação fiscal ou qualquer ato escrito dos agentes do fisco, no exercício de suas funções inerentes ao cargo. Tais atos excluirão a espontaneidade se o contribuinte deles tomar conhecimento pela intimação. Os atos que formalizam o início do procedimento fiscal encontramse elencados no artigo 7º do Decreto n.º 70.235, de 1972. Em sintonia com o disposto no artigo 138, parágrafo único do Código Tributário Nacional, esses atos têm o condão de excluir a espontaneidade do sujeito passivo e de todos os demais envolvidos nas infrações que vierem a ser verificadas. Em outras palavras, deflagrada a ação fiscal, qualquer providência do sujeito passivo, ou de terceiros relacionados com o ato, no sentido de repararem a falta cometida não exclui suas responsabilidades, sujeitandoos às penalidades próprias dos procedimentos de ofício. Além disso, o ato inaugural obsta qualquer retificação, por iniciativa do contribuinte e torna ineficaz consulta formulada sobre a matéria alcançada pela fiscalização. Ressaltese, com efeito, que o emprego da alternativa “ou” na redação dada pelo legislador ao artigo 138, do Código Tributário Nacional, denota que não apenas a medida de fiscalização tem o condão de constituirse em marco inicial da ação fiscal, mas, também, consoante reza o mencionado dispositivo legal, “qualquer procedimento administrativo” relacionado com a infração é fato deflagrador do processo administrativo tributário e da conseqüente exclusão de espontaneidade do sujeito passivo pelo prazo de 60 dias, prorrogável sucessivamente com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, na forma do parágrafo 2°, do art. 7°, do Dec. n° 70.235, de 1972. O entendimento, aqui esposado, é doutrina consagrada, conforme ensina o mestre FABIO FANUCCHI em “Prática de Direito Tributário”, pág. 220: O processo contencioso administrativo terá início por uma das seguintes formas: 1. pedido de esclarecimentos sobre situação jurídicotributária do sujeito passivo, através de intimação a esse; 2. representação ou denúncia de agente fiscal ou terceiro, a respeito de circunstâncias capazes de conduzir o sujeito passivo à assunção de responsabilidades tributárias; 3 autodenúncia do sujeito passivo sobre sua situação irregular perante a legislação tributária; 4. inconformismo expressamente manifestado pelo sujeito passivo, insurgindose ele contra lançamento efetuado. (...). A representação e a denúncia produzirão os mesmos efeitos da intimação para esclarecimentos, sendo peças iniciais do processo que irá se estender até a solução final, através de uma decisão que as julguem procedentes ou improcedentes, com os efeitos naturais que possam produzir tais conclusões. No mesmo sentido, transcrevo comentário de A.A. CONTREIRAS DE CARVALHO em “Processo Administrativo Tributário”, 2ª Edição, págs. 88/89 e 90, tratando de Atos e Termos Processuais: Fl. 994DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13896.000846/200739 Acórdão n.º 220201.649 S2C2T2 Fl. 17 33 Mas é dos atos processuais que cogitamos, nestes comentários. São atos processuais os que se realizam conforme as regras do processo, visando dar existência à relação jurídicoprocessual. Também participa dessa natureza o que se pratica à parte, mas em razão de outro processo, do qual depende. No processo administrativo tributário, integram essa categoria, entre outros: a) o auto de infração; b) a representação; c) a intimação e d) a notificação (...). Mas, retornando a nossa referência aos atos processuais, é de assinalar que, se o auto de infração é peça que deve ser lavrada, privativamente, por agentes fiscais, em fiscalização externa, já no que concerne às faltas apuradas em serviço interno da Repartição fiscal, a peça que as documenta é a representação. Notese que esta, como aquele, é peça básica do processo fiscal (...). Portanto, o Auto de Infração deverá conter, entre outros requisitos formais, a penalidade aplicável, a sua ausência implicará na invalidade do lançamento. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa a lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. É de se esclarecer, que a infração fiscal independe da boa fé do contribuinte, entretanto, a penalidade deve ser aplicada, sempre, levandose em conta a ausência de máfé, de dolo, e antecedentes do contribuinte. A multa que excede o montante do próprio crédito tributário, somente pode ser admitida se, em processo regular, nos casos de minuciosa comprovação, em contraditório pleno e amplo, nos termos do artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal, restar provado um prejuízo para fazenda Pública, decorrente de ato praticado pelo contribuinte. Por outro lado, a vedação de confisco estabelecida na Constituição Federal de 1988, é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado esse princípio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico por inconstitucional. Além disso, é de se ressaltar, mais uma vez, que a multa de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal, não cabendo às autoridades administrativas estendêlo. Assim, as multas são devidas, no lançamento de ofício, em face da infração às regras instituídas pela legislação fiscal não declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, cuja matéria não constitui tributo, e sim de penalidade pecuniária prevista em lei, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no art. 150, IV da CF., não conflitando com o estatuído no art. 5°, XXII da CF., que se refere à garantia do direito de propriedade. Desta forma, o percentual de multa aplicado está de acordo com a legislação de regência. Ora, os mecanismos de controle de legalidade / constitucionalidade regulados pela própria Constituição Federal passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém, com exclusividade, tal prerrogativa. É inócuo, portanto, suscitar tais alegações na esfera administrativa. Fl. 995DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN 34 De qualquer forma, há que se esclarecer que o Imposto Renda da Pessoa Física é um tributo calculado sobre a renda tributável auferida. Ou seja, é calculado levandose em consideração aos rendimentos tributáveis auferidos e em razão do valor é enquadrada dentro de uma alíquota, não estando o seu valor limitado à capacidade contributiva do sujeito passivo da obrigação tributária. Ademais, os princípios constitucionais têm como destinatário o legislador na elaboração da norma, como é o caso, por exemplo, do principio da Vedação ao Confisco, que orienta a feitura da lei, a qual deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco, cabendo à autoridade fiscal apenas executar as leis. Da mesma forma, não vejo como se poderia acolher o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade formal da multa de ofício e da taxa SELIC aplicada como juros de mora sobre o débito exigido no presente processo com base na Lei n.º 9.065, de 20/06/95, que instituiu no seu bojo a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia de Títulos Federais (SELIC). É meu entendimento, acompanhado pelos pares desta Turma de Julgamento, que quanto à discussão sobre a inconstitucionalidade de normas legais, os órgãos administrativos judicantes estão impedidos de declarar a inconstitucionalidade de lei ou regulamento, face à inexistência de previsão constitucional. No sistema jurídico brasileiro, somente o Poder Judiciário pode declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público, através do chamado controle incidental e do controle pela Ação Direta de Inconstitucionalidade. No caso de lei sancionada pelo Presidente da República é que dito controle seria mesmo incabível, por ilógico, pois se o Chefe Supremo da Administração Federal já fizera o controle preventivo da constitucionalidade e da conveniência, para poder promulgar a lei, não seria razoável que subordinados, na escala hierárquica administrativa, considerasse inconstitucional lei ou dispositivo legal que aquele houvesse considerado constitucional. Exercendo a jurisdição no limite de sua competência, o julgador administrativo não pode nunca ferir o princípio de ampla defesa, já que esta só pode ser apreciada no foro próprio. Se verdade fosse, que o Poder Executivo deva deixar aplicar lei que entenda inconstitucional, maior insegurança teriam os cidadãos, por ficarem à mercê do alvedrio do Executivo. O poder Executivo haverá de cumprir o que emana da lei, ainda que materialmente possa ela ser inconstitucional. A sanção da lei pelo Chefe do Poder Executivo afasta sob o ponto de vista formal a possibilidade da argüição de inconstitucionalidade, no seu âmbito interno. Se assim entendesse, o chefe de Governo vetálaia, nos termos do artigo 66, § 1º da Constituição. Rejeitado o veto, ao teor do § 4º do mesmo artigo constitucional, promulguea ou não o Presidente da República, a lei haverá de ser executada na sua inteireza, não podendo ficar exposta ao capricho ou à conveniência do Poder Executivo. Facultaselhe, tãosomente, a propositura da ação própria perante o órgão jurisdicional e, enquanto pendente a decisão, continuará o Poder Executivo a lhe dar execução. Imaginese se assim não fosse, facultandose ao Poder Executivo, através de seus diversos departamentos, desconhecer a norma legislativa ou simplesmente negarlhe executoriedade por entendêla, unilateralmente, inconstitucional. Fl. 996DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13896.000846/200739 Acórdão n.