Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,966)
- Primeira Turma Ordinária (16,488)
- Primeira Turma Ordinária (16,437)
- Primeira Turma Ordinária (16,296)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,295)
- Segunda Turma Ordinária d (16,013)
- Segunda Turma Ordinária d (14,534)
- Primeira Turma Ordinária (13,106)
- Primeira Turma Ordinária (12,545)
- Segunda Turma Ordinária d (12,532)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,508)
- Quarta Câmara (85,725)
- Terceira Câmara (68,203)
- Segunda Câmara (57,034)
- Primeira Câmara (21,275)
- 3ª SEÇÃO (16,295)
- 2ª SEÇÃO (11,352)
- 1ª SEÇÃO (6,877)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (127,959)
- Segunda Seção de Julgamen (115,716)
- Primeira Seção de Julgame (77,508)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,120)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,472)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,545)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,272)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,108)
- HELCIO LAFETA REIS (3,896)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,936)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,840)
- WILDERSON BOTTO (2,674)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,654)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,655)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (19,010)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 16327.003565/2003-57
Data da sessão: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 28/02/1999, 31/07/1999
Período em discussão: contratos de swap liquidados em maio e junho de 1999
COFINS. CONTRATOS DE SWAP FIRMADOS ATÉ 31/01/1999. NÃO INCIDÊNCIA. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE E ANTERIORIDADE TRIBUTÁRIAS.
A COFINS apenas passou a ser exigida das instituições financeiras a partir do dia 27/02/1999, momento que, em atenção ao princípio da anterioridade tributária, a Lei 9.712, de 27/11/1998, passou a ter eficácia. Não é possível, portanto, que haja incidência da COFINS para situações pretéritas à sua exigibilidade, como é o caso dos contratos de swap firmados pelo autuado até 31/01/1999. A fiscalização acabou por se equivocar pelo simples fato de, à época dos contratos de swap firmados até 31/01/1999, o contribuinte ter optado por excluir partes de suas receitas brutas mensais que fossem referentes às operações de swap ainda não liquidadas (até 31/01/1999), e, após as liquidações dessas operações de swap (entre fevereiro e junho de 1999 - época que a COFINS já era exigida), o contribuinte tê-las incluído à tributação do PIS. Essa sistemática de exclusão de receitas era facultada ao contribuinte pelo artigo 1º, II da Lei 9.701/98 e o mesmo não pode ser obrigado a recolher COFINS por fazer uso de uma faculdade que lhe era legalmente permitida. Portanto, o que desconsiderou a fiscalização foi que os recolhimentos de PIS, realizados entre fevereiro e junho de 1999, se referiam a partes de receitas brutas relativas a meses anteriores a 27/02/1999, ou seja, a partes de receitas brutas existentes à época em que os contratos de swap foram firmados (até 31/01/1999), não sendo possível que a COFINS também incidisse sobre as mesmas, tendo em vista que aludida contribuição, em atenção ao princípio da anterioridade e irretroatividade tributárias, apenas passou a ser exigida após 27/02/1999.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 9303-001.803
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Nanci Gama - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: NANCI GAMA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Cofins - ação fiscal (todas)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201201
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 28/02/1999, 31/07/1999 Período em discussão: contratos de swap liquidados em maio e junho de 1999 COFINS. CONTRATOS DE SWAP FIRMADOS ATÉ 31/01/1999. NÃO INCIDÊNCIA. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE E ANTERIORIDADE TRIBUTÁRIAS. A COFINS apenas passou a ser exigida das instituições financeiras a partir do dia 27/02/1999, momento que, em atenção ao princípio da anterioridade tributária, a Lei 9.712, de 27/11/1998, passou a ter eficácia. Não é possível, portanto, que haja incidência da COFINS para situações pretéritas à sua exigibilidade, como é o caso dos contratos de swap firmados pelo autuado até 31/01/1999. A fiscalização acabou por se equivocar pelo simples fato de, à época dos contratos de swap firmados até 31/01/1999, o contribuinte ter optado por excluir partes de suas receitas brutas mensais que fossem referentes às operações de swap ainda não liquidadas (até 31/01/1999), e, após as liquidações dessas operações de swap (entre fevereiro e junho de 1999 - época que a COFINS já era exigida), o contribuinte tê-las incluído à tributação do PIS. Essa sistemática de exclusão de receitas era facultada ao contribuinte pelo artigo 1º, II da Lei 9.701/98 e o mesmo não pode ser obrigado a recolher COFINS por fazer uso de uma faculdade que lhe era legalmente permitida. Portanto, o que desconsiderou a fiscalização foi que os recolhimentos de PIS, realizados entre fevereiro e junho de 1999, se referiam a partes de receitas brutas relativas a meses anteriores a 27/02/1999, ou seja, a partes de receitas brutas existentes à época em que os contratos de swap foram firmados (até 31/01/1999), não sendo possível que a COFINS também incidisse sobre as mesmas, tendo em vista que aludida contribuição, em atenção ao princípio da anterioridade e irretroatividade tributárias, apenas passou a ser exigida após 27/02/1999. Recurso Voluntário Provido.
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 16327.003565/2003-57
anomes_publicacao_s : 201301
conteudo_id_s : 5180129
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 9303-001.803
nome_arquivo_s : Decisao_16327003565200357.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : NANCI GAMA
nome_arquivo_pdf_s : 16327003565200357_5180129.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente Nanci Gama - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
id : 4433435
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 18:45:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714074929527259136
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2689; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 320 1 319 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16327.003565/200357 Recurso nº 229.445 Voluntário Acórdão nº 9303001.803 – 3ª Turma Sessão de 31 de janeiro de 2012 Matéria COFINS Recorrente BANCO ITAULEASING S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 28/02/1999, 31/07/1999 Período em discussão: contratos de swap liquidados em maio e junho de 1999 COFINS. CONTRATOS DE SWAP FIRMADOS ATÉ 31/01/1999. NÃO INCIDÊNCIA. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE E ANTERIORIDADE TRIBUTÁRIAS. A COFINS apenas passou a ser exigida das instituições financeiras a partir do dia 27/02/1999, momento que, em atenção ao princípio da anterioridade tributária, a Lei 9.712, de 27/11/1998, passou a ter eficácia. Não é possível, portanto, que haja incidência da COFINS para situações pretéritas à sua exigibilidade, como é o caso dos contratos de swap firmados pelo autuado até 31/01/1999. A fiscalização acabou por se equivocar pelo simples fato de, à época dos contratos de swap firmados até 31/01/1999, o contribuinte ter optado por excluir partes de suas receitas brutas mensais que fossem referentes às operações de swap ainda não liquidadas (até 31/01/1999), e, após as liquidações dessas operações de swap (entre fevereiro e junho de 1999 época que a COFINS já era exigida), o contribuinte têlas incluído à tributação do PIS. Essa sistemática de exclusão de receitas era facultada ao contribuinte pelo artigo 1º, II da Lei 9.701/98 e o mesmo não pode ser obrigado a recolher COFINS por fazer uso de uma faculdade que lhe era legalmente permitida. Portanto, o que desconsiderou a fiscalização foi que os recolhimentos de PIS, realizados entre fevereiro e junho de 1999, se referiam a partes de receitas brutas relativas a meses anteriores a 27/02/1999, ou seja, a partes de receitas brutas existentes à época em que os contratos de swap foram firmados (até 31/01/1999), não sendo possível que a COFINS também incidisse sobre as mesmas, tendo em vista que aludida contribuição, em atenção ao princípio da anterioridade e irretroatividade tributárias, apenas passou a ser exigida após 27/02/1999. Recurso Voluntário Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 35 65 /2 00 3- 57 Fl. 320DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Nanci Gama Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo contribuinte com fulcro nos artigos 8º e 18 do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em face ao acórdão de nº 20179.529, proferido pela Primeira Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes, a qual, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso de ofício, alterando parcialmente a decisão da DRJ, conforme ementa a seguir: “COFINS. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DECLARAÇÃO. RETIFICAÇÃO. MULTA DEVIDA. A retificação de declaração por iniciativa do próprio declarante, para fins de inclusão de receitas não consideradas na base de cálculo do tributo só ilide a multa quando solicitada antes de iniciado o procedimento do lançamento de ofício (arts. 138 do CTN e 7º, §1º, do Decreto nº 70.235/72). BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. REVOGAÇÃO. ANTERIORIDADE NONAGESIMAL (ART. 195, §6º, DA CF/88). A base de cálculo da contribuição compreende a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas, admitidas tãosomente as exclusões especificadas na legislação de regência. Em razão da anterioridade nonagesimal constitucionalmente assegurada (art. 195, §6º, da CF/88), a lei que institui, modifica ou revoga exclusões de receitas da base de cálculo de contribuições só têm eficácia após 90 dias da sua publicação, aplicandose somente aos fatos geradores futuros e pendentes ocorridos a partir desta data, a qual se deve necessariamente reportar o lançamento para fins de aferição da ocorrência (ou não) do fato gerador da obrigação (arts. 105 e 144 do CTN). Fl. 321DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16327.003565/200357 Acórdão n.º 9303001.803 CSRFT3 Fl. 321 3 CONTRATOS DE SWAP NÃO LIQUIDADOS. A exclusão da base de cálculo do PIS dos valores correspondentes a diferenças positivas decorrentes de variações nos ativos, objetos de contratos firmados por instituição financeira ou equiparada, em operações de swap ainda não liquidadas, determinada pelo art. 1º, inciso II, da Lei nº 9.701, de 17/11/98, e estendida à base de cálculo da COFINS pelo art. 3º, §5º, da Lei nº 9.718, de 27/11/99, foi revogada através do art. 13 da MP nº 1.8071, de 28/01/99, que somente se aplica a fatos geradores ocorridos a partir de 28/04/99, data em que as receitas dos contratos de swap ainda não liquidados passaram a integrar a base de cálculo das referidas contribuições, não podendo mais ser excluídas. Recursos de ofício provido em parte e voluntário negado.” Em síntese, no que se refere ao provimento parcial do recurso de ofício, entendeu aludida Câmara, em contrariedade à DRJ, que, com a vigência em 28/04/1999, observada anterioridade nonagesimal, da MP 1.8071, de 28/01/1999 a qual revogou o artigo 1º, II da Lei 9.701/98, que previa a possibilidade de se excluir da base de cálculo do PIS os valores referentes aos contratos de swap não liquidados , as receitas dos contratos de swap ainda não liquidados passariam a integrar a base de cálculo tanto do PIS como, por equiparação prevista no artigo 3º, §5º da Lei 9.718/98, da COFINS, não podendo mais essas receitas serem excluídas como anteriormente. Assim, restouse entendido pelo acórdão ora recorrido que apenas deveriam permanecer cancelados, da autuação, os valores referentes às liquidações dos contratos de swap ocorridas nos meses de fevereiro, março e abril de 1999, eis que anteriores à 28/04/1999 (data da eficácia da MP 1.8071/99), e, em contrapartida, os valores referentes às liquidações ocorridas em maio e junho de 1999, deveriam ser restabelecidos ao lançamento, eis que posteriores a 28/04/1999. A DRJ, em contrapartida, havia entendido, em suma, por excluir da autuação todos os valores exigidos a título de COFINS referentes aos contratos de swap que foram lançados, eis que aludida contribuição não era, à época dos contratos de swap firmados até 31/01/1999, sequer exigível das instituições financeiras, não podendo o contribuinte in casu ser tributado pela COFINS por situações pretéritas à sua própria exigibilidade, a qual, em obediência ao princípio da anterioridade nonagesimal, apenas passou a ser exigida dessas instituições a partir de fevereiro de 1999, quando o artigo 3º, §5º da Lei 9.718, de 27/11/1998, passou a produzir efeitos. Com efeito, a DRJ, complementando seu entendimento, aduziu que a fiscalização teria se equivocado ao exigir COFINS do contribuinte pelo simples fato deste ter adicionado na base de cálculo do PIS valores que por ele excluídos quando da aquisição dos contratos de swap até 28 de janeiro de 1999. Assim, entendeu a DRJ que a fiscalização, ao se deparar com uma base de cálculo de PIS superior a da COFINS, teria se equivocado ao exigir do contribuinte, também, o recolhimento da COFINS sobre esses valores adicionados, mas referentes a períodos anteriores à exigência da COFINS das instituições financeiras. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Com efeito, as autoridades fiscais teriam desconsiderado que aquela parcela de aumento da receita bruta dos meses das liquidações dos contratos de swap, se referiam, em verdade, a partes das receitas brutas referentes aos meses em que os contratos de swap foram firmados (até 31/01/1999), as quais haviam, nessa época, sido excluídas de tributação por conta do exercício de uma faculdade prevista na Lei 9.701/98. A decisão da DRJ restou assim ementada: “RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. PERDA DA ESPONTANEIDADE. O início do procedimento de ofício exclui a espontaneidade do contribuinte quanto à matéria e períodos fiscalizados. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição compreende a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas, admitidas tão somente as exclusões especificadas na legislação de regência. CONTRATOS DE “SWAP”. CONTABILIZAÇÃO. REGIME DE COMPETÊNCIA. Como regra geral, a variação monetária relativa aos contratos bilaterais de operações financeiras do tipo “swap”, para a apuração da base de cálculo da Cofins, deve ser reconhecida e registrada na contabilidade em cada períodobase de incidência de acordo com o regime de competência, independente do vencimento do contrato financeiro. Para as instituições financeiras e equiparadas, em razão da anterioridade nonagesimal da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, não incide Cofins sobre os valores apurados até 31 de janeiro de 1999, correspondentes a diferenças positivas decorrentes de variações nos ativos objetos dos contratos, no caso de operações de “swap”, nos termos da lei, em razão de ser a Cofins exigível a partir de fevereiro de 1999. Descabe a exigência de Cofins sobre as receitas de contratos de Swap auferidas em janeiro de 1999, porque as instituições financeiras não eram contribuintes dessa contribuição naquele período. Tampouco não é exigível a adição de tais receitas na base de cálculo da contribuição a partir de fevereiro de 1999, quando da liquidação dos contratos, pelo fato de não ter o contribuinte exercido a faculdade de excluílas anteriormente. Lançamento Procedente em Parte.” Irresignado com a decisão do extinto Segundo Conselho de Contribuintes que deu provimento parcial ao recurso de ofício, o contribuinte interpôs recurso voluntário a esta Eg. Câmara Superior de Recursos Fiscais reiterando as razões consignadas pela DRJ em sua decisão, no que se refere à matéria concernente aos contratos de swap. Regularmente intimada, a Fazenda Nacional apresentou suas contra razões às fls. 293/299 requerendo fosse negado provimento ao recurso voluntário para que fosse integralmente restabelecida a decisão do acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16327.003565/200357 Acórdão n.º 9303001.803 CSRFT3 Fl. 322 5 Voto Conselheira Nanci Gama, Relatora O recurso voluntário do contribuinte é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A meu ver, a questão em causa limitase, basicamente, em determinar se as receitas referentes aos diversos contratos de swap firmados pela instituição financeira ora Recorrente até 31/01/1999, que foram liquidados entre fevereiro e junho de 1999, poderiam sofrer a incidência da COFINS. Primeiramente, cumpre esclarecer que é inequívoco que a COFINS apenas passou a ser exigida das instituições financeiras a partir do momento que a Lei nº 9.7181, de 27/11/1998, passou a ter eficácia, ou seja, apenas a partir de 27/02/1999, em observância ao princípio da anterioridade nonagesimal. Com efeito, não vejo como prosperar, em razão do princípio da irretroatividade tributária, a pretensão da fiscalização de exigir valores de COFINS decorrentes de realidades anteriores a vigência da norma que a instituiu, especificamente, para as instituições financeiras. Explico! O que se verifica, a meu ver, no presente caso, é um equívoco da fiscalização que, provavelmente, ao não observar a faculdade conferida ao contribuinte pelo art. 1º, inciso II, da Lei 9.701/1998, exigiu da Recorrente a COFINS sobre receitas relativas a períodos anteriores a sua incidência. De acordo como referido dispositivo legal, as instituições financeiras poderiam optar por diferir receitas derivadas de contrato de swap, excluindoas da base de cálculo do PIS, para tributálas no momento da liquidação do respectivo contrato, quando então seriam adicionadas. Os valores adicionados exclusivamente a base de cálculo do PIS e sobre os quais o lançamento em questão exige o recolhimento da COFINS, correspondem efetivamente aquelas exclusões de que trata a Lei 9.701/98 e representam, portanto, mero “ajustes” de valores decorrentes de fatos geradores pretéritos à incidência da COFINS. Cabe repisar que o regime de exclusão previsto no artigo 1º, inciso II, da Lei 9.701/982, facultava ao contribuinte, para efeito de determinação da base de cálculo do PIS, a opção de efetuar “exclusões ou deduções da receita bruta operacional auferida no mês” de 1 “Art. 3º (...) § 5º Na hipótese das pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, serão admitidas, para os efeitos da COFINS, as mesmas exclusões e deduções facultadas para fins de determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP.” 2 “Art. 1o Para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, de que trata o inciso V do art. 72 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, as pessoas jurídicas referidas no § 1o do art. 22 da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, poderão efetuar as seguintes exclusões ou deduções da receita bruta operacional auferida no mês: (...) II valores correspondentes a diferenças positivas decorrentes de variações nos ativos objetos dos contratos, no caso de operações de "swap" ainda não liquidadas;” (g.n.) Fl. 324DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 “valores correspondentes a diferenças positivas decorrentes de variações nos ativos objetos dos contratos, no caso de operações de “swap” ainda não liquidadas”. A fiscalização, ao se deparar com o aumento da receita bruta do contribuinte referente as meses das liquidações dos contratos de swap (entre fevereiro e junho de 1999)celebrados até janeiro de 1999, em razão da adição de valores anteriormente excluídos, bem como, com o fato de somente o PIS ter sido recolhido sobre referidos valores, equivocadamente, lançou contra a Recorrente também o recolhimento da COFINS sobre esses mesmos valores. E o equívoco se ressalta na medida em que, caso o contribuinte tivesse optado por não aderir à sistemática de exclusão de tributação, que lhe era facultado por lei para o recolhimento do PIS, isto é, caso o contribuinte tivesse optado por incluir, desde logo, os valores referentes aos contratos de swap ainda não liquidados, firmados até 31/01/1999, a fiscalização não estaria tendo a equivocada pretensão de lhe exigir COFINS. Sendo certo que o contribuinte não pode ser obrigado a recolher uma contribuição, que sequer lhe era exigida na época que firmou os contratos de swap (até 31/01/1999), pelo simples fato de ter optado por realizar o recolhimento do PIS sob uma sistemática de diferimento de tributação, entendo que mereça ser reformado o acórdão a quo para que se restabeleça integralmente a decisão da DRJ. O acórdão recorrido, em que pese a aparente lógica de seu fundamento, partiu de premissa fática, a meu ver, equivocada, eis que ignorou que as receitas adicionadas na base de cálculo do PIS não correspondem a receitas posteriores a fevereiro de 1999 (quando a COFINS passou a ser exigida das instituições financeiras), o que, com a devida vênia, por decorrência lógica, compromete a sua conclusão. Dessa forma, diante de todo o exposto, conheço do recurso voluntário interposto pelo contribuinte para, no mérito, darlhe integral provimento para que seja totalmente restabelecida a decisão da DRJ e, por conseguinte, cancelados os pretensos valores de COFINS, referentes aos contratos de swap firmados até 31/01/1999. É o meu voto. Nanci Gama Fl. 325DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 36202.002494/2007-12
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/1997 a 01/08/2001 DECADÊNCIA, O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 8, declarou , inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei 8.212, de 24/07/1991. Tratando-se ,de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código , Tributário Nacional - CTN. , Recurso de Oficio Negado. , Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2301-000.996
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 1ª turma ordinária da segunda SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Edgar Silva Vidal
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201001
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1997 a 01/08/2001 DECADÊNCIA, O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 8, declarou , inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei 8.212, de 24/07/1991. Tratando-se ,de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código , Tributário Nacional - CTN. , Recurso de Oficio Negado. , Crédito Tributário Exonerado
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2010
numero_processo_s : 36202.002494/2007-12
anomes_publicacao_s : 201001
conteudo_id_s : 6217341
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 19 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 2301-000.996
nome_arquivo_s : 230100996_265897_36202002494200712_004.PDF
ano_publicacao_s : 2010
nome_relator_s : Edgar Silva Vidal
nome_arquivo_pdf_s : 36202002494200712_6217341.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 3ª câmara / 1ª turma ordinária da segunda SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
dt_sessao_tdt : Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2010
id : 4616070
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 18:47:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714074929557667840
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-06-16T11:55:00Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-06-16T11:55:00Z; Last-Modified: 2010-06-16T11:55:00Z; dcterms:modified: 2010-06-16T11:55:00Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-06-16T11:55:00Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-06-16T11:55:00Z; meta:save-date: 2010-06-16T11:55:00Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-06-16T11:55:00Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-06-16T11:55:00Z; created: 2010-06-16T11:55:00Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2010-06-16T11:55:00Z; pdf:charsPerPage: 1119; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-06-16T11:55:00Z | Conteúdo => S2-C3Ti ei 200 nn MINISTÉRIO DA FAZENDA ' . ... CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS . .. , SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO , Processo n° 36202.00249412007-12 Recurso n° 265.897 De Oficio Acórdão n° 2301-00.996 — 3' Câmara / P Turma Ordinária Sessão de 25 de janeiro de 2010 , Matéria DECADÊNCIA Recorrente DRJ - RIO DE JANEIRO -II (RJ) , Interessado TERCEIRA CÂMARA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS , i Período de apuração: 01/02/1997 a 01/08/2001 DECADÊNCIA, O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 8, declarou , inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei 8.212, de 24/07/1991. Tratando-se , de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código , Tributário Nacional - CTN. , Recurso de Oficio Negado. , Crédito Tributário Exonerado., . , fn Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 1 ACORDAM os membros da 3 Câmara / 1' Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, rejeitar as prelimIi ares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relato . 7 '-' I Processo n°36202.002494/2007-12 92-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.996 El. 201 JULIO Cá AR IERA QOMES - Presidente dre EDG • SILVA VIDAL — Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Bemadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Edgar Silva Vidal (suplente), Francisco de Assis de Oliveira Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes (presidente). Relatório Trata-se de Recurso de Oficio interposto pela 7' Turma da DRJ — Rio de Janeiro II (RJ) que, pelo seu Acórdão n° 13-21.909, de 20/10/2008, considerou improcedente o lançamento constante da NFLD n° 37.095.084-4, lançada em face de Brasflex Tubos Flexíveis Ltda. e Outros. O crédito refere-se às contribuições sociais previdenciárias dos segurados e da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social, ao financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, e a outras entidades e fundos ( Salário-Educação, DPC e INCRA), incidentes sobre remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados, sob o título de Participação nos Lucros e Resultados. O período de apuração compreende as competências 02/1997 a 08/2001, em período descontínuo. A ciência da contribuinte ocorreu em 13/06/2007 A recorrente impugnou o lançamento, alegando, em síntese, além das questões de mérito, a decadência do direito de o fisco realizar o lançamento, a teor do contido no artigo150, § 4° do CTN. É o relatório. Voto Conselheiro, EDGAR SILVA VIDAL, Relator O recurso foi interposto pela DRJ-RJ, tendo em vista que ao julgar a impugnação da recorrente, com base Súmula Vinculante n° 8 do STF, o valor da exoneração do crédito foi superior ao limite de alçada pre 'ato no artigo 1° da Portaria MF n° 3, de 03 de janeiro de 2008(DOU 07(01/2008). 2 . Processo n°36202002494/2007-12 . S2-C3T1 , Acórdão n.° 230140.996 Fl. 202 , DECADÊNCIA Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal - STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relatar: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91 e o parágrafo único do art.5° do Decreto-lei n° • 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva, constitucional de lei complementar., , Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém-se higida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo . das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, . como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitam-se, entre outros, aos artigos 150, § 4°, 173 e 174 do CT1V. Diante do aposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5° do Decreto-lei n° 1.569/77, frente ao § 1° do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É COMO voto. , Súmula Vinculante n° 08: , , "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que • tratam de prescrição e decadência de crédito tributário"., Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103-A da, Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinctdante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional n°45, dg 2004). /Lei n°11.417, de 19/12/2006:,C//,---,ii /, 3 Processo n0 36202.002494/2007-12 S2-C3T1 Acórdão nf 2301-00.996 Fl. 203 Regulamenta o art. 103-A da Constituição Federal e altera a Lei n2 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 22 O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § la O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficaram m obrigados a acatarem a Súmula Vinculante n°. 08. Afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei 8.212/91, caberia verificar qual a regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional — CTN se aplica ao caso; no entanto, nos presentes autos, independentemente da regra aplicável, todos os valores se referem a fatos geradores já alcançados pela decadência. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, acato a preliminar de decadência e NEGO provimento ao Recurso de Oficio. É como voto. Sala das Sessões, em 2 e janeiro de 2010. 717E &A DAL - Relator 4
score : 1.0
Numero do processo: 10508.000393/2001-93
Data da sessão: Thu Dec 03 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Dec 03 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Ano-calendário: 2001
TRÂNSITO ADUANEIRO. ROUBO DE CARGA
Demonstrada a ocorrência do ilícito penal "roubo" cometido contra o
Contribuinte, caracteriza-se a ocorrência de força maior, fator suficiente para elidir, na hipótese concreta, a exigibilidade do crédito tributário.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3102-00.567
Decisão: Acordam os membros do Colegiado por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: Beatriz Veríssimo de Sena
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200912
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II Ano-calendário: 2001 TRÂNSITO ADUANEIRO. ROUBO DE CARGA Demonstrada a ocorrência do ilícito penal "roubo" cometido contra o Contribuinte, caracteriza-se a ocorrência de força maior, fator suficiente para elidir, na hipótese concreta, a exigibilidade do crédito tributário. Recurso Voluntário Provido.
