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Numero do processo: 13227.900401/2018-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 26 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Dec 14 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/10/2013 a 31/12/2013
ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer o despacho decisório e a decisão recorrida em razão da falta da efetiva comprovação do direito creditório.
Numero da decisão: 3201-009.423
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Carlos Delson Santiago (Suplente convocado), Laércio Cruz Uliana Júnior, Márcio Robson Costa e Hélcio Lafetá Reis (Presidente em exercício e Relator).
Nome do relator: Hélcio Lafetá Reis
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2013 a 31/12/2013 ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer o despacho decisório e a decisão recorrida em razão da falta da efetiva comprovação do direito creditório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Carlos Delson Santiago (Suplente convocado), Laércio Cruz Uliana Júnior, Márcio Robson Costa e Hélcio Lafetá Reis (Presidente em exercício e Relator). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto em decorrência da decisão da Delegacia de Julgamento (DRJ) que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada pelo contribuinte acima identificado para se contrapor ao despacho decisório da repartição de origem em que se reconhecera apenas parte do direito creditório pleiteado, relativo à Contribuição para o PIS, e, por conseguinte, se homologara a compensação até o limite do crédito deferido. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte aduziu apenas o seguinte: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 04 01 /2 01 8- 96 Fl. 49DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-009.423 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13227.900401/2018-96 A presente manifestação se dá acerca da observância que por um lapso a DACON do período do crédito solicitado no mês de Dezembro referente ao 4º trimestre 2013 foi preenchida erroneamente, a qual foi retificada para sanar esse erro, o pedido de ressarcimento está com o valor correto, porém o valor que estava na DACON foi preenchido com erro, e foi solucionado nessa retificação. Solicitamos que seja reconhecido o valor que está na DACON retificada, ficando assim o crédito suficiente para compensar a 1389092484.280715.1.3.10-5677 . Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópia do Dacon retificador transmitido após a ciência do despacho decisório. A DRJ julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, fundamentando- se no fato de o contribuinte, a despeito da retificação extemporânea do Dacon, não ter apresentado elementos probatórios do crédito pleiteado, tais como a escrita e os documentos fiscais respectivos. Cientificado da decisão de primeira instância em 12/02/2021 (fl. 34), o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 03/03/2021 (fl. 36) e requereu o reconhecimento de cerceamento do direito de defesa, com a determinação de retorno dos autos às instâncias anteriores para nova análise e julgamento do pedido, realizando-se as diligências necessárias, sendo aduzido o seguinte: a) a turma julgadora se equivocara, pois a possibilidade de retificação das declarações, mesmo após a emissão de despacho decisório denegatório do crédito, nunca esteve vedada pelo microssistema jurídico tributário, conforme Parecer Normativo Cosit nº 02, de 28/08/2015; b) o presente caso se refere a preenchimento equivocado do Dacon, sendo certo que o erro só se tornou evidente após a decisão proferida no despacho decisório; c) era dever da DRJ, exercendo sua função julgadora, ultrapassar o mero cotejo de informações entre declarações existentes no sistema, realizado por programas de informática, para adentrar na verdade material dos fatos e analisar as provas apresentadas, determinando-se, ainda, a realização de diligências para aprofundamento da análise do crédito, conforme jurisprudência do CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis, Relator. O recurso é tempestivo, atende os demais requisitos de admissibilidade e dele se toma conhecimento. De acordo com o acima relatado, trata-se de despacho decisório da repartição de origem em que se reconheceu apenas parte do direito creditório pleiteado e, por conseguinte, se homologou a compensação até o limite do crédito da Contribuição para o PIS deferido. Fl. 50DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-009.423 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13227.900401/2018-96 O Recorrente alega que se equivocara no preenchimento do Dacon, documento esse devidamente retificado após a ciência do despacho decisório, e que, diante do princípio da busca da verdade material, a DRJ deveria ter baixado os autos em diligência para se aprofundar na análise do crédito pleiteado. De pronto, deve-se destacar que o despacho decisório fora exarado com base em informações prestadas em documentos apresentados pelo próprio Recorrente (Dacon e PER/DComp), dados esses então suficientes para se atestar a existência de eventual direito creditório 1 , vindo a DRJ a alertar acerca da necessidade de se apresentarem documentos fiscais comprobatórios do crédito, ressalvando-se aqui que, uma vez ocorrido qualquer erro na prestação dessas informações, ou insuficiência de dados, tal fato devia estar demonstrado e comprovado por meio de documentação hábil e idônea, o que não ocorreu nos presentes autos. Não se ignora o importante papel do Dacon na prestação pelo contribuinte de informações acerca da apuração das contribuições não cumulativas, mas as meras alegações de cerceamento do direto de defesa sem amparo em documentos efetivos (escrita e documentos fiscais) se mostram incompatíveis com as regras que orientam o Processo Administrativo Fiscal (PAF), regido, precipuamente, pelo Decreto nº 70.235/1972. Até mesmo observando-se os dispositivos da Lei nº 9.784/2004 2 , aplicável subsidiariamente ao PAF, atinentes ao direito de prova do administrado, nem mesmo assim se vislumbra possibilidade de se obter o reconhecimento de um crédito de natureza tributária sem a sua efetiva comprovação. No Processo Administrativo Fiscal (PAF), o ônus da prova encontra-se delimitado de forma expressa, dispondo os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972 nos seguintes termos: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I - a autoridade julgadora a quem é dirigida; II - a qualificação do impugnante; III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) 1 Aplica-se, aqui, por analogia, a Súmula CARF nº 46: "O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018)." 2 Art. 2º (...) Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (...) X - garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas (...) Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Fl. 51DF CARF MF Documento nato-digital http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art16iii Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-009.423 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13227.900401/2018-96 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refira-se a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (g.n.) De acordo com os dispositivos supra, o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer as decisões anteriores em razão da falta de comprovação inequívoca do crédito, dada a ausência de apresentação dos documentos imprescindíveis a tal desiderato. Ainda que se considerasse o princípio da busca da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo pode, eventualmente, ir além das provas trazidas aos autos pelo interessado, no presente caso, o Recorrente, repita-se, não se desincumbiu do seu dever de comprovar de forma efetiva sua defesa, situação em que se tem, indubitavelmente, por prejudicadas as meras alegações de cerceamento da defesa. Não se admite a utilização do princípio da busca pela verdade material para se inverter o ônus da prova, como pretende o Recorrente, uma vez que, tratando-se de um direito que ele alega ser o detentor, cabe- lhe o dever de comprová-lo, sob pena de indeferimento peremptório por falta de prova. Por fim, destaque-se que nem mesmo após a DRJ ter alertado acerca da necessidade de apresentação dos documentos fiscais comprobatórios do crédito o Recorrente se desincumbiu desse seu dever, nada trazendo aos autos junto ao Recurso Voluntário que possibilitasse a reversão da decisão recorrida, essa devidamente fundamentada. Diante do exposto, vota-se por negar provimento ao Recurso Voluntário. É o voto. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Fl. 52DF CARF MF Documento nato-digital http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16%C2%A74 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16%C2%A74 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16%C2%A74 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16%C2%A74
score : 1.0
Numero do processo: 10840.905880/2009-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 13 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3403-000.291
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Antonio Carlos Atulim Presidente Domingos de Sá Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Domingos de Sá Filho, Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Liduina Maria Alves Macambira, Ivan Allegrette Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de recurso voluntário em razão do v. Acórdão que não reconheceu o direito de crédito tributário oriundo de pagamento indevido ou a maior de contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, relativo ao período de apuração 01.02.2004 a 29.02.2004, no valor de R$ 1.098,10 (um mil, noventa e oito reais e dez centavos). A Interessada declarou em DCTF o débito apurado e o pagamento por meio de DARF, inexistindo declaração retificadora. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10849.905880/200911 Resolução n.º 3403000.291 S3C4T3 Fl. 2 2 Juntou a Manifestação de Inconformidade cópia da DIPJ ano Base 2005/ano Calendário 2004, e, cópia do DARF, com o objetivo de provar a inexistência do débito declarado, sustentando que o cálculo está absolutamente correto e encontra devidamente registrado nos livros fiscais e contábeis. A decisão hostilizada afastou os argumentos da Recorrente sustentando que a DIPJ não se revela documento hábil e capaz de provar a inexistência do débito declarado por meio de DCTF, que no caso deveria ter sido utilizado declaração retificadora, uma vez que, a DCTF — Declaração de Contribuições e Tributos Federais, instituída pela Instrução Normativa SRF n° 129/1986 é confissão de dívida, inexistindo retificadora, há que prevalecer o despacho negatório. Na fase recursal a Recorrente cuidou de trazer à colação cópia dos livros contábeis, fiscais, planilhas de cálculos demonstrando a base de cálculo e a contribuição apurada. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator A questão nodal colocada neste caderno processual se refere ao pedido de reconhecimento de crédito a ser compensado ou restituído, em que pese na fase inicial ter deixado de trazer à colação documentos essenciais ao deslinde da questão, o que fez neste momento. A DIPJ diante de despacho lacônico (eletrônico) sem qualquer fundamentação plausível capaz de subsidiar o contribuinte em sua Manifestação de Inconformidade, a meu sentir se revela documento capaz de contrapor as singelas razões do indeferimento. Foram carreados aos autos elementos capazes e suficientes ao desfecho da discussão, portanto, em obediência ao princípio da verdade impõe transformar o julgamento em diligência para verificação da existência do crédito com base nos documentos contábeis e fiscais. Em sendo assim, opino em transformar o julgamento em diligência para que a Autoridade Administrativa apure o valor certo do indébito objeto do pedido de compensação. Diante do exposto, voto no sentido de transformar o julgamento em diligência para que os autos retornem a Autoridade de Piso para apurar com base nos elementos fornecidos e outros procedimentos que se fizerem necessários o valor correto do indébito. Dei se vista a Interessada, querendo, manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, após retorne os autos esse Colegiado. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 167DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10849.905880/200911 Resolução n.º 3403000.291 S3C4T3 Fl. 3 3 Fl. 168DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 11020.007664/2008-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
Ementa: RECURSO INTEMPESTIVO
É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2402-002.140
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso por intempestividade.