º 220201.649 S2C2T2 Fl. 18 35 A evolução do direito, como quer o suplicante, não deve pôr em risco toda uma construção sistêmica baseada na independência e na harmonia dos Poderes, e em cujos princípios repousa o estado democrático. Não se deve a pretexto de negar validade a uma lei pretensamente inconstitucional, praticarse inconstitucionalidade ainda maior consubstanciada no exercício de competência de que este Colegiado não dispõe, pois que deferida a outro Poder. Ademais, matéria já pacificada no âmbito administrativo, razão pela qual o Presidente do Primeiro Conselho de Contribuintes, objetivando a condensação da jurisprudência predominante neste Conselho, conforme o que prescreve o art. 30 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes (RICC), aprovado pela Portaria MF nº 55, de 16 de março de 1998, providenciou a edição e aprovação de diversas súmulas, que foram publicadas no DOU, Seção I, dos dias 26, 27 e 28 de junho de 2006, vigorando para as decisões proferidas a partir de 28 de julho de 2006. Atualmente estas súmulas foram convertidas para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, pela Portaria CARF nº 106, de 2009 (publicadas no DOU de 22/12/2009), assim redigidas: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2)” e “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).” Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça voto no sentido de rejeitar as preliminares suscitadas pela Recorrente e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência os valores de R$ 94.125,04 (totalidade do item depósitos bancários remanescente) e R$ 96.570,00 (do total do item dos depósitos bancários remanescentes), correspondentes aos anoscalendário de 2002 e 2003, respectivamente, bem como excluir da exigência a multa isolada do carnêleão aplicada de forma concomitante com a multa de ofício. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Fl. 997DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por NELSON MALLMANN
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Numero do processo: 13808.005233/2001-44
Data da sessão: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 1997
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA - PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial. Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-002.595
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Ac.Patrim.Descoberto/Sinais Ext.Riqueza
Nome do relator: Maria Helena Cotta Cardozo
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Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício) (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora EDITADO EM: 18/03/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 52 33 /2 00 1- 44 Fl. 509DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1020.09386.RG6Y. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física sobre ganho de capital, tendo em vista a integralização de capital na empresa Potenza Participações S/A, por meio da transferência de ações do BCN. Em sessão plenária de 16/12/2008, foi julgado o Recurso Voluntário 159.028, prolatandose o Acórdão 10423.641, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA. IRPF Exercício: 1997 GANHO DE CAPITAL INTEGRALIZAÇÃO A transferência de ações da pessoa física para a pessoa jurídica, para integralização de seu capital em sociedade, implica em alienação, caracterizandose em uma das modalidades de alienação a qualquer titulo. Constitui ganho de capital a diferença positiva entre o valor da transmissão da ação e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente. RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA ESPÓLIO Os créditos tributários, notificados ao de cujus antes da abertura da sucessão, ainda que neles incluídos encargos e penalidades, serão exigidos do espólio ou dos sucessores. JUROS TAXA SELIC A partir de 1° de abril de 1995, os juros morat6rios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula 1° CC n° 4). Recurso negado.” O voto condutor do julgado assim registra: “A transferência de ações da pessoa física para a pessoa jurídica, para integralização de seu capital na sociedade, implica em alienação, caracterizandose em uma das modalidades de alienação a qualquer titulo. Constitui ganho de capital a diferença positiva entre o valor da transmissão da ação e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente. Fl. 510DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1020.09386.RG6Y. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13808.005233/200144 Acórdão n.º 9202002.595 CSRFT2 Fl. 10 3 Na realidade caso a transferência de bens ou direitos a pessoas jurídicas a titulo de integralização de capital, ocorra pelo valor constante na Declaração de Bens e Direitos, não está sujeita à apuração do ganho de capital. Nesse caso, a pessoa física deve lançar na declaração correspondente ao exercício em que se efetuou a transferência, as ações ou quotas subscritas pelo mesmo valor dos bens ou direitos transferidos. Entretanto não foi isso que aconteceu no caso concreto, pois a transferência se fez por valor superior ao constante na Declaração de Bens e Direitos, a diferença será tributável como ganho de capital. 0 argumento que ocorreu erro no preenchimento da declaração também não é plausível, tendo em vista a existência de um laudo de avaliação comprovando o valor declarado. No que concerne à dissolução, liquidação e extinção ocorrida posteriormente, este evento futuro não altera a ocorrência do fato gerador do imposto no momento da integralização do capital da empresa Potenza Participações. A leitura do §Único, do artigo 23,da Instrução Normativa SRF no 31, de 22 de maio de 1996, nos auxilia nesta compreensão: Art. 23. Na hipótese de transferência ei pessoa jurídica de bens ou direitos para efeito de integralização de capital a partir de 1996, (..). Parágrafo único. Se a transferência não se fizer pelo valor constante da declaração de bens, a diferença a maior será tributável como ganho de capital. (...) No que toca as multas aplicadas, cabe registrar primeiramente que a ‘de cujus’ faleceu em 25/07/2005, tal como define o documento de fls. 112. Portanto o lançamento foi efetuado e cientificado a’de cujus’ quando esta ainda estava em vida. Nesse caso cabe observar que o espólio é responsável pelo tributo devido pelo DE CUJUS até a data da abertura da sucessão. Sendo que os créditos tributários, notificados ao DE CUJUS antes da abertura da sucessão, ainda que neles incluídos encargos e penalidades, serão exigidos do espólio ou dos sucessores, tal como prescreve o art. 23 §3 ° do RIR/99.” Cientificado do acórdão, o Contribuinte opôs os Embargos Declaratórios de fls. 304 a 317, rejeitados pelo Despacho de fls. 329 a 332. Uma vez ciente da rejeição dos Embargos Declaratórios em 25/11/2010 (AR de fls. 335), o Contribuinte interpôs, em 09/12/2010, o Recurso Especial de fls. 328 a 391, com fundamento no art. 67, §§ 4º e 7º, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando a revisão do julgado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. O apelo aborda os seguintes aspectos: Fl. 511DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1020.09386.RG6Y. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 a operação em tela deve caracterizarse como permuta de participações societárias, portanto sem incidência de Imposto de Renda; ocorreu erro no preenchimento da Declaração de Imposto de Renda do de cujus, relativamente ao valor das ações do BCN; posteriormente ocorreu a devolução das ações do Banco BCN, quando da extinção da Potenza Participações S/A; mais tarde ocorreu a venda das ações do BCN ao Bradesco, quando houve o recolhimento do Imposto de Renda sobre ganho de capital, indicando como paradigma o Acórdão 10806.302; inaplicabilidade da multa de ofício sobre Espólio; ilegalidade da incidência dos Juros Selic sobre débitos tributários. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho 220200.118, de 28/03/2011 (fls. 478 a 481), assim identificandose as matérias objeto do apelo: “I Matérias objeto do recurso especial 0 recurso está manejado quanto à discussão das seguintes matérias: 1 discussão sobre a legalidade da tributação como ganho de capital a transferência de ações da pessoa física para a pessoa jurídica para integralização de capital social. Possibilidade de caracterização de simples permuta de ações; 2 discussão sobre a legalidade da manutenção da multa de lançamento de oficio nos casos em que o auto de infração foi constituído na pessoa física que posteriormente veio a falecer durante o curso do processo e antes da decisão de segunda instância (cobrança do crédito tributário do espólio).” A conclusão foi assim registrada no despacho de admissibilidade do recurso: “Da mera leitura das ementas e dos acórdãos recorrido e paradigmas permite concluir que são acórdãos divergentes, pois tratam de matérias tributárias iguais, de fato e de direito, de forma diferente. Ou seja, tipificam tratamentos diferenciados, vez que, no acórdão recorrido entendeuse, que ocorre ganho de capital no caso de permuta de ações por ações (integralização de capital social pela pessoa física do sócio mediante transferência de ações), também concluiuse pela manutenção da multa de oficio nos casos de cobrança de crédito tributário do espólio (contribuinte falecido antes da decisão de segunda instancia). Por sua vez, nos paradigmas, ao contrário do que se concluiu no recorrido, considerouse que nas operações de permuta de participação não ocorre fato gerador de ganho de capital, bem como concluiu pela inaplicabilidade da multa de oficio nos casos cobrança de crédito tributário na pessoa do espólio, sob o entendimento de que por constituir sanção por ato ilícito, não transferível ao espólio, em virtude do principio constitucional de que nenhuma pena passará da pessoa do infrator. Fl. 512DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1020.09386.RG6Y. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13808.005233/200144 Acórdão n.º 9202002.595 CSRFT2 Fl. 11 5 IV Conclusão Assim sendo, com fundamento nos artigos 68 e 69, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF no 256, de 22/06/2009, DOU SEGUIMENTO ao recurso especial, interposto pelo contribuinte, para que seja reapreciada a questão da tributação do ganho de capital pela integralização de capital social mediante transferência de ações da pessoa física do sócio e da aplicação da multa de oficio nos casos de cobrança do crédito tributário na pessoa do espólio.” Cientificada do Recurso Especial do contribuinte e do despacho que lhe deu seguimento em 10/05/2011, a Fazenda Nacional ofereceu, em 10/05/2011, as ContraRazões de fls. 484 a 487, argumentando, em síntese: o recorrente carreou para os autos o acórdão de n° 10247.681, que trata de permuta de participação societária, questão que não guarda similitude fática a demonstrar a necessária divergência jurisprudencial acerca de um dispositivo legal; aliás, o acórdão paradigma encontrase fundamentado na interpretação da Lei n° 7.713, de 1988, dispositivo legal que sequer é mencionado no v. voto condutor do v. acórdão recorrido, que, ao contrário, interpreta a IN SRF n° 31, de 1996, o que não foi infirmado nas razões de Recurso Especial apresentadas pela recorrente – preclusão; portanto, não há que ser admitido o presente recurso, por não ter restado demonstrado o necessário conflito de teses a respeito da interpretação de um determinado dispositivo legal; no mérito, não há como não admitir que a transferência de ações da pessoa física para a pessoa jurídica, para integralização do capital social, não constitua alienação; sem dúvida que se trata de uma das modalidades de alienação a qualquer titulo; como bem salientou o Relator, "constitui ganho de capital a diferença positiva entre o valor da transmissão da ação e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente”; notese, outrossim, que na hipótese em comento, bem apontado pelo julgador "a quo": "a transferência se fez por valor superior ao constante na Declaração de Bens e Direitos" (fl. 324 – verso); este fato, por si, já é suficiente para demonstrar a ausência de similitude fática entre o acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas, posto que nenhum dos paradigmas trata desta importante particularidade; ninguém discorda que na apuração do ganho de capital devemos considerar as operações que importem em alienações, a qualquer titulo, de bens e direitos, e foi exatamente isto que a autoridade realizou ao proceder ao lançamento; Fl. 513DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1020.09386.RG6Y. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 em suma, os acórdãos paradigmas não servem para demonstrar conflito de teses em relação ao acórdão recorrido, Sequer guardam similitude fática com o que apreciado no v. acórdão recorrido. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Relatora O Recurso Especial, interposto pelo Contribuinte, é tempestivo, restando perquirir acerca do atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade. Antes de proceder a essa análise, importa salientar que se trata de Recurso Especial de Divergência, que somente se caracteriza quando, presente a similitude fática entre o acórdão recorrido e os paradigmas, são adotadas soluções diversas. No acórdão recorrido, o entendimento é no sentido de que a transferência de ações, da pessoa física para a pessoa jurídica, para integralização de seu capital em sociedade, implica em alienação, e nesse contexto constitui ganho de capital a diferença positiva entre o valor da transmissão da ação e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente. O contribuinte, por sua vez, concentra suas alegações no argumento de que teria ocorrido simples permuta de participações societárias, sem apuração de ganho de capital. Para sustentar sua tese, alega diversas ocorrências, tais como erro na Declaração de Ajuste Anual, posterior devolução das ações integralizadas, e finalmente a sua venda, com pagamento de imposto. Assim, a alegada divergência jurisprudencial somente restaria demonstrada com a colação de paradigma que guardasse similitude fática com o recorrido, em todos os seus aspectos, descartandose desde logo a tentativa de demonstração de dissídio jurisprudencial via indicação de diversos paradigmas, de forma pulverizada, cada qual tratando isoladamente de um tema periférico argüido, em contextos que nada têm em comum com o acórdão recorrido. Nesse passo, verificase que o Despacho 220200.118, de 28/03/2011 (fls. 478 a 481), que deu seguimento ao Recurso Especial, colheu o cerne da argumentação – ocorrência de simples permuta, sem apuração de ganho de capital – e efetuou a respectiva análise do paradigma – Acórdão 10247.681 – assim resumindo e identificando as matérias objeto do apelo: “I Matérias objeto do recurso especial 0 recurso está manejado quanto à discussão das seguintes matérias: 1 — discussão sobre a legalidade da tributação como ganho de capital a transferência de ações da pessoa física para a pessoa jurídica para integralização de capital social. Possibilidade de caracterização de simples permuta de ações; 2 — discussão sobre a legalidade da manutenção da multa de lançamento de oficio nos casos em que o auto de infração foi constituído na pessoa física que posteriormente veio a falecer Fl. 514DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1020.09386.RG6Y. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13808.005233/200144 Acórdão n.º 9202002.595 CSRFT2 Fl. 12 7 durante o curso do processo e antes da decisão de segunda instância (cobrança do crédito tributário do espólio).” A conclusão, no sentido de que teria ocorrido a demonstração da alegada divergência, foi assim registrada: “Da mera leitura das ementas e dos acórdãos recorrido e paradigmas permite concluir que são acórdãos divergentes, pois tratam de matérias tributárias iguais, de fato e de direito, de forma diferente. Ou seja, tipificam tratamentos diferenciados, vez que, no acórdão recorrido entendeuse, que ocorre ganho de capital no caso de permuta de ações por ações (integralização de capital social pela pessoa fisica do sócio mediante transferência de ações), também concluiuse pela manutenção da multa de oficio nos casos de cobrança de crédito tributário do espólio (contribuinte falecido antes da decisão de segunda instancia). Por sua vez, nos paradigmas, ao contrário do que se concluiu no recorrido, considerouse que nas operações de permuta de participação não ocorre fato gerador de ganho de capital, bem como concluiu pela inaplicabilidade da multa de oficio nos casos cobrança de crédito tributário na pessoa do espólio, sob o entendimento de que por constituir sanção por ato ilícito, não transferível ao espólio, em virtude do principio constitucional de que nenhuma pena passará da pessoa do infrator. IV Conclusão Assim sendo, com fundamento nos artigos 68 e 69, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF no 256, de 22/06/2009, DOU SEGUIMENTO ao recurso especial, interposto pelo contribuinte, para que seja reapreciada a questão da tributação do ganho de capital pela integralização de capital social mediante transferência de ações da pessoa física do sócio e da aplicação da multa de oficio nos casos de cobrança do crédito tributário na pessoa do espólio.” Entretanto, conforme a Fazenda Nacional remarca em sede de Contra Razões, os paradigmas não guardam similitude fática com o acórdão recorrido. Quanto à alegação de que teria havido simples permuta, sem apuração de ganho de capital, o paradigma analisado trata de situação em que efetivamente ocorreu uma permuta de participações societárias entre dois irmãos, considerandose que o recebimento de crédito pela empresa controlada pelo contribuinte não descaracterizaria tal operação. Confira se a ementa do paradigma, na parte em que trata da permuta: “RPF PERMUTA DE PARTICIPAÇÂO SOCIETARIA PRINCÍPIO DA ENTIDADE NÃO OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DO IRPF – A Lei n. 7713/88, em seu art. 2, determina que o IRPF é devido por regime de caixa, à medida que o ganho de capital for percebido. Se o crédito de terceiro foi pago a pessoa jurídica controlada pelo Contribuinte, este não pode ser considerado como percebido pelo Contribuinte, em respeito ao Principio da Entidade, pois não ingressou em sua Fl. 515DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1020.09386.RG6Y. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 disponibilidade jurídica ou econômica, não implicando em fato gerador do imposto de Renda. A tributação desses rendimentos depende da efetiva entrega dos valores ao Contribuinte. 0 recebimento do crédito pela pessoa jurídica controlada pelo Contribuinte não descaracteriza o negócio juridic° de permuta, inexistindo a compra e venda alegada pela fiscalização.” Já o acórdão recorrido aborda situação totalmente diversa, ou seja, trata de situação em que houve a transferência de ações, da pessoa física para a pessoa jurídica, para integralização de seu capital em sociedade, por valor superior ao registrado na Declaração de Ajuste Anual. Assim, não há que se falar em divergência jurisprudencial, ausente a necessária similitude fática entre o paradigma e o acórdão recorrido. No que tange à multa de ofício, o acórdão recorrido ressalta a aplicação do art. 23, §3º, do RIR/1999, uma vez que o falecimento da contribuinte ocorreu após a autuação e apresentação da impugnação: ”No que toca as multas aplicadas, cabe registrar primeiramente que a ‘de cujus’ faleceu em 25/07/2005, tal como define o documento de fls. 112. Portanto o lançamento foi efetuado e cientificado a’de cujus’ quando esta ainda estava em vida. Nesse caso cabe observar que o espólio é responsável pelo tributo devido pelo DE CUJUS até a data da abertura da sucessão. Sendo que os créditos tributários, notificados ao DE CUJUS antes da abertura da sucessão, ainda que neles incluídos encargos e penalidades, serão exigidos do espólio ou dos sucessores, tal como prescreve o art. 23 §3 ° do RIR/99.” Quanto aos paradigmas, o Contribuinte limitouse a transcrever diversas ementas, não obedecendo ao limite regimental de duas por matéria (art. 67, §§ 4º e 5º, do RICARF), e sem efetuar a demonstração analítica, no sentido de que haveria similitude fática com o acórdão recorrido, ou seja, sem comprovar que os paradigmas diriam respeito a contribuinte notificado da autuação antes da abertura da sucessão, conforme ocorreu no caso do julgado guerreado. Ressaltese que tal ônus é do recorrente, conforme art. 67, § 6º, do RICARF. Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial, interposto pelo Contribuinte, por falta de demonstração de divergência jurisprudencial. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 516DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1020.09386.RG6Y. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13808.005233/200144 Acórdão n.º 9202002.595 CSRFT2 Fl. 13 9 Fl. 517DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1020.09386.RG6Y. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por AFONSO ANTONIO DA SILVA em 18/03/2013 09:04:50. Documento autenticado digitalmente por AFONSO ANTONIO DA SILVA em 18/03/2013. Documento assinado digitalmente por: HENRIQUE PINHEIRO TORRES em 26/03/2013 e MARIA HELENA COTTA CARDOZO em 18/03/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 09/10/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP09.1020.09386.RG6Y Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 2525502915F878F4AD7D775CB0574D800E8EDD12 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 13808.005233/2001-44. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 00783.009365/81-41
Data da sessão: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 1987
Ementa: AVARIA EM MERCADORIA IMPORTADA - Retirada a mercadoria para o pátio do importador, ali não foi encontrada em sua totalidade, para exame pelo técnico designado. O percentual de avaria deverá ser o fixado (máximo) pelos assistentes do transportador (f. 16).
Numero da decisão: 302-30.941
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, dar provimento ao recurso,
vencidos os Conselheiros Sálvio Medeiros Costa e Enrique Manuel Garbayo Guarido, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: LEVY VALERIO DE OLIVEIRA
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ACORDÃO N,o...3.0.2.",.}Q •. g,41 • Recurso n.O Recorrente Recorrid 104.073 - Processo nº 0783/009365/81-41 WILSON SONS S/A COMÉRCIO, INDÚSTRIA E AGtNCIA DE NAVEGAÇÃO DRF - VITÓRIA AVARIA EM MERCADORIA IMPORTADA - Retirada a mercadoria pa- ra o pátio do importador, ali não foi encontrada em sua to talidade, para exame pelo técnico designado. O percentual de avaria deverá ser o fixado (máximo) pelos assistentes do transportador (f. 16). • Visto, relatado e discutido o presente processo, ACORDAM os membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, :v:encido.sos (:ons,elheiros,'S'álvio',MedeirosCosta e EnriCJ.ueManuel Gar bayo Guarido,0na forma do relatório e voto CJ.uepassam a integrar o presente julgado. 23 de fevereiro de 1987 . Presidente Procurador da Faz. Nacional ~~~~~O~E: ,2 7 MAR 3987., PJ;:CUR$,0'Dq PROCURADOR DA FAZENDA NACIONAL: HOUVE RP/302-0. 345 Participaram ainda do presente julgamento os seguintes con se1heiros: Ubaldo Campello Neto, Newton Paranhos, Paulo César de Á- vila e Silva e Luis Carlos Viana de Vasconcelos. -2- Rec.104.073 Ac.302-30.941 SERViÇO PÚBLICO FEDERAL MF-TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, SEGUNDA CÂMARA .RECORRENTE: WILSON SONS S/A - COMÉRCIO, INDÚSTRIA E AG~CIA DE NA- VEGAÇÃO. RECORRIDA DRF - VITÓRIA RELATOR LEVY VALÉRIO DE OLIVEIRA R E L A T Ó R I O Reporto-me à Resolução nQ 302-0.204/86,: de f. 94, cujos re latório e voto leio em sessão, para ~ue integrem o presente. Em atendimento ao solicitado, foram anexados os documentos • de f. 98 a 110 e apensados os processos 0783.009359/81-490783,; 009364/81"'89. e • Não houve juntada da DI referente aos 4 conjuntos avaria- dos, objeto deste processo, nem Termo de Destruição dos mesmos. É o relatório • • I -3- Rec.104.073 Ac. 302-30.941 SERViÇO PÚBLICO FEDERAL v O T O • A recorrente apenas discorda do percentual do dano sofrido pela mercadoria desembarcada. Faz referência aos processos apensados, onde, em situações semelhantes (não idênticas), o dano não ultrapassou 5%. Juntou, a f. 16, a opinião de GERMAR Inspeções Navais Ltda, que a assistiu nos trabalhos de vistoria, .de que "as avarias .foram avaliadas numa base de 3 a 5 por cento por cada peça." A douta Comissão de Vistoria não teve o cuidado de, em .• 25/03/82, solicitar a presença de um técnico certificante para de- terminar a extensão do dano. Por conta própria, o estimou em 100%. Havendo impugnação, informou a douta comissão (f. 42) que, concluiu .del"recupera- CST, informação do com engenhei- após a vistoria, a mercadoria avariada foi "transferida para depen- dênCia alfandegada, situada no pátio do importador (DAC) e ali per- manecendo até hoje, intactas, para eventuais comprovaçoes. (grifos meus). Isto, em 23/08/83. A 13/11/83, doc. de f. 47, encontra-se uma engenheiro Sidney Almeida que, baseado em entrevista ros da importadora, por ocasião de visitas que fez à que as peças "em termos práticos, não são passíveis ção; "• Em seu recurso (f. 57) diz a interessada que, quando da vi sita do engenheiro Sidney À CST, dos 4 tubos objeto do processo, a- penas 1 e parte de outro encontravam-se à disposição para exame. Embora considerada 100% avariada a mercadoria, não há Ter- mo de Destruição. Embora liberada a mercadoria, nao há DI para acobertar o desembaraço, não sendo certo, portanto, o que diz a r. decisão a f. 52 "que a retirada do produto foi efetuada dentro dos preceitos le gais, encontrando-se em dependência alfandegada, no pátio do impor- tador, para eventuais averiguações;" (isto em 25/01/85). Tudo exposto, considerando-se a série de equívocos, o úni- co documento abalizado para determinar a extensão do dano, a • -4- Rec.104.073 Ac.302-30.94l SERViÇO PÚBLICO FEOERAl ver, é a informação dos assistentes da recorrente nos trabalhos de vistoria, constante do documento de f. l6. Assim, dou provimento ao recurso, para Que o percentual do dano ,seja de 5% (cinco por cento), máximo indicado no documento de f. 16. Sala das Sessões, 23 der;ve_reiro E~~RA de 1987. • • Relator 00000001 00000002 00000003 00000004
score : 1.0
Numero do processo: 10280.012179/99-51
Data da sessão: Tue Apr 21 00:00:00 UTC 2020
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Ano-calendário: 1989, 1990, 1991, I 992, 1993, 1994, 1995
RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO
O direito de pedir restituição/compensação de, contribuição para o PIS/Pasep extingue-se em cinco anos, contados do pagamento. A edição da Lei Complementar n" li 8/2005 esclareceu a controvérsia do interpretação quanto ao direito de pleitear a restituição do indébito, sendo de cinco anos contados da extinção do crédito que, no lançamento por homologação, ocorre no momento do pagamento antecipado previsto no § 1" do art..150 do CTN.