dt_publicacao_tdt : Thu Dec 03 00:00:00 UTC 2009
numero_processo_s : 10508.000393/2001-93
anomes_publicacao_s : 200912
conteudo_id_s : 5399266
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Nov 21 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3102-00.567
nome_arquivo_s : 310200567_342408_10508000393200193_005.PDF
ano_publicacao_s : 2009
nome_relator_s : Beatriz Veríssimo de Sena
nome_arquivo_pdf_s : 10508000393200193_5399266.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Thu Dec 03 00:00:00 UTC 2009
id : 4612802
ano_sessao_s : 2009
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 18:46:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714074929600659456
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-06-16T12:02:43Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-06-16T12:02:43Z; Last-Modified: 2010-06-16T12:02:43Z; dcterms:modified: 2010-06-16T12:02:43Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-06-16T12:02:43Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-06-16T12:02:43Z; meta:save-date: 2010-06-16T12:02:43Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-06-16T12:02:43Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-06-16T12:02:43Z; created: 2010-06-16T12:02:43Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2010-06-16T12:02:43Z; pdf:charsPerPage: 1184; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-06-16T12:02:43Z | Conteúdo => S3-C112 Fl 144 6.e.EW,, MINISTÉRIO DA FAZENDA " ” ' CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS •••••~,:,..: TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO •-••••• Processo n" 10508.000393/2001-93 Recurso n° 342.408 Voluntário Acórdão n° 3102-00.567 — P Câmara /2 Turma Ordinária Sessão de 03 de dezembro de 2009 Matéria Imposto sobre a Importação - II Recorrente CONTINS TRANSPORTES LTDA. Recorrida DRJ-Fortaleza/CE ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II Ano-calendário: 2001 TRÂNSITO ADUANEIRO. ROUBO DE CARGA Demonstrada a ocorrência do ilícito penal "roubo" cometido contra o Contribuinte, caracteriza-se a ocorrência de força maior, fator suficiente para elidir, na hipótese concreta, a exigibilidade do crédito tributário. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. - • • asseio- uerra de Castro - Presidente Veríssimo de Sena - Relatora EDITADO EM: 02/02/2010 Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, José Femandes do Nascimento, Beatriz Veríssimo de Sena, INXIton Luiz Bártoli e Celso Lopes Pereira Neto. Ausente justificadamente a Conselheira Nanci Gama. Relatório Trata o presente processo administrativo de aplicação de lançamento de Imposto sobre Impostação, juros de mora e multas de oficio em face de infração por não conclusão da operação de trânsito aduaneiro. De acordo com a documentação que instrui os autos de infrução, mercadorias eletrônicas ingressaram no pais pelo Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins/MG, para posterior autorização da informação da presença de carga no SISCON1EX e registro da Declaração de Importação. Realizados os trâmites legais de desembaraço aduaneiro, a mercadoria foi colocada em caminhões da empresa ora recorrente para transporte até a cidade de Ilhéus/BA. No meio do percurso, contudo, os veículos do Contribuinte foram abordados por meliantes, que procederam ao roubo dos veículos com as respectivas mercadorias. Com fulcro no art. 86, parágrafo único eic art. 81, I, ambos do Regulamento Aduaneiro (Decreto n° 91.030/85), foi lavrado auto de infração para cobrar o respectivo Imposto de Importação incidente sobre as mercadorias roubadas, acrescido da multa prevista no art. 521, II, "d", do Regulamento Aduaneiro. O Contribuinte solicitou a improcedência do lançamento, alegando que a operação de importação não foi concluída por motivo alheio a sua vontade, pois o assalto a mão armada caracterizaria força maior. Ademais, o delito de que fora vitima estaria devidamente comprovado por boletim de ocorrência, fato que seria excludente de responsabilidade. A DRJ de Fortaleza/CE julgou procedente o lançamento, argumentando que: a) O fato gerador do Imposto sobre Importação teria ocorrido no momento do ingresso da mercadoria em território aduaneiro (11. 112), o que gera a necessidade de cobrança desse tributo; b) Ao firmar contrato de transporte, o Contribuinte teria se responsabilizado pelo pagamento dos tributos devidos pela importação, no caso de extravio da mercadoria; c) Roubo não seria nem caso fortuito nem força maior, pois faltaria ao evento os requisitos de "ausência de imputabilidade (o evento não pode ocorrer da ação humana) e a "inevitabilidade ou irresistibilidade (culpa in vigilando ou in eligendo) (ti 114). Contra a decisão da DRS de origem, o Contribuinte interpôs recurso voluntário, reiterando, em síntese, as razões já expostas na impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Beatriz Veríssimo de Sena, Relatora O recurso voluntário preenche os requisitos extrínsecos de admissibilidade, razão pela qual o conheço. Processo o' 10508.000393/2001-93 S3-C1T2 Acórdão of 3102-00367 Fl. 145 O Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto 4.543, de 26 de dezembro de 2002, com as alterações introduzidas pelo Decreto 4.765, de 24 de junho de 2003, atribui ao transportador a responsabilidade fiscal pelo trânsito não concluído. Entretanto essa responsabilidade é subjetiva. Com efeito, no caput do artigo 591 a responsabilidade fiscal e imputada a quem deu causa ao extravio de mercadorias, in verbis: • Art. 591. A responsabilidade pelo extravio ou pela avaria de mercadoria será . de quem lhe deu causa, cabendo ao responsável, assim reconhecido pela autoridade aduaneira, indenizar a Fazenda Nacional do valor do imposto de importação que, em conseqüência, deixar de ser recolhido, ressalvado o disposto no art. 585 Por outro lado, o caput do artigo 595 possibilita ao responsável pelo débito tributário a possibilidade de fazer prova de caso fortuito ou força maior para afastar a exigibilidade do crédito: Art. 591 A autoridade aduaneira, ao reconhecer a responsabilidade nos termos do art. 591, verificará se os elementos apresentados pelo indicado como responsável demonstram a ocorrência de caso fortuito ou de força maior que possa excluir a sua responsabilidade. § 1° Para os fins deste artigo, e no que respeita ao transportador, os protestos formados a bordo de navio ou de aeronave somente produzirão efeito se ratificados pela autoridade judiciária competente. ,;-ç 2' As provas excludentes de responsabilidade poderão ser produzidas por qualquer interessado, no curso da vistoria. In casu, alega o Recorrente que o extravio se deu por roubo de dois de seus veículos juntamente com as mercadorias que transportava. Oferece como prova de sua alegação o . registro da ocorrência em delegacia policial da Secretaria de Estado de Segurança Pública competente (fls. 23 à 28). Entendo ser o registro de ocorrência prova suficiente do roubo, assim entendido como o crime de subtração de coisa alheia mediante grave ameaça ou violência à pessoa. Ocorre que o ilícito "roubo", tipificado no artigo 157 do Código Penal, é crime com ação penal pública, isto é, a ação penal é de titularidade exclusiva do Estado, por meio do Ministério Público. Desse modo, à vitima de roubo cabe registrar boletim de ocorrência perante a autoridade policial, a fim de que esta instaure inquérito policial para, após, se houver elementos, o Ministério Público ajuíze ação penal pública, na qual o exercício do direito subjetivo de buscar o pronunciamento jurisdicional é do próprio Estado. Não é razOável, portanto, desqualificar o registro da ocorrência policial como prova do alegado roubo, data venha. Ressalte-se, por oportuno, que a comunicação falsa de crime é, também, ilícito penal, previsto no artigo 340 do Código Penal. Quanto à possibilidade de enquadrar-se o roubo como excludente de responsabilidade tributária, verificar se a hipótese é de caso fortuito ou força maior. De acordo com Caio Mário da Silva Pereira: Não distingue a lei a vis maior do canis, e assim procede avisadamente, pois que nem a doutrina moderna nem as fbntes clássicas têm operado uma diversificação bastante nítida de uma e outra figura. Costuma-se dizer que o caso fortuito é o acontecimento natural, ou o evento derivado da força da natureza, ou o fato das coisas, como o raio do céu, a inundação, o terremoto. E, mais particularmente, conceitua-se a força maior como o damnum que é originado do fato de outrem, como a invasão do território, a guerra, a revolução, o ato emanado da autoridade ((actual principis), a desapropriação, o furto etc. Outras distinções, e não poucas, apontam-se ainda, sem contudo oferecerem gabarito determinante e hábil a efetuar a diferenciação. PrefOrivel será mesmo, ainda com a ressalva de que pode haver um critério distintivo abstrato, admitir que na prática os dois termos correspondem a um só conceito (COLMO) unitariamente considerado no seu significado negativo da imputabilidade. I Para confrontar os conceitos de caso fortuito e força maior com o tipo penal do roubo, duas características desse delito são relevantes: a previsibilidade, em função da freqüência; e a impossibilidade de resistência da vitima. Ambos os elementos podem ser vislumbrados nesse tipo penal. O criminoso, via de regra, aborda sua vitima sem que essa possa prever seu ataque minando suas chances de defesa. Por outro lado, a impossibilidade de resistência da vitima é essencial ao tipo penal, conforme se depreende da própria descrição do delito no caput do art. 157 do Código Penal: ROUBO Art. 157. Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave ameaça ou violência a pessoa, ou depois de havééla, por qualquer meio, reduzido à impossibilidade de resistência: (.) (destaque nosso) No plano eivilistico, o Superior Tribunal de Justiça tem seguido o raciocínio exposto acima, reconhecendo os elementos de imprevisibilidade e impossibilidade de defesa da vítima nos crimes de roubo, reconhecendo nesses casos a excludente de responsabilidade. Assim não poderia deixar de ser, na medida em que, no roubo, a vítima é confrontada entre o seu desejo de reagir e o perigo de perder a própria vida, na medida em que os assaltantes encontram-se em condições de transfoimar o roubo em latrocínio, se assim quiserrin. No roubo, não se mostra razoável esperar da vitima, em condições ordinárias, o ato heróico de oferecer resistência a esse delito. Sobre a consideração de hipótese de força maior em casos de roubo em transporte, a Segunda Seção do STJ uniformizou a jurisprudência das Turmas Terceira e Quarta, em acórdão assim ementado: RESPONSABILIDADE CIVIL TRANSPORTE COLETIVO. ASSALTO Á MÃO ARMADA. FORÇA MAIOR. 1 PEREIRA, Caio Mário da Silva. 'Instituições de Direito Civil" 15 ed. vol. II, Forense : Rio de Janeiro, 1996, p.244-245. Processo ne 10505.000393;2001-93 S3-C1T2 - - Acórdão n.°3102-00.567 H. 146 - Constitui causa excludente da responsabilidade da empresa transportadora o fato inteiramente estranho ao transporte em si, como é o assalto ocorrido no interior do coletivo. Precedentes. Recurso especial conhecido e provida. (RESP 435.865/RJ, Rel. ildinistro Barros Monteiro, Segunda Seção, julgado em 09/10/2002, DL 12/05/2003, p. 209) Há precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais considerando a ocorrência de roubo de carga como excludente de responsabilidade tributária de transportadora: Assunto: Imposto sobre a Importação —II Data do fato gerador: 17/05/1999 ROUBO DE CARGA. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR. Demonstrada a ocorrência do ilícito penal, sem a prova de culpa da transportadora, resta caracterizada a força maior, excluclente de responsabilidade. Precedentes do Poder Judiciário. Recurso especial negado (Recurso 301-123202, Processo 10314.002387/99-71, Câmara Superior de Recursos Fiscais, Sessão de 25/02/2008, Relatara Conselheira Anelise Daudt Prieto) Considero, portanto, o roubo como motivo de força maior suficiente para elidir a exigibilidade do crédito tributário. Por esses fundamentos, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. 'Beatriz Veríssimo de Sena
score : 1.0
Numero do processo: 10680.007189/2006-15
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001, 2002, 2004
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. ERRO DE CÁLCULO.
Cabem embargos declaratórios quando verificado erro de cálculo contido no acórdão recorrido.
Numero da decisão: 1201-000.767
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em ACOLHER PARCIALMENTE os embargos declaratórios, para retificar o acórdão recorrido quanto ao valor dos pagamentos realizados aos sócios Walter Santos Neto e Sâmia Santos, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Carlos Mozart Barreto Vianna (Suplente Convocado), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Andre Almeida Blanco (Suplente convocado) e João Carlos de Lima Junior.
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201212
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2001, 2002, 2004 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. ERRO DE CÁLCULO. Cabem embargos declaratórios quando verificado erro de cálculo contido no acórdão recorrido.
dt_publicacao_tdt : Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10680.007189/2006-15
anomes_publicacao_s : 201302
conteudo_id_s : 5187856
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1201-000.767
nome_arquivo_s : Decisao_10680007189200615.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : MARCELO CUBA NETTO
nome_arquivo_pdf_s : 10680007189200615_5187856.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em ACOLHER PARCIALMENTE os embargos declaratórios, para retificar o acórdão recorrido quanto ao valor dos pagamentos realizados aos sócios Walter Santos Neto e Sâmia Santos, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Carlos Mozart Barreto Vianna (Suplente Convocado), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Andre Almeida Blanco (Suplente convocado) e João Carlos de Lima Junior.
dt_sessao_tdt : Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2012
id : 4502844
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 18:45:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714074929714954240
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1758; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 0 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.007189/200615 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1201000.767 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04 de dezembro de 2012 Matéria EMBARGOS DECLARATÓRIOS Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado S. SANTOS ASSESSORIA LTDA.S. SANTOS ASSESSORIA LTDA. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001, 2002, 2004 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. ERRO DE CÁLCULO. Cabem embargos declaratórios quando verificado erro de cálculo contido no acórdão recorrido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em ACOLHER PARCIALMENTE os embargos declaratórios, para retificar o acórdão recorrido quanto ao valor dos pagamentos realizados aos sócios Walter Santos Neto e Sâmia Santos, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Carlos Mozart Barreto Vianna (Suplente Convocado), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Andre Almeida Blanco (Suplente convocado) e João Carlos de Lima Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 71 89 /2 00 6- 15 Fl. 940DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 22/02/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10680.007189/200615 Acórdão n.º 1201000.767 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de embargos declaratórios opostos pela Fazenda Nacional com fulcro no art. 66 do Regimento Interno deste Colegiado, que assim estabelece: Art. 66. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão serão retificados pelo presidente de turma, mediante requerimento de conselheiro da turma, do Procurador da Fazenda Nacional, do titular da unidade da administração tributária encarregada da execução do acórdão ou do recorrente. § 1° Será rejeitado de plano, por despacho irrecorrível do presidente, o requerimento que não demonstrar com precisão a inexatidão ou o erro. § 2° Caso o presidente entenda necessário, preliminarmente, será ouvido o conselheiro relator, ou outro designado, na impossibilidade daquele, que poderá propor que a matéria seja submetida à deliberação da turma. § 3° Do despacho que indeferir requerimento previsto no caput, darseá ciência ao requerente. (...) Alega a embargante, em resumo, o seguinte (fl. 925): O Colegiado decidiu excluir da base de cálculo do IRRF os valores pagos a titulo de distribuição de lucros aos sócios Walter Santos Neto e Sâmia Santos, correspondente a R$ 679.048,66 (fl. 921v). Ocorre que, s.m.j., houve equivoco quanto aos cálculos. É que, aparentemente, essa eg. Turma deixou de descontar os valores pagos a titulo de distribuição de lucros que já haviam sido excluídos da base de cálculo do tributo pela DRJ/MG (vide tabela de fls. 795/796). Caso essa hipótese se confirme, ocorrerá dupla exclusão dos mesmos valores, o que, conseqüentemente, acarretará a diminuição indevida da base de cálculo do IRRF. (...) Tendo sido admitidos pelo Presidente, por proposta deste Relator, os embargos foram submetidos à apreciação da Turma. Fl. 941DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 22/02/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10680.007189/200615 Acórdão n.º 1201000.767 S1C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. A Turma recorrida julgou parcialmente procedente o lançamento do IRRF sobre pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, excluindo da incidência na fonte os valores pagos aos sócios Walter Santos Neto e Sâmia Santos a titulo de distribuição de lucros. Entendeu o Colegiado que, em relação a estes pagamentos, tanto a causa quanto o respectivo beneficiário encontravamse plenamente identificados (fl. 920 e ss.). Esclareceu ainda a Turma que os pagamentos então excluídos da tributação, no montante de R$ 679.048,66, foram extraídos da planilha elaborada pela fiscalização (fl. 118 e ss.). Alega a embargante que aparentemente referidos pagamentos já haviam sido eximidos da indecência do IRRF pela DRJ de origem, razão pela qual teria havido duplicidade de exclusão. Pois bem, com vista a verificar a existência da alegada duplicidade de exclusão devese, em primeiro lugar, identificar os pagamentos realizados aos sócios Walter Santos Neto e Sâmia Santos contidos no demonstrativo elaborado pela fiscalização. São eles: Data Pagamentos BC do IRRF (*) 30/01/2001 77.044,37 118.529,80 21/03/2001 102.100,00 157.076,92 14/09/2001 20.000,00 30.769,23 05/10/2001 3.000,00 4.615,38 13/11/2001 8.000,00 12.307,69 29/11/2001 55.000,00 84.615,38 26/12/2001 20.000,00 30.769,23 01/03/2002 30.000,00 46.153,85 06/05/2002 150.000,00 230.769,23 03/06/2002 10.000,00 15.384,62 06/06/2002 15.000,00 23.076,92 24/06/2002 1.000,00 1.538,46 23/07/2004 107.754,29 165.775,83 13/09/2004 6.150,00 9.461,54 16/09/2004 85.000,00 130.769,23 Total 690.048,66 1.061.613,32 (*) A base de cálculo do IRRF é igual ao valor do pagamento dividido por (1 0,35). De pronto verificase a existência de uma divergência entre o total dos pagamentos realizados aos sócios indicado na decisão embargada, qual seja, R$ 679.048,66, e o total demonstrado na tabela acima, que é de R$ 690.048,66. Fl. 942DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 22/02/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10680.007189/200615 Acórdão n.º 1201000.767 S1C2T1 Fl. 5 4 A diferença, de exatos R$ 11.000,00, decorre de erro de fato contido no acórdão embargado, o qual deixou de considerar os pagamentos de R$ 10.000,00 e R$ 1.000,00 ocorridos respectivamente em 03/06/2002 e 24/06/2002. Tal equívoco deve ser, aqui, sanado de ofício. Identificados os pagamentos objeto de exclusão da incidência do IRRF pela decisão embargada, devese agora cotejálos com aqueles que já haviam sido excluídos pela DRJ de origem, conforme demonstrado à fl. 795 e fl. 795verso. Com base neste cotejo é possível concluir que os seguintes pagamentos foram excluídos em duplicidade da incidência do IRRF: Data Pagamento BC do IRRF 23/07/2004 107.754,29 165.775,83 13/09/2004 6.150,00 9.461,54 16/09/2004 85.000,00 130.769,23 Total 198.904,29 306.006,60 Tendo em vista todo o exposto voto por acolher parcialmente os embargos declaratórios opostos pela Fazenda Nacional para retificar, no acórdão de fl. 920 e ss., o valor dos pagamentos realizados aos sócios Walter Santos Neto e Sâmia Santos que devem ser excluídos da incidência do IRRF, conforme a seguir demonstrado: Data Pagamentos BC do IRRF IRRF Eximido 30/01/2001 77.044,37 118.529,80 41.485,43 21/03/2001 102.100,00 157.076,92 54.976,92 14/09/2001 20.000,00 30.769,23 10.769,23 05/10/2001 3.000,00 4.615,38 1.615,38 13/11/2001 8.000,00 12.307,69 4.307,69 29/11/2001 55.000,00 84.615,38 29.615,38 26/12/2001 20.000,00 30.769,23 10.769,23 01/03/2002 30.000,00 46.153,85 16.153,84 06/05/2002 150.000,00 230.769,23 80.769,23 03/06/2002 10.000,00 15.384,62 5.384,62 06/06/2002 15.000,00 23.076,92 8.076,92 24/06/2002 1.000,00 1.538,46 538,46 Total 491.144,37 755.606,72 264.462,35 (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 943DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 22/02/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10680.007189/200615 Acórdão n.º 1201000.767 S1C2T1 Fl. 6 5 Fl. 944DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 22/02/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 10580.012056/2005-08
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2002, 2003
EMBARGOS. CARACTERIZAÇÃO DE OMISSÃO NO ACÓRDÃO. INTERPOSIÇÃO PELO SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. POSSIBILIDADE.
