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Numero do processo: 10845.008711/88-13
Data da sessão: Mon Feb 17 00:00:00 UTC 1992
Ementa: IRPJ - PROVISÃO PARA AJUSTE AO VALOR DE
MERCADO - Nos termos do art. 222 do
RIR/80 e conforme interpretação das Instruções Normativas n9s 48/87 e 41/88, saldo das aplicações em outro poderá
ser ajustado ao valor de mercado, quando este for" menor, mediante a constituição de provisão cuja contrapartida se rã dedutivel para efeito de determinar lucro real.
Numero da decisão: 103-11.963
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Luiz Alberto Cava Maceira
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Recorrida : DRF EM SANTOS (SP) IRPJ - PROVISÃO PARA AJUSTE AO VALOR DE MERCADO - Nos termos do art. 222 do RIR/80 e conforme interpretação das Ins truções Normativas n9s 48/87 e 41/88, 5 saldo das aplicações em outoè. poderá ser ajustado ao valor de mércado, quan- do este for" menor, mediante a consti- tuição de provisão cuja contrapartida se rã dedutivel para efeito de determinar- o lucro real. Vistos, relatados e discutidos os presentes au- tos de recurso interposto por VOLKART IRMÃOS LTDA. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primei- ro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provi mento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a in- tegrar o presente julgado. Sala das -ssões, em 17 de fevereiro de 1992 CALDE .11 — PRESIDENTE LUIZ LL:RTO CAV • 7:OEIRA - RELATOR VISTO EM ZAINITO Ho, s NDA :RAGA , PROCURADOR DA FAZENDA NA SESSÃO DE; CIONAL h mai 1992 V.V. DAPIEFP/0 E- SECOS N I 064/90 441/4. fP,À;=4n • 41hr'Nfr> SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N? 10845/008.711/88-13 RECURSOPM: 98.172 ACORDÃOW: 103-11.963 • RECORRENTE: VOLKART IRMÃOS LTDA. RELATÓRIO VOLKART IRMAOS'LTDA., com sede na Rua Frei Gas- par n9 22, na cidade de Santos, SP, inscrita no CGC sob :o n9 61.100.772/0001-90, inconformada com a decisão monocrática que indeferiu sua impugnação recorre a este Coleglado. A matéria remanescente objeto do apelo correspon de ã dedução do lucro real de provisão para ajuste ao valor de mercado de aplicações em •04rOfisico, nos balanços de 30.06.84 e 30.06.85, mencionados como infringidos os artigos 154 e 220 do RIR/80. Em suas razões de defesa o contribuinte argdi que o ouro constitui aplicação financeira e se, na data do balan ço, seu valor de mercado era inferior ao preço de compra, fazer uma provisão para ajuste dos valores ou considerar a diferença uma variação monetária passiva, o resultado é o mesmo. Através da In n9 48/87 o Fisco mandou classifi car o ouro como ativo financeiro, assim não pode penalizar .um contribuinte que agiu de modo correto, segundo a posição or adotada, reconhecendo inadequada a anterior. " SERVIÇO PUBLICO Ft1WRAL Processo n9 10845/008.711/88-13 3. Acórdão n9 103-11.963 A autoridade singular indeferiu a impugnação sc o fundamento que o impugnante pretende a retroação da IN 48/87,ao fatos ocorridos no exercício de 1986, porém não pode ser atendid. tal pretensão, pois a prequestionada IN 48/87 é datada de 16.04.8 logo, como bem salientou o AFTN responsável pelo auto, não Se apli ca a fatos geradores já ocorridos. No apelo de fls. 19/22, a Recorrente expressa que a decisão recorrida confundiu Instrução Normativa e lei. Ins trução Normativa não cria normas, mas interpreta normas. Neste sen tido, o contribuinte que tiver agido de acordo com a interpretação da administração não pode sofrer penalidades. Se melhor interpre- tação foi adotada, não teria cabimento punir quem já vinha dando à lei interpretação que o próprio Fisco entende ser a melhor. Agir de outra forma e querer que uma Instrução Normativa - interpreta- ção da lei - não se aplique a fatos pretéritos porque existia ou- tra Instrução Normativa que foi revogada, é querer aar força de lei a interpretação que foi colocada de parte por se ter ente - do que não era a melhor. 2 o relatório. SERVIÇO MOCO FEDERAL Processo n9 10845/008,711/88-13 4.- Acórdão n9 103-11.963 VOTO Conselheiro LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA, relator. Recurso tempestivo, dele conheço. Tenho para mim, que a provisão para ajuste ao va lor de mercado de aplicações em outro físico, encontra suporte pa ra sua dedutibilidade na determinação do lucro real no disposto no art.222 do RIR/80, que expressa,poderão ser registradas, coma despesa operacional, as importãncias necessárias à formação de provisão para ajuste do custo de ativos ao valor de mercado. Da mesma forma, a administração tributária através da Instrução Nor- mativa SRF n9 48/87, item 6, letra "b" e Instrução Normativa SRF n9 41/88, item 1.3, expressamente determina que o saldo das apli- cações em ouro, poderá ser ajustado ao valor de mercado, quando este for, menor, mediante a Constituição de provisão cuja contra- partida será dedutível para efeito de determinar o lucro real.Por tanto, não sendo os atos normativos.interpretativos, reconhecedo- res de direitos ou obrigações dos contribuintes, mas, sim, a lei anterior que vierem a interpretar, conclui-se que procede a dedu- tibilidade da provisão observada pela recorrente. Diante do exposto, voto por dar provimento ao re curso. Brasil •-41 F. .//f de f P ereiro de 1992 LUIZ ALSE •1 0 CAVA MÁt IRA - RELATOR Page 1 _0063900.PDF Page 1 _0064100.PDF Page 1 _0064300.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 18471.002141/2005-07
Data da sessão: Wed Apr 14 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2002, 2003
IRPF - ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - TRANSFERÊNCIA DE RECURSOS AO EXTERIOR - SUJEITO PASSIVO IDENTIFICADO COMO BENEFICIÁRIO FINAL
O detalhamento das remessas que tiveram o sujeito passivo como beneficiário, onde se pode evidenciar a contumácia de tais operações, não corrobora o entendimento de que aquele não seria o titular do numerário. Nada é mais eloqüente que os valores movimentados, e a sua frequência, vez que, estando as operações identificadas pelo beneficiário, em não tendo ele conhecimento dos numerários movimentados, haveria de se supor que uma terceira pessoa houvera aberto a conta em seu nome e depositado as quantias graciosamente, fato que não é razoável, principalmente em se tratando das cifras envolvidas. Não tendo o contribuinte logrado comprovar integralmente a origem dos recursos capazes de justificar o acréscimo patrimonial, através de rendimentos tributáveis, isentos ou tributáveis exclusivamente na fonte, é de se manter o lançamento de ofício.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 2101-000.497
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka (Relator). Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Ana Neyle Olímpio Holanda.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente da 1a. Turma Ordinária da 1a. Câmara na data de formalização do acórdão.
Alexandre Naoki Nishioka Relator
Heitor de Souza Lima Junior Redator ad hoc designado
EDITADO EM: 23/06/2014
Participaram do julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido, Ana Neyle Olímpio Holanda, Alexandre Naoki Nishioka, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende (convocada), Odmir Fernandes e Gonçalo Bonet Allage.
Nome do relator: Alexandre Naoki Nishioka
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003 IRPF - ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - TRANSFERÊNCIA DE RECURSOS AO EXTERIOR - SUJEITO PASSIVO IDENTIFICADO COMO BENEFICIÁRIO FINAL O detalhamento das remessas que tiveram o sujeito passivo como beneficiário, onde se pode evidenciar a contumácia de tais operações, não corrobora o entendimento de que aquele não seria o titular do numerário. Nada é mais eloqüente que os valores movimentados, e a sua frequência, vez que, estando as operações identificadas pelo beneficiário, em não tendo ele conhecimento dos numerários movimentados, haveria de se supor que uma terceira pessoa houvera aberto a conta em seu nome e depositado as quantias graciosamente, fato que não é razoável, principalmente em se tratando das cifras envolvidas. Não tendo o contribuinte logrado comprovar integralmente a origem dos recursos capazes de justificar o acréscimo patrimonial, através de rendimentos tributáveis, isentos ou tributáveis exclusivamente na fonte, é de se manter o lançamento de ofício. Recurso Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka (Relator). Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Ana Neyle Olímpio Holanda. Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente da 1a. Turma Ordinária da 1a. Câmara na data de formalização do acórdão. Alexandre Naoki Nishioka Relator Heitor de Souza Lima Junior Redator ad hoc designado EDITADO EM: 23/06/2014 Participaram do julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido, Ana Neyle Olímpio Holanda, Alexandre Naoki Nishioka, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende (convocada), Odmir Fernandes e Gonçalo Bonet Allage.
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Nada é mais eloqüente que os valores movimentados, e a sua frequência, vez que, estando as operações identificadas pelo beneficiário, em não tendo ele conhecimento dos numerários movimentados, haveria de se supor que uma terceira pessoa houvera aberto a conta em seu nome e depositado as quantias graciosamente, fato que não é razoável, principalmente em se tratando das cifras envolvidas. Não tendo o contribuinte logrado comprovar integralmente a origem dos recursos capazes de justificar o acréscimo patrimonial, através de rendimentos tributáveis, isentos ou tributáveis exclusivamente na fonte, é de se manter o lançamento de ofício. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka (Relator). Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Ana Neyle Olímpio Holanda. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 21 41 /2 00 5- 07 Fl. 614DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/ 07/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR 2 Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente da 1a. Turma Ordinária da 1a. Câmara na data de formalização do acórdão. Alexandre Naoki Nishioka – Relator Heitor de Souza Lima Junior – Redator ad hoc designado EDITADO EM: 23/06/2014 Participaram do julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido, Ana Neyle Olímpio Holanda, Alexandre Naoki Nishioka, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende (convocada), Odmir Fernandes e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 556/595) interposto em 17 de agosto de 2009 contra o acórdão de fls. 549/553, do qual o Recorrente teve ciência em 20 de julho de 2009 (fl. 554, verso), proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II (RJ), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de fls. 173/179, lavrado em 12 de dezembro de 2005 (ciência em 19 de dezembro, fl. 178), em decorrência de acréscimo patrimonial a descoberto verificado nos anoscalendário de 2000 a 2002. Constatouse que o Recorrente foi beneficiário final de inúmeras remessas de recursos no exterior, no âmbito da denominada operação “Beacon Hill”. A autoridade de 1a. instância julgou procedente o lançamento, por meio de acórdão, que foi objeto do recurso voluntário de fls. 556/595, no qual o Recorrente aduz, em breve síntese, que (i) a decisão a quo seria nula em virtude de alegado cerceamento de defesa em razão da não apreciação de todos os argumentos de defesa; (ii) seria nulo o auto de infração em virtude da ausência de demonstração, in casu, da qualificação do contribuinte como beneficiário das divisas ou ordenante, criando incertezas no que toca à imputação do ilícito; (iii) inexistindo qualquer prova de dolo, fraude ou simulação, teria ocorrido a decadência no que toca aos meses do anocalendário de 2000, eis que a citação ocorreu apenas em dezembro de 2005; (iv) igualmente nulo seria o auto de infração em virtude da não entrega ao contribuinte dos documentos essenciais à sua defesa; (v) o procedimento adotado pela fiscalização, isto é, de concentrar as investigações nos contribuintes que supostamente teriam movimentado quantias superiores a US$ 50.000,00 feriria os princípios da isonomia, moralidade e impessoalidade; (vi) seria nulo o auto de infração em virtude da utilização de provas obtidas no exterior sem a necessária tradução juramentada; (vii) descabida seria a lavratura de representação fiscal para fins penais; (viii) o ato administrativo de lançamento seria nulo igualmente por se respaldar em provas que não foram produzidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sem a observância do contraditório; (ix) seria nulo o arrolamento de Fl. 615DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/ 07/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 18471.002141/200507 Acórdão n.º 2101000.497 S2C1T1 Fl. 601 3 bens in casu; (x) a demonstração da evolução patrimonial do contribuinte não teria sido feita em conformidade com o previsto em lei, disso resultando a impossibilidade de presumirse a renda do contribuinte; (xi) o Fisco não teria se desincumbido de seu ônus probatório, razão pela qual restaria sem demonstração a efetiva ocorrência do fato gerador do imposto de renda e, desta forma, igualmente insubsistente o lançamento perpetrado in casu, eis que baseouse apenas em singela “cópia” desassistida do original e não fundamentada; e (xii) a aplicação de multa qualificada no presente caso seria absolutamente descabida, eis que não teria restado comprovado o dolo, a fraude ou a simulação. Incluído em 14 de abril de 2010 na pauta de julgamento da 1a. Turma Ordinária da 1a. Câmara desta 2a. Seção, o Colegiado ali presente, apreciando o recurso, decidiu por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Entretanto, a Conselheira relatora, responsável pela formalização do voto vencedor do Acórdão, não o fez até a data do fim de seu mandato, razão pela qual foi necessária a designação, em 13 de abril de 2014, de Redator ad hoc, conforme o art. 17, inciso III, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche seus requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Traçado o panorama da discussão travada nos presentes autos, entendo oportuna, antes mesmo de aferir a legitimidade dos argumentos oferecidos pelo Recorrente, uma breve digressão acerca do indigitado “Escândalo do BANESTADO – Banco do Estado do Paraná” (desbaratado pela designada “Operação Farol da Colina”, tradução literal de “Beacon Hill”), a partir do qual foi lavrado o presente auto de infração. Breve folhear dos autos, em especial no que atine ao Laudo de Exame EconômicoFinanceiro (Laudo nº. 1258/04 – INC) e ao MemorandoCircular Cofis/GAB nº. 2004/00652 (fls. 117/121), este último subscrito pelo Ilmo. Sr. CoordenadorGeral de Fiscalização, Sr. Marcelo Fisch de Berredo Menezes, leva a inferência do ocorrido à época, ou seja, que teriam sido transferidas, ilegalmente, divisas ao exterior, cuja origem não teria sido declarada à Receita Federal, ilícito este proporcionado pelo mecanismo designado em jargão como “dólarcabo”. O histórico fornecido pelos documentos acostados aos autos demonstra que o Departamento de Polícia Federal, mais especificamente a Superintendência Regional no Estado do Paraná, requereu, em estrita obediência ao estatuído pelo art. 5º, incisos X e XII, da Lei Maior, através do Ofício nº. 120/03PF/FT/SR/DPF/PR, ao Juízo da 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba, a quebra do sigilo bancário de diversas contas, dentre elas a conta administrada pela Beacon Hill Services Corp. (“BHSC”), representada por doleiros e/ou empresas offshore constituídas pelos mesmos, bem como de suas respectivas subcontas, pedido este deferido pela decisão de fls. 125/130, proferida no dia 14/08/2003. Fl. 616DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/ 07/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR 4 Com fundamento na respeitável decisão do magistrado então em exercício perante a 2ª Vara Criminal de Curitiba, o Departamento de Polícia Federal expediu o ofício nº. 001/03PF/FT/NY/SR/DPF/PR ao PromotorChefe do Condado de Nova Iorque (District Attorney’s for the County of New York), solicitando que fosse fornecida toda a documentação relativa à Beacon Hill Service Corp., e de suas respectivas subcontas (fls. 131 a 136). Em atendimento ao aludido ofício, a Promotoria do Distrito de Nova Iorque apresentou diversos documentos, a partir dos quais a Equipe Especial de Fiscalização procurou separar os contribuintes como ordenantes (Order Customer), remetentes (Remmittance) e beneficiário (ACC Party). A documentação apresentada pela Polícia Federal, em atuação conjunta com a Promotoria do Distrito de Nova Iorque, deflagrou esquema fraudulento de operações de câmbio não autorizadas pelo Banco Central na forma da então vigente Circular nº. 2.267, de 10 de abril de 1996, em que os contribuintes remetiam divisas ao exterior por meio do famigerado “Mercado Paralelo” ou “Mercado Negro” (onde o dólar é negociado com ágio), largamente conhecido no Brasil em razão de sua histórica rigidez no controle do câmbio oficial, levemente amenizada com a criação do Segmento de Câmbio de Taxas Flutuantes (dólarturismo), por meio da Resolução 1.552, de 1988. O arquitetado esquema de remessa ilegal de divisas era feito utilizando um sistema de compra e venda de dólares, em operações que os doleiros utilizavam “laranjas”, isto é, pessoas físicas ou mesmo jurídicas que tinham seus nomes veiculados para a abertura e movimentação de contas bancárias que receberiam verbas oriundas de terceiros para a prática do ilícito. Tudo era feito da seguinte forma: os contribuintes procuravam os doleiros entregando a estes ou depositando em contas de “laranjas” o numerário que desejavam remeter ao exterior, e, ato contínuo, os doleiros valiamse da contaônibus “BHSC” e mais especificamente de uma de suas subcontas para determinar o correspondente crédito na conta de um beneficiário, em valor equivalente em dólares no exterior. É dizer, entregavase uma quantia em reais e no Brasil para o doleiro que, acionando a “BHSC” no Banco JP Morgan Chase Bank, em Nova Iorque, disponibilizava, imediatamente, o valor correspondente em dólares no exterior, através deste sistema de compensação internacional paralelo (sem registro em órgãos oficiais), operação esta conhecida como dólarcabo. É bem de ver, portanto, que a operação de dólarcabo (“Wire Transfer”) era feita apenas com a transferência eletrônica de dados, sem a transferência física do numerário para o exterior, na qual o doleiro emitia uma ordem de pagamento em nome de um terceiro ordenante para um respectivo beneficiário, que receberia a quantia no exterior sem comunicar a transferência ao Governo Federal. Desta maneira, os doleiros operavam como verdadeiras casas de câmbio não autorizadas, ilícito inclusive tipificado como crime pelo art. 22 da Lei nº. 7.492/86. Vale ressaltar, outrossim, que a transferência pela via acima exposta evitava a comunicação dos dados ao BACEN, burlando o tradicional meio de transferência internacional de fundos, operacionalizado pelo SWIFT (Society for Worldwide Interbank Financial Telecommunication). Feita a apresentação genérica do caso, cumpre mover ao caso objeto do presente recurso. Neste, o Recorrente figura como beneficiário final de pagamentos feitos à uma determinada conta, supostamente sua, situada no exterior, no valor total de US$ 3,447,355.00 (fls. 169/170). Fl. 617DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/ 07/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 18471.002141/200507 Acórdão n.º 2101000.497 S2C1T1 Fl. 602 5 Apresentados os subsídios acima, passaremos, agora, à análise dos argumentos ventilados pelo contribuinte. Nesse esteio, em virtude do disposto pelo art. 59, §3º, do Decreto n.º 70.235/72, será analisado, a seguir, diretamente o meritum causae, julgandose prejudicadas, portanto, as preliminares argüidas pelo contribuinte. Nesse sentido, tenho para mim que o auto de infração lavrado no caso vertente encontrase eivado da pecha de nulidade, seja em virtude de não haver sido demonstrado, especificamente, que o contribuinte foi o efetivo beneficiário final dos valores remetidos ao exterior, seja, ainda, em razão de haver sido efetuado o lançamento tributário com fundamento legal absolutamente equivocado. Primeiramente, no que tange à alegação de que as provas produzidas no presente caso não teriam sido suficientes para induzir ao entendimento de que o Recorrente tenha sido o real beneficiário dos recursos, tenho para mim que assiste razão ao Recorrente. Analisando este específico argumento ventilado pelo Recorrente, a r. decisão recorrida houve por bem rechaçar sua pretensão sob o seguinte e singelo fundamento, ratificado pela decisão de fls. 549/553, ora reproduzido: “Em suma, não há o que se falar em incertezas quanto à definição do contribuinte (beneficiário, intermediário ou cotitular), nem em relação ao enquadramento como acréscimo patrimonial a descoberto” (fl. 485). Cumpre destacar, nesse passo, que uma simples análise da decisão proferida em primeira instância demonstra, cabalmente, que partiu o douto relator de falsa premissa, qual seja, a de que a fiscalização tivesse apontado o Recorrente como ordenante (Order Customer) dos recursos, de modo que este os tivesse remetido ao exterior, e, destarte, não possuísse renda declarada compatível com os dispêndios efetuados. Assim sendo, partindo de uma premissa equivocada, igualmente equivocada a conclusão alçada. De fato, um breve exame do documento acostado às fls. 90 a 97 dos autos demonstra, à saciedade, que foi imputado ao Recorrente a qualidade de beneficiário dos recursos, razão pela qual jamais poderia ter sido o auto de infração lavrado com fundamento na presunção estatuída com base em acréscimos patrimoniais a descoberto (art. 3º, §1º, da Lei n.