GRÁFICA ATIVIDADE DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO OU VENDA DE MERCADORIAS COMPROVAÇÃO.
A inércia da contribuinte em apresentai os elementos necessários ao cálculo de eventual indébito faz, por perecer o direito que eventualmente possua, afinal, o direito não socorre aos que dormem.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-000.488
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: Maurício Taveira e Silva
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 1989, 1990, 1991, I 992, 1993, 1994, 1995 RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO O direito de pedir restituição/compensação de, contribuição para o PIS/Pasep extingue-se em cinco anos, contados do pagamento. A edição da Lei Complementar n" li 8/2005 esclareceu a controvérsia do interpretação quanto ao direito de pleitear a restituição do indébito, sendo de cinco anos contados da extinção do crédito que, no lançamento por homologação, ocorre no momento do pagamento antecipado previsto no § 1" do art..150 do CTN. GRÁFICA ATIVIDADE DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO OU VENDA DE MERCADORIAS COMPROVAÇÃO. A inércia da contribuinte em apresentai os elementos necessários ao cálculo de eventual indébito faz, por perecer o direito que eventualmente possua, afinal, o direito não socorre aos que dormem. Recurso Voluntário Negado.
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F 1 1 M MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADIVIINIS`MATIVO DE .RECURSOS FISCAIS '1" L.,, R( TIRA F( AO DE :1111.,GAMENTO ('&'''içr.P7 Processo n" 10280 012179/99-5] Recurso n" 259 518 \foi ri ntári o Acórdão n' 3301-00.488 — 3" Câmara / 1" Turma Ordinária Sessão de 28 de ah i I de 2010 Matéria Restituição/Comp PIS Recorrente ARTES GRÁFICAS PERPÉTUO SOCORRO 1, ;i .DA Recorrida DR.1 em BELÉM - PA ASstiN -m: CONE RIBUIÇÃO PARA O PISA) ASEr Ano-calendário: 1989, 1990, 1991, I 992, 1993, 1994, 1995 R I t.STITIIICÃO. PRESCRIÇÃO O direito de pedir restituição/compensação de, contribuição para o PIS/Pasep extingue-se em cinco anos, contados do pagamento. A edição da Lei Complementar n" li 8/2005 esclareceu a controvérsia do interpretação quanto ao direito de pleitear a restituição do indébito, sendo de cinco anos contados da extinção do crédito que, no lançamento por homologação, ocon e no momento do pagamento antecipado previsto no § 1" do art..150 do CTN. GRÁFICA ATIVIDADE DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO OU VENDA DE MERCADORIAS COMPROVAÇÃO. A inércia da contribuinte em apresentai os elementos necessários ao cálculo de eventual indébito faz, por perecer o direito que eventualmente possua, afinal, o direito não socorre aos que dormem. Recluso Vol untar io Negado. Vistos, relatados e discutidos Os pi escutes autos. Acot dam os membros do Colegiada por unanimidade de votos, negar provimento ao lecurso. q /7) ( 1 I/.,, .i..,-,,---t,„,.., 1,--‘,-;_____. - , R0( ligo dar osta Possas - I residente -7.- 1 Mauricio Tavena e Si I i - Relator , Participaram, ainda, do presente julgamento, os Córiselheii os Maria Teresa Martinei López, José Adão Vitorio° de Morais, Gustavo Kelly Alencar e Antônio Lisboa Cardoso. Re a tório ARTES (11RÁF1CAS PERPÉRJO SOCORRO LTDA , devidamente qualificada nos autos, recorre a este Colegiado através do reernso de lis 114/116 contra o Acórdão a" 01-9.923, de 04/12/2007, prolatado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém - PA, fls. 96/104, que indeferiu a solicitação de r cstituição/co.mpensação de PIS, relativos aos períodos de apur ação de abi 1 de; .1989 a outubro de 1995, cujo pedido protocolizado em I 5/10/1999 (ti 01) A DRE, coniferme Despacho Decisório de lis 72, indeferiu o pedido de restituição, pois, considerou extinto o direito de pleitear restituição pelo decurso do prazo de cinco anos, contados da extinção do crédito tributário, com base DOS artigos 165, 1 e 168, 1, do CTN„ no Ato Dechn otário SRF o" 96/99, lrresignada, em 17/08/2000, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade de tis 75/77, com as seguintes alegações: 1 o direito de se pleitear a restituição ou a compensação se extingue cinco anos após a homologação tácita, ou seja, dez anos após a ocorrência do fato gerador. Nesse sentido continua decidindo o SEI; 2. possui pagamentos posteriores a 15/10/1994 que não forani contemplados pela decisão da Delegacia de origem.; Consoante Despacho de tis 81./83, a DR) converteu o julgamento em diligência para confirmai o recolhimento e obter esclarecimentos acerca da modalidade de PIS a ser considerada e cálculo de eventual indébito, Visando aclarar o que tbra demandado, a DR..1 elaborou novo Despacho de tis 85/87, mencionando que para se esclarecei a modalidade de PIS a ser considerada, resta seguir o ADN Cosi" n" 18/00, dispondo em seu item 1 que "A atividade gráfica pode conligurar-se corno industrial, comercial ou de prestação de serviços. Consideram-se como prestação de serviços as operações realizadas por encomenda, nos termos do art.. 5 0 . V. cie 7°,11, do Decreto o' 2,637, de 1998". Como essa informação não se encontra nos autos, deverá ser definida em novo procedimento de diligência, para as seguintes providências: a) Confirmar os recolhimentos do.s DARF efetuados no período de 16/10/1994 a 10/10/1995, enja,s cópias ellC011in.1112-se MIS As 06/38 b) Do valor confirmado no item "a" supra, deduzir a quantia devida, 1105 pei lodos cowespondentes, pela sistemática cio Lei Complementar n" 07/1970 (com alterações po.sterlores), e outros dé.bitos (consoante noi ma s de restitukâo/compen ya 0'7 O), fiClerMillande- expre samente o E.ILOR .RESTITUIÇÃO izo período de 16/10/1994 a 10/10/1995, 2 Processo nn 0280 012179/99-51 S3-C31! Acu'w(lão " 33(H -00,488 11 185 cOnSiderand0 o pi azo deemlencial de cinco (MOS contado da data do pagamento indevido ou maior cjtie o devido e) Intimai O com, ibuinic paia apresentar livros fiscais e Outros elementos, de Nina a determinar os valoi as acn7ia i e/el idos (1) Elaborai relatório .sucinto sobre esta diligência e s'eus resultados, eu.:é escemlando quaisquer 01,111'M tuformações que julga, convenientes para a elucidação do presente feito e) Dai ciência ao sujeito passivo deste despacho, bem con20 relatório de conclusões da diligència, concedendo-se ao mesmo o I? I al.0 de .311 (omina) dias para inanikstar-se sobre os resultados da diligèneia Em resposta, a unidade de origem anexou os documentos de Os 89/95. A DRI indeferiu a solicitação pois considerou parcialmente decaído o direito de pleiteai restituição e, quanto ao período não decaído, pela ausência de definição da atividade da contribuinte, se prestadora de serviços ou se voltada à venda de mercadorias, sujeitando-se, respectivamente, ao PIS-Repique Ou ao PIS-Faturamento, além do PIS-Dedução O acórdão restou assim e,mentado; 4 sm.tino Piocessii Administi ativo Fiscal Ano-cvlemdái i0 „1989, 1990, 1991, 1992, 199$, .1994, 1995, D.Le1S(5E,S' JUDICI,445 EPE.ITO8' É vedada a eslensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais, quente:10 compiovado que o contribuinte não ligurmi conzo parte Ha et ida ação judie tal ENTENDIMENTO DOMINANTE 1)08 TRIBUNAIS ,SVPERIORES V7NCUTAG.-10 DA ADMINISTR,471F/4 .4 autoridade julgadora administi ativa não se enconn-a vinculada ao entendimento dos 'Tribunais ,,S'uperiores pois não faz parte da legislação trilmfeitia de que fala o aflige) 96 do Código jj andá; co Nacional, de5de que não tenha gerado uma súmula vinculante, nos termos da Emenda Constitucional n c' 45, DOU de .31/12/2004 A5511.1110 Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário 1980, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994 CONTRIBUI( ....'