Verificada a existência de omissão no julgado, é de se acolher os Embargos opostos pelo sujeito passivo da obrigação tributária.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARTIGO 42, DA LEI Nº 9.430, DE 1996. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CARACTERIZAÇÃO.
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO.
As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei.
INFRAÇÃO FISCAL. MEIOS DE PROVA.
A prova de infração fiscal pode realizar-se por todos os meios admitidos em Direito, inclusive a presuntiva com base em indícios veementes, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. LIMITE DE R$ 80.000,00. FASE DE LANÇAMENTO
Para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, não será considerado o crédito de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o somatório desses créditos não comprovados não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00, dentro do ano-calendário.
Embargos acolhidos.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2202-002.105
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado por unanimidade de votos, acolher os Embargos Declaratórios apresentados para, retificando o Acórdão n.º 2202-00.170, de 29/07/2009, sanando a omissão apontada, pelo voto de qualidade, atribuir efeitos infringentes para excluir da exigência o ano-calendário de 2002. Vencidos os Conselheiros Pedro Anan Junior (Relator), Rafael Pandolfo e Odmir Fernandes, que proviam o recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Nelson Mallmann.
(Assinado Digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente e Redator Designado
(Assinado Digitalmente)
Pedro Anan Junior - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
Nome do relator: PEDRO ANAN JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201211
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003 EMBARGOS. CARACTERIZAÇÃO DE OMISSÃO NO ACÓRDÃO. INTERPOSIÇÃO PELO SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. POSSIBILIDADE. Verificada a existência de omissão no julgado, é de se acolher os Embargos opostos pelo sujeito passivo da obrigação tributária. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARTIGO 42, DA LEI Nº 9.430, DE 1996. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CARACTERIZAÇÃO. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. INFRAÇÃO FISCAL. MEIOS DE PROVA. A prova de infração fiscal pode realizar-se por todos os meios admitidos em Direito, inclusive a presuntiva com base em indícios veementes, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. LIMITE DE R$ 80.000,00. FASE DE LANÇAMENTO Para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, não será considerado o crédito de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o somatório desses créditos não comprovados não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00, dentro do ano-calendário. Embargos acolhidos. Recurso parcialmente provido.
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10580.012056/2005-08
anomes_publicacao_s : 201302
conteudo_id_s : 5184784
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2202-002.105
nome_arquivo_s : Decisao_10580012056200508.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : PEDRO ANAN JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 10580012056200508_5184784.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado por unanimidade de votos, acolher os Embargos Declaratórios apresentados para, retificando o Acórdão n.º 2202-00.170, de 29/07/2009, sanando a omissão apontada, pelo voto de qualidade, atribuir efeitos infringentes para excluir da exigência o ano-calendário de 2002. Vencidos os Conselheiros Pedro Anan Junior (Relator), Rafael Pandolfo e Odmir Fernandes, que proviam o recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Nelson Mallmann. (Assinado Digitalmente) Nelson Mallmann Presidente e Redator Designado (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
id : 4483712
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 18:45:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714074929791500288
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2244; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 2 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.012056/200508 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2202002.105 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de novembro de 2012 Matéria IRPF Embargante SEBASTIANA LUCIA FILADELFO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003 EMBARGOS. CARACTERIZAÇÃO DE OMISSÃO NO ACÓRDÃO. INTERPOSIÇÃO PELO SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. POSSIBILIDADE. Verificada a existência de omissão no julgado, é de se acolher os Embargos opostos pelo sujeito passivo da obrigação tributária. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARTIGO 42, DA LEI Nº 9.430, DE 1996. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CARACTERIZAÇÃO. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. INFRAÇÃO FISCAL. MEIOS DE PROVA. A prova de infração fiscal pode realizarse por todos os meios admitidos em Direito, inclusive a presuntiva com base em indícios veementes, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. LIMITE DE R$ 80.000,00. FASE DE LANÇAMENTO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 01 20 56 /2 00 5- 08 Fl. 717DF CARF MF Impresso em 13/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/02/2013 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR 2 Para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, não será considerado o crédito de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o somatório desses créditos não comprovados não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00, dentro do anocalendário. Embargos acolhidos. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado por unanimidade de votos, acolher os Embargos Declaratórios apresentados para, retificando o Acórdão n.º 220200.170, de 29/07/2009, sanando a omissão apontada, pelo voto de qualidade, atribuir efeitos infringentes para excluir da exigência o anocalendário de 2002. Vencidos os Conselheiros Pedro Anan Junior (Relator), Rafael Pandolfo e Odmir Fernandes, que proviam o recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Nelson Mallmann. (Assinado Digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente e Redator Designado (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 718DF CARF MF Impresso em 13/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/02/2013 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10580.012056/200508 Acórdão n.º 2202002.105 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Contra a contribuinte SEBASTIANA LUCIA FILADELFO, inscrita no CPF/MF sob o n° 130.925.61520, foi lavrado auto de infração (fls. 04/11), em 26/12/2005, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos exercícios 2001, 2002 e 2003, anoscalendário 2000, 2001 e 2002, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 248.879,67, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal (fls. 012/016), a autoridade lançadora entendeu que há R$ 418.799,47, de depósitos de origem não comprovada no curso do procedimento fiscal, ou seja, apurouse omissão de rendimentos caracterizada por recursos creditados em conta de depósito ou de investimento, de titularidade do autuado, base de cálculo para o lançamento. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal, em 30/12/2005, e apresentou impugnação (fls. 183/192), em 30/12/06, alegando, em síntese, que: a) a partir da Lei nº 8.383, de 1991, o lançamento é por homologação e o prazo decadencial de 5 anos contado a partir do fato gerador, portanto os lançamentos relativos ao anocalendário de 2000 decaíram, pois a ciência do Auto de Infração se deu em 30/12/2005; b) é flagrante a ilegalidade do Auto, pois não há, no Termo de Verificação Fiscal, nem relatório circunstanciado nem alusão aos documentos que dispunha para fiscalizar o contribuinte, parecendo que as DIRPF não existiam e que só havia créditos nos extratos bancários; c) apresentou provas suficientes para dar suporte às análises que deveriam ser feitas pela fiscalização, entre as quais os próprios extratos bancários, as suas DIRPF e o documento denominado Balancete de Verificação (fls. 040/171), na verdade, razão e balancete contábeis; d) a apuração base de cálculo do imposto pela fiscalização não considerou os rendimentos e empréstimos declarados e não conciliou os extratos bancários; e) o lançamento, ato administrativo, é nulo, tanto por ser imotivado, assim como, por faltarlhe formalidades legais estabelecidas pelo Decreto nº 70.235, de 1972 e ferir princípios basilares do Direito Tributário; f) a Lei nº 10.174, de 2001, com vigência a partir de 10/01/2001 não poderia ser aplicada ao anocalendário de 2000, pois há vedação constitucional para a retroatividade de lei tributária e também porque insubsistente a tese desta lei ser mera norma procedimental; g) o procedimento fiscal, ilegal e nulo, fere o princípio da moralidade administrativa; Fl. 719DF CARF MF Impresso em 13/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/02/2013 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR 4 h) impossível instituir crédito tributário com base apenas em movimentação financeira bancária, elementos indiciários, que se comprovada a origem afasta a presunção legal de omissão de rendimentos; i) nem todos os valores transitados em conta corrente são rendimentos, mas todos os rendimentos tributáveis foram oferecidos à tributação, e a mera movimentação bancária não pode ser considerada aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza, suporte fático do imposto de renda, nem acréscimo patrimonial para se constituir hipótese de incidência do imposto; l) todas as considerações feitas não são meras alegações, e entende ter demonstrado a origem dos depósitos, inclusive juntando cópias de alguns documentos que localizou; k) Finaliza requerendo a nulidade do lançamento e, se ultrapassadas as preliminares argüidas, que seja julgado improcedente o Auto de Infração. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador – DRJ/SDR, ao examinar o pleito decidiu por unanimidade de votos manter o lançamento através do acórdão DRJ/SDR n° 13.524, de 23 de agosto de 2007 (fls. 245/254), consubstanciado na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2000, 2001, 2002 DECADÊNCIA. Aplicase o art. 173, do CTN, na contagem do prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário referente a imposto de renda incidente sobre rendimentos omitidos. LANÇAMENTO BASEADO EM INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. RETROATIVIDADE. As normas que autorizam a comunicação à Receita Federal de informações bancárias e a sua utilização para fins de lançamento do crédito tributário, referindose à produção de provas e aos poderes de investigação, aplicamse aos procedimentos atuais, ainda que relativos a fatos anteriores à promulgação destas normas. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições ao contribuinte de impugnar o lançamento, insubsistente a alegação de nulidade. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira cuja origem dos recursos utilizados nessas operações não é comprovada pelo responsável, regularmente intimado, mediante documentação hábil e idônea. Fl. 720DF CARF MF Impresso em 13/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/02/2013 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10580.012056/200508 Acórdão n.º 2202002.105 S2C2T2 Fl. 4 5 Devidamente cientificado dessa decisão em 04 de outubro de 2007, ingressa o contribuinte tempestivamente com recurso voluntário em 05 de novembro de 2007, às fls. 260/276, onde ratifica os argumentos da impugnação, alegando em síntese: que a nulidade do auto de infração por violar os princípios constitucionais da ampla defesa e razoabilidade; que teria se operado a decadência do período de janeiro a novembro de 2000, tendo em vista que o auto de infração foi lavrado em 30 de dezembro de 2005 que a Lei n° 11.174/2001 não poderia se aplicar aos fatos geradores de 2000, pois viola o princípio da retroatividade; que nulidade do auto de infração, pois não levou em consideração as provas juntadas aos autos, havendo, portanto falta de motivação e fundamentação no auto de infração; que não se pode autuar com mera presunção baseada em depósitos bancários; e, que traz argumentos que poderiam comprovar parte das origens relativas aos anoscalendários de 2000, 2001 e 2002. Em sessão de julgamento realizada em 29 de julho de 2009, a turma por unanimidade deu provimento parcial ao recurso do contribuinte, através do acórdão, 2202 00.170, conforme ementa abaixo transcrita que excluiu da tributação os rendimentos tributados declarados pela Recorrente. NULIDADE ARGUMENTOS DE INCONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS. O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula 1ºCC nº 2) IRPF LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO DECADÊNCIA Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita a ajuste na declaração anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação devendo o prazo decadencial ser contado do fato gerador, que ocorre em 31 de dezembro (art. 150, § 4.º do CTN). IRRETROATIVIDADE DE LEI As disposições da Lei Complementar n° 105 e da Lei n° 10.174, ambas de 2.001 referentes à matéria em litígio, são normas procedimentais e regidas pelas regras do art. 144, § 1o. do CTN. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS Com o advento da Lei n° 9.430/96, caracterizase também omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimentos mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular não comprove a origem dos recursos utilizados, observadas as exclusões previstas no § 3°, do citado diploma legal. Devendo ser excluídos os valores dos rendimentos declarados na DIRPF. Fl. 721DF CARF MF Impresso em 13/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/02/2013 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR 6 Não se conformando com a decisão proferida, a Recorrente apresenta embargos tempestivamente, que foram parcialmente acolhidos, para sanear a omissão apontada. É o relatório Fl. 722DF CARF MF Impresso em 13/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/02/2013 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10580.012056/200508 Acórdão n.º 2202002.105 S2C2T2 Fl. 5 7 . Voto Vencido Conselheiro Pedro Anan Junior Relator Os embargos de declaração atendem aos pressupostos de admissibilidade, devendo, portanto ser admitido. A embargante se insurge sobre a omissão apontada no acórdão relativo ao valor de R$ 24.000,00 depositado em dezembro de 2001, que teria como origem a venda de um veículo que foi devidamente declarado na DIRPF. Entendo que assiste razão a embargante tendo em vista que o valor foi devidamente declarado pela Embargante, portanto tal valor deve ser considerado como de origem comprovada. Cabe, também, um esclarecimento quanto ao limite de R$ 80.000,00 invocado pela recorrente. Alega o recorrente, que segundo o disposto no inciso II do § 3° do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação dada pelo artigo 4° da Lei n° 9.481, de 1997, os valores dos depósitos inferiores a R$ 12.000,00, desde que o seu somatório dentro do ano calendário, não ultrapasse R$ 80.000,00, não serão considerados para fins apuração de eventual omissão de rendimentos. Não tenho dúvidas, que por ocasião da análise inicial, pela autoridade fiscal lançadora, dos valores constantes nos extratos bancários do contribuinte devem ser excluídos os valores dos depósitos decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física, os referentes a proventos, resgates de aplicações financeiras, estornos, cheques devolvidos, empréstimos bancários etc., e ainda os depósitos de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o somatório dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00. Por fim, após efetuar a conciliação bancária e constatada a possibilidade de tributação com base nos depósitos/créditos, em virtude de se verificar que o somatório anual dos depósitos realizados em todas as contas bancárias mantidas pelo contribuinte é superior a R$ 80.000,00, ou que o contribuinte teve depósitos em valor superior a R$ 12.000,00, deve o contribuinte ser intimado para comprovar a origem dos recursos utilizados nas operações. Assim sendo, para concluir a presente questão, entendo que se faz necessário resolver uma questão de legalidade do lançamento. Ou seja, se faz necessário uma análise mais profunda na questão dos limites de créditos dispensados para efeito de apuração da omissão de rendimentos. Não há dúvidas, que a legislação de regência autoriza o lançamento quando os depósitos não comprovados não alcançarem os valores limites individual e anual estipulados, ou seja, para que os depósitos/créditos bancários de origem não comprovada sejam considerados omissão de rendimentos, encontra limite no inciso II do § 3º do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que diz: Fl. 723DF CARF MF Impresso em 13/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/02/2013 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR 8 § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualmente, observado que não serão considerados: (...). II – no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) (nova redação – Lei nº 9.481, de 1997). Pela análise da legislação de regência a primeira conclusão que se tira é de que o limite de R$ 80.000,00 só faz sentido se for no momento do lançamento e não no momento da intimação, já que se no momento da intimação se a soma for inferior a R$ 80.000,00 o contribuinte nem será intimado para a devida comprovação, ou seja, o limite de R$ 80.000,00 é relativo aos depósitos não comprovados. Em outras palavras, a Lei nº 9.430, de 1996, não autoriza o lançamento com base em depósitos bancários, não comprovados, que não alcancem os valores limites individual de até R$ 12.000,00 e anual de R$ 80.000,00, nela mesmo estipulados. Isso significa dizer que, sendo os depósitos não comprovados inferiores aos limites estabelecidos, desaparece a presunção de que os depósitos seriam omissão de rendimentos e, conseqüentemente, o lançamento não pode ter como fundamentação legal o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, não significando que, em constatado a fiscalização depósitos incomprovados menores que os referidos limites, não possa fazer o lançamento com outra fundamentação, como por exemplo, através do levantamento de origens e aplicações “fluxo de caixa” pelo consumo comprovado. Da análise dos autos se observa, que após a exclusão da base de cálculo dos depósitos que tiveram origem justificadas na fase recursal, os valores remanescentes não superam, no anocalendário de 2002, os limites estabelecidos na legislação de regência. Ou seja, o limite individual de até R$ 12.000,00 e o limite anual de R$ 80.000,00. Assim sendo, entendo que assiste razão a embargante, ao excluirmos os valores com origem comprovada e aplicarmos o disposto no inciso II, da referida norma legal, passaremos a verificar que o lançamento não há razões para subsistir, para os anoscalendários de 2001, tendo em vista a exclusão do rendimentos tributáveis declarados e a origem comprovada referente a venda do veículo e relativo ao anocalendário de 2002, tendo em vista a exclusão da base de cálculo dos rendimentos tributáveis declarados. Dessa forma, acolho os embargos apresentados, no sentido de sanear a omissão apontada e retificar a decisão proferida no acórdão 220200.170, de 29 de julho de 2009, no sentido de dar provimento ao recurso apresentado. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Fl. 724DF CARF MF Impresso em 13/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/02/2013 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10580.012056/200508 Acórdão n.º 2202002.105 S2C2T2 Fl. 6 9 Voto Vencedor Conselheiro Nelson Mallmann, Redator Designado Com a devida vênia do nobre relator da matéria, Conselheiro Pedro Anan Junior, permitome divergir quanto à exclusão relativo ao valor de R$ 24.000,00 depositado em dezembro de 2001, que teria como origem a venda de um veículo que foi devidamente declarado na DIRPF. Entende o nobre relator, que no caso em concreto, no que diz respeito a venda do veículo questionado é de se aceitas as provas circunstanciais que o valor depositado de R$ 24.000,00 tem origem na venda do veículo pertencente à contribuinte. Ora, não tenho dúvidas, que a responsabilidade pela apresentação das provas do alegado compete ao contribuinte que praticou a irregularidade fiscal. Tendo em vista a mais renomada doutrina, assim como dominante jurisprudência administrativa e judicial a respeito da questão vêse que o processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar exaustivamente se, de fato, ocorreu à hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de recurso do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independentemente até mesmo do que foi alegado. Após a análise da documentação apresentada tanto na fase impugnatória como na fase de recursal e observada as argumentações tanto da autoridade fiscal como da suplicante entendo que não cabe razão a recorrente. Senão vejamos: Como visto, a legislação determina que o simples depósito bancário não justificado perante a autoridade lançadora, nos termos da presunção legal, por si só, já caracterizará omissão de rendimentos ou de receita, passível de tributação pelo imposto de renda, no caso de pessoa física e, no caso de pessoa jurídica, também pelos demais impostos e contribuições incidentes sobre receitas omissas (IRPJ, CSL, PIS, COFINS). Por outro lado, a legislação determina, ainda, que os valores cuja origem houver sido identificada e/ou comprovada e que não foi adicionada na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, deverão se submeter às normas de tributação especifica. Ou seja, é incabível o lançamento tributário tendo por base de cálculo depósitos bancários, na pessoa física do titular de conta bancária, quando restar identificado, através de documentação anexada aos autos, as pessoas físicas e jurídicas depositantes dos valores questionados. Os valores assim apurados, quando for o caso, submeterseão às normas de tributação específica prevista na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. É de se ressaltar, que o fornecimento e manutenção da segurança jurídica pelo Estado de Direito no campo dos tributos assume posição fundamental, razão pela qual o princípio da Legalidade se configura como uma reserva absoluta de lei, de modo que para efeitos de criação ou majoração de tributo é indispensável que a lei tributária exista e encerre todos os elementos da obrigação tributária. Fl. 725DF CARF MF Impresso em 13/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/02/2013 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR 10 À Administração Tributária está reservado pela lei o direito de questionar a matéria, mediante processo regular, mas sem sobra de dúvida deve se atrelar à lei existente. Com efeito, a convergência do fato imponível à hipótese de incidência descrita em lei deve ser analisada à luz dos princípios da legalidade e da tipicidade cerrada, que demandam interpretação estrita. Da combinação de ambos os princípios, resulta que os fatos erigidos, em tese, como suporte de obrigações tributárias, somente, se irradiam sobre as situações concretas ocorridas no universo dos fenômenos, quando vierem descritos em lei e corresponderem estritamente a esta descrição. Como a obrigação tributária é uma obrigação ex lege, e como não há lugar para atividade discricionária ou arbitrária da administração que está vinculada à lei, devese sempre procurar a verdade real à cerca da imputação, desde que a obrigação tributária esteja prevista em lei. Não basta a probalidade da existência de um fato para dizerse haver ou não haver obrigação tributária. É certo que a Lei nº 9.430, de 1996 (art. 42 e §§) operou uma significativa mudança no tratamento tributário conferido à movimentação bancária dos contribuintes de imposto de renda. Inverteu o ônus da prova ao atribuir ao contribuinte o ônus de provar que valores creditados não se referem a receitas ou rendimentos omitidos. Por essas razões, não vejo como imprimir um tratamento diferenciado neste processo, onde não consta nos autos documentação que identifique de forma conclusiva que os R$ 24.000,00 tem origem na venda do veículo questionado. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido de negar provimento ao recurso nesta parte, acompanhando o relator nas demais questões. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Fl. 726DF CARF MF Impresso em 13/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/02/2013 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13854.000283/97-32
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2004
Ementa: IPI - CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DE PIS E COFINS - INSUMOS ADQUIRIDOS DE NÃO-CONTRIBUINTES - A lei presume de forma absoluta o valor do benefício, não há prova a ser feita pelo Fisco ou pelo contribuinte, de incidência ou não incidência das contribuições, nem se admite qualquer prova contrária. Qualquer que seja a realidade, o crédito presumido será sempre o mesmo, bastando que sejam quantificados os valores totais das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados no processo produtivo, a receita de exportação e a receita operacional bruta.
DESPESAS HAVIDAS COM ENERGIA ELÉTRICA - Somente podem ser incluídos na base de cálculo do crédito presumido as aquisições de matéria-prima, de produto intermediário ou de material de embalagem. A energia elétrica não caracteriza matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, pois não se integra ao produto final, nem foi consumida no processo de fabricação, em decorrência de ação direta sobre o produto final. TAXA SELIC - A atualização monetária dos ressarcimentos de créditos do IPI (Lei nº 8.191/91) constitui simples resgate da expressão real do incentivo, não constituindo "plus" a exigir expressa previsão legal (Parecer AGU nº 01/96). O art. 66 da Lei nº 8.383/91 pode ser aplicado na ausência de disposição legal sobre a matéria, face aos princípios da igualdade, finalidade e da repulsa ao enriquecimento sem causa. (CSRF/02- 0.707).
Recurso ao qual se dá provimento parcial.
Numero da decisão: 202-15.388
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes: I) por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito de crédito referente às aquisições de pessoas físicas, cooperativas e correção da Taxa SELIC, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Nayra Bastos Manatta (Relatora), Henrique Pinheiro Torres e Antônio Carlos Bueno Ribeiro. Designada a Conselheira Ana Neyle Olímpio Holanda para redigir o voto vencedor. 11) pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, quanto à energia elétrica. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Bernardes Raimundo de Carvalho (Suplente), Raimar da Silva Aguiar, Marcelo Marcondes Meyer-Kozlowski e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda. Esteve presente ao julgamento o Dr. Gustavo Martini de Matos, advogado da Recorrente.
