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Numero do processo: 10983.913189/2017-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon Jan 26 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/10/2013, 30/11/2013, 31/12/2013
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ART. 116 DO RICARF. AUSÊNCIA DOS VÍCIOS LEGAIS. REDISCUSSÃO DO MÉRITO. IMPOSSIBILIDADE. EMBARGOS REJEITADOS.
Os embargos de declaração destinam-se exclusivamente à correção de obscuridade, contradição, omissão ou erro material, nos termos do art. 116 do RICARF. Inexistentes tais vícios, impõe-se a rejeição dos embargos, porquanto incabíveis para a rediscussão do mérito.
Numero da decisão: 3402-012.862
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração apresentados.
Assinado Digitalmente
Cynthia Elena de Campos – Relatora
Assinado Digitalmente
Arnaldo Diefenthaeler Dornelles – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Anselmo Messias Ferraz Alves, Mariel Orsi Gameiro, José de Assis Ferraz Neto, Adriano Monte Pessoa (substituto integral), Cynthia Elena de Campos e Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (Presidente).
Nome do relator: CYNTHIA ELENA DE CAMPOS
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ART. 116 DO RICARF. AUSÊNCIA DOS VÍCIOS LEGAIS. REDISCUSSÃO DO MÉRITO. IMPOSSIBILIDADE. EMBARGOS REJEITADOS. Os embargos de declaração destinam-se exclusivamente à correção de obscuridade, contradição, omissão ou erro material, nos termos do art. 116 do RICARF. Inexistentes tais vícios, impõe-se a rejeição dos embargos, porquanto incabíveis para a rediscussão do mérito. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração apresentados. Assinado Digitalmente Cynthia Elena de Campos – Relatora Assinado Digitalmente Arnaldo Diefenthaeler Dornelles – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Anselmo Messias Ferraz Alves, Mariel Orsi Gameiro, José de Assis Ferraz Neto, Adriano Monte Pessoa (substituto integral), Cynthia Elena de Campos e Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (Presidente). Fl. 6534DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.862 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913189/2017-96 2 RELATÓRIO Trata-se de Embargos de Declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 3402-012.106, proferido em 21 de agosto de 2024, pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF, com a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/10/2013, 30/11/2013, 31/12/2013 AUTO DE INFRAÇÃO. HIPÓTESES DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam em nulidade os atos e termos lavrados, bem como despacho e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos dos artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/10/2013, 30/11/2013, 31/12/2013 PIS/COFINS. STJ. CONCEITO DE INSUMO. ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. PROCESSO PRODUTIVO. O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, decidiu pelo rito dos Recursos Repetitivos no sentido de que o conceito de insumo, para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas (arts. 3º, II das Leis nºs 10.833/2003 e 10.637/2002), deve ser aferido segundo os critérios de essencialidade ou de relevância para o processo produtivo da contribuinte, os quais estão delimitados no Voto da Ministra Regina Helena Costa. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. ARTIGO 373, INCISO I DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL É ônus do Contribuinte apresentar as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, devendo ser aplicado o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS INACABADOS, INSUMOS E EMBALAGENS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. POSSIBILIDADE As despesas com fretes para a transferência/transporte de produtos inacabados e de insumos entre estabelecimentos da mesma empresa integram o custo de produção dos produtos fabricados e vendidos. Possibilidade de aproveitamento de créditos das contribuições não cumulativas. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS SOBRE FRETES. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS. Não cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e Cofins não-cumulativos sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa. Fl. 6535DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.862 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913189/2017-96 3 CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. MATERIAIS, PARTES E PEÇAS REPOSIÇÃO DE EQUIPAMENTOS EMPREGADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. Para fins de creditamento do PIS e da COFINS, devem ser admitidos como insumos os bens, custos e despesas essenciais ao desenvolvimento do processo produtivo. Os gastos com materiais, partes e peças de máquinas e equipamentos, utilizadas para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte geram créditos na apuração do PIS e COFINS. MULTA REGULAMENTAR. EFD-CONTRIBUIÇÕES. INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMITIDAS. PARECER NORMATIVO Nº 03/2013. Permanece hígido o entendimento fixado no Parecer Normativo RFB nº 3, de 10 de junho de 2013, para as infrações cometidas no período de vigência da redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012, ou seja, até 24 de outubro de 2013, observada a aplicação do art. art. 106, II, do Código Tributário Nacional, quando cabível; A partir de 25 de outubro de 2013, com a publicação da Lei nº 12.783, de 2013, a aplicação dos dispositivos em comento deve estar em consonância com as atualizações contidas neste Parecer Normativo. Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 31/10/2013, 30/11/2013, 31/12/2013 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CARNES E MIUDEZAS COMESTÍVEIS. A classificação fiscal dos produtos carnes e miudezas comestíveis enquadram-se no Capítulo 2 quando se apresentam nas formas frescas, refrigeradas, congeladas e salgadas, mesmo que tenham sido submetidas a um ligeiro tratamento térmico pela água quente ou pelo vapor (por exemplo, escaldadas ou descoradas), mas não cozidas. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. KIT OU CONJUNTO FORMADO POR “CHESTER” MAIS BOLSA TÉRMICA. O “KIT FELICIDADE (CHESTER) PERDIGÃO” descreve um conjunto de materiais que não se enquadram na condição de sortido para venda a retalho e sim em um conjunto de produtos que devem ter classificação fiscal individual, porque o item “BOLSA TERM TIRACOLO 430X320X120MM PERD” se refere a sacola térmica que não se constitui, nos termos da RGI/SH nº 5, a uma embalagem do tipo normalmente utilizado com as mercadorias que ora acondiciona. Trata-se de um artigo reutilizável e que, no conjunto, se destina à estocagem temporária dos produtos, tendo capacidade, segundo as dimensões fornecidas, para mais de 16 litros. Desta forma, deve seguir regime próprio, cabendo classificá-la na posição 42.02 que compreende, entre outros, as bolsas, sacos, sacolas e artigos semelhantes, confeccionadas de folhas de plástico. Assim, “CHESTER INTEIRO ELAB (CHT)”, com os temperos que fazem parte deste produto, classifica-se na posição 1602.32.00, e a sacola térmica, na posição 4202.92.00. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PÃO DE QUEIJO. Fl. 6536DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.862 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913189/2017-96 4 Conforme se extrai das notas complementares do subcapítulo 1905, encontram- se compreendidos na referida posição o pão comum, pão de glúten, pão ázimo, as torradas, pão tostado e produtos semelhantes, bretzels, bolachas e biscoitos, waffles, os produtos de pastelaria, quiche, pizzas, produtos alimentícios crocantes sem açúcar. O pão de queijo não possui produto análogo ao rol acima que pudesse levar a uma classificação 1905.9090 (outros), já que nesta classificação residual o produto teria que “pertencer/equiparar” aos demais produtos do subcapítulo 1905, o que não se verifica. A classificação do pão de queijo no NCM 1902.1100 (Massas alimentícias não cozidas, nem recheadas, nem preparadas de outro modo que contenha ovos) mostra-se a classificação fiscal mais adequada. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. COXINHAS DE FRANGO. Resta bastante óbvio que “coxinhas de frango” não se enquadram na classificação NCM 1902.30.00, cujo texto da posição 19.02 é “Massas alimentícias, mesmo cozidas ou recheadas (de carne ou de outras substâncias) ou preparadas de outro modo, tais como espaguete, macarrão, aletria, lasanha, nhoque, ravioli e canelone; cuscuz, mesmo preparado”. Ora, uma coxinha de frango não é uma massa alimentícia “tal como espaguete, macarrão, aletria, lasanha, nhoque, ravioli e canelone ou cuscuz”. Logo, não há como ser classificada no código NCM 1902.30.00 -Outras massas alimentícias. A classificação fiscal correta tanto pode ser aquela proposta pelas autoridades fiscais, no caso, na posição 16.02, cujo texto é “Outras preparações e conservas de carne, de miudezas ou de sangue”, quanto na posição 19.05, cujo texto é “Produtos de padaria, pastelaria ou da indústria de bolachas e biscoitos, mesmo adicionados de cacau; hóstias, cápsulas vazias para medicamentos, obreias, pastas secas de farinha, amido ou fécula, em folhas, e produtos semelhantes”. O resultado do julgamento foi proferido nos seguintes termos: Acordam os membros do colegiado em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário nos seguintes termos: I) por unanimidade de votos: (i) para, observados os requisitos legais para o aproveitamento do crédito das contribuições não cumulativas, reverter as glosas referentes às despesas de fretes incorridas com as transferências de matérias-primas e embalagens entre estabelecimentos, desde que devidamente identificadas nas contas contábeis informadas pela Recorrente no Recurso Voluntário; (ii) para afastar o lançamento sobre os encargos de depreciação e amortização ocorridos após 30.04.2004; e (iii) para afastar a multa regulamentar prevista no art. 57, inciso III, alínea “a” da Medida Provisória nº 2.158-35/2001; e II) por maioria de votos: (i) para, observados os requisitos legais para o aproveitamento do crédito das contribuições não cumulativas, reverter as glosas: (a) sobre locação de Fl. 6537DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.862 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913189/2017-96 5 empilhadeira, vencido, neste tópico, o conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, que não revertia essa glosa; e (b) relativas aos “kit felicidade”, vencido, neste tópico, o conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, que não revertia essas glosas; (ii) para manter a classificação das carnes no capítulo 02 do Sistema Harmonizado, conforme defendia a Recorrente, vencido, neste tópico, o conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, que dava razão à Fiscalização; e (iii) para manter as glosas sobre: (a) as despesas de fretes incorridas com as transferências de produtos acabados entre estabelecimentos, vencidas, neste tópico, as conselheiras Anna Dolores Barrros de Oliveira Sa Malta e Cynthia Elena de Campos (relatora), que revertiam essas glosas; (b) os serviços de carga/descarga, transbordo, operador logístico, movimentação de saída, movimentação cross docking, vencidas, nestes tópicos, as conselheiras Anna Dolores Barrros de Oliveira Sa Malta e Cynthia Elena de Campos (relatora), que revertiam essas glosas; e (c) os serviços de consultoria para eficientização de energia elétrica, vencida, neste tópico, a conselheira Cynthia Elena de Campos(relatora), que revertia essa glosa. A conselheira Mariel Orsi Gameiro acompanhou pelas conclusões em relação ao tópico II).(i).(b), tendo manifestado a intenção de apresentar declaração de voto em relação a esse tópico. Designado para redigir o voto vencedor relativo aos tópicos II).(iii).(a), II).(iii).(b) e II).(iii).(c) o conselheiro Jorge Luís Cabral. A Conselheira Mariel Orsi Gameiro não apresentou declaração de voto, motivo pelo qual considera-se não formulada, nos termos do art. 114, §7º do RICARF, aprovado pela Portaria/MF nº 1.364, de 21 de dezembro de 2023. Através do r. Despacho de Admissibilidade foi dado seguimento aos embargos para inclusão em pauta de julgamento para manifestação sobre os efeitos da Súmula CARF nº 190 sobre essa decisão. É o relatório. VOTO Conselheira Cynthia Elena de Campos, Relatora. 1. Pressupostos legais de admissibilidade Conforme Despacho de Admissibilidade, o recurso de embargos foi considerado como apresentado dentro do prazo legal, uma vez que não há nos autos despacho de encaminhamento do processo à Procuradoria da Fazenda Nacional. Com isso, conheço do recurso. Fl. 6538DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.862 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913189/2017-96 6 2. Dos vícios apontados pela Embargante Trata-se de Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3402-012.106, proferido por esta 2ª Turma Ordinária, sob alegação de omissão quanto à apreciação da Súmula CARF nº 190, aprovada em 20/06/2024, com vigência em 27/06/2024. Alega a embargante que o acórdão, ao reverter a glosa relativa à locação de empilhadeiras, deixou de se manifestar sobre o teor do referido enunciado sumular, que estabelece a não geração de créditos de PIS/COFINS não cumulativos sobre despesas com locação de veículos de transporte de carga ou passageiros. Sem razão à Embargante. O acórdão embargado examinou a natureza operacional das empilhadeiras objeto da glosa. A decisão descreveu o uso desses equipamentos para elevação, transporte interno, empilhamento e movimentação vertical de cargas, deixando claro que se trata de máquinas industriais utilizadas no processo produtivo e logístico interno, e não de veículos destinados ao transporte de cargas em vias públicas ou similares. Por sua vez, o Colegiado concluiu que as empilhadeiras se enquadram no conceito de máquinas e equipamentos, hipótese prevista no art. 3º, IV, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, razão pela qual determinou o afastamento da glosa. Nesse contexto, a questão central suscitada pela Fazenda Nacional – a incidência ou não da Súmula CARF nº 190 – foi, ainda que sem menção nominal ao enunciado, plenamente enfrentada de maneira lógica e necessária. Isso porque a decisão embargada explicou, de forma expressa, que a empilhadeira não pode ser qualificada como veículo para fins do inciso IV, mas sim como equipamento, exatamente o ponto que distingue a situação concreta do âmbito de aplicação da Súmula. Ressalto que a Súmula nº 190 foi editada no contexto de controvérsias envolvendo caminhões, caminhonetes, furgões e outros veículos cuja função predominante é o deslocamento de carga. Todos os precedentes que sustentaram a edição desta Súmula — acórdãos 9303- 014.415, 9303-014.369 e 9303-013.956 — tratam de veículos utilizados para transporte rodoviário de mercadorias. Não há, entre eles, caso envolvendo empilhadeiras, tampouco discussão acerca da equiparação entre empilhadeiras e veículos. Trata-se, portanto, de enunciado cuja ratio decidendi deve ser interpretada restritivamente, sob pena de ampliar indevidamente sua aplicação para além do campo normativo e jurisprudencial que lhe deu origem. Como o acórdão embargado analisou e reconheceu a natureza da empilhadeira como máquina, resulta evidente que o colegiado afastou implicitamente a aplicação da súmula, por ser juridicamente incompatível com a matéria decidida. Fl. 6539DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.862 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.913189/2017-96 7 Ademais, o Regimento Interno do CARF não exige que todos os dispositivos legais ou enunciados sumulares sejam mencionados nominalmente. Exige, sim, que as questões relevantes ao deslinde da controvérsia sejam analisadas, ainda que sem referência literal. Por fim, consigno que a omissão apta a embasar embargos é aquela que impede a compreensão da decisão ou que deixe sem enfrentamento questão essencial. Não é o caso. Diante disso, os embargos devem ser rejeitados, por inexistência de qualquer dos vícios previstos no art. 116 do RICARF. 3. Dispositivo Ante o exposto, conheço e rejeito os Embargos de Declaração. É como voto. Assinado digitalmente Cynthia Elena de Campos Fl. 6540DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 17095.722478/2021-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2018 a 31/12/2019
ALÍQUOTA ZERO. CLASSIFICAÇÃO INCORRETA. REENQUADRAMENTO.
A incorreta classificação de produtos sob o benefício fiscal da Alíquota Zero enseja, de ofício, o reenquadramento destes em sua classe correta.
INSUMOS. REVENDA. IMPOSSIBILIDADE.
Somente há insumos geradores de créditos da não cumulatividade da Cofins nas atividades de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços a terceiros. Para fins de apuração de créditos das contribuições, não há insumos na atividade de revenda de bens, notadamente porque a esta atividade foi reservada a apuração de créditos em relação aos bens adquiridos para revenda.
DECISÃO JUDICIAL. MATÉRIA NÃO CONHECIDA.
As glosas sobre as despesas com combustíveis, lubrificantes e peças de manutenção utilizadas em frota de caminhões, por força de decisão judicial pendente de julgamento, não serão conhecidas.
Numero da decisão: 3202-003.068
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer, em parte, do recurso voluntário, não conhecendo a matéria atinente às glosas sobre as despesas com combustíveis, lubrificantes e peças de manutenção utilizados na frota de caminhões, para, na parte conhecida, afastar as preliminares de nulidade do auto de infração e de cerceamento do direito de defesa, e, no mérito, negar-lhe provimento.
Assinado Digitalmente
Aline Cardoso de Faria – Relatora
Assinado Digitalmente
Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Wagner Mota Momesso de Oliveira, Jucileia de Souza Lima, Onizia de Miranda Aguiar Pignataro, Rafael Luiz Bueno da Cunha, Aline Cardoso de Faria, Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe.
Nome do relator: ALINE CARDOSO DE FARIA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2018 a 31/12/2019 ALÍQUOTA ZERO. CLASSIFICAÇÃO INCORRETA. REENQUADRAMENTO. A incorreta classificação de produtos sob o benefício fiscal da Alíquota Zero enseja, de ofício, o reenquadramento destes em sua classe correta. INSUMOS. REVENDA. IMPOSSIBILIDADE. Somente há insumos geradores de créditos da não cumulatividade da Cofins nas atividades de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços a terceiros. Para fins de apuração de créditos das contribuições, não há insumos na atividade de revenda de bens, notadamente porque a esta atividade foi reservada a apuração de créditos em relação aos bens adquiridos para revenda. DECISÃO JUDICIAL. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. As glosas sobre as despesas com combustíveis, lubrificantes e peças de manutenção utilizadas em frota de caminhões, por força de decisão judicial pendente de julgamento, não serão conhecidas.
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CLASSIFICAÇÃO INCORRETA. REENQUADRAMENTO. A incorreta classificação de produtos sob o benefício fiscal da Alíquota Zero enseja, de ofício, o reenquadramento destes em sua classe correta. INSUMOS. REVENDA. IMPOSSIBILIDADE. Somente há insumos geradores de créditos da não cumulatividade da Cofins nas atividades de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços a terceiros. Para fins de apuração de créditos das contribuições, não há insumos na atividade de revenda de bens, notadamente porque a esta atividade foi reservada a apuração de créditos em relação aos bens adquiridos para revenda. DECISÃO JUDICIAL. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. As glosas sobre as despesas com combustíveis, lubrificantes e peças de manutenção utilizadas em frota de caminhões, por força de decisão judicial pendente de julgamento, não serão conhecidas. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer, em parte, do recurso voluntário, não conhecendo a matéria atinente às glosas sobre as despesas com combustíveis, lubrificantes e peças de manutenção utilizados na frota de caminhões, para, na parte conhecida, afastar as preliminares de nulidade do auto de infração e de cerceamento do direito de defesa, e, no mérito, negar-lhe provimento. Fl. 629DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.068 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17095.722478/2021-18 2 Assinado Digitalmente Aline Cardoso de Faria – Relatora Assinado Digitalmente Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Wagner Mota Momesso de Oliveira, Jucileia de Souza Lima, Onizia de Miranda Aguiar Pignataro, Rafael Luiz Bueno da Cunha, Aline Cardoso de Faria, Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe. RELATÓRIO Trata o presente de Recurso Voluntário interposto face a lavratura de Auto de Infração para cobrança de Pis/Cofins, relativo ao período de apuração compreendido entre 01/01/2018 a 31/12/2019, em desfavor da Recorrente ALVES & BORGES LTDA Por bem descrever os fatos, adota-se o relatório do Acórdão recorrido: INTRODUÇÃO 1. Trata o presente processo de autos de infração lavrados em 11/08/2021 contra o Contribuinte acima identificado, tendo por fundamento a insuficiência de recolhimento dos tributos PIS (valor de R$ 2.934.137,38) e Cofins (valor de R$ 13.514.793,34), acrescidos de juros de mora e multa, relativos período de janeiro/2018 a dezembro/2019, apurada no curso de ação fiscal desenvolvida em cumprimento ao Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal TDPF nº 01.1.01.00-2021-01285-4. A seguir seguir, relato os fatos. DO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL 2. Consoante relato no Termo de Verificação Fiscal de fls. 33/55 o Auditor-Fiscal procedeu a fiscalização na Contribuinte para verificar o cumprimento das obrigações relativas ao PIS e COFINS, relativas ao período de janeiro/2018 a dezembro/2019, e que após as intimações para apresentação de documentos e esclarecimentos constatou as infrações abaixo relacionadas, que resultaram na lavratura dos autos de infração acima relacionados. O resultado da ação fiscal encontra-se detalhado no Termo de Verificação Fiscal, reproduzido em síntese abaixo: (...) 3. Conforme informações obtidas no Contrato Social apresentado pela empresa, a sociedade tem por objeto social o comércio atacadista de materiais de construção; comércio atacadista de cimento; comércio varejista de materiais para construção; comércio varejista de cal, areia, pedra britada, tijolos e telhas; transporte rodoviário de carga, intermunicipal e interestadual. 4. Do ponto de vista fiscal, em relação à PIS/Cofins, o sujeito passivo apresentou a EFD – Contribuições com nenhum saldo de contribuição a pagar e ainda com saldo de crédito acumulado das contribuições conforme demonstrado no quadro a seguir:3. Conforme Fl. 630DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.068 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17095.722478/2021-18 3 informações obtidas no Contrato Social apresentado pela empresa, a sociedade tem por objeto social o comércio atacadista de materiais de construção; comércio atacadista de cimento; comércio varejista de materiais para construção; comércio varejista de cal, areia, pedra britada, tijolos e telhas; transporte rodoviário de carga, intermunicipal e interestadual. 4. Do ponto de vista fiscal, em relação à PIS/Cofins, o sujeito passivo apresentou a EFD – Contribuições com nenhum saldo de contribuição a pagar e ainda com saldo de crédito acumulado das contribuições conforme demonstrado no quadro a seguir: 5. Em relação às DCTF’s dos períodos fiscalizados, o contribuinte declarou apenas débito de CSLL e IRPJ para determinados meses dos anos de 2018 e 2019. Fl. 631DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.068 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17095.722478/2021-18 4 (...) 8. O presente procedimento fiscal foi aberto com o objetivo de verificar saídas de produtos tributadas com alíquota zero e apurar se créditos de determinadas aquisições foram corretamente escrituradas na EDF-Contribuições (sic). (...)11. Dando continuidade ao procedimento fiscal, em 22/03/2021 foi expedido o Termo de Intimação n° 01/2021. A ciência ocorreu por correspondência em 31/03/2021. No que tange à documentação requerida, segue transcrito abaixo trecho da intimação. Dito isso, em continuidade ao Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal em epígrafe, de forma a elucidar fatos que, em tese, configurariam fatos geradores de tributos federais, e com fulcro nos arts. 949, 950, 956, 971 e 972 do Decreto n' 9.580, de 22 de novembro de 2018, fica o contribuinte INTIMADO, no prazo de 20 dias, a apresentar: 1) Indicação por escrito de pessoa física habilitada por procuração – com firma reconhecida por titular da empresa – para representar o contribuinte perante a Receita Federal, na ação fiscal n' 01.1.01.00-2021-01285-4, especialmente no que se refere à ciência de documentos expedidos por este órgão, inclusive autos de infração; 2) Documento informando se há processo de consulta quanto à aplicação da legislação tributária ou de classificação fiscal de mercadorias e, caso haja, informar número do processo e apresentar cópia do pedido e da respectiva decisão, se houver; 3) Documento informando se há processo judicial movido pela empresa acerca de quaisquer dos aspectos jurídicos dos tributos fiscalizados e, caso haja, cópias das petições iniciais e das respectivas decisões judiciais, se houver. 4) Explicações e esclarecimentos, de forma geral, sobre a natureza dos créditos de PIS e Cofins na aquisição de produtos classificados como “Aquisição de bens utilizados como insumo”. Gostaria que a empresa demonstrasse qual foi o critério utilizado pela mesma para enquadrar uma aquisição como insumo ou não. Apenas para ilustrar, foram identificadas aquisições de produtos como parafusos, tintas, obras de arte, pia, pães, tijolos, cabos elétricos, água mineral, creme de leite e diversos outros que geraram crédito das contribuições PIS e Cofins, anos-calendário 2018 e 2019. 5) Esclarecimentos e/ou justificativas do motivo pelo qual a empresa classificou a aquisição dos produtos listados abaixo como bens utilizados como insumos, ou seja, geradores de crédito, conforme as EFD-Contribuições, anos 2018 e 2019. Fl. 632DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.068 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17095.722478/2021-18 5 6) Esclarecimentos e/ou justificativas do motivo pelo qual as vendas dos produtos com os NCM’s “Cimentos Hidráulicos” e “Construções e suas partes” saíram tributados com alíquota zero. Apresentar documentação probatória, se for o caso. 7) Cópia do último balanço patrimonial levantado pela empresa. 12. A empresa fiscalizada se manifestou em 22/04/2021 anexando a “carta resposta” ao e- dossiê de comunicação ao contribuinte (DCC) nº 10265.086460/2021-01. (...)16. Cabe pontuar que nem toda receita auferia pela pessoa jurídica será objeto de tributação de PIS/Cofins. Há situações excepcionais em que a legislação permite algum tipo benefício fiscal. A Lei nº 10.925/04, por exemplo, estabelece situações onde a comercialização de determinados produtos tem a alíquota zero, isso significa que o sujeito passivo que se enquadra na termos do dispositivo legal está dispensado de recolher tributos nessas operações. LEI Nº 10.925, DE 23 DE JULHO DE 2004 Art. 1º Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado interno de: (Vigência) (Vide Decreto nº 5.630, de 2005)I – adubos ou fertilizantes classificados no Capítulo 31, exceto os produtos de uso veterinário, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI, aprovada pelo Decreto nº 4.542, de 26 de dezembro de 2002, e suas matérias-primas; II – defensivos agropecuários classificados na posição 38.08 da TIPI e suas matérias- primas; III – sementes e mudas destinadas à semeadura e plantio, em conformidade com o disposto na Lei nº 10.711, de 5 de agosto de 2003, e produtos de natureza biológica utilizados em sua produção; Fl. 633DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.068 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17095.722478/2021-18 6 IV – corretivo de solo de origem mineral classificado no Capítulo 25 da TIPI; (...)17. No que tange a apuração de crédito na sistemática de não cumulatividade de PIS e Cofins, o conceito de insumo gerou, desde a edição das Leis nº 10.673/2002 e 10.833/2003, controvérsia de interpretação entre a administração tributária e os sujeitos passivos acerca dos gastos que podem ser tomados como créditos. 18. Sendo assim, o limite interpretativo foi objeto de análise do Recurso Especial nº 1.221.170 – PR, julgado na sistemática dos recursos repetitivos e com decisão publicada em 24 de abril de 2018. 19. No julgamento foi fixada a tese de que a definição de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 20. Por fim, na esteira da decisão judicial em comento, do voto da Ministra Regina Helena Costa, que apresentou a tese acordada pela maioria dos Ministros ao final do julgamento, destacaremos aqui o alcance dos termos “critério de essencialidade” e “critério de relevância”: “Conforme já tive oportunidade de assinalar, ao comentar o regime da não-cumulatividade no que tange aos impostos, a não-cumulatividade representa autêntica aplicação do princípio constitucional da capacidade contributiva(...)Em sendo assim, exsurge com clareza que, para a devida eficácia do sistema de não-cumulatividade, é fundamental a definição do conceito de insumo (...)(...)Nesse cenário, penso seja possível extrair das leis disciplinadoras dessas contribuições o conceito de insumo segundo os critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (...)Demarcadas tais premissas, tem-se que o critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. Por sua vez, a relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual – EPI), distanciando-se, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. IV – DAS INFRAÇÕES OMISSÃO DE RECEITAS: ESCRITURAÇÃO INDEVIDA DE RECEITAS TRIBUTADAS A ALÍQUOTA ZERO 21. A Lei n° 10.925, de 23 de julho de 2004 estabelece que ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS incidente sobre a receita bruta de venda no mercado interno de corretivo de solo de origem animal classificado no Capítulo 25 da TIPI. LEI Nº 10.925, DE 23 DE JULHO DE 2004. Art. 1º Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado interno de: (Vigência) (Vide Decreto nº 5.630, de 2005)I – adubos ou fertilizantes classificados no Capítulo 31, exceto os produtos de uso veterinário, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Fl. 634DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.068 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17095.722478/2021-18 7 Industrializados – TIPI, aprovada pelo Decreto nº 4.542, de 26 de dezembro de 2002, e suas matérias-primas; II – defensivos agropecuários classificados na posição 38.08 da TIPI e suas matérias- primas; III – sementes e mudas destinadas à semeadura e plantio, em conformidade com o disposto na Lei nº 10.711, de 5 de agosto de 2003, e produtos de natureza biológica utilizados em sua produção; IV – corretivo de solo de origem mineral classificado no Capítulo 25 da TIPI; (grifo nosso)(...)22. Conforme se observa nos Registro M400/M800 e M410/M810 (Receitas Isentas ou Não Alcançadas pela Incidência da Contribuição ou sujeitas a Alíquota Zero ou com Suspensão), a empresa fiscalizada escriturou receitas com vendas tributadas a alíquota zero com base no dispositivo legal citado, uma vez que a descrição da natureza da receita (Registros 410 e 810) estava com o descritivo - “Corretivo de solo de origem mineral classificado no Capítulo 25 da TIPI”. 23. Contudo, ao verificar os produtos que foram comercializados com alíquota zero, identificamos que se tratavam em sua maioria basicamente de “cimentos hidráulicos” (NCM’s 25232100, 25232910, 25232100) e uma menor parte de “Obras de fibrocimento” (NCM 68118200) e “Construções e suas partes” (NCM 73084000). 24. A empresa foi intimada para se manifestar em relação à comercialização desses produtos com o referido benefício de alíquota. Na oportunidade, ela se manifestou nos seguintes termos: Demonstrado os produtos tributados com alíquota zero, apresenta-se a Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI) do ano de 2017, Seção V, Capítulo 25: Capítulo 25 – Sal; enxofre; terras e pedras; gesso, cal e cimento Notas. 1. - Salvo disposições em contrário e sob reserva da Nota 4 abaixo, apenas se incluem nas posições do presente Capítulo os produtos em estado bruto ou os produtos lavados (mesmo por meio de substâncias químicas que eliminem as impurezas sem modificarem a estrutura do produto), quebrados (partidos), triturados, pulverizados, submetidos a levigação, crivados, peneirados, enriquecidos por flotação, separação magnética ou outros processos mecânicos ou físicos (exceto a cristalização). Não estão, porém, incluídos os produtos ustulados, calcinados, resultantes de uma mistura ou que tenham recebido tratamento mais adiantado do que os indicados em cada uma das posições. No entanto, sem atualizações da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI) relativo a cimento, nos anos de 2018 e 2019 (ano da emissão da venda dos produtos destacados nesta fiscalização), constata-se que a empresa seguiu de acordo com o estabelecido em lei. Fl. 635DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.068 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17095.722478/2021-18 8 Ressalta-se ainda que, o Ilmo. Sr. Auditor Fiscal apresentou argumentação genérica e descrição que induz a pensar que seria a alíquota de 4%, mas a numeração do NCM corresponde à alíquota zero. 25. Com a argumentação apresentada, notadamente, já podemos desenquadrar de plano a comercialização dos produtos com capítulo da TIPI diferentes de 25. Sendo assim, as saídas dos produtos “Obras de fibrocimento” (NCM 68118200) e “Construções e suas partes” (NCM 73084000) devem se enquadrados nas alíquotas correspondentes. 26. No que tange aos produtos enquadrados no capítulo 25 da Tabela Tipi, os cimentos hidráulicos, que corresponde a quase 100% das saídas a alíquota 0, essa fiscalização concluiu que houve um equívoco de interpretação da legislação tributária por parte da empresa fiscalizada. 27. Primeiramente, analisando a resposta ao Termo de Intimação, a empresa justifica que os produtos caracterizados com o NCM 25.23 devem ter suas alíquotas enquadradas a 0 (zero) uma vez que na Tabela TIPI a alíquota estabelecida para esses produtos assim determina. 28. Acontece que a Tabela TIPI dispõe de alíquotas para o Imposto de Produtos Industrializados (IPI) e o objeto da presente fiscalização são as contribuições de PIS e Cofins. Em regra, as alíquotas de PIS e Cofins são 1,65% e 7,6% respectivamente, não há relação alguma com as alíquotas estabelecidas na TIPI. O que foi evidenciado pelo contribuinte é que a saída dos produtos enquadrados nos NCM’s 25.23.21.00, 25.23.21.10 e 25.23.21.90 possuem alíquotas 0 (zero) para IPI, em relação a isso não há nenhuma dúvida, entretanto, este fato não se aplica para as contribuições. 29. Analisando sob a ótica da forma que foram escrituradas as vendas dos cimentos nas EFD-Contribuições, com a justificativa de “Corretivo de solo de origem mineral classificado no Capítulo 25 da TIPI”, conforme se observa nos registros M410/M810 da EFD-Contribuições, fazendo referência clara ao disposto da Lei 10.925/2014, não prospera o enquadramento do produto com o corretivo de solo tendo em vista que este é um composto mineral usado para correções dos solos agrícolas e aquele é oriundo do calcário, argila e gipsita e utilizado na construção civil. 30. Sobre a possível aplicabilidade do art. 1º, inc. IV da Lei 10.925, de 2004 nos casos de comercialização de cimento no mercado interno, a Receita Federal do Brasil (RFB) já se manifestou no sentido da improcedência da redução a 0 (zero) das alíquotas das Contribuições para Pis/Pasep e Cofins, conforme se observa na Solução de Consulta nº 373 – Cosit, de 17 de agosto de 2017, cujos trechos do ato normativo estão transcritos abaixo. O Capítulo 25 da Tipi, mencionado no dispositivo legal supra, engloba (i) sal, (ii) enxofre, (iii) terras e pedras, (iv)gesso, (v) cal e (vi) cimento. 7. Não se pode olvidar que as disposições que concedem favores fiscais, exceções à regra de tributação que são, não comportam ampliações interpretativas ou analogias, em vista da mens legis do artigo 111 do Código Tributário Nacional. É o caso da redução das alíquotas a que alude o inciso IV do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004. 8. Por opção do legislador, o comando legal aplica-se tão somente aos corretivos de solo, posto ser essa a condição imposta pelo dispositivo legal: “corretivo de solo de origem mineral classificado no Capítulo 25 da TIPI”. Em consequência, a redução a 0 (zero) das alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não se estende a todos os produtos minerais incluídos nas posições do Capítulo 25 da Tipi. 9. Em artigo disponível na Internet1, o Centro de Informações Tecnológicas e Comerciais para Fruticultura Tropical (Ceinfo), entidade vinculada ao Centro Nacional de Pesquisa de Fl. 636DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.068 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17095.722478/2021-18 9 Agroindústria Tropical da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), oferece a seguinte explicação para o termo “corretivo”: “Corretivo é todo produto que contém substâncias capazes de corrigir uma ou mais características do solo desfavoráveis às plantas. Dentre os produtos que satisfazem a esses requisitos, estão os calcários, a cal virgem agrícola, a cal hidratada agrícola, as escórias e o calcário calcinado agrícola. Sua aplicação no solo é feita por meio de máquinas ou a lanço e deve ser incorporada (misturada) ao solo, a uma profundidade em torno de 30 cm.” (g.n.)10. No plano normativo, o Decreto nº 4.954, de 14 de janeiro de 2004, aprovou, na forma de seu anexo, o Regulamento da Lei nº 6.894, de 16 de dezembro de 1980, que dispõe sobre a inspeção e fiscalização da produção e do comércio de fertilizantes, corretivos, inoculantes ou biofertilizantes destinados à agricultura. Eis alguns dispositivos desse Regulamento: “Art. 1º Este Regulamento estabelece as normas gerais sobre registro, padronização, classificação, inspeção e fiscalização da produção e do comércio de fertilizantes, corretivos, inoculantes ou biofertilizantes destinados à agricultura. Art. 2º Para os fins deste Regulamento, considera-se: (...). IV – corretivo: produto de natureza inorgânica, orgânica ou ambas, usado para melhorar as propriedades físicas, químicas e biológicas do solo, isoladas ou cumulativamente, ou como meio para o crescimento de plantas, não tendo em conta seu valor como fertilizante, além de não produzir característica prejudicial ao solo e aos vegetais, assim subdivido: a) corretivo de acidez: produto que promove a correção da acidez do solo, além de fornecer cálcio, magnésio ou ambos; b) corretivo de alcalinidade: produto que promove a redução da alcalinidade do solo; c) corretivo de sodicidade: produto que promove a redução da saturação de sódio no solo; d) condicionador do solo: produto que promove a melhoria das propriedades físicas, físico-químicas ou atividade biológica do solo; e e) substrato para plantas: produto usado como meio de crescimento de plantas; (...). Art. 8º Os fertilizantes, corretivos, inoculantes ou biofertilizantes deverão ser registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. (...). Art. 9º O registro será concedido mediante a emissão de um certificado específico. (...). Art. 11. Os critérios para registro, os limites mínimos de garantias e as especificações relativas aos fertilizantes, corretivos, inoculantes ou biofertilizantes serão estabelecidos em ato administrativo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.” (g.n.)11. Em suma, o denominado “corretivo de solo” é um composto mineral usado para correção dos solos agrícolas, devendo ser registrado no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e atender às especificações químicas mínimas constantes da legislação. 12. Conclui-se, portanto, que o corretivo de solo não se confunde com o cimento. Em linhas gerais, o cimento é oriundo do calcário, argila e gipsita (matéria prima do gesso) e utilizado na construção civil. 13. Resta claro, portanto, que o cimento não pode ser considerado como um corretivo de solo, eis que não se destina à agricultura, mas sim à construção civil. Assim sendo, ainda que o cimento esteja classificado no Capítulo 25 da TIPI, a redução de alíquota prevista no Fl. 637DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.068 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17095.722478/2021-18 10 inciso IV do artigo 1º da Lei nº 10.925, de 2004, não se aplica às receitas decorrentes de sua comercialização. 31. Por fim, cabe aqui ressaltar o efeito vinculante no âmbito da RFB e ao sujeito passivo de toda Solução de Consulta a partir de sua publicação (art. 15 da Instrução Normativo RFB 1.464/2014). Art. 15. A Solução de Consulta, a partir da data de sua publicação, tem efeito vinculante no âmbito da RFB e respalda qualquer sujeito passivo que a aplicar, independentemente de ser o consulente, sem prejuízo de que a autoridade fiscal, em procedimento de fiscalização, verifique seu efetivo enquadramento. 32. Isto posto, foram refeitos os cálculos do valor mensal das contribuições para os anos de 2018 e 2019. Segue abaixo o quadro resumo da apuração feita por essa fiscalização, ressalto que os valores utilizados na apuração estão mais detalhados no anexo ao presente Termo de Verificação Fiscal (ANEXO I – Planilhas NFE, NFC-E e ECF). CRÉDITO DE AQUISIÇÃO NO MERCADO INTERNO CONSTITUÍDO INDEVIDAMENTE a) Aquisição produtos (Adubos, Álcool, combustíveis..) 33. Através do Termo de Intimação nº 01/2021, a empresa fiscalizada foi instada a se manifestar acerca do creditamento de operações de aquisição que envolviam os seguintes produtos: adubos, álcool etílico, centrifugadores, gás de petróleo, óleos de petróleo, partes destinadas a motores/máquinas/veículos e pneumáticos. Fl. 638DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.068 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17095.722478/2021-18 11 34. Em resposta a este questionamento, ela alegou que o creditamento foi efetuado de acordo com as leis nº 10.673/2002 e 10.833/2003 combinado com o Parecer Normativo COSIT nº 05/2018 do julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR. Segue abaixo as alegações na íntegra: Os produtos adquiridos e destacados na planilha acima, está em consonância com as leis Lei nº 10.637/2002 Lei nº 10.833/2003, já referida neste documento, uma vez que expõe da cobrança não-cumulativa da PIS e COFINS. Extraindo-se trechos do artigo 3º II da Lei nº 10.833/2003, temos o seguinte: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: II – bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tip. Em paralelo, complementa-se tal argumento com o Parecer Normativo COSIT nº 05/2018 do julgamento do Recurso Especial n. 1.221.170/PR, que tem como Ementa: Ementa. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. Dispositivos Legais. Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, inciso II. Exposto isso, elucida-se que gerou créditos como “aquisição de bens utilizados como insumo” uma vez que se trata de empresa de Lucro Real, no qual PIS e COFINS são tributados de forma não cumulativa, enfatizando-se que tais produtos são utilizados para aquisições e funcionamento do mercado interno. Fl. 639DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.068 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17095.722478/2021-18 12 35. Conforme já relatado no presente Termo e também pelo próprio sujeito passivo, o mecanismo da não cumulatividade das contribuições de PIS e Cofins está disposto basicamente nos arts. 1º e 3º da Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. 36. Já foi mencionado também que, devido a grande controvérsia que beirava a apuração de créditos das empresas, o julgamento pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça do Recurso Especial 1.221.170/PR determinou que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço. 37. Nesta esteira, dada a necessidade de segurança jurídica para agentes internos e externos, a Receita Federal do Brasil publicou o Parecer Normativo COSIT/RFB nº 05, de 17 de dezembro de 2018, para apresentar as principais repercussões decorrentes da definição do conceito de insumos na legislação da Contribuição para PIS/Pasep e da Cofins estabelecida pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça do Recurso Especial 1.221.170/PR. 38. Cabe aqui fazer uma contextualização do perfil do fiscalizado. Trata-se de uma empresa que tem como atividade principal o comércio atacadista de materiais de construção em geral. Possui também como CNAE secundário o comércio atacadista de cimento; comércio varejista de materiais para construção, o comércio varejista de cal, areia, pedra britada, tijolos e telhas e o transporte rodoviário de carga, intermunicipal e interestadual. 39. Em que pese o sujeito passivo ter o transporte rodoviário como uma de suas atividades secundárias, no período fiscalizado (01/2018 – 12/2019) não houve escrituração na EFD- Contribuições de prestação de serviços de transporte realizados pela empresa. (...)40. Sendo assim, podemos inferir que, durante os anos de 2018 e 2019, para fins de apuração de PIS e Cofins, o fiscalizado atuou apenas na revenda de mercadorias de materiais de construção. 41. Isto posto, de acordo o que prescreve as leis 10.637/2002 e 10.833/2003, nas atividades de revenda não há o que falar em insumo. Conforme dispõe os referidos ordenamentos jurídicos, a apuração dos créditos no que se refere ao comércio é feita na aquisição dos bens. Nesses casos não se faz necessário a interpretação do alcance do que é ou não é insumo. Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I – bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) no inciso III do § 3º do art. 1º desta Lei; e b) nos §§ 1º e 1º-A do art. 2º desta Lei; 42. O Parecer Normativo COSIT/RFB n° 05, que também foi citado pelo contribuinte como uma fonte de interpretação do alcance do conceito de insumo, segue nessa mesma 2. INEXISTÊNCIA DE INSUMOS NA ATIVIDADE COMERCIAL 40. Nos termos demonstrados acima sobre o conceito definido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, somente há insumos geradores de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins nas atividades de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços a terceiros. 41. Destarte, para fins de apuração de créditos das contribuições, não há insumos na atividade de revenda de bens, notadamente porque a esta atividade foi reservada a apuração de créditos em relação aos bens adquiridos para revenda (inciso I do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003). 42. Em razão disso, exemplificativamente, não constituem insumos geradores de créditos para pessoas jurídicas dedicadas à atividade de revenda de bens: a) combustíveis e Fl. 640DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.068 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17095.722478/2021-18 13 lubrificantes utilizados em veículos próprios de entrega de mercadorias2; b) transporte de mercadorias entre centros de distribuição próprios; c) embalagens para transporte das mercadorias; etc. 43. Por todo exposto, uma vez que a justificativa para os créditos era que os mesmos se enquadravam no contexto de insumos e ficou demonstrado que na atividade de vendas de mercadorias não prospera essa caracterização, resta a essa fiscalização glosar todo o crédito proveniente da aquisição de produtos que não fazem parte do contexto de revendas do contribuinte. 44. Segue abaixo demonstrado o valor de glosa de créditos uma vez identificada a indevida classificação de determinados produtos como insumos. Reforço que os dados completos de todas as notas fiscais estão em anexo ao TVF (ANEXO II). b) Subcontratação de Serviços 45. Durante o período fiscalizado, o sujeito passivo efetuou o creditamento de subcontratações de transporte cargas. Contudo, conforme dispõe o próprio Parecer Normativo Cosit/RFB n° 05/2018, essa subcontratação somente se enquadra no conceito de insumos geradores de crédito para empresas que têm como atividade principal a prestação de serviços, no caso de uma transportadora, por exemplo. Fl. 641DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.068 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17095.722478/2021-18 14 46. Conforme já ficou demonstrado, a fiscalizada não atuou como prestadora de serviços de fato. A totalidade da receita bruta é proveniente de revenda de mercadorias. O transporte é uma atividade acessória ao comércio de produtos. Na realidade, trata-se de uma empresa de comércio atacadista/varejista que evidentemente usou as subcontratações para entrega de suas próprias vendas de mercadorias. 47. Dito isto, será efetuada a glosa dos créditos oriundos das operações de subcontratação. Ressalto que os dados completos estão inseridos no anexo ao TVF (ANEXO III)(...)V – DA EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO 49. O julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR feito pelo Supremo Tribunal Federal decidiu que o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) não compõe a base de cálculo das Contribuições aos Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS). 50. Nessa toada, em 13/05/2021 houve o julgamento dos embargos de declaração propostos pela Fazenda Nacional contra o acórdão do RE n' 574.706/PR. Foi decidido, entre outras coisas, que o montante do ICMS a ser excluído da base de cálculo do PIS/COFINS deve ser aquele destacado na Notas fiscais. Decisão: O Tribunal, por maioria, acolheu, em parte, os embargos de declaração, para modular os efeitos do julgado cuja produção haverá de se dar após 15.3.2017 – data em que julgado o RE nº 574.706 e fixada a tese com repercussão geral "O ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da COFINS" -, ressalvadas as ações judiciais e administrativas protocoladas até a data da sessão em que proferido o julgamento, vencidos os Ministros Edson Fachin, Rosa Weber e Marco Aurélio. Por maioria, rejeitou os embargos quanto à alegação de omissão, obscuridade ou contradição e, no ponto relativo ao ICMS excluído da base de cálculo das contribuições PIS-COFINS, prevaleceu o entendimento de que se trata do ICMS destacado, vencidos os Ministros Nunes Marques, Roberto Barroso e Gilmar Mendes. Tudo nos termos do voto da Relatora. Presidência do Ministro Luiz Fux. Plenário, 13.05.2021 (Sessão realizada por videoconferência – Resolução 672/2020/STF). Portanto, na apuração das contribuições sobre as vendas, bem como dos créditos a compensar, o valor de ICMS destacado na Nota Fiscal deve ser excluído da base de cálculo de PIS e COFINS, visto que não compõe o preço da mercadoria. Sendo assim, foram levantados os dados de débito e crédito de ICMS destacados nas Notas Fiscais informados nas EFD-ICMS/IPI da matriz e das filiais e os saldos foram compensados nas bases mensais das contribuições de PIS/COFINS. Fl. 642DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.068 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17095.722478/2021-18 15 VI – DOS VALORES DO LANÇAMENTO 53. Feitos os levantamentos das infrações praticadas pelo sujeito passivo no presente procedimento fiscal, combinado aos valores a serem abatidos ou acrescidos na base de cálculo a título de ICMS, resta apurar os valores mensais das contribuições a recolher nos anos de 2018 e 2019. 54. Abaixo foi demonstrado o cálculo em que se evidencia o valor escriturado pelo sujeito passivo em contraponto aos valores apurados por essa fiscalização, e finalmente, o valor mensal de tributo a lançado. Fl. 643DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.068 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17095.722478/2021-18 16 55. Cabe pontuar que na competência de 01/2018 de ambas as contribuições além de utilizados os créditos apurados no próprio período, também utilizaram-se todos os créditos existentes na competência 12/2017 (R$ 153.575,51 Cofins e R$ 33.342,07 PIS). Sendo assim, não restou saldo de crédito disponível de PIS ou Cofins para aproveitamento em períodos posteriores. Todos eles foram utilizados nas competências 01/2018 – 12/2019. VI – Multa 56. Foram aplicadas multas de 75% calculadas sobre os tributos não devidamente declarados em DCTF, nem recolhido ou compensado, conforme preceitua o art. 44 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007, abaixo reproduzida: (...) VIII – VALORES APURADOS 58. No bojo das irregularidades aqui relatadas, lavramos o auto de infração relativo às Contribuições de PIS/PASEP e Cofins, conforme o demonstrativo abaixo: DA IMPUGNAÇÃO 3. A interessada foi cientificada dos autos de infração em 18/08/2021, e apresentou em 16/09/2021 a impugnação de fls. 138/193, de onde se pode extrair os seguintes pontos: (...) Fl. 644DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.068 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17095.722478/2021-18 17 A Impugnante é empresa comerciária atacadista do ramo de material de construção, com enfoque em cimento e realiza, além de venda, o transporte/entrega das referidas mercadorias até o destinatário final, circunstância esta que é o normal à sua atividade econômica, visto se tratarem de materiais de grande volume e peso. (...) Sustenta a Impugnada que a Impugnante teria, em suma, omitido receitas e constituído, indevidamente, créditos das contribuições do Programa de Integração Social - PIS e do Financiamento da Seguridade Social – COFINS sobre aquisições de mercadorias e pela suposta infração fora constituído crédito tributário, já considerando os juros e multas, que perfez, com relação ao PIS, o valor de R$ 5.420.729,11 (cinco milhões quatrocentos e vinte mil, setecentos e vinte e nove reais e onze centavos) e, com relação ao COFINS, o valor de R$ 24.968.168,15 (vinte e quatro milhões, novecentos e sessenta e oito mil, cento e sessenta e oito reais e quinze centavos). Vejamos: (...) O valor total do suposto crédito tributário totaliza R$ 30.388.897,26 (trinta milhões trezentos e oitenta e oito mil, oitocentos e noventa e sete reais e vinte e seis centavos). (...) No que se refere ao enquadramento legal referente ao suposto creditamento indevido da COFINS, a Impugnante teria incorrido em infração ao artigo 1º, da Lei complementar nº 70/91, artigo 1º, 2º, caput, 3º, 5º, da Lei nº 10.833/03, artigo 1º, inciso IV, da Lei nº 10.925/04 e artigo 24, § 2º, da Lei nº 9249/95. Vejamos: (...)No que se refere ao suposto creditamento indevido por aquisição de mercadoria, a Impugnada teria foi enquadrada no artigo 3º, da Lei nº 10.833/03. Vejamos: (...)Pelas supostas infrações, fora acrescida a multa disposta no artigo 44, inciso I, da Lei nº 9430/96 e juros de mora nos termos do artigo 61, § 3º, da mesma Lei. Vejamos: (...)Após a longa transcrição dos dispositivos legais que tratam dos mais diversos assuntos e situações, muitos destes que sequer resguardam conexão lógica com a atividade da Impugnante, demonstrar-se-á nos tópicos seguintes que o referido auto de infração não merece prosperar, uma vez que a sua fundamentação impede o livre direito do exercício à ampla defesa e do contraditório, bem como que a Impugnada não incorreu em nenhum tipo omissão ou creditamento indevido. 2. DO DIREITO 2.1 Da Nulidade por Fundamentação Genérica. Cerceamento de Defesa É possível verificar que o presente auto de infração está fundado com disposições legais genéricas e que não traduz ou especifica qual o dispositivo normativo capaz de representar como suposta conduta infracional da Impugnante, prejudicando assim tanto a liquidez e certeza do título em exame como o direito de defesa desta. Antes de demonstrar quão genérico foi o auto atacado, necessário se faz considerar a importância da devida especificação e individualização em autos de infração. No estado democrático de direito, a defesa da liberdade e patrimônio são direitos inerentes, seja ao contribuinte, seja ao fisco. Ocorre que, para que seja buscada a expropriação de bens de qualquer pessoa, é necessário o devido processo legal, bem como a garantia ao contraditório e à ampla defesa. Ora, como defender-se de todos os pontos indicados pela autoridade fiscal, quando a transcrição da suposta legislação aplicável supera dezenas de páginas e, mais, muitas delas não resguardando qualquer relação direta aos fatos narrados? Se o direito ao contraditório e Fl. 645DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.068 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17095.722478/2021-18 18 ampla defesa, previsto no artigo 5º, LV, da Constituição Federal é prejudicado, o auto de infração se torna inconstitucional e, portanto, nulo. A partir da leitura das fundamentações legais indicadas no auto de infração é possível verificar que, entre outras características, traz tão somente a qualificação e a composição dos tributos que estão sendo cobrados, não se verifica, portanto, condutas infracionais. Por este prisma, o artigo 142, do Código Tributário Nacional, dispõe das condições para que se constitua crédito tributário, entre elas, verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo. Ainda conforme parágrafo único, o lançamento é atividade vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Vejamos: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (grifamos)Tal condição também é verificada como requisito essencial para a formação do crédito, conforme disposição do artigo 10 e 11, do Decreto nº 70.235/72, em que evidencia sobre todos os critérios que devem ser devidamente preenchidos pela autoridade administrativa, tanto no auto de infração como na notificação de lançamento, entre tais critérios, além da devida descrição dos fatos, também a disposição legal infringida. Vejamos: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I - a qualificação do autuado; II - o local, a data e a hora da lavratura; III - a descrição do fato; IV - a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V - a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo de trinta dias; VI - a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I - a qualificação do notificado; II - o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III - a disposição legal infringida, se for o caso; IV - a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. (grifamos)Segundo o ilustre doutrinador e magistrado Leandro Paulsen1, ao tratar dos dispositivos supra, este afirma que é comum autos de infração cuja indicação infracional são inúmeros dispositivos legais, sem qualquer indicação precisa de quais especificamente foram infringidos e em que extensão, incorrendo, portanto, no cerceamento do direito de defesa do contribuinte. Vejamos: Fl. 646DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.068 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17095.722478/2021-18 19 Esse procedimento que aparentemente faz conter quase todos os dispositivos legais sobre o tributo em questão, na verdade cerceia o direito de defesa do contribuinte, pois não indica com a especificidade necessária o(s) dispositivo(s). Assim a tentativa de relacionar dispositivos impertinentes à infração específica pode macular de nulidade o auto de infração. Destarte, quando a autoridade administrativa não alimenta o relatório fiscal com todas as informações necessárias e específicas a cada caso, de modo que seja de plena compreensão do contribuinte, o lançamento deve ser considerado nulo. A jurisprudência em âmbito administrativo fiscal tem entendido pela nulidade do auto de infração quando não há exatidão da fundamentação legal do auto de infração. Vejamos: (...) 2.2.1 Da Suposta Omissão de Receita Referente aos Produtos Enquadrados no Capítulo 25 da TIPI Em seu relatório, a Impugnada entendeu que a Impugnante teria omitido receitas, em especial venda de cimento, uma vez que escriturou erroneamente receitas tributadas com alíquota zero. Ocorre que, tal entendimento não merece prosperar, posto que a Impugnante aplicou o dispositivo legal pertinente da maneira que é indicado, não podendo de forma alguma ser penalizada caso o referido códex se demonstre duvidoso ou divergente daquilo que realmente é esperado pela Impugnada. A Impugnante aplicou alíquota zero para a venda de cimento tendo por subsídio o artigo 1º, da Lei nº 10.925/2004, que dispõe sobre a redução de alíquotas a zero do PIS/COFINS. Tal legislação é bem clara quando determina que, para aqueles produtos dispostos em seus incisos, como é o caso do “IV - corretivo de solo de origem mineral classificado na Capítulo 25 da TIPI”. Isto é, para aqueles produtos enquadrados naquela capitulação da referida tabela, também seriam considerados neste dispositivo com alíquota zero para PIS/COFINS, havendo, inclusive outras referências aos produtos da TIPI, como é o caso dos produtos classificados no capítulo 31, da referida tabela e ainda outros casos, como os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 entre outras. Por certo que, a Tabela TIPI, além de ser a base precípua para se verificar a incidência do IPI, como acertadamente entendeu a Impugnada, é também um referencial para se encontrar regras de classificação de produtos, sendo também fonte para verificar a determinada Nomenclatura Comum do Mercosul – NCM. (...) Ora, o dispositivo é bem claro ao indicar como referência os produtos já classificados na TIPI, se fosse o contrário, seria até estranho o legislador fazer tais remissões, uma vez que a tabela se trata de (não)incidência de IPI e a Lei nº 10.925/2004, para PIS e COFINS. Partindo deste pressuposto, a Lei nº 10.925/2004, em seu artigo 1º, traz a determinação legal sobre quais receitas brutas de vendas no mercado interno ficam reduzidas a alíquota 0 (zero) de PIS/COFINS, entre todos, encontramos aquele cuja classificação é encontrada, de forma genérica, no capítulo 25 da TIPI, quais sejam, “sal; enxofre; terras e pedras; gesso, cal e cimento”. Tal questão é objeto de larga interpretação a verificar, inclusive, por meio da COSIT nº 373/2017, onde a solução de consulta dada foi de que o comando legal dado pela inciso IV, artigo 1º, da Lei nº 10.925/2004, seria aplicado tão somente aos corretivos de solo de origem mineral que, sob a significação data pelo Centro de Informações Tecnológicas e Comerciais para Fruticultura Tropical (Ceinfo), explica que o termo “corretivo” é todo produto que contém substâncias capazes de corrigir solo desfavorável às plantações. ... Fl. 647DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.068 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17095.722478/2021-18 20 (...) Concluiu que “corretivo de solo” é um tipo de composto mineral usado para correção dos solos agrícolas, de modo que não poderia confundir com o cimento, uma vez que este é oriundo do calcário e utilizado na construção civil. Portanto, não seria, às suas receitas de venda, aplicada a redução da alíquota disposta em no caput do artigo 1º. (...) Ocorre que, quando o legislador não se faz claro, principalmente no âmbito Tributário, deixa o Contribuinte à mercê de diversas dúvidas e interpretações, inclusive interpretação dada pelo próprio ente responsável por esclarecer a dúvida do Contribuinte e diretamente interessado em uma interpretação que lhe seja mais favorável. (...) Neste cenário, não é possível concluir pela pacificação interpretativa do inciso IV, artigo 1º, da Lei nº 10.925/2004, uma vez que a aferição da destinação dada aos produtos vendidos não é requisito condicionante na atividade da Impugnante. Até porque, nos moldes da solução dada, também não esclarece qual seria a destinação que poderia ser considerada aceita para que se pudesse aplicar a alíquota zero. Por conseguinte, ante a tantas interpretações divergentes sobre o mesmo tema, por analogia, aplicar-se-á pela interpretação mais favorável ao contribuinte, quando a dúvida pairar sobre a natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou da extensão dos seus efeitos, conforme artigo 112, do Código Tributário Nacional. Logo, no caso em concreto, o dispositivo legal subsidiado pela Impugnante para a escrituração de suas receitas, qual seja, artigo 1º, inciso IV, Lei nº 10.925/2004, não transmite exatidão aos olhos da Impugnada, se revelando de cunho totalmente genérico, não podendo, desta forma, a Impugnante ser penalizada por omissão de receita por ter aplicado a literalidade da Lei. 2.2 Dos Créditos por Aquisição de Insumos que foram Indevidamente Glosados Incialmente, é importante rememorar que, como afirmado e já comprovado no seu Contrato social, a Impugnante é empresa comerciária atacadista do ramo de material de construção e realiza, além de venda em grande quantidade, volume e peso, o transporte/entrega das referidas mercadorias até o destinatário final, ... Os produtos como combustível, lubrificantes, partes destinadas a motores que tiveram seu crédito glosados no auto de infração, fazem parte da sua linha de insumos utilizados no desenvolvimento da atividade que é essencial a tal tipo de comércio e relevante para o seu bom e efetivo funcionamento no mercado. À título de exemplo, colaciona-se algumas Notas Fiscais para que se verifique os produtos que, na oportunidade do presente auto de infração, tiveram seus respectivos créditos glosados (Doc. 02). ... (...) Desta forma, à luz dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, onde aquela dispõe sobre a não-cumulatividade do PIS e esta, sobre a não-cumulatividade da COFINS, temos situações em que a pessoa jurídica pode descontar os créditos calculados em relação aos bens adquiridos para revenda (inciso I), bem como crédito oriundo da aquisição de bens e serviços utilizados como insumo na prestação de seus serviços (inciso II). Nesta seara, os produtos indicados e que foram glosados os créditos são utilizados na expressiva frota de veículos da Impugnante necessária para a entrega do produto vendido, fato este que se demonstra no próprio Termo de Arrolamento anexado ao processo. Fl. 648DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.068 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17095.722478/2021-18 21 A Impugnante é uma atacadista, cuja atividade é vender materiais para construção e, quando realiza qualquer venda, é de praxe ser contabilizado no preço do produto o serviço de entrega ao destinatário e toda logística é feita através da sua frota. Portanto, o que é necessário para manter e alimentar sua frota veicular faz parte dos seus insumos, por se caracterizar como “elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”, passível do devido creditamento pela não cumulatividade, conforme disposições legais retro. Retire-se a possibilidade de entrega de materiais de construção de uma atacadista e veja se é possível sua viabilidade do mercado em geral. A venda e a entrega são relação simbiótica, essencial e relevante na atividade desenvolvida. É inimaginável que um cliente de uma empresa atacadista de cimentos vá com seu próprio veículo buscar dezenas ou mesmo centenas de sacos de cimento, cujo o peso, individualmente, chega a 50 kg. Igualmente é inimaginável que não se cogite, pela lógica do elevado custo em despesas com veículos pesados e manutenção destes que, conforme levantamento das notas fiscais e da elevada frota de caminhões, conforme Termo de Arrolamento, que no preço do saco de cimento não esteja embutido o serviço de entrega. A Impugnada aponta que a interpretação do termo “insumos” se dá pela leitura e interpretação dos artigos 3º, da Lei nº 10.673/2002 e nº 10.833/2003, combinado com a Solução de Consulta – COSIT nº 05/2018. Demonstrando, mais uma vez, que tendo em vista a generalidade do texto de lei, o contribuinte está à mercê de “interpretações”, que podem ser das mais diversas, a depender, inclusive, do cenário fático. Neste contexto, deve ser prezado pela busca da verdade material, condição precípua e vinculante à autoridade administrativa. Alega a Impugnada que nos moldes do Parecer Normativo COSIT/RFB nº 05, para fins de apuração de créditos das contribuições, não constitui insumos na atividade de revenda de bens, os combustíveis e lubrificantes em veículos próprios de entrega de mercadoria. ... (...) Ocorre que, da análise da própria COSIT nº 5, é claro em suas disposições que, para apuração de créditos da não cumulatividade das contribuições em comento, deve ser aferida à luz dos critérios da essencialidade, constituído como elemento inseparável do processo de execução do serviço e sob o critério da relevância, constituído por elemento que integre ao processo, considerando, inclusive pela singularidade de cada cadeia produtiva. Isto é, o parecer normativo indicado, não se verifica como conceito taxativo de “insumo”, mas sim, direção a ser adotada para que seja apurado os créditos da não-cumulatividade. ... (...) Importante observar, ainda, que o próprio item 42, da COSIT nº 5, referência que a análise ali disposta trata apenas da subsunção do item ao conceito (inciso II, caput art. 3º, da Lei 10637/2002 e Lei nº 10.833/2003), condicionando outras modalidades de creditamento, ratificando, desta forma, pela não taxatividade da norma, incorrendo, pois, na análise fática. Neste sentido, o recente Resp. nº 1902904/RS (13/11/2020) trouxe como referência o mesmo julgado que fundamentou o Parecer Normativo invocado pela Impugnada, que além de corroborar com a subjetividade da interpretação e aplicação normativa, considera necessário para análise do caso fático a interpretação das disposições contratuais constitutivas da sociedade empresária, não se vinculando, desta forma, à condição de ser atividade principal ou não, como entendeu a Impugnada no caso em comento. (...) Fl. 649DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.068 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17095.722478/2021-18 22 Partindo da interpretação do termo insumo com base na realidade fática e mais, com base na interpretação do próprio contrato social, têm-se a aplicação da não-cumulatividade de PIS/COFINS, considerando como insumos os combustíveis, lubrificantes e peças quando utilizados em serviços de entrega de mercadorias vendidas pelo próprio contribuinte, sendo que tal possibilidade se deu a partir da interpretação de cláusulas contratuais e no acervo fático da causa. ... (...) Sob esse enfoque, “cai por terra” a apuração feita pela Impugnada quando glosou todo creditamento que fora obtido a partir da não-cumulatividade dos insumos utilizados para abastecimento e manutenção da sua frota veicular, uma vez que o serviço de entrega das mercadorias é critério essencial e relevante para atividade da Impugnante. 2.2 Da Não-Cumulatividade do PIS e da COFINS Relativa às Entradas Em que pese os elementos abordados até aqui sejam capazes de anular o auto de infração em tela, pondera- se pelo princípio da eventualidade, ao observar que, caso ainda assim acredite-se que a Impugnante deva qualquer valor a título de PIS/COFINS, que seja considerada a não- cumulatividade destes, creditando-se ao suposto valor oriundos das entradas/aquisições dos bens adquiridos para revenda, fato que, equivocadamente foi omitido pela Impugnada em seus cálculos do montante supostamente devido. É cediço que pessoas jurídicas sob o regime de não cumulatividade podem descontar do valor devido os créditos em relação as aquisições de bens adquiridos para revenda, entre outras situações dispostas na Lei nº 10.637/02 e nº 10.833/03. Ocorre que, ao analisar as apurações apresentadas no TVF, não foi possível vislumbrar que os créditos relativos a entradas de produtos e aquisições de bens e mercadorias foram devidamente considerados, acarretando, assim, valores que, acrescidos às multas e juros, alcançam numerário estratosférico ... À título de exemplo de que os bens adquiridos para revenda geraram créditos de PIS/COFINS, verifiquemos a Nota Fiscal e o sped fiscal a seguir (Doc. 03): Fl. 650DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.068 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17095.722478/2021-18 23 Desta forma, a Impugnante realizou uma simples simulação levando em consideração as apurações apresentadas da Impugnada, que não representam confissão de qualquer débito, bem como os valores levantados referente a compra de mercadorias feitas no mesmo período auditado e se obteve valores bem diferentes daqueles apurados pela Impugnada, demonstração esta que somente deve ser considerada caso as demais teses anteriores não prevaleçam e mediante correta apuração (Doc. 04). Vejamos: Enquanto que o valor apurado, sem juros e multas, pela Impugnada perfez em R$ 16.448.930,72 (dezesseis milhões, quatrocentos e quarenta e oito mil, novecentos e trinta reais e setenta e dois centavos), o valor simulado estimado pela Impugnante perfazeria algo próximo a R$ 5.132.409,83 (cinco milhões, cento e trinta e dois mil, quatrocentos e nove reais e oitenta e três centavos). Situação que, é no mínimo questionável e estranha, devendo ser realizada a devida perícia contábil para apuração do correto valor supostamente devido. De todo modo, à vista do princípio da eventualidade, caso todas as argumentações devidamente justificadas e subsidiadas legalmente anteriormente pautadas não sejam acatadas, faz-se necessário que a Impugnada refaça os cálculos a fim que seja alcançado a correta e justa apuração, conforme se preconizada legalmente. DOS PEDIDOS Fl. 651DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.068 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17095.722478/2021-18 24 Ante o exposto, requer a Impugnante que: I – seja recebida a presente impugnação administrativa, suspendendo-se o suposto crédito tributário, nos termos do artigo 151, III, do Código Tributário Nacional; II – seja reconhecida a improcedência e nulidade do auto de infração nº 01.1.01.00-2021- 01285 e processo administrativo nº 17095-722.478/2021-18, tendo em vista todas as teses devidamente explanadas, entre estas, aquela que impede o livre exercício do direito à ampla defesa e do contraditório; III- caso não seja reconhecida a nulidade do auto de infração em razão do cerceamento de defesa, bem como não seja acatada a tese de aplicação de alíquota zero sobre os produtos comercializados pela Impugnante, que sejam considerados em eventuais débitos existentes os créditos gerados pela aquisição de insumos, bem como na entrada de mercadoria destinada a comercialização no regime de não cumulatividade de PIS/COFINS; IV – seja desconstituído o Termo de Arrolamento de Bens e Direitos lançado nos autos. Protesta-se provar os fatos alegados por todos os meios admitidos em direito, especialmente por meio de perícia técnica a ser realizada, visando demonstrar eventual valor devido, considerando os corretos créditos de PIS/COFINS que devem ser abatidos dos supostos valores devidos DA DILIGÊNCIA FISCAL 4. Analisando as peças dos autos, subsistiram dúvidas impeditivas de um deslinde seguro do contencioso, assim, a 17ª Turma de Julgamento da DRJ- RJO decidiu baixar em diligência o processo para que a Autoridade Lançadora se manifesta em relação aos tópicos abaixo: 6.Por esta razão, com fundamento no artigo 18, do Decreto nº 70.235/72 (com a redação dada pela Lei nº 8.748, de 09 de dezembro de 1993), entendendo pela necessidade de diligência, VOTO pela baixa dos autos à origem para que a autoridade tributária: i) Manifeste-se quanto à alegação da Contribuinte de que os créditos relativos a entradas de produtos e aquisições de bens e mercadorias adquiridos para revenda NÃO foram considerados pela fiscalização (Item “2.2 Da Não-Cumulatividade do PIS e da COFINS Relativa às Entradas” da impugnação – fls. 225/229. ii) Manifeste-se quanto à exatidão, ou não, da tabela Doc. 4 (acima reproduzida) apresentada pela Contribuinte – fl. 228 da impugnação. DA AÇÃO JUDICIAL 5. Em 16/06/2022 o Contribuinte junta aos autos cópia da sentença judicial conseguida no processo nº 1010962-66.2021.4.01.4300, da 1ª Vara Federal do Tocantins, que acolhe seu pedido de deduzir crédito de PIS e COFINS, no âmbito do regime não-cumulativo das contribuições, dos gastos com combustíveis, lubrificantes e peças de manutenção utilizados na sua frota própria de caminhões. DO RELATÓRIO DA DILIGÊNCIA FISCAL 6. A Equipe Regional de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Brasília em cumprimento da diligência elaborou o relatório fiscal, do qual extrai-se os pontos abaixo: Trata-se de procedimento de diligência fiscal, solicitado pelos membros da 17ª Turma de Julgamento da DRJ 07, por meio da Resolução nº 107-000.462 – 17ª Turma/DRJ 07, documento juntado às fls. 222 A 226. Fl. 652DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.068 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17095.722478/2021-18 25 Conforme informado pela Resolução acima mencionada, o contribuinte em questão contesta que não foi possível verificar que os créditos relativos a entradas de produtos e aquisições de bens e mercadorias não foram devidamente considerados, infringindo assim o princípio da não cumulatividade. ... a autoridade julgadora entendeu pela necessidade de diligência para que a autoridade tributária se pronuncie nos seguintes termos: i) Manifeste-se quanto à alegação da Contribuinte de que os créditos relativos a entradas de produtos e aquisições de bens e mercadorias adquiridos para revenda NÃO foram considerados pela fiscalização (Item “2.2 Da Não-Cumulatividade do PIS e da COFINS Relativa às Entradas” da impugnação – fls. 182/185. ii) Manifeste-se quanto à exatidão, ou não, da tabela Doc. 4 (acima reproduzida) apresentada pela Contribuinte – fl. 228 da impugnação. Assim, de forma objetiva, segue a resposta aos questionamentos acima formulados. Item i) O procedimento fiscal nº 01.1.01.00-2021-01285-4 teve como um dos objetivos verificar saídas de produto tributados à alíquota zero de forma indevida. No teor do Termo de Verificação Fiscal foi devidamente comprovado que os produtos enquadrados nos NCM’s 25.23.21.00, 25.23.21.10 e 25.23.21.90 não se enquadram como corretivo de solo e, portanto, não prospera o benefício de alíquota zero para os produtos descritos como “Cimentos Hidráulicos”. Entretanto, as aquisições desses produtos não foram creditadas para fins de apuração das contribuições de PIS e Cofins a pagar. Dessa forma, assiste razão ao contribuinte de forma parcial. Item ii) Quanto à exatidão da tabela acostada aos autos (fl. 185) na impugnação, manifesto que os valores apontados pelo impugnante não condizem exatamente com os apurados por essa fiscalização. Os valores de crédito referentes aos meses de maio/2018, nov/2018 a janeiro/2019 e março/2019 a dezembro/2019 estão superestimados, conforme demonstrados nas tabelas abaixo. Ressalta-se que os dados inseridos na coluna “Diligência” se referem aos valores mensais obtidos nas compras de bens que inicialmente foram classificados pelo contribuinte como “Operação de Aquisição a Alíquota Zero” e “Operação de Aquisição sem Direito a Crédito” com os NCM’s 25232100, 25232910 e 25232990. Fl. 653DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.068 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17095.722478/2021-18 26 Isto posto, de acordo com os cálculos efetuados na presente diligência, a tabela apresentada pelo impugnante deverá ser objeto de ajustes nas contribuições a pagar. Nos períodos de jan/2018 a fev/2018 devem haver uma redução do tributo em virtude dos créditos acumulados do ano de 2017 (R$ 33.342,07 – PIS e R$ 153575,51 – Cofins), e nos meses de maio/2018, novembro/2018 a janeiro/2019 e março/2019 a dezembro/2019 um incremento conforme as tabelas acima. Segue abaixo o demonstrativo: Fl. 654DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.068 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17095.722478/2021-18 27 Ressalta-se que todos os dados que foram base na presente diligência estão no ANEXO que acompanha este termo. CONCLUSÃO Por todo o exposto, entende-se por atendidas as solicitações da 17ª Turma de Julgamento, da DRJ 07, motivo pelo qual encerra-se a Diligência ora requerida por meio da Resolução 107-000.462. Intime-se o contribuinte a apresentarem suas considerações, caso julguem necessário, no prazo de 30 (trinta) dias. E, para constar e surtir os respectivos efeitos legais, lavramos o presente termo, assinado digitalmente pelo Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, cuja ciência por parte do sujeito passivo dar-se-á mediante o Domicílio Tributário Eletrônico (DTE). 7. A Contribuinte foi cientificada do resultado da diligência em 30/11/2022 (fl. 404) e não se manifestou. 8. É o Relatório. Fl. 655DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.068 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17095.722478/2021-18 28 Em decisão por unanimidade, a 17ª TURMA/DRJ07 votou para JULGAR PROCEDENTE EM PARTE a Impugnação, retificando o valor do crédito tributário a ser cobrado conforme as tabelas insertas na tópico 57 deste decisum, em acórdão assim ementado: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2018 a 31/12/2019 ALÍQUOTA ZERO. CLASSIFICAÇÃO INCORRETA. REENQUADRAMENTO. A incorreta classificação de produtos sob o benefício fiscal da Alíquota Zero enseja, de ofício, o reenquadramento destes em sua classe correta. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2018 a 31/12/2019 LANÇAMENTO SOBRE A MESMA MATÉRIA FÁTICA. Aplica-se para o PIS/Pasep o decidido para a Cofins, por se tratar de mesma matéria fática, e vice-versa. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2018 a 31/12/2019 JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. EFEITOS. Os julgados administrativos e judiciais mesmo que proferidos pelos órgãos colegiados e ainda que consignados em súmula, mas sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do direito tributário. DOUTRINA. EFEITOS. Mesmo a mais respeitável doutrina, ainda que dos mais consagrados tributaristas, não pode ser oposta ao texto explícito do direito positivo, mormente em se tratando do direito tributário brasileiro, por sua estrita subordinação à legalidade. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2018 a 31/12/2019 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2018 a 31/12/2019 CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Se o Contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento de defesa. AUTO DE INFRAÇÃO - NULIDADE – IMPROCEDÊNCIA. Não há que se falar em nulidade do auto de infração quando neste constam os fundamentos de fato e de direito que o embasaram, em conformidade com a legislação de regência. PROVA. JUNTADA POSTERIOR. PRECLUSÃO. Em regra, a prova documental deve ser apresentada na impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação Fl. 656DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.068 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17095.722478/2021-18 29 oportuna, por motivo de força maior, refira-se a fato ou a direito superveniente, ou destine- se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. DECISÃO JUDICIAL. EFEITO NO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO. A subsunção da Receita Federal às decisões judiciais, mesma àquelas exaradas pelo STJ e STF acerca das matérias submetidas à sistemática dos recursos repetitivos e de repercussão geral somente se dará após emissão Nota Explicativa por parte da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional – PGFN – acerca do tema. ARROLAMENTO DE BENS. Não se insere no âmbito de competência das Delegacias de Julgamento, apreciação do procedimento de arrolamento efetivado pela autoridade lançadora. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificada, a recorrente repisou os argumentos contidos na Impugnação, requerendo que se reforme a decisão da Delegacia de Julgamento, em recurso voluntário, portado da seguinte estrutura: RAZÕES DO RECURSO VOLUNTÁRIO 1. BREVE SÍNTESE PROCESSUAL 2. DO CABIMENTO E DA TEMPESTIVIDADE 3. DA PRELIMINAR RECURSAL 3.1 Da Nulidade por Fundamentação Genérica da Acusação Fiscal – Cerceamento ao Direito de Defesa 4. DO DIREITO 4.1. Das Inocorrência de Infrações 4.1.1. Da Incorreção da Glosa dos Créditos sobre a Venda de Produtos Enquadrados no Capítulo 25 da TIPI 4.2. Dos Créditos por Aquisição de Insumos que foram Indevidamente Glosados 5. Da Não-Cumulatividade do PIS e da COFINS e da Incorreção da Glosa de Supostos Créditos 5. Da Inexistência de Destaque para a Suposta Exclusão do ICMS das Bases de Cálculo do PIS/COFINS 7. DOS PEDIDOS Por fim, pede o que se segue: Diante de todo exposto, a Recorrente vem respeitosamente à presença de Vossas Excelências, requer e pugnar: I – Seja recebido o presente Recurso Voluntário, com efeito suspensivo para suspender a exigibilidade de suposto crédito tributário, nos termos do art. 151, inciso III, do Código Tributário Nacional; II – Seja reconhecida a nulidade do auto de infração nº 01.1.01.00-2021-01285 e do processo administrativo nº 17095-722.478/2021-18, com acolhimento das preliminares suscitadas pela Recorrente; Fl. 657DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.068 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17095.722478/2021-18 30 III – Seja provido o presente recurso para reformar a decisão da DRJ, com fito de conhecer e declarar a improcedência do auto de infração nº 01.1.01.00-2021-01285 e do processo administrativo nº 17095-722.478/2021-18, vez que consubstanciada na escorreita conduta adotada pela Recorrente; IV – Que sejam considerados os créditos gerados pela aquisição de insumos e bens contidos do ativo fixo (imobilizado), bem como na entrada de mercadoria destinada a comercialização no regime de não cumulatividade de PIS/COFINS; V – Seja desconstituído o Termo de Arrolamento de Bens e Direitos; É o relatório. VOTO Conselheira Aline Cardoso de Faria, Relatora. O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de admissibilidade, dele, portanto, tomo conhecimento. I - Das preliminares Irresignada, a Recorrente afirma que o Auto de Infração lavrado no curso do procedimento fiscal em tela está fundado em disposições legais genéricas e que não traduz ou especifica qual o dispositivo normativo representa a suposta conduta infracional da Recorrente, prejudicando, assim, tanto a liquidez e certeza do título em exame como o exercício da ampla defesa. Sustenta que houve violação do art. 9º do Decreto nº. 70.235/72. Assim, há que se discorrer brevemente sobre as hipóteses de nulidade previstas nº Decreto nº 70.235, de 1972, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal (PAF), in verbis: Art.59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. [...] Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Portanto, em face dos princípios que norteiam o Processo Administrativo Fiscal, mormente os da informalidade e da verdade material, somente duas são as espécies de irregularidades, elencadas nos incisos do artigo 59 retrotranscrito, que possuem o condão de Fl. 658DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.068 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17095.722478/2021-18 31 contaminar de nulidade “ab initio” as peças que o compõem: ato lavrado por pessoa incompetente e preterição do direito de defesa. Sendo os atos e termos lavrados por pessoa competente, dentro da estrita legalidade, e garantido o mais absoluto direito de defesa, como ocorre no caso concreto, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. Ademais, qualquer outra irregularidade, detectada antes da decisão de primeira instância, não acarretará nulidade absoluta. Se tiver relevância e provocar prejuízo, desde que não tenha sido causada pelo próprio sujeito passivo, há de ser sanada, reabrindo-se o prazo de impugnação, a teor do art. 60 supra. Os elementos indispensáveis ao auto de infração estão listados no art. 10 do Decreto no 70.235, de 1972 (Processo Administrativo Fiscal - PAF). Assim, todos os requisitos essenciais ao lançamento estão presentes, pois o auto de infração e seus documentos integrantes, contêm a descrição dos fatos, enquadramento legal, demonstrativos de apuração dos valores, identificação do contribuinte, local da lavratura, determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugna-la. Adicionalmente, o conjunto de provas apresentadas pela autoridade tributária, descrevem plenamente os fundamentos da autuação e de toda a sistemática aplicável à constituição do respectivo crédito tributário. Portanto, diversamente do que alega a Recorrente, o Auto de Infração não foi lavrado de forma genérica, tampouco deixou de pormenorizar a conduta infracional tributária imputada ao sujeito passivo. Pelo exposto, deve ser rejeitada a preliminar de nulidade do Auto de Infração. II - Do mérito A matéria controversa em sede de Recurso Voluntário se assenta sobre o lançamento dos tributos de Pis e Cofins, relativos ao período de apuração compreendido entre 01/01/2018 a 31/12/2019. Foram lavrados dois autos de infração para exigência das supramencionadas contribuições: PIS/PASEP fls. 02 – 14 e Cofins fls. 16 – 28. Constata-se que o enquadramento legal das infrações está devidamente disposto nos respectivos Autos de Infração. Ademais, o Termo de Verificação Fiscal às fls. 33 - 55 traz a análise das informações disponíveis à fiscalização após as intimações realizadas à Recorrente. Também consta às fls. 222 que o presente feito foi convertido em diligência para que fossem saneados os seguintes pontos: i) Manifeste-se quanto à alegação da Contribuinte de que os créditos relativos a entradas de produtos e aquisições de bens e mercadorias adquiridos para revenda NÃO foram considerados pela fiscalização (Item “2.2 Da Não-Cumulatividade do PIS e da COFINS Relativa às Entradas” da impugnação – fls. 182/185. ii) Manifeste-se quanto à exatidão, ou não, da tabela Doc. 4 (acima reproduzida) apresentada pela Contribuinte – fl. 185 da impugnação. Fl. 659DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.068 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17095.722478/2021-18 32 A Contribuinte foi cientificada do resultado da diligência em 30/11/2022 (fl. 404) e não se manifestou. A DRJ utilizou como critério para apuração dos créditos das contribuições de Pis/Cofins o conceito de insumos a luz do Parecer Normativo Cosit/RFB nº 5, de 17 de dezembro de 2018, o qual tem efeito vinculante para a RFB e a definição de tal conceito estabelecida pela 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR, cuja repercussão geral foi conhecida, em 22/02/2018. O Acórdão recorrido reconheceu a procedência parcial da impugnação apresentada pela Recorrente e retificou parte do crédito tributário em litígio. A Recorrente discordou da análise empreendida e apresentou recurso voluntário contendo argumentos similares àqueles suscitados na peça impugnatória e não apresentou provas ou informações adicionais para embasar sua inconformidade. Para adequada análise da matéria, importa registrar que conforme informações obtidas no Contrato Social apresentado pela Recorrente, a sociedade tem por objeto social o comércio atacadista de materiais de construção; comércio atacadista de cimento; comércio varejista de materiais para construção; comércio varejista de cal, areia, pedra britada, tijolos e telhas; transporte rodoviário de carga, intermunicipal e interestadual. II.1 – Da alegação de realização incorreta de glosa sobre a venda de produtos enquadrados no capítulo 25 da TIPI (alíquota zero) Consta às fls. 40 do TVF o que se segue 22. Conforme se observa nos Registro M400/M800 e M410/M810 (Receitas Isentas ou Não Alcançadas pela Incidência da Contribuição ou sujeitas a Alíquota Zero ou com Suspensão), a empresa fiscalizada escriturou receitas com vendas tributadas a alíquota zero com base no dispositivo legal citado, uma vez que a descrição da natureza da receita (Registros 410 e 810) estava com o descritivo - “Corretivo de solo de origem mineral classificado no Capítulo 25 da TIPI”. (...) 23. Contudo, ao verificar os produtos que foram comercializados com alíquota zero, identificamos que se tratavam em sua maioria basicamente de “cimentos hidráulicos” (NCM’s 25232100, 25232910, 25232100) e uma menor parte de “Obras de fibrocimento” (NCM 68118200) e “Construções e suas partes” (NCM 73084000). O argumento da Recorrente de que a Lei nº 10.925/2004, em seu artigo 1º, traz uma determinação genérica sobre quais receitas brutas de vendas no mercado interno ficam reduzidas a alíquota 0 (zero) de PIS/COFINS não merece amparo, haja vista que o texto é bastante claro ao delimitar quais produtos são contemplados pelo benefício, senão vejamos: Art. 1º Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado interno de: Fl. 660DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.068 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17095.722478/2021-18 33 (...) IV - corretivo de solo de origem mineral classificado no Capítulo 25 da TIPI; Diante dos fatos, às receitas decorrentes da comercialização de cimento realizadas pela Recorrente não é aplicável a redução (zero) de alíquota de Pis e Confins. Por conseguinte, a consequência imediata repercute na apuração das contribuições para o Pis e Cofins, conforme levado a feito pelo Auditor Fiscal. Pelo exposto não há reparo a ser feito neste tópico. II. 2 Dos Créditos por Aquisição de Insumos Conforme consta no TVF, a Recorrente é empresa comerciária atacadista do ramo de material de construção. Nada obstante, a Recorrente ressalta que realiza o transporte e entrega dos materiais comercializados até o destinatário final e que o combustível, lubrificantes, partes destinadas a motores que tiveram seu crédito glosados no auto de infração, fazem parte da sua linha de insumos utilizados no desenvolvimento da atividade. Portando, com base os artigos 3º das Leis nº 10.673/2002 e 10.833/2003 estaria autorizada a realizar o creditamento das despesas supramencionadas. Sem razão a Recorrente. No caso em tela, a fiscalização apurou que “praticamente não houve escrituração na EFD-Contribuições de prestação de serviços de transporte realizados pela Contribuinte. Mais de 99,9% da Receita Bruta dos anos 2018 e 2019 foram oriundos de operações comerciais, registros C170 e C175 da EFD-Contribuições.” Nesse sentido, conforme bem destaca a DRJ, nas atividades de revenda não há que se falar em insumo, pois a apuração dos créditos no que se refere a revenda é feita na aquisição dos bens. A atividade desenvolvida pela Recorrente, consubstanciada em revenda, não se enquadra nos termos dos incisos II dos artigos 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, que limita a utilização de créditos sobre “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Dessa forma, os valores relativos aos gastos com bens e serviços apenas poderão ser analisados a luz dos incisos II, dos artigos 3º, das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, quando se referem às atividades de prestação de serviço e produção e fabricação de bens e produtos. A respeito desse item, conforme elucidado pela DRJ, a Receita Federal já se manifestou através do Parecer Normativo COSIT/RFB n° 05, que assim trata o assunto: (...) 2. INEXISTÊNCIA DE INSUMOS NA ATIVIDADE COMERCIAL Fl. 661DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.068 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17095.722478/2021-18 34 40. Nos termos demonstrados acima sobre o conceito definido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, somente há insumos geradores de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins nas atividades de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços a terceiros. 41. Destarte, para fins de apuração de créditos das contribuições, não há insumos na atividade de revenda de bens, notadamente porque a esta atividade foi reservada a apuração de créditos em relação aos bens adquiridos para revenda (inciso I do caput do art. 3 da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003). 42. Em razão disso, exemplificativamente, não constituem insumos geradores de créditos para pessoas jurídicas dedicadas à atividade de revenda de bens: a) combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos próprios de entrega de mercadorias2; b) transporte de mercadorias entre centros de distribuição próprios; c) embalagens para transporte das mercadorias;... Pelo exposto, não há que se falar em direito da Recorrente de creditar-se de valores que entende serem caracterizados como insumos na atividade comercial de revenda. Feitas tais considerações, devem ser mantidas das glosas referentes aos créditos objeto do presente tópico recursal. II. 3 Da alegação da não cumulatividade do PIS e da COFINS Neste item, a Recorrente pondera que seja observada a não cumulatividade para que seja admitido o creditamento do montante oriundo das entradas/aquisições dos bens adquiridos para revenda, fato que, segundo alega, foi equivocadamente omitido nos cálculos realizados pela fiscalização. Para elucidar este ponto, importa transcrever as palavras da Recorrente sobre o ponto controvertido: Ocorre que, ao analisar as apurações apresentadas pela Diligência Fiscal, não foi possível vislumbrar que os créditos relativos a entradas de produtos e aquisições de bens e mercadorias, conforme se verifica do Termo de Encerramento de Diligência Fiscal (às fls. 228/231) não foram devidamente considerados, acarretando, assim, valores que, acrescidos às multas e juros, alcançam numerários que ultrapassam, inclusive, a realidade econômica da Recorrente. (Fls. 446). Ocorre, que este ponto relativo a “entradas de produtos e aquisições de bens e mercadorias adquiridos para revenda”, objeto de Diligência Fiscal em atendimento ao pleito da própria Recorrente, constatou a necessidade de revisão dos créditos para maior em comparação a ação fiscal originária. Entretanto, cientificada do resultado da diligência em 30/11/2022 (fl. 404), a Recorrente não se manifestou. Em sede recursal, a DRJ utilizou os cálculos apresentados pelo Auditor-Fiscal refeitos e apresentados no Relatório da Diligência Fiscal e promoveu a correção das contribuições do PIS e da Cofins apuradas, consoante a nova tabela de créditos apurados no âmbito da Diligência Fiscal. Fl. 662DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.068 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17095.722478/2021-18 35 Portanto, no que se refere a este ponto, não há como acatar a simulação genérica e desacompanhada de qualquer documento comprobatório apresentada pela Recorrente às fls. 446 para reduzir o montante do tributo devido a título de contribuições ao Pis e Cofins. Pelo exposto, considerando que a Recorrente não apresentou objeção ao resultado da Diligência Fiscal, adota-se a mesma linha de análise da DRJ para negar provimento ao Recurso Voluntário neste tópico. II. 4 Da decisão judicial Neste item, a Recorrente alega que deve ser observada a existência de decisão judicial em seu favor no que tange ao regime não-cumulativo do PIS e da COFINS, nos autos de nº 1010962-66.2021.4.01.4300 que tramitam no Tribunal Regional Federal da 1ª Região, abaixo destacada: Conforme se depreende, a sentença judicial concedeu a tutela de urgência para que seja autorizado a Recorrente deduzir crédito de PIS e COFINS, no âmbito do regime não- cumulativo das contribuições, dos gastos com combustíveis, lubrificantes e peças de manutenção utilizados na sua frota própria de caminhões. Em consulta realizada no sítio da Justiça Federal da 1ª Região, em 05 de novembro de 2025, observa-se que o processo judicial em epígrafe, encontra-se pendente de apreciação de contrarrazoes, desde a data de 17/07/2022. Fl. 663DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.068 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17095.722478/2021-18 36 Conforme se nota, trata-se de sentença judicial não transitada em julgado. Pelo exposto, voto por não conhecer a matéria relativa às glosas objeto da decisão judicial. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto em conhecer, em parte, do recurso voluntário, não conhecendo a matéria atinente às glosas sobre as despesas com combustíveis, lubrificantes e peças de manutenção utilizados na frota de caminhões, para, na parte conhecida, afastar as preliminares de nulidade do auto de infração e de cerceamento do direito de defesa, e, no mérito, negar-lhe provimento. Fl. 664DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.068 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17095.722478/2021-18 37 É como voto. Assinado Digitalmente Aline Cardoso de Faria Fl. 665DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10865.721403/2014-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011
MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
Presentes os pressupostos de exigência, cobra-se multa de ofício na forma prevista na legislação.
PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE.
Indefere-se o pedido de perícia cuja realização revela ser prescindível para o deslinde do contencioso.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011
CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO DAS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. SÚMULA CARF Nº 231.
Nos termos da Súmula CARF nº 231, o aproveitamento de créditos extemporâneos da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS exige a apresentação de DCTF e DACON retificadores, comprovando os créditos e os saldos credores dos trimestres correspondentes. Entendimento de reprodução obrigatória pelos julgadores, nos termos do artigo 123, § 4º, do RICARF.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO INTEGRAL. AQUISIÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS.
O direito ao crédito integral de que trata o art. 1º da Lei nº 11.529, de 2007, aplica-se somente em relação a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado que, cumulativamente, tenham sido adquiridos no mercado interno ou externo e sejam utilizados como bens capital destinados à produção ou à fabricação dos produtos da contribuinte.
Numero da decisão: 3201-012.784
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Assinado Digitalmente
Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow – Relator
Assinado Digitalmente
Helcio Lafeta Reis – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Enk de Aguiar, Flavia Sales Campos Vale, Barbara Cristina de Oliveira Pialarissi, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Fabiana Francisco, Helcio Lafeta Reis (Presidente)
Nome do relator: RODRIGO PINHEIRO LUCAS RISTOW
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LEGALIDADE. Presentes os pressupostos de exigência, cobra-se multa de ofício na forma prevista na legislação. PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. Indefere-se o pedido de perícia cuja realização revela ser prescindível para o deslinde do contencioso. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO DAS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. SÚMULA CARF Nº 231. Nos termos da Súmula CARF nº 231, o aproveitamento de créditos extemporâneos da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS exige a apresentação de DCTF e DACON retificadores, comprovando os créditos e os saldos credores dos trimestres correspondentes. Entendimento de reprodução obrigatória pelos julgadores, nos termos do artigo 123, § 4º, do RICARF. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO INTEGRAL. AQUISIÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. O direito ao crédito integral de que trata o art. 1º da Lei nº 11.529, de 2007, aplica-se somente em relação a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado que, cumulativamente, tenham sido adquiridos no mercado interno ou externo e sejam utilizados como bens capital destinados à produção ou à fabricação dos produtos da contribuinte. Fl. 1407DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.784 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10865.721403/2014-83 2 ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow – Relator Assinado Digitalmente Helcio Lafeta Reis – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Enk de Aguiar, Flavia Sales Campos Vale, Barbara Cristina de Oliveira Pialarissi, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Fabiana Francisco, Helcio Lafeta Reis (Presidente) RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra decisão preferida pela DRJ que julgou parcialmente procedente a Impugnação, mantendo parcialmente o crédito tributário. Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: Trata o presente processo dos Autos de Infração de PIS/Pasep e Cofins, relativos à modalidade não cumulativa dos períodos de apuração de janeiro de 2010 a dezembro de 2011, lavrados em 11/07/2014, pela Delegacia da Receita Federal em Limeira -SP, no montante de R$ 6.869.138,94, calculado até julho de 2014, conforme a descrição abaixo: - Cofins, com o crédito tributário no valor total de R$ 5.643.833,04, sendo R$ 2.715.575,97 de principal (Contribuição), R$ 891.575,06 de juros de mora e R$ 2.036.682,01 de Multa de Ofício, aplicada no percentual de 75% sobre o valor do principal; e - Contribuição para o PIS/PASEP, com o crédito tributário no valor total de R$ 1.225.305,90, sendo R$ 589.565,85 de principal (Contribuição), R$ 193.565,64 de juros de mora e R$ 442.174,41 de Multa de Ofício, aplicada no percentual de 75% sobre o valor do principal. Fl. 1408DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.784 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10865.721403/2014-83 3 Em conformidade com o disposto nos autos de infração e no Relatório Fiscal de fls. 16 a 24, os créditos tributários acima são resultantes de ação fiscal desenvolvida junto à contribuinte (Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 0811200.2014.000006-0) e foram constituídos em virtude de ajustes/glosas nos créditos das contribuições não cumulativas(PIS e Cofins) informados nos respectivos Dacon, nas seguintes rubricas: 1) Bens utilizados como insumos - Aquisição de Sucatas – A fiscalização sustenta que existe vedação expressa (art. 47 e 48 da Lei nº 11.196, de 2005) que impede o direito ao crédito nas aquisições de sucatas dos códigos NCM 39.15.90.00, 72.04.29.00, 72.04.30.00 e 72.04.41.00. Nesse sentido, com base nos documentos e informações apresentados pela interessada, a fiscalização elaborou o demonstrativo denominado “Relatório das exclusões dos valores (base de cálculo) utilizados como crédito na apuração das contribuições PIS/COFINS – Motivo 1”, por meio do qual relaciona todas as aquisições efetuadas na situação exposta, bem como os créditos (de PIS e Cofins) apropriados indevidamente. 2) Bens do Ativo Imobilizado com base nos encargos de Depreciação e amortização – Quantidade de Parcelas Excedentes – Argumenta que a contribuinte, consoante os demonstrativos e esclarecimentos apresentados, descontou créditos (PIS e Cofins) de bens do ativo imobilizado em número de parcelas excedentes às quantidades de parcelas de depreciação ou amortização permitidas. As glosas relativas aos créditos apropriados de forma indevida constam do relatório denominado “Relatório das exclusões dos valores (base de cálculo) utilizados como crédito na apuração das contribuições PIS/COFINS – Motivo 2”. 3) Bens do Ativo Imobilizado com base no valor de Aquisição ou de Construção – Desconto em desacordo com a Lei. Alega que a interessada, de acordo com os documentos e informações apresentados, descontou créditos em valor integral de bens do ativo imobilizado que não se configuram como bens de capital destinados à produção ou à fabricação dos produtos, em afronta art. 1º da Lei 11.529, de 2007. Diz que as apropriações indevidas de créditos (PIS e Cofins) ocorreram em relação a “reformas” e “retificações” e que elas constam relacionadas no “Relatório das exclusões dos valores (base de cálculo) utilizados como crédito na apuração das contribuições PIS/COFINS – Motivo 3”. 4) Créditos Extemporâneos. Em relação a essa rubrica a fiscalização sustenta, em síntese, que os créditos da não cumulatividade somente podem ser aproveitados em períodos posteriores se eles forem reconhecidos nos períodos de ocorrência de seus fatos geradores, com as retificações, obrigatórias, dos respectivos Dacon. Aduz que a auditoria ficou restrita à forma de utilização (créditos utilizados de forma extemporânea), não tendo sido analisado, portanto, a procedência, ou não, dos créditos informados nos demonstrativos(Dacon). 4.1) Créditos Extemporâneos. Despesas de Armazenagem. Diz que na rubrica de Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda (linhas 07 das Fichas Fl. 1409DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.784 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10865.721403/2014-83 4 06A e 16A), dos períodos de apuração de 06 e 08/2010, a interessada, consoante esclarecimentos apresentados durante o procedimento fiscal, efetivou a apropriação indevida de créditos extemporâneos relativos a Despesas de Armazenagem, Capatazia e Frete na Exportação dos anos de 2005 a 2009 e dos meses de janeiro a março de 2010. Aduz que essas glosas constam do demonstrativo resumo das bases de cálculo (objetos do lançamento) com a motivo “4”. 4.2) Créditos Extemporâneos. Insumos. Alega que na rubrica de Bens Utilizados como Insumos (linhas 02 das Fichas 06A e 16A), dos períodos de apuração de 08/2010 e 07/2011, a interessada efetivou, conforme esclarecimentos prestados, a apropriação indevida de créditos extemporâneos. Relativamente ao primeiro período, de créditos de combustíveis dos anos de 2005 a 2009 e, quanto ao segundo, de créditos de aquisições efetuadas da empresa BMD Indústria Comércio, dos períodos de 03/10 a 05/2011, e da empresa Serralheria Dias Ltda., dos períodos de apuração de 02/2010 a 05/2011. Informa que essas glosas foram classificadas, no demonstrativo resumo das bases de cálculo (objetos do lançamento), com a motivo “5”. 4.3) Créditos Extemporâneos. Bens do Ativo Imobilizado. Argumenta que na rubrica de Depreciação sobre Bens do Ativo Imobilizado – com base no valor de aquisição ou construção (linhas 10 das Fichas 06A e 16A), do período de apuração de 08/2010, a interessada, consoante esclarecimentos apresentados durante o procedimento fiscal, efetivou a apropriação indevida de créditos extemporâneos dos anos de 2005 a 2009 e dos meses de janeiro a julho de 2010. Relata que essas glosas constam classificadas no demonstrativo resumo das bases de cálculo (objetos do lançamento) com a motivo “6”. Adicionalmente, nota-se, que as constatações acima constam do relatório denominado “Demonstrativo do Resumo das Exclusões da Base de Cálculo”, o qual resume, por período de apuração (mês/ano), os valores e as motivações de ajustes e glosas (motivos de “1” a “6”), os valores totais das bases de cálculo consideradas pela fiscalização e os valores das contribuições lançadas. A contribuinte foi cientificada dos autos de infração em 16/07/2014, conforme se verifica no termo de fls. 190, e apresentou, em 13/08/2014, impugnação, cujo conteúdo é resumido a seguir. Preliminarmente, a interessada esclarece que sua contestação abrange todos os pontos abordados pela fiscalização, com exceção dos lançamentos sobre os valores de glosa concernentes ao Motivo “1”: créditos relativos às aquisições de sucatas dos códigos NCM 39.15.90.00, 72.04.29.00, 72.04.30.00 e 72.04.41.00. Em relação a esse último ponto, acrescenta que efetivou o recolhimento das contribuições devidas, no dia 13/08/2014 (doc. 04), com os benefícios do Refis, previstos pela Lei nº 12.996, de 2014, e na Medida Provisória nº 651, de 2014, e que, portanto, nos termos do § 6º, art. 8º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 13, de 2014, está realizando a desistência do recurso administrativo. Fl. 1410DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.784 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10865.721403/2014-83 5 Na seqüência, após um breve relato dos fatos, a contribuinte passa a defender a improcedência dos lançamentos tributários relativamente aos motivos “2” a “6”(abaixo relacionados), com o destaque de que a apropriação dos créditos não cumulativos (de PIS e Cofins) indicados nos Dacon foi realizada de acordo com os ditames das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10,833, de 2003, mostrando-se, portanto, absolutamente idônea. Motivo 2 - Bens do Ativo Imobilizado com base nos encargos de Depreciação e amortização – Quantidade de Parcelas Excedentes. Alega que não houve a apropriação de créditos em parcelas excedentes e que a fiscalização errou em suas análises. Diz que a fiscalização considerou como data inicial para a contagem do prazo de utilização dos créditos a data de emissão da nota fiscal de aquisição do bem e não a data adotada pela empresa. Para defesa de seus argumentos cita exemplo (que transcreve na impugnação) e sustenta que as datas corretas podem ser confirmadas no doc. 5, apenso a impugnação(denominado “Motivo 2 Bens do Ativo Imobilizado Quantidade de parcelas excedentes.xlsx”). Motivo 3 - Bens do Ativo Imobilizado com base no valor de Aquisição ou de Construção – Desconto em desacordo com a Lei. Argumenta que todos os bens do ativo imobilizado para os quais foram apropriados créditos com base no valor de aquisição ou de construção, ao contrário do alegado pela fiscalização, referem-se efetivamente a bens de capital imprescindíveis para o seu processo produtivo. Motivo 3 – a) Diz que as rubricas “RETIFICA” que constam do Relatório das exclusões dos valores (base de cálculo) utilizados como crédito na apuração das contribuições PIS/COFINS – Motivo 3” referem-se a aquisições de máquinas de retíficas novas e não a “retificações de bens imobilizados”, conforme se comprova pelas Notas Fiscais de aquisição nº 128, 215, 669, 691, 908, 938 e 985 (doc. 06). Motivo 3 – b) No tocante às glosas de “reformas”, diz que possui o direito ao crédito uma vez que, conforme as notas fiscais (doc. 08 a 14), tratam-se de valores despendidos para aumentar a vida útil das máquinas, motores e outros bens do ativo imobilizado que são utilizados no processo produtivo da empresa. Ainda, consoante jurisprudências do TRF da 4ª Região e do CARF reproduzidas na peça de defesa, argumenta que o direito ao crédito no presente caso é também autorizado pelo fato de os bens terem a natureza de insumos, uma vez que estão diretamente relacionados com a manutenção (partes e peças) dos maquinários utilizados no processo produtivo. Motivo 3 – c) Acrescenta que todos os bens relacionados no Relatório das exclusões dos valores (base de cálculo) utilizados como crédito na apuração das contribuições PIS/COFINS – Motivo 3” são, inquestionavelmente, considerados como bens de capital destinados à produção. Argumenta, com base no inciso I, art. 2º do Decreto nº 2.072, de 96(que dispõe sobre o Imposto de Importação), que o conceito de bens de capital abrange todos os maquinários, equipamentos, ferramentas e as diversas construções e utensílios indispensáveis para a produção dos bens ou de serviços relacionados com o objeto social da empresa. Alega que o Fl. 1411DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.784 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10865.721403/2014-83 6 conceito de bem de capital encontra-se definido tanto no direito privado quando no direito tributário e que a administração tributária, sob pena de ofender o art. 110 do CTN, não pode alterá-lo. Acrescenta que a própria receita federal, em diversas ocasiões, como na Solução de Consulta n 148, de 2009, da 6ª RF (reproduzida na peça de defesa), reconheceu o direito ao aproveitamento de créditos em relação à aquisição de máquinas e equipamentos necessários ao processo produtivo. Motivo 4 a 6 - Créditos Extemporâneos. Destaca, inicialmente, que a origem e o montante dos créditos extemporâneos foram integralmente demonstrados, comprovados e aceitos pela fiscalização, ficando a controvérsia restrita ao procedimento para seus aproveitamentos. Nesse sentido contesta o entendimento da fiscalização argumentando que existem dois procedimentos válidos para o aproveitamento dos créditos extemporâneos: o primeiro conforme descrito no relatório fiscal e o segundo o que foi adotado pela impugnante. Diz que ambos têm previsão legal, consoante jurisprudência do CARF, e que a escolha do procedimento a ser adotado é prerrogativa do contribuinte. Acrescenta que o direito ao crédito, conforme precedentes do CARF, não pode ser aniquilado pelo simples descumprimento de obrigação formal (leia-se retificação dos Dacon). A seguir, a contribuinte insurge-se contra a aplicação de multa de ofício. Argumenta que diante da improcedência dos lançamentos (diferenças de contribuições a serem lançadas) não há que se falar em incidência de multa de ofício. Noutro tópico, a interessada pugna pela observância do princípio da verdade material e pela produção de prova pericial. Diz que está apresentando toda a documentação necessária para a comprovação de suas alegações e que cabe a autoridade administrativa verificar todas as provas apresentadas para que se tenha uma decisão justa e legal. Argumenta, também, que pretente produzir a prova pericial e, nesse sentido, aponta os quesitos a serem respondidos e os assistentes técnicos. Por fim, a interessada pede o acolhimento de sua impugnação de modo a se afastar a pretensão fiscal e a cobrança dos valores lançados nos autos de infração contestados. A decisão recorrida julgou parcialmente procedente a Impugnação, mantendo parcialmente o crédito tributário, conforme ementa do Acórdão nº 06-61.890 - 3ª Turma da DRJ/CTA que apresentou o seguinte resultado: Motivo 1 Por outro lado, constata-se, também, de forma muito evidente, que a interessada abdicou do recurso administrativo no tocante à motivação “1”, tendo inclusive efetivado o recolhimento das contribuições devidas, no dia 13/08/2014 Fl. 1412DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.784 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10865.721403/2014-83 7 (conforme documentos de fls. 869 a 871), o que motivou a transferência dos créditos tributários concernentes para o processo de nº 13840.720522/2014-95 (conforme documentos de fls. 1.204 a 1.206). Motivo 2 Assim, dadas as características dos lançamentos tributários dessa rubrica, os quais foram embasados unicamente em informativo da contribuinte, e considerando que existe informativo diverso que retifica as informações anteriores (e demonstra a tese de ocorrência de irregularidades), não resta outra alternativa que não seja o cancelamento das contribuições lançadas, conforme a Tabela 1 abaixo. Motivo 3 Conforme se verifica pelas Notas Fiscais de aquisição nº 128, 215, 669, 691, 908, 938 e 985 (apresentadas na impugnação - doc. 06), tratam-se de aquisições de máquinas de retíficas novas e não, como entendeu a autoridade a quo, de “retificações de bens imobilizados”. Assim, evidentemente os valores de PIS e Cofins lançados (nos autos de infração) sobre referidas aquisições deve ser cancelado conforme a Tabela 2 abaixo. Observe-se que os cancelamentos acima foram calculados sobre os valores constantes das notas fiscais, não sendo considerados, portanto, os valores informados pela contribuinte na planilha de fls. 873, uma vez que inexistem no processo justificativas de apuração de crédito sobre outros valores que não constam registrados nos documentos fiscais. Motivações “4” a “6” Em conclusão deve-se entender que a apuração extemporânea de créditos somente poderia ser admitida mediante recomposição da escrituração fiscal, devendo prevalecer as glosas e lançamentos efetuado pela fiscalização. O Recurso Voluntário da Recorrente foi interposto de forma tempestiva, reproduzindo os argumentos apresentados em sede de impugnação. Em 28 de julho de 2021, essa turma converteu o julgamento em diligência para que a autoridade administrativa verificasse a se as despesas dos créditos extemporâneos seriam passíveis de creditamento ou não. Em 17 de fevereiro de 2025 foi produzido relatório de diligência fiscal no qual fez as análises solicitadas dos créditos extemporâneos. É o relatório. VOTO Conselheiro Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Relator Fl. 1413DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.784 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10865.721403/2014-83 8 De plano cumpre esclarecer quais são os temas que ficaram em discussão no presente Recurso Voluntário. O motivo 1 foi quitado pela Recorrente antes da decisão de primeira instância, o motivo 2 foi integralmente cancelado pela decisão de primeira instância. Restando em discussão os motivos 3, 4, 5 e 6, sendo que parte do motivo 3 já foi cancelado pelo acórdão ora recorrido. Do mérito Bens do Ativo Imobilizado com base no valor de Aquisição ou de Construção – Desconto em desacordo com a Lei (Motivação “3”) A Recorrente questiona a autuação e o acórdão recorrido, alegando que os bens que constam nesse motivo devem ser aceitos, devido a relevância e essencialidade dos mesmos, devendo portanto ser aceito os créditos. Todavia necessário esclarecer que os créditos discutidos nesse ponto são relacionados ao ativo imobilizado da Recorrente na qual realizou o desconto de crédito no valor integral desses bens, portanto diferente da discussão de insumos que é trazida pela Recorrente nesse item, portanto considero que o acórdão recorrido julgou corretamente ao aceitar parcialmente o crédito, considerando os créditos decorrente pois a fiscalização entendeu que a classificação “RETIFICA” usada pela empresa não seria retificações de bens imobilizados, como entendido pela fiscalização e sim relacionados a aquisição de máquinas retificadores. Portanto não tendo o que se falar em modificação do quanto decidido pela DRJ. Créditos Extemporâneos (Motivações “4” a “6”) Em relação aos créditos extemporâneos, foi publicada recentemente súmula CARF 231, na qual determina que mesmo que os créditos sejam permitidos, se foram realizados de forma extemporânea é necessárias as retificações de DCTF e DACON. Súmula 231 O aproveitamento de créditos extemporâneos da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS exige a apresentação de DCTF e DACON retificadores, comprovando os créditos e os saldos credores dos trimestres correspondentes. Motivo pelo qual, mesmo que a diligência tenha sido favorável a Recorrente, analisando que os créditos extemporâneos eram permitidos, devida a falta de retificação das obrigações acessórias é necessária manter a autuação em relação a esse ponto. Da Multa de ofício A Recorrente traz a discussão o mesmo argumento trazido na Impugnação, porém sem trazer nenhuma documentação que comprove tal argumentação. Assim, por entender que a decisão proferida pela instância a quo seguiu o rumo correto, em relação a multa de ofício, utilizo sua ratio decidendi como se minha fosse, nos termos do §12° do art. 114 do RICARF, in verbis:. Fl. 1414DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.784 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10865.721403/2014-83 9 A contribuinte em tópico específico da impugnação insurge-se contra a aplicação de multa de ofício nos autos de infração. Argumenta que diante da improcedência dos lançamentos (diferenças de contribuições a serem lançadas) não há que se falar em incidência de multa de ofício. Verifica-se, no entanto, que em se tratando de lançamento de ofício de valores que não foram espontaneamente pagos ou confessados em DCTF, a multa aplicável encontra-se prevista em lei. Para os fatos geradores ocorridos até 22/01/2007 a previsão legal da multa encontrava-se estabelecida no art. 44, inciso I, da Lei n.º 9.430, de 1996, conforme reprodução abaixo: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I - de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II - cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...)§ 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I - juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos;”. O citado artigo foi modificado através do art. 14 da Medida Provisória nº 351/2007 (convertida na Lei nº 11.488/2007), cujo teor é transcrito a seguir, com validade para os fatos geradores ocorridos a partir de 22/01/2007: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)(...)§ 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Note-se, portanto, que existe uma disposição expressa em lei para o caso concreto dos lançamentos tributários. No caso, as multas de ofício foram aplicadas tendo em vista a falta de pagamento ou recolhimento do tributo, conforme prevê o Inciso I, art. 44, da 9.430/96 (tanto na redação original quanto na redação concedida pela MP 351/2007, ou Lei nº 11.488/2007). Fl. 1415DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.784 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10865.721403/2014-83 10 Constata-se, desta forma, que a multa de ofício aplicada sobre o valor das contribuições, que deixaram de ser recolhidas, de acordo com a legislação transcrita, não pode, em âmbito administrativo, ser reduzida ou alterada por critérios meramente subjetivos, contrários ao princípio da legalidade. Do pedido de perícia A Recorrente posterga pela necessidade de realização de perícia para análise dos créditos glosados pela RFB e que o indeferimento do pedido impactaria diretamente do direito de defesa da Recorrente. Todavia o CARF já analisou tal situação, sendo proferida a súmula CARF 163, deixando claro que, se fundamentado, o indeferimento de pedido de perícia não configura cerceamento de defesa: Súmula CARF nº 163 Aprovada pelo Pleno em sessão de 06/08/2021 – vigência em 16/08/2021 O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). Acórdãos Precedentes: 9303-01.098, 2401-007.256, 2202-004.120, 2401-007.444, 1401-002.007, 2401-006.103, 1301-003.768, 2401-007.154 e 2202-005.304. Cumpre ressaltar que o acórdão ora recorrido trouxe os argumentos da não necessidade de perícia, conforme se verifica do quanto extraído do acórdão: Em sua impugnação a interessada pugna pela observância do princípio da verdade material e pela produção de prova pericial. Diz que está apresentando toda a documentação necessária para a comprovação de suas alegações e que cabe a autoridade administrativa verificar todas as provas apresentadas para que se tenha uma decisão justa e legal. Nesse sentido diz que pretende produzir prova pericial, apontando os quesitos a serem respondidos e os assistentes técnicos. No entanto, em que pese as argumentações da contribuinte, constata-se que a solução da lide prescinde da realização da perícia nos moldes solicitada, uma vez que os quesitos elaborados ou já foram solicionados (sic) ou estão relacionadas a questões de mérito cujos entendimentos dados pela interessada não são aceitos pela autoridade tributária. No caso: o questionamento “1” está relacionado com a motivação “2”, cujos lançamentos foram integralmente revertidos (conforme Tabela 1); os questionamentos “2” a “4” estão relacionados com a interpretação do art. 1º da Lei 11.529, de 2007; e o questionamento “5” com a operacionalização dos créditos extemporâneos. Também concordo com os argumentos da DRJ que negou o pedido de perícia. Fl. 1416DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.784 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10865.721403/2014-83 11 Da conclusão Diante do exposto voto por conhecer do Recurso Voluntário para no mérito negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow Fl. 1417DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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Numero do processo: 19679.721917/2019-15
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2012 a 30/04/2014
RECURSO ESPECIAL DO SUJEITO PASSIVO. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. CEBAS. NATUREZA JURÍDICA. EFEITOS. INTERPRETAÇÃO DIVERGENTE DA LEI TRIBUTÁRIA. AUSÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. AUSÊNCIA. REVOLVIMENTO DO ARCABOUÇO FÁTICO-PROBATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. FNÃO CONHECIMENTO.