º 7.713/89). Repitase: não há, nos autos, qualquer comprovação de que os valores remetidos ao exterior teriam sido feitos pelo Recorrente, mas, apenas e tãosomente, documentos – que sequer demonstram de maneira efetiva a vinculação do contribuinte ao esquema fraudulento – que apresentam o Recorrente como beneficiário final dos recursos no exterior, o que poderia ensejar, quando muito, lançamento tributário com fundamento em depósitos bancários de origem não comprovada, isto é, com fulcro na presunção prevista no art. 42 da Lei n.º 9.430/96. Com efeito, como se sabe, o direito pátrio, no que toca à possibilidade de revisão dos atos administrativos de lançamento tributário, estabeleceu uma profunda diferença entre as atribuições do agente fiscal, a quem incumbe lançar o crédito tributário de ofício no caso de constatar a ocorrência da hipótese de incidência do tributo, e a dos órgãos julgadores (Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento e Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), aos quais incumbe o mister de aferir a validade da constituição do crédito tributário pelo lançamento. Fl. 618DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/ 07/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR 6 Notese, por oportuno, que a competência dos órgãos administrativos limita se a aferir a validade do lançamento, não cabendo a eles, acaso verifiquem alguma incorreção, efetuar lançamento complementar ou acertar vícios constantes do ato administrativo apreciado. Incumbe aos órgãos julgadores, pois, com fulcro no direito de petição constitucionalmente estabelecido (art. 5º, XXXIV, ‘a’, da CF), a prática de atos secundários, reapreciando os termos do lançamento. Para que se compreenda o exposto, cumpre colacionar, muito embora extensa, a lição de Alberto Xavier, in verbis: “Nesse contexto, revestese de especial relevância no Direito Tributário brasileiro a distinção entre órgãos de lançamento e órgãos de julgamento; os órgãos de lançamento têm competência exclusiva ou reservada para a prática dos atos primários em que o lançamento se traduz; os órgãos de julgamento têm competência exclusiva reservada para a prática dos atos secundários, de reapreciação dos primeiros. “No processo de impugnação administrativa de tributos federais, a lei atribui a competência para o julgamento a órgãos destituídos do poder de praticar o lançamento (as Delegacias da Receita Federal especializadas em julgamento e os Conselhos de Contribuintes) e, como veremos, não é admissível a ‘reformatio in pejus’, pelo que a decisão do processo se reduz às alternativas da anulação ou da confirmação, não podendo jamais revestir a modalidade de substituição (na forma de lançamento suplementar). “Pode, pois, afirmarse que no processo administrativo de impugnação se exerce uma cognição restrita, visando exclusivamente a anulação do lançamento e não a sua reforma ou substituição. Tratase, porém, de figura distinta da cassação, pois nesta a reapreciação do ato impugnado é restrita a questões de direito, enquanto a revisão abrange igualmente questões de fato. (...) “Pode, pois, concluirse que o recurso de revisão pelo qual se opera a impugnação administrativa do lançamento entra nos moldes de um processo constitutivo de anulação.” (XAVIER, Alberto. Do Lançamento – Teoria Geral do Ato, do Procedimento e do Processo Tributário. Rio de Janeiro:Forense, 1999, pp. 311313) Exatamente por esta razão, não se pode pretender alterar o enquadramento legal conferido pelo agente fiscal em sede recursal, como no caso em tela. Efetivamente, se restou comprovado que a hipótese vertente consiste, quando muito, na hipótese de presunção relativa a depósitos bancários de origem não comprovada, deveria o auto de infração ter sido lavrado com fundamento no artigo 42 da Lei n.º 9.430/96, sendo inviável, por não ser de competência desta Turma, modificar os fundamentos do lançamento. A este respeito, cumpre colacionar breve excerto do voto vencedor do Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva proferido nos autos do Recurso Especial do Procurador n. 104142.441, em hipótese legal semelhante à presente, in verbis: “Ao avaliar a prova dos autos, a Douta Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes identificou que não se tratam de depósitos bancários de origem não justificada, mas sim de rendimentos provenientes da atividade rural que foram omitidos. “Em sendo rendimentos provenientes da atividade rural, por evidente que a matéria tributável em nada se identifica com aquela que foi descrita no auto de Fl. 619DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/ 07/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 18471.002141/200507 Acórdão n.º 2101000.497 S2C1T1 Fl. 603 7 infração. Em sendo outra a matéria tributável, pro conseqüência, a norma de incidência tributária também é outra, no caso o artigo 5º da Lei n. 8.023, de 1990. “Não posso concordar com a decisão da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes no ponto em que, verificando que a matéria tributável não é aquela que foi descrita no auto de infração, ao apreciar o recurso, faz uma verdadeira alteração da descrição dos fatos e da norma de incidência tributária para exigir o imposto com base nos fatos jurídicotributários que efetivamente ocorreram, aplicando sobre eles o artigo 5º, parágrafo único, da Lei n. 8.023, de 1990. Tal modo de agir constitui, na verdade, um novo lançamento, procedimento que a autoridade julgadora não tem competência para tal. Quem julga não pode fazer lançamento e quem faz lançamento não pode julgar. Ao agir da forma como atuou no acórdão, a Quarta Câmara fez um novo lançamento e ao mesmo tempo proferiu julgamento em relação ao seu próprio lançamento.” (Câmara Superior de Recursos Fiscais, Quarta Turma, Recurso Especial do Procurador n. 104142.441, relator Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, sessão de 07.10.2008) Assim é que, tendo em vista que não compete a este órgão administrativo corrigir o fundamento legal utilizado pelo Ilmo. Agente Fiscal para lavrar o auto de infração, fazse mister a anulação do crédito tributário lançado in casu, à luz de todo o aduzido. Nesse sentido, vale aduzir que a presunção constitui meio de prova em que a partir da constatação de um determinado fato indiciário, comprovado de maneira direta, chega se a um fato presumido, cuja prova jurídica se dá a partir da cabal demonstração daquele. Por outro giro, comprovada a existência do indício, a lei autoriza presumir um outro fato, este sim passível de subsunção ao critério material da norma tributária. Assim é que, por se tratar a presunção do chamado meio de prova indireto, deve a fiscalização comprovar de maneira inconteste a existência dos indícios utilizados para se chegar ao fato jurídico tributário, sob pena de, não o fazendo, violar o princípio da tipicidade cerrada, aplicável ao direito tributário por força do art. 97 do CTN. Nesse passo, sendo certo que o fato jurídico tributário é auferir renda, fato este alcançado pela técnica probatória conhecida fundada em depósitos de origem não comprovada, fazse mister que se comprove, ao mínimo, que (i) a conta a partir da qual gerou se a presunção de omissão é do Recorrente; e (ii) que efetivamente tenham ingressado valores nesta conta não declarados à Receita Federal. Assim, não havendo prova robusta de que as contas referidas às fls. 164 a 170 são de titularidade do Recorrente, já se pode depreender uma primeira irregularidade da fiscalização, qual seja, utilizar a presunção legal para alcançar situação que não se subsume à hipótese de incidência do dispositivo, o que fere frontalmente o princípio da legalidade, da tipicidade cerrada, da capacidade contributiva e do nãoconfisco. Isso sem mencionar o princípio da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, de observância obrigatória nos processos administrativos. Ressaltese, uma vez mais, que o único e solitário documento apresentado pela fiscalização para comprovar a titularidade da conta compõese de um aglomerado de “tiras”, em que o Recorrente tem seu nome veiculado como beneficiário da remessa, por meio da conta referida alhures em um banco no exterior. Vale mencionar, porque elucidativo, que nesse tipo de negociação envolvendo doleiros é corriqueiro que se indiquem nomes de “laranjas” para figurarem como Fl. 620DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/ 07/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR 8 ordenantes e até mesmo beneficiários das remessas, de modo que o simples fato de constar o nome do Recorrente no documento apresentado não exime a fiscalização de comprovar, de forma mais consistente, que o Recorrente era, efetivamente, o titular da referida conta. Assim, deveria a fiscalização comprovar que as contas referidas eram movimentadas pelo Recorrente no exterior, ou mesmo apresentar documentos que demonstrassem, de forma patente, que a aludida conta havia sido aberta pelo Recorrente, por meio de cartão de autógrafos, ou qualquer outro documento que vinculasse o nome do Recorrente à conta. Não o tendo feito, não haveria como querer ver aplicada ao caso a presunção constante do art. 42 da Lei 9.430/96, por faltarlhe um pressuposto essencial, qual seja, a comprovação direta e cabal da titularidade da conta situada no exterior. Por todas estas razões, em especial por entender que a ausência completa de prova no presente caso, insuficiente sequer a apontar para um indício de que o Recorrente teria, efetivamente, expatriado divisas de maneira ilícita ao exterior, acobertando, dessa forma, a aquisição de renda apta à tributação pelo IRPF, entendo que não deve subsistir o presente auto de infração, em especial por violar princípios básicos estabelecidos tanto pelo Decreto 70.235/72, como também pela Lei Federal n. 9.784/99, em especial no que atine aos princípios da ampla defesa, contraditório, legalidade e segurança jurídica, elencados pelo art. 2º, caput, deste último diploma legal. É preciso mencionar, nesse passo, que o extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, a partir de acórdãos proferidos por outras câmaras julgadoras, analisando casos absolutamente idênticos, já se posicionou no sentido de que são nulos os autos de infração produzidos sem suporte em evidências suficientes a comprovar a efetiva existência de renda tributável, a teor do que determina o art. 43 do CTN. Confirase o seguinte excerto de ementa: “ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO OPERAÇÕES BANCÁRIAS NO EXTERIOR ILEGITIMIDADE PASSIVA PROVA INDICIÁRIA A prova indiciária para referendar a identificação do sujeito passivo deve ser constituída de indícios que sejam veementes, graves, precisos e convergentes, que examinados em conjunto levem ao convencimento do julgador.” (Primeiro Conselho de Contribuintes, 4ª Câmara, Recurso Voluntário n. 155.522, Relatora Conselheira Heloisa Guarita Souza, sessão de 25/06/2008) Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso, para anular o auto de infração, julgando prejudicadas as preliminares, nos termos do artigo 59, §3º., do Decreto 70.235/72. Sala das SessõesDF, em 14 de abril de 2010 Alexandre Naoki Nishioka Fl. 621DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/ 07/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 18471.002141/200507 Acórdão n.º 2101000.497 S2C1T1 Fl. 604 9 Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Redator ad hoc Designado Reportome ao Relatório de lavra do ilustre Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka. A controvérsia ora em análise trata do auto de infração lavrado contra o sujeito passivo, que teve como objeto o imposto sobre a renda das pessoas físicas (IRPF), em face de haver sido constatada a omissão de rendimentos caracterizados por acréscimo patrimonial a descoberto, onde foi verificado excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados ou comprovados, referente aos anoscalendário 2000 a 2002, exercícios 2001 a 2003. Sob este pórtico, o auto de infração versa sobre o levantamento de acréscimo patrimonial a descoberto, cuja apuração levou em conta tais transações financeiras. Cumpre destacar que a divergência do Colegiado cingese ao mérito da exação, vez que, no entendimento do Relator originário, o auto de infração encontrase eivado de nulidade, seja em virtude de não haver sido demonstrado, especificamente, que o sujeito passivo foi o efetivo beneficiário final dos valores remetidos ao exterior, seja, ainda, em razão de haver sido efetuado com fundamento legal absolutamente equivocado. No tocante à argumentação de falta de comprovação de que o autuado fora o efetivo beneficiário final dos numerários enviados ao exterior, cumpre observar que: a) O procedimento fiscal teve início em decorrência de investigações promovidas a partir da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), com o objetivo da analisar transações financeiras realizadas pelo Banco Banestado, onde foi verificado que a empresa Beacon Hill Service Corporation (BHSC) constara como uma das maiores beneficiárias de recursos oriundos daquele banco brasileiro. b) Por determinação do juízo da 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba (PR), a autoridade policial brasileira obteve junto à Promotoria do Distrito de Nova Iorque, Estados Unidos da América, (District Attorney’s of the County of New York, USA), foram obtidas mídias eletrônicas e documentos, contendo dados financeiros relativos à empresa Beacon Hill Service Corporation. c) Com base nesses elementos, evidenciouse que o envio e/ou movimentação de divisas para o exterior, em nome do recorrente, utilizandose de contas ou subcontas no banco JP Morgan Chase Bank, mantidas pela empresa Beacon Hill Service Corporation. Observase, assim, que as informações foram obtidas por meios lícitos, sendo que os documentos que lhes deram suporte não foram alvo de alegação de falsidade. Fl. 622DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/ 07/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR 10 Por outro lado, mister que sejam colacionadas as operações de remessas de divisas para o exterior, através das subcontas ELEVEN e PACIFICO, mantidas e administradas pela empresa Beacon Hill Service Corporation: CONTA: ELEVEN – SUBCONTA / NÚMERO: 310057 / BENEFICIÁRIO DATA US$ R$ 17/05/2001 149,250.00 321.857,63 06/11/2001 100,000.00 277.820,00 TOTAL 249,250.00 599.677,63 CONTA: PACIFICO – CONTA / NÚMERO: 310772 / BENEFICIÁRIO DATA US$ R$ 10/10/2000 17,000.00 31.331,00 11/10/2000 70,000.00 129.010,00 11/10/2000 80,000.00 147.440,00 17/10/2000 100,000.00 184.300,00 18/12/2000 100,000.00 194.330,00 23/02/2001 100,000.00 194.670,00 23/03/2001 100,000.00 198.040,00 07/05/2001 166,633.00 359.344,06 14/05/2001 70,000.00 150.955,00 23/05/2001 200,000.00 431.300,00 31/05/2001 40,000.00 86.260,00 19/06/2001 127,220.00 297.389,47 05/07/2001 40,000.00 96.284,00 12/07/2001 50,000.00 120.355,00 23/07/2001 100,000.00 240.710,00 31/07/2001 100,000.00 240.710,00 01/08/2001 60,000.00 153.180,00 09/08/2001 100,000.00 255.300,00 Fl. 623DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/ 07/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 18471.002141/200507 Acórdão n.º 2101000.497 S2C1T1 Fl. 605 11 20/08/2001 150,000.00 382.950,00 23/08/2001 60,000.00 153.180,00 30/08/2001 200,000.00 510.600,00 18/09/2001 70,700.00 176.728,79 23/10/2001 200,000.00 539.560,00 29/10/2001 100,000.00 269.780,00 03/12/2001 25,573.00 64.676,67 12/12/2001 100,000.00 252.910,00 27/12/2001 70,779.00 179.007,17 04/01/2002 150,000.00 357.480,00 07/01/2002 100,000.00 238.320,00 31/01/2002 50,000.00 119.160,00 27/02/2002 100,000.00 236.970,00 20/03/2002 150,200.00 366.067,44 03/06/2002 50,000.00 125.545,00 TOTAL 3,198,105.00 7.483.843,61 O detalhamento das remessas que tiveram o sujeito passivo como beneficiário, onde se pode evidenciar a contumácia de tais operações, não corrobora o entendimento de que aquele não seria o titular do numerário. Nada é mais eloqüente que os valores movimentados, e a sua frequência, vez que, estando as operações identificadas pelo beneficiário, em não tendo ele conhecimento dos numerários movimentados, haveria de se supor que uma terceira pessoa houvera aberto a conta em seu nome e depositado as quantias graciosamente, fato que não é razoável, principalmente em se tratando das cifras envolvidas. Não é razoável se admitir que tenham sido depositados, em estabelecimento bancário no exterior, gratuitamente, em nome de outra pessoa, cifras que, na subconta ELEVEN, somam US$ 249,250.00 (duzentos e quarenta e nove mil e duzentos cinqüenta dólares americanos), e, na conta PACIFICO, perfazem o total de US$ 3,198,105.00 (três milhões, cento e noventa e oito mil e cento e cinco dólares americanos). Também, entende o Relator originário que o lançamento fora efetuado com fundamento legal equivocado, vez que restara comprovado que a hipótese consistiria, quando Fl. 624DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/ 07/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR 12 muito, na presunção relativa a depósitos bancários de origem não comprovada, devendo ter sido lavrado com espeque no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. A exigência fiscal teve como esteio legal os artigos 1º, 2º, 3º e §§, da Lei nº 7.713, de 22/12/1988, artigos 1º e 2º da Lei nº 8.134, de 27/12/1990, artigo 1º da Lei nº 9.887, de 07/12/1999, artigo 1º da Medida Provisória nº 22, de 08/01/2002, convertida na Lei nº 10.451, de 10/05/2002. A regra do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 7.713, de 1988, encerra uma presunção de omissão de rendimentos, em que cabe à autoridade fiscal provar os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados, nos seguintes termos: Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. § 1º. Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. (...) § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. (destaque da transcrição) O citado § 1º, do artigo 3º da Lei nº 7.713, de 1998, define o que é rendimento bruto e inclui como tal os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados, decorrentes de apuração fiscal. Isto porque, o acréscimo do patrimônio da pessoa física está sujeito à tributação quando a autoridade lançadora comprovar que, à vista das declarações de rendimentos e de bens, não teve origem em rendimentos não tributáveis, sujeitos à tributação definitiva ou já tributados exclusivamente na fonte. No caso em testilha, o que há que se ter em mente é que houve, efetivamente, o envio de valores ao exterior, sem que o sujeito passivo comprovasse o lastro para tais operações. Não houve simples trânsito de valores. E, o levantamento fiscal deuse com a inclusão de tais numerários na evolução patrimonial do sujeito passivo, mês a mês. Na omissão de rendimentos caracterizada por acréscimo patrimonial a descoberto, a autoridade lançadora levanta as mutações patrimoniais, mensalmente, confrontandoas com os rendimentos dos respectivos meses, com transporte para os períodos seguintes dos saldos positivos de recursos, independentemente de comprovação por parte do sujeito passivo, pelo seu valor nominal, para verificar a possível ocorrência de acréscimo patrimonial a descoberto em cada mês, evidenciado com apresentação de saldo negativo. A diferença negativa, apurada em cada mês, é somada e aplicada à tabela progressiva anual. Há que se destacar que o sujeito passivo, intimado a apresentar a documentação hábil e comprobatória da origem dos valores utilizados naquelas remessas, deixou de fazêlo. Desta forma a apuração do incremento patrimonial deuse com os dados apurados pela fiscalização, sob observância do devido processo legal que, ao cotejar as Fl. 625DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/ 07/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 18471.002141/200507 Acórdão n.º 2101000.497 S2C1T1 Fl. 606 13 declarações de imposto de renda do sujeito passivo com as informações obtidas e verificar discrepâncias, o intimou para que esclarecesse tal situação. Com efeito, não há que acatarem as considerações de nulidade aduzidas pelo Relator originário, com todo o respeito pelo seu posicionamento. Forte no exposto, e de tudo que dos autos consta, somos por negar provimento ao recurso voluntário apresentado. É o voto. Heitor de Souza Lima Junior Redator ad hoc Designado. Fl. 626DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/ 07/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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Numero do processo: 10166.013529/2004-96
Data da sessão: Thu Jun 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURtDICA IRP3
Exercício: 2003
1RPJ. SALDO NEGATIVO. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. •
ESTIMATIVAS QUITAÇÃO VIA COMPENSAÇÃO. MANUTENÇÃO
DOS VALORES APURADOS PELA DELEGACIA DA RECEITA
FEDERAL.
As estimativas mensais não compensadas por insuficiência de crédito do contribuinte não podem ser levadas em consideração na apuração do saldo negativo de IRPJ do ano subseqüente.