Nome do relator: Nayra Bastos Manatta
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200401
ementa_s : IPI - CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DE PIS E COFINS - INSUMOS ADQUIRIDOS DE NÃO-CONTRIBUINTES - A lei presume de forma absoluta o valor do benefício, não há prova a ser feita pelo Fisco ou pelo contribuinte, de incidência ou não incidência das contribuições, nem se admite qualquer prova contrária. Qualquer que seja a realidade, o crédito presumido será sempre o mesmo, bastando que sejam quantificados os valores totais das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados no processo produtivo, a receita de exportação e a receita operacional bruta. DESPESAS HAVIDAS COM ENERGIA ELÉTRICA - Somente podem ser incluídos na base de cálculo do crédito presumido as aquisições de matéria-prima, de produto intermediário ou de material de embalagem. A energia elétrica não caracteriza matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, pois não se integra ao produto final, nem foi consumida no processo de fabricação, em decorrência de ação direta sobre o produto final. TAXA SELIC - A atualização monetária dos ressarcimentos de créditos do IPI (Lei nº 8.191/91) constitui simples resgate da expressão real do incentivo, não constituindo "plus" a exigir expressa previsão legal (Parecer AGU nº 01/96). O art. 66 da Lei nº 8.383/91 pode ser aplicado na ausência de disposição legal sobre a matéria, face aos princípios da igualdade, finalidade e da repulsa ao enriquecimento sem causa. (CSRF/02- 0.707). Recurso ao qual se dá provimento parcial.
dt_publicacao_tdt : Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2004
numero_processo_s : 13854.000283/97-32
anomes_publicacao_s : 200401
conteudo_id_s : 5690744
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 08 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 202-15.388
nome_arquivo_s : 20215388_138540002839732_200401.pdf
ano_publicacao_s : 2004
nome_relator_s : Nayra Bastos Manatta
nome_arquivo_pdf_s : 138540002839732_5690744.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes: I) por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito de crédito referente às aquisições de pessoas físicas, cooperativas e correção da Taxa SELIC, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Nayra Bastos Manatta (Relatora), Henrique Pinheiro Torres e Antônio Carlos Bueno Ribeiro. Designada a Conselheira Ana Neyle Olímpio Holanda para redigir o voto vencedor. 11) pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, quanto à energia elétrica. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Bernardes Raimundo de Carvalho (Suplente), Raimar da Silva Aguiar, Marcelo Marcondes Meyer-Kozlowski e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda. Esteve presente ao julgamento o Dr. Gustavo Martini de Matos, advogado da Recorrente.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2004
id : 4620463
ano_sessao_s : 2004
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 18:47:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714074929837637632
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: 20215388; xmp:CreatorTool: Smart Touch 1.7; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dcterms:created: 2016-11-01T12:18:08Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: 20215388; pdf:docinfo:creator_tool: Smart Touch 1.7; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:encrypted: false; dc:title: 20215388; Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: ; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:subject: ; meta:creation-date: 2016-11-01T12:18:08Z; created: 2016-11-01T12:18:08Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 27; Creation-Date: 2016-11-01T12:18:08Z; pdf:charsPerPage: 2234; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; pdf:docinfo:custom:Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; meta:keyword: ; producer: Eastman Kodak Company; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Eastman Kodak Company; pdf:docinfo:created: 2016-11-01T12:18:08Z | Conteúdo => Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13854.000283/97-32 118.294 202-15.388 '. .Processo n. Recurso nº Acórdão n. Recorrente Recorrida I CARGILL CITRUS LTDA. DRJ em Ribeirão Preto - SP fr. llII1NISTtRIÔ [jAFAZi~DA ~_.:~undo conso~hode Conlribuinl.~ PAÍllÍlCaào no Dlano OfiCiai da União IDe j:S '_.-!LiL1_o ;$._ . VISTO I "'~M,IFI. IPI - CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DE PIS E COFINS - INSUMOS ADQUIRIDOS DE NÃO- CONTRIBUINTES - A lei presume de forma absoluta o valor do beneficio, não há prova a ser feita pelo Fisco ou pelo contribuinte, de incidência ou não incidência das contribuições, nem se admite qualquer prova contrária. Qualquer que seja a realidade, o crédito presumido será sempre o mesmo, bastando que sejam quantificados os valores totais das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados no processo produtivo, a receita de exportação e a receita operacional bruta. DESPESAS HAVIDAS COM ENERGIA ELÉTRICA Somente podem ser incluídos na base de cálculo do crédito presumido as aquisições de matéria-prima, de produto intermediário ou de material de embalagem. A energia elétrica não caracteriza matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, pois não se integra ao produto final, nem foi consumida no processo de fabricação, em decorrência de ação direta sobre o produto final. TAXA SELIC - A atualização monetária dos ressarcimentos de créditos do IPI (Lei nO 8.191/91) constitui simples resgate da expressão real do incentivo, não constituindo "plus" a exigir expressa previsão legal (Parecer AGU nO 01/96). O art. 66 da Lei nO 8.383/91 pode ser aplicado na ausência de disposição legal sobre a matéria, face aos princípios da igualdade, finalidade e da repulsa ao enriquecimento sem causa. (CSRF/02- 0.707). Recurso ao qual se dá provimento parcial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: CARGILL CITRUS LTDA. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes: I) por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito de crédito referente às aquisições de pessoas físicas, cooperativas e correção da Taxa SELIC, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Nayra Bastos Manatta (Relatora), Henrique Pinheiro Torres e Antônio Carlos Bueno Ribeiro. Designada a Conselheira Ana N eyle Olímpio Holanda para redigir o voto vencedor. 11) pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, quanto à energia elétrica. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Bemardes Raimundo de Carvalho (Suplente), Raimar da Silva Aguiar, Jf -1 I Processo nº Recurso nº Acórdão nº Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13854.000283/97-32 118.294 202-15.388 Ml.,;, :-'j'\ ;~,',.~f}~~/\- 2,J CC........".<."'"'~, n-.-_~ -,_ '-."". ,.•..." •.• _ ...•'."',..".._.,""••. CC:,';:2;'<: GC.,~,lO (,'~~'~/;':.i~L "'" . ,. '. O)' I' Ó~viJt.\.~\.:•.; .•. ~., i •.•.•.••••••••. ,.1 _ .. ~. __ .._ ..__ .~ ..~- ~Ld Marcelo Marcondes Meyer-Kozlowski e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda. Esteve presente ao julgamento o Dr. Gustavo Martini de Matos, advogado da Recorrente. Sala das Sessões, em 28 de janeiro de 2004 ~~ !/~/~•• .,. ,.,.....L I .-..qe-r.., 7~. e que Pinheiro ;r Presidente ~Q....CQ: . ~ ,,!xná 1tIe~e Olim;tHolanda Relatora-Designada Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Kelly Alencar. cl/opr 2 , Processo nº Recurso nº Acórdão nº Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13854.000283/97-32 118.294 202-15.388 r-;-~::;~-;~':';~.~~~'~.'.~'.~'~~~-c:~ "-_'"""'_ •__ -__ ••••• _ , > ,"-. _ '_" _ •••••• - ••• ~ Oh. :.~ bJ Recorrente CARGILL CITRUS LTDA. RELATÓRIO Trata-se de pedido de ressarcimento do credito presumido do IPI referente ao I ° trimestre de 1997, com base no disposto na Portaria MF n° 38/97. A DRF de Ribeirão Preto - SP indeferiu em parte a solicitação, fls. 46/50, sob os argumentos de que: foram incluídas indevidamente as aquisições advindas de pessoas físicas; a energia elétrica não é abrangida pela legislação do IPI aplicável ao cálculo do credito presumido; a empresa deveria efetuar os ajustes necessários à exclusão nos estoques dos valores já incluídos como custo no ano de 1996, de acordo com o disposto na IN SRF nO23/97. Cientificada do teor do despacho decisório a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, fls. 56/61, alegando em sua defesa, em síntese: • de acordo com o art. 82, I, do RIPI/82, a energia elétrica deve ser considerada insumo, já que é consumida no processo produtivo, conforme Parecer CST n° 65, de 05/11/1979; • o beneficio previsto na MP n° 948/95 refere-se a crédito presumido do IPI, não importando se houve incidência do PIS e da COFINS nas operações anteriores, já que a presunção é de que houve duas incidências destas contribuições nas operações anteriores, independente de quantas efetivamente tenham ocorrido, estando, portanto, inclusos no cálculo do crédito presumido do IPI o valor dos insumos adquiridos de pessoas físicas; • ressalta a diferença entre ressarcimento e restituição, sendo que apenas na última hipótese é que se teria de comprovar as incidências anteriores, bem como os efetivos recolhimentos; • requer, por fim, que seja concedido o ressarcimento no total pleiteado, devendo ser acrescido dos juros de mora calculados à taxa Selic. A autoridade julgadora de primeira instância manifestou-se por meio do Acórdão DRJ/RPO n° 1.025, de 2510512001, fls. 102/109, indeferindo a solicitação, ementando sua decisão nos seguintes termos: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01101/1997 a 31/03/1997 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CALCULO. Na determinação da base de cálculo do crédito presumido, a legislação tributaria de regência não contempla a inclusão das receitas de mercadorias adquiridas de pessoas não sujeitas ao PIS e à Cofins, bem como da energia elétrica consumida pelo estabelecimento industrial . .,.f" 3 Processo nº Recurso nº Acórdão nº Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13854.000283/97-32 118.294 202-15.388 SOLICITAÇA-O INDEFERIDA ". r~ld A contribuinte, inconformada com o julgamento proferido, interpôs, em 20/07/2001, recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes, fls. 114/133, no qual reitera suas razões apresentadas na inicial. É o relatório. ! 4 Processo nº Recurso nº Acórdão nº Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13854.000283/97-32 118.294 202-15.388 r'-'~. '.,'i . ' (""!10-, .~ ~ 5 VOTO VENCIDO DA CONSELHEIRA-RELATORA NAYRA BASTOS MANATTA O recurso apresentado encontra-se revestido das formalidades legais cabiveis, merecendo ser apreciado. A matéria em análise - insumos adquiridos de não-contribuintes do PIS e da COFINS, inclusão de energia elétrica no cálculo do crédito presumido do IPI e a incidência de juros calculados à Taxa SELIC sobre os valores creditórios - foi magistralmente enfrentada pelo ilustre Presidente e Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, quando do julgamento do RV n° 122.347, razão pela qual adoto o voto no que diz respeito à presente lide. "(..) o Fisco, dando cumprimento ao disposto na Portaria MF n° 129/95, exclui do cálculo do crédito presumido de 1PI para ressarcimento das contribuições PIS/PASEP e COF1NS incidentes na aquisições de insumos no mercado interno pelo produtor/exportador de mercadorias nacionais, aqueles insumos adquiridos de pessoas fisicas e de cooperativas, enquanto a Recorrente pleiteia a inclusão destes sob a alegação de que o ressarcimento, por ser presumido, alcança também as aquisições de não contribuintes de tais contribuições sociais. Essa matéria, longe de estar apascentada, tem gerado acirrados debates na doutrina e na jurisprudência. No Segundo Conselho de Contribuintes, ora prevalece a posição do Receita Federal, ora a do sujeito passivo, dependendo da composição do colegiado. A meu sentir, a posição mais consentânea com a norma legal é aquela pela exclusão de insumos adquiridos de não contribuintes no cômputo da base de cálculo do crédito presumido, já que, nos termos do caput do art. 1° da Lei 9.363/1996, instituidora desse incentivo fiscal, o crédito tem como escopo ressarcir as contribuições (P1S E COFINS) incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem para utilização no processo produtivo. A norma concessiva de incentivo fiscal deve sempre ser interpretada literal e restritivamente, de forma a não estender por vontade do intérprete, beneficio não autorizado pelo legislador. O vocábulo ressarcir, do Latim resarcire, juridicamente tem vários significados, consertar, emendar, reparar ou compensar um dano, um prejuízo ou uma despesa. No caso presente, ressarcir significa exatamente compensar o produtor/exportador, por meio de crédito presumido, as contribuições incidentes sobre os insumos por ele adquiridos. Ora, se não I( Processo nº Recnrso nº Acórdão nº Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13854.000283/97-32 118.294 202-15.388 ~bJ houve a incidência, não há falar-se em ressarcimento, pois o objeto deste, o encargo tributário não existiu. Em arrimo ao entendimento de que se deve excluir do cálculo do crédito presumido o valor das aquisições de insumos adquiridos de não contribuintes, pessoas fisicas e cooperativas, transcrevo abaixo o voto condutor do Acórdão n° 202-12.551 onde o então conselheiro e presidente da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, Marcos Vinicius Neder de Lima, enfrentou minuciosamente essa matéria: "O incentivo em questão constitui-se num crédito fiscal concedido pela Fazenda Nacional em função do valor das aquisições de insumos aplicados em produtos exportados. Tem origem na carga tributária que onera os produtos exportados e tem por finalidade permitir maior competitividade desses produtos no mercado externo. Trata-se, portanto, de norma de natureza incentivadora, em que a pessoa tributante renuncia à parcela de sua arrecadação tributária em favor de contribuintes que a ordem jurídica considera conveniente estimular. A exegese deste preceito, à luz dos princípios que norteiam as concessões de beneficios fiscais, há de ser estrita, para que não se estenda a exoneração fiscal a casos semelhantes. Neste diapasão, caso não haja previsão na norma compulsória para determinada situação divergente da regra geral, deve-se interpretar como se o legislador não tivesse tido o intento de autorizar a concessão do beneficio nessa hipótese. No dizer do mestre Carlos Maximiliano]: "o rigor é maior em se tratando de dispositivo excepcional, de isenções ou abrandamentos de ônus em proveito de indivíduos ou corporações. Não se presume o intuito de abrir mão de direitos inerentes à autoridade suprema. A outorga deve ser feita em termos claros, irretorquíveis; ficar provada até a evidência, e se não estender além das hipóteses figuradas no texto; jamais será inferida de fatos que não indiquem irresistivelmente a existência da concessão ou de um contrato que a envolva. " A fruição deste incentivo fiscal deve, destarte, ser analisada nos estritos termos do art. 1° da MP 1 Hermeneutica e aplicação do Direito, ed. Forense, 16' ed, p. 333. ,,( 6 r--~-,. 1 Processo nº Recnrso nº Acórdão nº Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13854.000283/97-32 118.294 202-15.388 .~~=., ...-~~ ... 1.. ., , r . I j, ,'.. ..Mjl.: ....U.../º..'L;, ; _ - ~~,-II! 1I " .' .. , '•. __ .• - 'O-~-' _ ••~•. -~ ~-':.'., ~.'~ .-~-'---~..,. ...) I "~~ IFI. n° 948/95, posteriormente convertida na Lei n° 9.363/96. Ou seja, as aquisições de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem devem ser feitas no mercado interno, utilizadas no processo produtivo e o beneficiário deve ser, simultaneamente, produtor e exportador. Vejamos o que disse o referido artigo: Verifica-se que o legislador estabeleceu nesse dispositivo que o incentivo fiscal deve ser concedido como ressarcimento da Contribuição ao PIS e da COFINS. A empresa paga o tributo embutido no preço de aquisição do insumo e recebe, posteriormente, a restituição da quantia desembolsada, mediante compensação do crédito presumido e, na impossibilidade desta, na forma de ressarcimento em espécie. Ao compensar o contribuinte, na forma de crédito presumido, com a devolução do montante de tributo pago, o incentivo visa justamente anular os efeitos da tributação incidente nas etapas precedentes. As pequenas diferenças, para mais ou para menos, porventura existentes nesse processo, se compensam mutuamente dentro de um contexto mais abrangente. Não sendo relevante, sob o ponto de vista econômico, que o crédito concedido não corresponda exatamente aos valores pagos de tributo na aquisição da mercadoria. Esse tratamento, aliás, tem sido muito empregado pelo legislador na concessão de incentivos. A Administração Pública, para facilitar os mecanismos de execução e controle, vem realizando os ressarcimentos dos créditos por valores estimados (v.g. a regra geral de apuração proporcional de créditos prevista na Instrução Normativa n° II4/8f!). Esclareça-se, por oportuno, que o crédito presumido não pode ter a natureia de subvenção econômica para incremento de exportações, como defende a ilustre Relatora. Segundo De Plácido e Silva3, a subvenção, 2 "IN SRF 114/88 ... item 4. Poderão ser calculados proporcionalmente, com base no valor das saídas dos produtos fabricados pelo estabelecimento industrial nos três meses imediatamente anteriores ao período de apuração a considerar, os créditos oriundos de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem que se destinem indistintamente à industrialização de: a) produtos que tenham expressamente assegurada a manutenção de créditos como incentivo; b) produtos que gerem créditos básicos; c) produtos desonerados do imposto no mercado interno, sem direito a crédito ". 3 De Plácido e Silva, Vocabulário Jurídico, volume IV. Ed. Forense, 2' ed. p. 1462./ 7 Processo nº Recurso nº Acórdão nº Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13854.000283/97-32 118.294 202-15.388 .~ Ld 8 juridicamente, não tem o caráter de compensação. Sabidamente, o crédito presumido é uma forma de compensação pelos tributos pagos na etapa anterior, tanto que a própria lei o tratou como ressarcimento de contribuições. Feita essa breve introdução, verifica-se que o artigo ]" restringe o beneficio ao "ressarcimento de contribuições ... incidentes nas respectivas aquisições". Em que pese a impropriedade na redação da norma, eis que não há incidência sobre aquisições de mercadorias na legislação que rege as contribuições sociais, a melhor exegese é no sentido de que a lei tem de ser referida à incidência de COFINS e de PIS sobre as operações mercantis que compõem o faturamento da empresa fornecedora. Ou seja, a locução "incidentes sobre as respectivas aquisições exprime a incidência sobre as operações de vendas faturadas pelo fornecedor para a empresa produtora e exportadora. 4 Aliás, a linguagem e termos jurídicos postos em uma norma devem ser investigados sob a ótica da ciência do direito e não sob a referência do direito positivo, de índole apenas prescritiva. Como ensina Paulo de Barros Carvalho5, "A Ciência do Direito cabe descrever esse enredo normativo, ordenando-o, declarando sua hierarquia, exibindo as formas lógicas que governam o entrelaçamento das várias unidades do sistema e oferecendo seus conteúdos e significação ". . O termo incidência tem significação própria na Ciência do Direito. Segundo Alfredo Augusto Becker6. "(...) quando o direito tributário usa esta expressão, ela significa incidência da regra juridica sobre sua hipótese de incidência realizada (jato gerador '), juridicizando-a, e a conseqüente irradiação, pela hipótese de incidência juridicizada, da eficácia jurídica tributária e seu conteúdo jurídico: direito (do Estado) à prestação (cujo objeto é o tributo) e o correlativo dever (do sujeito passivo, o contribuinte) de prestá-la; pretensão e correlativa obrigação; coação e correlativa sujeição. " 4 O termo "respectivas" foi introduzido pela Medida Provisória nO948/95. Veio a substituir a expressão "adquiridos no mercado interno pelo exportador" constantes do enunciado do artigo 1° nas Medidas Provisórias nOs 845195 e 945/95, que tratavam da concessão de crédito presumido antes da MP n' 948/95. 5 Paulo de Barros Carvalho, Curso de Direito Tributário, ed. Saraiva, 6' ed., 19931( 'In Teoria Geral do Direito Tributário, 3'., Ed. Lajus, São Paulo. 1998, p. 83/84. Processo nº Recurso nº Acórdão nº Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13854.000283/97-32 118.294 202-15.388 I "ITW IFI. Nesse caso, se as vendas de insumos efetuadas pelo fornecedor para a interessada não sofreram a incidência de contribuição, não há como haver o ressarcimento previsto na norma. Se em alguma etapa anterior houve o pagamento de Contribuição ao PIS e de COFINS, o ressarcimento, tal como foi concebido, não alcança esse pagamento especifico. Estar-se-ia concedendo o ressarcimento de contribuições "incidentes" sobre aquisições de terceiros que compõem a cadeia comercial do produto e não das respectivas aquisições do produtor e exportador previstas no artigo 1 o. O contra-senso aparente dessa afirmação, se cotejada com a finalidade do incentivo de desonerar o valor dos produtos exportados de tributos sobre ele incidentes, resolve-se em função da opção do legislador pela facilidade de controle e praticidade do incentivo. Sabidamente, instituir uma sistemática que permitisse o crédito de todo o valor dos tributos, que, direta ou indiretamente, houvesse onerado o produto exportado, é tarefa complexa e de muito difícil controle. Basta lembrar as inúmeras imposições tributárias que incidem sobre o valor dos serviços contratados e sobre a aquisição de equipamentos necessários ao processo industrial, além das diversas taxas a título de contraprestação de serviço cobradas pelos entes da Federação que, somadas àquelas incidentes sobre folha de pagamento, oneram expressivamente a empresa industrial. O escopo da lei, partindo de tais premissas, foi o de instituir, a título de estímulo fiscal, um incentivo consubstanciado num crédito presumido calculado sobre o valor das notas fiscais de aquisição de insumos de contribuintes sujeitos às referidas contribuições sociais. É certo que esse crédito não tem por objetivo ressarcir todos os tributos que incidem na cadeia de produção da mercadoria, até por impossibilidade prática. Todavia, chega a desonerar o contribuinte da parcela mais significativa da carga tributária incidente sobre o produto exportado. determinada exportações ! A opção do legislador por essa sistemática de apuração do incentivo às decorre da contraposição de dois valores 9 Processo nº Recurso nº Acórdão nº Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13854,000283/97-32 118.294 202-15.388 I "";• l' ,.••,~ ! .... ~.. ~bJ 10 igualmente relevantes. O primeiro cuida da obtenção do bem-estar social elou desenvolvimento nacional através do cumprimento das metas econômicas de exportação fixadas pelo Estado. O outro decorre da necessidade de coibir desvios de recursos públicos e de garantir a efetiva aplicação dos incentivos na finalidade perseguida pela regra de Direito. O Estado tem de dispor de meios de verificação que evitem a utilização do beneficio fiscal apenas para fugir ao pagamento do tributo devido. Daí o legislador buscou atingir tais objetivos de política econômica, sem inviabilizar o indispensável exame da legitimidade dos créditos pela Fazenda. Ocorre que, para pessoa fisica, não há obrigatoriedade de manter escrituração fiscal, nem de registrar suas operações mercantis em livros fiscais ou de emitir os documentos fiscais respectivos. A comprovação das operações envolvendo a compra de produtos, nessas condições, é de dificil realização. Assim, a exclusão dessas aquisições no cômputo do incentivo tem por finalidade tornar factível o controle do incentivo. Nesse sentido, a Lei n° 9.363/96 dispõe, em seu artigo 3~que a apuração da Receita Bruta, da Receita de Exportação e do valor das aquisições de insumos será efetuada nos termos das normas que regem a incidência do PIS e da COFINS, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor/exportador. A vinculação da apuração do montante das aqulslçoes às normas de regência das contribuições e ao valor da nota fiscal do fornecedor confirma o entendimento de que somente as aquisições de insumos, que sofreram a incidência direta das contribuições, é que devem ser consideradas. A negação dessa premissa tornaria supérflua tal disposição legal, contrariando o princípio elementar do direito, segundo o qual não existem palavras inúteis na lei. Reforça tal entendimento o fato de o artigo 5° da Lei n° 9.363/96 prever o imediato estorno da parcela do incentivo a que faz jus o produtor/exportador, quando houver restituição ou compensação da Contribuição para o PIS e da COFINS pagas pelo fornecedor na etapa anterior. Ou seja, o legislador prevê o estorno da parcela de incentivo i( Processo uº Recurso uº Acórdãouº Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13854.000283/97-32 118.294 202-15.388 I "ITM' .