A identidade entre a tese jurídica trazida nas decisões recorrida e paradigmática obstaculiza o seguimento do recurso especial.
A ausência de similitude fática entre o acórdão recorrido e os paradigmas os tornam inaptos para demonstrar a divergência de interpretação, inviabilizando o conhecimento do recurso.
A pretensão de reexame dos fatos e provas obsta o conhecimento do recurso especial.
Numero da decisão: 9202-011.788
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em não conhecer do Recurso Especial da Contribuinte. Vencidos os conselheiros, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim (relator) e Leonam Rocha de Medeiros, que conheciam. Designada como redatora do voto vencedor a conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira.
Assinado Digitalmente
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim – Relator
Assinado Digitalmente
Ludmila Mara Monteiro de Oliveira – Redatora Designada
Assinado Digitalmente
Liziane Angelotti Meira – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Francisco Ibiapino Luz, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Leonam Rocha de Medeiros, Diogo Cristian Denny (substituto integral), Fernanda Melo Leal, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Liziane Angelotti Meira (Presidente). Ausente o conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, substituído pelo conselheiro Diogo Cristian Denny.
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. CEBAS. NATUREZA JURÍDICA. EFEITOS. INTERPRETAÇÃO DIVERGENTE DA LEI TRIBUTÁRIA. AUSÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. AUSÊNCIA. REVOLVIMENTO DO ARCABOUÇO FÁTICO-PROBATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. FNÃO CONHECIMENTO. A identidade entre a tese jurídica trazida nas decisões recorrida e paradigmática obstaculiza o seguimento do recurso especial. A ausência de similitude fática entre o acórdão recorrido e os paradigmas os tornam inaptos para demonstrar a divergência de interpretação, inviabilizando o conhecimento do recurso. A pretensão de reexame dos fatos e provas obsta o conhecimento do recurso especial. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em não conhecer do Recurso Especial da Contribuinte. Vencidos os conselheiros, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim (relator) e Leonam Rocha de Medeiros, que conheciam. Designada como redatora do voto vencedor a conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira. Assinado Digitalmente Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim – Relator Fl. 432DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.788 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 19679.721917/2019-15 2 Assinado Digitalmente Ludmila Mara Monteiro de Oliveira – Redatora Designada Assinado Digitalmente Liziane Angelotti Meira – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Francisco Ibiapino Luz, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Leonam Rocha de Medeiros, Diogo Cristian Denny (substituto integral), Fernanda Melo Leal, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Liziane Angelotti Meira (Presidente). Ausente o conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, substituído pelo conselheiro Diogo Cristian Denny. RELATÓRIO Trata-se de Recurso Especial interposto pelo contribuinte em face do acórdão nº 2202-009.879 (fls. 321/331), o qual negou provimento ao recurso voluntário, e mantendo a decisão pela negativa dos pedidos de restituições formalizados, conforme ementa abaixo disposta: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2012 a 30/04/2014 ENTIDADE BENEFICENTE. IMUNIDADE. SÚMULA STJ Nº 612. REQUISITOS. A retroatividade dos efeitos fiscais previstos pela Súmula STJ n° 612 dependem a comprovação da data em que se cumprem todos os requisitos legais exigidos. Na ausência de indicação expressa de qualquer outra, toma-se como referência a data de publicação do ato que conceder o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, previsto no § 9º, do art. 25, do Decreto nº 70.235, de 1972, c/c com o art. 1º da MP nº 1.160, de 2023, em face do empate no julgamento, em negar provimento ao recurso. Os Conselheiros Leonam Rocha Medeiros, Gleison Pimenta Sousa, Eduardo Augusto Marcondes de Feitas e Martin da Silva Gesto deram provimento ao recurso. Votou pelas conclusões a Conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira. Julgamento iniciado em 10/05/2023 pela manhã e concluído no dia 11/05/2023, no período da manhã. Fl. 433DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.788 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 19679.721917/2019-15 3 Valho-me de trechos do relatório contido no acórdão recorrido, por bem retratar a questão: 1. Trata-se de processo administrativo fiscal cujos objetos são pedidos de restituição (PER/DCOMP), consolidados no quadro que segue: [...] 2. Consta que o Contribuinte ingressou com o mandado de segurança nº 5025912- 58- 2019.4.03.6100, distribuído à 26ª Vara da Justiça Federal de São Paulo, requerendo “a imediata análise” de seus pedidos de restituições de contribuições previdenciárias, identificados no quadro do item anterior. 3. Em cumprimento da respectiva decisão judicial, que determinou a análise dos pedidos no prazo de trinta dias (fls. 82/85): a) Foi lavrada a Representação DIORT/DERATSP (fls. 88/89), que formalizou o respectivo processo administrativo fiscal, relativo à auditoria-fiscal que passou a analisar os PER/DCOMP. b) Foi expedido o Termo de Início de procedimento Fiscal e Intimação Fiscal – TDFP nº 08.1.80.00-2019-00279-6 (fls. 90/94), iniciando-se a auditoria-fiscal dos aludidos pedidos, com as seguintes requisições: • Com base no conjunto normativo enunciado, o Requerente foi intimado “a apresentar, no prazo de 20 (vinte) dias, a contar do recebimento deste, as seguintes informações/esclarecimentos com o fim de instruir processo administrativo composto pelos PERs listados na Planilha I, conforme orientações abaixo: (...) • Ressalvou o resultado de análise preliminar, anteriormente feita, em relação a procedimentos de compensações realizadas em GFIP pelo Contribuinte: 1. Uma análise preliminar não identificou valores a serem restituídos à empresa nas competências acima relacionadas. 2. Verificamos que a empresa protocolou o processo número 13807.720471/2018-31, solicitando a liberação de GFIP retidas em Malha. Conforme o sistema GFIPWEB a empresa enviou GFIP de exclusão da GFIP original de FPAS 515 e enviou GFIP de FPAS 639, exclusivo de entidades filantrópicas. O pedido de liberação das GFIP retidas em Malha foi dado como improcedente em julho de 2018, pois a empresa não apresentou a documentação solicitada. • Quando à comprovação de entidade beneficente de assistência social isenta de recolhimento de contribuições previdenciárias, foram formuladas as seguintes ressalvas e requisições: 4. Caso a empresa alegue ser entidade filantrópica com isenção a quota patronal, solicitamos que confirme essa situação com a apresentação da documentação comprobatória: Fl. 434DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.788 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 19679.721917/2019-15 4 a) Certificado Beneficente de Assistência Social/CEBAS. b) Documento emitido pela Secretaria Nacional de Assistência Social do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Ministério da Saúde ou Ministério da Educação, no qual deverá constar o n° de protocolo, portaria e data de concessão da Certificação de Entidade Beneficente de Assistência Social. c) Ofício emitido pela Coordenação de Certificado das Entidades Beneficentes de Assistência Social do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Ministério da Saúde ou Ministério da Educação, no qual comunica o deferimento da concessão da certificação de entidade beneficente de assistência social. • E, quanto aos esclarecimentos acerca da origem e composição de compensações anteriormente realizadas e das restituições, ora requeridas, ressalvou e requisitou: 3. Solicitamos que a empresa informe a origem dos valores dos quais requisita a restituição. (...). 5. Solicitamos a apresentação de Declaração da empresa, assinada pelo representante legal, sob as penas da lei, de que os valores requeridos no Pedido de Reembolso em epígrafe, não foram pleiteados por via judicial e nem compensados. 6. Solicitamos ainda, esclarecer na planilha II, abaixo, as competências e origens dos créditos compensados informados nas GFIPs de competências posteriores ao período da restituição solicitada. Se for constatado erro no preenchimento da GFIP, essa deverá ser retificada, informando os meses retificados na resposta da intimação. Para as competências que a justificativa das compensações fora Desoneração da Folha de Pagamentos, apresentar comprovação da Declaração das Contribuições Previdenciárias sobre o Faturamento. As análises das compensações serão efetuadas após a retificação das GFIPs. Para cada competência informar o estabelecimento de origem do crédito, o valor originário do crédito compensado e a competência de origem. • Seguem planilhas (i) com as informações acerca das compensações anteriormente realizadas em GFIP; (ii) com a indicação dos conteúdos a serem atendidos, quanto aos cálculos das compensações realizadas. 4. Em resposta, o Contribuinte apresentou a correspondência, datada de 20/01/2020 (fls. 101/114), com a qual, em síntese: a) Informa ter ingressado em 29/04/2010 com pedido de CEBAS - Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social junto ao Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, tendo seu pedido deferido pela Fl. 435DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.788 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 19679.721917/2019-15 5 Portaria n£' 254/2014, de 19 de dezembro de 2014 (publicação no DOU em 22/12/2014), com vigência a partir de janeiro de 2015. b) Refere-se ao “Ato Declaratório n£' 05/2011”, expõe o entendimento de que teria direito retroativo à restituição dos valores recolhidos, a título de contribuições previdenciárias patronais: Em suma. as Entidades certificadas pelo CEBAS devem recolher ã RFB somente o valor retido de seus segurados, o que foi feito pelo CAMP - CENTRO DE APRENDIZAGEM E MONITORAMENTO PROFISSIONAL DO JABAQUARA desde a competência 01/2015. Em processo de auditoria previdenciária. o CAMP - CENTRO DE APRENDIZAGEM E MONITORAMENTO PROFISSIONAL DO JABAQUARA tomou conhecimento do Ato Declaratório n' 05/2011, que autoriza a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos nas ações judiciais que visem obter a declaração de que o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social é meramente declaratório, produzindo efeito ex tunc, retroagindo à data de protocolo do respectivo requerimento. Por força do disposto no § 4o do Art. 19 da Lei n' 10.522/02, as unidades da RFB encontram-se vinculadas a este Ato Declaratório. c) Reporta-se a normativos que corroborariam seu entendimento: Lei n£' 10.522/2002; Nota Técnica COSIT nº 19/2012; Solução de Consulta COSIT nº 220/2017; Parecer PGFN/CRJ/ nº 2.132/2011; Regimento do CARF, artigo 62; Instrução Normativa RFB nº' 1.717, de 17 de julho de 2017. d) Quanto às compensações realizadas anteriormente, ressalva e informa: No que tange o mencionado processo de exclusão de guia GFIP: Trata-se de uma tentativa de retificação das declarações previdenciárias da Entidade. Por limitações operacionais do próprio órgão fiscalizador, o pedido de exclusão protocolado em paralelo à nova transmissão de guia GFIP não foi processado, sendo necessário o protocolo de um pedido de análise de malha. Neste meio tempo, as duas GFIPs permaneceram ativas nos sistemas da RFB, causando uma pendência de pagamento que não seria resolvida até a exclusão da guia GFIP original. Levando em conta que as atividades filantrópicas da Entidade dependem de emissão de CND (que estava sendo bloqueada por pendência de pagamento) e levando em conta que a simples exclusão da guia original teria de ser processada manualmente pela RFB, sem prazo definido para finalização, concluiu-se que era inviável a continuidade do processo. Caso ainda seja necessário ajustar esta obrigação acessória, pedimos encarecidamente instruções para executar corretamente este processo sem pôr em risco mortal as atividades da Entidade e as centenas de crianças e adolescentes que dependem de seus serviços. Entendemos como pouco Fl. 436DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.788 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 19679.721917/2019-15 6 razoável a perda da CND ser uma etapa necessária para recebimento de um direito, neste caso a restituição de um pagamento feito a maior. Por fim, declara-se que os valores requeridos nos Pedidos de Restituição não foram pleiteados por via judicial e/ou compensados. e) A correspondência encontra-se acompanhada de cópias dos documentos, que menciona (fls. 115/121). DESPACHO DECISÓRIO. INDEFERIMENTO DOS PER/DCOMP. 5. Foi, então, em 28 de janeiro de 2020, proferida a decisão administrativa (Despacho Decisório – fls. 125/130), que, analisando os PER/DCOMP e considerando as informações prestadas e documentos apresentados pelo Contribuinte, assim se posicionou: a) Assim descreve o objeto da análise e decisão: 2. Trata-se de pedido de restituição previdenciária de valores indevidos ou pagos a maior por meio de GPS (Guia da Previdência Social), nos termos do artigo 89, da Lei 8.212/91, conforme PERDCOMPs na tabela abaixo, no qual é solicitado a restituição, no montante de R$ 1.017.626,10 (Um milhão, dezessete mil e seiscentos e vinte e seis reais e dez centavos), de valores relativos às contribuições previdenciárias indevidas ou a maior. b) Relata, então, as constatações, (i) quanto às retificações de GFIP, promovidas pelo Contribuinte (para formalizar seu enquadramento como entidade isenta de contribuições previdenciárias patronais) e (ii) quanto à obtenção da respectiva certificação: 3. A entidade obteve a concessão de certificado de entidade beneficente, pela Portaria nº 256 de 19/12/2014, publicada em 22/12/2014. Alega a entidade que a concessão tem efeito ex-tunc e o efeito da isenção de contribuições retroage a data do protocolo do pedido do certificado. 4. Até 12/2014 a entidade enviou GFIP no código 566 e recolhe os valores descontados dos segurados, os valores patronais e os valores de outras entidades ou fundos, de que tratam os artigos 22 e 23 da Lei 8.212/91. A partir de 01/2015 a empresa envia GFIP de FPAS 639, de entidade beneficente, cujos valores devidos são somente os descontados de segurados. Nesta petição a empresa solicita a restituição dos valores recolhidos patronais e de outras entidades. c) Reproduzindo disposições da aludida Portaria, que deliberou pela concessão da certificação, com validade de três anos, a partir de sua publicação (o que se deu em 22/12/2014), ressalva e conclui: 8. A concessão do certificado de entidade beneficente de assistência social foi feita pela Portaria 254 de 19/12/2014, publicada em 22/12/2014. Sendo assim, a empresa tem direito dos benefícios da isenção a partir de 01/2015. (...). Fl. 437DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.788 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 19679.721917/2019-15 7 3. CAMP JABAQUARA - CENTRO DE APRENDIZAGEM EM MONITORAMENTO PROFISSIONAL DO JABAQUARA, CNPJ 73.480.493/0001-88, Lavras/MG, processo nº 71000.059994/2010-07, parecer técnico nº 785/2014/CGCEB/DRSP/SNAS/MDS. 9. Como as competências solicitadas nos PERDCOMPs, competências de 05/2012 a 04/2014, período anterior à emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, o seja, período anterior ao direito de usufruir das isenções das contribuições previdenciárias, não há créditos a serem restituídos. 10. Vale acrescentar que a entidade não apresentou a declaração solicitada no item 5 da Intimação 01, fls. 90 a 94, de que os valores requeridos no Pedido de Reembolso em epígrafe, não foram pleiteados por via judicial e nem compensados. (...). 11. A entidade apresentou planilha (6 – TDPF Item 6) com a justificativa dos valores informados como compensação nas competências do período de 05/2017 a 10/2019, nessa planilha utiliza parte dos valores solicitados nos PERDCOMPs e indeferidos neste despacho. 12. As compensações informadas em GFIP, foram feitas indevidamente e estão sujeitas a auditoria fiscal da Receita Federal. d) Neste termos, conclui pelo indeferimento dos pedidos de restituições. Inconformado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, julgada improcedente pela DRJ de origem. Ato contínuo, foi apresentado recurso voluntário, o qual, como exposto, teve provimento negado pela Turma a quo. O Contribuinte tomou ciência da decisão e apresentou Recurso Especial (fls. 337/344) visando rediscutir as seguintes matérias: a) marco temporal para fruição da imunidade concedida a entidade comprovadamente certificada – a isenção tributária retroage à data do protocolo do pedido de emissão do CEBAS – validade do CEBAS para comprovação do direito à imunidade tributária; e b) falta de análise pela auditoria e pela Turma recorrida dos documentos apresentados pela contribuinte para comprovação do direito de isenção. Inicialmente, o Recurso Especial teve seguimento negado, conforme despacho de fls. 368/374. Contudo, o contribuinte interpôs o agravo de fls. 380/384, o qual foi parcialmente provido, em despacho de fls. 414/418, para dar seguimento parcial ao Recurso Especial, admitindo-se a rediscussão apenas com relação à matéria “a) marco temporal para fruição da imunidade concedida a entidade comprovadamente certificada — a isenção tributária retroage à data do protocolo do pedido de emissão do CEBAS — validade do CEBAS para comprovação do direito à imunidade tributária”, com base no paradigma 2201-009.256. Fl. 438DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.788 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 19679.721917/2019-15 8 Os autos foram encaminhados à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e retornaram com as contrarrazões de fls. 420/429. Pleiteia o não conhecimento do recurso, haja vista a falta de cotejo entre os acórdãos dissonantes, de forma a demonstrar a existência de similitude fática e distinta interpretação da legislação, bem como pelo contexto fático distinto entre os casos. Caso conhecido, pede a negativa de provimento ao recurso. Este processo compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. VOTO VENCIDO Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Relator Como exposto, trata-se de recurso especial interposto pelo Contribuinte, cujo objeto envolve o debate acerca do seguinte tema: i. a) marco temporal para fruição da imunidade concedida a entidade comprovadamente certificada — a isenção tributária retroage à data do protocolo do pedido de emissão do CEBAS — validade do CEBAS para comprovação do direito à imunidade tributária (apenas com base no paradigma 2201-009.256) I. CONHECIMENTO Sobre o tema, o acórdão recorrido sedimentou o seguinte (fl. 321/331): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2012 a 30/04/2014 ENTIDADE BENEFICENTE. IMUNIDADE. SÚMULA STJ Nº 612. REQUISITOS. A retroatividade dos efeitos fiscais previstos pela Súmula STJ n° 612 dependem a comprovação da data em que se cumprem todos os requisitos legais exigidos. Na ausência de indicação expressa de qualquer outra, toma-se como referência a data de publicação do ato que conceder o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social. (...) Voto (...) Posteriormente, o STJ analisou o caso e fixou a Súmula n° 612, pela qual se admitia o efeito tributário ex tunc para os mantedores do CEBAS. Em outras palavras, era estabelecida a natureza declaratória do certificado e, outrossim, previa-se a retroatividade dos beneficios fiscais. Fl. 439DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.788 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 19679.721917/2019-15 9 O certificado de entidade beneficente de assistência social (CEBAS), no prazo de sua validade, possui natureza declaratória para fins tributários, retroagindo seus efeitos à data em que demonstrado o cumprimento dos requisitos estabelecidos por lei complementar para a fruição da imunidade." Em que pese a relativização trazida pelo Egrégio Tribunal, não se vislumbra contradição entre as vertentes no que se restringe ao caso concreto. Ocorre que, nos presentes autos, o recorrente não se desincumbiu do dever de comprovar qual seria a data em que se demonstrou o cumprimento dos requisitos estabelecidos pela lei, para fins de habilitação da retroatividade da norma. Revelam os documentos acostados que o protocolo ingressado no Ministério competente, em 29/04/2010, somente foi validado mais de quadro anos depois, em 22/12/2014. Entretanto, não é possível precisar em que condições transcorreram as analises de praxe daquele órgão: se houve mero atraso administrativo no interregno; ou se existiam pendências nos requisitos que inibissem a certificação. Em qualquer das hipóteses aventadas, fato é que não há no lapso de tramitação do processo n° 71000.059994/2010-07 qualquer sinalização de que o recorrente atendia os requisitos legais para fruição da imunidade tributária. Desta forma, a primeira data válida e certa para tal finalidade é aquela em que se publica da concessão do CEBAS no DOU (fl. 160). De outra maneira, apenas para firmar a tese ora construída, ressalta-se que o protocolo de um pedido administrativo não é garantia de que os requisitos estejam satisfeitos neste momento. E necessário, sim, um processo dialético em que o Estado e o interessado convirjam para pleno adimplemento das exigências normativas. Não estão descartadas diligências ou outras demandas do órgão temático competente no sentido ajuste dos requisitos ao marco legal, o que teria implicado em tempo adicional de tramitação; ao passo que não está indicada, também, a culpa exclusiva do Estado no tocante a dilatação do prazo de apreciação. Na falta de indicação da data efetiva e precisa em que se consideram observados os requisitos, o que somente pode ser feito pelo Ministério competente, somente a conclusão do processo tem suficiência jurídica para ensejar os efeitos tributários almejados, o que se concretiza, a propósito, com a publicidade da certificação. Por todo o exposto, e notadamente pela ausência de provas relativas as causas da demora processual para concessão do CEBAS, não merece acolhida a tese recursal colocada no presente tópico. Cito trechos do voto proferido no acórdão paradigma nº Acórdão 2201-009.256: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 (...) Fl. 440DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.788 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 19679.721917/2019-15 10 ENTIDADE BENEFICENTE. REQUISITOS PARA FRUIÇÃO DE GOZO DA IMUNIDADE. CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL (CEBAS). PARECER PGFN/CRJ/Nº 2132/2011, APROVADO PELO ATO DECLARATÓRIO Nº 05/2011, APROVADO PELO MINISTRO DA FAZENDA (DOU EM 15/12/2011). O Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS) é meramente declaratório, produzindo efeito ex tunc, retroagindo à data de protocolo do respectivo requerimento. (...) Voto (...) Preliminarmente, oportuno deixar consignado que o cancelamento da isenção foi formalizado no processo nº 37172.001292/20058-59 (fls. 118/144), onde consta a seguinte informação fiscal (fls. 120/122): (...) (2)0 Conselho Nacional - de Assistência, Social CNAS, em atendimento à nossa solicitação encaminhou "Pesquisa de Histórico Contendo as seguintes informações referente a CONVENÇÃO BATISTA MINEIRA(fls.5 e 6): (...) 3.2. Convertido para Recadastramento e Renovação do CEAS pela Resolução 134/1995, de 09/11/1995, publicada no DOU de 17/11/1995, cuja validade está assegurada de 01/01/1995 até 31/12/1997; 4. Protocolizou pedido de 2ª Renovação do CEAS pelo Processo 44006.001982/1999-86, o qual foi indeferido pela Resolução 033/2001, de 14/03/2001, publicada no DOU de 15/03/2001, e aguarda análise do pedido de Reconsideração (processo nº 44006.000877/2001-13); 5. Requer 3ª Renovação do CEAS pelo Processo 44006.002908/2002-43, formalizado em 27/12/2002 o qual aguarda análise”. (3)Ante as informações prestadas pelo Conselho Nacional de Assistência Social — CNAS, constata-se que a CONVENÇÃO BATISTA MINEIRA, CNPJ 17.357.898/000P-52, deixou de ser portadora do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social — CEAS, a partir de 01/01/1998. 3.1 — Embora o CNAS não tenha informado a data de protocolo do "pedido de 2ª Renovação do CEAS pelo Processo 44006.01982/1999-86", o ano do protocolo deste requerimento se deu em 1999 e, o CEAS anterior concedido à Convenção Batista Mineira teve sua validade assegurada de 01/01/1995 até 31/12/1997; 3.2 — Assim temos que, na hipótese do pedido de Reconsideração protocolizado sob 44006.000877/2001-13, contra o INDEFERIMENTO do pedido de 2ª Renovação do CEAS processo n° 4006.001982/1999-86, Fl. 441DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.788 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 19679.721917/2019-15 11 conforme Resolução CNAS n° 033/2001, de 14/03/2001, publicada no Diário Oficial da União de 15/03/2001, seja favorável à Convenção Batista Mineira, o Certificado terá validade a partir da data de protocolo do requerimento, ou seja, a partir do exercício de 1.999. (...) 5)Ante o exposto, sugerimos o cancelamento da isenção dás contribuições de que tratam os artigos 22 é 23 da Lei nº 8.212, de 24/07/1991, usufruída pela CONVENÇÃO BATISTA MINEIRA, CNPJ 17.357.898/0001-52, a partir de 01/01/1998. (...) Em suma, a decisão de primeira instância manteve o lançamento sob os seguintes fundamentos: > O Certificado apresentado pela instituição foi emitido em 18/7/2006, ou seja, após a expedição do Ato Cancelatório da Isenção. > Segundo informações contidas nos autos do DEBCAD 37.218.302-6 (processo n° 15504.001280/2009-16), a empresa possuía Certificados com validade de 1/6/1999 a 31/5/2002, sem períodos em descoberto, e de 27/12/2002 a 26/12/2005, ficando em descoberto o período de 1/6/2002 a 26/12/2002. > O Certificado apresentado pela entidade resultou de pedido de renovação efetuado fora do prazo no processo n° 44006.002908/2002-43, razão da existência do período em descoberto, lapso temporal em que os requisitos necessários à isenção não foram atendidos pela empresa, ensejando o cancelamento deste beneficio. > A legislação previdenciária não prevê a possibilidade de cancelamento da isenção por períodos intermitentes. O superveniente implemento da condição antes faltante, não tem o poder de restabelecer automaticamente a isenção. Por expressa previsão legal, a isenção tem que ser requerida, ela somente pode ser restabelecida, uma vez cancelada, a partir da data do protocolo do novo pedido, não atingindo períodos anteriores. > O Ato Cancelatório gera efeito desde o descumprimento dos requisitos do artigo 55 da Lei n° 8.212 de 1991 até que novo pedido seja requerido e deferido. A entidade tem a faculdade de requerer ou não novo deferimento de isenção. > Não há nos autos nenhum indício de que novo pedido de isenção foi formulado pela empresa no período de validade do CEBAS que engloba as competências do presente débito. (...) Fl. 442DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.788 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 19679.721917/2019-15 12 Cumpre observar que o Parecer PGFN/CRJ/Nº 2132/2011 analisou a possibilidade da dispensa de interposição de recursos ou o requerimento de desistência dos já interpostos com relação às ações e decisões judiciais que fixam o entendimento de que o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social - CEBAS é meramente declaratório, produzindo efeito ex tunc, retroagindo à data de protocolo do respectivo requerimento, ressalvado o disposto no artigo 31 da Lei n° 12.101 de 2009 (data da publicação da concessão da certificação), desde que inexista outro fundamento relevante, como a necessidade de cumprimento da legislação superveniente pelo contribuinte. Tendo em vista a aprovação do referido Parecer, foi emitido o Ato Declaratório PGFN N° 5 de 20/12/2011 , mediante o qual a Procuradora-geral da Fazenda Nacional: (...) declara que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: "nas ações judiciais que visem obter a declaração de que o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social é meramente declaratório, produzindo eleito ex tunc, retroagindo à data de protocolo do respectivo requerimento, ressalvado o disposto no art. 31 da Lei n° 12.101, de 2009 (data da publicação da concessão da certificação), desde que inexista outro fundamento relevante, como a necessidade de cumprimento da legislação superveniente pelo contribuinte." (...) Tal Parecer também foi aprovado pelo Ministro da Fazenda, com a publicação no DOU em 15/12/2011, pág. 57, Seção 1. Como visto anteriormente, segundo a decisão de primeira instância, não haveria nos autos novo pedido de isenção formulado pela entidade no período de validade do CEBAS que engloba as competências do presente débito. Todavia, tendo em vista o teor do Parecer PGFN/CRJ/N° 2132/2011, deve ser aplicado aos presentes autos o efeito retroativo ao pedido do CEBAS, uma vez que, para o período objeto dos presentes autos, o processo n° 44006.002908/2002-43 foi formalizado em 27/12/2002 e a data da decisão apenas ocorreu em 18/7/2006. Resta concluir-se, em face disso, que ao ser aplicado o efeito retroativo ao pedido do CEBAS, o acórdão recorrido deve ser reformado, cancelando-se a autuação formalizada no auto de infração objeto dos presentes autos. Entendo que restou demonstrada a divergência jurisprudencial quanto à matéria, pois o acórdão recorrido foi categórico ao não reconhecer os efeitos declaratórios (retroativos) da concessão do CEBAS, haja vista a falta de precisão quanto aos motivos que levaram à demora para análise da certificação. Por outro lado, no paradigma restou entendido, com esteio no Parecer PGFN/CRJ n° 2.132/11, que o CEBAS é meramente declaratório, produzindo efeito ex tunc, retroagindo à data de protocolo do respectivo requerimento para efeitos isentivos. Fl. 443DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.788 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 19679.721917/2019-15 13 Em suas contrarrazões, a Fazenda Nacional pleiteou o não conhecimento recursal pois: (i) não houve o cotejo entre o acórdão recorrido e paradigma, de modo a demonstrar a divergência jurisprudencial suscitada; e (ii) haveria contexto fático distinto entre os casos, pois “o fato de se tratar de CEBAS originário ou de pedido de renovação é sim matéria relevante para a definição da divergência jurisprudencial” (fl. 425). Contudo, data venia, entendo não assistir razão à Fazenda Nacional. Isto porque o contribuinte, em seu recurso, fez a apresentação da interpretação jurídica divergente ante a demonstração da ementa do paradigma, a qual já bastaria para demonstrar que a Turma paradigmática entende pelo efeito declaratório (retroativo) da concessão do CEBAS, ao contrário do entendimento manifestado no acórdão recorrido, no sentido de condicionar o efeito retroativo a uma comprovação, pelo contribuinte, do atendimento aos requisitos para a isenção. Ademais, no sentir da Fazenda Nacional, o fato do paradigma envolver pedido de renovação de CEBAS, e não de CEBAS originário (como ocorre no presente processo), seria suficiente para caracterizar uma divergência fática a fim de implicar no não conhecimento recursal. Contudo, filio-me ao entendimento manifestado no despacho que acolheu o agravo da contribuinte. Isto porque, da leitura atenta do paradigma, verifica-se que a aplicação do Parecer PGFN/CRJ n° 2.132/11 quanto aos efeitos ex tunc do CEBAS não foi condicionada ao fato de se tratar de um pedido de renovação. A Turma paradigmática simplesmente aplicou o racional extraído do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2132/2011 para conferir efeitos retroativos ao CEBAS e, consequentemente, cancelar o lançamento. Mais que isso. O acórdão paradigma demonstra ainda que o CEBAS para o qual foi concedido efeitos retroativos originou-se de um pedido de renovação fora do prazo. Mesmo assim, aplicou “o efeito retroativo ao pedido do CEBAS, uma vez que, para o período objeto dos presentes autos, o processo nº 44006.002908/2002-43 foi formalizado em 27/12/2002 e a data da decisão apenas ocorreu em 18/7/2006. cita ainda que não houve pedido de isenção”. Nota-se que, assim como no presente caso, o paradigma envolveu situação de longo interregno entre o requerimento e a publicação da decisão quanto à certificação. Em outras palavras, no sentir deste Relator, caso a Turma paradigmática estivesse analisando o presente processo, entenderia por aplicar os efeitos retroativos ao CEBAS, com esteio no Parecer PGFN/CRJ n° 2.132/11. Portanto, deve ser conhecido o recurso do Contribuinte. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto CONHECER do recurso especial da Contribuinte. Assinado Digitalmente Fl. 444DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.788 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 19679.721917/2019-15 14 Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim VOTO VENCEDOR Conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, redatora designada Peço vênia ao em. Relator e aos em. Pares que o acompanham para apresentar respeitosa divergência quanto ao conhecimento da única temática devolvida a esta eg. Câmara Superior, qual seja, a definição do marco temporal para fruição da imunidade concedida a entidade comprovadamente certificada. Como bem narrado, na tentativa de demonstrar o cumprimento dos requisitos de admissibilidade, trazido à baila o acórdão paradigma de nº 2201- 009.256 que, em situação assemelhada, teria conferido desfecho díspar à intepretação da legislação tributária. Passo a cotejar a situação descortinada nos arestos postos em confronto, de modo a evidenciar a impossibilidade de que dado seguimento ao apelo especial. ACÓRDÃO RECORRIDO PARADIGMA Nº 2201-009.256 No transcurso dos exercícios 2017 e 2018, lastreado na obtenção de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS) em 22/12/2014, o recorrente pleiteou junto a autoridade fiscal a restituição de créditos relativos às Contribuições Sociais atinentes às competências compreendidas entre 05/2012 e 04/2014, totalizados em R$ 1.017.626,10. Em síntese, expõe a defesa que a data do protocolo do pedido de certificação remonta a 29/04/2010 e que, dado o caráter declarativo do CEBAS, não constitutivo, teria direito de auferir os conseguintes benefícios fiscais desde aquele momento. (...) Posteriormente, o STJ analisou o caso e fixou a Súmula nº 612, pela qual se admitia o efeito tributário ex tunc para os mantedores do CEBAS. Em outras palavras, era estabelecida a natureza declaratória do certificado e, outrossim, previa-se a retroatividade dos benefícios fiscais. No caso em tela, o lançamento decorreu do fato da entidade ter deixado de fazer jus à isenção das contribuições de que tratam os artigos 22 e 23 da Lei nº 8.212 de 1991, consoante “Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais nº 11.401.1/006/2005”, emitido em 7/11/2005, que declarou cancelada a partir de 1/1/1998, a isenção das referidas contribuições por infração ao disposto no inciso II do artigo 55 da Lei nº 8.212 de 1991, combinado com o inciso III do artigo 206 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048 de 19991 , na redação vigente à época dos fatos (fl. 20). (...) Cumpre observar que o Parecer PGFN/CRJ/Nº 2132/20112 analisou a possibilidade da dispensa de interposição de recursos ou o requerimento de desistência dos já interpostos com relação às ações e decisões judiciais que fixam o entendimento de que o Certificado de Entidade Beneficente de Fl. 445DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.788 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 19679.721917/2019-15 15 (...) Em que pese a relativização trazida pelo Egrégio Tribunal, não se vislumbra contradição entre as vertentes no que se restringe ao caso concreto. Ocorre que, nos presentes autos, o recorrente não se desincumbiu do dever de comprovar qual seria a data em que se demonstrou o cumprimento dos requisitos estabelecidos pela lei, para fins de habilitação da retroatividade da norma. Revelam os documentos acostados que o protocolo ingressado no Ministério competente, em 29/04/2010, somente foi validado mais de quadro anos depois, em 22/12/2014. Entretanto, não é possível precisar em que condições transcorreram as análises de praxe daquele Órgão: se houve mero atraso administrativo no interregno; ou se existiam pendências nos requisitos que inibissem a certificação. Em qualquer das hipóteses aventadas, fato é que não há no lapso de tramitação do processo nº 71000.059994/2010-07 qualquer sinalização de que o recorrente atendia os requisitos legais para fruição da imunidade tributária. Desta forma, a primeira data válida e certa para tal finalidade é aquela em que se publica da concessão do CEBAS no DOU (fl. 160). De outra maneira, apenas para firmar a tese ora construída, ressalta-se que o protocolo de um pedido administrativo não é garantia de que os requisitos estejam satisfeitos neste momento. É necessário, sim, um processo dialético em que o Estado e o interessado convirjam para pleno adimplemento das exigências normativas. Assistência Social – CEBAS é meramente declaratório, produzindo efeito ex tunc, retroagindo à data de protocolo do respectivo requerimento, ressalvado o disposto no artigo 31 da Lei nº 12.101 de 2009 (data da publicação da concessão da certificação), desde que inexista outro fundamento relevante, como a necessidade de cumprimento da legislação superveniente pelo contribuinte. Tendo em vista a aprovação do referido Parecer, foi emitido o Ato Declaratório PGFN Nº 5 de 20/12/20113 , mediante o qual a Procuradora-geral da Fazenda Nacional: (...) Como visto anteriormente, segundo a decisão de primeira instância, não haveria nos autos novo pedido de isenção formulado pela entidade no período de validade do CEBAS que engloba as competências do presente débito. Todavia, tendo em vista o teor do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2132/2011, deve ser aplicado aos presentes autos o efeito retroativo ao pedido do CEBAS, uma vez que, para o período objeto dos presentes autos, o processo nº 44006.002908/2002-43 foi formalizado em 27/12/2002 e a data da decisão apenas ocorreu em 18/7/2006. Com a devida vênia, a tese jurídica apresentada tanto no paragonado quanto no paradigma é idêntica: o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS) teria natureza meramente declaratória, razão pela qual produz efeito ex tunc, retroagindo à data de protocolo do respectivo requerimento. A discrepância dos deslindes se dá unicamente por divergências de natureza fática. Fl. 446DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.788 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 19679.721917/2019-15 16 Enquanto a decisão recorrida é clara ao afirmar que, a despeito de ter a certificação efeitos retroativos, “o recorrente não se desincumbiu do dever de comprovar qual seria a data em que se demonstrou o cumprimento dos requisitos estabelecidos pela lei, para fins de habilitação da retroatividade da norma.” Diferentemente, na decisão paradigmática, inexistentes dúvidas quanto ao aludido marco temporal: “o processo nº 44006.002908/2002-43 foi formalizado em 27/12/2002 e a data da decisão apenas ocorreu em 18/7/2006.” Para elidir as conclusões alcançadas pela decisão recorrida, mister não só o revolvimento do acervo fático-probatório, vedado nesta instância especial – aplicável, mutatis mutandis, o verbete sumular de nº 7 do STJ. Seja pela inexistência de dissídio quanto à natureza jurídica do CEBAS, seja pela dessemelhança fática, seja pela necessidade de revolvimento do caderno processual, não merece ser conhecido o recurso, renovadas as vênias. Ante o exposto, não conheço do recurso especial da contribuinte. Assinado Digitalmente Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Fl. 447DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Vencido Voto Vencedor
score : 1.0
Numero do processo: 16682.902024/2018-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon Jan 26 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/2014 a 30/11/2014
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FASE PRÉ-PROCESSUAL. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em ofensa à ampla defesa na fase de auditoria, inexistindo ainda imputação de infração ou não reconhecimento de direito creditório. Os princípios do contraditório e da ampla defesa são de observância obrigatória na fase litigiosa do processo administrativo fiscal, que, no caso de pedido de restituição, tem início com a apresentação de manifestação de inconformidade ao despacho decisório denegatório do direito creditório.