Numero da decisão: 1401-000.069
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara, Primeira Turma Ordinária da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Hugo Correia Sotero
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A - BRB Recorrida 4TURMA/DRJ-BRASÍLIA/DF ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURtDICA IRP3 Exercício: 2003 1RPJ. SALDO NEGATIVO. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. • ESTIMATIVAS QUITAÇÃO VIA COMPENSAÇÃO. MANUTENÇÃO DOS VALORES APURADOS PELA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL. As estimativas mensais não compensadas por insuficiência de crédito do contribuinte não podem ser levadas em consideração na apuração do saldo negativo de IRPJ do ano subseqüente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara, Primeira Turma Ordinária da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais —CARF, por unanimidade de votos, NEGAR provimen çxao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. •• Pt-a607 EIG1"- ALA AS PESSOA MONTEIRO ( -- Presidente HU. TERO Rei ator 1 /, Formalizado em: j Ou LUUrj Processo 'I' 10166.013529/2004-96 S1-C4T1 Acórdão ri.° 1401-00069- Fl. 109 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Marcos Vinicius Neder de Lima, Valmar Fonseca de Menezes, Albertina Silva Santos de Lima, Marcos Shigueo Takata, Silvia Bessa Ribeiro Biar e Carlos Alberto Gonçalves Nunes. Relatório A Recorrente formulou pedido de restituição/compensação de saldo negativo do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) apurado na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) do exercício de 2002 (ano-calendário de 2001), no valor de R$ 1.045.104,39. O pleito foi parcialmente deferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Brasília (DF), no valor de R$ 508.194,21, sendo glosada a apropriação dos valores referentes à quitação da estimativa do IRPJ relativa ao mês de agosto de 2001, objeto de pedido de compensação (Proc. n°. 10166.001779/2005-64), posto que parcialmente indeferida a compensação colimada. Confira-se o teor do Despacho Decisório, verbis: "No tocante as estimativas mensais, verifica-se que a requerente aputou imposto a pagar nos meses de janeiro e agosto de 2001, no valor de R$ 414.575,76 (quatrocentos e quatorze mil, quinhentos e setenta e cinco reais e setenta e seis centavos) e R$ 734.536,22 (setecentos e trinta e quatro mil, quinhentos e trinta e seis reais e vinte e dois centavos), respectivamente, perfazendo o montante de R$ 1.149.111,97 (um milhão, cento e quarenta e nove mil, cento e onze reais e noventa e sete centavos), constante da tabela 1, Com base nas informações apresentadas pela requerente na DCTF do I" e 3 0 trimestres de 2001, observa-se que esses débitos foram extintos, sob condição resolutó ria, mediante compensação, sem a formalização de processo perante a SRF, utilizando o saldo negativo de IRPJ apurado no exercício de 2001, ano-calendário 2000. No entanto, essas compensações foram objeto de análise no processo administrativo 10166,001779/2005-64, que homologou em parte o procedimento, em virtude do crédito utilizado não ser suficiente para liquidar todos os débitos. A estimativa mensal do n2és janeiro de 2001 foi totalmente compensada, mas, em relação a estimativa do mês de agosto desse ano, restou saldo remanescente de débito no valor de R$ 536.910,18 (quinhentos e trinta e seis mil, novecentos e dez reais e dezoito centavos) após registro da compensação. DECIDO: RECONHECER o direito creditório do interessado no valor de R$ 508.194,21 (quinhentos e oito mil, cento e noventa e quatro 2 Processo n' 10166.013529/2004-96 SI-C4T1 Acórdão n.° 1401-00069- Fl. 110 DECIDO: RECONHECER o direito creditório do interessado no valor de R$ 508.194,21 (quinhentos e oito mil, cento e noventa e quatro reais e vinte e um centavos), correspondente ao saldo negativo de IRPJ apurado no exercício de 2002, referente ao ano- calendário 2001, demonstrado na tabela 2 deste Despacho; HOMOLOGAR PARCIALMENTE A COMPENSAÇÃO constante deste processo, tendo em vista que o direito creditório acima reconhecido não é suficiente para liquidar os débitos, de acordo com os demonstrativos dasfls. 61 e 62." Contra a decisão apresentou a Recorrente manifestação de inconformidade argüindo, em escorço, a impossibilidade de glosa dos valores utilizados para compensação da estimativa referente ao mês de agosto de 2001, posto que não havia manifestação definitiva da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Brasília (DF) sobre a questão, estando pendente de apreciação manifestação de inconformidade apresentada. A manifestação de inconformidade foi julgada parcialmente procedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Brasília (DF), nestes termos: "Compensação saldo negativo de IRPI com IREI devido por estimativa. A partir de 01/1997, quando constatado, após o encerramento do período de apuração do IRPJ sobre o lucro real anual, a falta de recolhimento do imposto de renda por estimativa, é descabida a exigência do imposto apurado por estimativa, cabendo apenas, se for o caso, a imposição de multa isolada e a cobrança do saldo do imposto incidente sobre o lucro real anual, exigido em cota única, acrescido de multa de ofício e de juros de mora. Solicitação Deferida em Parte." Nestes termos a fundamentação da decisão recorrida: "Segundo aquela autoridade, a estimativa mensal do imposto apurado em janeiro de 2001 fora totalmente compensada; mas, em relação a estimativa de agosto do mesmo ano, restou remanescente de débito de R$ 536.910,18, por isso esse valor foi excluído do imposto de renda pago mensal por estimativa informado na DIPJ/2002 e, em conseqüência, o saldo negativo do IRPJ apurado nessa declaração foi reduzido para R$ 508.194,21. Nesse ponto, não vejo qualquer irregularidade que possa macular a analise feita autoridade administrativa a quo, no sentido de apurar a certeza e a liquidez do crédito tributário (saldo negativo de 1RPJ) pleiteado e compensado na Per/Dcomp, pois aquela autoridade atendeu as disposições administrativas que tratam do tema, nada devendo ser acrescentado ao que ali fbi disposto, porquanto corretamente analisada a questão, tendo sido abordados pontos que mereceriam verificação. 3 Processo n° 10166.013529/2004-96 S1-C4T1 Acóra -o n.° 1401-00069- Fl. 111 Por outro lado, em se tratando de débito de IRPJ apurado por estimativa, relativo a fato gerador ocorrido a partir do ano- calendário de 1997, o valor a caso não recolhido não se sujeita a lançamento de oficio e, ao meu ver, também não constitui confissão de divida, pois os recolhimentos a esse titulo serão considerados como antecipação do imposto devido incidente sobre o lucro real apurado em 31 de dezembro de cada ano (Lei 9.430, de 1996, art. 2", § "• Diante do exposto, considerando a disposição contida no art. 224 do Regimento Interno da SRF, aprovado pela Portaria 114F n". 30, de 25/02/20, voto no sentido de deferir em parte a manifestação de inconformidade para reformar o despacho decisório apenas para considerar indevida a cobrança dos débitos de IRPJ apurados por estimativa nos meses de janeiro, fevereiro e junho de 2002, exigidos na carta cobrança." In-esignado, interpôs o contribuinte o recurso voluntário de fls. 88-91, reproduzindo as razões de inconformidade. Nos termos da Resolução n'. 107-00701 esta Câmara entendeu que "diante da estrita vinculação deste processo ao julgamento do processo n°. 10116.001779/2005-64, posto que somente quando do julgamento da manifestação de inconformidade restará definido o valor do saldo negativo do IRPJ no exercício de 2001, é imperiosa a verificação do resultado da manifestação de inconformidade do mesmo", e, como conseqüência, converteu o julgamento em diligência, solicitando da autoridade preparadora informação quanto à solução da referida manifestação de inconformidade. Informou a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, através do Despacho SECOJ/DRJ/BSB n°. 277/2008, que a manifestação de inconformidade apresentada no Processo n°. 10166.001779/2005-64 fora julgada procedente em parte, sendo reformado o despacho decisório "apenas para considerar indevida a cobrança de débitos de IRPJ apurados por estimativa nos meses de janeiro e agosto de 2001", não alterando o despacho decisório no que atine ao valor do saldo negativo de IRPJ do ano de 2001, pleiteado pela Recorrente no valor de R$ 734.536,19 e deferido no montante de R$ 571.780,46. É o relatório. Voto Conselheiro Relator, Relator Recurso tempestivo. Preenchidos os requisitos formais e materiais de admissibilidade. _9g 4 Processo ri° 10166.01352912004-96 S1-C4T1 Acórdão o.° 1401-00069- Fl. 112 A questão submetida à apreciação deste Conselho de Contribuintes refere-se à definição da possibilidade de se considerar, para fins de apuração de saldo negativo do IRPJ, valores de estimativa mensal pagos através de compensação, quando indeferida a compensação e apresentada manifestação de inconformidade pelo contribuinte. Sustenta também a Recorrente acerca da impossibilidade de imputação de multa isolada, contudo tendo em vista que essa matéria não é objeto do presente processo, deixo de apreciar a questão. Somente após o eventual lançamento é que a matéria poderá ser apreciada pelas instâncias julgadoras. A questão a ser analisada por esse colegiado é a possibilidade de consideração, no procedimento de apuração do saldo negativo do IRPJ relativo ao ano de 2002 dos valores das estimativas compensadas através do Processo n". 10166.001779/2005-64. A pretensão enunciada pela Recorrente na peça de irresignação foi assim vertida: "Ante o exposto, a Recorrente requer seja o presente RECURSO VOLUNTÁRIO conhecido e provido, reformando-se a r. Decisão da 4". Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Brasília/DE para determinar: a) a suspensão do julgamento deste processo administrativo (10166.013529/2004-96) até o julgamento final do processo administrativo 10166.001779/2005-64; b) e o não lançamento de oficio da multa isolada sobre os débitos de IRPJ das bases estimadas de janeiro, fevereiro e junho de 2002." Em suma, postulou a suspensão deste processo para que eventual decisão pronunciada no Proc. n", 10166.001779/2005-64 que implicasse reconhecimento integral do saldo negativo de IRPJ postulado, e a conseqüente compensação da estimativa relativa ao mês de agosto de 2001, fosse considerada. No entanto, o Acórdão n°. 16.962 da Delegacia de Julgamento de Brasília, não alterou o despacho decisório no que atine ao valor do saldo negativo de IRPJ do ano de 2001, não tendo, portanto, repercussão no procedimento de apuração do saldo negativo de IRPJ pertinente ao ano de 2002. Com estas considerações, conheço do recurso voluntário para negar-lhe provimento, para manter o valor da restituição do saldo negativo de IRPJ fixado pela Delegacia da Receita Federal de Brasília. Sala das Sessões - DF, em 18 de junho de 2009. 1-, HUG* CO' 'EIA .0TERO, 1 5
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Numero do processo: 10660.001210/89-28
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 1992
Ementa: IRPJ - Exercício de 1987,
AGRAVAMENTO DA EXIGENCIA FISCAL.
NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA.
Ao agravamento da matéria tributável
constante do lançamento vestibular é
de se dar oportunidade ã parte autuada
na instância de origem para aditar
, suas razões' de defesa, ficando por isso
mesmo declarada a nulidade da decisão
que assim não se posicionou.
Recurso provido.
Numero da decisão: 103-12.015
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em restituir os autos ã repartição de origem a fim de que a petição de fls.. 153/156 seja apreciado como impugnação, nos termos do relatório e
voto que passam integrar o presente julgado.
Nome do relator: Victor Luiz De Salles Freire
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Recorrente: ARMARINHO TERRA LTDA. Recorrido: DRF EM VARGINHA (MG). IRPJ - Exercício de 1987, AGRAVAMENTO DA EXIGENCIA FISCAL. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. Ao agravamento da matéria tributável constante do lançamento vestibular é de se dar oportunidade ã parte autua- da na instância de origem para aditar , suas razões' de defesa, ficando por is- so mesmo declarada a nulidade da de- cisão que assim não se posicionou. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por ARMARINHO TERRA LTDA.: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em restituir os autos ã repartição de origem a fim de que a petição de fls... 153/156 seja apreciado como impugnação, nos termos do relatório e voto que passam integrar o presente julgado. S- a das Sessões (DF),em 19 de fevereiro de 1992. ddergrir- 1s H.0 CN LDE RAs A - PRESIDENTE vIc ioR 1 lett REIRE - RELATOR kAA /P • I VISTO EM A'1 TO HO P PA :RAGA - PROCURADOR DA SESSÃO DE: 30A8R1992 FAUNA; NACICNAL v.v. DAMEFP/DF- SECOS /44 064/90 J.H. - Participaram, ainda, do presente 'julgamento, os seguintes Conse- lheiros: LUIZ HENRIQUE BARROS DE ARRUDA, D1CLER DE ASSUNÇÃO, MA- RIA DE FÁTIMA PESSOA;DE MELLO CARTAX0,aLCENILI,FRAN~LUIZ AL BERTO CAVA MACEIRA. :011 SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N° 10660/001.210/89-28 2.• RECURSON9: 98.683 ACORMÃON9: 103-12.015 RECORRENTE: ARMARINHO TERRA LTDA. RELATÓRIO A partir do auto de infração vestibular, que acusa- ra determinada omissão de receita da pessoa jurídica, em função de saldo credor de caixa não justificado do importe de Cz$ 1.675.169,85 (cf. fls. 21), e em função da impugnação ofertada no devido tempo pela parte autuada, a autoridade monocrática, através o decisório de fls. 144/148, não obstante provendo-a em parte, entendeu de agravar a parcela tributável remanescente para o efei to de fixar a argüida omissão de receita no importe de Cz$... 1.892.714,90. No seu apelo de fls. 153/156 volta-se a ora recor- rente contra o veredicto para impugnar determinada metodologia na feitura da conta caixa, entendendo que "pro-labore" não pago e lucro não distribuído não poderia integra-la tendo em vista a apu- ração da arguida omissão de receita. Em conseqdência, pede a re dução da omissão pela exclusão dos valores incluídos indevida- mente a título de "retiradas e lucros", já que, em última análi- se, não representariam "saída de numerário da pessoa jurídic É p breve relatório. OAMEFP/DF- SECOS 141 OSS/ 90 i.N. SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10660/001.210/89-28 3. Acórdão n9 103-12.015 VOTO Conselheiro VICTOR LUÍS DE SALLES FREIRE, Relator: Em prazo, conheço do recurso. No mérito verifica-se que a decisão monocrática, não obstante tenha aceitado:: parcialmente a impugnação inaugural, aca bou por agravar o lançamento tributário. E ao faze-1o, deixou no entretanto de ofertar oportunidade ã parte recorrente para adita mento ao seu reclamo inicial. Bem de ver que a autuada, não obstante notando o agravamento, não propugna pela renovação da instância. Todavia, pa ra que não se argua, no futuro, cerceamento do direito de defesa, e dentro do princípio de que ao aperfeiçoamento do lançamento, de rigor, deve ser deferida a renovação do contraditório,voto pre- liminarmente para retorno dos autos ã instância de origem a fim de que a peça recu ai seja apreciada como impugnação, com o que, finalmente, se exau irá a instância ordinária, ficando ipso facto decretada a nulida do veredicto de fls. 144/148. (2- Bra 10a (DF, er)Ç de fevereiro de 1992. VICTOR LUIS E SALLES FREIRE - RELATOR kr~mwmal Page 1 _0014800.PDF Page 1 _0014900.PDF Page 1 _0015100.PDF Page 1
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Numero do processo: 11040.000877/2003-00
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998
AUTO DE INFRAÇÃO. BASES DE CÁLCULO. LANÇAMENTO DÚPLICE. CANCELAMENTO.
Deve-se cancelar o crédito tributário constituído mediante auto de infração contra o estabelecimento filial quando resta comprovado que as suas bases de cálculo já foram objeto de outro lançamento na matriz.
Numero da decisão: 3803-004.354
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para cancelar o auto de infração.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Matéria: DCTF_PIS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (PIS)
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 AUTO DE INFRAÇÃO. BASES DE CÁLCULO. LANÇAMENTO DÚPLICE. CANCELAMENTO. Deve-se cancelar o crédito tributário constituído mediante auto de infração contra o estabelecimento filial quando resta comprovado que as suas bases de cálculo já foram objeto de outro lançamento na matriz.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para cancelar o auto de infração. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 AUTO DE INFRAÇÃO. BASES DE CÁLCULO. LANÇAMENTO DÚPLICE. CANCELAMENTO. Devese cancelar o crédito tributário constituído mediante auto de infração contra o estabelecimento filial quando resta comprovado que as suas bases de cálculo já foram objeto de outro lançamento na matriz. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para cancelar o auto de infração. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 00 08 77 /2 00 3- 00 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/20 13 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 2 O presente processo retorna de diligência solicitada à DRF/Pelotas. Para conhecimento do seu teor transcrevo relatório consignado na Resolução nº 3803000.119, de 01 de setembro de 2011, fls. 126/131, que a determinou, conforme os termos a seguir: Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº 1017.119, da 2ª Turma da DRJ/Juiz de Fora, de 11 de setembro de 2008, fls. 102/103, que considerou o lançamento procedente em parte. O lançamento que constitui estes autos envolve os períodos de apuração de janeiro a dezembro de 1998, e é decorrente de auditoria interna de DCTF, que teve como motivo a não localização da “compensação com DARF/sem processo” nela consignada pelo contribuinte.[destaque aqui]. Em sua impugnação, fls. 01 e 02, a interessada alegou, preliminarmente, a litispendência do lançamento, pois os meses objeto do lançamento já o tinham sido do processo administrativo de exigência de crédito tributário n° 11040.002008/200140 [presencial], acarretando a dupla cobrança dos débitos.[destaque aqui] No mérito, defendeu a validade da compensação pleiteada, porquanto os valores a restituir decorreram dos recolhimentos de PIS efetuados com base nos Decretos Leis 2.445 e 2.449, ambos de 1988, declarados inconstitucionais, pelo que a contribuição para o PIS deve ser calculada com base na disposição da Lei Complementar n° 07, de 07 de setembro de 1970, considerandose como base de cálculo o faturamento do sexto mês anterior ao do recolhimento, conforme jurisprudência. Em julgamento da lide, a DRJ/Porto Alegre assentou que o fato jurídico alegado da duplicidade de lançamento não existe. Constatou que no processo administrativo n° 11040.002008/200140 o contribuinte foi autuado na matriz, com CNPJ n° 89.055.594/000141, enquanto o processo em exame, n° 11040.000877/200300, tem como sujeito passivo a filial, com CNPJ n° 89.055.594/000222. Observou que não há centralização de tributos, conforme consta do extrato de controle de centralização do pagamento de tributos, fls.99 e 100. Em virtude dessas constatações rejeitou a preliminar.[ destaque aqui] No mérito, embora tenha concordado com o argumento da Impugnante quanto à semestralidade, registrou a DRJ/Porto AlegreRS que o contribuinte não comprovou que possui algum crédito, por não ter juntado à sua peça de defesa nenhum demonstrativo numérico,conjuntamente com prova documental e contábil. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/20 13 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 11040.000877/200300 Acórdão n.º 3803004.354 S3TE03 Fl. 149 3 Quanto à multa de ofício, considerou a modificação do art. 90 da MP nº 2.158, de 2001, pelo art. 18, da Lei nº 10.833, de 2003, para aplicar a retroatividade benéfica. Em consequência, converteu a multa de ofício na multa de mora, no percentual de 20%. Cientificada da decisão em 06 de outubro de 2008, irresignada, a interessada apresentou o recurso voluntário de fls. 107 a 116, em 04 de novembro de 2008, em que a) insiste na existência da litispendência do presente litígio com o instaurado no processo n° 11.040002008/ 200140, em tramitação neste Conselho, relativo ao mesmo tributo PIS, abarcando o período de apuração 04/97 a 12/2001, abrangente do período a que se refere o presente processo: 01 a 12/1998; b) não tem a menor procedência a justificativa apontada na decisão recorrida de que no Processo nº 11.040.002008/200140 o lançamento referese à matriz da recorrente e o presente à filial, pois um simples exame do Relatório Fiscal, anexo, lavrado no primeiro revela que o respectivo lançamento de oficio abrangeu tanto a matriz quanto a filial. c) a DRF em Pelotas, em revisão de oficio, reconheceu em outro processo, em relação a outro período de apuração, 04 a 12/97, a litispendência com o processo acima aludido, 11040.002008/200140, e cancelou o lançamento, conforme se vê de cópia do Parecer e Despacho Decisório, que se encontram às fls. 109 a 111 [(fls. 118/120 digital);(processo cancelado nº 11040.000797/2002 65);(destaque aqui)]. No mérito, reportouse aos argumentos da impugnação, pedindo que os considerasse como se reiterados estivessem. Presente nos autos dados que se confrontam: (i) a afirmação da Impugnante de litispendência, sustentada, inclusive, pela revisão de ofício do auto de infração eletrônico de PIS, contra esta mesma filial, procedida no processo nº 11040.000797/200265 e que culminou com o cancelamento, períodos de apuração abril/dezembro de 1997; (ii) a decisão da DRJ/Porto Alegre, refutando o argumento de duplicidade de Lançamento. Essa dissonância impediu o conhecimento dos fatos tributários relativos a que estabelecimentos da pessoa jurídica foram alcançados pela ação fiscal presencial e que constituiu o processo nº 11040.002008/200140. Em vista disso, a Turma não encontrou outro caminho senão solicitar ao órgão de origem a sua elucidação. O que a seguir se passa a apreciar. É o relatório. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/20 13 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 4 Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator Cumprida a diligência pela Seção de Fiscalização da DRF/Pelotas, do seu Relatório Fiscal de fls. 144/145 consta: “Em cumprimento à diligência, intimamos o contribuinte, em 08 de fevereiro de 2012, a apresentar , os livros fiscais (matriz e filial), livros contábeis e respectivos balancetes mensais relativos ao ano calendário de 1998. Face o não atendimento, reiteramos a solicitação mediante o Termo de Reintimação lavrado em 27 de março de 2012, anexado ao presente processo, o qual também não foi atendido. Solicitamos então ao CARF que nos encaminhasse o processo n° 11040.002008/200140, uma vez que esse processo possui documentos que poderiam,elucidar a questão, conforme análise de cópia de relatório fiscal constante de dossiê arquivado na seção de fiscalização da DRF/Pelotas. Examinandose o processo mencionado (11040.002008/200140), Verificase que efetivamente as bases de cálculo consideradas no respectivo auto de infração englobam as receitas da filial e da matriz da empresa. [destaque aqui] Tal conclusão pode ser verificada nos documentos anexados ao presente processo, quais sejam: relatório fiscal referente ao processo 11040.002008/200140, planilha das diferenças apuradas pela fiscalização e cópia do balancete analítico mensal da empresa fiscalizada do mês de julho de 1998. Nestes documentos, constatase que a análise da fiscalização foi realizada com base no livro razão e balancetes mensais da empresa, os quais totalizam a receita auferida pelo contribuinte (matriz e filial). [destaque aqui] Proponho o encaminhamento à 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para prosseguimento. Como se vê, o resultado da diligência corrobora o Parecer DRF/PEL/Sacat n° 149 de 09 de julho de 2008, fls. 118/119 e afirma que o auto de infração no processo 11040.002008/200140 abarca as receitas da matriz e da filial. Ressaltese que esse auto de infração abrangeu o período de apuração de janeiro de 1997 a setembro de 2001, conforme Demonstrativo de Situação Fiscal Apurada, de Fl. 151DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/20 13 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 11040.000877/200300 Acórdão n.º 3803004.354 S3TE03 Fl. 150 5 fls. 98/101, e cópia do auto de infração de fls. 71/73 (documentos já constantes dos autos anteriormente à diligência). Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso para cancelar o auto de infração. Sala das sessões, 23 de julho de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 152DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/20 13 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA
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Numero do processo: 10540.000760/2006-67
Data da sessão: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Jul 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003, 2004
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - INOCORRÊNCIA - Não há cerceamento do direito de defesa quando não houve intimação do segundo titular da conta conjunta, tendo em vista que este sequer foi autuado, não restando prejuízo a lhe ser imputado.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA - INDEFERIMENTO - Indefere-se o pedido de diligência que nada acrescentaria aos elementos constantes dos autos, considerados suficientes para formação da convicção e o conseqüente julgamento do feito.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS - A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
SELIC - A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 3301-000.095
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, AFASTAR a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da tributação os valores correspondentes aos depósitos havidos na conta nº 96.620-7, mantida no Banco do Brasil, vencido o Conselheiro Eduardo Tadeu Farah (Relator). Designada para fazer o voto vencedor a Conselheira Núbia Matos Moura.
