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Numero do processo: 10120.001004/2006-04
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000, 2001, 2002
Ementa:
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. ACOLHIMENTO.
Acolhem-se os embargos declaratórios para sanar eventuais vícios verificados no Acórdão, atribuindo-lhes efeitos infringentes.
NORMAS PROCESSUAIS. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
A preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, de matéria não impugnada, impede o conhecimento de recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo.
Numero da decisão: 2201-003.147
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos para, atribuindo-lhe efeitos infringentes, sanar o vício apontado no Acórdão nº 2201-002.451, de 17/07/2014, e, consequentemente, alterar a decisão no sentido de "rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência o item 4 do Auto de Infração (Multa Isolada do Carnê-leão)."
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 30/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Presente ao Julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2000, 2001, 2002 Ementa: EMBARGOS DECLARATÓRIOS. ACOLHIMENTO. Acolhem-se os embargos declaratórios para sanar eventuais vícios verificados no Acórdão, atribuindo-lhes efeitos infringentes. NORMAS PROCESSUAIS. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, de matéria não impugnada, impede o conhecimento de recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos para, atribuindo-lhe efeitos infringentes, sanar o vício apontado no Acórdão nº 2201-002.451, de 17/07/2014, e, consequentemente, alterar a decisão no sentido de "rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência o item 4 do Auto de Infração (Multa Isolada do Carnê-leão)." Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah - Presidente e Relator. EDITADO EM: 30/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Presente ao Julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira.
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ACOLHIMENTO. Acolhemse os embargos declaratórios para sanar eventuais vícios verificados no Acórdão, atribuindolhes efeitos infringentes. NORMAS PROCESSUAIS. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, de matéria não impugnada, impede o conhecimento de recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos para, atribuindolhe efeitos infringentes, sanar o vício apontado no Acórdão nº 2201 002.451, de 17/07/2014, e, consequentemente, alterar a decisão no sentido de "rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência o item 4 do Auto de Infração (Multa Isolada do Carnêleão)." Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente e Relator. EDITADO EM: 30/05/2016 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 10 04 /2 00 6- 04 Fl. 907DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Presente ao Julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira. Relatório Tratase de Embargos Inominados opostos, com base no art. 66 do Anexo II da Portaria MF nº 343/2015, pela autoridade responsável pela execução do acórdão, fl. 789, em face do Acórdão nº 2201002.451, de 17/07/2014. Alega a Embargante que a DRJ, ao julgar a impugnação do contribuinte, considerou como não impugnados os itens 1 e 2 do Auto de Infração, razão pela qual transferiu o imposto correspondente a tais infrações para o Processo Administrativo nº 10120.014830/200877. Entretanto, o acórdão embargado deu parcial provimento para excluir da exigência os itens 2 e 4 do auto de infração. De fato, compulsandose os autos, verificase a DRJ considerou parte do lançamento como não impugnado e que o contribuinte, em seu recurso voluntário, se insurge quanto a esse entendimento. Em razão da controvérsia, a presidente da 1ª Turma da Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, por meio do Despacho de fls. 797/798, acolheu os Embargos e determinou a reinclusão do processo em pauta de julgamento, com vistas a sanar o vício apontado. É o Relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator Os embargos reúnem os requisitos de admissibilidade. Segundo se colhe dos autos, a autoridade fiscal constituiu a exigência relativa ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF, fls. 352/367, exercício 2002, anocalendário 2001, relativo às seguintes infrações: 1 – Dedução indevida de despesas escrituradas no LivroCaixa (Ajuste Anual); 2 – Dedução indevida de despesas do Livro Caixa omissão de rendimentos (Carnêleão); 3 – Omissão de rendimentos relativos a depósitos bancários de origem não comprovada; 4 – Multas isoladas pela falta de recolhimento do IRPF, devido a título de Carneleão. Fl. 908DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10120.001004/200604 Acórdão n.º 2201003.147 S2C2T1 Fl. 3 3 Em sua impugnação, fls. 376/404, o contribuinte se insurge contra o lançamento alegando diversas nulidades e algumas questões de mérito, contudo, não questiona, expressamente, as infrações descritas nos itens 1 e 2. Em razão da falta de manifestação quanto às citadas exigências, a 3ª Turma da DRJ em Brasília, consignou no voto condutor do Acórdão nº 0326.210, fls.530/550, o seguinte: O contribuinte não contesta expressamente as infrações de Dedução Indevida de Despesas de LivroCaixa (CarnêLeão e Ajuste Anual). Esse fato, como consequência dá nova feição às matérias, que passarão a ser consideradas como não impugnadas, conforme prescreve o art. 17, do Decreto 70.235/72 (redação dada pela Lei 9.532/97). Na parte dispositiva da ementa restou também assinalado que (fl. 530): MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS DE LIVROCAIXA. Consideramse não impugnadas, portanto não litigiosas, as matérias que não tenham sido expressamente contestadas pelo contribuinte. (...) Em seu apelo, alegou o contribuinte que nas hipóteses de erro de fato, deve a Administração Fazendária reconhecêlo de oficio, razão pela qual não procede a alegação de preclusão. Transcrevese trecho do Recurso Voluntário (fl. 578): Devemos ressaltar, à guisa de argumentação, que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, poderia até alegar preclusão para revisão de ofício nesta parte do lançamento no caso de cometimento de erro de fato, porém, o pleito encontra guarida, além dos dispositivos supra mencionados, também no Parecer SRRF/1° RF/DISIT n° 2, de 20/02/2001, c/c item 27 do Parecer Cosit n° 36/2000, que assim concluiu: (...) Portanto, conforme supra expendido, claro está que realmente houve o mencionado erro de fato na oportunidade de preenchimento da declaração de rendimentos do anocalendário de 2001, razão pela qual com suporte nos dispositivos legais e no Parecer SRRF acima mencionados, deve o lançamento, nessa parte, ser revisto, ou melhor, cancelado, pois, ao contrário, estaria a União Federal locupletandose indevidamente, já que está a cobrar imposto infinitamente superior ao devido. Não obstante as considerações acima tecidas, a impugnação do sujeito passivo não contesta, expressamente, as infrações descritas nos itens 1 e 2, apesar de o Recurso Voluntário ofertado pelo contribuinte contemplar esses itens. Verificase, outrossim, que o acórdão embargado, em contrapartida, deu parcial provimento ao recurso do interessado justamente em relação aos itens 2 e 4 do Auto de Infração. Fl. 909DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Com efeito, o Decreto nº 70.235/1972 que rege o processo administrativo fiscal é extremamente claro quando dispõe em seu art. 17 o seguinte: Art.17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532/1997). A matéria não especificamente contestada na impugnação é reputada como incontroversa, com a aceitação tácita do contribuinte, e é insuscetível de ser trazida em momento processual subsequente. Ressaltase que o contencioso administrativo fiscal só se instaura em relação àquilo que foi expressamente contestado na impugnação. Portanto, como não instaurou o litígio quanto às infrações descritas nos itens 1 e 2, o lançamento, nesta parte, tornouse líquido e certo. A respeito do tema, Antônio da Silva Cabral no livro Processo Administrativo Fiscal, Editora Saraiva, às fls. 467, assim se manifesta: Posição do problema. É princípio assente em processo que a petição inicial delimita o âmbito da discussão. No processo fiscal, o âmbito do litígio está ligado a impugnação, pois é esta que inicia o procedimento litigioso. Por conseguinte, se o impugnante não ataca determinada parte do lançamento é porque concordou com a exigência. Seu direito de impugnar, portanto, ficou precluso no tocante à parte não impugnada. Ocorrendo à preclusão processual não pode este Tribunal, por conseguinte, apreciar estas novas argumentações apresentadas pelo recorrente. Esse é entendimento deste Órgão, consoante as ementas transcritas: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Estando os atos processuais sujeitos à preclusão, não se toma conhecimento de alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância. (ACÓRDÃO 20181453) NORMAS PROCESSUAIS. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, na redação dada pela Lei nº 9.532/1997, de matéria não impugnada, impede o conhecimento de recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. (ACÓRDÃO 203 11507) Por fim, penso que não restou comprovado o alegado erro de fato, razão pela qual se torna inaplicável à espécie o § 2° do art. 147 e inciso IV do art. 149, ambos do CTN. Ressaltese que o contribuinte interpôs uma petição intitulada Embargos de Declaração às fls. 800/805; entretanto de acordo com o art. 79 do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 343/2015) devese, por ordem de preferência, intimar os Procuradores da Fazenda imediatamente à formalização do acórdão. Posteriormente, o contribuinte será intimado do Acórdão de Recurso Voluntário e do Acórdão de Embargos, momento em que poderá, nos termos regimentais, opor seus aclaratórios. Ante a todo o exposto, voto no sentido de acolher os embargos apresentados para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2201002.451, de 17/07/2014, alterar a decisão no sentido de “rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para Fl. 910DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10120.001004/200604 Acórdão n.º 2201003.147 S2C2T1 Fl. 4 5 excluir da exigência o item 4 do Auto de Infração (Multa Isolada do Carnêleão), nos termos do voto do relator”. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 911DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 10660.001004/92-31
Data da sessão: Fri Mar 22 00:00:00 UTC 1996
Ementa: F1NSOCI4L FATURAMENTO Aplica-se aos
procedimentos intitulados decorrentes ou reflexos, o
decidido no processo matriz, pois ambos tem a mesma base
factual.
CONSTITUCIONALIDADE- Somente
o Poder Judiciário pode apreciar a Constitucionalidade das
Leis, pois presumem-se constitucionais todas as normas
emanadas dos Poderes Legislativo e Executivo, não podendo
este Tribunal Administrativo julgar a matéria , por
extrapolar sua competência.
Indevida a cobrança do finsocial com aliquota superior a
0,5% (meio por cento).
Numero da decisão: 102-30.800
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de contribuintes, por unanimidade de votos,REJEITAR A PRELIMINAR DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA, E no mérito dar provimento ao recurso, para adequar esta decisão ao decidido no processo matriz, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: José Clóvis Alves
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ementa_s : F1NSOCI4L FATURAMENTO Aplica-se aos procedimentos intitulados decorrentes ou reflexos, o decidido no processo matriz, pois ambos tem a mesma base factual. CONSTITUCIONALIDADE- Somente o Poder Judiciário pode apreciar a Constitucionalidade das Leis, pois presumem-se constitucionais todas as normas emanadas dos Poderes Legislativo e Executivo, não podendo este Tribunal Administrativo julgar a matéria , por extrapolar sua competência. Indevida a cobrança do finsocial com aliquota superior a 0,5% (meio por cento).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-04T18:23:38Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-04T18:23:38Z; Last-Modified: 2009-07-04T18:23:38Z; dcterms:modified: 2009-07-04T18:23:38Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-04T18:23:38Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-04T18:23:38Z; meta:save-date: 2009-07-04T18:23:38Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-04T18:23:38Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-04T18:23:38Z; created: 2009-07-04T18:23:38Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2009-07-04T18:23:38Z; pdf:charsPerPage: 1467; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-04T18:23:38Z | Conteúdo => MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO :10660001004/92-31 Sessão de 22de março de 1996 ACÓRDÃO N° 102-30.800 RECURSO N° : 88.274 FINSOCIAL-FAT: EXS. 1988 A 1990 RECORRENTE :COSMOS ENGENHARIA LTDA RECORRIDA : DRF EM VARGINHA MG F1NSOCI4L FATURAMENTO Aplica-se aos procedimentos intitulados decorrentes ou reflexos, o decidido no processo matriz, pois ambos tem a mesma base factual. 4CCIrMailrXIMLYIECIblVALLIIEMILX310- Somente o Poder Judiciário pode apreciar a Constitucionalidade das Leis, pois presumem-se constitucionais todas as normas emanadas dos Poderes Legislativo e Executivo, não podendo este Tribunal Administrativo julgar a matéria , por extrapolar sua competência. Indevida a cobrança do finsocial com aliquota superior a 0,5% (meio por cento). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por COSMOS ENGENHARIA LTDA. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanímídade de voto4, tejeítat a pitelímínan de ceit ceamento do díte,Lto de deeAct, e, no m jitíto dam. pitovímento itecuiuso, nos tetmo3 do te.e.at jit-Lo e voto que pa44am a íntegitan o pteente fu/gado. Sala das Sessões (DF), em 22 de março de 1996 /ANTÔNIO F IT MIT - PRESIDENTE 0) JO `I ' S VES - ATOR FORMALIZADO EM: 22 MAR iT,3t5,4) Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros LIRSLILA HANSEN,MA RIA CLÉLIA PEREIRA DE ANDRADE, Jauo CÉSAR GOMES DA SILVA, SUELI EFIGÊNIA MENDES DE BRITTO e RAMIRO 1lEISE. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 02 PROCESSO N° :10660 001004/92-31 RECURSO N°: - 88.274 ACORDÃO N°: 102- 3 0 . 00 RECORRENTE: COSMOS ENGENHARIA LTDA RELATÓRIO A empresa COSMOS ENGENHARIA LTDA, inscrita no Cadastro Geral de Contribuintes sob o nr 16 690094/0001-95 inconformada com a decisão proferida pelo Delegado da Receita Federal em Varginha (MG), apresenta recurso voluntário ao Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes, objetivando a reforma da decisão recorrida. O lançamento decorreu da constatação das irregularidades abaixo, constantes do Auto de Infração e seus anexos como omissão de receitas, caracterizadas por passivo fictício, suprimento de numerário, e subfaturamento baseado em auto do fisco estadual O presente processo de exigência do FINSOCIAL FATITRAMENTO, tem a mesma base factual do processo nr. 10660001018/92-46, recurso rir, 105.143, que exigiu IRPJ, julgado por esta Câmara em 07 de dezembro de 1993, tendo como relator o DR KAZUKI SHIOBARA, e através do acordão nr, 102-28692 este Colegiado deu provimento parcial ao recurso para excluir da base de calculo do IRPJ, as parcelas de Cz$ 5.782 141,32, CZ$ 53 058 090,00 e NCZ$ 31 852,07, respectivamente nos exercícios de 1988, 1989 e 1990. As argumentações de fato e de direito apresentadas para impugnação no presente processo, bem como a documentação acostada aos autos, são idênticas às apresentadas ao processo matriz. O delegado da Receita Federal em Varginha MG, manteve parcialmente o lançamento, ementando sua decisão com os seguintes vocábulos FINSOCIAL FATURAMENTO- Çonstatada a omissão de receita na pessoa jurídica, e legitima a exigência da contribuição para o FINSOCIAL, incidente sobre as importâncias omitidas O fundamento legal para a autuação bem como para a manutenção da exigência em primeiro grau foram os artigos 14 e 14 do RECOFIS/86, alterado pela Lei 7 738/89. Em seu recurso de paginas 125 e 126 a autuada através de seu patrono, argumenta em síntese, o seguinte Ocorreu no procedimento fiscal, inegável quebra de princípio do contraditório assegurado expressamente pelo artigo 5, LV, da CF/88, já no curso da ação fiscal, feito fora MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 03 PROCESSO N° :10660001004/92-31 RECURSO N°: - 88.274 ACORDÃO N°: 102-3 0 . 800 RECORRENTE: COSMOS ENGENHARIA LTDA do estabelecimento fiscalizado, nenhuma contra prova foi admitida a autuada. Faz negativa geral quanto ao cometimento das infrações, e se insurge contra a prova emprestada Quanto ao FINSOCIAL, diz ser inconstitucional O FINSOCIAL, cujo perfil o Supremo Tribunal Federal configuram como imposto inominado criado pela competência residual da União, poderia ser instituído a luz do disposto no artigo 154, inciso 1, da Constituição Federal? O artigo 56 das Disposições Transitórias cuida de um tributo em extinção ou de um tributo presente, cujos aumentos podem continuar a ser realizados sem que o sistema tributário seja violado? Que o FINSOCIAL tem a mesma base de calculo do PIS, que importaria em bi-tributação. Todos os aumentos ocorridos após 5 de outubro de 1988 foram aumentos inconstitucionais, posto que instituindo imposto i o *nado em franco conflito com o sistema É o relatório. él MINISTÉRIO nA FAZENDA PRIrviEIRO r`l'ir'NÍTRIPa TINTr O 4 PROCESSO N° :10660.001004/92-3111 RECURSO N°: - 88.274 ACORDÃO N°: 102-3 0 . 800 RECORRENTE: COSMOS ENGENHARIA LTDA VOTO Conselheiro: José Clóvis Alves, Relator: O recurso é tempestivo, havendo preliminares a analisar. A alegação de cerceamento do direito de defesa, não pode prosperar visto que a fiscalização agiu dentro da Lei ,caracterizados os pressupostos de omissão de receitas lavrou o competente auto de infração para exigência do FINSOCIAL FATURAMENTO e, diferentemente do que alega o nobre recursante, não houve quebra do principio do contraditório pois tomou conhecimento de todos os atos praticados pela fiscalização e no curso do processo foram-lhe assegurados todos os meios de defesa e de prova As alegações apresentadas não encontram guarida na legislação para que se julgue nulo feito fiscal ou a decisão monocrática, assim rejeito a preliminar de cerceamento do direito de defesa Presumem-se constitucionais os atos emanados dos Poderes Legislativo e Executivo, até decisão em contrário do Poder Judiciário, a quem cabe com exclusividade a discussão da constitucionalidade das Leis. Portanto às autoridades judicantes na esfera administrativa, não é dado o direito a decidir contra atos emanados das autoridades a quem estejam subordinadas. Este Tribunal Administrativo, embora composto paritariamente por representantes dos contribuintes e da fazenda, é órgão judicante diretamente subordinado ao Ministro de Estado da Fazenda, não cabendo aos seus conselheiros membros, insurgirem contra atos emanados do Poder Executivo e Legislativo. Aliás cabe lembrar ao recursante que, em sintonia com o acima exposto, tanto o Poder Executivo com Legislativo, mantêm comissões encarregadas do exame das matérias que se tornarão Lei quanto à admissibilidade constitucional, seja via Projeto, seja via Medida Provisória O exame por qualquer Órgão da Administração, mesmo com poder judicante, não pode se insurgir contra atos das Autoridades Superiores Cabe finalmente lembrar que o Decreto 73 529/74, veda a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais contrarias a orientação estabelecida, para a administração direta e autárquica em atos de caráter normativo ou ordinatório 9 MINTIqTÉRIO DA FA71LNTIA -PRIMEIRO COP4SELHO DE .C,CiNTRIBUIN rfES 0 5 PROCESSO N° :10660 001004/92-3111 RECURSO N°: - 88.274 ACORDÃO N°: 102-3 0 . 800 RECORRENTE: COSMOS ENGENHARIA LTDA Considerando que o processo que exigiu IRPJ, do qual este tem a mesma base factual foi julgado em grau de recurso por esta Câmara em 07 de dezembro de 1993, e o colegiado deu provimento parcial ao recurso Tratando-se do processo decorrente ou reflexo, tendo o processo matriz determinada decisão, este uma parte deduzida daquele, e de se aplicar a mesma solução, pois tendo a mesma causa deve ter o mesmo efeito Assiste razão a contribuinte em relação às alíquotas aplicadas, visto que o Poder Judiciário decidiu serem inconstitucionais os artigos da legislação que majoraram as alíquotas para 1,2% e 2%; a própria Receita Federal, admitiu e admite o parcelamento da referida contribuição a 0,5% Assim, conheço o recurso, como tempestivo, para rejeitar a preliminar de cerceamento do direito de defesa e no mérito DAR-LHE provimento parcial, para excluir da base de calculo do FINSOCIAL-FATURAMENTO, as parcelas de CZ$ 5 782 141,32 CZ$ 53.058.090,00 e NCZ$ 31 852,07, respectivamente, nos exercícios de 1988, 1989 e 1990, e finalmente para reduzir as alíquotas aplicadas para 0,5% (meio por cento) Brasília DF, 22 #de "J./ e/ 199(61, 0,14-é-( '7f ./01) eansegeima- - rekto" Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1
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Numero do processo: 10715.007807/2009-17
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed May 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2005
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-005.268
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário reconhecendo-se o instituto da denúncia espontânea. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso voluntário.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Cássio Shappo e Flavio de Castro Pontes
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2005 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário reconhecendo-se o instituto da denúncia espontânea. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso voluntário. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Cássio Shappo e Flavio de Castro Pontes
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1802; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10715.007807/200917 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801005.268 – 1ª Turma Especial Sessão de 18 de março de 2015 Matéria OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente AEROVIAS DEL CONTINENTE AMERICANO AS AVIANCA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2005 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário reconhecendose o instituto da denúncia espontânea. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso voluntário. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Redator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 78 07 /2 00 9- 17 Fl. 224DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.007807/200917 Acórdão n.º 3801005.268 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Cássio Shappo e Flavio de Castro Pontes Fl. 225DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.007807/200917 Acórdão n.º 3801005.268 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10715.007807/200917, contra o acórdão nº 0734.487, julgado pela 1ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Florianópolis (DRJ/FNS), na sessão de julgamento de 26 de março de 2014, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou: A presente autuação referese à exigência da multa capitulada no art. 107, IV, alínea “e”, do Decreto Lei n.º 37/66, com a redação da Lei n.º 10.833/2003, aplicada por veículo/viagem, identificado pelo respectivo voo, por não prestar as informações sobre a carga transportada no prazo estabelecido na IN SRF n.º 28/1994, alterada pela IN RFB n.º 510/2005. A fiscalização relata no auto de infração que os embarques das cargas se deram os registros destes embarques. Intimada da autuação, a interessada apresentou a impugnação alegando, em síntese, o que segue: 1) Embora a Impugnante tenha realizado todos os registros tempestivamente, a averbação das referidas informações no Sistema foi realizada após o prazo legal de dois dias, tendo em vista a ocorrência de alguns problemas, de cunho eminentemente prático, que o Siscomex vem apresentando e apresentou, no momento da inserção dos dados no Sistema, pela Impugnante. Também as retificações das informações foram processadas como se fosse a primeira informação. 2) Acusa a contagem de prazo feita indevidamente nos fins de semana. 3) O lançamento das multas está em total desconformidade com o nosso ordenamento jurídico, uma vez que ocorre patente violação ao principio da razoabilidade, segundo o qual a atuação da Administração Pública, direta ou indireta, de qualquer dos Poderes, deve se pautar, como condição de legitimidade dos atos administrativos, ao lado de outros princípios, tais como, o da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, isonomia, boafé e o da motivação suficiente, como condição essencial para a validade dos atos administrativos, em geral. 4) Requer, ao final, a insubsistência do auto de infração. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.007807/200917 Acórdão n.º 3801005.268 S3TE01 Fl. 5 4 A DRJ de Florianópolis (DRJ/FNS) decidiu pela parcial procedência da impugnação, mantendo o crédito. Colaciono a ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano calendário: 2005 Ementa: Acórdão dispensado de ementa, de acordo com a Portaria SRF nº 1.364, de 10/11/2004 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com parcial procedência de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, expondo que: 1 Embora tenha realizado todos os registros tempestivamente, a averbação das referidas informações no Sistema foi realizada após o prazo legal de dois dias, de cunho eminentemente prático, que o Siscomex já vinha apresentado, no momento da inserção de dados; 2 Por diversas vezes, precisou ser interrompido a inserção de dados, por falha inerente do funcionamento do Sistema, que estava “fora do ar”, ocasionando esforço redobrado da empresa recorrente; 3 A recorrente procedeu ao registro dos dados de embarque, não o fazendo, em alguns casos, no prazo de dois dias à época previsto, em virtude de problemas técnicos do Siscomex; 4 Todos registros e informações dos embarques foram prestados antes de qualquer medida de fiscalização denunciadora das supostas infrações; 5 A denúncia espontânea regida pelo Decreto 37/66 afasta a aplicação de penalidades, tanto de natureza tributária quanto de natureza administrativa, excepcionandose, apenas, as penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento; 6 Quanto à apresentação da impugnação, é cediço que a razoabilidade integra o ordenamento constitucional brasileiro e que se constitui em princípio inarredável no tocante a elaboração das leis e no que diz respeito à autuação do Poder Executivo; 7 Conforme estabelecido pelo art. 46, caput, § 1º da IN/SRF nº 28/1994, a averbação consiste apenas na confirmação por parte da Autoridade Aduaneira, de que o embarque ou a transposição das mercadorias, de fato ocorreu. É o sucinto relatório. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.007807/200917 Acórdão n.º 3801005.268 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço, portanto. Denúncia Espontânea A questão em debate cingese à incidência da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66. Muito embora compartilhe do entendimento que as agências de carga não possam ser sujeitas da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66, devendo ser estas serem impostas somente ao transportador, tenho que deve ser adotado o entendimento deste egrégio Conselho, já exposto em diversos acórdãos, como, v.g., o de nº 3401002.443, julgado na sessão de 26 de novembro de 2013. Ocorre que diversos são os julgados deste Conselho onde foi compreendido que a obrigação do transportador, de prestar as informações à RFB, encontrase estabelecida no art. 37 do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Todavia, entendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso. Ocorre que embora não tenha sido objeto de defesa no presente recurso voluntário, entendo que por ter a Recorrente apresentado as declarações, mesmo que fora do prazo, passou a existir o instituto da denúncia espontânea, matéria de ordem pública que deve ser ponderada. Assim, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Consultados os autos, nas planilhas apresentadas pela fiscalização é possível verificar que as declarações foram entregues, todavia em atraso de no máximo 03 (três) dias, não configurando dano algum ao Erário. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: Fl. 228DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.007807/200917 Acórdão n.º 3801005.268 S3TE01 Fl. 7 6 “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentado após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. No presente caso temse que o pedido de retificação prestado pela recorrente foi anterior lavratura do Auto de Infração, bem como de qualquer outra intimação da RFB. Deste modo, aplicase ao presente caso o instituto da denúncia espontânea. O Código Tributário Nacional disciplina no art. 138 a exclusão da responsabilidade quando a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, restringindo tal hipótese quando caracterizado o início do procedimento administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único. Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) No presente caso, temos, portanto que a retificação foi apresentada antes de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando a denúncia espontânea, devendo ser Fl. 229DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.007807/200917 Acórdão n.º 3801005.268 S3TE01 Fl. 8 7 excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2º do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66. Ainda, cabe observar que, sendo o fato gerador anterior a Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, necessário aplicar in casu a retroatividade benigna da alteração legislativa processada pela referida Medida Provisória, conforme determina o artigo 106 do CTN. Logo, aplicável à referida legislação ao presente caso. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento, consoante se verifica pelos arestos abaixo: DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURAÇÃO A retificação de informação prestada em registro de conhecimento de carga antes de qualquer procedimento da fiscalização aduaneira, está amparada pela denúncia espontânea prevista no art. 102, do mesmo diploma legal (Acórdão 3101001.138, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 22/05/2012, Relator Conselheiro Luiz Roberto Domingo) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO AS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A alteração do art. 102 do DecretoLei nº 37/66 promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que incluiu as penalidades de natureza administrativa, dentre aquelas alcançadas pela denúncia espontânea é aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento, em razão da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. (Acórdão 3102001.663, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 25/10/2012, Relator Conselheiro Álvaro Arthur L. de Almeida Filho) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA ISOLADA. DENUNCIA ESPONTÂNEA. Por força de dispositivo legal, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização. (Acórdão 3301001.691, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 30/01/2013, Relator Conselheiro Jose Adão Vitorino de Morais) Diante da aplicação do instituto da denúncia espontânea, entendo pelo provimento do recurso e passo a analisar as demais matérias, não obstante prejudicadas, para fins de privilégio do devido processo legal. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.007807/200917 Acórdão n.º 3801005.268 S3TE01 Fl. 9 8 Nulidade do auto de infração Entendo que não assiste razão o recorrente na sua insurgência sobre a nulidade do auto de infração por não bem comprovar a conduta da recorrente. A fiscalização apresentou a planilha contendo o número das declarações, a data do embarque a data em que foi enviada a declaração e a que voo pretendia, não se olvidando que estas informações são feitas de forma eletrônica e pelo próprio recorrente. Nestes termos, não havendo o recorrente comprovado que de fato as datas de envio não seriam aquelas que apontados pelo fisco, não logrou êxito em desincumbirse do ônus de comprovar a tempestividade das emissões, por força do art. 333, II, do CPC. Ausência de Dano ao Erário Em que pese não tenha ocorrido dano pecuniário do ente público, o entendimento no caso é por embaraçar a fiscalização do fisco. As declarações a que as empresas de transporte são obrigadas a apresentar são obrigações acessórias com finalidade exclusiva de auxiliar a fiscalização das importações e exportações, possibilitando a ciência do que cada empresa que utiliza a transportadora tem transportado, para onde vai e se foi recolhido o tributo a que esta operação está sujeita. Nestes termos, entendo que há o embaraço da fiscalização, quando as transportadoras não cumprem o prazo de emissão da declaração, não obstante entenda que não deve incidir a multa regulamentar neste caso, apenas nos casos de omissão. Multa Singular e o Princípio da Proporcionalidade e Razoabilidade A recorrente se insurge contra a aplicação da multa regulamentar contra as declarações expedidas as destempo em cada uma das viagens de voo declarações de forma extemporânea, evocando o princípio da razoabilidade de proporcionalidade. Neste ponto, entendo que não há maculas o julgado da DRJ, posto que determinou que em cada voo cujas declarações tenham sido expedidas com atraso deveria ser aplicada multa apenas na proporção de viagens, respeitando a proporcionalidade e razoabilidade ao contrario do que afirma o recorrente. Neste sentido, entendo por interpretar a norma de forma mais favorável sem infringir a legalidade ao contribuinte quando esta determina penalidade ao tipo de conduta, conforme resta estabelecido no art. 112, do Código Tributário Nacional – CTN, segundo o qual “a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto”: à capitulação legal do fato; à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; e à natureza d penalidade, aplicação, ou à sua gradação. Sobre o tema em comendo, temse decidido nas sessões deste Conselho a interpretação da norma em favor do infrator. Vejamos: Fl. 231DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.007807/200917 Acórdão n.º 3801005.268 S3TE01 Fl. 10 9 Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2006 ILEGIMITIDADE PASSIVA. MULTA. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. EXPORTAÇÃO. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR. É legitimo para figurar no polo passivo da autuação, o transportador que registou os dados de embarque fora do prazo estabelecido no art. 37, §2º, da Instrução Normativa SRF nº 28/94. Inteligência dos arts. 107, inciso IV, alínea “e” e 37 do DecretoLei nº 37/66 c/c arts. 37, §2º, 44 e 46 da Instrução Normativa SRF nº 28/94. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. Ocorrendo dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; e à natureza da penalidade aplicação, ou à sua gradação, deve ser aplicada a interpretação mais favorável ao acusado (art. 112, CTN). A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação no Siscomex é aplicada por viagem do veículo transportador e não por carga (Declaração para Despacho de Exportação). DUPLICIDADE DA COBRANÇA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não comprovada documentalmente o alegado bis in idem, improcedente a alegação de duplicidade da cobrança e a consequente identidade de objetos entre dois processos administrativos fiscais. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138, CTN. MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. Não alegado em momento oportuno, o argumento está precluso, pelo que não merece ser conhecido, ex vi dos arts. 16, inciso III e 17, do Decreto nº 70.235/72. (Recurso Voluntário nº 11968.001039/200717, Relator Bruno Mauricio Macedo Curi, da 2ª Câmara da 3ª Sessão de Julgamento do Carf, Publicada em 11/09/2013) Nestes termos, entendo que a penalidade do art. 107, IV, alínea “e” do Decreto Lei nº 37/66, deve ser aplicada por viagem e não por declaração de carga, conforme julgou a primeira instância. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Em face do exposto, encaminho o voto para dar provimento ao recurso voluntário, no sentido de reconhecer que uma vez apresentada a declaração está explicita a denúncia espontânea, motivadora da exclusão da multa regulamentar. (assinatura digital) Fl. 232DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.007807/200917 Acórdão n.º 3801005.268 S3TE01 Fl. 11 10 Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator Fl. 233DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 13826.000353/99-05
Data da sessão: Mon Dec 06 00:00:00 UTC 2010
Ementa: FINSOCIAL - RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO
Anos-calendário: 1989 a 1992
FINSOCIAL. DECADÊNCIA O prazo para solicitar restituição de tributos é de cinco anos, contado do pagamento.
Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 9303-001.261
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos de declaração para suprimir a omissão apontada no Acórdão nº CSRF/0305.601, de 25/02/2008; e, pelo voto de qualidade, acolher os declaratórios com efeitos infringentes para retificar o resultado do referido acórdão, de “recurso especial negado” para “Recurso Especial do Procurador Provido”, e considerar decaído o direito de repetição de indébito. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Gileno Gurjão Barreto, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que negavam provimento.
Nome do relator: JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO
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DECADÊNCIA O prazo para solicitar restituição de tributos é de cinco anos, contado do pagamento Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos de declaração para suprimir a omissão apontada no Acórdão nº CSRF/0305.601, de 25/02/2008; e, pelo voto de qualidade, acolher os declaratórios com efeitos infringentes para retificar o resultado do referido acórdão, de “recurso especial negado” para “Recurso Especial do Procurador Provido”, e considerar decaído o direito de repetição de indébito. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Gileno Gurjão Barreto, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que negavam provimento. Carlos Alberto Barreto – Presidente Judith do Amaral Marcondes Armando Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Fl. 317DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 23/08/2011 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 23/08/2011 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13826.000353/9905 Acórdão n.º 9303001.261 CSRFT3 Fl. 88 3 Relatório A presente lide versa sobre pedido de restituição de valores relativos ao Finsocial, protocolado em 05 de julho de 1999. O período dos pagamentos ocorreu entre setembro de 1989 e março de 1992. A contribuinte alegou que pagou a referida contribuição com fundamento nos artigos 9º da Lei nº 7.689, de 1988, 7º da Lei nº 7.787, de 1989, 1º da Lei nº 7.894, de 1989 e 1º da Lei nº 8.147, de 1990. Tendo o Supremo Tribunal Federal declarado a inconstitucionalidade de tais comandos legais, foram considerados indevidos os recolhimentos em valores superiores à alíquota de 0,5%, exceto quanto a fatos geradores ocorridos em 1988, ocasião em que a alíquota era de 0,6%. Em julgamento neste CARF a solicitação foi deferida nos exatos termos do pedido. Irresignada, a PGFN interpôs Recurso Especial contra o acórdão unânime. Recorreu do prazo de restituição adotado pela Câmara a quo. A CSRF manteve a decisão de primeira instância. Cientificada do acórdão a Fazenda Nacional apresentou embargos declaratórios, os quais foram providos pelo Presidente do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, também, Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. A PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL embarga o Acórdão CSRF/0305.601, de 25 de fevereiro de 2008, alegando omissão. Entende que a falta de apreciação do art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, macula a decisão, uma vez que o recurso especial calcouse nesse fundamento para expressar sua tese sobre o dies a quo para contagem do prazo prescricional para o contribuinte requerer a restituição de tributos pagos irregularmente ou a maior. A Douta Procuradoria argumenta que o prazo para pleitear a restituição é de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário, que ocorre com o pagamento do tributo. Alega que, para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 do CTN, o art. 3º da LC nº 118 evidencia que para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação a extinção do crédito tributário ocorre no momento do pagamento antecipado, tratado no par. 1º do art. 150 do Código Tributário Nacional. O voto condutor entendeu que a contagem do prazo decadencial começa a partir da edição da Medida Provisória nº 1.110, em 31 de agosto de 1995. Transcrevo o trecho da ementa do acórdão combatido, que interessa a esta decisão: FINSOCIAL. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO O direito de pleitear o reconhecimento de crédito com o conseqüente pedido Fl. 319DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 23/08/2011 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO 4 de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que tenha sido declarada inconstitucional, somente surge com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta. Ante à inexistência de ato especifico do Senado Federal, o Parecer COSIT n° 58, de 2710/98, firmou entendimento de que o termo a quo para o pedido de restituição começa a contar a partir da edição da Medida Provisória n° 1.110, em 31/08/95, primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do recolhimento do Finsocial à aliquota superior a 0,5%, expirando em 31/08/00. O contribuinte apresentou contrarazões. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Judith do Amaral Marcondes Armando Aprecio os Embargos de Declaração interpostos pela PGFN, em boa forma. Como relatado, a matéria que é submetida ao colegiado diz respeito ao prazo de restituição de tributo e o motivo dos embargos foi a falta de apreciação do art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, à luz da matéria recorrida. Assim, passo a proferir meu voto de forma a sanar a omissão apontada pela Douta Procuradoria. Quanto ao prazo supracitado, dispõe o Código Tributário Nacional que o sujeito passivo tem direito à restituição total ou parcial de tributo, de qualquer modalidade de pagamento, que tenha sido cobrado ou pago espontaneamente, em razão de disposição legal aplicável, que venha a ser desconsiderada, desde que o pedido ou a restituição de ofício seja realizado dentro dos cinco anos contados da extinção do crédito tributário. Vejase o artigo 165 e 168: Art. 165 O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4 do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 23/08/2011 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13826.000353/9905 Acórdão n.º 9303001.261 CSRFT3 Fl. 89 5 ...................................................................................................... Art. 168 O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Acrescento, ainda, que considero absolutamente indispensável a comprovação de que o tributo não foi repassado, por qualquer via, a outrem. Não vou enfrentar essa questão posto que não subiu para apreciação deste Colegiado, mas gosto de consignar minha posição por inteiro. No presente caso temos informação de que o pedido foi realizado em 05 de julho de 1999, e os períodos dos fatos geradores ocorreram entre setembro de 1989 a março de 1992. É fato que a matéria não está pacificada no âmbito deste CSRF, havendo interpretações, ao meu sentir em desacordo com as normas já mencionadas. Diz o art. 156 do CTN: Art. 156 Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; II a compensação; III a transação; IV a remissão; V a prescrição e a decadência; VI a conversão de depósito em renda; VII o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no Art. 150 e seus parágrafos § 1 e § 4; VIII a consignação em pagamento, nos termos do disposto no § 2 do artigo 164; IX a decisão administrativa irreformável, assim entendida a definitiva na órbita administrativa, que não mais possa ser objeto de ação anulatória; X a decisão judicial passada em julgado. XI a dação em pagamento em bens imóveis, na forma e condições estabelecidas em lei. (acrescentado pela LC000.104 2001) Fl. 321DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 23/08/2011 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO 6 Assim, combinandose os artigos 165 e 168, temos a seguinte conclusão direta: A restituição é devida, seja qual for a modalidade de pagamento do tributo, desde que o pedido seja realizado no período de cinco anos contados do pagamento. É de ser observado, ainda, que a edição da Lei Complementar nº 118, parágrafo 3º pôs fim a qualquer pretensão de interpretação alheia ao que dispõe o CTN. Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Notese que, conforme argumentou a PGFN, o prazo não se altera em função do fundamento do pedido de repetição. Assim, voto por conhecer dos embargos de declaração, conhecer que a omissão leva a efeitos infringentes, dar –lhe provimento, e submeter toda a matéria embargada ao plenário desta Terceira Seção de Julgamentos. Judith do Amaral Marcondes Armando Fl. 322DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 23/08/2011 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 10120.016270/2008-95
Data da sessão: Wed Jul 28 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 10/11/1003, 20/11/2003
DECADÊNCIA. RECURSO DE OFÍCIO
Correta a exoneração, pela autoridade julgadora de primeira instância, da parte do crédito tributário atingido pela decadência quinquenal,
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 20/08/2007
ISENÇÃO. PORTADOR DE DEFICIÊNCIA
A isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI sobre venda de automóvel de passageiros a portador de deficiência que não tenha plena capacidade jurídica abrange a aquisição efetuada por intermédio do seu representante legal.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 30/11/2003 a 30/12/2005
CRÉDITOS BÁSICOS. MATÉRIAS-PRIMA. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. EMBALAGENS
O direito ao aproveitamento de créditos de IPI, decorrentes da entrada de matérias-prima, produtos intermediários e materiais de embalagens utilizados na industrialização de produtos tributados, está condicionado ao destaque do IPI nas notas fiscais relativas às operações de aquisição desses insumos.
CRÉDITOS BÁSICOS, ALÍQUOTA ZERO
Súmula CARF n° 18. A aquisição de matérias-prima, produtos intermediários e materiais de embalagens utilizados na industrialização de produtos tributados, está condicionando ao destaque do IPI nas notas relativas ás operações de aquisição desses insumos.
CRÉDITOS BÁSICOS, ALÍQUOTA ZERO
Súmula CARF n" 18. A aquisição de matérias-prima, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI,
EXCEÇÕES AO REGIME NORMAL DE APURAÇÃO, REGIMES
ESPECIAIS, Os regimes especiais se justificam como exceções ao regime normal de apuração, e se destinam à racionalização e simplificação dos procedimentos de arrecadação e fiscalização, não se confundem com beneficio fiscal.
BENEFICIO FISCAL REGIME ESPECIAL„ FRUIÇÃO CUMULATIVA,
INEXISTÊNCIA DE DESCUMPRIMENTO LEGAL, Mantém-se o beneficio fiscal instituído pela Lei n" 9.826, de 1999, correspondente ao crédito presumido de 32% do IPI, quando utilizado cru concomitância com o regime especial de apuração do IPI autorizado pela MP nº 2,158-35/01 (3%), pelo fato do referido regime não se caracterizar como beneficio fiscal.
Recurso de Oficio Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-000.567
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso de oficio e, quanto ao recurso voluntário: I) por unanimidade de votos, negar-lhe provimento, mantendo o crédito tributário referente à glosa dos créditos do IPI
sobre aquisições de matérias-prima, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero e imunes; II) por maioria de votos, negar-lhe provimento, para manter o crédito tributário referente à glosa dos créditos do IPI sobre aquisições de matérias-prima, produtos intermediários e material de embalagem isentos, Vencidos os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso e Maria Martinez López; III) por unanimidade de votos, dar-lhe provimento para cancelar o crédito tributário referente à glosa da isenção sobre a venda de veículo para deficiente; e IV) por maioria de votos, dar-lhe provimento para cancelar o crédito
tributário referente à glosa do crédito-presumido do IPI, instituído pela Lei nº 9,826, de 1999. Designado o Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Vencidos os Conselheiros José Adão
Vitorino de Morais (Relator) e Rodrigo da Costa Possas. Estiveram presentes ao julgamento o patrono da recorrente DR. Aristófanes Fontoura de Holanda e o Procurador da Fazenda Nacional.
Matéria: IPI- ação fiscal- insuf. na apuração/recolhimento (outros)
Nome do relator: Antonio Lisboa Cardoso
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Recorrentes MMC AUTOMOTORES DO BRASIL LTDA. FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 10/11/1003, 20/11/2003 DECADÊNCIA. RECURSO DE OFÍCIO Correta a exoneração, pela autoridade julgadora de primeira instância, da parte do crédito tributário atingido pela decadência quinquenal, ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/08/2007 ISENÇÃO. PORTADOR DE DEFICIÊNCIA A isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI sobre venda de automóvel de passageiros a portador de deficiência que não tenha plena capacidade jurídica abrange a aquisição efetuada por intermédio do seu representante legal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: .30/11/200.3 a .30/12/2005 CRÉDITOS BÁSICOS. MATÉRIAS-PRIMA. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. EMBALAGENS O direito ao aproveitamento de créditos de IPI, decorrentes da entrada de matérias-prima, produtos intermediários e materiais de embalagens utilizados na industrialização de produtos tributados, está condicionado ao destaque do IPI nas notas fiscais relativas às operações de aquisição desses insumos, CRÉDITOS BÁSICOS, ALiQUOTA ZERO Súmula CARF n" 18. A aquisição de matérias-prima, produtos intermediários e material de embalagem trib / utalos à alíquota zero não gera crédito de IPI, EXCEÇÕES AO REGIME NVRMAL DE APURAÇÃO, REGIMES ESPECIAIS, Os regimes espzeciails se . justificam como exceções ao regime normal de apuração, e s (lestiiam à racionalização e simplificação dos - - //------- ,.. procedimentos de arrecadação e fiscalização, não se confundem com beneficio fiscal. BENEFICIO FISCAL REGIME ESPECIAL„ FRUIÇÃO CUMULATIVA, INEXISTÊNCIA DE DESCUMPRIMENTO LEGAL, Mantém-se o beneficio fiscal instituído pela Lei n" 9.826, de 1999, correspondente ao crédito presumido de 32% do IPI, quando utilizado cru concomitância com o regime especial de apuração do IPI autorizado pela MP n" 2,158-35/01 (3%), pelo fato do referido regime não se caracterizar como beneficio fiscal. Recurso de Oficio Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de oficio e, quanto ao recurso voluntário: I) por unanimidade de votos, negar-lhe provimento, mantendo o crédito tributário referente à glosa dos créditos do IPI sobre aquisições de matérias-prima, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero e imunes; II) por maioria de votos, negar-lhe provimento, para manter o crédito tributário referente à glosa dos créditos do IPI sobre aquisições de matérias- prima, produtos intermediários e material de embalagem isentos, Vencidos os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso e Maria Martinez López; III) por unanimidade de votos, dar-lhe provimento para cancelar o crédito tributário referente à glosa da isenção sobre a venda de veículo para deficiente; e IV) por maioria de votos, dar-lhe provimento para cancelar o crédito tributário referente à glosa do crédito-presumido do IPI, instituído pela Lei n" 9,826, de 1999.. Designado o Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Vencidos os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais (Relator) e Rodrigo da Costa Possas. Estiveram presentes ao julgamento o patrono da recorrente DR. Aristófanes Fontoura de Holanda e o Procurador da Fazenda Nacional.. • • V1/7,-1 7", R64o d ta Pãssas - Presidente r \y. \i‘ (À(Wykr,,;/0 omo Lisboa Car bso N "r Designado Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso, José Adão Vitorino de Morais, Maurício Taveira e Silva, Maria Teresa Martinez López, Rodrigo Pereira de .Mello e Rodrigo da Costa Pôssas, Relatório Trata-se de recursos de oficio e voluntário, interpostos, respectivamente, pela DRJ Juiz de Fora, MG, e pelo sujeito passivo, contra a decisão que julgou procedente em parte o lançamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) referente aos fatos geradores dos decêndios dos meses de competência de novembro de 2003 e dezembro de 2005 e do fato gerador . de 20 de agosto de 2007, Processo o" 10120.016270/2008-95 S3-C3T1 Acrii dão o '3301-00.567 FI 2.007 A exigência tributária decorreu: a) para o fato gerador de 20/08/2007, de glosa de isenção do IPI na venda de veículo para pessoa deficiente; b) para os fatos geradores de 10/02/2004, 10/05/2004 e 10/07/2004, de glosas de créditos de IPI sobre aquisições tributadas à alíquota zero, imunes ou isentas; e, c) para os fatos geradores dos demais períodos, ou seja, ocorridos entre 10/11/2003 a .30/12/2005, também, por glosas de créditos-presumido do 1PI, previstos na Lei n" 9..826, de .23/08/1999. Inconformada com o lançamento de oficio, a recorrente impugnou-o (fls. 1.885/1.909), alegando razões que foram assim resumidas por aquela DRJ: "a) decadência do crédito tributário relativo aos l a e 2" decêndios de novembro de 2003, já que decorridos mais de cinco anos entre a data de ocorrência dos respectivos fatos geradores e a data da ciência do lançamento; b) a glosa cio crédito presumido de 32% de IPI, sob o argumento de que teria sido aproveitado concomitantemente com outro 'beneficio fiscal' (crédito presumido de 3% do IPI), em suposta violação ao art 3" da Lei n" 9.826/1999, revela-se improcedente, pois: (i) o regime especial que contempla o crédito presumido de 3" não implica desoneração fiscal para a inzpugnante, logo, não pode ser- tido como 'benefício fiscal', (ii) ainda que implicasse redução do IPI devido, não teria a natureza de 'beneficio .fiscal', pois este pressupõe seja concedido em razão de políticas públicas (finalidades extrafiscais) desvinculadas da capacidade contributiva das pessoas agraciadas com a medida; (iii) o Fisco tinha pleno conhecimento de que a empresa utilizava concomitantemente o credito presumido de 32% e o crédito presumido de 3% tendo, inclusive, em parte homologado de maneira expressa esse procedimento, de modo que não poderia adotar, 110 presente, entendimento diverso daquele utilizado no passado, pretendendo aplicá-lo retroativamente; c) quanto ao creditamento do 1PI na aquisição de produtos isentos, o STF já o admitiu (RE 21.2 484-2), sendo obrigatória a observância desta decisão por parte da Administração Pública, por força do disposto no art. 1" do Decreto 2 346/1997. Mesmo raciocínio dever aplicado ao crédito do IN nas aquisições de produtos não- tributado ou tributados à aliquota zero; cl) é também improcedente a exigência do IPI por suposto descumprimento de condição para saída de veículo com isenção do imposto, uma vez que houve mero erro formal quando da emissão da nota ,fiscal. De fato, ao invés de a nota .fiscal ter sido emitida eu; nome do próprio deficiente físico, foi emitida em nome de seu representante.. Ademais, não obstante a ocorrência do mencionado erro, não fbi dada ao bem destinação diversa da estabelecida na lei que concedeu a isenção, pois o veículo foi entregue ao representante do deficiente, uni dos autorizados a dirigi-la Por fim, registre-se que a autoridade empregou alíquota de 20% para o cálculo do sendo que para veículos "flex', como é o caso do veiculo em quesro_ alíquota era de 11%." Analisada a impugnação, aquela DRJ julgou o lançamento rAdedente em parte, conforme acórdão assim ementado: "PORTADOR DE DEFICIÊNCIA. ISENÇÃO A emissão de nota fiscal de saída de automóvel com isenção do IPI a pessoa diversa daquela autorizada pela RFB a adquiri-lo, autoriza a exigência do imposto a quem deu causa à infração. ALIOUO.TA. ERRO Comprovado que a idiquota do 1P1 adotada pela autoridade, correspondente ao produto saído indevidamente com isenção do imposto, é superior à vigente à época da ocorrência do fluo gerador, deve o órgão julgador sanar a irregularidade (art. 60 do Decreto 70 235/72). CRÉDITOS BÁSICOS, GLOSA A aquisição de insumos isentos, sujeitos à alíquota zero ou não- tributados, não confere ao adquirente direito a crédito do IPI BENEFICIO FISCAL. GLOSA Provado que a beneficiária do crédito presumido instituido pela Lei n°9 826/1999 violou o disposto em seu art. 3" (cumulação do beneficio com outros beneficias ,fiscais), há que se ter como correta a glosa reall2ada. DECADÊNCIA Não havendo sido comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, e tendo havido pagamento parcial consideram-se definitivamente extintos os créditos tributários relativos a fatos geradores ocorridos há mais de cinco anos da ciência do lançamento." A DM recorreu de oficio de sua decisão por ter exonerado crédito tributário (principal e multa) em valor superior a R$ 1.000,000,00 (um milhão de reais), nos termos do Decreto n°70.235, de 1972, art. 34, inciso 1, c/c a Portaria ME n°03, de 03/01/2008, art. 2". Cientificada dessa decisão, a recorrente interpôs o recurso voluntário às fls. 2,043/2.080, requerendo a sua reforma a fim de se julgue improcedente o lançamento e se cancele o crédito tributário mantido em primeira instância. Para iiindamentar seu recurso, expendeu extenso arrazoado, às fls. 2,047/2.078, sobre: 1) ilegitimidade da glosa do crédito-presumido de 32,0 %, previsto no art. 1" da Lei n" 