DIREITO DE CRÉDITO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA.
Inexiste norma legal determinando a homologação tácita do pedido de restituição de indébito tributário no prazo de 5 anos, não se lhes aplicando os prazos decadenciais para lançamento nem o prazo para homologação de compensações.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/2014 a 30/11/2014
CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS NÃO RETIFICADAS. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 231.
A apuração extemporânea de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins só é admitida mediante retificação das declarações e demonstrativos correspondentes, a exemplo do EFD-Contribuições, conforme Súmula CARF nº 231.
NÃO CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS. SERVIÇOS PORTUÁRIOS. INSUMO. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
A ausência de comprovação de que os serviços portuários estão inseridos na atividade produtiva impossibilita sua inclusão na base de creditamento das contribuições a título de insumos.
NÃO CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS. AFRETAMENTO DE EMBARCAÇÕES. POSSIBILIDADE.
O afretamento de embarcações utilizadas nas atividades da empresa dá direito ao crédito das contribuições ao PIS e da COFINS, nos termos do artigo 3º, inciso IV, das Leis nº 10.833/03 e 10.637/02.
NÃO CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS. AFRETAMENTO DE AERONAVES. IMPOSSIBILIDADE.
O afretamento de aeronaves utilizadas para transporte de funcionários não dá direito ao crédito das contribuições ao PIS e da COFINS a título de insumos, pois estes somente contemplam aquisição de bens ou serviços, e não a locação, de que é espécie o afretamento. Por sua vez, o inciso IV do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 também não é aplicável, pois se limite a “prédios, máquinas e equipamentos”.
NÃO CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS. EXISTÊNCIA DO CRÉDITO ALEGADO. CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DA PROVA.
A restituição de créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do direito pleiteado, cujo ônus é do contribuinte.
NÃO CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS. TRANSPORTE FIRME DE GÁS NATURAL. ENCARGO DE CAPACIDADE DE TRANSPORTE. “SHIP OR PAY”. POSSIBILIDADE.
As despesas relacionadas ao encargo de capacidade de transporte, componente estrutural da tarifa de transporte cobrada pelo serviço de transporte firme de gás natural, compõem a base de cálculo das contribuições não cumulativas.
Numero da decisão: 3202-003.141
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer, em parte, do recurso voluntário, não conhecendo da prova documental apresentada em sede de recurso, e em rejeitar as preliminares de nulidade do despacho decisório por cerceamento do direito de defesa e de homologação tácita da obrigação tributária (decadência) para, no mérito, dar-lhe parcial provimento, da seguinte forma: (1) por unanimidade, (a) reverter as glosas de crédito relativas ao contrato nº 0870.0090463.14.2, firmado com a Woody Group Kenny do Brasil Serviços de Engenharia LTDA; e (b) reverter as glosas de crédito com afretamentos de embarcações; e (2) por maioria de votos, em reverter as glosas de crédito relativas a encargos de capacidade de transporte relacionados ao transporte de gás natural(contratos do tipo “ship or pay”). Vencidos os Conselheiros Wagner Mota Momesso de Oliveira e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe, que negavam provimento ao recurso na matéria. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, para manter as glosas sobre os gastos descritos como afretamento de aeronaves. Vencidas as Conselheiras Onízia de Miranda Aguiar Pignataro e Aline Cardoso de Faria, que davam provimento ao recurso na matéria.
Assinado Digitalmente
Rafael Luiz Bueno da Cunha – Relator
Assinado Digitalmente
Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Wagner Mota Momesso de Oliveira, Juciléia de Souza Lima, Rafael Luiz Bueno da Cunha, Onizia de Miranda Aguiar Pignataro, Aline Cardoso de Faria, Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL LUIZ BUENO DA CUNHA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/11/2014 a 30/11/2014 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FASE PRÉ-PROCESSUAL. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em ofensa à ampla defesa na fase de auditoria, inexistindo ainda imputação de infração ou não reconhecimento de direito creditório. Os princípios do contraditório e da ampla defesa são de observância obrigatória na fase litigiosa do processo administrativo fiscal, que, no caso de pedido de restituição, tem início com a apresentação de manifestação de inconformidade ao despacho decisório denegatório do direito creditório. DIREITO DE CRÉDITO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Inexiste norma legal determinando a homologação tácita do pedido de restituição de indébito tributário no prazo de 5 anos, não se lhes aplicando os prazos decadenciais para lançamento nem o prazo para homologação de compensações. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/2014 a 30/11/2014 CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS NÃO RETIFICADAS. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 231. A apuração extemporânea de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins só é admitida mediante retificação das declarações e demonstrativos correspondentes, a exemplo do EFD-Contribuições, conforme Súmula CARF nº 231. NÃO CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS. SERVIÇOS PORTUÁRIOS. INSUMO. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. A ausência de comprovação de que os serviços portuários estão inseridos na atividade produtiva impossibilita sua inclusão na base de creditamento das contribuições a título de insumos. NÃO CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS. AFRETAMENTO DE EMBARCAÇÕES. POSSIBILIDADE. O afretamento de embarcações utilizadas nas atividades da empresa dá direito ao crédito das contribuições ao PIS e da COFINS, nos termos do artigo 3º, inciso IV, das Leis nº 10.833/03 e 10.637/02. NÃO CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS. AFRETAMENTO DE AERONAVES. IMPOSSIBILIDADE. O afretamento de aeronaves utilizadas para transporte de funcionários não dá direito ao crédito das contribuições ao PIS e da COFINS a título de insumos, pois estes somente contemplam aquisição de bens ou serviços, e não a locação, de que é espécie o afretamento. Por sua vez, o inciso IV do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 também não é aplicável, pois se limite a “prédios, máquinas e equipamentos”. NÃO CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS. EXISTÊNCIA DO CRÉDITO ALEGADO. CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DA PROVA. A restituição de créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do direito pleiteado, cujo ônus é do contribuinte. NÃO CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS. TRANSPORTE FIRME DE GÁS NATURAL. ENCARGO DE CAPACIDADE DE TRANSPORTE. “SHIP OR PAY”. POSSIBILIDADE. As despesas relacionadas ao encargo de capacidade de transporte, componente estrutural da tarifa de transporte cobrada pelo serviço de transporte firme de gás natural, compõem a base de cálculo das contribuições não cumulativas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer, em parte, do recurso voluntário, não conhecendo da prova documental apresentada em sede de recurso, e em rejeitar as preliminares de nulidade do despacho decisório por cerceamento do direito de defesa e de homologação tácita da obrigação tributária (decadência) para, no mérito, dar-lhe parcial provimento, da seguinte forma: (1) por unanimidade, (a) reverter as glosas de crédito relativas ao contrato nº 0870.0090463.14.2, firmado com a Woody Group Kenny do Brasil Serviços de Engenharia LTDA; e (b) reverter as glosas de crédito com afretamentos de embarcações; e (2) por maioria de votos, em reverter as glosas de crédito relativas a encargos de capacidade de transporte relacionados ao transporte de gás natural(contratos do tipo “ship or pay”). Vencidos os Conselheiros Wagner Mota Momesso de Oliveira e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe, que negavam provimento ao recurso na matéria. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, para manter as glosas sobre os gastos descritos como afretamento de aeronaves. Vencidas as Conselheiras Onízia de Miranda Aguiar Pignataro e Aline Cardoso de Faria, que davam provimento ao recurso na matéria. Assinado Digitalmente Rafael Luiz Bueno da Cunha – Relator Assinado Digitalmente Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Wagner Mota Momesso de Oliveira, Juciléia de Souza Lima, Rafael Luiz Bueno da Cunha, Onizia de Miranda Aguiar Pignataro, Aline Cardoso de Faria, Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente).
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NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FASE PRÉ-PROCESSUAL. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em ofensa à ampla defesa na fase de auditoria, inexistindo ainda imputação de infração ou não reconhecimento de direito creditório. Os princípios do contraditório e da ampla defesa são de observância obrigatória na fase litigiosa do processo administrativo fiscal, que, no caso de pedido de restituição, tem início com a apresentação de manifestação de inconformidade ao despacho decisório denegatório do direito creditório. DIREITO DE CRÉDITO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Inexiste norma legal determinando a homologação tácita do pedido de restituição de indébito tributário no prazo de 5 anos, não se lhes aplicando os prazos decadenciais para lançamento nem o prazo para homologação de compensações. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/2014 a 30/11/2014 CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS NÃO RETIFICADAS. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 231. A apuração extemporânea de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins só é admitida mediante retificação das declarações e demonstrativos correspondentes, a exemplo do EFD-Contribuições, conforme Súmula CARF nº 231. Fl. 5459DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.141 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.902024/2018-41 2 NÃO CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS. SERVIÇOS PORTUÁRIOS. INSUMO. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. A ausência de comprovação de que os serviços portuários estão inseridos na atividade produtiva impossibilita sua inclusão na base de creditamento das contribuições a título de insumos. NÃO CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS. AFRETAMENTO DE EMBARCAÇÕES. POSSIBILIDADE. O afretamento de embarcações utilizadas nas atividades da empresa dá direito ao crédito das contribuições ao PIS e da COFINS, nos termos do artigo 3º, inciso IV, das Leis nº 10.833/03 e 10.637/02. NÃO CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS. AFRETAMENTO DE AERONAVES. IMPOSSIBILIDADE. O afretamento de aeronaves utilizadas para transporte de funcionários não dá direito ao crédito das contribuições ao PIS e da COFINS a título de insumos, pois estes somente contemplam aquisição de bens ou serviços, e não a locação, de que é espécie o afretamento. Por sua vez, o inciso IV do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 também não é aplicável, pois se limite a “prédios, máquinas e equipamentos”. NÃO CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS. EXISTÊNCIA DO CRÉDITO ALEGADO. CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DA PROVA. A restituição de créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do direito pleiteado, cujo ônus é do contribuinte. NÃO CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS. TRANSPORTE FIRME DE GÁS NATURAL. ENCARGO DE CAPACIDADE DE TRANSPORTE. “SHIP OR PAY”. POSSIBILIDADE. As despesas relacionadas ao encargo de capacidade de transporte, componente estrutural da tarifa de transporte cobrada pelo serviço de transporte firme de gás natural, compõem a base de cálculo das contribuições não cumulativas. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer, em parte, do recurso voluntário, não conhecendo da prova documental apresentada em sede de recurso, e em rejeitar as preliminares de nulidade do despacho decisório por cerceamento do direito de defesa e de homologação tácita da obrigação tributária (decadência) para, no mérito, dar-lhe parcial Fl. 5460DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.141 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.902024/2018-41 3 provimento, da seguinte forma: (1) por unanimidade, (a) reverter as glosas de crédito relativas ao contrato nº 0870.0090463.14.2, firmado com a Woody Group Kenny do Brasil Serviços de Engenharia LTDA; e (b) reverter as glosas de crédito com afretamentos de embarcações; e (2) por maioria de votos, em reverter as glosas de crédito relativas a encargos de capacidade de transporte relacionados ao transporte de gás natural(contratos do tipo “ship or pay”). Vencidos os Conselheiros Wagner Mota Momesso de Oliveira e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe, que negavam provimento ao recurso na matéria. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, para manter as glosas sobre os gastos descritos como afretamento de aeronaves. Vencidas as Conselheiras Onízia de Miranda Aguiar Pignataro e Aline Cardoso de Faria, que davam provimento ao recurso na matéria. Assinado Digitalmente Rafael Luiz Bueno da Cunha – Relator Assinado Digitalmente Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Wagner Mota Momesso de Oliveira, Juciléia de Souza Lima, Rafael Luiz Bueno da Cunha, Onizia de Miranda Aguiar Pignataro, Aline Cardoso de Faria, Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente). RELATÓRIO Tratam os autos do Pedido Eletrônico de Restituição (PER) nº 40198.79147.280318.1.2.04-7835, transmitido em 28/03/2018, por meio do qual são pleiteados R$ 42.308.504,87 que teriam sido recolhidos a maior por meio de DARF em 24/12/2014 a título de Contribuição para o PIS relativa ao período de apuração 11/2014. Em 08/01/2019, foi emitido o Despacho Decisório Eletrônico de fls. 618-620, indeferindo integralmente o pedido de restituição. Em 18/12/2019, a 17ª Turma da DRJ07 declarou nulo o referido despacho por motivação inadequada, determinando que outro fosse proferido. Assim, após realização de procedimento fiscal para análise dos créditos objetos do pedido de restituição, em 12/12/2022 foi emitido o Despacho Decisório de fls. 2712-2714 que, com base no Relatório de Verificação Fiscal de fls. 2654-2711, não reconheceu, na sua totalidade, o direito creditório pleiteado. Fl. 5461DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.141 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.902024/2018-41 4 O não reconhecimento se deveu ao entendimento, pela autoridade fiscal, de que a recorrente incorporou indevidamente à base de cálculo dos créditos passíveis de dedução do valor devido da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS: Créditos extemporâneos Despesas portuárias Despesas com projetos Despesas com afretamento de aeronaves e embarcações Despesas de viagem Despesas com serviços sem comprovação de enquadramento como insumo Despesas relacionadas a contratos do tipo “Ship or pay” Cientificada da decisão, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade, em que aduz, preliminarmente, (i) violação do direito à ampla defesa e (ii) decadência do direito de revisar de ofício a obrigação tributária. No mérito, contesta as glosas relacionadas a (i) Créditos extemporâneos (ii) Despesas portuárias (iii) Despesas com projetos (iv) Afretamento de aeronaves e embarcações (v) Despesas de viagem (vi) Despesas serviços sem comprovação enquadramento insumo e (vii) Despesas do tipo Ship por Pay. Também se insurgiu contra o cálculo dos créditos glosados. A 17ª Turma da DRJ07, por meio do Acórdão nº 107-023.613, considerou a manifestação de inconformidade parcialmente procedente, reconhecendo créditos de R$ 4.306,89 relativos a notas fiscais incluídas indevidamente como crédito extemporâneo no cálculo da autoridade fiscal, decisão da qual a recorrente foi cientificada em 02/08/2024. Irresignada, em 02/09/2024, interpôs o Recurso Voluntário de fls. 4762-4804, em que repisa os argumentos trazidos em sua Manifestação de Inconformidade e, em síntese, requer que seja dado provimento ao recurso, com o reconhecimento da integralidade do indébito declarado e o deferimento de sua restituição. É o relatório. VOTO Conselheiro Rafael Luiz Bueno da Cunha, Relator 1. Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. 2. Preliminares Fl. 5462DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.141 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.902024/2018-41 5 Como preliminares ao mérito, a recorrente suscitou a nulidade do despacho decisório por cerceamento do direito de defesa e a decadência do direito de a administração tributária revisar sua obrigação tributária no âmbito do pedido de restituição formulado. Passemos à análise dessas matérias. 2.1. Cerceamento de defesa Em sede preliminar, a recorrente suscita a nulidade do despacho decisório, alegando que os prazos exíguos fornecidos durante o procedimento fiscal para que se manifestasse e apresentasse documentação comprobatória de seu direito de crédito teriam violado seu direito à ampla defesa. Não assiste razão à recorrente. A etapa que precede a emissão do despacho decisório é procedimental e apuratória. Essa é uma fase pré-processual, em que ainda não há litígio instaurado, não havendo que se falar em ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, cuja observância se dá, obrigatoriamente, na fase litigiosa. Esta, por sua vez, instaura-se com a apresentação da impugnação da exigência ou, no caso de direito creditório, da manifestação de inconformidade, conforme art. 14 do Decreto nº 70.235/1976. Nesse sentido: Acórdão 9101-004.214, de 06/06/2019, Rel. Cons. Demetrius Nichele Macei DESPACHO DECISÓRIO. PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NA FASE DE AUDITORIA INTERNA. FASE PRÉ-PROCESSUAL. PRELIMINAR REJEITADA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa na fase de auditoria interna, inexistindo ainda acusação ou imputação de infração, mas tão-somente investigação fiscal. Os princípios do contraditório e da ampla defesa são de observância obrigatória na fase do devido processo legal administrativo fiscal, que, no caso de declaração de compensação, tem início com a apresentação de manifestação de inconformidade ao despacho decisório denegatório do direito creditório. Dessa forma, rejeito a preliminar de nulidade suscitada. 2.2. Homologação tácita da obrigação tributária (decadência) Também em sede preliminar, a recorrente alega que teria operado contra a Fazenda Pública a decadência do direito de verificar seus débitos tributários para fins de apuração do direito creditório pleiteado em virtude do disposto no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN). Argumenta que: [...] uma vez declarada a obrigação tributária pelo contribuinte, com a efetivação do seu pagamento, a fiscalização possui o prazo de 5 anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, para se pronunciar e revisar o lançamento. Fl. 5463DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.141 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.902024/2018-41 6 Nada sendo feito, nesse prazo, não só o crédito tributário se torna líquido e certo, como também os pontos da apuração que determinaram a sua origem (repisa-se, ato jurídico complexo que é), não havendo qualquer ressalva legal que autorize que seus efeitos deixem de repercutir, inclusive, para fins de restituição de indébito tributário. Sem razão a recorrente. O §4º do art. 150 do CTN, invocado pela recorrente, trata do prazo decadencial para homologação do denominado autolançamento. O caso sob análise não trata de lançamento tributário, mas sim de pedido de restituição de indébito, em que a autoridade tributária tem o dever de apurar a liquidez e a certeza do crédito. Para isso, deve, necessariamente, analisar e cotejar os créditos e os débitos do período de origem do crédito pleiteado. Em relação ao procedimento de reconhecimento de direito de crédito, a legislação não impõe prazo findo o qual ocorre a “homologação tácita” do pedido feito pelo contribuinte. A jurisprudência deste Conselho é tranquila nesse sentido: Acórdão 3302-009.279, de 27/08/2020, Rel. Cons. Vinicius Guimarães ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PRAZOS INAPLICÁVEIS. Nos pedidos de restituição não se aplicam os prazos decadenciais para lançamento nem o prazo de homologação de compensações. A análise de pedidos de restituição não se confunde com o procedimento de constituição do crédito tributário - daí não se falar em prazo decadencial para a apreciação da restituição, nem com o procedimento de análise de declarações de compensação - ao qual se aplica, de forma exclusiva, o prazo de cinco anos para a apreciação da compensação, sob pena de homologação tácita. Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do pedido de restituição no prazo de 5 anos. O artigo 74 da Lei nº 9.430/1996 cuida de prazo para homologação de declaração de compensação, não se aplicando à apreciação de pedidos de restituição. Por sua vez, os prazos decadenciais previstos no art. 150, caput e § 4º, e no art. 173, ambos do Código Tributário Nacional, são limites temporais que se aplicam exclusivamente aos casos de lançamento tributário, procedimento que não se confunde com a análise de pedidos de restituição. Acórdão 3402-009.672, de 24/11/2021, Rel. Cons. Thais De Laurentiis Galkowicz ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2006 Fl. 5464DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.141 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.902024/2018-41 7 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Inexiste norma legal determinando a homologação tácita do pedido de restituição de indébito tributário no prazo de 5 anos. O artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de pedidos de restituição ou ressarcimento. Ante o exposto, rejeito a preliminar suscitada. 3. Mérito Como visto, tratam os autos de pedido de restituição de crédito de COFINS não cumulativa apurado pela recorrente na aquisição de bens e serviços utilizados na atividade da empresa. Parte das despesas incluídas na base de crédito foi glosada pela unidade responsável pela análise do pedido de restituição. Do montante glosado, parte foi revertida pela autoridade julgadora de primeira instância. Contra a decisão, foi apresentado o Recurso Voluntário ora em apreço, em que remanesce a controvérsia em relação às seguintes glosas: Créditos extemporâneos Despesas portuárias Despesas com projetos Despesas com afretamento de aeronaves e embarcações Despesas de viagem Despesas com serviços sem comprovação de enquadramento como insumo Despesas relacionadas a contratos do tipo “Ship or pay” Passemos à análise de cada umas das matérias acima. 3.1. Créditos extemporâneos Conforme consta do Relatório de Verificação Fiscal que fundamentou o Despacho Decisório, foram glosados da base de cálculo dos créditos dedutíveis da COFINS os valores relativos a aquisições em datas anteriores a 30 dias do início do período de apuração, denominados “créditos extemporâneos”. Trata-se de créditos escriturados nos registros A100/A170 e D100/D105 da EFD-Contribuições relativa a período de apuração diverso daquele em que o crédito se originou. Tal apropriação extemporânea, no entanto, não foi acompanhada da retificação das declarações referentes a cada um dos meses cuja apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins foi por ela impactada. Em seu Recurso Voluntário, a recorrente limita-se a colacionar jurisprudência favorável a seu pleito e a afirmar que “deve-se considerar que não há qualquer prejuízo ao Fisco, pelo contrário, uma vez que os créditos são aproveitados em seu valor nominal, sem atualização (art. 13 da Lei nº 10.833/2003)” Fl. 5465DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.141 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.902024/2018-41 8 Não assiste razão à recorrente. A discussão sobre a necessidade ou não de retificação das obrigações acessórias para aproveitamento de créditos extemporâneos não é nova no âmbito deste Conselho. No entanto, o tema não merece maiores digressões neste voto, haja vista que se trata de matéria objeto de Súmula deste Conselho. Trata-se da Súmula CARF nº 231: SÚMULA CARF Nº 231 Aprovada pela 3ª Turma da CSRF em sessão de 05/09/2025 – vigência em 16/09/2025 O aproveitamento de créditos extemporâneos da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS exige a apresentação de DCTF e DACON retificadores, comprovando os créditos e os saldos credores dos trimestres correspondentes. Importa salientar que a Súmula em questão é de observância obrigatória por parte deste colegiado, conforme dispõe o art. 25, inciso II e §13º do Decreto nº 70.235/1977. Art. 25. O julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001) [...] II – em segunda instância, ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, com atribuição de julgar recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] § 13. Os órgãos julgadores referidos nos incisos I e II do caput deste artigo observarão as súmulas de jurisprudência publicadas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. (grifamos) Por fim, vale dizer que, embora o caso concreto não envolva DACON, mas sim de EFD-Contribuições, obrigação acessória que sucedeu a DACON, os fundamentos da súmula se mantêm e ela deve, obrigatoriamente, ser aplicada ao caso dos autos. Ante o exposto, nego provimento ao recurso também nesse tópico recursal. 3.2. Glosas relativas a aquisições de bens e serviços não enquadrados como insumos Como visto, foram glosados créditos tomados sobre “despesas portuárias”, “despesas com projetos”, “despesas com afretamento de aeronaves e embarcações”, “despesas de viagem”, “despesas de serviços sem comprovação de enquadramento como insumo” e “despesas relacionadas a contratos do tipo ship or pay” em virtude de a autoridade fiscal ter entendido que não se trata de aquisições de bens ou serviços que denotam o conceito de insumo. Fl. 5466DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.141 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.902024/2018-41 9 Assim, antes de analisar os itens glosados no procedimento fiscal, importante sintetizar os critérios a partir dos quais o conceito de insumo contido no art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003 deve ser aferido para fins de creditamento da Contribuição para o PIS e da COFINS. O tema foi apreciado pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no julgamento do Recurso Especial (REsp) nº 1.221.170/PR, que se deu sob a sistemática dos recursos repetitivos e em que foram firmadas as seguintes teses (Temas Repetitivos 779 e 780): (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não- cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Portanto, os critérios determinantes para que um bem ou serviço denote o conceito de insumo para fins de creditamento das contribuições deve levar em conta sua essencialidade ou relevância na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. É importante frisar que a essencialidade e a relevância referidas pela decisão do STJ relacionam-se à atividade produtiva, e não a qualquer atividade no âmbito de uma empresa, em consonância com o que prevê o art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003, abaixo transcrito. Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (grifo nosso) É nesse sentido a Nota SEI nº 63/2018, editada pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional com o fim de analisar a decisão do STJ. [...] tal aferição deve se dar considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item para o desenvolvimento da atividade produtiva, consistente na produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços. Fl. 5467DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.141 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.902024/2018-41 10 Também nesse sentido é o Parecer Normativo COSIT/RFB nº 05/2018, editado pela Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil (RFB). 15. Neste ponto já se mostra necessário interpretar a abrangência da expressão “atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”. Conquanto essa expressão, por sua generalidade, possa fazer parecer que haveria insumos geradores de crédito da não cumulatividade das contribuições em qualquer atividade desenvolvida pela pessoa jurídica (administrativa, jurídica, contábil etc.), a verdade é que todas as discussões e conclusões buriladas pelos Ministros circunscreveram-se ao processo de produção de bens ou de prestação de serviços desenvolvidos pela pessoa jurídica. 16. Aliás, esta limitação consta expressamente do texto do inciso II do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003, que permite a apuração de créditos das contribuições em relação a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda”. 17. Das transcrições dos excertos fundamentais dos votos dos Ministros que adotaram a tese vencedora resta evidente e incontestável que somente podem ser considerados insumos itens relacionados com a produção de bens destinados à venda ou com a prestação de serviços a terceiros, o que não abarca itens que não estejam sequer indiretamente relacionados com tais atividades. (grifo nosso) Assentadas essas premissas interpretativas, pertinente trazer algumas considerações sobre a atividade desenvolvida pela recorrente. Conforme consta dos autos, nos termos do art. 3º de seu Estatuto Social, a recorrente se dedica à pesquisa, à lavra, à refinação, ao processamento, ao comércio e ao transporte de petróleo proveniente de poço, de xisto ou de outras rochas, de seus derivados, de gás natural e de outros hidrocarbonetos fluidos, além das atividades vinculadas à energia, podendo promover a pesquisa, o desenvolvimento, a produção, o transporte, a distribuição e a comercialização de todas as formas de energia, bem como quaisquer outras atividades correlatas ou afins. Além disso, conforme documento intitulado “Cadeia Integrada das Atividades da Petrobras” (fls. 723-743), a cadeia produtiva da recorrente é realizada de forma integrada nos diversos setores da indústria de exploração e produção de petróleo e gás natural, passando pela fase de upstream até a fase de downstream, abrangendo as seguintes atividades: i. exploração e produção de petróleo e gás natural; ii. refino, comercialização e transporte de combustíveis e derivados; iii. produção, comercialização e transporte de gás natural e derivados; iv. geração e comercialização de energia elétrica; e v. produção e comercialização de fertilizantes. Fl. 5468DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.141 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.902024/2018-41 11 A recorrente também destaca que, “para manter a integração do seu processo produtivo, a Petrobras mantém diversos estabelecimentos com ativos estratégicos situados em todo o território nacional:” i. bacias de exploração e produção de petróleo e gás natural; ii. refinarias; iii. gasodutos, terminais e oleodutos; iv. termelétricas; e v. fábricas de fertilizantes. Tendo isso em vista, passemos à análise dos itens sob discussão. 3.2.1. Despesas portuárias A autoridade fiscal glosou créditos denominados “despesas portuárias”, escrituradas nos Registros A100-170 e F100 das EFD-Contribuições transmitidas pela recorrente e descritas como “manutenção em área portuária”, “movimentação marítima de cargas”, “obras portuárias”, “projetos obras portuárias”, “rebocadores portuários” e “utilização de portos”, por entender que se trata de despesas com serviços que não integram a etapa de produção da recorrente, de maneira que não se caracterizam como insumo. Por sua vez, a recorrente alega que tais serviços fazem parte de sua atividade econômica. Afirma em sua Manifestação de Inconformidade que sua atividade não se restringe à atividade marítima e que “o simples bom senso se presta a desconstruir o entendimento” da autoridade fiscal. O acórdão recorrido não acolheu as razões apresentadas e manteve as glosas. Inconformada, em seu Recurso Voluntário, a recorrente voltou a se insurgir, sustentando que o acórdão recorrido: [...] deixou de analisar o caso concreto do processo, que diz respeito aos gastos feitos por uma empresa cuja atividade se concentra na exploração e produção de óleo e gás em alto mar, atividade esta notoriamente dependente do apoio das Fl. 5469DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.141 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.902024/2018-41 12 atividades portuárias para o embarque e desembarque de pessoal, equipamentos e materiais para as unidades de operação industrial [...]. Traz também normas relativas à obrigatoriedade de contratação de rebocadores para atracação e desatracação nos portos. E continua para defender que os serviços de praticagem são de contratação obrigatória: Da mesma forma que os rebocadores, a contratação de serviços de praticagem é obrigatória para a atração e desatracação em alguns Portos, a depender das Normas e Procedimentos da Capitania dos Portos de cada Estado brasileiro e em consonância com o disposto na NORMAN-12/DCP. A ausência da contratação do profissional prático impede a atracação e desatracação da embarcação da empresa de apoio marítimo a depender do Porto em que a operação vier a ser realizada, impossibilitando o embarque e desembarque de profissionais e suprimentos para aquela embarcação. Além disso, aduz argumentos relativos a serviços aduaneiros, denotando que estes também estariam englobados pelos registros mencionados. No escopo da atividade de operação de uma embarcação estão incluídos os serviços aduaneiros, necessários para a importação de bens aplicados nas embarcações, incluindo o transporte dos bens do local da importação até a base operacional. A indústria de petróleo e gás natural, sabidamente, é uma área de atuação de profissionais, tecnologias e bens estrangeiros, sendo, portanto, necessário o devido suporte de empresas especializadas para a correta realização de todo o processo de despacho aduaneiro de bens. Ora, a depender do bem importado, a ausência do despacho aduaneiro (incluindo aqui o transporte até o local de uso) ou ainda a sua realização de forma indevida, traz consequências relevantes na operação de uma embarcação. Não há dúvidas de que, pelo porte e pelo objeto da recorrente, o desenvolvimento de sua atividade econômica é extremamente complexo e envolve inúmeras etapas, inclusive no que diz respeito especificamente à atividade produtiva. A despeito desse fato, não se pode perder de vista que a legislação permite o desconto de créditos das contribuições a título de insumos especificamente em relação aos bens e serviços utilizados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. No caso concreto, os itens glosados foram descritos como “manutenção em área portuária”, “movimentação marítima de cargas”, “obras portuárias”, “projetos obras portuárias”, “rebocadores portuários” e “utilização de portos”. Em sua defesa, a recorrente não faz qualquer menção a que se referem as despesas com “manutenção em área portuária”, “obras portuárias”, “projetos obras portuárias”, “utilização de portos” ou “movimentação marítima de cargas”, focando sua defesa na contratação de serviços de rebocadores portuários, de serviços de praticagem e de “serviços aduaneiros, necessários para a importação de bens aplicados nas Fl. 5470DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.141 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.902024/2018-41 13 embarcações”, estes dois últimos sequer inferíveis por meio das descrições genéricas constantes da escrituração na EFD-Contribuições. Embora seja crível que serviços de natureza portuária possam se enquadrar como insumos a depender da fase em que estão inseridos, não há nos autos segregação e especificação suficiente das etapas em que os serviços pleiteados são aplicados na atividade produtiva (e não econômica) da recorrente, de maneira que não é possível a concessão indiscriminada de créditos a título de insumo. Argumentos de cunho genérico, como “o simples bom senso se presta a desconstruir o entendimento” ou “atividade notoriamente dependente do apoio das atividades portuárias”, sem especificar a participação de cada um dos itens glosados, não se prestam a fazer prova em favor do direito requerido. Conforme documento “Cadeia Integrada das Atividades da Petrobrás”, a etapa de exploração consiste no “conjunto de operações ou atividades destinadas a avaliar áreas, objetivando a descoberta e a identificação de jazidas de petróleo ou gás natural”. Trata-se, portanto, de etapa prévia à produção e que, pela sua natureza, quando realizada no ambiente marítimo, requer apoio portuário. No entanto, por não estar inserida na produção, os serviços portuários associados a essa etapa não podem ser caracterizados como insumos, a menos que haja, de fato, resultado produtivo vinculado a ela. Nesse sentido o Parecer Normativo COSIT nº 5/2018. 27. [...] somente haverá insumos geradores de créditos das contribuições se o processo no qual estão inseridos efetivamente resultar em um bem destinado à venda ou em um serviço disponibilizado ou prestado a terceiros (esforço bem- sucedido). Daí conclui-se não haver insumos permissivos de creditamento em atividades que não geram tais resultados, como em pesquisas, projetos abandonados, projetos infrutíferos etc. [...] 8.2. PESQUISA E PROSPECÇÃO DE RECURSOS MINERAIS E ENERGÉTICOS 117. No mesmo contexto dos dispêndios das pessoas jurídicas em geral com pesquisa e desenvolvimento, encontram-se os dispêndios com pesquisa e prospecção de recursos minerais e energéticos. 118. Conquanto ainda não tenham sido editadas normas contábeis específicas posteriores aos novos métodos e critérios contábeis introduzidos pela Lei nº 11.638, de 2007, permanece aplicável a tais dispêndios a exigência explanada na seção de análise geral do conceito fixado na decisão judicial em estudo de que haja ao final do processo um bem destinado à venda ou um serviço disponibilizado a terceiros (esforço bem-sucedido) para que haja insumos geradores de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. (grifo nosso) Ademais, apesar de a recorrente produzir derivados de petróleo, comercializa também óleo cru, caso em que a etapa em que são realizados os serviços portuários aqui tratados podem estar inseridos após a cadeia produtiva. Por exemplo, a contratação de serviços de Fl. 5471DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.141 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.902024/2018-41 14 rebocadores e de serviços de praticagem pode estar associada à exportação do petróleo, o que inviabiliza seu reconhecimento como insumo do processo produtivo, conforme entendimento deste Conselho. Acórdão 9303-015.265, de 10/06/2024, Rel. Cons. Alexandre Freitas Costa Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011 [...] CRÉDITOS. DESPESAS PORTUÁRIAS. OPERAÇÕES DE EXPORTAÇÃO. NÃO CABIMENTO. Não há como caracterizar que esses serviços portuários de exportação seriam insumos do processo produtivo para a produção de açúcar e álcool. Não se encaixarem no conceito quanto aos fatores essencialidade e relevância, na linha em que decidiu o STJ. Tais serviços não decorrem nem de imposição legal e nem tem qualquer vínculo com a cadeia produtiva do Contribuinte. Tais exemplos demonstram ser imprescindível que se proceda à devida segregação e especificação da aplicação dos serviços a fim de recuperar créditos das contribuições a título de insumo, o que não foi feito no presente caso. Por fim, cabe dizer que, subsidiariamente, a recorrente requereu o enquadramento das despesas ora em discussão como frete ou armazenagem na operação de venda, com base no art. 3º inciso IX, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Pelo que consta dos autos, não há qualquer despesa de frete (transporte) ou armazenagem nesse tópico, quanto menos relacionadas à operação de venda, de maneira que não há como atender ao pleito da recorrente também sob essa perspectiva. Assim, em vista da falta de segregação e de comprovação da aplicação dos itens glosados nas etapas do processo produtivo da recorrente, bem como por não se tratar de despesa de transporte ou de armazenagem na operação de venda, voto por manter as glosas sobre as despesas denominadas “despesas portuárias”. 