Assinatura digital
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente da Turma na Data da Formalização.
Assinatura digital
Eduardo Tadeu Farah - Relator.
Assinatura digital
Núbia Matos Moura - Redatora designada.
EDITADO EM: 21/11/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Rubens Maurício Carvalho (Suplente convocado), Núbia Matos Moura, Eduardo Tadeu Farah, Alexandre Naoki Nishioka, Moisés Giacomelli Nunes da Silva (Presidente em Exercício) , Silvana Mancini Karam, Vanessa Pereira Rodrigues Domene.
Nome do relator: Rodrigo Santos Masset Lacombe
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PEDIDO DE DILIGÊNCIA INDEFERIMENTO Indeferese o pedido de diligência que nada acrescentaria aos elementos constantes dos autos, considerados suficientes para formação da convicção e o conseqüente julgamento do feito. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, AFASTAR a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da tributação os valores correspondentes aos depósitos havidos na conta nº 96.6207, mantida no Banco do Brasil, vencido o Conselheiro Eduardo Tadeu Farah (Relator). Designada para fazer o voto vencedor a Conselheira Núbia Matos Moura. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 00 07 60 /2 00 6- 67 Fl. 930DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, As sinado digitalmente em 02/12/2013 por NUBIA MATOS MOURA 2 Assinatura digital Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente da Turma na Data da Formalização. Assinatura digital Eduardo Tadeu Farah Relator. Assinatura digital Núbia Matos Moura Redatora designada. EDITADO EM: 21/11/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Rubens Maurício Carvalho (Suplente convocado), Núbia Matos Moura, Eduardo Tadeu Farah, Alexandre Naoki Nishioka, Moisés Giacomelli Nunes da Silva (Presidente em Exercício) , Silvana Mancini Karam, Vanessa Pereira Rodrigues Domene. Relatório Jane Fernandes de Queiroz recorre a este conselho contra a decisão de primeira instância proferida pela 3ª Turma da DRJ de Salvador/BA, pleiteando sua reforma, nos termos do Recurso Voluntário de fls. 323 a 328. Tratase de exigência de IRPF com valor total de R$ 177.958,41, relativo ao imposto, multa de ofício e juros de mora, calculados até 14/09/2006. A infração apurada pela fiscalização foi omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Inconformada, a autuada interpôs impugnação, fls. 207/214, instruída com os documentos de fls. 227/299, sustentando, em síntese: a) Inconstitucionalidade do art. 42 da Lei n° 9.430/1996, pois cria presunção de rendimentos a partir de depósitos bancários; b) Os documentos apresentados durante a fiscalização não foram anexados aos autos, nem houve identificação de quais documentos foram aceitos para comprovar a origem dos depósitos. Afirma que tal falha impede o exercício do seu direito de defesa e motiva a nulidade do feito; c) Durante a ação fiscal comprovou a origem de quatro transferências provenientes da clínica Ortoimagem Ltda, no total de R$ 8.000,00, promovidos pelo seu filho, sócio da pessoa jurídica, e depósito de R$ 1.000,00, em 05/10/2002, efetuado a partir da conta pessoal deste último (fls. 40). As referidas provas foram rejeitadas sem que fosse indicado o motivo; d) Que os depósitos foram efetuados pelo seu filho para custear as despesas domésticas e os de maior valor correspondem a empréstimos, fazendo juntada de documentos; e) Argumenta que a conta compartilhada de nº 96.6207, era movimentada, apenas pelo seu filho; Fl. 931DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, As sinado digitalmente em 02/12/2013 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 10540.000760/200667 Acórdão n.º 3301000.095 S3C3T1 Fl. 3 3 f) Inconstitucionalidade da taxa Selic. A DRJ proferiu Acórdão nº 1512.221, mantendo em parte o lançamento, conforme se extrai das ementas transcritas: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o responsável, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPOSITOS BANCÁRIOS. PROVAS DURANTE A FISCALIZAÇÃO. Apresentadas, durante a fiscalização, provas da origem dos depósitos bancários, o lançamento não mais poderá ser efetuado com base na legislação que autoriza a presunção de rendimentos omitidos a partir de depósitos de origem não comprovada. Lançamento Procedente em Parte A conclusão do voto foi no seguinte sentido: Durante a fiscalização a contribuinte apresentou comprovantes dos depósitos mencionados em sua impugnação. O depósito de R$ 1.000,00, em 05/10/2002, efetuado por seu filho e comprovado pelo documento de fls. 40 não foi incluído no lançamento. Os demais depósitos, totalizando R$ 8.000,00, e as provas apresentadas estão relacionados na tabela abaixo. 20/10/2003 1.000,00 Transferência online feita pela Ortoimagem Ltda. Comprovante de transferência, fls. 241, extrato, fls. 256. 24/11/2003 1.500,00 Transferência online feita pela Ortoimagem Ltda. Comprovante de transferência, fls. 242, extrato, fls. 258. 25/11/2003 500,00 Transferência online feita pela Ortoimagem Ltda. Comprovante de transferência, fls. 243, extrato, fls. 258. 22/12/2003 5.000,00 Transferência online feita pela Ortoimagem Ltda. Comprovante de transferência, fls. 243, extrato, fls. 259. Como se verifica às fls. 41/43, as provas já haviam sido apresentadas durante a fiscalização. Deste modo, comprovada a sua origem, não mais caberia a aplicação da presunção autorizada pelo artigo 42 da Lei 9.430/1996, cabendo, sim, se fosse o caso, a tributação com base na legislação específica, como determina o parágrafo segundo deste mesmo dispositivo: §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Fl. 932DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, As sinado digitalmente em 02/12/2013 por NUBIA MATOS MOURA 4 Mas neste caso o ônus da prova para demonstrar que se trata de rendimentos tributáveis é do Fisco, ainda que seja pela presunção simples, que neste caso equipararia os depósitos ao pagamento de rendimentos tributáveis da pessoa jurídica (clínica) para a beneficiária. (...) Cabe, portanto, excluir o imposto incidente sobre os depósitos previamente comprovados pela contribuinte, que somaram R$ 8.000,00 em 2003. À alíquota de 27,5%, o tributo a excluir é de R$ 2.200,00. Por estas razões, voto pela rejeição da preliminar de nulidade e, no mérito, pela procedência parcial do lançamento, para excluir a parcela de imposto de R$ 2.200,00, referente ao anobase 2003. Cientificada da decisão, Jane Fernandes de Queiroz interpôs Recurso Voluntário, alegando, resumidamente: a) Que não há motivo para a recusa dos comprovantes da origem dos depósitos apresentados pela não coincidência de valores, cabendo à fiscalização provar que se refere a rendimento omitido; b) Entende que não se pode aplicar o disposto no art. 42, § 6º da Lei nº 9430/1996, por restar comprovado que a conta não foi movimentada conjuntamente. Para demonstrar seu entendimento anexa comprovante no valor de R$ 16.000,00 da conta nº 96.620 7 e cópia de todos os cheques confirmando que a conta era movimentada, exclusivamente, pelo Sr. Alberto Ladeia Filho. c) Alega cerceamento do direito de defesa, pois não foi solicitado ao titular que movimentava a conta para apresentar a origem dos depósitos. Que a conta nº 96.6207 recebia rendimentos a título de prólabore creditados pela Clínica Ortoimagem e esses argumentos não foram considerados, nem pela Fiscalização, nem pela Delegacia de Julgamento. Ao deixar de ouvir um dos titulares o processo está eivado de vício, pois não se pode atribuir indevidamente depósitos não comprovados a outro titular; d) Afirma que a Fiscalização deveria aprofundar a investigação para se comprovar que os depósitos representavam saldo positivo ou rendimentos omitidos; e) Reitera os argumentos contra a cobrança da taxa Selic; f) Requer diligência junto ao Banco do Brasil para comprovar a movimentação bancária da conta nº 96.6207. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 933DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, As sinado digitalmente em 02/12/2013 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 10540.000760/200667 Acórdão n.º 3301000.095 S3C3T1 Fl. 4 5 Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, relativamente a fatos ocorridos no ano calendário de 1998. Antes de se entrar no mérito da questão, insta enfrentar, de antemão, a preliminar suscitada pelo contribuinte. Alega a recorrente cerceamento do direito de defesa, pois, segundo seu ponto de vista, não foi solicitado ao titular que movimentava a conta para apresentar a origem dos depósitos. Assevera ainda que ao deixar de ouvir um dos correntistas o processo está eivado de vício, pois não se pode atribuir indevidamente depósitos não comprovados aos demais titulares; Pois bem, a preliminar de cerceamento de direito de defesa deve ser rejeitada, senão vejamos: Os fatos que ensejaram a presente exigência foram os depósitos/créditos movimentados nas contas correntes bancárias de titularidade da recorrente. O dispositivo legal que autorizou o lançamento foi o art. 42 da Lei n° 9.430/1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Por sua vez, o § 6° da referido artigo, consagra: § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Assim, a referida lei estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos sempre que o titular da conta, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove a origem dos créditos, mediante documentação hábil e idônea, em sua conta de depósito ou de investimento. Todavia, não se pode ofertar ao lançamento a integralidade dos depósitos devendo ser observado o § 6°, de tal sorte que a tributação deve ser efetuada mediante a divisão pela metade do total dos depósitos/créditos que ingressaram na conta conjunta. Não obstante a previsão legal autorizando a exação, a declaração de rendimentos dos titulares foi apresentada em separado, razão pela qual seria possível atribuir ao contribuinte autuado a tributação proporcional dos depósitos/créditos efetuados em sua conta bancária. Fl. 934DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, As sinado digitalmente em 02/12/2013 por NUBIA MATOS MOURA 6 Impende registrar que se fosse desconsiderado o lançamento em razão da ausência de intimação, estarseia violando os princípios da verdade material e da informalidade, princípios estes, norteadores do processo administrativo fiscal. Portanto, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa do segundo titular da conta conjunta, tendo em vista que este sequer foi autuado, não restando, pois, prejuízo a lhe ser imputado. No mérito, como visto anteriormente, a presente tributação da omissão de rendimentos provenientes de depósitos bancários pautouse no art. 42 e parágrafos da Lei nº 9.430, de 1996, que estabeleceu, a partir de 01/01/1997, uma presunção legal de omissão de rendimentos, autorizando o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprovasse, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Com efeito, o contribuinte é quem deve demonstrar que o numerário creditado não é renda tributável, invertendo, portanto, o ônus da prova, característica das presunções relativas, que admite prova em contrário. Apegome essencialmente ao fato de que, a presunção constitui um instrumento direcionado à facilitação do trabalho de investigação fiscal, justamente em razão das dificuldades impostas à identificação dos fatos econômicos dos quais participou a recorrente. Assim, não logrando o titular comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador na forma do artigo 43 do Código Tributário Nacional: Art. 43 O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001); Logo, não comprovada a origem dos depósitos levantados pelo Fisco, os mesmos foram presumidos como rendimentos auferidos pelo autuado no anocalendário em apreço. Esse também é o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, consoante à ementa destacada: DEPÓSITO BANCÁRIO – OMISSÃO DE RENDIMENTOS Caracterizam omissão de rendimentos valores creditados em conta bancária mantida junto a instituição financeira quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996.(Data da Sessão: 12/06/2006 CSRF/0400.259) Fl. 935DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, As sinado digitalmente em 02/12/2013 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 10540.000760/200667 Acórdão n.º 3301000.095 S3C3T1 Fl. 5 7 Passando as questões pontuais de mérito, alega o recorrente que não há motivo para a recusa dos comprovantes de origem dos depósitos apresentados pela não coincidência de datas e valores, cabendo à fiscalização provar que se refere a rendimento omitido. De pronto, penso que não assiste razão a recorrente. A prova para ser aceita deve ser efetiva e inequívoca em relação à origem dos depósitos/créditos efetuados em sua conta corrente. Para a comprovação da origem dos depósitos é necessária a vinculação de cada depósito a uma operação realizada, já tributada, isenta ou não tributável, por meio de documentos hábeis e idôneos. Caso não seja comprovada a origem dos recursos, a autoridade fiscal considera, por força legal, omitidos na declaração de ajuste anual, efetuando o lançamento do imposto correspondente. Em outra passagem, aduz a suplicante que não se pode aplicar o disposto no § 6º do art. 42 da Lei nº 9430/1996, por restar comprovado que a conta não foi movimentada conjuntamente. Para demonstrar seu entendimento junta comprovante no valor de R$ 16.000,00 da conta nº 96.6207 e cópia de todos os cheques que confirmaria que a conta era movimentada, exclusivamente pelo Sr. Alberto Ladeia Filho. Novamente, não há como considerar a alegação da recorrente. A exigência fiscal referese, em verdade, a depósitos/créditos de origem não comprovada e, por esse motivo, cabe a contribuinte o ônus de provar o ingresso de recursos em sua conta corrente. Com efeito, não há necessidade de a Fiscalização aprofundar a investigação para se comprovar que os depósitos representavam rendimentos omitidos, pois, por força do art. 42 da Lei n° 9.430/1996, presumese rendimento omitido quando o contribuinte instado a comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não o faz a contento. Por todo o exposto, deve ser mantida a exigência. Sobre o pedido de diligência, verificase que o mesmo é reservado a esclarecimentos de fatos ou circunstâncias obscuras, todavia, no presente caso, os elementos constantes dos autos são suficientes para que se firme convicção a cerca do lançamento fiscal, sendo despiciendo sua realização. Por fim, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Esse entendimento foi pacificado no Primeiro Conselho de Contribuintes conforme Súmula n°4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Ante o exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar e no mérito negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 936DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, As sinado digitalmente em 02/12/2013 por NUBIA MATOS MOURA 8 Voto Vencedor Conselheira Núbia Matos Moura, Redatora Designada Com a devida vênia discordo do ilustre Conselheiro Relator no que diz respeito às suas conclusões quanto à contacorrente nº 96.6207, mantida no Banco do Brasil, extratos, fls. 70/81, cujos titulares são a contribuinte autuada e Alberto L. Q. Filho. A omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários não comprovados é uma presunção legal. No entanto, para que se valide a presunção de omissão de rendimentos, o lançamento deve conformarse aos moldes da lei. Reza o caput do art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, que a omissão de rendimentos se caracteriza quando o titular da conta, regularmente intimado, não comprova a origem dos recursos depositados. Logo, é óbvio, que no caso de contacorrente conjunta, tornase imprescindível que todos os titulares sejam intimados a comprovar a origem dos depósitos. Nas contascorrentes mantidas em conjunto, presumese, obviamente, que os titulares possam utilizarse das mesmas para crédito/depósito dos seus próprios rendimentos e a movimentação dos recursos financeiros pode ser feita por todos os titulares. Desta forma, a responsabilidade pela comprovação da origem dos recursos, para efeito do disposto no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, deve ser imputada a todos os titulares da contacorrente. A intimação a apenas um dos titulares não supre a imposição legal de intimar os demais cotitulares das contas mantidas em conjunto, pois a presunção de omissão de rendimentos, baseada em créditos bancários, somente se consuma na medida em que o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, com documentação hábil e idônea, a origem dos referidos créditos. Ora, a falta de intimação para a justificação da origem dos depósitos bancários é causa, em si, da não caracterização da omissão de rendimentos, haja vista que a autoridade fiscal não cumpriu o rito que o art. 42 exige para que se estabeleça a presunção legal. Nestes termos, considerando que a contacorrente nº 96.6207 do Banco do Brasil é mantida em conjunto com Alberto L. Q. Filho e que a autoridade fiscal deixou de intimálo para comprovar a origem dos valores movimentados nas referidas contas bancárias, devese afastar a presunção de omissão de rendimentos calcada em depósitos bancários de origem não comprovada, no que diz respeito aos depósitos efetuados na referida conta corrente. Ante o exposto, VOTO por dar parcial provimento ao recurso para excluir da tributação os valores correspondentes aos depósitos havidos na contacorrente nº 96.6207 do Banco do Brasil. Assinado Digitalmente Núbia Matos Moura Fl. 937DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, As sinado digitalmente em 02/12/2013 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 10540.000760/200667 Acórdão n.º 3301000.095 S3C3T1 Fl. 6 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Processo nº: 10540.000760/200667 Recurso nº: 159.790 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional a tomar ciência do acórdão 330100.095. Brasília/DF, 01 de junho de 2009. Assinado Digitalmente Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente da Turma na Data da Formalização. Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 938DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, As sinado digitalmente em 02/12/2013 por NUBIA MATOS MOURA
score : 1.0
Numero do processo: 10921.000326/2007-83
Data da sessão: Thu Jul 29 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 25/06/2007
IMPROCEDÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA QUE NÃO SE
APLICA À HIPÓTESE EM EXAME
Os atos praticados pelo Recorrente não caracterizam a conduta descrita e vedada pela alínea "e", VII, do art. 107, do Decreto-Lei nº 37/66.