À O SOCIAL PAGAMENTO A A/1410R OU INDEUDO PRAZO PARA PLEITEAR RESUIVICA-0 DECA.DÈNCLA O prazo decadencial para pleitear a restituição de valores pagos. • a maior ou indevidanuzine a titulo de tributos e contribuições, inelu„sive aqueles subinelidos à sistemática do lançamento pot homologação, é de cinco anos' contados da data do efetivo pagamento, i7iesino quando se ti atarde paga/nauta obrigado por norma posteriormente , declarada inconstitucional pelo ,..S"upreino 3 Ti i banal Federal ou cuja cjicácia tenho sido suspensa pelo Senado Federal ou cuja cvnstilitiçào de créditos 11 /1)1(10/ io fiquem dispensados por meio de Medida Provívói ia As.swilo Contribuição para o PLS7Poscp Ano-calendário 19.94,1995 (7RziE1C4 CONTRIBUINTE VENIM DE MIsR(...41)0RI4S PREPONDERAN7V.sAlEN'IL 1'RES151.1)OR DE SERVIÇOS .PIS'- REPIQUE PIS-1'14.TUR4IVIENTO PL5'-D ED LIÇÃO No ca yo de s_,Tt'l ficas, torna-Ne essencial &fina se sua atividade coractei izo pies/ação de serviço ou veitdo de mercadoila, para aferir ye os volvi es devidos silo PIS-Faluiameino e PIS- DedNão (na hipótese de contribuinte com venda de mei cculorias). Ou 1 '1S-Repique e PIS-Dedução (para contribuinte preponderantemente /ri estado) de sei viças) Consideram-se C01770 pre S 11140 de ..5 e f- vi<; :o 5 as operações realLado ti put encomenda, nos lermos do ai ii...c) 5", inciso fr, ("C . artigo 7'. inciso H. do Decreto 11° .2 637/1998 No caso do indefinição de SUO atividade, deve-se indeferir o pleito ave restituição Solicitação Indefei ida 'rempestivainede, em 01/02/2008, a contribuinte protocoliz,ou recurso voluntário de ns. 114/116, acrescido dos documentos de lis, 117/173, repisando os argumentos anteriormente aduzidos, nos seguintes termos: a) não ocorreu a prescrição/decadência do direito ao ciédito, a qual se verifica cinco anos após a homologação tácita (teoria dos 5 -I- 5). Apresenta decisões judiciais corroborando sua tese. As inovações ti azidas pela LC n" 118/05 Dão são aplicáveis às demandas anteriores a sua vigência, visto que a lei retroage somente para beneficiar o contribuinte.. b) Regisfia ser grálica de prestação de serviços, conforme luzem 'prova os documentos em anexo. Allim,mequer seja reconhecido o dii eito creditório. Conforme despachos de fls... 175 e 182, os débitos da compensação pleiteada, por se tratar de Pedido de Compensação não convertido ern Declaração de Compensação, passaram a ser tiritados no processo n" 18490..000004/2008-44 É o Relatório.. Voto Conselheiro Mauricio faveira e Silva, Relatei ()iecurso é tempestivo, atende aos lequisitos de admissibilidade previstos eni. lei, razão pela qual, dele se conhece. A contribuinte reivindica a restituição de crédito do 0 .18, recolhido entre ( 10/04/1989 a 10/10/1995 (Os 04/38), cujo pedido foi protocolizado em 15/10/1999 (C. 01.) I) 4 ' .---- Processo n" 10280 01217Q/99-51 53-C3 ii Acórdào n " 3361-00 488 1 186 Assim, analisa-se a ocorrência de eventual perda do direito à restituição em decorrência do transcurso do prazo prescrieional O art 168, 1, do CIN, fixa o prazo de cinco anos para pleitear restituição, da data da extinção do crédito tributário, caracterizado pelo pagamento indevido Nem a declaração de inconstitucional idade no controle concentrado, nem a Resolução do Senado Federal no controle difuso, e tampouco um ato de caráter geral do Executivo que reconheça a inconstitucionalidade, têm o condão de ressuscitai direitos patrimoniais prescritos segundo as regras do (....1'NJ Apesar de controversa, esta questão ficou sanada com a edição da Lei Complementar nú 118 de 09/02/200.5, visto que, o seu art. 3 esclarece a interpretação que deve ser dispensada ao caso: .4r1 $' Para eti,jto dc inteiltretação do Mc:iço 1. do ai I l6!! da Lei no 5 172, de 2.5 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional, a. extinção do ci. édito tributai io ocorre, no ca() tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que traía o I° do arl 150 da ref(u ida Lei Com a edição da lei Complementar á" 118/2005, o seu artigo 3' foi debatido no âmbito do 8'11 no EResp 327043/DF, que entendeu tratar-se de usurpação de competência a edição desta norma inter-Relativa, cujo real objetivo era desfazei entendimento consolidado: Entendendo configurar legislação nova e não interpretativa, os Ministros do ST.1 decidiram que as ações impetradas até a data de 09/06/200.5, não se submeteriam ao consignado na nova lei: Todavia, no âmbito administrativo, a LC n" 118/05 somente ratificou o entendimento anteriormente consolidado de prescrição quinquenal Ademais, não compete à autoridade administrativa declarar ou reconhecer a inconstitucional idade ou ilegalidade de lei, pois essa competência foi atribuída em caráter privativo ao Poder Judiciário As normas emanadas do órgão competente passam a pertencer ao sistema, cabendo à autoridade administrativa tão-somente velar pelo seu fiel cumprimento.. Assim sendo, o inicio da contagem de prazo presericional se verifica no momento do pagamento. Deste modo, tendo o pedido sido protocolizado em 15/10/1999, encontram-se com o direito de restituição extinto os recolhimentos efetuados anteriormente a 15/10/1994, vez que alcançados pelo instituto da prescaição, .No tocante às decisões trazidos à colação pela interessada, cumpre observar que, consoante o art. 472, do Código de .Processo Civil, produzem efeitos apenas em relação às partes que integram o processo, somente alcançando terceiros nos hipóteses previstas no Decieto rt"- 2346/97, o que não se configurou na espécie: Passa-se à análise dos valores recolhidos entre 16/10/1994 a 10/10/1995 'Necessár io se faz um breve histoi ico acerca das modalidades de contribuição para o PIS aplicáveis ao caso. Confinme os apontamentos do ilustre AFRIS, Mateus Vinícius Dadalti Barroso, em seu material didático Legislação Tributária Federal — PIS/Pasep, a publicar, a LC n0 7/70, que instituiu a contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), estabeleceu, alem do MS Folha de Pagamento, os seguintes tipos dessa contribuição: PIS-Repique, devido pelas empresas que prestavam serviços (receita de pi estação de serviços superior a 90% da receita bruta total), sendo calculado aplicando-se ar aliquota de 5% sobre o IR. devido, Ou como se devido tosse; Pis-Dedução (do Imposto de Renda), calculava-se aplicando 5% sobre o IR devido ou como se devido fosse, sendo dedmido tal valor do IR a pagar; PIS-Iraturamento, devido peias empresas que realizavam operações de venda de mercadorias e niel cadoria.s e serviços, caso a receita da venda de mercadorias fbsse igual ou super ior a 10% da receita bruta total. A aliquota era de 0,75%, aplicada sobre o laturamento Com a edição dos D.L 2,445/88 e 2.449/88 buscou-se urna uniformiAação de tratamento em relação às einpiesa.s 'vendedoras de mem cadorias e as prestadoras de serviços.. Desta -forma, o VIS passou a ser devido por todas as pessoas jurídicas de direito privado com base na receita operacional lir ufa à alíquota de 0,65%. Assim, para que eventual direito ci edi todo possa ser calculado, é necessário que dos valores pagos constantes dos DARl'. sejam abatidos os valores devidos a titulo de PIS- Faturarimento ou PIS-Repique, na (Orara da LC n" 7/70, consoante a atividade da empresa à época fosse induStr al/e0Mel eia' ou piestadoi a de serviços Ocorre que no caso de gráfica sua atividade pode se earmeterinr tanto como prestação de ser viço ou como venda de mercadoria. Nessa toada o ADN Cosit n" 18/00, em seu item I dispõe que "A atividade gráfica pode conliguran-se como industrial, comercial ou de prestação de serviços. Consideram-se como prestação de sei viços as operações realizadas por encomenda, nos termos do art.. 5", V, e/c art, 7", 11, do Decreto n' 2.637, de 1998". Destarte, visando apurar, dentre outras questões, o valor passível de restituição, consoante a atividade da contribuinte se enquadrar como prestação de sei viço ou de venda de mercadoria, o ,. julgamento do processo fora convertido em diligência (tis 85/88) Contudo, regularmente intimada (ti 92-verso), a contribuinte não se mani !estou (fls 91/93) Registre-se que, consoante art. 16 do Decreto 70.215/72, a petição inicial já deveria ter sido apresentada com os elementos necessários e suficientes à análise do pleito. 'Visando suprir a inércia da inter ossada a administração tributária diligenciou juntc) à contribuinte dando-lhe nova oportunidade de apresentar tais documentos. Assim, sua resistência em prestar as intOrmações necessárias ao calculo de eventual indébito acabam por tirei perecer algum direito que eventuahnente possua, afinal, conforme a velha parêmia, o direito não socorre aos que dormem. Sendo essas as considerações que reputo suficientes e necessárias à resolução da lide, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida, É como voto, .Mta Inicio Ta vein Silva 6
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Numero do processo: 10209.000209/2003-41
Data da sessão: Thu Sep 30 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3102-000.138
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. A Conselheira Nanci Gama declarou-se impedida