•.IFI. que corresponda às aqUlslçoes de fornecedor, no caso de restituição ou de compensação dos referidos tributos. Ora, se há imposição legal para estornar a correspondente parcela de incentivo, na hipótese em que a contribuição foi paga pelo fornecedor e restituída a seguir, resta claro que o legislador optou por condicionar o incentivo à existência de tributação na última etapa. Pensar de outra forma levaria ao seguinte tratamento desigual: o legislador consideraria no incentivo o valor dos insumos adquiridos de fornecedor que não pagou a contribuição e negaria o mesmo incentivo quando houve o pagamento da contribuição e a posterior restituição. As duas situações são em tudo semelhantes, mas na primeira haveria o direito ao incentivo sem que houvesse ônus do pagamento da contribuição e na outra não. O que se constata é que o legislador foi judicioso ao elaborar a norma que deu origem ao incentivo, definindo sua natureza jurídica, os beneficiários, a forma de cálculo a ser empregada, os percentuais e a base de cálculo, não havendo razão para o intérprete supor que a lei disse menos do que queria e crie, em conseqüência, exceções à regra geral, alargando a exoneração fiscal para hipóteses não previstas. E, como ensina o mestre Becke/, "na extensão não há interpretação, mas criação de regra jurídica nova. Com efeito, continua ele, o intérprete constata que o fato por ele focalizado não realiza a hipótese de incidência da regra jurídica; entretanto, em virtude de certa analogia, o intérprete estende ou alarga a hipótese de incidência da regra jurídica de modo a abranger o fato por ele focalizado. Ora, isto é criar regra jurídica nova, cuja hipótese de incidência passa a ser alargada pelo intérprete e que não era a hipótese de incidência da regr.a jurídica velha". (grifo meu) Em harmonia com as eXlgencias de segurança pública do Direito Tributário, utilizando-se a lição de Karl English, pode-se dizer que devemos fazer coincidir a expressão da lei com seu pensamento efetivo, mas, para tanto, a interpretação deve se manter sempre, de qualquer modo, nos "limites do sentido literal" e, portanto, 7 In Teoria Geral do Direito Tributário, 3'" Ed. Lajus, São Paulo, 1998, p. 133./ 11 Processo nº Recurso nº Acórdão nº Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13854.000283/97-32 118.294 202-15.388 I "aM, IFI. pode (e, por vezes, deve) inclusive forçar estes limites, embora não possa ultrapassá-los. A interpretação encontra, pois, o seu limite, onde o sentido das palavras já não dá cobertura a uma decisão jurídica. Como frisa Heck: "o limite das hipótese de interpretação é o sentido possível da letra ". 8 E mesmo que se recorra à interpretação histórica da norma, verifica-se, pela Exposição de Motivos n° 120, de 23 de março de 1995, que acompanha a Medida Provisória n° 948/95, que o intuito de seus elaboradores não era outro se não o aqui exposto. Os motivos para a edição de nova versão da Medida Provisória, que institui o beneficio, foram assim expressos: "(..) na versão ora editada, busca-se a simplificação dos mecanismos de controle das pessoas que irão fluir o beneficio, ao se substituir a exigência de apresentação das guias de recolhimento das contribuições por parte dos fornecedores de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, por documentos fiscais mais simples, a serem especificados em ato do Ministro da Fazenda, que permitam o efetivo controle das operações em foco ". (Grifo meu) Ressalte-se, por relevante, que o Ministro da Fazenda, autor da proposta, sustenta que a dispensa de apresentação de guias de recolhimento das contribuições por parte dos fornecedores decorre unicamente da simplificação dos mecanismos de controle. Aliás, o ato normativo, citado na exposição de motivos in fine, foi editado logo após, em 05 de abril de 1995, e estabelece, em seu artigo 2~ inciso IL que o percentual (receita de exportação sobre receita operacional bruta) deve ser aplicado sobre "o valor das aquisições, no mercado interno, das matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, realizadas pelo produtor exportador". (Grifo meu) Do exposto, conclui-se que, mesmo que se admita que o ressarcimento vise desonerar os insumos de incidências anteriores, a lei, ao estabelecer a maneira de se operacionalizar o incentivo, excluiu do total de aquisições aquelas que não sofreram incidência na última etapa. 8 Batista Júnior, Onofre. A Fraude à Lei Tributária e os Negócios Jurídicos Indiretos. Revista Dialética de Direto Tríbutàrio n° 61. 2000. p. 100. { 12 Processo n" Recurso n" Acórdão n" Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13854.000283/97-32 118.294 202-15.388 I "C~M'FI. No caso em tela, a ora recorrente considerou no cálculo do incentivo as aquisições de insumos de pessoas fisicas não sujeitas ao recolhimento de COFINS e de PIS. Assim, não sendo contribuintes das referidas contribuições, não há O que ressarcir ao adquirente, como ficou largamente demonstrado. " (...)" Em relação às exclusões efetuadas pela autoridade fiscal quando da apuração dos insumos consumidos no processo produtivo da reclamante, verifica-se que estas se referem às despesas havidas com energia elétrica. Este Colegiado tem-se manifestado, reiteradamente, contra a inclusão na base de cálculo do crédito presumido das despesas havidas com energia elétrica por não integrar o produto final ou não se desgastar em contato direto com este, por entender que, para efeito da legislação fiscal, a energia eletrica não se caracteriza como matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem. "(.. .) De outro modo não poderia ser, senão vejamos: o artigo 1" da Lei nO9.363/96 enumera expressamente os insumos utilizados no processo produtivo que devem ser considerados na base de cálculo do crédito presumido: matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem. A seu turno, o parágrafo único do artigo 3° da Lei nO 9.363/96 determina que seja utilizada, subsidiariamente, a legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI para a demarcação dos conceitos de matérias-primas e produtos intermediários, o que é confirmado pela Portaria MF nO129, de 05/04/95, em seu artigo 2°, si. Preditos conceitos, por sua vez, encontramos no artigo 82, L do Regulamento do IPL aprovado pelo Decreto nO 87.981/82, (reproduzido pelo inciso I do art. 147 do Decreto n° 2.637/1988 - RIPI/1988), assim definidos: "Art. 82. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditar-se: I - do imposto relativo a matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, exceto os de alíquota zero e os isentos, incluindo-se. entre as matérias-primas e produtos intermediários. aqueles que. embora não se integrando ao novo produto, forem/"13 Processo nº Recurso nº Acórdão nº Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13854.000283/97-32 118.294 202-15.388 I "~M' IFI. consumidos no processo de industrializacão, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente." (grifamos) Da exegese desse dispositivo legal tem-se que somente se caracterizam como matéria-prima e ou produto intermediário os insumos empregados diretamente na industrialização de produto jinal ou que, embora não se integrem a este, sejam consumidos efetivamente em seu fabrico, isto é, sofram, em jitnção de ação exercida efetivamente sobre o produto em elaboração, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades jisicas ou químicas. A contrário senso, não integrando o produto jinal ou não havendo o desgaste decorrentes do contato jisico, ou de uma ação direta exercida sobre o produto em fabricação, predito insumo não pode ser considerado como matéria-prima ou produto intermediário. Na esteira desse entendimento já trilhava a Coordenação- Geral do Sistema de Tributação da Receita Federal que, por meio do Parecer Normativo CST n° 65/1979, explicitou quais insumos que mesmo não integrando o produto jinal podem ser caracterizados como matéria-prima ou produto intermediário: "hão de guardar semelhança com as matérias-primas e os produtos intermediários stricto sensu, semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato jisico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto de fabricação, ou por este diretamente sofrida ". (...)" Verifica-se, portanto, ser incabível a inclusão na base de cálculo do crédito presumido das despesas havidas com energia elétrica já que esta não pode, legalmente, para fins de apuração do beneficio em análise, enquadrar-se como matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, pois não incide diretamente sobre o produto em fabricação. "(..) Por último, resta a controvérsia sobre a aplicação da Taxa SELIC no montante do crédito a ressarcir. Sobre essa matéria o Conselheiro Antônio Carlos Bueno Ribeiro discorreu magistralmente, no voto vencedor proferido no Acórdão n° 202-13.651, cujos excertos honram-me transcrevê-los como fundamento de meu voto: "A propósito da aplicação da denominada Taxa SELIC sobre o valor de créditos incentivados do IPI em pedidos de ressarcimento, à guisa de correção monetária, por aplicação analógica do art. 39, ~ 4°, da Lei nO9.250/95, ;;;im me manifestei em casos semelhantes ao presente: 14 Processo nº Recurso oº Acórdão nº Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13854.000283/97-32 118.294 202-15.388 ff':'~:tL:"~~-~~:.::r:J I .",',',07/U .ip/. t I _., ... ~.~~ .. _.!~---.•"' •.... I "IT~ IFI. 15 "Neste Colegiado é pacíjico o entendimento quanto ao direito à atualização monetária, segundo a variação da UFIR, no período entre o protocolo do pedido e a data do respectivo crédito em conta corrente do valor de créditos incentivados do IPI em pedidos de ressarcimento, conforme muito bem expresso no Acórdão CSRF/02-0.723 e segundo a metodologia de cálculo ali referendada, válida até 31.12.1.995. No entanto, não vejo amparo nessa mesma jurisprudência para a pretensão de dar continuidade à atualização desses créditos, a partir de 31.12.95, com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC para títulos federais (Taxa Selic), consoante o disposto no S 4° do art. 39 da Lei nO9.250, de 26.12.1995 (DOU 27.12.1995).9 Apesar desse dispositivo legal ter derrogado e substituído, a partir de ]O de janeiro de 1.996, os 30 do art. 66 da Lei nO 8.383/91, que foi utilizado, por analogia, para estender a correção monetária nele estabelecida para a compensação ou restituição de pagamentos indevidos ou a maior de tributos e contribuições ao ressarcimento de créditos incentivados de IPI. Com efeito, todo o raciOClnlO desenvolvido no aludido acórdão, bem como no Parecer AGU n° 01/96 e às decisões judiciais a que se reporta, dizem respeito exclusivamente à correção monetária como "..simples resgate da expressão real do incentivo, não constituindo 'plus' a exigir expressa previsão legal ". Ora, em sendo a referida taxa a média mensal dos juros pagos pela União na captação de recursos através de títulos lançados no mercado financeiro, é evidente a sua '''Art. 39. A compensação de que trata o art.66 da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei n° 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. 91° (VETADO). 92" (VETADO). 9 ]0 (VETADO). $4° A partir de 10 de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC para titulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. ,,( Processo nº Recurso nº Acórdão nº Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13854.000283/97-32 118.294 202-15.388 I ",CM'.IFI. natureza de taxa de juros e, assim, a sua desvalia como índice de inflação, já que informados por pressupostos econômicos distintos. De se ressaltar que, no período em referência, a Taxa Selic refletiu patamares muito superiores aos correspondentes índices de inflação, em virtude da política monetária em curso, o que traduziria, caso adotada, na concessão de um "plus", o que manifestamente só é possível por expressa previsão legal. Desse modo, considerando o novo contexto econômico introduzido pelo Plano Real de uma economia desindexada e as distinções existentes entre o ressarcimento e o instituto da restituição, conforme assinalado pela decisão recorrida, aqui não pode mais se invocar os princípios da igualdade, finalidade e da repulsa ao enriquecimento sem causa para também aplicar, por analogia, a Taxa Selic ao ressarcimento de créditos incentivados de IPI Pois, se assim ocorresse, poderia advir, na realidade, um tratamento privilegiado, mercê dos acréscimos derivados da Taxa Selic, para os contribuintes que não tivessem como aproveitar automaticamente os créditos íncentivados na escrita fiscal, que seria o procedimento usual, em comparação com a maioria que assim ofaz. " Agora passo a fazer apreciações adicionais para realçar os motivos que me levam a manter essa posição. Em primeiro lugar, manifesto minha discordância com o entendimento manifestado, inclusive nos tribunais superiores, de que a Taxa SELIC possuiria a natureza mista de juros e correção monetária, o que se depreenderia da definição a ela conferida pelo Banco Central e da aferição de sua metodologia, consoante afirmado no voto condutor do RESP nO215.881- PR, da lavra do ilustre Ministro Franciulli Netto, no qual é realizada uma extensa análise sobre vários aspectos dessa taxa, culminando justamente por suscitar o incidente de inconstitucionalidade do art. 39, S 4°, da Lei 9.250/95, aqui adotado analogicamente para estender a aplicação da Taxa SELIC no ressarcimento de créditos incentivados do IPI Da definíção do que seja a Taxa SELIC só vislumbro taxa de juros, como se pode conferir, dentre outros normativos, nas Circulares BA CEN nOs2.868 e 2.900/99, ambas no art. 2°, S r, a saber: / 16 Processo nº Recurso nº Acórdão nº Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13854.000283/97-32 118.294 202-15.388 I "="' IFI. "Define-se Taxa SEL1C como a taxa média ajustada dos financiamentos diários apurados no Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC) para títulosfederais. " No que respeita à metodologia de cálculo da Taxa SEL1C. segundo as informações colhidas em consulta junto ao Banco Central. citadas no indigitado RESP nO 215.881 - PR, só vejo reforçada a sua exclusiva natureza dejuros. a saber: as taxas das operações overnight, realizadas no mercado aberto entre diferentes instituições financeiras, que envolvem títulos de emissão do Tesouro Nacional e do Banco Central, formam a base para o cálculo da taxa SEL1C. Portanto, a Taxa SELIC é um indicador diário da taxa de juros, podendo ser definida como a taxa média ajustada dos financiamentos diários apurados com títulos públicos federais. Essa taxa média é calculada com precisão, tendo em vista que. por força da legislação, os títulos encontram-se registrados no Sistema SEL1C e todas as operações são por ele processadas. A taxa média diária ajustada das mencionadas operações compromissadas overnight é calculada de acordo com a seguinte fórmula: (...) Com a finalidade de dar maior representatividade à referida taxa, são. consideradas as taxas de juros de todas as operações overnight ponderadas pelos respectivos montantes em reais" (negritei). Em resposta a essa mesma consulta é dito pelo Banco Central que "a taxa SEL1C reflete. basicamente. as condições instantâneas de liquidez no mercay 17 Processo nº Recurso nº Acórdão nº Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13854.000283/97-32 118.294 202-15.388 ••• , •. °_0,. ••• ~ld monetário (oferta versus demanda por recursos financeiros). Finalmente, ressalte-se que a taxa SELIC acumulada para determinado periodo de tempo correlaciona-se positivamente com a taxa de inflação apurada "ex-post", embora a sua fórmula de cálculo não contemple a participação expressa de indices de preços". (negritei e subscritei) Aqui releva salientar que a ocorrência da aludida "correlação" nada afeta a natureza de juros da Taxa SELIC e nem a torna híbrida pela incorporação da taxa de inflação, mas simplesmente indica que, em termos estatísticos, tem-se verificado uma relação positiva entre essas duas variáveis, ou seja, que as suas grandezas variaram no mesmo sentido no periodo considerado, sem que haja alteração na especificidade de cada uma dessas variáveis. A Taxa SELIC em si não está investida de nenhum propósito, sendo, inclusive, impróprio acoimá-la de neutralizadora dos efeitos da inflação, já que, como visto, é uma variável de resultado que reflete a média das taxas de juros praticadas pelo mercado nas operações overnight com titulos públicos, que é reconhecida pela teoria econômica como um indicador das condições de liquidez do mercado monetário, constituindo também na denominada taxa básica da economia. Por outro lado, é certo que o Banco Central na qualidade de autoridade monetária (CF, art. 164) dispõe de um amplo arsenal de instrumentos de política monetária com vistas a assegurar o nível de liquidez adequada para a economia, inclusive no sentido de prevenir a ocorrência de surtos inflacionários, que, em última análise, influencia as taxas praticadas no mercado de financiamentos por um dia lastreados com títulos públicos e, conseqüentemente, a Taxa SELIC. Mais recentemente foi estabelecido como instrumento de política monetária afIXação de meta para a Taxa SELIC e seu eventual vié/o, visando o cumprimento da meta para a Inflação, estabelecida pelo Decreto nO 3.088, de 21 dejunho de 1999. É importante salientar que esse instrumento apenas fIXa a meta para a Taxa SELIC e não essa taxa em si, valendo mais uma vez repisar que a taxa de financiamento, como qualquer outro preço, é determinada no mercado pelas forças de procura e oferta de financiamento, refletindo a situação das reservas do sistema bancário a cada momento. 10 Circulares Bacen nO'2.868 e 2.900 de 1999.1 18 Processo nº Recurso nº Acórdão nº Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13854.000283/97-32 118.294 202-15.388 I >c,., IFI. 19 Com o estabelecimento da meta, obviamente que o Banco Central na condução da política monetária e da política de títulos públicos buscará induzir o mercado na direção da meta para a Taxa SELIC estabelecida, julgada, por sua vez, adequada para assegurar a meta de inflação perseguida. Portanto, na realidade, com essas políticas o Banco Central objetiva que a taxa de juros básica praticada na economia seja suficiente para prevenir a inflação ou mantê-la nos limites da meta fixada, atuando, assim, a autoridade monetária na esfera das expectativas inflacionárias dos agentes econômicos, aspecto esse que também realça a distinção entre taxa de juros e taxa de inflação, já que esta última é voltada para mensuração da inflação pretérita. Aliás, considerando a similaridade entre a Taxa SELIC e a TR, é de se notar que a impropriedade e desvalia de se pretender valer de taxa de juros dessa natureza, como instrumento de correção monetária, foi muito percebida pelo STF ao declarar a inconstitucionalidade da TR como tal, na ADIN 493 - DF, corno se verifica no excerto do voto do ilustre Ministro Moreira Alves: a taxa reftrencial (TR) não é índice de correção monetária, pois, refletindo as variações do custo primário da captação dos depósitos a prazo fixo, não constitui índice que reflita variação do poder aquisitivo da moeda ". " Do exposto, tenho também como equivocado o entendimento de que a Fazenda Nacional estaria se valendo da Taxa SELIC como urna forma velada de dar continuidade à correção monetária dos créditos tributários não integralmente pagos no vencimento em face do advento do Plano Real, a partir do qual paulatinamente foi extinta a utilização da correção monetária para fins tributários. Em verdade o emprego da Taxa SELIC como juros de mora, no ambiente econômico de uma economia desindexada, está em consonância com o imperativo econômico de inibir os contribuintes a adiarem o adimplemento de suas obrigações tributárias como forma alternativa de se financiarem junto ao sistema bancário. Com isso, mais urna vez impende gizar que a natureza da Taxa SELIC é exclusivamente de juros e como tal é a lógica econômica de seu uso para fins tributários, o que tornam prejudicadas as ilações extraídas a partir do falso pressuposto de ela estar mesclada com um componente de correção monetária.! Processo nº Recurso nº Acórdão nº Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13854.000283/97-32 118.294 202-15.388 ~Ld Quanto à incidência da Taxa SELIC sobre indébitos tributários a partir do pagamento indevido, instituída pelo art. 39, S 4°, da Lei nO9.250/95, é indisfarçável a motivação isonômica dessa medida ao garantir o mesmo tratamento, neste particular, para os créditos da Fazenda Pública e aos dos contribuintes, quando decorrentes do pagamento indevido ou a maior de tributos, chegando, inclusive, a preponderar sobre a disposição do parágrafo único do art. 167, do Código Tributário Nacional, que faculta à Fazenda Pública restituir o indébito com vencimento de juros não capitalizáveis a partir do trânsito em julgado da decisão definitiva que a determinar. Agora, como já havia dito alhures, não vejo como justo e nem próprio, muito pelo contrário, pretender lançar mão da analogia, com base nos princípios constitucionais da isonomia e da moralidade, para estender a incidência da Taxa SELIC aos valores a serem ressarcidos oriundos de créditos incentivados na área do IPI, a exemplo do decidido no Acórdão CSRF/02-0.723, no que diz respeito à atualização monetária, segundo a variação da UFIR, no período entre o protocolo do pedido e a data do respectivo crédito em conta corrente, do valor de créditos incentivados do IPI e segundo a metodologia de cálculo ali referendada, válida até 31.12.95. Aqui não se está a tratar de recursos do contribuinte que foram indevidamente carreados para a Fazenda Pública, mas sim de renúncia fiscal com O propósito de estimular setores da economia, cuja concessão, à evidência, se subordina aos termos e condições do poder concedente e necessariamente deve ser objeto de estrita delimitação pela lei, que, por se tratar de disposição excepcional em proveito de empresas, como é sabido, não permite ao interprete ir além do que nela foi estabelecido. Numa conjuntura econômica de inflação alta, como a vigente antes do Plano Real, em que o valor da importância a ser ressarcida acusava perda de até 95% devido ao fenômeno inflacionário, se justificou, forte no princípio da finalidade, que se recorresse ao processo normal de apuração compreensiva do sentido da norma para que fosse deferida a correção monetária aos pleitos de ressarcimento em espécie de créditos incentivados do IPI, sob pena de, em certos casos, tornar inócuo o incentivo fiscal, conforme asseverado no aludido Acórdão nOCSRF/02-0. 723. De se ressaltar, ainda, que a extensão da correção monetária, sem expressa previsão legal, ali defendida também se escorou no entendimento do Parecer da Advocacia Geral da União nO GQ - 96 e na jurisprudência dos tribunais superiores, no sentido de que "a correção monetária não constitui 'plus' a exigir expressa previsão legaL" (negritei) A partir do Plano Real, pela primeira vez, com um sucesso duradouro, logrou-se reduzir os efeitos da inflação inerciallJ, passando a 11 Inflação inercial. Ecou.! 20 Processo nº Recurso nº Acórdão nº 1""'":"";. ' I Ministério da Fazenda 1 Segundo Conselho de Contribuintes , I 13854.000283/97-32 j 118.294 202-15.388 ~bJ economia a apresentar níveis de inflação significativamente inferiores ao período anterior, tendo sido crucial para isso a eliminação ou alargamento dos prazos para a incidência da correção monetária, ou seja, pela progressiva atenuação do nível de indexação até então vigente na economia, que se prestava num modo contínuo a realimentar a inflação, Nesse novo contexto, não há mais nem mesmo como invocar o principio da finalidade para tout court justificar a recorrência ao principio de integração analógica para a correção monetária como forma de simples resgate da expressão real dos créditos incentivados do IPI, em relação ao período de tramitação do pleito correspondente, que na quase totalidade são solucionados em prazos inferiores a um ano. O que não dizer então do emprego da Taxa SELIC com esse propósito que, a par de não guardar a menor verossimilhança com índices de preços, consoante já exaustivamente asseverado, apresentou, no período, patamares muito superiores aos correspondentes índices de inflação, em virtude da política monetária praticada desde a edição do Plano Real, em razão, inclusive, de contingências exógenas tais como a necessidade de defender a economia nacional de choques externos provocados por crises como a asiática a russa e, presentemente, a Argentina e a relacionada com o atentado às torres do Word Trade Center, Para ilustrar a discrepância entre os valores da Taxa SELIC e os dos principais índices de preços, a exemplo do Índice Nacional de Preços ao Consumidor - INPC, no período de 1996 a 200112, apresento a tabela abaixo: TAX4 SELICXINPC 1996/2001 SELIC INPC, UNITÁRIO SELIC/INPCTAX4 UNITARIO TAX4 ANUAL ANUAL 24,91 1,249100 9,12 1,091200 2,731360 40,84 1,759232 4,34 1,138558 9,410138 28,96 2,268706 2,49 1,166908 11,630522 19,04 2,700668 8,43 1,265279 2,258600 15,84 3,128454 5,27 1,331959 3,005693 19,05 3,724424 7,25 1,428526 2,627586 ANOIÍNDICE 1996 1997 1998 1999 2000 2001 FONTE: BACEN/IBGE 1. A que se origina da repetição J(dOS aumentos passados de preços, pela ação dos mecanismos de indexação. (Dicionário Aurélio - Século XXI). 12 ate 31.10.200l. 21 Processo nº Recurso nº Acórdão nº Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13854.000283/97-32 118.294 202-15.388 I "~M' .1FI. voluntário. Dessa tabela, verifica-se que no período de 1996/2001 (até 31.10.2001) a Taxa SELlC superou, no mínimo, 2,25 vezes (1999) e, no máximo, 11,63 vezes (1998) o INPC, apresentando uma variação total de 272,44% em contraste com a de 42,85% relativa ao INPC. Portanto, a adoção da Taxa SELIC como indexador monetário, além de configurar uma impropriedade técnica, implica uma desmesurada e adicional vantagem econômica aos agraciados (na realidade um extra "plus "), promovendo enriquecimento sem causa e expressa previsão legal, condição inarredável para a outorga de recursos públicos a particulares ". Diante de todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso Sala das Sessões, em 28 de janeiro de 2004 22 Processo uº Recurso uº Acórdão uº Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13854.000283/97-32 118.294 202-15.388 ..,. ~,'J I / I /6l.' , .. ,~. ~"'-, '. t _.., '- .. -.. " ....•.•-'.,,~~.:=<.