9.826, de 23/08/1999, e a figura prevista no art. .56 da MP n" 2.1258-35/01; 2) a legitimidade da apropriação de créditos de 1PI sobre insumos não-tributados, isentos ou sujeitos à aliquota zero; e, 3) inexigência de IPI, em seu nome, na saída de veículo vendido a deficiente físico cuja emissão da nota fiscal se deu em nome de seu representante, concluindo, ao final, que: 1) a Lei if 9,826, de 1999, art. 3°, instituiu um crédito-presumido de 1PI, no valor de 32,0 % do imposto destacado na nota fiscal, para os produtos classificados nas posições 8702 e 8704, beneficiando os estabelecimentos instalados nas áreas da Sudam, Sudene e Centro Oeste, exceto para o DF, vedando, contudo, sua fruição, cumulativamente, com outros beneficias fiscais federais; e, segundo seu art. 4", a utilização desse beneficio em d4âèordo com as normas estabelecidas, bem como o descumprimento do projeto específico implicará pagamento do IPI com os acréscimos legais, assim impõe-se demonstrar que o "regirn: especial de apuração do 1PI", previsto no art. 56 da MP n" 2.158-35, de 2001, não se quaKfiCaN-' como "outros benefícios fiscais federais", para fins de aplicação dos arts. 3" e 4" daquela lei, N pelas seguintes razões: 1.1) regime especial e desoneração fiscal são institutos jurídicos distintos; a referida MP instituiu um regime especial de apuração do IPI, que consiste num crédito-presumido de IP1, equivalente a três por cento do valor do imposto destacado na nota fiscal; já a lei instituiu um crédito-presumido de IPI, correspondente a 32,0 % do imposto destacado na nota fiscal, contudo, são figuras distintas, o primeiro é um sistema alternativo ao 4 Processo n" 10120.01(,270/2008-95 S3-C311 AcOulào n " 3301-00.567 Fl 2.008 regime normal de apuração do IPI que não importa quebra de isonomia ou renúncia de receita; já o segundo é um instrumento de implementação de políticas públicas, mediante favorecimento de certos indivíduos em detrimento de outros; L2) o art, 56 da MP n" 2,158-35, de 2001, é expresso ao instituir regime especial, conforme se verifica da sua exposição de motivos e a regulamentação do Fisco por meio da IN SRF n° 91, de 2001, e da Nota Técnica SRF 05, de 2002; na realidade, trata-se de sistema optativo; 1,3) a decisão recorrida ignorou os fatos na tentativa de negar que a exposição de motivos dessa MP e da Nota Técnica SRF 5/2002 atestam que o regime especial não implicou redução da carga tributária; 1,4) o crédito- presumido de 3,0 % não foi considerado beneficio fiscal pela Receita Federal para efeitos de elaboração do demonstrativo de gastos tributários governamentais, exigidos pela Constituição e pela LC 101/2000; 1.5) a afirmação da DR,1 de que o regime especial do art. 56 da MP 2„158- 35/2001 é beneficio fiscal leva à inaceitável conclusão de inconstitucionalidade da norma e da existência de seus efeitos jurídicos; 1„6) o regime especial previsto naquela MP ainda que fosse desoneração, não teria natureza de beneficio fiscal; 1.7) a restrição à utilização do crédito- presumido de 32,0 % com outros beneficios fiscais só alcança as desonerações vigentes à época da edição da Lei n" 9.826/1999, e, ad argunzentandum, quanto à fruição de benefícios fiscais posteriores, o art. 3" da lei comporta leitura no sentido de que a restrição à cumulatividade de beneficios só alcança aqueles em vigor quando da apresentação do respectivo projeto, exceção feita aos relacionados ao imposto de renda; outra interpretação razoável seria a de que só estão compreendidas na restrição as desonerações de caráter subjetivo; e uma terceira, adotada pela DRJ, é de que o aproveitamento de qualquer redução da carga tributária acarretaria perda daquele; 1.8) ainda que houvesse o aproveitamento simultâneo de beneficias fiscais, a Fiscalização somente poderia exigir o IPI equivalente ao crédito presumido de 3,0 % sobe pena de violação ao princípio da proporcionalidade e ao art, 112 do CTN; 1,9) a homologação expressa do procedimento adotado por ela, nos anos de 2003 e 2004, nos termos do art. 150 do CTN, pelo Fisco, ao validar a apuração e pagamento (quando o caso) do tributo, este teria confirmado a correção de todo o procedimento adotado até então; como foi encerrada fiscalização desse período, sem exigência de tributo, considera-se expressamente homologado seu procedimento e, assim, extinto o crédito tributário; 1,10) a impossibilidade de alteração do critério jurídico adotado pela administração, uma vez que o Fisco desde 1999 sabia que ela (recorrente) vinha aproveitando o crédito-presumido de .32,0 °A do IPI; 1.11) a inexistência de autorização legal para reexame de period6 -ja fiscalizado; 2) foi legitima a apropriação de créditos sobre insumos não-tributados, isento's ou: sujeitos à aliquota zero, em face de reconhecimento do STF sobre tal creditamento; e, 3)/ ineXigivel IPI, em seu nome (recorrente), por ter dado saída de veículo a deficiente físico cuj einissão da nota fiscal foi efetuada em nome de seu representante. É o relatório, Voto Vencido Conselheiro José Adão Vitorino de Morais, Relator O recurso de oficio apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n" 70,235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. O cancelamento de parte do crédito tributário, por parte da autoridade julgadora de primeira instância, IPI, no valor de R$ 2,306.179,21 (dois milhões trezentos e seis mil cento e setenta e nove reais e vinte e um centavos), e a respectiva multa de oficio, no percentual de 75,0 % deste valor, teve como fundamento a aplicação do Código Tributário Nacional (CTN), art. 150, § 4', No presente caso, corno houve pagamentos parciais por conta das parcelas lançadas e exigidas para os 1" e 2" decêndios de 2003, aplica-se, em relação à contagem do prazo decadencial, para a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos àqueles períodos de competência, o disposto no art. 150, § 4" do CTN, que estabelece o prazo de 05 (cinco) anos, contados dos respectivos fatos geradores. Assim, correta a exoneração do crédito tributário correspondente àqueles períodos de competência, por parte da autoridade julgadora de primeira instância, em face da decadência qüinqüenal do direito de a Fazenda Pública constituí-lo. Quanto ao recurso voluntário, sua apresentação também atendeu aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço Preliminarmente, quanto às alegações de homologação expressa do procedimento adotado nos anos de 2003 e 2004, nos termos do art. 150 do CTN, conforme constou da decisão recorrida, em momento algum, houve qualquer homologação, por parte da administração tributária, concordando com a fruição cumulativa de ambos os benefícios fiscais federais, ou seja, o crédito-presumido de IPI equivalente a 3,0 % (três por cento) do valor do imposto destacado na nota fiscal e o crédito-presumido de IPI correspondente a 32,0 % (trinta e dois por cento) do valor do imposto incidente nas saídas dos produtos, O fato de ter sido fiscalizada, naquele período, não significa que houve homologação de tal procedimento. Tanto é que, com fundamento no art.. 906, do -RIR11999 (Dec, N" 3.000/1999), foi reaberta a fiscalização, com o objetivo de reexaminar a sua escrituração e os seus documentos fiscais., A reabertura foi autorizada, nos termos desta norma legal, conforme provam a ordem de novo exame à fi. 02 e o mandado de procedimento fiscal à fl. 11. Também, ao contrário do entendimento da recorrente, não houve modificação de critério jurídico por parte do Fisco, em relação aos procedimentos fiscais aos quais foi submetida. Conforme relatado, em momento algum, o Fisco se manifestou favoravelmente à fruição cumulativa dos referidos benefícios fiscais. No mérito, as questões se resumem às glosas de: I) isenção de IPI sobre venda de automóvel para pessoa portadora de deficiência; II) dos créditos do IPI sobre aquisições de matérias-prima, produtos intermediários e materiais de embalagem iscentos, sujeitos à alíquota zero ou não-tributados; e, III) do incentivo fiscal, denominado cie.ditoT presumido do IPI correspondente a 32,0 % do valor do imposto nas notas fiscais de saidas\d09-1, produtos beneficiados com esse incentivo, I - Isenção de IPI sobre venda de automóvel para pessoa portadora de deficiência. A Lei n" 9..898, de 24/02/1995, assim dispõe quanto à isenção do IPI sobre vendas de automóveis a pessoas portadoras de deficiência: "Art. Ficam isentos do Imposto Sobre Produtos Industrializados — IPI os automóveis de passageiros de fabricação nacional, equipados CO!?? 1110tor de cilindrado não superior a dois mil centímetros cúbicos, de no minimo quatro portas inclusive a de acesso ao bagageiro, movidos a combustíveis de origem renovável ou sistema reversível de 6 / Processo o" 10120.016270/2008-95 S.3-C3T1 Acól dão o" 3301-00,567 Fl 2 009 combustão, quando adquiridos por: (Redação dada pela Lei n" 10.690, de 16.6 2003) IV — pessoas portadoras de dqficiência física, visual, mental severa ou prolimda, ou autistas, diretamente ou por intermédio de seu representante legal; (Redação dada pela Lei n" 10,690, de 16.6.2003) §3". Na hipótese do inciso IV, os automóveis de passageiros a que se refere o caput serão adquiridos diretamente pelas pessoas que tenham plena capacidade jurídica e, no caso dos interditos, pelos curadores (Incluído pela Lei n" 10,690, de 1662003) Art 3". A isenção será reconhecida pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda, mediante prévia verificação de que o adquirente preenche os requisitos previstos nesta lei." (destaques acrescentados) Conforme se verifica desses dispositivos legais, no caso de pessoas portadoras de deficiência física que não tenham plena capacidade jurídica, como no presente caso, a isenção está condicionada à aquisição por intermédio do representante legal. No presente caso, conforme provam as cópias dos documentos às fis. 650/658, a autorização e a aquisição foram concedidas pela DRF em Goiânia, GO, ao deficiente Antônio Oliveira Pazini Alegro, CPF n" 0.35.297.781-76, menor de idade, nascido em 11/09/2001, cujo representante legal, inclusive autorizado a dirigir o automóvel, é o seu genitor Albino Alegro Oliveira, CPF 421,251.627-68, em nome do qual foi adquirido o automóvel, objeto da glosa efetuada pelo autuante e mantida equivocadamente pela autoridade julgadora de primeira instância. De acordo com os dispositivos legais citados e transcritos anteriormente, a aquisição de automóvel efetuada por intermédio do representante legal do portador de deficiência que não tenha plena capacidade jurídica goza da isenção do IPI. Assim, a parcela do crédito tributário, lançada e exigida para o decêndio de 20/08/2007, retificada e mantida em primeira instância deverá ser excluída, na integra, do lançamento. 11 - Créditos do IPI sobre aquisições de matérias-prima, proptps',, intermediários e materiais de embalagem isentos, sujeitos à .aliqUota:' zero ou não-tributados. A legislação do IPI não prevê o creditamento de IPI, como se devido fosse, sobre aquisições de matérias-prima, produtos intermediários e materiais de embalagem isentos, sujeitos à alíquota zero ou não-tributados, mas tão somente, sobre aquisições tributadas com este imposto e destacado nas respectivas notas fiscais. A não-cumulatividade do IPI nada mais é do que o direito que os contribuintes têm de deduzir do imposto devido, nas saídas dos produtos do estabelecimento industrial, o valor do IPI que incidiu na operação anterior, ou seja, o direito de compensar o N, , valor do imposto que lhe foi cobrado nas aquisições das matérias-prima, produtos intermediários e materiais de embalagens com o devido nas saldas dos produtos industrializados e tributados por esse mesmo imposto. A Constituição Federal de 1988 assegurou aos contribuintes do IPI o direito de se creditarem do valor do imposto cobrado e pago nas operações antecedentes, deduzindo-o nas operações posteriores. Tal princípio está insculpido no art.. 153, § 3 0, inc. II, da Carga Magna, ia verbis: "Art 153. Compete à União instituir imposto sobre: ( 2 IV - produtos industrializados, §3". O imposto previsto no inc. 117.' (.J. .17 - será não-cumulativo, compensando-se o que fir devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores, Em consonância com esse dispositivo legal, o CT"N assim dispõe, ia verbis: "Ari 49. O imposto é não-cumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados Parágrafo único O saldo verificado, em determinado período, em favor do contribuinte, transf ere-se para o período ou períodos seguintes, O legislador ordinário, em cumprimento a essas diretrizes, instituiu o sistema de créditos que, regra geral, confere aos contribuintes do imposto o direito de se creditar do valor do imposto cobrado e pago nas operações anteriores. Assim, o IP1 destacado nas notas fiscais de aquisições de matérias-prima, produtos intermediários e materiais de embalagens que ingressaram no estabelecimento do produtor industrial pode ser compensado com o valor do imposto devido nas operações de saída dos produtos industrializados e comercializados por ele, em um mesmo período de apuração, sendo que, se em determinado período os créditos excederem os débitos, o excesso será transferido para o período seguinte, A lógica da não-cumulatividade do IP1, prevista no art. 49 do CTN, e reproduzida no art. 195 do RIPI/20021, é deduzir do imposto a ser pago na operação Fle . s-iirda /.... do produto tributado do estabelecimento industrial ou equiparado, o valor do 1PI cobrado e pago sobre as aquisições das matérias-primas, produtos intermediários e mateàrits-dp-' . embalagens empregados na sua produção. Nos casos em que as entradas desses insumos for'àbi=-----b desoneradas desse imposto, não há o que deduzir, uma vez que o sujeito passivo não arcou com ônus algum.. Além disto, para as aquisições das matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagens tributados à alíquota zero do IPI, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já editou súmula, reconhecendo a inexistência de direito a crédito, assim dispondo, ia verbis: /04--- 8 L , ...„ Processo o" 10120 016270/2008-95 S3-C3T1 Acórdão o." 3.301-00,567 Fl 2 010 "Súmula CARF n" 18. A aquisição de matérias-priMas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à ai/quota zero não gera crédito de IPI." Dessa forma, em relação aos produtos tributados à alíquota zero, aplica-se esta súmula. Já em relação aos isentos e não-tributados, também como não houve incidência de IPI na etapa anterior, não há que se falar em crédito de imposto. Para que alguma parcela relativa ao IPI venha a integrar o valor total da nota, ela deve necessariamente ser destacada em campo próprio da respectiva nota na qual se declara o valor desse imposto. Não tendo a recorrente demonstrado o pagamento do 1PI nas aquisições de matérias-prima, produtos intermediários e materiais de embalagens empregados nos produtos industrializados e comercializados por ela, não há se falar em créditos de IP1 nessas operações, Assim, também correta a glosa efetuada sobre as aquisições de matérias- primas, produtos intermediários e materiais de isentos, sujeitos à alíquota zero ou não- tributados. III - glosa do incentivo fiscal, denominado crédito-presumido do IPI correspondente a 32,0 % do valor do imposto nas saídas dos produtos beneficiados com esse incentivo. De acordo com os autos e a própria recorrente reconheceu, em seu recurso voluntário, no período objeto do lançamento em discussão, ela usufruiu de ambos créditos- presumido de IPI, ou seja, do instituído pela MP n° 2A58-35, de 24/08/2001, art. 56, e daquele instituído pela Lei a" 9,826, de 2.3/02/1999. O incentivo fiscal para desenvolvimento regional, denominado crédito- presumido do IPI e correspondente a 32,0 % (trinta e dois por cento) do valor do imposto incidente nas saídas rio estabelecimento industrial, a ser deduzido na apuração do imposto devido, foi concedido pela Lei n°9.826, de 23/08/1999, que assim dispõe, in verbis: "Art 1". Os empreendimentos industriais instalados nas áreas de atuação da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia - SUDAM e Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste - SUDENE ,farão jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, a ser deduzido na apuração deste imposto, incidente nas saídas de produtos classificados nas posições 8702 a 8704 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados - TIPI, aprovada pelo Decretcr7i2, 2.092, de 10 de dezembro de 1996. §1" O disposto neste artigo aplica-se, também] (\a2!s_,1 empreendimentos industriais instalados na região Centro-:' exceto no Distrito Federal. §2". O crédito presumido corresponderá a trinta e dois por cento do valor cio IPI incidente nas saídas, do estabelecimento industrial, dos produtos referidos no caput, nacionais ou importados diretamente pelo beneficiário • sç3". O crédito presumido poderá ser aproveitado em relação às ,saída.s ocorridas até 31 de dezembro de 2010. Art. 2". O crédito presumido referido no artigo anterior somente será usufi .uído pelos contribuintes cujos projetos hajam sido apresentados até 31 de outubro de 1999. §1". Os projetos serão apresentados ao Ministé) io do Desenvolvimento, Industrio e Comércio Evterioi , paro . fins de avaliação, aprovação e acompanhamento §2", Os Ministros de Estado da Fazenda e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior fixarão, em ato conjunto, os requisitos para apresentação e aprovação dos projetos. O" Inclui-se obrigatoriamente entre os requisitos a que se refere o parágrafo anterior a exigência de que a instalação de novo empreendimento industrial não implique transferência de empreendimento já instalado, para as regiões incentivadas §4" Os projetos deverão ser implantados no prazo máximo de quarenta e dois meses, contado da data de sua aprovação. §5" O direito ao crédito presumido dar-se-á a partir da data de aprovação do projeto, alcançando, inclusive, o período de apuração do IPI que contiver aquela data. Art. 3". O crédito presumido de que trata o ali 1 2 não poderá ser. usufruído cumulativamente com outros benefícios fiscais federais, exceto as de caráter regional relativos ao imposto de renda das pessoas jurídicas. Art. 4". A utilização do crédito presumido em desacordo com as normas estabelecidos, bem assim o descumprimento do projeto implicará o pagamento do IPI com os correspondentes acréscimos. legais, (- 1" Posteriormente, foi instituído o crédito-presumido do I.PI equivalente a 3,0 % do montante do imposto destacado na nota fiscal, nos termos da MP n" 2.113-30, de 26/04/2001, art. .56, reeditada sob o nó 2,158-35, em 24/08/2001, assim dispondo, in verbis: "Ari. 56. Fica instituído regime especial de apuração do IN, relativamente à parcela do frete cobrado pela prestação do serviço de transporte dos produtos classificados no,( códigos . 8433 53 00, 8433.59.1, 8701.10.00, 8701.30 00, 870190,00,\ / 8702 10 00 Ex 01, 8702.90,90 Ex 01, 8703, 8704.2, 870 4F.3—e----y 87.06 00.20, da TIPI, nos termos e condições a sere - --,,) estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal §. 1" O regime e.speciat 1 - consistirá de crédito presumido do IP1 em montante equivalente a ires por cento do valor do imposto destacado na nota .fiscal,. II - será concedido mediante opção e sob condição de que os serviços de transporte, cumulativamente.. a) sejam executados ou contratados exclusivamente por estabelecimento industrial, /----- ,1( - n..-------- Processo n" 10120 016270/2008-95 S3-C3T1 Acórdão n "3301-00.567 Fl. 2 011 i b) sejam cobrados Juntamente com o preço dos produtos referidos no caput, em todas as operações de saída do estabelecimento industrial; c) compreendam a totalidade do trajeto, no País, desde o estabelecimento industrial até o local de entrega do produto ao adquirente. §2" O disposto neste artigo aplica-se, também, ao estabelecimento equiparado a industrial nos termos do § 5" do art. 1 7 da Medida Provisória n t) 2:189-49, de 23 de agosto de 2001. §.3". Na hipótese do § 2" deste artigo, o disposto na alínea 'c' do inciso II do § I" alcança o trajeto, no País, desde o estabelecimento executor da encomenda até o local de entrega do produto ao adquirente. Em cumprimento a esse dispositivo legal, a Secretaria da Receita Federal expediu a IN SRF n°91, de 21/11/2001, que assim dispõe, in verbis: "Ar! I" O regime especial de apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI, instituído nos termos do art 56 da Medida Provisória n" 2,1.58-35, de 24 de agosto de 2001, consiste no direito de o estabelecimento industrial, fabricante dos produtos classificados nos Códigos 8433..53..00, 8433 59.1, 8701.10.00, 8701.30.00, 8701.90..00, 8702.10.00 Ex-01, 8702.90.90 Ex-01, 8703, 8704.2, 8704.3 e 8706.00.20 da Tabela de Incidência do IPI — TIPI, aprovada pelo Decreto n" 3.777, de 23 de março de 2001, creditar-se de três por cento do valor do imposto devido em cada operação. Parágrafb único. O regime especial de apuração de que trata este artigo, aplica-se também ao estabelecimento equiparado a industrial a que se refère o § .5" do art. 17 da Medida Provisória n°2189-49, de 2$ de agosto de 2001. Art. 2". A adesão ao regime especial dar-se-á por opção do estabelecimento industrial e será exercida mediante apresentação, à Delegacia da Receita Federal (DRF) ou à Inspetoria da Receita Federal de Classe A (1RF-A) de sua jurisdição, do Termo de Adesão, conforme modelo constante do 7.