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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Não se toma conhecimento de recurso intempestivo Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade Júlio César Vieira Gomes Presidente. Ana Maria Bandeira Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Igor Araújo Soares, Ronaldo de Lima Macedo, Walter Murilo Melo Andrade e Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 96DF CARF MF Emitido em 25/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de auto de infração lavrado por descumprimento de obrigação acessória prevista na Lei nº 8.212/1991, art. 32, inciso II, combinado com o art. 225, inciso II e § 13 a 17 do Decreto nº 3.048/1999 que consiste em a empresa deixar de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Segundo o Relatório Fiscal do Auto de Infração (fls. 18/19), No período de 01/2004 a 12/2004 a empresa registrou nas mesmas contas contábeis (descritas abaixo), lançamentos decorrentes de serviços prestados por pessoas físicas e pessoas jurídicas e deixou de registrar as contribuições previdenciárias devidas sobre as remunerações pagas aos contribuintes individuais (pessoas físicas) lançados nas seguintes contas:: 5.2.1.3.1.3.2. 4.011578 DIREITOS ARTISTICOS/AUTORAIS 5.2.1.3.1.3.1. 2.011201 ARTE FINAL 5.2.1.3.1.3.4. 3.011903 ARTE FINAL 5.2.1.3.1.3.1.15.011306 CUSTOS DE ESTUDIO OPERADORES 5.2.1.3.1.3.4 08.011908 CUSTOS DE ESTUDIO OPERADORES 5.2.1.3.1.3.4 27.011927 MÚSICOS 5.2.1.3.1.3.4.28.011928 PRODUTOR 5.2.1.3.1.3.4.21.011921 MASTERIZAÇÃO 5.2.1.3.1.3.4.13.011913 FOTOGRAFIA Também registrou na mesma conta contábil (5.2.1.3.1.3.2.14.011578) pagamentos efetuados a contribuintes individuais a título de "Direitos Artísticos" e "Direitos Autorais". Por se tratar de verbas com incidência de contribuições previdenciárias (DIREITOS ARTISTICOS), e verbas sem incidência de contribuições previdenciárias (DIREITOS AUTORAIS), tais valores deveriam ter sido lançados em contas distintas, ou seja, em títulos próprios. A autuada foi intimada do lançamento em 05/12/2008 e apresentou defesa (fls. 38/52). Pelo Acórdão nº 0928.534 (fls. 67/71) a 5ª Turma da DRJ/Juiz de Fora (MG) considerou o lançamento procedente. Contra tal decisão, a recorrente apresenta recurso intempestivo (fls 75/80) alegando, em síntese, que os valores pagos são direitos autorais e sobre tais valores não incidiria contribuição previdenciária. É o relatório. Fl. 97DF CARF MF Emitido em 25/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11020.007664/200843 Acórdão n.º 2402002.140 S2C4T2 Fl. 95 3 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora Quanto à tempestividade do recurso apresentado, verificase que não houve cumprimento de tal requisito de admissibilidade. A autuada foi intimada da decisão de primeira instância em 04/05/2010, conforme comprova Aviso de Recebimento AR dos Correios juntado à folha nº 74. Assim, o prazo para interposição de recurso encerrouse em 03/06/2010, no entanto, a autuada apresentou recurso em 07/06/2010, após o final do prazo para tal. Nesse sentido, resta claro que a autuada não verificou o prazo para apresentação do recurso, só vindo a apresentálo após o vencimento. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso interposto em razão da sua intempestividade. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 98DF CARF MF Emitido em 25/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 11444.001830/2008-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2002 a 30/11/2007
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA NO PRAZO – PRECLUSÃO – NÃO INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante no prazo legal. O contencioso administrativo fiscal só se instaura em relação àquilo que foi expressamente contestado na impugnação apresentada de forma tempestiva
ALTERAÇÃO DO LANÇAMENTO POSSIBILIDADE
A impugnação do lançamento pelo sujeito passivo instaura o contencioso
administrativo fiscal e pode ensejar a alteração do lançamento
ESTAGIÁRIO – CONTRATAÇÃO NÃO CUMPRIMENTO REQUISITOS LEGAIS – INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA
Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a trabalhadores a condição de estagiários se não forem cumpridos os requisitos para tal contratação dispostos na Lei nº 6.494/1977.
De acordo com o art. 118 do CTN, abstrai-se, para os fins de definição do fato gerador, a validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-002.166
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2002 a 30/11/2007 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA NO PRAZO – PRECLUSÃO – NÃO INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante no prazo legal. O contencioso administrativo fiscal só se instaura em relação àquilo que foi expressamente contestado na impugnação apresentada de forma tempestiva ALTERAÇÃO DO LANÇAMENTO POSSIBILIDADE A impugnação do lançamento pelo sujeito passivo instaura o contencioso administrativo fiscal e pode ensejar a alteração do lançamento ESTAGIÁRIO – CONTRATAÇÃO NÃO CUMPRIMENTO REQUISITOS LEGAIS – INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a trabalhadores a condição de estagiários se não forem cumpridos os requisitos para tal contratação dispostos na Lei nº 6.494/1977. De acordo com o art. 118 do CTN, abstrai-se, para os fins de definição do fato gerador, a validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes Recurso Voluntário Negado.
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O contencioso administrativo fiscal só se instaura em relação àquilo que foi expressamente contestado na impugnação apresentada de forma tempestiva ALTERAÇÃO DO LANÇAMENTO POSSIBILIDADE A impugnação do lançamento pelo sujeito passivo instaura o contencioso administrativo fiscal e pode ensejar a alteração do lançamento ESTAGIÁRIO – CONTRATAÇÃO NÃO CUMPRIMENTO REQUISITOS LEGAIS – INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a trabalhadores a condição de estagiários se não forem cumpridos os requisitos para tal contratação dispostos na Lei nº 6.494/1977. De acordo com o art. 118 do CTN, abstraise, para os fins de definição do fato gerador, a validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes Recurso Voluntário Negado Fl. 365DF CARF MF Emitido em 25/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso Júlio César Vieira Gomes – Presidente Ana Maria Bandeira Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Walter Murilo Melo Andrade e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 366DF CARF MF Emitido em 25/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11444.001830/200817 Acórdão n.º 2402002.166 S2C4T2 Fl. 346 3 Relatório Tratase de lançamento de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa e à destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. Segundo o Relatório Fiscal (fls. 86/89), constituem fatos geradores das contribuições lançadas as remunerações pagas pela notificada a segurados empregados vinculados ao Regime Geral de Previdência Social, a saber: • Denominados Estagiários, no período de 12/2002 a 09/2005 • Bolsistas contratados no período de 12/2002 a 12/2007 A auditoria fiscal observou que nas contratações de estagiários não foram observadas plenamente as disposições da Lei nº 6.494/1977, especialmente no tocante às providências relativas ao seguro de acidentes pessoais em favor do estudante. Quanto aos bolsistas, estes seriam estudantes contratados pela Prefeitura após a saída da GuardaMirim e também não possuiriam seguro contra acidentes pessoais e nem a interveniência da instituição de ensino que freqüentariam. A auditoria fiscal informa que não houve o desconto da contribuição dos segurados, como também, não houve a declaração em GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social dos valores pagos. O sujeito passivo teve ciência do lançamento em 30/12/2008 e apresentou defesa (fls. 249/254) onde alega que houve decadência parcial para os créditos constituídos até 12/2003. No mérito, argúi que o auto de infração não se encontra instruído com qualquer prova de que, quanto a estagiários e bolsistas, não houve o cumprimento da lei de regência da matéria e que o estágio é tratado no âmbito do Município de Ourinhos pela Lei Complementar Municipal nº 143/1996. Argumenta que na seara do Poder Público não se pode, por meio de Decreto Federal considerar estagiários e bolsistas acolhidos pelo Município como segurados obrigatórios da Previdência Social, na qualidade de empregados, com suposto fundamento no Decreto nº 3.048/1999, art. 9º, I, letra “h”. Lembra que a hoje revogada Lei nº 6.494/77 estabelecia, no art. 4º, que “O estágio não cria vínculo empregatício de qualquer natureza e o estagiário poderá receber bolsa ou outra forma de contraprestação que venha a ser adotada, ressalvado o que dispuser a legislação previdenciária, devendo o estudante, em qualquer hipótese, estar segurado contra acidentes pessoais.” Fl. 367DF CARF MF Emitido em 25/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Ressalta que o comando legal era claro no sentido da inexistência de vínculo empregatício. A DRJ Ribeirão Preto (SP) solicitou diligência (fls. 263/264) no sentido de que a auditoria fiscal limitouse, em seu relatório fiscal, a afirmar que as disposições constantes na Lei nº 6.494/77 e Decreto nº 87.497/82 não teriam sido plenamente observados pelo Município, sem esclarecer a fonte dessa informação. Considerando a alegação de defesa, a DRJ solicita diligência para que a autoridade autuante informe quais os documentos analisados resultaram na informação sobre o descumprimento na contratação de seguro acidentes pessoais em benefício dos estudantes. A DRJ determina, ainda, a emissão de relatório complementar e abertura de novo prazo de defesa. A auditoria fiscal elaborou relatório fiscal (fls. 291/296) onde informa que procedeu à intimação específica quanto aos documentos atinentes à contratação de seguro de acidentes pessoais em benefício dos estagiários/bolsistas, conforme doc fls. 267 Argumenta que não foram entregues os Termos de Compromisso de Estagio – TEC de todos os estagiários, sobretudo os denominados bolsistas relacionados nas planilhas constantes às fls. 185/245 que eram contratados pela Prefeitura Municipal após a saída da guarda mirim. Aduz que ainda que os TCE’s de alguns estagiários tenham sido apresentados, estes não bastam para comprovar a inexistência de vínculo empregatício. A empresa deverá atender aos requisitos formais e materiais da Lei nº 6.494/77 regulamentada pelo Decreto nº 87.497/82, os quais transcreve. Após a apresentação deficiente dos TCE’s, a auditoria fiscal solicitou verbalmente os documento atinentes á contratação de seguro de acidentes pessoais em benefício dos estagiários/bolsistas. Esclarece que as remunerações dos estagiários, para os quais houve a apresentação da documentação exigida (incluindo o seguro de acidentes pessoais obrigatório) ficaram excluídas da base de cálculo apurada. A auditoria fiscal emitiu TIAD – Termo de Intimação para Apresentação de Documentos, datado de 18/06/2010 e em resposta a este, a autuada apresentou os seguintes documentos e esclarecimentos. • Inexistência de Apólices de Seguros Contra Acidentes Pessoais aos estagiários durante o período anterior a novembro de 2003. • Apresentação de vinte cópias de Apólices de Seguros Contra Acidentes Pessoais aos estagiários contratados durante o período de novembro de 2003 a outubro de 2004, com vigência até o ano de 2005. Tais apólices não haviam sido apresentadas durante a ação fiscal. • Inexistência de processo de licitação contendo notas fiscais e notas de empenho das despesas pagas às Seguradoras/Operadoras de Seguros em razão dos referidos seguros terem sido contratados pelos próprios estagiários. Fl. 368DF CARF MF Emitido em 25/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11444.001830/200817 Acórdão n.º 2402002.166 S2C4T2 Fl. 347 5 Em razão da apresentação das apólices de seguros, a auditoria fiscal manifestouse pela retificação do lançamento, ainda que a contratação das referidas apólices tenha sido efetuada pelos próprios estagiários. A autuada foi intimada do Relatório Fiscal elaborado pela auditoria e manifestouse (fls. 300/304) alegando que não é admissível que o lançamento seja profunda e substancialmente alterado posteriormente à notificação e defesa do contribuinte e que a retificação excluiu parte do lançamento e não especificou a que sobejou. Argumenta que quanto à pretensão de modificar os critérios de direito e de valoração jurídica dos fatos, é forçoso o reconhecimento da nulidade reflexa decorrentes da ofensa a artigos do CTN. Pelo Acórdão nº 1432.973 (fls. 318/321) a DRJ Ribeirão Preto (SP) considerou o lançamento procedente em parte para reconhecer a decadência parcial do lançamento, bem como para excluir da base da cálculo os valores pagos a estagiários, cujas apólices de seguro foram apresentadas durante a realização da diligência. Contra tal decisão, a autuada apresentou recurso tempestivo (fls. 330/343) onde efetua a repetição das alegações de defesa. Os autos foram encaminhados a este Conselho para a apreciação do recurso voluntário. É o relatório. Fl. 369DF CARF MF Emitido em 25/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. A recorrente apresenta preliminar de cerceamento de defesa uma vez que o lançamento não atendeu ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN e nem ao art. 10, incisos III e IV do Decreto nº 70.235/1972. Segundo a recorrente, não houve a perfeita descrição dos fatos ligados ao fato gerador da obrigação, à disposição legal infringida e à penalidade aplicável. Asseverese que, tais alegações não foram apresentadas na defesa e, a meu ver, o contencioso administrativo fiscal só é instaurado mediante apresentação de defesa tempestiva e somente em relação às matérias expressamente impugnadas. Dessa forma, entendo que encontrase precluído o direito à discussão de matéria trazida de forma inovadora na segunda instância administrativa, em razão do que dispõe o art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: “Art.17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante” A recorrente ainda alega nulidade do lançamento que segundo esta, teria sido alterado de ofício sem respaldo nos artigos 145 e 149 do CTN. A alegação não merece melhor sorte. A alteração alegada pela recorrente diz respeito à retificação proposta pela auditoria fiscal após a realização da diligência solicitada pela DRJ Ribeirão Preto (SP) em razão de, por ocasião da diligência, a recorrente haver apresentado Apólices de Seguros Contra Acidentes Pessoais de alguns estagiários contratados, o que levou à retirada dos valores pagos a estes estagiários do lançamento. O Código Tributário Nacional traz como princípio a imutabilidade do lançamento. No entanto, faz ressalvas as quais constam nos incisos do artigos 145, in verbis: Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; II recurso de ofício; III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. (...) Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; Fl. 370DF CARF MF Emitido em 25/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11444.001830/200817 Acórdão n.º 2402002.166 S2C4T2 Fl. 348 7 II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. No presente caso, houve impugnação do sujeito passivo e em razão de suas alegações foi solicitada a realização de diligência quando foram apresentados documentos suficientes à desconstituição de parte do lançamento, os quais não haviam sido apresentados durante a ação fiscal. Há que se salientar que a auditoria fiscal não efetuou a modificação do lançamento após a diligência, conforme alegou a recorrente. O que ocorreu foi o reconhecimento na decisão de primeira instância de que parte do lançamento seria improcedente, conforme pode ser comprovado da simples leitura do acórdão recorrido, bem como do relatório Discriminatativo Analítico do Débito Retificado – DADR (fls. 309/317) Ora, não se verifica qualquer irregularidade no procedimento adotado pela primeira instância. O contencioso administrativo fiscal existe para que o sujeito passivo tenha a oportunidade de defenderse e demonstrar a inexistência do crédito tributário. Se na realização da diligência houve a apresentação de documentos, repitase, não apresentados durante a ação fiscal, que foram suficientes para demonstrar a improcedência de parte do lançamento, a autoridade julgadora deve reconhecer e retificar o lançamento em favor do sujeito passivo. Tampouco se pode dizer que houve alteração do critério jurídico adotado. Fl. 371DF CARF MF Emitido em 25/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Asseverese que o cerne do lançamento continua o mesmo, qual seja, contribuições incidentes sobre valores pagos a trabalhadores denominados estagiários e bolsistas pela recorrente sem que esta tenha cumprido integralmente os requisitos legais para esse tipo de contratação. Nesse sentido, a preliminar deve ser afastada. Quanto à descaracterização do estágio efetuado pela auditoria fiscal, cumpre dizer que de fato a alínea “i” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991, dispõe que a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977, não integra o salário de contribuição. Por sua vez, a Lei nº 6.494/1977, ora revogada, mas vigente à época dos fatos geradores, dispunha o seguinte: Art. 3º A realização do estágio darseá mediante termo de compromisso celebrado entre o estudante e a parte concedente, como interveniência obrigatória da instituição de ensino. Art. 4º O estágio não cria vínculo empregatício de qualquer natureza e o estagiário poderá receber bolsa, ou outra forma de contraprestação que venha a ser acordada, ressalvado o que dispuser a legislação previdenciária, devendo o estudante, em qualquer hipótese, estar segurado contra acidentes pessoais.(...) Como se vê, a Lei nº 6.494/1977 criou requisitos a serem cumpridos pelas empresas para a contratação de estagiários. No caso concreto, a auditoria fiscal verificou que a recorrente não apresentou o Termo de Compromisso de Estágio para todos os ditos estagiários, como também não demonstrou haver contratado seguro contra acidentes pessoais em favor destes. Ou seja, ao descumprir os requisitos legais, a recorrente deixou de estar amparada pelo que dispõe a Lei nº 8.212/1991, art. 28, § 9º, alínea “i”, abaixo transcrito: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; Outra questão trazida pela recorrente, diz respeito à impossibilidade de existência de vínculo empregatício entre esta e os estagiários descaracterizados como tal face à inexistência de aprovação destes em concurso público, condição para existência de qualquer vinculação. Ainda que não seja possível a vinculação de segurado empregados ao Município sem a prévia aprovação em concurso público, houve a ocorrência do fato gerador da contribuição social para a seguridade social a cargo da empresa (no caso o Município, que é equiparado à empresa para fins previdenciários, nos termos do art. 15, I, da Lei n. º 8.212/91), incidente sobre os valores pagos, bem como a cargo dos trabalhadores, dado o teor do artigo 4º do Código Tributário Nacional, "in verbis": Fl. 372DF CARF MF Emitido em 25/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11444.001830/200817 Acórdão n.º 2402002.166 S2C4T2 Fl. 349 9 Art. 4. º A natureza jurídica específica do tributo é determinada pelo fato gerador da respectiva obrigação, sendo irrelevantes para qualificála: I a denominação e demais características formais adotadas pela Lei; II a destinação legal do produto de sua arrecadação". Mesmo que reste inválido o ato administrativo da contratação sem concurso público, subsiste a ocorrência do fato gerador, pois ao contrário, concederseia uma benesse fiscal àqueles que não observam a Lei. Por isso, abstraise, para os fins de definição do fato gerador, a validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, nos termos do art. 118 do Código Tributário Nacional: Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose": I da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 373DF CARF MF Emitido em 25/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 13502.901845/2009-51
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3403-000.353
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Antonio Carlos Atulim – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Marcos Transchesi Ortiz e Raquel Motta Brandão Minatel. Relatório Cuidase, na espécie, de pedido de ressarcimento de IPI relativo ao 3º trimestre/03, concernente ao crédito presumido apurado na forma da Lei nº 10.276/01 e créditos básicos (art. 11 da Lei nº 9.779/99), consubstanciado no PERDCOMP 15889.23048.310105.1.3.019972. A DRF Camaçari/BA, mediante Termo de Verificação Fiscal (fls. 280/290) e despacho decisório eletrônico (fl. 01), deferiu em parte o ressarcimento justificando a glosa nos seguintes argumentos: i) divergência entre o valor da exportação apurado a partir dos Fl. 723DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 04/07/2012 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13502.901845/200951 Resolução n.º 340300.353 S3C4T3 Fl. 2 2 balancetes e aquele indicado nas DCP (Declarações de Crédito Presumido); ii) inclusão de insumos que não se enquadram no conceito de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, conforme PN CST 65/79; e, iii) falta dos ajustes de inclusão/exclusão dos estoques finais exigidos pelos arts. 11 e 12 da INs SRF 69/2001 e 315/03. Em manifestação de inconformidade o contribuinte sustentou o cerceamento de seu direito de defesa, pela incerteza da origem e composição dos valores apurados pela fiscalização e ausência de adequada descrição dos fatos; que os insumos glosados não são simples elementos acessórios, mas necessários ao processo produtivo, passando a descrever sua forma de utilização; por fim, requer o reconhecimento do crédito sobre os seguintes insumos glosados pela fiscalização: vapor 42 kgf, vapor 15 kgf, nitrogênio de alta e baixa pressão, ar comprimido, água desmineralizada e água clarificada. Às fls. 489/518 foram juntados esquemas de utilização e descrição da forma de utilização dos insumos questionados. A DRJ Salvador/BA julgou a manifestação de inconformidade improcedente, rechaçando a nulidade do despacho decisório e, no mérito, concluiu que os insumos indagados não satisfaziam aos requisitos caracterizadores de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem. Em recurso voluntário o contribuinte alegou, preliminarmente, a nulidade da decisão recorrida, por reprisar os fundamentos do despacho decisório sem apreciar as divergências apontadas na contestação; que o despacho decisório seria nulo por não indicar claramente a ausência dos ajustes exigidos pelas INs SRF 69/01 e 315/03; que as diferenças na receita de exportação decorrem da indevida dedução das devoluções de vendas exportadas, eis que carente de base legal; e, que os serviços de industrialização por encomenda não deveriam ter seus valores reduzidos pela exclusão do IPI destacado, também por falta de respaldo legal. No mérito, após discorrer sobre a legislação de regência do crédito presumido, asseverou que tanto o despacho decisório quanto a decisão recorrida não entenderam corretamente o seu processo produtivo, ao passo que os insumos glosados se consomem por contato direto com a produção, mais uma vez descrevendo a forma de utilização e consumo de tais produtos. Junto ao recurso voluntário foi anexado um memorial descritivo a respeito do processo industrial. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator De acordo com a autoridade fiscal os insumos glosados corresponderiam a “elementos acessórios, conhecidos como ‘utilidades’” aplicados na limpeza, lavagem, secagem, otimização de tempo de reação, manutenção de temperatura, dentre outras atribuições, mas que não se desgastariam por contato direto com o bem em industrialização. O Termo de Verificação Fiscal faz remissão a um documento de descrição do processo produtivo, que, porém, não foi localizado, salvo elemento assemelhado acostado pelo recorrente. Fl. 724DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 04/07/2012 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13502.901845/200951 Resolução n.º 340300.353 S3C4T3 Fl. 3 3 O recorrente, por sua vez, infirma tais colocações e aduz que o i) vapor é utilizado para aquecimento da “massa reacional”, por injeção direta, na formação do DSIDA1; ii) a água desmineralizada é utilizada no catalisador CuPdC, para evitar a presença de metais pesados, e nas jaquetas dos reatores, para resfriamento; iii) o nitrogênio é utilizado como manta nos tanques e reatores de estocagem do produto; iv) a água clarificada, no resfriamento dos condensadores de gases dos reatores; e, v) o ar comprimido, nos instrumentos pneumáticos como força motriz. Os memoriais e esquemas descritivos apresentados pelo recorrente são bastante detalhados, entretanto, não permitem, sem alguma sombra de dúvida, concluir que os produtos glosados, de fato, atendem às condições para serem enquadrados como matériaprima, produto intermediário e material de embalagem. Em consequência, havendo dúvida fundada que impeça um julgamento firme das questões postas, proponho a conversão do feito em diligência para que seja providenciado o seguinte: a) Verificação in loco do processo produtivo do contribuinte, se possível acompanhado de fotografias, onde são consumidos/utilizados os insumos glosados, a saber: vapor 42 kgf, vapor 15 kgf, nitrogênio de alta e baixa pressão, ar comprimido, água desmineralizada e água clarificada; b) Descrever minuciosamente a forma de utilização destes insumos no processo industrial, preferencialmente em linguagem acessível, isto é, menos técnica; c) Indicar se a forma de consumo ocorre por contato direto ou indireto com o produto em fabricação; d) Elaborar relatório circunstanciado detalhado das verificações acima e outras observações que se julgarem pertinentes. Após o procedimento, abrase vista dos autos ao contribuinte para manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, após os quais deve o processo ser remetido a este Conselho Administrativo para prosseguimento do julgamento. Robson José Bayerl 1 Ácido Iminodiacético Dissódico, matériaprima para a produção de Ácido NFosfonometil Iminodiacético PIA, ingrediente ativo do hebicida denominado comercialmente de "ROUNDUP". Fl. 725DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 04/07/2012 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 35856.002549/2006-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/1999 a 31/01/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Caracterizada omissão no
julgamento do Recurso Voluntário impetrado pelo contribuinte, os embargos merecem ser acolhidos.
DECADÊNCIA. SÚMULA N. 08 DO STF. ART. 173, I DO CTN.
COMPETÊNCIA DE 13/2000. De acordo com o disposto no art. 173, I do CTN, competência de 13/2000, por possuir como vencimento a data de 20/12/2000, pode ser lançada a partir de 01/01/2001, motivo pelo qual também deve ser considerada como decadente no lançamento efetuado.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2402-002.154
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos opostos para re-ratificar o acórdão embargado.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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score : 1.0
Numero do processo: 10865.001883/2003-18
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Aug 06 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Aug 06 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002
AUTO DE INFRAÇÃO. LOCAL DA LAVRATURA. MATÉRIA SUMULADA.
É legítima a lavratura de auto de infração no local em que constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte.
MULTA DE OFÍCIO. cabimento.