~ I "OC~, FI. VOTO DA CONSELHEIRA ANA NEYLE OLÍMPIO HOLANDA RELATORA-DESIGNADA Reporto-me ao relatório de lavra da ilustre Conselheira Nayra Bastos Manatta. O objeto da presente controvérsia é o pedido de ressarcimento de Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, originado por créditos presumidos deste imposto, referentes à contribuição para o Programa de Integração Social - PIS e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS, incidentes sobre as aquisições no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. A divergência do Colegiado tem como objeto as exclusões referentes às aquisições de insumos de sociedades cooperativas e de pessoas físicas, bem como a aplicação ao ressarcimento de juros calculados pela variação da Taxa SEUC. A negativa da inclusão no cálculo do benefício das aquisições de insumos de sociedades cooperativas e de pessoas físicas dá-se sob o fundamento de que tais operações não teriam sido objeto da contribuição para o PIS e da COFINS, apegando-se os que a defendem ao artigo 1° da Lei nO 9.363/96, para assegurar que só podem integrar o cálculo do benefício as aquisições em que esteja presente a incidência daquelas contribuições, entendendo que aquela norma veicula o mandamento de que o incentivo físcal, como forma de ressarcimento das contribuições, deve representar o tributo embutido no preço de aquisição do insumo, para ser depois recebido como "restituição" da quantia desembolsada. Concessa venia daqueles que defendem o respeitável entendimento, deles ouso divergir, o que faço invocando o objetivo do diploma legal instituidor do benefício. A norma buscou alcançar, mediante a desoneração tributária dos produtos exportados, uma maior competitividade dos produtos nacionais no mercado externo, vez que existem múltiplas incidências das contribuições tratadas sobre as mercadorias e os serviços adquiridos pelo produtor-exportador, sendo que o incentivo consiste na concessão do ressarcimento de valores calculados sobre um crédito presumido, de acordo com uma fórmula rigida legalmente estabelecida, não importando em "restituição" de contribuições incidentes direta e exclusivamente sobre cada aquisição. O método de cálculo do benefício, estabelecido pelo artigo 2° da Lei nO 9.363/96, reconheceu que o crédito é uma mera presunção dos valores incidentes sobre as aquisições, mas não necessariamente uma "restituição" de quantias pagas, identificadas e quantificadas previamente à outorga do benefício. Nada tem a nos afirmar que as incidências das contribuições especificamente sobre as operações de compras de insumos somam exatamente 5,37% do valor das operações. Muito pelo contrário, toda probabilidade é de que, somadas todas as incidências ocorridas até a exportação montem a percentual superior ao valor das aquisições. Com efeito, e exatamente por ser presumido, e não pretender traduzir a realidade, a única maneira de calcular o incentivo é através da fórmula legal, que é ~gi~e JI123 Processo nº Recurso nº Acórdão nº Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13854.000283/97-32 118.294 202-15.388 , o) I' ( I Ó y,- _~-O~ _ .• '.'~-- ,-----">-') I >C£M' !FI. j~ 24 fechada, não admitindo a sua alteração, mesmo que o beneficiário prove que houve incidência das contribuições em patamares maiores que os estabelecidos pela lei, ainda que, por características próprias de controle, seja capaz de precisar quais os exatos montantes das contribuições incidentes nas aquisições de insumos na cadeia de comercialização. Como bem percebido por Ricardo Mariz de Oliveira 13, a lei instituidora do beneficio "presume de forma absoluta, sem admitir contraprova, mas também sem exigir qualquer prova, que houve custos incorridos e que, a bem das exportações nacionais devem ser ressarcidos ao exportador, e, igualmente, presume de forma absoluta, sem necessidade de prova em qualquer sentido, o montante desses custos a ressarcir ". E, mais adiante, afirma ainda o autor: "Em suma, nestas circunstâncias não há prova a ser feita pelo fisco ou pelo contribuinte, de incidência ou não incidência, nem se admite qualquer prova contrária. Qualquer que seja a realidade, o crédito presumido será sempre o mesmo, bastando serem provados os elementos da fórmula geral ", ou seja, basta que sejam quantificados os valores totais das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários, material de embalagem utilizados no processo produtivo, a receita de exportação e a receita operacional bruta. Dessa forma, não vejo como os valores das aqulSlçoes de insumos de não contribuintes da contribuição para PIS e da COFINS não serem considerados no cômputo do beneficio. Quanto à controvérsia da correção monetária de valores ressarcidos, considerando-se a Taxa SELIC, instituída pelo artigo 39, g 4°, da Lei nO9.250/95, a matéria foi objeto de julgamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais/CSRF-2' Turma, no Acórdão de nO 02-0.707, que, por unanimídade de votos, reconheceu que o acréscimo proporcionado pela correção monetária dos valores a serem ressarcidos não se constitui em plus, mas apenas a recomposição da moeda corroída pelos processos inflacionários, não exige previsão expressa de lei, podendo ser aplicada a analogia, no processo de integração tributária permitido pelo artigo 108, do Código Tributário Nacional. Nesse passo, aplicar-se-iam aos ressarcimentos as normas pertinentes à restituição e à compensação de créditos tributários. Tal entendimento encontrou guarida nesse Colegiado até o advento da Lei nO 9.250, de 27/12/95, que pretendeu determinar a desindexação da economia, realizada pelo Plano Real, extinguindo a correção monetária dos créditos dos contribuintes contra a Fazenda Nacional, havidos em decorrência do pagamento indevido de tributos. A partir da entrada em vigor da citada norma, passou a prevalecer a posição de que não mais se poderia aplicar a Taxa SELIC para a correção monetária dos valores a serem ressarcidos, vez que tal índice teria a natureza mista - de correção monetária e taxa de juros -, o que impediria sua aplicação como índice de correção monetária. O fato de a atualização monetária ter sido expressamente banida de nosso ordenamento jurídico não impediu a Fazenda Nacional de utilizar a Taxa SELIC, para fins tributários, em que pese esta sua natureza híbrida, e o fato de a correção monetária ter sido 13 Crédito Presumido de IPI- Ressarcimento de PIS e COFINS- Direitoao cálculo sobre aquisições de insumos não tributados, não publicado. , Processo nº Recurso nº Acórdão nº Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13854.000283/97-32 118.294 202-15.388 H~:- r ~.- I" ., o J I Ii L~.r ....~Q'. .... • _~,. _-L.- __........,~_-..J ~ ~ extinta pela Lei 9.249/95, por seu art. 36, 11, a sua utilização se dá exclusivamente a título de juros de mora (art. 61, S 3°, da Lei 9.430/96). Anteriormente a esta pseudo extinção da correção monetária, foi garantido, sob o argumento da imposição dos princípios constitucionais da isonomia e da moralidade, ao contribuinte titular de crédito incentivado de IPI, a aplicação analógica do art. 66, S 3°, da Lei n° 8.383/91, conforme autorizado pelo art. 108, 1, do Código Tributário Nacional, o direito à correção monetária - note-se, por oportuno, que jamais existiu disposição expressa neste sentido com relação aos créditos incentivados sob exame. Agora, nada mais justo que, sob os ausplCIOS dos mesmos ditames constitucionais, antes invocados, se reconheça ao mesmo sujeito direito à aplicação da denominada Taxa SELIC sobre seu crédito, também por aplicação analógica de dispositivo da legislação tributária, desta feita o art. 39, S 4°, da Lei n° 9.250/95 - que determina a incidência da mencionada taxa sobre indébitos tributários a partir do pagamento indevido -, crédito este que em caso contrário restará grandemente minorado pelos efeitos de uma inflação, em dias atuais, enfraquecida, mas ainda sabidamente danosa e que continua a corroer o valor da moeda. Tal convicção resta ainda mais defensável quando se percebe que a incidência de juros sobre indébitos tributários a partir do pagamento indevido, nasceu, exatamente, com o advento do citado art. 39, S 4°, da Lei n° 9.250/95, pois, antes disso, a incidência dos mesmos, segundo o parágrafo único do art. 167, do Código Tributário Nacional, só ocorria "a partir do trânsito em julgado da decisão definitiva" que determinasse a sua restituição, sendo, inclusive, este o teor do enunciado 188 da Súmula da Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Percebe-se, assim, que a Fazenda Pública, neste particular, foi extremamente isonômica, pois adotou a mesma sistemática para os seus créditos e os dos contribuintes, quando decorrentes do pagamento indevido de tributos. A partir deste posicionamento, é curial a aplicação do procedimento previsto na Norma de Execução Conjunta/SRF/COSIT/COSAR nO 08, de 27/06/1997, que indica o procedimento a ser adotado para as restituições ou compensações tributárias, no âmbito da Secretaria da Receita Federal. Nesse sentido foi o voto da lavra do Conselheiro Jorge Freire, no julgamento do Recurso Voluntário nO110.508, em que a recorrente é parte de interesse Por concordar com os termos do voto exarado no referido acórdão, o qual adoto como fundamento das razões de decidir o presente feito, tanto na preliminar suscitada, como no mérito, e, por isso, passo a transcrevê-lo parcialmente: "Não há mais dúvidas no âmbito deste Conselho de Contribuintes, que mesmo, que mesmo o ressarcimento de valor a título de beneficio fiscal deve ser creditado ao contribuinte com a atualização monetária correspondente, sob pena de prejudicar ou mesmo tornar inócua a própria política visada pelo legislador. Ainda mais numa economia como a brasileira, onde já chegamos a níveis estratosféricos da espiral inflacionária. Sem falar o tempo que a Administração Tributária leva entre o pedido de J( 25 Processo nº Recurso nº Acórdão nº Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13854.000283/97-32 118.294 202-15.388 I "'c~ IFI. ressarcimento e seu efetivo creditamento, (...). E se dúvida existia quanto à aplicação da correção monetária, a CSRF, em consonância com o que já vinha decidindo o Judiciário, que de há muito, pôs uma pá de cal nessa discussão decidindo que também em relação ao ressarcimento ela é cabível. Nada obstante, a discussão que passamos a ter nesta Câmara14 foi quanto ao índice a ser aplicado após o fim da UFIR em 31/12/1995, uma vez que nos períodos anteriores a sua extinção firmamos o escólio de que o ressarcimento seria corrigido em UFIR pelo seu valor na data do protocolo do pedido, sendo reconvertido para a moeda nacional pelo valor daquela na data do efetivo creditamento. Contudo, a questão que vinha debatendo-me com meus ilustres pares nesta Câmara é quanto à aplicação da taxa SELIC, posto que em tal taxa estão embutidos juros remuneratórios. (...) Em síntese, entendo que havendo inflação esta deve ser reposta nos casos de ressarcimento de incentivo fiscal como definiu a CSRF, e mesmo o Parecer AGU 01/96. A questão é qual o índice a ser aplicado após a extinção da UFIR. Porém, à mingua de permissão legal para utilização de outro índice de correção monetária, venho, (...) acatando o entendimento majoritário desta Câmara de que os créditos a serem ressarcidos devem ser atualizados monetariamente de acordo com o citado ato administrativo da SRFI5. " o entendimento de que seja dado ao ressarcimento o mesmo tratamento que à repetição de indébito firma-se no do julgamento do Superior Tribunal de Justiça, de lavra do Ministro Antônio de Pádua Ribeiro (REsp. nO40.343-0-DF), cuja ementa trazemos à colação "EMENTA: Tributário. IPI. Crédito-prêmio. Ressarcimento. Decreto-lei nO 491, de 05. 03.69.Juros moratórios. Correção monetária. Variação cambial. I - Nas ação de ressarcimento de créditos-prêmio relativos ao IPI, têm aplicação os princípios atinentes à repetição do indébito tributário. " Assim, se a Fazenda Pública utiliza-se da Taxa SELIC para atualização monetária dos tributos que restitui ou que admite a compensação, nada mais justo que se admita tal Índice quando dos ressarcimentos de créditos aqui tratados. A partir de tais considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso, para que o beneficio seja calculado incluindo-se as aquisições de não--<:ontribuintes da 14 O Conselheiro participa da composição da 1" Cãmara deste 2° Conselho de Contribuintes. I5 A Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR nO08/97. 'Jtr- ~ 26 . Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Processo nº Recurso nº Acórdão nº 13854.000283/97-32 118.294 202-15.388 [ "C"M, .1FI. contribuição para o PIS e da COFINS, como também para que no cálculo do beneficio seja considerada a aplicação da Taxa SELIC, desde a data da protocolização do pedido até a data do efetivo pagamento do ressarcimento. Sala das Sessões, em 28 de janeiro de 2004 L_ n..L OQ:.nF \l!ooL.~ -ÃNÃNEVLE OLlMPIO HOLANDA 11 27 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011 00000012 00000013 00000014 00000015 00000016 00000017 00000018 00000019 00000020 00000021 00000022 00000023 00000024 00000025 00000026 00000027
score : 1.0
Numero do processo: 10166.012046/00-24
Data da sessão: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2007
Ementa: PIS. DECADÊNCIA. O lançamento da contribuição ao PIS está sujeito ao prazo de decadência de 5 (cinco) anos, contados da ocorrência dos fatos geradores, nos termos do art. 150, § 4° do Código Tributário Nacional, especialmente na hipótese de terem sido efetuados pagamentos parciais nos períodos abrangidos pelo lançamento.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: CSRF/02-02.670
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Camara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Antonio Bezerra Neto que deu provimento ao recurso.
Nome do relator: Flávio de Sá Munhoz
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200704
ementa_s : PIS. DECADÊNCIA. O lançamento da contribuição ao PIS está sujeito ao prazo de decadência de 5 (cinco) anos, contados da ocorrência dos fatos geradores, nos termos do art. 150, § 4° do Código Tributário Nacional, especialmente na hipótese de terem sido efetuados pagamentos parciais nos períodos abrangidos pelo lançamento. Recurso especial negado.
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2007
numero_processo_s : 10166.012046/00-24
anomes_publicacao_s : 200704
conteudo_id_s : 5476658
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 08 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : CSRF/02-02.670
nome_arquivo_s : 40202670_101660120460024_200704.PDF
ano_publicacao_s : 2007
nome_relator_s : Flávio de Sá Munhoz
nome_arquivo_pdf_s : 101660120460024_5476658.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Camara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Antonio Bezerra Neto que deu provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2007
id : 4616330
ano_sessao_s : 2007
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 18:47:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714074929906843648
conteudo_txt : Metadados => date: 2011-10-28T13:22:24Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-10-28T13:22:24Z; Last-Modified: 2011-10-28T13:22:24Z; dcterms:modified: 2011-10-28T13:22:24Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:e7ccbc82-9de0-4293-8546-b193d7a4fa49; Last-Save-Date: 2011-10-28T13:22:24Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-10-28T13:22:24Z; meta:save-date: 2011-10-28T13:22:24Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-10-28T13:22:24Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-10-28T13:22:24Z; created: 2011-10-28T13:22:24Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2011-10-28T13:22:24Z; pdf:charsPerPage: 1113; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-10-28T13:22:24Z | Conteúdo => CSRF/T02 Fls. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA TURMA Processo n° 10166.012046/00-24 Recurso n° 201-119523 Especial do Procurador Matéria PIS Acórdão n° CSRF/02-02.670 Sessão de 23 de abril de 2007 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ITÁLIA BRASÍLIA VEÍCULOS LTDA. PIS. DECADÊNCIA. O lançamento da contribuição ao PIS está sujeito ao prazo de decadência de 5 (cinco) anos, contados da ocorrência dos fatos geradores, nos termos do art. 150, § 4° do Código Tributário Nacional, especialmente na hipótese de terem sido efetuados pagamentos parciais nos períodos abrangidos pelo lançamento. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL, ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Camara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Antonio Bezerra Neto que deu provimento ao recurso. MANOEL ANTONIO GADELHA DIAS Presidente FLAVIO DE SA MUNHOZ Relator Processo n.° 10166.012046/00-24 ._ Acórdão n.° CSRF/02-02.670 CSRF/T02 Fls. 2 FORMALIZADO EM: 14 AGO 2007 Participaram ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: JOSEFA MARIA COELHO MARQUES, GILENO GURJ 'AO BARRETO, ANTONIO CARLOS ATULIM, MARIA TERESA MARTINEZ LOPES, DALTON CÉSAR CORDEIRO DE MIRANDA, HENRIQUE PINHEIRO TORRES e MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JÚNIOR. Processo n.° 10166.012046/00-24 Acórdão n.° CSRF/02-02.670 CSRF/T02 Fls. 3 Relatório Trata-se de recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão n° 201-76.793, proferido pela Primeira Camara do Segundo Conselho de Contribuintes, com fundamento no art. 32, inciso I do Regimento Interno da Camara Superior de Recursos Fiscais, em razão de a decisão recorrida não ter sido proferida por unanimidade de votos, e sob a alegação de contrariar expressa disposição de lei. 0 processo foi instaurado a partir da lavratura, em 30/08/2000, de auto de infração contra a interessada em decorrência de suposto recolhimento a menor de Contribuição ao PIS, nos períodos de apuração compreendidos entre Maio de 1995 e Fevereiro de 2000. A decisão recorrida deu parcial provimento ao recurso voluntário do contribuinte, acolhendo a preliminar de decadência, aplicando a regra do art. 150, § 4° do Código Tributário Nacional, que estabelece que o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário se extingue cinco anos após a ocorrência do fato gerador, nos termos da ementa a seguir parcialmente transcrita: NORMAS PROCESSUAIS — DECADÊNCIA. 0 direito de o Fisco lançar tributos sujeitos ao regime de homologação, nos casos em que houve antecipação do pagamento por parte do contribuinte, decai após o transcurso de 05 (cinco) anos contado da ocorrência do fato gerador, art. 150, § 11° do CTN. A Fazenda Nacional, não se conformando com a decisão proferida pela c. Primeira Camara, interpôs o presente recurso especial, no qual sustenta que o prazo decadencial aplicável à Contribuição ao PIS é o disposto no art. 45 da Lei n° 8.212/91, e que "a decisão recorrida enfrentou e declarou, ainda que de forma reflexa, a inconstitucionalidade do referido dispositivo", a despeito de o Supremo Tribunal Federal não ter se pronunciado sobre a inconstitucionalidade do referido dispositivo. Conclui, assim, que "a Câmara a quo, ao negar validade ao art. 45 da Lei if 8.212/91, por motivo de inconstitucionalidade, assume, na visão do ora Recorrente, função atribuida ao Supremo Tribunal Federal". Por fim, a Fazenda Nacional sustenta a constitucionalidade do mencionado dispositivo legal e sua aplicabilidade ao lançamento tributário em análise. A d. Presidente da Primeira Camara do Segundo Conselho de Contribuintes, por meio do Despacho n° 148 (fls. 321 e 322), recebeu o "recurso interposto pelo procurador da Fazenda Nacional as fls. 306/319 quanto a. questão da decadência dos tributos lançados por homologação", tendo em vista que "estão presentes os requisitos para interposição do recurso especial: a decisão não foi unanime (art. 32, I); o recurso é tempestivo (art. 33); e, a contrariedade a. lei está demonstrada na exposição apresentada pelo ilustre representante da Fazenda". A Interessada foi intimada do Acórdão proferido pela Primeira Camara do Segundo Conselho de Contribuintes e do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, por meio de oficio que informou o prazo de 15 (quinze) dias para a apresentação de contra- razões, em 24 de Junho de 2004, conforme se observa da comunicação (fl. 325) encaminhada por via postal com aviso de recebimento (fl. 326). Transcorrido o prazo sem apresentação das Processo n.° 10166.012046/00-24 Acórdão n.° CSRF/02-02.670 CSRF/T02 Fls. 4 contra-razões pela interessada, os autos foram encaminhados para julgamento nesta Eg. Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. E o Relatório. Processo n.° 10166.012046/00-24 • Acórdão n.° CSRF/02-02.670 CSRF/T02 Fls. 5 Voto Conselheiro FLAVIO DE SA MUNHOZ, Relator. 0 Recurso Especial ora interposto pela Fazenda Nacional reúne as condições de admissibilidade; dele tomo conhecimento. Com efeito, a decisão recorrida, proferida pela c. Primeira Camara do E. Segundo Conselho de Contribuintes, não alcançou a unanimidade de votos e o recurso, tempestivamente interposto, foi fundamentado em suposta contrariedade à lei, nos termos do art. 32, inciso I do Regimento Interno da Camara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria n° 55/98. A questão a ser enfrentada no julgamento do presente recurso se restringe verificação do prazo para a realização do lançamento de oficio, aplicável à contribuição ao PIS, tributo sujeito a lançamento por homologação. A Fazenda Nacional sustenta nas razões de seu recurso que o prazo de decadência para o lançamento de Contribuição ao PIS é de dez anos, com fundamento no art. 45 da Lei n° 8.212/91. A Lei n° 8.212/91, no entanto, se aplica às contribuições devidas à seguridade social, previstas no art. 195, inciso I da CF/88 e a contribuição ao Programa de Integração Social — PIS não está abrangida no rol das contribuições sociais mencionadas no referido dispositivo constitucional. Confira-se a redação dos artigos 45 e 11 da Lei no 8.212/91: "Art. 45. 0 direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue-se após 10 (dez) anos contados: I — do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; "Art. 11. No âmbito federal, o orçamento da Seguridade Social é composto das seguintes receitas: Parágrafo único. Constituem contribuições sociais: a) as das empresas, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu servi co,. b) dos empregados domésticos; c) as dos trabalhadores, incidentes sobre o seu salário-de- contribuição; d) as das empresas, incidentes sobre o faturamento e lucro; Processo n.° 10166.012046/00-24 Acórdão 11. 0 CSRF/02-02.670 CSRF/T02 Fls. 6 Observa-se absoluta identidade entre as contribuições sociais definidas no art. 11 da Lei n° 8.212/91 e as previstas no art. 195, Ida CF/88, este Ultimo assim redigido: "Art.195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I- do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários- e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer titulo, a pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vinculo etnpregaticio; b) a receita ou o faturamento; c) o lucro" A contribuição social devida ao PIS foi recepcionada pela CF/88 pelo art. 239 do Ato das Disposições Gerais e não se encontra incluída na outorga de competência inserida no art. 195, I da CF/88, conforme decidiu o Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do RE 150.164-1, cujo voto do relator, Ministro Ilmar Galvão, está assim redigido: "Por outro lado, a existência de duas contribuições sobre o faturamento está prevista na própria Carta (art. 195, 1 e 239) [referindo-se ao Finsocial e ao PIS], motivo singelo, mas bastante, não apenas para que não se possa falar ern inconstitucionalidade, mas também para infirmar a ilação de que a contribuição do artigo 239 satisfaz a previsão do art. 195, 1, no que toca a contribuição calculada sobre o faturainento". A contribuição destinada ao PIS, que está sujeita a lançamento por homologação, de acordo corn reiteradas decisões do Supremo Tribunal Federal, tem natureza tributária, aplicando-se, portanto, quanto à decadência, a regra inscrita no art. 150, § 4 0 do CTN, assim redigido: "Art. 150. 0 lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. §4°Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sent que a fazenda pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." A questão já foi pacificada no âmbito desta Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais que, por meio do Acórdão CSRF/02-01.766, na sessão de 14 de setembro Processo n.° 10166.012046/00-24 Acórdão n.° CSRF/02-02.670 CSRF/T02 Fls. 7 de 2004, assim firmou o entendimento de que o prazo decadencial aplicável ao PIS é o constante do § 4 0 , do art. 150, do CTN, in verbis: "(...) CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PARA 0 PIS - DECADÊNCIA - A contribuição social para o PIS, "ex vi" do disposto no art. 149, c.c. art. 195, ambos da C.F., e, ainda, em face de reiterados pronunciamentos da Suprema Corte, tem caráter tributário. Assim, em face do disposto nos arts. n 146, III, "b", da Carta Magna de 1988, a decadência do direito de lançar as contribuições sociais deve ser disciplinada em lei complementar. A falta de lei complementar especifica dispondo sobre matéria, ou de lei anterior recebida pela Constituição, a Fazenda Pública deve seguir as regras de caducidade previstas no Código Tributário Nacional. Inaplicável a regra estabelecida no art. 45 da Lei n°8.212/91, até porque a referida lei não incluiu a contribuição para o PIS entre as fontes de custeio da Seguridade Social. Recurso negado." ( CSRF/01 -05. 157) Vale destacar que o prazo decadencial, nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, começa a fluir da data da ocorrência do fato gerador, independentemente de terem sido efetuados pagamentos parciais, tendo em vista que o que se homologa é a atividade de lançamento e não, propriamente, o pagamento, nos termos do que dispõe o artigo 150, § 4° do CTN. Neste sentido, confira-se a redação do caput do citado art. 150 do CTN, acima transcrita. Observe-se que a redação do artigo transcrito é clara a indicar que "a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa". De rigor observar que, para a solução do presente caso, irrelevante a discussão acerca do objeto da homologação referida no citado art. 150, eis que, conforme relatado, foram comprovados pagamentos parciais da exação no período compreendido pelo lançamento. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Sala das Sessões - DF, em 23 de abril de 2007. /I FLAVIO DE SA MUNH07---
score : 1.0
Numero do processo: 11020.000526/2005-91
Data da sessão: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição para o Financiamento da Seguridade social – COFINS. Período de Apuração: 01.06.1999 a 30.06.2004 Ementa: BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DISTINTAS DO FATURAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE DO PARÁGRAFO 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A base cálculo para apuração do PIS e a COFINS se restringe tão-só ao faturamento da empresa, conforme decisão do Egrégio Supremo Tribunal Federal – STF, que declarou inconstitucional o parágrafo primeiro do artigo 3 o da Lei 9.718/99, que promoveu o alargamento da base de cálculo destas contribuições.