Crédito Tributário Exonerado.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3102-000.718
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Nome do relator: Beatriz Veríssimo de Sena
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MULTA QUE NÃO SE APLICA À HIPÓTESE EM EXAME Os atos praticados pelo Recorrente não caracterizam a conduta descrita e vedada pela alínea "e", VII, do art. 107, do Decreto-Lei n o 37/66. Crédito Tributário Exonerado, Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. EDITADO EM: 30/09/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Beatriz Veríssimo de Sena, José Fernandes do Nascimento, Luciano Pontes de Maya Gomes e Nanci Gama. Relatório Trata-se de auto de infração lavrado para lançamento de duas multas. A primeira multa foi lançada pela não prestação de resposta à intimação lavrada em sede de procedimento fiscal no prazo previsto pela Receita Federal do Brasil, sanção essa prevista no art. 107, inciso VII, alínea "e", do Decreto-Lei n° 37/66. A segunda multa foi lançada contra o Interessado em razão de "descumprimento de requisito, condição ou norma operacional para executar atividades de movimentação e armazenagem de mercadorias sob controle aduaneiro, e serviços conexos" De acordo com a autoridade fiscal, foi elaborado relatório circunstanciado cerca das condições das instalações do Interessado. Em seguida, intimou-se a empresa a apresentar no prazo de trinta dias um projeto com plantas, localização e cronograma do qual constassem as datas previstas de inicio e término das obras de construção de espaço definitivo para verificação das mercadorias importadas e a exportar, espaço esse que oferecesse condições de segurança e operação para a verificação das mercadorias, Solicitou a empresa dilação no prazo por mais trinta dias, a qual foi tacitamente concedida, sendo que a empresa não atendeu a solicitação da Alfândega. Ante o silêncio da empresa e a permanência das instalações provisórias, a Fiscalização considerou ocorrido o embaraço à fiscalização, na medida em que houve o descumprimento de requisito para a execução das atividades de armazenagem sob controle aduaneiro, aí incluída a de verificação fisica de mercadorias, vez que tal controle se apresenta eivado de improvisação. Cientificado da lavratura do impugnação, na qual alegou que a multa seria ainda que a destempo. O atraso na apresentação dificuldade da autarquia em alocar recursos imediata daquelas obras. auto de infração, o Contribuinte apresentou inaplicável, porque o projeto foi apresentado, do projeto decorreu, segundo o Interessado, da financeiros e orçamentários para execução Examinando os autos, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento julgou parcialmente procedente o lançamento, por entender que apenas uma das multas seria devida, Com efeito, de acordo com o voto vencedor perante a DRJ, observada a imprestabilidade da concessionária autuada para operar de forma regular e segura, conforme exige a legislação que versa sobre o controle aduaneiro das mercadorias importadas ou a exportar que adentram nesses recintos, deveria o ente concedente, por seus órgãos e agentes competentes, envidar esforço no sentido de, em última instância, propor a desabilitação da entidade beneficiária. Não lhe compete, contudo, imputar multa diária pelo "descumprimento de requisito, condição ou norma operacional para executar atividades de movimentação e armazenagem de mercadorias sob controle aduaneiro, e serviços conexos" uma vez que o fato infracional apontado não se coaduna com a hipótese da disposição contida no dispositivo legal. Por outro lado, entendeu a DRI que foi correta a aplicação da multa da aliena do inciso IV do art. 107 do Decreto-Lei n°37/66, que, na redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/03, na medida em que o Interessado, mesmo intimado, teria deixado de "prestar imtbrmação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-aporta, ou ao agente de carga," (sie) 3 Processo n° 10921 00032612007-83 S3-C1T2 Acórdão n " 3102-00.718 Fr 2 Irresignado, o Contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo, no qual requer a reforma da decisão proferida pela DRJ argumentando que: a) "o atual armazém localizado dentro da área primária do porto atende com segurança as ações fiscais desenvolvidas pela Alfândega, o que não pode caracterizar obstáculo as atividades aduaneiras previsto no auto de infração, pois o fato não configura infração a nenhum daqueles dispositivos referidos no enquadramento legal, visto que as atividades de • verificação e de armazenagem das mercadorias importadas ou a exportar, não sofreram qualquer prejuízo do controle aduaneiro" (fl. 44); b) A licitação para realização das obras de construção de novas instalações foi realizada. É o relatório, Voto Conselheira Beatriz Veríssimo de Sena, Relatora Entendo que o lançamento merece ser anulado, na medida em que o ilícito praticado pelo Contribuinte não foi devidamente enquadrado no auto de infração. Conseqüentemente, não consta o dispositivo legal efetivamente violado no auto de infração. Consta do auto de infração que o Interessado foi multado por não apresentar projeto de construção de espaço definitivo para verificação das mercadorias importadas e a exportar, que oferecesse condições de segurança e operação para a verificação das mercadorias. No que concerne a esse fato, o auto de infração foi lavrado mencionando expressa e unicamente as alíneas "c" e "f' do art. 107 do Decreto-Lei n° 37/66, dentre os dispositivos desse Decreto-Lei. O art. 107, inciso IV, encontra-se assim redigido: Art. 107, Aplicam-se ainda as seguintes limitas, ) IV de R$ 5000,00 (cinco mil reais): a) por ponto percentual que ultrapasse a margem de 5% (cinco por cento), na diferença de peso apurada em relação ao manifesto de carga a granel apresentado pelo transportador marítimo, fluvial ou lacustre; b) por mês-calendário, a quem não apresentai- à fiscalização os documentos relativos à operação que realizar ou em que intervier; bem como outros documentos erigidos pela Secretaria da Receita Federal, ou não mantiver os correspondentes arquivas em boa guarda e ordem; c) a quem, por qualquer meio ou forma, °missiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de não-apresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; d) a quem promover a saída de veiculo de local ou recinto sob controle aduaneiro, sem autorização prévia da autoridade aduaneira; e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-a-porta, ou ao agente de carga; e f) por deixar de prestar informação sobre carga armazenada, ou sob sua responsabilidade, ou sobre as operações que execute, na .forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada ao depositário ou ao operador portuário; („) (destacou-se) Entretanto, entendo que a conduta descrita na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do Decreto-Lei n" 37/66 descreve o fato gerador, sendo muito mais específica para o enquadramento da hipótese em exame do que a hipótese das alíneas "c" e "1". A conduta descrita na alínea "e" consiste em "embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de não-apresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal". Trata-se, portanto, de previsão de aplicação de multa pelo silêncio ou atraso na apresentação de resposta à procedimento fiscal instaurado para fiscalização ou averiguação de outra natureza conduzido pela Receita Federal do Brasil. Esse dispositivo versa sobre qualquer ato que atrapalhe a ação fiscal em matéria aduaneira, seja qual for a natureza dos esclarecimentos solicitados pela autoridade fiscal. Já a conduta da alínea "f" diz respeito aos procedimentos de carga, na medida em que em seu texto prevê a aplicação de multa "por deixar de prestar informação sobre carga armazenada, ou sob sua responsabilidade, ou sobre as operações que execute („) aplicada ao depositário ou ao operador portuário". No caso, trata-se de multa aplicada ao próprio porto. A conduta ilícita descrita na alínea "e" do art. 107, por sua vez, consiste em "deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federar. Essa sanção seria aplicável não apenas à empresa de transporte internacional, mas também ao agente de carga, conforme expressa previsão legal dessa alínea "e". Portanto, a conduta da alínea "e" do inciso IV do art. 107 do Decreto-Lei n° 37/66 expressamente indica a informação sonegada (sobre veículo ou carga transportada), prevê a possibilidade de aplicação de multa quando a informação é apresentada a destempo e, ainda, estabelece-a para os casos em que a norma legal exige informações sobre veículo ou carga em operações de comércio exterior. Trata-se da hipótese em exame, na qual o Porto deixou de apresentar no prazo legal informação sobre procedimentos sob sua responsabilidade. Contudo, a alínea "e" do inciso IV do art. 107 do Decreto-Lei n° 37/66 não foi citada no auto de infração. Na verdade, a autoridade fiscal enquadrou o Contribuinte nas condutas das alíneas "c" e "f" do inciso IV do art. 107 do Decreto-Lei ri° 37/66, no que incorreu em nulidade. 4 Processo n" 1092 000326/2007-83 53-C1T2 Acórdão o 3102-00.718 FI, 3 Assim não poderia deixar de ser, pois na medida em que falta ao auto de infração a correta cominação legal, com a devida e indispensável motivação de sua lavratura, cerceia-se os direitos à ampla defesa e ao devido processo legal. Uma vez inadequados a descrição e o enquadramento legal conferidos à hipótese, não deve ser mantido o lançamento„ Conclusão Pelo exposto, dou provimento ao recurso voluntário. ,...-->i<--„,---- -- ,---------- c.----------at--riz- Veríssimo de Sena. 5
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Numero do processo: 16707.003446/2007-53
Data da sessão: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO.
Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
RELEVAÇÃO DA MULTA. REQUISITOS. NÃO ATENDIDOS.
A multa pelo descumprimento de obrigação acessória somente poderá ser relevada se cumpridos os requisitos legais para o benefício, no caso, correção da falta dentro do prazo de defesa (prazo de impugnação), o infrator ser primário e não haver nenhuma circunstância agravante.
LEGISLAÇÃO POSTERIOR. MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO.
A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-003.655
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para adequação da multa ao artigo 32-A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004 OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. RELEVAÇÃO DA MULTA. REQUISITOS. NÃO ATENDIDOS. A multa pelo descumprimento de obrigação acessória somente poderá ser relevada se cumpridos os requisitos legais para o benefício, no caso, correção da falta dentro do prazo de defesa (prazo de impugnação), o infrator ser primário e não haver nenhuma circunstância agravante. LEGISLAÇÃO POSTERIOR. MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para adequação da multa ao artigo 32-A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica. Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente Ronaldo de Lima Macedo - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
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FATOS GERADORES Recorrente P&A EMPREENDIMENTOS LTDA/ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004 OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. RELEVAÇÃO DA MULTA. REQUISITOS. NÃO ATENDIDOS. A multa pelo descumprimento de obrigação acessória somente poderá ser relevada se cumpridos os requisitos legais para o benefício, no caso, correção da falta dentro do prazo de defesa (prazo de impugnação), o infrator ser primário e não haver nenhuma circunstância agravante. LEGISLAÇÃO POSTERIOR. MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO. A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 70 7. 00 34 46 /2 00 7- 53 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para adequação da multa ao artigo 32A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16707.003446/200753 Acórdão n.º 2402003.655 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 9.528/1997, c/c o art. 225, inciso IV e § 4º, do Decreto 3.048/1999, que consiste em a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, na competência 07/2004. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 11/12) a empresa deixou de informar na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias: remuneração dos segurados empregados, paga a título de incentivo por produtividade por meio do cartão premiação "Premium Card", conforme planilha anexa (fl. 13) O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fl. 12) informa que foi aplicada a multa no valor de R$2.390,26 (dois mil e trezentos e noventa reais e vinte e seis centavos), fundamentada no art. 32, inciso IV, parágrafo 5o, da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 9.528/1997, e no art. 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999. Essa multa aplicada correspondente a 100% (cem por cento) do valor devido relativo à contribuição apurada sobre os fatos geradores não declarados, limitada, por competência, aos valores previstos no § 4° do art. 32 da Lei 8.212/1991 (em função do número de segurados da empresa). A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 17/07/2007 (fl.01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 18/19) – acompanhados de anexos de fls. 20/41 –, alegando, em síntese, que: 1. a empresa corrigiu a falha dentro do prazo permitido; 2. o infrator é primário e que não existem circunstâncias agravantes; 3. juntou: (i) cópias de protocolo de envio de arquivos pelo conectividade social e capas de GFIP (fls. 19/24); (ii) cópias dos anexos do AI lavrado (fls. 25/39); e (iii) cópias dos documentos pessoais do representante (fls. 40/41). O processo foi baixado em diligência (fl. 46) para que a fiscalização verificasse se os documentos apresentados corrigiam a falta objeto da autuação. Após análise da documentação, cotejando a GFIP anterior a fiscalização e a nova GFIP apresentada, o Fisco informou que a nova GFIP apresentada contemplava somente os segurados que receberam prêmios, omitindo os demais segurados que não foram beneficiados pela premiação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Recife/PE – por meio do Acórdão 1123.940 da 7a Turma da DRJ/REC (fls. 70/73) – considerou o Fl. 100DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele foi lavrado com pleno embasamento legal e observância às normas vigentes, não tendo a Defendente apresentado elementos ou fatos que pudessem ilidir a sua lavratura. A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Natal/RN informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16707.003446/200753 Acórdão n.º 2402003.655 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. O presente lançamento fiscal decorre do fato de que a Recorrente apresentou a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. DO MÉRITO A Recorrente alega que o valor da multa deve ser relevado, já que corrigiu a falta, na competência 07/2004, apontada pela auditoria fiscal. Esclarecemos à Recorrente que a correção da falta apontada pelo Fisco deverá ser realizada dentro do prazo de impugnação, o que não correu no presente caso, eis que, para a competência 07/2004, a falta somente foi corrigida em 17/11/2008 (fls. 79/86), após prolatada a decisão de primeira instância datada de 29/09/2008 (fls. 70/73). Assim, a Recorrente não preencheu todos os requisitos, para usufruir da relevação da multa, estabelecidos pelo art. 291, § 1º, do Decreto 3.048/1999 – diploma que dispõe sobre o Regulamento da Previdência Social (RPS) –, eis que, para a competência 07/2004, a falta apontada pela auditoria fiscal foi corrigida fora do prazo estabelecido para propor a sua peça de impugnação (peça de defesa). Esse artigo 291, § 1º, dispõe: Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. (Redação dada pelo Decreto n° 6.032, de 12/02/2007).(grifamos.) § 1o. A multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. (Alterado pelo Decreto nº 6.032, de 12/02/2007) (grifamos) Logo, não será acatada a alegação da Recorrente, eis que a empresa estava obrigada a confeccionar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), nos moldes do art. 32, inciso IV, da Lei 8.212/1991, in verbis: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do Fl. 102DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 INSS. (Inciso acrescentado pela MP no 1.59614, de 10/11/97, convertida na Lei n° 9.528/97, de 10/12/97). Dessa forma, frisamos que não há como deferir a atenuação ou relevação da multa aplicada, eis que a Recorrente não comprovou haver corrigido a falta apontada pela auditoria fiscal dentro do prazo de impugnação concedido pela legislação de regência. A Recorrente alega também que a multa aplicada é confiscatória, informamos que tal alegação não compete a este foro a discussão sobre a matéria, dado que a Administração Pública é compelida a aplicar a penalidade nos moldes fixados na legislação de regência, o que foi observado no caso ora analisado, não se configurando, assim, o alegado excesso de exação, porque o Fisco agiu no estrito cumprimento do dever legal. Por oportuno, cabe destacar que não se trata de multa moratória. A penalidade aplicada decorre da constatação de infração à legislação, em decorrência de descumprimento de obrigação acessória, que restou confirmado no feito. Com relação ao procedimento utilizado pela auditoria fiscal, a Recorrente alega que não houve cumprimento da legislação vigente. Tal alegação não será acatada, eis que o Fisco cumpriu a legislação de regência, ensejando o lançamento de ofício em decorrência da Recorrente ter incorrido no descumprimento de obrigação tributária acessória, conforme os fatos e a legislação a seguir delineados. Verificase que a Recorrente não informou ao Fisco, por intermédio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, relativas à remuneração dos segurados empregados, para a competência 07/2004. Os valores da remuneração dos segurados foram devidamente delineados na planilha de fl. 13. Com isso, a Recorrente incorreu na infração prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991, transcrito abaixo: Lei 8.212/1991 – Lei de Custeio da Previdência Social (LCPS): Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (...) § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Fl. 103DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16707.003446/200753 Acórdão n.º 2402003.655 S2C4T2 Fl. 5 7 Esse art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991 é claro quanto à obrigação acessória da empresa e o Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, complementa, delineando a forma que deve ser observada para o cumprimento do dispositivo legal, como, por exemplo, o preenchimento e as informações prestadas são de inteira responsabilidade da empresa, conforme preceitua o seu art. 225, inciso IV e §§ 1o a 4o: Decreto 3.048/1999 – Regulamento da Previdência Social: Art.225. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. § 2º A entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social deverá ser efetuada na rede bancária, conforme estabelecido pelo Ministério da Previdência e Assistência Social, até o dia sete do mês seguinte àquele a que se referirem as informações. (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/1999) § 3º A Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social é exigida relativamente a fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1999. § 4º O preenchimento, as informações prestadas e a entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social são de inteira responsabilidade da empresa. Nos termos do arcabouço jurídicoprevidenciário acima delineado, constata se, então, que a Recorrente – ao não incluir na GFIP todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, referentes à remuneração dos segurados empregados – incorreu na infração prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991, c/c o art. 225, inciso IV e §§ 1o a 4o, do Regulamento da Previdência Social (RPS). Portanto, o procedimento utilizado pela auditoria fiscal para a aplicação da multa foi devidamente consubstanciado na legislação vigente à época da lavratura do auto de infração. Ademais, não verificamos a existência de qualquer fato novo que possa ensejar a revisão do lançamento em questão nas alegações registradas na peça recursal da Recorrente. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Em observância aos princípios da legalidade objetiva, da verdade material e da autotutela administrativa, presentes no processo administrativo tributário, frisamos que os valores da multa aplicados foram fundamentados na redação do art. 32, inciso IV e §§ 4o e 5°, da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 9.528/1997. Entretanto, este dispositivo sofreu alteração por meio do disposto nos arts. 32A e 35A, ambos da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 11.941/2009. Com isso, houve alteração da sistemática de cálculo da multa aplicada por infrações concernentes à GFIP’s, a qual deve ser aplicada ao presente lançamento ora analisado, tudo em consonância com o previsto pelo art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional. Assim, quanto à multa aplicada, vale ressaltar a superveniência da Lei 11.941/2009. Para tanto, inseriu o art. 32A na Lei 8.212/1991, o qual dispõe o seguinte: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o. Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o. Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o. A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 105DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16707.003446/200753 Acórdão n.º 2402003.655 S2C4T2 Fl. 6 9 No caso em tela, tratase de infração que agora se enquadra no art. 32A, inciso I, da Lei 8.212/1991. Considerando o grau de retroatividade média da norma previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional (CTN), transcrito abaixo, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, qual a situação mais benéfica ao contribuinte, se a multa aplicada à época ou a calculada de acordo com o art. 32A, inciso I, da Lei 8.212/1991. Esclarecemos que não há espaço jurídico para aplicação do art. 35A da Lei 8.212/1991, eis que este remete para a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/1996, que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais, vejo que as sua regras estão em outro sentido. As multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração, aplicandose apenas ao valor que não foi declarado e nem pago. Assim, há diferença entre as regras estabelecidas pelos artigos 32A e 35A, ambos da Lei 8.212/1991. Quanto à GFIP não há vinculação com o pagamento. Ainda que não existam diferenças de contribuições previdenciárias a serem pagas, estará o contribuinte sujeito à multa do artigo 32A da Lei 8.212/1991. O art. 44 da Lei 9.430/1996 dispõe o seguinte: Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. A regra do artigo acima mencionado tem finalidade exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no art. 32A da Lei 8.212/1991, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito Fl. 106DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 passivo preste as informações à Previdência Social, sobretudo os salários de contribuição percebidos pelos segurados. São essas informações que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. Quando o sujeito passivo é intimado para entregar a GFIP, suprir omissões ou efetuar correções, o Fisco já tem conhecimento da infração e, portanto, já poderia autuálo, mas isso não resolveria um problema extrafiscal, que é: as bases de dados da Previdência Social não seriam alimentadas com as informações corretas e necessárias para a concessão dos benefícios previdenciários. Por essas razões é que não vejo como se aplicarem as regras do artigo 44 da Lei 9.430/1996 aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. E no que tange à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, parte também do dispositivo, além das razões já expostas, devese observar o Princípio da Especificidade – a norma especial prevalece sobre a geral: o art. 32A da Lei 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no art. 44 da Lei 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não se aplica o art. 43 da mesma lei: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em síntese, para aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas apenas as regras do art. 32A da Lei 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria. É irrelevante para tanto se houve ou não pagamento/recolhimento e, no caso que tenha sido lavrado Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP), qual tenha sido o valor nele lançado. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para reconhecer que seja recalculada a multa, se mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/1991, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/07/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10980.008122/2005-24
Data da sessão: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 15/08/2003, 14/11/2003, 13/02/2004
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DEFINIDA EM ATO NORMATIVO. POSSIBILIDADE.