3.2.2. Despesas com projetos Também foram glosadas da base de cálculo dos créditos da COFINS despesas escrituradas nos Registros A100-170 e F100 das EFD-Contribuições a título de despesas com projetos consideradas pela autoridade fiscal como consultoria técnica de detalhamento e execução de projetos ocorridas em etapa anterior ou posterior à produção, razão pela qual entendeu não se tratar de insumos. O detalhamento das glosas está nas planilhas "Anexo do Relatório Fiscal – ANEXO II.2A” (fls. 2025-2148) e "Anexo do Relatório Fiscal – ANEXO II.2B” (fls. 2149-2150). A recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando que em relação às glosas sob análise: Fl. 5472DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.141 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.902024/2018-41 15 [...] evidencia-se uma dedução por parte do auditor fiscal sem qualquer amparo nos documentos apresentados pela contribuinte, no sentido de que tudo seria consultoria técnica. Está evidente, portanto, que não houve comprovação suficiente a sustentar as glosas realizadas. [...] Da simples leitura dos itens acima, evidenciam-se gastos ligados a projetos industriais, destinados ao investimento da atividade empresarial. Correspondem, pois a serviços prestados, todos ligados à realização de projetos de engenharia nas instalações industriais da requerente, sendo irrefutável, portanto, a sua caracterização como insumo para fins de creditamento de PIS e COFINS, pelas mesmas razões já expostas nos itens anteriores. Ao apreciar a Manifestação de Inconformidade apresentada pela recorrente, a autoridade julgadora de primeira instância consignou que: [...] os dispêndios com estudos, projetos, serviços de engenharias, apoio administrativo relativo à administração de obras, serviços de sondagem, testes, amostras e análise sejam passíveis de creditamento é necessária a comprovação de que sua aplicação resultou, efetivamente, a extração e venda de petróleo (esforço bem-sucedido). Como não restou demonstrada e comprovada a vinculação da tais dispêndios no período ora analisado a um esforço bem-sucedido, não há como analisar a possibilidade de creditamento da contribuição em relação a esses dispêndios. Em seu Recurso Voluntário, repisa os argumentos anteriores e sustenta que: Embora o acórdão da DRJ mencione que a documentação apresentada pela recorrente, neste tópico, não comprovaria a vinculação dos gastos à atividade da empresa, não houve, de fato, uma análise dos contratos apresentados em relação ao seu processo produtivo. Pois bem, entendo que aqui assiste razão parcial à recorrente. Vejamos. Em relação às pessoas jurídicas contratadas pela recorrente que constam das glosas relacionadas nas planilhas "Anexo do Relatório Fiscal – ANEXO II.2A” e "Anexo do Relatório Fiscal – ANEXO II.2B”, compulsando os autos, foram encontrados contratos com as seguintes empresas: Woody Group Kenny do Brasil Serviços de Engenharia LTDA – CNPJ 07.026.839/0001-48 (contrato às fls. 4426-4494) PCP Engenharia e Montagens Industriais LTDA – CNPJ 31.472.558/0002-84 (contrato às fls. 4060-4206) Suporte Consultoria e Projetos LTDA – CNPJ 29.419.512/0001-79 (contrato às fls. 4274-4343) Fl. 5473DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.141 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.902024/2018-41 16 Com relação às glosas de outros prestadores, em relação aos quais não houve apresentação de contrato que comprovassem que se trata de serviços relacionados à atividade produtiva da recorrente, considero que não há reforma a fazer no acórdão. Nesse contexto, releva destacar que o ônus de comprovar o direito creditório pleiteado é do interessado, nos termos do art. 36 da Lei nº 9.784/1999 e do art. 373, inciso I, do CPC, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal. Nesse sentido: Acórdão 9303-015.440, de 13/06/2024, Relatora Cons. Liziane Angelotti Meira ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 [...] DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. Em se tratando de direito creditório, é do interessado o ônus da prova, conforme previsto na legislação processual administrativa e civil (art. 36 da Lei 9.784/99 e art. 333, I, do antigo CPC). (grifo nosso) Isto posto, passemos à análise dos contratos apresentados para avaliar a pertinência dessas glosas. 3.2.2.1. Woody Group Kenny do Brasil Serviços de Engenharia LTDA O contrato nº 0870.0090463.14.2, firmado pela recorrente com a Woody Group (fls. 4257-4425), teve por objeto “a prestação dos serviços de elaboração de projeto conceitual, básico e detalhado de dutos rígidos submarinos, risers e equipamentos”, conforme consta da cláusula primeira. No anexo I – Memorial Descritivo dos Serviços, os serviços são descritos de maneira pormenorizada. O escopo principal está na elaboração de projetos conceitual, básico e detalhado de dutos rígidos, risers, equipamentos submarinos e respectivos componentes e acessórios. Fl. 5474DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.141 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.902024/2018-41 17 No site da recorrente1, lê-se que risers são: Rígidos ou flexíveis, os risers são os trechos suspensos das tubulações que interligam as linhas de produção submarinas (vindas de uma árvore de natal molhada ou de um manifold) às plataformas. Podem também ser utilizados para conduzir fluidos da superfície até o leito marinho, como os risers de injeção e de exportação. Portanto, está claro que os dutos submarinos e risers objeto do contrato fazem parte da infraestrutura necessária à produção de petróleo e gás pela recorrente. Assim, entendo que as despesas com serviços para elaboração de projetos para seu desenvolvimento faz jus à dedução a título de insumo. Assim, voto por reverter as glosas de créditos relacionadas ao contrato nº 0870.0090463.14.2, firmado com a Woody Group Kenny do Brasil Serviços de Engenharia LTDA. 3.2.2.2. PCP Engenharia e Montagens Industriais LTDA O contrato nº 2050.0060885.10.2, firmado pela recorrente com a PCP Engenharia e Montagens Industriais LTDA (fls. 4060-4206), teve por objeto “serviços de Modificações e Reparos Navais nas Plataformas Próprias de Perfuração da US-SS”, conforme consta de sua cláusula primeira. O contrato em questão foi firmado em 20/09/2010 e sua cláusula quarta dispõe que “o prazo de vigência do presente contrato é de 1.095 (mil e noventa e cinco) dias, contados da data de início indicada na primeira Autorização de Serviço (AS) emitida pela PETROBRAS”. O contrato previu, ainda, possibilidade de prorrogação por igual período mediante Termo Aditivo. 1 https://nossaenergia.petrobras.com.br/w/inovacao/conheca-seis-equipamentos-submarinos-da-petrobras-o-que- sao-e-para-que-servem Fl. 5475DF CARF MF Original https://nossaenergia.petrobras.com.br/w/inovacao/conheca-seis-equipamentos-submarinos-da-petrobras-o-que-sao-e-para-que-servem https://nossaenergia.petrobras.com.br/w/inovacao/conheca-seis-equipamentos-submarinos-da-petrobras-o-que-sao-e-para-que-servem D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.141 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.902024/2018-41 18 No entanto, não foi apresentada Autorização de Serviço inicial nem Termo Aditivo. Tendo em vista que se trata de contrato firmado em 09/2010 com vigência de cerca 3 anos (1.095 dias), considero pouco verossímil, com os elementos constantes dos autos, que se trate de contrato vigente no período objeto de análise, qual seja, 11/2014. Entendo que faltam elementos comprobatórios nesse sentido. Dessa forma, voto por manter as glosas relativas ao contrato nº 2050.0060885.10.2, firmado com a PCP Engenharia e Montagens Industriais LTDA. 3.2.2.3. Suporte Consultoria e Projetos LTDA O contrato nº 6000.0026073.06.2, firmado pela recorrente com a Suporte Consultoria e Projetos LTDA (fls. 4274-4343), teve por objeto “serviços de consultoria de engenharia estrutural e de suporte técnico em situações de emergência para plataformas marítimas fixas E&P, incluindo levantamento de campo, elaboração de desenhos em microstation e análise estrutural”, conforme consta de sua cláusula primeira. O contrato em questão foi firmado em 06/11/2006 e sua cláusula quarta dispõe que “o presente contrato terá duração de 1.826 (mil oitocentos e vinte e seis) dias corridos, contados a partir da data estabelecida na Autorização de Serviço – AS inicial”. O contrato previu, ainda, possibilidade de prorrogação por igual período mediante Termo Aditivo. Entretanto, não foi apresentada Autorização de Serviço inicial nem Termo Aditivo. Tendo em vista que se trata de contrato firmado em 2006 com vigência de cerca 5 anos (1.826 dias corridos), considero pouco verossímil, com os elementos constantes dos autos, que se trate de contrato vigente no período objeto de análise, qual seja, 11/2014. Entendo que faltam elementos comprobatórios nesse sentido. Dessa forma, voto por manter as glosas relativas ao contrato nº 6000.0026073.06.2, firmado pela recorrente com a Suporte Consultoria e Projetos LTDA. 3.2.3. Despesas com afretamento de aeronaves e embarcações A autoridade fiscal também glosou créditos sobre despesas com afretamento de aeronaves e embarcações escrituradas nos Registros A100-170 e F100 das EFD-Contribuições transmitidas pela recorrente, por entender que somente há previsão legal para a inclusão de tais despesas na base de cálculo de créditos de PIS/Cofins quando o afretamento for contratado no exterior e houver pagamento efetivo das contribuições “sobre o valor pago, creditado, entregue, empregado ou remetido à pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, referente a aluguéis [...] embarcações e aeronaves utilizados na atividade da empresa”, destacando que não é o caso dos autos, em que “a totalidade dos registros em questão diz respeito a contratações originadas no mercado interno [...]”. Além disso, a autoridade fiscal também entendeu que os afretamentos de aeronaves e embarcações não se enquadrariam como aluguel de “prédios, máquinas e equipamentos”, única hipótese normativa prevista para o creditamento com aluguel. Fl. 5476DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.141 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.902024/2018-41 19 Inconformada com as glosas, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade, em que enfatiza que as aeronaves e embarcações afretadas são utilizadas para o transporte de pessoal, materiais, equipamentos e produtos até suas plataformas de exploração de petróleo e gás em alto mar, além de realizar atividades de apoio marítimo e manutenção de plataformas. No sentido de comprovar essas afirmações, colaciona o objeto de diversos desses contratos de afretamento. Ao apreciar a peça de defesa, o acórdão recorrido manteve as glosas, sob os argumentos de que: [...] mesmo que se considere o contrato de afretamento como se aluguel fosse, a legislação prevê apenas uma hipótese legal de apuração de crédito, tendo como base de cálculo despesas dessa espécie ("aluguel de embarcações"), a saber, os gastos realizados em decorrência de contratos firmados com empresas estrangeiras, conforme disposto no inciso IV do art. 15 da Lei nº 10.865/2004 e a Instrução Normativa RFB nº 2.121/2022 [...] [...] [...] a legislação traz benefício especificamente direcionado para o aluguel de prédios, máquinas e equipamentos e para a contraprestação do arrendamento mercantil. Sendo assim, por falta de referência expressa no dispositivo legal, não se pode cogitar que o benefício abranja outros valores que não os que se refiram aos referidos bens e à natureza mercantil do arrendamento. [...] Portanto, não se enquadrando nem no inciso IV ("aluguel"), nem no inciso V ("arrendamento"), do art. 3º, das Leis n° 10.637/202 e 10.833/2003, não há possibilidade de se reconhecer o direito creditório no afretamento das embarcações. Irresignada, a recorrente voltou a se insurgir contra as glosas em seu recurso voluntário, repisando os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade e sustentando que: [...] as despesas com afretamento devem ser consideradas insumos porque, sem elas, simplesmente não existe exploração e produção de petróleo e gás natural e, consequentemente, receita passível de se sujeitar ao PIS e à COFINS. [...] [...] há ainda uma outra possibilidade de interpretação, que foi a adotada no acórdão 3301-010.376, de 22/06/2021 (e também no acórdão 3301.010.374), que versou sobre crédito de afretamento de embarcação da pela Transpetro, onde restou reconhecido o direito ao creditamento com base no art. 3°, IV, da Lei n° 10.833/2003, qual seja locação de equipamento. Entendo que assiste direito parcial ao crédito pleiteado. Vejamos. Fl. 5477DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.141 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.902024/2018-41 20 Como se sabe, com o advento das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, a Contribuição para o PIS e a COFINS passaram a ser apuradas pela sistemática da não cumulatividade para boa parte dos contribuintes, como é o caso da recorrente. No caso dessas contribuições sociais, a técnica escolhida pelo legislador para operacionalizar a não cumulatividade foi o método subtrativo indireto, em que a legislação prevê hipóteses de desconto de créditos do valor devido. Essas hipóteses estão estabelecidas nos arts. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, cujos rols são taxativos. Nesse contexto, a recorrente defende que lhe assiste o direito ao crédito de COFINS sobre o afretamento de aeronaves e embarcações seja no inciso II, seja no inciso IV do art. 3º da Lei nº 10.637/2002, que assim dispõem: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] IV - aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; Aqui, cumpre dizer que o contrato de afretamento é uma espécie de contrato de locação. Na locação de bens móveis, a teor do art. 565 do Código Civil, a obrigação do locador é de ceder ao locatário, por tempo determinado ou não, o uso e gozo de coisa não fungível, mediante certa retribuição, não se tratando, portanto, de prestação de serviço, em que o prestador assume com o tomador uma obrigação de fazer. Assim sendo, entendo que o afretamento, por não ter natureza de bem ou serviço, não se amolda ao conceito de insumo previsto no art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002. A despeito disso, o inciso IV do art. 3º da Lei nº 10.637/2002 assegura o direito ao desconto de crédito da COFINS não cumulativa calculado sobre o valor de “aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa”. No caso sob análise, a documentação juntada aos autos é suficiente para comprovar que os bens em questão foram afretados de pessoas jurídicas e que foram utilizados nas atividades da empresa. Assim, para que possam ensejar o creditamento, resta saber se as aeronaves e embarcações devem ser enquadradas como “máquinas ou equipamentos”. Entendo que é o caso das embarcações, mas não das aeronaves. Fl. 5478DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.141 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.902024/2018-41 21 Ao utilizar a expressão “aluguel de prédios, máquinas e equipamentos”, o legislador adotou um enunciado com elevada carga de genericidade2, utilizando vocábulos com conteúdo semântico amplo, denotando um extenso conjunto de objetos de referência. Por exemplo, quando se perquire o significado de máquina, encontram-se diversas definições3: 1. Aparelho destinado a produzir, dirigir ou transformar uma forma de energia em outra, ou aproveitar essa mesma energia para a produção de determinado efeito. 2. Qualquer equipamento empregado com um fim específico e cuja ação mecânica é capaz de substituir o trabalho humano. 3. Conjunto de peças que determinam o funcionamento de um mecanismo ou engenho. 4. Qualquer instrumento ou ferramenta que se emprega na indústria para a fabricação de um produto. 5. Aparelho elétrico usado nos afazeres domésticos; instrumento, utensílio. 6. Equipamento mecânico, elétrico, eletrônico ou digital operado pelo ser humano. Da mesma forma, para o vocábulo equipamento, também há várias acepções4, entre as quais “conjunto de instrumentos e instalações necessários para um trabalho ou profissão”. Dessa forma, inclusive em razão de sua natureza de norma geral e abstrata, que visa disciplinar hipóteses de creditamento para empresas com as mais variadas atuações, a redação do inciso IV do art. 3º da Lei nº 10.637/2002 não exaure, de maneira objetiva e categórica, os atributos dos casos individuais e concretos por ele contemplados. No caso concreto, as embarcações objeto dos afretamentos pela recorrente são de diversas espécies, como embarcações de apoio às unidades marítimas de produção e perfuração, navios sonda e FPSO (Floating Production Storage and Offloading). Há que se considerar, portanto, as finalidades de tais embarcações nas atividades da recorrente, que vão muito além do mero transporte de carga. Nessa conjuntura, excluir embarcações do conceito amplo de máquina ou equipamento necessário à persecução do objeto social da recorrente não parece, a meu ver, ser a interpretação mais adequada à preservação do regime da não cumulatividade. 2 Conforme Humberto Ávila (ÁVILA, Humberto. Teoria da indeterminação do direito. 2ª ed. São Paulo: Editora JusPodivm, 2023), “o significado de um termo ou enunciado será genérico se e somente se puder ser aplicado indiscriminadamente a uma variedade de casos em razão de sua amplitude semântica e da falta de especificidade contextualmente necessária”. 3 https://michaelis.uol.com.br/moderno-portugues/busca/portugues-brasileiro/maquina 4 https://michaelis.uol.com.br/moderno-portugues/busca/portugues-brasileiro/equipamento Fl. 5479DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.141 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.902024/2018-41 22 Também em virtude das finalidades com que são empregadas as embarcações, afasta-se a incidência da Súmula CARF nº 190, que se aplica exclusivamente a veículos de transporte de carga e de passageiros, nos seguintes termos: Para fins do disposto no art. 3º, IV, da Lei nº 10.637/2002 e no art. 3º, IV, da Lei nº 10.833/2003, os dispêndios com locação de veículos de transporte de carga ou de passageiros não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas. O mesmo entendimento, no entanto, não se aplica às aeronaves, já que, conforme contratos juntados aos autos, os helicópteros afretados destinam-se à “movimentação de pessoal e de materiais”. A própria recorrente, em seu recurso, afirma que: [...] devido à concentração de sua atividade em alto mar, por característica da própria natureza, é por meio do afretamento de aeronaves que a recorrente pode levar a sua mão-de-obra especializada para a operação dos equipamentos necessários para a exploração e produção de petróleo e gás natural e para viabilizar a permanência dos profissionais a bordo em sua escala de trabalho [...] Ainda que a particularidade da atividade da recorrente, em grande parte desenvolvida em alto mar, imponha o uso de aeronaves para transportar seus funcionários até a plataforma, não há como desconsiderar que a finalidade precípua desse aluguel é o transporte de passageiros. Assim, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário nesse ponto, revertendo as glosas de despesas com afretamentos de embarcações, mas mantendo as glosas relativas ao afretamento de aeronaves. 3.2.4. Despesas de viagem Também foram efetuadas glosas de créditos de notas fiscais escrituradas nos Registros A100-170 das EFD-Contribuições com a descrição “despesas de viagens”, por não se tratar de despesas de serviços empregados na fase de produção da empresa. A recorrente impugnou as glosas em sua manifestação de inconformidade, argumentando que houve erro em sua escrituração e que “tais despesas, na verdade, consistem em serviços vinculados à atividade operacional da requerente, como suporte técnico e prestação de serviços de engenharia”. Apresentou, ainda, prova documental visando sustentar sua alegação. Ao apreciar a defesa, o acórdão recorrido manteve as glosas, consignando que a empresa apresentou como documentos comprobatórios as notas fiscais nº 56, de 03/02/2014, e nº 1008, de 15/12/2014, ambas fora do período de apuração do PER objeto destes autos. Inconformada, a recorrente apresentou recurso voluntário em que reitera de que houve erro na descrição informada na EFD-Contribuições e que se trata, em verdade, de: [...] serviços vinculados à sua atividade operacional, como suporte técnico e prestação de serviços de engenharia, como provam os documentos ora Fl. 5480DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.141 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.902024/2018-41 23 anexados, os quais devem ser conhecidos e analisados, em atenção ao princípio da verdade material do processo administrativo. Portanto, apesar de ter impugnado as glosas em sua manifestação de inconformidade, a recorrente, à época, não apresentou documentos comprobatórios do seu direito além das notas fiscais nº 56 e nº 1008, que, como visto, são de período estranho ao período de apuração relativo ao PER objeto destes autos. Ocorre que a apresentação de prova documental deve ser feita quando da impugnação (ou manifestação de inconformidade, quando se tratar de direito creditório), sendo vedada, em regra, a apresentação de novas provas em sede de Recurso Voluntário. É o que dispõe o art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1976. Art. 16. A impugnação mencionará: [...] §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refira-se a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) §5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Apesar de ter trazido novos documentos aos autos na defesa apresentada a este Conselho, a recorrente não demonstrou, como exige o §5º do referido art. 16, nenhuma das situações previstas nos incisos do §4º do mesmo artigo. Sobre o assunto já discorreu Fabiana Del Padre Tomé: O direito de contrapor-se à exigência fiscal e de produzir provas dos seus argumentos é regrado pelo ordenamento, que, não admitindo a instabilidade das relações jurídicas, fixa termos dentro dos quais as atividades vão descer realizadas. Assim ocorre com a instrução probatória. Pertinente é a crítica de James Marins a prática adotada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, consistente em apreciar provas em grau de recurso, independentemente do preenchimento dos pressupostos legais. O direito a produção probatória implica observância aos limites temporais à sua realização, além, é claro, do atendimento ao requisito de sua obtenção por meio lícito. Fl. 5481DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.141 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.902024/2018-41 24 (TOMÉ. Fabiana del Padre. A Prova no Direito Tributário. 3. Ed. São Paulo: Noeses, 2011, p. 356-357) Dessa forma, entendo que não é possível conhecer da nova prova documental em sede de Recurso Voluntário em virtude da preclusão consumativa ocorrida quando da interposição da manifestação de inconformidade. No mérito, não há reforma a fazer na decisão recorrida, visto que, de fato, a recorrente não comprovou o alegado erro na escrituração. 3.2.5. Despesas com serviços sem comprovação de enquadramento como insumo A autoridade fiscal também glosou créditos de notas fiscais escrituradas nos Registros A100-170 e F100 das EFD-Contribuições cuja descrição continha apenas “Tx_Administração”, por falta de comprovação de seu enquadramento como insumo. Afirmou ainda que, durante a ação fiscal, a recorrente foi intimada a esclarecer de que se tratavam tais despesas, tendo ela afirmado que seriam "serviços de desenvolvimento sistemas utilizados nas áreas operacionais da Petrobras” e apresentado um contrato de direito de uso de software. A recorrente contestou as glosas em sua manifestação de inconformidade, sustentando que se tratou de “erro no registro das despesas que, em verdade, constituem contratações de serviços de desenvolvimento de sistemas utilizados nas suas áreas operacionais”. Afirma, ainda, que: Os documentos de fls. 1074/1310 e as notas fiscais anexas apresentam contratos de manutenção dos produtos de softwares, aquisição, aluguel e manutenção e suporte de aplicativos Landmark (específico para a indústria de óleo e gás, conforme se verifica à fl. 665 e demais fls. segs.), serviços de atualização e suporte técnico do sistema PI (Plant Information) e licenciamento de uso de software, dentre outros ligados à área de tecnologia da indústria de óleo e gás. Ao apreciar as razões de defesa, o acórdão recorrido concluiu que: [...] podemos concluir pela procedência da glosa perpetrada pela autoridade tributária, pois não há prova robusta nos autos que possibilite a apuração de créditos como serviços utilizados como insumos das importâncias relacionadas como Taxa de Administração, seguindo entendimento firmado em tópico anterior no presente voto, pois para que sejam passíveis de creditamento é necessária a comprovação de que sua aplicação resultou, efetivamente, a extração e venda de petróleo ( no caso concreto bem-sucedido). Inconformada, a recorrente apresentou seu recurso voluntário, em que repisa os argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade, em especial a possibilidade de os serviços em questão serem considerados insumos, pois “é inegável a essencialidade ou ao menos a relevância do emprego de softwares e sistemas informatizados para a precisão e excelência da atividade operacional”. Entendo que não tem razão à recorrente. Vejamos. Fl. 5482DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.141 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.902024/2018-41 25 É fato notório que, atualmente, os softwares são essenciais ao funcionamento de praticamente qualquer empresa, quanto mais de uma empresa do porte da recorrente. No entanto, como já afirmado nesse voto, para que sejam considerados insumos os bens ou serviços devem ter sido adquiridos para utilização na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Dessa forma, não é qualquer serviço de manutenção ou desenvolvimento de software que pode ser considerado insumo, mas somente aqueles relacionados à atividade produtiva. Analisando-se os contratos juntados aos autos às fls. 1074-1310, verificam-se contratos firmado com as seguintes empresas: Landmark Graphics Corporation (licenciamento de uso e manutenção do software Landmark); Halliburton Worldwide GMBH (sucessora da Landmark no contrato de licenciamento de uso e manutenção do software Landmark); OSIsoft LLC (serviços de atualização e suporte técnico do sistema PI – Plant Information); Paradigm Geophysical BV (fornecimento do software Paradigm); Thermo Labsystems Inc. (licenciamento e atualização do software Thermo Samplemanager e a prestação de serviço de suporte técnico); Triple Point Tecnology Inc. (licenciamento de software e prestação de serviços) Nota-se que, em todos os casos, trata-se de empresas domiciliadas fora do Brasil, que – inclusive por serem estrangeiras - não constam entre as emissoras de notas fiscais glosadas, relacionadas no anexo II.4 do Relatório de Verificação Fiscal. De qualquer forma, não há direito a crédito em relação a pagamentos relacionados a essas empresas, já que o inciso I do §3º do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 dispõe que só há direito a crédito em relação “aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País”. Além disso, analisando-se os documentos fiscais apresentados junto à manifestação de inconformidade, verificam-se descrições genéricas como “serviço de geração de programa de computador, sob encomenda”, “prestação de serviços de análise, modelagem de processos de negócios e de administração de dados de exploração e produção”, “reprografia, microfilmagem e digit”, “prestação de serviços técnicos de atendimento local aos usuários” etc., de maneira que não é possível vincular tais serviços à atividade produtiva da recorrente. Nesse contexto, releva destacar que o ônus de comprovar o direito creditório pleiteado é do interessado, nos termos do art. 36 da Lei nº 9.784/1999 e do art. 373, inciso I, do CPC, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal. Nesse sentido: Acórdão 9303-015.440, de 13/06/2024, Relatora Cons. Liziane Angelotti Meira ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 Fl. 5483DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.141 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.902024/2018-41 26 [...] DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. Em se tratando de direito creditório, é do interessado o ônus da prova, conforme previsto na legislação processual administrativa e civil (art. 36 da Lei 9.784/99 e art. 333, I, do antigo CPC). (grifo nosso) Dessa forma, não tendo a recorrente se desincumbido do ônus de comprovar seu direito creditório em relação a esses serviços, voto por negar provimento ao recurso na matéria. 3.2.6. Despesas relacionadas a contratos do tipo “Ship or pay” A autoridade fiscal também glosou créditos sobre encargos de capacidade de transporte relacionados ao transporte de gás natural (contratos do tipo “ship or pay”), escriturados no Registro F100 das EFD-Contribuições transmitidas pela recorrente, sob o entendimento de que: 63 [...] quando o contratante paga despesas de transporte de produtos por terminais na modalidade "Ship por Pay", está pagando por um serviço, na realidade, não prestado, já que, efetivamente, não houve transporte de carga com custo de frete incluso, mas tão somente um encargo pela capacidade não utilizada, decorrente desta modalidade de negócios. 64 Na legislação vigente inexiste previsão legal para tomada de crédito de PIS/Cofins sobre aquisição de serviços de fretes. Admite-se a dedução do custo do frete dessas contribuições quando incluso no custo de bens, produtos e serviços adquiridos para produção de bens e prestação de serviços. [...] 67 Pondera-se ainda que, mesmo que não houvesse o referido encargo contratual na contratação de transporte em dutos/terrestre, o gás natural produzido ou importado transportado pela Petrobras tem como destinos preponderantes suas usinas térmicas, fábricas de fertilizantes ou refinarias de propriedade da contribuinte, cujo dispêndio também não conferiria créditos de PIS/Cofins, uma vez que se trata de fretes entre estabelecimentos da empresa, o que é vedado pela legislação. A recorrente se insurgiu contra as glosas em manifestação de inconformidade, sustentando que tais despesas são decorrentes de contratos de transporte de gás natural por meio de dutos e que o preço desse transporte é composto por diversos elementos, entre os quais a “tarifa de ship or pay”, que corresponde “a uma parcela do preço contratual pela reserva da capacidade de transporte”, de maneira que “este encargo, portanto, faz parte do preço do contrato de transporte do gás natural, e obviamente está ligado ao processo produtivo da requerente”. Aduziu também que tal encargo é definido pelas normas legais e regulamentares que regem o setor, de maneira que não se trata de convenção entre as partes. Subsidiariamente, Fl. 5484DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.141 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.902024/2018-41 27 argumentou que a parcela referente à tarifa de ship or pay poderia se enquadrar como aluguel de máquinas e equipamentos para tomada de crédito, e que as despesas sob discussão já teriam sido glosadas em auto de infração que constituiu o crédito referente a tais glosas. Ao apreciar o recurso, o acórdão recorrido adotou o entendimento firmado pela mesma turma (17ª Turma da DRJ07) no processo nº 16682.720836/2018-70, que, em síntese, assim se manifestou: Não se trata de insumo, que no caso seria o próprio gás, e nem mesmo serviço empregado sobre a fabricação de produto, já que é parcela independente do custo (art. 3º, inciso II). Da mesma forma não se mistura ao frete, já que é parcela independente da ocorrência do mesmo (art. 3º, inciso IX). Se assemelharia mais a um aluguel de equipamento (reserva de capacidade) mas ainda assim, não poderia ser classificado como tanto, já que é parte inerente a um contrato específico de transporte. [...] Admite-se a importância do encargo previsto nas cláusulas de ship or pay, porém, tais encargos não podem ser considerados insumos para a prestação do serviço. Tratam-se, outrossim, de gastos operacionais necessários ao funcionamento geral do negócio, não sendo essenciais à produção da atividade finalística própria da empresa, de forma que a exclusão desse item não importa a impossibilidade da produção/fabricação ou a perda substancial da qualidade do produto. Inconformada, a recorrente voltou a impugnar as glosas em seu recurso voluntário, argumentando que: [...] os créditos sob tal rubrica foram tomados pela recorrente na qualidade de insumos, uma vez que, sem esses gastos, inviabilizado estaria o escoamento do gás natural, já que: (i) para escoar a sua produção, a recorrente necessita da malha dutoviária de terceiros; e (ii) o pagamento do preço pela contratação da malha para escoamento compreende, obrigatoriamente (haja vista as normas da ANP já mencionadas pela recorrente e reconhecidas no acórdão recorrido), a inserção dessa taxa, que nada mais é do que uma parte do preço. Ressalta também que a parcela ship or pay não corresponde ao pagamento pela ociosidade dos dutos, mas sim à remuneração pela estrutura que está sendo disponibilizada ao contratante do transporte de gás, sendo parte integrante do preço de transporte do gás natural, cujo destaque no contrato se deve à determinação do órgão regulador, Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Afirma ainda que “[...] o fato do seu pagamento ser feito de forma destacada não desvirtua a sua natureza de parcela do preço pelo transporte do gás natural, cuja essencialidade e relevância para a atividade da recorrente é notória”. Subsidiariamente, defende que, se as despesas relativas ao ship or pay não forem consideradas como insumos, devem, ao menos, ser consideradas como relativas ao aluguel dos dutos. Nesse sentido, aduz que: Fl. 5485DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.141 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.902024/2018-41 28 [...] a fiscalização defendeu que dutos não seriam equipamentos, mas instalação de transporte de GLP. Ora, e por que “instalação de transporte de GLP” não poderia ser tida como equipamento para o transporte do GLP ou prédio, a fim de garantir ao contribuinte o direito de tomar crédito de PIS e COFINS?! [...] [...] se a intenção é a de equipará-los a instalações de transporte, sugerindo aqui a ideia de uma instalação predial inerente ao serviço, ainda assim funcionariam como despesas passíveis de gerarem créditos, agora na condição de instalações equivalentes a prédios, alugados ao contribuinte de maneira exclusiva para fins de permitir o desenvolvimento da sua atividade. Em síntese, portanto, a controvérsia reside na possibilidade ou não da tomada de crédito sobre a parcela da tarifa de transporte de gás natural denominada “encargo de capacidade de transporte”, conhecida como ship or pay. Para uma análise do tema com a profundidade necessária, é importante que se tenha o panorama jurídico relativo ao transporte de gás natural. É o que passo a expor. Tratando-se de transporte de gás natural por meio de conduto, o inciso IV do art. 177 da Constituição Federal assegura à União o monopólio da atividade. O §1º do mesmo artigo prevê que, observadas condições estabelecidas em lei, a União poderá contratar esse transporte com empresas privadas. Por sua vez, o inciso III de seu §2 determina que a estrutura e as atribuições do órgão regulador desse monopólio devem estar estipuladas em lei. Art. 177. Constituem monopólio da União: [...] IV - o transporte marítimo do petróleo bruto de origem nacional ou de derivados básicos de petróleo produzidos no País, bem assim o transporte, por meio de conduto, de petróleo bruto, seus derivados e gás natural de qualquer origem; [...] §1º A União poderá contratar com empresas estatais ou privadas a realização das atividades previstas nos incisos I a IV deste artigo observadas as condições estabelecidas em lei. §2º A lei a que se refere o § 1º disporá sobre: [...] III - a estrutura e atribuições do órgão regulador do monopólio da União; (grifo nosso) Assim, com a finalidade de disciplinar “as atividades relativas ao transporte de gás natural, de que trata o art. 177 da Constituição Federal”, foi editada a Lei nº 11.909/2009 (revogada pela Lei nº 14.134/2021, mas vigente à época dos fatos), que, no §1º de seu art. 1º, dispõe que o transporte de gás natural por meio de condutos e a importação e exportação de gás Fl. 5486DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.141 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.902024/2018-41 29 natural “serão reguladas e fiscalizadas pela União, na qualidade de poder concedente, e poderão ser exercidas por empresa ou consórcio de empresas constituídos sob as leis brasileiras, com sede e administração no País”. O art. 3º da referida lei prevê que a atividade de transporte de gás natural será exercida mediante os regimes de concessão ou autorização. No caso de exploração mediante concessão, tarifa máxima aplicada ao transporte de gás será estabelecida pela ANP (§2º do art. 13 da Lei nº 11.909/2009); já no caso de autorização, as tarifas de transporte de gás natural serão propostas pelo transportador e aprovadas pela ANP, segundo critérios por ela previamente definidos (art. 28 da Lei nº 11.909/2009). A ANP, diga-se, foi instituída pelo art. 7º da Lei nº 9.478/97 com competência para atuar “como órgão regulador da indústria do petróleo, gás natural, seus derivados e biocombustíveis, vinculada ao Ministério de Minas e Energia”. Entre outra atribuições, cabe a ANP “estabelecer critérios para o cálculo de tarifas de transporte dutoviário e arbitrar seus valores”, conforme dispõe o inciso VI do art. 8º da mesma lei. Art. 8º A ANP tem como finalidade promover a regulação, a contratação e a fiscalização das atividades econômicas integrantes da indústria do petróleo, do gás natural, dos combustíveis sintéticos, dos biocombustíveis, do hidrogênio de baixo carbono e da captura e da estocagem geológica de dióxido de carbono, no que lhe compete conforme a lei, cabendo-lhe: [...] VI - estabelecer critérios para o cálculo de tarifas de transporte dutoviário e arbitrar seus valores, nos casos e da forma previstos nesta Lei; (grifo nosso) No exercício dessa competência, a ANP editou a Resolução ANP nº 15/2014 com o objetivo de estabelecer i) os critérios para cálculo das tarifas de transporte referentes aos serviços de transporte firme, interruptível e extraordinário de gás natural e ii) o procedimento para a aprovação das propostas de tarifa de transporte de gás natural encaminhadas pelos transportadores para os gasodutos de transporte objeto de autorização. Conforme inciso XIV do art. 2º da mencionada Resolução, o serviço de transporte de gás compreende as atividades de “receber, movimentar e entregar volumes de gás natural por meio de gasodutos de transporte, nos termos do respectivo Contrato de Serviço de Transporte”. Para o que nos interessa, o inciso XVI do mesmo artigo define o conceito do serviço de transporte firme, como é o caso dos autos: Art. 2º Ficam estabelecidas as seguintes definições para fins desta Resolução: [...] XVI - Serviço de Transporte Firme: Serviço de Transporte no qual o Transportador se obriga a programar e transportar o volume diário de gás natural solicitado pelo Carregador até a Capacidade Contratada de Transporte estabelecida no contrato com o Carregador; Fl. 5487DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.141 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.902024/2018-41 30 Por sua vez, o caput do art. 5º da Resolução ANP nº 15/2014 dispõe que “a tarifa de transporte aplicável a cada serviço de transporte deve ser composta por uma estrutura de encargos relacionados à natureza dos custos, despesas e investimentos atribuíveis a sua prestação, devendo refletir:” Art. 5º [...] I - os custos, despesas e investimentos incorridos em bases econômicas que efetivamente contribuam para a prestação do respectivo Serviço de Transporte; II - os determinantes de custos, tais como a distância entre os pontos de recebimento e de entrega, a Capacidade de Transporte, o volume movimentado, o desequilíbrio entre os volumes recebidos e entregues, e o prazo de contratação; III - uma remuneração justa e adequada do investimento durante a sua vida útil esperada. Depreende-se do dispositivo, portanto, que um dos encargos que reflete o custo do serviço de transporte é justamente a capacidade de transporte, entendida como o “volume máximo diário de gás natural que o Transportador pode movimentar em um determinado Gasoduto de Transporte” (art. 2º, inciso II). No caso do transporte firme, como é o caso dos autos (a exemplo do contrato com a Transportadora Associada de Gás S.A. – TAG, às fls. 1311-1404), a estrutura tarifária mínima está determinada no art. 8º da Resolução ANP nº 15/2014. Art. 8º A Tarifa de Transporte aplicável ao Serviço de Transporte Firme será estruturada, no mínimo, com base nos seguintes encargos: I - Encargo de capacidade de entrada: destinado a cobrir os investimentos relacionados à capacidade de recebimento, e os custos e as despesas fixos da prestação do Serviço de Transporte Firme; II - Encargo de capacidade de transporte: destinado a cobrir os investimentos relacionados à Capacidade de Transporte; III - Encargo de capacidade de saída: destinado a cobrir os investimentos relacionados à capacidade de entrega; IV - Encargo de movimentação: destinado a cobrir os custos e as despesas variáveis com a movimentação de gás. Parágrafo único. A parcela dos custos e despesas fixos relacionados à capacidade de entrega, de forma compatível com sua natureza, pode ser alocada no encargo de capacidade de saída. Como se vê, dadas a particularidade e a complexidade envolvidas na atividade de transporte de gás por meio de gasodutos, a tarifa de transporte possui uma estrutura mínima normativamente estabelecida que visa discriminar, de maneira clara, as parcelas que compõem o valor final e que visam remunerar cada um dos custos incorridos nas etapas da prestação do Fl. 5488DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.141 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.902024/2018-41 31 serviço. Não se trata, porém, de serviços distintos, o serviço, em si, é apenas um: o transporte de gás natural. Assim, o encargo de capacidade de transporte, conhecido como ship or pay, é a parcela da tarifa de transporte destinada a remunerar a infraestrutura que está sendo disponibilizada e garantida ao contratante do transporte do gás. Em que pese sua discriminação na composição da tarifa, entendo não ser possível dissociar tal parcela do valor pago pelo serviço de transporte de gás. No caso dos autos, como visto, a autoridade fiscal considerou que as despesas decorrentes da cláusula de “ship or pay” dos contratos de transporte de gás seriam pagamentos “por um serviço, na realidade, não prestado, já que, efetivamente, não houve transporte de carga com custo de frete incluso, mas tão somente um encargo pela capacidade não utilizada [...]”