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. A Conselheira Nanci Gama declarou-se impedida. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Ricardo Paulo Rosa, Beatriz Veríssimo de Sena, Luciano Pontes de Maya Gomes, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. RELATÓRIO Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Trata o presente processo de exigência do Imposto de Importação, acrescido da multa de ofício, no percentual de 75%, e dos juros de mora, perfazendo, na data da autuação, o crédito tributário no valor R$ 104.930,98, objeto do Auto de Infração de fls. 03-09. 2. De acordo com a descrição dos fatos constante do Auto de Infração, a empresa interessada, por meio do processo nº 10209.000302/2001-94, protocolizou pedido de restituição de parcela do Imposto de Importação, em razão de apuração errônea da sua base de cálculo. Por ocasião do exame do pedido, foi efetuada a revisão da Declaração de Importação (DI), da qual resultou a conclusão de gozo Fl. 112DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/11/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10209.000209/2003-41 Resolução n.º 3102-000.138 S3-C1T2 Fl. 2 2 indevido, na importação, da preferência tarifária, prevista no Acordo de Complementação Econômica nº 39 (ACE 39), no âmbito da Associação Latino-americana de Integração (ALADI). 3. Em decorrência, foi lavrado auto de infração para exigência de diferença do Imposto de Importação, aplicando-se a alíquota integral, sem a preferência tarifária. A autuação se baseia nos seguintes fundamentos: 3.1 O código NALADI-SH, indicado no certificado de origem diverge daquele informado na DI e na fatura comercial, o que está em desconformidade com o art. 1º do Acordo 91 da ALADI, apenso ao Decreto nº 98.836/1990; 3.2 O certificado de origem apresentado no despacho aduaneiro indica, como país exportador, a Venezuela, fazendo referência à fatura comercial emitida pela Petroleo y Gas (PDVSA), não havendo correspondência com a fatura comercial que instruiu o despacho de importação, emitida pela Petrobrás International Finance Company (PIFCO), localizada nas Ilhas Cayman; 3.3 Com a Resolução nº 232 da ALADI, apensa ao Decreto nº 2.865/1998, que alterou o Acordo 91, veio permitir a participação de um operador de terceiro país, membro o não da ALADI, porém a operação praticada pelo contribuinte não atende aos requisitos exigidos pelo art. 2 da citada Resolução; 4. Cientificado do lançamento em 04/04/2003, conforme fl. 03, o contribuinte insurgiu-se contra a exigência, apresentando a impugnação de fls. 24-29, 06/05/2003, por meio da qual expõe as seguintes razões de defesa: 4.1 O certificado de origem traz dois códigos diferentes para o produto: no campo “código arancelario”, o número 2710.00.50 e, no campo “observações”, o número 2710.00.41; 4.2 A DI indica o código NALADI 2710.0030 e o código 2710.00.41; 4.3 A fatura comercial não indica o código da mercadoria, mas a identifica como sendo “gasoil” e ainda faz referência à fatura 119.892- 0, a qual indica o código NCM 2710.00.41; 4.4 Os demais documentos que instruíram o despacho aduaneiro, trazem o código NCM 2710.00.41 (manifesto de carga e conhecimento de embarque); 4.5 O produto importado é gasoil e o seu código NALADI-SH corresponde ao número 2710.00.30, até porque o código 2710.00.50 não existe, e o código NCM é 2710.00.41; 4.6 A indicação errônea do código NALADI-SH no certificado de origem não passou de um mero equívoco, o que não configura violação ao art. 1º do Acordo 91, conforme já decidiu o TRF da 1ª Região; 4.7 A impugnante adquiriu o produto junto à PDVSA, através de sua intermediária, a PFICO; Fl. 113DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/11/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10209.000209/2003-41 Resolução n.º 3102-000.138 S3-C1T2 Fl. 3 3 4.8 Houve participação de terceiro país na importação, razão pela qual foram emitidas duas faturas comerciais, uma pela PDVSA e outra pela PFICO; 4.9 A fatura PIFSB-1039-0 faz referência ao certificado de origem e também à fatura da PDVSA, deixando claro o liame entre esses documentos; 4.10 No campo “observações” do certificado de origem foi indicado o “operador”, conforme Resolução 232 da ALADI, a qual permitiu a participação de um país não membro da ALADI; 4.11 Os dispositivos citados pela fiscalização, relativos à fatura comercial em desacordo com exigências regulamentares, sequer estavam em vigor quando da emissão da fatura, datada de 14/11/2000, portanto não poderiam ser violados; 4.12 deve ser excluída a utilização da taxa Selic, em razão de sua ilegalidade e inconstitucionalidade, com base no art. 146 da Constituição Federal e art. 161, § 1º do CTN. Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão de piso pela manutenção parcial da exigência, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II Data do fato gerador: 27/10/2000 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA NO ÂMBITO DA ALADI. DIVERGÊNCIA ENTRE CERTIFICADO DE ORIGEM E FATURA COMERCIAL. INTERMEDIAÇÃO DE PAÍS NÃO SIGNATÁRIO DO ACORDO INTERNACIONAL. É incabível a aplicação de preferência tarifária em caso de divergência entre Certificado de Origem e fatura comercial bem como quando o produto importado é comercializado por terceiro país, não signatário do Acordo Internacional, sem que tenham sido atendidos os requisitos previstos na legislação de regência. MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. Incabível a aplicação da multa prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em caso de solicitação indevida, feita no despacho de importação, de reconhecimento de preferência percentual negociada em acordo internacional, quando o produto estiver corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e não ficar caracterizado intuito doloso ou má fé por parte do declarante. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 27/10/2000 FATURA COMERCIAL. Fl. 114DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/11/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10209.000209/2003-41 Resolução n.º 3102-000.138 S3-C1T2 Fl. 4 4 A apresentação da fatura comercial em desacordo com as exigências regulamentares sujeita o importador à multa prevista na legislação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 27/10/2000 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. Falece competência à autoridade administrativa para apreciar argüição de ilegalidade e inconstitucionalidade de normas legais. Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a autuada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. Dado que o montante exonerado é inferior ao limite fixado na Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008, não pende recurso de ofício da fração da decisão de primeira instância que afastou parcialmente a exigência. É o Relatório. VOTO Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator A matéria é por demais conhecida deste colegiado e sobre a mesma tive oportunidade de me manifestar recentemente, quando do julgamento dos recursos que tramitam nos autos dos processos 10209.000398/2005-14 e 10209.000731/2005-95, para os quais propus, respectivamente, a manutenção e o afastamento do benefício inerente ao regime de origem da Aladi, em razão da completude da instrução processual. Naquela oportunidade registrei meu entendimento no sentido de que, se apresentadas as vias originais (ou cópia autenticada pela autoridade preparadora) das faturas comerciais relativas a toda a operação triangular, permitindo que se promova seu cotejamento com certificado de origem apresentado por ocasião do despacho de importação e, consequentemente, se afira o cumprimento das exigências atreladas ao regime, caberia manter o benefício; caso não se demonstrasse essa completude, caberia afastá-lo de plano. Na oportunidade, fui vencido em razão de que, no sentir dos meus pares, caberia intimar o contribuinte a apresentar a fatura comercial expedida pela pessoa jurídica PDVSA, eis que, a par da relevância desse documento para a rastreabilidade da operação, sua apresentação não teria sido solicitada pelo Fisco. Nesta nova oportunidade, ante a tal precedente, tendo em vista que, no presente recurso, igualmente não se verifica intimação para apresentação da fatura indicada no Certificado de Origem e, o que é mais importante, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, vem endossando a imprescindibilidade da apresentação da fatura expedida pela PDVSA, me rendi à opinião da maioria e, com espeque no art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972 1 , decidi que a 1 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Fl. 115DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/11/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10209.000209/2003-41 Resolução n.º 3102-000.138 S3-C1T2 Fl. 5 5 prudência exige a complementação da instrução processual, por meio da conversão do julgamento e diligência. Assim sendo, converto o julgamento do presente recurso em diligência, a ser executada por meio da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) preparadora, a fim de que seja a recorrente intimada a apresentar, no prazo de 30 dias, a via original da fatura comercial indicada no certificado de origem que instruiu o despacho de importação. Do referido documento deverá ser extraída cópia a ser autenticada por servidor da RFB e juntada tal cópia ao processo ou, se a contribuinte preferir, providenciada cópia autenticada em cartório, a ser igualmente juntada aos autos. Concluída tal providência ou o prazo outorgado para a apresentação do documento objeto da presente diligência, devem os autos retornar a este Colegiado para prosseguimento do julgamento. Sala das Sessões, em 30 de setembro de 2010 (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 116DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 09/11/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 19515.000279/2002-20
Data da sessão: Fri Sep 17 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 1998, 1999
VERBA DE GABINETE - IMPOSTO DE RENDA - VALORES UTILIZADOS NO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE PARLAMENTAR.