A inadimplência da obrigação tributária principal, na medida em que implica descumprimento da norma tributária definidora dos prazos de vencimento, tem natureza de infração fiscal, e, em havendo infração, cabível a infligência de penalidade, desde que sua imposição se dê nos limites legalmente previstos.
TAXA SELIC. CABIMENTO. MATÉRIA SUMULADA.
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic para títulos federais. A matéria encontra-se sumulada nos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda.
Recurso negado.
Numero da decisão: 202-19.238
Decisão: ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao
recurso.
Nome do relator: GUSTAVO KELLY ALENCAR
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'''. P _ .:€ SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES .,„ ,". (1 ft, dfr SEGUNDA CÂMARA Processo n° 10865.001883/2003-18 Gor0' "o • de .:(2.3„.„,, Recurso n° 135.198 Voluntário coon"owSIQ 9:59....— 4:3.9‘1Inn°Matéria IPI •, t's' 09.....1 — ao..-$ ínr°. - Acórdão n° 202-19.238 .. • Sessão de 06 de agosto de 2008 Recorrente ELECTROCAST INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Recorrida DRJ em Ribeirão Preto - SP ASSINTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 AUTO DE INFRAÇÃO. LOCAL DA LAVRATURA. MATÉRIA SUMULADA. , E legítima a lavratura de auto de infração no local em que la fri ne constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do ã )3.,1 • contribuinte. a , 8 .27 a Ir MULTA DE OFICIO. CABIMENTO. . W O .21 a 2 2 o ct A inadimplência da obrigação tributária principal, na medida em g 3 leg ...." que implica descumprimento da norma tributária definidora dos1 8 g --: '2 1".., prazos de vencimento, tem natureza de infração fiscal, e, em g it; 0 2 havendo infração, cabível a infligência de penalidade, desde quez a C es o — o "" E I sua imposição se dê nos limites legalmente previstos.1,LI i ; 1 II U ià 02. TAXA SELIC. CABIMENTO. MATÉRIA SUMULADA. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic para títulos federais. A matéria encontra-se sumulada nos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda. Recurso negado. • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. I xi • Processo a• 10865.001883/2003-18 CCO2/CO2 Acórdão o.° 202-19.238 Fls. 1000 ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. • / • ANTONIO CARLOS ATULIM MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRAUINTE8 Presidente CONFERE COM O ORIGINAL oci Celma Maria de Albuquerque Mat Siam 9444r GU AVOWALENCAR Relat Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa, Nadja Rodrigues Romero, Antônio Lisboa Cardoso, Antonio Zomer, Domingos de Sá Filho e Maria Teresa Martinez López. Relatório Retornam os autos a este Colegiado após julgamento anterior, em que se negou seguimento ao recurso por falta de arrolamento de bens. A contribuinte obteve provimento judicial destinado a ultrapassar a exigência do arrolamento, e os autos retornam ao Colegiado. É o Relatório. Voto Conselheiro GUSTAVO ICELLY ALENCAR, Relator Trata-se de lançamento de IPI, conforme relatório de fls. 707/708, da lavra deste Relator. Insurge-se a recorrente contra o auto de infração sob os seguintes fundamentos: - o auto de infração seria nulo por ter sido lavrado fora do estabelecimento do contribuinte; • - a multa e os juros imputados seriam inconstitucionais. Vejamos: rstit 2 processo no 10865.00 1883/2003:I s tAF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL , CCO2/CO2 Els 1001 • Calma Maria de Albuquerque Mat. Siape 94442 Relativamente à primeira alegação, vejamos o teor da Súmula n 2 4 da jurisprudência consolidada do Segundo Conselho de Contribuintes do MF: "SUMULA N24 É legítima a lavratura de auto de infração no local em que constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte." Sobre a Selic, é de se aplicar a Súmula n 2 3 da jurisprudência consolidada do Segundo Conselho de Contribuintes do MF: "SÚMULA N2 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia — Selic para títulos federais." Por fim, quanto à multa de oficio, consoante com o art. 142 do Código Tributário Nacional, o lançamento é "o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso propor a aplica cão da penalidade cabível. "(destaque acrescido). Na espécie, não foram apresentados elementos capazes de elidir a exação fiscal, o que indica que a autuada não cumpriu a obrigação do recolhimento do tributo devido, e o não cumprimento do dever jurídico cometido ao sujeito passivo da obrigação tributária enseja que a Fazenda Pública, desde que legalmente autorizada, ao cobrar, o valor não pago, imponha sanções ao devedor. A inadimplência da obrigação tributária principal, na medida em que implica descumprirnento da norma tributária " definidora dos prazos de vencimento, não tem outra natureza que não a de infração fiscal, e, em havendo infração, cabível a infligência de penalidade, desde que sua imposição se dê nos limites legalmente previstos. A multa pelo não pagamento do tributo devido é imposição de caráter punitivo, constituindo-se em sanção pela prática de ato ilícito, pelas infrações a disposições tributárias. Paulo de Barros Carvalho, eminente tratadista do Direito Tributário, em Curso de Direito Tributário, 92 edição, Editora Saraiva: São Paulo, 1997, pp. 336/337, discorre sobre as características das sanções pecuniárias aplicadas quando da não observância das normas tributárias: "a) As penalidades pecuniárias são as mais expressivas formas do desígnio punitivo que a ordem jurídica manifesta, diante do comportamento lesivo dos deveres que estipula. Ao lado do indiscutível efeito psicológico que operam, evitando, muitas vezes, que a infração venha a ser consumada, é o modo por excelência de punir o autor da infração cometida. Agravam sensivelmente o débito fiscal e quase sempre são fixadas em níveis percentuais sobre o valor da dívida tributária. (.4". O permissivo legal que esteia a aplicação das multas punitivas encontra-se no art. 161 do CTN, ja antes' citado, quando afirma que a falta do pagamento devido enseja a aplicação de juros moratórios "sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária", 3 Processo n° 10865.001883/2003-18 CCO2/C0 fls. 1002 extraindo-se dai o entendimento de que o crédito não pago no vencimento é acrescido de jur de mora e multa — de mora ou de oficio —, dependendo se o débito fiscal foi apurado el procedimento de fiscalização ou não. Nego, portanto, provimento ao recurso. • S Ia das Sessões, em 06 de agosto de 2008. • GUS OLLY ENGAR 1.811TES 1AF $81311coNDONFERECONcoSEL.110 DEm o oma mAtite J, _SliSsiEt ma g na , CelmamManiade A=22ue ue Page 1 _0020200.PDF Page 1 _0020300.PDF Page 1 _0020400.PDF Page 1
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Numero do processo: 10830.012323/2008-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/2000 a 31/07/2003
BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE POR MEIO DE FOLHAS DE PAGAMENTO E GFIP. CONFISSÃO DÍVIDA.
O reconhecimento por meio de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados elide a discussão sobre a apuração da base de cálculo.
Informações prestadas em GFIP’s constituem-se termo de confissão de dívida, na hipótese do seu não recolhimento. Enunciado da Súmula 436 do STJ.
INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO.
Não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno.
É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade e não cabe ao julgador, no âmbito do contencioso administrativo, afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais.
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DESTINADAS TERCEIROS. SEBRAE. INCRA. SALÁRIO EDUCAÇÃO. INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVISTAS EM LEI.
O Poder Judiciário já se manifestou sobre o tema de que são constitucionais e legítimas as contribuições destinadas a outras Entidades ou Fundos: Salário Educação/FNDE, SEBRAE e INCRA.
SEGURO DE ACIDENTE DE TRABALHO (SAT/GILRAT).
INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVISTAS EM LEI.
O Poder Judiciário já se manifestou sobre o tema de que são constitucionais e legítimas as contribuições destinadas ao SAT/GILRAT.
RECOLHIMENTO EM ATRASO. MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZADA.
O pagamento de contribuições previdenciárias em atraso está sujeito à incidência de multa moratória. A denúncia espontânea tratada no art. 138 do CTN não se caracteriza pelo mero pagamento em atraso.
JUROS/SELIC. MULTA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE.
O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos.
Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal.
CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. INOCORRÊNCIA.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-002.157
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2000 a 31/07/2003 BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE POR MEIO DE FOLHAS DE PAGAMENTO E GFIP. CONFISSÃO DÍVIDA. O reconhecimento por meio de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados elide a discussão sobre a apuração da base de cálculo. Informações prestadas em GFIP’s constituem-se termo de confissão de dívida, na hipótese do seu não recolhimento. Enunciado da Súmula 436 do STJ. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno. É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade e não cabe ao julgador, no âmbito do contencioso administrativo, afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DESTINADAS TERCEIROS. SEBRAE. INCRA. SALÁRIO EDUCAÇÃO. INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVISTAS EM LEI. O Poder Judiciário já se manifestou sobre o tema de que são constitucionais e legítimas as contribuições destinadas a outras Entidades ou Fundos: Salário Educação/FNDE, SEBRAE e INCRA. SEGURO DE ACIDENTE DE TRABALHO (SAT/GILRAT). INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVISTAS EM LEI. O Poder Judiciário já se manifestou sobre o tema de que são constitucionais e legítimas as contribuições destinadas ao SAT/GILRAT. RECOLHIMENTO EM ATRASO. MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZADA. O pagamento de contribuições previdenciárias em atraso está sujeito à incidência de multa moratória. A denúncia espontânea tratada no art. 138 do CTN não se caracteriza pelo mero pagamento em atraso. JUROS/SELIC. MULTA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. INOCORRÊNCIA. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor. Recurso Voluntário Negado.