------,„ ,/ )Anexo Único a esta Instrução Normativa. / ( §1" A opção será renovada anualmente e aplica-se a todas as.. operações de saída, relativas aos produtos relacionados 1", realizadas dia ante o ano-calendário subsequente ao\\d_o_ exercício da opçãw '.-... §2" As operações referidas no § I" serão, obrigatoriamente, conduzidas com cláusula C &17; §3" O descumpriMento das condições do regime especial obriga o contribuinte à restituição do beneficio usufruído durante o ano-calendário, caracterizando-se como falta de recolhimento 1,........,...ndo imposto sobre produtos industrializados; • 11 §4" Excepcionalmente, no ano-calendário de 2001, a opção pelo regime especial compreenderá o período entre o primeiro dia do mês subseqüente ao do exercido da opção e 31 de dezembro de 7002 Ari 3". A base de cálculo do crédito será o valor tio imposto destacado na respectiva nota fiscal Ari 4" O valor do crédito será inibi-modo no campo 'InfOrmaçõe_s Complementares do Livro de Apuração do 'PI, modelo 8 e deduzido do `Valor do IPI', com a discriminação 'Crédito Instituído pelo AH, 56 da Medida Provisória n" 2. 158- 35, de 2001'. AH. 5". Deverá ser computado o .1i-etc realizado entre o estabelecimento industrial e o local de entrega do produto ao adquirente. Parágrafo Único. Na hipótese a que se refere o parágrafo único do art 1", deverá ser considerado o frete realizado desde o estabelecimento executor da encomenda até o local de entrega do produto ao adquirente. Art. 6" Para fins do disposto nesta Instrução Normativa, não poderá ser computado como frete o valor referente à contrafação de mão-de-obra para realizar o deslocamento dos produtos a que se refere o art 1" Art 7", Esta Instrução Normativa Mira em vigor na data de sua publicação." Conforme se verifica dos dispositivos legais citados e transcritos anteriormente, são dois regimes federais, ambos denominadas créditos-presumido do IPI. O primeiro, nos termos da Lei n" 9..826, de 23/08/1999, correspondente a 32,0 % (trinta e dois por. cento) do imposto destacado na nota fiscal, se destina a empresas que se instalarem na Sudam, Sudene e no Centro Oeste, exceto no DE, e se aplica aos produtos fabricados e classificados nos códigos: 843153.00, 843159.1, 8701.10.00, 8701.30,00, 8701,90.00, 8702..10,00 Ex-01, 8702.90.90 Ex-01, 8703, 8704,2, 8704.3 e 8706..00,20 da TIPI. Já o segundo, instituído pela MP n" 2..113-30, de 26/04/2001, reeditada.sól.) o n" 2,158-35, em 24/08/2001, corresponde a 3,0% (três por cento) do imposto destacado çra nota .../ fiscal, se destina a todas as empresas que optarem pelo regime especial de apuração do IQ!) relativamente à parcela do frete cobrado pela prestação do serviço de transporte dos me'Sr------) produtos elencados naquela lei. A fruição do incentivo regional criado pela Lei if 9.826, de 23/08/1999, cumulativamente, com outros beneficios fiscais federais, é expressamente vedada, conforme se verifica do disposto no seu art. 3', transcrito anteriormente, Não há como descaracterizar a natureza de beneficio fiscal federal do crédito- presumido do IPI instituído pela MP n" 2.113-30, de 26/04/2001, reeditada sob o n°2.158-35, em 24/08/2001. O regime especial de tributação do 1P1 instituído por essa MP constitui beneficio fiscal federal por envolver desagravamento fiscal perante o regime normal de apuração, implicando numa redução do imposto a pagar. .------- / 12 Processo n" 10120 016270/2008-95 S3-C31-1 Acórdão n." 3301-00367 Fl 2 012 Também, o incentivo regional instituído pela Lei n° 9..826, de 23/08/1999, é um beneficio fiscal federal. A própria redação do seu artigo 3' comprova essa natureza ao dispor que não poderá ser usufruído cumulativamente com outros benefícios fiscais federais. Embora ambos tenham objetivos diferentes, existe vedação legal expressa à fruição do crédito-presumido do IPI instituído Lei n° 9,826, de 23/08/1999, cumulativamente, com outros beneficios fiscais federais, exceto o de caráter regional relativo ao imposto de renda das pessoas jurídicas. O CTN assim dispõe quanto à interpretação de leis que concedem redução de créditos tributários: "Art. 111 Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre, 1 - suspensão ou =bisão do crédito tributário; (-) No presente caso, a Lei n° 9,826, de 23/08/1999, concedeu a exclusão de parte do IPI (crédito tributário) e vedou sua fruição, cumulativamente, com outros beneficios. Dessa forma, caberia à recorrente abrir mão do beneficio fiscal instituído pela MP n" 1113-30, de 26/04/2001, reeditada sob o if 2.158-35, em 24/08/2001, art. 56, para fruir legalmente do beneficio fiscal instituído pela Lei n" 9.826, de 2.3/08/1999. Quanto ao pedido da recorrente para que se glose o beneficio fiscal correspondente a 3,0 % do IPI destacado na nota fiscal, instituído pela MP, e se reconheça o seu direito ao beneficio correspondente a .32,0 do IPI destacado na nota fiscal, instituído pela referida lei, inexiste amparo legal. Primeiro, porque a vedação de cumulatividade é do beneficio instituído pela lei com outros beneficios fiscais federais e não daquele instituído pela MP; segundo, porque esta Turma de Julgamento não tem competência para constituir crédito tributário.. Assim, correta a glosa do crédito-presumido do IP1, correspondente a 32,0 % do imposto destacado na nota fiscal e sua exigência por meio de lançamento de oficio. Em face do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, nego provimento ao recurso de ofício e dou provimento parcial ao recurso voluntário apenas e4 ã somente para--1 cancelar a parte do crédito tributário referente à glosa da isenção do IPI/man ida pela DRJ, sobre venda do automóvel para pessoa deficiente, cuja nota fiscal foi enAida ei,n nome de seu representante, mantendo-se o crédito tributário remanescente, acresct a.4à coMinações legais. , \ \\ Josédig. orino de Morais 13 Voto Vencedor Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Redator . Designado Em que pese a boa argumentação e fundamentação do voto do ilustre Conselheiro José Adão Vitorino de Morais, peço vênia para discordar do eminente relatou, quanto à glosa do incentivo fiscal, denominado crédito-presumido do IPI correspondente a 32,0 % do valor do imposto nas saídas dos produtos beneficiados com esse incentivo, em razão da fruição concomitante com o regime especial de apuração do mesmo tributo, instituído pelo artigo 56, da Medida Provisória n°2158-35/01. Conforme bem relatado, a glosa do beneficio fiscal instituído pela Lei n" 9,826, de 1999, correspondente ao crédito presumido de 32% (trinta e dois por cento) destacado na nota fiscal, se deu de forma global em virtude de uma parcela em que ocorreu fruição concomitante com o regime especial instituído pela MP n" 2,113-30, de 26/04/2001, reeditada sob o n° 2,158-35, em 24/08/2001, corresponde a 3,0 % (três por cento) do imposto destacado na nota fiscal, o qual se destina a todas as empresas que optarem pelo regime especial de apuração do IPI, relativamente à parcela do frete cobrado pela prestação do serviço de transporte dos mesmos produtos elencados naquela lei.. Desta for-ma, segundo o autuante e o ilustre relator, vencido em suas conclusões, teriam sido deseumpridos os seguintes dispositivos da Lei n" 9.826, de 1999, in verbis: "Art 3" O crédito presumido de que trata o art 1 2 mio poderá ser usofruido cumulativamente com outros beneficios fiscais .federais, exceto os de caráter regional relativos . ao imposto de renda das pessoas jurídicas. Az í. 4" A utilização do crédito presumido em desacordo com as. normas estabelecidos, bem assim o descomprimem° do projeto implicará o pagamento do IPI com os correspondentes. acréscimos legais Todavia, conforme amplamente demonstrado pela recorrente, ill•C,0111 juntada de pareceres de ilustres renomados douninadores, o regime especial instituído nãd\i‘mplicOn,eryi perda de arrecadação, fato esse registrado na Exposição de Motivos da MP 2.113-29/01(atual .14P 2.158-35), ia verbis: "4. O ar! 56 instituí regime especial de determinação da base de cálculo do Imposto sobre Produtos Industrializados, no qual poderão ser aproveitados, mediante crédito presumido ou exclusão da própria base de incidência, os valores relativos ao transporte dos veículos que especifica 5. É notório afato de que a indústria automotiva, para evitar a incidência do 1P1 sobre o valor do fiete dos veículos vendidos, terceirizou essa atividade para empresas de transporte, não contribuintes, portanto, daquele imposto Assim, o regime especial proposto não implica nenhuma perda de arrecadação, par excluir da base de incidência do referido imposto o que, na prática, já não a integra." (grilado) e Processo n" 10120 016270/2008-95 S3-C3T1 AL-61-(n° n " 3301-00,567 Fl. 2 013 Da comparação dos dois regimes distintos, O regime geral e o regime especial. No caso, o primeiro tem por objeto ofertar beneficio fiscal, enquanto o último se destina a simplificar e racionalizar o controle fiscal, propiciando, inclusive em incremento da arrecadação de 'PI e de outros tributos, conforme afirmado no trecho da Nota SRF 05102 acima transcrito. É relevante registrar que a própria Secretaria da Receita Federal, atual Receita Federal do Brasil, através da Nota SRF 5/02, nos autos da Ação Popular n° 2002,34_00.0023338-0, proposta contra o então Secretário da Fazenda Nacional, onde a recorrente atuou como litisconsorte passivo .juntamente com outras indústrias do mesmo segmento econômico, assim se manifestou, por meio da d. Procuradoria da Fazenda Nacional "6. Demonstrar-se-á que a ação popular em epígrafe não reúne as condições necessárias para prosperas; cm , face das razões que a seguir serão expostas e, em especial, pela circunstância de o ato impugnado não causar qualquer perda de receita tributária, muito menos lesão aos cofres públicos, nem tampouco conter qualquer vicio que o pudesse macular, como, por exemplo, o de ilegitimidade ou ilegalidade. 7 O regime de apuração do IPI de determinados produtos . foi criado para facilitar e racionalizar procedimentos de arrecadação e . fiscalização do tributo, com previsão de manutenção do nível de arrecadação oriunda do setor por ele alcançado, permitindo, assim, que a administração tributária federal continue a nortear sua atuação com observância do princípio da eficiência inscrito no art. 37 da Constituição" (grifado) Constou ainda, da referida manifestação, encampada pela douta Procuradoria da Fazenda Nacional, uma comparação entre os dois regimes, isto é, o regime geral de apuração do IPI em face do regime especial instituído pela MP 2,158-35/2001, que efetivamente não resultou em beneficio fiscal aos fabricantes de veículos, conforme depreende- se do seguinte trecho: "Regime Especial de Apuração do IPI, instituído pelo art. 56 da Medida Provisória n°2.158-35, de 2001 - A partir da Medida Provisória n" 21.58-3.5, de .2001, foi facultado às empresas produtoras assumirem o custo do frete, incluindo-o no preço de fábrica. Exercida tal faculdade, o frete passa a integrar a base de cálculo do IPI. Em contrapartida, o fabricante temi, direito á uni crédito presumido do imposto, no valor equivalente a 3% do 1P1 devido. - A adição do ,frete (R$481,00) ao preço de fábrica ('R$].5.258, 00), porém, não é linear, pois o PIS, a COFINS e o ICMS devidos pelo fabricante também incidem sobre si-ffl'prios - Resulta que a adição do frete faz com que o preço ...de fáibrica t ,CIF seja de R$15,828,10, ou seja, um incremen -- de,5/70,24. O novo valor do 'PI, portanto, passa a ser R$‘2 7,16. ,I .,, • ( ,. ',.,,..:.. ., ..., •. -,,, -:, - O aumento do valor do IPI resultante da inclusão do frete é igual a R$82, 40 O crédito presumido, calculado em 3% do valor do IPI (R$2. 287,16 s 3%), é igual a R$68, 6/ - Resulta, portanto, em ganho de IPI para os cofres públicos, de R$13,79, por carro produzido. Devido à incidência do PIS e da COFINS sobre o frete, incluido no preço do fabricante, haverá também uni ganho para os cofies públicos de R$17,37, nessas duas contribuições, por carro produzido. 20 Diante dos elementos retrocitados, que servem para estimar os reflexos da aplicação do disposto no art. .56 da Medida Provisória n" 2.1.58-35, de 2001, não há que cozitar, com o novo regime tributário, de rechicão de receitas do IPI - CONCLUSÃO 21. Em suma, está fartamente demonstrado que a pretensão do autor carece de consistência, pois não se faz presente na Instrução Normativa SRF n" 91, de 2001, nenhum dos vícios pol- eie apontados, tendo em visto que o ato foi editado por órgão e autoridade competentes, trata da matéria nos estritos limites autorizados nas leis pertinentes, não institui ou concede crédito resumido algum, além do c. ue não telll o condão de produzir redução de receitas do IPI, muito menos de causar lesão aos cofres públicos," (grifas acrescidos) Denota-se, portanto inexistirem dúvidas de que a Receita bem como a PGFN reconhecem que a aludida MP não instituiu nenhum beneficio fiscal, tendo, tão somente simplificado a forma de arrecadação e aumento do conjunto da receita decorrente do IPI, PIS e COFINS, não sendo considerado beneficio pela própria MP, não ensejando a hipótese de exclusão prevista no art. 3" da Lei n" 9.826/99. Os regimes especiais, instituídos para simplificar e racionalizar a arrecadação, como exceções ao regime normal, não se confundem com beneficio fiscal, conforme entendimento da jurisprudência do E. STF, nos termos do seguinte trecho do voto do eminente Ministro Cesar Peluso, do STF, na ACO 541-1, em 19.,04,2006, in verbis.' "Os regimes especiais justificam-se como exceções ao regime normal de apuração com vistas a simplificai .- a racionalizar a arrecadação, e contornam regular deveres instrumentais ou técnicas de apuração e recolhimento do tributa Não se confundem com beneal." (grifas acrescidos) Ademais disto, confOrme é sabido, a concessão de qualquer beneficífiscal,.„/ inclusive crédito presumido de IPI, só pode ser instituído através de lei federal especiãc'\ que não ocorreu no caso do regime especial instituído pelo art. 56, da MP n" 2.158-350.K-J conforme preceitua o art. 150, § 6" da Constituição Federal: Ari 1.50. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estarias, ao Distrito Federal e aos Municípios. 16. Processo o" 10120.016270/2008-95 S3-C3T1 Acórdão o." 3301-00,567 F1_ 2.014 . " Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei especifica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumerarias ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no are, 1.55, ,sç 2.", XII, g. (Redação dada pela Emenda Constitucional o' 3, de 1993) Nesse sentido é pacífica a jurisprudência, senão vejamos o teor do seguinte julgado: "CONSTITUCIONAL, TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL - CREDITAMENTO DO IPI PRESUMIDAMENTE GERADO NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS E/OU MATÉRIA-PRIMA E/OU PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS E/OU MATERIAL DE EMBALAGEM SOB O REGIME DA "ALIOUOTA ZERO", DA "NÃO-TRIBUTAÇÃO" OU "ISENÇÃO" APLICADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTO FINAL TRIBUTÁVEL - IMPOSSIBILIDADE.- STF (RE N. 3.53.6.57/PR) 1 - Oualquer concessão de crédito presumido atinente ao IP1 exige lei especifica federal (art. 150, §6. 1, c/c art. 153, IV e §3.", I e H, da CF/88), „)" (grifado). (AMS 2003.39.00.013917-2/PA, Rel, Desembargador Federal Luciano Tolentino Amaral, Sétima Turma,e-DIFI p.700 de 30/04/2009) Outra evidência de que não estamos diante da -fruição concomitante de benefícios fiscais, é o fato do regime especial (3%) não ter sido considerado pela Receita Federal do Brasil como beneficio fiscal, quando da elaboração do demonstrativo exigido pelo art. 165, § 6", da Constituição Federal e art. 5°, H, da Lei Complementar n" 101/2000. O art. 165, § 6" da Constituição Federal determina que o projeto de lei ,• orçamentária deva ser acompanhado de demonstrativos, inclusive das despesas decorrentes de anistias, remissões, subsídios e benefícios fiscais, nos seguintes termos: "Art. 165 - Leis de iniciativa do Poder Executivo estabelecerão: § 6" - O projeto de lei orçamentária será acom driliàdo de demonstrativo regionalizado do efeito, sobre s receitas e despesas, decorrente de isenções, anistias, remissoe,k,.subsíilios e beneficias de natureza financeira, tributária e cre . itibiLz/ § 9" - Cabe à lei complementar: - dispor sobre o exercício financeiro, a vigência, as prazos, a elaboração e a organização do plano plurianual, da lei de /. diretrizes orçamentárias e da lei orçamentária anual; ! II - estabelecei normas de gestão !financeira e patrimonial da administração direta e indireta, bem como condições para a instituição e funcionamento de fundos." Esse dispositivo constitucional foi regulamentado pela Lei Complementar n" 101, de 2000, nos termos de seu art. 5", II, in verbis: "Art., 5" O projeto de lei orçamentária anual, elaborado de forma compatível com o plano plurianual, com ti lei de diretrizes orçamentárias e com as normas desta Lei Complementar: 1 - conterá, em anexo, demonstrativo da compatibilidade da programação dos orçamentos com os objetivos e metas constantes do documento de que trata o sç I" do ar! 4",! II - será acompanhado do documento a que se refère o 6" do art. 165 da Constituição, bem como das medidas de compensação a renúncias de receita e ao aumento de despesas obrigatórias de caráter continuado," Em detrimento dos referidos dispositivos, os demonstrativos de gastos governamentais, de natureza tributária, de 2001 a 2010, consta o beneficio concedido às "Montadoras e Fabricantes de Veículos Automotores instalados nas regiões NO, NE e CO", ou seja o crédito presumido de 32%, instituído pela Lei n" 9,826/99, contudo não consta nenhum demonstrativo sobre o crédito presumido de 3%, conferido em função da opção pelo regime especial instituído pela MP 2A58-35/01., Portanto, com tantas evidências negando a ocorrência de qualquer beneficio, principalmente porque oriundas de afirmações do próprio ente arrecadante, a conclusão não poderia ser outra, senão a de que o regime especial instituído pela MP 2,158-35/01, de fato não resultou em qualquer beneficio fiscal à recorrente. Logo, não sendo incentivo fiscal, não houve descumprimento da norma, E, se ainda assim não o fosse, por amor ao debate, haveria que se interpretar a norma de acordo com o CTN, pois, "É certo que a interpretação literal preconizada pela lei tributária objetiva evitar interpretações anzpliativas ou analógicos (Vg,.- REsp 62..436/SP, ildizz. Francisco Peçonha Martins), mas também não pode levar a interpretações que restrinjam mais do que a lei quis" Por outro lado, a glosa do beneficio instituído pela Lei n" 9,826, de 1999, consistente de crédito presumido do IPI correspondente a 32,0 % do valor do imposto nas saídas dos produtos beneficiados com esse incentivo, por suposto descumprimento das disposições da referida lei, no caso, se mostra desproporcional e desarrazoado, sobretudo porque, a própria RFE reconheceu que o regime especial instituído pelo art. 56 da MP n" 2.158-35, não implicou em perda de arrecadação, ensejando inclusive na desistência e arquivamento da Ação Popular IV 2002.34.0MO2338-0. (---- ---.`-. Porquanto, o objetivo das disposições dos arts. 3" e 4" da Lei n" M26/(9.9, seria a de evitar que o contribuinte se beneficiasse duplamente de favores concediNfkel,,. '' ----.:) Poder Público. Essa é a interpretação mais razoável, porquanto "O art. 111 do CTN tanto v‹5,.. ( a interpretação "extensiva" (que concede beneficio a quem a lei não favoreceu) quan hostiliza a interpretação "restritiva" (que retira benesse legal de quem a ela laça jus); o vetam jurisprudencial é a interpretação "estrita" (sinônimo de leitura "isenta", "fiel", "literal" ou "exata "r (AMS 2003.39.00.013917-2/PA, Rel.. Desembargador Federal Luciano Tolentino Amaral, Sétima Turma,e-DIFI p300 de 30/04/2009). ... ., 18(_____ Processo n" I 0120 016270/2008-95 S3-C3T1 Acárclilo n "3301-00367 F I 2 015 — ) Em face do exposto, voto no sentido de afastar a glosaq,4nto /ao aproveitamento do incentivo fiscal, correspondente ao crédito-presumido do IP111(32Vol do valor do imposto nas saídas dos.,produtos beneficiados com esse incentivo. i /1 , C / /7''.-''---'' ...,. 1,[)(À (5100 1/ü ., tôn ílio L, sboa Ca . osb, , " 1 , r 19
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Numero do processo: 10120.005266/2007-11
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/03/2000 a 31/08/2005
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - REGULARIDADE DA LAVRATURA DA AUTUAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - SÚMULA VINCULANTE STF Nº 8 - PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL - APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
Aplica-se o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62-A, Anexo II, Regimento Interno do CARF - RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte no conexo auto de infração de obrigação principal.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - GFIP - APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS
Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de-infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a RFB na administração previdenciária.
CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, IV, §§ 4º e 5º, LEI Nº 8.212/91 - APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32-A, LEI Nº 8.212/91 - PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA - ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO - ART. 106, II, C, CTN
Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional -CTN a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, §§ 4º e 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32-A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-002.161
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, declarar a decadência até a competência 06/2002, inclusive, com base no art. 150, § 4º, CTN; (ii) manter a multa apenas para a competência 10/2003; (iii) determinar o recálculo do valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32-A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/03/2000 a 31/08/2005 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - REGULARIDADE DA LAVRATURA DA AUTUAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - SÚMULA VINCULANTE STF Nº 8 - PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL - APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Aplica-se o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62-A, Anexo II, Regimento Interno do CARF - RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte no conexo auto de infração de obrigação principal. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - GFIP - APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de-infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a RFB na administração previdenciária. CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, IV, §§ 4º e 5º, LEI Nº 8.212/91 - APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32-A, LEI Nº 8.212/91 - PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA - ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO - ART. 106, II, C, CTN Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional -CTN a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, §§ 4º e 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32-A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/03/2000 a 31/08/2005 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO REGULARIDADE DA LAVRATURA DA AUTUAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA SÚMULA VINCULANTE STF Nº 8 PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Aplicase o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62 A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte no conexo auto de infração de obrigação principal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 52 66 /2 00 7- 11 Fl. 7000DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO GFIP APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autodeinfração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a RFB na administração previdenciária. CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, §§ 4º e 5º, LEI Nº 8.212/91 APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32A, LEI Nº 8.212/91 PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO ART. 106, II, C, CTN Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional CTN a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, §§ 4º e 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, declarar a decadência até a competência 06/2002, inclusive, com base no art. 150, § 4º, CTN; (ii) manter a multa apenas para a competência 10/2003; (iii) determinar o recálculo do valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 7001DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.005266/200711 Acórdão n.º 2403002.161 S2C4T3 Fl. 3.430 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente – MAIA E BORBA S/A. contra Acórdão nº 0335.477 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília DF, que julgou procedente em parte a autuação por descumprimento de obrigação acessória, Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA nº. 37.055.3438, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 508.962,03. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o Auto de Infração nº. 37.221.751 6, Código de Fundamentação Legal – CFL 68 foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente ter sido constatado que as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social GFIP, em diversas competências, foram apresentadas com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme especificado nas planilhas de fls. 3916. Acrescenta o relatório que deixaram de ser informados os valores dos serviços prestados por trabalhadores cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. 0 Demonstrativo do cálculo da multa aplicada encontrase em planilha, às fls. 23 a 24. Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inc. IV e §§ 3º e 5º, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, combinado com art. 225, IV e § 4°, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, §5°, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 284, inc. II, e art. 373. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Fiscal da Infração é de 03/2000 a 08/2005. A Recorrente teve ciência do auto de infração no dia 17.07.2007, às fls. 01. A Recorrente apresentou impugnação, nos seguintes pontos, conforme o Relatório da decisão da primeira instância: A autuada apresentou defesa administrativa tempestiva, fls. 520/521, requerendo a relevação da sanção, haja vista ter corrigido a falta, anexando diversos documentos Para comprovar o alegado,fls. 530/3.353. À fl. 3.355, foi elaborado despacho solicitando A autoridade fiscal informação quanto A cientificação da autuação pelo contribuinte. À fl. 3.356, consta que o contribuinte a recebeu no dia 28/06/2007, existindo informação no verso da folha de rosto Fl. 7002DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 do auto de infração que a via original extraviouse, tendo sido substituída; contudo, registrouse que o representante legal da empresa recebeu e datou toda a documentação no dia mencionado, 28/06/2007. As fl. 3.358 traz informação de que o contribuinte protocolou sua impugnação intempestivamente no dia 10/08/2007. Tal informação foi ratificada pelo despacho As fl. 3.359, em que a autoridade da DRF/Secat/Eac informa que o TEAF, fl. 27 e o despacho à fl. 3.357, comprovam o recebimento da autuação em 28/06/2007, caracterizando a intempestividade da impugnação haja vista o contribuinte têla apresentado em 10/08/2007, razão pela qual decidiuse negar seguimento A impugnação apresentada As fls. 520/3353. O contribuinte foi intimado da decisão, fl. 3.361, tendo sido lavrado o Termo de Revelia, fl. 3362. Às fls. 3364/3366, a autuada apresenta as razões de sua inconformidade em relação à declaração de intempestividade, aduzindo o seguinte: Os despachos do chefe de equipe de arrecadação são nulos, tendo em vista terem sido proferidos com preterição do direito de defesa, além de não terem apreciado a alegação de caracterização da preliminar de tempestividade, caracterizada pela juntada, ainda na impugnação, dos documentos que comprovam a prorrogação do prazo de defesa (Oficio ri° 95/2007/SEFIS/DRF/GOI), demonstrativo de emissão e prorrogação de MPF e prorrogação do TEAF, bem como terem sido proferidos por autoridade incompetente; Ao reabrir a fase de fiscalização, após a notificação, o fisco, de acordo com os despachos proferidos, induziu o contribuinte a erro, pois o entendimento é de que reaberta a fiscalização e emitido novo TEAF, havia sido prorrogado o prazo para impugnar. O auto de infração submetese às regras do Decreto 3.048, de 1999, art. 293, § 4°, que estabelece a necessidade de o auto de infração, impugnado ou não, ser submetido autoridade competente para julgar ou homologar. Conforme o Relatório da decisão de primeira instância, em 17/10/2008, por meio do Acórdão 0327.437, a 6a Turma da Delegacia de Julgamento de Brasília, julgou pelo não conhecimento da Impugnação em razão de têla considerado intempestiva, haja vista o prazo inicial considerado para efeito da contagem do tempo ser a lavratura do auto de infração, que ocorreu no dia 22/06/2007. Nesse sentido, considerando que a autuada protocolou sua Impugnação no dia 10/08/2008, já teria decorrido o prazo legal para apresentação de defesa. Após apresentação de recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, fls. 3.382/3.386, o processo retornou a esta DRJ, tendo em vista a empresa ter sido beneficiada com liminar, em sede de Mandado de Segurança, oportunidade em que a autoridade judicial determina ao órgão julgador administrativo, fls. 3.391/3.396, que considere a impugnação tempestiva pelas razões ali expostas. Fl. 7003DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.005266/200711 Acórdão n.º 2403002.161 S2C4T3 Fl. 3.431 5 Nesse ínterim, foi feita Solicitação e Diligência Fiscal pela autoridade julgadora de primeira instância para que a AuditoriaFiscal se manifestasse acerca das alterações provenientes da Lei 11.941/2009, por meio do Despacho nº 109 – 6ª Turma da DRJ/Brasília. O Auditor autuante assim se manifesta acerca da Diligência Fiscal, às fls. 3401 a 3402: 1. Em função da decisão judicial proferida em favor da impugnante determinando o acatamento da tempestividade ( Fls. 3.391 a 3.396), os documentos apresentados pela defesa foram considerados para efeito de retificação do presente autode infração. 2. A empresa apresentou cópias de GFIP (Guias de Recolhimento do FGTS e Informações Previdência Social) relativas a todo o período objeto da autuação que por sua vez foram confrontadas com o levantamento inicial para verificação da regularização da falta. 3. Em apenas duas competências — Maio de 2000 e Outubro de 2003, os valores declarados pela impugnante, a titulo de retificação, não atingiram os valores apurados pela fiscalização e em decorrência temos que a falta, nestas competências (GFIP), não foram corrigidas integralmente e os valores de multa aplicados à época foram mantidos. A planilha "Análise de GFIP apresentadas na defesa" anexa a esta informação detalha os valores apurados confrontados com os declarados (retificados). 4. Em todas as demais competências a empresa retificou as referidas declarações tendo corrigido a falta. 5. Valor do débito. Esta junta fiscal se manifesta no sentido de retificar o valor do débito originalmente constituído em R$ 508.962,03 (Quinhentos e oito mil novecentos e sessenta e dois reais e três centavos) para R$ 17.454,89 (Dezessete mil quatrocentos e cinqüenta e quatro reais e oitenta e nove centavos). 6. De acordo com a determinação contida As fls. 3399, expedida pela 6a Turma da DRJ/ estamos encaminhando, via AR (Aviso de Recebimento) pelos Correios, o inteiro teor desta Informação, para ciência do contribuinte e eventual manifestação. Determina a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento: "Caso a fiscalização entenda por retificar o valor do lançamento, deve ser devolvido ao sujeito passivo o prazo para impugnação (30 dias), no que concerne a matéria notificada, na forma prevista no art. 243 do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, com redação dada pelo Decreto n° 6.103/07". Fl. 7004DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 O contribuinte, notificado das Informações Fiscais, às fls. 3404, apresentou Manifestação à retificação efetuada (fls. 3.406), alegando que o valor relativo á competência maio de 2000 deve ser excluído do lançamento, uma vez que foi alcançado pela decadência A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente em parte a autuação, nos termos do Acórdão nº 0335.477 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília DF, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2000 a 31/08/2005 AIOA DEBCAD N.° 37.055.3438 OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP/GRFP (CFL 68) Determina a lavratura de autodeinfração a omissão de fatos geradores previdenciários prestada pela empresa em GFIP conforme art. 32, inciso IV, § 5°, da Lei n.° 8.212/91. CORREÇÃO DA FALTA. ATENUAÇÃO DE OCORRÊNCIAS INTEGRALMENTE CORRIGIDAS. A multa aplicada na competência é atenuada quando verificados os requisitos do art. 291 do Regulamento da Previdência Social – RPS aprovado pelo Decreto 3.048/99, dentre eles a correção da falta, que. no caso, ocorre com a inclusão, em GFIP retificadora, dos fatos geradores que haviam sido omitidos na competência, em se tratando de lançamentos efetuados antes do Decreto n.° 6.727/2009. MULTA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratandose de autodeinfração decorrente do descumprimento de obrigação tributária não definitivamente julgado, aplicase a lei superveniente, na ocorrência do pagamento, quando cominar penalidade menos severa que a prevista naquela vigente ao tempo de sua lavratura. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Segue trechos da decisão de primeira instância acerca da procedência em parte da Impugnação: A correção integral da falta foi confirmada através da informação fiscal de fls. 3.401/3.402, nas competências 12/01 a 08/20.05. Porem; conforme Relatório Fiscal (fls. 37), foram lavrados contra a empresa os autos de infração de n. ° 35.757.5679 (CFL 38) E 35.356.2459 (CFL 68), julgados procedentes em 31/01105 e 08/10/04 respectivamente, constituindo, assim, em circunstâncias agravantes, que impedem a relevação da multa. Fl. 7005DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.005266/200711 Acórdão n.º 2403002.161 S2C4T3 Fl. 3.432 7 Assim, por ter corrigido a falta, nos termos do art. 291 do RPS, a multa será atenuada em 50% nas competências:12/01 a 08/2005. Já a multa da competência 10/2003 será mantida no seu valor original, por não haver correção nessa competência. (...) Dessa forma, a multa cabível deve ser a resultante da comparação entre a soma da prevista no art. 32, inciso IV, parágrafo 5° + a multa de mora do antigo art. 35, II, ambos da Lei n° 8.212/91, com a nova multa prevista no art. 35A também da Lei 8.212/91, acrescentado pela MP 449, considerando tratarse exatamente de omissão de fatos geradores em GFIP sem o correspondente recolhimento das contribuições devidas (...) VOTO no sentido de julgar procedente em parte a impugnação, atenuando as competências 2/01 . a 09/03 e 11/2003 a 08/2005, e declarando a decadência das competências anteriores a 12/2001, retificando o Crédito. tributário exigido de R$ 508.962,03 (quinhentos e oito mil novecentos e sessenta e dois reais e três centavos). para RS 135.468,90 (cento e trinta e cinco mil quatrocentos e sessenta e oito reais e noventa centavos), devendo ser efetivado o cálculo e a aplicação da multa mais benéfica ao contribuinte no momento em que for postulada a liquidação do crédito, conforme Portaria Conjunta PGFN/RFB n°14/09. Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, onde alega em apertada síntese que: (i) Decadência – aplicação do art. 150, IV, CTN (ii) manutenção do critério anterior da autoridade fiscal na qual considerou a correção integral da falta, restando apenas a competência 10/2003. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 7006DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (B) Da regularidade do lançamento. Analisemos. Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente – MAIA E BORBA S/A. contra Acórdão nº 0335.477 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília DF, que julgou procedente em parte a autuação por descumprimento de obrigação acessória, Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA nº. 37.055.3438, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 508.962,03. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o Auto de Infração nº. 37.221.751 6, Código de Fundamentação Legal – CFL 68 foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente ter sido constatado que as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social GFIP, em diversas competências, foram apresentadas com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme especificado nas planilhas de fls. 39163. Acrescenta o relatório que deixaram de ser informados os valores dos serviços prestados por trabalhadores cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inc. IV e §§ 3º e 5º, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, combinado com art. 225, IV e § 4°, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, §5°, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 284, inc. II, e art. 373. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrado AIOA nº 37.055.3438 que, conforme definido nos artigos 460, 467 e 468 da IN RFB n° 971/2009, é o Fl. 7007DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.005266/200711 Acórdão n.º 2403002.161 S2C4T3 Fl. 3.433 9 documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela RFB, apuradas mediante procedimento fiscal: Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). IN RFB n° 971/20095 Art. 460. São documentos de constituição do crédito tributário relativo às contribuições de que trata esta Instrução Normativa: I Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), é o documento declaratório da obrigação, caracterizado como instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário; II Lançamento do Débito Confessado (LDC), é o documento por meio do qual o sujeito passivo confessa os débitos que verifica; III Auto de Infração (AI), é o documento constitutivo de crédito, inclusive relativo à multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, lavrado por AFRFB e apurado mediante procedimento de fiscalização; IV – Notificação de Lançamento (NL), é o documento constitutivo de crédito expedido pelo órgão da Administração Tributária; V Débito Confessado em GFIP (DCG), é o documento que registra o débito decorrente de divergência entre os valores recolhidos em documento de arrecadação previdenciária e os declarados em GFIP; e Art. 467. Será lavrado Auto de Infração ou Notificação de Lançamento para constituir o crédito relativo às contribuições de que tratam os arts. 2º e 3º da Lei nº 11.457, de 2007. Art. 468. A autoridade administrativa competente para a lavratura do Auto de Infração pelo descumprimento de obrigação principal ou acessória, nos termos dos arts. 142 e 196 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), e art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, é o AFRFB que presidir e executar o procedimento fiscal. Parágrafo único. Considerase procedimento fiscal quaisquer das espécies elencadas no art. 7º e seguintes do Decreto nº 70.235, de 1972, observadas as normas específicas da RFB. Fl. 7008DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 (grifo nosso) Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 33, §§ 2º, 3º da Lei 8.212/1991, os artigos 232 e 233 do decreto 3.048/1991, bem como dos artigos 113, 115 e 122 do Código Tributário Nacional. O artigo 33, §§ 2º, 3º da Lei 8.212/1991: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Os arts. 232 e 233, Decreto 3.048/1999: Art. 232. A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. O art. 113, CTN, estabelece que: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. Fl. 7009DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.005266/200711 Acórdão n.º 2403002.161 S2C4T3 Fl. 3.434 11 § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. O art. 115, CTN, estabelece que: Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. O art. 122, CTN, estabelece que: Art. 122. Sujeito passivo da obrigação acessória é a pessoa obrigada às prestações que constituam o seu objeto. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: A autorização por meio da emissão de TIPF – Termo de Início do Procedimento Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento, bem como a intimação para que o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); c. REFISC – Relatório Fiscal da Infração e da Aplicação da Multa. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de Fl. 7010DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Desta forma, o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento por preterição aos direitos de defesa, pela imprecisão e erros de capitulação da infração e da multa. (i) Decadência – aplicação do art. 150, IV, CTN Analisemos. Devese verificar a ocorrência, ou não, da decadência. O Supremo Tribunal Federal STF, conforme o Informativo STF nº 510 de 19 de junho de 2008, por entender que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, b, da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nºs 556664/RS, 559882/RS, 559.943 e 560626/RS, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8.212/91, atribuindose, à decisão, eficácia ex nunc apenas em relação aos recolhimentos efetuados antes de 11.6.2008 e não impugnados até a mesma data, seja pela via judicial, seja pela administrativa. Após, o STF aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nestes termos: Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Publicada no DOU de 20/6/2008, Seção 1, p.1. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a Fl. 7011DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.005266/200711 Acórdão n.º 2403002.161 S2C4T3 Fl. 3.435 13 administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Portanto, da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, deve adequar a decisão administrativa ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de 22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou Fl. 7012DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. (g.n.)” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, nos termos dos artigos 150, § 4o, e 173 do Código Tributário Nacional. O meu posicionamento se identifica com o direcionamento do Superior Tribunal de Justiça – STJ e com a primeira corrente doutrinária exposta no sentido de no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento e não se configure os casos de dolo, fraude ou simulação, se aplica a regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN, conforme se depreende do REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF. Entretanto, há de se salientar que a MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, trouxe nova disciplina para as punições pelo descumprimento das obrigações acessórias, ao revogar os parágrafos do art. 32 da Lei nº 8.212/91 e ao criar o art. 32A como nova sistemática de aplicação de multas. Ademais, o art. 32, § 11, da Lei 8.212/1991, correlaciona o arquivamento dos documentos comprobatórios das obrigações tributárias à prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) § 11. Os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Parágrafo renumerado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (gn) Temse que na atual disciplina trazida pela Lei 11.941/2009, conforme o art. 32, § 11, Lei 8.212/1991, a avaliação da decadência da penalidade pecuniária por declaração que não contempla todos os fatos geradores darseia nos autos do processo em que tivesse sido realizado o lançamento das contribuições não recolhidas. Fl. 7013DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.005266/200711 Acórdão n.º 2403002.161 S2C4T3 Fl. 3.436 15 Desta forma, devese cotejar o presente AIOA nº. 37.055.3438 com o correlato processo principal nº 15983.720104/201156, AIOP nº 37.055.3519. No processo principal nº 15983.720104/201156, AIOP nº 37.055.3519, verificase no Relatório de Documentos Apresentados – RDA inúmeros Recolhimentos reconhecidos pela Auditoria Fiscal e apropriados em diversas competências. Então, aplicandose o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF, exsurge a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar pelo contribuinte, conforme o entendimento desta Colenda Turma.. Verificase, da análise dos autos, que a cientificação do auto de infração pela Recorrente, às fls. 01, se deu em 17.07.2007 e o período objeto do auto de infração se refere a 03/2000 a 08/2005. Dessa forma, nos termos do artigo 150, § 4o, CTN, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos lançados na competência 06/2002, inclusive. DO MÉRITO (ii) manutenção do critério anterior da autoridade fiscal na qual considerou a correção integral da falta, restando apenas a competência 10/2003. Analisemos. Foi feita Solicitação e Diligência Fiscal pela autoridade julgadora de primeira instância para que a AuditoriaFiscal se manifestasse acerca das alterações provenientes da Lei 11.941/2009, por meio do Despacho nº 109 – 6ª Turma da DRJ/Brasília. O Auditor autuante assim se manifesta acerca da Diligência Fiscal, às fls. 3401 a 3402, na qual verificou que a empresa apresentou cópias de GFIP relativas a todo o período objeto da autuação, sendo que apenas em duas competências — 05/2000 e 10/2003 os valores declarados pela impugnante, a titulo de retificação, não atingiram os valores apurados pela fiscalização e, em decorrência, em todas as demais competências a empresa retificou as referidas declarações tendo corrigido a falta: 1. Em função da decisão judicial proferida em favor da impugnante determinando o acatamento da tempestividade ( Fls. 3.391 a 3.396), os documentos apresentados pela defesa foram considerados para efeito de retificação do presente autode infração. 2. A empresa apresentou cópias de GFIP (Guias de Recolhimento do FGTS e Informações Previdência Social) Fl. 7014DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 relativas a todo o período objeto da autuação que por sua vez foram confrontadas com o levantamento inicial para verificação da regularização da falta. 3. Em apenas duas competências — Maio de 2000 e Outubro de 2003, os valores declarados pela impugnante, a titulo de retificação, não atingiram os valores apurados pela fiscalização e em decorrência temos que a falta, nestas competências (GFIP), não foram corrigidas integralmente e os valores de multa aplicados à época foram mantidos. A planilha "Análise de GFIP apresentadas na defesa" anexa a esta informação detalha os valores apurados confrontados com os declarados (retificados). 4. Em todas as demais competências a empresa retificou as referidas declarações tendo corrigido a falta. 5. Valor do débito. Esta junta fiscal se manifesta no sentido de retificar o valor do débito originalmente constituído em R$ 508.962,03 (Quinhentos e oito mil novecentos e sessenta e dois reais e três centavos) para R$ 17.454,89 (Dezessete mil quatrocentos e cinqüenta e quatro reais e oitenta e nove centavos). 6. De acordo com a determinação contida As fls. 3399, expedida pela 6a Turma da DRJ/ estamos encaminhando, via AR (Aviso de Recebimento) pelos Correios, o inteiro teor desta Informação, para ciência do contribuinte e eventual manifestação. Determina a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento: "Caso a fiscalização entenda por retificar o valor do lançamento, deve ser devolvido ao sujeito passivo o prazo para impugnação (30 dias), no que concerne a matéria notificada, na forma prevista no art. 243 do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, com redação dada pelo Decreto n° 6.103/07". No entanto, contrariamente ao exarado em Informação Fiscal pela Auditoria Fiscal, a decisão de primeira instância considerou que em função de autos de infração de obrigação acessória julgados, restaria caracterizada a circunstância agravante: A correção integral da falta foi confirmada através da informação fiscal de fls. 3.401/3.402, nas competências 12/01 a 08/20.05. Porem; conforme Relatório Fiscal (fls. 37), foram lavrados contra a empresa os autos de infração de n. ° 35.757.5679 (CFL 38) E 35.356.2459 (CFL 68), julgados procedentes em 31/01105 e 08/10/04 respectivamente, constituindo, assim, em circunstâncias agravantes, que impedem a relevação da multa. Assim, por ter corrigido a falta, nos termos do art. 291 do RPS, a multa será atenuada em 50% nas competências:12/01 a 08/2005. Já a multa da competência 10/2003 será mantida no seu valor original, por não haver correção nessa competência. As demais competências foram alcançadas pela decadência, Fl. 7015DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.005266/200711 Acórdão n.º 2403002.161 S2C4T3 Fl. 3.437 17 Para solucionar este ponto controvertido, qual seja, a existência ou não de circunstância agravante, devemos observar a legislação contida no art. 290, parágrafo único, Decreto 3048/1999: Art.290. Constituem circunstâncias agravantes da infração, das quais dependerá a gradação da multa, ter o infrator: Parágrafo único.Caracteriza reincidência a prática de nova infração a dispositivo da legislação por uma mesma pessoa ou por seu sucessor, dentro de cinco anos da data em que houver passado em julgamento administrativo a decisão condenatória ou homologatória da extinção do crédito referente à infração anterior. Parágrafo único. Caracteriza reincidência a prática de nova infração a dispositivo da legislação por uma mesma pessoa ou por seu sucessor, dentro de cinco anos da data em que se tornar irrecorrível administrativamente a decisão condenatória, da data do pagamento ou da data em que se configurou a revelia, referentes à autuação anterior. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007) Ora, para se constituir a circunstância agravante, deve haver a prática de nova infração, dentro de cinco anos, em que se tornar irrecorrível administrativamente a decisão condenatória. Outrossim, não temse comprovado pela decisão de primeira instância que os autos de infração de n. ° 35.757.5679 (CFL 38) e 35.356.2459 (CFL 68), julgados procedentes (por decisão de primeira instância(?!) em 31/01/2005 e 08/10/2004 tenham se tornado irrecorrível na esfera administrativa. Diante do exposto, acompanho a manifestação da AuditoriaFiscal, às fls. 3401 a 3402, reconhecendo que houve a relevação da multa, nos termos do art. 291, Decreto 3.048/1999, para todas as competências em função pela correção da falta, com exceção das competências 05/2000 e 10/2003: Art.291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. §1º A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. Portanto, resta apenas a competência 10/2003 em que não há correção da falta. DO CÁLCULO DA MULTA Em relação ao cálculo da multa, se faz necessário tecer algumas considerações, face à edição da recente Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei Fl. 7016DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 18 11.941/2009. A citada Lei 11.941/2009 alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a Lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art.32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no §3o; e II de R$ 20,00 (vinte reais)para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento §2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação §3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos”. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Art.106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso da presente autuação, Auto de Infração nº. 37.309.1834, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 e do art. 32, § 5º, da Lei nº Fl. 7017DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.005266/200711 Acórdão n.º 2403002.161 S2C4T3 Fl. 3.438 19 8.212/1991, o qual previa que pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no art. 32, § 4º, da Lei nº 8.212/1991. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32, § 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. CONCLUSÃO Voto pelo CONHECIMENTO do Recurso, para (i) declarar a decadência até a competência 06/2002, inclusive, com base no art. 150, § 4º, CTN; (ii) manter a multa apenas para a competência 10/2003; (iii) determinar o recálculo do valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 7018DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10650.000649/87-45
Data da sessão: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 1989
Ementa: IRF - TRIBUTAÇÃO DECORRENTE - ART. 89 DO DECRETO-LEI N9 2.065/83 - Em virtude da estreita relação de causa e efeito existente entre o lançamento principal o decorrente, não apresentando o contribuinte questão nova quanto a este ultimo, adota-se a mesma solução do processo matriz.
Numero da decisão: 101-78.830
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho -
e Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, os termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Nome do relator: José Eduardo Rangel de Alckmin
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recur o interposto por ETEL - ESCRITÓRIO TÉCNICO DE ENGENHARIA LTDA. ACORDAM os Membros da Primeira Cãmara do Primeiro Conselho - e Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, os termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado Sala das Sessões (DF), em 21 de junho de 1989 (URGE P' REI 'q LOPS - PRESIDENTE •IN C 30 ,.2. EDUARDO RA ' DE ALCKMIN - RELATOR [STA EM AFONS, CElSO FERREIRA DE C1CS55-S - PROCURADOR DA FAZENDA SSÃO DE : NACIONAL • 3 jui,. 1:v7). • irticiparam, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros dRLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA, CRISTÓVÃO AV IIETA DE PAIVA, RAUL PIMENTEL e CÂNDIDO RODRIGUES NEUBER. Esteve AusPn- por motivo justificado o Conselheiro: CELSO ALVES FEITOS]. 2. -fl. 43,,... SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10.650/000.649/87-45 RECÜRSO N9: 50.426 ACÓRDÃO N9: 101-78.830 RECORRENTE : ETEL - ESCRITÓRIO TÉCNICO DE ENGENHARIA LTDA. REL A TÓR IO_ Cuida-se de lançamento de imposto de renda na fonte, com base no art. 89 do Decreto-lei n9 2.065/83, decorrente de ação fis_ cal em que se apurou diminuição dos resultados de pessoa jurídica, por omissão de receita caracterizada por passivo não comnorvado, concer- nente aos anos de 1983 e 1984. Ciente da exigência em 21.10.87, a contribuinte, for_ mulou imnugn.acão ao Auto de Infracão, sustentando a im procedência do lancamento Principal., conforme Petição nrotocolizada em 20.11.87. Instada a se manifestar, a Fiscalização anenas se reportou aos argumentos exnendidos na defesa da manutenção da ação fis_ cal do processo matriz. Nos nresentes autos, o decisum monocrãtico guarda a seguinte ementa: "IMPOSTO SOBRE A RENDA E PROVENTOS DE QUAL QUER NATUREZA-FONTE. Exercícios de 1984, 1985 e 1986. ... Rendimentos de Quotas e Ouinhaes de Cani_ tal. As decisOes a serem nrolatadas nos proces sos chamados reflexos , ,decorrentes de---- vem acomnanhar as adotadas nos Processo> r-z SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 10.650/000.649/87-45 3. Acórdão n9 101-78.830 matrizes. Aplicável o disposto no artigo 89 do De- creto-lei n9 2.065/83 nas hipóteses de omissão de receita." Nas razéSes de decidir, o Julgador sustentou seu pon to de vista asseverando que tendo sido rejeitada a impugnação con- tra a autuação principal, igual medida se imporia quanto à refle- xa. Da decisão a empresa teve ciência (doc. de fls. ), interpondo apelo a este Conselho em 22.04.88, aduzindo ser improce dente o lançamento principal e, conseqüentemente, o tratado nestes autos. Informo, outrossim, que em 21.02.89, a colenda Quin ta Câmara, apreciando o Recurso n9 92.527, _ negou provimento ao apelo, consoante o Acórdão n9 105-3.087, assim ementado: VARIAÇÃO MONE MAR IA DE EMPRÉSTIMOS A EMP RE SAS INTERLIGADAS - Incabível a aplicação das normas do Decreto-lei n9 2.065/83 às operações de mútuo celebradas entre pes- soas jurídicas coligadas, interligadas, controladoras e controladas, anteriormen- te à data de inicio de sua vigência. OMISSÃO DE RECEITA - Suprimento de Caixa - Presumem-se decorrentes de omissão de receitas os valores supridos do caixa, tanto na integralização de capital quan - to no empréstimos de sócios à empresa,s -e- não for plena e objetivamente feita apro va da operação que tenha dado origem aos recursos financeiros utilizados." É o relatório. VOTO Conselheiro JOSÉ EDUARDO RANGEL DE ALCKMIN, Relator O recurso é interposto com guarda de prazo de trin- ta dias estabelecido no art. 33 do Decreto n9 70.235/72, motivo pe lo qual é de ser conhecido. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 10.650/000.649/87-45 4. AcOrdão n9 101-78.830 No mérito, trata-se de processo decorrente, tendo este Colegiado, apreciando o processo principal, resolvido manter em parte a exigência tributária, entendendo proceder parcialmente a irresignação da contribuinte. Como e cediço, há estreita relação de causa e efei- to entre o lançamento princi pal e o decorrente. De fato, há uma única base fática a amparar ambas exigências. Assim, examinados os contornos fáticos em um dos processos, as conclusOes ali extraidas devem prevalecer, salvo se no processo decorrente o contribuinte a presenta elementos novo. No caso, observa-se que a recorrente limitou-se a se reportar ã improcedência da autuação principal que teria sido demonstrada no processo matriz. A conclusão deste Conselho, contu do, não lhe foi favorável,. Dessa forma, voto pela negativa de provimento do ape loi (52 ,.110" 6-2_, aCjÁ..e •S EDUARDO RANGE, DE ALCKMIN - RELATOR - Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1
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Numero do processo: 19740.000200/2005-40
Data da sessão: Thu Mar 18 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/2000 a 01/04/2000
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO.
O direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição paga indevidamente, ou em valor maior que o devido, extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, assim entendido como o pagamento antecipado, nos casos de lançamento por homologação. Observância aos princípios da estrita legalidade e da segurança jurídica.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-000.343
Decisão: ACORDAM os Membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da PRIMEIRA CÂMARA da SEGUNDA SEÇÃO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencido o
Conselheiro Alexandre Gomes.