Esta 2ª Turma da CSRF, tem proclamado, ressalvado meu entendimento pessoal, que as ajudas de custo e as verbas de gabinete recebidas pelos membros do Poder Legislativo, destinadas ao custeio do exercício das atividades parlamentares, não se constituem em acréscimos patrimoniais, razão pela qual estão fora do conceito de renda especificado no artigo 43 do CTN.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-000.957
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso do Contribuinte. Vencido o Conselheiro Francisco Assis de Oliveira Junior, que negava provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: Elias Sampaio Freire
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Vencido o Conselh negava provimento ao recurso. 0o, por maioria de votos, em dar provimento iro Francisco Assis de Oliveira Junior, que Elias SainiJ̀WYFreirl — Relator CSRF-T2 Fl I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n" 19515,000279/2002-20 Recurso n° 158.749 Especial do Contribuinte Acórdão n o 9202-00,957 — 2" Turma Sessão de 17 de agosto de 2010 Matéria IRPF Recorrente RUI GOETHE COSTA FALCÃO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 1998, 1999 VERBA DE GABINETE - IMPOSTO DE RENDA - VALORES UTILIZADOS NO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE PARLAMENTAR, Esta 2. Turma da CSRF, tem proclamado, ressalvado meu entendimento pessoal, que as ajudas de custo e as verbas de gabinete recebidas pelos membros do Poder Legislativo, destinadas ao custeio do exercício das atividades parlamentares, não se constituem em acréscimos patrimoniais, razão pela qual estão fora do conceito de renda especificado no artigo 43 do CTN. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Ci rl EDITADO EM: Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Trata-se de recurso especial interposto pelo contribuinte por discordar de decisão que deu provimento parcial ao recurso e manteve o IRFON reclamado pelo auto de infração, assim ementado: IRPF - LANÇAMENTO DE OFÍCIO - COMPETÊNCL4 DA UNIÃO FEDERAL - Somente entes políticos dotados de poder legislativo têm competência para instituir tributos, sendo tal poder indelegável A competência constitucional para instituir o imposto de renda é da União Federal, cujo lançamento é atribuído por lei aos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil Assim, mesmo no caso de tributos sujeitos à repartição constitucional das receitas tributárias da União Federal para Estados e Municípios, a União é a entidade que detém competência sobre o imposto de renda. RENDIMENTOS TRIBLITA PEIS AUXÍLIO-ENCARGOS GERAIS DE GABINETE E HOSPEDAGEM Compete à União instituir imposto sobre a renda e proventos de qualquer. natureza, bem como estabelecer a definição do fato gerador da respectiva obrigação As verbas recebidas por- parlamentar como auxílio de gabinete e hospedagem estão contidas no ámbito da incidência tributária e devem ser consideradas corno rendimento tributável na Declaração de Ajuste Anual RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA A responsabilidade da .fonte pagadora pela retenção na fonte do recolhimento do tributo não exclui a responsabilidade do beneficiáriodo respectivo rendimento de s MULIA DE OFÍCIO - EXCLUSÁk) - Deve ser excluída do lançamento a multa de oficia quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagador-a, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos JUROS SELIC segundo a Súmula 1° CC n° 4 . "A partir de 1' de abril de 1995, os .juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no penado de inadimplência,à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais" Recurso voluntário parcialmente provido O contribuinte alega em síntese que a) os valores recebidos pelo recorrente da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo eram para o trabalho e pelo trabalho realizado, Processo n" 19515 000279/2002-20 Acôrd5o n " 9202-00.957 CSRF-T2 El 2 não havendo que se falar, então, em subsunção do fato à hipótese identificada pelos arts. 43 e 112 do CTN; b) transformou o Fisco Federal simples ilação em presunção relativa quando o recorrente não lowou localizar a totalidade dos comprovantes das despesas recorrentes do exercício do mandato; e c) a própria recorrida admite que não se trata de fato gerador do IRFON. A Fazenda Nacional, cientificada do recurso especial do contribuinte e do despacho que lhe deu seguimento, apresentou contra-razões. Argumentando em síntese que o fato dos rendimentos terem sido classificados pela fonte pagadora como indenização, não os exclui da incidência de imposto, uma vez que não estão contemplados nas hipóteses de isenções vigentes do art.. 39 do RIR/99. É o relatório. Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator O Recurso é tempestivo, estando também demonstrado o dissídio jurisprudencial, pressupostos regimentais indispensáveis à admissibilidade do Recurso Especial. Assim, conheço do Recurso Especial interposto pelo contribuinte Esta 2 Turma da CSRF, tem proclamado, ressalvado meu entendimento pessoal, que as ajudas de custo e as verbas de gabinete recebidas pelos membros do Poder Legislativo, destinadas ao custeio do exercício das atividades parlamentares, não se constituem em acréscimos patrimoniais, razão pela qual estão fora do conceito de renda especificado no artigo 43 do CTN. A propósito: "VERBA DE GABINETE - IMPOSTO DE RENDA - VALORES UTILIZADOS NO EXERCíCIO DA ATIVIDADE PARLAMENTAR - NÃO INCIDÊNCIA Os valores recebidos pelos parlamentares, a título de verba de gabinete, necessários ao exercício da atividade parlamentar, não se incluem no conceito de renda por se constituírem em recursos paia o trabalho e não pelo trabalho, A premissa exposta no item anterior não se aplica nos casos em que a fiscalização apurar que o parlamentar utilizou ditos recursos em beneficio próprio não relacionado à atividade parlamentar Recurso Especial do Contribuinte provido e da Fazenda Nacional prejudicado" (Acórdão 9202-00 690, da 2' Turma da CRU, relator: conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva, em 13/04/2010) Ressalvo, contudo, ponto de vista em sentido contrário, entendendo que não logrando o contribuinte comprovar que verbas recebidas foram utilizadas para custear despesas incorridas no exercício da do Poder Legislativo Estadual, constituem eles acréscimo patrimonial incluído no âmbito de incidência do imposto de renda. 3 É c voto. Pelo exposto, atento ao entendimento dominante nesta 2' Turma da CSRF, consoante explicitado, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso do contribuinte Elias Sanipaio Freii e 4
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