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PATRONAL, SAT/GILRAT E TERCEIROS Recorrente A ESPECIALISTA ÓPTICAS, COMÉRCIO E EMPREENDIMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2000 a 31/07/2003 BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE POR MEIO DE FOLHAS DE PAGAMENTO E GFIP. CONFISSÃO DÍVIDA. O reconhecimento por meio de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados elide a discussão sobre a apuração da base de cálculo. Informações prestadas em GFIP’s constituemse termo de confissão de dívida, na hipótese do seu não recolhimento. Enunciado da Súmula 436 do STJ. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno. É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade e não cabe ao julgador, no âmbito do contencioso administrativo, afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DESTINADAS TERCEIROS. SEBRAE. INCRA. SALÁRIOEDUCAÇÃO. INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVISTAS EM LEI. O Poder Judiciário já se manifestou sobre o tema de que são constitucionais e legítimas as contribuições destinadas a outras Entidades ou Fundos: Salário Educação/FNDE, SEBRAE e INCRA. SEGURO DE ACIDENTE DE TRABALHO (SAT/GILRAT). INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVISTAS EM LEI. Fl. 355DF CARF MF Emitido em 25/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 O Poder Judiciário já se manifestou sobre o tema de que são constitucionais e legítimas as contribuições destinadas ao SAT/GILRAT. RECOLHIMENTO EM ATRASO. MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZADA. O pagamento de contribuições previdenciárias em atraso está sujeito à incidência de multa moratória. A denúncia espontânea tratada no art. 138 do CTN não se caracteriza pelo mero pagamento em atraso. JUROS/SELIC. MULTA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. INOCORRÊNCIA. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Ronaldo de Lima Macedo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Igor Araújo Soares. Ausente o Conselheiro Tiago Gomes de Carvalho Pinto. Fl. 356DF CARF MF Emitido em 25/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.012323/200892 Acórdão n.º 240202.157 S2C4T2 Fl. 357 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, relativas às contribuições da parte patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT) e as contribuições destinadas a outras Entidades/Terceiros (Salário Educação/FNDE, SESC, SENAC, INCRA e SEBRAE), para as competências 02/2000 a 07/2003. Estão lançadas ainda diferenças de acréscimos legais em recolhimentos efetuados com atraso. O Relatório Fiscal (fls. 195/197) informa que os fatos geradores das contribuições lançadas decorrem das remunerações pagas e/ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais apuradas nas folhas de pagamento e nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP’s). Os valores totais mensais estão indicados no Discriminativo Analítico de Débito (DAD) e no Relatório de Lançamentos (RL), integrantes desta notificação. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 29/03/2003 (fl. 01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 206/248) – acompanhada de anexos de fls. 249/270 –, alegando, em síntese, que: 1. é indevida a cobrança de multa moratória para os pagamentos espontâneos, contidos nas competências de 05/2001 a 01/2003; 2. a contribuição previdenciária tem natureza tributária e deve ser tratada como tal. A redução no prazo para recolhimento da contribuição é ilegal e inconstitucional; 3. é empresa estritamente urbana e não mantém qualquer vínculo com agroindústria ou atividade rural; portanto ilegal e inconstitucional é o recolhimento para o INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) – FUNRURAL (Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural); 4. é ilegal a cobrança do Seguro Acidente do Trabalho (SAT); 5. a cobrança do Salário Educação é ilegal e inconstitucional; 6. a gratificação natalina (décimo terceiro salário) não é salário de contribuição; Fl. 357DF CARF MF Emitido em 25/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 7. a incidência de contribuição sobre a remuneração paga a contribuintes individuais é ilegal e inconstitucional; 8. a taxa SELIC é ilegal e inconstitucional; e a multa moratória é de natureza confiscatória. A Delegacia da Receita Previdenciária em Campinas/SP – por meio da DecisãoNotificação (DN) no 21.424.4/362/2003 (fls. 273/279) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele foi lavrado com pleno embasamento legal e observância às normas vigentes, não tendo a Defendente apresentado elementos ou fatos que pudessem ilidir a sua lavratura. A Notificada apresentou recurso voluntário (fls. 284/328), manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Campinas/SP informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento (fl. 330). É o relatório. Fl. 358DF CARF MF Emitido em 25/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.012323/200892 Acórdão n.º 240202.157 S2C4T2 Fl. 358 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. DA PRELIMINAR: Com relação às alegações de inconstitucionalidade constantes na peça recursal, cumpre esclarecer que a administração pública deve observar o princípio da estrita legalidade, sendo que as leis e atos normativos nascem com a presunção de constitucionalidade, que só pode ser elidida pelo Poder Judiciário, conforme a competência determinada pela Carta Magna. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, ou seja, declarada suspensa pelo Senado Federal nos termos art. 52, X, da Constituição Federal, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, o Regimento Interno (RI) do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) veda aos membros de Turmas de julgamento afastar a aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, e o próprio Conselho uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria por meio do enunciado da Súmula nº 2 (Portaria MF no 383, publicada no DOU de 14/07/2010), transcrito a seguir: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante disso, não examinarei as questões referente à inconstitucionalidade de leis e atos normativos – especificamente a alteração do prazo de recolhimento das contribuições sociais que ocorreu em decorrência das Leis nos 8.670/1993 e 9.063/1995 , dentre outros expostos na peça recursal da Recorrente –, e passo ao exame de mérito. DO MÉRITO: Quanto à alegação de inconstitucionalidade/ilegalidade das contribuições destinadas ao INCRA, frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis os preceitos regulados na Lei n° 8.212/1991 e demais disposições das legislações vigentes que embasaram o lançamento fiscal ora analisado. Dessa forma, quanto à inconstitucionalidade/ilegalidade na cobrança das contribuições destinadas ao INCRA, não há razão para a Recorrente. Como dito, não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional, razão pela qual são exigíveis as contribuições incidentes sobre a remuneração paga, creditada ou debitada aos segurados empregados. Fl. 359DF CARF MF Emitido em 25/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Isso está em consonância com o Enunciado nº 2 de Súmula do CARF, mencionado na análise da preliminar das alegações de inconstitucionalidade expostas na peça recursal. Por outro lado, esclarecemos que a matéria já se encontra pacificada no âmbito do poder Judiciário, firmando entendimento de que é devida a contribuição social destinada ao INCRA, conforme se percebe do recente precedente do Superior Tribunal de Justiça, sob a égide da nova Lei de Recursos Repetitivos, confirase: “TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA.CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. EXTINÇÃO PELAS LEIS 7.787/89 OU 8.212/91.NÃO OCORRÊNCIA. EXAÇÃO EXIGÍVEL DAS EMPRESAS URBANAS. ACÓRDÃO EMBARGADO EM SINTONIA COM A JURISPRUDÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO. SÚMULA 168/STJ. 1. Agravo regimental contra decisão que indeferiu liminarmente os embargos de divergência (art. 266, § 3º, do RISTJ). 2. A jurisprudência da Primeira Seção, consolidada inclusive em sede de recurso especial repetitivo (REsp 977.058/RS, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 10/11/2008), firmou o entendimento de que a contribuição para o Incra (0,2%) não foi revogada pelas Leis 7.787/89 e 8.213/91, sendo exigível, também, das empresas urbanas. 3. Incidência da Súmula 168/STJ: "Não cabem embargos de divergência, quando a jurisprudência do Tribunal se firmou no mesmo sentido do acórdão embargado". 4. Agravo regimental não provido. (AgRg nos EREsp 803.780/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/11/2009, DJe 30/11/2009)”. Logo, são devidas as contribuições destinadas ao INCRA, afastando assim as alegações de ilegalidade dessa contribuição. Quanto à argumentação da inconstitucionalidade/ilegalidade da contribuição social destinada ao SalárioEducação/FNDE, registramos que o Supremo Tribunal Federal (STF) já se pronunciou tanto pela constitucionalidade da legislação anterior à CF/1988 quanto à sua recepção, como também pela constitucionalidade da Lei no 9.424/1996. Diante disso, vejamos o teor do enunciado da Súmula 732 do STF: Súmula 732 STF. É constitucional a cobrança da contribuição do salárioeducação, seja sob a Carta de 1969, seja sob a Constituição Federal de 1988, e no regime da Lei 9.424/1996. Assim, a contribuição destinada ao SalárioEducação/FNDE, por força do Decreto no 87.043/1982, foi fixada a alíquota em 2,5% sobre a folha de salários. Posteriormente, a Lei no 9.424/1996 também disciplinou a matéria no art. 15, in verbis: Art. 15. O SalárioEducação, previsto no artigo 212, § 5° da Constituição Federal e devido pelas empresas, na forma em que vier a ser disposto em regulamento, é calculado com base na alíquota de 2,5% (dois e meio por cento) sobre o total de remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, aos Fl. 360DF CARF MF Emitido em 25/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.012323/200892 Acórdão n.º 240202.157 S2C4T2 Fl. 359 7 segurados empregados, assim definidos no artigo 12, inciso I, da Lei 8.212/91. Por sua vez, a Lei no 9.766/1998 estabeleceu que a contribuição social destinada ao SalárioEducação deverá obedecer os mesmos prazos e condições estipulados para as contribuições sociais devidas Seguridade Social. Lei no 9.766/1998: Art. 1o. A contribuição social do SalárioEducação, a que se refere o art. 15 da Lei n° 9.424, de 24 de dezembro de 1996, obedecerá aos mesmos prazos e condições, e sujeitarseá ás mesmas sanções administrativas ou penais e outras normas relativas as contribuições sociais e demais importâncias devidas Seguridade Social, ressalvada a competência do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FNDE, sobre a matéria. (g.n.) Com isso, afasto a alegação de ilegalidade da contribuição destinada ao SalárioEducação/FNDE. Não merece ser acolhida a alegação da ilegalidade da cobrança da contribuição destinada ao SEBRAE, eis que esta contribuição foi criada pela Lei no 8.029/1990, com nova redação dada pela Lei no 8.154/1990, com a finalidade de atender a política de apoio às micro e pequenas empresas, em que a competência para cobrálas seria do INSS, sendo que a sua incidência se dará sobre a mesma base de cálculo das contribuições ao SESC/SENAC, SESI/SENAI, caracterizando um adicional sobre as contribuições já existentes. Apesar de o SEBRAE ter como objetivo o desenvolvimento das micro e pequenas empresas, a contribuição é recolhida também pelas empresas de médio e grande porte, em virtude do principio da solidariedade social, nos termos do art. 195 da Constituição Federal. Frisamos ainda que a contribuição destinada ao SEBRAE caracterizase como uma espécie tributária de intervenção no domínio econômico, não pressupondo qualquer ligação entre contribuintes e beneficiários. Nesse sentido tem decidido o Poder Judiciário, abaixo transcrito: “CONTRIBUIÇÃO SOCIAL AO SEBRAE. LEI COMPLEMENTAR. A cobrança da contribuição social ao SEBRAE, por incidir sobre a folha de salários, encontra seu fundamento no art. 195, I, da Constituição da República, podendo ser viabilizada por lei ordinária. Desnecessária, pois, lei complementar. O que fez o legislador, ao criar o SEBRAE, foi instituir um adicional à contribuição já existente. Não se trata aqui de contribuição de interesse de categoria econômica a exigir a filiação do sujeito passivo, mas de contribuição de intervenção no domínio econômico que dispensa seja o contribuinte virtualmente beneficiado. (TRF 4a Região; Agravo de Instrumento no 2000.04.01.0357476; DJU em 06/09/2000; p. 152).” Fl. 361DF CARF MF Emitido em 25/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Com isso, em consonância com a legislação previdenciária de regência ao lançamento fiscal, entendo procedente a exigência da contribuição para o SEBRAE. Com relação à alegação de inexigibilidade das contribuições devidas aos Terceiros (SESC, SENAC, SESI e SENAI), tal argumentação não será acatada, pois há previsão constitucional dessas contribuições, nos termos do art. 240 da Constituição Federal, e elas foram lançadas com base na legislação de regência na época do lançamento fiscal ora analisado. Nesse sentido, dispõe o art. 240 da CF/1988: Art. 240. Ficam ressalvadas do disposto no art. 195 as atuais contribuições compulsórias dos empregados sobre a folha de salários, destinadas às entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema sindical. Em observância ao art. 240 da Constituição Federal, todos os empregadores estão sujeitos ao recolhimento das contribuições sociais para o financiamento das entidades privadas de serviço social e de formação profissional. O quadro anexo ao art. 577 da CLT direciona a contribuição do empregador à entidade que maior relação de afinidade apresenta com as atividades por ele desenvolvidas. Logo, não será acatada a alegação supramencionada da Recorrente. Quanto à argumentação da ilegalidade da cobrança da contribuição para o Seguro de Acidente de Trabalho (SAT/GILRAT), tal tese não será acatada, pois o Supremo Tribunal Federal (STF) já pacificou a matéria no julgamento do RE 343.446SC, Relator Ministro Carlos Velloso. Assim, entendeu o STF que a exigência da contribuição para o custeio do SAT, por meio das Leis nos 7.787/1989 e 8.212/1991, é constitucional e também declarou que a delegação ao Poder Executivo – para regulamentação dos conceitos de “atividades preponderante” e “grau de risco leve, médio e grave” – tem amparo constitucional. Transcrevemos a ementa do RE 343.446SC: EMENTA: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. Lei 7.787/89, arts. 3º e 4º; Lei 8.212/91, art. 22, II, redação da Lei 9.732/98. Decretos 612/92, 2.173/97 e 3.048/99. C.F., artigo 195, § 4º; art. 154, II; art. 5º, II; art. 150, I. I Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT: Lei 7.787/89, art. 3º, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4º, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II O art. 3º, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4º da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III As Leis 7.787/89, art. 3º, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não Fl. 362DF CARF MF Emitido em 25/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.012323/200892 Acórdão n.