. Pondera, ainda, que “o gás natural produzido ou importado transportado pela Petrobras tem como destinos preponderantes suas usinas térmicas, fábricas de fertilizantes ou refinarias de propriedade da contribuinte, cujo dispêndio também não conferiria créditos de PIS/Cofins, uma vez que se trata de fretes entre estabelecimentos da empresa, o que é vedado pela legislação”. Com a devida vênia, entendo que há equívoco nessa interpretação, tanto em relação à visão simplista de que o encargo de capacidade de transporte seria um encargo pela capacidade não utilizada, quanto em relação à afirmação de que o transporte de gás natural até suas usinas térmicas, fábricas e refinarias da recorrente seria um serviço não passível de creditamento. Em relação ao primeiro ponto, já foi visto que o valor referente ao encargo de capacidade de transporte (ship or pay) é normativamente definido como um componente estrutural da tarifa de transporte, que, por sua vez, corresponde ao “valor a ser pago pelo Carregador ao Transportador pelo Serviço de Transporte [...]”, conforme inciso XVIII do art. 2º da Resolução ANP nº 15/2014. Especificamente, trata-se da parcela da tarifa de transporte que se destina a cobrir os investimentos relacionados à infraestrutura necessária à disponibilização de determinado volume máximo diário de gás natural que o transportador pode movimentar em um determinado gasoduto de transporte. Da mesma forma, é equivocado o argumento de que o transporte de gás natural seria um serviço não passível de creditamento. O gás natural que a recorrente transporta se destina i) a suas usinas, fábricas e refinarias, ou ii) a seus clientes finais. No primeiro caso, o gás é utilizado como matéria-prima na produção de energia, de produtos químicos ou de combustíveis, portanto se enquadra no conceito de insumo do inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/2003. Conforme entendimento pacífico neste Conselho, o serviço de transporte de insumos, quando tributados, geram crédito das contribuições não cumulativas. Nesse sentido a Súmula CARF nº 188: É permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e Fl. 5489DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.141 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.902024/2018-41 32 pela Cofins não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições. Embora trate de insumos não onerados pelas contribuições, a súmula deixa clara a possibilidade de creditamento de despesas com fretes na aquisição de insumos. Também é nesse sentido a disposição expressa do inciso VIII do §1º do art. 176 da Instrução Normativa RFB nº 2.121/2022. Art. 176. Para efeito do disposto nesta Subseção, consideram-se insumos, os bens ou serviços considerados essenciais ou relevantes para o processo de produção ou fabricação de bens destinados à venda ou de prestação de serviços (Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, caput, inciso II, com redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004, art. 37; e Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, caput, inciso II, com redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004, art. 21). § 1º Consideram-se insumos, inclusive: [...] VIII - serviços de transporte de insumos e de produtos em elaboração realizados em ou entre estabelecimentos da pessoa jurídica; Já no caso em que o gás natural se destina a clientes da recorrente, ele não é insumo, mas sim produto final, de maneira que o serviço de transporte cujo ônus tenha sido suportado pela recorrente gera crédito na modalidade de frete na operação de venda, conforme previsão do inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003. Assim, em qualquer das duas perspectivas, seja como serviço-insumo, seja como frete na operação de venda, entendo que o serviço de transporte de gás natural preenche os requisitos para que as despesas com ele sejam incluídas na base de créditos das contribuições não cumulativas. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário neste tópico, para o fim de reverter a glosa efetuada sobre os valores referentes a encargos de capacidade de transporte relacionados ao transporte de gás natural (contratos do tipo “ship or pay”). 3.3. Erro no cálculo do crédito Em sua manifestação de inconformidade, a recorrente argumentou que: [...] há um erro na planilha apresentada pela fiscalização no que se refere aos valores apresentados como base de créditos, uma vez que a coluna (A100_VL_BC_PIS) utilizada para compor o montante de R$22.243.596.071,46 repete o valor do documento fiscal em alguns casos. A coluna que melhor representa a base de cálculo dos tributos é a "A170_VL_BC_PIS" ou "A170_VL_BC_COFINS". Fl. 5490DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.141 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.902024/2018-41 33 Ao apreciar o recurso, o acórdão recorrido consignou que o erro indicado inexiste, pois “no Relatório Fiscal, a Consolidação das Glosas do PIS/Cofins corresponde justamente ao somatório das glosas de créditos correspondentes aos tópicos indicados durante a análise do direito creditório”. A recorrente voltou a se insurgir contra o cálculo em seu recurso voluntário, reiterando que haveria um erro na planilha apresentada pela fiscalização no que se refere aos valores apresentados como base dos créditos, sustentando que isso “não foi devidamente explicado pela DRJ ao manter a decisão administrativa”. Mais uma vez, não tem razão a recorrente. Vejamos. Conforme se depreende do Relatório de Verificação Fiscal, nos tópicos relativos às glosas de créditos há duas planilhas, uma que contém o detalhamento das glosas pela descrição da glosa e uma que contém a consolidação das glosas por mês do exercício de 2014, e ambas utilizaram exatamente a métrica “A_170_VL_BC_PIS” para os cálculos. Também nos anexos do Relatório de Verificação Fiscal, em que há o detalhamento das glosas por item de nota fiscal, é possível verificar, até com maior clareza, que os cálculos dos valores a serem excluídos da base de creditamento foram feitos com base na métrica não agregada “A170_VL_BC_PIS”, que contém o valor individual de cada item, e não o valor total da nota fiscal. Completamente equivocado, portanto, o argumento de que há erro de cálculo por repetição de valores de documentos fiscais. Ante o exposto, nego provimento ao recurso nesse ponto. 3.4. Da alegação de revisão de lançamento A recorrente alega também que o acórdão da DRJ “reverteu glosas realizadas pela fiscalização a título de ‘créditos extemporâneos’ [...], mas negou a sua restituição, pois decidiu abater o valor correspondente do montante que a fiscalização apurara do tributo, em retificação ao que fora declarado pela contribuinte”. Com base nisso, pleiteia a reforma do acórdão recorrido para que seja determinada “a restituição, à recorrente, do valor correspondente ao indébito reconhecido”. Em vista disso, importa salientar que a matéria devolvida para a DRJ apreciar limita- se ao reconhecimento do direito creditório, e foi exatamente o que ela fez. Não há qualquer “negativa de restituição” no acórdão recorrido; simplesmente, houve a reversão de glosas de algumas notas ficais erroneamente consideradas pela autoridade fiscal como créditos extemporâneos, reconhecendo-se o crédito respectivo. A decisão recorrida apenas ponderou, com base na análise de suficiência de crédito constante do Relatório de Verificação Fiscal, que, mesmo com a reversão, não haveria saldo credor no trimestre passível de ser restituído. A despeito disso, a existência ou não de saldo credor passível de restituição será apurada quando da execução da decisão administrativa definitiva no presente processo, o que será feito pela unidade de administração tributária competente. Não há que se falar, portanto em Fl. 5491DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.141 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.902024/2018-41 34 determinação de restituição dos valores reconhecidos pela DRJ por parte deste Conselho, como pretende a recorrente. Assim, nego provimento ao recurso também nesse ponto. 4. Dispositivo Ante o exposto, voto no sentido de: 1. Conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo da prova documental apresentada em sede de recurso voluntário; 2. Rejeitar as preliminares de nulidade do despacho decisório por cerceamento do direito de defesa e de homologação tácita da obrigação tributária (decadência); e 3. No mérito, dar parcial provimento ao recurso, para: a) Reverter as glosas de crédito relativas ao contrato nº 0870.0090463.14.2, firmado com a Woody Group Kenny do Brasil Serviços de Engenharia LTDA; b) Reverter as glosas de crédito com afretamentos de embarcações; c) Reverter as glosas de crédito relativas a encargos de capacidade de transporte relacionados ao transporte de gás natural (contratos do tipo “ship or pay”) É como voto. Assinado Digitalmente Rafael Luiz Bueno da Cunha Fl. 5492DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto 1. Admissibilidade 2. Preliminares 2.1. Cerceamento de defesa 2.2. Homologação tácita da obrigação tributária (decadência) 3. Mérito 3.1. Créditos extemporâneos 3.2. Glosas relativas a aquisições de bens e serviços não enquadrados como insumos 3.2.1. Despesas portuárias 3.2.2. Despesas com projetos 3.2.2.1. Woody Group Kenny do Brasil Serviços de Engenharia LTDA 3.2.2.2. PCP Engenharia e Montagens Industriais LTDA 3.2.2.3. Suporte Consultoria e Projetos LTDA 3.2.3. Despesas com afretamento de aeronaves e embarcações 3.2.4. Despesas de viagem 3.2.5. Despesas com serviços sem comprovação de enquadramento como insumo 3.2.6. Despesas relacionadas a contratos do tipo “Ship or pay” 3.3. Erro no cálculo do crédito 3.4. Da alegação de revisão de lançamento 4. Dispositivo
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Numero do processo: 16327.001110/2004-88
Data da sessão: Tue Jul 06 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL
Exercícios: 2000, 2001, 2002, 2003
Ementa: COOPERATIVA DE CRÉDITO. APLICAÇÕES FINANCEIRAS,
ATOS COOPERATIVOS, NÃO TRIBUTAÇÃO, A efetivação de aplicações
financeiras por cooperativas de crédito no mercado constitui ato cooperativo não sujeito à tributação. (Precedentes do STJ)
Numero da decisão: 9101-000.626
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Matéria: CSL - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: Viviane Vidal Wagner
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APLICAÇÕES FINANCEIRAS, ATOS COOPERATIVOS, NÃO TRIBUTAÇÃO, A efetivação de aplicações financeiras por cooperativas de crédito no mercado constitui ato cooperativo não sujeito à tributação. (Precedentes do ST.I) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiad , por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, nos te os do relatório e voto que integram o presente julgado. dtjj CARLOS ALBE REITAS B RRETO - Presidente. -11/1111". VIVIANE VID L WAGNER - Relatora EDITADO EM: 17 AG O 2010 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Francisco Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Leonardo de Andrade Couto, Karem Jureidini Dias, Claudemir Rodrigues Malaquias, Antonio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto, Relatório Trata-se de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional com fulcro no art. 70, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria IVIF n° 147/2007, em face do acórdão n" 103-21202, proferido pela 3' Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes. A autuação em face de uma cooperativa de crédito decorreu da exclusão indevida na apuração do Resultado do Exercício, antes da provisão para o Imposto de Renda, da base de cálculo da CSLL nos anos-calendário de 1999, 2000, 2001 e 2002, referentes ao resultado (sobras) do ato cooperado e aos rendimentos de aplicações financeiras, considerados pela fiscalização como tributáveis. Reformando a decisão de primeira instância, o acórdão recorrido deu provimento ao recurso voluntário, nos termos da seguinte ementa; "COOPERATIVA RESULTADO DO ATO COOPERADO As sobras, entendendo-se como tal o resultado positivo do ato cooperado, não sofrem a incidência da CSLL por não se enquadrarem no conceito de lucro, base de cálculo dessa contribuição. COOPERATIVA DE CRÉDITO. APLICAÇÕES FINANCEIRAS ATO COOPERADO. A realização de aplicações financeiras no mercado pela cooperativa de crédito, com vistas à obtenção de recursos para o cumprimento de seus objetivos estatutários constitui-se em ato cooperado, não cabendo a incidência da CSLL sobre os rendimentos dai decorrentes (STJ, AgRg no Ag 755013-PR, DJ 22/0612006) A Fazenda Nacional alega em seu recurso que o entendimento firmado no acórdão recorrido contraria o disposto em lei, na medida em que afasta a tributação incidente sobre resultado positivo decorrente das aplicações financeiras realizadas pela cooperativa autuada no mercado externo. Citando a Lei ri" 7389/88, arts, 15, 22, §1° e 23, II, aduz que a cooperativa de crédito recebeu tratamento tributário diverso do reservado às demais cooperativas sendo passível de tributação pela CSLL, sobretudo no tocante aos atos não cooperativos. Aponta que a definição de atos cooperativos, nos termos do art. 79 da Lei n" 5364/71, não inclui a aplicação de recursos financeiros junto a terceiros, não associados e que não são também cooperativas, como é o caso dos autos. Aduz, ainda, que a jurisprudência do ST1 não pode ser utilizada como fundamento por não existir posicionamento assente sobre a matéria. Em suas contrarrazões, a interessada rebate os argumentos da recorrente, alegando que a finalidade da cooperativa de crédito é a prestação de serviços aos seus associados na área financeira e, nesse caso, a aplicação dos recursos desses associados no mercado respectivo é da essência da própria atividade. É o relatório. 2 Processo n" 16327 001110/2004-88 CSRF -T1 Acórdão ri,' 9101 -00.626 Fl. 2 Voto Conselheira VIVIANE VIDAL WAGNER Presentes os pressupostos recursais, o recurso é de ser conhecido. Os limites da lide ora cingem-se à tributação do resultado das aplicações financeiras no mercado, caso se configureM tais operações como ato cooperado, ou não. A Lei n.° 5364/71, ao tratar da Política Nacional de Cooperativismo, define a forma de tributação das cooperativas e estabelece a incidência de tributação sobre as receitas derivadas de atos não cooperativos. Dispõem os artigos 85, 86, 87 e 111 da Lei n.° 5364/71, litteris "Art. 8.5 As cooperativas agropecuárias e de pesca poderão adquirir produtos de não associados, agricultores, pecuaristas ou pescadores, para completar lotes destinados ao cumprimento de contratos ou suprir capacidade ociosa de instalações industriais das cooperativas que as possuem. Ari 86. As cooperativas' poderão fornecer bens e serviços a não associados, desde que tal faculdade atenda aos objetivos sociais e estejam de conformidade com a presente lei. Parágrafo único. No caso das cooperativas de crédito e das seções de crédito das cooperativas agrícolas mistas, o disposto neste artigo só se aplicará com base em regras a serem estabelecidas pelo órgão normativo. Art. 87, Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo vara incidência de tributos. Art, 111. Serão considerados como renda tributável os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de que tratam os artigos 8,5, 86 e 88 desta Lei. As cooperativas de crédito assumem uma das formas permitidas pelo art. 5' da Lei n" 5.764/71, subordinando-se supletivamente às diretrizes fixadas pelo Conselho Monetário Nacional, consoante o disposto no art. 10.3 da mesma lei. Apesar disso, sua forma de tributação é especial e não pode ser simplesmente equiparada à das instituições financeiras, pois não descaracteriza a sua natureza de cooperativa o objetivo de ofertar crédito aos seus cooperados. A tributação deve atingir apenas atos não cooperativos e, neste ponto, é assente a posição deste Colegiado. A questão específica do presente recurso refere-se ao correto enquadramento do resultado das aplicações financeiras realizadas pela cooperativa com os recursos disponíveis. 3 O acórdão recorrido adotou a posição firmada pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, no sentido de que as receitas de aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas de crédito não são tributáveis por caracterizarem atos cooperativos. Do Agravo Regimental no Recurso Especial if 1.057.481 — CE (2008/104852-0), de relatoria do Ministro Francisco Falcão, que trata da incidência do PIS e da Cofins, se extrai a seguinte fundamentação, verbis: (.) Também remanesce pacificado o entendimento de que os atos praticados pelas cooperativas de crédito não aztferem lucro, porquanto as despesas e os resultados são divididos entre seus cooperados. Esse entendimento está consagrado em inúmeros precedentes desta Corte, a exemplo dos que se seguem- REsp n" 573 393/RS, Rel, Min. CASTRO MEIRA, DJ de 28/06/2004, p, 282, AgRg no REsp n" 650.656/RJ, Rei, Min, FRANCISCO FALCÃO, DJ de 17/12/2004; AgRg nos EDcl no Ag 980095/SP, Rei Mm. FUX DA de 29/09/2008, este último assim ementado, verbis PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO, AGRAVO REGIMENTAL, RECURSO ESPECIAL. PIS, COOPERATIVA DE CRÉDITO. ATOS COOPERATIVOS. 1, A base de cálculo da COEINS c do PIS restou analisada pelo Eg. STF que, na sessão plenária ocorrida em 09 de novembro de 2005, no julgamento dos Recursos Extraordinários 357,950/RS, 358,273/RS, 390840/MG, todos da relatoria do Ministro Marco Aurélio, e n." 346,084-6/PR, do Ministro limar Galvão, consolidou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COF1NS, promovida pelo § 1°, do artigo 3 0, da Lei a' 9.718/98, o que implicou na concepção da receita bruta ou faturamento como o que decorra quer da venda de mercadorias, quer da venda de mercadorias e serviços, quer da venda de serviços, não se considerando receita bruta de natureza diversa. 2. Os atos normativos e exegese jurisprudencial descaracterizam as cooperativas de crédito como entidades bancárias assemelhadas, a saber: (Resolução 3106/2003 BACEN, restringiu as atividades das cooperativas de crédito somente com cooperados, limitando-as à prática de atos cooperados; Circular' BACEN 3,238/2004, que, ao estabelecer o Plano Contábil do Sistema Financeiro Nacional - COSE', e aduzir à centralização financeira como sendo autêntico ato cooperativo, atesta, jurídico- contabilmente, a efetiva prática destes atos pelas cooperativas de crédito; Resolução 2.788/2000 CMN, que, ao permitir que somente as cooperativas centrais de crédito participem acionariarnente de bancos, e como forma de viabilizar sua atividade, o que por si os diferencia; Parecer PGFN/CPA 1,088/99, que concluiu pelas diferenças estruturais e funcionais existentes entre as sociedades cooperativas de crédito e os bancos, obstando, assim, que aquelas atuassem como órgãos arrecadadores federais, posto não ostentarem natureza de agência ou posto bancário; RR 5.919/19882-SP, Rel. Min. Errnes Pedro Pedrassani, DM 25 08.1989; RR 2I4,732/1995,3-MG, Rel, Min, Armando de Brito, DJU 16,05.1997). 3. Deveras, a Lei 5.764/71, mercê de posterior à Lei do Mercado de Capitais, é especial em , 4 Processo if 16327 001110/2004-88 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00,626 EL 3 relação à mesma. Art. 2', § 2', da LICC. Lex generalis convive com a lex specialis, 4. No campo da exação tributária com relação às cooperativas, a aferição da incidência do tributo impõe distinguir os atos cooperativos através dos quais a entidade atinge os seus fins e os atos não cooperativos; estes extrapolantes das finalidades institucionais e geradores de tributação; diferentemente do que ocorre com os primeiros. Precedentes jurisprudenciais. 5. A cooperativa prestando serviços a seus associados, sem interesse negociai, ou fim lucrativo, goza de completa isenção, porquanto o fim da mesma não é obter lucro, mas, sim, servir aos associados, 6. Os atos cooperativos não estão sujeitos à incidência do PIS e da COFINS, porquanto o art. 79 da Lei 5.764/71 (Lei das Sociedades Cooperativas) dispõe que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, 7 Não implicando o ato cooperativo em operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, a revogação do inciso I, do art. 6°, da LC 70/91, em nada altera a não incidência da COFINS sobre os atos cooperativos. O parágrafo único, do art 79, da Lei 5.764/71, não está revogado por ausência de qualquer antinomia legal 8, A Lei 5.764/71, ao regular a Política Nacional do Cooperativismo, e instituir o regime jurídico das sociedades cooperativas, prescreve, em seu art. 79, que constituem 'atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais', ressalva, todavia, em seu art. 111, as operações descritas nos arts, 85, 86 e 88, do mesmo diploma, como aquelas atividades denominadas 'não cooperativas' que visam ao lucro. Dispõe a lei das cooperativas, ainda, que os resultados dessas operações com terceiros 'serão contabilizados em separado, de molde a permitir o cálculo para incidência de tributos (art. 87). 9. É princípio assente na jurisprudência que: "Cuidando-se de discussão acerca dos atos cooperados, firmou-se orientação no sentido de que são isentos do pagamento de tributos, inclusive da Contribuição Social sobre o Lucro". (Min. Milton Luiz Pereira, Resp 152.546, NU 03/09/2001, unânime) 10. A doutrina, por seu turno, é uníssona ao assentar que pelas suas características peculiares, principalmente seu papel de representante dos associados, os valores que ingressam, como os decorrentes da conversão do produto (bens ou serviços) do associado em dinheiro ou crédito nas de alienação em comum, ou os recursos dos associados a serem convertidos em bens e serviços nas de consumo (ou, neste último caso, a reconversão em moeda após o fornecimento feito ao associado), não devem ser havidos como receitas da cooperativa. 11. Incidindo o PIS e a COFINS sobre o faturamento/receita bruta, impõe-se aferir essa defmição à luz do art. 110 do CTN, que veda a alteração dos conceitos do Direito Privado. Consectariamente, faturarnento é o conjunto de faturas emitidas em um dado período ou, sob outro aspecto vemacular, é a soma dos contratos de venda realizados no período. Conseqüentemente, a cooperativa, posto não realizar contrato de venda, não se sujeita à incidência do PIS ou da COFINS, 12. Outrossim, a Primeira Seção, no julgamento do s REsp 591298/MG, Relator para o acórdão o Ministro Castro Meira, sessão de 27 de outubro de 2004, firmou o entendimento de que os atos praticados pelas cooperativas de crédito não são passíveis de incidência tributária, uma vez que a captação de recursos e a realização de aplicações no mercado financeiro, com o intuito de oferecer assistência de crédito aos associados, constituem atos cooperativos. 13. A intributabilidade pelo PIS do ato cooperativo alcança todas as aplicações financeiras, conducentes à consecução dos objetivos sociais das cooperativas. 14. Agravo regimental desprovido, (grifei). No mesmo sentido: EDcl nos EDcl nos EDcl no REsp 611217 / MG EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL 2003/0213892-0 Relator(a) Ministra EMANA CALMON (1114) Órgão Julgador T2 - SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 20/10/2009 Data da Publicação/Fonte DJe 04/11/2009 Ementa PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO — EMBARGOS DE DECLARAÇÃO — NÃO INCIDÊNCIA DO PIS SOBRE AS APLICAÇÕES FINANCEIRAS REALIZADAS PELAS COOPERATIVAS DE CRÉDITO 1 Conforme jurisprudência sedimentada pelas Turmas da Primeira Seção, as aplicações financeiras das sociedades cooperativas de crédito não sofrem a incidência do PIS. 2. Embargos de declaração acolhidos para explicitação. Essa orientação ainda pode ser confirmada em julgado recente da Segunda Turma daquele Egrégio tribunal no AgRg no AgRg no REsp 717126 / SC, de relatoria do Ministro Herman Benjamin, julgado em 09/02/2010, abaixo transcrito: Ementa PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. COOPERATIVAS DE CRÉDITO APLICAÇÕES FINANCEIRAS, ATOS COOPERATIVOS IMPOSTO DE RENDA NÃO-INCIDÊNCIA. SÚMULA 262/STI INAPLICABILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATiCIOS REVISÃO. MATÉRIA FÁTICO-PROBATÓRIA, INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ 1 A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmou-se no sentido de que os atos cooperativos típicos — assim entendidos aqueles praticados entre as cooperativas e seus associados ou entre os associados e as cooperativas, ou ainda entre cooperativas, para a consecução dos objetivos sociais — não geram receita ou lucro, consoante disposto no art. 79, parágrafo único, da Lei 5.764/197L 2. A Primeira Seção do STor pacificou o entendimento de que toda movimentação financeira das cooperativas de crédito — incluindo a captação de recursos, a realização de empréstimos aos cooperados, bem como a efetivação de aplicações financeiras no mercado — constitui ato cooperativo. 3. Infere-se que, se as aplicações financeiras das cooperativas de crédito, por serem atos cooperativos típicos, não geram receita, lucro ou faturamento, o resultado positivo decorrente desses negócios jurídicos não sofre 6 Processo tf 16327.001110/2004-88 CSRF-T1 Acórdão n° 9101-00.626 Fl. 4 a incidência do hnposto de Renda. 4, Acresça-se que os julgados que deram origem ao enunciado da Súmula 262/STJ não analisaram a situação específica das cooperativas de crédito, cuja atividade básica está relacionada à gerência financeira dos recursos creditícios dos associados. 5. Provido o Recurso Especial para reformar o acórdão recorrido quanto ao mérito, faz-se necessária a apreciação pelo ST1 dos honorários advocatícios devidos pelo .sucianbente. Trata-se de aplicação do direito à espécie, 6. No caso concreto, inverto os honorários advocatícios, restabelecendo os valores .fixados na sentença, a qual condenou a União ao pagamento da verba honorária em 5% (cinco por cento) do valor atribuído à causa (R$ 805.433,30 — oitocentos e cinco mil, quatrocentos e trinta e três reais e trinta centavos), corrigido monetariamente, dado o elevado valor conferido à demanda.. 7. Essa inversão é possível, pois, de acordo com a jurisprudência deste Tribunal Superior; "1. O SI'.!, ao aplicar o direito à espécie, após conhecei- do recurso especial, rejulga a causa („), 2. Possibilidade de fixação de honorários advocatícios em percentual inferior ao mínimo de 10% (dez por cento), quando vencida a Fazenda Pública, mediante a aplicação do art. 20, ,§ 4" do ('PC" (AgRg no Resp 418.640/DF, Rei Min. Diana Calmou, Segunda Turma, DI 2.6.2003).. Na mesma linha de entendimento: "conhecido o recurso, é possível ao STJ, desde logo, aplicar o direito à espécie, nos termos do art. 257 do seu Regimento Interno, não havendo que se falar em supressão de instância 3. O valor dos honorários foi fixado com i razoabilidade, no mínimo legal, devendo ser ressaltado afato de que a tese defendida pela parte só veio a ser acolhida na instância Superior; demandando acompanhamento profissional contínuo, que merece ser prestigiado" (EDcl REsp 1,130.634/RS Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, Dje 15.12 .2009). 8, Agravo Regimental do Ministério Público não provido e Agravo da Fazenda Nacional parcialmente provido tão-somente para inverter os honorários advocatkios, restabelecendo a condenação da União, fixada na sentença, ao pagamento dos ônus sucwnbenciais em 5% sobre o valor da causa, atualizado monetariamente.. (grifou-se) Diante da firme orientação jurisprudencial emanada da Corte judicial competente, em que pese não vinculante, e em homenagem ao princípio da economia processual e à segurança jurídica, a instância administrativa deve trilhar o mesma caminho, considerando não tributáveis os resultados das aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas de crédito, porque enquadrados corno atos cooperados. Isto posto, nego provimento ao recurso especial, __• VIVIANE VIDAL WAGNER - Relatara 7
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Numero do processo: 13687.000189/96-35
Data da sessão: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 1999
Numero da decisão: 201-04.686
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Serafim Fernandes Corrêa
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Numero do processo: 10480.003374/2003-36
Data da sessão: Tue Aug 25 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Renda
Exercício: 1994 a 2000
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO
INTEMPESTIVO. Não merece ser conhecido recurso voluntário interposto após decorrido o prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto n° 70.235/72.
Numero da decisão: 1803-000.144
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - glosa de compensação de prejuízos fiscais
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda Exercício: 1994 a 2000 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. Não merece ser conhecido recurso voluntário interposto após decorrido o prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto n° '70.235/72. Vistas, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. ene Ferreira de Moraes - President' . Benedict° Celso B Jumor - Relator Z- EDITADO EM: I 2 'NOV 20 10 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Selene Ferreira de Moraes, Walter Adolfo Maresch, José Sérgio Gomes, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Benedict° Celso Benicio Junior e Luciano Inocencio dos Santos. Processo n° 10480,003374/2003-36 S 1 -TE03 Acórdão n." 1803-00.144 Fl 2 Relatório Trata-se de auto de infração, lavrado em 07/04/2003, através do qual foi constituído crédito tributário relativo ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica - IRPJ, no valor de R$ 96.664,00, incluidos multa de oficio e juros de mora. No campo "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal", foram consignadas as seguintes irregularidades, ao final tipificadas: "001 — GLOSA DE PREJUIZOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE INOBSERVÂNCIA DO LIMITE DE 30%", infração ocorrida nos terceiro e quarto trimestres de 1998; "002 — ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO NO LUCRO REAL. LUCRO INFLACIONÁRIO REALIZADO REALIZAÇÃO MÍNIMA", infração ocorrida no ano-calendário de 1997 e em cada trimestre dos anos-calendários de 1998 e 1999. Irresignado, o contribuinte apresentou, tempestivamente, impugnação de fls. 170/183, na qual aduz, em apertada síntese: - E inconstitucional a norma imposta pela Lei n.° 8,981/95, alterada pela Lei n.° 9.065/95. 0 legislador não pode ampliar o campo de incidência do IRPJ e da CSLL, ultrapassando o balizamento feito pela Constituição Federal, explicitado no art. 43 do CTN; - A Medida Provisória n.° 812/94, convertida na Lei n.° 8.981/95, ofendeu os princípios da anterioridade, da irretroatividade da lei e do direito adquirido; - A tributação do lucro quando ainda hi prejuízo Fiscal acumulado não é tributação sobre acréscimo patrimonial, mas sobre o próprio patrimônio; - A criação do novo "esquema limitador" equivale à imposição de empréstimo compulsório; - A limitação dos 30% (trinta por cento) introduz ilegal esquema de moratória no Direito Tributário, não autorizada pelo CTN; Reconhece que não foi adicionada ao lucro liquido a realização minima do lucro inflacionário. Contudo, o Erário não foi prejudicado, pois, no período objeto da autuação, apresentou prejuízos que ultrapassaram "a realização minima do lucro inflacionário", tomando nulo o auto de infração; - A aplicação da taxa Selic para a cobrança de tributos é inconstitucional, corno o próprio STJ já admitiu; - É incabível a cobrança da multa de oficio de 75% (setenta e cinco por cento), pois "a mesma não enseja tal punição por se tratar de tributo lançado, fato já sacramentado pelo Conselho de Contribuintes". Se a cobrança da multa fosse possível, a Receita Federal teria que ser coerente e firmar o entendimento de que o tributo declarado em DCTF e não quitado não 2 Piocesso no 10480.003.374/2003-36 SI-TE03 Acórddo n ,° 1803-00.144 Fl 3 está em condições para inscrição em Divida Ativa. A notificação do lançamento é indispensável, - Ao final, requer a nulidade do auto de infração e o seu arquivamento, ern razão de sua improcedência, que, na dúvida, se interprete a norma em seu favor, bem como sejam admitidos todos os meios de provas admitidos em direito, inclusive diligência e perícia. A DIU decidiu: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário, 1997, 1998, 1999 COMPENSAÇÃO DE PREIUIZOS FISCA1S, LIMITAÇÃO. POSSIBILIDADE. Para determinação lucro real, os prejuízos fiscais poderão ser compensados em, no máximo, trinta por cento do lucro liquido ajustado pelas adições e exclusões permitidas pela legislação. LUCRO INFLACIONÁRIO ACUMULADO REALIZADO A MENOR NA DEMONSTRAÇÃO DO LUCRO REAL. A falta ou a insuficiência na realização do lucro inflacionário, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de oficio para exigir a parcela do imposto delas conseqüente. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário „, • Ano-calendário,' 1993, 1994, 1995, 1996 LUCRO 1NFLACIONÁRIO DIFERIDO. DECADÊNCIA Tratando-se de lucro inflacionário, o prazo decadencial para a Fazenda Pública constituir o crédito Tributário é contado partir de cada exercício em que sua tributação deva ser realizada, devendo ser deduzidas, para efeito de determinação do lucro inflacionário a realizar, as parcelas já alcançadas pela decadência. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1997, 1998, 1999 LANÇAMENTO, NULIDADE. Somente se considera nulo o auto de infra cão quando praticado por pessoa incompetente, com preterição do direito de defesa ou quando ausente algum de seus requisitos formais ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE INCOMPETÊNCIA DAS INSTANCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributaria vigente no pais, sendo incompetentes Processo no 10480.003374/2003-36 S1-TE03 Acórdiio n ° 1803-00.144 Fl. 4 para a apreciação de aigiiições de inconstitucionalidade de atos legais regularmente editados. PEDIDOS DE PER/CIA E DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Desnecessários são os pedidos de perícia e/ou diligencia quando os autos já trouxerem todos os elementos necessát ios convicção do julgador." Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, alegando , em síntese, os mesmo argumentos já comentados na Impugnação de fls. 170 a 183. o relatório do essencial. Voto Conselheiro Benedicto Celso Benicio Júnior, Relator Vejo que o contribuinte tomou ciência do teor da decisão proferida pela DRJ em Recife — PE na data de 21 de maio de 2007, conforme AR constante nos autos (FL 405), e protocolou seu recurso voluntário em 21 de junho de 2007, conforme consta pela assinatura de recebimento da DRJ, devidamente assinada pelo funcionário de Matricula 324577, nos documentos de fls. 409. Conforme o art. 33 do Decreto n° 70.235, de 1972, o prazo para a interposição do recurso voluntário é de 30 (trinta) dias. Uma vez que o conhecimento do Acórdão da DRJ por parte do contribuinte deu-se na data de 21 de maio de 2007, o dies ad quem para a interposição do presente recurso era o dia 20 de junho de 2007. Como isso apenas ocorreu no dia 21 de junho de 2007, está caracterizada a intempestividade do presente recurso. Tendo em vista tal intempestividade, o recurso não preenche os seus requisitos de admissibilidade, razão pela qual voto por NAO CONHECE-LO, sem análise de mérito. Benedict° C Iso Ben o Júnior
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Numero do processo: 10283.001595/2005-68
Data da sessão: Wed Dec 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2004
Base de Cálculo - Alargamento - Aplicação de Decisão Inequívoca do STF - Possibilidade.