A obrigqão acessória pode ser instituída por ato normativo expedido pela Secretaria da Receita Federal, nos termos da lei.
MULTA POR ATRASO. DCTF. INTIMAÇÃO PRÉVIA.
A aplicação da multa por atraso na entrega da DCTF não depende de prévia intimação ao sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-000.190
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª câmara / 2ª turma ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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Recorrida DR.I-CURITIBA/PR ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 15/08/2003, 14/11/2003, 13/02/2004 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DEFINIDA EM ATO NORMATIVO. POSSIBILIDADE. A obrigqão acessória pode ser instituída por ato normativo expedido pela Secretaria da Receita Federal, nos termos da lei. MULTA POR ATRASO. DCTF. INTIMAÇÃO PRÉVIA. A aplicação da multa por atraso na entrega da DCTF não depende de prévia intimação ao sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1' câmara / 211 turma ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. 1livi b G' • 12-111)NA T*I0 DAMORIM Pr 'clint- 1 R alk *4 -01P ' ,' ULO ROSA ' elato 1 . Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz o ,. / Processo n° 10980.008122/2005-24 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.190 Fl. 32 Veríssimo de Sena, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes Armando. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância que passo a transcrever. Trata o presente processo de auto de infração, cientificado ao sujeito passivo em 28/06/2005(fl. 18), mediante o qual é exigido o crédito tributário total de R$ 1.500,00, referente à multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF relativa aos três últimos trimestres de 2003, sendo que o prazo final para entrega ocorreu em 15/08/2003, 14/11/2003 e 13/02/2004, e a entrega efetiva ocorreu, respectivamente, em 19/08/2003, 20/11/2003 e 16/02/2004. Os fundamentos legais e normativos que embasam o lançamento estão descritos no campo 5 (Descrição dos fatos/fundamentação) do auto de infração. Em 02/08/2005, o contribuinte apresentou impugnação onde alega, em síntese, que seria indevida a exigência de multa pela aplicação, ao caso, do instituto da denúncia espontânea da infração (CTN, art. 138), conforme inclusive já teriam decidido os Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda e também diversas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento, cujas decisões encontram-se relacionadas através de suas ementas na impugnação. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou sua decisão • na ementa correspondente. Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 15/08/2003, 14/11/2003, 13/02/2004 DCTF. MULTA POR ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A disposição do artigo 138 do Código Tributário Nacional-CTN não alcança as penalidades impostas por descumprimento de obrigação acessória como, por exemplo, a multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF. É o Relatório. 2 Processo n° 10980.008122/2005-24 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.190 Fl. 33 Voto Conselheiro RICARDO PAULO ROSA, Relator O recurso é tempestivo. Trata-se de matéria de competência deste Terceiro Conselho. Dele tomo conhecimento. Em sede de recurso, a empresa argüi a ilegalidade da multa imposta pelo atraso na entrega das DCTF. A imposição de que aqui se trata tem origem no próprio Código Tributário Nacional. Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1 0 A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente. § 2° A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3" A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. A ocorrência que deu origem ao crédito tributário contestado está perfeitamente enquadrada nos parágrafos segundo e terceiro acima transcritos. Trata-se de uma obrigação de caráter acessório, que tem por objeto a prestação de informações no interesse da arrecadação tributária federal e que, não tendo sido observada, no tocante ao prazo definido para sua apresentação, deu origem à obrigação principal correspondente à penalidade aplicada. A base legal para a imposição da multa, a partir do ano-calendário de 2002, é a Medida Provisória n. ° 16, de 27 de dezembro de 2001, convertida na Lei n.° 10.426, de 24 de abril de 2002. A aplicação desse dispositivo à fatos anteriores enquadra-se no conceito da alardeada retroatividade benigna, pois a obrigação acessória sub examine e a multa decorrente da inobservância de sua apresentação no prazo previsto já dispunham de base legal Decreto-lei n' 1.968/82, com alteração introduzida pelo Decreto-lei n2 2.065/83. § 2Q Será aplicada multa de valor equivalente ao de uma ORTN para cada grupo de 5 (cinco) informações inexatas, incompletas ou omitidas, apuradas nos formulários entregues em cada período determinado. § 3Q Se o formulário padronizado (§ I') for apresentado após o período determinado, será aplicada multa de 10 (dez) ORTN ao 3 Processo n° 10980.008122/2005-24 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.190 Fl. 34 mês-calendário ou fração, independentemente da sanção prevista no parágrafo anterior. § .0 Apresentado o formulário, ou a informação, fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento "ex officio", ou se, após a intimação, houver a apresentação dentro do prazo nesta fixado as multas serão reduzidas à metade." Decreto-lei n2 2.124/83. Art. 5°. O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. (.) § 3°. Sem prejuízo das penalidades aplicáveis pela inobservância da obrigação principal, o não cumprimento da obrigação acessória na forma da legislação sujeitará o infrator à multa de que tratam os §§ 2°, 3' e 4° do art. 11 do Decreto-lei n° 1.968, de 23 de novembro de 1982, com a redação que lhe foi dada pelo Decreto-lei n°2.065, de 26 de outubro de 1983." Lei n° 9779, de 19 de janeiro de 1999. Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. Havendo previsão legal para imposição, não há como afastá-la. A responsabilidade tributária é objetiva, independe da intenção do agente, conforme preceitua o Código Tributário Nacional. Responsabilidade por Infrações Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Não está correta a interpretação de que a Lei 10.426/02 limita a possibilidade de aplicação da a multa à condição de que a empresa tenha sido previamente intimada a apresentar as declarações. O inciso II especifica a multa pela entrega fora do prazo estabelecido em lei e não pela entrega após a intimação e a intimação não muda o prazo pré-estabelecido. Art. 700 sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica - DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF, Declaraçã o Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte - DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais - Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não- apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, 4 Processo n° 10980.008122/2005-24 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.190 Fl. 35 no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal - SRF, e sujeitar-se-á às seguintes multas: (Redação dada pela Lei no 11.051, de 2004) 1- de 2%(dois por cento) ao mês-calendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20%(vinte por cento), observado o disposto no § 3; II - de 2%(dois por cento) ao mês-calendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na DIRF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a 20%(vinte por cento), observado o disposto no § 30; III - de 2% (dois por cento) ao mês-calendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3° deste artigo; (Redação dada pela Lei n o 11.051, de 2004) IV - de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. (Incluído pela Lei no 11.051, de 2004) § 1° Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não-apresentação, da lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei n o 11.051, de 2004) (grifei) § 2° Observado o disposto no § 3°, as multas serão reduzidas: I - à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de oficio; II - a 75%(setenta e cinco por cento), se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3°A multa mínima a ser aplicada será de: I- R$ 200,00 (duzentos reais), tratando-se de pessoa fisica, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996; II - R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. § 4° Considerar-se-á não entregue a declaração que não atender às especificações técnicas estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal. 5 Processo n° 10980.008122/2005-24 S3-CIT2 Acórdão n.° 3102-00.190 Fl. 36 § 5° Na hipótese do § 4°, o sujeito passivo será intimado a apresentar nova declaração, no prazo de 10(dez) dias, contados da ciência da intimação, e sujeitar-se-á à multa prevista no inciso Ido capta, observado o disposto nos §§ 1"a 3". Ante o exposto, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário apresentado pelo con 'buinte. Sa . d. • • essões, em 27 de março de 2009. - 1. ULO ROSA 6
score : 1.0
Numero do processo: 10120.000730/2003-59
Data da sessão: Wed Jan 26 00:00:00 UTC 2005
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS.
DECADÊNCIA.
O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário relativo à Cofins é de dez anos.
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE.
Às instâncias administrativas não competem apreciar vícios de ilegalidade ou de inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente.
ALUGUEL DE IMÓVEIS PRÓPRIOS.
O aluguel de imóveis próprios constitui receita da empresa, e, portanto, integra a base de cálculo da Cofins.
DESCONTOS OBTIDOS.
Considera-se como base de cálculo da contribuição os ingressos havidos na contabilidade do recorrente caracterizados como receitas, que é o caso dos descontos obtidos, concedidos pelas vendedoras ao contribuinte.
COMPENSAÇÃO.
A compensação regularmente efetuada antes do início do procedimento de
oficio com créditos do Finsocial recolhido a maior, é. uma das condições de extinção do crédito tributário.
MULTA DE OFÍCIO. MAJORAÇÃO DO PERCENTUAL. SITUAÇÃO
QUALIFICATIVA. FRAUDE.
A conduta descrita pela norma tipificadora do ilícito tributário como qualificado exige do sujeito passivo, cumulativamente, os seguintes comportamentos: o dolo, ou seja, a deliberada intenção de obter o resultado que seria o impedimento ou retardamento da ocorrência do fato gerador, ou a exclusão ou modificação das suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 202-16.082
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes: I) por maioria de votos, em negar provimento ao recurso quanto a decadência. Vencidos os Conselheiros Marcelo Marcondes Meyer-Kozlowski, Raimar da Silva Aguiar e Adriene Maria de Miranda (Suplente). II) por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a compensação e reduzir a multa de 150% para 75%.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Nayra Bastos Manatta
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ementa_s : NORMAS PROCESSUAIS. DECADÊNCIA. O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário relativo à Cofins é de dez anos. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. Às instâncias administrativas não competem apreciar vícios de ilegalidade ou de inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente. ALUGUEL DE IMÓVEIS PRÓPRIOS. O aluguel de imóveis próprios constitui receita da empresa, e, portanto, integra a base de cálculo da Cofins. DESCONTOS OBTIDOS. Considera-se como base de cálculo da contribuição os ingressos havidos na contabilidade do recorrente caracterizados como receitas, que é o caso dos descontos obtidos, concedidos pelas vendedoras ao contribuinte. COMPENSAÇÃO. A compensação regularmente efetuada antes do início do procedimento de oficio com créditos do Finsocial recolhido a maior, é. uma das condições de extinção do crédito tributário. MULTA DE OFÍCIO. MAJORAÇÃO DO PERCENTUAL. SITUAÇÃO QUALIFICATIVA. FRAUDE. A conduta descrita pela norma tipificadora do ilícito tributário como qualificado exige do sujeito passivo, cumulativamente, os seguintes comportamentos: o dolo, ou seja, a deliberada intenção de obter o resultado que seria o impedimento ou retardamento da ocorrência do fato gerador, ou a exclusão ou modificação das suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento Recurso parcialmente provido.
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P"blicado no Diário Oficial da União De j"'t I 0'5 I 06 ------;-:V;;:;IS:::T==O- •...•~ ~Ld Recorrente Recorrida DROGAFARMA COMÉRCIO E PARTICIPAÇÕES LTDA. DRJ em Brasília - DF CONFERE COM O ORIGINAL Bmn!a- DF, em I / "I /2#:,- diia#A~ Seaotária da S,g;:nda Comara Segundo Constlho do Co~mlmi.,tesIMF NORMAS PROCESSUAIS. DECADÊNCIA. O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário relativo à Cofms é de dez anos. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. Às instâncias administrativas não competem apreciar vícios de ilegalidade ou de inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente. ALUGUEL DE IMÓVEIS PRÓPRIOS. O aluguel de imóveis próprios constitui receita da empresa, e, portanto, integra a base de cálculo da Cofins. DESCONTOS OBTIDOS. Considera-se como base de cálculo da contribuição os ingressos havidos na contabilidade do recorrente caracterizados como receitas, que é o caso dos descontos obtidos, concedidos pelas vendedoras ao contribuinte. COMPENSAÇÃO. A compensação regularmente efetuada antes do início do procedimento de oficio com créditos do Finsocial recolhido a maior, é. uma das condições de extinção do crédito tributário. MULTA DE OFÍCIO. MAJORAÇÃO DO PERCENTUAL. SITUAÇÃO QUALIFICATIVA. FRAUDE. A conduta descrita pela norma tipificadora do ilícito tributário como qualificado exige do sujeito passivo, cumulativamente, os seguintes comportamentos: o dolo, ou seja, a deliberada intenção de obter o resultado que seria o impedimento ou retardamento da ocorrência do fato gerador, ou a exclusão ou modificação das suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: DROGAF ARMA COMÉRCIO E PARTICIP AÇÕES LTDA. ACORDAM os Membros da Segunda Cãmara do Segundo Conselho de Contribuintes: n por maioria de votos, em negar provimento ao recurso quanto a decadência. Vencidos os Conselheiros Marcelo Marcondes Meyer-Kozlowski, Raimar da Silva Aguiar e Adriene Maria de Miranda (Suplente). lI) por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a compensação e reduzir a multa de 150% para 75%. Sala das Sessões, em 26 de janeiro de 2005 4.1r..;.-.< .f!~,(er,p~-"'.7 /í1k'nnqtie Pinherro Torres Presidente Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Jorge Freire e Antonio Zomer (Suplente). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Antõnio Carlos Bueno Ribeiro e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda. cl/opr I ~Ld CONFERE COM O ORIGINAL Brasília - DF, em ! /"l / bJ8 .•- ALbL.éIéíIiii ~~'J ilJi Secrttâría da S.~g'c<!ic1;; •..•flmsril Segundu CODJtl'tO odeOJfl'ntlUU1f!!:;!t-l'F 10120.000730/2003-59 125.054 202-16.082 DROGAFARMA COMÉRCIO E PARTICIPAÇÕES LTDA. Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Recorrente Processo nº Recurso nº Acórdão nº .., RELATÓRIO Adoto o relatório do Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em BrasílialDF, que a seguir transcrevo: Contra a empresa acima identificada foi lavrado Auto de Irifração em virtude da insuficiência de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins, diferenças entre o valor escriturado e o declarado/pago, referente aos períodos de apuração compreendidos entre os meses de outubro/97 a dezembro/2002 (fls. 582 a 594). o valor do crédito tributário apurado perfaz um total de R$I.792.54I,88, correspondendo ao valor da contribuição principal, acrescido de multa ejuros de mora. (fls. 582) A capitulação legal da autuação se encontra às folhas 587 e 594. A contribuinte impugna (fls. 608 a 624) o auto de infração constante do presente processo, alegando, em síntese, que: 1. Preliminarmente, é nulo o auto de infração porque: (1) O MPF não foi prorrogado e nem lhe foi cientificado de que haveria prorrogação; (2) O auto de infração não foi lavrado no estabelecimento da Impugnante; (3) Os Auditores-jiscais são agentes incapazes, destituídos de habilitação técnica, para proceder perícia e auditoria contábeis, atos privativos de contadorlcontabilista legalmente habilitado perante o CRC; (4) Não foram feitos a Intimação para Esclarecimentos antes da lavratura do auto de infração e o Termo de Início de Fiscalização; 2. Não se pode configurar infração sujeita à autuação o exercicio do Direito do contribuinte amparado por decisão judicial, e mesmo que admitido o lançamento, não pode o fisco aplicar multa de oficio na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, conforme dispõe o art. 63 e parágrafos da Lei 9.430/96, sem falar de seu caráter confisca tório, valendo ressaltar que nunca teve a intenção de fraudar, sendo certo que tal alegação deve ser provada cabalmente pelo fisco, haja vista que tinha ação em curso para efetuar a compensação (processo 1997.35.00.010400-1 - 3a VF-GO); 2 3. Os descontos obtidos e os aluguéis recebidos - locação de imóveis próprios - não fazem parte da base de cálculo do Pis, pois não se enquadram no conceito defaturamento ~l previsto na legislação. -f " .'. y,. ( .a Ministério da Fazenda •• Segundo Conselho de Contribuintes Processo nº 10120,00073012003-59 Recurso nº 125.054 Acórdão n" 202-16.082 CONFERE COM O ORIGINAL Braslli~ - DF, em I /"i / ;?H:> d!tIa~~ Secretmia da S<glll1da Cfunara 8eguDdll Coosdbo de Co"",ibuinttsIMF ~Ld A autoridade julgadora de primeira instância manifestou-se por meio do Acórdão DRJ/BSA n° 6.008, de 22/05/2003, fls. 638/650, considerando procedente o lançamento, ementando a sua decisão nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 31/1011997 a 31/1212002 Ementa: Preliminares de Nulidade: 1-Mandado de Procedimento Fiscal - MPF Não cabe ao contribuinte alegar que não teve ciência da prorrogação do mandado de procedimento fiscal, bem assim que não lhe foi entregue o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação quando colaborou com o andamento dos trabalhos de fiscalização, pois, tendo dúvida acerca da prorrogação, poderia ter se socorrido da via administrativa ou judicial como forma de obstar a atuação do agente fiscal desconforme com os atos emanados da Secretaria da Receita Federal. No mais, a Portaria nO3.007/2001 não exige a aposição de ciência do sujeito passivo naquele demonstrativo. 2 - Local da Lovratura do Auto de Infração O entendimento do art. 10° do Decreto n° 70.235172 é no sentido de que o auto de infração será lavrado onde a falta foi constatada, nada impedindo, portanto, que ocorra a lavratura no interior da repartição. 3 - Habilitação do Agente Fiscal para Exame Contábil O Auditor Fiscal da Receita Federal têm competência para a formalização de lançamento visando à constituição de crédito tributário correspondente aos tributos e contribuições administradas pela Secretaria da Receita Federal e o ingresso na carreira independe de qual o curso superior que possui o agente. 4 -Intimação para Esclarecimentos e Termo de Início de Fiscalização Durante o periodo da auditoria quando são realizados os procedimentos fiscais que antecedem ao ato do lançamento, a fiscalização não está obrigada a cientificar a empresa fiscalizada do andamento dos trabalhos, nem a intimar a empresa para esclarecimentos antes da lavratura do auto de infração. A preterição do direito de defesa decorre de despachos ou decisões e não da lavratura de ato ou termo como se materializa a feitura do auto de infração, sendo incabível a alegação de cerceamento da defesa se nos autos existem os elementos de prova necessários à solução do litígio e a infração está perfeitamente demonstrada e tipificada .. Igualmente não pode ser alegada nulidade do lançamento se nos autos consta que a contribuinte tomou ciência do início da fiscalização. Falta de Recolhimento 3 " ~ Processo nº Recurso nº Acórdão nº Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 10120.000730/2003-59 125.054 202-16.082 CONFERE COM O ORIGINAL Brasilia - [)F. em Ó / q /2tJo,!,.