º 240202.157 S2C4T2 Fl. 360 9 implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5º, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. (g.n.) IV Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V Recurso extraordinário não conhecido. (RE 343446, Rel. Min. Carlos Velloso, DJ de 04/04/2004) Ainda o Relator desse RE 343.446SC registrou que: “(...) o regulamento não pode inovar na ordem jurídica, pelo que não tem legitimidade constitucional o regulamento “praeter legem”. Todavia, o regulamento delegado ou autorizado ou “intra legem” é condizente com a ordem jurídicoconstitucional brasileira”. Esse entendimento de que a cobrança da contribuição destinada ao SAT/GILRAT é legítima vem sendo mantido pelo STF, senão vejamos: EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. SAT. TRABALHADORES AVULSOS. CONSTITUCIONALIDADE. 1. Contribuição social. Seguro de Acidente do Trabalho SAT. Lei n. 7.787/89, artigo 3o, II. Lei n. 8.212/91, artigo 22, II. Constitucionalidade. Precedente. 2. A cobrança da contribuição ao SAT incidente sobre o total das remunerações pagas tanto aos empregados quanto aos trabalhadores avulsos é legítima. Precedente. (g.n.) Agravo regimental a que se nega provimento. [...] Voto [...] 4. O Supremo afastou a argumentação de contrariedade do princípio da legalidade tributária [CB, artigo 150, I], uma vez que a lei fixou padrões e parâmetros, deixando para os decretos regulamentares ns. 612/92, 2.173/97 e 3.048/99 a delimitação dos conceitos necessários à aplicação concreta da norma "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio ou grave". (g.n.) (AIAgR 742458/DF,Rel. Min. Eros Grau, Dje 14/05/2009) Depreendese dessas decisões do STF que a complementação dos conceitos de atividade preponderante e do grau de risco para aplicação das alíquotas do SAT/GILRAT pode ser estabelecida por meio de Decreto (regulamento do Poder Executivo), desde que a lei assim o discipline. Nesse sentido, há precedentes judiciais no Tribunal Regional Federal da 4a Região (TRF4), a saber: TRIBUTÁRIO. SEGURO ACIDENTE DO TRABALHO SAT. CONSTITUCIONALIDADE. GRAU DE RISCO. REGULAMENTO. 1. Não há qualquer vício no se atribuir ao Executivo, ou a um órgão do Executivo, a determinação dos Fl. 363DF CARF MF Emitido em 25/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 graus de risco das empresas, para o enquadramento destas nos correspondentes graus de risco. 2. Em muitas situações o legislador é obrigado a editar normas "em branco", cujo conteúdo final é deixado a outro foco de poder, sem que nisso se entreveja a vedada delegação legislativa. As circunstâncias dirão a quem deferir a competência. 3. Não se confunde a delegação legislativa com a suplementação técnica da norma por autoridade administrativa. O que se tem, no caso dos autos, é típica suplementação técnica da lei, atribuída à autoridade administrativa, que não estará exercendo qualquer função normativa e nem mesmo regulamentar. Via de conseqüência, não há qualquer vício de inconstitucionalidade na fixação, pelo Ministério da Previdência Social, dos critérios de enquadramento das empresas nos diversos graus de risco de acidentes do trabalho. 4. Recurso de apelação improvido.(TRF 4a Região, Recurso de Apelação nº 1999.72.01.0062983/SC, Relator Antonio Albino Ramos de Oliveira). (g.n.) Logo, em consonância com a legislação previdenciária de regência ao lançamento fiscal, entendo que são devidas à diferença de contribuição destinada para o Seguro de Acidente de Trabalho (SAT/GILRAT), e afasto as alegações da Recorrente de ilegalidade dessa exação previdenciária. A Recorrente alega que não é cabível multa compensatória nos recolhimentos fora do prazo legal antes de qualquer procedimento fiscal, uma vez que os recolhimentos se deram espontaneamente, conforme art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN). Não confiro razão à recorrente, eis que a denúncia exclui apenas as penalidades de natureza penal, mas não as moratórias, estas devidas pelo recolhimento das contribuições sociais a destempo. Isso está em consonância com o disposto no art. 138 do CTN, in verbis: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. (g.n.) Da leitura desse dispositivo, percebese que se trata da exclusão da multa no caso de descumprimento de obrigação acessória e não da multa de mora, esta prevista à época do lançamento pelo art. 35, inciso I, da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 239 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999. Lei no 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei n°9.876, de 26.11.99) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: (Redação dada pela Lei n° 9.876, de 26.11.99) (g.n.) a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; Fl. 364DF CARF MF Emitido em 25/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.012323/200892 Acórdão n.º 240202.157 S2C4T2 Fl. 361 11 b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei n° 9.876, de 26.11.99) c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei n° 9.876, de 26.11.99) Decreto no 3.048/1999 – Regulamento da Previdência Social (RPS): Art. 239. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas a: (...) III multa variável, de caráter irrelevável, nos seguintes percentuais, para fatos geradores ocorridos a partir de 28 de novembro de 1999: (Redação dada pelo Decreto 3.265, de 29.11.99) (g.n.) a) para pagamento após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: Além disso, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem entendido que a denúncia espontânea não se aplica para o caso de tributo lançado por homologação, que é o caso das contribuições sociais e apuradas na época pelo INSS, conforme decisão abaixo: EMENTA: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138 DO CTN. PARCELAMENTO DE DÉBITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTO DO MONTANTE DEVIDO COM ATRASO. MULTA MORATÓRIA. (...) 1. A simples confissão de dívida acompanhada do pedido de parcelamento do débito não configura denúncia espontânea a dar ensejo à aplicação da regra ínsita no art. 138 do CTN, de modo a eximir o contribuinte do pagamento de multa moratória. 2. Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, não configura denúncia espontânea, com a consequente exclusão da multa moratória, a hipótese em que o contribuinte declara e recolhe, com atraso, seu débito tributário (...). (REsp. 512.245/RS, 2a Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, j. 07/10/2004) (g.n.) Esse entendimento do STJ decorre do fato de que é pressuposto essencial da denúncia espontânea o total desconhecimento do Fisco quanto à existência do tributo denunciado, que não é o caso do presente processo, pois os valores apurados foram declarados em folhas de pagamento e em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP’s), conforme ficou registrado no Relatório Fiscal (fls. 195/197). Assim, o mero pagamento de contribuições em atraso não caracteriza a denúncia espontânea tratada no art. 138 do CTN. Fl. 365DF CARF MF Emitido em 25/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 No que tange à arguição de inconstitucionalidade, ou ilegalidade, de legislação previdenciária que dispõe sobre a utilização taxa de juros (taxa SELIC), frise se que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis as normas reguladas na Lei n° 8.212/1991. Isso está em consonância com o Enunciado nº 2 de Súmula do CARF, mencionado na análise da preliminar de alegações de inconstitucionalidade. Esclarecemos que foi correta a aplicação do índice pelo Fisco, pois o art. 144 do CTN dispõe que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e regese pela lei então vigente, ainda que modificada ou revogada, e a cobrança de juros (taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC) estava prevista em lei específica da previdência social, art. 34 da Lei n° 8.212/1991, sem as alterações da Lei no 11.941/2009, transcrito abaixo: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n ° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996. (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. A propósito, convém mencionar que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria por meio do enunciado da Súmula nº 4 (Portaria MF no 383, publicada no DOU de 14/07/2010), nos seguintes termos: Súmula CARF nº 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados Fl. 366DF CARF MF Emitido em 25/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.012323/200892 Acórdão n.º 240202.157 S2C4T2 Fl. 362 13 pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Não tendo o contribuinte recolhido à contribuição previdenciária em época própria, tem por obrigação arcar com o ônus de seu inadimplemento. Caso não se fizesse tal exigência, poderseia questionar a violação ao principio da isonomia, por haver tratamento similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que não recolheram no prazo fixado pela legislação. Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de cobrança de juros, estando os valores descritos no lançamento fiscal, em consonância com o prescrito pela legislação previdenciária, eis que o art. 34 da Lei nº 8.212/1991 dispunha que as contribuições sociais não recolhidas à época própria ficavam sujeitas aos juros SELIC e multa de mora, todos de caráter irrelevável. Isso está em consonância com o próprio art. 161, § 1°, do CTN, pois havendo legislação especifica dispondo de modo diverso, abrese a possibilidade de que seja aplicada outra taxa e, no caso das contribuições previdenciárias pagas com atraso, a taxa utilizada é a SELIC. Lei nº 5.172/1966 CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN): Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (g.n.) O disposto no art. 161 do CTN não estabelece norma geral em matéria de legislação tributária. Portanto, sendo materialmente lei ordinária pode ser alterado por outra lei de igual status, não havendo necessidade de lei complementar. Ainda, conforme estabelecia os arts. 34 e 35 da Lei n° 8.212/1991, sem as alterações da Lei no 11.941/2009, a multa de mora é bem aplicável pelo não recolhimento em época própria das contribuições previdenciárias. Além disso, o art. 136 do CTN descreve que a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente ou do responsável, e da natureza e extensão dos efeitos do ato. O art. 35 da Lei n° 8.212/1991 dispõe, nestas palavras: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). Fl. 367DF CARF MF Emitido em 25/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). § 1º Nas hipóteses de parcelamento ou de reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o Caput e seus incisos. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de Fl. 368DF CARF MF Emitido em 25/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.012323/200892 Acórdão n.º 240202.157 S2C4T2 Fl. 363 15 competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.876/99) Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de cobrança da multa, estando os valores descritos no lançamento fiscal, bem como os seus fundamentos legais (fls. 189/192), em consonância com o prescrito pela legislação previdenciária. Quanto ao argumento de que a multa aplicada tem caráter confiscatório, o que é vedado pela Constituição Federal, já que ela seria abusiva e desproporcional, e deveria ser relevada, razão não confiro ao Recorrente, já que a multa foi aplicada em conformidade à legislação previdenciária descrita acima. Ademais, conforme registramos anteriormente, a verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. Logo, essa verificação de que a multa aplicada vai de encontro ao princípio constitucional da isonomia e teria caráter confiscatório, ora pretendida pela Recorrente, exacerba a competência originária dessa Corte administrativa, que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. Registramos que a vedação constitucional quanto ao caráter confiscatório se dá em relação ao tributo e não à multa pecuniária ora discutida pela recorrente, sendo esta última a apreciada no caso concreto. Nesse sentido preceitua o art. 150, IV, da Constituição Federal de 1988: Art. 150 Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) IV utilizar tributo com efeito de confisco; Portanto, não possui natureza de confisco a exigência da multa moratória, conforme prevê o art. 35 da Lei n° 8.212/1991, já que se trata de uma multa pecuniária. Não recolhendo na época própria o sujeito passivo tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. Fl. 369DF CARF MF Emitido em 25/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso, REJEITAR A PRELIMINAR e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 370DF CARF MF Emitido em 25/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10380.004529/2006-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3403-000.281