Nos termos regimentais, pode-se afastar aplicação de dispositivo de lei que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária do Supremo Tribunal Federal.
Afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, com trânsito em julgado, a base de cálculo da contribuição para a Cofins, até a vigência da Lei 10.833/2003, voltou a ser o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e de mercadorias e de serviços. A partir da vigência dessa lei, a base de cálculo dessa contribuição é o faturamento, mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente, de sua denominação ou classificação contábil.
As subvenções governamentais consistentes em incentivos fiscais devem ser escrituradas como receita.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 9303-001.292
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso especial e, no mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial para restabelecer a exação pertinente aos períodos de apuração iniciados a partir de fevereiro de 2004, inclusive. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martínez López e Luiz Roberto Domingo, que negavam provimento.
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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Recorrente Fazenda Nacional Interessado Trópico Sistemas e Telecomunicações da Amazônia Ltda. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2004 Base de Cálculo Alargamento Aplicação de Decisão Inequívoca do STF Possibilidade. Nos termos regimentais, podese afastar aplicação de dispositivo de lei que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária do Supremo Tribunal Federal. Afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, com trânsito em julgado, a base de cálculo da contribuição para a Cofins, até a vigência da Lei 10.833/2003, voltou a ser o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e de mercadorias e de serviços. A partir da vigência dessa lei, a base de cálculo dessa contribuição é o faturamento, mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente, de sua denominação ou classificação contábil. As subvenções governamentais consistentes em incentivos fiscais devem ser escrituradas como receita. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso especial e, no mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial para restabelecer a exação pertinente aos períodos de apuração iniciados a partir de fevereiro de 2004, inclusive. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martínez López e Luiz Roberto Domingo, que negavam provimento. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 28/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Caio Marcos Cândido Presidente Substituto Henrique Pinheiro Torres Relator EDITADO EM: 25/02/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Nayra Bastos Manatta, Maria Teresa Martínez López, Luiz Roberto Domingo e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Os fatos foram assim descritos na decisão de primeira instância. Informa o relatório do acórdão proferido que a fiscalização constituiu crédito tributário contra a contribuinte acima identificada, relativo à Cofins, no período compreendido entre fevereiro de 1999 e dezembro de 2004, em razão de alegada insuficiência de recolhimento, pela exclusão da base de cálculo dos valores relativos à isenção do ICMS dado pelo Estado em que o mesmo exerce suas atividades. Entendeu a Turma Julgadora inexistir correspondência entre o conceito jurídico de receita e a isenção conferida pelo Estado membro como incentivo fiscal, mormente não se tratar de subvenção ou de resultados não operacionais, mas de mera redução de custos ou despesas. Identifica o que seja receita como sendo algo diverso de um conceito contábil, sendo, mais precisamente, um conceito jurídico, o qual entende assim se resumir: “a) receita é algo novo, que se incorpora a um determinado patrimônio; b) receita é um “plus jurídico” que se agrega ao patrimônio, ainda que o ato do qual ela seja parte não acarrete aumento patrimonial, ou mesmo que acarrete redução patrimonial; por isso, é mais apropriado dizer que receita agrega um elemento positivo ao patrimônio. c) podese definir receita de uma maneira geral como sendo qualquer ingresso ou entrada que se incorpore positivamente ao patrimônio empresarial, e que represente remuneração ou contraprestação de atos, atividades ou operações da pessoa jurídica.” E concluiu que “A obtenção da aludida vantagem financeira não implica em receitas ou resultados, como quer a fiscalização, posto que, como acima apreciado, ganhos financeiros da espécie são vistos de modo diverso pela Ciência da Contabilidade, não Fl. 2DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 28/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10283.001595/200568 Acórdão n.º 930301.292 CSRFT3 Fl. 282 3 se enquadrando nas hipóteses da base de cálculo de que trata a Lei nº 9.718/98, de 27 de novembro de 1998”. Decidindo, por unanimidade, pela exoneração da exação, a Turma Julgadora recorreu de ofício a este Conselho de Contribuintes em razão de o valor do crédito tributário exonerado ultrapassar o limite de alçada fixado no art. 34 , inciso I, do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, c/c a Portaria MF nº 375, de 07 de dezembro de 2001, submetendo o decisum ao reexame necessário. A câmara a quo, negou provimento ao recurso de ofício, em acórdão assim ementado: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2004 BENEFÍCIO FISCAL. ISENÇÃO DE ICMS. BASE DE CÁLCULO. Incentivo fiscal dado por Estadomembro a empresa instalada na região, consistente em redução e isenção de tributo, não tem natureza de receita bruta, faturamento ou de resultado. Recurso de ofício negado. Contra esse acórdão, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional apresentou recurso especial, que logrou seguimento, nos termos do despacho de fls. 231/233. Contrarrazões ao apelo fazendário às fls. 255 a 269. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres O recurso é tempestivo Antes de adentrarse na mérito do recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional, cabe esclarecer que, ao contrário do alegado pelo patrono da autuada, o regimento interno, vigente à época da apresentação do recurso, previa a possibilidade de recurso especial contra decisão de colegiado que negou provimento ao recurso de ofício. Ora, da decisão que nega provimento ao recurso de ofício, sem sobra de dúvida, a Fazenda Nacional sai sucumbente, daí o interesse de recorrer. De outo lado, a divergência jurisprudencial foi carreada aos autos, o que completa os pressuposto de admissibilidade do recurso. Desta feita, conheço do recurso especial. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 28/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 Quanto ao correto enquadramento contábil dos incentivos fiscais (subvenções) concedidos pelo Estado do Amazonas, destinados às sociedades empresárias industriais ou agroindustriais que lá se instalaram, entendo que tais benefícios, contabilmente, são classificados como receitas não operacionais da pessoa jurídica, pelas razões seguintes. As subvenções governamentais são programas delineados, administrados e concedidos pelos governos (União, Estados, DF e Municípios) com o objetivo de incrementar operações, atrair investimentos para determinadas regiões pouco desenvolvidas e financiar a promoção de atividades de interesse público. Às empresas que se fixam em áreas carentes de desenvolvimento são concedidas reduções e isenções tributárias (subvenções) sobre suas operações, cuja concessão segue procedimento criterioso de aprovação da empresa interessada. Há outras modalidades de subsídios, tais como as subvenções governamentais para investimento em que a empresa beneficiária fica obrigada a reinvestir, sob determinadas condições, parte dos tributos desonerados de suas transações e a subvenção para custeio, também denominada de subvenção corrente para custeio ou subvenção operacional, esta modalidade de subvenção governamental é caracterizada pelo incentivo, em sua maioria de natureza tributária, concedido pelo poder público com o objetivo de incrementar a atividade operacional das empresas em decorrência de interesses do próprio governo. Dos conceitos acima, a conclusão acaciana a que se chega é que o incentivo fiscal dado pela Lei 2.826/2003, do Estado do Amazonas, é espécie de subvenção governamental. A classificação desse incentivo como subvenção governamental é encontrada, dentre outros, nos itens 61 e 412 do CPC nº 7. Como é de sabença de todos, a sigla CPC designa o Comitê de Pronunciamento Contábil, criado pela Resolução nº 1055/053 do Conselho Federal de Contabilidade, composto pelas seguintes entidades: ABRASCA; APIMEC NACIONAL; BOVESPA; Conselho Federal de Contabilidade; FIPECAFI; e IBRACON. Releva ainda salientar que o CPC nº 07 foi aprovado, dentre outros, pela(o): CVM, deliberação CVM nº 555/08; CFC, Resolução CFC nº 1.143/08; Susep, Circular Susep nº 379/08 (anexo I). As subvenções governamentais consistentes em incentivos fiscais devem ser escrituradas como receita, a teor do item 42, abaixo transcrito: 1 6. A subvenção governamental é também designada por: subsídio, incentivo fiscal, doação, prêmio, etc. 2 41. Certos empreendimentos gozam de incentivos tributários de imposto sobre a renda na forma de isenção ou redução do referido tributo, consoante prazos e condições estabelecidos em legislação específica. Esses incentivos atendem ao conceito de subvenção governamental. 3 O CPC tem como objetivo "o estudo, o preparo e a emissão de Pronunciamentos Técnicos sobre procedimentos de Contabilidade e a divulgação de informações dessa natureza, para permitir a emissão de normas pela entidade reguladora brasileira, visando à centralização e uniformização do seu processo de produção, levando sempre em conta a convergência da Contabilidade Brasileira aos padrões internacionais". Fl. 4DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 28/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10283.001595/200568 Acórdão n.º 930301.292 CSRFT3 Fl. 283 5 42. O reconhecimento contábil dessa redução ou isenção tributária como subvenção para investimento é efetuado registrandose o imposto total no resultado como se devido fosse, em contrapartida à receita de subvenção equivalente, a serem demonstrados um deduzido do outro. A seu turno, o item 9 do CPC nº 07, dispõe ser irrelevante para o método de contabilização, a forma como a subvenção foi recebida, vejamos: 9. A forma como a subvenção é recebida não influencia no método de contabilização a ser adotado. Assim, por exemplo, a contabilização deve ser a mesma independentemente de a subvenção ser recebida em dinheiro ou como redução de passivo. Nessa linha de raciocínio, vêse que os incentivos relativos ao Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS concedidos pelo Estado do amazonas à sociedade empresária autuada constitui receita da pessoa jurídica, mais precisamente, receita não operacional, posto não ser fruto direto da alienação de um bem ou serviço relacionado à atividade fim da sociedade empresária. Resta então determinar se tal receita pode ser alcançada pela incidência da Cofins. Vejamos: Até o advento da Lei 9.718/1998, a base de cálculo dessa contribuição era a receita bruta decorrente da venda de bens, de serviços ou de bens e serviços (conceito de faturamento). Todavia, o §4 1º do art. 3º dessa Lei alterou o campo de incidência do PIS/Pasep e da Cofins, alargandoo, de modo a alcançar toda e qualquer receita auferida pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade por ela exercida e da classificação contábil das receitas. Desta forma, sob a égide desse dispositivo legal, dúvida não havia de que as receitas decorrentes da isenção ou concessão de créditos do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, comporiam a base de cálculo dessa contribuição. Correto, portanto, o lançamento fiscal. Acontece porém, que o STF, em controle difuso, julgou inconstitucional esse dispositivo legal. Cabe então verificar os efeitos dessa decisão pretoriana sobre a tributação ora em exame. Entendo que o controle concreto de constitucionalidade tem efeito interpartes, não beneficiando nem prejudicando terceiros alheios à lide. Para que produza efeitos erga ominis, é preciso que o Senado Federal edite resolução suspendendo a execução do dispositivo de lei declarado inconstitucional pelo STF. Não desconheço que o Ministro Gilmar Mendes, há muito vem defendendo a desnecessidade do ato senatorial para dar efeitos geral às decisões da Corte Maior, mas essa posição ainda não foi positivada no ordenamento jurídico brasileiro, muito embora alguns passos importantes já foram dados, como é o caso da súmula vinculante. De qualquer sorte, a resolução senatorial ainda se faz necessária, para estender efeitos de decisões interpartes a terceiros alheios à demanda. 4 Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 28/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 De outro lado, o regimento interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais trouxe a possibilidade de se estender as decisões do STF, em controle difuso, aos julgados administrativos, conforme preceitua a Portaria nº 256/2009, Anexo II, art. 69. Este dispositivo reproduz a mesma redação prevista no regimento anterior (art. 49, na redação dada pela Portaria nº 147/2007): É vedado afastar a aplicação de lei, exceto ... “I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. Notese que tal dispositivo cria uma exceção à regra que veda este Colegiado afastar a aplicação de dispositivo legal, mas exige que a inconstitucionalidade desse dispositivo já tenha sido declarada por decisão definitiva do plenário do STF. Não basta qualquer decisão da Corte Maior, tem de ser de seu plenário, e, devese entender como definitiva a decisão que passa a nortear a jurisprudência desse tribunal nessa matéria. Em outras palavras, decisão definitiva, na acepção do art. 69 do RICARF é aquela reiterada, assentada na Corte. O caso dos autos, a meu sentir, amoldase, perfeitamente, à norma inserta no artigo 69 suso transcrito, posto que a questão da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/1998 encontrase apascentada no Supremo Tribunal Federal, inclusive, fez parte de minuta de súmula vinculante, que não foi adiante por causa de uma outra decisão desse Tribunal, referindose à base de cálculo das contribuições devidas pelas seguradoras. Neste caso, houve certa confusão sobre o conceito de faturamento e de receita, o que levou o STF a não sumular a matéria sobre o alargamento da base de cálculo das contribuições, mas, de qualquer sorte, continua valendo a decisão no tocante à base de cálculo das contribuições incidentes sobre sociedades não financeiras ou seguradoras. Em outro giro, a PGFN por meio da Portaria nº 294/2010, autorizou seus procuradores a não mais recorrerem das decisões definitivas de tribunais superiores, como a do STF que reconheceu a inconstitucionalidade do denominado alargamento da base de cálculo das contribuições sociais. A edição dessa portaria corrobora o entendimento de se aplicar ao caso em exame a decisão plenária do STF sobre o indigitado alargamento da base de cálculo da Cofins.. O Carf apascentou a jurisprudência no sentido de estender a decisão do STF sobre o alargamento da base de cálculo das contribuições aos julgamentos administrativos. Aplicandose, pois ao caso ora em exame, a decisão do STF que julgou inconstitucional o alargamento da base de cálculo das contribuições sociais, até a vigência da Lei 10.833/2003, a base de cálculo da Cofins voltou a ser a receita bruta correspondente a faturamento, assim entendido como o produto da venda de bens, serviços ou de bens e de serviços relacionados à atividade operacional da pessoa jurídica. Todavia, a partir de 1º de fevereiro de 2004, por força do disposto no inciso I, do art. 93 da Lei 10.833/2003, passou a viger os artigos 1º a 15º e 25 dessa lei, sendo que, justamente, o artigo primeiro desse diploma legal restabelece a base alargada da Cofins, nos termos seguintes: Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas Fl. 6DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 28/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10283.001595/200568 Acórdão n.º 930301.292 CSRFT3 Fl. 284 7 operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: omissis V referentes a: omissis VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.945, de 2009). (Produção de efeito) 5. De todo o exposto, podese concluir que, anteriormente a 1º de fevereiro de 2004, data de vigência dos arts. 1º a 15 e 25 da Lei nº 10.833/2003, a base de cálculo da Cofins era o faturamento, assim entendido a receita bruta correspondente ao produto da venda de bens, serviços ou de bens e de serviços relacionados à atividade operacional da pessoa jurídica. Neste período, as receitas subvenções governamentais, consistentes em incentivos de Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS. A partir dessa data, por força do art. 1º desse diploma legal, as sociedades empresárias sujeitas à incidência nãocumulativa da Cofins estavam sujeitas ao pagamento da contribuição em comento sobre o total das receitas auferidas (receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica), independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Aí incluídas as subvenções governamentais objeto destes autos. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional, para restabelecer a exação pertinente aos períodos de apuração iniciados a partir de fevereiro de 2004, inclusive. Henrique Pinheiro Torres Relator 5 Art. 33. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I a partir de 1o de janeiro de 2009, em relação ao disposto: omissis d) no art. 17, relativamente ao inciso VI do § 3o do art. 1o e ao art. 58J da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003; Fl. 7DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 28/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 Fl. 8DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 28/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 25/02/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10580.011054/2006-74
Data da sessão: Fri Jul 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano calendário: 2003
PEDIDO DE DILIGÊNCIA., É de se indeferir o pedido de diligência feito em desacordo com a legislação pertinente, mormente quando os fatos relatados e as provas constantes dos autos são suficientes para o deslinde da matéria.
Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA/1RM
Ano-calendário: 2003
PROVA EMPRESTADA, ADM1SSIBILIDADE, É legítimo o lançamento
levado a efeito pelo Fisco Federal decorrente de fatos cujas provas foram colhidas em informações prestadas, pelo próprio contribuinte, ao Fisco Estadual.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. ARBITRAMENTO NÃO APRESENTAÇÃO DOS LIVROS E DOCUMENTOS OBRIGATÓRIOS. A declaração ao fisco de valor da receita substancialmente inferior ao efetivamente auferido, caracteriza infração à legislação tributária praticada
com evidente intuito de fraude, impondo-se a aplicação de multa de oficio qualificada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1301-000.351
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Paulo Jakson da Silva Lucas
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Recorrida Dl-e-SALVADOR/BA Assunto: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2003 PEDIDO DE DILIGÊNCIA., É de se indeferir o pedido de diligência feito em desacordo com a legislação pertinente, mormente quando os fatos relatados e as provas constantes dos autos são suficientes para o deslinde da matéria. Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA/1RM Ano-calendário: .2003 PROVA EMPRESTADA, ADM1SSIBILIDADE, É legítimo o lançamento levado a efeito pelo Fisco Federal decorrente de fatos cujas provas foram colhidas em informações prestadas, pelo próprio contribuinte, ao Fisco Estadual. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. ARBITRAMENTO NÃO APRESENTAÇÃO DOS LIVROS E DOCUMENTOS OBRIGATÓRIOS. A declaração ao fisco de valor da receita substancialmente inferior ao efetivamente auferido, caracteriza infração à legislação tributária praticada com evidente intuito de fraude, impondo-se a aplicação de multa de oficio qualificada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, ao,J, LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente PAULO AKSO A SILVA LUCAS - Relator EDITADO EM: 20 DEZ 2010 Participaram da sessão de .julgamento os Conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Ricardo Luiz Leal de Melo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Fábio Soares de Melo, Valmir Sandri e Leonardo de Andrade Couto, Relatório Para elucidação dos fatos sintetizo o descrito no relatório incerto no acórdão recorrido, a seguir: Trata o presente processo de Autos de Infração que pretendem a exigência de crédito tributário relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, no valor de R$132.245,13 (cento e trinta e dois mil duzentos e quarenta e cinco reais e treze centavos), à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, no valor de R$70,310,30 (setenta mil trezentos e dez reais e trinta centavos), à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, no valor de R$195.306,41 (cento e noventa e cinco mil trezentos e seis reais e quarenta e um centavos), e à Contribuição para o Programa de Integração Social, no valor de R$42,316,34 (quarenta e dois mil trezentos e dezesseis reais e trinta e quatro centavos), acrescidos de multa de oficio qualificada, no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento) e dos juros de mora, totalizando R$1 .330A 89,09 (um milhão trezentos e trinta mil cento e oitenta e nove reais e nove centavos). De acordo com a "descrição dos fatos" (fis, 08 e 09) foi efetuado o arbitramento do lucro, referente aos períodos de apuração ocorridos no ano-calendário de 2003, com base no artigo 530, inciso III, do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (R1R/1999), tendo em vista que a contribuinte notificada a apresentar os livros e documentos da sua escrituração, conforme Termo de Inicio de Fiscalização, em 14/02/2006, Termos de Intimação em 09/03/2006, e de 05/04/2006, no entanto, deixou de apresenta-los. No Termo de Verificação Fiscal encontra-se relatado que a ação fiscal objetivou averiguar indícios de sonegação fiscal, no período de janeiro e dezembro de 2003, apontados pelo cruzamento das informações prestadas pelo contribuinte para os fiscos Federal e Estadual, face inclusive, a omissão do contribuinte com relação a apresentação das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), referentes aos quatros trimestres de 2003 e da Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPI), ano calendário 2003. Ressalte-se que em pesquisa mais abrangente constatou-se tal omissão desde o ano calendário de 2001. Diante da absoluta impossibilidade de apuração do lucro real, em virtude da não apresentação dos livros e documentos solicitados, a fiscalização procedeu ao arbitramento do lucro, conforme determina o artigo 47, inciso III, da Lei 8.981, de 1995. Utilizou para tal a receita bruta no valor de R$6.510,215,68 que a contribuinte declarou no período fiscalizado à Secretaria da Receita Estadual da Bahia (SEFAZ), e disponibilizada à Receita Federal nos termos do convênio de cooperação técnica. Esse fato por si só demonstra a intenção do contribuinte em sonegar tributos federais, e conforme demonstrado a reiterada ausência de prestação de informações a Receita Federal vem a comprovar a sistemática intenção do contribuinte em ocultar a base de cálculo dos tributos devidos, eximindo-se, desta maneira, da responsabilidade pelo seu recolhimento ao 2 (IV) (V) (VI) Processo n" 10580011054/2006-74 S1-C3T1 Acórdão n 1301-00.351 Fl 2 longo dos anos. Procedimento este que configura Crime contra a Ordem Tributária previsto nos artigos 1°, e 2°, da Lei 8.137, de 1990. Por essa razão, ao montante do tributo apurado durante o período fiscalizado, foi aplicada a multa de oficio qualificada tipificada no inciso 11 do artigo 44 da Lei 9.4.30/1996, em face do evidente intuito de sonegar definido no artigo 71 da Lei 4.502, de 1964. Em sua defesa na fase impugnatória a contribuinte alega e síntese, que: a ação fiscal baseou-se, exclusivamente, em informações obtidas e utilizadas de forma ilegal e inconstitucional como PROVA EMPRESTADA do fisco estadual; (II) a ação fiscal utilizou-se da multa com efeito confiscatório e deixou de esclarecer suas dúvidas; (III) não há geração de tributos apenas com base em "informações distorcidas" e "presunções equivocadas", pois reconhece o não cumprimento de algumas obrigações acessórias e, até mesmo, de algumas competências de obrigações principais em aberto; todavia rechaça as reprováveis conclusões do Termo de Verificação Fiscal, uma vez que é simples prestadora de serviços de abate de bovinos e não comercializa a carne; a escrita contábil da empresa autuada, constante de vasta e rica documentação, encontra-se em perfeita harmonia com a movimentação bancária, que no presente processo houve apenas a busca implacável em autuar e autuar; requer sejam desentranhados dos autos todos os documentos relativos a PROVA EMPRESTADA ilegalmente utilizados pela fiscalização. Requer que o Auto de Infração seja julgado improcedente ou, se parcialmente procedente seja a vultosa multa reduzida para o percentual considerado legal, por último, protesta e requer, a produção de todos os meios de prova admitidos com juntada posterior de documentos, A DRJ/SDR manteve integralmente o lançamento proferindo acórdão com a seguinte ementa: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2003 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. (1) É de ser indeferido o pedido de diligência .feito em desacordo com a legislação pertinente, mormente quando os fatos relatados e as provas constantes dos autos são suficientes para o deslinde da matéria., ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário 2003 PROVA EMPRESTADA, ADMISSIBILIDADE, Inexiste impedimento legal para a utilização das informações disponibilizadas a SRF pela Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia, unia fez que referidos dados permitem o levantamento das receitas para .fins de apuração das bases de cálculo dos tributos e contribuições administrados pela SRF, ALEGAÇÕES. ÔNUS DA PROVA, Alegações destituídas de prova não podem desconsfituir o crédito tributário regularmente lançado, eis que a prova compete à pessoa que alega o fato, impeditivo, modificativo, ou extintivo, do direito do autor,. OMISSÃO DE RECEITAS, FALTA DE APRESENTAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O ,fato de a pessoa jurídica, sucessivamente intimada, e deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da sua escrituração comercial e Fiscal, autoriza o arbitramento dos lucros, obedecendo aos critérios estabelecidos na lei.. ARBITRAMENTO BASE DE CÁLCULO. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação do coeficiente previsto em lei, em função da atividade, acrescido de vinte por cento. LANÇAMENTOS DECORRENTES, Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL Contribuição para o PIS/Pasep Contribuição para o Financiamento da Seguridade. Social - Cotins Os lançamentos reflexos devem observar o mesmo procedimento adotado no principal, em virtude da relação de causa e efeito que os vincula 4 5 Processo n° 10580 011054/2006-74 S1-C3TI Acórdão n ° 1301-00351 Fl 3 MULTA DE OFICIO QUALIFICADA. A multa de oficio qualificada no percentual de 1.50% será aplicada sempre que houver o intuito de fraude, caracterizado em procedimento fiscal, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, Lançamento Procedente" É o Relatório. Voto Conselheiro PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS O recurso voluntário preenche todos os requisitos para a sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. De inicio cabe ressaltar que, estranhamente, em sua peça recursal a recorrente ataca que a ação fiscal baseou-se, exclusivamente, em informações sobre sua movimentação financeira no ano calendário de 2003, informações estas obtidas de maneira ilegal e inconstitucional, pois através de quebra de sigilo bancário sem autorização judicial. Cita corolário de doutrina e jurisprudência a respeito da ilegalidade da quebra do sigilo fiscal e da multa confiscatória„ Quanto aos demais pontos argüidos no recurso repete-se aqueles combatidos na impugnação. Portanto, cabe aqui, a análise do lançamento do IRPJ e reflexos, incidentes sobre o lucro arbitrado com base na receita bruta conhecida, levantada a partir de informações obtidas da Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia (SEFAZ), tendo em vista que a contribuinte não apresentou os livros e documentos de sua escrituração comercial e fiscal nos termos da intimação e re-intimação durante a ação fiscal. Preliminarmente, sobre o pedido da recorrente para que o acervo contábil/fiscal da empresa seja examinado por fiscal estranho ao feito, deve-se observar que implicaria na realização de diligência, e para tanto, verifica-se que a formulação do pedido está em total desacordo com as normas do processo administrativo fiscal, especialmente quanto ao previsto no artigo 16, inciso IV e parágrafo 1°, do Decreto n° 70,235, de 1972, com as alterações da Lei if 9,532, de 1997, que trata dos requisitos necessários para a realização do pedido de diligência, transcrito a seguir: "Art. 16. A impugnação mencionará: I-a autoridade julgadora a quem é dirigida; II - a qualificação do impugnante,- 111 - os motivas de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, IV - as diligência ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostas os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. Par I° Considerar-se-á não .formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atende,.. aos requisitos previstos no inciso IV do ar!, 16. ) 7 Processo e 10580 011054/2006-74 S1-C3T1 Acórdão n,° 1301-00351 Fl. 4 .§ 4' - A prova documental será apresentada na impugnação, prechtindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que.' a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna,por motivo de fOrça maior; b) refira-se aflito ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Parágrafo acrescido pelo art. 67 da Lei n° 9.53.2, de 10 de dezembro de 1997): C CO .,) - A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com .fiindan?entos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior Observe-se que tais requisitos de admissibilidade de pedido de diligência e/ou perícia previstos nesse inciso, não são mera formalidade processual, mas elementos essenciais á análise da prescindibilidade da produção da diligência. Portanto, em razão de ter sido feito de maneira genérica, imprecisa, sem formular os quesitos referentes aos exames desejados, na forma exigida pelo artigo acima transcrito, considero não formulado o pedido de diligência. Além disso, ante a verificação de que constam nos autos todos os elementos para a formulação da livre convicção do julgador, considero o pedido de diligência prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada, em consonância com o art. 18 do Decreto n.° 70.235 de 1972, com as alterações da Lei n° 9,532, de 1997, até porque inexiste arbitramento condicionado e, sendo assim, o ato administrativo de lançamento, regularmente constituído, não seria modificável por eventual posterior apresentação de livros e ou documentos contábeis e fiscais cuja não apresentação, apesar das reiteradas intimações durante a ação fiscal, foi a causa do arbitramento do lucro. Diante do exposto, pela competência atribuída pelo artigo 18, do Decreto if 70235, de 1972, indefiro o pedido de realização de diligência. No mérito a recorrente se insurge quanto ao seu dizer: "prova emprestada de forma ilegal e inconstitucional". Ressalte-se que não existe nenhum impedimento legal para utilização de dados, no lançamento de tributos, entre a Administração Tributária Estadual e Federal, mediante convênio, desde que os referidos dados permitam o levantamento das receitas para fins de apuração das bases de cálculo, como é o caso em discussão. A contribuinte informou receitas de vendas, no período fiscalizado, de mais de seis milhões ao fisco estadual, sonegando-a ao fisco federal. Quanto a utilização dos dados fornecidos pela Secretaria de Fazenda do Estado da Bahia à fiscalização, é de se observar que a Recorrente, conforme já dito antes, foi intimada e re-intimada a fornecer a autoridade fiscal os livros contábeis e fiscais, tendo se mantido inerte, ignorando por completo as intimações, não restando outra alternativa a fiscalização senão se valer das informações fornecidas pela Receita Estadual para conhecer a receita bruta da contribuinte. — V Nesta situação não se está diante de uma prova produzida pelo Fisco Estadual que tenha sido emprestada ao Fisco Federal, mas de uma declaração prestada pelo próprio sujeito passivo, na qual informa as entradas e saídas de mercadorias, cujos dados permitem conhecer a receita bruta que é o critério preferencial para o arbitramento do lucro (Lei n° 9.249, de 1995, art. 16 e Lei n° 9430, de 1996, art. 27, inciso I), uma vez que a legislação autoriza a adoção de outros parâmetros apenas quando a receita bruta não for conhecida (Lei n° 8.981, de 1995, art 51). Neste sentido, faço minhas as argumentações do relatório e voto no julgamento de primeira instância: "Observe-se, também, que a afirmação da contribuinte de que é simples prestadora de serviços de abate de bovinos e não comercializa a carne bovina é insustentável, pois a cláusula 5 0, do seu Contrato Social prevê que a sociedade terá por objetivo social "o abate, comercializa çâo e industrialização de bovinos, suínos, aves e peixes, inclusive de seus subprodutos, seja "in natura", seja resfriado ou congelados, arrendamento e alugueis de frigoríficos, e prestação de serviços de abate de bovinos, suínos, caprinos e ovinos" (cópia fls. 146 e 147) e dentre as notas fiscais trazidas pela impugnante (Anexos I a V e VII e VIII), encontram-se várias notas fiscais de saídas, relativas a vendas de: carne industrial; papila; e bois abatidos, etc. Convém registrar que a documentação acostada aos autos pela impugnante consiste de: notas fiscais de Entrada e da Saída, Série 1; notas fiscais de despesas e; DCTFs referentes aos quatro trimestres de 2003. A propósito das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF anexadas às fls. 168/199, impende salientar que não podem ser consideradas, pois a contribuinte não trouxe aos autos os respectivos recibos de entrega a fim de que pudesse ficar comprovada a efetiva entrega, espontânea, de tais declarações, imprescindível para a finalidade pretendida. Deve-se lembrar que a autoridade fiscal afirma que a contribuinte encontrava-se omissa com relação à entrega das DCTF relativas aos quatro trimestres de 2003, como também, consultando-se os sistemas informatizados da SRF não se encontra registro de apresentação das aludidas declarações. Muitas notas fiscais de saídas apresentadas têm como natureza da operação "Outras saídas", "Simples remessa para abate", "Dovolução/Bois abatidos", e outras têm corno natureza da operação "vendas", As Notas Fiscais de Entrada referem-se, basicamente, a "Simples Remessa/Bois para Abate", sendo que na sua maioria os remetentes são contribuintes do ICMS, com inscrição estadual. Não foi apresentada nenhuma nota fiscal de prestação de serviço." De tudo isso, conclui-se que a impugnante não conseguiu infirmar, com documentação objetiva e inconteste a informação por ela prestada à Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia, concernente às receitas de vendas realizadas no ano-calendário de 2003 e que deixaram de ser submetidas à tributação do IRPJ e das contribuições sociais administrados pela Secretaria da Receita Federal Prosseguindo a impugnante alega que a ação fiscalizadora utilizou-se da multa de oficio com efeito confiscatório, violando o artigo 150, inciso IV, da CF ./1988, e desrespeitando com isso outros dois princípios norteadores da administração pública: o Processo n" I 0580.011054/2006-74 S1-C3T1 Acórdão n '1301-00351 Fl 5 principio da razoabilidade e o principio da proporcionalidade, o que torna ilegal a multa imposta pela fiscalização. A multa de oficio foi aplicada no percentual de 150%, tendo por fundamento legal o artigo 44, inciso II da Lei 9,430, de 27 de dezembro de 1996, cujo inteiro teor encontra- se transcrita no Termo de Fiscalização e Voto do acórdão recorrido. No resultado da fiscalização restou apurada a falta de pagamento de tributos devidos a partir da omissão de receitas que resultou em arbitramento do lucro. Ficou patente que a impugnante, mesmo auferindo a expressiva receita na ordem de R$G 510.. 215, 83, durante o ano-calendário de 2003, informada nas Declarações de Apuração Mensal (DMA) apresentadas para a Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia, deixou de apresentar à Secretaria da Receita Federal — SRF as Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF, relativas aos quatro trimestres do referido ano-calendário e a correspondente Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica, como também, não recolheu nenhum valor de qualquer tributo administrado pela SRF. Esta ausência de informações obrigatórias, à SRF, constitui procedimento que a contribuinte vem adotando reiteradamente desde o ano-calendário de 2001, conforme revelam as consultas feitas pela autoridade fiscal aos sistemas informatizados da SRF, e demonstra a intenção da contribuinte de sonegar os aludidos tributos. Consoante dispositivos legais transcritos, a sonegação e a fraude fiscal podem ser constatadas em razão de urna ação ou omissão, de simulação ou ocultação, e pressupõe sempre a intenção de causar dano à Fazenda Pública, um propósito deliberado de se subtrair, no todo ou em parte, de uma obrigação tributária. Os conceitos de sonegação e fraude são amplos, mas sempre existem num comportamento intencional, especifico de não cumprir a obrigação tributária e, no presente caso, a conduta da recorrente delineia, com clareza, um comportamento doloso, inserindo-se perfeitamente na hipótese legal de incidência da multa qualificada, no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento). No tocante aos aspectos de inconstitucionalidade levantados pela impugnante a utilização da multa e do tributo com o efeito de confisco e a violação de princípios da razoabilidade e da proporcionalidade tratam-se de garantias constitucionais dirigidos ao legislador infra-constitucional e não ao executivo, mero aplicador da lei. Por oportuno, cabe esclarecer que, por força dos princípios da legalidade e da independência e harmonia dos poderes da República, foge à competência da autoridade administrativa apreciar a argüição e declarar ou reconhecer a inconstitucionalidade ilegalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento pátrio, por se tratar de prerrogativa reservada ao Poder Judiciário (artigos 97 e 102 da Constituição Federal). A norma jurídica, regularmente editada, goza da presunção de legitimidade e constitucionalidade, cabendo a autoridade administrativa tão-somente zelar pelo seu fiel cumprimento, até que seja excluída do mundo jurídico por urna outra norma superveniente ou por resolução do Senado Federal, a partir de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal (STF) declarando sua inconstitucionalidade. Dessa forma, demonstrada a existência dos ilícitos apontados nos autos de infração e estando a situação fática apresentada perfeitamente tipificada e enquadrada no art. 44, inciso II, da Lei n' 9430, de 1996, mantenho a aplicação da multa de oficio qualificada, dp 150%, sobre os valores do IRP.1, CSLL, Cofins e Pis, objeto do presente processo, não se podendo acolher as alegações de confisco e de violação aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Por todo o exposto, acompanhando a decisão da DRHSDR, voto por indeferir o pedido de diligência, rejeitar a preliminar de ilegalidade e inconstitucionalidade e no mérito negar provimento ao recurso voluntário. PAUL JAIda\T SILVA LUCAS - Relatorr 10
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