Nome do relator: Walber José da Silva
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2000 a 01/04/2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. O direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição paga indevidamente, ou em valor maior que o devido, extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, assim entendido como o pagamento antecipado, nos casos de lançamento por homologação. Observância aos princípios da estrita legalidade e da segurança jurídica. Recurso Voluntário Negado
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MATÉRIA NÃO APRECIADA NO ACÓRDÃO. São cabíveis embargos declaratórios para apreciar matéria em relação à qual o Acórdão embargado se tenha omitido. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. PRAZO. Transcorrido o prazo do art. 168 do CTN, combinado com o art. 3° da Lei n° 118/05, não há como efetuar repetição de indébito, seja qual for o motivo do pagamento tido como indevido. Embargos Acolhidos para Re-Ratificar o Acórdão Embargado Acordam os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em admitir os embargos para suprir a omissão e ratificar o resultado do julgamento que negou provimento ao recurso. A Conselheira Fabíola Cassiano Keramidas acompanhou o relator pelas conclusões. L Walber José da Silva — Presidente e Relator f EDITADO EM: 07/04/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Luis Eduardo Garrossino Barbieri e Gileno Gurião Barreto. Ausente o Conselheiro Alexandre Gomes. Relatório Trata o presente de pedido de restituição de PIS, apresentado no dia 08/06/2005, indeferido pela autoridade da RFB por ter sido apresentado após o prazo de cinco anos, contados da data do pagamento tido como indevido. A interessada apresentou manifestação de inconformidade, indeferida pela DRJ no Rio de Janeiro - RJ e, então, apresentou recurso voluntário alegando, preliminarmente, que o prazo para pleitear a restituição é de 5 + 5 anos ou, no caso de inconstitucionalidade de lei, o referido prazo conta-se da data da declaração de inconstitucionalidade, pelo STF. O recurso voluntário foi julgado improcedente, nos termos do Acórdão n° 2102-00.078, de 06/05/2009. Ciente do acórdão acima, a seguradora ingressou, tempestivamente, com os Embargos de Declaração de fls. 243/248, alegando omissão no julgado, que deixou de apreciar seu argumento de que, com a decretação de inconstitucionalidade da Lei n° 9.718/98, o prazo para pleitear a restituição conta-se da data do referido julgamento, ou seja, do dia 09/11/2005. Os embargos foram admitidos pelo Presidente da Terceira Câmara, nos termos do Despacho n° fl. 252. É o Relatório. Voto Conselheiro Walber José da Silva — Relator Como relatado, os embargos de declaração foram admitidos para que o Colegiado aprecie o argumento da embargante de que o prazo para pleitear a restituição em tela conta-se a partir da data da declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do § 1 9 do art. 32 da Lei n°9.718/98, ou seja, a partir do dia 09/11/2005. Preliminarmente, entendo que não se aplica a preclusão aos argumentos da• embargante de que o termo inicial do prazo para pleitear a restituição em tela é o dia 09/11/2005 porque a declaração de inconstitucionalidade ocorreu após a apresentação da manifestação de inconformidade, ocorrida no dia 11/07/2005. Quanto ao mérito dos embargos entendo que, por absoluta carência de amparo legal, não merece prosperar o argumento da embargante de que o prazo para pleitear a restituição de PIS e de Cofins recolhidas com fulcro no §1° do art. 3 0 da Lei ti9 9.718/98 declarado inconstitucional pelo STF, conta-se do dia 09/11/2005 (data da sessão de julgamento do RE n9346.084). Como se disse no voto vencedor do acórdão embargado, em matéria de repetição de indébito não há outro termo inicial para o seu exercício que não os assinalados no art.168 do CTN, independente dos motivos que levaram o contribuinte a entender que tinha efetuado pagamento indevido ou a maior, inclusive a declaração de inconstitucionalidade da lei que o obrigava a efetuar o recolhimento. Os efeitos da declaração de inconstitucionalidade não 2 Processo n° 19740.000200/2005-40 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302-00.343 EL 254 alcançam direitos que não podem mais ser exercidos, por encontrarem-se extintos, como pretende a embargante. Admito que é passível de discussão o prazo para pleitear a restituição dos pagamentos indevidos quando, na data da publicação de decisão definitiva do STF em ADIN que declarou a inconstitucionalidade, o direito de pleitear a restituição não estava extinto, o que não é o caso dos autos. No mais, com fulcro no art. 50, § l,da Lei r? 9.784/1999 1 , adoto os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido admitir os embargos para retificar o acórdão n° 2102-00.078 e ratificar o resultado do julgamento de negar provimento ao recurso voluntário. WalberãoSé da Sirva • Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos Muda:mentos jurídicos, quando: § 1 2 A motivação deve ser explicita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. 3
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Numero do processo: 10140.001190/2001-21
Data da sessão: Wed Oct 28 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1999
IMPOSTO TERRITORIAL RURAL — UR. - ÁREAS DE PRESERVAÇÃO
PERMANENTE — EXIGÊNCIA, POR INSTRUÇÃO NORMATIVA, DE
ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL PARA EXCLUSÃO DA BASE DE
CÁLCULO DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE -
INEFICÁCIA.
O Poder Executivo, ao baixar provisões regulamentares, de caráter
secundário, deve conter-se nos limites traçados pela lei, não podendo exorbitar em seus termos, sob pena de ineficácia. Só a lei pode ditar regras de ação positiva (fazer) ou negativa (deixar de fazer ou abster-se) em obediência ao princípio da legalidade. Assim, instrução normativa não pode impor
obrigação estabelecendo exigência, não prevista em lei, para que o sujeito passivo faça jus à exclusão da base de cálculo do ITR das áreas de preservação permanente.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE
IMÓVEIS.
A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente em data anterior à ocorrência do fato gerador do imposto, o que não ocorreu no presente caso.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-000.457
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da tributação a área declarada como de proteção permanente. Vencidos os Conselheiros Moisés Giacomelli Nunes da Silva (Relator), Roberta de Azeredo
Ferreira Pagetti (convocada), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Gonçalo Bonet Allage, que davam provimento integral ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Elias Sampaio Freire.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - valor terra nua
Nome do relator: Moisés Giacomelli Nunes da Silva
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ementa_s : Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 1999 IMPOSTO TERRITORIAL RURAL — UR. - ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE — EXIGÊNCIA, POR INSTRUÇÃO NORMATIVA, DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL PARA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - INEFICÁCIA. O Poder Executivo, ao baixar provisões regulamentares, de caráter secundário, deve conter-se nos limites traçados pela lei, não podendo exorbitar em seus termos, sob pena de ineficácia. Só a lei pode ditar regras de ação positiva (fazer) ou negativa (deixar de fazer ou abster-se) em obediência ao princípio da legalidade. Assim, instrução normativa não pode impor obrigação estabelecendo exigência, não prevista em lei, para que o sujeito passivo faça jus à exclusão da base de cálculo do ITR das áreas de preservação permanente. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS. A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente em data anterior à ocorrência do fato gerador do imposto, o que não ocorreu no presente caso. Recurso especial provido em parte.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da tributação a área declarada como de proteção permanente. Vencidos os Conselheiros Moisés Giacomelli Nunes da Silva (Relator), Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Gonçalo Bonet Allage, que davam provimento integral ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Elias Sampaio Freire.
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Numero do processo: 11080.102469/2005-79
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2005 a 30/09/2005
CRÉDITO PRESUMIDO DO ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCIDÊNCIA.
O crédito presumido do ICMS, incentivo fiscal concedido pelo Fisco Estadual, trata-se de um desconto obtido que reduzirá o valor do imposto estadual a pagar. Não pode ser considerado um ingresso de recursos e, consequentemente, não se trata de receita auferida pela empresa em decorrência de sua atividade empresarial, portanto, está fora do campo de incidência do PIS e da Cofins, não devendo compor a sua base de cálculo.
Não há subsunção do fato concreto (crédito presumido do ICMS) com a hipótese normativa (auferir receita), portanto, não se instaurará o consequente da norma - a relação jurídico-tributária (obrigação tributária).
CESSÃO/TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITO DE ICMS PARA TERCEIROS. BASE DE CÁLCULO. INCIDÊNCIA.
A Constituição Federal assegurou ao contribuinte do ICMS o direito a compensação do que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores - princípio da não cumulatividade (art. 155, parágrafo 2º, inciso I), assim como permitiu a recuperação (assegurada a manutenção e o aproveitamento) do imposto pago nas etapas anteriores no caso de operações que destinem mercadorias para o exterior (artigo 155, parágrafo 2º, inciso X, alínea a). Por sua vez, a Lei Complementar 87/1996, em seu artigo 25, disciplinou as formas de utilização dos créditos acumulados de ICMS, facultando ao contribuinte-exportador a utilização direta dos saldos credores em seu próprio estabelecimento ou a cessão/transferência desses saldos remanescentes de créditos de ICMS a terceiros.
Os créditos do ICMS, independentemente da forma de aproveitamento, serão, sempre, instrumentos para recuperação dos tributos recolhidos e inseridos no custo dos insumos e não receitas auferidas, pelo que, certamente, não podem integrar a base de cálculo do PIS/COFINS. É um meio para a concretização do princípio da não cumulatividade.
Os valores decorrentes da cessão de crédito do ICMS, portanto, estão fora do campo da incidência do PIS e da COFINS, por não se subsumirem ao seu critério material (auferir receita ou faturamento) e, desta feita, não devem integrar a sua base de cálculo. Não havendo subsunção do evento (fato concreto = cessão de crédito do ICMS) com a hipótese normativa (auferir receita ou faturamento) não se instaurará o consequente da norma - a relação jurídico-tributária.
COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE CRÉDITO PRESUMIDO DAS ATIVIDADES AGROINDUSTRIAIS.
O crédito presumido concedido, por força do disposto no artigo 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004 (com a redação dada pela Lei 11.051/2004), às pessoas jurídicas que produzem mercadorias de origem animal ou vegetal, nos códigos tarifários em que cita destinada à alimentação humana ou animal, somente podem ser deduzidas da contribuição do PIS e da COFINS devidas em cada período de apuração.
ALÍQUOTA UTILIZADA PARA O CÁLCULO DO CRÉDITO PRESUMIDO DAS ATIVIDADES AGROINDUSTRIAIS.
A alíquota a ser aplicada no cálculo do crédito presumido, para as aquisições de suínos e aves vivos (Capítulo 1 da NCM/SH) e de milho (Capítulos 10 da NCM/SH), prevista no parágrafo 3o do artigo 8o da Lei 10.925/2004, é de 35%.
Recurso Voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-000.831
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, da seguinte forma: a) por maioria de votos, dar provimento ao recurso quanto à não inclusão, na base de cálculo, dos valores decorrentes de crédito presumido de ICMS. Vencidos os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres e Charles Mayer de Castro Souza; b) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso quanto à não inclusão, na base de cálculo, dos valores decorrentes de créditos de ICMS transferidos a terceiros. Os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres e Charles Mayer de Castro Souza votaram pelas conclusões; c) pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário quanto à possibilidade de compensação de crédito presumido das atividades agroindustriais. Vencidos os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Junior, Adriene Maria de Miranda Veras e Rodrigo Cardozo Miranda; e d) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso em relação à alíquota de 60% para cálculo do crédito presumido das agroindústrias.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente.
Luís Eduardo Garrossino Barbieri - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Miranda Cardozo, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza e Adriene Maria de Miranda Veras.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/06/2005 a 30/09/2005 CRÉDITO PRESUMIDO DO ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCIDÊNCIA. O crédito presumido do ICMS, incentivo fiscal concedido pelo Fisco Estadual, trata-se de um desconto obtido que reduzirá o valor do imposto estadual a pagar. Não pode ser considerado um ingresso de recursos e, consequentemente, não se trata de receita auferida pela empresa em decorrência de sua atividade empresarial, portanto, está fora do campo de incidência do PIS e da Cofins, não devendo compor a sua base de cálculo. Não há subsunção do fato concreto (crédito presumido do ICMS) com a hipótese normativa (auferir receita), portanto, não se instaurará o consequente da norma - a relação jurídico-tributária (obrigação tributária). CESSÃO/TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITO DE ICMS PARA TERCEIROS. BASE DE CÁLCULO. INCIDÊNCIA. A Constituição Federal assegurou ao contribuinte do ICMS o direito a compensação do que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores - princípio da não cumulatividade (art. 155, parágrafo 2º, inciso I), assim como permitiu a recuperação (assegurada a manutenção e o aproveitamento) do imposto pago nas etapas anteriores no caso de operações que destinem mercadorias para o exterior (artigo 155, parágrafo 2º, inciso X, alínea a). Por sua vez, a Lei Complementar 87/1996, em seu artigo 25, disciplinou as formas de utilização dos créditos acumulados de ICMS, facultando ao contribuinte-exportador a utilização direta dos saldos credores em seu próprio estabelecimento ou a cessão/transferência desses saldos remanescentes de créditos de ICMS a terceiros. Os créditos do ICMS, independentemente da forma de aproveitamento, serão, sempre, instrumentos para recuperação dos tributos recolhidos e inseridos no custo dos insumos e não receitas auferidas, pelo que, certamente, não podem integrar a base de cálculo do PIS/COFINS. É um meio para a concretização do princípio da não cumulatividade. Os valores decorrentes da cessão de crédito do ICMS, portanto, estão fora do campo da incidência do PIS e da COFINS, por não se subsumirem ao seu critério material (auferir receita ou faturamento) e, desta feita, não devem integrar a sua base de cálculo. Não havendo subsunção do evento (fato concreto = cessão de crédito do ICMS) com a hipótese normativa (auferir receita ou faturamento) não se instaurará o consequente da norma - a relação jurídico-tributária. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE CRÉDITO PRESUMIDO DAS ATIVIDADES AGROINDUSTRIAIS. O crédito presumido concedido, por força do disposto no artigo 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004 (com a redação dada pela Lei 11.051/2004), às pessoas jurídicas que produzem mercadorias de origem animal ou vegetal, nos códigos tarifários em que cita destinada à alimentação humana ou animal, somente podem ser deduzidas da contribuição do PIS e da COFINS devidas em cada período de apuração. ALÍQUOTA UTILIZADA PARA O CÁLCULO DO CRÉDITO PRESUMIDO DAS ATIVIDADES AGROINDUSTRIAIS. A alíquota a ser aplicada no cálculo do crédito presumido, para as aquisições de suínos e aves vivos (Capítulo 1 da NCM/SH) e de milho (Capítulos 10 da NCM/SH), prevista no parágrafo 3o do artigo 8o da Lei 10.925/2004, é de 35%. Recurso Voluntário provido em parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2005 a 30/09/2005 CRÉDITO PRESUMIDO DO ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCIDÊNCIA. O “crédito presumido do ICMS”, incentivo fiscal concedido pelo Fisco Estadual, tratase de um desconto obtido que reduzirá o valor do imposto estadual a pagar. Não pode ser considerado um ingresso de recursos e, consequentemente, não se trata de receita auferida pela empresa em decorrência de sua atividade empresarial, portanto, está fora do campo de incidência do PIS e da Cofins, não devendo compor a sua base de cálculo. Não há subsunção do fato concreto (“crédito presumido do ICMS”) com a hipótese normativa (“auferir receita”), portanto, não se instaurará o consequente da norma a relação jurídicotributária (obrigação tributária). CESSÃO/TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITO DE ICMS PARA TERCEIROS. BASE DE CÁLCULO. INCIDÊNCIA. A Constituição Federal assegurou ao contribuinte do ICMS o direito a compensação do que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores princípio da não cumulatividade (art. 155, parágrafo 2º, inciso I), assim como permitiu a recuperação (“assegurada a manutenção e o aproveitamento”) do imposto pago nas etapas anteriores no caso de operações que destinem mercadorias para o exterior (artigo 155, parágrafo 2º, inciso X, alínea “a”). Por sua vez, a Lei Complementar 87/1996, em seu artigo 25, disciplinou as formas de utilização dos créditos acumulados de ICMS, facultando ao contribuinteexportador a utilização direta dos saldos credores em seu próprio estabelecimento ou a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 10 24 69 /2 00 5- 79 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11080.102469/200579 Acórdão n.º 3202000.831 S3C2T2 Fl. 133 2 cessão/transferência desses saldos remanescentes de créditos de ICMS a terceiros. Os créditos do ICMS, independentemente da forma de aproveitamento, serão, sempre, instrumentos para recuperação dos tributos recolhidos e inseridos no custo dos insumos e não receitas auferidas, pelo que, certamente, não podem integrar a base de cálculo do PIS/COFINS. É um meio para a concretização do princípio da não cumulatividade. Os valores decorrentes da “cessão de crédito do ICMS”, portanto, estão fora do campo da incidência do PIS e da COFINS, por não se subsumirem ao seu critério material (“auferir receita ou faturamento”) e, desta feita, não devem integrar a sua base de cálculo. Não havendo subsunção do evento (fato concreto = “cessão de crédito do ICMS”) com a hipótese normativa (“auferir receita ou faturamento”) não se instaurará o consequente da norma a relação jurídicotributária. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE CRÉDITO PRESUMIDO DAS ATIVIDADES AGROINDUSTRIAIS. O crédito presumido concedido, por força do disposto no artigo 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004 (com a redação dada pela Lei 11.051/2004), às pessoas jurídicas que produzem mercadorias de origem animal ou vegetal, nos códigos tarifários em que cita destinada à alimentação humana ou animal, somente podem ser deduzidas da contribuição do PIS e da COFINS devidas em cada período de apuração. ALÍQUOTA UTILIZADA PARA O CÁLCULO DO CRÉDITO PRESUMIDO DAS ATIVIDADES AGROINDUSTRIAIS. A alíquota a ser aplicada no cálculo do crédito presumido, para as aquisições de suínos e aves vivos (Capítulo 1 da NCM/SH) e de milho (Capítulos 10 da NCM/SH), prevista no parágrafo 3o do artigo 8o da Lei 10.925/2004, é de 35%. Recurso Voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, da seguinte forma: a) por maioria de votos, dar provimento ao recurso quanto à não inclusão, na base de cálculo, dos valores decorrentes de crédito presumido de ICMS. Vencidos os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres e Charles Mayer de Castro Souza; b) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso quanto à não inclusão, na base de cálculo, dos valores decorrentes de créditos de ICMS transferidos a terceiros. Os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres e Charles Mayer de Castro Souza votaram pelas conclusões; c) pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário quanto à possibilidade de compensação de crédito presumido das atividades agroindustriais. Vencidos os Conselheiros Fl. 133DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11080.102469/200579 Acórdão n.º 3202000.831 S3C2T2 Fl. 134 3 Gilberto de Castro Moreira Junior, Adriene Maria de Miranda Veras e Rodrigo Cardozo Miranda; e d) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso em relação à alíquota de 60% para cálculo do crédito presumido das agroindústrias. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Miranda Cardozo, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza e Adriene Maria de Miranda Veras. Relatório O presente litígio decorre de Declaração de Compensação, acompanhada de Demonstrativos de Créditos, da COFINS – Não Cumulativo referente ao 2º e 3º trimestre de 2005, em decorrência de créditos vinculados às receitas de exportação (art. 6° da Lei n° 10.833/2003) nos valores de R$ 2.146.667,98 e R$ 1.528.782,07, respectivamente. Foi juntado ao presente processo por apensação o processo nº 11080.000792/200690, conforme informação de efolhas 26/28. Por meio do Despacho Decisório No. 233/2008 (efl. 30), a DRF – Porto Alegre reconheceu parcialmente o direito creditório em favor da Requerente, no valor de R$ 1.787.962,88 (2º trimestre) e R$ 1.082.876,36 (3º trimestre) e homologou as compensações efetivadas (fls. 1 e 2) até o limite do crédito reconhecido. A empresa apresentou Manifestação de Inconformidade (efls. 33/ss), sendo então os autos encaminhados à DRJ – Porto Alegre. Por bem retratar os fatos ocorridos, transcrevese o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Trata o presente processo de Declarações de Compensação entregues em 31 de outubro de 2005 juntamente com os Demonstrativos de Créditos da Contribuição para a Cofins não cumulativa dos períodos de junho a setembro do mesmo ano, sendo juntado ao presente, por apensação o processo 11080.000792/200690, conforme relatado na Informação Fiscal de fls. 19/23. Pretende a interessada que os créditos de Cofins não cumulativa do terceiro trimestre de 2005 sejam suficientes para a extinção dos valores de IRPJ devido em setembro e dezembro de 2005. Para examinar os valores dos créditos em cumprimento a mandado de Procedimento Fiscal, foi realizada ação fiscal junto à interessada pela DRF em Porto Alegre, originando a o Despacho Decisório n°233/2008 (fl. 23) que reconheceu o direito creditório parcial no valor de R$ 1.082.876,36, Fl. 134DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11080.102469/200579 Acórdão n.º 3202000.831 S3C2T2 Fl. 135 4 homologando as compensações até este valor e cobrando os valores relativos a IRRF parcialmente devido em junho de 2003 dezembro de 2005 ((R$ 441.081,16 do total de R$ 700.546,79), extintos os demais. A diferença entre o crédito pleiteado e o reconhecido deveuse a não ter a interessada incluído na base de cálculo da contribuição os valores dos créditos presumidos de ICMS e dos valores do ICMS transferidos a terceiros, e por ter incluído na compensação o valor do crédito presumido das atividades de agroindústria, além de ter se equivocado na alíquota aplicada nos créditos decorrentes de compras de animais vivos e de milho. A contribuinte apresentou tempestivamente a Manifestação de Inconformidade (fls. 26/50), por procurador devidamente habilitado (instrumento de fl. 51), reclamando das glosas efetivadas pela fiscalização, em relação aos créditos que apurou com base na Lei No. 10.833, de 2003. Passa a analisar as irregularidades apontadas no Relatório da Fiscalização rebatendoas: Relativamente ao crédito presumido de ICMS afirma que somente constitui receita, e, portanto base de cálculo das contribuições para o PIS/Cofins, o ingresso de novos valores ao patrimônio da empresa. Como os créditos de ICMS não configuram esta situação considera incorreto o procedimento da sua inclusão como receita para o cálculo das contribuições. Da mesma forma analisa a transferência de créditos do ICMS para terceiros, alegando que as quantias recebidas seriam na verdade redução de despesa, e no balanço passam da conta "tributos recuperáveis" para "caixa", ambas do ativo da empresa. Já quanto à compensação indevida de crédito presumido de atividades agroindustriais, pretende fazer jus à utilização do benefício do crédito presumido para as agroindústrias, conforme previsto na Lei No. 10.925, de 23 de julho de 2004, já que tem por objetivo, dentre outros, a industrialização de produtos alimentares derivados de aves, suínos, bovinos e outros animais. A possibilidade de ressarcimento em dinheiro ou de compensar os saldos dos créditos veio através do artigo 16 da Lei No. 11.116, de 18 de maio de 2005. A restrição tanto ao ressarcimento quanto à compensação teria sido ordenada pelo Ato Declaratório Interpretativo SRF No. 15, de 22 de dezembro de 2005, reforçada pela Instrução Normativa SRF n°636, revogada pela IN SRF if 660, de 17 de julho de 2006. As restrições de disposições de Lei, assim implementadas via Ato Declaratório Normativo ou Instrução Normativa afrontariam os princípios da legalidade, da não cumulatividade, da isonomia e neutralidade da tributação. No que se refere à alíquota a ser aplicada sobre os insumos comprados para a agroindústria, estabelecida pela Lei no 10.925, de 2004, teria sido alterada pela Instrução Normativa SRF No. 660/06. Argumenta que uma Instrução Normativa não poderia alterar a alíquota estabelecida por Lei. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11080.102469/200579 Acórdão n.º 3202000.831 S3C2T2 Fl. 136 5 A 2ª. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre RS julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, proferindo o Acórdão nº 10 17.231 (efls. 91/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/06/2005 a 30/09/2005 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO A partir de agosto de 2004, as pessoas jurídicas sujeitas à sistemática de não cumulatividade da Contribuição ao PIS/Pasep e à Cofins que produzirem mercadorias relacionadas no caput do art. 8° da Lei n° 10.925, de 2004, na redação dada pela Lei n° 11.051, de 2004, ou as adquirirem na forma do § 1° do mencionado artigo, desde que atendidos todos os requisitos exigidos pela legislação tributária, poderão usufruir de credito presumido, o qual somente poderá ser utilizado para dedução das respectivas quantias devidas, conforme o mesmo dispositivo. O crédito presumido de ICMS não é de ser excluído da base de cálculo de PIS e de Cofins, pois inexiste previsão legal para tal. O crédito de ICMS transferido para terceiros faz parte da base de cálculo do PIS e da Cofins não cumulativos. Solicitação indeferida. A Recorrente foi cientificada do Acórdão em 24/10/2008 (efls. 96/100). Inconformada com a decisão da autoridade julgadora de primeira instância administrativa, interpôs Recurso Voluntário em 23/11/2008 (fls. 102/ss) onde repisa os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade, em síntese, por matéria: (i) Receitas não incluídas na apuração da base de cálculo da Cofins – crédito presumido do ICMS. a empresa é beneficiária do crédito presumido de ICMS sobre o valor da comercialização de produtos alimentícios (industrializados e inatura, laticínios, aves, suínos, bovinos, ovinos, caprinos), em operação interestadual, nos termos do artigo 32, XXXV e XL do Regulamento do ICMS/RS, que assim dispõe: Art. 32. Assegurase direito a crédito fiscal presumido: (...) XXXV — a partir de 1º de agosto de 2003, aos estabelecimentos fabricantes, em montante igual ao que resultar da aplicação do percentual de 10% (dez por cento) sobre o valor da base de cálculo do imposto, nas saídas internas de linguiças, mortadelas, salsichas e salsichões; (...) XL — aos estabelecimentos fabricantes de produtos e subprodutos resultantes do abate de gado suíno, em montante igual ao que resultar da aplicação dos percentuais a seguir indicados sobre o valor da base de cálculo do imposto nas Fl. 136DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11080.102469/200579 Acórdão n.