Numero da decisão: 3403-001.693
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201207
ementa_s : Contribuição para o Financiamento da Seguridade social – COFINS. Período de Apuração: 01.06.1999 a 30.06.2004 Ementa: BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DISTINTAS DO FATURAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE DO PARÁGRAFO 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A base cálculo para apuração do PIS e a COFINS se restringe tão-só ao faturamento da empresa, conforme decisão do Egrégio Supremo Tribunal Federal – STF, que declarou inconstitucional o parágrafo primeiro do artigo 3 o da Lei 9.718/99, que promoveu o alargamento da base de cálculo destas contribuições.
numero_processo_s : 11020.000526/2005-91
conteudo_id_s : 5216487
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3403-001.693
nome_arquivo_s : Decisao_11020000526200591.pdf
nome_relator_s : DOMINGOS DE SA FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 11020000526200591_5216487.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2012
id : 4566866
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 18:45:42 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714074929926766592
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1698; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 1 1 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.000526/200591 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403001.693 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 17 de julho de 2012 Matéria COFINS Recorrente PETTENATI S/A INDÚSTRIA TEXTIL Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade social – COFINS. Período de Apuração: 01.06.1999 a 30.06.2004 Ementa: BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DISTINTAS DO FATURAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE DO PARÁGRAFO 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A base cálculo para apuração do PIS e a COFINS se restringe tãosó ao faturamento da empresa, conforme decisão do Egrégio Supremo Tribunal Federal – STF, que declarou inconstitucional o parágrafo primeiro do artigo 3o da Lei 9.718/99, que promoveu o alargamento da base de cálculo destas contribuições. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Domingos de Sá Filho, Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Adriana Oliveira e Ribeiro Raquel Motta Brandão Minatel. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela empresa Pettenati S/A Indústria Textil contra o Acórdo que entendeu manter incluído à base de cálculo da COFINS o valor do crédito presumido de IPI proveniente da Lei nº 9.363/96. O lançamento se refere ao período de apuração de 01.06.1999 a 30.06.2004, motivado em razão de diferença entre o escriturado e o declarado decorrente da não inclusão à base de cálculo da COFINS da receita gerada pelo registro contábil de crédito presumido de IPI. Cabe anotar que até janeiro de 2004 o crédito foi apurado com base na Lei nº 9.718/98, regime cumulativo e, a partir de fevereiro de 2004 com arrimo na Lei nº 10.833 de 29 de dezembro de 2003, regime não cumulativo. O Acórdão nº 1028.862 da 2ª Turma da DRJ/POA reconheceu decadência em relação ao período de apuração de junho de 1999 e também cancelou os créditos relativos aos períodos de apurações de: 01.02.2004 a 29.02.2004, 01.03.2004 a 31.03.2004 e 01.06.02004 a 30.06.2004 ao argumento de que no regime não cumulativo inexiste apuração de crédito pressumido de IPI conforme preconiza o artigo 14 da Lei nº 10.833/2003. Em razões recursais a Interessada se mantém firme nos argumentos da inexistência de incidência de tributação para as contribuições sociais em conformidade com as emendas constitucionais nºs 20 de 15 de dezembro de 1998 e 33 de 11 de dezembro de 2001, e, arremata afirmando que desde do evento da edição da COFINS essa nunca incidiu sobre receita de exportação. Em síntese o entendimento é de que o crédito presumido de IPI a título de ressarcimetno das contribuições sociais se equivale a receita de exportação, motivo pelo qual deveria ser atribuído o mesmo tratamento. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho Relator. Tratase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual tomo conhecimento. O ponto nodal da questão é definir se o ressarcimento proveniente do crédito presumido de Imposto sobre Produtos Industrializados é receita a ser incluída à base de cálculo da COFINS. O julgado de piso encontra assentado na assertiva de que é receita, inclusive traçado parâmetro de que até a edição da Lei nº 9.718/98 não integrava à base de cálculo da supracitada contribuição. No caso concreto os fatos geradores encontram abrangidos pelo regime cumulativo. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 11020.000526/200591 Acórdão n.º 3403001.693 S3C4T3 Fl. 2 3 Observase que a referida Lei nº 9.718/98 ampliou o conceito de receita bruta para toda e qualquer receita. Logo, a exação passou a incidir sobre todas as receitas da empresa, independentemente do tipo de atividade exercida e da classificação contábil adotada. De outra parte as reiteradas decisões, o excelso Supremo Tribunal Federal afastou a arguíção de que a publicação da Emenda Constitucional nº 20/98, em data anterior ao início da produção dos efeitos da Lei nº 9.718/98 poderia conferirlhe fundamento de validade. Nessa esteira, firmouse o entendimento de que o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, ao ampliar o conceito de receita bruta para toda e qualquer receita, violou a noção de faturamento constante da redação original do artigo 195, inciso I, da Constituição Federal, que equivaleria ao de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Essa matéria resta pacificada neste Conselho. O Supremo Tribunal Federal tem posição firmada a respeito da Lei nº 9.718/98, construída em plenário por ocasião do julgamento dos Recursos Extraordinários nos 346.084 e 390.840. E este entendimento é o de que, ao positivar a exigência de apuração do PIS e da COFINS sobre receita que não a estritamente obtidas com a venda de mercadorias ou a prestação de serviços, o diploma teria ultrapassado os lindes da competência para a criação de contribuições destinadas à Seguridade Social. Daí porque, na oportunidade, proclamou a inconstitucionalidade do dispositivo. Com advento da Lei 10.637, de 30 de dezembro de 2002, a base de cálculo para apuração das contribuições para o PIS e a COFINS passou a incidir sobre o total das receitas operacionais, essas receitas compreendem a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Portanto, são contribuintes da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, nesta modalidade, as pessoas jurídicas que auferirem receitas, independemente de sua denominação ou classificação contábil. Essas receitas compreendem a receita bruta de venda de bens e serviços nas operações em conta alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Estão sujeitas a COFINS e o PIS na modalidade não acumulativa as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real. Basicamente, estão sujeitas a Cofins e à contribuição para o PISPasep na modalidade não cumulativa as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, com algumas exceções, como as instituições financeiras e as receitas decorrentes da prestação de serviços com transporte coletivo, hospitalares e educação, independentemente da forma de tributação adotada. Deste modo as pessoas jurídicas não enquadradas no regime não cumulativo permanecem sujeitas às normas da legislação vigente anteriormente às Leis números 10.833/2003 e 10.637/2002, alteradas pelas Leis números 10.865 e 10.925/2004. A legislação em vigor prevê três modalidades de exigência de Cofins/PIS Pasep, além das outras hipóteses previstas exclusivamente para o PIS. Em primeiro lugar cabe demarcar à incidência sob a égide da Lei n. 9.718/98, portanto, aplicase à legislação anterior aos fatos geradores ocorridos, sendo que, referente ao PIS até novembro de 2002 e a COFINS até janeiro de 2004. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 No caso concreto, percebese, que trata da inclusão à base de cálculo de crédito presumido de IPI. Como é de conhecimento geral com a edição da Lei 9.718/98, a base de cálculo foi alargada para alcançar a totalidade das receitas, porém, o Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucional o disposto PARÁGRAFO PRIMEIRO do art. 3º da mencionada lei, que promoveu o alargamento da base de cálculo das contribuições, embora haja entendimento que a extensão erga omnes só alcança a parte diretamente vinculada no processo judicial em quanto não for editada Resolução pelo Senado Federal. Entendo tratarse de receita que não guarda qualquer vinculo com o conceito de faturamento. Como se vê, não há como ir à contramão do entendimento da mais alta Corte do País, que vem reiteradamente confirmando e consolidando o entendimento no sentido da inconstitucionalidade declarada em relação ao parágrafo 1o do artigo 3o da Lei 9.718/98, que ampliou a base de cálculo do PIS e da Cofins, reconhecendo que a receita bruta é o faturamento, compreendido como sendo a comercialização dos produtos e a prestação de serviços. Portanto, só compõe a base de cálculo para a determinação da contribuição às receitas provenientes da venda de produtos e da prestação de serviços, por essa razão devese ser afastada da base de cálculo outras receitas distintas do faturamento incluídas no cálculo com fundamento no § 1º do art. 3º, da Lei n. 9.718/98, reconhecido pela Suprema Corte como sendo inconstitucional. Ante o exposto, conheço do recurso e dou provimento para reconhecer o direito de excluir da base de cálculo os valores oriundos do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 99DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10580.002019/97-67
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2008
Ementa: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/10/1991, 04/10/1989 a
07/11/1991
Pedido de restituição: 10/04/1997
Ementa: FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO
COMPENSAÇÃO - O direito de se pleitear o reconhecimento de
crédito com o conseqüente pedido de restituição/compensação,
perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que tenha sido declarada inconstitucional, somente surge com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada
inconstitucional, na via indireta. Por esta via, o termo a quo para o pedido de restituição começa a contar da data da publicação da MP n°. 1.110 em 31/08/95 - p. 013397, posto que foi o primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do recolhimento do Finsocial à alíquota superior a 0,5%. PRECEDENTES: AC. C SRF/03 -04.227, 301-31.406, 301-31404 e 301-31.321.
Recurso especial negado
Numero da decisão: CSRF/03-06.092
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos
Fiscais, por unanimidade de votos NEGAR provimento ao recurso da Fazenda Nacional, determinando o retorno dos autos à DRF de origem para apreciação do mérito. As conselheiras Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes Armando, que
adotam contagem do prazo de 10 anos para o pleito da restituição, tese dos 5 + 5, e a conselheira Anelise Daudt Prieto acompanha a Conselheira Relatora pelas suas conclusões.
Nome do relator: Susy Gomes Hoffmann
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200809
ementa_s : OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/09/1989 a 31/10/1991, 04/10/1989 a 07/11/1991 Pedido de restituição: 10/04/1997 Ementa: FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO COMPENSAÇÃO - O direito de se pleitear o reconhecimento de crédito com o conseqüente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que tenha sido declarada inconstitucional, somente surge com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta. Por esta via, o termo a quo para o pedido de restituição começa a contar da data da publicação da MP n°. 1.110 em 31/08/95 - p. 013397, posto que foi o primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do recolhimento do Finsocial à alíquota superior a 0,5%. PRECEDENTES: AC. C SRF/03 -04.227, 301-31.406, 301-31404 e 301-31.321. Recurso especial negado
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2008
numero_processo_s : 10580.002019/97-67
anomes_publicacao_s : 200809
conteudo_id_s : 5457644
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 02 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : CSRF/03-06.092
nome_arquivo_s : 40306092_130917_105800020199767_007.PDF
ano_publicacao_s : 2008
nome_relator_s : Susy Gomes Hoffmann
nome_arquivo_pdf_s : 105800020199767_5457644.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos NEGAR provimento ao recurso da Fazenda Nacional, determinando o retorno dos autos à DRF de origem para apreciação do mérito. As conselheiras Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes Armando, que adotam contagem do prazo de 10 anos para o pleito da restituição, tese dos 5 + 5, e a conselheira Anelise Daudt Prieto acompanha a Conselheira Relatora pelas suas conclusões.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2008
id : 4610812
ano_sessao_s : 2008
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 18:46:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714074930025332736
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-09-03T12:26:31Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-09-03T12:26:31Z; Last-Modified: 2009-09-03T12:26:31Z; dcterms:modified: 2009-09-03T12:26:31Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-09-03T12:26:31Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-09-03T12:26:31Z; meta:save-date: 2009-09-03T12:26:31Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-09-03T12:26:31Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-09-03T12:26:31Z; created: 2009-09-03T12:26:31Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2009-09-03T12:26:31Z; pdf:charsPerPage: 1887; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-09-03T12:26:31Z | Conteúdo => CSRF/T03 F11 e h...4 . 24 MINISTÉRIO DA FAZENDA é CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA TURMA Processo n° 10580.002019/97-67 Recurso n° 303-130.917 Especial do Procurador Matéria FINSOCIAL RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Acórdão n° 03-06.092 Sessão de 09 de setembro de 2008 Recorrente UNIÃO FEDERAL (FAZENDA NACIONAL) Interessado GRAPI INDÚSTRIA COMÉRCIO E TRANSPORTE LTDA ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/09/1989 a 31/10/1991, 04/10/1989 a 07/11/1991 Pedido de restituição: 10/04/1997 Ementa: FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO COMPENSAÇÃO - O direito de se pleitear o reconhecimento de crédito com o conseqüente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que tenha sido declarada inconstitucional, somente surge com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta. Por esta via, o termo a quo para o pedido de restituição começa a contar da data da publicação da MP n°. 1.110 em 31/08/95 - p. 013397, posto que foi o primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do recolhimento do Finsocial à aliquota superior a 0,5%. PRECEDENTES: AC. C SRF/03 -04.227, 301-31.406, 301-31404 e 301-31.321. Recurso especial negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos NEGAR provimento ao recurso da Fazenda Nacional, determinando o retomo dos autos à DRF de origem para apreciação do mérito. As conselheiras Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes Armando, que adotam contagem do prazo de 10 anos para o pleito da restituição, tese dos 5 + 5, e a conselheira Anelise Daudt Prieto acompanha a Conselheira Relatora pelas suas conclusões. ANT 10 ' • o' • Presidente n7f Processo n° 10580.002019/9747 CSRF/T03 Acórdão n.° 03-08.092 Fls. 2 • irs St". SUS • ME ' • FFMANN Re atora FORMALIZADO EM: 1 6 JUL 2009 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffinann, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro, Anelise Daudt Prieto, Nanci Gama e Antonio Carlos Guidoni Filho (Substituto convocado) Relatório Cuida-se de Recurso Especial interposto pela União Federal em face da decisão da 3' Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes que decidiu pela não ocorrência da decadência do direito de pleitear a restituição do Finsocial. O presente processo trata de pedido de restituição/compensação, relativo a valores pagos a maior a título de Contribuição para o Finsocial. Tal pedido foi protocolizado em 10 de abril de 1997 e refere-se ao período de apuração de 01 de setembro de 1.989 a 31 de outubro de 1.991, de créditos decorrentes de pagamentos efetuados no período de 04 de outubro de 1.989 a 07 de novembro de 1.991. Em Parecer exarado às fls. 34/35, a autoridade fiscal indeferiu o pedido sob a fundamentação de que o contribuinte não teria apresentado documentação necessária para comprovação do efetivo recolhimento a maior. Tendo tomado ciência da decisão, o contribuinte protocolizou manifestação de inconformidade e documentos às fls. 37/105, alegando em síntese que: a) sempre cumpriu com as obrigações tributárias recolhendo a contribuição para o Finsocial; b) que o STF reconheceu que as majorações do Finsocial eram inconstitucionais, restando legitimada a cobrança à alíquota de 0,5% até o advento da Lei Complementar 70/91, que instituiu a Cofins; c) que constatou que é detentora de créditos relativos aos valores pagos a maior a titulo de Finsocial e que procedeu a compensação do Finsocial com a Cofins; d) que a não apresentação de documentos pela empresa se deu pelo fato de ter havido mudanças na sede contábil da mesma, o que acarretou o não recebimento • da intimação; e) que mesmo os documentos tendo sido juntados fora do prazo devem ser apreciados pela SRF, para se buscar a verdade real; 2 Processo n° 10580.002019/97-67 CSFtF/103 Acárdào n.° 03-06.092 Fls. 3 O requer ao final, a aceitação dos documentos juntados e o retorno dos autos para apreciação do SEORT. Em acórdão proferido às fls. 107/113, a DRJ de Salvador/BA — não obstante a questão do momento de juntado dos documentos - indeferiu o pedido de restituição/compensação, sob o fundamento de que o direito de pleitear a restituição de pagamentos indevidos para compensação com créditos vincendos decai no prazo de cinco anos contados da data de extinção do crédito tributário. Irresignado o contribuinte protocolizou Recurso Voluntário às fls. 115/130, alegando em síntese que: 1. o termo inicial para contagem do prazo decadencial para pedido de restituição de crédito tributário é a data da publicação da MP 1.110 de 30/08/1995; 2. que o pedido ora analisado foi protocolado antes da edição do Ato Declaratório da SRF n° 96/99 e que o dispositivo que deveria prevalecer à época é o Parecer da COSIT e não o Ato 96/99; 3. a título de argumentação, esclarece que a prescrição somente começou a fluir a partir de 16/12/1992, ou seja, data em que o STF declarou inconstitucional a majoração do Finsocial; 4. que nos casos de lançamento por homologação, a partir da ocorrência do fato gerador, a Fazenda tem o prazo de 05 anos para se manifestar, não o fazendo presume-se extinto o crédito tributário, momento em que passa a contar o prazo de 05 anos para eventual pedido de restituição. 5. requer, ao final, a reforma do acórdão atacado e a conseqüente homologação da compensação dos valores recolhidos a titulo de contribuição ao Finsocial. O Terceiro Conselho de Contribuintes, em acórdão proferido às fls. 136/140, deu provimento por unanimidade de votos ao recurso do contribuinte para reformar a decisão da autoridade administrativa que indeferiu o pedido de restituição da Contribuição para o FINSOCIAL. Os Ilustres Conselheiros da Terceira Câmara entenderam que a edição da Medida Provisória n° 1.110/95, em 30/08/95, confere o teimo inicial do prazo decadencial para o pedido ora em análise e que portanto, não teria decaído o direito do contribuinte. • Diante desta decisão a União Federal por meio de seu Procurador, interpôs o presente Recurso Especial por divergência, pleiteando a reforma do v. Acórdão, para que se reconheça a decadência do direito de o contribuinte pleitear a restituição da contribuição para o Finsocial paga a maior ou indevidamente, com fundamento no Ato Declaratório n° 96/1999, restaurando-se o inteiro teor da decisão de 1' Instância. Despacho de admissibilidade às fls. 179/180. Intimado da interposição do Recurso Especial, o Contribuinte apresentou Contra-razões às fls. 186/225. 3 Processo n° 10580.002019/97-67 CSRF/T03 Acórdão n.° 03-06.092 Fls. 4 Em síntese, é o relatório. Voto Conselheira SUSY GOMES HOFFMANN, Relatora. O Recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Trata-se de pedido de restituição/compensação, relativo a valores pagos a maior a título de Contribuição para o Finsocial, referente ao período apuração de 01 de setembro de 1.989 a 31 de outubro de 1.991, de créditos decorrentes de pagamentos efetuados no período de 04 de outubro de 1.989 a 07 de novembro de 1.991. O pedido de restituição foi formulado em 10 de abril de 1997 perante Delegacia da Receita Federal. O meu entendimento firma-se no sentido de que o prazo para o pedido de restituição deve ser computado em 05 (cinco) anos a contar da publicação da Medida Provisória n° 1.110 ocorrida em 31 de agosto de 1995, vencendo-se o prazo em 31 de agosto de 2000. Sobre este tema adoto como razões de decidir as razões bem colocadas na declaração de voto vencido do Conselheiro e Presidente do Terceiro Conselho de Contribuintes, Dr. Otacílio Dantas Cartaxo, no Processo 13899.000702/2002-48, nos termos a seguir transcritos: "A matéria versa sobre o reconhecimento de direito creditório de contribuinte, oriundo de indébito tributário, em decorrência da inconstitucionalidade da majoração da alíquota do F1NSOCIAL declarada pelo Supremo Tribunal Federal através do RE n°. 