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Antonio Carlos Atulim – Presidente Ivan Allegretti – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho e Liduína Maria Alves Macambira. Relatório Tratase de auto de infração (fls. 05/18) lavrado para a exigência de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) em relação aos fatos geradores ocorridos entre 31/01/1998 e 31/03/2003. A notificação do contribuinte aconteceu em 18/05/2006 (fl. 05). A descrição dos fatos que deram causa ao lançamento é, em síntese, a seguinte: (...) foi constatado que a contribuinte deixou de informar e nada recolheu a título de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, haja vista que todo o faturamento foi excluído da base de cálculo por ser tratado como receita oriunda de ato cooperativo. Fl. 527DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0121.20593.CD1G. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10380.004529/200622 Resolução n.º 3403000.281 S3C4T3 Fl. 2 2 Ocorre que as operações praticadas pela contribuinte, em sua esmagadora maioria, são vendas de segurosaúde/plano de saúde médicohospitalarodontológico, que se caracterizam como ATOS NÃO COOPERATIVOS DIVERSOS DOS LEGALMENTE PERMITIDOS em função da contratação e revenda de serviços de terceiros para suprir os serviços que os COOPERADOS não podem oferecer aos usuários (já que se trata de uma cooperativa de serviços médicos), fatos que evidenciam atos de intermediação de negócios, ou seja, mercancia. A UNIMED FORTALEZA, independentemente do que conste nos seus estatutos, divulga fartamente na mídia e vende no mercado, a qualquer pessoa interessada, plano de segurosaúde que assegura a cobertura de assistência médica, diárias e serviços hospitalares, laboratoriais, odontológicos, etc, inclusive seguro de vida, nos mesmos moldes de outras empresas que desenvolvem estas atividades, ficando os usuários sujeitos ao pagamento de taxas de inscrição e de mensalidades, mesmo que não se utilizem dos serviços contratados. Os procedimentos descritos vão de encontro aos objetivos do cooperativismo por serem próprios das sociedades mercantis, como já abordados no PN 38/80, verbis: “3.2 Atos NãoCooperativos Diversos dos Legalmente Permitidos Se, conjuntamente com os serviços dos sócios, a cooperativa contrata com a clientela, a preço global não discriminativo, ainda o fornecimento, a esta, de bens ou serviços de terceiros e/ou cobertura de despesas com (a) diárias e serviços hospitalares, (b) serviços de laboratórios, (c) serviços odontológicos, (d) medicamentos e (e) outros serviços, especializados ou não, por não associados, pessoas físicas ou jurídicas, é evidente que estas operações não se compreendem nem entre os atos cooperativos nem entre os nãocooperativos excepcionalmente facultados pela lei, resultando, portanto, em modalidade contratual com traços de segurosaúde. 3.3 Intermediação Como estas obrigações contratuais não poderão ser cumpridas diretamente pela cooperativa porque seu objeto social é voltado internamente aos associados, nem pelos associados na condição de prestadores de serviços médicos, tornase logicamente imprescindível a aquisição daqueles bens/serviços de outras sociedades ou de outros profissionais, o que, evidentemente, é característica da mercancia, ou seja a intermediação. 3.4 Organização Mercantil Estas atividades, francamente irregulares para este tipo societário, estão iniludivelmente contidas em contexto de modelo comercial, uma vez que seu perfil operacional, neste particular, envolve.(1) atividade econômica, (2) fins lucrativos, (3) habitualidade, (4) organização voltada à circulação de bens e serviços e (5) assunção de riscos. Esta afirmação Fl. 528DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0121.20593.CD1G. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10380.004529/200622 Resolução n.º 3403000.281 S3C4T3 Fl. 3 3 melhor estará corroborada se abstrairmos, dentre as obrigações assumidas com a clientela, a de prestação de serviços médicos pelos próprios associados, percebese, então, que seria lógica e juridicamente insustentável considerarse como cooperativa a entidade :que tivesse como único objetivo a revenda de. bens e serviços. (...) Destarte, as receitas auferidas pela UNIMED FORTALEZA, no desempenho de sua atividade (venda de planos de saúde), não se caracterizam como as de ATO COOPERATIVO, mas sim, como decorrentes de operações de mercado, vedadas pelo art. 79, parágrafo único, da Lei n" 5.764/71 Lei das Cooperativas , insusceptíveis, portanto, de quaisquer benefícios, devendo, pois, submeterem se à tributação, de acordo com as normas de regência, "ex vi" da Lei nº 9.718/98 e suas alterações. As receitas que formam as bases de cálculo, referentes ao período compreendido entre agosto de 2002 e dezembro/2004, constam da escrituração contábil e correspondem às declaradas nas fichas 20A da DIPJ/2003, 26A da DIPJ/2004 e 25 da DIPJ/2005. No que diz respeito ao anocalendário de 2005 os dados foram extraídos da contabilidade apresentada pela contribuinte e todas estão demonstradas, bem como o cálculo da contribuição, no papel de trabalho "Demonstrativo de Situação Fiscal Apurada", em anexo. " (fls. 6/7; grifos editados) O contribuinte apresentou impugnação (fls. 69/75), alegando, em síntese, (1) que apenas e exclusivamente pratica atos cooperativos, em relação aos quais goza de isenção, e que conforme a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e do Tribunal Regional Federal da 5a Região, tal isenção não foi validamente revogada, visto que apenas poderia ser validamente revogada por meio de Lei Complementar, não sendo válida a pretensão de revogá la por meio de lei ordinária, e (2) que, ainda que houvesse a tributação, a Fiscalização deixou de levar em consideração as deduções aplicáveis às operadoras de planos de assistência à saúde, previstas no art. 3º, § 9º, da Lei nº 9.718/98, e que não se poderia alcançar os ingressos financeiros, argumentando ainda que “caso fossem cobrar os tributos exigidos no AI, estes deveriam recair apenas nos valores que ficam na cooperativa, posto que os demais, apenas transitam em sua contabilidade, sem representar patrimônio, e assim sem gerar capacidade tributária, para a entidade” (fl. 75). Em seguida o contribuinte apresentou petição (fls. 130/132) informando que “por um lapso, deixou de informar que, no Processo de n.° 2001 .81.00.00.003863 5, promovido através da MM. 4ª Vara Federal da Seção Judiciária do Ceará, em face de acórdão unânime da Egrégia Terceira Turma do Colendo Tribunal Regional Federal da Quinta Região, Relator S.Exa., o DD. Des. Fed. Ridalvo Costa, publicado no DOU de n.° 140, Seção 2, pág. 5821618 2210712005, foi deferida a segurança, para que a Fazenda Nacional deixasse de cobrar o PISICOFINS da requerente” (fl. 130) e que “provado que em 2210712005, ocorreu decisão que em sede mandamental , que impedia a Fazenda de cobrar tais tributos, os Autos de Infração, lavrados em 18105/2006, estão afrontando essa decisão, razão pela qual, só por isto, devem ser considerados insubsistentes”(fl. 132). Fl. 529DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0121.20593.CD1G. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10380.004529/200622 Resolução n.º 3403000.281 S3C4T3 Fl. 4 4 Depois de determinar a realização de diligência, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Fortaleza/CE (DRJ), por meio do Acórdão nº 0810.388, de 23 de março de 2007 (fls. 184/195), manteve apenas em parte o auto de infração, resumindo seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Tomase como não formulado o pedido de perícia que deixa de atender aos requisitos do inciso IV do art. 16 do Decreto n° 70.235/72, principalmente quando este se revela prescindível. RENUNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ATIVIDADE VINCULADA. A interposição de ação judicial, seja qual for a modalidade, ainda que preencha as condições do artigo 151 do CTN para suspender a exigibilidade do crédito, não elide o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito Tributário. CRÉDITO COM EXIBILIDADE SUSPENSA. INAPLICABILIDADE DA MULTA DE OFÍCIO. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de oficio. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 COOPERATIVAS. COFINS. DEDUÇÃO DAS SOBRAS. FATES. As sociedades cooperativas poderão excluir da base de cálculo da COFINS, as sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social. Lançamento Procedente em Parte Fl. 530DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0121.20593.CD1G. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10380.004529/200622 Resolução n.º 3403000.281 S3C4T3 Fl. 5 5 A DRJ concluiu pela exclusão da multa de 75%, em razão de haver decisão judicial vigente impedindo a exigência do tributo em relação ao contribuinte, e pela redução da base de cálculo em relação aos valores destinados à constituição do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social FATES, em respeito ao art. 1º da Lei nº 10.676/2003, de acordo com os valores apurados na diligência fiscal (fls. 149/150). Em razão dos valores exonerados serem superiores ao previsto na Portaria MF 375/2001, houve a interposição de Recurso de Ofício. O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 199/205), no qual reitera os fundamentos da impugnação, requerendo ao Conselho “declarar a nulidade do auto e determinar a revisão do AI de acordo com a Lei 9718 e/ou arquivar o AI em acatamento a decisão mandamental mencionada” (fl. 205). Com efeito, ao mesmo tempo em que reclama que a Fiscalização não respeitou as deduções legais, pedindo a “aplicação do § 9º do art. 3º da Lei 9718, na redação que definitivamente deulhe a MP 21583512001, que, de forma regrada pela Instrução Normativa de n.° 635/06SRF, reduziu a base imponível do PIS/COFINS para as cooperativas operadoras de planos de saúde, permitindolhes excluir os sinistros, responsabilidades cedidas, etc” (fl. 203, item 5), também alega que a ação judicial que propôs foi julgada a seu favor pelo TRF da 5ª Região, nos seguintes termos: 10. Acaso se possa manter a autuação, no mérito, com o devido respeito, ela é de total insubsistência. 11. É que, como vimos, em processo exatamente de interesse da Unimed Fortaleza e a União, Ação n.° 2001.81.00.0038655 oriunda da 4ª Vara da Seção Judiciária do Ceará, que, em sede recursal, teve a seguinte decisão, extraída do sítio oficial da v. Corte (www.trf5.gov.br): REPUBLICÁ FEDERATIVA DO BRASIL TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5ª REGIÃO GABINETE DO DESEMBARGADOR FEDERAL RIDALVO COSTA APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Nº 87178 CE APTE: UNIMED DE FORTALEZA COOPERATIVA DE TRABALHO MEDICO LTDA ADV/PROC: RODOLFO LICURGO TERTULINO DE OLIVEIRA E OUTROS APDO: FAZENDA NACIONAL RELATOR: DESEMBARGADOR FEDERAL RIDALVO COSTA E M E N T A: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. ATOS COOPERATIVOS. NÃO INCIDÉNCIA. LEI N.° 9.718198 E MP N.° 1.8586199. Fl. 531DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0121.20593.CD1G. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10380.004529/200622 Resolução n.º 3403000.281 S3C4T3 Fl. 6 6 Não incidem o PIS e a COFINS sobre atos cooperativos próprios, de prestação de serviço pela cooperativa aos seus associados. Ausência de fim lucrativo. (Precedentes do STJ). ACÓRDÃO Vistos, etc. DECIDE a Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 5' Região, por unanimidade, dar provimento à apelação, nos termos do relatório e voto anexos, que passam a integrar o presente julgamento. Recife, (data do julgamento) Des. Federal Ridalvo Costa Relator 12. Tratandose de ação mandamental, sendo coincidente as partes e a tese (não incidência de tributos PISICOFINS sobre todos os atos da cooperativa) é evidente que tendo tomado conhecimento da decisão, manter o presente processo administrativo é desobedecer decisão judicial, com todas as conseqüências daí decorrentes. É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator. O recurso é tempestivo (fls. 198 e 199), motivo pelo qual dele conheço. A matéria de fundo trata da incidência da Cofins em relação às cooperativas de trabalho médico, sendo que neste caso concreto a recorrente também propôs medida judicial para a discussão do tema. Foi por isso, aliás, que o acórdão da DRJ deixou de conhecer da impugnação, em razão da impossibilidade da concomitância da discussão nas vias administrativa e judicial. Verificandose a situação da discussão judicial, consta do andamento do caso a notícia de que a recorrente teria pedido desistência da discussão judicial, inclusive com a renúncia do direito em que se funda a ação. Com efeito, é este o teor do andamento obtido pelos sistema informatizado, disponível no sítio do TRF da 5 ª Região em relação à Apelação em Mandado de Segurança nº 2001.81.00.0038635 (CNJ 000386398.2001.4.05.8100 ou AMS87178/01CE): Em 09/06/2011 08:31 Despacho do Desembargador(a) Federal VicePresidente [Publicado em 10/06/2011 00:00] [Guia: 2011.001048] (M124) DECISÃO A impetrante formulou pedido de desistência de qualquer direito obtido com o julgamento da apelação, renunciando a qualquer alegação de Fl. 532DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0121.20593.CD1G. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10380.004529/200622 Resolução n.º 3403000.281 S3C4T3 Fl. 7 7 direito sobre o qual se funda a ação, para o fim de aderir ao parcelamento instituído pela Lei nº. 11.941/2009. Posteriormente, peticiona requerendo a determinação de conversão em renda da União de valores depositados em juízo para o pagamento de débitos vinculados às inscrições nº. 3071000077556 e nº. 3061001451810. Os depósitos referidos encontramse suficientemente comprovados pelos documentos de fls. 366/407.Por outro lado, os extratos de consulta acostados às fls. 411/414 pela Fazenda Nacional dão conta de que dentre os débitos imputados à impetrante, apenas os vinculados às inscrições reportadas (3071000077556 e 3061001451810) apresentamse com exigibilidade ativa, estando a dos demais suspensa por força de adesão ao parcelamento instituído pela Lei nº. 11.941/2009. Ante o exposto:1) Homologo o pedido de desistência e a renúncia do direito sobre o qual se funda a ação;2) Sem honorários por se tratar de mandado de segurança;3) Custas pela impetrante, tendo em vista que a renúncia, após o julgamento, equivale à improcedência para fins de sucumbência;4) Julgo prejudicados os Recursos Especial e Extraordinário interpostos pela Fazenda Nacional;5) Embora a conversão, via de regra, somente ocorra após o trânsito em julgado, no caso, a providência foi requerida pelo próprio contribuinte. Assim, inexistindo qualquer prejuízo em desfavor da Fazenda Nacional, defiro o pedido formulado pela impetrante, para determinar a conversão em renda da União de valores depositados para o pagamento dos débitos vinculados às inscrições nº. 3071000077556 e nº. 3061001451810.6) No que tange à liberação do valor que sobejar, a questão deve ser decidida pelo Juízo de Primeiro Grau.Cumprase. P.I., baixandose os autos. Recife, 08 de junho de 2011. Desembargador Federal Rogério Fialho Moreira VicePresidente do TRF da 5ª Região Ora, se houve a desistência da ação, inclusive com a renúncia ao direito em que se funda a ação, é de se supor que o contribuinte tenha incluído ou pretendido incluir o presente crédito tributário no referido parcelamento. Ante tal contexto dos fatos, com efeito, parece de rigor que se converta o julgamento em diligência para que a Delegacia de origem intime o recorrente a informar e esclarecer quanto ao alcance da referida renúncia, inclusive apresentando cópia dos atos processuais em que foi formulada e homologada, e, se o caso, explicando e demonstrando em que medida o contribuinte entende ter sido afetado ou ainda subsistir seu interesse na presente discussão administrativa. Mesmo porque, de acordo com o previsto no art. 13 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6/2009, a inclusão do débito que se discute nestes autos depende de desistência do recurso voluntário, não constando que o tenha feito, nada obstante tenha praticado ato incompatível com o interesse de recorrer, ao desistir da ação judicial, na medida em que parece pretender discutir os mesmos fundamentos em âmbito judicial e administrativo. O contribuinte deve informar, ainda, se existe ou propôs qualquer outra medida judicial em andamento a respeito da sua condição de contribuinte de PIS e Cofins, Fl. 533DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0121.20593.CD1G. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10380.004529/200622 Resolução n.º 3403000.281 S3C4T3 Fl. 8 8 apresentando cópia das peças processuais (petição inicial, decisão, sentença, apelação, acórdãos etc). Ao final, deve a Delegacia de origem elaborar relatório conclusivo da diligência, em seguida promovendo a intimação do contribuinte para, querendo, manifestarse em 15 dias, depois devolvendose os autos a este Conselho para julgamento. É como voto. Ivan Allegretti Fl. 534DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0121.20593.CD1G. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por IVAN ALLEGRETTI em 13/03/2012 17:27:36. Documento autenticado digitalmente por IVAN ALLEGRETTI em 13/03/2012. Documento assinado digitalmente por: ANTONIO CARLOS ATULIM em 21/03/2012 e IVAN ALLEGRETTI em 13/03/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 20/01/2021. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP20.0121.20593.CD1G Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 17FE09D98FFB1181BD81F9570404819EB1E831BD Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10380.004529/2006-22. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 36138.000140/2005-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004, 01/11/2004 a 30/11/2004, 01/12/2004 a 31/12/2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RETENÇÃO 11%. IMPOSSIBILIDADE DE
INDEFERIMENTO DO PEDIDO APENAS EM RAZÃO DA EXISTÊNCIA
DE SUPOSTOS INDÍCIOS DE IRREGULARIDADE NO RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DEVIDAS PELA REQUERENTE.
Entendendo o servidor, quando da análise do pedido de restituição, que há indícios de recolhimento a menor de contribuições previdenciárias pela empresa requerente, deve comunicar este fato ao departamento responsável pela fiscalização, para que seja realizada diligência na empresa a fim de investigar esses indícios e, sendo o caso, proceder à lavratura do competente auto de infração. Não pode o fisco, simplesmente, indeferir o pedido de restituição por supostos indícios de irregularidades.
Da mesma forma, supostas irregularidades quanto à contabilização das receitas obtidas pela Recorrente em razão dos serviços por ela prestados, e das despesas incorridas nesses serviços, não são suficientes para o indeferimento do pedido de restituição.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-002.101
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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EMPRESAS EM GERAL Recorrente MARCO PROJETOS E CONSTRUCOES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004, 01/11/2004 a 30/11/2004, 01/12/2004 a 31/12/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RETENÇÃO 11%. IMPOSSIBILIDADE DE INDEFERIMENTO DO PEDIDO APENAS EM RAZÃO DA EXISTÊNCIA DE SUPOSTOS INDÍCIOS DE IRREGULARIDADE NO RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DEVIDAS PELA REQUERENTE. Entendendo o servidor, quando da análise do pedido de restituição, que há indícios de recolhimento a menor de contribuições previdenciárias pela empresa requerente, deve comunicar este fato ao departamento responsável pela fiscalização, para que seja realizada diligência na empresa a fim de investigar esses indícios e, sendo o caso, proceder à lavratura do competente auto de infração. Não pode o fisco, simplesmente, indeferir o pedido de restituição por supostos indícios de irregularidades. Da mesma forma, supostas irregularidades quanto à contabilização das receitas obtidas pela Recorrente em razão dos serviços por ela prestados, e das despesas incorridas nesses serviços, não são suficientes para o indeferimento do pedido de restituição. Recurso Voluntário Provido. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Julio César Vieira Gomes Presidente. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ana Maria Bandeira, Tiago Gomes de Carvalho Pinto, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 36138.000140/200592 Acórdão n.º 240202.101 S2C4T2 Fl. 397 3 Relatório Tratase de pedido de restituição apresentado em 26/01/2005, referente ao valor excedente da retenção de 11% incidente sobre o valor da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços a título de contribuição devida à Seguridade Social, nos meses de 10/2004, 11/2004 e 12/2004. A d. Delegacia da Receita Federal em Porto Alegre – RS, ao analisar o processo (fls. 296/297), pronunciouse pelo indeferimento do pedido de restituição, sob os argumentos de que (i) o valor da remuneração da folha de pagamento é muito inferior ao valor da mãodeobra contida nas notas fiscais; e (ii) a empresa não contabiliza as obras através da utilização de centros de custos distintos para cada uma. Inconformada, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fls. 300/314) alegando que (i) não utilizou notas fiscais individuais por serem fatos geradores comuns para todas as obras, tendo adotado o procedimento pro rata, e pleiteando que um simples erro formal não poderia inviabilizar o pedido; (ii) caso não seja reconsiderado esse equívoco da Recorrente na contabilização das notas fiscais estariam sendo violados os princípios constitucionais da igualdade, nãoconfisco e da capacidade contributiva; e (iii) deveria ser aberto prazo de 20 dias para as retificações necessárias. A d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre – RS, ao analisar o processo (fls. 316/319), julgou a manifestação de inconformidade improcedente, sob os argumentos de que (i) não foi possível verificar a regularidade dos valores lançados na folha de salários pelo fato da Recorrente não ter utilizado centro de custos distintos para cada obra; (ii) não há previsão legal que autorize a abertura do prazo de 20 dias para a regularização do pedido de restituição; (iii) precluiu o direito à apresentação de documentos após a manifestação de inconformidade; e (iv) o órgão administrativo não tem competência para se manifestar sobre questões que envolvem suposta inconstitucionalidade. A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 323/393) alegando que (i) o entendimento emanado fere o princípio da segurança jurídica, uma vez que em diversos outros casos a Recorrente teve o seu direito à restituição deferido; (ii) apesar de inexistir a divisão em centros de custos, a contabilidade da empresa é extremamente organizada, devendo prevalecer o princípio da verdade material e da instrumentalidade do processo; e (iii) o indeferimento da restituição viola os princípios constitucionais da igualdade e nãoconfisco. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Tratase de pedido de restituição apresentado em 26/01/2005, referente ao valor excedente da retenção de 11% incidente sobre o valor da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços a título de contribuição devida à Seguridade Social, nos meses de 10/2004, 11/2004 e 12/2004. A autoridade fiscal justifica o indeferimento do presente pedido de restituição no fato de que o valor da remuneração da folha de pagamento é muito inferior ao valor da mão deobra contida nas notas fiscais, e também porque a empresa não contabiliza as obras por meio da utilização de centros de custos distintos para cada uma. Contudo, analisando os documentos trazidos aos autos e os argumentos da Recorrente, entendo que tem razão em suas alegações. Primeiramente, porque a alegação da autoridade fiscal de que o valor da folha de pagamento da empresa seria muito inferior ao valor da mãodeobra destacada nas notas fiscais não é motivo para o indeferimento do pedido de restituição. Isso porque, ao contrário do que pode ter entendido o fiscal responsável pela análise da questão, tal fato em hipótese alguma beneficiou o contribuinte, já que sofreu a retenção de valor muito superior ao que seria devido para a quitação da contribuição previdenciária incidente sobre a sua folha de salários. Vejase que as retenções objeto do presente pedido de restituição datam de 2004, e até hoje, aproximadamente 7 anos após, a empresa ainda não teve o excedente restituído. Até se poderia cogitar, e se imagina que pode ter sido esta a preocupação do fiscal que analisou o pedido de restituição, que poderia a Recorrente estar fraudando a previdência social pelo fato de possuir uma folha de salários muito baixa diante do tipo de serviço que presta. No entanto, esta possível e eventual suposição não pode inviabilizar o direito do contribuinte à restituição, mormente quando não se tem notícia nos autos de que a Recorrente teria sofrido procedimento de fiscalização, e sido autuada pelo motivo destacado acima. Caso fosse essa, de fato, a preocupação do servidor, o procedimento que deveria ter sido seguido era a fiscalização da empresa para investigar se havia mesmo irregularidades nos recolhimentos realizados sobre a sua folha de salários, e não simplesmente, de forma cômoda, barrar a retenção dos valores excedentes, retidos pelos tomadores dos serviços prestados pela empresa. Ademais, também entendo que não deve prevalecer a segunda e última justificativa posta pelo fiscal para indeferir a restituição da Recorrente, que é o fato de a empresa não contabilizar as obras mediante a utilização de centros de custos distintos para cada uma, eis que, da mesma forma que entendi em relação à primeira justificativa apresentada pelo fisco, a autoridade fiscal dispunha de outros meios para fiscalizar a empresa e, em sendo Fl. 4DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 36138.000140/200592 Acórdão n.º 240202.101 S2C4T2 Fl. 398 5 necessário, exigirlhe os montantes eventualmente devidos, não sendo o pedido de restituição o procedimento correto para isso. Logo, entendendo o fisco que o contribuinte não seguiu as determinações legais quanto à forma de contabilização das receitas vinculadas aos serviços que presta, o que poderia configurar descumprimento ao disposto no art. 32, II da Lei nº 8.212/1991, deveria a fiscalização ter procedido à lavratura de auto de infração para exigir a multa devida pelo contribuinte, do que, aliás, não se tem notícia, e não simplesmente indeferir a restituição pleiteada. Por esses motivos, entendo que deve ser deferida a restituição ao contribuinte dos valores destacados na fl. 296 dos presentes autos. Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 5DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES
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