- ~~i~uji Semtâria da S:lg1llld. Ciroara Segundo Conaelbo da Co.tribuintes!MF I "C~M,IFL Constatada falta de recolhimento da contribuição no período alcançado pelo auto de infração, é de se manter o lançamento, por força da lei. Base de Cálculo - Descontos Obtidos e Aluguéis Recebidos Os descontos obtidos e os aluguéis recebidos compõem a base de calculo da contribuição para o PIS e para a COFINS pois entende-se por faturamento a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Crédito Tributário Sub Judice Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito pelo lançamento. A concessão de Medida Liminar em Mandado de Segurança suspende a exigibilidade do crédito tributário, ou seja, a sua cobrança, porém não impede sua constituição pelo lançamento. Ilegalidade e/ou Inconstitucionalidade A discussão sobre legalidade ou constitucionalidade das leis é matéria reservada ao Poder Judiciário. Multa Qualificada Justifica-se a aplicação da multa no percentual de 150% se a própria contribuinte confirma que efetuou compensação de tributo amparada por decisão judicial em que não éparte legítima, caracterizando-se pois o evidente intuito de fraude de que trata o inciso 11do art. 44 da Lei 9.430/1996, definido no art. 72 da Lei 4.502/1964. Lançamento Procedente. A contribuinte tomou ciência do teor do referido Acórdão em 08/08/2003. fl. 662, e, inconformada com o julgamento proferido, interpôs, em 08/09/2003, recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes, fls. 666/674, no qual argúi como razões de defesa: 1. decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário relativo ao ano de 1997 uma vez que a ciência do lançamento deu-se em 10/03/2003, ou seja, transcorridos mais de cinco anos da data de ocorrência dos fatos geradores nos termos do art. 150, S 4°, do CTN; 2. indicação da ação judicial nas DCTF do ano calendário de 1997 refere-se à ação judicial que julgou inconstitucional a majoração da alíquota do Finsocial em percentuais superiores a 0,50%; 3. não houve intenção de fraude como afirmou o Fisco mas apenas o indicativo da origem do seu direito de proceder a compensação dos valores recolhidos a maior a título do Fínsocial com a Cofins devida; 4. a compensação efetuada refere-se aos valores que excederam a alíquota de 0,50%, recolhidos a maior, a título do Finsocial, sendo que o procedimento ~I 4 , , Processo nº Recurso nº Acórdão nº Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 10120.000730/2003-59 125.054 202-16.082 (;O\lllltllUi COM .Q.l0lUalN A.L Brasilia - DF, em o / q I ãlD- ridJ&.;J;-4uJl Secrelária da s"gunda Cãrn.,. SegImdo Conselho de Con:ribuintoslMF I "IT~ IFI. . de compensação do Finsocial coma Cofins foi reconhecido pela SRF, conforme se verifica da MP do CADIN n° 1973-61; 5. a menção da ação judicial teve o objetivo de indicar a redução da alíquota do Finsocial por força da decisão do STF e não que a recorrente fazia parte da ação; 6. inexistindo intuito de fraude não se pode falar em multa agravada; 7. inconstitucionalidade da Lei n° 9.718/98; 8. descontos obtidos na compra de mercadorias não é base de cálculo da Cofins uma vez que não representam receitas, mas sim redução de custos; 9. reitera as razões apresentadas na inicial acerca da inclusão na base de cálculo da Cofins de receitas advindas de aluguéis de imóveis próprios. A autoridade competente informa à fl. 863 que a recorrente apresentou arrolamento de bens garantindo o seguimento do recurso interposto. o julgamento foi convertido em diligência para que se verificasse se a compensação com créditos advindos de recolhimento a maior do FINSOCIAL foram suficientes para cobrir a Cofins lançada no presente Auto de Infração, para o ano de 1997. Em resposta a autoridade informa, fls. 878/879, que a "compensação efetuada foi suficiente para cobrir o valor da Cofins lançada no presente Auto de Infração, para o ano de 1997, conforme pode ser comprovado nas planilhas de calculo (fls. 954/974) .••.Alerta ainda que a compensação foi efetuada transcorridos mais de cinco anos dos recolhimentos indevidos do Finsocial, suscitando a aplicação dos arts. 165, I e 168, I, do CTN e AD SRF n° 096/99. Intimada do teor da diligência efetuada a contribuinte não se manifestou, tendo os autos retornado a esta Câmara para julgamento. É o relatório. ~4' 5 . , • Processo nº Recurso nº Acórdão nº Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 10120.000730/2003-59 125.054 202-16.082 ~bJ VOTO DA CONSELHEIRA-RELATORA NAYRA BASTOS MANA TIA Primeiramente ressalte-se que o recurso interposto encontra-se revestido das formalidades legais cabíveis, merecendo ser apreciado. Antes de qualquer pronunciamento deste Colegiado há de ser apreciada a questão da decadência por se constituir uma prejudicial de mérito. No que tange à decadência do direito de constituir o crédito da Cofins, tem-se que seu prazo é de 10 anos, e não 5 anos, como alegou a recorrente. Observemos, o art. 150, S 4°, do CTN, que assim dispõe: Art. 150 - O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. S 4° - Se a lei não fixar prazo à homologacão , será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Como se verifica, a norma do CTN estipula regra geral de prazo à homologação, deixando facultado à lei a prerrogativa de estipular, de modo específico, prazo diverso para a ocorrência da extinção do direito da Fazenda Pública em constituir o crédito. A Cofins é contribuição destinada a financiar a Seguridade Social, nos termos do art. 195, inciso I, da Constituição Federal, sendo-lhe aplicáveis, portanto, as normas específicas da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, publicada no Diário Oficial da União em 25/07/1991 e republicada em 11/04/1996, que dispõe sobre a organização da Seguridade Social, e cujo art. 45 prevê: Art. 45. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue-se após 10 (dez) anos contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; (..) Tal posicionamento foi adotado pela Segunda Turma do STJ quando do julgamento do RESP 475559/SC, datado de 17/1112003, cuja ementa encontra-se assim transcrita: TRIBUTARIo. EXECUÇÃO FISCAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRESCRIÇÃO. PRAZO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. 6 ,- , .: ( ,\, \. Processo nº Recurso nº Acórdão nº Ministério da Fazenda Seg)ll1do Conselho de Contribuintes. 10120.000730/2003-59 125.054 202-16.082 CF/88 E LEI N" 8.212/91. CONFERE COM O ORIGINAL B~í1ia - I'lF,em 6' / q /Ü/d)- ~~ Seorc1ãri.da Segunda0= Segundo Caoselho do Co~;nbuint<sIMF ~Ld I. A Constituição Federal de 1988 tornou indiscutível a natureza tributária das contribuições para a seguridade. A prescrição e decadência passaram a ser regidas pelo CTN cinco anos e, após o advento da Lei n° 8.212/91, esse prazo passou a ser decenaL 2. In casu, o débito relativo a parcelas não recolhidas pelo contribuinte referentes aos anos de 1989, 1990 e 1991, sendo a notificação fiscal datada de 07.04.97, acha-se atingido pela decadência, salvo quanto aos fatos geradores ocorridos a partir de 25 de julho de 1991, quando entrou em vigor O prazo decenal para a constituição do crédito previdenciário, nos termos do art. 45 da Lei n° 8.212/91. 3. Recurso Especial parcialmente provido. Desta forma, quando da ciência do Auto de Infração em tela (10/03/2003), ainda não decaíra o direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento relativo aos períodos de 10/97 a 12/97 uma vez que a Peça Infracional foi lavrada antes de transcorridos os dez anos previstos na lei. Superada a questão da decadência, é de se verificar que uma das questões tratadas no recurso é a compensação efetuada pela recorrente de créditos oriundos de recolbimentos efetuados a título do Finsocial que excederam a alíquota de 0,50%, cuja indicação na DCTF foi efetuada sob a indicação da ação judicial na qual o STF julgou definitivamente inconstitucional a majoração da alíquota do Finsocial. Ainda que a contribuinte não tenha figurado como parte na ação judicial que culminou com a declaração de inconstitucionalidade do Decreto-Lei n° 1.940/82, Lei n° 7.689/88, Ld n° 7.787/89 e Lei n° 8.147/90, a Administração Pública Federal, manifestou-se acerca de eventuais divergências sobre os efeitos temporais das declarações de inconstitucionalidade por meio do Decreto n° 2.346, de 10 de outubro de 1997, que estabeleceu: Art.l ° - As decisões do Supremo Tribunal Federal que fixem, deforma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional deverão ser uniformemente observadas pela Administração Pública Federal direta e indireta, obedecidos aos procedimentos estabelecidos neste Decreto. ~ 1" Transitada em julgado decisão do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, em ação direta, a decisão, dotada de eficácia "ex tunc", produzirá efeitos desde a entrada em vigor da norma declarada inconstitucional, salvo se o ato praticado com base na lei ou ato normativo inconstitucional não maisfor suscetível de revisão administrativa oujudicial. ~ 2" O disposto noparágrafo anterior aplica-se, igualmente, à lei ou ao ato normativo que tenha sua inconstitucionalidade proferida, incidentalmente, pelo Supremo Tribunal Federal, após a suspensão de sua execuçãopelo Senado Federal. ~ 7 ,". t Processo nº Recurso nº Acórdão nº Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 10120.000730/2003-59 125.054 202-16.082 c~~ Sooretãria da S~~'UüdaC6rnara Segundo Consellio <k Co.:rib,tinte,IMF ~ ~ Art. 4° - Ficam o Secretário da Receita Federal e o Procurador-Geral da Fazenda Nacional, relativamente aos créditos tributários, autorizados a determinar, no âmbito de suas competências e com base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei, tratado ou ato normativo, que: f - não sejam constituídos ou que sejam retificados ou cancelados; 11- não sejam efetivadas inscrições de débitos em dívida ativa da União; f11 - sejam revistos os valores já inscritos, para retificação ou cancelamento da respectiva inscrição; IV - sejam formuladas desistências de ações de execução fiscal. Parágrafo único. Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Neste diapasão, entendeu a Coordenação-Geral do Sistema de Tributação - COSIT, com base no Decreto nO2.346/97, que o Secretário da Receita Federal poderá reconhecer a inconstitucionalidade de ato normativo ou legal, declarada pelo Supremo Tribunal Federal. Assim, aquele órgão exarou o Parecer COSIT n.° 58, de 27 de outubro de 1998, que, em seu item 12, dispõe: 12. Conseqüentemente, a resposta à primeira questão é afirmativa: os efeitos da declaração de inconstitucionalidade, seja por via de controle concentrado, seja por via de controle difuso, são retroativos, ressaltando-se que, pelo controle difuso, somente produzirá efeitos, em relação a terceiros, após a suspensão pelo Senado da lei ou ato normativo declarado inconstitucional. 12.1. Excepcionalmente, o Decreto prevê, em seu art. 4~que o Secretário da Receita Federal e o Procurador-Geral da Fazenda Nacional possam adotar, no âmbito de suas competências, decisões definitivas do STF que declarem a inconstitucionalidade de Lei, tratado ou ato normativo - que teriam, assim, os mesmos efeitos da resolução do Senado. No uso da faculdade que lhe fora atribuída pelo Decreto n° 2.346/97, o Secretário da Receita Federal emÍtiu a Instrução Normativa n° 031, de 08 de abril de 1997, transcrevendo, no art. 1° , as disposições contidas na Medida Provisória nO1.110, de 30 de agosto de 1995: Art. 1" Fica dispensada a constituição de créditos da Fazenda Nacional relativamente: 111 - à contribuição ao Fundo de Investimento Social - Finsocial, exigida das empresas exclusivamente vendedoras de mercadorias e mistas, com fundamento no art. 9° da Lei n° 7.689, de 1988, na aliquota superior a 0,5% (meio por cento), conforme Leis n° 7.787, de 30 dejunho de 1989, 7.894, de 24 de novembro de 1989, e f~ 8 .. ~ I I I Processo nº Recurso nº Acórdão nº Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 10120.000730/2003-59 125.054 202-16.082 CONFERE COM O ORlCiN,;_ Bras1lia - DF, em é I '1 Ià>O~- ~4;~ S<:<:~ dll Scrunc!_ r;mm Segundo Co"..lho ele Co.,.;buinto:;/MF I '"CCM, IFI. 9 8.147, de 28 de dezembro de 1990, acrescida do adicional de 0,1% (um décimo por cento) sobre osfatos geradores relativos ao exercicio de 1988, nos termos do art. 22, do Decreto-lei n° 2.397, de 21 de dezembro de 1987; Em 09 de abril do mesmo ano, o Secretário da Receita Federal emitiu a Instrução Normativa na 032, cujo art. 20 determina: Art. 2" Convalidar a compensação efetivada pelo contribuinte, com a contribuição para Financiamento da Seguridade Social - Cofins, devida e não recolhida, dos valores da contribuição ao Fundo de 1nvestimento Social - Finsocial, recolhidos pelas empresas exclusivamente vendedoras de mercadorias e mistas, com fundamento no art. 9° da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, na alíquota superior a 0,5% (meio por cento), conforme Leis n° 7.787, de 30 de junho de 1989, 7.894, de 24 de novembro de 1989, e 8.147, de 28 de dezembro de 1990, acrescida do adicional de 0,1% (um décimo por cento) sobre osfatos geradores relativos ao exercício de 1988, nos termos do art. 22, do Decreto-lei n° 2.397, de 21 de dezembro de 1987. Consoante ao entendimento então em vigor administrativa e judicialmente e obedecendo a prerrogativa definida no aludido Decreto na 2.346/97, a Secretaria da Receita Federal, mediante as Instruções Normativas supra, reconheceu a inconstitucionalidade da majoração de alíquotas da Contribuição ao Fundo de Investimento Social, reiteradas vezes declarada pelo Supremo Tribunal Federal em decisões desprovidas de eficácia erga omnes. Segundo a orientação do Parecer COSIT na 58/98, O ato do Secretário da Receita Federal que adote decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal possui os mesmos efeito - ex tunc - de Resolução do Senado Federal que retira de vigência dispositivo inconstitucional, considerando-se indevidamente constituídos os créditos relativos às alíquotas do Finsocial superiores a 0,5% (meio por cento) e, por conseguinte, passíveis de compensação ou restituição, em conformidade com o preceituado nos arts. 66 da Lei na 8.383/91 e 74 da Lei na 9.430/96. Desta forma, verifica-se que a compensação pretendida pela contribuinte está, pois, amparada pelo disposto no art. 66 da Lei na 8.383/91, e art. 74 da Lei na 9.430/96, a seguir transcritos: Lei n° 8.383/91 Art.66 - Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. * "caput" com redação dada pela Lei n° 9.069, de 29 de junho de 1995 (DOU de 30/06/1995, em vigor desde a publicação). vYlf , , , , Processo nQ Recurso nQ AcórdãonQ Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 10120.000730/2003-59 125.054 202-16.082 Lei n° 9.430/96 CONFERI:: êGfv! o OKI':m,H,t, Brasília - DF, em 6' / ') ;?opr cN:1d;~ s.clOlária da Sogund. rômara Segundo eon..n.o de ú",:nbuiote,1MF I PC~~ IFI. Art. 74 - Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte,poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuicões sob sua administracão. (grifos meus) O fato de a recorrente haver informado incorretamente a base legal que lastreou a compensação' efetuada não torna inexistente o seu direito, reconhecido pela própria administração e exercido pela empresa. No que diz respeito ao prazo decadencial para realizar a compensação, suscitado pelo fiscal diligenciador, é de se verificar que a controvérsia acerca do prazo para a compensação ou restituição de tributos e contribuições federais, quando tal direito decorra de situação jurídica conflituosa, na qual se tenha por definido ser indevido o tributo, foi muito bem enfrentada pelo Conselheiro José Antônio Minatel, no Acórdão nO 108-05.791, cujo excerto transcrevo: {...} Voltando, agora, para o tema acerca do prazo de decadência para pleitear a restituição ou compensação de valores indevidamente pagos, àfalta de disciplina em normas tributárias federais de escalão inferior, tenho como norte o comando inserto no art. 168 do Código Tributário Nacional, que prevê expressamente: 'Art. 168 - O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I - nas hipóteses dos incisos I e Il do art. 165, da data da extinção do crédito tributário. 11- na hipótese do inciso 111do art. 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. ' Veja-se que o prazo é sempre de 5 (cinco) anos, sendo certo que a distinção sobre o início da sua contagem está assentada nas diferentes situações que possam exteriorizar o indébito tributário, situações estas elencadas, com caráter exemplificativo e didático, pelos incisos do referido art. 165 do CTN, nos seguintes termos: 'Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no parágrafo l do art. 162, nos seguintes casos: I - cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou~-I' 10 -- , :, I Processo n~ Recurson~ Acórdão n~ Ministério da Fazenda Segundo' Conselho de Contribuintes 10120.000730/2003-59 125.054 202-16.082 CONFERb COl.\. (J O]UG1NAL Brasília - DF, em Ó 1 q 12<J())- ~~~ Secro1ária da Se!'llnda C,mam Sesundo Conscl1lo de Co.,,;buinw.JMF I "IT~ IFI. da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; 11 - erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; 111 - reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. ' o direito de repetir independe dessa enumeração das diferentes situações que exteriorizam o indébito tributário, uma vez que é irrelevante que o pagamento a maior tenha ocorrido por erro de interpretação da legislação ou por erro na elaboração do documento, posto que qualquer valor pago além do efetivamente devido será sempre indevido, na linha do princípio consagrado em direito que determina que 'todo aquele que recebeu o que lhe não era devido fica obrigado a restituir', conforme previsão expressa contida no art. 964 do Código Civil. Longe de tipificar numerus ciausus, resta a função meramente didática para as hipóteses ali enumeradas, sendo certo que os incisos I e 11do mencionado artigo 165 do CTN voltam-se mais para as constatações de erros consumados em situação fática não litigiosa, tanto que aferidos unilateralmente pela iniciativa do sujeito passivo, enquanto que o inciso 111 trata de indébito que vem à tona por deliberação de autoridade incumbida de dirimir situação jurídica conflituosa, daí referir-se a 'reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória '. Na primeira hipótese (incisos I e 11) estão contemplados os pagamentos havidos por erro, quer seja ele de fato ou de direito, em que o juízo do indébito opera-se unilateralmente no estreito círculo do próprio sujeito passivo, sem a participação de qualquer terceiro, seja a administração tributária ou o Poder Judiciário, daí a pertinência da regra que fIXa o prazo para desconstituir a indevida incidência já a partir da data do efetivo pagamento, ou da 'data da extinção do crédito tributário', para usar a linguagem do art. 168, L do próprio CTN. Assim, quando o indébito é exteriorizado em situação fática não litigiosa, parece adequado que o prazo para exercício do direito à restituição ou compensação possa fluir imediatamente, pela inexistência de qualquer óbice ou condição obstativa da postulação pelo sujeito passivo. o mesmo não se pode dizer quando o indébito é exteriorizado no contexto da solução jurídica conflituosa, uma vez que o direito de repetir o valor indevidamente pago só nasce para o sujeito passivo com a decisão definitiva daquele conflito, sendo certo que ninguém poderá estar perdendo direito que não possa exercitá-lo. Aqui, está coerente a regra que fIXa o prazo ~ 11 " / ,', I I, Processo nº Recurso nº Acórdão nº Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 10120.000730/2003-59 125.054 202-16.082 CONFBM COM O OIUOlNAL Dmlllll = DIl, @m f I q I ü;o>- ~ff~ Sccre1ária da Sogunt'", Cimara Segundo Conselho de Co~;,;buinre:'/MF I "=~IFt de decadência par pleitear a restituição ou compensação só a partir 'da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa, ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória' (art, 168, 11,do CTN). Pela estreita similitude, o mesmo tratamento deve ser dispensado aos casos de soluções jurídicas ordenadas com eficácia erga omnes, como acontece na hipótese de edição de resolução do Senado Federal para expurgar do sistema norma declarada inconstitucional, ou na situação em que é editada Medida Provisória ou mesmo ato administrativo para reconhecer a impertinência da exação tributária anteriormente exigida. Esse parece ser, a meu juízo, o único critério lógico que permite harmonizar as diferentes regras de contagem de prazo previstas no Estatuto Complementar (CTN). Nessa mesma linha também já se pronunciou a Suprema Corte, no julgamento do RE n. o 141.331-0 em que foi relator o Ministro Francisco Resek, emjulgado assim ementado: 'Declarada a inconstitucionalidade das normas instituidoras do depósito compulsório incidente na aquisição de automóveis (RE 121.136), surge para o contribuinte o direito à repetição do. indébito, independentemente do exercicio finánceiro em que se deu o pagamento indevido. ' (Apud OSWALDO OTHON DE PONTES SARAIVA FILHO - In 'Repetição do Indébito e Compensação no Direito Tributário' - pág. 290 - Editora Dialética -1.999). o entendimento