150.764-1, em 02/04/93, bem como quanto ao marco inicial para a contagem do prazo prescricional para o ressarcimento do indébito. Inicialmente é mister registrar a inexistência de Aviso de Recebimento — AR nos autos, bem como da data de ciência da decisão de primeira instância pela ora recorrente. Havendo o presente processo sido diligenciado à repartição de origem, por iniciativa da DRF/Osasco em 06/12/04, para informar a data em que o contribuinte foi cientificado do Acórdão DRJ/CPS d. 3.703 (fls. 80/88), Posteriormente, foram os respectivos autos encaminhados a esta Corte com a informação de fl. 126, informando da impossibilidade do atendimento da demanda outrora formulada. Entende este Julgador, em caráter excepcional, a partir do infortuito ocorrido, por motivos devidamente justificados pela repartição preparadora, que se pode aplicar ao caso sob exame, os dispositivos contidos no art. 27 da Lei 9.784/99, que assim nos ministra: "Art. 27 — O desatendimento da intimação não importa o reconhecimento da verdade dos faros, nem a renúncia a direito pelo administrado. 4 Processo n° 10580.002019/97-67 CSRF/T03 Acórdão n.° 03-06.092 Fls. 5 Parágrafo Único — No prosseguimento do processo, será garantido direito de ampla defesa ao interessado." Isto posto, passa-se a apreciação dos autos. De antemão, assinale-se que a tese esposada pela decisão de primeira instância, apesar de reconhecer o direito creditório, nos termos do art. 165-1 do CTN, defende que o direito de o contribuinte pleitear a restituição extinguiu-se com o decurso de prazo de cinco anos, contado da data do pagamento antecipado, de acordo com o disposto no art. 168-1 do mesmo mandamus, nele não influenciando a condição resolutória (a homologação). Observou-se, também, que a autoridade fiscal manteve-se inerte por um lapso temporal de cinco anos, não se pronunciando quanto à restituição do indébito (art. 165-1, CTN). Logo, depreende-se que o cerne da querela restringe-se a contagem do prazo prescricional de cinco anos distinguindo-se quanto ao acerto do seu marco inicial, ou seja, da data para o contribuinte exigir o ressarcimento do indébito tributário, sob a égide dos arts. 165-1 e 168-1 do CTN, não havendo o que se falar em decadência, por conseguinte em homologação. A posição emanada pela SRF em relação à repetição de indébito nos termos do art. 165-1 do CTN é ambígua uma vez que inicialmente adotou o entendimento contido no Parecer COSIT n°. 58/98, de 27/10/98, o reconhecimento expresso naquele Parecer que referenda como dies a quo pra o contribuinte requerer a restituição dos valores pagos a maior que o devido, em caso de declaração de inconstitucionalidade de lei pelo STF, pela via incidental, é a data da publicação da MP n°. 1.110/95, DOU de 31/08/95, sendo essa orientação seguida pelos seus órgãos até a edição do AD/SRF n". 96/99, de 30/11/99, ocasião em que passa o novo entendimento a se contrapor àquele esposado anteriormente. Como visto, a SRF, em momentos distintos, adotou entendimentos diversos sobre a mesma matéria, desde a edição da MP n°. 1.110/95. Com isso muitos contribuintes obtiveram êxito em seus pleitos no que concerne ao reconhecimento do direito creditório do Finsocial pelo simples fato de aviarem seus pedidos de restituição/compensação até a data de 30/11/99, enquanto outros tantos foram prejudicados por protocolarem seus pedidos após aquela data. Resta claro que a conduta adotada pelo Fisco atenta não apenas contra a isonomia tributária, mas contra os princípios da segurança jurídica e do interesse público. Logo, depreende-se não ser esse o parâmetro adequado para a aferição do prazo ora questionado. Ao contrário do que expôs o juízo a quo, é importante registrar que para que se cogite de um pleito da envergadura do ora analisado, faz-se necessário que o direito do contribuinte possa ser exercitável em sua plenitude. Nesse sentido, até que fosse julgada a inconstitucionalidade das majorações da alíquota do FINSOCIAL pelo STF, os recolhimentos efetuados mês-a-mês pelo contribuinte, gozavam da presunção de legalidade. Logo, não haveria como se questionar a existência de indébito tributário, não haveria como se falar em prescrição, nem mesmo em marco inicial para contagem de prazo para restituição de valores, uma vez que o seu direito de ação ainda não podia ser exercido. Não havia, ainda, a liquidez e a certeza do direito ao crédito do sujeito passivo, pressuposto este autorizativo para a realização da compensação de seus créditos com débitos próprios junto à Fazenda Nacional (art. 170, CrN). ns • Processo e 10580.002019/97-67 CSRF/T03 Acórdão n.• 03-06.092 Fls. 6 Apenas após a publicação do trânsito em julgado da decisão judicial no DJ, ou seja, a partir dessa data é que se pode falar em contagem de prazo de cinco anos em relação à prescrição. Análise essa pela qual a decisão de primeira instância passou ao largo. Mediante esse raciocínio, em não se pronunciando a autoridade fiscal, materializou-se o direito subjetivo de ação de o contribuinte (arts. 174 e 168-1 do CTN), para promover a ação de cobrança do crédito, ou seja, para se ressarcir do indébito tributário. Quanto ao marco inicial para a contagem do prazo prescricional matéria essa questionada pela ora recorrente, traz-se à baila o Ac. CSRF/01-03.239 que sabiamente estabelece que em caso de conflito quanto à constitucionalidade da exação tributária, o termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente inicia-se: a) da publicação do acórdão proferido pelo STF em ADIN; b) da Resolução do Senado que confere efeito erga omnes à decisão proferida inter partes em processo que reconhece a inconstitucionalidade de tributo; e c) da publicação de ato administrativo que reconhece caráter indevido de exação tributária. A MP n°. 1.110/95, art. 17_: III, DOU., de 31/08/95 — p. 013397, por sua vez, foi o primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do recolhimento do Finsocial à aliquota superior a 0,5%, passando a ser utilizado como referencial pano marco inicial da contagem do prazo decadencial. Somente com o advento dessa MP é que os contribuintes, de boa-fé e com a observância do dever legal, puderam demandar sobre o ressarcimento dos pagamentos indevidos, com base nas alíquotas majoradas, acima de 0,5%, nas épocas indicadas, da referida Contribuição para o FINSOCIAL, estabelecendo-se, certamente, com isso, o marco inicial. O reconhecimento desse indébito restou consolidado através das reiteradas reedições e posteriores edições da retromencionada MP sob os res 1.142/95, 1.175/95, 1.209/95, 1.244/95, 1.281/96, 1.320/96, ..., 1.490/96 e 1.621-36/98, sendo convertida na Lei n°. 10.522/02, a qual trata da matéria através do art. 18-III. Posteriormente a essa MP a Secretaria da Receita Federal através da IN/SRF n°. 32, de 09/04/97, em seu artigo 2° convalidou a compensação efetivada pelo contribuinte de seus créditos de Finsocial com os débitos reconhecidos e não recolhidos da Cofins, com fundamento no art. 90 da Lei n°. 7.689/88, na alíquota superior a 0,5%.. Significa dizer que a Administração Tributária por meio de ato administrativo também reconheceu o caráter indevido do já mencionado recolhimento. Com esse entendimento também se coaduna a manifestação do jurista e tributarista Ives Gandra Martins, adiante: "Acredito que, quando o contribuinte é levado, por uma lei inconstitucional, a recolher aos cofres públicos determinados valores a título de tributo, a questão refoge do âmbito da mera repetição de indébito, prevista no CTN, para assumir os contornos de direito à plena recomposição dos danos que lhe foram causados pelo ato legislativo inválido, nos moldes do que estabelece o art. 37, § 6°, da CF." (Repetição do Indébito e Compensação no Direito Tributário, p. 178). Finalmente, considerando que o pedido de restituição de Finsocial formulado junto a DRF/Niterói é de 03/04/02 (fl. 01). rIrd 6 • Processo o' 10580.002019/97-67 CS9F/T03 Acórdão n.• 03-06.092 Fls. 7 Considerando que o término da contagem do prazo sob a égide do raciocínio aqui desenvolvido dá-se em 31/08/00. Ante o exposto, conheço do recurso por preencher os requisitos à sua admissibilidade para, no mérito, negar-lhe provimento, em razão de haver expirado o prazo concernente ao direito de a recorrente postular pela repetição do indébito tributário." Desta forma, como o pedido do contribuinte foi formulado em 10/04/1997, entendo que não ocorreu a decadência do direito de pleitear a restituição/compensação dos valores pagos a título de Finsocial. Isto posto, voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial interposto pela UNIÃO FEDERAL, a fim de manter a decisão proferida pela 3 3 Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, para afastar a decadência, determinando o retomo do processo à DRF para exame das demais questões de mérito. Brasília, 09 de setembro de 2008. de,Np. 4.n 41 SUSY e ES al FMANN • 1 Page 1 _0004100.PDF Page 1 _0004200.PDF Page 1 _0004300.PDF Page 1 _0004400.PDF Page 1 _0004500.PDF Page 1 _0004600.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10670.001048/2001-95
Data da sessão: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2007
Ementa: PIS. DECADÊNCIA. O lançamento da contribuição ao PIS está sujeito ao prazo de decadência de 5 (cinco) anos, contados da ocorrência dos fatos geradores, nos termos do art. 150, § 4° do Código Tributário Nacional, especialmente na hipótese de terem sido efetuados pagamentos parciais nos períodos abrangidos pelo lançamento.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: CSRF/02-02.671
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Camara Superior de Recursos
Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Antonio Bezerra Neto
que deu provimento ao recurso.
Nome do relator: Flávio de Sá Munhoz
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200704
ementa_s : PIS. DECADÊNCIA. O lançamento da contribuição ao PIS está sujeito ao prazo de decadência de 5 (cinco) anos, contados da ocorrência dos fatos geradores, nos termos do art. 150, § 4° do Código Tributário Nacional, especialmente na hipótese de terem sido efetuados pagamentos parciais nos períodos abrangidos pelo lançamento. Recurso especial negado.
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2007
numero_processo_s : 10670.001048/2001-95
anomes_publicacao_s : 200704
conteudo_id_s : 5377228
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : CSRF/02-02.671
nome_arquivo_s : 40202671_10670001048200195_200704.PDF
ano_publicacao_s : 2007
nome_relator_s : Flávio de Sá Munhoz
nome_arquivo_pdf_s : 10670001048200195_5377228.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Camara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Antonio Bezerra Neto que deu provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2007
id : 4617143
ano_sessao_s : 2007
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 18:47:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714074930029527040
conteudo_txt : Metadados => date: 2011-10-28T13:24:28Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-10-28T13:24:27Z; Last-Modified: 2011-10-28T13:24:28Z; dcterms:modified: 2011-10-28T13:24:28Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:04897895-a296-4f48-8270-af6bfe66caee; Last-Save-Date: 2011-10-28T13:24:28Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-10-28T13:24:28Z; meta:save-date: 2011-10-28T13:24:28Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-10-28T13:24:28Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-10-28T13:24:27Z; created: 2011-10-28T13:24:27Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2011-10-28T13:24:27Z; pdf:charsPerPage: 1153; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-10-28T13:24:27Z | Conteúdo => CSRF/T02 Fls. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA TURMA Processo n° 10670.00104812001-95 Recurso n° 202-120436 Especial do Procurador Matéria PIS Acórdão n° CSRF/02-02.671 Sessão de 23 de abril de 2007 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COMPANHIA DE MATERIAIS SULFUROSOS - MATSULFUR PIS. DECADÊNCIA. O lançamento da contribuiOo ao PIS está sujeito ao prazo de decadência de 5 (cinco) anos, contados da ocorrência dos fatos geradores, nos termos do art. 150, § 4° do Código Tributário Nacional, especialmente na hipótese de terem sido efetuados pagamentos parciais nos períodos abrangidos pelo lançamento. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL, ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Camara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Antonio Bezerra Neto que deu provimento ao recurso. MANOEL ANTÔNIO GADELHA DIAS Presidente FLAVIO DE SA MUNHOZ Relator FORMALIZADO EM: li 4 AGO 2007 Processo n.° 10670.001048/2001-95 Acórdão n.° CSRF/02-02.671 CSRFf1'02 Fls. 2 Participaram ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: JOSEFA MARIA COELHO MARQUES, GILENO GURJA0 BARRETO, ANTONIO CARLOS ATULIM, MARIA TERESA MARTÍNEZ LOPES, DALTON CÉSAR CORDEIRO DE MIRANDA, HENRIQUE PINHEIRO TORRES e MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JÚNIOR. • Processo n.° 10670.001048/2001-95 Acórdão n.° CSRF/02-02.671 CSRF/T02 Fls. 3 Relatório Trata-se de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão no 202-14.697, proferido pela Segunda Camara do Segundo Conselho de Contribuintes, com fundamento no art. 32, inciso I do Regimento Interno da Camara Superior de Recursos Fiscais, em razão de a decisão recorrida não ter sido proferida por unanimidade de votos, e sob a alegação de contrariar expressa disposição de lei. 0 processo foi instaurado a partir da lavratura, em 31/10/2001, de auto de infração contra a interessada, em decorrência de suposto recolhimento a menor de Contribuição ao PIS, nos períodos de apuração compreendidos entre Setembro de 1995 e Julho de 1996. A decisão recorrida deu parcial provimento ao recurso voluntário do contribuinte, acolhendo a preliminar de decadência, aplicando a regra do art. 173, I do Código Tributário Nacional, que estabelece que o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário se extingue no prazo cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetivado: PIS - FATURAMENTO - DECADÊNCIA - Decai ern cinco anos, na modalidade de lançamento de oficio, o direito a Fazenda Nacional de constituir os créditos relativos para a Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), contados do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento já poderia ter sido efetivado. Os lançamentos feitos após esse prazo de cinco anos são nulos. Pedido acolhido parcialmente para reconhecer a decadência. A Fazenda Nacional, não se conformando com a decisão proferida pela c. Segunda Camara, interpôs o presente recurso especial, no qual sustenta que o prazo decadencial aplicável à Contribuição ao PIS é o disposto no art. 45 da Lei n° 8.212/91, e que a decisão recorrida enfrentou e declarou, ainda que de forma reflexa, a inconstitucionalidade do referido dispositivo, a despeito de o Supremo Tribunal Federal não ter se pronunciado sobre a inconstitucionalidade do referido dispositivo. Conclui, assim, que a Camara a quo, ao negar validade ao art. 45 da Lei n° 8.212/91, por motivo de inconstitucionalidade, assume, na visão do ora Recorrente, função atribuída ao Supremo Tribunal Federal. Por fim, a Fazenda Nacional sustenta a constitucionalidade do mencionado dispositivo legal e sua aplicabilidade ao lançamento tributário em análise. 0 d. Presidente da Segunda Camara do Segundo Conselho de Contribuintes, por meio do Despacho n° 202-00.176 (fls. 342 a 344), recebeu o recurso interposto pelo procurador da Fazenda Nacional, tendo em vista que "observados os pressupostos de admissibilidade exigidos pela citada legislação de regência: decisão não foi unânime (artigo 32, I); tempestividade (artigo 33, caput), e demonstração da contrariedade à lei (artigo 33, § 1 0)". A Interessada foi intimada do Acórdão proferido pela Segunda Camara do Segundo Conselho de Contribuintes e do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, por meio de ofício que informou o prazo de 15 (quinze) dias para a apresentação de contra- razões. Tempestivamente, a interessada apresentou suas contra-razões. Em seguida, os autos foram encaminhados para julgamento nesta Eg. Segunda Turma da Camara Superior de Recursos Fiscais. o Relatório. 6s) Processo n.° 10670.001048/2001-95 Acórdão n.° CSRF/02-02.671 CSRF/T02 Fls. 4 Voto Conselheiro FLAVIO DE SA MUNHOZ, Relator. 0 Recurso Especial ora interposto pela Fazenda Nacional reúne as condições de admissibilidade; dele tomo conhecimento. Com efeito, a decisão recorrida, proferida pela c. Segunda Camara do E. Segundo Conselho de Contribuintes, não alcançou a unanimidade de votos e o recurso, tempestivamente interposto, foi fundamentado em suposta contrariedade b lei, nos termos do art. 32, inciso I do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria n° 55/98. A questão a ser enfrentada no julgamento do presente recurso se restringe b. verificação do prazo para a realização do lançamento de oficio, aplicável à contribuição ao PIS, tributo sujeito a lançamento por homologação. A Fazenda Nacional sustenta nas razões de seu recurso que o prazo de decadência para o lançamento de Contribuição ao PIS é de dez anos, com fundamento no art. 45 da Lei n° 8.212/91. A Lei n° 8.212/91, no entanto, se aplica às contribuições devidas à seguridade social, previstas no art. 195, inciso I da CF/88 e a contribuição ao Programa de Integração Social — PIS não está abrangida no rol das contribuições sociais mencionadas no referido dispositivo constitucional. Confira-se a redação dos artigos 45 e 11 da Lei n° 8.212/91: Art. 45. 0 direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue-se após 10 (dez) anos contados: I — do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; "Art. 11. No âmbito federal, o orçamento da Seguridade Social é composto das seguintes receitas: Parágrafo único. Constituem contribuições sociais: a) as das empresas, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço; b) dos empregados domésticos; c) as dos trabalhadores, incidentes sobre o seu salário-de- contribuição; d) as das empresas, incidentes sobre o faturamento e lucro; Observa-se absoluta identidade entre as contribuições sociais definidas no art. 11 da Lei no 8.212/91 e as previstas no art. 195, Ida CF/88, este último assim redigido: Processo n.° 10670.001048/2001-95 Acórdão n.° CSRF/02-02.671 CSRF/T02 Fls. 5 "Art.195.A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da Unido, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I- do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer titulo, ci pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vinculo empregaticio; b) a receita ou o faturamento; c) o lucro" A contribuição social devida ao PIS foi recepcionada pela CF/88 pelo art. 239 do Ato das Disposições Gerais e não se encontra incluída na outorga de competência inserida no art. 195, I da CF/88, conforme decidiu o Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do RE 150.164-1, cujo voto do relator, Ministro Ilmar Galvdo, está assim redigido: "Por outro lado, a existência de duas contribuições sobre o faturamento está prevista na própria Carta (art. 195, I e 239) [referindo-se ao Finsocial e ao PISL motivo singelo, mas bastante, não apenas para que não se possa falar em inconstitucionalidade, mas também para infirmar a ilação de que a contribuição do artigo 239 satisfaz a previsão do art. 195, I, no que toca a contribuição calculada sobre o faturamento". A contribuição destinada ao PIS, que está sujeita a lançamento por homologação, de acordo com reiteradas decisões do Supremo Tribunal Federal, tem natureza tributária, aplicando-se, portanto, quanto a decadência, a regra inscrita no art. 150, § 4 0 do CTN, assim redigido: "Art. 150. 0 lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (.-) §4°Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a fazenda pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." A questão já foi pacificada no âmbito desta Segunda Turma da Camara Superior de Recursos Fiscais que, por meio do Acórdão CSRF/02-01.766, na sessão de 14 de setembro de 2004, assim firmou o entendimento de que o prazo decadencial aplicável ao PIS é o constante do § 4°, do art. 150, do CTN, in verbis: "(...) CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PARA 0 PIS - DECADÊNCIA - A contribuição social para o PIS, "ex vi" do disposto no art. 149, c.c. art. FLAVIO DE bA MUNHOZ - Processo n.° 10670.001048/2001-95 Acórdão n.° CSRF/02-02.671 CSRF/T02 Fls. 6 195, ambos da C.F., e, ainda, em face de reiterados pronunciamentos da Suprema Corte, tem caráter tributário. Assim, em face do disposto nos arts. n 146, III, "b", da Carta Magna de 1988, a decadência do direito de lançar as contribuições sociais deve ser disciplinada em lei complementar. A falta de lei complementar especifica dispondo sobre a matéria, ou de lei anterior recebida pela Constituição, a Fazenda Pablica deve seguir as regras de caducidade previstas no Código Tributário Nacional. Inaplicável a regra estabelecida no art. 45 da Lei n°8.212/91, até porque a referida lei não incluiu a contribuição para o PIS entre as fontes de custeio da Seguridade Social. Recurso negado." (CSRF/01-05 . 157) Vale destacar que o prazo decadencial, nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, começa a fluir da data da ocorrência do fato gerador, independentemente de terem sido efetuados pagamentos parciais, tendo em vista que o que se homologa é a atividade de lançamento e não, propriamente, o pagamento, nos termos do que dispõe o artigo 150, § 4° do CTN. Neste sentido, confira-se a redação do caput do citado art. 150 do CTN, acima transcrita. Observe-se que a redação do artigo transcrito é clara a indicar que "a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa". De rigor observar que, para a solução do presente caso, irrelevante a discussão acerca do objeto da homologação referida no citado art. 150, eis que, conforme relatado, foram comprovados pagamentos parciais da exação no período compreendido pelo lançamento. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Sala das Sessões - DF, 23 de abril de 2007.
score : 1.0