º 3202000.831 S3C2T2 Fl. 137 6 saídas interestaduais dessas mercadorias, quando a alíquota aplicável for 12%. o Fisco Federal vem buscando ampliar o conceito e a incidência das Contribuições ao PIS/COFINS, através da interpretação ampliativa da hipótese de incidência do tributo, no sentido de que as quantias recebidas pelo contribuinte, decorrentes do crédito fiscal presumido de ICMS, bem como dos valores relativos à transferência de saldo credor de ICMS a terceiros configurariam "receita" tributável pelas contribuições ao PIS/COFINS; o beneficio fiscal, decorrente da comercialização dos produtos alimentares, é lançado na escrita fiscal da empresa e aproveitado contra o ICMS devido nas suas operações; o aproveitamento do crédito presumido do ICMS pela empresa, com seus débitos de ICMS, na forma da legislação estadual, permite que seja abatido o saldo devedor do imposto estadual (por tal razão, contabilizado pela empresa como outras receitas), de modo a realizar o fim almejado pelos referidos Estados, qual seja, desonerar as indústrias ali situadas. o conceito de "receita", extraído da Constituição Federal, tem por definição axiológica o sentido de ingresso (novo) de valores que se incorporam positivamente ao patrimônio do contribuinte; a escrituração do crédito presumido na escrita fiscal da empresa não incorpora nenhum novo valor ao seu patrimônio, o qual permanece quantitativamente inalterado, operandose apenas uma alteração qualitativa das contas; os valores relativos ao crédito presumido de ICMS obtidos pela Recorrente não representam ingresso novo de receita, não devendo, portanto, serem incluídos na base de cálculo do PIS/COFINS. (ii) Receitas não incluídas na apuração da base de cálculo da Cofins – crédito de ICMS transferido para terceiros. da mesma forma, entende que o ingresso de valores referentes às transferências do saldo credor acumulado não configura ingresso de receita, sendo que ocorre apenas a alteração de sua classificação contábil: da conta “tributos recuperáveis” o saldo credor passa para outra conta do ativo, o “caixa”; a transferência do saldo credor do ICMS para terceiros/fornecedores não geraria uma “receita” para a empresa, mas sim uma redução de uma despesa. os "tributos recuperáveis" são contas do ativo da empresa, tanto quanto o são os valores do "caixa" e que, a efetiva recuperação do tributo, através da transferência do saldo credor de ICMS acumulado, não inova no ativo, apenas altera a sua classificação contábil; no Demonstrativo de Resultado do Exercício DRE das empresas, podese visualizar que a transferência do saldo credor de ICMS resulta no abatimento da conta "saldos a pagar fornecedores", ou seja, configura a redução de despesas. a pretensão fiscal em tributar pelo PIS/COFINS (através da glosa de créditos) os valores recebidos da transferência de saldo credor de ICMS para terceiros, pelo simples fato de que o saldo da conta Fornecedor diminuiu, é o mesmo que tributar os Fl. 137DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11080.102469/200579 Acórdão n.º 3202000.831 S3C2T2 Fl. 138 7 pagamentos que a empresa faz aos Fornecedores, pois estas operações, evidentemente, também causam a diminuição da conta Fornecedora; mantido o entendimento da fiscalização, poderia se chegar à esdrúxula tributação dos valores correspondentes aos créditos recuperados através de confrontação com os débitos gerados pela empresa nas vendas realizadas no mercado interno e sujeitas à incidência do imposto situação que nem de perto configura o auferimento de receita passível de tributação. (iii) Compensação indevida de crédito presumido das atividades agroindustriais. aduz que tem direito à utilização do benefício do crédito presumido para as agroindústrias, conforme previsto na Lei 10.925, de 23 de julho de 2004, já que tem por objetivo, dentre outros, a industrialização de produtos alimentares derivados de aves, suínos, bovinos e outros animais; a possibilidade de ressarcimento em dinheiro ou de compensar os saldos dos créditos veio através do artigo 16 da Lei nº 11.116, de 18 de maio de 2005; a restrição tanto do ressarcimento quanto da compensação decorre apenas do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 15, de 22 de dezembro de 2005, reforçada pela Instrução Normativa SRF nº 636, revogada pela IN SRF nº 660, de 17 de julho de 2006; o Fisco Federal resolveu restringir as possibilidades de utilização do saldo credor das contribuições em referência ao firmar entendimento de que o crédito presumido, instituído justamente para o equilíbrio das contas daquelas empresas adquirentes de insumos de pessoas físicas e cooperativas (ressaltese), não poderia ser objeto de compensação ou ressarcimento, entendimento esse consubstanciado em mero Ato Declaratório Interpretativo; as restrições de disposições de Lei, por via de Ato Declaratório ou Instrução Normativa afrontariam os princípios da legalidade, da não cumulatividade, da isonomia e da neutralidade da tributação; um mero Ato Declaratório Interpretativo ou a Instrução Normativa não tem o condão de contrastar, vulnerar, modificar ou restringir comando legal contido na Lei n. 11.116/05 (possibilidade de compensação e ressarcimento de saldo credor), sob pena de incorrerem em ilegalidade; a ilegalidade incorrida pela Autoridade Fiscal ao firmar entendimento contrário à legislação de regência, consubstanciado no Ato Declaratório tido como Interpretativo SRF n. 15/05, bem como a IN/SRF n. 660/06, impedindo a utilização do saldo credor através de compensação, a título de crédito presumido da contribuição ao PIS e da COFINS, motivo pelo qual se afigura plenamente insubsistente para os efeitos pretendidos devendo ser afastada a glosa combatida. (iv) alíquota utilizada para o cálculo do crédito presumido das atividades agroindustriais. o benefício do crédito presumido foi originariamente instituído no § 10 do artigo 3º da lei n. 10.637/02 (PIS não cumulativo). Através da lei n. 10.833/03, o benefício do Fl. 138DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11080.102469/200579 Acórdão n.º 3202000.831 S3C2T2 Fl. 139 8 crédito presumido instituído para a Contribuição ao PIS foi estendido à Contribuição para a COFINS, sendo a alíquota aplicável, no caso, a de 80%; após a promulgação das leis acima referidas, o crédito presumido do PIS/COFINS passou por algumas alterações, através das leis 10.684/04 e 10.685/04, vindo, posteriormente, a se consolidar no ordenamento jurídico através da Lei n. 10.925, de 23 de julho de 2004; de acordo, com a legislação de regência, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias, de origem animal ou vegetal, enquadradas nos códigos estipulados e que sejam destinados à alimentação humana estão autorizadas a deduzir das Contribuições pagas ao PIS e à COFINS crédito presumido nas alíquotas de 60%, 50% e 35%; conforme a atividade exercida pela Recorrente, expressa nos atos constitutivos anexos, tem ela por objetivo social, entre outros, a industrialização de produtos alimentares derivados de aves, suínos, bovinos e outros animais que convier, observada a respectiva classificação nos Capítulos 2 e 16 da TIPI, bem como nos códigos 15.01 da NCM; uma breve análise do §3º, art. 8º da Lei n o 10.925/2004, permite constatar que as empresas produtoras de produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16 e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10 devem observar a alíquota de 60% sobre o valor das aquisições dos insumos aplicados no processo produtivo para cálculo do respectivo crédito presumido. O percentual de 50% se aplica para a soja e seus derivados e a alíquota de 35% é aplicada para os demais produtos. em estrita obediência aos preceitos estabelecidos pela lei 10.925/04, a empresa Recorrente calculou o crédito presumido das contribuições ao PIS/COFINS à alíquota de 60%, tendo em vista que os produtos produzidos pela mesma encontramse classificados nos códigos constantes do inciso I do § 3º, art. 8º do mencionado diploma lega1; a fiscalização embasou a glosa parcial do crédito presumido calculado pela Recorrente na letra do art. 8º, da IN SRF no 660/2006. Todavia, a Instrução Normativa SRF n. 0/06, alterou por completo a lei n. 10.925/04, usurpando, assim, competência de normas complementares; a determinação constante da IN SRF n. 660/06 diverge completamente da determinação constante na legislação instituidora do beneficio – Lei n. 10.925/04, na medida em que a combatida IN condiciona a fruição do beneficio à aquisição de insumos de origem animal classificados nos capítulos 2 a 4 e 16 e nos códigos 15.01 a 15.06 e 1516.10 da NCM, pela pessoa jurídica, ao passo que o critério determinante e ensejador do benefício em comento, previsto por lei federal, é o produto que é produzido pela pessoa jurídica assim classificado; a Recorrente observou as regras para apuração do seu crédito presumido, aplicando de forma legal a alíquota de 60% sobre os insumos adquiridos para a industrialização de produtos classificados nos Capítulos 02 e 16 e no código 15.01 da NCM, conforme inciso 1, § 3 0, art. 8 0, da Lei n. 10.925/04, merecendo ser reformada a decisão administrativa combatida também neste ponto sob pena de restar inócuo o benefício legalmente concedido. Por fim, requer seja reformado o acórdão recorrido para o fim do deferimento total do crédito pleiteado. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11080.102469/200579 Acórdão n.º 3202000.831 S3C2T2 Fl. 140 9 Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Como visto, quatro são as matérias discutidas no presente processo, quais sejam: (i) Receitas não incluídas na apuração da base de cálculo da COFINS – crédito presumido do ICMS; (ii) Receitas não incluídas na apuração da base de cálculo da COFINS – crédito de ICMS transferido para terceiros; (iii) Compensação indevida de crédito presumido das atividades agroindustriais; e (iv) Alíquota utilizada para o cálculo do crédito presumido das atividades agroindustriais. Para melhor elucidação do voto, as matérias serão analisadas separadamente. (i) Receitas não incluídas na apuração da base de cálculo da Cofins – crédito presumido do ICMS. O cerne do litígio, nessa matéria, referese à incidência, ou não, do PIS e da COFINS, regime nãocumulatividade (previstos, respectivamente, nas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003), sobre os valores decorrentes de incentivos fiscais de ICMS recebidos do Governo do Rio Grande do Sul, nos termos do artigo 32, XXXV e XL do Regulamento do ICMS/RS. Ab initio, devemos entender qual a natureza jurídica dos citados “créditos presumidos de ICMS”. Vejamos. O incentivo fiscal em discussão, concedido pelo Estado do Rio Grande do Sul, é um instrumento de política fiscal que consiste no creditamento de ICMS (“crédito presumido”) em valor correspondente a aplicação de um percentual sobre o valor da base de cálculo do imposto, nas saídas internas de determinadas mercadorias (linguiças, mortadelas, salsichas e salsichões – inciso XXXV) ou, no caso de estabelecimentos fabricantes de produtos e subprodutos resultantes do abate de gado suíno, em montante igual ao que resultar da aplicação dos percentuais sobre o valor da base de cálculo do imposto nas saídas interestaduais dessas mercadorias (inciso XL). Tratase, portanto, de um mecanismo de redução do montante do ICMS devido (ou, talvez, um “desconto disfarçado” do imposto a pagar). Assim, no meu entender, o incentivo concedido, através da concessão de um “crédito presumido”, tem a natureza jurídica de uma redução do critério quantitativo (composto pela combinação da base de cálculo e alíquota) da regramatriz de incidência do imposto estadual. Com isso, o contribuinte instalado nesse Estado da Federação, ao fim e ao cabo, deixa de pagar uma parcela do imposto que seria devido (paga o tributo depois se credita Fl. 140DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11080.102469/200579 Acórdão n.º 3202000.831 S3C2T2 Fl. 141 10 de uma parcela paga). Se com isso fica caracterizada a chamada “Guerra Fiscal” entre os entes federativos é outra questão, que deve ser debatida em foros próprios. Em decorrência do incentivo, efetivamente, há uma redução da carga tributária final do bem revendido, a qual não é repassada ao custo dos produtos vendidos e, por decorrência, ao consumidor final. Passemos, então, à análise da legislação federal que rege a matéria, buscando fazer uma interpretação sistemática com vistas à aplicação da norma ao caso concreto. A Constituição Federal quando outorga competências (arts. 145 a 159) para os entes federativos instituírem tributos, especifica (ou pelo menos dá indicações sobre) suas hipóteses de incidência e bases de cálculo, de forma a diferenciálos dos demais. A base de cálculo, que juntamente com a alíquota aplicável compõe o critério quantitativo da regramatriz de incidência tributária, tem por finalidade, entre outras, dimensionar a intensidade da incidência do tributo sobre determinado fato tributário. Visa, portanto, mensurar/quantificar os eventos ocorridos no mundo fenomênico que denotem “signos de riqueza” (no sentido da capacidade contributiva), a fim de propiciar ao Estado a captação de recursos extraídos de parcela do patrimônio dos contribuintes. Neste sentido, a CF/88 outorgou competência à União para instituir as contribuições sociais (art. 149), devendo observar, quando da sua criação, o disposto no artigo 150, inciso I – o “princípio da legalidade”. Este princípio indica, que ao particular só o que a lei obriga ou proíbe deve ser cumprido, o restante lhe é permitido. Para o Estado, significa que não só deve fazer ou deixar de fazer apenas o que a lei obriga, mas também que só pode fazer o que a lei permite. (Tércio Sampaio Ferraz Jr. Introdução ao Estudo do Direito – 6ª. ed. Atrás, 2008, p. 111/112). Por sua vez, o artigo 195, inciso I, alínea “b”, da Constituição Federal prescreve que a seguridade social será financiada, entre outras formas, pela contribuição social das empresas incidentes sobre a “receita ou o faturamento”. Convém destacar que a Constituição Federal estabeleceu, rigidamente, o conteúdo das competências tributárias, traçando os arquétipos das possíveis regrasmatrizes de incidência tributária, de forma a impor ao legislador ordinário observância a essas materialidades. O legislador infraconstitucional, no exercício da competência tributária, não pode distanciarse dos termos constitucionalmente estabelecidos, no tocante à hipótese de incidência ou à base de cálculo (Paulo de Barros Carvalho. Direito Tributário, Linguagem e Método, Noeses, 2008, p. 715/716). Muito bem. Com base na competência atribuída pelo artigo 195, I, “b”, da CF/88, a Lei 10.637/2002 (PIS – não cumulativo) e a Lei 10.833/2003 (Cofins – não cumulativa), em seus artigos primeiros, dispõem que as contribuições incidem sobre o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, consideradas a receita bruta auferida com a venda de bens e serviços nas operações de conta própria e alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. O parágrafo §2º estipula que a base de cálculo das contribuições é o valor do faturamento, conforme definido no caput do artigo 1º. Da mesma forma que o legislador ordinário não pode distanciarse do arquétipo constitucional prescrito, o aplicador da norma ao caso concreto também não pode Fl. 141DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11080.102469/200579 Acórdão n.º 3202000.831 S3C2T2 Fl. 142 11 extrapolar os termos e conceitos previstos na norma geral e abstrata (lei) ao elaborar a norma individual e concreta (lançamento). Cabe a lei, ao criar o tributo, definir o chamado “tipo tributário”, devendo descrever abstratamente sua hipótese de incidência, os sujeitos ativo e passivo, sua base de cálculo e alíquotas. O tipo tributário há de ser um conceito fechado, exato, rígido e preciso, de forma que todos os elementos que revelam a identificação do fato imponível sejam plenamente identificados. Quando da apreciação do caso concreto, deve ser levado em conta o que previamente se encontra na lei, devendo o Fisco limitarse a subsumir o fato à norma. (Roque Antônio Carrazza. Curso de Direito Constitucional Tributário. 23ª edição. Malheiros, São Paulo, p 245/250). Temos claro, portanto, que a norma de incidência tributária para as citadas Contribuições tem como critério material “auferir receita ou faturamento” e critério quantitativo “o montante da receita ou do faturamento auferidos, combinado com a alíquota prevista na lei” (artigo 195, I, “b”, CF/88 c/c artigos 1º da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003). Neste ponto, deparamonos com uma questão que precisa ser enfrentada: o que se entende por “receita” e “faturamento”? Sabemos que a definição, notadamente, do conceito de “receita” para fins de incidência do PIS e COFINS, é questão extremamente complexa e conflituosa. Na pesquisa dos conteúdos semânticos dos conceitos jurídicos, o direito positivo deve ser apenas o ponto de partida para a formação dos significados, de maneira que os conceitos precisam ser construídos pelo intérprete, a partir de todo o sistema jurídico direito positivo, jurisprudência e doutrina. A “atividade interpretativa é um processo intelectivo, através do qual, partindose de fórmulas linguísticas contidas nos atos normativos (os textos, os enunciados, preceitos, disposições), alcançamos a determinação do conteúdo normativo” (Eros Grau Licitação e Contrato Administrativo. Malheiros, São Paulo, p. 5/6). Entendo, contudo, que os conceitos de “receita” e de “faturamento” devem ser construídos com base em proposições eminentemente jurídicas, em detrimento daquelas decorrentes de outras ciências (contábeis, econômicas, etc...). Neste diapasão, inclusive, dispõe o artigo 109 do CTN, ao prescrever que podem ser utilizados princípios gerais do direito privado para a pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, e o artigo 110 do mesmo Código, ao informar que a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e forma do direito privado, utilizados expressa ou implicitamente pela Constituição Federal para definir ou limitar competências tributárias. Neste sentido, primeiramente, destacaremos as referências sobre o signo “faturamento” encontradas no direito posto. O conceito de “faturamento” pode ser construído a partir de dispositivos do direito comercial (Código Comercial, art. 219, antes da fusão com o Código Civil; e Lei 5.474/69, arts. 1º a 5º), quando tratava da obrigação de se emitir “fatura” nas vendas, denotando, por conseguinte, que “faturamento” decorre das vendas e prestações de serviços. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11080.102469/200579 Acórdão n.º 3202000.831 S3C2T2 Fl. 143 12 O Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999) preceitua que a receita bruta das vendas e serviços (“faturamento”) compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31). A LC nº 70/91 (art. 2°) prescreve que o “faturamento” deve ser considerado como a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Na jurisprudência, inclusive, este foi o entendimento que restou assentado no voto condutor do RE 346.084/PR (STF), conforme trecho que transcrevemos abaixo: A Lei Complementar no. 70/91, ao instituir o tributo, no art. 2º, conceituou faturamento como “a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza”, conceituação essa em torno da qual lavrou séria controvérsia na doutrina, a qual resultou dirimida pelo STF, no julgamento da ADC no. 1, Rel. Ministro Moreira Alves, quando restou expressamente proclamado que, in verbis: A LC no. 70/91, ao considerar o faturamento como a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços, e de serviços de qualquer natureza, nada mais fez do que lhe dar a conceituação de faturamento para fins fiscais, como bem assinalou o eminente Ministro Ilmar Galvão, no voto que proferiu no RE no. 150.764”. Assentouse, portanto, a partir de então, a identidade entre faturamento e receita bruta de vendas, seja de mercadorias, de mercadorias e serviços, ou apenas de serviço, para os fins previstos no mencionado dispositivo constitucional. O conceito de “faturamento”, portanto, pareceme que está bem definido e sedimentado, devendo ser relacionado à venda de mercadoria, de serviços ou de ambos, e não enseja maiores discussões. Por sua vez, o conceito semântico de “receita”, não pode ser extraído diretamente de enunciados prescritivos do direito positivo. Tanto as normas constitucionais como as infraconstitucionais não se ocuparam de definir o conceito do signo “receita”, para fins específicos da incidência do PIS e da Cofins. Entretanto, encontramos na jurisprudência algumas decisões importantes que tentam conferir um conceito jurídico ao termo “receita”. Vejamos algumas delas. No Agravo de Instrumento no. 2006.04.00.0146112 (TRF 4ª) o juiz federal Leandro Paulsen afirma que “nem tudo o que contabilmente é considerado receita pode sêlo para fins de tributação. Isso porque a receita, na norma concessiva de competência tributária, denota uma revelação de riqueza. É preciso considerar a receita sob a perspectiva do princípio da capacidade contributiva”. E, ainda, aduz que “o princípio federativo é óbice à pretendida tributação, na medida em que tributar crédito de ICMS implica intervir na Fl. 143DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11080.102469/200579 Acórdão n.º 3202000.831 S3C2T2 Fl. 144 13 tributação estadual, afetando a eficácia das imunidades e incentivos e fazendo com que, à impossibilidade de tributação ou renúncia tributária dos Estados corresponda tributação pela União, em transferência de recursos absolutamente desarrazoada e violadora da forma federativa de Estado, bem como contrária à finalidade das normas de imunidade ou de incentivos”. Na Apelação/Reexame Necessário 504377412.2011.404.7000 – D.E. 28/06/2012 (TRF 4ª), a juíza federal Luciane Amaral Corrêa Münch, analisando caso específico de crédito presumido do ICMS concedido pelo Estado do Paraná, asseverou que “o incentivo fiscal concedido pelo Estado do Paraná, decorrentes da Lei Estadual n.º 14.985/06 e do Decreto Estadual n.º 6.144/06, não se enquadra no conceito de receita, mas de renúncia fiscal efetuada pelo EstadoMembro, destinado a ressarcir custos de produção e, assim, incentivar determinado setor econômico. Não se tratando de uma receita auferida pela pessoa jurídica, não há incidência da contribuição para o PIS e da COFINS”. Na Apelação/Reexame Necessário Nº 003196751.2009.404.7000/PR (TRF 4ª) o juiz federal Joel Ilan Paciornik, também analisando caso específico de crédito presumido do ICMS concedido pelo Estado do Paraná, afirmou: “(...) Assim, os créditos presumidos de ICMS, no caso, não constituem receita do ponto de vista econômicofinanceiro, não se incluindo na base de cálculo de PIS e COFINS. Além disso, admitir o seu enquadramento no conceito de receita bruta, para fins de incidência das referidas contribuições, implicaria admitir que a União interferisse, com a tributação, em matéria privativa dos estados, limitando a eficácia do benefício fiscal prodigalizado pelo Estado. Com efeito, a incorporação do crédito presumido à base de cálculo dos tributos federais acarreta um desfalque em seu valor numérico, na medida em que uma parcela das importâncias ressarcidas será amealhada aos cofres da União Federal”. De outro lado, na boa doutrina encontramos os seguintes conceitos jurídicos para os termos “receita” e “faturamento”. Tércio Sampaio Ferraz Júnior afirma que “receita é a quantidade de valor financeiro, originário de outro patrimônio, cuja propriedade é adquirida pela sociedade empresária ao exercer as atividades que constituem as fontes do resultado, conforme o tipo de atividade por ela exercida” (Revista Forum de Direito Tributário, número 28). Geraldo Ataliba assegura que “o conceito de receita referese a uma espécie de entrada. Entrada é todo o dinheiro que ingressa nos cofres de uma entidade. Nem toda a entrada é uma receita. Receita é a entrada que passa a pertencer à entidade. Assim, só se considera receita o ingresso de dinheiro que venha a integrar o patrimônio da entidade que a recebe.” (Estudos e pareceres de direito tributário”, Revista dos Tribunais, São Paulo, vol. I, p. 81). Paulo de Barros Carvalho aduz que “...o termo ‘receita’ é gênero, susceptível de ser dividido em subclasses. O ‘faturamento’ figura como exemplo nítido, pois abrange apenas as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços”. Arremata o jurista: “Receita é o acréscimo patrimonial que adere definitivamente ao patrimônio da pessoa jurídica, não a integrando quaisquer entradas provisórias, representadas por importâncias que se encontrem em seu poder de forma temporária, sem pertencerlhes em caráter definitivo.” (em Direito Tributário, Linguagem e Método. Noeses, São Paulo: 2008, p. 728/729). Fl. 144DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11080.102469/200579 Acórdão n.º 3202000.831 S3C2T2 Fl. 145 14 José Antônio Minatel afirma que “receita é o conteúdo material qualificado pelo ingresso de recursos financeiros no patrimônio da pessoa jurídica, em caráter definitivo, proveniente dos negócios jurídicos que envolvam o exercício da atividade empresarial, que corresponda à contraprestação pela venda de mercadorias, pela prestação de serviços, assim como pela remuneração de investimentos ou pela cessão onerosa e temporária de bens e direitos a terceiros, aferido instantaneamente pela contrapartida que remunera cada um desses eventos” (Caderno de Direito Tributário 2006, EMAGIS – Escola da Magistratura do TRF da 4ª. Região). Retornando ao caso concreto em litígio, após esta breve análise sobre os conceitos de “receita” e “faturamento”, é de se concluir, com base nas diversas proposições acima elencadas, que “receitas” decorrem do ingresso definitivo de recursos financeiros no patrimônio da empresa (Ataliba, Paulo de Barros e Minatel), reveladores de riqueza nova (Leandro Paulsen) e, desde que, oriundas do exercício de suas atividades empresariais, em acepção ampla (Tércio e Minatel). O “faturamento”, por sua vez, é uma espécie do gênero “receitas” e decorre do ingresso definitivo de recursos oriundos exclusivamente das vendas de mercadorias e da prestação de serviços. Não os entendo como sinônimos. Destarte, não consigo vislumbrar como uma redução do montante do ICMS devido, operacionalizada através de um mecanismo de “crédito presumido” (crédito escritural que reduzirá o montante do imposto estadual), pode ser caracterizada como uma “receita auferida” ou “faturamento auferido”. No caso em tela, não houve ingresso de recurso revelador de riqueza nova oriundo do exercício de sua atividade empresarial e, consequentemente, não houve o auferimento de “receita”, e muito menos de “faturamento”. Houve mera redução no montante do ICMS a pagar (uma recuperação de custos tributários), sob a forma de crédito presumido, não podendo ser tratado como se fosse um ingresso de recurso, oriundo da atividade empresarial do contribuinte, inexistindo, por isso mesmo, manifestação de riqueza passível de ser tributada. Deste modo, os valores decorrentes do “crédito presumido do ICMS” estão fora do campo de incidência do PIS e da Cofins, não devendo compor, assim, as suas bases de cálculo. É desta forma que interpreto o texto normativo e construo a norma de incidência tributária. Não pode o Fisco fazer incidir as contribuições (PIS ou Cofins), por analogia, para fatos não previstos na hipótese de incidência. A atividade de lançamento de tributos, como dito, deve respeitar o princípio da legalidade (art. 150, I, CF). Veja que não há subsunção do fato concreto (redução do ICMS a pagar por meio da concessão de “crédito presumido”) com a hipótese normativa (“auferir receita ou faturamento”), portanto, não se instaurará o consequente da norma (relação jurídicotributária / obrigação tributária). Por fim, trago à colação lição de Leandro Paulsen (in “Direito Tributário Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência”, editora Livraria do Advogado, 9ª ed., p. 471/472), no tocante especificamente à recuperação de custos tributários, in verbis : Fl. 145DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11080.102469/200579 Acórdão n.