do eminente julgador, corroborado pelo pronunciamento do Pretório Excelso, no RE nO 141.331-0, por ele colacionado, muito bem se aplica à espécie dos autos, pelo que o acato e tomo como fundamento para me posicionar no sentido de não ter ocorrido a decadência do direito de pedir a restituição/compensação do tributo em foco. Pois, no caso da Contribuição para o FINSOCIAL, em que a declaração de inconstitucionalidade do Supremo Tribunal Federal acerca da majoração de alíquotas, deu-se em julgamento de Recurso Extraordinário, o que limitaria os seus efeitos apenas às partes do processo, deve-se tomar como demarcador para a contagem do prazo decadencial a data da edição da Medida Provisória nO 1.110, de 30/08/95, sucessivamente reeditada até a Medida Provisória nO 2.176-79, de 23/0812001. Isto porque, através daquela norma legal, a Administração Pública determina a dispensa da constituição de créditos tributários, o ajuizamento da execução e o cancelamento do lançamento e da inscrição da parcela correspondente à contribuição para o FINSOCIAL das empresas exclusivamente vendedoras de mercadorias e mistas, na alíquota superior a 0,5%, com exceção dos fatos geradores ocorridos no exercício de 1988, onde prevalece a alíquota de 0,6%, por força do artigo 22 do Decreto-Lei nO2.397/87. Entendo, pois, que apenas com a edição da Medida Provisória referida, foi reconhecido ser indevido o pagamento da Contribuição para o FINSOCIAL em alíquotas majoradas, com efeito erga omnes. ~ f 12 •• I 1 I• " Processo nQ RecursonQ AcórdãonQ Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 10120.00073012003-59 125.054 202-16.082 oollWP:ll.E COM O 01tlGtNAL Brasllíll . DF, em c / Cf I ~pr " ~~ují Secretária da Segunda Cõmara Segundo Consdho de ü••,mbuintcslMF I "'c~ IFI. Assim, tendo sido a compensação efetuada antes de transcorridos os cinco anos da data da edição da Medida Provisória nO 1.110/95 é de se considerar como válida, não alcançada pela decadência. No que diz respeito aos argumentos acerca da inconstitucionalidade da Lei n° 9.718/1998, é de se observar que tal norma integra o ordenamento jurídico pátrio, tendo, portanto, vigência e eficácia plena enquanto não declarada inconstitucional pelo poder competente. In casu, o Supremo Tribunal Federal, em controle concentrado, ou os demais órgãos judicantes do Poder Judiciário, em controle difuso. Neste caso, para ter efeito erga omnes, necessita de resolução do Senado Federal suspendendo a execução da norma declarada inconstitucional por decisão definitiva da Excelsa Corte. Assim, o contencioso administrativo não é o foro próprio e adequado para discussão dessa natureza, além do que, é preciso lembrar que à autoridade administrativa não compete a apreciação da constitucionalidade ou legalidade das normas tributárias. As questões trazidas pela contribuinte acerca da constitucionalidade da Lei n° 9.718/98 não serão aqui debatidas por não ser o contencioso administrativo o foro próprio e adequado para discussão dessa natureza. Os mecanismos de controle da .constitucionalidade das leis (aqui entendido em sentido amplo), como já explicitado, estão regulados na própria Constituição Federal, todos passando necessariamente pelo Poder Judiciário, que detém com exclusividade essa prerrogativa, conforme se infere dos artigos 97 a 102 da Carta Magna. Corroborando essa orientação, cabe lembrar o conteúdo do Parecer Normativo CST n° 329/70 (DOU de 21110/70), que cita o seguinte ensinamento do Mestre Ruy Barbosa Nogueira: Devemos distinguir o exercício da administração ativa da judicante. No exercício da administração ativa ofuncionário não pode negar aplicação à lei, sob mera alegação de inconstitucionalidade, em primeiro lugar por que não lhe cabe afunção de julgar, mas de cumprir e, em segundo, porque a sanção presidencial afastou do funcionário deadministração ativa o exercício do "Poder Executivo ". Esse parecer também se arrimou em Tito Resende: É princípio assente, e com muito sólido fundamento lógico, o de que os órgãos administrativos em geral não podem negar aplicação a uma lei ou decreto, porque lhes pareça inconstitucional. A presunção natural é que o Legislativo, ao estudar o projeto de lei, ou o Executivo, antes de baixar o decreto, tenham examinado a questão da constitucionalidade e chegado à conclusão de não haver choque com a Constituição: só o Poder Judiciário é que não está adstrito a essa presunção e pode examinar novamente aquela questão. Ainda sobre o tema, o Parecer COSIT/DITIR nO 650, de 28/05/1993, da Coordenação-Geral do Sistema de Tributação, em processo de Consulta, assim dispôs: 5.1 -Defato, se todos os Poderes têm a missão de guardiões da Constituição e não apenas o Judiciário e a todos é de rigor cumpri-la, mencione-se que o Poder Legislativo, em cumprimento a sua responsabilidade, anteriormente à aprovação de uma Lei, a submete à Comissão de' Constituição e Justiça (C.F., art. 58), paraf~ 13 ..• ,. I 'I .• '"': I1 I • , . Processo nº Recurso nº Acórdão nº Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 10120.000730/2003-59 125.054 202-16.082 CONFBRE COM O OlUQINAL Bl'lI8l11a • DP, em , / '1 /~:r ~~ SecretAria di! Segunda Cfunlllll Segundo CODsen," d< eo.'<ibuinttsIMF I ",c"' IFI. salvaguarda de seus aspectos de constitucionalidade elou adequação à legislação complementar. Igualmente, o Poder Executivo, antes de sancioná-Ia, através de seu órgão técnico, Consultoria-Geral da República, aprecia os mesmos aspectos de constitucionalidade e conformação à legislação complementar. Nessa linha seqüencial, o Poder Legislativo, ao aprovar determinada lei, e o Poder Executivo, ao sancioná-Ia, ultrapassam em seus âmbitos, nos respectivos atos, a barreira da sua .constitucionalidade ou de sua' harmonização à legislação co;"plementar. Somente a outro Poder, independente daqueles, caberia tal argüição. 5.2 - Em reforço ao exposto, veja-se a diferença entre o controle judiciário e a verificação de inconstitucionalidade de outros Poderes: como ensina O Professor José Frederico Marques, citado pela requerente, se o primeiro é definitivo hic et I/UI/C, a segunda está sujeita ao exame posterior pelas Cortes de Justiça. Assim, mesmo ultrapassada a barreira da constitucionalidade da Lei na órbita dos Poderes Legislativos e Executivo, como mencionado, chega-se, de novo, em etapa posterior, ao controle judicial de sua constitucionalidade. 5.3 - (...) Pois, se ao Poder Executivo compete também o encargo de guardião da Constituição, o exame da constitucionalidade das leis, em sua órbita, é privativo do Presidente da República ou do Procurador-Geral da República (C.F., artigos 66, S 10 e 103, 1, d VI). Nesse sentido é a jurisprudência torrencial deste Colegiado e, também, da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Daí seria estéril qualquer discussão na esfera administrativa sobre esse tema. No que tange a receitas de aluguéis de imóveis próprios é de se observar que o Poder Judiciário, a par de entender devida a Cofins pelas empresas construtoras, ainda consideram os imóveis como mercadoria. Nesse sentido, vale trazer a ementa do MS n° 95.01.11293-4/DF, em 27/06/95, da Colenda 2n Seção, do Egrégio TRF da In Região: As empresas dedicadas à constmção e comercialização de imóveis estão sujeitas ao seu pagamento, como prestadoras de serviço (a comercialização de imóveis), e mesmo porque os imóveis, como objeto da sua atividade econâmica, constituem também mercadoria. Mercadoria não é somente a coisa móvel que esteja no comércio, mas tudo aquilo que, tendo valor econômico, seja objeto da mercancia. Vejamos que a questão acerca da locação de imóvel ser ou não considerada faturamento nos termos da LC n° 70/91, para efeitos de incidência da contribuição, não mais faz sentido sob a egide da Lei nO9.718/98. Anteriormente à Lei nO 9.718/98 o conceito de receita utilizado na base de cálculo do PIS e da Cofins era o coincidente com o ponceito de faturamento, ou seja, limitava-se às receitas decorrentes da venda de bens e serviços, não abrangendo, portanto, as demais receitas auferidas pelas pessoas jurídicas. Com o advento da Lei nO9.718/98, a base de cálculo das contribuições passou a ser considerada como sendo a receita bruta, permitindo algumas exclusões previstas no seu art. 3°,g2°. ~ 14 I ~ ""ÍIl' 11 • .' " Processo nº Recurso nº Acórdão nº Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 10120.000730/2003-59 125.054 202-16.082 CONFERE COM O ORIGINAL Bia!;íIia - DF, em I I '7 I kli5)- ~f~~i Secretária da Segi:n~•• CIm.,.. Segundo Conselho de C""'rlbui,,tes!MF I '=M' IFI. Art. 2" As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS. devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art 3° O faturamento a que se refere o artigo anterior correspondente à receita bruta da pessoa jurídica. SI ° Entende-se por receita bruta a totalidade das receitas auféridas pela pessoa jurídica. sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificacão contábil adotada para as receitas. (grifo nosso). S 2" Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2~excluem-se da receita bruta: I - as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sabre Produtos Industrializados - IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação - ICMS quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos Serviços na condição de substituto tributário; 11 - as reversões de provisões operacionais e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; III - os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadora expedidas pelo Poder Executivo; IV - a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. O legislador ao se reportar à base de cálculo das contribuições SOCIaiSnão cuidou de definir, expressaInente, o que afinal integraria a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, limitando-se apenas a dizer que não importaria a atividade exercida ou a classificação contábil adotada para as receitas. É na legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica que iremos encontrar a conceituação do que seja "receita bruta", segundo preceituou a referida Lei n° 9.718/98. A Lei nO4.506, de 1964, art. 44, ,e o Decreto-Lei nO1.598, de 1977, art. 12 - matriz legal do art. 279 do RegulaInento do. Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000/99 - explicita o que seja uma receita bruta e os critérios para que possa ser identificada como tal. Art. 279. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. fê'!-{ "" '1 15 .. ." \- ~,'T 'I) .- ., ", Processo n" Recurson" Acórdãon" MinistériodaFazenda SegundoConselhodeContribuintes 10120.000730/2003-59 125.054 202-16.082 CONFERE COM O ORIGINAL Brasília - DF, em " A/loo)- ~i(ifuji Secretária da Sell':nda Ciimara Segundo Conselho de Cor\rilmintesIMF I '~M'IFI. 16 Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem os impostos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante, dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário. Assim, objetivando expandira base de cálculo destas contribuições, a norma jurídica fez com que incidisse sobre a totalidade das receitas auferidas pela empresa, conceito este mais abrangente que o de faturamento. A definição do que seja "receita" foi muito bem enfrentada pelo Conselheiro Gustavo Kelly Alencar quando do julgamento do RV n° 120.937, motivo pelo qual adoto excertos do voto proferido naquele voto como razões de decidir: Podemos definir receita como sendo, segundo bem Podemos definir receita como toda entrada de valores que, integrando-se ao patrimônio da pessoa (fisica ou jurídica, pública ou privada), sem quaisquer reservas ou condições, venha acrescer o seu vulto como elemento novo e positivo. Quanto ao conceito de "receita ", muito se discutiu esse problema da exigência de ingresso no patrimônio da pessoa para ser receita. Para alguns autores, a receita é sinônimo de "entrada financeira ", sendo assim considerada qualquer entrada de dinheiro, venha ou não a constituir patrimônio de quem a recebe. Todos os recebimentos auferidos são incluídos como receita, seja qual for o seu título ou natureza, inclusive o produto da caução, de depósito, de empréstimo ou de fiança criminal. Tudo que se recebe constitui receita, seja "entrada financeira" (não há o ingresso no patrimônio da pessoa), "renda" (auferida de determinada fonte de propriedade da pessoa), "preço" (auferido da venda de um bem material ou de um serviço) ou "receita" (soma de valor que entra para o patrimônio da pessoa). Receita vem a ser, assim, sinônimo de "entrada financeira ", como atestam João Pedro da Veiga Filho e Walter Paldes Valério, além de outros insignes autores. Para outros doutrina dores, o conceito de receita é mais restrito. A entrada financeira, para ser receita deve ingressar no patrimônio da pessoa, que fica proprietário da mesma. Aliomar Baleeiro conceitua a receita pública da seguinte forma: "a entrada que, integrando-se no patrimônio público sem quaisquer reservas, condições ou correspondência no passivo, vem acrescer o seu vulto, como elemento novo e positivo ". Manuel de Juano, diz ser receita pública, "toda quantidade de dinheiro ou bens que obtém o Estado como proprietário para empregá-los legitimamente na satisfação das necessidades públicas ". Seguindo os ensinamentos de Quarta, receita "é uma riqueza nova que se acrescenta ao patrimônio". No mesmo sentido: V. Gobbi, Ezio Vanni, Carlos M Giuliani Fonrouge, além de outros mestres. Conforme se nota, o elemento "entrada para o patrimônio da pessoa" é essencial para caracterizar a entrada financeira como receita. Esta abrange toda quantidade de dinheiro ou valor obtido pela pessoa, que venha a aumentar o seu patrimônio, seja ingressando diretamente no caixa, seja indiretamente pelo direito de recebê-la, sem um compromisso de devolução posterior, ou sem baixa no valor do ativo. Ao examinar e comentar a Lei n° 4.320, de 1964, J. Teixeira Machado Jr., define receita da seguinte forma: ~ J( _ 1 ; ., < r r,t T) ,J ~, Processo nº Recurso nº Acórdão nº Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 10120.000730/2003-59 125.054 202-16.082 I PITM, IFI. Um conjunto de ingressos financeiros com fontes efatos geradores próprios e permanentes, oriundos da ação de tributos inerentes à instituição, e que, integrando patrimônio na qualidade de elemento novo, produz-lhe acréscimos, sem contudo gerar obrigações, reservas e reivindicações de terceiros. Verifica-se daí que receita na concepção da Lei n° 9.718/98 é todo ingresso financeiro que entre na contabilidade do contribuinte, seja ele "entrada financeira" (não há o ingresso no patrimônio da pessoa), "renda" (auferida de determinada fonte de propriedade da pessoa), "preço" (auferido da venda de um bem material ou de um serviço) ou "receita" (soma de valor que entra para o patrimônio da pessoa). Ou seja, independentemente de integrar ou não o patrimônio da empresa, havendo ingresso financeiro em sua contabilidade há receita e, portanto, deve ser tributada de acordo com o disposto na Lei nO9.718/98. Assim a receita de aluguel de imóveis próprios representa um ingresso na contabilidade e no patrimônio da recorrente devendo sobre ela incidir a contribuição. No que tange aos descontos obtidos é de se verificar que, no máximo, podem ser considerados como um incentivo à venda, concedido pelas empresas vendedoras, representando uma redução no preço de compra. Todavia, é de se observar que as compras já haviam sido realizadas, inclusive no que tange aos preços acordados entre as partes. Ou seja, o preço de compra já havia sido acordado e estabelecido antes que ocorressem os chamados descontos obtidos, não podendo, portanto, tais descontos ser considerados como redutor de custos. O que se verifica é que tais descontos representam uma receita da empresa, devendo ser tributado pela Cofins. No que diz respeito ao agravamento da multa, é de se verificar que o fato de a contribuinte haver informado em DCTF o número da ação judicial que declarou inconstitucional a majoração de alíquota do Finsocial para lastrear a sua compensação, ainda que não seja parte integrante da ação não há de ser considerado como fraude que justifique a aplicação da penalidade agravada. Vejamos, o que a Lei nO4.502/64 no seu art. 72 define como sendo fraude: Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato' gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento.: Da leitura do dispositivo legal supra-referido, infere-se que a conduta descrita pela norma exige do sujeito passivo, cumulativamente, os seguintes comportamentos: o dolo, ou seja, a deliberada intenção de obter o resultado que seria o impedime~u;idamento da 7 17 •- •., Processo nº Recurso nº Acórdão nº Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 10120.000730/2003-59 125.054 202-16.082 I "~M'IFI. ocorrência do fato gerador, ou a exclusão ou modificação das suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferír o seu pagamento. Nesse sentido, o cerne do comportamento delituoso consiste na modificação das características da situação de fato ou situação jurídica que, ocorrendo, determina a incidência da norma tributária, com o escopo da redução do valor do tributo devido. Na espécie tratada nos presentes autos, a autoridade fiscal considerou como a situação ensejadora do fato gerador da obrigação tributária aqueles valores constantes da escrita fiscal do sujeito passivo, e considerou como infração qualificada apenas o fato de a contribuinte ter informado em DCTF compensação de tributo com base em ação judicial da qual não faz parte. Ou seja, a autoridade fiscal tomou como referencial para o cálculo do tributo devido aquele escriturado pelo contribuinte, considerando que tais valores corresponderiam à realidade fática, não identificando ter o sujeito passivo perpetrado uma conduta que tivesse por escopo a modificação do fato gerador da obrigação tributária, o que, a nosso ver, é essencial para o não enquadramento do sujeito passivo na conduta delituosa configurada pela fraude. O sujeito passivo, ao declarar às autoridades tributárias compensação de tributo fundamentada em ação judicial da qual não é parte integrante, não interferiu para a modificação de nenhum dos aspectos da situação de fato, capaz de provocar a incidência da norma tributária, que já se encontrava grafada em seus registros contábeis, e, portanto, passível de análise pela autoridade fiscal, que, em detectando o pagamento de valores menores que o devidos, efetuaria o lançamento dos valores não cobertos pela compensação, se esta assim fosse considerada indevida. No sistema jurídico pátrio, o princípio da estrita legalidade tributária, inscrito no artigo 150, I, da Constituição Federal, exige que todas as obrigações tributárias sejam decorrência estrita da lei, devendo não restar dúvidas a que a conduta adotada pelo sujeito passivo enquadra-se naquela descrita pela norma para que ocorra a sua incidência. A nosso ver, a compensação indevida equivale ao pagamento insuficiente, em que a falta de recolhimento do efetivo débito tributário, dentro do prazo legal, enseja o descumprimento da norma tributária definidora dos prazos de vencimento, na medida em que implica a inadimplência da obrigação tributária principal, que tem a natureza de infração fiscal, e, em havendo infração, cabível a imposição de caráter punitivo, pelas infrações a disposições tributárias, desde que se dê nos limites legalmente previstos. Com efeito, vez que não resta comprovado que o sujeito passivo, na espécie, praticou quaisquer atos que possam ser caracterizados como fraude, conforme definido pelo artigo 72 da Lei nO4.502/64, inocorre, portanto, a circunstância qualificativa elencada no artigo 68, da mesma norma legal, pelo que incabível a imposição da penalidade inscrita no artigo 80, m, daquela lei, com a redação dada pela Lei nO 8.218/81. A multa aplicável à espécie é aquela a ser imposta pelo não pagamento do tributo devido, cujo débito fiscal foi apurado em procedimento de fiscalização, qual seja, aquela constante do art. 45, inciso I, da Lei nO9.430/96. ~ f 7 18 7- .•. }- ,-. ~*'f~'1I i~ .. " 'lo-, •• Processo nº Recurso nº Acórdão nº Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 10120.000730/2003-59 125.054 202-16.082 . CONFERE COM O ORIGINAL Brasilia . DF, em 6 / q /~().,- ~Jr.JJ;1t Sccmáris. da Segimda O.mara Segundo Cooseiho de Co.,,;buintes!MF I ,,~~ IFI. Diante do exposto, voto no sentido de afastar a decadência e dar provimento parcial ao recurso interposto nos termos do voto, Sala das Sessões, em 26 de janeiro de 2005 19 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011 00000012 00000013 00000014 00000015 00000016 00000017 00000018 00000019
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