º 3202000.831 S3C2T2 Fl. 146 15 "Ressarcimento ou recuperação de custos tributários e de outras despesas. Nem todo ingresso ou lançamento contábil a crédito constitui receita, que, para ser tributada, deve evidenciar riqueza reveladora de capacidade contributiva. Não pode o Fisco exigir contribuição sobre o simples ressarcimento por tributo pago indevidamente ou sobre o creditamento que visa a compensar custos tributários. (...) Em qualquer hipótese, tratandose de despesa ou custo anteriormente suportado, sua recuperação econômica em qualquer período posterior, enquanto suficiente para neutralizar a anterior diminuição patrimonial, não ostenta qualidade para ser rotulada de receita, pela ausência do requisito da contraprestação por atividade ou de negócio jurídico (materialidade), além de faltar o atributo da disponibilidade de riqueza nova. A recuperação de custo ou de despesa pode ser equiparada aos efeitos da indenização, pela similitude no caráter de recomposição patrimonial (...)” No que toca à jurisprudência administrativa, na mesma linha de entendimento adotado em meu voto, transcrevo trechos da ementa e do votovencedor do Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, proferido no Acórdão No. 20313.634, sessão de 02/12/2008, processo No. 11065.000320/200714 (em votação não unânime): Ementa: (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/12/2002 a 31/12/2005 BASE DE CÁLCULO. INCENTIVO FISCAL. CRÉDITO FISCAL DO ICMS. NÃO INCLUSÃO Não compõe o faturamento ou receita bruta, para fins de tributação da Cofins e do PIS, o valor do incentivo fiscal concedido pelo Estado sob a forma de crédito fiscal, para redução na apuração do ICMS devido (...) Votovencedor: “Para o deslinde da controvérsia, não dou qualquer relevo à contabilidade da empresa. Tampouco adentro no debate sobre a tributação (ou não) das subvenções em geral. O que me faz ver a impossibilidade de inclusão do incentivo na base de cálculo da Contribuição é a sua caracterização como crédito fiscal do ICMS, tal como estatuído nas normas estaduais concessivas do beneficio. No sistema de débitos e créditos de apuração do ICMS, os incentivos concedidos sob a forma de créditos fiscais servem à redução do imposto estadual devido, sendo os valores correspondentes redutores do saldo devedor. Dai não serem Fl. 146DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11080.102469/200579 Acórdão n.º 3202000.831 S3C2T2 Fl. 147 16 computados como faturamento ou receita bruta, mesmo nos termos do alargamento promovido pela Lei n° 9.718/98 (reputado inconstitucional porque anterior à PC n° 20/98) e Leis n's 10.637/2002 e 10.833/2003 (posteriores à citada Emenda e plenamente eficazes). Seria diferente, e ensejaria a tributação mediante o cômputo na receita bruta, tal como definida nas três leis retrocitadas, se o incentivo fosse estabelecido como crédito em moeda corrente (em vez de crédito escritural), e servisse para pagamento do imposto. Do mesmo modo, também seria tributado se o incentivo se desse por meio de desconto no valor de empréstimo concedido ao contribuinte, mas que em função do beneficio Estadual é pago a menor. (...)” (negritamos) E ainda, no mesmo sentido, transcrevo ementas de decisões do STJ – Superior Tribunal de Justiça: (i) AgRg nº REsp 1.229.134 / SC, de 26/04/2011: TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PRESUMIDO. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. BENEFÍCIO FISCAL. RESSARCIMENTO DE CUSTOS. 1. A controvérsia dos autos diz respeito à inexigibilidade do PIS e da COFINS sobre o crédito presumido do ICMS decorrente do Decreto n. 2.810/01. 2. O crédito presumido do ICMS consubstanciase em parcelas relativas à redução de custos, e não à obtenção de receita nova oriunda do exercício da atividade empresarial como, verbi gratia, venda de mercadorias ou de serviços. 3. "Não se tratando de receita, não há que se falar em incidência dos aludidos créditospresumidos do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS." (REsp 1.025.833/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 6.11.2008, DJe 17.11.2008.) Agravo regimental improvido (negritamos) (ii) Recurso Especial nº 1.025.833 – RS: CRÉDITOPRESUMIDO. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. BENEFÍCIO FISCAL. RESSARCIMENTO DE CUSTOS. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. TESE DOS "CINCO MAIS CINCO". LC Nº 118/2005. APLICAÇÃO RETROATIVA. IMPOSSIBILIDADE. I – (...) II O Estado do Rio Grande do Sul concedeu benefício fiscal às empresas gaúchas, por meio do Decreto Estadual nº 37.699/97, para que pudessem adquirir aço das empresas produtoras em Fl. 147DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11080.102469/200579 Acórdão n.º 3202000.831 S3C2T2 Fl. 148 17 outros estados, aproveitando o ICMS devido em outras operações realizadas por elas, limitado ao valor do respectivo frete, em atendimento ao princípio da isonomia. III Verificase que, independentemente da classificação contábil que é dada, os referidos créditos escriturais não se caracterizam como receita, porquanto inexiste incorporação ao patrimônio das empresas industriais, não havendo repasse dos valores aos produtos e ao consumidor final, pois se trata de mero ressarcimento de custos que elas realizam com o transporte para a aquisição de matériaprima em outro estado federado. IV Não se tratando de receita, não há que se falar em incidência dos aludidos créditospresumidos do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. V Recurso especial improvido. (negritamos) (iii) AgRg nº Recurso Especial No. 1.165.316 – SC: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. QUESTÃO RELATIVA À INCLUSÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMAS DA PRIMEIRA SEÇÃO. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. O Superior Tribunal de Justiça vem decidindo que o crédito presumido do ICMS configura incentivo voltado à redução de custos, com vistas a proporcionar maior competitividade no mercado para as empresas de um determinado Estadomembro, e, portanto, não assume a natureza de receita ou faturamento, pelo que está fora da base de cálculo do PIS e da COFINS. Precedentes: 1a. Turma, AgRg no REsp. 1.229.134/SC, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJe 03.05.2011; 2a. Turma, REsp. 1.025.833/RS, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, DJe 17.11.2008. 2. (...) (negritamos) (ii) Receitas não incluídas na apuração da base de cálculo da Cofins – crédito de ICMS transferido para terceiros. Esta questão referese à incidência, ou não, do PIS/COFINS, regime da não cumulatividade (previstos, respectivamente, nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003), sobre os valores de créditos de ICMS transferidos para terceiros, créditos estes acumulados em decorrência da não incidência (imunidade) do imposto nas operações de exportação. Neste caso, também entendo assistir razão à Recorrente, mutatis mutandis, pelos mesmos fundamentos citados no item anterior (“crédito presumido do ICMS”). Vejamos. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11080.102469/200579 Acórdão n.º 3202000.831 S3C2T2 Fl. 149 18 De antemão devemos deixar assentado que a Constituição Federal concedeu imunidade, no caso de operações de exportações, tanto para o PIS/Cofins (art. 149, I), como para o ICMS (art. 155,I). É certo, também, que a Constituição Federal assegurou ao contribuinte do ICMS o direito a compensação do que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores – princípio da não cumulatividade (art. 155, parágrafo 2º, inciso I), assim como permitiu a recuperação (“assegurada a manutenção e o aproveitamento”) do imposto pago nas etapas anteriores no caso de operações que destinem mercadorias para o exterior (artigo 155, parágrafo 2º, inciso X, alínea “a”), verbis: § 2.º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: I será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas anteriores pelo mesmo ou outro Estado ou pelo Distrito Federal; (...) X não incidirá: a) sobre operações que destinem mercadorias para o exterior, nem sobre serviços prestados a destinatários no exterior, assegurada a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores; A técnica da não cumulatividade tem por objeto evitar o “efeito cascata” da tributação em face de um processo produtivo que se opera em várias etapas, deduzindose do imposto incidente na saída de mercadorias o imposto já cobrado nas operações anteriores relativamente à circulação daquelas mesmas mercadorias ou às matériasprimas/insumos necessários a sua industrialização. Destarte, no caso de uma operação de exportação (que é imune ao ICMS), o próprio texto constitucional prescreve que os créditos decorrentes do imposto cobrado nas operações anteriores sejam “mantidos e aproveitados”. Em outras palavras, a Carta Magna assegurou ao contribuinte do ICMS o direito à recuperação do imposto pago nas etapas anteriores. Por sua vez, seguindo a diretriz constitucional, a Lei Complementar 87/1996 (a chamada “Lei Kandir”), em seu artigo 25, disciplinou as formas de utilização dos créditos acumulados de ICMS, em decorrência de operações de exportação, verbis: Art. 25. Para efeito de aplicação do disposto no art. 24, os débitos e créditos devem ser apurados em cada estabelecimento, compensandose os saldos credores e devedores entre os estabelecimentos do mesmo sujeito passivo localizados no Estado. § 1º Saldos credores acumulados a partir da data de publicação desta Lei Complementar por estabelecimentos que realizem operações e prestações de que tratam o inciso II do art. 3º e seu parágrafo único podem ser, na proporção que estas saídas representem do total das saídas realizadas pelo estabelecimento: I imputados pelo sujeito passivo a qualquer estabelecimento seu no Estado; Fl. 149DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11080.102469/200579 Acórdão n.º 3202000.831 S3C2T2 Fl. 150 19 II havendo saldo remanescente, transferidos pelo sujeito passivo a outros contribuintes do mesmo Estado, mediante a emissão pela autoridade competente de documento que reconheça o crédito. (...) A Lei Complementar nº 87/96 facultou ao contribuinteexportador a utilização direta dos saldos credores em seu próprio estabelecimento (inciso I) ou a cessão/transferência desses saldos remanescentes de créditos de ICMS a terceiros (inciso II). Na primeira hipótese, por certo, não há quem cogite haver incidência do PIS/Cofins sobre os créditos utilizados pelo próprio contribuinte, e de igual forma, até mesmo em atendimento ao princípio da isonomia, não deve haver a incidência das contribuições sobre os créditos transferidos a terceiros (segunda hipótese). Não se pode cindir o crédito e dar tratamento tributário diferenciado em função de cada uma das hipóteses previstas (incisos I e II), pois sua natureza é uma só, incindível, por decorrerem de um mesmo fato. Não há como acatar o entendimento de que a legislação (artigo 155, parágrafo 2º, inciso X, alínea “a”, CF c/c artigo 25 da Lcp 87/96) crie formas de aproveitamento de crédito oriundo de exportação, imunes a qualquer tributação, e, ao mesmo tempo, tribute o valor aportado por meio desse crédito somente quando ele for cedido a terceiros. Os valores de ICMS pagos em etapas anteriores do processo produtivo e que, em virtude da imunidade conferida às exportações, não forem passíveis de compensação com débitos próprios do mesmo tributo, quando transferidos a terceiros não podem ser caracterizados, a meu ver, como “receitas auferidas”, pois se referem tãosomente à reversão de um custo tributário, cujo aproveitamento é assegurado constitucionalmente. Os créditos do ICMS, independentemente da forma de aproveitamento, serão, sempre, instrumentos para recuperação dos tributos recolhidos e inseridos no custo dos insumos e não receitas auferidas, pelo que, certamente, não podem integrar a base de cálculo do PIS/Cofins. É um meio para a concretização do princípio da não cumulatividade. O crédito do ICMS tem natureza jurídica de um verdadeiro “incentivo fiscal” concedido pelo legislador constituinte e complementar no sentido de não incluílo no preço da mercadoria exportada, desonerandoo em relação às compras de insumos utilizados em mercadorias efetivamente exportadas, como forma de incentivar as vendas brasileiras ao exterior. O legislador, portanto, permitiu a utilização de um crédito mesmo que não haja débito a ser compensado, uma vez que a saída para o exterior é imune, não havendo o que compensar. Tratase, como já dito, de um mecanismo de recuperação do valor do ICMS incidente em operações anteriores, que não puderam ser utilizados como crédito em operações posteriores em função da imunidade concedida às operações de exportação. Caso não se permitisse a recuperação destes créditos, haveria uma “anulação” dos efeitos da imunidade do ICMS na mercadoria exportada, em descompasso com a previsão constitucional. Entendo, destarte, que um direito assegurado constitucionalmente, e disciplinado por lei complementar, não pode sofrer restrições não autorizadas pelo constituinte. Como já comentado no item anterior, a norma de incidência tributária para as citadas Contribuições tem como critério material “auferir receita ou faturamento” e critério Fl. 150DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11080.102469/200579 Acórdão n.º 3202000.831 S3C2T2 Fl. 151 20 quantitativo “o montante da receita ou do faturamento auferidos, combinado com a alíquota prevista na lei”. O signo “receita”, como já registrado, deve se conceituado como ingresso definitivo de recursos financeiros no patrimônio da empresa, reveladores de riqueza nova, e, desde que, oriundas do exercício de suas atividades empresariais, em acepção ampla. “Faturamento”, por sua vez, é uma espécie do gênero “receitas” e decorre do ingresso definitivo de recursos oriundos exclusivamente das vendas de mercadorias e da prestação de serviços. A “cessão de crédito do ICMS” não me parece ser a atividade empresarial da Recorrente! Assim, os valores decorrentes da “cessão de crédito do ICMS” estão fora do campo da incidência do PIS e da COFINS, por não se subsumirem ao seu critério material (“auferir receita ou faturamento”) e, desta feita, não devem integrar a sua base de cálculo. Não se perca de vista que as citadas contribuições devem incidem apenas sobre as receitas ou faturamento (artigo 195, I, CF/88; artigos 1º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003). Não havendo subsunção do evento (fato concreto = “cessão de crédito do ICMS”) com a hipótese normativa (“auferir receita ou faturamento”) não se instaurará o consequente da norma – a relação jurídicotributária/obrigação tributária. Não se pode fazer incidir as contribuições, por analogia, para fatos não previstos na hipótese de incidência, por expressa vedação do princípio da legalidade (art. 150, I, CF). Por fim, no meu entender, reconhecendo e corroborando o raciocínio acima desenvolvido, construído a partir de uma interpretação sistemática que se fazia a partir do texto constitucional (artigos 155, §2º, I e X, “a”; 195, I, “b”) e dispositivos legais (artigo 25 da Lcp 87/96; artigos 1º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003), e principalmente, para dirimir os conflitos existentes até então, o Governo Federal editou a MP 451/2008, convertida na Lei 11.945/2009, que deu nova redação aos artigos 1º das Leis 10.637/2002 (PIS) e 10.833/2003, autorizando, agora expressamente, a exclusão dos valores decorrentes da cessão/transferência onerosa a outros contribuintes de créditos de ICMS originados de operações de exportações. Na mesma linha adotada neste voto, podem ser citadas as seguintes decisões administrativas: (i) Acórdão nº 380300.348, sessão de 11/03/2010: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DA COFINS. COMPENSAÇÃO. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. A cessão de créditos escriturais não se caracteriza como receita, sendo mero ressarcimento de custo tributário, inexistindo acréscimo patrimonial para as sociedades empresarias industriais ou repasse dos valores aos produtos ou aos consumidores finais. Os créditos de 1CMS repassados a terceiros não se referem a valores anteriormente deduzidos no resultado da pessoa jurídica e posteriormente recuperados, Fl. 151DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11080.102469/200579 Acórdão n.º 3202000.831 S3C2T2 Fl. 152 21 configurandose, no contexto da técnica da não cumulatividade, numa forma de absorção de créditos não compensados com impostos de mesma natureza incidentes sobre vendas no mercado interno. (ii) Acórdão nº 380100.430, sessão de 25/05/2010 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PA RA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004 CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. NÃO INCIDÊNCIA DE PIS E COFINS. Não há incidência da COFINS sobre a cessão de créditos de ICMS, por se tratar esta operação de mera mutação patrimonial, não se constituindo receita. (iii) Acórdão nº 20179.967, sessão de 24/01/2007: PIS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. NÃO INCIDÊNCIA DE PIS E COFINS. Não há incidência de PIS e de Cofins sobre a cessão de créditos de ICMS, por se tratar esta operação de mera mutação patrimonial. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. TRATAMENTO FISCAL. RECEITA TRIBUTÁVEL A receita relativa ao crédito presumido do IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, apurada em função da ocorrência de exportação ou venda a empresa comercial exportadora com fim específico de exportação e contabilizada como receita operacional, deverá ser oferecida à tributação do PIS. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. SELIC. Por falta de previsão legal, é incabível a incidência de correção monetária e/ou juros sobre valores recebidos a título de ressarcimento de créditos de Cofins não cumulativa. Recurso provido em parte. Por fim, destaquese que o Supremo Tribunal Federal (STF), em decisão plenária ocorrida em 22/05/2013, negou provimento a um recurso da União em que se discutia a incidência de contribuições sociais sobre créditos de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) obtidos por empresas exportadoras. Tratase do Recurso Extraordinário nº 606107, que teve repercussão geral reconhecida pelo Plenário Virtual do STF. O julgado, entretanto, ainda não se encontra formalizado. (iii) Compensação indevida de crédito presumido das atividades agroindustriais. A próxima questão a ser enfrentada referese à possibilidade, ou não, da compensação de crédito presumido decorrente de atividades agroindustriais. O Fisco entende que a compensação não pode ser feita, alegando que somente é possível usufruir o referido crédito presumido para a dedução das respectivas quantias devidas do próprio PIS ou da COFINS não cumulativa, nos termos do artigo 8o da Lei 10.925/2004 (redação dada pela Lei 11.051/2004); a Recorrente, por sua vez, alega que a possibilidade de compensar decorre do artigo 16 da Lei 11.116/2005, sendo que atos Fl. 152DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11080.102469/200579 Acórdão n.º 3202000.831 S3C2T2 Fl. 153 22 normativos expedidos pela SRFB não podem restringir tal compensação (Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 15, de 22 de dezembro de 2005, reforçada pela Instrução Normativa SRF nº 636, revogada pela IN SRF nº 660, de 17 de julho de 2006). Neste caso entendo que a razão está com o Fisco. Vejamos. O artigo 8o da Lei 10.925, de 23/07/2004 (com a alteração trazida pela Lei 11.051/2004), tem a seguinte redação: “Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária; § 2o O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. “§ 3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e Fl. 153DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11080.102469/200579 Acórdão n.º 3202000.831 S3C2T2 Fl. 154 23 II 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e 10.833, de 29 de dezembro de 2003 para os demais produtos. § 4o É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1o deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo” A questão é literal: o crédito presumido concedido, por força do disposto no artigo 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004 (com a redação dada pela Lei 11.051/2004), às pessoas jurídicas que produzem mercadorias de origem animal ou vegetal, nos códigos tarifários em que cita, destinada à alimentação humana ou animal, somente poderiam deduzir da contribuição do PIS e da Cofins devidas em cada período de apuração. Quanto ao dispositivo legal citado pela Recorrente (artigo 16 da Lei 11.116/2005), não é aplicável ao caso concreto, como muito bem esclareceu o Acórdão da DRJ em seu voto, in verbis: “O disposto no artigo 16 da Lei nº 11.116, de 2005, citado pela interessada, não se refere ao caso específico do artigo 8º da Lei nº 10.925, de 2004, mas referese a não cumulatividade em relação às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0% (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, as quais não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações, conforme tratado no artigo 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do artigo 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, relativamente aos bens e produtos ali mencionados e à operação de importação”. Para corroborar o entendimento de que a previsão de compensação ou de ressarcimento tratada pelo artigo 16 da Lei 11.116/2005 referese à outra situação (art. 17 da Lei 11.033/2004), e não ao caso discutido nestes autos, transcrevo abaixo os citados dispositivos legais: Art. 16 da Lei 11.116/2005: “Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11080.102469/200579 Acórdão n.º 3202000.831 S3C2T2 Fl. 155 24 Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei.” (grifei) Art. 17 da Lei 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Portanto, a restrição para utilização do citado crédito presumido, que só pode ser deduzido das quantias devidas do próprio PIS ou da própria Cofins, foi imposta pela própria Lei (o artigo 8o da Lei 10.925/2004 com a redação dada pela Lei 11.051/2004), e não por meros atos complementares, como alega a Recorrente. (iv) Alíquota utilizada para o cálculo do crédito presumido das atividades agroindustriais. A última questão referese à discussão de qual alíquota a ser utilizada para o cálculo do crédito presumido das atividades agroindustriais. O Fisco alega que a alíquota a ser aplicada sobre os insumos comprados para a agroindústria, prevista pela Lei nº 10.925, de 2004 é de 35% sobre as aquisições de suínos e aves vivas (capítulo 1) e de milho (capítulo 10), ou seja, não estavam incluídos dentre aqueles produtos cujas aquisições poderiam ser creditados pela alíquota de 60% (vide “Informação Fiscal” – fl. 42). A Recorrente aduz que as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, enquadradas nos códigos estipulados, e que sejam destinados à alimentação humana estão autorizadas a deduzir das Contribuições pagas ao PIS e à COFINS crédito presumido nas alíquotas de 60%, 50% e 35%. Conforme a atividade exercida pela Recorrente (entre outros, a industrialização de produtos alimentares derivados de aves, suínos, bovinos e outros animais), observada a respectiva classificação nos Capítulos 2 e 16 da TIPI, bem como nos códigos 15.01 da NCM, o §3º, art. 8º da Lei 10.925/2004 permitem a utilização da alíquota de 60% sobre o valor das aquisições dos insumos aplicados no processo produtivo para cálculo do respectivo crédito presumido. Neste caso entendo que a razão também está com o Fisco. Vejamos. Reproduzimos, mais uma vez, o §3º do artigo 8o da Lei 10.925/2004, para melhor elucidação do litígio, verbis: “Art. 8o (...) “§ 3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de Fl. 155DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11080.102469/200579 Acórdão n.º 3202000.831 S3C2T2 Fl. 156 25 dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e II 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e 10.833, de 29 de dezembro de 2003 para os demais produtos. Assim, com base na leitura do texto legal acima reproduzido, pareceme claro que a alíquota a ser aplicada no cálculo do crédito presumido, para as aquisições de suínos e aves vivos (Capítulo 1 da NCM/SH) e de milho (Capítulos 10 da NCM/SH), prevista no parágrafo 3o do artigo 8o da Lei 10.925/2004, é de 35% (trinta e cinco por cento). A alíquota de 60% está prevista para a aquisição de produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4 (cap. 2 Carnes e miudezas, comestíveis; cap. 3 Peixes e crustáceos; cap. 4 Lei e laticínios) e 16 (Preparações de carne, de peixes), e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18, que não são aqueles adquiridos pelo contribuinte. Ressaltese, que no tocante à classificação fiscal dos produtos não houve contestação por parte da Recorrente, portanto, não há discussão quanto à classificação informada pela fiscalização. Da atualização monetária Registrese, por fim, que não há previsão legal para a aplicação de atualização monetária ou incidência de juros nos casos de aproveitamento dos créditos ora em discussão, a teor do disposto no artigo 13 da Lei n° 10.833, de 29/12/2003. Conclusão Ante o exposto, conheço do recurso posto que presentes os requisitos objetivos de admissibilidade para o fim, no mérito, de DAR PROVIMENTO PARCIAL nos seguintes termos: 1. Dar provimento ao Recurso Voluntário no tocante a não inclusão na base de cálculo do PIS/COFINS (i) dos valores decorrentes de crédito presumido do ICMS e (ii) dos valores decorrentes créditos de ICMS transferidos a terceiros / fornecedores; 2. Negar provimento ao Recurso Voluntário quanto (iii) à possibilidade da compensação de crédito presumido das atividades agroindustriais e (iv) à aplicação da alíquota de 60% para o cálculo do crédito presumido das atividades agroindustriais. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 156DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11080.102469/200579 Acórdão n.º 3202000.831 S3C2T2 Fl. 157 26 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
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